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Numero do processo: 11634.720456/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
RECURSO VOLUNTÁRIO. COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto.
O julgamento administrativo limitar-se-á à matéria diferenciada, se porventura houver.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, nos termos do art. 144, caput, do CTN, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
LANÇAMENTO DE TRIBUTOS DISTINTOS EM AUTO DE INFRAÇÃO ÚNICO. POSSIBILIDADE.
A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada, referentes a tributos ou a infrações distintas, poderão ser objetos de um único processo, nos casos em que forem formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Art. 9º, §1º, do Dec. nº 70.235/72.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF.
A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo-lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO PARCIAL, para que o regramento referente à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedeça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, em respeito ao Princípio Tempus Regit Actum, disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, c, do CTN. Vencidos os Conselheiros MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI e ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, que negavam provimento ao Recurso Voluntário.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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COISA JULGADA ADMINISTRATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece, em sede de Recurso Voluntário, de questão que já se encontre plasmada pelo atributo da Coisa Julgada Administrativa, adquirido mediante decisão administrativa da qual não caiba mais recurso, proferida em Processo Administrativo Fiscal distinto. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se porventura houver. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, nos termos do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 04 56 /2 01 1- 11 Fl. 386DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 art. 144, caput, do CTN, observado o limite máximo de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. LANÇAMENTO DE TRIBUTOS DISTINTOS EM AUTO DE INFRAÇÃO ÚNICO. POSSIBILIDADE. A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada, referentes a tributos ou a infrações distintas, poderão ser objetos de um único processo, nos casos em que forem formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. Art. 9º, §1º, do Dec. nº 70.235/72. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA 28 DO CARF. A representação fiscal para fins penais será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PERÍCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. A perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a consolidação do seu convencimento acerca da solução da controvérsia objeto do litígio, sendo lhe facultado indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em CONHECER PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que o regramento referente à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedeça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, em respeito ao Princípio Tempus Regit Actum, disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Vencidos os Conselheiros MIRIAM DENISE XAVIER LAZARINI e ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI, que negavam provimento ao Recurso Voluntário. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa, Fl. 387DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 387 3 Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Relatório Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 Data da lavratura dos AIOP: 17/08/2011. Data da Ciência dos AIOP: 23/08/2011. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR, que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio dos Autos de Infração nº 37.082.6612 , a fls. 03/19, e nº 37.082.6620, a fls. 20/37, consistentes em contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, e as destinada a terceiros, levantadas sobre os valores pagos a pessoas físicas na qualidade de segurados empregados e segurados contribuintes individuais no período de 01/2007 a 12/2008, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 38/43. Consta no Relatório Fiscal que a empresa ora recorrente foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES (Lei nº 9.317/96), a partir de 01/01/2007, e do Simples Nacional (LC nº 123/2006), a partir de 01/07/2007, mediante os Atos Declaratórios Executivos nº 85 e nº 86, de 16/12/2010, respectivamente, a fls. 160/161, em razão de excesso de receita bruta em relação ao limite de R$ 2.400.000,00, no ano calendário de 2006. Em decorrência da exclusão do referido Sistema Simplificado, foram lançados de ofício as contribuições previdenciárias devidas pela empresa e aquelas devidas a Terceiros (FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE), apuradas por meio dos autos de infração acima citados. Os créditos previdenciários foram apurados através dos dados extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, alimentados pelo próprio contribuinte através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, Social GFIP, e encontramse discriminados no relatório Discriminativo do Débito DD, a fls. 04/10 e a fls. 21/25. Em razão de a autuada ter deixado de informar em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias (valores lançados nos Autos de Infração em questão), o que configura, em tese, o ilícito tipificado no art. 337A do Decreto Lei nº 2.848/1940 – Código Penal, houvese por formalizada Representação Fiscal para Fins Penais (autos nº 11634.720458/201118, em apenso). Devidamente cientificado da lavratura dos mencionados Autos de Infração, em 23/08/2011, porém irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 169/215 e a fls. 223/267. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 388 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0639.862 – 6ª Turma da DRJ/CTA, a fls. 277/290, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 15/04/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 292. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 294/343, fundamentando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Que não houve nenhum consentimento expresso ou equivalente autorizador da quebra do seu sigilo bancário. Assim, segundo a jurisprudência, permitir a possibilidade da sua quebra, sem processo judicial instaurado e a requisição do juiz, eiva de completa ilegalidade o presente auto de infração, vez que fulcrado em prova obtida por meio ilícito; · Que há requisitos infraconstitucionais para a autoridade administrativa promover a quebra de sigilo bancário dos contribuintes sem intervenção do Poder Judiciário (em que pese tais normas serem inconstitucionais e ilegais), conforme o disposto no art. 2º, § 5º, do Decreto nº 3.724/2001 (quando houver procedimento de fiscalização em curso e o exame das informações for considerado indispensável); · Que a autoridade administrativa também não demonstrou de forma individualizada, lançamento bancário a lançamento bancário, qual a receita omitida e qual a não omitida, detendose a produzir e anexar ao auto de infração mero resumo, em clara ofensa ao disposto no art. 287 do RIR/99, bem como aos princípios da verdade material, do contraditório e ampla defesa e do devido processo legal, o que prejudicou a defesa da Impugnante; · Que a Impugnante utilizase de sistemática de escrituração contábil, fazendo com que todos os depósitos bancários tenham como contrapartida do lançamento contábil a conta caixa, de forma que não se sustentam exigências calçadas na presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, cujo fato indiciário é a verificação de depósitos bancários de origem não comprovada, quando as operações tenham sido contabilizadas. Embora a fiscalização não precise provar o fato presumido – a omissão de receitas, não está dispensada de fazer, de forma indireta e cabal, a prova da ocorrência do fato índice; · Que não incidem Contribuições Previdenciárias sobre verbas de natureza indenizatória, como auxílio doença (nos primeiros quinze dias de afastamento), salário maternidade, auxílio acidente de trabalho, aviso prévio indenizado, auxílio creche, adicionais (noturno, insalubridade, Fl. 390DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 periculosidade e horas extras), abono de férias e terço de férias (relativo a férias gozadas e não gozadas), lançadas nos autos de infração em questão; · Que a multa aplicável na sistemática do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 é mais benéfica do que a disposta no art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009; · Que não houve falta de declaração ou declaração inexata; · Que o Dec. nº 70.235/72 exige a lavratura de Autos de Infração segregados para cada tributo e para cada multa; · Que foi aplicada multa abusiva e de juros extorsivos, configurando confisco e atentado ao princípio da capacidade contributiva; · Ausência de condutas que possa tipificar crime do art. 337 do Código Penal; Ao fim, requer a declaração de improcedência dos Autos de Infração. O Julgamento do Recurso Voluntário houvese por convertido em Diligência, nos termos da Resolução nº 2401000.310 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, a fls. 349/355, para que a autoridade responsável acostasse aos autos a decisão definitiva, no Âmbito Administrativo, proferida nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/2010 95, onde tramitou o procedimento de exclusão da empresa recorrente da sistemática do Simples Nacional. Acórdão nº 1302001.128 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária/1ª SEJUL do CARF, Cópia a fls. 360/374, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, conheceu do Recurso Voluntário do Contribuinte, porém lhe negou provimento. Acórdão nº 1302001.372 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária/1ª SEJUL do CARF, Cópia a fls. 377/381, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, conheceu dos embargos de declaração opostos em desfavor do Acórdão de Recurso Voluntário citado no parágrafo anterior, porém rejeitouo no mérito. Consoante Despacho de Encaminhamento a fl. 382, “As exclusões do Simples Nacional e do Simples Federal foram apreciadas no processo 11634.001688/201095. As exclusões nos citados regimes de tributação foram mantidas. Foi negado provimento ao recurso voluntário do contribuinte e os embargos de declaração foram rejeitados (acórdãos juntados ao processo). O crédito tributário vinculado foi enviado à PFN para inscrição em DAU.” Relatados, sumariamente, os fatos relevantes. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 389 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 15/04/2013. Havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado em 03/05/2013, há que se reconhecer a tempestividade do Recurso Voluntário interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Afirma o Recorrente que não houve nenhum consentimento expresso ou equivalente autorizador da quebra do seu sigilo bancário. Assim, segundo a jurisprudência, permitir a possibilidade da sua quebra, sem processo judicial instaurado e a requisição do juiz, eiva de completa ilegalidade o presente auto de infração, vez que fulcrado em prova obtida por meio ilícito; Aduz haver requisitos infraconstitucionais para a autoridade administrativa promover a quebra de sigilo bancário dos contribuintes sem intervenção do Poder Judiciário (em que pese tais normas serem inconstitucionais e ilegais), conforme o disposto no art. 2º, § 5º, do Decreto nº 3.724/2001 (quando houver procedimento de fiscalização em curso e o exame das informações for considerado indispensável). Argumenta, também, que a autoridade administrativa não demonstrou de forma individualizada, lançamento bancário a lançamento bancário, qual a receita omitida e qual a não omitida, detendose a produzir e anexar ao auto de infração mero resumo, em clara ofensa ao disposto no art. 287, do RIR/99, bem como aos princípios da verdade material, do contraditório e ampla defesa e do devido processo legal, o que prejudicou a defesa da Impugnante. Pondera, por fim, que a empresa utilizase de sistemática de escrituração contábil, fazendo com que todos os depósitos bancários tenham como contrapartida do lançamento contábil a conta caixa, de forma que não se sustentam exigências calçadas na presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, cujo fato indiciário é a verificação de depósitos bancários de origem não comprovada, quando as operações tenham sido contabilizadas. Embora a fiscalização não precise provar o fato presumido – a omissão de receitas, não está dispensada de fazer, de forma indireta e cabal, a prova da ocorrência do fato índice. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 Tais alegações, todavia, não poderão ser objeto de deliberação por esta Corte Administrativa eis que as questões ora suscitadas têm pertinência unívoca e direta com o Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, em cujos autos, após o exame minucioso de tais alegações de defesa, houvese por proferida Decisão Administrativa em que restou consignada a exclusão da empresa ora recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, a contar de 01/01/2007, decisão essa que se tornou definitiva no Âmbito Administrativo, não mais admitindo, nessa Instância, qualquer espécie de recurso. De fato, o mérito a respeito dos procedimentos de Fiscalização, do critério de caracterização de omissão de receita, da sistemática de escrituração contábil, etc., houvese por apreciado, debatido e julgado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, no qual foi proferida decisão administrativa que se tornou definitiva nessa Instância, configurandose, portanto, Coisa Julgada Administrativa. “Não se tolera, em direito processual, que uma mesma lide seja objeto de mais de um processo sucessivamente.” (Humberto Theodoro Júnior) Nessa vertente, o forum processual, apropriado e único, para o exercício do contraditório e da ampla defesa relativos às questões de fato e de direito das quais resultaram a exclusão da empresa ora recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte concentrase no Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, circunstância que esvazia a competência deste Colegiado para apreciar e julgar as mesmas questões já decididas, em caráter definitivo, no Processo Administrativo apropriado. Não por outra razão, houvese o julgamento do vertente Recurso Voluntário convertido em Diligência Fiscal para que se aguardasse o Trânsito em Julgado Administrativo da decisão de mérito pertinente à exclusão da Empresa ora Recorrente do SIMPLES FEDERA/NACIONAL, dada à flagrante relação de prejudicialidade entre as demandas em foco, sendo certo que da decisão de mérito proferida no julgamento do PAF conexo irão irradiar efeitos a serem devidamente considerados no julgamento do presente Auto de Infração de Obrigação Principal. Mostrase auspicioso enaltecer que, nos termos do inciso V, in fine, do art. 267 do Código de Processo Civil, aplicado subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal, a coisa julgada se figura como causa determinante para a extinção do processo sem resolução do mérito, podendo ser reconhecida de ofício pela Autoridade Julgadora em qualquer tempo e grau de Jurisdição, enquanto não proferida a decisão de mérito, obstando, inclusive, que o autor intente, novamente, a mesma demanda. Código de Processo Civil Art. 267. Extinguese o processo, sem resolução de mérito: (Redação dada pela Lei nº 11.232/2005) (...) V quando o juiz acolher a alegação de perempção, litispendência ou de coisa julgada; (...) §3o O juiz conhecerá de ofício, em qualquer tempo e grau de jurisdição, enquanto não proferida a sentença de mérito, da matéria constante dos nº IV, V e VI; todavia, o réu que a não alegar, na Fl. 393DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 390 9 primeira oportunidade em que Ihe caiba falar nos autos, responderá pelas custas de retardamento. (...) Art. 268. Salvo o disposto no art. 267, V, a extinção do processo não obsta a que o autor intente de novo a ação. A petição inicial, todavia, não será despachada sem a prova do pagamento ou do depósito das custas e dos honorários de advogado. Parágrafo único. Se o autor der causa, por três vezes, à extinção do processo pelo fundamento previsto no no III do artigo anterior, não poderá intentar nova ação contra o réu com o mesmo objeto, ficandolhe ressalvada, entretanto, a possibilidade de alegar em defesa o seu direito. Diante de tal cenário, já havendo sido decidido o mérito acerca da exclusão da Autuada do Sistema Simplificado em tela, mediante decisão administrativa em relação à qual não cabe mais recurso nessa Instância, não comporta o presente Processo Administrativo Fiscal mais qualquer debate em torno da questão, em virtude da Coisa Julgada Administrativa, providência essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Dessarte, o julgamento do Auto de Infração ora em pauta já parte do mérito acerca da definitiva exclusão da Empresa ora Recorrente do Simples Federal/Nacional, proferido previamente no julgamento aviado no PAF nº 11634.001688/201095, não sendo mais admissível neste Processo Administrativo Fiscal qualquer discussão meritória acerca das mesmas questões de fato e de direito, em virtude da existência de coisa julgada administrativa. Diante de tal cenário, havendo sido a Empresa ora Recorrente excluída de maneira definitiva da sistemática do SIMPLES, a contar de 01/01/2007, ela passa a ter que observar, a contar de então, as regras de tributação das empresas em geral previstas na Lei nº 8.212/91. Da mesma forma, as GFIP entregues pela Autuada, a contar da data de exclusão, não mais poderiam ser preenchidas com a informação de que a Empresa ora Recorrente era optante de tal sistema simplificado de tributação, sendo certo que as GFIP já entregues deveriam ter sido objeto de retificação imediata, e consequente recolhimento das contribuições sociais devidas. Merece ser ressaltado que os fatos geradores e as respectivas bases de cálculo atávicas ao presente lançamento foram colhidos diretamente dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, alimentados pelo próprio contribuinte através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, Social – GFIP, procedimento esse que passa ao largo, a longa distância, das alegações apostas nos primeiros parágrafos deste tópico, nada tendo a ver com eventual quebra de sigilo bancário, omissão de receitas, nem mesmo com a sistemática de escrituração contábil adotada pelo contribuinte, alegações essas que, inclusive, foram devidamente rechaçadas no Acórdão de Recurso Voluntário nº 1302001.128 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária/1ª SEJUL do CARF, Cópia a fls. 360/374, proferido nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 10 Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço parcialmente. Ante a inexistência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 2.1. DOS FATOS GERADORES O Recorrente alega não incidirem Contribuições Previdenciárias sobre verbas de natureza indenizatória, como auxílio doença (nos primeiros quinze dias de afastamento), salário maternidade, auxílio acidente de trabalho, aviso prévio indenizado, auxílio creche, adicionais (noturno, insalubridade, periculosidade e horas extras), abono de férias e terço de férias (relativo a férias gozadas e não gozadas), lançadas nos autos de infração em questão. Merece se ressaltado ab initio que, apesar de o Recorrente enumerar as diversas verbas que considera como possuindo natureza “indenizatórias” e discorrer sobre a natureza jurídica destas, ele não logrou demonstrar ter efetivamente efetuado pagamento de tais verbas a seus segurados empregados, nem tampouco discriminar quais teriam sido os exatos valores relativos a tais rubricas. Além disso, o Recorrente não fez coligir aos autos qualquer documento com aptidão de demonstrar que na base de cálculo informada nas GFIP estavam inseridas verbas pagas a título de auxílio acidente de trabalho, auxílio creche, abono de férias e terço constitucional sobre as férias não gozadas. Tais deficiências na instrução do processo inviabiliza o atendimento ao pleito formulado. Allegatio et non probatio quasi non allegatio. Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 391 11 2.2. DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. O Recorrente alega que a multa aplicável na sistemática do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91 é mais benéfica do que a disposta no art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 12 §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 397DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 392 13 d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Autos de Infração de Obrigação Principal referentes a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2007 a dezembro/2008. Nessa perspectiva, de acordo com o art. 144 do CTN, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, para os fatos geradores ocorridos no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser Fl. 398DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 14 dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias, porém não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 393 15 Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A, que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 16 IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 394 17 Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias encontravamse assim previstos na legislação tributária: a) Antes da vigência da MP nº 449/2008, respectivamente, nos incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99; b) Após a vigência da MP nº 449/2008, respectivamente, nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, os quais, nessa ordem, remetem aos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 18 com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 395 19 Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96, só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Entendo também não proceder a tese que defende a comparação entre a multa de ofício prevista no art. 35A com a soma da multa de mora prevista no art. 35, II, e a multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, todos da Lei nº 8.212/91, para fins de determinação da penalidade mais benéfica ao infrator, visando à aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Não procede, ao meu sentir, a alegação de que a multa pelo descumprimento de Obrigação Principal formalizada mediante Lançamento de Ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, estaria apenando, conjuntamente, tanto descumprimento da Obrigação Tributária Principal lançada quanto o Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, a justificar o somatório de multas. Tratamse de duas condutas absolutamente distintas, autônomas e independentes, portando, cada uma, natureza jurídica diferenciada, regramento jurídico diverso, tipificação específica e distinta, e penalidade própria. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 20 Tanto que o Contribuinte pode proceder das seguintes maneiras: I) Recolher o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. II) Recolher o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. III) Recolher o tributo devido e não entregou a GFIP. IV) Recolher parcialmente o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. V) Recolher parcialmente o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VI) Recolher parcialmente o tributo devido e não entregou a GFIP. VII) Não recolher qualquer tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VIII) Não recolher qualquer tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. IX) Não recolher qualquer tributo devido e não entregou a GFIP. A declaração de todos os Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária nas GFIP é uma obrigação acessória prevista no inciso IV da Lei nº 8.212/91. A declaração parcial dos fatos geradores na GFIP (hipóteses II, V e VIII) constituise violação à obrigação acessória acima citada, e implica a aplicação imediata da penalidade prevista no §5º do mesmo artigo 32 já mencionado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 396 21 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97) De outro eito, a não declaração dos fatos geradores na GFIP (hipóteses III, VI e IX) também se configura como violação à mesma obrigação acessória assentada no inciso IV da Lei nº 8.212/91, e importa na aplicação imediata da penalidade prevista no §4º do mesmo artigo 32 já citado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. De outro giro, o não recolhimento total ou parcial da Obrigação Tributária Principal (hipóteses IV a IX) configurase caso determinante para o lançamento de ofício, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, nas hipóteses em que os fatos geradores correspondentes não tenham sido declarados, ou tenham sido declarados de maneira incompleta na GFIP correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 22 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Deve ser citado, dada à sua relevância, que o §3º do art. 113 do CTN estatui que a obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Assim, constatada a infração à legislação tributária, a inflição da penalidade pecuniária correspondente, pela Autoridade Fiscal ao infrator, é de observância obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, em atenção ao art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN. Nessa esteira, uma vez lançado o Crédito Tributário decorrente do descumprimento de Obrigação Tributária Acessória, a sua extinção apenas poderá ocorrer em uma das hipóteses previstas na lei. Código Tributário Nacional Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; III a transação; IV remissão; V a prescrição e a decadência; VI a conversão de depósito em renda; VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 397 23 VIII a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Ora, não havendo se materializado nenhuma das hipóteses previstas no art. 156 do CTN, a exclusão do crédito tributário já constituído, decorrente de infração a obrigação tributária, constituise hipótese de anistia, a qual se encontra contida no campo da reserva legal, nos termos do art. 97, VI, do CTN, somente podendo ser concedida mediante lei específica federal (in casu) que regule exclusivamente a anistia, ou a correspondente contribuição, a teor do §6º do art. 150 da CF/88. Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Constituição Federal de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, ‘g’. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3/93) Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 24 Notese que de acordo com o disposto no inciso I do art. 111 do CTN, só há que se falar em exclusão de crédito tributário nas hipóteses expressamente previstas na lei específica, o que, convenhamos, não é o presente caso, uma vez que inexiste qualquer previsão no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, que exclua o Crédito Tributário decorrente do descumprimento da Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Merece ser citado que antes da vigência da MP nº 449/2008 pairava uma dúvida na Fiscalização a respeito do procedimento a ser adotado nos casos em que o Contribuinte declarava os fatos geradores nas GFIP, mas não procedia ao recolhimento do tributo devido. A legislação tributária afirmava que o Crédito Tributário encontravase lançado (art. 33, §7º, da Lei nº 8.212/91), contudo, o art. 37 da mesma lei determinava a lavratura do lançamento de ofício, uma vez que restava configurado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições em foco. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 398 25 A MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, veio a estabelecer um novo procedimento, na medida em que estatuiu que o lançamento de ofício não seria mais necessário nas hipóteses em que houvesse declaração dos fatos geradores nas GFIP, conforme se depreende da nova redação do citado art. 37 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) Portanto, a contar da vigência da MP nº 449/2008, as hipótese de conduta do Contribuinte receberão o seguinte tratamento por parte da Fiscalização: I) Recolheu o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Conduta regular. Nada a fazer. II) Recolheu o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. III) Recolheu o tributo devido e não entregou a GFIP – Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. IV) Recolheu parcialmente o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. V) Recolheu parcialmente o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. VI) Recolheu parcialmente o tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32 A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 26 VII) Não recolheu qualquer tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VIII) Não recolheu qualquer tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Cobrança administrativa do débito correspondente aos fatos geradores declarados e não recolhido, acrescido da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009; Lançamento de ofício da parcela não recolhida correspondente aos fatos geradores não declarados, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. IX) Não recolheu qualquer tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício do tributo devido, acrescido da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32 A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, o Lançamento de Ofício somente deve ocorrer nas hipóteses em que não tenha havido o recolhimento do tributo e, cumulativamente, não tenha havido declaração ou tenha havido declaração incorreta dos fatos geradores nas GFIP correspondentes, como assim determina o art. 44 da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Ou seja, o disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 apenas restringe a lavratura do lançamento de ofício às hipóteses em que não houve recolhimento total ou parcial do tributo devido e, cumulativamente, não se operou a entrega da GFIP ou entregouse a GFIP com informações inexatas ou omissas. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 399 27 Não se deslembre que a legislação previdenciária tomou “emprestada” uma norma tributária que havia sido redigida em conformidade com a Legislação Fazendária já preexistente, fato que explica o não casamento perfeito dos termos utilizados em ambos os ramos do Direito Tributário em questão. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravosa ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a) Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa, por ser mais benéfica ao infrator que a multa de ofício de 75% prevista na novel legislação; b) Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 28 observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, será inscrito em Dívida Ativa da União, para subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. No caso dos autos, considerando que o horizonte temporal do lançamento compreende o período de apuração de janeiro/2007 a dezembro/2008 e considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, qualificarseia como fraude ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, respectivamente, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante o presente lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, para as competências até novembro/2008, inclusive, observado neste caso o limite máximo de 75%, em honra à retroatividade da lei tributária mais benigna insculpida no art. 106, II, ‘c’, do CTN, e em conformidade com o art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44, I, da Lei no 9.430/96, para as competências a partir de dezembro/2008, inclusive, em atenção ao princípio tempus regit actum. 2.3 – DA FORMALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 400 29 Alega o Recorrente que o Dec. nº 70.235/72 exige a lavratura de Autos de Infração segregados para cada tributo e para cada multa; Não !!!! A determinação de lavratura de autos de infração ou notificações de lançamento distintos para cada tributo ou penalidade, para a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada, houvese por assentada, expressamente, no art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que dispõe sobre o Processo Administrativo Fiscal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196/2005) §2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º, serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 8.748/93) §3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. (Incluído pela Lei nº 8.748/93) §4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em decorrência de fiscalização relacionada a regime especial unificado de arrecadação de tributos, poderão conter lançamento único para todos os tributos por eles abrangidos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica às contribuições de que trata o art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) Se nos antolha, todavia, que o Recorrente se “esqueceu” de ler a parte restante do dispositivo legal em exame, máxime o disposto no seu parágrafo primeiro, que expressamente autoriza a formalização de autos de infração e de notificações de lançamento em um único processo, nos casos em que forem formalizados em relação ao mesmo sujeito Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 30 passivo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova, como assim se trata, exatamente, o caso ora em análise. 2.4. DA MULTA E DOS JUROS COM EFEITO DE CONFISCO O Recorrente argumenta que foi aplicada multa abusiva e de juros extorsivos, configurando confisco e atentado ao princípio da capacidade contributiva. O clamor do Recorrente não merece acolhida. Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Por outro viés, a Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 401 31 a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Em atenção à Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de natureza moratória decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujo Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 32 art. 35 estatuiu, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a juros moratórios de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 402 33 §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não somente à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa Fl. 418DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 34 referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante da previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Mostrase auspicioso destacar que escapa da competência deste colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Chamamos a atenção do Leitor para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço não tiveram, ainda, a sua constitucionalidade abatida, de forma definitiva, pelos órgãos judiciários competentes, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são de estilo. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições sociais e seus acréscimos legais ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes à época dos fatos geradores, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 403 35 Não se deslembre que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 36 Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, do Ministério da Fazenda. Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa e os juros moratórios aplicados na exata bitola dos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.5 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS O Recorrente alega ausência de condutas que possa tipificar crime do art. 337 do Código Penal; O art. 66 do Decretolei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941 lei das contravenções penais – qualifica como “Omissão de Comunicação de Crime” o comportamento perpetrado por servidor público consistente na não comunicação à autoridade competente de conduta que represente, em tese, crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública. DECRETOLEI Nº 3.688 DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 OMISSÃO DE COMUNICAÇÃO DE CRIME Art. 66. Deixar de comunicar à autoridade competente: I crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício de função pública, desde que a ação penal não dependa de representação; Fl. 421DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 404 37 II crime de ação pública, de que teve conhecimento no exercício da medicina ou de outra profissão sanitária, desde que a ação penal não dependa de representação e a comunicação não exponha o cliente a procedimento criminal: Pena multa. Calcando nas mesmas teclas, o art. 16 da Lei nº 8.137/90, a qual define os crimes contra a ordem tributária, estatui que qualquer pessoa, aqui incluídos, por óbvio, os agentes públicos, poderá provocar a iniciativa do Ministério Público nos crimes descritos nessa lei, fornecendolhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990 Art. 16. Qualquer pessoa poderá provocar a iniciativa do Ministério Público, nos crimes descritos nesta lei, fornecendo lhe por escrito informações sobre o fato e a autoria, bem como indicando o tempo, o lugar e os elementos de convicção. Parágrafo único. Nos crimes previstos nesta Lei, cometidos em quadrilha ou coautoria, o coautor ou partícipe que através de confissão espontânea revelar à autoridade policial ou judicial toda a trama delituosa terá a sua pena reduzida de um a dois terços. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.080, de 19.7.1995) Nessa perspectiva, revelase a Representação Fiscal para Fins Penais – RFFP mera peça processual de informações, coletadas no curso da ação fiscal, a ser elaborada pelo agente público sempre que se deparar com conduta que represente, em tese, crime contra a ordem tributária, devendo conter, dentre outros elementos, exposição minuciosa do fato e os elementos caracterizadores do ilícito; indícios de prova material do ilícito ou qualquer outro documento sob suspeição que tenha sido apreendido no curso da ação fiscal; cópia autenticada do auto de infração e de termos fiscais lavrados; termos lavrados de depoimentos, declarações, perícias e outras informações obtidas de terceiros, utilizados para fundamentar a constituição do crédito tributário ou a apreensão de bens sujeitos à pena de perdimento; a qualificação completa das pessoas físicas responsáveis; a qualificação completa da pessoa ou das pessoas físicas a quem se atribua a prática do delito, mesmo que o fiscalizado seja pessoa jurídica; A identificação completa, se for o caso, da pessoa jurídica autuada, cópia dos contratos sociais e suas alterações, ou dos estatutos e atas das assembleias; qualificação completa das pessoas que possam ser arroladas como testemunhas; cópia das declarações de rendimentos, relativas ao período em que se apurou ilícito, da pessoa ou das pessoas físicas representadas e da pessoa jurídica envolvida, no caso de crime contra a ordem tributária; etc. No âmbito da legislação previdenciária, o art. 616 da IN SRP nº 3/2005 impõe ao auditor fiscal o dever funcional de formalizar a RFFP sempre que este, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 38 Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005 Art. 616. Por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei nº 3.688, de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o AFPS formalizará RFFP sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de: I crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça; II contravenção penal. Parágrafo único. Considerase, nos termos do DecretoLei nº 3.914, de 1941 (Lei de Introdução ao Código Penal e à Lei de Contravenções Penais): I crime, a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa; II contravenção, a infração penal a que a lei comina isoladamente pena de prisão simples ou de multa, ou ambas, alternativa ou cumulativamente. Art. 617. São crimes de ação penal pública, dentre outros, os previstos nos arts. 15 e 16 da Lei nº 7.802, de 1989, alterada pela Lei nº 9.974, de 2000, nos arts. 1º, 2º e 3º da Lei nº 8.137, de 1990, nos arts. 54 a 56, 60 e 61 da Lei nº 9.605, de 1998, e os a seguir relacionados, previstos no DecretoLei nº 2.848, de 1940 (Código Penal):(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I homicídio culposo simples ou qualificado, com previsão nos §§ 3º e 4º do art. 121; II exposição ao risco, com previsão no art. 132; III a apropriação indébita previdenciária, com previsão no art. 168A; IV o estelionato, com previsão no art. 171; V a falsificação de selo ou de sinal público, com previsão no art. 296; VI a falsificação de documento público, com previsão no art. 297; VII a falsificação de documento particular, com previsão no art. 298; VIII a falsidade ideológica, com previsão no art. 299; IX o uso de documento falso, com previsão no art. 304; X a supressão de documento, com previsão no art. 305; XI a falsa identidade, com previsão nos arts. 307 e 308; XII o extravio, a sonegação ou a inutilização de livro ou documento, com previsão no art. 314; XIII o emprego irregular de verbas ou rendas públicas, com previsão no art. 315; XIV a prevaricação, com previsão no art. 319; XV a violência arbitrária, com previsão no art. 322; XVI a resistência, com previsão no art. 329; XVII a desobediência, com previsão no art. 330; Fl. 423DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 405 39 XVIII o desacato, com previsão no art. 331; XIX a corrupção ativa, com previsão no art. 333; XX a inutilização de edital ou de sinal, com previsão no art. 336; XXI a subtração ou a inutilização de livro ou de documento, com previsão no art. 337; XXII a sonegação de contribuição social previdenciária, com previsão no art. 337A. Art. 618. São contravenções penais, entre outras:(Revogado pela IN RFB nº 851, de 28 de maio de 2008) I recusar dados sobre a própria identidade ou qualificação, com previsão no art. 68 do Decretolei nº 3.688, de 1941 (Lei das Contravenções Penais); II deixar de cumprir normas de higiene e segurança do trabalho, com previsão no §2º do art. 19 da Lei nº 8.213, de 1991. Diante desse quadro, constituise dever funcional do auditor fiscal a elaboração, ainda no curso da ação fiscal, da Representação Fiscal para Fins Penais, sempre que, no exercício de suas atribuições institucionais, tiver conhecimento da ocorrência de comportamento omissivo ou comissivo que configure, em tese, crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça, bem como qualquer contravenção penal. A representação penal ora em debate, instruída com os elementos de prova e demais informações pertinentes, constituirseá de autos apartados e permanecerá sobrestada no âmbito da administração tributária até decisão definitiva na esfera administrativa que paute pela procedência total ou parcial do lançamento, quando, então, poderá ser encaminhada ao órgão do Ministério Público, para a devida instauração da persecução penal. Aditese, por derradeiro, que a súmula CARF nº 28, de observância obrigatória, exclui a competência deste Conselho para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Assim esculpido o arcabouço legislativo/jurisprudencial, podemos afirmar inexistir qualquer irregularidade da formalização da RFFP em destaque, eis que o seu encaminhamento ao Ministério Público somente se dará após o Trânsito em Julgado administrativo do Auto de Infração em julgo, mesmo assim, na estrita hipótese da procedência total ou parcial do lançamento levado a efeito pela Autoridade Lançadora. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 40 2.6. DA PERÍCIA Cumpre de plano ressaltar, de molde a nocautear qualquer dúvida, que a perícia tem, como destinatária final, a autoridade julgadora, a qual possui a prerrogativa de avaliar a pertinência de sua realização para a solução da controvérsia objeto do litígio. Nesse panorama, a produção de prova pericial revelase apropriada e útil somente nos casos em que a verdade material não puder ser alcançada de outra forma mais célere e simples. Por tal razão, as autoridades a quem incumbe o julgamento do feito frequentemente indeferem solicitações de diligência ou perícias sob o fundamento de que as informações requeridas pelo contribuinte não serem necessárias à solução do litígio ou já estarem elucidadas, por outros meios, nos documentos acostados aos autos. Estatisticamente, constatase que grande parte dos requerimentos de perícia aviados no processo administrativo fiscal versa sobre o exame de assentamentos registrados em documentos e/ou na escrita fiscal do sujeito passivo, cujo teor já é do conhecimento do auditor fiscal no momento da formalização do lançamento, eis que sindicado e esclarecido durante todo o curso da ação fiscal. Diante desse quadro, o reexame de tais informações por outro especialista somente se revelaria necessário se ainda perdurassem dúvidas quanto ao convencimento da autoridade julgadora quanto às matérias de fato a serem consideradas no julgamento do processo. Por óbvio, nada impede que o contribuinte venha aos autos demonstrar a questão que se queira discutir no levantamento fiscal, e o motivo pelo qual a prova não possa ser trazida diretamente aos autos, já que os julgadores administrativos têm, como requisito para o exercício de suas funções, o conhecimento da matéria tributária. Nada obstante, a palavra final acerca da conveniência e oportunidade da produção da prova pericial caberá sempre à autoridade julgadora, a teor do preceito inscrito caput do art. 18 do Decreto nº 70.235/72. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Nesse contexto, simples pedidos de perícia da documentação contábil, bancária ou fiscal do contribuinte desacompanhados da devida justificativa de sua imprescindibilidade são tidos, via de regra, como meramente protelatórios. Cabe enfatizar que, no que tange à apreciação da prova, o Direito Processual Brasileiro adotou, à exceção do Tribunal do Júri, o sistema da persuasão racional do juiz, também designado por sistema do livre convencimento motivado do Julgador, o qual detém a prerrogativa de livremente apreciar a prova, atendendo aos fatos e circunstâncias constantes dos autos, ainda que não alegados pelas partes, mas deverá indicar, na decisão, os motivos que lhe formaram o convencimento. Chamamos a atenção para o fato de o Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil ser, por força de lei, a autoridade pública competente para apreciar a documentação do sujeito passivo, aqui inserida sua escrita contábil e fiscal e, sendo o caso, dela extrair eventuais débitos previdenciários não devidamente adimplidos em suas épocas Fl. 425DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 11634.720456/201111 Acórdão n.º 2401004.297 S2‐C4T1 Fl. 406 41 próprias, circunstância que mostra ser despicienda a chamada de eventual perito, para auditar, em paralelo à autoridade em foco, o objeto do seu dever de ofício. No caso vertente, o Recorrente requer a realização de perícia, ao argumento de que os lançamentos bancários não teriam sido analisados analítica e individualizadamente, tornando certa a presença de valores indevidos como omissão de receita, alterando de sobremaneira o deslinde do processo administrativo, inclusive quanto à exclusão da Empresa ora Recorrente do Simples Federal e do Simples Nacional, por excesso de receita bruta no ano calendário de 2006. Ora ... Conforme já salientado no item “1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO” supra, a questão atávica aos procedimentos de Fiscalização, ao critério de caracterização de omissão de receita, à sistemática de escrituração contábil, etc., não integra o litígio do vertente Processo Administrativo Fiscal, em razão de já ter sido apreciado, debatido e julgado nos autos do Processo Administrativo Fiscal nº 11634.001688/201095, no qual foi proferida decisão administrativa que se tornou definitiva nessa Instância, configurandose, portanto, Coisa Julgada Administrativa. Conforme já salientado, os fatos geradores e as respectivas bases de cálculo que fornecem o necessário e bastante esteio ao presente lançamento foram colhidos diretamente dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, alimentados pelo próprio contribuinte através das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência, Social – GFIP, procedimento esse que não guarda qualquer relação com análise de lançamentos bancários, omissão de receitas, nem mesmo com a sistemática de escrituração contábil adotada pelo contribuinte, circunstância que torna despicienda a realização de perícia em torno desses elementos. Por tais razões, considero ser desnecessária a instauração da perícia pretendida pelo Recorrente, com fulcro no preceito inscrito no art. 18 do Decreto nº 70.235/72. 2.7. DA DECLARAÇÃO INEXATA NAS GFIP O Recorrente alega que não houve falta de declaração ou declaração inexata. Não procede. Conforme consignado no Relatório Fiscal, a empresa apresentou no período de 01/2007 a 10/2010, as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) e Guias de Recolhimento da Previdência Social (GPS) como empresa optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES. Como consequência direta e imediata da informação incorreta do código de opção pelo SIMPLES na GFIP, o programa gerador deixa de calcular e registrar como devidas as contribuições sociais a cargo da empresa previstas na Lei de Custeio da Seguridade Social. Dessarte, mediante a mera declaração incorreta nas GFIP do código de empresa optante do SIMPLES, resultou que a empresa deixou de informar mediante GFIP as Fl. 426DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 42 Contribuição Social Patronal a cargo da empresa, violando, assim, a Obrigação Tributária Acessória assentada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Assim, ao ser excluída do SIMPLES, a empresa deveria, necessariamente, proceder à retificação das GFIP já anteriormente entregues, nelas informando o código de não optante, e ter recolhido as Contribuições Sociais devidas, beneficiandose, assim, da denúncia espontânea. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para que o regramento referente à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedeça à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, em respeito ao Princípio Tempus Regit Actum, disposto no art. 144 do Código Tributário Nacional, observado o limite máximo de 75%, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 21/04/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 10166.721503/2009-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
CIÊNCIA DO TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE.
Quando improfícua a ciência do Termo de Início de Fiscalização pela via postal, no endereço fornecido pela contribuinte no CNPJ, manifesta-se válida a intimação por edital, nos termos da legislação.
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE APLICÁVEL.
Receitas decorrentes de serviços de construção civil, com emprego apenas de mão de obra, estão sujeitas ao coeficiente de 32% para determinação da base de cálculo para a apuração do lucro presumido.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005, 2006
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA.
Tratando-se de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicam-se à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário.
PIS E COFINS. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRITÉRIOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE APURAÇÃO MENSAL.
Os lançamentos de ofício do PIS e da COFINS devem adotar o regime de apuração mensal, sendo nulos quando efetuados trimestralmente, por afronta aos critérios temporal e quantitativo previstos no artigo 142 do CTN.
MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA.
A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora.
TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO.
Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho.
Numero da decisão: 1201-001.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro João Thomé, que lhe dava parcial provimento para manter a exigência do PIS/Cofins do último mês de cada um dos trimestres. E, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé.
Nome do relator: Roberto Caparroz de Almeida
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 CIÊNCIA DO TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO. INTIMAÇÃO POR EDITAL. VALIDADE. Quando improfícua a ciência do Termo de Início de Fiscalização pela via postal, no endereço fornecido pela contribuinte no CNPJ, manifestase válida a intimação por edital, nos termos da legislação. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente ou com preterição do direito de defesa do contribuinte. Descabe a alegação de nulidade quando não existirem no processo atos insanáveis, ainda mais quando comprovado que a autoridade lançadora observou, durante os trabalhos de auditoria, os procedimentos previstos na legislação tributária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. COEFICIENTE APLICÁVEL. Receitas decorrentes de serviços de construção civil, com emprego apenas de mão de obra, estão sujeitas ao coeficiente de 32% para determinação da base de cálculo para a apuração do lucro presumido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 03 /2 00 9- 20 Fl. 3579DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. PIS E COFINS. ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. CRITÉRIOS TEMPORAL E QUANTITATIVO DO LANÇAMENTO. INOBSERVÂNCIA DO PERÍODO DE APURAÇÃO MENSAL. Os lançamentos de ofício do PIS e da COFINS devem adotar o regime de apuração mensal, sendo nulos quando efetuados trimestralmente, por afronta aos critérios temporal e quantitativo previstos no artigo 142 do CTN. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal e, por conseguinte, o crédito tributário, sendo legítima a incidência de juros de mora. TAXAS DE JUROS. SELIC. CABIMENTO. Descabe na esfera administrativa qualquer discussão acerca de constitucionalidade de lei em vigor. Aplicação das Súmulas n. 2 e n. 4 deste Conselho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, vencido o Conselheiro João Thomé, que lhe dava parcial provimento para manter a exigência do PIS/Cofins do último mês de cada um dos trimestres. E, por unanimidade de votos, acordam em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto, Ester Marques Lins de Sousa, João Otavio Oppermann Thomé. Relatório Fl. 3580DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 4 3 Tratase de Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS lavrados contra a Recorrente, relativos aos anoscalendário de 2005 e 2006. Os fatos e a matéria jurídica em debate foram assim descritos pela decisão recorrida: A ação fiscal iniciouse em razão de, não obstante uma movimentação financeira, nos anoscalendário de 2005 e 2006, no montante de R$16.885.168,01 e R$31.731.805,31, a contribuinte ter informado nas DIPJ correspondentes uma receita bruta de R$ 869.934,99 e R$ 432.745,84, respectivamente. O Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 06/02/2009, foi encaminhado para o endereço constante no CNPJ da contribuinte, no entanto, teve o recebimento recusado. Em seguida, expediuse o Edital em 19/02/2009, no qual se intimou a contribuinte a comparecer na DRF/Brasília para tomar ciência do novo Termo de Início de Fiscalização lavrado em 19/02/2009. Posteriormente foi lavrado em 23/03/2009 novo Termo de Início de Fiscalização, encaminhado por via postal ao sócio responsável da empresa, o sr. Luiz Estevão de Oliveira Neto, que também foi recusado. Em razão da recusa da fiscalizada em receber o Termo de Início de Fiscalização, e por conseqüência, não apresentar os documentos solicitados, como livros contábeis e extratos bancários, foram expedidas as RMF – Requisição de Movimentação Financeira, no qual foram acionados o Banco Bradesco S/A e o Banco de Brasília S/A, que atenderam devidamente à solicitação. Tendo sido efetuada a análise dos depósitos bancários, foi intimada a contribuinte, representada por seu procurador, o Sr. Ailton Junior de Oliveira Silva, a comprovar a origem dos recursos creditados/depositados levantados pela autoridade fiscal, e a apresentar a escrituração da empresa. Em resposta à intimação, esclareceu a fiscalizada que, para os anoscalendário de 2005 e 2006, submeteuse à tributação com base no lucro presumido, razão pela qual o registro de suas operações encontravase no livro Caixa, e disponibilizou parte da documentação solicitada. Requereu, ainda, sucessivas prorrogações de prazo para a apresentação da documentação requisitada pela autoridade fiscal, em razão de que parte dos comprovantes estariam em posse de terceiros e do substancial volume de informações a serem levantadas. A última prorrogação, de trinta dias, não foi concedida pela autoridade fiscal, em face da necessidade de concluir o procedimento fiscal. Nesse contexto, foram apuradas três infrações pela Fiscalização, quais, sejam, omissão de receitas da atividade, depósitos bancários de origem não comprovada e aplicação indevida de coeficiente na determinação do lucro, sintetizadas a seguir. Fl. 3581DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 5 4 Omissão de Receitas da Atividade. A contribuinte apresentou cópias de notas fiscais referentes a serviços prestados a órgãos do Governo do Distrito Federal, que comprovam parte da origem dos créditos bancários. Contudo, em virtude de a contribuinte não ter apresentado nenhuma informação analítica que demonstrasse que as receitas relativas aos serviços prestados dessas notas fiscais foram oferecidas à tributação nas DIPJ, tais receitas foram objeto de lançamento de ofício, cujos valores estão discriminados nas planilhas dos Anexos I ao IV, integrantes do Auto de Infração. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. Para os depósitos bancários cuja origem dos recursos não restou comprovada pela contribuinte, apesar das prorrogações de prazo concedidas pela Fiscalização para a apresentação da documentação probatória, foram apurados os valores de omissão de rendimentos, valendose da presunção legal do artigo 42 da Lei nº 9.430/199, demonstrados nas planilhas dos Anexos V a VI e VIII a X do Auto de Infração. Para fins de apuração da omissão da receita, foram deduzidos os valores referentes aos cheques depositados e devolvidos posteriormente, bem como as transferências efetuadas entre contas de mesma titularidade. Ainda, do total de créditos apurados em cada trimestre, foram subtraídos os valores correspondentes às receitas informadas na DIPJ. Aplicação Indevida de Coeficiente de Determinação do Lucro. Nas DIPJ dos anoscalendário de 2005 e 2006 foi informada apenas receita bruta sujeita ao coeficiente de 8% para apuração da base de cálculo do lucro presumido. Contudo, em consulta ao sistema CNPJ, consta que o código CNAE – Classificação Nacional de Atividades Econômicas da contribuinte é o 43134 00 Obras de Terraplenagem. Por sua vez, as notas fiscais apresentadas pela fiscalizada referemse a prestação de serviços de terraplenagem, plantio de grama e administração de condomínio. Tratase de atividades cuja receita encontrase submetida ao coeficiente de 32% para apuração da base de cálculo do lucro presumido, e não os 8% informados pela contribuinte, razão pela qual foi efetuado o lançamento de ofício. Contudo, os valores informados nas DIPJ decorrentes da aplicação do percentual de 8% foram deduzidos na apuração do imposto a pagar, conforme demonstra a coluna “Valores a Compensar” contido no “Demonstrativo de Apuração” do Auto de Infração. Cientificada dos lançamentos, em 29/07/2009 (AR às fls. 1003), a interessada apresentou a impugnação de fls. 1009/1062, em 28/08/2009 (carimbo de recepção às fls. 1009). Apoiada nos documentos já acostados aos autos, discorre sobre os pontos relacionados a seguir. Dos Fatos Fl. 3582DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 6 5 Conforme se constata da leitura do Relatório de Verificação Fiscal, houve uma tentativa de intimar a impugnante para ciência do Termo de Início de Fiscalização, no qual solicitava que a contribuinte apresentasse, no prazo de trinta dias, documentos societários, livros contábeis, informações bancárias, do anocalendário de 2005 e 2006. Contudo, houve retorno da correspondência, o que deve ter ocorrido em função de equívoco na entrega pela portaria do edifício. Em 19/02/2009, por meio de Edital, desafixado em 07/03/2009, foi expedida intimação para ciência de novo Termo de Início de Fiscalização. Ato contínuo, em 23/03/2009, foi expedido Termo de Início de Fiscalização, com vistas a promover a intimação pessoal do impugnante, na pessoa do seu sócio. Assim, evidenciando a irregularidade na publicação do Edital, visto não terem sido até então engendrados todos os esforços necessários à intimação pessoal do impugnante, resta claro que apenas na data de 23/03/2009 deuse o início da Fiscalização. Em razão da vasta documentação a ser levantada, e que parte desta estava em posse de terceiros, junto a empresas com quem possui contratos de prestação de serviços de gestão e administração de recursos de locação de imóveis de terceiros, requereu a contribuinte prorrogação de prazos para apresentação. Contudo, a prorrogação solicitada em 14/07/09 foi indeferida pela Fiscalização. Frisese, nesse contexto, que em nenhum momento a impugnante visou atrasar ou atrapalhar ação fiscal, colaborou na medida do possível dentro do prazo estipulado. Para demonstrar o ingresso de recurso de terceiros na sua conta corrente, a impugnante acostou aos autos o contrato de prestação de serviços celebrado com a EGA Administração, Participações e Serviços Ltda, no qual foram contratados os serviços de (i) prestações mensais através de carnes de pagamento e cobrança bancária; (ii) elaboração de relatórios sobre a movimentação de recursos; (iii) aplicação dos recursos visando obter rentabilidade sobre os valores disponíveis; (iv) gerenciamento da carteira de recebíveis e i gerenciamento de ativos financeiros. O referido contrato é documentos essencial para comprovar muitos dos créditos/depósitos efetuados nas contas bancárias da impugnante, que mantinha sob a custódia e gerenciamento da EGA recursos provenientes de suas atividades operacionais, e que, a medida que necessitava desses valores, requisitava à EGA a sua devolução. Além do aludido contrato, nos Anexos I a XXIX encontrase documentação, como contratos, comprovantes de recebimentos, notas fiscais, dentre outros, que demonstram que grande parte dos depósitos/créditos bancários referemse a valores que somente transitaram pelas contas da impugnante, não se constituindo receitas próprias ou novas, e que o coeficiente de 32% para apuração da base de cálculo do lucro presumido, aplicado pela autoridade fiscal, é indevido. Ainda, a Fiscalização considerou para fins de verificação dos tributos declarados as informações constantes nas DIPJ, desconsiderando sumariamente as DCTF. Fl. 3583DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 7 6 Da Nulidade da Presente Autuação. Do Cerceamento de Defesa, dos Princípios da Verdade Material, da Legalidade e da Moralidade Administrativa. A garantia da ampla defesa é requisito fundamental para qualquer ato na esfera judicial e administrativa, sendo que, no caso do processo administrativo, interage diretamente como os princípios da Legalidade e Moralidade, além do princípio da Verdade Material, que determina, em respeito ao princípio da Estrita Reserva Legal no Direito Tributário, que a Administração Pública deve perscrutar o caso concreto, e buscar aquilo que é realmente verdade. No presente caso, a busca pela Verdade Material transpassava a necessidade da impugnante de levantar todos dos documentos que demonstravam a real origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente e a vinculação dos mesmos a contratos por ela firmados de prestação de serviços de administração de imóveis de terceiros e contratos de mútuo (ANEXO I e V), além das notas fiscais de serviços de execução de obras e contratos de locações próprias, que configuram suas efetivas receitas próprias (ANEXO II e III). Porém, a Fiscalização se recusou a conceder o pedido de dilação de prazo formulado pela impugnante, e, pior, sequer utilizou o instrumento adequado para verificar quais valores já haviam sido apurados e constituídos na DCTF, baseandose a autoridade fiscal unicamente nas DIPJ apresentadas. Assim, não buscou a Fiscalização se valer de todos os documentos necessários para a averiguação da ocorrência do fato gerador e nem possibilitou à Impugnante fazêlo em sua integralidade, ferindose, cabalmente, os princípios constitucionais da legalidade, moralidade, verdade material e ampla defesa. Tal entendimento encontra ressonância em abalizada doutrina, na Constituição Federal, na Lei nº 9.784/1999, que rege o processo administrativo federal e em jurisprudência administrativa. Dessa maneira, pelas claras lesões aos princípios constitucionais da legalidade, moralidade, atrelados à busca pela verdade material, e à garantia à ampla defesa, configurase claro cerceamento de defesa e falta de suporte fático para a presente autuação, devendo a mesma, pois, ser declarada, de imediato, nula. Da Nulidade da Presente Autuação. Da Capitulação Legal Indevida. O lançamento padece de nulidade em razão de capitulação legal equivocada. A suposta omissão derivada de supostos depósitos bancários de origem não comprovada não está expressamente delineada no artigo 528 do RIR/99. Em momento algum referido artigo autoriza a utilização de depósitos bancários cuja origem não estava supostamente comprovada para a imputação de receita bruta da pessoa jurídica. Além disso, a origem dos depósitos foi comprovada, naquilo que foi possibilitado à Impugnante, conforme se depreende do relatório da própria Fiscalização, sendo o restante comprovado com a documentação anexada a esta Impugnação (ANEXOS VI a XXIX). Mostrase flagrante a inadequação da capitulação legal aos fatos utilizados como fundamento à lavratura do Auto de Infração, ainda mais se levarse em conta a premissa inafastável, admitida pela Fiscalização, de que todos os depósitos foram escriturados no Livro Caixa. Ainda, já Fl. 3584DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 8 7 decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais acerca da impossibilidade da utilização de apenas depósitos bancários para manter a autuação de omissão de receitas, conforme Acórdão n° CSRF/0104.996. As disposições do artigo 528 do RIR/1999 não comportam presunção de qualquer espécie, sendo ilícito à Fiscalização utilizálo em situações em que não comprova, efetivamente, a ocorrência de omissão de receitas. Não se pode, inclusive, pretender, com base no artigo 528, a inversão do ônus da prova. Para aplicação deste dispositivo legal, premissa fundamental é a comprovação de que se tratam de receitas omitidas. Se não consta capitulação de presunção legal no corpo dos autos, é do Fisco o ônus da prova. Nada disso ocorreu e, como já visto, ainda foi privada a Impugnante de produzir todas as provas que suportavam a licitude de suas operações. Ao deixar de capitular de forma apropriada o suposto ilícito, acabou a Autoridade Administrativa por desrespeitar mais uma vez o princípio constitucional do contraditório e ampla defesa, previsto no já citado artigo 5o, LV, da CF/88, além do princípio da estrita legalidade que rege todo o nosso Sistema Tributário. No que tange à aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, o mesmo deve ser afastado, vez que não se vislumbram os requisitos nele enumerados para a autorização de presunção para efetuação de lançamento com base em depósitos bancários. No presente caso, a Impugnante demonstrou durante toda a ação fiscal o intuito de apresentar à Fiscalização toda a documentação por ela solicitada, a qual demonstraria a origem dos depósitos efetuados em sua conta corrente. Todavia, em face do curto prazo para levantamento de toda a documentação necessária, a ora Impugnante conseguiu demonstrar parte das origens dos depósitos bancários, os quais, após análise autoridade fiscal, foram desconsiderados como passíveis de autuação, uma vez que correspondem a valores de terceiros depositados na conta corrente da Impugnante. Dessa maneira, mesmo que após a lavratura do presente auto de infração, a Impugnante conseguir demonstrar a origem dos depósitos bancários através de documentação idônea, afastando por completo a aplicação do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. De todo o exposto, concluise que a Fiscalização não logrou êxito na subsunção dos fatos ocorridos à norma supostamente infringida, por não ser capaz de reunir ê demonstrar os pressupostos de que a Lei faz depender os efeitos jurídicos preconizados. Ademais, frisese que a Impugnante buscou demonstrar a origem dos depósitos ora aventados pela Fiscalização como omissão de receitas, sem que lhe fosse dada a oportunidade, porém, de apresentar a documentação necessária para tanto, tornandose insustentável a autuação. Portanto, a falta de subsunção dos fatos à norma supostamente infringida, a utilização de capitulação legal inadequada, a falta de instrução probatória, a ausência de conexão entre o lançamento e o fundamento da autuação ensejam a nulidade do Auto, em consonância com entendimento do Acórdão nº 1072.457. Fl. 3585DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 9 8 Da Nulidade da Presente Autuação. Da Falta de Subsunção da Motivação à Capitulação Legal. Resta patente a nulidade do presente auto de infração pela errônea apuração do lucro da empresa. No que se refere ao lançamento por omissão de receitas, vale esclarecer que a impugnante, em razão de seu objeto social construção civil tributa sua renda com base na sistemática do lucro presumido, fazendo com que, a cada trimestre, apure sua base de cálculo com base em sua receita multiplicada por um percentual de 8% (lucro presumido), relativamente às receitas derivadas de sua atividade de construção civil, e de 32%, relativamente à aluguéis recebidos em razão de contratos de locação de imóveis em seu nome e remuneração pela locação de imóveis de terceiros , o que resulta na base de cálculo do tributo por ela devido. Por sua vez, seu objeto social, no período objeto da autuação, conforme os atos societários da época, é o seguinte: "Exploração dos ramos de construção civil em geral, execução de projetos, cálculos estruturais, serviços de topografia, terraplanagem, consultoria, infra estrutura urbana, ajardinamento, saneamento, obras viárias, drenagem, obras portuárias e aeroviárias, pavimentação, montagens industriais, instalações mecânicas de ar condicionado, manutenção e instalações elétricas, hidráulicas e mecânicas em rede local, rede lógica, rede de fibra ótica e rede elétrica desenvolvimento de software em geral, consultoria em informática, diagnóstico e automação e manutenção, prestação de serviços de assistência técnica em equipamentos e informática e eletrônica em geral, incorporações, compra, venda, locação, arrendamentos, planejamentos, administração de imóveis e imobiliários, prestação de serviço de limpeza, vigilância e segurança com ou sem armas e demais serviços relacionados à construção civil." Assim, em conformidade com seu objeto social, a Impugnante possui receitas próprias derivadas de serviços de construção civil, alguns aluguéis que recebe, por locação de imóveis e remuneração por administração de imóveis de terceiros. Neste sentido, a apuração dos tributos efetivamente por ela devidos, ou seja, considerando apenas suas receitas próprias, é comprovada por meio dos contratos e notas fiscais apresentados nos ANEXOS II e III, como também dos documentos acostados individualmente por depósito apresentados nos ANEXOS VI a XXIX, que trazem, respectivamente, a documentação relativa às obras de construção civil (notas fiscais), e os contratos de locação de imóveis em seu nome. Ademais, apresenta no ANEXO IV as DCTF's com planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo de seus tributos (receitas das obras, aluguéis de imóveis e remuneração pelos serviços de administração e locação de imóveis de terceiros). Portanto, não há o que se falar em omissão de receitas, razão pela qual o lançamento baseado nesta capitulação encontrase totalmente equivocado. No tocante ao lançamento capitulado em presunção de omissão de receitas por falta de comprovação da origem de depósitos bancários, melhor sorte não lhe cabe. O próprio agente fiscal, admitiu no curso da Fiscalização que parte dos depósitos efetuados nas contas correntes da Impugnante eram de Fl. 3586DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 10 9 titularidade de terceiros e apenas transitavam por tais contas em razão de contratos de administração de imóveis, firmados com estes terceiros. Portanto, é totalmente incoerente, a capitulação do lançamento, em suposta omissão de receitas em decorrência de não comprovação de origem dos depósitos, na medida em que o próprio Fisco reconhece que tais depósitos derivam de contrato de administração de imóveis de terceiros, firmados pela Impugnante com seus clientes, receitas estas, portanto, que não são de sua titularidade. Dessa maneira, é inegável que a presente autuação padece, além das questões já apontadas, de vício na metodologia, devendo o mesmo ser declarado nulo. Da Nulidade da Presente Autuação. Da Nulidade do Lançamento em Razão de Não Ter Considerado as DCTF Validamente Entregues pela Impugnante. A nulidade, na metodologia do lançamento, verificase tendo em vista que a Fiscalização não considerou as DCTF entregues pela Impugnante, mas apenas as suas DIPJ. Registrese que as DCTF foram apresentadas antes do início da Fiscalização. Da Nulidade da Presente Autuação. Da Nulidade do Lançamento em Razão de Erros Na Metodologia Adotada Pela Fiscalização – Da Evidente Divergência Entre o Método de Apuração Utilizado para IRPJ, PIS e Cofins e para CSLL. Ao contrário do apurado para o IRPJ, PIS e Cofins, para a CSLL, a autoridade fiscal considerou como base de cálculo a totalidade da receita da atividade por ele considerada, ou seja, o somatório dos valores decorrentes das receitas supostamente omitidas (item 001 da autuação) e o somatório de todos os depósitos/créditos realizados nas contas bancárias da Impugnante (item 002 da autuação), sem considerar a receita da atividade que já havia sido declarada pela Impugnante na DIPJ considerada juntada aos autos, ou seja, não excluiu de seus cálculos o montante por ela escriturado. Ou seja, diferentemente do que ocorreu no IRPJ, PIS e Cofins, na apuração da CSLL não foi subtraído do montante apurado o valor da receita declarada pela empresa em DIPJ. Ainda quanto ao equívoco na metodologia adotada pela fiscalização que importa na nulidade do lançamento, ad argumentandum, caso por absurdo se admita que os valores apurados pela fiscalização, os quais, frisese, são pertencentes a terceiros, correspondam a omissão de receita da Impugnante, então, ainda assim, o Auto de Infração padece de nulidade, porquanto não por arbitramento. Isto porque, se se tratasse de omissão de receita, então os valores omitidos seriam muito superiores ao que foi declarado pela Impugnante, o que ensejaria a imprestabilidade de sua contabilidade e obrigaria a Fiscalização ao arbitramento do lucro, o que, no entanto, não ocorreu no presente caso, conforme entendimento das decisões do Conselho de Contribuintes, AC 10809.549 e 10323.251. Fl. 3587DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 11 10 Do Direito. Da Inocorrência de Omissão de Receitas em Razão Do Oferecimento à Tributação Da Totalidade Das Receitas Próprias. A alegação de omissão de receitas, em relação aos valores que foram apontados nos Anexos 01 a 04 do Auto de Infração, é descabida. A apuração dos tributos efetivamente devidos pela impugnante, decorrentes das suas receitas próprias, é comprovada por meio da documentação apresentada nos Anexos II e III da impugnação, que trazem a documentação relativa às obras de construção civil (notas fiscais) e os contratos de locação de imóveis. Ainda, a Impugnante comprova o oferecimento de tais valores à tributação, por meio da apresentação do Anexo IV, que contém as DCTF apresentadas e planilhas demonstrativas da composição da base de cálculo de seus tributos (receitas das obras, aluguéis de imóveis e remuneração pela administração de imóveis de terceiros). Entretanto, por não ter promovido a adequada análise da documentação da Impugnante mormente as informações constantes de suas DCTF's a Fiscalização não verificou que tais valores foram efetivamente tributados. Não há, portanto, razão para que tais valores sejam objeto do lançamento se já integraram a base de cálculo dos tributos declarados pela Impugnante em suas DCTF's. A irregularidade consubstanciada na não verificação das DCTF's da Impugnante culminou, assim, na patente insubsistência do lançamento. Existem, ainda, valores relativos a recebimentos de ressarcimento de condomínio, recebidos pela Impugnante, que foram inseridos nos referidos Anexos 01 a 04 do Auto de Infração, que, contudo, não configuram omissão de receita. Afinal, tais valores, em suma, não são de titularidade da Impugnante. São eles os indicados no Anexo 02 (em sua totalidade) e as notas fiscais 004 a 026, indicadas no Anexo 01. Logo, seja em relação aos valores derivados do exercício de sua atividade de construção civil porque declarados e inseridos integralmente na apuração de seu IRPJ seja em relação aos valores derivados de contratos de administração de imóveis taxas condominiais que não são de sua titularidade o lançamento, neste ponto é totalmente descabido e ilegal, partindo de premissa equivocada de omissão de receitas, razão suficiente para que seja integralmente cancelado. Do Direito. Da Comprovação dos Depósitos Bancários e Consequente Impossibilidade de Aplicação de Presunção de Omissão de Receitas. A impugnante, visando demonstrar cabalmente a origem dos depósitos efetuados em sua conta bancária, dividiu as provas produzidas por mês do respectivo anocalendário, sendo os Anexos de VI a XVII referentes ao ano base de 2005 e os Anexos de XVIII a XXIX relativos ao ano base de 2006. Portanto, em face da vasta documentação trazida à baila pela Impugnante, não assiste razão à Fiscalização de que os depósitos bancários efetuados em sua conta corrente não possuem origem comprovada, restando afastado o argumento de omissão de receita aventado na presente autuação, devendo a mesma ser cancelada e os valores nela consubstanciados declarados extintos, uma vez que não coaduna com a realidade Fl. 3588DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 12 11 dos fatos e com os diplomas legais que regem a tributação sobre a renda no Brasil. Do Direito. Da Indevida Presunção de Omissão de Receitas. A Fiscalização fundamento o presente lançamento, de omissão de receitas, no disposto no art. 528 do RIR/99. Contudo, referido artigo, por si só, não serve de fundamento para a presente autuação. Isto porque, a despeito da comprovação da origem dos valores recebidos pela recorrente, o mencionado dispositivo não serve para fundamentar a autuação fiscal relativa a omissão de receitas por depósitos cuja origem não teria sido comprovada. A presunção legal de omissão de receitas em razão de depósitos bancários cuja origem não foi identificada surgiu com a edição da Lei nº 9.430/1996, no seu artigo 42. Como se vê, tratase de presunção legal. De toda parte, para que seja cabível tal presunção, é necessário que a prova material esteja indisponível, ou seja, ocultada pelo sujeito passível, o que não ocorre no presente caso. Desde o início do procedimento de fiscalização a Impugnante comprovou que, além de suas atividades de construção civil e contratos de locação próprios que geram suas receitas próprias, exerce atividade de administração de imóveis por conta e ordem de terceiros e firma, também, contratos de mútuo. Assim trouxe ao conhecimento parte da documentação comprobatória da origem dos depósitos bancários, sendo que o restante, por ter sido impossibilitada a apresentação durante a fiscalização,é acostada à presente Impugnação. Dessa maneira, não se vislumbra o permissivo legal para a aplicação da presunção prevista no artigo 42 da Lei n° 9.430/96, tendo em vista que a ora Impugnante, quando intimada, buscou levantar a documentação solicitada dentro de um prazo plausível, o que foi ignorado pelo Fiscal. Ainda, conforme disposto acima, caso a autoridade fiscal tivesse permitido a apresentação do restante da documentação levantada pela Impugnante e verificado as DCTF da Impugnante no banco de dados da Receita Federal, onde constam os tributos declarados e oferecidos à tributação, a presente autuação nem ao menos teria ocorrido, uma vez que restaria comprovada a origem de todos os depósitos bancários fiscalizados. A simples verificação de ocorrência de depósitos na conta corrente da Impugnante e movimentação de capital não são suficientes para fundamentar autuação de suposta omissão de receitas com base em presunções, devendo, pois, a Fiscalização agir de maneira a buscar a verdade material junto ao contribuinte. Portanto, em face dos documentos já apresentados e daqueles acostados à presente Impugnação, os quais demonstram cabalmente que os depósitos efetuados na conta corrente da Impugnante não representam acréscimo patrimonial a esta, mas sim administração de capital de terceiros, deve ser a presente Impugnação julgada procedente e a cobrança em tela cancelada. Do Direito. Do Conceito de Renda/Receita. Ao presumir que os depósitos bancários seriam renda da impugnante, e, ainda, a suposta existência de saldo credor, passível de tributação, o Fisco, além de fazer uso inadequado das presunções, alterou, Fl. 3589DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 13 12 também, indevidamente, o próprio conceito de renda/receita, previsto no texto constitucional. O Supremo Tribunal Federal, em julgamentos acerca da matéria, consolidou o entendimento de que o conceito de renda supõe um necessário acréscimo patrimonial. como produto, a renda pressupõe um resultado, um confronto entre os saldos positivos e negativos derivados de determinada atividade, e como acréscimo patrimonial, pressupõe um saldo positivo efetivo na comparação, em momentos distintos, desse mesmo patrimônio, sem o que não há que se falar em renda. Destarte, somente pode ser tributada a renda/lucro que efetivamente representar acréscimo patrimonial disponível novo para a empresa, conforme entendimento pacífico da doutrina e da jurisprudência dos Tribunais, inclusive do Supremo Tribunal Federal, sob pena de se estar tributando o próprio patrimônio do contribuinte. Em se tratando da administração de imóveis de terceiros, nos moldes em que regido pelos contratos firmados pela impugnante, o capital, para ser administrado, deve adentrar a conta da Impugnante, sem que, em nenhum momento, a pertença, integrando seu patrimônio. O que integrará seu patrimônio são os pagamentos efetuados pelos terceiros com quem contrata a título de remuneração pelos serviços prestados. Dessa maneira, pretende a Fiscalização fazer incidir o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro sobre algo que não representa efetivo acréscimo patrimonial (renda/lucro) disponível para a sociedade, em manifesta afronta ao conceito de renda previsto tanto nos artigos 153, III e 195, I, ambos da Constituição Federal. Portanto, ao se tratar de mero ingresso de capital por conta da administração de imóveis de terceiros, de acordo com o serviço prestado pela Impugnante, cuja origem foi documentalmente provada, não há que se falar em receita ou acréscimo patrimonial. Assim sendo, tendo em vista a não ocorrência do fato gerador das exações ora guerreadas, merece ser declarada a insubsistência do lançamento do crédito tributário e a extinção dos valores nele consubstanciados. Do Direito. Do Uso Indevido do Coeficiente de 32% no Presente Caso. O CNAEFiscal jamais poderia ser utilizado como única prova e indicativo da atividade econômica da Impugnante, no caso do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, ao submeter as receitas informadas em DIPJ ao coeficiente de 32% para apurar a base de cálculo do lucro presumido. Uma análise detalhada das provas apresentadas pela contribuinte demonstra que a atividade referente ao CNAE Fiscal representa apenas uma pequena parte dos serviços prestados pela empresa, ou seja, os valores auferidos em razão de serviços de construção civil, com emprego de materiais, é muito superior àquele auferido em razão de prestação dos serviços de terraplenagem, sendo que, tais serviços somente foram realizados dentro de um contexto de prestação de serviços de construção civil. Nesse sentido, as Notas Fiscais ora anexadas (ANEXO II) deixam claro que, afora a mãodeobra utilizada, os serviços prestados pela Impugnante necessariamente envolvem o emprego de materiais, o que torna claramente indevida a utilização do coeficiente de 32% (trinta e Fl. 3590DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 14 13 dois por cento) na autuação fiscal, ao invés do correto no presente caso, que é de 8% (oito por cento). A utilização de coeficiente indevido no presente caso denota a nulidade material do lançamento, conforme já decidido pelo Conselho de Contribuintes. Do Direito. Dos Erros de Fato da Presente Autuação. O lançamento padece de vício de fato, isso porque, ao se deparar com a grande quantidade de depósitos efetuados na conta corrente da Impugnante, a autoridade fiscal lançou valores que não correspondem a depósitos realizados por terceiros, mas apenas estornos realizados pela instituição financeira por erro em suas operações, ou mesmo redução de saldo devedor, não constituindo base de cálculo para os tributos ora exigidos. Como um exemplo, podese citar o montante de R$ 82.234,03, o qual corresponde a mera redução de saldo devedor, operação na qual, basicamente, a instituição financeira credita valores na conta corrente da Impugnante para depois debitálos. Tal valor, movimentado em 03.01.05 (planilha do mês de janeiro de 2005 ANEXO VI), não corresponde nem mesmo a um simples ingresso de valores em sua conta corrente, sendo apenas uma operação de rotina da Instituição Financeira. Dessa maneira, devem os referidos valores serem revistos pelo D. Fiscal por meio de diligência a ser efetuada, uma vez que não se qualificam como depósitos realizados na conta corrente da Impugnante, sendo a presente autuação cancelada também no que concerne a tal tópico. Do Direito. Da Autuação Reflexa. Os lançamentos decorrentes devem seguir a sorte do principal. Assim, um vez reconhecida a insubsistência da autuação principal, essencial que sejam canceladas as autuações reflexas. Dessa maneira, seguindo a sorte do principal, devem as autuações concernentes à CSLL, ao PIS e a Cofins serem canceladas. Do Direito. Da Contribuição ao PIS e da Cofins. Os valores recebidos em razão dos contratos de locação próprios, dos contratos de mútuo e os valores recebidos por conta e ordem de terceiros, decorrentes de contratos de gestão e administração imobiliária, não podem servir de base de cálculo das contribuições em epígrafe. A Impugnante sujeitase à apuração por meio das normas constantes na Lei n. 9.718/98, visto ser optante pela apuração pelo lucro presumido, a qual determina que o fato gerador das contribuições é o faturamento, sendo sua base de cálculo a receita decorrente da prestação de serviços ou venda de mercadorias conforme já definido pela jurisprudência pátria. No presente caso, parte dos valores questionados (créditos em conta corrente cuja origem não teria sido comprovada), conforme já demonstrado pela Impugnante referemse a valores de titularidade terceiros, que são apenas recebidos pela Impugnante, em decorrência de contratos por ela firmados com seus clientes para gestão imobiliária. Assim, porque tais valores .simplesmente transitam pelas contas da Impugnante, em decorrência do cumprimento de seu objeto social, sendo certo que estes pertencem aos seus clientes, não Fl. 3591DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 15 14 integram a base de cálculo das contribuições estabelecida pela Lei n° 9.718/98, pois não se configuram como seu faturamento. Assim, a base de cálculo utilizada pela fiscalização para apurar o montante lançado a título de PIS e Cofins é manifestamente ilegal, por absoluta inexistência de suporte fá tico para a autuação, pois além dos argumentos aplicáveis à autuação principal que por si só servem para cancelar a presente cobrança, especificamente quanto ao PIS e a Cofins, a autuação deve ser cancelada em razão da INADEQUAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO UTILIZADA. Considerando que o Fisco utilizouse indistintamente dos depósitos bancários conferidos por meio de extratos, ou da própria contabilidade da Impugnante para lançar, também, as contribuições em tela, é inconteste que houve a inclusão, na base de cálculo do PIS e da Cofins lançados, de valores relativos a quantias que sequer podem ser consideradas receitas próprias, tampouco configuram faturamento da Impugnante, o que implica na ausência de embasamento legal para a apuração efetuada pelo Fisco. A respeito desta questão, além da decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal a respeito da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins, no julgamento dos Recursos Extraordinários n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, também o Conselho de Contribuintes já se pronunciou sobre a matéria, no Acórdão 20181.258 e, 03/07/2008. Ademais, ressaltase que todas as receitas decorrentes da remuneração da atividade de prestação de serviços exercida pela Impugnante e derivadas das locações de imóveis foram devidamente tributadas, não havendo razão para a presente autuação, conforme se verifica da cópia das DCTF's apresentadas. Assim, é evidente a ilegalidade no lançamento relativo ao PIS e à Cofins, tendo em vista que nele se pretende tributar valores que não integram o conceito de faturamento, e que, portanto, não fazem parte da base de cálculo das contribuições a que está sujeita a Impugnante, nos moldes da legislação aplicável, razão pela qual é imperioso o cancelamento do lançamento relativo a tais contribuições, seja por decorrência reflexa do cancelamento do lançamento principal de IRPJ, seja por manifesta ilegalidade na utilização da base do lançamento, especialmente em relação ao PIS e à Cofins. Do Direito. Da Multa. A multa, em si mesma, segue a sorte do tributo principal que, uma vez inexigível, acarreta inexigibilidade daquela. Do Direito. Dos Juros – Da Não Aplicação da Taxa SELIC. Resta indevida a aplicação da taxa SELIC, que possui natureza remuneratória e não indenizatória, própria dos juros de mora. Fl. 3592DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 16 15 Em sessão de 26 de fevereiro de 2010 a 2a Turma da Delegacia de Julgamento de Brasília, por maioria de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação, para manter os lançamentos a título de IRPJ e CSLL, mas afastando os lançamentos de PIS e COFINS, por erro na sistemática utilizada na autuação. Da decisão houve Recurso de Ofício, por força do limite de alçada. Por seu turno, a interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação, acrescidos à tese de que a decisão de 1a instância teria inovado o lançamento. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. A 2a Turma desta Câmara, em 02 de outubro de 2012, decidiu sobrestar o julgamento, sob o argumento de que ainda pende de decisão no STF o tema da quebra de ofício do sigilo bancário, mediante RMF. Depois de distribuídos a outros Conselheiros, os autos foram finalmente sorteados para este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Os recursos são tempestivos e atendem aos pressupostos legais, razão pela qual deles conheço. Como a Recorrente, em seu longo recurso, apresenta diversos argumentos, faremos a análise tópica dos pontos em debate, conforme segue. 1. Preliminares Em caráter preliminar, a Recorrente aponta supostas nulidades, a seguir resumidas: a) Nulidade por força da duplicidade de intimações invalidade da intimação por edital e efeito das DCTF entregues posteriormente Entende a empresa que a intimação por edital só pode ser feita depois de esgotadas todas as demais opções previstas pela legislação, conforme suas palavras: No presente caso, contudo, houve apenas uma única tentativa de citação da Recorrente, por via postal, o que, portanto, não é suficiente para autorizar a citação por edital. (...) Fl. 3593DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 17 16 Diante das evidências é forçoso concluir que a citação adequada à Recorrente, somente se deu em 08/05/09, através do recebimento, por via postal, do Termo de Intimação Fiscal, quando então foi lhe dada ciência da fiscalização então em curso, ocasião na qual foi intimada para prestar esclarecimentos a respeito da origem de depósitos bancários realizados em suas contas correntes. Ademais, concluise que até 08/05/09, quando foi adequadamente notificada a Recorrente, não pode ser afastada sua espontaneidade. Logo, deve ser reconhecida a validade das DCTF's entregues pela contribuinte, relativas aos fatos geradores objeto do lançamento, as quais foram entregues ainda no período em que gozava de espontaneidade, e as mesmas deviam ter sido consideradas pela fiscalização no curso deste processo. Os procedimentos e modalidades de intimação são definidos pelo artigo 23 do Decreto n. 70.235/72: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. A leitura dos comandos acima nos permite concluir que: a) as modalidades de intimação pessoal, por via postal e eletrônica são equivalentes e intercambiáveis, pois possuem o mesmo efeito jurídico e hierarquia; b) basta apenas o fracasso numa das modalidades para que a intimação possa, validamente, ser feita mediante Edital. Fl. 3594DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 18 17 No caso dos autos é inequívoco que a fiscalização enviou o Termo de Início em 06 de fevereiro de 2009 para o endereço que constava no cadastro CNPJ do contribuinte e que o envelope foi devolvido com recusa de recebimento, situação que a interessada explica como equívoco da portaria do edifício. Diante de tal ocorrência, entendo válida a intimação feita por edital, de sorte que a sua afixação em 19 de fevereiro de 2009 implicou a ciência do contribuinte quinze dias depois, ou seja, em 07 de março do mesmo ano, data a partir da qual este perdeu a espontaneidade diante dos procedimentos de auditoria. Nesse contexto descabem, ao mesmo tempo, a alegação de nulidade da intimação, posto que atendidos os requisitos legais, e o argumento de que deveriam ser consideradas, para fins do lançamento de ofício, as DCTF entregues pela empresa em 12 de março e 30 de novembro de 2009. Isso porque, conforme anotado pela decisão de primeira instância, as DCTF encaminhadas depois da ciência do início da fiscalização, em 07 de março, não têm o condão de produzir efeitos jurídicos. Destaquese que a decisão recorrida reconheceu, expressamente, todas as DCTF entregues até o início dos trabalhos, inclusive em 06 de março de 2009, conforme quadro de fls. 3.434, realizando os ajustes necessários. Quanto às demais, a questão encontrase sumulada no âmbito deste Conselho, de forma que descabe a pretensão da Recorrente: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. b) Nulidade por cerceamento do direito de defesa princípios da verdade material, da legalidade e da moralidade administrativa Neste tópico, entende a empresa que houve prejuízo em seus direitos, pela "pressa da fiscalização" em concluir os trabalhos, cumulada com a recusa de prorrogações solicitadas durante os procedimentos de auditoria. Aduz que a grande quantidade de documentos a ser apresentada dificultou o atendimento às intimações e que o prazo de "apenas dois meses" seria insuficiente para o seu cumprimento. Não assiste razão à Recorrente. O tema das nulidades está disciplinado nos artigos 10 e 59 do Decreto n. 70.235/72, a seguir transcritos: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; Fl. 3595DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 19 18 III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (...) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. A análise dos dispositivos acima indica que não há espaço para as nulidades suscitadas, pois os atos administrativos praticados foram tecnicamente corretos, sem a ocorrência de qualquer das hipóteses legais. Também não prospera a alegação de cerceamento do direito de defesa, como provam as longas peças impugnatórias e recursais, das quais se extrai que o sujeito passivo teve plenas condições de exercer o contraditório e apresentar argumentos e provas em seu favor. Pelos motivos acima falece, ainda, o argumento de que não foram atendidos os requisitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, com suposta ofensa (novamente) ao princípio da verdade material. Isso porque o argumento formulado, de que a autoridade fiscal deixou de verificar a efetiva ocorrência do fato gerador, desistindo da fiscalização por "falta de tempo", assim como por ter deixado de cumprir seu dever funcional de fiscalizar, deuse justamente porque, sabendo que uma grande parte dos depósitos recebidos pela Recorrente não seriam passíveis de tributação como já havia comprovado documentalmente ainda assim os agentes fiscais não permitiram a continuidade das investigações e do procedimento fiscalizatório, apesar do pleito da Recorrente para que pudesse continuar apresentando as comprovações em questão não corresponde aos fatos. Em verdade, pareceme induvidoso que a interessada, ao contrário do que alega, não demonstrou grande disposição e interesse em atender, plenamente, a fiscalização. Prova disso foi a recusa, por duas vezes, das correspondências que iniciariam os trabalhos, pois também restou infrutífera a tentativa de intimação, por via postal, do sócioresponsável da empresa, o Sr. Luiz Estevão de Oliveira Neto, corretamente enviada para o seu domicílio fiscal. Ademais, consta dos autos que a dificuldade em obter os documentos solicitados levou a fiscalização a emitir as Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) aos Bancos Bradesco e Banco de Brasília, a fim de que fosse analisada a movimentação financeira da empresa, em montantes muito superiores àqueles declarados nas respectivas DIPJ. Fl. 3596DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 20 19 Penso, portanto, que a autoridade fiscal agiu com diligência e envidou esforços para obter os documentos e informações relativos à matéria tributável, nos exatos termos do artigo 142 do CTN, o que ensejou os respectivos lançamentos. Daí porque também não pode prosperar o argumento de que a capitulação legal foi incorreta. A Recorrente afirma que a autoridade fiscal fundamentou o auto de infração em dispositivo impróprio e que a decisão de primeira instância teria inovado o enquadramento legal. Contudo, a simples transcrição daquele acórdão nos permite concluir que não assiste razão à interessada: Não encontra amparo legal a argumentação da requerente. Mostrase preciso o art. 528 do RIR/99, ao tratar da omissão de receita no lucro presumido, verbis: Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei n° 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei n° 9.249, de 1995, art. 24, § 1°) Ademais, não se constata a ocorrência de nenhuma das hipóteses previstas para o arbitramento, elencadas no artigo 530 do RIR/99, inclusive aquela disposta no inciso III, vez que o Livro Caixa foi devidamente apresentado, em atendimento às obrigações acessórias a que se encontra submetida a optante pelo Lucro Presumido. (grifamos) Por fim, há ainda a alegação de nulidade por suposta divergência na metodologia dos cálculos efetuados pela fiscalização. Tratase, à evidência, de questão de mérito, que será analisada mais adiante, até porque não se vislumbra, na espécie, qualquer das situações previstas pela legislação, capazes de macular os lançamentos. Afasto, portanto, todos os argumentos de nulidade trazidos pela interessada, em relação aos procedimentos adotados ou aos autos de infração lavrados. 2. Mérito No mérito, a Recorrente contesta a imputação de omissão de receitas, pois afirma ter comprovado integralmente a origem dos depósitos, de sorte que seria inaplicável o artigo 42 da Lei n. 9.430/96. Neste passo, convém ressaltar que a decisão de primeira instância enfrentou a questão e parcialmente deu razão ao sujeito passivo, conforme transcrição a seguir (grifos no original): Fl. 3597DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 21 20 A princípio, cabe esclarecer que o presente lançamento trata de duas infrações referentes à omissão de receitas, quais sejam, a primeira, tipificada no artigo 24 da Lei n° 9.249/1995 (artigo 528 do RIR/99), e a segunda, tratada pelo artigo 42 da Lei n° 9.430/1996 (artigo 849 do RIR/99). No exame do presente tópico, será discutido o lançamento decorrente da primeira infração, identificada pela autoridade fiscal como "OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93". Em preliminar de nulidade, aduz a impugnante que a capitulação legal da infração estaria equivocada, tendo em vista que o artigo 528 do RIR/99 não autoriza a utilização de depósitos bancários cuja origem não esteja comprovada para imputação da infração. Além disso, todos a movimentação bancária encontrase escriturada no livro Caixa apresentado á Fiscalização. Nesse contexto, o ônus da prova continua a ser da Fiscalização, a quem cabe a comprovação de que as receitas foram omitidas. Por sua vez, conforme esclarece no Relatório de Verificação Fiscal de fls. 941/945, durante a ação fiscal, a contribuinte apresentou documentação probatória da origem de parte dos depostos bancários discutidos, que consistem em notas fiscais referentes a serviços prestados e de despesas de administração decorrentes da gestão de imóveis. Contudo, fundamenta a Fiscalização que, como a contribuinte não apresentou nenhuma informação analítica que demonstrasse que as receitas relativas aos serviços referentes às notas fiscais foram oferecidas à tributação, decidiu efetuar o lançamento de ofício, como omissão de receitas. Cumpre asseverar, a princípio, que, de posse dos depósitos bancários, agiu corretamente a autoridade fiscal ao intimar a contribuinte a comprovar a origem dos ingressos. Por sua vez, tendo a contribuinte comprovado a origem de parte dos depósitos, durante o procedimento de fiscalização, ficou afastada a presunção de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada. Verificase que tais depósitos cuja origem foi comprovada estão escriturados no livro Caixa, do qual teve acesso a autoridade fiscal no decorrer da ação fiscal. Portanto, no caso em tela, em que, no decorrer da ação fiscal, a contribuinte comprovou a origem das receitas, inclusive demonstrando sua escrituração no livro Caixa, fica afastada qualquer presunção referente a omissão de receitas. No caso concreto, nos casos em que a Fiscalização constatou a origem dos depósitos bancários, no curso da ação fiscal, caberia observar o disposto no § 2° do artigo 42 da Lei n° 9.430/1996: (...) Fl. 3598DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 22 21 Nesse sentido, padece o ato da autoridade fiscal de motivação adequada, insuficiente para fundamentar o lançamento de ofício. Logo, não há como prosperar o lançamento pela prática de omissão de receitas, definido como "OMISSÃO DE RECEITAS DA ATIVIDADE A PARTIR DO AC 93", devendo ser afastadas as exigências fiscais referentes a esta infração. Correto, portanto, o entendimento do acórdão de origem, ao segregar as infrações imputadas à empresa e analisálas separadamente (omissão de receitas da atividade e omissão de receitas mediante depósitos de origem não comprovada). No que tange à segunda infração, dos depósitos de origem não comprovada, a base legal do auto de infração é o artigo 42 da Lei n. 9.430/96, que confere presunção de omissão de receita aos depósitos cuja origem não seja comprovada pelo titular, nos seguintes termos: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). A presunção contida no artigo 42 tem o condão de inverter o ônus da prova, normalmente a cargo do Fisco, nas hipóteses em que o Contribuinte omite os valores depositados em conta de sua titularidade. Nesses casos, a lei determina que compete ao interessado fazer prova da origem de tais recursos, até então desconhecidos. A prova exigida deve ser hábil e idônea, ou seja, suficiente e conclusiva em relação aos fatos que originaram os respectivos depósitos ou transferências. Fl. 3599DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 23 22 A não comprovação pelo interessado ou a apresentação de documentos frágeis ou insuficientes materializa, no campo jurídico, a presunção, e torna de rigor o lançamento do montante detectado. Por óbvio que cabe à autoridade fiscal intimar, averiguar e determinar a apresentação dos documentos que considera necessários para a comprovação dos depósitos. No caso dos autos percebese que, desde o início, a fiscalização enfrentou dificuldades para obter informações da empresa, tanto assim que depois da recusa no recebimento das comunicações foi necessária a intimação por edital. Essa situação foi destacada na decisão recorrida, que analisou os documentos apresentados e concluiu pela sua insuficiência para comprovar a origem dos depósitos, nos seguintes termos: Analisando o mérito, verificase que, em sede de impugnação, apresenta a requerente os Anexos VI a XVII e XVIII a XXIX, respectivamente referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, para comprovar a origem dos depósitos bancários que serviram de base para o lançamento de ofício. A partir da análise da documentação apresentada pela requerente, constatouse que parte dos depósitos bancários tiveram a sua origem comprovada, sendo oriundas de empréstimos, devoluções, dentre outros. Contudo, as planilhas de fls. 3.307/3.327, que passam a integrar o presente voto, relacionam aqueles depósitos cuja documentação apresentada pela contribuinte não se mostrou suficiente para afastar a presunção legal prevista no art. 42 da Lei n° 9.430/1996, ou seja, os documentos não se mostraram aptos a produzir a prova em contrário exigida da impugnante. A motivação para a manutenção da tributação dos depósitos encontrase detalhada, caso a caso, nas planilhas citadas. Dentre as ocorrências analisadas, vale ressaltar situação relativa à apresentação de Notas Fiscais referentes a receita própria auferida pela impugnante, decorrentes de serviços prestados pela impugnante ao Consórcio Construtor CTM. Verificase que as Notas Fiscais confirmam que a impugnante auferiu receitas, em razão da prestação de serviços, que, contudo, não foram oferecidas à tributação. Ou seja, os depósitos bancários comprovam que a empresa efetivamente recebeu os valores da prestadora de serviços, o Consórcio Construtor CTM. (...) Por sua vez, no caso em tela, não obstante ter sido intimada em mais de uma ocasião, optou a contribuinte por não apresentar documentação probatória da maior parte dos depósitos bancários fiscalizados. Nesse contexto, concretizouse o fato antecedente, qual seja, não comprovação da origem dos depósitos bancários, razão pela qual foi efetuado o lançamento Fl. 3600DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 24 23 de ofício com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430/1996. No contencioso, apresenta a impugnante documentos demonstrando a origem dos depósitos, contudo, conforme já explanado, a prova em contrário a ser produzida não se resume apenas à comprovação da origem. Deveria ter a requerente demonstrado que a natureza dos recursos decorre de ingressos não tributáveis, e, caso fossem receitas tributáveis, caberia demonstrar que tais ingressos foram efetivamente oferecidos à tributação, o que não se verificou na análise dos presentes autos. (grifamos) Entendo que não merece reparos o entendimento acima esposado, razão pela qual afasto o argumento em favor da integral comprovação da origem dos depósitos detectados pela fiscalização. Nesse sentido, afasto as alegações de que não foram considerados os casos de devoluções, mútuos, contratos de gestão, de administração e outras atividades que, na visão da Recorrente, não teriam sido apreciadas e providas pela Delegacia de Julgamento. Os fundamentos existem e servem para atestar que não houve, nas hipóteses acima citadas, a efetiva comprovação pela empresa, circunstância essencial para o reconhecimento da sua pretensão. A Recorrente também questiona a aplicação do coeficiente de 32% e a metodologia empregada pela fiscalização, pois entende que, mesmo na presunção de omissão de receitas, o coeficiente a ser utilizado seria de 8%, pois as atividades seriam de construção civil com emprego de materiais. Contesta, nesse sentido, a utilização do CNAE da empresa como fonte de referência para a decisão prolatada. Para análise da questão, convém verificar o entendimento da decisão recorrida: Vale observar ainda que cabe ser mantida a aplicação do coeficiente de 32% para determinação da base de cálculo do lucro presumido. Analisando as Notas Fiscais emitidas em favor do Consórcio Construtor CMT, verificase que apresentam, como descrição dos serviços prestados, enunciados genéricos, como "Valor referente a serviços prestados em junho de 2006 ", "Valor referente a serviços de medição executados em abril/2006", "Valor referente a serviços de terraplenagem executados em maio/2006", dentre outros. Ainda, avaliando o contrato celebrado com o Consórcio Construtor CMT, de fls. 1.274/1.294, além de não ser possível identificar a data em que foi celebrado, a descrição contida nos itens "objeto" e "descrição de serviços" não permite identificar a natureza dos serviços prestados, ou seja, se o serviço prestado envolveu emprego apenas de mão de obra, cujo coeficiente para determinação da base de cálculo do lucro presumido é de 32%, ou de mão de obra e materiais, caso em que o aludido coeficiente passa para 8%. (...) Portanto, cabe ser mantido o crédito tributário apurado decorrente dos levantamentos demonstrados nas planilhas de fls. 3307/3327. Registrese que, do montante total dos depósitos Fl. 3601DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 25 24 bancários mantidos em cada trimestre dos anoscalendário de 2005 e 2006, foram subtraídos os valores correspondentes às receitas informadas na DIPJ da contribuinte. (grifamos) À luz da documentação acostada aos autos, pareceme correto o entendimento da DRJ, tanto em relação a este caso específico como aos demais suscitados pela interessada no recurso, pois em todos se percebe a insuficiência de comprovação documental do alegado, razão pela qual inexiste, ainda, qualquer transgressão ao conceito de renda, nos termos fixados pelo artigo 43 do Código Tributário Nacional, como entende a Recorrente, ao afirmar que foram considerados, no lançamento, valores que não representariam acréscimo patrimonial. Ressaltese que a decisão recorrida analisou, inclusive, a natureza jurídica dos documentos e contratos celebrados pela empresa, o que evidencia diligência na apuração do coeficiente adequado. Em relação ao questionamento sobre o uso do CNAE na apuração do coeficiente de presunção do lucro, assim se manifestou a DRJ: Reclama a impugnante que o CNAEFiscal não poderia ter sido utilizado como única prova e indicativo da atividade econômica da Impugnante e que uma análise detalhada das provas apresentadas demonstrariam que apenas uma pequena parte dos serviços da empresa seriam submetidos ao coeficiente de 32% para a determinação da base de cálculo do lucro presumido, sendo que as Notas Fiscais do Anexo II comprovam que os serviços prestados pela requerente envolvem o emprego de materiais, cujo percentual aplicável seria o de 8%. Ainda, a utilização indevida do coeficiente pela autoridade fiscal ensejaria a nulidade do lançamento. Para a análise do ponto, cumpre recordar que a contribuinte, não obstante as intimações sucessivas, optou por não apresentar a maior parte da documentação requerida no curso da ação fiscal. Por sua vez, a Fiscalização, ao contrário do que aduz a impugnante, não levou em consideração apenas a classificação da fiscalizada no CNAE, analisou, também, as poucas Notas Fiscais apresentadas no decorrer da ação fiscal, conforme se pode verificar no fragmento do Relatório de Verificação Fiscal: Nas notas fiscais apresentadas pela fiscalizada para fins de comprovação dos créditos efetuados em contas bancárias ficou consignada no campo descrição das referidas notas a prestação de serviços de terraplenagem, plantio de grama e administração de condomínio. Mediante a análise da documentação apresentada pela própria impugnante no curso da ação fiscal, determinou a autoridade fiscal o coeficiente de 32% para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido. Na impugnação, alega a empresa que "possui receitas próprias derivadas de serviços de construção civil, alguns aluguéis que Fl. 3602DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 26 25 recebe, por locação de imóveis e remuneração por administração de imóveis de terceiros", e apresenta as Notas Fiscais e contratos referentes às prestações dos serviços de construção civil. Contudo, deveria ter a impugnante comprovado que as receitas que foram declaradas em DIPJ correspondem, efetivamente, àquelas sujeitas ao coeficiente de 8% para determinação da base de cálculo do lucro presumido. Caberia à requerente, assim, demonstrar, detalhadamente, a composição da receita bruta que foi informada na DIPJ, listando, para o caso em tela, cada uma das Notas Fiscais decorrentes da prestação de serviços de construção civil. Nesse sentido, seria possível avaliar, com a precisão adequada, mediante a análise da documentação apresentada, se as atividades executadas teriam envolvido apenas aplicação de mão de obra, ocasião em que o aludido coeficiente seria de 32%, ou mão de obra e materiais, hipótese no qual o percentual seria de 8%. Entretanto, não logra demonstrar a contribuinte quais receitas integraram a base de cálculo declarada na DIPJ. Nesse sentido, não resta nenhum óbice ao entendimento da Fiscalização, devendo ser mantido, na sua integralidade, o lançamento fiscal que alterou, de 8% para 32%, o coeficiente para determinação da base de cálculo do lucro presumido incidente sobre as receitas declaradas em DIPJ pela contribuinte. Na esteira de tudo o que já foi visto e demonstrado neste voto, entendo correto o entendimento da decisão de primeira instância. No mesmo sentido, deve ser mantida a autuação reflexa a título de CSLL, bem como as multas de ofício incidentes, posto que descabe a este Conselho apreciar matéria veiculada por lei vigente e eficaz no ordenamento brasileiro, como determina Súmula n. 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que respeita à utilização da SELIC a posição deste Conselho também encontrase sumulada, de modo que restam afastados os argumentos aduzidos pela Recorrente: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3. Do Recurso de Ofício Fl. 3603DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 10166.721503/200920 Acórdão n.º 1201001.408 S1C2T1 Fl. 27 26 O Recurso de Ofício foi apresentado ante a exoneração de parte do crédito autuado, correspondente ao PIS e à COFINS, que foram objeto de análise de ofício na decisão recorrida. Com efeito, aquele acórdão considerou que a fiscalização, equivocadamente, apurou os dois tributos de forma trimestral, ao contrário do que prevê a legislação, nos seguintes termos: Tratase de erro que gera reflexos não apenas no critério temporal do lançamento previsto no artigo 142 do CTN, mas também no quantitativo, tendo em vista que o cálculo dos juros moratórios resta alterado. Nesse sentido, adstrita ao princípio de legalidade, não resta outra alternativa senão conhecer ex officio a ilegalidade do ato administrativo. Por consequência, restam improcedentes os lançamentos do PIS e da Cofins. De fato, o Decreto n. 4.524/2002 estabelece como mensal o período de apuração das referidas contribuições: Art. 74. O período de apuração do PIS/Pasep e da Cofins é mensal (Lei Complementar nº 70, de 1991, art. 2º, e Lei nº 9.715, de 1998, art. 2º). Assim, correta a posição da Delegacia de Julgamento. Por força de todos os argumentos expendidos, voto por manter integralmente a decisão de primeira instância, de sorte que os créditos apurados deverão ser aqueles ali reconhecidos, conforme tabelas de fls. 3.436 a 3.442. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso Voluntário e, no mérito, voto por NEGARLHE provimento, assim como CONHEÇO do Recurso de Ofício para também NEGARLHE provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 3604DF CARF MF Impresso em 05/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 30/ 04/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 04/05/2016 por MARCELO CUBA NETTO
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Numero do processo: 13855.722973/2014-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jul 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
GLOSA DE IRRF. INDÍCIOS DE FRAUDE. RELAÇÃO DE PARENTESCO DO CONTRIBUINTE COM A FONTE PAGADORA.
Nos casos de suspeitas de fraude e de inidoneidade do comprovante de rendimentos, o imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos quando a retenção restar devidamente comprovada por meio de outros documentos, hábeis e idôneos, ou, ainda, por meio da comprovação dos respectivos recolhimentos.
ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.431
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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INDÍCIOS DE FRAUDE. RELAÇÃO DE PARENTESCO DO CONTRIBUINTE COM A FONTE PAGADORA. Nos casos de suspeitas de fraude e de inidoneidade do comprovante de rendimentos, o imposto retido na fonte somente poderá ser deduzido na declaração de rendimentos quando a retenção restar devidamente comprovada por meio de outros documentos, hábeis e idôneos, ou, ainda, por meio da comprovação dos respectivos recolhimentos. ÔNUS DA PROVA. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 29 73 /2 01 4- 06 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Martin da Silva Gesto, Márcio Henrique Sales Parada, Dílson Jatahy Fonseca Neto e Márcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 13855.722973/201406, em face do acórdão nº 1271.711, julgado pela 19ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), na sessão de julgamento de 12 de janeiro de 2015, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar improcedente a impugnação apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim os relatou: Foi lavrada Notificação de lançamento relativa ao exercício de 2013, anocalendário 2012, fls. 19/23, em nome de LAURA APARECIDA DOS SANTOS, para apuração de imposto de renda da pessoa física (cód.0211), no valor de R$686,60, acrescido de multa de mora de 20% e juros de mora. A alteração é decorrente da revisão da declaração de ajuste anual relativa ao exercício de 2013, anocalendário 2012, de modo a caracterizar a(s) infração(ões): “Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$9.143,47”, conforme descrição dos fatos às fls. 21 dos autos. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação em 02/10/2014, fls. 02 e 05/08, afirmando, em síntese, que o valor relativo ao IRRF consta do comprovante de rendimentos fornecido pela fonte pagadora e que possui direito a compensação pleiteada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada pela contribuinte, entendendo que havia indícios de fraude apurados em outro processo administrativo, bem como por existir relação de parentesco entre a contribuinte e a fonte pagadora, de modo que caberia a contribuinte demonstrar inequivocamente que houve a retenção de imposto de renda para afastar a glosa. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário às fls. 46/51, reiterando os argumentos já lançados na impugnação e juntando, em anexo ao recurso voluntário, novos documentos (fls. 57/64). É o relatório. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA Processo nº 13855.722973/201406 Acórdão n.º 2202003.431 S2C2T2 Fl. 72 3 Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Primeiramente, esclarecese que a contribuinte é mãe do sócioadministrador (Maurício dos Santos) de sua fonte pagadora (Poliedro Contadores Ltda), conforme fls. 36/37. A contribuinte declarou ter recebido no exercício de 2013 o valor de R$ 36.000,00 de sua fonte pagadora, tendo informado em Declaração de Ajuste Anual o imposto de renda retido pela fonte o valor de R$ 9.143,47. Todavia, constatouse que o valor recolhido pela fonte pagadora foi R$ 0,00, ocorrendo assim a glosa do valor total de IRRF no exercício 2013. Diante disso, foi lavrada Notificação de lançamento relativa ao exercício de 2013, anocalendário 2012, para apuração de imposto de renda da pessoa física, no valor de R$686,60, acrescido de multa de mora de 20% e juros de mora, pois teria ocorrida a compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 9.143,47. No presente caso, temos que o acórdão recorrido fundamentou a improcedência da impugnação pelo fato de a contribuinte ter se limitado a alegar que a retenção existiu, porém teria deixado de apresentar qualquer elemento para comprovar o recolhimento. Ainda, não apresentou qualquer elemento para comprovar o recolhimento. Destaco que a contribuinte não apresentou comprovantes de depósitos em conta corrente para comprovar a efetividade da retenção do imposto de renda na fonte. Entendo que o dever de comprovar a retenção na fonte cabe a fonte pagadora, e não à contribuinte. Porém tratase de caso atípico, pois há relação de parentesco entre a contribuinte e sua fonte pagadora, sendo o sócioadministrador da fonte pagadora filho da contribuinte, cabe nestes casos ao contribuinte o ônus de apresentar elementos probatórios inequívocos de que houve a retenção Ademais, há de ser salientado que a contribuinte foi intimada a apresentar outros documentos que viessem a comprovar a alegada retenção de imposto de renda na fonte, tais como contracheques, contrato de prestação de serviços e/ou respectivo termo de rescisão e carteira de trabalho (fls. 26 e 02). No entanto, limitouse a juntar aos autos o comprovante de rendimentos já apresentado e não aceito pelo Fisco para comprovar a referida retenção (fls. 34), bem como o recibo de fls. 29/30, sem assinatura de quem seria o signatário. E, em recurso voluntário, apresenta o referido recibo com assinatura (fls. 57/58). Portanto, resta demonstrado que a contribuinte deixou de apresentar documentos comprobatórios de que a retenção do imposto de renda efetivamente ocorreu, bem como que teria sua fonte pagadora efetuado o recolhimento do referido tributo, salientadose, mais uma vez, que fonte pagadora em questão possui o filho da contribuinte (Maurício dos Santos) como sócioadministrador. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA 4 Por oportuno, acrescentase que, conforme relatado pela autoridade fiscal quando da motivação do lançamento efetuado, a referida empresa Poliedro possui processo junto a esta SRFB (15956.000096/201155), iniciado por motivo de “suspeitas de fraude”, as quais se confirmaram, concluindose, no referido processo, às fls. 377 daquele, que: “Face ao acima exposto, está devidamente comprovado que essas restituições de Imposto de Renda são indevidas, pois são frutos de ...” Ainda, relevante transcrever trecho da decisão da DRJ/RJ1 que fundamenta seu voto também em relação a tal questão, o que leva a ser exigido da contribuinte prova inequívoca da retenção: "Ressaltese que, diante dos fatos narrados, das suspeitas de fraude e da conclusão exposta no processo nº 15956.000096/201155, cabia a contribuinte trazer aos autos outros documentos e/ou elementos que comprovassem de forma inequívoca a referida retenção." Assim, sem dispor de elementos de prova inequívocos, não é possível acatar a compensação pleiteada na declaração de ajuste, com base em simples alegações e documentos simplórios desqualificados pela própria SRFB no processo nº 15956.000096/2011 55, cabendo à interessada o ônus da prova de que efetivamente sofreu a referida retenção. Desse modo, não prosperam as razões apresentadas pelo contribuinte, devendo ser mantida a glosa consubstanciada na notificação de lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 05/07/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBO SA
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Numero do processo: 10530.723635/2009-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF - RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA - Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12).
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE - O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
IR - COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL - A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda.
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL - NATUREZA INDENIZATÓRIA -MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃO-INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária.
MULTA DE OFÍCIO - ERRO ESCUSÁVEL - Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.
JUROS DE MORA - Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Preliminares rejeitadas.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2202-001.196
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez
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ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE O CARF não é competente para se pronunciar sobre inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). IR COMPETÊNCIA CONSTITUCIONAL A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. ABONO VARIÁVEL NATUREZA INDENIZATÓRIA MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL. VEDAÇÃO À EXTENSÃO DE NÃOINCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Inexistindo dispositivo de lei federal atribuindo às verbas recebidas pelos membros do Ministério Público Estadual a mesma natureza indenizatória do abono variável previsto pela Lei n° 10477, de 2002, descabe excluir tais rendimentos da base de cálculo do imposto de renda, haja vista ser vedada a extensão com base em analogia em sede de não incidência tributária. MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. JUROS DE MORA Não comprovada a tempestividade dos recolhimentos, correta a exigência, via auto de infração, nos termos do art. 43 e 44 da Lei nº. 9.430, de 1996. Fl. 265DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Preliminares rejeitadas. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas pelo Recorrente e, no mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Ewan Teles Aguiar, Rafael Pandolfo e Pedro Anan Júnior, que proviam o recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Ewan Teles Aguiar, Margareth Valentini, Rafael Pandolfo, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Helenilson Cunha Pontes e Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga. Fl. 266DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723635/200991 Acórdão n.º 220201.196 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, GERALDO AGRELLI LOBO, foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$.72.164,41, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, os seguinte pontos extraídos do relatório da autoridade recorrida: a) o lançamento fiscal teve como objeto verbas recebidas pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não representaram qualquer acréscimo patrimonial, mas sim o ressarcimento por erro cometido pela fonte pagadora no cálculo da remuneração paga no período de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001; b) o referido erro ocorreu no procedimento de conversão de cruzeiro real para URV a que eram submetidos os salários pagos aos membros do Ministério Público Estadual. Tal procedimento tinha o intuito de preservar o ganho mensal, compensando as perdas em face dos altos índices de inflação, o que evidencia a feição indenizatória da URV; Fl. 267DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 c) o acordo para o pagamento das diferenças de URV se deu através da Lei Estadual Complementar nº 20, de 08 de setembro de 2003, tendo o impugnante recebido tais valores ao longo dos anos de 2004, 2005 e 2006 d) a referida diferença consistiu apenas em correção do capital, ou seja, recomposição de quantias que deveriam integrar a remuneração ao longo do tempo passado. Não correspondeu a qualquer permuta do trabalho/serviço por moeda que configurasse a natureza salarial. Assim, por ser mera atualização do principal, e por não ter sido implementada em tempo certo, não deveria ser levada à tributação, haja vista o entendimento doutrinário e jurisprudencial, que veda a tributação da correção monetária; e) a mera correção monetária não aumenta ou acresce patrimônio do contribuinte, apenas lhe torna indene das perdas inflacionárias, portanto,não integra a base de cálculo do imposto de renda; f) havia um evidente caráter compensatório da URV desde sua gênese, e as diferenças recebidas representaram uma reparação por danos, tendo clara natureza de indenização, e não de salário. Dessa maneira, por não caracterizar aumento patrimonial, a verba recebida não subsume nos conceitos de renda e proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; g) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, deixou claro que o abono conferido aos magistrados federais em razão das diferenças de URV tem natureza indenizatória, e que por esse motivo está isento da contribuição previdenciária e do imposto de renda; h) apesar da citada resolução ter sido dirigida à magistratura federal, é impositiva e legítima a equiparação do tema por analogia às verbas recebidas pelos magistrados estaduais, conforme preceitua o art. 108 do CTN. Negar o caráter indenizatório destas verbas é afrontar o princípio constitucional da isonomia, não só na sua concepção geral, mas, também, no que tange a tratamento diferenciado entre membros do Ministério Público Federal da União e Estadual. Viola, também, o disposto no inciso II do art. 150 da Constituição Federal que proíbe o tratamento desigual entre os contribuintes que se encontrem em situação equivalente; i) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do imposto ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga. Implementou todos os pagamentos sem qualquer retenção de IR e informou aos beneficiários dos rendimentos a natureza desta parcela como indenizatória; j) o sujeito passivo da obrigação de tributária, na condição de responsável, era a fonte pagadora, que estava obrigada a reter o imposto. Desta forma, a discussão acerca da classificação dos rendimentos pagos deveria ser travada entre o fisco federal e a fonte pagadora. Entretanto, não se instaurou qualquer procedimento fiscal contra a fonte pagadora, mas sim contra o Fl. 268DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723635/200991 Acórdão n.º 220201.196 S2C2T2 Fl. 3 5 impugnante, que sofreu os dissabores e ônus da ação fiscal, inclusive com a imposição de multa de ofício e juros moratórios; l) de forma transversa o Estado Membro devedor da obrigação mensal de retenção não exauriu sua obrigação e gerou para o contribuinte o dever de pagar mais imposto; conseqüentemente o Estado se beneficia com os acréscimos que sua inação causou. Assim, ao lançar o tributo nos termos da autuação gera quebra da capacidade contributiva do signatário; m) o impugnante não agiu com intuito de fraude, simulação ou conluio, simplesmente seguiu a informação prestada pela fonte pagadora, e fez constar em suas declarações de rendimentos relativas aos períodos bases de 2004 a 2006 as parcelas recebidas como isentas de tributação. Isto posto, mantida a exigência fiscal, devese observar o princípio da boafé, da qual estava imbuído o impugnante, e afastar a exigência da multa de ofício e juros de mora; n) a informação prestada pela fonte pagadora estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Portanto, os valores declarados pelo impugnante tratase de informação lastreada em ato normativo expedido por autoridade administrativa, que se enquadra na hipótese do inciso I do art. 100 do CTN. Assim, de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, devem ser afastados a multa de ofício e os juros de mora; o) o lançamento fiscal tributou isoladamente os rendimentos apontados como omitidos, deixando de considerar os rendimentos e deduções já declarados, conforme determina o art. 837 do RIR/1999. Caso fosse mantida a tributação das verbas recebidas, caberia sujeitálas ao ajuste anual, o que resultaria em um imposto devido menor; p) nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; q) parte dos valores recebidos a título de URV se referia à correção incidente sobre 13º salários e férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isentas, conseqüentemente, mesmo que prevalecesse o entendimento do órgão fiscalizador, caberia a exclusão de tais parcelas na apuração da base de cálculo sujeita ao lançamento fiscal; r) os juros de mora constantes no cálculo da diferença de URV representam um indenização pelos danos emergentes do não uso do patrimônio. Assim, os juros de mora têm natureza distinta da originária do principal ao qual incidiu acessoriamente, porque não se constituíram em aquisição de disponibilidade de renda, produto do trabalho remunerado pelo Estado da Bahia; Fl. 269DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 A DRJSalvador ao apreciar as razões do contribuinte, julgou o lançamento procedente, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Insatisfeito, o contribuinte interpõe recurso voluntário ao Conselho onde reitera as mesmas razões da impugnação, enfatizando os seguintes pontos: Da Preliminar da ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do Imposto de Renda incidente na Fonte que não foi objeto de retenção pelo Estado Membro. Da Preliminar de quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, a ilegalidade e torpeza; No mérito, reitera a natureza indenizatória das diferenças de URV, que devem implicar na não incidência de Imposto de Renda; Da quebra do princípio constitucional da isonomia, frente a entendimento aplicado para membros do ministério público federal; Da Lei 10474/2002 e da Lei 10.477/2002 do Abono Variável Provisório. Da isenção pela Resolução do STF e a Lei Estadual no exercício da Competência Residual. Das alíquotas incorretas usadas pela Autoridade Fiscal Da desconsideração pela autoridade fiscal das deduções cabíveis, no cálculo do suposto imposto; Da exclusão de parcelas isentas e de tributação exclusiva – Dos valores relativos a 13º. Salário e férias indenizadas. Da responsabilidade tributária da fonte pagadora de boa fé do contribuinte; Da exclusão da multa de ofício e do juros de mora constantes do auto de infração; É o relatório. Fl. 270DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723635/200991 Acórdão n.º 220201.196 S2C2T2 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso é tempestivo e preenche o seu pressuposto de admissibilidade. Dele, então, tomo conhecimento. O lançamento teve por base valores recebidos a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 08 de setembro de 2003. Vale ressaltar que não é a denominação que se dá aos rendimentos pagos que vai determinar sua natureza tributável (ou não), mas os efeitos que esses recebimentos têm sobre o patrimônio do Autuado. De acordo com o Parágrafo 3º, do artigo 43 da Lei no. 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), com redação dada pelo art. 1º. da Lei Complementar No. 104, de 10 de janeiro de 2001, a incidência do imposto de renda independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Conforme o mandamento previstos no parágrafo 6º. do art. 150 da Constituição Federal de 1988 (CF/88), com redação da Emenda Constitucional No. 3, de 17 de março de 1993, notase que a determinação expressa de que a isenção somente poderá ser concedida mediante lei específica. No caso somente a legislação do imposto sobre a renda define, de forma expressa, os rendimentos percebidos por pessoas físicas que são isentos do imposto. Acrescentese, por pertinente, que o CTN dispõe no art. 111 que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de "indenização" ou "valores indenizatórios. No que toca a preliminar de ilegitimidade ativa da União para cobrar o valor do imposto de renda incidente na fonte que não foi objeto de retenção. Urge registrar que a repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda. Em suma, o fato de o produto da arrecadação ficar para o Estado não altera a competência tributária definida na Constituição, que é da União, conforme de definido no art. 153, III. No referente a suposta inconstitucionalidade das Normas aplicadas, pela quebra do princípio da capacidade contributiva e apropriação de vantagem, , acompanho a posição sumulada pelo CARF de que não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário. Fl. 271DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). No relativo a Lei n° 10.477, de 2002, cabe observar, que a mesma restringe se ao abono variável aplicável aos membros do Poder Judiciário Federal. Esse abono, especificamente, foi considerado de natureza indenizatória pelo STF e, por determinação expressa do Parecer PGFN n° 529, de 2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, está fora da incidência tributária do imposto de renda. Em momento algum, houve pronunciamento do STF ou do Ministro da Fazenda acerca das naturezas jurídica e tributária dos rendimentos recebidos com fulcro na referida Lei Estadual que criou a isenção. Atribuir aos rendimentos em análise a mesma natureza do abono variável da Lei n° 10.474, de 2002, seria alargar as fronteiras da não incidência tributária sem previsão de Lei Federal para tanto. Tal entendimento é expressamente corroborado pelo Parecer PGFN/CAT n° 2.158, de 2005, e pela Solução de Consulta n° 47, da Superintendência da 7" Região Fiscal da Receita Federal do Brasil, estendendose os efeitos da Resolução STF n° 245, de 2002, tão somente ao Ministério Público Federal e à Magistratura Federal. Não se pode olvidar também que é defeso ao aplicador do Direito valerse da analogia para excluir rendimentos do campo de incidência tributária. Quanto à alegação de que, como a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto é da fonte pagadora, é dela que deve ser exigido o imposto. Ocorre que, sem prejuízo da responsabilidade de reter e recolher o imposto, permanece o dever do beneficiário dos rendimentos de declarálos para fins de apuração do imposto devido, quando do ajuste anual. O Contribuinte é o beneficiário dos rendimentos, que não pode se furtar à tributação porque a fonte pagadora não procedeu à retenção do Imposto. É dizer, sendo a retenção do imposto pela fonte pagadora mera antecipação do imposto devido na declaração de ajuste anual, não há falar em responsabilidade pelo imposto concentrada exclusivamente na fonte pagadora. Este Conselho já pacificou esse entendimento, conforme verificase da Súmula a seguir: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção (Súmula CARF nº 12). No que referente ao uso de alíquotas incorretas pela autoridade fiscal, da revisão do lançamento, notase que não há qualquer reparo a ser realizado no mesmo. Para conferência das alíquotas mensais aplicadas recomendase a consulta do link a seguir: http://www.receita.fazenda.gov.br/pagamentos/pgtoatraso/tbcalcir.htm, e não aquele apontado no recurso. No que toca a natureza de rendimentos recebidos acumuladamente, e a solicitação de considerar o rendimento em conjunto com os outros rendimentos do recorrente, tendo em vista aspectos das decisões do STJ (julgamentos repetitivos), o lançamento está impecável, já que cumpriu o entendimento judicial de que devem ser consideradas as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem os rendimentos tributados. Enfim, não há qualquer prejuízo para o recorrente, já que os mesmos foram calculados pelo regime de competência que no geral é mais favorável aos contribuintes. O fisco Fl. 272DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10530.723635/200991 Acórdão n.º 220201.196 S2C2T2 Fl. 5 9 adotou a forma mais benéfica no cálculo do imposto, recordandose que as decisões do CARF não podem agravar os lançamentos. No relativo a necessidade de exclusão das parcelas isentas e de tributação exclusiva, não há provas da falha apontada pelo recorrente. A alegação de que outros itens poderiam estar presentes no mesmo item de observação rendimentos isentos – deveria ser provada, confirmando uma eventual deficiência do lançamento. Cabe adicionalmente registrar, que as parcelas relativas à conversão da URV, de rendimentos tributáveis, os juros compensatórios ou moratórios pagos em decorrência do atraso no seu pagamento, também são tributáveis, conforme disposto no art. 55, inciso XIV, do Decreto No. 3000, de 26 de março de 1999, RIR/99. Art.55.São também tributáveis (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I): ... XIV os juros compensatórios ou moratórios de qualquer natureza, inclusive os que resultarem de sentença, e quaisquer outras indenizações por atraso de pagamento, exceto aqueles correspondentes a rendimentos isentos ou não tributáveis; Quanto à incidência da multa de ofício, esta tem previsão expressa em dispositivo de lei. Ainda que a fonte pagadora tenha deixado de proceder à retenção, o Contribuinte ter oferecido os rendimentos à tributação e não o tendo feito, fica sujeito à multa prevista no art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996, verbis: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I – de 75% (setenta e cinco por cento), sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto não pode se deixar de reconhecer que o recorrente teria sido induzido a erro pelas informações prestadas pela fonte pagadora. Incorreu em erro escusável no preenchimento da declaração, não comportando multa de ofício. A inclusão de rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual, na parte relativa a rendimentos não tributáveis, seguindo a rubrica constante do comprovante de rendimento fornecido pela fonte pagadora, demonstra que o contribuinte fora induzido a erro. Nesses casos excluise a penalidade, pois houve erro escusável por parte do declarante. Nesse sentido este conselho já tem se pronunciado, tal como se depreende do Acórdão 10421.668 : MULTA DE OFÍCIO ERRO ESCUSÁVEL Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas pela fonte pagadora, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação Fl. 273DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício. No que toca ao juros de mora é de se manter o lançamento, tendo em vista que o mesmo não tem a intenção de penalizar, mas de compensar o sujeito passivo pelo atraso no pagamento. Em face do exposto e da pertinência da cobrança do imposto, é de se manter o juros de mora. Urge registrar que o STJ não declarou a inconstitucionalidade do art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95, restando pacificado no CARF que, com o advento da referida norma, teria aplicação a taxa Selic como índice de correção monetária e juros de mora, afastandose a aplicação do CTN, o que justifica a incidência de atualização do débito fiscal não recolhido, a partir do seu vencimento. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4). No tocante a aplicação do tratamento prescrito na Instrução Normativa RFB No. 1.127/2011 relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente (RRA). Urge registrar que a norma citada disciplina a apuração e tributação dos rendimentos recebidos a partir de 28 de julho de 2010, não se aplicando portanto ao caso concreto. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício, por erro escusável. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 274DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Assinado digitalmente em 11/07/2011 por NELSON MALLMANN, 07/07/2011 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 10580.734084/2011-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RESTITUIÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE -RENDIMENTOS ISENTOS - MOLÉSTIA GRAVE - MILITAR TRANSFERIDO PARA RESERVA REMUNERADA
Em conformidade com a legislação tributária, os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portador de moléstia grave, são isentos do imposto de renda. Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-004.348
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, dar-lhe provimento.
Maria Cleci Coti Martins - Presidente
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
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Para esse efeito, a transferência do militar para a reserva remunerada se enquadra no conceito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 40 84 /2 01 1- 10 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, darlhe provimento. Maria Cleci Coti Martins Presidente Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins, Carlos Alexandre Tortato, Miriam Denise Xavier Lazarini, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rosemary Figueiroa Augusto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.734084/201110 Acórdão n.º 2401004.348 S2C4T1 Fl. 81 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº. 1146.868 (fls. 55/60), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC), que julgou improcedente a impugnação (fls. 02/06) do contribuinte, conforme ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. RESERVA REMUNERADA. INADMISSIBILIDADE. O reconhecimento da isenção prevista no RIR/99, art. 39, XXXIII (portadores de moléstia grave), requer o cumprimento de dois requisitos:rendimento ter natureza de aposentadoria, reforma ou pensão ecomprovação, por meio de laudo médico oficial, da existência de doençamencionada na lei. Por ausência de amparo legal, referida isenção não se estende aos proventos oriundos de reserva remunerada, ainda que o militar seja portador de moléstia grave. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Notificação de Lançamento nº. 2009/294592715599603 de fls. 09/14 apurou do contribuinte, a redução do saldo do imposto a restituir de R$ 21.264,67 para R$ 1.345,74. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 11) a fiscalização informa os rendimentos indevidamente considerados como isentos por Moléstia Grave devido a Não Comprovação da Moléstia ou sua Condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado, nos seguintes termos: Fl. 82DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 Em sede de impugnação, o contribuinte alegou que é portador de moléstia grave, detectada em janeiro de 2008, fazendo jus à isenção tributária, nos termos do artigo 6º, incisos XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88, que, expressamente preveem os casos de rendimentos isentos e não tributáveis. Alegou, ainda, que o laudo anexado confirma os fatos por si narrados, tendo sido apresentando a sua única fonte pagadora, o Exército Brasileiro, o qual passou a reconhecer a isenção, deixando de reter o tributo em seus pagamentos subsequentes. Informou que ao tomar conhecimento desse direito à isenção desde o diagnóstico, o recorrente retificou sua Declaração de Ajuste Anual – DIRPF referente ao ano calendário de 2008, bem como entregou a DIRPF referente ao anocalendário de 2010, lançando os rendimentos tributados na fonte pagadora, como deveriam ser considerados: isentos. Apresentou julgados a fim de confirmar que reserva e reforma são sinônimos de aposentadoria para os efeitos legais de isenção tributária, diferentemente da interpretação dada pelo fisco. Intimado do acórdão da DRJ/REC em 29/07/2014 (A.R. fl. 64), que julgou improcedente a sua impugnação, o recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 66/70) em 28/08/2014, onde alega: a) Que era militar da reserva remunerada – situação de fato e de direito de aposentadoria para efeito da isenção pleiteada, como definido pelo CARF em súmula vinculante, desde junho de 2007, quando em janeiro de 2008 foi diagnosticada sua moléstia grave. b) Que os fatos declarados – estar na reserva remunerada e ter moléstia grave devidamente declarada em laudo – são suficientes para o gozo da isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria e foram devidamente comprovados documentalmente. c) Que, conforme julgamentos do Carf, reserva e reforma são sinônimos de aposentadoria para os efeitos legais de isenção tributária. d) Requer seja acolhido o seu recurso, a fim de reconhecer o direito à isenção e recalculado o tributo devido nos anos – calendário de 2008 e 2009 para lançar os valores antes considerados tributáveis como isentos e devolvidos com a devida correção os valores retidos e/ou pagos nesses anoscalendário, inclusive 13° salário. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.734084/201110 Acórdão n.º 2401004.348 S2C4T1 Fl. 82 5 e) Alega estar devidamente comprovado ser portador de moléstia grave, por meio de laudo médico pericial apresentado. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito Como relatado acima, a Notificação de Lançamento nº. 2009/294592715599603 de fls. 09/14 originase da GLOSA de deduções rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave, conforme sua DIRPF (fls. 30/34). Em sede de impugnação o contribuinte informa que retificou sua Declaração de Ajuste Anual – DIRPF referente ao anocalendário de 2008, bem como entregou a DIRPF referente ao anocalendário de 2010, lançando os rendimentos tributados na fonte pagadora, como deveriam ser considerados: isentos. Já em sede de recurso voluntário (fls. 66/70) o recorrente direciona todas as razões da peça recursal, a fim de defender a sua condição de militar da reserva remunerada para efeito da isenção pleiteada, bem como ao fato de ser portador de moléstia grave – demência e, assim, que faria jus a isenção do imposto de renda incidente sobre os seus rendimentos (que alega serem proventos de reserva remunerada – o que, para o contribuinte, seria sinônimo de aposentadoria). Nos termos do art. 6º, XIV e XXI, da Lei nº. 7.713/88: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. (Incluído pela Lei nº 8.541, de 1992) Acerca do reconhecimento das doenças relacionadas nos incisos acima, foi editada a Lei nº. 9.250/95, que assim dispôs no seu artigo 30: Fl. 85DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10580.734084/201110 Acórdão n.º 2401004.348 S2C4T1 Fl. 83 7 Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (grifamos) § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Primeiramente, para que possamos adentrar na análise do gozo ou não da isenção, necessário se faz verificar a natureza dos rendimentos recebidos pelo recorrente que, como dito, declarou como “RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA PELO TITULAR” os seguintes valores (DIRPF fl. 31): Declarou, ainda, o recebimento de valores a título de “RENDIMENTOS ISENTOS E NÃOTRIBUTÁVEIS – “Pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave ou aposentadoria ou reforma por acidente em serviço”, no montante de R$ 134.303,40, conforme DIRPF à fl. 30. Assim, façamos o seguinte corte processual: a) A Notificação de Lançamento originase na glosa de deduções declaradas pelo recorrente. Estas glosas foram contestadas? Sim b) Comprovando o recorrente que faz jus a isenção do imposto de renda sobre os valores recebidos a título de “pensão, proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave”, há repercussão ao presente lançamento? Sim. Assim, se verificado que o recorrente percebe valores a título de “proventos de aposentadoria ou reforma por moléstia grave”, conforme alegado pelo próprio e acaso se entenda que este é portador de moléstia que implique na isenção prevista nos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº. 7.713/88, já reproduzidos, este lançamento deixará de subsistir, posto que a base de cálculo para o lançamento de imposto complementar é justamente o montante declarado pelo contribuinte em sua DIRPF como “rendimento tributável”. Ocorre que, no presente caso, partimos da análise da DIRPF (fls. 31/34) e nela está inserida a informação, pelo próprio recorrente, de que recebeu rendimentos tributáveis da pessoa jurídicas MINISTÉRIO DA DEFESA – EXÉRCITO (CNPJ nº.00.394.452/053304). Fl. 86DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 A questão que se apresenta no caso em tela é se o contribuinte, ainda que comprovado que seja portador de moléstia grave, reúne as condições impostas pela legislação para fazer jus à isenção pleiteada, se referido benefício fiscal se estende aos proventos oriundos de reserva remunerada. Tal matéria, vejase, está sumulada por este r. Conselho, ante a edição da Súmula CARF nº. 43: "Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda". Destaco que para a comprovação da sua condição de portador de moléstia grave, o Sr. Clovis Tadeu Nunes trouxe ao processo administrativo o seguinte documento: Laudo Médico (fl. 15) datado de 16/08/2011, apresentado em sede de impugnação. Assim, ante as provas apresentadas, entendo aplicável ao recorrente a isenção por ser portador de Demência, nos termos dos incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº. 7.713/88 acima. Portanto, os rendimentos isentos são os proventos de aposentadoria e pensão por morte, bem como de reservaremunerada, sendo que no presente caso, equiparase a natureza dos rendimentos recebidos pelo Sr. Clovis Tadeu a título de militar da reserva remunerada à aposentadoria. Isto posto, ante as razões apresentadas a fim de contestar as glosas realizadas pela autoridade fiscal que ensejaram o presente lançamento, bem como a aplicação da Súmula CARF nº. 43 acima reproduzida, entendo que deve ser dado provimento ao recurso voluntário do contribuinte e, portanto, anulada a notificação de lançamento nº. 2009/294592715599603, que alterou o valor do imposto de renda a restituir do ora recorrente. CONCLUSÃO Ante, o exposto, voto por CONHECER E DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Carlos Alexandre Tortato. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 10/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 22/07/ 2016 por CARLOS ALEXANDRE TORTATO, Assinado digitalmente em 26/07/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 13830.722429/2013-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. RETENÇÃO NA FONTE. RESTITUIÇÃO. PROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.243
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. RETENÇÃO NA FONTE. RESTITUIÇÃO. PROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 24 29 /2 01 3- 53 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722429/201353 Acórdão n.º 2402005.243 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por YASUO ASHIKAGA, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento através da qual fora negado pedido de restituição do imposto retido na fonte sobre a parcela do décimo terceiro salário no ano de 2009. O pedido de restituição decorre do fato do recorrente considerarse como portador de moléstia grave, nos termos da legislação do imposto de renda, o que não restou comprovado, em razão dos motivos a seguir elencados. Consta dos autos que quando da entrega de sua DIRPF original o contribuinte informou o total dos rendimentos recebidos do INSS como sendo rendimentos tributáveis, sendo que, ao apresentar a Declaração Retificadora em 02/07/2013, passou a informar parte dos rendimentos como isentos e não tributáveis, em razão de ter obtido declaração médica oficial o considerando como portador de cardiopatia grave. Também se apura dos autos, que às fls. 62, o médico Dr. André Fernando Teixeira Coelho Filho, subscritor do laudo pericial oficial que atestou a existência de cardiopatia grave no autor desde 20/07/2008, veio a ser intimado pela Secretaria da Receita Federal, a confirmar as conclusões de seu laudo, diante da realização de uma angioplastia em 20/08/2008, emitido pelo médico Dr. Pedro Beraldo de Andrade. Ademais o médico também foi intimado a esclarecer se tinha conhecimento da realização de tal procedimento. Em resposta, o médico intimado afirmou que após o procedimento de angioplastia, a lesão no coração do contribuinte diminuiu para menos de 5% e, por este motivo, o mesmo não mais poderia ser considerado como portador de uma lesão GRAU III ou IV, mas de GRAU I ou II, situações que não se enquadrariam no conceito de cardiopatia grave. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que é portador de cardiopatia grave, o que foi atestado por 02 (dois) médicos peritos do INSS, além de outros 03 laudos médicos, dois subscritos por especialista cardiologista e outro subscrito por médico de serviço médico oficial estadual; 2. que somente um dos peritos que subscreveram a perícia oficial realizada é que mudou as suas conclusões do contribuinte ser possuidor de cardiopatia grave; 3. que é desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para a concessão da isenção do imposto de renda, bastando, para tanto, a apresentação de laudos que comprovem a cardiopatia grave; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 4. diante da contradição de laudos, deve prevalecer o entendimento mais favorável ao contribuinte; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722429/201353 Acórdão n.º 2402005.243 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Reitero que, no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de cardiopatia grave, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Pois bem, o não reconhecimento do autor se portador de cardiopatia grave, decorreu do fato de que um dos médicos subscritores do laudo pericial oficial, quando intimado pela SRFB, veio a apresentar declaração no sentido de que a realização de um procedimento de angioplastia em 20/08/2008 trouxe melhora no quadro de saúde do autor, que ainda possuía Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 cardiopatia, mas não mais uma cardiopatia grave, em decorrência das lesões no coração terem diminuído para menos de 5%. Em face da mudança de entendimento, o recorrente trouxe aos autos outros laudos médicos, sendo um deles, subscrito por serviço médico oficial, cujo avaliador foi o Dr. José Dorivaldo Zaia. Os demais laudos foram subscritos por médicos particulares. A DRJ entendeu por afastar os argumentos do contribuinte pois entendeu que o laudo médico realizado pelo Dr. André, perito do INSS deveria prevalecer sobre os demais, tendo em vista que é realizado com a observância de metodologia específica, observando os critérios do Manual de Perícias, a seguir elencados: “4. CONCEITUAÇÃO: 4.1 Para o entendimento de cardiopatia grave tornase necessário englobaremse no conceito todas as doenças relacionadas ao coração, tanto crônicas, como agudas. 4.2 São consideradas Cardiopatias Graves: a) as cardiopatias agudas, que, habitualmente são rápidas em sua evolução, tornaremse crônicas, caracterizando uma cardiopatia grave, ou as que evoluírem para o óbito, situação que, desde logo, deve ser considerada como cardiopatia grave, com todas as injunções legais; b) as cardiopatias crônicas, quando limitarem, progressivamente, a capacidade física, funcional do coração (ultrapassando os limites de eficiência dos mecanismos de compensação) e profissional, não obstante o tratamento clínico e/ou cirúrgico adequado, ou quando induzirem à morte prematura. 4.3 A limitação da capacidade física, funcional e profissional é definida habitualmente, pela presença de uma ou mais das seguintes síndromes: a) insuficiência cardíaca; b) insuficiência coronária; c) arritmias complexas; d) hipoxemia e manifestações de baixo débito cerebral secundárias a uma cardiopatia. 4.4 A avaliação da capacidade funcional do coração permite a distribuição dos pacientes em Classes ou Graus, assim descritos: a) GRAU I Pacientes portadores de doença cardíaca sem limitação para a atividade física. A atividade física normal não provoca sintomas de fadiga acentuada, nem palpitações, nem dispnéias, nem angina de peito; b) GRAU II Pacientes portadores de doença cardíaca com leve limitação para a atividade física. Estes pacientes sentemse bem Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722429/201353 Acórdão n.º 2402005.243 S2C4T2 Fl. 5 7 em repouso, porém os grandes esforços provocam fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito; c) GRAU III Pacientes portadores de doença cardíaca com nítida limitação para a atividade física. Estes pacientes sentem se bem em repouso, embora acusem fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito, quando efetuam pequenos esforços; d) GRAU IV Pacientes portadores de doença cardíaca que os impossibilitam de qualquer atividade física. Estes pacientes, mesmo em repouso, apresentam dispnéia, palpitações, fadiga ou angina de peito. 6. NORMAS DE PROCEDIMENTO: 6.1 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus III ou IV da avaliação funcional descrita no item 4.4 destas Normas serão considerados como portadores de Cardiopatia Grave. 6.2 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus I e II da avaliação funcional do item 4.4 destas Normas, e que puderem desempenhar tarefas compatíveis com a eficiência funcional, somente serão considerados incapazes por Cardiopatia Grave, quando, fazendo uso de terapêutica específica e depois de esgotados todos os recursos terapêuticos, houver progressão da patologia, comprovada mediante exame clínico evolutivo e de exames subsidiários. 6.2.1 A idade do paciente, sua atividade profissional e a incapacidade de reabilitação são parâmetros que devem ser considerados na avaliação dos portadores de lesões citadas no item 6.2. Em que pesem os argumentos dos julgadores de primeira instância, tenho outro entendimento quanto ao presente caso. Fato é que este julgador carece do conhecimento técnico suficiente a diferenciar uma cardiopatia grave, de uma simples cardiopatia. E é exatamente por isso, que tal incumbência é reservada aos médicos oficiais do Estado, conforme prevê a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, dispôs sobre o tema da seguinte forma: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso dos autos, não vislumbrei que o médico Dr. Mario Katsutani Sobrinho, também subscritor do laudo inicialmente utilizado pelo contribuinte a justificar a Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 cardiopatia grave, também tenha sido intimado manifestarse sobre a necessidade de ratificação de suas conclusões quanto ao diagnóstico de cardiopatia grave, mesmo após a realização da angioplastia. Creio que a sua intimação deveria ser medida imperiosa a ser tomada pela Secretaria da Receita Federal, considerando que subscreveu o laudo em conjunto com o Dr. André, médico que retificou o seu diagnóstico. Em não tendo sido intimado ou provocado a sustentar ou não suas conclusões, tenho que a respeitável mudança de entendimento do médico, Dr. André, não pode ser simplesmente estendida ao médico não intimado, de modo que, a meu ver, num primeiro momento, devo considerar como válida a conclusão inicial sobre o assunto do Dr. Mário. Ademais, o contribuinte trouxe aos autos outro laudo oficial, que se adequa ao disposto na IN/SRF nº 15, de 2001, o qual, já considerando a realização da angioplastia, entendeu que o mesmo é portador de cardiopatia grave desde 20/08/2008. Assim, das provas coligidas as autos, verifico que da manifestação de 03 (três) médicos oficiais, ainda existem duas conclusões pelo diagnóstico de que o recorrente é portador de cardiopatia grave, considerando, ademais, que o laudo mais recente atesta a existência da moléstia grave. Assim, não vejo como deixar de considerar os argumentos trazidos no recurso voluntário. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o direito creditório do recorrente. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
score : 1.0
Numero do processo: 15504.726269/2012-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.
A multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 restringe-se aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 9202-004.266
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
PATRÍCIA DA SILVA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI E GERSON MACEDO GUERRA.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. PATRÍCIA DA SILVA - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI E GERSON MACEDO GUERRA.
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Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. A multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 restringese aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. PATRÍCIA DA SILVA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 62 69 /2 01 2- 68 Fl. 205DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI E GERSON MACEDO GUERRA. Relatório Cuidase de Recurso Especial do Procurador interposto contra o Acórdão nº 2803004.023, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/07/2008 LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INCORRETAS OU OMISSAS. Apresentar a empresa GFIP com informações incorretas ou omissas constitui infração à legislação previdenciária, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32 A, inciso II , acrescentado pela MP n. 449, de 04.12.2008. MULTA APLICÁVEL. LEI SUPERVENIENTE. APLICABILIDADE SOMENTE SE MAIS BENÉFICA. O artigo 32 da lei 8.212/91 foi alterado pela lei 11.941/09, traduzindo penalidade, em tese, mais benéfica ao contribuinte, a qual deve ser aplicada, consoante art. 106, II “c”, do CTN, se mais favorável. Deve ser efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32, §5º, da lei 8.212/91, na redação anterior à lei 11.941/09, e comparado aos valores que constam do presente auto, para que seja aplicado o mais benéfico à recorrente. Recurso Voluntário Provido em Parte Na origem, tratase de impugnação contra o Auto de Infração nº 51.020.827 4, lavrado em 29/06/2012, que tem por objeto descumprimento de obrigações acessórias por ter o contribuinte apresentado GFIP com incorreções e omissões de fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/2007 a 12/2008, a qual foi julgada improcedente pela Delegacia Regional de Julgamento. Os créditos concernentes às obrigações principais contribuições destinadas à Seguridade Social incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados constantes das folhas de pagamentos e não declaradas em GFIP, Fl. 206DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15504.726269/201268 Acórdão n.º 9202004.266 CSRFT2 Fl. 206 3 correspondentes à parte patronal, bem como ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalhoRAT, nas competências 01/2007 a 12/2008 são objeto do Processo administrativo nº 15504.726268/201213. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário arguindo a insubsistência do auto de infração ante a ilegitimidade passiva da autoridade coatora, a violação a princípios constitucionais e dispositivos infraconstitucionais e impugnando a multa aplicada. O recurso foi parcialmente provido, a unanimidade, para “que seja efetuado o cálculo da multa de acordo com o art. 32, §5º da lei 8.212/91 na redação anterior à MP 449/08, somente, e comparado aos valores que constam do presente auto, para se determinar o resultado mais favorável ao contribuinte. A comparação darseá no momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte e, na inexistência destes, no momento do ajuizamento da execução fiscal, conforme art.2º. da portaria conjunta RFB/PGFN no. 14, de 04.12.2009.” Contra a referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o acórdão contrariou precedentes deste Conselho, apontando como paradigma os Acórdãos nº 230100283 e 240100120. Ao final, requer a reforma do julgado no ponto concernente à multa aplicada, para que seja mantida a forma de cálculo realizada pela autoridade fiscal, qual seja: comparação entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II e 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35A, da MP 449/2008, aplicandose a multa mais benéfica ao contribuinte. Nas contrarrazões, o contribuinte a manutenção do acórdão recorrido por entender que a alteração de critério jurídico viola o art. 146, do CTN e os princípios constitucionais pertinentes. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações principais e obrigações acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN. Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, isto porque a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por entender que a ser a sistemática mais favorável ao contribuinte, em virtude da proibição do bis in idem. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15504.726269/201268 Acórdão n.º 9202004.266 CSRFT2 Fl. 207 5 Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Em julgados anteriores, vinha adotando o posicionamento de que, em respeito ao art. 106, do CTN, na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Isto porque, entendo que não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Ressalvada minha tese sobre a questão, constatase que o meu posicionamento diverge da posição deste colegiado, que em outros julgados tem se manifestado quase à unanimidade, não fosse o voto divergente da ora relatora, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda, razão pela qual modifico o meu posicionamento para me adequar à jurisprudência deste Conselho. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja restabelecida a forma de cálculo utilizada no lançamento, que já promoveu a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Patrícia da Silva Relatora Fl. 210DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13603.001976/2007-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 22 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. João Bellini Junior - Presidente Julio Cesar Vieira Gomes - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, IVACIR JULIO DE SOUZA, NATHALIA CORREIA POMPEU, LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR e MARCELO MALAGOLI DA SILVA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .0 01 97 6/ 20 07 -3 7 Fl. 409DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13603.001976/200737 Resolução nº 2402000.587 S2C4T2 Fl. 410 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento fiscal lavrado em 21/07/2007 para arbitramento de contribuições previdências incidentes sobre a remuneração de segurados empregados de obra de construção civil. Seguem transcrições de alguns trechos da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/05/2007 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA ARBITRAMENTO Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da d empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração. dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, conforme dispõe a legislação previdenciária. Lançamento Procedente Antes da decisão de primeira instância o julgamento foi convertido em diligência para esclarecimentos sobre questões de fato. Na informação fiscal complementar, fls. 372, a fiscalização informa que: 3.3) Em 21/06/2007 emitimos novo ARO pois percebemos que o enquadramento originado pela declaração do contribuinte fl.29, dava conta de que o empreendimento possuía 5 pavimentos, quando na verdade eram somente 4 pavimentos. 3.4) A cada ARO emitido foi dada ciência ao contribuinte, inclusive com relatório preliminar dos valores apurados, para que o mesmo tivesse o direito de recolher ou parcelar de forma espontânea os valores levantados ou apresentar novos fatos que alterassem o feito fiscal. 3.5) Assim os valores levantados no ARO emitido em 21/06/07 é o definitivo e correto. 4) A competência lançada no feito fiscal deveria ser 05/2006, mês o qual foi feita a recepção do ARO e o cálculo e não 05/2007, competência anterior à ciência da última e definitiva correção da Regularização da obra. 5) Por não ser possível alterar competência no sistema de cadastramento do débito, somos de que se mantenha os valores autuados e quando da possibilidade de lançamento de acréscimos legais o façamos para as de 05/2006 a 05/2007 referente aos juros não inclusos nesta notificação. Contra a decisão, o recorrente reiterou suas alegações na impugnação, basicamente se insurgiu contra o arbitramento das contribuições já que fez prova regular das remunerações pagas na obra e que os motivos trazidos pela fiscalização são improcedentes. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13603.001976/200737 Resolução nº 2402000.587 S2C4T2 Fl. 411 3 É uma síntese do Relatório. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13603.001976/200737 Resolução nº 2402000.587 S2C4T2 Fl. 412 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator Esclarecese, inicialmente, que se tratando de resolução para esclarecimento de fato, optouse por um relatório resumido, apenas com as informações necessárias para o esclarecimento dos motivos da diligência. Antes do julgamento das questões de mérito, gostaria esse relator de esclarecer uma questão de fato tratada na informação fiscal complementar, fls. 371/372. No DAD, fls. 8, consta como competência do lançamento o mês 05/2007 e segundo a fiscalização o ARO emitido em 21/06/2007 é o correto e definitivo, e que substituiu o ARO emitido em 28/05/2007 com base nas informações prestadas pelo recorrente. Por fim, emite a opinião de que a competência correta para o lançamento deveria ser 05/2006 com posterior cobrança de acréscimos legais até 05/2007. Considerando que se trata de um documento complementar ao relatório fiscal, que integra o lançamento tributário, e que a decisão recorrida não se pronunciou sobre essas conclusões da fiscalização, essa turma solicita os devidos esclarecimentos, em especial sobre os efeitos ulteriores do documento sobre o lançamento sob exame. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências solicitadas e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 412DF CARF MF Impresso em 22/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/04/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10920.905260/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003
DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA.
É de se deferir o pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, quando, na realização de diligência requerida pelo Colegiado, restar comprovada a existência de parte do direito creditório pleiteado pela interessada.
Recurso Voluntário provido em parte
Numero da decisão: 3201-002.143
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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RESSARCIMENTO.COMPENSAÇÃO Recorrente MARISOL INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2003 a 30/09/2003 DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. É de se deferir o pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, quando, na realização de diligência requerida pelo Colegiado, restar comprovada a existência de parte do direito creditório pleiteado pela interessada. Recurso Voluntário provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 52 60 /2 00 8- 19 Fl. 362DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, com origem no 3° trimestre de 2003, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão anteriormente proferida por este Colegiado Administrativo: Em 07/11/2008, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 78 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 10.889,36 referente ao 3º trimestrecalendário de 2003, nada reconheceu, e, conseqüentemente, não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 05030.88471.150704.1.3.016570. Motivos da redução do valor pleiteado: a) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; b) constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor estão disponíveis para consulta no sítio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A requerente, inconformada com a decisão administrativa cientificada por AR em 18/11/2008, conforme comprovante de fl. 122, apresentou, em 18/12/2008, a manifestação de inconformidade de fls. 04/26, subscrita pelo patrono devidamente constituído, em que, em síntese, sustenta que há nulidade do Despacho Decisório, nos termos do PAF, art. 59, II, em virtude de erro de capitulação legal, ou até falta de fundamentação legal, que implica cerceamento do direito de defesa; não devem prosperar as glosas de créditos ocasionadas pelo registro de CFOP não admissível na operação e, no outro caso, por se tratar de empresa emitente da nota fiscal optante do Simples, resultando assim saldo credor suficiente para a compensação; houve um erro no PER/DCOMP nº 01132.53940.150704.1.3.013276 quanto ao primeiro decêndio de dezembro de 2003, tendo sido considerado como débito (estorno de crédito) o valor de R$ 133.840,64 alusivo, na verdade, a estorno de ressarcimento de créditos; a autoridade fiscal considerou como saldo credor inicial do trimestre o valor de R$ 116.049,64 e não o valor correto de R$ 201.629,26, conforme comprovação pelo Livro Registro de Apuração do IPI; a requerente tem direito à compensação conforme previsão legal. Por fim, requer que a manifestação de inconformidade seja recebida e acatada e que a compensação declarada no PER/DCOMP seja deferida, sendo legítima a existência do crédito. Fl. 363DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.905260/200819 Acórdão n.º 3201002.143 S3C2T1 Fl. 363 3 A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. GLOSA DE CRÉDITOS. NOTAS FISCAIS EMITIDAS POR EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. São insuscetíveis de aproveitamento na escrita fiscal os créditos concernentes a notas fiscais de aquisição de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, nos termos de vedação legal expressa. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. O saldo credor ressarcível de cada trimestrecalendário é apurado mediante o confronto de créditos e débitos de cada período de apuração, sendo passíveis de glosa os créditos ressarcíveis não admitidos e os créditos não ressarcíveis; o estorno do montante do pleito é feito na data da transmissão de PER/DCOMP, estando sujeito à apuração do menor saldo credor; a apuração efetuada no âmbito do SCC em cada trimestre se reflete nos saldos credores iniciais de períodos posteriores. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO TOTALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DOS PERÍODOS SUBSEQUENTES. MENOR SALDO CREDOR NULO. Sendo o saldo credor ressarcível do período do ressarcimento totalmente absorvido por débitos dos trimestres subsequentes (saldo credor não ressarcível em relação aos trimestres subsequentes), o menor saldo credor é nulo. NULIDADE. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Inexiste nulidade por cerceamento do direito de defesa se o despacho decisório ostentar os requisitos legais e a respectiva fundamentação for suficiente em todos os aspectos. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: essas informações a que o julgador cita que a contribuinte consegue no site da Receita Federal do Brasil não é verdadeira, pois nem todas elas estão disponíveis para consulta. Como exemplo, citase a questão do saldo credor do período anterior considerado pelo fisco; Fl. 364DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 a questão debatida nos autos não se refere tão somente as informações complementares da análise do crédito, mas também ao enquadramento legal apontado no despacho decisório e que não foram sequer analisadas pelo julgador de primeira instância; insiste que o erro incorrido foi que, neste PER/DCOMP original, o valor de R$ 133.840,64 (cento e trinta três mil, oitocentos e quarenta reais e sessenta e quatro centavos) foi informado na linha “Estorno de Créditos”, quando na realidade deveria ser na linha abaixo, “ressarcimento de créditos”; ao elaborar o demonstrativo de apuração do saldo credor ressarcível após a apresentação de PER/DCOMP, o Fisco considera o valor de R$ 133.840,64 como débito, conseqüência do lançamento tido como “estorno de crédito”, fato este que resultou na apuração do menor saldo credor se zero fosse; a partir da correção no lançamento do valor de R$ 133.840,64, exsurge o crédito passível de ressarcimento requerido pela Contribuinte, de maneira que se mostra inerente o acatamento do PER/DCOMP em tela. Por fim, requereu que seu recurso você recebido para: acatar as preliminares arguidas, determinado a nulidade do despacho decisório e consequente deferimento do Pedido de Ressarcimento/Compensação, por inexistência de dispositivo legal infringido; que fosse reconsiderada a decisão do julgador simples a fim de que seja determinada a homologação das compensações realizadas. Posteriormente, apresentou outra petição denominada “Esclarecimentos ao Recurso Voluntário” em que requer a juntada do Livro de Apuração de IPI para comprovar a legítima existência de crédito originado de ressarcimento de IPI a fazer frente às compensações realizadas. Após esclarecer a apuração de seu saldo credor de IPI, pontua que as cópias do Livro RAIPI comprovam que em junho de 2003, o saldo credor da contribuinte era de R$ 201.629,26, e não R$ 116.049,64 como apurou a fiscalização. Aduz que do montante de R$ 133.840,64 lançados a débito pelo Fisco, comprovase pelo livro fiscal de IPI de 12/2003 que o valor de R$ 131.191,85 referese a estornos de ressarcimentos de créditos de IPI, não devendo, portanto, fazer parte da apuração realizada pelo fiscal, haja vista que o saldo credor do período anterior já está ajustado pelos ressarcimentos realizados. Reitera que as cópias do Livro RAIPI comprovam que o saldo credor do período anterior, ao invés de R$ 116.049,64, totalizava R$ 201.629,26. Por último requer o recebimento de sua petição com a juntada do Livro de Apuração de IPI. É o relatório. Fl. 365DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.905260/200819 Acórdão n.º 3201002.143 S3C2T1 Fl. 364 5 Com fundamento nas razões que expôs, a então 1ª Turma Especial, por meio da Resolução nº 3801000.801, de 19/8/2014, baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade de origem apurasse a legitimidade do ressarcimento pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil e que cientificasse a interessada quanto ao teor dos cálculos a serem realizados. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo consta dos autos, a Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito de IPI, com fundamento na Lei nº 9.779, de 1999, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios. O indeferimento parcial deveuse ao fato de que no Livro Registro de Apuração do IPI no Período de Ressarcimento Saídas, utilizouse indevidamente a linha Estorno de Créditos quando o correto seria a linha Ressarcimento de Créditos. Depois de proferida decisão pela DRJ, os autos chegaram, por interposição de recurso voluntário, a este Colegiado. Em julgamento anterior, a então 1ª Turma Especial, em face dos argumentos delineados na irresignação, baixou os autos em diligência, a fim de que, com base nos documentos a ele colacionados, recalculasse o crédito de IPI que a Recorrente teria direito. No Relatório de Diligência de fls. 350 e ss., a fiscalização promoveu a reapuração do saldo credor de IPI, estimandoo, para o 3º trimestre de 2003, em R$ 10.871,45, valor praticamente idêntico ao pleiteado pela Recorrente no PER/DCOMP (R$ 10.889,36; fl. 80). Portanto, não há mais litígio. Considerando o reconhecimento de valor quase igual ao pleiteado, a Recorrente sequer manifestouse sobre o resultado da diligência. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer o crédito creditório no valor de R$ 10.871,45 (dez mil, oitocentos e setenta e um reais e quarenta e cinco centavos). É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 366DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 Fl. 367DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 13855.721243/2013-07
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA.
Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9202-003.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
EDITADO EM: 15/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada. Recurso Especial do Procurador Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora EDITADO EM: 15/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1671; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 508 1 507 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13855.721243/201307 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.827 – 2ª Turma Sessão de 08 de março de 2016 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Multa Qualificada Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado POINT SHOES LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MULTA QUALIFICADA. COMPROVAÇÃO DE CONDUTA DOLOSA. Havendo nos autos provas contundentes da conduta dolosa do contribuinte, decorrentes do conjunto de ações irregulares que levaram a lavratura do lançamento tributário, caracterizando está o tipo Fraude previsto no art. 72 da Lei nº 4.502/64. Correta a aplicação da multa qualificada. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Votou pelas conclusões a Conselheira Patrícia da Silva. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora EDITADO EM: 15/04/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 72 12 43 /2 01 3- 07 Fl. 2570DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13855.721243/201307 Acórdão n.º 9202003.827 CSRFT2 Fl. 509 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado Auto de Infração para cobrança de contribuições previdenciárias: I) a cargo da empresa, II) as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho RAT, previstas no artigo 22, incisos I e II da Lei 8.212/91 e III) contribuições a Outras Entidades e Fundos prevista no art. 33 desta mesma Lei. Foi lavrada ainda multa pela apresentação da GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias e multa qualificada baseada no art. 44, §1º da Lei nº 9.430/96. A infração verificada foi assim resumida: Durante auditoria fiscal realizada na empresa POINT SHOES LTDA, CNPJ nº 01.937.718/000171, que atua no ramo de fabricação de calçados de couro, ficou constatado, com base em inúmeros elementos de prova, que as empresas ESCA ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE LTDA EPP, CNPJ nº 07.196.242/000141, doravante denominada ESCA, FÁBIO APARECIDO ANDRADE ME, CNPJ nº 03.694.037/000155, doravante denominada FÁBIO, FRANK ALBERTO FERNANDES ME, CNPJ nº 03.694.607/000107, doravante denominada FRANK, V. DE O. PADILHA ME, CNPJ nº 05.446.500/000175, doravante denominada VALDOMIRO, TOP STYLE INDÚSTRIA DE CALÇADOS LTDA EPP, CNPJ nº 07.566.340/000123, doravante denominada TOP, GLAMOUR FRANCA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS E ARTEFATOS, CNPJ nº 09.233.509/000159, doravante denominada GLAMOUR e DORIVAL DOS SANTOS FERREIRA EPP, CNPJ nº 07.306.324/000100, doravante denominada DORIVAL, foram utilizadas pelo contribuinte como INTERPOSTAS PESSOAS, os chamados “laranjas”, com a finalidade de contratar segurados empregados com redução ilícita de encargos previdenciários. Tal benefício foi obtido em razão de serem estas empresas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, e, por esse motivo não recolherem a contribuição previdenciária patronal calculada com base nas folhas de pagamentos mensais. Como o contribuinte é optante pelo Lucro Real e por isso impossibilitado de gozar dos benefícios de tributação simplificada, optou por segmentar suas atividades através das empresas interpostas, contrário à situação de fato em que se constata e comprova a existência de uma ÚNICA empresa, deixando de recolher contribuições previdenciárias correspondentes à parte patronal. Fl. 2571DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13855.721243/201307 Acórdão n.º 9202003.827 CSRFT2 Fl. 510 3 Diante dos fatos o fiscal considerou, em sua maioria, que os funcionários das citadas empresas eram na verdade, para fins previdenciários, empregados da empresa POINT SHOES. Os sócios administradores da empresa POINT SHOES LTDA foram responsabilizados solidariamente pela obrigação tributária. Em sede de impugnação apresentouse defesa sob a argumentação de que o auto estaria "eivado de ilegalidade, posto que sustenta seus argumentos pela aplicação de legislação trabalhista, e não tributária, bem como, ao promover o cálculo dos valores lançados, deixou de considerar os valores já recolhidos, além de outras considerações e presunções que faz contrária a realidade do caso". Argumenta que sendo a hipótese de incidência do tributo o vínculo empregatício, seria imperiosa a clara comprovação deste para cada funcionário, ou seja, para que fosse licitamente aceitável todos os funcionários de todas as empresas, deveria comprovar todas as características do art. 3º da CLT, fato de competência exclusiva do Poder Judiciário. A Delegacia Fiscal, fixandose nas provas juntadas aos autos, julgou improcedente a impugnação. Tempestivamente foi apresentado Recurso Voluntário, onde o contribuinte além de reiterar as preliminares constantes da peça de Impugnação, no mérito tenta descaracterizar os argumentos do fiscal, afirmando ser lícito ao contribuinte realizar a gestão de seus negócios por meio de planejamentos tributários e que todo o lançamento baseiase em presunção. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões refutando todos as alegações do contribuinte e juntou decisões judiciais que corroboram com suas argumentações. Por meio do acórdão nº 2301004.324 a 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária julgou parcialmente procedente o Recurso Voluntário, mantendo por unanimidade de votos o lançamento relativo ao débito principal e, por maioria de votos, desqualificou a multa sob o argumento de não haver nos autos prova cabal da conduta fraudulenta do contribuinte. Segundo o Relator: Diz a Fiscalização que há uma declaração do administrador da Recorrente e de uma funcionária de uma empresa interposta em jornal de circulação local, onde conhecem a existência de mais de mil empregos diretos, sendo declarados menos de duzentos formalmente em seus arquivos, tenho que o Recorrente POINT SHOES LTDA, deixou de declarar em GFIP , com intenção fraudulenta funcionários registrados ilegalmente nas empresas ESCA ESCRITÓRIO DE CONTABILIDADE LTDA EPP (a partir de 06/2010), FÁBIO APARECIDO ANDRADE ME, FRANK ALBERTO FERNANDES ME, V. DE O. PADILHA ME, TOP STYLE INDÚSTRIA DE CALÇADOS LTDA EPP, GLAMOUR FRANCA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS E ARTEFATOS e DORIVAL DOS SANTOS FERREIRA – EPP, utilizandose dessas empresas para declararse indevidamente como OPTANTE pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições, como INTERPOSTA PESSOA com a finalidade de contratar Fl. 2572DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13855.721243/201307 Acórdão n.º 9202003.827 CSRFT2 Fl. 511 4 segurados empregados com redução de encargos previdenciários, uma vez que, por ser optante pelo SIMPLES não recolhe a contribuição previdenciária patronal, mostra a intenção dolosa de seus sócios, de eximirse de pagamento de tributo, com o claro objetivo de tributação favorecida, denotando o elemento subjetivo do dolo e ensejando a aplicação da multa agravada. Desta forma, se estivesse acompanhado o lançamento as ditas matérias onde há reconhecimento dos donos da autuada que o número de funcionários dela não é o que consta em seus cadernos contábeis, subsumeria perfeitamente ao tipo previsto nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Neste aspecto haveria de se aplicar a multa agravada prevista no art. 44, inciso I e 10, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Todavia, com todo o respeito ao Fiscal Autuador não faz parte deste mundo jurídico as ditas declarações de reconhecimento de números de funcionário maior do que ela (Recorrente) apresenta. E acrescenta: Com efeito, cabe/caberia à autoridade lançadora demonstrar de forma pormenorizada suas razões no sentido de que a contribuinte agiu com dolo, fraude ou simulação, para efeito da conclusão/comprovação do crime arquitetado pela autuada. ... In casu, o fato de constar do Relatório Fiscal da Autuação as razões que levaram à fiscalização a desconsiderar a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços, caracterizando os respectivos sócios e/ou funcionários como segurados empregados da autuada não suprime o dever legal do fisco de justificar e comprovar o crime a ser imputado ao contribuinte. Inconformada com a desqualificação da multa e citando como paradigmas os acórdãos de nº 2403002.985 e 2401003.562, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial argumentando que "os próprios contornos da situação fática descrita pela fiscalização e cujo acerto foi devidamente proclamado em todas as instancias administrativas, já demonstram a prática de conduta dolosa, fraudulenta e/ou simulatória suficiente para a exasperação do percentual da multa aplicada. Noutros termos, a conduta dolosa, fraudulenta e/ou simulatória praticada pela empresa autuada foi efetiva e devidamente comprovada, de modo suficiente para a manutenção da multa qualificada, considerandose que os elementos apresentados pela autoridade fiscal deixaram claro a utilização indevida de mãodeobra contratada por meio de empresas interpostas." Mesmo intimado, o contribuinte não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13855.721243/201307 Acórdão n.º 9202003.827 CSRFT2 Fl. 512 5 Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Relatora O recurso preenche os requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional com base no art. 67 do então vigente Regimento Interno do CARF, contra Acórdão de nº 2301004.324 que por unanimidade de votos a) negou provimento ao recurso voluntário do contribuinte, no que tange à caracterização dos segurados como empregados e demais questões alegadas, e II) por maioria de votos a) deu provimento parcial a fim de excluir a qualificação da multa, devido à ausência de dolo. No que tange a parte recorrida, multa qualificada, a ementa do acórdão assim dispõe: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AI’s DEBCAD’s sob nºs 51.038.1286 e 51.038.1294 Consolidado em 15/05/2013 ... MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. No âmbito das contribuições previdenciárias, anteriormente administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária, na maioria dos casos inexistia o devido cuidado em caracterizar a conduta dolosa do contribuinte para efeito de comprovação dos crimes fiscais do dolo, fraude ou simulação. A fiscalização tão somente informava à notificada da existência de Representação Fiscal para Fins Penais, sem o devido aprofundamento na matéria. Isto porque, além de inexistir multa de ofício qualificada, àquela época, vigia o artigo 45 da Lei nº 8.212/91, o qual contemplava o prazo decadencial de 10 (dez) anos, independentemente de antecipação de pagamento e/ou ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Após a unificação das Secretarias das Receitas Previdenciária e Federal, em Receita Federal do Brasil (“Super Receita”), as contribuições previdenciárias passaram a ser administradas pela RFB que, em curto lapso temporal, compatibilizou os procedimentos fiscalizatórios e, por conseguinte, de constituição de créditos tributários, estabelecendo, igualmente, para os tributos em epígrafe multas de ofício a serem aplicadas em Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13855.721243/201307 Acórdão n.º 9202003.827 CSRFT2 Fl. 513 6 observância à Lei n° 9.430/1996, conforme alterações na legislação introduzidas pela Lei nº 11.941/2009. Diante desses fatos, com a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, associada com os novos procedimentos adotados pela RFB e a transferência de competência para julgamento das contribuições previdenciárias do CRPS para o CARF, passou a ser de extrema importância a comprovação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, para efeito de aplicação do prazo decadencial, do artigo 150, § 4, ou artigo 173, inciso I, do CTN. No caso em tela a forte indícios da existência de qualquer um dos três comportamentos, todavia, não comprovado. Razão pela qual não há como aplicar a multa qualificada. Recurso Voluntário Provido em Parte Já me manifestei no sentido de que a aplicação da multa qualificada somente é cabível quando o sujeito passivo tenha agido com o evidente intuito de fraude, conduta que deve ser incontestavelmente justificada e comprovada: devese comprovar que a ação ou omissão do contribuinte foi dolosa, requisito indispensável para qualificação. Também já me manifestei no sentido de que um contribuinte ao estruturar um planejamento tributário, prática que se baseada em atos lícitos é, na verdade, um direito do sujeito passivo sempre o fará no intuito de reduzir o valor do imposto (essa é sua função) e isso por si só não pode ser considerado como ato fraudulento. Entretanto, ao contrário do voto do Relator no acórdão recorrido, há nos autos elementos suficientes para justificar a qualificação da multa, até porque o dolo que justificou a desconsideração da personalidade jurídica e o conseqüente reconhecimento do vínculo de emprego, é , no meu entender, o mesmo dolo que caracteriza o tipo Fraude previsto no art. Art 72 da Lei nº 4.502/64. Ao analisar o relatório fiscal percebemos que o ato praticado pelo contribuinte não pode ser classificado como 'planejamento tributário', afinal utilizarse de interposta pessoa (empresas do Simples) com o intuito de camuflar o real valor dos tributos devidos não pode ser considerado conduta lícita. Ocorreu uma deliberada ação do contribuinte no intuito de lesar o fisco e os fatos narrados pelo fiscal são suficientes para comprovar o dolo. Vejamos alguns exemplos dessa conduta dolosa: 1. Havia na Recorrente a documentação das demais empresas, tais como: contrato social; livro caixa; folha de pagamento; contratos de prestação de serviços celebrados com terceiros, dentre outros; 2. Verificou a Fiscalização que quase todas as ‘Interpostas’ encontravamse com endereço sede localizado no mesmo da Recorrente, sendo elas abrigadas pela Point Shoes; 3. Segundo a Fiscalização, em que pese estarem as ‘Interpostas’ albergadas na Recorrente, elas não possuíam despesas de produção e tão pouco de manutenção; Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13855.721243/201307 Acórdão n.º 9202003.827 CSRFT2 Fl. 514 7 4. Verificou a Fiscalização que as empresas ‘Interpostas’, muitas delas não possuíam receita o suficiente para honrar com a despesa da massa salarial; 5. Que em 05/08/2008 houve pagamento da Point Shoes a empresa Dorival, no valor de R$ 43.000,00 e no mesmo dia foi feito um pagamento no valor de R$ 38.237,00 referente a “DEBITO PAGTO DE SALÁRIO”; 6. Em 19/08/2008 houve uma transferência da POINT SHOES para a DORIVAL no valor de R$ 65.000,00, e no mesmo dia houve um débito na DORIVAL de R$ 62.861,00 referente a “DEBITO PAGTO DE SALÁRIO”; 7. Segundo a Fiscalização esta prática também foi utilizada com as empresas FRANK, VALDOMIRO, FÁBIO, GLAMOUR, TOP e ESCA; 8. Várias iniciais de ação trabalhista onde figuram no pólo passivo, a Recorrente mais uma ou duas ‘Interpostas’; 9. Dos contratos com as ‘Interpostas’Terceirizadas contatou a Fiscalização que esses contratos foram denominados como “INSTRUMENTO DE CONTRATO DE TRABALHO DE TERCEIRIZAÇÃO INDUSTRIAL”, sendo seu objeto a prestação de serviços de mão de obra especializada na industrialização de sapatos femininos pelas empresas VALDOMIRO, FABIO, FRANK, TOP, GLAMOUR e DORIVAL dentro das dependências da POINT, onde esta não cobrava dos prestadores desses serviços despesas com custos de aluguel predial, energia elétrica, água, telefone, manutenção de máquinas e predial ou qualquer outra despesa durante o período de vigência do contrato; 10. Quanto as notas fiscais emitidas pelas empresas FRANK, VALDOMIRO, FABIO, GLAMOUR e TOP, verificouse que as mesmas não foram contabilizadas nos Livros contábeis dessas empresas, demonstrando que nem sequer contabilizavam suas receitas de prestação de serviços; 11. Quanto ao vínculo empregatício de funcionários das ‘Interpostas’ com a Recorrente, a Fiscalização procedeu uma pesquisa no sistema CNIS – Cadastro Nacional de Informações e constatou que muitos funcionários possuíam vínculos com mais de duas empresas do grupo em tela. 12. Havia vínculo entre os titulares/sócios das empresas envolvidas, cuja qual foi constado também na pesquisa do item anterior, onde foi demonstrado o vínculo dos sócios com várias empresas; 13. Nos termos de declaração extraídos do interrogatório da Fiscalização com os proprietários da FRANK, DORIVAL e FÁBIO obtevese a confissão que elas funcionavam no interior da Recorrente, sendo que a parte administrativa de suas empresas eram realizadas por funcionários da POINT SHOES; Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13855.721243/201307 Acórdão n.º 9202003.827 CSRFT2 Fl. 515 8 14. Que o dono da ESCA é o contador da POINT SHOES; 15. Que a partir de 05/2010, constatou que a quantidade de funcionários da ESCA aumenta muito, coincidindo com o fim das empresas Fábio, Valdomiro, Frank e Dorival encerraram suas atividades; 16. Há várias procurações das ‘Interpostas’ concedendo poder a pessoas que figuram como sócios da POINT SHOES e ou funcionários de importância essencial nela, ou sendo proprietário da ESCA; 17. Quanto aos responsáveis pela apresentação das GFIPs de todas as empresas envolvidas, constatou a Fiscalização que a responsabilidade era da POINT SHOES, eis que o telefone para contato é o mesmo e, pelo campo email, podese concluir que foram entregues a partir de um mesmo local, e, o nome do contato podese ver que é sempre a mesma pessoa para as empresas POINT SHOES e TOP, sendo a mesma pessoa em comum para as empresas DORIVAL, FABIO, FRANK e VALDOMIRO, concluindo que toda administração dessas GFIPs era feita em um mesmo local, qual seja, o departamento de Recursos Humanos da POINT SHOES, que detinha toda documentação necessária para a confecção dessas GFIPs. Os argumentos e provas apresentados pelo contribuinte não foram suficientes para afastar a caracterização da conduta dolosa, melhor das condutas, por ele praticadas com o único intuito de lesar o fisco e reduzir indevidamente o valor do tributo devido. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e mantenho a multa qualificada. (Assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 02/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, Assinado digitalmente em 19/04/2016 por CARLO S ALBERTO FREITAS BARRETO
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