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Numero do processo: 10073.001536/2002-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/1997 a 31/12/2001
EMBARGOS. APARENTE CONTRADIÇÃO ESCLARECIDA.
Não há contradição entre os valores lançados como devidos e os valores declarados como devidos no Acórdão recorrido quando esses resultam de correção dos cálculos que os apuram, correção, esta, realizada durante o contraditório e antes do julgamento respectivo.
Numero da decisão: 3401-003.167
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Robson José Bayerl - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/1997 a 31/12/2001 EMBARGOS. APARENTE CONTRADIÇÃO ESCLARECIDA. Não há contradição entre os valores lançados como devidos e os valores declarados como devidos no Acórdão recorrido quando esses resultam de correção dos cálculos que os apuram, correção, esta, realizada durante o contraditório e antes do julgamento respectivo.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/12/2001 EMBARGOS. APARENTE CONTRADIÇÃO ESCLARECIDA. Não há contradição entre os valores lançados como devidos e os valores declarados como devidos no Acórdão recorrido quando esses resultam de correção dos cálculos que os apuram, correção, esta, realizada durante o contraditório e antes do julgamento respectivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração apresentados. Ausente o Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Robson José Bayerl Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Robson José Bayerl (Presidente), Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros e Fenelon Moscoso de Almeida. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 00 15 36 /2 00 2- 12 Fl. 419DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração (fls. 414) opostos pela Delegacia da Receita Federal em Volta Redonda por suposta contradição no v. Acórdão n.º 3401002.732 exarado por esta 1ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. numeração de páginas em meio eletrônico) de minha relatoria que, em sessão de14/10/2014, fez constar da súmula do julgamento que, por unanimidade de votos, deuse PARCIAL provimento ao recurso voluntário e ao recurso de ofício, sendo que da respectiva Ementa constou o seguinte: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1997 a 31/07/2001 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO É correto o lançamento da Cofins devida e não paga, depois de compensados os valores retidos na fonte nos pagamentos efetuados pelos órgãos públicos. PAGAMENTOS EFETUADOS POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. RETENÇÃO NA FONTE Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal estão sujeitos à incidência, na fonte, dos impostos e contribuições administrados pela Receita Federal. Entende a Embargante que a decisão embargada contém contradição, pois a conclusão do voto afirma: Após os ajustes na apuração conforme aqui já explicitado, consolidado nas planilhas de fls. 348/349 (que corresponderiam à numeração 325326 das fls do processo em papel) os valores devidos são: janeiro de 1998 R$ 933,77, agosto de 1999 R$ 22.480,01; setembro de 1999 R$ 27.460,48, outubro de 1999 R$ 26.488, 33, e março de 2000 R$ 99.207,03. Como se vê, a análise feita implica em reforma da decisão de instância a quo, pois ela havia exonerado o crédito correspondente ao mês de março de 2000, mas o resultado da sistemática de compensações da IN SRF STN SFC n. 004/1997 resulta em diferença não recolhida para esse mês. Sendo assim, considerando que a recorrente não logrou comprovar que não existia diferença a menor entre os valores recolhidos e os que seriam devidos da COFINS nos períodos de competência em discussão, proponho: (a) dar provimento parcial ao recurso de ofício; (b) negar parcialmente provimento ao recurso voluntário, de modo a manter parte do crédito tributário, conforme os valores expressos nas planilhas de fls. 348/349. Ocorre que, segundo o Embargante, "os valores dos períodos de apuração abaixo especificados (constantes das planilhas de fls. 348/349 do processo) são maiores que os originalmente lançados." Fl. 420DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 10073.001536/200212 Acórdão n.º 3401003.167 S3C4T1 Fl. 3 3 Tributo: COFINS P.A. valor lançado valor mantido 09/1999 12.436,24 27.460,48 03/2000 88.600,56 99.207,03 Em face destes elementos, a Embargante requer que seja conhecido e providos os Embargos, para o fim de que seja sanada a contradição e prestada a orientação sobre o correto cumprimento da decisão. É, em apertada síntese, o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira O presente Embargos preencheu as condições de admissibilidade, motivo por que este Colegiado toma dele conhecimento. O auto de infração descreve o fato como falta de recolhimento de vários períodos de apuração, compreendidos entre março de 1997 e julho de 2001, detectado pela autoridade fiscal ao confrontar os valores informados nas DCTFs e nas planilhas de "composição da base de cálculo do COFINS", para os períodos entre janeiro de 1997 e dezembro de 2001. A contribuinte não contesta que a COFINS é devida, mas contesta a falta de computo dos valores retidos de COFINS e o seu aproveitamento nos Períodos de Apuração do intervalo fiscalizado (1997 a 2001), de modo a compensar nos seguintes os saldos excedentes. Os respeitáveis julgadores a quo da Delegacia da RFB de Julgamento no Rio de Janeiro reconheceram que a autoridade lançadora, ao determinar os valores devidos da contribuição nos períodos em exame, não computou os valores de COFINS retidos pelo DNER (artigo 64 da Lei n. 9.430, de 1996 e IN SRF/STN/SFC n. 4/1997) e referentes aos pagamentos feitos à contribuinte pelos serviços prestados. A contribuinte teria direito a compensar os valores retidos com contribuições da mesma espécie ( artigo 5º da IN SRF/STN/SFC n. 4/1997). Os julgadores a quo reconheceram esse direito e decidiram rever os períodos de apuração e os valores que seriam devidos, de modo que a apuração não se restringiu aos PA exatos do lançamento original, mas observou todos os PA compreendidos entre janeiro de 1999 e julho de 2001 (fls. 275). A 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuinte determinou que autoridade lançadora verificasse mês a mês, a partir de 1998, os valores correspondentes á COFINS retidos por órgãos públicos e os apropriassem ao valor da COFINS apurado pela fiscalização no próprio mês e nos seguintes, para dessa forma, obterse o saldo devedor porventura existente em cada período de apuração. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 A autoridade fiscal de jurisdição em atendimento, refez os cálculos e chegou a determinar os valores que seriam devidos da contribuição social, resultando na planilha de fls. 348/349. A contribuinte alegou que faltaria a esses cálculos compensações em virtude de decisão judicial que lhe seria favorável. Mas essa alegação foi contraditada pela informação da autoridade de jurisdição de que os créditos judiciais já haviam sido compensados e aproveitados. A contribuinte, apesar de cientificada, não contestou essa afirmação. Essa planilha passou a ter os valores incontroversos. Este Colegiado, no Acórdão embargado, reconheceu o direito da contribuinte de compensar os valores retidos com contribuições da mesma espécie ( artigo 5º da IN SRF/STN/SFC n. 4/1997) e a procedência dos PAs e respectivos valores devidos conforme cálculo revisto pela autoridade fiscal para o interlúdio entre janeiro de 1998 e julho de 2001. Os valores finalmente apurados como devidos não foram contestados pela contribuinte, pois, de fato, eles foram resultantes do acolhimento da sua alegação de que teria direito a revêlos computando os valores retidos do COFINS. Para superar erro nos cálculos dos valores devidos entre janeiro de 1998 e julho de 2001, para se atender o que dispôs a IN SRF/STN/SFC n. 4/1997, houve correção desses PAs e cálculos. Assim, entendo que não há contradição no Acórdão Embargado. Os valores lançados como devidos da contribuição social nos PAs de 09/1999 e 03/2000 passaram, após correção dos cálculos, a ser R$ 27.460,48 e R$ 99.207,03 respectivamente. Proponho sejam rejeitados os Embargos. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 422DF CARF MF Impresso em 03/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 01/ 06/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.720298/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2009
NORMAS GERAIS. LANÇAMENTO FISCAL, RELATÓRIO FISCAL, AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO. NULIDADE.
A motivação deficiente no lançamento fiscal gera a anulação do ato, visto que a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao principio da motivação.
Numero da decisão: 2302-003.695
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício que anulou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito pela falta de indicação dos fatos e fundamentos jurídicos no Relatório Fiscal.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
Marcelo Oliveira - Relator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício que anulou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito pela falta de indicação dos fatos e fundamentos jurídicos no Relatório Fiscal. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. Marcelo Oliveira - Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
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LANÇAMENTO FISCAL, RELATÓRIO FISCAL, AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO. NULIDADE. A motivação deficiente no lançamento fiscal gera a anulação do ato, visto que a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao principio da motivação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao Recurso de Ofício que anulou a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito pela falta de indicação dos fatos e fundamentos jurídicos no Relatório Fiscal. Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA TERCEIRA CÂMARA E DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 98 /2 01 2- 48 Fl. 846DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, ARLINDO DA COSTA E SILVA, ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES. Fl. 847DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.720298/201248 Acórdão n.º 2302003.695 S2C3T2 Fl. 847 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo relatório ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que busco reproduzir o relato do conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, DEBCAD nº 51.003.6392, consolidado em 20/09/2012, em face BINOTTO S/A LOGÍSTICO TRANSPORTE E DISTRIBUIÇÃO, no valor de R$ 1.970.907,25 (hum milhão, novecentos e setenta mil, novecentos e sete reais e vinte e cinco centavos), por ter realizado compensações indevidas de créditos previdenciários, durante o período de 04/2009 a 12/2009. De acordo com o Relatório Fiscal, a Recorrente apresentou GFIPs retificadoras, informando a compensação de créditos referentes a pagamentos reconhecidamente indevidos pela decisão judicial proferida nos autos do processo n° 000482322.2010.4.03.6119, não transitada em julgado. Em vista disso, o auditor fiscal efetuou a glosa dos créditos, à luz do art. 170A, do CTN. Apresentada impugnação pela Empresa, o lançamento foi anulado pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, por entender que o Auto de Infração em fustigo impede ou dificulta o direito de defesa do autuado. A ementa de tal decisão foi proferida nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2009 a 31/12/2009 AÇÃO JUDICIAL E PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. CONCOMITÂNCIA. IDENTIDADE DE MATÉRIA. RENÚNCIA À DISCUSSÃO ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. TRIBUTO OBJETO DE DISCUSSÃO JUDICIAL. RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO Fl. 848DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. INSCRIÇÃO DO CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO EM DÍVIDA ATIVA E INCLUSÃO DO NOME DA EMPRESA NO CADIN. CONTESTAÇÃO. DELEGACIAS REGIONAIS DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. A contestação dos atos de inscrição do crédito previdenciário em dívida ativa e de inclusão do nome da empresa no CADIN não se insere no âmbito do processo administrativo fiscal disciplinado pelo Decreto nº 70.235/72, descabendo, pois, a sua apreciação pelas Delegacias Regionais da Receita Federal do Brasil de Julgamento. DILIGÊNCIA REQUERIDA PELO SUJEITO PASSIVO. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. A autoridade julgadora de primeira instância poderá indeferir as diligências requeridas pelo sujeito passivo, quando entender que sua realização é prescindível ou impraticável. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. JUNTADA APÓS O PRAZO DE IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE RESTRITA ÀS HIPÓTESES LEGAIS. No processo administrativo fiscal disciplinado pelo Decreto federal nº 70.235/72, a regra é de que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto nas hipóteses do § 4º do art. 16 do referido normativo. CERCEAMENTO DE DEFESA. FASE INQUISITÓRIA DO PROCEDIMENTO FISCAL. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não caracteriza cerceamento de defesa eventual deficiência ocorrida na fase inquisitória do procedimento fiscal, quando não se tinha ainda processo, mas mero procedimento de verificação da situação do contribuinte no tocante às suas obrigações para com a previdência social, culminado com o lançamento do crédito tributário. LANÇAMENTO FISCAL, RELATÓRIO FISCAL, AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO ATO. NULIDADE. A motivação deficiente no lançamento fiscal gera a anulação do ato, visto que a Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispôs em seu art. 2º que a Administração Pública obedecerá, dentre outros, ao principio da motivação. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Fl. 849DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.720298/201248 Acórdão n.º 2302003.695 S2C3T2 Fl. 848 5 Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio de Recurso de Ofício. É o relatório. Fl. 850DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para fazêlo. Esclareço que aqui que busco reproduzir as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Feito o registro. Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da ausência de motivação Cumpre ressaltar, inicialmente, que o lançamento em fustigo se refere a glosa de valores compensadas indevidamente pela autuada, antes do trânsito em julgado da decisão que reconheceu a ilegalidade dos pagamentos sobre à contribuição previdenciária incidente sobre as verbas pagas aos empregados a título de auxílio doença, auxílio acidentário nos primeiros 15 dias de afastamento, e do terço constitucional de férias. Destarte, o cerne da questão consiste no fato da fiscalização não ter discriminado a origem dos valores glosados no auto de infração em tela, nem ter sanado tal vício no curso do processo, fazendo com que o ato de conhecer os fatos imputados foi obscurecido e, consequentemente, prejudicasse o exercício do direito de defesa pela autuada. Analisando os autos constatei que o presente Auto de Infração não observou todos os requisitos do artigo 10 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, in verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 851DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.720298/201248 Acórdão n.º 2302003.695 S2C3T2 Fl. 849 7 Da mesma forma enxergou os Ínclitos Julgadores de Piso, como se vê pela transcrição ipse literes do trecho abaixo do Acórdão de Impugnação em vergaste: “Aliás, a nossa afirmação de que estão corretos os valores lançados somente se tornou possível em razão da análise de elementos que, ou não constam dos autos, ou não foram disponibilizados à autuada, tais como as telas de consulta aos aplicativos “COGPS” e “CVALDIV” (de fato, pelos termos do item 11 do REFISC, o contribuinte deve mesmo ter recebido cópia apenas das seguintes peças: “AI”, “IPC”, “DD”, “RDA”, “RADA”, “FLD”, “RL”, relatório “VÍNCULOS” e “TEPF”), o que nos leva a concluir que o ato administrativo ora resistido se encontra viciado em um de seus requisitos de validade, qual seja a motivação, sobre a qual a Lei nº 9.784/99 discorre nos seguintes termos:” Bem assim, a ampla defesa, prejudicada pela ofensa da motivação, assegurada constitucionalmente aos contribuintes, deve ser observada no processo administrativo fiscal. A propósito do tema, é salutar a adoção dos ensinamentos de Sandro Luiz Nunes que, em seu trabalho intitulado Processo Administrativo Tributário no Município de Florianópolis, esclarece de forma precisa e cristalina: A ampla defesa deve ser observada no processo administrativo, sob pena de nulidade deste. Manifestase mediante o oferecimento de oportunidade ao sujeito passivo para que este, querendo, possa oporse a pretensão do fisco, fazendose serem conhecidas e apreciadas todas as suas alegações de caráter processual e material, bem como as provas com que pretende provar as suas alegações. De fato, este entendimento também foi plasmado no Decreto nº 70.235/72 que, ao tratar das nulidades, deixa claro no inciso II, do artigo 59, que são nulas as decisões proferidas com a preterição do direito de defesa. Desta feita, tais irregularidades acarretam, como dito, o cerceamento ao direito de defesa, levando, assim, a nulidade do ato, conforme preconiza o art. 59, II, do Decreto 70.235/72, que dispõe acerca do processo administrativo fiscal, e arts. 31 e 32 parágrafo único do MPS 520/2004. Imperioso ressaltar que os princípios são normas, e, como tal, dotados de positividade, que determinam condutas obrigatórias e impedem a adoção de comportamentos com eles incompatíveis. No âmbito administrativo, incidem diversos princípios, alguns expressamente previstos no texto Constitucional de 1988 (arts. 5º e 37), especificamente direcionados para a atuação da Administração Pública, outros implícitos e com eles compatíveis. Assim, a Administração Pública só pode agir de acordo e de conformidade com aquilo expressamente ou tacitamente previsto em Lei (Principio da Legalidade). Já o princípio da Finalidade, consiste na obrigação que tem a autoridade administrativa de sempre praticar o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei. Logo, um ato administrativo praticado desvirtuado do interesse público a que sempre deve perseguir, será um ato nulo por desvio de finalidade ou excesso de poder. Outro não é posicionamento da melhor doutrina: Fl. 852DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Requisitos indispensáveis, sob pena de nulidade. O auto de infração deve conter, necessariamente, os requisitos elencados no art. 10 do PAF, sob pena de nulidade. Tais requisitos são mínimos e dizem respeito tãosomente ao que realmente é indispensável para a identificação da norma, do fato gerador, do contribuinte, do montante devido e do próprio ato de lançamento, sem o que não se teria elementos para verificar a regularidade e conteúdo do ato. (Leandro Paulsen, Direito Processual Tributário, 2014) O lançamento contido no auto de Infração estará desprovido de eficácia se não especificar os mencionados elementos, especialmente pelo fato de dificultar o oferecimento da ampla defesa. (MELO, José Eduardo Soares de. Processo Tributário Administrativo e Judicial. 2009) Tal princípio decorre da idéia de que a atividade administrativa tem que estar vinculada a um fim alheio à pessoa e aos interesses particulares da autoridade administrativa, sempre de maneira impessoal. A motivação, por sua vez, consiste na explanação dos motivos e razões que levaram o agente administrativo a pratica do ato, propiciando ao administrado a possibilidade de conhecer das razões, para, querendo, impugnálas. Nesse aspecto, tendo em vista que o Relatório Fiscal, nem as planilhas de débito acostados ao auto de infração não descrevem de forma clara e precisa a origens dos créditos glosados, restase cerceado o direito de defesa da autuada, restando clarividente a afronta ao Princípio da Motivação que rege o Processo Administrativo. Importante trazer a baila entendimento dos membros da 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, in verbis: Processonº 10315.001031/201078 Recursonº Voluntário Acórdãonº 2401003.601–4ªCâmara/1ªTurma Ordinária Sessão de 18dejulhode2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS RecorrenteI NSTITUTO LEAOSAMPAIO DE ENSINO UNIVERSITÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL SEGURADOS EMPREGADOS. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Ocorre vício material quando o lançamento não permite ao sujeito passivo conhecer com nitidez o que lhe está sendo cobrado, impedindo o pleno exercício do direito de defesa pelo contribuinte. No presente caso, caracterizase a nulidade por vício material em face da ausência da perfeita descrição dos fatos, que impossibilita o conhecimento pelo contribuinte de quais valores estão sendo exigidos. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 16095.720298/201248 Acórdão n.º 2302003.695 S2C3T2 Fl. 850 9 CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. ERRO DE CÁLCULO. TRANSPOSIÇÃO DE VALORES ENTRE PLANILHAS. REAJUSTE DO LANÇAMENTO.NULIDADE.INEXISTÊNCIA. O mero erro de transposição entre valores de planilhas contidas no auto de infração não enseja a sua anulação, se os documentos e demonstrativos contidos nos autos demonstram as origens dos lançamentos, e os reajustes nos levantamentos realizados pela DRJ não acarretarem em prejuízo (aumento da base de cálculo)ao contribuinte. MÉRITO. AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO. MANUTENÇÃO DA EXIGÊNCIA. A não contestação, no mérito, do crédito tributário apurado no auto de infração implica aceitação tácita dos valores exigidos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Pelo que foi exposto, acolho a preliminar argüida de cerceamento de defesa em decorrência da obscuridade do Relatório Fiscal, a fim de ANULAR o presente Auto de Infração. Desta feita, tendo em vista a falta de motivação do presente lançamento, por faltarlhe a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos no Relatório Fiscal de fls. 88/90, mantenho incólume o Acórdão de fls. 161/165, que anulou a presente NFLD por conter vício insanável. Da Conclusão Ante o exposto, conheço do Recurso de Ofício, para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Foi assim que votou o conselheiro Relator. Marcel Oliveira Fl. 854DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 Fl. 855DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 10/06/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13890.000129/98-97
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991
FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. NORMAS PROCESSUAIS. EXECUÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA OPÇÃO DO CONTRIBUINTE
Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que a maioria do Colegiado entendeu que, tendo o sujeito passivo obtido decisão favorável transitada em julgado em ação de conhecimento, reconhecendo o seu direito ao crédito tributário, caberia a opção pela execução administrativa desse crédito, sendo descabida a prova de inexistência de processo de execução pela via judicial prova negativa - ressalvando, porém, no que tange à definição acerca do termo título judicial, que o novo CPC (Lei 13.105/2015) em seu art. 515, inciso I, define a sentença proferida no processo civil como aquela que reconhece a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia como título executivo judicial.
O que, por conseguinte, deve-se considerar que o pedido feito na esfera judicial tem conteúdo explícito e implícito, sendo que o explícito englobaria todos os pedidos mediatos e imediatos formalizados pelo autor na exordial. Enquanto, o conteúdo implícito englobaria todos os pedidos que, apesar de não formulados expressamente, consideram-se incluídos no principal.
Assim, os implícitos seriam considerados integrantes do pedido principal, tais como as custas e honorários advocatícios. O que, portanto, é de se considerar que o título judicial proveniente de uma ação de cognição é composto por três valores distintos, quais sejam; o pedido, que caracteriza o principal, os honorários advocatícios e as custas judiciais.
No presente, por conseguinte, caberia, quando da execução do crédito, analisar sua composição com os eventos considerados à época - pagamento das custas judiciais e honorários advocatícios.
Numero da decisão: 9303-003.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello votaram pelas conclusões.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. NORMAS PROCESSUAIS. EXECUÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA OPÇÃO DO CONTRIBUINTE Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que a maioria do Colegiado entendeu que, tendo o sujeito passivo obtido decisão favorável transitada em julgado em ação de conhecimento, reconhecendo o seu direito ao crédito tributário, caberia a opção pela execução administrativa desse crédito, sendo descabida a prova de inexistência de processo de execução pela via judicial prova negativa - ressalvando, porém, no que tange à definição acerca do termo título judicial, que o novo CPC (Lei 13.105/2015) em seu art. 515, inciso I, define a sentença proferida no processo civil como aquela que reconhece a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia como título executivo judicial. O que, por conseguinte, deve-se considerar que o pedido feito na esfera judicial tem conteúdo explícito e implícito, sendo que o explícito englobaria todos os pedidos mediatos e imediatos formalizados pelo autor na exordial. Enquanto, o conteúdo implícito englobaria todos os pedidos que, apesar de não formulados expressamente, consideram-se incluídos no principal. Assim, os implícitos seriam considerados integrantes do pedido principal, tais como as custas e honorários advocatícios. O que, portanto, é de se considerar que o título judicial proveniente de uma ação de cognição é composto por três valores distintos, quais sejam; o pedido, que caracteriza o principal, os honorários advocatícios e as custas judiciais. No presente, por conseguinte, caberia, quando da execução do crédito, analisar sua composição com os eventos considerados à época - pagamento das custas judiciais e honorários advocatícios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello votaram pelas conclusões. Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2193; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 220 1 219 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13890.000129/9897 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.839 – 3ª Turma Sessão de 28 de abril de 2016 Matéria PIS/PASEP Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CERÂMICA FERREIRA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 FINSOCIAL RESTITUIÇÃO. NORMAS PROCESSUAIS. EXECUÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA — OPÇÃO DO CONTRIBUINTE Em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, é de se reproduzir o entendimento manifestado pela maioria dos membros desse Colegiado. O que, por conseguinte, cabe refletir que a maioria do Colegiado entendeu que, tendo o sujeito passivo obtido decisão favorável transitada em julgado em ação de conhecimento, reconhecendo o seu direito ao crédito tributário, caberia a opção pela execução administrativa desse crédito, sendo descabida a prova de inexistência de processo de execução pela via judicial — prova negativa ressalvando, porém, no que tange à definição acerca do termo “título judicial”, que o novo CPC (Lei 13.105/2015) em seu art. 515, inciso I, define a sentença proferida no processo civil como aquela que reconhece a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia como título executivo judicial. O que, por conseguinte, devese considerar que o pedido feito na esfera judicial tem conteúdo explícito e implícito, sendo que o explícito englobaria todos os pedidos mediatos e imediatos formalizados pelo autor na exordial. Enquanto, o conteúdo implícito englobaria todos os pedidos que, apesar de não formulados expressamente, consideramse incluídos no principal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 0. 00 01 29 /9 8- 97 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 2 Assim, os implícitos seriam considerados integrantes do pedido principal, tais como as custas e honorários advocatícios. O que, portanto, é de se considerar que o título judicial proveniente de uma ação de cognição é composto por três valores distintos, quais sejam; o pedido, que caracteriza o principal, os honorários advocatícios e as custas judiciais. No presente, por conseguinte, caberia, quando da execução do crédito, analisar sua composição com os eventos considerados à época pagamento das custas judiciais e honorários advocatícios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas e Carlos Alberto Freitas Barreto, que davam provimento. Os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello votaram pelas conclusões. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de retorno de diligência acordada, por unanimidade de votos, pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recurso Fiscal, quando da apreciação do Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional contra Acórdão nº 30331.785, do 3º Conselho de Contribuintes da 3ª Câmara que, por unanimidade de votos, decidiu ser descabida, no caso, a exigência de comprovação da desistência de execução de título judicial e determinar a Fl. 243DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13890.000129/9897 Acórdão n.º 9303003.839 CSRFT3 Fl. 221 3 restituição dos autos à autoridade a quo para análise das questões de mérito, conforme decisão assim ementada: “FINSOCIAL RESTITUIÇÃO NORMAS PROCESSUAIS EXECUÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA — OPÇÃO DO CONTRIBUINTE – Tendo o contribuinte obtido transito em julgado favorável em ação de conhecimento, pode este optar pela execução administrativa do seu crédito. Descabida a prova de inexistência de processo de execução pela via judicial — prova negativa. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO” Para melhor elucidar a decisão observada pelo Colegiado de se baixar o julgamento em diligência, transcrevo o relatório constante do Acórdão nº 303128.422 (Grifos Meus): “[...] Trata o processo de solicitação de restituição/compensação de créditos do Finsocial recolhidos no período de setembro de 1989 a setembro de 1991, os quais são solicitados em pedido de compensação com débitos da COFINS. 0 pedido de compensação foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Piracicaba devido a interessada não ter renunciado à execução judicial e para mais a compensação pretendida não se enquadrar como convalidação. Consequentemente ao indeferimento do pedido de compensação, a Delegacia adotou os procedimentos para o lançamento de oficio dos débitos da COFINS dos períodos de apuração de março e abril de 1998. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual cientifica a Secretaria da Receita Federal da suspensão do presente processo administrativo, durante o tempo que espera a decisão do processo judicial e alega que havendo decisão judicial que lhe reconheça indébito tributário, o processo administrativo será apenas para demonstrar à Secretaria da Receita Federal o credito que se estava utilizando. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto indeferiu a solicitação através do Acórdão n° 3.269, de 17 de fevereiro de 2003, assim ementado: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/09/1989 a 30/09/1991 Ementa: INDÉBITO TRIBUTARIO. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSACÃO. Tratandose de sentença judicial transitada em julgado acerca de restituição de indébitos, o pedido de compensação somente poderá ser deferido administrativamente se a contribuinte comprovar a desistência da execução do titulo COFINS. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Verificado que o indébito tributário indicado pela contribuinte não passível de compensação no âmbito administrativo, os débitos pretensamente compensados passam a ser exigíveis, inexistindo qualquer vinculação desses débitos com processo judicial de repetição de indébito. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A PEDIDO DE COMPENSAÇÃO INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE, A manifestação de inconformidade a pedido de compensação indeferido não suspende a exigibilidade dos débitos objeto do pedido, por inadequação às hipóteses descritas no art. 151, do CTN. Solicitação Indeferida" Irresignada com a decisão a interessada interpôs Recurso Voluntário argumentando que o débito em aberto é proveniente de um crédito pleiteado na Justiça conforme processo n° 92.00184332. A contribuinte anexou cópia da Declaração enviada à Agência da Receita Federal de Rio Claro e cópia do Demonstrativo do Crédito (Tributo FINSOCIAL código 3120 e do Pedido de Compensação). A Colenda Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, decidiu ser descabida, no caso, a exigência de comprovação da desistência de execução de título judicial, como observado na ementa do Acórdão n° 30331.785, de 03 de dezembro de 2004: "FINSOCIAL — RESTITUIÇÃO Fl. 245DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13890.000129/9897 Acórdão n.º 9303003.839 CSRFT3 Fl. 222 5 NORMAS PROCESSUAIS — EXECUÇÃO PELA VIA ADMINISTRATIVA — OPÇÃO DO CONTRIBUINTE— Tendo o contribuinte obtido transito em julgado favorável em ação de conhecimento, pode este optar pela execução administrativa do seu crédito. Descabida a prova de inexistência de processo de execução pela via judicial —prova negativa. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO" A Fazenda Nacional interpôs tempestivamente Recurso Especial de Divergência (o representante da Fazenda Nacional tomou ciência do acórdão em 30/11/2005 protocolizando na mesma data Recurso Especial), requerendo a reforma do acórdão recorrido, restaurandose o inteiro teor da decisão de 1º instância. 0 apelo da Fazenda Nacional apoiase na divergência jurisprudencial apresentada nos seguintes paradigmas: "FINSOCIAL — COMPENSAÇÃO — Nos termos do art. 17, § 1° da IN n° 21/97, com redação que lhe deu a IN n° 73/97, no caso do título judicial em fase de execução, a compensação somente poderá ser efetuada se o contribuinte comprovar, junto à unidade da Secretaria da Receita Federal, a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do titulo Recurso ao qual se nega provimento (AC. 20308790, Relator: Luciana Pato Peçanha Martins, DOC. 1)". "F1NSOCIAL — CONCOMITÂNCL4 DE PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO NA ESFERA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA — Nos termos da IN SRF n° 21/97, com as alterações proporcionadas pela IN SRF n° 73/97, a comprovação da desistência da execução de título judicial perante o Poder Judiciário e o pagamento das despesas processuais são requisitos indispensáveis para o pedido de restituição dos valores referentes ao título executivo na via administrativa. Recurso negado. (AC. 20174523, Relator: Antônio Mario de Abreu Pinto, DOC. 2)". A Fazenda Nacional fundamentase, em síntese, nos seguintes argumentos para prestigiar o posicionamento do paradigma: Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 6 consultando o site do Tribunal Regional Federal da 3 a Regido observamos que a ação judicial proposta pela contribuinte ainda se encontra tramitando, sendo, portanto, indiscutível a concomitância entre a via administrativa e judicial; a Instrução Normativa da SRF n° 21, de 1997, com alterações introduzidas pela IN/SRF n° 73, de 1997, disciplina que a compensação de indébito tributário constante de título judicial em fase de execução somente poderá ser efetuada se o contribuinte comprovar junto A. Secretaria da Receita Federal a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive, os honorários advocatícios; apesar deste ônus que é atribuído ao contribuinte, há indiscutível vantagem também no pleito administrativo, já que ele foge da longa via dos precatórios judiciais; a interessada não apresentou comprovante de que tenha desistido da execução do título judicial; em razão deste óbice, o crédito indicado pela interessada não é passível de compensação perante a SRF, uma vez que sua realização no âmbito da execução do título judicial, segundo normas próprias, eis que a via judicial é soberana. Devidamente cientificada da decisão do Conselho de Contribuintes e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, em 15/03/2006, tendo lhe sido facultada a apresentação de contrarrazões recursais, as quais não foram apresentadas. Na sessão realizada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 21/08/2006, os autos foram distribuídos, por sorteio, a esta Conselheira, em conformidade com o art. 16 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais.” Mister trazer que o Colegiado ao apreciar o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora em exercício à época. O que, para melhor elucidar, o transcrevo na íntegra (Grifos meus): “Tratase de apreciação do Recurso Especial de Divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, em face de Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13890.000129/9897 Acórdão n.º 9303003.839 CSRFT3 Fl. 223 7 decisão proferida pela Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Alega a PGFN em seu arrazoado que, embora não haja controvérsia a ser analisada em relação ao crédito de Finsocial, reconhecido judicialmente mediante Ação Declaratória de Inexistência de Obrigação JurídicoTributária, cumulada com Repetição de Indébito Fiscal, a Decisão está em desacordo com a jurisprudência que trouxe como paradigma. Observando o que contém este processo, percebo que a sentença acostada as fls. 92 trata efetivamente de Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito. Como se vê, o voto condutor acostado as fls.137 e 138, enfrentou a questão relativa à diferenciação entre Ação Declaratória de Repetição de Indébito e Ação de Execução: "A ação na qual a Contribuinte logrou êxito é de conhecimento, sendo que esta difere da execução. A primeira visa a. constituir ou declarar um direito, enquanto a segunda, de execução, visa a realizar esse direito constituído ou declarado: na ação de conhecimento. Há uma diferenciação clara da Ação de Repetição de Indébito para a ação executiva. Nas palavras de Plácido e Silva a primeira consiste "na ação para que se peça a restituição do que se pagou indevidamente", enquanto que a segunda "é a ação de rito processual expedito, exercida diante da existência de dívida liquida e certa, decorrente do próprio título ou obrigação com esse prestigio, em virtude de preceito legal". Na repetição de indébito pede ao judiciário que confirme a improcedência do pagamento realizado e declare o seu direito de receber o que pagou a maior. Enquanto na ação de execução, diante de um direito líquido e certo, requer a realização imediata do mesmo. A execução pode ocorrer no âmbito judicial ou administrativo, cabendo ao contribuinte optar pela via que lhe convir, ou exclusivamente judicial, caso a Fazenda lhe negue a pretensão na via administrativa.". No caso em apreço o contribuinte optou pela via administrativa para executar a sentença que reconheceu o seu direito à restituição. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 8 Ocorre que, analisando (pela internet) o andamento dos processos judiciais interpostos pelo contribuinte (Ação cautelar n° 9107274190 e Ação Declaratória nº 9200184332), perante a 1ª Vara Federal da capital de São Paulo, pareceume existir ainda, concomitância dos processos na esfera judicial e administrativa. Diante do exposto, proponha que se converta o julgamento em diligencia para que o contribuinte faça as provas necessárias em seu favor, justificando em especial o Acórdão da 3º Região, referente a Ação declaratória.” O sujeito, após intimado, encaminhou Ofício Resposta em atendimento à Diligência definida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme segue (Grifos Meus): “[...] O ADMINISTRADOR JUDICIAL da MASSA FALIDA DE CERÂMICA FERREIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, infra assinado (vide sentença em anexo – Doc. Junto), vem pela presente, e em atenção à INTIMAÇÃO supra citada, para informar e COMPROVAR, conforme certidão de distribuição emitida diretamente junto ao site oficial da Justiça federal (www.jfsp.gov.br), e ora anexada à presente manifestação (Doc.Junto), que a empresa em referência (agora Massa Falida), NÃO INTERPÔS E/OU POSSUI QUALQUER PROCEDIMENTO JUDICIAL EM CURSO visando a EXECUÇÃO daquele respeitável julgado proferido e objeto da Ação Declaratória sob nº 9200184332, razão pela qual NÃO vislumbra quaisquer obste para que a RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO almejada junto ao procedimento administrativo em trâmite perante essa Egrégia 3ª Turma da Colenda Câmara de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda SEJA EFETIVAMENTE DEFERIDA, para os devidos fins e efeitos, na forma da lei e como de direito. Aproveita a oportunidade, entrementes, para REQUERER que todas as intimações DORAVANTE emitidas no feito sub examine sejam direcionadas/encaminhadas diretamente em nome desse ADMINISTRADOR JUDICIAL e em seu ao endereço profissional – ou seja, AVENIDA 03 nº 245 – cj. 141/142 – Edifício Columbia – Centro – Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13890.000129/9897 Acórdão n.º 9303003.839 CSRFT3 Fl. 224 9 nesta cidade e comarca de Rio Claro (SP), SOB PENA DE NULIDADE PROCESSUAL INSANÁVEL, como de lei e de direito. [...]” Proveitoso trazer que, em 26.7.05, conforme decisão proferida pelo Juiz da 1ª Vara Cível – Comarca de Rio Claro – Poder Judiciário de São Paulo, foi declarada aberta a falência de Cerâmica Ferreira Indústria e Comércio Ltda (Grifos Meus): “EDITAL DE FALÊNCIA DA EMPRESA CERÂMICA FERREIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO. O DOUTOR SIDNEI ANTONIO CERMINARO, Juiz de Direito da Primeira Vara Cível da Comarca de Rio Claro, Estado de São Paulo, etc. FAZ SABER a todos quantos o presente edital virem ou dele conhecimento tiverem ou interessar possa, que por sentença proferida por este Juízo de Direito da 1ª Vara Cível da Comarca de Rio Claro SP, foi indeferido o processo da concordata preventiva requerida por CERÂMICA FERREIRA INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., inscrita no CNPJ/MF sob nº 56.372.741/000158, com sede na Rodovia Washington Luiz, KM 179 + 127 metros, Rio Claro SP, CEP 13504 800 e declarada aberta, às 10hs00 do dia 26 de julho de 2005, a sua falência, tendo sido declarado seu termo legal no 60º dia anterior a data do primeiro protesto, e fixado o prazo de 20 (vinte) dias para as habilitações de crédito, sendo nomeado para o cargo de administrador o Dr. RICARDO BRUZDZENSKY GARCIA, advogado inscrito na OAB/SP sob nº 119.709, portador do RG nº 15.572.199SSP/SP, com endereço nesta cidade na Avenida 3, nº 245, Edifício Columbia, cj. 142, telefone/fax (019) 35237430, CEP13.500390, tudo nos termos da sentença cujo teor segue na íntegra: “Vistos...Cerâmica Ferreira Indústria e Comércio Ltda. pleiteou o benefício da concordata preventiva, com a proposta de pagar seus credores quirografários no prazo de dois anos, sendo 2/5 ao final do primeiro ano e o saldo no segundo. Afirmou ser pessoa jurídica com 78 anos de existência. Passa, no entanto, por crise financeira gerada pela queda do dólar, que comprometeu parte de seu capital de giro. Assim, entendendo preenchidos os requisitos do art. 158 do Decretolei 7.661/45, pediu o benefício da concordata preventiva (fls. 2/14). O Ministério Público opinou pela extinção do processo (fls. 117/v e 868). Novos documentos foram juntados pela impetrante (fls. 133/866). É o relatório. Decido. O instituto da concordata é remédio jurídico com o escopo de possibilitar a plena recuperação econômica da empresa, pois são conhecidos os efeitos nocivos decorrentes da decretação da falência. Frise Fl. 250DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 10 se, contudo, que a concessão do benefício, além da inexistência dos impedimentos do art. 140, exige o preenchimento dos requisitos do art. 158. Estes são cumulativos, e não alternativos. Quanto ao primeiro, os documentos sociais de fls. 19/113 revelam o exercício regular da atividade comercial por mais de dois anos. Sobre o segundo, ressaltese que, apesar da existência de requerimento de falência em curso (autos nº 958/05), não há a notícia de ser a impetrante falida. Nada obstante o preenchimento dos dois primeiros, não restou demonstrado o terceiro requisito, ou seja, que o ativo da impetrante é superior a 50% de seu passivo quirografário. O laudo de fls. 235/257, destinado à avaliação do bem imóvel pertencente a ela, chegou ao valor de R$ 8.167.740,50. Entretanto este dado integra o ativo imobilizado, de modo que não poderá ser disponibilizado para pagamento do débito pendente durante o processamento da concordata, a qual, repitase, busca a plena recuperação econômica da empresa (a venda do bem imóvel não seria compatível com o prosseguimento da atividade empresarial). É certo, ainda, ser a impetrante credora de alguns títulos (fls. 307/312). Contudo, tal circunstância não garante o efetivo recebimento deste ativo circulante. Ela também poderá sofrer com a inadimplência de terceiros, que, certamente, surtirá efeitos em seus credores. Neste passo, salientese que a relação de credores foi juntada a fls. 266/280. Entre os inúmeros débitos, existe um de R$ 1.530.155,97 com a Comgás. E mais, também há, com instituições financeiras, contratos de empréstimo a curto prazo (fls 772/773). Portanto, tendo em vista o ativo circulante disponível (fls. 292/293), chegase à conclusão de que há passivo descoberto. Não bastasse isto ao indeferimento do pedido, o quarto requisito exige a inexistência de título protestado por falta de pagamento. Tal rigor, em determinadas situações, vem sendo abrandado por nossos Tribunais (neste sentido: AMADOR PAES DE ALMEIDA, Curso de Falência e Concordata, 18ª edição, Editora Saraiva, 2000). Entretanto, no caso, é excessivo o número de títulos levados a protesto na cidade de Rio Claro, Os documentos de fls. 138/200 indicam mais de 200, referentes a cártulas vencidas a partir de janeiro de 2005. Sobre a matéria, o entendimento jurisprudencial é pela convolação da concordata preventiva em falência: CONCORDATA Convolação em falência Falta de apresentação, no prazo assinalado, dos elementos que deveriam instruir o pedido Sentença proferida quase dois meses depois de distribuída a ação, sem que tais elementos fossem carreados para os autos Existências de inúmeros protestos de títulos não pagos, alguns protestados antes do trintídio que antecedeu o ajuizamento do pedido Estado de insolvência revelado pelos elementos do balanço especial, onde se constata escancarado desequilíbrio patrimonial Aplicação dos artigos 158, IV e 161, da Lei de Falências Recurso Fl. 251DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13890.000129/9897 Acórdão n.º 9303003.839 CSRFT3 Fl. 225 11 não provido. Não pode reclamar a agravante de qualquer impaciência do juízo, pois além de lhe ter sido concedido prazo para a instrução do pedido com os elementos exigidos pela lei, a sentença que convolou o pedido de concordata em falência foi editada quase dois meses depois da distribuição da ação sem que nesse período tivesse esboçado a agravante qualquer providência para sanar a falta. Demais, se a existência de inúmeros protestos de títulos que não foram pagos, alguns tirados antes do trintídio que antecedeu o ajuizamento do pedido, por si só, não pode impressionar, dado que há de prevalecer o interesse social de se evitar a quebra, se esta for possível, a situação no caso concreto mostra a empresa da agravante em total desequilíbrio patrimonial a revelar a impossibilidade do cumprimento da concordata, não se justificando a mitigação do disposto no artigo 158, IV, da Lei de Falências (TJSP Agravo de Instrumento nº 36.5144 São Paulo 9ª Câmara de Direito Privado Relator: Ruiter Oliva 29.04.97 V.U.). CONCORDATA PREVENTIVA Pedido indeferido Requerente com mais de cem protestos Protestos ocorridos fora do lapso de trinta dias anterior à data do ajuizamento Empresa que não apresenta condições satisfatórias de viabilidade Concordata preventiva inadmissível Falência decretada Agravo não provido (TJSP Agravo de Instrumento nº 79.6154 São Paulo 9ª Câmara de Direito Privado Relator: Franciulli Netto 30.06.98 V.U.). CONCORDATA PREVENTIVA Pedido Apresentação de livros sem registro na JUCESP Existência, ademais, de diversos protestos lavrados contra a recorrente Afronta ao disposto nos artigos 140, I e 158, IV, da LF Decretação de falência nos termos do artigo 162, incisos I e II, da LF Recurso não provido, prejudicado o agravo regimental (TJSP Agravo de Instrumento n. 272.8384 e Agravo Regimental n. 272.8384 São Paulo 4ª Câmara de Direito Privado Relator: Armindo Freire Mármora 03.04.03 V.U.). Assim, não observados os requisitos do art. 158, percebese que a inviabilidade de cumprimento da concordata preventiva, a indicar o estado falimentar da impetrante. Por todo o exposto, INDEFIRO o processamento da concordata preventiva. Em consequência, nos termos do art. 161 do DecretoLei 7.661/45, declaro aberta, na data de hoje, às 10 horas, a falência de Cerâmica Ferreira Indústria e Comércio Ltda.. Fixo o termo legal nos 60 dias anteriores ao primeiro protesto contra ela tirado e o prazo de 20 dias para que os credores apresentem, em Cartório, suas declarações de crédito. Para o cargo de síndico, nomeio o Dr. Ricardo Bruzdzensky Garcia, o qual será intimado para prestar compromisso em 24 horas. Nomeio perito o sr. Luiz Antonio Rocha Rosalem com a observação de que Fl. 252DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 12 seus honorários serão fixados após a apresentação do laudo, como encargo da massa falida. Após, com o intuito de proteção aos bens, expeçase, com urgência, mandado de arrolamento e lacração. O Sr. Oficial de Justiça marcará dia e hora para a diligência, devendo ser acompanhado por síndico e perito. Ciência, ainda, ao representante do Ministério Público. O síndico arrecadará bens, livros e documentos da falida. Em seguida, deverá individualizalos, fixandolhes valor, apresentar inventário e indicar ao Juízo os bens de fácil deterioração. Deverá, ainda, tomar as cautelas necessárias ao desligamento dos fornos, a evitar danos aos equipamentos. O perito avaliará os bens arrolados. Laudo em 30 dias. Cumprase o disposto nos arts. 15 e 16 da Lei de Falências. P.R.I. Rio Claro, 26/07/2005. (a) Guilherme Salvatto Whitaker Juiz Substituto. Pela falida foi apresentada a relação dos credores, natureza do débito, o valor e a classificação, a saber: [...] É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama. Depreendendose da análise dos autos do processo e em respeito à decisão proferida na CSRF através do Acórdão 303128.422 para se converter o julgamento em diligência, com o seu retorno, tornase necessária a análise do cerne da lide com apreciação do Ofício Resposta apresentado pelo administrador judicial da massa falida de Cerâmica Ferreira Indústria e Comércio Ltda. A priori, apenas trago que o Recurso Especial apresentado à época pela Fazenda Nacional era tempestivo e admissível – conforme bem analisado em Despacho de fls. 173/175, vez que comprova a divergência suscitada em julgados trazidos pela parte. No entanto, antes de se discorrer sobre o cerne da lide, primeiramente, tornase necessário recordar que a Fazenda Nacional havia apresentado Recurso Especial, argumentando, em síntese, que: Fl. 253DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13890.000129/9897 Acórdão n.º 9303003.839 CSRFT3 Fl. 226 13 · Em consulta ao site do TRF da 3ª Região, a r. ação judicial se encontrava ainda em tramitação – o que seria indiscutível a concomitância entre a via administrativa e judicial; · Mesmo se assim não fosse – ou seja, já tivesse transitado em julgado, a IN SRF 21/97, com alterações introduzidas pela IN SRF n° 73, de 1997, dispõe que a compensação de indébito tributário constante de título judicial em fase de execução somente poderá ser efetuada se o contribuinte comprovar junto à SRF a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial. E a CSRF, ao apreciar os autos do processo, percebeu que a sentença acostada ao processo tratava efetivamente de Ação Declaratória cumulada com Repetição de Indébito, o que, a rigor, trouxe, nos termos do voto da relatora, que não haveria prejuízo de o sujeito passivo optar pela via administrativa para executar a sentença que reconheceu o seu direito à restituição, diferentemente da pretensão instaurada com a impetração de ação de execução. Não obstante, ao analisar o andamento dos processos judiciais, a relatora à época se deparou com a dúvida se existiria concomitância dos processos na esfera judicial e administrativa. O que, por conseguinte, converteu o julgamento em diligência, obtendo do administrador judicial da massa falida do sujeito passivo a informação de que a empresa não havia interposto ou possui qualquer procedimento judicial visando a execução do objeto da Ação Declaratória sob nº 9200184332. Dessa forma, considerando o pronunciamento feito pelo sujeito passivo, bem como pesquisa ao site do TRF3 da situação da ação declaratória proposta, é de se considerar que, diferentemente do informado pela Fazenda Nacional, o sujeito passivo logrou êxito em ação transitada em julgado, declaratória cumulada com repetição de indébito. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 14 Ademais, constatase também que não há qualquer vestígio de o sujeito passivo ter impetrado com ação de execução envolvendo o referido objeto – tal como havia manifestado. Em vista do exposto, entendo que não se vislumbra quaisquer obstáculo à manutenção da decisão proferida pela Câmara abaixo, pois foi por evidente declarado judicialmente o direito ao crédito tributário – eis que confirmado o pagamento indevido efetuado pelo sujeito passivo. Ora, a ação de conhecimento corresponde por óbvio à cognição e declaração (conhecimento), eis que o juiz somente confere a pretensão do autor – ou seja, apenas emite declaração atestando o crédito originado de uma determinada relação jurídica; enquanto, a ação de execução tem o intuito de se provocar providências jurisdicionais de execução. São, portanto, ações de modalidades e finalidades diferentes que, por sua vez, possuem reflexos tributários distintos. Nessa seara, não há que se falar em inobservância à IN SRF 21/97 com a redação dada pela IN SRF 73/97 – vigente à época, tal como impõe a Fazenda Nacional, tendo em vista ser impossível o sujeito passivo demonstrar prova de desistência da ação de execução judicial quando, ao menos, nem a impetrou. Com efeito, se afasta o art. 17 da referida IN, eis que a observância da demonstração e prova de desistência aplicase somente aos casos de "título judicial em fase de execução”, conforme dispositivo transcrito abaixo (Grifos Meus): "Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF Fl. 255DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13890.000129/9897 Acórdão n.º 9303003.839 CSRFT3 Fl. 227 15 a desistência, perante o Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório." Ademais, quanto à dúvida suscitada pelo Colegiado em relação à concomitância, entendo que não há que se falar em concomitância, eis que o referido pedido formulado pelo sujeito passivo teve como suporte decisão transitado em julgado em ação declaratória (conhecimento) – o que se confere a cobertura desse direito de crédito mediante pedido de compensação. Comporta tal entendimento, o art. 12 da IN SRF 21/97 com a redação dada pela IN SRF 73/97 (Grifos Meus): “Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. § 1º A compensação será efetuada entre quaisquer tributos ou contribuições sob a administração da SRF, ainda que não sejam da mesma espécie nem tenham a mesma destinação constitucional. § 2º A compensação de ofício será precedida de notificação ao contribuinte para que se manifeste sobre o procedimento, no prazo de quinze dias, contado da data do recebimento, sendo o seu silêncio considerado como aquiescência. "§ 3o A compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação" de que trata o Anexo III, poderá ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não exista débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte."; Fl. 256DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 16 § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. § 5º Se o valor a ser ressarcido ou restituído, na hipótese do § 4º, for insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislação especifica. § 6º Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4º, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à incidência de acréscimos legais. § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. l7. § 8º A parcela do crédito, passível de restituição ou ressarcimento em espécie, que não for utilizada para a compensação de débitos, será devolvida ao contribuinte mediante emissão de ordem bancária na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN nº 117, de 1989.” "§ 9º Os pedidos de compensação de débitos, vencidos ou vincendos, de um estabelecimento da pessoa jurídica com os créditos a que se refere o inciso II do art. 3o, de titularidade de outro, apurados de forma descentralizada, serão apresentados na DRF ou IRF da jurisdição do domicílio fiscal do estabelecimento titular do crédito, que decidirá acerca do pleito. § 10. Na hipótese do parágrafo anterior, a compensação será pleiteada por meio do formulário `Pedido de Compensação', de que trata o Anexo III." Sendo assim, friso minha concordância aos termos do voto manifestado pelo Conselheiro relator Marciel Eder Costa constante do acórdão 303 31.785. O qual, peço vênia, para transcrevêlo (Grifos Meus): “0 recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13890.000129/9897 Acórdão n.º 9303003.839 CSRFT3 Fl. 228 17 De fato, não nos parece apropriada a interpretação dada ao caso em tela pelos Ilustres Julgadores de primeira instância administrativa, pois, restou provado que a Contribuinte logrou êxito em ação transitada em julgado, declaratória cumulada com repetição de indébito. A ação na qual a Contribuinte logrou êxito é de conhecimento, sendo que esta difere da execução. A primeira visa a constituir ou declarar um direito, enquanto a segunda, de execução, visa a realizar esse direito constituído ou declarado na ação de conhecimento. Há uma diferenciação clara da Ação de Repetição de Indébito para a ação executiva. Nas palavras de Plácido e Silva a primeira consiste "na ação para que se peça a restituição do que se pagou indevidamente", enquanto que a segunda "é a ação de rito processual expedito, exercida diante da existência de dívida liquida e certa, decorrente do próprio título ou obrigação com esse prestigio, em virtude de preceito legal' Na repetição de indébito pede ao judiciário que confirme a improcedência do pagamento realizado e declare o seu direito de receber o que pagou a maior. Enquanto na ação de execução, diante de um direito líquido e certo, requer a realização imediata do mesmo. A execução, pode ocorrer no âmbito judicial ou administrativo, cabendo ao contribuinte optar pela via que lhe convir, ou exclusivamente judicial, caso a Fazenda lhe negue a pretensão na via administrativa. Na hipótese do contribuinte optar pela execução em âmbito administrativo, descabida é a prova da inexistência da execução pela via judicial, pois esta se constitui em prova negativa, não cabível ao caso em tela. De igual sorte, não pode o contribuinte provar a desistência da ação de execução judicial, sem ao menos têla impetrado. A exigência do parágrafo 1° do artigo 170, da FN/SRF 21 de 1997, Fl. 258DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 18 se aplica aos casos de "título judicial em fase de execução", e o contribuinte não ingressou com ação de execução em fase judicial, não há porque ingressar para posteriormente desistir, arcando com custas e honorários. Descabida é a interpretação que leva a exigir tal conduta. Também não há de se falar em concomitância, pois o pedido administrativo em tela possui o seu respaldo jurídico nas ações de conhecimento transitadas em julgado. Portanto, não há duplicidade de pleitos, como também declara o Contribuinte sob as penas da lei de não ter promovido outra compensação senão esta que pretende realizar. Face ao exposto, tomo conhecimento do recurso relativo a restituição/compensação do Finsocial, e voto sentido de darlhe provimento no que concerne a necessidade de prova da desistência da execução judicial, determinando o retorno do processo à origem para fim de análise das demais questões de mérito. [...]” Apenas observo que, com o advento do NCPC, não há mais individualização de ações sendo a execução do crédito considerado procedimento contínuo. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendo a decisão dada pela Câmara abaixo. No entanto, independentemente dessa conselheira entender, pelas fundamentações postas, que deverseia manter a decisão dada anteriormente, é de se contemplar nesse voto os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros, em respeito ao art. 63, § 8º, do RICARF, in verbis: “Art. 63. As decisões dos colegiados, em forma de acórdão ou resolução, serão assinadas pelo presidente, pelo relator, pelo redator designado ou por conselheiro que fizer declaração de voto, devendo constar, ainda, o nome dos conselheiros presentes e dos ausentes, especificandose, se houver, os conselheiros vencidos e a matéria em que o foram, e os impedidos. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO Processo nº 13890.000129/9897 Acórdão n.º 9303003.839 CSRFT3 Fl. 229 19 [...] § 8º Na hipótese em que a decisão por maioria dos conselheiros ou por voto de qualidade acolher apenas a conclusão do relator, caberá ao relator reproduzir, no voto e na ementa do acórdão, os fundamentos adotados pela maioria dos conselheiros. [...]” Sendo assim, é de se contemplar que a maioria dos conselheiros votou pelas conclusões, considerando também o entendimento no que tange à definição acerca do termo “título judicial”, que o novo CPC em seu art. 515, inciso I, define a sentença proferida no processo civil como aquela que reconhece a existência de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia como título executivo judicial. O que, por conseguinte, devese observar que o pedido tem conteúdo explícito e implícito, sendo que o explícito englobaria todos os pedidos mediatos e imediatos formalizados pelo autor na exordial. Enquanto, o conteúdo implícito englobaria todos os pedidos que, apesar de não formulados expressamente, consideramse incluídos no principal. Assim, os implícitos seriam considerados integrantes do pedido principal, tais como as custas e honorários advocatícios. O que, portanto, podese considerar que o título judicial proveniente de uma ação de cognição é composto por três valores distintos, quais sejam; o pedido, que caracteriza o principal, os honorários advocatícios e as custas judiciais. O que, caberia ainda, quando da execução do crédito, analisar sua composição com os eventos considerados naquele trâmite. Diante do exposto, cabe refletir que a maioria desse Colegiado negou provimento ao Recurso interposto pela Fazenda Nacional, mantendo a decisão dada pela Câmara abaixo, com essas últimas considerações. É o meu voto. Tatiana Midori Migiyama Relatora Fl. 260DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO 20 Fl. 261DF CARF MF Impresso em 27/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/06/2016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 14/06/2 016 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 15/06/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARR ETO
score : 1.0
Numero do processo: 10835.002404/98-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2002
Ementa: IRPJ E OUTRO -- DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - ENTREGA DE BENS EM RESGATE DE CAPITAL E LUCROS DOS SÓCIOS - A sociedade registrada conserva sua personalidade jurídica, mesmo depois da dissolução, até o cancelamento do seu registro. A transferência de bens, da sociedade, para os sócios, constitui dação em pagamento e exige comutatividade nos meios de troca, constituindo-se em uma das modalidades de alienação a qualquer título. Se essa alienação se der por valor inferior ao
previsto em lei (valor de mercado) configurada estará a distribuição disfarçada de lucros, como previsto no art. 72, alínea "a", da Lei n.° 4.506/64 (Ac. 1.° CC 101-73.287/82).
Negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: CSRF/01-03.730
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do Recurso, vencidos os
Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Iacy Nogueira Martins Morais, José Clóvis Alves e Edison Pereira Rodrigues, que não conheciam do Recurso e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Remis Almeida Estol e Mário Junqueira Franco Júnior
Nome do relator: Verinaldo Henrique da Silva
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CSRF/01-03 730 RECURSO N ° RD/108-0394 MATÉRIA IRPJ E OUTRO RECORRENTE S/A DE EDUCAÇÃO PRUDENTINA RECORRIDA OITAVA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERESSADA: FAZENDA NACIONAL IRPJ E OUTRO -- DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - ENTREGA DE BENS EM RESGATE DE CAPITAL E LUCROS DOS SÓCIOS - A sociedade registrada conserva sua personalidade jurídica, mesmo depois da dissolução, até o cancelamento do seu registro. A transferência de bens, da sociedade, para os sócios, constitui dação em pagamento e exige comutatividade nos meios de troca, constituindo-se em uma das modalidades de alienação a qualquer título. Se essa alienação se der por valor inferior ao previsto em lei (valor de mercado) configurada estará a distribuição disfarçada de lucros, como previsto no art. 72, alínea "a", da Lei n.° 4.506/64 (Ac. 1.° CC 101-73.287/82). Negado provimento ao recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela S/A DE EDUCAÇÃO PRUDENTINA. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, CONHECER do Recurso, vencidos os Conselheiros Cândido Rodrigues Neuber, Iacy Nogueira Martins Morais, Jo:e) PROCESSO N° 10835002404/98-74 ACÓRDÃO N° C SRF/01-03 730 Clóvis Alves e Edison Pereira Rodrigues, que não conheciam do Recurso e, no mérito, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Remis Almeida Estol e Mário Junqueira Franco Júnior. /FOON PtRA RODRIGUES - PRESIDENTE VERTNALDO rir • QUE DA SILVA - RELATOR FORMALIZADO EM: 0 6 AR 20(2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: Celso Alves Feitosa, Antônio de Freitas Dutra, Valmir Sandri (Suplente Convocado), Victor Luis de Salles Freire, Leila Maria Scherrer Leitão, José Carlos Passuello, Wilfrido Augusto Marques, Carlos Alberto Gonçalves Nunes e Manoel Antônio Gadelha Dias. Ausente, justificadamente, a Conselheira Maria Goretti de Bulhões Carvalho 2 PROCESSO N° 10835002404/98-74 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 730 RECURSO N° RD/108-0 394 RECORRENTE S/A DE EDUCAÇÃO PRUDENTINA RECORRIDA OITAVA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES INTERES SADA FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Inconformado com a decisão consubstanciada no acórdão n.° 108-06.325, de 07/12/00, que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário n.° 124.146 interposto nos presentes autos, o contribuinte S/A EDUCAÇÃO PRUDENTINA recorre para esta Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela via do recurso especial, pleiteando a sua reforma. A questão que se discute nos presentes autos pode ser sintetizada da seguinte forma: 1 — no dia 30/06/95, em Assembléia Geral Extraordinária, os sócios propuseram a dissolução, liquidação e extinção da recorrente (fls. 54); 2 — no dia 30/11/95, ocorreu a Assembléia de extinção da recorrente (fls. 57), sendo deliberado que, a título de resgate das ações nominativas ordinárias e distribuição de lucros acumulados, seria entregue aos acionistas um imóvel urbano; 3 — na mesma data, foram registrados no livro Diário os lançamentos contábeis referentes aos fatos acordados (fls. 62, 70 etc); 4 — a escritura pública de dação em pagamento foi lavrada no dia 02/01/96 (fls. 75/81); 5 — o •T7ó-- l. foi transferido aos sócios pelo valor contábil (R$ 628.313,90— v. fls. 80 ; ) 3 PROCESSO N° 10835002404/98-74 ACÓRDÃO N ° C SRF/01-03 730 6 — após pesquisas realizadas, o Fisco atribuiu ao imóvel (possui construções não averbadas: de 1.220,61 m2, para 4.001,91 m2) o valor de R$ 2.400.000,00 (valor não contestado pelo contribuinte) e considerou a diferença entre o valor de mercado e o contábil como distribuição disfarçada de lucros (v. fls. 107); 7 — no entender do sujeito passivo, a operação não caraterizou alienação, mas mera partilha do patrimônio da pessoa jurídica, em 02/01/96, ao amparo do artigo 22 da Lei 9.249/95, 8 — a Câmara a quo manteve a exigência, especialmente em função de dois argumentos: i) ter havido alienação do imóvel por valor notoriamente inferior ao de mercado; ii) por ser inaplicável à espécie dos autos o artigo 22 da Lei 9.249/95, que passou a produzir efeitos apenas a partir de 01/01/96 , tendo o fato gerador ocorrido na data de extinção da pessoa jurídica, em 30/11/95. 9 — no recurso especial, o sujeito passivo pede a reforma do julgado asseverando que: i) ao contrário do que acentua a I). relatora do acórdão atacado, a recorrente não pretende aplicar legislação ainda não vigente à época dos fatos; ii) pretende, sim, que seja aplicada a lei ao tempo da ocorrência do próprio fato, isto é, 1996, pois foi em 02 de janeiro de 1996, por escritura pública, lavrada pelo 2.° Tabelionato de Presidente Prudente, registrada no respectivo Cartório de Registro de Imóveis, que ocorreu a operação; iii) em 1995 somente se deu a deliberação de que os imóveis retornariam aos acionistas; iv) ainda que não se configurasse a possibilidade da adoção da avaliação pelo valor contábil na hipótese dos autos, ainda assim o decisum viola disposições do Regulamento do Imposto de Renda, pois que desvirtuado o enunciado do artigo 432, inciso I, nele enquadrando eventos não tipificados (louvando-se no teor literal da escritura de dação em pagamento, confunde partilha com alienação); 10 — nas contra-razões, a Procuradoria da Fazenda Nacional levanta a preliminar de conhecimento do RD apenas em parte (isso porque o recorrente não provou a existência de entendimento discordante acerca do artigo 22 da Lei n.° 9.249/95) e, no mérito, requer a manutenção do decisum. É o relatóri . / 4 PROCESSO N° 10835 002404/98-74 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 730 VOTO CONSELHEIRO: VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo. Discute-se antes uma preliminar suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, qual seja o conhecimento do recurso especial interposto pelo , contribuinte apenas em parte. Isso porque não obstante o pleito do recorrente seja no sentido de ver reformado o acórdão prolatado pela Oitava Câmara com base em dois fundamentos (i — não ter havido alienação e/ou distribuição disfarçada de lucros; ii — mas partilha do acervo da pessoa jurídica ao amparo do artigo 22 da Lei n.° 9.249/95), apenas logrou comprovar o dissídio jurisprudencial quanto à não caracterização da alienação/distribuição disfarçada de lucros. Realmente o acórdão n.° 103P-01.771, de 10/06/77, carreado aos autos e apontado como paradigma, desserve, por razões óbvias, para caracterizar a divergência de julgados quanto à faculdade prevista no artigo 22 da Lei n.° 9.249, de 26/12/95. Logo, como o RD não devolve à CSRF o conhecimento de toda a matéria analisada pela Câmara a quo, mas tão-somente o exame do objeto da divergência de julgados, o pleito do recorrente, nessa parte, não merece ser abordado. Acolho, portanto, a preliminar argüida pelo douto representante da Fazenda Nacional e tomo conhecimento do RD apenas em parte. (Neste ponto, faço um necessário parêntese, porque considero importante deixar registrado o que passo a expor. É que, neste momento, por maioria de votos, esta Egrégia Câmara acaba de rejeitar a preliminar argüida pelo douto Procurador da Fazenda Nacional. Data venia, discordo do que foi decidido 'v e 5 PROCESSO N° 1083.5002404/98-74 ACÓRDÃO N ° C SRF/01-03 730 Por amor ao debate, entretanto, até para evitar possíveis alegações de omissão no acórdão e/ou cerceamento do direito de defesa, curvo-me ao que foi decidido, supero a preliminar argüida pela PFN e conheço "in totum" do Recurso Especial interposto pelo contribuinte). De plano, registro que o artigo 22 da Lei n.° 9.249, de 26/12/95, é inaplicável à lide que se discute nos presentes autos. Por ser inaplicável, restam prejudicados alguns argumentos expendidos pelo sujeito passivo (v. fls. 498, 499 e 500), por serem irrelevantes do ponto de vista tributário, a saber: i) data em que foi lavrada a escritura pública relativa ao imóvel transferido (e/ou alienado) aos sócios (02/01/96 — v. fls. 75); ii) data em que a dita escritura foi registrada no respectivo Cartório de Registro de Imóveis. Inócuas também quaisquer ilações acerca da data em que a ata da Assembléia de Extinção foi apresentada a arquivamento na junta Comercial (ao que parece, 26/03/96 — v. fls. 57), da lei que dispõe acerca do Registro Público de Empresas Mercantins e Atividades Afins (Lei n.° 8.934/94) e/ou quanto ao Decreto n.° 1.800/96, que regulamenta a Lei n.° 8.934/94, as quais, não obstante não tenham sido objeto do RD, foram suscitadas de oficio por alguns Conselheiros desta Egrégia Câmara. A razão é que, à espécie dos autos, aplica-se in totum, o brocardo latino que diz: "ninguém será ouvido quando alega a sua própria torpeza". Por óbvio, a inobservância de prazos previstos em leis jamais poderia vir a beneficiar o infrator da legislação fiscal, sob pena de se estimular o descumprimento das obrigações tributárias. Ora, o artigo 144 do Código Tributário Nacional reza que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Aqui, o fato gerador da obrigação tributária (encerramento das atividades) ocorreu em 30/11/95, conforme o próprio contribuinte informou em sua declaração de rendimentos de fls. 8. Lá consta como período de -apuração do lucro real: 01/01/95 a 30/11/95. 6 PROCESSO N° 10835002404/98-74 ACÓRDÃO N° C SRF/01-03 730 Labora em erro, portanto, o sujeito passivo quando assevera que, ao contrário do que acentua a D. relatora do acórdão atacado, não pretende aplicar legislação ainda não vigente à época dos fatos, mas que seja aplicada a lei ao tempo da ocorrência do próprio fato, isto é, 1996, pois foi em 02 de janeiro de 1996, por escritura pública, lavrada pelo 2.° Tabelionato de Presidente Prudente, registrada no respectivo Cartório de Registro de Imóveis, que ocorreu a operação. Se isso não bastasse, lembro que, por força das Leis n.° 8.541/92 (art. 4• 0, § 2.°) e/ou 8.981/95 (art. 56.°, §2.°), no caso de encerramento de atividades, as pessoas jurídicas devem apresentar a declaração de rendimentos até o último dia útil do mês subseqüente ao da extinção. In casu, como a Assembléia de extinção ocorreu no dia 30/11/95, a data limite para apresentar a declaração de rendimentos relativa ao encerramento das atividades seria no dia 30/12/95 ou, quando muito, no dia subseqüente, desde que houvesse expediente normal na repartição do seu domicílio fiscal. Resta claro, sem maiores esforços de raciocínio, a impossibilidade de se aplicar ao presente litígio o artigo 22 da Lei n.° 9.249/95. No que se refere ao outro fundamento, a questão não oferece grandes dificuldades. Basta que se encontre resposta para uma pergunta: a transferência do imóvel aos sócios caracterizou alienação por valor notoriamente inferior ao de mercado? Se positiva a resposta, deve-se negar provimento ao recurso especial interposto; se se concluir que não, deve-se dar- lhe provimento. Por pertinente cumpre lembrar que o recorrente não discute a notoriedade da diferença entre o valor contábil (R$ 628.313,90) e o de mercado (R$ 2.400.000,00) do imóvel repassado aos sócios. A lide restringe-se basicamente à interpretação do ato jurídico pelo qual o imóvel passou do domínio da pessoa jurídica para o dos sócios, isto é, se se tratou de alienação ou não. Buscando demonstrar a melhor interpretação jurídica da norma inserta no artigo 60 do Decreto-lei n.° 1.598/77, o eminente Conselheiro Amador Outerelo Fernández, no voto condutor soN, acórdão 101-73.287, de 11/05/82, abordou o assunto com absoluta precisãs.' , • 7 PROCESSO N° 10835 002404/98-74 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 730 Por se tratar de situação análogo à dos presentes autos, peço licença para trazer à colação os principais argumentos consignados naquele voto, os quais adoto por seus jurídicos fundamentos, in verbis: '22. A matéria foi objeto dos Pareceres Natmativos n's 449/71, 1.002/71 e 105/78 (com força de normas complementares, face ao estatuído no art. 100, inc. I, do CTN c/c o art. 13, inc. III, do Decreto n° 76.085/75, art. 9°, inciso III, da Portaria - MF - n° 653/77), através dos quais a Administração Tributária interpretou que: "Distribuição disfarçada de lucros - Distribuição de bens e de direitos aos sócios, na liquidação da sociedade, por motivo de sua dissolução: é "alienação a qualquer título" de que fala a alínea "a" do art. 251 do RR; a distribuição em causa tem todos os requisitos previstos para a alienação, sendo inclusive um ato de vontade da sociedade alienante, manifestada por seus representantes, na liquidação (v. Cód. Comercial, arts. 344, e segs.).Se os bens forem transferidos aos sócios por valor notoriamente inferior ao de mercado estará tipificada a infração descrita na alínea "a" do art. 251 do RIR.(..) Há, na referida distribuição de bens e direitos, o deslocamento desses bens do patrimônio da sociedade para o dos sócios, individualmente, peculiaridade essa que é da essência da alienação. Preenchido, também está o requisito quanto ao objeto, que na alienação pode ser uma coisa ou um direito, ou parte deste. A alienação de bem do ativo imobilizado, por valor notoriamente inferior ao do mercado, a sócio, acionista ou participante nos lucros, bem como aos respectivos parentes ou dependentes, configura distribuição disfarçada de lucros. \lão P/ 8 PROCESSO N° 10835 002404/98-74 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 730 é suficiente para descaracterizar essa distribuição disfarçada a circunstância de o bem ter sido alienado pelo valor de aquisição monetariamente corrigido, sempre que esse valor for notoriamente inferior ao de mercado. "Se houver deliberação unânime dos acionistas para que os bens, conforme a avaliação, se distribuam ou se possam distribuir em natura, há dação em pagamento. Afaste-se qualquer assimilação à herança." (ob. cit., tomo LI/46). 8. A dação em soluto, como é incontroverso na lei (artigos 995 a 998 do Código Civil) e na doutrina, é negócio jurídico bilateral, oneroso, contrato real, contrato de dação e recebimento, cuja eficácia é extinguir, por adimplemento, a dívida. 8.1 Convém ressalvar que essa classificação não se poderia atribuir ao simples pagamento que a sociedade liquidanda fizesse para extinguir o crédito do sócio, em dinheiro, no seu exato valor escriturai (contábil), porque se trataria de mero ato-fato jurídico. 9. Duas conseqüências podem ser vislumbradas, desde já, do ponto de vista da legislação do imposto sobre a renda: 1a.) a restituição de capital ou reembolso de capital, pelo valor contábil (corrigido monetariamente segundo o prevê a lei) não pode caracterizar distribuição disfarçada de lucros uma vez que restitui ão é ato de dar a alguém o que a ele pertenc- 9 (11 PROCESSO N ° 10835 002404/98-74 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 730 2a.) o pagamento do crédito do sócio, pela sua participação no capital, feito em natura, e pelo valor contábil, é admitido pela lei comercial; todavia, os respectivos efeitos tributários serão os previstos na legislação tributária (artigo 109, in fme, do CTN), que no caso estão contidos no art. 60, I, do DL n° 1.598/77, o qual exige seja feito um confronto entre o montante do crédito do sócio e o valor de mercado do bem dado em pagamento. ... 46. Não há qualquer dúvida de que existe uma alienação voluntária na dação em pagamento dos imóveis pela pessoa jurídica, através de seus representantes legais, a qual tanto pode ocorrer no reembolso total ou no parcial (retirada ou redução de capital) de um ou mais sócios, durante a fase de operações normais da sociedade ou na fase de liquidação, como aliás reconhece o Prof. ROBERTO SAMPAIO DÓRIA (...). ... 53. Também em sentença prolatada pelo ilustre magistrado, Dr. LUIZ RONDON TEIXEIRA DE MAGALHÃES, como Juiz titular da f Federal em São Paulo, Proc. N° 73/72, concluiu que a entrega do imóvel para reembolsar o valor das ações do sócio, como dação em pagamento que é, na verdade constitui alienação, in Res. Tributária, Seção Jurisprudência (1.2), n° 13, pág. 77/85. ... 62. Ora, não se nega o direito que os sócios tem de receber seus investimentos (capital inicial) e reinvestimentos (lucros regularmente apurados e incorporados ao capital ou mantidos em reservas, isto é, não distribuídos) em bens da própria sociedade, evitando desse modo a prévia alienação desses bens pela sociedade à terceiros, podendo aliená-los aos sócios, em reembolso do seu capital e lucros, desde que haja comutatividade na operação, ou seja desde que o valor recebido pelo sócio em bens seja igual ao que receberia em dinheiro e que, como vimos, deveria corresponder ao seu capital e lucros regularmente apurados. 63. Os fatos acima, conjugados com o que consign. , os quando cuidamos da "alienação, a qualquer título", facilitam a compree .ão á(„) . / ,, , PROCESSO N.° 10835002404/98-74 ACÓRDÃO N.° CSRF/01-03 730 natureza jurídica do ato denominado pelos interessados impropriamente de "restituição de bens", pois, na maioria das vezes, os bens alienados pela pessoa jurídica aos sócios, como reembolso de suas quotas(dação em pagamento) não foram entregues em integralização de capital pelo sócio que, afmal, os adquire. Ora, que "restituição" seria essa se os bens ou foram entregues por outros sócios ou foram adquiridos pela própria sociedade durante o curso de suas atividades normais ! Valendo assinalar que, mesmo que eles houvessem sido entregues pelo sócio, em razão de aquela entrega se constituir numa alienação, a reaquisição também o seria. 70. A distribuição disfarçada de lucros é uma forma de 'evitar" que rendas que seriam tributáveis na pessoa jurídica ou conjuntamente na pessoa jurídica e na pessoa fisica sejam subtraídas do gravame, através de uma operação (ponte) que desloque essas rendas para o ente não sujeito à tributação ou mesmo sujeito à tributação mais benigna, que poderá ser uma pessoa fisica (sócios ou dependentes destes) ou outra pessoa jurídica interdependente (coligada), esteja esta isenta ou acumule grandes prejuízos. Duas das modalidades mais comumente adotadas são: a) a aquisição de bens de sócios ou dependentes destes por valor superior ao de mercado; quer como operação normal de compra, quer em razão da integralização de capital dos sócios e; b) a alienação, também aos sócios, de bens ou direitos por valor inferior ao de mercado, seja em alienação durante o período de atividade da pessoa jurídica, seja na fase de liquidação (neste caso só a sócio e camuflado com reembolso do seu capital). 75. Apesar de considerarmos taxativamente abrangida pelo texto legal, a operação que, sob a aparência de legitimar o reembolso do sócio em bens (dação em pagamento) do capital e lucros regularmente contabilizados, também simultaneamente se presta para distribuir lucros, no montante correspondentes à diferença entre o valor pelo qual a sociedade (pelos seus representantes legais) aliena o bem ao sócio e o valor que este mesmo bem alcançaria se fosse alienado a terceiros (valor do mercado), não seria demais relembrar o entendimento do jurista JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA, quando, ao comentar a figura, já na vigência do Decreto-lei n° 1 598, de 1977, escreveu que: "A lei é taxativa quanto aos casos em há - inversão do ônus da prova e não às moda d. des fÁ 11 PROCESSO N° 10835002404/98-74 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 730 de negócio em que a distribuição disfarçada pode verificar-se. A autoridade tributaria pode pretender que outros negócios, não constantes dessa enumeração, foram usados pelo contribuinte para disfarçar distribuição de lucros, mas neste caso cabe-lhe o ônus da prova:..." 76*. Ora, não pode haver coisa mais fácil de demonstrar se, para o reembolso do capital de R$ 357.364,70 (trezentos e cinqüenta e sete mil trezentos e sessenta e quatro reais e setenta centavos) e mais reservas/lucros a distribuir, num total de R$ 270.949,20 (ou seja um total de R$ 628.313,90 — seiscentos e vinte oito mil trezentos e treze reais e noventa centavos), os sócios receberam um imóvel de valor igual a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais) (*valores da transcrição ajustados à espécie dos autos — v. fls. 105). 77. Pergunta-se: onde está a equivalência ou igualdade da troca? Que a operação encobriu uma distribuição disfarçada (camuflada ou dissimulada) de lucros é evidente, e a evidência dispensa prova. 78. Os sócios, neste casso, não receberam o que já possuíam isto é, a operação não é de simples permuta, hipótese em que os valores se eqüivaleriam Até o momento da dissolução os sócios somente possuíam o correspondente ao capital investido e mais as reservas no montante de R$ 628.313,90* (*valor da transcrição ajustado à espécie dos autos — v. fls. 105); o restante é lucro não submetido à tributação, disfarçadamente distribuído com a alienação dos imóveis pelo valor contábil, que era muito inferior ao valor que eles tinham no mercado. A dação em pagamento não utilizou o parâmetro de conversão mandado adotar pela lei nas "alienações, a qualquer título", de bem a acionista, que é o valor de mercado. Houve entrega de bens por valor muito superior aos direitos dos sócios, devidamente contabilizados como capital e reservas livres, isto é, já submetidas à tributação. ... 80. O princípio da necessária onerosidade das relações entre a sociedade e seus titulares não foi respeitado. O ato econômico revestiu a forma jurídica de reembolso ou resgate do capital, quando, na realidade, aquela forma jurídica, também dissimulava uma distribuição de lucros, como ç,..,demonstrado ) i . ,, • - • - 4 ( 12 PROCESSO N° 10835 002404/98-74 ACÓRDÃO N° CSRF/01-03 730 84. As premissas maiores de que se servem os que defendem a não incidência tributária já foram abordados, todavia a razão de ser, não só dessas como de outras, reside, S.M.J., no fato de que não se deram os seus autores ao trabalho de tentar prescrutar a natureza do ato jurídico do que chamam "restituição de capital" em bens (dação em pagamento). 87. Ora, também no resgate dos direitos do sócio contra a sociedade: venha ela a ocorrer no período de atividades normais da sociedade, ou no período de liquidação (relembre-se o trecho já transcrito em que o aludido autor expressamente declarava que "hipótese análoga à dissolução de sociedade é a da redução do capital social"), se dá esse deslocamento do patrimônio da pessoa jurídica para a pessoa fisica; surge no patrimônio do sócio um valor positivo novo, se o sócio em troca de seus direitos registrados na sociedade que é o capital investido e os lucros regularmente apurados, recebe bens de valor superior. O meio que propiciou esse disfarçado acréscimo foi, sem dúvida, a adoção de um padrão de troca irreal, incorreto e expressamente vedado pela lei tributária que, para acautelar os interesses do Erário (justamente em razão das facilidades que essas operações entre a sociedade e seus sócios propicia), impõe, como padrão de referência para a troca, o valor de mercado, pelas razões que o Dr. JOSÉ LUIZ BULHÕES PEDREIRA, já expôs, quando explicou "a função do dispositivo legal em questão". 88. Ora, qualquer outro padrão, inclusive o escritura!, não atende aos ditames da lei. Em qualquer desses casos, na alienação do bem pela sociedade ao sócio, ora por venda, ora por dação em pagamento, se não for utilizado o valor do mercado, o sócio tem acréscimo de patrimônio, como já exaustivamente demonstrado. 89. Assim, como já afirmamos, não ser possível confundir as causas determinantes da dissolução da sociedade com a divisão patrimonial, também não há como considerar sinônimos a divisão ou rateio com o valor correspondente a esse rateio. Se o valor do rateio for maior do que os créditos de cada sócio devidamente contabilizados (capital, lucros reinvestidos etc.): há lucro e deste lucro também participa o Governo, através da incidência do Imposto de Renda. 94. "A transferência de capital" se dá: a) no caso de integralização da subscrição, até o limite do valor de mercado do bem a*,-Inado /1-1 13 PROCESSO N° 10835 002404/98-74 ACÓRDÃO N,° C SRF/01-03 730 à pessoa jurídica, a diferença ou supervalia é vantagem distribuída ao sócio subscritor do capital; b) na retirada do sócio, até o limite dos direitos do acionista, regularmente apurados e contabilizados, a diferença em decorrência da subavaliação do bem alienado pela pessoa jurídica ao sócio é vantagem ou lucro disfarçadamente distribuído. As quotas sociais não se transformam em bens e geralmente a eles não se equivalem. Note-se que na declaração de bens do sócio com o recebimento do bem por valor inferior ao de mercado, haverá um acréscimo patrimonial oculto e sem causa, ou seja, no lugar do valor das quotas ou ações subscritas e seus acréscimos por distribuição de lucros, aparecerá um imóvel que só figurativamente tem o mesmo valor, pois ele esconde um lucro disfarçadamente distribuído. ... 101. Finalmente, também não seria o caso de se cogitar da controversa doutrina da elisão fiscal ou economia de imposto, visto que, para que tal ocorresse, necessário seria que o procedimento adotado não afrontasse textualmente dispositivo legal, como ocorre na espécie com a adoção de parâmetro de troca na alienação dos bens por valor notoriamente inferior ao de mercado. 102. Portanto (...) dado terem-se utilizado os seus autores de valor diferente do previsto em lei para as operações com sócios ou seus dependentes, autoriza que se afirme tratar-se de ato simulado, o que obsta qualquer tentativa de subsumi-lo à controvertida figura da elisão fiscal, economia de imposto ou evasão lícita." Antes de concluir, embora despiciendo, gostaria de destacar que se no passado a matéria comportou discussão, no âmbito administrativo, após esse julgado (Ac. 1. 0 CC 101-72.287), ora trazido à colação, hoje encontra-se pacificada, com diversos julgados, quer desta CSRF, quer das diversas Câmaras do Primeiro Conselho de Contribuintes. De fato, a apenas a título ilustrativo, destaco farta jurisprudência deste Tribunal Administrativo, verbis: "DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - A entrega de bens aos acionistas, a título de resgate de capital e de distribuição de lucros existentes na sociedade, configura dação em pagamento e caracteriza a hipótes , i de i l ' it 14,,' PROCESSO N° 10835002404/98-74 ACÓRDÃO N ° C SRF/01 -03 730 distribuição disfarçada de lucros se a alienação for feita por valor notoriamente inferior ao de mercado (Ac . C SRF/01-0 .361/83). IRPJ - DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - ENTREGA DE BENS EM RESGATE DE CAPITAL E LUCROS DOS SÓCIOS - A sociedade registrada conserva sua personalidade jurídica, mesmo depois da dissolução, até o cancelamento do seu registro. A transferência de bens, da sociedade, para os sócios, constitui dação em pagamento e exige comutatividade nos meios de troca, constituindo-se em uma das modalidades de alienação a qualquer título Se essa alienação se der por valor inferior ao previsto em lei (valor de mercado) configurada estará a distribuição disfarçada de lucros, como previsto no art. 72, alínea "a", da Lei n.° 4.506/64 (Ac. 1. 0 CC 101- 73.287/82). ENTREGA DE IMÓVEIS EM RESTITUIÇÃO DE CAPITAL - A transferência de bens imóveis de pessoa jurídica para pessoa ligada por valor notoriamente inferior ao de mercado caracteriza distribuição disfarçada de lucros; todavia, se a entrega dos bens destinar-se à restituição de capital de sócio que se desligou da empresa, o capital inicial do sócio retirante deve ser corrigido segundo a variação das OTNs e até a data da alteração contratual que consumou a sua retirada da empresa (Ac. 1. 0 CC 102-22.643/86). IRPJ - DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS - ENTREGA DE BENS EM RESGATE DE CAPITAL AOS SÓCIOS A entrega de bens aos sócios, a título de resgate de capital, depois da dissolução mas antes da extinção da sociedade, vale dizer, enquanto ela conserva a personalidade jurídica, constitui alienação sob a forma de dação!, em 1/ 15 PROCESSO N° 10835002404/98-74 ACÓRDÃO N° C SRF/O 1-03 730 pagamento. Quando essa alienação for efetuada por valor inferior ao de mercado, configura distribuição disfarçada de lucros (RIR/80, art. 367, I, art. 371 e art. 39, VIII) (Ac. 1. 0 CC 103- 07,858/87). ENTREGA DE BENS EM REEMBOLSO DE AÇÕES — A entrega de bens a acionista, a título de reembolso de ações, configura dação em pagamento e caracteriza distribuição disfarçada de lucros sempre que a alienação for feita por valor notoriamente inferior ao de mercado (Ac. 1. 0 CC 104-5.620/86). A entrega de bens ao sócio, a título de resgate de sua participação no capital da empresa, configura dação em pagamento e caracteriza hipótese de distribuição disfarçada de lucros prevista no art. 368, do RIR/80, se a alienação for feita por valor notoriamente inferior ao de mercado. (Ac. 1. 0 CC 105-5.465/91)." Nessa ordem de juízos, por ser inaplicável à espécie dos autos o artigo 22 da Lei n.° 9.249, de 26/12/95, e por não haver dúvidas de que o imóvel foi alienado aos sócios por valor notariamente inferior ao de mercado, configurando distribuição disfarçada de lucros, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. Brasília/DF, em 18 de fevereiro de 2002. VERINALDQj2 NRIQUE DA SILVA LATOR 16 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1 _0001600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10715.003244/2010-21
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/07/2006 a 29/07/2006
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Recurso Especial Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-003.578
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 29/07/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Recurso Especial Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso especial para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que negavam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 32 44 /2 01 0- 21 Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003244/201021 Acórdão n.º 9303003.578 CSRF‐T3 Fl. 256 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3801004.891, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa em comento. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350, de 2010. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.551, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 10715.004458/201015, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.551): "O recurso é tempestivo e, ao contrário do alegado pelo sujeito passivo em suas contrarrazões, atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isso, ser admitido. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003244/201021 Acórdão n.º 9303003.578 CSRF‐T3 Fl. 257 3 De fato, ao cotejarmos o objeto desta lide com o da discutida no acórdão paradigma, vêse que tratam exatamente da mesma matéria, in casu, a multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 10.833/2003: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . I omissis ..................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) . a) omissis ....................................................................................................... e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e As situações fáticas discutidas em ambos os acórdãos, recorrido e paradigma, como dito anteriormente, são, exatamente, as mesmas, a entrega fora do prazo das informações previstas na alínea transcrita acima, que não faz qualquer distinção se o transporte é marítimo ou aéreo. O dispositivo legal interpretado é, absolutamente, idêntico, mas os resultados dos julgamentos foram distintos. No recorrido, aplicouse a denúncia espontânea, já no acórdão paradigma, não. Acrescentese ainda que a matéria foi prequestionada e o recurso foi apresentado, no tempo regimental, por quem de direito. Importante frisar que recorrido e paradigma, além de tratarem da mesma matéria, foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Lei 12.350, de 20/12/2010), portanto, posteriormente à alteração promovida no art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea nas infrações aduaneiras. Atendido, assim, todos os requisitos de admissibilidade, é de se conhecer do apelo apresentado pela Fazenda Nacional. A matéria devolvida ao Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. O instituto da denúncia espontânea está para o Direito Tributário assim como o arrependimento eficaz e a desistência voluntária estão para o Direito Penal. Esses institutos são como uma ponte de ouro, como diriam os penalistas, para aqueles que se encontram à margem da lei, a esses é oferecida uma oportunidade de regressar ao caminho da lei, uma ponte de ouro para a legalidade. Por essa ponte só podem passar aqueles que, voluntariamente, desistem de consumar o ato ilícito, ou, se já o praticaram, evitamlhe o resultado. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003244/201021 Acórdão n.º 9303003.578 CSRF‐T3 Fl. 258 4 Nos delitos unissubsistentes1 não se admite desistência voluntária, uma vez que, praticado o primeiro ato, já se encerra a execução, tornando impossível a sua cisão. Já os crimes de mera conduta2 e os formais3 "não comportam arrependimento eficaz, uma vez que, encerrada a execução, o crime já está consumado, não havendo resultado naturalístico a ser evitado". No direito tributário, a ponte de ouro é a denúncia espontânea que nada mais é do que o reconhecimento voluntário do ilícito, e a reparação do dano ao bem jurídico violado, o que não veio a ocorrer no caso em exame. Todavia, assim como no Direito Penal, no Tributário algumas infrações não são suscetíveis de denúncia espontânea. São aquelas em que a mera conduta, por si só, já configura o ilícito, o qual, uma vez ocorrido, não há possibilidade jurídica, ou até mesmo física, de se evitar o resultado. O exemplo mais característico desse tipo de infração, é, justamente, a referente ao atraso no cumprimento de obrigação acessória, pois, no exato momento em que se exauriu o prazo legal sem que a obrigação tenha sido adimplida, a infração está configurada e o atraso não poderá ser reparado. Em outras palavras, atendose às normas do Direito Tributário, o dano relativo ao descumprimento de obrigação principal pode ser reparado, pagandose o tributo e os consectários legais. Todavia, se se tratar de infrações referentes a obrigações acessórias autônomas, a ser prestada em determinado prazo, o dano não pode ser sanado, posto que o núcleo do bem jurídico protegido, uma vez violado, não tem como ser restabelecido. Assim, por exemplo, se a obrigação era apresentar declaração até determinada data, e se esta não foi apresentada no prazo determinado, não há como cumprir a obrigação acessória tempestivamente, salvo se se voltar no tempo, ainda não possível com a tecnologia disponível hoje. No caso dos autos, a obrigação acessória autônoma, descumprida pelo transportador ou seus representantes, consistia no dever de o sujeito passivo informar os dados de embarque de mercadorias no prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Notese que, uma vez exaurido o prazo para se prestar as informações sem que elas tenham sido prestadas ao órgão competente, a infração restou configurada, não havendo mais possibilidade de se evitar o resultado. Notese que, se a sanção fosse destinada, apenas e tãosomente, a punir o não cumprimento da obrigação acessória, poderseia admitir que, o adimplemento a destempo, desde que espontâneo, poderia ser beneficiado com a norma excludente da penalidade. Entretanto, se a sanção é destinada a coibir o atraso no cumprimento da obrigação, uma vez ocorrida a mora, não há que se falar em denúncia espontânea. 1 Crime unissubsistente é aquele que é realizado por ato único, não sendo admitido o fracionamento da conduta. 2 Crime de mera conduta. Assim como nos crimes formais, no crime de mera conduta o criminoso não precisa produzir um resultado. Mas, diferente do crime formal, a lei sequer olha qual era a intenção do criminoso ou se ele poderia produzir determinado resultado: basta que o criminoso aja de uma forma que a lei considera não desejada. 3 O crime formal não exige a produção do resultado para sua consumação, ainda que possível que ele ocorra. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003244/201021 Acórdão n.º 9303003.578 CSRF‐T3 Fl. 259 5 Essa questão da denúncia espontânea envolvendo descumprimento de obrigação acessória encontravase apascentada, tanto no Judiciário4 quanto no âmbito administrativo, tendo sido, inclusive, objeto de Súmula no CARF, mais precisamente, a de nº 49, cujo enunciado transcrevese a seguir: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, com a edição da Lei nº 12.350/2010, cujo art. 405 deu nova redação ao art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, a questão foi reaberta e gerou celeuma na jurisprudência e na doutrina, mas, a meu sentir, não há razão alguma para se modificar o entendimento anteriormente firmado, pois, pela razões expostas linhas acima, a novel legislação não alcança a infração objeto destes autos. Neste sentido, impecável a decisão da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção, Acórdão 310200.988, cujo voto condutor foi da lavra do insigne Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que, com as merecidas loas, peço licença para aqui transcrever o entendimento lá adotado, como arrimo deste voto. "O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de 4 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' 5 Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) Fl. 259DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003244/201021 Acórdão n.º 9303003.578 CSRF‐T3 Fl. 260 6 natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003244/201021 Acórdão n.º 9303003.578 CSRF‐T3 Fl. 261 7 De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez." No mesmo sentido, posicionouse o Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 6. 6 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003244/201021 Acórdão n.º 9303003.578 CSRF‐T3 Fl. 262 8 Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" Não destoando desse entendimento, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Importante ressaltar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, atracação de embarcação, vinculação de manifesto de carga, etc. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10715.003244/201021 Acórdão n.º 9303003.578 CSRF‐T3 Fl. 263 9 Afastada a aplicação da denúncia espontânea, necessário verificar o efeito desse entendimento sobre o resultado do julgamento, tendo em vista que a decisão neste processo será aplicada a diversos outros, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). Como a denúncia espontânea é questão prejudicial de mérito, impede o julgamento das demais questões afetas à exigência da penalidade em foco. Portanto, ainda que o voto condutor do recorrido tenha se pronunciado sobre outras questões de mérito, tal pronunciamento não representa julgamento pelo colegiado a quo, constituindo, apenas, manifestação pessoal do relator. Por isso, afastada a denúncia espontânea, deve o processo retornar à instância a quo para que sejam enfrentadas as questões de mérito trazidas pelo Sujeito Passivo no recurso voluntário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, dáse provimento parcial ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, para considerar inaplicável ao caso a denúncia espontânea, devendo o processo retornar à instância a quo para apreciação das demais questões trazidas no recurso voluntário e que não foram objeto de deliberação por aquele Colegiado. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 263DF CARF MF Impresso em 13/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/05/2016 por MONICA MONTEIRO GARCIA DE LOS RIOS, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13896.000244/2011-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 19/11/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO.
OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA
Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados
Numero da decisão: 3201-002.240
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. Declarou-se impedido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
(assinado digitalmente)
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Declarou-se impedido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 19/11/2010 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. PRESSUPOSTO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados
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PRESSUPOSTO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. INEXISTÊNCIA Nos termos do artigo 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, os Embargos de Declaração somente são oponíveis quando o acórdão contiver omissão, contradição ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma. Não identificado tal pressuposto, incabíveis os embargos, especialmente quando pretende dar aos embargos efeitos infringentes. Embargos Rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos. Declarouse impedido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. (assinado digitalmente) CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 02 44 /2 01 1- 68 Fl. 250DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Mércia Helena Trajano Damorim, Winderley Morais Pereira, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Tatiana Josefovicz Belisário e Cássio Schappo. Declarouse impedido o Conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Ausência justificada de Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório A Fazenda Nacional opõe Embargos de Declaração, com fulcro nos artigos 64 e 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, em face de suposta omissão constante do Acórdão nº 3201001.872, de 24/02/2015, que foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/11/2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE ARQUIVO MAGNÉTICO. PROCEDIMENTO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE. A obrigação de manter arquivos magnéticos pelo prazo decadencial indica o tipo de fiscalização em que é aplicável a multa pelo seu descumprimento. Nas fiscalizações que têm por objetivo aferir a legitimidade de um crédito alegado, a apresentação de arquivos magnéticos configura dever instrumental, e não obrigação acessória. Inteligência do Parecer Normativo RFB n° 3/2013. Inaplicável, portanto, a multa do art. 12, inc. III, da Lei n° 8.218/1991 quando do atraso na entrega de arquivo magnético requerido em procedimento de restituição, ressarcimento e compensação. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros WINDERLEY MORAIS PEREIRA e JOEL MIYAZAKI que davam parcial provimento. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Redator designado para formalizar o acórdão (Despacho de designação emitido pelo Presidente da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF). Cientificada da referida decisão, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, tempestivamente, interpôs embargos de declaração, onde alega omissão, a ser sanada, nestes termos: A e. 1a Turma Ordinária, utilizando uma interpretação extensiva do Parecer Normativo RFB n° 3/2013, elaborado para tratar da penalidade do art. 57 da MP n° 2.15835/2001, excluiu a multa aplicada prevista no art. 12, III da Lei n° 8.218/91. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.000244/201168 Acórdão n.º 3201002.240 S3C2T1 Fl. 250 3 Contudo, e. Turma não justificou o afastamento do art. 97, VI do CTN. Eis a redação desse dispositivo: "Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades". (Grifos nossos) Ao afastar imotivadamente o referido comando, a e. Câmara terminou por criar hipótese de exclusão de penalidade não prevista em lei, violando, por consequência, o Princípio da Legalidade. [...] Em face do exposto, requer a União (Fazenda Nacional) o conhecimento e o provimento do presente recurso, para que esta e. Câmara, sando a omissão, justifique o afastamento do art. 97, VI do CTN, fato que correspondeu à verdadeira declaração de inconstitucionalidade por meio indireto. Diante do exposto, requer seja dado provimento aos embargos de declaração, posto que o enfrentamento da matéria não abarcou a aplicação do disposto no art. 97, VI do CTN. Os embargos declaratórios foram conhecidos por decisão do Presidente da Turma, na forma do art. 65, caput, Anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015. Foi determinada, assim, a inclusão do processo em pauta para julgamento do Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM A Fazenda Nacional, como relatado, inconformada com a decisão no julgamento em apreço, argumenta omissão no acórdão, tendo em vista que o enfrentamento da matéria não abarcou a aplicação do disposto no art. 97, VI do CTN. Cumpre relembrar que versa o processo de Auto de Infração para a exigência de Multa Regulamentar pelo descumprimento do prazo estabelecido para a apresentação de arquivos magnéticos e sistemas de contabilidade. E que a 1a Turma Ordinária da 2a Câmara da 3a Seção decidiu, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. A embargante afirma que o acórdão incorre em omissão, pois não resta claro o suficiente o não enfrentamento do art. 97, inc. VI nos fundamentos do voto, ou seja, o recurso deveria ser desprovido e não provido, tendo em vista declaração de inconstitucionalidade por meio indireto. Transcrevese trechos do voto, nessa parte, para deixar bem evidente, que a matéria foi devidamente abordada: Por outro lado, a fiscalização e o colegiado a quo passaram ao largo de uma análise que é fundamental para a aplicação Fl. 252DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA 4 correta da legislação tributária, qual seja a aplicabilidade da multa em tela nos casos de restituição, ressarcimento e compensação. Pois bem, compulsando os autos, verificase que a exigência dos arquivos magnéticos da Recorrente teve origem na análise de pedidos de ressarcimento de créditos de IPI e declarações de compensação relativos aos 2º e 3º Trimestres de 2008 (efl.4). A partir da leitura atenta da base legal relativa à penalidade ora discutida,percebese que a mesma decorre da obrigação de manter arquivos digitais e sistemas pelo prazo decadencial. O seu objetivo é inibir que os sujeitos passivos obrigados a utilizar arquivos digitais e sistemas obstruam a atividade precípua da Administração Tributária, que é fiscalizar o cumprimento das obrigações principais e efetuar o lançamento de ofício quando tais obrigações não forem cumpridas ou o forem incorretamente. Em outras palavras, a razão da existência da multa em tela é garantir que a autoridade fiscal competente possa constituir o crédito tributário quando identificar o descumprimento, total ou parcial, da obrigação tributária principal. Por isso, a norma menciona expressamente o prazo decadencial. O prazo decadencial referese inegavelmente à constituição do crédito tributário. Ora, nos casos de compensação, o débito declarado não deve ser objeto de lançamento, pois o sujeito passivo já o confessou. Caso o crédito declarado não seja legítimo, tal débito será cobrado com multa de mora, antes de ser inscrito em dívida ativa. O prazo para que esse débito seja liquidado é prescricional, e não decadencial. Portanto, como a Recorrente atrasou a entrega dos arquivos magnéticos no contexto de uma fiscalização que visava aferir a legitimidade do crédito alegado para fins de ressarcimento e compensação, a multa exigida por meio do lançamento ora contestado não é aplicável. A propósito da interpretação ora adotada, trazse à baila trechos do Parecer Normativo da Receita Federal do Brasil nº 3, de 2013, in verbis: ....... Embora a multa em debate não esteja tipificada no art. 57 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, o raciocínio externado pela Receita Federal do Brasil é totalmente aplicável ao caso concreto, eis que o mote do presente lançamento foi o atraso no cumprimento de deveres instrumentais em procedimentos de ressarcimento e compensação. A PGFN, nada obstante o enfrentamento do art. 97, inc. VI do CTN, que somente em lei estabelece as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades, mas pelo exposto acima, a turma entendeu daquela forma, para excluir a penalidade com base, inclusive nas razões do Parecer Fl. 253DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA Processo nº 13896.000244/201168 Acórdão n.º 3201002.240 S3C2T1 Fl. 251 5 Normativo RFB n° 3/2013, então, referido acórdão foi fundado em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide Com a devida vênia, não há que se falar em omissão, contradição e obscuridade no referido acórdão, fundado que está em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide. Se a Fazenda Pública não se conforma com aludido entendimento, tem a seu dispor a possibilidade de interpor recurso especial, como faculta o artigo 67 do anexo II do Regimento do CARF. Da conclusão Diante do exposto, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela Fazenda Pública. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Relator Fl. 254DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 1 6/07/2016 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 03/08/2016 por CHARLES MAYER D E CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720028/2007-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 03/10/2006
IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. FRAUDE. MULTA. ÔNUS DA PROVA.
A acusação de fraude documental e subfaturamento na importação não pode ser presumida, mas ao revés, deve ser cabalmente comprovada, não bastando a indicação de meros indícios para descaracterizar o valor aduaneiro declarado pelo importador.
Numero da decisão: 3201-002.201
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira.
Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1912; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 177 1 176 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.720028/200735 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3201002.201 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de maio de 2016 Matéria INFRAÇÃO ADUANEIRA Recorrente TEC IMPORTS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 03/10/2006 IMPORTAÇÃO. SUBFATURAMENTO. FRAUDE. MULTA. ÔNUS DA PROVA. A acusação de fraude documental e subfaturamento na importação não pode ser presumida, mas ao revés, deve ser cabalmente comprovada, não bastando a indicação de meros indícios para descaracterizar o valor aduaneiro declarado pelo importador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Cássio Schappo, Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), José Luiz Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Winderley Morais Pereira. Ausentes, justificadamente, as conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 00 28 /2 00 7- 35 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10783.720028/200735 Acórdão n.º 3201002.201 S3C2T1 Fl. 178 2 Por bem descrever a matéria de que trata este processo, adoto e transcrevo abaixo o relatório que compõe a Decisão Recorrida. A empresa acima qualificada foi autuada com a multa prevista no artigo 633, I, do decreto 4.543/2002, em razão da diferença apurada entre o preço declarado e o preço arbitrado pela fiscalização. O Termo de Verificação Fiscal (folhas 04 a 19), conclui pela inveracidade do valor declarado, pautando sua conclusão nas seguintes razões: 1 — o valor unitário dos secadores de cabelo importados (US$ 4,20) é notadamente inferior ao praticado em transações comerciais normais, conforme comparação com preços no mercado interno e transações de importação no sistema DW; 2 — ao ser intimada a prestar explicações acerca dos valores declarados, a interessada limitouse a solicitar a prorrogação do prazo para atendimento e não apresentou nenhum documento ou explicação solicitados; 3 — foi constatada a ocultação do real adquirente das mercadorias em questão, uma vez que as embalagens dos produtos importados faziam referência ao distribuidor "Global Beauty Comercial Ltda."; 4 — esta não é a primeira vez que a importadora realiza importação com a ocultação do sujeito passivo. Tal irregularidade foi também constatada no registro da DI 06/14172270 que resultou no auto de infração 19482.000031/200706; 5 nos termos do artigo 84, I, do decreto 4.543/2002, no caso de fraude, o preço das mercadorias deve ser arbitrado mediante o preço de exportação para o Pais, de mercadoria idêntica ou similar. Com base nestas razões, a fiscalização entendeu ter ocorrido fraude na importação, arbitrou o preço das mercadorias com base no artigo 84, I, do decreto 4.543/2002 e lançou a multa de 100% sobre a diferença entre o valor declarado e o preço arbitrado. As folhas 73 a 77, a interessada apresenta suas razões de defesa alegando, 'em suma, que: 1 — a fiscalização somente pode inviabilizar o primeiro método de valoração, se comprovar inequivocamente que o valor de transação declarado não representa a realidade; 2 — o conjunto probatório que embasa a autuação não é eficaz para descaracterizar o valor efetivamente pago ou a pagar pelas mercadorias importadas pela autuada; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10783.720028/200735 Acórdão n.º 3201002.201 S3C2T1 Fl. 179 3 3 — a fiscalização não adotou os exatos contornos da metodologia de valoração determinados no Acordo de Valoração Aduaneira; 4 — a impugnante importou os produtos em questão declarando o correto valor aduaneiro; 5 — requer a aplicação da pena de perdimento e que seja afasta multa administrativa ora lançada. Sobreveio decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP, que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido encontramse consubstanciados na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 03/10/2006 Ementa: MULTA ADMINISTRATIVA. Apurada a fraude no valor de transação declarado por meio de prova indiciária, é correta a aplicação da multa prevista no artigo 633, I, do decreto 4.543/2002. Inconformada com a decisão, apresentou a recorrente, tempestivamente, o presente recurso voluntário. Na oportunidade, reiterou os argumentos colacionados em sua defesa inaugural. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a empresa em epígrafe que formaliza a exigência referente à multa prevista no artigo 633, I, do Decreto 4.543/2002, em razão da diferença apurada entre o preço declarado pelo importador em DI e o preço arbitrado pela fiscalização. A autoridade fiscal determinou o arbitramento do preço das mercadorias importadas por ter verificado a ocorrência de fraude, e desta forma aplicou a norma prevista no artigo 84 do Decreto 4.543/2002. A fraude foi caracterizada pela ocultação do real importador e pela verificação que os produtos eram importados com valor notadamente inferior ao praticado em transações comerciais normais, como demonstram as cotações no mercado interno (fls. 43 a 49), e o histórico de transações de importação em pesquisa DW – data warehouse – banco de dados sobre importações da RFB. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10783.720028/200735 Acórdão n.º 3201002.201 S3C2T1 Fl. 180 4 Para comprovar a ocultação do real importador, a autoridade fiscal anexa aos autos fotos das etiquetas e das caixas – embalagens de papelão – que acompanhavam os produtos importados. Nestes documentos, consta a indicação “Global Beauty Comercial LTDA” nas etiquetas e o nome “Global” nas caixas. Nos sistemas da RFB, contudo, não há qualquer menção da Global Beauty Comercial LTDA como adquirente da mercadoria acobertada na DI em tela; o importador não registrou no campo apropriado a condição de adquirente da Global Beauty Comercial LTDA. A recorrente, em seu recurso voluntário, concentra sua irresignação na ausência de provas de que a mesma tenha praticado fraude, bem como na afirmação de que o ônus da prova seria do Fisco. Exposta a lide, entendo que o presente processo, de fato, carece de provas em relação à infração ora imputada, qual seja a de que houve subfaturamento – que os produtos foram adquiridos por um preço superior ao declarado na DI. A Autoridade Fiscal anexa indícios de que houve subfaturamento, notadamente o histórico de transações de importação em pesquisa DW – data warehouse – banco de dados sobre importações da RFB e demonstrativo de cotações no mercado interno (fls. 43 a 49). Tais dados, em que pese representarem indícios de que, efetivamente, tenha ocorrido o alegado subfaturamento, não são suficientes para comprovar cabalmente a ocorrência da infração. Deveria a fiscalização diligenciar junto ao exportador, ou buscar outros elementos capazes de comprovar que as mercadorias foram adquiridas por um preço superior ao declarado em DI. Desta forma, tendo em vista a ausência de elementos probatórios capazes de demonstrar a ocorrência de subfaturamento, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Relator Fl. 180DF CARF MF Impresso em 13/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 09/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 13/06/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 15868.720206/2012-79
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA
Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN.
A multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 restringe-se aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 9202-004.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar-lhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
PATRÍCIA DA SILVA - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI E GERSON MACEDO GUERRA.
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/09/2007 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO - MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA - APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL - RETROATIVIDADE BENIGNA Para verificação da multa mais benéfica ao contribuinte deve-se comparar o somatório das multas previstas na legislação vigente à época da lavratura do AI (art. 35 e 32 da Lei nº 8.212/91) e a multa do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzida pela Lei nº 11.941/2009. Como resultado, aplica-se para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. A multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei 8.212/91 restringe-se aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária.
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Como resultado, aplicase para cada competência a multa mais benéfica (sistemática anterior ou atual), em face do que dispõe o art. 106 do CTN. A multa isolada prevista no artigo 32A da Lei 8.212/91 restringese aos casos em que não há a ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por unanimidade de votos, em darlhe provimento. Votaram pelas conclusões as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Teresa Martínez López. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. PATRÍCIA DA SILVA Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 02 06 /2 01 2- 79 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI E GERSON MACEDO GUERRA. Relatório Cuidase de Recurso Especial do Procurador interposto contra o Acórdão nº 2803003.297, que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2007, 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES. PRECLUSÃO ADMINISTRATIVA. INCOMPETÊNCIA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Créditos tributários (contribuições previdenciárias) constituídos por ofício em razão de exclusão do SIMPLES, por Ato Declaratório precluso, objetos de recurso apenas questionando tal fato não podem ser apreciados pela 3a Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento do CARF/MF, em razão de incompetência. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Cumpridos os artigos 33 e 37, da Lei n. 8.212/1991, e 142 do CTN, em que o lançamento de crédito tributário contém todos os motivos fáticos e legais, descrição e cálculo do crédito, bem como descrição precisa dos fatos ocorridos e suas fontes para sua apuração, não há vícios no mesmo. Inclusive foi oportunizada a produção de defesa e provas a respeito, que não foi devidamente aproveitada pela parte. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO RETROATIVA. Apenas cabe aplicação retroativa de multa ou penalidade quando a mesma for realmente mais benéfica. Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na origem, tratase de impugnação contra os Autos de Infração nº 37.382.7962, nº 37.382.7970, nº 37.382.7962 e nº 37.382.7970, lavrados em 17/09/2012 que têm por objeto contribuições previdenciárias, parte patronal, destinadas ao SAT/RAT, e terceiras entidades e destinada ao financiamento de benefícios concedidos em razão do grau de incidência de para o período de 09/2007 a 12/2008, incluindo o 13º salário (competência 13), não recolhidas e não declaradas em Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações à Previdência Social – GFIP e tendo como fatos geradores as remunerações pagas Fl. 357DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15868.720206/201279 Acórdão n.º 9202004.267 CSRFT2 Fl. 357 3 a segurados empregados e contribuintes individuais (retiradas de prolabore e pagamentos a autônomos) a qual foi julgada improcedente pela Delegacia Regional de Julgamento. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário arguindo: que estava sujeito ao Regime do Simples Federal; que os juros e multas aplicadas não devem ser cobrados em razão do “acessório seguir o principal”; que os recolhimentos pagos a título do Simples Federal devem ser compensados; que houve equivocada capitulação legal das multas aplicadas às peticionárias e; a inconstitucionalidade das multas aplicadas. O recurso foi parcialmente provido, por maioria de votos, para “determinar que, para os créditos constituídos com base nos fatos geradores até 04.12.2008, a multa a ser aplicada aos créditos tributários constituídos seja a estabelecida no art. 35, da Lei n. 8.2121991, com redação anterior à MP n 449, de 04.12.2008, conforme a fase processual, até o limite de 75% que está estabelecido art. 35ª da Lei n. 8.2121991 (atual redação) combinado com o art. 44, II, da Lei n. 9.4301996, vedandose qualquer comparação conjunta com o art. 32ª Lei n. 8.2121991 (atual redação)”. Contra a referida decisão, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial alegando que o acórdão contrariou precedentes deste Conselho, apontando como paradigma os Acórdãos nº 2401002.453 e nº 920.202.086. Ao final, requer a reforma do julgado no ponto concernente à multa aplicada, para que seja mantida a forma de cálculo realizada pela autoridade fiscal, qual seja: comparação entre a soma das duas multas anteriores (art. 35, II e 32, IV, da norma revogada) e a multa do art. 35A, da MP 449/2008, aplicandose a multa mais benéfica ao contribuinte. Nas contrarrazões, o contribuinte requer a manutenção do acórdão recorrido por entender que o recurso especial da Fazenda Nacional não reúne condições de admissibilidade. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Na interposição do presente recurso, foram observados os pressupostos gerais de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A lide tem como objeto a multa a ser aplicada no descumprimento de obrigações principais e obrigações acessórias previdenciárias, cujos fatos geradores ocorreram antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008. Antes de analisar o debate em questão, importante tecer algumas considerações sobre a sistemática da Lei nº 8.212/91 no tocante à penalidade pelo descumprimento das obrigações (principais e acessórias) sob a ótica do princípio da retroatividade benigna. Como se sabe, a MP nº 449/2008 trouxe relevantes alterações na sistemática das multas aplicáveis. Antes de sua entrada em vigor, o descumprimento das obrigações Fl. 358DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 principais era penalizado da seguinte forma: As obrigações declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, eram sancionadas com multa variável entre 8% a 20%, de acordo com o art. 35, I, da Lei nº 8.212/91 (redação anterior à MP nº 449/2008); As obrigações que não tinham sequer sido lançadas em GFIP, cujos lançamentos se deram de ofício pela autoridade fiscal, eram punidas com a multa variável entre 24% a 50%, nos termos do art. 35, II, da mesma Lei. Caso os créditos fossem incluídos em dívida ativa, a multa aplicável era de 60% a 100%, conforme o inciso III. Em que pese ambas as multas serem denominadas de “multa de mora”, os percentuais diferenciavamse pela existência de uma prévia declaração do tributo ou pelo lançamento de ofício. A nova sistemática trazida pela MP nº 449/2008 estabeleceu uma distinção mais visível entre as multas, denominando de multa de mora a multa incidente sobre as obrigações já declaradas em GFIP, mas pagas em atraso, e de multa de ofício as obrigações lançadas de ofício pela autoridade fiscal, objetivando abrandar a multa de mora e aplicar uma penalidade mais severa às obrigações lançadas de ofício. Desta forma, a multa pelo pagamento em atraso das obrigações já declaradas (anteriormente prevista no art. 35, I) passou a ser de 0,33% ao dia, limitada a 20%, nos termos do atual art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, que faz remissão ao art. 61, da Lei nº 9.430/96. Já para as obrigações lançadas de ofício, a multa (antes prevista no art. 35, II) passou a ser fixa, de 75%, nos termos do art. 35A, da mesma Lei, que faz remissão ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96. Quanto às obrigações acessórias, o descumprimento das obrigações era penalizado com as multas previstas no art. 32, §§ 4º, 5º e 6º, da Lei nº 8.212/91. A MP nº 449/2009 revogou os referidos dispositivos, instituindo a multa do art. 32A, da mesma Lei, que é de “R$ 20,00 (vinte reais) para o grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas” e “de 2% ao mês calendário ou fração incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento)”. Como se observa, em determinados pontos a nova sistemática foi mais benéfica ao contribuinte, mas em outros estabeleceu multa mais severa. Assim, para o cálculo das multas incidentes sobre fatos geradores ocorridos antes da entrada em vigor da MP nº 449/2008, mas realizado após 12/2008, devese levar em conta o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, do CTN. Assim, sob a ótica do referido princípio, as multas de fatos geradores ocorridos antes de 03/12/2008, mas aplicadas posteriormente a essa data, devem ser calculadas comparando a legislação anterior com a atual, isto porque a Lei nº 8.212/91 é clara ao estabelecer penalidades distintas para o descumprimento das obrigações principais declaradas e pagas em atraso (multa de mora do art. 35, caput), para as obrigações principais lançadas de ofício (multa de ofício do art. 35A) e para o descumprimento de obrigações acessórias ( multa do art. 32A). Todavia, a Receita Federal vem adotando posicionamento no sentido da aplicação de uma multa única quando houver descumprimento de obrigações principais e acessórias, por entender que a ser a sistemática mais favorável ao contribuinte, em virtude da proibição do bis in idem. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 15868.720206/201279 Acórdão n.º 9202004.267 CSRFT2 Fl. 358 5 Desta forma, para o cálculo das multas por descumprimento das obrigações previdenciárias, o Fisco vem adotando a seguinte sistemática, de acordo com o art. 476A, da Instrução Normativa RFB 971/2009, vejamos: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores:(Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1027, de 22 de abril de 2010) Observase, portanto, que ao instituir uma multa única, deixase de estipular qualquer comparação entre os dispositivos anteriores e atuais da Lei nº 8.212/91, considerando se viável a aplicação da multa de ofício de forma generalizada. Em julgados anteriores, vinha adotando o posicionamento de que, em respeito ao art. 106, do CTN, na execução do julgado a autoridade fiscal deverá verificar a situação mais benéfica ao contribuinte a partir da comparação entre as multas anteriormente previstas nos arts. 35, I e II, e 32, com as multas atuais dos arts. 35, caput, 35A e 32A, de acordo com a natureza da infração cometida. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Isto porque, entendo que não é possível admitir que a penalidade por descumprimento de obrigação acessória seja estabelecida de uma forma quando aplicada de forma isolada e de forma distinta quando cumulada com multa referente à obrigação principal, pois não há previsão legal nesse sentido. À Receita Federal cabe implementar meios para recalcular os débitos de forma a aplicar a penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparando os dispositivos da lei anterior ao atual, e não criar condições prejudiciais aos contribuintes. Ressalvada minha tese sobre a questão, constatase que o meu posicionamento diverge da posição deste colegiado, que em outros julgados tem se manifestado quase à unanimidade, não fosse o voto divergente da ora relatora, no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda, razão pela qual modifico o meu posicionamento para me adequar à jurisprudência deste Conselho. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja restabelecida a forma de cálculo utilizada no lançamento, que já promoveu a aferição acerca da opção mais benéfica, nos moldes requeridos pela Recorrente, a saber: a soma das duas multas, aplicadas nos Autos de Infração de descumprimento de obrigações principais e acessórias; ou a multa de 75% sobre a totalidade ou diferença de contribuição, prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996. Patrícia da Silva Relatora Fl. 361DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2016 por PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2016 po r PATRICIA DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10880.723059/2013-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3402-000.784
Decisão: Por unanimidade de votos, converteu-se o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Esteve presente ao julgamento o Dr. Rodrigo Dalla Pria, OAB/SP n. 158.735.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
DIEGO DINIZ RIBEIRO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Esteve presente ao julgamento o Dr. Rodrigo Dalla Pria, OAB/SP n. 158.735. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. DIEGO DINIZ RIBEIRO Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Carlos Augusto Daniel Neto e Diego Diniz Ribeiro. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração com exigência de valores referentes à Contribuição para o PIS/Pasep, no total de R$ 14.939.235,91, e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no total de R$ 68.752.430,13, incluídos, em ambos os valores, principal, multa de ofício e juros de mora, relativos ao período de apuração de 01/01/2009 a 31/12/2009. 2. Em suma, estamos diante da conhecida discussão, neste Tribunal, a respeito do conceito de insumo para fins de incidência de PIS e COFINS, a qual gravita em torno de uma postura mais restritiva por parte da Receita Federal do Brasil, o que se dá com fundamento nas INs n.s 247/02 e 404/04, bem como de uma visão mais ampla por parte dos contribuintes, que atrelam o conceito de insumo a ideia de despesa dedutível, nos termos da legislação do Imposto sobre a Renda. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .7 23 05 9/ 20 13 -9 8 Fl. 17771DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.772 2 3. Partindo do sobredito pressuposto, ou seja, de que insumo para fins de crédito de PIS e COFINS é aquele conceito estrito e aproximado da legislação do IPI (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) diretamente empregados na fase de industrialização, a fiscalização glosou todos aqueles créditos tomados pela Recorrente na fase de produção agrícola da cana de açúcar que, por sua vez, é ulteriormente empregada na fase industrial de produção de açúcar e álcool. É o que se depreende, v.g., do seguinte trecho do Termo de Verificação Fiscal: (...). Dessa maneira, vêse que o termo insumo é gênero que abarca componentes aplicados direta e indiretamente na produção e, por isso, tem sido dividido em dois distintos subgêneros, quais sejam, os “insumos diretos” e “insumos indiretos”. Em conseqüência, por exemplo, são: 1) Insumos diretos de produção: matériasprimas, produtos intermediários, material de embalagem, etc.; e 2) Insumos indiretos de produção: energia elétrica, combustíveis, lubrificantes, manutenção de máquinas, aluguéis, etc. Essa maneira de entender o termo insumo se apresenta, de forma tácita, tanto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, na sua versão atual, quanto no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2002, ambas com a redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, bem como nas IN SRF nº 247, de 2002, na versão dada pela IN SRF nº 358, de 2003, e nº 404, de 2004 (negritei). Vista dessa maneira fica claro que, em regra, somente os insumos diretos de produção podem permitir o desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Tal regra só é rompida por determinação legal, como ocorre com os combustíveis, os lubrificantes e a energia elétrica, dentre outros insumos indiretos de produção que a despeito disto desoneram o créditos em tela (negritei). Da análise do exposto acima, concluise que, além dos lubrificantes expressamente referidos no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, consideramse “insumos”, para fins de desconto de créditos na apuração da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nãocumulativos, os bens e serviços adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País, aplicados ou consumidos na fabricação do açúcar e do álcool. Ou seja, o termo “insumo” não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que gera despesa necessária para a atividade da empresa, mas, sim, tãosomente, como aqueles bens e serviços que, adquiridos de pessoa jurídica, efetivamente sejam aplicados ou consumidos na produção do açúcar e do álcool. E, ainda, em se tratando de aquisição de bens, estes não poderão estar incluídos no ativo imobilizado da empresa. (...). (fls. 60/61 grifos constantes no original). Fl. 17772DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.773 3 4. Assim, partindo desta premissa e analisando documentos fiscais eletrônicos, planilhas e notas fiscais entregues pela Recorrente ao longo do procedimento fiscalizatório, a fiscalização glosou os seguintes itens que haviam sido tratados como crédito pela Recorrente: (i) em relação aos insumos atrelados à fase agrícola assim identificados: (a) Administração, Águas Residuais, Alojamento Agrícola, Borracharia, Cana de Açúcar Produção, Colhedeira de Cana Picada, Colheita de Cana, Carregamento/Reboque, Corte Mecanizado, Estação Experimental, Estradas/Cercas/Pontes, Mecanização Agrícola, Oficina Mecânica, Oficina de Implementos, Plantio, Preparo do Solo, Reboque de Cana, Reflorestamento/Meio Ambiente, Segurança do Trabalho, Serviços Auxiliares, Serviços de Fornecedores de Cana, Supervisão Manutenção Agrícola, Transporte Cana, Trato da Cana, Trato da Planta, Trato da Soca e Vinhaça; (b) despesas vinculadas aos centros de custos da área agrícola, relacionadas à abertura de eito, administração/controle agrícola, alojamento agrícola, cana de açúcar produção própria, carregamento/reboque de cana,colhedeira de cana picada, colheita de cana, comboio de abastecimento, corte mecanizado de cana, departamento de fornecedores de cana, desenvolvimento agronômico, estradas/cercas/pontes, implementos agrícolas, manutenção de campo, mão de obra agrícola, mecanização agrícola, mecanização agrícola colheita, mecanização máquinas leves, mecanização máquinas médias, mecanização máquinas pesadas, mecanização plantio mecanizado, oficina manutenção colhedora, oficina mecânica tratores, oficina mecânica veículos, oficinas de implementos, outras culturas agrícolas, plantio, plantio contratos, plantio mecanizado, preparo do solo, preparo e plantio terceirizado, programa de formação profissional agrícola, reboque, reboque de cana picada, reboque fornecedor de cana picada, reboque Julieta próprio, reboque terceirizado de cana picada, refeitório alojamento agrícola, reflorestamento/meio ambiente, serviços de tratos culturais, serviços de fornecedores de cana, supervisão manutenção agrícola, supervisão serviços agrícola, topografia, transporte colheita, transporte agrícola, transporte agrícola colheita, transporte de cana adm manual, transporte de cana adm mecanizada, transporte colheita, transporte fornecedor de cana picada, transporte fornecedor de cana inteira, transporte mec cana administrada, transporte terceirizado de cana picada, trato da planta, trato da soca e vinhaça; (c) diferentes tipos de máquinas e equipamentos existentes tanto na área agrícola como no parque industrial, como pinos, ferramentas, arruelas, acoplamentos, anéis, buchas, correias, correntes, cordas, cotovelos, discos, escovas, fitas isolantes, gaxetas, lixas, mancais, mangueiras, manômetros, niples, porcas, parafusos, retentores, rolamentos, válvulas, filtros, terminais, barras de aço, vigas de aço, adesivos, grampos, borrachas, conexões, tubos, flanges, dentre outros; (d) arrendamento agrícola decorrente de contratos de parceria com proprietários de terras em que produzida a cana de açúcar; (e) aquisição de cana de pessoas jurídicas configuradas como holding ou que não apresentavam apenas objeto social relacionado à atividade agrícola; (f) depreciação de ativos mobilizados relacionados à fase agrícola, os quais foram assim especificados: colhedeiras, transbordos, pulverizadores, roçadeiras, carretas, trituradores, arados, tratores, eleiradores, plantadeiras, cultivadores, semi reboques, aspersores, dollys, tanques, implementos, caminhões, sulcadores, bombas, grade, motoniveladoras, motores, pá carregadeiras, tranceptores, etc, todos vinculados aos seguntes centros de custos: Fl. 17773DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.774 4 administração e controle agrícola, alojamento agrícola, brigada de combate a incêndio, borracharia, captação de água, colhedeira de cana picada, comboio de abastecimento, desenvolvimento agronômico, implementos agrícolas, laboratório de cotesia, laboratório de lubricação e comboio, laboratório metharizium, lavador de veículos e borracharia, manutenção de campo, manutenção mecânica, mão de obra agrícola, mecanização agrícola colheita, mecanização máquinas, mecanização plantio mecanizado, meio ambiente, oficina de manutenção de colhedora, oficina mecânica tratores, oficina de implementos, oficina mecânica veículos, plantio, preparo do solo, serviços de tratos culturais, serviços fornecedores de cana, supervisão manutenção agrícola, supervisão serviços agrícolas, topografia, transporte agrícola, transporte agrícola colheita, trato da soca e vinhaça. (ii) em relação aos insumos identificados em centro de custo não atrelado à produção: (a) aquisições de peças de máquinas, materiais de laboratórios, serviços de análises, manutenção de máquinas e veículos, transportes, etc; administrativos: administração, administração de pessoas, administração logística, administração vendas varejo, assistência social, centro de treinamento, clube de campo, contabilidade regional Araçatuba, comunicação, contencioso trabalhista, desenvolvimento de pessoas, diretoria financeira, diretoria de novos negócios, equipamentos reserva, escritório varejo São Paulo, expedição, fiscal, funcionários afastados, higiene e medicina do trabalho, hangar, incentivo vale transporte, jurídico civil/tributário, jurídico trabalhista regional, pesquisa e desenvolvimento de produtos, programa alimentação trabalhador, saúde ocupacional, saúde e segurança ocupacional, segurança do trabalho, segurança patrimonial, seleção de pessoas, serviços de habitação, serviços médicos, serviços odontológicos, serviços recreativos, unidade telecom segurança, vendas industriais e vendas varejo; águas residuais, almoxarifado/recebimento, armazém de açúcar externo, armazém de açúcar interno, balança de cana, borracharia, captação de água, central de ar comprimido, laboratório industrial/microbiológico, laboratório cotesia, laboratório de lubrificantes, laboratório metharizium, laboratório teor sacarose, lavador de veículos, limpeza operativa, manutenção conservação civil ind., manutenção mecânica, mecanização industrial, mescla, oficina calderaria, oficina elétrica, posto de abastecimento, rouguing, serviço apoio armazém, transporte adm mecâncio, transporte industrial e tratamento de água; e (b) depreciação de ativos mobilizados não relacionados à fase agrícola, os quais foram assim especificados: esmerilhadeiras, talhas, agitadores, amostradores, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, carretas, centrifugadores, densimetros, defibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, fornos, lavadores, manômetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, tranceptores, veículos, etc vinculados aos centros de custos: administração de pessoas, aguas residuais, balança de cana, higiene e medicina do trabalho, instrumentação, laboratório industrial e microbiológico, laboratório de cotesia, laboratório de lubrificantes, laboratório de metharizium, laboratório de teor de sacarose, limpeza operativa, manutenção elétrica mecanica, oficina elétrica, oficina mecânica, operações de etanol, posto de abastecimento, programa de alimentação do trabalhador, segurança do trabalho, segurança patrimonial, serviços médicos, serviços odontológicos e tratamento de água. (iii) em relação aos insumos identificados em centro de custos não identificados: Fl. 17774DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.775 5 (a) componentes, peças, equipamentos adquiridos para utilização em máquinas agrícolas e caminhões estando identificados na coluna “Descrição Grupo Mercadoria” como: arado, bombas automotivas, carregadeiras, Case, Caterpillar, CBT, chassi e acessório, chavetas, pinos, contrapinos, colheitadeira, componentes e acessórios para balsa, compressores, correias automotivas, cultivador, descarregador de cana, equipam/comp/acess plantadeiras/roçadeira/transbordo/cultivadores/irrigação, Fiat Allis, FNH, Ford, GM, John Deere, Maxion, Mercedes Benz, Massei Ferguson, motores diesel, plantadeiras, pulverizados, reboques, roçadeiras, Scania, subsolador, transbordo, Valtra, Volkswagen, válvulas e varejo diversos. Também foram incluídos os grupos corretivo de solo, espalhantes adesivos, fertilizantes, herbicidas, inseticidas e irrigação; (b) gasolina e óleo diesel inter rodoviário S1800 utilizado em máquinas agrícolas e caminhões; (c) graxas empregadas no maquinário; (d) aquisições de container big bag, lacres, sacos polipropileno, fitas adesivas, fio de costura, lacres, que configuram embalagens retornáveis utilizadas apenas para o transporte do açúcar; (e) discos, escovas, fitas isolantes, gaxetas, lixas, mancais, mangueiras, manômetros, niples, porcas, parafusos, retentores, rolamentos, válvulas, filtros, terminais, barras de aço, vigas de aço, adesivos, grampos, borrachas, conexões, tubos, flanges, dentre outros; (f) açúcar refinado, canetas, baterias automotivas, lanternas, fusíveis, carvão para churrasco, resinas, transformadores, papel de filtro, frascos, buretas, termômetros, prefiltro, membrana filtrante, pipeta; (g) produtos químicos como sulfatos, ácidos, benzina, reagentes, soluções, resinas, enzimas, biocida, fungicida, desingripantes, pastilhas, colas, anticorrosivos, limpadores contatos, revelador, acelerador, solventes, agentes coagulantes, clarificante; (h) “descrição grupo mercadoria” serviços transporte de carga pessoa jurídica e constando como materiais: serviço de frete depósito mi e diárias de caminhões usina ME; serviços de elevação portuária, estufagem, movimentação, posicionamento, rolagem de container, inspeção de carga, lavagem de big bags e fretes marítimos que se referem a contratação de empresa agenciadoras marítimas; e, ainda (i) energia elétrica e vapor bioenergia. 5. Não obstante, também existiram glosas de créditos presumidos relativo ao estoque de abertura, em razão de um suposto erro no cálculo de tais créditos. 6. Devidamente intimado, o contribuinte apresentou substanciosa Impugnação, oportunidade em que, em suma, alegou: (...). a) Conforme Termo de Verificação Fiscal, a premissa jurídico normativa que fundamenta a acusação fiscal diz com o não enquadramento dos bens e serviços que serviram de base para a Fl. 17775DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.776 6 apropriação dos créditos glosados ao conceito de insumo previsto nas Instruções Normativas n°s 247/02 e 404/04. Contudo, não há nas disposições legais que delimitam a matéria quaisquer restrições (ou autorização para) quanto à natureza do insumo/custo/despesa suportado pelo contribuinte, bastando tratarse de elemento essencial ao processo produtivo. Em verdade, a equiparação feita pela legislação infralegal (INs 247/02 e 404/04) do regime jurídico de crédito do PIS/COFINS àquele próprio ao IPI mostrase absolutamente equivocada, pois em se tratando de tributos incidentes sobre a receita bruta (e não sobre a produção), o correto é admitirse a apropriação de créditos sobre toda e qualquer despesa/custo. Seria melhor a Receita Federal do Brasil utilizarse, para fins de delimitação do direito de crédito próprio ao PIS/COFINS, das noções de custo e despesas trazidas pela legislação do IRPJ (mais precisamente pelo art. 290 do Decreto nº 3000/1999), cuja materialidade é muito mais afeta às contribuições incidentes sobre a receita bruta, do que aquela própria ao IPI. Fato é que o conceito de insumo utilizado encontrase em total dissonância com a noção de insumo prescrita nas Leis de regências, o que induz a ilegalidade das restrições impostas pelas indigitadas INs n°s 247/02 e 404/04. É esse, aliás, o entendimento que vem se firmando no âmbito do CARF e da CSRF. Transcreve decisões administrativas. b) Custo e insumo são vocábulos que refletem a mesma realidade, ou seja, os gastos realizados pela empresa na aquisição de bens e serviços a serem utilizados na produção de outros bens ou serviços. Em outros termos, insumo e custo podem ser definidos como tudo (bens e serviços) aquilo que ingressa no estabelecimento (como matériaprima, força de trabalho, consumo de energia elétrica, etc.) com o objetivo de se obter um produto final. A conclusão a que se chega é a de que independentemente da utilização dos termos insumo ou custo, todos os itens que compõem o chamado custo de produção ensejam direito ao credito de PIS e COFINS. Tal regra somente é afastada quando os itens em questão são objeto de vedação expressa pela Lei n° 10.833/03. Por fim, quanto à regra que trata do direito creditório no regime não cumulativo do PIS/COFINS, o enunciado do inciso II do artigo 3º da Lei n° 10.833/03 valeuse da expressão “... utilizado como insumo...”. No contexto deste dispositivo, o termo “como” expressa uma equivalência, uma semelhança, tratandose de uma conjunção comparativa. Neste sentido, concluise que um bem ou um serviço pode não ser necessariamente insumo, mas ter sido “utilizado como insumo”. Há, de fato, uma diferença substancial entre “ser” insumo e “ser utilizado como” insumo. Assim, a título de exemplo, os produtos de limpeza utilizados no maquinário para evitar a contaminação com os resquícios da canadeaçúcar é um gasto necessário à realização e manutenção do processo produtivo, agregando valor ao próprio produto, sendo, portanto, um insumo; um custo de produção. c) No que diz respeito a créditos relacionados a atividades agrícolas, a autoridade fiscal glosou todas as despesas vinculadas à área agrícola da Impugnante, inclusive aquelas relativas à produção de canade açúcar, uma vez que, supostamente, não teriam vinculação com o processo produtivo do açúcar e do álcool. Todavia, esse posicionamento é manifestamente improcedente, pois se desconsidera que o processo produtivo do açúcar e do álcool em uma empresa Fl. 17776DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.777 7 agroindustrial é verticalizado, sendo a Impugnante responsável pela produção não apenas do açúcar e do álcool, mas também da principal matériaprima destes produtos, que é a canadeaçúcar. Há decisões recentes do CARF reconhecendo a validade das apropriações com atividades de transportes, máquinas e equipamentos utilizados no plantio, cultivo, fertilização colheita, corte, carregamento e transportes de cana de açúcar e serviços de lavoura, dada a demonstração do emprego efetivo de tais bens e serviços à atividade produtiva. Descreve seu “processo industrial” e aduz que todos os dispêndios com bens e serviços adquiridos para o plantio, corte, colheita e transporte da cana colhida possuem a classificação jurídica e contábil como custos de produção. No caso das empresas agroindustriais sucroalcooleiras, os custos de produção se iniciam com os estudos de viabilidade da terra para plantio, sua obtenção, mediante compra, arrendamento ou parceria rural e preparo. Impõese, desse modo, a análise do processo produtivo da Impugnante como um todo, não se podendo admitir a exclusão, de modo amplo, superficial e genérico, de todos os custos de produção relacionados à área agrícola da base de creditamento sob a singela alegação de que estes custos não integram o processo produtivo do açúcar e do álcool. d) Créditos de arrendamento agrícola: a Impugnante exerce atividade agroindustrial, que se inicia com a aquisição (ou arrendamento) da terra, estudo para a preparação do plantio e que segue até a fase industrial onde a cana obtida e tratada será transformada em álcool e açúcar. Desse modo, é inequívoco que a despesa com arrendamento mercantil está intrinsecamente ligada à atividade agroindustrial da Impugnante. Ademais, os contratos de arrendamento de propriedades rurais destinadas à produção de canadeaçúcar encontrase abrangida pelo conceito de aluguel de prédio previsto no artigo 3°, IV, da Lei 10.833/2003., razão pela qual se mostra absolutamente ilegítima a glosa ora combatida. O art. 4º do Estatuto da Terra (Lei n° 4.504/64), alterada pela Lei n° 8.629/93, define o conceito de imóvel rural como "o prédio rústico, de área contínua qualquer que seja a sua localização, que se destine ou possa se destinar à exploração agrícola, pecuária, extrativa vegetal, florestal ou agroindustrial, evidenciando a aplicação do termo “prédio” também para os imóveis rurais e não apenas para os imóveis urbanos. Ressaltese, ainda, a necessidade de observância da regra veiculada pelo art. 110 do CTN, que veda à Lei tributária a possibilidade de alteração da definição, do conteúdo e do alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados para definir ou limitar competências tributárias. A vedação à apropriação de créditos oriundos dos custos com contratos de arrendamento de terras utilizadas no plantio de canadeaçúcar acarreta, ainda, em tratamento desigual entre setores da economia, sendo certo que indústria situada em perímetro urbano teria condições fiscais privilegiadas se comparada à agroindústria. Cita decisão administrativa. e) Créditos de aquisição de canadeaçúcar: a autoridade fiscal deixou de indicar quais as normas legais que dão respaldo a tais glosas, em violação ao artigo 50, I, da Lei 9.784/99, limitandose a afirmar que as aquisições foram feitas de pessoas jurídicas que não possuem atividade agropecuária. Notese que esses custos, por serem provenientes de bens (canadeaçúcar) que integram diretamente o processo produtivo, Fl. 17777DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.778 8 dão ensejo ao aproveitamento dos créditos respectivos, sendo irrelevante se os estabelecimentos fornecedores dos insumos exerçam atividade agropecuária ou não. Em verdade, a única exigência legal é que a pessoa jurídica, fornecedora do insumo, seja domiciliada no país. f) Créditos de óleo diesel utilizados na produção de canadeaçúcar: a autoridade fiscal reconhece que o óleo diesel que deu origem aos créditos glosados seja destinado aos veículos, caminhões e máquinas agrícolas utilizados na produção e transporte de canadeaçúcar, a principal matéria prima da Impugnante. Neste sentido, fazse necessário o cancelamento da glosa perpetrada, visto que a atividade desenvolvida pela Impugnante, além da sua fase puramente industrial, não prescinde da atividade agrícola e o uso de caminhões, maquinários agrícolas e veículos é indispensável à atividade produtiva, servindo o óleo diesel como insumo necessário a utilização desses veículos. Cita julgado administrativo, acrescendo que o mesmo raciocínio aplicase à graxa que, mesmo que não seja considerada um lubrificante o que se admite apenas para fins argumentativos, enquadrase no conceito de insumo. g) Créditos relativos à aquisição de álcool destinado à revenda: identificouse, em relação aos meses de maio, outubro e novembro suposta diferença entre os volumes de álcool informados e aqueles indicados nas notas fiscais. Tal diferença, no entanto, não existe, sendo que a irregularidade apontada deuse em razão de equívoco da Autoridade Fiscal na análise do conteúdo das notas fiscais, que confundiu o campo onde constam o valor das mercadorias, sendo que aquilo que a autoridade fiscal afirma ser volume indicado é, em verdade, valor da mercadoria. h) Créditos de devolução de bens sujeitos ao regime monofásico de tributação: foram glosados créditos referentes às devoluções de óleo diesel, em razão do referido produto estar adstrito ao regime monofásico de tributação. Tal entendimento, porém, é manifestamente ilegal, haja vista que o artigo 17 da Lei n° 11.033/2004 claramente confere aos contribuintes que vendem produtos submetidos à alíquota zero de PIS/COFINS o direito de manutenção dos créditos relativos à aquisição deste produto. Refere decisão judicial. i) Notas fiscais e notas fiscais ME: i.1) Centro de custos identificados: a atividade agrícola, por ser uma etapa do processo produtivo da Impugnante, tem seus custos abarcados pela sistemática não cumulativa do PIS/COFINS quando oriundos de bens e serviços utilizados com insumo e todos os bens e serviços glosados são imprescindíveis à atividade produtiva da Impugnante, como bem se demonstrou anteriormente. Não por outro motivo, são ilegais as glosas efetuadas para os créditos vinculados às despesas com área agrícola, conforme jurisprudência recente no âmbito do CARF. No mais, foram glosadas as despesas descritas na acusação sob a rubrica “não ligadas à produção”, sob o entendimento de que as aquisições de peças de máquinas, materiais de laboratórios, serviços de análises, manutenção de máquinas e veículos, transportes, etc, não estariam ligados diretamente com a produção da Impugnante. Contudo, A atividade desenvolvida pela Impugnante caracterizase como agroindustrial, Fl. 17778DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.779 9 razão pela qual não poderão ser desconsideradas as despesas efetivadas nos centros de custo relacionados à produção de açúcar e do álcool, bem como as despesas com limpeza operativa, administração de pessoas, logística, treinamentos, serviços de mecanização industrial, águas residuais, almoxarifado, armazéns externos e internos, balanças, borracharia, captação de águas, laboratórios, e os demais itens acima referidos. Da mesma forma, as despesas relacionadas às atividades incorridas em laboratório, para desenvolvimento eficaz do plantio e colheita da cana, assim como todos os custos incorridos com balança de cana e manutenção do maquinário utilizado para o seu processamento e transporte, afiguramse nitidamente essenciais e indispensáveis ao desempenho das atividades da Impugnante. Também foram glosados créditos provenientes de despesas de bens e serviços ligados à área agrícola da Impugnante, ao singelo fundamento de que tais custos não estariam ligados à produção de açúcar e do álcool. Como já demonstrado, a Impugnante necessita de maquinários agrícolas, tais como carregadeiras, colheitadeiras, cultivadores, plantadeiras, transbordo, acessórios de irrigação, coletas de barro, fuligem, torta de filtro e análises de amostras para purificação de óleo, para produção da cana de açúcar, que após passar por longo processamento industrial, transformase em açúcar e álcool. i.2) Centros de custos não identificados: foram selecionados materiais, componentes, peças, combustíveis, equipamentos, maquinários, graxas, lubrificantes, entre outros bens e serviços relacionados ao processo agrícola da Impugnante, sendo que foram glosadas todas as despesas agrícolas. No entanto, não há qualquer razão para que sejam desconsiderados os dispêndios supratranscritos, tendo em vista que todos são imprescindíveis à atividade agroindustrial. Também houve a glosa de créditos relativos a despesas com combustíveis e lubrificantes, os quais são utilizados em veículos, caminhões e máquinas agrícolas, existindo a glosa apenas e tão somente pelo fato de que a fiscalização não admite, equivocadamente, que as etapas agrícolas façam parte do processo produtivo. Verificase que os créditos relativos a despesas realizadas com embalagens também foram glosadas, ao passo que tais embalagens integram o processo produtivo da Impugnante, em especial para efetivar o transporte do açúcar e álcool produzidos em sua atividade agroindustrial e muito embora as referidas embalagens não integrem o produto final, as mesmas configuram custos imprescindíveis à individualização e transporte do produto em processamento, razão pela qual se enquadram perfeitamente ao conceito de insumo firmado pelo CARF. Quanto a bens identificados como insumos indiretos, tais materiais são empregados em maquinários e equipamentos voltados para as produções do açúcar e do álcool e, não obstante, foram tratados como “itens genéricos” que não gerariam direito a crédito genéricos, sem se buscar o conhecimento do efetivo uso nos maquinados e equipamentos para produção e desconsiderandose a atividade agrícola, novamente, como parte integrante da produção. Em relação à rubrica “não insumo de produção”, temse que o lançamento de ofício tratou esses custos como genéricos quando, em verdade, todos estão ligados ao uso de equipamentos e maquinários os quais estão voltados à produção do açúcar e do álcool. O mesmo pode ser dito em relação aos produtos químicos, apresentados como sendo “prod quim n prod”, os quais são utilizados para produção de açúcar e álcool e, Fl. 17779DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.780 10 pelos mesmos fundamentos já referidos, são passíveis de aproveitamento do crédito. A glosa apresentada sob a rubrica “arrendamento agrícola” apresentase manifestamente ilegal, pelos mesmos fundamentos retro expostos. A fiscalização glosou ainda as despesas identificadas sob rubrica “transp interno” e armazenagem e frete sob a rubrica de despesas “portuárias Notas Fiscais ME”, sendo que restringir o direito de crédito relativo às despesas com frete às operações de venda significa ignorar a relação direta que esse tipo de despesa tem com o processo produtivo da Impugnante, não havendo diferença entre o frete pago na aquisição de insumos, na transferência de produtos em elaboração ou para colocação do produto acabado no estabelecimento vendedor, pois todos estes gastos são tidos como custo de produção, ao passo que o CARF já pacificou o entendimento de que as despesas com transporte (de pessoas e de carga) realizadas por empresa agroindustrial concedem direito a crédito, motivo pelo qual todos os gastos realizados com o transporte da cana ou de trabalhadores, bem como todos os insumos envolvidos (combustíveis, lubrificantes, manutenção dos veículos etc), geram o direito aos créditos. No caso dos fretes pagos na aquisição de matériaprima, a própria Secretaria da Receita Federal do Brasil vem reconhecendo reiteradamente o direito ao crédito sobre tais dispêndios, conforme consta de diversas soluções de consulta, pelo fato de o referido valor integrar o custo do bem. Tal como o frete pago na aquisição de insumos, o CARF já reconheceu que o frete entre estabelecimentos do próprio contribuinte de produtos em elaboração também integram o custo do produto, estando assegurado o direito ao crédito, posto que inexiste diferença em relação ao frete entre estabelecimento da mesma empresa de produtos acabados. Registrese, ainda, que o frete como custo de aquisição do bem não é uma regra de direito tributário, da legislação do IRPJ, mas sim da legislação comercial, que regula e limita o conceito de custo. Ademais, ao utilizar o termo “destinados à venda” a legislação estabeleceu exatamente o corte entre os serviços (fretes) que constituem custo de produção, e aqueles que constituem despesa de venda, tratados de forma separado na norma, mais especificamente no inciso IX do artigo 3º e, dessa forma, os valores pagos a título de frete de produto acabado entre estabelecimentos da Impugnante, por serem indispensáveis e constituírem custo de produção, geram direito a crédito, o mesmo podendo ser dito, aliás, em relação ao transporte de empregados, como também já decidiu o CARF. No mais, a autoridade fiscal glosou créditos sob a rubrica de “energia (Barra Bioenergia S/A)” e sob a rubrica “não é locação” (em que relaciona custos com condomínios, corretagem de imóveis, corretagem em aluguéis de imóveis, locação de palcos, de equipamentos áudio e vídeo, filmagens, shows pirotécnicos, buffet, shows musicais, bebidas e locação de toalhas). Em relação às despesas com energia elétrica, aluguéis e arrendamento mercantil, a autoridade fiscal glosou os respectivos créditos por considerálas tais atividades alheias ao processo industrial da Impugnante, não podendo, porém, prosperar, tendo em vista que os créditos de energia elétrica são conferidos de forma ampla aos estabelecimentos da Impugnante, segundo preconiza a legislação. Também não deve prevalecer a glosa sobre aluguel e condomínio de espaços, pois são todos eles utilizados nas atividades da empresa, não fazendo o inciso IV, do artigo 3º, da Lei n° 10.833/03 qualquer distinção sobre que tipo de atividade Fl. 17780DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.781 11 (industrial, comercial ou administrativo) deve ser exercida no local, como já decidiu o CARF. Por fim, as despesas com estacionamento e condomínio perfazem custo indispensável, tendo em vista que a Impugnante não poderia manter sua sede de outra forma. j) Créditos de depreciação: houve a glosa de créditos realizados sobre o ativo da empresa, sob as rubricas “agrícolas” e “não útil prod”, em razão do equivocado entendimento que segrega toda despesa agrícola relacionada ao processo produtivo da canadeaçúcar, embora necessários e indispensáveis à atividade de produção do açúcar e do álcool. k) Créditos presumidos relativos ao resumo de estoque de abertura: o cálculo de rateio de créditos presumidos realizado pela Impugnante encontrase plenamente amparado na legislação. O legislador não quis restringir o creditamento de PIS/COFINS, mas ampliou a possibilidade da pessoa jurídica sujeita ao regime nãocumulativo, produtora de álcool, descontar créditos presumidos relativos ao estoque. O cálculo realizado é absolutamente indevido, razão pela qual há que serem afastadas tais glosas. l) Do equívoco critério de rateio: quem utiliza critério diverso do disposto na legislação é a fiscalização, que exclui do cálculo do rateio as receitas de vendas realizadas com alíquota zero, do imobilizado, suspensas e com isenção, assim como as revendas de produtos sujeitos à incidência monofásica. A fórmula de proporcionalização da “receita bruta total” para efeito do cálculo do crédito do PIS e da COFINS no caso em tela é bem simples, correspondendo à relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a “receita bruta total”. Não havendo na legislação um conceito expresso de “receita bruta total” a mesma, por uma interpretação sistemática, a só pode ser interpretada como a totalidade das receitas auferidas pela empresa, alcançando todas as receitas auferidas pela empresa, inclusive com isenção, alíquota zero, do ativo permanente, sujeitas ao sistema monofásico (revenda de óleo diesel) e as receitas financeiras, sendo estas a base (divisor) da relação percentual necessária para a regra de proporcionalidade. O outro elemento necessário para o cálculo da relação percentual prevista na legislação é a “receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa”, a qual só pode ser compreendida como sendo a “receita bruta total” excluídas aquelas expressamente previstas no artigo 10 da Lei n° 10.833/03, que são as mantidas no regime da cumulatividade. Ou seja, a norma legal somente autoriza excluir da receita bruta total as receitas sujeitas à incidência cumulativa, que não é o caso das receitas isentas, alíquota zero, do ativo permanente, sujeitas ao sistema monofásico (revenda de óleo diesel) e as receitas financeiras (que está efetivamente sujeita à não cumulatividade, a despeito de sua alíquota ser zero). Ademais, quando é passível a distinção dos custos, despesas e encargos decorrentes de receitas cumulativas e nãocumulativas, tornase uma faculdade do contribuinte aplicar ou não o método de rateio previsto no art. 3º, § 8º, II, da Lei n° 10.833/03, que poderá utilizar a apropriação direta de créditos. m) Pugna pela realização de diligência, nos termos do inciso IV do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, apta a demonstrar a composição Fl. 17781DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.782 12 dos créditos glosados e a fundamentação de cada glosa, informações sem as quais não é possível exercer, de forma plena, o direito de defesa. Indica assistentes e formula quesitos. n) Pleiteia, ainda, o reconhecimento da ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada, como já decidiu o CARF. o) Protesta, por fim, pela ulterior juntada de parecer técnico a ser elaborado pela Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz” – ESALQ. (trecho extraído do acórdão DRJ fls. 11.052/11.057). 7. Devidamente processada a Impugnação foi julgada improcedente, o que se deu nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PAF. ATO NORMATIVO. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar a argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de dispositivos que integram a legislação tributária. PAF. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os arts. 96 e 100 do Código Tributário Nacional. PAF. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. ÔNUS PROCESSUAL DA PROVA. Fazse incabível a realização de perícia ou diligência quando reputadas desnecessárias. A realização de diligência não se presta a suprir eventual inércia probatória do impugnante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PIS NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo do PIS NãoCumulativo somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. PIS NÃOCUMULATIVO. ARMAZENAGEM E FRETE. CRÉDITOS. O estabelecimento industrial somente poderá descontar créditos calculados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. Fl. 17782DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.783 13 PIS. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. Encontrase expressamente vedada pela legislação tributária a apuração de créditos decorrentes da nãocumulatividade do PIS em relação à aquisição no mercado interno, para revenda, de produtos submetidos à incidência monofásica. JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, quando não pagos no prazo, sofrerão a incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 COFINS NÃOCUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS. No cálculo da COFINS NãoCumulativa somente podem ser descontados créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens destinados à venda, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado ou, ainda, sobre os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. COFINS NÃOCUMULATIVA. ARMAZENAGEM E FRETE. CRÉDITOS. O estabelecimento industrial somente poderá descontar créditos calculados em relação à armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor. COFINS. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. VEDAÇÃO. Encontrase expressamente vedada pela legislação tributária a apuração de créditos decorrentes da nãocumulatividade da Cofins em relação à aquisição no mercado interno, para revenda, de produtos submetidos à incidência monofásica. JUROS DE MORA. DÉBITOS DECORRENTES DE TRIBUTOS. INCIDÊNCIA. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil, quando não pagos no prazo, sofrerão a incidência de juros de mora calculados com base na taxa Selic. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. (fls. 11.043/11.044). Fl. 17783DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.784 14 8. Diante de tal situação, coube ao contribuinte interpor o recurso voluntário em análise, oportunidade e que juntou aos autos substancioso parecer técnico desenvolvido pela ESALQ, a respeito das glosas aqui perpetradas. 9. É a síntese que se faz necessária. Resolução Relator Diego Diniz Ribeiro 10. Ao se analisar o presente processo administrativo, é possível desde já identificar que parte significativa da glosa em questão decorre das diferentes interpretações existentes a respeito do conceito de insumo e que são defendidas pelo Fisco e pelos contribuintes. 11. Todavia, existem determinadas glosas, em especial aquelas atreladas ao (i) centro de custo não vinculado à produção e ao (ii) centro de custo não identificado, que são impossíveis atestar sua pertinência sem que antes sejam esclarecidas determinadas dúvidas deste julgador. Ademais, existem outras questões que merecem esclarecimentos. Vejamos. 12. Embora determinadas glosas tenham recaído sobre bens e serviços atrelados a centro de custo não vinculado à produção, ao se analisar a descrição dos itens glosados, é possível cogitar, ainda que hipoteticamente, que tais itens apresentam vinculação com a atividade agrícola (plantio da cana) ou com a atividade industrial (produção do açúcar e do álcool). É o que se depreende dos seguintes itens: (i) águas residuais; balança de cana, borracharia, captação de água; limpeza operativa; mecanização industrial, mescla, oficina calderaria, oficina elétrica; rouguing, tratamento de água. 13. Não obstante, ainda em relação ao centro de custo não vinculado à produção, a fiscalização também glosou a depreciação de ativos mobilizados não relacionados à fase agrícola, os quais foram assim especificados: (ii) esmerilhadeiras, talhas, agitadores, amostradores, analisadores, autoclaves, balanças, bombas, câmaras frias, centrifugadores, densimetros, defibradores, destiladores, digestores, espectrofotômetro, estabilizadores, estufas, filtros, fornos, manômetros, medidores, microscópios, motores elétricos, painéis, redutores, sondas, tanques, tornos, tranceptores, balança de cana. 14. Assim, em relação ao centro de custo em apreço, cumpre a fiscalização esclarecer analiticamente, em relação aos itens "i" e "ii" acima, qual a utilização destes itens destacados na operação da Recorrente, seja na fase industrial seja na fase agrícola. 15. Não obstante, o mesmo problema aqui apresentado ocorre na hipótese de glosas atrelados a centro de custo não identificado. Isso porque, ao se analisar a descrição dos itens glosados, também é possível concluir que tais itens apresentam uma hipotética vinculação com a atividade agrícola (plantio da cana) ou com a atividade industrial (produção do açúcar e do álcool). É o que se extrai dos seguintes itens: Fl. 17784DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.785 15 (iii) arado, bombas automotivas, carregadeiras, Case, Caterpillar, CBT, chavetas, pinos, contrapinos, colheitadeira, componentes e acessórios para balsa, compressores, correias automotivas, cultivador, descarregador de cana, equipam/comp/acess plantadeiras/roçadeira/transbordo/cultivadores/irrigação, motores diesel, plantadeiras, pulverizados, reboques, roçadeiras, subsolador, transbordo, válvulas, discos, escovas, fitas isolantes, gaxetas, lixas, mancais, mangueiras, manômetros, niples, porcas, parafusos, retentores, rolamentos, válvulas, filtros, terminais, barras de aço, vigas de aço, adesivos, grampos, borrachas, conexões, tubos, flanges, dentre outros. 16. Dessa feita, cumpre a fiscalização esclarecer analiticamente, em relação ao item "iii" acima, qual a utilização dos itens lá destacados na operação da Recorrente, seja na fase industrial seja na fase agrícola. 17. Ademais, também é possível constatar a existência de glosas referentes a (iv) "gasolina e óleo diesel inter rodoviário S1800 utilizado em máquinas agrícolas e caminhões", bem como de (v) de graxas empregadas em maquinário. Entretanto, a fiscalização não esclarece em quais veículos tais combustíveis são empregados e para qual finalidade, assim como também não esclarece em que tipo de maquinário a sobredita graxa é utilizada. 18. Por conta disso, em relação ao item "iv" sobredito, cumpre a fiscalização esclarecer em que tipo de veículos e para qual finalidade (v.g., transporte de mãodeobra para a área de cultivo; transporte da cana produzida para o parque industrial, etc.) os combustíveis em questão são empregados. Já em relação ao item "v" supracitado, deve a fiscalização indicar em que tipo de maquinário é empregada a graxa que redundou no crédito glosado. 19. Outro aspecto que merece esclarecimento diz respeito a glosa de créditos afetos ao pagamento de fretes e com despesas de armazenagem. Conforme se observa da autuação, a fiscalização glosou os seguintes itens: (vi) "serviço de frete depósito mi e diárias de caminhões usina ME, serviços de elevação portuária e fretes marítimos que se referem a contratação de empresa agenciadoras marítimas"; 20. A abertura do texto empregado na descrição de tais fretes não permite esclarecer que tipo de produto está sendo fretado, ou seja, se o objeto do frete é composto por (a) matériaprima, material de embalagem e produto intermediário aplicado no processo produtivo (consumidos ou não em contato direto com o produto em fabricação), (b) produtos inacabados (ex.: cana) entre estabelecimentos da Recorrente ou (c) produtos acabados e que serão entregues ao consumidor final. 21. Ex positis, em relação aquilo que se encontra descrito no item "vi" acima, compete a fiscalização esclarecer que tipo de produto foi objeto do frete e qual a finalidade do fretamento (transporte de produtos inacabados entre estabelecimentos da Recorrente, transporte de produto acabado para consumidor final, etc.). 22. Em suma, a diligência aqui proposta é para que a fiscalização esclareça o que segue: (a) qual a utilização dos itens "i", "ii" e "iii" alhures identificados na operação da Recorrente, seja na fase industrial seja na fase agrícola; Fl. 17785DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10880.723059/201398 Resolução nº 3402000.784 S3C4T2 Fl. 17.786 16 (b) que tipo de veículos e para qual finalidade os combustíveis descritos no item "iv" são empregados; (c) qual o tipo de maquinário é empregada a graxa que redundou no crédito glosado e referido no item "v" da presente resolução; e, por fim (d) que tipo de produto foi objeto do frete e qual a finalidade do fretamento referente ao item "vi" acima. 23. Uma vez concluída a diligência, o contribuinte deverá sr intimado para, querendo, manifestarse a seu respeito em 30 (trinta) dias. 24. É a resolução. Relator Diego Diniz Ribeiro Fl. 17786DF CARF MF Impresso em 11/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 02/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO, Assinado digitalmente em 11/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16682.721131/2013-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012
COFINS. SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES COMPULSÓRIAS. INCIDÊNCIA.
As receitas financeiras das sociedades seguradoras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas, cujas aplicações decorrem de disposição expressa da legislação de regência, compõem o seu faturamento, assim entendido como ingressos decorrentes de suas atividades operacionais típicas, na mesma linha dos pronunciamentos do STF. Dessa forma sujeitam-se à incidência da Cofins, pois são receitas que estariam incluídas no contexto dos serviços prestados aos clientes dos seus produtos.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012
PIS. SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES COMPULSÓRIAS. INCIDÊNCIA.
As receitas financeiras das sociedades seguradoras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas, cujas aplicações decorrem de disposição expressa da legislação de regência, compõem o seu faturamento, assim entendido como ingressos decorrentes de suas atividades operacionais típicas, na mesma linha dos pronunciamentos do STF. Dessa forma sujeitam-se à incidência do PIS, pois são receitas que estariam incluídas no contexto dos serviços prestados aos clientes dos seus produtos.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012
LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE.
Não cabe o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito judicial de seu montante integral.
LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. OBJETO DA MATÉRIA JUDICIAL.
Para que não seja aplicável a multa de ofício o crédito lançado deve estar com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Tal fato não acontece quando não há identidade entre a matéria objeto do lançamento e o provimento judicial.
LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. INAPLICABILIDADE.
Existindo o depósito judicial do montante integral, não é cabível o lançamento dos juros de mora. Inteligência da Súmula CARF nº 5.
MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA.
A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária.
Recurso de Ofício Negado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade negou-se provimento ao recurso voluntário na matéria concernente à possibilidade de tributação das Receitas Financeiras decorrentes das provisões técnicas. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda, Semíramis, Francisco José e Marcelo. Por unanimidade deu-se provimento para afastar os juros de mora relativos ao lançamento da cofins. Por unanimidade de votos negou se provimento em relação à multa de ofício do PIS e responsabilidade da sucessora.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente e relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 COFINS. SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES COMPULSÓRIAS. INCIDÊNCIA. As receitas financeiras das sociedades seguradoras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas, cujas aplicações decorrem de disposição expressa da legislação de regência, compõem o seu faturamento, assim entendido como ingressos decorrentes de suas atividades operacionais típicas, na mesma linha dos pronunciamentos do STF. Dessa forma sujeitam-se à incidência da Cofins, pois são receitas que estariam incluídas no contexto dos serviços prestados aos clientes dos seus produtos. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 PIS. SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES COMPULSÓRIAS. INCIDÊNCIA. As receitas financeiras das sociedades seguradoras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas, cujas aplicações decorrem de disposição expressa da legislação de regência, compõem o seu faturamento, assim entendido como ingressos decorrentes de suas atividades operacionais típicas, na mesma linha dos pronunciamentos do STF. Dessa forma sujeitam-se à incidência do PIS, pois são receitas que estariam incluídas no contexto dos serviços prestados aos clientes dos seus produtos. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. Não cabe o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito judicial de seu montante integral. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. OBJETO DA MATÉRIA JUDICIAL. Para que não seja aplicável a multa de ofício o crédito lançado deve estar com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Tal fato não acontece quando não há identidade entre a matéria objeto do lançamento e o provimento judicial. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. INAPLICABILIDADE. Existindo o depósito judicial do montante integral, não é cabível o lançamento dos juros de mora. Inteligência da Súmula CARF nº 5. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES COMPULSÓRIAS. INCIDÊNCIA. As receitas financeiras das sociedades seguradoras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas, cujas aplicações decorrem de disposição expressa da legislação de regência, compõem o seu faturamento, assim entendido como ingressos decorrentes de suas atividades operacionais típicas, na mesma linha dos pronunciamentos do STF. Dessa forma sujeitamse à incidência da Cofins, pois são receitas que estariam incluídas no contexto dos serviços prestados aos clientes dos seus produtos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 PIS. SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE APLICAÇÕES COMPULSÓRIAS. INCIDÊNCIA. As receitas financeiras das sociedades seguradoras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas, cujas aplicações decorrem de disposição expressa da legislação de regência, compõem o seu faturamento, assim entendido como ingressos decorrentes de suas atividades operacionais típicas, na mesma linha dos pronunciamentos do STF. Dessa forma sujeitamse à incidência do PIS, pois são receitas que estariam incluídas no contexto dos serviços prestados aos clientes dos seus produtos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 31 /2 01 3- 65 Fl. 803DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 804 2 Não cabe o lançamento de multa de ofício na constituição de crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa, inclusive na hipótese de depósito judicial de seu montante integral. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. OBJETO DA MATÉRIA JUDICIAL. Para que não seja aplicável a multa de ofício o crédito lançado deve estar com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96. Tal fato não acontece quando não há identidade entre a matéria objeto do lançamento e o provimento judicial. LANÇAMENTO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. JUROS DE MORA. INAPLICABILIDADE. Existindo o depósito judicial do montante integral, não é cabível o lançamento dos juros de mora. Inteligência da Súmula CARF nº 5. MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Pelo voto de qualidade negouse provimento ao recurso voluntário na matéria concernente à possibilidade de tributação das Receitas Financeiras decorrentes das provisões técnicas. Vencidos os Conselheiros Maria Eduarda, Semíramis, Francisco José e Marcelo. Por unanimidade deuse provimento para afastar os juros de mora relativos ao lançamento da cofins. Por unanimidade de votos negou se provimento em relação à multa de ofício do PIS e responsabilidade da sucessora. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), Semíramis de Oliveira Duro, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Francisco José Barroso Rios, Paulo Roberto Duarte Moreira, Valcir Gassen e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Fl. 804DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 805 3 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrito. 1. Da autuação Este processo trata de autos de infração lavrados para a constituição de créditos tributários referentes à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e à contribuição para o Programa de Integração Social – Pis dos períodos de apuração compreendidos entre 01/06/2009 e 30/04/2012 da contribuinte Sul América Seguro Saúde S.A., CNPJ 86.878.469/000143, incorporada em 24/04/2013 por Sul América Companhia de Seguro Saúde, CNPJ 01.685.053/0001 56 (fls. 416 a 436). No termo de verificação fiscal (fls. 452 a 464), a fiscalização relata que o procedimento fiscal foi instaurado em decorrência de representação elaborada pela Demac/DJO/Dicat no processo administrativo nº 19740.000473/200837, que acompanha as medidas judiciais de números 2003.61.00.0270753 e 2004.61.00.0035963, relativas ao PIS, e no processo administrativo nº 19740.000019/201009, que trata do mandado de segurança nº 2003.61.00.019934 7, referente à Cofins. A fiscalização sustenta que a contribuinte fiscalizada incluise entre as entidades relacionadas no §1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, estando sujeita à apuração do Pis e da Cofins nos termos da Lei nº 9.718/98. Alega que a declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º dessa Lei pelo Supremo Tribunal Federal – STF não teve o condão de alterar o tratamento fiscal específico das instituições financeiras, pois elas são tributadas nos moldes do caput e dos §§5º e 6º do art. 3º da Lei em questão. A fiscalização sustenta que as instituições financeiras devem apurar o Pis e a Cofins com base no faturamento, entendido como a receita bruta da pessoa jurídica, que por sua vez corresponde à totalidade das receitas auferidas no desempenho da atividade típica da empresa, de acordo com o seu objeto social. No caso, a fiscalização verificou que a contribuinte fiscalizada não incluiu, nas bases de cálculo do Pis e da Cofins, as receitas financeiras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas. A fiscalização informa que a Susep se manifestou sobre a matéria no Parecer nº 32/2009 (fls. 409 e 410), expressando seu entendimento de que as receitas financeiras relativas a ativos garantidores das provisões técnicas são receitas operacionais, específicas da operação de seguros, previdência e capitalização. Alega a fiscalização que se trata de receitas necessárias à consecução do objeto social da pessoa jurídica que exerce a atividade de seguradora, integrando portanto o faturamento, base de cálculo do Pis e da Cofins. Ante o exposto, foram lavrados autos de infração para a constituição dos créditos tributários abaixo discriminados: Fl. 805DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 806 4 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) Art. 1º da Lei Complementar nº 7/70; artigos 2º, I, e 9º da Lei nº 9.715/98; artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98; art. 1º da Medida Provisória nº 1.807/99; art. 79 da Lei nº 11.941/2009. 1.093.025,07 Juros de Mora (calculados até 02/2014) Art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. 281.098,89 Multa Proporcional Art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. 819.768,85 TOTAL 2.193.892,81 Crédito Tributário Enquadramento Legal Valor em R$ Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; artigos 2º e 3º da Lei nº 9.718/98; art. 18 da Lei nº 10.684/2003. 6.726.308,06 Juros de Mora (calculados até 02/2014) Art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96. 1.729.839,17 Multa Proporcional Art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. 5.044.731,13 TOTAL 13.500.878,36 2. Da impugnação Cientificada das autuações em 19/02/2014, a contribuinte apresentou em 21/03/2014 a impugnação de fls. 489 a 524, acompanhada dos documentos de fls. 534 a 696. 2.1. Dos mandados de segurança nº 2003.61.00.0270753 e nº 2003.61.00.0199347 De início, a impugnante ressalta que a exigência de Pis e de Cofins nos termos da Lei nº 9.718/98 é objeto de questionamento judicial nos autos dos mandados de segurança de números 2003.61.00.0270753 e 2003.61.00.0199347, respectivamente, impetrados por sua sucedida. Fl. 806DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 807 5 Alega que o mandado de segurança nº 2003.61.00.0270753 foi impetrado com o objetivo de assegurar o direito de recolher a contribuição para o Pis de acordo com a Lei Complementar nº 7/70, afastando as disposições contidas no art. 72, V, do ADCT, na Lei nº 9.701/98 e na Lei nº 9.718/98. Informa que a sentença denegou a segurança. Acrescenta que o TRF/3ª Região deu provimento integral ao recurso de apelação, determinando que a contribuição ao Pis deveria ser calculada sobre as receitas auferidas nas vendas de mercadorias e serviços. Assim, alega estar correta sua conduta de não incluir as receitas financeiras na base de cálculo do Pis, visto que receita financeira não se confunde com receita de vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Em relação à Cofins, alega que foi impetrado o mandado de segurança nº 2003.61.00.019934,7 com o escopo de assegurar o direito de não se sujeitar às disposições contidas nos artigos 2º, 3º, 8º e 17, I, da Lei nº 9.718/98. Informa que a sentença concedeu parcialmente a segurança. Acrescenta que, tendo sido interpostos recursos de apelação pela impetrante e pela União, o TRF/3ª Região deu provimento à remessa oficial e negou provimento às apelações. Relata que interpôs recursos especial e extraordinário, que aguardam exame de admissibilidade. Acrescenta que, em 31/07/2012, depositou judicialmente, com acréscimo de multa e juros de mora, os valores reputados pela RFB como incidentes sobre as receitas financeiras vinculadas às suas provisões técnicas relativamente aos períodos autuados. 2.2. Da declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal A impugnante alega que o STF, no julgamento dos recursos extraordinários de números 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, declarou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, restringindo a incidência do Pis e da Cofins ao faturamento, ou seja, às receitas auferidas na venda de mercadorias e na prestação de serviços. A impugnante ressalta que, ao contrário do alegado pela fiscalização, não é uma instituição financeira, não se aplicando a ela os argumentos da fiscalização no sentido de que as receitas financeiras auferidas pelas instituições financeiras deveriam integrar o faturamento. Argumenta que as instituições financeiras são reguladas pela Lei nº 4.595/64, estando sujeitas também às normas do Banco Central do Brasil (Bacen). Por sua vez, as sociedades seguradoras são regidas pelo Decretolei nº 73/66 e estão sujeitas à regulamentação da Superintendência de Seguros Privados (Susep). Sustenta que as receitas financeiras auferidas pelas sociedades seguradoras não se incluem no faturamento, visto que, além de não se caracterizarem como receitas decorrentes da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, são receitas acessórias. Acrescenta que a RFB e a PGFN já manifestaram essa posição nos seguintes documentos: Fl. 807DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 808 6 a) Nota Técnica Cosit nº 21/2006 – “no caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de recursos próprios”; b) Parecer PGFN/CAT/Nº 2773/2007 – conclui que, no caso de sociedades seguradoras, o prêmio é computado nas bases de cálculo dessas contribuições, mas as receitas decorrentes de aplicações financeiras não; c) Despacho proferido pela Deinf/RJO no processo administrativo nº 10768.013845/9914 relativo a outra empresa do grupo Sul América – “conforme informado no despacho de fls. 1546, o Gabinete desta Delegacia se posicionou com relação à interpretação da matéria do julgado em tela, tendose decidido pelo entendimento descrito às fls. 1545, onde em breve síntese a base de cálculo da contribuição litigada deve ser composta pelas atividades empresariais típicas, excluindose na espécie as receitas financeiras”. Sustenta a impugnante que esses pronunciamentos materializam critério jurídico adotado pela Administração Tributária, produzindo os efeitos previstos no art. 146 do CTN e no art. 2º, parágrafo único, inciso XIII, da Lei nº 9.784/99, impedindo que interpretação diversa alcance fatos geradores anteriores, como pretende a fiscalização. A impugnante alega que a própria União reconheceu a ilegitimidade da pretensão de exigir Pis e Cofins sobre receitas operacionais acessórias com base na Lei nº 9.718/98, tendo revogado expressamente o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, com a edição da Lei nº 11.941/2009. Acrescenta que, mais recentemente, a União publicou a Medida Provisória nº 627/2013, que alterou a redação do caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98 e do art. 12 do Decretolei nº 1.598/77, a fim de incorporar ao conceito de receita bruta outros valores além dos decorrentes da venda de bens e serviços. A impugnante argumenta que esse novo conceito de receita bruta, além de vigorar apenas a partir de 2015, também não abrange as receitas financeiras auferidas pelas seguradoras, por não advirem da atividade nem do objeto principal dessas companhias, já que são de natureza acessória. 2.3. Das receitas financeiras relativas a aplicações vinculadas a provisões técnicas A impugnante alega que as sociedades seguradoras são obrigadas a constituir provisões técnicas, a fim de honrar indenizações pelas quais poderão ser responsáveis. Acrescenta que a escolha dos bens vinculados às reservas técnicas é feita discricionariamente pela seguradora, sendo comum que uma aplicação vinculada às provisões técnicas em um mês não o seja no mês seguinte, pois assim permite a Circular Susep nº 284/2005. Sustenta que as seguradoras, como qualquer outra pessoa jurídica, realizam aplicações financeiras com seus recursos ociosos de caixa, auferindo assim receitas financeiras. Argumenta que as receitas das aplicações financeiras vinculadas pelas seguradoras em determinado mês a provisões técnicas não possuem natureza jurídica distinta das receitas de aplicações financeiras não indicadas como lastro dessas provisões, nem das receitas de aplicações financeiras auferidas por pessoas jurídicas dedicadas à indústria, ao comércio ou à prestação de serviços. Fl. 808DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 809 7 A impugnante alega que o Parecer Susep/Decon/Geaco nº 32/2009 não tratou da receita bruta das companhias seguradoras, discorrendo apenas sobre as receitas operacionais, que abrangem, além da receita bruta, as receitas acessórias auferidas por qualquer sociedade, as quais não decorrem da exploração do núcleo do objeto social das seguradoras. Acrescenta que o conceito de receita bruta das pessoas jurídicas está consagrado há muito tempo como sinônimo da parcela das receitas operacionais auferidas com a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços (Leis Complementares nº 7/70 e nº 70/91, art. 187 da Lei das SA), não se podendo admitir a inclusão das receitas financeiras nesse conceito. 2.4. Da decisão judicial favorável proferida no mandado de segurança nº 2003.61.00.0270753 (Pis) A impugnante alega ser incabível a imposição de multa de ofício no lançamento relativo ao Pis nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/96, visto que, na data do lançamento, a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa por decisão judicial proferida pelo TRF/3ª Região. 2.5. Da impossibilidade de exigência de multa de oficio e de juros de mora em relação a créditos tributários cuja exigibilidade está suspensa por depósito judicial do montante integral (Cofins) Em relação ao auto de infração de Cofins, alega a impugnante serem indevidos os juros moratórios e a multa de ofício, visto que a exigibilidade do crédito tributário estava suspensa por depósito do montante integral. Cita jurisprudência do CARF e da CSRF. 2.6. Da incomunicabilidade da multa de ofício à incorporadora Ad argumentandum, ainda que seja responsabilizada pelas contribuições devidas pela sucedida, a impugnante alega que não pode ser responsável pelas penalidades, a teor do disposto no art. 132 do CTN. Cita jurisprudência da CSRF e do STF. 2.7. Do pedido Por todo o exposto, requer seja julgada procedente a impugnação, exonerandose os créditos tributários lançados. 2.8. Dos documentos juntados à impugnação Foram juntadas cópias dos seguinte documentos à impugnação: Doc. 1 – procuração, atos societários, documento de identidade da advogada que subscreve a impugnação; Docs. 2, 3 e 4 – peças do mandado de segurança nº 2003.61.00.0270753: petição inicial, acórdão do TRF/3ª Região, consulta processual. Doc. 5 – petição inicial do mandado de segurança nº 2003.61.00.0199347; Doc. 6 – Parecer PGFN/CAT/Nº 2773/2007; Doc. 7 – despacho proferido no processo administrativo nº 10768.013845/99 14; Fl. 809DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 810 8 Doc. 8 – trecho de decisão proferida pelo STF no mandado de segurança nº 99.00118227; Doc. 9 – comprovantes de arrecadação. Ao julgar referida impugnação a 10ª Turma da DRJ/São Paulo proferiu o Acórdão nº 1661.801, de 29/09/2014, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 REGIME CUMULATIVO. SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS RELATIVAS A APLICAÇÕES VINCULADAS A PROVISÕES TÉCNICAS. As receitas financeiras integram a base de cálculo da Cofins, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das “reservas técnicas, fundos especiais e provisões”, “além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, constituídos, na dicção do DecretoLei nº 73, de 1966, “para garantia de todas as suas obrigações”, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 REGIME CUMULATIVO. SOCIEDADES SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS RELATIVAS A APLICAÇÕES VINCULADAS A PROVISÕES TÉCNICAS. As receitas financeiras integram a base de cálculo da contribuição ao Pis, quando decorrentes de seus investimentos compulsórios por disposição legal, ou seja, quando originados das “reservas técnicas, fundos especiais e provisões”, “além das reservas e fundos determinados em leis especiais”, constituídos, na dicção do DecretoLei nº73, de 1966, “para garantia de todas as suas obrigações”, porque integram o conjunto dos negócios ou operações desenvolvidas por essas empresas no desempenho de suas atividades econômicas peculiares. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2009 a 30/04/2012 MULTA DE OFÍCIO. INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA. A pessoa jurídica incorporadora é responsável pelo crédito tributário da incorporada, respondendo tanto pelos tributos e contribuições como por eventual multa de ofício e demais encargos legais decorrentes de infração cometida pela empresa sucedida, mesmo que formalizados após a alteração societária. Fl. 810DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 811 9 MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. Não é devida multa de ofício sobre o crédito tributário cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151, II do CTN. JUROS DE MORA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. A existência de depósito judicial não afasta a incidência dos juros moratórios. Porém, em caso de decisão judicial final favorável à União, o depósito será transformado em pagamento definitivo considerandose a data da realização do depósito. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário por meio do qual tece basicamente as mesmas considerações constantes de sua impugnação. É o relatório. Fl. 811DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 812 10 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Os recursos de ofício e voluntário são tempestivos e atendem aos demais pressupostos legais, por isso deles tomo conhecimento. Recurso de Ofício O recurso de ofício é específico à desoneração da aplicação da multa de ofício sobre os valores lançados de Cofins e que teriam sido objetos de depósitos do montante integral. A decisão recorrida com base no art. 63 da Lei nº 9.430/96 entendeu que a multa de ofício não é cabível na constituição de créditos destinada a prevenir a decadência, quando sua exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 do CTN. A decisão destacou que embora o art. 63, acima citado, não tenha contemplado expressamente a suspensão do crédito tributário em razão do depósito do montante integral, a própria Receita Federal, por meio do Parecer Cosit nº 02/1999, manifestou entendimento de que não cabe a aplicação de multa de ofício no caso, e que nem haveria razão para a indicação expressa do citado tipo de suspensão no art. 63, pois não caberia à lei dispor sobre o que é óbvio, já que o efeito do depósito do montante integral é a extinção do crédito tributário desde a data da realização do depósito. Entendo que a decisão recorrida aplicou o melhor entendimento sobre a matéria. Aos créditos objetos dos depósitos judiciais realizados em sua integralidade mas ainda não convertidos em renda se aplica a regra da suspensão da exigibilidade, o que impede a exigência da multa de oficio. Este entendimento encontrase em sintonia com a jurisprudência deste Conselho, como demonstra o acórdão CSRF/0202.172, cuja ementa reproduzse abaixo: NORMAS PROCESSUAIS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. DEPÓSITOS JUDICIAIS INTEGRAIS. MULTA DE OFICIO E JUROS DE MORA. É obrigatória a constituição do crédito tributário nos casos de medida judicial, com depósito do montante integral do tributo, para prevenir a decadência, não havendo que se falar em aplicação da multa de oficio e juros de mora em relação a esses créditos, convertidos ou não em renda, desde que integralmente depositados em Juizo. Os valores dos depósitos em juízo da Cofins confirmados pelos documentos de fls. 661 a 695 coincidem exatamente com os valores lançados da Cofins no Auto de Infração de fls. 427 a 436. Portanto voto por negar provimento ao recurso de ofício. Fl. 812DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 813 11 Recurso Voluntário Conforme se extrai do termo de verificação fiscal, parte integrante do auto de infração, está se tributando pelo PIS e pela Cofins as receitas financeiras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas, relativas aos fatos geradores de junho/99 a abril/2012. Como visto a fiscalizada deixou de incluir estas receitas nas bases de cálculo das referidas contribuições. A fiscalização entendeu que esta receita está no rol das atividades típicas prestadas pelas seguradoras em consonância com seu objeto social. Nas palavras da fiscalização: "as atividades exercidas por essas instituições em razão de mandamentos legais integram o rol de suas atividades próprias, portanto, típicas. Sendo assim, temse que as receitas decorrentes de tais atividades legalmente compulsórias integram o faturamento dessas instituições". Portanto, esta é a questão central que envolve a controvérsia do presente processo. A tarefa que se impõe é responder se as receitas financeiras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins diante da legislação de regência. A recorrente é uma sociedade seguradora que tem por objeto operar, exclusivamente, no ramo de seguro saúde, portanto é uma pessoa jurídica incluída no rol do § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 (instituições financeiras e assemelhadas). Portanto, sujeita à incidência cumulativa do PIS e da Cofins, de acordo com o inciso I do art. 8º da Lei nº 10.637/2002 e inciso I do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 (pessoa jurídica referida no § 6º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). A inclusão destas rubricas no lançamento tributário teve como fundamento os seguinte dispositivos legais: Lei nº 9.701/98: Art. 1º Para efeito de determinação da base de cálculo da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, de que trata o inciso V do art. 72 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, as pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, poderão efetuar as seguintes exclusões ou deduções da receita bruta operacional auferida no mês: I reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como prejuízo, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (...) IV no caso de empresas de seguros privados: a) cosseguro e resseguro cedidos; b) valores referentes a cancelamentos e restituições de prêmios que houverem sido computados como receitas; Fl. 813DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 814 12 c) a parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; V no caso de entidades de previdência privada abertas e fechadas, a parcela das contribuições destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas; VI no caso de empresas de capitalização, a parcela dos prêmios destinada à constituição de provisões ou reservas técnicas. § 1º É vedada a dedução de qualquer despesa administrativa. (Redação dada pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 3º As exclusões e deduções previstas neste artigo restringemse a operações autorizadas às empresas ou entidades nele referidas, desde que realizadas dentro dos limites operacionais previstos na legislação pertinente. Lei nº 9.718/98 "art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COF1NS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (...) § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. (...) § 5º Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6º Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o Fl. 814DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 815 13 do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) II no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (...) O STF no RE 585.235QO/MG decidiu que é inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Com esta decisão, em relação aos valores tributados, temos primeiro de verificar se estes ingressos de recursos são receitas e, em sendo receitas, se estão encaixadas no conceito de faturamento ou receita operacional típica. Caso a resposta seja positiva, indubitavelmente há a incidência da Cofins e do PIS, nos termos da legislação acima transcrita. Existem interpretações doutrinárias bem amplas a respeito do conceito de receitas tributáveis, inclusive as citadas pelo contribuinte em seu recurso voluntário, o qual traz um conceito mais restritivo quanto à abrangência do termo. Não me filio a este pensamento, entendo que os ingressos financeiros com o objetivo de que a entidade, no caso as sociedades seguradoras, cumpra os seus objetivos estatutários compreendem sim dentro do conceito de faturamento que corresponde à sua receita tributável. Porém, também não se trata de faturamento, em seu sentido stricto senso, o que resultaria da receita bruta da venda de mercadorias ou de prestação de serviços. Isto não resta dúvida. Porém o STF, apesar de declarar a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, lançou evidentes sinais a respeito do real alcance do que seria faturamento para fins de composição da base de cálculo dos tributos a ele incidentes. De fato, as decisões e pronunciamentos dos Ministros do STF tem deixado a entender que o faturamento corresponde ao somatório das receitas provenientes das atividades empresariais típicas. No recurso extraordinário 401.348, o Ministro Cezar Peluso em decisão monocrática deu provimento ao recurso para que não incluísse na base de incidência do PIS, receita estranha ao seu faturamento, in verbis: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer Fl. 815DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 816 14 natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1). 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.(Grifei) Já no julgamento do recurso extraordinário 346.084PR, o mesmo Ministro Cezar Peluso esclareceu o seu entendimento a respeito do conceito de faturamento: “Quando me referi ao conceito construído sobretudo no RE 150.755, sob a expressão “receita bruta de venda de mercadorias e prestação de serviço”, quis significar que tal conceito está ligado a ideia de produto do exercício de atividades empresariais típicas, ou seja, que nessa expressão se inclui todo incremento patrimonial resultante do exercício de atividades empresariais típicas.” (Grifei) (...) “Por isso, estou insistindo na sinonímia "faturamento" e "receita operacional", exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim.” (Grifei) O Ministro Marco Aurélio, por sua vez, expressou entendimento, no mesmo RE nº 346.0846/PR, reproduzindo voto que proferira anteriormente, no sentido da constitucionalidade do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, exceto para o §1º que expandira em demasia o conceito de receita bruta para fins de tributação da Cofins, e que a receita bruta, como sinônimo de faturamento, referese à atividade principal da empresa, in verbis: “O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. (...) Operacional. (...)” (grifouse) Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto consignou no RE nº 346.084 6/PR a identidade entre faturamento e receita operacional, esta constituída por ingressos que decorrem da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no art. 2º da LC nº 70, de 1991, in verbis: “A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do substantivo ‘faturamento’, sem a conjunção disjuntiva ‘ou’ receita. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Fl. 816DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 817 15 Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1º, “a”, assim redigido (...): ‘Art. 22. (...) §1º (...) a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;’ Por isso, estou insistindo na sinonímia ‘faturamento’ e ‘receita operacional’, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. (grifei) (...) Extraise dos entendimentos acima exarados que a declaração de inconstitucionalidade apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de sua incidência, mas tão somente aquelas vinculadas ao exercício de sua finalidade institucional. Ou seja, aquele conceito antigo de que faturamento restringese a emissão de faturas estaria ultrapassado. De acordo com o Estatuto Social da recorrente, fls. 412/416, podese extrair do capítulo I a sua finalidade institucional: Artigo 3º. A Companhia tem por objeto operar, exclusivamente, no ramo de seguro saúde, sendo vedada sua atuação em quaisquer outros ramos ou modalidades de seguro, podendo participar de outras sociedades, observadas as disposições legais pertinentes. Ocorre que as sociedades seguradoras têm suas atividades regulamentadas pelo Estado que estabeleceu obrigações próprias de atuação. Tratase do DecretoLei nº 73/1966 que em seus artigos 28, 29 e 34 determinaram a obrigatoriedade do investimento do capital para a formação das chamadas reservas obrigatórias, nos seguintes termos: Art 1º Tôdas as operações de seguros privados realizados no País ficarão subordinadas às disposições do presente Decreto lei. (...) Art 28. A partir da vigência dêste DecretoLei, a aplicação das reservas técnicas das Sociedades Seguradoras será feita conforme as diretrizes do Conselho Monetário Nacional. (...) Art 29. Os investimentos compulsórios das Sociedades Seguradoras obedecerão a critérios que garantam remuneração adequada, segurança e liquidez. Fl. 817DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 818 16 (...) Art 84. Para garantia de tôdas as suas obrigações, as Sociedades Seguradoras constituirão reservas técnicas, fundos especiais e provisões, de conformidade com os critérios fixados pelo CNSP, além das reservas e fundos determinados em leis especiais. Por sua vez o Conselho Monetário Nacional, por meio da Resolução CMN nº 3.308/2005, aprovou em seu anexo o Regulamento para a aplicação dos recursos das reservas, das provisões e dos fundos das sociedades seguradoras, das sociedades de capitalização e das entidades abertas de previdência complementar, bem como a aceitação dos ativos correspondentes como garantidores dos respectivos recursos, na forma da legislação e da regulamentação em vigor. Veja como citado regulamento dispôs sobre as aplicações que são obrigatórias para as sociedades seguradoras: Art. 1º Os recursos das reservas, das provisões e dos fundos das sociedades seguradoras, das sociedades de capitalização e das entidades abertas de previdência complementar, constituídos de acordo com os critérios fixados pelo Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), devem ser aplicados conforme as diretrizes deste regulamento, tendo presentes as condições de segurança, rentabilidade, solvência e liquidez. Parágrafo único. Para efeito do disposto neste regulamento, consideramse recursos aqueles referidos no caput. Art. 2º Observadas as limitações e as demais condições estabelecidas neste regulamento, os recursos devem ser alocados nos seguintes segmentos: I de renda fixa; II de renda variável; III de imóveis. Art. 3º Os ativos correspondentes às aplicações dos recursos são considerados garantidores desses, na forma da legislação e da regulamentação em vigor. (...) Diante do acima exposto e partindo do conceito de faturamento já delineado pela Suprema Corte, penso ser inafastável que as receitas financeiras decorrentes de aplicações compulsórias das sociedades seguradoras compõem o seu faturamento assim entendido como receitas decorrentes de suas atividades empresariais típicas. Peço vênia para transcrever trecho da própria decisão recorrida, cujas conclusões estou inteiramente de acordo: (...) Constitui inescapável atividade das sociedades seguradoras, portanto, efetivar os investimentos legalmente compulsórios e cotidianamente administrar, respeitando os limites e os critérios de diversificação estabelecidos, a alocação desses recursos dentre as opções de aplicação expressamente relacionadas pela legislação, as quais envolvem: de certificados de direitos creditórios do agronegócio a letras Fl. 818DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 819 17 hipotecárias; de ações e debêntures de emissão de sociedades de propósito específico a títulos de emissão do Tesouro Nacional; de contratos mercantis de compra e venda de produtos para entrega futura a notas promissórias emitidas por sociedades por ações; de cotas de fundos de investimento classificados como fundos de dívida externa a letras e cédulas de crédito imobiliário; de aplicações em imóveis urbanos a bônus de subscrição de ações, recibos de subscrição de ações e certificados de depósitos de ações. Logo, é inegável que a efetivação dos investimentos legalmente compulsórios e a cotidiana administração da alocação destes recursos nas diferentes aplicações normativamente admitidas caracterizamse como operações empresariais próprias e, portanto, típicas das sociedades seguradoras. Sendo assim, tratandose o faturamento do resultado econômico das operações empresariais típicas, como estabelece a legislação e assegura o STF, resta nítido que as receitas decorrentes dos referidos investimentos compulsórios, sejam elas financeiras ou quaisquer outras, integram o faturamento das sociedades seguradoras, entendido em seu conceito irredutível. Tais receitas compõem, pois, as bases de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep dessas sociedades, conhecidas as disposições dos arts.2º e 3º, caput, da Lei nº 9.718, de 1998. Vale observar: a efetivação dos investimentos compulsórios e a cotidiana administração da alocação destes recursos nas diferentes aplicações normativamente admitidas compõem, por expressa disposição legal, uma atividade empresarial inapelavelmente própria de qualquer sociedade seguradora, ou seja, tal atividade empresarial constitui objeto social legalmente tipificado dessas sociedades. Não haveria como se conceber, pois, que as receitas, financeiras ou não, decorrentes dessa atividade não compusessem seu faturamento, e, assim, suas bases de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep. (...) No seu recurso voluntário o contribuinte afirma que o auto de infração e a decisão recorrida caminham de encontro aos entendimentos exarados pela própria Receita Federal no item 6.2 da Nota Técnica Cosit nº 21/2006 e pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional por meio do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007. Penso que não há razão ao contribuinte. A Nota Técnica Cosit nº 21/2006 apesar de manifestar um entendimento preliminar sobre a matéria, evidenciase que o seu objetivo é justamente efetuar uma consulta à PGFN sobre o tratamento a ser dado sobre as receitas das instituições financeiras e sociedades seguradoras. Transcrevo abaixo alguns trechos da referida nota técnica: (...) 5. O argumento das empresas de seguros não é diferente, posto que alegam que receitas de prêmios de seguros também não se enquadram no conceito de faturamento por não se tratar de venda de serviços, de mercadorias e de serviços e mercadorias. 6. Ocorre que a interpretação lógica decorrente da citada decisão do STF é no sentido de que as instituições financeiras e de seguros não estão obrigadas a recolher a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins sobre receitas que não compõem o seu Fl. 819DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 820 18 faturamento. No caso, que não se refiram à efetiva prestação de serviços. Não devendo ser computadas, portanto, as receitas que não se enquadrarem no conceito de receitas de serviços. 6.1. No caso de instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil inclusive empresas de arrendamento mercantil (leasing), por terem sido consideradas como instituições financeiras enquadradas no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para fins do benefício da alíquota zero de CPMF, transitada em julgado não devem ser consideradas na apuração da base de cálculo as receitas não operacionais previstas no Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (Cosif), tais como rendas de aluguel e outras rendas não operacionais. Entretanto, receitas da atividade própria dessas instituições se constituem no próprio faturamento destas, reconhecidas inclusive como operacionais pelo próprio Cosif. 6.2. No caso de instituições regulamentadas pela Superintendência de Seguros Privados, não devem ser consideradas as receitas referentes às aplicações financeiras de recursos próprios. 7. O fato da incidência dessas contribuições sobre a totalidade das receitas somente ter sido autorizada com o advento da Emenda Constitucional nº 20/98 é pouco relevante para as instituições financeiras e seguradoras, posto que essas entidades continuam sujeitas à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, de acordo com a Lei nº 9.718, de 1998. 8. Portanto, são frágeis os argumentos das instituições financeiras e seguradoras no que tange à não incidência dessas contribuições sobre suas receitas financeiras, sem que antes seja examinada a natureza jurídica dessas receitas em relação às suas atividades. (...) 12. Por todo o exposto, propõese o encaminhamento de consulta à PGFN para avaliação da natureza jurídica das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros à luz da decisão do STF. (grifei) Ora, evidente que essa nota técnica não teve como propósito orientar os contribuintes a respeito do tratamento tributário das receitas financeiras das sociedades seguradoras. Na verdade ela contextualiza a questão tributária somente para estabelecer o alcance e o objetivo da consulta à PGFN. Por sua vez o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, sem dúvida traça orientações que devem ser seguidas pela administração tributária, porém ao contrário do entendimento do contribuinte, não consegui extrair do citado parecer conclusão de que as receitas financeiras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas, portanto receitas decorrentes de suas atividades operacionais típicas, não seriam tributadas pelo PIS e pela Cofins. Nesse sentido transcrevo trechos do referido parecer: (...) 61. O relevante para a norma é a identidade entre a receita bruta operacional e a atividade mercantil desenvolvida nos termos do objeto social da pessoa jurídica. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, de 1998, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência da COFINS/PIS como o resultado econômico da atividade Fl. 820DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 821 19 empresarial vinculada aos seus objetivos sociais. Ao revés, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência da COFINS/PIS (v.g. Receitas de Capital de locadora de veículos), mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, como é o caso das operações bancárias das instituições financeiras. 62. O Ministro Cezar Peluso, relator do Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 400.4798 Rio de Janeiro, expôs com clareza meridiana o pensamento que vem sendo defendido no presente trabalho no voto proferido no referido feito, ao afirmar que “seja qual for a classificação que se dê às receitas oriundas dos contratos de seguro, denominadas prêmios, o certo é que tal não implica na sua exclusão da base de incidência das contribuições para o PIS e COFINS, mormente após a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98 dada pelo Plenário do STF. É que, conforme expressamente fundamentado na decisão agravada, o conceito de receita bruta sujeita à exação tributária em comento envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais.” (destacamos) 66. Em face dos argumentos acima expendidos, concluise que: (...) h) serviços para as instituições financeiras abarcam as receitas advindas da cobrança de tarifas (serviços bancários) e das operações bancárias (intermediação financeira); i) serviços para as seguradoras abarcam as receitas advindas do recebimento dos prêmios; (...) Com todo o respeito aos que pensam em contrário, na minha opinião, a conclusão do citado parecer, expressa nos itens "h" e "i" não permite dizer que estão fora do conceito de faturamento e portanto da base de cálculo do PIS e da Cofins as receitas financeiras provenientes dos bens garantidores de provisões técnicas. Na verdade o termo "abarcam" deixa evidente que não são somente as receitas advindas dos recebimentos dos prêmios que são tributadas. Quero crer que o parecer não se debruçou sobre as demais receitas que podem ou não ser tributadas, mas tão somente sobre as receitas decorrentes dos prêmios, pois na consulta, a consulente deixou claro (item 5 da Nota Cosit, acima transcrito) que as seguradoras defendiam a não tributação dos prêmios de seguros recebidos. A recorrente aduz ainda que a DEINF/RJ em despacho exarado no processo administrativo nº 10768.013845/9914, cujo interessado seria a Sul América Companhia Nacional de Seguros, sociedade seguradora do mesmo grupo empresarial da recorrente, teria dado orientação expressa pela não tributação das referidas receitas financeiras. Veja o citado despacho, transcrito do próprio recurso voluntário: "Conforme informado no despacho de fls. 1546, o Gabinete desta Delegacia se posicionou com relação à interpretação da matéria do julgado em tela, tendose decidido pelo entendimento descrito às fls. 1545, onde em breve síntese a base de cálculo da contribuição litigada deve ser composta pelas atividades empresariais típicas, excluindose na espécie as receitas financeiras." Fl. 821DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 822 20 Com todo respeito ao recorrente, pela leitura somente desse parágrafo não é possível estabelecer o contexto da orientação e muito menos a que contribuição se refere. Considerando então que se trata das contribuições ao PIS e à Cofins, mesmo assim não há contextualização sobre quais receitas financeiras estaria se tratando, pois a meu ver, se não forem receitas financeiras decorrentes de aplicações compulsórias em face de suas atividades, penso que realmente não são tributáveis por essas contribuições. De sorte que esse despacho não faz qualquer diferença para as conclusões que ora chegamos e não se consubstanciam em critérios jurídicos uniformemente adotados pela administração tributária como requer o contribuinte ao reclamar a aplicação do art. 146 do CTN e 2º da Lei nº 9.784/99. Por fim o fato de que a Lei nº 12.973/2014 tenha dado uma nova redação ao art. 3º da Lei nº 9.718/98, tornando mais claro o conceito de faturamento, não tem o condão de anular o entendimento anterior, sobretudo quando respaldado por manifestações inequívocas da Suprema Corte, conforme já explanado anteriormente. Cabe destacar que a própria Superintendência de Seguros Privados SUSEP, manifestou entendimento em consonância com o procedimento adotado no auto de infração. Transcreve se abaixo trecho do seu Parecer nº 32/2009 extraído do próprio Termo de Verificação Fiscal: Identificação da Receita Bruta para Efeito de PIS e COFINS. Trata o processo sobre consulta da Receita Federal na questão de definição de Receita Bruta para o mercado de seguros, previdência e capitalização para fins de tributação. A SUSEP define receita bruta de acordo com a norma societária. Nossa definição é baseada no conceito contábil de receita definida segundo as normas contábeis brasileiras. Dessa forma, informamos que para as operações de seguros todas as receitas denominadas operacionais, inclusive recuperação de despesas, são consideradas, na essência da contabilidade, receitas específicas da operação de seguros, previdência e capitalização. Nesse conceito estão inseridas as receitas com recuperação de comissão, recuperação de despesas de corretagem, recuperação de despesas de custeamento de vendas, recuperação de despesas de colocação de títulos, salvados, ressarcimentos, assim como todas as receitas denominadas como sendo operacionais, inclusive a receita financeira sobre os ativos garantidores das provisões técnicas que são utilizadas para complementar a receita de prêmio a fim de custear as despesas atribuíveis à operação de seguros, previdência e capitalização, que está prevista na Lei do PIS e Cofins, com a previsão de dedução das despesas financeiras decorrentes da atualização das provisões técnicas. (...) Para rebater o citado parecer da SUSEP, a recorrente alega que "a SUSEP não opinou sobre o assunto" e que "a autora daquele ato se limitou a discorrer sobre as parcelas que compõem as receitas operacionais, expressão sabidamente mais abrangente...". Sim, expressão sem dúvida mais abrangente, mas da leitura do trecho acima transcrito fica evidente que ela manifestou entendimento expresso de que as receitas financeiras sobre os ativos garantidores das provisões técnicas têm a função de complementar as receitas obtidas com os prêmios de seguros e que compõe receita operacional típica a incidir o PIS e a Cofins. Esclarecendo porém que referido parecer é só um argumento a mais para solidificar o entendimento adotado pela fiscalização e mantido no presente voto. Fl. 822DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 823 21 Como essas receitas financeiras são obtidas em decorrência de determinação legal para complementar e garantir as receitas oriundas de sua atividade fim que é a prestação de serviços aos contratantes dos seguros, outra conclusão não se chega de que se trata de faturamento assim entendido como decorrente da venda de seus serviços. Ou seja, a venda de seus serviços impõe a obtenção das citadas receitas financeiras e como já dito, entendimento esse, em consonância com a interpretação dada pelo STF. Com esses argumentos entendo que a fiscalização não ultrapassou e nem desrespeitou o provimento judicial obtido pela recorrente em relação ao PIS no sentido de que sua base de cálculo decorre "das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza". A recorrente utilizouse de uma boa parte do seu recurso voluntário para explicar que Seguradoras não são Instituições Financeiras, sob a assertiva de que a fiscalização teria confundido os conceitos e aplicado ao lançamento as regras atribuíveis às Instituições Financeiras. Tal afirmação não condiz com a realidade dos fatos. Da leitura do Termo de Verificação Fiscal, fls. 452/464, não se pode extrair, de forma alguma, essa conclusão. De fato a fiscalização faz um paralelo com as decisões judiciais obtidas pelas instituições financeiras, mas a conclusão do lançamento é muito clara a respeito do conteúdo do fato gerador e seus elementos constitutivos. Essa diferenciação entre seguradoras e instituições financeiras apresentada no recurso voluntário não tem qualquer utilidade para a presente discussão, pois definitivamente não houve qualquer confusão a esse respeito no lançamento fiscal. Talvez em alguns trechos do Termo de Verificação Fiscal teria sido mais didático se a fiscalização utilizasse o termo "instituições financeiras e assemelhadas", em face de que elas estão no mesmo rol das pessoas jurídicas constantes do § 1º do art. 22 da Lei nº 8.212/91, porém tal fato não prejudicou a clareza do lançamento. Diante ao que até aqui exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o entendimento da fiscalização e da decisão recorrida de que são tributáveis as receitas financeiras obtidas com os ativos garantidores das provisões técnicas. Imposição de multa de ofício PIS A recorrente alega que a multa de ofício aplicada ao PIS não poderia ser lançada pois a sua exigibilidade estaria suspensa por força de decisão monocrática proferida pela Desembargadora Alda Castro do TRF 3ª Região no Mandado de Segurança nº 2003.61.00270753. A aplicação da multa configuraria um desrespeito ao disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/96. A esse respeito assim se manifestou a decisão recorrida: Em relação ao Pis, a empresa fiscalizada impetrou o mandado de segurança nº 2003.61.00.0270753, no qual alega a inconstitucionalidade da exigência da contribuição nos moldes da Lei nº 9.718/98. A sentença denegou a segurança. Por sua vez, o TRF/3ª Região deu provimento à apelação interposta pela impetrante, em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. O processo se encontra no TRF/3ª Região, aguardando juízo de admissibilidade dos recursos especial e extraordinário interpostos pela União. Fl. 823DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 824 22 A impugnante alega ser indevida a multa de ofício em relação ao Pis, visto que a exigibilidade do crédito tributário está suspensa pela decisão proferida pelo TRF/3ª Região. Entretanto, como demonstrado no item anterior deste voto, o afastamento do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 não implica a exclusão das receitas financeiras relativas a aplicações vinculadas a provisões técnicas na apuração da base de cálculo do Pis e da Cofins. Logo, deve ser mantido integralmente o lançamento relativo ao Pis. Observase que no recurso voluntário o contribuinte apresenta a mesma demanda, sem no entanto trazer nova argumentação. Portanto, conforme já esclarecido no presente voto, o afastamento, por inconstitucionalidade, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não implica em deferimento judicial para afastar a tributação das receitas financeiras obtidas com os ativos garantidores das provisões técnicas, pois nos termos do entendimento desse relator, consubstanciado em pronunciamentos do STF, essas receitas são decorrentes das atividades típicas da pessoa jurídica e são tributadas pelo PIS e pelo Cofins. Assim, nego provimento ao recurso voluntário nesse ponto. Juros de Mora e Depósito Judicial do Montante Integral Como visto no relatório, e foi objeto do recurso de ofício, a decisão recorrida reconheceu a existência dos depósitos judiciais da Cofins, em seu montante integral, e afastou o lançamento da multa de ofício em face do disposto no art. 63 da Lei nº 9.430/96. Porém deixou de afastar a exigência dos juros de mora. Transcrevo abaixo trechos da decisão recorrida a esse respeito: O depósito do montante integral importa na suspensão da exigibilidade do crédito tributário, conforme previsto no inciso II do art. 151 do CTN, mas não afasta a incidência dos juros moratórios. Em face do disposto no caput do art. 161 do CTN, o lançamento tributário efetuado para prevenir a decadência deve incluir os juros moratórios, visto que se refere a tributo não pago no vencimento, ainda que esteja com a exigibilidade suspensa. (...) Devese esclarecer que, no caso em comento, a menção dos juros de mora no lançamento visa apenas a quantificar o montante do crédito atualizado naquela data. A manutenção dos juros moratórios em nada prejudica a impugnante, pois, caso a decisão judicial final seja favorável à União, o valor depositado será transformado em pagamento definitivo, considerado na data da efetivação do depósito. Ante o exposto, concluise que, em relação ao auto de infração de Cofins, deve ser mantido o lançamento do principal e dos juros de mora, e exonerado o lançamento da multa de ofício. Vêse que nesse ponto não andou bem a decisão recorrida. Embora tenha razão quanto aos efeitos práticos da manutenção ou não dos correspondentes juros de mora, essa questão já se encontra pacificada pelo CARF, por meio da Súmula CARF nº 5: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que Fl. 824DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 825 23 suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Desta forma dou provimento nesse ponto ao recurso voluntário para excluir do lançamento os valores referentes aos juros de mora sobre o auto de infração da Cofins. Da responsabilidade da sucessora em relação à multa de ofício A recorrente repete em seu recurso voluntário exatamente os mesmos argumentos constante de sua impugnação. Resumese a manifestar não ser cabível a multa de ofício na incorporadora em face do que dispõe o art. 132 do CTN, citando jurisprudência judicial e administrativa. Não combate especificamente nenhuma conclusão da decisão recorrida a esse respeito. Dessa forma, entendendo estar correta a decisão recorrida, utilizo os seus próprios fundamentos para mantêla, nos termos do § 2º do art. 50 da Lei nº 9.784/99. Transcrevo abaixo o seu conteúdo: (...) A impugnante, na condição de sucessora da empresa SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S.A., CNPJ 86.878.469/000143, alega que, de acordo com o artigo 132 do CTN, não responderia pela multa de ofício imputada à sucedida, sendo responsável somente pelo tributo devido. O artigo 132 do CTN, assim dispõe: “Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.” O dispositivo acima transcrito estabelece que a sucessora se torna responsável pelos tributos devidos pela sucedida, mas não dispõe expressamente sobre a responsabilidade da sucessora pelas penalidades imputadas à pessoa jurídica sucedida. Assim, há entendimentos, na doutrina e na jurisprudência, de que a sucessora é responsável pelas penalidades imputadas à sucedida, bem como entendimentos em sentido contrário. Para decidir essa questão, é importante observar que o art. 132 do CTN está inserido na Seção II – Responsabilidade dos Sucessores, do Capítulo V – Responsabilidade Tributária, do Título II – Obrigação Tributária, do Livro Segundo – Normas Gerais de Direito Tributário, do Código Tributário Nacional. A referida Seção se inicia com o artigo 129, que constitui regra geral aplicável a todas as disposições relativas à “Responsabilidade dos Sucessores” (art. 130 a 133) e assim prescreve: “Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.” (g.n.) Fl. 825DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 826 24 Na leitura desse dispositivo, observase que a sucessora é responsável pelos créditos tributários constituídos em data anterior ou posterior à data do evento da sucessão, relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. O conceito de crédito tributário é mais abrangente que tributo, pois inclui também a penalidade pecuniária. Tal conclusão decorre do disposto nos artigos 113, §1º, e 139 do CTN. De acordo com o artigo 139 do CTN, o crédito tributário decorre da obrigação principal, e, nos termos do art. 113, § 1º, do CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Observese que, quando o legislador teve a intenção de afastar a responsabilidade pela multa de ofício, empregou disposição expressa, a teor do art. 134, parágrafo único, do CTN. Registrese também que, ao lado da interpretação sistemática, há que se utilizar a interpretação teleológica. Entender que a sucessora não é responsável pelas multas relativas a infrações cometidas pela sucedida equivaleria a incentivar as empresas a promoverem alterações societárias para se eximirem do pagamento das penalidades pecuniárias. A respeito da questão, cabe citar o entendimento do jurista José Eduardo Soares de Melo: “Os negócios societários, implicadores de modificações básicas nas estruturas das pessoas jurídicas, também podem ocasionar a figura do responsável tributário pelos valores devidos pelos contribuintes originários, em face da impossibilidade físico/jurídica de seu cumprimento por parte destes. Esta situação encontrase prevista no CTN (art. 132): a pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra, ou em outra, é responsável pelos tributos devidos até a data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (…) Estas modalidades de negócios societários são plenamente legítimas; decorrem de decisões particulares das pessoas jurídicas em razão de suas exclusivas conveniências pessoais. Todavia, na medida em que sejam realizadas e registradas nos órgãos competentes, ocorre o fenômeno da responsabilidade tributária, por parte das novas pessoas jurídicas, ou das remanescentes, relativamente aos débitos das antigas pessoas (contribuintes). (…) Todos os débitos tributários existentes, bem como aqueles que possam vir a ser apurados pelas Fazendas, no prazo decadencial, poderão ser exigidos das empresas resultantes dos referidos atos societários. As dívidas compreendem todos e quaisquer acréscimos (juros, atualizações, multas), a fim de não se burlarem manifestos Fl. 826DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 827 25 interesses fazendários (de superior interesse público), sob a falsa assertiva de que a pena não deveria passar da pessoa do infrator. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), pois seria muito simples efetuar tais negócios, com o objetivo de acarretar o desaparecimento dos devedores originários, de quem nada mais se poderia exigir.” (José Eduardo Soares de Melo, “Curso de Direito Tributário”, Dialética, São Paulo, 1997, pp. 185 186 –negritamos) Logo, a análise conjunta dos artigos 132 e 129 da Seção II – Responsabilidade dos Sucessores do CTN evidencia a responsabilidade da incorporadora pela multa de ofício que compõe o crédito tributário devido pela incorporada. O artigo 227 da Lei nº 6.404/76 vem corroborar esse entendimento, ao estabelecer que “a incorporação é a operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações”. A empresa sucessora, ao proceder à incorporação, fica responsável por todos os direitos e obrigações da incorporada. Constatando a existência de débitos tributários relativos à sucedida, a sucessora deve providenciar a sua quitação. Não o fazendo, tornase responsável, não só pelo tributo devido, mas também pelas conseqüências do seu inadimplemento (multas, de mora ou de ofício, além dos juros moratórios). A propósito da matéria, cumprenos também salientar que, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 83.613, o Supremo Tribunal Federal decidiu no sentido de que a sucessora responde não só pelos tributos devidos pela sucedida mas também pelas multas, tendo o ministro relator citado o seguinte ensinamento do ministro Aliomar Baleeiro: “Se admitirmos a interpretação literal, o alienante de estabelecimento ou fundo onerado por multas, que podem exceder de 100% em caso de dolo, fugiria ao pagamento da dívida fiscal, transmitindo todo seu cabedal a terceiro, que suportaria apenas o peso dos tributos. O CTN garante os direitos do contribuinte, mas resguarda com o mesmo rigor os privilégios do Fisco, inclusive pela solidariedade e responsabilidade de sucessores, e terceiros, que adquirem o patrimônio do sujeito passivo” (Direito Tributário Brasileiro, 4ª edição). Assim continua o ministro relator em seu voto: “A esse voto dei minha anuência, repelindo a interpretação literal do art. 133 do CTN propugnada pelo recorrente, com base no art. 129 do mesmo código que estabelece a responsabilidade dos sucessores pelos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos fatos nela referidos. Na expressão créditos tributários a meu ver, se incluem as multas sob pena de fraudar se o direito do fisco à percepção de seus créditos legítimos em face da lei. Por esses motivos, conheço do recurso e lhe dou provimento.” Apesar de a impugnante ter trazido decisões administrativas e judiciais favoráveis ao seu entendimento, há que se observar que também há decisões em sentido contrário. A título de exemplo, reproduzimos as seguintes ementas do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF (antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda): Superior Tribunal de Justiça: “RECURSO ESPECIAL. MULTA TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO DE EMPRESAS. RESPONSABILIDADE. Fl. 827DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 828 26 OCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. TEMA NÃO ANALISADO. RETORNO DOS AUTOS. (...) 2. A responsabilidade tributária não está limitada aos tributos devidos pelos sucedidos, mas também se refere às multas, moratórias ou de outra espécie, que, por representarem dívida de valor, acompanham o passivo do patrimônio adquirido pelo sucessor. 3. Nada obstante os art. 132 e 133 apenas refiramse aos tributos devidos pelo sucedido, o art. 129 dispõe que o disposto na Seção II do Código Tributário Nacional aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição, compreendendo o crédito tributário não apenas as dívidas decorrentes de tributos, mas também de penalidades pecuniárias (art. 139 c/c § 1º do art. 113 do CTN).” (STJ, 2ª Turma, rel. Min. Castro Meira, REsp 1017186/SC, DJ 27/03/2008, p. 1) “TRIBUTÁRIO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO. AQUISIÇÃO DE FUNDO DE COMÉRCIO OU DE ESTABELECIMENTO COMERCIAL. ART. 133 CTN. TRANSFERÊNCIA DE MULTA. 1. A responsabilidade tributária dos sucessores de pessoa natural ou jurídica (CTN, art. 133) estendese às multas devidas pelo sucedido, sejam elas de caráter moratório ou punitivo. Precedentes.” (STJ, 1ª Turma, rel. Min. Teori Albino Zavascki, REsp 544265/CE, DJ 21/02/2005, p. 110) Conselho Administrativo de Recursos Fiscais “MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada.” (CSRF, 2ª Turma, acórdão CSRF/02 02630, sessão de 23/04/2007) “MULTA – SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO – É devida a multa de ofício ainda que se tenha a responsabilidade por sucessão mediante incorporação anterior ao auto de infração.” (1º Conselho de Contribuintes, 8ª Câmara, acórdão 10806754, sessão de 08/11/2001). Fl. 828DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721131/201365 Acórdão n.º 3301002.920 S3C3T1 Fl. 829 27 “MULTA DE OFÍCIO. RESPONSABILIDADE DA SUCESSORA OU INCORPORADORA. A exegese do art. 132 do CTN deve ser alcançada pela combinação com o art. 129 do CTN, de forma que se aplica igual tratamento aos créditos tributários constituídos antes ou posterior ao evento sucessório. A multa do art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, tem natureza objetiva, aplicandose inclusive nas hipóteses de sucessão tributária, cobrandose da sucessora, sobre a falta ou insuficiência de recolhimento de tributos ou contribuições relativos a fatos geradores ocorridos antes da sucessão.” (2º Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, acórdão 20177737, sessão de 07/07/2004) Portanto, não pode ser afastada a responsabilidade da sucessora em relação à multa de ofício lançada em razão de infração cometida pela sucedida. (...) Além do que tudo foi exposto, vê se do protocolo de incorporação, fls. 17/20, que incorporada e incorporadora pertencem ao mesmo grupo econômico, sendo aplicável no caso o disposto na seguinte súmula: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Conclusão: Dessa forma, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário somente para afastar a incidência dos juros de mora no auto de infração da Cofins, cujos valores foram objetos de depósitos judiciais do montante integral, mantendo o lançamento e negando provimento ao recurso voluntário em relação às demais matérias. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 829DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 04/ 05/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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