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Numero do processo: 13896.908396/2009-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2006
VALOR RETIDO DA CONTRIBUIÇÃO. ANTECIPAÇÃO. DEVER DE DEDUZIR PARA APURAR O DEVIDO.
O valor retido é considerado antecipação do que for devido no período de apuração. O pagamento da contribuição cujo valor se baseie em cálculo em que não houve a dedução desse valor antecipado pode justificar ser ele enquadrado como pagamento a maior que o devido.
DCTF. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA.
A demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência de erro no preenchimento e cálculo das informações contidas em declaração fiscal prestada pela contribuinte, justifica a Administração acolher a sua retificação.
Dar provimento ao recurso.
Reconhecer Direito creditório.
Homologar compensação.
Numero da decisão: 3401-003.008
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que propôs a conversão do julgamento em diligência.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/04/2006 VALOR RETIDO DA CONTRIBUIÇÃO. ANTECIPAÇÃO. DEVER DE DEDUZIR PARA APURAR O DEVIDO. O valor retido é considerado antecipação do que for devido no período de apuração. O pagamento da contribuição cujo valor se baseie em cálculo em que não houve a dedução desse valor antecipado pode justificar ser ele enquadrado como pagamento a maior que o devido. DCTF. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA. A demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência de erro no preenchimento e cálculo das informações contidas em declaração fiscal prestada pela contribuinte, justifica a Administração acolher a sua retificação. Dar provimento ao recurso. Reconhecer Direito creditório. Homologar compensação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2006 VALOR RETIDO DA CONTRIBUIÇÃO. ANTECIPAÇÃO. DEVER DE DEDUZIR PARA APURAR O DEVIDO. O valor retido é considerado antecipação do que for devido no período de apuração. O pagamento da contribuição cujo valor se baseie em cálculo em que não houve a dedução desse valor antecipado pode justificar ser ele enquadrado como pagamento a maior que o devido. DCTF. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA. A demonstração, acompanhada das provas hábeis, da existência de erro no preenchimento e cálculo das informações contidas em declaração fiscal prestada pela contribuinte, justifica a Administração acolher a sua retificação. Dar provimento ao recurso. Reconhecer Direito creditório. Homologar compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria, dar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que propôs a conversão do julgamento em diligência. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 83 96 /2 00 9- 96 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 14/ 01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida este processo de pedido de compensação que foi indeferido. A contribuinte transmitiu em 21/07/2006 a PER/DCOMP pleiteando o aproveitamento de crédito de PIS/PASEP do período de apuração 04/2006, que afirma ter recolhido a maior que o devido, para compensar com o débito do CSLL, do período de apuração do 2º trimestre de 2006, no valor de R$ 63,37. A autoridade de jurisdição, em despacho decisório de 22/06/2009, não homologou a compensação por não existir saldo de crédito disponível para compensar o débito do CSLL, pois o pagamento de onde haveria o suposto saldo credor já havia sido todo utilizado para quitar outro débito. A contribuinte manifestou sua inconformidade alegando: No recolhimento do DARF do período de apuração 04/2006 recolheu a contribuição no valor R$133,17 quando o correto seria de R$11,40, deixando assim de compensar o valor antecipado, mencionado acima. Em 21/07/2006 o contribuinte solicitou a compensação do saldo remanescente do PIS retido na fonte de R$63,37 através do PER/DCOMP, declaração n° 05864.40311.210706.1.3.041207 compensando com a CSLL apurada no 2° trim/2006 (cópia anexa doc. 3). A origem da cobrança é decorrente do equivoco no preenchimento da DCTF do 1°semestre de 2006 entregue em 03/10/2006 conforme recibo n° 26.76.37.93.7213, pagina 11, quando foi declarado o valor total do DARF como débito apurado sem efetuar os cálculos da compensação (cópia anexa doc. 4). O contribuinte efetuou a retificação da DCTF em 13/07/2009 conforme recibo n° 05.29.35.36.9204, corrigindo o erro conforme página 8 (cópia anexa doc 5). A vista de todo exposto, demonstrado o direito ao credito, espera e requer o contribuinte seja acolhida a presente manifestação de inconformidade para o fim de assim ser decidido, cancelandose o despacho decisório bem como a extinção do processo em referência. A respeitável 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, após analisar as razões da contribuinte e os demais documentos que instruem o processo, concluiu por considerar improcedente a manifestação de inconformidade e não reconhecer o direito creditório. Entenderam os julgadores, nessa ocasião, que a contribuinte não apresentou provas hábeis da existência do crédito e a referendar a retificação; e, ainda, que o caso se trata de retenção da contribuição, e pelo artigo 36 da Lei n. 10.833/2003, é antecipação, e na hipótese de um excesso de retenção ele não se configuraria pagamento a maior que o devido, e não havia previsão legal a autorizar a compensação, mas apenas a dedução. O Acórdão n.º 0538.043, de 23/05/2012, ficou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2004 DCTF. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVA. A retificação da declaração pela contribuinte, que exclui o valor devido do tributo originariamente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas Fl. 227DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 14/ 01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13896.908396/200996 Acórdão n.º 3401003.008 S3C4T1 Fl. 3 3 hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. NÃO COMPROVAÇÃO. EFEITO. A falta de comprovação do crédito objeto da Declaração de Compensação apresentada impossibilita a homologação da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte ingressou com recurso voluntário contra essa decisão e rogou pelo reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação. Para tanto, apresentou demonstração da existência do saldo credor do PIS e, para comprovar, juntou documentos, autenticados pela repartição de origem. É o relatório. Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Sobre a apreciação dos documentos juntados com o recurso voluntário: Preliminarmente, repetindo o relator da sessão de 1º piso, averiguo "que o processo se refere a processamento eletrônico de compensação, sem que incidisse em critérios de baixa para tratamento manual ou mais pormenorizado pela autoridade competente". Apenas não posso acompanhálo em sua assertiva que o contencioso deve "ser apreciado apenas com as informações disponíveis nos bancos de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB". Acrescento que a contribuinte foi notificado do auto de infração e essa foi a primeira oportunidade de assimilar o teor do procedimento fiscal e da sua razão, para, a partir daí, apresentar as suas alegações e requerer a retificação. A contribuinte não foi intimada a prestar esclarecimentos antes da autuação, mas teve que fazêlo com o contencioso. Essa consequencia do processamento eletrônico de compensação é que me leva a freqüentemente propor a mitigação do instituto da preclusão para que a contribuinte possa, com seu recurso, trazer suas alegações e elementos de prova, tudo isso para fazer valer o direito à plena defesa e ao contraditório e o princípio da verdade material. Não haveria como fazêlo plenamente antes da instalação do contencioso, uma vez que a compreensão do lançamento só pode avançar com a resposta dos julgadores a quo às alegações inicialmente apresentados pela contribuinte. Por Fl. 228DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 14/ 01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA 4 isso proponho sejam apreciados por este Colegiado os elementos de prova trazidos pela contribuinte em seu recurso. Sobre a existência de saldo credor e a retificação da DCTF para os PAs em questão: A contribuinte traz aos autos cópias das notas fiscais, do Livro Diário, das DCTFs, do Livro Razão e dos PER/DCOMPs. Tratase documentação extraída da escrituração contábil e fiscal, e, ao meu ver, ela concorre a que possamos aferir a natureza das operações, a ocorrência do fato gerador, o cálculo do valor devido e verificar a procedência das informações prestadas. Analisei os documentos acostados pela contribuinte aos autos com seu recurso e cheguei à conclusão que houve pagamento de PIS superior ao devido no período de 04/2006, e que, após o aproveitamento do excedente desse pagamento nos meses de maio e junho de 2006, ainda restaria um saldo favorável à contribuinte de R$ 63,37. Considerandoas procedentes e válidas, o exame das informações constantes dos documentos apresentados pela contribuinte em seu recurso demonstram que houve erro na declaração inicialmente prestada pela contribuinte, na determinação do valor que seria devido e no valor pago para quitar o que seria devido da contribuição social. Considerandoos válidos, a revisão desses documentos pode nos levar a concluir que deveria ser aceita a retificação da DCTF, e que os dados constantes dos sistemas informatizados da Receita Federal deveriam refletir essa correção, nos termos autorizados pelos §§ do artigo 147 da Lei n. 5.172, de 1966. Sobre a impossibilidade da compensação por falta de previsão legal: Os julgadores de 1º piso também justificam a sua decisão que o caso se trata de retenção da contribuição, e pelo artigo 36 da Lei n. 10.833/2003, é antecipação, e na hipótese de um excesso de retenção ele não se configuraria pagamento a maior que o devido, e não havia previsão legal a autorizar a compensação, mas apenas a dedução. In verbis: A única prova documental juntada aos autos, no caso a Nota Fiscal de prestação de serviços com as retenções obrigatórias do imposto de renda, CSLL Cofins e Pis /Pasep introduzidas pela Lei 10.833/2003, por pagamentos efetuados a pessoas jurídicas a outras pessoas jurídicas de direito privado ,pela prestação de serviços , no caso o de assessoria, não se presta a sustentar o suposto direito de crédito. Mencionados valores, no período a que se refere o crédito pleiteado, nos termos do que disciplina o artigo 36 da citada lei, são considerados como antecipação do que fosse devido pelo contribuinte em relação à mesma contribuição e poderiam ser utilizados como dedução. Neste contexto, um hipotético excesso de retenção, não se configuraria, por absoluta falta de previsão legal em pagamento indevido ou a maior, inviabilizando a compensação com outros tributos e contribuições administrados pela RFB Receita Federal do Brasil. Vejamos o que informa o citado artigo 36 da Lei n.º 10.833, de 2003: Fl. 229DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 14/ 01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Processo nº 13896.908396/200996 Acórdão n.º 3401003.008 S3C4T1 Fl. 4 5 Art. 36. Os valores retidos na forma dos arts. 30, 33 e 34 serão considerados como antecipação do que for devido pelo contribuinte que sofreu a retenção, em relação ao imposto de renda e às respectivas contribuições. Leio e interpreto esse dispositivo; e reviso os fatos em discussão; e ouso divergir dos eminentes julgadores. Entendo que o valor retido é antecipação do valor devido, e isso implica que o valor antecipado deve ser deduzido na determinação do que é o valor devido. O pagamento da contribuição sem o cômputo do valor retido, através da dedução, significa que o pagamento está sendo feito a maior do que seria devido. E este é o caso aqui em discussão. A contribuinte pagou R$ 133,17 para quitar o PA 04/2006, deixando de deduzir o valor de R$ 121,77 retido nas notas fiscais 080 e 081. O recolhimento via DARF de R$ 133,17, em meu sentir, foi maior do que seria devido. Desse dispositivo legal podemos inferir que é direito da contribuinte ver corrigida a apuração do valores devidos e a alocação dos valores pagos e retidos para quitar o que era devido. O que a contribuinte pleiteia é a compensação do saldo credor desse pagamento via DARF, e não a compensação do valor que foi retido. Portanto, entendo que não procede a argumentação dos julgadores a quo, pois o fato não corresponde ao aventado em sua análise, não sendo aplicável à espécie a proibição legal apontada. Considerando os cálculos feitos neste processo, podemos chegar à fixação que o valor credor no 2º trimestre de 2006 dessa contribuição social seria suficiente para ser aproveitado para compensar o débito do CSLL do 2º trimestre de 2006. Conclusão Tendo em vistas as considerações feitas, a validade dos documentos e informações prestadas, os princípios que devem reger os atos da administração pública, inclusive da razoabilidade, proporcionalidade e economicidade, proponho a este colegiado dar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 14/ 01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10665.902271/2010-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/06/2005
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento
Numero da decisão: 3802-002.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015)
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sérgio Celani, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn.
Nome do relator: CLAUDIO AUGUSTO GONCALVES PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/06/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sérgio Celani, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/06/2005 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki – Presidente 2ª Câmara / 3ª Seção (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 22 71 /2 01 0- 11 Fl. 56DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 01/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira (relator), Francisco José Barroso Rios, Paulo Sérgio Celani, Regis Xavier Holanda (presidente) e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressalto que, nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc para a formalização do acórdão, considerando o resultado do julgamento nos termos da ATA da correspondente sessão de julgamento. Por bem retratar os fatos, reproduzo, abaixo, o relatório que foi objeto da decisão de primeira instância: O contribuinte transmitiu em 15/03/2007 Per/Dcomp para compensar crédito proveniente de pagamento indevido a maior de Contribuição para o PIS/PASEP, período de apuração 01/06/2005 a 30/06/2005, com débito de Cofins, período de apuração fevereiro de 2007. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Divinópolis não homologou a compensação realizada e, no Despacho Decisório de fl. 31, justificou a decisão com os dizeres: “A partir das características do DARF discriminado no Per/Dcomp acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação dos débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no Per/Dcomp.” No Despacho Decisório consta também que o pagamento de R$ 92,86 está integralmente vinculado ao débito de PIS, código 8109 período de apuração 30/06/2005, conforme DCTF ativa. Irresignado com a decisão, ciência em 20/09/2010, a requerente apresenta Manifestação de Inconformidade, em 08/10/2010, para pedir, preliminarmente, que “seja declarado nulo o citado despacho, tendo em vista a deficiência de fundamentação deste, o que impossibilita a plena defesa da manifestante.” Alega também “que não existe nenhuma norma que determine a retificação das DCTFs nos casos de pagamentos indevidos a maior, para que seja suprimido em tal declaração o valor do crédito compensado.” Solicita, ainda, que “caso não seja declarado nulo o citado despacho, o que se admite tãosomente pelo princípio da eventualidade e para efeitos de pedido, que ele seja julgado improcedente, com a conseqüente homologação das compensações.” Em síntese, é o relatório. A primeira instância, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento objeto da lide em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/06/2005 COMPENSAÇÃO Somente são passíveis de compensação os créditos comprovadamente existentes, devendo estes gozarem de liquidez e certeza na data da apresentação/transmissão da Declaração de Compensação. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 01/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 10665.902271/201011 Acórdão n.º 3802002.033 S3TE02 Fl. 56 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado da referida decisão em 30/05/2011 (efls. 43), o sujeito passivo apresentou, em 10/06/2011 (efls. 44), o recurso voluntário de efls. 44/50 onde reitera os argumentos apresentados na primeira instância em favor da nulidade do despacho decisório por deficiência na fundamentação, e quanto à inexistência de norma legal que tornasse obrigatória a retificação da DCTF. Requer, por fim, seja dado provimento ao seu recurso para que seja declarado nulo o despacho decisório ou julgado improcedente o acórdão recorrido com a consequente homologação da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios, redator ad hoc designado para formalizar a decisão, uma vez que o conselheiro relator, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, não mais compõe este colegiado, retratando, assim, a hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015: Abaixo reproduzo integralmente o voto apresentado pelo Conselheiro Relator na ocasião em que o feito foi julgado (sessão do dia 24/09/2013): Tendo em vista a presença dos requisitos regulares do desenvolvimento positivo do Recurso ora interposto pela recorrente, voto pelo seu Conhecimento e conseqüente análise do mérito recursal No que concerne à alegação de falta de fundamentação e de motivação nas decisões proferidas pela Fazenda Nacional, tais alegações trazidas pelo recorrente não procedem e devem ser rechaçadas de pronto, porquanto nelas foram preenchidos os requisitos legais decorrentes do Decreto nº 70.235/72 e demais disposições constitucionais e administrativas. Sobre a DCTF, que é uma declaração de débitos e créditos tributários federais, contendo informações relativas aos tributos e contribuições de créditos, como também sobre a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, é um documento que, não retificado, elimina o crédito de imediato. Ou seja, no encontro de contas, ocorre a compensação. Essa é a lógica do sistema. Daí a importância da retificação. Caso ela não seja retificada, não há como verificar a existência do crédito. E mais, esse ônus compete unicamente ao contribuinte. O fato central aqui é outro. Da análise dos documentos trazidos ao feito, nenhum reparo merece a decisão proferida pela 1ª Turma da delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, já que o recorrente não apresentou os documentos necessários para comprovar suas alegações. Conforme entendimento exposto na decisão a quo, temse que, à luz do artigo 170 do Código Tributário Nacional, para que seja possível a Fl. 58DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 01/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI 4 compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo, necessário se faz que fique comprovada a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Nesse sentido, tendo em vista a não existência dos requisitos específicos da liquidez e certeza do crédito, não há como se proceder à compensação pleiteada. Notese que os dados foram informados pelo recorrente e analisados pela Fazenda Nacional: os dados do pagamento (DARF) e dados do crédito e do débito na DCTF. A partir do confronto dos elementos acima indicados, verificouse que não havia mais crédito disponível para ser aproveitado no procedimento de compensação. O crédito reclamado não foi comprovado em nenhum momento (informações prestadas para a Receita Federal – Provas nestes autos). O artigo 146, III, letra b, da Constituição Federal, dispõe que somente a lei complementar pode tratar de obrigação, lançamento e crédito tributários. O artigo 170 do Código Tributário Nacional, ao exigir liquidez e certeza para ser efetivada a compensação, é lei complementar e, portanto, fixa pressuposto nuclear a ser cumprido pelas partes. O direito de compensar crédito tributário indevidamente pago, conforme permitido em lei, exigese que se apure previamente, por via administrativa ou judicial, a sua liquidez e certeza, em homenagem ao devido processo legal. Precedentes do STJ – REsp n. 111.034/AL – REsp 76.230/PE – REsp 78.493 – REsp 98.197/RS. Posto Isto, voto pelo CONHECIMENTO DO RECURSO e NEGO LHE PROVIMENTO, mantendo a decisão de primeira instância. Este, portanto, foi o entendimento proferido pelo conselheiro relator na ocasião em que o feito foi julgado, entendimento o qual reproduzo por força do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Redator ad hoc Fl. 59DF CARF MF Impresso em 09/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 01/ 10/2015 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 09/10/2015 por JOEL MIYAZAKI
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Numero do processo: 15374.720068/2009-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1101-000.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR O JULGAMENTO, até a apreciação do recurso voluntário contido no processo administrativo nº 16682.720933/2011-96, a ser distribuído por conexão ao Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, vencido em sua proposta de negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa.
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator
(assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Sérgio Gomes (Substituto Convocado), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior e Gilberto Baptista (Suplente Convocado).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR O JULGAMENTO, até a apreciação do recurso voluntário contido no processo administrativo nº 16682.720933/2011-96, a ser distribuído por conexão ao Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, vencido em sua proposta de negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Sérgio Gomes (Substituto Convocado), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior e Gilberto Baptista (Suplente Convocado).
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em SOBRESTAR O JULGAMENTO, até a apreciação do recurso voluntário contido no processo administrativo nº 16682.720933/201196, a ser distribuído por conexão ao Relator Conselheiro Benedicto Celso Benício Júnior, vencido em sua proposta de negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR – Relator (assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Redatora designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Sérgio Gomes (Substituto Convocado), José Ricardo da Silva RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .7 20 06 8/ 20 09 -8 4 Fl. 4223DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 3 2 (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior e Gilberto Baptista (Suplente Convocado). RELATÓRIO Trata o presente litígio das Declarações de Compensação – DCOMP’s relacionadas às fls. 1200/1210 (fls. 2266/2276, na numeração original), a seguir arroladas: DCOMP FLS. 33166.88803.100107.1.7.026880 08/45 35007.08103.011106.1.7.027704 46/49 42557.78914.011106.1.7.020762 50/53 37526.90424.011106.1.7.023309 54/57 18334.54290.011106.1.7.028730 58/61 31233.57182.011106.1.7.029202 62/65 25530.08396.011106.1.7.024307 66/69 01505.49411.011106.1.7.028013 70/73 27602.24522.011106.1.7.028566 74/77 39563.73340.011106.1.7.022301 78/81 Sobreditas DCOMP’s indicaram crédito correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado, pela declarante, no anocalendário de 2002 – valor que, segundo a Ficha 12A (fl. 06) da Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ do exercício de 2003, totalizava R$ 36.428.530,21 (trinta e seis milhões, quatrocentos e vinte e oito mil, quinhentos e trinta reais e vinte e um centavos). Por meio do despacho decisório de fls. 1200/1216 (numeração original: fls. 2266/2282), a d. DEMAC/RJO/DIORT reconheceu, do valor referido acima, direito creditório equivalente a apenas R$ 24.439.021,40 (vinte e quatro milhões, quatrocentos e trinta e nove mil, vinte e um reais e quarenta centavos), nos termos explicitados pela tabela encartada à fl. 1204 (numeração original: fl. 2270), adiante reproduzida: Linha (DIPJ/2003) Discriminação Valor (R$) Novo Cálculo (R$) Fl. 4224DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 4 3 1 Imposto de Renda sobre o Lucro real (15%) 0,00 0,00 2 Imposto de Renda sobre o Lucro real (6%) 0,00 0,00 13+14 () IRRF e IRRF por órgão público 33.513.338,12 Nas DCOMP’s 33.513.248,12 24.114.147,47 16 () Imposto de Renda mensal pago por estimativa 2.915.192,09 324.873,93 18 Total do Imposto de Renda a pagar (36.428.530,21) (24.439.021,40) Irresignada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 1222/1240, mediante a qual afirmara que o saldo negativo pretendido, montante em R$ 36.428.530,21 (trinta e seis milhões, quatrocentos e vinte e oito mil, quinhentos e trinta reais e vinte e um centavos), “é claro e advém da estimativa de IRPJ do período de fevereiro de 2002, e das retenções na fonte decorrentes de serviços prestados a órgãos públicos”. Mais precisamente, a ora recorrente asseverou, em primeira instância, que o saldo negativo de IRPJ do anobase de 2002 teria a seguinte composição: Descrição Órgãos públicos (R$) Financeiras (R$) Juros sobre Capital Próprio (R$) Estimativas quitadas com saldo negativo de IRPJ do anobase de 2001 (R$) Total (R$) Retenções na fonte do ano base de 2002, conforme DIPJ/2003 11.344.472,79 16.877.944,12 5.290.921,21 2.915.192,09 36.428.530,21 Crédito homologado na PER/DCOMP nº 6880 (6.295.640,41) (10.806.433,13) (17.102.073,54) Crédito homologado (1.336.781,55) (6.071.510,99) (7.408.292,54) Fl. 4225DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 5 4 na Intimação nº 1205/2011 Retenções na fonte pendentes de homologação 3.712.050,83 5.290.921,21 2.915.192,09 11.918.164,13 Relativamente ao denominado “Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa”, valorado em R$ 2.915.192,09 (dois milhões, novecentos e quinze mil, cento e noventa e dois reais e nove centavos), a manifestante asseverou, de início, que: a.1. do total do saldo negativo de IRPJ apurado no anobase de 2001 – R$ 49.151.036,30 (quarenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, trinta e seis reais e trinta centavos), o processo administrativo nº 10768.011910/200270 só administrara R$ 41.113.086,04 (quarenta e um milhões, cento e treze mil, oitenta e seis reais e quatro centavos), remanescendo, pois, o valor de R$ 8.037.950,26 (oito milhões, trinta e sete mil, novecentos e cinquenta reais e vinte e seis centavos). Deste último, utilizouse, nestes autos, somente R$ 2.915.192,09 (dois milhões, novecentos e quinze mil, cento e noventa e dois reais e nove centavos), para fins de compensação da estimativa de IRPJ tocante ao mês de fevereiro de 2002. A outra parcela do excedente em comento, por sua vez, fora empregada em compensações administradas pelo processo administrativo nº 16682.720933/201196; a.2. o entendimento de que a totalidade do saldo negativo apurado no ano calendário de 2001 “já havia sido analisada e utilizada para quitação de débitos nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, tendo remanescido apenas R$ 316.857,44, da totalidade do saldo negativo de 2001”, seria, pois, absolutamente equivocado; a.3. “jamais poderia a D.Autoridade Fiscal entender que, por força do acórdão nº 7.669 (doc. 06), prolatado pela 3ª Turma da DRJ/RJ, o saldo creditório pleiteado é inexistente, uma vez que, no processo n° 10768.011910/200270, o pedido de restituição se limitou a R$ 41.113.135,12, dos R$ 49.151.036,30 a que a Recorrente faz jus”; a.4. foi exarado, nos autos do processo administrativo nº 16682.720933/2011 96, despacho decisório contra o qual a peticionária apresentou a devida manifestação de inconformidade, voltada a esclarecer “toda a composição do saldo negativo do ano de 2001 (doc.8)”. Foram juntados, na ocasião, “diversos informes de retenção na fonte”, ao mesmo tempo em que se requerera a realização de diligência fiscal e de perícia contábil; a.5. seria essencial, portanto, o aproveitamento, aqui, das provas e da decisão a ser prolatada no bojo do processo administrativo nº 16682.720933/201196. Para tanto, os dois feitos deveriam ser anexados, eis ter sido juntada naquele “toda a documentação comprobatória das retenções na fonte referentes aos R$ 8.037.950,26”. Em segundo lugar, quanto aos alcunhados “Juros sobre Capital Próprio”, equivalentes a R$ 5.290.921,21 (cinco milhões, duzentos e noventa mil, novecentos e vinte e um reais e vinte e um centavos), a interessada disse se tratarem de “retenções decorrentes do pagamento de Juros sobre Capital Próprio pagos à Star One, os quais foram devidamente recolhidos conforme se infere do DARF abaixo colacionado”. Fl. 4226DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 6 5 Ato contínuo, ao se pronunciar sobre as retenções de IR acima aludidas, correspondentes a R$ 3.712.050,83 (três milhões, setecentos e doze mil, cinquenta reais e oitenta e três centavos), a postulante asseverou terem sido elas realizadas, precipuamente, por órgãos públicos tomadores de serviços. Aduziu, nesse sentido, que: b.1. “presumese a existência dos valores retidos”; b.2. “o rendimento de onde se originou o referido crédito integrou a base de tributação do IRPJ, conforme se verifica do exame da Ficha 06A da DIPJ 2003 – Demonstração do Resultado (Doc.03)”; b.3. “o próprio despacho decisório reconhece que os valores detalhadamente indicados na Dcomp como originários do crédito são compatíveis com os valores indicados na DIPJ e que foram devidamente oferecidos à tributação.”; b.4. não poderia a interessada ser prejudicada “em virtude de equívocos procedimentais cometidos pelo órgãos públicos quando da elaboração de suas DIRFs”, porque “cabalmente demonstrado e confirmado pela própria Autoridade Julgadora, os rendimentos oferecidos à tributação são compatíveis com os rendimentos indicados pela Recorrente como parte integrante do seu crédito”. Noutras palavras, a requerente “não pode ser responsabilizada pelas inconsistências das DIRFs dos órgãos públicos, únicos responsáveis pelas informações prestadas ao Fisco, e que podem esclarecer a ‘razão das inconsistências’”; b.5. seria essencial a conversão deste julgamento em diligência, “a fim de que os órgãos públicos sejam intimados a informar os valores pagos ao interessado e os valores retidos no anocalendário de 2002”. A despeito disso, “em que pese a necessidade da realização de diligência para que os órgãos públicos informem os valores retidos e apresentem os respectivos comprovantes de retenção, a Requerente vem apresentar o anexo CD que contém os comprovantes das retenções na fonte, no valor de R$ 3.023.610,84, que apresentam quase a integralidade do montante retido na fonte (doc.09).”; b.6. “continuará na busca dos demais comprovantes, a fim de demonstrar que todos os valores indicados em suas Dcomps foram efetivamente objeto de retenção pelos órgãos públicos para os quais prestou serviços”. Reiterada foi, outrossim, a solicitação de “diligência consubstanciada na intimação dos órgãos públicos para os quais prestou serviço no ano de 2001 e 2002, os quais tinham obrigação legal de reter o Imposto de Renda Retido na Fonte e informar tais retenções em suas DIRFs, a fim de que informem: a) os valores pagos à Requerente nos anos de 2001 e 2002, em contraprestação aos serviços prestados; b) os valores retidos na fonte a título de IRPJ nos anos de 2001 e 2002 em virtude dos pagamentos efetuados relacionados ao item (i)”. b.7. seria indispensável, ademais, a produção de perícia contábil, para a qual já se nomearia o competente assistente técnico, com o desiderato de que fossem esclarecidas as seguintes questões: “1. Queira o Sr. Perito esclarecer se nos faturamentos direcionados a órgãos da administração indireta foram realizadas, nos anos de 2001 e 2002, as retenções pelos órgãos da administração, dos valores determinados em Lei; 2. Sendo positiva a resposta anterior, informar as datas e os valores que foram objeto das citadas retenções; Fl. 4227DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 7 6 3. Queira o Sr. Perito esclarecer se os valores apontados no quesito (ii) correspondem aos valores que foram objeto das declarações de compensação apresentadas pela Requerente.” b.8. além da realização da diligência e da perícia contábil, deveria ser autorizada a posterior juntada dos comprovantes de retenção de IRPJ relativos ao anocalendário de 2002. Caso não se entendesse pela reunião deste feito ao processo administrativo nº 16682.720933/201196, também deveria ser concedida a possibilidade de ulterior juntada dos comprovantes de retenção de IRPJ atinentes ao anobase de 2001. Em 10.01.2012, a peticionária aviou a petição de aditamento de fls. 1442/1446, via da qual afirmou que: c.1. o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, como já explicado na manifestação inconformista, é composto pela seguintes parcelas: i) R$ 11.344.472,79 (onze milhões, trezentos e quarenta e quatro mil, quatrocentos e setenta e dois reais e setenta e nove centavos), atinentes a retenções concretizadas por órgão públicos tomadores de serviços; ii) R$ 16.877.944,12 (dezesseis milhões, oitocentos e setenta e sete mil, novecentos e quarenta e quatro reais e doze centavos), tocantes a retenções realizadas por instituições financeiras; iii) R$ 5.290.921,21 (cinco milhões, duzentos e noventa mil, novecentos e vinte e um reais e vinte e um centavos), referentes a juros sobre o capital próprio; e iv) R$ 2.915.192,09 (dois milhões, novecentos e quinze mil, cento e noventa e dois reais e nove centavos), tangentes à estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2002; c.2. do total da glosa de valores retidos por órgãos públicos (R$ 3.712.050,83), juntouse, via manifestação de inconformidade, por meio de CD, Comprovantes e Informes de Rendimentos e de Retenção correspondentes a R$ 3.023.610,84 (três milhões, vinte e três mil, seiscentos e dez reais e oitenta e quatro centavos). A requerente pisou, nesse horizonte, que “continua vasculhando seus arquivos externos, na tentativa de localizar os demais rendimentos montando R$ 688.439,99”; c.3. todas as retenções derivadas de receitas financeiras, montadas em R$ 16.877.944,12 (dezesseis milhões, oitocentos e setenta e sete mil, novecentos e quarenta e quatro reais e doze centavos), foram homologadas pelo despacho decisório. Não haveria, pois, o que se discutir; c.4. em seu remédio inconformista, equivocouse a postulante ao informar que o montante de R$ 5.290.923,21 (cinco milhões, duzentos e noventa mil, novecentos e vinte e três reais e vinte e um centavos) correspondia a retenções na fonte decorrentes do pagamento de Juros sobre Capital Próprio à “Star One S.A.”. Na verdade, o montante questionado se refere às retenções realizadas pela própria “Star One S.A.”, recolhidas sob o código 5706 – “IRRF juros sobre capital próprio”, decorrentes do pagamento, por esta à peticionária, de juros sobre capital. Isso é o que atesta o comprovante de fl. 1447; Fl. 4228DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 8 7 c.5. “ao contrário do entendimento firmado no despacho decisório, o saldo negativo de IRPJ de 2001 não foi integralmente solicitado, nem tampouco utilizado nas compensações realizadas nos autos do processo 10768.011910/200270, no qual foi requerida a utilização de R$ 41.113.135,12, dos R$ 49.151.036,30 declarados”; c.6. “considerandose que a estimativa de fevereiro de 2002 foi devidamente quitada com o saldo negativo do anobase de 2001, fazse necessário o provimento da manifestação de inconformidade, para fins de reformar parcialmente o despacho decisório, reconhecendo integralmente o crédito pleiteado (...)”. No quadro abaixo reproduzido (fl. 1445), a interessada assim resumiu os componentes de créditos referidos: Créditos pleiteados (R$) Créditos comprovados (R$) I – Retenções de órgãos públicos 11.344.472,79 7.637.421,96 (homologado pelo despacho decisório) 3.023.610,84 (Comprovantes e Informes de Rendimentos e de Retenção juntados à manifestação) Subtotal: 10.656.032,80 II – Retenções decorrentes de aplicações financeiras 16.877.944,12 16.877.944,12 (homologado pelo despacho decisório) III – Retenção por conta do recebimento de JCP 5.290.921,21 5.290.921,21 (Comprovantes e Informes de Rendimentos e de Retenção anexados à manifestação) IV – Estimativa – fevereiro / 2002 2.915.192,09 Total de créditos comprovados / homologados 35.740.090,22 Crédito utilizado para compensação 36.428.530,21 Diferença ainda não comprovada, decorrente exclusivamente de retenções perpetradas por órgãos públicos 688.439,99 Fl. 4229DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 9 8 A 3ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro – RJ I, por meio do acórdão nº 1245.851 (fls. 2544/2569), deu provimento parcial à manifestação de inconformidade oposta, a fim de reconhecer, além do direito creditório assegurado pelo despacho decisório de fls. 1200/1216 (numeração original: fls. 2266/2282), saldo remanescente equivalente a R$ 5.290.921,21 (cinco milhões, duzentos e noventa mil, novecentos e vinte e um reais e vinte e um centavos). Assim restou ementado dito aresto: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2006, 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO MANUAL. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. ANOCALENDÁRIO 2002. ESTIMATIVA MENSAL. RETENÇÕES NA FONTE. Reformase o despacho decisório recorrido se comprovadas em parte as antecipações que integram o direito pretendido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte.” Cientificada deste acórdão em 03.08.2012 (fl. 2577), a recorrente, insatisfeita, interpôs, em 31.08.2012, o Recurso Voluntário sob apreço, entranhado às fls. 2582/2605, por intermédio do qual foram agitadas ilações similares àquelas encampadas pela manifestação inconformista. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele, portanto, conheço. (i) Considerações introdutórias Consoante se relatou, o feito sob estudo toca às DCOMP’s listadas às fls. 1200/1210 (fls. 2266/2276, na numeração original), enunciadoras de direito creditício correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, valorado em R$ 36.428.530,21 (trinta e seis milhões, quatrocentos e vinte e oito mil, quinhentos e trinta reais e vinte e um centavos). O saldo negativo em questão teria sido formado, repitase, pelos seguintes componentes: a. R$ 11.344.472,79 (onze milhões, trezentos e quarenta e quatro mil, quatrocentos e setenta e dois reais e setenta e nove centavos), atinentes a retenções de IR feitas por órgão públicos, referentes a serviços prestados a estes pela recorrente; b. R$ 16.877.944,12 (dezesseis milhões, oitocentos e setenta e sete mil, novecentos e quarenta e quatro reais e doze centavos), tocantes a retenções de IR engendradas por instituições financeiras; c. R$ Fl. 4230DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 10 9 5.290.921,21 (cinco milhões, duzentos e noventa mil, novecentos e vinte e um reais e vinte e um centavos), relativos a retenções do IR incidente ao juros sobre capital próprio pagos ou creditados, à requerente, por “Star One S.A.”; e d. R$ 2.915.192,09 (dois milhões, novecentos e quinze mil, cento e noventa e dois reais e nove centavos), tangentes ao recolhimento de estimativa de IRPJ atrelada ao mês de fevereiro de 2002. O despacho decisório inaugural confirmou as retenções noticiadas pelo item “a”, até o limite de R$ 7.236.215,40 (sete milhões, duzentos e trinta e seis mil, duzentos e quinze reais e quarenta centavos), de forma a fazer restar controvertido, naquela oportunidade, apenas o importe de R$ 4.108.257,39 (quatro milhões, cento e oito mil, duzentos e cinquenta e sete reais e trinta e nove centavos). Realizados alguns ajustes, mormente naquilo que se refere a pequenas discrepâncias existentes entre os valores insertos em DIPJ e os colocados em DCOMP, chegouse, por fim, à importância litigiosa real de R$ 4.108.167,39 (quatro milhões, cento e oito mil, cento e sessenta e sete reais e trinta e nove centavos), ora ainda discutida. Citado decisum, por outro lado, reconheceu, de pronto, a parcela de saldo negativo vinculada à totalidade das retenções mencionadas no item “b”, acima. Não há mais, destarte, qualquer controvérsia a respeito do tópico. Em terceiro lugar, não foi anuído, pela decisão de fronde, nenhuma parte das quantias retidas relatadas pelo item “c”, supra. Com isso, todo o montante de R$ 5.290.921,21 (cinco milhões, duzentos e noventa mil, novecentos e vinte e um reais e vinte e um centavos) restou, em um primeiro momento, questionado pela d. DEMAC/RJO/DIORT. Por derradeiro, o aduzido recolhimento de estimativa mencionado no item “d” do encimado rol foi, enfim, parcialmente confirmado, logrando a d. autoridade fazendária inaugural em considerálo limitado à quantia de R$ 324.873,93 (trezentos e vinte e quatro mil, oitocentos e setenta e três reais e noventa e três centavos). Pois bem. Protocolizada a manifestação de inconformidade de fls. 1222/1240, o d. colegiado recorrido reformou, parcialmente, aquele despacho decisório de origem, com o fito exclusivo de reconhecer a integralidade das retenções de IR pertinentes ao suso cuidado item “c”. Nesse cenário, então, ainda jazem duvidosas, exclusivamente, parcela das retenções feitas sob o código de receita 6190 (órgãos públicos), no importe de R$ 4.108.167,39 (quatro milhões, cento e oito mil, cento e sessenta e sete reais e trinta e nove centavos), de um lado, e parte da quitação da estimativa de IRPJ do mês de fevereiro de 2002, na monta de R$ 2.590.318,16 (dois milhões, quinhentos e noventa mil, trezentos e dezoito reais e dezesseis centavos) (R$ 2.915.192,09 – R$ 324.873,93), de outro lado. (ii) Das controversas retenções de IR por órgãos públicos, no importe de R$ 4.108.167,39 Adentrando, desde já, ao mérito da lide, de forma a seguir a linha argumentativa suscitada pela peça recursal, devemos averiguar, inicialmente, se as retenções de IR (código de receita 6190) em estudo, pretensamente perpetradas por órgãos públicos, reúnem, ou não, condições de comporem o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, passível de ser empregado nos encontro de contas ora intuídos. No limiar dos trabalhos de investigação, a d. DEMAC/RJO/DIORT encaminhou, ao contribuinte, em 29.07.2011, a Intimação nº 1205/2011 (fls. 124/126), Fl. 4231DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 11 10 mediante a qual requereu, do último, a disponibilização de toda a documentação comprobatória referente a algumas das retenções arroladas pelas DCOMP’s exordiais. Em atendimento a este pedido, a recorrente aviou, na ocasião, a petição de fl. 133, instruída pelos documentos de fls. 137/1174 e 1175/1178 – dentre os quais constavam, especificamente, vários Comprovantes e Informes de Rendimentos e de Retenção, emitidos pelas fontes de pagamento das receitas. O arcabouço probante em questão foi minudentemente examinado pela d. DEMAC/RJO/DIORT, por meio do já resenhado despacho decisório de fls. fls. 1200/1216. Na oportunidade, a parcela das retenções ora em xeque foi desconsiderada, pela autoridade competente, em função da impossibilidade de comprovação de seus valores, a partir das DIRF’s elaboradas pelas fontes pagadoras, de um lado, ou dos mencionados Comprovantes e Informes de Rendimentos e de Retenção, de outro lado. Na instância imediatamente predecessora, a recorrente reapresentou, em CD, os mesmos arquivos entregues (fls. 1199/2244) à época da resposta à Intimação nº 1205/2011 (fls. 124/126). Em seu instrumento inconformista, devidamente aditado (fls. 1442/1446), a requerente aduziu, pois, que a anexação daqueles elementos de instrução provaria a ocorrência de retenções equivalentes a R$ 3.023.610,84 (três milhões, vinte e três mil, seiscentos e dez reais e oitenta e quatro centavos), pendendo de demonstração, desta maneira, importância igual a R$ 688.439,99 (seiscentos e oitenta e oito mil, quatrocentos e trinta e nove reais e noventa e nove centavos). Iguais alegações foram ventiladas em sede recursal. Bem, passando em revista o trabalho analítico realizado pela d. DEMAC/RJO/DIORT, acreditamos, de pronto, que o critério empregado é aquele que, de fato, melhor se coaduna com a legislação vigorante. Particularmente, cremos que as glosas sob estudo obedeceram, perfeitamente, ao comando central do artigo 55 da Lei nº 7.450/1985, replicado pelo artigo 943, § 2º, do Decreto nº 3.000/1999: “Art. 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos.” A leitura deste ditame deixa claro que, para a retenção ser considerada antecipação do IR ajustado complexivamente, a pessoa jurídica deve conservar os comprovantes emitidos pela fonte pagadora dos rendimentos. Esta, por sua vez, está obrigada a fornecer dito documento, em formulário padrão definido pela Receita Federal do Brasil, em virtude da regra consolidada pelo artigo 942 do Decreto nº 3.000/1999: “Art.942.As pessoas jurídicas de direito público ou privado que efetuarem pagamento ou crédito de rendimentos relativos a serviços prestados por outras pessoas jurídicas e sujeitos à retenção do imposto na fonte deverão fornecer, em duas vias, à pessoa jurídica beneficiária Comprovante Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, em modelo aprovado pela Secretaria da Receita Federal (Lei nº4.154, de 1962, art. 13, §2º, e Lei nº6.623, de 23 de março de 1979, art. 1º). Parágrafoúnico.O comprovante de que trata este artigo deverá ser fornecido ao beneficiário até o dia 31 de janeiro do anocalendário subseqüente ao do pagamento (Lei nº8.981, de 1995, art. 86).” Fl. 4232DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 12 11 Insistase: no caso concreto, a autoridade fazendária originária anuiu com todas as retenções que puderam ser corroboradas pelas DIRF’s entregues pelas fontes retentoras, de um lado, ou pelos Comprovantes ou Informes de Retenção e de Rendimentos encartados aos autos pelo contribuinte, de outro. Das 258 (duzentas e cinquenta e oito) retenções noticiadas pela DCOMP de fls. 10/42, somente 73 (setenta e três) não puderam ser inteiramente corroboradas; para tais valores, a d. DEMAC/RJO/DIORT procedeu, então, às glosas devidas, não existindo, a nosso ver, algo a ser retocado quanto ao critério adotado. Para sanar quaisquer dúvidas, tomemos como exemplo algumas das retenções ora dissecadas. Mostraremos, assim, que bem andou o colegiado decisório exordial, frente às condições que informam o caso concreto. a) Exemplo 01: retenções vinculadas à fonte retentora inscrita no CNPJ/MF sob o nº 00.091.652/000260 Segundo informação aposta à DCOMP inaugural (fl. 10), estresido órgão público teria sido responsável pelo pagamento de rendimentos geradores de retenções equivalentes a R$ 10.486,68 (dez mil, quatrocentos e oitenta e seis reais e sessenta e oito centavos). Analisando o conjunto probante coligido pela peticionária, não logrou a Fazenda encontrar, contudo, o respectivo Comprovante de Rendimentos e de Retenção. Da mesma maneira, a quantia retida também não constava da DIRF transmitida pela pagadora, consoante informado à fl. 2257. Outra não poderia, portanto, ser a solução dada ao caso. Como se sabe, é do contribuinte o ônus de comprovar o direito creditório que aduz. Na hipótese específica das retenções de IR, tomadas como antecipação do imposto apurado complexivamente, a legislação determina que a prova pedida deve corresponder, necessariamente, ao respectivo Comprovante de Rendimentos e de Retenção, concedido pela fonte pagadora. Sem este documento, não há como se admitir o cômputo do suposto valor retido. É fato que, por vezes, a obrigatoriedade da apresentação dos Comprovantes de Rendimentos e de Retenção pode ser relativizada. Assim se dá, excepcionalmente, quando os demais elementos de prova denotem a existência da retenção pleiteada – por exemplo, quando as DIRF’s das fontes pagadoras confirmam os recolhimentos antecipados. Não é, porém, o caso. b) Exemplo 02: retenções perpetradas pela pessoa jurídica inscrita no CNPJ/MF sob o nº 00.509.018/000113 Os montantes relatados em DCOMP nem sempre guardaram correspondência com aqueles indicados pelas DIRF’s correlatas. É possível averiguar, por exemplo, na Declaração de Compensação de fronde (fl. 24), o relato de importância correspondente a R$ 1.360.401,37 (um milhão, trezentos e sessenta mil, quatrocentos e um reais e trinta e sete centavos), supostamente retida pelo órgão público epigrafado. A consulta fiscal à correlata DIRF levou a concluir, porém, pela existência de flagrantes dissonâncias quantitativas – motivo pelo qual se interpelou o contribuinte a apresentar os essenciais comprovantes, demonstrativos das cifras verdadeiras. Realizada a diligência noticiada, trouxese aos autos o Comprovante de Rendimentos e de Retenção de fl. 1208, no corpo do qual se indicavam rendimentos anuais iguais a R$ 24.885.052,54 (vinte e quatro milhões, oitocentos e oitenta e cinco mil, cinquenta e dois reais e cinquenta e quatro centavos), além de retenções totais correspondentes a R$ Fl. 4233DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 13 12 2.351.637,15 (dois milhões, trezentos e cinquenta e um mil, seiscentos e trinta e sete reais e quinze centavos). Levando em conta, então, que o valor do IR retido corresponde, no máximo, a 4,8% (quatro inteiros e oito décimos por cento) das receitas pagas ou creditadas, chegouse à quantia retida confirmada de R$ 1.194.482,52 (um milhão, cento e noventa e quatro mil, quatrocentos e oitenta e dois reais e cinquenta e dois centavos) (R$ 24.885.052,54 * 4,8%), passível de ser tomada como parte do direito creditório postulado. Todo o cômputo realizado se arrimou, àquele tempo, no artigo 5º, c/c Anexo I, da vetusta Instrução Normativa SRF nº 23/2001, in verbis: “Art. 5ºOs valores retidos na forma deste ato poderão ser compensados, pelo contribuinte, com o imposto e contribuições de mesma espécie, devidos relativamente a fatos geradores ocorridos a partir do mês da retenção. Parágrafo único. O valor a ser compensado, correspondente ao IRPJ e a cada espécie de contribuição social, será determinado pelo próprio contribuinte mediante a aplicação, sobre o valor da fatura, da alíquota respectiva, constante das colunas 02, 03, 04 ou 05 da Tabela de Retenção (...) ALÍQUOTAS NATUREZA DO BEM FORNECIDO OU DO SERVIÇO PRESTADO(01) IR(02) CSLL(03) COFINS(04) PIS/PASEP(05) PERCENTUAL A SER APLICADO(06) CÓDIGO DA RECEITA(07) · Serviços de abastecimento de água; · Telefone; · Correio e telégrafos; · Vigilância; · Limpeza, sem emprego de materiais. · Locação de mão de obra; · Intermediação de negócios; · Administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; · Factoring; · Demais serviços 4,80 1,0 3,0 0,65 9,45 6190 Fl. 4234DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 14 13 c) Exemplo 03: retenções vinculadas à fonte retentora inscrita no CNPJ/MF sob o nº 00.394.536/000643 Em terceiro lugar, também elucida a certeza do comportamento fazendário a situação das retenções perpetuadas pelo ente acima descrito. Neste ponto, a exegese da d. DEMAC/RJO/DIORT foi favorável à recorrente, dada a existência e a perfeição do imprescindível documental de prova. Consoante informado em DCOMP (fl. 22), a retenção telada montaria a R$ 61.428,21 (sessenta e um mil, quatrocentos e vinte e oito reais e vinte e um centavos). Num primeiro momento, em cotejamento com a DIRF correspondente, não foi o Fisco capaz, todavia, de confirmar a indigitada antecipação. Por tal motivo, o apontamento em questão também se tornou objeto da já comentada Intimação nº 1205/2011, entranhada às fls. 124/126. Em resposta, a recorrente obteve êxito em apresentar o Comprovante de Rendimentos e de Retenção de fl. 1207, denotativo de rendimentos equivalentes a R$ 1.359.052,61 (um milhão, trezentos e cinquenta e nove mil, cinquenta e dois reais e sessenta e um centavos), turno um, e de retenções globais correspondentes a R$ 128.430,46 (cento e vinte e oito mil, quatrocentos e trinta reais e quarenta e seis centavos), turno outro. Cominandose, em seguida, à totalidade das receitas, a alíquota máxima de 4,8% (quatro inteiros e oito décimos por cento), nos moldes suso explanados, chegou o Fisco, finalmente, à conclusão de que o IRRF pleiteado poderia chegar a até R$ 65.234,53 (R$ 1.359.052,61 * 4,8%) (sessenta e cinco mil, duzentos e trinta e quatro reais e cinquenta e três centavos) – quantia até mais elevada do que aquela efetivamente preconizada na DCOMP. Não há dúvidas, portanto, de que, em face do arcabouço documental existente à época do despacho decisório de fls. 1200/1216, as glosas determinadas pela d. DEMAC/RJO/DIORT foram precisas, devendo ser preservadas. Não há nada a se corrigir no aresto recorrido, neste ponto. Vale ressaltar que os elementos de instrução colacionados em primeira e em segunda instância são idênticos àquele juntado, pelo sujeito passivo, em reação à Intimação nº 1205/2011 (fls. 124/126). Na seara recursal, especificamente, buscou o contribuinte, apenas, ser mais didático, segregando os supostos comprovantes de retenção para cada CNPJ das fontes pagadoras. Ainda assim, não há nenhum documento que altere o cenário preexistente. A fim de incrementar a didática do voto, segue, abaixo, planilha descritiva da situação que se dessume dos documentos comprobatórios carreados ao Recurso Voluntário sob julgamento. Focaremos apenas naquelas retenções inteiramente glosadas, eis que as demais, parcialmente reconhecidas, já foram objeto de recálculos fazendários (corretos, como se elucidou amostralmente), feitos com esteio na documentação ora reapresentada. O objetivo do levantamento infra é, portanto, o de demonstrar que os elementos que instruem a peça recursal não ensejam, sequer minimamente, a ratificação das retenções já integralmente desconsideradas pelo Fisco: RETENÇÕES QUESTIONADAS DOCUMENTAÇÃO JUNTADA EM RECURSO VOLUNTÁRIO VALOR COMPROVADO EM RECURSO VOLUNTÁRIO (R$) CNPJ/MF – FONTE VALOR – VALOR RECONHECIDO Fl. 4235DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 15 14 PAGADORA DCOMP (R$) EM 1ª INSTÂNCIA (R$) 00.091.652/000260 10.486,68 0,00 0,00 00.322.818/002093 3.445,10 0,00 0,00 00.336.701/000104 2.255,81 0,00 0,00 00.348.003/000110 10.345,95 0,00 0,00 00.375.972/008498 161.578,89 0,00 0,00 00.394.411/001938 4.882,47 0,00 0,00 00.394.429/000100 3.775,96 0,00 0,00 00.394.429/012702 9.789,09 0,00 0,00 00.394.429/013350 6.075,90 0,00 0,00 00.394.437/001390 18.619,16 0,00 0,00 00.394.445/001680 72.799,06 0,00 0,00 00.394.445/018140 202.572,99 0,00 0,00 00.394.452/043686 7.688,28 0,00 0,00 00.394.460/000141 64.821,34 0,00 Cópias de DARF´s quitadas 0,00 00.394.478/000143 9.211,73 0,00 0,00 00.394.494/000217 54.130,52 0,00 0,00 00.394.494/000802 43.023,14 0,00 0,00 00.394.494/007149 184.118,51 0,00 0,00 00.394.502/000900 9.881,54 0,00 0,00 00.394.502/004565 6.373,29 0,00 0,00 00.394.502/005103 4.029,83 0,00 0,00 00.394.502/015842 5.720,42 0,00 0,00 00.394.502/024914 3.611,41 0,00 0,00 00.394.528/000435 1.899,53 0,00 0,00 00.394.528/040224 5.394,11 0,00 0,00 00.394.536/000139 6.180,57 0,00 0,00 Fl. 4236DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 16 15 00.394.544/000185 39.420,15 0,00 0,00 00.394.577/000125 20.163,86 0,00 0,00 00.464.073/000134 12.444,11 0,00 0,00 00.509.018/000970 2.600,77 0,00 0,00 00.640.110/000118 4.281,75 0,00 0,00 00.662.270/000168 4.410,25 0,00 Cópias de DARF´s quitadas 0,00 01.263.896/000326 2.412,57 0,00 0,00 02.961.362/000174 2.450,81 0,00 0,00 03.659.166/001184 12.746,51 0,00 0,00 03.736.617/000168 2.615,98 0,00 0,00 03.896.805/000153 2.895,96 0,00 0,00 10.890.804/000329 1.864,44 0,00 0,00 11.431.327/000134 1.789,88 0,00 0,00 12.179.321/000184 7.324,88 0,00 0,00 13.128.798/000101 2.106,20 0,00 0,00 13.130.497/000104 2.092,73 0,00 0,00 17.217.985/000104 1.904,84 0,00 0,00 21.154.554/000113 2.624,17 0,00 0,00 24.130.072/000111 6.960,23 0,00 0,00 26.989.715/000374 165.102,79 0,00 0,00 26.989.715/005503 3.791,59 0,00 0,00 26.994.558/000123 5.517,86 0,00 0,00 28.305.936/000140 3.171,77 0,00 0,00 28.538.734/000148 7.363,94 0,00 0,00 33.352.394/000104 1.752,81 0,00 0,00 33.628.777/000154 138.516,78 0,00 0,00 33.628.777/002360 3.591,48 0,00 0,00 33.749.086/000290 40.501,89 0,00 0,00 Fl. 4237DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 17 16 33.781.055/000992 2.216,59 0,00 0,00 37.115.342/000167 13.500,98 0,00 Cópias de DARF´s quitadas 0,00 37.115.342/002534 3.049,09 0,00 0,00 37.115.375/000379 3.947,39 0,00 0,00 37.115.383/003330 1.806,89 0,00 0,00 42.498.675/000152 1.744,47 0,00 0,00 62.070.362/000106 1.733,44 0,00 0,00 77.821.841/000194 2.707,88 0,00 0,00 Totalmente desprovidas de sentido, portanto, as alegações recursais, uma vez que, ao revés do alegado, as retenções não foram demonstradas pelos Comprovantes de Rendimentos e de Retenção existentes. Não se trata, assim, de simples inconsistência das DIRF’s elaboradas por terceiros, mas, sim, de ausência das provas mínimas, exigidas pela legislação para o reconhecimento das antecipações de IR retido, a serem aproveitadas no ajuste complexivo do imposto. (iii) Da estimativa mensal de IRPJ atinente ao mês de fevereiro de 2002 Prosseguindo a análise dos componentes controversos do direito creditório pleiteado, temos, agora, que averiguar se foram corretas ou equivocadas as glosas fazendárias impingidas ao montante quitado de estimativa mensal de IRPJ respeitante ao mês de fevereiro do anocalendário de 2002. De acordo com o que já se expôs, batese a requerente pelo reconhecimento de suposto adimplemento estimado montado em R$ 2.915.192,09 (dois milhões, novecentos e quinze mil, cento e noventa e dois reais e nove centavos). A Fazenda, entretanto, anuiu com cifra limitada a R$ 324.873,93 (trezentos e vinte e quatro mil, oitocentos e setenta e três reais e noventa e três centavos), sob os auspícios do entendimento de que este era o valor disponível para a telada quitação. Como amplamente pisado nos autos, a estimativa em questão teria sido adimplida, pelo sujeito passivo, mediante aproveitamento de parcela do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2001. Consoante arguido pela recorrente, a quantia devedora de R$ 2.915.192,09 (dois milhões, novecentos e quinze mil, cento e noventa e dois reais e nove centavos) teria sido compensada, junto de outros passivos, com fração de direito creditício equivalente a R$ 8.037.950,26 (oito milhões, trinta e sete mil, novecentos e cinquenta reais e vinte e seis centavos). Pois bem. A DIPJ/2002, transmitida pelo contribuinte, denotara, originalmente, para o ano base de 2001, saldo negativo de IRPJ correspondente a R$ 49.151,036,30 (quarenta e nove Fl. 4238DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 18 17 milhões, cento e cinquenta e um mil, trinta e seis reais e trinta centavos), conforme consignado pelo acórdão nº 7.669, lavrado pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ I, proferido nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270. Segundo aludido aresto – reproduzido, nestes autos, às fls. 101/110 –, teria sido utilizada, no bojo das compensações administradas por aquele processo administrativo, somente parcela do saldo negativo sob escólio, no importe original de R$ 41.113.135,12 (quarenta e um milhões, cento e treze mil, cento e trinta e cinco reais e doze centavos). Noutras palavras, não obstante o direito creditício total, informado na DIPJ/2002, fosse maior, somente este último valor acabara sendo, efetivamente, indicado como crédito aproveitável, no bojo do estresido processo administrativo nº 10768.011910/200270. O que ora se explica é confirmado pelo seguinte excerto, retirado do acórdão em dissecação: “1. Este processo foi inaugurado com o Pedido de Compensação, à fl. l, no valor de R$ 3.853.187,51, e com o Pedido de Restituição às fls. 2, no valor de R$ 44.965.435,88, encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária no Rio de Janeiro Derat/RJO, aos quais se seguiram 2 (dois) outros Pedidos de Compensação e 2 (duas) Declarações de Compensação, como abaixo se lista: (...) 2. Aos pedidos de fls. 1/2, o interessado juntou, além de darfs (fls. 4/6) e de comprovantes de rendimentos (fls. 7/25), a planilha de fls. 3, onde, do valor inicial de R$ 41.113.135,12, referido a janeiro de 2002, passou, mediante a aplicação de juros mensais (taxa Selic), em 31.12.2002, ao valor de R$ 44.965.435,88, montante da restituição veiculada às fls. 2.” (g.n.) Não merece guarida, desta forma, a exegese manifestada pelo colegiado a quo, adiante reproduzida, em consonância à qual todo o saldo negativo de IRPJ do anobase de 2001 teria sido objeto de petição compensatória, formatada, pela recorrente, nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270: “45. A parcela de estimativa mensal que compõe o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 é relativa a apenas uma estimativa: a de fevereiro, declarada pelo valor de R$ 2.915.192,09. 46. A compensação de tal estimativa foi homologada parcialmente: R$ 324.873,93. 47. Em sua defesa, o interessado alega, em síntese, que, do saldo negativo do anocalendário de 2001, há valor remanescente de R$ 8.037.950,26, que seria bastante para a compensação total da citada estimativa. 48. Pois bem. O saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 foi pleiteado no processo 10768.011.910/200270, no qual esta Turma proferiu o Acórdão nº. 7.669, de 19.05.2005 (fls.1.382/1.392), em que se lê: Fl. 4239DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 19 18 ‘24. Afirma, o interessado, que a origem do crédito pleiteado é o valor declarado na Ficha 12ª da DIPJ/2002, destinada ao cálculo do IRPJ a pagar (fls.42), abaixo novamente reproduzida: QUADRO 2 (repetição) Valor em Reais R$ Ficha 12 – A – DIPJ/2002 (fls.42) – IRPJ a Pagar linha 13 – Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) 26.551.168,78 linha 14 – Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público 6.808.442,21 linha 16 – Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 15.791.425,31 linha 18 – Imposto de Renda a Pagar: (49.151.036,30) 25. Fazse necessário, então, a análise de cada um dos valores declarados nas sobreditas linhas, conquanto compõem o valor da restituição/compensação pleiteada.(...) IV Conclusão 53. Assim, excluídos todos os valores de IR retidos por órgãos públicos, o valor do IR a Pagar calculado na DIPJ/2002 passa a R$ 41.113.086,04, como a seguir demonstrado: 56. Isso posto, voto para que a solicitação seja deferida em parte, reconhecendo se ao interessado o direito creditório no valor de R$ 41.113.086,04, bem como, para que, até este limite, seja homologada a compensação declarada, com fins à extinção dos débitos abaixo, reprisese, até o limite do valor do direito creditório ora reconhecido: QUADRO 07 Valores em Reais Ficha 12 – A – DIPJ/2002 linha 13 – Imposto de Renda Retido na Fonte 26.551.168,78 linha 14 – Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público 6.808.442,21 linha 16 – Imposto de Renda Mensal pago por Estimativa 15.791.425,31 linha 18 – Imposto de Renda a Pagar: (VALOR DECLARADO): (49.151.036,30) Valor de IR retido por órgão público, incluído no total da linha 16, que ora se exclui, por não ter sido comprovado: 1.229.508,05 Valor de IR retido por órgão público incluído declarado na linha 14 acima, que ora se exclui, por não ter sido comprovado: 6.808.442,21 Fl. 4240DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 20 19 IMPOSTO DE RENDA A PAGAR – SALDO NEGATIVO PASSÍVEL DE COMPENSAÇÃO (41.113.086,04) 49. Vêse, pois, que o dito acórdão, reformando o despacho decisório recorrido, reconheceu, do total do saldo negativo informado em DIPJ (R$ 49.151.036,30), apenas o direito creditório de R$ 41.113.086,04. 50. Com o sobredito direito creditório reconhecido, a autoridade lançadora homologou integralmente a compensação dos débitos de Cofins declarados. 51. Com o restante do crédito disponível R$ 324.873,93 – a autoridade lançadora homologou parte da compensação da estimativa de fevereiro de 2002 (fls. 1.196/1.198). 52. O que o interessado alega é que, naquele processo 10768.011.910/200270, além do direito creditório que foi reconhecido, há direito creditório remanescente, no valor de R$ 8.037.950,26, que não estaria incluído na decisão proferida, e que seria bastante para a homologação integral da compensação da dita estimativa de fevereiro. 53. Por isso, o interessado formalizou novo processo de compensação – 16682.720933/201196, no qual faz uso do alegado saldo negativo remanescente de IRPJ do anocalendário de 2001. 54. Ocorre que a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 já foi objeto de decisão de primeira instância administrativa, acerca da qual, não há previsão legal para novo julgamento na mesma instância. 55. Aliás, de acordo com consulta a sistema próprio deste Ministério da Fazenda Comprot, para o referido processo, que foi desarquivado em 01.04.2008, sequer há registro de que tenha sido interposta Manifestação de Inconformidade à sobredita decisão. 56. Cabe observar que, no processo 16682.720933/201196 (aquele que o interessado solicitou fosse reunido a este), foi proferido acórdão nesta Turma, que, mantendo o despacho decisório recorrido, reprisou, como ora aqui se o faz, que a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001 já foi objeto de decisão de primeira instância (fls...).” O aresto nº 7.669, de que se fala, cuidou, sim, dentre seus fundamentos, de asseverar a incorreção do valor global de crédito informado na DIPJ/2002, sentenciado em R$ 49.151.036,30 (quarenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, trinta e seis reais e trinta centavos). Assim fez, efetivamente, para demonstrar que o direito creditório pleiteado, equivalente a R$ 41.113.135,12 (quarenta e um milhões, cento e treze mil, cento e trinta e cinco reais e doze centavos), deveria ser levemente glosado, com o fito de que fosse reduzido à importância de R$ 41.113.086,04 (quarenta e um milhões, cento e treze mil, oitenta e seis reais e quatro centavos). Aquele órgão decisório inferior chegou, mesmo, a reconhecer, expressamente, que o Pedido de Restituição aviado não abrangera o saldo de R$ 8.037.950,26 (oito milhões, trinta e sete mil, novecentos e cinquenta reais e vinte e seis centavos), em função de, Fl. 4241DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 21 20 supostamente, não poder a recorrente comproválo. Não obstante isso, imiscuiuse a turma julgadora, inexplicavelmente, no próprio mérito deste sobressalente importe, à medida que afirmou que a DIPJ/2002 deveria ser retificada, pela interessada, para que figurasse o saldo negativo de IRPJ recalculado. In verbis: “55. Tal autoriza a conclusão de que o próprio interessado, reconhecendo a impossibilidade de fundar pedido de restituição em valores de retenções de IRRF, sem a exibição dos correspondentes comprovantes, limitou seu pedido ao montante comprovado, o que, em tempo se observa, não o desobriga de promover as devidas retificações na mencionada Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ/2002. 56. Isto posto, voto para que a solicitação seja deferida em parte, reconhecendo se ao interessado o direito creditório no valor de R$ 41.113.086,04, bem como, para que, até este limite, seja homologada a compensação declarada, com fins à extinção dos débitos abaixo, reprisese, até o limite do valor do direito creditório ora reconhecido: (...)” Temos, portanto, perante nós, uma situação anômala. De uma banda, parecenos que o direito creditório postulado no seio do processo administrativo nº 10768.011910/200270 correspondia, com efeito, somente a R$ 41.113.135,12 (quarenta e um milhões, cento e treze mil, cento e trinta e cinco reais e doze centavos), e não a R$ 49.151,036,30 (quarenta e nove milhões, cento e cinquenta e um mil, trinta e seis reais e trinta centavos). De outra banda, contudo, é evidente que o acórdão nº 7.669, proferido naqueles autos, glosou o saldo negativo de IRPJ informado na DIPJ/2002, consignando o dever do contribuinte de retificar esta Declaração, com o fito de fazer constar a quantia recalculada de R$ 41.113.086,04 (quarenta e um milhões, cento e treze mil, oitenta e seis reais e quatro centavos). Houve, cremos, uma clara situação de julgamento ultra petita. O colegiado recorrido, no âmbito daqueloutro processo administrativo, deu por decidir sobre parcela creditória que sequer havia sido requerida, glosandoa de ofício, a seu talante. O contribuinte, nestes termos, deveria ter interposto o devido Recurso Voluntário, com o objetivo de reformar o aresto irregular. Embora as compensações pleiteadas tivessem sido homologadas, a intromissão dos julgadores a quo no mérito do saldo credor de R$ 8.037.950,26 (oito milhões, trinta e sete mil, novecentos e cinquenta reais e vinte e seis centavos) deveria ter sido posta em xeque. Como tal medida não foi adotada, conforme se denota de simples consultas ao Sistema de Comunicação e Protocolo – COMPROT, o acórdão nº 7.669 acabou, enfim, por adquirir foros de definitividade e imutabilidade, esgotada que restou a fase litigiosa administrativa. Ora, se assim é, falece competência, a este colegiado recursal, para reformar, de ofício, aludido aresto de primeira instância, exarado no curso do processo administrativo nº 10768.011910/200270. O acórdão atacado nestes autos deve, consequentemente, limitarse a reproduzir a orientação esposada por aquele. Não há outra saída senão confirmarmos o entendimento de que a quitação da estimativa mensal de IRPJ de fevereiro de 2002 deve se limitar à quantia creditória de R$ 324.873,93 (trezentos e vinte e quatro mil, oitocentos e setenta e três reais e noventa e três centavos). (iv) Do pedido de “reunião” do corrente feito ao processo administrativo nº 16682.720933/201196 Fl. 4242DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 22 21 A peticionária, por intermédio do Recurso Voluntário em apreço, pediu a “reunião” deste feito ao processo administrativo nº 16682.720933/201196, em virtude de, supostamente, lá terem sido juntados todos os elementos documentais necessários à comprovação da composição do saldo negativo de IRPJ apurado no anobase de 2001. Sobre o assunto, cremos ter ficado bem explicado, alhures, o motivo pelo qual o valor do saldo negativo disponível já se encontra predeterminado. Írrita, pois, seria a junção solicitada, uma vez que dela não depende o julgamento ora conduzido. Deixamos, assim, de tecer considerações mais elaboradas a respeito do tópico. (v) Do pedido de realização de diligência fiscal e de perícia contábil A recorrente também peticionou pela efetivação de diligência fiscal, consubstanciada na intimação dos órgãos públicos que promoveram as retenções de IR em discussão. Segundo a postulante, tal labor seria essencial, dada a necessidade de que tais pessoas jurídicas sanassem as omissões existentes em suas DIRF’s e confirmassem todos os valores retidos declarados em DCOMP. Outrossim, foi solicitada, ainda, a concretização de prova pericial, destinada a elucidar o cenário oriundo da valoração do arcabouço instrutório juntado aos autos. Bem, a concretização de perícias ou diligências está condicionada ao binômio “necessidadeoportunidade”. Quer isso dizer que depende ela da averiguação, a juízo da autoridade julgadora de primeira instância, da efetiva essencialidade deste tipo de trabalho. Acaso prescindível tal sorte de dilação, o pedido deve, então, ser indeferido, a rigor do artigo 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (...)” As comprovações das retenções, ademais, como amplamente explanado acima, incumbiam ao contribuinte, e só a ele. A perícia e a diligência quistas não poderiam se prestar a transferir o ônus provador, retirandoo de qualquer das partes e passandoo para o próprio julgador. A simples juntada de Comprovantes ou Informes de Rendimentos e de Retenção, denotativos dos apropriados valores antecipados, tornaria despiciendas as diligências requeridas, por razões óbvias. Rejeitase, destarte, os pleitos formulados. (vi) Do protesto pela posterior juntada de documentos Por derradeiro, solicitou a postulante autorização para que pudesse juntar documentos a qualquer momento, com vistas à comprovação de suas arguições. Devese notar, em princípio, que a requerente teve bastante tempo, desde a instauração do feito, para coligir e anexar os comprovantes que alega possuir. Em todo caso, é importante sublinhar que o momento de apresentação dos documentos que instruem o litígio é, sob pena de prescrição, aquele da apresentação da impugnação ou da manifestação de Fl. 4243DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 23 22 inconformidade. Tal regra comporta exceções bem estritas, taxativamente delineadas pelo artigo 16, §§ 4º a 6º, do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância.” Isto posto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e a ele NEGO PROVIMENTO. Sala das Sessões, 09 de maio de 2013. (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator Fl. 4244DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 24 23 VOTO VENCEDOR Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Como bem relatado, o presente processo trata de compensação de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002. As DCOMP controladas nestes autos foram parcialmente homologadas porque, do crédito total alegado pela interessada (R$ 36.428.530,21), somente lhe foi reconhecida a parcela de R$ 24.439.021,40. O primeiro ponto em discussão diz respeito às retenções de imposto de renda na fonte. O valor originalmente informado em DIPJ (R$ 33.513.338,12) foi reduzido a R$ 33.513.248,12 nas DCOMP, e deste foi reconhecida a parcela de R$ 24.114.147,47. A autoridade julgadora de 1a instância, por sua vez, admitiu provada outra parcela de R$ 5.290.921,21, correspondente a retenção sobre juros sobre capital próprio. Analisando as 258 (duzentos e cincoenta e oito) retenções indicadas pela contribuinte em DCOMP, e confrontandoas com as informações prestadas pelas fontes pagadoras, a autoridade administrativa não identificou correspondência entre 66 (sessenta e seis) delas, intimando a interessada a demonstrálas. Todavia, embora juntando diversos documentos, encartados às fls. 1200/2224, a interessada somente logrou comprovar 3 (três) retenções até então não esclarecidas. Em sua manifestação de inconformidade, a recorrente distinguiu o valor não comprovado em R$ 3.712.050,83 decorrente de retenções de órgãos públicos e R$ 5.290.921,21 referente a juros sobre capital próprio. Quanto às retenções de órgãos públicos, invocou o Acórdão nº 10517.403, afirmando que ali presumese a existência dos valores retidos, e ressaltando que a decisão recorrida reconhecera o oferecimento à tributação dos valores recebidos a título de contraprestação aos serviços prestados aos órgãos públicos. Afirmou não ser responsável pela conduta das fontes pagadoras, e pediu diligência junto aos órgãos públicos, mas asseverando juntar mídia na qual estariam contidos os comprovantes de retenção referentes ao montante de R$ 3.023.610,84. A autoridade julgadora de 1a instância discordou da segregação feita pela contribuinte, observando que além da retenção a título de juros sobre capital próprio, restavam retenções de órgãos públicos a comprovar no valor de R$ 4.108.167,39. Quanto aos documentos juntados à manifestação de inconformidade, após ouvir a DEMAC/RJ, disse que eles eram idênticos aos apresentados na análise preliminar do crédito, subsistindo valores sem qualquer comprovação da retenção sofrida, na medida em que são necessários os informes/comprovantes de rendimentos para tanto. Concordo com a maior parte dos argumentos exteriorizados pelo I. Relator para manter a glosa parcial destas retenções na composição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002. Apenas ressalvo que, nos casos de retenções de órgãos públicos, admito a prova por outros meios que não a apresentação dos informes/comprovantes de rendimentos. Este é a prova prevista em lei, mas o beneficiário não pode ser prejudicado pela omissão da fonte pagadora, e pode construir provas alternativas àquela que não lhe foi possível reunir. Contudo, no presente caso, a contribuinte apenas apresentou à autoridade local extrato do sistema SIAFI, com a reprodução do DARF que teria sido recolhido pela fonte pagadora, em razão de determinada operação. Em nenhum destes documentos há o CNPJ da Fl. 4245DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 25 24 fonte pagadora mas, em regra, há informação do documento de origem da operação, que possivelmente guarda relação com a nota fiscal de prestação de serviços. Assim, a contribuinte poderia ter provado tal retenção juntando a documentação comprobatória das operações que ensejaram aqueles recolhimentos, de modo a assegurar que estes registros do SIAFI não correspondem a outras retenções que já foram admitidas porque associadas a informes/comprovantes de rendimento. Em recurso voluntário, a contribuinte reuniu estes documentos em um grupo que foi juntado às fls. 3763/4209, capeados por relatório que associa a entidade apontada no registro do SIAFI a um CNPJ. Contudo, esta prova não se faz por declaração do sujeito passivo, e sim pela apresentação da nota fiscal de prestação de serviços que guarde correspondência com o registro do SIAFI, como antes dito. Embora o beneficiário não possa, de fato, ser penalizado por ato da fonte pagadora, nem por isso está desobrigado de provar, por outros meios, a retenção sofrida. Na medida em que a contribuinte não logrou reunir elementos suficientes neste sentido, subsiste o entendimento da autoridade local, acerca do reconhecimento parcial das retenções sofridas no anocalendário 2002. O segundo ponto em discussão diz respeito à quitação da estimativa de fevereiro/2002. A contribuinte alegou que o valor total de R$ 2.915.192,09 teria sido compensado com saldo negativo do anocalendário 2001, mas a autoridade administrativa somente identificou crédito disponível para liquidação da parcela de R$ 324.873,93. No parecer que instrui estes autos (fls. 2266/2271), a autoridade competente somente se reporta à formalização da compensação da estimativa de fevereiro/2002 em DCTF, vinculada inicialmente ao processo administrativo nº 10768.011910/200270 e, posteriormente, a saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. Neste contexto, conclui que do direito creditório reconhecido no processo administrativo nº 10768.011910/200270 somente remanesceu a parcela de R$ 316.857,44 para compensação com a estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002. A recorrente reportase ao processo administrativo nº 16682.720933/201196 e, em consulta aos seus autos digitalizados, é possível verificar que ali estão tratadas DCOMP apresentadas para utilização da parcela de R$ 5.228.938,80 do saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001, cujo valor original seria de R$ 49.151.036,30. De forma semelhante, a autoridade administrativa, ao apreciar aquelas compensações, reafirmou que do direito creditório reconhecido no processo administrativo nº 10768.011910/200270 somente remanesceu a parcela de R$ 316.857,44, já utilizada em compensação com a estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002, nos autos do presente processo. Desta forma, concluiu por não homologar as compensações veiculadas naqueles autos (fls. 88/90 do processo administrativo nº 16682.720933/201196). Referida decisão foi mantida pela DRJ/Rio de JaneiroI, cujo voto condutor, reportandose ao que decidido no processo administrativo nº 10768.011910/200270, exteriorizou a seguinte conclusão: 28. Dessa forma, já julgado o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2001, não há que se falar em produção de provas para a definição de seu montante, razão por que o pedido do interessado para produção de provas (documental, diligencial e pericial) não pode ser deferido. Fl. 4246DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 26 25 29. Por fim, cabe assinalar que, proferida a decisão de primeira instância, é perante a segunda instância que deve ser interposto recurso buscando a sua reforma. 30. Todavia, para o citado processo 10768.011.910/200270 (que foi desarquivado em 01.04.2008), não há registro de Manifestação de Inconformidade, o que sinaliza que a decisão de primeira instância, a princípio, se tornou definitiva na esfera administrativa (consulta Comprot às fls.493/502). Ante a alegação da recorrente, nestes autos, que não teria pleiteado todo o saldo negativo nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, e que necessária seria a reunião destes autos ao de nº 16682.720933/201196, o I. Relator observou que a decisão proferida pela DRJ/Rio de JaneiroI, nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, teria sido ultra petita, pois, embora reconhecendo que a contribuinte somente pleiteara R$ 41.113.135,12 do crédito total de R$ 49.151.036,30, imiscuiuse a turma julgadora, inexplicavelmente, no próprio mérito deste sobressalente importe, à medida que afirmou que a DIPJ/2002 deveria ser retificada, pela interessada, para que figurasse o saldo negativo de IRPJ recalculado. Frente a esta situação, o I. Relator destacou que o colegiado recorrido, no âmbito daqueloutro processo administrativo, deu por decidir sobre parcela creditória que sequer havia sido requerida, glosandoa de ofício, a seu talante, e concluiu que a contribuinte deveria ter interposto o devido Recurso Voluntário, com o objetivo de reformar o aresto irregular, ou seja, que a intromissão dos julgadores a quo no mérito do saldo credor de R$ 8.037.950,26 (oito milhões, trinta e sete mil, novecentos e cinquenta reais e vinte e seis centavos) deveria ter sido posta em xeque. Neste ponto, ouso divergir do I. Conselheiro. Isto porque assim já me manifestei ao proferir o voto condutor do Acórdão nº 110100.382: Neste ponto, esclareçase que desde a edição da Instrução Normativa SRF nº 460/2004, a autoridade administrativa não tem mais competência de restituir indébitos tributários sem o prévio pedido do interessado, em razão da supressão do inciso III, antes contido no art. 3o da Instrução Normativa SRF nº 210/2002: Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002: Art. 3º A restituição de quantia recolhida a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia, mediante utilização do "Pedido de Restituição"; II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF); ou III – de ofício, em decorrência de representação do servidor que constatar o indébito tributário. Instrução Normativa SRF nº 460/2004: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II – mediante processamento eletrônico da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF). Assim, o remanescente do crédito permanece disponível nos sistemas de controle da RFB até que a interessada manifestese quanto à sua utilização em compensação, ou recebimento em espécie. E, somente se isto se der em valor superior àquele que restou disponível, haverá interesse processual na discussão da real existência do montante Fl. 4247DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 27 26 total de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, cumprindo à autoridade preparadora transportar para novos autos todos os elementos de convicção que resultaram na apuração do crédito original de R$ 5.286.925,66, com vistas a processarse regularmente a defesa e o julgamento da matéria. Ausente qualquer ato da interessada relativamente ao crédito não utilizado em compensação, a discussão de seu efetivo valor somente se processaria em tese, sem qualquer efeito prático, o que, aliás, vislumbrase no próprio pedido que encerra o recurso voluntário: Diante do exposto, requer a improcedência do Acórdão 03 30.469 da 2a Turma da DRJ/BSB no sentido de ser reconhecido, à CEB o total dos créditos informados a título de Saldo Negativo de IRPJ no ano calendário 2002 na DIP3 2003. Por estas razões, firmase, aqui, entendimento diverso daquele contido na decisão recorrida, que analisou a formação do direito creditório antes referido por vislumbrar ato de reconhecimento parcial daquele, e conseqüente glosa do excedente, passível de contestação no âmbito administrativo. O despacho decisório proferido pela DIORT/DRF Brasília cuidou de apenas homologar as compensações declaradas, respondendo favoravelmente à pretensão da interessada deduzida na apresentação das DCOMP. Logo, não há qualquer discordância que possa permitir a formação de litígio administrativo, carecendo a recorrente de interesse recursal. Diante deste contexto, o presente voto é no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário. Em outras palavras, só tem interesse em recorrer quem teve sua pretensão resistida. Nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270, a contribuinte pleiteou restituição no valor de R$ 41.113.135,12, a ela vinculou compensações, e teve reconhecido quase que integralmente aquele valor pela DRJ/Rio de JaneiroI, que admitiu a existência de saldo negativo de IRPJ, em 2001, no valor de R$ 41.113.086,04. Este valor, como se infere das conclusões aqui exaradas pela DERAT/RJ, foi suficiente para liquidar as compensações vinculadas àquele processo, remanescendo saldo original de R$ 316.857,44. Diante deste contexto, entendo que somente se tornou definitivo o não reconhecimento da parcela de R$ 49,08, correspondente à diferença entre o valor pleiteado (R$ 41.113.135,12) e o valor reconhecido (R$ 41.113.086,04), relativamente à qual a contribuinte não apresentou recurso voluntário nos autos do processo administrativo nº 10768.011910/200270. No âmbito de restituição, ressarcimento ou compensação, a autoridade julgadora de 1a instância somente é competente para apreciar manifestações de inconformidade contra atos das autoridades locais, cuja atuação está, por sua vez, limitada ao que é requerido ou declarado pelo sujeito passivo. Assim, a autoridade julgadora de 1a instância pode até recomendar que o sujeito passivo promova a adequação de sua apuração original às constatações que integram a fundamentação do voto condutor do acórdão, de modo a evitar a prática de atos que possivelmente serão contestados administrativamente. Mas este cuidado, de forma alguma, pode ser interpretado como uma decisão acerca de algo que não havia sido, sequer, apreciado pela autoridade local, à qual a lei atribui a competência inicial para análise de créditos pleiteados ou utilizados pelos sujeitos passivos. De fato, a autoridade julgadora de 1a instância não tinha conhecimento da destinação dada pela contribuinte à parcela remanescente do saldo negativo de IRPJ do ano Fl. 4248DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 28 27 calendário 2001. Tanto o é que o dispositivo da decisão administrativa limitase a deferir parcialmente o direito creditório ali pleiteado e a determinar sua imputação às compensações declaradas naqueles autos: Isso posto, voto para que a solicitação seja deferida em parte, reconhecendose ao interessado o direito creditório no valor de R$ 41.113.086,04, bem como, para que, até este limite, seja homologada a compensação declarada, com fins à extinção dos débitos abaixo, reprisese, até o limite do valor do direito creditório ora reconhecido (grifos e sublinhas nossos). Por sua vez, a análise do saldo negativo por inteiro, a partir do valor originalmente informado na DIPJ, ou na escrituração do sujeito passivo, é a única forma de aferição da existência deste tipo de crédito. Assim, quer o pedido seja integral, quer seja parcial, a análise sempre terá como referência a apuração original do sujeito passivo na íntegra. Apenas que, o resultado daí decorrente será reconhecido até o limite do pleito da interessada, e o interesse de recorrer somente se verificará se este reconhecimento for inferior ao que pleiteado. Do contrário, o questionamento será formulado quando, em análise de outra pretensão da interessada, houver resistência por parte da autoridade administrativa competente. Assim, no presente caso, entendo que a recorrente tem, sim, interesse em debater a constituição do saldo negativo do anocalendário 2001, pois apenas com a edição do Parecer de fls. 2226/2271, a ela cientificado em 27/10/2011, foi manifestada contrariedade à compensação por ela promovida entre aquele crédito e a estimativa de IRPJ apurada em fevereiro/2002. Por esta razão, passo ao exame da inadmissibilidade desta compensação. Disse a autoridade administrativa, no Parecer de fls. 2266/2271: 4.1 Estimativa compensada com saldo de período anterior: O débito de estimativa de IRPJ de fevereiro de 2002 consta nas DCTF entregues somente a partir de 2006, sendo que na atual ativa, de nº 0000.100.2007.12328872, está extinto por compensação com saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. (fl. 92) Entretanto, o Contribuinte informara na DCTF, em 2004, (fls. 93/98) que os débitos relacionados na tabela 02 abaixo tinham sido parcialmente quitados por “compensação sem DARF” através do Processo nº 10768.011910/200270, cujo crédito é o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001. [...] 4.2 Saldo negativo de IRPJ de 2001. Conforme se constata no Acórdão nº 127669, (fls. 103//112) de 19 de maio de 2005, resultado da manifestação de inconformidade em relação à análise do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, no Processo nº 10768.011910/200270, citado no item 4.1, o direito creditório reconhecido foi de R$ 41.113.086,04. (fls. 121) Ainda de acordo com o informado na mesma tela, o saldo remanescente após as compensações acima, é de R$ 316.857,44, referente à data de 31/12/2001. [...] 10. A estimativa de IRPJ (2362) de fevereiro de 2002 não pode ser integralmente quitada porque o crédito disponível referente ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2001não é suficiente. O valor passível de utilização referente ao saldo negativo do anocalendário 2001, é de R$ 316.857,44, que valorado até fevereiro perfaz o valor de R$ 324.873,93 (fls. 2262/2264). Fl. 4249DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 29 28 No acórdão de julgamento de 1a instância, proferido nos autos do processo administrativo no 10768.011910/200270 (fls. 110/111), vêse que a análise das compensações ali tratadas foi expressa em decisão exarada em 19/10/2004. Por sua vez, referido julgamento ocorreu em 19/05/2005, seguindose a liquidação dos débitos compensados em 16/01/2007, com sua extinção total. A interessada não questionou aquele julgamento administrativo, mas em 2006 passou a informar a utilização de outra parcela do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 para liquidação da estimativa de IRPJ de fevereiro/2002 em DCTF, bem como em outras compensações veiculadas nas DCOMP tratadas no processo administrativo nº 16682.720933/201196. Em consulta aos sistemas da Receita Federal, verificase que na DCTF original apresentada em 14/05/2002, e na DCTF retificadora, apresentada em 10/08/2004, a contribuinte não informou qualquer débito de IRPJ. Apenas nas DCTF retificadoras de 24/11/2006 e 10/01/2007 a contribuinte passou a consignar a estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002, inicialmente vinculandoa a compensação com pagamento indevido ou a maior de IRPJ recolhido em 23/02/2001 (fato gerador de 31/01/2001), e somente em 10/01/2007 informando a compensação, como aqui afirmada, com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2001, efetivada sem pedido/processo. Assim, diversamente do entendimento inicialmente apresentado em declaração de voto na sessão de julgamento de 08 de maio de 2013, resultante de interpretação equivocada do que expresso no Parecer de fls. 2266/2271, à época da análise do processo administrativo nº 10768.011910/200270 inexistia informação prestada à Receita Federal acerca da compensação da estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002. Possivelmente a contribuinte somente prestou esta informação a partir de 2006, como forma de deixar clara a destinação de parte do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001 para liquidação da estimativa de IRPJ de fevereiro/2002, antes ou concomitantemente com a formalização das demais compensações, mediante DCOMP, tratadas no processo administrativo nº 16682.720933/201196. Efetivamente, apenas em 10/01/2007 esta compensação foi informada em seus exatos termos em DCTF. Este é o contexto no qual, em 26 e 27 de outubro de 2011, a contribuinte é cientificada dos despachos decisórios que rejeitaram: 1) parcialmente as compensações com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, veiculadas por meio de DCOMP retificadas ou entregues de 01/11/2006 a 10/01/2007 (tratadas presente processo no 15374.720068/200984), e 2) integralmente as compensações com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, veiculadas por meio de DCOMP retificadas ou entregues de 01/11/2006 a 31/01/2007. E isto porque, além de não confirmadas todas as retenções de imposto de renda alegadas no ano calendário 2002, o saldo negativo do anocalendário 2001 somente fora provado até o limite de R$ 41.113.086,04, do qual remanesceu a parcela atualizada de R$ 324.873,93, para liquidação apenas parcial da estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002. Inexistem óbices, portanto, à análise concluída em 26 e 27/10/2011 acerca do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, utilizado em compensações de 2006 a 2007, que resulta em questionamentos às compensações somente veiculadas em DCOMP ou em DCTF a partir de 24/11/2006. É certo que a compensação do saldo negativo de IRPJ de 2001 com a estimativa de IRPJ devida em fevereiro/2002, por reunir crédito e débito anteriores à edição da Medida Fl. 4250DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 30 29 Provisória nº 66/2002, poderia ser promovida na forma da Lei nº 8.383/91, alterada pela Lei nº 9.069/95: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. E, em tais condições, a compensação era formalizada pelo próprio sujeito passivo em sua escrituração comercial e fiscal, inexistindo qualquer condicionamento à sua informação em DCTF. É certo que todos os contribuintes estavam obrigados a declarar os tributos internos apurados e, a partir de 1997, também a forma de sua liquidação. Mas a inobservância desta obrigação acessória poderia ensejar, apenas, a aplicação de penalidades isoladas por descumprimento do dever de declarar, e não inviabilizar a compensação efetivada na escrituração. Neste contexto, portanto, é possível que a contribuinte tenha promovido a referida liquidação apenas em sua escrituração comercial. Mas o fato é que esta ocorrência somente chegou ao conhecimento da Receita Federal em 24/11/2006, de modo que são perfeitamente válidos os questionamentos formulados quando da análise do saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, integrado por aquela estimativa compensada. Necessário, portanto, apreciar os argumentos da recorrente para ver convalidadas as demais compensações com o saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, noticiadas após a apreciação daquelas tratadas no processo administrativo nº 10768.011910/200270. E, neste sentido, diz a recorrente que as provas que legitimariam o crédito não confirmado na análise do processo administrativo nº 10768.011910/200270 seriam as mesmas apresentadas para homologação das compensações tratadas no processo administrativo nº 16682.720933/201196. Os elementos integrantes daqueles autos evidenciam que em manifestação de inconformidade a contribuinte requerera perícia ou diligência para provar o direito creditório suplementar, mas em recurso voluntário, além de reiterar aquele pedido, disse ter localizado os comprovantes das demais retenções integrantes de seu crédito, juntandoos à defesa. Assim, para se decidir acerca da efetiva extinção da estimativa de fevereiro/2002, cuja liquidação deve anteceder às compensações veiculadas no processo administrativo nº 16682.720933/201196 – por se tratar de compensação entre tributos de mesma espécie, sendo crédito e débito anteriores à vigência da Medida Provisória no 66/2002 – Fl. 4251DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15374.720068/200984 Resolução nº 1101000.068 S1C1T1 Fl. 31 30 necessário se faz, de fato, a análise conjunta do presente recurso voluntário com aquele interposto nos autos do processo administrativo nº 16682.720933/201196. Observo que, em consulta ao Eprocesso, referido processo encontrase aguardando distribuição para apreciação do recurso voluntário nele contido. Por sua vez, o art. 49, §7o do Anexo II do Regimento Interno do CARF determina que os processos conexos serão distribuídos ao mesmo relator, independentemente de sorteio. Por estas razões, o presente voto é no sentido de SOBRESTAR o presente julgamento, até que o processo administrativo nº 16682.720933/201196 seja distribuído por conexão ao I. Relator, bem como apreciadas as alegações lá apresentadas pela contribuinte, de modo a determinar se há crédito suplementar a ser reconhecido à contribuinte relativamente ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, hábil a convalidar a compensação deste crédito com a estimativa de IRPJ de fevereiro/2002, integrante do saldo negativo de IRPJ utilizado em compensação nestes autos. EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 4252DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2013 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 11/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 18471.000673/2006-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 21 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITO JUDICIAL LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA.
A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência.
DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. DESCABIMENTO
Aplica-se Súmula CARF n° 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Não é devido juros de mora sobre valores depositados judicialmente, mormente tratar-se de depósito integral.
Recurso Voluntário Provido em parte.
Numero da decisão: 3301-002.842
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unaminidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que se exclua do lançamento os juros de mora sobre o do crédito tributário cujo depósito judicial deu-se no montante integral, na forma do voto do relator. Acompanhou o julgamento a Advogada Fernanda Baracui Pereira OAB DF 46623.
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2004 DEPÓSITO JUDICIAL LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. A discussão na esfera judicial não impede o lançamento para constituir o crédito tributário, visando a prevenir os efeitos da decadência. DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. DESCABIMENTO Aplicase Súmula CARF n° 5. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Não é devido juros de mora sobre valores depositados judicialmente, mormente tratarse de depósito integral. Recurso Voluntário Provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unaminidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para que se exclua do lançamento os juros de mora sobre o do crédito tributário cujo depósito judicial deuse no montante integral, na forma do voto do relator. Acompanhou o julgamento a Advogada Fernanda Baracui Pereira OAB DF 46623. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 06 73 /2 00 6- 82 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 18471.000673/200682 Acórdão n.º 3301002.842 S3C3T1 Fl. 10 2 Andrada Márcio Canuto Natal Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal (Presidente), José Henrique Mauri, Luiz Augusto do Couto Chagas, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Semíramis de Oliveira Duro e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase parcialmente o relatório exarado na decisão de primeiro grau, na parte a seguir transcrita: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 22/26, lavrado com exigibilidade suspensa pela Delegacia da Receita Federal de Fiscalização do Rio de Janeiro Defic/RJO para prevenir decadência e no qual consta exigência de contribuição provisória sobre movimentação ou transmissão financeira CPMF, no valor de R$ 1.336.650,00, acrescida de juros de mora, relativa ao fato gerador ocorrido em 11/11/2004. De acordo com o relatório de descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 23, a interessada impetrou mandado de segurança contra o Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração do Rio de Janeiro Derat/RJO, sob a alegação de que não seria devida a CPMF sobre a operação de câmbio que realizaria quando da conversão, em investimento externo de seu capital, de empréstimo externo tomado de sua matriz no exterior[...] Esclarece ainda o autuante que a Justiça Federal determinou que o Banco Santander do Brasil S.A procedesse ao depósito judicial do valor de R$ 1.336.650,00, o que foi feito em 11/11/2004, valor este devidamente escriturado pela interessada (fls. 18). Cientificada do lançamento em 08/11/2006 (fls. 26), a interessada apresentou em 08/12/2006 impugnação de fls. 28/39, em que alega, em síntese, que as razões trazidas na impugnação são causas independentes das questões debatidas judicialmente. Nessa linha, alega o que se segue: Fl. 404DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 18471.000673/200682 Acórdão n.º 3301002.842 S3C3T1 Fl. 11 3 que há duplicidade de lançamento (bis in idem), em razão da existência concomitante de depósito judicial vinculado ao mandado de segurança e apto a satisfazer o mesmo crédito tributário e transcreve jurisprudência. Conclui que não há razões para o prosseguimento da cobrança administrativa, vez que nem sequer poderia proceder ao levantamento do depósito antes da decisão final; que houve excesso na constituição do crédito tributário, em razão da incidência dos juros de mora sobre o crédito com exigibilidade suspensa. [...] Na seqüência foi exarado o Acórdão 1221.769, de 2008, da 9ª Turma da DRJ/RJO I, fls. 372 ss, ora recorrido, onde os membros daquela Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, acordaram por julgar procedente o lançamento tributário, com a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. O lançamento do crédito tributário é feito com a exigibilidade suspensa em razão de concomitância de ação judicial e objetiva prevenir a decadência do direito do fisco, e é dever funcional da autoridade fiscal de proceder ao lançamento. JUROS DE MORA SOBRE LANÇAMENTO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. É cabível a incidência dos juros de mora sobre o lançamento lavrado com suspensão da exigibilidade, tendo em vista a necessidade de se remunerar do crédito tributário enquanto durar a demanda. A vedação legal se aplica à multa de oficio e não aos juros de mora. Lançamento Procedente. Irresignado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, fls. 382 ss, repisando os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade Por sorteio, foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro José Henrique Mauri Fl. 405DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 18471.000673/200682 Acórdão n.º 3301002.842 S3C3T1 Fl. 12 4 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. As indicações de folhas no presente voto, não havendo informação contrária, referemse à numeração constante no eprocesso. Como visto, cuidase de auto de infração relativo à CPMF incidente sobre operação de câmbio realizada no exterior, cujo mérito é discutido em Mandado de Segurança preventivo, distribuído sob o n° 2004.51.01.0200268, perante a 12° Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro. É patente a concomitância entre a matéria de que cuida o presente processo e a ação judicial impetrada pelo Sujeito Passivo. A matéria lá tratada é exatamente a mesma de que cuida o presente processo. Desnecessário maiores delongas, nesse pormenor. Nessa esteira, em seu Recurso Voluntário, o recorrente tece considerações acerca da operação financeira ensejadora da autuação. Tais considerações não tem relevância no presente voto, pois tratase de matéria de mérito, em discussão no judiciário, portanto não apreciável na esfera administrativa, por concomitância. É fato que houve deposito em juízo da CPMF, no valor de R$ 1.336.650,00, supostamente incidente na operação, suspendendose a exigibilidade do crédito tributário nos termos do artigo 151, inciso II do Código Tributário Nacional. Assim, o auto de infração foi lavrado com exigibilidade suspensa, para prevenir a decadência. Eis excerto dos fundamentos do Auto de Infração: A demanda jurídica ora em andamento gerou da 12a. Vara da Justiça Federal do Rio de Janeiro a determinação para que o Banco Santander Brasil S/A, procedesse ao depósito judicial do valor em discussão, o que foi feito em 11.11.2004, no montante de RS 1.336.650,00, devidamente escriturado pela autora e autuada, conforme cópias da escrituração,(em anexo), entregues pela empresa por força de Termo de Intimação lavrado por esta auditoria. Este auto lavrado com exigibilidade suspensa tendo em vista o depósito feito, tem por finalidade prevenir a decadência do referido montante já citado, e é feito em atendimento à solicitação da DERAT/RJO à fl. 92 do processo 15374.001890/200438. Fato Gerador Val. Contribuição Multa(%) 11/11/2004 R$ 1.336.650,00 0,00 Na lavratura do Auto de Infração foi constituído, além da contribuição, juros de mora até a data de 31/10/2006. V. composição do Auto de Infração (fl. 25): Descrição Valor CONTRIBUIÇÃO Cód. receita: 7213 1.336 650 00 Fl. 406DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 18471.000673/200682 Acórdão n.º 3301002.842 S3C3T1 Fl. 13 5 JUROS DE MORA (calculados até 31/10/2006) 416.500,14 VALOR DO CRÉDITO TRIB. APURADO 1.753 150 14 Feitas essas considerações, vamos aos fatos litigados. A controvérsia limitase a (i) duplicidade de lançamento em razão da existência de depósito judicial vinculado ao Mandado de Segurança nº 2004.51.01.0200263 e do auto de infração ora combatido e (ii) Inaplicabilidade de Juros de Mora em face da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário {depósito judicial). 1 Da duplicidade de lançamento Alega a recorrente que há duplicidade de lançamento em razão da existência de depósito judicial vinculado ao Mandado de Segurança nº 2004.51.01.020026 3 e do auto de infração ora combatido, portanto, segundo afirma o recorrente, coexistem dois processos aptos a satisfazerem o mesmo crédito tributário. Não assiste razão o recorrente. Vejamos. De fato houve determinação de depósito judicial cujo valor coincide com o montante de crédito tributário constituído por meio do processo ora sob análise. Portanto não há dúvida de que o depósito judicial deuse pelo valor integral do crédito tributário. Entretanto, o lançamento do crédito tributário de que cuida o presente processo foi constituído para fins de prevenir a decadência, exatamente por tratarse de matéria em discussão judicial. Registrese que depósito judicial, formalmente, não supre a constituição de crédito tributário. A futura, e eventual, conversão do depósito em rendas representará a liquidação do lançamento, então efetuado para prevenir decadência. Ressaltese que o lançamento encontrase dentre das atividades vinculadas do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, não comportando juízo de conveniência. Noutra esteira, é fato que a presente autuação, a meu ver, não produzirá efeitos práticos, relativamente à exigibilidade do crédito tributário. O depósito judicial integral, realizado sob determinação do Juízo, suprirá o presente lançamento. O comando judicial prevalecerá sobre o ato administrativo. Havendo decisão favorável à Fazenda Federal os valores serão convertidos em rendas da União, em sentido oposto, será restituído ao Sujeito Passivo, se vencedor for. Em ambos os casos os valores serão atualizados pela Selic, desde o depósito até a efetiva conversão ou devolução, conforme o caso. Entretanto, em que pese tratarse, a meu ver, que ato administrativo meramente formal, não vejo ilegalidade no lançamento ou fatos que o torna nulo, tampouco enxergo a duplicidade de lançamento, alegada pelo recorrente. Fl. 407DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 18471.000673/200682 Acórdão n.º 3301002.842 S3C3T1 Fl. 14 6 De igual forma, não vejo prejuízo ao contribuinte a lavratura de auto de infração, no presente caso. Ademais, caso a Recorrente logre êxito na discussão judicial, nos termos do artigo 156, inciso X do Código Tributário Nacional, estará extinto o crédito tributário, e o valor objeto do depósito judicial será por ele levantado. Assim, nesse pormenor, voto por negar provimento ao contribuinte quanto ao alegado lançamento em duplicidade. 2 Dos juros de mora Alega o recorrente que há excesso na constituição do crédito tributário, sendo indevidos os juros de mora, já que o crédito está com sua exigibilidade suspensa. Nesse pormenor, assiste razão o contribuinte. Conforme já dito, o depósito judicial, efetivado em 11/11/2004, deuse pelo valor integral do crédito tributário, no valor de R$ 1.336.650,00. Doutra forma, o lançamento, embora tenha por fim prevenir a decadência, incluiu, além da contribuição, juros de mora até a data de 31/10/2006. V. composição do Auto de Infração (fl. 25): Descrição Valor CONTRIBUIÇÃO Cód. receita: 7213 1.336 650 00 JUROS DE MORA (calculados até 31/10/2006) 416.500,14 VALOR DO CRÉDITO TRIB. APURADO 1.753 150 14 É pacífico o não cabimento de juros de mora sobre valores depositados judicialmente, mormente tratarse de depósito integral. É de se supor que o valor depositado satisfaça o crédito tributário, até a data do depósito. A partir dali há mandamento normativo que disciplina sua correção pela instituição financeira com base na taxa Selic. Nessa linha de raciocínio caminhou decisão da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), por meio do Acórdão 9303002.749, exarado em 21 de janeiro de 2014, da lavra do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres: O depósito judicial do crédito tributário exigido, além da suspensão da sua exigibilidade, tem como objetivo, entre outros, eximir o sujeito passivo do pagamento de juros de mora e de penalidades, tais como multa de ofício. A Lei nº 6.830, de 1980, assim dispõe: “Art. 9º. Em garantia da execução, pelo valor da dívida, juros e multa de mora e encargos indicados na Certidão de Dívida Ativa, o executado poderá: (...). Fl. 408DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 18471.000673/200682 Acórdão n.º 3301002.842 S3C3T1 Fl. 15 7 § 4º. Somente o depósito em dinheiro na forma do artigo 32, faz cessar a responsabilidade pela atualização monetária e juros de mora.” Assim, não procede o lançamento da multa de ofício e dos juros mora sobre valores das parcelas do crédito tributário depositadas judicialmente. [...]. Ademais, é de se considerar o disposto na súmula Carf nº 5 que, pacificando a matéria, exclui da incidência de juros de mora o crédito tributário quando depositado integralmente. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Assim, devese acolher o recurso voluntário quanto ao descabimento dos juros de mora, no presente caso. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte para que se exclua do lançamento os juros de mora sobre o do crédito tributário cujo depósito judicial deuse no montante integral. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 409DF CARF MF Impresso em 21/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 09/03/2016 por JOSE HENRIQUE MAURI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 15586.001093/2007-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.153
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, SOBRESTAR o julgamento dos presentes autos, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno, conforme o relatório e voto proferidos pelo relator. Vencido o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior.
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrente A A DE PAULO & CIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL RESOLVEM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por maioria de votos, SOBRESTAR o julgamento dos presentes autos, nos termos do disposto nos parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do Regimento Interno, conforme o relatório e voto proferidos pelo relator. Vencido o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 9ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ. Versa o presente processo administrativo acerca do Auto de Infração do IRPJ (fls. 6.896 a 6.908) e dos decorrentes, PIS (fls. 6.909 a 6.920), Cofins (6.921 a 6.932) e CSLL RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 86 .0 01 09 3/ 20 07 -1 6 Fl. 8818DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.001093/200716 Resolução nº 1301000.153 S1C3T1 Fl. 3 2 (fls. 6.933 a 6.945), lavrados pela DRF VITÓRIA/ES em 14/12/2007, com ciência da contribuinte e das diversas pessoas físicas responsabilizadas, tendo sido apurado, para fatos geradores que teriam ocorrido durante os anoscalendário de 20001, 2002 e 2003. As imputações foram precedidas de minucioso trabalho investigativo e redundaram na apuração, sintética, de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada. Extraise dos autos que a Fiscalização, para a infração intitulada Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada, informou os valores totais desses depósitos em contas correntes da Interessada, para cada um dos meses dos anoscalendário de 2001, 2002 e 2003, bem como o seu enquadramento legal nos artigos 27, inciso I, e 42 da Lei n° 9.43011996 e artigos 532 e 537 do RIR/1999, sendo que em todos os trimestres desses anos arbitrou o lucro do Interessado, com fulcro no que dispõe o artigo 530, inciso III, do RIR/1999, tendo em vista que intimado a apresentar os livros e documentos de sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e termos de intimação, ela deixou de apresentálos. No Relatório Fiscal de fls. 6.872 a 6.895, estabeleceuse, entre outras coisas, que foram enviadas Requisições de Movimentação Financeira diretamente às instituições financeiras. Descreveuse minuciosamente a participação de diversas pessoas físicas, que foram solidarizadas, dandose ciência a todas. Foram apresentadas Impugnações e a 9ª Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJ (fls. 7.915 ), julgou o lançamento parcialmente procedente, mantendo o núcleo da autuação, reduzindo em parte as multas aplicadas. Os interessados apresentaram Recursos Voluntários. É o relatório. Fl. 8819DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.001093/200716 Resolução nº 1301000.153 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Antes mesmo de enveredarse pelo enfrentamento do mérito envolvido no presente processo administrativo, impende registrar de plano a peculiaridade que se apresenta no lançamento que trata de omissão de receitas decorrente de depósitos bancários cuja origem a contribuinte não teria comprovado. É que a zelosa Fiscalização, tal como consignado no Termo de Verificação de folhas 6.872 a 6.895, diante da recusa da contribuinte em fornecerlhe os extratos bancários, valeuse do expediente de apresentar as denominadas “requisições de movimentação financeira” diretamente aos Bancos, confirase o oportuno trecho do TVF, fl. 6.878 em diante: (...) “Com vistas a promover a auditoria e investigar os fatos da melhor maneira possível e como o responsável pela empresa não possuía todos os documentos necessários, solicitamos a emissão de RMF a fim de obtermos juntos às Instituições Bancárias os extratos bancários e demais documentos referentes à movimentação financeira da A A DE PAULO & CIA LTDA. Após o exame dos documentos dos bancos constatamos que grande parte das contas bancárias é movimentada por procuradores que possuem amplos poderes”. Constatado que a Fiscalização obteve, ao menos parte, das informações mediante expedição direta de requisição aos bancos, sem ordem judicial, e estando a matéria pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal em âmbito de Repercussão Geral, cujo representativo da controvérsia é o RE 601314, tal como indicado no acompanhamento da listagem de Repercussão Geral obtido no site do STF, item 225 da Tabela indicativa, disponível em: http://www.stf.jus.br/arquivo/cms/jurisprudenciaRepercussaoGeral/anexo/Tabel a_RG__grupos_tematicos.pdf Sendo assim, presente a regra contida nos §§ 1º e 2º do artigo 62A, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, impõese, de ofício, sobrestarse o feito até que sobrevenha decisão definitiva no Leadin Case, de forma a pacificar o entendimento prestigiandose o entendimento da Corte Suprema e evitandose discussões desnecessárias e nulidades supervenientes. Confirase abaixo a regra regimental aludida: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Fl. 8820DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 15586.001093/200716 Resolução nº 1301000.153 S1C3T1 Fl. 5 4 § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Sendo assim, proponho de ofício o sobrestamento do feito. Sala das Sessões, em 07 de agosto de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 8821DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 19/09/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 12897.000165/2009-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2004
MULTA. PAGAMENTO DO TRIBUTO EM ATRASO SEM A MULTA DE MORA. DESCABIMENTO.
Equivocada a cobrança da multa (art. 43, da Lei nº 9.430/96) em função de pagamento do tributo em atraso sem multa de mora quando o sujeito passivo demonstra que no momento do lançamento estava albergado por decisão judicial transitada em julgado conferindo legitimidade ao procedimento por ele adotado.
Numero da decisão: 1402-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2004 MULTA. PAGAMENTO DO TRIBUTO EM ATRASO SEM A MULTA DE MORA. DESCABIMENTO. Equivocada a cobrança da multa (art. 43, da Lei nº 9.430/96) em função de pagamento do tributo em atraso sem multa de mora quando o sujeito passivo demonstra que no momento do lançamento estava albergado por decisão judicial transitada em julgado conferindo legitimidade ao procedimento por ele adotado.
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ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004 MULTA. PAGAMENTO DO TRIBUTO EM ATRASO SEM A MULTA DE MORA. DESCABIMENTO. Equivocada a cobrança da multa (art. 43, da Lei nº 9.430/96) em função de pagamento do tributo em atraso sem multa de mora quando o sujeito passivo demonstra que no momento do lançamento estava albergado por decisão judicial transitada em julgado conferindo legitimidade ao procedimento por ele adotado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 65 /2 00 9- 60 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 2 Relatório Por bem resumir a questão, adoto o Relatório da decisão recorrida que abaixo transcrevo: Versa este processo sobre o Auto de Infração de fls. 3/7 (que tem como parte integrante o Termo de Verificação), lavrado pela DEFIC/RJO, com ciência do interessado em 19/03/2009, para a exigência de multa isolada, no valor de R$l.198,699,62, em face de falta de recolhimento da multa de mora quando do recolhimento do IRPJ e da CSLL, referentes aos meses de março, abril e junho de 2004, que foram recolhidos com atraso. O enquadramento legal consta do Auto de Infração. O interessado apresentou, em 16/04/2009, a impugnação de fls. 12/15. Em sua defesa, alega, em síntese, que 0 auto de infração é nulo, eis que desconsiderou decisão transitada em julgado (em mandado de segurança preventivo), que reconheceu não ser devida a cobrança de multa moratória incidente sobre os valores recolhidos espontaneamente em atraso, a título de IRPJ e CSLL, nos meses de março, abril e junho de 2004. Por fim, protesta pela apresentação posterior de novos documentos, bem como pela produção de novas provas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro – RJ, prolatou o Acórdão 1225.290, acolhendo integralmente a impugnação em função da existência de ação judicial transitada em julgado autorizando legitimando albergando o procedimento do sujeito passivo. Dessa decisão, o Órgão julgador de primeira instância recorreu de ofício a este colegiado. É o relatório Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 12897.000165/200960 Acórdão n.º 1402002.103 S1C4T2 Fl. 80 3 Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto A autuação envolve a imputação da multa de ofício isolada como decorrência do pagamento do tributo (IRPJ e CSLL devido a título de estimativa) em atraso, sem multa de mora. O lançamento teve como enquadramento legal os arts. 43 e 61, da Lei nº 9.430/96. O art. 61, trata da incidência da multa de mora no pagamento em atraso dos débitos fiscais administrados pela Receita Federal do Brasil. Por sua vez, o art. 43 estabelece a possibilidade da formalização de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Admito não ter a convicção totalmente firmada quanto à real natureza do que está sendo cobrado nos autos. Em primeira apreciação, pareceume que a autoridade lançadora teria imputado a multa isolada como decorrência do recolhimento do tributo em atraso sem a multa de mora. Por outro lado, o código de receita informado no auto de infração referese a multa por atraso na entrega da DCTF. Por fim, durante o julgamento foi suscitado por alguns integrantes do colegiado que estaria sendo cobrada a própria multa de mora originalmente não recolhida com o tributo. De qualquer modo, impressiona a total ausência de elementos probatórios nos autos. Sequer se identifica de que forma se chegou aos valores exigidos o que, por si só, já implicaria em grave irregularidade na constituição do crédito tributário. Quanto ao posicionamento da decisão recorrida, não há reparo no entendimento lá manifestado. De fato, demonstrada a existência de decisão judicial transitada em julgado, albergando o procedimento do sujeito passivo sob a ótica da denúncia espontânea, não caberia a formalização do lançamento o que supre a nulidade suscitada no parágrafo anterior. De todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Leonardo de Andrade Couto Relator Fl. 81DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO 4 Fl. 82DF CARF MF Impresso em 09/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 09/03 /2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10930.907098/2011-41
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 13/12/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do Fato Gerador: 13/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
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LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 98 /2 01 1- 41 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 91), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.492, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 22233.38965.300605.1.2.046835, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472397). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 865,80, referente ao pagamento efetuado em 13/12/2002, de Cofins, código de receita 2172, no valor total de R$ 174.739,38. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de Cofins, 2172, do Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907098/201141 Acórdão n.º 3802004.169 S3TE02 Fl. 93 3 período de apuração de 30/11/2002, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 13/12/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907098/201141 Acórdão n.º 3802004.169 S3TE02 Fl. 94 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907098/201141 Acórdão n.º 3802004.169 S3TE02 Fl. 95 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Conclusão Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 10530.720053/2004-48
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Jan 19 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 3202-000.028
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Joel Miyazaki Presidente atual.
Nanci Gama Relatora.
José Luiz Feistauer de Oliveira Redator ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Marcelo Guerra de Castro, Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto e Nanci Gama. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente.
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Joel Miyazaki – Presidente atual. Nanci Gama – Relatora. José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luís Marcelo Guerra de Castro, Anelise Daudt Prieto, Irene Souza da Trindade Torres, Celso Lopes Pereira Neto, Nilton Luiz Bartoli, Heroldes Bahr Neto e Nanci Gama. Ausente a Conselheira Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Para descrever os fatos ocorridos transcrevese o relatório constante da decisão de primeira instância administrativa, verbis: Tratase se o processo de Manifestação de Inconformidade contra o Parecer e o Despacho n° 1123 da SAORT/Feira de Santana, proferido em 2006, que considerou como não declarada a presente compensação de débitos com crédito de Finsocial vinculado ao processo judicial n° 200233000001971, pleiteado na PER/DCOMP, sob a alegação de que à época da apresentação do referido pedido, em 28/11/2003, não havia transito em julgado da ação, que somente se deu em 03/03/2005, o que constitui infração ao art.74, da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e alterações trazidas pela Lei n°11.051, de 29 de dezembro de 2004, que acrescentou o §12, considerando o art.31 da RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .7 20 05 3/ 20 04 -4 8 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 10530.720053/200448 Resolução nº 3202000.028 S3C2T2 Fl. 95 2 Instrução Normativa SRF n°600, de 28 de dezembro de 2005, que define a hipótese como ato de não declaração. Cientificada do despacho e inconformada com o indeferimento de seu pedido, a interessada apresentou manifestação de inconformidade alegando que é detentora de crédito de Finsocial assegurado por decisão transitada em julgado, cujo crédito foi declarado através do Mandado de Segurança 2002.33.00.0001971, consoante certidão de inteiro teor, que anexa. Alega que por se tratar de mandado de segurança aplicase a Lei n° 1.533, de 31 de dezembro de 1951, cujo art.31 atribui ao MS um caráter de auto executoriedade, que fica a critério dos próprios impetrantes da ação e permite a execução da sentença antes do transito em julgado da ação, pois do contrário o mandamus perderia sua natureza e sentido, que se caracteriza na celeridade e garantia dos direitos líquidos, só que prejudicada pela impossibilidade de produção das provas. Transcreve jurisprudência. Menciona ainda, que o despacho decisório além de indeferir o pleito, entendeu por considerar não declarada a compensação, embasada no art.31 da IN n° 600, que nem mesmo é lei e só veio ao mundo jurídico em 28/12/2005, muito após a realização da compensação, desconsiderando o principio constitucional da irretroatividade tributária, esculpida no art.150, III, que nem mesmo pode ser suprimido por emenda constitucional (ADIn n° 939) e desobedecendo ao inciso XXXVI do art.5°, que trata do prejuízo ao direito adquirido, razão pela qual requer a reconsideração do despacho para homologar a compensação declarada. A 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador proferiu decisão indeferindo o pedido da recorrente. A interessada regularmente cientificada do Acórdão interpôs Recurso Voluntário, onde repisa os argumentos trazidos na manifestação. O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado ao relator na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Por intermédio de Despacho, nos termos da disposição do art. 17, III, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF1, aprovado pela Portaria MF 256, de 22 de junho de 2009, incumbiume o Presidente da Turma a formalizar esta Resolução, não entregue pela relatora original, Conselheira Nanci Gama, que não integra mais nenhum dos colegiados do CARF. 1 Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: (...) III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; Fl. 96DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA Processo nº 10530.720053/200448 Resolução nº 3202000.028 S3C2T2 Fl. 96 3 Desta forma, a elaboração deste voto deve refletir a posição adotada pela relatora original, que foi acompanhada, por unanimidade, pelos demais integrantes do colegiado. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele se tomou conhecimento. A compensação transmitida em 28/11/2003 mediante PER/DCOMP, de débitos diversos com créditos do Finsocial, foi considerada não declarada, sob o argumento de que época dos fatos geradores a ação em Mandado de Segurança não tinha trânsito em julgado. O Juízo de 1° Grau da Justiça Federal Bahia ao julgar em 05/09/2002 o pedido, concedeu parcialmente a segurança, declarando o direito de a impetrante efetuar a compensação dos valores recolhidos indevidamente a titulo do Finsocial com Contribuições ou tributos vencidos ou vincendos administrados pela Secretaria da Receita Federal, corrigidos monetariamente. Contudo não acolheu o pleito de declaração de inconstitucionalidade do art.170A do Código Tributário Nacional. Antes de adentrar ao mérito do litígio, devese comprovar a situação do processo judicial. Portanto, persistem nos autos questões fáticas que precisam ser esclarecidas. Destarte, deve ser propiciada ampla oportunidade às partes (Fisco e Recorrente) para que esclareçam os fatos e demonstrem o seu direito, em atendimento aos princípios da ampla defesa e do contraditório. Os princípios constitucionais do contraditório e a ampla defesa referemse à possibilidade do exercício da dialética processual e têm por objeto dar oportunidade às partes de produzirem e apresentarem suas provas, assim como implicam no direito de serem ouvidas nos autos. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal em Feira de Santana (BA) para que a fiscalização intime o contribuinte a apresentar Certidão de Objeto e Pé do citado processo judicial. Ao término da diligência, a fiscalização deverá elaborar Relatório Fiscal conclusivo sobre os fatos apurados e documentos apresentados. Encerrada a instrução processual a Recorrente deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. E estas são as considerações possíveis para suprir a inexistência do voto. (assinado digitalmente) Conselheiro Substituto José Luiz Feistauer de Oliveira – Redator ad hoc Fl. 97DF CARF MF Impresso em 19/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/11/2015 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 06/01/2016 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 18/01/2016 por JOSE LUIZ FEISTAUER DE OLIVE IRA
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Numero do processo: 16098.000065/2009-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo.
Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-002.898
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Fez sustentação oral: Dr. Carlos Eduardo Marino Orsolon OAB - 222242 - SP.
[assinado digitalmente]
RICARDO PAULO ROSA - Presidente.
[assinado digitalmente]
MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede.
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dr. Carlos Eduardo Marino Orsolon OAB 222242 SP. [assinado digitalmente] RICARDO PAULO ROSA Presidente. [assinado digitalmente] MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 8. 00 00 65 /2 00 9- 08 Fl. 821DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Hélcio Lafetá Reis, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Ausente justificadamente o Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase de Declaração de Compensação protocolada em 29/03/2005, na qual a contribuinte buscava compensar seus débitos relativos a tributos administrados pela Receita Federal utilizando crédito de Cofins nãocumulativa, relativo ao período de apuração fevereiro de 2005, no importe de R$ 765.343,41. Analisada a pretensão da contribuinte, o Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório fls.153/157, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, notadamente:(grifei). Contratos de Fechamento de Câmbio e telas do siscomex de todas as operações de exportação; Notas fiscais de serviços utilizados como insumos; Comprovantes de despesas de armazenagem e frete; Documentos comprobatórios de créditos a descontar de PIS importação, entre outros. Argumentou a autoridade do Seort que, nos termos da lei n° 9.784/99, caberia à contribuinte provar os fatos que tenha alegado, e que a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderia condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos que comprovassem o crédito, conforme o disposto na Instrução Normativa RFB n° 900/2008. A autoridade salientou que, embora a contribuinte tenha atendido parcialmente às intimações, a documentação apresentada ainda careceu dos elementos imprescindíveis à análise do direito creditório, tornando inviável a apuração do crédito de Cofins referente ao mês de fevereiro/2005. Finalizou o Despacho aditando que, uma vez não comprovados os créditos informados na declaração de compensação, tornou se obrigatória a cobrança dos débitos compensados. Cientificada do Despacho Decisório em 15/12/2009, no dia 14/01/2010 a contribuinte apresentou manifestação de Fl. 822DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 3302002.898 S3C3T2 Fl. 709 3 inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 181/420, alegando, em síntese, o que segue. Inicialmente, a contribuinte alegou que a declaração de compensação foi protocolada em conformidade com a Instrução Normativa n° 460, de 18 de outubro de 2004, norma vigente à época do feito. Entende a interessada que o crédito em questão possui um tratamento próprio e específico no que diz respeito à sua recuperação, que está previsto no § 2° do artigo 22 da referida instrução normativa. Sustenta que, de acordo com este dispositivo, a liquidez e a certeza do direito ao ressarcimento de créditos dessa natureza é verificada, em princípio, no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Segundo afirma a interessada, as informações contidas no DACON seriam completas e detalhadas e a IN SRF n° 460, de 2004, não exigiria da contribuinte a apresentação de qualquer outro documento adicional a fim de demonstrar o seu direito creditório. A contribuinte prossegue alegando que, “de acordo com a disposição contida no artigo 24” da referida norma, “depreendese que a autoridade fiscal competente para analisar o pedido de ressarcimento nestes casos, poderá, se for o caso, exigir do contribuinte a apresentação de outros documentos comprobatórios do respectivo crédito, assim como determinar a realização de diligência fiscal com vistas à comprovação do direito creditório do contribuinte” (o destaque é do original). A contribuinte alegou ainda que o DACON possuiria, por si só, presunção relativa de veracidade, e seria, portanto, o único documento exigido pela IN SRF n° 460, de 2004; assim, apenas em caso de necessidade de verificação da exatidão das informações prestadas no DACON é que esta instrução normativa faculta às autoridades fiscais exigir outros documentos para a apreciação do pedido de ressarcimento; reitera que “em princípio, o DACON conhecido pelas autoridades fiscais já lhes fornece todas as informações necessárias à revisão do direito creditório requerido, não sendo, via de regra, necessária a apresentação de outros documentos”. Na sequência, afirmou: (...) A contribuinte prosseguiu exaustivamente neste tema e concluiu afirmando que: não havia obrigação legal de apresentar qualquer outro documento conjuntamente com o formulário de Declaração de Compensação e respectivos formulários de detalhamento de crédito, uma vez que a IN SRF 460/04 somente exigia, nestes casos, que o DACON fosse conhecido pelas autoridades fiscais; Fl. 823DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 4 em caso de dúvida adicional acerca do direito creditório devidamente informado no DACON, caberia às autoridades fiscais requerer a apresentação de documentos adicionais ou, então, determinar a realização de diligência fiscal à sede da empresa (conforme artigo 24 da IN SRF 460/04); não se dando por satisfeita com os esclarecimentos e documentos adicionais apresentados, as autoridades fiscais deveriam emitir um Despacho Decisório justificado, apontando detalhadamente as inconsistências não comprovadas que levaram a sua conclusão pelo indeferimento do pedido de ressarcimento. Depois, registrando que o fazia “apenas para evitar qualquer alegação no sentido da preclusão de seu direito a apresentar uma documentação que (...) entende não estar obrigada a apresentar”, a contribuinte afirma estar juntando documentos, e discorre sobre os documentos que juntou à manifestação de inconformidade. Ao final, pleiteou que, caso fosse determinada por esta DRJ a conversão do julgamento em diligência, fossem respondidos os seguintes quesitos: (i) Os documentos fiscais e contábeis da Requerente estão em conformidade com os valores de créditos por ela informados no DACON? (ii) O detalhamento do crédito informado nos formulários “Créditos do PIS/COFINS” anexos à DCOMP estão de acordo com a efetiva utilização do crédito feita pela Manifestante no período discutido no Despacho Decisório? (iii) É procedente o crédito de PIS/COFINS utilizado na DCOMP analisada no presente processo? Em face das alegações e, especialmente, dos documentos apresentados pela contribuinte junto com sua manifestação de inconformidade, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.962, de 14/06/2010, da qual destacamos o trecho a seguir transcrito: Como já abordado anteriormente, somados à presente manifestação de inconformidade, a contribuinte juntou outros documentos que não haviam sido apresentados à autoridade da DRF em Guarulhos que analisou inicialmente o processo. Sendo assim, por conta da glosa total dos créditos calculados sobre insumos, e, por terem sido juntados novos documentos pela contribuinte na presente manifestação de inconformidade, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, encaminhando o presente processo à DRF de origem para que a autoridade responsável designada por esta verifique: se as exportações contidas na listagem de fls. 114/121 verso realizadas pela contribuinte estão, em quantidade e valor, confirmam as informações contidas no DACON para o mês analisado; Fl. 824DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 3302002.898 S3C3T2 Fl. 710 5 se foram observadas as normas para o rateio proporcional indicado pela contribuinte, na relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa, auferida no mês, para o cálculo do crédito de PIS do mercado externo; se as importações contidas na listagem de fls. 123/141 verso foram de bens utilizados como insumos nas mercadorias exportadas, e se houve recolhimento pela contribuinte da contribuição nestas importações; se são comprovados os gastos com energia elétrica, com base nos documentos apresentados de fl. 358 verificando a correta correspondência ao mês de janeiro/2005, considerando que a contribuinte pleiteou o direito creditório deste mês específico, e não do trimestre (o crédito de COFINS do mercado externo referente ao mês de abril/2005, por exemplo, foi pleiteado no processo n° 10875.721093/200911);(sic). se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as aquisições de bens utilizados como insumos, da listagem de fls. 247/349; se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica, da listagem de fl. 357; se são comprovados, através de documentos hábeis e idôneos, os serviços utilizados como insumos, da listagem de fls. 351/361; se são comprovadas, através de documentos hábeis e idôneos, as despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, da listagem de fls. 353/356. Ficará a critério da unidade de origem a metodologia a ser aplicada nos exames solicitados. Ao final, manifestese conclusivamente acerca do trabalho fiscal, informando acerca da existência e disponibilidade do crédito aproveitado na DCOMP, cientificando a contribuinte do resultado, bem como dos respectivos demonstrativos das comprovações acima solicitadas, e reabrindo o prazo regulamentar para a interessada, se for de seu interesse, complementar suas razões de manifestação de inconformidade. Os autos retornaram à DRF/Guarulhos, que adotou as medidas que entendeu necessárias ao atendimento do solicitado na Resolução n° 2.962. É oportuno registrar que a autoridade competente procedeu conjuntamente à análise relativa a diversos processos, que tratam de créditos de PIS e de Cofins não cumulativos referentes a vários períodos de apuração. No decorrer da análise, após diversas intimações não integralmente atendidas e dilações de prazo solicitadas e concedidas, no dia 02/07/2013 a autoridade incumbida da diligência emitiu Termo de Constatação Fiscal, no qual reafirmava a impossibilidade da análise que se fazia necessária, Fl. 825DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 6 em face do não atendimento integral às intimações e, consequentemente, decidia por retornar os autos à DRJ/Campinas com sugestão de não reconhecimento do direito creditório. Cientificada em 03/07/2013, no dia 01/08/2013 a contribuinte manifestouse acerca do referido Termo procurando justificarse quanto ao não atendimento integral das intimações e solicitando que os processos permanecessem por mais algumas semanas na DRF/Guarulhos, sob alegação de que, em assim sendo, teria condições de apresentar os documentos faltantes. A autoridade responsável pela diligência não se manifestou expressamente sobre este pedido, o qual, no entanto, foi acolhido, posto que novos documentos foram apresentados pela contribuinte e, no dia 05/05/2014, referida autoridade apresentou suas conclusões em novo Termo de Constatação Fiscal. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DILIGÊNCIA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser ressarcido/restituído ou utilizado em compensação. Apresentados novos documentos com a manifestação de inconformidade e, mediante realização de diligência fiscal, comprovado parcialmente o crédito alegado, e no silêncio da contribuinte acerca do resultado da diligência, reconhecese parcialmente o direito creditório. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 14/10/2014, conforme Termo de Abertura de Documento, fl. 604, apresenta tempestivamente em 12/11/2014, fls. 607/640 e documentos anexados, fls.608/703, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Inicialmente recompõe os fatos que deram origem à apresentação das Declarações de Compensação apresentadas pela Recorrente no anocalendário de 2005 visto que estava sujeita ao regime nãocumulativo de apuração da Contribuição para o Programa de Integração (PIS) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), tendo apurado nos termos das Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, créditos referentes às referidas contribuições no tocante às suas receitas de exportação, os quais foram utilizados em compensações administrativas com tributos federais; destaca que em 2005 a Recorrente auferiu tanto receitas no mercado interno, sujeitas ao PIS e à COFINS de acordo com o regime nãocumulativo, como receitas não sujeitas ao PIS e à COFINS, visto que decorrentes de exportação de mercadorias ao exterior ou Fl. 826DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 3302002.898 S3C3T2 Fl. 711 7 de vendas a empresas comerciais exportadoras com o fim de exportação ou ainda a empresas situadas na Zona Franca de Manaus; aduz argumentos já colacionados à Manifestação de Inconformidade, notadamente quanto à suposta ausência de fundamentação do Despacho Decisório de fls.153/157; reproduz os quesitos que motivaram a o pedido de diligência pela DRJ; porém a matéria nuclear de sua peça recursal consiste em demonstrar o equívoco da decisão DRJ ao ratificar o segundo Termo de Constatação Fiscal e a elencar segundo seu entendimento os equívocos do referido segundo Termo de Constatação Fiscal, como a seguir se resume, exemplificativamente, o item 52 da peça recursal: a) o aumento do débito de PIS e de COFINS nos meses de 2005, antes do desconto de créditos é indevido, em razão da decadência do direito de se rever em 2014 a base de cálculo do PIS e da COFINS de 2005; b) a glosa de crédito do mercado interno é indevida pelos mesmos motivos, já que serviu apenas para majorar os débitos de PIS e de COFINS de 2005. Nesse sentido, a diligência foi solicitada para se verificar os créditos de PIS e de COFINS apenas vinculados às receitas de exportação; c) o direito das autoridades fiscais de analisarem os créditos vinculados ao mercado interno está decaído, já que nunca houve DCOMP pleiteando tais créditos. Ainda que a análise dos créditos vinculados às receitas de exportação pudesse estar correlacionada com a verificação dos créditos de mercado interno, ainda assim estaria decaído o direito de a fiscalização se utilizar do novo valor apurado (menor) de crédito de mercado interno, na medida em que ele acaba alterando o valor do suposto novo débito de PIS ou COFINS apurado para mais; d) não se mostra preciso o método adotado pela fiscalização para a apuração de diferenças entre as despesas incorridas pela Recorrente informadas em seu DACON e aquelas consideradas no Termo de Constatação Fiscal; e) há erros pontuais cometidos pela fiscalização , como, em relação à COFINS do mês de janeiro, o valor da linha "NF não apresentada" está erroneamente duplicado; f) no tocante aos créditos de PIS e COFINSImportação apropriados pela Recorrente na apuração de seus créditos, verificase que a fiscalização verificou recolhimentos de tais tributos de valores superiores àqueles indicados em DACON, mas não houve apropriação dos valores pagos a maior na reapuração do PIS e da COFINS, o que demonstra uma total parcialidade na condução da diligência por parte da fiscalização; g) os créditos de PIS e COFINS não englobam todos os meses de 2005, assim não houve o protocolo de qualquer DCOMP visando compensar créditos de PIS e COFINS relativos às exportações referentes aos meses de março e agosto/2005, ainda assim a fiscalização efetuou a reapuração do PIS março e agosto em um procedimento sem qualquer base legal, com impacto os meses seguintes; Fl. 827DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 8 Ainda complementa que : Não se alegue como pretenderam as decisões de primeira instância administrativa da DRJRibeirão Preto que não existia controvérsia acerca dos valores creditórios passíveis de recolhimento, pois a Recorrente não teria se manifestado acerca do Termo de Constatação Fiscal; Referido tipo de presunção não encontra guarida no processo administrativo fiscal. O Decreto nº 70.235, de 1972 é muito claro , no sentido de que concluída a diligência, o processo deve retornar à DRJ para análise, independentemente de ter havido não manifestação contra o relatório de conclusão da diligência, uma vez que o processo administrativo é pautado pela legalidade e pela busca da verdade material; Ao receber o segundo Termo de Constatação Fiscal e ter sido informada verbalmente que ainda poderia apresentar a documentação indicada como faltante, entendeu a Recorrente que, semelhantemente ao que havia ocorrido quando recebeu o primeiro Termo de Constatação, os 12 processos não seriam remetidos à DRJ; A recorrente está em vias de concluir a localização da documentação e que apresentará organizada e integralmente a E. CARF, a fim de refutar as alegações do Termo de Constatação Fiscal, em vista disso, em prol do princípio da verdade material, protestase desde já pela posterior juntada da referida documentação. Ao final requer: a) a apensação do presente processo aos processos nºs: 10875.001972/200507, 10875.001032/200518, 10875.001627/200565, 10875.002155/200568, 10875.002303/200544, 160875.721091/200921, 10875.721093/200911, 160098.000064/200955, 16098.000065/200908, 16624.000479/200508, 16624.000858/200590; b) a reforma do acórdão proferido pela DRJ Ribeirão Preto com a consequente anulação do Despacho Decisório, ou caso assim não se entenda, pelo menos a anulação do segundo Termo de Constatação Fiscal e da decisão da DRJ Ribeirão Preto que o ratificou. Quando da sustentação oral, entre os argumentos apresentados da tribuna, notadamente quanto a não apresentação de inconformidade quando da ciência do segundo Termo de Constatação Fiscal, arguiu o Patrono: a Recorrente não apresentou manifestação de inconformidade visto que não houve encerramento da ação fiscal, apenas a emissaõ de um mero Termo de Constatação; em face do grande volume de documentos coletados não foi possível fazer a solicitação de juntada destes antes do julgamento. Em 15/12/2015, através do Termo de Solicitação de Juntada, fl.708 apresenta petição e documentos diversos. É o relatório. Fl. 828DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 3302002.898 S3C3T2 Fl. 712 9 Voto Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do ônus probatório Da análise preliminar da peça recursal verificase que o litígio prendese a duas questões principais: a responsabilidade sobre o ônus probatório no caso dos autos e o direito de litigar acerca de matéria não suscitada em sede de primeira instância administrativa. Com o intuito de balizar a discussão inicial é importante trazer à colação as disposições do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § (...) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 2003)(grifei). Das disposições legais acima citadas inferese que há dois pilares essenciais na discussão acerca das declarações de compensação que podem ser identificados nas seguintes questões: Fl. 829DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 10 a) deflagração do pleito pelo sujeito passivo [entrega pelo sujeito passivo de declaração quanto aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados]; b) a extinção do crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. É digno de realce que os pilares acima destacados como a seguir se verá têm importância tanto no aspecto material quanto no aspecto formal, já que a partir de tal disposição normativa verificase que no tocante ao direito creditório pleiteado, conforme o primeiro pressuposto indicado, a deflagração do ato é do sujeito passivo mediante a entrega da declaração de compensação, sendo esta uma confissão de dívida, atribuição conferida pelo § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. O segundo pressuposto é de que o crédito tributário é extinto sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Com os pressupostos acima estabelecidos, em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão quanto ao ônus probatório, bem como o regramento processual quanto à via contenciosa na esfera administrativa. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil CPC, verificase: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. No presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, incumbindo ao autor a prova quanto ao fato constitutivo do seu direito. No caso em exame, a interessada declarou à Administração Tributária possuir um montante de crédito, utilizado para extinguir os débitos compensados. Nesses termos, cabe à interessada a prova da existência de seu direito, demonstrando a liquidez e certeza dos créditos alegados, utilizados para extinção do crédito tributário sob condição resolutória, através da apresentação ao fisco, quando solicitado, dos livros e documentos estabelecidos pela legislação para a comprovação da exatidão de suas informações. Nesse sentido disciplina a Instrução Normativa RFB nº 900, de 30/12/2008, DOU de 31/12/2008: Fl. 830DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 3302002.898 S3C3T2 Fl. 713 11 Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.(grifei). Cabe ainda destacar que o dever de apresentação ao fisco da documentação exigida repousa em base legal como se verá, a título exemplificativo: · Código Tributário Nacional CTN, artigo 195: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.(grifei). · Lei nº 9.430, de 1996, art. 34: Acesso à Documentação Art.34.São também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida.(grifei). Conforme relatado, a DCOMP apresentada foi submetida a análise pela autoridade competente para decidir acerca do direito pleiteado: · Seort da DRF/Guarulhos emitiu o Despacho Decisório fls.153/157, por meio do qual não homologou a compensação, sob o fundamento de que a documentação apresentada pela contribuinte em resposta às diversas intimações seria insuficiente para reconhecimento do crédito pleiteado, registrando ainda que o contribuinte não atendeu integralmente as intimações nos prazos fixados, deixando de apresentar elementos essenciais ao exame do pleito, Restando não homologados os créditos pleiteados, demonstrase a seguir de forma sumarizada os desdobramentos e tramitação processual respectivos. Fl. 831DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 12 Uma vez nãohomologada a compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), é facultada ao sujeito passivo a apresentação de manifestação de inconformidade às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ contra a não homologação da compensação pela autoridade competente para decidir o pleito (no prazo de trinta dias da ciência da nãohomologação), assim como a apresentação de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF contra o acórdão das DRJ que manteve a não homologação da compensação (no prazo de trinta dias da ciência do acórdão), conforme previsão dos §§ 7º a 10 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Usando da faculdade que lhe o confere o referenciado dispositivo legal, o contribuinte ingressou com a Manifestação de Inconformidade acompanhada dos documentos de fls. 181/420. Na sequência, a 3ª Turma da DRJ/Campinas decidiu converter o julgamento em diligência, por meio da Resolução nº 2.962, de 14/06/2010. Da diligência solicitada temse os seguintes resultados: 1) Termo de Constatação Fiscal, fls. 483/488, do qual se destaca: Decorrido 7 meses da solicitação da apresentação das notas fiscais (15 de agosto a 26 de março) e maior tempo de outras intimações anteriores, a empresa ainda iria pedir as caixas no arquivo externo, demonstrando a falta de dedicação ao atendimento às solicitações feita pela fiscalização.(grifei). É importante ressaltar excertos da decisão de piso acerca do referido termo: No decorrer da análise, após diversas intimações não integralmente atendidas e dilações de prazo solicitadas e concedidas, no dia 02/07/2013 a autoridade incumbida da diligência emitiu Termo de Constatação Fiscal, no qual reafirmava a impossibilidade da análise que se fazia necessária, em face do não atendimento integral às intimações e, consequentemente, decidia por retornar os autos à DRJ/Campinas com sugestão de não reconhecimento do direito creditório. Cientificada em 03/07/2013, no dia 01/08/2013 a contribuinte manifestouse acerca do referido Termo procurando justificar se quanto ao não atendimento integral das intimações e solicitando que os processos permanecessem por mais algumas semanas na DRF/Guarulhos, sob alegação de que, em assim sendo, teria condições de apresentar os documentos faltantes. A autoridade responsável pela diligência não se manifestou expressamente sobre este pedido, o qual, no entanto, foi acolhido, posto que novos documentos foram apresentados pela contribuinte e, no dia 05/05/2014, referida autoridade apresentou suas conclusões em novo Termo de Constatação Fiscal, a seguir transcrito: 2) Termo de Constatação Fiscal, fls. 578/582. A decisão de piso assim se manifesta: Fl. 832DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 3302002.898 S3C3T2 Fl. 714 13 A contribuinte não se manifestou sobre o resultado da diligência solicitada. Todavia, o silêncio da interessada não afasta o dever de examinarmos as alegações apresentadas na manifestação de inconformidade e a repercussão, sobre o Despacho Decisório, das conclusões a que chegou a AFRFB responsável pela diligência acerca do direito creditório pleiteado. Ante o exposto constatase que foram feitas várias intimações, antes de ser exarado o Despacho Decisório não homologatório de fls. 153/157 e ainda, após instaurado o litígio, a instância julgadora a quo, diante da novel documentação apresentada na Manifestação de Inconformidade converteu o julgamento em diligência, em razão de sua competência regimental, nos termos do 1art.233, inciso IV, da Portaria MF nº 203, de 2012, DOU de 17/05/2012, que aprova o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB para julgamento de litígio instaurando em decorrência de apresentação de inconformidade contra apreciações das autoridades em processos relativos a compensação, para que a autoridade jurisdicionante, competente para decidir o pleito procedesse a análise da documentação apresentada, ensejando em decorrência os dois termos de constatação fiscal acima mencionados, sendo importante ressaltar que ao exarar o primeiro Termo de Constatação, após cientificado, o contribuinte solicitou prazo adicional para apresentação de documentos, sendo acolhido, se não expressamente, de maneira tácita, já que novos documentos foram apreciados, resultando no segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 578/582. Verificase assim que quanto ao aspecto material, visando conferir a liquidez e certeza do crédito alegado, foi procedida a verificação junto ao contribuinte do suporte probatório que lhe competia demonstrar, conforme dispõe a legislação de regência, quantos às operações que ensejariam referido crédito, no entanto como já sobejamente explicitado, o contribuinte ofereceu apenas parte da documentação, que se mostrou insuficiente para homologar totalmente o crédito pleiteado. Digno de nota que embora regularmente cientificado do segundo Termo de Constatação Fiscal, declinou o contribuinte de exercer o seu direito de defesa, já que não houve a contestação na Manifestação de Inconformidade quanto ao referido termo. Inferese portanto que o contribuinte não desincumbiu do ônus probatório que lhe competia para demonstrar a certeza e liquidez de seu crédito. Inexistindo contestação acerca do segundo termo de contestação a instância a quo procedeu ao julgamento com a apreciação das matérias litigadas na Manifestação de 1 Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: (...) IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 14 Inconformidade apresentada e o resultado da diligência solicitada, cujo conteúdo decisório se demonstra a seguir, por alguns excertos: Conforme já anteriormente mencionado, a autoridade fiscal responsável pela realização da diligência analisou conjuntamente os créditos de PIS e Cofins alegados pela contribuinte em 12 processos administrativos. Nesta análise conjunta concluiu que os créditos a que a contribuinte tinha direito eram inferiores aos pleiteados, pois a interessada teria substimado as bases de cálculo das contribuições devidas e superstimado as bases de cálculo dos créditos a serem descontados. No Termo de Constatação Fiscal de fls. 578/580, integralmente transcrito no Relatório deste Acórdão, e nos arquivos digitais que o integram e complementam, referida autoridade detalhou as razões das glosas relativas aos créditos, bem como as receitas que a contribuinte teria excluído indevidamente das bases de cálculo das contribuições devidas.(grifei). Nos arquivos digitais denominados “Dem. Apuração Saldo de Créditos –Cofins” e “Dem. Apuração Saldo de Créditos – PIS”, nas planilhas denominadas “Saldo de Céditos pCompens.”, a autoridade fiscal apresentou, para cada um dos meses em exame, os valores dos saldos de créditos disponíveis para utilização em declarações de compensação. No quadro a seguir, reproduzimos as informações constantes das referidas planilhas:(sic) Como vimos, a contribuinte, regularmente cientificada, não se manifestou acerca das conclusões a que chegou a autoridade responsável pela realização da diligência. Assim, não existe controvérsia acerca dos valores dos direitos creditórios passíveis de reconhecimento. Consequentemente, deverão ser reconhecidos os créditos pleiteados, limitados aos valores constantes do quadro acima. No quadro a seguir, relacionamos os doze processos examinados na diligência, os Fl. 834DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 3302002.898 S3C3T2 Fl. 715 15 créditos neles pleiteados e os valores dos créditos a serem reconhecidos: Do ponto de vista formal, com fulcro no art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação da Lei nº 9.532, de 1997, [Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997), assim os argumentos de mera presunção quanto ao direito à via recursal, ainda que silente em relação à primeira instância, não podem ser acolhidos, uma vez que as matérias submetidas à primeira instância determinam os limites do litígio na via contenciosa administrativa, de modo que a matéria não contestada em primeira instância administrativa, suscitada pela recorrente somente na peça recursal, tornase preclusa, visto que não instaurado o litígio quanto à essa matéria, condição, segundo a norma que rege o processo administrativo fiscal para submeterse ao duplo grau de jurisdição. Por oportuno, cabe registrar que quando da sustentação oral, entre os argumentos para justificar a não contestação do segundo Termo de Constatação arguiu o Patrono que não houve encerramento da ação fiscal, apenas um mero Termo de Constatação. Compulsandose os autos, verificase que não assiste razão à defesa haja vista está expressamente consignado no segundo Termo de Constatação Fiscal de fls. 578/582, a informação quanto ao encerramento da ação fiscal bem como quanto a abertura de prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação de inconformidade, como a seguir se demonstra através dos seguintes excertos: "Dos exames realizados para atendimento da solicitação, com relação a existência dos créditos aproveitados nas DCOMPs, esta ação fiscal está sendo concluída, com os resultados discriminados abaixo:"(grifei). Fl. 835DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR 16 (...) Acerca dos fatos expostos, dos demonstrativos e dos novos valores dos créditos a serem aproveitados na DCOMP, fica facultado à contribuinte o prazo de 30 (trinta) dias para apresentação de manifestação de inconformidade.(grifei). Digno ainda de nota que a solicitação de juntada de documentos em 15/12/2015, conforme relatado foi efetuada após o julgamento do presente processo, corroborando a fundamentação já delineada quanto a não apresentação de manifestação de inconformidade relativa ao segundo Termo de Constatação no prazo legal estabelecido com os motivos de fato e de direito para fundamentar sua contestação, bem como os pontos de discordância, as razões e provas que visassem infirmar o referido termo. Assim os documentos apresentados somente em 15/12/2015 não encontram respaldo nas disposições excepcionais previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 e alterações respectivas: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 4.º. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a)fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b)refirase a fato ou a direito superveniente; c)destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Todo o parágrafo 4.o incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 5.º. A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997) § 6.º. Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997).(grifei). Nesse mister, ante os fundamentos acima expostos deixo de conhecer a contestação somente em sede recursal quanto ao segundo Termo de Constatação Fiscal, fls. 578/582, mantendo in totum a decisão de piso, bem como os documentos cuja solicitação de juntada foi posterior ao julgamento do presente processo. Por todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 836DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR Processo nº 16098.000065/200908 Acórdão n.º 3302002.898 S3C3T2 Fl. 716 17 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR, Assinado digitalmente e m 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por MARIA DO SOCORRO FERREI RA AGUIAR
score : 1.0
Numero do processo: 11080.018144/99-91
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 1994
CSLL. DEPÓSITO EM JUÍZO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º
X ART. 173, INC. I DO CTN.
Ausente o dolo, fraude ou simulação, para fins de definição do prazo decadencial, o depósito judicial do crédito tributário exigido equivale ao pagamento, aplicando-se ao lançamento da CSLL, o prazo estabelecido no art. 150, § 4º do CTN.
Numero da decisão: 9900-000.923
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Possas, Júlio Cesar Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo
Nome do relator: Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc
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Decadência Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida INDÚSTRIAS MICHELETTO S/A ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 1994 CSLL. DEPÓSITO EM JUÍZO. PRAZO DECADENCIAL. ART. 150, § 4º X ART. 173, INC. I DO CTN. Ausente o dolo, fraude ou simulação, para fins de definição do prazo decadencial, o depósito judicial do crédito tributário exigido equivale ao pagamento, aplicando-se ao lançamento da CSLL, o prazo estabelecido no art. 150, § 4º do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Rafael Vidal de Araújo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Maria Helena Cotta Cardozo, Marcelo Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Joel Miyasaki, Rodrigo da Costa Possas, Júlio Cesar Alves Ramos e Otacílio Dantas Cartaxo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (para fins de formalização de voto) (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, designada para formalizar o acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época), Joel Miyazaki, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Karem Jureidini Dias, Gustavo Lian Haddad, Fl. 296DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.018144/99-91 Acórdão n.º 9900-000.922 CSRF-PL Fl. 297 2 Alexandre Naoki Nishioka, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Marcos Aurelio Pereira Valadão, Antonio Carlos Guidoni Filho, Julio Cesar Alves Ramos, João Carlos Lima Junior, Valmar Fonseca de Menezes, Jorge Celso Freire da Silva (Relator), Elias Sampaio Freire, Valmir Sandri, Maria Helena Cotta Cardozo, Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo, Miranda, Antonio Lisboa Cardoso, Rafael Vidal de Araujo, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rodrigo da Costa Possas e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva. Considerando que o Presidente à época do Julgamento não mais compõe o quadro de Conselheiros do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) na data da formalização da decisão, a presente decisão é assinada pelo Presidente do CARF nesta data, Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, que o faz meramente para a formalização do Acórdão. Da mesma maneira, tendo em vista que, na data da formalização da decisão, o relator Conselheiro Elias Sampaio Freire não integra o quadro de Conselheiros do CARF, a Conselheira Adriana Gomes Rêgo foi designada ad hoc como a responsável pela formalização do presente Acórdão, o que se deu na data de 19/10/2015. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.018144/99-91 Acórdão n.º 9900-000.922 CSRF-PL Fl. 298 3 Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Extraordinário de e-fls 269/274 1 , contra Acórdão nº CSRF/01-05.759, de 036 de dezembro de 2007, e-fls. 249/265, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF que, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, nos seguintes termos: DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SRF - A partir de janeiro de 1992, por força do artigo 38 da Lei n° 8.383/91, os tributos administrados pela SRF passaram a ser sujeitos ao lançamento pela modalidade homologação. O início da contagem do prazo decadencial é o da ocorrência do fato gerador do tributo, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do § 4° do artigo 150 do CTN. Tendo o Pleno do STF já se manifestado sobre a obrigatoriedade de veiculação de normas regulando as matérias contidas no artigo 146-111 da CF, serem complementares, pode o julgador administrativo se aliar à referida tese, aplicando-se o Código Tributário em detrimento de Lei Ordinária. (STF TRIBUNAL PLENO - RE 407190/RS - SESSÃO DE 27-10-2004). A CORTE ESPECIAL, POR UNANIMIDADE, DECLAROU A INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N° 8.212, DE 1991 (STJ - RESP 616.348 MG - 15.08.2007). O recurso foi interposto com fundamento no art. 9º c/c art. 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25/06/2007, alegando que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência da Segunda Turma da CSRF, que, especificamente quanto à Cofins, concluiu pela aplicabilidade, às contribuições destinadas à seguridade social, do disposto no art. 45 da Lei nº 8.212/91, independentemente de haver ou não comprovação de fraude, enquanto o acórdão recorrido entendeu ser aplicável o art. 150, § 4º do CTN, dada a declaração da natureza tributária da CSLL pelo STF e, quanto ao art. 45 da Lei 8.212/91, o acórdão recorrido declarou que tal dispositivo encaminha para ser declarado inconstitucional, definitivamente, tendo em vista decisão do STJ, em sede do RESP n° 161.348/MG e Parecer do MPF, no mesmo recurso, naquele sentido. Portanto, a divergência jurisprudencial está na interpretação do art. 45 da Lei 8.212/91, que seria aplicável à Contribuição Social Sobre o Lucro - CSSL. A recorrente indicou como paradigma o Acórdão CSRF/02-01.722, da 2ª Turma da CSRF, que possui a seguinte ementa: COFINS — DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento 1 Todas as folhas citadas no presente acórdão referem-se À numeração do e-processo Fl. 298DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.018144/99-91 Acórdão n.º 9900-000.922 CSRF-PL Fl. 299 4 da Seguridade Social — Cofins é de dez anos, contado a partir do 1° dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído. Alega a recorrente que o art. 45 da Lei 8.212/91 é norma especial frente ao art. 150, § 4° do CTN e, como este mesmo diploma admite a edição de normas especificas sobre o prazo decadencial, inexiste qualquer conflito entre essas disposições. O recurso foi admitido por meio do Despacho nº 321, de 29/09/2008, e-fls. 289/290, fundamentado nas seguintes razões, verbis: Tem-se que, em relação à questão da aplicação da Lei 8.212/91, não há mais espaço para recebimento do recurso extraordinário. Com efeito, já existe súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucionalidade dos prazos de 10 anos para prescrição e decadência das contribuições sociais previstos na Lei 8.212/91, senão vejamos: SÚMULA VINCULANTE N°8 SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 50 DO DECRETO-LEI N° 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Observa-se, porém, que há divergência entre os julgados recorrido e o paradigma em relação à aplicação do § 4°, artigo 150 do CTN ou do artigo 173, inciso I do CTN. Verificados os pressupostos de admissibilidade da peça recursal, tempestividade e devida fundamentação, acato a Informação supra e DOU seguimento ao Recurso Extraordinário. Intimada do acórdão e do despacho de admissibilidade do recurso, a interessada não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.018144/99-91 Acórdão n.º 9900-000.922 CSRF-PL Fl. 300 5 Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, para fins de formalização do Acórdão. Formalizo este acórdão por designação do presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais efetuada por meio do despacho de e-fl. 764, tendo em vista que o relator, Conselheiro Elias Sampaio Freire, não formalizou a decisão, proferida em 08/12/2014, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF e não pertence mais aos colegiados do CARF. Ressalto, por oportuno, que não integrava o colegiado que proferiu o acórdão e, portanto, não participei do julgamento. Assim, o entendimento consubstanciado neste voto tem por base os elementos do processo e os dados constantes da ata da Sessão de Julgamento, realizada pelo Pleno da CSRF, a partir das dezesseis horas do dia 08 de dezembro de 2014 e não exprimem qualquer juízo de valor por parte desta redatora ad hoc sobre as matérias decididas. O recurso foi apresentado tempestivamente e preencheu os requisitos para a sua admissibilidade, na medida em que a recorrente se desincumbiu comprovar a dissidência jurisprudencial entre as turmas da CSRF. Com efeito, enquanto o acórdão recorrido trouxe o entendimento de que o prazo decadencial para constituição do crédito tributário relativo à CSLL é de cinco anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, e afasta a aplicação do prazo fixado no art. 45 da Lei nº 8.212/1991, o acórdão paradigma entende que o este prazo é de 10 anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Quanto aos demais pressupostos de admissibilidade previstos nos artigos 9º e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 147/2007, o qual é aplicado por força do artigo 4º do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, também foram atendidos, razão pela qual conheceu-se do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. Em que pese a efetiva demonstração da divergência alegada pela recorrente, o despacho de admissibilidade do Presidente da CSRF, entendeu que a questão controvertida estava superada em face da edição da Súmula Vinculante nº 8 e que o recurso não poderia ser conhecido nesta parte. Contudo, admitiu o recurso por entender que há divergência entre os julgados recorrido e o paradigma em relação à aplicação do § 4°, artigo 150 do CTN ou do artigo 173, inciso I do CTN. Assim, o colegiado apreciou o mérito da divergência, nos moldes em que foi admitida pelo presidente da CSRF. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.018144/99-91 Acórdão n.º 9900-000.922 CSRF-PL Fl. 301 6 A divergência examinada consiste na aplicação do § 4°, artigo 150 do CTN ou do artigo 173, inciso I do CTN, para fins de aplicação do prazo decadencial. A questão da decadência com relação aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como é o caso da CSLL, foi pacificada pelo STJ, por meio do REsp. nº 973.733/SC, no rito previsto no art. 543-C do CPC, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontra-se regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO Processo nº 11080.018144/99-91 Acórdão n.º 9900-000.922 CSRF-PL Fl. 302 7 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico arcos Diniz de Santi, Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida-se de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deu-se em 26.03.2001. 6. Destarte, revelam-se caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. No caso concreto, não se configurou o dolo, fraude ou a simulação, tendo o contribuinte efetuado o depósito judicial da contribuição social por ele discutida em processo judicial. Desta feita, a maioria do colegiado entendeu correto o entendimento de que a contagem do prazo decadencial deveria seguir o previsto no art. 150, § 4º do CTN, ao considerar que o depósito judicial do tributo tem o mesmo efeito do pagamento, para esses fins. Por todo o exposto, o colegiado negou provimento ao recurso extraordinário da Fazenda Nacional. Acórdão formalizado em 19/10/2015. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Redatora ad hoc, designada para formalizar o Acórdão. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 19/10/2015 p or ADRIANA GOMES REGO, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assin ado digitalmente em 19/10/2015 por ADRIANA GOMES REGO
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