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Numero do processo: 11030.720614/2010-51
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO.
Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado.
Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FUNDAMENTO PARA AFERIÇÃO DOS VALORES EFETIVAMENTE DEVIDOS A TÍTULO DE CORREÇÃO MONETÁRIA. MATERIALIDADE DO PLEITO. LINEARIDADE DO ARGUMENTO DO SUJEITO PASSIVO. Ao apresentar pedido de restituição de montante relativo à correção monetária devida em razão de oposição indevida do fisco, o sujeito passivo precisa apresentar argumentos que permitam confirmar a quantia devida, sendo fundamental informar o momento em que o ressarcimento foi efetivado. Ao afirmar, em sede de manifestação de inconformidade, que o ressarcimento já foi efetuado, e em sede recursal que o ressarcimento ainda não o foi, resta prejudicado seu pedido ante sua inconsistência. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 72 06 14 /2 01 0- 51 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Francisco José Barroso Rios (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Solon Sehn, Mara Cristina Sifuentes e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 171), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte em epígrafe contra Acórdão lavrado pela 2ª Turma da DRJ de Porto Alegre (RS), que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela interessada. Em momento prévio à análise das motivações recursais, é conveniente que sejam revisitados os atos e fases processuais já superados. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da impugnação, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: "(...)Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em relação a restituição por meio eletrônico relativo a créditos que a interessada alega possuir, originados de valores de Cofins nãocumulativa que deveriam ser corrigidos monetariamente ou ter incidência da taxa Selic. Analisado ao pleito original da contribuinte pela DRF em Passo Fundo, foi reconhecida integralidade do direito creditório originalmente pleiteado, tendo a empresa sido cientificada da decisão em 10/11/2010 (AR fls. 30). Não obstante, a contribuinte encaminhou pelo Correio em 10/12/2010 (com carimbo de recepção em 13/12/2010 aposto pela DRF Passo Fundo) manifestação de inconformidade, encaminhada a esta DRJ para análise (fls. 02 e 57), pleiteando a correção monetária ou aplicação da taxa Selic sobre os créditos reconhecidos administrativamente pela DRF pelos valores originais. Transcreve jurisprudência a seu favor. Nesta peça não aborda o prazo para a apresentação da inconformidade. Entendendo que a Manifestação de Inconformidade era intempestiva, haja vista a data de 13/12/2010, então considerada pelos elementos constantes no processo, este órgão julgador encaminhou o processo de volta à origem para que fosse lavrado Fl. 173DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720614/201051 Acórdão n.º 3802002.301 S3TE02 Fl. 173 3 o termo de revelia. Entretanto, ao tomar ciência do Despacho DRJ, a interessada compareceu novamente ao processo, apresentando solicitação de revisão do despacho, esclarecendo o engano ocorrido quanto à data correta de postagem, 10/12/2010, comprovandoo mediante documentação hábil e argumentando pela tempestividade com base no Ato Declaratório Normativo No 19, de 26/05/1997, pelo qual deve ser considerada a data de postagem da petição. Assim sendo, o processo foi remetido novamente à DRJ em 17/06/2011". Ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, restando superada a discussão acerca da sua tempestividade, a 2ª Turma da DRJ/POA entendeu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, mantendo a glosa do crédito requerido pela contribuinte e proferiu o seguinte acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 Face à existência de expressa vedação legal, inaceitável a correção monetária ou a incidência de juros no ressarcimento de créditos de Pis/Cofins não cumulativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seu Recurso Voluntário (fls. 141 e seguintes), que ora é objeto de exame, o sujeito passivo se insurge contra o acórdão a quo, reforçando seu argumento no sentido de que a demora na análise do pleito – não atendido até o momento da interposição do Recurso Voluntário – configura a resistência indevida do fisco, viabilizando a incidência de correção monetária sobre seu crédito a receber, desde a data do protocolo do pedido administrativo, alternativamente, a partir do primeiro dia subsequente ao término do prazo concedido pela legislação para que se julgasse o pedido. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 171), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa mesma situação tratamento diverso. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 O presente recurso é tempestivo e, ausentes outras questões preliminares, passo à análise de mérito. Tratase de pedido de restituição formulado após processo de ressarcimento, cujo deferimento somente foi proferido após decurso de prazo superior a um ano. Em sua manifestação de inconformidade original (fls. 03 e seguintes), o contribuinte afirma que, até aquele momento, não havia sido efetivamente ressarcido dos valores reconhecidos no pedido formulado em 2008. Ao ser intimado da decisão que equivocadamente considerou intempestiva a Manifestação de Inconformidade, o contribuinte apresentou petição (fls. 99 e seguintes) esclarecendo o erro e afirmando que o crédito foi ressarcido pelo seu valor nominal, todavia sem especificar o momento de sua ocorrência. Dessa petição seguiuse o julgamento de mérito da DRJ, que, mesmo reconhecendo a tempestividade da manifestação de inconformidade, negou o pleito do contribuinte ante a ausência de previsão legal para correção monetária dos créditos de PIS/COFINS objeto de pedido de ressarcimento. Contra essa decisão, o Recurso Voluntário (fls. 141 e seguintes) indica que, até o momento de sua interposição, os créditos ainda não haviam sido efetivamente ressarcidos. Estou de acordo com os fundamentos jurídicos do pedido do contribuinte, porém não percebo materialidade no direito de crédito suscitado. Explico. A causa de pedir do sujeito passivo se dá em razão do fato de que a demora injustificada no ressarcimento de tributos, configura a resistência indevida do fisco a que a jurisprudência do STJ se refere, em sede de recurso repetitivo (cuja reprodução é obrigatória por este Conselho, nos termos do artigo 62A do RICARF). PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, Fl. 175DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720614/201051 Acórdão n.º 3802002.301 S3TE02 Fl. 174 5 postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Além disso, entende o STJ que o raciocínio da correção monetária para os créditos de IPI decorrentes da não cumulatividade se estende para os créditos de PIS e COFINS objeto de pedidos de ressarcimento: PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. CRÉDITO ESCRITURAL. DEMORA NA ANÁLISE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXEGESE DO RESP 1.035.847/RS. 1. A alegação genérica de violação do art. 535 do Código de Processo Civil, sem explicitar os pontos em que teria sido omisso o acórdão recorrido, atrai a aplicação do disposto na Súmula 284/STF. 2. O entendimento firmado no REsp 1.035.847/RS, de relatoria do Min. Luiz Fux, atrai conclusão no sentido de que é devida a incidência de correção monetária aos créditos escriturais que não são gozados pelo contribuinte, na forma de ressarcimento, compensação ou aproveitamento, por resistência ilegítima do Fisco ainda que a demora seja em decorrência de análise de processo administrativo. 3. "O ressarcimento em dinheiro ou a compensação, com outros tributos dos créditos relativos à nãocumulatividade das contribuições aos Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP) art. 3º, c/c art. 5º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.637/2002 e para a Seguridade Social (COFINS) art. 3º, c/c art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei n. 10.833/2003, quando efetuados com demora por parte da Fazenda Pública, ensejam a incidência de correção monetária. " (REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011). (...) Fl. 176DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 4. Embora o REsp paradigma 1.035.847/RS trate de crédito escritural de IPI, o entendimento nele proferido alberga o reconhecimento de que não incide correção monetária sobre créditos escriturais em geral, salvo se o seu ressarcimento, compensação ou aproveitamento é obstado por resistência ilegítima do Fisco. 5. O termo inicial para a incidência da correção monetária é do protocolo dos pedidos administrativos cuja fruição foi indevidamente obstada pelo Fisco. REsp 1129435/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, julgado em 03/05/2011, DJe 09/05/2011; EDcl nos EDcl no REsp 897.297/ES, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, julgado em 16/12/2010, DJe 02/02/2011. Recurso especial conhecido em parte, e parcialmente provido. (STJ. Segunda Turma. REsp 1.268.980/SC. Relator Min. Humberto Martins. Julgado em 19/06/2012. Publicado no DJe de 22/06/2012) Ainda que o segundo julgado transcrito acima não seja de reprodução obrigatória, entendo ser a melhor interpretação ao primeiro, não somente ao estender o raciocínio dos créditos de IPI para os ressarcimentos de PIS e da COFINS, como também no que diz respeito ao termo inicial do prazo para fins de aplicação da correção monetária devida. Isso porque, formulado o pedido de ressarcimento, o fisco dispõe de todo o aparato (inclusive sistêmico) para efetivação da análise do pedido. A sobrecarga de pedidos, em si, não me parece argumento razoável para justificar a negativa de correção monetária aos créditos pleiteados. Nesse sentido, para não se submeter à fluência de correção monetária, o fisco deve apresentar seus fundamentos jurídicos – e não somente fáticos e conjunturais – a justificar a demora no atendimento do pedido de ressarcimento. Frisese que, nesse caso em particular, o fisco (assim como o contribuinte nos casos de recolhimento extemporâneo de tributos) está de posse de dinheiro que não lhe pertence, sendo no mínimo razoável a aplicação de correção monetária quando, além de tudo, ainda se demora na análise e/ou no cumprimento do pedido do sujeito passivo, que restar demonstrado como procedente. Contudo, no caso em particular, o Recorrente não apresenta a materialidade do seu crédito, o que motiva concretamente a negar provimento ao seu Recurso. Isso porque, como visto no começo do voto, a empresa apresenta argumentos sinuosos quanto à efetivação do deferimento do seu pedido: ora alega que já foi ressarcido, ora alega que não o foi. Essa afirmação, de aparente sutileza e irrelevância, ao meu ver é fundamental para o deslinde de seu pedido, pois entendo que o pedido de restituição da diferença de valores decorrentes de correção monetária de montante ressarcido a desoras, depende do efetivo cumprimento do pleito originário pelo fisco. Somente nesse momento se pode verificar o quantia devida que lastreará o pedido de restituição. Tal me parece a melhor interpretação sobre a hipótese trazida a lume, até porque, enquanto o ressarcimento originário não se houver efetivado, a quantia devida (quantum debeatur) será ilíquido – dificultando a verificação das diferenças a restituir. E ainda que se diga, com relação à ilação acima, que o pedido de valor a menor não seria obstável (pois indiscutivelmente há mais valores a restituir do que os Fl. 177DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 11030.720614/201051 Acórdão n.º 3802002.301 S3TE02 Fl. 175 7 pleiteados), atender a pedidos parciais de restituição provocaria não somente uma eternização na relação jurídica – pois haverá o risco de sempre haver novos pedidos de restituição em decorrência da análise da parcela ainda não apreciada –, como também dificulta a análise de eventual duplo benefício pelo contribuinte (que multiplicará seus pedidos de correção monetária ao longo do tempo em diversos pedidos). Importante também esclarecer que não verifiquei nos autos qualquer documento que comprove a data em que efetivamente teria ocorrido o ressarcimento, o qual, na petição de defesa da tempestividade da Manifestação de Inconformidade, foi alegado como já ter ocorrido pelos valores nominais do pedido original. Destarte, mesmo entendendo que, em tese, o contribuinte tem razão na sua causa de pedir, oriento meu voto no sentido de que seja mantida a decisão de primeira instância, negandose o direito creditório, por ausência de materialidade no seu pleito. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGARLHE provimento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 14/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 14/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.720996/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Sendo o processo retirado de pauta depois de lido o relatório e oportunizada a sustentação oral a ambas as partes, e não havendo alteração no colegiado na reunião seguinte, incabível nova oportunização de sustentação oral, sendo que a sustentação equivocadamente oportunizada a uma das partes não enseja nulidade processual, nem omissão em relação a ponto sobre o qual o colegiado deveria se manifestar.
Numero da decisão: 3401-003.076
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos interpostos. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: Rosaldo Trevisan
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OMISSÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Sendo o processo retirado de pauta depois de lido o relatório e oportunizada a sustentação oral a ambas as partes, e não havendo alteração no colegiado na reunião seguinte, incabível nova oportunização de sustentação oral, sendo que a sustentação equivocadamente oportunizada a uma das partes não enseja nulidade processual, nem omissão em relação a ponto sobre o qual o colegiado deveria se manifestar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar os embargos interpostos. Vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl e Eloy Eros da Silva Nogueira. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (presidente da turma), Robson José Bayerl (presidente substituto), Augusto Fiel Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 09 96 /2 01 2- 72 Fl. 986DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 D'Oliveira, Rosaldo Trevisan, Waltamir Barreiros, Eloy Eros da Silva Nogueira, Elias Fernandes Eufrásio (suplente) e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Tratase de embargos de declaração (fls. 947 a 950)1 opostos pelo presidente da extinta Terceira Turma da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF, em relação ao Acórdão nº 3403003.571, de 25/02/2015, em face de “omissão de ponto sobre o qual o colegiado deveria ter deliberado”. Informa o embargante que a PGFN obteve deferimento de pedido para sustentação oral em relação ao processo, e que, diante do adiamento do julgamento em um dia (de 24 para 25/02/2015), não comunicado, por lapso, à PGFN, e de confusão com outro processo para o qual a PGFN abdicara de sustentação oral em relação a instituição financeira diversa, o presente processo acabou sendo julgado sem a sustentação oral de uma das partes: a Fazenda Nacional. Entende ainda o embargante que a omissão eiva o julgamento de nulidade, por cerceamento do direito de defesa e por violação ao art. 58, III do Regimento Interno do CARF então vigente (aprovado pela Portaria MF no 256, de 22 de junho de 2009). Os autos foram a mim enviados, na qualidade de relator (ainda que vencido) naquele Acórdão nº 3403003.571, para que o processo fosse indicado para a seguinte sessão de julgamento, sanando o vício no acórdão. Após exame de admissibilidade (fls. 983 a 985) foi dado seguimento à análise dos embargos, a ser empreendida pelo colegiado. Pertinente, por fim, relatar que o contribuinte, tomando conhecimento dos embargos interpostos, apresentou peça processual (fls. 961 a 965) sustentando não existir nulidade no acórdão embargado, basicamente porque: (a) o adiamento é comunicado na própria sessão, em regra, na qual deveria estar presente a Fazenda; (b) já havia sido oportunizada às partes sustentação oral em sessão anterior, e não houve alteração no colegiado; e (c) havia uma Procuradora da Fazenda presente na sessão. É o relatório. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Tendo os pressupostos para admissibilidade dos embargos já sido avaliados no despacho de fls. 983 a 985, passase diretamente à análise da omissão objetivamente apontada. Fl. 987DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3401003.076 S3C4T1 Fl. 987 3 Como se destacou no exame de admissibilidade, lá não se estava a verificar efetivamente se houve omissão ou nulidade, mas se a omissão havia sido objetivamente apontada. Relevante ainda destacar que em tal exame se recordou que com o novo RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, mais precisamente com seu art. 65, § 8º, passou a existir expressa previsão de sustentação oral pelas partes no julgamento de embargos de declaração. O presente processo foi originalmente pautado a sessão da manhã do dia 11/12/2014. Contudo, a pedido da PGFN, o julgamento foi adiado para o mês de janeiro, conforme constou em Ata específica: "Relator(a): ROSALDO TREVISAN Processo: 16327.720996/201272 Recorrente: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Pediu a retirada de pauta: Procuradoria da Fazenda Nacional Outros eventos ocorridos: Retirado de pauta e adiado o julgamento para o mês de janeiro 2015 a pedido da Procuradoria da Fazenda Nacional." (grifo nosso) Em janeiro de 2015, o processo foi novamente pautado, e o julgamento, iniciado na sessão vespertina do dia 27, foi suspenso, após leitura do relatório e sustentação oral do advogado do contribuinte, conforme registrado em Ata específica: "Relator(a): ROSALDO TREVISAN Processo: 16327.720996/201272 Recorrente: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Pedidos de Vista: IVAN ALLEGRETTI Outros eventos ocorridos: Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP nº 138.192." (grifo nosso) Por ocasião desse primeiro julgamento, estavam presentes, conforme registro em Ata, os seguintes conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Luiz Rogerio Sawaya Batista. Acompanhou o julgamento a procuradora da Fazenda Ana Paula Ferreira de Almeida Vieira. Recordome ainda que a durante os debates, na votação de janeiro de 2015, foi percebida divergência entre o despacho decisório e a planilha de cálculo, divergência essa que este relator não havia tomado em conta na redação original do voto. Comprometime, na oportunidade, a alterar o voto para a sessão seguinte, contemplando tal divergência. Isso mudou o voto do relator de negativa de provimento para provimento parcial, exclusivamente em relação à divergência coletivamente percebida. De fato, a mudança em meu voto (de negativa de provimento para provimento parcial) não alterou em nada o resultado geral do julgamento, pois fui vencido (ao lado do Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida) na sessão seguinte, de fevereiro de 2015, tendo a turma majoritariamente decidido pelo provimento total, conforme registrado em Ata específica: "Relator(a): ROSALDO TREVISAN Processo: 16327.720996/201272 Recorrente: BANCO BRADESCO FINANCIAMENTOS S.A. e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Acórdão 3403003.571 Informações Adicionais: Por maioria de Fl. 988DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 votos, deuse provimento ao recurso. Vencidos o Conselheiros Rosaldo Trevisan (relator) e Fenelon Moscoso de Almeida, que deram provimento parcial. Designado o Conselheiro Ivan Allegretti. O Conselheiro Antonio Carlos Atulim acompanhou o voto divergente pelas conclusões, por entender que a decisão transitada em julgado em favor do contribuinte alcança todas as receitas financeiras, inclusive o spread bancário.O Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida participou do julgamento em substituição ao Conselheiro Jorge Freire. Sustentou pela recorrente o Dr. Ricardo Krakowiak, OAB/SP 138.192. Julgado no dia 25/02/2015. Votação: Por Maioria Vencido(s) na votação: ROSALDO TREVISAN Redator designado: IVAN ALLEGRETTI Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Provido" (grifo nosso) A composição da turma não foi em nada alterada em relação à da sessão de janeiro. Também a procuradora da Fazenda que acompanhou a sessão foi a mesma que estava presente em janeiro. Contudo, registrouse em ata ter havido sustentação oral do advogado do contribuinte (em que pese este relator não recordar especificamente, tendo em vista o tempo decorrido, se houve ou não efetivamente a sustentação pela parte). Há que se confirmar, assim, as observações feitas pelo contribuinte em sede de "contrarrazões" aos embargos. De fato, não houve alteração do colegiado entre as sessões, e, de fato, uma procuradora da Fazenda acompanhou ambos os julgamentos, sendo que no primeiro, em janeiro, foi oportunizada à Fazenda a sustentação oral, que não foi efetuada. Dito isso, passase a analisar se, em substância, houve ruptura à "paridade de armas" no julgamento administrativo, e às disposições regimentais a ela atinentes, em prejuízo a uma das partes (no caso, a Fazenda). A discussão presente nos embargos, destaquese, vai além dos aspectos expressamente contemplados no regimento, abarcando ainda práticas reiteradas nas turmas para operacionalizar o julgamento sem prejuízo às partes. Tanto os advogados dos contribuintes quanto os procuradores da Fazenda realizam sustentações orais em diferentes turmas do CARF. E, às vezes, há processos pautados em diferentes turmas com os mesmos responsáveis pela sustentação oral. Dada a impossibilidade de o responsável estar em dois locais ao mesmo tempo, são comuns os adiamentos no curso das sessões para que seja possível que ambas as partes realizem as sustentações orais a contento. Não creio que tal prática reiterada seja lesiva ou distorça disposição regimental. Pelo contrário, ela otimiza a atividade de julgamento, não sobrepondo as normas regimentais às leis da física. Nesse escopo, o presidente da turma, que já havia concedido adiamento a pedido da PGFN, em um mês (de dezembro de 2014 para janeiro de 2015), deferiu novo adiamento (em um dia, de 24/02/2015 para 25/02/2015) no presente caso, a pedido do contribuinte, mas olvidouse de alertar especificamente o procurador da Fazenda que informou ser o responsável pela sustentação oral (Sr. Frederico Souza Barroso). Até aí, nenhum problema, pois o procurador da Fazenda responsável, não sabendo do adiamento, deveria comparecer à sessão, no dia 24/02/2015, atendendo à pauta publicada em Diário Oficial, e lá tomaria conhecimento de que o processo somente seria Fl. 989DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 16327.720996/201272 Acórdão n.º 3401003.076 S3C4T1 Fl. 988 5 julgado no dia seguinte, inclusive tendo a possibilidade de manifestar, se fosse o caso, sua impossibilidade de comparecimento. Registrase nos embargos que o procurador da Fazenda responsável oralmente informou, no curso da reunião de fevereiro, que desistiria da sustentação oral em relação ao processo do Banco Mercantil, que acabou sendo votado em 25/02/2015. E que, por equívoco, o presidente confundiu referido processo com o que aqui se analisa (Banco Bradesco), e acabou colocando este em pauta sem sequer verificar (como habitualmente se fazia nos julgamentos da turma) se ambos os responsáveis pelas sustentações orais estavam presentes. Isso porque o advogado do banco estava presente e o procurador da Fazenda (ao que constava a ele, equivocadamente) havia dispensado a sustentação. Ocorre que houve ainda um segundo lapso por parte do presidente da turma. Nas sessões de fevereiro de 2015 passou a integrar o colegiado o Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, o que provocaria alteração na composição da turma, possibilitando novamente a realização de sustentação oral pelas partes. Entretanto, especificamente na data do julgamento do presente processo (25/02/2015), tal conselheiro teve que se ausentar, passando o suplente Fenelon Moscoso de Almeida a participar da votação. Em virtude da substituição, o colegiado passou a ser o mesmo da sessão anterior, o que tornaria indevida a oportunização de sustentação oral às partes. E, sendo indevida, a eventual oportunização equivocada a uma das partes não acarretaria nulidade processual, ou omissão ensejadora de embargos. Assim, ainda que se releve o fato de estar a PGFN representada em ambas as sessões, inclusive naquela em que se suscita ter havido cerceamento de defesa a ela, há que se destacar que a falta de sustentação oral da Fazenda (sustentação essa que era indevida) não revela omissão em relação a tópico sobre o qual devesse a turma se manifestar, sendo incabíveis os embargos apresentados. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração interpostos. Rosaldo Trevisan Fl. 990DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10952.720382/2011-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
POSTERGAÇÃO.
Não se comprovando, com base nos elementos probatórios constantes dos autos, que o tributo devido objeto de lançamento em determinado ano-calendário foi recolhido em anos-calendários subseqüentes, não há que se aventar do instituto da postergação.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2201-002.770
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada).
(assinado digitalmente)
HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008, 2009 POSTERGAÇÃO. Não se comprovando, com base nos elementos probatórios constantes dos autos, que o tributo devido objeto de lançamento em determinado ano-calendário foi recolhido em anos-calendários subseqüentes, não há que se aventar do instituto da postergação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada). (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR - Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1750; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 406 1 405 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10952.720382/201157 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201002.770 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de janeiro de 2016 Matéria IRPF Recorrente VALMIR JOSÉ CAMPO DALL´ORTO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009 POSTERGAÇÃO. Não se comprovando, com base nos elementos probatórios constantes dos autos, que o tributo devido objeto de lançamento em determinado ano calendário foi recolhido em anoscalendários subseqüentes, não há que se aventar do instituto da postergação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ e MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada). (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 2. 72 03 82 /2 01 1- 57 Fl. 407DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10952.720382/201157 Acórdão n.º 2201002.770 S2C2T1 Fl. 407 2 Participaram do julgamento os Conselheiros HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR (Presidente), EDUARDO TADEU FARAH, IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO, MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, no valor de R$ 4.788.509,23 (efls. 02 a 15), abrangendo os anoscalendário de 2008 e 2009, contemplando: a) Omissão de rendimentos oriundos da atividade rural no anocalendário de 2008; b) Omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada, para o anocalendário de 2009 e c) Omissão de ganhos de capital auferidos em alienações de bens e direitos, ocorridas em 10/2008 e 01/2009. Todas as infrações foram tributadas acompanhadas da qualificação da multa de ofício no patamar de 75%, exceção feita à multa aplicada na infração decorrente de depósitos com origem não comprovada, a qual foi qualificada ao patamar de 150%. O resumo da ação fiscal encontrase consubstanciado no Termo de Verificação de efls. 16 a 40. Inicialmente, insurgiuse o contribuinte contra o auto de infração através de impugnação de efls. 288 a 300, muito propriamente resumida pela autoridade julgadora, na forma do seguinte excerto de efls. 347 a 349, verbis: “(...) a) recebeu a quantia de R$ 3.600.000,00, no mês de outubro de 2008, a título de adiantamento na operação de venda da Fazenda Babi Agropecuária, mas em tal ocasião somente foi assinada a Escritura Pública de Compromisso de Compra Venda. A operação somente se consolidou com a assinatura da Escritura Pública de CompraVenda, em janeiro de 2009, quando recebeu a quantia remanescente de R$ 2.510.150,46. Em decorrência, somente tributou a receita da atividade rural correspondente à venda das benfeitorias e culturas desta fazenda no ano calendário de 2009, no montante de R$ 5.558.918,46, recolhendo o imposto correspondente, no valor de R$ 297.079,78; b) o somatório dos impostos apurados pela fiscalização relativos a esta operação de venda nos anos de 2008 e 2009, no montante de R$ 210.817,39, é inferior ao apurado e pago pelo contribuinte no ano calendário de 2009, no valor de R$ 302.613,81. Assim, no máximo, o que se poderia apurar seria uma postergação na tributação, mas não a apontada omissão; Fl. 408DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10952.720382/201157 Acórdão n.º 2201002.770 S2C2T1 Fl. 408 3 c) há necessidade de alteração da apuração das receitas tributáveis da atividade rural correspondentes ao ano calendário de 2009, mediante a inclusão de receitas decorrentes da venda de café, no montante de R$ 2.510.109,50, conforme detalhado na impugnação, às fls. 291/292. Os valores recebidos a este título teriam sido objeto do lançamento fiscal na infração relativa a depósitos de origem não comprovada, portanto, devem ser excluídos desta última; d) meros depósitos em conta bancária não configuram fato gerador do imposto de renda. A Lei nº 9.430, de 1996, não tem força para alterar os conceitos e hipóteses de incidência ou fato gerador do imposto de renda previsto no art. 43 do CTN. Neste sentido, Súmula nº 182 do Tribunal Federal de Recursos, e decisões prolatadas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais; e) ainda que se entendesse legal a autuação, os valores recebidos em decorrência da venda de café, notas fiscais relacionadas às fls. 296, deveriam ser excluídos da infração relativa a depósitos de origem não comprovada, vez que esta foi comprovada. Ressaltou que a modalidade usual para venda de café “consiste na remessa de quantia por via de transações bancárias, seja na forma de antecipações para posterior ajuste de contas, seja na forma de pagamentos conforme solicitação do produtor rural, sem que exista correspondência matemática entre os valores das transações a cada documento em particular”. Assim, deveria ser excluída a parcela do lançamento vinculado aos depósitos na conta corrente do Sicob – Extremo Sul relacionados às fls. 297, no montante total de R$ 2.161.186,50, e ao depósito no Banco Bradesco, no valor de R$ 350.000,00; f) deveriam ser excluídos, também, do lançamento fiscal os depósitos originados da venda do veículo ao Sr. Ettore Campo Dall’ Orto, CPF nº 594.951.54553, relacionados às fls. 298, conforme informado em sua declaração de rendimentos, bem como, os que tiveram como origem os diversos cheques administrativos recebidos em decorrência do adiantamento da venda da Fazenda Babi Agropecuária; g) o lançamento relativo à omissão de ganho de capital seria improcedente, por não terem sido apontados os dispositivos legais infringidos, bem como, em razão de erro na alocação dos valores recebidos em relação ao real exercício de incidência da tributação. Contudo, tais discrepâncias ficariam prejudicadas em face ao pedido de parcelamento protocolado pelo impugnante; h) o valor total da venda Fazenda Babi Agropecuária foi de R$ 6.110.150,46, sendo que recebeu 58,92% deste valor em 2008, no montante de R$ 3.600.000,00, e não 59,92% apontado no lançamento fiscal. (...)” Fl. 409DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10952.720382/201157 Acórdão n.º 2201002.770 S2C2T1 Fl. 409 4 Tal impugnação foi julgada parcialmente procedente, na forma do Acórdão no 1530.737, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (efls. 346 a 350). Cientificado do referido Acórdão em 08/03/2013 e inconformado com a decisão de 1a. instância, protocolizou o autuado, em 02/04/2013, Recurso Voluntário de efls. 354 a 361, onde: a) Repisa a argumentação apresentada na impugnação, quanto à existência de postergação para a operação de alienação parcial da Fazenda Babi, no valor de R$ 6.110.150,46, o qual corresponde, na forma ressaltada pelo recorrente, à soma dos valores declarados no anocalendário de 2009 a título de receitas de atividade rural (R$ 5.558.918,46, conforme efl. 215) e da receita constante do demonstrativo de ganho de capital para o ano calendário de 2009, no valor de R$ 551.232,00 (efl. 217). Alega, assim, que está caracterizada mera postergação do imposto apurado no valor de R$ 205.988,73 (efl. 6). b) Quanto à infração lançada de depósitos bancários com origem não comprovada: b.1) retoma a argumentação de comprovação de venda do veículo Honda Civic, placa KXZ 1302, ao Sr. Ettore Campo Dall’Orto. Sustenta que, com esta informação, com base nas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física do autuado e do Sr. Ettore e, ainda, no comprovante de transferência de veículos, caberia ao fisco apurar a verdade dos fatos, considerando a operação devidamente documentada e registrada. Alega que o pagamento referente à tal transação teria sido feito através de três depósitos efetuados no Banco Sicoob Extremo Sul, Agência 32310, conta 2356, datados de 30/07/2009, 06/08/2009 e 11/09/2009. b.2) Alega, também, que os créditos no Banco Sicoob Extremo Sul, Agência 32310, na já referida conta 2356, datados de 28/09/2009, no valor de R$ 297.000,00 e de 09/11/2009, no valor de R$ 95.000,00, estariam com sua origem justificada, uma vez que consta dos extratos de efls. 111 e 116 a identificação como provenientes da empresa Comércio de Produtos Alimentícios Molina, a título de compra de café. b.3) Alega, também, existirem diversas outras operações similares, as quais, segundo alegação do contribuinte, estariam atreladas à venda de café pelo autuado à Comércio de Produtos Alimentícios Molina. Reitera a argumentação de terem sido recebidos adiantamentos por conta de tais vendas através de créditos, os quais, conforme sua argumentação, estariam, assim, vinculados à venda de café, sendo que mesmo com a não coincidência entre os valores dos depósitos e as notas fiscais de efls. 301 a 334, as operações registradas por tais NFs deveriam ser excluídas do lançamento fiscal, que as qualifica como omissão de receitas. Ressalta, aqui, que os comprovantes de transferências bancárias, guias de depósito ou cópias dos cheques que teriam originado créditos na referida conta não estão regularmente disponíveis para o destinatário, apresentando agora declaração da mesma empresa comercial Molina onde aquela empresa afirma ter realizado os créditos ali elencados através de transferências bancárias decorrentes da venda de café. Defende, assim, que, a tais créditos, deva se aplicar a tributação de atividade rural, correspondente a 20% do valor total da operação. Encarta, ainda, cópia de solicitação à Sicoob de identificação dos emitentes das transferências recebidas (não respondida) e reitera seu entendimento, no sentido de serem Fl. 410DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10952.720382/201157 Acórdão n.º 2201002.770 S2C2T1 Fl. 410 5 os documentos fiscais prova suficiente para que “os valores destas operações sejam excluídos do lançamento fiscal de omissão de receita”, devendo ser tributados aplicandose 20% sobre o valor total. Ao final da peça recursal, assim, pugna: a) pela exclusão da infração de omissão de rendimentos da atividade rural, excluindose do auto o valor de R$ 205.988,73 de imposto devido, bem como sua multa, por se estar diante de postergação; b) quanto à infração de omissão de receitas por depósitos de origem não comprovada, pela exclusão: b.1) dos R$ 58.000,00, alegadamente recebidos pela venda de veículo anteriormente mencionada; b.2) dos R$ 2.510.109,50 alegadamente decorrentes de venda de café, conforme notas fiscais de efls. 301 a 334, os quais devem assim ser reconhecidos e tributados como da atividade rural. Encaminhamse, assim, os autos para apreciação desta turma julgadora. É o relatório. Voto Conselheiro HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. 1. Quanto à postergação alegada. Entendo, à luz do demonstrativo de efl. 28, que a receita auferida pela alienação de parte da Fazenda Babi, no valor de R$ 6.110.150,46 deveria ter sido assim oferecida à tributação: a) Valor da Terra Nua Alienado (19,67%, conf. DITR 2008, efls. 31 e 205) = R$ 1.201.866,60 b) Benfeitorias (21,85%, conf. DITR 2008) = R$ 1.335.067,87 – Constatase aqui lapso prócontribuinte no qual incorreu a autoridade autuante no referido demonstrativo, uma vez que se utilizou do percentual de 21,58% nos demonstrativos de efls. 31 e 205 (ao invés de 21,85%). c) Culturas – (58,48%, conf. DITR 2008, efls. 31 e 205) = R$ 3.573.215,99. Constato, ainda, na forma já afirmada pela autoridade autuante em seu Termo de Verificação às efls. 18 e 19, que tais receitas deveriam ter sido oferecidas a tributação na proporção em que recebidas no anocalendário de 2008 e 2009, nos percentuais, respectivamente de 58,92%, conforme já retificado pela autoridade julgadora de piso, na forma de efls. 348 e 349 do vergastado e 41,08%, uma vez que o recebimento dos montantes referentes à alienação se deu parte em 2008 (58,92%) e parte em 2009 (41,08%). Ainda, escorreito o procedimento explicitado no referido Termo de Verificação, no sentido de, em linha com o disposto no art. 19 da Lei no. 9.393, de 19 de Fl. 411DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10952.720382/201157 Acórdão n.º 2201002.770 S2C2T1 Fl. 411 6 dezembro de 1996 e art. 19, inciso VI e §2o da IN SRF no. 84, de 2001, tributar a título de ganho de capital a parcela do preço correspondente ao valor da terra nua (item “a” supra), acrescida da parcela do preço correspondente às benfeitorias alienadas (item “b” supra), deduzidos somente do custo da terra nua alienada, uma vez que: a) não houve dedução dos custos ou despesas associados às benfeitorias a título de despesa ou custo da atividade rural nos anoscalendários anteriores; b) não há quaisquer benfeitorias listadas como bens da atividade rural em quaisquer das DIRPFs de efls. 211 a 285. Faço notar, ainda, que a receita total da alienação da terra nua e benfeitorias, totalizando R$ 2.536.934,47 (alíneas "a" e "b" supra, somadas), deveria ter sido utilizada para fins de apuração de ganho de capital tributável, na proporção de R$ 1.494.761,79 (58,92%) em 2008 e R$ 1.042.172,68 (41,08%) em 2009, mas, uma vez que abrangida por infração que não foi objeto de impugnação, não mais se encontra sob litígio. Já a receita de alienação das culturas existentes no imóvel alienado, no total de R$ 3.573.215,99, deveria ter sido oferecida integralmente à tributação como receita da atividade rural na seguinte proporção R$ 2.105.338,86 (58,92%) em 2008 e R$ 1.467.877,13 (41,08%) em 2009. Noto, a partir das DIRPFs de efls. 211 a 225, que o contribuinte reconhece que nada ofereceu a título de ganho de capital ou de receita de atividade rural decorrente da alienação no anocalendário de 2008, alegando ter tributado todo o produto da alienação, no valor de R$ 6.110.150,46 em 2009 (R$ 5.558.918,46 a título de atividade rural e R$ 551.232,00 a título de ganho de capital), alegação que, se verdadeira, faria com que sua receita oferecida a título de atividade rural no anocalendário de 2009, repitase, de R$ 5.558.918,46, tivesse abrangido: a) A receita decorrente de alienação das culturas que corretamente deveria ter sido tributada como atividade rural no referido anocalendário (2009): R$ 1.467.877,13; b) A receita decorrente de alienação das culturas que corretamente deveria ter sido tributada como atividade rural no anocalendário de 2008, para a qual assim, defende o contribuinte, haveria de se admitir mera postergação: R$ 2.105.338,86. c) As receitas oriundas de alienação de terra nua e benfeitorias que deveriam ter sido utilizadas para apuração do valor a ser tributado a título de ganho de capital (GK) em 2008 e 2009, a menos dos R$ 551.232,00 oferecidos como GK naquele ano calendário de 2009, totalizando assim R$ 2.536.934,47– R$ 551,232,00 = R$ 1.985.702,47, dos quais R$ 1.494.761,79 deveriam ter sido objeto de apuração de GK em 2008. Assim, caso admitido o pressuposto de que a única receita do contribuinte oriunda na atividade rural do referido anocalendário de 2009 tivesse sido aquela oriunda da alienação da Fazenda Babi, poderseia concluir que a receita de alienação das culturas que originariamente não foi objeto de tributação no anocalendário de 2008 e que deu origem à infração inicial no valor de R$ 790.557,49 (efl. 4 e primeiro parágrafo do Termo de Verificação Fiscal de efl. 24), posteriormente ajustada pela autoridade julgadora de 1a. instância para o montante de R$ 783.411,06, ao qual aqui se acede, teria sido oferecida à tributação na DIRPF de 2009. Fl. 412DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10952.720382/201157 Acórdão n.º 2201002.770 S2C2T1 Fl. 412 7 Somente na hipótese acima se pode aventar de postergação, instituto incabível, em meu entendimento, no caso de receita a ser utilizada para fins de apuração de ganho de capital (tal como, no caso a receita oriunda da alienação de terra nua e benfeitorias) ser posteriormente declarada como receita na apuração do resultado da atividade rural. Todavia, de forma contrária à tal hipótese, entendo que, assim como propugnado pela autoridade julgadora de 1a. instância, salta aos olhos, rechaçando totalmente a tese acima, a prova, constante dos autos, de existência de diversas notas fiscais que comprovam o auferimento de outras receitas da atividade rural em 2009 pelo contribuinte (vide efls. 301 a 334). Tal evidência, entendo, revela a impropriedade da argumentação apresentada pelo recorrente, a qual dependeria de efetiva prova do contribuinte, no sentido de não existirem outras receitas de atividade rural além da alienação da Fazenda Babi no anocalendário de 2009, existindo, nos autos, em verdade, elementos de prova que demonstram justamente o contrário. Entendo que o contribuinte, alega, contrariando a evidência dos autos de e fls. 301 a 334, que todo o montante oferecido a título de atividade rural em 2009 teria sido oriundo da alienação da Fazenda Babi (o qual deveria ter sido tributado, em parte, em 2008), não se podendo, com base nos elementos probatórios carreados ao feito (que rechaçam tal tese), sequer se garantir que as referidas Notas Fiscais anexadas às efls. 301 a 334 representam as únicas transações que geraram receita de atividade rural para o contribuinte durante o ano calendário de 2009. Ressaltese, por fim, ainda, ter sido oferecida ao contribuinte a oportunidade de se insurgir contra tal evidência, uma vez que já levantada pela autoridade julgadora de piso, em seu voto de efl. 350. Diante deste cenário, não se podendo, a partir dos elementos constantes dos autos: a) verificar se estava ou não abrangida nos R$ 5.558.918,46 (oferecidos a título de receita bruta da atividade rural em 2009) parcela ou a totalidade do montante decorrente da alienação das culturas existentes na Fazenda Babi, que deveria ter sido tributado como atividade rural em 2008, entendo afastada a alegação da postergação, por insuficiência probatória. Não se pode comprovar, a partir dos autos, que o imposto devido referente à referida alienação de culturas foi pago (no todo ou em parte) durante o anocalendário de 2009, a título de tributo oriundo do resultado da atividade rural. Assim, voto por negar provimento ao recurso do contribuinte nesta seara. 2. Quanto à comprovação de depósitos bancários 2.1) Da venda do veículo automotor ao Sr. Ettore Campo Dall’Orto. Inicialmente, de se ressaltar que o lançamento, realizado com fulcro no art. 42 da Lei no. 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não questiona a operação de compravenda de veículos alegada pelo contribuinte, mas, sim, a falta de comprovação da origem (aqui entendida como procedência e natureza) dos depósitos listados pelo contribuinte como alegadamente oriundos da operação. Fl. 413DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10952.720382/201157 Acórdão n.º 2201002.770 S2C2T1 Fl. 413 8 Ainda, de se ressaltar, que, contrariamente ao que quer fazer crer o autuado, o referido art. 42 estabelece uma inversão do ônus da prova, ou seja, cumpre ao autuado, e não ao Fisco, comprovar a origem dos créditos recebidos em sua contacorrente, sob pena de tributação a título de omissão de rendimentos com base na referida presunção, tal como foi feito no caso sob análise. Concluída tal digressão, noto que o contribuinte não trouxe, em seu anexo de efls. 362 a 401, quaisquer elementos capazes de vincular os três mencionados depósitos em dinheiro (listados às efls. 103, 105 e 110) à operação de compravenda em questão, não sendo vínculo suficiente, em meu entendimento, o fato dos três depósitos terem sido realizados em três meses subsequentes e totalizarem o valor alegado como da operação. Então, nego provimento ao Recurso Voluntário também nesta seara. 2.2) Dos depósitos identificados como realizado por Comércio de Produtos de Alimentos Molina e outros supostamente originados pelaa venda de café Quanto à matéria, como já mencionado no presente voto, a partir da presunção legal estabelecida em favor do Fisco pelo art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, é do contribuinte o ônus de elidir a incidência da presunção de omissão de rendimentos, necessariamente mediante a comprovação da origem dos créditos bancários sob análise, através de documentação hábil e idônea. Tratase, aqui, de presunção relativa passível de prova em contrário, conforme observa muito bem José Luiz Bulhões Pedreira, que, no texto abaixo reproduzido, extraído de Imposto sobre a Renda – Pessoas Jurídicas – JUSTECRJ1979 pg. 806, defende muito propriamente que: “O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova: invocandoa, a autoridade lançadora fica dispensada de provar, no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que a lei presume – cabendo ao contribuinte, para afastar a presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe no caso.” Noto, a propósito, que o referido art. 42 em nenhum momento autoriza que a mera prestação de informações, pelo contribuinte, abrangendo a indicação de depositantes e/ou a suposta procedência dos recursos, mas sem a correspondente documentação hábil e idônea, possa afastar a aplicação da presunção ou mesmo reverta o ônus da prova por uma segunda vez, agora para o Fisco. Destarte, entendo que a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação exclusiva do contribuinte, a ser feita através de documentação hábil e idônea, a qual deve poder ser vinculada, de forma individualizada, a cada um dos créditos de forma a que se possa afastar a presunção de receita omitida para tais créditos. Ressalto ainda que, em meu entendimento, por comprovação de origem, aqui, há de se entender a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar não só a fonte (procedência) do crédito, mas também a natureza do recebimento, a que título o beneficiário recebeu aquele valor sob análise, de modo a poder ser identificada a natureza da transação, se tributável ou não. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10952.720382/201157 Acórdão n.º 2201002.770 S2C2T1 Fl. 414 9 Descarto assim que meras indicações de identificação do depositante como as constantes dos extratos de efls. 111 e 116 atinjam o espírito almejado pela presunção, que, em meu entendimento, abrange a necessidade de identificação não só da procedência, mas também da natureza dos recursos recebidos, a fim de que, de forma lógica, possa se concluir por sua qualidade ou não de receita tributável e pela forma de tributação aplicável. Ou seja, todos os créditos devem estar suportados por documentação hábil e idônea que comprove a natureza alegada pelo contribuinte intimado (tais como notas fiscais necessariamente vinculáveis em suas datas e valores com os créditos), descartandose a possibilidade de meras declarações escritas suprirem o desejado pelo legislador. Assim, no caso em questão, uma vez devidamente caracterizado nos autos que o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que transitaram por suas contas bancárias e que, no entanto, não se carreou aos autos nenhum documento que demonstrasse a origem (que não se confunde com a mera procedência) dos depósitos efetuados uma vez que não se consegue estabelecer qualquer vínculo em termos de datas e valores entre os créditos objeto de tributação e as notas fiscais de vendas de operação de café alegadas como supedâneo aos mesmos, de efls. 301 a 334 escorreito o posicionamento da Fiscalização, no sentido de que fossem considerados tais depósitos como rendimentos omitidos, com fundamento no disposto no art. 42 e parágrafos da Lei nº 9.430, de 1996. Reitero, por fim, entender, ainda a propósito, que uma mera declaração, tal como a de efl. 393, ainda mais quando assinada por pessoa física cujo vínculo com o autuado ou com sua alegada cliente (Comercial Molina) não se encontra devidamente comprovado nos autos, não é documentação hábil e idônea suficiente para comprovar a origem (uma vez mais, aqui abrangendo procedência e natureza) dos recursos creditados. O mesmo pode se dizer à solicitação efetuada junto à SICOOB de efl. 401, que, notese, se limita a tentar esclarecer a procedência dos recursos creditados, não podendo estar ali abrangido o esclarecimento acerca da natureza dos créditos recebidos. Assim, entendo que se deva negar provimento ao pleito recursal também nesta última seara. Conclusão: Diante do exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGARlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Relator Fl. 415DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR Processo nº 10952.720382/201157 Acórdão n.º 2201002.770 S2C2T1 Fl. 415 10 Fl. 416DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/ 02/2016 por HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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Numero do processo: 13856.000094/91-91
Turma: Terceira Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Aug 25 00:00:00 UTC 1992
Ementa: NULIDADE - É nula a decisão que deixa de apreciar os argumentos de defesa.
Numero da decisão: 103-12.735
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DECLARAR a nulidade da decisão a quo para que ruiva decisão seja prolatada na boa e devida forma, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ilcenil Franco
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MINISTÉRIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO PROCES93 N9 13856/000.094/91-91 AF. Seesao de 95 de egnqtn de 19 99 ACORDÃON9 103-12.735 Reewmont 102.699 - IRPJ - EXS: DE 1987 a 1990 Mwmrentie: DEVE INDUSTRIA DE MEDICAMENTOS VETERINÁRIOS LTDA. Recorrido: DRF EM RIBEIRA° PRETO (SP). NULIDADE - É nula a decisão que dei xa de apreciar os argumentos de de- fesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por IMEVE INDUSTRIA DE MEDICAMENTOS VETERI- NÁRIOS LTDA.: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em DECLARAR a nulidade da decisão a quo para que ruiva decisão seja prolata - da na boa e devida forma, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões (DF), em 25 de agosto de 1992. _X--iarrin-,>',._.,.., r"-1.-~"-----did c".:NNII:kiii4 'ES .- eBER - PRESIDENTE g, Mi' if. 411;?1 I ti iir,alli ,41# - RELATOR 44 o' VISTO EM z;,4111,0 Ho m .A BRAGA - PROCURADOR DA FA- SESSÃO DE: li DEZ 1992 ÂENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, MARIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, SONIA NACINOVIC e DICLER DE ASSUNÇÃO. 40 , DAMEFP/Or- SECOS NI 084/00 • 4‘ SERVIÇO PUSLICO FEDERAL PROCESSO N? 13856/000.094/91-91 2. RECURSO Ne: 102.699 ACORMU)Ne: 103-12.735 RECORRENTE: IAEVE INDÚSTRIA DE AEDICAAENTOS LTDA. RELATÓRIO Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração de fls. 56/57, para cobrança do imposto de renda - pessoa jurídica, relativo aos exercícios de 1987, 1988, 1989 e 1990, em virtude da apuração das seguintes irregularidades: a) Omissão de receita caracterizada por passivo não comprovado (exercício de 1987); b) Omissão de receita caracterizada por saldo cre- dor de caixa (exercício de 1988); c) Glosa de despesa com depreciação indevida da conta Obras em Andamento (exercícios de 1987, 1988 e 1989); d) Glosa de despesa com correção monetária indevi da dos valores da depreciação acima referida (exercícios de 1988, 1989 e 1990); e) Opção irregular pela tributação pelo lucro pre- sumido, sendo desconsiderada a opção e apurado imposto atreves do lucro real (exercício 1990). N. 1èDANEFIVD11 -3EC011 Ne 015/10 SERMO PUBLICO FEDERAL PROCESSO 149 13856/000.094/91-91 3. Acórdão n9 103-12.735 Após obter dilação do prazo, a empresa apresentou impugnação de fls. 64/68, onde repudiaa autuação com os se- guintes argumentos: a) que não ocorreu omissão de receita por passivo não comprovado já que o valor de Cz$ 164.218,00, assim considerado, na realidade está contabili zado como Adiantamento a Fornecedores; b) que não ocorreu saldo credor de caixa em 1987, pois o valor de Cz$ 500.000,00, creditado ao caixa em 07.12.87, referente ã NF n9 047, emiti- da por Rural Service S/C Ltda., teve como saida efetiva a data de 11 e 25.09.89, nos termos de acordo judicial; c) que nos períodos sob exame encontrava-se amplian do suas instalações, conforme declaração do en- genheiro responsável pela obra, que se inicia • ram em 1984 e terminaram em 1988, sendo oportu no e próprio o procedimento contábil adotado; d) a correção monetária da conta depreciação de • obras em andamento é conseqüancia da própria depreciação, sendo a contabilização realizada conforme o prescrito pelos artigos 347 e 358 do RIR; e) que a opção irregular pelo lucro presumido deve a erro provocado pelo próprio Departamento da Receita Federal, que corrigiu a tabela de descon tos do IR para empresas que fizeram opção pelo lucro presumido não efetuando o mesmo reajuste para as outras empresas, e que apenas procurou garantir o seu direito de pagar conforme exige a lei, utilizando a defesa constitucional de pa- gar apenas o que era devido. empamtimm SERMO PIMUCO FEDERAL PROCESSO N9 13856/000.094/91-91 4. Acórdão n9 103-12.735 Em informação fiscal de fls. 82/83, a autuante in- forma que a autuada efetuou o recolhimento do crédito tribu- tário relativo aos autos reflexos (PIS/Faturamento, FINSOCIAL/ /Faturamento e PIS/Dedução -IR) o que demonstra sua concor- dância com a autuação em relação aos períodos-bases de 1986 e 1987. Como as infrações apuradas no período-base de 1988 são também consignadas naqueles dois períodos-bases, é de se con- siderar que a autuada concorda, também, com a autuação desse período-base. Com relação no período-base de 1989, a autua- ção deve-se ã aplicação do artigo 41 da Lei n9 7.799/89 que limitou a 700.000 BTN a receita para as empresas poderem optar pelo lucro presumido, sendo este limite ultrapassado pela au- tuada. No geral classifica a impugnação de meramente protelató- ria, opinando pela manutenção do feito. A autoridade julgadora monocrática, acatou a pro- posta fiscal e, com base nos fundamentos invocados na infor- mação fiscal, julgou procedente o lançamento, nos termos da de- cisão de fls. 88/90. Em 26.02.92,a autuada interpõe recurso tempestivo a este Conselho, alegando que o pagamento dos valores exigidos nos autos reflexos não constitui confissão de divida e que efetuou tais recolhimentos apenas porque de pequena monta e nunca por concordar com as irregularidades a ela atribuídas. No mérito repete as argumentações da impugnação, considerando que a r. decisão não considerou nem avaliou os documentos ali apresentados, pelo que pede a sua reforma. É o relatório. mommemacmw . • SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13856/000.094/91-91 5. Acórdão n9 103-12.735 VOTO Conselheiro ILCENIL FRANCO, Relator: Recurso tempestivo, tomo conhecimento. A autuada formalizou sua impugnação obedecendo o estabelecido nos artigos 15 e 16 do Decreto n9 70.235/72.Por sua vez a autoridade singular deixou de apreciar os arganentos apre- sentados na peça impugnatória ao assim fundamentar sua decisão. "Da análise dos elementos que compõem o presen- te processo, conclui-se que não assiste razão ã interessada naquilo que pleiteia. A petição impugnatõria tem caráter meramente protelatõria, tendo em vista que a mesma efe- tuou os pagamentos referentes ao PIS/Faturamen- to (processo n9 13856/000.096/91-16) PIS/Dedu ção-IR (processo n9 13856/000.097/91-89) FINSOCIAL-Faturamento (processo n9 13856/000.093/ /91-28), que são decorrentes da presente Autua- ção, conforme cópias dos DARFs, em anexo,o que demonstra sua total concordá:leia com o proce- dimento fiscal relativo aos períodos-base de 1986 e 1987. Por outro lado, as infrações apuradas pela fis- calização no período-base de 1988 estão,também, consignadas nos autos dos períodos-base ante- riores. Consequentemente, é de se_consiclerax. que a contribuinte concorda, também, com a autua- ção desse período. Ressalte-se, ainda, que as argumentações e a documentação apresentada em nada descaracteriza as infrações apontadas, uma vez que o Auto de Infração fora lavrado nos estritos termos da legislação vigente." 100r /00." ernFoenn Nacional a , • SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13856/000.094/91-91 6. Acórdão n9 103-12.735 Como se verifica partiu o julgador monocritico da suposição de que tendo o contribuinte pago outros tributos cuja base de cãlculo decorrem do apurado com relação ao imposto de renda pessoa jurídica, teria concordado com a apuração efetua da pelo fisco. Com isto não posso concordar, pois entendo que todos têm o direito de exercer a escolha do que mais lhe interessa. Ante o exposto é de se concluir que a decisão mo- nocrâtica ao deixar de apreciar os argumentos da defesa, su- primiu uma das instâncias de julgamento do processo adminis- trativo fiscal, providência esta que tem merecido o repúdio deste Conselho. Face ao acima constatado, voto no sentido de de- clarar nula a decisão de fls. 88M, para que outra seja la- vrada apreciando devidamente os argumentos apresentados na pe- ça impugnatória. Brillilik '), em r.- 25 dAe TOR agosto de 1992. adil---1 1kl ‘ itit+40 vi IL , IL ?'. CO - REL 0) mommus~ Page 1 _0058700.PDF Page 1 _0058900.PDF Page 1 _0059100.PDF Page 1 _0059300.PDF Page 1 _0059500.PDF Page 1
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Numero do processo: 11060.723091/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 16/08/2007, 13/10/2008, 12/11/2008, 19/11/2008, 18/12/2008, 16/08/2011
BENEFÍCIO FISCAL. VINCULAÇÃO À QUALIDADE DO IMPORTADOR. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. EFEITOS.
O descumprimento dos requisitos e condições para fruição de benefícios fiscais, nas operações de comércio exterior, quando vinculados à qualidade do importador, obriga ao imediato pagamento dos tributos exonerados, enquadrando-se nesta hipótese a cessão de uso de equipamentos importados com isenção, por instituições de assistência social, a entidade que não goza do mesmo tratamento tributário e antes de decorrido o prazo legalmente estipulado.
PIS/PASEP E COFINS. IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS E DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. RE 559.937/RS. REPERCUSSÃO GERAL. OBEDIÊNCIA.
Por imposição do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15, as decisões definitivas de mérito, na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas nos julgamentos realizados no âmbito do CARF, sendo o caso do RE 559.937/RS que reputou inconstitucional a inclusão, no valor aduaneiro, do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/Pasep e Cofins sobre as operações de importação (Lei nº 10.865/04).
FRAUDE E CONLUIO. INOCORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO.
Não se configura a fraude ou conluio quando ausente o dolo, consubstanciado na intenção deliberada de lesar o erário, mediante a redução indevida do montante do tributo a ser recolhido, por ser qualificativo inerente àquelas figuras, mormente quando a conduta dos agentes possa ser caracterizada como erro de proibição, o que afasta a possibilidade de imputação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento).
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3401-003.033
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio acompanharam pelas conclusões quanto à multa qualificada.
Robson José Bayerl Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 16/08/2007, 13/10/2008, 12/11/2008, 19/11/2008, 18/12/2008, 16/08/2011 BENEFÍCIO FISCAL. VINCULAÇÃO À QUALIDADE DO IMPORTADOR. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. EFEITOS. O descumprimento dos requisitos e condições para fruição de benefícios fiscais, nas operações de comércio exterior, quando vinculados à qualidade do importador, obriga ao imediato pagamento dos tributos exonerados, enquadrando-se nesta hipótese a cessão de uso de equipamentos importados com isenção, por instituições de assistência social, a entidade que não goza do mesmo tratamento tributário e antes de decorrido o prazo legalmente estipulado. PIS/PASEP E COFINS. IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS E DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. RE 559.937/RS. REPERCUSSÃO GERAL. OBEDIÊNCIA. Por imposição do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15, as decisões definitivas de mérito, na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas nos julgamentos realizados no âmbito do CARF, sendo o caso do RE 559.937/RS que reputou inconstitucional a inclusão, no valor aduaneiro, do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/Pasep e Cofins sobre as operações de importação (Lei nº 10.865/04). FRAUDE E CONLUIO. INOCORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Não se configura a fraude ou conluio quando ausente o dolo, consubstanciado na intenção deliberada de lesar o erário, mediante a redução indevida do montante do tributo a ser recolhido, por ser qualificativo inerente àquelas figuras, mormente quando a conduta dos agentes possa ser caracterizada como erro de proibição, o que afasta a possibilidade de imputação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). Recurso voluntário provido em parte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio acompanharam pelas conclusões quanto à multa qualificada. Robson José Bayerl Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2409; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 10 1 9 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.723091/201217 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401003.033 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria IPI/PIS/COFINS COMÉRCIO EXTERIOR Recorrente HOSPITAL DE CARIDADE DR. ASTROGILDO DE AZEVEDO E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 16/08/2007, 13/10/2008, 12/11/2008, 19/11/2008, 18/12/2008, 16/08/2011 BENEFÍCIO FISCAL. VINCULAÇÃO À QUALIDADE DO IMPORTADOR. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. EFEITOS. O descumprimento dos requisitos e condições para fruição de benefícios fiscais, nas operações de comércio exterior, quando vinculados à qualidade do importador, obriga ao imediato pagamento dos tributos exonerados, enquadrandose nesta hipótese a cessão de uso de equipamentos importados com isenção, por instituições de assistência social, a entidade que não goza do mesmo tratamento tributário e antes de decorrido o prazo legalmente estipulado. PIS/PASEP E COFINS. IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS E DAS PRÓPRIAS CONTRIBUIÇÕES. RE 559.937/RS. REPERCUSSÃO GERAL. OBEDIÊNCIA. Por imposição do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF 343/15, as decisões definitivas de mérito, na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas nos julgamentos realizados no âmbito do CARF, sendo o caso do RE 559.937/RS que reputou inconstitucional a inclusão, no valor aduaneiro, do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/Pasep e Cofins sobre as operações de importação (Lei nº 10.865/04). FRAUDE E CONLUIO. INOCORRÊNCIA. MULTA QUALIFICADA. DESCABIMENTO. Não se configura a fraude ou conluio quando ausente o dolo, consubstanciado na intenção deliberada de lesar o erário, mediante a redução indevida do montante do tributo a ser recolhido, por ser qualificativo inerente àquelas AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 30 91 /2 01 2- 17Fl. 2220DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 figuras, mormente quando a conduta dos agentes possa ser caracterizada como “erro de proibição”, o que afasta a possibilidade de imputação da multa qualificada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento). Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida e Elias Fernandes Eufrásio acompanharam pelas conclusões quanto à multa qualificada. Robson José Bayerl – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuidase de auto de infração de IPI, PIS e Cofins, incidentes sobre a importação, relativos às Declarações de Importação (DI) nºs 07/10959340 (adição 001), de 16/08/2007; 08/16193597 (adições 001 e 002), de 13/10/2008; 08/17995743 (adições 001 a 003), de 12/11/2008; 08/18521664 (adição 001), de 19/11/2008; 08/20159659 (adição 001), de 18/12/2008; e 11/15360495 (adição 001), de 16/08/2011. Narrou a fiscalização que os equipamentos importados com benefício fiscal pelo Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo (HCAA), entidade de assistencial social, foram cedidos à Clínica Radiológica Caridade Ltda. (CRC), entidade privada com fins lucrativos, sem observância dos requisitos legais para manutenção da exoneração fiscal; que a cessão ocorreu por força da terceirização dos serviços de radioterapia, mediante contrato de locação dos equipamentos; que desde o ano de 1998, portanto, antes mesmo da realização das operações de importação, o hospital não prestava serviços de diagnósticos, o que revelaria a predestinação dos bens importados à clínica; e, que houve claro desvio de finalidade e prática de concorrência desleal; e, que houve conluio e sonegação, nos termos da Lei nº 4.502/64. Foi exigida multa qualificada sobre os tributos lançados, bem assim, imputada responsabilidade tributária pelo crédito exigido à Clínica Radiológica Caridade Ltda. Em impugnação o contribuinte aduziu ser instituição de assistência social e de promoção de saúde, preenchendo os requisitos para gozo de imunidade tributária; que não houve conluio, não se caracterizando como tal a mera opinião técnica fornecida pela Clínica Radiológica Caridade Ltda.; que a terceirização dos serviços de radioterapia era medida necessária; que os bens importados foram empregados no atendimento dos seus pacientes, ainda que por intermédio da clínica, atendendo assim às suas finalidades institucionais; que, mesmo sendo entidade imune, não está impedida de cobrar de seus pacientes; que o contrato de Fl. 2221DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11060.723091/201217 Acórdão n.º 3401003.033 S3C4T1 Fl. 11 3 locação, a bem da verdade, corresponderia a um contrato de prestação de serviços, visando otimizar a prestação dos serviços; que o Regulamento Aduaneiro seria inconstitucional, por criar exigências não previstas em lei, em afronta às limitações constitucionais ao poder de tributar; que a impossibilidade de cessão do equipamento importando com benefício fiscal é inconstitucional; que a terceirização do serviços não desnatura o seu caráter filantrópico; e, que, na eventualidade de ser mantida a autuação, não foi observado o dispostos no art. 126 do Decreto nº 6.759/2009. O responsável tributário, Clínica Radiológica Caridade Ltda., sustentou a improcedência do lançamento ante à imunidade do contribuinte; que a imunidade alcançaria não só os impostos como as contribuições sociais; que o Decreto nº 6.759/2009 (RA) não poderia restringir o gozo da imunidade; que a Lei nº 10.865/2004 afastou a incidência dos tributos que menciona nas hipóteses de importação realizada por entidade de assistência social; que a simples cessão dos equipamentos, em cumprimento ao contrato de locação, não descaracterizaria a imunidade, estando apenas em sua posse, mas permanecendo a propriedade ao contribuinte (Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo); que a jurisprudência pátria reconheceria a imunidade tributária nos casos de locação de bens afetados à sua finalidade institucional; que não haveria interesse jurídico a respaldar a imputação de responsabilidade; que nem mesmo a lei poderia atribuir solidariedade sem que comprovado o interesse jurídico comum na causa; e, que a Lei nº 10.865/04 extrapolara o conceito constitucional de valor aduaneiro. A DRJ São Paulo/SP manteve o lançamento em decisão assim ementada: “ISENÇÃO. ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. TRANSFERÊNCIA DE BENS. A transferência da propriedade ou uso, a qualquer título, de bens importados com isenção se subordina à prévia decisão da autoridade aduaneira. Ausente referida decisão, a transferência acarreta a perda ao direito à isenção e enseja o lançamento dos tributos incidentes, acrescidos de multa de ofício e juros de mora.” Devidamente intimados ambos os sujeitos passivos, apenas o contribuinte, Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo, ofereceu recurso voluntário, onde realçou a sua condição de entidade assistencial sem finalidade lucrativa; alegou que houve equívoco no entendimento que concluiu pela transferência ou cessão dos equipamentos importados com benefício fiscal à clínica, porquanto se tratou de terceirização de serviços para otimização do atendimento; que nada foi feito às escuras ou na pretensão de burlar o fisco, mas pura e simplesmente racionalizar os serviços; que teria havido apenas a terceirização, dentro de suas instalações, da operação dos equipamentos e não a sua locação, como inferido pela fiscalização; que seria inconstitucional qualquer lei que proibisse a realização de atos negociais tendentes a dar eficiência aos serviços assistenciais que presta; que a receita advinda dos contratos de terceirização foram destinados integralmente aos seus objetivos institucionais; que é inadmissível a interferência do Fisco na sua administração interna; que houve equívoco na quantificação da base de cálculo do PIS/Cofins – Importação, eis que incluído o ICMS e as próprias contribuições na base de cálculo, o que violaria a decisão exarada no RE 559.937, julgado na forma do art. 543B do CPC, devendo ser observado nesta instância administrativa, por força do art. 62A do RICARF/09; que seria ilegal a imposição da multa de ofício qualificada, pois a simples participação de especialistas, ainda que pertencentes aos quadros da Clínica Radiológica Caridade Ltda., no processo de escolha dos equipamentos adquiridos não Fl. 2222DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 caracterizaria o conluio; que no processo 11060.723092/201253, envolvendo situação similar, não foi aplicada multa qualificada; e, que não estão presentes os elementos ensejadores das figuras descritas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Preambularmente, visando balizar o julgamento, registro que não serão objeto de debate nesta assentada a validade jurídica do contrato e dos atos jurídicos decorrentes firmados entre o Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo e a Clínica Radiológica Caridade Ltda, tampouco a opção administrativa dos entes envolvidos pelo processo denominado “terceirização” e seus objetivos e conseqüências econômicas ou financeiras, mas exclusivamente os efeitos tributários deflagrados quanto à isenção vinculada à qualidade do contribuinte e sua manutenção, em caso de inobservância dos requisitos estatuídos para sua fruição. Da mesma forma, não será discutido qualquer aspecto de constitucionalidade ou legalidade de normas tributárias válidas e vigentes, com a ressalva das disposições do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF 343/15), ex vi do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, introduzido pela Lei nº 11.941/2009: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 2223DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11060.723091/201217 Acórdão n.º 3401003.033 S3C4T1 Fl. 12 5 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)” (destacado) Esta norma foi reproduzida, então, pelo art. 62 do RICARF/09: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Na mesma linha intelectiva o enunciado da Súmula CARF nº 2 assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Portanto, ressalvada a regra inserta no art. 62 do RICARF, nenhuma alegação de inconstitucionalidade ou legalidade será conhecida e, nesta medida, enfrentada no presente voto. Fixados os parâmetros iniciais, passo ao mérito. Fl. 2224DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 A legislação apontada como regente dos fatos jurídicos ensejadores do lançamento, tal como destacado pela autuação e decisão recorrida, quanto aos benefícios fiscais, é a seguinte: “Lei nº 8.032/90: Art. 2º As isenções e reduções do Imposto de Importação ficam limitadas, exclusivamente: I às importações realizadas: (...) b) pelos partidos políticos e pelas instituições de educação ou de assistência social; (...) Parágrafo único. As isenções e reduções referidas neste artigo serão concedidas com observância do disposto na legislação respectiva. Art. 3º Fica assegurada a isenção ou redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme o caso: I nas hipóteses previstas no art. 2º desta lei, desde que satisfeitos os requisitos e condições exigidos para a concessão do benefício análogo relativo ao Imposto de Importação;” “DecretoLei nº 37/66 Art.11 Quando a isenção ou redução for vinculada à qualidade do importador, a transferência de propriedade ou uso, a qualquer título, dos bens obriga, na forma do regulamento, ao prévio recolhimento dos tributos e gravames cambiais, inclusive quando tenham sido dispensados apenas estes gravames. (Vide DecretoLei nº 1.581, de 1978) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos bens transferidos a qualquer título: I a pessoa ou entidades que gozem de igual tratamento fiscal, mediante prévia decisão da autoridade aduaneira; II após o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da data da outorga da isenção ou redução.” “Lei nº 10.865/2004 Art. 2º. As contribuições instituídas no art. 1º desta Lei não incidem sobre: (...) VII bens ou serviços importados pelas entidades beneficentes de assistência social, nos termos do § 7o do art. 195 da Constituição Federal, observado o disposto no art. 10 desta Lei; (...) Art. 10. Quando a isenção for vinculada à qualidade do importador, a transferência de propriedade ou a cessão de uso dos bens, a qualquer título, obriga ao prévio pagamento das contribuições de que trata esta Lei. Parágrafo único. O disposto no caput deste artigo não se aplica aos bens transferidos ou cedidos: Fl. 2225DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11060.723091/201217 Acórdão n.º 3401003.033 S3C4T1 Fl. 13 7 I a pessoa ou a entidade que goze de igual tratamento tributário, mediante prévia decisão da autoridade administrativa da Secretaria da Receita Federal; II após o decurso do prazo de 3 (três) anos, contado da data do registro da declaração de importação; e III a entidades beneficentes, reconhecidas como de utilidade pública, para serem vendidos em feiras, bazares e eventos semelhantes, desde que recebidos em doação de representações diplomáticas estrangeiras sediadas no País.” (destacado) Como se observa, profligase de imediato a tese consoante a qual a exoneração fiscal em debate é incondicionada, não se sujeitando a qualquer regra ou limite, porquanto a legislação de regência é categórica em designála com esse atributo, tratandose, portanto, de norma condicionada à observância de certos requisitos. No caso vertente, é incontroverso que, à vista dos textos legais transcritos, estáse diante de benefício fiscal vinculado à qualidade do importador. Nesta senda, acusa a fiscalização que o beneficiário da isenção, o Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo, cedeu o uso dos equipamentos importados à Clínica Radiológica Caridade Ltda., entidade privada com finalidade lucrativa, argumentando o recorrente, em contrarrazão, que apenas “terceirizou” a prestação dos serviços de radioterapia, estando os equipamentos em seu patrimônio e instalados em suas dependências internas. Examinando o denominado “Contrato por prazo determinado de terceirização da prestação de serviços de radiologia, ultrasonografia clínica, mamografia, densitometria óssea, tomografia computadorizada e ressonância magnética para o Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo” (fls. 79 e ss.), constatase que, de fato, os serviços seriam prestados nas dependências do hospital, ora recorrente, permanecendo os equipamentos em seu patrimônio, contudo, diferentemente de um contrato de prestação de serviços típico, a remuneração do prestador não seria realizada pelo tomador dos serviços, em tese, o recorrente, mas sim pelos pacientes atendidos pelo “prestador de serviços”. Segundo aludido instrumento, a clínica passaria a realizar a cobrança, pelos procedimentos realizados, diretamente dos órgãos públicos e empresas conveniadas, sendo possível o faturamento através do próprio hospital, que se comprometeria a repassarlhe o valor correspondente, podendo descontar os valores referentes ao “aluguel”, assistindo à clinica, ainda, o direito a manter representante de sua administração nas negociações com entidades conveniadas do hospital. Este contrato ainda definiu que a clínica remunerasse o recorrente de acordo com percentuais variáveis em função do faturamento mensal, “pela utilização dos equipamentos e pela área física”, nos termos da cláusula quarta, que trata do aluguel. Ora, o contrato firmado entre o recorrente e a clínica, como bem apontado pela fiscalização, a meu sentir, não é de prestação de serviços, mas sim de locação. Fl. 2226DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 8 O verdadeiro contrato de prestação de serviços é concertado entre a clínica e os seus usuários, e não entre aquela e o hospital, ora recorrente, que, aliás, sequer recebe “serviço” algum em contrapartida. A “terceirização” de serviços invocada pelo recorrente, a bem da verdade, revela a simples locação de coisas. De outra banda, mesmo que abstraído o debate acerca da real natureza da avença, se prestação de serviço ou locação de coisas, é indubitável que uma das obrigações assumidas pelo recorrente seria fornecer à clínica, para execução dos serviços, a área física, as máquinas, os equipamentos e os utensílios de propriedade do recorrente (cláusula segunda, alínea “a”), razão pela qual, sob qualquer ângulo que se vislumbre, houve, sim, cessão de uso dos bens importados mediante fruição de vantagem fiscal. Outrossim, não descaracteriza a cessão dos bens em apreço o fato de a remuneração pela locação ser integralmente destinada às finalidades institucionais da entidade de assistência social, tendo em conta a inexistência de exceção legal ao regramento. Resta, então, verificar se foram observadas as exigências para a garantia de manutenção do direito altercado. Consoante art. 124 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009 (RA/2009), então vigente, a cessão de uso dos bens, a qualquer título, impunha o imediato pagamento do tributo, exceto nos casos de transferência a entidade congênere, mediante prévia decisão da autoridade aduaneira, ou após transcurso de determinado lapso temporal. Nestes cadernos processuais nenhuma das condições foi cumprida, ao passo que o prazo mínimo não foi observado e a cessionária não gozava de igual tratamento tributário, de maneira que o tributo é devido. Por conveniente, registro que a exigência fiscal atrelada à utilização dos equipamentos importados com benefício fiscal não representa qualquer ingerência do poder público nos negócios da entidade, que pode adotar a forma que melhor lhe apraz para administrar seus negócios, todavia, deve sempre obediência à legislação tributária, assumindo os ônus decorrentes das condutas que a afrontem. Respeitante à alegação de equívoco na quantificação da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins, incidentes na importação, em face da superveniência do RE 559.937/RS, assiste razão ao recorrente. Com efeito, em 20/03/2013, foi prolatado o acórdão em tela, julgado sob a sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil), com a seguinte redação: “Tributário. Recurso extraordinário. Repercussão geral. PIS/COFINS – importação. Lei nº 10.865/04. Vedação de bis in idem. Não ocorrência. Suporte direto da contribuição do importador (arts. 149, II, e 195, IV, da CF e art. 149, § 2º, III, da CF, acrescido pela EC 33/01). Alíquota específica ou ad valorem. Valor aduaneiro acrescido do valor do ICMS e das próprias contribuições. Inconstitucionalidade. Isonomia. Ausência de afronta. Fl. 2227DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11060.723091/201217 Acórdão n.º 3401003.033 S3C4T1 Fl. 14 9 1. Afastada a alegação de violação da vedação ao bis in idem, com invocação do art. 195, § 4º, da CF. Não há que se falar sobre invalidade da instituição originária e simultânea de contribuições idênticas com fundamento no inciso IV do art. 195, com alíquotas apartadas para fins exclusivos de destinação. 2. Contribuições cuja instituição foi previamente prevista e autorizada, de modo expresso, em um dos incisos do art. 195 da Constituição validamente instituídas por lei ordinária. Precedentes. 3. Inaplicável ao caso o art. 195, § 4º, da Constituição. Não há que se dizer que devessem as contribuições em questão ser necessariamente nãocumulativas. O fato de não se admitir o crédito senão para as empresas sujeitas à apuração do PIS e da COFINS pelo regime nãocumulativo não chega a implicar ofensa à isonomia, de modo a fulminar todo o tributo. A sujeição ao regime do lucro presumido, que implica submissão ao regime cumulativo, é opcional, de modo que não se vislumbra, igualmente, violação do art. 150, II, da CF. 4 Ao dizer que a contribuição ao PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação poderão ter alíquotas ad valorem e base de cálculo o valor aduaneiro, o constituinte derivado circunscreveu a tal base a respectiva competência. 5. A referência ao valor aduaneiro no art. 149, § 2º, III, a , da CF implicou utilização de expressão com sentido técnico inequívoco, porquanto já era utilizada pela legislação tributária para indicar a base de cálculo do Imposto sobre a Importação. 6. A Lei 10.865/04, ao instituir o PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação, não alargou propriamente o conceito de valor aduaneiro, de modo que passasse a abranger, para fins de apuração de tais contribuições, outras grandezas nele não contidas. O que fez foi desconsiderar a imposição constitucional de que as contribuições sociais sobre a importação que tenham alíquota ad valorem sejam calculadas com base no valor aduaneiro, extrapolando a norma do art. 149, § 2º, III, a, da Constituição Federal. 7. Não há como equiparar, de modo absoluto, a tributação da importação com a tributação das operações internas. O PIS/PASEP Importação e a COFINS Importação incidem sobre operação na qual o contribuinte efetuou despesas com a aquisição do produto importado, enquanto a PIS e a COFINS internas incidem sobre o faturamento ou a receita, conforme o regime. São tributos distintos. 8. O gravame das operações de importação se dá não como concretização do princípio da isonomia, mas como medida de política tributária tendente a evitar que a entrada de produtos desonerados tenha efeitos predatórios relativamente às empresas sediadas no País, visando, assim, ao equilíbrio da balança comercial. 9. Inconstitucionalidade da seguinte parte do art. 7º, inciso I, da Lei 10.865/04: ‘acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de TransporteInterestadual e Intermunicipal e de Comunicação – ICMS Fl. 2228DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 10 incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições , por violação do art. 149, § 2º, III, a, da CF, acrescido pela EC 33/01. 10. Recurso extraordinário a que se nega provimento.” (destaques no original) O dispositivo sentencial, por seu turno, encontrase vazado nos seguintes termos: “Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, sob a presidência do Senhor Ministro Joaquim Barbosa, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, em negar provimento ao recurso extraordinário, que visava a reconhecer a inconstitucionalidade da expressão ‘acrescido do valor do imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre prestação de Serviços de Transporte interestadual e intermunicipal e de Comunicação – ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições’, contida no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865/04. Tendo em conta o reconhecimento da repercussão geral da questão constitucional no RE 559.607, acordam, ademais, os Ministros, em determinar a aplicação do regime previsto no § 3º do art. 543B do CPC, tudo nos termos do voto da Ministra Ellen Gracie (Relatora). Por fim, acordam os Ministros, em rejeitar questão de ordem da Procuradoria da Fazenda Nacional, que suscitava fossem modulados os efeitos da decisão. Foi designado para redigir o acórdão o Ministro Dias Toffoli.” Aplicável, portanto, à espécie as disposições do art. 62, § 2º do RICARF/2015, devendo ser dado provimento, nesta parte, para afastar a inclusão do ICMS e das próprias contribuições na apuração do PIS/Cofins sobre as operações de importação lançadas. Por derradeiro, no que tange à imposição da multa qualificada, constatou a fiscalização que, desde de 1998, o hospital não realizava procedimentos de diagnóstico por imagem, atividade que desde antanho era realizada pela Clínica Radiológica Caridade Ltda., através dos denominados contratos de “prestação de serviços”. Também é fato que, tão logo recepcionados os equipamentos, o recorrente, por força destes ajustes contratuais, promovia a transferência (para utilização) à clínica em questão. Como demonstra o quadro de resultados da clínica constante da decisão reclamada, para os anos de 2009, 2010 e 2011, é inconteste que os equipamentos foram utilizados no desempenho de atividades com escopo lucrativo, inclusive com a distribuição de rendimentos aos sócios, a título de lucros. Inequívoco também que a Clínica Radiológica Caridade Ltda. não se qualifica como beneficiária da vantagem fiscal que abrigou as operações de importação. Fl. 2229DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11060.723091/201217 Acórdão n.º 3401003.033 S3C4T1 Fl. 15 11 Os sócios da pessoa jurídica cessionária eram, concomitantemente, componentes do quadro clínico da ora recorrente e, nessa condição, participaram do processo de escolha dos fornecedores e dos equipamentos a serem importados, prestando auxílio técnico. Os fatos, isoladamente considerados, não são negados, pelo contrário, são admitidos pela recorrente. A divergência entre a fiscalização e o contribuinte reside na percepção, avaliação e escopo desse quadro fático, entendendo a primeira que houve desvio de finalidade e, conseqüentemente intenção de lesar o erário, enquanto o segundo vislumbra um modelo de racionalização de sua operação, dadas as dificuldades que assolam o setor de saúde no país. Portanto, o ponto central está na intenção dos agentes envolvidos, o que é extremamente difícil de ser demonstrada, senão, ressalva feita à confissão, a partir dos elementos disponibilizados nos autos e a ilação daí extraída. No caso vertente, milita em favor do recorrente a sua postura no transcurso do procedimento fiscal e contencioso, as circunstâncias da situação encontrada e as alegações apresentadas. Notese, em momento algum houve recalcitrância em atender a fiscalização; os equipamentos permanecem como propriedade da recorrente e estão instalados em suas dependências físicas, ainda que, tanto equipamento como espaço físico, estejam cedidos ao responsável solidário; não houve qualquer alegação de antecipação escamoteada de valores à recorrente, pelo responsável, para aquisição dos equipamentos importados; os equipamentos são empregados, ainda que parcialmente, na atividade assistencial da recorrente; e, os aluguéis percebidos pela cessão são destinados ao exercício desta mesma atividade assistencial. O argumento que a cessão dos equipamentos a terceiros, que não ostentam as mesmas condições para a fruição do beneplácito, visava à otimização/racionalização da prestação dos serviços médicohospitalares é bastante verossímil, ainda que concorde que a exploração econômica de equipamentos importados com isenção atrelada à qualidade do importador não se compagina com a sua finalidade. No entanto, vejo com mais força a boa intenção dos agentes que a máfé típica dos negócios escusos. De minha parte, aquilatado o conjunto probatório e circunstancial coligido aos autos, não verifico o conluio ou fraude inerente e exigível à aplicação da multa qualificada, mas sim, algo assemelhado ao erro de proibição do Direito Penal, onde o agente desconhece a ilicitude de sua conduta. Na situação sub examine, a compreensão dos agentes, contribuinte e responsável, era que a cessão dos equipamentos importados, sob o regime de “terceirização de serviços”, não feriria a finalidade da isenção, desde que mantidas a propriedade e sua localização na pessoa do contribuinte, detentor das prerrogativas para usufruto da vantagem fiscal, aliado à destinação das verbas oriundas do contrato de cessão às suas atividades assistenciais. Ainda que o desconhecimento da lei ou a extensão dos seus efeitos não sirva de escudo à sua desobediência, também não é possível inferir que uma interpretação Fl. 2230DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL 12 equivocada do seu conteúdo ou alcance possa enquadrarse como intenção dolosa de seu descumprimento. Tratase, em minha ótica, de uma hipótese de “erro escusável”, pois era possível aos agentes, ainda que minimamente, ao tempo da prática infracional, questionar ou mesmo entender o seu possível desacerto ante a legislação tributária. Como leciona Rogério Grecco1 na seara penal, insculpido, principalmente, no art. 21 do Código Penal, tanto o erro escusável, como inescusável, tem por efeito imediato o afastamento do dolo, assim considerado a vontade deliberada de praticar a infração, o que, transpondo para o direito tributário penal, acarretaria a impossibilidade de imputação da multa qualificada, em razão da ausência de dolo. No entanto, as conseqüências do erro para o Direito Penal e Direito Tributário são distintas, haja vista que o art. 136 do Código Tributário Penal estabelece que “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.” Demais disso, socorre o recorrente o fato de a fiscalização não impor a qualificação da multa no caso tratado no PA 11060.723092/201253, julgado nesta mesma oportunidade e que alberga fatos similares, figurando o recorrente, também, no pólo passivo, na qualidade de contribuinte, com alteração apenas o responsável solidário, o que revelaria dúvida acerca da efetiva existência do consilium fraudis, típico conluio, atraindo a necessária aplicação da interpretação benévola em favor do recorrente, ex vi do art. 112, II do Código Tributário Nacional. Assim, uma vez ausente o dolo, incabível a pretensão de exigir a multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento), remanescendo a incidência da multa de ofício ordinária, no percentual de 75% (setenta e cinco por cento). Com estas considerações, voto por dar parcial provimento ao recurso para que seja ajustado a base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins – Importação, nos moldes do RE 559.937/RS e reduzida a multa qualificada, de 150% (cento e cinqüenta por cento), para o percentual ordinário, de 75% (setenta e cinco por cento). Robson José Bayerl 1 Curso de Direito Penal – Parte Geral. 5ª Edição. Ed. Impetus. Rio de Janeiro: 2005. Págs. 336 e 463. Fl. 2231DF CARF MF Impresso em 18/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/02/2016 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 18/02/2016 p or ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 13558.000012/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 14 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
PROCESSO JUDICIAL POSTERIOR AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. IDÊNTICO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2201-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente Substituto.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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IDÊNTICO OBJETO. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por concomitância com ação judicial. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 00 12 /2 00 7- 64 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13558.000012/200764 Acórdão n.º 2201002.911 S2C2T1 Fl. 230 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fl. 204 deste processo digital), reproduzido a seguir: O interessado contesta o indeferimento de restituição que pleiteava em sua declaração do exercício 2003, anocalendário 2002, que foi reduzida de R$ 7.240,74 para 2.146,33, conforme despacho decisório do órgão local, às fls. 177/179. Como consta desta decisão, os rendimentos tributáveis que o contribuinte havia declarado como recebidos em ação trabalhista contra a Eurofarma Laboratórios S/A foram majorados de R$ 52.722,63 (fls. 105) para R$ 66.980,27, já com o desconto dos honorários advocatícios de R$ 13.245,46, por se verificar que a parcela líquida de R$ 57.334,25, liberada pelo alvará de fls. 23, fora levantada com o acréscimo de juros, elevandose para R$ 66.227,28. O imposto na fonte, por sua vez, foi reduzido de R$ 14.091,31 para R$ 12.094,00, com base nas cópias dos autos judiciais, e mais especialmente os documentos às fls. 142/143. O impugnante argumenta, em síntese, que o imposto retido na fonte sobre os rendimentos em questão foi de R$ 14.091,31, como declarado e como lhe fora informado pela empresa, e não R$ 12.094,00, como consta no auto de infração. Acrescenta que a Eurofarma efetuara o recolhimento do tributo em 2005, pagando DARF de R$ 15.549,99 (fls. 41). A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 203/204 deste processo digital, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2002 IMPOSTO NA FONTE. PROVA. Somente o imposto efetivamente retido na fonte pode ser computado no lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 12/05/2010 (fl. 210), o Interessado interpôs, em 02/06/2010, o recurso de fl. 211, acompanhado dos documentos de fls. 212/219. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Os rendimentos tributáveis declarados em 2003 importaram o valor de R$ 52.722,63 e o valor retido na fonte R$ 14.091,31. O valor a ser restituído, na época, era de R$ 7.240,74. Os rendimentos tributáveis foram alterados para R$ 66.227,28 e o imposto de renda retido na fonte reduzido de R$ 14.091,31 para R$ 12.094,00. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13558.000012/200764 Acórdão n.º 2201002.911 S2C2T1 Fl. 231 3 A diferença no valor dos rendimentos foi declarada em separado em 2005, uma vez que o recebimento dos valores ocorreu no ano de 2004, conforme cópia de alvará e declaração de imposto de renda em anexo. Portando, não se deve considerar valores acima do já declarado em 2003 (R$ 52.722,62) como sendo recebidos naquele ano. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Em 31 de outubro de 2011, após a interposição do recurso voluntário, a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional PSFN de Ilhéus/BA protocolizou, neste Conselho, a petição de fl. 221, por meio da qual requereu cópia do presente processo administrativo para atender a determinação judicial consubstanciada no despacho de fl. 222, exarado pelo Juízo Federal da Vara Única de Ilhéus/BA. Referido despacho da conta de que o Autor, ora Recorrente, ajuizou a ação ordinária nº 2009.33.01.7006624 em face da União Federal, bem como de que o Juiz da causa converteu o julgamento em diligência determinando que a Fazenda Nacional juntasse aos autos do processo judicial cópia do presente processo administrativo. Em consulta realizada no site da Justiça Federal de Ilhéus/BA verifiquei que o objeto da ação ajuizada pela Recorrente se identifica integralmente com o objeto deste processo administrativo e que a mesma foi distribuída em 21/09/2009, antes da apresentação do recurso voluntário. Observo, por oportuno, que o Magistrado da Vara Única de Ilhéus proferiu sentença em 28 de agosto de 2012 e que a movimentação do processo indica que houve o levantamento de RPV em 17/06/2013. O dispositivo da decisão judicial está assim redigido: Diante do exposto, JULGO PROCEDENTE o pedido, condenando a ré em restituir ao Autor o IRRF apurado no ano calendário 2002, no valor de R$ 7.240,74, devidamente atualizado desde 01/05/2003, pela taxa SELIC. Como se vê, o Interessado já conseguiu no Poder Judiciário aquilo que pleiteia nesta esfera administrativa. Aplicável, portanto, à espécie, a Súmula CARF nº 1, de cujo teor se extrai a seguinte dicção: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 13558.000012/200764 Acórdão n.º 2201002.911 S2C2T1 Fl. 232 4 de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/03/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000002/2007-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 29/01/2004
DRAWBACK. OBTENÇÃO DEFINITIVA E PLENA DO BENEFÍCIO FISCAL DEPENDE DO ATENDIMENTO DE TODAS AS CONDIÇÕES E TERMOS PACTUADOS.
a conclusão do regime de forma que a contribuinte possa obter plena e definitivamente o benefício tributário depende do cumprimento dos termos e das condições. A suspensão dos tributos não constitui a plenitude do benefício final. Quando a contribuinte logra atender às condições e termos, e comprovar as exportações pactuadas e constantes do ato concessório, ela deixa de usufruir da suspensão para passar a usufruir da extinção - por isenção - daqueles tributos que estavam suspensos sob clausula condicional
DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA VINCULAÇÃO FÍSICA E INTEGRAÇÃO AO BEM EXPORTADO. ÔNUS DO BENEFICIÁRIO. VERDADE MATERIAL VERSUS VERDADE FORMAL DOCUMENTAL.
Exportação desembaraçada sem a prévia informação à Aduana de se tratar de operação vinculada ao regime drawback, subtrai da autoridade condição de realizar a concernente e específica inspeção. A simples retificação das declarações de exportação e dos registros de exportação não são suficientes para comprovar o cumprimento da condição e termos do drawback. Cabe ao beneficiário do regime suspensivo, e não ao fisco, o ônus de provar o cumprimento das condições e requisitos legais para que se tenha isenção onde havia suspensão de tributos. O recorrente não trouxe aos autos demonstrações nesse sentido.
Numero da decisão: 3401-003.018
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário.
Júlio César Alves Ramos - Presidente.
Eloy Eros da Silva Nogueira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 29/01/2004 DRAWBACK. OBTENÇÃO DEFINITIVA E PLENA DO BENEFÍCIO FISCAL DEPENDE DO ATENDIMENTO DE TODAS AS CONDIÇÕES E TERMOS PACTUADOS. a conclusão do regime de forma que a contribuinte possa obter plena e definitivamente o benefício tributário depende do cumprimento dos termos e das condições. A suspensão dos tributos não constitui a plenitude do benefício final. Quando a contribuinte logra atender às condições e termos, e comprovar as exportações pactuadas e constantes do ato concessório, ela deixa de usufruir da suspensão para passar a usufruir da extinção - por isenção - daqueles tributos que estavam suspensos sob clausula condicional DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA VINCULAÇÃO FÍSICA E INTEGRAÇÃO AO BEM EXPORTADO. ÔNUS DO BENEFICIÁRIO. VERDADE MATERIAL VERSUS VERDADE FORMAL DOCUMENTAL. Exportação desembaraçada sem a prévia informação à Aduana de se tratar de operação vinculada ao regime drawback, subtrai da autoridade condição de realizar a concernente e específica inspeção. A simples retificação das declarações de exportação e dos registros de exportação não são suficientes para comprovar o cumprimento da condição e termos do drawback. Cabe ao beneficiário do regime suspensivo, e não ao fisco, o ônus de provar o cumprimento das condições e requisitos legais para que se tenha isenção onde havia suspensão de tributos. O recorrente não trouxe aos autos demonstrações nesse sentido.
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OBTENÇÃO DEFINITIVA E PLENA DO BENEFÍCIO FISCAL DEPENDE DO ATENDIMENTO DE TODAS AS CONDIÇÕES E TERMOS PACTUADOS. a conclusão do regime de forma que a contribuinte possa obter plena e definitivamente o benefício tributário depende do cumprimento dos termos e das condições. A suspensão dos tributos não constitui a plenitude do benefício final. Quando a contribuinte logra atender às condições e termos, e comprovar as exportações pactuadas e constantes do ato concessório, ela deixa de usufruir da suspensão para passar a usufruir da extinção por isenção daqueles tributos que estavam suspensos sob clausula condicional DRAWBACK. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA VINCULAÇÃO FÍSICA E INTEGRAÇÃO AO BEM EXPORTADO. ÔNUS DO BENEFICIÁRIO. VERDADE MATERIAL VERSUS VERDADE FORMAL DOCUMENTAL. Exportação desembaraçada sem a prévia informação à Aduana de se tratar de operação vinculada ao regime drawback, subtrai da autoridade condição de realizar a concernente e específica inspeção. A simples retificação das declarações de exportação e dos registros de exportação não são suficientes para comprovar o cumprimento da condição e termos do drawback. Cabe ao beneficiário do regime suspensivo, e não ao fisco, o ônus de provar o cumprimento das condições e requisitos legais para que se tenha isenção onde havia suspensão de tributos. O recorrente não trouxe aos autos demonstrações nesse sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 00 02 /2 00 7- 45 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Júlio César Alves Ramos Presidente. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Waltamir Barreiros, Fenelon Moscoso de Almeida, Elias Fernandes Eufrásio, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório Cuida este processo de Auto de Infração que constituiu e exige créditos tributários de PISImportação e COFINSImportação, por descumprimento da legislação que concede benefício fiscal concedido por Drawback suspensão. A autoridade fiscal constatou que a contribuinte comprovou a exportação de parte dos bens importados sob o regime do drawback suspensão para os atos concessórios de n.º 20030103029 (de 21/07/2003, foi comprovada exportação de pouco mais de 50% em exportação) n.º 2003022511 (de 20/08/2003, comprovada pouco mais de 50%), n.º 20040097757 (de 24/05/2004, comprovada pouco mais de 60%), n.º 20040182525 (de 13/08/2004, pouco mais de 50%), n.º 20040205061 (de 26/06/2006, comprovada pouco mais de 6%). Ela constatou que a contribuinte alterou o código de Registros de Exportação (RE) após averbados ou seja, após terem sido as mercadorias embarcadas e saídas definitivamente do país para mudar a natureza das exportações de 'exportação comum' (código 80000) para 'exportação comprobatória de drawback' (códigos 81101, 81102, 81103 ou 81104). No entendimento da autoridade fiscal, a contribuinte não submeteu as exportações à autoridade alfandegária para fins de comprovar que elas se referiam aos bens importados sob o regime suspensivo de drawback. E que a alteração a posteriori dos códigos nos registros de exportação não supre a necessidade da submissão à inspeção alfandegária prévia à sua saída do território nacional para o exterior, principalmente por causa do princípio da vinculação física. A contribuinte impugnou a exigência alegando, conforme resumo do relator da colegiado de 1º piso: Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: • O Mandado de Procedimento Fiscal que deu origem ao Auto de Infração é nulo pois a ocorrência dos supostos fatos geradores Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16024.000002/200745 Acórdão n.º 3401003.018 S3C4T1 Fl. 3 3 que impuseram a obrigação discutida não foi examinada. Assim o Auto de Infração também é nulo; • No momento da lavratura do Auto de Infração, não se tinha convicção dos fatos aos quais se impôs a exigência da obrigação tributária; • Não foram observados os artigos 9o e 10 do Decreto 70.235/72; • Junta textos da jurisprudência administrativa; • Os Atos Concessórios de Drawback No. 2004007757 e 20040182635, objeto do presente Auto de Infração já foram baixados pelo DECEX, conforme documentos anexos (Doe. 04 e 05). Essa baixa consiste na confirmação do adimplemento do compromisso de exportação pelo impugnante; • Em relação ao Ato Concessório de Drawback No. 20040205061, embora ainda não baixado, encontrase em análise no DECEX; • A análise empreendida pelo DECEX não mais diz respeito ao adimplemento do compromisso de exportação; • Não há duvidas sucitadas quanto a efetiva exportação da impugnante; • Ilegalidade da incidência da Taxa Selic; Pugna a improcedência do Auto de Infração. É o Relatório. Os julgadores de 1º piso rejeitaram a preliminar de nulidade por entenderem que não houve afronta aos artigo 9 e 10 do Decreto n. 70.235, de 1972, e por que " a fiscalização deixa de modo claro de que premissas partiu para chegar em suas conclusões. Se tais premissas são verdadeiras ou se as conclusões decorrentes destas são embasadas são questões a serem enfrentadas.Da mesma forma, a autuação obedeceu os preceitos do artigo 10 do Decreto 70.235/72, a medida em que qualifica o autuado, assinala o local, a data e a hora da lavratura, descreve o fato como já assinalado, expondo a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Foi ainda o procedimento de intimação, constando ainda a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo e o número de matrícula." No mérito, o colegiado de 1ª estância decidiu pela improcedência da impugnação, com as seguintes razões: 1. a contribuinte não comprovou as exportações para o compromisso dos atos concessórios, in verbis: O princípio da Vinculação Física determina que o insumo importado deve integrar o produto exportado. A vinculação no caso de drawback é sempre de natureza física, ou seja, o bem importado deve ser obrigatoriamente exportado ou as matériasprimas e produtos intermediários importados devem sertotalmente utilizados na industrialização de bens a exportar. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 4 O benefício concedido pelo regime consiste em suspender a cobrança de tributos aduaneiros devidos na importação, sob a condição resolutoria de o importador destinar toda a mercadoria importada ao mercado externo, exportando os produtos frutos do beneficiamento ou utilização daquela. O Princípio da Vinculação Física mostrase, portanto, acima do próprio compromisso assumido. Pois, mesmo que já tenha cumprido o compromisso de exportação, o produtor deve exportar todo o excedente produzido ao amparo do regime. Caso contrário, deverá recolher os impostos suspensos, com os acréscimos legais devidos, para poder destinálos ao mercado interno. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. A averbação será feita, no Sistema, após a confirmação do efetivo embarque da mercadoria e do registro dos dados pertinentes pelo transportador. Registrados os dados de embarque, se os dados informados pelo transportador coincidirem com os registrados no desembaraço da DDE ou DSE, haverá averbação automática do embarque pelo Sistema. Caso contrário, a Alfândega irá analisar a documentação apresentada, confrontandoa com os dados relativos ao desembaraço e ao embarque, efetuandose a chamada averbação manual, com ou sem divergência. No caso em tela, Registros de Exportação REs, inicialmente averbados como exportação comum (código 80000), foram alterados após a averbação, com a finalidade clara de processar a vinculação pretendida no Ato Concessório. Logo, o procedimento adotado pelo impugnante impediu que a fiscalização constatasse a exigência decorrente do princípio da vinculação. Devese esclarecer, por fim, que o art. 7o da Portaria do Ministro de Estado da Fazenda n '<.. de 24, de agosto de 2001, que disciplina o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento, determina que o voto proferido nesta instância deve observar o entendimento da Secretaria da Receita Federal expresso em atos tributários e aduaneiros. Portanto, com base nos fundamentos acima, cabe o ônus da prova ao beneficiário do regime e na falta de comprovação das exportações perante o órgão competente, subsiste a conclusão da fiscalização acerca do seu inadimplemento. 2. que não procede a alegação de falta de previsão em lei para a incidência de juros de mora, uma vez que o art. 61 da Lei n. 9.430,de 1996, caput e § 3º, estabelece juros de mora calculados à taxa SELIC a partir de seu vencimento até a data do pagamento do débito. O Acórdão n. 1742.495 proferido em 15/07/2010 pela 1ª turma da 2ª Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ SP II) ficou assim ementado: Acórdão 1742.495 1A Turma da DRJ/SP2 Sessão às. 15 de julho de 2010 Processo 16024.000002/200745 Interessado HAPPY DAY INDÚSTRIA E COMMÉRCIO LTDA CNPJ/CPF 01.934.243/000160 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/01/2004 Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16024.000002/200745 Acórdão n.º 3401003.018 S3C4T1 Fl. 4 5 Drawback. Importação de látex para ser aplicado na industrialização de balão de festa com o propósito de exportação. A fiscalização constatou que foram alterados Registros de Exportação inicialmente averbados como exportação comum (código 80000), com a finalidade clara de processar a vinculação pretendida no Ato Concessório. A averbação é o ato final do despacho de exportação e consiste na confirmação, pela fiscalização aduaneira, do embarque da mercadoria. O procedimento adotado pelo impugnante impediu que a fiscalização constatasse a exigência decorrente do princípio da vinculação. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A contribuinte apela à 2ª instância repisando os argumentos apresentados na sua impugnação, exceto os referente à taxa SELIC. Preliminarmente pede a nulidade do auto de infração por vício no procedimento fiscal. Justifica que a lavratura foi imediata à emissão do MPF, sem se examinar a validade dos atos concessórios 20040097757, 20040182525 e 20040205061. O auto de infração se baseou no processo 10855.001653/200793, por meio do qual a Receita Federal autuou a contribuinte por inadimplência do drawback desses atos concessórios. Ou seja, neste processo 16024.000002/200745 a autoridade fiscal não apurou e não descreveu corretamente os fatos e os fundamentos, o que leva à nulidade das autuações. A justificativa pautada em supostos fatos geradores que são objeto de outro processo inclusive ainda pendente de decisão definitiva não tem o condão de justificar a lavratura do presente auto. No mérito, a contribuinte afirma que se equivocou nos registros de exportação e que providenciou a alteração do código para corrigir seu enquadramento como exportação comprobatória de drawback. Que essa correção no RE foi espontânea e consoante o que admite a Notícia SISCOMEX n. 0014, de 15/03/2002, para alterações de RE averbados. Argumenta ela, ainda, que cabe à SECEX a competência para verificar o inadimplemento do regime drawback e comunicálo à Receita Federal; e que a própria SECEX já reconheceu as operações referentes aos Atos Concessórios 20040097757, 20040182525 e 20040205061. E que a alteração dos RE serviu apenas para demonstrar que os produtos foram industrializados com os insumos importados e a comprovação do cumprimento do dever de exportar. E que o princípio da vinculação física não é aplicável ao caso Cita jurisprudências administrativas acolhendo: (a) a correção do RE após sua averbação, considerando que erros formais não superam a verdade material da exportação do bem que aproveitou os insumos importados no regime; (b) a inexigibilidade do princípio da vinculação física. Pede reforma da autuação e da decisão de 1º grau. Pede ainda ser intimado exclusivamente no endereço do seu advogado. É o relatório. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 6 Voto Conselheiro Eloy Eros da Silva Nogueira. Tempestivo o recurso e atendidos os demais requisitos de admissibilidade. Preliminares Pedido de nulidade: A contribuinte pede a nulidade da autuação por entender que ela está comprometida por vicio no procedimento. Explica que o auto de infração foi lavrado imediatamente à emissão do MPF, que não houve apuração dos fatos e que eles foram tão somente baseados no que consta no processo 10855.001653/200793, que, aliás, ainda não possui decisão definitiva considerandoo procedente ou não. De fato, os autos de infração neste processo se baseiam nos mesmos fatos que justificaram a autuação objeto do processo 10855.001653/200793. Este exige PIS e COFINS e aquele exige Imposto de Importação, tendo como motivação a inadimplência do regime drawback nos atos concessórios aqui indicados. A autoridade fiscal deixa isso claro no termo que justifica autuação, que este é reflexo daquele. Vejamos: Termo Fiscal: Trata o presente processo de lançamento (reflexo) das contribuições do PIS e COFINS na importação, de responsabilidade da empresa "HAPPY DAY IND. E COM. LTDA" CNPJ 01.934.243/000160 determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal N° 0811000 2007 0002570. O lançamento do imposto de importação (principal) constou do Auto de Infração cuja cópia juntamos ás fls. 13/32 e foi determinado pelo Mandado de Procedimento Fiscal N° 0811000 2006 005045 para fiscalização de Atos Concessórios de Drawback da empresa supramencionada. A fiscalização foi iniciada em 01/02/2007 e concluída em 06/06/2007 conforme Termo de Auditoria Fiscal (cópia de fls. 03/12) onde ficou demonstrado que a empresa não comprimiu o compromisso de exportação nas quantidades assumidas pelos atos concessórios Processo n° 10855.001653/200793. Foi lavrado novo Auto de Infração, fls. 65 a 92, por falta de recolhimento das contribuições suspensas, referentes às Declarações de Importação Dl(s) relacionadas no Demonstrativo de Apuração anexo, com os acréscimos de multa de ofício, agravada e juros de mora, tendo a firma tomado ciência do mesmo em 10/07/2007 pelo seu administrador. Fl. 275DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16024.000002/200745 Acórdão n.º 3401003.018 S3C4T1 Fl. 5 7 Quando da emissão do MPF que se relaciona com este processo, os fatos já estavam apurados e descritos naquele outro processo. Essa situação não fere o que dispõem os artigo 9 e 10 do Decreto n. 70.235, de 1972. Não há um prazo de antecedência da emissão do MPF como requisito para a lavratura do auto de infração. Além disso, a meu ver, o MPF não é requisito de validade do auto de infração, como se pode constatar nesses artigos e no CTN. Também não há exigência legal para que os fatos somente possam ser imputados num segundo processo se o primeiro tiver sido julgado procedente. Os autos de infração descrevem com clareza os fatos, a motivação e os fundamentos e atendem todos os requisitos estabelecidos na lei do processo administrativo fiscal. O mesmo se pode afirmar a respeito da decisão de 1º piso. A contribuinte compreendeu as autuações e o acórdão de 1º grau e conseguiu combatêlos e defenderse com suas razões, em nada sendo prejudicada no contraditório e no exercício do direito de defesa. Com essas considerações, proponho a este colegiado sejam rejeitadas as preliminares que rogam pela nulidade da autuação e do acórdão recorrido. Pedido de intimação exclusiva no endereço do representante A contribuinte pede ser intimada sempre e exclusivamente no endereço do seu advogado. Em meu entender, a lei traz explicitamente as hipóteses de se dar ciência à contribuinte dos atos processuais, e entre elas não há previsão para que isso ocorra em outro endereço que não o da própria contribuinte. Sendo assim, por falta de previsão legal, proponho seja o pedido indeferido. Mérito Sobre o adimplemento do regime drawback: Em seu recurso voluntário, a contribuinte circunscreve a sua defesa apenas aos atos concessórios 20040097757, 20040182525 e 20040205061. De onde infiro que os fatos relacionados aos atos concessórios de 2003 não foram contestados. Passemos, assim, a apreciar o mérito. O regime especial de Drawback, modalidade suspensão, está previsto no inciso II do art. 78 do Decretolei n.° 37, de 18 de novembro de 1966, c/c o art. 1o, inciso I, da Lei n.° 8.402. Ele oferece a suspensão do pagamento dos tributos incidentes na importação de insumos, mediante compromisso do importador e beneficiário do regime de aplicálos na fabricação de produtos destinados à exportação, nas condições e prazos firmados pela contribuinte e que passam a compor o correspondente Ato Concessório expedido pela SECEX. Decretolei n. 37, de 1966: Art.78 Poderá ser concedida, nos termos e condições estabelecidas no regulamento: Fl. 276DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 8 I restituição, total ou parcial, dos tributos que hajam incidido sobre a importação de mercadoria exportada após beneficiamento, ou utilizada na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra exportada; II suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; III isenção dos tributos que incidirem sobre importação de mercadoria, em quantidade e qualidade equivalentes à utilizada no beneficiamento, fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado. (Vide Lei nº 8.402, de 1992) § 1º A restituição de que trata este artigo poderá ser feita mediante crédito da importância correspondente, a ser ressarcida em importação posterior. § 2º O regulamento estabelecerá limite mínimo para aplicação dos regimes previstos neste capítulo. (Revogado pela de Medida Provisória nº 497, de 2010) (Revogado pela Lei nº 12.350, de 2010) § 3º Aplicamse a este artigo, no que couber, as disposições do § 1º do art.75. Como vimos, o texto da lei que criou o regime suspensivo informa que as condições e termos a serem observados serão os estabelecidos a partir do regulamento. E de fato, encontramos no Regulamento Aduaneiro normas de disciplinamento: Regulamento Aduaneiro (aprovado pelo Decreto n. 6.759, de 2009) Art. 383. O regime de drawback é considerado incentivo à exportação, e pode ser aplicado nas seguintes modalidades: (Redação dada pelo Decreto nº 8.010, de 2013) I suspensão do pagamento dos tributos exigíveis na importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento ou destinada à fabricação, complementação ou acondicionamento de outra a ser exportada; (definição vigente até 16/05/2013) I suspensão permite a suspensão do pagamento do Imposto de Importação, do Imposto sobre Produtos Industrializados, da Contribuição para o PIS/PASEP, da COFINS, da Contribuição para o PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação, na importação, de forma combinada ou não com a aquisição no mercado interno, de mercadoria para emprego ou consumo na industrialização de produto a ser exportado (redação dada pelo Decreto n. 8.010, de 16/05/2013, com base na Lei n. 11.945, de 4/06/2009, art. 12, caput). (definição vigente a partir de 16/05/2013) .. Art. 387. O regime de drawback, na modalidade de suspensão, poderá ser concedido e comprovado, a critério da Secretaria de Comércio Exterior, com base unicamente na análise dos fluxos financeiros das importações e exportações, bem como da compatibilidade entre as mercadorias a serem importadas e aquelas a exportar. Parágrafo único. O disposto no caput não dispensa a observância das demais disposições desta Seção. (Incluído pelo Decreto nº 7.213, de 2010). Art. 388. O prazo de vigência do regime será de um ano, admitida uma única prorrogação, por igual período, salvo nos casos de importação de mercadorias destinadas à produção de bens de capital de longo ciclo de fabricação, quando o prazo máximo será de cinco anos (DecretoLei no 1.722, de 3 de dezembro de 1979, art. 4o, caput e parágrafo único). Parágrafo único. Os prazos de que trata o caput terão como termo final o fixado para o cumprimento do compromisso de exportação assumido na concessão do regime. Art. 389. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos tributos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos. Art. 390. As mercadorias admitidas no regime que, no todo ou em parte, deixarem de ser empregadas no processo produtivo de bens, conforme estabelecido no ato concessório, ou que sejam empregadas em desacordo com este, ficam sujeitas aos seguintes procedimentos: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16024.000002/200745 Acórdão n.º 3401003.018 S3C4T1 Fl. 6 9 I no caso de inadimplemento do compromisso de exportar, em até trinta dias do prazo fixado para exportação: Conforme podemos ver, a conclusão do regime de forma que a contribuinte possa obter plena e definitivamente o benefício tributário depende do cumprimento dos termos e das condições. A suspensão dos tributos não constitui a plenitude do benefício final. Quando a contribuinte logra atender às condições e termos, e comprovar as exportações pactuadas e constantes do ato concessório, ela deixa de usufruir da suspensão para passar a usufruir da extinção por isenção daqueles tributos que estavam suspensos sob clausula condicional. É o que constatamos na leitura combinada dos textos normativos acima indicados combinado com o inciso I, do artigo 117 do CTN. O regime aduaneiro de drawback suspensão de bens estrangeiros, que em cada caso tem o pactuado pela contribuinte e autorizado pelo ato concessório e o reconhecido pelo desembaraço aduaneiro dos bens importados, é ato jurídico celebrado sob condição suspensiva. E ele aguarda o cumprimento ou não do compromisso de exportar por parte do beneficiário para que se possa obter a definição da extinção da obrigação tributária ou a sua exigência, além da constituição de crédito dela decorrente. Lei n. 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional): Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Art. 117. Para os efeitos do inciso II do artigo anterior e salvo disposição de lei em contrário, os atos ou negócios jurídicos condicionais reputamse perfeitos e acabados: I sendo suspensiva a condição, desde o momento de seu implemento; II sendo resolutória a condição, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio. Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. (GRIFOS ACRESCIDOS) Não há dúvida de que, o reconhecimento desse benefício de isenção tributária, em qualquer uma das modalidades do regime drawback suspensão, isenção ou restituição , está condicionado à reexportação da mercadoria importada, após o beneficiamento ou utilização na fabricação, complementação ou acondicionamento de outra mercadoria. É obrigação da beneficiária do regime drawback provar a reexportação. Por se tratar de incentivo fiscal, o cumprimento dessa condição não pode ser presumida, mas, sim, ser reconhecida pela autoridade administrativa. Art. 175. Excluem o crédito tributário: Fl. 278DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 10 I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. SEÇÃO II Isenção Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Parágrafo único. A isenção pode ser restrita a determinada região do território da entidade tributante, em função de condições a ela peculiares. ... Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Em meu entendimento, o regime drawback não confere suspensão e isenção genéricas, mas decididas caso a caso. O regime drawback de bens estrangeiros conforme autorizado pelo ato concessório se aperfeiçoa pelo desembaraço aduaneiro. Até então, o pactuado não adquiriu existência em uma situação concreta. A suspensão tributária passa a existir com a decisão proferida no despacho aduaneiro, face a ocorrência da hipótese de incidência dos tributos e do ato jurídico consubstanciado no ato concessório. E a extinção da obrigação tributária pela isenção passa a existir com a decisão que acolheu ter a contribuinte comprovado o cumprimento dos termos e das condições pactuadas. No caso em debate, que os bens beneficiados no regime drawback foram efetivamente exportados consoante o que dispunha o ato concessório. O despacho de exportação é a oportunidade da contribuinte apresentar á autoridade alfandegária os produtos que estão sendo exportados com aproveitamento dos bens beneficiados com o tratamento fiscal do drawback e, desse modo, comprovar o cumprimento da condição suspensiva. Depois de embarcados ao exterior (com a conseqüente averbação), não há mais a oportunidade da Aduana inspecionar os produtos e, a partir dessa inspeção, manifestar sua anuência sobre a comprovação aqui em discussão. Se a contribuinte não informa previamente à Aduana que são exportações decorrentes de regime drawback, elas não recebem o correspondente e necessário procedimento de verificação. Como se vê, a retificação dos registros de exportação após sua averbação não significa mero erro formal, como deseja crer a recorrente, mas subtração da condição de verificação para se concluir pela extinção da obrigação tributária. Com essas considerações não estou afirmando que somente se comprova a exportação de bens importados sob regime drawback através da inspeção direta da autoridade alfandegária em despacho de exportação. Creio plausível que a contribuinte encontre outros meios para demonstrar o cumprimento das condições e dos termos para merecer o pleno benefício tributário do regime drawback. A autoridade administrativa analisará o apresentado pela contribuinte e deverá chegar à conclusão se houve ou não o cumprimento alegado. É, a meu ver, o que ocorreu nos julgados indicados pela recorrente como referencias Fl. 279DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16024.000002/200745 Acórdão n.º 3401003.018 S3C4T1 Fl. 7 11 jurisprudenciais: o Colegiado decidiu que a verdade material afastou o erro cometido pela contribuinte, ou seja, o Colegiado decidiu que ela logrou provar que havia realmente exportado os bens beneficiados pelo regime drawback. Mas não é o caso nestes autos. A contribuinte se satisfaz em apenas alegar que cometeu mero de erro formal no RE, ao informar código da natureza da exportação comum. E que o que consta dos RE e notas fiscais seriam provas das exportações dos bens submetidos ao drawback. Esses argumentos me parecem insuficientes, face a obrigação da contribuinte no caso. Consoante artigo 179 do CTN e artigo 12 do Decreto Lei n. 37, de 1966, cabe ao beneficiário do regime suspensivo, e não ao fisco, o ônus de provar o cumprimento das condições e requisitos legais para que se tenha isenção onde havia suspensão de tributos. O recorrente não traz aos autos demonstrações nesse sentido. Naturalmente que os erros de preenchimento dos registros de exportação (RE) e da declaração de exportação (DDE) devem ser saneados, para que reflitam a verdade das operações realizadas. E essas alterações para corrigir os erros devem ser apreciadas pelas autoridades administrativas para decidirem naquilo que elas afetem os direitos e obrigações envolvidos. Para isso, a administração emite atos que estabelecem, orientam e organizam os procedimentos de alteração das declarações prestadas pela contribuinte. É o caso da Notícia SISCOMEX apontada pela recorrente. Mas não procede a sua argumentação de que essa notícia SISCOMEX lhe autorizaria não submeter à Aduana as exportações para comprovar o cumprimento do drawback, ou que ela afastaria a sua obrigação de comprovar o cumprimento dos termos e das condições do regime drawback. Com base no que a Lei prescreve e o Regulamento disciplina, o descumprimento dos termos e das condições implica que os bens importados perdem o regime suspensivo e passam a estar submetidos ao regime de importação comum. Por essas considerações que concluo que a decisão recorrida não merece reparos e não se deve dar provimento ao recurso nesta matéria. Sobre a competência do DECEX de reconhecer a adimplência do regime drawback suspensão A contribuinte argumenta que cabe ao DECEX acompanhar e verificar o adimplemento do compromisso de exportar. Cita o artigo 49 da Portaria SECEX n. 35, de 2006. E que esse órgão cuidará de comunicar à Receita Federal se houver inadimplemento. Mas que os atos concessórios que ela lista foram considerados satisfatoriamente encerrados pelos DECEX. Em meu entendimento a argumentação da contribuinte não convence. A necessária competência atribuída ao DECEX não subtraí a competência aduaneira e tributária da Receita Federal. Elas se somam no interesse público que orienta os órgãos da administração federal. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA 12 Essa matéria foi pacificada, conforme se pode constatar na Súmula CARF n. 100: Súmula CARF nº 100: O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. Julgados paradigmas: Acórdão nº 930301.248, de 06/12/2010; Acórdão nº 301 30.380, de 15/10/2002; Acórdão nº 30237.892, de 23/08/2006; Acórdão nº 03 05.557, de 13/11/2007; Acórdão nº 30239.028, de 16/10/2007; Acórdão nº 3101 00.305, de 03/12/2009; Acórdão nº 3202000.695, de 20/03/2013. O fato é que a contribuinte não comprovou que realmente exportou os bens admitidos no regime drawback e a autoridade administrativa entendeu que a simples correção do erro no código informado no RE no DDE não supriu essa obrigação dela comprovar o cumprimento das condições pactuadas para esse regime aduaneiro. Portanto, proponho a este colegiado não acolher a razão da contribuinte nesta matéria de seu recurso. Sobre a aplicabilidade do princípio da vinculação física A contribuinte alega que esse princípio não é aplicável ao caso, e que a autuação foi feita com base em presunções e na ausência da comprovação da vinculação física. Cita julgados administrativos. Essa argumentação não pode prosperar. As decisões juntadas pela recorrente reconhecem que as contribuintes conseguiram comprovar a exportação dos bens beneficiados pelo drawback, ou comprovar que eles foram substituídos por bens fungíveis, o que justificou, no entendimento dos julgadores, a inexigibilidade da demonstração da vinculação física nos termos postos pela autoridade autuante. Mas não é o caso no presente processo. além de não se tratar de questionamento sobre fungibilidade entre insumos, a recorrente não traz elementos que concorram para comprovar que os bens admitidos no drawback efetivamente foram exportados. E essa comprovação é concorrente ao princípio da vinculação física. E nesse ponto, creio que não merece reparos a decisão do colegiado de 1º piso. Por isso, creio que não se deve dar provimento a essa alegação da contribuinte. CONCLUSÃO Por todas essas ponderações é que concluo propondo a este Colegiado não seja dado provimento ao recurso voluntário. Eloy Eros da Silva Nogueira Relator Fl. 281DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA Processo nº 16024.000002/200745 Acórdão n.º 3401003.018 S3C4T1 Fl. 8 13 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 14/01/2016 por ELOY EROS DA SILVA NOGU EIRA
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Numero do processo: 10882.003627/2007-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO.
A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007).
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados, não há que se falar em nulidade.
I - DAS DEDUÇÕES REALIZADAS. COMPROVAÇÃO PAGAMENTO DO SALÁRIO-EDUCAÇÃO. DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS. CONFIRMADOS PELO FISCO.
Quando da baixa do processo em diligência, o Fisco evidenciou, em parte, a efetividade do pagamento do salário-educação pela Recorrente e propôs a retificação do lançamento fiscal, fundamentada em documentos que constataram o equívoco do Fisco, conforme Parecer Fiscal.
II - DOS VALORES REMANESCENTES, FILIAIS MARANHÃO E BAHIA.
SALÁRIO-EDUCAÇÃO/FNDE. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. VALORES REMANESCENTES.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: Salário-Educação/FNDE.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe ao Órgão Julgador do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO.
Quando considerá-lo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
JUROS(TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para: I) excluir os valores registrados no DE PARA (Valor apurado no Auto de Infração - Valor comprovado em folhas de pagamento pagos aos empregados a título de Auxílio Educação = Valor a ser retificado no Auto de Infração), constantes da planilha inserida no Parecer Fiscal (diligência fiscal); e II) excluir a glosa de compensação do salário-educação, competência 06/2003, referente à empregada Eleni Malaquias Barreto Gomes. Declarou-se impedido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1997 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PARA TERCEIROS. ARRECADAÇÃO. A arrecadação das contribuições para outras Entidades e Fundos Paraestatais deve seguir os mesmos critérios estabelecidos para as contribuições Previdenciárias (art. 3°, § 3° da Lei 11.457/2007). CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal, o Parecer Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa tanto a origem do lançamento como os fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados empregados, não há que se falar em nulidade. I DAS DEDUÇÕES REALIZADAS. COMPROVAÇÃO PAGAMENTO DO SALÁRIOEDUCAÇÃO. DOCUMENTOS ACOSTADOS AOS AUTOS. CONFIRMADOS PELO FISCO. Quando da baixa do processo em diligência, o Fisco evidenciou, em parte, a efetividade do pagamento do salárioeducação pela Recorrente e propôs a retificação do lançamento fiscal, fundamentada em documentos que constataram o equívoco do Fisco, conforme Parecer Fiscal. II DOS VALORES REMANESCENTES, FILIAIS MARANHÃO E BAHIA. SALÁRIOEDUCAÇÃO/FNDE. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PREVISTAS EM LEI. VALORES REMANESCENTES. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas a outras Entidades ou Fundos: Salário Educação/FNDE. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 36 27 /2 00 7- 72 Fl. 6216DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Não cabe ao Órgão Julgador do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERICIAL. NÃO É NECESSÁRIA. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. JUROS/TAXA SELIC. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para: I) excluir os valores registrados no DE PARA (Valor apurado no Auto de Infração Valor comprovado em folhas de pagamento pagos aos empregados a título de Auxílio Educação = Valor a ser retificado no Auto de Infração), constantes da planilha inserida no Parecer Fiscal (diligência fiscal); e II) excluir a glosa de compensação do salárioeducação, competência 06/2003, referente à empregada Eleni Malaquias Barreto Gomes. Declarouse impedido o conselheiro Natanael Vieira dos Santos. Ronaldo de Lima Macedo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Kleber Ferreira Araújo, Ronnie Soares Anderson, Marcelo Oliveira, Lourenço Ferreira do Prado, João Victor Ribeiro Aldinucci e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 6217DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10882.003627/200772 Acórdão n.º 2402004.729 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, relativas às contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE), para as competências 06/1997, 06/1998, 12/1999, 07/2000, 01/2001, 06/2001, 12/2001, 06/2002, 12/2002, 06/2003, 12/2003, 06/2004 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 38/42) informa que os valores apurados decorrem de contribuições para o salárioeducação, oriundos de glosa de deduções realizadas a título de indenizações de dependentes. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 16/11/2007 (fls. 01 e 3129). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 3138/3182), anexos de fls. 3183/3732, alegando, em síntese, que: 1. Da nulidade da prova emprestada. As autoridades fiscais, a fim de justificar o lançamento, utilizaramse de provas emprestadas obtidas em procedimentos específicos realizados pelo FNDE. Nos referidos procedimentos, o FNDE informa haver divergências entre as deduções realizadas a título de indenização por dependentes do valor devido da Contribuição ao Salário Educação da Impugnante, e o número de alunos beneficiados informados pelo Contribuinte nas RAI apresentadas. Transcreve trechos do Relatório Fiscal. Tratase, portanto, de prova emprestada; 2. Do cerceamento de defesa do Impugnante. Violação ao princípio do contraditório e da ampla defesa. Quando da realização dos trabalhos de fiscalização, não foi solicitada a empresa a apresentação de quaisquer documentos que pudessem comprovar a veracidade das informações apresentadas pelo FNDE, em relação às supostas irregularidades na apuração da contribuição ao Salário Educação. Tal fato constitui cerceamento de defesa do Contribuinte, e acarreta a nulidade da NFLD lavrada; 3. Do conseqüente equívoco na presunção dos fatos geradores. Em vista da falta de documentos, e enganada por equivocados relatórios apresentados pelo FNDE, procedeu ao lançamento com base em presunções (equivocadas) da ocorrência de recolhimento a menor da contribuição ao Salário Educação. Discorre sobre a presunção, transcrevendo renomados juristas, e argumenta que, ante o princípio da estrita legalidade (artigo 150, I, da CF/88), e tendo em vista a atividade plenamente vinculada (artigo 142 do CTN), para que o Auto de Infração pudesse subsistir, seria necessário que a fiscalização Fl. 6218DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 comprovasse, documentalmente, por meios diretos e não indiretos (presuntivos); 4. Mérito. Da Decadência relativa aos períodos anteriores a novembro de 2002. 5. Invalidade da exigência das contribuições ao SalárioEducação após a Emenda à Constituição 33/2001. Alega que a legislação que instituiu a cobrança da Contribuição ao SalárioEducação, incidente sobre a folha de salários, foi revogada, a partir de 01/2002, pela alteração constitucional promovida pela Emenda Constitucional 33/2001, que restringiu a materialidade das contribuições sociais gerais e das de intervenção no domínio econômico; 6. Da regularidade dos recolhimentos e das deduções realizadas pela empresa. Insurgese contra as glosas efetuadas para os estabelecimentos ...048158 e ...000112, apoiandose nos documentos juntados, doc. 08 e 09; 7. Requer a realização de perícia nos termos do inciso IV, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Indica o perito e formula os quesitos no item 114 da Impugnação; 8. Da ilegalidade e inconstitucionalidade da Taxa SELIC. Discorre sobre a natureza remuneratória da taxa SELIC, e, apoiado em doutrina, conclui pela ilegalidade e inconstitucionalidade da referida taxa no cálculo dos juros moratórios, por expressa violação ao artigo 161, § 1% do CTN, devendo os juros ser adequados ao patamar hoje previsto em lei (1%). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo/SP – por meio do Acórdão 1618.896 da 11a Turma da DRJ/SP1 (fls. 3745/3765) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que excluiu, em decorrência da decadência (artigo 150, §4o do CTN), os valores apurados nas competências 06/1997, 06/1998, 12/1999, 07/2000, 01/2001, 06/2001, 12/2001 e 06/2002. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. Diante dos documentos acostados aos autos, este Conselho determinou a realização de diligência fiscal. Por sua vez, o Fisco informou por meio de Parecer Fiscal (diligência fiscal) que o lançamento deverá ser retificado. A Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil em São Paulo/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 6219DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10882.003627/200772 Acórdão n.º 2402004.729 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador das contribuições sociais lançadas, que foram as relativas à contribuição destinada a outras Entidades/Terceiros (Salário Educação/FNDE). Os valores das contribuições sociais decorrem da glosa de deduções realizadas a título de indenizações de dependentes, e foram devidamente delineados no Relatório Fiscal e no Parecer Fiscal. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/45) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 6220DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 38/42) e seus anexos (fls. 01/45), complementados pelos documentos acostados pela Recorrente (fls. 46/3732), são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontra se no Relatório de Fundamentos Legais do Débito FLD, que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); diligência fiscal (parecer fiscal); dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Além disso – no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal (TEPF) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 38/42. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/42) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente alega ilegalidade na constituição do lançamento fiscal, já que não poderia ter utilizado prova emprestada do FNDE. Tal alegação não será acatada, eis que a empresa era optante do Sistema de Manutenção de Ensino (SME), assim as informações podem ser fornecidas pela FNDE para a apuração da contribuição social destinada ao SalárioEducação. Isso está em consonância com o art. 5° da Lei 9.766/1998, que versa sobre provas emprestadas, nos seguintes termos: Fl. 6221DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10882.003627/200772 Acórdão n.º 2402004.729 S2C4T2 Fl. 5 7 Art. 5o. A fiscalização da arrecadação do salárioeducação será realizada pelo INSS, ressalvada a competência do FNDE sobre a matéria. Parágrafo único. Para efeito da fiscalização prevista neste artigo, seja por parte do INSS, seja por parte do FNDE, não se aplicam as disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais , ou fiscais dos comerciantes, empresários, indústrias ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Da leitura desse artigo acima mencionado, percebese que se trata de norma processual e não de norma matéria, com isso tal disposição tem aplicação imediata, já que poderá ser aplicada em qualquer ato não definitivamente julgado. É oportuno observar que não foram informações de terceiros que ocasionaram o lançamento fiscal, mas sim informações da própria Recorrente, obtidas nos bancos de dados da Autarquia Pública (FNDE), que é responsável por armazenar essas informações. Acrescentase que o lançamento fiscal não se deu unicamente com base nos dados fornecidos pelo FNDE, tendo havido outros elementos informativos e probatórios, como a análise documental e os dados existentes nos sistemas informatizados do Fisco, dentre outras provas, capaz de comprovar a materialidade do lançamento fiscal. Também não se pode esquecer que a nulidade do lançamento fiscal está diretamente ligada à ocorrência de prejuízo à defesa da Recorrente, observandose o princípio do pás de nullité sans grief, o que não foi demonstrado nos autos. Da análise dos autos, constatase que inexistem quaisquer nulidades no lançamento fiscal, já que, durante todo o seu trâmite, foram devidamente observados os princípios da legalidade, da ampla defesa e do contraditório, tendo sido a Recorrente regularmente notificada da instauração do processo administrativo (fls. 35/36) e do seu encerramento (fl. 37), sendo certo que apresentou defesa, regular e oportunamente (peça de impugnação e peça recursal). Como não ocorreu qualquer prejuízo para Recorrente em virtude da utilização de dados fornecidos pelo FNDE, não será acatada a alegação de que houve a utilização de prova emprestada que cercearia o seu direito de defesa. DO MÉRITO: I DAS DEDUÇÕES REALIZADAS Com relação à glosa de deduções realizadas, constatase que os documentos juntados aos autos pela Recorrente comprovam, em parte, a correção dos valores deduzidos, em contraposição à glosa indicada pelo FNDE e aplicada pelo Fisco, nos termos da Representação Administrativa 1891/2007COASE/CGEOF/DIFIN/FNDE/MEC, acompanhada do Demonstrativo de Divergência por Estabelecimento, Quadro de Lançamento de Débitos, Relações de Alunos para Regularização da Empresa na Indenização de Dependentes, Demonstrativos de Recolhimentos RA1891 e Parecer Fiscal (diligência fiscal determinada pelo CARF). Fl. 6222DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Na espécie, diante da alegação de que o lançamento estaria equivocado, já que a glosa do salárioeducação de deduções realizadas a título de indenizações de dependentes teria abarcado valores indevidos, os autos foram baixados em diligência para manifestação do Fisco sobre a possível necessidade de retificação do lançamento, conforme Resolução nº 2402 000.452 do CARF. Em Informação Fiscal, consubstanciada pelo Parecer Fiscal, consta que as alegações da Recorrente, em parte, são pertinentes, sendo que o Fisco conclui que, em relação a todos os casos para os quais se apresentou os holerites que comprovam o pagamento do benefício pela Recorrente aos seus empregados, houve, de fato, o direito de desconto dos respectivos valores da contribuição destinada ao SalárioEducação, reconhecendose, portanto, a necessidade de retificação, em parte, da autuação em análise. E sinaliza para a manutenção do lançamento referente aos seguintes segurados, localizados no Maranhão e Bahia: “[...] Nesse sentido a conclusão desta fiscalização é de que a empresa comprovou os pagamentos destas indenizações para imensa maioria dos empregados exceto para alguns empregados nos estabelecimentos situados no Maranhão e na Bahia (vide abaixo), devendo, caso seja este o entendimento desta Câmara do CARF, retificar os valores apurados no Auto de Infração conforme abaixo: Legendas: VAI – Valor apurado no Auto de Infração. VC Valor comprovado em folhas de pagamento pagos aos empregados a título de Auxílio Educação ou Sistema de Manutenção de Ensino. VAI – VC – diferença entre o valor apurado no Auto de Infração e os valores comprovados pagos aos empregados. O resultado é o valor a ser retificado no AI. (...) Empregado cujo nome não consta dos holerites de pagamento da filial Maranhão no 1° semestre de 2003 que referese à competência 06/2003: Nome do Aluno Nome Funcionário Semestre Comp. Valor PAULA LUCELIA SILVA ROCHA FRANCISCO DUTRA ROCHA 1° sem. 2003 06/2003 126,00 PERLA LUCILIA SILVA ROCHA FRANCISCO DUTRA ROCHA 1° sem. 2003 06/2003 126,00 (...) Empregados que não constam dos holerites de pagamento da filial Bahia no 2° semestre de 2002 referente à competência 12/2002: Nome do Aluno Nome Funcionário Semestre Comp. Valor RAIANNE GUIMARAES EVANGELISTA CLEUSA VICTOR G. EVANGELISTA 2°sem.2002 12/2002 126,00 Fl. 6223DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10882.003627/200772 Acórdão n.º 2402004.729 S2C4T2 Fl. 6 9 LORENA GUERREIRO SOUZA ROSANE GUERREIRO SOUZA 2°sem.2002 12/2002 126,00 DANILO ALVES DE OLIVEIRA ARAUJO JOAO ALVES DE ARAUJO 2°sem.2002 12/2002 126,00 DANIELA ALVES DE OLIVEIRA ARAUJO JOAO ALVES DE ARAUJO 2°sem.2002 12/2002 126,00 Empregados que não constam dos holerites de pagamento da filial Bahia no 1° semestre de 2003 referente à competência 06/2003: Nome do Aluno Nome Funcionário Semestre Comp. Valor MILTON SOUZA GOMES JUNIOR ELENI MALAQUIAS BARRETO GOMES 1°sem.2003 06/2003 126,00 JOSE ARNALDO B. G. MIRANDA FILHO JOSE ARNALDO BASTOS G. MIRANDA 1°sem.2003 06/2003 126,00 ISNANDA TARCIARA DA SILVA JOSE CARLOS DA SILVA 1°sem.2003 06/2003 126,00 THIAGO PAIVA CALDAS MIGUEL CALDAS DOS SANTOS 1°sem.2003 06/2003 126,00 Empregados que não constam dos holerites de pagamento da filial Bahia no 2° semestre de 2003 referente à competência 12/2003: Nome do Aluno Nome Funcionário Semestre Comp. Valor ELLEN LAPA CANGUCU ELIANE DAYSE REBOUCAS LAPA CANGUCU 2°sem.2003 12/2003 126,00 DANIELA ALVES DE OLIVEIRA ARAUJO JOAO ALVES DE ARAUJO 2°sem.2003 12/2003 126,00 ANIELE DA PAIXAO LUZ JOCELI SANTOS DA PAIXAO 2°sem.2003 12/2003 126,00 ISNANDA TARCIARA DA SILVA JOSE CARLOS DA SILVA 2°sem.2003 12/2003 126,00 GRASIELE SOUZA FIGUEIREDO MARIA DAS GRACAS SOUZA FIGUEIREDO 2°sem.2003 12/2003 126,00 MINIQUE SAMPAIO SANTOS BRAGA ROSANA SAMPAIO SANTOS 2°sem.2003 12/2003 126,00 TAMARA DE SANTANA TEIXEIRA BURITI ZENAIDE DE SANTANA TEIXEIRA BURITI 2°sem.2003 12/2003 126,00 [...]” (Parecer Fiscal) Assim, em relação à documentação apresentada pela Recorrente, simplesmente acatase a proposta de retificação feita pelo próprio Fisco, conforme Parecer Fiscal. Por sua vez, a Recorrente alega, em recurso complementar, que “(...) para um dos casos acima, especificamente o pagamento efetuado à Sra. Eleni Malaquias Barreto Gomes (em destaque), o holerite comprovante foi, sim, entregue juntamente com os demais, não tendo sido, contudo, contabilizado pelas Autoridades Fiscais. Para facilitar o trabalho desta Fiscalização, o Requerente junta novamente o mencionado holerite (doc. 03), protestando para que seja considerado para fins de cancelamento da respectiva parcela da Fl. 6224DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 10 autuação, bem como o foram os demais holerites acostados aos autos”. Neste particular, entendese que deverá também ser acatada a alegação da Recorrente, já que os documentos acostados aos autos comprovam (doc. 3) efetivamente o pagamento do benefício pela Recorrente referente à empregada Eleni Malaquias Barreto Gomes, devendo, assim, ser excluída a glosa de compensação do salárioeducação apurada pelo Fisco, para a competência 06/2003, dessa segurada. Diante disso, acatase a alegação da Recorrente de que é indevida, em parte, a glosa das deduções realizadas, já que ela apresentou documentos para se eximir dos valores inicialmente lançados, fato este admitido, posteriormente, pelo próprio Fisco, conforme Parecer Fiscal. Assim, deverão ser excluídos do lançamento fiscal tanto os valores registrados na planilha do Parecer Fiscal como a glosa de compensação do salárioeducação, competência 06/2003, filial Bahia, referente à empregada Eleni Malaquias Barreto Gomes. II DOS VALORES REMANESCENTES, FILIAIS MARANHÃO E BAHIA Quanto à alegação da impossibilidade de exigência de salárioeducação de contribuinte que participava do sistema manutenção do ensino fundamental, uma vez que a Recorrente teria cumprido a legislação de regência. Tal alegação não será acatada, eis que a Recorrente não cumpriu a legislação estabelecida para a realização das deduções permitidas, conforme os fatos e a legislação a seguir delineados. Inicialmente, a contribuição destinada ao SalárioEducação/FNDE, por força do Decreto 87.043/1982, foi fixada a alíquota em 2,5% sobre a folha de salários. Posteriormente, a Lei no 9.424/1996 também disciplinou a matéria no art. 15, in verbis: Art. 15. O SalárioEducação, previsto no artigo 212, § 5° da Constituição Federal e devido pelas empresas, na forma em que vier a ser disposto em regulamento, é calculado com base na alíquota de 2,5% (dois e meio por cento) sobre o total de remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, assim definidos no artigo 12, inciso I, da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal (STF) já se pronunciou tanto pela constitucionalidade da legislação anterior à Constituição Federal de 1988 quanto à sua recepção, como também pela constitucionalidade da Lei 9.424/1996. Diante disso, vejamos o teor do enunciado da Súmula 732 do STF: Súmula 732 STF. É constitucional a cobrança da contribuição do salárioeducação, seja sob a Carta de 1969, seja sob a Constituição Federal de 1988, e no regime da Lei 9.424/1996. Por sua vez, a Lei 9.766/1998 estabeleceu que a contribuição social destinada ao SalárioEducação deverá obedecer aos mesmos prazos e condições estipulados para as contribuições sociais devidas Seguridade Social. Lei 9.766/1998: Art. 1o. A contribuição social do SalárioEducação, a que se refere o art. 15 da Lei n° 9.424, de 24 de dezembro de 1996, obedecerá aos mesmos prazos e condições, e sujeitarseá ás Fl. 6225DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10882.003627/200772 Acórdão n.º 2402004.729 S2C4T2 Fl. 7 11 mesmas sanções administrativas ou penais e outras normas relativas as contribuições sociais e demais importâncias devidas Seguridade Social, ressalvada a competência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, sobre a matéria. (g.n.) O Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental (SME) consiste em um programa pelo qual a empresa, contribuinte da contribuição social do SalárioEducação, propiciava aos seus empregados e dependentes o direito social de obter o ensino fundamental, estava consubstanciado em três modalidades, a saber: (i) aquisição de vagas na rede de ensino particular destinadas a empregados e dependentes; (ii) escola própria gratuita mantida pela empresa; e (iii) indenização de dependentes. As empresas optantes pelo SME deveriam recolher a contribuição social do SalárioEducação ao FNDE com a dedução dos valores comprovadamente despendidos na indenização de dependentes até o limite mensal, por aluno, fixado pelo Conselho deliberativo do FNDE. Isso estava estabelecido no art. 10 do Decreto 3.142/1999, in verbis: Art 10. O Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental constituise no programa pelo qual a empresa, contribuinte da contribuição social do salárioeducação, propicia aos seus empregados e dependentes o direito social de obter o ensino fundamental, por intermédio das seguintes modalidades: I aquisição de vagas na rede de ensino particular destinadas a empregados e dependentes, indicados pela empresa, até o limite de vagas geradas por sua contribuição II escola própria gratuita mantida pela empresa para os seus empregados, dependentes e alunos da comunidade; III indenização de dependentes, mediante comprovação semestral de freqüência e pagamento das mensalidades em estabelecimentos particulares. § 1° As empresas optantes pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental ou pela arrecadação direta recolherão a contribuição social do salárioeducação ao FNDE: I integralmente, no caso da modalidade de que trata o inciso I do caput deste artigo; II com a dedução dos valores comprovadamente despendidos na manutenção da escola própria ou na indenização de dependentes, até o limite mensal por aluno fixado pelo Conselho Deliberativo do FNDE, nos demais casos. (g.n.) Constatase que a Recorrente estava inserida na modalidade de indenização de dependentes, mediante comprovação semestral de frequência e pagamento das mensalidades em estabelecimentos particulares. Nesta modalidade, a empresa reembolsava aos empregados a importância correspondente ao somatório, no semestre, do valor mensal pertinente à vaga (R$ 21,00). Somente teria direito ao reembolso os empregados que comprovassem a frequência regular e a quitação das mensalidades de seus dependentes em estabelecimentos de ensino particular. Após essa comprovação, ela deveria deduzir da contribuição social devida ao Fl. 6226DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 12 salárioeducação os valores despendidos na indenização até o limite mensal por aluno fixado pelo Conselho Deliberativo do FNDE. Contudo, em relação às filias situadas nos estados do Maranhão e Bahia, conforme Parecer Fiscal, a Recorrente incorreu em irregularidade ao efetuar as deduções, na medida em que não enviou a Relação de Alunos Indenizados (RAI) ao FNDE, nem o Formulário Autorização para Manutenção de Ensino (FAME), dentro do prazo legal (31 de julho para os dados relativos ao 1° semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2° semestre), descumprindo assim as regras inseridas nas Resoluções editadas pelo FNDE, que dispunham sobre todas as condições a ser cumprida pelas empresas optantes pelo SME, no caso em tela a Resolução FNDE no 2/2002. Resolução FNDE n° 2 de 20 de Agosto de 2002. Dispõe sobre a arrecadação direta ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE da contribuição social do SalárioEducação em razão da opção pelo Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental, e dá outras providências. Fundamentação Legal: Lei n° 9.424, de 24 de dezembro de 1996, § 3° do art. 15°; Decreto n° 3.142 de 16 de agosto de 1999. A SECRETÁRIA EXECUTIVA DO FUNDO NACIONAL DE DESENVOLVIMENTO DA EDUCAÇÃO FNDE, no uso de suas atribuições conferidas pelo inciso VII do art. 90, do Regimento Interno do FNDE, aprovado pela Portaria MEG n° 1.627, de 3 de novembro de 1999, bem como do inciso I do art. 2° da RS/SE/FNDE n° 1, de 7 de dezembro de 1999, e Considerando o correto cumprimento dos deveres constitucionais e legais e gozo dos direitos correspondentes as empresas sujeitas a contribuição social do SalárioEducação, resolve: Art. 1°. Estabelecer as normas do Sistema de Manutenção de Ensino Fundamental a serem observadas pela empresa contribuinte do SalárioEducação, para propiciar aos seus empregados e dependentes o direito social obter o ensino fundamental, por meio das modalidades previstas nos incisos I a III do art. 6° desta Resolução, ou a conta de deduções desta contribuição. (...) Art. 8°. A empresa deverá prestar contas ao FNDE, dos recursos financeiros aplicados nas modalidades Escola Própria e Indenização de Dependentes, respeitando os procedimentos e os prazos estabelecidos no art. 10 desta Resolução, sob pena de serem glosadas todas as deduções efetivadas no semestre, resultando em notificação para recolhimento de débito. (...) Art. 10. As informações das empresas para atualização do cadastro dos alunos beneficiários, mantido pelo FNDE, serão encaminhadas nos prazos fixados e de conformidade com as orientações fornecidas por esta Autarquia, da seguinte forma: Fl. 6227DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10882.003627/200772 Acórdão n.º 2402004.729 S2C4T2 Fl. 8 13 (...) II na modalidade Indenização de Dependentes, por meio eletrônico www.fnde.gov.br link captação dos Dados da RAI para atualização semestral do sistema de Relação de Alunos Indenizados RAI, cujo envio deverá, obrigatoriamente, ocorrer até 31 de julho para os dados relativos ao 1° semestre, e 31 de janeiro do exercício seguinte para os dados relativos ao 2° semestre. (g.n.) Parágrafo Único A empresa responsável pela indicação dos alunos beneficiários, deverá encaminhar, obrigatoriamente, a via original da Relação de Alunos Cadastrados RAC e/ou Cadastro de Aluno CA, ao FNDE e uma cópia as escolas prestadoras de serviços, nas modalidades Aquisição de Vagas e Escola Própria, obedecidos os prazos e de conformidade com as orientações fornecidas por esta Autarquia. (...) Art. 16. Os formulários previstos no art. 2°e no inciso I do art. 10, bem como o Comprovante de Arrecadação Direta CAD de que trata o art. 3o, todos desta Resolução, preenchidos ou atualizados e assinados pelo respectivo coresponsável, e autenticados pelo Banco do Brasil S.A no caso do CAD, atestarão, junto aos órgãos fiscalizadores o cumprimento das normas previstas nesta Resolução. (g.n.) Cumpre esclarecer que os valores lançados no presente processo foram apurados pelo FNDE através do cruzamento de dados fornecidos pelo próprio interessado. Logo, em relação às filiais localizadas no Maranhão e Bahia – exceto o pagamento do benefício pela Recorrente referente à empregada Eleni Malaquias Barreto Gomes, competência 06/2003 –, não acato a alegação da Recorrente de que teria cumprido a legislação de regência, eis que ela não apresentou, dentro do prazo legal, a documentação exigida para fazer jus às deduções realizadas no salárioeducação, qual seja a Relação de Alunos Indenizados (RAI), a fim de demonstrar o número de alunos que efetivamente gozaram do beneficio da indenização de dependentes a fim de deduzir tais valores do SalárioEducação a pagar, nem comprovou por meio de holerites o pagamento do benefício pela Recorrente. Dentro do contexto da peça recursal, cumpre esclarecer que a administração pública deve observar o princípio da estrita legalidade, sendo que as leis e atos normativos nascem com a presunção de constitucionalidade, que só pode ser elidida pelo Poder Judiciário, conforme a competência determinada pela Carta Magna. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja, declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno (RI) do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, e o próprio Conselho uniformizou a Fl. 6228DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 14 jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula 2 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), transcrito a seguir: Súmula CARF 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante disso, não examinarei as questões referentes à inconstitucionalidade de leis e atos normativos, especificamente a inconstitucionalidade do artigo 39 da Lei 9.250/1995 que dispõe sobre a aplicação da Taxa SELIC. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição social destinada ao Salário Educação (FNDE) em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação específica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. Lei 8.212/1991: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Lei 5.172/1966 CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 6229DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10882.003627/200772 Acórdão n.º 2402004.729 S2C4T2 Fl. 9 15 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. (g.n.) O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. A Recorrente também insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, inclusive prova pericial, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova pericial e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito – tais como a prova testemunhal ou pericial – quando não se referir a matéria fática documental não posta nos autos, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova pericial, ou mesmo documental, que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Cabe ao Recorrente trazer aos autos todos os elementos fáticos e jurídicos probatórios de que dispõe, obedecendo ao prazo para impugnação previamente estabelecido pelo arcabouço jurídicotributário em vigor (art. 16 do Decreto 70.235/1972), prazo este definido para todos os sujeitos passivos, em atendimento ao princípio da isonomia. Ainda com relação às competências remanescentes à decadência e à exclusão dos valores apontados no Parecer Fiscal, observase que não consta dos autos a documentação que comprova o pagamento das indenizações dos dependentes, nem a declaração do empregado ou do estabelecimento de ensino de que o aluno estava frequentando a escola, para confirmar a veracidade das informações e garantir o direito de efetuar as deduções. Também não consta a documentação pertinente às Relações de Alunos Indenizados (RAI’s), nem o comprovante do pagamento do benefício pela Recorrente. Esses documentos deveriam ter sido juntados à peça de defesa, ocasião em que a Recorrente tem a oportunidade de comprovar suas alegações. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de provimento, ou não, do recurso voluntário ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que o lançamento fiscal, com seus anexos (fls. 01/3137) e Parecer Fiscal contêm de forma clara os elementos necessários para a sua configuração, sendo que os fatos apurados são provenientes de informações da Recorrente, quais sejam: declarações (Relações de Alunos Indenizados Fl. 6230DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO 16 RAI) e guias de recolhimento. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova pericial, testemunhal ou diligência. Dessa forma, a realização de diligência não é necessária para o deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos do Decreto 70.235/1972, estabelecem: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (...) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Estão demonstrados nos autos (fls. 01/42) todos os requisitos legais do lançamento fiscal, conforme preconiza o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária principal (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante do tributo devido; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Dessa forma, após o Parecer Fiscal, a realização de perícia e de diligência fiscal, solicitada pela Recorrente, não é necessária para o deslinde do caso analisado no momento. Assim, indeferese esse pedido por considerálo prescindível e meramente protelatório, nos termos dos artigos 18 e 16, § 4o, do Decreto 70.235/1972. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DAR PARCIAL PROVIMENTO, para excluir: (i) os valores registrados no DE PARA (Valor apurado no Auto de Infração Valor comprovado em folhas de pagamento pagos aos empregados a título de Auxílio Educação = Valor a ser retificado no Auto de Infração), constantes da planilha inserida no Parecer Fiscal (diligência fiscal); e (ii) a glosa de compensação do salário educação, competência 06/2003, referente à empregada Eleni Malaquias Barreto Gomes, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 6231DF CARF MF Impresso em 11/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 04/01/20 16 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720317/2011-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário.
COBRANÇA EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO
Comprovado nos autos a ocorrência de cobrança em duplicidade de determinados valores, deve ser retificada a cobrança a maior, cancelando-a.
PIS. COFINS. ATUALIZAÇÃO DE JUROS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO.
A partir de 02/08/2004, de acordo com o Decreto n. 5.164/2004, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das contribuições, foram reduzidas a zero.
Recurso voluntário não conhecido
Recurso de ofício negado
Numero da decisão: 3402-002.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não se tomar conhecimento do recurso voluntário por ser intempestivo. Sustentou pela recorrente a advogada Silvania Conceição Tognetti, OAB/RJ 79.963.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. COBRANÇA EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO Comprovado nos autos a ocorrência de cobrança em duplicidade de determinados valores, deve ser retificada a cobrança a maior, cancelando-a. PIS. COFINS. ATUALIZAÇÃO DE JUROS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. A partir de 02/08/2004, de acordo com o Decreto n. 5.164/2004, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência não-cumulativa das contribuições, foram reduzidas a zero. Recurso voluntário não conhecido Recurso de ofício negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não se tomar conhecimento do recurso voluntário por ser intempestivo. Sustentou pela recorrente a advogada Silvania Conceição Tognetti, OAB/RJ 79.963. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto.
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Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. COBRANÇA EM DUPLICIDADE. CANCELAMENTO Comprovado nos autos a ocorrência de cobrança em duplicidade de determinados valores, deve ser retificada a cobrança a maior, cancelandoa. PIS. COFINS. ATUALIZAÇÃO DE JUROS. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. A partir de 02/08/2004, de acordo com o Decreto n. 5.164/2004, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições, foram reduzidas a zero. Recurso voluntário não conhecido Recurso de ofício negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e não se tomar conhecimento do recurso voluntário por ser intempestivo. Sustentou pela recorrente a advogada Silvania Conceição Tognetti, OAB/RJ 79.963. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 03 17 /2 01 1- 35 Fl. 3515DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário e de Recurso de Ofício, interpostos em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") do Rio de Janeiro (Acórdão 265.442, de fls 3313), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte contra auto de infração lavrado para a cobrança de crédito de Contribuição ao PIS, no valor de R$ 3.427.589,62, e de COFINS, no montante de R$ 12.281.100,68, relativamente ao período de 02/2006 a 12/2006. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processos até a decisão da DRJ, com riqueza de detalhes, colaciono o relatório acórdão recorrido in verbis: Segundo Termo de Verificação Fiscal (fls. 131/140), constatou se divergência entre os valores informados em DCTF e aqueles apurados na escrita fiscal das contas (A) 2151200000 PIS SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA e (B) 215130001 COFINS SOBRE RECEITAS. A DCTF não informava valores a título de PIS e de COFINS, portanto, foi objeto de lançamento o valor registrado nas contas citadas no parágrafo anterior. Anexouse aos autos os lançamentos contábeis a crédito das contas acima citadas. (fls. 141/312). A fiscalização afirma ainda que o contribuinte pretendeu extinguir o PIS e a COFINS apurados e devidos mediante supostas compensações com bases negativas de IRPJ e CSLL e até mesmo com lançamentos contábeis equivocados, sem consignar na DCTF. A interessada foi cientificada em 28/02/2011 e apresentou impugnação em 30/03/2011. A interessada alega na impugnação (fls. 332/345) relativa a COFINS que declarou em DACON a utilização de créditos com base no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que a fiscalização considerou como devidos valores relativos a vendas e serviços cancelados, devidamente estornados na contabilidade da impugnante e que foram incluídas no valor devido rubricas Fl. 3516DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402002.977 S3C4T2 Fl. 3.516 3 que não integram o faturamento, como atualização de juros. Apresentou planilha em que constam estornos. Alega que o auto é, portanto, nulo e que ainda que assim não se entenda, não merece prosperar no mérito, pois não há qualquer valor a título de COFINS a ser pago. Acrescenta que a ausência de análise do DACON e o fato do auto ter sido lavrado sem que fosse dada à interessada oportunidade de esclarecer a inexistência de qualquer valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS, no período autuado torna o lançamento nulo. A fiscalização simplesmente pinçou valores da contabilidade sem observar os descontos de créditos permitidos na Lei e realizados pela impugnante e, ainda, considerando como valores devidos lançamentos já estornados na contabilidade e que não se referem a faturamento. Afirma ainda que a metodologia de apuração absolutamente equivocada acaba por prejudicar o direito a ampla defesa e ao contraditório, ocorrendo a violação ao art. 10 do Decreto 70.235/1972. Afirma também que: “Embora, nesse ponto, possa o Fiscal ter sido induzido em erro pelas menções equivocadas a PERDCOMP na escrita contábil da impugnante, certo é que dessa irregularidade formal, sozinha (i. e. antes da análise da documentação negligenciada pela Fiscalização), não se poderia extrair a conclusão de que havia valores de PIS/COFINS a serem recolhidos no período.” Continua afirmando que: “ Nem se pode considerar que uma simples irregularidade formal na escrita contábil do contribuinte (de resto, infirmada pelos demais documentos negligenciados pela fiscalização) faça nascer uma obrigação tributária.” A interessada esclarece que não houve pedido de compensação para extinguir os débitos de PIS e COFINS relativos a 2006. Encerra a impugnação alegando a nulidade do Termo de Verificação Fiscal e do auto de infração impugnado e a inexistência de valor a ser recolhido a título de COFINS no período de autuação. Protesta por todos os meios de provas admitidos em direito especialmente pela prova documental superveniente e quesitos suplementares. Se ultrapassada a nulidade, requer a produção de prova pericial contábil, e anexa quesitos. Em 30/03/2011 a interessada apresentou impugnação de fls. 875/892 relativa ao PIS com as mesmas alegações do processo de COFINS e acrescentando que ocorreu duplicidade de lançamento em relação a parcela dos valores lançados relativos a julho de 2006, setembro de 2006 e dezembro de 2006. Tais Fl. 3517DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 4 lançamentos foram efetuados por meio do processo administrativo nº 18471.001089/200725, que foi impugnado. Posteriormente a impugnante optou por pagar todos os débitos ali cobrados com os benefícios e reduções da Lei nº 11.941/2009. Acrescenta que a duplicidade de lançamento serve para corroborar a nulidade do auto de infração, já que os valores apurados na primeira fiscalização não são os mesmos encontrados na presente. Diante das alegações da interessada o processo foi baixado em diligência por meio da Resolução 12.000105 da 17ª Turma da DRJ RJ para que a unidade de origem: 1. Demonstre a apuração da base na contabilidade da interessada, a base de cálculo mensal do PIS e da COFINS do período de fevereiro a dezembro de 2006; 2. Verifique na contabilidade da interessada se foram efetuados estornos de valores nas contas objeto de lançamento (A) 2151200000 PIS SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA e (B) 215130001 COFINS SOBRE RECEITAS, e em caso positivo, informar quais os valores estornados, mensalmente, inclusive qual a contrapartida do lançamento no período de fevereiro a dezembro de 2006; 3.Mediante a documentação contábil/fiscal e demais elementos comprobatórios que lastrearam a escrituração fiscal do contribuinte atestar os valores de crédito de PIS e de COFINS do Regime não Cumulativo informado na DACON, inclusive, a existência do saldo de crédito de meses anteriores; Em atendimento às questões propostas a fiscalização por meio do Relatório Fiscal (fls. 1.478/ 1482) respondeu que: A mesma matéria em relação ao anocalendário de 2007 já foi enfrentada no âmbito do processo 16682.720743/201179, Acórdão nº 12 47850. Nos registros da tabela 4.1.1 do ADE COFIS 15/2001 (lançamentos do Diário Análitico) não se encontraram lançamentos referentes a vendas canceladas ou “estornos de receita” (para usar a nomenclatura usada pelo contribuinte), tampouco lançamentos referentes a créditos de base outros fatos econômicos que impactassem na apuração da base de cálculo seja do PIS, seja da COFINS do período. Regularmente intimado e reintimado em sede de diligência determinada pela Egrégia 17ª Turma de Julgamento o contribuinte não obteve sucesso para extrair os dados exigidos a partir da escrituração digital apresentada à época da Ação Fiscal que demonstrassem inequivocamente as deduções à base de cálculo e os estornos pretendidos. Em resposta à intimação o contribuinte afirma que (sic, grifos do original) “(...) nos arquivos ora entregues não há uma numeração que permita individualizar a linha de cada lançamento de credito de Pis e Cofins e da receita realizado, motivo pelo qual essa Fl. 3518DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402002.977 S3C4T2 Fl. 3.517 5 informação está deixando de ser prestada” A abertura dos arquivos em editor de texto comum permite identificar o número de ordem de cada linha, de cada registro. Além disso, a especificação da tabela 4.1.1 do ADE COFIS 15/2001 contempla campo denominado “Número do Lançamento”. A conclusão inescapável é que o contribuinte não encontrou tais lançamentos, assim como o AuditorFiscal. Ressalvese que o contribuinte apresentou em sede de diligência determinada pela DRJ/RJI planilha preenchida por sí com dados que, salvo melhor juízo, não guardam relação com os arquivos contábeis no formato da IN SRF 86/2001 apresentados à época. Nessa planilha – cujos dados carecem de comprovação – o contribuinte fez constar os valores que entende cabíveis. Convém observar que tamanho volume de dados inviabiliza a auditoria tradicional em papel, devendose compulsar os dados eletronicamente nos termos do art. 11 da Lei 8.218/91. Além de servir para se apurar o tributo em questão, os arquivos eletrônicos permitem confrontar os somatórios das diversas contas contábeis para aferir a correção dos seus saldos iniciais e finais e de modo geral confirmar a autenticidade em relação com os balancetes e demonstrações do período. Quanto ao crédito de nãocumulatividade as Contas de Luz estão em nome da Rio Sul Linhas Aéreas portanto não foram aceitas. A VARIG havia celebrado com a Infraero contrato de Arrendamento das áreas aeroportuárias. Ao final de cada mês a VARIG efetivava rateio informal das despesas pelas áreas e setores do conglomerado. Fica ao talante da Egrégia 17ª Turma aceitar em sede de julgamento a validade da dedutibilidade dessas despesas, malgrado a falta de localização das respectivas partidas na escrituração digital da época, a incongruência da titularidade do boleto de cobrança, a falta de critério positivado de rateio das despesas entre as diversas empresas e a incerteza de que esses créditos não tenham sido aproveitados na demonstração do PIS e COFINS de outras empresas do extinto grupo VARIG, em especial a titular da fatura. Na contabilidade digital expressa na forma da IN SRF; 86/2001 não se encontraram partidas referentes à depreciação e tampouco os correspondentes créditos. Quanto aos créditos de aluguéis, esses não gozam de certeza e liquidez uma vez que se encontram em nome de pessoa jurídica estranha à sociedade fiscalizada. Isso decorre de o contrato de arrendamento original ter sido firmado entre a VARIG e a Infraero. As partidas da conta 3121600000 Arrendamento de Áreas Aeroportuárias" têm contrapartida na conta "2185400001 Pagamento Efetuado pela VARIG". O mesmo ocorre com outras contas como "313010000 Energia Elétrica", "3130200000 Gás, Agua e Esgoto", e "3132600002 Serviços Terceiro Oficinas Manutenção", etc. Sublinhese que não se trata de um lançamento cujo histórico descritivo seja "Pagamento Efetuado Fl. 3519DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 6 pela VARIG". Cuidase do nome de uma conta contábil, usada para esse fim. Outra evidência da falta de rigor técnico é o fato de o histórico descritivo indicar que os valores lançados são apenas previsões de despesas. Por economia processual encontrase estampada amostra exemplificativa dos lançamentos contábeis correspondentes no Anexo Único ao Relatório Fiscal. Em relação ao primeiro quesito os valores devidos são aqueles informados no Anexo II que foram extraídos diretamente da contabilidade do contribuinte com a titulação “PIS SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA” e “COFINS SOBRE RECEITA”. Em relação ao segundo quesito não se encontraram lançamentos contábeis pertinentes à matéria nos arquivos disponibilizados à época no formato da IN SRF 86/2001; Regularmente intimado, o contribuinte não logrou efetivar a demonstração da escrituração dos estornos nesses arquivos contábeis, conforme petição de 27/01/2014. Em relação ao terceiro quesito o contribuinte não conseguiu demonstrar a escrituração de valores dessa natureza nos arquivos contábeis no formato da IN SRF 86/2001. Além disso, a documentação apresentada não suporta o pleito. As contas de energia elétrica, por exemplo, sequer estão em seu nome (fls. 777 a 786 deste processo). Não foram apresentadas Notas Fiscais estornadas nem suas rubricas na escrituração digital disponibilizadas à época. Conclui a fiscalização que não se encontraram lançamentos contábeis referentes aos estornos pretendidos, tampouco a créditos de PIS e COFINS nos arquivos digitais apresentados à época da Ação Fiscal. Regularmente intimado a apresentar tais lançamentos, o contribuinte em petição de 27/01/2014 afirmou que (sic, grifos do original) “ (...) nos arquivos ora entregues não há uma numeração que permita individualizar a linha de cada lançamento de crédito de PIS e de COFINS e da receita realizado, motivo pelo qual essa informação está deixando de ser prestada.” O contribuinte foi cientificado em 13/03/2014 (fl. 1.483) e apresentou em 11/04/2014 os documentos de fls. 1.532/3.255. Na complementação da impugnação de fls. 1.534/1.544 a interessada apresenta as seguintes alegações: Sendo certo que as razões que ensejaram a lavratura do auto de infração não se referem a qualquer questionamento sobre os créditos de PIS e COFINS não cumulativos, mas sim a supostas compensações pendentes de homologação, cujos débitos não foram declarados em DCTF, bem como que a fiscalização se limitou em alegar que a documentação apresentada pela requerente “revelase inconclusiva”, deixando ainda mais clara a ausência da correta menção à matéria tributável no lançamento, em nítido reforço à nulidade material da exigência, a requerente vem apresentar sua manifestação. Fl. 3520DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402002.977 S3C4T2 Fl. 3.518 7 O fiscal menciona que a mesma matéria em relação ao ano calendário de 2007 já foi enfrentada no âmbito do processo 16682.720743/201179, Acórdão nº 12 47.850 e que as técnicas contábeis empregadas em ambos os períodos de apuração são as mesmas, haja vista que se originaram na administração deficiente das empresas do extinto Grupo Varig. Contudo, este tema não tem nenhuma relação com a presente autuação, referindose a autuação por arbitramento, e além disso, o auto foi anulado e o arbitramento foi afastado reconhecendo que a contabilidade da requerente oferecia condições para o trabalho de fiscalização. O processo está aguardando julgamento pelo CARF. A fiscalização informa que não existe nota de serviços cancelada e que seria curioso desfazer um serviço já prestado. A título de esclarecimento a entrega de serviço pressupõe que o serviço atenda ao contratado e se não atender a nota será cancelada. Quanto à afirmação da fiscalização de que cabia a cada um dos arrematantes dos contratos de arrendamento da Varig com a Intraero, corrigir os erros escriturais cometidos pela liquidada. O presente auto não trata de critérios de rateio, visto que tais críticas deveriam preceder o reconhecimento de algum crédito, ainda que por percentual ou critério diverso do adotado pela requerente. Ou seja, este fato é mencionado apenas para confundir, não guardando relação com a autuação. Questão idêntica vêse no parágrafo que critica a existência de uma conta chamada “pagamento efetuado pela VARIG”. a Requerente requer que sejam analisados os fatos relacionados à autuação sem as adiposidades incluídas no relatório fiscal e para isto reitera suas razões de impugnação. a fiscalização simplesmente ignorou que a sistemática não cumulativa de apuração do PIS e da COFINS engloba, também, a apuração de créditos, o que por si só, já enseja a nulidade material do lançamento por ausência de determinação da matéria tributável, nos termos do art. 142 do CTN, ignorou que as PERDCOMPs apresentadas no período, além de se referirem a outros exercícios que não o anocalendário de 2006, objeto dos presentes autos já foram homologadas, o que demonstra a total improcedência da exigência. A fiscalização deixa muito claro, em sua conclusão no relatório fiscal que a autuação não contemplou, na apuração da base de cálculo, os créditos de PIS e COFINS, tendo se embasado, apenas, em verificações preliminares, o que reforça a nulidade do lançamento, restando patente que a fiscalização assumidamente deixou de apurar os créditos no regime não cumulativo, apenas contemplando, na Ação Fiscal, “verificações preliminares” que inviabilizaram a mesma de apurar a correta matéria tributável. Fl. 3521DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 8 A motivação do lançamento foi a de que a requerente teria deixado de declarar em DCTF os valores de PIS e COFINS, relativos ao anocalendário de 2006, supostamente devidos, pelo fato de esses valores terem sido submetidos à compensação com prejuízos fiscais, por meio de PERDCOMPs pendentes de homologação, o que liberaria a mesma dos seus recolhimentos. Tal motivação é improcedente, já que a requerente não informou débitos de PIS e COFINS na DCTF, porque seus créditos seriam superiores aos seus débitos, e não em razão de ter realizado compensações com prejuízos fiscais. A corroborar a improcedência da imputação constante na autuação, a ora requerente preparou uma planilha com a relação de todas as PERDCOMPS apresentadas pela mesma no período, de maneira a demonstrar que as PERDCOMPs se referem a débitos de outros exercícios, e não ao anocalendário de 2006 e as PERDCOMPs já foram homologadas. Encerra a impugnação reiterando as razões suscitadas na primeira impugnação e requerer seja dado provimento à mesma para cancelar totalmente o lançamento, seja em razão da sua total nulidade material, seja em razão da sua notória improcedência. A DRJ do Rio de Janeiro concluiu o julgamento em 15 de maio de 2014, tendo sida lavrada a ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERICIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá as diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis, fazendo constar do julgamento o seu indeferimento fundamentado. PROVA. JUNTADA POSTERIOR. A prova documental deverá ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a interessada fazêlo em outro momento processual, a menos que a interessada demonstre, com fundamentos, a impossibilidade de apresentação por motivo de força maior; refirase a fato ou direito superveniente ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 Fl. 3522DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402002.977 S3C4T2 Fl. 3.519 9 LANÇAMENTO. DUPLICIDADE Constatada a ocorrência de lançamento em duplicidade deve ser efetuado o cancelamento da parcela do débito já lançada anteriormente. COMPROVAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. Ausente de comprovação nos autos de que os lançamentos efetuados no razão referemse a contribuição devida, deve ser cancelado o lançamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2006 a 31/12/2006 LANÇAMENTO. DUPLICIDADE Constatada a ocorrência de lançamento em duplicidade deve ser efetuado o cancelamento da parcela do débito já lançada anteriormente. COMPROVAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO DEVIDA. Ausente de comprovação nos autos de que os lançamentos efetuados no razão referemse a contribuição devida, deve ser cancelado o lançamento. Em síntese, a parte da impugnação julgada procedente pelos membros da 16ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, culminou no i) cancelamento dos valores cobrados em duplicidade (no Processo n. 18471.001090/200750 e no Processo n. 18471.001089/200725); ii) bem como o cancelamento dos montantes cobrados sobre a atualização de juros, uma vez que o Decreto nº 5.164, de 30 de julho de 2004 – sucedido pelo Decreto nº 5.442, de 09 de maio de 2005, de igual teor – determinou que as alíquotas da Contribuição ao PIS e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa ficam reduzidas a zero. Foi dada ciência eletrônica da decisão ao contribuinte em 25/06/2014 (15 dias após a disponibilização da decisão na Caixa Postal eletrônica do contribuinte, ocorrida em 10/06/2014). Em seu recurso voluntário, protocolado em 08/08/2014, o Contribuinte alega em síntese: i) em sede preliminar, a tempestividade do recurso voluntário, pois teria tomado ciência do conteúdo do julgamento da DRJ somente quando teve acesso ao teor do ato, em 04/08/2014, por meio de extração de cópias do processo. Alega ser nula a intimação via ciência eletrônica de 25/06/2014; ii) nulidade material do lançamento por ausência de correta indicação da matéria tributável e do fato imponível (vício material), uma vez que as conclusões da autoridade lançadora não estão refletidas na contabilidade do contribuinte; iii) improcedência do lançamento, haja vista que a fiscalização teria ignorado que na sistemática não cumulativa de recolhimento da Contribuição ao PIS e da COFINS é impossível a análise isolada dos Fl. 3523DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 10 débitos das contribuições, sem a respectiva análise dos créditos, como ocorreu no auto de infração sob análise; iv) nulidade da decisão da DRJ, por manter o auto de infração por motivo diverso daquele utilizado pela autoridade lançadora; v) análise insuficiente das provas apresentadas nos autos pela DRJ, vi) decisão sobre tema inexiste no auto de infração, qual seja, a pertinência de créditos de PIS e COFINS utilizados pelo Contribuinte na apuração das referidas contribuições pela sistemática não cumulativa; É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 1. Recurso Voluntário Conforme é possível perceber do relato acima, a Recorrente foi regularmente intimada do acórdão da DRJ em Rio de Janeiro em 25 de junho de 2014. A despeito disso, apresentou Recurso Voluntário em 08 de agosto de 2014, ou seja, quatorze dias após expirado o prazo para tal. Em seu recurso voluntário apresentou justificativa que, no seu sentir, altera o termo final do seu prazo. Alega não ter tido acesso à ciência eletrônica pelo portal da Receita Federal. Comprovaria tal fato o despacho que consta em fls 3.344, com o seguinte conteúdo: Fl. 3524DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402002.977 S3C4T2 Fl. 3.520 11 Alega a Recorrente que despacho, datado de 23/06/2014, expressamente determina a realização de “ciência e postagem ao sujeito passivo”. Disto, conclui que: i) somente após essa data é que poderia ter sido dada ciência sobre a decisão de primeira instância, sendo manifesto o erro de se atribuir a data de 10/06/2015, anterior àquela, como momento da postagem da correspondência eletrônica para intimálo eletronicamente. Ademais, declara que: ii) o despacho de fls 3333 não está assinado pelo serventuário responsável, sendo, portanto inválido, como preconiza o artigo 10, inciso VI e artigo 11, inciso IV do Decreto n. 70.235/72; iii) os Termos relativos à intimação do Acórdão recorrido foram expedidos pela DRF do Rio de Janeiro (DRJ/RJ1), ao passo que a Recorrente está sob a jurisdição da Delegacia Especial a Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes (DEMACRJ); iv) todos os atos anteriores foram feitos por correio; v) o seu domicílio tributário foi cancelado em 13/06/2014, conforme comprova o documento de n. 7, anexo ao recurso. Assim, não teve a ciência eletrônica do resultado do julgamento a quo, a qual só ocorreu quando o contribuinte teve acesso ao teor do ato, em 04/08/2014, por meio de extração de cópias do processo. Pois bem. Com relação ao item (ii), não existe a alegada falta de assinatura do despacho de fls 3.344, o qual encontrase, isto sim, devidamente assinado eletronicamente pelo Sr. Luiz Eduardo Duarte de Oliveira. Fl. 3525DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 12 Sobre o item (iii), com efeito, os termos relativos à intimação da Recorrente foram expedidos pela DRF/RJ1, fato que, no entanto, em absolutamente nada interfere na sua validade, de acordo com a legislação que disciplina o processo administrativo fiscal, em especial a forma das intimações do contribuinte sobre os atos processuais. Não há dispositivo legal que vincule os órgãos de jurisdição do contribuinte às intimações feitas eletronicamente. Os itens (i), (iv) e (v) devem ser analisados conjuntamente, pois se o contribuinte não utilizava o domicílio eletrônico na época em que lhe foi enviada a intimação, ela de fato seria nula. Efetivamente, disciplinando o artigo 23 do Decreto n. 70.235/72, 1 o artigo 4º da Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006, possui a seguinte redação, conferida pela Portaria RFB nº 574, de 10 de fevereiro de 2009: Art. 4º A intimação por meio eletrônico, com prova de recebimento, será efetuada pela RFB mediante: I envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou II registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Para efeito do disposto no inciso I, considerase domicílio tributário do sujeito passivo a Caixa Postal a ele atribuída pela administração tributária e disponibilizada no eCAC, desde que o sujeito passivo expressamente o autorize. § 2º A autorização a que se refere o § 1º darseá mediante envio pelo sujeito passivo à RFB de Termo de Opção, por meio do e CAC, sendolhe informadas as normas e condições de utilização e manutenção de seu endereço eletrônico. (...) 1 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I no endereço da administração tributária na internet; II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; Fl. 3526DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402002.977 S3C4T2 Fl. 3.521 13 Art. 5º Na hipótese de intimação por meio de edital eletrônico, este será publicado no endereço da administração tributária na Internet. Art. 6º Considerase feita a intimação por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data: I registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo, no caso do inciso I do art. 4º; (grifei) Disto já se pode concluir que é necessária expressa opção do contribuinte para que o seu domicílio eletrônico passe a ser utilizado pela Receita Federal para intimações. Esta opção é feita formalmente, mediante o Termo de Opção citado no §2º do artigo 4º acima. Tal Termo de Opção foi objeto de regulamentação detalhada pela Instrução Normativa SRF n. 664, de 21 de julho de 2006, in verbis: Aprova o Termo de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico e o Termo de Cancelamento de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico, para efeito de comunicação de atos oficiais por meio eletrônico no âmbito da Secretaria da Receita Federal. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o disposto nos arts. 2º e 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com a redação do art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, e no art. 4º da Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006, resolve: Art. 1o Ficam aprovados o Termo de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico e o Termo de Cancelamento de Opção por Domicílio Tributário Eletrônico constantes, respectivamente, dos Anexos I e II. § 1º Os Termos a que se refere o caput estão disponíveis no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), na página da Secretaria da Receita Federal na Internet, no endereço § 2º Para acesso ao eCAC é obrigatória a utilização de certificado digital válido, conforme disposto no art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 580, de 12 de dezembro de 2005. Art. 2o Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação. ANEXO I TERMO DE OPÇÃO POR DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO NI (dados de identificação do sujeito passivo obtidos automaticamente) Fl. 3527DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 14 Nome/Nome Empresarial Autorizo a Secretaria da Receita Federal a enviar comunicação de atos oficiais para minha caixa postal eletrônica disponibilizada no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (eCAC), no endereço, a qual será considerada domicílio tributário eletrônico. Fico ciente de que o prazo para ser considerado intimado é de 15 (quinze) dias contados da data em que a comunicação for registrada em minha caixa postal eletrônica, a qual ficará disponível pelo prazo de 5 (cinco) anos, salvo se apagada manualmente. Responsável legal perante a SRF <dados de identificação obtidos automaticamente>: NOME CPF Local e Data Fundamentação Legal: arts. 2º e 23, III, “a”, e § 4º, II, do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, com a redação do art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005; e Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006. ANEXO II TERMO DE CANCELAMENTO DE OPÇÃO POR DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO NI <dados de identificação do sujeito passivo obtidos automaticamente> Nome/Razão Social Solicito à Secretaria da Receita Federal o cancelamento do TERMO DE OPÇÃO POR DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO ELETRÔNICO efetuado na data xx/xx/xxxx <recuperada automaticamente>. Fico ciente de que o presente cancelamento somente produzirá efeitos a partir do dia xx/xx/xxxx <data calculada automaticamente para o próximo dia útil>. Responsável legal perante a SRF <dados de identificação obtidos automaticamente>: NOME CPF Local e Data Fundamentação Legal: arts. 2º e 23, inciso III e parágrafo 4º, inciso II do Decreto nº 70.235 de 6 de março de 1972, alterado Fl. 3528DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402002.977 S3C4T2 Fl. 3.522 15 pelo art. 113 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005; e Portaria SRF nº 259, de 13 de março de 2006. (grifei) Pois bem. No caso em apreço, a Recorrente apresenta dois documentos que confirmariam que não fora intimada do resultado do julgamento pela DRJ na data informada pela Fiscalização. O primeiro diz respeito a tela do ECAC em que consta a data de Opção pelo domicílio eletrônico (03/01/2014), bem como a data de seu cancelamento (13/06/2014). Vejamos: Do documento juntado pela própria Recorrente podemos, então, explicar o porquê dos atos mais antigos referentes a este processo terem ocorrido por correio, enquanto a intimação do acórdão da DRJ ocorreu eletronicamente: pois somente em 03/01/2014 que a Recorrente optou pelo domicílio tributário eletrônico. Assim, a alegação (iv) descrita alhures de que todos os atos anteriores foram feitos por correio , não sustenta o direito pleiteado pela Recorrente. O segundo documento apresentado consiste em tela do ECAC, pela qual, supostamente, restaria comprovado que a intimação do Acórdão da DRJ nunca constou da Caixa de Correio da Recorrente. Vejamos: Fl. 3529DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 16 Salta aos olhos, contudo, que na tela em questão não está selecionada a aba “comunicados/intimações”, onde constaria a intimação do acórdão recorrido, mas sim a aba “respondidos”. Ou seja, o documento não permite aferir se constava ou não a intimação da caixa postal eletrônica do contribuinte. Não fosse o bastante, devese lembrar que o contribuinte tem a faculdade de excluir as intimações que recebe. De tudo quanto exposto, chego às seguintes constatações: i) foi disponibilizado na caixa postal eletrônica do contribuinte o resultado do julgamento da impugnação pela DRJ em 10/06/2014 (Fls 3333), data em que a opção pelo domicílio tributário eletrônico era ativa, não tendo a Recorrente feito prova suficiente em contrário disso, como lhe cabia (artigo 333, inciso II do Código de Processo Civil); 2 ii) muito embora não tenha sido juntado aos autos o Termo de Cancelamento da opção pelo domicílio tributário eletrônico, restou comprovado que ela aconteceu em 13/06/2014, ou seja, posteriormente à data em que a comunicação for registrada na caixa postal eletrônica da Recorrente iii) todavia, deve ser considerada como data da intimação realmente o dia 25/06/2014, haja vista que o cancelamento da opção pelo domicílio tributário eletrônico em 13/06/2014 não desfaz os atos anteriormente praticados, vale dizer, o registro da comunicação na caixa postal contribuinte ocorrida em 10/06/2014, o qual já estava plenamente disponível para o seu conhecimento, sendo a data de 25/06/2014 simplesmente a intimação presumida pela lei, de 15 dias depois da data da postagem. 2 Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Fl. 3530DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ Processo nº 16682.720317/201135 Acórdão n.º 3402002.977 S3C4T2 Fl. 3.523 17 Ademais, constato que a declaração “para realização de ciência e postagem do sujeito passivo” no despacho de fls 3.334, à qual se apegou a Recorrente para brigar pela tempestividade do recurso, constitui simples informação de que a intimação do contribuinte já ocorrera eletronicamente, que em nada influenciou para o transcurso do prazo recursal, o que foi ratificado pelo próprio servidor, o Sr. Eduardo Duarte de Oliveira em despacho consecutivo (fls 3.348). Todos os outros atos constantes dos autos confirmam tal constatação. Por fim, vêse que a sistemática da intimação eletrônica prima pela efetividade e pela celeridade do processo, razão pela qual criou a presunção de ciência depois de 15 dias da postagem na caixa postal eletrônica do contribuinte, além de requerer que o próprio contribuinte seja diligente quanto ao conhecimento e administração das intimações. Entender que o contribuinte pode, depois da postagem da intimação, cancelar seu domicílio tributário eletrônico afastando as regras do PAF, iria na contramão de todo seu espírito. Assim, também o item (i) das alegações da Recorrente para emplacar a tempestividade do recurso, não procede. Pois bem. O Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, estabelece que o prazo para a propositura de Recurso Voluntário é de 30 (trinta) dias: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, tendo o contribuinte apresentado Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não há dúvidas que o presente Recurso é intempestivo, razão pela qual voto no sentido de não conhecêlo. 2. Recurso de Ofício No que tange ao recurso de ofício, temos o seguinte: sobre os valores cobrados a título de Contribuição ao PIS, a DRJ, analisando os documentos que deram origem à presente autuação, bem como aqueles utilizados para o lançamento originário do Processo n. 18471.001089/200725, constatou que enquanto que no primeiro lançamento foram lançados apenas os períodos e valores informados pela interessada, no segundo caso, os valores lançados se basearam na contabilidade. (...) É de se concluir que uma vez que o segundo procedimento apurou débitos de contribuição baseados na contabilidade da interessada, deveria ter sido excluído os valores lançados no primeiro procedimento. Assim serão deduzidos dos valores lançados a título de PIS neste processo os valores de contribuição lançados no primeiro auto de infração, conforme planilha constante no item abaixo. (..) No que tange à cobrança de COFINS, a DRJ consignou que: (...) Constatouse que foi lavrado auto de infração de COFINS (processo nº 18471.001090/200750) dos períodos a julho de 2006, setembro de 2006 e dezembro de 2006, também baseado em planilha apresentada pela interessada. Os valores lançados Fl. 3531DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ 18 foram transferidos para o processo 18471.001089/200725 (Extrato do processo fls. 3.298/3.304) Assim sendo, serão deduzidos dos valores lançados a título de COFINS neste processo os valores de contribuição lançados no primeiro auto de infração, conforme planilha constante no item abaixo. Percebese, então, que não há discussão jurídica sobre os montantes exonerados, que assim o foram porque estavam sendo cobrados em duplicidade. Dessarte, sem motivos para qualquer reforma do julgamento a quo neste ponto, que está de totalmente alinhado com os documentos e informações constantes nos autos. Por fim, com relação valores exonerados porque constituíam cobrança da Contribuição ao PIS e da COFINS sobre atualização juros (receitas financeiras), tampouco há motivo para a reforma da decisão da DRJ. Isso porque a partir de 02/08/2004, de acordo com o Decreto n. 5.164/2004, as alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das contribuições, foram reduzidas a zero. Tal situação só foi revertida com e edição Decreto n. 8.426/2015, o qual restabeleceu as alíquotas positivas para as referidas contribuições, cuja vigência, porém, é muito posterior à época dos fatos geradores discutidos nesse processo. 3. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por não conhecer o presente recurso voluntário e por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Fl. 3532DF CARF MF Impresso em 22/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ, Assinado digitalmente em 2 2/03/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 21/03/2016 por THAIS DE LAURENTIIS GAL KOWICZ
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720228/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Nov 19 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2010
MULTA ISOLADA. COMPROVADA A FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CABIMENTO.
É devida aplicação da multa isolada de 150% (centro e cinquenta por cento) sobre o valor do débito indevidamente compensado, quando comprovada falsidade na Declaração de Compensação (DComp) apresentada pelo sujeito passivo.
DIREITO CREDITÓRIO. DESCONSIDERAÇÃO DA OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ DE COOPERATIVAS. COMPROVAÇÃO.ÔNUS.
As informações contidas nas declarações prestadas pelo contribuinte ou registradas nos documentos contábeis e fiscais apresentados pelo contribuinte prevalecem quando não forem desconsideradas pelo Fisco mediante prova efetiva de que não condizem com a realidade. Prestígio à boa-fé do administrado quando não se tenha provado a ocorrência de fraude na operação.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
É passível de crédito integral as aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIA-PRIMA. VALOR INTEGRANTE DO INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. DIREITO À DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
No regime não cumulativo, integram a base de cálculo dos créditos da Cofins os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, submetido a processo industrial e posteriormente pelo adquirente.
CRÉDITO PRESUMIDO PROVENIENTE DA AQUISIÇÃO DE CAFÉ IN NATURA. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO E NO RESSARCIMENTO. POSSIBILDADE.
O saldo do crédito presumido proveniente da aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou mediante ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria.
Numero da decisão: 3102-002.344
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito correspondente ao valor da corretagem de compra e admitir a utilização do crédito presumido para compensação com outros tributos e contribuições e/ou ressarcimento em dinheiro; por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em relação ao pedido de revisão de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL; também, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a multa de mora e a multa de 50% por pedido de ressarcimento indeferido ou indevido; pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa dos créditos integrais relativas às aquisições das empresas denominadas pseudoatacadistas e manter a multa agravada, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento; por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, e José Paulo Puiatti, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Andréa Medrado Darzé; e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Redator ad hoc
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito correspondente ao valor da corretagem de compra e admitir a utilização do crédito presumido para compensação com outros tributos e contribuições e/ou ressarcimento em dinheiro; por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em relação ao pedido de revisão de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL; também, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a multa de mora e a multa de 50% por pedido de ressarcimento indeferido ou indevido; pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa dos créditos integrais relativas às aquisições das empresas denominadas pseudoatacadistas e manter a multa agravada, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento; por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, e José Paulo Puiatti, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Andréa Medrado Darzé; e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa.
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DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO SIMULADO. MANUTENÇÃO DO NEGÓCIO DISSIMULADO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada a existência da fraude nas operações de aquisição de café in natura realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (“pseudoatacadistas”), com o fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, desconsiderase operação de compra simulada, mas matémse a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma. REGIME NÃO CUMULATIVO. REAL AQUISIÇÃO DE CAFÉ EM GRÃO DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO DA OPERAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Comprovada que o negócio jurídico efetivo de aquisição do café em grão foi celebrado com produtor rural, pessoa física, e que as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas apontavam para uma intermediação simulada com a finalidade exclusiva de gerar crédito da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, incabível o direito de apropriação do valor integral do crédito incidente sobre o valor da operação, cabendo apenas o crédito presumido relativos às aquisições de pessoas físicas. AQUISIÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO. OPERAÇÃO COM TRIBUTAÇÃO NORMAL COMPROVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. POSSIBILIDADE. É passível de crédito integral as aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 28 /2 01 1- 14 Fl. 11510DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.511 2 atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. VALOR INTEGRANTE DO INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. DIREITO À DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime não cumulativo, integram a base de cálculo dos créditos da Cofins os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, submetido a processo industrial e posteriormente pelo adquirente. CRÉDITO PRESUMIDO PROVENIENTE DA AQUISIÇÃO DE CAFÉ IN NATURA. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO E NO RESSARCIMENTO. POSSIBILDADE. O saldo do crédito presumido proveniente da aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou mediante ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2010 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DO NEGÓCIO SIMULADO. MANUTENÇÃO DO NEGÓCIO DISSIMULADO. POSSIBILIDADE. Uma vez comprovada a existência da fraude nas operações de aquisição de café in natura realizadas de pessoas jurídicas inexistentes de fato (“pseudoatacadistas”), com o fim exclusivo de se apropriar do valor integral do crédito da Cofins, desconsiderase operação de compra simulada, mas matémse a operação de compra dissimulada, por ser válida na substância e na forma. REGIME NÃO CUMULATIVO. REAL AQUISIÇÃO DE CAFÉ EM GRÃO DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO DA OPERAÇÃO DE INTERMEDIAÇÃO COMPROVADA. GLOSA DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Comprovada que o negócio jurídico efetivo de aquisição do café em grão foi celebrado com produtor rural, pessoa física, e que as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas apontavam para uma intermediação simulada com a finalidade exclusiva de gerar crédito da Cofins não cumulativa, incabível o direito de apropriação do valor integral do crédito incidente sobre o valor da operação, cabendo apenas o crédito presumido relativos às aquisições de pessoas físicas. Fl. 11511DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.512 3 AQUISIÇÃO DE COOPERATIVA DE PRODUÇÃO. OPERAÇÃO COM TRIBUTAÇÃO NORMAL COMPROVADA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. POSSIBILIDADE. É passível de crédito integral as aquisições de café de cooperativas de produção agropecuária, sujeitas ao regime de tributação normal, quando tais operações foram submetidas, comprovadamente, ao exercício cumulativo das atividades de (i) padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou (ii) separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. VALOR INTEGRANTE DO INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À EXPORTAÇÃO. DIREITO À DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime não cumulativo, integram a base de cálculo dos créditos da Cofins os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, submetido a processo industrial e posteriormente pelo adquirente. CRÉDITO PRESUMIDO PROVENIENTE DA AQUISIÇÃO DE CAFÉ IN NATURA. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO E NO RESSARCIMENTO. POSSIBILDADE. O saldo do crédito presumido proveniente da aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica na compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, ou mediante ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2010 MULTA ISOLADA. COMPROVADA A FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CABIMENTO. É devida aplicação da multa isolada de 150% (centro e cinquenta por cento) sobre o valor do débito indevidamente compensado, quando comprovada falsidade na Declaração de Compensação (DComp) apresentada pelo sujeito passivo. DIREITO CREDITÓRIO. DESCONSIDERAÇÃO DA OPERAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE CAFÉ DE COOPERATIVAS. COMPROVAÇÃO.ÔNUS. As informações contidas nas declarações prestadas pelo contribuinte ou registradas nos documentos contábeis e fiscais apresentados pelo contribuinte prevalecem quando não forem desconsideradas pelo Fisco mediante prova efetiva de que não condizem com a realidade. Prestígio à boafé do administrado quando não se tenha provado a ocorrência de fraude na operação. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 11512DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.513 4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito correspondente ao valor da corretagem de compra e admitir a utilização do crédito presumido para compensação com outros tributos e contribuições e/ou ressarcimento em dinheiro; por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário em relação ao pedido de revisão de apuração da base de cálculo do IRPJ e CSLL; também, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a multa de mora e a multa de 50% por pedido de ressarcimento indeferido ou indevido; pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, para manter a glosa dos créditos integrais relativas às aquisições das empresas denominadas pseudoatacadistas e manter a multa agravada, vencidas as Conselheiras Andréa Medrado Darzé, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz e Nanci Gama, que davam provimento; por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para restabelecer o direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas, vencidos os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Relator, e José Paulo Puiatti, que negavam provimento. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Andréa Medrado Darzé; e, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Redator ad hoc (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Fernandes do Nascimento, Andréa Medrado Darzé, José Paulo Puiatti, Mirian de Fátima Lavocat de Queiroz, Nanci Gama e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório encartado na decisão de primeira grau, que segue transcrito: Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento e Declarações de Compensação (Dcomp) de créditos relativos ao PIS e a Cofins nãocumulativos associados a operações de exportação, referentes ao período de julho de 2009 a dezembro de 2010. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 2.177/2.180, com base no Parecer SEFIS nº 246/2011 em fls. 2.043/2.176, decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado e homologar parcialmente as compensações declaradas. Em decorrência da decisão proferida foi lavrado o Auto de Infração anexado em fls. 08/24 do processo apenso nº Fl. 11513DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.514 5 15586.720318/201113, no valor total de R$ 42.237.440,80, relativo à multa isolada decorrente de compensação indevida, apurada sobre o valor do débito indevidamente compensado (períodos de 10/2009 a 01/2011 e 03/2011 a 06/2011) e multa isolada sobre o valor do crédito indeferido/indevido nos pedidos de ressarcimento (períodos de 07/2010, 08/2010, 10/2010 e 03/2011). No Parecer SEFIS nº 246/2011 consta consignado, em resumo, que: • Diversas empresas exportadoras e revendedores de café lançaram mão de um esquema disseminado por todo o país, que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadistas para dissimular vendas de café de produtor rural/maquinista (pessoa física) para empresas exportadoras e indústrias, gerando dessa forma, ilicitamente, créditos integrais de PIS/COFINS. O esquema gerou créditos ilícitos às exportadoras de 9,25% sobre o valor das compras; • Para apurar as irregularidades cometidas no mercado de café foi deflagrada a operação fiscal TEMPO DE COLHEITA, pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, como relatado nos itens seguintes, que resultou na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; • Em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, dentre os quais a sede da Empresa, ora autuada; • a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; • dezenove das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e vultosa a partir do ano de 2003; • ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas; • a existência das pseudoempresas e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras, conforme detectado no curso das diligências e fiscalizações; Fl. 11514DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.515 6 • os depoimentos dos produtores rurais, das mais diversas localidades do ES, têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” TOTALMENTE DESCONHECIDAS DOS DEPOENTES e que não são as reais adquirentes do café; • em depoimentos prestados durante a operação Tempo de Colheita, os corretores de café foram unânimes em asseverar que os reais compradores do café (atacadistas, exportadores e indústrias) detêm o pleno conhecimento da existência do mercado de venda de notas fiscais realizado por intermédio de diversas pseudoatacadistas de café; • a fiscalização resume os fatos apurados e depoimentos colhidos junto a diversos fornecedores da Unicafé com processo de inaptidão já concluídos pela Receita Federal do Brasil; • foram também reproduzidos os dados do Relatório apresentado pelos AuditoresFiscais que participaram das diligências efetuadas nas cidades de MANHUAÇU, MANHUMIRIM, DIVINO E ESPERA FELIZ, de Minas Gerais, com referência a diversas fornecedoras da Unicafé; • em relação a outros fornecedores da Unicafé, ressalta que algumas empresas passaram a adotar uma nova prática, informar receita na DIPJ e informar débitos nas DCTF. É a certeza na incapacidade econômica e financeira da empresa e sócios constituídos e na inviabilidade da cobrança destes débitos. No entanto, NÃO RECOLHEM PIS E COFINS; • a Unicafé, no mínimo se aproveitou do esquema montado aceitando como “fornecedor” qualquer empresa mesmo sem capacidade operacional, incentivando assim a proliferação de pseudoatacadistas. No período de 07/2009 a 12/2010, constatase que dos 219 “fornecedores” pessoa jurídica da Unicafé, 186 enquadramse perfeitamente como “pseudoatacadistas”; • dos 219 “fornecedores” PJ da UNICAFÉ, 134 foram inscritos no CNPJ a partir de janeiro de 2003. Sem contar as que foram reativadas com o único propósito de fornecimento de notas fiscais; • foram reproduzidos no Parecer, depoimentos onde a Unicafé é citada; • a existência e o modo de operar das pseudoempresas é de pleno conhecimento da UNICAFÉ, conforme demonstram as Fl. 11515DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.516 7 confirmações de negócio reproduzidas no Parecer onde consta a UNICAFÉ como adquirente; • as empresas atacadistas, exportadoras e indústrias, na tentativa de se protegerem, subverteram a regra das operações normais tributadas, fazendo nas notas fiscais constar aquilo que a legislação dispensava; • os fatos relatados evidenciam que a Unicafé utilizouse de meios ilícitos para obtenção de crédito tributário, o que afasta os limites impostos pela boafé; • a nota fiscal 263 de 15/02/2011 referente a aquisição de café pessoa física foi indevidamente contabilizada como sujeita a crédito integral. Em seu lugar foi calculado o crédito presumido; • foram glosados créditos constituídos no mês de julho de 2009 sobre serviços de corretagem, por não se caracterizarem como insumo; • foram glosados os créditos integrais sobre aquisições de café de pseudoatacadistas (de fato aquisições de produtor rural), e calculado o crédito presumido, conforme previsto em lei; • as notas fiscais foram discriminadas na planilha de fls. 1861/2005; • o adquirente não pode apurar créditos relacionados a aquisições de cooperativas, considerando a exclusão prevista na MP 2.15835/2001 e a vedação contida no inciso II, § 2º, art. 3º da Lei 10.833/2003; • todos os prérequisitos para que a venda de cooperativas saíssem com suspensão foram cumpridos. As cooperativas passaram a emitir notas fiscais contendo expressões do tipo “operação com incidência do PIS e da Cofins” por exigência das grandes empresas exportadoras, com o intuito de gerar ilicitamente créditos integrais do PIS e da Cofins; • os créditos integrais apropriados nas aquisições junto a cooperativas foram glosados adicionandose em contrapartida o crédito presumido; • o crédito presumido não pode ser compensado com outros tributos nem ressarcido; • a relação de notas fiscais referentes a aquisições de cooperativas encontrase na planilha de fls. 1800/1851; Fl. 11516DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.517 8 • a Unicafé adquiriu café com suspensão das contribuições de algumas empresas cerealistas e se apropriou de créditos integrais. Sobre essas aquisições será garantido o crédito presumido. As notas fiscais foram relacionadas na planilha em fls. 1852/1860; • nos Demonstrativos de apuração da Cofins e do PIS não cumulativos, em fls. 2006/2012 e 2023/2028 foram detalhados os créditos pleiteados, as glosas efetuadas pela fiscalização e o crédito reconhecido em cada trimestre; • considerando que, em tese, o contribuinte cometeu crime contra a ordem tributária, foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais, formalizada no processo 15586.720319/201150; • o não reconhecimento de parcela dos créditos pleiteados nas declarações de compensação e pedidos de ressarcimento resultou na aplicação de multa isolada formalizada no processo 15586.720318/201113, em apenso a este, para fins de julgamento simultâneo. No Relatório de Fiscalização, anexo ao Auto de Infração (fls. 02 a 07 do processo apenso), a autoridade lançadora consigna, em resumo, que • Multa isolada sobre o valor do débito indevidamente compensado: Conforme parecer SEFIS 246/2011, os créditos calculados sobre aquisições de pessoas jurídicas consideradas “pseudoatacadistas” foram glosados. Tendo em vista a constatação de fraude comprovada no mercado cafeeiro, foi efetuado o lançamento de multa isolada de 150% sobre o valor dos débitos indevidamente compensados; • Os débitos compensados com créditos glosados em função de interpretação equivocada sobre a legislação foram objeto de multa de 75%; • Multa isolada sobre o valor do crédito indeferido/indevido nos pedidos de ressarcimento: os pedidos/declarações, retificadores ou não, entregues na vigência da Lei 12.249/2010 estão sujeitos à aplicação das multas por ela previstas. Neste sentido, foi aplicada multa isolada de 50% sobre o montante de crédito indeferido ou indevido nos pedidos de ressarcimento relacionados; • A data de referência da multa isolada é a data da apresentação do PER/DCOMP. O enquadramento legal citado no auto de infração foi o artigo 18 da Lei 10.833/03, com redação dada pelas Leis 11.051/04 e 11.196/05 e pelo artigo 18 da Lei 11.488/07 (fl. 23) e artigo 74, Fl. 11517DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.518 9 § 15 da Lei 9.430/96, com a redação dada pelo artigo 62 da Lei 12.249/10 (fl. 24). A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório e do Auto de Infração em 21/12/2011 (fl. 2.181) e apresentou, em 18/01/2012, Impugnação (fls. 2.317/2.351) e Manifestação de Inconformidade (fls. 2.390/2.469). Na Manifestação de Inconformidade alega, em síntese que: • Nenhum dos acionistas, administradores ou empregados da interessada foi denunciado pelo Ministério Público Federal como resultado das investigações na operação Broca, conforme certidão da 1ª VF de Colatina, onde se processa a Ação Penal nº 2008.50.05.0005383; • Deve ser rechaçada a tentativa de trazer para a análise e julgamento das suas PER/DCOMP, todas as generalizações, simplificações e ilações feitas pelo Parecer, como se as informações colhidas no âmbito das operações Tempo de Colheita e Broca depusessem contra a interessada, quando ocorre justamente o contrário; • A interessada não mantém nem teria condições de manter contato direto com milhares de fornecedores espalhados por diversos Estados da Federação; • Eventual inidoneidade de uns não pode ser lançada como uma pecha sobre todos os demais partícipes de uma cadeia produtiva tão extensa como é a do café; • Em apenas 3 dos 18 depoimentos transcritos, o nome da interessada foi citado pelo depoente, mas que não provam sua participação em fraude ou crime; • Todo o café adquirido foi entregue mediante o pagamento do seu preço correspondente; • Em pesquisas na internet verificou que dos 168 “pseudoatacadistas” listados, apenas 30 foram declaradas inaptas, suspensas ou nulas. As aquisições ocorreram sempre antes dessas declarações. Junta comprovação de pagamento e de que as empresas estavam ativas, o que prova a boafé da interessada; • Como a interessada pagou e recebeu o café, temse respaldo no art. 82 da Lei 9.430/96 para que os documentos emitidos por essas pessoas jurídicas produzam efeitos tributários em favor da interessada; • As confirmações de negócio apreendidas com a “operação broca” e utilizadas para fundamentar o Parecer não são emitidas pela interessada nem são de sua responsabilidade. Fl. 11518DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.519 10 São supostamente assinadas por corretores de café. Eventuais correções pelos corretores não implica, necessariamente em fraude; • No caso de aquisição de cooperativas a suspensão do PIS e da Cofins somente se aplica quando tais cooperativas não exerçam atividade de produção. Assim, a receita decorrente da venda de café cru em grão está sujeita ao PIS e à Cofins De acordo com a legislação, a suspensão e o direito à apropriação de crédito presumido somente ocorreria até o beneficiamento (produção) do café in natura. Daí não se poder falar em suspensão na saída de café cru em grão pelas cooperativas agroindustriais, pouco importando que haja beneficiamento complementar posterior; • O café cru em grão adquirido pela interessada não se confunde com o café in natura, pois tratase de semente beneficiada, conforme dispõe a Resolução nº 12, de 1978 da CNNPA; • A vedação imposta pelo inciso II, § 2º do art. 3º da Lei 10.833/2003 somente se aplica quando a legislação expressamente prevê algum tipo de não incidência, suspensão, alíquota zero ou isenção relativa à própria operação de aquisição de bens vendidos pelas cooperativas, e não quando, apesar de tais operações estarem sujeitas ao pagamento das contribuições, por força de algum dispositivo legal de natureza subjetiva, possa se efetuar ajuste na base de cálculo do PIS e da Cofins; • As receitas decorrentes da venda de produtos de pessoas não associadas à cooperativa deverão ser normalmente tributadas; • Reconhece, em parte, a procedência da glosa efetuada em relação às aquisições de pessoas jurídicas relacionadas no item 404 do Parecer, pois de fato a maioria das vendas estava sujeita à suspensão do PIS e da Cofins. Contudo, algumas notas fiscais foram equivocadamente incluídas no cálculo, conforme relação anexa (doc. 179); • O crédito presumido corretamente atribuído às demais notas fiscais pode ser utilizado, inclusive para ressarcimento ou compensação com outros tributos; • A interessada reconhece a procedência da glosa de créditos integrais calculados em relação a compra de café de pessoa física, em março de 2010. No entanto, o crédito presumido que corretamente lhe foi atribuído pelo despacho decisório pode ser utilizado para fins de ressarcimento ou compensação com outros tributos; Fl. 11519DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.520 11 • O crédito presumido criado pela Lei 10.925/04 e o crédito previsto no art. 3o, II das Leis 10.637/02 e 10.833/03 diferem apenas no percentual da alíquota aplicado. Salvo vedação expressa na Lei 10.925/04, o seu aproveitamento deve se dar da mesma forma que a prevista para todo e qualquer crédito; • O despacho decisório veda a possibilidade de utilização do crédito presumido, exclusivamente com base no art. 8o, § 3o, II da IN 660/06. Tal vedação extrapola a Lei 10.925/04; • A MP 517/2010, convertida na Lei 12.431/2011 reconheceu que os créditos presumidos apurados na forma da Lei 10.925/04 podem ser utilizados para fins de compensação com outros tributos ou ressarcimento, o que não foi enfrentado no despacho decisório; • A MP 517/10 apenas protraiu o momento de aproveitamento pleno de créditos presumidos que ainda não tivessem sido utilizados com aquele propósito; • O único óbice que poderia ser levantado contra a interessada seria o da data em que apresentados os PER/DCOMPs (antes de 01/01/2012). Contudo, essa mera inobservância de prazo não poderia acarretar conseqüências fiscais como se ela não tivesse retroativamente direito ao aproveitamento pleno; • As Leis 10.637/02 e 10.833/03 não trouxeram uma definição para o que seriam insumos. Têm natureza de insumos para fins de PIS e Cofins os bens ou serviços necessários e relacionados ao processo de produção e prestação de serviço; • Entendimento recente do STJ reconhece que, para fins de PIS e Cofins, os bens utilizados como insumos são aqueles essenciais ao funcionamento e/ou manutenção do fator de produção; • Os serviços de corretagem são essenciais para que a interessada possa auferir receitas, devendo ser afastada a glosa de créditos apurados sobre tais despesas; • O despacho decisório cometeu outro equívoco quando, na determinação do percentual de créditos vinculados à exportação, considerou que o confronto deveria se dar entre as receitas de exportação e toda a receita tributada auferida pela interessada, e não apenas com as receitas brutas totais de vendas; • A glosa dos créditos integrais de PIS e Cofins faria com que os débitos compensados de IR e CSLL viessem a ser diminuídos ou mesmo cancelados, já que a interessada Fl. 11520DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.521 12 sempre considerou que tais créditos não poderiam integrar seu estoque de mercadorias e, por via de consequência, o seu custo de mercadoria vendida, expurgado daqueles créditos, seria menor e, portanto, maior seriam o IR e a CSLL; • Caso as multas isoladas exigidas no auto de infração venham a ser mantidas, não poderia haver cobrança cumulativa de multa de mora, sob pena de se penalizar por duas vezes um único comportamento do contribuinte; • Requer seja dado provimento à manifestação de inconformidade e reformado o despacho decisório. Caso se entenda necessário, requer a realização de diligência para que se comprove o que foi afirmado na seção 17 e, portanto, que os débitos de IR e CSLL então compensados com créditos integrais de PIS e Cofins devem ser reduzidos ou mesmo cancelados. • Na Impugnação apresentada contra o lançamento de multa isolada formalizado no auto de infração, a empresa alega, em síntese, que: • A imposição da multa isolada viola o CTN, especificamente o seu art. 97, V, c/c art. 113. Apenas a multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória seria autônoma em relação à obrigação de pagar tributo, daí que ela não seria aplicável na hipótese de não homologação de DCOMP e indeferimento de PER; • A Impugnante incluiu os débitos que pretendeu compensar em suas DCTF e nas DCOMPs e, em tese, tais débitos poderão vir a ser cobrados com acréscimo de multa moratória de 20%. A superposição das duas multas (isolada e moratória levaria a que a impugnante viesse a ser punida de forma mais gravosa do que aquela imputável a pessoa jurídica autuada por não ter “préconstituído” seus débitos. Cita jurisprudência do CARF; • Se fosse cabível a exigência de alguma penalidade, esta não poderia corresponder às multas isoladas, mas tão somente a uma multa moratória; • O art. 18 da Lei 10.833/03 prevê a aplicação de multa isolada apenas nas hipótese de falsidade da DCOMP ou de DCOMP considerada não declarada. A fiscalização, contudo, não apresenta evidência de haver algum tipo de falsidade; • A mera alegação de ocorrência de “fraude” generalizada “no mercado cafeeiro” não é suficiente para a imposição da multa prevista no art. 18 da Lei 10.833/03; Fl. 11521DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.522 13 • A Impugnante adquiriu café de boafé das pessoas jurídicas chamadas agora de “pseudoatacadistas”, o que é incompatível com a participação da Impugnante em fraude de qualquer espécie. A verificação a posteriori de que algumas atacadistas teriam se tornado inaptas não tem o condão de transformar em falsas as informações inseridas nas DCOMPs; • Quando muito, poderia a fiscalização ter invocado o art. 74, § 17 da Lei 9.430/96, introduzido pelo art. 62 da Lei 12.249/10 para tentar cobrar multa isolada de 50% sobre as DCOMPs não homologadas. Porém só poderiam ser questionadas as DCOMPs apresentadas após 14/06/2010; • O art. 18 da Lei 10.833/03 foi utilizado também como base para a imposição de multa isolada de 75% sobre as demais DCOMPs apresentadas. Não há como aplicar o dispositivo em causa por conta de não homologação decorrente de suposta interpretação equivocada da legislação tributária. Ademais, tal dispositivo prevê a aplicação de multa no percentual de 150%, e não de 75%; • O art. 90 da MP 2.1583501 não é capaz de justificar, isoladamente, a aplicação da multa em questão. O inc. I do art. 44 da Lei 9.430/96 não é aplicável para fins de imposição de multa isolada e o inc. II prevê multa de 50% em hipóteses outras que não aquelas no Auto; • A exigência da multa isolada sobre PERs indeferidos, prevista na Lei 12.249/10 viola diversos dispositivos e princípios constitucionais (direito de petição, vedação à utilização de tributo com efeito de confisco); • Por fim, requer o cancelamento de todas as multas isoladas impostas pelo Auto de Infração. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 11163/11200), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade e impugnação foram julgadas parcialmente procedentes, para: a) reconhecer o direito creditório a ser acrescido ao crédito anteriormente reconhecido pela Delegacia de origem, relativo ao PIS e a Cofins não cumulativos vinculados à receita de exportação, apurados no 3o trimestre de 2009 até o 4o trimestre de 2010 passível de compensação/ressarcimento nos seguintes valores: PIS R$ 52.090,78 e Cofins R$ 239.933,30, distribuídos conforme quadro ao final do voto; b) excluir a multa de ofício isolada de 75%, mantendo as demais multas exigidas no Auto de Infração (processo em apenso), nos percentuais de 150% e 50%, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2009 a 31/12/2010 Fl. 11522DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.523 14 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. PIS E COFINS. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários adquiridos de cooperativas de atividade agropecuária. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. UTILIZAÇÃO. O eventual crédito presumido apurado com base no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004 (com as alterações posteriores), somente pode ser utilizado para dedução das contribuições devidas em cada período de apuração, não existindo previsão legal para que se efetue a sua compensação ou o seu ressarcimento. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PERCENTUAIS DE RECEITAS DE VENDAS DE EXPORTAÇÃO. COMPOSIÇÃO DA RECEITA BRUTA TOTAL. As receitas tributáveis auferidas no mês compõem a receita bruta total, para fins do rateio dos créditos associados às operações de exportação em relação às operações no mercado interno. MULTA ISOLADA SOBRE O VALOR DE DÉBITOS INDEVIDAMENTE COMPENSADOS. Aplicase a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma legitimamente Fl. 11523DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.524 15 inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. A autuada foi cientificada da decisão de primeira instância em 18/10/2012 (fls. 11261/11262). Em 16/11/2012, protocolou os recursos voluntários de fls. 11263/11358 e 11363/11412. No primeiro recurso voluntário, a recorrente reafirmou os argumentos aduzidos na fase de manifestação de inconformidade e ao final pleiteou a reforma da decisão de primeiro grau, na parte que lhe fora desfavorável, para que fosse: a) reconhecido os créditos integrais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, homologadas as compensações declaradas e deferidos os pedidos de ressarcimentos formulados, com exceção apenas dos equívocos mencionados nos subitens 12.1 e 12.2 do citado recurso; b) caso fosse mantida a glosa dos créditos integrais por ela apropriados, o que admitia apenas para fins de argumentação, que: (i) os créditos presumidos que lhe foram assegurados pelo Despacho Decisório fossem considerados plenamente utilizáveis, inclusive para fins de compensação com outros tributos ou ressarcimento; e (ii) retificado o valor dos débitos compensados em razão dos argumentos apresentados na Seção 15 do recurso; c) na hipótese de serem mantidas as multas isoladas exigidas pelo auto de infração mencionado no item 2.1 do recurso em apreço, que fosse considerada indevida a cobrança cumulativa de multa de mora sobre o valor dos débitos que venham a ser considerados não compensados; e d) caso entendesse necessário, requereu que o processo fosse baixado em diligência, para fim de comprovação do que fora afirmado na Seção 15 do citado recurso e para que os débitos de IRPJ e de CSLL, então compensados pela recorrente com os créditos integrais das citadas contribuições, fossem reduzidos ou mesmo cancelados, porquanto a glosa dos créditos em causa importaria num aumento do custo da mercadoria então vendida pela recorrente. No segundo recurso voluntário, em relação às multas de ofício isoladas que foram mantidas, a recorrente reafirmou as razões de defesa apresentadas na peça impungnatória e, ao final, requereu que fosse: a) dado provimento integral ao recurso voluntário e canceladas as multas de ofício isolada nos percentuais de 50% e 150%; e b) negado provimento ao recurso de oficio e mantida a decisão recorrida, no que se refere às multas isoladas canceladas no percentual de 75%. Em relação à exoneração da multa de ofício isolada de 75%, formalizada por meio do Auto de Infração integrante do processo nº 15586.720318/201113, em apenso a este, foi interposto recurso de ofício, nos termos do artigo 34 do Decreto 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei 9.532/97, e Portaria MF 3/2008. Fl. 11524DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.525 16 Em 6/8/2014, a recorrente protocolou a petição de fls. 11454/11458, para noticiar a edição da Lei 12.995/2014, que, no art. 23, acrescentou à Lei 12.599/2012, o art. 7º A, que autoriza a compensação com débitos próprios ou pedido de ressarcimento em dinheiro, o valor do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei 10.925/2004, apurado até 1º janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura, sem qualquer limitação temporal. Ressaltou a ainda a recorrente que, por ser norma específica, o disposto no citado art. 7ºA sobrepõese ao disposto no art. 56A da Lei 12.350/2010, em consequência, deixou de subsistir a razão que levara a decisão de primeira instância a não permitir a utilização do crédito presumido no âmbito deste processo. Enfim, , em 30/9/2014, a recorrente protocolou a petição de fl. 11464, em que informou que tomara conhecimento do Parecer PGFN 1.425/2014, que, ao interpretar o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, reconhecera a possibilidade de apropriação de créditos da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins nas aquisições de café junto a cooperativas, o que reforçava a procedência do seu recurso voluntário. Atendendo pedido da recorrente, cópia do citado Parecer foi juntado aos autos (fls. 11466/11507). É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator (vencido quanto ao restabelecimento do direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas) O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O recurso de ofício também deve ser conhecido, pois trata de matéria de competência deste Colegiado, atende os requisitos previstos no artigo 34 do Decreto 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei 9.532/97, está dentro do valor do limite alçado, fixado na Portaria MF 3/2008. I DA ANÁLISE DO RECURSO VOLUNTÁRIO Conforme delineado no relatório precedente, a lide referese a dois atos administrativos distintos: a) o Despacho Decisório de fls. 2.177/2.180, que integra os autos deste processo, em que foi reconhecido, em parte, o direito creditório pleiteado pela recorrente e parcialmente homologada as compensações declaradas, com base nos fundamentos exarados no Parecer SEFIS nº 246/2011 (fls. 2.043/2.176); e b) o Auto de Infração de fls. 8/24, integrante do processo nº 15586.720318/201113, que se encontra apenso a este processo, em que formalizada a exigência das multas de ofício isoladas, decorrente de: (i) compensação indevida, apurada sobre os valores dos débitos indevidamente compensados, relativos aos períodos de apuração de outubro de 2009 a janeiro de 2011 e março de 2011 a junho de 2011, e (ii) crédito indevido indeferido, referente aos pedidos de ressarcimento dos períodos de apuração de junho de 2010, agosto de 2010, outubro de 2010 e março de 2011. I.1 Da Análise Das Questões Relacionadas ao Despacho Decisório Em relação ao citado Despacho Decisório, no recurso voluntário em apreço, a recorrente insurgiuse, em caráter principal, contra a manutenção da (i) glosa parcial dos créditos calculados sobre a aquisição de café cru em grão de cooperativas de produção e de Fl. 11525DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.526 17 pessoas jurídicas irregulares (inativas, omissas ou sem receita declarada), e (ii) a glosa integral dos créditos calculados sobre o valor das despesas de corretagem na compra do citado produto. Em caráter subsidiário ou alternativo, a recorrente manifestouse contrariamente à manutenção da restrição de utilizar o valor do crédito presumido reconhecido na compensação com outros tributos e no ressarcimento em dinheiro, e que fosse considerada indevida a cobrança cumulativa de multa de mora sobre o valor dos débitos que viessem a ser considerados não compensados. Ademais, caso fosse mantida a glosa integral dos créditos e se entendesse necessário, os autos fossem baixados em diligência, para fim de comprovação de que esta decisão implicaria majoração do custo das mercadorias vendidas e redução do valor da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, com a consequente redução ou até cancelamento dos correspondentes débitos compensados. I.1.1 Da Glosa Parcial dos Créditos Referentes às Aquisições das Denominadas “Pseudoatacadistas” De acordo com os itens 377 a 381 do Parecer 246/2011 (fls. 2161/2163), a autoridade fiscal apurou que as aquisições de café em grão das pessoas jurídicas “pseudoatacadistas”, relacionadas na Tabela de fls. 3162/3163, na realidade, eram aquisições de pessoas físicas (produtor rural) ou cerealistas e portanto não sujeitas a crédito integral, conforme entendera a contribuinte, mas apenas a constituição de crédito presumido. Logo, considerando que as aquisições de café de fato ocorreram, a autoridade fiscal procedeu a glosa dos créditos constituídos indevidamente de forma integral e calculou o crédito presumido, conforme previsto em lei. Esclareceu ainda o parecerista que, não havia valores recolhidos a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins pelas supostas vendedoras de café (pseudoatacadistas) e, com base nos dados cadastrais das empresas e sócios, incluindo os dados extraídos da GFIP (número de funcionários), demonstravam que tais empresas não tinham existência de fato, pois se tratavam de meras fornecedores de notas fiscais. Por sua vez, a recorrente, em síntese, alegou que: a) era adquirente de boafé e que a boafé presumiase com o pagamento e a entrega do produto; b) nenhuma das empresas “pseudoatacadistas” declaradas inaptas, suspensas ou baixadas pela Receita Federal vendera café à recorrente já nessa condição e as compras se deram quando a situação cadastral dessas empresas perante o CNPJ era “ativa”; e c) não se podia simplesmente presumir que todos estavam envolvidos na fraude e glosar créditos fiscais legítimos, por mais louvável que fosse o fim de se evitar danos ao erário, pois esses dano causados exclusivamente por quem não pagou os seus tributos. Do contexto legal que deu da origem à fraude realizada. Sob o aspecto legal, com a introdução do regime não cumulativo, por intermédio das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, os contribuintes, sujeito ao citado regime, adquirentes de bens de pessoas jurídicas passaram a gozar do direito de crédito sobre o valor das compras, no valor equivalente a 9,25% da operação de aquisição. O referido percentual corresponde ao somatório das alíquotas normais fixadas para o cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep (1,65%) e Cofins (7,6%), incidentes sobre o valor da receita bruta mensal. No que tange às transações comerciais com café em grão ou café cru em grão, uma particularidade deve ser ressaltada: se o contribuinte adquiririr o produto diretamente do produtor rural, pessoa física, desde que atendido os requisitos legais, a ela é assegurado o direito de apropriarse de um valor de crédito presumido equivalente a 35% do Fl. 11526DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.527 18 percentual do crédito interal de 9,25%, referente a uma compra realizada perante uma pessoa jurídica (produtora ou atacadista). Essa permissão de apropriação do referido crédito presumido entrou em vigor a partir 1/2/2004, na forma e nos termos do art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: [...] III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] (grifos não originais). Antes da vigência do citado preceito legal, prevalecia a regra geral, que vedava o creditamento resultante de compras de pessoa física, não sujeitas ao pagamento das referidas contribuições, na forma do § 3º do art. 3º das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a seguir reproduzido: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; Fl. 11527DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.528 19 [...] (grifos não originais) Dado esse contexto legal, fica evidenciado que, para os contribuintes, submetidos ao regime não cumulativo das citadas contribuições, sob o ponto de vista da economia tributária, passou a ser muito vantajoso adquirir o café em grão diretamente de pessoa jurídica, ao invés do produtor rural, pessoa física, pois a aquisição direta de pessoa jurídica asseguravalhes o valor integral do crédito calculado sobre valor da operação de compra e não equivalente a 35% (trinta e cinco por cento), título de crédito presumido. Da fraude praticada contra a Fazenda Nacional. Previamente, cabe esclarecer que a glosa parcial dos créditos em apreço foi motivada pela apuração de fraude fiscal nas aquisições do café em grão, realizada pela recorrente, mediante a utilização de interpostas pessoas jurídicas de “fachada ou laranja”, utilizadas apenas para fim de emissão de notas fiscais, conforme devidamente comprovado nos autos. A apuração da referida fraude foi feita no âmbito das operações denominadas “Tempo de Colheita”, deflagrada em 22/10/2007, e “Broca”, iniciada em 1/6/2010. Segundo Nota Conjunta da Receita Federal, Polícia Federal e Ministério Público Federal, colacionadas aos autos (fl. 11.117), as firmas de exportação e torrefação envolvidas na citada fraude utilizavam empresas “laranjas”, que, mediante venda de notas fiscais, atuavam como intermediárias fictícias nas operações de compra e de venda de café em grão entre os produtores rurais e as empresas exportadoras e industriais, com a finalidade de gerar indevidamente créditos integrais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. De acordo com citada Nota, a prática criminosa vinha ocorrendo desde 2003, causando prejuízo de bilhões de reais aos cofres públicos federais. Segundo o citado Parecer, que serviu de fundamento para o questionado Despacho Decisório, no período fiscalizado, das 219 pessoas jurídica supostas “fornecedoras” da recorrente, 134 foram inscritos no CNPJ a partir de janeiro de 2003, após o advento da MP 66/2002 e que se converteu na citada Lei 10.637/2002. Além disso, outras pessoas jurídicas foram reativadas com o único propósito de vender notas fiscais. Relata ainda o dito Parecer que, a partir de 2002 passou a se verificar uma explosão de constituição de pessoas jurídicas atacadistas de café, e, coincidência ou não, justamente no início do período de vigência da nova legislação que instituiu o regime não cumulativo de apuração, para as mencionadas contribuições. Para se ter uma dimensão do tamanho da fraude praticada contra a Fazenda Nacional, somente no curto período de julho de 2009 a dezembro de 2010, correspondente ao período de apuração dos créditos pleiteados neste processo, as compras de café em grão, realizadas pela recorrente das pessoas jurídicas supostas fornecedoras, chegaram a cifra total de R$ 357.498.963,12, conforme valores consolidados, por empresa, na Tabela de fls. 2162/2163 e, diariamente, discriminados nas notas fiscais relacionadas na Tabela de fls. 1861/1962. Ademais, no citado período, tais pessoas jurídicas praticamente nada recolheram aos cofres públicos a título de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins e sequer apresentaram declarações obrigatórias informando os valores das receitas auferidas e dos valores dos débitos apurados e a recolher. A este quadro de graves irregularidades, somase ainda o fato, constatado pela fiscalização em várias diligências, relatadas no citado Parecer (fls. 2054/2060), que nenhuma das empresas visitadas possuíam armazéns ou depósitos nem funcionário contratados, Fl. 11528DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.529 20 o que contrariava a realidade evidenciada pelas tradicionais empresas atacadistas de café estabelecidas na região, detentoras de grande estrutura administrativa, operacional e de logística necessária para armazenar, beneficiar e movimentar o equivalente volume de café negociado. Acomodadas em pequenas salas acanhadas, nas proximidades das empresas comerciais exportadoras de café, certamente, tais empresas não tinham a menor condição de transacionar tão grande quantidade de café em grão. Em tais condições, a única atividade que era passível de ser realizada pelas pessoas jurídicas investigadas e supostas fornecedoras da recorrente, certamente, era a venda e emissão de notas fiscais inidôneas, conforme sobejamente comprovado no curso do processo investigativo efetivado no âmbito das citadas operações. Com base nas provas coligidas aos autos, extraídas dos processos de representação fiscal para fins de inaptidão das pessoas jurídicas de “fachada ou laranja”, evidenciam que as denominadas “pseudoatacadistas” eram empresas de “fachada ou laranja”, utilizadas apenas para simular operações fictícias de compra e venda de café em grão com os produtores rurais e empresas exportadoras e industriais. Com efeito, as empresas denominadas “pseudoatacadistas” simulavam, simultaneamente, uma operação de compra dos produtores rurais, pessoas físicas, e outra de venda para as empresas exportadoras e industriais, dentre as quais a recorrente foi uma das principais beneficiárias desse esquema fraudulento, haja vista a grande quantidade de notas fiscais emitidas pelas citadas empresas em seu favor e o elevado valor das operações de aquisição do produto realizadas no período (fls. 1861/1962 e 2162/2163). As informações fiscais, extraídas de documentos obtidos e apreendidos durante as citadas operações, e esclarecimentos prestados em depoimentos de representantes de direito (“laranjas”), procuradores e de pessoas ligadas às empresas “pseudofornecedoras” (fls. 2053/2133), colhidos durante a operação “Tempo de Colheita”, confirmam a participação dos compradores na fraude, dentre os quais a Unicafé. Além dos trechos de depoimentos reproduzidos no Parecer, que integra o questionado Despacho Decisório, merecem destaque alguns fatos apurados através de depoimentos nos diversos processos que foram abertos contra as pessoas jurídicas fornecedoras de notas fiscais, que participaram da fraude. Aliás, até a data da elaboração do citado Parecer, várias “pseudoatacadistas” já se encontrava com os processos de inaptidão concluídos (fls. 2072/20105). Apresentado o contexto legal e o modus operandi do esquema de fraude para apropriação ilícita de créditos das referidas contribuições, passase a analisar as alegações da recorrente. Da condição de adquirente de boafé. Na peça recursal em apreço, a recorrente alegou que não procedia a glosa parcial realizada pela fiscalização, sob o argumento de que era compradora de boafé, pois, havia comprovado a “efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias”, em conformidade com disposto no art. 82 da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Fl. 11529DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.530 21 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. No que tange a aquisição ou recebimento dos produtos pela recorrente inexiste controvérsia nos autos, haja vista que a própria fiscalização reconheceu o fato e com base no preço das respectivas aquisições calculou o valor do crédito presumido e o reconheceu em favor da recorrente. No mesmo sentido, cabe ressaltar que foi correto o procedimento adotado pela fiscalização de desconsiderar a operação simulada (aparente) e reconhecer a existência da operação dissimulada (camuflada), pois está em perfeita consonância com a orientação geral presente no ordenamento jurídico do País, no sentido de que reputase “nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma”, conforme expresso no art. 167 do Código Civil, a seguir transcrito: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado. (grifos não originais) No caso, os negócios jurídicos de compra e venda entre as empresas interpostas e a recorrente configuram a denominada simulação relativa, uma vez que atendem os requisitos do citado preceito legal, reconhecido pela doutrina, consistente (i) na atuação consciente das duas partes envolvidas no negócio, (ii) na divergência entre a vontade declarada e a real, e (iii) no escopo de lesar terceiro, qual seja, o fisco. No recurso em apreço, a recorrente citou em seu favor o entendimento esposado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do Recurso Especial (Resp) nº 1.148.444/MG, segundo o qual “a boafé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (que fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS” (fl. 11297). Há uma grande diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que afirmou o STJ no citado julgamento era que o contribuinte não podia ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do voto condutor do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra e venda efetivamente se realizou, Fl. 11530DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.531 22 justamente para afastar a hipótese de simulação, que se encontra devidamente comprovada nos presentes autos. No caso, o ponto fulcral da controvérsia gira em torno das seguintes questões: de quem, de fato, os produtos foram adquiridos? E a quem os preços dos produtos foram efetivamente pagos? Para responder as essas questões, em nome da verdade material, que norteia o processo administrativo fiscal, o que deve ser perquirido e analisado é se os documentos colacionados aos autos pela recorrente representam a real operação de compra e venda realizada pela recorrente e se tais pagamentos foram efetivamente feitos aos reais vendedores do produto. Em outros termos, se tais documentos apenas serviram para dissimular as operações em que os reais vendedores eram os produtores rurais (pessoas físicas) e os pagamentos eram realizados a empresas “pseudoatacadistas”, para dissimular a real operação de compra e venda realizada entre o produtor rural (pessoa física) e a recorrente. Para a fiscalização, de fato, os produtos foram adquiridos dos produtores rurais, pessoas físicas, e as notas fiscais emitidas pelas denominadas “pseudoatacadistas” não passavam de mera simulação da operação de compra e venda com vistas a dissimular a real operação de compra e venda celebrada entre a recorrente e os produtos rurais. Para chegar a essa conclusão, a fiscalização baseouse nos documentos obtidos e apreendidos durante as operações “Tempo de Colheita” e “Broca” e nos depoimentos prestados por vários agentes da cadeia de produção e comercialização do produto (produtores rurais, corretores e maquinistas), que se encontram reproduzidos nos autos (fls. 2053/2132). Compulsando, a referida documentação verificase que, de forma congruente, todos esses elementos probatórios confirmam a existência de um verdadeiro mercado paralelo de venda de notas fiscais, cujo preço por saca de café variava de R$ 0,20 a R$ 1,00, conforme a época e o local onde ocorria a comercialização do produto. Nesse sentido, veja o esclarecedor depoimento de fl. 2063, prestado pelo Sr. Guido Higino Vitório, produtor rural e sócio da empresa Vitório’s Comercial Exportadora de Café, a seguir reproduzido: Que o declarante como produtor rural tentou vender para os exportadores mas não obteve sucesso, sendo que lhe foi informado que as vendas deveriam ser realizadas por intermédio de pessoas jurídicas. Que o declarante tem conhecimento que em Manhuaçu as empresas laranjas cobram R$ 0,50 por saca de café para emitir notas fiscais; que na região da Serra do Caparão/ES o valor é de R$ 1,00 por saca; Que ouviu dizer que a partir da nota fiscal eletrônica, por volta de Setembro/2009, as corretoras/corretores orientavam as empresas laranjas a cobrar do produtor rural o Funrural além do fornecimento da nota fiscal; [...] Ademais, ficou provado nos autos que os depósitos bancários realizados pela recorrente em contas correntes movimentadas por procuração por terceiros, estranhos a seu quadro social, não passam de mera simulação dos verdadeiros pagamentos realizados aos Fl. 11531DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.532 23 produtores rurais, pessoas físicas. A título ilustrativo, reproduz a seguir a resposta dos representantes da pessoa jurídica R Araújo Cafecol (fl. 2075): Nossa empresa abriu contas bancárias nas cidades de: COLATINA, SANTA TERESA, PANCAS, BAIXO GUANDU, MANTENÓPOLIS, MARILÂNDIA, SÃO GABRIEL DA PALHA, JAGUARÉ, NOVO BRASIL, AFONSO CLÁUDIO, NOVA VENÉCIA (sem movimento), ITAGUAÇÚ, todas no Estado do Espírito Santo, sendo que estas contas eram operadas, respectivamente por: ‘RELAÇÃO EM ANEXO’ – que faz parte integrante destas informações; além destes maquinistas, também as Corretoras (já mencionado – (...) movimentaram contas de nossa empresa, junto aos bancos SICOOB, HSBC, BRADESCO, BANCO DO BRASIL, BANESTES. A relação a que se refere a dita correspondência, encontrase reproduzida nas fl. 2075, e corresponde a 18 (dezoito) contas correntes bancárias, quase todas elas movimentadas por pessoas distintas, não participantes do quandro societário nem da gestão da citada empresa, o que confirma a conclusão da fiscalização que os depósitos e transferências bancárias, de fato, tratavase de mera simulação para encobrir o real pagamento da operação feita ao produtor rural, pessoa física, o verdadeiro vendedor do produto. Por sua vez, nos documentos colacionados aos autos pela recorrente (fls. 2772 e ss), para fim de comprovar o recebimento das mercadorias e efetivação do pagamento do preço do produto adquirido, verificase um procedimento padrão e recorrente, em que, para cada uma das milhares de compras realizadas perante as 168 “pseudoatacadistas” (relacionadas na Tabela de fls. 11289/11291) foram apresentados as respectivas notas fiscais ou Documento Auxiliar de Nota Fiscal Eletrônica (DANFE), acompanhadas de cópias de (i) extratos de consulta ao CNPJ e SINTEGRA, realizada na mesma ou em data próxima a da compra, (ii) de fichas de compra e nota de cálculo e liquidação da operação, (iii) romaneio da carga; e (iv) aviso de débito em conta corrente ou cheque nominal em nome da emitente da nota fiscal. No caso, se os próprios representantes das citadas pessoas jurídicas, emissoras das referidas notas fiscais ou DANFE, confessam que tais documentos foram vendidos e, por conseguinte, não representam uma efetiva operação de venda, induvidosamente, tais documentos não tem o valor probatório pretendido pela recorrente. Na verdade, eles apenas provam que as mercadorias foram entregues à recorrente, conforme corretamente entendeu a fiscalização. Aliás, não reconhecer que tais documentos servem apenas para comprovar a simulação da operação de compra e venda entre as “pseudoatacadistas” e a recorrente, resultaria na supervalorização da verdade meramente formal, declarada pelos próprios emissores dos documentos como não sendo verdadeira, em detrimento da verdade real provada nos autos de que tais documentos foram vendidos, para fim acobertar a operação de compra e venda dissimulada e fora efetivamente realizada entre o produtor rural, pessoa física, e a recorrente, com o único propósito de se apropriar ilicitamente do crédito integral das contribuições. Do mesmo modo, a consulta aos cadastros do CNPJ e SINTEGRA, em cada operação, prova apenas que as empresas emitentes dos referidos documentos estavam apenas com situação supostamente regular nos citados cadastros, o que prova apenas a existência formal da pessoa jurídica e não a sua existênca real. Fl. 11532DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.533 24 Em relação a tais provas, cabe as seguintes indagações: no exercício da atividade de compra e venda de café é prática normal que, em cada operação de compra, a compradora realize uma consulta prévia sobre a situação dos vendedores nos citados cadastros? Ademais, porque a recorrente somente se muniu de documentos, que, aparentemente, comprovavam apenas a regularidade formal das suspostas empresas fornecedoras perante os citados cadastros? Além de transparecer notoriamente artificial e anômalo tais procedimentos, em se tratanto de um relaciomento comercial alegado idôneo pela recorrente, no entendimento deste Relator, a excessiva diligência pela obtenção de tais documentos de natureza meramente formal, contrasta com a evidente negligência em obter qualquer documento que comprovasse a existência real das citadas pessoas jurídicas. Nesse sentido, se a recorrente tivesse solicitado cópia dos contratos de constituição dos supostos fornecedores, prática normal no meio empresarial, especialmente, quando envolve negócios de altas cifras, induvidosamente, teria verificado que os sócios dos seus maiores fornecedores eram pessoas humildes, sem instrução, sem patrimônio e sem condições financeiras e conhecimento técnico para dirigir uma empresa atacadistas de café que vendeu milhares de sacas de café e movimentou centenas de milhões de reais do produto. Pela mesma razão, se tivesse tido a precaução de pedir cópia dos demonstrativos contábeis dos referidos fornecedores, certamente teria constatado que todas elas não tinham patrimônio, funcionários e o mínimo de estrutura operacional para vender uma quantidade tão grande de café, e que não passavam de meras empresas de “fachada ou laranja” criadas exclusivamente para vender notas fiscais, conforme confirmou os seus próprios representantes legais, informação corroboradas por documentos coligidos aos autos. Entretanto, nada disso foi feito pela recorrente, que se contentou com a mera confirmação de que tais fornecedores tinham inscrição ativa no CNPJ e no SINTEGRA. E a obtenção das referidas informações, para a recorrente, revelavamse necessárias, dada a circunstância de que, em 22/10/2007, data anterior ao período de apuração dos créditos glosados, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória (DRF/VIT), havia dado início a denominada “Operação Tempo de Colheita”, para averiguar se as supostas pessoas jurídicas arroladas no processo investigatório atuavam efetivamente como empresas comerciais atacadistas de café. E o resultado final das investigações foi a descoberta de um grandioso esquema de venda de notas fiscais criado para possibilitar o creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, no montante de 9,25% sobre o valor indicado nas notas fiscais. Tal operação, que teve ampla divulgação na imprensa local e se tornou do conhecimento geral das pessoas intervenientes da cadeia de produção e comercialização do café em grão, revelase de todo inacreditável que não tenha chegado ao conhecimento da recorrente, principalmente, tendo em conta que ela era uma das maiores, se não a maior, adquirente dos produtos das citadas “pseudoatacadistas”. Entretanto, apesar da notoriedade e relevância desse fato, que teve grande repercussão perante o setor cafeeiro, a recorrente continuou realizando o mesmo procedimento, inclusive após a realização da “Operação Broca”, deflagrada em 1/6/2010, que teve repercussão nacional, conforme notícia colacionadas aos autos (fls. 2051/2052), que fora divulgada na internet, em 4/6/2010, no sítio do Associação Nacional dos Sindicatos Rurais das Regiões Produtoras de Café e Leite de Guapé/MG (SINCAL), a seguir reproduzida: Fl. 11533DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.534 25 Companheiros, é do conhecimento de todos que a SINCAL já vinha alertando os cafeicultores que tomassem cuidado com a obscuridade na venda de seu café, pois, isto está trazendo grandes prejuízos a nação e à sociedade, caracterizando um autentico dumping com a venda de nossos cafés baseada em uma Bolsa que não negocia o nosso café (N. York) com diferenciais abaixo da cotação de uma mercadoria que não é a nossa. Se isto não bastasse ainda utilizam do PIS e COFINS (9,25)% para venderem mais barato ainda (um subsídio) camuflado. E para completar usando empresas fantasmas e laranjas. Com relação ao Funrural é bom exigirem os comprovantes de recolhimento para amanhã não serem perturbados, inclusive os últimos 10 anos.” Diante dos prejuízos bilionários aos cofres da Fazenda Nacional, decorrentes da referida fraude, relatada na citada Nota Conjunta do MPF, Polícia Federal e Receita Federal, e amplamente divulgada, ainda assim, a recorrente fez ouvidos de mercador e continuou adotando o mesmo procedimento padrão de produção de provas artificiais e meramente formais acima relatado, o que foi feito até 31/12/2010, último dia do período de apuração do crédito objeto dos lançamentos em apreço, conforme se verifica nos documentos colacionados aos autos pela própria recorrente. Tal atitude, inequivocamente, evidencia profundo menosprezo em relação às conclusões do trabalho de investigação fiscal e policial desenvolvido pelas autoridades das referidas instituições, que gozam de elevado respeito e alta credibilidade perante a sociedade brasileira, e que culminou na prisão de dezenas de pessoas envolvidas no referenciado esquema de fraude, culminando com denúncia criminal e centenas de processos de representação fiscal para declaração de inaptidão das citadas “pseudoatacadistas” no CNPJ, inclusive, alguns já concluídos até a data da conclusão do trabalho fiscal em questão. Ademais, ao contrário do alegado, tal comportamento não demonstra que a recorrente tenha sido diligente o bastante para não incorrer ou continuar incorrendo em práticas sabidamente ilegítimas, por representar meras compras de notas fiscais, destinadas a gerar, de forma ilegítima, créditos integrais das ditas contribuições, conforme sobejamente comprovadas nos autos. Diante desse contexto, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que nenhuma das empresas “pseudoatacadistas” declaradas inaptas, suspensas ou baixadas pela Receita Federal vendera café à recorrente nessa condição e que as compras se deram quando a situação cadastral dessas empresas perante o CNPJ era “ativa”. Previamente, cabe ressaltar que, contraditoriamente, no recurso em apreço, a recorrente asseverou que a Receita Federal tinha a obrigação de manter atualizado os cadastros por ela administrados e que os bancos deviam manter cadastros atualizados sobre seus clientes, no entanto nada fez em relação aos cadastros dos seus supostos fornecedores, contentandose com uma singela informação de que tais empresas estavam ativas nos citados cadastros. No recurso em apreço, para afastar qualquer imputação de participação na fraude, a recorrente alegou que juntara aos autos “certidão expedida pela 1ª Vara Federal de Colatina, onde se processa a Ação Penal n° 2008.50.05.0005383, que atesta que os membros da diretoria da RECORRENTE não foram denunciados pelo Ministério Público Federal.” Fl. 11534DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.535 26 Com efeito, há nos autos a referida certidão (fls. 2596/2600), que certifica que apenas as 6 pessoas, relacionadas em requerimento, não constavam da denúncia. Tratase, evidentemente, de informação incompleta e, por essa razão, com pouquíssima ou sem nenhuma relevância para o deslinde do caso em tela. A informação que teria alguma relevância seria a de que nenhum dos prepostos da recorrente estava arrolados na respectiva denúncia, o que não se vislumbra nos autos. Ainda com vistas a demonstrar a sua isenção em relação aos gravíssimos fatos apurados e comprovados no âmbito das citadas operações, a recorrente alegou que, com base nas mesmas generalizações, simplificações e ilações feitas no Parecer da fiscalização, a decisão recorrida ignorara por completo os argumentos, esclarecimentos e provas apresentados pela recorrente, mantendo a glosa substancial dos créditos integrais pleiteados. Sem razão a recorrente, porque o voto condutor do julgado recorrido fundamentou a questionada decisão com base nas provas coligidas aos autos pela fiscalização e pela própria recorrente. Ademais, diferentemente do alegado pela recorrente, há sim provas cabais nos autos que confirmam a sua participação na fraude em apreço. Este Relator referese ao calhamaço de notas fiscais emitidas pelas “pseudoatacadistas” em nome da recorrente e, conforme confirmado em documentos escritos ou em depoimentos da autoria dos seus representantes legais, colacionados aos autos, foram vendidas pelo módico preço variável de R$ 0,20 a R$ 1,00 por saca. É pertinente ressaltar que a fraude que deu origem a glosa questionada pela recorrente não foi a constituição irregular de pessoas jurídicas, que foi objeto dos citados processos de representação fiscal para declaração de inaptidão das citadas “pseudoatacadistas” no CNPJ. No caso em tela, a fraude que motivou a dita glosa foi a apropriação indevida de créditos integrais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, com base em notas fiscais compradas das “pseudoatacadistas”, com vistas a simular uma suposta operação de compra e venda, fato que restou devidamente comprovado nos autos por provas fornecidas pelos próprios representantes das ditas empresas. Aliás, embora por viés e objetivo diferentes, a recorrente também externou o entendimento que o objeto da presente lide cingiase tãosomente ao seu eventual envolvimento na fraude e a legitimidade dos citados créditos integrais, conforme externado no subitem 4.2 do recurso em apreço, que segue transcrito: 4.2 A Com efeito, a DECISÃO parece não ter se dado conta, ao embarcar na linha de argumentação do Parecer, que não está em julgamento neste processo a existência ou não de fraude no mercado cafeeiro, mas sim, tãosomente, o eventual envolvimento da RECORRENTE com tal fraude e a legitimidade dos créditos integrais de PIS e COFINS por ela apurados nas compras de café que fez de boafé. (grifos não originais) Assim, de modo geral, para que seja infirmada a não participação da referida fraude, a meu ver, somente mediante a demonstração de que não foi favorecida com as notas fiscais emitidas fraudulentamente pelas ditas “pseudoatacadistas”, situação que, obviamente, não se vislumbra no caso em tela. Ou, sendo detentor de tais notas fiscais, que demonstre, mediante apresentação de provas idôneas, que as provas colacionadas autos, fornecidas pelos Fl. 11535DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.536 27 próprios representantes das ditas “pseudoatacadistas”, são imprestáveis ou não representam a verdade dos fatos, o que também não ocorreu no caso em tela. Também não procede a alegação da recorrente de que competia exclusivamente à autoridade fiscal “comprovar a existência da fraude, dolo ou simulação que justificou o lançamento do tributo”. Primeiro, porque, no caso em tela, não se trata de lançamento de tributo, mas de glosa de parcela de crédito apurada como indevida pela fiscalização. Logo, nessa situação, quem tem o ônus de comprovar a licitude do direito creditório é a recorrente que alegou a existência desse direito. Nesse sentido, dispõe o art. 333, I, do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Segundo, a autoridade fiscal, em conjunto com o MPF e Polícia Federal, comprovou sim a existência da fraude em comento, tanto que formulou denúncia contra os autores dos correspondentes atos fraudulentos. Também não tem qualquer relevância para o deslinde da controvérsia o fato de nenhum negócio da recorrente não ter sido feito à margem da contabilidade, ou sem pagamento através de transferências bancárias em favor dos próprios vendedores, ou que nenhum pagamento foi feito sem a verificação de que os vendedores estavam ativos e regulares perante as autoridades fiscais, porque, o que está questão é apropriação indevida dos créditos integrais apropriados. Com base nessas considerações, chegase a conclusão que a recorrente não agiu como compradora de boafé, como alegou. Ao contrário, os fatos relatados nos autos, respaldados por provas idôneas, demonstram que a recorrente tentou se beneficiar do resultado ilícito intentado pelo citado esquema de fraude, apropriandose indevidamente de créditos integrais das citadas contribuições, calculados sobre aquisições simuladas das “pseudo atacadistas”. Por todas essas razões, rejeitase a presente alegação de boafé. Da utilização de presunções e provas produzidas no âmbito das operações “Tempo de Colheita” e “Broca”. A recorrente alegou que a fiscalização se contentara com meros indícios e fluidas presunções, para negar o direito subjetivo da contribuinte aos créditos da não cumulatividade das contribuições. Sem razão a recorrente. A glosa realizada pela fiscalização foi fundamentada no fato de que a recorrente não provou o direito creditório pleiteado, pois, as notas fiscais apresentadas à fiscalização representavam mera dissimulação da real aquisição do café em grão adquirido de produtores rurais, pessoas físicas, não contribuintes das ditas contribuições. Nesta situação, corretamente, entendeu a fiscalização que a recorrente fazia jus apenas a parcela do crédito presumido, previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004. Diferentemente do que alegou a recorrente, há sim provas robustas e idôneas colacionadas aos autos que comprovam que as notas ficais por ela apresentadas para comprovar a aquisição do café em grão diretamente de empresas atacadistas, na verdade, foram compradas no mercado negro de venda de notas fiscais, criado a partir do ano de 2002, com o único propósito de gerar crédito das citadas contribuições e fraudar o pagamento do Funrural. Fl. 11536DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.537 28 Também não procede a alegação da recorrente de que não há nos autos nenhuma prova idônea da sua participação no esquema de fraude em referência, pois, as próprias notas fiscais por ela colacionadas aos autos representam a prova cabal da sua participação no esquema e que poderia ser uma das principais beneficiárias, se não fosse revelada e comprovada a dita fraude e procedida a glosa dos créditos em apreço. Por todas essas razões, rejeitase as referidas alegações. Da inobservância dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. A recorrente alegou violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa e afronta ao disposto nos arts. 2º, X, 3º e 38 da Lei 9.784/1999. Sem razão a recorrente. Por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei 9.430/1996, a norma que rege o processo administrativo de compensação e ressarcimento, é o Decreto 70.235/1972, com as alterações posteriores, doravante denomindo de PAF. E a Lei 9.784/1999 (Lei Geral do Processo Administrativo Federal), nos termos do seu art. 691, somente, de forma subsidiária, aplicase ao citado processo, isto é, somente quando a matéria não for especificamente abordada no PAF é que o aplicador da norma poderá recorrer ao ditames da referida lei. Dessa forma, tendo conta que o direito ao contraditórido e ao exercício do direito de defesa, no âmbito do processo administrativo fiscal, são matérias que se encontram disciplinados no PAF (arts. 14 e seguintes), em face do princípio da primazia da norma específica sob a genérica e tendo em conta determinação expressa do art. 69 da Lei 9.784/1999, no caso em tela, não houve a alegada agressão aos citados preceitos da Lei 9.784/1999. No caso do processo de ressarcimento/compensação, a fase contenciosa, iniciase com a apresentação da manifestação de inconformidade do contribuinte e se encerra com a prolação da decisão definitiva, nos termos do art. 42 do PAF. Nos presentes autos, as disposições dos referidos preceitos legais encontram se plenamente satisfeitas, pois, após proferido o contestado Despacho Decisório, a recorrente fora intimada da decisão proferida e teve acesso a todos os elementos que serviram de fundamento das glosas realizadas, inclusive apresentou robusta peça defensiva e uma “amazônica quantidade de documentos”. Portanto, não há a alegada contradição aos citados princípios e tampouco aos citados preceitos da Lei 9.784/1999 Também não procede a alegação da recorrente de que em momento algum foralhe outorgado o direito de participar da coleta de depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, pois, se os referidos depoimentos foram colhidos no âmbito dos processos de declaração de inaptidão do CNPJ das “pseudoatacadistas”, formalizados em decorrência da operação das infrações apuradas no âmbito da denominada operação “Tempo de Colheita”, por não ser parte nos citados processo, obviamente, não havia razão para que a recorrente participasse da colheita dos questionados depoimentos. 1 O citado preceito legal tem o seguinte teor: "Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a regerse por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei." Fl. 11537DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.538 29 Com essas considerações, fica demonstrado que, diferentemente do alegado pela recorrente, o devido processo legal foi obedecido, haja vista qu o contraditório foi regularmente instaurado e a recorrente exerceu o seu direito de defesa em toda sua plenitude, conforme determina os prceitos do PAF, em decorrência, rejeitase a presente alegação. Dos depoimentos como único meio de prova. A recorrente alegou que não era admitido tão somente a prova testemunhal nas obrigações cujo valor exceda o décuplo do salário mínimo, nos termos do art. 401 do CPC, a seguir transcrito: Art. 401. A prova exclusivamente testemunhal só se admite nos contratos cujo valor não exceda o décuplo do maior salário mínimo vigente no país, ao tempo em que foram celebrados. Mais uma vez sem razão a recorrente. Tal regra, sabidamente, não se aplica ao processo administrativo fiscal, que trata de relação jurídica estabelecida em lei (obrigação ex lege), ao passo que o citado preceito legal trata de relação jurídica que tem origem em contrato (obrigação ex voluntate), matéria estranha aos autos. Além disso, as provas testemunhais colhidas durante os vários depoimentos integrantes do multicitado esquema de fraude, prestados no âmbito das Operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, apenas complementam e ratificam as várias provas documentais colhidas no curso das investigações realizadas, dentre as quais podem ser citados os documentos sobre a constituição das “pseudoatacadistas”, a movimentação financeira incompatível, a falta de cumprimento das obrigações acessórias, inexistência de livros contábeis e fiscais, ausência de pagamento de tributos, sócios sem condições finaceiras e técnicas de gerenciar as empresas (“sócios laranjas”), procurações em nome de pessoas estranhas ao quadro social e com amplos poderes para gerenciar as contas correntes bancárias das “pseudoatacadistas” etc. Também não procede a alegação da recorrente de que as provas coligidas aos autos eram ilícitas, porque obtidas por meio inadequado. A uma, porque todas as provas coligidas aos autos foram obtidas por meio adequado e com estrita observâncias aos parâmetro legais, o que atende plenamente os requisitos da licitude. A duas, porque cabia a recorrente apresentar, concretamente qual a prova específica era ilícita, bem apresentar qual meio ilícito adotado pela fiscalização, para obtenção das referidas provas, o que não se vislumbra nos autos. Por todas essas razões, rejeitase todas as alegações suscitadas pela recorrente de que teria direito ao crédito integral calculado sobre o valor das aquisições simuladas das “pseudoatacadistas”. I.1.2 Da Glosa Parcial dos Créditos Referentes às Aquisições de Cooperativas De acordo com o Parcer Sefis 246/2011 (fls. 2043/20176), que serviu de fundamento para o questionado Despacho Decisório (fls. 2177/2180), a autoridade fiscal glosou a parcela dos valores dos créditos, apropriados pela recorrente, calculados sobre os valores das aquisições de “café cru em grão” ou “café beneficiado” de cooperativas de produção agropecuária, excedente aos correspondentes valores dos créditos presumidos Fl. 11538DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.539 30 calculados sobre as refeidas aquisições, previsto no art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004, combinado com o disposto nos arts. 5º e 6º da Intrução Normativa SRF 660/2006. Em síntese, as razões da glosa parcial, apresentadas nos itens 382 a 399 do citado Parecer (fls. 2163/2171), foram as seguintes: a) todos os prérequisitos para que as vendas de café das sociedades cooperativas saíssem com suspensão foram cumpridos. Não obstante, as sociedades cooperativas informaram, no corpo das notas fiscais, as seguintes expressões e outras similares: “VENDA SUBMETIDA À INCIDÊNCIA DO PIS E COFINS E NÃO SUJEITA A SUSPENSÃO NOS TERMOS DO ART. 9º DA LEI 10.925/04, MODIFICADA PELA LEI 11.051/04”; “OPERAÇÃO COM INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS”. Exatamente expressões contrárias àquela que a IN 660 prevê: “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; b) as grandes empresas exportadoras exigiam dos compradores de café que fossem informado no corpo das notas fiscais que aquela operação era tributada normalmente pelo Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins, com o intuito de gerar ilicitamente créditos integrais de PIS/COFINS na sistemática da nãocumulatividade que de acordo com a legislação vigente não seriam cabíveis; e c) a mesma exigência também ocorrera em relação às cooperativas que, diante da imposição do poder econômico, passaram a emitir notas fiscais nestas condições. Assim, fica demonstrado que a glosa parcial em apreço foi efetivada sob o argumento de que, apesar das informações contidas nas referidas notas fiscais, as operações, de fato, foram consideradas como tendo sido realizadas com suspensão do pagamento das contribuições, uma vez que, segundo autoridade fiscal, todas as operações objeto da glosa parcial em apreço atendiam os requisitos do art. 9º, III, da 10.925/2004, e do art. 4º, da Instrução Normativa SRF 660/2006, que têm, respectivamente, o seguinte teor, verbis: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009) [...] III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Fl. 11539DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.540 31 II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] Art. 4º Nas hipóteses em que é aplicável, a suspensão disciplinada nos arts. 2º e 3º é obrigatória nas vendas efetuadas a pessoa jurídica que, cumulativamente: (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 977, de 14 de dezembro de 2009) I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. [...] (grifo não original) Com base no mesmo fundamento, a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve a glosa parcial em questão, conforme explicitado nos excertos do voto condutor julgado, a seguir transcritos: Resta evidenciada, portanto, a hipótese prevista na Lei 10.925/2004 para a aplicação da suspensão na venda efetuada pelas cooperativas e o aproveitamento do crédito presumido de PIS e Cofins pela interessada, apurado em relação ao custo dos insumos adquiridos. Tratandose de aquisição junto à cooperativa de produção agropecuária, observados todos os requisitos legais em relação ao adquirente para que a venda da cooperativa se dê com suspensão, aplicase, no caso, o crédito presumido de que trata o artigo 8º da Lei 10.925/2004. (grifos do original) Por sua vez, a recorrente alegou que fazia jus ao valor do crédito integral porque adquirira o “café cru em grão” de sociedades cooperativas que exerciam atividade de produção agroindustrial, nos termos dos §§ 6° e 7º do art. 8° da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado Fl. 11540DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.541 32 pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (Vide art. 37 da Lei nº 12.058, de 13 de outubro de 2009)(Vide art. 57 da Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004). [...] § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: [...] III 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Renumerado pela Lei no 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 6º Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004); § 7o O disposto no § 6o deste artigo aplicase também às cooperativas que exerçam as atividades nele previstas. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). [...] (grifos não originais) Do cotejo dos posicionamentos explicitados, fica evidenciado que o cerne da controvérsia consiste em saber se o “café cru em grão” adquirido pela recorrente de sociedades cooperativas fora submetido a processo agroindustrial, que compreende o exercício cumulativo das atividades enumeradas no § 6° do art. 8° da Lei 10.925/2004. No caso, embora a recorrente tenha apresentado fartos argumentos no sentido de jusitificar que as cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” exerciam a atividade agroindustrial definida no preceito legal em destaque, não trouxe aos autos elementos de prova adequados e suficientes que confirmassem que as cooperativas vendedoras exerciam a atividade agroindustrial definida no citado preceito legal. As notas fiscais colacionadas aos autos, por amostragem, pela recorrente, na fase de manifestação de inconformidade, a meu ver, são insuficientes para comprovar que as Fl. 11541DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.542 33 cooperativas fornecedoras submeteram o produto adquirido pela recorrente ao mencionado processo agroindustrial. Com efeito, em consonância com os bem postos argumentos exarados no Parecer que serviu de base para o questionado Despacho Decisório, o simples registro das referidas espressões nas notas fiscais, informando que operação estava sujeita a tributação normal das citadas contribuições, induvidosamente, não tem o condão de conferir efeito diverso a real operação praticada entre as cooperativas emitentes dos referidos documentos e a recorrente, que, até prova em contrário, tratase de venda de café em grão sem a realização do processo de produção agroindustrial, definido no § 6° do art. 8° da Lei 10.925/2004. Além disso, pretender atribuir ao registro de uma mera expressão, ainda que colocado em documento fiscal (qualquer papel cabe tudo), a condição de prova adequada e suficiente de que as cooperativas vendedoras realizavam a operação de produção definida no referido comando legal, a meu ver, implicaria total desprezo pela verdade material, em despretígio ao princípio da verdade real, que rege o processo administrativo fiscal, principalmente tendo em conta o evidente poder da adquirente de impor as condições, para fim de realização do negócio, aliado ao fato de que as receitas de vendas das cooperativas, da forma como alegada pela recorrente, não estavam sujeitas ao pagagamento das referidas contribuições, por força das deduções asseguradas no art. 15, I e IV2, da Medida Provisória 2.15835/2001, o que, certamente, representa um fator propício para simulação de operação. Dada essa circunstância, a comprovação de que tais cooperativas exerciam a atividade agroindustrial, induvidosamente, demanda provas cabais, hábeis e idôneas, o que a recorrente não se dignou colacionar aos autos, nas duas oportunidades defesa, embora estivesse ciente de que este era o motivo da glosa parcial dos créditos em questão. E no caso, diferentemente do que alegou a recorrente, por se tratar de pedido de ressarcimento de crédito, nos termos do art. 333, I, do CPC, que se aplica subsidiariamente, ao processo administrativo fiscal, o ônus da prova do direito creditório pleiteado, sabidamente, cabia recorrente. Assim, tanto os argumentos quanto a jurisprudência apresentados pela recorrente, no sentido de que a fiscalização caberia comprovar tal fato, não se aplica ao caso em tela, mas ao procedimento de lançamento de ofício, formalizado nos termos do art. 142 do CTN e com os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/1972. 2 O referido preceito legal, tem a seguinte redação: "Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: I os valores repassados aos associados, decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa; II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; III as receitas decorrentes da prestação, aos associados, de serviços especializados, aplicáveis na atividade rural, relativos a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e assemelhadas; IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; V as receitas financeiras decorrentes de repasse de empréstimos rurais contraídos junto a instituições financeiras, até o limite dos encargos a estas devidos. [...]" Fl. 11542DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.543 34 Dessa forma, na ausência de prova em contrário, temse que os referidos produtos foram adquiridos de cooperativas de produção agropecuária3 e não de cooperativa industrial, conforme alegado pela recorrente. A recorrente alegou ainda que o “café cru em grão”, por ela adquirido, não se confundia como o café in natura, haja vista que aquele tratavase de semente beneficiada, definida na Resolução da Comissão Nacional de Normas e Padrões para Alimentos (CNNPA) 12/1978, e que tal definição abrangeria todas as atividades relacionadas no § 6° do art. 8º da Lei 10.925/2004, e não somente o beneficiamento. A definição de "cafè cru" ou "café em grão" estabelecida pela citada Resolução tem o seguinte teor, in verbis: “Café cru, ou café em grão, é a semente beneficiada do fruto maduro de diversas espécies do gênero Coffea, principalmente, arábica, Coffea liberica Hiern e Cffea robusta.” Do simples do cotejo dessa definição com a definição de produção do § 6° do art. 8° da Lei 10.925/2004, fica demonstrada que a alegação da recorrente não procede. Na verdade, diferentemente do alegado pela recorrente, essa definição corrobora o entendimento da autoridade fiscal de que café aquirido não sofre o processo de produção, conforme definido no citado preceito legal. Em suma, chegase a conclusão de que o “café cru em grão” ou “café beneficiado” foram adquiridos de cooperativa agropecuária de produção, sendo irrelevante o fato de a sociedade cooperativa vendedora realizar simples atividade de beneficiamento, pois, somente o exercício cumulativo das atividades descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004 e no art. 6º, II, da Instrução Normativa SRF 660/2006, caracterizava tal atividade como agroindustrial, o que não ocorrera com o produto adquirido pela recorrente. Ademais, como a recorrente atendia, cumulativamente, os três requisitos estabelecidos no art. 4º da Instrução Normativa 660/2006, independentemente do teor das expressões apostas nas correspondentes notas fiscais de venda (prevalência da verdade material sobre a verdade formal), a real operação foi realizada com suspensão da exigibilidades das referidas contribuições, conforme estabelecido no art. 8º, § 3º, III, da Lei 10.925/2004. Logo, a recorrente fazia jus apenas ao crédito presumido que lhe fora reconhecido pala autoridade fiscal. Com base nessas considerações, fica demonstrada a procedência da glosa parcial dos créditos, realizada pela fiscalização. I.1.3 Da Glosa Integral dos Créditos Calculados Sobre as Despesas de Corretagem na Compra De acordo com o Parecer, que serviu de fundamento para o vergastado Despacho Decisório, a glosa dos créditos da Cofins, calculados sobre os valores das despesas com os serviços de corretagem na compra do café em grão, foi realizada sob argumento de que 3 A sociedade cooperativa de produção agropecuária encontrase definida no art. 3º, III, da Instrução Normtiva SRF 660/2006, a seguir transcrito: "Art. 3 A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: [...] e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...]" Fl. 11543DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.544 35 tais sérvios não se enquadravam conceito de insumo, definido no art. art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, uma vez que eram destinados à área de comercialização dos produtos e não à área de produção. No mesmo sentido, a Turma de Julgamento de primeiro grau manteve a glosa determinada no Despacho Decisório de origem, sob o argumento de que, embora necessária à atividade da recorrente, tais despesas não geravam créditos a descontar da Cofins não cumulativa, porque os respectivos serviços eram aplicados na etapa anterior do processo produtivo, logo eram efetivamente “aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto” do café beneficiado e exportado pela recorrente, consequentemente, não se enquadrava na definição legal de insumo prevista no art. 8º, § 4º, I, “b”, da Instrução Normativa SRF 404/2004. Por sua vez, a recorrente alegou que a não cumulatividade da Cofins devia ter como referencial o processo que culmina com a obtenção da receita (fato gerador das contribuições), incluindo todos os elementos (físicos e funcionais) relevantes, e não apenas aqueles físicos ou diretamente aplicados ou consumidos na produção de bens ou na prestação de serviços. No entender da recorrente, o termo insumo compreendia todos os gastos com bens e serviços necessários ao processo produtivo, devendo ser excluídos apenas os dispêndios que configurassem mera conveniência ou que não interferissem no funcionamento, continuidade, manutenção ou melhoria do processo de produção ou de prestação realizado pelo contribuinte. Para a recorrente, os serviços de corretagem eram essenciais para que a recorrente auferisse as receitas com a venda do café exportado, portanto, enquadravase na definição de insumo. Com base nos citados argumentos, fica evidenciado que a controvérsia gira em torno do significado e alcance da norma veiculada no inciso art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, que permite a dedução de créditos calculados sobre a aquisição de insumos, nos termos a seguir reproduzidos: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, [...] ;(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais) Em assentadas anteriores, este Conselheiro já teve a oportunidade de manifestar sobre o assunto e, em tais oportunidades, foi rejeitado tanto o conceito restrito de insumo da legislação do IPI, adotado pela fiscalização e pela Turma de Julgamento de primeiro grau, que se encontra definido no art. 8º, § 4º, I, “b”, da Instrução Normativa SRF 404/2004, quanto o conceito abrangente de insumo defendido por parte não expressiva da doutrina, que inclui todas as despesas necessárias à “realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa”, conforme definido no art. 2994, § 1º, do Decreto 3.000/1999 (RIR/1999). 4 O citado preceito legal tem o seguinte teor: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47). Fl. 11544DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.545 36 Ente este Relator, com a devida vênia aos que entendem de forma distinta, que a definição que melhor reflete o conceito de insumo de produção, definido no art. 3º, II, da Lei 10.833/2003, é aquele veiculado no art. 290 do RIR/1999, que estabelece os elementos que integram o custo de produção, nos termos a seguir transcrito: Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; II o custo do pessoal aplicado na produção, inclusive de supervisão direta, manutenção e guarda das instalações de produção; III os custos de locação, manutenção e reparo e os encargos de depreciação dos bens aplicados na produção; IV os encargos de amortização diretamente relacionados com a produção; V os encargos de exaustão dos recursos naturais utilizados na produção. Parágrafo único. A aquisição de bens de consumo eventual, cujo valor não exceda a cinco por cento do custo total dos produtos vendidos no período de apuração anterior, poderá ser registrada diretamente como custo (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 2º). (grifos não originais) Logo, excluídos os custos com (i) mãodeobra paga a pessoa física e (ii) as aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, expressamente vedado no art. 3º, § 2º, da Lei 10.833/2003, todos os demais custos com bens e serviços aplicados na produção integram o conceito de insumo para fins de apropriação do crédito da Cofins, independentemente se tal custo apresentase de forma autônomo (por exemplo, locação, manutenção e reparo de bens aplicados na produção) ou se integrado ao custo do bem aplicado na produção. No caso em tela, as despesas com serviços de corretagem pagas ou incorridas na compra do café em grão, certamente, integram o custo de aquisição do principal bem utilizado como insumo na atividade de fabril da recorrente, portanto, deve integrar a base de cálculo do crédito da Cofins. Com base nessas considerações, fica demonstrada a improcedência a glosa dos créditos calculados sobre os valores das despesas incorridas com os serviços de corretagem § 1 º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 1 º ). § 2 º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei n º 4.506, de 1964, art. 47, § 2 º ). § 3 º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem." Fl. 11545DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.546 37 na compra do café em grão, devendo ser restabelecido o direito da recorrente à dedução dos respectivos créditos. I.1.4 Do Direito à Utilização do Crédito Presumido Sem Restrição A recorrente alegou que, caso não fosse acatado o direito ao crédito integral, o que admitia apenas para fins argumentação (princípio da eventualidade), fosselhe assegurado o direito de utilizar os créditos presumidos, reconhecidos pelo Despacho Decisório, sem qualquer restrição, inclusive por meio de ressarcimento em dinheiro e compensação com outros tributos federais. De acordo com o item 397 e 402 do citado Parecer, a autoridade fiscal informou que, por força do disposto no art. 8º, § 3º, I e II, da Instrução Normativa SRF 660/2006, os créditos presumidos reconhecidos à recorrente, com base no art. 8º, § 3º, I e III, da Lei 10.925/2004, somente poderia ser utilizado para dedução dos débitos das respectivas contribuições, sendo vedada a utilização para fins de compensação e ressarcimento. Acontece que, após exarado o referido Parecer, em 26/6/2014, foi publicada a Lei 12.995/2014, que, no seu art. 23, acrescentou o art. 7ºA à Lei 12.599/2012. O novo preceito legal ampliou as possibilidades de aproveitamento do referido crédito presumido, apurado em relação à aquisição de café in natura, que passou a poder ser utilizado, observado a legislação específica aplicável à matéria, para fins de compensação e ressarcimento, conforme se infere do texto a seguir transcrito: Art. 23. A Lei no12.599, de 23 de março de 2012, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 7oA: “Art. 7oA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8o da Lei no10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos.” (grifos não originais) Diante da mencionada previsão legal e tendo em conta que os créditos presumidos reconhecidos no citado Despacho Decisório referemse ao período de julho de 2009 a dezembro de 2010, obviamente, tais créditos enquadramse nas condições fixadas no novel comando legal, logo reconhecese em favor da recorrente o direito de utilizar tais créditos compensação ou ressarcimento, em conformidade com o citado comando legal. I.1.5 Da Automática Redução dos Débitos do IRPJ e da CSLL A recorrente alegou que a parcela dos créditos das refeidas contribuições glosada, que fora por ela apropriada, implicaria que os débitos do IRPJ e da CSLL fossem diminuídos ou mesmo cancelados, já que: (i) a recorrente sempre considerou que tais créditos Fl. 11546DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.547 38 não poderiam integrar seu estoque de mercadorias, devendo ser lançados em conta de ativo circulante, porquanto recuperáveis; e (ii) por via de consequência, o seu custo de mercadoria vendida, expurgado daqueles créditos, seria menor e, portanto, maiores seriam os debitos do IRPJ e da CSLL. Para a recorrente o valor do estoque deveria ser ajustado, acrescendose ao custo do café vendido a diferença entre os referidos créditos integrais (calculados â alíquota conjunta de Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins de 9,25%) e os créditos presumidos (calculados à alíquota conjunta de apenas 3,23%). Ou seja, o custo relativo ao estoque então registrado deveria ser maior, o que resultaria na diminuição das bases de cálculo de IRPJ e da CSLL apuradas pela recorrente. A alegação da recorrente envolve recomposição do valor dos estoques, com reflexo, na redução do valor do custo das mercardorias vendidas, por conseguinte, redução na base de cálcuo do IRPJ (lucro real) e da CSLL (base de cálculo real) e nos respectivos débitos dos referidos tributos. Tratase, portanto, de procedimento que envolve resgistros nos livros fiscais e contábeis, reabertura da contabilidade dos correspondents anoscalendários e retificação dos demonstrativos contábeis pertinentes e das correspondentes declarações entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Dada essa característica, fica evidenciado que tais procedimentos, obviamente, são da alçada exclusiva da recorrente e por ela devem ser executados. A fiscalização da RFB e tampouco este Conselho não podem nem devem assumir e executar trabalhos de escrituração contábil e fiscal ou cumprimento de obrigações acessórias da exclusiva responsabilidade da recorrente. Ademais, os atos praticados, com objetivo de se apropriar ilicitamente da referida parcela dos créditos fiscais, foram todos eles executados pela própria recorrente e, caso não fosse, a ação tempestiva e eficiente da fiscalização da receita, certamente, tais fatos teriam resultado em prejuízo bilioário aos cofres da Fazenda Nacional, conforme asseverado na citada Nota Conjunta. Salta aos olhos a impertinência desse pleito, para que a Administração Tributária, a grande prejudicada, venha a ser chamada a retificar ou reparar os procedimentos ilegítimos, que foram executados por vontade deliberada da própria recorrente, inclusive, contrariando as normas editadas pela RFB, com o nítido propósito de fraudar os procedimentos de concessão de créditos das referidas contribuições. Também não se pode olvidar que, no âmbito do processo de compensação, não há previsão para análise e discusão acerca da certeza e liquidez dos débitos, pois, nos termos do art. 74, § 6º, da Lei 9.430/1996, eles são considerados confissão de dívida. No âmbito deste tipo de processo, o que se analisa é a certeza e liquidez do crédito conforme procedera autoridade fiscal da unidadade da Receita Federal de origem, ao prolotar o questionado Despacho Decisório, que deu início a presente controvérsia. Além disso, como não foi instaurado qualquer litígio sobre os débitos do IRPJ e da CSLL compensados, este Colegiado não tem competência originária para apreciar ou analisar pedidos desse jaez, matéria que é reservado em caráter exclusivo e inaugural às unidades locais da RFB. A este Conselho, sabidamente, cabe apenas julgar eventual litígio sobre matéria da sua competência regimental. Fl. 11547DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.548 39 Logo, se não faz parte da lide inaugurada com o questionado Despacho Decisório, fica evidenciado que se trata de matéria estranha ao litígio em apreço, o que ratifica o acerto da decisão da DRJ de não conhecer da matéria por esse motivo. Pela mesma razão, fica demonstrada a improcedência da alegação da recorrente de que, ao escusarse de analisar e julgar tais fatos, a DRJ violara frontalmente os princípios da eficiência, da economia processual e até mesmo da verdade material. Por todas essas razões, não se toma conhecimento da presente alegação. II Da Análise das Questões Relacionadas ao Auto de Infração De acordo com o Auto e Infração de fls. 8/275, que integra o processo nº 15586.720318/201113, apenso a este processo, foi imposta à recorrente as seguintes multas isoladas: a) por compensação indevida, sendo uma de 150% (cento e cinquenta por cento), incidente sobre o valor dos débitos indevidamente compensados com créditos glosados provenientes de aquisições de pessoas jurídicas consideradas irregulares (“pseudoatacadistas”) e a outra de 75% (setenta e cinco por cento), incidente sobre os valor dos débitos indevidamente compensados com créditos glosados, em função de interpretação equivocada da legislação por parte da autuada; e b) por pedido de ressarcimento indeferido ou indevido, no percentual de 50% (cinquenta por cento). A multa por compensação indevida de 75% (setenta e cinco por cento) foi cancelada pela decisão de primeira instância e, em face dessa circunstância, as razões de defesa suscitas pela recorrente no recurso voluntário em apreço serão analisadas no tópico a seguir, em que apreciado o recurso de ofício. Da ilegalidade das multas isoladas aplicadas. A recorre alegou que as multas isoladas impostas no questionado Auto de Infração violavam frontalmente o art. 97, V, combinado com o disposto art 113 do CTN. Para a recorrente, apenas a multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória seria autônoma em relação à obrigação de pagar tributo, daí porque a multa isolada não seria aplicável na hipótese de não homologação de Declaração de Compensação (DComp) e indeferimento de Pedido de Ressarcimento (PER). Evidentemente, tratase de questão que envolve a análise da legalidade de preceito legal, vigente e eficaz, veiculado em lei ordinária, frente a preceito legal de lei complementar. A recorrente, após alegar que fora indevida a omissão por parte da Turma de Julgamento de primeiro grau, que não apreciou a questão sob o fundamento de que não seriam cabíveis na esfera administrativa discussões quanto à aplicabilidade/legalidade de normas jurídicas, argumentou que não esperava que se declarasse a ilegalidade dos dispositivos invocados pela fiscalização para fundamentar a cobrança das multas isoladas, mas apenas que se reconhecesse a injuridicidade deles diante do disposto no CTN e, assim, que se deixasse de aplicálos no caso concreto. 5 Neste tópico, se não houver, as folhas mencionadas referemse ao processo nº 15586.720318/201113, que se encontra em apenso. Fl. 11548DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.549 40 Sem razão a recorrente. Nos termos do art. 26A do Decreto 70.235/1972, expressamente, proíbe que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o órgão de julgamento administrativo afaste aplicação ou deixe de observar lei, sob fundamento de inconstitucionalidade e, embora não expressamente previsto, também ilegalidade frente a preceito legal de lei complementar, que, necessaria e indiretamente, envolve a análise da constitucionalidade da lei de hierarquia inferior. Deveras, somente nas hipóteses excepcionais, especificadas no § 6º do art. 26A do Decreto 70.235/1972, é que o órgão ou a autoridade julgadora da esfera poderá deixar de aplicar ou observar preceito legal vigente e plenamente eficaz, situação que não se vislumbra nos autos. Portanto, decidiu corretamente a Turma de Julgamento de primeiro grau e não merece qualquer reparo a decisão recorrida. Da multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento) De acordo com Relatório de Fiscalização de fls. 2/7, informou a autoridade fiscal que, em face da constatação e comprovação da fraude no mercado cafeeiro, sobre a totalidade dos débitos compensados, com a utilização dos créditos apurados indevidamente sobre as aquisições de pessoas jurídicas consideradas “pseudoatacadistas”, foi imposta a multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), prevista no art. 18 da Lei 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, respectivamente, a seguir transcritos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas:(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] (grifos não originais) Fl. 11549DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.550 41 Da leitura do referido preceito legal, verificase que é condição necessária para a imposição da multa isolada nele prevista, que a fiscalização comprove a falsidade da Declaração de Compensação (DComp) apresentada pela autor do procedimento compensatório. No caso, entendeu a fiscalização que todas das DComp apresenadas pela recorrente contendo créditos das aquisições de café em grão, efetudadas das pessoas jurídicas denominadas “pseudoatacadistas” e discriminadas nas planilhas de fls. 1861/2005, eram falsas, pois os créditos nela informados eram provenientes de operações de compras fraudulentas devidamente comprovadas, nos termos do mencionado o Parecer SEFIS nº 246/2011. Evidentemente, a falsidade a que alude a fiscalização é a ideológica, que difere da material em razão de que nesta o falso incide sobre a própria confecção do documento, enquanto que naquela a falsidade reside no conteúdo intrínseco do documento, haja vista que o caso em apreço tratase de conduta comissiva cometida com a clara intenção de inserir informação inverídica nas correspondente DCom com o deliberado objetivo de extinguir débitos tributários com a utilização de parcela de créditos que a recorrente sabia que eram provenientes de operações simuladas de compras das referidas “pseudoatacadistas”. Na peça recursal de fls. 11363/11412 do processo principal, a recorrente alegou que a fiscalização não havia apresentado nenhuma evidência de que as DComp em discussão conteriam algum tipo de falsidade. Para a recorrente, a mera alegação da ocorrência de fraude generalizada no mercardo cafeeiro não era suficiente para imposisção da multa em questão, para esse fim, a fiscalização teria que ter comprovado que a própria recorrente havia apresentado alguma informação falsa nas citadas DComp. Sem razão a recorrente, pois, diferentemente do alegado, a fiscalização apontou sim o elemento específico que caracterizava as citadas DComp com ideologicamente falsas, tratase do valor dos créditos apropriados ilicitamente sobre as compras simuladas das “pseudoatacadistas”. Aliás, no citado Relatório de Fiscalização, a recorrente fez expressa indicação da planilha encartada nos autos deste processo contendo a relação de todas as notas fiscais objeto das citadas compras simuladas. Portanto, não se trata de mera presunção de suposta ocorrência de fraude mercado cafeeeiro, conforme alegou a recorrente, mas de fato concreto, devidamente respaldo em elementos probatórios coligidos aos autos deste processo. Com relação à suposta utilização de notas fiscais ideologicamente falsas, a recorrente alegou que, no momento da celebração das operações de aquisição do produto, tinha a convicção deque esses créditos eram válidos e legítimos, o que demonstrava que era adquirente de boafé. Dada a natureza do mercado cafeeiro, em que os fornecedores são tradicionais produtores rurais, o pleno conhecimento da realidade do mercado cafeeiro, as condições operacionais para que uma empresa atacadista opere nesse mercado, são elementos que leva a convicção de seria impossível que uma empresa do porte da recorrente, com atuação há mais 43 anos no mercado e que mantém contato direto com seus fornecedores, não tivesse conhecimento dessa tosca fraude cometida contra a Fazenda Nacional. Além disso, não é possível acreditar que, na condição de empresa com longa tradição e atuação no mercado, sendo a maior exportadora de café do País, ao longo de mais de 8 (oito) anos, tivesse adotado o mesmo modus operandi fraudulento, conforme relatado Fl. 11550DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.551 42 precedentemente, e que a recorrente não tenha tomado conhecimento, mesmo diante dos fatos ilícito apurados no âmbito das operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, inclusive com várias prisões de pessoas ativamente participantes do setor cafeeiro, e que foram amplamente divulgados na mídia. Dado esse contexto e tendo conta o teor das provas coligidas aos autos, induvidosamente, não há como firmar a convicção de que a recorrente tenha agido de boafé. Para justificar o injustificável de que jamais teve qualquer participação ou envolvimento com tal “indústria de pseudoatacadistas”, a recorrente alegou que nenhum dos acionistas, administradores ou empregados da recorrente estavam entre os denunciados. Ou seja, não recaí sobre a recorrente nem sobre as pessoas físicas a ela relacionadas sequer uma suspeita de que tenham participado em qualquer atividade fraudulenta ou criminosa. Para comprovar tal fato, a recorrente juntou ainda na fase manifestação de inconformidade, certidão expedida pela 1ª Vara Federal de Colatina (fl. 2596), que, segundo a recorrente, havia atestado que nenhuma pessoa a ela relacionada fora denunciada pelo Ministério Público Federal. Da leitura do inteiro teor da referida certidão, verificase que ela tem a informação com a abrangência alegada pela recorrente, posto que, no citado documento fora informado que apeans os nomes dos seis diretores da recorrente, relacionados no requerimento de fls. 2597/2600, não constavam na denúncia movida pelo MPF no âmbito do processo da Ação Penal n° 2008.50.05.0005383. Tendo em conta que a recorrente, somente funcionários teria cerca de 400 (quatrocentos), conforme por ela própria informado no recurso de fls. 11263/11358, apenas seis diretores, é uma amostra muito pequena para que seja afirmado com tanta ênfase que não havia envolvimento de nenhuma pessoa relacionada com a recorrente. Além disso, ao cotejar a relação de corretores contratados pela recorrente, entre julho de 2009 e dezembro de 2010, anexada aos autos deste processo na fase de manifestação de informidade (fls. 2265/2632), com a relação de pessoas com prisão temporária decretada e presa durante a “Operação Broca”, publicada no Jornal “A Gazeta Vitória”, edição de 3 de junho de 2010, colacionada aos autos do processo nº 15578.000143/201034 (fls. 499/506), verificase que o Sr. Marcelo Pretti faz parte das duas relações, então não é verdade, o que, por si só, já dmonstra que não correspondde a verdade a assertiva de que “nenhuma pessoa a ela relacionada fora denunciada pelo Ministério Público Federal”. Por todas essas razões e com base na documentação colacionada aos autos, fica demonstrado que, desde vigência do regime cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep em dezembro de 2002, portanto, por mais de oito anos, a conduta específica e concreta da recorrente consistiu em simular compras de café em grão de pessoas jurídicas de fato inexistentes, com a intenção e o propósito deliberado de apropriasse ilicitamente de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, mediante procedimentos cuidadosamente planejados, incluindo a produção de provas com o único o objetivo de comprovar a operação simulada. E com esses artifícios, a recorrente acumulou grandes cifras de créditos que foram utilizadas para compensar outros tributos administrado pela RFB, subtraindo do recolhimento aos cofres públicos parte substancial da obrigação principal da sua responsabilidade. O evidente intuito de se apropriar indevidamente de créditos das referidas contribuições restou devidamente demonstrado no curso do trabalho fiscal minucioso e eficiente realizado pela fiscalização da receita federal, em conjunto com o MPF e Polícia Federal, mediante a colheita de provas de variada ordem, tais como: documentos fiscais e contábeis, levantamento fotográfico, depoimentos de produtores rurais, de corretores de café, de sócios de empresas, declarações das empresas que negociaram com o impugnante etc. Fl. 11551DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.552 43 No mesmo sentido, pela pertinência, reproduzo a seguir as bem postas conclusões apresentadas pelo i. Relator do voto condutor do julgado recorrido, in verbis: O conjunto probatório conduziu à conclusão da existência de vontade dolosa, premeditada e viciada, dirigida à prática da infração. O padrão de conduta, repetido ao longo do tempo, restou manifestado por atos específicos e reiterados fluindo na direção do mesmo resultado, já que, especificamente, a autoridade fiscal apurou a mesma infração ao longo de todo o período auditado, de julho de 2009 a dezembro de 2010, consistente em declarar créditos fictícios, obtidos mediante a inclusão artificial de uma pessoa jurídica no negócio jurídico efetuado entre produtor rural e a empresa autuada. Além disso, foram contabilizados, sistematicamente, créditos integrais de PIS/Cofins, quando a lei determina, no período autuado, o creditamento apenas parcial (35%), nas compras diretas de pessoa física. O contribuinte autuado, ora impugnante, para obter indevidamente créditos na ordem de milhões de reais, utilizou de uma ‘indústria’ erguida e mantida com sua participação essencial, cujo produto são notas fiscais ideologicamente falsas, emitidas por pessoas jurídicas construídas com este fim específico. Empresas essas com patrimônio totalmente incompatível com a atividade declarada e com a suposta movimentação comercial; que não declaram, nem pagam quaisquer tributos, situada em escritórios acanhados em prédios comerciais, sem qualquer logística capaz de movimentar cargas, armazenar e, muito menos beneficiar, cargas de café. Não se trata de eventual omissão de receitas, em que o contribuinte deixa de emitir uma nota fiscal, ou de escriturar a receita, ou de oferecer à tributação o devido; ao contrário, no caso sub examine, tratase da existência de fraude planejada, articulada e cuidadosamente executada por longo período de tempo, tendente, na maioria dos casos, até mesmo a subtrair, na forma de ressarcimento e/ou compensação, recursos do erário, mediante a apropriação de créditos fictícios, evidenciada por um padrão preciso de comportamento irregular e repudiado pela lei, não apenas tributária. (grifos não originais) Por todas essas razões, fica cabalmente demonstrado que as DComp apresentadas pela recorrente são todas elas ideologicamente falsas, por conter informação sobre créditos inexistente, uma vez que apropriados sobre valores de compras simuladas realizadas com “pseudoatacadistas”. Logo, tal conduta foi correta sancionada com multa de isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), pois se subsome adequadamente ao disposto no art. 18 da Lei 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 44, I da Lei 9.430/1996. Da Multa isolada de 50% sobre o valor dos pedidos de ressarcimento. De acordo com Relatório de Fiscalização de fls. 2/7, informou a autoridade fiscal que, em face do indeferimento dos pedidos de ressarcimento apresentados pela Fl. 11552DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.553 44 recorrente, foi imposta a multa isolada no percentual de 50% (cinquenta por cento), prevista no art. 74, § 15, da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 15. Será aplicada multa isolada de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor do crédito objeto de pedido de ressarcimento indeferido ou indevido. (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) [...] (grifos não originais) Por sua vez, a autuada alegou que referida multa era indevida, porque violava o direito de petição, previsto no artigo 5o, XXXIV, “a”, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), e o princípio do não confisco, inscrito no artigo 150, IV, da CF/1988. A controvérsia envolve a apreciação da constitucionalidade do referido preceito legal, sabidamente matéria que não pode ser conhecida nesta esfera administrativa de julgamento, por força de vedação expressa veiculada no art. 26A do Decreto 70.235/1972, excepcionadas as hipóteses elencadas no § 6º do citado artigo. Aliás, em consonância com o referido preceito legal, tal vedação foi objeto da Súmula CARF nº 02, que tem o seguinte teor, in verbis: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Entretanto, o art. 74, § 15, da Lei 9.430/1996, que serviu de fundamento legal para imposição da referida multa, por meio da Medida Provisória 656/2014, foi expressamente revogado. Por força dessa circunstância, à multa em apreço, deve ser aplicado o disposto na alínea “a” do II do art. 1066 do CTN, que trata aplicação retroativa da lei nova que deixa de definir determinada conduta como infração, desde que o ato não esteja definitivamente julgado, situação que se amolda perfeitamente ao caso em tela. Dessa forma, embora caracterizada a infração em tela, entendese que a presente penalidade deve ser excluída, pois, tratandose de ato definitivamente julgado, a hipótese legal da infração em tela deixou de existir, tornando atípica a conduta praticada pela recorrente perante a legislação superveniente. 6 "Art. 106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática". Fl. 11553DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.554 45 Da exigência cumulativa da multa de mora e da multa isolada. A recorrente alegou que não poderia ser cobrada multa mora cumulativa com multa isolada em relação aos débitos relativos às compensaões não homologadas. Segundo a recorrente, caso as multas isoladas exigidas fossem mantidas, o que admitia apenas para argumentar, não poderia haver qualquer cobrança cumulativa de multa de mora com a multa isolada aplicada sobre compensação indevida, sob pena de se penalizar por duas vezes um único comportamento do contribuinte, qual seja, a apresentação de DComp para fins de compensação de débitos tributários. Sem razão a recorrente. As duas multas não visam à sanção do mesmo comportamento. Deveras, a multa de mora sanciona o comportamento consistente no atraso no pagamento de tributo a pagar, ou seja, a dita multa deve ser aplicação quando o responsável tributário não realiza o pagamento do tributo a recolher dentro do prazo estabelecido na legislação específica, conforme estabelecido no art. 61 da Lei 9.430/1996, que segue transcrito. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o§ 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifos não originais) Por sua vez, a questionada multa de ofício isolada, calculada sobre o valor das compensações indevidas, previstas nos §§ 2º e 4º do art. 18 da Lei 10.833/2003, sanciona condutas distintas, respectivamente, (i) a apresentação de DComp falsa, ou (ii) realização de compensação considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74, § 12, II, da Lei 9.430/1996, conforme se infere dos referidos preceitos legais, que seguem transcritos: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 Fl. 11554DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.555 46 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] § 4º Será também exigida multa isolada sobre o valor total do débito indevidamente compensado quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicandose o percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu § 1º, quando for o caso. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) [...] Do cotejo do teor dos referidos preceitos, fica evidenciado que, embora tenham a mesma base de cálculo (o valor total do débito indevidamente compensado), as referidas multas sancionam condutas distintas, portanto, não há que se falar em aplicação em duplicidade. Assim, por terem condutas típicas distintas, induvidosamente, as referidas penalidades podem ser, cumulativamente, aplicadas e cobradas, sem qualquer óbice de natureza legal. Também não procede a alegação da recorrente de que, em observância ao princípio da consunção, ainda que as multas isoladas e moratória decorressem de fatos distintos, tais fatos estavam estritamente vinculados, sendo inegável que elas eram motivadas por um único e isolado comportamento do contribuinte, o que deixa patente a cumulatividade e, por conseguinte, a improcedência da pretendida cobrança. Não é possível vislumbrar qualquer vinculação entre a conduta consistente no atraso no pagamento de tributo e aquela relacionada com a multas isolodas decorrentes do cometimento das condutas concernentes à (i) apresentação de DComp falsa e (ii) realização de compensação considerada não declarada. Logo, trantandose de fatos independentes, não se aplica ao caso em comento, os efeitos do princípio da consunção, conforme alegado pela recorrente. Por essas razões, rejeitase a alegação de cumulatividade de penalidaes, suscitadas pela recorrente. II DA ANÁLISE DO RECURSO DE OFÍCIO De acordo com Relatório de Fiscalização de fls. 2/7, informou a autoridade fiscal que, em face da interpretação equivocada da legislação tributária pela contribuinte, sobre a totalidade dos débitos indevidamente compensados, foi imposta a multa isolada no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), prevista no art. 18, § 2º, da Lei 10.833/2003, combinado com o disposto no art. 44, I, da Lei 9.430/1996, anteriormente transcritos. O Colegiado de julgamento de primeiro grau considerou improcedente a aplicação da referida penalidade, sob argumento de que, o art. 18 da Lei 10.833/2003, com redação dada pela Lei 11.488/2007, estabelecia a imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida, aplicada unicamente quando se Fl. 11555DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.556 47 comprovada falsidade na declaração prestada pelo sujeito passivo. Não era este o caso, pois conforme descrito pela autoridade fiscal os créditos glosados haviam sido calculados pelo contribuinte em função de interpretação equivocada da legislação tributária. Assiste razão ao referido órgão de julgamento. Na época dos fatos, conforme anteriormente exposto, o art. 18 da Lei 10.833/2003, previa apenas dos tipos penalidades. Uma para o cometimento da infração consistente na apresentação de DComp falsa, consistenta na multa isolada de 150% (cento e cinquenta por cento), e a outra para a compensação considerada não declarada, consistente na multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento). A conduta descrita pela fiscalização, certamente, não se enquadra em nehuma das condutas típicas descrita no referenciado preceito legal, portanto, indevida aplicação da multa isolada de 75% (setenta e cinco por cento) Com essas considerações, fica demonstrado o acerto da decisão recorrida, devendo ser mantida a exoneração da referida multa. III DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, votase por não conhecer da questão sobre revisão de base de cálculo do IRPJ e da CSLL, NEGAR PROVIMENTO ao recurso de ofício e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para: a) restabelecer o direito de a recorrente (i) apropriarse do valor total dos créditos calculados sobre as despesas com comissões corretagem na compra de café e (ii) de utilizar o saldo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, apropriado sobre as aquisições de café in natura, na compensação ou no ressaricmento em dinheiro. José Fernandes do Nascimento Voto Vencedor Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Redator ad hoc Em que se pese as profundas análises efetuadas pelo i.Relator, ouso discordar de suas conclusões exclusivamente quanto ao restabelecimento do direito ao crédito integral na aquisição das cooperativas. A questão foi analisada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil que publicou a Solução de Consulta COSIT nº 65, de 10/03/2014, cuja ementa abaixo reproduzimos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Fl. 11556DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.557 48 Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, art3º ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Cofins, não está impedida de apurar créditos relativos às aquisições de produtos junto a cooperativas, observados os limites e condições previstos na legislação. Dispositivos Legais: Lei nº 10.637, art. 3º. Transcrevemos também o excerto dos fundamentos da referida Solução de Consulta, para melhor elucidação da questão: “11. Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art.9º. [...]. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art.9º, §1º, II, da Lei nº10.925, de 2004).” O ponto fundamental para a solução da lide é a configuração da aquisição de café de cooperativa, já submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004. Nesses casos, sobre a receita de venda do café submetido a esta operação, não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Portanto, importanos avaliar se a operação anterior, realizada pela cooperativa, estava submetida ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Caso positivo, seria reconhecido o direito ao creditamento nas aquisições de café. Caso negativo, não seria possível o direito ao crédito, sendo aplicável a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins de que trata o art.9º da Lei nº10.925/2004. O i.Relator, entendeu que, embora exista nos autos fartos argumentos no sentido de justificar que as cooperativas fornecedoras do “café cru em grão” exerciam a atividade agroindustrial definida no preceito legal em destaque, a recorrente não teria trazido aos autos elementos de prova adequados e suficientes que confirmassem que as cooperativas vendedoras exerciam a atividade agroindustrial definida no citado preceito legal. Não é o nosso entendimento. Foram colacionadas aos autos, pela recorrente, ainda que por amostragem, notas fiscais de aquisição do produto “café em grão cru” ou “café beneficiado”, com a indicação da incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Segundo o entendimento da recorrente, a incidência das contribuições teria sido obrigatória, devido a submissão dos cafés adquiridos pelas cooperativas ao processo produtivo previsto no §6º do art. 8º da Lei nº Fl. 11557DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 15586.720228/201114 Acórdão n.º 3102002.344 S3C1T2 Fl. 11.558 49 10.925/2004, fato esse impeditivo para a saída posterior suspensa na forma do art. 9º do inciso II da mesma lei. Entendo que o registro das referidas expressões nas notas fiscais, informando que operação estava sujeita a tributação normal das citadas contribuições, traz uma presunção de licitude das operações de aquisição de café de cooperativa, sujeitas ao recolhimento regular das contribuições. Afirmar que a operação devidamente escriturada teria, na verdade, forma diversa daquela exposta nos registros fiscais, conferindo efeito diverso daquele indicado, demandaria uma prova oposta por parte do fisco, inexistente no presente processo. A comprovação do fato jurídico tributário depende, em regra geral, de que o administrado apresente os documentos que a legislação fiscal o obriga a produzir e manter sob guarda, ou declare sua ocorrência em declaração prestada à autoridade pública. Uma vez que essa particularidade seja compreendida, há que se sublinhar que nada dispensa a Administração de laborar em busca das provas de que o fato ocorreu e de instruir o processo administrativo com elas. Como consta, a desconsideração das provas se deu porque, no entendimento do Fisco, a interessada limitouse a apresentar as notas fiscais de aquisição das mercadorias. Peço vênia para discordar dessas conclusões. Não me parece que a acusação de que a operação praticada pela recorrente não foi aquela por ela declarada e escriturada. Ainda que passível de dúvidas acerca da veracidade das operações, tais dúvidas deveriam ter sido esclarecidas durante o procedimento fiscal, de forma a contraproduzir elementos probantes para desconsiderar aquelas notas fiscais apresentada. Nada disso ocorreu. A comprovação de que as operações foram tributadas, ensejando o crédito à adquirente, foi feita pela recorrente. Caberia ao fisco comprovar que tais cooperativas não exerciam a atividade agroindustrial, o que não foi feito. Em suma, mediante as provas que constam nos autos, concluise que o “café cru em grão” ou “café beneficiado” foram adquiridos de cooperativa agropecuária de produção, e que a sociedade cooperativa vendedora realizou as operações descritas no do art. 8o, § 6o, da Lei 10.925/2004. Dessa forma, a recorrente fazia jus ao crédito integral relativo às aquisições. É como voto Ricardo Paulo Rosa Fl. 11558DF CARF MF Impresso em 19/11/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 19/11/2015 por RICARDO PAULO ROSA
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