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7398100 #
Numero do processo: 15374.913736/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1401-000.524
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES

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1401­000.524  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  12 de abril de 2018  Assunto  IRPJ  Recorrente  BARUDAN DO BRASIL COMERCIO E INDUSTRIA LTDA   Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência nos termos do voto do Relator.    (assinado digitalmente)  Luiz Augusto de Souza Gonçalves ­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Luiz  Augusto  de  Souza  Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme  Adolfo dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues  Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 13 73 6/ 20 08 -3 4 Fl. 219DF CARF MF Processo nº 15374.913736/2008­34  Resolução nº  1401­000.524  S1­C4T1  Fl. 220          2 RELATÓRIO  O  presente  processo  deve  ser  analisado  dentro  do  conjunto  composto  pelos  seguintes processos:  15374.913733/2008­09  15374.913734/2008­45  15374.913736/2008­34  15374.913743/2008­36  15374.913744/2008­81  15374.913745/2008­25  15374.913746/2008­70  16374.913847/2008­14  16374.913749/2008­11  15374.913750/2008­38  15374.913751/2008­82  15374.913752/2008­27  15374.913758/2008­02  15374.913761/2008­18  15374.913762/2008­62  15374.913763/2008­15    Isso porque em todos os feitos acima citados, contam resoluções deste colegiado  no seguinte sentido:    Os  fatos  constantes  dos  processos  nº  15374.913733/2008­09,  15374.913734/2008­45,  15374.913736/2008­34,  15374.913743/2008­36,  15374.913744/2008­81,  15374.913745/2008­25,  15374.913746/2008­70,  16374.913847/2008­14,  16374.913749/2008­11,  15374.913750/2008­38,  15374.913751/2008­82,  15374.913752/2008­27,  15374.913758/2008­02,  15374.913761/2008­18,  15374.913762/2008­62  e  15374.913763/2008­15  são os mesmos.  (...)    Dada  a  identidade  material  dos  processos  15374.913733/2008­09,  15374.913734/2008­45,  15374.913736/2008­34,  15374.913743/2008­36,  15374.913744/2008­81,  15374.913745/2008­25,  15374.913746/2008­70,  16374.913847/2008­14,  16374.913749/2008­11,  15374.913750/2008­38,  15374.913751/2008­82,  15374.913752/2008­27,  15374.913758/2008­02,  15374.913761/2008­18,  15374.913762/2008­62  e  15374.913763/2008­15,  promovo, com base no disposto no § 7º do art. 58 do RICARF, o julgamento  conjunto dos processos.    (...)    Diante disso, proponho seja o presente  feito  convertido em diligência, para  apuração do seguinte:  1) seja extraídas do sistema da RFB e colacionadas aos autos as DIPJ’s dos  anos­calendário em que foram recolhidas as estimativas objeto do pedido de  restituição;  Fl. 220DF CARF MF Processo nº 15374.913736/2008­34  Resolução nº  1401­000.524  S1­C4T1  Fl. 221          3 2) seja verificado o direito creditório nas DCOMP’s em análise, tomando­se o  pedido  de  restituição  das  estimativas  como  pedido  de  restituição  do  respectivo saldo negativo do ano em que foram recolhidas;  3) sejam promovidas as diligências e verificações necessárias à constatação  do direito creditório, tomando­se o pedido de restituição como sendo relativo  aos respectivos saldos negativos;  4) seja elaborado parecer conclusivo acerca dos PER/DCOMP, tomando­se  o  pedido  de  restituição  como  sendo  relativo  aos  respectivos  saldos  negativos;  5) seja notificado o contribuinte acerca dos termos da presente diligência.    (...)    Diante disso, proponho seja o presente  feito  convertido em diligência, para  apuração do seguinte:  1) seja extraídas do sistema da RFB e colacionadas aos autos as DIPJ’s dos  anos­calendário em que foram recolhidas as estimativas objeto do pedido de  restituição;  2) seja verificado o direito creditório nas DCOMP’s em análise, tomando­se o  pedido  de  restituição  das  estimativas  como  pedido  de  restituição  do  respectivo saldo negativo do ano em que foram recolhidas;  3) sejam promovidas as diligências e verificações necessárias à constatação  do direito creditório, tomando­se o pedido de restituição como sendo relativo  aos respectivos saldos negativos;  4) seja elaborado parecer conclusivo acerca dos PER/DCOMP, tomando­se  o  pedido  de  restituição  como  sendo  relativo  aos  respectivos  saldos  negativos;  5) seja notificado o contribuinte acerca dos termos da presente diligência.      A  diligência  foi  promovida  pela  autoridade  local  e  quase  todos  os  processos  foram reunidos ao feito de número 15374.913763/2008­15, exceto o de nº 15374.913734/2008­ 45.    É o relatório do essencial para este momento processual.          VOTO  Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes ­ Relator  O processo de nº 15374.913734/2008­45 acima citado não  foi distribuído para  este  relator  (na  verdade,  nem  sequer  está  no  CARF)  e  nele,  conforme  verificamos  no  e­ processo, não consta a realização da diligência determinada.    Fl. 221DF CARF MF Processo nº 15374.913736/2008­34  Resolução nº  1401­000.524  S1­C4T1  Fl. 222          4 Dessa  forma,  deve  ser  convertido  o  julgamento  em  diligência  com  o  fito  de  juntar  o  processo  15374.913734/2008­45  no  processo  15374.913763/2008­15  para  que  o  presente processo seja julgado com todos os demais citados no relatório.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Guilherme Adolfo dos Santos Mendes    Fl. 222DF CARF MF

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7128831 #
Numero do processo: 13888.910755/2012-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.302
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a unidade local da RFB: (a) aferir a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN

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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para a unidade local da RFB: (a) aferir a procedência e a quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; (b) informar se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.

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3401­001.302  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  24 de outubro de 2017  Assunto  Declaração de Compensação  Recorrente  WIPRO DO BRASIL INDUSTRIAL S/A (Nova denominação social de RKM  EQUIPAMENTOS HIDRÁULICOS S/A)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em  diligência,  para  a  unidade  local  da  RFB:  (a)  aferir  a  procedência  e  a  quantificação  do  direito  creditório  indicado  pelo  contribuinte,  empregado  sob  forma  de  compensação;  (b)  informar  se,  de  fato,  o  crédito  foi  utilizado  para  outra  compensação,  restituição  ou  forma  diversa  de  extinção  do  crédito  tributário,  como  registrado  no  despacho  decisório; (c) informar se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada;  e (d) elaborar relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e  conclusões alcançadas.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan Presidente e Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Rosaldo  Trevisan,  Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique  Lemos,  Fenelon  Moscoso  de  Almeida,  Tiago  Guerra  Machado  e  Leonardo  Ogassawara  de  Araújo Branco.  Relatório  Cuida­se, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de  compensação,  cujo  fundamento  foi  a  integral  vinculação  do  crédito  indicado  em  outro(s)  débito(s) de titularidade do contribuinte.  Em  manifestação  de  inconformidade  o  contribuinte  aduziu  ser  fornecedor  da  pessoa jurídica CATERPILLAR BRASIL LTDA., detentora de Ato Declaratório Executivo –  ADE homologatório  do  RECOF,  o  que  lhe  confere  a  suspensão  do  IPI,  PIS/Pasep  e Cofins  sobre as compras nacionais, mas que, por equívoco, não excluíra as vendas correspondentes da  apuração  das  contribuições  em  comento,  o  que  ensejou  indébito  objeto  de  compensação.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 10 75 5/ 20 12 -7 0 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 13888.910755/2012­70  Resolução nº  3401­001.302  S3­C4T1  Fl. 3          2 Ocorre que,  também por lapso, não providenciou a retificação prévia da DCTF e DACON, o  que motivou a não homologação da compensação aviada.  Na oportunidade, demonstrou a apuração do recolhimento a maior, defendeu o  direito à repetição da quantia indevida, a impossibilidade de simples erro no cumprimento de  obrigações acessórias obstaculizar o seu exercício, invocou a ausência de prejuízo ao erário, a  prevalência da verdade material e a vedação ao enriquecimento ilícito.  Foram  juntados  comprovantes  de  arrecadação,  PERDCOMP,  notas  fiscais  de  saída e DCTF.  A DRJ Ribeirão Preto/SP julgou o recurso improcedente ao argumento que não  havia  prova  exaustiva  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  vindicado,  pois  não  fora  juntados  os  registros contábeis da operação, imputando ao recorrente o ônus da prova do direito requerido.  O recurso voluntário sustentou a possibilidade de juntada de documentos nessa  fase processual, em observância ao princípio da verdade material; pugnou pela devolução dos  autos  à  unidade  de  origem  para  revisão  do  despacho  eletrônico,  por  força  do  PN  Cosit  nº  02/2015; e, por fim, ratificou as alegações já deduzidas com reafirmação do direito pleiteado.  Foram  anexados  a  esta  peça  o  ADE  nº  53/06  (CARTEPILLAR  BRASIL  LTDA., admissão no RECOF), laudo técnico contábil e extrato do livro Registro de Saídas.  É o relatório.    Voto  Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator   O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº 3401­001.275,  de  24  de  outubro  de  2017,  proferida  no  julgamento  do  processo  13888.910728/2012­05,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu na Resolução 3401­001.275:  "O  recurso  protocolado  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos de admissibilidade.  Registro,  inicialmente,  que  a  singela  retificação  de  declaração,  isoladamente considerada, da mesma forma que não ampara o direito  à restituição de indébito, também não pode, por si só, ser obstáculo à  sua devolução.  Fixada  a  premissa,  observo  que  o  fundamento  inicial  da  não  homologação  da  compensação  realizada  se  lastreou  em  uma  suposta  utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de  forma  tal  que  não  haveria  saldo  disponível  para  a  compensação  realizada.  Fl. 205DF CARF MF Processo nº 13888.910755/2012­70  Resolução nº  3401­001.302  S3­C4T1  Fl. 4          3 Na linha adotada pela decisão de primeira instância, o acolhimento  da manifestação de inconformidade, em situações como estas, exigiria  a  demonstração  cabal  dos  argumentos  deduzidos,  através  de  documentação hábil suficiente a ampará­los.  Todavia, entendo draconiano impor ao sujeito passivo a intuição de  qual acervo probatório deveria dispor para atender suficientemente as  expectativas do julgador administrativo.  É  inconteste  que,  tratando­se  de  restituição  de  tributos,  é  do  contribuinte o encargo de provar o direito vindicado, ex vi do art. 36  da Lei nº 9.784/99 e art. 373, I, do novo Código de Processo Civil, de  tal  sorte que deveria haver uma prova mínima das  razões aventadas,  não  sendo  suficiente  a  tal  desiderato  a mera  juntada  de  declarações  retificadoras,  pois,  como  adrede  exposto,  não  amparam  direito  à  restituição de tributo pago indevidamente.  No caso vertente, entretanto, constam dos elementos coligidos aos  autos,  ainda  na  manifestação  de  inconformidade,  cópias  das  notas  fiscais de venda à CATERPILLAR, empresa beneficiária do RECOF e,  por conseqüência, com benefício da suspensão do PIS/Pasep e Cofins  em  suas  aquisições  no  mercado  interno,  com  discriminação  dos  documentos e a pretensa demonstração que essas faturas compuseram  a base de cálculo daquelas exações.  Como pontuado alhures, não é possível exigir que o sujeito passivo  traga,  de  imediato,  toda  a  documentação,  que  reputa  o  julgador  necessária à demonstração do indébito, em um extremado exercício de  predição.  Nessa  toada,  à  luz  dos  termos  do  despacho  decisório  eletrônico,  parecia­lhe suficiente a justificativa da retificação, a demonstração dos  cálculos e as notas fiscais respectivas, agregando­se, após decisão de  primeiro grau administrativo, o extrato do livro Registro de Saídas.  Poder­se­ia indagar acerca da preclusão temporal para coleção da  prova  documental  complementar,  à  luz  do  art.  16  do  Decreto  nº  70.235/72, como fez a decisão recorrida, contudo, não se pode olvidar  que  o  despacho  decisório  contestado  é  fruto  de  verificações  automáticas  de  sistema,  realizadas  a  partir  de  declarações  prestadas  pelo  contribuinte,  sem  qualquer  participação  das  autoridades  administrativas,  que  sequer  assinam  o  despacho  decisório,  pois  validado por meio de chancela eletrônica.  Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações  tecnológicas,  porém,  não  se  pode  perder  de  vista  os  princípios  norteadores  do  processo  administrativo  fiscal,  valendo  registrar  que  esta  Terceira  Seção  de  Julgamento  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais tem orientado sua jurisprudência no sentido que, em  situações  como  a  deste  processo,  onde  há  um  robusto  princípio  de  prova, formado não apenas por declarações ou debates eminentemente  retóricos, deve o julgamento ser convertido em diligência para análise  da procedência do direito postulado.  Fl. 206DF CARF MF Processo nº 13888.910755/2012­70  Resolução nº  3401­001.302  S3­C4T1  Fl. 5          4 Assim, considerando que o processo não se encontra em condições  de  julgamento,  proponho  sua  conversão  em  diligência  para  que  seja  informado e providenciado o seguinte:  · Aferição  da  procedência  e  quantificação  do  direito  creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma  de compensação;  · Informação  se,  de  fato,  o  crédito  foi  utilizado  para  outra  compensação,  restituição ou  forma diversa de  extinção do  crédito tributário, como registrado no despacho decisório;  · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar  a compensação realizada; e,  · Elaboração  de  relatório  circunstanciado  e  conclusivo  a  respeito  dos  procedimentos  realizados  e  conclusões  alcançadas.  Em seguida,  abra­se  vista  ao  recorrente pelo  prazo de  30  (trinta)  dias, para, querendo, manifestar­se,  findos os quais deverão os autos  retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento."  Importante  frisar  que  os  documentos  juntados  pela  contribuinte  no  processo  paradigma,  como  prova  do  direito  creditório,  encontram  correspondência  nos  autos  ora  em  análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência  no caso do paradigma também a justificam no presente caso.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o  julgamento em diligência, para que seja informado e providenciado o seguinte:  · Aferição  da  procedência  e  quantificação  do  direito  creditório  indicado  pelo  contribuinte,  empregado  sob  forma  de  compensação;  · Informação  se,  de  fato,  o  crédito  foi  utilizado  para  outra  compensação,  restituição  ou  forma  diversa  de  extinção  do  crédito tributário, como registrado no despacho decisório;  · Informação  se  o  crédito  apurado  é  suficiente  para  liquidar  a  compensação realizada; e,   · Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito  dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas.  Após  a manifestação  fiscal,  conceda­se vista  ao  contribuinte  pelo  prazo de  30  (trinta dias), para, querendo, manifestar­se acerca das conclusões.  Concluídas estas providências, retornem­se os autos para julgamento.  (assinado digitalmente)  Rosaldo Trevisan  Fl. 207DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.003763/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006, 2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL. ART. 23, § 1° DO DEC. 70.235/72. OBSERVÂNCIA DA ORDEM. AUSÊNCIA DE INFRINGÊNCIA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA, BEM COMO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Respeitada a ordem prevista no art. 23, § 1° do Dec. 70.235/76, a intimação por edital é plenamente válida e não gera prejuízo para o contraditório e ampla defesa, nem ao devido processo legal. BOA-FÉ NÃO SE CONSTITUI COMO MOTIVO PARA O NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTOS. LEGALIDADE Com base na lei, a boa-fé não se constitui como motivo para o não recolhimento de tributos. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. DEIXAR DE FUNCIONAR EM DOMICÍLIO INDICADO SEM INFORMAR AOS ÓRGÃOS COMPETENTES. SÚMULA 435 STJ. ART. 135 DO CTN. Nos termos da súmula 435 do STJ, se a empresa deixa de funcionar no domicílio fiscal indicado, presume-se que houve dissolução irregular, possibilitando, assim, o redirecionamento da execução para o sócio-gerente.
Numero da decisão: 1402-005.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento, de forma a manter a decisão recorrida pelos fundamentos nela expostos. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado(a)), Jandir José Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCIANO BERNART

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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2006, 2007 INTIMAÇÃO POR EDITAL. ART. 23, § 1° DO DEC. 70.235/72. OBSERVÂNCIA DA ORDEM. AUSÊNCIA DE INFRINGÊNCIA AO CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA, BEM COMO AO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Respeitada a ordem prevista no art. 23, § 1° do Dec. 70.235/76, a intimação por edital é plenamente válida e não gera prejuízo para o contraditório e ampla defesa, nem ao devido processo legal. BOA-FÉ NÃO SE CONSTITUI COMO MOTIVO PARA O NÃO PAGAMENTO DE TRIBUTOS. LEGALIDADE Com base na lei, a boa-fé não se constitui como motivo para o não recolhimento de tributos. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA SOCIEDADE. DEIXAR DE FUNCIONAR EM DOMICÍLIO INDICADO SEM INFORMAR AOS ÓRGÃOS COMPETENTES. SÚMULA 435 STJ. ART. 135 DO CTN. Nos termos da súmula 435 do STJ, se a empresa deixa de funcionar no domicílio fiscal indicado, presume-se que houve dissolução irregular, possibilitando, assim, o redirecionamento da execução para o sócio-gerente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do Recurso Voluntário, para, no mérito, negar-lhe provimento, de forma a manter a decisão recorrida pelos fundamentos nela expostos. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 37 63 /2 01 0- 11 Fl. 227DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado(a)), Jandir José Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório 1. Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 176-198 e docs. anexos) interposto em face de Acórdão n° 16-33.696, da 5ª Turma da DRJ/SP1 (fls. 144-158), em sessão realizada em 12 de setembro de 2011, por meio do qual o referido Órgão julgou improcedente a Impugnação apresentada pelos Contribuintes (fl. 78-91 e 93-110 e docs. anexos), de forma a manter o crédito tributário lançado em desfavor dos Impugnantes. I. Auto de Infração (AI), Impugnações e DRJ 2. Por economia e celeridade processual, transcreve-se o relatório do Acórdão da DRJ de fls. 146-152. DA AUTUAÇÃO Conforme Termo de Verificação de fls. 59/62, no decurso dos trabalhos de fiscalização de revisão sumária da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF) na empresa acima identificada, verificou-se que houve falta e/ou insuficiência de recolhimento e falta de apresentação de DCTF, relativos ao IRRF, dos anos- calendário de 2006 e 2007, conforme sintetizado nos demonstrativos anexos: "DIRF X DARF 2007 - Demonstrativo do IRRF – Ano-calendário 2006" e "DIRF X DARF 2008 - Demonstrativo do IRRF – Ano-calendário 2007". A contribuinte foi intimada, em sua sede (Avenida Doutor Lino de Moraes Leme n° 139, sala 01, Vila Paulista, São Paulo, SP, CEP 04360-001 - identificada através de breve relato emitido pela Junta Comercial do Estado de São Paulo) e no domicílio do sócio Wladimir Rodney Palermo (CPF n° 193.850.808-49), a prestar esclarecimentos, justificando ou comprovando as diferenças apontadas no programa DIRF x DARF, através do Termo de Início de Revisão Interna, lavrado em 09/02/2010. Não tendo a contribuinte prestado essas informações, apesar de haver solicitado dilatação de prazo para tanto, em 08/06/2010 foi lavrado Termo de Reintimação, encaminhado para o endereço supracitado, via postal, o qual não foi entregue por falta de localização da empresa. A contribuinte foi, então, intimada por edital, não havendo manifestação de sua parte. As divergências apontadas, no programa DIRF X DARF, encontram-se abaixo resumidas (valores em reais): Procedidas às regularizações relativas aos pagamentos efetuados, conforme DARF constante nos registros da RFB, foram apuradas divergências, a serem exigidas em Auto de Infração. Fl. 228DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 Em atendimento a IN RFB nº 1005/2010, artigos 28 e 39, que disciplinam os procedimentos de Baixa de Ofício de CNPJ ou Inaptidão, a fiscalização solicitou RPFDiligência para comprovação de "não localização de Pessoa Jurídica", cuja correspondência retornou com informação de "MUDOU-SE" e/ou "AUSENTE", da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Em prosseguimento, a fiscalização realizou diligência junto a Empresa no endereço constante na Alteração Contratual, à Avenida Doutor Lino de Moraes Leme n° 139, sala 01, Vila Paulista, São Paulo, SP, CEP 04360-001, onde constatou que:  a sala encontrava-se fechada;  havia um cartaz afixado na porta com um número de telefone para o qual a fiscalização ligou sem conseguir contato;  segundo os vizinhos mais próximos, ou seja, da sala n° 2 e do térreo, não há presença de pessoas naquela sala há bastante tempo. Portanto não houve possibilidade de localização da Empresa. Diante do acima exposto foram emitidos: 1) Representação Fiscal - Inaptidão da Inscrição no CNPJ, processo n° 19515.003771/2010-67, de acordo com a IN RFB nº 1005/2010 que estabelece: "Da Situação Cadastral Inapta- Art. 39: Será declarada inapta a inscrição no CNPJ da entidade: II - não localizada: a que não tenha sido localizada no endereço informado no CNPJ.". 2) Termo de Sujeição Passiva Solidária ao sócio: Wladimr Rodney Palermo, CPF n° 193.850.808-49. Os valores relativos ao IRRF sobre Rendimentos do Trabalho Assalariado, código 0561, que deixaram de ser pagos e/ou informados em DCTF, estão detalhados em anexo, nos demonstrativos "DIRF X DARF 2007 - Demonstrativo do IRRF – Ano- calendário 2006" e "DIRF X DARF 2008 - Demonstrativo do IRRF – Ano-calendário 2007", coluna “Auto de Infração”. As irregularidades acima descritas sujeitam a contribuinte às penalidades previstas na legislação tributária, sem prejuízo das sanções penais, conforme Lei n° 8.137/1990, que trata dos Crimes Contra a Ordem Tributária. Em face de todo o exposto, foi efetuado o seguinte lançamento, relativo aos anos-calendário de 2006 e 2007: A empresa foi, então, intimada a recolher ou impugnar o Auto de Infração. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal (fls. 48/49) e às fls. 51/52 do Termo de Sujeição Passiva Solidária, presumiu-se dissolvida irregularmente a empresa, pois deixou de funcionar em seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes. Ante o exposto, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do sócio Wladimir Rodney Palermo (CPF n° 193.850.808-49), no s termos dos artigos 124 e 135 do CTN. Fl. 229DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 Dessa forma, a intimação para recolher ou impugnar o Auto de Infração é extensiva ao sócio supracitado. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELA EMPRESA Cientificada do lançamento (e dos Termos de Verificação, de Constatação e de Sujeição Passiva Solidária) em 23/11/2010 (Aviso de Recebimento nº RJ 28311617 7 BR), a empresa, por meio de seu advogado, apresentou, em 20/12/2010, a impugnação de fls. 78/91, alegando, em síntese, o seguinte: DA FALTA DE PROVAS PELA ACUSAÇÃO Pela suposta acusação de "falta de recolhimento do IRRF sobre o trabalho assalariado" deveria a fiscalização ter apresentado documentação que comprovasse que sobre o salário das pessoas físicas não houve o recolhimento do montante supostamente devido. E mais. A fiscalização deveria ter acionado as próprias pessoas físicas, questionando, assim, pelo pagamento do IRRF, pois nenhum documento juntou como prova de que recolheram referido tributo. E não acionar a impugnante. Nessa esteira, nem sequer relacionou as inscrições dos CPFs cujos recolhimentos supostamente não ocorreram. Diante disso, não há como se exigir tributo. Jamais houve a falta de recolhimento de qualquer exação fiscal, sendo que a autuação é totalmente desprovida de fundamentos e provas. No entanto, caso assim não se entenda, no máximo poderia a fiscalização ter exigido multa pela falta de cumprimento de obrigação acessória pela suposta acusação de falta de apresentação de DCTF, e não cobrado da impugnante o montante do IRRF supostamente devido. DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO A ciência da contribuinte quanto ao teor do Termo de Início de Revisão Interna se deu via postal, ou seja, por Aviso de Recebimento. Após tentativa de reintimar a contribuinte do referido procedimento fiscal, o Aviso de Recebimento foi supostamente recusado por falta de localização. Por conta desse suposto fato, foi afixado Edital n° 164/2009, nas dependências da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo - DEFIS/SPO, com o objetivo de dar ciência à contribuinte do Termo de Intimação de início de fiscalização. Por conseguinte, após o transcurso do prazo sem a manifestação da contribuinte, esta foi declarada "dissolvida irregularmente" pela Receita Federal, conforme Termo de Verificação. Ocorre que a legislação pertinente - artigo 23 do Decreto 70.235/72 - estabelece que a intimação se dará pessoalmente, e havendo recusa, há necessidade de declaração escrita de quem intimar. Assim, pressupõe que a intimação será feita pelo próprio Auditor da Receita Federal ou por Oficial de Justiça. No presente caso, por razões desconhecidas, o Auto de Infração foi lavrado no ventre da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Fiscalização em São Paulo - DEFIS/SPO (Avenida Pacaembú, n° 715 – 1º andar - São Paulo/SP), e encaminhado via postal ao endereço da contribuinte. Noutras palavras, o Auditor Fiscal não se deu o trabalho de pessoalmente intimar o contribuinte, e preferiu nomear a via postal. Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 Em verdade, a pretensa vontade do legislador ao estabelecer em seu inciso "I" a intimação pessoal do contribuinte, foi determinar uma ordem de preferência aos atos administrativos, de modo a tornar sempre que possível a intimação pessoal como regra. Sem embargos ao alegado, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento que no procedimento administrativo a intimação por edital é medida de exceção e só deve ser realizada quando forem infrutíferas as tentativas ordinárias de ciência dos interessados. Em suma, a nomeação da via postal para dar ciência à contribuinte, ato este praticado pelo Auditor Fiscal da Receita Federal, está eivado de vício, por não preencher os requisitos mínimos e exigíveis e por não esgotadas as vias para dar-lhe ciência. Por fim, por estas razões, não pode prosperar a certificada revelia da contribuinte, devendo o ato administrativo ser revogado e outro em seu lugar refeito, ao passo de oportunizar à contribuinte o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório. DA MULTA DE 75% Não obstante a incomprovada infração, lhe foi aplicada multa ao patamar de 75% sobre o valor do imposto, "supostamente devido". Contudo, conforme depreende das premissas aduzidas e dos demais documentos acostados, não existe imposto a pagar e muito menos a sua exigibilidade. O que per si cai por terra qualquer imaginação coalhada acerca da inserção da referida multa. Em verdade, só se admite a aplicação da multa de ofício quando comprovado que o contribuinte tentou fraudar a legislação do Imposto de Renda, o que não é o caso. Portanto, deve ser afastada a aplicação da multa de ofício no valor de 75% sobre o valor do tributo por conta do seu caráter confiscatório e abusivo. A exigência de multa, fixada no montante de 75%, próximo ao do débito cobrado, apenas pelo suposto não recolhimento do tributo, sem que tenha havido grave ofensa à ordem tributária, padece de razoabilidade, configurando confisco, vedado pelo artigo 150, inciso IV, da Constituição Federal. Deve ser levado em consideração que sobre esta mesma multa o Fisco aplica de forma abusiva e sem previsão legal juros moratórios sobre a multa de ofício, o que na realidade trata-se de um bis in idem, e em total abuso de direito pela fiscalização. Sendo assim, requer se digne esta Delegacia de Julgamento em afastar a aplicação da multa de ofício em decorrência de ausência de grave ofensa à ordem tributária e por conta de inexistência de imposto a recolher conforme razões já expostas. DO PEDIDO Ante ao exposto, requer a impugnante: 1. que seja cancelado o Auto de Infração, em virtude da ofensa aos princípios norteadores do direito, em especial, da ampla defesa e do contraditório, bem como em razão da insubsistente e alegada infração; 2. que seja julgado improcedente o lançamento por conta da falta de comprovação por parte do Fisco; 3. em relação à multa de ofício, que a mesma seja afastada, tendo em vista o seu caráter confiscatório, ou mesmo reduzida, por conta de que não houve prova de fraude por parte da contribuinte; Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 4. que os juros moratórios sejam aplicados a razão de no máximo 1% a.m., afastando a aplicação da taxa SELIC, que prevê juros e correção monetária. DA IMPUGNAÇÃO APRESENTADA PELO SÓCIO DA EMPRESA Cientificado do lançamento (e dos Termos de Verificação, de Constatação e de Sujeição Passiva Solidária) em 23/11/2010 (Aviso de Recebimento nº RJ 28311617 7 BR), o sócio da empresa, Sr. Wladimir Rodney Palermo (CPF n° 193.850.808-49), por meio de seu advogado, apresentou, em 20/12/2010, a impugnação de fls. 93/110, alegando, em síntese, o seguinte: DA NULIDADE DA SUJEIÇÃO PASSIVA TRIBUTÁRIA ILEGITIMIDADE DO IMPUGNANTE O simples fato de os Termos enviados pela fiscalização ao impugnante terem retornado sem recebimento não enseja a liberdade da fiscalização em lavrar um Termo de Sujeição Passiva Tributária incluindo o nome do sócio da empresa como responsável pelo suposto débito da mesma. Não houve processo judicial que determinasse a desconsideração da personalidade jurídica da empresa fiscalizada para que fosse determinada a responsabilidade tributária de seus sócios. E para que isso fosse possível deveria ter-se comprovado materialmente a conduta dolosa, fraudulenta ou simulativa dos gestores da empresa após todo um processo judicial que permitisse ao acusado o exercício de seu direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório. Não pode um membro da fiscalização fazendária determinar a dissolução irregular de uma empresa a seu bel-entendimento. Essa ação é ilegal e inconstitucional, pois fere os princípios constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório. Portanto, conclui-se que o impugnante não é responsável pelo débito tributário que lhe impõe ilegalmente a fiscalização. Caso se apurasse eventual responsabilidade tributária, esta deveria ser de competência da empresa, e não de seus sócios. Neste caso, os sócios não são devedores solidários pois, no Direito, a solidariedade jamais é presumida, e a fiscalização também não faz prova juntando o respectivo processo administrativo que considera a empresa dissolvida irregularmente. Foi considerada sob essa situação mediante mera decisão da fiscalização devido ao retorno das correspondências enviadas. Para que o nome do sócio conste como responsável tributário de débito exigido de pessoa jurídica, deve ter havido, anteriormente, um processo administrativo encerrado que tenha dado oportunidade para o sócio acusado se defender e, por fim, decidido pela atuação deste com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatuto. Como se conclui pela análise deste caso, nem sequer foi instaurado processo administrativo para averiguação de prática de atos em excesso ou contrário à Lei, contrato social ou estatuto, do impugnante. Dessa forma, e com o fim de burlar a lei e a jurisprudência, a fiscalização, no momento da apuração de "dissolução irregular" da empresa, de forma arbitrária e sem qualquer parâmetro jurídico ou prova, está lançando o nome de um dos sócios que estava figurando no quadro societário na época, a fim de evitar o ônus probatório no trâmite de um possível processo administrativo versando sobre o artigo 135 do CTN. Entretanto, essa forma indireta de apuração da responsabilidade tributária deve ser vista com ressalvas, uma vez que fere o princípio do contraditório e do devido processo legal albergado na Constituição, pois ao se concluir pela dissolução irregular Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 da empresa, de forma indiscriminada, tentam induzir o julgador em erro, pelo simples fato de as correspondências enviadas à empresa terem retornado. A presunção se reserva tão somente à existência do crédito em si, e nunca em relação à responsabilidade tributária eventualmente existente. O ônus da prova nos casos em que se presume pela dissolução irregular de sociedade, continua sendo da Receita Federal, sob pena de desvirtuar a ordem jurídica e submeter ao arbítrio de uma só parte a formação do crédito tributário sem a prova da participação do responsável no fato que incorreu na hipótese de incidência tributária. Segundo o ordenamento pátrio, os sócios são responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes da prática de ato ou fato eivado de excesso de poderes ou com infração de lei, contrato social ou estatutos. No entanto, o redirecionamento da responsabilidade pelo débito tributário ao impugnante sustentou-se na dissolução irregular da sociedade. Ocorre que a dissolução irregular da sociedade, em que pese suficiente para a legitimação processual, não constitui, por si só, causa de responsabilização material do sócio pelos débitos da empresa, isso porque a difícil situação econômico-financeira que assola o País induz o fechamento de empresas por causas que se desviam do dolo, da fraude, da infração à lei, sendo produto justamente deste descompasso social. Vale lembrar que a dissolução da sociedade enseja o encerramento das atividades desta, com a devida liquidação de seus ativos e passivos, fato não comprovado pelo expediente fiscal. Ainda, pela consulta de situação cadastral realizada junto ao sítio da Receita Federal constata-se que a empresa encontra-se ativa, conforme documento ora juntado. Cabe à fiscalização fazer prova de que, juntamente com a dissolução de fato da sociedade, houve, mediante dolo ou fraude, a dissipação do patrimônio da empresa, o qual deveria ser destinado à satisfação dos credores. Isto é, para que haja a responsabilização do sócio ou administrador pelas dívidas da pessoa jurídica, demanda- se, minimamente, prova indiciária de que o suposto fechamento da empresa foi motivado pelo intuito de fraudar credores, desviar bens ou violar a lei, o que o impugnante não logrou fazer. Somente as condutas que afrontam a legalidade, o contrato ou o estatuto social, e que configurem, ao mesmo tempo, fato gerador de obrigação tributária, é que poderão servir de geratriz da responsabilidade solidária, por força do artigo 135, inciso III, do CTN. DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO O impugnante contesta as intimações, trazendo aos autos exatamente os mesmos argumentos apresentados pela empresa em sua impugnação. DO PEDIDO Ante ao exposto, requer o impugnante: 1. que seja excluído o nome do impugnante do Termo de Sujeição Passiva Tributária referente ao Auto de Infração em tela; 2. que cancelado o Auto de Infração devido à improcedência do procedimento fiscalizatório no tocante ao meio adotado para cientificar o contribuinte; 3. que seja julgado improcedente o lançamento por conta da falta de comprovação por parte do Fisco. Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 3. A DRJ julgou pela IMPROCEDÊNCIA da Impugnação, nos seguintes termos da Ementa (fls. 144-145). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 2006, 2007 INTIMAÇÕES DURANTE A AÇÃO FISCAL. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Regulares as intimações efetuadas durante a presente ação fiscal, visto que (1) não há ordem de preferência entre a intimação pessoal, a por via postal (ou telegráfica, etc.) e a por meio eletrônico; e (2) não é necessário se recorrer a todos esses meios antes de optar pela intimação por edital, bastando que seja improfícuo qualquer um dos 3 meios citados. DIFERENÇA DIRF X DARF X DCTF. PRESUNÇÃO DE FALTA DE RECOLHIMENTO DE IRRF. Presumida a falta de recolhimento do IRRF declarado na DIRF, cabe à contribuinte o ônus de comprovar, através de documentos hábeis e idôneos, que não ocorreu o fato gerador do IRRF (e que, portanto, teria havido erro no preenchimento das DIRFs) ou que houve o regular recolhimento dos valores retidos; não logrando fazê-lo, correta a cobrança do tributo, com os acréscimos legais. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DA EMPRESA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO COM PODERES DE ADMINISTRAÇÃO. Os sócios com poderes de administração respondem solidariamente pelo imposto devido pela pessoa jurídica que (1) deixar de funcionar sem proceder à liquidação ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação; ou (2) deixar de funcionar em seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora com base na taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Tratando-se de aspecto que não faz parte da presente lide, concernente à cobrança do crédito tributário, a autoridade julgadora não se manifesta a respeito de juros sobre multa de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 4. Em suma, o Órgão julgador decidiu que não houve qualquer irregularidade quanto a nenhuma das intimações efetuadas, sendo descabida a alegação de nulidade. A entrega de declaração indicando valor devido e seu não recolhimento faz presumir o débito, devendo o sujeito passivo comprovar que não ocorreu o fato gerador ou que houve recolhimento dos valores retidos, o que não fez. A aplicação da multa de 75% foi feita nos termos da lei. A discussão de juros sobre a multa não faz parte da presente lide. Sobre a possibilidade disso ocorrer, não deve a DRJ se manifestar. A Selic é prevista em lei. Por ter extinguido a sociedade irregularmente, com base no art. 124 do CTN e no art. 207 do RIR/99, bem como a Súmula 435 do STJ, foi adequada a responsabilização do sócio. Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 II. Recurso Voluntário 5. Em face da decisão da DRJ, apenas o Responsável, Sr. Wladimir Rodney Palermo interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual alegou, em suma, que: a) passava por dificuldades financeiras e, tendo em vista o valor que dispunha à época, “optou por remunerar seu quadro de funcionários.”, devendo a falta de recolhimento ser considerada mera irregularidade administrativa, com ausência de dolo ou má-fé. De acordo com o art. 135 do CTN, os representantes somente podem ser responsabilizados por prática de excesso de poder, infração à lei ou contrato social, o que não ocorreu. Deve o lançamento ser cancelado; b) o contribuinte se encontra em situação de vulnerabilidade, pois seria compelido a recolher tributos de forma ilegal; c) ilegitimidade do recorrente. O simples fato de não ter conseguido intimar a Empresa Contribuinte não justifica a responsabilização. Não houve processo judicial, para que houvesse a desconsideração da personalidade jurídica. Teria ainda sido comprovada a conduta dolosa, fraudulenta ou simulativa dos gestores da empresa. Não foi observado o devido processo legal. Não houve dissolução da sociedade; d) após tentar a intimação da Empresa, mas sem sucesso, houve a intimação por edital e em virtude disso foi concluído que a sociedade teria sido dissolvida irregularmente. A intimação se dá de forma pessoal, devendo o Auditor intimar pessoalmente o contribuinte. Por não ocorrer assim há vício; d) há desrespeito a princípios constitucionais, no caso, a falta de citação pessoal gera prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, bem como ao devido processo legal. Ao final, requer o acolhimento do Recurso para a anulação do Auto de Infração. 6. Não foram apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional. 7. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Bernart, Relator. 8. Com base no art. 33 do Decreto 70.235/72 e na constatação da data de intimação da decisão da DRJ (fl. 174 – 06/11/12), bem como do protocolo do Recurso Voluntário (fl. 176 – 05/12/12), conclui-se que este é tempestivo. 9. Tendo em vista que o Recurso Voluntário atende aos demais requisitos de admissibilidade, o conheço e, no mérito, passo a apreciá-lo. PRELIMINARMENTE III. Infração ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal 10. O Recorrente alega que após tentativas de intimação da Empresa sem sucesso, houve a intimação por edital e em virtude disso foi concluído que a sociedade teria sido Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 dissolvida irregularmente. A intimação deve ser feita de forma pessoa, devendo o Auditor intimar pessoalmente o contribuinte. Caso não se proceda assim, há vício e desrespeito a princípios constitucionais, pois gera prejuízo ao contraditório e à ampla defesa, bem como ao devido processo legal. 11. Inicialmente se ressalta que apenas o Responsável no processo apresentou Recurso Voluntário. Tendo em vista que o mesmo foi intimado via postal do Auto de Infração e demais documentos, inclusive, do Termo de Sujeição Passiva (fl. 75), poder-se-ia questionar sobre a legitimidade da argumentação sobre a intimação por Edital feita à Empresa Contribuinte. 12. Pelo fato da responsabilidade ser atribuída ao sócio em virtude da não localização da sociedade no local por ela indicado, bem como, pelo fato de ser declarada sua “Situação Cadastral Inapta”, conforme se observa da parte do Temo de Verificação Fiscal (TVF) a seguir (fl. 61), entende-se que há relação da intimação por edital da Contribuinte com a situação do Recorrente, emanando efeitos que são importantes e devem ser analisados. 13. Não procede a alegação de que a intimação deve ser pessoal e caso não se atue assim há vício insanável. Isto porque a intimação nos procedimentos e processo administrativo fiscal é regida pelo art. 23 do Dec. 70.235/72. Os incisos do artigo não indicam uma ordem a ser cumprida, mas sim formas de cumprimento da intimação, que pode ser pessoal, por via postal ou por meio eletrônico. Inclusive, na maioria dos casos de grandes empresas no processo administrativo, a intimação é feita por meio eletrônico. Assim não há de se exigir que a intimação seja feita apenas ou primeiramente de forma pessoal. Tal ordem, por outro lado, é exigida quando a intimação for feita por edital, nos termos do art. 23, § 1° do Dec. 70.235/72. Foi o que ocorreu. Houve duas tentativas de intimação via postal para o endereço constante nos cadastros fiscais (fls. 28 e 33) sem sucesso, depois o fiscal se dirigiu até o local, por duas vezes, onde não obteve sucesso em encontrar ninguém no local informado como domicílio. Houve ainda várias tentativas infrutíferas de contato por meio do número de telefone constante na porta da sala onde seria o domicílio da Sociedade. Todas essas informações podem ser observadas no Termo de Constatação Fiscal, à fls. 48. Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 14. Ora, do exposto, percebe-se que antes da emissão do edital houve várias tentativas de intimação, inicialmente via postal e, após, pessoalmente com o deslocamento de agentes até o local indicado. Assim, o procedimento para a publicação do edital foi adequado. 15. Quanto à infração ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, não se constata nenhuma dos procedimentos acima examinados. Pelo contrário, estão de acordo com a legislação. Ademais, percebe-se que as peças recursais dos sujeitos passivos foram apresentadas dentro dos prazos e com as devidas argumentações abordando a matéria. Em virtude de tal desenvolvimento, não se deve reconhecer procedência aos argumentos desse tópico. 16. A alegação de dissolução irregular da sociedade é abordada em tópico subsequente. MÉRITO IV. Boa-fé e situação de vulnerabilidade 17. O Recorrente afirma que estava em dificuldades financeiras e, tendo em vista o valor que dispunha à época, “optou por remunerar seu quadro de funcionários”, o que torna a falta de recolhimento ser considerada mera irregularidade administrativa, com ausência de dolo ou má-fé. Afirma também que se encontra em situação de vulnerabilidade, pois foi compelido a recolher tributos de forma ilegal. 18. Por mais que a dificuldade financeira sofrida pelo Responsável possa sensibilizar este Relator, bem como essa Turma, não se caracteriza, desafortunadamente, como motivo para que as obrigações deixem de ser exigíveis ou exigidas. Igualmente é o que ocorre com a boa-fé. A lei compele às Autoridade administrativas a exigir os tributos e seguir os atos previstos pelas normas. 19. Quando à vulnerabilidade, não há como se reconhecer que a imposição de tributos é sua causa. O pagamento de tributos é contribuição para a participação social. Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 V. Responsabilidade 20. De acordo com o Recorrente, o mesmo seria parte ilegítima, pois o simples fato do Agente fiscal não ter conseguido intimar a Empresa Contribuinte não justifica a Responsabilidade tributária, nos termos do art. 135 do CTN. Deveria ter sido comprovada a conduta dolosa, fraudulenta ou simulativa dos gestores da empresa, para lhe atribuir o dever de arcar com os tributos dela. Não teria havido a dissolução irregular da sociedade. Ademais não houve processo judicial para que houvesse a desconsideração da personalidade jurídica. 21. Para se situar, o termo de sujeição passiva solidária prevê que a responsabilização do sócio, ora Recorrente, deu-se pelos arts. 124, I e 135, II e III do CTN (fls. 52-53). 22. Desde já se afirma que a atribuição de responsabilidade tributária, nos termos dos artigos citados não é de exclusividade do judiciário. A atribuição, pode ser feita em âmbito administrativo, cabendo, obviamente ao contribuinte a contestação e direito de defesa relativa a tal atribuição. Tal afirmação encontra fundamento nos próprios artigos, que preveem que “são” responsáveis as pessoas que se encaixam nas condutas e situações neles previstas. 23. Sobre a dissolução irregular, tem-se a afirmar que a súmula 435 do STJ prevê que a empresa que deixa de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicar aos órgãos competentes, que nesse caso se trata também da Receita Federal, presume-se dissolvida irregularmente, cabendo o redirecionamento da execução fiscal para o sócio-gerente. Ainda que a súmula não se direcione especificamente ao processo administrativo, mas à execução fiscal, entende-se que se possível tal situação no judiciário, então ela é aplicável também no administrativo. Como visto no tópico acima, a Contribuinte deixou de funcionar em seu domicílio informado e não informou ao Fisco, o que justifica a responsabilização. Além disso, o Recorrente alega que não houve a dissolução, mas não informa que fim levou a sociedade, pelo contrário, dá a impressão que pelas dificuldades financeiras, houve seu fechamento. Assim, entende-se que foi adequada a responsabilização do sócio. VI. Conclusão 24. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, de forma a manter a decisão da DRJ pelos fundamentos expostos. (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-005.772 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003763/2010-11 Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 19515.003332/2004-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.702
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD

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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-07-26T23:15:30Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 1; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2019-07-26T23:15:30Z; Last-Modified: 2019-07-26T23:15:30Z; dcterms:modified: 2019-07-26T23:15:30Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-07-26T23:15:30Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-07-26T23:15:30Z; meta:save-date: 2019-07-26T23:15:30Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-07-26T23:15:30Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2019-07-26T23:15:30Z; created: 2019-07-26T23:15:30Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2019-07-26T23:15:30Z; pdf:charsPerPage: 1087; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-07-26T23:15:30Z | Conteúdo => 0 S1-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 19515.003332/2004-14 Recurso Voluntário Resolução nº 1301-000.702 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de junho de 2019 Assunto COMPENSAÇÃO RReeccoorrrreennttee DYTECH TECALON INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE AUTOPEÇAS S/A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente (documento assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 03 33 2/ 20 04 -1 4 Fl. 224DF CARF MF Fl. 2 da Resolução n.º 1301-000.702 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003332/2004-14 Relatório Inicialmente, adota-se parte do relatório da decisão recorrida, o qual bem retrata os fatos ocorridos e os fundamentos adotados até então: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998, foi lavrado o auto de infração de fl. 29, em 21/12/2004, pelo AFRF Nagib Elias Vesper, para exigir R$ 36.165,35 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 35.577,64 de juros de mora calculados até 30/11/2004 e R$ 27.124,00 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 98.866,99. Consoante a descrição dos fatos, de fl. 30, e o termo de verificação fiscal de fl. 25, reconhecido o direito creditório materializado no processo n° 13807.000521/98-29, este foi integralmente utilizado para a compensação de débitos de IPI (código 1097). Contudo, foram compensados débitos em montante superior ao crédito reconhecido. Foi encetado, pois, o lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados, sem declaração em DCTF, no que concerne aos períodos de apuração indicados na ementa deste Acórdão. Regularmente cientificado da peça acusativa em 21/12/2004, por meio do respectivo procurador, apresentou o sujeito passivo a impugnação de fls. 33/35 em 18/01/2005, subscrita pelos procuradores constituídos mediante os instrumento de fls. 37 e 39, ,em que denuncia, basicamente, a cobrança indevida dos débitos compensados, referentes a março de 1999, exatamente com o crédito no montante de R$ 39.118,69 (processo n° 13807.000521/98- 29, de 30/07/1998), conforme o quadro demonstrativo de fl. 35, sendo a compensação forma de extinção do crédito tributário e, portanto, requer a anulação do auto de infração. No entanto, os argumentos da Recorrente não foram, por unanimidade de votos, acatados pela DRJ/RPO, que julgou improcedente a Impugnação formalizada, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALTA DE RECOLHIMENTO. É devido o imposto compensado em montante superior ao do direito creditório reconhecido administrativamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da referida decisão em 24/05/2013 (fl. 167), a interessada, em 25/06/2013 (fl. 171), apresentou o recurso voluntário de fls. 171/181, repisando argumentos de defesa e complementando com novas razões. Em sessão de julgamento de 27 de janeiro de 2016, a 2a Turma da 4a Câmara da 3a Seção de Julgamento deste Conselho decidiu por declinar sua competência de julgamento à 1a Seção de Julgamento conforme o disposto no artigo 2º, IV, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Fl. 3 da Resolução n.º 1301-000.702 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003332/2004-14 Voto Conselheira teste sem camera - Relatora Recurso Voluntário O recurso voluntário é TEMPESTIVO e uma vez atendidos também às demais condições de admissibilidade, merece, portanto, ser CONHECIDO. Fatos Durante o ano de 1998 (e-fls. 141 e segs), a contribuinte formulou pedidos de restituição/compensação de crédito de saldo negativo de CSLL (cod 2482) do ano de 1994 e 1997 originados por antecipações de estimativas com débitos de IPI (cod 1027). Tais pedidos foram homologados ao limite do saldo disponível, no âmbito do processo originário 13.807.000521/98-2, mas de acordo com o Termo de Verificação Fiscal (e-fl. 27 e segs), as autoridades constataram que uma vez efetuada a compensação, restou saldo devedor não lançado, uma vez que não foi declarado em DCTF. Desta forma, foi lavrado o auto de infração ora analisado no total de R$ 98.866,99, que originou o processo que ora se debate como forma de cobrança de tal débito tributário restante. Analisando o Recurso Voluntário, temos basicamente dois itens de defesa argüidos pela Recorrente que se tratam, como preliminar, de pedido de decadência do direito de constituição do crédito tributário e no âmbito do mérito, a discussão em si do direito creditório da CSLL. i) Decadência Entende a Recorrente que, tendo em vista que os pedidos de compensação foram efetuados pela Recorrente em 17 e 24 de março e 09 de abril, todos do ano de 1999, a autoridade teria 5 anos a partir de então para realizar o lançamento, mas que como o auto de infração foi lavrado em 21 de dezembro de 2004, estaria decaído. ii) Direito Creditório de CSLL Alega a Recorrente que no ano-base de 1994 teria apurado base de cálculo negativo da CSLL originado antecipações por estimativas. Parte do saldo negativo do ano-base de 1994 foi utilizado para a quitação, mediante compensação, das estimativas mensais do ano- base de 1997 de CSLL, que, no entanto, em virtude de nova apuração de base de cálculo negativo originado também de recolhimento de estimativas, ensejou novo saldo negativo de CSLL. Argumenta que em 30 de julho de 1998, ocasião em que instaurado o processo administrativo n°. 13807.000521/98-29, o direito de crédito relacionado a saldo negativo de CSLL perfazia o montante de R$ 127.833,51, todo originado no ano-base de 1994, em que pese parte dele ter sido apropriado no ano-base de 1997, contudo, tendo em vista nova base de cálculo negativa, convalidou-se em novo saldo negativo, por imperativo lógico. Assim, embora tenha se limitado a identificar o direito de crédito de saldo negativo de CSLL no processo administrativo n°. 13807.000521/98-29, com relação ao ano-base de 1994, no importe de R$ 50.191,38, restringindo-o à parcela que não teria sido utilizada em procedimentos de compensação após o encerramento do mencionado ano-calendário, é inegável Fl. 226DF CARF MF Fl. 4 da Resolução n.º 1301-000.702 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003332/2004-14 que deveria ser acrescida a outra parcela do saldo negativo do ano-base de 1994, uma vez que foi empregado na compensação das estimativas mensais do ano-base de 1997, cuja apuração de nova base de cálculo negativa para a abordada contribuição social, ensejou a convalidação de novo saldo negativo, agora no valor de R$ 77.642,13. *** Tendo em vista que a analise dos argumentos de defesa exigem conhecimento de detalhes do processo originário do pedido de compensação/restituição, voto por converter o presente processo em diligencia de forma a solicitar juntada aos presentes autos cópia integral do processo 13807.000521/98-29. Pedir comprovação de pagamento antecipado de IPI pela unidade de origem Após juntar as informações abrir vista para o contribuinte Analisando o Recurso Voluntário, temos basicamente dois itens de defesa argüidos pela Recorrente que se tratam, como preliminar, de pedido de decadência do direito de constituição do crédito tributário e no âmbito do mérito, a discussão em si do direito creditório da CSLL. i) Decadência Entende a Recorrente que, tendo em vista que os pedidos de compensação foram efetuados pela Recorrente em 17 e 24 de março e 09 de abril, todos do ano de 1999, a autoridade teria 5 anos a partir de então para realizar o lançamento, mas que como o auto de infração foi lavrado em 21 de dezembro de 2004, estaria decaído. ii) Direito Creditório de CSLL Alega a Recorrente que no ano-base de 1994 teria apurado base de cálculo negativo da CSLL originado antecipações por estimativas. Parte do saldo negativo do ano-base de 1994 foi utilizado para a quitação, mediante compensação, das estimativas mensais do ano- base de 1997 de CSLL, que, no entanto, em virtude de nova apuração de base de cálculo negativo originado também de recolhimento de estimativas, ensejou novo saldo negativo de CSLL. Argumenta que em 30 de julho de 1998, ocasião em que instaurado o processo administrativo n°. 13807.000521/98-29, o direito de crédito relacionado a saldo negativo de CSLL perfazia o montante de R$ 127.833,51, todo originado no ano-base de 1994, em que pese parte dele ter sido apropriado no ano-base de 1997, contudo, tendo em vista nova base de cálculo negativa, convalidou-se em novo saldo negativo, por imperativo lógico. Assim, embora tenha se limitado a identificar o direito de crédito de saldo negativo de CSLL no processo administrativo n°. 13807.000521/98-29, com relação ao ano-base Fl. 227DF CARF MF Fl. 5 da Resolução n.º 1301-000.702 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003332/2004-14 de 1994, no importe de R$ 50.191,38, restringindo-o à parcela que não teria sido utilizada em procedimentos de compensação após o encerramento do mencionado ano-calendário, é inegável que deveria ser acrescida a outra parcela do saldo negativo do ano-base de 1994, uma vez que foi empregado na compensação das estimativas mensais do ano-base de 1997, cuja apuração de nova base de cálculo negativa para a abordada contribuição social, ensejou a convalidação de novo saldo negativo, agora no valor de R$ 77.642,13. *** Diligência Tendo em vista que a analise dos argumentos de defesa exigem conhecimento de detalhes do processo originário do pedido de compensação/restituição, voto por converter o presente processo em diligencia de forma a solicitar juntada aos presentes autos cópia integral do processo 13807.000521/98-29. Ademais, solicito a unidade de origem que junte prova do pagamento antecipado do IPI e, ao final, elabore Relatório de Diligência 1 com as informações ora solicitadas. Para tanto, e havendo necessidade, a autoridade fiscal poderá intimar o contribuinte a apresentar documentos complementares e esclarecimentos adicionais antes de elaborar o relatório ora requerido. Poderá ainda a autoridade fiscal apresentar os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise de tais fatos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificado do resultado da diligência, abrindo- se prazo de 30 dias para que, querendo, manifestem-se sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). (assinado digitalmente) Bianca Felícia Rothschild 1 Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 36. [...] § 3 o Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar-se de cumpri-las. Fl. 228DF CARF MF

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Numero do processo: 10880.940120/2011-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3301-000.469
Decisão: Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente correspondem, de fato, ao indevido alargamento da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998; b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte. (assinado digitalmente) JOSÉ HENRIQUE MAURI - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d´Oliveira, Larissa Nunes Girard, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique Mauri (Presidente Substituto).
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2192; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T1  Fl. 2          1 1  S3­C3T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.940120/2011­06  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  3301­000.469  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  29 de agosto de 2017  Assunto  PIS E COFINS. RESTITUIÇÃO. ALARGAMENTO.   Recorrente  SADIVE S/A DISTRIBUIDORA DE VEICULOS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL     Resolvem os membros deste colegiado, por unanimidade de votos, converter o  julgamento em diligência, para que a Unidade da RFB de origem: a) analise se os valores de  crédito  indicados pela  recorrente correspondem, de fato, ao  indevido alargamento da base de  cálculo  determinado  pelo  parágrafo  1º  do  art.  3º  da  Lei  n.  9.718/1998;  b)  elabore  parecer  conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido de restituição apresentado pelo contribuinte.  (assinado digitalmente)  JOSÉ HENRIQUE MAURI ­ Presidente e Relator.  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira,  Marcelo  Costa  Marques  d´Oliveira,  Larissa  Nunes  Girard,  Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões, Marcos Roberto da Silva, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e José Henrique  Mauri (Presidente Substituto).  Relatório  Trata  o  processo  de  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada  contra  Despacho  Decisório  emitido  pela  Derat  São  Paulo,  que  indeferiu  o  Pedido  de  Restituição  vinculado a pagamento indevido ou a maior pleiteado por meio de Per/Dcomp, uma vez que o  Darf não foi localizado nos sistemas da Receita Federal.  Cientificada  da  decisão,  a  interessada  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade  argumentando  haver  cometido  equívoco  ao  confeccionar  seu  pedido  de  restituição,  uma  vez  que  no  campo  relativo  ao  DARF  informou  a  soma  de  dois  e/ou  três  pagamentos realizados em vez de um único pagamento, por se referirem a um mesmo tributo e  um mesmo período de apuração. Ressalta, todavia, que esse erro em nada prejudica seu direito  creditório pleiteado. Na seqüência, após citar a legislação atinente à matéria e jurisprudências,  salienta o entendimento esposado pelo Supremo Tribunal Federal de que a base de cálculo das     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 40 12 0/ 20 11 -0 6 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10880.940120/2011­06  Resolução nº  3301­000.469  S3­C3T1  Fl. 3          2 contribuições  ao  PIS  e  à  Cofins  somente  devem  incluir  os  valores  correspondentes  ao  seu  faturamento,  ou  seja,  os  ingressos  que  correspondem  às  suas  receitas  das  vendas  de  mercadorias e da prestação de serviços.  Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de  inconformidade apresentada pelo contribuinte, nos termos do Acórdão 06­046.827.  O contribuinte foi  intimado acerca desta decisão e,  insatisfeito com o seu teor,  interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, através do qual pleiteou a reforma da decisão  recorrida.   Alegou, resumidamente, que a  lei excetua a  impossibilidade de afastamento da  aplicação  de  lei  ou  decreto  sob  o  fundamento  de  inconstitucionalidade  nos  casos  em  que  o  órgão  máximo  do  Poder  Judiciário  assim  já  declarou,  como  é  o  caso  do  afastamento  da  aplicação do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 (RE 390.840).  É o relatório.    Voto  Conselheiro Jose Henrique Mauri, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de  junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução 3301­000.464,  de  29  de  agosto  de  2017,  proferida  no  julgamento  do  processo  10880.940112/2011­51,  paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela Resolução (3301­000.464):  "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de  admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento.  1. Esclarecimentos fáticos  De  início,  é  importante  que  sejam  feitos  alguns  esclarecimentos  fáticos relativos ao caso vertente.   Consoante  se  constata  do  despacho  decisório,  a  motivação  para  o  indeferimento  do  pedido  de  restituição  decorreu  da  não  localização  do  pagamento informado como indevido ou a maior que o devido nos sistemas  da Receita Federal.  Em  sua  manifestação  de  inconformidade,  o  contribuinte  esclareceu  que cometeu equívoco no preenchimento do seu pedido, tendo informado o  total  do  pagamento  de  COFINS  no  período  ao  invés  dos  pagamentos  individualmente  efetuados.  Nesta  oportunidade,  anexou  aos  autos  cópias  dos DARFs que comprovam a alegada falha, a qual restou confirmada pela  DRJ (vide fl. 41).  Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10880.940120/2011­06  Resolução nº  3301­000.469  S3­C3T1  Fl. 4          3 Ocorre  que,  apesar  da  comprovação  atinente  à  falha  no  preenchimento do pedido de  restituição, entendeu a DRJ que não poderia  acolher  o  pleito  do  contribuinte.  É  o  que  se  extrai  da  passagem  a  seguir  colacionada, extraída do voto que compõe a decisão recorrida:  Entretanto,  apesar  da  comprovação  dos  recolhimentos  assim  efetuados,  o  pedido de restituição não pode ser acatado. Isso porque não existem provas  cabais nos autos de que  teria havido pagamento a maior  do que o  devido,  relativamente  a  esses  recolhimentos.  Em  sua  manifestação,  a  contribuinte  argumenta  tão  somente  a  inconstitucionalidade  declarada  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  em  relação  à  inclusão  no  faturamento  das  pessoas  jurídicas  de  outras  receitas  que  não  a  de  vendas  de  mercadorias  e  de  serviços. Ora, para a análise do direito creditório alegado, deve­se verificar  a base de cálculo da contribuição e o valor que teria sido recolhido a maior.  E, para  isso,  é  crucial  que  se  tenha em mãos documentos  que demonstrem  que o pagamento  foi efetuado considerando receitas não operacionais e/ou  receitas  financeiras,  que  não  correspondam  à  atividade  operacional  da  empresa.  E  essa  comprovação  deve  ser  feita,  a  princípio,  com  base  na  escrituração  fiscal  e  contábil  da  empresa  e/ou  em  documentos  fiscais  que  reflitam  tratar­se  de  receitas  que  escapem  à  incidência  da  contribuição,  situação  não  demonstrada.  É  de  se  observar,  por  precaução,  que  os  recolhimentos  foram  realizados  em  nome  da  empresa  incorporada  Sadive  Automóveis Ltda., CNPJ nº 02.992.628/000146, cabendo a apresentação da  escrituração fiscal, se porventura houvesse feito, em nome desta.  Veja­se que a legislação é clara no sentido de que a restituição/compensação  de  débitos  tributários  somente  pode  ser  deferida mediante  a  existência  de  créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública (art. 170  do  CTN).  No  caso,  como  dito,  nada  foi  apresentado  para  comprovar  essa  liquidez  e  certeza  e,  como  se  sabe,  segundo o art.  333  do CPC, o ônus  de  provar o fato constitutivo de seu direito é do próprio autor do pedido.   Seguiu dispondo a decisão recorrida que, nos termos do parágrafo 11  do art. 74 da Lei n. 9.430/1996, cumulado com o parágrafo 4º do art. 16 do  Decreto  n.  70.235/1972,  a  prova  deveria  ter  sido  apresentada  pelo  contribuinte  juntamente  com  a  sua  impugnação,  razão  pela  qual  teria  precluído  o  seu  direito  de  fazê­lo  em  outro  momento  processual.  Sendo  assim, concluiu pela manutenção do indeferimento da restituição pleiteada,  face à inexistência de prova hábil que demonstrasse o pagamento indevido  do tributo.   Face  a  tal  decisão,  o  contribuinte  interpôs  Recursos  Voluntário,  através  da  qual  apresentou  os  argumentos  que  serão  devidamente  enfrentados a seguir.  2. Preliminar de nulidade da decisão recorrida  Preliminarmente, alegou o contribuinte em seu recurso a nulidade da  decisão  recorrida,  pois  a  DRJ  teria  inovado  no  feito,  tendo  adotado  argumento diverso do inserto no despacho decisório para indeferir o pleito  da  recorrente.  Ressalta  que  o  despacho  decisório  indeferiu  o  pedido  de  ressarcimento  sob  a  alegação  de  inexistência  do  recolhimento  declarado  como indevido pela Recorrente  (não  localização do DARF), o que  levou à  comprovação  realizada  pelo  contribuinte  em  sua  Manifestação  de  inconformidade  (DARFs  apresentados).  Segue  dispondo  que  "qualquer  autuação,  para  que  seja  juridicamente  válida,  deve  conter  em  si  todos  os  elementos de  fato e de direito que  justificam a respectiva exigência  fiscal,  não  podendo  sofrer  modificação  ao  longo  do  processo,  sob  pena  de  se  Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10880.940120/2011­06  Resolução nº  3301­000.469  S3­C3T1  Fl. 5          4 desvirtuar a ordem regular do processo  e  se prejudicar o direito à ampla  defesa e ao contraditório".  Discordo do contribuinte neste ponto. O despacho decisório concluiu  que "não  foi  confirmada a  existência do  crédito pleiteado". E esta mesma  conclusão  foi  a  que  constou  da  decisão  recorrida.  Não  há  que  se  falar,  portanto, em inovação no feito.  Até  porque,  ainda  que  os  fundamentos  em  um  e  outro  caso  tenham  sido  diversos,  tal  fato  não  levaria  à  nulidade  da  decisão  recorrida,  pois  embora  o  equívoco  relativo  aos  DARFs  tenha  sido  esclarecido  pelo  contribuinte  em  sua  manifestação  de  inconformidade,  é  inconteste  que  a  DRJ não poderia  ter  deferido  pedido  de  restituição  sem  que  o  caráter  de  certeza e liquidez do crédito pleiteado tivesse sido confirmado. A análise da  certeza  e  liquidez  do  crédito  pleiteado  é  simplesmente  imprescindível  ao  deferimento de pleito compensatório.   Destaque­se,  inclusive,  que,  em  razão  do  ônus  probatório  que  lhe  persegue no presente caso, o contribuinte deveria  ter  trazido aos autos os  elementos  comprobatórios  desta  certeza  e  liquidez  na  primeira  oportunidade em que teve para se manifestar nos autos. Não o tendo feito,  não  possui  razões  para  discordar  da  decisão  da  DRJ  que  concluiu  pela  impossibilidade  de  homologação  da  compensação  realizada,  face  à  ausência de comprovação da certeza e liquidez do crédito pleiteado.  Há  de  ser  afastada,  portanto,  a  alegação  de  nulidade  da  decisão  recorrida.   3. Mérito  Consoante acima narrado, o  crédito objeto do pedido de  restituição  refere­se  a  suposto  "pagamento  indevido  ou  a  maior"  realizado  pelo  contribuinte, tendo em vista que teriam sido incluídas receitas estranhas ao  conceito  de  faturamento.  Destaca  a  recorrente  que  esta  discussão  já  se  encontra superada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal no RE  390.840/MG.  Ou seja, a questão de mérito posta em discussão cinge­se à análise do  direito da recorrente à COFINS pago com base no art. 3º, parágrafo 1º, da  Lei n. 9.718/1998, dispositivo este que veio a ser declarado inconstitucional  pelo STF.  Ao  analisar  o  caso,  a  DRJ  entendeu  por  negar  provimento  à  manifestação de inconformidade sob o fundamento de que "a concessão de  restituição vinculada a pagamento indevido ou a maior do que o devido está  condicionada  à  demonstração  inequívoca  da  base  de  cálculo  da  contribuição e do pagamento dito indevido, que deve ser realizada mediante  a  apresentação  de  documentação  hábil  e  idônea  e  da  escrituração  contábil/fiscal  da  empresa".  No  caso  concreto,  portanto,  entendeu  que  o  contribuinte não havia trazido aos autos dita comprovação.   Ou  seja,  restringiu­se  aquela  instância  de  julgamento  a  negar  o  direito à restituição em razão da ausência de comprovação quanto à certeza  e liquidez do montante apontado, nada tendo disposto acerca do mérito da  contenda.  Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10880.940120/2011­06  Resolução nº  3301­000.469  S3­C3T1  Fl. 6          5 Quanto ao mérito, é cediço que tal dispositivo legal (parágrafo 1º do  art. 3º da Lei nº 9.718/1998), além de já ter sido declarado inconstitucional  em  decisões  sem  efeito  erga  omnes  (RE  357.950/RS,  358.273/RS,  390.840/MG),  também  já  o  foi  em  processo  com  repercussão  geral  reconhecida (RE 585.235, cuja decisão  foi publicada no Diário da Justiça  nº 227 do dia 28 de novembro de 2008).   Como se não bastasse, destaque­se que a Lei nº 11.941, de 27 de maio  de 2009, em consonância com o que decidira o STF, revogou expressamente  o parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998.  De outro norte, mencione­se ainda que, nos termos do art. 62, inciso  II, do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais  (CARF), aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343 de 2015,  os Conselheiros têm que reproduzir tanto as decisões definitivas proferidas  pelo  Plenário  do  STF  que  tenha  declarado  inconstitucional  determinado  dispositivo  legal,  quanto  decisões  do  STF  proferidas  na  sistemática  da  repercussão geral. É o que se extrai dos incisos I e II, b, do referido art. 62,  a seguir transcritos:  Art.  62.  Fica  vedado  aos  membros  das  turmas  de  julgamento  do  CARF  afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei  ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  §  1º  O  disposto  no  caput  não  se  aplica  aos  casos  de  tratado,  acordo  internacional, lei ou ato normativo:  I  ­  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº  39, de 2016)  II ­ que fundamente crédito tributário objeto de:  a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103­ A da Constituição Federal;  b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal  de  Justiça,  em  sede  de  julgamento  realizado  nos  termos  dos  arts.  543­B  e  543­C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105,  de  2015  ­  Código  de  Processo  Civil,  na  forma  disciplinada  pela  Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)  Quanto  ao  direito  pleiteado,  portanto,  é  pacífico  o  entendimento  favoravelmente aos interesses do contribuinte.  4. Necessidade de diligência  Embora a matéria de direito já se encontre pacificada, tendo em vista  que a presente demanda versa sobre pedido de restituição, é essencial que  se perquira, ainda, se o montante apontado pelo contribuinte se reveste de  certeza e liquidez. Ou seja, há de se verificar se os valores indicados a título  de  crédito  correspondem,  de  fato,  ao  alargamento  da  base  de  cálculo  disposta  no  parágrafo  1º  do  art.  3º  da  Lei  n.  9.718/1998,  declarado  inconstitucional.   Ocorre  que  tal  análise  não  chegou  a  ser  realizada  nos  presentes  autos,  visto  que  a  documentação  tendente  a  comprovar  o  direito  alegado  apenas  foi  anexada  aos  autos  juntamente  com  o  Recurso  Voluntário  interposto.  Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10880.940120/2011­06  Resolução nº  3301­000.469  S3­C3T1  Fl. 7          6 Defende o contribuinte em seu recurso que não teria precluído o seu  direito à comprovação do valor que pretende ter restituído.   Neste particular, entendo que assiste razão ao contribuinte.  Embora  haja  respaldo  legal  para  a  não  admissão  da  juntada  posterior  de  documentos,  nos  moldes  enunciados  pela  decisão  recorrida  (parágrafo  4º  do  art.  16  do  Decreto  nº  70.235/72),  é  cediço  que  este  Conselho, em atenção ao princípio da verdade material,  tem admitido, em  determinadas situações, a  juntada de documentos a posteriori pelo sujeito  passivo, desde que a documentação apresentada seja relevante à solução da  lide.   No caso específico aqui analisado, entendo que o contribuinte não se  manteve inerte no intuito de comprovar o seu direito. Em princípio, ao ter  denegado  o  seu  pleito  sob  o  fundamento  de  não  localização  do  DARF  indicado,  apresentou  manifestação  de  inconformidade  através  da  qual  apontou a falha identificada, tendo juntado naquela oportunidade cópia dos  DARFs  cuja  soma  corresponde  ao  valor  apontado  em  seu  pedido  de  restituição. Em um segundo momento, quando  teve  indeferido o  seu pleito  pela DRJ em  razão da ausência de  comprovação da certeza  e  liquidez do  crédito apontado, anexou aos autos através do seu Recurso Voluntário, no  intuito de comprovar o alegado, planilha com a indicação dos valores que  teriam  sido  incluídos  indevidamente  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS, visto que correspondiam a receitas financeiras da empresa (fl. 70  dos autos), bem como cópia do seu livro razão.   Verifica­se que tais documentos não foram até o momento analisados  pela fiscalização. Entendo, portanto, que a sua análise pela fiscalização se  apresenta imprescindível à correta solução desta lide.  Nesse  contexto,  há  de  se  concluir  que  a  presente  demanda  não  se  encontra  satisfatoriamente  instruída  para  fins  de  julgamento,  fazendo­se  necessária  a  realização  de  diligência  para  que  se  analise  a  certeza  e  liquidez do crédito pleiteado pelo contribuinte.   A  necessidade  de  diligência  para  fins  de  apuração  do  crédito  do  contribuinte,  inclusive,  já  foi  reconhecida  em  outros  julgados  deste  Conselho, a exemplo da decisão a seguir colacionada:  Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­  Cofins Data do fato gerador: 31/05/2001 COFINS. ALARGAMENTO  DA BASE DE CÁLCULO.  INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO  DO  STF  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  a  COFINS  é  o  faturamento, assim compreendido como a receita bruta da venda de  mercadorias,  de  serviços  e  mercadorias  e  serviços,  afastado  o  disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por sentença proferida  pelo  plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal  em  09/11/2005,  transitada em julgado em 29/09/2006.  RESTITUIÇÃO.  EXTENSÃO  ADMINISTRATIVA  DE  DECISÕES  JUDICIAIS.  POSSIBILIDADE  Nos  termos  do  art.  62  do  RICARF,  deve ser estendido aos casos concretos a interpretação vertida no RE  nº  357.950/RS,  por  força  do  que  restou  decidido  no  RE  nº  585.235/MG.  Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10880.940120/2011­06  Resolução nº  3301­000.469  S3­C3T1  Fl. 8          7 PER. DIREITO CREDITÓRIO INCONTROVERSO.  É  de  se  reconhecer  o  direito  creditório  utilizado  em  compensação  declarada pelo contribuinte, limitado ao valor ratificado pelo próprio  Fisco em atendimento à solicitação de diligência.  Recurso Voluntário Provido em Parte.  (Acórdão nº 3402­004.261 de  27/06/2017).  Sendo assim, em observância aos princípios do devido processo legal,  da  ampla  defesa,  do  contraditório  e  da  verdade  material,  entendo  que  a  presente  demanda  deverá  ser  convertida  em  diligência,  para  que  a  autoridade  fiscal  competente  analise  os  documentos  anexados  aos  autos  pelo  contribuinte  em  seu  Recurso  Voluntário,  pronunciando­se  expressamente  sobre  a  aptidão  de  tais  documentos  a  comprovar  o  pagamento a maior objeto do pedido de restituição apresentado, em razão  da inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º, da Lei n. 9.718/1998, bem  como indicando os valores a serem admitidos.   É  importante que se diga que não se está aqui  invertendo o ônus da  prova. Este ônus, conforme já anteriormente mencionado, é do contribuinte.  Pretende­se,  em  verdade,  em  atenção  ao  princípio  da  verdade  material,  identificar  se  o  recolhimento  realizado  pelo  contribuinte  fora  de  fato  indevido,  ainda  que  a  documentação  correspondente  a  tal  comprovação  apenas tenha sido realizada quando da interposição de Recurso Voluntário.  Até porque, negar­se o direito à  restituição quando haja  tal comprovação  nos  autos  seria  admitir  conscientemente  verdadeiro  enriquecimento  indevido por parte da União, o que não se deve admitir.  Até  porque,  como  é  cediço,  a  matéria  de  direito  já  se  encontra  pacificada  tanto  no  Judiciário  quanto  neste  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais, consoante analisado no tópico imediatamente anterior.   5. Conclusão  Voto,  portanto,  no  sentido  de  converter  o  presente  julgamento  em  diligência, para que a Delegacia de origem:  a) analise se os valores de crédito indicados pela recorrente em seu  pedido de restituição correspondem, de fato, ao indevido alargamento  da base de cálculo determinado pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n.  9.718/1998;  b) elabore parecer conclusivo sobre o deferimento ou não do pedido  de restituição apresentado.  Em seguida, o contribuinte deverá ser cientificado quanto ao teor do  relatório de diligência para, desejando, manifestar­se no prazo legal.  Após, os autos deverão retornar ao CARF, para fins de julgamento."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º  e  2º  do  art.  47  do  RICARF,  converto  o  julgamento  deste  processo em diligência para que a unidade de origem:  Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10880.940120/2011­06  Resolução nº  3301­000.469  S3­C3T1  Fl. 9          8 a) analise  se os valores de crédito  indicados pela  recorrente  em seu pedido de  restituição  correspondem,  de  fato,  ao  indevido  alargamento  da  base  de  cálculo  determinado  pelo parágrafo 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998;  b)  elabore  parecer  conclusivo  sobre  o  deferimento  ou  não  do  pedido  de  restituição apresentado.  Em seguida, o contribuinte deverá ser cientificado quanto ao teor do relatório de  diligência  para,  desejando, manifestar­se  no  prazo  legal. Após,  os  autos  deverão  retornar  ao  CARF, para fins de julgamento.  assinado digitalmente  Jose Henrique Mauri    Fl. 124DF CARF MF

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Numero do processo: 15374.972257/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/04/2007 PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.
Numero da decisão: 3302-011.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/04/2007 PROVAS. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.

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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo e a consequente homologação das compensações declaradas. A produção de provas é facultada das partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surgem consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão temporal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório (Rastreamento nº 848604943), emitido em 07/10/2009, pela DERAT Rio de Janeiro, que não homologou a compensação declarada por meio do Per/Dcomp nº 38638.97287.261007.1.3.04-6450, uma vez que o crédito informado de R$ 88.434,08, AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 97 22 57 /2 00 9- 31 Fl. 528DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.667 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972257/2009-31 correspondente ao pagamento de COFINS (código 5856), efetuado em 20/04/2007, já estava integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. Cientificada da decisão administrativa, em 20/10/2009, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, em 19/11/2009, argumentando que o crédito decorre de erro cometido quando do preenchimento da DCTF original, do mês de 31/03/2007, onde indevidamente informou o débito de Cofins de R$ 602.439,07 e não R$ 0,00. Mas que já retificou e transmitiu nova DCTF corrigindo os valores. A 3ª Turma da DRJ em Curitiba (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06-51327, de 18 de março de 2015, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 20/04/2007 RETIFICAÇÃO DE DCTF POSTERIOR À NÃO HOMOLOGAÇÃO DA DCOMP. A retificação de declaração já apresentada à RFB somente é válida quando acompanhada dos elementos de prova que demonstrem a ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração original (art. 147, § 1º, do CTN). Manifestação de Inconformidade Improcedente Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual repisa boa parte da manifestação de inconformidade, inovando apenas nos seguintes pontos: a) Que a Recorrente é uma empresa que presta exclusivamente serviços de reboque de embarcação, sob a intermediação obrigatória de uma agência de navegação, também denominada agência marítima, por força do § 2 o , do art. 4 o , da IN RFB N° 800/2007, às empresas transportadoras marítimas (armadores) sediadas e domiciliadas no exterior, cujas embarcações são oriundas do estrangeiro e que atracam em diversos portos brasileiros para importação e exportação de mercadorias. São serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e que geram ao País ingresso de divisas. Assim, todos os pagamentos oriundos do exterior recebidos pela Recorrente em decorrência desses serviços não estão afetados pela contribuição em causa, pois a origem do crédito decorre de receitas auferidas na prestação de serviços para pessoa jurídica domiciliada no exterior e, consequentemente, culminando com o ingresso de divisas no território nacional. Assim, consoante inciso II, do art. 6 o , da Lei n° 10.833/03 e inciso II do art. 5°, da Lei n° 10.637/02, na redação dada pelo art. 21° da Lei 10.865/04 e ainda pela IN SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, não incidem a contribuição para o PIS/PASEP e para a COF1NS sobre as receitas oriundas de serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior, no caso em tela transportadores estrangeiros; b) Que os serviços de reboque de embarcações firmados entre a Recorrente e os transportadores estrangeiros, possuem a figura, como já referido, do interveniente denominado agente marítimo, que representa o transportador estrangeiro no Brasil, intervindo na contratação e repassando os pagamentos dos serviços prestados. Com efeito, esses pagamentos não geram a incidência do PIS e da COFINS, por serem receitas oriundas do exterior com o Fl. 529DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.667 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972257/2009-31 consequente ingresso de divisas no País e, por via de consequência, podem ser excluídos da DCTF se indevidamente lançados; c) Que resta comprovado o direito da Recorrente ao crédito decorrente da não incidência do PIS e da Cofins sobre a receita oriunda da prestação de serviços de agenciamento marítimo ao transportador estrangeiro, pessoa jurídica domiciliada no exterior, cujo pagamento configura efetivo ingresso de divisas no País. Termina petição requerendo o acolhimento do recurso para fins de reconhecer a existência de créditos em favor da recorrente e a consequente homologação da declarações apresentadas. Alternativamente, requer a realização de perícia para a confirmação do direito alegado. É o breve relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Diligência O pedido de diligência deve ser indeferido, pois como já se pronunciou a decisão de piso, o ônus da prova, nas situações em que temos o requerimento de restituição e compensação de créditos supostamente indevidos, recai sobre o sujeito passivo, sendo certo que, não há que se falar em obrigatoriedade de diligência por parte da autoridade fiscal, uma vez que toadas as provas documentais deveriam ter sido apresentadas junto com a manifestação de inconformidade da recorrente. Devemos ter em mente que não é cabível a realização de diligência para suprir prova que deveria ter sido apresentada em manifestação de inconformidade, vale dizer, o procedimento de diligência não se afigura como remédio processual destinado a suprir a injustificada omissão probatória daquele sobre o qual recai o ônus do prova. Certo é que não podemos deixar de observar que existem regras processuais claras, que regem o contencioso administrativo, regulando a instrução probatória, não cabendo ao julgador afastar tais regras em face de aplicação indevida de eventuais princípios. Assim, a aplicação de princípios como aquele do formalismo moderado ou da verdade material não deve abrir caminho para o afastamento de regras que servem para a concretização de outros princípios jurídicos, sobretudo, os processuais. Pelo exposto nego a diligência pleiteada. Mérito A instância a quo, utilizou como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Portanto, a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, situação não comprovada nos autos, já que não existe qualquer demonstração da redução do débito. Fl. 530DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.667 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972257/2009-31 Em suma, instaurado o contencioso administrativo, qualquer alteração nas declarações prestadas deve estar comprovada pela demonstração do quantum recolhido indevidamente, mediante a apresentação de documentação hábil e suficiente, consistente na escrituração contábil/fiscal do contribuinte, passível de confirmar a efetiva natureza da operação, a ocorrência do fato gerador do tributo, a base de cálculo e a alíquota aplicável, para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário. Convém mencionar que a recorrente em sua manifestação de inconformidade não identificou o motivo do erro no preenchimento da DCTF, e acostou apenas cópias da DCTF retificadora e da Per/Dcomp. Em sede de recurso voluntário, a recorrente alegou que o erro no preenchimento da DCTF se deu em virtude da inclusão dos valores referentes a serviços prestados a pessoas jurídicas domiciliadas no exterior e que geram ao País ingresso de divisas. Apresentou como provas os contratos de câmbio que comprovam o ingresso de divisas no País oriundas do exterior, a Solução de Consulta n° 185, de 28/06/2007, a Memória do Crédito, a relação de Notas Fiscais, o Razão Contábil, Dacon, Guias de Recolhimento, DCTF original e retifícadora e a Lista das Bandeiras dos Navios Estrangeiros rebocados pela Recorrente. Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual - no do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Analisando os autos, verifica-se que a situação fática não se enquadra em nenhuma das hipóteses enumeradas acima. De outro lado, não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Noutro giro, que o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não pode nem deve servir de salvo conduto para que se desvirtue o caminhar para frente, o ordenamento e a concatenação dos procedimentos processuais - essência de qualquer processo administrativo ou judicial. Na realidade, a verdade material contrapõe-se ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Fl. 531DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.667 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.972257/2009-31 Diante do exposto, e como não foram acostados, no momento processual previsto na legislação, elementos probatórios que identificassem e provassem o recolhimento indevido, nego provimento ao recurso em face da preclusão consumativa. É como voto. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 532DF CARF MF Documento nato-digital

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8960067 #
Numero do processo: 11610.005961/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1402-001.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES

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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-08-24T14:32:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-08-24T14:32:10Z; Last-Modified: 2021-08-24T14:32:10Z; dcterms:modified: 2021-08-24T14:32:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-08-24T14:32:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-08-24T14:32:10Z; meta:save-date: 2021-08-24T14:32:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-08-24T14:32:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-08-24T14:32:10Z; created: 2021-08-24T14:32:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2021-08-24T14:32:10Z; pdf:charsPerPage: 1517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-08-24T14:32:10Z | Conteúdo => 0 S1-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11610.005961/2009-95 Recurso Voluntário Resolução nº 1402-001.449 – 1ª Seção de Julgamento/ 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de julho de 2021 Assunto PER/DCOMP - COMPROVAÇÃO Recorrente SILVIO SANTOS PARTICIPACOES S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada), Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 15 a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento e Ribeirão Preto - SP, através do acórdão 14-43274, que julgou PROCEDENTE, EM PARTE, a manifestação de inconformidade do contribuinte em epígrafe, doravante chamado de recorrente. Do litígio fiscal: Por bem descrever os termos do litígio fiscal, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 05 96 1/ 20 09 -9 5 Fl. 210DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1402-001.449 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005961/2009-95 Trata-se do Despacho Decisório que aprova o Parecer Seort n 43/2012, emitido em 23/01/2012, pela DRF Osasco/SP, HOMOLOGANDO PARCIALMENTE as compensações declaradas em DCOMP em formulário, no valor de R$ 517.789,67, onde utilizado IRRF de juros sobre capital próprio auferido no terceiro decêndio de junho de 2009, no valor de R$ 1.471.289,00, como abaixo descrito: Assunto: IRRF - JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO Ementa: A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou ano- calendário em que lhe foram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou ano-calendário da retenção, utilizar referido crédito de imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. Base Legal: RIR/99, art.668; Lei n° 9.249/95, 3ít9°f §2° e IN RFB N° 900/08, art.40. PLEITO DEFERIDO PARCIALMENTE A interessada acima qualificada solicita, por meio de declaração de compensação, preenchida no formulário do Anexo VII, da IN 900/2008 (fl. 01), a compensação de débito referente a IRRF sobre Capital Próprio, código 5706, de período de apuração 3o decêndio de junho de 2009, com vencimento em 03/07/2009, com crédito de IRRF - JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO, apurado e retido pelo BANCO PANAMERICANO S/A - CNPJ n° 59.285.411/0001-13, no período de junho de 2009, no valor de R$ 1.471.289,00. Demonstra, à fl. 02, a impossibilidade de transmissão eletrônica da DCOMP. Verifica-se que, em razão disso, o contribuinte cumpriu a obrigação de retransmitir a DCTF do período, para informar que a compensação foi apresentada em processo administrativo (fl. 16). De acordo com a pesquisa realizada no sistema informatizado da Receita Federal do Brasil, foi levantado o que segue: 1. Certificação da receita de JCP - juros sobre capital próprio recebida do BANCO PANAMERICANO, com a respectiva retenção de IRRF - Imposto de Renda Retido na Fonte no mês de junho, conforme DIRF/2009. Assim, fica claro que o contribuinte não faz jus ao montante indicado na DCOMP, mas tão-somente ao valor aqui encontrado, R$ 517.789,67 (fl. 14). 2. O Imposto de Renda Retido na Fonte, relativo a juros sobre o capital próprio, pelo BANCO PANAMERICANO, CNPJ 59.285.411/0001-13, totaliza o montante de R$ 2.863.501,76 (fl. 14) no ano-calendário de 2009. 3. Do total do Imposto de Renda Retido na Fonte de juros sobre capital próprio, nada foi utilizado para dedução do imposto mensal por estimativa, enquanto que, na ficha 12A -Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, foi utilizado R$ 367.694,61, totalizando assim R$ 885.484,28, do qual a quantia de R$ 517.789,67 (crédito de junho/2009) foi utilizada nesta DCOMP, ficando assim demonstrado: Fl. 211DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1402-001.449 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005961/2009-95 4. A declaração de compensação vinculada ao IRRF-JCP, apresentada por meio do formulário do Anexo VII, da IN RFB 900/2008, antes do encerramento do ano calendário de 2009, 03/07/2009, está de acordo com as determinações legais, conforme artigo 9o, parágrafo 3o da Lei n° 9.249/1995, e alterações posteriores, bem como o disposto no artigo 40, parágrafo 2o da IN RFB n° 900/2008. 5. O débito de IRRF sobre juros de Capital Próprio, apurado no mês de junho do ano calendário de 2009, está devidamente declarado em DCTF, conforme atesta o relatório do sistema DCTF (fl. 15). Da manifestação de inconformidade: Por bem descrever os termos da manifestação de inconformidade, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Cientificada , em 30/01/2012, da homologação parcial das compensações, e discordando da cobrança dos débitos compensados, em 29/02/2012 a contribuinte , por meio de seu advogado e bastante procurador, apresenta a manifestação de inconformidade com as razões a seguir expostas. Após breve resumo dos fatos, questiona a contribuinte, a decisão exarada, tendo em vista restar inconteste a existência das antecipações declaradas na formação do saldo negativo em litígio. Afirma que as retenções efetuadas em seu nome, sob o código 5706 (juros sobre capital próprio), somariam no período R$ 1.471.289,00. Entretanto, teria ela se equivocado ao preencher a Ficha Demonstrativo da Constituição do Crédito na página 03 da DCOMP, ao informar que o crédito pleiteado teria sido retido integralmente pelo CNPJ 59.285.411/0001-13, quando o foi apenas parcialmente, posto que a parcela não conhecida pela DRF Osasco fora apurada e retida pelos CNPJs n 60.853.264/0001-10 (Liderança Capitalização S/A) e n 61.369.856/0001-23 (BF Utilidades Doméstica Ltda). Defende que seu erro não impede a homologação total de seu direito. Encerra requerendo a acolhida de sua Manifestação de Inconformidade, bem como o reconhecimento do crédito remanescente em litígio. Da decisão da DRJ: Fl. 212DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1402-001.449 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005961/2009-95 Ao analisar a manifestação de inconformidade, a DRJ, primeira instância administrativa, decidiu por DAR PROVIMENTO PARCIAL à mesma, por unanimidade. A decisão foi ementada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO DE IRPJ. Nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é da contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação de pagamento indevido de IRRF, condiciona-se à demonstração da certeza e da liquidez do direito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/06/2009 a 30/06/2009 DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Comprovada a certeza e liquidez de parte do crédito de IRRF sobre juros sobre capital próprio declarado em DCOMP, suficiente para reconhecimento de parcela do direito creditório utilizado nas DCOMP em litígio, homologam-se as compensações até o limite ora reconhecido. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extrai-se os seguintes excertos e destaques que entendo mais importantes para fundamentar a sua decisão final: (...) Em sua defesa, alega a contribuinte ter se equivocado quando da transmissão da DCOMP em análise, posto ter informado o CNPJ de apenas uma das fontes pagadoras no Demonstrativo de Crédito em análise. Necessário destacar que cabe à contribuinte zelar pelo cumprimento de suas obrigações acessórias bem como pelo correto preenchimento e encaminhamento de seus pleitos, de forma a prestar informações coerentes à Administração Tributária. (...) Fl. 213DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1402-001.449 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005961/2009-95 Reprise-se que a efetividade da retenção de IRPJ, incidente sobre os juros sobre capital próprio, é comprovada pelos informes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras. (...) Entretanto, não houve a apresentação de quaisquer comprovantes de retenção ou informes de rendimentos pela interessada, mas meras folhas isoladas, supostamente constantes do Livro Razão da Manifestante, desprovidas de formalidades extrínsecas e intrínsecas essenciais para sua validação, além de por ela produzidas unilateralmente. (...) Localizadas em Dirf retenções efetuadas pela fonte pagadora "Liderança Capitalização S.A."em junho de 2009 no exato valor informado pela contribuinte em sua manifestação (R$ 540.160,52), e considerando que as retenções admitidas são aquelas que, como antes explanado, forem comprovadas por meio de informes de rendimentos (o que pode ser suprido por confirmação da DIRF), impõe-se reconhecer crédito de IRRF compensável, no valor de R$ 540.160,52. (...) Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 24/09/2013, a recorrente apresentou o recurso voluntário em 24/10/2013 (efls. 132 e ss), ou seja tempestivamente. No mesmo, em essência reforça os pontos já alegados na sua peça manifestação de inconformidade, dos quais destaco abaixo: - apresenta o informe de rendimentos da empresa BF Utilidades Domésticas LTda, o qual demonstra uma retenção de R$ 459.956,87. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Rogério Borges, Relator. Conforme relatório que precede o presente voto, o recurso voluntário é tempestivo e atende os requisitos regimentais para a sua admissibilidade, pelo que o conheço. Do recurso voluntário: O presente processo versa sobre Dcomp, em que o contribuinte procura compensar débito referente a IRRF sobre JCP com crédito de IRRF sobre JCP, no período de junho/2009. Fl. 214DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1402-001.449 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11610.005961/2009-95 O contribuinte alega que teria se equivocado quando da transmissão da Dcomp em questão nos autos, tendo informado apenas um CNPJ das fontes pagadoras no demonstrativo de crédito em análise. Além do Banco Panamericano S/A, CNPJ 59.285.411/0001-13 (informado integralmente na Dcomp), havia também retenções da Liderança Capitalização S/A (CNPJ 60.853.264/0001-10) e BF Utilidades Ltda. (CNPJ 61.369.856/0001-23). O despacho decisório, em análise, reconheceu a parcela informada na DIRF do Banco Panamericano S/A (única fonte pagadora informada em Dcomp) no total de IRRF de R$ 517.789,67. Após esclarecimentos na manifestação de inconformidade, a decisão recorrida reconheceu a parcela da Liderança Capitalização S/A, no total de IRRF de R$ 540.160,52, valor este identificado na DIRF informada pela fonte pagadora. Remanesceu assim comprovar a retenção da BF Utilidades Ltda., a qual não informou nenhuma retenção para IRRF em junho/2009. Contudo, em sede de recurso voluntário, traz aos autos informe de rendimentos da BF Utilidades Ltda, à efl. 208, no qual consta o valor de R$ 459.956,87 retido em junho/2009. Porém, em nenhum momento nos autos há a análise ou elementos para se concluir que tais valores de junho (bem como alguns demais meses do ano em que há juros sobre capital próprio recebidos) foram oferecidos à tributação. Assim, para o adequado deslinde do presente processo, entendo necessário se verificar a unidade de origem se os valores em questão nos autos foram oferecidos à tributação, nos termos da legislação de regência. Por conseguinte, entendo necessário converter o presente processo em diligência. Se for o caso, e entendido necessário, pode a autoridade fiscal designada intimar o contribuinte para eventuais complementações e informações adicionais, para dirimir a dúvida suscitada no presente voto. Após concluída, deve ser elaborado relatório conclusivo circunscrito à questão inerente à diligência, e dado ciência ao contribuinte para se manifestar a respeito no prazo de 30 (trinta) dias, e após, retornar os autos para este CARF. Conclusão: Assim, considerando o exposto acima, VOTO no sentido de PROPOR CONVERSÃO EM DILIGÊNCIA do presente processo. (documento assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 215DF CARF MF Documento nato-digital

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Numero do processo: 10380.729799/2013-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.622
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em converter o julgamento em diligência,nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Trata-se o presente processo administrativo de autuação lavrada em face do Recorrente, Suzlon Energia Eólica do Brasil Ltda., em que o agente fiscal constituiu, de forma reflexa, créditos tributários da contribuição ao PIS, depois de terem sido constadas supostas infrações à legislação tributária. O período de apuração objeto da autuação é de 01/01/2008 a 31/05/2010. Além deste processo, foram lavrados mais dois Autos de Infração em face do contribuinte em questão e que têm como base os mesmos fatos e fundamentos destes autos. O primeiro deles (processo nº 10380.729795/2013-91), cuja a discussão, inclusive já se encerrou no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constituiu créditos de IRPJ e CSLL em face do mesmo contribuinte. O outro processo lavrado é o de nº 10380.729798/2013-24 e constituiu créditos tributários referentes à COFINS, sendo distribuído a este julgador para que fossem proferidas decisões conjuntas, evitando-se, assim, entendimentos diferentes sobre a mesma matéria em discussão. O processo de IRPJ e CSLL tramitou perante a 1ª Turma, 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, sendo negado provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício por aquele colegiado. O Recurso Especial apresentado pelo contribuinte teve o seu seguimento negado, nos termos de Despacho proferido em 23 de Novembro de 2017, sendo os autos remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. Como os fatos e fundamentos do presente processo são idênticos ao processo principal, pede-se venia para reproduzir o relatório do acórdão nº 1301-001.828, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, nos autos do processo de nº 10380.729795/2013-91, uma vez que sintetiza toda a discussão ora travada: Cuida-se de Recurso Voluntário e de Ofício, manuseados contra decisão proferida pela 13ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. De acordo com o que disposto no presente processo administrativo, em desfavor da contribuinte acima identificada foram lavrados Autos de Infração relativos aos anos-calendário de 2008, 2009 e 2010, atinentes ao IRPJ e demais reflexos, incluindose o principal, multa qualificada de 150% e juros de mora. Ainda de acordo com as peças do presente processo, a ação fiscal iniciou-se com o Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 318/325), requisitando-se a apresentação ou disponibilização dos Livros e documentos típicos, outros documentos requisitando diversos esclarecimentos acerca de sua escrituração, tudo devidamente suportado por documentos hábeis e idôneos. Segundo registrou-se, não havendo atendimento, lavraram-se novos Termos (fls. 326/327) e a partir de 13/09/2013 a fiscalizada passou a prestar as informações que entendia cabíveis (fls. 330 e 333/341), havendo, desta data e até o encerramento da Ação Fiscal em 24/10/2013 (fls. 1063/1064), com a lavratura dos autos de infração, diversos Termos de autoria do Fisco e respostas da contribuinte, acompanhadas de documentos (fls. 342/895). Anotou-se ainda (fls. 896/925) que o contribuinte juntou o LALUR (fls.926/1058), cópias das DIPJ do período fiscalizado (fls. 1059/1062), cópia do SAPLI que controla, em âmbito interno da Receita Federal, os valores dos prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas de CSLL. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 60/79), a Fiscalização relatou o resumo de todo o procedimento levado a efeito, inclusive as respostas e manifestações feitas pela fiscalizada, discorrendo sobre as irregularidades apuradas, descrevendo o objeto da ação fiscal e a atividade econômica da autuada, para explicitar que a contribuinte opera no setor de tecnologia de energia alternativa (eólica), fornecendo aerogeradores e que sua atividade operacional pode ser resumida em importação, venda e serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados por seus clientes, asseverando ainda que “à vista das dimensões dos equipamentos (...) as importações eram feitas sob encomenda prévia”, de tal modo que “não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças (...) que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas préacertadas”, e que, “diante dessas peculariedades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de “negócios de longo prazo”, com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício”. Ainda segundo a Fiscalização: i) que, “neste peculiar contexto de atividade operacional (...) o Fisco já vinha monitorando a evolução anual da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA”; que, “no monitoramento visualizado ano a ano, este órgão fiscal já vinha observando discrepâncias relevantes”; que, “enquanto de um lado, conservava-se ausente um nível condizente de recolhimento de tributos, comparando-se com a evolução de suas atividades operacionais, de outro lado, causava espécie o volume de créditos fiscais que o contribuinte indicava-se como titular”; que, “criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S (...) também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende”; que, “esta circunstância dupla de relação comercial deve ser muito bem compreendida, tratada e monitorada pelo Fisco”; que, “foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos (...) com seus Clientes (...) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes”, e que, “o total dos contratos (...) ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (...) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução”. Diz ter recebido, via Ouvidoria da RFB, denúncia anônima contra a fiscalizada relatando a ocorrência de irregularidades contábeis e fiscais, assevera que tal denúncia teve efeito apenas informativo daquilo que o Fisco já sabia sobre a empresa, que não fora utilizada como prova a fundamentar o lançamento de ofício, refere-se a entendimento da Corte Suprema acerca do assunto e prossegue: ii) que, “colocadas estas questões, (...) cabe descrever a realidade contábil e fiscal da empresa (...) encontrada por esta Fiscalização ao longo dos procedimentos de auditoria contábil-fiscal realizados nos seus arquivos e livros da escrituração”; iii) que, “ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades nas conduta da empresa (...) desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010)”; iv) que, “convinha averiguar (...) a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (...) pautou-se por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional”; v) que, “restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo (...) superior a um ano, a preço certo”, e que, “para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010”; vi) que, “como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração (....) restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo”. Ainda de acordo com a Fiscalização, referindo-se à legislação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS: vii) que, “em verdade, o que se viu (...) foi a utilização de um critério contábil-fiscal para registro dos custos totais dos Contratos de Longo Prazo e dos seus respectivos preços totais, sem qualquer autorização legal para tal”; viii) que, “a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anos-calendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o anocalendário de 2007, quando, de um lado, já incorria – inapelavelmente – em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes, e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos”; ix) que, “somente uma visão do planejamento tributário com natureza visível de evasão fiscal que a empresa tentou implantar com quase sucesso – note que o ano de 2007 já se encontra inapelavelmente decaído (...) pode explicar os detalhes dos resultados que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha em mente de auferir na realidade, de forma consciente e astuciosa” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 65). Após destacar que a contribuinte tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE (redução de 75% do IRPJ), prosseguiu: x) que, “no afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício da empresa”, e que, “a técnica para tal foi “fabricar” prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações”; xi) que, “como os contratos (...) datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos”; xii) que, “acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010”, e, “com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo “fabrica” prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que foi deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria a partir do anocalendário de 2010”. Na mesma toada, seguiu a Fiscalização afirmando que, com este procedimento, a autuada, “já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contrato de Longo Prazo (...) pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010”, pontua que a SUZLON tinha os benefícios do Programa REIDI, que concede suspensão de PIS e COFINS nos casos indicados e que, ainda assim, os preços originários que deveriam ser recebidos de seus Clientes mantinhamse com as referidas contribuições embutidas, sem que, entretanto, houvesse recolhimentos de mencionadas contribuições ao Tesouro Nacional. Asseverou que foi “diante desta realidade (...) que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação”; que, para esta providência, “tentou, por reiteradas vezes (...) obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional”, e que, mesmo com a conduta dificultosa da empresa, não fornecendo os dados requeridos pela Autoridade Tributária, ainda assim, “nada disso constituiuse em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados”, destacando que, “de posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010, pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 e 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI´s), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados)” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 67). Diz ainda que, “como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles”. Esclareceu a Fiscalização que as planilhas com os cálculos estão anexadas ao Termo de Verificação e continua discorrendo que, “como essa auditoria tinha como foco principal o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL e demais contribuições sociais, foi promovida uma averiguação geral na escrituração do contribuinte”, e que, diante de tal cenário, “esta fiscalização enveredou pela análise minuciosa do Passivo registrado como Empréstimo em 31.12.2009, lançado como Obrigação por Empréstimo contraído junto ao BANCO ABC BRASIL S/A.”. Expõe, a respeito, ser intrigante o fato de a fiscalizada não ter registros, em sua contabilidade, de conta corrente junto a tal instituição financeira. Na sequência, pontuou ter igualmente buscado esclarecimentos acerca da dedutibilidade do valor de R$ 1.500.000,00 levado a débito da Conta de Despesas Financeiras/Descontos Concedidos em 14.10.2009, que foi encerrada contra Resultado do Exercício, montante que, por ter sido escriturado pela autuada como “Desconto Concedido Condicionalmente”, deveria ser tido como “dedução da Receita Bruta para apuração da Receita Líquida, para posterior Adição ao Lucro Líquido para efeito de apuração do Lucro Real”; que, “por não ser desconto incondicional, essa adição obrigatória não pode ser neutralizada pela simples desalocação do valor em conta direta de Despesa Financeira”, e que, “se há a indedutibilidade legal, impossível a dedutibilidade por transposição de classificação contábil”. Seguiu na acusação tratando das “Multas Contratuais”, expondo: xiii) que, “desde o Termo de Início de Fiscalização (...) essa auditoria aborda a questão das MULTAS CONTRATUAIS debitadas pela SUZLON (...) à Conta de Custos e de Despesas Operacionais nos anos de 2009 (R$ 28.711.100,00, na Conta 012058/ 512090128000 CUSTOS GERAIS NA PRODUÇÃO/DESPESAS COM MULTAS CONTRATUAIS e R$ 39.787.086,85, na Conta 013455/ 531090163000 DESPESAS GERAIS/MULTAS CONTRATUAIS) e 2010 (R$ 6.795.197,50, na Conta 013455/ 531090166000 DESPESAS GERAIS/MULTAS CONTRATUAIS) e encerradas contra Resultados dos Exercícios respectivos”; xiv) que, “as indagações corriam por dois fundamentos (...): a) cumprimento dos requisitos para a dedutibilidade”, e , “b) caracterização de despesas operacionais possíveis , porém incursas no qualificativo de “Despesas Recuperáveis”, previstas na legislação do Imposto de Renda e dos demais tributos e contribuições sociais”; xv) que, “a dialética processual instaurada junto ao contribuinte permitiu ao Fisco conhecer o “fato gerador específico” dessas multas contratuais”, e que, segundo a SUZLON, sua origem adviria de cláusula prevista nos Contratos assinados com seus Clientes e que “as multas eram mensuradas conforme os montantes diários de atraso na entrega dos bens e serviços”. Após afirmar que “os documentos que totalizam as MULTAS CONTRATUAIS dos anos de 2009 e 2010 não foram fornecidos ao Fisco pela SUZLON”, prosseguiu a Autoridade Tributária (Termo de Verificação Fiscal – fl. 70), fazendo as devidas ponderações. Na sequência, a Fiscalização tratou da apuração dos resultados dos Contratos de Longo Prazo, “efetivados conforme os preceitos do artigo 407 do RIR/99 e IN SRF nº 021/79”, explicitando que “a empresa resolveu quedarse silente sobre a conduta adotada”, tendo ignorado os pedidos da Fiscalização para apresentar “as Planilhas de apuração dos custos incorridos ano a ano, das receitas reconhecidas ano a ano e de todos os demais dados necessários para a construção das tabelas indicativas referentes ao Lucro Bruto de cada período de apuração”. Adiante, depois de destacar que “os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de nº 03”; que, “na metodologia apresentada pela SUZLON (...) não há apuração de resultado em 2007 e em 2008”, e que, “em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a “fabricar” o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo”, a Fiscalização enfatiza (Termo de Verificação Fiscal – fls. 73). Aditivamente assinalou que, “cabe deixar registrado que a estratégia da SUZLON (...) para cumular os valores em 2009 e 2010 necessitou a contabilização de todo o custo incorrido nos anos de 2007 e 2008 em conta de ESTOQUE, o que constitui irregularidade na sistemática de apuração dos resultados com contratos de longo prazo”; que, “em 2009, essa prática se repetiu quase que integralmente”, e “já em 2010, os ESTOQUES são “esvaziados”. Para acrescentar que, “com estas explicações o Fisco desnuda a conduta da empresa e a caracteriza como prática concernente à presença do evidente intuito de fraude, dado o conjunto de circunstâncias já enumeradas”. E prosseguir acusando que “como consequência de todos estes cálculos de ofício que levaram aos Quadros de nº 01 a 03, foi necessário refazer as DRE´s dos anos calendário de 2008, 2009 e 2010, de modo que restassem individualizados o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL em cada um deles”, registrando a não apresentação do LALUR relativo ao anocalendário 2010. Passou a Fiscalização a tratar das irregularidades que entendeu presentes relativamente ao PIS e à COFINS, destacando, em síntese, que a autuada “deveria ter apurado as bases as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos”, e que, “como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes”. Comentou sobre o Programa de Benefícios do REIDI e encerra afirmando ser imperativo o lançamento de ofício para constituição dos créditos tributários do PIS e da COFINS, com observância do regime da NãoCumulatividade, procedimento que deve ser adotado também em relação a eventuais créditos legitimamente escriturados, observada a legislação de regência. Detalhou as razões de fato e direito que levaram à qualificação da multa de ofício, elevandoa ao patamar de 150%, reportase aos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, faz retrospectiva do procedimento fiscalizatório. Os autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram lavrados (fls. 2 a 57), com Termo de Encerramento (fls. 1063/1064). A ciência da contribuinte está encartada às fls. 58 a 59, tendo apresentado Impugnação (fls. 1069/1145), juntando documentos apensados às fls. 1156 a 3764. Posteriormente, após o término do prazo de impugnação, juntou novos documentos em 22/01/2014 (fls. 3821/4200) e em 03/02/2014 (fls. 4203/4244). Na sua peça de defesa, depois de fazer um breve resumo dos fatos, referirse às irregularidades apontadas pelo Fisco, clamar pela nulidade do processo administrativo “por não conter (...) os requisitos mínimos indispensáveis para a validade de uma acusação”, rebater o teor do Termo de Verificação Fiscal de que não teria apresentado documentos, que a Fiscalização não observou “procedimentos primários” durante a ação fiscal, que a Autoridade Tributária reportouse diretamente a seus clientes, o que implicaria em cerceamento do direito de defesa, que houve violação às disposições do artigo 142, do CTN, “em razão da ausência completa de critérios objetivos e previstos em lei na determinação das exigências tributárias (...) especialmente, no que tange a forma utilizada de alocação dos custos incorridos em cada ano, utilizado (...) para fins de apurar o lucro bruto relativo aos contratos “supostamente” de longo prazo”, que não se deduziram os créditos de PIS e COFINS quando dos lançamentos de tais exações e que houve inobservância dos benefícios do REIDI e dos recolhimentos efetuados pela impugnante, a defesa discorreu longamente sobre cada item apontado como irregular pelo Fisco, destacando, preambularmente que a Fiscalização “resolveu de forma absolutamente discricionária “criar” a sua própria planilha de apuração de resultados, desconsiderando as demonstrações contábeis da Impugnante, pois as entendeu como ilegais (...)”; que, “se de fato não foi entregue a documentação suficiente para apurar de forma correta o crédito tributário em questão, não cabia à administração criar um procedimento único e sob encomenda para a impugnante (...)”, e que, “portanto, se os registros contábeis fossem imprestáveis conforme relatado pela douta fiscalização, o único procedimento cabível a ser adotado seria o arbitramento, o que de fato não aconteceu” (impugnação – fls. 1076/1077). A seguir, pontuou que informações que deram suporte aos lançamentos foram obtidas junto a terceiros, muitas das quais não foram juntadas aos autos, em desrespeito ao artigo 9º do PAF (que transcreve), assenta que o “desconhecimento da documentação utilizada pela autoridade para motivar os seus fundamentos (...) “obriga” a Impugnante a fazer um exercício de “adivinhação” (...) incabível num processo administrativo onde a busca da verdade material é princípio”, concluindo ter havido cerceamento ao seu legítimo direito de defesa, sendo, “portanto, inquestionável a NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM TELA” (transcreve jurisprudência a respeito). Pontuou, após reproduzir o artigo 142, do CTN, que “a fiscalização claramente olvidouse de determinar de forma diligente, legítima e dentro dos parâmetros legais o montante dos tributos lançados (...) na medida em que os valores apurados (...) não contemplam os requisitos de certeza e liquide , indispensáveis ao lançamento de um tributo”, e que, “adotou critérios subjetivos e discricionários, sem qualquer embasamento legal, para identificar a “suposta” alocação dos custos (...) para fins de apurar o lucro bruto dos contratos firmados (...) e não considerou (...) valores já recolhidos a título de estimativas mensais (...) assim como (...) ignorou o direito à utilização do benefício fiscal concedido pela SUDENE no exercício de 2010”. Diz que em relação à apuração do PIS e da COFINS a Fiscalização adotou a apuração “com base no regime de caixa, NÃO PREVISTO EM LEI, uma vez que a base de cálculo destas contribuições é a receita auferida e, não, o simples recebimento a título de adiantamentos de clientes”, além de ter havido “desconsideração de créditos apurados com base na sistemática das Leis nº 10.632/2002 e 10.833/2003”. No mais, sustentou que o Fisco, sem previsão legal e em uma segregação subjetiva, alocou os custos incorridos da impugnante para “inferir o montante do lucro bruto do período”, tomando como base os “principais custos de importação informados nas Declarações de Importação (DI)”, o que seria inadmissível posto que “estes valores não podem ser considerados como custos em consentâneo com as melhores práticas contábeis”, quando “o custo somente é reconhecido (...) no momento da venda do bem, enquanto isto trata se meramente de ativo, ou melhor, estoque”. Pontua que seus custos só são reconhecidos nas suas contas contábeis “quando da venda dos fatos geradores”, momento em que “é observado o princípio do confronto das receitas com as despesas correspondentes”. Critica a forma de apuração adotada pelo Fisco, que diz ter sido “realizada com base em critérios subjetivos, definidos de forma unilateral e sem qualquer embasamento em lei”, ignorando os documentos da empresa e registrando valores em duplicidade. Traz quadros com os quais pretende demonstrar a impropriedade do trabalho fiscal (impugnação – fls. 1083/1084) e prossegue discursando que os lançamentos não trazem qualquer método que permita identificar a composição do crédito tributário, e que teria havido afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade, violando, por conseguinte, os artigos 2º e 50, da Lei nº 9.784/1999 (que reproduz). Reportouse à doutrina e segue afirmando que, mediante um exercício de apuração estimada, demonstrará “de forma definitiva a completa insubsistência do cálculo feito (...) para apuração de IRPJ e CSLL, através do procedimento comumente conhecido como “método POC (Percentage of Completion)” aplicável aos contratos de longo prazo”, documento que nominou de “Doc. 07”, insurgindose contra a ação do Fisco que teria desconsiderado os valores recolhidos a título de estimativa mensal nos anos de 2009 e 2010, sendo R$ 31.935.165,19 como IRPJ e R$ 11.829.990,42 de CSLL. Alegou não ter ocorrido dedução nos lançamentos de IRPJ, dos valores referentes ao IRRF constantes nos balancetes de 2009 e 2010, somando R$ 883.553,98 (Doc. 12), reproduz jurisprudência do CARF e finaliza o tópico ponderando que a Fiscalização não levou em conta na apuração do IRPJ 2010, o benefício fiscal da SUDENE (Doc. 10), ao tempo que incluiu indevidamente nos lançamentos montantes relativos a provisões realizadas a título de garantia (R$ 8.841.581,81) e outras despesas (R$ 18.808.294,20), já oferecidas à tributação, como demonstrará na sequência. Destacou o regime de apuração das contribuições do PIS e da COFINS (não cumulativo) e afirma que o Fisco desprezou os créditos a que teria direito, maculando os lançamentos. Ressalta possuir créditos acumulados de R$ 50.531.577,04 de COFINS e R$ 10.970.577,04 de PIS (Doc. 11), conforme informado nos balancetes mensais e DACON´s (Docs. 12 e 13), valores que, se considerados pela Fiscalização, reduziriam substancialmente os lançamentos (junta demonstrativo – Doc. 14). Acentua que tal procedimento leva à nulidade dos autos de infração, reportase a jurisprudência, legislação e doutrina e finaliza (impugnação– fl. 1092). Quanto ao mérito, dividiu sua Impugnação para tratar inicialmente acerca da “legalidade e legitimidade da operação de empréstimo bancário firmando com o Banco ABC, iniciando ao afirmar que a omissão de receitas considerada pelo Fisco no valor de R$ 19.643.545,00, relativa à obrigação por empréstimo junto ao Banco ABC Brasil S/A e que seria suportada pelo artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, é incabível, como incabíveis seriam as glosas das despesas de IOF e financeiras vinculadas a tal operação. Para comprovar o alegado, depois de lembrar que “os auditores fiscais não demonstraram nenhum interesse em compreender uma simples operação de empréstimo, comumente praticada pelas empresas”, a defesa passou a descrever detalhadamente a operação. Segue referindose a dispositivos do Código Civil, trata da validade dos atos jurídicos, diz inexistir proibição a que se faça empréstimo junto a instituição financeira na qual não mantenha conta corrente, socorrese de doutrina, acrescenta que a prova que traz aos autos demonstra a correta e efetiva realização da operação (Cédula de Crédito Bancário nº 517709 e outros – Doc. 22), que, conseguintemente, o IOF e despesas vinculadas à referida operação são necessárias e úteis, portanto dedutíveis. Ponderou ser impossível compreender a sentença formulada pelo Fisco acerca do tema “Desconto Concedido Condicionalmente”, visto que a Autoridade Fiscal parece desconhecer o termo da locução “desalocar”, implicando em conclusões indevidas, especialmente em relação a uma suposta não apresentação de documentos por parte da impugnante, o que não ocorreu. Reportase aos anexos nominados de “Doc. 23”, descreve as operações que realizou com clientes seus (impugnação – fls. 1098/1099) e que as partes “comprometeramse a aceitar uma redução no preço final de cada contrato”, estandose diante de uma situação em que o desconto registrado seria decorrência apenas de redução da garantia oferecida pela vendedora (autuada), do tipo conhecido como “performance bond”, isto é, surgiu “única e exclusivamente de acordo comercial, em circunstâncias negociais, sem vinculação a qualquer procedimento ou obrigação posterior do seu cliente para garantilo”, como, por exemplo, “desconto pelo pagamento antecipado de fatura”. Concluiu, após registrar a legislação sobre a matéria (RIR/1999 e IN – SRF nº 390/2004) e jurisprudência do CARF, que “se o débito da despesa ocorreu em uma conta incorreta, continua sendo um débito a conta de resultado, o que reduz consequentemente o Lucro Real e a base de cálculo da CSLL”, e que, “uma mera classificação incorreta não tipifica a infração do art. 299 do RIR, muito menos a sua glosa, por isso, não tendo havido a efetiva motivação da glosa, ou a comprovação da inexistência da necessidade, utilidade, ou mesmo da documentação de suporte, não restará ao d. Julgador outra alternativa senão cancelar essa glosa, o que desde já requer a Impugnante”. Na sequência tratou da “inexigibilidade dos tributos sobre despesas não recuperadas”, comentando sobre a indevida conclusão do Fisco no sentido de não ter havido contabilização, como recuperação de custos, das multas contratuais que originalmente a impugnante arcou perante seus clientes e em relação às quais não teria buscado se ressarcir junto à sua única fornecedora de equipamentos no exterior e que é sua controladora. Aduz que “a divergência apontada pelo Fisco reside apenas na suposição, ilação de que – por se tratar de multa pelo atraso da entrega dos bens – esse descumprimento seria de responsabilidade exclusiva da sua fornecedora, a Suzlon Wind Energy S/A, contra a qual deveria a Impugnante pleitear o ressarcimento”, tendo havido, ainda na opinião dos Agentes Fiscais, “omissão no agir e negligência na conduta da SULZLON (...) BRASIL em buscar junto a sua fornecedora/controladora, a recuperação dos encargos sofridos por força das multas contratuais devidas aos Clientes no Brasil”. Mencionou ainda, que: “à exaustão, a fiscalização foi clara ao reconhecer que a Impugnante NÃO recebeu (recuperou) os valores das multas contratuais pagas em razão do atraso na sua execução”, e que, “se a Impugnante NUNCA recuperou os encargos sofridos por força das multas contratuais, NUNCA houve o ingresso de receitas, o que pó si só afasta a imprópria conclusão de que houvera OMISSÃO DE RECEITAS”. Pontua que o artigo 392, II, do RIR/1999 (que transcreve) define que “deverão ser computadas na determinação do lucro operacional as recuperações e devoluções de custos, sendo silente sobre uma tal expectativa de recuperação de custos”. Destaca que as multas assumidas decorreram não em razão de atrasos nos equipamentos, como pensou a Autoridade Fiscal, mas por razões de execução do projeto no Brasil, por diversos fatores, inerentes à própria atividade empresarial e que, ainda que assim não fosse, o prazo para buscar eventual ressarcimento não se expirou (Código Civil, art. 206, § 5º, inciso I), acrescentando que o Fisco tentou desconsiderar as operações em razão de serem estranhas, mas, questiona a defesa, “ser “estranha” é motivo para desconsideração de ato ou negócio jurídico”? Na sequência, depois de rebater as conclusões do Fisco de que as atividades da impugnante enquadrarseiam na forma de tributação dos “Contratos de Longo Prazo”, superiores a um ano, a preço certo, e afirmar que seu procedimento contábil esta consentâneo com as normas brasileiras sobre a matéria (“procedimento “corroborado por empresa de auditoria independente”), que lhe permite reconhecer a sua receita e seus custos tão somente no final dos contratos, após a emissão da respectiva nota fiscal (Doc. 25), o que afastaria ilações a respeito de eventual ação insidiosa de sua parte e que teria levado ao agravamento das multas, passa a discorrer sobre o que chama de “três tópicos que se correlacionam ao final”, sendo o primeiro, a “apresentação das normas contábeis aplicáveis à venda de bens cuja transferência somente ocorre no final do contrato”, o segundo, “os aspectos fundamentais (...) previstos nos Contratos de Fornecimento e Instalação de Turbinas Eólicas”, e o terceiro, a “natureza jurídica das operações realizadas (...) e (...) legislação tributária aplicável”. Passou então a discorrer sobre o que chamou “princípio da realização da receita”, discorrendo longamente sobre o tema, diz que, na forma do que dispõe o Código Civil, o lançamento das receitas exige a efetiva transferência do produto ou serviço ao cliente, referese a ensinamentos doutrinários e aos pronunciamentos e interpretações do CPC, CFC, CVM e organismos contábeis internacionais, que o Pronunciamento Técnico CPC nº 30 trata da forma e momento do reconhecimento das receitas e que, “desde Luca Pacioli, a receita e as despesas relacionadas à mesma transação devem ser reconhecidas no mesmo momento –simultaneamente – em cumprimento ao princípio da confrontação das despesas com as receitas (princípio de competência)”. Volta a referirse ao Pronunciamento Técnico CPC nº 30 e conclui não bastar que a receita, para fins de reconhecimento, seja conhecida, mensurável, impondose o adimplemento de outras condições, tais como a transferência ao comprador dos riscos e benefícios oriundos da propriedade dos bens, a possibilidade de determinar a despesa e a fruição dos benefícios econômicos da operação. Acerca do “contrato de fornecimento de turbinas eólicas firmados com os seus clientes” a contribuinte descreveu sua atividade e os Contratos de Fornecimento e Instalação de Turbinas Eólicas, “para execução em prazo inferior a 360 (...) dias”, firmados com seus clientes, reproduzindo alguns segmentos de contratos firmados com seus clientes, sustentando, em última análise, serem dois, basicamente, os tipos de aerogeradores que seu fornecedor disponibiliza, cabendo ao comprador definir qual deles desejaria adquirir e que a este cabia adotar as providências necessárias para preparação do parque eólico para fins de instalação das turbinas eólicas, “de modo que a Impugnante não participa do planejamento e definições gerais do projeto; limitandose a comprar e a instalar os aerogeradores de acordo com a planta fornecida”. A seguir apresenta, a título exemplificativo, um cronograma de execução, realçando que a finalização será sempre em prazo inferior a 360 dias (impugnação – fls. 1115/1116). Diz mais, que, “nos termos do contrato firmado de boa fé pelas partes integrantes, nas hipóteses de atraso do prazo previsto inferior a 01 (um) ano para a execução do fornecimento e instalação de turbinas eólicas pela Impugnante, ou das obras necessárias realizadas pelo cliente, há a previsão de aplicação de multa (cujo percentual varia de acordo com o cliente)”. E prossegue ser “óbvia a aplicação da multa: o parque eólico não está a ser construído por mero diletantismo dos contratantes da Impugnante, mas porquê essas empresas têm obrigação de fornecer energia no dia D do mês M do Ano A, sob pena de comprometer o suprimento de energia necessário ao abastecimento da nação”, e que, “é fundamental perceber que, como a instalação os aerogeradores, ocorre em etapas, somente após a conclusão de todo o projeto, é que efetivamente, há a entrega do bem ao cliente e, portanto, a transferência de sua respectiva titularidade, com a emissão das respectivas notas fiscais”. Acrescentou que “apenas neste momento os recebimentos das parcelas que compunham o preço tornamse certos (...); os custos diretos e indiretos e as despesas totais tornamse possíveis de mensurar e os riscos são de fato transferidos ao cliente, tudo em respeito à dinâmica prevista nos contratos” e acentua estar demonstrada “a natureza jurídica das operações realizadas e a legislação tributária aplicável viaavis a adequação do tratamento contábil adotado”, que a Fiscalização “esmerouse em utilizarse de estilo de redação realísticofantástico para por meio dele suportar o lançamento, buscando converter suposições e ilações em verdade material”, sendo, ainda no dizer da defesa, “uma verdadeira obra literária”, que a “Impugnante recomenda a leitura na íntegra”, desprovida de qualquer método em sua análise, sem fatos concretos que fundamentem suas conclusões. Depois de ressaltar possuir auditoria independente que audita sua escrituração, que seus contratos são do tipo “EPC – Engineering, Procurement and Comissioning”, modalidade em que “o contratado obrigase a adquirir bens e instalálos de acordo com as especificações requeridas pelo contratante e mediante o exercício da sua competência técnica, para entregálos ao final em condições plenas de operação pelo contratante, que então os receberá, os bens, em seu patrimônio”, lembrar que o contrato de compra e venda é “por definição, bilateral, oneroso e consensual” (reproduz artigos 481 e 482 do Código Civil), tratar da transferência de propriedade de bens móveis (transcreve art. 1267 do mesmo diploma legal e doutrina de J. X. Carvalho de Mendonça), acrescenta que a “materialização da operação de compra e venda, para fins jurídicos, comerciais e fiscais é a fatura, que configura a representação mercantil do pleno atendimento ao contrato de compra e venda, realizado de maneira tácita, eis que vendedor e comprador já concordaram com preço e produto”. Aditando: “ou seja, o instrumento que exterioriza o contrato de compra e venda é a nota fiscal, que deve acompanhar a mercadoria para fins fiscais e comerciais e que contabilmente é demonstrada pela figura do faturamento” (impugnação – fl. 1121). Na mesma linha, afirma que, “transferida a propriedade para o comprador, materializada a operação pela forma do faturamento, surge aí a obrigação fiscal de promover o reconhecimento e destaque dos tributos incidentes sobre as operações de venda, haja vista a ocorrência dos fatos geradores ensejadores destes tributos (notadamente PIS, COFINS e, de forma indireta, em decorrência da circulação e saída das mercadorias, o ICMS e o IPI”, e que, “as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (...) devem reconhecer o resultado de suas receitas pelo regime de competência”. Faz referência ao artigo 187, da Lei das S/A, comenta sobre as alterações trazidas ao mencionado diploma legal pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, particulariza que nestes dois últimos atos legislativos está disciplinado que “a escrituração fiscal sustentarseá na escrituração contábil e valerseá de livros auxiliares para a demonstração e (re)conciliação entre as eventuais divergências entre os preceitos e regras contábeis e fiscais” e que, “através da análise dos termos dos referidos contratos de compra e venda é possível conhecer a extensão e o alcance das suas disposições quanto à quintessência da operação econômica da Impugnante”. Apresenta um sumário das operações realizadas e voltase, novamente, à doutrina, para utilizar conceitos de contratos bilaterais e à jurisprudência e decisões da RFB para apoio da sua tese sobre faturamento antecipado e reconhecimento da receita. Destaca que apesar dos contratos preverem que as obras para instalação das torres, importações de peças e partes para utilização nas torres, importação de lâminas e equipamentos relacionados às turbinas, instalação das turbinas eólicas e comissionamento seriam implementadas em prazo inferior a 360 dias, “em alguns contratos surgiram controvérsias entre as partes envolvidas (...) resultando na sua suspensão, uma vez que houve incertezas quanto ao cumprimento dos seus termos, inclusive quanto ao adimplemento das parcelas acordadas”. Que teria sofrido “diversas constrições, alheias à sua vontade”, mas que os atrasos ocorridos “de forma alguma” implicariam no alongamento do período de instalação, e que, “tais prorrogações não têm o condão de modificar a cláusula contratual de prazo de execução”. Diz mais, que mesmo que a execução do objeto do contrato fosse superior a 360 dias, “este fato, por si só, nunca seria suficiente para obrigar a Impugnante a alterar a forma de reconhecimento de suas receitas”, posto que, no seu entender, “o fator determinante para a definição do momento deste reconhecimento (...) é o momento da efetiva tradição do bem”. Sustenta que o artigo 10, do Decretolei nº 1.598, de 1977, é inaplicável, visto que trata de situações “em que o bem é produzido pelo contratado, O QUE DEFINITIVAMENTO NÃO É O CASO”, diz que “produzir” significa “criar”, “fabricar”, (segundo Dicionário Michaelis), o que impediria a utilização do mencionado dispositivo legal. Concluiu o tópico (impugnação – fls. 1127), afirmando que “considerando que a Impugnante não produz aerogeradores, mas tão somente os importa e instala nos termos contratuais, é inaplicável, por todos os ângulos em que se analisar a questão, a possibilidade de aplicação da previsão do artigo 10 do Decretolei nº 1.598/78 (sic) no caso concreto”, razão pela qual “deve ser afastado o lançamento também quanto ao anteriormente exposto”. Afirmou a ilegalidade na constituição do crédito tributário, aduzindo que a autuação “abarca uma suposta falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre provisões a título de (i) garantia (R$ 8.841.581,81 na Conta 015840/ 51201690000) e (ii) outras despesas (R$ 18.808.294,20 na Conta 004441/ 511010101000) que, de acordo com o alegado pela fiscalização não teriam sido adicionados ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social”, rebate o entendimento fiscal trazendo informações e demonstrativos com os quais pretende mostrar o equívoco do Fisco, que há, inclusive, erro nos números apontados pela Autoridade Tributária e que os montantes foram oferecidos à tributação no anocalendário 2010, pelo que “insubsistente referido auto de infração também no que tange ao lançamento sobre provisões”. Defendeu ainda, que “quando da lavratura do presente auto de infração”, ignorado os valores recolhidos a título de estimativa e os montantes de IRRF, implicando na “equivocada, ilegal, dupla e majorada apuração dos débitos de IRPJ e CSLL para o período”. Que, mencionados valores importariam em R$ 31.935.165,19 e R$ 11.829.990,42, estimativas de IRPJ e CSLL, respectivamente, montantes recolhidos “seja mediante pagamento ou compensação”, além de R$ 883.553,98, “relativos aos exercícios de 2009 e 2010”. Aduz não ter o Fisco observado os benefícios da SUDENE a que faz jus desde 01/01/2010 e que os lançamentos estariam maculados, impondo sua anulação ou revisão. Trata dos lançamentos de PIS e COFINS reclamando a não concessão, pelo Fisco, dos créditos a que teria direito pelo regime da não cumulatividade. E arremata que, “por amor à argumentação, na remota hipótese desses julgadores admitirem que houvera omissão de receitas durante os anos calendários de 2009 e 2010, tal autuação fiscal nunca poderia prevalecer, uma vez que a Impugnante tinha direito a compensar integralmente as (i) estimativas pagas a título de IRPJ e CSLL e (ii) do crédito de PIS e COFINS, devendo, este direito ser reconhecido por esta Administração quando da apuração de eventual crédito tributário, ou no mínimo determinar diligência para apurálos caso dúvidas acerca dos seus valores ainda existam”. Relativamente à multa qualificada defendeu que sua aplicação exige que a Administração Tributária apresente provas, “e não simples “suspeitas”, “elocubrações”, análise panorâmica” e que a fraude “implica necessariamente em violação grave e frontal de deveres tributários principais e acessórios, tais como falsificar documentos, livros, etc.”. Traz jurisprudência, aduz que “a fraude à lei deve ser compreendida como uma ação ilícita que vise ludibriar a Administração”, reproduz mais jurisprudência do CARF, diz que a multa no patamar de 150% é “absolutamente desproporcional e confiscatória, conforme recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5511” e encerra ponderando que “em que pese a costumeira diligência que acreditamos caracterizar os procedimentos desta fiscalização, no caso em concreto, a fiscalização quedouse inerte na busca desta almejada verdade”. Concluídos os argumentos, faz um resumo do que expôs, apresenta seus pedidos (impugnação – fls. 1143/1144), protesta pela apresentação de novos documentos, pareceres e realização de diligência e requer, finalmente, que as intimações sejam direcionadas ao endereço do patrono da impugnante. A douta delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou como parcialmente procedente a Impugnação do Recorrente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, após relatar de forma detalhada as motivações que levaram à autuação e discorrer sobre a tempestividade do apelo, alega, em síntese, (i) a decadência do direito de lançar os créditos tributários relativos ao período compreendido entre Janeiro e Agosto de 2008; (ii) a nulidade da autuação, por descumprimento ao artigo 142 do CTN e aos princípios da legalidade e da tipicidade; (iii) a improcedência da autuação, tendo em vista a legitimidade e legalidade da contabilização dos contrato de fornecimento de turbinas eólicas (contrato de longo prazo); e (iv) da necessidade de reconhecimento de créditos da contribuição ao PIS, devidamente escriturados e denominados como sendo "crédito usado como desconto da contribuição apurada na DACON". Como houve exoneração de parte do crédito tributário pelo DRJ, o acórdão também foi objeto de Recurso de Ofício. Este é o relatório.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em converter o julgamento em diligência,nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Trata-se o presente processo administrativo de autuação lavrada em face do Recorrente, Suzlon Energia Eólica do Brasil Ltda., em que o agente fiscal constituiu, de forma reflexa, créditos tributários da contribuição ao PIS, depois de terem sido constadas supostas infrações à legislação tributária. O período de apuração objeto da autuação é de 01/01/2008 a 31/05/2010. Além deste processo, foram lavrados mais dois Autos de Infração em face do contribuinte em questão e que têm como base os mesmos fatos e fundamentos destes autos. O primeiro deles (processo nº 10380.729795/2013-91), cuja a discussão, inclusive já se encerrou no âmbito desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, constituiu créditos de IRPJ e CSLL em face do mesmo contribuinte. O outro processo lavrado é o de nº 10380.729798/2013-24 e constituiu créditos tributários referentes à COFINS, sendo distribuído a este julgador para que fossem proferidas decisões conjuntas, evitando-se, assim, entendimentos diferentes sobre a mesma matéria em discussão. O processo de IRPJ e CSLL tramitou perante a 1ª Turma, 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento, sendo negado provimento aos Recursos Voluntário e de Ofício por aquele colegiado. O Recurso Especial apresentado pelo contribuinte teve o seu seguimento negado, nos termos de Despacho proferido em 23 de Novembro de 2017, sendo os autos remetidos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem. Como os fatos e fundamentos do presente processo são idênticos ao processo principal, pede-se venia para reproduzir o relatório do acórdão nº 1301-001.828, proferido pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, nos autos do processo de nº 10380.729795/2013-91, uma vez que sintetiza toda a discussão ora travada: Cuida-se de Recurso Voluntário e de Ofício, manuseados contra decisão proferida pela 13ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. De acordo com o que disposto no presente processo administrativo, em desfavor da contribuinte acima identificada foram lavrados Autos de Infração relativos aos anos-calendário de 2008, 2009 e 2010, atinentes ao IRPJ e demais reflexos, incluindose o principal, multa qualificada de 150% e juros de mora. Ainda de acordo com as peças do presente processo, a ação fiscal iniciou-se com o Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 318/325), requisitando-se a apresentação ou disponibilização dos Livros e documentos típicos, outros documentos requisitando diversos esclarecimentos acerca de sua escrituração, tudo devidamente suportado por documentos hábeis e idôneos. Segundo registrou-se, não havendo atendimento, lavraram-se novos Termos (fls. 326/327) e a partir de 13/09/2013 a fiscalizada passou a prestar as informações que entendia cabíveis (fls. 330 e 333/341), havendo, desta data e até o encerramento da Ação Fiscal em 24/10/2013 (fls. 1063/1064), com a lavratura dos autos de infração, diversos Termos de autoria do Fisco e respostas da contribuinte, acompanhadas de documentos (fls. 342/895). Anotou-se ainda (fls. 896/925) que o contribuinte juntou o LALUR (fls.926/1058), cópias das DIPJ do período fiscalizado (fls. 1059/1062), cópia do SAPLI que controla, em âmbito interno da Receita Federal, os valores dos prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas de CSLL. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 60/79), a Fiscalização relatou o resumo de todo o procedimento levado a efeito, inclusive as respostas e manifestações feitas pela fiscalizada, discorrendo sobre as irregularidades apuradas, descrevendo o objeto da ação fiscal e a atividade econômica da autuada, para explicitar que a contribuinte opera no setor de tecnologia de energia alternativa (eólica), fornecendo aerogeradores e que sua atividade operacional pode ser resumida em importação, venda e serviços de instalação dos equipamentos nos parques eólicos indicados por seus clientes, asseverando ainda que “à vista das dimensões dos equipamentos (...) as importações eram feitas sob encomenda prévia”, de tal modo que “não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação de partes e peças (...) que compusessem estoques descompromissados, fora das encomendas préacertadas”, e que, “diante dessas peculariedades restou fácil concluir que as operações de venda e instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela legislação tributária de “negócios de longo prazo”, com prazos de execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício”. Ainda segundo a Fiscalização: i) que, “neste peculiar contexto de atividade operacional (...) o Fisco já vinha monitorando a evolução anual da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA”; que, “no monitoramento visualizado ano a ano, este órgão fiscal já vinha observando discrepâncias relevantes”; que, “enquanto de um lado, conservava-se ausente um nível condizente de recolhimento de tributos, comparando-se com a evolução de suas atividades operacionais, de outro lado, causava espécie o volume de créditos fiscais que o contribuinte indicava-se como titular”; que, “criada em 2006, a empresa é integralmente controlada por grupo estrangeiro indicado como SUZLON WIND ENERGY A/S (...) também e simultaneamente, sua própria e única fornecedora dos aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende”; que, “esta circunstância dupla de relação comercial deve ser muito bem compreendida, tratada e monitorada pelo Fisco”; que, “foi nessa concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA assina Contratos (...) com seus Clientes (...) para venda e instalação de quase duas centenas de máquinas Aerogeradoras nos diversos parques eólicos designados pelos adquirentes”, e que, “o total dos contratos (...) ultrapassava a cifra de R$ 1.300.000.000,00 (...) a serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso da execução”. Diz ter recebido, via Ouvidoria da RFB, denúncia anônima contra a fiscalizada relatando a ocorrência de irregularidades contábeis e fiscais, assevera que tal denúncia teve efeito apenas informativo daquilo que o Fisco já sabia sobre a empresa, que não fora utilizada como prova a fundamentar o lançamento de ofício, refere-se a entendimento da Corte Suprema acerca do assunto e prossegue: ii) que, “colocadas estas questões, (...) cabe descrever a realidade contábil e fiscal da empresa (...) encontrada por esta Fiscalização ao longo dos procedimentos de auditoria contábil-fiscal realizados nos seus arquivos e livros da escrituração”; iii) que, “ao adentrar no corpo orgânico da contabilidade da SUZLON esta auditoria se certificou do fato de que era evidente a presença de graves anormalidades nas conduta da empresa (...) desde o ano de 2006 até o último ano do período fiscalizado (2010)”; iv) que, “convinha averiguar (...) a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado evidentes prejuízos à Fazenda Pública; b) se o proceder contábil da SUZLON ao longo dos anos considerados (...) pautou-se por conduta voluntária e consciente, no sentido de auferir vantagens ilícitas em prejuízo do Tesouro Nacional”; v) que, “restou claro, de imediato, que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina legal de tributação dos Contratos de Longo Prazo (...) superior a um ano, a preço certo”, e que, “para tal conclusão foram solicitados todos os contratos assinados com os Clientes, que envolvessem o fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e 2010”; vi) que, “como os contratos dessa natureza se enquadram em uma regra própria de apuração (....) restou constatada uma conduta desidiosa e de absoluto abandono voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração de Resultados dos Contratos de Longo Prazo”. Ainda de acordo com a Fiscalização, referindo-se à legislação do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS: vii) que, “em verdade, o que se viu (...) foi a utilização de um critério contábil-fiscal para registro dos custos totais dos Contratos de Longo Prazo e dos seus respectivos preços totais, sem qualquer autorização legal para tal”; viii) que, “a empresa ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo de seus resultados e na forma de conceber suas bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral apenas nos anos-calendário de 2009 e 2010, ignorando de forma voluntária e consciente, os impactos que deveria reconhecer desde o anocalendário de 2007, quando, de um lado, já incorria – inapelavelmente – em custos apropriados relativos a fornecimento de bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados com seus Clientes, e, de outro, em faturamento por conta do igual cumprimento desses contratos”; ix) que, “somente uma visão do planejamento tributário com natureza visível de evasão fiscal que a empresa tentou implantar com quase sucesso – note que o ano de 2007 já se encontra inapelavelmente decaído (...) pode explicar os detalhes dos resultados que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA tinha em mente de auferir na realidade, de forma consciente e astuciosa” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 65). Após destacar que a contribuinte tinha solicitado sua incursão como titular de benefício fiscal na área da SUDENE (redução de 75% do IRPJ), prosseguiu: x) que, “no afã de nada recolher ao Tesouro Nacional, restava a busca de estratégia para neutralizar qualquer incidência de tributo sobre os 25% remanescentes do benefício da empresa”, e que, “a técnica para tal foi “fabricar” prejuízos fiscais de modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas exações”; xi) que, “como os contratos (...) datam de setembro de 2006 e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as apurações parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de ignorar igualmente os faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao longo da execução dos projetos”; xii) que, “acumulou o resultado geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos de 2009 e 2010”, e, “com dois detalhes cruciais: a) em 2009, reconhecendo parte da receita total dos Contratos de Longo Prazo “fabrica” prejuízo fiscal, já com olho no que viria a fazer (de forma irregular) no ano seguinte, ao mesmo tempo em que não reconhece qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já em 2010, ano em que foi deferido o Ato Declaratório de Redução de 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos de Longo Prazo, de forma que se fizesse incluir essa receita no incentivo, que apenas vigeria a partir do anocalendário de 2010”. Na mesma toada, seguiu a Fiscalização afirmando que, com este procedimento, a autuada, “já tendo até 31.12.2009, recebido e cumprido cerca de 99,99% de todos os Contrato de Longo Prazo (...) pretendeu dar efeito retroativo indevido ao incentivo fiscal, cujo direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010”, pontua que a SUZLON tinha os benefícios do Programa REIDI, que concede suspensão de PIS e COFINS nos casos indicados e que, ainda assim, os preços originários que deveriam ser recebidos de seus Clientes mantinhamse com as referidas contribuições embutidas, sem que, entretanto, houvesse recolhimentos de mencionadas contribuições ao Tesouro Nacional. Asseverou que foi “diante desta realidade (...) que esta auditoria promove todos os lançamentos de acerto da situação”; que, para esta providência, “tentou, por reiteradas vezes (...) obter os dados necessários para que pudesse fazer os cálculos das apurações e discriminação das bases de cálculo dos tributos e contribuições não recolhidos ao Tesouro Nacional”, e que, mesmo com a conduta dificultosa da empresa, não fornecendo os dados requeridos pela Autoridade Tributária, ainda assim, “nada disso constituiuse em obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais expostos nos Autos de Infração ora lavrados”, destacando que, “de posse dos dois dados fundamentais (o preço total dos Contratos de Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos de 2009 e 2010, pela própria empresa, com seus próprios números e cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos anos de 2007 e 2010 (com base nos principais custos de importação, conforme DI´s), de modo que pudesse montar, com base na legislação específica que rege a matéria, sua própria Planilha de Apuração dos Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o início do ano de 2010, quando os projetos foram definitivamente entregues e encerrados)” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 67). Diz ainda que, “como há recebimentos dos Clientes desde o ano de 2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram retiradas da escrituração da SUZLON em batimento com os valores informados pelos Clientes, através das diversas diligências empreendidas em cada um deles”. Esclareceu a Fiscalização que as planilhas com os cálculos estão anexadas ao Termo de Verificação e continua discorrendo que, “como essa auditoria tinha como foco principal o cumprimento das obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL e demais contribuições sociais, foi promovida uma averiguação geral na escrituração do contribuinte”, e que, diante de tal cenário, “esta fiscalização enveredou pela análise minuciosa do Passivo registrado como Empréstimo em 31.12.2009, lançado como Obrigação por Empréstimo contraído junto ao BANCO ABC BRASIL S/A.”. Expõe, a respeito, ser intrigante o fato de a fiscalizada não ter registros, em sua contabilidade, de conta corrente junto a tal instituição financeira. Na sequência, pontuou ter igualmente buscado esclarecimentos acerca da dedutibilidade do valor de R$ 1.500.000,00 levado a débito da Conta de Despesas Financeiras/Descontos Concedidos em 14.10.2009, que foi encerrada contra Resultado do Exercício, montante que, por ter sido escriturado pela autuada como “Desconto Concedido Condicionalmente”, deveria ser tido como “dedução da Receita Bruta para apuração da Receita Líquida, para posterior Adição ao Lucro Líquido para efeito de apuração do Lucro Real”; que, “por não ser desconto incondicional, essa adição obrigatória não pode ser neutralizada pela simples desalocação do valor em conta direta de Despesa Financeira”, e que, “se há a indedutibilidade legal, impossível a dedutibilidade por transposição de classificação contábil”. Seguiu na acusação tratando das “Multas Contratuais”, expondo: xiii) que, “desde o Termo de Início de Fiscalização (...) essa auditoria aborda a questão das MULTAS CONTRATUAIS debitadas pela SUZLON (...) à Conta de Custos e de Despesas Operacionais nos anos de 2009 (R$ 28.711.100,00, na Conta 012058/ 512090128000 CUSTOS GERAIS NA PRODUÇÃO/DESPESAS COM MULTAS CONTRATUAIS e R$ 39.787.086,85, na Conta 013455/ 531090163000 DESPESAS GERAIS/MULTAS CONTRATUAIS) e 2010 (R$ 6.795.197,50, na Conta 013455/ 531090166000 DESPESAS GERAIS/MULTAS CONTRATUAIS) e encerradas contra Resultados dos Exercícios respectivos”; xiv) que, “as indagações corriam por dois fundamentos (...): a) cumprimento dos requisitos para a dedutibilidade”, e , “b) caracterização de despesas operacionais possíveis , porém incursas no qualificativo de “Despesas Recuperáveis”, previstas na legislação do Imposto de Renda e dos demais tributos e contribuições sociais”; xv) que, “a dialética processual instaurada junto ao contribuinte permitiu ao Fisco conhecer o “fato gerador específico” dessas multas contratuais”, e que, segundo a SUZLON, sua origem adviria de cláusula prevista nos Contratos assinados com seus Clientes e que “as multas eram mensuradas conforme os montantes diários de atraso na entrega dos bens e serviços”. Após afirmar que “os documentos que totalizam as MULTAS CONTRATUAIS dos anos de 2009 e 2010 não foram fornecidos ao Fisco pela SUZLON”, prosseguiu a Autoridade Tributária (Termo de Verificação Fiscal – fl. 70), fazendo as devidas ponderações. Na sequência, a Fiscalização tratou da apuração dos resultados dos Contratos de Longo Prazo, “efetivados conforme os preceitos do artigo 407 do RIR/99 e IN SRF nº 021/79”, explicitando que “a empresa resolveu quedarse silente sobre a conduta adotada”, tendo ignorado os pedidos da Fiscalização para apresentar “as Planilhas de apuração dos custos incorridos ano a ano, das receitas reconhecidas ano a ano e de todos os demais dados necessários para a construção das tabelas indicativas referentes ao Lucro Bruto de cada período de apuração”. Adiante, depois de destacar que “os valores do Lucro Bruto levados à tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última coluna do Quadro de nº 03”; que, “na metodologia apresentada pela SUZLON (...) não há apuração de resultado em 2007 e em 2008”, e que, “em 2009 ela resolve levantar DRE de modo a “fabricar” o prejuízo fiscal e a base de cálculo da CSLL para usufruto desses valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo o valor total dos contratos de longo prazo”, a Fiscalização enfatiza (Termo de Verificação Fiscal – fls. 73). Aditivamente assinalou que, “cabe deixar registrado que a estratégia da SUZLON (...) para cumular os valores em 2009 e 2010 necessitou a contabilização de todo o custo incorrido nos anos de 2007 e 2008 em conta de ESTOQUE, o que constitui irregularidade na sistemática de apuração dos resultados com contratos de longo prazo”; que, “em 2009, essa prática se repetiu quase que integralmente”, e “já em 2010, os ESTOQUES são “esvaziados”. Para acrescentar que, “com estas explicações o Fisco desnuda a conduta da empresa e a caracteriza como prática concernente à presença do evidente intuito de fraude, dado o conjunto de circunstâncias já enumeradas”. E prosseguir acusando que “como consequência de todos estes cálculos de ofício que levaram aos Quadros de nº 01 a 03, foi necessário refazer as DRE´s dos anos calendário de 2008, 2009 e 2010, de modo que restassem individualizados o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL em cada um deles”, registrando a não apresentação do LALUR relativo ao anocalendário 2010. Passou a Fiscalização a tratar das irregularidades que entendeu presentes relativamente ao PIS e à COFINS, destacando, em síntese, que a autuada “deveria ter apurado as bases as bases de cálculo das referidas contribuições e recolhido nas datas próprias os valores das exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de custos incorridos”, e que, “como desde o ano calendário de 2007 já havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes das usinas eólicas foram tomados como faturamento no mês em que percebidos, dado que representativos de receitas pela execução progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos assinados pelas partes”. Comentou sobre o Programa de Benefícios do REIDI e encerra afirmando ser imperativo o lançamento de ofício para constituição dos créditos tributários do PIS e da COFINS, com observância do regime da NãoCumulatividade, procedimento que deve ser adotado também em relação a eventuais créditos legitimamente escriturados, observada a legislação de regência. Detalhou as razões de fato e direito que levaram à qualificação da multa de ofício, elevandoa ao patamar de 150%, reportase aos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, faz retrospectiva do procedimento fiscalizatório. Os autos de infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS foram lavrados (fls. 2 a 57), com Termo de Encerramento (fls. 1063/1064). A ciência da contribuinte está encartada às fls. 58 a 59, tendo apresentado Impugnação (fls. 1069/1145), juntando documentos apensados às fls. 1156 a 3764. Posteriormente, após o término do prazo de impugnação, juntou novos documentos em 22/01/2014 (fls. 3821/4200) e em 03/02/2014 (fls. 4203/4244). Na sua peça de defesa, depois de fazer um breve resumo dos fatos, referirse às irregularidades apontadas pelo Fisco, clamar pela nulidade do processo administrativo “por não conter (...) os requisitos mínimos indispensáveis para a validade de uma acusação”, rebater o teor do Termo de Verificação Fiscal de que não teria apresentado documentos, que a Fiscalização não observou “procedimentos primários” durante a ação fiscal, que a Autoridade Tributária reportouse diretamente a seus clientes, o que implicaria em cerceamento do direito de defesa, que houve violação às disposições do artigo 142, do CTN, “em razão da ausência completa de critérios objetivos e previstos em lei na determinação das exigências tributárias (...) especialmente, no que tange a forma utilizada de alocação dos custos incorridos em cada ano, utilizado (...) para fins de apurar o lucro bruto relativo aos contratos “supostamente” de longo prazo”, que não se deduziram os créditos de PIS e COFINS quando dos lançamentos de tais exações e que houve inobservância dos benefícios do REIDI e dos recolhimentos efetuados pela impugnante, a defesa discorreu longamente sobre cada item apontado como irregular pelo Fisco, destacando, preambularmente que a Fiscalização “resolveu de forma absolutamente discricionária “criar” a sua própria planilha de apuração de resultados, desconsiderando as demonstrações contábeis da Impugnante, pois as entendeu como ilegais (...)”; que, “se de fato não foi entregue a documentação suficiente para apurar de forma correta o crédito tributário em questão, não cabia à administração criar um procedimento único e sob encomenda para a impugnante (...)”, e que, “portanto, se os registros contábeis fossem imprestáveis conforme relatado pela douta fiscalização, o único procedimento cabível a ser adotado seria o arbitramento, o que de fato não aconteceu” (impugnação – fls. 1076/1077). A seguir, pontuou que informações que deram suporte aos lançamentos foram obtidas junto a terceiros, muitas das quais não foram juntadas aos autos, em desrespeito ao artigo 9º do PAF (que transcreve), assenta que o “desconhecimento da documentação utilizada pela autoridade para motivar os seus fundamentos (...) “obriga” a Impugnante a fazer um exercício de “adivinhação” (...) incabível num processo administrativo onde a busca da verdade material é princípio”, concluindo ter havido cerceamento ao seu legítimo direito de defesa, sendo, “portanto, inquestionável a NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM TELA” (transcreve jurisprudência a respeito). Pontuou, após reproduzir o artigo 142, do CTN, que “a fiscalização claramente olvidouse de determinar de forma diligente, legítima e dentro dos parâmetros legais o montante dos tributos lançados (...) na medida em que os valores apurados (...) não contemplam os requisitos de certeza e liquide , indispensáveis ao lançamento de um tributo”, e que, “adotou critérios subjetivos e discricionários, sem qualquer embasamento legal, para identificar a “suposta” alocação dos custos (...) para fins de apurar o lucro bruto dos contratos firmados (...) e não considerou (...) valores já recolhidos a título de estimativas mensais (...) assim como (...) ignorou o direito à utilização do benefício fiscal concedido pela SUDENE no exercício de 2010”. Diz que em relação à apuração do PIS e da COFINS a Fiscalização adotou a apuração “com base no regime de caixa, NÃO PREVISTO EM LEI, uma vez que a base de cálculo destas contribuições é a receita auferida e, não, o simples recebimento a título de adiantamentos de clientes”, além de ter havido “desconsideração de créditos apurados com base na sistemática das Leis nº 10.632/2002 e 10.833/2003”. No mais, sustentou que o Fisco, sem previsão legal e em uma segregação subjetiva, alocou os custos incorridos da impugnante para “inferir o montante do lucro bruto do período”, tomando como base os “principais custos de importação informados nas Declarações de Importação (DI)”, o que seria inadmissível posto que “estes valores não podem ser considerados como custos em consentâneo com as melhores práticas contábeis”, quando “o custo somente é reconhecido (...) no momento da venda do bem, enquanto isto trata se meramente de ativo, ou melhor, estoque”. Pontua que seus custos só são reconhecidos nas suas contas contábeis “quando da venda dos fatos geradores”, momento em que “é observado o princípio do confronto das receitas com as despesas correspondentes”. Critica a forma de apuração adotada pelo Fisco, que diz ter sido “realizada com base em critérios subjetivos, definidos de forma unilateral e sem qualquer embasamento em lei”, ignorando os documentos da empresa e registrando valores em duplicidade. Traz quadros com os quais pretende demonstrar a impropriedade do trabalho fiscal (impugnação – fls. 1083/1084) e prossegue discursando que os lançamentos não trazem qualquer método que permita identificar a composição do crédito tributário, e que teria havido afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade, violando, por conseguinte, os artigos 2º e 50, da Lei nº 9.784/1999 (que reproduz). Reportouse à doutrina e segue afirmando que, mediante um exercício de apuração estimada, demonstrará “de forma definitiva a completa insubsistência do cálculo feito (...) para apuração de IRPJ e CSLL, através do procedimento comumente conhecido como “método POC (Percentage of Completion)” aplicável aos contratos de longo prazo”, documento que nominou de “Doc. 07”, insurgindose contra a ação do Fisco que teria desconsiderado os valores recolhidos a título de estimativa mensal nos anos de 2009 e 2010, sendo R$ 31.935.165,19 como IRPJ e R$ 11.829.990,42 de CSLL. Alegou não ter ocorrido dedução nos lançamentos de IRPJ, dos valores referentes ao IRRF constantes nos balancetes de 2009 e 2010, somando R$ 883.553,98 (Doc. 12), reproduz jurisprudência do CARF e finaliza o tópico ponderando que a Fiscalização não levou em conta na apuração do IRPJ 2010, o benefício fiscal da SUDENE (Doc. 10), ao tempo que incluiu indevidamente nos lançamentos montantes relativos a provisões realizadas a título de garantia (R$ 8.841.581,81) e outras despesas (R$ 18.808.294,20), já oferecidas à tributação, como demonstrará na sequência. Destacou o regime de apuração das contribuições do PIS e da COFINS (não cumulativo) e afirma que o Fisco desprezou os créditos a que teria direito, maculando os lançamentos. Ressalta possuir créditos acumulados de R$ 50.531.577,04 de COFINS e R$ 10.970.577,04 de PIS (Doc. 11), conforme informado nos balancetes mensais e DACON´s (Docs. 12 e 13), valores que, se considerados pela Fiscalização, reduziriam substancialmente os lançamentos (junta demonstrativo – Doc. 14). Acentua que tal procedimento leva à nulidade dos autos de infração, reportase a jurisprudência, legislação e doutrina e finaliza (impugnação– fl. 1092). Quanto ao mérito, dividiu sua Impugnação para tratar inicialmente acerca da “legalidade e legitimidade da operação de empréstimo bancário firmando com o Banco ABC, iniciando ao afirmar que a omissão de receitas considerada pelo Fisco no valor de R$ 19.643.545,00, relativa à obrigação por empréstimo junto ao Banco ABC Brasil S/A e que seria suportada pelo artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, é incabível, como incabíveis seriam as glosas das despesas de IOF e financeiras vinculadas a tal operação. Para comprovar o alegado, depois de lembrar que “os auditores fiscais não demonstraram nenhum interesse em compreender uma simples operação de empréstimo, comumente praticada pelas empresas”, a defesa passou a descrever detalhadamente a operação. Segue referindose a dispositivos do Código Civil, trata da validade dos atos jurídicos, diz inexistir proibição a que se faça empréstimo junto a instituição financeira na qual não mantenha conta corrente, socorrese de doutrina, acrescenta que a prova que traz aos autos demonstra a correta e efetiva realização da operação (Cédula de Crédito Bancário nº 517709 e outros – Doc. 22), que, conseguintemente, o IOF e despesas vinculadas à referida operação são necessárias e úteis, portanto dedutíveis. Ponderou ser impossível compreender a sentença formulada pelo Fisco acerca do tema “Desconto Concedido Condicionalmente”, visto que a Autoridade Fiscal parece desconhecer o termo da locução “desalocar”, implicando em conclusões indevidas, especialmente em relação a uma suposta não apresentação de documentos por parte da impugnante, o que não ocorreu. Reportase aos anexos nominados de “Doc. 23”, descreve as operações que realizou com clientes seus (impugnação – fls. 1098/1099) e que as partes “comprometeramse a aceitar uma redução no preço final de cada contrato”, estandose diante de uma situação em que o desconto registrado seria decorrência apenas de redução da garantia oferecida pela vendedora (autuada), do tipo conhecido como “performance bond”, isto é, surgiu “única e exclusivamente de acordo comercial, em circunstâncias negociais, sem vinculação a qualquer procedimento ou obrigação posterior do seu cliente para garantilo”, como, por exemplo, “desconto pelo pagamento antecipado de fatura”. Concluiu, após registrar a legislação sobre a matéria (RIR/1999 e IN – SRF nº 390/2004) e jurisprudência do CARF, que “se o débito da despesa ocorreu em uma conta incorreta, continua sendo um débito a conta de resultado, o que reduz consequentemente o Lucro Real e a base de cálculo da CSLL”, e que, “uma mera classificação incorreta não tipifica a infração do art. 299 do RIR, muito menos a sua glosa, por isso, não tendo havido a efetiva motivação da glosa, ou a comprovação da inexistência da necessidade, utilidade, ou mesmo da documentação de suporte, não restará ao d. Julgador outra alternativa senão cancelar essa glosa, o que desde já requer a Impugnante”. Na sequência tratou da “inexigibilidade dos tributos sobre despesas não recuperadas”, comentando sobre a indevida conclusão do Fisco no sentido de não ter havido contabilização, como recuperação de custos, das multas contratuais que originalmente a impugnante arcou perante seus clientes e em relação às quais não teria buscado se ressarcir junto à sua única fornecedora de equipamentos no exterior e que é sua controladora. Aduz que “a divergência apontada pelo Fisco reside apenas na suposição, ilação de que – por se tratar de multa pelo atraso da entrega dos bens – esse descumprimento seria de responsabilidade exclusiva da sua fornecedora, a Suzlon Wind Energy S/A, contra a qual deveria a Impugnante pleitear o ressarcimento”, tendo havido, ainda na opinião dos Agentes Fiscais, “omissão no agir e negligência na conduta da SULZLON (...) BRASIL em buscar junto a sua fornecedora/controladora, a recuperação dos encargos sofridos por força das multas contratuais devidas aos Clientes no Brasil”. Mencionou ainda, que: “à exaustão, a fiscalização foi clara ao reconhecer que a Impugnante NÃO recebeu (recuperou) os valores das multas contratuais pagas em razão do atraso na sua execução”, e que, “se a Impugnante NUNCA recuperou os encargos sofridos por força das multas contratuais, NUNCA houve o ingresso de receitas, o que pó si só afasta a imprópria conclusão de que houvera OMISSÃO DE RECEITAS”. Pontua que o artigo 392, II, do RIR/1999 (que transcreve) define que “deverão ser computadas na determinação do lucro operacional as recuperações e devoluções de custos, sendo silente sobre uma tal expectativa de recuperação de custos”. Destaca que as multas assumidas decorreram não em razão de atrasos nos equipamentos, como pensou a Autoridade Fiscal, mas por razões de execução do projeto no Brasil, por diversos fatores, inerentes à própria atividade empresarial e que, ainda que assim não fosse, o prazo para buscar eventual ressarcimento não se expirou (Código Civil, art. 206, § 5º, inciso I), acrescentando que o Fisco tentou desconsiderar as operações em razão de serem estranhas, mas, questiona a defesa, “ser “estranha” é motivo para desconsideração de ato ou negócio jurídico”? Na sequência, depois de rebater as conclusões do Fisco de que as atividades da impugnante enquadrarseiam na forma de tributação dos “Contratos de Longo Prazo”, superiores a um ano, a preço certo, e afirmar que seu procedimento contábil esta consentâneo com as normas brasileiras sobre a matéria (“procedimento “corroborado por empresa de auditoria independente”), que lhe permite reconhecer a sua receita e seus custos tão somente no final dos contratos, após a emissão da respectiva nota fiscal (Doc. 25), o que afastaria ilações a respeito de eventual ação insidiosa de sua parte e que teria levado ao agravamento das multas, passa a discorrer sobre o que chama de “três tópicos que se correlacionam ao final”, sendo o primeiro, a “apresentação das normas contábeis aplicáveis à venda de bens cuja transferência somente ocorre no final do contrato”, o segundo, “os aspectos fundamentais (...) previstos nos Contratos de Fornecimento e Instalação de Turbinas Eólicas”, e o terceiro, a “natureza jurídica das operações realizadas (...) e (...) legislação tributária aplicável”. Passou então a discorrer sobre o que chamou “princípio da realização da receita”, discorrendo longamente sobre o tema, diz que, na forma do que dispõe o Código Civil, o lançamento das receitas exige a efetiva transferência do produto ou serviço ao cliente, referese a ensinamentos doutrinários e aos pronunciamentos e interpretações do CPC, CFC, CVM e organismos contábeis internacionais, que o Pronunciamento Técnico CPC nº 30 trata da forma e momento do reconhecimento das receitas e que, “desde Luca Pacioli, a receita e as despesas relacionadas à mesma transação devem ser reconhecidas no mesmo momento –simultaneamente – em cumprimento ao princípio da confrontação das despesas com as receitas (princípio de competência)”. Volta a referirse ao Pronunciamento Técnico CPC nº 30 e conclui não bastar que a receita, para fins de reconhecimento, seja conhecida, mensurável, impondose o adimplemento de outras condições, tais como a transferência ao comprador dos riscos e benefícios oriundos da propriedade dos bens, a possibilidade de determinar a despesa e a fruição dos benefícios econômicos da operação. Acerca do “contrato de fornecimento de turbinas eólicas firmados com os seus clientes” a contribuinte descreveu sua atividade e os Contratos de Fornecimento e Instalação de Turbinas Eólicas, “para execução em prazo inferior a 360 (...) dias”, firmados com seus clientes, reproduzindo alguns segmentos de contratos firmados com seus clientes, sustentando, em última análise, serem dois, basicamente, os tipos de aerogeradores que seu fornecedor disponibiliza, cabendo ao comprador definir qual deles desejaria adquirir e que a este cabia adotar as providências necessárias para preparação do parque eólico para fins de instalação das turbinas eólicas, “de modo que a Impugnante não participa do planejamento e definições gerais do projeto; limitandose a comprar e a instalar os aerogeradores de acordo com a planta fornecida”. A seguir apresenta, a título exemplificativo, um cronograma de execução, realçando que a finalização será sempre em prazo inferior a 360 dias (impugnação – fls. 1115/1116). Diz mais, que, “nos termos do contrato firmado de boa fé pelas partes integrantes, nas hipóteses de atraso do prazo previsto inferior a 01 (um) ano para a execução do fornecimento e instalação de turbinas eólicas pela Impugnante, ou das obras necessárias realizadas pelo cliente, há a previsão de aplicação de multa (cujo percentual varia de acordo com o cliente)”. E prossegue ser “óbvia a aplicação da multa: o parque eólico não está a ser construído por mero diletantismo dos contratantes da Impugnante, mas porquê essas empresas têm obrigação de fornecer energia no dia D do mês M do Ano A, sob pena de comprometer o suprimento de energia necessário ao abastecimento da nação”, e que, “é fundamental perceber que, como a instalação os aerogeradores, ocorre em etapas, somente após a conclusão de todo o projeto, é que efetivamente, há a entrega do bem ao cliente e, portanto, a transferência de sua respectiva titularidade, com a emissão das respectivas notas fiscais”. Acrescentou que “apenas neste momento os recebimentos das parcelas que compunham o preço tornamse certos (...); os custos diretos e indiretos e as despesas totais tornamse possíveis de mensurar e os riscos são de fato transferidos ao cliente, tudo em respeito à dinâmica prevista nos contratos” e acentua estar demonstrada “a natureza jurídica das operações realizadas e a legislação tributária aplicável viaavis a adequação do tratamento contábil adotado”, que a Fiscalização “esmerouse em utilizarse de estilo de redação realísticofantástico para por meio dele suportar o lançamento, buscando converter suposições e ilações em verdade material”, sendo, ainda no dizer da defesa, “uma verdadeira obra literária”, que a “Impugnante recomenda a leitura na íntegra”, desprovida de qualquer método em sua análise, sem fatos concretos que fundamentem suas conclusões. Depois de ressaltar possuir auditoria independente que audita sua escrituração, que seus contratos são do tipo “EPC – Engineering, Procurement and Comissioning”, modalidade em que “o contratado obrigase a adquirir bens e instalálos de acordo com as especificações requeridas pelo contratante e mediante o exercício da sua competência técnica, para entregálos ao final em condições plenas de operação pelo contratante, que então os receberá, os bens, em seu patrimônio”, lembrar que o contrato de compra e venda é “por definição, bilateral, oneroso e consensual” (reproduz artigos 481 e 482 do Código Civil), tratar da transferência de propriedade de bens móveis (transcreve art. 1267 do mesmo diploma legal e doutrina de J. X. Carvalho de Mendonça), acrescenta que a “materialização da operação de compra e venda, para fins jurídicos, comerciais e fiscais é a fatura, que configura a representação mercantil do pleno atendimento ao contrato de compra e venda, realizado de maneira tácita, eis que vendedor e comprador já concordaram com preço e produto”. Aditando: “ou seja, o instrumento que exterioriza o contrato de compra e venda é a nota fiscal, que deve acompanhar a mercadoria para fins fiscais e comerciais e que contabilmente é demonstrada pela figura do faturamento” (impugnação – fl. 1121). Na mesma linha, afirma que, “transferida a propriedade para o comprador, materializada a operação pela forma do faturamento, surge aí a obrigação fiscal de promover o reconhecimento e destaque dos tributos incidentes sobre as operações de venda, haja vista a ocorrência dos fatos geradores ensejadores destes tributos (notadamente PIS, COFINS e, de forma indireta, em decorrência da circulação e saída das mercadorias, o ICMS e o IPI”, e que, “as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real (...) devem reconhecer o resultado de suas receitas pelo regime de competência”. Faz referência ao artigo 187, da Lei das S/A, comenta sobre as alterações trazidas ao mencionado diploma legal pelas Leis nº 11.638/2007 e 11.941/2009, particulariza que nestes dois últimos atos legislativos está disciplinado que “a escrituração fiscal sustentarseá na escrituração contábil e valerseá de livros auxiliares para a demonstração e (re)conciliação entre as eventuais divergências entre os preceitos e regras contábeis e fiscais” e que, “através da análise dos termos dos referidos contratos de compra e venda é possível conhecer a extensão e o alcance das suas disposições quanto à quintessência da operação econômica da Impugnante”. Apresenta um sumário das operações realizadas e voltase, novamente, à doutrina, para utilizar conceitos de contratos bilaterais e à jurisprudência e decisões da RFB para apoio da sua tese sobre faturamento antecipado e reconhecimento da receita. Destaca que apesar dos contratos preverem que as obras para instalação das torres, importações de peças e partes para utilização nas torres, importação de lâminas e equipamentos relacionados às turbinas, instalação das turbinas eólicas e comissionamento seriam implementadas em prazo inferior a 360 dias, “em alguns contratos surgiram controvérsias entre as partes envolvidas (...) resultando na sua suspensão, uma vez que houve incertezas quanto ao cumprimento dos seus termos, inclusive quanto ao adimplemento das parcelas acordadas”. Que teria sofrido “diversas constrições, alheias à sua vontade”, mas que os atrasos ocorridos “de forma alguma” implicariam no alongamento do período de instalação, e que, “tais prorrogações não têm o condão de modificar a cláusula contratual de prazo de execução”. Diz mais, que mesmo que a execução do objeto do contrato fosse superior a 360 dias, “este fato, por si só, nunca seria suficiente para obrigar a Impugnante a alterar a forma de reconhecimento de suas receitas”, posto que, no seu entender, “o fator determinante para a definição do momento deste reconhecimento (...) é o momento da efetiva tradição do bem”. Sustenta que o artigo 10, do Decretolei nº 1.598, de 1977, é inaplicável, visto que trata de situações “em que o bem é produzido pelo contratado, O QUE DEFINITIVAMENTO NÃO É O CASO”, diz que “produzir” significa “criar”, “fabricar”, (segundo Dicionário Michaelis), o que impediria a utilização do mencionado dispositivo legal. Concluiu o tópico (impugnação – fls. 1127), afirmando que “considerando que a Impugnante não produz aerogeradores, mas tão somente os importa e instala nos termos contratuais, é inaplicável, por todos os ângulos em que se analisar a questão, a possibilidade de aplicação da previsão do artigo 10 do Decretolei nº 1.598/78 (sic) no caso concreto”, razão pela qual “deve ser afastado o lançamento também quanto ao anteriormente exposto”. Afirmou a ilegalidade na constituição do crédito tributário, aduzindo que a autuação “abarca uma suposta falta de recolhimento de IRPJ e CSLL sobre provisões a título de (i) garantia (R$ 8.841.581,81 na Conta 015840/ 51201690000) e (ii) outras despesas (R$ 18.808.294,20 na Conta 004441/ 511010101000) que, de acordo com o alegado pela fiscalização não teriam sido adicionados ao lucro líquido para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social”, rebate o entendimento fiscal trazendo informações e demonstrativos com os quais pretende mostrar o equívoco do Fisco, que há, inclusive, erro nos números apontados pela Autoridade Tributária e que os montantes foram oferecidos à tributação no anocalendário 2010, pelo que “insubsistente referido auto de infração também no que tange ao lançamento sobre provisões”. Defendeu ainda, que “quando da lavratura do presente auto de infração”, ignorado os valores recolhidos a título de estimativa e os montantes de IRRF, implicando na “equivocada, ilegal, dupla e majorada apuração dos débitos de IRPJ e CSLL para o período”. Que, mencionados valores importariam em R$ 31.935.165,19 e R$ 11.829.990,42, estimativas de IRPJ e CSLL, respectivamente, montantes recolhidos “seja mediante pagamento ou compensação”, além de R$ 883.553,98, “relativos aos exercícios de 2009 e 2010”. Aduz não ter o Fisco observado os benefícios da SUDENE a que faz jus desde 01/01/2010 e que os lançamentos estariam maculados, impondo sua anulação ou revisão. Trata dos lançamentos de PIS e COFINS reclamando a não concessão, pelo Fisco, dos créditos a que teria direito pelo regime da não cumulatividade. E arremata que, “por amor à argumentação, na remota hipótese desses julgadores admitirem que houvera omissão de receitas durante os anos calendários de 2009 e 2010, tal autuação fiscal nunca poderia prevalecer, uma vez que a Impugnante tinha direito a compensar integralmente as (i) estimativas pagas a título de IRPJ e CSLL e (ii) do crédito de PIS e COFINS, devendo, este direito ser reconhecido por esta Administração quando da apuração de eventual crédito tributário, ou no mínimo determinar diligência para apurálos caso dúvidas acerca dos seus valores ainda existam”. Relativamente à multa qualificada defendeu que sua aplicação exige que a Administração Tributária apresente provas, “e não simples “suspeitas”, “elocubrações”, análise panorâmica” e que a fraude “implica necessariamente em violação grave e frontal de deveres tributários principais e acessórios, tais como falsificar documentos, livros, etc.”. Traz jurisprudência, aduz que “a fraude à lei deve ser compreendida como uma ação ilícita que vise ludibriar a Administração”, reproduz mais jurisprudência do CARF, diz que a multa no patamar de 150% é “absolutamente desproporcional e confiscatória, conforme recente decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5511” e encerra ponderando que “em que pese a costumeira diligência que acreditamos caracterizar os procedimentos desta fiscalização, no caso em concreto, a fiscalização quedouse inerte na busca desta almejada verdade”. Concluídos os argumentos, faz um resumo do que expôs, apresenta seus pedidos (impugnação – fls. 1143/1144), protesta pela apresentação de novos documentos, pareceres e realização de diligência e requer, finalmente, que as intimações sejam direcionadas ao endereço do patrono da impugnante. A douta delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou como parcialmente procedente a Impugnação do Recorrente, tendo o acórdão recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastado, por inconstitucional, o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a contagem do prazo decadencial rege-se pelo disposto no Código Tributário. Na hipótese em que o recolhimento não ocorre ou ocorre em desconformidade com a legislação aplicável e, por conseguinte, procede-se ao lançamento de ofício, o prazo decadencial de cinco anos tem início no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que esse lançamento de ofício poderia haver sido realizado. CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS RECEITAS. A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de execução superior a um ano de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços será calculada sobre a receita apurada na proporção dos custos incorridos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APROVEITAMENTO. No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto da contribuição apuradas, os créditos não cumulativos detidos pelo sujeito passivo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA. IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afasta-se a qualificação da multa de ofício, reduzindo-se seu percentual. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Devidamente intimado, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, após relatar de forma detalhada as motivações que levaram à autuação e discorrer sobre a tempestividade do apelo, alega, em síntese, (i) a decadência do direito de lançar os créditos tributários relativos ao período compreendido entre Janeiro e Agosto de 2008; (ii) a nulidade da autuação, por descumprimento ao artigo 142 do CTN e aos princípios da legalidade e da tipicidade; (iii) a improcedência da autuação, tendo em vista a legitimidade e legalidade da contabilização dos contrato de fornecimento de turbinas eólicas (contrato de longo prazo); e (iv) da necessidade de reconhecimento de créditos da contribuição ao PIS, devidamente escriturados e denominados como sendo "crédito usado como desconto da contribuição apurada na DACON". Como houve exoneração de parte do crédito tributário pelo DRJ, o acórdão também foi objeto de Recurso de Ofício. Este é o relatório.

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1302­000.622  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  13 de junho de 2018  Assunto  CONTRIBUIÇÃO AO PIS  Recorrentes  SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL LTDA.              FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos,em converter o  julgamento em diligência,nos termos do relatório e voto do relator.  (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  César  Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antonio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado  Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.  Relatório  Trata­se  o  presente  processo  administrativo  de  autuação  lavrada  em  face  do  Recorrente, Suzlon Energia Eólica do Brasil Ltda., em que o agente fiscal constituiu, de forma  reflexa,  créditos  tributários  da  contribuição  ao PIS,  depois  de  terem  sido  constadas  supostas  infrações à legislação tributária. O período de apuração objeto da autuação é de 01/01/2008 a  31/05/2010.  Além deste processo,  foram  lavrados mais dois Autos de  Infração em  face do  contribuinte em questão e que têm como base os mesmos fatos e fundamentos destes autos.      RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 29 79 9/ 20 13 -7 9 Fl. 4016DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.017          2 O  primeiro  deles  (processo  nº  10380.729795/2013­91),  cuja  a  discussão,  inclusive  já  se  encerrou  no  âmbito  desse  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais,  constituiu créditos de IRPJ e CSLL em face do mesmo contribuinte.   O outro processo lavrado é o de nº 10380.729798/2013­24 e constituiu créditos  tributários referentes à COFINS, sendo distribuído a este julgador para que fossem proferidas  decisões  conjuntas,  evitando­se,  assim,  entendimentos  diferentes  sobre  a mesma matéria  em  discussão.  O processo de IRPJ e CSLL tramitou perante a 1ª Turma, 3ª Câmara da 1ª Seção  de  Julgamento,  sendo  negado  provimento  aos  Recursos  Voluntário  e  de  Ofício  por  aquele  colegiado. O Recurso Especial  apresentado  pelo  contribuinte  teve o  seu  seguimento  negado,  nos  termos de Despacho proferido em 23 de Novembro de 2017, sendo os autos  remetidos à  Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem.   Como  os  fatos  e  fundamentos  do  presente  processo  são  idênticos  ao  processo  principal, pede­se venia para reproduzir o relatório do acórdão nº 1301­001.828, proferido pela  1ª  Turma  Ordinária,  da  3ª  Câmara  da  1ª  Seção  do  CARF,  nos  autos  do  processo  de  nº  10380.729795/2013­91, uma vez que sintetiza toda a discussão ora travada:  Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  e  de  Ofício,  manuseados  contra  decisão proferida pela 13ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP.  De acordo com o que disposto no presente processo administrativo, em  desfavor  da  contribuinte  acima  identificada  foram  lavrados  Autos  de  Infração relativos aos anos­calendário de 2008, 2009 e 2010, atinentes  ao  IRPJ e demais  reflexos,  incluindose o principal, multa qualificada  de 150% e juros de mora.  Ainda  de  acordo  com  as  peças  do  presente  processo,  a  ação  fiscal  iniciou­se  com  o  Termo  de  Início  do  Procedimento  Fiscal  (fls.  318/325),  requisitando­se  a  apresentação  ou  disponibilização  dos  Livros e documentos  típicos, outros documentos requisitando diversos  esclarecimentos  acerca  de  sua  escrituração,  tudo  devidamente  suportado por documentos hábeis e idôneos.  Segundo  registrou­se,  não  havendo  atendimento,  lavraram­se  novos  Termos (fls. 326/327) e a partir de 13/09/2013 a fiscalizada passou a  prestar  as  informações  que  entendia  cabíveis  (fls.  330  e  333/341),  havendo,  desta  data  e  até  o  encerramento  da  Ação  Fiscal  em  24/10/2013  (fls.  1063/1064),  com  a  lavratura  dos  autos  de  infração,  diversos  Termos  de  autoria  do  Fisco  e  respostas  da  contribuinte,  acompanhadas de documentos (fls. 342/895).  Anotou­se  ainda  (fls.  896/925)  que  o  contribuinte  juntou  o  LALUR  (fls.926/1058), cópias das DIPJ do período fiscalizado (fls. 1059/1062),  cópia do SAPLI que controla, em âmbito interno da Receita Federal, os  valores dos prejuízos acumulados (IRPJ) e bases negativas de CSLL.  De  acordo  com  o  Termo  de  Verificação  Fiscal  (fls.  60/79),  a  Fiscalização relatou o resumo de todo o procedimento levado a efeito,  inclusive  as  respostas  e  manifestações  feitas  pela  fiscalizada,  discorrendo  sobre as  irregularidades apuradas,  descrevendo o objeto  da ação fiscal e a atividade econômica da autuada, para explicitar que  Fl. 4017DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.018          3 a  contribuinte  opera  no  setor  de  tecnologia  de  energia  alternativa  (eólica),  fornecendo  aerogeradores  e  que  sua  atividade  operacional  pode ser resumida em importação, venda e serviços de instalação dos  equipamentos  nos  parques  eólicos  indicados  por  seus  clientes,  asseverando ainda que “à vista das dimensões dos equipamentos  (...)  as  importações  eram  feitas  sob  encomenda prévia”,  de  tal modo que  “não existia na operacionalidade ordinária da empresa, a importação  de partes e peças (...) que compusessem estoques descompromissados,  fora  das  encomendas  préacertadas”,  e  que,  “diante  dessas  peculariedades  restou  fácil  concluir  que  as  operações  de  venda  e  instalação de parques eólicos se compreendem nos denominados pela  legislação  tributária  de  “negócios  de  longo  prazo”,  com  prazos  de  execução progressivos, quase sempre superiores a um exercício”.  Ainda  segundo  a  Fiscalização:  i)  que,  “neste  peculiar  contexto  de  atividade  operacional  (...)  o  Fisco  já  vinha  monitorando  a  evolução  anual  da SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL  LTDA”;  que,  “no monitoramento  visualizado  ano  a ano,  este  órgão  fiscal  já  vinha  observando  discrepâncias  relevantes”;  que,  “enquanto  de  um  lado,  conservava­se ausente um nível condizente de recolhimento de tributos,  comparando­se  com  a  evolução  de  suas  atividades  operacionais,  de  outro  lado,  causava  espécie  o  volume  de  créditos  fiscais  que  o  contribuinte  indicava­se  como  titular”;  que,  “criada  em  2006,  a  empresa  é  integralmente  controlada  por  grupo  estrangeiro  indicado  como SUZLON WIND ENERGY A/S (...)   também  e  simultaneamente,  sua  própria  e  única  fornecedora  dos  aerogeradores importados que a empresa brasileira adquire e vende”;  que,  “esta  circunstância  dupla  de  relação  comercial  deve  ser  muito  bem compreendida, tratada e monitorada pelo Fisco”; que, “foi nessa  concepção peculiar que a SUZLON ENERGIA EÓLICA DO BRASIL  LTDA  assina  Contratos  (...)  com  seus  Clientes  (...)  para  venda  e  instalação  de  quase  duas  centenas  de  máquinas  Aerogeradoras  nos  diversos parques eólicos designados pelos adquirentes”, e que, “o total  dos  contratos  (...)  ultrapassava a  cifra de R$ 1.300.000.000,00  (...)  a  serem pagos ao longo dos anos de 2007 a 2009, conforme o progresso  da execução”.  Diz  ter  recebido,  via Ouvidoria  da RFB,  denúncia  anônima  contra  a  fiscalizada  relatando  a  ocorrência  de  irregularidades  contábeis  e  fiscais,  assevera  que  tal  denúncia  teve  efeito  apenas  informativo  daquilo que o Fisco já sabia sobre a empresa, que não  fora utilizada  como  prova  a  fundamentar  o  lançamento  de  ofício,  refere­se  a  entendimento  da  Corte  Suprema  acerca  do  assunto  e  prossegue:  ii)  que,  “colocadas  estas  questões,  (...)  cabe  descrever  a  realidade  contábil e  fiscal da empresa (...) encontrada por esta Fiscalização ao  longo  dos  procedimentos  de  auditoria  contábil­fiscal  realizados  nos  seus  arquivos  e  livros  da  escrituração”;  iii)  que,  “ao  adentrar  no  corpo  orgânico  da  contabilidade  da  SUZLON  esta  auditoria  se  certificou  do  fato  de  que  era  evidente  a  presença  de  graves  anormalidades nas conduta da empresa (...) desde o ano de 2006 até o  último  ano  do  período  fiscalizado  (2010)”;  iv)  que,  “convinha  averiguar (...) a) se o proceder contábil da SUZLON teria provocado  evidentes prejuízos à Fazenda Pública; b)  se o proceder contábil  da  SUZLON ao longo dos anos considerados (...) pautou­se por conduta  Fl. 4018DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.019          4 voluntária  e  consciente,  no  sentido  de  auferir  vantagens  ilícitas  em  prejuízo  do  Tesouro  Nacional”;  v)  que,  “restou  claro,  de  imediato,  que a atividade operacional da SUZLON se enquadrava na disciplina  legal de  tributação dos Contratos de Longo Prazo  (...)  superior a um  ano, a preço certo”, e que, “para tal conclusão foram solicitados todos  os  contratos  assinados  com  os  Clientes,  que  envolvessem  o  fornecimento e instalação de geradores eólicos entre os anos de 2006 e  2010”; vi) que, “como os contratos dessa natureza se enquadram em  uma regra própria de apuração (....)  restou  constatada  uma  conduta  desidiosa  e  de  absoluto  abandono  voluntário e consciente das normas legais que disciplinam a Apuração  de Resultados dos Contratos de Longo Prazo”.  Ainda  de  acordo  com  a  Fiscalização,  referindo­se  à  legislação  do  IRPJ, CSLL, PIS e COFINS: vii) que, “em verdade, o que se viu (...) foi  a  utilização  de  um  critério  contábil­fiscal  para  registro  dos  custos  totais  dos  Contratos  de  Longo  Prazo  e  dos  seus  respectivos  preços  totais, sem qualquer autorização legal para tal”; viii) que, “a empresa  ora autuada resolveu, por conta e risco próprio, enveredar no cálculo  de seus  resultados e na  forma de conceber  suas bases de cálculo das  contribuições para o PIS/COFINS, para um critério acumulado geral  apenas  nos  anos­calendário  de  2009  e  2010,  ignorando  de  forma  voluntária  e  consciente,  os  impactos  que  deveria  reconhecer  desde  o  anocalendário  de  2007,  quando,  de  um  lado,  já  incorria  –  inapelavelmente –  em custos apropriados  relativos a  fornecimento de  bens e/ou serviços referentes ao cumprimento dos contratos assinados  com  seus  Clientes,  e,  de  outro,  em  faturamento  por  conta  do  igual  cumprimento  desses  contratos”;  ix)  que,  “somente  uma  visão  do  planejamento  tributário  com  natureza  visível  de  evasão  fiscal  que  a  empresa tentou implantar com quase sucesso – note que o ano de 2007  já se encontra inapelavelmente decaído (...) pode explicar os detalhes  dos  resultados  que  a  SUZLON  ENERGIA  EÓLICA  DO  BRASIL  LTDA  tinha em mente de auferir na realidade, de  forma consciente e  astuciosa” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 65).  Após  destacar  que  a  contribuinte  tinha  solicitado  sua  incursão  como  titular  de  benefício  fiscal  na  área  da  SUDENE  (redução  de  75%  do  IRPJ),  prosseguiu:  x)  que,  “no  afã  de  nada  recolher  ao  Tesouro  Nacional,  restava  a  busca  de  estratégia  para  neutralizar  qualquer  incidência  de  tributo  sobre  os  25%  remanescentes  do  benefício  da  empresa”, e que, “a técnica para tal foi “fabricar” prejuízos fiscais de  modo que não houvesse, a priori, base de cálculo positiva para aquelas  exações”; xi) que, “como os contratos (...) datam de setembro de 2006  e outubro de 2007 coube à empresa enveredar pelo risco de ignorar as  apurações parciais (ano a ano em que houvesse custo incorrido) e de  ignorar  igualmente os  faturamentos e/ou recebimentos de Clientes ao  longo  da  execução  dos  projetos”;  xii)  que,  “acumulou  o  resultado  geral dos Contratos celebrados com seus Clientes apenas para os anos  de  2009  e  2010”,  e,  “com  dois  detalhes  cruciais:  a)  em  2009,  reconhecendo  parte  da  receita  total  dos  Contratos  de  Longo  Prazo  “fabrica” prejuízo  fiscal,  já  com olho no que  viria a  fazer  (de  forma  irregular)  no  ano  seguinte,  ao  mesmo  tempo  em  que  não  reconhece  qualquer base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS; b) já  em 2010, ano em que  foi deferido o Ato Declaratório de Redução de  Fl. 4019DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.020          5 75% do IRPJ, descarrega todo o remanescente dos totais dos Contratos  de  Longo  Prazo,  de  forma  que  se  fizesse  incluir  essa  receita  no  incentivo, que apenas vigeria a partir do anocalendário de 2010”.  Na  mesma  toada,  seguiu  a  Fiscalização  afirmando  que,  com  este  procedimento,  a  autuada,  “já  tendo  até  31.12.2009,  recebido  e  cumprido cerca de 99,99% de  todos os Contrato de Longo Prazo (...)  pretendeu  dar  efeito  retroativo  indevido  ao  incentivo  fiscal,  cujo  direito a usufruto só adquirira em 01.01.2010”, pontua que a SUZLON  tinha os benefícios do Programa REIDI, que concede suspensão de PIS  e  COFINS  nos  casos  indicados  e  que,  ainda  assim,  os  preços  originários que deveriam ser recebidos de seus Clientes mantinhamse  com  as  referidas  contribuições  embutidas,  sem  que,  entretanto,  houvesse  recolhimentos  de  mencionadas  contribuições  ao  Tesouro  Nacional.  Asseverou  que  foi  “diante  desta  realidade  (...)  que  esta  auditoria  promove todos os lançamentos de acerto da situação”; que, para esta  providência,  “tentou,  por  reiteradas  vezes  (...)  obter  os  dados  necessários  para  que  pudesse  fazer  os  cálculos  das  apurações  e  discriminação  das  bases  de  cálculo  dos  tributos  e  contribuições  não  recolhidos  ao  Tesouro  Nacional”,  e  que,  mesmo  com  a  conduta  dificultosa  da  empresa,  não  fornecendo  os  dados  requeridos  pela  Autoridade  Tributária,  ainda  assim,  “nada  disso  constituiuse  em  obstáculo para o encerramento da auditoria com os resultados fiscais  expostos  nos  Autos  de  Infração  ora  lavrados”,  destacando  que,  “de  posse  dos  dois  dados  fundamentais  (o  preço  total  dos  Contratos  de  Longo Prazo e os custos totais registrados acumuladamente nos anos  de 2009 e 2010, pela própria  empresa, com seus próprios números  e  cifras) foi possível ao Fisco conhecer os custos incorridos ao longo dos  anos de 2007 e 2010  (com base nos principais custos de  importação,  conforme DI´s), de modo que pudesse montar, com base na legislação  específica que rege a matéria,  sua própria Planilha de Apuração dos  Resultados dos Contratos de Longo Prazo (desde o ano de 2007 até o  início  do  ano  de  2010,  quando  os  projetos  foram  definitivamente  entregues e encerrados)” (Termo de Verificação Fiscal – fls. 67).  Diz  ainda  que,  “como  há  recebimentos  dos  Clientes  desde  o  ano  de  2007, as bases de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS foram  retiradas  da  escrituração  da  SUZLON  em  batimento  com  os  valores  informados  pelos  Clientes,  através  das  diversas  diligências  empreendidas em cada um deles”.  Esclareceu  a  Fiscalização  que  as  planilhas  com  os  cálculos  estão  anexadas ao Termo de Verificação e continua discorrendo que, “como  essa  auditoria  tinha  como  foco  principal  o  cumprimento  das  obrigações tributárias relativas ao IRPJ, CSLL e demais contribuições  sociais,  foi  promovida  uma  averiguação  geral  na  escrituração  do  contribuinte”,  e  que,  diante  de  tal  cenário,  “esta  fiscalização  enveredou  pela  análise  minuciosa  do  Passivo  registrado  como  Empréstimo em 31.12.2009, lançado como Obrigação por Empréstimo  contraído junto ao BANCO ABC BRASIL S/A.”. Expõe, a respeito, ser  intrigante  o  fato  de  a  fiscalizada  não  ter  registros,  em  sua  contabilidade, de conta corrente junto a tal instituição financeira.  Fl. 4020DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.021          6 Na sequência, pontuou ter igualmente buscado esclarecimentos acerca  da  dedutibilidade  do  valor  de  R$  1.500.000,00  levado  a  débito  da  Conta de Despesas Financeiras/Descontos Concedidos em 14.10.2009,  que foi encerrada contra Resultado do Exercício, montante que, por ter  sido  escriturado  pela  autuada  como  “Desconto  Concedido  Condicionalmente”, deveria ser tido como “dedução da Receita Bruta  para  apuração  da  Receita  Líquida,  para  posterior  Adição  ao  Lucro  Líquido  para  efeito  de  apuração  do  Lucro  Real”;  que,  “por  não  ser  desconto  incondicional,  essa  adição  obrigatória  não  pode  ser  neutralizada  pela  simples  desalocação  do  valor  em  conta  direta  de  Despesa  Financeira”,  e  que,  “se  há  a  indedutibilidade  legal,  impossível  a  dedutibilidade  por  transposição  de  classificação  contábil”.  Seguiu na acusação tratando das “Multas Contratuais”, expondo: xiii)  que,  “desde  o  Termo  de  Início  de  Fiscalização  (...)  essa  auditoria  aborda  a  questão  das  MULTAS  CONTRATUAIS  debitadas  pela  SUZLON (...) à Conta de Custos e de Despesas Operacionais nos anos  de  2009  (R$  28.711.100,00,  na  Conta  012058/  512090128000  CUSTOS  GERAIS  NA  PRODUÇÃO/DESPESAS  COM  MULTAS  CONTRATUAIS  e  R$  39.787.086,85,  na  Conta  013455/  531090163000  DESPESAS  GERAIS/MULTAS  CONTRATUAIS)  e  2010 (R$ 6.795.197,50, na Conta 013455/ 531090166000 DESPESAS  GERAIS/MULTAS CONTRATUAIS) e encerradas contra Resultados  dos Exercícios respectivos”; xiv) que, “as indagações corriam por dois  fundamentos  (...):  a)  cumprimento  dos  requisitos  para  a  dedutibilidade”,  e  ,  “b)  caracterização  de  despesas  operacionais  possíveis  ,  porém  incursas  no  qualificativo  de  “Despesas  Recuperáveis”,  previstas  na  legislação  do  Imposto  de  Renda  e  dos  demais  tributos  e  contribuições  sociais”;  xv)  que,  “a  dialética  processual  instaurada  junto  ao  contribuinte  permitiu  ao  Fisco  conhecer  o  “fato  gerador  específico”  dessas  multas  contratuais”,  e  que, segundo a SUZLON, sua origem adviria de cláusula prevista nos  Contratos  assinados  com  seus  Clientes  e  que  “as  multas  eram  mensuradas  conforme os montantes  diários  de  atraso  na  entrega  dos  bens e serviços”.  Após  afirmar  que  “os  documentos  que  totalizam  as  MULTAS  CONTRATUAIS  dos  anos  de  2009  e  2010  não  foram  fornecidos  ao  Fisco pela SUZLON”, prosseguiu a Autoridade Tributária (Termo de  Verificação Fiscal – fl. 70), fazendo as devidas ponderações.  Na  sequência,  a  Fiscalização  tratou  da  apuração  dos  resultados  dos  Contratos de Longo Prazo, “efetivados conforme os preceitos do artigo  407  do  RIR/99  e  IN  SRF  nº  021/79”,  explicitando  que  “a  empresa  resolveu quedarse silente sobre a conduta adotada”, tendo ignorado os  pedidos  da  Fiscalização  para  apresentar  “as  Planilhas  de  apuração  dos custos incorridos ano a ano, das receitas reconhecidas ano a ano e  de  todos  os  demais  dados  necessários  para  a  construção das  tabelas  indicativas referentes ao Lucro Bruto de cada período de apuração”.  Adiante, depois de destacar que “os valores do Lucro Bruto levados à  tributação em cada ano são exatamente aqueles assentados na última  coluna do Quadro de nº 03”; que, “na metodologia apresentada pela  SUZLON (...) não há apuração de resultado em 2007 e em 2008”, e  Fl. 4021DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.022          7 que,  “em  2009  ela  resolve  levantar  DRE  de  modo  a  “fabricar”  o  prejuízo  fiscal  e  a  base  de  cálculo  da  CSLL  para  usufruto  desses  valores negativos no ano de 2010, quando então descarrega quase todo  o  valor  total  dos  contratos  de  longo  prazo”,  a  Fiscalização  enfatiza  (Termo de Verificação Fiscal – fls. 73).  Aditivamente assinalou que, “cabe deixar  registrado que a estratégia  da SUZLON (...) para cumular os valores em 2009 e 2010 necessitou a  contabilização de todo o custo incorrido nos anos de 2007 e 2008 em  conta de ESTOQUE, o que constitui irregularidade na sistemática de  apuração  dos  resultados  com  contratos  de  longo  prazo”;  que,  “em  2009, essa prática se repetiu quase que integralmente”, e “já em 2010,  os  ESTOQUES  são  “esvaziados”.  Para  acrescentar  que,  “com  estas  explicações  o  Fisco  desnuda  a  conduta  da  empresa  e  a  caracteriza  como  prática  concernente  à  presença  do  evidente  intuito  de  fraude,  dado  o  conjunto  de  circunstâncias  já  enumeradas”.  E  prosseguir  acusando  que  “como  consequência  de  todos  estes  cálculos  de  ofício  que  levaram  aos  Quadros  de  nº  01  a  03,  foi  necessário  refazer  as  DRE´s  dos  anos  calendário  de  2008,  2009  e  2010,  de  modo  que  restassem individualizados o Lucro Real e a Base de Cálculo da CSLL  em  cada  um  deles”,  registrando  a  não  apresentação  do  LALUR  relativo ao anocalendário 2010.  Passou  a  Fiscalização  a  tratar  das  irregularidades  que  entendeu  presentes  relativamente  ao PIS  e  à  COFINS,  destacando,  em  síntese,  que a autuada “deveria ter apurado as bases as bases de cálculo das  referidas contribuições  e  recolhido nas datas próprias os valores das  exações mensais, conforme apropriasse faturamento em decorrência de  custos  incorridos”,  e  que, “como desde  o  ano calendário de  2007  já  havia custos incorridos, os valores recebidos dos Clientes/adquirentes  das  usinas  eólicas  foram  tomados  como  faturamento  no mês  em  que  percebidos,  dado  que  representativos  de  receitas  pela  execução  progressiva do fornecimento de bens e serviços previstos nos Contratos  assinados pelas partes”.  Comentou  sobre  o  Programa  de  Benefícios  do  REIDI  e  encerra  afirmando ser imperativo o lançamento de ofício para constituição dos  créditos tributários do PIS e da COFINS, com observância do regime  da  NãoCumulatividade,  procedimento  que  deve  ser  adotado  também  em relação a eventuais créditos legitimamente escriturados, observada  a  legislação  de  regência.  Detalhou  as  razões  de  fato  e  direito  que  levaram  à  qualificação  da multa  de  ofício,  elevandoa  ao  patamar  de  150%,  reportase  aos  artigos  71,  72  e  73,  da  Lei  nº  4.502/64,  faz  retrospectiva do procedimento fiscalizatório.  Os  autos de  infração  relativos  ao  IRPJ, CSLL, PIS  e COFINS  foram  lavrados (fls. 2 a 57), com Termo de Encerramento (fls. 1063/1064). A  ciência  da  contribuinte  está  encartada  às  fls.  58  a  59,  tendo  apresentado  Impugnação  (fls.  1069/1145),  juntando  documentos  apensados às fls. 1156 a 3764.  Posteriormente, após o término do prazo de impugnação, juntou novos  documentos  em  22/01/2014  (fls.  3821/4200)  e  em  03/02/2014  (fls.  4203/4244). Na sua peça de defesa, depois de  fazer um breve resumo  dos  fatos,  referirse  às  irregularidades  apontadas  pelo  Fisco,  clamar  Fl. 4022DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.023          8 pela  nulidade  do  processo  administrativo  “por  não  conter  (...)  os  requisitos mínimos indispensáveis para a validade de uma acusação”,  rebater  o  teor  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  de  que  não  teria  apresentado  documentos,  que  a  Fiscalização  não  observou  “procedimentos  primários”  durante  a  ação  fiscal,  que  a  Autoridade  Tributária reportouse diretamente a seus clientes, o que implicaria em  cerceamento do direito de defesa, que houve violação às disposições do  artigo  142,  do  CTN,  “em  razão  da  ausência  completa  de  critérios  objetivos e previstos em lei na determinação das exigências tributárias  (...)  especialmente,  no  que  tange  a  forma  utilizada  de  alocação  dos  custos  incorridos  em  cada  ano,  utilizado  (...)  para  fins  de  apurar  o  lucro  bruto  relativo  aos  contratos  “supostamente”  de  longo  prazo”,  que  não  se  deduziram  os  créditos  de  PIS  e  COFINS  quando  dos  lançamentos de tais exações e que houve inobservância dos benefícios  do  REIDI  e  dos  recolhimentos  efetuados  pela  impugnante,  a  defesa  discorreu  longamente  sobre  cada  item  apontado  como  irregular  pelo  Fisco, destacando, preambularmente que a Fiscalização “resolveu de  forma absolutamente discricionária “criar” a sua própria planilha de  apuração de resultados, desconsiderando as demonstrações contábeis  da  Impugnante, pois as entendeu como ilegais  (...)”; que, “se de  fato  não  foi  entregue  a  documentação  suficiente  para  apurar  de  forma  correta  o  crédito  tributário  em  questão,  não  cabia  à  administração  criar  um  procedimento  único  e  sob  encomenda  para  a  impugnante  (...)”,  e que, “portanto,  se os  registros  contábeis  fossem  imprestáveis  conforme  relatado  pela  douta  fiscalização,  o  único  procedimento  cabível  a  ser  adotado  seria  o  arbitramento,  o  que  de  fato  não  aconteceu” (impugnação – fls. 1076/1077).  A seguir, pontuou que informações que deram suporte aos lançamentos  foram obtidas  junto a  terceiros, muitas das quais não  foram juntadas  aos  autos,  em  desrespeito  ao  artigo  9º  do  PAF  (que  transcreve),  assenta  que  o  “desconhecimento  da  documentação  utilizada  pela  autoridade  para  motivar  os  seus  fundamentos  (...)  “obriga”  a  Impugnante a fazer um exercício de “adivinhação” (...) incabível num  processo  administrativo  onde  a  busca  da  verdade  material  é  princípio”, concluindo ter havido cerceamento ao seu legítimo direito  de defesa, sendo, “portanto, inquestionável a NULIDADE DO AUTO  DE INFRAÇÃO EM TELA” (transcreve jurisprudência a respeito).  Pontuou,  após  reproduzir  o  artigo  142,  do CTN,  que  “a  fiscalização  claramente  olvidouse  de  determinar  de  forma  diligente,  legítima  e  dentro dos parâmetros legais o montante dos tributos lançados (...) na  medida em que os valores apurados (...) não contemplam os requisitos  de certeza e  liquide  ,  indispensáveis ao  lançamento de um  tributo”, e  que,  “adotou  critérios  subjetivos  e  discricionários,  sem  qualquer  embasamento legal, para identificar a “suposta” alocação dos custos  (...) para fins de apurar o lucro bruto dos contratos firmados (...) e não  considerou  (...)  valores  já  recolhidos  a  título  de  estimativas  mensais  (...) assim como  (...)  ignorou o direito à utilização do benefício  fiscal  concedido pela SUDENE no exercício de 2010”. Diz que em relação à  apuração  do  PIS  e  da  COFINS  a  Fiscalização  adotou  a  apuração  “com base  no  regime de  caixa, NÃO PREVISTO EM LEI,  uma  vez  que a base de cálculo destas contribuições é a receita auferida e, não,  o simples recebimento a título de adiantamentos de clientes”, além de  Fl. 4023DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.024          9 ter  havido  “desconsideração  de  créditos  apurados  com  base  na  sistemática das Leis nº 10.632/2002 e 10.833/2003”.  No  mais,  sustentou  que  o  Fisco,  sem  previsão  legal  e  em  uma  segregação subjetiva, alocou os custos incorridos da impugnante para  “inferir o montante do lucro bruto do período”, tomando como base os  “principais  custos  de  importação  informados  nas  Declarações  de  Importação  (DI)”,  o  que  seria  inadmissível  posto  que  “estes  valores  não  podem  ser  considerados  como  custos  em  consentâneo  com  as  melhores práticas contábeis”, quando “o custo somente é reconhecido  (...) no momento da venda do bem, enquanto isto trata se meramente de  ativo, ou melhor, estoque”. Pontua que seus custos só são reconhecidos  nas  suas  contas  contábeis  “quando  da  venda  dos  fatos  geradores”,  momento  em  que  “é  observado  o  princípio  do  confronto  das  receitas  com  as  despesas  correspondentes”.  Critica  a  forma  de  apuração  adotada pelo Fisco, que diz  ter sido “realizada com base em critérios  subjetivos, definidos de forma unilateral e sem qualquer embasamento  em  lei”,  ignorando  os  documentos  da  empresa  e  registrando  valores  em  duplicidade.  Traz  quadros  com  os  quais  pretende  demonstrar  a  impropriedade  do  trabalho  fiscal  (impugnação  –  fls.  1083/1084)  e  prossegue  discursando  que  os  lançamentos  não  trazem  qualquer  método que  permita  identificar  a  composição  do  crédito  tributário,  e  que teria havido afronta aos princípios da legalidade e da tipicidade,  violando, por conseguinte, os artigos 2º e 50, da Lei nº 9.784/1999 (que  reproduz).  Reportouse à doutrina e segue afirmando que, mediante um exercício  de  apuração  estimada,  demonstrará  “de  forma  definitiva  a  completa  insubsistência  do  cálculo  feito  (...)  para  apuração  de  IRPJ  e  CSLL,  através  do  procedimento  comumente  conhecido  como  “método  POC  (Percentage of Completion)”  aplicável  aos  contratos de  longo prazo”,  documento que nominou de “Doc. 07”, insurgindose contra a ação do  Fisco  que  teria  desconsiderado  os  valores  recolhidos  a  título  de  estimativa mensal  nos  anos  de  2009  e  2010,  sendo R$ 31.935.165,19  como IRPJ e R$ 11.829.990,42 de CSLL.  Alegou não ter ocorrido dedução nos lançamentos de IRPJ, dos valores  referentes ao IRRF constantes nos balancetes de 2009 e 2010, somando  R$ 883.553,98 (Doc.  12), reproduz jurisprudência do CARF e finaliza o tópico ponderando  que a Fiscalização não levou em conta na apuração do IRPJ 2010, o  benefício  fiscal  da  SUDENE  (Doc.  10),  ao  tempo  que  incluiu  indevidamente  nos  lançamentos  montantes  relativos  a  provisões  realizadas a título de garantia (R$ 8.841.581,81) e outras despesas (R$  18.808.294,20),  já  oferecidas  à  tributação,  como  demonstrará  na  sequência.  Destacou o regime de apuração das contribuições do PIS e da COFINS  (não  cumulativo)  e  afirma  que  o  Fisco  desprezou  os  créditos  a  que  teria  direito,  maculando  os  lançamentos.  Ressalta  possuir  créditos  acumulados  de R$  50.531.577,04  de COFINS  e R$ 10.970.577,04  de  PIS  (Doc.  11),  conforme  informado  nos  balancetes  mensais  e  DACON´s  (Docs.  12  e  13),  valores  que,  se  considerados  pela  Fiscalização,  reduziriam  substancialmente  os  lançamentos  (junta  Fl. 4024DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.025          10 demonstrativo  –  Doc.  14).  Acentua  que  tal  procedimento  leva  à  nulidade dos autos de infração, reportase a jurisprudência, legislação  e doutrina e finaliza (impugnação– fl. 1092).  Quanto  ao  mérito,  dividiu  sua  Impugnação  para  tratar  inicialmente  acerca  da  “legalidade  e  legitimidade  da  operação  de  empréstimo  bancário  firmando  com  o  Banco  ABC,  iniciando  ao  afirmar  que  a  omissão  de  receitas  considerada  pelo  Fisco  no  valor  de  R$  19.643.545,00,  relativa  à  obrigação  por  empréstimo  junto  ao  Banco  ABC  Brasil  S/A  e  que  seria  suportada  pelo  artigo  42,  da  Lei  nº  9.430/1996, é incabível, como incabíveis seriam as glosas das despesas  de  IOF  e  financeiras  vinculadas  a  tal  operação.  Para  comprovar  o  alegado, depois de lembrar que “os auditores fiscais não demonstraram  nenhum  interesse  em  compreender  uma  simples  operação  de  empréstimo, comumente praticada pelas empresas”, a defesa passou a  descrever detalhadamente a operação.  Segue referindose a dispositivos do Código Civil, trata da validade dos  atos jurídicos, diz inexistir proibição a que se faça empréstimo junto a  instituição financeira na qual não mantenha conta corrente, socorrese  de  doutrina,  acrescenta  que  a  prova  que  traz  aos  autos  demonstra  a  correta e efetiva realização da operação (Cédula de Crédito Bancário  nº  517709  e  outros  –  Doc.  22),  que,  conseguintemente,  o  IOF  e  despesas  vinculadas  à  referida  operação  são  necessárias  e  úteis,  portanto dedutíveis.  Ponderou ser impossível compreender a sentença formulada pelo Fisco  acerca do tema “Desconto Concedido Condicionalmente”, visto que a  Autoridade  Fiscal  parece  desconhecer  o  termo  da  locução  “desalocar”,  implicando  em  conclusões  indevidas,  especialmente  em  relação a uma suposta não apresentação de documentos por parte da  impugnante, o que não ocorreu.  Reportase aos anexos nominados de “Doc. 23”, descreve as operações  que realizou com clientes seus (impugnação – fls. 1098/1099) e que as  partes  “comprometeramse  a  aceitar  uma  redução  no  preço  final  de  cada contrato”, estandose diante de uma situação em que o desconto  registrado seria decorrência apenas de redução da garantia oferecida  pela  vendedora  (autuada),  do  tipo  conhecido  como  “performance  bond”,  isto  é,  surgiu  “única  e  exclusivamente  de  acordo  comercial,  em  circunstâncias  negociais,  sem  vinculação  a  qualquer  procedimento ou obrigação posterior do seu cliente para garantilo”,  como, por exemplo, “desconto pelo pagamento antecipado de fatura”.  Concluiu, após registrar a legislação sobre a matéria (RIR/1999 e IN –  SRF  nº  390/2004)  e  jurisprudência  do  CARF,  que  “se  o  débito  da  despesa ocorreu em uma conta incorreta, continua sendo um débito a  conta  de  resultado,  o  que  reduz  consequentemente  o  Lucro  Real  e  a  base de cálculo da CSLL”, e que, “uma mera classificação  incorreta  não  tipifica a  infração do art. 299 do RIR, muito menos  a sua glosa,  por  isso,  não  tendo  havido  a  efetiva  motivação  da  glosa,  ou  a  comprovação da  inexistência da necessidade, utilidade, ou mesmo da  documentação de suporte, não restará ao d. Julgador outra alternativa  senão cancelar essa glosa, o que desde já requer a Impugnante”.  Fl. 4025DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.026          11 Na  sequência  tratou  da  “inexigibilidade  dos  tributos  sobre  despesas  não  recuperadas”,  comentando  sobre  a  indevida  conclusão  do  Fisco  no  sentido  de  não  ter  havido  contabilização,  como  recuperação  de  custos, das multas contratuais que originalmente a  impugnante arcou  perante  seus  clientes  e  em  relação  às  quais  não  teria  buscado  se  ressarcir junto à sua única fornecedora de equipamentos no exterior e  que é sua controladora.  Aduz  que  “a  divergência  apontada  pelo  Fisco  reside  apenas  na  suposição,  ilação  de  que  –  por  se  tratar  de  multa  pelo  atraso  da  entrega  dos  bens  –  esse  descumprimento  seria  de  responsabilidade  exclusiva da sua fornecedora, a Suzlon Wind Energy S/A, contra a qual  deveria a  Impugnante  pleitear  o  ressarcimento”,  tendo havido, ainda  na  opinião  dos  Agentes  Fiscais,  “omissão  no  agir  e  negligência  na  conduta  da  SULZLON  (...)  BRASIL  em  buscar  junto  a  sua  fornecedora/controladora,  a  recuperação  dos  encargos  sofridos  por  força das multas contratuais devidas aos Clientes no Brasil”.  Mencionou  ainda,  que:  “à  exaustão,  a  fiscalização  foi  clara  ao  reconhecer que a Impugnante NÃO recebeu (recuperou) os valores das  multas contratuais pagas em razão do atraso na sua execução”, e que,  “se a  Impugnante NUNCA  recuperou os encargos  sofridos por  força  das multas contratuais, NUNCA houve o ingresso de receitas, o que pó  si  só  afasta  a  imprópria  conclusão  de  que  houvera  OMISSÃO  DE  RECEITAS”.  Pontua que o artigo 392, II, do RIR/1999 (que  transcreve) define que  “deverão  ser  computadas  na  determinação  do  lucro  operacional  as  recuperações  e  devoluções  de  custos,  sendo  silente  sobre  uma  tal  expectativa de recuperação de custos”.  Destaca que as multas assumidas decorreram não em razão de atrasos  nos  equipamentos,  como pensou a Autoridade Fiscal, mas por  razões  de  execução  do  projeto  no  Brasil,  por  diversos  fatores,  inerentes  à  própria  atividade  empresarial  e  que,  ainda  que  assim  não  fosse,  o  prazo  para  buscar  eventual  ressarcimento  não  se  expirou  (Código  Civil,  art.  206,  §  5º,  inciso  I),  acrescentando  que  o  Fisco  tentou  desconsiderar  as  operações  em  razão  de  serem  estranhas,  mas,  questiona a defesa, “ser “estranha” é motivo para desconsideração de  ato ou negócio jurídico”?  Na  sequência,  depois  de  rebater  as  conclusões  do  Fisco  de  que  as  atividades da impugnante enquadrarseiam na forma de tributação dos  “Contratos  de  Longo  Prazo”,  superiores  a  um  ano,  a  preço  certo,  e  afirmar  que  seu  procedimento  contábil  esta  consentâneo  com  as  normas brasileiras sobre a matéria (“procedimento “corroborado por  empresa  de  auditoria  independente”),  que  lhe  permite  reconhecer  a  sua  receita  e  seus  custos  tão  somente  no  final  dos  contratos,  após  a  emissão da respectiva nota  fiscal (Doc. 25), o que afastaria  ilações a  respeito de eventual ação insidiosa de sua parte e que teria levado ao  agravamento das multas, passa a discorrer sobre o que chama de “três  tópicos  que  se  correlacionam  ao  final”,  sendo  o  primeiro,  a  “apresentação das normas contábeis aplicáveis à venda de bens cuja  transferência  somente  ocorre  no  final  do  contrato”,  o  segundo,  “os  aspectos fundamentais (...) previstos nos Contratos de Fornecimento e  Fl. 4026DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.027          12 Instalação de Turbinas Eólicas”, e o terceiro, a “natureza jurídica das  operações realizadas (...) e (...) legislação tributária aplicável”.  Passou então a discorrer sobre o que chamou “princípio da realização  da receita”, discorrendo  longamente  sobre o  tema, diz que, na  forma  do que dispõe o Código Civil, o lançamento das receitas exige a efetiva  transferência do produto ou serviço ao cliente, referese a ensinamentos  doutrinários  e  aos  pronunciamentos  e  interpretações  do  CPC,  CFC,  CVM  e  organismos  contábeis  internacionais,  que  o  Pronunciamento  Técnico CPC nº 30 trata da forma e momento do reconhecimento das  receitas  e  que,  “desde  Luca  Pacioli,  a  receita  e  as  despesas  relacionadas  à  mesma  transação  devem  ser  reconhecidas  no  mesmo  momento  –simultaneamente  –  em  cumprimento  ao  princípio  da  confrontação  das  despesas  com  as  receitas  (princípio  de  competência)”.  Volta a referirse ao Pronunciamento Técnico CPC nº 30 e conclui não  bastar  que  a  receita,  para  fins  de  reconhecimento,  seja  conhecida,  mensurável, impondose o adimplemento de outras condições, tais como  a  transferência  ao  comprador  dos  riscos  e  benefícios  oriundos  da  propriedade  dos  bens,  a  possibilidade  de  determinar  a  despesa  e  a  fruição dos benefícios econômicos da operação.  Acerca do “contrato de fornecimento de turbinas eólicas firmados com  os seus clientes” a contribuinte descreveu sua atividade e os Contratos  de Fornecimento e Instalação de Turbinas Eólicas, “para execução em  prazo  inferior  a  360  (...)  dias”,  firmados  com  seus  clientes,  reproduzindo  alguns  segmentos  de  contratos  firmados  com  seus  clientes,  sustentando,  em  última  análise,  serem  dois,  basicamente,  os  tipos  de  aerogeradores  que  seu  fornecedor  disponibiliza,  cabendo  ao  comprador  definir  qual  deles  desejaria  adquirir  e  que  a  este  cabia  adotar as providências necessárias para preparação do parque eólico  para  fins  de  instalação  das  turbinas  eólicas,  “de  modo  que  a  Impugnante  não  participa  do  planejamento  e  definições  gerais  do  projeto;  limitandose  a  comprar  e  a  instalar  os  aerogeradores  de  acordo com a planta fornecida”.  A  seguir  apresenta,  a  título  exemplificativo,  um  cronograma  de  execução, realçando que a finalização será sempre em prazo inferior a  360 dias (impugnação – fls. 1115/1116). Diz mais, que, “nos termos do  contrato  firmado de boa  fé pelas partes  integrantes,  nas hipóteses de  atraso  do  prazo  previsto  inferior  a  01  (um)  ano  para  a  execução  do  fornecimento e instalação de turbinas eólicas pela Impugnante, ou das  obras necessárias  realizadas pelo cliente, há a previsão de aplicação  de multa (cujo percentual varia de acordo com o cliente)”. E prossegue  ser  “óbvia  a  aplicação  da  multa:  o  parque  eólico  não  está  a  ser  construído  por  mero  diletantismo  dos  contratantes  da  Impugnante,  mas porquê essas empresas têm obrigação de fornecer energia no dia  D  do  mês  M  do  Ano  A,  sob  pena  de  comprometer  o  suprimento  de  energia necessário ao abastecimento da nação”, e que, “é fundamental  perceber que, como a instalação os aerogeradores, ocorre em etapas,  somente após a conclusão de todo o projeto, é que efetivamente, há a  entrega do bem ao cliente e, portanto, a transferência de sua respectiva  titularidade, com a emissão das respectivas notas fiscais”.  Fl. 4027DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.028          13 Acrescentou que “apenas neste momento os recebimentos das parcelas  que  compunham  o  preço  tornamse  certos  (...);  os  custos  diretos  e  indiretos  e  as  despesas  totais  tornamse  possíveis  de  mensurar  e  os  riscos são de fato transferidos ao cliente, tudo em respeito à dinâmica  prevista  nos  contratos”  e  acentua  estar  demonstrada  “a  natureza  jurídica  das  operações  realizadas  e  a  legislação  tributária  aplicável  viaavis  a  adequação  do  tratamento  contábil  adotado”,  que  a  Fiscalização  “esmerouse  em  utilizarse  de  estilo  de  redação  realísticofantástico  para  por  meio  dele  suportar  o  lançamento,  buscando converter suposições e ilações em verdade material”, sendo,  ainda  no  dizer  da  defesa,  “uma  verdadeira  obra  literária”,  que  a  “Impugnante recomenda a leitura na íntegra”, desprovida de qualquer  método  em  sua  análise,  sem  fatos  concretos  que  fundamentem  suas  conclusões.  Depois  de  ressaltar  possuir  auditoria  independente  que  audita  sua  escrituração,  que  seus  contratos  são  do  tipo  “EPC  –  Engineering,  Procurement  and  Comissioning”,  modalidade  em  que  “o  contratado  obrigase a adquirir bens e instalálos de acordo com as especificações  requeridas pelo contratante e mediante o exercício da sua competência  técnica, para entregálos ao final em condições plenas de operação pelo  contratante,  que  então  os  receberá,  os  bens,  em  seu  patrimônio”,  lembrar que o contrato de compra e venda é “por definição, bilateral,  oneroso e consensual” (reproduz artigos 481 e 482 do Código Civil),  tratar da transferência de propriedade de bens móveis (transcreve art.  1267  do  mesmo  diploma  legal  e  doutrina  de  J.  X.  Carvalho  de  Mendonça), acrescenta que a “materialização da operação de compra  e  venda,  para  fins  jurídicos,  comerciais  e  fiscais  é  a  fatura,  que  configura a representação mercantil do pleno atendimento ao contrato  de  compra  e  venda,  realizado  de maneira  tácita,  eis  que  vendedor  e  comprador já concordaram com preço e produto”. Aditando: “ou seja,  o  instrumento que exterioriza o contrato de compra e venda é a nota  fiscal,  que  deve  acompanhar  a  mercadoria  para  fins  fiscais  e  comerciais  e  que  contabilmente  é  demonstrada  pela  figura  do  faturamento” (impugnação – fl. 1121).  Na  mesma  linha,  afirma  que,  “transferida  a  propriedade  para  o  comprador,  materializada  a  operação  pela  forma  do  faturamento,  surge aí a obrigação fiscal de promover o reconhecimento e destaque  dos  tributos  incidentes  sobre  as  operações  de  venda,  haja  vista  a  ocorrência  dos  fatos  geradores  ensejadores  destes  tributos  (notadamente  PIS,  COFINS  e,  de  forma  indireta,  em  decorrência  da  circulação  e  saída  das  mercadorias,  o  ICMS  e  o  IPI”,  e  que,  “as  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real  (...)  devem  reconhecer o resultado de suas receitas pelo regime de competência”.  Faz  referência  ao  artigo  187,  da  Lei  das  S/A,  comenta  sobre  as  alterações  trazidas  ao  mencionado  diploma  legal  pelas  Leis  nº  11.638/2007 e 11.941/2009, particulariza que nestes dois últimos atos  legislativos está disciplinado que “a escrituração fiscal sustentarseá na  escrituração  contábil  e  valerseá  de  livros  auxiliares  para  a  demonstração  e  (re)conciliação  entre  as  eventuais  divergências  entre  os  preceitos  e  regras  contábeis  e  fiscais”  e  que,  “através  da  análise  dos  termos  dos  referidos  contratos  de  compra  e  venda  é  possível  conhecer  a  extensão  e  o  alcance  das  suas  disposições  quanto  à  quintessência da operação econômica da Impugnante”.  Fl. 4028DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.029          14 Apresenta um sumário das operações realizadas e voltase, novamente,  à  doutrina,  para  utilizar  conceitos  de  contratos  bilaterais  e  à  jurisprudência  e  decisões  da  RFB  para  apoio  da  sua  tese  sobre  faturamento  antecipado  e  reconhecimento  da  receita.  Destaca  que  apesar dos contratos preverem que as obras para instalação das torres,  importações de peças e partes para utilização nas  torres,  importação  de  lâminas  e  equipamentos  relacionados  às  turbinas,  instalação  das  turbinas  eólicas  e  comissionamento  seriam  implementadas  em  prazo  inferior  a  360  dias,  “em  alguns  contratos  surgiram  controvérsias  entre as partes envolvidas (...) resultando na sua suspensão, uma vez  que  houve  incertezas  quanto  ao  cumprimento  dos  seus  termos,  inclusive quanto ao adimplemento das parcelas acordadas”.  Que  teria  sofrido “diversas  constrições,  alheias  à  sua  vontade”, mas  que  os  atrasos  ocorridos  “de  forma  alguma”  implicariam  no  alongamento do período de instalação, e que, “tais prorrogações não  têm  o  condão  de  modificar  a  cláusula  contratual  de  prazo  de  execução”.  Diz  mais,  que  mesmo  que  a  execução  do  objeto  do  contrato  fosse  superior a 360 dias, “este  fato, por  si  só, nunca seria  suficiente para  obrigar  a  Impugnante  a  alterar  a  forma  de  reconhecimento  de  suas  receitas”,  posto  que,  no  seu  entender,  “o  fator  determinante  para  a  definição  do  momento  deste  reconhecimento  (...)  é  o  momento  da  efetiva  tradição do  bem”. Sustenta  que o  artigo  10, do Decretolei  nº  1.598, de 1977,  é  inaplicável,  visto que  trata de  situações “em que o  bem  é  produzido  pelo  contratado,  O  QUE  DEFINITIVAMENTO  NÃO É O CASO”, diz que “produzir”  significa “criar”, “fabricar”,  (segundo  Dicionário  Michaelis),  o  que  impediria  a  utilização  do  mencionado  dispositivo  legal.  Concluiu  o  tópico  (impugnação  –  fls.  1127),  afirmando  que  “considerando  que  a  Impugnante  não  produz  aerogeradores,  mas  tão  somente  os  importa  e  instala  nos  termos  contratuais,  é  inaplicável, por  todos os ângulos  em que  se analisar a  questão,  a  possibilidade  de  aplicação  da  previsão  do  artigo  10  do  Decretolei nº 1.598/78 (sic) no caso concreto”, razão pela qual “deve  ser afastado o lançamento também quanto ao anteriormente exposto”.  Afirmou a  ilegalidade  na  constituição  do  crédito  tributário,  aduzindo  que a autuação “abarca uma suposta falta de recolhimento de IRPJ e  CSLL  sobre  provisões  a  título  de  (i)  garantia  (R$  8.841.581,81  na  Conta 015840/ 51201690000) e (ii) outras despesas (R$ 18.808.294,20  na Conta 004441/ 511010101000) que, de acordo com o alegado pela  fiscalização não  teriam  sido adicionados ao  lucro  líquido para  efeito  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  contribuição  social”,  rebate  o  entendimento  fiscal  trazendo  informações  e  demonstrativos  com  os  quais  pretende  mostrar  o  equívoco  do  Fisco,  que  há,  inclusive,  erro  nos  números  apontados  pela  Autoridade  Tributária  e  que  os  montantes  foram  oferecidos  à  tributação  no  anocalendário 2010, pelo que “insubsistente referido auto de infração  também no que tange ao lançamento sobre provisões”.  Defendeu  ainda,  que  “quando  da  lavratura  do  presente  auto  de  infração”,  ignorado  os  valores  recolhidos  a  título  de  estimativa  e  os  montantes  de  IRRF,  implicando  na  “equivocada,  ilegal,  dupla  e  majorada apuração dos débitos de IRPJ e CSLL para o período”.  Fl. 4029DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.030          15 Que,  mencionados  valores  importariam  em  R$  31.935.165,19  e  R$  11.829.990,42,  estimativas  de  IRPJ  e  CSLL,  respectivamente,  montantes  recolhidos  “seja  mediante  pagamento  ou  compensação”,  além de R$ 883.553,98, “relativos aos exercícios de 2009 e 2010”.  Aduz não ter o Fisco observado os benefícios da SUDENE a que faz jus  desde 01/01/2010 e que os lançamentos estariam maculados, impondo  sua anulação ou revisão.  Trata dos lançamentos de PIS e COFINS reclamando a não concessão,  pelo  Fisco,  dos  créditos  a  que  teria  direito  pelo  regime  da  não  cumulatividade.  E  arremata  que,  “por  amor  à  argumentação,  na  remota hipótese desses  julgadores admitirem que houvera omissão de  receitas  durante  os  anos  calendários  de  2009  e  2010,  tal  autuação  fiscal  nunca  poderia  prevalecer,  uma  vez  que  a  Impugnante  tinha  direito a compensar integralmente as (i)  estimativas  pagas  a  título  de  IRPJ  e CSLL  e  (ii)  do  crédito  de PIS  e  COFINS, devendo, este direito ser reconhecido por esta Administração  quando  da  apuração  de  eventual  crédito  tributário,  ou  no  mínimo  determinar  diligência  para  apurálos  caso  dúvidas  acerca  dos  seus  valores ainda existam”.  Relativamente  à  multa  qualificada  defendeu  que  sua  aplicação  exige  que  a  Administração  Tributária  apresente  provas,  “e  não  simples  “suspeitas”,  “elocubrações”,  análise  panorâmica”  e  que  a  fraude  “implica  necessariamente  em  violação  grave  e  frontal  de  deveres  tributários  principais  e  acessórios,  tais  como  falsificar  documentos,  livros, etc.”.  Traz  jurisprudência, aduz que “a  fraude à  lei deve  ser compreendida  como uma ação  ilícita que vise  ludibriar a Administração”,  reproduz  mais jurisprudência do CARF, diz que a multa no patamar de 150% é  “absolutamente  desproporcional  e  confiscatória,  conforme  recente  decisão  proferida  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  no  julgamento  da  Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 5511” e encerra ponderando  que  “em  que  pese  a  costumeira  diligência  que  acreditamos  caracterizar os procedimentos desta fiscalização, no caso em concreto,  a fiscalização quedouse inerte na busca desta almejada verdade”.  Concluídos  os  argumentos,  faz  um  resumo  do  que  expôs,  apresenta  seus  pedidos  (impugnação  –  fls.  1143/1144),  protesta  pela  apresentação  de  novos  documentos,  pareceres  e  realização  de  diligência e requer,  finalmente, que as  intimações sejam direcionadas  ao endereço do patrono da impugnante.  A  douta  delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Ribeirão  Preto (SP) julgou como parcialmente procedente a Impugnação do Recorrente, tendo o acórdão  recebido a seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL  ­  COFINS  Período  de  apuração:  01/01/2008  a  31/05/2010  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  PRAZO  DECADENCIAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.  Fl. 4030DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.031          16 Afastado,  por  inconstitucional,  o  prazo  de  dez  anos  para  o  lançamento das contribuições destinadas à Seguridade Social, a  contagem do prazo decadencial rege­se pelo disposto no Código  Tributário.  Na  hipótese  em  que  o  recolhimento  não  ocorre  ou  ocorre  em  desconformidade  com  a  legislação  aplicável  e,  por  conseguinte,  procede­se  ao  lançamento  de  ofício,  o  prazo  decadencial  de  cinco  anos  tem  início  no  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  esse  lançamento  de  ofício  poderia haver sido realizado.  CONTRATOS DE LONGO PRAZO. RECONHECIMENTO DAS  RECEITAS.  A contribuição incidente na hipótese de contratos, com prazo de  execução  superior  a  um  ano  de  fornecimento,  a  preço  predeterminado,  de  bens  ou  serviços  será  calculada  sobre  a  receita apurada na proporção dos custos incorridos.  CRÉDITOS  NÃO  CUMULATIVOS.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO. APROVEITAMENTO.  No lançamento de ofício, devem ser aproveitados como desconto  da  contribuição  apuradas,  os  créditos  não  cumulativos  detidos  pelo sujeito passivo.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período  de apuração: 01/01/2008 a 31/05/2010 MULTA QUALIFICADA.  IMPROCEDÊNCIA. FRAUDE NÃO COMPROVADA.  Não  comprovados  os  elementos  caracterizadores  de  fraude,  sonegação e conluio, afasta­se a qualificação da multa de ofício,  reduzindo­se seu percentual.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Devidamente  intimado,  o  Recorrente  apresentou Recurso Voluntário,  no  qual,  após  relatar  de  forma  detalhada  as  motivações  que  levaram  à  autuação  e  discorrer  sobre  a  tempestividade  do  apelo,  alega,  em  síntese,  (i)  a  decadência do  direito  de  lançar  os  créditos  tributários relativos ao período compreendido entre Janeiro e Agosto de 2008; (ii) a nulidade da  autuação,  por  descumprimento  ao  artigo  142  do  CTN  e  aos  princípios  da  legalidade  e  da  tipicidade;  (iii)  a  improcedência  da  autuação,  tendo  em  vista  a  legitimidade  e  legalidade  da  contabilização  dos  contrato  de  fornecimento  de  turbinas  eólicas  (contrato  de  longo prazo);  e  (iv)  da  necessidade  de  reconhecimento  de  créditos  da  contribuição  ao  PIS,  devidamente  escriturados  e  denominados  como  sendo  "crédito  usado  como  desconto  da  contribuição  apurada na DACON".   Como  houve  exoneração  de  parte  do  crédito  tributário  pelo  DRJ,  o  acórdão  também foi objeto de Recurso de Ofício.   Este é o relatório.   Fl. 4031DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.032          17   Voto  Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias.  Como  se  denota  dos  autos,  o  Recorrente  foi  intimado  do  teor  do  acórdão  recorrido em 30/05/2014, apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 26/06/2014,  ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos  termos do que determina o  artigo 33 do Decreto nº  70.235/72.   Portanto,  sem  maiores  delongas,  é  tempestivo  o  Recurso  Voluntário  apresentado, devendo ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, uma  vez que cumpre os demais requisitos de admissibilidade.  DA DECADÊNCIA  Como  sabido,  a  Constituição  Federal  de  1988,  em  seu  artigo  146,  inciso  III,  alínea  b),  determina  que  cabe  ao  legislador  complementar  estabelecer  normas  gerais  em  matéria tributária, inclusive aquelas que tratam da prescrição e decadência.   No ordenamento jurídico pátrio, o Código Tributário Nacional é a norma geral a  qual faz menção o Texto Constitucional. Mesmo tendo sido publicado antes da Constituição de  1988, o referido código foi recepcionado como Lei Complementar em matéria tributária e, por  isso,  é  nele  que  se  encontram  as  regras  para  contagem  do  prazo  decadencial  no  Direito  Tributário.   Assim,  para  os  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  em  que  o  contribuinte  declara,  calcula  e  recolhe  os  valores  que  entende  devidos  ao  erário,  o  CTN  determina que o fisco possui 05 anos, contados do fato gerador, para homologar a declaração e  o pagamento realizado pelo contribuinte. Eis a sua redação:   Art.  150.  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos  tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar  o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.  §  1º O pagamento  antecipado  pelo  obrigado  nos  termos  deste  artigo  extingue o crédito,  sob condição resolutória da ulterior homologação  ao lançamento.  §  2º  Não  influem  sobre  a  obrigação  tributária  quaisquer  atos  anteriores  à  homologação,  praticados  pelo  sujeito  passivo  ou  por  terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito.  §  3º  Os  atos  a  que  se  refere  o  parágrafo  anterior  serão,  porém,  considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso,  na imposição de penalidade, ou sua graduação.  § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a  contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a  Fazenda Pública  se  tenha pronunciado,  considera­se homologado o  Fl. 4032DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.033          18 lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a  ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (destacou­se)  Contudo,  nos  termos  já  decido  pelo  STJ,  no  caso  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  caso  não  haja  pagamento  (com  ou  sem  declaração  do  contribuinte) aplica­se a regra geral para contagem do prazo decadencial, que está prevista no  artigo 173, I do Código Tributário Nacional, que tem a seguinte redação:   Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário  extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I ­ do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento  poderia ter sido efetuado;  II ­ da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,  por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo  único.  O  direito  a  que  se  refere  este  artigo  extingue­se  definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida  preparatória  indispensável ao lançamento.  A aplicabilidade do art. 150, § 4º ou do art. 173, I, ambos do CTN, foi objeto de  decisão  definitiva,  como  mencionado,  proferida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça,  na  sistemática dos recursos repetitivos (art. 543­C do CPC), no Recurso Especial nº 973.733/SC,  tendo o julgado recebido a seguinte ementa:  PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE  CONTROVÉRSIA.  ARTIGO  543­C,  DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.  DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS  PREVISTOS  NOS  ARTIGOS  150,  §  4º,  e  173,  do  CTN.  IMPOSSIBILIDADE.  1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado, nos casos em que a  lei não prevê o pagamento antecipado  da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre,  sem  a  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  28.11.2007,  DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux,  julgado em  13.12.2004, DJ 28.02.2005).  2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário,  importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o  crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas  gerais  e  abstratas,  Fl. 4033DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.034          19 entre as quais  figura a  regra da decadência do direito de  lançar nos  casos  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  de  ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  em  que  o  contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz  de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max  Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  quinquenal  da  aludida  regra  decadencial  rege­se  pelo  disposto  no  artigo  173,  I,  do  CTN,  sendo  certo  que  o  "primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se  trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando­se  inadmissível  a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos  nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio  de  Janeiro,  2005,  págs..  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Brasileiro",  10ª  ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs..  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199).  5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuida­se de tributo sujeito  a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento  antecipado  das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte,  no que concerne aos  fatos  imponíveis ocorridos no  período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição  dos créditos tributários respectivos deu­se em 26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o  Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido  ao  regime  do  artigo 543­C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.  (REsp  973.733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO,  julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacou­se)  Em  seu  recurso  voluntário,  o Recorrente,  refutando  a  aplicação  do  precedente  citado acima ao caso em análise, argumenta que para a contribuição ao PIS e para a COFINS  "não havia apuração de base de cálculo para recolhimento no período de janeiro a agosto de  2008", e, por isso, "não havia tributo a ser antecipado", o que imporia a aplicação do disposto  no § 4º do artigo 150 do CTN e não da regra constante do artigo 173.   Este argumento acaba por se confundir com o mérito da discussão, uma vez que,  mantendo­se o entendimento da fiscalização quanto à apuração dos resultados nos contrato de  longo prazo, a falta de recolhimento será patente. E, como se demonstrará a seguir, a princípio,  não assiste razão ao recorrente na forma em que aqueles contrato foram contabilizados.  Assim, deve­se afastar desde já a argumentação quanto a decadência do direito  de a Fazenda Nacional constituir o crédito  tributário,  relativo ao período compreendido entre  Janeiro e Agosto de 2008.  Fl. 4034DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.035          20 Neste  ponto,  portanto,  rejeito  a  preliminar  de  decadência  lançada  no  Recurso  Voluntário.  DA AUSÊNCIA DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO  Ainda em sede preliminar, o Recorrente alega que o Auto de Infração seria nulo,  um vez que, em síntese, a fiscalização teria incorrido em erro na apuração da matéria tributável  e  que,  em  flagrante  ofensa  ao  artigo  10  do Decreto  nº  70.235/72,  no Auto  de  Infração  não  houve a "correta determinação da exigência".   Contudo,  os  argumentos  do  Recorrente  para  defender  a  nulidade  do  Auto  de  Infração,  mais  uma  vez  se  confundem  com  o  mérito  da  discussão.  Nas  bem  articuladas  argumentações,  o Recorrente  demonstra  que  a  forma  de  apuração  para  os  contrato  de  longo  prazo não estariam corretas e que, por  isso, a  fiscalização  lavrou Auto de  Infração eivado de  nulidade, uma vez que não teria identificado de forma correta a matéria passível de tributação.  Entretanto, as hipóteses de nulidades das autuações estão elencadas no Decreto  nº  70.235/72,  mais  especificamente  no  artigo  59  deste  diploma  legal,  e  nenhuma  delas  foi  aventada pelo Recorrente. Cita­se o dispositivo em questão:  Art. 59. São nulos:   I ­ os atos e termos lavrados por pessoa incompetente;   II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou com preterição do direito de defesa.   § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele  diretamente dependam ou sejam conseqüência.  Por outro lado, o Recorrente não demonstrou nenhum vício do Auto de Infração,  no que se refere aos seus requisitos mínimos, nos termos delineados pelo artigo 10 do mesmo  Decreto. Confira­se a sua redação:  Art. 10. O auto de  infração será  lavrado por servidor competente, no  local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente:  I ­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade aplicável;  V  ­  a  determinação  da  exigência  e  a  intimação  para  cumpri­la  ou  impugná­la no prazo de trinta dias;  VI ­ a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o  n úmero de matrícula.  Desta  forma,  não  havendo,  no Recurso Voluntário,  qualquer  demonstração  de  nulidade  legal  do Auto  de  Infração, deve­se  afastar,  neste ponto,  a preliminar  invocada pelo  Recorrente neste sentido.  Fl. 4035DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.036          21 DA NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA  Antes  de  se  adentrar  na  análise  das  questões  de mérito  da  presente  autuação,  entende­se pela necessidade de realização de diligência pela Delegacia da Receita Federal onde  tem  domicílio  o  contribuinte,  para  que  esta  possa  confirmar,  em  síntese,  se  houve  o  recolhimento da contribuição ao PIS sobre as mesmas bases apuradas pela fiscalização, mesmo  que  esse  recolhimento  tenha  sido  posterior  ao  período  autuado.  Por  outro  lado,  é  imprescindível, para análise do Recurso de Ofício, se os créditos  reconhecidos pela DRJ não  foram utilizados pelo contribuinte em suas apurações.  É  que,  em  argumento  subsidiário  ao  mérito,  o  Recorrente  alega  que,  em  que  pese o acerto da decisão recorrida ao reconhecer o "direito ao aproveitamento do desconto dos  créditos da não cumulatividade que foram declarados na DACON", devem ser reconhecidas os  créditos  recolhidos  sobre  receitas  tributáveis  apuradas  pela  Recorrente  em  períodos  subsequentes (2009 e 2010).   Neste  ponto,  deve­se  pontuar,  primeiramente,  que  a  DRJ,  como  mencionado,  reconheceu que,  tendo em vista a sistemática de apuração não­cumulativa da contribuição ao  PIS,  houve  um  erro  da  fiscalização  na  apuração  da  contribuição  devida,  uma  vez  que  não  considerou os créditos declarados (e não contestados) em DACON pelo contribuinte. Ou seja,  teria o  contribuinte o direito de ver  reconhecido  o  seu direito  creditório,  sob pena de  ferir  a  sistemática de recolhimento não­cumulativo daquela contribuição.   E, no Recurso Voluntário, o Recorrente alega que este mesmo raciocínio deve  ser  considerado  no  que  tange  aos  valores  já  recolhidos  pelo  contribuinte,  mesmo  que  em  períodos subsequentes, sobre as mesmas receitas tributáveis.  Contudo,  pela  análise  da  documentação  acostada  aos  autos,  não  tem,  este  julgador,  elementos  suficientes  para  confirmar  se  houve,  de  fato,  o  recolhimento  da  contribuição  ao PIS nos períodos  posteriores  e,  se houve o  recolhimento,  se  seriam sobre  as  mesmas bases levantadas pela fiscalização.   No  que  tange  a  este  último  ponto,  a  princípio,  por  dedução  lógica,  não  há  dúvidas  quanto  ao  reconhecimento  das  receitas,  pelo  contribuinte,  em momento  posterior  ao  que entendia a fiscalização como sendo a data correta para este reconhecimento.  Como a autuação se motivou exatamente no argumento de que as receitas foram  reconhecidas  em  momento  indevido,  pode­se  afirmar  que  houve  este  reconhecimento  em  momento  posterior.  Contudo,  não  se  pode  afirmar  que  os  recolhimentos  foram  de  fato  realizados,  o  que  tornaria  temerária  qualquer  decisão  deste  Conselho,  que  reconhece  a  possibilidade de compensação dos valores  recolhidos com os créditos  tributários constituídos  de ofício pelo agente fiscal.   Assim, é  imprescindível a  realização de diligência, para que a d. Delegacia da  Receita Federal, onde o contribuinte tem domicílio, com base nas declarações e recolhimentos  feitos por este, responda aos seguintes questionamentos:  1)  Os  créditos  tributários  relativos  à  contribuição  ao  PIS  recolhidos  posteriormente  ao  período  autuado  são  vinculados  à  receita  não  reconhecida  pelo contribuinte quando do recebimento dos valores (objeto da autuação)?  Fl. 4036DF CARF MF Processo nº 10380.729799/2013­79  Resolução nº  1302­000.622  S1­C3T2  Fl. 4.037          22 2)  Pode­se  afirmar  que  o  contribuinte  constituiu,  via  declaração,  TODOS  os  créditos  tributários  de  contribuição  ao  PIS  relativos  às  receitas  objeto  da  presente autuação?  3)  Se  efetivamente  constituídos,  os  créditos  tributários  foram  quitados  na  integralidade, compensados ou parcelados? Discriminar e quantificar.  4) Algum dos pagamentos vinculados a estes créditos tributários foi considerado  indevido  ou  pagamento  a maior,  ou,  por  qualquer outro  fundamento,  utilizado  para fins de restituição ou compensação pelo contribuinte? Caso positivo, deve­ se discriminar como se deu o aproveitamento pelo contribuinte e o estado atual  de eventual PER/DComp.  5)  Ainda,  para  análise  do  Recurso  de  Ofício,  os  créditos  decorrentes  da  não­ cumulatividade  indicados em DACON, deferidos pela DRJ e não utilizados na  diminuição dos débitos de Cofins, foram utilizados pelo contribuinte em pedidos  de restituição/compensação?  O contribuinte deve ser intimado para apresentar à fiscalização a documentação  comprobatória do seu direito creditório, e, após a confirmação nos sistemas da RFB, bem como  a  obtenção  de  outras  provas  requeridas  e/ou  necessárias,  a  autoridade  responsável  deve  elaborar relatório conclusivo.  O  contribuinte  deve  ser  cientificado  do  citado  relatório  e  sobre  ele  poderá  manifestar­se no prazo de 30 dias, após o qual deve o processo retornar para julgamento.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator  Fl. 4037DF CARF MF

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7401143 #
Numero do processo: 10730.907612/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1402-000.633
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal da unidade jurisdicionante do contribuinte manifeste-se sobre a existência do crédito pleiteado com base na DIPJ retificada e com a DCTF, juntamente com os argumentos constantes no voto vencido do v. acórdão recorrido onde restou demonstrado que apesar de ter indicado a forma de apuração pelo lucro real, a Recorrente teria aplicado a sistemática do lucro presumido, conforme recolhimento feito com o código 2089. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE

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1402­000.633  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  16 de maio de 2018  Assunto  IRPJ  Recorrente  COMFIA ­POLICLÍNICA DE DIAGNOSTICO, ORTOPEDIA E MEDICINA  FÍSICA ALCÂNTARA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento  em diligência para que a autoridade fiscal da unidade jurisdicionante do contribuinte manifeste­ se  sobre  a  existência  do  crédito  pleiteado  com  base  na  DIPJ  retificada  e  com  a  DCTF,  juntamente com os argumentos constantes no voto vencido do v. acórdão recorrido onde restou  demonstrado que apesar de ter indicado a forma de apuração pelo lucro real, a Recorrente teria  aplicado a sistemática do lucro presumido, conforme recolhimento feito com o código 2089.   (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone ­ Presidente e Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  conselheiros  Marco  Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves  da Silva,  Leonardo Luis  Pagano  Gonçalves,  Evandro  Correa  Dias,  Lucas  Bevilacqua  Cabianca  Vieira,  Demetrius  Nichele  Macei, Paulo Mateus Ciccone.       RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 30 .9 07 61 2/ 20 11 -0 3 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10730.907612/2011­03  Resolução nº  1402­000.633  S1­C4T2  Fl. 3          2     Relatório   Trata  o  presente  processo  de  Pedido  de  Restituição  apresentado  por  meio  eletrônico  em  29/09/20004,  no  qual  a  interessada  alega  possuir  crédito  contra  a  Fazenda  Nacional  no  valor  original  de R$  200,82,  decorrente  de  pagamento  a maior  ou  indevido  do  Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ­  IRPJ cód. 2089,  referente  ao período de apuração de  31/08/2000,  efetuado  através  de  DARF  recolhido  em  29/09/2000,  no  valor  principal  de  R$  401,65.  O pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal em Niterói ­ RJ sob o  fundamento  de  inexistência  do  crédito,  uma  vez  que  o  pagamento  arrolado  como  crédito  já  teria  sido  integralmente  utilizado  para  quitar  o  débito  do  IRPJ  (cód.  2089)  do  período  de  apuração de 30/09/2000.  Na  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  a  interessada  alegou,  em  síntese, o seguinte:  ­ Que é tempestiva a manifestação de inconformidade;   ­  Que  o  crédito  tributário  encontra­se  com  a  sua  exigibilidade  suspensa,  nos  termos  do  art.  151,  V  do  CTN,  tendo  em  vista  que  há  decisão  judicial  lavrada  pelo  Desembargador  Federal  Leomar  Amorim  nos  autos  do  processo  n°  2006.01.00.0022721,  suspendendo  a  exigibilidade  do  crédito  tributário  referente  ao  IRPJ  e  à  CSLL  com  base  de  cálculo superior a 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento), nos termos do art. 151, V do  CTN. Assim sendo, deverá o presente processo  administrativo  ficar  sobrestado até o  trânsito  em julgado da ação judicial;   ­ Que  em 17.11.2005 protocolou Consulta Administrativa  perante  a Secretaria  da Receita Federal através do processo n° 10707.000582/200543, questionando a possibilidade  de compensar os valores supostamente recolhidos à maior a título de IRPJ, a qual resultou na  solução de consulta SRRF/7ª RF/DISIT n° 44, lavrada em 09/02/2006, que reconheceu o direito  de, como prestadora de  serviços médicos hospitalares, poder efetuar o  recolhimento do  IRPJ  utilizando a base presumida de 8% (oito por cento), bem como autorizou a  compensação do  IRPJ recolhido a maior, nos últimos 5 anos. Passados mais de 5 anos a SRF vem indeferir o  pedido  de  restituição,  não  homologando  as  compensações  realizadas  em  confronto  com  a  previsão do § 5o do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Logo, deve ser reconhecida a prescrição tácita e  por conseguinte cancelado o despacho que não homologou as compensações realizadas;   ­ Que  sempre  efetuou o  recolhimento do  IRPJ utilizando a base presumida de  32% descrita no artigo 15 da Lei n° 9.249/95, embora suspeitasse que se enquadrava no teor da  IN/SRF 306 (art. 23, II, alíneas "a", "b" e "c"), mantida pela IN/SRF 408/04, segundo a qual as  sociedades prestadoras de serviços médico hospitalares devem efetuar o recolhimento do IRPJ  utilizando  a  base  presumida de  8%  (oito  por  cento). Daí  a  necessidade  de  efetuar  a  referida  consulta  administrativa,  a  fim  de  assegurar  o  procedimento  da  compensação  já  nos  recolhimentos seguintes, caso autorizado pela Secretaria da Receita Federal;   Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10730.907612/2011­03  Resolução nº  1402­000.633  S1­C4T2  Fl. 4          3 ­ Que requer seja emitida,  todas as vezes que solicitar, a Certidão Negativa de  Débitos,  até o  término  do  julgamento  nas  instâncias  administrativas  do  presente  recurso,  eis  que  está  configurada  uma  das  hipóteses  legais  de  suspensão  da  exigibilidade  do  crédito  tributário,  com arrimo no art.  206 do CTN, bem como o  art.  151, V do CTN,  aliada a  forte  jurisprudência do STJ.  No  julgamento em primeira  instância, por maioria de votos, a  turma  julgadora  negou provimento à manifestação de inconformidade e indeferiu o pedido da interessada.  No  voto  vencido  do  acórdão  recorrido,  consta  que  a  Solução  de  Consulta  SRRF/7 RF/DISIT nº 44, de 09/02/2000, garantiu à recorrente o direito de apurar o IRPJ pelo  lucro  presumido  adotando  o  percentual  de  8% de  presunção  de  lucro,  entretanto,  não  foram  adotadas  as  medidas  necessárias  à  correta  identificação  do  crédito,  como  a  retificação  das  declarações, em particular a DCTF, o que motivou o  indeferimento do PER pela unidade de  origem.  Ainda  de  acordo  com  o  voto  vencido,  apesar  da  DIPJ  válida  para  o  período  indicar o lucro real como forma de tributação, no ano­calendário de 2000, a forma de apuração  do  lucro  adotada  de  fato  pela  interessada  é  a  do  lucro  presumido,  pois  foi  efetuado  recolhimento de janeiro de 2000, sob a sistemática do lucro presumido, fato este que tornou a  opção definitiva para todo o ano­calendário, nos termos do art. 26, § 1º da Lei nº 9.430/96 e art.  13, § º da Lei nº 9.718/98. Dessa forma, aplicando­se o percentual de presunção do lucro de 8%  sobre a receita bruta informada na Ficha 06A da DIPJ ativa do ano­calendário, o voto vencido  concluiu  que  o  valor  pleiteado  pela  recorrente  poderia  ser  tido  como  recolhido  a  maior  e,  portanto, passível de ser restituído à interessada.   Todavia, a maioria da turma entendeu que a apuração do crédito deveria ter sido  demonstrada pela contribuinte e não de ofício, no julgamento. O voto vencedor afirmou que a  Solução de Consulta SRRF/7 RF/DISIT nº 44, de 09/02/2006, garantiu o direito ao cálculo do  lucro presumido com base no percentual de 8%, sob determinadas condições, dentre elas, que  não se enquadrasse no disposto no art. 2º do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 18/2003,  bem  assim,  que  o  direito  à  compensação  dos  valores  pagos  a  maior  deveria  atender  às  condições  e  garantias  estipuladas  pela  legislação  vigente.  Acrescentou  que  uma  dessas  condições,  nos  casos  dos  débitos  já  declarados  em  DCTF,  seria  a  apresentação  de  DCTF  retificadora, o que não teria ocorrido no presente caso. Assim, considerando ser temerário, de  ofício  e  em  sede  de  julgamento,  concluir  que  a  totalidade  das  receitas  auferidas  estaria  enquadrada  como  serviços  hospitalares  sujeitos  ao  percentual  de  8%,  foi  mantido  o  indeferimento do PER.  Relativamente ao pedido de  sobrestamento deste processo  administrativo até a  decisão definitiva do processo judicial de nº 2005.34.00.0339986, a turma julgadora, entendeu  não haver necessidade porque o pedido da contribuinte é de que seja reconhecido o direito de  recolher o IRPJ e CSLL com base de calculo de 8% (oito por cento) e 12% (doze por cento),  respectivamente, o que já foi resolvido pela Solução de Consulta SRRF/7 RF/DISIT nº 44, de  09/02/2006.  O  último  pedido  da  contribuinte,  relativo  à  emissão  de  certidão  negativa  de  débitos  até  o  término  do  julgamento  nas  instâncias  administrativas  também  foi  considerado  incabível pela turma julgadora,  tendo em vista que a prova de regularidade fiscal depende de  múltiplos fatores, que transbordam os estreitos limites que deste processo, além de não possuir  competência regimental para tal requisição.  Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10730.907612/2011­03  Resolução nº  1402­000.633  S1­C4T2  Fl. 5          4 Regularmente cientificado em 06/07/2012, o sujeito passivo apresentou recurso  voluntário  em  31/07/2012,  repetindo,  basicamente,  as  alegações  da  manifestação  de  inconformidade.  É o relatório.         Voto   Conselheiro Paulo Mateus Ciccone, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido na Resolução nº  1402­000.631, de 16/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10730.907627/2011­63,  paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  O processo paradigma analisou o pedido de reconhecimento de direito creditório  relativo  a  pagamento  a  maior  de  IRPJ  cód.  2089,  referente  ao  período  de  apuração  de  31/03/2001, recolhido em 30/04/2001, no valor de R$ 343,24. O presente processo trata­se de  pedido  de  reconhecimento  de  crédito  relativo  a  pagamento  a  maior  de  IRPJ  cód.  2089,  do  período de apuração de 31/08/2000, recolhido em 29/09/2000, no valor de R$ 401,65.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1402­000.631):  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo,  trata  de  matéria  de  competência  desta  Corte  Administrativa  e  preenche  todos  os  demais  requisitos  de  admissibilidade  previstos  em  lei,  portanto,  dele  tomo  conhecimento.   A  Recorrente  apresentou  pedido  de  restituição,  PER  nº  16765.62245.290904.1.2.049306  (fls.  56/58),  apresentado  por  meio  eletrônico  em  29/09/2004,  no  qual  alega  possuir  crédito  contra  a  Fazenda  Pública  no  valor  original  de  R$165,62,  decorrente  de  pagamento a maior ou indevido do imposto de renda da pessoa jurídica  –  IRPJ  cód.  2089,  referente  ao  período  de  apuração  de  31/03/2001,  efetuado através de Darf recolhido em 30/04/2001, no valor principal  de R$343,24.  Antes  de  analisar  o  pano  de  fundo  relativo  a  possibilidade  de  restituição  do  referido  valor,  conforme  muito  bem  relatado  pelo  v.  acórdão  recorrido,  não  resta  dúvida  nos  autos  de  que  a  Recorrente  obteve a solução de Consulta SRRF/7RF/DIST n 44, que reconheceu o  direito como prestadora de serviços médicos hospitalares de efetuar o  recolhimento  do  IRPJ  utilizando  a  base  presumida  de  8%  (oito  por  cento), bem como autorizou a compensação do IRPJ recolhido a maior,  Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10730.907612/2011­03  Resolução nº  1402­000.633  S1­C4T2  Fl. 6          5 nos  últimos  5  anos.  Vejamos  a  parte  do  relatório  que  nos  interessa  neste momento.   3.3. Que em 17.11.2005 protocolou Consulta Administrativa perante a  Secretaria  da  Receita  Federal  através  do  processo  n°  10707.000582/200543, questionando a possibilidade de compensar os  valores  supostamente  recolhidos  à  maior  a  título  de  IRPJ,  a  qual  resultou na solução de consulta SRRF/7ª RF/DISIT n° 44, lavrada em  09.02.2006, que reconheceu o direito de, como prestadora de serviços  médicos hospitalares, poder efetuar o recolhimento do IRPJ utilizando  a  base  presumida  de  8%  (oito  por  cento),  bem  como  autorizou  a  compensação do IRPJ recolhido a maior, nos últimos 5 anos. Passados  mais  de  5  anos  a  SRF  vem  indeferir  o  pedido  de  restituição,  não  homologando  as  compensações  realizadas  em  confronto  com  a  previsão  do  §  5o  do  art.  74  da  Lei  n°  9.430/96.  Logo,  deve  ser  reconhecida  a  prescrição  tácita  e  por  conseguinte  cancelado  o  despacho que  não  homologou  as  compensações  realizadas;  3.4. Que  sempre efetuou o recolhimento do IRPJ utilizando a base presumida de  32% descrita no artigo 15 da Lei n° 9.249/95, embora suspeitasse que  se  enquadrava no  teor da  IN/SRF 306  (art.  23,  II,  alíneas  "a",  "b" e  "c"),  mantida  pela  IN/SRF  408/04,  segundo  a  qual  as  sociedades  prestadoras  de  serviços  médico  hospitalares  devem  efetuar  o  recolhimento  do  IRPJ  utilizando  a  base  presumida  de  8%  (oito  por  cento).  Daí  a  necessidade  de  efetuar  a  referida  consulta  administrativa, a fim de assegurar o procedimento da compensação já  nos  recolhimentos  seguintes,  caso  autorizado  pela  Secretaria  da  Receita Federal; Sendo assim, a solução de consulta acima  indicada,  não deixa dúvida de que a Recorrente pode se utilizar da sistemática  de  apuração  do  lucro  presumido  com  base  de  8%  e  compensar  os  créditos  de  IRPJ  recolhido  a  maior,  nos  últimos  5  anos,  restando  a  matéria para ser discutida nos autos, em sede de Recurso Voluntário,  sobre a possibilidade de  se  retificar  e  apresentar a DCTF durante o  curso do processo, após o r. Despacho Decisório e ter sido proferido v.  acórdão  que  julgou  a  manifestação  de  inconformidade,  bem  como  a  possibilidade de retificar a DIPJ após ter sido apresentado o pedido de  restituição  (dia  29/09/2004)  e  antes  de  ter  sido  proferido  o  r.  Despacho Decisório.   No caso dos autos, a Recorrente não apresentou a DCTF e tentou  retificar  a  DIPJ  original  nº  0670498  relativa  ao  exercício  de  2002  (ano­calendário  2001)  apresentada  em  25/06/2002,  com  a  DIPJ  retificadora  nº 1222951 apresentada  em  30/09/2004,  com objetivo  de  alterar a sistemática do lucro real para a do lucro presumido.   Ou seja, em 25/06/2002 a interessada apresentou DIPJ original  nº 0670498 relativa ao exercício de 2002, ano­calendário de 2001, sob  a sistemática do lucro real, e um dia após a apresentação do pedido de  restituição  (dia  29/09/2004)  tentou  retificar  a mesma  em 30/09/2004,  alterando a sistemática de tributação para lucro presumido através da  DIPJ  retificadora  nº  1222951.  Tal  procedimento  não  foi  aceito  pela  fiscalização,  que  decidiu  não  o  admitir  exatamente  por  se  tratar  de  declaração  retificadora  com  alteração  da  forma  de  tributação.  As  declarações apresentadas pela interessada consta do extrato que juntei  à fl. 67.  Desta  forma,  a  matéria  a  ser  discutida  nos  autos  é  relativa  a  possibilidade  de  se  aceitar  a  entrega  da  DCTF  durante  o  processo  administrativo e após ter sido proferido o r. Despacho Decisório, bem  Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10730.907612/2011­03  Resolução nº  1402­000.633  S1­C4T2  Fl. 7          6 como  a  possibilidade  de  se  retificar  a  DIPJ  antes  do  despacho  decisório.  Outro  ponto  importante  que  entendo  ser  necessário  analisar  e  que  foi  levantado  pelo  v.  acórdão  recorrido  é  que  apesar  de  a  Recorrente  ter  indicado  na  DIPJ/2002,  ano­calendário  2001,  a  sistemática  do  lucro  real,  ela  efetuado  o  recolhimento  com  o  código  2089 e para janeiro de 2001 utilizou a sistemática do lucro presumido,  o que, segundo o voto vencedor, determinou a forma de tributação da  interessada  sob  tal  regime  de  forma  definitiva  para  todo  o  ano­ calendário de 2000. Portanto, apesar de a DIPJ válida para o período  indicar  o  lucro  real  como  forma  de  tributação  do  ano­calendário  de  2001, a  forma de apuração do  lucro adotada pela Recorrente  é a de  lucro  presumido.  Vejamos  a  parte  do  voto  vencido  que  tratou  deste  ponto.   11. Isto não significa, contudo, que relativamente ao exercício de 2002,  ano­calendário  de  2001,  não  tenha  ocorrido  a  tempestiva  e  definitiva  opção para o regime do lucro presumido. Apesar da impossibilidade de  retificar a DIPJ indicando o lucro presumido como forma de tributação  do lucro, o fato de ter efetuado o recolhimento de janeiro de 2001 sob a  sistemática  do  lucro  presumido,  utilizando  o  código  de  recolhimento  2089, determinou a forma de tributação da interessada sob tal regime,  de forma definitiva para todo o ano calendário de 2000, tendo em vista  o que determinam o art. 26 e §1º da Lei nº 9.430/96 e o art. 13, §1º da  Lei nº 9.718/98. Portanto, é certo que, apesar de a DIPJ válida para o  período  indicar  o  lucro  real  como  forma  de  tributação,  no  ano­ calendário de 2001 a forma de apuração do lucro adotada de fato pela  interessada é a do lucro presumido.  12. A receita bruta do 1º trimestre de 2001 informada pela interessada é  de  R$41.342,70,  conforme  extrato  da  Ficha  06A  da  DIPJ  ativa  nº  0670498 do exercício de 2002, ano­calendário de 2001, que juntei à fl.  68.  Com  tal  valor  de  receita  bruta,  o  cálculo  do  IR  devido  sob  a  sistemática  de  lucro  presumido,  considerando  o  percentual  de  presunção do lucro de 8% segue adiante demonstrado:  Fato  Gerador  1º  trimestre  2001  Receita  bruta  41.342,70  Lucro  Presumido 3.307,42 Alíquota 15,00% IR devido 496,11   De  acordo  com  o  voto  vencido,  na  DCTF,  segundo  a  tela  do  sistema Sief cuja cópia  juntei à fl. 69, a  interessada informou o valor  do débito do IRPJ do 1º trimestre de 2001 como sendo de R$1.004,21.  Vinculou  ao  débito  três  pagamentos,  nos  valores  de  R$398,41,  R$262,56 e R$343,24. Vale mencionar que a interessada alega possuir  crédito  e  pede  restituição  relativamente  a  todos  os  pagamentos  vinculados ao débito do IRPJ do 1º trimestre de 2001, sendo um deles o  relacionado  ao  crédito  pleiteado  no  presente  processo,  conforme  adiante discriminado:  Valor  total  do  Darf  Crédito  solicitado  Valor  Remanescente  Processo de restituição   398,41  199,21 199,20 10730.907615/2011­39   262,56  131,29 131,27 10730.907629/2011­52   343,24  165,62 177,62 10730.907627/2011­63  Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10730.907612/2011­03  Resolução nº  1402­000.633  S1­C4T2  Fl. 8          7  Total   508,09   Da  análise  do  quadro  acima,  colacionado  no  v.  acórdão,  constata­se  que  o  valor  total  remanescente  dos  pagamentos,  no  montante de R$ 508,09,  é  suficiente para satisfazer o débito do IRPJ  devido  sob  a  sistemática  de  lucro  presumido,  considerando  o  percentual de presunção do  lucro de 8% aplicável à  interessada e  já  demonstrado na citação colacionada no parágrafo anterior do presente  voto (IR devido R$ 496,11). Consequentemente, os valores listados na  coluna “Crédito solicitado” podem ser tidos como recolhidos a maior  e, portanto, passíveis de serem restituídos à interessada.  Sendo  assim,  o  D.  Relator  do  voto  vencido  entendeu  que  há  elementos  suficientes  para  concluir  que  o montante  de R$  165,62  do  DARF  recolhido  em  30/04/2001  sob  o  código  de  receita  2089  é  considerado  pagamento  indevido  ou  a  maior,  devendo,  por  isso,  ser  restituído a Recorrente.   Pois bem.   Em relação a possibilidade da apresentação da DCTF em sede  de Recurso Voluntário, em respeito ao princípio da busca da verdade  material,  entendo  não  verifico  qualquer  óbice.  Inclusive,  fazendo  um  paralelo  da  matéria  analisada  neste  processo,  esta  C.  Turma  tem  jurisprudência no sentido de que a DCTF pode ser retificada após o r.  despacho  decisório.  A  Título  exemplificativo,  segue  ementa  do  v.  acórdão que decidiu neste sentido:   ASSUNTO:NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração:01/11/2005 a 30/11/2005   DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO  DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP.   Inexistindo  comprovação  do  direito  creditório  informado  no  PER/DCOMP  é  de  se  considera  não  homologada  a  compensação  declarada.   DCTF RETIFICADORA. PRAZO   Nos  tributos  sujeitos ao  lançamento por homologação, o direito de o  contribuinte  proceder  à  retificação  das  DCTFs  extingue  se  após  5(cinco)  anos  contados  da  data  da  ocorrência  dos  correspondentes  fatos  geradores.  Recurso  Voluntário  Negado  Crédito  Tributário  Mantido  (Processo  ­  10880.967614/2012­19)  ­  Terceira  Seção  de  Julgamento.  Entretanto, em relação a DIPJ, a jurisprudência e a legislação  não  permitem  a  retificação  quando  se  pretende  alterar  a  forma  de  tributação.   Sendo assim, como muito bem apontado no voto  vencido do v.  acórdão recorrido que refez a apuração com base nos dados contidos  na DIPJ original e informações do sistema Sief e conseguiu demonstrar  que  a  Recorrente  provavelmente  tem  direito  ao  crédito,  entendo  ser  necessário converter o julgamento em diligência para que:  Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10730.907612/2011­03  Resolução nº  1402­000.633  S1­C4T2  Fl. 9          8 1  ­  intime  a  Recorrente  a  juntar  a  DCTF  que  alimentou  as  informações do sistema Sief;  2 ­ em seguida, encaminhe­se os autos para a autoridade fiscal  para se manifestar sobre a existência do crédito pleiteado com base na  DIPJ  retificada  e  com  a  DCTF,  juntamente  com  os  argumentos  constantes  no  voto  vencido  do  v.  acórdão  recorrido  onde  restou  demonstrado  que  apesar  de  ter  indicado  a  forma  de  apuração  pelo  lucro  real,  a  Recorrente  teria  aplicado  a  sistemática  do  lucro  presumido, conforme o recolhimento feito com o código 2089.   3­ elabore relatório circinstânciado informando se com base na  análise da DIPJ retificada, com a DCTF e a DARF a Recorrente tem  direito a restituição do crédito.   Caso  meus  para  entendam  que  este  não  é  o  melhor  entendimento,  então,  em  respeito  ao  devido  processo  legal,  cerceamento de defesa e para que não ocorra supressão de instância,  anulo  o  v.  acórdão  recorrido  para  que  outro  seja  proferido  em  seu  lugar  analisando  todos  os  argumentos  postos  na  manifestação  de  inconformidade da Recorrente,  inclusive o de que ocorreu prescrição  tácita  devido  ao  decurso  do  prazo  de  cinco  anos,  o  pedido  de  sobrestamento  do  feito/julgamento  até  que  seja  proferida  decisão  definitiva  na  ação  em  tramite  no  judiciário,  dentre  todos  os  outros  importantes argumentos que deixaram de constar no voto vencedor do  v. acórdão recorrido.  É como voto.   Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o  julgamento  em  diligência,  para  que  a  autoridade  fiscal  da  unidade  jurisdicionante  do  contribuinte manifeste­se sobre a existência do crédito pleiteado com base na DIPJ retificada e  com  a  DCTF,  juntamente  com  os  argumentos  constantes  no  voto  vencido  do  v.  acórdão  recorrido onde restou demonstrado que apesar de ter indicado a forma de apuração pelo lucro  real, a Recorrente teria aplicado a sistemática do lucro presumido, conforme recolhimento feito  com o código 2089.  (assinado digitalmente)  Paulo Mateus Ciccone    Fl. 140DF CARF MF

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6507672 #
Numero do processo: 10183.721822/2009-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Dílson Jatahy Fonseca Neto. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2015; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 110          1  109  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10183.721822/2009­27  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2202­000.711  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  16 de agosto de 2016  Assunto  ITR  Recorrente  JOSÉ WILLIAM GONÇALVES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator, vencido o Conselheiro Dílson Jatahy  Fonseca Neto.    Assinado digitalmente   Marco Aurélio de Oliveira Barbosa ­ Presidente.   Assinado digitalmente   Marcio Henrique Sales Parada – Relator.  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Marco  Aurélio  de  Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto,  Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de  Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.  Relatório  Contra os contribuintes José William Gonçalves e outro (João Gonçalves, CPF:  036.593.308­25)  foi  lavrada  Notificação  de  Lançamento  relativa  ao  Imposto  sobre  a  Propriedade  Territorial  Rural  ­ITR,  para  o  exercício  de  2006,  sobre  o  imóvel  denominado  Fazenda Majuvi  I,  localizado  no Município  de São  José do Rio Claro/MT,  com cadastro  na  RFB  nº  6.749.562­1.  Está  em  exigência  o  valor  de  R$  853.017,11,  acrescido  de  multa  proporcional de 75% e juros de mora, com base na taxa Selic.  Na descrição dos fatos, narra a Autoridade Fiscal competente que:     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .7 21 82 2/ 20 09 -2 7 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.721822/2009­27  Resolução nº  2202­000.711  S2­C2T2  Fl. 111          2  1  ­  A  DITR/2006  que  foi  revisada  de  ofício  fora  entregue  em  nome  de  ARMANDO SANTOS DE ALMEIDA que, intimado pela fiscalização, alegou que o domínio  útil  e  a  posse  do  imóvel  haviam  sido  passados,  em  1992,  a  JOÃO GONÇALVES  e  JOSÉ  WILLIAN GONÇALVES. Apresentou declaração firmada pelos dois (fl. 20). Esclareceu ainda  ARMANDO que a propriedade do  imóvel  fora transferida às  filhas de JOÃO GONÇALVES  por escritura pública lavrada em 03/05/2006 (fl. 22);  2  ­  Argumentou  o  Auditor  Fiscal  que  a  propriedade  só  se  transfere  com  o  registro  do  título  translativo  no  Cartório  competente.  Entretanto,  considerando  que  JOÃO  GONÇALVES e JOSÉ WILLIAN GONÇALVES firmaram declaração afirmando ter a posse e  o domínio útil desde 1992, ambos são contribuintes do ITR.  3­ Intimados os contribuintes assim identificados a comprovar o Valor da Terra  Nua (VTN) declarado, e não apresentando qualquer documento, o valor foi arbitrado com base  no  sistema  SIPT  (sistema  de  preços  de  terras  da  Receita  Federal),  cuja  tela  informativa  encontra­se acostada aos autos (fl. 07) e contém as informações por aptidão agrícola para tipos  diferentes de terra, com base em dados oriundos da Prefeitura Municipal de São José do Rio  Claro/MT. Os enquadramentos legais, cálculos e valores estão indicados na Notificação.  Apenas  o  contribuinte  JOSÉ  WILLIAM  GONÇALVES  manifestou­se,  em  impugnação, alegando em suma que desde 1993 havia transferido a posse e o domínio de sua  parte do imóvel a seu irmão, JOÃO GONÇALVES (declaração na fl. 46).  Ao  analisar  a manifestação  de  inconformidade,  a DRJ  em Campo Grande/MS  entendeu,  em  resumo,  pela  existência  de  um  "condomínio"  entre  os  dois  irmãos,  e  que  o  lançamento estava correto, podendo ser exigido o imposto de qualquer um deles, pelo princípio  da solidariedade. Disse que a intimação de um dos condôminos alcança os demais. Disse ainda  que o arbitramento do VTN fora matéria não impugnada.  Decidiu­se manter o lançamento efetuado.  Intimado dessa decisão em 24/02/2012 (AR na folha 70), o contribuinte  JOSÉ  WILLIAM  GONÇALVES  apresentou  recurso  voluntário  em  16/03/2012,  com  protocolo  na  folha 72.  Em sede de recurso, questiona mais uma vez a legitimidade passiva. Diz que nos  autos  constam duas declarações,  uma de  interesse de ARMANDO, onde  JOSÉ WILLIAM e  JOÃO GONÇALVES dizem que adquiriram a posse e o domínio útil do imóvel em 1992 e que  foi  aceita pela Autoridade Fiscal;  outra de  interesse dele,  JOSÉ WILLIAM, onde  seu  irmão,  JOÃO GONÇALVES disse que adquiriu sua parte em 1993, passando a ser o único senhor do  imóvel. Questiona por que a primeira foi considerada e a segunda não, para fins de definir o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária.  Destaca  ainda  que  o  fato  de  as  filhas  de  JOÃO  GONÇALVES  terem  sido  outorgadas  como  proprietárias  por  escritura  pública,  em  2006,  comprova que aquele era o real detentor do domínio desde 1993.  PEDE que seja provido seu recurso para que seja excluído da relação tributária.  Posteriormente, com base no estatuto do  idoso, pediu prioridade na  tramitação  de seu recurso.  É o Relatório.  Fl. 111DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.721822/2009­27  Resolução nº  2202­000.711  S2­C2T2  Fl. 112          3  Voto   Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, relator.  Conheço do recurso, já que tempestivo, conforme relatado, e com condições de  admissibilidade.  A  numeração  de  folhas  a  que  me  refiro  a  seguir  é  a  identificada  após  a  digitalização do processo, transformado em arquivo eletrônico (formato .pdf).  É  necessário  resolver  sobre  a  sujeição  passiva,  uma vez  que  não  existe  nestes  autos,  como  já  destacou  a DRJ,  discussão  sobre  o  VTN  arbitrado  (artigo  17  do Decreto  nº  70.235, de 1972).  O  imóvel, até 03 maio de 2006, permanecia registrado publicamente em nome  de Armando Santos de Almeida. Somente nessa data é que se providenciou a Escritura Pública  de  Compra  e  Venda,  onde  Armando  outorgou­o  diretamente  às  quatro  filhas  de  João  Gonçalves, conforme documento de folha 22 e informações que constam destes autos.  Assim, a DITR de 2006,  imposto cujo fato gerador ocorre em 1º de janeiro de  cada  ano,  fora  entregue  em  nome  de  Armando  Santos  de  Almeida  (cópia  na  folha  08  e  seguintes).  Ao  iniciar  o  procedimento  de  ofício  de  revisão  da  declaração,  o  Auditor  Fiscal  intimou Armando Santos de Almeida, que respondeu  ter passado a posse e o domínio a José  William  e  João Gonçalves  desde  1992,  apresentando  a  declaração  de  folha  20,  assinada  por  ambos em 26 de maio de 2009, com registro em Cartório, na mesma data. O Auditor acatou  essa declaração e redirecionou o procedimento fiscal para os dois declarantes, intimando­os.   O  Termo  encaminhado  a  João  Gonçalves,  datado  de  01/06/2009,  consta  da  folha  26.  Entretanto,  a  "consulta  postagem"  na  folha  28  informa  que  o  documento  foi  devolvido ao remetente em 15/06/2009. Não verifico que João Gonçalves tenha sido intimado  deste procedimento fiscal.   O Termo encaminhado a José William, lavrado em 24/08/2009, consta da folha  29 e existe a informação de recebimento em 27/08/2009 na "consulta postagem" da folha 31.  Assim  sendo,  apenas  José William  foi  regularmente  intimado da  exigência de  comprovação  do  valor  da  terra  nua  declarado  e  da  necessidade  de  confirmá­lo  com  a  apresentação de laudo técnico de avaliação.  Também, pelo que verifico nestes autos, somente José William foi intimado da  Notificação de Lançamento, em 08/12/2009, conforme informação na folha 33. Na intimação, é  fato, consta seu nome "e outros", mas a mesma não foi encaminhada também para o endereço  do "outro", em caso.  Dessa  feita,  somente  José  William  veio  aos  autos  para  impugnar  e  recorrer,  apresentando  em  seu  favor,  basicamente,  a  declaração  de  folha  46,  que  contém  as  mesmas  informações daquela anteriormente mencionada, apresentada por Armando Santos de Almeida,  como  se  pode observar.  Tal  declaração  foi  firmada  em 25  de maio  de  2009  e  registrada  em  cartório em 09 de dezembro de 2009, ou seja, após José William ser intimado da Notificação  de Lançamento.  Fl. 112DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.721822/2009­27  Resolução nº  2202­000.711  S2­C2T2  Fl. 113          4  A DRJ  tratou  dessa  aparente  "estranheza  da  ordem  cronológica  dos  fatos",  e  entendeu que "ficou confirmado o condomínio quanto á utilidade e posse do imóvel" (fl. 62/3).  Mas entendo que assiste razão ao contribuinte recorrente quando questiona por  que uma declaração, em favor de Armando Santos de Almeida fora aceita para "caracterizar o  condomínio" e outra, em favor de José William, com o mesmo teor, não foi aceita para excluí­ lo do pólo passivo, mantendo apenas seu irmão João Gonçalves.  No  direito  tributário  toda  dívida  será  solidária  desde  que  alcance  interesse  comum; presume­se a solidariedade, caso a lei silencie. Interesse comum, entretanto, é quando  há mais de uma pessoa ocupando o mesmo pólo de uma relação jurídica. É o que ocorre na co­ propriedade: quando houver mais de um proprietário, haverá interesse comum. Não constituem  "interesse comum", de outro lado, as posições antagônicas em um contrato, por exemplo, entre  vendedor e comprador ou alienante e adquirente.  Aqui,  a declaração de  folha 46, que entendo possuir as mesmas características  daquela de folha 20, não pode ser desconsiderada, afirma que João Gonçalves adquiriu de José  Gonçalves a integralidade do domínio útil e posse dos imóveis rurais que descreve, que são o  objeto desta lide, desde 1993.   Ora, se o primeiro adquiriu do segundo o domínio útil e a posse em 1993, pelos  mesmos motivos declinados pela Autoridade Fiscal na Notificação de Lançamento, não seria  contribuinte do ITR em 2006.  Observo que, de fato, ao ser escriturada a transferência da propriedade, somente  em  maio  de  2006,  foi  feito  diretamente  de  Armando  Santos  de  Almeida  às  filhas  de  João  Gonçalves, em nada, aparentemente, beneficiando­se José William Gonçalves (fl. 17).  Ressalto que o lançamento foi efetuado sobre José William Gonçalves e outro, e  que o artigo 124 do CTN, ao tratar de solidariedade, diz que nesse caso não existe benefício de  ordem e que o Fisco pode exigir a obrigação in totum de qualquer um dos co­obrigados.  Destaco, de outro lado, que a existência dessa declaração entre os irmãos não era  de conhecimento da Autoridade Fiscal ao efetuar a Notificação de Lançamento, sendo a mesma  apresentada somente por ocasião da Impugnação.  Enfim,  não  se  pode  afirmar  que  existe  um  "vício"  no  lançamento,  mas  que  informações  trazidas  pelo  sujeito  passivo,  após  a  formalização  do  mesmo,  indicam  pelo  redirecionamento da exigência para pessoa diversa.  Tal  sujeito  passivo,  entretanto,  não  foi  cientificado  do  Termo  de  Intimação  Fiscal, muito menos da Notificação de Lançamento.  Assim, VOTO pela conversão do julgamento em diligência a fim de que:  a) Seja intimado o sujeito passivo João Gonçalves, CPF: 036.593.308­25 sobre a  declaração de folha 46 (enviar cópia) para, querendo, manifestar­se sobre os termos da mesma.  b) A Unidade preparadora  se manifeste  em  relação ao  resultado da diligência,  elaborando relatório conclusivo.  Fl. 113DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10183.721822/2009­27  Resolução nº  2202­000.711  S2­C2T2  Fl. 114          5  c) Seja intimado o contribuinte José William Gonçalves, CPF: 036.593.488­72,  dos termos desta Resolução e do resultado da diligência para, querendo, manifestar­se no prazo  legal.  Após, retornem os autos a este CARF, para prosseguimento.  Assinado digitalmente  Marcio Henrique Sales Parada  Fl. 114DF CARF MF Impresso em 29/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 22 /09/2016 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 27/09/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA

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