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Numero do processo: 16327.720438/2011-26
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2007
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. ALIENAÇÃO DE ATIVO
A PESSOA LIGADA. VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE
MERCADO. Presume-se distribuição disfarçada de lucros em negócio pelo qual pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado,
bem de seu ativo a pessoa ligada. Provado o valor de mercado por meio de negociações anteriores e recentes da mesma ação, ou em negociações contemporâneas de titulo semelhante, subsiste a exigência se inexiste prova
de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições
estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contraria com
terceiros. DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR POR
OUTRA PESSOA JURÍDICA DO GRUPO. A imputação de pagamento
somente é possível, em julgamento, em face de crédito do mesmo tributo, do mesmo período de apuração, e detido pelo mesmo sujeito passivo.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A
obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
Numero da decisão: 1101-000.868
Decisão: Acordam os membros do colegiado em, por voto de qualidade, NEGAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benicio e Marcelo de Assis Guerra, que davam provimento ao recurso, bem como o Conselheiro José
Ricardo da Silva, que dava provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que
integram o presente julgado.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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ALIENAÇÃO DE ATIVO A PESSOA LIGADA. VALOR NOTORIAMENTE INFERIOR AO DE MERCADO. Presume-se distribuição disfarçada de lucros em negócio pelo qual pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem de seu ativo a pessoa ligada. Provado o valor de mercado por meio de negociações anteriores e recentes da mesma ação, ou em negociações contemporâneas de titulo semelhante, subsiste a exigência se inexiste prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contraria com terceiros. DEDUÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR POR OUTRA PESSOA JURÍDICA DO GRUPO. A imputação de pagamento somente é possível, em julgamento, em face de crédito do mesmo tributo, do mesmo período de apuração, e detido pelo mesmo sujeito passivo. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benicio e Marcelo de Assis Guerra, que davam provimento ao recurso, bem como o Conselheiro José Ricardo da Silva, que dava provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CITI Acórclao n.° 1101-000.868 VALMAR FONSEE A DE ENEZES - Presidente. auto_ -1 EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Fl. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benicio Júnior, Mônica Sionara Schpallir Calijuri e Marcelo de Assis Guerra. 2 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 3 Relatório UNIBANCO CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS E CÂMBIO S/A e ITAU CORRETORA DE VALORES S/A, já qualificadas nos autos, recorrem de decisão proferida pela la Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Sao Paulo-I que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a impugnação interposta contra lançamento formalizado em 14/04/2011, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 139.267.411,45. 0 lançamento decorre da constatação de que empresas controladas por Unibanco — Unido de Bancos Brasileiros S/A figuraram em operação de alienação de ações caracterizadora da presunção legal de distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada (art. 464, inciso I do RIR/99). Isto porque Unibanco Corretora de Valores Mobiliários e Cambio S/A (Unibanco Investshop) alienou a Unicard Banco Múltiplo, em outubro e novembro de 2007, 13.189.918 ações da Bovespa Holding e 9.869.625 ações da BM&F, considerando o valor unitário de R$ 2,23 e R$ 1,42, respectivamente. A justificativa para o negócio seria a melhor administração dos investimentos do conglomerado, mediante concentração das ações na Unicard, porém, contradizendo este objetivo, dentro dos mesmos meses de aquisição, a Unicard alienou as ações auferindo ganho superior em mais de 100 vezes o valor do ganho apurado pelo Unibanco Investshop. A autoridade fiscal concluiu pela inexistência de mercado ativo para os bens negociados, e valendo-se da previsão legal contida no §3 ° do art. 465 do RIR/99, determinou o valor de mercado das ações da Bovespa a partir de negociações contemporâneas de bens semelhantes, apontando leilão de títulos patrimoniais realizado em 29/05/2007 e noticiado na imprensa em 30/05/2007, no qual o valor efetivo de mercado para cada ação, em maio de 2007, era de R$ 10,80, inferior aquele adotado para alienação pela Unicard (R$ 17,00), mas significativamente superior ao considerado na alienação pela Unibanco Investshop (R$ 2,23). Quanto as ações da BM&F, afirmando também inexistir mercado ativo para os bens negociados, a Fiscalização valeu-se de negociações anteriores e recentes do mesmo bem, representadas pelo compromisso firmado em 20/09/2007 entre General Atlantic e a BM&F, para aquisição de 10% das ações dos acionistas da BM&F pelo valor mínimo de R$ 9,98, inferior aquele adotado para alienação pela Unicard (R$ 15,50), mas significativamente superior ao considerado na alienação pela Unibanco Investshop (R$ 1,4205). A autoridade lançadora também demonstrou o beneficio auferido pelo grupo empresarial, na medida em que a Unicard, ao contrário do Unibanco Investshop, detinha prejuízos fiscais e crédito de CSLL a recuperar, redutores dos tributos devidos na alienação por ela realizada. Consignou, por fim, que as autuadas, intimadas a provar que o negócio fbi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria corn terceiros, limitaram-se a dizer que o negócio foi realizado no seu interesse, afirmando que as atividades coincidentes foram agrupadas de forma a maximizar a sinergia, muito embora a pretendida melhoria na administração dos investimentos Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 4 pela Unicard tenha sido impossibilitada pela imediata alienação das ações nos mesmos meses de aquisição. A diferença entre o valor de mercado e o de alienação (R$ 197.516.652,44) prestou-se como base de cálculo do IRPJ, na forma do art. 467, inciso I do RIR/99, bem como da CSLL, a teor do art. 60 da Lei n° 9.532/97. had Corretora de Valores S/A foi incluída no pólo passivo do lançamento tributário com fundamento no art. 207, parágrafo único, inciso II do RIR/99, por ter recebido parcela do patrimônio de Unibanco Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio S/A, em razão de cisão realizada em 14/09/2010. Ressaltou-se o cabimento da multa de oficio contra ela aplicada, na medida em que a empresa pertencia ao mesmo conglomerado econômico do Unibanco Investshop. Em impugnação, as autuadas alegaram que: 1) a alienação das ações em "IPO" pela Unicard foi realizada após a alienação autuada, e não preenche requisito exigido pelo § 3° do art. 465 do RIR 199; 2) as circunstâncias fáticas no momento da venda das ações pela fiscalizada eram diversas das apresentadas na data da venda das ações pela Unicard, pois neste segundo momento a BOVESPA e a BM&F já haviam lançado Prospecto Preliminar com estimativa de preço por ação, passando a existir parâmetros de mercado para a valoração das ações da Bovespa e da BM&F; 3) inexistindo mercado ativo em 01/11/2007, a fiscalização pretende trazer como parâmetro de precificação um contrato celebrado entre terceiros (BM&F e General Atlantic), mas não observa que este contrato somente se tornou público em 28/11/2007; 4) inexistindo mercado ativo para as ações da Bovespa Holding em 02/10/2007, a fiscalização pretende trazer como parâmetro de precificação dados de pregões para leilão dos títulos patrimoniais semelhantes antes da desmutualização, em maio/2007, mas não observa que a ocorrência da desmutualização modificou completamente a situação desses bens perante o mercado; 5) o valor unitário de R$ 2,23, considerado pela impugnante, torna por referência a apuração de 28/08/2007 conforme Oficio Circular 225/2007-DG de 18/09/2007; 6) a jurisprudência define a alienação por valor notoriamente inferior ao de mercado como "situação geral da mútua dependência das transações, efetuadas em grande escala"; 7) a própria Fiscalização reconhece que a causa da distribuição seria irrelevante para a aplicação do inciso I do art. 464 do RIR/99; 8) na medida em que a Unicard efetuou a venda de parte dessas ações por valor muito superior àquele adquirido, o ganho de capital foi por ela reconhecido e tributado, não ocorrendo prejuízo ao erário; 9) os valores de IRPJ e CSLL pagos a maior pela Unicard superam aqueles que estão sendo exigidos da autuada, a evidencar que se a tributação fosse realizada da forma proposta pela fiscalização, o Fisco teria uma perda financeira de R$ 25.886.084,57 de IRPJ e 9.318.990,45 de CSLL; 10) somente com a publicação dos Prospectos Preliminares do IPO as ações passaram a ter uma estimativa de preço, motivando a venda de parte das ações pela Unicard; 11) a concentração das ações na Unicard buscou melhor administração dos investimentos, e sua posterior alienação parcial não prejudica "a prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou ern que a pessoa jurídica contrataria corn terceiros"; 12) não cabe a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio; 13), se mantida a exigência, os valores de IR e CSLL pagos a maior na Unicard devem ser aqui abatidos, por ser empresa pertencente ao mesmo conglomerado empresarial. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos aduzindo que: • Estabelecida a controvérsia em torno do valor de mercado das ações detidas pela fiscalizada, e inexistindo "mercado ativo" para estes títulos ante da Processo n° 16327.720438/2011-26 SI -CIT1 Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 5 Oferta Pública Inicial de Distribuição Secundária de Ações ("Initial Public Offering - IP0') promovida por cada uma das Bolsas, a autoridade lançadora se valeu da possibilidade legal de determinar o valor da operação a partir daquele atribuído a bens semelhantes em transações contemporâneas, quais sejam, operações com títulos patrimoniais das Bolsas detidos pelas corretoras, ainda na condição de membros associados da Bovespa e da BM&F; • Os títulos patrimoniais da associação Bovespa negociados em 29/05/2007, mesmo exercício, mas antes da operação questionada, configuram negociação contemporânea de bem semelhante e prestam-se como paradigma para fixação do preço de mercado das ações negociadas em 02/10/2007; • Inexiste prova de qualquer fato que pudesse ter provado a desvalorização dos títulos patrimoniais da Bovespa e, posteriormente, das correspondentes ações. Ao contrário, havia noticia na imprensa da valorização destes títulos em mais de 500% em menos de 12 (doze) meses. 0 otimismo do mercado com a futura abertura do capital da Bovespa era notório, e a adoção do preço de uma transação de 29/05/2007 mostrou-se até conservadora, por parte do Fisco; • 0 valor de R$ 2,23 por ação ordinária, comunicado pela Bovespa em 18/09/2007, revela mera avaliação patrimonial do titulo mobiliário, e não se confunde com seu valor de mercado; • A presunção legal poderia ser afastada se provado que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que ela contrataria com terceiros, mas a alegação de concentração das ações na Unicard para melhor administração dos investimentos não é suficiente para tanto. Após este procedimento, a alienação das ações gerou um ganho de capital 100 vezes superior ao da fiscalizada na negociação original, e ainda permitiu a utilização de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL pela Unicard, beneficiando o acionista controlador das partes envolvidas, não se vislumbrando qualquer beneficio ao Unibanco Investshop, ou a possibilidade de ele negociar, nestes mesmos termos, com terceiros; • É inverossímil imaginar que a fiscalizada, como instituição interveniente e interessada neste processo de abertura de capital, _Id não tivesse a projeção e a estimativa do valor que as ações poderiam alcançar no mercado, uma vez que se esse procedimento é feito pelas corretoras com os títulos das mais diversas empresas, com a finalidade de orientar seus clientes- investidores, tanto o mais se fosse para atender a interesses próprios; • A determinação do valor de mercado das ações da BM&F foi feita com base em negociações anteriores e recentes do mesmo bem, tomou por referência o compromisso firmado em 20/09/2007, por GA Latin American Investiments, de adquirir 10% das ações da BM&F S/A por R$ 900 milhões incondicionalmente, fato cujo conhecimento a autuada não pode negar, dado que era associada da BM&F e titular de parte daquelas ações; • Os cálculos comparativos da autuada estão equivocados, pois não levam em conta o resultado efetivo que seria por ela auferido se alienasse as ações diretamente ao mercado na IPO, mas sim os valores conservadores adotados 5 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 6 pela Fiscalização, para fins de lançamento. 0 ajuste destes demonstrativos revela que os tributos devidos pela autuada e pela Unicard superaria em R$ 32.256.534,72 o montante informado em suas DIPJ; • A alegada busca de melhor administração dos investimentos do grupo não se confirma ante a alienação subseqüente dos papéis da Bovespa e da BM&F, que poderia ter sido praticada diretamente pela fiscalizada. A intenção do grupo era realizar o ganho propiciado pelos altos preços que o mercado estava disposto a pagar, mas a alienação inicialmente feita pela autuada gerou-lhe um ganho de apenas R$ 4.150.177,31, ao passo que a revenda destes papéis a terceiros ensejou um ganho de R$ 430.087.129,55 à Unicard; • Os juros sobre a multa de oficio não foram exigidos no lançamento, mas, de toda sorte, sua incidência encontra amparo no art. 61 da Lei n° 9.430/96, por ser a referida muita débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Ainda, a utilização da taxa SEL1C para cálculo dos juros de mora está prevista em lei. Cientificada da decisão de primeira instância em 12/09/2011 (fl. 939/940), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 13/10/2011 (fls. 941/952), no qual busca demonstrar que as comparações utilizadas pela Fiscalização para precificar as ações são infundadas. Destaca que inexistia mercado ativo para os títulos negociados, que somente passou a existir depois da IPO promovida por cada uma das Bolsas, tendo adotado para alienação os valores informados no Oficio Circular 225/2007-DG de 18/09/2007 (valor unitário de R$ 2,23 para as ações da Bovespa Holding) e no Protocolo de Cisão da BM&F (R$ 1,42). Menciona que o fato de a Unicard ter alienado as referidas ações em IPO por valor superior ao transacionado com a autuada é insuficiente para demonstrar que o primeiro negócio teria sido realizado por valor notoriamente inferior ao de mercado, pois se trata de alienação posterior, e a comparação prevista no art. 465, §3 ° do RIR/99 deve ser feita com transações conhecidas, e nunca futuras. Ressalta que no momenta da venda das ações pela Unicard, a Bovespa e BM&F já haviam lançado Prospecto Preliminar corn estimativa de prep por ação, estimativa essa que serviu de parâmetro para a posterior precificacdo desses bens. Assim, a alienação posterior destas ações, por valor superior ao de aquisição, é irrelevante para a configuração da alegada distribuição disfarçada de lucros. Ciente desta fragilidade, a Fiscalização teria buscado parâmetro de precificação em contrato celebrado pela BM&F e General Atlantic, sem observar que referido contrato somente se tornou público em 28/11/2007, após a transação ora questionada, e por ocasião da publicação do Prospecto Definitivo de Ofertas de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da BM&F S/A. A autoridade lançadora adotou estas informações mesmo ciente de que a Recorrente não era parte do referido contrato, e a autoridade julgadora endossou este procedimento afirmando que, como associada da BM&F, a recorrente deveria ter ciência deste compromisso, sem contudo provar esta suposição. Reporta-se as conclusões do Acórdão n° 101-95.582, no qual não se admite como parâmetro preço praticado posteriormente por pessoa ligada com bens semelhantes, exigindo que o valor de mercado já exista à época da operação questionada. No mesmo senti seria o Acórdão n° 101-94.930. 6 Processo IV 16327.720438/2011-26 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.868 n. 7 No que tange ao valor de mercado da Bovespa Holding, assevera que a autoridade julgadora adotou dados de pregões para leilão dos títulos patrimoniais semelhantes antes da desmutualização, sem observar que a ocorrência da desmutualização modificou completamente a situação desses bens perante o mercado. Ademais, o leilão referido representou negociação ocorrida em período distinto (maio/2007, e não outubro/2007). Assim, o valor informado pela própria Bovespa Holding, na data da desmutualização, representaria parâmetro válido para precificação das ações alienadas. Ressalta que a norma exige alienação por valor notoriamente inferior ao de mercado, sendo que o Acórdão n° 101-95.582 interpreta que notoriedade significa a situação geral de mútua dependência das transações, efetuadas em grande escala, aspecto não demonstrado pela Fiscalização, a ensejar a desconstituição da exigência. Invoca, também, os requisitos traçados no Acórdão n° 101-96.567, para caracterização da distribuição disfarçada de lucros. Discorda da afirmação fiscal de que a transação buscara apenas propiciar uma economia tributária que favoreceu o controlador das partes envolvidas na negociação, na medida em que as alienações ocorreram em cenários distintos, afetados pela desmutualização da Bovespa e da BM&F. A alienação das ações pela Unicard teria sido motivada pela publicação dos Prospectos Preliminares da IPO, revelando estimativa de preço das ações. Legitima, portanto, a decisão anterior de concentrar as ações da Unicard para melhorar a administração dos investimentos. Por fim, a recorrente questiona a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, por não vislumbrar autorização para tanto no art. 61 da Lei n° 9.430/96, ou mesmo no art. 161, §1° do CTN. Pede, assim, o cancelamento do auto de infração ou, subsidiariamente, que seja abatido da autuação o valor de IR e CSLL pago a maior na Unicard, por ser empresa pertencente ao mesmo conglomerado. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 1010/1035), no qual aponta que as ações alienadas à Unicard haviam sido recebidas há cerca de 30 (trinta) dias da Bovespa e da BM&F, em razão do processo de desmutualização, sendo que a alienação pela Unicard verificou-se em IPO (oferta pública inicial de ações), dias após o recebimento das ações. No entanto, houve uma diferença abissal no valor cobrado pelas mesmas ações da Bovespa e BM&F quando negociadas entre partes ligadas (R$ 2,23 e RS 1,42, respectivamente) e quando ofertadas ao público em geral (RS 23,00 e R$ 17,24, respectivamente). Disse que a Fiscalização laborou com esmero na demonstração da distribuição disfarçada de lucros, e tratando-se de presunção legal, cabe 5. contribuinte demonstrar que o negócio foi realizado em seu estrito interesse e em condições estritamente comutativas (equivalência entre prestações reciprocas), ou que o negócio fora realizado em condições idênticas ás que viriam a serem praticadas com terceiros. Todavia, a contribuinte trouxe apenas alegações que se contradizem com os próprios fatos, ou que não se sustentam após uma análise mais apurada do contexto. A alegada concentração de investimentos para melhor administração é infirmada pelo desfazimento das ações nos dias seguintes à operação. Ainda, falaciosa seria a justificativa de que o processo de desmutualização era muito recente e ainda não se tinha uma Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 8 expectativa do prep dessas ações no mercado, ou mesmo de que somente com a publicação dos prospectos preliminares é que o prego fora finalmente estimado, a justificar a venda pela Unicard. Reportando-se a outros processos administrativos nos quais é também reconhecido que antes da Desmutualização, não havia "mercado ativo de agões", o que só veio a acontecer após outubro e novembro de 2007, com a IPO, assevera que os antigos títulos patrimoniais da Bovespa e da BM&F eram amplamente negociados, e caracterizam-se como negociações de bens semelhantes, exigidas pela lei. Aponta prova existente em outro processo administrativo, acerca do valor de aquisição de um titulo patrimonial da Bovespa em 27/11/2006, e afirma que se alguma divergência havia no momento da desmutualização, esta seria para mais, pois ante a expectativa de abertura das bolsas, a imprensa somente noticiava o aumento de valor dos titulas patrimoniais. Assevera que R$ 2,23 era o valor contábil de cada ação da Bovespa na data da desmutualização, e não o seu valor de mercado. Quanta A operação com a GA Latin American Investments, afirma que a consulta a outros processos sobre a Desmutualização yci em julgamento no CARE) revela que todos os associados das então Associações Civis Bovespa e BM&F tinham prévio conhecimento dos termos pactuados com o GA Latin American Investments, LLC, antes mesmo de qualquer publicação de Prospectos. Reporta-se a Termo de Adesão ao Instrumento Particular de Assunção de Obrigações celebrado no âmbito da Bolsa de Mercadorias & Futuros, nos quais os associados, via de regra, comprometeram-se a ofertar uma quantidade minima de ações em IPO, e assim tinham conhecimento de um valor mínimo de mercado para as ações. Por fim, defende a aplicação dos juros de mora sobre a multa de oficio {') 8 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 9 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A exigência em debate está fundamentada nos seguintes dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99): Art. 464. Presume-se distribuição disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 60, e Decreto-Lei n°2.065, de 1983, art. 20, inciso II): I - aliena, por valor notoriamente inferior ao de mercado, bem do seu ativo a pessoa ligada; [..-] §3° A prova de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, exclui a presunção de distribuição disfarçada de lucros (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 60, § 2°). Art. 465. [...] § 1° Valor de mercado é a importância em dinheiro que o vendedor pode obter mediante negociação do bem no mercado (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 60, 4'). [...] 300 valor dos bens para os quais não haja mercado ativo poderá ser determinado com base ern negociação anteriores e recentes do mesmo bem, ou em negociações contemporâneas de bens semelhantes, entre pessoas não compelidas a comprar ou vender e que tenham conhecimento das circunstâncias que influam de modo relevante na determinação do prego (Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 60, § 6°). § 4° Se o valor do bem não puder ser determinado nos termos dos §§ 2° e 3° e o valor negociado pela pessoa jurídica basear-se em laudo de avaliação de perito ou empresa especializada, caberá a autoridade tributária a prova de que o negócio serviu de instrumento a distribuição disfarçada de lucros (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 60, § 7°). [.-.] Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 62, e Decreto-Lei n°2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e I - nos casos dos incisos I e IV do art. 464, a diferença entre o valor de mercado e o de alienação sera adicionada ao lucro liquido do período de apuração; [-..] Art 468. 0 disposto no artigo anterior aplica-se aos lucros disfarçadamente distribuídos e não prejudica as normas de indedutibilidade estabelecidas neste Decreto. Art. 469. 0 imposto de que trata o art. 467 e a multa correspondente somente poderão ser lançados de oficio após o término do período de apuração do impost 9 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 10 (Decreto-Lei n°1.598, de 1977, art. 62, § 4 0, Decreto-Lei n°2.065, de 1983, art. 20, inciso X, e Lei n° 9.430, de 1996, arts. 1° e 2°). Não há contestação acerca de a operação ter sido realizada entre pessoas ligadas, bem como não há qualquer objeção quanto A descrição da alienação ocorrida entre a autuada e a Unicard. 0 debate cinge-se As comparações utilizadas pela Fiscalização para precificar as ações, mas a contribuinte reconhece que não havia mercado ativo para os títulos época em que negociados. Assim, cabe aferir a validade dos parâmetros adotados pela Fiscalização para concluir que a alienação se deu por valor notoriamente inferior ao de mercado. A autoridade lançadora vale-se da interpretação veiculada no Parecer Normativo COSIT n° 21/82 que conceitua valor "notoriamente" inferior aquele sabido dos que costumam transacionar com os referidos bens, ou constatado através de publicações especializadas, pois, se há controvérsias em torno, cujo deslinde dependa de pesquisas mais aprofundadas, então já não mais será notório. Relativamente às 13.189.918 ações da Bovespa Holding, alienadas à Unicard em 02/10/2007, pelo valor unitário de R$ 2,23, a autoridade lançadora tomou por base negociações contemporâneas de bens semelhantes, reportando-se a leilão de títulos patrimoniais realizado em 29/05/2007, no qual cada titulo foi leiloado e arrematado por R$ 7.640.000,00. Fazendo a correspondência com o número de ações que foi atribuído a cada ação no processo de desmutualização, a autoridade afirmou que o valor efetivo de mercado para cada ação, em maio de 2007, era de R$ 10,80. Diz a recorrente que a ocorrência da desmutualização modificou completamente a situação desses bens perante o mercado, mas sem trazer qualquer evidência de que este processo tenha interrompido a evolução crescente do valor dos títulos patrimoniais e, também, das ações que os substituiriam. Aliás, como bem observa a Procuradoria da Fazenda Nacional, se alguma evidência há de aquele processo ter alterado a situação dos bens perante o mercado, seria em favor do aumento do preço, a confirmar a atuação conservadora da Fiscalização. Por esta razão, também, é inócuo o questionamento acerca do fato de o leilão em referência ter representado negociação ocorrida em período distinto. A lei exige que o paradigma, em caso de bens semelhantes, seja contemporâneo à operação, e a autoridade julgadora de 1 a instância bem explicitou a interpretação que deve ser extraída da determinação legal: A lei determina que, ao se comparar bens semelhantes, deve-se observar transações contemporâneas. Segundo o Novo Dicionário Eletrônico Aurélio versão 6.0.1, o verbete "contemporâneo", quando empregado na categoria gramatical de adjetivo. significa "1.Que é do mesmo tempo, que vive na mesma época (particularmente a época em que vivemos)". Tomando como referência a definição do renomado professor, entendo que as negociações contemporâneas de bens semelhantes são aquelas ocorridas na mesma data ou no mesmo exercício em que se verificou a negociação sob investigação. A diferença em relação ao método de determinação do valor de bens de mesma espécie é que neste, somente é possível comparar operações já passadas, enquanto naquele, é possível comparar tanto transações passadas, como futuras, desde ql relativas ao mesmo período àquela sob exame. 10 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.868 H. 11 Portanto, ao tornar como referência o leilão de títulos patrimoniais da Bovespa ocorrido em 29/05/2007, o autuante utilizou como paradigma para fixação do prep de mercado das ações, em 02/10/2007, um valor extraído de uma negociação contemporânea, envolvendo um bem semelhante. 0 valor de alienação dos títulos patrimoniais da Bovespa indica que as correspondentes ações, caso já existissem em 29/05/2007, teriam um valor unitário correspondente a R$10,80. Embora as Impugnantes aduzam que as circunstâncias do mercado em 29/05/2007 não eram as mesmas de 02/10/2007, não demonstram a ocorrência, neste interstício, de qualquer fato que pudesse ter provocado uma desvalorização dos títulos patrimoniais e, posteriormente, das correspondentes ações. Ao contrário, os meios de comunicação vinham anunciando a valorização que os títulos patrimoniais da antiga Bovespa (associação) estavam experimentando. O jornal Valor Econômico (Jls. 694), ao noticiar a negociação dos títulos patrimoniais ao valor individual de R$7.600.000,00, em 29/05/2007, ou o correspondente a R$10,80 por ação, também lembrou a seus leitores que, em junho do ano anterior, esses títulos haviam sido vendidos por R$1. 450.000,00, ou seja, uma valorização de mais de 500% ern menos de 12 meses. Era notório o otimismo do mercado com a futura abertura do capital da Bovespa, dai porque a disposição de adquirir seus títulos patrimoniais, ante a expectativa de que as respectivas ações sofreriam uma valorização relevante. Portanto, quando a fiscalizada alienou as ações da Bovespa Holding S/A para a Unicard, em 02/10/2007, a expectativa do mercado com a nova companhia continuava crescente, bem como o prego de suas ações, razão pela qual sua fixação a valor de mercado a R$10,80, mostrou-se equilibrada e até conservadora, eis que tomada como referência uma transação de 29/05/2007. de se observar que o valor de R$2,23 por ação ordinária, apurado em 28/08/2007 pela Bovespa e comunicada às corretoras associadas, mediante o Oficio Circular n° 225/2007-DG, de 18/09/2007, foi fixado a partir de urna avaliação patrimonial do titulo mobiliário, ou seja, o quanto dos bens e haveres da companhia caberia a cada ação, depois de deduzidas suas obrigações, o que não se confunde com seu valor de mercado, isto é, o quanto os investidores em geral estariam dispostos a pagar por ela, determinado pela autoridade fiscal ao prego de R$ 10,80. Portanto, o valor informado pela Bovespa Holding, na data da desmutualização, representava, tão só, o valor patrimonial do titulo, e muito dista de seu valor de mercado. Relativamente As 9.869.625 ações da BM&F S/A, alienadas A Unicard em 01/11/2007, pelo valor unitário de R$ 1,4205, a autoridade lançadora tomou por base negociações anteriores e recentes do mesmo bem, representada por contrato celebrado pela BM&F S/A, em 20/09/2007, no qual 10% de suas ações (do total de 901.877.292 ações) foram prometidas em venda a General Atlantic pelo valor mínimo de R$ 900.000.000,00, o que representaria valor efetivo de mercado de R$ 9,98. A autoridade fiscal assim descreve referido contrato: No Prospecto Definitivo de Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações Ordinárias de Emissão da BM&F S.A — "IPO", publicado em 28/11/2007, consta na página 21 do prospecto que: ... "Em 20 de setembro de 2007, celebramos com a General Atlantic contrato para que o GA Private Equity Group adquira ações de nossos acionistas equivalentes a aproximadamente 10% de nosso capital social, II Processo n° 16327.720438/2011-26 SI -CITI Acórdão n.° 1101 -000.868 Fl. 12 pelo preço de aquisição de até R$1 bilhão. Do referido preço de aquisição, R$ 900 milhões foram pagos na data de fechamento da operação de compra, qual seja, 19 de novembro de 2007, e os restantes R$ 100 milhões serão pagos caso a Oferta seja realizada até 31 de dezembro de 2007, e desde que nossa capitalização de mercado agregada seja, em tal data ou em data anterior, igual ou superior a R$ 12 bilhões nos primeiros 5 dias de negociação de nossas ações na BOVESPA. Caso sejam observadas as condições descritas, acima, o prep final a ser pago pela GA Private Equity Group pelas nossas ações set-6 fixo, correspondente a R$ 11,088 por ação". Encontramos as mesmas informações expressas na cópia do contrato. A Fiscalização assevera que tanto o Unibanco Investshop quanto a Unicard sabiam na data da alienação, 01/11/2007, que já existia valor efetivo de mercado de R$ 9,98. Por sua vez, a recorrente limita-se a dizer que o referido contrato somente se tornou público após a transação questionada, e que ela não era parte do referido contrato, aspectos assim abordados na decisão de 1a instância: As Impugnantes alegam que o prego não teria sido fixado de acordo com o critério legal — negociações anteriores e recentes do mesmo bem — por dois motivos: a tratativa com a GA Latin American Investments, LLC somente foi tornada pública em 28/11/2007, ou seja, em data posterior à transação questionada de 1°/I 1/2007, e que, ademais, não sendo a fiscalizada parte no referido contrato, não teria como adivinhar, anteriormente, que esse seria o prego de mercado. Não procede a alegação das Impugnantes. Ocupando o outro polo da relação contratual, estava a BM&F, entidade da qual a fiscalizada era associada. O objeto do contrato era a alienação de 10% das ações da BM&F S/A, que seriam distribuídas aos seus antigos associados da BM&F, por ocasião do processo de desmutualização de 1°/10/2007. Portanto, se a BM&F se comprometera a alienar 10% das ações que estariam em poder de seus associados, é de se concluir que tal transação foi autorizada por estes. Assim, o mercado foi informado dessa transação em 28/11/2007, mas a fiscalizada, na condição de associada da BM&F, já tinha ciência do compromisso firmado, em 20/09/2007, entre a entidade associativa e a GA Latin American Investments, LLC. Ou seja, em 1°/11/2007, quando ocorrida a alienação das ações da BM&F S/A para a Unicard, ao valor unitário de R$1, 4205, a fiscalizada já sabia que, por força do acordo firmado anteriormente, em 20/09/2007, seu valor de mercado era de, no R$9,98. Desta maneira, a alienação das ações da BM&F S/A a Unicard foi feita a um valor notoriamente inferior ao de mercado, devendo ser observado que, tal como ocorrido com as ações da Bovespa Holding S/A, sua fixação a R$9,98 pode até ser considerada conservadora, uma vez que a expectativa do mercado com a nova companhia e con' o prego de suas ações, somente aumentavam a medida que se aproximava sua estreia na Bolsa de Valores. Diz a recorrente que a autoridade julgadora não provou esta suposição. Todavia, como bem observado no excerto acima reproduzido, a BM&F não estava negociando títulos próprios, administrando de forma autônoma seu patrimônio, mas sim oferecendo em venda ações de propriedade de seus associados. Logo, não se trata de mera suposição de que a autuada tivesse conhecimento do contrato realizado em razão da sua condição de sócio/associado, mas sim de um requisito essencial para validade do contrato, que é a BM estar autorizada pelos reais titulares do direito a negociá-los naqueles termos. 12 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 13 Tern razão a recorrente quando diz que o fato de a Unicard ter alienado as referidas ações em "IPO" por valor superior ao transacionado com a autuada é insuficiente para demonstrar que o primeiro negócio teria sido realizado por valor notoriamente inferior ao de mercado. Mas este foi apenas um indicio que mobilizou a Fiscalização a buscar operações contemporâneas ou anteriores que se prestassem validamente como prova de valor de mercado cujo conhecimento não poderia ser negado pelas partes envolvidas. E esta é a exigência legal para afirmar-se que a operação entre partes ligadas deu-se por valor notoriamente inferior ao de mercado. A recorrente reporta-se, ainda, à interpretação de valor notoriamente inferior ao de mercado, contida no Acórdão no 101-95.582, destacando que ali se diz que notoriedade significa a situação geral de mútua dependência das transações, efetuadas em grande escala, aspecto não demonstrado pela Fiscalização. Relevante transcrever por inteiro o parágrafo no qual este tema é tratado no referido acórdão: Em complemento, deve se observar ainda que não se pode falar em valor notoriamente inferior ao de mercado, quando o percentual entre uma operação e outra se situa no patamar de 29%, em período distinto e em condições de negociações não semelhantes, bem como em valor de mercado, eis que inexistindo operações periódicas envolvendo o mesmo bem/direito objeto da presente demanda - cessão de créditos -, não se pode dizer que a operação ora guerreada tenha tipificado uma distribuição disfarçada de lucros, por inexistir um dos principais elementos exigidos na lei, qual seja, o notório valor de mercado, que de acordo com as Leis 4.506/64, art. 72, e 3.470/58, art. 85, 5S. único, significa a situação geral de mútua dependência das transações, efetuadas em grande escala, não se subsumindo, na hipótese, uma única operação realizada com características atípicas conforme é o caso, mormente quando não produzidas provas e operações em torno do bem ou direito alienado que justifique a sua utilização. Tratava-se, ali, de cessão de carteira de créditos de Multiplic Financeira, Crédito, Financiamento e Investimento S/A em favor de Banco Lloyds TSB S/A, que teria se operado por valor inferior a uma operação realizada, posteriormente, entre Banco Lloyds e terceiros. Não há, portanto, qualquer semelhança com as operações aqui realizadas, envolvendo ações da Bovespa e da BM&F, cujo valor de mercado restou perfeitamente aferido a partir das operações indicadas pela Fiscalização, as quais, ademais, foram anteriores à alienação questionada, evidenciando parâmetros seguros e conservadores para a acusação fiscal. A recorrente também transcreve o que seria entendimento firmado no Acórdão n° 101-96.567, nos seguintes termos: Os requisitos básicos para caracterização da distribuição disfarçada de lucros, no caso concreto, são: (i) o valor de mercado e (ii) o preço de venda do bem a pessoa ligada. Necessariamente este tem que ser notoriamente inferior àquele. 0 valor de mercado do bem é o paradigma indispensável para se caracterizar a distribuição disfarçada de lucros. Não existindo prova efetiva do posterior recebimento do titulo negociado por parte da beneficiária e tampouco do valor do mesmo, não há que se falar em distribuição disfarçada de lucros. No documento disponível no sitio do CARF, não é possível identificar de que trecho do acórdão foi extraída esta citação. De fato, houve divergência acerca da relevância da prova efetiva do posterior recebimento do titulo negociado, restando vencido o Conselheiro Relator José Ricardo da Silva, que dava provimento ao recurso, e prevalecendo o entendimento exteriorizado no voto vencedor do Conselheiro Caio Marcos Cândido, que assim o sintetiz . 13 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 14 Em resumo. A recorrente efetuou a alienação a prep) inferior ao de mercado de conjunto de ações de sua titularidade a subsidiária sua, por intermédio de seus diretores que detinham participação indireta em seu capital e que possuíam interesse substancial na pessoa adquirente das ações negociadas (representada pela participação de 100% da recorrente em seu capital). De toda sorte, não se vislumbra que relação poderia ter o referido caso com a discussão presente nestes autos. Destaca a recorrente, em sua defesa, que o valor de mercado do bem é o paradigma indispensável para se caracterizar a distribuição disfarçada de lucros e, como antes expresso, esta prova foi validamente constituída pela Fiscalização. Por fim, a recorrente destaca também o Acórdão n° 101 -94.930, no qual não se admite como parâmetro de valor de mercado, operação realizada posteriormente. Como já se disse, esse não é o caso destes autos. MIL , a ementa do referido acórdão apenas confirma a regularidade da exigência aqui formalizada: RECURSO VOLUNTÁRIO — CSLL — DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS — Para caracterizar a distribuição disfarçada de lucros, a autoridade lançadora deve comprovar, de forma inequívoca, que houve favorecimento para acionista controlador ou empresas coligadas/interligadas com sede no exterior. Os requisitos básicos para caracterização da distribuição disfarçada de lucros, no caso concreto, são: (i) o valor de mercado e (ii) o prego de venda do bem a pessoa ligada. Necessariamente este tem que ser notoriamente inferior aquele. O valor de mercado do bem é o paradigma indispensável para se caracterizar a distribuição disfarçada de lucros. Existindo negociação anterior a data do negócio realizado coin pessoa ligada, cujo valor daquela transação é inferior àquela realizada com pessoa ligada, não há que se falar em distribuição disfarçada de lucros. 0 valor de mercado está provado, assim como o prego de venda do bem a pessoa ligada mostra-se significativamente inferior a ele. De outro lado, não foi demonstrada qualquer negociação anterior a data do negócio realizado com pessoa ligada, cujo valor daquela transação é inferior aquela realizada com pessoa ligada, até porque, provavelmente, qualquer operação entre a data do paradigma e da alienação questionada apenas comprovaria a posição conservadora adotada pela Fiscalização, frente ao crescente valor dos títulos negociados. No mais, o empenho da recorrente em demonstrar que a alienação das ações pela Unicard tomou por referência parâmetros de mercado mostra-se irrelevante para desconstituir a presunção legal que autoriza o lançamento aqui efetuado. Os indícios fixados em lei para estabelecer a presunção legal de distribuição disfarçada de lucros foram validamente constituídos pela Fiscalização, de modo que somente restaria à autuada provar que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Todavia, a autoridade julgadora de l a instância demonstrou a imprestabilidade da defesa apresentada pela contribuinte neste sentido: A alegação de que o negócio foi realizado com a finalidade de concentrar as ações na Unicard para melhorar a administração dos investimentos não é suficiente para provar que o negócio foi realizado em bases comutativas. Ao contrário, o que se verifica é um quadro em que negociação apenas conferiu vantagens para a adquirente das ações e para o controlador de ambas as partes envolvidas a 14 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-C1T1 Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 15 negociação, o Unibanco-Unido de Bancos Brasileiros S/A, CNPJ 33.700.394/0001- 40. Coin efeito, poucos dias depois de adquirir as ações do Unibanco Investshop, Unicard as alienou por ocasião da "IPO" da nova companhia Bovespa Holding S/A, obtendo um ganho de capital superior a 100 vezes ao da fiscalizada na negociação original. A Unicard, evidentemente, obteve um resultado relevante, advindo do impacto provocado pelo ganho obtido com a subsequente alienação das ações da Bovespa. Já o controlador Unibanco obteve unia economia tributária com a operação realizada entre as controladas, uma vez que o ganho da Unicard foi parcialmente compensado com seus prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL, o que não seria verificado se o ganho tivesse sido auferido pela fiscalizada, na medida em que não possuía saldos de resultados fiscais negativos passíveis de compensação. Assim, além da Unicard, outro beneficiário dessa negociação foi o acionista controlador das partes envolvidas, uma vez que seus resultados foram maximizados, mediante a transferência dos lucros potenciais da fiscalizada para a Unicard que, por sua vez, estaria sujeita a uma tributação mais branda, em face da possibilidade de compensar bases de cálculo negativas acumuladas do IRPJ e da CSLL. Por sua vez, não se constata de que maneira os interesses do Unibanco Investshop teriam sido atendidos, uma vez que os autos não demonstram sua participação nessa portentosa renda. Percebe-se que a fiscalizada declinou da possibilidade de ter alienado, tal como fez a Unicard, as ações da Bovespa Holding S/A a terceiros e, consequentemente, de ter reconhecido em seu resultado esse ganho. Assim, não há comutatividade nessa negociação, uma vez que somente auferiram vantagens a Unicard e o acionista controlador que, mediante equalização do lucro entre suas controladas, conseguiu diminuir a carga tributária total. Menos ainda se pode alegar que a negociação travada entre a fiscalizada e a Unicard seria a mesma que se faria com terceiros. Conforme visto, a expectativa do mercado com a abertura do capital da Bovespa era grande e já haviam ocorrido negociações anteriores que já indicavam que o prego de mercado da ação não ficaria limitado ao seu valor patrimonial de R$2,23. Ademais, é inverossímil imaginar que a fiscalizada, como instituição interveniente e interessada neste processo de abertura de capital, já não tivesse a projeção e a estimativa do valor que as ações poderiam alcançar no mercado, uma vez que se esse procedimento é feito pelas corretoras com os títulos das mais diversas empresas, com a finalidade de orientar seus clientes-investidores, tanto o mais se fosse para atender a interesses próprios. Ou seja, não é factível que a fiscalizada teria alienado a terceiros as ações da Bovespa a R$2,23, em 02/10/2007, sem saber que o prego de mercado seria algo próximo a R$23,00, marca atingida poucos dias depois, por ocasião da respectiva "IPO". Portanto, a negociação das ações da Bovespa Holding S/A somente atendeu aos interesses da Unicard e do controlador dessa e da fiscalizada, não restando afastada a presunção legal de DDL. 0 mesmo se diga relativamente às ações da BM&F, no qual idêntica disparidade entre o valor das operações se verifica em curto espaço de tempo. E a autorida julgadora ainda acrescenta: 15 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CIT1 Acórdão rt.' 1101-000.868 Fl. 16 No caso em debate, as Impugn antes afirmam que a alienação dos papéis da fiscalizada para a Unicard buscou melhorar a administração dos investimentos do grupo. Todavia, poucos dias depois em que os papéis da Bovespa e da BM&F foram alienados à Unicard, estes foram revendidos ao mercado. Assim, se as Impugnantes pretendem dor à expressão "melhor administração" como possibilidade de se alienar as ações para terceiros, essa circunstância não está caracterizada, pois é uma operação que poderia ter sido praticada diretamente pela fiscalizada e que não exigiria a prévia alienação para a Unicard. Os acontecimentos indicam que o grupo não tinha intenção de manter em sua carteira esses papéis, mas realizar uni ganho propiciado pelos altos pregos que o mercado estava disposto pagar por essas ações. Por sua vez, a alienação das ações das bolsas para a Unicard foi realizada por valor notoriamente inferior o de mercado, obtendo o Unibanco Investshop um ganho de R$4.150.177,31, ao passo (me aquela, ao revender esses mesmos papéis a terceiros, poucos dias depois, obteve um ganho de R3430. 087.129,55, ou seja, mais de cem vezes superior ao obtido pela fiscalizada. Portanto, ausente a comutatividade da negociação entre a Unicard e a fiscalizada ou que ela seria a mesma se efetuada com terceiros, não resta caracterizada a hipótese de exclusão da presunção de DDL. A alienação das ações pela Unicard possivelmente foi motivada pela publicação dos Prospectos Preliminares da IPO, como alega a recorrente, por confirmar a estimativa de preço das ações. Contudo, restam injustificadas as operações que, diante do cenário validamente demonstrado pela Fiscalização, transferiram as ações negociadas à Unicard por um valor ínfimo. Acrescente-se que a presunção legal aqui utilizada foi criada, justamente, em razão da dificuldade de se afirmar que lucros deixaram de ser tributados na pessoa jurídica, e beneficiaram pessoas ligadas. Não sendo possível, portanto, alcançar a certeza do fato jurídico tributário por prova direta, a lei estabeleceu indícios que, reunidos, permitem a inversão do ônus da prova, impondo à contribuinte a demonstração de que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Logo, não cabe ao Fisco provar que a pessoa jurídica aqui autuada deveria vender as ações pelo valor de mercado verificado em operações contemporâneas. Cabe A. contribuinte demonstrar que praticaria o mesmo valor adotado contabilmente para alienação das ações a terceiros. E, quanta ao pedido subsidiário de que seja abatido da autuação o valor de IR e CSLL pago a maior na Unicard, por ser empresa pertencente ao mesmo conglomerado, deve-se observar que a lei determina a adição ao lucro liquido da diferença entre o valor de mercado e o de alienação, e não cogita de qualquer repercussão em razão da operação posterior que materializou, em outra pessoa jurídica, resultado submetido parcialmente à tributação. Importante recordar que a legislação tributária não prevê a incidência sobre os lucros do conglomerado econômico, mas sim as pessoas jurídicas autônomas que o integram. Logo, a imputação de pagamento, como aventada pela recorrente, somente seria possível em julgamento caso se tratasse de crédito do mesmo tributo, do mesmo período de apuração, e detido pelo mesmo sujeito passivo. Não sendo este o caso, a hipótese pretendida configura-se como compensação, expressamente vedada no art. 74 da Lei n° 9.430/96 e tre 16 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-C1TI Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 17 créditos e débitos de sujeitos passivos diferentes. Eventualmente o reconhecimento dos fatos imputados pela Fiscalização poderia, apenas, permitir à Unicard reconstituir sua apuração, adotando outro valor como custo das ações posteriormente vendidas, e assim determinando créditos decorrentes de tributos recolhidos indevidamente, passíveis de restituição ou de compensação com débitos próprios. De toda sorte, não cabe a este órgão julgador manifestar-se acerca da existência de crédito, na medida em que este reconhecimento depende de procedimento próprio de iniciativa do interessado, a ser apreciado pela autoridade administrativa que o jurisdiciona, nos termos da legislação vigente. Por fim, quanto aos juros de mora incidentes sobre a multa de oficio, os argumentos da recorrente são rejeitados com fundamento nas razões de decidir da I. Conselheira Viviane Vidal Wagner expressas em voto vencedor em julgamento proferido em 11/03/2010 na Câmara Superior de Recursos Fiscais, formalizado no Acórdão n° 9101-00.539: Com a devida vênia, ouso discordar do ilustre relator no tocante a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. De fato, como bem destacado pelo relator, - o crédito tributário, nos termos do art. 139 do CT1V, comporta tanto o tributo quanto a penalidade pecuniária. Eni razão dessa constatação, ao meu ver, outra deve ser a conclusão sobre a incidência dos juros de mora sobre a multa de oficio. Unia interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar a equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de oficio. Contudo, uma noima não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito." Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. t a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendê-los sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. Silo Paulo:Malheiros, 2002, p. 74). Dai, por certo, decorrerá unia conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicaniente contraditória com alguma norma do sistema. 0 art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu - vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimpleniento. Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser Un iform e. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "6 o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado 17 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI -CITI Acórdão n.° 1101-000.868 FL 18 (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." Converte-se em crédito tributário a obrigação principal referente à multa de oficio a partir do lançamento, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN. "Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória § 1 ° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extingue-se juntamente com o credito tributário dela decorrente. A obrigação tributária principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de oficio proporcional. A multa de oficio é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago" (0'). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agrega-se a multa de oficio, tomando-se ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de oficio, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, ao compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto a incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamenie. O parágrafo único do art. 43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no inês de pagamento. 0 art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de - tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3 0 do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR199) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio. Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação especifica serão acrescidos de multa de mora, calculada A. taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n°9.430, de 1996, art. 61). § 1 ° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo 13 - previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, § 1°). § 2° 0 percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei ° 9.430, de 1996, art. 61, § 2°). 18 Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CITI Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 19 § 3° A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de oficio. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de oficio passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da Unido. No mesmo sentido já se manifestou este E. colegiado quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/04-00.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA — MULTA DE OFÍCIO — OBRIGAÇÃO PR1NICIPAL — A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. 0 crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Nesse sentido, ainda, a Sumula Carl n° 5: "Sao devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, busca-se na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a Unido. Para esse fim, a partir de abril de 1995, tem-se a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. A jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, corno se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/0239572-8 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 - SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte Die 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. 1. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão-somente rediscutir as razões do julgado. 2. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaraça o do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em divida ativa independe de procedimento administrativo. 3. É legitima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07).(g.n) No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada con a edição da Súmula CARF n° 4, nos seguintes termos: 19 Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. LCUO, EDELI PEREIRA BESSA — Relatora Processo n° 16327.720438/2011-26 SI-CIT1 Acórdão n.° 1101-000.868 Fl. 20 Súmula CARFn° 4: A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimpléncia, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso do contribuinte e DAR PROVIMENTO ao recurso da Fazenda Nacional para considerar aplicável a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio, devidos a taxa Selic. 20
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Numero do processo: 10380.005831/2007-89
Data da sessão: Tue Jul 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/08/2002
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS.
A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas ás contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, vigente até a edição do Decreto n.º 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigidas até a data da decisão de primeira instância.
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 2301-003.624
Decisão: Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto, do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano González Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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RELEVAÇÃO NO CASO DE AS FALTAS SEREM SANADAS. A multa por descumprimento das obrigações acessórias relativas ás contribuições previdenciárias somente será relevada se o infrator for primário, não tiver incorrido em agravantes e comprovar a correção de todas as faltas até a data da ciência da decisão da autoridade que julgar o auto de infração, artigo 291, § 1º do Regulamento da Previdência Social, vigente até a edição do Decreto n.º 6.032, de 01/02/2007. Nesse período, a multa por descumprimento de obrigação acessória comportava relevação se todas as falhas apontadas pela fiscalização fossem corrigidas até a data da decisão de primeira instância. Recurso de Ofício Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 58 31 /2 00 7- 89 Fl. 1922DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto, do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Adriano González Silvério, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1923DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10380.005831/200789 Acórdão n.º 2301003.624 S2C3T1 Fl. 1.900 3 Relatório Tratase de Recurso de Ofício contra decisão de primeira instância que julgou procedente a impugnação apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº A decisão a quo assim relatou a autuação: Contra o contribuinte, identificado nos autos, foi lavrado um AutodeInfração, em razão de descumprimento ao disposto no art. 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei n° 8.212/91, c/c com o art. 225, caput, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, ou seja, a empresa deixou de declarar na GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, das competências 03/2000 a 08/2002 as remunerações pagas a segurados empregados através do cartão magnético denominado "Flexcard", cujos valores foram obtidos a partir das notas fiscais/faturas de serviços emitidas pela empresa "Incentive House S/A", da contabilidade e em várias folhas de pagamento apresentadas pela autuada, no valor de R$ 1.084.678,97( hum milhão, oitenta e quatro mil, seiscentos e setenta oito reais e noventa e sete centavos). Após tomar ciência pessoal da autuação em 11/10/2006, fls. 1854, a recorrente apresentou impugnação, na qual apresentou argumentos relacionados com a relevação da penalidade. A 5ª Turma da DRJ/Fortaleza, no Acórdão de fls. 1857/1860, julgou o lançamento improcedente, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 06/02/2008, fls. 1864. O Acórdão a quo relevou a multa aplicada por terem as faltas sido sanadas. Em obediência ao art. 34, inciso I do Decreto 70.235/72 c/c Portaria MF 03/3008, foi apresentado recurso de ofício, uma vez que a decisão exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Esta Turma, na Resolução de 30/09/2011, solicitou diligência para que fossem certificadas as GFIPs para concluir se houve realmente o saneamento das faltas. A informação fiscal apresentada concluiu que as faltas foram inteiramente sanadas, fls. 1898. É o relatório. Fl. 1924DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto O Recurso de Ofício atende ao estabelecido no art. 34, inciso I do Decreto 70.235/72 c/c Portaria MF 03/2008, portanto dele tomamos conhecimento. Relevação das multa. Infrações até a 31/01/2007. Possibilidade diante da correção de todas as faltas até a data da decisão de primeira instância Sobre a relevação da multa, a legislação aplicável ao caso determina o seguinte: RPS Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até a decisão da autoridade julgadora competente. § 1º A multa será relevada, mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. Como relatamos, o Acórdão da DRJ já afastou a multa em relação a todas as competências. Em sintonia com as conclusões do Parecer MPS/CJ 3.194/2003, entendemos que, para a relevação da penalidade, a falta deve ser corrigida até a data da decisão de primeira instância, o que, de fato, ocorreu no caso em análise em relação a todas as competências, como asseverou a informação fiscal. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1925DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10380.005831/200789 Acórdão n.º 2301003.624 S2C3T1 Fl. 1.901 5 Fl. 1926DF CARF MF Impresso em 11/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 29/11/2013 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10865.001580/2009-82
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 07 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/05/2008
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL.
O art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-003.367
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário, em vista da declaração de inconstitucionalidade do artigo 22, IV da Lei n.º 8.212/91, por unanimidade em julgamento proferido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, por entender que a referida decisão carece, ainda, do atributo da Coisa Julgada, circunstância que afasta a incidência do preceito inscrito no art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNALFEDERAL. O art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em dar provimento ao recurso voluntário, em vista da declaração de inconstitucionalidade do artigo 22, IV da Lei n.º 8.212/91, por unanimidade em julgamento proferido pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal.RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, por entender que a referida decisão carece, ainda, do atributo da Coisa Julgada, circunstância que afasta a incidência do preceito inscrito no art. 62A do Regimento Interno do CARF. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 15 80 /2 00 9- 82 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e André Luís Mársico Lombardi. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 10865.001580/200982 Acórdão n.º 2302003.367 S2C3T2 Fl. 383 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. Adotase, com destaques nossos, o relatório constante no acórdão do órgão a quo (fls. 366 e seguintes), que bem resume o quanto consta dos autos: (...) Os fatos geradores das contribuições lançadas foram os valores pagos pela empresa pelos serviços que lhe foram prestados por cooperados intermediados por cooperativa de trabalho (Unimed de São João da Boa Vista Cooperativa de Trabalho Médico), no período de 01/2004 a 05/2008. A base de cálculo adotada para a apuração das contribuições devidas correspondeu a 30% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, quando não discriminado o valor dos serviços; quando discriminado 'o valor dos serviços, a base de cálculo adotada correspondeu ao valor dos serviços efetivamente prestados pelos cooperados. (...) O sujeito passivo apresentou impugnação, alegando, em suma, o seguinte: (...) A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve o crédito tributário lançado. A recorrente foi intimada do Acórdão, tendo apresentado o Recurso Voluntário de fls. 377 e seguintes, alegando, em síntese, que: * a legislação previdenciária não pode considerar empresa a administração pública direta; * o que é o Município parte ilegítima na autuação tributária, vez que a jurisprudência fixa que a obrigação previdenciária é da cooperativa de trabalho; * ofensa a princípios constitucionais. É o relatório. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 4 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Contribuição Previdenciária. Cooperativas de Trabalho. Inconstitucionalidade Declarada pelo STF. Analisando os autos, verifico que a única exação cobrada no Auto de Infração referese à contribuição prevista no art. 22, IV da lei 8.212/91, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Ocorre que o aludido dispositivo foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, nos autos do Recurso Extraordinário n° 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Sendo assim, não mais existe base jurídica para a manutenção do lançamento. Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 385DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 16/ 12/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 13005.000619/2007-09
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Nov 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
Correção Monetária. Vedação.
Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-001.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, relator, e Nanci Gama, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro- Presidente e Redator Designado.
EDITADO EM: 12/11/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 Correção Monetária. Vedação. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep não-cumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado.
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VEDAÇÃO. Por expressa determinação legal, os créditos da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativas, apurados quando da aquisição de produtos e serviços que serviram de insumo de produto exportado não estão sujeitos à correção pela taxa Selic. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Luciano Pontes de Maya Gomes, relator, e Nanci Gama, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado. EDITADO EM: 12/11/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 06 19 /2 00 7- 09 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 2 Tratase de recurso voluntário que chega a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em razão da insurgência do contribuinte epigrafado contra o Acórdão n.º 18 10.942, da 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Santa Maria/RS. Antes que nos debrucemos sobre as razões recursais, é conveniente que previamente revisitemos os atos e fases processuais já vencidas, pelo que passamos a reproduzir o relato empreendido pela DRJ por este assim retratálas com fidelidade: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/PASEP Exportação (formulário instituído pela IN SRF n° 563, de 2005) relativo ao segundo trimestre de 2005, totalizando o valor de R$ 248.949,12, conforme documento de fl. 01. Ao pedido de ressarcimento a contribuinte juntou extenso arrazoado (fls.02/15) onde informa ter requerido ressarcimento de créditos em espécie, sendo atendida. No entanto, o montante solicitado lhe foi creditado pelo valor original, entendendo que o mesmo seria passível de atualização monetária. À fl. 05, tratando do objeto do presente processo, diz que há o locupletamento na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. Junto ao seu arrazoado a empresa apresentou os documentos de fls. 17/47. O Órgão de origem anexou os extratos de fls. 48/49, tendo emitido o Parecer DRF/SCS/Saort n° 021109, de 12/02/2009 (fls. 50/57), constando, também, na fl. 58, o Despacho Decisório DRF/SCS n° 101/09, daquela data, onde o Sr. Delegado Substituto da Receita Federal do Brasil em Santa Cruz do Sul (RS), considerando a solução proposta no Parecer, resolveu não reconhecer o direito creditório pleiteado pela interessada e indeferir o pedido de correção pela SELIC do valor correspondente ao ressarcimento do PIS/PASEP nãocumulativo exportação alcançado no processo n° 13053.000259/200508. Determinou fosse o sujeito passivo cientificado da decisão e intimado da possibilidade de apresentação, no prazo legal, de manifestação de inconformidade contra o despacho administrativo proferido. A contribuinte foi cientificada em 25/02/2009 (AR de fl. 60) e, não conformada com o despacho proferido pela autoridade administrativa de origem, apresentou, através de procuradora, em 11/03/2009 – fls. 61/76 – sua manifestação contrária, onde aponta, em síntese, os seguintes argumentos: DOS FATOS • a empresa protocolizou pedido de ressarcimento de crédito de PIS relativo ao 3° trimestre de 2005, o qual foi atendido em momento bem posterior ao de seu protocolo, sem a devida correção monetária, donde a empresa teve seus créditos significativamente reduzidos, em montante equivalente à diferença da correção monetária computada desde a data da constituição até sua liberação; • os valores em questão não são créditos escriturais, mas sim créditos oriundos de incentivos Fl. 138DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000619/200709 Acórdão n.º 3102001.202 S3C1T2 Fl. 138 3 fiscais outorgados à Manifestante, o que lhe dá direito ao ressarcimento. E esse ressarcimento deve corresponder à integralidade do direito pleiteado; • a pessoa jurídica que efetuar exportações sujeitas à modalidade nãocumulativa do PIS e da COFINS, poderá solicitar o ressarcimento de créditos de PIS nos termos das Leis n's 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003; • a demora no ressarcimento dos valores caracteriza um locupletamento duplo: a) em função da corrosão dos valores entre a data do pagamento do PIS pelos contribuintes das operações anteriores, valores que ficam nos cofres públicos até que seja constituído crédito do exportador, o qual se dá trimestralmente; b) aquele que é objeto do presente pedido, que ocorre na medida em que a União Federal deixa de aplicar a devida atualização entre a data da constituição do crédito e a sua efetiva devolução em espécie. • a falta de correção dos créditos de natureza tributária expressa desigualdade de tratamento entre os contribuintes e o Fisco, em desfavor dos primeiros, eis que os débitos daqueles para com a Fazenda Nacional são sempre acrescidos de correção pela taxa SELIC (a partir de 1°/01/1996); • no presente caso, apenas parte do principal já foi ressarcida, restando uma parcela decorrente da não aplicação da correção, tendo a empresa apresentado pedido complementar (correção monetária pela taxa SELIC), o qual foi indeferido pela RFB; • as razões trazidas pela autoridade administrativa no Despacho ora atacado não merecem prosperar. Do DIREITO DA TAXA SELIC como ÍNDICE DE CORREÇÃO MONETÁRIA • a autoridade administrativa afirma que a taxa Selic de juros não pode ser utilizada como índice de atualização monetária, assim como jamais o foi pela União Federal em instante algum, somente se prestando a ser empregada enquanto aquilo que é: uma taxa de juros, sendo uma das razões para o indeferimento do pedido, mas não a única; • tal afirmação não merece prevalecer, haja vista que a partir de 01/01/1996, em virtude da regra insculpida no art. 39, § 4° da Lei n° 9.250, de 1995, a compensação ou restituição/ressarcimento de créditos do contribuinte deve ser corrigida apenas pelos juros da taxa SELIC acumulada mensalmente, calculados a partira da data do pagamento indevido ou a maior, até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% no mês em que estiver sendo efetuada, Fl. 139DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 4 excluindose qualquer indexador, por que a SELIC tem natureza mista; • considerandose que a Administração Pública se encontra vinculada aos preceitos normativos veiculados através de normas legais, em atenção ao princípio da legalidade (se refere à completa submissão da Administração às leis, devendo esta tãosomente obedecêlas, cumprilas, pôlas em prática), deve ela aplicar as disposições da Lei n° 9.250, de 1995, no sentido de aplicar a taxa SELIC sobre os créditos existentes em favor da empresa; • a jurisprudência do STJ é assente quanto à aplicação da taxa SELIC nos ressarcimentos de créditos existentes em favor dos contribuintes. Transcreve ementa de julgado daquela Corte, bem como de decisões do Conselho de Contribuintes, que entende sustentar a sua tese; • existindo lei que determine a utilização da SELIC como índice de correção monetária a partir de 1996, deve a Autoridade Administrativa, em respeito ao princípio da legalidade, dar o devido cumprimento às disposições legais trazidas pela Lei n° 9.250, de 1995. DO DIREITO À CORREÇÃO MONETÁRIA • a correção monetária serve tãosomente para recompor determinado valor corroído pelo tempo, sem, no entanto, representar nenhum acréscimo ao valor principal. Registra posicionamento de doutrinador e discorre acerca de compensação, restituição e ressarcimento, entendendo que o legislador, ao garantir o direito à aplicação da taxa SELIC, objetivou estabelecer um equilíbrio, devolver, indenizar, compensar o contribuinte; • ressalta que a aplicação da sistemática não represente ônus para o devedor, ou vantagem para o credor, pois não retrata acréscimo patrimonial, mas manutenção do valor monetário defasado pelo decurso do tempo; • refere a entendimento adotado pelo Poder Judiciário — se o Fisco cobra os seus créditos acrescidos de SELIC, da mesma forma deve proceder quando a situação é inversa — citando a Súmula 46 do extinto TFR e posicionamento da Corte Superior, registrando parte de Parecer da Advocacia Geral da União e do art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991; • entende que aquele artigo dispõe expressamente sobre o seu caso, dizendo que os créditos relativos ao ressarcimento de PIS nãocumulativo, decorrentes de incentivo fiscal outorgado às exportadoras, e resultantes do pagamento de PIS em produtos exportados, representam direito líquido e certo da empresa; • o ressarcimento de créditos concedidos por lei, sem a devida correção monetária, prejudica em demasia as empresas exportadoras, visto a desvalorização da moeda no período compreendido entre a data da constituição do crédito e a compensação ou o ressarcimento em espécie; Fl. 140DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000619/200709 Acórdão n.º 3102001.202 S3C1T2 Fl. 139 5 • é cristalino que a não aplicação da correção monetária dos créditos ressarcidos, desde a data da sua constituição, implica desnaturação da relação previamente ajustada entre as partes; • pagamento ou ressarcimento sem correção monetária equivale manter o desequilíbrio da prestação e provoca lesão intolerável para o credor, seja ele ente público ou privado. Registra ementas de julgados do Conselho de Contribuintes, ressaltando que nos relatórios daqueles, além da manifestação favorável à correção monetária dos créditos de IPI, percebese a menção ao art. 108 do CTN, que dispõe que na ausência de disposição expressa em lei, a autoridade competente para aplicar a legislação tributária poderá valerse da analogia, ou seja, poderá usar as mesmas regras utilizadas para a restituição de impostos pagos a maior ou indevidamente. Como frisado, o art. 66 da Lei n° 8.383, de 1991, prevê a correção monetária desses valores. Registra entendimentos doutrinário e da CSRF; • entende que no caso em tela se faz necessário o uso da analogia a fim de garantir o direito de ter ressarcido em espécie os crédito de PIS nãocumulativo oriundos de incentivo fiscal, acrescidos da devida correção monetária. DA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC • transcreve parte do art. 39 da Lei n° 9.250, de 1995, cita posicionamento de doutrinador e entende que cumpre à autoridade fiscal aplicar a taxa SELIC sobre os créditos ressarcidos à empresa no período compreendido entre a sua constituição e o ressarcimento, eis que aquela taxa foi o instrumento disponibilizado aos contribuintes credores da União Federal capaz de equiparar os créditos e débitos de natureza tributária, fazendo valer o princípio constitucional da isonomia; • refere à forma de ressarcimento de créditos de PIS decorrentes de incentivos legais, dizendo que não há previsão sancionatória para a demora nos ressarcimentos, levando à conduta protelatória por parte da SRF, em manifesto prejuízo dos contribuintes; • a empresa merece ter seus créditos restituídos de forma real, se fazendo necessária a incidência da taxa SELIC desde a respectiva constituição até o ressarcimento; • a taxa SELIC configura remuneração de valores por força do decurso do tempo, na forma com que instituída, ou seja, outra natureza não se pode atribuir àquela taxa senão a que manifesta conotação de correção monetária, a partir de 1°/01/1996. Registra julgados do Conselho de Contribuintes e do Poder Judiciário; • a empresa pugna pela reforma in totum da decisão combatida, ressaltando que a aplicação de dois pesos e de duas medias provoca insegurança no contribuinte, já que todo e qualquer débito (independente da denominação do mesmo) é exigido pela Fl. 141DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 6 Fazenda Pública com correção monetária, pela taxa SELIC, dos valores já ressarcidos. DO PEDIDO • requer seja julgada procedente a manifestação de inconformidade, reconhecendose o direito ao ressarcimento integral dos valores relativos ao presente processo administrativo, referentes à SELIC, por todos os motivos expostos e comprovados anteriormente; • pede e espera deferimento. Junto à manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou o documento de fl. 96. O Órgão de origem remeteu o processo a esta DRJ (fl. 97). O Órgão de origem remeteu o processo a esta DRJ. Ao enfrentar o tema, a 2ª. Turma da DRJ de Santa Maria/RS entendeu por manter o despacho decisório, rechaçando os argumentos trazidos pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade, pelas razões bem retratadas na ementa do julgado abaixo reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2004 a 30/09/2004. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. VEDAÇÃO LEGAL. De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833, de 2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS objeto de ressarcimento. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas proferidas pelos Órgãos colegiados, bem como as proferidas pelo Poder Judiciário, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. Solicitação Indeferida Finalmente no Recurso Voluntário, que ora é objeto de exame, a empresa epigrafada se indispõe contra o acórdão a quo, pugnando pela sua reforma para que seja admitida a correção monetária, pela Selic, do pedido de ressarcimento em espécie do crédito da contribuição ao PIS. Como motivação, basicamente reitera a Recorrente seus argumentos já trazidos por ocasião da sua manifestação de inconformidade. Os autos então seguiram ao CARF para conhecimento e julgamento da referida manifestação recursal. É o que interessa ao julgamento. Voto Vencido Fl. 142DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000619/200709 Acórdão n.º 3102001.202 S3C1T2 Fl. 140 7 Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes: Presentes os requisitos formais de admissibilidade recursal, passo ao respectivo exame. Consoante bem observou a instância de julgamento a quo, observase que a lide renovada em sede de recurso voluntário, assim como o foi quando da apresentação da manifestação de inconformidade, restringese exclusivamente à questão da atualização monetária, pela taxa Selic, dos créditos objeto de pedidos de ressarcimento acatados pela unidade de origem em seu valor principal histórico. No que tange ao pleito da correção monetária sobre os créditos em questão, informados no pedido de ressarcimento apresentado pela Recorrente, divergimos das conclusões exaradas pela Instância a quo, muito embora reconheçamos não se tratar o caso de pleito de repetição de indébito, para a qual existe expressa previsão legal para a atualização com base na SELIC (art. 66, §3º, da Lei n. 8.383/91), mas de pedido de ressarcimento de créditos presumidos de IPI. Conforme muito bem pontuou a Conselheira Sílvia de Brito Oliveira em voto vencedor sobre o assunto (Acórdão n. 20311.501), as posições contrárias à atualização monetária nos ressarcimentos de créditos de IPI subdividemse entre aqueles que se opõem a qualquer espécie de correção por ausência de disposição legal, e, uma segunda linha, que admitem a correção até 31.12.1995, por analogia ao disposto no art. 66, §3º, da Lei n. 8.383, de 30.12.1991. Segundo esta segunda linha de pensamento, tendo sido introduzida a taxa SELIC pelo §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250, de 26.12.1995 (cuja entrada em vigor se deu em 1º de janeiro de 1996), como índice a ser aplicado aos pedidos de compensações ou restituições, a analogia não poderia mais ser invocada por não representar referido índice mera recomposição do poder aquisitivo da moeda (inflação), já que atingiria fatores bastante superiores à inflação. Deixo de cogitar qualquer espécie de filiação a primeira corrente, pois não admitir a correção monetária sobre os créditos, de qualquer espécie, ainda que em sede de pedido de ressarcimento, atentaria contra o direito à propriedade, constitucionalmente assegurado, resultando, ainda, em enriquecimento sem causa do erário federal. E não se trata aqui em transbordo da competência desta instância administrativa, pois inexiste norma positivada que vede a incidência da correção monetária em tais situações. Existe, sim, uma lacuna no Ordenamento Jurídico que abre espaço à aplicação da analogia, nos termos do art. 108 do CTN em outra ocasião já citado. Diante disto, o mais razoável seria admitir a atualização monetária, vez que tão somente revelaria a preservação do direito de propriedade do contribuinte mediante a manutenção do poder aquisitivo da moeda, aplicando a analogia de que trata o dispositivo acima citado para fazer incidir os índices aplicados aos pedidos/declarações de compensação ou restituição (SELIC), que segundo expõe com propriedade a Julgadora já outrora citada, somente se diferenciam dos pedidos de ressarcimento “no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornariam passíveis de ressarcimento em espécie Fl. 143DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 8 quando não houver possibilidade de se proceder essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco.” (Acórdão n. 20311.501). Ademais, cai por terra qualquer argumentação restritiva que se funde na superioridade da taxa SELIC em relação aos índices oficiais de atualização monetária, constituindose verdadeiros juros moratórios, quando passa a se verificar efetiva mora administrativa a partir do protocolo do pedido de ressarcimento. Por outro lado, enveredar pela não aplicação da analogia mediante a adoção da segunda linha de argumentação acima narrada, seria compactuar com a idéia de que o contribuinte estaria à mercê da boa vontade dos agentes fiscais em homologar seu pedido de ressarcimento, e que, independentemente do tempo decorrido, haveria de ser considerado o valor principal. Aliás, seguindo a linha ora defendida, está a jurisprudência do SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, conforme se colhe de esclarecedora passagem do voto condutor do Min. José Delgado, relator do Recurso Especial n. 611.905 – RS: “Na hipótese vertente, com muito mais razão se aplica esse entendimento, na medida em que a não aplicação de correção monetária sobre os valores devolvidos tardiamente pela Fazenda Pública colocaria o contribuinte ao arbítrio do administrador que somente faria o ressarcimento quando bem lhe conviesse, mantendo os valores em seu poder, só os entregando ao seu titular quando já corroídos pela inflação. Tal fato, como se vê, contraria a própria lógica, pois não pode o Estado negligenciar e ficar imune aos efeitos de sua conduta. (...) A jurisprudência desta Corte é remansosa no sentido de que as regras atinentes à repetição de indébito são extensíveis ao ressarcimento do IPI. Portanto, tanto em um caso quando no outro, cabe a aplicação de correção monetária e a compensação desses valores com débitos vencidos e vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições sob administração da Secretaria da Receita Federal. (...) Como os pedidos foram formulados após 1.01.96, tendo sido realizados quase dois anos depois, não existe óbice para a aplicação da Taxa SELIC como índice de atualização monetária. Entendimento aplicável à repetição de indébito que, conforme dito, estendese à hipótese dos autos.” De uma forma ou de outra, a despeito das motivações do entendimento aqui esposado, filiome a tese da possibilidade da adoção do índice em trato nos ressarcimentos de créditos de IPI em respeito a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria, conforme indicam as ementas abaixo: Ementa: IPI. RESARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Cabe a atualização monetária dos ressarcimentos de créditos de IPI pela aplicação da taxa SELIC, em atendimento ao princípio da isonomia, da eqüidade e da repulsa ao enriquecimento sem causa. Precedentes do Colegiado. Recurso Negado. (Acórdão CSRF/0201.690) Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). RESSARCIMENTO. TAXA SELIC – NORMAS GERAIS Fl. 144DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 13005.000619/200709 Acórdão n.º 3102001.202 S3C1T2 Fl. 141 9 DE DIREITO TRIBUTÁRIO – Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, §4º, da Lei n. 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CRSF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n. 2.138/97 tratado restituição o ressarcimento da mesma maneira, a referida taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. Recurso a que se nega provimento. Afasto igualmente as motivações adotadas pelo acórdão recorrido, no sentido de vedar a correção em razão das normas jurídicas previstas nos artigos 13 e 15 da Lei n.º 10.833/03, pois dirigidos a situações específicas que não se confundem com as dos autos. Sendo assim, reconhecida como já o foi pelas instâncias inferiores a pertinência dos créditos objetos dos pedidos de ressarcimento, entendo pela aplicabilidade da correção monetária a partir da data do protocolo do pedido de ressarcimento perante a Autoridade Fazendária competente, com base na taxa SELIC por analogia ao §4º, do art. 39, da Lei n. 9.250/95, situação que deve ser observada no caso presente. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para darlhe provimento, no sentido de reconhecer a correção monetária, pela Selic, sobre o pedido de ressarcimento dos autos, a partir da data do seu protocolo. Deve, outrossim, observar a autoridade de origem os limites do crédito histórico reconhecido ao contribuinte. Luciano Pontes de Maya Gomes Relator Voto Vencedor Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Peço licença para discordar do judicioso voto do Conselheiro Luciano Pontes de Maya Gomes, pois não vejo como reconhecer a correção monetária do saldo credor remanescente. Para tanto, seria necessário afastar a proibição expressa gizada no art. 13 da Lei nº 10.833, de 2003, onde se lê (original não destacado): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Não vejo, outrossim, como aplicar no presente julgamento a interpretação assentada no REsp nº 1.035.847 / RS, julgado em sede de “Recurso Repetitivo”, disciplinado pelo art. 543C do Código de Processo Civil. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO 10 Com efeito, como é cediço, por força no art. 62A do Regimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais1, este Colegiado deve reproduzir as decisões proferidas pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça. Entretanto, a matéria ali debatida, esclareçase, é a aplicação da correção monetária sobre créditos do IPI, apurados nos termos da Lei nº 9.363, de 1996, diploma que, sabidamente, não previu a incidência da Selic, mas também não proibiu tal incidência. Assim sendo, tratandose de arcabouço jurídico diverso, não vejo como reproduzir as conclusões daquela egrégia corte. Com essas considerações, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 01 de setembro de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 12/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 2/11/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 13807.007507/2003-10
Data da sessão: Fri May 22 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 1999
DCTF. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
Na forma da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, a aplicação da multa mínima pela entrega da DCTF a destempo não está alcançada pelo art. 138 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-000.329
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Marcelo Ribeiro Nogueira
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MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Na forma da jurisprudência deste Conselho de Contribuintes, a aplicação da multa mínima pela entrega da DCTF a destempo não está alcançada pelo art. • 138 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes. M CIA ICWIJANO DAMORIM - Presidente , é Ngicu,c_e, • N * ' ( 1 4 . . k., t i) t . A ,' c',. , • . MARCELO RIBEIR I) NOGUEIRA — Rator LUCIANO LO '0 , ALMEIDA MORAES Redator Designado EDITADO EM: 15 de setembro • I- 009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Trajano Damorim, Ricardo Paulo Rosa, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. 1 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância por entender que o mesmo resume bem os fatos dos autos até aquele momento processual: Em decorrência da entrega intempestiva das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTFs, a contribuinte foi autuada conforme o Auto de Infração (f1 08), com a exigência de Multa Por Atraso na Entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF - 1999, do 1" e 2" trimestres, no montante total de R$ 1.000,00. A fundamentação legal é a seguinte: art. 113, § 3° e 160 da Lei 5.172 de 25/10/1966 (CTN); art. 11 do Decreto-lei 1.968 de 23/11/1982, com a redação dada pelo art. 10 do Decreto-lei 2.065 de 26/10/1983, art. 30 da Lei 9.249 de 26/12/1995; art. I' da instrução Normativa SRF n° 18 de 24/02/2000; art. 7° da Lei 10.426 de 24/04/2002 e art. 5° da Instrução Normativa SRF n° 255 de 11/12/2002. 2.Inconformada, alega a autuada em sua impugnação de fls. 01 a 07, entregue em 18/08/2003, basicamente que: 2.1A empresa está liberada da apresentação da DCTF por se enquadrar no Simples; 2.2As multas aplicadas à empresa não respeitaram os princípios da legalidade e anterioridade; 230 valor elevado das multas tem caráter confiscatório, proibido constitucionalmente; 2.4A cobrança das multas foi feita com aumento progressivo de seus valores, o que não é permitido por lei; 2.5A empresa apresentou espontaneamente a DCTF, e a denúncia espontânea, por lei, exclui a exigência de pagamento de multas. A decisão recorrida julgou o lançamento procedente, mantendo a exigência da multa. O contribuinte, restando inconformado com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário no qual ratifica e reforça os argumentos trazidos em sua peça de impugnação. Os autos foram enviados ao antigo Terceiro Conselho de Contribuintes e fui designado como relator do presente recurso voluntário, na forma regimental. Tendo sido criado o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pela Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, e mantida a competência deste Conselheiro para atuar como relator no julgamento deste processo, na forma da Portaria n° 41, de 15 de fevereiro de 2009, requisitei a inclusâo em pauta para julgamento deste recurso. É o Relatório. 2 Processo n° 13807.007507/2003-10 S3-CIT2 Acórdão n°3102-00.329 Fl. 2 Voto Vencido Conselheiro MARCELO RIBEIRO NOGUEIRA, Relator Conheço do presente recurso por tempestivo e atender aos requisitos legais. O contribuinte alega que merece tratamento diferenciado por ser uma microempresa, o que lhe dispensaria a apresentação da DCTF. Tal fato em nada afeta o presente julgamento, no entender deste relator, posto que a empresa não comprova, nem sequer alega ser optante pela sistemática de tributação do Simples. O presente recurso trata de aplicação de multa mínima por descumprimento de obrigação acessória (apresentação a destempo de DCTF), cujo valor total (apesar de parecer irrisório num primeiro exame e talvez apropriado na maioria dos casos) ultrapassa a receita total declarada pelo contribuinte para o mesmo período apontado para o lançamento efetuado. Minha posiyão original em julgamentos dnteriores neste colegiado foi de aceitar a legalidade da aplicação da multa mínima imposta ao contribuinte que deixa de cumprir sua obrigação acessória no prazo fixado pela lei, contudo com a análise fálica deste caso - e faço a ressalva que somente neste tipo de caso entendo que os argumentos que produzo abaixo serão válidos -, isto não me parece ser legitimo ou mesmo legal, pelos motivos que passo a expor: Os fundamentos do procedimento administrativo encontram-se normatizados através do artigo 2° da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que assim dispõe: Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: 1- atuação conforme a lei e o Direito; II - atendimento a fins de interesse geral, vedada a renúncia total ou parcial de poderes ou competências, salvo autorização em lei,. III - objetividade no atendimento do interesse público, vedada a promoção pessoal de agentes ou autoridades; IV - atuação segundo padrões éticos de probidade, decoro e boa- fé; V - divulgação oficial dos atos administrativos, ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na Constituição; VI - adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público; 3 VII - indicação dos pressupostos de fato e de direito que determinarem a decisão; VIII — observância das formalidades essenciais à garantia dos direitos dos administrados; IX - adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado grau de certeza, segurança e respeito aos direitos dos administrados; X - garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alega çôes finais, à produçà o de provas e à interposiçâo de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; - proibição de cobrança de despesas processuais, ressalvadas as previstas em lei; XII - impulsão, de oficio, do processo administrativo, sem prejuízo da atuação dos interessados; XIII - interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige, vedada aplicação retroativa de nova interpretação. (grifos acrescidos ao original). Por mais que se possa discutir a aplicação de Princípios Jurídicos (Constitucionais ou Infraconstitucionais) na via estreita do procedimento administrativo fiscal, é inegável que a norma acima transcrita é regra de direito no sentido estrito, ou seja, lei — norma jurídica válida e escrita de aplicação geral e impositiva, com eficácia plena e vigência atual, que precisa ser considerada no julgamento de todos os feitos administrativos federais. Logo, sua aplicação é obrigatória a toda a administração pública federal, na esfera do procedimento administrativo (gênero do qual o procedimento administrativo fiscal é espécie) e o eventual conflito desta com outra lei deverá ser resolvido pelas regras de interpretação jurídicas, o que passaremos a examinar. Porém antes, outro ponto importante merece destaque, no presente caso, qual seja a possibilidade de discussão desta matéria sem sua argüição expressa pelo recorrente, ou seja, de oficio por este relator. A obrigatoriedade da observância dos princípios inseridos no caput do artigo 2° da Lei n° 9.784/99 e dos critérios listados no parágrafo único daquele mesmo artigo leva à conclusão que a eventual violação ou conflito entre este comando legal e outra norma jurídica deverá ser conhecido de oficio pelo julgador, quando da apreciação de recurso administrativo por tratar-se de regra aplicável diretamente ao julgador e não somente às partes (ou ao interessado, conforme o caso). A regra é dirigida expressamente ao julgador que deverá observá-la e adotá-la como princípio que norteará sua formação de juízo e como critério objetivo para a composição do conflito, logo, dúvida não há que a matéria deve ser conhecida de oficio por este relator, que assim o faz. Aponto ainda, antes de adentrar ao mérito da questão em análise, que a aplicabilidade da lei n° 9.784/99 ao procedimento administrativo fiscal tem sido encarada como pacífica pela jurisprudência deste Conselho de Contribuintes e que nossa Câmara tem precedentes neste mesmo sentido. 4 Processo n° 13807.007507/2003-10 S3-C IT2 Acórdão n.° 3102-00.329 F1, 3 Minha primeira impressão, quando do exame mais aprofundado desta matéria é que haveria uma clara violação da vedação constitucional do confisco (art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988), que entendo também se aplica às multas fiscais. Neste sentido é a lição do Professor José Souto Maior Borges: 5.1. Poder-se-á, numa análise superficial, 1 pretender que a vedação do tributo com efeito de confisco (CF, art. 150, IV) não se estenderia às multas fiscais porque o CTN, no seu art. 3°, exclui do âmbito conceitual da definição normativa do tributo a sanção do ato ilícito e pois a multa tributária. Assim, a multa, diversamente do tributo, poderia revestir efeito confiscatório. 5.2. Nada mais desarrazoado porém. O direito de propriedade está assegurado no art. 5°, XXII da CF e dele o proprietário somente pode regularmente ser despojado pelo procedimento expropriatório, na forma da lei e por necessidade ou utilidade pública ou interesse social (art. 5°, XXIV). Assim, sendo, está implícito - mas claramente implícito - que a propriedade individual somente pode ser supressa pela desapropriação na forma da lei." (in. Tributos e Direito Fundamentais - relações entre Tributos e Direitos Fundamentais — Ed. Dialética - p. 220) Também o Supremo Tribunal Federal entendeu em diversas ocasiões e com diversas composições que a vedação ao confisco abrange o tributo e a multa fiscal. Como exemplo, cito algumas lições daquele tribunal: Do Ministro Bilac Pinto: "... não apenas os tributos, mas também as penalidades fiscais, quando excessivas ou confiscatórias, estão sujeitas ao mesmo tipo de controle jurisdicional... " (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Recurso Extraordinário n° 80.093, RTJSTF n° 82, p. 814); Do Ministro Xavier de Albuquerque: "Conheço do recurso e lhe dou parcial provimento para julgar procedente o executivo fiscal, salvo quanto à multa moratória que, fixada em nada menos de 100% do imposto devido, assume feição confiscatória." (STF, 2' Turma. Acórdão em Recurso Extraordinário n° 81.550, RTJSTF n° 74, p. 320); Do Ministro Moreira Alves: "... Tem o S. TF. admitido a redução de multa moratória imposta com base em lei, quando assume ela, pelo seu montante desproporcional, feição confiscatória." (STF, 2 Turma. Acórdão em Recurso Extraordinário n°91.707, RTJSTF n° 96, p. 1354); Do Ministro limar Galvão: "O art. 150, IV, da Carta da República veda a utilização de tributo com efeito confiscatório. Ou seja, a atividade fiscal do Estado não pode ser onerosa a ponto de afetar a propriedade do contribuinte, confiscando-a a título de tributação. Tal limitação ao poder de tributar estende-se, também, às multas decorrentes de obrigações tributárias, ainda que não tenham elas natureza de tributo." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 551, RTJSTF n° 138, p. 55-56); E, no ano passado, do Ministro Celso Mello: "É inquestionável, Senhores Ministros, considerando-se a realidade normativa emergente do ordenamento constitucional brasileiro, que nenhum tributo — e, por extensão, nenhuma penalidade pecuniária oriunda do descumprimento de obrigações tributárias principais ou acessórias — poderá revestir-se de 5 efeito confiscatório." (STF, Tribunal Pleno. Acórdão em Medida Cautelar em Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 1.075, RDDT n° 139, p. 209). Contudo, a vedação ao confisco não é reproduzida na legislação infraconstitucional, o que poderia tornar duvidosa sua aplicação ao caso em tela, posto que não é dado ao Conselho de Contribuintes deixar de aplicar norma legal, por considerá-la inconstitucional. Não me parece que seja este o caso, posto que o que deve ser feito, s.m.j., é a aplicação da lei que estipula a penalidade exigida pela autoridade fiscal em consonância com a Constituição Federal aos fatos relativos à presente lide. Trata-se não de negativa de aplicação ou de se considerar inconstitucional a norma legal, mas de, aplicando os limites impostos pela Constituição Federal, afastar a incidência da norma jurídica sobre os fatos específicos da lide, ou seja, trata-se de caso de aplicação direta da norma constitucional, hierarquicamente superior, para afastar a multa no caso específico. Observe-se que não se cuida aqui de afastar a aplicação da lei por inconstitucional, o que somente seria possível nos casos excepcionados pelo parágrafo único do artigo 49 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes. A hipótese é de interpretação conforme a Carta Magna, respeitando o seu teor, mas não adentrando na esfera de análise de constitucionalidade do diploma legal. É possível tal aplicação direta e há precedentes neste Conselho de Contribuintes e mesmo nesta Câmara. A título meramente exemplificativo desta modalidade de entendimento e aplicação, posso citar os seguintes precedentes: ENTIDADES FECHADAS DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR — CSLL — ART. 72, III, DOS ADCT. LEI N° 7.689/88. A máxima efetividade da norma constitucional em lume torna irrelevante a finalidade lucrativa, para a tributação da CSSL nas entidades fechadas de previdência complementar, a não ser que se pretendesse esvaziar, por completo, o conteúdo da Carta Magna, recusando força normativa aos preceitos da Lei Maior. A linha de defesa que reclama a incidência sobre o lucro, sustentado a necessidade de adequar o texto constitucional à Lei n° 7.689/88, denota a inversão do princípio da interpretação conforme, postulando, ao contrário, a compreensão da Constituição em consonância com o sentido predefinido para a norma de escalão inferior. Ademais, a base de cálculo da CSSL, nos termos da Lei n° 7.689/88, é o resultado do exercício. Assim, a obrigatória harmonia entre a norma constitucional e a indigitada lei impõe que se vislumbre o resultado do exercício como gênero, cujas espécies são o lucro e o superávit. (Recurso Voluntário n° 139.335, 3" Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro Alexandre Barbosa Jaguaribe); Neste caso, foi afastada a incidência da norma legal que restringia a incidência tributária à ocorrência de lucro para a cobrança do tributo para se dar interpretação conforme a Constituição Federal, ampliando a incidência do mesmo para alcançar as entidades fechadas de previdência complementar. 6 Processo n° 13807.007507/2003- I O S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00329 Fl. 4 IMUNIDADE CONSTITUCIONAL — SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTO — AUTARQUIA MUNICIPAL — TAXA — APLICABILIDADE — Uma vez comprovado que se trata de entidade autárquica municipal, que presta diretamente, em nome do Poder Público Municipal, com a finalidade essencial pública de tratamento de água e esgotos, enquadra-se na regra constitueional do art. 150, Parágrafo 2" da Constituição Federal, mediante a cobrança de taxa contraprestacional. E, portanto não auferindo lucro, e não apurando faturamento, na acepção técnica de tal termo, não é passível de tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS. Recurso de Oficio nado, Recurso Voluntário provido, (Recurso Voluntário n° 147.747, 8" Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno); A análise desta decisão revela que foi afastada a incidência tributária com base em principio constitucional da imunidade reciproca, não tendo a decisão se imiscuído na análise da constitucionalidade das normas infraconstitucionai.s . que regem a incidência daqueles tributos. PAPEL DE IMPRENSA. IMUNIDADE CONSTITUCIONAL. Material amparado em imunidade constitucional objetiva, na forma do art. 150, VI, letra "h" da Constituição Federal. Mercadoria fora do campo de incidência de tributos. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. (Recurso Voluntário e 125.748, 3° Câmara do 3" Conselho de Contribuintes, rel. Conselheiro João Holanda Costa); IMUNIDADE. Desde que satisfeitas as exigências estabelecidas no artigo 150 da Constituição Federal, as entidades findacionais, instituídas e mantidas pelo Poder Público, estão imunes à incidência do Imposto de Importação e do IPI vinculado, nas importações que realizar. Recurso provido. (Recurso Voluntário n° 115.168, 2° Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, rel. Conselheira Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto); Estes dois últimos exemplos me parecem ser os mais próximos do presente feito, possibilitando uma analogia direta, pois em ambos foi afastada a tributação por incidência direta da norma constitucional restritiva, isto é, houve a aplicação direta da Constituição Federal para afastar a incidência tributária (no caso dos julgados acima, por regras de imunidade, e no presente feito, por vedação ao confisco e proteção ao direito de propriedade). Portanto, por todo o exposto, entendo que é possível afastar no presente caso a incidência da multa pelo atraso na apresentação da DCTF, tendo em vista que a receita auferida pelo contribuinte, no respectivo período de apuração, é menor que o valor total da 7 multa aplicada e por entender que a norma constitucional limita o campo de incidência da multa para afastar sua aplicação aos fatos descritos nestes autos, o que não afeta a análise de constitucionalidade da referida norma. Entretanto, meu convencimento e o fundamento para afastar a multa não estão limitados a esta verificação dos limites constitucionais. Em verdade, há argumentos de cunho infraconstitucional suficientes para afastar a mesma multa, isto com base no disposto no artigo 2° e seu parágrafo único da lei n° 9.784199 acima transciito. O primeiro argumento é a violação do critério de "interpretação da norma administrativa da forma que melhor garanta o atendimento do fim público a que se dirige", •previsto no inciso XIII do referido artigo 2() e que representa o Principio do interesse público, apontado no caput do mesmo artigo. O direito administrativo brasileiro reconhece a existência de dois tipos distintos de interesse público: o primário e o secundário. Na lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello: "Interesse público, ou primário é o pertinente à sociedade como um todo e só ele pode ser validamente objetivado, pois este é o interesse que a lei consagra e entrega à compita do Estado como representante do Corpo Social. Interesse secundário é aquele que atina tão—só ao aparelho estatal enquanto entidade personalizada e que por isso mesmo pode lhe ser referido e nele encarnar-se pelo simples fato de ser pessoa" (In Curso de Direito Administrativo. 5" ed., São Paulo, Malheiros, 1994, p. 46) No presente caso, há um claro conflito entre dois interesses públicos, a saber: o interesse público de garantia do valor social do trabalho e da livre iniciativa, assim como do desenvolvimento nacional e da garantia ao direito de propriedade que estão em conflito com o interesse público de controle fiscal e arrecadação tributária. Ao penalizar o recorrente em valor superior ao da totalidade de suas receitas no período pelo descumprimento de uma obrigação acessória, a administração pública (em razão de ser sua atividade vinculada) está aplicando a lei de forma literal e sem qualquer modulação, o que inviabilizará (ou, ao menos, dificultará consideravelmente) a atividade econômica desenvolvida pelo recorrente, o que, por conseqüência, afetará o interesse público do valor social do trabalho (de fato, para aquele período, o contribuinte terá sido "obrigado a pagar para trabalhar"). Além disso, o interesse público de garantia da propriedade privada está diretamente ligado ao interesse público de manutenção da paz social e da livre iniciativa. Assim a manutenção da exigência da multa, como feita nestes autos, levaria a uma inversão dos valores relativos aos interesses públicos envolvidos, isto porque o interesse público primário (valor social do trabalho, livre iniciativa, direito de propriedade) teria um valor menor que o interesse público secundário (controle fiscal arrecadatório), o que numa sociedade democrática de direito é inadmissível. Observe-se que estamos comparando os fundamentos do estado democrático e as garantias pétreas constitucionais com mero interesse arrecadatório. 8 Processo n° 13807.007507/2003-10 S3-C I T2 Acórdão n.° 3102-00329 Fl. 5 Muito próximo a este conceito, está o do princípio da finalidade, listado como obrigatório pelo caput do artigo 2° da lei 9.784/99 e como critério direcional da atuação administrativa no inciso II do parágrafo único daquele comando legal. O critério de atenção aos fins de interesse geral visa estabelecer que o agente público deva primeiro, e principalmente, considerar, no momento de sua atuação, o bem geral da sociedade a qual serve. Neste sentido, o fiscal autuante agiu certo no meu entender, já que na sua atividade estritamente vinculada à literalidade da lei, não poderia ter deixado de autuar, já que inexiste norma cuja interpretação literal afaste esta exigência (observo que o fiscal até pode aplicar uma interpretação distinta da meramente literal, mas, em regra, como ocorre no presente caso, não está obrigado a tal sofisticação). Contudo, equivocou-se, no meu entender; a decisão de primeira instância, pois o julgador administrativo não está limitado a aplicar a norma legal em sua esfera primeira de significado, mas, ao contrário, está obrigado a interpretar, considerando todas as possibilidades e interpretações aplicáveis à norma e mais que isto, conhecendo estes significados de forma a não confundi-los ou retirar-lhes a força normativa. Assim, quando a norma infraconstitucional determina a aplicação de princípios e critérios, o julgador administrativo deve promover sua aplicação em consonância com o direito pátrio e resolvendo os eventuais conflitos com ás demais normas vigentes. No que se refere ao principio da finalidade, já é clássica a lição do Professor Celso Antônio Bandeira de Mello, neste particular: "Assim, o principio da finalidade impõe que o administrador, ao manejar as competências postas a seu encargo, atue com rigorosa obediência à finalidade de cada qual. Isto é, cumpre- lhe cingir-se não apenas à finalidade própria de todas as leis, que é o interesse público, mas também à finalidade especifica abrigada na lei a que esteja dando execução" (In Curso de Direito Administrativo, 5" ed., São Paulo, Malheiros, 1994, p. 53). Ora, qual é a finalidade da norma que aplica a multa por atraso na entrega da DCTF? Parece-me que há duas: uma é punitiva e a outra preventiva. A finalidade punitiva parece evidente, pois se pretende punir o atrasoU com a aplicação de penalidade pecuniária, contudo, esta punição deve guardar relação razoável entre o dano causado e a pena aplicada. Esta relação será explorada em maior detalhe, quando analisarmos a aplicação do princípio da razoabilidade no caso em discussão. Por outro lado, a finalidade de prevenção ligada à pena aplicada refere-se tem um caráter de manutenção do interesse público secundário, ou seja, visa desestimular a conduta tida como infratora. Esta finalidade, portanto, está limitada, na Parte que nos interessa no presente julgamento, ao interesse público de controle fiscal. Ocorre, contudo, que a materialidade real da atividade exercida pelo recorrente, no que se refere aos controles administrativos fiscais e 9 econômicos, exercidos pelo Ministério da Fazenda é praticamente nenhuma (comparado com os critérios nacionais deste controle, a receita auferida pelo recorrente, está muito abaixo da linha de corte para análise macroeconômica e pode ser considerado, para esse efeito, como análogo à bagatela jurídica). Não é outra a razão para a dispensa de apresentação da DCTF aos contribuintes sujeitos à sistemática de tributação do Simples ou àqueles que não obtiveram receita no ano. Logo, o interesse público neste caso é mínimo, senão inexistente e mesmo que assim não se entenda, a manutenção deste tipo de cobrança leva a um gasto público muito maior que aquele correspondente à própria arrecadação da multa, sendo a manutenção deste procedimento prejudicial, do ponto de vista meramente financeiro, aos cofres públicos. Poder-se-á argumentar ainda que a aplicação da multa tenha caráter educativo, entretanto, quando esta é superior às receitas auferidas no período pelo contribuinte e tornam sua atividade, por conseqüência, inviável, qualquer caráter educativo se anula. Por estes motivos, a manutenção da multa em discussão fere o principio e critério norteador da administração pública da finalidade. , Mas não se encerram ai as razões para afastar a multa aplicada. Devo ainda avaliar esta situação, novamente aplicando o comando legal emanado pelo caput do artigo 2° da 1 lei 9.784/99, quando esta manda aplicar o principio da razoabilidade e estabelece o critério para tanto em seu parágrafo único, inciso VI, como a "adequação entre meios e fins, vedada a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público". O Supremo Tribunal Federal, em diversas oportunidades e de forma reiterada, tem aplicado o Principio Constitucional da Razoabilidade, que está reproduzido na norma infraconstitucional acima mencionada. Mais especificamente, no que se refere à matéria tributária, a Suprema Corte já estabeleceu que a exigência de obrigação tributária (principal ou acessória) não pode acarretar a inviabilidade da continuidade da atividade econômica do contribuinte, neste sentido são as Súmulas 70, 323 e 547 daquele Corte Suprema: Súmula 70 É inadmissível a interdição de estabelecimento como meio coercitivo para cobrança de tributo. Súmula 323 É inadmissível a apreensão de mercadorias como meio coercitivo para pagamento de tributos. Súmula 547 Não é lícito à autoridade proibir que o contribuinte em débito adquira estampilhas, despache mercadorias nas alfândegas e exerça suas atividades profissionais. A situação em exame é análoga àquelas que motivaram o STF a editar as súmulas acima transcritas, pois com a cobrança de valor superior à totalidade das receitas 1 o Processo n° 13807.007507/2003-10 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00329 Fl. 6 auferidas pelo recorrente, num dado período, é certamente o equivalente a impedir sua atividade econômica. Não é razoável, nem justificável de qualquer ponto de vista. Parece resultar evidente na comparação entre infração e penalidade, diante da realidade específica do recorrente, a inadequação desta com relação àquela. Esta análise fática leva à conclusão que a sanção aplicada é muito superior àquela estritamente necessária ao atendimento do interesse público, violando o critério objetivo imposto pelo inciso VI do parágrafo único do artigo 2° da lei n° 9.784/99, apesar de ser a mínima prevista em lei, e, como conseqüência, surge que nenhuma multa deve ser aplicada. E, como corolário de todos os argumentos acima, resta evidenciada a violação do princípio da moralidade administrativa. Ressalvo que não estou a buscar a 40,avaliação da existência ou não do móvel, ou seja, de intenção viciada do agente público (que, em verdade, não parece ser o caso), mas de uma avaliação ' da situação gerada pela autuação fiscal e imposição da multa, avaliada a realidade do contribuinte/infrator. O conceito de moralidade exige o comportamento reto, imaculado e leal com o contribuinte, e mesmo que se considerarmos que todos os argumentos acima nada valem, o que admito somente para argumentar, é certo que "non omne quod licet honestum est" (nem tudo o que é legal é honesto), e, logo, ainda assim, a exigência desta multa, nesta situação fática, é impossível. Por estes motivos, VOTO para conhecer do recurso e dar-lhe provimento integral anulando o auto de infração de aplicação da multa por atraso na entrega da DCTF. , 1C ()J02-01j WLÁ-A,CJ ' M RCELO RIBEIRO NOGUEIRA Voto Vencedor Conselheiro LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES, Redator Designado A recorrente discute a aplicação do instituto da denúncia espontânea para os casos de atraso na entrega de DCTF. Não merece razão a recorrente de aplicação do instituto da denúncia espontânea, já que a decisão proferida está em consonância com a lei e jurisprudência. O simples fato de não entregar a tempo a DCTF já configura infração à legislação tributária, ensejando, de pronto, a aplicação da penalidade cabível. A obrigação acessória relativa à entrega da DCTF decorre de lei, a qual estabelece prazo para sua realização. Salvo a ocorrência de ' caso fortuito ou força maior, não comprovado nos autos, não há que se falar em denúncia espontânea. Ressalte-se que em nenhum momento a I, recorrente se insurge quanto ao atraso, pelo contrário, o confirma. 11 De acordo com os termos do § 40, art. 11 do Decreto-lei 2.065/83, bem como entendimento do Superior Tribunal de Justiça "a multa é devida mesmo no caso de entrega a destempo antes de qualquer procedimento de oficio. Trata-se, portanto, de disposição expressa de ato legal, a qual não pode deixar de ser aplicada, uma vez que é princípio assente na doutrina pátria de que os órgãos administrativos não podem negar aplicação a leis regularmente emanadas do Poder competente, que gozam de presunção natural de constitucionalidade, presunção esta que só pode ser afastada pelo Poder Judiciário". Cite-se, ainda, acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais n° 02- 01.046, sessão de 18/06/01, assim ementado: DCTF — MULTA POR ATRASO NA ENTREGA — ESPONTANEIDADE — INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Recurso Negado. Estando a empresa ativa, conforme resultado da diligência realizada, deveria ter entregue a DCTF no prazo correto. Em não o fazendo, correta a multa aplicada. São pelas razões supra e demais argumentações contidas na decisão a quo, que encampo neste voto, como se aqui e . tivessem transcritas, que nego seguimento ao recurso interposto, prejudicados os demais argu ntos. LUCIANO LOP b D EIDA MORAES 12
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Numero do processo: 10875.003057/2003-86
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/03/1998
COFINS. DECADÊNCIA.
Nos termos do art. 150 § 4 do CTN é de 5 anos, a contar do fato gerador, o prazo que dispõe a Fazenda para cobrar tributos sujeitos a lançamento por homologação.
TAXA SELIC, LEGALIDADE.
Ê cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-00.244
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Designado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vencedor.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: Alexandre Gomes
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10875.003057/2003-86 Recurso n° 138.124 Voluntário Acórdão n° 3302-00.244 — 3' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 16 de novembro de 2009 Matéria COFINS Recorrente CBS COMERCIAL BRASILEIRA DE SUCATAS LTDA. Recorrida DRJ CAMPINAS SP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/1998 COFINS. DECADÊNCIA. Nos termos do art. 150 § 4 do CTN é de 5 anos, a contar do fato gerador, o prazo que dispõe a Fazenda para cobrar tributos sujeitos a lançamento por homologação. TAXA SELIC, LEGALIDADE. Ê cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes (Relator) e Gilenq Gurj Barreto. • esignado o Conselheiro José Antonio Francisco para redigir o voto vent edbr Ate andre Gomes — Relator Por fim, afirma ser ilegal e inconstitucional a aplicação da axa Selic. Em análise prévia das alegações do impugnante, a atttorid preparadora afirma que os débitos objeto do preset? Jose ruo Francisco — Redator Designado EDITADO EM: 26/01/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjdo Barreto. Relatório O Relatório do Acórdão recorrido assim sintetiza o presente processo: Trata o presente processo do Auto de Infração relativo a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, lavrado em 14/06/2003 e cientificado ao contribuinte, por via postal, em 11/07/2003, formalizando crédito Tributário no valor total de R$34.040,50, com os acréscimos legais cabíveis até a data da lavratura, em virtude da não localização do pagamento vinculado ao débito declarado no período de marco de 1998. Inconformado com a exigência fiscal, o contribuinte, por intermédio de seu procurador, protocolizou a impugnação cle fts. 1/13, em 12/08/2003, juntando os documentos de fls. 14/32 e apresentando, em síntese e fundamentalmente, as seguintes razões de/ato e de direito em sua defesa: Afirma que o auto de infração é nulo de pleno direito, uma vez que o Fisco decaiu de seu direito de constituir o crédito tributário relativo ao período de março de 1998, nos termos do art. 150, §4" do CTN. Alega que há nulidade, também, em razão de os débitos terem sido espontaneamente declarados pelo contribuinte em DCTF e DIREI, o que veda a lavratura do auto de infração, a teor do art. I" da Instrução Normativa n" 77, de 1998. No tocante a multa de 75%, afirma que essa penalidade não se aplica ao caso em tela, uma vez que o contribuinte apresentou regularmente as suas declarações (DCTF's), seguindo o procedimento indicado pela SRF, demonstrando cabalmente a sua boa-fé e intenção de não fraudar o Fisco, havendo a impossibilidade financeira de recolher os tributos, o que denota apenas a inadimplência do Defendente. Dessa forma, o máximo exigível nessa situação é a multa de 20% prevista no art. 61, 2°, da Lei n°9.430, de 1996. Cita jurisprudência. Assevera que, nos termos da Instrução Normativa n°43, de 2000, art. 2°, §2", 3" e 4", os débitos exigidos já deveriam estar inclitidos no Refis. 13,) ilegalid e inconstitucionalidade da taxa SELIC. É o relatório. Processo n° 10875.003057/2003-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302 -00.244 Fl. 2 lançamento não estão incluídos do Programa de Recuperação Fiscal — Refis. A DRJ de Campinas, após analisar os argumentos trazidos pelo contribuinte em sua Impugnação, assim decidiu: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 1998 DCTF. REVISÃO INTERNA. PAGAMENTOS NÃO LOCALIZADOS. Infirmada a alegação de parcelamento dos débitos no âmbito do Refis, mantém-se a exigência. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1998 DECADÊNCIA. A modalidade de lançamento por homologação se dá quando o contribuinte apura montante tributável e efetua o pagamento do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Na ausência de pagamento, não há que se falar em homologação, regendo-se a decadência pelos ditames do art. 173 do CTN, com inicio do lapso temporal no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. MULTA DE OFÍCIO. Em face do principio da retroatividade benigna, exonera-se a multa de oficio no lançamento decorrente de pagamento .s' não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n" 135/2003, convertida na Lei n°10.833/2003. JUROS. TAXA SELIC. Nos termos da Lei n.° 9.430, de 1996, os juros serão equivalentes a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para titulas federais, acumulada mensalmente. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário Ciente da decisão supra citada, foi interposto Recurso Voluntário onde em síntese se alega: a) Decadência do direito de lançamento, uma vez que a ciência do lançamento relativo a competência 02/1998 ocorreu somente em 11/07/2003. 3 Voto Vencido Conselheiro Alexandre Gomes, Relator 0 presente Recurso é tempestivo e dele Tomo conhecimento. Conforme tem decidido reiteradamente este Eg. Conselho a decadência e a prescrição são matérias que devem ser reconhecidas de oficio pelo julgador administrativo quando da análise de processos sob sua relatoria. Importante ressaltar que, a despeito do PIS e da COFINS se tratarem de contribuições previdencidrias a muito a sua natureza de tributo já foi reconhecida pela doutrina e pela jurisprudência. E também o que se depreende da leitura do art. 149 da CF, inserido no Capitulo I, denominado Sistema Tributário Nacional, pelo qual se atribuiu competência à Unido para instituição de contribuições sociais, sendo vejamos: "Art. 149. Compete exclusivamente à Unido instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas areas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, ,sç 6", relativamente as contribuições a que alude o dispositivo." Ao determinar a competência da Unido para legislar sobre contribuição previdenciária, espécie do gênero contribuição social, a Constituição registrou expressamente que estas deveriam observar o disposto no art. 146, III, que assim dispõe: "Art. 146. Cabe a lei complementar: III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (-) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributcirios; " Sobre o assunto trazemos os importantes ensinamentos de Hugo de Brito Machado', que afirma: "Pensamos que as contribuições autorizadas pelos artigos 149 e 195 da vigente Constituição na verdade são espécies de tributo, seja porque se enquadram no conceito implícito na Constituição que a .final pode ser considerado um conceito praticamente In As Contribuições no Sistema Tributário Brasileiro, Coordenador Hugo de Brito Machado — São Paulo Dialética/Fortaleza: Instituto Cearense de Estudos Tributários — ICET,2003. p 8. Processo n° 10875.003057/2003-86 S3-C3T2 Ae6rci5o n.° 3302-00.244 Fl. 3 universal de tributo, seja porque correspondem ao conceito consubstanciado no art. 3" do Código Tributário Nacional que a final nada mais é do que uma forma de expressão daquele conceito implícito no Estatuto Bcisico." Assim, possuindo natureza jurídico-tributária as contribuições previdenciarias a que se refere o art. 195 da Constituição estão automaticamente sujeitas às determinações constantes no art. 146 da Constituição Federal, que assegura que somente a Lei Complementar disporá sobre as matérias relativas à decadência e prescrição. Isto significa que, embora a Lei 8.212/91, em seu art. 45 estabeleça prazo de dez anos para a constituição dos seus créditos, esta imposição não pode prevalecer sobre a legislação de caráter complementar, no caso, sobre as determinações do Código Tributário Nacional, que regula inteiramente a matéria em seus arts. 150, 168, 173 e 174. Especificamente sobre este tema colhe -se decisão do Superior Tribunal de Justiça: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AÇÃO DECLARATÕRIA. IMPRESCRITIBILIDADE. INOCORRÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL. PRAZO DECADENCIAL PARA 0 LANÇAMENTO. INCONSTITUCIONA-LIDADE DO ARTIGO 45 DA LEI 8.212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. 1. Não há, em nosso direito, qualquer disposição normativa assegurando a imprescritibilidade da ação declaratória. A doutrina processual clássica é que assentou o entendimento, baseada em que (a) a prescrição tem corno pressuposto necessário a existência de um estado de fato contrário e lesivo ao direito e em que (b) tal pressuposto é inexistente e incompatível com a ação declarató ria, cuja natureza é eminentemente preventiva. Entende-se, assim, que . a ação declaratária (a) não está sujeita a prazo prescricional quando seu objeto for, simplesmente, juizo de certeza sobre a relação jurídica, quando ainda não transgredido o direito; todavia, (b) não há interesse jurídico em obter tutela declara tória quando, ocorrida et desconformidade entre estado de fato e estado de direito, já se encontra prescrita a ação destinada a obter a correspondente tutela reparató ria. 2. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), tem, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe ci lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrigêo e decadência tributárias, compr e dida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos rTs. Conse fientemente s adece de inconstitucionalidade or fiat o artizo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o 311' zo de decadência para o Ian amento das contribui ties so Irais devidas à Previdência Social. c( 5 3. Instauração do incidente de inconstitucionalidade perante a Corte Especial (CF, art. 97; CPC, arts. 480-482; RISTJ, art. 200)." (AgRg no RE.sp 616348/MG; AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2003/0229004-0. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI. PRIMEIRA TURMA. DJU 14.02.2005 p 144. RDDT vol. 115, p 164) Por fim, a respeito da inconstitucionalidade do art. 45 e 46 da Lei 8.212/91, recente decisão do Pleno do E. STF colocou fim a discussão editando inclusive súmula vinculante, que assim restou redigida: SÚMULA 8 - SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5" DO DECRETO-LEI 1‘1" 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Afastada a aplicação dos dispositivos inconstitucionais, buscamos no CTN solução para a questão. Via de regra, o CTN estabelece que o lançamento tributário deve observar o art. 173 do Código Tributário Nacional, que determina: "Art. 173. 0 direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue -se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data ern que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. 0 direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao langamento. ° Referida regra, no entanto, comporta exceções para os casos em que os tributos estão sujeitos ao pagamento através do regime de homologação, como é o caso das contribuições discutidas nestes autos. Nestes casos, aplicável o prazo estabelecido pela redação do art. 150 do Código Tributário, sendo vejamos: "Art. 150. 0 lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem o prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4". Se a lei não fixar prazo ã homologação, será ele (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato ,grerador; expira esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, 2 Resp no 789.443-SC (2005/0173276-6) Relator Ministro Castro Meira. Processo n° 10875.003057 12003-86 S3 -C3T2 AcórcMo n.° 3302 -00.244 El. 4 considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." (grifou-se) Neste sentido é a jurisprudência do E. STJ, como vemos a seguir: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE DESACOMPANHADA DE PAGAMENTO. PRESCRIÇÃO. I. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte desacompanhada do pagamento no vencimento, não se aguarda o decurso do prazo decadencial para o lançamento. A declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do débito, podendo este ser imediatamente inscrito em divida ativa, tornando-se exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte. Precedentes. 2. 0 termo inicial da prescrição, em caso de tributo declarado e não pago, não se inicia da declaração, mas da data estabelecida como vencimento para o pagamento da obrigação tributária declarada. 3. Cuida-se de Impost() de Renda de Pessoa Física-IRPF ano- base 1995, exercício 1996, caso em que apagamento da referida exacdo poderia ser realizado em parcelas até o mês de setembro de 1996. Assim, o prazo prescricional começou a correr em outubro de 1996 e consumou-se em outubro de 2001. Como a execução fiscal foi ajuizada em setembro de 2003, ocorreu a prescrição do tributo executado. 4. Recurso especial provido. 2 Este Conselho de Contribuintes também já decidiu neste sentido: Ementa:PRELIMINAR DE DECADÊNCIA DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR 0 CRÉDITO — Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio, começa fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, independentemente tenha havido pagamento ou não, eis que o que se homologa é a atividade exercida pelo contribuinte e não o pagamento, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. (Número do Recurso:154203 Câmara:PRIMEIRA CAMARA Número do Processo: 10875.005130/2003-54 Tipo do Recurso: VOLUNTÁ RIO. Relator:Valmir Sandri Decisão:Acórdiio 101-96613 Data da 06/03/08.) 7 No presente caso, a Recorrente foi cientificada em 11/07/2003 em função de não ter sido localizado o pagamento relativo a competência 03/1998 conforme declarado em DCTF., estando o lançamento efetuado atingido pela decadência. Por fim em relação a ilegalidade da taxa SELIC, no caso de ser vencido quanto a decadência, entendo por aplicável a Súmula n° 3 deste Eg. Conselho que assim determina: cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para corn a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Sec taria da Receita Federal do Brasil com base n taxa ferenial do Sistema Especial de Liquidação e Cus os federais. reconhecer a decad por dar PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para o de infração. Voto Vencedor Conselheiro Jose Antonio Francisco, Redator Designado Quanto à decadência, dispõe o art. 146, III, da Constituição federal que é matéria a ser disciplinada por norma geral de direito tributário. As nonnas gerais de direito tributário são veiculadas por lei complementar, nos termos do dispositivo citado. Entretanto, segundo o art. 29, I, e parágrafos da Constituição federal, em termos de competência legislativa concorrente, a lei federal deve tratar apenas de normas gerais, sendo ilegais (contrárias às normas gerais), em conseqüência, as leis ordinárias federais, estaduais, distritais e municipais que não estiverem de acordo com aquela. Portanto, embora caiba h. lei complementar disciplinar a questão da decadência, em matéria de direito tributário, o art. 150, § 4°, do CTN permite que, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a lei ordinária fixe prazo diverso daquele Id previsto. Em principio, a regra a ser aplicada a Cofins é a prevista na Lei n. 8.212, 1991, art. 45, que dispõe que o prazo é de dez anos, contados do exercício seguinte àquele e que poderia ter sido efetuado o lançamento. Processo n° 10875.003057 12003-86 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.244 Fl. Não podem as turmas do Carf afastar a aplicação de dispositivo legal, em virtude de inconstitucionalidade, a não ser nos casos previstos no art. 62 do Regimento Interno, anexo II da Portaria MF n° 256, de 2009, que diz o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. 0 disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo.. 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenário definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou - que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante no 8, do seguinte teor: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 50 do Decreto- lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. A Súmula teve origem no julgamento do RE n° 559.882-9, de relatoria do Ministro Gilmar Mendes, que reconheceu as referidas inconstitucionalidades. 0 texto da decisão que tratou da modulação temporal dos efeitos da decisão foi o seguinte (http:// www.stf.gov.br/ portal/ processo/ verProcessoTexto.asp? id- 2393382&tipoApp= RTF): Decisão: 0 Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplica-se tão-somente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos terms do voto do relator. Au justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Ple cirt , 12.06.2008. A decisão, portanto, atribuiu eeio preclusivo aos casos não litigiosos na data da decisão, aplicando-se aos casos em julgament 9 A referida súmula, nos termos da Emenda Constitucional n° 45, de 2004, art. 2", tern efeito vinculante "em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal[...]". Portanto, a Cofins também se aplicam as disposições do CTN, que fixam termo inicial diverso dependendo da existência de pagamentos antecipados. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp 512840 / SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon; DJ 23.05.2005 p. 194): TRIBUTÁRIO - DECADÊNCIA - LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4°E 173 DO CTN). I. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou ha prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido. No caso dos autos, não houve recolhimento dos valores, razão pela qual se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN. Portanto, não ocorreu a decadência. Em relação à Selic, acompanho o Relator. A vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. diancisco • 10
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Numero do processo: 10435.003080/2008-64
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Sep 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/11/2008
CONCOMITÂNCIA DE OBJETOS NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO CONHECIMENTO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Inteligência da súmula nº 1 do CARF.
Numero da decisão: 3803-004.204
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não se conhecer do recurso, por concomitância de processos administrativo e judicial. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Corintho Oliveira Machado, que declinavam a competência de julgamento para a 2ª Seção.
[assinado digitalmente]
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
[assinado digitalmente]
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Matéria: IRF- ação fiscal - outros
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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NÃO CONHECIMENTO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Inteligência da súmula nº 1 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não se conhecer do recurso, por concomitância de processos administrativo e judicial. Vencidos os conselheiros Hélcio Lafetá Reis e Corintho Oliveira Machado, que declinavam a competência de julgamento para a 2ª Seção. [assinado digitalmente] Corintho Oliveira Machado Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 30 80 /2 00 8- 64 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA 2 Relatório Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte referente a IRRF que deixou de ser declarado e recolhido, relativo a fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2005 a 2007, através do qual foi constituído crédito tributário, no valor de R$ 1.218,14, abrangendo imposto, multa e juros. O imposto lançado se refere a IRRF oriundo de declarações de compensação consideradas não declaradas, no bojo do processo administrativo fiscal nº 10435.000143/200316, mediante o Despacho Decisório DRF/CRU 214/2007, no qual o contribuinte pleiteava o reconhecimento de direito creditório oriundo de crédito prêmio de IPI, ao final não deferido, sendo as declarações de compensação consideradas não declaradas ou indevidas, conforme o caso . A DRF/CRU tomou por base o disposto na Lei 9.430/96, art.74, §12, II, "b" e "d", e reconheceu a situação de Declarações de Compensação (DCOMP) não declaradas, remanescendo em aberto o saldo devedor de IRRF, correspondente ao débito fiscal informado em compensação considerada "nãodeclarada", no vencimento 28/02/2007, no valor originário apontado no auto de infração. Além dos juros de mora, aplicados conforme a variação da Taxa SELIC pelo decurso de tempo contado desde a data de vencimento de cada obrigação; foi aplicada multa qualificada de 150% por força do disposto no art.44, I e §1° da Lei 9.430/96, c/a redação dada pela MP 351/07. Consta do referido Despacho Decisório n° 214/2007, quanto a esses débitos remanescentes indicados nas compensações apresentadas, mas, consideradas “não declaradas” por não haverem sido incluídos em DCTF, demandaram constituição do crédito tributário pela via do lançamento, caso do presente processo, acrescido da multa de oficio qualificada (de 150%) partindo da premissa de haver falsidade nas declarações apresentadas pelo sujeito passivo. O lançamento foi cientificado à interessada em 25/11/2008 e contestado tempestivamente. A impugnação do contribuinte, em resumo, alega que: · Não pode prosperar o lançamento da multa de 150% sobre os débitos que pretendia compensar porque esta decisão ainda não transitou em julgado, pois foi objeto de manifestação de inconformidade pendente de julgamento no processo n° 1043 5.000143/2003 16. · Por outro lado, a vedação à compensação antes que haja trânsito em julgado da decisão judicial que a conceder, conforme art. 170A do CTN, não se aplica ao caso em exame, porque o pedido de ressarcimento foi anterior à Lei 11.051/2004. Ademais, a necessidade de aguardar o trânsito em julgado só faz sentido quando o crédito em si, ou seja, o próprio valor monetário está sendo discutido em juízo, havendo que se aguardar simplesmente porque o fisco ainda não saberia o valor do crédito. No presente caso não se discutiu judicialmente o quantum do crédito, apenas o direito a haver um créditoprêmio · O TRF/5a Região reconheceu expressamente nos autos da Apelação Cível n° 88.372PE (processo judicial n° 2003.83.00.0123299) o Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA Processo nº 10435.003080/200864 Acórdão n.º 3803004.204 S3TE03 Fl. 11 3 direito do contribuinte ao créditoprêmio de IPI. Embora tal decisão não tenha ainda transitado em julgado, produziu efeitos imediatos, não estando sujeita a recurso no efeito suspensivo, e, portanto, foram corretas as compensações procedidas sob' condição resolutória de ulterior homologação pela SRF. · Deve ser afastada por completo a aplicação de multa qualificada, assim como as alegações de "evidente intuito de fraude", pois as compensações foram protocoladas com base em decisão judicial favorável. · Ainda que fosse devida a multa, essa jamais poderia ser exigida no percentual de 150%. O Conselho de Contribuintes já decidiu em sentido contrário à aplicação da multa qualificada de 150% apenas por se tratar de créditoprêmio. Ao final requer, preliminarmente, que sejam reunidos ao processo original todos os processos relativos aos lançamentos das multas decorrentes daquela decisão parcial contrária à homologação havida no âmbito do processo (original) n° 10435.000143/200316, em relação ao qual o contribuinte apresentou recurso voluntário, para serem todos decididos simultaneamente, nos termos previstos no §3° do art.18 da Lei n° 10.833/2003 Por fim, demonstrado que a defendente estava amparada por decisão judicial que autorizava a compensação, requer que seja julgada improcedente a ação fiscal. Sucessivamente, caso assim não entenda a DRJ, requer a exclusão da multa, eis que a interessada agiu amparada por decisão judicial, bem como a suspensão do processo até o que seja julgado o recurso interposto contra o Despacho Decisório 214/2007, bem como até que se dê o trânsito em julgado do acórdão proferido com relação ao processo judicial n° 2003.83.00.0123299 (Mandado de Segurança), o qual reconheceu o direito à compensação. A DRJ/REC julgou procedente parte do lançamento, desqualificando a multa de oficio reduzindoa para o percentual de 75%, em acórdão ementado como se segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA COMPENSAÇÃO CONSIDERADA NÃO DECLARADA. CONSTITUIÇÃO DO CREDITO TRIBUTÁRIO MEDIANTE LANÇAMENTO. Não há impedimento legal a que a autoridade fiscal na origem envide os preparativos cabíveis para a continuidade da cobrança dos débitos que remanesceram em aberto, havendo mesmo que cuidar de evitar a decadência. Justificase a lavratura de autos de infração para constituição imediata dos créditos correspondentes aos débitos identificados naquelas DCOMP consideradas não declaradas, os quais a ora impugnante pretendia compensar. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DOS DÉBITOS REMANESCENTES. Após a inconformidade formalizada tempestivamente contra a decisão exarada no Despacho Decisório DRF/CRU 21412007, Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA 4 dando início ao processo administrativo fiscal, segundo o rito do Decreto 70.235/72, os débitos remanescentes encontramse com suas exigibilidades suspensas por força de lei. Quanto ao mérito do crédito prêmio, conforme restou acentuado no voto condutor do acórdão proferido por esta Turma com relação ao processo matriz (n° 10435.000143/200316), a Administração Tributária deverá respeitar o que ficar decidido, com trânsito em julgado, na instância judicial. NÃO COMPROVADA A ACUSAÇÃO DE FRAUDE. INCABÍVEL A QUALIFICAÇÃO DA MULTA. No caso concreto é inconcebível admitir como se fraudes fossem as compensações formuladas, embora consideradas não declaradas pela autoridade fiscal, mormente quando estejam pendentes de decisão final administrativa e/ou decisão judicial transitada em julgado. O contrário seria militar contra garantias essenciais asseguradas constitucionalmente aos contribuintes administrados. É improcedente a qualificação da multa lançada. REUNIÃO DOS PROCESSOS REFLEXOS. SEGURANÇA JURÍDICA. Ressalvada a exceção vislumbrada, à primeira vista, pela administração da DRJ/REC que, em face das regras de competência a que se submetem as DRJ' S, decidiu, antes deste julgamento, enviar à DRJ/FOR o volume do processo relativo ao lançamento que constitui o crédito tributário correspondente ao imposto de exportação remanescente e aplica a correspondente multa qualificada pela suposta fraude (processo n° 10435.003441/200872); nos demais casos, tanto os processos relativos aos lançamentos que decorreram da decisão que considerou não declaradas as compensações, quanto os que resultaram em lançamentos relativos aos débitos listados nas declarações de compensação consideradas indevidas, todos foram distribuídos ao mesmo relator nesta DRJ/REC, todos os volumes contendo as peças de autuação e as de impugnação referentes aos demais lançamentos dos diversos débitos que remanesceram com as respectivas multas qualificadas por decorrência da acusação de suposta fraude. Houve, na prática, saneamento do procedimento pelo envio a julgamento, nesta primeira instancia, do conjunto de processos decorrentes do processo matriz d 10435.000143/200316, a fim de suprir o comando legal de reunilos nos mesmos autos. Por economia processual, a título de se alinhar com a finalidade essencial da norma que comanda a reunião dos processos, procedeuse ao envio conjunto para julgamento. Na eventualidade de haver recurso voluntário, recomendase o mesmo cuidado, devendose incluir no conjunto, dessa vez, também o processo reflexo d 10435.003441/200872. Lançamento Procedente em Parte. Inconformado o sujeito passivo protocolou recurso voluntario onde resumidamente alega que o lançamento levado a efeito contra a recorrente não pode prosperar, porquanto o malsinado Despacho Decisório n° 214, proferido no processo administrativo n° 10435.0001431200316 ainda não transitou em julgado. Aduz que a recorrente está amparada por decisão judicial que motivou seu procedimento e justificou suas razões de inconformidade, Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA Processo nº 10435.003080/200864 Acórdão n.º 3803004.204 S3TE03 Fl. 12 5 e que não há o que falar em vedação à compensação anteriormente ao trânsito em julgado da decisão judicial que a conceder, das compensações anteriores à Lei n° 11.051/2004. Ao final Requer que seja julgada improcedente a ação fiscal, sucessivamente requer reconhecimento da inexigibilidade dos créditos tributários até o transito em julgado da questão. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira O recurso é tempestivo, porém, dele não tomo conhecimento. Em relação à concomitância de processos judiciais e administrativos, aplicase a Súmula Carf n. 1, nos termos da Portaria Carf n. 106, de 21 de dezembro de 2009: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Em consulta aos autos verificase que o mesmo objeto deste processo administrativo é o do Processo n° 2003.83.00.012329 –9 ajuizado no TRF 5a Região. Dessa forma, em relação ao direito de crédito, como a Interessada buscou tutela judicial, a matéria não pode ser decidida administrativamente. As compensação de débitos fiscais, mediante a entrega de declaração de compensação (Dcomp) utilizandose de créditos financeiros em discussão na esfera judicial, está condicionada ao determinado na respectiva decisão judicial. Como relatado pelo contribuinte, em sede de decisão da Apelação Cível n° 88.372 PE, deuse provimento em parte ao recurso reconhecendo o direito ao CréditoPrêmio do IPI. Posteriormente, ao exercer juízo de admissibilidade de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, em face do acórdão proferido às fls. 250/251 pela egrégia 3ª Turma do TRF 5a Região, verificouse que a questão foi superada com o julgamento do STF, sob o rito do art. 543B, §3º, do Código de Processo Civil, sobre a extinção do créditoprêmio de IPI (RE nº 577.348RS, Rel. Min. Ricardo Lewandowski), e que o processo deveria se adequar ao novo entendimento. Em 22/03/2010 foi publicada decisão de resposta a apelação em mandato de segurança impetrada pelo contribuinte e relatado pelo Des. Fed. Maximiliano Cavalcanti, ementada com se segue: Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA 6 TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITOPRÊMIO. DECRETOLEI Nº 491/69 (ART. 1º). ART. 1º, DO DECRETOLEI 1.724/79. EXTINÇÃO DO FAVOR LEGAL EM OUTUBRO DE 1990. ART. 41, § 1º, DO ADCT. REPERCUSSÃO GERAL. 1. O colendo Supremo Tribunal Federal – STF (Plenário) decidiu, em sede de Repercussão Geral, que o incentivo fiscal à exportação, o dito créditoprêmio de IPI, disciplinado pelo art. 1º, do DecretoLei 491/69, fora extinto em 4 de outubro de 1990. Julgamento dos Recursos Extraordinários nos 577348/RS e 561485/RS, noticiado no Informativo nº 555, da Suprema Corte. 2. Novo julgamento com o fim de ajustar o acórdão recorrido à decisão do colendo STF, nos termos do art. 543B, §3º, do Código de Processo Civil, c/c o art. 223, §2º, do Regimento Interno deste Tribunal. Apelação improvida. A adequação ao entendimento do STF se fez e o processo teve seu transito em julgado, portanto está consolidado que o contribuinte não possui direito ao crédito prêmio de IPI. Ante ao exposto não conheço do recurso voluntario interposto. É como voto. João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 04/ 09/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 26/08/2013 por JOAO ALFREDO EDUAO FE RREIRA
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Numero do processo: 10875.908189/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.390
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para sobrestá-lo até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62-A do Regimento Interno do CARF.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2009; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 79 1 78 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10875.908189/200991 Recurso nº Resolução nº 3401000.390 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 15 de fevereiro de 2012 Assunto Sobrestamento até decisão do STF. RICARF, art. 62A, § 2º. Recorrente SUPERMERCADOS IRMÃOS LOPES LTDA Recorrida DRJ PORTO ALEGRERS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para sobrestálo até decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria sob repercussão geral, em razão do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Júlio César Alves Ramos – Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em Declaração de Compensação (DCOMP) cujo crédito tem origem, segundo a Recorrente, na exclusão do ICMS da base de cálculo das Contribuições PIS e Cofins. Indeferida a pretensão por meio de despacho decisório eletrônico, a contribuinte alegou o seguinte na Manifestação de Inconformidade, conforme o relatório da DRJ que reproduzo: A ilegalidade/inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins. 0 conceito constitucional de faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, que consiste apenas no produto da venda de mercadorias e/ou serviços. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10875.908189/200991 Resolução n.º 3401000.390 S3C4T1 Fl. 80 2 0 valor do ICMS não constitui receita dessas modalidades, mas sim receita dos estados, caracterizandose, pois, como imposto indireto que apenas transita por seu patrimônio. Considerar que tal imposto integra a base de cálculo daquelas contribuições é alterar o conceito de faturamento definido pelo Direito Privado, ofendendose, pois, o art. 110 do Código Tributário Nacional.Também a Emenda Constitucional n° 20, de 15 de dezembro de 2008, não pode dar suporte à tal inclusão, pois, por um lado, como dito, o ICMS não compõe o conceito de faturamento, e, por outro, ela não pode validar ato legal editado anteriormente à sua vigência; • A própria Administração Pública reconhece que o valor recolhido a titulo de ICMS não integra o faturamento. Sempre que qualquer contribuinte ajuizar ação objetivando repetição de indébito daquele imposto, a Fazenda Pública Estadual competente invocará em sua defesa a aplicação do art. 166 do Código Tributário Nacional, sustentando que o pedido do contribuinte não pode ser acolhido em razão de ele atuar apenas como intermediário da arrecadação do ICMS, pois o imposto seria pago efetivamente pelo adquirente final do produto. Assim, numa interpretação contrario sensu daquele dispositivo legal, não pode a Unido considerar como receita bruta da recorrente o valor do ICMS; • HA afronta ao principio constitucional da capacidade contributiva, pois embora atue como sujeito passivo de diversas relações jurídicas tributárias, não o é nas relações que envolve o contribuintefinal e o Fisco Estadual, não detendo, assim, capacidade contributiva sobre receitas auferidas pelo Erário; • Aplicase ao caso, por analogia, o estabelecido no art. 212, §1°, da Constituição Federal. Dessa forma, não se pode exigir PIS e Cofins sobre valores transferidos ao Fisco Estadual; • 0 atual posicionamento do Supremo Tribunal Federal na apreciação do RE n° 240.785MG, que trata de matéria idêntica presente, corrobora todos os argumentos aqui suscitados. Observese que já foram prolatados seis votos em favor dos contribuintes e apenas um contra. Assim, é notório que deverá ser reformado o Despacho Decisório ora recorrido, para que seja aplicado ao caso o atual posicionamento daquele Tribunal. Ao final, requer: • a reforma do Despacho Decisório, para homologação da compensação realizada; • produção de todas as modalidades de prova admitidas em direito, sob pena de cerceamento de direito de defesa; • sejam as intimações realizadas pessoalmente ou via Correios em nome da própria interessada, bem como em nome dos advogados. A DRJ manteve o indeferimento por interpretar que o ICMS integra, sim, a base de cálculo das duas Contribuições. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10875.908189/200991 Resolução n.º 3401000.390 S3C4T1 Fl. 81 3 No Recurso Voluntário insiste na compensação, repisando alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Todavia, o julgamento deve sobrestado em obediência do Regimento Interno deste Conselho. O tema referente à inclusão (ou não) do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e da Cofins está sob análise do Supremo Tribunal Federal, no Recurso Extraordinário nº nº 574706, que versa sobre o seguinte (tema 69): Recurso extraordinário em que se discute, à luz do art. 195, I, b, da Constituição Federal, se o ICMS integra, ou não, a base de cálculo da contribuição para o Programa de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFIN Não pode, pois, ser analisado nesta oportunidade, impondose o sobrestamento do julgamento em obediência ao § 2º do art. do Anexo II do RICARF, acrescentado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, que dispõe o seguinte: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Como informa o sítio do Colendo Tribunal na internet (consulta em 03 de outubro de 2011), o debate A matéria também é objeto da ADC nº 18 e do RE nº 2407852/MG. Apreciando Medida Cautelar na referida Ação Declaratória de Constitucionalidade, o STF, em 13/08/2008, resolvendo questão de ordem suscitada no sentido de dar prosseguimento ao julgamento do RE nº 240.7852/MG, por maioria deliberou pela precedência do controle concentrado em relação ao controle difuso, conforme a ementa seguinte (negrito acrescentado): Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de Fl. 82DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10875.908189/200991 Resolução n.º 3401000.390 S3C4T1 Fl. 82 4 cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal. A eficácia da liminar acima foi prorrogada várias vezes pelo STF (vencidos os Min. Marco Aurélio e Celso de Melo), sempre pelo prazo de 180 dias, sendo que em 25/03/2010 tal prorrogação teria se dado pela última vez, segundo o Plenário do Colendo Tribunal (conforme o sítio do STF na internet, consultado em 30/01/2012). Pelo exposto, levando em conta art. 62A, § 2º, do RICARF, voto por sobrestar o julgamento até que o STF decida sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo do PIS Faturamento e Cofins. Somente após decisão transitada em julgado do Colendo Tribunal sobre o tema é que o processo deve retornar a esta Turma para julgamento. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 83DF CARF MF Impresso em 19/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 29/02/2012 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 18471.003574/2008-14
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 18 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITO BANCÁRIO
A existência de depósito bancário não contabilizado e cuja origem não foi comprovada configura presunção de omissão de receita não elidida pela interessada.
OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO
Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. No caso presente, a contribuinte fez opção expressa pelo regime de tributação do lucro presumido, por meio da apresentação de sua DIPJ, em que optou por essa forma de tributação.
Numero da decisão: 1401-001.464
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, restaurando as exigências de IRPJ e CSLL referentes ao 4º trimestre do ano-calendário de 2003 e a todos os trimestres do ano-calendário de 2004; restaurando as exigências de PIS e Cofins de dezembro de 2003, bem assim do último mês de cada trimestre do ano-calendário de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Livia De Carli Germano.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITO BANCÁRIO A existência de depósito bancário não contabilizado e cuja origem não foi comprovada configura presunção de omissão de receita não elidida pela interessada. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. No caso presente, a contribuinte fez opção expressa pelo regime de tributação do lucro presumido, por meio da apresentação de sua DIPJ, em que optou por essa forma de tributação.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, restaurando as exigências de IRPJ e CSLL referentes ao 4º trimestre do ano-calendário de 2003 e a todos os trimestres do ano-calendário de 2004; restaurando as exigências de PIS e Cofins de dezembro de 2003, bem assim do último mês de cada trimestre do ano-calendário de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Livia De Carli Germano.
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ME ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário pela fluência do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem oposição da Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITO BANCÁRIO A existência de depósito bancário não contabilizado e cuja origem não foi comprovada configura presunção de omissão de receita não elidida pela interessada. OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão. No caso presente, a contribuinte fez opção expressa pelo regime de tributação do lucro presumido, por meio da apresentação de sua DIPJ, em que optou por essa forma de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício, restaurando as exigências de IRPJ e CSLL referentes ao 4º trimestre do anocalendário de 2003 e a todos os trimestres do anocalendário de 2004; restaurando AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 35 74 /2 00 8- 14 Fl. 569DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 3 2 as exigências de PIS e Cofins de dezembro de 2003, bem assim do último mês de cada trimestre do anocalendário de 2004, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Livia De Carli Germano. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 557558: Trata o presente processo do auto de infração de fls. 408 a 488, lavrado pela DRF/RJ2, no qual consta a exigência de: • Imposto de renda da pessoa jurídica – IRPJ, cód. 2917, no valor de R$ 639.215,22, multa de ofício de 112,5% e juros de mora; • Contribuição para o programa integração social – PIS, cód. 2986, no valor de R$ 220.783,52, multa de ofício de 112,5% e juros de mora; • Contribuição social sobre o lucro líquido – CSLL, cód. 2973, no valor de R$ 366.840,34, multa de ofício de 112,5% e juros de mora; • Contribuição para financiamento da seguridade social – COFINS, cód. 2960, no valor de R$ 1.019.001,01, multa de ofício de 112,5% e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 410/411, 420/421, 427/428, 434/435 e do termo de verificação fiscal de fls. 335 a 336, os lançamentos do IRPJ, do PIS, da COFINS e da CSLL, com multa de ofício qualificada em 112,5%, se deve a apuração da omissão de receitas da atividade, em razão da existência de depósitos de origem não comprovada no período de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Cientificada pessoalmente em 26/11/2008 (fls. 409, 419, 426, 433 e 449), a interessada apresentou em 18/12/2008, na pessoa de seu representante legal, impugnação de fls. 500 a 524, na qual, alega, em síntese: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 4 3 A ilegalidade da autuação no tocante a aplicação da multa agravada em 112,5%, por ausência da indispensável explicitação pormenorizada dos motivos de fatos que a determinaram, sendo apenas citada como fundamentação legal o art. 44, parágrafo segundo, da Lei nº 9.430/1996; além disso, não restou comprovado nos autos o dolo do contribuinte. A decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em 31/03, 30/06 e 30/09/2003, por força no disposto nos arts. 150, § 4º, e 156, inciso V, do CTN, pois a ciência do Auto de Infração ocorreu em 26/11/2008. A ilicitude da expedição de requisição de movimentação financeira, uma vez que não foram trazidos aos autos os motivos de direito de de fato que fundamentaram sua expedição, sendo por isso consideradas ilícitas as provas obtidas com base na quebra dos sigilo bancário da interessada. A obrigatoriedade da adoção do regime do lucro arbitrado, constituindo ilegalidade a adoção pela sistemática do lucro presumido para fins de tributação da receita apurada pela fiscalização, ainda que com base em declaração prestada pela contribuinte. A não comprovação de omissão de receitas, por parte da fiscalização, uma vez que apontou como fundamento da autuação o art. 528 do RIR/1999. O erro na apuração da base de cálculo do Pis e da Cofins efetuada pela fiscalização, efetuadas de forma trimestral, quando a lei tributária determina que sua apuração seja feita de forma mensal. Os créditos tributários lançados foram indevidamente inscritos em divida ativa, situação revertida, sendo encaminhado o presente processo para julgamento, após a juntada da impugnação. Considero relevante acrescentar uma relação dos principais documentos que integram os presentes autos: a) DIPJ 2004, referente ao anocalendário 2003, apresentada pela contribuinte, em que optou pela forma de tributação do “Lucro Presumido” (fls. 0540). A receita total informada para este anocalendário foi de R$ 3.384.032,00. b) DIPJ 2005, referente ao anocalendário 2004, apresentada pela contribuinte, em que se declara “inativa” (fls. 4142). A contribuinte declarou expressamente que “permaneceu, durante todo o anocalendário, sem efetuar qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial”. c) Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 4344), cientificado em 08/04/2008, por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar, em relação aos anos calendário 2003 e 2004, os seguintes documentos: 1) Contrato Social e alterações posteriores; 2) Livro Diário, Razão ou Caixa; 3) Documentos que serviram de base as suas escriturações; 4) Fl. 571DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 5 4 Extratos bancários das contascorrentes havidas no período em pauta. A contribuinte não atendeu a esta intimação. d) Termo de Reintimação Fiscal (fls. 45), cientificado em 19/05/2008, por meio do qual a contribuinte foi reintimada a apresentar os documentos anteriormente mencionados. Mais uma vez a contribuinte se absteve se atender a esta intimação. e) Termo de Reintimação Fiscal (fls. 46), cientificado em 27/05/2008, por meio do qual a contribuinte foi reintimada a apresentar os documentos anteriormente mencionados. Pela terceira vez, a contribuinte se absteve se atender a intimação. f) Termo de Reintimação Fiscal (fls. 47), cientificado em 17/06/2008, por meio do qual a contribuinte foi reintimada a apresentar os documentos anteriormente mencionados. Pela quarta vez, a contribuinte se absteve se atender a intimação. g) Termo de Continuação de Fiscalização (fls. 48), cientificado em 14/08/2008, informando à contribuinte que foram solicitados extratos bancários às instituições financeiras, mediante expedição de Requisições de Movimentação Financeira. h) Termo de Intimação Fiscal (fls. 49), cientificado em 02/10/2008, por meio do qual a contribuinte foi intimada a justificar a origem dos depósitos bancários relacionados em planilhas anexas. A contribuinte se absteve de atender a intimação. i) Termo de Reintimação Fiscal (fls. 50), cientificado em 14/10/2008, por meio do qual a contribuinte foi reintimada a justificar a origem dos depósitos bancários relacionados em planilhas anexas. Mais uma vez, a contribuinte se absteve de atender a intimação. j) Requisições de Movimentações Financeiras (fls 5154), dirigidas às instituições financeiras em que a contribuinte mantinha contascorrentes, solicitando a apresentação dos seguintes itens: a) dados constantes da ficha cadastral do sujeito passivo; b) extratos de movimentação de conta corrente. Do relatório anexo a estas RMFs consta o seguinte (fls. 5253): Por força do MPF 1284/08, expedido em 17/03 último passado, compareci ao endereço cadastral do contribuinte em epígrafe, selecionado para ser fiscalizado na forma da operação 91231 "Movimentação Financeira Incompatível com a Receita Declarada", nos anoscalendários de 2003 e 2004. A empresa não foi encontrada em funcionamento no local, que está fechado, o que se faz coerente com a informação constante dos nossos cadastros, onde o contribuinte aparece "baixado" por "liquidação voluntária". O contribuinte apresentou a DIRPJ referente ao exercício de 2004, anocalendário de 2003, com imposto a pagar calculado na modalidade de Lucro Presumido, com base numa Receita Bruta declarada de R$ 3.384.032. Neste período o dossiê interno recebido pela fiscalização aponta uma Movimentação Financeira no valor de R$ 24.475.452, em seis instituições em que operou. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 6 5 No exercício de 2005, anocalendário 2004, o contribuinte declarou inatividade, o que é coerente com a sua situação cadastral de "baixado”, mas que conflita, a principio, com a Movimentação Financeira de R$ 12.157.29 mantida em cinco bancos, conforme também informado no referido dossiê. Foram intimados os sócios, por via postal, e Termo próprio, contendo as exigências fiscais necessárias para o inicio dos trabalhos. O Aviso de Recebimento data de 20/03 último passado, quando legalmente considerase cientificado o contribuinte. Em 08/04 seguinte, Nair de Almeida Bastos, procuradora do contribuinte, assinou outro Termo , com as mesmas solicitações. Dois outros Termos, renovando idênticas exigências, foram assinados pela dita representante em 19/05 e em 27/05 seguintes. Até a presente data, decorridos os prazos estabelecidos e prorrogados, a contribuinte não atendeu à fiscalização, só conseguindo provocar protelação no andamento dos trabalhos da fiscalização. Assim, diante da "negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira, negócio ou atividade próprios”, material essencial para a execução do procedimento fiscal em curso, determinado por foça do MPF em referência, fica caracterizado o EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, nos moldes do que preceitua o Art. 33, inciso. I, da Lei 9.430/96, havendo, portanto, de ser considerado INDISPENSÁVEL o exame de "informações relativas a terceiros, constantes de registros de instituições financeiras e entidades a eles equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, na forma do Art. 3º. do Decreto nr. 3.724/01. A 5ª Turma da DRJ/RJ1, por maioria de votos (sem indicação dos julgadores vencidos), julgou procedente à impugnação, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 556: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário pela fluência do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem oposição da Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004 ARBITRAMENTO COMPULSÓRIO Fl. 573DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 7 6 O lucro será arbitrado quando o sujeito passivo, habilitado à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL, PIS e COFINS. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Foi apresentado recurso de ofício a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. É o relatório. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Da decadência Considerando que o presente lançamento foi cientificado ao contribuinte em 16/11/2008, o colegiado julgador a quo considerou que os fatos geradores referentes ao 1º, 2º e 3º trimestres de 2003 haviam sido alcançados pela decadência, contada segundo a regra prevista no art. 150, § 4º do CTN. Sobre o tema, assim se manifestou o voto condutor da decisão de piso, fls. 559: Incumbe ao contribuinte, na forma da legislação tributária, apurar o imposto devido e efetuar o seu respectivo recolhimento, independentemente de qualquer providência a cargo da Administração Tributária, e assim o fez a impugnante, sujeitando, por isso, o crédito tributário objeto do lançamento a sistemática prevista no art. 150, do CTN. A ciência do lançamento se deu em 16/11/2008. Assim, assiste razão a impugnante quanto a homologação tácita do lançamento do imposto relativo aos fatos geradores ocorridos em 31 de março, 30 de junho e 30 de setembro de 2003, uma vez que objetos de pagamentos efetuados pela impugnante nas suas respectivas datas de vencimento e informados nas respectivas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFs), ocorrendo, por isso, a decadência do créditos tributários relativos aos períodos de apuração acima mencionados. Diante dos elementos constantes dos autos, considero que agiu corretamente o colegiado julgador a quo, ao reconhecer a decadência referente aos três primeiros trimestres do anocalendário de 2003. Assim sendo, em relação ao presente tema, nego provimento ao recurso de ofício. Da exoneração da parcela remanescente do crédito tributário, em razão da alegada necessidade de arbitramento do lucro da contribuinte A decisão de piso exonerou os lançamentos referentes ao 4º trimestre de 2003 e a todo o ano de 2004, por entender que o IRPJ deveria ser apurado com base nos critérios do lucro arbitrado, nos termos do art. 530, II do RIR/99. O voto condutor da decisão de piso também exonerou as parcelas do crédito tributário referentes a CSLL, PIS e COFINS por considerálos reflexos do lançamento do IRPJ. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 9 8 Sobre o tema, assim se manifestou o voto condutor da decisão de piso, fls. 559560: Alega a interessada que a autuação foi feita com suporte apenas nos extratos bancários disponibilizados pela intituições financeiras e não com fulcro na sua escrita fiscal, uma vez que não respondeu as intimações da fiscalização para apresentação de seus livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. Por isso, deveria a fiscalização adotar obrigatoriamente o arbitramento do lucro no lançamento, em que pese inexplicavelmente adotou o lucro presumido para fins de tributação da receita apurada. Via de regra, todas as empresas são tributadas com base no lucro real. As outras formas de tributação previstas na legislação são aplicadas sob certas condições. A tributação com base no lucro arbitrado está assim disposta no art. 530, do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): [...] III – o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; […] Segundo consta dos autos, a autuada foi intimada em 08/04/2008, através do termo de início do procedimento fiscal de fl. 43/44, a apresentar, dentre outras coisas, os livros diário, razão ou caixa, relativos aos anoscalendários de 2003 e 2004, sendo reintimada do mesmo teor em 19/05/2008, 27/05/2008, e em 17/06/2008, conforme termos de reitimação fiscal de fls. 45 e 46. Uma vez que não atendida a intimação e as reintimações, a autoridade fiscal solicitou em 05/06/2008, a emissão de RMF, ao que foi atendida pelo Delegado da Receita Federal do Brasil, titular da Defis Rio de Janeiro em 11/06/2008. Segundo consta do termo de constatação fiscal de fls. 335 a 336, a autuada foi por mais de uma vez intimada a apresentar os extratos bancários das contas correntes havidas no período em exame, além de outros documentos, e alertado das consequências do não atendimento ás intimações fiscais para prestar esclarecimentos, ficando, assim, caracterizado o embaraço à fiscalização, razão pela qual teve quebrado o sigilo bancário, com a obtenção das informações essenciais sobre sua movimentação financeira diretamente junto às instituições bancárias respectivas. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 10 9 Logo, restou configurada a hipótese prevista no inciso III, do art. 530, do RIR/99, que impõe a apuração do imposto de renda da pessoa jurídica com base nos critérios do lucro arbitrado, razão pela qual impõese reconhecer a improcedência da autuação. 3. DOS REFLEXOS Exonerado o crédito tributário no tocante ao IRPJ, deve ser exonerado o crédito referente a CSLL, PIS e COFINS, uma vez que efetuado o lançamento pelas mesmas razões, e com os mesmos fundamentos, os quais foram considerados, neste voto, improcedentes. Em relação ao presente tema, considero que não assiste razão ao colegiado julgador a quo. De plano, mencionese que a contribuinte fez opção expressa pelo regime de tributação do lucro presumido, por meio da apresentação de sua DIPJ, em que optou por essa forma de tributação (v. fls. 0540). Assim sendo, após constatarem a ocorrência de omissão de receitas, considero que as autoridades autuantes agiram em estrita observância ao disposto no art. 24 da Lei nº 9249/95, devidamente regulamentada pelo art. 288 do RIR/99, verbis (grifado): Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24 ). Ressaltese, por oportuno, que a tributação pelo lucro presumido, adotada pelas autoridades autuantes, foi mais benéfica para a contribuinte do que a pretendida tributação pelo lucro arbitrado. Vale registrar que a única diferença entre estes dois regimes está no coeficiente aplicado sobre o valor das receitas apuradas, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ. Este coeficiente, como é amplamente sabido, é maior para o regime de lucro arbitrado, quando comparado ao regime de lucro presumido. Para o deslinde da presente questão, considero importante levar em conta dois consagrados princípios de direito: a) a parte não pode alegar, em seu benefício, a própria torpeza; b) não há nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief). Assim sendo, considero que no presente caso foi correto o lançamento com base no lucro presumido, por duas ordens de razões: a) porque está de acordo com o disposto no art. 288 do RIR/99, que preconiza a manutenção do regime de tributação escolhido pela contribuinte; b) porque tal regime é mais benéfico para a contribuinte. Neste sentido, menciono o seguinte precedente unânime: Processo n° 10580.007220/200476 Recurso n° 160.741 De Oficio e Voluntário Fl. 577DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 11 10 Acórdão n° 110100.241 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de dezembro de 2009 Matéria IRPJ E OUTROS ERRO NA CONSTRUÇÃO DO LANÇAMENTO – NULIDADE DO LANÇAMENTO – Se a Fiscalização considerou os depósitos bancários como receita operacional, deveria, em conformidade com art. 288 do RIR/99, respeitar, no lançamento do imposto, o regime de tributação e o período de apuração a que estava submetido a contribuinte. Nestes termos, considero que, em princípio, devem ser restauradas as exigências de IRPJ e CSLL referentes ao 4º trimestre do anocalendário de 2003 e a todos os trimestres do anocalendário de 2004. As exigências referentes ao PIS e Cofins serão oportunamente analisadas no corpo do presente voto. No entanto, antes de se restaurar tais exigências, devem ainda ser analisadas todas as demais razões de defesa apresentadas pela contribuinte em sua peça impugnatória. Alegação de ilicitude na expedição de RMF Requisição de Movimentação Financeira A contribuinte considerou ilícita a expedição de requisição de movimentação financeira, uma vez que não teriam sido trazidos aos autos os motivos de direito de de fato que fundamentaram sua expedição. Não assiste razão à contribuinte. Os motivos de fato e de direito que embasaram a expedição das RMF constam, expressamente, do documento de fls. 53 dos autos, verbis: Assim, diante da "negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre movimentação financeira, negócio ou atividade próprios”, material essencial para a execução do procedimento fiscal em curso, determinado por foça do MPF em referência, fica caracterizado o EMBARAÇO A FISCALIZAÇÃO, nos moldes do que preceitua o Art. 33, inciso. I, da Lei 9.430/96, havendo, portanto, de ser considerado INDISPENSÁVEL o exame de "informações relativas a terceiros, constantes de registros de instituições financeiras e entidades a eles equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, na forma do Art. 3º. do Decreto nr. 3.724/01. Diante do exposto, considero que a presente alegação da contribuinte não merece prosperar. Alegação de ausência de comprovação da omissão de receitas Fl. 578DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 12 11 No entender da contribuinte, não restou devidamente comprovada a omissão de receitas por parte da fiscalização, posto que a autoridade atutuante teria apontado como fundamento da autuação o art. 528 do RIR/1999. Também em relação a este tema, não assiste razão à contribuinte. Consta expressamente do Termo de Constatação Fiscal, fls. 335 (grifado): 4) foi por mais de uma vez intimado a apresentar os extratos bancários das contas correntes havidas no período em exame, alem de outros documentos, e alertado das consequências do não atendimento ás intimações fiscais para prestar esclarecimentos, ficando, assim, caracterizado o embaraço á fiscalização, razão pela qual teve quebrado o sigilo bancário, com a obtenção das informações essenciais sobre sua movimentação financeira diretamente junto ás instituições bancárias respectivas; 5) a partir dos registros contidos nos extratos examinados, foram levantados, em planilhas elaboradas pela fiscalização, os lançamentos a crédito identificados por data, valor e histórico, com o objetivo de apuração da receita do contribuinte no período em exame; 6) o contribuinte foi, sucessivas vezes, intimado a comprovar, com base em documentação hábil e idônea, a origem/ justificativa/contrapartida dos lançamentos a credito relacionados nas planilhas mencionadas, com o fito de demonstrar e propor a exclusão daqueles que não se enquadrassem no conceito de receita auferida pelo exercício da atividade social; 7) desta forma, restaram considerados os valores demonstrados nas planilhas anexas, elaboradas por Banco e contacorrente e consolidadas ao mês, que integram e complementam o presente feito; 8) o somatório dos totais mensais apurados na forma descrita, que configuram as Receitas Apuradas mês a mês, foram consolidados por trimestre e confrontados com as Receitas Brutas Declaradas ao trimestre; 9) as diferenças encontradas, que mensuram a superioridade dos valores apurados em relação aos declarados, conforme Quadro Demonstrativo anexo, configuram, assim, omissão de receita [...] Como facilmente se percebe, não resta nenhuma dúvida de que o presente lançamento decorreu da constatação da ocorrência de depósitos bancários sem comprovação de sua origem, o que, autoriza a presunção legal de omissão de receitas. Sobre o tema, existe ampla e consolidada jurisprudência administrativa: Fl. 579DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 13 12 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, DE 1996 Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (Acórdão nº 10423.087, de 06.03.2008 ) OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITO BANCÁRIO Havendo a contribuinte, intimada para tanto, deixado de comprovar a origem dos depósitos bancários, estes se tornam fatos antecedentes, exteriorizadores do fato conseqüente, que é a omissão de receita presumida.(Acórdão nº 10517.249, de 15.10.2008 ) OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITO BANCÁRIO A existência de depósito bancário não contabilizado e cuja origem não foi comprovada configura presunção de omissão de receita não elidida pela interessada".(Acórdão nº 10809.736, de 19.09.2008 ) Diante do exposto, considero que a presente alegação da contribuinte também não merece prosperar. Alegação de erro na apuração da base de cálculo do PIS e COFINS A contribuinte arguiu a ocorrência de erro na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, posto que a fiscalização apurou tais tributos de forma trimestral, sendo que a lei tributária determinava que sua apuração fosse feita de forma mensal. Assiste parcial razão à contribuinte. De plano, devese levar em conta que a forma de tributação adotada pelo fisco (bases trimestrais) foi mais benéfica para a contribuinte do que a pretendida tributação com bases mensais. Vale registrar que o valor das exigências principais a título de PIS e COFINS é exatamente a mesma, sejam elas calculadas com bases mensais ou trimestrais. A única diferença entre estas duas formas de apuração reside no prazo de vencimento das respectivas exações, que corresponde ao termo inicial para incidência dos juros de mora. No caso de apuração mensal, os juros de mora seriam computados a partir do vencimento das parcelas correspondentes a cada mês. Por sua vez, no caso de apuração trimestral, os juros de mora somente passam a incidir após o prazo de vencimento correspondente ao último mês de cada trimestre. Entendo que devem ser mantidas as parcelas dos lançamentos referentes ao último mês de cada trimestre, posto que em relação a tais períodos não existe qualquer erro na Fl. 580DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 14 13 apuração do valor devido, nem mesmo em relação ao termo inicial de contagem dos juros de mora. Pelas razões expostas, considero que a presente alegação da contribuinte merece prosperar apenas parcialmente, devendo ser restabelecidas as exigências de PIS e Cofins de dezembro de 2003, bem assim do último mês de cada trimestre do anocalendário de 2004. Alegação de ilegalidade na aplicação da multa agravada Por derradeiro, a contribuinte arguiu a ilegalidade da autuação no tocante à aplicação da multa agravada em 112,5%, por ausência da indispensável explicitação pormenorizada dos motivos de fatos que a determinaram, sendo apenas citada como fundamentação legal o art. 44, parágrafo segundo, da Lei nº 9.430/1996. Além disso, segundo a contribuinte, não teria restado comprovado nos autos o dolo do contribuinte. Não assiste razão à recorrente. Ao contrário do que afirmou a contribuinte, os motivos de fato que determinaram o agravamento da multa foram claramente expostos pela autoridade autuante, fls. 53: Foram intimados os sócios, por via postal, e Termo próprio, contendo as exigências fiscais necessárias para o inicio dos trabalhos. O Aviso de Recebimento data de 20/03 último passado, quando legalmente considerase cientificado o contribuinte. Em 08/04 seguinte, Nair de Almeida Bastos, procuradora do contribuinte, assinou outro Termo , com as mesmas solicitações. Dois outros Termos, renovando idênticas exigências, foram assinados pela dita representante em 19/05 e em 27/05 seguintes. Até a presente data, decorridos os prazos estabelecidos e prorrogados, a contribuinte não atendeu à fiscalização, só conseguindo provocar protelação no andamento dos trabalhos da fiscalização. Importante frisar que consta expressamente dos presentes autos a fundamentação legal para o agravamento da multa de ofício, fls. 416, verbis: MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 112,50% Art. 44, inciso I, §2º , da Lei nº 9.430/96. Para maior clareza, transcrevo o inteiro teor da aludida norma legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: […] Fl. 581DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 18471.003574/200814 Acórdão n.º 1401001.464 S1C4T1 Fl. 15 14 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; […] § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Importante destacar que a verificação acerca do intuito doloso da contribuinte somente seria relevante no caso de qualificação da multa de ofício (por evidente intuito de fraude), nos termos do § 1º do aludido art. 44 da Lei nº 9.430/96. No presente caso, contudo, a multa de ofício não foi qualificada. Assim sendo, considero que em relação ao presente tema as alegações da contribuinte também não merecem prosperar. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao presente recurso de ofício, restaurando as exigências de IRPJ e CSLL referentes ao 4º trimestre do ano calendário de 2003 e a todos os trimestres do anocalendário de 2004; restaurando as exigências de PIS e Cofins de dezembro de 2003, bem assim do último mês de cada trimestre do anocalendário de 2004. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Fl. 582DF CARF MF Impresso em 18/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 4/04/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 15/04/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.002240/2003-70
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - PDV - DECADÊNCIA AFASTADA.
O inicio da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a titulo de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em
que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-000.740
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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O inicio da contagem do prazo de decadência para pleitear a restituição dos valores recolhidos a titulo de imposto de renda sobre os montantes pagos como incentivo pela adesão a Programas de Desligamento Voluntário - PDV, começa a fluir a partir da data em que o contribuinte viu reconhecido, pela administração tributária, o direito de pleitear a restituição. No momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Nounativa SRF n° 165, de 31/12/1998, que foi publicada no Diário Oficial da União que circulou no dia 06/01/1999, são tempestivos os pedidos protocolizados até 06/01/2004. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento. CARLOS ALBERT* • AS BA ETO- Presidente MOISE V S ELL ES DA SILVA - Relator EDITADO EM: 14 WiNu 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de processo que tem por objeto pedido de restituição de valor de Imposto de Renda Retido na Fonte, sobre verbas trabalhistas que, em tese, foram pagas em face de implantação de Programa de Demissão Voluntária - PDV. O pedido de restituição foi protocolizado em 27/03/2003 (fl. 01), sendo que a decisão recorrida (fl. 27/35), por maioria de votos, afastou a decadência e determinou o retomo dos autos à origem para exame do mérito. Intimada da decisão, a Fazenda Nacional ingressou com recurso especial de fls. 39 e seguintes, sustentando que a interpretação correta em relação ao inciso I do artigo 168 do CTN, é no sentido de que o prazo decadencial para requerer a restituição é de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. Admitido o recurso às fls. 43/44, o contribuinte não apresentou contrarrazões.., É o relatório. 2 Processo n° 10580.002240/2003-70 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.740 Fl. 2 Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legitima e está devidamente fundamentado. Assim, conheço do recurso e passo ao exame do mérito. Partindo do conceito legal de tributo, de que trata o artigo 3° do C'TN, como sendo "toda a prestação de natureza pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada", tem-se que editada norma pela Administração exigindo tributo cabe ao particular, independentemente de sua vontade ou concordância, satisfazer a exigência tributária. Mesmo nas hipóteses em que a norma que exige o tributo esteja em desconformidade com o texto constitucional, cabe ao sujeito passivo a obrigação de satisfazer o pagamento, pois os atos editados pelo poder público, até decisão em contrário, gozam de presunção de legalidade. Nesta linha, mesmo diante das hipóteses de exigência indevida de tributo, cabe ao sujeito passivo efetuar o pagamento até que se verifique uma das seguintes hipóteses: a) Decisão do Supremo Tribunal Federal, em controle concentrado de constitucionalidade, declarando a inconstitucionalidade da norma que instituiu o tributo; b) Resolução do Senado Federal editada nos termos do artigo 52, X, da CF, suspendendo a execução, no todo ou em parte, da norma declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal e; c) A Administração Pública, através de ato competente, reconhece que o tributo cobrado é indevido. No caso do PDV, a SRF editou a Instrução Normativa 165/98, datada de 31 de dezembro de 1998, e publicada no D.O.U. em 06/01/1999, reconhecendo a não incidência de imposto de renda sobre as parcelas pagas por adesão a Programa de Demissão Voluntária. Publicada a instrução normativa, nasceu em favor do contribuinte o direito subjetivo de se dirigir à Administração para requerer a restituição do valor pago indevidamente. Neste sentido destaco o seguinte precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: IRRF — RESTITUIÇÃO DE TRIBUTO PAGO (RETIDO) INDEVIDAMENTE — PRAZO — DECADÊNCIA — INOCORRÊNCIA — PARECER COSIT N° 4/99 — O imposto de renda retido na fonte é tributo sujeito ao lançamento por homologação, que ocorre quando o contribuinte, nos termos doí - 3 caput do artigo 150 do CTN, por delegação da legislação fiscal, promove aquela atividade da autoridade administrativa de lançamento (art. 142 do CTN). Assim, o contribuinte, por delegação legal, irá verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, identificar o sujeito passivo, calcular o tributo devido e, sendo o caso, aplicar a penalidade cabível. Além do lançamento, para consumação daquela hipótese prevista no artigo 150 do CTN, é necessário o recolhimento do débito pelo contribuinte sem prévio exame das autoridades administrativas. Havendo o lançamento e pagamento antecipado pelo contribuinte, ato homologató rio este que consuma a extinção do crédito tributário (art. 156, VII, do CT1V). Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, 5S 4 0, do CTN), a chamada homologação tácita. Ademais, o Parecer COSIT n° 4/99 concede o prazo de 5 anos para restituição do tributo pago indevidamente contado a partir do ato administrativo que reconhece, no âmbito administrativo fiscal, o indébito tributário, in casu, a Instrução Normativa n° 165 de 31.12.98. O contribuinte, portanto, segundo o Parecer, poderá requerer a restituição do indébito do imposto de renda incidente sobre verbas percebidas por adesão à PDV até dezembro de 2003, razão pela qual não há que se falar em decurso do prazo no requerimento do Recorrente feito em 2000. A Câmara Superior de Recursos Fiscais decidiu, em questão semelhante, que 'em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição de tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; b) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter partes em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação de ato administrativo que reconhece caráter indevido de exação tributário.' (Acórdão CSRF/01-03.239). Ao efetuar retenções na fonte e incluir as parcelas do PDV na base de cálculo anual do tributo, tanto a fonte pagadora quanto o sujeito passivo agiram sob a presunção de ser legítima a exação. Mais, seguiram orientações expressas da administração tributária, sob pena de serem autuados. Entretanto, reconhecido pelo Superior Tribunal de Justiça e, posteriormente, por ato da administração pública, que as parcelas recebidas como incentivo ao desligamento voluntário estão fora do campo de incidência do imposto de renda, surge para o contribuinte o direito ao não recolhimento do tributo, como também a repetição aos valores recolhidos indevidamente. No meu sentir, desta forma, se homenageiam princípios basilares do direito como o da moralidade, isonomia, boa fé, lealdade, vedação do enriquecimento sem causa e o da segurança jurídica. Do contrário, estar-se-ia disseminando a desconfiança na lei e na Administração Tributária que orientou o contribuinte e a fonte pagadora ao cumprimento de exigência tributária desprovida de fundamento legal para tanto. Por outro lado, o lançamento é ato administrativo vinculado à lei. Nesta, encontram-se todos os elementos que compõem a obrigação tributária. O controle da legalidade, a ser efetuado pela própria Administração ou pelo Poder Judiciário, é imperativo de ordem pública. Constatada a ilegalidade da cobrança do tributo, a Administração tem poder/dever de anular o lançamento e restituir o pagamento indevido. 4 Processo n° 10580.002240/2003-70 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.740 Fl. 3 Em síntese, no momento em que a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF n° 165, de 31/12/1998 (DOU de 06/01/1999) tem-se que os pedidos protocolizados até 06/01/2004 são tempestivos. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. •, Moi es iacomelli Nunes da Silva - Relator 5
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