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Numero do processo: 16327.721375/2013-97
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE.
A neutralidade tributária da equivalência patrimonial se estende à CSLL, de forma que a amortização de ágio não pode ser deduzida na apuração dessa Contribuição.
Numero da decisão: 9101-003.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que não conheceu do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Jose Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. INDEDUTIBILIDADE. A neutralidade tributária da equivalência patrimonial se estende à CSLL, de forma que a amortização de ágio não pode ser deduzida na apuração dessa Contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Rafael Vidal de Araújo, que não conheceu do recurso. No mérito, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Jose Eduardo Dornelas Souza e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição aos impedimentos da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 13 75 /2 01 3- 97 Fl. 307DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 308 2 Relatório ITAÚ UNIBANCO S/A recorre a este Colegiado, por meio do Recurso Especial de efls 182, contra o acórdão nº 1402002.324, de 04/10/2016 (efls. 169), que, no mérito e por voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário. Após apreciação de Agravo da Contribuinte frente a despacho que inadmitia o recurso, o especial foi admitido por meio do Despacho de efls. 295. Na matéria objeto da presente discussão, o acórdão recorrido recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 DESPESAS COM ÁGIO. DEDUTIBLIDADE. A necessidade de manter a neutralidade tributária aos ajustes contábeis decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial impede a dedutibilidade das despesas com ágio na base de cálculo da CSLL. A Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação aos acórdãos a seguir, cujas ementas estão assim redigidas na parte de interesse: Acórdão nº 9101002.310: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CSLL. BASE DE CÁLCULO E LIMITES À DEDUTIBILIDADE. A amortização contábil do ágio impacta (reduz) o lucro líquido do exercício. Havendo determinação legal expressa para que ela não seja computada na determinação do lucro real, o respectivo valor deve ser adicionado no LALUR, aumentando, portanto, a base tributável. Não há, porém, previsão no mesmo sentido, no que se refere à base de cálculo da Contribuição Social, o que, a nosso sentir, torna insubsistente a adição feita de ofício pela autoridade lançadora. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA. A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Fl. 308DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 309 3 Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido. Acórdão nº 1201001.237: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009, 2010 ÁGIO. PARTICIPAÇÃO MANTIDA NA INVESTIDORA. Excetuada a hipótese de absorção do patrimônio da investida pela investidora, ou viceversa (arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532/97), não há na legislação que regula a contribuição social sobre o lucro norma que determine a adição ao lucro líquido, para fins de determinação de sua base de cálculo, das despesas com amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado com base na equivalência patrimonial. Nos exatos termos do art. 108, I, do CTN, a norma que prescreve a adição da referida despesa com amortização de ágio para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ (art. 25 do Decretolei nº 1.598/77) não pode ser empregada, por analogia, para exigirse a mesma adição na determinação da base de cálculo CSLL. As alegações de mérito da Recorrente, são, em síntese, as seguintes: a) a adição das despesas com amortização de ágio na apuração da base de cálculo da CSLL não encontra amparo na legislação que rege a matéria, conforme reconhecido por esta 1ª Turma da CSRF no acórdão nº 9101002.310, e ratificado pela superveniente Lei nº 12.973/2014 (art. 2º c/c art. 50); b) é incontroverso que a regra de adição da despesa de ágio era legalmente prevista apenas para o IRPJ, nos termos do art. 25 do Decretolei nº 1.598/77 (na redação anterior à Lei nº 12.973/2014, aplicável no caso, cujo fato gerador remonta ao ano de 2008). Isso porque, independentemente dos argumentos relativos à neutralidade tributária dos ajustes de equivalência patrimonial e, também, do já mencionado entendimento contido no acórdão recorrido sobre a atividade rural, é certo que inexistia em 2008 (ano da autuação) dispositivo legal que determinasse limites ou vedações para o aproveitamento do ágio no cálculo da CSLL. Da mesma forma, não havia norma que fizesse com as regras aplicáveis ao IRPJ pertinentes à dedução do ágio fossem estendidas à CSLL; c) embora o art. 57 da Lei nº 8.981/95 estenda em caráter geral para a CSLL as "normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas", é certo que tal dispositivo estabelece, em sua parte final, que para a contribuição em discussão são "mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor". Portanto, a regra do IRPJ que determina a adição da despesa de amortização do ágio ao lucro real (base de cálculo do imposto) não pode ser automaticamente aplicada à base de cálculo da CSLL, sendo necessário para tanto expressa previsão legal; d) a despeito do disposto na legislação acerca da neutralidade dos ajustes de equivalência patrimonial, é certo, conforme leciona Luís Eduardo Schoueri, que "o legislador tributário, em matéria de CSL, nada expressou sobre a necessidade de se esperarem os resultados futuros positivos que justificaram o ágio para que este seja deduzido"; Fl. 309DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 310 4 e) o art. 28 da Lei nº 9.430/96, invocado pela decisão de 1ª Instância Administrativa proferida nos autos, determinou expressamente que "Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14,17 a 24, 26,55 e 71, desta Lei". Ou seja, o referido dispositivo legal torna ainda mais evidente que as "normas de apuração" referidas no artigo 57 da Lei nº 8.981/95 não são as regras de "apuração da base de cálculo" mencionadas no artigo 28 da Lei nº 9.430/96, o qual se refere às regras deste último diploma legal (regras que não tratam de amortização de ágio); f) caso se considere que a regra do art. 57 da Lei n9 8.981/95 assegurava em caráter geral e irrestrito a identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, o próprio art. 28 da Lei nº 9.430/96 e todas as outras regras posteriores à Lei nº 8.981/95, que estenderam em caráter específico as regras de base de cálculo do IRPJ para a CSLl, seriam, com o devido respeito, inúteis. Tal argumento é ilógico, ilegal e não se sustenta, pois contraria princípio fundamental de hermenêutica segundo o qual não se pode atribuir à lei disposições inúteis, entre os quais o artigo 50 da Lei nº 12.973/2014 que, estendeu para a CSlL a regra de indedutibilidade, prevista, até então, apenas para o IRPJ; g) é notório que, se a lei pretende que uma norma produza efeitos tanto na base de cálculo do IRPJ como da CSLL, ela assim o determina como se verifica na própria Lei nº 8.981/95, que, ao limitar a compensação de prejuízos em 30% do lucro líquido ajustado dispôs a esse respeito em dois artigos distintos (art. 42 para o IRPJ e art. 58 para a CSL). Cita mais dois exemplos no mesmo sentido do que alega, conforme a seguir: 42. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão não pode compensar os prejuízos fiscais da sucedida, por força do art. 33 do Decretolei nº 2.341/88 (art. 514 do RIR/99). É vedada a essa mesma sucessora compensar as bases negativas de CSL da sucedida, por força do art. 57 da Lei nº 8.981/95? Mantendose coerência com o v. acórdão recorrido, a resposta seria positiva. Mas a resposta é não. Foi só a partir da eficácia do art. 20 da MP nº 1.8586/99 (atual art. 22 da MP 2.158 35/01) que a vedação passou a ser aplicável também à CSL. 43. Peguemos os arts. 60 a 62, I a VI, do Decretolei 1.589/77 com as alterações do Decretolei 2.065/83, que tratam da DDL (arts. 464 a 466 do RIR/99). O art. 57 da Lei na 8.981/95 permitiria concluir que as regras de DDL passaram a ser aplicáveis à CSL? Na linha de raciocínio do r. acórdão recorrido, sim. Mas, sabidamente, a resposta é negativa. Foi com o advento do art. 60 da Lei ns 9.532/97 que as regras de DDL passaram a ser aplicáveis também para a CSL que passou as prevêlas expressamente. h) a questão ora colocada se tornou incontroversa com a edição da Lei n9 12.973/14, que dispôs expressamente em seu artigo 50 que "Aplicamse à apuração da base de cálculo da CSL as disposições contidas nos arts. 2º a 8º, 10 a 42 e 44 a 49". Somente a partir da referida Lei nº 12.973/14 é que o artigo 25 do DecretoLei nº 1.598/77 (correspondente ao artigo 391 do RIR/99) passou a ser aplicável à CSLL. Ao final pede a Recorrente que o presente recurso a "reforma integral da decisão proferida". A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 299). Fl. 310DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 311 5 Em preliminar, alega que "não houve demonstração de divergência jurisprudencial", uma vez que, embora haja semelhança entre os fatos tratados nos acórdãos confrontados, não nenhuma há semelhança entre as normas analisadas por eles, uma vez que "o acórdão recorrido negou a dedutibilidade da amortização do ágio da base de cálculo da CSLL com base no art. 13 da lei 9.249/95, o qual em nenhum momento foi refutado pelos Acórdãos ns. 9101002.310 e 1201001.237, que se concentraram em defender que o art. 57 da Lei nº 8.981/95 não iguala as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL". Quanto ao mérito, alega a Fazenda, em síntese, que: a) no presente processo não se está diante de um caso de falta de previsão legal para a adição da despesa da amortização do ágio na apuração da base de cálculo da CSLL, mas sim de ausência de norma específica que autorize a dedução dessa despesa no cálculo dessa contribuição; b) o registro do ágio (e do deságio) decorre da aplicação do Método de Equivalência Patrimonial (MEP), o qual, em razão da sua natureza contábil, é tributariamente neutro. O MEP se traduz em um método de avaliação de investimento em participação societária por meio do qual a pessoa jurídica investidora distingue em seus registros o valor aplicado na aquisição do capital da investida e os seus futuros resultados (renda). Traz lição de Bulhões Pedreira que coloca o registro do ágio (ou do deságio) como forma de controle da recuperação do custo de capital assumido pelo investidor quando da aquisição da investida e afirma a neutralidade tributária dos registros decorrentes do MEP, mormente em razão da necessidade de se tributar a renda apenas em um único momento; c) a neutralidade fiscal do MEP se encontra prevista no artigo 23 do Decreto Lei nº 1.598/1977 (com a redação vigente à época da ocorrência dos fatos ora em análise), o qual estabelece que a receita e a despesa de equivalência patrimonial não devem ser computadas na determinação do lucro real, sendo que o art. 33 do mesmo Decreto prevê que esses registros somente devem adotar efeitos fiscais quando da alienação ou liquidação do investimento na controlada pela controladora. O MEP não atribui efeitos patrimoniais diretos ao investidor, mas proporciona apenas o controle de recuperação de um custo que já foi realizado ou o reconhecimento de uma renda que foi auferida por outra pessoa jurídica; d) de acordo com a natureza contábil do MEP a despesa de amortização de ágio só será dedutível caso ocorra a alienação ou liquidação do investimento que propiciou o seu pagamento, fato que não ocorreu no presente caso, em que a amortização do ágio passou a ser deduzida após a confusão patrimonial entre investidora e investida e com base nos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997; e) a Lei nº 9.532/1997 estabelece uma exceção específica à neutralidade tributária do MEP ao estabelecer efeitos fiscais à amortização do ágio ou deságio quando tiverem sido registrados com base na rentabilidade futura da coligada ou controlada e houver a confusão patrimonial entre investidora e investida por meio de incorporação, fusão ou cisão, mesmo que a controlada não tenha sido alienada ou liquidada. Mas ao prever tais efeitos fiscais, a referida lei foi expressa ao delimitar a sua eficácia na apuração do lucro real, ou seja, não tendo mencionado nada acerca da apuração a base de cálculo da CSLL. Assim, os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/1997 não se aplicam a CSLL, mas apenas ao IRPJ; f) a neutralidade patrimonial do MEP não justifica qualquer efeito fiscal dos seus registros, não havendo qualquer lógica em ser a despesa de amortização de ágio neutra Fl. 311DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 312 6 para fins patrimoniais e, no entanto, ter efeitos na apuração da CSLL, salvo expressa previsão legal, que é o que ocorre com relação ao IRPJ; g) logo, em face da neutralidade tributária do MEP e da ausência de norma que expressamente preveja o correspondente efeito fiscal, não há como reconhecer a dedutibilidade da despesa de amortização de ágio na apuração da base de cálculo da CSLL. Ao contrário do que defende o recorrente, a dedutibilidade na CSLL da despesa com a amortização de um ágio não é assegurada em face da ausência de norma que preveja a adição dessa rubrica. A despesa com a amortização de um ágio, mesmo dedutível para fins de IRPJ, não é dedutível para a CSLL porque não há previsão legal a autorizando; h) tendo em conta que a dedução de uma despesa na base de cálculo da CSLL importa renúncia de receita do Estado, seu cálculo pelo sujeito passivo se encontra condicionado a expressa previsão legal. Em suma, uma dedução na apuração da base de cálculo de um tributo não pode ser autorizada em face do silêncio da lei, mas sim em decorrência de norma autorizativa expressa. A regra é a indedutibilidade das despesas, a sua dedutibilidade é a exceção que deve vir expressamente prevista. Entender de forma distinta significa “rasgar” o preceito contido no art. 111 do CTN; Ao final, requer "seja negado provimento ao recurso especial". É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Conforme se extrai do Termo de Verificação Fiscal de efls. 59, o lançamento de CSLL (anocalendário de 2008) decorreu do fato de que a Contribuinte declarou na DIPJ do AC em questão despesas com amortização de ágio no valor de R$ 302.168.702,37, tendo adicionado o valor em questão à base de cálculo do IRPJ, sem tem adicionado o valor, no entanto, à base de cálculo da CSLL. A justificativa apresentada para tal foi falta de previsão legal para a adição em questão. Preliminar de inadmissibilidade do recurso especial Em suas contrarrazões a Fazenda alega que "não houve demonstração de divergência jurisprudencial", uma vez que embora haja, de fato, semelhança entre os fatos tratados nos acórdãos confrontados, não há nenhuma semelhança entre as normas analisadas por eles, uma vez que "o acórdão recorrido negou a dedutibilidade da amortização do ágio da base de cálculo da CSLL com base no art. 13 da lei 9.249/95, o qual em nenhum momento foi refutado pelos Acórdãos ns. 9101002.310 e 1201001.237, que se concentraram em defender que o art. 57 da Lei nº 8.981/95 não iguala as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL". Sem razão a Fazenda Nacional. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 313 7 Como consignado no Despacho que apreciou o Agravo apresentado pela Contribuinte ante a inadmissão de seu recurso (efls. 295), inexiste no voto condutor do acórdão recorrido qualquer referência ao art. 13, inciso III, da Lei nº 9.249/95, apesar de sua indicação no relato da acusação fiscal. E, "para negar provimento ao recurso voluntário, e manter a exigência de adição, à base de cálculo da CSLL, de despesas com amortização de ágio adicionadas apenas ao lucro real, o Conselheiro Relator atribuiu maior amplitude ao art. 57 da Lei nº 8.981/95 para também estabelecer a similitude entre os tributos sob exame no que se refere às normas de apuração, porque este alinhamento estaria expresso em outros dispositivos da mesma lei, assim como nos arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95", bem como "invocou a neutralidade fiscal dos ajustes de equivalência patrimonial, aí incluídas as amortizações de ágio, reportandose a outros julgados deste Conselho neste sentido". Já no acórdão paradigma nº 9101002.310, "o Conselheiro Relator concluiu inexistir norma legal que determinasse a adição da amortização para fins de apuração da base de cálculo da CSLL" e, na mesma linha, o paradigma nº 1201001.237 "expressa o entendimento de que a adição prescrita no art. 25 do Decretolei nº 1.598/77, com a redação dada pelo DecretoLei nº 1.730/79 diz respeito, apenas, à base de cálculo do IRPJ, bem como declara, que o art. 57 da Lei nº 8.981/95 não iguala as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL". Rejeitase, portanto, a preliminar de inadmissibilidade do recurso da Contribuinte. Mérito Como antes registrado, a Recorrente foi autuada por não ter adicionado à base de cálculo da CSLL do anocalendário de 2008 o montante de R$ 302.168.702,37 referente a despesas com amortização de ágio, montante esse que foi adicionado à base de cálculo do IRPJ. A Recorrente afirma, em apertada síntese, que ao tempo da autuação inexistia dispositivo legal que determinasse limites ou vedações para o aproveitamento do ágio no cálculo da CSLL, asseverando que o art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995 não assegura em caráter geral e irrestrito a identidade entre as bases de cálculo do IRPJ e da CSLL e que é notório que se a lei pretende que uma norma produza efeitos tanto na base de cálculo do IRPJ como da CSLL, ela assim o determina. Refere também que tal questão se tornou incontroversa com a edição da Lei nº 12.973/2014, que dispôs expressamente acerca da aplicação do art. 25 do DecretoLei nº 1.598/1977 à apuração da base de cálculo da CSLL. A Fazenda alega, em contrapartida, que não se está diante de caso de falta de previsão legal para a adição de despesa na apuração da base de cálculo da CSLL, mas sim de ausência de norma específica que autorize a dedução dessa despesa no cálculo dessa contribuição, e assevera que, de acordo com a natureza contábil do MEP, a despesa de amortização de ágio só será dedutível caso ocorra a alienação ou liquidação do investimento que propiciou o seu pagamento. Entendo que o acórdão recorrido não merece reformas. A avaliação de investimentos em outras sociedades (participações societárias) pelo valor do patrimônio líquido, método da equivalência patrimonial (ou MEP), encontrase regulada pela Lei nº 6.404/1976 (Lei das Sociedades Anônimas). Com efeito, o art. 248 desse diploma legal estabelece a obrigatoriedade de avaliação dos investimentos em empresas Fl. 313DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 314 8 coligadas, controladas e em outras sociedades que façam parte de um mesmo grupo ou estejam sob controle comum por esse método e estabelece suas regras. No âmbito tributário, coube ao DecretoLei nº 1.598/1977, como se vê de seu preâmbulo, "adaptar a legislação do imposto sobre a renda às inovações da lei de sociedades por ações (Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976)". Assim, no que toca ao método da equivalência patrimonial, o DecretoLei em questão dedicou à essa matéria a Subseção II da Seção II, intitulada "Investimento em Sociedades Coligadas ou Controladas Avaliado pelo Valor de Patrimônio Líquido". Inaugurando a subseção em comento, o art. 20 do DecretoLei estabelece que o custo de aquisição da participação societária deve ser desdobrado em valor de patrimônio líquido na época da aquisição e ágio ou deságio na aquisição1. O § 2º do artigo em questão fixa quais são os fundamentos econômicos possíveis a justificar o ágio/deságio (valor de mercado de bens do ativo superior/inferior ao registrado na contabilidade, rentabilidade de exercícios futuros e fundo de comércio, intangíveis ou outras razões econômicas). Na sequência, os arts. 22, 23, 25 e 33, estabelecem os efeitos tributários que exsurgem da avaliação de investimentos pelo MEP. O que esses dispositivos estampam é que os efeitos que a avaliação de investimentos pelo MEP produz nas contas de resultado devem ser neutros para fins tributários (neutralidade), a exceção do caso de alienação ou liquidação (baixa) do investimento (art. 33). Tal neutralidade se estabelece tanto em relação à variação positiva ou negativa do valor do investimento em si por ocasião da avaliação pelo MEP (arts. 22 e 23), quanto em relação à amortização do ágio ou do deságio (art. 25). Vale transcrever parcialmente os dispositivos em comento do DecretoLei nº 1.598/1977 (na redação anterior à trazida pela Lei nº 12.973, de 2014, aplicável aos fatos), cabendo registrar que tais disposições se encontram reproduzidas no RIR/1999, em seus arts. 385, 389, 391 e 426.: Art 20 O contribuinte que avaliar investimento em sociedade coligada ou controlada pelo valor de patrimônio líquido deverá, por ocasião da aquisição da participação, desdobrar o custo de aquisição em: I valor de patrimônio líquido na época da aquisição, determinado de acordo com o disposto no artigo 21; e II ágio ou deságio na aquisição, que será a diferença entre o custo de aquisição do investimento e o valor de que trata o número I. § 1º O valor de patrimônio líquido e o ágio ou deságio serão registrados em subcontas distintas do custo de aquisição do investimento. § 2º O lançamento do ágio ou deságio deverá indicar, dentre os seguintes, seu fundamento econômico: a) valor de mercado de bens do ativo da coligada ou controlada superior ou inferior ao custo registrado na sua contabilidade; b) valor de rentabilidade da coligada ou controlada, com base em previsão dos resultados nos exercícios futuros; 1 Aqui é feita referência à redação aplicável aos fatos, anterior à trazida pela Lei nº 12.973/2014. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 315 9 c) fundo de comércio, intangíveis e outras razões econômicas. § 3º O lançamento com os fundamentos de que tratam as letras a e b do § 2º deverá ser baseado em demonstração que o contribuinte arquivará como comprovante da escrituração. (...) Art 22 O valor do investimento na data do balanço (art. 20, I), depois de registrada a correção monetária do exercício (art. 39), deverá ser ajustado ao valor de patrimônio líquido determinado de acordo com o disposto no artigo 21, mediante lançamento da diferença a débito ou a crédito da conta de investimento. Parágrafo único Os lucros ou dividendos distribuídos pela coligada ou controlada deverão ser registrados pelo contribuinte como diminuição do valor de patrimônio líquido do investimento, e não influenciarão as contas de resultado. Art. 23 A contrapartida do ajuste de que trata o artigo 22, por aumento ou redução no valor de patrimônio liquido do investimento, não será computada na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). Parágrafo único Não serão computadas na determinação do lucro real as contrapartidas de ajuste do valor do investimento ou da amortização do ágio ou deságio na aquisição, nem os ganhos ou perdas de capital derivados de investimentos em sociedades estrangeiras coligadas ou controladas que não funcionem no País.(Incluído pelo Decretolei nº 1.648, de 1978). (...) Art. 25 As contrapartidas da amortização do ágio ou deságio de que trata o artigo 20 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no artigo 33. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) (...) Art. 33 O valor contábil, para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 20), será a soma algébrica dos seguintes valores: I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados, nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.730, 1979) Ora, se a avaliação de investimento em sociedade controlada ou coligada obrigatoriamente deve ser feita pelo MEP e se o tratamento tributário dos efeitos da avaliação de investimentos pelo MEP é regrado pelo DecretoLei nº 1.598/1977, o que inclui não só o ajuste do valor do investimento em si a cada do balanço (art. 22), mas também a amortização do ágio (ou deságio) pago na aquisição do investimento (art. 25), não há como dissociar o tratamento tributário da amortização do ágio das regras contidas no DecretoLei nº 1.598/1977, antes citadas. E o tratamento tributário estabelecido pelo Decreto é o da neutralidade. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 316 10 Importante sublinhar aqui que, sendo o ágio desdobramento do investimento (art. 20) e tendo sua amortização o condão de reduzilo, a neutralidade da amortização do ágio/deságio é conseqüência lógica da neutralidade da avaliação do investimento pelo MEP em si. Pois bem, no âmbito da amortização do ágio, a neutralidade se traduz na regra geral de indedutibilidade da amortização do ágio e essa regra se aplica tanto na apuração do IRPJ e quanto da CSLL. Ora, não faz sentido defender que as disposições do DecretoLei nº 1.598/1977 sobre os efeitos tributários da avaliação de investimentos pelo MEP, inclusive no que toca à amortização do ágio, não encontram eco na apuração da CSLL, apenas por serem feitas algumas referências nos retrocitados dispositivos ao "lucro real". Com efeito, o DecretoLei em questão, editado com o fim de adaptar a legislação do imposto sobre a renda às inovações da lei de sociedades por ações Lei nº 6.404/1976, antes da introdução da CSLL no sistema tributário nacional, cumpre função estruturante no regramento da avaliação de investimentos pelo MEP, estabelecendo regras gerais de contabilização que dizem com a neutralidade de seus efeitos na determinação do lucro tributável. Correto, portanto, o Relator do acórdão recorrido quando expressa a impossibilidade de excluir da neutralidade aqui referida a apuração do lucro líquido, "ainda que sem menção expressa na lei". Vejase, por outro lado, que a neutralidade da avaliação dos investimentos pelo método da equivalência patrimonial em relação a CSLL está plasmada nas disposições do art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, na medida em que os itens 1 e 4 da alínea "c" do § 1º do artigo em questão comandam a adição do resultado negativo e a exclusão do resultado positivo decorrentes da avaliação de investimentos pelo MEP. Vale transcrever parcialmente o art. 2º em comento (sublinhei): Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: a) será considerado o resultado do períodobase encerrado em 31 de dezembro de cada ano; b) no caso de incorporação, fusão, cisão ou encerramento de atividades, a base de cálculo é o resultado apurado no respectivo balanço; c ) o resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) Fl. 316DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 317 11 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei nº 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei nº 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (...) Nessa condição, sendo a neutralidade da amortização do ágio/deságio conseqüência lógica da neutralidade do MEP em si, uma vez que o ágio (ou deságio) é, como se viu, desdobramento do investimento, na medida em que o art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, traz a neutralidade da avaliação de investimento pelo MEP à CSLL, é de se concluir que nessa Contribuição também se verifica a neutralidade da amortização do ágio. Vejase, a propósito, como o Conselheiro Alberto Pinto Souza Júnior defende a indedutibilidade da amortização do ágio na apuração da CSLL com base nesse argumento no acórdão nº 1302001.170 (da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, de 11/09/2013, sublinhei): Entendo que a despesa de amortização do ágio é despesa indedutível na apuração da base de cálculo da CSSL, por força dos itens 1 e 4 do dispositivo acima transcrito, os quais deixam claro a finalidade da norma de tornar o MEP neutro na apuração da CSLL. A avaliação do investimento pelo MEP influencia o cálculo da CSLL em caso de alienação ou liquidação do investimento, já que esse seria o valor contábil do investimento a ser considerado. Além disso, se assim não fosse, contrario sensu, a receita decorrente da amortização do deságio seria tributada, o que não me parece razoável, mas seria inevitável chegar a tal conclusão caso se entenda dedutível a despesa de amortização do ágio. Notese que, se o ágio compõe o valor contábil do investimento e o MEP é apenas um método de avaliação do investimento, logo, é lógico que a amortização que reduz o ágio/deságio compõe “lato sensu” o resultado da avaliação do investimento pelo MEP, o qual seja positivo ou negativo não deve impactar a base da CSLL, como dispõe expressamente o dispositivo legal acima (itens 1 e 4 da alínea “c”do § 1º do art. 2º da Lei 7.689/88). Cumpre destacar a importante observação feita nesse julgado, no sentido de que, a afirmação de que a despesa decorrente da amortização do ágio é dedutível conduz, contrario sensu, à conclusão de que a receita decorrente da amortização do deságio é tributada, o que não é razoável, e nem vem sendo exigido. De outra banda, temse que, como já foi dito em diversos julgados recentes desta 1ª CSRF (citese, por exemplo os acórdãos nºs 9101002.814, de 11 de maio de 2017; 9101002.960, de 4 de julho de 2017; e 9101002.962, também de 4 de julho de 2017), a legislação tributária estabelece apenas duas situações (ou "eventos") em que o ágio contabilizado é "aproveitado" na redução das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. A primeira Fl. 317DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 318 12 está contida no próprio DecretoLei nº 1.598/1977 (art. 33) e abarca o caso de alienação ou liquidação do investimento na investida pela investidora, em que o ágio contabilizado se soma ao valor de patrimônio líquido do investimento para compor o valor contábil a ser considerado na apuração do ganho de capital, reduzindoo. A segunda é a estabelecida pela Lei nº 9.532/1997 (arts. 7º e 8º), por meio da qual é dito que, na hipótese de incorporação, fusão ou cisão em que investidora e investida passem a constituir uma mesma empresa, o ágio fundamentado em rentabilidade futura pode ser pode ser amortizado (e deduzido) à razão de no máximo um sessenta avos por mês. Em nenhuma das duas situações se enquadra o caso presente. Vale também trazer à colação o precedente do acórdão nº 1301001.067 (1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, 03/10/2012, Redator Designado Wilson Fernandes Guimarães), no sentido da indedutibilidade da amortização do ágio na determinação da CSLL por estar essa contribuição alcançada pelas disposições do DecretoLei nº 1.598/1977 sobre a matéria: ÁGIO. AMORTIZAÇÃO CONTÁBIL. BASE DE CÁLCULO DA CSLL. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, e o disposto nos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, o preconizado pelos arts. 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77 deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio amortizado contabilmente da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Excerto do Voto Condutor: Aqui, o Colegiado alinhouse ao registrado no acórdão recorrido, que, reproduzindo excertos do acórdão nº 25.455, de 16 de abril de 2009, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas, destacou que a indedutibilidade em questão “decorre da própria lógica contábil da metodologia de escrituração” dos investimentos avaliados pelo método da equivalência patrimonial. Como é cediço, não obstante as disposições trazidas pelos arts. 7º e 8º da Lei nº 9.532, de 1997, a legislação tributária foi edificada no sentido de emprestar absoluta neutralidade tributária aos ajustes e amortizações contábeis derivadas da aplicação do método de equivalência patrimonial. Assim, os efeitos fiscais decorrentes da aplicação do referido método, observadas, obviamente, as disposições da já citada Lei nº 9.532/97, só são verificados na apuração do resultado da alienação da participação societária. Em que pese a referência feita, em algumas das disposições, ao lucro real, para o Colegiado, o preconizado pelos arts. 22, 23, 25 e 33 do DecretoLei nº 1.598/77, abaixo reproduzidos, deixam claro que, para fins fiscais, os efeitos decorrentes da aplicação do método da equivalência patrimonial nas contas de resultado só devem ser considerados na baixa do investimento. Assim, considerado o disposto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 1988, não há que se falar em dedutibilidade do ágio. Fl. 318DF CARF MF Processo nº 16327.721375/201397 Acórdão n.º 9101003.398 CSRFT1 Fl. 319 13 Somese a essas razões o fato de a IN SRF nº 390/2004, que dispõe sobre a apuração e o pagamento da CSLL, ter sido expressa ao estabelecer em seu art. 44 que "aplicamse à CSLL as normas relativas à depreciação, amortização e exaustão previstas na legislação do IRPJ, exceto as referentes a depreciação acelerada incentivada, observado o disposto nos art. 104 a 106". Pelo todo exposto, não se pode afirmar, como faz a Recorrente, que a edição da Lei nº 12.973/2014, tornou incontroversa a anterior dedutibilidade da amortização do ágio no âmbito da CSLL. Em verdade, a lei em questão, ao promover extensa reforma acerca da matéria do tratamento do ágio em investimentos avaliados pelo MEP e alterar grande número de dispositivos do ora debatido DecretoLei nº 1.598/1977, nada mais fez do que explicitar a neutralidade tributária da amortização do ágio no âmbito da CSLL. Conclusão Em face do exposto, conheço do recurso e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 319DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.905456/2011-12
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Sat Mar 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE.
Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF.
Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
Numero da decisão: 3002-000.006
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diego Weis Junior e Maria Eduarda Simões, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Maria Eduarda Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62-A DO RICARF. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2005; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T2 Fl. 2 1 1 S3C0T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.905456/201112 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3002000.006 – Turma Extraordinária / 2ª Turma Sessão de 20 de fevereiro de 2018 Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Recorrente ROCHA BRANCA MINERAÇÃO COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). IMPOSSIBILIDADE. Não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a exportação de produtos que não sofreram operação de industrialização prevista na legislação do IPI e recebem a notação NT na Tabela do IPI por estarem fora do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. JULGAMENTO EM RECURSO REPETITIVO. ART. 62A DO RICARF. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Nos termos do julgamento do REsp nº 1.035.847/RS pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, a atualização monetária somente é possível sobre os valores indevidamente indeferidos pela autoridade administrativa, posteriormente revertidos pelas instâncias julgadoras. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para a correção pela taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Diego Weis Junior e Maria Eduarda Simões, que lhe deram provimento. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto a conselheira Maria Eduarda Simões. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 54 56 /2 01 1- 12 Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 3 2 Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, no valor de R$ 4.225,79, referente ao 1º trimestre de 2006, efetuado por meio de Per/Dcomp apresentado em julho/2007 (fls. 25 a 34). Por meio de despacho decisório à fl. 24, a unidade de origem indeferiu o pedido em razão da ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal, integrando o despacho decisório as informações complementares da análise de crédito disponíveis na página internet da Receita Federal, acessáveis pelo contribuinte por meio do Centro Virtual de Atendimento (eCAC). Tais informações complementares não estão disponíveis no processo. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega que a Lei nº 9.363, de 1996, não restringe a concessão de crédito presumido do IPI apenas aos produtos tributados, não podendo a Fiscalização o fazer em detrimento da Lei (fls. 2 a 15). Ao final, requer a correção do crédito pela taxa Selic, contada a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. A Delegacia de Julgamento proferiu o Acórdão nº 0130.787 (fls. 39 a 43), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que o crédito presumido somente pode ser concedido em relação a produtos sobre os quais o IPI incida, mas admitiu a correção do crédito pela taxa Selic, com o termo inicial após decorridos 360 dias do protocolo do pedido, em cumprimento da Nota PGFN/CRJ nº 775, de 2014. Segue a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT. O direito ao crédito presumido do IPI é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto. Por conseguinte, não estão alcançados pelo benefício os produtos por ele nãotributados (NT). Manifestação de Inconformidade Improcedente. Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 52 a 66), que não passa de cópia de sua manifestação de inconformidade, da qual se alterou apenas campos como o endereçamento e o nome da peça recursal, sem qualquer consideração específica quanto à fundamentação da decisão de primeira instância. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 4 3 No recurso voluntário alegase, em síntese, que a Lei não fez qualquer distinção entre produção e exportação de produtos nãotributados, tributados ou com alíquota zero; que a fiscalização força a utilização da legislação do IPI para interpretar o dispositivo legal; que se trata de uma presunção a ser acatada tal como está; que a fiscalização não pode inovar e que o benefício, instituído para desonerar as exportações, "deve ter interpretação em prol do escopo para o qual foi criado". Para sustentar suas alegações, apresenta decisões do CARF, do TRF4 e do STJ, das quais se transcreve apenas a parte de interesse para o julgamento: CARF Acórdão nº 20218.297 O art. 1º da Lei nº 9.363/96 não exige para o gozo do incentivo que o produto exportado seja tributado pelo IPI ou que a empresa seja contribuinte do IPI. Referindose a lei a "mercadorias", foi dado o benefício fiscal do gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados", que são espécie do gênero "mercadorias". TRF4 Apel 2007.70.01.0072727 (...) 7. Também é ilegal a restrição imposta com base no art. 17 da IN/SRF 419/04, relativamente à inclusão na receita de exportação, para efeito de crédito presumido, do valor resultante das vendas para o exterior de produtos nãotributados. A Lei 9.363/96, determinando expressamente o cálculo do benefício sobre o total das aquisições de matériasprimas, material intermediário e material de embalagem, sequer cogita de qualquer restrição ou exclusão, não sendo ela passível de ser inferida pelo intérprete. Essa regulamentação infralegal estabelece restrição que a lei não faz, descaracteriza, aliás, a finalidade do incentivo fiscal criado pelo legislador. STJ REsp 617.733/CE, Min. Teori Zavascki TRIBUTÁRIO. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. IN/SRF 29/97. ILEGALIDADE. (...) 2. O crédito presumido do IPI instituído pela Lei 9.363/96 teve por objetivo desonerar as exportações do valor do PIS/PASEP e da COFINS incidentes ao longo de toda a cadeia produtiva, independentemente de estar ou não o fornecedor direto do exportador sujeito ao pagamento dessas contribuições. Por isso mesmo, é ilegítima a limitação constante do art. 2º, § 2º da IN SRF 23/97, segundo o qual o crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem,na produção de bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS. Por fim, solicita novamente a correção do crédito pela taxa Selic, desconsiderando que a DRJ havia provido essa parte, embora com termo inicial diferente do pretendido pela recorrente. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 5 4 É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso é tempestivo, atende aos demais pressupostos de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, e dele tomo conhecimento. Crédito presumido do IPI O ponto que se discute neste processo é se o crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, pode ser concedido em relação a exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI. A recorrente é uma empresa que se dedica à exploração de jazidas minerais, beneficiamento (corte em chapas e polimento) e comercialização no mercado interno e externo de pedras tais como mármore, granito e ardósia, segundo informações constantes em seu recurso voluntário e em seu contrato social. Exporta, especificamente, blocos de granito que se classificam no código NCM 2516.12.00, cujo texto diz: granito simplesmente cortado a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. A Lei nº 9.363, de 1996, assim dispõe sobre o que interessa a esta discussão: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3o Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1o, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. (grifado) Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 6 5 Os artigos, considerados conjuntamente, determinam que o benefício aplica se às empresas e produtos que atendam aos conceitos de estabelecimento produtor, de produção, de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI, ou seja, na Lei nº 4.502, de 1964, e no Decreto nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), vigente à época dos fatos. Da leitura dos dispositivos legais pertinentes, a seguir transcritos, inferese que, para fins de IPI, estabelecimento produtor equivale a estabelecimento industrial, definido como aquele que executa alguma operação de industrialização da qual resulte produto tributado pelo imposto, ainda que de alíquota zero ou isento. Lei nº 4.502, de 1964 Art. 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Parágrafo único. Para os efeitos dêste artigo, considerase industrialização qualquer operação de que resulte alteração da natureza, funcionamento, utilização, acabamento ou apresentação do produto, salvo: (...) RIPI/2002 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento. (grifado) No presente caso, no que diz respeito a suas operações de exportação, a recorrente não se enquadra como estabelecimento industrial do RIPI e nem produz produto tributável pelo IPI. A exigência de a industrialização resultar em produto tributado pelo IPI não é fortuita, mas expressa o alcance do tributo, aponta para as suas hipóteses de incidência. Inicialmente, quando da publicação da Lei nº 4.502, de 1964, constava no Anexo à Lei uma relação que continha apenas os produtos sobre os quais incidia o IPI. Nessa relação não existe a notação NT e não existe a posição 2516, pois a atividade de extração mineral, com o mero corte da pedra, não foi considerado operação de industrialização para fins de tributação pelo IPI. A pedra que tenha sofrido algum trabalho, que pressuponha o aperfeiçoamento de que trata o RIPI, classificase no capítulo 68 ou posterior, esses sim tributados. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 7 6 Posteriormente, quando se decidiu por adotar a relação completa de bens sujeitos ao imposto de importação para fins de construção da TIPI, houve a necessidade de marcar quais bens estavam fora do campo de incidência do IPI, que passaram a ter a notação NT (nãotributados). Tal entendimento é confirmado pelo art. 2º do RIPI/2002, que assim dispõe: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) A notação NT inclui os produtos com imunidade pela Constituição Federal, como livro e jornal, mas o caso analisado, pedra simplesmente cortada, recebe a notação NT por não sofrer uma operação de industrialização. Assim, o que resta claro é que, uma vez que o art. 3º da Lei nº 9.363, de 1996, determina que se utilize os conceitos de produção/industrialização da legislação do IPI, o crédito presumido por ela instituído somente pode ser concedido quando houver exportação de produtos que estejam sob a incidência desse imposto. A Lei nº 9.363/96 adota a lógica do próprio tributo, inclusive aquela utilizada para a concessão dos créditos básicos e incentivados: a venda de mercadoria NT não gera saldo devedor. Se essa saída não gera saldo devedor para o contribuinte, também não pode gerar saldo credor. Essa limitação não alcança os produtos isentos ou com alíquota 0% porque esses estão dentro do campo de incidência do IPI. Os artigos do RIPI/2002 relativos à escrituração dos créditos básicos demonstram a coerência da interpretação adotada, a ver: Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: (...) § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . (...) Art. 193. Será anulado, mediante estorno na escrita fiscal, o crédito do imposto: I relativo a MP, PI e ME , que tenham sido: a) empregados na industrialização, ainda que para acondicionamento, de produtos nãotributados; (grifado) Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 8 7 Contraria qualquer lógica interpretativa defender que um tributo que não incide sobre determinado produto passe a incidir sobre esse mesmo produto somente quando for para gerar crédito. Pior ainda, não incide nem na geração de créditos básicos e incentivados, mas incide apenas quando se tratar do crédito presumido para ressarcimento das contribuições. A Lei nº 9.363, de 1996, em momento algum determinou que se desconsiderasse as hipóteses de incidência ou o fato gerador do IPI. Ao contrário, apontou em seu art. 3º que os conceitos fundamentais do imposto deveriam ser seguidos. Não vislumbro qualquer extrapolação ou restrição indevida na aplicação da lei na interpretação exposta, como alega a recorrente. Tratase apenas de interpretação sistemática, que traz coerência para a aplicação da legislação do IPI. Quanto às decisões transcritas pela recorrente, as turmas de julgamento somente estão obrigadas a aplicar aquelas que atendam ao prescrito no art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, o que não é o caso das decisões de outras turmas do CARF e de decisões do TRF4. Quanto à decisão do STJ, trata de tema diverso (compra de insumos de pessoas físicas), não se aplicando ao presente caso. Atualização monetária pela taxa Selic A recorrente solicita novamente a correção do crédito, aplicandose a taxa Selic a partir da data de protocolo do pedido de ressarcimento. Desconsiderou que a DRJ havia reconhecido o direito à atualização monetária, embora com termo inicial após decorridos 360 dias da data do protocolo. Entretanto, entendo que a decisão de primeira instância reconheceu o direito apenas em tese, uma vez que, como o crédito não foi reconhecido, tal decisão tornouse inócua. O STJ pacificou entendimento de que é devida a atualização monetária dos créditos escriturais de IPI nos casos em que o direito ao creditamento não foi exercido no momento oportuno, em razão da oposição de ato administrativo ou normativo reiterado, por meio do julgamento em rito de recursos repetitivos do REsp nº 1.035.847/RS, a seguir transcrito, conjuntamente com a súmula dele decorrente: REsp 1.035.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 9 8 oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. SÚMULA nº 411/STJ É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. (grifado) É importante ressaltar dois pontos da jurisprudência transcrita: 1) não há previsão legal para a atualização monetária de crédito escritural e 2) cabe a atualização quando constatada a oposição ilegítima e constante da Administração, seja por ato administrativo ou normativo. Para a aplicação dessa decisão do STJ, seria necessário encontrar no caso presente a condição apontada no item 2 acima, o que não ocorre, já que o indeferimento foi legítimo e fundamentado, não tendo o despacho decisório da unidade de origem sofrido revisão ao longo deste processo. Logo, concluo não estar atendido requisito para aplicação da atualização monetária do crédito pleiteado. Com essas considerações, voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Declaração de Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Dada a devida vênia aos fundamentos constantes do voto da eminente Relatora, ouso discordar das conclusões ali apresentadas, conforme fundamentos a seguir indicados. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 10 9 Embora reconheça que esta matéria seja bastante controvertida na jurisprudência deste Conselho, alinhome à corrente que entende que as exportações de produto com notação nãotributado (NT) da tabela do IPI deve integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996. Para que melhor se compreenda as razões aqui expostas, transcrevo a seguir o conteúdo do referido artigo 1º: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Notese que o caput do art. 1º acima transcrito, de fato, aponta como beneficiária do crédito presumido do IPI com ressarcimento do PIS e da COFINS a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Ou seja, os requisitos expostos na legislação são no sentido de que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais e que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridos para utilização no processo produtivo. Não há, em contrapartida, qualquer exigência de que tais produtos sejam efetivamente tributados pelo IPI, para que possa a empresa fazer jus ao crédito presumido de IPI. Entendo, portanto, que ao fazer menção à garantia do crédito sobre mercadorias nacionais, a Lei n.º 9.363/1996 englobou todas as mercadorias nacionais produzidas, sejam elas tributadas ou não pelo IPI, não tendo vinculado o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. Até porque, penso que a intenção do legislador, na verdade, não foi de restringir a concessão do crédito presumido aos produtos que estejam efetivamente sujeitos ao recolhimento do IPI, mas sim incentivar as exportações, concedendo tal benefício às empresas produtoras e exportadoras de mercadorias nacionais. Logo, penso que não caberia ao intérprete administrativo incluir requisito para fins de concessão do crédito presumido do IPI que não consta da própria lei que o instituiu. No meu entender, a interpretação sistemática da legislação defendida para fins de se negar a inclusão na base de cálculo do crédito presumido de qualquer mercadoria gravada como "NT", de forma genérica, vai muito além do que nos cabe no papel de Conselheiro/Julgador na esfera administrativa. E, ao assim proceder, invadese a seara legislativa, em prejuízo da segurança jurídica que deve reger a relação entre Fisco e contribuinte, já tão prejudicada pela complexidade da nossa confusa legislação tributária. Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 11 10 Nesse mesmo sentido, vide Acórdão n. 9303001.469, da Câmara Superior de Recursos Fiscais, e Acórdão n. 3402004.778, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, respectivamente: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2002 a 31/03/2002 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. FRETES. VINCULAÇÃO AOS INSUMOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. APROVEITAMENTO. De se permitir na formação do cálculo presumido de IPI a inclusão dos gastos com fretes pagos e destacados nas notas fiscais por ocasião de insumos utilizados no processo produtivo. TAXA SELIC. SÚMULA nº 411STJ. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. Rel. Min. Luiz Fux, em 25/11/2009. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo art. 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Recurso Especial do Procurador Negado. *** ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI RELATIVO AO PIS/COFINS. DESPESAS COM INSUMOS. COMBUSTÍVEIS, ENERGIA ELÉTRICA, MATERIAL LABORATORIAL. Somente podem ser incluídos na base de cálculo do crédito presumido as aquisições de matériaprima de produto intermediário ou de material de embalagem. Os combustíveis, energia elétrica e materiais laboratoriais não caracterizam matériaprima, produto intermediário ou material de Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 12 11 embalagem, pois não se integram ao produto final, nem foram consumidos, no processo de fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final (Súmula CARF n.º 19 e Parecer Normativo n.º 65/1979). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS PERANTE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVA. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DO CRÉDITO. PRECEDENTE VINCULANTE DO STJ. A restrição imposta pela IN/SRF n. 23/97 para fins de fruição de crédito presumido do IPI é indevida, sendo admissível o creditamento também na hipótese de aquisição de insumos de pessoas físicas e/ou cooperativas. Precedente do STJ retratado no Resp n.º 993.164, julgado sob o rito de recursos repetitivos, apto, portanto, para vincular este Tribunal Administrativo, nos termos do art. 62, §2° do RICARF. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE VENDAS DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1º da lei nº 9.363/96, ao instituir o benefício do crédito presumido de IPI à empresa produtora e exportadora de “mercadorias nacionais”, não o restringe apenas aos produtos industrializados, não cabendo ao intérprete administrativo fazer distinção onde a própria lei não o fez. A Lei n.º 9.363/1996 não vincula o cálculo do crédito presumido à efetiva tributação pelo IPI na entrada ou na saída. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. RECEITAS DE REVENDA. A receita auferida na revenda de mercadorias ao exterior deve ser adicionada à receita de exportação para o fim de apurarse o coeficiente de exportação. CRÉDITO PRESUMIDO IPI. COMPROVAÇÃO EXPORTAÇÃO. Necessário reconhecer o crédito para a qual houve a comprovação da exportação, confirmada na diligência realizada. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA SELIC. É legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco, no pedido de ressarcimento contra o qual houve a oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 13 12 Uma vez afastada a interpretação de que os produtos gravados como "NT" deveriam, por esta razão, ser excluídos da base de cálculo do crédito presumido, passase, então, à análise dos demais requisitos dispostos na legislação. Conforme acima indicado, verificase que a legislação exige que a empresa seja produtora e exportadora de mercadorias nacionais e que as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam adquiridos para utilização no processo produtivo. No caso concreto aqui analisado, ao contrário do que entendeu a ilustre Relatora, entendo que tais requisitos restaram observados pela Recorrente, inclusive em observância ao disposto no art. 4º do RIPI 2002, a seguir transcrito: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: (...) II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); (...) Isso porque, consoante acima relatado, verificase que a recorrente é uma empresa que se dedica à exploração de jazidas minerais, beneficiamento (corte em chapas e polimento) e comercialização no mercado interno e externo de pedras tais como mármore, granito e ardósia, segundo informações constantes em seu recurso voluntário e em seu contrato social. Exporta, especificamente, blocos de granito que se classificam no código NCM 2516.12.00, cujo texto diz: granito simplesmente cortado a serra ou por outro meio, em blocos ou placas de forma quadrada ou retangular. Entendo, portanto, que a atividade de corte em chapas e polimento se enquadra no conceito de produção para fins de usufruto do crédito presumido do IPI, visto que altera, sem sombra de dúvidas, o acabamento (polimento), a aparência (cortes em diversos tamanhos e formatos) ou até a finalidade do produto (os cortes específicos de cada produto poderão diferenciar a finalidade de cada produto). Ademais, entendo que o art. 2º do RIPI/2002 abaixo transcrito trata apenas da incidência ou não do IPI, dispondo que os produtos "NT" estão excluídos do campo de incidência daquele imposto: Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI. Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado). (grifado) Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 14 13 Ou seja, este dispositivo legal não possui o condão de fazer concluir que os produtos "NT" não sofrem processo de industrialização. A legislação optou como selecionar os produtos que seriam gravados como "NT" por diversas razões, inclusive para casos em que há processo de industrialização. É o caso, por exemplo, dos produtos com imunidade tributária determinada pela Constituição Federal, que são gravados como "NT" e, em relação aos quais não há discussão acerca de eventual existência de processo de industrialização. Nesse viés, penso que a conclusão de que o produto aqui analisado teria recebido a notação "NT" por não sofrer processo de industrialização não possui embasamento normativo. Para fins de identificação da melhor solução para a presente demanda, portanto, imprescindível que se analise a atividade específica desempenhada pela Recorrente, e, ao analisála, entendo que assiste razão ao contribuinte, conforme razões acima apresentadas. Por fim, entendo que a menção aos artigos 190 e 193 do RIPI/2002 não possui relevância à solução da presente contenda, visto que versam sobre créditos básicos de IPI, cuja análise não guarda, no meu entender, qualquer relação com a hipótese aqui analisada. Consoante visto acima, a presente contenda versa sobre crédito presumido do IPI, o qual possui particularidades atinentes às razões que levaram à sua concessão (incentivo à exportação) que decerto não se relacionam com as razões atinentes ao crédito básico deste mesmo tributo. Nesse contexto, por entender ter sido ilegítima a recusa realizada pela fiscalização, penso que faz jus a Recorrente à inclusão da SELIC a partir da data do protocolo do Pedido de Ressarcimento. Até porque, como é cediço, este entendimento já restou sedimentado pelo Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.035.847/RS, em sede de recursos repetitivos, ao assim dispor: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10783.905456/201112 Acórdão n.º 3002000.006 S3C0T2 Fl. 15 14 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009) Ou seja, fixou o STJ que é devida a correção monetária sobre o valor referente a créditos de IPI admitidos extemporaneamente pelo Fisco. E, uma vez constatada a ilegitimidade da recusa realizada pela fiscalização, este entendimento deve ser aplicado por este CARF na forma do art. 62, §2º, do Regimento Interno, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Voto, portanto, no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É como voto. Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.002493/2009-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 DESPESAS OPERACIONAIS. PAGAMENTO DE RESGATE DE SEQÜESTRO. DESCONSIDERAÇÃO.
O pagamento de resgate por seqüestro de sócio da pessoa jurídica não se enquadra no conceito de despesa operacional, posto não ser uma operação necessária à atividade da empresa nem à manutenção da respectiva fonte produtora, tampouco se enquadrar na exceção prevista no §3º do art. 47 da Lei n° 4.506/64.
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL.
A decisão estabelecida para o IRPJ deve ser aplicada à CSLL, devido à identidade de causa.
Numero da decisão: 1402-000.925
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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PAGAMENTO DE RESGATE DE SEQÜESTRO. DESCONSIDERAÇÃO. O pagamento de resgate por seqüestro de sócio da pessoa jurídica não se enquadra no conceito de despesa operacional, posto não ser uma operação necessária à atividade da empresa nem à manutenção da respectiva fonte produtora, tampouco se enquadrar na exceção prevista no §3º do art. 47 da Lei n° 4.506/64. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL. A decisão estabelecida para o IRPJ deve ser aplicada à CSLL, devido à identidade de causa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 879DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.002493/200921 Acórdão n.º 140200.925 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.002493/200921 Acórdão n.º 140200.925 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Drogaria Capilé Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de impugnação ao auto de infração lavrado em 30/10/2009 pela DRF Novo Hamburgo para constituir crédito tributário de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido dos anos calendário de 2004 a 2007, no valor de R$ 3.232.166,60 (fl. 01). A impugnante insurgese exclusivamente contra a parte da glosa das despesas contabilizadas em razão do seqüestro de um de seus sócios, no valor de R$ 300.000,00 (fl. 783). Relativamente aos demais fatos, a contribuinte declara que não há o que impugnar e que, inclusive, já está procedendo no parcelamento do saldo nos termos da Lei n° 11.941/09 (fl. 783). Com relação à extorsão mediante seqüestro de sócio da impugnante e a dedução das despesas para pagamento de resgate para sua libertação, a contribuinte alega, em resumo, que (fls 783 a 785): 1) Deduziu as despesas para pagamento do resgate com base no art. 364 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99), que, na interpretação da impugnante, permite que despesas com furto sejam dedutíveis desde que cumprido o requisito da apresentação da "queixa" perante a autoridade policial. 2) O próprio fiscal reconhece a existência do Boletim de Ocorrência (BO) policial em data de 18/07/2005; logo, o requisito para dedução da despesa do pagamento do resgate foi cumprido. 3) A glosa realizada pela fiscalização se apega apenas ao formalismo, uma vez que, na visão da impugnante, não haveria diferença conceitual de furto entre "o que é pego diretamente pelo ladrão" ou "o que é pego, sob forte ameaça, por terceira pessoa, para entrega posterior ao ladrão" (espécie de furto qualificado, sob coação). A impugnante requer o acolhimento de sua impugnação para revisar o lançamento considerando correta a dedução das despesas inerentes ao seqüestro do sóciodiretor da empresa.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 10 30.321 (fls. 790792) de 17/03/2011, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 DESPESAS OPERACIONAIS. PAGAMENTO DE RESGATE DE SEQÜESTRO. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção Fl. 881DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.002493/200921 Acórdão n.º 140200.925 S1C4T2 Fl. 4 4 da respectiva fonte produtora. São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. O pagamento de resgate por seqüestro de um sócio da pessoa jurídica não se enquadra no conceito de despesa operacional, pois não é uma operação necessária à atividade da empresa nem à manutenção da respectiva fonte produtora. A personalidade jurídica da sociedade não se confunde com a personalidade civil dos seus sócios. DEDUÇÃO DE PREJUÍZO POR DESFALQUE, APROPRIAÇÃO INDÉBITA OU FURTO. Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos causados por desfalque, apropriação indébita ou furto, por funcionários ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. Essa previsão legal não inclui os prejuízos causados por sócio da pessoa jurídica nem o pagamento de resgate por seqüestro de qualquer um de seus sócios, ainda que exista a queixa perante a autoridade policial. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE: CSLL. A decisão estabelecida para o IRPJ deve ser aplicada à CSLL, devido à identidade de causa.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 30/03/2011 (A.R. de fl. 795), a interessada interpôs recurso voluntário em 07/04/2007 onde repisa os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o relatório. Fl. 882DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.002493/200921 Acórdão n.º 140200.925 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Tratase, exclusivamente, de glosa das despesas contabilizadas em razão do seqüestro de um de sócios da empresa. Passase à análise do pleito. O art. 47 da Lei n° 4.506/64, na parte que interessa a lide, estabelece o seguinte: Art. 47. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora. § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa. §3º Somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita, furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial. A Coordenação Geral de Tributação – COSIT, órgão que possui a competência regimental para interpretar a legislação tributária e elaborar os atos normativos de orientação e uniformização de procedimento no âmbito da RFB, emitiu sobre o assunto o Parecer Normativo CST n° 50/73, cujos fundamentos são apresentados a seguir: 1. Diz a lei que "somente serão dedutíveis como despesas os prejuízos por desfalque, apropriação indébita ou furto, por empregados ou terceiros, quando houver inquérito instaurado nos termos da legislação trabalhista ou quando apresentada queixa perante a autoridade policial" (Lei nº 4.506, de 30.11.64, art. 47, §3º, RIR, art. 182). 2. Essa regra legal vem sob a forma de parágrafo, o que dentro da boa técnica legislativa indica dever sua compreensão ser relacionada com o caput do artigo respectivo. No caput do artigo, define a lei como operacionais "as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora" (Lei nº 4.506, art. 47; RIR, art. 162). Mesmo prima facie já se pode ver que o §3º representa uma exceção à regra enunciada na cabeça do artigo, pois o parágrafo admite como dedutível uma classe de despesas que não se acham compreendidas na definição do caput — não pode haver dúvida de que desfalque, apropriação indébita ou furto nem são necessários à atividade da empresa, nem são necessários à manutenção da respectiva fonte produtora. Fl. 883DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.002493/200921 Acórdão n.º 140200.925 S1C4T2 Fl. 6 6 3. Firmada a conclusão de que o parágrafo acima referido constitui uma exceção à regra inserta no caput do mesmo artigo, podemos passar à análise de sua extensão contenutística. O fato de se constatar o caráter de exceção do referido parágrafo orienta o intérprete no sentido de obter o estrito alcance da norma, evitando estenderlhe a incidência para além de seus próprios limites: exceptiones strictissimae interpretationis sunt. Em consonância com essa diretriz, o §3º do art. 47 da Lei 4.506 deve ser compreendido como permitindo a dedução, a título de despesas, nas hipóteses cuja configuração depende dos seguintes pressupostos: 1º) existência de prejuízos em decorrência de desfalque, apropriação indébita ou furto; 2º) imputabilidade da autoria a empregado ou terceiros; 3º) existência de inquérito nos termos da legislação trabalhista, ou de queixa perante a autoridade policial. No caso concreto, consta dos autos às fls. 639/640 cópia do Boletim de Ocorrência n° 188/2005, realizado junto à Delegacia de Roubos e Extorsões da Polícia Civil RS às 15h 53min do dia 18/07/2005, comunicando uma extorsão mediante seqüestro consumado do sócio da empresa, Sr. Ademar Inácio Schneider, ocorrida no mês anterior ao registro da ocorrência (no período entre 07/06/2005 às 21h l0 min até 08/06/2005 às 23h), na via pública, onde teria sido abordado em uma falsa blitz da brigada militar na rua Leopoldo Zimmermann na cidade de São LeopoldoRS. Desse local, como relatado no BO, teria sido levado a um cativeiro, onde permaneceu até o dia seguinte quando foi pago o resgate de trezentos mil reais pela sua liberdade. De acordo com o relatado no BO, o Sr. Ademar teria sido vítima de uma extorsão mediante seqüestro. A meu ver o pagamento do resgate decorrente de tal situação não pode se configurar em prejuízos dedutíveis, posto que o crime cometido não se confunde com desfalque, apropriação indébita ou furto, conforme prescrito na norma. Ademais, pelos documentos acostados aos autos, há que se ponderar que o crime cometido não pode ser imputado a empregado ou terceiro com relação estabelecida com a Interessada. Em que pese a gravidade de tal crime, entendo que o Sr. Ademar teve atingida, tãosomente, sua personalidade civil, de natureza diversa da personalidade jurídica da Recorrente. Nesse sentido, acompanho o entendimento contido na decisão recorrida, para considerar que o pagamento do resgate pela pessoa jurídica, que possui personalidade jurídica distinta da personalidade dos sócios, caracterizouse, no escopo da conseqüência tributária de tal ato, por uma ação voluntária em prol de um dos sócios, dado que a empresa não sofreu diretamente a ação dos criminosos. Isso porque o pagamento do resgate não pode se enquadrar no conceito de despesa dedutível da pessoa jurídica, seja por não ser operacional, haja vista não se constituir em despesa necessária à atividade da empresa nem tampouco à manutenção da respectiva fonte produtora, seja por não se enquadrar nos critérios de excepcionalidade permissiva da dedução, previstos no §3º do art. 47 da Lei n° 4.506/64, conforme analisados acima. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.002493/200921 Acórdão n.º 140200.925 S1C4T2 Fl. 7 7 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a glosa das despesas contabilizadas em razão do seqüestro de um dos sócios da empresa. Sala das Sessões, em 16 de março de 2012. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 885DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente e m 12/04/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENC, Assinado digitalmente em 12/04/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10930.003341/2004-21
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1998
ADMISSIBILIDADE. PARADIGMA CONTRARIANDO SUMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Acórdão paradigma com entendimento amparado em dispositivo normativo posteriormente declarado inconstitucional por súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal não poderá ser utilizado para demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária, verificação que pode ser realizada na data da admissibilidade do recurso especial, inclusive pelo Colegiado da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Art. 67, § 12, Anexo II do Regimento Interno do CARF. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 9101-003.458
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1998 ADMISSIBILIDADE. PARADIGMA CONTRARIANDO SUMULA VINCULANTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. RECURSO NÃO CONHECIDO. Acórdão paradigma com entendimento amparado em dispositivo normativo posteriormente declarado inconstitucional por súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal não poderá ser utilizado para demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária, verificação que pode ser realizada na data da admissibilidade do recurso especial, inclusive pelo Colegiado da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Art. 67, § 12, Anexo II do Regimento Interno do CARF. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Cristiane Silva Costa, que conheceu do recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 33 41 /2 00 4- 21 Fl. 2331DF CARF MF Processo nº 10930.003341/200421 Acórdão n.º 9101003.458 CSRFT1 Fl. 2.332 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN (efls. 2091/2109) em face da decisão proferida no Acórdão nº 10322.124 (efls. 2078/2088), pela Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, na sessão de 19/10/2005, no qual foi acolhida decadência relativa ao PIS e Cofins dos fatos geradores de janeiro a novembro de 1998. O acórdão recorrido apresentou a seguinte ementa: IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL SIGILO BANCÁRIO MATERIA “SUBJUDICE” Estando a quebra do sigilo bancário em discussão na esfera judicial, deverão os autos aguardar o trânsito em julgado dessa matéria, no sentido do cumprimento do decido nestes autos. OMISSÃO DE RECEITA Não comprovando o sujeito passivo a origem dos depósitos bancários, após devidamente intimado, configurase o montante dos mesmos como omissão de receita, na forma da presunção legal do artigo 42 da Lei n° 9.430/96. MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS CONCOMITANCIA A aplicação da multa de .oficio isolada, por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas, decorrentes de omissão de receita, concomitante com a multa de ofício incidente sobre a mesma omissão, não encontra amparo legal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A existência de conta bancária em nome de interposta pessoa e não escriturada, a qual teve o montante dos depósitos caracterizado como omissão de receita, justifica a aplicação da multa de lançamento de oficio qualificada, de 150%. JUROS DE MORA TAXA SELIC A partir de abril de 1995, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. A exigência de juros de mora com base na Taxa Selic está em total consonância com o Código Tributário Nacional, haja vista a existência de leis ordinárias que expressamente a determina. Fl. 2332DF CARF MF Processo nº 10930.003341/200421 Acórdão n.º 9101003.458 CSRFT1 Fl. 2.333 3 A PGFN interpôs recurso especial, em face do entendimento da decisão recorrida em reconhecer a decadência para o PIS e Cofins aplicando a contagem para tributos sujeitos a lançamentos por homologação nos termos do art. 150, § 4º do CTN. Protestou a recorrente pela aplicação do então vigente art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, que previa o prazo decadencial de dez anos para as contribuições sociais destinadas à seguridade social. Também se manifestou no sentido de restabelecer o lançamento da multa isolada, vez que não seria concomitante com a multa de ofício. O despacho de exame de admissibilidade (efls. 2127/2131) deu seguimento parcial ao recurso especial em relação à decadência. A Contribuinte apresentou embargos de declaração que foram rejeitados. Apresentou contrarrazões (efls. 2168/2195) arguindo a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991 e requerendo o improvimento do recurso especial da PGFN. Também interpôs recurso especial que não foi admitido por despacho de admissibilidade de embargos. Na sequência apresentou agravo que foi rejeitado. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em relação à admissibilidade, encontramse preenchidos requisitos formais de tempestividade e legitimidade. Contudo, há que se apreciar condição específica atinente aos recursos especiais interpostos junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais prevista no Regimento Interno do CARF. A matéria devolvida consiste em apreciar a decadência o PIS e Cofins, relativos aos meses de janeiro a novembro de 1998. A princípio, há que se esclarecer que, a respeito do exame de admissibilidade, o RICARF prevê sua operacionalização em dois momentos, ou dois atos processuais distintos: primeiro, por ocasião de análise inicial realizada pelo Presidente da Câmara, formalizado em despacho de exame de admissibilidade; segundo, em apreciação realizada pelo Colegiado da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O segundo exame não se vincula ao resultado do primeiro, tanto que o Colegiado da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais pode reformar o entendimento proferido pelo despacho de exame de admissibilidade. No caso dos autos, a PGFN interpôs recurso especial apresentando como paradigma o Acórdão nº 20306.655, com a ementa transcrita na parte que interessa ao litígio: EMENTA: NORMAS PROCESSUAIS PRAZO DECADENCIAL O direito da Fazenda Pública de efetuar o lançamento da contribuição fenece em 10 (dez) anos, contados da data prevista para o seu recolhimento (arts. 102 do Decreto n° 92.698/86; 9° Fl. 2333DF CARF MF Processo nº 10930.003341/200421 Acórdão n.º 9101003.458 CSRFT1 Fl. 2.334 4 do DecretoLei n° 249/83 e 45 da Lei 8.212/91) Preliminar rejeitada. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal publicou a Súmula Vinculante nº 8 que declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/1991: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. O que se observa é que a decisão paradigma apresentada para demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária aplicou dispositivo normativo posteriormente declarado inconstitucional por súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. O regimento interno atual (Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015), dispõe, no art. 67, § 12, Anexo II: Art. 67. (...) § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; (Grifei) Merece especial destaque o termo "na data da análise da admissibilidade do recurso especial". Isso porque, na ausência da expressão, poderseia abrir debate sobre qual regimento deveria ser aplicado, o atual, ou o regimento vigente à época da interposição do recurso especial (Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, que não trazia a restrição prevista no § 12 do art. 67, Anexo II do regimento atual). Nos autos do processo nº 13840.000215/0018, discutiuse os efeitos da nova redação dada ao § 11 do art. 67 do Anexo II do RICARF. Votouse, por unanimidade (pelas conclusões os Conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Daniele Souto Rodrigues Amadio e Gerson Macedo Guerra) no sentido de que deveria se aplicar, para os recursos especiais interpostos sob a égide da norma processual anterior (que exigia transcrição integral da ementa do paradigma no recurso), o dispositivo regimental atual, que autorizou a reprodução parcial da ementa (quando da não apresentação das cópias integrais das decisões), desde que fosse a respeito da matéria devolvida, para fins de atendimento de requisito formal de admissibilidade. Nos presentes autos, entendo também pela aplicação do dispositivo regimental atual, mas por motivos diferentes do julgado mencionado. Fato é que o § 12 do art. 67 do Anexo II do RICARF é preciso ao determinar marco temporal para aplicação da norma, qual seja, a data da admissibilidade do recurso especial. Nesse contexto, percebese que a norma processual dispõe que, independente do ordenamento jurídico vigente à época da interposição do recurso, caso a lei que amparou o paradigma tenha sido declarada inconstitucional posteriormente (no caso, por ocasião de publicação de súmula vinculante do STF), o acórdão paradigma não poderá ser utilizado. Fl. 2334DF CARF MF Processo nº 10930.003341/200421 Acórdão n.º 9101003.458 CSRFT1 Fl. 2.335 5 É expressa na norma a dissociação entre a data de interposição do recurso e a data estabelecida para o exame da admissibilidade do recurso. A redação mostrase clara no sentido de aplicar a regra do regimento atual independente do cenário legislativo vigente à época da interposição do recurso. Ou seja, ainda que, na data de interposição do recurso, a parte tenha se valido de paradigma amparado em legislação com status de constitucionalidade, caso a legislação seja declarada inconstitucional posteriormente, prevalece determinação regimental no sentido de se desconsiderar a decisão paradigmática, em exame de admissibilidade. Podese entender que o dispositivo regimental parte da premissa de que, tendo sido declarada inconstitucional a norma, os efeitos são retroativos, tornandose inválida 1 sua aplicação mesmo em eventos pretéritos, inclusive, para ser utilizada como paradigma. Uma exceção poderia ser objeto de debate: caso em que o STF valesse da modulação dos efeitos da norma. No caso em tela, a Súmula Vinculante nº 8 teve seus efeitos modulados. Transcrevo excerto da ementa e da decisão do julgamento do RE 559.9434/RS sobre o tema: 4. Declaração de inconstitucionalidade, com efeito ex nunc, salvo para as ações judiciais propostas até 11.6.2008, data em que o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991. (...) Decisão: O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplicase tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto da relatora. (...) No caso, a modulação foi no sentido de que para as ações judiciais de repetição de indébito propostas a partir de 12/6/2008, a nulidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 teria efeito ex nunc. A situação aos presentes autos, que não trata de repetição de indébito, não foi abrangida pela modulação, ou seja, os efeitos de nulidade permanecem retroativos. Por isso, não obstante a interposição do recurso especial ter ocorrido quando a lei era constitucional, os efeitos ex tunc tornaram a lei inválida, retirando a possibilidade de decisão amparada no diploma declarado inconstitucional ser adotada como paradigma. E, no caso concreto, realizandose a admissibilidade do recurso especial, encontrase cenário no qual resta consumada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, a decisão amparada no dispositivo não poderá servir de paradigma, o que impossibilita o seguimento do recurso. 1 Aqui se parte da premissa de que o Brasil adotou o modelo norte americano de controle de constitucionalidade, no qual a declaração de inconstitucionalidade atua no plano de validade, razão pela qual se fala em nulidade. Vale lembrar que o entendimento vem sofrendo atenuações no decorrer do tempo. Fl. 2335DF CARF MF Processo nº 10930.003341/200421 Acórdão n.º 9101003.458 CSRFT1 Fl. 2.336 6 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da PGFN. (assinatura digital) André Mendes de Moura Fl. 2336DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13603.000682/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.676
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa anexe os comprovantes de pagamentos para os fatos geradores lançados e informe o andamento processual dos processos nº 10980.003795/2001-64 e 10980.003794/2001-10.
[assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
[assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
RELATÓRIO
Nome do relator: MARIA DO SOCORRO FERREIRA AGUIAR
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa anexe os comprovantes de pagamentos para os fatos geradores lançados e informe o andamento processual dos processos nº 10980.003795/200164 e 10980.003794/200110. [assinado digitalmente] Paulo Guilherme Déroulède Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Lavrouse contra o contribuinte acima identificado o presente Auto de Infração (fls. 03/33), relativo à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, totalizando um crédito tributário de R$ 1.208.263,06, incluindo multa de oficio e juros de mora, correspondente aos fatos geradores de 08/09/1999 a 24/10/2001 (fls. 14/24). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .0 00 68 2/ 20 06 -1 5 Fl. 495DF CARF MF Processo nº 13603.000682/200615 Resolução nº 3302000.676 S3C3T2 Fl. 1.520 2 A autuação ocorreu em virtude da falta de recolhimento da contribuição nos períodos acima identificados, conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is),de fls. 05/07. Os valores apurados foram baseados no demonstrativo apresentado pelo próprio contribuinte (fls. 313/316). Foi verificado o cumprimento das obrigações fiscais relativas à CPMF que deixou de ser recolhida pelas instituições financeiras, em virtude de decisão judicial favorável à empresa, mas posteriormente revogada. A Fiscalização constatou que os débitos referentes ao período autuado que foram objeto de pedido de compensação combinado com restituição (Processos n's 106980.003795/200164 e 10980.003794/200110) não restaram devidamente quitados ou confessados pelo contribuinte, já que não estão declarados em DCTF e os pedidos de compensação, à época, não constituíam confissão de dívida. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento(s) Legal(is) do referido Auto de Infração (fl. 13). Irresignado, tendo sido cientificado em 10/05/2006 (fl. 358), o autuado apresentou, em 09/06/2006, acompanhadas dos documentos de fls. 367/413, as suas razões de discordância (fls. 359/366), a seguir resumidas: Narrando os fatos considerados pelo fisco na formalização do presente lançamento, argúi a decadência do direito da Fazenda constituir o crédito tributário, uma vez que o lançamento somente efetivouse em 10/05/2006, mais de cinco anos após a ocorrência dos fatos geradores de 08/11/1999 a 09/05/2001. Isso porque a contribuição em foco se sujeita ao regime do lançamento por homologação, sendo aplicável o prazo qüinqüenal previsto no §4° do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN) e o art. 156, VII, do mesmo Código. Salienta que a própria Fiscalização reconhece que houve pagamentos durante o período autuado e que apenas o crédito tributário ora constituído teria deixado de ser recolhido. Ressalta ainda que o art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, não pode ser aplicado ao caso, pois a matéria de decadência tributária somente pode ser disciplinada por lei complementar (art. 146, III, da CF/1998), além de ser válida apenas às contribuições arroladas nessa Lei. Nesse sentido, cita julgados dos Conselhos de Contribuintes. Entende que mesmo na hipótese de se considerar válida a constituição do crédito tributário, sua cobrança deve ser suspensa até que sejam julgados os Pedidos de Compensação objeto dos PAFs nos 106980.003795/200164 e 10980.003794/200110, nos temos do art. 74, §11, da Lei n° 9.430, de 1996, pois caso seja reconhecida a validade dos créditos pleiteados nos referidos processos, os valores autuados deverão ser extintos por compensação. Deve ser ainda excluída a incidência da multa de oficio, pois a compensação teria que ser processada nos termos do art. 13 da IN n° 21, de 1997, que determina que o encontro de contas se daria à data do protocolo dos pedidos de ressarcimento que deram origem aos processos de compensação. Ademais, a multa de oficio não poderia ser lançada, pois os débitos autuados foram objeto de pedido de Fl. 496DF CARF MF Processo nº 13603.000682/200615 Resolução nº 3302000.676 S3C3T2 Fl. 1.521 3 compensação antes da lavratura do Auto de Infração. Sobre o assunto, transcreve ementa de Acórdão da DRJ/Ribeirão Preto. Por fim, requer o cancelamento da autuação em razão da decadência, ou que os débitos sejam utilizados para compensação, na forma já requerida nos processos n's 10980.003795/200164 e 10980.003794/200110. É o relatório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 08/09/1999 a 24/10/2001 Com a publicação da Súmula Vinculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal, deve ser observado, para as contribuições sociais, o prazo decadencial previsto no Código Tributário Nacional. Até a publicação da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003, o recurso interposto contra o indeferimento do pedido de restituição/compensação não tinha o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário a ser compensado. Mantémse a multa de oficio aplicada sobre as parcelas compensadas indevidamente e não previamente inseridas em declaração com o cunho de configurar confissão de dívida. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 13/03/2009, conforme AR de fl. 445, apresenta em 13/04/2009, fl. 449/464 Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, onde repisa os argumentos já colacionados em sede impugnatória. É o relatório. Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Argui a recorrente que os valores autuados foram objeto de compensação com créditos decorrentes dos Pedidos de Ressarcimento de IPI n.°s 10980.003795/200164 e 10980.003794/200110. Destaca ainda que a própria Fiscalização reconheceu, quando da lavratura do Auto de infração, que a Recorrente efetuou pagamentos de CPMF durante o período autuado, e que apenas o crédito tributário ora constituído, referente à movimentação bancária realizada junto ao Banco ABN Amro Real teria deixado de ser recolhido. Fl. 497DF CARF MF Processo nº 13603.000682/200615 Resolução nº 3302000.676 S3C3T2 Fl. 1.522 4 Ressalta que como a Fiscalização reconheceu a existência de pagamentos realizados pela Recorrente, deveria ter oportunizado a produção de novas provas, em prol dos princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, aos quais está adstrito o processo tributário administrativo, mas jamais lhe negar o direito por suposta ausência de provas. Diz ainda que a comprovação de que a Recorrente sofreu a retenção da CPMF em movimentações realizadas em outras instituições financeiras que não o Banco ABN Amro Real, pode ser facilmente obtida pelo próprio Sistema Eletrônico da Receita Federal, uma vez que todas as Instituições Financeiras sediadas no país estavam obrigadas a fornecer ao Fisco a informação acerca dos valores retidos a título de CPMF, bem como a identificação do respectivo contribuinte. Tendo em vista a arguição do contribuinte acima destacada e consideração a documentação acostada ao recurso voluntário, fls.467/468, que embora pouco legível sugere a existência de pagamentos efetuados, com amparo no artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto pela conversão do processo em diligência para que sejam adotadas as seguintes providências pela unidade administrativa: 1 sejam anexados os comprovantes de pagamentos para os fatos geradores lançados, caso existentes. 2 seja informado o andamento processual dos processos nºs 10980.003795/200164 e 10980.003794/200110. Após ciência ao sujeito passivo, devolver o processo a este E. Conselho para a conclusão do julgamento. É como voto. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora Fl. 498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13866.000053/2010-72
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2009
SIMPLES NACIONAL. DECURSO DE PRAZO DE 180 DIAS APÓS A INSCRIÇÃO NO CNPJ. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE.
Se ultrapassado o prazo limite de 180 após a data de abertura constante do CNPJ, a solicitação de opção pelo Simples Nacional somente poderá ser feita em janeiro.
Numero da decisão: 1001-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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DECURSO DE PRAZO DE 180 DIAS APÓS A INSCRIÇÃO NO CNPJ. OPÇÃO RETROATIVA. IMPOSSIBILIDADE. Se ultrapassado o prazo limite de 180 após a data de abertura constante do CNPJ, a solicitação de opção pelo Simples Nacional somente poderá ser feita em janeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues e José Roberto Adelino da Silva que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 6. 00 00 53 /2 01 0- 72 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13866.000053/201072 Acórdão n.º 1001000.301 S1C0T1 Fl. 80 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 9ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), mediante o Acórdão nº 1435.555, de 13/10/2011 (efls. 69/71), objetivando a reforma do referido julgado. Em 02/12/2009, a contribuinte solicitou sua opção pelo Simples Nacional, via internet (efl 09), tendo recebido a mensagem: "Período inválido para adesão ao Simples Nacional. A data de abertura constante no CNPJ é superior a 180 dias. A opção somente poderá ser realizada no mês de janeiro". Em 27/01/2010, a empresa protocolou pedido de Inclusão no Simples Nacional, em papel, com efeitos retroativos a 12/05/2009 (efl01), que foi indeferido mediante Despacho Decisório nº. 0196/2010 proferido pela Sacat/DRF/SÃO JOSÉ DO RIO PRETO SP (efl. 56/57), com o fundamento de que a solicitação em 02/12/2009 estava fora do prazo para efetuar a opção como empresa em início de atividade. A interessada apresentou manifestação de inconformidade contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, com os mesmos argumentos do pedido de Inclusão no Simples Nacional, ou seja, que não solicitou a opção pelo Simples Nacional dentro do prazo de 180 dias em razão da morosidade da Prefeitura municipal para emitir sua inscrição municipal. A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade e publicou acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2009 SIMPLES NACIONAL. INICIO DE ATIVIDADE. A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Ciente da decisão de primeira instância em 21/11/2011, conforme Aviso de Recebimento à efl. 74, a recorrente apresentou recurso voluntário em 07/12/2011, à efls. 75/76, conforme carimbo aposto à efl. 75. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13866.000053/201072 Acórdão n.º 1001000.301 S1C0T1 Fl. 81 3 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude de a solicitação ter sido feita após o prazo legal. A base legal do indeferimento foram o § 3º, inciso I, e o § 6º, ambos do art. 7º da Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007, que dispõem sobre a opção pelo Simples Nacional, verbis: (grifos não pertencem ao original) Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. (…) § 3º No caso de início de atividade da ME ou EPP no ano calendário da opção, deverá ser observado o seguinte: I a ME ou a EPP, após efetuar a inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), bem como obter a sua inscrição municipal e estadual, caso exigíveis, terá o prazo de até 30 (trinta) dias, contados do último deferimento de inscrição, para efetuar a opção pelo Simples Nacional; (Redação dada pela Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) ) (Vide art. 2º da Resolução CGSN nº 41, de 1º de setembro de 2008) (...) § 6° A ME ou a EPP não poderá efetuar a opção pelo Simples Nacional na condição de empresa em início de atividade depois de decorridos 180 (cento e oitenta) dias da data de abertura constante do CNPJ, observados os demais requisitos previstos no inciso I do § 3° deste artigo. (Redação dada pela Resolução CGSN n° 29, de 21 de janeiro de 2008) Nesse particular, cabe ressaltar que o art. 16, §§ 2o e 3o, da Lei Complementar 123/2006, deferiu ao Comitê Gestor a regulação da forma de opção pelo Simples Nacional, verbis: Art. 16. A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 2o A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13866.000053/201072 Acórdão n.º 1001000.301 S1C0T1 Fl. 82 4 § 3o A opção produzirá efeitos a partir da data do início de atividade, desde que exercida nos termos, prazo e condições a serem estabelecidos no ato do Comitê Gestor a que se refere o caput deste artigo. (grifos não pertencem ao original) No recurso interposto, a recorrente reitera os argumentos apresentados em sede de primeira instância, ou seja, que não solicitou a opção pelo Simples Nacional dentro do prazo de 180 dias em razão da morosidade da Prefeitura municipal para emitir sua inscrição municipal. Para um melhor entendimento, transcrevese a seguir a cronologia dos fatos e suas provas, bem como os prazos estabelecidos na Resolução CGSN nº 4/2007 e a devida análise: 1 12/05/2009 Data de abertura da empresa (cópia do CNPJ à efl. 5). Análise: MARCO INICIAL do prazo de 180 dias, após a inscrição no CNPJ para fazer a opção pelo Simples Nacional, para efeito do cumprimento do § 6º do art. 7º da Resolução; 2 09/11/2009 Espaço de tempo de 180 dias, após a inscrição no CNPJ; Análise: MARCO FINAL do prazo para fazer a opção pelo Simples Nacional, para efeito do § 6º do art. 7º da Resolução; 3 02/12/2009 Pedido de Inclusão no Simples Nacional (cópia da solicitação o formulário à efl. 9). Conforme demonstrado acima, a efetiva solicitação de opção pelo Simples Nacional somente ocorreu em 02/12/2009, portanto, após o prazo de 180 dias da inscrição no CNPJ. Outrossim, vencido o prazo de 180 dias não há mais que se falar em pessoa jurídica em início de atividade, neste caso, a sua opção só poderá ser formalizada no mês de janeiro. Quanto à alegação da recorrente de que "não solicitou a opção pelo Simples Nacional dentro do prazo de 180 dias em razão da morosidade da Prefeitura municipal para emitir sua inscrição municipal", não há norma legal relevando a inobservância do prazo em razão de suposta morosidade de algum órgão. Cabe esclarecer que a autoridade administrativa é vinculada à legalidade estrita, seja nos termos da Lei 8.112 de 1990, em seu artigo 116, III, seja pelo artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. Assim, a partir do momento em que a norma é inserida em nosso sistema legislativo, é obrigação da autoridade administrativa a sua aplicação, não cabendo ao julgador administrativo expressar seu juízo de valor por eventuais injustiças que esta norma tenha causado, não podendo decidir dando à lei interpretação diversa daquela consagrada pela Administração, papel este incumbido aos tribunais competentes. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13866.000053/201072 Acórdão n.º 1001000.301 S1C0T1 Fl. 83 5 Por todo o exposto, face ao decurso de prazo de 180 dias após a inscrição no CNPJ, estabelecido pelo § 6º do art. 7º da Resolução CGSN nº 4/2007, para fazer a solicitação de opção pelo Simples Nacional, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose o indeferimento da opção pelo simples Nacional. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.723632/2017-82
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98.
Numero da decisão: 2002-000.012
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2013 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98.
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DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL Recorrente CELIA ROSARIA RODRIGUES SCAVONE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2013 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Súmula CARF nº98. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 36 32 /2 01 7- 82 Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10830.723632/201782 Acórdão n.º 2002000.012 S2C0T2 Fl. 112 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2013, ano calendário 2012, tendo em vista a apuração de dedução indevida de pensão alimentícia judicial. A contribuinte apresentou impugnação (fls.2/35), alegando, em síntese: atendeu ao solicitado nos termos de intimações recebidos, mas, por lapso, deixou de juntar cada comprovante da pensão paga. aponta que resta evidenciada sua obrigação legal de efetuar os pagamentos, decorrente de determinação judicial. aduz que os recibos firmados pela beneficiária dos pagamentos são hábeis a fazer a prova exigida. conclui que os pagamentos são fáticos, efetuados sob o manto da estrita legalidade, enquadrados na Lei Tributária do Imposto de Renda autorizativa de respectivos abatimentos. esclarecida a celeuma com a juntada dos recibos, entende que a glosa deve ser cancelada e os lançamentos anulados. Acrescenta que se trata de tributação atípica, não podendo ser convalidada. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) negou provimento à Impugnação (fls. 92/94), em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2012 DEDUÇÕES. PENSÃO JUDICIAL. Somente podem ser aceitas as deduções comprovadas por meio documentação hábil e idônea que estejam em conformidade com as regras contidas na legislação tributária de regência. Cientificada dessa decisão em 25/9/2017 (fl.99), a contribuinte formalizou, em 25/10/2017 (fl.103), Recurso Voluntário (fls. 103/107), no qual apresenta as seguintes alegações: Em sede de preliminar, afirma que, no Direito pátrio, os recibos fazem prova plena de quitação, reproduzindo o artigo 308 da Lei nº 10.406/02: "O pagamento deve ser feito ao credor ou a quem de direito o represente, sob pensa de só valer depois de por ele ratificado, ou tanto quanto reverter em seu proveito" Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10830.723632/201782 Acórdão n.º 2002000.012 S2C0T2 Fl. 113 3 Diz que quitou com recibos assinados pela beneficiada da pensão alimentícia e requer o aproveitamento e nulidade in totum do lançamento fiscal. Pede a análise como questão de mérito, caso assim entenda o Colegiado. Em sua argumentação quanto ao mérito, inicia explicando que foi condenada em ação judicial a prestar alimentos a sua ascendente, conforme sentença já transitada em julgado. Assim, entende que não há que se falar em falta de previsão legal. argumenta que, ao contrário do declarado na decisão de primeira instância, a recorrente sempre efetuou pagamento em dinheiro, mas não possuía em mãos os recibos, posto ser a beneficiária da pensão alimentícia sua mãe. ressalta que, tratandose de relação entre família, não raro, dispensamse formalidades entre os entes. intimada da decisão de primeira instância, diz que providenciou os comprovantes dos pagamentos efetuados em dinheiros, firmados e com firma reconhecida em cartório pela beneficiária. aponta os montantes pagos de 2013 a 2016. sustenta que os pagamentos são fáticos e legais. assevera que o próprio acórdão reconheceu o atendimento do disposto na Lei nº 9.250/95, artigo 8º, inciso II, alínea "f" . alega que o dispositivo citado combinado com o artigo 308 da Lei nº 10.406/02 faz prova plena de quitação e consequente abatimento da dedução. argumenta que nem a lei nem o acórdão obstam que os alimentos reconhecidos em sentença sejam efetuados em dinheiro. O que se discute é a apresentação dos recibos somente na fase de impugnação. afirma ser certo que a recorrente não juntou os recibos no curso da ação fiscal, mas não o fez por lapso, bem como pela absoluta boafé e simplicidade. Acrescenta que o que o acórdão denomina divergência, explicase por ser ela pessoa simples. Reconhece que não foi feliz nas informações prestadas, visto que não sabia o que é pagamento em "espécie". Se indagada em "dinheiro" teria sido mais feliz. Ainda que haja divergência, defende que o tributo deve atender à estrita tipicidade e legalidade, buscando a verdade real, que, no caso, é provada pelos recibos. Espera a declaração de inexistência tributária. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.108). É o relatório. Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.723632/201782 Acórdão n.º 2002000.012 S2C0T2 Fl. 114 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Preliminar A questão suscitada pelo sujeito passivo em sede de preliminar, acerca da força probante dos recibos juntados, se trata, em verdade, de argumento de mérito e assim será analisada. Mérito As deduções legais em Declaração de Ajuste se lastreiam no art. 8º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, que, no tocante à dedução de pensão alimentícia assim dispõe: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: ... f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124A da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil; ... Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10830.723632/201782 Acórdão n.º 2002000.012 S2C0T2 Fl. 115 5 § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea b do inciso II deste artigo. (destaques acrescidos) Acrescentese que o art 73 do RIR exige que o interessado faça comprovação das deduções pleiteadas em Declaração de Ajuste. Frisese que o Direito Tributário não inova, uma vez que é comum aos demais ramos do Direito a exigência de prova do direito pleiteado por todo aquele que o alega. Do regramento acima exposto, é possível extrair três condicionantes para a dedução de pensão alimentícia em Declaração de Ajuste, quais sejam: 1) o dever de pensionar decorre de decisão judicial; 2) o fundamento para pagamento da pensão deriva das normas do Direito de Família; e 3) deve haver prova do efetivo pagamento. No caso, no curso da ação fiscal, a contribuinte informou (fl. 43): Ao contrário do que alega em seu recurso, não vislumbro confusão decorrente da utilização dos termos "espécie" ou dinheiro. A contribuinte informou categoricamente que não efetua o pagamento da pensão em pecúnia, sendo responsável pelo fornecimento de remédios, alimentos, vestuário, lazer e demais despesas necessárias a beneficiária da pensão. Diante dessa afirmativa, a autoridade fiscal procedeu a glosa, uma vez que somente são dedutíveis as importâncias pagas em dinheiro (fl.4): A decisão de piso manteve a autuação, consignando que a contribuinte não comprovou o efetivo pagamento do valor declarado. Em seu recurso, a contribuinte alega que os recibos emitidos pela beneficiária da pensão seriam suficientes para fazer a prova exigida. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.723632/201782 Acórdão n.º 2002000.012 S2C0T2 Fl. 116 6 Como destacado na legislação transcrita, a dedução da pensão alimentícia judicial na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação, havendo referência expressa a “importâncias pagas”. Nesse sentido, é o entendimento manifestado na Súmula CARF nº 98, que deve ser observado por este Colegiado: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. (destaques acrescidos) Sendo a inclusão da dedução na Declaração de Ajuste Anual um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado. Repisese que aqui o fato questionado, qual seja, o pagamento da pensão, decorre de informação prestada pela própria contribuinte no curso da ação fiscal. Quanto aos recibos, constituem declaração particular, com eficácia entre as partes. Em relação a terceiros, comprovam a declaração e não o fato declarado. E o ônus da prova do fato declarado compete ao contribuinte, interessado na prova da sua veracidade. É o que estabelece o artigo 408 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105, de 2015): Art. 408. As declarações constantes do documento particular escrito e assinado ou somente assinado presumemse verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência de determinado fato, o documento particular prova a ciência, mas não o fato em si, incumbindo o ônus de proválo ao interessado em sua veracidade. (destaques acrescidos) O Código Civil, citado pela contribuinte em seu recurso, também aborda a questão da presunção de veracidade dos documentos particulares e seus efeitos sobre terceiros: Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumemse verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas. ... Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10830.723632/201782 Acórdão n.º 2002000.012 S2C0T2 Fl. 117 7 Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público.” (destaques acrescidos) Assim, os recibos de quitação emitidos pela beneficiária, desacompanhados de outros elementos, tais como saques ou transferências bancárias, não se revelam hábeis a respaldar a efetividade dos pagamentos questionados. Diante da ausência da comprovação do efetivo pagamento, não há reparos a se fazer a decisão de piso, que manteve a glosa dos valores deduzidos a título de pensão alimentícia judicial. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 117DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.913315/2011-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA.
As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado.
Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-005.009
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado com certificado digital)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITO. PERD/COMP. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. INSUFICIÊNCIA. As alegações constantes da manifestação de inconformidade devem ser acompanhadas de provas suficientes que as confirmem a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Não tendo sido apresentada documentação apta a embasar a existência e suficiência crédito alegado pela Recorrente, não é possível o reconhecimento do direito a acarretar em qualquer imprecisão do trabalho fiscal na não homologação da compensação requerida. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 91 33 15 /2 01 1- 79 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13839.913315/201179 Acórdão n.º 3402005.009 S3C4T2 Fl. 0 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (“DRJ”) de Belo Horizonte, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte sobre pedido de restituição de créditos da Contribuição para 63 COFINS. De acordo com o Despacho Decisório denegatório do direito inicialmente pleiteado, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Assim, diante da inexistência de crédito, a restituição foi INDEFERIDA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que em um trabalho de revisão de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e Cofins, constatouse que no período de dezembro de 2002 a março de 2004, foram aplicadas alíquotas vigentes à época, em desacordo com a Lei 10.485/02, art. 3º, § 2º, inciso I; que foi feito levantamento dos produtos constantes dos anexos I e II que foram indevidamente tributados e chegouse ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação; que diante deste fato transmitiu em 14/11/2005, Pedido de Restituição, informando que em 30/09/2003, arrecadou indevidamente, a título de PIS/PASEP, por meio de darf no valor de R$19.398,03, a importância de 1.626,87; que transmitiu a Declaração de Compensação remetendo ao pedido de restituição e que o utilizaria para compensar débito de mesmo valor com vencimento. que por um lapso a DCTF do período não foi retificada, no entanto na DIPJ do período está declarada corretamente. Passa a discorrer sobre o direito creditório embasandoo em fundamentos jurídicos citando inclusive posicionamentos jurisprudenciais, para ao final requerer a homologação da compensação e que seja declarado sem efeito o despacho decisório. Sobreveio então o Acórdão 02058.297, da DRJ/BHE, negando provimento à manifestação de inconformidade. Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário a este Conselho, no qual repisa os argumentos trazidos em sua impugnação ao lançamento tributário. Ademais, alega que o Acórdão da DRJ padeceria de nulidade, devido à falta de apreciação de questões e provas relevantes para o deslinde da controvérsia. É o relatório. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13839.913315/201179 Acórdão n.º 3402005.009 S3C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402004.996, de 21 de março de 2018, proferida no julgamento do processo 13839.913300/201119, paradigma ao qual o presente processo vinculase. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu no Acórdão nº 3402004.996: "Como se depreende do relato acima, ao se contrapor ao Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada, a Recorrente brada pela existência de indébitos decorrentes de pagamento indevido da Contribuição ao PIS. Aduz ter realizado um trabalho de revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, constando que recolheu indevidamente as contribuições pois, com fundamento na Lei n. 10.485/02, artigo 3º, §2º, inciso I, a alíquota sobre os produtos constantes nos Anexos I e II deveria seria, mas tributouos à alíquota vigente à época, sendo assim levantou os produtos constantes dos referidos Anexos e que foram indevidamente tributados chegando ao valor mensal, objeto do pedido de restituição e da declaração de compensação referidos. Para corroborar suas alegações, a Recorrente apresenta, cópia da PER/DCOMP , Recibo de Entrega do Pedido de Restituição, da DCTF do período de apuração (fls 44), DACON (fls 46), DARF (fls 50), folhas do Razão Geral (fls 51), de antes e depois da revisão de procedimentos de apuração da base de créditos e de débitos de PIS e de Cofins, bem como Demonstrativo elaborado com a pretensão de demonstrar supostos indébitos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior (fls 53). Outrossim, a própria Recorrente assume que, por uma lapso, deixou de efetuar a retificação da DCTF, muito embora tenha devidamente retificado a DIPJ, o DACON, tudo com registro em seu livro razão. Quando constatou seu erro, justamente pela não homologação das compensações, o prazo para a retificação já estava expirado. Pois bem, muito embora o DACON e a DIPJ sejam de fato simples declarações, incapazes de, sozinhas, salvaguardar o crédito pleiteado pela Recorrente sempre no intuito de demonstrar o erro em sua DCTF, que, como se sabe, tem efeito de confissão de dívida o livro razão é justamente um dos documentos fiscais/contábeis aptos para tanto, sendo presumidas verdadeiras as informações ali constantes, conforme os artigos Fl. 106DF CARF MF Processo nº 13839.913315/201179 Acórdão n.º 3402005.009 S3C4T2 Fl. 0 4 417 e 419 do Novo Código do Processo Civil (NCPC) e o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). Ocorre que, nos presente caso, a Recorrente apresentou unicamente duas folhas soltas do seu livro razão (fls 51 e 52). Ou seja, não é possível aferir a validade do documento, uma vez que o Decretolei 468/69, em seu artigo 5, §2º determina que "os Livros ou fichas do Diário deverão conter termos de abertura e de encerramento, e ser submetidos à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio." (...)1 Lembremos que Lei n. 5.172/66 (Código Tributário Nacional), em seu art. 165, assegura o direito à restituição de tributos por recolhimento ou pagamento indevido ou a maior que o devido e estabelece os casos que configuram tal recolhimento ou pagamento, como a Recorrente afirma possuir, nos seguintes termos: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos I Cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória Por sua vez, o instituto da compensação de créditos tributários está previsto no artigo 170 do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (...) Com o advento da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a compensação passou a ser tratada especificamente em seu artigo 74, tendo a citada Lei disciplinado a compensação de 1 Transcreveuse apenas o entendimento que prevaleceu no paradigma. Os fragmentos sobre a conversão em diligência, em que a relatora restou vencida, foram aqui omitidos, por irrelevantes, mas podem ser consultados em sua íntegra no acórdão paradigma. Fl. 107DF CARF MF Processo nº 13839.913315/201179 Acórdão n.º 3402005.009 S3C4T2 Fl. 0 5 débitos tributários com créditos do sujeito passivo decorrentes de restituição ou ressarcimento de tributos ou contribuições, âmbito da Secretaria da Receita Federal (SRF). Ainda, o §1º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (incluído pelo art. 49 da Lei nº 10.637/02) 2 determina que a compensação será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados (PER/DCOMP), como pretende a Recorrente in casu. Nesse sentido, a Recorrente processou pedido de compensação, afirmando possuir créditos relativos à Contribuição ao PIS, decorrente de pagamentos indevidos. Entretanto, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte. Assim, concluiu a Fiscalização que não restava crédito disponível para restituição, e, por conseguinte, a compensação não foi homologada. Muito embora a falta de prova sobre a existência e suficiência do crédito tenha sido o motivo tanto da não homologação da compensação por despacho decisório, como da negativa de provimento à manifestação de inconformidade, a Recorrente permanece sem se desincumbir totalmente do seu ônus probatório, insistindo que efetuou a retificação do Dacon e da DIPJ, o que demonstraria seu direito ao crédito. Ocorre que o Dacon constitui demonstrativo por meio do qual a empresa apura as contribuições devidas. Com efeito, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON), instituído pela Instrução Normativa SRF nº 387, de 20 de janeiro de 2004, é uma declaração acessória obrigatória em que as pessoas jurídicas informavam a Receita Federal do Brasil sobre a apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS. Em outros termos, sua função é de refletir a situação do recolhimento das contribuições da empresa, sendo os créditos autorizados por lei e com substrato nos documentos contábeis da empresa, basicamente notas fiscais os livros fiscais onde estão registradas as referidas notas, além da própria DCTF. Assim, são esses últimos documentos que possuem aptidão para comprovar o crédito. Ademais, a Instrução Normativa n. 1.015, de 05 de março de 2010, estabelece que: Art. 10. A alteração das informações prestadas em Dacon, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de demonstrativo retificador, elaborado com 2 A referida legislação recebeu ainda algumas alterações promovidas pelas Leis nºs 10.833/2003 e 11.051/2004. Atualmente, os procedimentos respectivos encontramse regidos pela IN RFB nº 1.300/2012 e alterações posteriores Fl. 108DF CARF MF Processo nº 13839.913315/201179 Acórdão n.º 3402005.009 S3C4T2 Fl. 0 6 observância das mesmas normas estabelecidas para o demonstrativo retificado. § 1º O Dacon retificador terá a mesma natureza do demonstrativo originariamente apresentado, substituindoo integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar alteração nos créditos e retenções na fonte informados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa da União (DAU), nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas no demonstrativo original, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização; e II alterar débitos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. (...) § 5º A pessoa jurídica que entregar Dacon retificador, alterando valores que tenham sido informados na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), deverá apresentar, também, DCTF retificadora. Conforme mencionado anteriormente, a Contribuinte não apresentou documentação suficiente que comprovasse o crédito alegado, já que as folhas soltas do livro razão carecem de legitimidade para tanto. Outrossim, a mera apresentação do demonstrativo interno da sociedade não é suficiente para comprovar a existência de alegado indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, haja vista que se encontra desacompanhado de documentos que lhe dê suporte jurídico. Ao não apresentar documentos indispensáveis à apreciação do alegado crédito, o interessado prejudicou a análise por parte da Administração, visto que restou impossibilitada a comprovação de certeza e liquidez do crédito solicitado, conforme preceitua o artigo 170 do CTN. Foi justamente nesse sentido de decidiu o Acórdão recorrido, bem apreciando todas as provas trazidas aos autos, cotejandoas com o direito Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13839.913315/201179 Acórdão n.º 3402005.009 S3C4T2 Fl. 0 7 pleiteado pela Recorrente, não havendo, portanto, que se falar em nulidade da decisão a quo, como aventado na peça recursal. Afinal, ressaltese, com relação a prova dos fatos e o ônus da prova, dispõem o artigo 36, caput, da Lei nº 9.784/99 e o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, abaixo transcritos, que caberia à Recorrente, autora do presente processo administrativo, o ônus de demonstrar o direito que pleiteia: Art. 36 da Lei nº 9.784/99. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 373 do Código de Processo Civil. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Peço vênia para destacar as palavras do Conselheiro relator Antonio Carlos Atulim, plenamente aplicáveis ao caso sub judice: “É certo que a distribuição do ônus da prova no âmbito do processo administrativo deve ser efetuada levandose em conta a iniciativa do processo. Em processos de repetição de indébito ou de ressarcimento, onde a iniciativa do pedido cabe ao contribuinte, é óbvio que o ônus de provar o direito de crédito oposto à Administração cabe ao contribuinte. Já nos processos que versam sobre a determinação e exigência de créditos tributários (autos de infração), tratandose de processos de iniciativa do fisco, o ônus da prova dos fatos jurígenos da pretensão fazendária cabe à fiscalização (art. 142 do CTN e art. 9º do PAF). Assim, realmente andou mal a turma de julgamento da DRJ, pois o ônus da prova incumbe a quem alega o fato probando. Se a fiscalização não provar os fatos alegados, a consequência jurídica disso será a improcedência do lançamento em relação ao que não tiver sido provado e não a sua nulidade. A jurisprudência do CARF é pacífica sobre o tema, como se depreende das ementas abaixo colacionadas: Ementa(s) Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. ERRO EM DECLARAÇÃO. A DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório que não homologa a compensação e a DACON não têm o condão de provar suposto erro de fato que aponta Fl. 110DF CARF MF Processo nº 13839.913315/201179 Acórdão n.º 3402005.009 S3C4T2 Fl. 0 8 para a inexistência do débito declarado. O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos (Acórdão 3803006.915, Relator Conselheiro Corintho Oliveira Machado) Ementa(s) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 PIS/COFINS. DCOMP. CRÉDITOS DECORRENTES DE DCTF NÃO RETIFICADA POR DECURSO DE PRAZO (5 ANOS). PER/DCOMP NÃO HOMOLOGADO. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. PIS/COFINS. DCOMP. DACON RETIFICADOR Embora o DACON seja uma fonte válida de informações para o Fisco, tomado isoladamente, ele não é prova suficiente do erro alegado, sendo incapaz de elidir o valor inicialmente declarado em DCTF (Acórdão 3802003.316, Relator Conselheiro Waldir Navarro Bezerra) Ementa(s) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE DCTF RETIFICADORA. A informação dos valores devidos a título de PIS prestada na DACON não enseja o direito creditório, uma vez que o crédito tributário constituise pela DCTF. No caso de divergência entre os valores declarados em DCTF e DACON, prevalece o montante constituído em DCTF. A DCTF é o instrumento hábil e suficiente para constituição do crédito tributário, por consequência lógica, que o indébito tributário pelo pagamento a maior deve ser apurado pelo Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13839.913315/201179 Acórdão n.º 3402005.009 S3C4T2 Fl. 0 9 confronto com os valores constituídos em DCTF e os valores recolhidos. A desconstituição da confissão depende de robusta prova e detalhada demonstração de materialidade diversa da declara. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO (Acórdão 3101001.259, Conselheiro Relator Luis Roberto Domingo). Dessarte, não tendo plenamente comprovada pela Recorrente a liquidez e certeza do crédito pleiteado, de acordo com toda a disciplina jurídica supra mencionada, não há reparos a serem feitos quanto ao Acórdão recorrido. Dispositivo Tendo em vista que essa turma de julgamento decidiu questão prejudicial ao pleito da Recorrente, no sentido de que não é cabível a diligência proposta por esta Relatora, não resta o que fazer nesse processo se não manter a não homologação das compensações pretendidas, pois não foram comprovados os créditos para fazer frente aos débitos nelas apontados. Ex positis, voto no sentido de negar provimento o recurso voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o direito creditório pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. (Assinado com certificado digital) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13820.000787/2002-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ EMENTA: PERC - VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas
tão somente pedido de revisão de decisão administrativa, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente. A não apreciação do pedido implicaria cerceamento do direito ao contraditório.
Enunciado n.° 37 da Súmula do desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72."
Numero da decisão: 1402-000.125
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para determinar a remessa do autos a Unidade de origem para que seja analisado o PERC, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: IRPJ - outros assuntos (ex.: suspenção de isenção/imunidade)
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Recorrida 2' TURMA/DRJ-SÃO PAULO/SP I Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ EMENTA: PERC - VERIFICAÇÃO DA SITUAÇÃO FISCAL DA REQUERENTE - DIREITO AO CONTRADITÓRIO - O Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas tão somente pedido de revisão de decisão administrativa, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente. A não apreciação do pedido implicaria cerceamento do direito ao contraditório. Enunciado n.° 37 da Súmula do desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72." Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, para determinar a remessa do autos a Unidade de origem para que seja analisado o PERC, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. a- ALBERTINA S/ VA SA E LIMA - Presidente k--- LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA- Relator EDITADO EM: ,2 /,, t, Participaram, da sessão de julgamento os Conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carmen Ferreira Saraiva, Marcelo de Assis Guerra e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. Relatório SAFRA COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA, inconformada com a decisão consubstanciada no Acórdão n° 16-12.257 proferido pela 2 a Turma da DRJ em São Paulo, que denegou o pedido de revisão de ordem de emissão de incentivos fiscais, mantendo na íntegra o Despacho Decisório da DEINF em São Paulo SP de folha 214 , interpôs o recurso voluntário de folhas 281 a 288 objetivando a reforma da decisão atacada. A contribuinte acima identificada ingressou, com o PERC — Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais de fls. 01, tendo em vista não que não houve emissão dos valores pleiteados para o FINAM, relativamente à sua opção por aplicação de parte do IRPJ relativo ao período de 01.01 a 331.12 do ano-calendário 1.998. 2. Por meio do Despacho Decisório de fl. 214, proferido em Julho/2005, a autoridade administrativa competente indeferiu o pedido, tendo em vista o resultado de consultas aos registros de regularidade mantidos pela Secretaria da Receita Federal — SRF e PGFN, apontando a existência de débitos tributários e com base no artigo 60 da Lei n° 9.069, de 29/06/1995, conforme demonstrativos de folhas 80-82/85:97/99 e 122/124. 2. Inconformada com o referido Despacho Decisório, do qual foi devidamente cientificada, apresentou, em 20/10/2005, a manifestação de inconformidade de fls. 218 a 221, acompanhada da documentação de fls. 222 a 271. Na peça de defesa a interessada argüi, em síntese, o seguinte: A situação do contribuinte é regular. Passa a analisar os débitos apontados justificando cada um com pagamento ou com a informação de que está suspensa e conclui que todos os equívocos que fundamentaram o indeferimento do PERC foram esclarecidos, restando clara a necessidade de reforma da decisão proferida. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo — SP-I, analisou a manifestação da empresa contra o Despacho Decisório e decidiu pela sua manutenção, negando o PERC, tendo ementado o acórdão da seguinte forma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 1.998. Ementa: INCENTIVO FISCAL. FINAM. REQUISITOS: A situação de irregularidade fiscal do contribuinte apurada pela Autoridade Administrativa perante a SRF, PGFN, FGTS ou no CADIN impede o reconhecimento ou a concessão de benefícios ou incentivos fiscais. Que o indeferimento foi correto e mantém a decisão recorrida, pois o momento da verificação de pendências é aquele do Despacho da Autoridade administrativa e que a empresa encontrava-se com pendências. Afirma que não cabe à autoridade julgadora verificar a regularidade fiscal da Interessada em tempo posterior, pois a sua situação certamente não é 1\5' • 2 Processo n° 13820.000787/2002-78 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.125 Fl. 2 aquela da época do indeferimento. Além disso, os argumentos, tanto da Administração como da Interessada referem-se àquele instante de tempo. Inconformada a empresa apresentou o Recurso Voluntário de folhas 281 a 288, argumentando, em síntese, o seguinte: - antes do pronunciamento da Autoridade Fiscal, solicitou dilação probatória da instância por meio da Intimação 363 (11/03/2005), para que a Recorrente solucionasse as pendências apontadas; -todos os documentos exigidos foram apresentados dentro de seus prazos de validade, demonstrando com isso a condição de suspensão da exigibilidade de eventual crédito tributário que pudesse obstaculizar o atendimento do PERC em análise. - a Recorrente logrou apresentar os documentos que comprovam sua regularidade fiscal em 10.08.05, ou seja no interregno de tempo em que a decisão administrativa não possuía foros de publicidade e, portanto, de eficácia jurídica de seus efeitos uma vez que a entrega da intimação se deu em 20.09.05; - quanto às pendências de Lince Taxi Aéreo LTD, houve fonnalismo da autoridade pois a própria administradora do crédito e representante da União, PFN reconhecera a condição de suspensão da dívida, além disso a dívida fora cancelada em novembro de 2006 por solicitação da própria SRF, da qual a PFN fora oficiada. Pede o provimento do recurso. É o relatório Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE M. DE OLIVEIRA, Relator O recurso é tempestivo dele conheço. Adoto como razão de decidir a tese pacificada no âmbito da 5' Câmara do 1° CC, espelhada no voto proferido pelo Conselheiro Waldir Veiga Rocha no acórdão 105- 17.144. "A matéria tem sido objeto de apreciação em diversas oportunidades por este colegiado. A decisão vinha sendo, de forma reiterada, de que, nos Pedidos de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), o momento em relação ao qual deve ser verificada a situação fiscal do contribuinte é a data da entrega da declaração de informações correspondente, eis que é ali que se configura o exercício, por parte do contribuinte, da opção pela aplicação de parcela do imposto em incentivos fiscais. Este posicionamento obteve seus fundamentos em decisão prolatada pela DRJ Campinas (Acórdão n° 7.926, de 17/12/2004). Re-analisando a questão, passamos a entendê-la de forma diferente. Com efeito, o pedido de revisão em referência constitui meio, posto a disposição pela própria Administração Tributária, para que o contribuinte, exercendo o direito ao contraditório, ofereça contra-razões às eventuais modificações promovidas em sua opção (ou opções), em decorrência do processamento das informações consignadas na declaração apresentada. Nessa linha, o referido pedido (PERC) não representa pedido de concessão ou reconhecimento de incentivos fiscais, mas, sim, de revisão das alterações efetuadas, de oficio, 1444' relativamente à opção anteriormente exercida via declaração. 3 Vistos sob essa ótica, tais pedidos não se amoldam à exigência do art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995, eis que, conforme exposto, eles não se referem a pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, mas, sim, de revisão de pedido anteriormente formalizado. Observe-se que, entre outros motivos, as modificações promovidas na opção (ou opções) exercida (s) pelo contribuinte podem decorrer da constatação da existência de débito, e o pedido de revisão representa, exatamente, também como já exposto, o meio posto a disposição do contribuinte para que ele conteste tal informação. Nesse sentido, não admitir tal pedido com base na alegação de surgimento de débito superveniente ao exercício da opção, não possibilitando, assim, a revisão dos motivos que levaram às alterações da opção, representa frontal violação ao exercício do direito ao contraditório. Por outro lado, determinar que a verificação quanto à situação fiscal se reporte à data da entrega da declaração nada mais é do que, por via oblíqua, determinar que se refaça aquilo que se supõe já tenha sido feito por ocasião do pedido de concessão e/ou reconhecimento, isto é, verificação da referida situação fiscal no momento do processamento da declaração de informações. Por fim, cabe transcrever o Enunciado n.° 37 da Súmula desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a saber: "Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto n° 70.235/72." Diante do exposto, entendemos que o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais (PERC), por não representar pedido de concessão ou reconhecimento de incentivo ou beneficio fiscal, não se subsume à norma trazida como fundamento para verificação da situação fiscal do requerente (art. 60 da Lei n° 9.069, de 1995), devendo, em razão disso, ser objeto de apreciação por parte da autoridade administrativa competente." Por todo o exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário, para que o Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC tenha seu mérito apreciado pela autoridade administrativa competente. LEONARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA • 4 ”gLOt att' ll MINISTÉRIO DA FAZENDA 4:04) CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 4•!:-::,,r;:'!.»IV QUARTA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO Processo n° : 13820.000787/2002-78 Acórdão n° : 1402-00.125 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília ' 21 1 , 1 ft\ 20 1G dcGoturs,(5), , -)Mariste a e Sousa Kodrlgues — ecretária da Câmara Ciência Data: / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração.
score : 1.0
Numero do processo: 10830.724438/2014-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010, 2011
MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Mantém-se a qualificação da penalidade de ofício, no importe de 150%, quando demonstrada a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa, em especial o dolo na conduta do contribuinte, caracterizado pela ocultação da realidade de alienação do imóvel na declaração de ajuste anual da pessoa física, para o fim de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador relativo ao ganho de capital.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária - a qual prevê multa de ofício qualificada no percentual de 150% - em razão da sua falta de compatibilidade com princípios constitucionais, tais como a vedação ao confisco, razoabilidade, legalidade e capacidade contributiva.
(Súmula Carf nº 2)
Numero da decisão: 2401-005.233
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ALIENAÇÃO DE IMÓVEL Recorrente ARLINDO FERNANDO DE GODOY E OUTRO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 MULTA QUALIFICADA. DOLO. SONEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Mantémse a qualificação da penalidade de ofício, no importe de 150%, quando demonstrada a ocorrência das condições que permitam a majoração da multa, em especial o dolo na conduta do contribuinte, caracterizado pela ocultação da realidade de alienação do imóvel na declaração de ajuste anual da pessoa física, para o fim de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador relativo ao ganho de capital. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária a qual prevê multa de ofício qualificada no percentual de 150% em razão da sua falta de compatibilidade com princípios constitucionais, tais como a vedação ao confisco, razoabilidade, legalidade e capacidade contributiva. (Súmula Carf nº 2) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 44 38 /2 01 4- 71 Fl. 921DF CARF MF Processo nº 10830.724438/201471 Acórdão n.º 2401005.233 S2C4T1 Fl. 922 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Virgílio Cansino Gil. Ausentes os Conselheiros Miriam Denise Xavier e Francisco Ricardo Gouveia Coutinho. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 10830.724438/201471 Acórdão n.º 2401005.233 S2C4T1 Fl. 923 3 Relatório Cuidase de recursos voluntários interpostos em face da decisão da 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS), por meio do Acórdão nº 0736.895, de 12/03/2015, cujo dispositivo tratou de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido neste processo administrativo (fls. 869/876): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2010, 2011 MULTA DE OFÍCIO. PRESSUPOSTOS PARA APLICAÇÃO. Impõese a aplicação da multa de ofício quando o contribuinte deixa informar ao órgão fazendário a ocorrência do fato gerador, tampouco recolhe o respectivo tributo sobre ele incidente. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIAS DAS DRJ. As Delegacias de Julgamento não são competentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei ou ato normativo. INTIMAÇÃO. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. As intimações dos atos expedidos pela Receita Federal do Brasil devem ser enviadas ao domicílio tributário eleito pelo contribuinte. Impugnação Improcedente 2. Extraise do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal, acostados às fls. 03/10 e 11/25, respectivamente, que o processo administrativo é, na origem, composto da exigência do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF), relativamente aos anos calendário de 2010 e 2011, acrescido de juros de mora e da multa de ofício qualificada de 150%, decorrente da omissão de ganho de capital na alienação do imóvel situado à Rua Dr. Carlos Guimarães nº 35, cidade de Campinas (SP). 2.1 De acordo com a fiscalização, o autuado é casado no regime de comunhão parcial de bens com a Srª Nilza Pinto de Godoy. Tratandose o imóvel de um bem comum do casal, adquirido na vigência da sociedade conjugal, o agente fiscal atribuiu o vínculo de solidariedade passiva ao cônjuge em relação ao crédito tributário, com fulcro no inciso I do art. 124 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN), lavrandose o respectivo Termo de Sujeição Passiva. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 10830.724438/201471 Acórdão n.º 2401005.233 S2C4T1 Fl. 924 4 3. A ciência do auto de infração, via postal, para ambos os sujeitos passivos aconteceu no dia 22/08/2014, tendo o devedor principal e o solidário impugnado a exigência fiscal, em 18/09/2014, em peça de defesa conjunta (fls. 831/834 e 837/855). 4. Regularmente intimados em 18/05/2015, por via postal, da decisão do colegiado de primeira instância, às fls. 890/893, os recorrentes, novamente por petição única, apresentaram recurso voluntário no dia 17/06/2015, em que expõem as seguintes questões de fato e direito (fls. 895/910): (i) o Termo de Verificação Fiscal não demonstrou em momento algum a existência de simulação, dolo ou fraude, elementos necessários para fins de aplicação da multa qualificada; (ii) a multa de ofício no percentual de 150% é nula, eis que tem caráter confiscatório, ferindo os princípios do não confisco, da razoabilidade, da legalidade e da capacidade contributiva; (iii) a estipulação legal de multa que ultrapassa o valor da obrigação principal, como é a hipótese, causa o confisco do patrimônio do cidadão, afronta seu direito à propriedade e leva à superação dos critérios de proporcionalidade e finalidade da penalidade; e (iv) cabe ao Poder Judiciário afastar as multas absurdas, declarando a sua inconstitucionalidade, nada obsta, todavia, que o julgador administrativo reconheça a posição jurisprudencial para aplicar a interpretação dos tribunais. É o relatório. Fl. 924DF CARF MF Processo nº 10830.724438/201471 Acórdão n.º 2401005.233 S2C4T1 Fl. 925 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade 5. Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade dos recursos voluntários e, por conseguinte, deles tomo conhecimento. Mérito 6. Cingese o apelo recursal à questão da aplicação da multa qualificada no importe de 150%, incidente sobre o valor original do imposto. As demais matérias da autuação fiscal deixaram de ser contestadas em sede de impugnação, não se instaurando o litígio administrativo. 7. A multa incidente no lançamento de ofício sob exame está regulada pelo art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Reproduzo abaixo o dispositivo de lei, na parte afeta ao feito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (...) 8. Por sua vez, os arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, mencionados no § 1º acima transcrito, estão assim redigidos: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 925DF CARF MF Processo nº 10830.724438/201471 Acórdão n.º 2401005.233 S2C4T1 Fl. 926 6 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. 9. É de verse que não se trata de uma multa isolada, desacompanhada do lançamento do tributo. Cuidase de uma penalidade proporcional ao montante do tributo que deixou de ser pago ou declarado. No caso, o percentual de 150% incidiu sobre o imposto de renda devido pela pessoa física, calculado sobre o ganho de capital apurado na alienação do imóvel. 10. Além do critério básico de aplicação da multa de ofício, equivalente a 75% sobre o valor principal (art. 44, inciso I), a legislação reproduzida acima prevê a denominada multa qualificada, em que há uma duplicação do percentual padrão, chegando a 150% (art. 44, § 1º). 11. O percentual duplicado da multa de ofício é destinado às situações nas quais fica evidenciada a sonegação, a fraude ou o conluio, cuja gravidade do comportamento lesivo do infrator enseja um reprimenda punitiva mais severa, como forma de castigar o transgressor e desestimular condutas afins por parte de outros sujeitos passivos. 12. O legislador ordinário não delegou à autoridade fiscal ou ao julgador administrativo qualquer margem de dosimetria da penalidade, entre limites mínimo e máximo. O critério é integralmente objetivo. Não há autorização em lei para a gradação da sanção pecuniária diante das particularidades de cada caso, em atenção a critérios de razoabilidade ou proporcionalidade, tampouco está prevista a relevação da penalidade. 13. Em outras palavras, no lançamento de ofício, em que ocorre a perda da espontaneidade do sujeito passivo, o percentual da multa equivale a 75%, sem prejuízo das reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, quando há pagamento, compensação ou parcelamento do crédito tributário em momento posterior. Na hipótese de sonegação, fraude ou conluio, o percentual da multa será igual a 150%. 14. Os recorrentes advogam a falta de fundamento fático para a exarcebação da multa, diante da inexistência de dolo, fraude ou simulação. Quando muito, afirmam, a conduta poderia caracterizar um erro. Fl. 926DF CARF MF Processo nº 10830.724438/201471 Acórdão n.º 2401005.233 S2C4T1 Fl. 927 7 15. Contudo, ao apreciar o conjunto fáticoprobatório, carreado pela partes, estou convencido que o comportamento do contribuinte justifica a incidência qualificada da multa de ofício sobre o imposto devido. 16. Segundo o Termo de Verificação Fiscal, o imóvel vendido foi adquirido pelos recorrentes, em 28/06/2005, por R$ 61.000,00, e alienado à empresa SRR Empreendimentos Imobiliários Ltda, CNPJ 03.474.172/000195, em 21/07/2010, pela importância de R$ 2.600.000,00 (fls. 19/22). 16.1 Por outro lado, na Declaração de Ajuste Anual da Pessoa Física do ano calendário de 2009, foi informada a baixa do imóvel do rol de bens do casal, em 10/11/2009, pois destinado à integralização do capital social da empresa B&L Incorporação e Administração de Bens Ltda, CNPJ 11.008.772/000196. Na mesma declaração, o contribuinte reconheceu aumento de capital por conferência de bens e transferência de quotas para a referida pessoa jurídica (fls. 821/823). 16.2 Na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2010 não constou o imóvel no rol de bens, nem a respectiva transferência de propriedade para a operação de alienação à SRR Empreendimentos Imobiliários Ltda, tampouco foi apurado ganho de capital relativo à venda do imóvel (fls. 826/827). 17. Com a devida vênia, não é crível a classificação da conduta dos recorrentes como um simples erro no preenchimento de declarações fiscais, dada a evidente discrepância de informações em face da realidade. 18. O que se percebe é um fingimento no concernente ao fato concreto acontecido, ou seja, a alienação do imóvel pelas pessoas físicas, operação camuflada de forma dolosa mediante suposta transferência do bem a pessoa jurídica, a título de integralização de capital social, pelo valor constante da respectiva declaração de bens, situação que não há tributação de ganho de capital pelo imposto de renda. 19. Diante da realidade encontrada pela auditoria tributária, não desconstituída pelos recorrentes, segundo a linguagem de provas apropriada, revelase uma atitude intencional e consciente com a finalidade impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, sua natureza e circunstâncias materiais, deixandose de pagar integralmente o imposto devido sobre o ganho de capital na alienação do imóvel pertencente ao casal. 20. De mais a mais, o afastamento da presunção de constitucionalidade de dispositivo de lei, aprovada pelo Poder Legislativo, demanda apreciação e decisão por parte do Poder Judiciário. 20.1 Por essa razão, escapa à competência dos órgãos julgadores administrativos a declaração de inconstitucionalidade de lei tributária pela falta de compatibilidade com princípios constitucionais, tais como a vedação ao confisco, razoabilidade, proporcionalidade, legalidade e capacidade contributiva. A despeito de bem estruturados na peça recursal, argumentos desse jaez são inoponíveis na esfera administrativa. 20.2 Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), assim redigida: Fl. 927DF CARF MF Processo nº 10830.724438/201471 Acórdão n.º 2401005.233 S2C4T1 Fl. 928 8 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 20.3 Realço que, na hipótese de dolo, fraude ou simulação, não há decisão proferida pelos Tribunais que produza efeitos de caráter obrigatório no âmbito administrativo para obstar a aplicação do percentual da multa de ofício de 150%. 21. Em resumo, a conduta identificada se coaduna com a aplicação de multa qualificada, escorreitamente lançada pela fiscalização. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 928DF CARF MF
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