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Numero do processo: 13116.901602/2012-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Aug 14 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/10/2006
PROUNI. ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE.
A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni - Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA.
O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendo-se necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.951
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ISENÇÃO FISCAL. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. TERMO DE ADESÃO. ALCANCE. A isenção prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 é comprovada com o Termo de Adesão da instituição ao ProUni Programa Universidade para Todos. Quanto às contribuições, alcança tão somente o PIS e a COFINS sobre receitas, excluído o PIS sobre a folha de salário. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INSUFICIÊNCIA. O reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes. In casu, a recorrente não logrou êxito em se desincumbir do ônus de provar seu direito líquido e certo. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 90 16 02 /2 01 2- 72 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13116.901602/201272 Acórdão n.º 3201002.951 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório UNIÃO BRASILIENSE DE EDUCAÇÃO E CULTURA transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição para o PIS. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o Pedido de Restituição, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição pleiteada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório tinha por fundamento a isenção da contribuição para o PIS decorrente da adesão ao Programa Universidade para Todos ProUni, nos termos da Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009, em que se reafirmou o direito à isenção durante o período de vigência do Termo de Adesão (art. 5º da Medida Provisória nº 213/2004). Nos termos do Acórdão nº 14053.583, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de inexistir comprovação, por meio de documentação contábil e fiscal, do direito creditório pleiteado e por não ter havido a comprovação da adesão da instituição ao ProUni, nos termos do art. 8º da Lei nº 11.096/2005. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando a existência a seu favor de solução de consulta da Receita Federal assegurando o direito à isenção, o que, segundo ela, tornava "legalmente desnecessária" a exigência de comprovação de sua adesão ao programa. Argumenta, ainda, que, nos casos da espécie, é "faticamente impossível" a apresentação de documentos, por se tratar o pedido de restituição de procedimento eletrônico. Na sequência, sustenta a absoluta desnecessidade dos elementos de prova exigidos pela Delegacia de Julgamento, quais sejam, folhas de salário e contabilidade, por se tratar de questão aperfeiçoada e superada ante a homologação da base de cálculo da contribuição por parte da Fiscalização, tendo em vista que constou do despacho decisório que o valor declarado encontravase exato e perfeito. Supletivamente, pugna, caso o CARF entenda necessário, pela realização de diligência junto à repartição de origem, para que a autoridade administrativa oficie o Ministério da Educação com vistas a elucidar os termos no quais se manteve a sua adesão ao ProUni no período sob comento. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13116.901602/201272 Acórdão n.º 3201002.951 S3C2T1 Fl. 4 3 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.885, de 28/06/2017, proferido no julgamento do processo nº 13116.900001/201412, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.885): O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O dispositivo legal que trata da isenção de impostos e contribuições às instituições de ensino que aderirem ao Prouni é o art. 8º da Lei nº 11.096/2005, reproduzido no que se aplica ao caso (grifei): Art. 8o A instituição que aderir ao ProUni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) (...) III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar n° 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. § 1° A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2° A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. § 3° A isenção de que trata este artigo será calculada na proporção da ocupação efetiva das bolsas devidas. (Incluído pela Lei nº 12.431, de 2011). A Lei foi regulamentada pelo Decreto nº 5.493, de 18/07/2005, com os dispositivos que se aplicam ao caso transcritos (grifei): Art. 1o O Programa Universidade para Todos PROUNI, de que trata a Lei no 11.096, de 13 de janeiro de 2005, destinase à concessão de bolsas de estudo integrais e bolsas de estudo parciais de cinqüenta por cento ou de vinte e cinco por cento, para estudantes de cursos de graduação ou seqüenciais de formação específica, em instituições privadas de ensino superior, com ou sem fins lucrativos, que tenham aderido ao PROUNI nos termos da legislação aplicável e do disposto neste Decreto. Parágrafo único. O termo de adesão não poderá abranger, para fins de gozo de benefícios fiscais, cursos que exijam formação prévia em nível superior como requisito para a matrícula. Art. 2o O PROUNI será implementado por intermédio da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13116.901602/201272 Acórdão n.º 3201002.951 S3C2T1 Fl. 5 4 § 1o A instituição de ensino superior interessada em aderir ao PROUNI firmará, em ato de sua mantenedora, termo de adesão junto ao Ministério da Educação. (...) Art. 12. Havendo indícios de descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão, será instaurado procedimento administrativo para aferir a responsabilidade da instituição de ensino superior envolvida, aplicandose, se for o caso, as penalidades previstas. (...) A Secretaria da Receita Federal em cumprimento ao disposto no § 2º do art. 8º acima, editou a Instrução Normativa SRF nº 456/2004, posteriormente revogada pela IN RFB nº 1.394/2013, que dispunha, no que se aplica ao caso (grifei): Art. 1º A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (ProUni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, das seguintes contribuições e imposto: I Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); II Contribuição para o PIS/Pasep; (...) § 1º A isenção de que trata o caput recairá sobre o lucro na hipótese dos incisos III e IV, e sobre o valor da receita auferida na hipótese dos incisos I e II, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2º Para fins do disposto nos incisos III e IV do caput a instituição de ensino deverá apurar o lucro da exploração referente às atividades sobre as quais recaia a isenção, observado o disposto no art. 2º e na legislação do imposto de renda. (...) Art. 3º Para usufruir da isenção, a instituição de ensino deverá demonstrar em sua contabilidade, com clareza e exatidão, os elementos que compõem as receitas, custos, despesas e resultados do período de apuração, referentes às atividades sobre as quais recaia a isenção segregados das demais atividades. (...) O termo de adesão foi previsto no art. 5º da Lei nº 11.096/2005, in verbis (grifei): Art. 5o A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, poderá aderir ao Prouni mediante assinatura de termo de adesão, cumprindolhe (...) § 1o O termo de adesão terá prazo de vigência de 10 (dez) anos, contado da data de sua assinatura, renovável por iguais períodos e observado o disposto nesta Lei. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 13116.901602/201272 Acórdão n.º 3201002.951 S3C2T1 Fl. 6 5 (...) Art. 7o As obrigações a serem cumpridas pela instituição de ensino superior serão previstas no termo de adesão ao Prouni, no qual deverão constar as seguintes cláusulas necessárias: (...) Art. 9o O descumprimento das obrigações assumidas no termo de adesão sujeita a instituição às seguintes penalidades: (...) Art. 16. O processo de deferimento do termo de adesão pelo Ministério da Educação, nos termos do art. 5o desta Lei, será instruído com a estimativa da renúncia fiscal, no exercício de deferimento e nos 2 (dois) subseqüentes, a serusufruída pela respectiva instituição, na forma do art. 9o desta Lei, bem como o demonstrativo da compensação da referida renúncia, do crescimento da arrecadação de impostos e contribuições federais no mesmo segmento econômico ou da prévia redução de despesas de caráter continuado A recorrente alega a desnecessidade de apresentação de qualquer documento que comprove sua regular adesão ao Prouni sob o fundamento de que o documento é totalmente eletrônico e a própria Lei nº 11.096/2005 em seu art. 11, § 1º, remete a competência para tais verificações e exigências ao Ministério da Educação. Não é o que se extrai da leitura dos dispositivos acima. O termo de adesão é documento a ser firmado no qual se inserem requisitos de participação no referido Programa. Os diversos dispositivos transcritos (Lei, Decreto e Instrução Normativa) apontam para vários elementos a serem inseridos no Termo que permitiram não somente a adesão da instituição de ensino, mas o controle de sua permanência, enquanto regular e vigente, a aplicação de penalidade, e, principalmente ao que interessa ao presente litígio, a isenção de contribuições. Dessa forma, a exibição do documento "Termo de Adesão" é essencial ao gozo do benefício fiscal de isenção das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins Ao contrário do que alega a recorrente, o termo de Adesão, ainda que eletrônico, prevê o ato de sua assinatura, para que se dê a devida validade e autenticidade. Realmente é emitido no âmbito do Ministério da Educação, o que demonstra não estar nos sistemas internos (informatizados) da Secretaria da Receita Federal; e, se de fato materializado apenas em formato eletrônico em razão de sua essencialidade, é de se presumir a possibilidade de sua impressão, típica das emitidas por órgãos públicos, com chave de segurança para confirmação da autenticidade. Ademais, documento oficial, que confere benefícios tributários de outra ordem, e firmado entre partes Ministério da Educação e instituição de ensino privada há de ser mantido pela parte interessada para o gozo dos benefícios previstos no Termo. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 13116.901602/201272 Acórdão n.º 3201002.951 S3C2T1 Fl. 7 6 Nada obstante, o que a recorrente argumenta para a não apresentação do Termo de adesão ao Prouni outros recorrentes em situação idêntica não se escusaram do cumprimento de singelo mister. Vejase exemplo de julgado proferidos neste Conselho em que se demonstrou a possibilidade fática de apresentar e comprovar a adesão e mantença no Programa (grifei): Autoridade Julgadora de 1ª Instância bem observou ainda que o contribuinte em questão comprovou nos autos (fls. 3.325) a adesão ao Programa Universidade para Todos, trecho que merece ser reproduzido por ser de extrema valia: "60. Para comprovar a adesão ao PROUNI o contribuinte anexou aos autos cópia do correio eletrônico do MEC (fls. 3.118) e cópia do Termo de Adesão (fls. 3.119 a 3.273). (Acórdão nº 3402001.704, processo nº 19515.000260/200879, relatoria do cons. João Carlos Cassuli Junior, sessão de 22/03/2012) Não se pode concluir de outra forma, senão a que a recorrente não se dignou a comprovar a existência e aposição de assinatura no Termo de Adesão e a regular fruição do Programa que aderiu. Tenho que este fundamento é suficiente para negar provimento ao recurso voluntário; contudo, há de se tecer ainda argumentos pertinentes ao ônus probatório a cargo a de quem pleiteia direito seu. Antes, porém, analisase as demais teses suscitadas no recurso voluntário que visam seu provimento Sustenta ainda a desnecessidade de apresentação das folhas de salário e respectivamente contabilidade pois entende que no despacho decisório há o reconhecimento expresso de que a base de cálculo encontrase "exata e perfeita", além de "devidamente homologada". Quanto à exigência de apresentação de documentos fiscais e contábeis, assentou o voto condutor do acórdão recorrido que deveria também ter juntado a folha de salários, a fim de demonstrar a base de cálculo do PIS, e os livros fiscais que demonstrassem os lançamentos relativos a ela. Ora, em que pese a ressaltava da DRJ, com a qual concordo, que a isenção do PIS prevista no art. 8º da Lei nº 11.096/2005 não alcança a parcela que incide sobre a folha de salários, a Solução de Consulta nº 86 – SRRF/1ª RF/Disit, de 2 de junho de 2009 proferiu entendimento cuja interpretação errônea da contribuinte adiante será enfrentado lhe é favorável quanto à isenção do PISfolha de salários. Ad argumentandum tantum, justamente firmada no entendimento favorável que extraiu do ato expedido pela autoridade, a recorrente pleiteia a restituição do PISfolha de salários, código de receita "8301". Se há o entendimento de que faz jus à esta isenção deveras tem o ônus de fazer prova documental de seu pretenso direito, qual seja, a apresentação dos documentos e livros atinentes à rubrica "salários" para que se comprove qual sua dimensão (quantificação) na base de cálculo. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 13116.901602/201272 Acórdão n.º 3201002.951 S3C2T1 Fl. 8 7 Por fim, assevera que a controvérsia quanto ao direito à isenção está superado pela conclusão da indigitada Solução de Consulta, que entende terlhe assegurado a isenção do PIS sobre folha de salários. Mais uma vez, sem razão a contribuinte. A Solução de Consulta expressamente consignou que a isenção alcança a Contribuição para o PIS, nada dispondo acerca do PIS folha de salários. Digase que na elaboração da peça a consulente, ora recorrente, apenas informou ter realizada a adesão ao Prouni, sem qualquer comprovação naquele autos de consulta, e apresenta seu entendimento de que a isenção alcançaria o PIS folha de salários, para ao final requerer a manifestação do Órgão quanto ao seu entendimento. Eis a cartaconsulta: Entendo que ao fundamentar a solução da consulta, a autoridade que a proferiu fez constar em seus fundamentos a legislação que trata da incidência do PIS sobre a folha de salários, à alíquota de 1%, deixando assente a tributação sobre esta rubrica, com a transcrição do art. 13 e incisos III e IV, da Medida Provisória nº 2.15835/2001. Colacionou os dispositivos que tratam da isenção do PIS sobre a receita auferida pela instituição de educação que aderir e assim se mantém no Prouni. Transcreveu os arts. 8º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º da Lei nº 11.096/2005; arts. 1º caput e incisos, I a IV, §§ 1º e 2º, e 3º caput e parágrafo único da IN SRF nº 456/2004, para em seguida enunciar no mesmo tópico "fundamentos" que: " 5. Ante os dispositivos acima expostos, verificase que a instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória n° 213, de 2004, Fl. 84DF CARF MF Processo nº 13116.901602/201272 Acórdão n.º 3201002.951 S3C2T1 Fl. 9 8 ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS." Conclui a solução da consulta com o enunciado: Conclusão 6. Em face do exposto, concluise que a instituição privada de ensino superior com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao programa Universidade para Todos (prouni) nos termos dos arts. 5º da Medida Provisória nº 213, de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Completase os fatos com a apresentação da ementa da Solução de Consulta SRRF/1ªRF/Disit nº 86, de 2 de junho de 2009: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ementa: PIS. PROUNI. INCIDÊNCIA. A instituição privada de ensino superior, com fins lucrativos ou sem fins lucrativos não beneficente, que aderir ao Programa Universidade para Todos (Prouni) nos termos dos arts. 5o da Medida Provisória nº 213. de 2004, ficará isenta, no período de vigência do termo de adesão, da Contribuição para o PIS. Dispositivos Legais: art.13 da Medida Provisória n° 2.15835/2001; art.8° da Lei n° 11.096/2005; arts. 1º e 3o da Instrução Normativa nü 456/2004. Não vislumbro imprecisão no Ato que poderia dar a interpretação de que toda e qualquer incidência do PIS a que se sujeitam as entidades aderentes ao Prouni estaria isenta. A uma, os dispositivos legais da ementa da solução de consulta informam a legislação aplicada, primeiro, a que dispõe acerca do Pis folha de salários tributado à alíquota de 1% e após, a que trata do PIS alcançado pela isenção; a duas, porque nos fundamentos, a autoridade trouxe a legislação que faz distinção entre PISfolha de salário tributada à alíquota de 1%, e o PIS sobre receitas isentos nos termos e requisitos das legislação; a três, a omissão do termo "PIS sobre folha de salários" não tem o condão de fazêlo incluir na isenção pelo motivo a seguir; a quatro, nos termos do art. 111 caput e inciso II do CTN, "interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção"; a cinco, não caberia a autoridade fiscal ou administrativa contrariar preceito legal. Por fim, sacramentando o entendimento do não alcance da isenção ao PIS sobre folha de salários, o Órgão Central da Secretaria da Receita Federal editou a Solução de Divergência Cosit nº 1, de 2015, publicada no D.O.U de 24/12/2015, com a ementa: SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 1, DE 10 DE FEVEREIRO DE 2015. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EMENTA: INSTITUIÇÕES DE ENSINO SUPERIOR. PROUNI. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDENTE SOBRE A FOLHA Fl. 85DF CARF MF Processo nº 13116.901602/201272 Acórdão n.º 3201002.951 S3C2T1 Fl. 10 9 DE SALÁRIOS. A isenção de que trata o art. 8º da Lei nº 11.096, de 2005, não se aplica à Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre a folha de pagamentos da pessoa jurídica que adere ao Prouni. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9.532, de 1997, art. 12; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 9º e 46; Lei nº 11.096, de 2005, art. 8º; DecretoLei nº 5.172 (CTN), de 1966, art. 111,II; Instrução Normativa RFB nº 1.394, de 2013 e Medida Provisória (MP) nº 2.15835, de 2001. O último argumento da recorrente referese à eventual realização de diligência, oficiandose ao Ministério da Educação acerca da sua manutenção no Prouni, acaso não seja superada os fundamentos ante aduzidos que entende suficiente ao direito à restituição pleiteada decorrente do pagamento indevido da Contribuição. Primeiramente, desnecessária a providência pois como assentado neste voto os fundamentos antecedentes são suficientes para negar provimento ao recurso. Não há dúvidas intransponíveis nos autos que necessitam de serem completadas para decidir o litígio. Nos processos, como o presente, que tratam de solicitação de restituição e compensação, a comprovação do direito aos créditos incumbe ao postulante. É seu dever carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, em especial quando necessário à fruição de benefício tributário de isenção. Caso essa comprovação houvesse sido feita, e ainda restasse dúvida ao julgador quanto a permanência regular e temporal no Programa, cabível seria a diligência. Assim, incabível a solicitação de diligência dirigida ao Ministério da Educação para apresentação do Termo de Adesão, documento primário e essencial ao compromisso assumido e firmado pela instituição educacional que requer o gozo dos benefícios do Prouni e que não se dignou a apresentar aos autos. Até esse ponto, restou assente que a recorrente não apresentou o Termo de Adesão ao Prouni, folhas de salário e escrituração contábil; e não permaneceu silente quanto às exigências. Em todas as peças recursais impugnação e recurso voluntário sustentou a desnecessidade desse dever, pois entendeu que o despacho decisório e a solução de consulta reconheceram expressamente seu direito à isenção do PIS relativo ao Programa, sem colacionar qualquer documento seu aos autos. A ausência de elementos probantes viola a regra jurídica adotada pelo direito pátrio de que a prova compete à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do abaixo transcrito artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 373, do Código de Processo Civil,verbis: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Lei nº 13.105/2015 CPC Fl. 86DF CARF MF Processo nº 13116.901602/201272 Acórdão n.º 3201002.951 S3C2T1 Fl. 11 10 "Art. 373. 0 ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Cabe assinalar que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. As Declarações (DCTF, DCOMP e DACON, PER/DCOMP), os documentos fiscais e contábeis e aqueles pertinentes a benefícios tributários, celebrados com órgãos públicos, são produzidos e celebrados pelo próprio contribuinte ou com sua participação, de sorte que, havendo inconsistências ou omissões, impõe a obrigação da recorrente em comprovar os fatos mediante a escrituração contábil e fiscal, sustentada em documentos, tendo em vista que, apenas os créditos líquidos e certos comprovados inequivocamente pelo contribuinte são passíveis de compensação tributária, conforme preceituado no artigo 170 da Lei nº 5.172/66 (Código Tributário Nacional/CTN). Conclusão Por todo o exposto a recorrente não se desincumbiu do ônus de provar o alegado direito líquido e certo, decorrente de suposto pagamento a maior ou indevido de PIS. Assim, não encontro razão para modificar a decisão a quo e VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO e NÃO RECONHECER O DIREITO CREDITÓRIO. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.004031/2006-96
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
ITR. ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL
A partir do exercício de 2001, tornou-se requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental - ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, não tendo ocorrido tal apresentação, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR .
ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA - ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Incabível a manutenção da glosa da ARL - Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA - Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9202-005.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para afastar a glosa da ARL - Área de Reserva Legal, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ISENÇÃO. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). OBRIGATORIEDADE A PARTIR DE LEI 10.165/00. TEMPESTIVIDADE. INÍCIO DA AÇÃO FISCAL A partir do exercício de 2001, tornouse requisito para a fruição da redução da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural a apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolizado junto ao Ibama. A partir de uma interpretação teleológica do dispositivo instituidor, é de se admitir a apresentação do ADA até o início da ação fiscal. No caso em questão, não tendo ocorrido tal apresentação, não é possível a exclusão da área de APP declarada da base de cálculo do ITR . ARL. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO TEMPESTIVA. DISPENSA DO ADA ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Incabível a manutenção da glosa da ARL Área de Reserva Legal, por falta de apresentação de ADA Ato Declaratório Ambiental, quando consta a respectiva averbação na matrícula do imóvel, efetuada antes da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para afastar a glosa da ARL Área de Reserva Legal, vencidos os conselheiros Ana Paula Fernandes, Patrícia da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 40 31 /2 00 6- 96 Fl. 424DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pelo Contribuinte face ao acórdão 220201.317, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 2ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR DIAC/DIAT/2002, no valor total de R$ 1.538.291,25, referente ao imóvel rural denominado Fazenda São Cristóvão, com área total de 25.000,0 ha, com Número na Receita Federal NIRF 2.424.4546, localizado no Município de Querência/MT, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 09. Entre outros documentos, o Contribuinte apresentou ADA, protocolado no IBAMA em 17/10/2006. Com a análise dessa documentação, a autoridade fiscal constatou que com relação da Preservação Permanente o laudo apenas informava sua existência, não discrimina em quais artigos da legislação ambiental se enquadram. Além disso, não consta o ADA protocolizado junto ao IBAMA dentro do prazo regulamentar para o exercício em pauta. Relativamente à área de Utilização Limitada, apesar de constar averbação na matrícula do imóvel, também não possui ADA tempestivo. No tocante ao VTN o laudo não foi elaborado em atenção às normas técnicas com o grau mínimo solicitado, nem foram demonstradas as fontes de pesquisas, cuja quantidade mínima é cinco. Com a constatação das irregularidades acima, foi procedida a glosa das áreas isentas e demais alterações conseqüentes, bem como modificado o SIPT, utilizandose valores constantes da tabela SIPT. As razões de fato e de direito foram expostos pela autoridade lançadora para proceder às alterações. Apurado o crédito tributário foi lavrado o Auto de Infração, cuja ciência aos interessados, de acordo com os Avisos de Recebimentos AR de fis. 40 a 43, datados pelo destinatário, foi dada em 09/11/2006. Fl. 425DF CARF MF Processo nº 10183.004031/200696 Acórdão n.º 9202005.607 CSRFT2 Fl. 425 3 Em 01/12/2006 foi apresentada impugnação, fls. 51 a 59, na qual, após explanação dos fatos até aqui conhecidos, alegouse, em síntese, o seguinte: Com relação à P. Permanente disse haver sido anexado laudo que comprova a área, além do ADA, que o fiscal não acatou. Da Reserva Legal afirmou que foi anexada certidão de registros constando averbação do Termo de Responsabilidade e Preservação de Floresta, datado de 17/04/1996 e 04/04/1995, celebrado como o IBAMA, ficando, desta forma, comprovada a existência da R. Legal, entretanto, o fiscal desconsiderou em decorrência da intempestividade do ADA. Com referencia ao ADA questionou a Instrução Normativa, dizendo que extrapolou as normas estabelecidas em lei, para fins de reconhecimento da Reserva legal e de Preservação Permanente. Reproduziu dispositivos legais pertinentes para afirmar que apenas em relação às áreas de interesse ecológico, para proteção de ecossistema e áreas comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, é que se exige declaração de órgão competente para fim de reconhecimento. Prosseguiu na discordância de exigência do ADA mencionando outros dispositivos legais, bem como jurisprudência, inclusive do Conselho de Contribuintes, relativa a matéria similar, cujos resultados foram favoráveis ao interessado. Mesmo ciente da inaplicabilidade da exigência do ADA, providenciou, ainda que tardiamente, o referido documento, não restando desta forma qualquer dúvida em relação à existência da área de Preservação Permanente e da Reserva Legal. Finalizando, disse estarem demonstradas a insubsistência e improcedência da ação fiscal e espera seja acolhida a impugnação, para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. A DRJ de Campo Grande julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, fls. 219/229. Cientificada da referida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 96/111, no qual reproduz e reforça as mesmas alegações e argumentos da impugnação. Em sessão plenária, realizada em 26.03.2009, a Turma converteu o julgamento em diligência para que os autos retornassem para a repartição de origem para que a autoridade fiscalizadora informasse, quando da lavratura do auto de infração, se possuía as informações sobre os preços de terras recebidos da Secretaria da Agricultura. Os autos retornaram com o cumprimento da diligência. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 302/319, DEU PROVIMENTO EM PARTE ao Recurso Ordinário. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. EXIGÊNCIA DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA) POR LEI. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A partir do exercício de 2001, com a introdução do art. 17 na Lei nº 6.938, de 1981, por força da Lei nº 10.165, de 2000, o Ato Declaratório Ambiental (ADA) passou a ser obrigatório para fins de exclusão da área de preservação Fl. 426DF CARF MF 4 permanente da base de cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). AVERBAÇÃO EM CARTÓRIO. A área de utilização limitada / reserva legal, para fins de exclusão do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, se faz necessária ser reconhecida como de interesse ambiental pelo IBAMA/órgão conveniado, ou pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente Ato Declaratório Ambiental ADA, fazendose, também, necessária a sua averbação à margem da matrícula do imóvel, no Cartório de Registro de Imóveis, até a data do fato gerador do imposto. VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DITR. EM DETRIMENTO DA UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO POR APTIDÃO AGRÍCOLA. Incabível a manutenção do Valor da Terra Nua (VTN) arbitrado pela fiscalização, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), utilizando VTN médio das DITR entregues no município de localização do imóvel, por contrariar o disposto no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Recurso parcialmente provido. Às fls. 336/340, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, alegando divergência jurisprudencial entre o acórdão recorrido e o paradigma trazido para analise em relação à legalidade da exigência de laudo técnico emitido por profissional habilitado confeccionado em consonância com as normas da ABNT, anotada no CREA. O acórdão recorrido entende ser prescindíveis aquelas exigências, considerando suficiente, apenas, “(...) que o laudo emitido de conformidade com tal determinação demonstre, de forma inequívoca, as características que diferenciam o imóvel questionado, das demais terras do município envolvido, indicando um valor da terra nua inferior ao mínimo estabelecido para tal município (...)”. Já o acórdão paradigma, contudo, desposa do entendimento de que a situação excepcional do arbitramento exige o cumprimento estrito das normas de regência. Por conseguinte, o laudo que não atenda aos requisitos legais e técnicos, fixados pela ABNT, não tem o condão de afastar a presunção legal de validez do arbitramento. Às fls. 321/327, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, NEGANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência arguida, tendo em vista verificarse que as situações fáticas tratadas nos acórdãos recorrido e paradigma são diversas, centrandose a discussão, em ambos os julgados, na legalidade do arbitramento do VTN com base no SIPT, e não nas formalidades requeridas para aceitação de Laudo Técnico. Tal discussão é secundária nos dois acórdãos, sendo que as conclusões diversas se devem basicamente aos procedimentos adotados pela Autoridade Lançadora, quando do arbitramento do VTN com base no SIPT. Às fls. 328/329, em sede de Reexame Necessário, manteve integralmente o despacho do Presidente da Câmara. Fl. 427DF CARF MF Processo nº 10183.004031/200696 Acórdão n.º 9202005.607 CSRFT2 Fl. 426 5 Às fls. 358/364, o Contribuinte igualmente interpôs Recurso Especial, visando a revisão do julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto à seguinte matéria: não apresentação do ADA enseja o lançamento fiscal. Inicialmente, destacou que o voto recorrido incorreu em equívoco ao afirmar que as áreas de reserva legal não estariam averbadas à margem da matrícula, pois, às fls. 35 a cópia da matrícula n. 3.669 identifica a averbação da área de reserva legal, concluída no dia 04.04.1995. Nesta mesma data foram feitas também as averbações das áreas de reserva legal nas matrículas n. 3.670 e 3.671, conforme fls. 38 e 119. Quanto à exigência do ADA, o acórdão paradigma da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do CARF, ao tratar do tema, conclui pela desnecessidade de apresentação do ADA para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da base de cálculo do ITR. Alega, ainda, que o art. 17O da Lei 6.938, de 1981, não condiciona a isenção do tributo à apresentação do ADA. Apenas cria uma taxa passível de ser exigida pelo Ibama, a título de vistoria. Logo, não há como transformar este ato normativo em condição “sine qua non” para que o contribuinte goze da isenção tributária. Às fls. 412/414, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Contribuinte, DANDO SEGUIMENTO ao recurso para que seja reapreciada a questão da exigibilidade do ADA Ato Declaratório Ambiental para fins de exclusão da APP Área de Preservação Permanente e da ARL Área de Reserva Legal da tributação do ITR, a partir do exercício de 2002. Às fls. 416/422, a Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões, alegando, preliminarmente, que o recurso especial não deve ser conhecido, haja vista a discussão de fundo do r. acórdão desafiado se restringe à matéria fática, que, a teor do Regimento Interno do CARF, não é suscetível de arguição em sede de recurso especial. No mérito, alegou, dentre outras, que a denominação de RESERVA LEGAL veio a partir da Lei 7.803, de 18 de julho de 1989, que introduziu, também, a exigência de averbação ou registro da reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel, sendo vedada “a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou desmembramento da área” (Art. 16 § 2°). Vieram os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR DIAC/DIAT/2002, no valor total de R$ 1.538.291,25, referente ao imóvel rural denominado Fazenda São Cristóvão, com área total de 25.000,0 ha, com Número na Receita Federal NIRF 2.424.4546, localizado no Município de Querência/MT, conforme Auto de Infração de fls. 01 a 09. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. Fl. 428DF CARF MF 6 O Recurso Especial apresentado pelo Contribuinte trouxe para análise as divergência jurisprudencial no tocante à desnecessidade de apresentação tempestiva do ADA, para comprovação da área de preservação permanente e de utilização limitada. A questão controvertida diz respeito à exigência da averbação da área de reserva legal a época dos fatos geradores para fins de isenção do ITR. Para se dirimir a controvérsia, é importante destacar, do Imposto Territorial Rural ITR, tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, a sistemática relativa à sua apuração e pagamento, e para isso adoto as razões do acórdão 9202.02146, proferido pela Composição anterior da 2ª Turma da Câmara Superior, da lavra do Conselheiro Elias Sampaio Freire. Para tanto, devemos analisar a legislação aplicável ao tema e para isso transcrevo os trechos que interessam do art. 10 da Lei nº 9.393/96: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluída pela Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluída pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) Da transcrição acima, destacase que, quando da apuração do imposto devido, excluise da área tributável as áreas de preservação permanente e de reserva legal, além daquelas de interesse ecológico, das imprestáveis para qualquer exploração agrícola, das submetidas a regime de servidão florestal ou ambiental, das cobertas por florestas e as alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas. Fl. 429DF CARF MF Processo nº 10183.004031/200696 Acórdão n.º 9202005.607 CSRFT2 Fl. 427 7 Como se percebe da leitura do citado artigo, a área de preservação permanente é isenta de ITR, e como este é um imposto sujeito a lançamento por homologação o contribuinte deverá declarar a área isenta sem a necessidade de comprovação, sujeito a sanções caso reste comprovada posteriormente a falsidade das declarações. Conforme apontado anteriormente, cingese a controvérsia acerca da existência de ADA tempestivo para reconhecimento da área como de preservação permanente e utilização limitada. O acórdão recorrido manteve a glosa das áreas em razão da falta de apresentação de ADA tempestivo. Saliento que a partir de 2001, para fins de redução do ITR, a previsão expressa é a de que haja comprovação de que houve a comunicação tempestiva ao órgão de fiscalização ambiental, e que isso ocorra por meio de documentação hábil. Entendo aqui que a documentação hábil engloba um conjunto de documentos possíveis e não apenas o protocolo de ADA. Em linhas gerais temos condições diferentes para reconhecimento da isenção quando se trata de (a) área de reserva legal e (b) área de preservação permanente. (a) Assim quanto a área de Reserva Legal, e meu ver não existe prazo para comprovação de sua existência, logo não é necessário que a averbação da reserva legal seja realizada antes do fato gerador, pois se a área tinha condições de ser considerada isenta, e o foi posteriormente, é isso que importa para consagração do Direito do Contribuinte, em virtude da aplicação da Verdade Material, privilegiada nos Processos Administrativos Federais por força da Lei 9784/99. (b) Já quanto a área de preservação permanente, para que esta seja considerada isenta do ITR, consoante o disposto no art. 10, § 1º, II, "a", da Lei 9.393, de 19 de dezembro de 1996, não considero a apresentação de ADA como prova exclusiva de sua existência, pois a meu ver existem outros documentos hábeis a esta comprovação, como, por exemplo, laudos, fotos, averbações. Isso é quanto ao direito. Passo agora a análise das provas. No caso dos autos, discutese o exercício de 2002, é fato que o ADA só foi protocolizado no ano de 17.10.2006 após intimado pela fiscalização, contudo existe nos autos comprovação da averbação às fls. 35, do termo de responsabilidade florestal, segue anexa a cópia da matrícula n. 3.669 identifica a averbação da área de reserva legal, concluída no dia 04.04.1995. Em data subseqüente 17.04.1996 foram feitas também as averbações das áreas de reserva legal nas matrículas n. 3.670 e 3.671, conforme fls. 38 e 119. Reconheço assim 12.500 ha de área de Reserva Legal ARL, declaradas pelo Contribuinte e averbadas na matrícula do imóvel, bem como 6.000 ha, também declaradas por ele a título de APP, que no meu entendimento se encontram comprovadas em razão do laudo técnico com respectiva ART anexado as fls. 32. Neste caso observo que as provas dos autos atendem a esta exigência e que pode ser aceita como documento hábil, servindo como comunicação a autoridade florestal ou ambiental. Fl. 430DF CARF MF 8 Por todo o exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao voto da nobre relatora, ouso discordar de seu posicionamento, quanto aos requisitos para exclusão das áreas de preservação permanente da base de cálculo do ITR. Acerca do tema, entendo que a fruição da redução da base de cálculo do ITR (possuidora, a meu ver de natureza isentiva), seja por áreas de preservação permanente ou de interesse ecológico, encontra um de seus requisitos legais claramente estabelecido, desde 2000, a partir do disposto no art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, em especial em seu caput e parágrafo 1º, com atual redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, verbis: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000)(...)o. § 1oA utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) (g.n.) Ou seja, mandatório para que se admita a redução da base tributável de áreas a título de Preservação Permanente ou de Interesse Ecológico que constem as mesmas de ADA entregue ao IBAMA. Tratase aqui, notese, de dispositivo legal específico, posterior à Lei no. 9.393, de 1996, restando, assim, quando da instituição de tal requisito, plenamente respeitado o princípio da Reserva Legal. Notese ser plenamente consistente a coexistência de tal obrigação com a vigência e aplicação da Lei no. 9.393, de 1996, sem qualquer tipo de antinomia. Ainda, de se rejeitar qualquer argumentação de revogação do dispositivo pelo §7° do art. 10 da Lei n.° 9.393, de 1996, instituído pela Medida Provisória n.° 2.166 67/01. O que se estabelece ali é uma desnecessidade de comprovação prévia tão somente no momento da declaração (DITR), sendo perfeitamente factível, porém, que, posteriormente, em sede de ação fiscal, sejam demandados elementos necessários à comprovação do constante na DITR do declarante e realizado o lançamento no caso de insuficientes elementos Fl. 431DF CARF MF Processo nº 10183.004031/200696 Acórdão n.º 9202005.607 CSRFT2 Fl. 428 9 comprobatórios, a partir do expressamente disposto nos arts. 14 e 15 daquela mesma Lei no. 9.393, de 1996. Tal posicionamento encontrase muito bem detalhado no âmbito do Acórdão CSRF 9202003.620, de 04 de março de 2015, no qual funcionei como Redator ad hoc do voto vencedor em substituição ao redator do voto designado, Dr. Alexandre Naoki Nishioka, adotando assim aqui seus fundamentos a seguir como razões de decidir, verbis: "(...) Pois bem. Muito embora inexistisse, até o exercício de 2000, qualquer fundamento para a exigência da entrega do ADA como requisito para a fruição da isenção, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/2000 alterouse a redação do §1° do art. 17 O da Lei n.° 6.938/81, que passou a vigorar da seguinte forma: "Art. 17O. (...) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória." Ora, de acordo com uma interpretação evolutiva do referido dispositivo legal, isto é, cotejandose o texto aprovado quando da edição da Lei n.° 9.960/00, em contraposição à modificação introduzida pela Lei n.° 10.165/00, verificase que, para o fim específico da legislação tributária, passouse a exigir a apresentação do ADA, como requisito inafastável para a fruição da redução da base de cálculo prevista pela Lei n.° 9.393/96, mais especificamente por seu art. 10, §1°, II. Assim, sendo certo que as normas que instituem isenções devem ser interpretadas de forma estrita, ainda que não se recorra somente ao seu aspecto literal, como se poderia entender de urna análise superficial do art. 111, do Código Tributário Nacional, fato é que, no que atine às regras tratadas como exclusão do crédito tributário pelo referido codex, a legislação não pode ser interpretada de maneira extensiva, de maneira que não há como afastar a exigência do ADA para o fim específico de possibilitar a redução da base de cálculo do ITR. (...)" Ainda, devese enfrentar, também, a questão do momento da entrega do mencionado ADA para fins de exclusão da base de cálculo do ITR do exercício 2001. Com a devida vênia aos Conselheiros que adotam posicionamento diverso, entendo que o melhor posicionamento é, novamente em linha com o adotado no âmbito do mesmo Acórdão CSRF 9202003.620, admitir a protocolização do Ato Declaratório Ambiental até o início da ação fiscal, com fulcro nos seguintes fundamentos: "(...) Feita esta observação, relativa, portanto, à obrigatoriedade de apresentação do ADA, cumpre mover à análise do prazo em que Fl. 432DF CARF MF 10 poderia o contribuinte protocolizar referida declaração no órgão competente. No que toca a este aspecto específico, tenho para mim que é absolutamente relevante uma digressão a respeito da mens legis que norteou a alteração do texto do art. 17O da Lei n.° 6.938/81. Analisandose, nesse passo, o real intento do legislador ao estabelecer a obrigatoriedade de apresentação do ADA, podese inferir que a mudança de paradigma deveuse a razões atinentes à efetividade da norma isencional, especialmente no que concerne à aferição do real cumprimento das normas ambientais pelo contribuinte, de maneira a permitir que este último possa usufruir da redução da base de cálculo do ITR. Em outras palavras, a efetiva exigência do ADA para o fim específico da fruição da redução da base de cálculo do ITR foi permitir uma efetiva fiscalização por parte da Receita Federal da preservação das áreas de reserva legal ou de preservação permanente, utilizandose, para este fim específico, do poder de polícia atribuído ao IBAMA. Em síntese, podese afirmar que a alteração no regramento legal teve por escopo razões de praticabilidade tributária, a partir da criação de um dever legal que permita, como afirma Helenílson Cunha Pontes, uma "razoável efetividade da norma tributária'" (PONTES, Helenílson Cunha. O princípio da praticidade no Direito Tributário (substituição tributária, plantas de valores, retenções de fonte, presunções e ficções, etc.): sua necessidade e seus limites. In: Revista Internacional de Direito Tributário, v. 1, n.° 2. Belo Horizonte, jul/dez2004, p. 57) , no caso da norma isencional. De fato, no caso da redução da base de cálculo do ITR, mais especificamente no que atine às áreas de interesse ambiental lato senso, além da necessidade de fiscalizar um número extenso de contribuintes, exigirseia, não fosse a necessidade da obrigatória protocolização do ADA, que a Receita Federal tomasse para si o dever de fiscalizar o extenso volume de propriedades rurais compreendido no território nacional, o que, do ponto de vista econômico, não teria qualquer viabilidade. Por esta razão, assim, passouse, com o advento da Lei Federal n.° 10.165/00 a exigir, de forma obrigatória, a apresentação do ADA para o fim de permitir a redução da base de cálculo do ITR, declaração esta sujeita ao poder de polícia do IBAMA. Tratandose, portanto, da interpretação do dispositivo em comento, deve o aplicador do direito, neste conceito compreendido o julgador, analisar o conteúdo principiológico que norteia referido dispositivo legal, a fim de conferirlhe o sentido que melhor se amolda aos objetivos legais. Partindose desta premissa basilar, verificase que o art. 17O da Lei n.° 6.938/81, em que pese o fato de imprimir, de forma inafastável, o dever de apresentar o ADA, não estabelece qualquer exigência no que toca à necessidade de sua Fl. 433DF CARF MF Processo nº 10183.004031/200696 Acórdão n.º 9202005.607 CSRFT2 Fl. 429 11 protocolização em prazo fixado pela Receita Federal para o fim específico de permitir a redução da base de cálculo do ITR. A exigência de protocolo tempestivo do ADA, para o fim específico da redução da base de cálculo do ITR, não decorre expressamente de lei, mas sim do art. 10, §3°, I, do Decreto n.° 4.382/2002, que, inclusive, data de setembro de 2002, (...). (...) Com efeito, sendo certo que a instituição de tributos ou mesmo da exclusão do crédito tributário, na forma como denominada pelo Código Tributário Nacional, são matérias que devem ser integralmente previstas em lei, na forma como estatuído pelo art. 97, do CTN, mais especificamente no que toca ao seu inciso VI, não poderia sequer o poder regulamentar estabelecer a desconsideração da isenção tributária no caso da mera apresentação intempestiva do ADA. Repisese, nesse sentido, que não se discute que a lei tenha instituído a obrigatoriedade da apresentação do ADA, mas, sim, que o prazo de seis meses, contado da entrega da DITR, foi instituído apenas por Instrução Normativa, muito posteriormente embasada pelo Decreto n.° 4.382/2002, o que, com a devida vênia, não merece prosperar. Em virtude, portanto, da ausência de estabelecimento de um critério rígido quanto ao prazo para a apresentação do ADA, eis que não se encontra previsto em lei, cumpre recorrer aos mecanismos de integração da legislação tributária, de maneira a imprimir eficácia no disposto pelo art. 17O da Lei n.° 6.398/81. Dentre os mecanismos de integração previstos pelo ordenamento jurídico, dispõe o Código Tributário Nacional, em seu art. 108, I, que deve o aplicador recorrer à analogia, sendo referida opção vedada apenas no que toca à instituição de tributos não previstos em lei, o que, ressaltese, não é o caso. Nesse esteio, recorrendose à analogia para o preenchimento de referida lacuna, devese recorrer à legislação do ITR relativa às demais declarações firmadas pelo contribuinte, mais especificamente no que atine à DIAT e à DIAC, expressamente contempladas pela Lei n.° 9.393/96, aplicadas ao presente caso tendose sempre em vista o escopo da norma inserida no texto do art. 17O da Lei n.° 6.398/81, isto é, imprimir praticabilidade à aferição da existência das áreas de reserva legal e preservação permanente, para o fim específico da isenção tributária. Pois bem. Sendo certo que a apresentação do ADA cumpre o papel imprimir praticabilidade à apuração da área tributável, verificase que cumpre o escopo norma a sua entrega até o início da fiscalização, momento a partir do qual a apresentação já não mais cumprirá seu desiderato. De fato, até o início da fiscalização em face do contribuinte, verificase que a entrega do ADA possibilitará a consideração, Fl. 434DF CARF MF 12 por parte da Receita Federal, da redução da base de cálculo do ITR, submetendo as declarações do contribuinte ao pálio do órgão ambiental competente e retirando referida aferição do âmbito da Receita Federal do Brasil. A entrega, portanto, ainda que intempestiva, muito embora pudesse ensejar a aplicação de uma multa específica, caso existisse referida norma sancionatória, seria equivalente à retificação das demais declarações relativas ao ITR, isto é, da DIAT e da DIAC, devendo, pois, ter o mesmo tratamento que estas últimas, em consonância com o que estatui o brocardo jurídico "ubi eadem ratio, ibi eaedem legis dispositio", isto é, onde há o mesmo racional, a legislação não pode aplicar critérios distintos. À guisa do exposto, portanto, no que toca à entrega do ADA, tenho para mim que cumpre seu desiderato até o momento do início da fiscalização, a partir do qual a omissão do contribuinte ensejou a necessidade de fiscalização específica relativa ao recolhimento do ITR, o que implica nos custos administrativos inerentes a este fato. Assim, aplicase ao ADA, de acordo com este entendimento basilar, a regra prevista pelo art. 18 da Medida Provisória n.° 2.18949/01, que assim dispõe, verbis: "Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa." De acordo com a interpretação que ora se sustenta, pois, é permitida a entrega do ADA, ainda que intempestivamente, desde que o contribuinte o faça até o início da fiscalização. (grifei) (...)" No caso em questão, o ADA só foi entregue pelo contribuinte em 17/10/2006 (vide efl. 32), assim, posteriormente ao início da ação fiscal (iniciada em 30/08/2006, consoante efl. 25) e, destarte, diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte quanto à matéria, restabelecendose a glosa de 6.000,0 ha. de área de preservação permanente, inicialmente declarada pelo autuado como exclusão da base de cálculo do ITR/2002. Finalmente, quanto às áreas de Reserva Legal, reitero aqui entender que a averbação pública, de natureza constitutiva, supre a obrigatoriedade de apresentação do ADA, interpretandose uma vez mais o dispositivo instituidor da obrigatoriedade sob a ótica teleológica de preservação das áreas de RL e fiscalização desta preservação. Ressaltese aqui que, no caso da área de Reserva Legal, diferentemente do caso das APPs, se está diante de área onde o proprietário ou possuidor a indica, em qualquer local do imóvel rural, de forma que fique vedado o corte raso da cobertura florestal ou arbórea para fins de conversão a usos agrícolas ou pecuários, mas onde são permitidos outros usos sustentados que não comprometam a integridade dos ecossistemas que as formam. Presente tal elemento volitivo definidor do contribuinte no caso em questão, entendo que a ausência do ADA, no caso específico da Reserva Legal, pode ser substituída pela formalização (pública) da Fl. 435DF CARF MF Processo nº 10183.004031/200696 Acórdão n.º 9202005.607 CSRFT2 Fl. 430 13 indicação supra através da mencionada averbação, com o ADA possuindo, nesta hipótese, natureza declaratória. Verifico que in casu, tal averbação abrangeu a totalidade da área objeto de glosa (12.500,0 ha.) e deuse entre 04/04/1995 e 17/04/1997 (consoante efls. 33 a 38), ou seja, a averbação da área glosada ocorreu antes do fato gerador em tela, ocorrido em 01/01/2002. Assim, nenhum reparo a fazer quanto à exclusão da referida área da base tributável, acedendo se aqui ao posicionamento da Relatora, no sentido de dar provimento ao Recurso Especial quanto à matéria de ARL. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial do Contribuinte, para, no mérito, lhe dar provimento parcial, para afastar a glosa da ARL Área de Reserva Legal inicialmente excluída pelo autuado da base de cálculo do ITR/2002. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 436DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.722177/2015-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 1302-000.503
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a DRJ interponha o competente recurso de ofício quanto ao responsável solidário exonerado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a DRJ interponha o competente recurso de ofício quanto ao responsável solidário exonerado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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AMORTIZAÇÃO. GLOSA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. EXONERAÇÃO. RECURSO DE OFÍCIO NÃO INTERPOSTO PELA DRJ Recorrente BAXTER HOSPITALAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a DRJ interponha o competente recurso de ofício quanto ao responsável solidário exonerado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Guimarães da Fonseca, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto face ao Acórdão nº 0653.598 de 26 de novembro de 2015, da 2ª Turma da DRJ de Curitiba PR que, por maioria de votos, não acolheu as preliminares de nulidade dos autos de infração; reconheceu a decadência dos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores do anocalendário 2008 e julgou a impugnação procedente em parte, reduzindo as exigências para R$4.991.469,41 de IRPJ, R$1.810.231,61 de CSLL e respectivos multas de ofício de 150% e juros de mora; reduzir as RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .7 22 17 7/ 20 15 -6 0 Fl. 4280DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Resolução nº 1302000.503 S1C3T2 Fl. 3 2 multas isoladas de IRPJ para R$3.844.945,26 e de CSLL para R$1.361.894,49; não acolher a preliminar de nulidade dos Termos de Sujeição Passiva Solidária e considerar procedentes os de Baxter Holding BV, CNPJ 09.249.344/000103; Laerte Farina, CPF 007.938.27892; Pablo German Toledo, CPF n° 232.747.26877; Maurício Azevedo Alcântara, CPF 040.509.76897; Francisco Carlos Piccolo, CPF 032.244.27884, e improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária de Gabriela Spinardi, CPF 157.707.14840. A autuação devese à glosa de deduções fiscais de amortização de ágio, (i) da recorrente, na qualidade de sujeito passivo (contribuinte); (ii) e da BHBV, na qualidade de sujeito passivo por responsabilidade solidária, com base no art. 124, inc. I, do CTN; e (iii) os seus exadministradores e procuradores, na qualidade de sujeitos passivos por responsabilidade pessoal, com base no art. 135, inc. III, do CTN, das diferenças de IRPJ e CSLL supostamente devidas, acrescidas de multa de ofício qualificada, em percentual de 150%, e Juros Selic, além da exigência concomitante de multa isolada, por suposta falta de recolhimento de estimativas mensais do IRPJ e da CSLL. O acórdão da DRJ recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 e 2013 AUTO DE INFRAÇÃO, TERMOS DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. SIMULAÇÃO. Se identificado que o contribuinte utilizou a simulação e abuso de forma ou de direito, é possível desconsiderar o ato jurídico, se devidamente demonstrado nos autos que os atos negociais se deram em oposição á norma legal, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributaria. FATOS CONTABILIZADOS COM REPERCUSSÃO EM EXERCÍCIOS FUTUROS. EFEITOS TRIBUTÁRIOS. DECADÊNCIA. Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento ocasionou a redução do tributo devido. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendario: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 ÁGIO INTERNO. NÃO HOUVE PAGAMENTO NA AQUISIÇÃO. EMPRESAS SOB MESMA CONTROLADORA. ÁGIO NA INCORPORADA REFERENTE À PRÓPRIA INCORPORADORA. Caracterizase como "ágio interno", cuja dedutibilidade é inaceitável, o caso em que a Autuada incorporou sua controladora, a qual havia contabilizado ágio resultante do aumento de capital efetuado peia respectiva controladora, mediante Fl. 4281DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Resolução nº 1302000.503 S1C3T2 Fl. 4 3 a transferência de quotas da Autuada, sendo que todas as envolvidas são empresas detidas pela mesma controladora c não houve pagamento na aquisição, pela incorporada, da participação no capital da Autuada. EMPRESA VEÍCULO. CRIAÇÃO DE ÁGIO. INCORPORAÇÃO. EXTINÇÃO. Caracterizase como "empresa veículo", a empresa que funcionou como mera intermediária na criação do ágio, tendo sido posteriormente incorporada e extinta, restando a Autuada/incorporadora, com o ágio (interno), que passou, indevidamente, a amortizar e deduzir na apuração do Lucro Real PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. MÊS DEZEMBRO. O imposto mensal apurado por estimativa relativo ao mês de dezembro, deverá ser pago até o último dia útil do mês de janeiro do ano subseqüente, não se confundindo com o valor do imposto da apuração anual, cujo prazo de recolhimento é último dia do mês de março do anocalendário subsequente. ESTIMATIVAS MENSAIS, DE IRPJ E CSLL NÃO RECOLHIDAS. MULTA ISOLADA. É aplicável a multa de 50%, isoladamente, sobre o valor de estimativa mensal que deixe de ser recolhido, ainda que o contribuinte, optante peio regime do lucro real anual com recolhimentos de estimativas mensais com base em balanço ou balancete de suspensão ou redução, tenha apurado prejuízo fiscal e base de cálculo negativa no anocalendário correspondente. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE PARCELAS MENSAIS DE ESTIMATIVAS. INEXISTÊNCIA DE BIS IN IDEM COM A MULTA DE OFÍCIO. Após o encerramento do período de apuração, é devida multa isolada pelo não recolhimento de parcelas mensais de estimativas no curso do referido período; a aplicação conjunta de multa de oficio no mesmo lançamento tributário, referente a tributo e contribuição devidos ao final do período, não tem o condão de excluir a multa isolada sobre as parcelas mensais de estimativas não recolhidas, haja vista trataremse de infrações distintas, possuidoras de tipificação lega! específicas a cada uma delas. MULTA ISOLADA. ERRO MATERIAL. Deve ser corrigido o valor resultante de erro material na apuração. VALOR DA MULTA ISOLADA SUPERIOR AO IRPJ E CSLL APURAÇÃO ANUAL. A afirmativa não é verdadeira, porém não haveria restrição legal para tanto. DECORRÊNCIA CSLL. Tratandose de tributação reflexa de irregularidades descritas e analisadas no lançamento de IRPJ, constante do mesmo processo, o decidido em relação ao processo principal (IRPJ) aplicase, no que couber, à CSLL. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 DECADÊNCIA. DOLO. SIMULAÇÃO. Fl. 4282DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Resolução nº 1302000.503 S1C3T2 Fl. 5 4 Caracterizada a existência de simulação e dolo, aplicase o art. 173, í do CTN, na contagem do prazo decadencial, iniciandose a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. SIMULAÇÃO. DOLO. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A simulação tem ínsita no seu conceito a fraude, que se subsume à definição contida no art. 72 da Lei n° 4.502, de 1964, e à ação dolosa tendente a modificar as características essenciais da obrigação tributária, de modo a reduzir o montante do imposto devido, é aplicável a multa qualificada MULTA ISOLADA. SÚMULA CARF N° 105. Se a autuação da multa isolada foi com base no art. 44, § Io, IV da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação do art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, que c/c o art. 106, II "c" do CTN, que reduziu o percentual da multa de 75% para 50%, não se aplica a Súmula Carf n° 105, a qual se refere à multa isolada de 75% com fundamento no art. 44 § 1º, IV da Lei n° 9.430, de 1996. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. A multa de oficio é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, está sujeita à incidência de juros. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. PESSOA JURÍDICA CONTROLADORA. GRUPO ECONÔMICO. INTERESSE COMUM. A pessoa jurídica controladora das empresas envolvidas na criação do ágio interno é responsável pelas decisões relativas às operações que caracterizaram a simulação a qual resultou em subtração de tributos devidos; assim, é pertinente a eleição dessa pessoa como responsável tributária, nos termos do art. 124,1 do CTN. SIMULAÇÃO. FRAUDE. ADMINISTRADORES. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. Cabe a responsabilização tributária solidária, com base no art. 135, III do CTN, dos administradores das empresas que realizaram operações de simulação, o que caracteriza a prática de fraude. SIMULAÇÃO. FRAUDE. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. REPRESENTANTE. A assinatura de ata de alteração de contrato social, como representante legal de empresa em conjunto com o administrador, e assinaturas como testemunha em diversas alterações contratuais das empresas não são elementos suficientes para caracterizar a responsabilidade desta pessoa física pelas decisões que levaram à autuação fiscal e caracterização de simulação e fraude. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte." A DRJ concluiu pela improcedência da preliminar de nulidade, em razão de: a) o lançamento não ter sido fundamentado no art. 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional CTN, pendente de regulamentação, sendo Fl. 4283DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Resolução nº 1302000.503 S1C3T2 Fl. 6 5 permitida a desconsideração dos atos jurídicos, nos casos de caracterização de simulação; b) o lançamento explicitou os dispositivos legais em que se fundamenta; c) não terem sido apontados com exatidão e de forma individualizada os atos praticados pelas pessoas físicas que ensejariam a responsabilização solidária, a DRJ entendeu inaplicável. Segundo a decisão ora recorrida, somente devem ser declarados nulos os atos ou termos lavrados por pessoa incompetente. "A nulidade por preterição do direito de defesa, como se infere do art. 59, II, transcrito, somente pode ser declarada quando o cerceamento está relacionado aos despachos e às decisões, ou seja, somente pode correr em uma fase posterior à lavratura do auto de infração" Em relação à decadência, a decisão ora recorrida concluiu que "descabe arguir decadência relativamente à data de criação de ágio ou da data da operação de incorporação''. Haja vista que considerou caracterizada a simulação e o dolo. De outro lado, a DRJ, por maioria de votos, acolheu a decadência, tanto em relação ao principal, quanto no que tange à multa de ofício e isolada, exclusivamente em relação aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e dezembro de 2008. No mérito, a decisão da DRJ concluiu que não haviam sido preenchidos os requisitos para a amortização do ágio, inclusive em razão de a Baxter Investimentos Ltda. (Immuno) ter funcionado como "empresa veículo". Em relação à multa isolada aplicada cumulativamente com a multa de ofício proporcional, a DRJ entendeu que a penalidade fundada no art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, deve ser mantida, pois "vinculamse as infrações de natureza distinta". Ainda quanto à multa isolada, a DRJ concluiu que o valor da penalidade aplicada não é superior aos montantes apurados ao final do exercício e, em relação às multas isoladas aplicadas no período de dezembro de cada ano, entende que a legislação "diferencia a estimativa relativamente ao mês de dezembro, da apuração anual do imposto, no regime escolhido pelo contribuinte, que foi o do Lucro Real Anual, com estimativas mensais" e que "o não recolhimento da estimativa mensal relativa ao mês de dezembro de cada ano, (...) se subsume à aplicação da sanção multa isolada". Em relação aos erros de apuração da multa isolada, a DRJ acolheu parte das alegações das recorrentes, reduzindo o valor das exigências. No tocante à alegação de ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa de ofício, considerou que esta "é parte integrante da obrigação ou crédito tributário e, quando não extinta na data de seu vencimento, estará sujeita à incidência de juros conforme estabelecido no art. 113 do CTN". Em relação à responsabilização solidária, citou documentos em que teriam sido concedidos poderes às pessoas físicas apontadas como responsáveis solidários, mantendo, ainda, a responsabilização da pessoa jurídica Baxter Holding BV, pelo fato de ser acionista da recorrente, excluindo da exigência apenas a Sra. Gabriela Spinanrdi, por reconhecer que esta sequer foi administradora da empresa autuada. Fl. 4284DF CARF MF Processo nº 13896.722177/201560 Resolução nº 1302000.503 S1C3T2 Fl. 7 6 Não obstante a exoneração do crédito tributário, em relação à devedora Gabriela Spinardi, não houve Recurso de Ofício. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário é tempestivo e os recorrentes estão regularmente representados. Conheço do recurso. Na forma relatada, a DRJ julgou improcedente o Termo de Sujeição Passiva Solidária de Gabriela Spinardi, CPF 157.707.14840, exonerandose o respectivo crédito tributário. Não obstante, verificase que não houve interposição de Recurso de Ofício, o que caracteriza descumprimento das determinações contidas na Portaria MF. nº 63, de 09/02/2017 do Ministro da Fazenda (créditos de tributos e encargos de multa superior a R$ 2.500.000,00). Sendo assim, voto por converter o julgamento em diligência para determinar que os autos retornem à DRJ para que haja a interposição de Recurso de Oficio, face à exoneração consignada no Acórdão recorrido, referente à exclusão da devedora solidária, Gabriela Spinardi, CPF 157.707.14840. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 4285DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10530.904878/2011-42
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 10 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 3201-000.993
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Orlando Rutigliani Berri (Suplente convocado), Marcelo Giovani Vieira e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte supra identificado em face do acórdão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se requerer a reforma do despacho decisório exarado pela repartição de origem. De acordo com o despacho decisório, o crédito informado na Declaração de Compensação já se encontrava integralmente alocado a outro débito do sujeito passivo, decorrendo daí o indeferimento do pedido de restituição. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à restituição da contribuição recolhida sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, em face da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, cujo teor deve ser reproduzido pelos Conselheiros do CARF, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 30 .9 04 87 8/ 20 11 -4 2 Fl. 1138DF CARF MF Processo nº 10530.904878/201142 Resolução nº 3201000.993 S3C2T1 Fl. 3 2 A decisão da DRJ Belo Horizonte/MG, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito, dada a ausência de apresentação da prova do indébito. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando a existência do crédito tributário postulado e requerendo seu integral deferimento, tendose em conta o princípio da verdade material que exige o aprofundamento da investigação dos fatos por parte da Fiscalização, em face do conjunto probatório por ele produzido. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201000.905, de 29/06/2017, proferido no julgamento do processo 10530.904837/201156, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201000.905): A questão em apreço se resolveria pela aplicação do decidido pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, conforme ementa a seguir transcrita: "RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98." (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 27 112008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL0020802 PP00871 ) Temse, então, que o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Como sabido, a aplicação do decidido pela Corte Suprema em sede de repercussão geral é de aplicação obrigatória por parte deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, conforme se depreende da redação do art. do RICARF: "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 10530.904878/201142 Resolução nº 3201000.993 S3C2T1 Fl. 4 3 (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal o u do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016)" A jurisprudência deste colegiado administrativo é pacífica em relação ao tema. Vejamos: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62 DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal." (Processo 11516.002621/200719; Acórdão 3401003.239; Conselheiro LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO, Sessão de 26/09/2016) Ocorre que, no caso em debate tanto o despacho decisório, quanto a decisão proferida em sede de manifestação de inconformidade informam não estar comprovada a certeza e a liquidez do direito creditório. A decisão, portanto, foi no sentido de que inexiste crédito apto a lastrear o pedido da recorrente. No entanto, entendo como razoável as alegações produzidas pela recorrente aliado aos documentos apresentados nos autos, o que atesta que procurou se desincumbir do seu ônus probatório em atestar a existência dos créditos alegados. A recorrente além das DCTF's apresentou planilha de cálculo, balancete e comprovante de arrecadação referente ao período em apreço e, por fim, juntamente com o seu recurso anexa o LivroRazão. Neste contexto, a teor do que preconiza o art. 373 do diploma processual civil, teve a manifesta intenção de provar o seu direito creditório, sendo que tal procedimento, também está pautado pela boafé. Saliento o fato de assistir razão à recorrente quando alega que a falta de retificação de declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sob pena de ofensa aos princípios da legalidade e da verdade material. Fl. 1140DF CARF MF Processo nº 10530.904878/201142 Resolução nº 3201000.993 S3C2T1 Fl. 5 4 Neste sentido já decidiu o CARF: "Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2002 CONEXÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os processos referemse a períodos diferentes, o que ocasiona fatos jurídicos tributários diferentes, com a consequente diferenciação no que concerne à produção probatória, impossibilitando a conexão. FALTA DE RETIFICAÇÃO NA DCTF. Ainda que o sujeito passivo não tenha retificado a DCTF, mas demonstre, por meio de prova cabal, a existência de crédito, a referida formalidade não se faz necessária. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/1998. RECONHECIMENTO. Quanto à ampliação da base de cálculo prevista pela Lei nº 9.718/1998, tal fato já foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, RE 585235 QORG." (Processo 10280.905801/2011 89; Acórdão 3302003.619; Conselheira SARAH MARIA LINHARES DE ARAÚJO PAES DE SOUZA; Sessão de 21/02/2017) (nosso destaque) Recentemente, em questão similar, em processo relatado pela Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário (10830.917695/201111 Resolução 3201000.848), esta Turma por unanimidade de votos, decidiu em converter o julgamento em diligência, conforme a seguir transcrito: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora." Do voto da relatora destaco: "Na hipótese dos autos, observase que não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal." Ademais, em casos análogos envolvendo a recorrente, este conselho administrativo nos processos 10530.902899/201123 e Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 10530.904878/201142 Resolução nº 3201000.993 S3C2T1 Fl. 6 5 10530.902898/201189 decidiu por converter o julgamento em diligência através das Resoluções 3801000.816 e 3801000.815. Assim, entendo que há dúvida razoável no presente processo acerca da liquidez, certeza e exigibilidade do direito creditório, o que justifica a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da recorrente, sem que as questões aventadas sejam dirimidas. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser apurado e informado, de modo pormenorizado, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos, bem como a existência do crédito postulado a partir de toda a documentação apresentada pelo contribuinte e outras diligências que possam ser realizadas a critério da autoridade competente, com a elaboração do devido relatório. Deve, ainda, a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela recorrente e se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente tomando por base toda a documentação apresentada pelo contribuinte. Isto posto, deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual período, para que se manifeste nos autos e apresente documentos adicionais, caso entenda necessário, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento. Importante frisar que os documentos juntados pelo contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, também foram juntados em cópias nestes autos (planilha, balancete e/ou razão). Dessa forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, decido por converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora certifique a efetiva existência do crédito postulado, a partir dos documentos apresentados pelo contribuinte e por meio de outras diligências que se mostrarem necessárias, apurando os valores do débito e do crédito existentes na data de transmissão do PER/DCOMP, consignandoos em relatório pormenorizado. Após a realização da diligência, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18470.720450/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO POR SER PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Comprovado pelo contribuinte que atende aos requisitos exigidos pelo art. 6°, inciso XIV da Lei 7.713/88, quais sejam, receber aposentadoria e ser portador de moléstia grave, faz jus à isenção do imposto sobre a renda de pessoa física.
Numero da decisão: 2401-005.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, dar-lhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que votaram pela conversão do julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier- Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
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IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. ISENÇÃO POR SER PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Comprovado pelo contribuinte que atende aos requisitos exigidos pelo art. 6°, inciso XIV da Lei 7.713/88, quais sejam, receber aposentadoria e ser portador de moléstia grave, faz jus à isenção do imposto sobre a renda de pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 04 50 /2 01 1- 11 Fl. 141DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso. No mérito, por maioria, darlhe provimento. Vencidos os conselheiros Cleberson Alex Friess e Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, que votaram pela conversão do julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez. Fl. 142DF CARF MF Processo nº 18470.720450/201111 Acórdão n.º 2401005.091 S2C4T1 Fl. 142 3 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 106/109) interposto em face do acórdão nº. 1539.445 (fls. 99/101), cuja ementa restou assim redigida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. APOSENTADORIA. LAUDO PERICIAL. O isenção por moléstia grave se restringe aos rendimentos de pensão, aposentadoria ou reforma, e a condição deve ser comprovada com laudo pericial emitido por órgão oficial. O presente processo originase de Notificação de Lançamento (fls. 04/07) que incluiu rendimentos omitidos no valor de R$ 38.896,87 pagos pelo Instituto de Pesos e Medidas do Rio de Janeiro. Com o resultado, a restituição declarada de R$ 4.989,12 foi reduzida para R$ 2.792,56. Segundo a contribuinte, os referidos rendimentos seriam oriundos de aposentadoria e isentos do imposto de renda por ser portadora de moléstia prevista em lei, conforme laudos periciais apresentados (fls. 110/137). Em atendimento ao disposto na IN RFB nº. 1061/2010, o lançamento foi inicialmente submetido à revisão da autoridade lançadora, a qual o manteve integralmente. Segundo o mesmo, a contribuinte apresentou documento que informa o início de concessão de aposentadoria em 01/09/2006, porém, extrato CNIS informa a cessação do benefício de aposentadoria em 31/05/2004. Apresentada a impugnação, foi proferido o acórdão cuja ementa está acima reproduzida. Intimada do referido acórdão em 31/03/2016 (fl. 102), apresentou tempestivamente o seu recurso voluntário (fls. 106/109), onde alega em síntese: a) a omissão de receita se dá porque a contribuinte declarou como rendimentos auferidos da fonte pagadora INSTITUTO DE PESOS E MEDIDAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO IPEM/RJ, posto que declarou o montante de R$ 22.626,91, pois esta quantia sofreu retenção na fonte, enquanto que o montante de R$ 16.269,09, relativos aos demais contracheques, não sofreu a retenção do imposto de renda; b) a DIRF da fonte pagadora informou erroneamente o montante de R$ 38.896,00 (fl. 10) como rendimento tributável, quando na veradde deveria ser o valor de R$ 22.626,91; Fl. 143DF CARF MF 4 c) tentou por várias tentativas buscou esclarecimentos no Departamento de RH da fonte pagadora sem lograr êxito, onde recebeu apenas informações evasivas por parte dos seus prepostos que por último disseram que o erro foi do PRODERJ, que informou os valores na DIRF, sugerindo que a recorrente fosse à referida repartição para obter maiores esclarecimentos; d) que compareceu ao referido órgão público, onde foi informada que o PRODERJ não inventa valores a declarar na DIRF e sim apenas faz o lançamento das quantias enviadas pela fonte pagadora, no caso o IPEM/RJ; e) requer a notificação da fonte pagadora IPEM/RJ, para retificar a DIRF 2008/2009 que foi apresentada com valores tributados pagos a recorrente, que seriam contrários à verdade, conforme se comprova com as cópias dos documentos acostados ao recurso; f) que não pode ser penalizada por ato que não cometeu, ou seja, por erro da fonte pagadora, posto que faz jus à isenção da Lei nº. 7.713/88 para as pessoas portadoras de doenças graves sobre os rendimentos de aposentadoria; g) que não recebe quaisquer rendimentos de trabalho assalariado, como sugerido pela decisão de piso, por ser portador de doença grave (CID H47.2) cegueira e depende de acompanhante para todas as suas tarefas; h) requer a revisão do lançamento e a restituição do imposto retido indevidamente que faz jus receber. É o relatório. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 18470.720450/201111 Acórdão n.º 2401005.091 S2C4T1 Fl. 143 5 Voto Conselheiro Carlos Alexandre Tortato Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, por isso, dele tomo conhecimento. Mérito O recorrente alega ser isento do Imposto de Renda Pessoa Física por atender aos dois requisitos cumulativos necessários, quais sejam ter como rendimento aposentadoria e ser portador de moléstia grave. Conforme extraise do art. 6°, inciso XIV da Lei 7.713/88, os proventos recebidos de aposentadoria por portadores de moléstia grave devem ser isentos do tributo ora discutido, verbis: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; O contribuinte juntou aos autos os seguintes documentos (fls. 110/137): a) Cópias dos contracheques recebidos pela Recorrente (CPF nº. 410.433.32715) com os valores isentos de IRRF (fls. 110/121); b) Cópia do recibo avulso recebido pela Recorrentee (CPF nº. 410.433.327 15) no valor de R$ 22.626,91 com retenção do IR no valor de R$ 4.989,12 (fl. 122); c) Cópia do Comprovante de rendimentos pagos (fl. 123); d) Cópias dos atestados médicos fornecidos pelo INSS (fls. 124/126; 132/135); e) Cópia da Carta de Concessão de Aposentadoria por Invalidez (fl. 136); f) Cópias da Declaração de Ajuste Anual 2008/2009 (127/131); Fl. 145DF CARF MF 6 g) Cópia do contracheque mais recente (fl. 137). Portanto, verificase que a contribuinte é portadora de cegueira desde o ano calendário de 1995 (fls. 125; 132; 133; 135), tendo sido atestado e acompanhado por profissionais do serviço médico público, bem como por Comunicações sobre avaliação médica pericial pelo INSS. Os comprovantes de pagamento mais recentes (anocalendário de 2016 fl. 137) atestam que a recorrente é aposentada do Instituto de Pesos e Medidas IPEM/RJ ao menos desde o anocalendário de 2003. Vejamos: Tratase de 2008 o anocalendário em litígio, razão pela qual conjugando os documentos acostados ao presente processo, resta possível concluir, cabalmente, que no referido ano a recorrente já estava aposentada e era portadora de doença grave (cegueira). Assim, estando comprovados o cumprimento dos requisitos cumulativos para a obtenção da isenção dos proventos de aposentadoria, deve ser dado provimento ao recurso voluntário da recorrente, para o fim de reconhecer o seu direito à isenção do imposto sobre a renda de pessoa física incidentes sobre os rendimentos auferidos a título de aposentadoria no anocalendário de 2008, erroneamente apontados pela fiscalização como "omissão de receitas". Fl. 146DF CARF MF Processo nº 18470.720450/201111 Acórdão n.º 2401005.091 S2C4T1 Fl. 144 7 CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator Fl. 147DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720324/2013-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Aug 24 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/10/2010 a 30/03/2013
PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO VERIFICADA.
A inexistência de processo físico, quando é dado ao contribuinte acesso a processo digital não configura cerceamento de defesa.
GLOSAS DE COMPENSAÇÕES.
Compensação de créditos relativos a tributos considerados inconstitucionais. Tese de que os mesmos não estão sujeitas a prescrição superada. Glosa mantida.
AUSENCIA DE GFIP RETIFICADORA.
Previsão em lei, devendo ser observada pelo contribuinte a obrigação de retificar as declarações que sofrem impacto quando a alteração da situação do crédito objeto de compensação.
MULTA QUALIFICADA NÃO APLICAVEL.
A aplicação de multa qualificada demanda prova contundente quanto ao cometimento de fraude, não sendo possível aplicá-la pelo simples fato do contribuinte ter adotado interpretação diversa quanto ao momento da ocorrência.
Numero da decisão: 2402-005.853
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e dar-lhe provimento parcial para excluir a multa isolada. Ausente justificadamente o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Waltir de Carvalho e Jamed Abdul Nasser Feitoza.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Período de apuração: 01/10/2010 a 30/03/2013 PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO VERIFICADA. A inexistência de processo físico, quando é dado ao contribuinte acesso a processo digital não configura cerceamento de defesa. GLOSAS DE COMPENSAÇÕES. Compensação de créditos relativos a tributos considerados inconstitucionais. Tese de que os mesmos não estão sujeitas a prescrição superada. Glosa mantida. AUSENCIA DE GFIP RETIFICADORA. Previsão em lei, devendo ser observada pelo contribuinte a obrigação de retificar as declarações que sofrem impacto quando a alteração da situação do crédito objeto de compensação. MULTA QUALIFICADA NÃO APLICAVEL. A aplicação de multa qualificada demanda prova contundente quanto ao cometimento de fraude, não sendo possível aplicá-la pelo simples fato do contribuinte ter adotado interpretação diversa quanto ao momento da ocorrência.
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A inexistência de processo físico, quando é dado ao contribuinte acesso a processo digital não configura cerceamento de defesa. GLOSAS DE COMPENSAÇÕES. Compensação de créditos relativos a tributos considerados inconstitucionais. Tese de que os mesmos não estão sujeitas a prescrição superada. Glosa mantida. AUSENCIA DE GFIP RETIFICADORA. Previsão em lei, devendo ser observada pelo contribuinte a obrigação de retificar as declarações que sofrem impacto quando a alteração da situação do crédito objeto de compensação. MULTA QUALIFICADA NÃO APLICAVEL. A aplicação de multa qualificada demanda prova contundente quanto ao cometimento de fraude, não sendo possível aplicála pelo simples fato do contribuinte ter adotado interpretação diversa quanto ao momento da ocorrência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 03 24 /2 01 3- 60 Fl. 393DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e darlhe provimento parcial para excluir a multa isolada. Ausente justificadamente o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Theodoro Vicente Agostinho, Bianca Felicia Rothschild, João Victor Ribeiro Aldinucci, Waltir de Carvalho e Jamed Abdul Nasser Feitoza. Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13830.720324/201360 Acórdão n.º 2402005.853 S2C4T2 Fl. 393 3 Relatório O Recorrente apresentou Recurso Voluntário de Fls 283 a 307 versando sobre os créditos lançados através do DEBCAD nº 51.027.7870 (Fls 168 a 176) e o Recurso Voluntário de fls 334 a 361 dissertando sobre a ilegalidade do lançamento realizado através do DEBCAD nº 51.032.2387 (fls 177 a 183), ambos integrantes do presente processo. Nas peças em questão, o recorrente manifestou sua inconformidade com a decisão proferida no Acórdão 0254.023 8ª Turma da DRJ/BHE (Fls. 264 a 276) onde, por unanimidade de votos, sua Impugnações (fls. 200 a 246) foi declarada improcedente, mantendose a integralidade do crédito tributário relativo a apuração de Contribuição Previdenciária e Multa de Oficio. O período de apuração das obrigações analisadas está compreendido entre 10/2010 a 03/2012, tendo sido consolidadas em 06/02/2013, no AI 51.027.7870 no valor de R$ 1.578.227,21, referente à contribuição da empresa resultante de glosas por compensações indevidas para o período de 10/2010 a 02/2012, relativa aos agentes políticos, na vigência da Lei 9.506/1997. Além disso, também foi lavrado o AI 51.032.2387, no valor de R$ 1.759.200,41 gerando multa isolada no percentual de 150%, aplicado em razão do contribuinte ter apresentado, nos meses de 11/2010 a 05/2011, 08/2011 a 09/2011 e 12/2011 a 03/2012, Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com falsidade na declaração em relação às compensações efetivadas. Conforme relatado na decisão recorrida: " Consta dos autos informação quanto à existência de processo judicial de nº 0000924.25.2010.4.03.6116, protocolizado em 21/5/2010, com objeto diverso do aqui discutido. Os pedidos apresentados em juízo são: 1) a declaração do direito de compensar sem os limites da Lei Complementar 118/2005 e Portaria MPS 133/2006 do que foi pago a título de contribuição social incidente sobre os subsídios dos exercentes de mandato eletivo municipal, de 04/2000 a 18/9/2004, com parcelas vincendas de contribuição previdenciária; 2) determinação a União que se abstenha da prática tendente a impor ao Município sanções pela compensação; aplicação da UFIR e da taxa Selic. Segundo relatório fiscal o pedido do Município foi indeferido, e o processo extinto sem resolução do mérito, na data de 13/12/2012, havendo informações de que o Recorrente não recorreu da decisão judicial (item 12.2 do relatório fiscal). Relata a fiscalização que o direito às compensações informadas pelo Recorrente estava prescrito, uma vez que tal procedimento foi iniciado com Fl. 395DF CARF MF 4 declaração entregue em 04/2010, relativa a 03/2010, e corresponde aos recolhimentos do período de 02/1998 a 09/2004, nos termos da Instrução Normativa – IN MPS/SRP 15/2006, na redação dada pela IN MPS/SRP 18/2006. Conforme relatório fiscal, o contribuinte não providenciou a prévia e integral retificação das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, nas quais foram inicialmente informadas as remunerações dos agentes políticos, como determinado na IN MPS/SRP 15/2006 e Portaria MPS 133/2006. Às fls 192/193, a auditora fiscal identifica os valores das compensações declaradas em GFIP por número de controle, data de envio e período a que se referem. A seguir, fls. 193 a 195, a fiscalização fundamenta e identifica as competências nas quais foi aplicada a multa de 150%. O contribuinte teve ciência das autuações em 25/2/2013, fl. 254, e apresentou impugnações, em 27/3/2013, apresentando impugnação onde em preliminar alega Cerceamento de defesa. Alega nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, em razão dos autos do processo não estarem disponíveis para vista na repartição de origem, contrariando orientação dada no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal nesse sentido. Argumenta que instaurado o litígio entre fisco e contribuinte com a lavratura do auto de infração, a falta do processo administrativo e vista dos autos prejudica a defesa do sujeito passivo, pois não pode analisar minuciosamente os documentos que ensejaram a sua lavratura. Dizse surpreso com a informação que obteve da Receita Federal do Brasil de Assis/SP quanto à inexistência do processo administrativo fiscal em meio papel. Aduz que é estranha a justificativa do chefe da ARF/Assis de que se desejasse vista dos autos deveria arcar com os custos, fornecendo pendrive, disquete ou CD, pois, entende que o custo ou despesa decorrente do processo administrativo fiscal deve ser suportado pela Fazenda Pública, haja vista que esse é realizado no atendimento do interesse do Estado, não podendo ser atribuído ao contribuinte nenhum ônus para impulsionar a ação fiscalizatória do ente público. Registra que não queria cópias do processo, tampouco gravar o mesmo em pendrive, disquete ou CD, mas apenas vista para poder exercer plenamente o direito ao contraditório e ampla defesa. Argumenta que o processo administrativo fiscal está eivado de vício, em especial ao fato de não existir na forma convencional (papel) em contrariedade aos procedimentos legais que devem acompanhálo. Requer seja extinto o processo sem julgamento de mérito e, por conseqüência, declarado nulo o auto de infração. Mérito Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13830.720324/201360 Acórdão n.º 2402005.853 S2C4T2 Fl. 394 5 Aduz Legalidade da compensação. Diz que depois de reconhecida a ilegalidade da alínea “h” do inciso I do artigo 12 da Lei 8.212/1991 (Resolução do Senado Federal 26/2005) é legal a compensação da contribuição previdenciária recolhida e incidente sobre os valores pagos aos agentes políticos. Acrescenta que é dever da Receita Federal do Brasil efetuar a compensação nos exatos termos da decisão do STF. Prescrição e decadência incidente sobre o direito à compensação, aduz que o direito à compensação não estava prescrito, uma vez que foi realizada dentro dos cincos anos contados da data da publicação da Resolução do Senado Federal 26/2005 em 22/6/2005. Cita Parecer Cosit 58/1998, Decreto 2.346/1997, art. 1º, § 2º, e Ementas de julgados administrativos. Obrigatoriedade de retificação da GFIP, pelo contribuinte, para legitimar a compensação. Entende que a obrigatoriedade de retificação da GFIP não é condicionante para a legitimação da compensação realizada. Citando os artigos 142 do CTN e 6º da Lei 11.457/2007, diz que ao contribuinte não cabe qualquer responsabilidade pela retificação de tributos por ele declarados, tarefa exclusiva do órgão responsável pela homologação do crédito tributário. Alega que quando a Receita Federal acusa glosa de compensação fere o artigo 1º da Portaria 133/2006, omitindose em relação ao dever de promover a retificação da GFIP. E quando o artigo 2º fala em cancelamento, devese entender que as contribuições incidentes sobre cargos eletivos que foram pagas deverão ser canceladas, tendo em vista sua impropriedade, declarada como inconstitucional. Argui que qualquer exigência de retificação da GFIP por parte do contribuinte, referese à disposição acerca do lançamento do tributo, assim somente poderia ser instituída por Lei Complementar, o que não ocorreu. Requer seja reconsiderada a glosa da compensação. Multas Alega que inexistindo ilegalidade na compensação efetuada, os juros e a multa de mora devem ser cancelados. Acrescenta em relação à defesa apresentada contra o AI 51.027.7870, as seguintes alegações: Multa isolada por compensação indevida Entende que a multa fixada em 150% é excessiva e desproporcional. Citando doutrina, alega que a multa não pode ter caráter confiscatório, cabendo sua redução em face de valor excessivo e em nome dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 397DF CARF MF 6 Alega com base no CTN artigos 106, inciso II, alínea “c”, e 112 que se julgado o auto de infração procedente, devese aplicar a orientação mais benéfica ao contribuinte. A fixação do percentual da multa deve ter como parâmetro a Lei 8.383/1991, artigo 59. Pede a revisão das multas lançadas no AI 51.032.2387 para reduzir a multa aplicada no percentual de 150% para o percentual de 20%. Aduz que inexistindo ilegalidades nas compensações, não deve prevalecer a multa. Requer nas duas impugnações apresentadas que: seja anulado o auto de infração por cerceamento do direito de defesa em razão da inexistência do processo em forma convencional (papel) e da impossibilidade de ter vista dos autos; seja julgada procedente a impugnação apresentada, anulando o auto de infração lançado em desfavor do Município de Tarumã; seja garantida ao Município a emissão de Certidão Negativa de débito ou a Certidão Positiva de Débitos com Efeitos de Negativa, com prazo de validade até decisão final do processo administrativo fiscal. Protesta provar o alegado por todos os meios de provas admitidas no ordenamento jurídico, notadamente a documental que ora se junta e das demais que se fizerem necessárias ao andamento do processo." Em suas peças Recursais os argumentos apresentados na impugnação são reprisados, não havendo inovações salvo a informação de jurisprudência e textos normativos adicionais para fundamentação de suas pretensões. É o relatório. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 13830.720324/201360 Acórdão n.º 2402005.853 S2C4T2 Fl. 395 7 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator O Recorrente foi intimado da decisão recorrida em 09/05/14 (fls.282). Não constam dos autos documentos que comprovem de modo inequívoco a data de interposição do Recurso, tais como protocolo ou registro de postagem do mesmo. Contudo, o recurso está datado de 03/06/2014, existindo despacho datado de 10/06/2014 informando ser o recurso tempestivo, e estando presentes os demais requisitos de admissibilidade, o recurso merece ser declarado tempestivo e conhecido. Preliminares O presente voto faz referência as duas peças por meio das quais o Recorrente instrumentalizou sua pretensão de reforma do julgado a quo. Possuem argumentos idênticos no que se refere as preliminares, sendo diferentes, no mérito, quanto ao objeto eis que uma trata de discussões quanto a obrigação principal e outra lida com as teses de desconstituição das penalidades aplicas. Sua apresentação em peças diversas se deveu ao fato de terem sido, no mesmo processo, lavrados autos de infrações específicos para cada uma das situações tributárias resistidas. Em ambas as peças recursais, o Recorrente aduz nulidade do lançamento em razão de cerceamento de defesa, tendo em vista que o mesmo requereu vistas dos autos, mas, não havia processo físico, apenas em versão digital. Este argumento foi aduzido na primeira instância e renovado no recurso. O fundamento de sua alegação quanto a ocorrência de cerceamento de defesa, apesar de lhe ser fornecido acesso aos autos por meio digital conforme o mesmo declara em sua peça, consiste na negativa de vistas ao processo físico, dada a inexistência do mesmo. Em nosso sentir, a exigência do Recorrente de ter acesso aos autos em meio físico é totalmente desprovida de razoabilidade. Registrase que o meio digital é uma tendência global, ambientalmente adequado, mais econômico e que possibilita maior agilidade no compartilhamento de informações entre os interessados, ampliando as possibilidades de exercício regular do contraditório. Ainda, o meio digital de formalização de processos administrativos fiscais está previsto no Parágrafo Único, do Art. 2º do Decreto 70.235/72, nos seguintes termos: Art. 2º [...] Parágrafo único. Os atos e termos processuais poderão ser formalizados, tramitados, comunicados e transmitidos em formato digital, conforme disciplinado em ato da administração tributária. (Redação dada pela Lei nº12.865, de 2013) Fl. 399DF CARF MF 8 É de se notar que tal previsão era vigente a época do fato com a seguinte redação: "Parágrafo único. Os atos e termos processuais a que se refere o caput deste artigo poderão ser encaminhados de forma eletrônica ou apresentados em meio magnético ou equivalente, conforme disciplinado em ato da administração tributária." Outrossim, não vislumbramos prejuízo ao regular exercício da ampla defesa e contraditório, ao contrário, o Recorrente apresentou impugnações e recursos bem estruturados e fundamentados, não denotando qualquer prejuízo que justifique acolhimento da preliminar, razões pelas quais voto por não conhecer das preliminares. Glosas de compensação Com fundamento na Resolução do Senado Federal nº 26/05 que suspendeu a execução da alínea "h", inciso I, Art. 12 da Lei 8.212/92, o Recorrente entendeu por adequado promover a compensação de créditos referentes às contribuições previdenciárias recolhidas entre 02/98 a 09/04 sobre a remuneração de agentes políticos, o fazendo em 03/2010, pois entendida que a prescrição deveria ser contada da publicação da Resolução referente. Contudo o entendimento adotado pelo Recorrente não encontra eco na doutrina ou jurisprudência de nossos tribunais superiores, portanto, seria inadequada sua aplicação. Recorrendo as lições de Leandro Pausem, verificamos que o tema caminha em sentido contrário a pretensão recursal: "Estão superadas as posições no sentido de que a repetição de indébito de tributo considerado inconstitucional seria imprescritível ou que o termo inicial do prazo seria distinto, vinculado à data de declaração da inconstitucionalidade pelo STF ou edição de Resolução pelo Senado. A Primeira Seção do STJ, quando do julgamento dos Embargos de Divergência no REsp 435.835SC, em março de 2004, revendo entendimento anterior, consolidou posição no sentido de que a declaração de inconstitucionalidade não influi na contagem do prazo para repetição ou compensação. Entendemos que prevaleceu a melhor orientação. Isso porque o prazo não se altera em função do fundamento do pedido de repetição, de modo que a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo, não tem implicação na sua contagem. Efetivamente, o direito a repetição não se origina da decisão do STF. Cada contribuinte, antes mesmo de qualquer decisão do STF, tem a possibilidade de buscar, no judiciário, o reconhecimento do direito à repetição ou à compensação com fundamento em inconstitucionalidade forte no controle difuso. A repetição administrativa, é verdade, não se viabiliza antes da suspensão da eficácia da Lei atacada, mas não é a única via para a satisfação de tal direito." (Pausem, Leandro Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da doutrina e da jurisprudência Porto Alegre, Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009, pág. 1142) Isto posto, correto o entendimento do agente fiscal e da DRJ quanto a impossibilidade de compensação dos referidos créditos, por estarem prescritos. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 13830.720324/201360 Acórdão n.º 2402005.853 S2C4T2 Fl. 396 9 Ausência de GFIP retificadora O Recorrente efetuou as referidas compensações sem proceder a retificação das GFIPs de modo a excluir os créditos em discussão, descumprindo obrigação acessória prevista na PORTARIA MPS 133/2006, in verbis: "Art. 4º Eventual compensação ou pedido de restituição por parte do ente federativo observará as seguintes condições: I será precedido de retificação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e de Informações à Previdência Social – GFIP." O Recorrente não nega ou justifica o fato ter procedido a compensação das contribuições em questão, sem retificar as GFIPs referentes. Alega, em sua peça recursal, o entendimento de que não é obrigatória a proceder tal retificação e até mesmo chegando a afirmar que a retificação deveria ser realizada pela autoridade fiscal. Contudo, cabe ao contribuinte proceder tais ajustes, sob pena de descumprimento de obrigação acessória prevista em lei, gerando o conseqüente punitivo corretamente aplicado pela autoridade fiscal. Da multa isolado aplicada O Agente Fiscal entendeu que "o contribuinte declarou em GFIP compensação com crédito inexistente" e, por conseqüência, concluindo serem falsas as declarações de créditos utilizados para compensação, restaria configurada situação legalmente prevista para agravamento da penalidade. No entanto, devese ter atenção aos fatos do presente processo. O Recorrente não declarou crédito inexistente ou apresentou informação falsa como, equivocadamente, sustenta o Agente Fiscal. Os créditos existiram, entretanto, foram atingidos pela prescrição. O entendimento adequado do disposto no §10º, do Art. 89 da Lei 8.212/91 deve ser restrito a casos de inserção de informação falsa, onde exista a intenção clara do contribuinte no cometimento de fraude e isso precisa ser demonstrado de modo cabal, detalhado e contundente pela fiscalização, não sendo possível apenas presumir que tal situação ocorreu. Em nosso sentir o presente caso, denota muito mais um erro quanto ao entendimento vigente a respeito do inicio do prazo prescricional de obrigações tributárias prevista em normas consideradas inconstitucionais. De qualquer modo, o elemento central do tipo infracional que fundamentou o agravamento da multa, não se adequou de modo perfeito ao presente caso. Os créditos prescritos não são créditos inexistentes ou falso, mas apenas créditos desprovidos de eficácia obrigacional. Deste modo, não é possível qualificar a conduta do Recorrente como uma falsidade comprovada nos termos fundamentos pelo Agente Fiscal, o que não desnatura a infração de utilização de compensação indevida, porém, sem a qualificadora. Fl. 401DF CARF MF 10 Diante do exposto, no que se refere a multa aplicada, voto por acolher o recurso declarando sua nulidade por ausência de elementos necessário a sua aplicação. Conclusão Por todo exposto, voto por rejeitar a preliminar, para, no mérito, dar parcial provimento ao recurso no sentido de excluir a multa isolada. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 402DF CARF MF
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Numero do processo: 10235.001252/2005-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 16 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.806
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF, em razão da matéria.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF, em razão da matéria. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Waltir de Carvalho, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Virgílio Cansino Gil, Rosy Adriane da Silva Dias, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Martin da Silva Gesto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo nº 10235.001252/200579, em face do Acórdão nº 10423.698, julgado pela 1ª. Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém (DRJ/BEL), na sessão de julgamento de 04 de fevereiro de 2009, no qual os membros daquele colegiado entenderam por julgar procedente o lançamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 35 .0 01 25 2/ 20 05 -7 9 Fl. 975DF CARF MF Processo nº 10235.001252/200579 Resolução nº 2202000.806 S2C2T2 Fl. 976 2 Em razão da decisão, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 891/914, reiterando os argumentos presentes em impugnação. A DRJ de origem entendeu por prover o Recurso apresentado, acolhendo a arguição de decadência. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: "REFRIGERANTES FAZENDINHA S/A, contribuinte inscrita no CNPJ/MF n° 03.125.376/000110, com domicílio fiscal no Município de Macapá, Estado do Amapá, no Ramal do Pólo, s/n°, Distrito Fazendinha, jurisdicionada a DRFB em Macapá AP, inconformada com a decisão de primeira instância de fls. 842/848, prolatada pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA, recorre, a este Primeiro Conselho de Contribuintes, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 854/876. Contra a contribuinte foi lavrado, em 02/12/05, o Auto de Infração de Imposto de Renda na Fonte (fls. 794/802), com ciência através pessoal em 05/12/05, exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 3.132.065,68 (padrão monetário da época do lançamento), a título de Imposto de Renda na Fonte, acrescidos da multa de lançamento de oficio normal de 75% e dos juros de mora, de no mínimo, de 1% calculado sobre o valor do imposto de renda, relativo aos fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2000. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver falta de recolhimento do imposto de renda na fonte sobre pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Infração capitulada no artigo 674, 1°, do RI:R/99. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do próprio Auto de Infração, entre outros, os seguintes aspectos: que em 14/09/2005 foi dado ciência do MPF, da autorização para reexame do período fiscalizado e do Termo de Início de Fiscalização; que em 18/10/2005 a fiscalizada foi intimada, em complemento ao Termo de Inicio de Fiscalização, a comprovar a causa das entregas de valores (pagamentos efetuados) feitas por ela a terceiros, no ano calendário de 2000; que em expediente datado de 28/10/2005, da lavra do Sr. Admiton F. de Almeida, seu procurador, a fiscalizada alegou, em apertada síntese, que todos os esclarecimentos de que a fiscalização precisasse encontravamse prestados no curso do Processo Administrativo Fiscal n° 10235.001079/200347; que tudo que foi coligido no Processo Administrativo Fiscal n° 10235.001079/200347, às fls. 552/789, não se mostra hábil para comprovar a causa dos valores entregues a terceiros pela fiscalizada, no anocalendário de 2000; que como se pode facilmente verificar, aquele Processo carreia Autos de Infração referentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, Fl. 976DF CARF MF Processo nº 10235.001252/200579 Resolução nº 2202000.806 S2C2T2 Fl. 977 3 da Contribuição para o Programa Integração Social PIS, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e Contribuição Social CSLL, decorrentes da omissão de receitas presumida com base em depósitos bancários, nos termos do art. 42 da Lei n°9.430, de 1996; que a toda evidência, o objeto daquele Processo não se coaduna com o do presente Procedimento de Fiscalização, senão vejamos: aqui, tratase do lançamento do IRRF decorrente das entregas de recursos a terceiros sem comprovação de sua causa, feitas pela fiscalizada, no anocalendário de 2000, o que se encontra demonstrado pela investigação fiscal às fls. 81/551, lá, tratase de omissão de receitas; que, assim, a fiscalizada tomouse responsável tributária pelo Imposto de Renda incidente, exclusivamente na fonte, sobre os recursos/valores entregues a terceiros, cuja causa não foi comprovada. Inconformada com o lançamento, do qual tomou ciência em 05/12/2005 (fls. 803), apresentou a interessada, em 21/12/2005, a impugnação de fls. 811/831, solicitando que a mesma seja declarada insubsistente, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o Auto de Infração, confuso, foi aplicado apenas para evitar o instituto da decadência, haja vista, que com apenas 11 folhas, encaminhadas ao diretor presidente, não expressa a verdade, deixando a impugnante sem elementos suficiente para desenvolver sua ampla defesa, cerceando assim, seus direitos, uma vez que pela descrição dos fatos, podemos perceber, que o auditor fiscal, não teve nenhum interesse de agir em buscar a verdade real; que não pode afirmar o auditor fiscal que a impugnante efetuou pagamento sem causa, uma vez que o projeto implantado e pago seus fornecedores, com os valores dos recursos recebidos via Banco da Amazônia, liberado pela SUDAM. Não pode alegar o auditor fiscal que a impugnante efetuou pagamento sem causa, quando ele identifica os senhores Sebastião José Soares e Mario Bueno Evaristo da Silva, como beneficiários dos valores e aplica Auto de Infração pelo mesmo fato; que a impugnante deixou de comprovar com os documentos contábeis, em virtude da apreensão de todos os documentos no escritório de contabilidade de sua contadora, em operação direcionada pela Policia Federal com Mandado de Busca e Apreensão em nome da contadora, sem que tivesse acesso ao Mandado, em virtude do desaparecimento da contadora, deixando a impugnante em situação dificil; que é importante ressaltar que os valores recebidos por terceiros, foram para justificar os recursos próprios exigidos pela SUDAM e em seguida, devolvidos a seus verdadeiros donos e identificados pelo auditor fiscal, que constituiu credito tributário nos mesmos; que quanto aos valores que constam da autuação embasada em pagamento sem causa, também não há de prosperar a pretensão do fisco federal, vez que levou em conta exclusivamente pagamento sem causa com deposito bancário de financiamento da SUDAM e empréstimo de terceiros identificados, apenas para justificar o recurso Fl. 977DF CARF MF Processo nº 10235.001252/200579 Resolução nº 2202000.806 S2C2T2 Fl. 978 4 próprio, a contra partida exigida pela SUDAM, que de imediato foram devolvidos aos seus verdadeiros donos; que o auditor fiscal não poderia concluir seu trabalho fiscal, sem atender o pedido da impugnante para solicitar da Policia Federal com sede em Belém e SUDAM, copias dos documentos apreendidos no escritório de contabilidade da contadora, onde lá estavam as provas a seu favor podendo identificar os verdadeiros responsáveis pelos empréstimos e a causa, que deram origem aos pagamentos; que diante da situação, requer do nobre julgador diligência junto ao Banco da Amazônia Agência Macapá, para que sejam identificados os beneficiários dos cheques e intimados a esclarecer Policia Federal Belém, para apresentar copia do mandado de Busca e Apreensão dos documentos contábeis da impugnante, e UGFIN em Belém, para apresentar copias do Diário e dos documentos que justificam os pagamentos com os cheques emitidos, já que provocado, o auditor fiscal silenciou; que requer, assim, a impugnante que seja anulado o processo administrativo fiscal, por não ter o auditor fiscal requerido dos beneficiários dos cheques esclarecimentos dos pagamentos, cerceando o direito de defesa da impugnante, já que não promoveu junto a Coordenadoria da Unidade de Gerenciamento dos Fundos de Investimentos UGFIN, os documentos para comprovar a causa dos pagamentos. Após resumir os fatos constantes da autuação e as razões apresentadas pela impugnante a Primeira Turma de Julgamento da DRJ em Belém PA conclui pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário lançado, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, no que se refere ao cerceamento do direito de defesa, não se vislumbra a sua ocorrência. Com efeito, antes da lavratura do auto de infração não existe acusação, fato que tem como corolário a inexistência de necessidade de defesa ou o cerceamento desta. Além disso, após a ciência do auto de infração, foi dado à impugnante o prazo de 30 dias para apresentação de contestação, tal como determina o Decreto n°70.235, de 1972; que a impugnante alega, ainda, que os pagamentos foram realizados a fornecedores ou eram devolução de empréstimo que serviu para simular a existência de capital próprio. Malgrado as alegações, a impugnante não apresenta qualquer prova que possa justificar a exclusão das infrações apuradas, razão pela qual há que se reconhecer a legitimidade da exação; que a respeito da falta de aprofundamento da ação fiscal, a impugnante está equivocada porque a fiscalização aplicou o que dispõe a Lei. Assim, se houve pagamentos e a impugnante não comprovou as operações que os originaram, a Lei n° 8.981, de 1995, determina a imposição do lançamento de oficio; que mesmo que houvesse a comprovação da apreensão da documentação de suporte contábil, a impugnante poderia, facilmente, Fl. 978DF CARF MF Processo nº 10235.001252/200579 Resolução nº 2202000.806 S2C2T2 Fl. 979 5 obter a comprovação dos pagamentos junto aos beneficiários. Nesses termos, não prosperam as alegações de apreensão dos documentos contábeis; que outra impropriedade da impugnante surge com o argumento de que intimou a fiscalização para a coleta de provas que ela, a impugnante, deveria manter obrigatoriamente. Como foi já foi declinado a pretensão da impugnante é absurda porque transforma o Estado no ente acusador e, ao mesmo tempo, defensor da impugnante. Assim, falta amparo legal à pretensão em comento; que na peça impugnatória consta que a fiscalização formalizou a exação utilizandose, inclusive, de pagamentos para os quais os beneficiários já teriam sido autuados pelo mesmo motivo. Entretanto, nas folhas 796 e 797 é possível constatar que nos casos em que houve o lançamento nos beneficiários a fiscalização excluiu os valores do lançamento; que a realização de diligência e perícia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimento de fatos considerados obscuros no processo. No presente caso, tais motivos são inexistentes e os quesitos elaborados pela defesa revelamse desnecessários, uma vez que nos autos constam as informações necessárias e suficientes para o deslinde da questão. Desta forma, e em conformidade com o artigo 18, caput, do Decreto n°70.235, de 1972, indefiro os pedidos de diligência e perícia, por considerálas prescindíveis para o julgamento da presente lide; que, quanto as provas, muito embora a impugnante tenha sido autuada no anocalendário de 2005 a respeito dos pagamentos realizados no anocalendário de 2000 e o julgamento estar sendo proferido no anocalendário de 2007, nenhuma prova foi apresentada que pudesse afastar o lançamento de oficio. Assim, é possível concluir que a solicitação da impugnante é meramente protelatória, já que se passaram mais de 7 anos da ocorrência dos fatos geradores sem que qualquer documento fosse apresentado; que, por fim, a verificação "in loco" do estabelecimento da impugnante em nada alteraria as infrações apuradas pela fiscalização. Tratamse de pagamentos para os quais a impugnante não comprovou as operações, inexistindo qualquer liame fático entre a exação e a localização fisica da impugnante. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 PAGAMENTO SEM CAUSA. É legitimo o lançamento de oficio quando são localizados pagamentos efetuados pelo sujeito passivo para os quais não houve a comprovação da sua causa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA — Não estando configurada a ocorrência de preterição do direito de defesa, rechaçam se as alegações do sujeito passivo. Fl. 979DF CARF MF Processo nº 10235.001252/200579 Resolução nº 2202000.806 S2C2T2 Fl. 980 6 CAPACIDADE CON7'RIBUTIVA E ISONOMIA. Os princípios constitucionais que tratam da capacidade contributiva e da isonomia devem ser observados pelo legislador, não sendo aplicáveis às pessoas cuja competência é meramente cumprir disposição legal em vigor. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Devem ser indeferidos os pedidos de diligência e perícia, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente. Cientificada da decisão de Primeira Instância, em 21/09/07, conforme Termo constante às fls. 851/853, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (05/10/07), o recurso voluntário de fls. 854/876, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nos mesmos argumentos apresentados na fase impugnatória." A DRJ de origem entendeu pela improcedência da impugnação apresentada. Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, às fls. 851/852, onde reitera as alegações de impugnação. A Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao analisar o caso, na sessão de 04 de fevereiro de 2009, entendeu por reconhecer a decadência, dando provimento ao recurso voluntário da contribuinte. A Fazenda Nacional, por sua vez, opôs Recurso Especial, o qual foi acolhido pela Câmara Superior deste Conselho, conforme Acórdão n.º 9101001.142, pois não haveria como imputar pagamento parcial, pelo que aplicável a regra decadencial do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Assim, concluiu que, em razão do lançamento ter sido notificado ao contribuinte em 05/12/2005, não haveria decadência. Por tais razões, foi determinado o retorno dos autos à Câmara a quo. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto – Relator O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Tratase de autuação por Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), cujo litígio versa sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa. Fl. 980DF CARF MF Processo nº 10235.001252/200579 Resolução nº 2202000.806 S2C2T2 Fl. 981 7 Nos termos da redação dada pela Portaria MF nº 329, publicada no D.O.U. em 7 de julho 2017, que alterou a Portaria MF nº 343/2105, qual seja, o Regimento deste Conselho (RICARF), compete à 1a. Seção do CARF processar e julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ, ou se referir a litígio que verse sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa. A redação atualizada RICARF conta com o seguinte teor quanto a competência: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ, ou se referir a litígio que verse sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem comprovação da operação ou da causa; (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) Assim, tratandose da matéria em litígio sobe Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) a pagamento sem causa, verifico que a competência é da 1ª (primeira) Seção deste Conselho, devendo os autos serem encaminhados para Primeira Seção de Julgamento do CARF. Ante o exposto, voto por declinar a competência para a Primeira Seção de Julgamento do CARF, em razão da matéria. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Fl. 981DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.905758/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Aug 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007
COFINS. DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL.
Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF.
Numero da decisão: 3401-003.921
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
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DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. TRATAMENTO MASSIVO x ANÁLISE HUMANA. AUSÊNCIA/EXISTÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. VERDADE MATERIAL. Nos processos referentes a despachos decisórios eletrônicos, deve o julgador (elemento humano) ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário apresentado, acolhendo a informação prestada em diligência. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, André Henrique Lemos, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 57 58 /2 01 2- 31 Fl. 318DF CARF MF 2 Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP utilizando créditos de COFINS, no valor total de R$ 22.122,54. Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação não foi homologada, visto que o pagamento foi localizado, mas integralmente utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Cientificada da decisão de piso, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, basicamente, que: (a) o crédito se refere a COFINSimportação de serviços recolhida indevidamente, e que a informação de que o valor foi utilizado integralmente para quitar débito da empresa se deve a ter sido originalmente informado em DCTF valor igual ao total do recolhimento; (b) que foi retificada a DCTF, após o despacho decisório, sendo que o valor não era devido por tratarse de remessa ao exterior em pagamento de licença de uso de marca, a título de royalties, não caracterizando contrapartida de serviços provenientes do exterior, conforme Solução de Consulta RFB no 263/2011; e (c) a DCTF retificadora não foi recepcionada pela RFB tendo em vista ter se esgotado o prazo de cinco anos para a apresentação. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o fundamento de carência probatória a cargo do postulante, que não apresenta contrato que discrimine os royalties dos serviços técnicos e de assistência técnica, de forma individualizada, e de que a prazo para retificação de DCTF já havia se esgotado quando da apresentação de declaração retificadora pela empresa. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, afirmando que: (a) celebrou contrato exclusivamente referente a licenciamento para uso de marcas, não envolvendo a importação de quaisquer serviços conexos, e que em 52 despachos decisórios distintos, a autoridade administrativa não homologou as compensações, por simples cotejo com DCTF, e que a DRJ manteve a decisão sob os fundamentos de ausência de apresentação de contrato e de retificação extemporânea de DCTF; (b) há necessidade de reunião dos 52 processos conexos para julgamento conjunto; (c) deve o CARF receber de ofício a DCTF retificadora, em nome da verdade material; e (d) o crédito foi documentalmente comprovado, figurando no contrato celebrado, anexado aos autos, que o objeto é exclusivamente o licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos, aplicandose ao caso o entendimento externado na Solução de Divergência no 11, da COSIT, como tem entendido o CARF em casos materialmente e faticamente idênticos (Acórdão no 3801001.813). No CARF, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução no 3803000.470, para que a autoridade local da RFB informasse “...acerca dos valores devidos pela recorrente na data de transmissão da DComp, bem assim se o valor reconhecido a título de direito creditório (original ou atualizado) é o bastante para solver os débitos existentes nessa data, mediante o confrontamento de valores ou, informar acerca da diferença encontrada” (sic). Em resposta a fiscalização informa que o pagamento objeto do direito creditório não se encontra disponível, uma vez que utilizado para quitação de débito declarado em DCTF, e que, relativamente ao confronto de valores, restou demonstrado “... ser bastante o valor do pagamento pleiteado nestes autos para extinção do débito declarado pela Fl. 319DF CARF MF Processo nº 13603.905758/201231 Acórdão n.º 3401003.921 S3C4T1 Fl. 307 3 contribuinte por meio de compensação”, não havendo necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação. O processo foi a mim distribuído, mediante sorteio, em maio de 2017. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O cumprimento dos requisitos formais de admissibilidade já foi verificado na conversão em diligência, passandose, então, aqui, à análise de mérito. De fato, não se tem dúvidas de que, ao tempo da análise massiva, por sistema informatizado, das DCOMP apresentadas, os débitos declarados em DCTF correspondiam aos pagamentos efetuados, ainda que estes fossem eventualmente indevidos. Daí os despachos decisórios eletrônicos, limitados a cotejamento entre dados declarados em DCOMP e DCTF, e pagamentos efetuados com DARF, terem sido pelo indeferimento. No entanto, também não se tem dúvidas de que a empresa já entendia, na data de protocolo dos PER/DCOMP, serem indevidos os pagamentos efetuados, independente de ter ou não retificado as respectivas DCTF. Não há que se falar, assim, em decurso de prazo para repetir o indébito, visto que os PER/DCOMP foram transmitidos dentro do prazo regular para repetição. Após o indeferimento eletrônico da compensação é que a empresa esclarece que a DCTF foi preenchida erroneamente, tentando retificála (sem sucesso em função de trava temporal no sistema informatizado), e explica que o indébito decorre de serem os pagamentos referentes a COFINSserviços incabíveis pelo fato de se estar tratando, no caso, exclusivamente de licenciamento de uso de marcas, sem quaisquer serviços conexos. No presente processo, como em todos nos quais o despacho decisório é eletrônico, a fundamentação não tem como antecedente uma operação individualizada de análise por parte do Fisco, mas sim um tratamento massivo de informações. Esse tratamento massivo é efetivo quando as informações prestadas nas declarações do contribuinte são consistentes. Se há uma declaração do contribuinte (v.g. DCTF) indicando determinado valor, e ele efetivamente recolheu tal valor, o sistema certamente indicará que o pagamento foi localizado, tendo sido integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Houvesse o contribuinte retificado a DCTF anteriormente ao despacho decisório eletrônico, reduzindo o valor a recolher a título da contribuição, provavelmente não estaríamos diante de um contencioso gerado em tratamento massivo. A detecção da irregularidade na forma massiva, em processos como o presente, começa, assim, com a falha do contribuinte, ao não retificar a DCTF, corrigindo o valor a recolher, tornandoo diferente do (inferior ao) efetivamente pago. Esse erro (ausência de retificação da DCTF) provavelmente seria percebido se a análise inicial empreendida no despacho decisório fosse individualizada/manual (humana). Fl. 320DF CARF MF 4 Assim, diante dos despachos decisórios eletrônicos, é na manifestação de inconformidade que o contribuinte é chamado a detalhar a origem de seu crédito, reunindo a documentação necessária a provar a sua liquidez e certeza. Enquanto na solicitação eletrônica de compensação bastava um preenchimento de formulário DCOMP (e o sistema informatizado checaria eventuais inconsistências), na manifestação de inconformidade é preciso fazer efetiva prova documental da liquidez e da certeza do crédito. E isso muitas vezes não é assimilado pelo sujeito passivo, que acaba utilizando a manifestação de inconformidade tãosomente para indicar porque entende ser o valor indevido, sem amparo documental justificativo (ou com amparo documental deficiente). O julgador de primeira instância também tem um papel especial diante de despachos decisórios eletrônicos, porque efetuará a primeira análise humana do processo, devendo assegurar a prevalência da verdade material. Não pode o julgador (humano) atuar como a máquina, simplesmente cotejando o valor declarado em DCTF com o pago, pois tem o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Nesse contexto, relevante passa a ser a questão probatória no julgamento da manifestação de inconformidade, pois incumbe ao postulante da compensação a prova da existência e da liquidez do crédito. Configurase, assim, uma das três situações a seguir: (a) efetuada a prova, cabível a compensação (mesmo diante da ausência de DCTF retificadora, como tem reiteradamente decidido este CARF); (b) não havendo na manifestação de inconformidade a apresentação de documentos que atestem um mínimo de liquidez e certeza no direito creditório, incabível acatarse o pleito; e, por fim, (c) havendo elementos que apontem para a procedência do alegado, mas que suscitem dúvida do julgador quanto a algum aspecto relativo à existência ou à liquidez do crédito, cabível seria a baixa em diligência para sanála (destacandose que não se presta a diligência a suprir deficiência probatória a cargo do postulante). Em sede de recurso voluntário, igualmente estreito é o leque de opções. E agregase um limitador adicional: a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972. No presente processo, o julgador de primeira instância não motiva o indeferimento somente na ausência de retificação da DCTF, mas também na ausência de prova do alegado, por não apresentação de contrato. Diante da ausência de amparo documental para a compensação pleiteada, chegase à situação descrita acima como “b”. Contudo, no julgamento inicial efetuado por este CARF, que resultou na baixa em diligência, concluiuse pela ocorrência da situação “c”, diante dos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Entendeu assim, este colegiado, naquele julgamento, que o comando do art. 16, § 4o do Decreto no 70.235/1972 seria inaplicável ao caso, e que diante da verossimilhança em relação a alegações e documentos apresentados, a unidade local deveria se manifestar. E a informação da unidade local da RFB, em sede de diligência, atesta que os valores recolhidos são suficientes para saldar os débitos indicados em DCOMP, entendendo a fiscalização, inclusive que, diante do exposto, não haveria necessidade de se dar ciência ao contribuinte da informação, apesar de ainda estarem os pagamentos alocados à DCTF original. Resta pouco, assim, a discutir no presente processo, visto que o único obstáculo que remanesce é a ausência de retificação da DCTF, ainda que comprovado o direito Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13603.905758/201231 Acórdão n.º 3401003.921 S3C4T1 Fl. 308 5 de crédito, como se atesta na conversão em diligência, mediante o respectivo contrato, acompanhado da invoice correspondente. Atribuir à retificação formal de DCTF importância superior à comprovação do efetivo direito de crédito é típico das máquinas, na análise massiva, mas não do julgador, humano, que deve ir além do simples cotejamento efetuado pela máquina, na análise massiva, em nome da verdade material, tendo o dever de verificar se houve realmente um recolhimento indevido/a maior, à margem da existência/ausência de retificação da DCTF. Como atesta a Solução de Divergência COSIT no 11/2011: “Não haverá incidência da CofinsImportação sobre o valor pago a título de Royalties, se o contrato discriminar os valores dos Royalties, dos serviços técnicos e da assistência técnica de forma individualizada. Neste caso, a contribuição sobre a importação incidirá apenas sobre os valores dos serviços conexos contratados. Porém, se o contrato não for suficientemente claro para individualizar estes componentes, o valor total deverá ser considerado referente a serviços e sofrer a incidência da mencionada contribuição.” (grifo nosso) E a cópia do contrato de licença apresentada e analisada, e de seus adendos, atesta que o contrato se refere “exclusivamente a licenciamento de uso de marcas”, não tratando de serviços. Assim, é indevida a COFINS, não havendo qualquer manifestação em sentido contrário pela própria unidade diligenciante. Aliás, efetivamente apreciou turma especial do CARF assunto idêntico, no Acórdão no 3801001.813, de 23/04/2013, acordando unanimemente pela não incidência de COFINSserviços em caso de contrato de “knowhow” que não engloba prestação de serviços: “CONTRATO DE “KNOW HOW”. REMESSAS AO EXTERIOR RELATIVAS A ROYALTIES E DIREITOS PELO USO DE MARCAS E TRANSFERÊNCIA DE CONHECIMENTO E TECNOLOGIA. NÃO INCIDÊNCIA DA COFINS IMPORTAÇÃO. Uma vez discriminados os valores dos Royalties dos demais serviços, de forma individualizada, não incidirá a COFINSImportação.” Há ainda outros precedentes recentes e unânimes deste tribunal, no mesmo sentido, e com características adicionais em comum com o presente processo: “NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o despacho decisório que se fundamenta no cotejo entre documentos apontados como origem do crédito (DARF) e nas declarações apresentadas que demonstram o direito creditório (DCTF). APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. POSSIBILIDADE. DEMONSTRAÇÃO DE INDÍCIO DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO ANTERIORMENTE AO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. Indícios de provas apresentadas anteriormente à prolação do despacho decisório que denegou a homologação da compensação, consubstanciados na apresentação de DARF de pagamento e DCTF retificadora, ratificam os argumentos do contribuinte Fl. 322DF CARF MF 6 quanto ao seu direito creditório. Inexiste norma que condiciona a apresentação de declaração de compensação à prévia retificação de DCTF, bem como ausente comando legal impeditivo de sua retificação enquanto não decidida a homologação da declaração. ROYALTIES. REMUNERAÇÃO EXCLUSIVA PELO USO DE LICENÇA E TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. INEXISTÊNCIA DE SERVIÇOS CONEXOS. NÃO INCIDÊNCIA DE PIS/COFINSIMPORTAÇÃO. A disponibilização de "informações técnicas" e "assistência técnica", por intermédio de entrega de dados e outros documentos pela licenciadora estrangeira, para utilização na fabricação de produtos licenciados no País, não configura prestação de serviços conexos ao licenciamento para efeitos de incidência de Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofinsimportação. À luz do contrato de licenciamento e dos efetivos pagamentos realizados ao exterior, não incidem as Contribuições para o PIS/Pasepimportação e Cofins importação, pois tais pagamentos, cujos cálculos baseiamse nas vendas líquidas de produtos licenciados, referemse, exclusivamente, à remuneração contratual pela transferência de tecnologia, com natureza jurídica de royalties. (grifo nosso) (Acórdãos no 3201002.404 a 420, Rel. Cons. Windereley Morais pereira, sessão de 28 set. 2016) Deve, então, ser acolhido o pleito da empresa, removido o derradeiro obstáculo indevido ao reconhecimento do direito creditício e à compensação. Resta, por fim, tecer comentários sobre o pleito da recorrente para análise conjunta dos 52 processos referentes a suas DCOMP, visto que este relator recebeu, em sorteio, apenas 44 dos referidos processos. Em nome da verdade material, efetuei consulta ao sistema eprocessos, sobre a situação dos oito processos restantes, verificando o que se resume na tabela abaixo: N. do processo Situação atual Observações 13603.905762/201207 CARF – “Distribuir/Sortear” (indevidamente) Julgamento convertido em diligência, nas mesmas circunstâncias do presente, mas ainda não enviado à unidade local, para diligência, tendo em vista necessidade de saneamento (erro na anexação do arquivo contendo a Resolução de conversão em diligência). 13603.905764/201298 Idem Idem 13603.905772/201234 Idem Idem 13603.905785/201211 Idem Idem 13603.905790/201216 Idem Idem Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13603.905758/201231 Acórdão n.º 3401003.921 S3C4T1 Fl. 309 7 13603.905775/201278 CARF – SEDIS/GECAP – Verificar Processo Processo sequer apreciado pelo CARF ainda, nem para converter o julgamento em diligência. 13603.905793/201250 Idem Idem 13603.905794/201202 Idem Idem Assim, há efetivamente apenas 44 processos maduros para julgamento, visto que os 8 restantes, por falhas processuais (5 deles com juntada incorreta de arquivos e 3 com pendência de verificação de procedimentos pelo setor competente do CARF) acabaram não chegando à unidade local, para realização da diligência. E os 44 processos, prontos para julgamento, serão efetivamente julgados conjuntamente, nesta sessão. Pelo exposto, e acolhendo a informação prestada em sede de diligência, voto por dar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan Fl. 324DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.002860/2004-48
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Aug 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003
IPI. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR EM UM PERÍODO COM O DEVIDO EM OUTRO. IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO.
A compensação valores de Cofins recolhidos a maior num período de apuração com o devido em outro não pode ser realizada de ofício, mas deve ser requerida na forma da legislação de regência.
Recurso Especial do Contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-005.252
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 IPI. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR EM UM PERÍODO COM O DEVIDO EM OUTRO. IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. A compensação valores de Cofins recolhidos a maior num período de apuração com o devido em outro não pode ser realizada de ofício, mas deve ser requerida na forma da legislação de regência. Recurso Especial do Contribuinte negado.
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COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO. Recorrente DGC PARTICIPACOES E INCORPORADORA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 IPI. COMPENSAÇÃO DE VALORES RECOLHIDOS A MAIOR EM UM PERÍODO COM O DEVIDO EM OUTRO. IMPOSSIBILIDADE DE REALIZAÇÃO DE OFÍCIO. A compensação valores de Cofins recolhidos a maior num período de apuração com o devido em outro não pode ser realizada de ofício, mas deve ser requerida na forma da legislação de regência. Recurso Especial do Contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 28 60 /2 00 4- 48 Fl. 220DF CARF MF 2 Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Augusto do Couto Chagas, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 320200.323, de 07/07/2011, proferido pela 2ª Turma da 2ª Câmara do CARF, que fora assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2004 a 30/06/2004 COFINS COMPENSAÇÃO. A utilização de eventual direito creditório para fins de compensação deve ser solicitada pelo Sujeito Passivo, por meio da Declaração de Compensação. COFINS DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea somente se caracteriza pela ação do contribuinte anteriormente a qualquer procedimento de oficio iniciado pela autoridade fiscal, cabendo ainda, no mesmo ato, se for o caso, o recolhimento da contribuição devida. Recurso Voluntário Negado. No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente insurgese contra o entendimento da Turma que decidiu pela impossibilidade de se promover a compensação de ofício dos créditos existentes em favor da Recorrente com os débitos ora exigidos por meio do lançamento tributário. Alega divergência em relação ao que decidido no Acórdão nº 20176.192. O exame de admissibilidade encontrase às fls. 211/213. A Procuradoria apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 215/218). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto deve ser conhecido. O recurso decorre do entendimento plasmado no acórdão recorrido, segundo o qual, no caso de serem localizados valores recolhidos a maior do mesmo tributo para o qual Fl. 221DF CARF MF Processo nº 19515.002860/200448 Acórdão n.º 9303005.252 CSRFT3 Fl. 221 3 forem apurados débitos, não cabe ao Fisco aproveitálos de oficio em favor do contribuinte, uma vez que a compensação é prerrogativa deste, não do Fisco. Já no acórdão paradigma, a Câmara baixa concluiu justamente o inverso, consoante comprova a sua própria ementa: COFINS. COMPENSAÇÃO. AUTO DE INFRAÇÃO. Comprovada a existência de créditos apurados nos autos do processo administrativo, cabe a imputação dos valores, atendendose o Principio da Eficiência, dandose baixa nos débitos da contribuinte lançados no auto de infração. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO. A base de cálculo deve ser a apurada em procedimento fiscal e não a declarada pelo contribuinte. DEPÓSITOS JUDICIAIS. A constituição do crédito tributário pode ser efetivada no curso de processo judicial com depósito do montante integral, tendo a justificativa de prevenir a decadência. A multa de oficio e em casos que tais, não é de ser lançada de acordo com a inteligência do art. 63, § I, da Lei n° 9.430/96. Do mesmo modo os juros de mora somente devem ser lançados relativamente aos depósitos insuficientes. Recurso parcialmente provido. (grifamos) O dissídio, como se vê, está plenamente configurado. E deve ser dirimido em desfavor da tese encartada no recurso especial. No caso em exame, o auto de infração cobra a Cofins devida nos meses de maio e junho de 2004. Desde a sua impugnação, a contribuinte pleiteia a compensação de valores que alega terem sido recolhidos a maior num determinado período de apuração com débitos que o Fisco apurou noutros períodos, o que findou por ser negado no acórdão de julgamento do recurso voluntário. Todavia, a única compensação que a fiscalização está autorizada a fazer durante o procedimento fiscal é aquela que decorre da apuração não cumulativa de tributo, como é o caso do IPI ou do PIS/Cofins não cumulativa: o encontro entre créditos e débitos dentro do mesmo período de apuração. A compensação que a contribuinte pleiteou, sabemos todos, é de sua própria iniciativa, e deve ser formulada pelo meio previsto em lei, ainda que se trate de mesmo tributo. Atualmente, através da apresentação de PER/Dcomp eletrônico (art. 74, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996). Notese, ademais, que, ao promoverse a compensação quando do julgamento do recurso voluntário, a Câmara baixa simplesmente desconsideraria até mesmo a ocorrência da prescrição, como se, dentro de um mesmo processo, aquela pudesse ser efetuada a qualquer tempo. Fl. 222DF CARF MF 4 Mostrase, a toda evidência, acertado o acórdão. Ante o exposto, conheço e nego provimento ao recurso especial. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 223DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.724537/2012-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB.
Não demonstrada a propriedade conjunta ou de terceiros dos bens que resultaram nos rendimentos de aluguéis considerados omitidos, há que ser mantida a exigência fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE.
Estando devidamente prescrito na norma legal, não cabe a discussão em sede administrativa do suposto excesso do percentual da penalidade de ofício.
Numero da decisão: 2201-003.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 24/09/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DIMOB. Não demonstrada a propriedade conjunta ou de terceiros dos bens que resultaram nos rendimentos de aluguéis considerados omitidos, há que ser mantida a exigência fiscal. MULTA DE OFÍCIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. Estando devidamente prescrito na norma legal, não cabe a discussão em sede administrativa do suposto excesso do percentual da penalidade de ofício.
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DIMOB. Não demonstrada a propriedade conjunta ou de terceiros dos bens que resultaram nos rendimentos de aluguéis considerados omitidos, há que ser mantida a exigência fiscal. MULTA DE OFÍCIO. PROPORCIONALIDADE. RAZOABILIDADE. Estando devidamente prescrito na norma legal, não cabe a discussão em sede administrativa do suposto excesso do percentual da penalidade de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 24/09/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecilia Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 45 37 /2 01 2- 84 Fl. 352DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente da Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativa aos ano calendário de 2008, fl. 09 a 14, pelo qual a Autoridade Administrativa lançou crédito tributário consolidado, em 30 de março de 2012, no valor de R$ 18.808,57, incluindo multa por lançamento de ofício. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 11/12 é possível identificar os motivos em que se baseou a Autoridade Fiscal para promover o lançamento, a saber: omissão de rendimento de rendimentos recebidos da Camossato & Cia ltda, no valor de 540,10; omissão de rendimentos no valor de R$ 33.014,72, relativo à diferença entre o declarado como recebido de pessoas físicas e os valores informados em Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias (DIMOB). Ciente do lançamento em 04 de abril de 2012, inconformado com a imputação fiscal, o contribuinte apresentou, tempestivamente, a Impugnação de fl. 2, onde alega, em síntese, que os aluguéis recebidos foram tributados pelo seu marido, Sr. Luiz Camozzato e que parte dos bens informados em sua declaração pertencem ao espólio de sua mãe, Sra. Idalina Beltrame Weissheimp, do qual é herdeira juntamente com dois irmãos. Para comprovar seus argumentos, junta os documentos de fl. 05 a 292, que compreende Certidão de Casamento, de Óbito, planilhas de cálculo de IR genéricas, comprovantes de recolhimentos, comprovantes de rendimentos, Declarações de rendimentos, sentenças e alvarás judiciais, recibo de honorários advocatícios, inúmeros contratos de locação e extratos/demonstrativos expedidos por administradoras imobiliárias. No julgamento de 1ª Instância, fl. 300 a 303, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE julgou improcedente a impugnação, por entender que o contribuinte não logrou comprovar que os rendimentos considerados omitidos foram declarados pelo cônjuge. Assim, se manifestou o julgador de 2ª Instância: Não é possível, pelos documentos acostados aos autos, confirmar a tese da defesa de que os rendimentos foram de repartidos entre a impugnante e seu cônjuge, na forma estabelecida pela norma. Também não há possibilidade de se fazer uma segura análise do que se trata de rendimentos decorrentes de bens próprios ou comuns, para se realizar a divisão aceita pela norma vigente. A própria fiscalização alerta para esse fato na complementação da descrição dos fatos, conforme reproduzido abaixo (fl. 12) ... Ciente do Acórdão da DRJ em 07 de junho de 2016, fl. 307, ainda inconformado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fl. 315 a 325, no qual apresenta suas razões para entender a necessidade de reforma do Acórdão recorrido, as quais serão tratadas no curso do voto a seguir. É o relatório necessário. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11080.724537/201284 Acórdão n.º 2201003.919 S2C2T1 Fl. 353 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por preencher as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Após discorrer sobre aspectos teóricos, legais e constitucionais relacionados ao Direito tributário, sustenta o recorrente que a Decisão recorrida deve ser revista, porque julgou a impugnação improcedente mesmo que esteja mais que claro nos autos que não houve a omissão apontada no lançamento. Reafirma que, embora as tratativas com as administradoras de imóveis tenham sido levadas a termo pela recorrente, levando à emissão das DIMOB em seu nome, quem pagou os impostos relacionados aos bens do casal foi o Sr. Luiz Camozzato, com quem a recorrente é casada em comunhão universal de bens. Alega que a lei faculta, para casos dessa natureza, que os rendimentos sejam declarados apenas na declaração de um dos cônjuges ou dividido, em parcelas iguais, na declaração de cada um. Reconhece equívoco ao não ter declarado 50% dos aluguéis, mas afirma que a imposição fiscal atingiu a universalidade dos rendimentos recebidos, à medida que a parcela dos rendimentos não declarada pela recorrente foi devidamente tributada por seu esposo. Aduz que as provas contidas nos autos não permitem inferir qualquer indício de deliberada intenção de fraude na tributação de seus rendimentos. Sustenta que a Autoridade a quo deixou de atentar para o fato de que, com exceção do imóvel locado com endereço da Avenida Castelhana, os demais rendimentos tributáveis do período estavam afetos aos imóveis pertencentes ao espólio de Idalina Beltrame, da qual a contribuinte era herdeira e inventariante. Afirma que, no mínimo, descabe aplicação e multa de ofício, em face do equívoco aposto na declaração inexata do recorrente, já que comprovada sua boafé e inexistente qualquer comportamento omissivo em prejuízo da Fazenda. Traz alguns precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais sobre a inaplicabilidade da exigência da penalidade de ofício e afirma que a multa de 75% se revela contrária aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Resumidas as alegações da defesa, temse que, sobre a tributação de rendimentos na constância da sociedade conjugal, assim dispõe o Decreto 3000/199 (RIR/99) Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Fl. 354DF CARF MF 4 Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Declaração em Separado Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. § 1º O imposto pago ou retido na fonte sobre os rendimentos produzidos pelos bens comuns deverá ser compensado na declaração, na proporção de cinqüenta por cento para cada um dos cônjuges, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. O texto acima é bem conhecido do recorrente, tanto que o citou expressamente em sua peça Recursal. Ocorre que, a despeito da alegação de que os rendimentos produzidos pelos bens comuns foram ofertados à tributação pelos cônjuges, ainda que não na proporção de 50% para cada um, e de que a maioria dos bens que resultaram nos rendimentos tributados no lançamento em tela seriam do espólio da mãe da recorrente, nada foi juntado aos autos que atestasse a efetiva propriedade dos citados imóveis. Não há uma única escritura que pudesse comprovar que os bens são, de fato, propriedade comum do casal ou do espólio. O que se apresenta nos autos, e frisese, sem configurar qualquer intenção aparente de ludibriar o Fisco, é que a recorrente tem uma quantidade considerável de propriedades gerando algum rendimento, mas com um controle absolutamente parco. Como bem pontuado no julgamento de 1ª Instância, não há como fazer uma analise segura dos rendimentos produzidos pelos bens próprios, seja pela inexistência da comprovação de propriedade, seja pela dificuldade de interpretação do que consta nos números. Senão, vejamos um exemplo: Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11080.724537/201284 Acórdão n.º 2201003.919 S2C2T1 Fl. 354 5 O cálculo acima foi efetuado para se chegar ao valor do recolhimento mensal do IR. Mas o que seria isso? O contribuinte teria recebido R$ 104,39 pelo aluguel do apto. 05, nada pelos apartamentos 614 e 704 e um valor de R$ 1.925,23 da Imofar? Que imóveis são estes? A que imóveis se referem os valores recebidos da Imofar? Por outro lado, a alegação de que a maioria das propriedades geradoras dos rendimentos pertencem ao espólio de Idalina Beltrame, além de não ter sido comprovada nos autos, não corresponde à Declaração de Rendimentos do espólio para o anocalendário de 2008, na qual não foram informados valores recebidos a título de aluguel de PF. Ademais, conforme fl. 296/297, embora o cônjuge da recorrente tenha apresentado declaração de rendimentos informando valores recebidos de pessoa física em numero um pouco maior do que consta nas informações da DIMOB (Rendimento de PF na DIRPF R$ 90.032,48 / Rendimentos de PF constantes da DIMOB R$ 66.359,19), não temos como afirmar que essa diferença de pouco mais de R$ 23.000,00 corresponderia, pelo menos em parte, à diferença de mais de R$ 33.000,00 considerados como omitidos no Lançamento. Quanto à incidência de multa de ofício sobre a omissão apurada e o seu percentual, há que se ressaltar que o lançamento em tela configura sim o procedimento administrativo a que alude o art. 142 da Lei 5.172/66. Afinal, foi apurada omissão de rendimentos, não afastada pelo argumentos recursais, e sobre a qual incide a penalidade de ofício prevista no inciso I do art. 44 da lei 9.430/96. Nos termos do mesmo artigo 142 citado no parágrafo precedente, a atividade de lançamento é plenamente vinculada, não cabendo a discussão, em sede administrativa, de Princípios que, neste caso, aplicamse ao legislador e não ao aplicador da norma. Portanto, ausentes dos autos os elementos que pudessem demonstrar inequivocamente a improcedência do lançamento, há que se manter a exigência fiscal e a decisão recorrida. Conclusão Tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, negolhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 356DF CARF MF 6 Fl. 357DF CARF MF
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