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Numero do processo: 15586.000740/2010-60
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 13 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF 119. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35-A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar.
Numero da decisão: 9202-009.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Milton da Silva Risso, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausentes a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, substituída pelo Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Não informado
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF 119. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35-A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Ana Cecilia Lustosa da Cruz, João Victor Ribeiro Aldinucci e Marcelo Milton da Silva Risso, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausentes a Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, substituída pelo Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 07 40 /2 01 0- 60 Fl. 619DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-009.629 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.000740/2010-60 Trata-se de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Na origem, cuida-se de lançamento - DEBCAD 37.252.619-5 – para cobrança das contribuições sociais devidas a Terceiros/Outras Entidades, correspondentes à contribuição destinada ao Salário Educação, INCRA, SESC e SEBRAE. As incidências se deram sobre as seguintes parcelas: Parcelas in natura fornecidas pela empresa a seus empregados por meio da contratação de serviços de Alimentação-Convênio; e Benefícios de assistência médica, seguros e previdência complementar concedidos a empregados da empresa em desacordo com a legislação, sendo assim considerados como remuneração para fins de incidência de contribuições previdenciárias. O Relatório Fiscal do Processo encontra às fls. 74/80. Impugnado o lançamento às fls. 181/215, a DRJ no Rio de Janeiro I/RJ julgou-o procedente às fls. 442/460. Apresentado Recurso Voluntário às fls. 465/494, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, deu-lhe parcial provimento por meio do acórdão 2403-002.771 - fls. 525/532. Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial às fls. 533/540, pugnando ao final, fosse, após conhecido do recurso, reformado o acórdão recorrido, no ponto impugnado, mantendo-se a multa na forma em que lançada, por ausência de retroatividade benigna. Em 24/11/15 - às fls. 553/556 - foi dado seguimento ao recurso para que fosse rediscutida a matéria “aplicação da multa mais benéfica.” Intimado do julgamento do Recurso Voluntário, assim como do recurso interposto pela União em 22/1/16 (fl. 558), o sujeito passivo apresentou Recurso Especial às fls. 561/567, bem como, tempestivamente, contrarrazões às fls. 577580, requerendo, ao final, a inadmissão do recurso ou, caso conhecido, fosse negado-lhe provimento. Em 7/6/16 - às fls. 604/612 – foi negado seguimento ao recurso do sujeito passivo. Cientificado da negativa de seguimento em 22/7/19 (fl. 617), não houve interposição de Agravo. É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti - Relator O Recurso Especial é tempestivo (processo movimentado em 6/3/15 – fl. 573 do processo principal de nº 15586.000734/2010-11 e recurso apresentado em 25/3/15 – fl. 612 também daquele processo principal). Passo, com isso, à análise dos demais pressupostos para a sua admissibilidade. Como já relatado, o recurso teve seu seguimento admitido para que fosse rediscutida a matéria “aplicação da multa mais benéfica.” Fl. 620DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-009.629 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.000740/2010-60 O acórdão recorrido foi assim ementado, naquilo que foi devolvido à apreciação deste colegiado: MULTA DE MORA As contribuições sociais, pagas com atraso, ficam sujeitas à multa de mora prevista artigo 35 da Lei 8.212/91na forma da redação dada pela Lei n° 11.491, 2009. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais e das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, na forma da redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MULTA MAIS BENÉFICA. Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, cabe aplicar multa menos gravosa. A decisão se deu no seguinte sentido: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/09 (art. 61 da Lei 9.430/96) que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, critérios desta data que devem ser observados quando da ocasião do pagamento. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Pelo voto de qualidade manter a tributação do levantamento "Alimentação". Vencidos os conselheiros Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues Destaque-se que muito embora o paradigmas 2401-002.453 (cota segurado) não trate, especificamente, de contribuições devidas a terceiros, as discussões lá travadas, analisando as disposições da Lei 8.212/91 que tratam das multas, antes e após as alterações promovidas pela MP 449/08, assentaram o entendimento de que em se tratando de auto de infração seria incabível a aplicação da multa prevista naquele art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. É justamente o caso ! Com efeito, reputo acertada a conclusão do despacho de prévia admissibilidade que identificou a divergência dos seguintes termos: Apreciando o voto condutor do acórdão recorrido, verifico que o Relator, para definição da multa mais benéfica, limitou a multa imposta ao percentual previsto no art. 35 "caput" da Lei n. 8.212/1991, na redação dada pela Lei n. 11.941/2009, o qual determina que a multa seja de 0,33% a.d., tendo como teto o percentual de 20%. No paradigma, ao revés, determina-se que havendo lançamento de ofício a multa seja imposta com esteio no art. 35-A da Lei n. 8.212/1991, o qual pune o sujeito passivo com multa no patamar de 75% do tributo não recolhido, conforme o inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/1996. Assim a divergência pode ser visualizada sem maiores dificuldades, haja vista que o paradigma comparou a multa imposta com o art. 35-A da Lei n.º 8.212/1991, ao passo que, em situação análoga, no acórdão recorrido o comparativo deu-se como o "caput" do art. 35. Nesse sentido, encaminho por conhecer do recurso e já passo à análise do mérito. Segundo se extrai do relatório fiscal, o autuante aplicou ao caso, a multa prevista na legislação vigente à época do fato gerador, em todas as competências, é saber, no artigo 35, II e III da Lei 8.212/91. Ocorre que a turma a quo assentou o entendimento de que para a aferição da multa mais benéfica, o artigo 35 vigente à época dos fatos geradores deveria ser comparado com Fl. 621DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-009.629 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15586.000740/2010-60 o mesmo artigo com a redação dada pela MP 449/08, vale dizer, limitando o percentual da multa aos 20% estabelecidos no artigo 61 da Lei 9.430/96 De sua vez, a recorrente sustentou que para se aferir se houve ou não a retroatividade benigna, a multa lançada deveria ser comparada com aquela introduzida no artigo 35-A da Lei 8.212/91 pela MP 449/2008, é dizer, no percentual de 75%. Pois bem. Tratando-se de lançamento de ofício relacionado a fatos gerados de competências para as quais havia previsão expressa para a cobrança de multa por descumprimento de obrigação principal, como se constada dos incisos II e III do artigo 35 da Lei 8212/91 à época, e levando-se em conta que o artigo 61 da Lei 9.430/96 se aplica, a rigor, no recolhimento extemporâneo de débitos já confessados, penso que em cumprimento a determinação contida na alínea “c” do inciso II do artigo 106 do CTN, há de se comparar o valor lançado com aquele resultante da aplicação do novel artigo 35-A da 8.212/91, o que implicará, neste caso, a limitação da multa ao patamar de 75%. Nesse mesmo sentido o artigo 4º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009, verbis: Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35-A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Com efeito, VOTO por CONHECER do recurso para DAR-LHE provimento, para que a multa aplicada seja comparada com aquela prevista no artigo 35-A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 622DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10166.906280/2015-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2013
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE
A Administração Tributária não é obrigada à intimação do contribuinte, previamente à emissão de decisão administrativa, sendo esta uma faculdade reservada às situações em que considerar necessário o esclarecimento das informações prestadas pelo contribuinte, para a formação da sua convicção.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
null
IRPJ. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO
Não tendo o sujeito passivo logrado êxito em comprovar o cometimento de erro na apuração da base de cálculo do tributo pago, de modo a evidenciar o direito creditório compensado por meio de Declaração de compensação, impõe-se a não homologação da compensação declarada.
Numero da decisão: 1302-005.645
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-005.643, de 18 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10166.906278/2015-48, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: Paulo Henrique Silva Figueiredo
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE A Administração Tributária não é obrigada à intimação do contribuinte, previamente à emissão de decisão administrativa, sendo esta uma faculdade reservada às situações em que considerar necessário o esclarecimento das informações prestadas pelo contribuinte, para a formação da sua convicção. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) null IRPJ. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO Não tendo o sujeito passivo logrado êxito em comprovar o cometimento de erro na apuração da base de cálculo do tributo pago, de modo a evidenciar o direito creditório compensado por meio de Declaração de compensação, impõe-se a não homologação da compensação declarada.
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ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. INTIMAÇÃO PRÉVIA. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. AUSÊNCIA DE OBRIGATORIEDADE A Administração Tributária não é obrigada à intimação do contribuinte, previamente à emissão de decisão administrativa, sendo esta uma faculdade reservada às situações em que considerar necessário o esclarecimento das informações prestadas pelo contribuinte, para a formação da sua convicção. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) IRPJ. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR QUE O DEVIDO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO Não tendo o sujeito passivo logrado êxito em comprovar o cometimento de erro na apuração da base de cálculo do tributo pago, de modo a evidenciar o direito creditório compensado por meio de Declaração de compensação, impõe-se a não homologação da compensação declarada. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1302-005.643, de 18 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10166.906278/2015-48, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 62 80 /2 01 5- 17 Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.645 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.906280/2015-17 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Gustavo Guimarães da Fonseca, Andréia Lúcia Machado Mourão, Flávio Machado Vilhena Dias, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em relação a Acórdão por meio do qual se julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente acima identificada. O presente processo decorre de Declaração de Compensação (DComp), por meio da qual a Recorrente compensou suposto direito creditório relativo a pagamento a maior que o devido a título de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), apurado segundo o Lucro Presumido em relação ao segundo trimestre de 2013, com débitos de sua responsabilidade. O Despacho Decisório eletrônico emitido pela autoridade administrativa não reconheceu o direito creditório invocado pela Recorrente, pelo fato de que o pagamento apontado na DComp estaria integralmente utilizado para quitação de débito confessado pela Recorrente. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em que alega que o crédito informado na DComp não ficou evidenciado devido a erro cometido no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Informou que, após a ciência do Despacho Decisório, providenciou a retificação da referida declaração, de modo a evidenciar o crédito compensado. Juntou cópia da DCTF retificadora, bem como da Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) retificadora relativa ao ano-calendário de 2013. Na decisão de primeira instância, negou-se provimento à Manifestação de Inconformidade, uma vez que considerou que a mera apresentação da DCTF retificadora não seria suficiente para a comprovação da liquidez e certeza do crédito compensado na DComp, sendo imprescindível a apresentação também da escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a justificar a redução do valor do débito anteriormente confessado. Após a ciência, foi apresentado Recurso Voluntário no qual: (i) esclarece que, para a sua atuação constituiu Sociedades em Conta de Participação (SCP), sendo que estas possuem escrituração contábil e fiscal segregada; (ii) no ano de 2013, teria sido utilizada o percentual de presunção de 32% para a apuração do IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.645 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.906280/2015-17 (CSLL), em lugar dos percentuais de 8% e 12%, respectivamente, que seriam aplicáveis à venda de unidades imobiliárias; (iii) o crédito compensado, então, decorreria de tal diferença, em relação à SCP Victória Medical Center e teria sido compensado com débitos da mesma SCP; (iv) pugna pela nulidade do Despacho Decisório e da decisão recorrida, pois não lhe foram solicitados documentos adicionais para a comprovação do crédito compensado, o que ofenderia os princípios da verdade material e da ampla defesa; (v) invoca os mesmos princípios para defender o direito à juntada de novos documentos com o Recurso Voluntário, e pleiteia a conversão do julgamento em diligência, para a análise destes; (vi) defende que a nova documentação atesta a liquidez e a certeza do crédito compensado. É o Relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O sujeito passivo foi cientificado da decisão de primeira instância, tendo apresentado seu Recurso dentro do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considerando-se que a data de ciência foi uma sexta-feira, de modo que a contagem do prazo recursal somente se iniciou no primeiro dia útil subsequente. O Recurso é assinado por procurador da pessoa jurídica, devidamente constituído nos autos. A matéria objeto do Recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme Arts. 2º, inciso I, e 7º, caput e §1º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Isto posto, o Recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 2 DA NULIDADE DAS DECISÕES ANTERIORES Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.645 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.906280/2015-17 Como relatado, a Recorrente suscita a nulidade do Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada e da decisão de primeira instância. O vício insanável de que padeceria as mencionadas decisões administrativas seria o fato de que, as autoridades administrativas que as proferiram não solicitaram à Recorrente documentos adicionais para a comprovação do crédito compensado, o que ofenderia os princípios da verdade material de da ampla defesa. Para a apreciação da referida alegação cabe trazer à luz a legislação aplicável. Em primeiro lugar, o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, prevê os recursos cabíveis nos processos que tratam de Declarações de Compensação (DComp), e a eles aplica o rito do Decreto nº 70235, de 1972: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) § 1 o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pela sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 7 o Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá-lo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 9 o É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7 o , apresentar manifestação de inconformidade contra a não-homologação da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9 o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadram-se no disposto no inciso III do art. 151 da Lei n o 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal - SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.645 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.906280/2015-17 Já o art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, assim, dispõe acerca da nulidade no processo administrativo fiscal: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se vê, o fato imputado pela Recorrente, se, de fato, configurasse prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, implicaria a nulidade da(s) mencionada(s) decisão(ões). Já a Instrução Normativa SRF nº 1.300, de 2012, editada conforme a previsão do art. 74, §14, da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe: Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas Pois bem, no caso sob análise, o Despacho Decisório que não homologou a compensação foi emitido eletronicamente, com base nas informações prestadas, exclusivamente, pela Recorrente. A saber, foi cotejado o recolhimento efetuado pela Recorrente com o débito confessado por meio de DCTF em relação ao correspondente período de apuração. Era ônus da Recorrente haver fornecido as referidas informações de modo correto, de forma a evidenciar o seu direito creditório. A própria Recorrente, contudo, confessa que havia cometido equívoco no preenchimento da DCTF relativa ao 2º trimestre de 2013. Observa-se, portanto, que o não reconhecimento do direito creditório e a não homologação da compensação declarada decorreu de ato da própria Recorrente. Não se pode pretender atribuir à Administração Tributária a obrigação de intimá-la, previamente à emissão do Despacho Decisório, para a apresentação de esclarecimentos. Como se constata no art. 76 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, é uma faculdade da autoridade administrativa a intimação ou realização de diligências para o esclarecimento das informações prestadas. Quanto julgar possível prescindir das mesmas, não será obrigada a tanto. No caso dos Despachos Decisórios eletrônicos, tal forma de decisão administrativa visa conferir celeridade à análise das DComp, conforme os princípios da eficiência e do direito à razoável duração do processo administrativo, e diante da gigantesca quantidade de documentos Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.645 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.906280/2015-17 passíveis de exame pela Administração Tributária e á escassez de mão- de-obra. Em tal processo, repita-se, a correção da decisão depende da qualidade das informações prestadas pelos próprios contribuintes em suas declarações. Não se vislumbra, portanto, qualquer mácula ao direito de defesa da Recorrente, no fato de o Despacho Decisório ter sido emitido sem a prévia intimação para a prestação de esclarecimentos, até porque, conforme legislação transcrita, é-lhe assegurada a apresentação dos meios de impugnação próprios à decisão exarada, com a garantia do referido direito. No mesmo sentido, a recente Súmula CARF nº 162, que embora direcionada ao processo de constituição do crédito tributário, decorre da mesma fundamentação acima apontada: O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. Já quanto à ausência da intimação, anteriormente, ao proferimento do Acórdão recorrido, cabe, mais uma vez invocar o Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Novamente, era ônus da Recorrente a apresentação, juntamente com a Manifestação de Inconformidade, de todos os elementos de prova do seu Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.645 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.906280/2015-17 direito creditório. E, mais uma vez, era faculdade do julgador administrativo a realização de diligências para os esclarecimentos necessários à formação da sua convicção. Se, para a evidenciação do seu direito creditório, promoveu à retificação da DIPJ e DCTF anteriormente entregues, com a redução do valor do débito confessado, é basilar que deveria ter apresentado os documentos hábeis e idôneos à comprovação do novo valor. Se a Recorrente não apresentou todos os elementos de prova cabíveis, e se o julgador considerou, com isso, ausente a liquidez e certeza do crédito invocado, não há a violação, por este, de qualquer obrigação imposta pela legislação, nem qualquer mácula ao direito de defesa da contribuinte. Mesmo em caso de a parte haver pugnado pela realização de diligência, o indeferimento, quando o julgador a julga prescindível não viola o direito de defesa, conforme reconhecido na Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Isto posto, rejeito a preliminar de nulidade dos referidos atos administrativos. 3 DAS PROVAS APRESENTADAS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO Como relatado, com o Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou novos elementos de prova, a saber a escrituração comercial, demonstrativo do crédito compensado e pareceres de auditoria independente. Caberia, portanto, a discussão acerca do conhecimento dos referidos documentos, em decorrência do contido no, já transcrito, art. 16, §§4º, do Decreto nº 70.235, de 1972: O referido dispositivo, no entender deste julgador, realiza, com bastante êxito, a conjugação entre a formalidade exigida pelo processo administrativo (em atenção à distribuição do ônus da prova, ao princípio da segurança jurídica e à previsão do duplo grau de jurisdição) e o princípio da verdade material. A jurisprudência deste Conselho, contudo, no que considero uma supervalorização deste último princípio, tem sido excessivamente generosa na interpretação do referido dispositivo, tornando-o, a meu ver, praticamente, “letra morta”. No caso sob exame, porém, ainda que considere que a Recorrente, desde a Manifestação de Inconformidade deveria ter trazido todas as provas Fl. 357DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.645 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.906280/2015-17 hábeis para comprovar o alegado equívoco cometido na apuração original do tributo devido, considero possível se entender que as novas provas apresentadas se destinam a contrapor as razões somente apresentadas pelo julgador de primeira instância, de modo que a preclusão do direito da Recorrente estaria afastada pela alínea “c” do §4º do dispositivo legal em questão. Deste modo, tomo conhecimento dos novos elementos de prova apresentados. 4 DO MÉRITO Em relação ao mérito do direito creditório envolvido na DComp em questão, a Recorrente alega que o recolhimento apontado se refere ao valor devido a título de IRPJ, apurado com base no Lucro Presumido, em relação às receitas decorrentes da Sociedade em Conta de Participação Victória Medical Center, no 2º trimestre de 2013. Afirma que apurou e recolheu, inicialmente, o valor devido por meio da aplicação do percentual de presunção de 32%, quando, por se tratarem de operações de venda de unidades imobiliárias, o referido percentual deveria ser de 8%. Assim, alega que, em lugar de R$ 73.530,13, seria devido a tal título apenas R$ 13.883,24. Para a comprovação das suas alegações, junta ao processo cópias de DCTF e DIPJ retificadoras, apresentadas após a emissão do Despacho Decisório de não homologação. Tal fato não é óbice intransponível ao reconhecimento do direito creditório da Recorrente, desde que sejam apresentados documentos hábeis e idôneos a atestá-lo. Para tal propósito, a Recorrente apresenta cópias de balanço patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício de 2013, extraídas do Livro Diário Auxiliar nº 07 relativo à SCP Victória Medical Center autenticado perante a Junta Comercial do Distrito Federal após a emissão do Despacho Decisório de não homologação (fls. 155/159). Nos referidos documentos, há registro de Receita Operacional Líquida no exercício de R$ 5.000,00. Ou seja, não se constrói qualquer prova em relação ao crédito pleiteado. Apresenta, ainda, folhas supostamente extraídas, em 11/07/2017, do Diário nº 4 da referida SCP e do Razão Analítico por conta. Quanto às receitas auferidas pela SCP, os registros são efetuados a crédito da conta “11202001 – Ed.Victoria Medical Center” (conta de Ativo?) e, apesar de parecerem se referir a valores relativos a parcelas da venda de imóveis, montam apenas a R$ 161.663,25, não correspondendo ao total de receitas auferidas no trimestre que a Recorrente aponta no demonstrativo de fl. 218 (R$ 994.114,86). Fl. 358DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-005.645 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.906280/2015-17 Há, ainda, registros de pagamento de despesas de taxas de condomínio e impostos relacionadas a garagens (lançamentos em 06/05/2013, na conta 51303004 Despesa com IPTU – Locação”), construindo evidências de que a Recorrente também auferia receitas de locação, e não apenas de vendas de unidades imobiliárias, como alegado. Além disso, registra-se no referido Livro, em relação ao segundo trimestre de 2013 (fl. 187), um IRPJ a recolher no valor de R$ 73.530,13 (R$ 73.513,88 + R$ 16,25), ou seja, exatamente o valor recolhido. E, por fim, o Relatório dos auditores independentes (emitido em 25 de fevereiro de 2015) não se refere a qualquer equívoco nas demonstrações financeiras individuais e consolidadas da Recorrente. Pelo contrário, em relação à apuração do IRPJ, afirma, expressamente, à fl. 241, que “a base de cálculo do imposto de renda é calculada à razão de 8% (incorporação imobiliária, inclusive atualização monetária) e 32% (prestação de serviços)”. A conclusão que se chega, portanto, é que os elementos de prova reunidos pela Recorrente não comprovam a liquidez e certeza do crédito invocado pela Recorrente, de modo que não dever ser alterada a decisão recorrida. A par disso, o princípio da verdade material e a realização de diligência, como invocados pela Recorrente, não podem servir para a imposição à Administração Tributária do ônus de construir as provas do direito creditório que embasou a compensação declarada, na medida em que, conforme a legislação transcrita, a obrigação da apresentação dos referidos elementos é de responsabilidade do contribuinte. Isto posto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do Despacho Decisório e do Acórdão de primeira instância, e, no mérito, por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Fl. 359DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-005.645 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10166.906280/2015-17 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo – Presidente Redator Fl. 360DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11060.726748/2019-66
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 11 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2019
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. PROCEDÊNCIA
Não se verificando quitação ou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do Simples Nacional.
Numero da decisão: 1002-002.172
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Lucas Issa Halah - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral e Lucas Issa Halah
Nome do relator: Lucas Issa Halah
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ementa_s : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2019 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO POR DÉBITOS. PROCEDÊNCIA Não se verificando quitação ou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do Simples Nacional.
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EXCLUSÃO POR DÉBITOS. PROCEDÊNCIA Não se verificando quitação ou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário (art. 151 do CTN), não há que se falar em irregularidade da exclusão da Contribuinte da sistemática do Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Rafael Zedral e Lucas Issa Halah Relatório Por bem retratar o litígio até a prolação do acórdão recorrido, valho-me do relatório nele consignado “O litígio tratado neste processo foi instaurado pela interposição, em 21/10/2019, de manifestação de inconformidade contra o Ato Declaratório Executivo (ADE) de fls. 02, cuja ciência ocorreu em 23/09/2019, e que excluiu o contribuinte do Simples Nacional em virtude de a referida empresa possuir AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 67 48 /2 01 9- 66 Fl. 119DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-002.172 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11060.726748/2019-66 débitos com a Fazenda Pública, com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no inciso V, do art. 17, inciso I do art. 29, inciso II do caput e §2º do art. 30 da Lei Complementar nº 123, de 2006, com efeitos a partir de 01/01/2020. O débito que motivou exclusão de ofício se encontra à fl. 31. Em sua manifestação, a Interessada alega que parcelou seus débitos por meio do PERT em julho de 2018, porém deixou de pagar um darf referente ao mês de novembro, com vencimento em 30/11/2018, o que resultou na rescisão do parcelamento. Informa que ingressou com ação judicial de n° 5009995- 07.2018.4.04.7102/RS, cuja situação é: A referida ação se encontra, no momento, com recurso de apelação pendente de julgamento pelo E. TRT da 4ª Região, de forma que a questão central objeto da presente demanda está, ainda, sob discussão judicial. Pleiteia efeito suspensivo para sua manifestação de inconformidade e entende que tal efeito deve abranger tanto para o ato de exclusão do Simples quanto para os débitos em cobrança, com base no PAF. Desta forma, requer-se o recebimento da manifestação de inconformidade do ato de exclusão do Simples Nacional no efeito suspensivo, suspendendo-se, além do ato de exclusão, a exigibilidade dos créditos tributários, nos termos do artigo 151, III, do CTN, cumulado com o artigo 33 do Decreto 70.235/72 e artigo 39, §6° da LC 123/06. Alega que a exclusão do regime do simples não observa os Princípios da Proporcionalidade e da Razoabilidade. Defende que previamente ao ADE de exclusão deveria ser observado o rito de um processo administrativo, em observância ao Princípio da Ampla Defesa. Insurge-se contra a exclusão da empresa do PERT/SN” O Acórdão Recorrido entendeu que, diante da ausência de regularização dos débitos causadores da exclusão, que ainda eram apontados no relatório de situação fiscal do contribuinte, o Termo de Exclusão deveria ter seus efeitos mantidos. Entendeu também não ser competente para avaliar a proporcionalidade e razoabilidade da legislação tributária e que o contribuinte não teria juntado as peças processuais da ação ingressada no judiciário para obter a reintegração no programa de parcelamento instituído pela Lei 13.496/2017. No Recurso Voluntário, o contribuinte reitera os argumentos postos na Manifestação de Inconformidade, anexando as peças processuais que a DRJ alegou faltantes (“tais como: petição inicial, sentença de primeira instância, recurso de apelação etc.”) e frisou que a 5ª parcela da entrada do programa de parcelamento venceu em 30/11/2018, tendo o contribuinte se equivocado quanto ao pagamento e tentado fazê-lo imediatamente, mas que o sistema da Receita Federal já não permitia a emissão da correspondente guia, ainda que com multa e juros de mora, afirmando ainda que foi comunicado de sua exclusão do PERT-SN já em Fl. 120DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-002.172 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11060.726748/2019-66 04/12/2018, por e-mail, tendo ingressado com a ação judicial visando à regularização de sua situação na sequência. O Contribuinte também pleiteia que as intimações sejam feitas na pessoa de seus patronos e acrescenta o pedido de que seja reestabelecido o PERT-SN. É o relatório Voto Conselheiro Lucas Issa Halah, Relator. 1 – ADMISSIBILIDADE E PRELIMINARES Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23-B, I da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), e da Portaria CARF/ME Nº 1.339, de 3 de Fevereiro de 2021. 1.1 VIOLAÇÃO DE PRINCÍPIOS. ANÁLISE. IMPOSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF Nº. 2. Sobre o argumento do contribuinte de que a exclusão do SIMPLES seria incompatível com princípios constitucionais, muito embora nada obste a interpretação conforme dos dispositivos legais, não cabe a este órgão de julgamento administrativo negar vigência à lei ante a alegação de sua inconstitucionalidade, nos termos dos arts. 45, VI e 62, do Anexo II do RICARF e da Súmula/CARF de nº 2. “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Desta feita, deixo de conhecer do recurso voluntário a esse respeito. Fl. 121DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-002.172 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11060.726748/2019-66 1.2 POSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DE DOCUMENTOS JUNTADOS COM O RECURSO VOLUNTÁRIO Admito a juntada dos documentos trazidos no Recurso voluntário e deles conheço por força do o artigo 16, § 4º, “c” do Decreto nº 70.235/72, considerando-se inclusive que o contribuinte colacionou justamente os documentos considerados faltantes pelo Acórdão Recorrido. É verdade que análises mais formalistas poderiam defender a preclusão, a qual, na visão deste Conselheiro, deve ser mitigada à luz dos princípios que regem o processo administrativo fiscal. Nesse sentido, adoto as razões de decidir exaradas no Acórdão nº 9101003.952 da 1ª Turma da CSRF, pelo ilustre Conselheiro Caio Cesar Nader Quintella, que passo a transcrever: “Entende este Conselheiro que o art. 16 do Decreto nº 70.235/72, incluídos aqui seus §§4º e 5º, deve ser interpretado sistematicamente, considerando além de suas próprias exceções (o que já demonstra que a vedação processual preclusiva do §4º não se trata de dogma processual absoluto) outras disposições de seu próprio texto, assim como à luz dos princípios da informalidade, da racionalidade e a própria efetividade do processo administrativo fiscal. Primeiro temos que, se com base nesse mesmo Decreto, como reza o seu art. 18, o Julgador pode, espontaneamente, em momento posterior à Impugnação, determinar a realização de diligência, por entender necessários outros elementos (então ausentes nos autos) para seu livre convencimento e motivação da sua decisão, porque não poderia aceitar provas, já acostadas aos autos pela Parte impugnante, quando verificado serem estas pertinentes ao tema controverso, propiciando um desfecho da demanda mais próximo da verdade material e da ontologia1 que se revela? A rigidez na aceitação de provas apenas em momento processual específico (fase instrutória), que, quando do seu término, definitivamente delimita a verdade a ser considerada pelo Julgador, selando, a partir de então, o instituto quod non est in actis non est in mundo (o que não está nos autos não está no mundo), é um valor próprio do contencioso judicial. No contencioso administrativo prevalece outra axiologia, de informalidade e prevalência da perquirição da materialidade. Em outras palavras, o princípio da busca pela verdade material, indiscutível informador do processo administrativo fiscal brasileiro, preconiza que não pode haver o desprestígio de provas pertinentes em razão de simplória homenagem à formalidade instrumental do processo. Desse modo, entende-se que, uma vez instaurada a controvérsia nos autos sobre determinada matéria e pendente a demanda de desfecho meritório, se o contribuinte traz aos autos prova que se relaciona à sua argumentação, guardando correlação técnica e relevância ao tema debatido, de modo a corroborar, materialmente, aquilo defendido, ainda que até então somente com elementos postulatórios, não deve ser sumariamente desconsiderada tal manobra apenas pela consideração do momento processual em que ocorre a juntada. Fl. 122DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-002.172 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11060.726748/2019-66 Não obstante, pela mesma razão, ainda que a documentação seja previamente existente, ou até mesmo contemporânea ou anterior aos fatos geradores, e não tenha sido também apresentada, propriamente, uma justificativa para sua ausência da peça impugnatória (nos moldes da alínea "a" do §4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72), seu conhecimento ainda possui respaldo jurídico. Mais do que isso: a possibilidade de conhecer de tais elementos é medida de racionalização e maximização da efetividade jurisdicional do processo administrativo fiscal que, sob uma análise pragmática, que aqui, excepcional e respeitosamente, permite-se fazer, tem positivo reflexo na redução da judicialização de litígios tributários. Por fim, diga-se que, diferentemente do conjunto probatório que instrui a Impugnação, não se está diante do reconhecimento da existência de uma obrigação do Julgador conhecer quaisquer documentos acostados a destempo, sob pena de violação do direito à ampla defesa, e, muito menos, do afastamento de quaisquer previsões do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Na verdade, entende-se, dentro da hermenêutica sistemática acima apresentada, pela possibilidade legal e prerrogativa do Julgador conhecer de elementos trazidos posteriormente à defesa inaugural aos autos, mormente quando estes mostram-se pertinentes e relacionados ao objeto sob julgamento, revelando-se elemento potencial da formação de convencimento e do juízo a ser feito.” 1.3 PEDIDO DE EFEITO SUSPENSIVO E NECESSIDADE DE PRÉVIO PROCESSO ADMINISTRATIVO Tem razão o contribuinte no que atine ao efeito suspensivo da Manifestação de Inconformidade que questiona Termo de Exclusão ou Ato Declaratório de Exclusão do Simples nacional, e o atendimento de tal pleito careceria de manifestação expressa deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, dado que trata-se efeito automático decorrente expressamente da legislação vigente. Como bem consignou o contribuinte, o efeito suspensivo tem previsão já no Código Tributário Nacional, em seu artigo 151, III, e o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72 o materializa no processo administrativo fiscal na esfera federal. Especificamente tratando dos processos que discutam a exclusão do Simples Nacional, a Resolução CGSN 94/2011 também previa o efeito suspensivo em seu artigo 75, §3º, o que foi mantido pelo artigo 83, § 3º da Resolução CGSN 140/2018. Dessa forma, sem prejuízo do disposto na Súmula CARF nº 77, recebo recurso com efeito suspensivo. “Súmula CARF nº 77 A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Fl. 123DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-002.172 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11060.726748/2019-66 Já quanto à alegação de que seria necessário processo administrativo prévio, conforme os próprios julgados colacionados pelo contribuinte permitem concluir, a possibilidade de o contribuinte apresentar Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário (como de fato apresentou) com efeito suspensivo garantem, nos termos da legislação vigente, o pleno exercício do direito de ampla defesa antes da produção de efeitos do ato de exclusão, razão pela qual não vislumbro o vício apontado pelo contribuinte. Desta feita, recebo o recurso com efeito suspensivo mas afasto a preliminar aventada. 1.4 PEDIDO DE REESTABELECIMENTO DO PERT-SN - AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA E CONCOMITÂNCIA COM A ESFERA JUDICIAL O contribuinte também pleiteia, apenas em sede de Recurso Voluntário, o reestabelecimento do PERT-SN. O pedido, entretanto, não pode ser analisado e tampouco poderia ser deferido, já que não é objeto deste processo administrativo, que discute a penas a causa imediata de exclusão do Simples Nacional (ter débitos com a exigibilidade não suspensa perante a Fazenda Nacional). Ademais, tendo em vista a notícia e comprovação feita pelo contribuinte, de que discute a reinclusão do PERT judicialmente, tal medida implica a desistência dos recursos na esfera administrativa, nos termos do artigo 78, § 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA MF Nº 343, DE 09 DE JUNHO DE 2015. “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.” Nesse sentido, a Súmula CARF nº 1 trata da situação de concomitância e determina a mesma solução: “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do Fl. 124DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1002-002.172 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11060.726748/2019-66 lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Quanto a este mister, portanto, deixo de conhecer do recurso voluntário. 1.5 DEMAIS REQUISITOS E CONCLUSÕES PARCIAIS QUANTO ÀS PRELIMINARES No mais, observo que o recurso é tempestivo tendo em vista que a interposição de Recurso Voluntário é ato praticado perante a unidade da RFB de origem, estando o respectivo prazo suspenso até 31/07/2020, nos termos da PORTARIA RFB Nº 1087, DE 30 DE JUNHO DE 2020, e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço parcialmente. 2 - MÉRITO 2.1 MANUTENÇÃO DA EXCLUSÃO No mérito, observamos que o contribuinte não logrou êxito em demonstrar ter regularizado os débitos causadores da exclusão, fundamentada na Lei Complementar nº 123/2006, inciso V do art. 17, inciso I do art. 29, inciso II do caput e § 2º do art. 30. Observamos que muito embora tenha o contribuinte, ainda em 28/12/2018, questionado judicialmente a rescisão do programa de parcelamento teoricamente causadora da permanência dos débitos, passados mais de 2 anos não obteve a tutela antecipada requerida e teve Sentença e Acórdão desfavoráveis, conforme pode-se verificar dos documentos extraídos dos autos e da consulta ao andamento processual disponível na página da Justiça Federal do Rio Grande do Sul (https://www2.jfrs.jus.br/consulta-processual/?consulta- processual=1&selOrigem=RS&selForma=NU&txtValor=5009995-07.2018.4.04.7102) e também na página Eletrônica do Tribunal Regional Federal da 4ª região (https://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_pesquisa). Dessa maneira, inquestionada a existência dos débitos, e sua não regularização dentro do prazo de 30 dias previsto pelo artigo 31, § 2 o da LC 123/06, deve ser mantida a exclusão do Simples Nacional. Fl. 125DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf https://www2.jfrs.jus.br/consulta-processual/?consulta-processual=1&selOrigem=RS&selForma=NU&txtValor=5009995-07.2018.4.04.7102 https://www2.jfrs.jus.br/consulta-processual/?consulta-processual=1&selOrigem=RS&selForma=NU&txtValor=5009995-07.2018.4.04.7102 https://www2.trf4.jus.br/trf4/controlador.php?acao=consulta_processual_pesquisa Fl. 8 do Acórdão n.º 1002-002.172 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 11060.726748/2019-66 2.2 PEDIDO GENÉRICO DE PRODUÇÃO DE PROVAS Indefere-se também o pedido genérico de produção de provas. Muito embora os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235/72 permitam ao julgador determinar de ofício a realização de diligências, não se vislumbra no caso a necessidade de maiores elementos para a formação do convencimento. Pretendesse o autor a produção de provas adicionais, deveria tê-las indicado e justificado sua pertinência, nos termos do artigo 16, IV do mesmo Decreto, o que não foi feito nem mesmo em seu Recurso Voluntário. 2.3 INTIMAÇÃO DO ADVOGADO. Indefere-se o requerimento de intimação do advogado, em face do disposto no art. 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, e da jurisprudência sumulada (Súmula CARF 110): Súmula CARF nº 110 No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo. Acórdãos Precedentes: 1402-001.411, de 10/07/2013; 2401-003.400, de 19/02/2014; 2402-006.114, de 04/04/2018; 3302-004.864, de 25/10/2017; 3403- 002.901, de 23/04/2014; 9101- 003.049, de 10/08/2017. 3 - DISPOSITIVO Pelo exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, recebendo-o no efeito suspensivo para, no mérito, afastar as preliminares arguidas e negar-lhe provimento, nos termos do voto. (documento assinado digitalmente) Lucas Issa Halah - relator Fl. 126DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10805.001626/2002-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 22 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Ano-calendário: 2000
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se reconhece o crédito pleiteado.
Numero da decisão: 1401-005.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: Luiz Augusto de Souza Gonçalves
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2000 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se reconhece o crédito pleiteado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se reconhece o crédito pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição/Compensação tendo por objeto crédito de saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000. O despacho decisório deferiu apenas em parte o pedido de restituição/compensação diante da falta de comprovação da totalidade dos valores informados a título de IRRF na apuração do imposto devido do referido período de apuração. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 00 16 26 /2 00 2- 00 Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.813 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001626/2002-00 A Delegacia da Receita Federal realizou a conferência entre os valores declarados a título de IRRF na DIPJ/2001, confrontando-os com os valores constantes dos Comprovantes de Rendimentos e de Retenção na Fonte apresentados pela interessada e os valores declarados à SRF através das DIRFs pelas respectivas fontes pagadoras, conforme extrato do sistema SIEF Dirf (v. e-fls. 119/125). Ao assim proceder, confirmou IRRF de apenas R$428.479,09, ante o valor de R$698.156,34 declarados na DIPJ/2001. Cientificada do deferimento parcial do seu pedido, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alega, em apertada síntese, que a diferença apurada no IRRF declarado na DIPJ/2001 teria origem na desconsideração, por parte da Autoridade Fiscal, do Comprovante de Rendimentos e Retenção do Imposto de Renda na Fonte da empresa Magneti Marelli do Brasil Indústria e Comércio Ltda, CNPJ n° 51.597.433/0001-07, no valor total de R$272.606,45 (v. e-fl. 118), e que nos termos da IN SRF n° 119/2000, o comprovante de retenção em poder da requerente seria prova suficiente a confirmar o IRRF declarado pela Interessada. Cita também os arts. 815 e 943 do RIR/99. Recebida a manifestação de inconformidade, o processo foi encaminhado à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campinas – DRJ/CPS, que proferiu Acórdão nº 05-15.825 – 2ª Turma, negando provimento à petição da Contribuinte (v. e-fls. 285/290). Abaixo reproduzo a ementa do referido acórdão: Concluiu a Autoridade Julgadora a quo que no caso específico não estaria configurada a certeza e liquidez do crédito pois não constariam dos autos documentação fiscal e/ou contábil que embasassem o pedido de restituição apresentado, tais como “os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.813 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001626/2002-00 etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de IRPJ declarado”. O processo chegou a ser convertido em diligência para que a Contribuinte juntasse aos autos documentação capaz de comprovar que os rendimentos sobre os quais incidiram o IRRF integraram o Lucro Real apurado pela empresa em 31/12/2000, além da confirmação da fonte pagadora da efetiva retenção do imposto, não declarado em DIRF. Entretanto, a documentação juntada aos autos às e-fls. 188/244 não foi considerada hábil a comprovar que os rendimentos que deram origem à retenção do imposto de renda de e-fls. 118 integraram a apuração do lucro real do ano calendário de 2000. Não se conformando com a decisão retro, a Recorrente apresentou recurso voluntário, através do qual limitou-se a repetir os argumentos já expendidos quando da manifestação de inconformidade, acrescendo, tão somente, que estava juntando aos autos os documentos de e-fls. 305/326 (demonstrativo com os DARFs recolhidos pela empresa MAGNETI MARELLI DO BRASIL – INDÚSTRIA E COMÉRCIO – doc. I; planilhas de controle das operações de mútuo – docs. II.a a II.g; e cópias dos DARFs – docs. III.1 a III.14). Afinal vieram os autos para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. A Recorrente alega ter direito à restituição do saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2000. A partir do deferimento apenas parcial do seu pedido de restituição /compensação, a Recorrente argumenta a Autoridade Fiscal não teria considerado em sua análise o Comprovante de Rendimentos e Retenção do Imposto de Renda na Fonte emitido pela empresa Magneti Marelli do Brasil Indústria e Comércio Ltda, CNPJ n° 51.597.433/0001-07, no valor total de R$272.606,45 (v. e-fl. 118). Argui, ainda, que nos termos da IN SRF n° 119/2000, o comprovante de retenção em poder da requerente seria prova suficiente a confirmar o IRRF declarado pela Interessada. A DRJ/Campinas negou provimento à manifestação de inconformidade haja vista ter considerado insuficiente o conjunto probatório juntado aos autos pela Recorrente, restando caracterizada a ausência de liquidez e certeza do crédito requerido. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente repete os mesmos argumentos já expendidos quando da manifestação de inconformidade, acrescendo à documentação anteriormente juntada aos autos os documentos de e-fls. 305/326 (demonstrativo com os DARFs recolhidos pela empresa MAGNETTI MARELLI Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.813 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10805.001626/2002-00 DO BRASIL – INDÚSTRIA E COMÉRCIO – doc. I; planilhas de controle das operações de mútuo – docs. II.a a II.g; e cópias dos DARFs – docs. III.1 a III.14). Ao analisar os documentos juntados aos autos, verifico que permanece latente a mesma carência identificada pela Autoridade Julgadora a quo em relação à liquidez e certeza do crédito objeto do presente pedido. O acórdão recorrido foi absolutamente claro e taxativo ao estabelecer o caminho que deveria ter sido seguido pela Contribuinte para comprovar o seu direito, citando especificamente a necessidade de serem apreciados “os registros contábeis de conta no ativo do Imposto de Renda a recuperar, a expressão deste direito em Balanços ou Balancetes, a Demonstração do Resultado do Exercício, a contabilização (oferecimento à tributação) das receitas que ensejaram as retenções, os Livros Diário e Razão, etc., e ainda os registros no Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR), tudo a dar sustentação à veracidade do saldo negativo de IRPJ declarado”. Nenhum desses documentos foi juntado aos autos e aqueles trazidos com o recurso não se prestam a provar o alegado, razão pela qual adoto como minhas as razões constantes do acórdão recorrido para negar provimento ao pedido de restituição/compensação ainda em discussão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13984.900164/2013-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Sep 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2010
DCOMP. PROVA. DECLARAÇÃO RETIFICADA. INSUFICIÊNCIA.
A mera declaração retificada - sem documentos contábeis ou fiscais que lhe acompanhe - é insuficiente à demonstração do crédito.
Numero da decisão: 3401-009.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Oswaldo Goncalves de Castro Neto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Carolina Machado Freire Martins, Ronaldo Souza Dias (Presidente)
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
1.0 = *:*
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PROVA. DECLARAÇÃO RETIFICADA. INSUFICIÊNCIA. A mera declaração retificada - sem documentos contábeis ou fiscais que lhe acompanhe - é insuficiente à demonstração do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias - Presidente (documento assinado digitalmente) Oswaldo Goncalves de Castro Neto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Marcos Antonio Borges (suplente convocado(a)), Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Carolina Machado Freire Martins, Ronaldo Souza Dias (Presidente) Relatório 1.1. Trata-se de Pedido de Ressarcimento de Contribuições Não Cumulativas vinculadas ao mercado interno apuradas no 1° Trimestre de 2010. 1.2. O pedido foi indeferido por meio de despacho decisório eletrônico emitido pela DRF Lages, por inexistência do direito creditório. 1.3. Em Manifestação de Inconformidade a Recorrente destaca erro em DACON, posteriormente retificado com a inclusão dos créditos em liça na linha mercado interno não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 90 01 64 /2 01 3- 87 Fl. 128DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.528 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13984.900164/2013-87 tributado (anteriormente incluídos no campo destinado ao mercado interno tributado) após a intimação pela Receita Federal. 1.4. A DRJ de Curitiba manteve integralmente o indeferimento do direito creditório pois “em que pese a requerente haver demonstrado por meio do Dacon a origem do direito creditório que alega possuir (mercado interno não tributado), o fato é que apenas o Dacon retificador não é suficiente para a comprovação do crédito postulado. No presente caso não foi juntado pela contribuinte documentação contábil comprovando a base de cálculo dos créditos informados no Dacon, impossibilitando, dessa forma, o reconhecimento do direito creditório”. 1.5. Intimada, a Recorrente busca guarida neste Conselho reiterando o quanto descrito em Manifestação de Inconformidade somado com tese sobre violação ao contraditório e a ampla defesa por falta de intimação para apresentação de novos documentos. Voto Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Relator. 2.1. O caso é corriqueiro neste Conselho: a Recorrente pleiteia créditos que entende titularizar por meio de PER. Após intimação percebe erro em declaração fiscal e a corrige, entregando à fiscalização declaração retificada, que pretende seja tomada como prova. A fiscalização, de outro lado destaca que a mera declaração retificada – sem documentos contábeis ou fiscais que lhe acompanhe - é insuficiente à demonstração do crédito. 2.2. Na escorreita lição de BONILHA, para imputar-se o ônus probatório como regra de julgamento deve-se perquirir sobre os fatos relacionados com a situação material a que se refere a relação processual. A situação material em voga é compensação de crédito, prevista no artigo 170 do CTN e artigo 74 da Lei 9.430/96: CTN Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Lei 9.430/96 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. 2.3. Portanto cabe a Recorrente coligir provas do conjunto de fatos que servem a fundamentar sua pretensão (ex facto oritur ius), nomeadamente, a liquidez e certeza de seus créditos, independentemente de intimação para fazê-lo, como descreve a primeira parte do artigo 28 do Decreto 7.574/2011: Fl. 129DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.528 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13984.900164/2013-87 Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29. 2.4. Em adendo, no presente caso não temos apenas um pedido de ressarcimento, mas um pedido de ressarcimento decorrente de suposto erro em Declaração anterior, logo, conforme artigo 147 § 1° do CTN, cabe ao contribuinte (no caso a Recorrente) prova do erro em que se baseou a retificação: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiros, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 2.5. A Recorrente afirma em PER ser titular de créditos de correntes de ressarcimento de contribuições não cumulativas vinculadas ao mercado interno não tributadas (não obstante tenha declarado inicialmente vínculo com operações tributadas). Como prova de seu direito, a Recorrente colige aos autos do processo apenas a DACON retificadora de, que indica débito de PIS no montante pleiteado. Ora, como dito acima, a prova do erro em que se funda a correção da Declaração cabe à Recorrente e não há sequer argumento a justificar a (in)correção, quanto menos prova. 2.6. A DRJ (indo além de seu dever) analisou as DACONs entregues pela Recorrente e verificou que os créditos encontravam-se descritos na linha do DACON destinada ao mercado interno tributado e depois foram integralmente destacados na conta destinada ao mercado interno não tributado, sem que contudo a Recorrente trouxesse aos autos documentação contábil comprovando a base de cálculo dos créditos informados no Dacon, impossibilitando, dessa forma, o reconhecimento do direito creditório”. 2.7. Em Voluntário, a Recorrente não traz qualquer documento (nota fiscal, livros contábeis) para demonstrar o erro. Efetivamente, a Recorrente sequer aventa nos autos a natureza do erro (de cálculo, de apuração, nas saídas, nas entradas), tornando impossível uma análise aprofundada da essencialidade de cada um dos insumos. 2.8. Assim, por insuficiência probatória deve ser mantida a decisão da DRJ, negando-se o direito ao crédito, como já se pronunciou esta Turma em casos semelhantes: PER/DCOMP. CRÉDITO REGIME NÃO CUMULATIVO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Para que seja possível a homologação do PER/DCOMP é necessário haver nos autos documentos idôneos e capazes de justificar as alterações dos valores registrados em DCTF. A compensação de débitos somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos da interessada juntos à Fazenda Pública art. 170 do CTN. 3. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e conheço do Recurso Voluntário, negando-lhe provimento. Fl. 130DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.528 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13984.900164/2013-87 (documento assinado digitalmente) Oswaldo Gonçalves de Castro Neto Fl. 131DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13897.000511/2003-87
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3301-000.158
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto da Relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé – Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ em Campinas que julgou procedente em parte o lançamento, apenas para afastar a multa de ofício vinculada. A ora Recorrente teve contra si lavrado auto de infração eletrônico em 13/06/2003, decorrente do processamento da DCTF do anocalendário de 1998, para exigir crédito tributário relativo à falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, acrescido da multa de oficio e juros de mora. Inconformada com a exigência fiscal, da qual foi cientificada em 17/07/2003, a contribuinte interpôs, tempestivamente, impugnação, alegando, em estreita síntese que: Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13897.000511/200387 Despacho n.º 3301000.158 S3TE03 Fl. 354 2 Ao recebermos o Auto de Infração, acima mencionado, constatamos e esclarecemos o que segue: Débito n. 5647608 — Período 0103/1998, com saldo em aberto de R$2.623,23, informamos que foi devidamente recolhido junto ao Banco Real S/A, no seu respectivo vencimento, conforme demonstramos: Total do PIS apurado R$2.623,23 () PIS retido p/ Órgão Público R$ ..364,00 Saldo Recolhido R$2.259,23 Débito n. 8157657 — Período 0108/1998, com saldo em aberto de R$ 27.048,98, informamos que foi devido recolhido junto ao Banco Real S/A, no seu respectivo vencimento, conforme demonstramos: Total do PIS apurado R$8.790,92 () PIS retido p/ Órgão Público R$ ..679,73 Saldo Recolhido R$7.211,19 Para sua análise, anexamos à presente, cópia dos respectivos DARF quitados. Às fls. 27, foi proferido despacho da autoridade administrativa, noticiando a revisão de ofício efetivada no lançamento, em face da apresentação pelo contribuinte de cópias dos DARF, resultando nos demonstrativos de consolidação e recálculo de fls. 23/26. A DRJ em Campinas julgou procedente em parte o lançamento, nos seguintes termos: DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de apresentação de documentos, comprovando a retenção da Contribuição ao PIS, por órgão público, além da omissão na indicação da entidade retentora, acarreta a manutenção do lançamento correspondente ao saldo remanescente da revisão de ofício. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do princípio da retroatividade benigna, exonerase a multa de ofício no lançamento decorrente de pagamentos não comprovados, apurados em declaração prestada pelo sujeito passivo, por se configurar hipótese diversa daquelas versadas no art. 18 da Medida Provisória n° 135, de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 2003. Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário, apresentando algumas notas ficais de prestação de serviços a órgãos públicos e alegando que: De acordo com o artigo 64, da Lei n° 9.430/96, ao efetuar pagamentos a pessoas jurídicas, referidos órgão públicos são obrigados por lei a efetuar a retenção do PIS. É uma obrigação ex lege, ou seja, decorrente de lei. Destarte, salvo na remota hipótese de descumprimento de lei, é de se presumir que a houve a retenção Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13897.000511/200387 Despacho n.º 3301000.158 S3TE03 Fl. 355 3 noticiada pela recorrente, não sendo razoável requerer que a recorrente apresente prova nesse sentido: (...) Com efeito, não cabe e nem seria possível à recorrente fazer prova de que o valor em questão foi de fato recolhido aos cofres públicos pela entidade que o reteve. Como é cediço, não há o recolhimento individualizado de tais retenções, e sim um recolhimento único para todas as retenções efetuadas pelo órgão em questão em determinado mês, sendo virtualmente impossível apresentar prova nesse sentido. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia gira em torno exclusivamente da comprovação da retenção da Contribuição ao PIS, por órgão público, e da indicação da entidade retentora. Com efeito, a autoridade julgadora de primeira instância deixou expressamente consignado na decisão recorrida que a contribuinte não juntou aos autos qualquer documentação para dar suporte à sua argumentação, nem sequer indicou a entidade que teria promovido a retenção da contribuição ao PIS, em questão, impossibilitando qualquer análise da justificativa apresentada. Ocorre que, ao apresentar seu recurso voluntário a Recorrente apresentou algumas notas fiscais, relativas ao período fiscalizado, de prestação de serviço à órgãos públicos, a saber: ao Instituo Nacional do Seguro Social (NF n° 439 e 395), ao Ministério da Saúde (NF n° 463) e ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (NF n° 522, 524 e 523), que, no meu sentir, são indícios fortes de que efetivamente ocorreu ou, no mínimo deveria ter ocorrido, a alegada retenção na fonte da Contribuição ao PIS. Neste ponto, concordo com a Recorrente no sentido de que e nem seria possível à recorrente fazer prova de que o valor em questão foi de fato recolhido aos cofres públicos pela entidade que o reteve. Tecido esses esclarecimentos e considerando o que dispõe o art. 18, I, Anexo II, da Portaria MF n° 256/08, o qual prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, proponho que se converta o julgamento deste Recurso Voluntário em diligência à repartição de origem, para que verifique se está correto o valor indicado pela Recorrente como valor relativo à retenção na fonte das notas fiscais de prestação de serviços a órgão públicos constante dos autos. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13897.000511/200387 Despacho n.º 3301000.158 S3TE03 Fl. 356 4 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/01/2013 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 10070.000507/2003-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Sun Sep 05 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DEFERIDO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação - o que se aplica também ao recurso voluntário - deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Todavia, no caso em que o pedido já foi deferido em primeira instância, o recurso voluntário não deve ser conhecido por falta de objeto.
Numero da decisão: 1201-005.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (Suplente convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Efigênio de Freitas Júnior
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEDIDO DEFERIDO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação - o que se aplica também ao recurso voluntário - deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Todavia, no caso em que o pedido já foi deferido em primeira instância, o recurso voluntário não deve ser conhecido por falta de objeto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Lucas Issa Halah (Suplente convocado), Thiago Dayan da Luz Barros (Suplente convocado) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de declaração de compensação (Dcomp) em que o contribuinte compensou débitos próprios com crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ referente aos quatro trimestres do ano-calendário 2002. 2. Despacho Decisório reconheceu o direito creditório dos 1º, 2º e 3º trimestres, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 0. 00 05 07 /2 00 3- 44 Fl. 451DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.123 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10070.000507/2003-44 valores pleiteados, e não reconheceu tal direito do 4º trimestre. 3. Em manifestação de inconformidade, a recorrente alegou fazer jus ao crédito pleiteado e apresentou as razões de defesa e elementos probatórios. 4. A decisão do acórdão recorrida assentou o que segue: “ACORDAM os membros da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro - I, por maioria de votos, pelo deferimento da solicitação, reconhecendo o direito creditório no valor de R$ 643.212,12, referente ao saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2002, e pela homologação das compensações até o limite do crédito ora reconhecido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.” A seguir a ementa do acórdão recorrido (e-fls. 296): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2002 Ementa. DIREITO CREDITÓRIO - COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovada a certeza e liquidez do crédito, decorrente de saldo negativo de IRPJ, cabe o deferimento do pedido, e a homologação das compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido (artigo 170 do CTN). Solicitação Deferida 5. Cientificada da decisão recorrida em 17/03/2009, a recorrente interpôs recurso voluntário em 13/04/2009, em que reitera os argumentos apresentados em primeira instância, tece longas considerações para refutar a declaração de voto vencida, frise-se, e ao final requer o reconhecimento do direito creditório pleiteado referente ao 4º de 2002, no valor de R$ 643.212,12 e a homologação das Dcomp’s que especifica. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior, Relator. 7. O recurso voluntário é tempestivo, porém dele não conheço pelos motivos expostos a seguir. 8. O contribuinte pleiteou o reconhecimento do direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ referente aos quatro trimestres do ano-calendário 2002, a saber: Período Valor 1º trimestre/2002 329.278,70 2º trimestre/2002 262.592,00 3º trimestre/2002 384.590,48 4º trimestre/2002 643.212,12 Fl. 452DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.123 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10070.000507/2003-44 9. O Despacho Decisório, por sua vez, reconheceu o direito creditório dos 1º, 2º e 3º trimestres, nos valores pleiteados, e não reconheceu o direito do 4º trimestre em razão de a recorrente i) não oferecer à tributação os rendimentos de juros sobre o capital próprio auferido no 4º trimestre, no valor de R$ 6.589.944,13; e ii) as receitas financeiras não terem totalmente oferecidas à tributação, pois na Dirf consta o montante de R$3.487.706,60, e na DIPJ declarou-se o valor de R$ 2.622.128,72, o que resulta na diferença de R$865.577,88 (e-fls. 159). 10. Ocorre que o direito creditório pleiteado referente ao 4º trimestre fora reconhecido pela decisão recorrida, conforme trechos a seguir (e-fls. 296): Primeiramente, cabe esclarecer que a lide está restrita ao crédito decorrente do saldo negativo de IRPJ do 4 o trimestre de 2002, esclarecendo que o indeferimento do pedido decorre da constatação de duas inconsistências: (1) não oferecimento à tributação dos rendimentos advindos dos juros sobre capital próprio e (2) oferecimento à tributação dos rendimentos financeiros em valor menor ao auferido no período, tendo como base as DIRF apresentadas pelas instituições financeiras. [...] Alega que os rendimentos decorrentes dos juros sobre o capital próprio, no valor de R$6.589.944,13, foram oferecidos à tributação, conforme Ficha 09 A - Demonstração do Lucro Real - Linha 22 - Outras Adições. De fato, verifica-se que na DIPJ/2003, fls. 269, está adicionado na apuração do Lucro Real o valor de R$ 6.589.944,13. Logo, fica comprovado o oferecimento à tributação dos rendimentos decorrentes dos juros sobre o capital próprio, ressaltando que a interessada também declarou este valor na Ficha 43 da DIPJ/2003 (fls. 100). [...] Portanto, restou comprovado tanto o oferecimento à tributação dos rendimentos decorrentes dos juros sobre o capital próprio, bem como que o IRRF que incidiu sobre estes valores estão computados corretamente na apuração do saldo negativo de IRPJ do 4º período. Com relação aos rendimentos financeiros oferecidos a menor, a interessada alega que teria lançado, a crédito, na conta Despesa de Juros sobre Empréstimos Nacional, o valor de R$ 926.535,98, que seria receita financeira tendo como fonte pagadora a Cimento Tupi S.A., CNPJ. 33.039.223/0001-11, tendo como retenção do imposto de renda o montante de R$ 185.307,20, sob o código 3426, conforme DIPJ/2003, Ficha 43 - Demonstrativo do Imposto de Renda Retido na Fonte, fls. 270. Esclarece, ainda, que o total de despesas financeiras, escriturado no valor de R$10.283.707,29, pode ser obtido pelo somatório das despesas financeiras (Ficha 06 A - Linha 36) e despesas operacionais (Ficha 05 A - Linha 13), devidamente declaradas na DIPJ/2003. Ou seja, compensando o fato de não ter oferecido à tributação os rendimentos no valor de R$926.535,98, a interessada aduz que teria computado despesas a menor, no mesmo valor. Com base na planilha elaborada para a apuração do crédito, fls. 129, constata-se que a interessada teria deixado de oferecer rendimentos à tributação no montante de R$865.577,88. Em sua defesa, esclarece que deixou de contabilizar o rendimento no valor R$926.534,98, cujo código é 3426, devidamente declarado na Ficha 43 da DIP J/2002 (fls. 100). A despeito da aparente diferença dos valores, verifica-se, da análise da planilha de fls. 129, que a interessada ofereceu, a título de outras receitas financeiras, o valor total de R$ 2.622.128,72, enquanto que foi apurado, com o código 6800, o total de R$ 2.561.170,62. Ou seja, semelhante aos demais trimestres, e sem considerar a receita financeira de código 3426 (que ocorreu apenas no 4o trimestre), a interessada ofereceu a mais que o apurado o valor de R$ 60.958,10. Como deixou de ser oferecido, conforme sua defesa, o valor de R$926.534,98, a diferença apurada entre os rendimentos totais se Fl. 453DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.123 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10070.000507/2003-44 reduz para R$ 865.577,88, exatamente o valor já identificado na referida planilha. Para melhor entendimento, tabela com os valores aqui mencionados: [...] Ou seja, a diferença apurada decorre, de fato, da falta de contabilização dos rendimentos no valor de R$ 926.536,98, tendo como fonte pagadora a Cimento Tupi S.A., CNPJ. 33.039.223/0001-11, código 3426, conforme se defende a interessada. Ainda, da análise dos livros contábeis apresentados, constata-se que foi contabilizado a crédito em conta de despesa (3.6.02.03.01.02 - Juros de Empréstimo Moeda Nacional) este mesmo valor (fls. 231). Este lançamento reduz a despesa total do 4º trimestre no valor de R$ 926.536,98. Cabe, portanto, verificar se foi contabilizada a despesa no valor reduzido. Com base nos Balancetes Parciais apresentados, fls. 233/237, o total de despesas financeiras para o 4o trimestre é de R$ 3.074.289,24, resultado da diferença de R$10.283.707,29 (fim de dezembro/2002) e R$ 7.236.418,05 (início de outubro/2002). As despesas financeiras declaradas na DIP J/2003 são os seguintes: [...] Portanto, conforme alega, está comprovado que a despesa financeira, que se deduz na apuração do lucro real, está reduzida no mesmo montante da receita que deixou de ser oferecida. Em outras palavras, a redução da despesa no montante de R$ 926.536,98 tem como efeito o aumento do lucro real no mesmo montante. Assim, a apuração do imposto devido para o 4o trimestre está correta, determinando-se o mesmo resultado como se o rendimento de R$926.536,98 tivesse sido oferecido à tributação. Logo, por todo acima exposto, uma vez afastadas as inconsistências, e estando correto o saldo negativo de IRPJ para o 4 o trimestre, entendo que está comprovada a certeza e liquidez do crédito. Portanto, meu voto é pelo reconhecimento do direito creditório no valor de R$643.212,12, referente ao saldo negativo de IRPJ do 4º trimestre de 2002, e pela homologação das compensações até o limite do crédito ora reconhecido. (Grifo nosso) 11. Como se vê, a controvérsia foi resolvida favoravelmente ao recorrente em primeira instância, o que torna o recurso voluntário sem objeto. 12. Nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a impugnação - o que se aplica também ao recurso voluntário - deve mencionar “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. Todavia, no caso em análise, não há discordância, porquanto o direito creditório pleiteado já foi deferido pela decisão de primeira instância. Nesses termos o recurso voluntário não deve ser conhecido por falta de objeto. Conclusão 13. Ante o exposto, não conheço do recurso voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior Fl. 454DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10983.905056/2008-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.449
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ODASSIR GUERZONI FILHO
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ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983905056200855 Resolução n.º 3401000.449 S3C4T1 Fl. 108 2 Relatório O processo retorna a este Colegiado após a conclusão dda diligência eterminada pela nossa Resolução nº 340100.179, de 27/10/2010, e que consistia numa nova verificação por parte da DRF quanto ao pleito formulado pela interessada em sua Per/Dcomp. Inicialmente, a autoridade fiscal apontou uma falha processual, consistente na falha da representação da interessada, uma vez que o Recurso Voluntário teria sido assinado por pessoa para a qual não consta ter sido dado autorização expressa por meio de procuração válida. Por conta disso, entende que o Recurso Voluntário sequer deveria ser conhecido e que a cobrança deva ser iniciada imediatamente. Quanto ao mérito, considerou que nenhum reparo deveria ser feito no Despacho Decisório que não reconhera o crédito e não homologara a compensação; ao contrário, pois, de novo levantamento que efetuou, constatou existir débito em aberto, superior a montante do crédito postulado pela interessada. O resultado da diligência não foi cientificado à interessada. No essencial, é o relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983905056200855 Resolução n.º 3401000.449 S3C4T1 Fl. 109 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator. Falha na representação processual Se, de um lado, tem razão a autoridade fiscal ao apontar a falha na representação processual [não constaria do processo nenhum documento autorizando o Sr. Maurício Alvarez Mateos a representar a interessada junto à Receita Federal do Brasil], de outro, não cuidou a autoridade preparadora do processo ela de envidar esforços junto ao contribuinte no sentido de sanála. Este Colegiado, porém, em julgamentos envolvendo esta mesma empresa e esta mesma situação [vide, por exemplo, a Resolução nº 340100.332, de 10/11/2011], considerou prudente devolver o processo à Unidade de origem para que se promova a correção na representação processual, procedimento esse que aqui deve ser repetido de modo a ser observado o preceito contido no Código de Processo Civil, artigo 13, inciso II, que dispõe: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.” Em face do exposto, deverá a interessada ser cientificada da falha, para que, no prazo de trinta dias, sane o defeito. Contribuição retida na fonte – não aproveitamento – direito a crédito Numa apertadíssima síntese da matéria de mérito que versa o presente processo, esclareço aos meus pares que a interessada, uma concessionária de serviço público de energia elétrica, verificou, em maio de 2004, que em junho de 2003, não obstante tivesse sofrido a retenção na fonte do PIS/Pasep e da Cofins, em face do recebimento pela venda de energia elétrica à Universidade Federal de Santa Catarina [art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 19961] deixara de se valer da regra que autorizava a utilização do valor retido como “compensação com a contribuição da mesma espécie” [na forma do art. 5º da IN 306, de 12/03/2003], ou a utilização do valor retido como “dedução do valor da contribuição da mesma espécie” [na forma do art. 7º da IN 480, de 15/12/2004, que revogou a referida IN 306/2003], em ambos os casos, compensação/dedução essas relacionadas a fatos geradores ocorridos a partir do mês de retenção. E, em não tendo se valido de tal permissão legal, nem à época própria, nem posteriormente, ao menos até a data da entrega da Dcomp, concluiu que o valor então retido configuraria, na verdade, um “pagamento a maior” da contribuição, o que, por sua vez, ensejaria o direito ao reconhecimento de um crédito junto à Fazenda Nacional, passível de ser 1 Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoa jurídica, pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, estão sujeitos à incidência, na fonte, do imposto sobre a renda, da contribuição para a seguridade social Cofins e da contribuição para o Pis/Pasep. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983905056200855 Resolução n.º 3401000.449 S3C4T1 Fl. 110 4 utilizado em procedimento de compensação, tal qual estabelece o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não teve, porém, reconhecido o alegado crédito, primeiro, pela DRF, que, por meio de despacho eletrônico, apontou como causa para tanto a não localização junto aos sistemas da Receita Federal do Darf indicado na Dcomp como originário de qualquer pagamento indevido ou a maior, e, segundo, pela DRJ, que alegou a inobservância de forma para tanto, visto que, a seu ver, a Dcomp deveria ter sido precedida de uma recomposição formal nos registros e declarações do período de apuração. Na formulação dos termos da Resolução acima mencionada que aprováramos quando tivemos contato com a matéria, eu já admitira,de um lado, a tal inobservância da forma propalada pela instância de julgamento, e, de outro, a invasão de competência perpetrada pela DRJ ao ir além de sua competência para negar o direito da interessada. Além disso, eu já ressalvara as limitações impostas aos contribuintes para esmiuçar as razões de suas postulações nas Dcomp, mormente em casos especialíssimos como o do presente processo. Assim, forma por forma, ambas as partes – contribuinte e Fisco não as teriam obedecido completamente. Pois bem. Este Colegiado, com outra composição, entendeu que “em princípio”, incorrera mesmo a interessada num pagamento indevido ou a maior, o qual, contudo, por não haver sido corretamente demonstrado na Dcomp e nem nas demais manifestações que se seguiram – Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário , mereceria uma nova análise por parte da DRF, desta feita, levando em conta as nossas observações. Daí os termos em que elaborada a Resolução acima referida. Todavia, a DRF, diante dos termos da Resolução, entendeu ser impossível a confirmação do crédito alegado por parte da Receita Federal do Brasil, porquanto o Darf com código de receita “6147” listado na Dcomp sequer existiria; tratarseía de uma simples folha de papel, uma ficção criada pelo contribuinte para transmitir a declaração de compensação. Além disso, que a retenção na fonte da contribuição é uma antecipação e não pode ser considerada como pagamento a maior ou indevido; de que os sistemas de controle da Receita Federal do Brasil não são capazes de identificar a retenção realizada por terceiro, especialmente pelo fato de o documento anexado aos autos tratarse de uma mera reprodução de tela do sistema Siafi, sem que tenha sido apresentado um Darf e uma Dirf. Aduziu ainda que, conforme demonstrativo que elaborou acerca da forma de quitação adotada pela interessada para a contribuição do Pis de junho de 2003, nenhum crédito haveria de ser reconhecido, porquanto, a seu ver, ainda restaria em aberto a importância de R$ 101.773,85, maior portanto que os R$ 2.715,40 postulados neste processo. Seguiu argumentando que o tipo de crédito de que trata o presente processo não pode ser postulado mediante a utilização de Dcomp; assim, descreve qual deveria ter sido o procedimento da interessada para tanto, qual seja, escriturar na contabilidade a retenção na fonte, obter da fonte pagaadora o comprovante de rendimentos e de contribuições retidos na fonte, utilizar a parcela de retenção do Pis para a dedução do valor devido a título de Pis, retificar a DIPJ e a DCTF e, por fim, apresentar Dcomp indicando como origem de crédito um Darf pago e não um Darf fictício. Concluiu ponderando que o contribuinte não poderia postular o direito de acordo com os seus interesesses; antes, deveria observar as formalidades legais exigidas. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983905056200855 Resolução n.º 3401000.449 S3C4T1 Fl. 111 5 Pois bem. Não obstante estejam claramente apontadas as razões pelas quais a DRF ou os sistemas da Receita Federal do Brasil não conseguem identificar a existência de pagamento a maior ou indevido na situação especialíssima com a qual nos deparamos, data máxima venia, divirjo da parte da argumentação da DRF quando afirma que, verbis, “Se não há na Dcomp campo para informação desse tipo de crédito é justamente porque não é possível realizar compensação com esse tipo de crédito.” Ora, o fato do Sistema de Compensação de Créditos elaborado pela Receita Federal do Brasil não prever tratamento para tal situação não significa que haja vedação expressa nas normas que regulam os procedimentos de reconhecimento de crédito e homologação de compensações de débitos; ao contrário. Estamos, sim, diante de uma situação especialíssima, para a qual, aparentemente, não foi criada uma solução pelos sistemas de controle engendrados pela Administração Tributária. Não consigo deixar de vislumbrar no presente caso a existência do direito reclamado pela interessada; ressalvando, é claro, as premissas de que tenha havido mesmo a alegada retenção na fonte e que a base de cálculo da contribuição e o respectivo recolhimento tenham sido corretamente apurados e efetuados. Suponhamos, então, que no período de apuração de junho de 2003 a interessada tenha sofrido a retenção na fonte da contribuição, digamos, de R$ 100; que a contribuição devida, antes de se considerar essa retenção, fosse de R$ 1.000; e que tivesse efetuado o recolhimento a título dessa contribuição desses R$ 1.000. Ora, por óbvio que, não usufruindo a faculdade prevista na legislação de deduzir, do valor a pagar, o valor que lhe fora retido na forma de antecipação, terá efetuado um pagamento a maior ou indevido de R$ 100, correspondente, justamente, ao valor da retenção [antecipação] não aproveitada. Então, se a DRF afirma que o Sistema de Compensação de Créditos não consegue visualizar isso eletronicamente, é o caso de que tal situação seja visualizada por meio de análise criteriosa de servidor [pessoa humana, e não a máquina] de todos os elementos necessários para tal, ainda que, para isso, seja necessário o envolvimento indispensável da interessada, voltado para a recomposição das bases de cálculos já se considerando as retenções na fonte, seguidas de retificações nas declarações correspondentes [DCTF, DIPJ etc], seguida ainda de disponibilização da documentação fiscal e contábil. O Fisco, por sua vez, de posse dessas informações [e de outras que julgar necessárias] fornecidas pela interessada, já terá elementos para efetuar a confrontação com a DIRF entregue pelo responsável pela retenção e identificar, ou não, a existência do alegado pagamento a maior. A constatação, feita pela Autoridade fiscal, inclusive, de que o sistema PER/Dcomp não permite o reconhecimento de crédito “dessa natureza”, implica em dizer que referido sistema não consegue desincumbirse da tarefa que lhe é posta e que não está vedada pelas normas legais que regulam os procedimentos de compensação, situação essa, contudo, Fl. 123DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983905056200855 Resolução n.º 3401000.449 S3C4T1 Fl. 112 6 que não pode infligir prejuízos financeiros aos contribuintes em detrimento de um aparente enriquecimento sem causa por parte da Fazenda Nacional. Não se nega que a forma com que o contribuinte postulou seu crédito está errada, mas, será que esse erro não comporta retificação? Estaria, então, o contribuinte fadado a se conformar com o seu erro e irremediavelmente arcar com tal prejuízo? Ou, dito de outra forma, será que se o contribuinte demonstrar que “fez” a antecipação do pagamento da contribuição [retenção na fonte] e que não a deduziu do valor a pagar, não exsurgirá um pagamento a maior? Não se trata aqui de adoção da solução “mais fácil” em detrimento da “mais correta”, mas, sim, de, diante de uma situação especialíssima, buscar a observância aos princípios da eficiência administrativa e o da economia processual, o que pode ser conseguido, não se referendando o voto da DRJ [que implicará na exigência dos débitos cuja compensação não foi homologada] e exigindo do contribuinte uma nova formulação de seu pedido; mas, sim, aproveitando a fase em que se encontra o presente processo e a partir de todas as informações nele contidas e de outras a serem obtidas do contribuinte, fazerse uma análise sobre a existência ou não do alegado “pagamento a maior ou indevido”. Voto, pois, pela conversão do presente julgamento em nova diligência, desta vez, determinando à Unidade de origem que, mediante intimação à interessada e consulta aos sistemas de informação da Receita Federal do Brasil, reúna todos os elementos necessários para a elaboração de nova manifestação dando conta a este Colegiado acerca das pretensões formuladas pela interessada no PER/Dcomp objeto deste processo, ou seja, se, primeiro, existe o crédito indicado, e, segundo, se o mesmo é capaz de suportar a compensação a ele atrelada. Conclusão Em face de todo o exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para que, primeiro, a Unidade de origem intime o contribuinte a, no prazo de trinta dias, sanar a falha na representação de seu Recurso Voluntário; e, segundo, e caso sanada a falha na representação processual, que informe a este Colegiado se, considerada a dedução do valor devido da contribuição em face da retenção na fonte indicada neste processo, há crédito suficiente para suportar a compensação declarada. A Recorrente deverá ser cientificada, primeiro, dos termos da diligência de fls. 103/106, porquanto, salvo engano, a autoridade fiscal inseriu elementos novos no processo sobre os quais não há qualquer manifestação da interessada; bem como dos termos do resultado da informação a ser prestada a este Colegiado por conta da presente Resolução, para que, em desejando, se manifeste sobre elas no prazo de trinta dias. É como voto. Odassi Guerzoni Filho Fl. 124DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905034/2008-95
Data da sessão: Tue Feb 14 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3401-000.382
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ODASSIR GUERZONI FILHO
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ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte, Odassi Guerzoni Filho, Adriana Oliveira e Ribeiro e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983905034200895 Resolução n.º 340100.382 S3C4T1 Fl. 84 2 Relatório O presente processo retorna a este Colegiado em face da conclusão da diligência por nós determinada na Resolução nº 340100.187, de 27 de outubro de 2010, porém, acusando a existência, permitamme, de dois “incidentes processuais”. O primeiro deles, levantado pela autoridade encarregada da diligência Equipe de arrecadação e Cobrança do Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF em FlorianópolisSC – é o de que o Recurso Voluntário não deva ser conhecido em face de preclusão, esta caracterizada pela falta de representação processual do signatário do referido Recurso Voluntário. O segundo, que ora suscito, é o de que, não obstante nossa determinação expressa, o resultado da diligência não foi cientificado à interessada para eventual manifestação, ciência essa que, em face das considerações adicionais feitas pela autoridade fiscal na referida diligência, é de fundamental importância para que não haja malferimento ao princípio do contraditório. No essencial, e, por ora, é o Relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983905034200895 Resolução n.º 340100.382 S3C4T1 Fl. 85 3 Voto A Autoridade Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC tem razão ao apontar, ainda que a destempo, falha na representação processual relacionada ao encaminhamento do Recurso Voluntário ao Carf, o que, em princípio, daria azo ao não conhecimento do mesmo, na linha, inclusive, acrescento eu, de decisões do então denominado Conselho de Contribuintes1. Ocorreu que, de fato, não obstante na procuração outorgada pela empresa aos advogados Vicente Greco Filho e Fabrício Fávero, estivesse expressamente vedado o substabelecimento total ou parcial a qualquer outro advogado/procurador, a pessoa que assinou o Recurso Voluntário foi o advogado Maurício Alvarez Mateos, fato este que passou despercebido, tanto pela Autoridade preparadora que remeteu pela primeira vez o presente processo ao Carf para julgamento, quanto por este relator, que, equivocadamente, atestou o cumprimento de todos os seus requisitos de admissibilidade. Todavia, na Sessão de 31/08/2011, quando da apreciação de idêntica argumentação posta pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis relacionada ao processo nº 10983.901454/200631, em nome da ora interessada Centrais Elétricas de Santa Catarina S/A, deliberáramos, à unanimidade, por meio da Resolução nº 340100.303, que seria dada oportunidade à empresa para que a representação processual fosse regularizada. Não obstante naquela ocasião não o tivesse feito, invoco agora, para o presente caso, a regra constante do Código de Processo Civil, artigo 13, inciso II, que dispõe: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.” Ora, em nenhum momento deste processo cuidou a Autoridade preparadora de cobrar da interessada regularização da representação processual relacionada ao Recurso Voluntário, de sorte que não me parece razoável a caracterização da preclusão, pura e simplesmente. Em face do exposto, deverá a interessada ser cientificada da falha, para que, no prazo de trinta dias, sane o defeito e, especialmente, se manifeste, caso deseje, sobre as considerações adicionais do Fisco nos itens 3, 4, 5, 6 e 7 de seu relatório de fls. 80/83. Findo o prazo, o processo deve retornar ao Carf para julgamento. Odassi Guerzoni Filho. 1 Acórdão nº 10194.528, de 18/03/2004 e Acórdão nº 20215.779, de 18/12/2004, por exemplo. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 27/02/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 14/03/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 10983.905056/2008-55
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 12/03/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. INTIMAÇÃO FISCAL.
A autoridade da competente para decidir sobre a restituição pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.352
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Ivan Alegretti e Domingos de Sá Filho.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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materia_s : Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
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DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. INTIMAÇÃO FISCAL. A autoridade da competente para decidir sobre a restituição pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os conselheiros Ivan Alegretti e Domingos de Sá Filho. (assinado digitalmente) Marcos Tranchesi Ortiz – VicePresidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Ausente, temporariamente, o Conselheiro Antônio Carlos Atulim (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 56 /2 00 8- 55 Fl. 193DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0921.17296.6I6W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Relatório CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA SA formulou o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 09073.34995.140504.1.3.04.7063, transmitido em 14/05/2004, indicando um Crédito Pagamento Indevido ou a Maior PIS/Pasep no valor original de R$ 2.715,40, que teria origem no Darf PIS/Pasep, período de apuração de 12/03/2003, código da receita “6147 PRODUTOS RETENÇÃO EM PAGAMENTOS POR ÓRGÃO PÚBLICO”, recolhido em 12/03/2003 no valor de R$ 24.438,56. O débito compensado foi de Cofins do período de apuração de abril de 2004. O pedido foi indeferido e a compensação, não homologada, porque o DARF indicado não foi localizado. Na Manifestação de Inconformidade a interessada argumentou que, na condição de pessoa jurídica concessionária de serviço público de energia elétrica e prestandoo a órgãos públicos, está sujeita à incidência na fonte do IRPJ, da CSLL, do PIS/Pasep e da Cofins, tudo nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Informou ainda que somente em maio de 2004 apercebeuse de que a Universidade Federal de Santa Catarina, quando do pagamento da fatura de energia elétrica, efetuava a retenção do IRPJ, da CSLL, da Cofins e do PIS/Pasep e que a recolhia em nome da interessada aos cofres públicos, e, visando à sua compensação, requereu e obteve da referida instituição a cópia da tela Siafi representativa do documento de arrecadação (Condarf). De posse de tal documento, informou ter segregado o valor total retido de forma a obter a quantia correspondente a cada tributo, sendo que, em relação ao PIS/Pasep, identificou a quantia de R$ 2.715,40, a qual, por não ter sido utilizada para a redução do saldo a pagar da contribuição, indicou para ser compensada com o débito indicado na DComp, conforme lhe permitiria o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Juntou cópia da tela de consulta ao Siafi. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, todavia, não acatou os argumentos da declarante, alegando, em resumo, e não obstante não tivesse questionado a afirmação de que teria havido de fato a retenção na fonte, que a contribuinte não poderia ter se valido da DComp para se aproveitar dos valores retidos sem antes recompor formalmente os registros e declarações nos quais apurou e declarou os valores devidos e a pagar relativos às contribuições objeto das retenções e aos períodosbase a que pertencem. Somente o saldo credor porventura resultante é que poderia ser usado para a compensação posterior. O Acórdão nº 0716.381, de 29 de maio de 2009, fls. 45 a 49, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 RETENÇÃO NA FONTE POR ÓRGÃOS PÚBLICOS. COMPENSAÇÃO DOS VALORES RETIDOS COM DÉBITOS POSTERIORES. O direito à compensação dos valores retidos por órgãos públicos quando de pagamentos efetuados pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços, com débitos posteriores existe, mas antes é preciso que tais retenções na fonte, como antecipações das exações devidas no período a que se referem que são, sejam Fl. 194DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0921.17296.6I6W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10983.905056/200855 Acórdão n.º 3403002.352 S3C4T3 Fl. 173 3 antes utilizadas como dedução dos impostos e contribuições referentes ao mesmo períodobase de que fazem parte. Apenas o saldo eventualmente remanescente desta confrontação, é que é passível de compensação com débitos de períodosbase posteriores. Compensação não Homologada No Recurso Voluntário, fls. 53 a 60 a interessada afirmou nunca ter utilizado o valor da retenção para fins de redução do saldo a pagar da contribuição devida e ponderou que a retenção na fonte possui natureza jurídica de um pagamento, uma vez que é um depósito nas contas públicas provenientes de recursos do próprio contribuinte. Citou manifestação da Superintendência Regional da Receita Federal da 10ª Região Fiscal (Processo de Consulta nº 196/2006) que iria na linha de seu posicionamento, arguindo, por fim, que, em caso de reforma da decisão ora recorrida, nenhum prejuízo seria causado ao erário. A 1ª TO desta 4ª Câmara entendeu que em princípio , incorrera mesmo a interessada num pagamento indevido ou a maior, o qual, contudo, por não haver sido corretamente demonstrado na DComp e nem nas demais manifestações que se seguiram Manifestação de Inconformidade e Recurso Voluntário, mereceria uma nova análise por parte da DRF. Aquele Colegiado ponderou que, ainda que a interessada tivesse precedido à retificação formal nos registros e declarações do período de apuração, seu pleito também não seria admitido de plano, haja vista que o batimento das informações foi eletrônico e que os sistemas da Receita Federal fariam o confronto entre o valor do débito indicado na DCTF e o valor do recolhimento da contribuição e, obviamente, não encontrariam o crédito apontado no PER/DComp, que se refere ao valor da retenção na fonte. Por essa razão, decidiu converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Unidade de origem, agora sabendo do que trata o pedido da interessada, sobre ele se manifestasse, facultando à mesma a oportunidade para também se manifestar acerca de suas conclusões, no prazo de trinta dias, tudo nos termos da Resolução nº 340100.179, de 27 de outubro de 2010, fls. 70 a 75. O processo retornou à 1ª TO/4ªC após a manifestação do Serviço de Orientação e Análise Tributária da Delegacia da Receita Federal do Brasil em FlorianópolisSC conclusiva no sentido de que, contrariamente ao que constara de nossa Resolução nº 3401 00.179, não caberia qualquer revisão de ofício no Despacho Decisório que não reconhecera o crédito e não homologara a compensação, indicados na DComp, porquanto o Darf com código de receita 6147 listado na DComp sequer existiria tratarseía de uma simples folha de papel, uma ficção criada pelo contribuinte para transmitir a declaração de compensação. Alegou que a DCTF retificadora em nada se relacionaria com a matéria ora em discussão e que não haveria pagamento a maior a ser reconhecido pelo fato de ter havido o recolhimento em atraso, sem o pagamento da multa de mora que considera devida. Questionou o fato de a interessada ter seccionado em dois pedidos de restituição um suposto crédito do mesmo período de apuração, o que tornaria impossibilitada o desempenho a contento da função de controle da arrecadação por parte da RFB. Também argumentou que a retenção na fonte não constituiu um pagamento a maior e que não se pode utilizar a DComp para esse tipo de crédito. Ao final, elencou os passos que a interessada deveria ter adotado para fazer reconhecer o seu direito, tecendo críticas por conta de uma inobservância da forma para conseguir o seu intento. Fl. 195DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0921.17296.6I6W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Observou ainda que, em levantamento que efetuou, constatou existir débito em aberto, superior a montante do crédito postulado pela interessada. Examinando o resultado da diligência, a 1ªTO/4ªC entendeu que o fato do Sistema de Compensação de Créditos SCC não prever tratamento para tal situação não significa que haja vedação expressa nas normas que regulam os procedimentos de reconhecimento de crédito e homologação de compensações de débitos. Julgou ainda que se defrontava com uma situação especialíssima, para a qual, aparentemente, não foi criada uma solução pelos sistemas de controle engendrados pela Administração Tributária. Propôs que, se o SCC não consegue visualizar a situação eletronicamente, é o caso de proceder a tratamento manual, ainda que, para isso, seja necessário o envolvimento da interessada, voltado para a recomposição das bases de cálculos já se considerando as retenções na fonte, seguidas de retificações nas declarações correspondentes [DCTF, DIPJ etc.], seguida ainda de disponibilização da documentação fiscal e contábil. O Fisco, por sua vez, de posse dessas informações [e de outras que julgar necessárias] fornecidas pela interessada, já teria elementos para efetuar a confrontação com a DIRF entregue pelo responsável pela retenção e identificar, ou não, a existência do alegado pagamento a maior. Invocando os princípios da eficiência administrativa e o da economia processual, converteuse o julgamento do recurso em nova diligência, desta vez, determinando à Unidade de origem que, mediante intimação à interessada e consulta aos sistemas de informação da Receita Federal do Brasil, reunisse todos os elementos necessários para a elaboração de nova manifestação, dando conta das pretensões formuladas pela interessada no PER/DComp objeto do processo, ou seja, se, primeiro, existe o crédito indicado, e, segundo, se o mesmo é capaz de suportar a compensação a ele atrelada, tudo nos termos da Resolução nº 340100.449, de 23 de abril de 2012, fls. 107 a 112. A interessada foi então intimada a apresentar os documentos comprobatórios que configuram a existência dos referidos direitos creditórios à data da apresentação da DComp, os quais confirmariam a recomposição das bases de cálculo das contribuições devidas, acompanhados dos lançamentos fiscais e contábeis e declarações retificadoras correspondentes (Intimação Seort n 358/2012, fls. 122). Em resposta da intimação fiscal, a interessada aportou aos autos os documentos de fls. 147/148, cópias dos comprovantes anuais de retenção dos valores relativos aos anos calendários 2001 e 2002 (art. 64 da Lei n 9.430, de 1996), emitidos pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em seu beneficio, e, ainda, o arrazoado de fls. 124/129, no bojo do qual, em linhas gerais, sustenta ser possível juridicamente compensar os 40 valores retidos de acordo com o art. 64 da Lei n 9.430, de 1996, para os quais teria deixado de se valer da faculdade de dedução da contribuição devida, conforme se verifica da Ficha 19A Cálculo do PIS (junho/2003), extraída da DIPJ 2004 (entregue à RFB na data de 30/06/2004) fls. 149. Todavia, à vista da falta de demonstração documental por parte da recorrente da recomposição das bases de cálculos, já consideradas as retenções na fonte informadas por esta, seguidas de retificações nas declarações correspondentes (DCTF, DIPJ etc), acompanhada da documentação fiscal e contábil do pretenso crédito, a EAC/4 — Equipe de Arrecadação e Cobrança da DRF/FNSSC julgou não atendida a premissa assinalada na Resolução nº 340100.449, no sentido de que o crédito seria existente, acaso "a base de cálculo da contribuição e o respectivo recolhimento tenham sido corretamente apurados e efetuados", nos termos da informação de fls. 150 e 151. Cientificado das conclusões da DRF/FNS, a interessada manifestouse nos termos do arrazoado de fls. 154 a 170, segundo o qual o crédito pretendido pode ser demonstrado pelo cotejo de duas informações: (i) nas DACONs e DIPJs relacionadas aos períodos de apuração dos créditos compensados, a Celesc não deduziu, para apuração dos tributos, nenhum valor de retenções de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS decorrentes dos Fl. 196DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0921.17296.6I6W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10983.905056/200855 Acórdão n.º 3403002.352 S3C4T3 Fl. 174 5 pagamentos recebidos de órgãos públicos pelo fornecimento de energia elétrica ; (ii) as retenções sofridas, que nunca foram abatidas na apuração dos tributos, são demonstradas pelos "Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS expedidos pelas fontes pagadoras/órgãos públicos. Pede que se proceda tal e qual foi feito nos processos 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872, em que o valor compensado decorrentes de retenções sofridas foi confirmado. Em razão da aposentadoria do Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, em 12/06/2013, o processo foi redistribuído, mediante sorteio realizado em 27/06/2013. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Regularizada a representação processual da recorrente, tendo em vista a juntada dos documentos de fls. 116/121 e presentes os demais pressupostos recursais, a petição de fls. 53 a 60 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJFNS4ª Turma nº 0716.381, de 29 de maio de 2009. Com o intuito de apurar se a recorrente recompusera a base de cálculo da contribuição referente ao período de apuração do direito creditório invocado, considerando as retenções na fonte informadas, cotejada em face da retificações das DCTF e DIPJ do período em análise, bem como em face da documentação fiscal e contábil comprobatória do quanto alegado, e em estrita adesão ao que foi requerido na Resolução nº 340100.449, de 23 de abril de 2012, a DRF/FNS intimou a recorrente a: Apresentar os documentos comprobatórios que configuram a existência dos referidos direitos creditórios à data da apresentação das Dcomp's objeto dos processos supracitados, os quais confirmariam a recomposição das bases de cálculo das contribuições devidas, acompanhados dos lançamentos fiscais e contábeis e declarações retificadoras correspondentes Não obstante os termos da Intimação Seort n 358/2012, fls. 122, a recorrente limitouse apresentar cópias dos comprovantes anuais de retenção dos valores relativos aos anos calendários 2001 e 2002, acompanhadas de arrazoado mediante o qual argumentou serem tais documentos suficientes para atestar a liquidez e a certeza do direito creditório invocado. Convém neste ponto assinalar que o objetivo da Intimação Fiscal de nº 358/201 foi o de que fossem trazidos aos autos os elementos indispensáveis para a demonstração da procedência, ou não, do direito creditório, a partir da análise criteriosa da eventual recomposição das bases de cálculos, sobretudo com base no cotejo das retificações nas declarações DCTF, DIPJ etc., acompanhada da disponibilização da documentação fiscal e contábil do suposto crédito, de modo a constatar, ou não, a premissa assinalada com ressalva na Resolução nº 340100.449, no sentido de que o crédito seria existente, acaso "a base de cálculo da contribuição e o respectivo recolhimento tenham sido corretamente apurados e efetuados". A recorrente não pode esperar que se vincule a autoridade competente para a apuração do Fl. 197DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0921.17296.6I6W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 direito creditório1 a esta ou aquela forma de realização de seu mister regimental, ainda menos quando a Autoridade Diligenciante cumpre os estritos termos daquilo que lhe foi requerido na solicitação de diligência desta instância recursal. Desatendidos os termos da Intimação Fiscal e à falta de prova do direito creditório, ônus que cabia à recorrente, segundo o disposto na Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 362, a DRF/FNS procedeu corretamente ao não reconhecer o crédito. Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 23 de julho de 2013 Alexandre Kern 1 art. 224, inc. X, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012. 2 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. Fl. 198DF CARF MF Excluído - Documento nato-digital Documento de 6 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP28.0921.17296.6I6W. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALEXANDRE KERN em 25/07/2013 09:59:25. Documento autenticado digitalmente por ALEXANDRE KERN em 25/07/2013. Documento assinado digitalmente por: MARCOS TRANCHESI ORTIZ em 20/08/2013 e ALEXANDRE KERN em 25/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 28/09/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP28.0921.17296.6I6W Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 16ED8233C4894F7A8E99A06D3EDA7AC7EA0A0969 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10983.905056/2008-55. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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