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Numero do processo: 10980.009313/2007-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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AUTO DE INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 93 13 /2 00 7- 75 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 10980.009313/200775 Acórdão n.º 9202005.841 CSRFT2 Fl. 0 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em Exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada) e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do processo paradigma deste julgamento, n° 15979.000274/200701. Tratase de auto de infração, referente às contribuições devidas ao INSS, destinadas à Seguridade Social. A divergência em exame reportase à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial requerendo que a retroatividade benigna fosse aplicada, essencialmente, pelos critérios constantes na Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10980.009313/200775 Acórdão n.º 9202005.841 CSRFT2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202005.782, de 26/09/2017, proferido no julgamento do processo 15979.000274/200701, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202005.782): Pressupostos De Admissibilidade O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Do mérito Aplicação da multa retroatividade benigna Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10980.009313/200775 Acórdão n.º 9202005.841 CSRFT2 Fl. 0 4 benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdãonº9202004.262 (Sessão de23dejunhode2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10980.009313/200775 Acórdão n.º 9202005.841 CSRFT2 Fl. 0 5 A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º doart. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pelaMP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas noart. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdãonº9202004.499 (Sessão de 29desetembrode2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10980.009313/200775 Acórdão n.º 9202005.841 CSRFT2 Fl. 0 6 I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao Fl. 351DF CARF MF Processo nº 10980.009313/200775 Acórdão n.º 9202005.841 CSRFT2 Fl. 0 7 raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na Fl. 352DF CARF MF Processo nº 10980.009313/200775 Acórdão n.º 9202005.841 CSRFT2 Fl. 0 8 NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 353DF CARF MF Processo nº 10980.009313/200775 Acórdão n.º 9202005.841 CSRFT2 Fl. 0 9 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de Fl. 354DF CARF MF Processo nº 10980.009313/200775 Acórdão n.º 9202005.841 CSRFT2 Fl. 0 10 ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Por fim, destacase que, independente do lançamento fiscal analisado referirse a Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) e Acessória (AIOA), este último consubstanciado na omissão de fatos geradores em GFIP, lançados em conjunto, ou seja formalizados em um mesmo processo, ou em processos separados, a aplicação da legislação não sofrerá qualquer alteração, posto que a Portaria PGFN/RFB nº 14/2009 contempla todas as possibilidades, já que a tese ali adotada tem por base a natureza das multas. Conclusão Face o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. Face o exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 355DF CARF MF Processo nº 10980.009313/200775 Acórdão n.º 9202005.841 CSRFT2 Fl. 0 11 Fl. 356DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.003658/2003-81
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Nov 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2001
CSLL. MEDIDA JUDICIAL QUE GARANTIA AO CONTRIBUINTE ALÍQUOTA DE CSLL INFERIOR A 18%. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO À FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO PREVISTO PELA MP 1.807/1999, ART. 8.
A fruição do benefício estabelecido pelo art. 8° da MP n° 1.807/1999, atinente ao crédito de CSLL de 18%, não é dependente da exigência e recolhimento deste tributo à mesma alíquota.
Numero da decisão: 9101-003.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no me´rito, em negar-lhe provimento. Declarou-se impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substitui´da pelo conselheiro Jose´ Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Jose´ Eduardo Dornelas Souza (Suplente convocado), Rafael Vidal de Arau´jo, Lui´s Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Re^go (Presidente em exerci´cio).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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MP 1.807/1999, ART. 8. Recorrente UNIÃO (FAZENDA NACIONAL) Interessado BANCO FINASA S/A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2000, 2001 CSLL. MEDIDA JUDICIAL QUE GARANTIA AO CONTRIBUINTE ALÍQUOTA DE CSLL INFERIOR A 18%. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO À FRUIÇÃO DO BENEFÍCIO PREVISTO PELA MP 1.807/1999, ART. 8. A fruição do benefício estabelecido pelo art. 8° da MP n° 1.807/1999, atinente ao crédito de CSLL de 18%, não é dependente da exigência e recolhimento deste tributo à mesma alíquota. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Declarouse impedida de participar do julgamento a conselheira Cristiane Silva Costa, substituída pelo conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 36 58 /2 00 3- 81 Fl. 822DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, José Eduardo Dornelas Souza (Suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo, Luís Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra, Adriana Gomes Rêgo (Presidente em exercício). Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em que é interessado o BANCO FINASA S.A. (doravante “contribuinte” ou “recorrido”), em face do acórdão n. 10196.869 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”). O controvérsia versa sobre a possibilidade de fruição do benefício estabelecido pelo art. 8° da MP n° 1.807/1999, atinente ao crédito de CSLL de 18%, na hipótese do contribuinte não se submeter à incidência desse tributo sob essa mesma alíquota. O acórdão recorrido restou assim ementado (volume II, fl. 666 e seg.): ASSUNTO: CSLL Anoscalendário: 2000 e 2001 CSLL RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. A norma do que trata o art. 8°. da MP n. 1.807/99, teve como objetivo assegurar às empresas do sistema financeiro recuperar o montante pago com a utilização da alíquota diferenciada de dezoito por cento incidente sobre as parcelas temporariamente adicionadas ao lucro líquido para efeito de determinação de sua base de cálculo — CSLL, sem qualquer vinculação do montante do crédito à alíquota pela qual foi efetivamente paga a CSL no período em que foram efetuadas as adições temporárias que deram origem ao referido crédito. Destacase o seguinte trecho do voto condutor do acórdão recorrido, in verbis: Pois bem, da simples leitura do dispositivo legal acima transcrito, podese concluir que o artigo 8° da MP 1.807/1999 facultou a escrituração, nos respectivos ativos, como crédito compensável com débitos da CSLL, o valor equivalente a 18% da soma da base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito da apuração da CSLL, quanto aos períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, sem qualquer vinculação do montante do crédito à alíquota pela qual foi efetivamente paga a CSL no período em que foram efetuadas as adições temporárias que deram origem ao referido crédito. Ou seja, independentemente tenha a contribuinte pago a contribuição em alíquotas inferiores àquelas determinadas pela legislação a época dos fatos geradores, ou mesmo que não as tenha paga por razões outras, o fato é que o crédito compensável era um direito atribuído indistintamente a todas as instituições financeiras, desde que, evidentemente, tivessem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998. A PFN interpôs recurso especial, sustentando haver divergência de interpretação em face do acórdão 10322555 (volume II, fl. 683 e seg.). O referido recurso especial foi admitido por despacho ((volume II, fl. 691 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial (volume II, fl. 705 e seg.), pugnando pela sua improcedência. Fl. 823DF CARF MF Processo nº 16327.003658/200381 Acórdão n.º 9101003.143 CSRFT1 Fl. 342 3 Ademais, o contribuinte apresentou petição informando a ocorrência de "fato novo", qual seja, o adimplemento da CSLL à alíquota de 18% mediante a adesão a programa de parcelamento (Lei n. 11.941/09), bem como a desistência da ação judicial que questionava referida incidência. Diante desse "fato novo", deixaria de existir o obstáculo sustentado pela PFN (e afastado pela decisão recorrida), de que apenas seria possível a dedução da CSLL no percentual de 18% se tal tributo houvesse efetivamente sido adimplido pelo contribuinte (efls. 795 e seg.). Com o propósito de garantir o contraditório e a ampla defesa, foi dada à PFN a oportunidade para manifestarse sobre o referido fato. A PFN, então, manifestouse nos seguintes termos (efls. 802 e seg.): “Contudo, apesar de juntar cópia da petição informando ao juízo a adesão ao parcelamento e desistência da ação, não trouxe qualquer documento que comprove a consolidação do parcelamento, assim como a regularidade de pagamentos desde a adesão. Outrossim, não se pode afirmar que restaria superada a alegação da União para a reforma do acórdão recorrido, uma vez que não há nos autos qualquer comprovação de que o contribuinte recolheu o valor devido ou a diferença de alíquota, questionados no recurso especial da União, ou, ainda, que incluiu tal valor no parcelamento. Dessa forma, à míngua de qualquer comprovação de recolhimento do valor discutido nesses autos, ou ao menos de sua inclusão e regularidade no parcelamento mencionado, ratificase o Recurso Especial interposto pela União em 14/11/2008, protestando pelo conhecimento e provimento deste, a fim de que seja reformado o r. acórdão nº 10196.869, mantendose a autuação tal como realizada.” Por fim, observase que o contribuinte juntou aos autos documentos que demonstrariam que os valores discutidos na ação judicial em questão teriam sido depositados em juízo e, após a sua desistência, estes já teriam sido convertidos em renda da União (efls. 808 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, relator. Em seu recurso especial, a recorrente apresentou analiticamente argumentos para a demonstração de divergência jurisprudencial, cumprindo com o que requer o art. 67 do RICARF. Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou os requisitos de admissibilidade do recurso especial do contribuinte, concluindo corretamente quanto à legitimidade de seu integral conhecimento. Quanto ao mérito, compreendo que o acórdão recorrido não merece reparos, especialmente por dois fundamentos. Primeiro, é fundamental observar a dicção do dispositivo legal controverso: Art. 8° As pessoas jurídicas referidas no art. 1°, que tiverem base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito Fl. 824DF CARF MF 4 de apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31 de dezembro de 1998, poderão optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas. § 1° A pessoa jurídica que optar pela forma prevista neste artigo não poderá computar os valores que serviram de base de cálculo do referido crédito na determinação da base de cálculo da CSLL correspondente a qualquer período de apuração posterior a 31 de dezembro de 1998. § 2° A compensação do crédito a que se refere este artigo somente poderá ser efetuada com até trinta por cento do saldo da CSLL remanescente, em cada período de apuração, após a compensação de que trata o art. 8° da Lei n° 9.718, de 1998, não sendo admitida, em qualquer hipótese, a restituição de seu valor ou sua compensação com outros tributos ou contribuições, observadas as normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. § 3° O direito à compensação de que trata o parágrafo anterior limitase, exclusivamente, ao valor original do crédito, não sendo admitido o acréscimo de qualquer valor a título de atualização monetária ou de juros. De fato, como concluiu o acórdão recorrido, a literalidade do dispositivo em questão facultou ao contribuinte a escrituração, nos respectivos ativos, como crédito compensável com débitos da CSLL, o valor equivalente a 18% da soma da base de cálculo negativa e valores adicionados, temporariamente, ao lucro líquido, para efeito da apuração da CSLL, quanto aos períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, sem qualquer vinculação do montante do crédito à alíquota pela qual foi efetivamente paga a CSLL no período. A propósito, além de não haver vinculação entre o efetivo adimplemento de igual percentual a título de CSLL, sequer há vinculação em relação ao percentual da CSLL exigida do contribuinte. Ocorre que o legislador não estabeleceu qualquer casamento entre a alíquota da CSLL que vigorou com o passar dos anos em face do contribuinte e o percentual de 18% prescrito pelo legislador para a tomada do crédito em questão. Desse modo, se não houve a imposição do referido requisito pelo legislador, não podemos exigir o seu cumprimento para fins de fruição do aludido direito, sob pena de ofensa à legalidade. Considero relevante observar a inexistência de um casamento entre a alíquota da CSLL que vigorou com o passar dos anos em face do contribuinte e o percentual de 18% prescrito pelo legislador para a tomada do crédito em questão. Sob essa perspectiva, o fato de o contribuinte ter ou não se submetido à exigência de CSLL nesse mesmo percentual (18%) foi considerado como irrelevante para fins de fruição do aludido direito ao creditamento prescrito pelo legislador. Para fins de razão de decidir, tal fato não seria relevante. Destacamse os seguintes acórdãos deste Tribunal: Ac. 1401000.957 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. REQUISITOS ESSENCIAIS. Tendo sido regularmente oferecida a ampla oportunidade de defesa, com a devida ciência do auto de infração, e não provada violação das disposições previstas na legislação de regência, restam insubsistentes as alegações de nulidade do auto de infração e do procedimento Fiscal. IRPJ. PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. POSTERGAÇÃO. Na determinação do lucro real, a dedutibilidade, como despesa, de perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica requer a observância das condições impostas pela legislação tributária (art. 9º da Lei n. Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.003658/200381 Acórdão n.º 9101003.143 CSRFT1 Fl. 343 5 9.430/96). Sendo a glosa feita unicamente pela inobservância do prazo para proceder à dedução, mas quando em períodos posteriores provouse nos autos que as demais condições de dedutibilidade (manutenção da cobrança administrativa, início e manutenção de ação/procedimento judicial e arresto de garantias) foram atendidas, impõese a necessidade cobrança apenas do pagamento postergado do imposto e da contribuição, na forma de juros selic, que se deu com a dedução antecipada. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. COMPENSAÇÃO COM O CRÉDITO INSTITUÍDO PELO ART. 8° DA MP N° 1.807/99 (RECUPERAÇÃO DE CRÉDITO. CABIMENTO. A instituição financeira que tiver base de cálculo negativa e valores adicionados temporariamente ao lucro liquido, para apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, poderá optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas (MP n° 1.807/99, art. 8°). Nesse sentido, tal crédito tema a mesma natureza da base negativa da CSLL, prestandose assim para liquidar o débito da contribuição lançada de ofício como se base negativa ainda o fosse até limite de 30%. Ac. 10515.872 CSLL FINANCEIRAS E EQUIPARADAS VALORES ADICIONADOS TEMPORARIAMENTE CRÉDITO COMPENSÁVEL A instituição financeira que tiver base de cálculo negativa e valores adicionados temporariamente ao lucro líquido, para apuração da base de cálculo da CSLL, correspondentes a períodos de apuração encerrados até 31/12/1998, poderá optar por escriturar, em seu ativo, como crédito compensável com débitos da mesma contribuição, o valor equivalente a dezoito por cento da soma daquelas parcelas (MP nº 1.807/99, art. 8º). Ademais, a demonstração trazida aos autos pelo contribuinte – de ter desistido de sua ação judicial em que questionava a aplicação de CSLL equivalente a 18%, com a conversão dos depósitos realizados em juízo em renda da União – pode ser fator relevante àqueles que compreendem de forma diversa da interpretação ora aduzida. Ocorre que, em vista desse evento, o tributo, de fato, passaria a ser exigido e teria sido adimplido considerandose a alíquota de 18%. Nesse cenário, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 826DF CARF MF 6 Fl. 827DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15940.720088/2014-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Dec 12 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2011
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. DEVER DE COMPROVAR O RECOLHIMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA CONTRIBUINTE.
É dever da contribuinte apresentar os fundamentos fáticos e jurídicos pela qual entende que não haveria a incidência do tributo sobre as verbas que alega ser de natureza indenizatória. Deveria ter trazido aos autos elementos que pudessem viabilizar uma discussão envolvendo a natureza da verba a fim de comprovar que houve o indevido recolhimento da contribuição previdenciária e, consequentemente, atestar a certeza e liquidez do crédito declarado em compensação.
RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS.
O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA. DEVER DE OBSERVÂNCIA.
O contribuinte tem o dever de estrita observância quanto ao teor da decisão judicial proferida em processo por ele movido. No caso concreto, houve determinação judicial apenas autorizando a compensação, antes do trânsito em julgado, dos créditos decorrentes das contribuições incidentes sobre 1/3 de férias (razão pela qual a glosa de tais créditos é objeto de processo administrativo diverso, o qual está sobrestado até julgamento final do Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte).
Assim, deve ser indeferida a compensação pleiteada na medida em que o contribuinte foi além do que estava autorizado por decisão judicial e compensou seus débitos, antes do trânsito em julgado, com créditos não autorizados na ação judicial. Ademais, não restou comprovado qualquer recolhimento indevido ou a maior em relação às rubricas sobre as quais foi apurado o crédito.
MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO FALSA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
A aplicação da multa isolada de 150% demanda que a fiscalização demonstre a ocorrência de falsidade na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. A partir do momento que o contribuinte declara possuir crédito sem qualquer respaldo legal ou sem decisão judicial a seu favor, há evidente prestação de declaração falsa a ensejar a aplicação da multa.
Situação se torna ainda mais manifesta quando o contribuinte pleiteia crédito sobre verbas para as quais sequer houve o recolhimento da contribuição previdenciária.
Numero da decisão: 2201-003.999
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
EDITADO EM: 06/12/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. DEVER DE COMPROVAR O RECOLHIMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA CONTRIBUINTE. É dever da contribuinte apresentar os fundamentos fáticos e jurídicos pela qual entende que não haveria a incidência do tributo sobre as verbas que alega ser de natureza indenizatória. Deveria ter trazido aos autos elementos que pudessem viabilizar uma discussão envolvendo a natureza da verba a fim de comprovar que houve o indevido recolhimento da contribuição previdenciária e, consequentemente, atestar a certeza e liquidez do crédito declarado em compensação. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA. DEVER DE OBSERVÂNCIA. O contribuinte tem o dever de estrita observância quanto ao teor da decisão judicial proferida em processo por ele movido. No caso concreto, houve determinação judicial apenas autorizando a compensação, antes do trânsito em julgado, dos créditos decorrentes das contribuições incidentes sobre 1/3 de férias (razão pela qual a glosa de tais créditos é objeto de processo administrativo diverso, o qual está sobrestado até julgamento final do Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte). Assim, deve ser indeferida a compensação pleiteada na medida em que o contribuinte foi além do que estava autorizado por decisão judicial e compensou seus débitos, antes do trânsito em julgado, com créditos não autorizados na ação judicial. Ademais, não restou comprovado qualquer recolhimento indevido ou a maior em relação às rubricas sobre as quais foi apurado o crédito. MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO FALSA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. A aplicação da multa isolada de 150% demanda que a fiscalização demonstre a ocorrência de falsidade na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. A partir do momento que o contribuinte declara possuir crédito sem qualquer respaldo legal ou sem decisão judicial a seu favor, há evidente prestação de declaração falsa a ensejar a aplicação da multa. Situação se torna ainda mais manifesta quando o contribuinte pleiteia crédito sobre verbas para as quais sequer houve o recolhimento da contribuição previdenciária.
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GLOSA DE COMPENSAÇÃO INDEVIDA Recorrente MUNICIPIO DE TUPI PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2011 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. DEVER DE COMPROVAR O RECOLHIMENTO INDEVIDO. ÔNUS DA CONTRIBUINTE. É dever da contribuinte apresentar os fundamentos fáticos e jurídicos pela qual entende que não haveria a incidência do tributo sobre as verbas que alega ser de natureza indenizatória. Deveria ter trazido aos autos elementos que pudessem viabilizar uma discussão envolvendo a natureza da verba a fim de comprovar que houve o indevido recolhimento da contribuição previdenciária e, consequentemente, atestar a certeza e liquidez do crédito declarado em compensação. RECURSO DESTITUÍDO DE PROVAS. O recurso deverá ser instruído com os documentos que fundamentem as alegações do interessado. É, portanto, ônus do contribuinte a perfeita instrução probatória. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. NORMA INDIVIDUAL E CONCRETA. DEVER DE OBSERVÂNCIA. O contribuinte tem o dever de estrita observância quanto ao teor da decisão judicial proferida em processo por ele movido. No caso concreto, houve determinação judicial apenas autorizando a compensação, antes do trânsito em julgado, dos créditos decorrentes das contribuições incidentes sobre 1/3 de férias (razão pela qual a glosa de tais créditos é objeto de processo administrativo diverso, o qual está sobrestado até julgamento final do Mandado de Segurança impetrado pelo contribuinte). Assim, deve ser indeferida a compensação pleiteada na medida em que o contribuinte foi além do que estava autorizado por decisão judicial e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 94 0. 72 00 88 /2 01 4- 41 Fl. 656DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 657 2 compensou seus débitos, antes do trânsito em julgado, com créditos não autorizados na ação judicial. Ademais, não restou comprovado qualquer recolhimento indevido ou a maior em relação às rubricas sobre as quais foi apurado o crédito. MULTA ISOLADA. DECLARAÇÃO FALSA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. A aplicação da multa isolada de 150% demanda que a fiscalização demonstre a ocorrência de falsidade na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. A partir do momento que o contribuinte declara possuir crédito sem qualquer respaldo legal ou sem decisão judicial a seu favor, há evidente prestação de declaração falsa a ensejar a aplicação da multa. Situação se torna ainda mais manifesta quando o contribuinte pleiteia crédito sobre verbas para as quais sequer houve o recolhimento da contribuição previdenciária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguídas e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. EDITADO EM: 06/12/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausentes justificadamente os conselheiros Daniel Melo Mendes Bezerra e Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 341/353, acompanhado dos documentos de fls. 361/653, interposto contra decisão da DRJ em São Paulo/SP, de fls. 296/331, que julgou procedente em parte o lançamento de contribuições previdenciárias decorrentes da glosa de compensação. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 658 3 A compensação indevida foi relativa às competências de 10/2011 e 11/2011, e originou o crédito tributário da contribuição previdenciária no valor total de R$ 235.250,21, já inclusos juros e multa de mora (até o mês da lavratura), cobrado através do DEBCAD nº 51.048.8455 (fls. 03/07). Também foi lavrado o DEBCAD nº 51.048.8463, relativo à multa isolada de 150%, no valor de R$ 248.165,04, aplicada sobre o valor do débito indevidamente compensado (fls. 08/11). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 16/34, foi constatado que a RECORRENTE efetuou compensações nos pagamentos das contribuições previdenciárias no período de 10/2011 e 11/2011, no valor total de R$ 193.561,97 e R$ 132.025,80, respectivamente. Intimada a se manifestar acerca dos valores compensados acima, a RECORRENTE esclareceu que as compensações “referemse a créditos de contribuições pagos indevidamente no período de 10/2006 a 09/2011, relativos a 1/3 de férias, distribuído de acordo com ação judicial do mandato (sic) de segurança na 2ª Vara Federal de Presidente Prudente, Processo nº 000194662.2012.4.03.6112, cuja sentença autorizou a compensação administrativa já realizada”. A fiscalização constatou a existência da sentença provisória que autorizou a compensação. Analisando o demonstrativo de apuração do crédito apresentado pela RECORRENTE (fls. 140/142), constatouse que os valores de Base de Cálculo referente ao 1/3 de férias estão de acordo com as folhas de pagamento e GFIPs do período de 10/2006 a 08/2011. No entanto, verificou inconsistência em relação ao valor do crédito atualizado, por não coincidirem com os percentuais constantes do Manual de Orientação de Procedimentos para Cálculos na Justiça Federal – CJF, da tabela de novembro/2011 (mês referente ao pagamento da competência 10/2011, primeiro mês da compensação. A RECORRENTE foi intimada para demonstrar o índice de atualização do crédito utilizado em sua compensação, no entanto apresentou o mesmo demonstrativo já entregue à fiscalização sem demonstrar os índices utilizados. A autoridade fiscal refez os cálculos de atualização dos créditos (fls. 21/22) e verificou que, sobre a mesma base de cálculo indicada pela contribuinte (1/3 férias), o valor atualizado do crédito relativo a pagamentos indevidos no período de 10/2006 a 08/2011 era, na verdade de R$ 160.144,41, enquanto a RECORRENTE apurou crédito de R$ 325.587,77. Observa que, apesar da RECORRENTE citar em seu esclarecimento que a compensação foi efetuada incluindose os créditos apurados na competência 09/2011, o mesmo não se encontra no demonstrativo enviado por duas vezes à fiscalização em 20/05/2014 e 17/06/2014, motivo pelo qual considerouse os valores até a competência 08/2011. Em razão do exposto, a autoridade fiscal efetuou as seguintes glosas: Fl. 658DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 659 4 Explicou que o valor glosado de R$ 160.144,41 (Levantamento G1) na competência 10/2011 foi incluído no DEBCAD nº 51.048.8447 (processo nº 19540 720087/201404), que ficará sobrestado até sentença definitiva do processo judicial nº 000194662.2012.4.03.6112. As demais glosas (Levantamento G2) referemse ao presente auto de infração. Esclareceu que a RECORRENTE possui sentença judicial ainda não transitada em julgado (Processo TRF3 n° 0001946.62.2012.4.03.6112) para que se compense das contribuições previdenciárias sobre as parcelas pagas a seus funcionários referentes a: (i) 1/3 de férias; (ii) aviso prévio indenizado; e (iii) os primeiros 15 dias de salário referentes ao auxílio. Todavia, ressaltou que as compensações levadas a efeito nas competências 10/2011 e 11/2011 foram apenas da cota patronal e RAT incidentes sobre os valores de 1/3 de férias pagos aos seus servidores a partir da competência 10/2006 até a competência 08/2011, conforme esclarecimento e demonstrativo enviados pela Prefeitura RECORRENTE. Ademais, a fiscalização considerou fraudulenta a atualização das contribuições previdenciárias recolhidas sobre a verba de 1/3 de férias paga aos seus servidores, conforme acima exposto. Consequentemente, lavrou a multa isolada de 150% sobre o valor do débito indevidamente compensado, uma vez que considerou a falsidade na declaração, nos termos do art. 89, §10º, da Lei nº 8.212/91. A autoridade fiscal instaurou Representação Fiscais Para Fins Penais (processo nº 15940.720089/201495), tendo em vista que a conduta da RECORRENTE configuraria, em tese, crime contra a ordem tributária. Da Impugnação Intimada em 11/07/2014, conforme AR de fl. 151, a RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 156/180 em 04/08/2014. Transcrevo abaixo trechos do relatório do acórdão recorrido, na parte em que trata das razões de defesa da contribuinte: “Afirma que a Municipalidade efetuou compensação nas competências 10/2011 e 11/2011, com créditos oriundos de pagamentos previdenciários recolhidos indevidamente sobre a rubricas de verbas indenizatórias, porém, ao contrário do que consta do AI e do relatório, a compensação não foi apenas com créditos da verbas 1/3 de férias sobre férias normais e sim com Fl. 659DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 660 5 créditos de pagamentos indevidos de 1/3 de férias, de 1/3 de férias em abono pecuniário, sobre o próprio abono pecuniário e sobre o salário maternidade. Esclarece que, de fato foi entregue para a autoridade fiscalizadora, uma planilha cujo valor apontado era de R$ 325.587,77 e R$ 217.755,37, porém esta planilha foi um equivoco, pois contem diversas erros materiais e deve ser desconsiderada. Tanto que em 04/07/2014, foi protocolizada junto a autoridade fiscalizadora, um termo de esclarecimento (cópia em anexo), cujo conteúdo esclarece de forma inequívoca como foi realizado a compensação, bem como, foi juntado a planilha correta, com todas os valores e forma da compensação, porém infelizmente, a autoridade fiscal informou, que não poderia mais naquele momento, verificar as informações, eis que o AI já estava lavrado. (...) DO ERRO MATERIAL QUE CONSTA DO AUTO DE INFRAÇÃO COM RELAÇÃO AO SAT/RAT DE 1% (...) Verificase que na quarta coluna da planilha da fiscalização, foi considerado a alíquota de 1% para SAT/RAT, porém a impugnante recolheu a contribuição até dezembro de 2009 à alíquota de 2% de SAT/RAT e depois janeiro de 2010 passou a recolher com alíquota de 3,22%, isso pode ser verificado nas GFIP que a fiscalização já tem acesso, conforme confessa no item 11 acima citado e algumas cópias de GFIP em anexo. Não acreditamos que a autoridade fiscalizadora, elaborou a planilha item 11, considerando valor inferior a qual tem direito a impugnante, de máfé e sim tratase de equivoco, talvez levado ao erro pela apresentação da primeira planilha que também constava equivocadamente o SAT/RAT de 1%, por isso, se faz necessário a desconsideração da planilha errada e por consequência seja considerado a planilha em anexo, que inclusive foi elaborado pelo Perito ADRIANO BARCELLOS AUGUSTO, CONTADOR ASSISTENTE CRC 1SP 199794/0 5, a qual fez também um laudo, documento em anexo, demonstrando a forma como foi atualizado o crédito. (...) DO DIREITO À COMPENSAÇÃO COM AS CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDAS ATÉ NOVEMBRO DE 2011 Acresce a impugnante que, além do erro com alíquotas do SAT/RAT, a compensação foi realizada nas competências 10/2011 e 11/2011, porém na planilha entregue e no cálculo elaborado pela Autoridade fiscalizadora, item 11 do AI, foi considerado o crédito com os recolhimentos indevidos até a Fl. 660DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 661 6 competência agosto de 2011, quando o correto deve ser considerado até a competência de novembro de 2011, pois apesar da impugnante, ter a liminar retro citada que suspendeu a exigibilidade do débito, a mesma ainda vem recolhendo tais contribuições e assim ficara até o transito em julgado, por isso, nas GFIP de 10 e 11 de 2011, foi declarado os débitos tributários das contribuições, nada mais justo então que sejam, também compensados tais valores, (débito e crédito), porém notase que a planilha item 11, a qual reproduz, apenas considerou os recolhimentos até agosto de 2011, faltando setembro, outubro e novembro, conforme laudo em anexo. Portanto, foi considerado equivocadamente apenas até agosto de 2011, sendo necessário que o julgamento seja convertido em diligência, para que seja corrigido a planilha elaborado pela fiscalização item 11 do AI, para considerar os recolhimentos havidos no mês competência setembro/2011 e nos próprios meses de outubro e novembro de 2011, a qual o município já utilizou, ou seja, buscando a verdade material, deve ser desconsiderada a planilha entregue a fiscalização qual nesta oportunidade a Contribuinte junta a nova planilha correta (Doc. Anexo) que foi utilizada para a compensação efetuada. DO DIREITO A COMPENSAÇÃO DAS DEMAIS VERBAS INDENIZATÓRIAS Afirma a impugnante que na compensação realizada nas competências 10 e 11 de 2011, foi considerado também outras verbas indenizatórias, e não apenas 1/3 de férias, sendo certo que conforme consta do item 20 do AI, o objeto da sentença do Mandado de Segurança feito n° 000194662.2012.4.03.6112, da 2ª Vara Federal de Presidente Prudente – SP é de 1/3 de férias, aviso prévio indenizado e os primeiros 15 dias de salário referente ao auxilio doença, inclusive a impugnante possui sentença favorável, com relação a compensação de 1/3 de férias, porém a impugnante quando da compensação, além de compensar 1/3 de férias, também compensou os recolhimentos indevidos de 1/3 de férias e os recolhimentos de 1/3 de férias sobre o Abono de Férias e do próprio abono de Férias e salário maternidade, conforme consta no item 20 do Refisc, o qual transcreve. (...) A SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 126 COSIT de 28/05/2014 em definitivo afasta a incidência da remuneração de férias em abono e 1/3, e nem poderia ser diferente, pois por previsão legal tal contribuição é afastada, nos termos do art. 28, §9º, e.6. (...) DA COMPENSAÇÃO REALIZADAS CONSIDERANDO AS CONTRIBUIÇÕES RECOLHIDA SOBRE O SALÁRIO MATERNIDADE Fl. 661DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 662 7 O município efetuou compensação nos meses de 10 e 11 de 2011, com as contribuições recolhidas a título de Salário Maternidade, pois tratase de verba indenizatória, na verdade é um beneficio previdenciário, que até pouco tempo era a própria Previdência Social quem efetuava o pagamento e por uma questão de facilidade, quando existe um empregador este faz o pagamento, sendo restituído ou compensados tais valores, portanto é inequívoco que não existe salário. Outrossim, no salário maternidade não há efetiva prestação de serviço pelo trabalhador, não havendo como entender que o pagamento de tais parcelas possui caráter retributivo. Cita julgados a respeito. (...) DA IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DEBCAD 51.048.8463 Sustenta a impugnante que a fiscalização efetuou a autuação da Multa Isolada fundamentada nos itens 24 e 25 do AI, pois considerou fraudulenta a atualização do crédito. No entanto, conforme esclarecido acima, a planilha com a atualização que foi entregue a Autoridade Fiscal, não é a que a impugnante utilizou para as compensações, eis que foi entregue por equívoco, pois a impugnante tinha outros créditos de valores recolhidos indevidamente de verbas indenizatórias, a qual também foi utilizado na compensação das competências 10 e 11 de 2011. Dessa forma, aduz a impugnante que restou demonstrado que não houve fraude nem houve declaração falsa, no máximo houve erro, a qual com a presente impugnação, estabelecendo a ampla defesa e contraditório está sendo esclarecido, e ainda com a diligência requerida, para análise da nova planilha que ora se anexa, a fiscalização ao certo no final, afastará a autuação de multa isolada, sendo esta cancelada, pois não houve a infração alegada. (...)” Da Diligência Fiscal Quando da apreciação do feito, a DRJ de origem resolveu converter o julgamento em diligência (fls. 237/241) nos seguintes termos: “Ante o exposto, em busca da verdade material dos fatos e em respeito ao contraditório e ampla defesa, concluo pela necessidade de realização de diligência visando o saneamento do feito, e proponho a remessa dos autos à Delegacia de jurisdição do contribuinte, e seu encaminhamento ao Fiscal Autuante, para manifestação conclusiva a respeito da alíquota do SAT/RAT aplicada; em relação aos créditos decorrentes de novas rubricas ( 1/3 de férias em abono pecuniário, sobre o próprio abono pecuniário e sobre o salário maternidade) e Fl. 662DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 663 8 período constantes da nova PLANILHA apresentada pelo contribuinte e, em relação ao Auto de Infração AI DEBCAD 51.048.8463 MI. Observamos que a fiscalização esclarece no Relatório Fiscal onde consta a nomenclatura ‘férias’, entendase ‘férias gozadas’.” O resultado da diligência fiscal foi acostado às fls. 243/253, cujas informações foram resumidas pela autoridade julgadora de primeira instância da seguinte forma: “1. o Órgão Púbico recolheu contribuição previdenciária sobre 1/3 de férias gozadas(normais); que não efetuou recolhimentos de contribuição previdenciária sobre 1/3 de férias em abono pecuniário; que não efetuou recolhimentos de contribuição previdenciária sobre abono pecuniário. 2 .Quanto ao saláriomaternidade, efetuou recolhimentos da contribuição previdenciária devida. É considerado saláriode contribuição, estabelecido no art. 28, § 2o da Lei n. 8212/91. 3. Vamos analisar a questão das rubricas da nova planilha, assinada pelo perito contador assistente, de fls 185, onde não prosperarão as verbas que elencou como "de 1/3 de férias abono, de 10 dias de abono (pecuniário), pois não houve recolhimentos de contribuição previdenciária sobre tais rubricas e, sobre saláriomaternidade. 4. Analisando as folhas de pagamento de 10/2006 a 09/2011, apresentadas por ocasião da fiscalização, de título "RELAÇÃO DE TRABALHADORES POR EVENTO", código 908 1/3 s/férias, código 909 Abono Pecuniário 10 dias e código 910 — 1/3 férias abono pecuniário que lista o nome dos funcionários que motivaram o evento, e, em confronto com a Folha de Pagamento Total, constatamos que não houve desconto para a previdência social da contribuição a título de segurado e nem contribuição patronal sobre os eventos de códigos 909 e 910, conforme demonstramos no final, por amostragem, para os meses de 10/2006, 12/2006, 01/2007, 08/2007, 01/2009, 12/2009, 08/2010, 12/2010, 04/2011 e 09/2011. 5. Em relação ao que aponta na quarta coluna da planilha elaborada pela fiscalização de que foi considerado a alíquota para SAT/RAT até dezembro de 2009, e não considerado a alíquota do FAP a partir de janeiro de 2010, respondemos que: para o período de outubro/2006 a maio/2008, informou alíquota RAT 1% em verificação das GFIPWEB declaradas em datas da época. Há crédito para compensar de alíquota de RAT 1%, conforme planilha relacionando GFIPs enviadas Ano Mês Dia Envio Código de Controle Status GFIP Descrição Status GFIP RAT Alíquota; Fl. 663DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 664 9 para o período de 06/2008 a 12/2009, informou alíquota RAT 1%, em verificação das GFIPWEB declaradas na data de 04/10/2010, tidas como retificadoras, das GFIP anteriores entregues nas épocas de vencimento. Há crédito para compensar de alíquota RAT 1%; conforme planilha relacionando GFIPs enviadas Ano Mês Dia Envio Código de Controle Status GFIP Descrição Status GFIP RAT Alíquota; para o mês 01/2010, informou alíquota 2% , FAP de 1,61%, resultando no RAT Reajustado de 3,22%; mas enviou GFIP retificadora em data posterior à data da lavratura do autode infração. Há crédito para compensar de alíquota RAT 2% + FAP 1,61, resultando no GIL/RAT Ajustado de 3,22%. Não consideramos a GFIP entregue em data posterior à data da lavratura do AI (02/07/2014), conforme planilha relacionando GFIPs enviadas Ano Mês Dia Envio Código de Controle Status GFIP Descrição Status GFIP RAT Alíquota FAP RAT Ajustado; para o período de 02/2010 a 11/2010, informou alíquota 1%, FAP de 1,61%, resultando no RAT Reajustado de 1,61% em verificação das GFIPWEB declaradas na data de 05/06/2014, tidas como retificadoras, das GFIP anteriores. Por problemas nos sistemas ainda não foram exportadas as GFIP's que estão no status 2, porém enviadas antes da data de emissão ao AI. Há crédito para compensar de alíquota RAT 1% + FAP 1,61, resultando no GIL/RAT Ajustado de 1,61%, com exceção das competências 04/2010, para qual foi enviada uma retificadora em data posterior (12/05/2015) a emissão do AI e, para 07/2010 que será de 3,22%, porque informou essa alíquota na GFIP, conforme planilha relacionando GFIPs enviadas Ano Mês Dia Envio Código de Controle Status GFIP Descrição Status GFIP RAT Alíquota FAP – RAT Ajustado; para o meses 12/2010 a 11/2011, informou alíquota 2% , FAP de 1,61%, resultando no RAT Reajustado de 3,22%, com crédito a compensar de 3,22%. As GFIPS retificadoras enviadas (em 12/05/2015) após a data da lavratura deste AI (02/07/2014) não foram consideradas, conforme planilha relacionando GFIPs enviadas Ano Mês Dia Envio Código de Controle Status GFIP Descrição Status GFIP RAT Alíquota FAP RAT Ajustado). (...) 9. Diante disso, a planilha que demonstra a verba 1/3 de férias gozadas assim ficará, uma vez que a planilha nova não foi atualizada com os percentuais constantes do Manual de Orientação de Procedimentos par cálculos na justiça Federal CJF da tabela nov/2011: (...) Fl. 664DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 665 10 (...) 12. A planilha que consta no relatório da fiscalização de fls.23, item 15, assim ficará: Assim, o valor glosado de R$ 189.238,08 na competência 10/2011, será retificado no Auto de Infração DEBCAD 51.048.8447 levantamento G1, COMPROT 15940.720.087/201404 que ficará sobrestado esperando sentença definitiva. Os valores glosado de R$ 4.323,89 na competência 10/2011 e R$ 132.025,80 competência 11/2011, incluídos no Auto de Infração DEBCAD 51.048.8455 levantamento G2, sendo retificado somente os valores da competência 10/2011. Permanece o valor da competência 11/2011. (...) 23. Então, o quadro apresentado no item 27 do relatório do AI DEBCAD 51.048.8463, assim será: 24. Foram retificadas as bases de cálculo que estavam incorretas nas competências 01/2008 a 03/2008, as alíquotas do Gil/Rat são as que a empresa declarou em GFIP, a verba considera é a contemplada na sentença judicial, ainda em trâmite e mantida a aplicação de multa isolada, porém com valor alterado, nas mesmas competências. (...)” Intimada para se manifestar acerca do resultado da diligência, a RECORRENTE afirmou em síntese o seguinte: “Afirma que foram acolhidos pela fiscalização parcialmente os valores apresentados na nova planilha, porém não concorda Fl. 665DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 666 11 com a conclusão fiscal pois foi pago o SAT/RAT, com as alíquotas constantes da nova planilha, e se de fato não tem recolhimento de abono pecuniário e de seu 1/3 é por conta de erro de controles internos, porém o Município possui outros créditos a compensar, oriundos do Mandado de Segurança como o Aviso Prévio, auxilio doenças, e mais a Fiscalização em nenhum momento autorizou a impugnante a retificar a GFIP onde constou as compensações, optando em já efetuar a lavratura do Auto de Infração. Reafirma que o salário maternidade, deve ser considerado como crédito, pois tal remuneração na verdade é um beneficio previdenciário, motivo pelo qual devese afastar a incidência de contribuições previdenciárias, e reproduz as demais alegações constantes de sua peça impugnatória sintetizadas no relato acima. Conclui afirmando que, não havendo os pagamento das contribuições sobre 1/3 de férias do abono pecuniário e sobre o próprio abono, tais valores deve ser excluído da nova planilha, e requer que seja dado a oportunidade para a Municipalidade possa retificar a GFIP compensada, pois se trata de equivoco de controle interno, sendo que tais valores, serão pagos ou parcelados, reiterase também o pedido de nulidade da multa isolada, eis que em nenhum momento houve dolo, e sim, erros e equívocos, já com relação a atualização a nova planilha foi utilizado apenas a Selic, eis que foi compensação administrativa, antes da sentença do MS 000194662.2012.403.6112, portanto esta correto.” Do julgamento da DRJ Quando do julgamento do caso, a DRJ de origem, às fls. 296/331 dos autos, julgou procedente em parte a impugnação. O acórdão proferido na ocasião possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2011 a 30/11/2011 Ementa: AÇÃO JUDICIAL. IDENTIDADE DE OBJETO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. JULGAMENTO. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, implica renúncia ao contencioso administrativo no tocante à matéria em que os pedidos administrativo e judicial são idênticos, devendo o julgamento aterse à matéria diferenciada. É obrigação da autoridade fiscalizadora efetuar o lançamento das contribuições para a Seguridade Social e Terceiros, nos Fl. 666DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 667 12 termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional (CTN), caso inexista decisão judicial que proíba tal procedimento, sendo o lançamento ato vinculado e obrigatório, que visa afastar a decadência. PROCESSO ADMINISTRATIVO. IMPUGNAÇÃO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. A apresentação de impugnação tempestiva suspende a exigibilidade do crédito tributário até o encerramento da fase administrativa. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. COMPROVAÇÃO DIREITO CREDITÓRIO. O procedimento de compensação é uma faculdade conferida ao contribuinte que deve comprovar de forma inequívoca ter dela se utilizado nos termos da lei. O sujeito passivo deve utilizar o índice legal determinado na decisão judicial para atualização monetária do indébito. Não deve ser homologada a compensação, cujo direito creditório não seja comprovado pelo requerente, pois não foi cumprido requisito estabelecido em lei, tratandose de crédito ilíquido e incerto. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação previdenciária para a compensação de créditos, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente a falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS QUE NORTEIAM O PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Não há que se cogitar em violação aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, da legalidade e da verdade material, quando o lançamento fiscal observou todos atos e normas previstos na legislação pertinente e o contribuinte foi devidamente cientificado de todos eles, com oportunidade de defesa. IMPUGNAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. ALEGAÇÃO DESACOMPANHADA DE PROVA. INEFICÁCIA. Fl. 667DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 668 13 A impugnação deve vir acompanhada das provas em que se fundamenta. As alegações desacompanhadas de prova não produzem efeito em sede de processo administrativo fiscal, sendo insuficientes para ilidir o lançamento de ofício. A interessada não proveu os autos de documentos capazes de comprovar suas alegações CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Nas razões de julgamento, a autoridade julgadora esclareceu o seguinte: “(...) Deste modo, não serão apreciadas, nesta instância administrativa de julgamento alegações relativas ao seu direito à compensação de créditos decorrentes dos recolhimentos de contribuições previdenciárias da parte patronal e SAT/RAT incidentes sobre o adicional de 1/3 de férias (terço constitucional), tendo em vista ter sido tal matéria submetida ao Poder Judiciário. Entretanto, deve o julgamento administrativo prosseguir em relação à parte diferenciada, não submetida ao Judiciário. Dessa forma, como o crédito do contribuinte, apurado pela fiscalização na diligência fiscal realizada, perfaz o montante de R$ 189.238,08, este será o valor que deverá ficar sobrestado aguardando o trânsito em julgado da sentença definitiva do Mandado de Segurança nº 000194662.2012.4.03.6112, e os Autos de Infração, lavrados neste procedimento fiscal e julgados nesta mesma sessão, AIs DEBCAD nºs 51.048.8447 e 51.048.8455, seguirão o trâmite administrativo abaixo, e o Auto de Infração AI DEBCAD nº 51.048.8463 será retificado, como segue: Auto de Infração AI DEBCAD nº 51.048.8447 levantamento G1, processo nº 15940.720087/201404, o valor glosado lançado de R$ 160.144,41, competência 10/2011, ficará sobrestado até o trânsito em julgado da sentença definitiva; Auto de Infração AI DEBCAD nº 51.048.8455 – levantamento G2, integrante deste processo administrativo nº 15940.720088/201441, o valor glosado lançado de R$ 29.093,67, na competência 10/2011, ficará sobrestado até o trânsito em julgado da sentença definitiva, e os valores glosados lançados de R$ 4.323,89, competência 10/2011, e de R$ 132.025,80, competência 11/2011, foram compensados indevidamente, pois não restou comprovado o recolhimento Fl. 668DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 669 14 indevido ou maior que o devido e seguirá o trâmite administrativo fiscal previsto no decreto 70.235/72, face à impugnação tempestiva apresentada; Auto de Infração AI DEBCAD nº 51.048.8463 levantamento MI, integrante deste processo administrativo nº 19540 720088/201441, como os valores glosados lançados, compensados indevidamente no AI DEBCAD nº 51.048.8455, retro citado, na competência 10/2011 foi alterado de 33.417,56 para R$ 4.323,89, a multa isolada aplicada prevista no art. 89, § 10 da Lei 8212/91 combinado com o artigo 44, I da lei n° 9.430/96, será retificada de R$ 50.126,34 para R$ 6.485,83, e na competência 11/2011 o valor de R$ 132.025,80 mantevese inalterado, assim, será mantida a multa isolada aplicada de R$ 198.038,70, perfazendo o montante de R$ 204.524,53, e seguirá o trâmite administrativo fiscal previsto no decreto 70.235/72, face à impugnação tempestiva apresentada. (...) CONCLUSÃO Ante ao exposto, voto por considerar procedente em parte a impugnação no tocante às matérias em que não houve renúncia ao contencioso administrativo e não conhecer da impugnação quanto à matéria que se encontra sub judice, em face da renúncia ao contencioso administrativo, mantendose integralmente o crédito constituído pelo Auto de Infração AI DEBCAD nº 51.048.8455, cabendo observar que o valor de R$ 29.093,67, lançado na competência 10/2011, deve ficar sobrestado até o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 000194662.2012.4.03.6112, e mantendo em parte o crédito constituído pelo Auto de Infração AI DEBCAD nº 51.048.846 3, com a alteração do valor lançado do principal de R$ 248.165,04 ( duzentos e quarenta e oito mil, cento e sessenta e cinco reais e quatro centavos) para R$ 204.524,53 (duzentos e quatro mil, quinhentos e vinte e quatro reais e cinquenta e três centavos), conforme quadro demonstrativo a seguir, devendo ser adicionado a este montante os devidos acréscimos legais.” Do Recurso Voluntário A RECORRENTE, devidamente intimada da decisão da DRJ em 13/05/2016 (sextafeira), conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 334, apresentou o recurso voluntário de fls. 341/353 em 13/06/2016 (segundafeira). Acostou ao seu recurso razões complementares e inteiro teor de precedentes (judiciais e administrativos) que alega serem pertinentes ao caso (fls. 361/479; fls. 480/521; fls. 522/553; fls. 554/653). Em suas razões, argumenta, em síntese, o seguinte: I. Por analogia, a RFB considera as “horas extras”, o “terço constitucional de férias” e demais adicionas de natureza indenizatória como remuneração para fins de incidência da contribuição previdenciária; Fl. 669DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 670 15 II. O STF, mediante o RE 345458/RS, fixou entendimento de que é ilegítima a incidência de contribuição previdenciária sobre “adicional de férias”, “horas extras” e demais “adicionais eventuais” por se tratarem de verbas indenizatórias/compensatórias. O STJ reviu seu entendimento anterior e já decidiu que não incide a contribuição previdenciária patronal sobre o “terço constitucional de férias” e “horas extras”; III. Houve o reconhecimento da repercussão geral do RE 593068, o qual tem por objeto as seguintes verbas: “terço constitucional”, “serviços extraordinários”, “adicional noturno”, “adicional de insalubridade” e demais adicionais; IV. Com base na jurisprudência acima, alega que apurou créditos provenientes dos pagamentos a maior e indevidos sobre as verbas indenizatórias, compensandoos com débitos previdenciários vincendos, conforme planilhas de cálculo; V. Contudo, a fiscalização, por entender que as citadas verbas são sujeitas a contribuição previdenciária, glosou as compensações efetuadas administrativamente, alegando o descumprimento do art. 170A do CTN, as quais somente poderiam ter sido realizadas após o trânsito em julgado da ação judicial; VI. Se insurge contra a glosa das compensações, uma vez que os créditos utilizados são legítimos; VII. A conduta dolosa apontada pela fiscalização, não restou demonstrada de plano, não ensejando a aplicação a multa isolada de 150%; VIII. As compensações efetuadas não constituem falsidade de declaração, que induzam a “fraude”, “sonegação” e “conluio” com a tipificação dos artigos 71,72 e 73 da Lei 4.502/64; IX. O CARF e DRJs têm se posicionado no sentido de anular os autos de infração referentes à multa isolada de 150%, aplicada, sem a efetiva comprovação da fraude, sonegação ou conluio; X. O STF, através do RE nº 593.068, reconheceu a repercussão geral da matéria suscitada, sob o fundamento de que a cobrança da multa isolada de 150% detém a natureza de confisco, contribuindo para o enriquecimento ilícito da União; XI. Afirma que as compensações podem ser efetuadas administrativamente, sem a anuência do Poder Judiciário ou da RFB, a teor do art. 66 da Lei nº 8.383/91, art. 89 da Lei nº 8.212/91 e arts. 56 a 59 da IN RFB nº 1300/12; XII. Conforme decisões judiciais elencadas no recurso e na impugnação, as compensações podem ser efetuadas administrativamente sem a necessidade da aplicação do art. 170A do CTN, no caso de impetração de mandado de segurança ou quando inexistir ação judicial; Fl. 670DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 671 16 XIII. Nos Mandados de Segurança impetrados pela RECORRENTE não consta qualquer pedido no sentido de pleitear o direito à compensação na esfera administrativa, pois a própria legislação já lhe outorga esse direto; XIV. As verbas cujos créditos foram utilizados para compensação não incidem a contribuição previdenciária, conforme entendimento do STF com repercussão geral (RE 593068) e STJ com Incidente de Uniformização Jurisprudencial; XV. Mencionou processos julgados pelo STJ em que já teria sido dirimida questões acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre algumas verbas (REsp 1.230.957, acerca da natureza indenizatória do terço constitucional de férias; REsp 1.322.945, acerca da natureza indenizatória das férias usufruídas; e REsp 1.358.281, sobre a não incidência de contribuição sobre horas extras, gratificações, adicional noturno e insalubridade); XVI. O STF, STJ e as DRJs têm se posicionado pela inaplicabilidade da multa isolada de 150% cujas compensações tenham sido informadas regularmente em GFIP, e o fisco não comprovou a "falsidade" ou "fraude" cometida pelo "Município"; XVII.Alega que o art. 28, §9º, “e”, 7, da Lei nº 8.212/91 afasta o terço constitucional de férias da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Menciona julgados do CARF a respeito da matéria. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Das alegações genéricas em Recurso Voluntário Inicialmente, é necessário salientar que as alegações recursais apresentadas pela RECORRENTE são amplamente genéricas o que, inclusive, dificulta a adequação ao caso concreto. Em seu apelo, a RECORRENTE apresenta questões envolvendo rubricas denominadas “horas extras”, “adicionais eventuais”, “terço de férias”, “serviços extraordinários”, “adicional noturno”, “adicional de insalubridade” e “demais adicionais”, etc. No entanto, nenhuma dessas rubricas foi objeto do processo administrativo. Fl. 671DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 672 17 Na realidade, o recurso apresentado é uma cópia ipsis litteris das razões recursais apresentadas em outro processo em que é parte (processo nº 15940.720074/201516), onde discute a glosa de compensação pela utilização de créditos com origem em outras rubricas diversas das que são objeto da presente demanda. Nada contra a apresentação repetida de argumentos. No entanto, as razões de defesa devem guardar o mínimo de pertinência com o objeto discutido na ação, o que não é o caso dos autos, em que a RECORRENTE alega direitos creditórios sobre diversas verbas que sequer foram mencionadas antes da apresentação da peça recursal. A única rubrica discutida no recurso e que possui certa relação com o presente processo é a de “1/3 de férias”. No entanto, conforme apresentado no Relatório Fiscal e na decisão da DRJ, a RECORRENTE está discutindo no Judiciário o afastamento da contribuição previdenciária sobre a verba de 1/3 de férias. Por esse motivo, este julgador não pode se debruças sobre as alegações de defesa que envolvem tal matéria, devendo a questão seguir a sorte do que restar julgado no Mandado de Segurança impetrado pela RECORRENTE. Tanto é que a parte da compensação que teve origem em tais créditos foi objeto de glosa em outro processo administrativo, o qual está sobrestado até julgamento final do Mandado de Segurança nº 000194662.2012.4.03.6112. Também por este motivo não cabe pronunciamento a respeito desta questão. Cumpre, então, a este julgador verificar se foram corretos os lançamentos da obrigação principal e da multa isolada, nos moldes como foram realizados. Da glosa de compensação indevida. Conforme relatado, o presente processo tem por objeto a glosa de compensações de contribuições previdenciárias efetuadas pela RECORRENTE uma vez que não foi comprovada a existência do crédito utilizado. A fiscalização relatou que a RECORRENTE utilizou créditos de contribuições previdenciárias incidentes sobre verbas pagas a título de 1/3 de férias, conforme autorizado por decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 0001946 62.2012.4.03.6112. No entanto, constatou que o crédito não foi apurado de forma correta pela RECORRENTE. Em síntese, a RECORRENTE declarou que o total do crédito atualizado correspondeu ao montante de R$ 325.587,77 (R$ 193.561,97 compensado em 10/11 e R$ 132.025,80 compensado em 11/2011), ao passo que a fiscalização, utilizando a mesma base da RECORRENTE (contribuições sobre 1/3 de férias), apurou R$ 160.144,41 de crédito atualizado. Numa tentativa legítima de contestar o lançamento, quando da impugnação, a RECORRENTE apresentou nova planilha de cálculos (fl. 185) indicando como chegou ao valor de R$ 325.587,77. Esclareceu nesta planilha que não só utilizou créditos oriundos das contribuições incidentes sobre 1/3 de férias, mas também apurou sobre o “abono de férias”, “1/3 sobre o abono de férias” e sobre o “salário maternidade”. Além disso, demonstrou que apurou o crédito mediante a utilização de alíquotas RAT diversa de 1% ao longo do período. Fl. 672DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 673 18 No entanto, após diligência fiscal determinada pela DRJ de origem (fls. 243/253), ficou comprovado que a RECORRENTE de fato apurou o crédito de maneira equivocada, uma vez que a autoridade fiscal verificou não ter havido recolhimento de contribuição previdenciária sobre as verbas denominadas “1/3 de férias em abono pecuniário” e “abono pecuniário”. Portanto, era ilegítimo apurar crédito quando não houve o recolhimento reputado como indevido. Também não acatou o alegado crédito sobre o “salário maternidade” por expressa previsão do art. 28, §2º, da Lei nº 8.212/91: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...) § 2º O saláriomaternidade é considerado saláriode contribuição.” Inexiste, portanto, motivos para pleitear créditos sobre as seguintes rubricas: “abono de férias”, “1/3 sobre o abono de férias” e sobre o “salário maternidade”. Em relação à alíquota RAT, a autoridade lançadora observou, durante a diligência, que os cálculos feitos pela RECORRENTE na apuração do crédito não contemplaram as alíquotas efetivamente indicadas em GFIP (seja original, seja retificadora apresentada antes do presente auto de infração). Desta forma, após os ajustes necessários, a autoridade fiscal realizou novo cálculo do crédito da RECORRENTE (fls. 248/250), e verificou que o valor do crédito relativo às contribuições incidentes sobre 1/3 de férias corresponderam, na verdade, a R$ 189.238,08 (e não aos R$ 160.144,41 inicialmente calculados). Estes ajustes foram totalmente acatados pela DRJ de primeira instância. A repetição dos fatos acima visa esclarecer o que de fato aconteceu no presente caso: o lançamento decorre de um evidente erro de cálculo na apuração do crédito tributário por parte da RECORRENTE. Este é o objeto dos autos, não havendo razões para se debruçar acerca das alegações da RECORRENTE de que possui créditos decorrentes de diversas rubricas. É que a sentença proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 0001946 62.2012.4.03.6112 apenas autorizou que a RECORRENTE efetuasse a compensação, antes do trânsito em julgado, dos créditos decorrentes das contribuições incidentes sobre 1/3 de férias. Para as demais compensações, foi determinado que aguardasse o trânsito em julgado da decisão judicial, nos termos do art. 170A do CTN. Vejamos a parte conclusiva da sentença: “Portanto, se o MunicípioImpetrante efetuou recolhimento de contribuições previdenciárias sobre os 15 (quinze) primeiros dias do auxilio doença e do auxílioacidente, sobre as férias indenizadas, sobre o terço constitucional de férias e sobre o aviso prévio indenizado, assistelhe o direito à compensação de tais valores com débitos vencidos ou vincendos administrados pela Receita Federal do Brasil, nos 05 (cinco) últimos anos anteriores ao ajuizamento da demanda, conforme requerido. No que concerne ao direito de compensação dos valores indevidamente recolhidos, o artigo 170 do Código Tributário Fl. 673DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 674 19 Nacional e o artigo 66 da Lei n° 8.383/91, não deixam dúvidas quanto à possibilidade de sua efetivação. Aplicase o artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 10.637/02. Entretanto, a compensação será viável apenas depois do trânsito em julgado da decisão, conforme disposições do artigo 170A do CTN, excetuandose aquela já realizada na esfera administrativa (1/3 férias). É que o Municípioimpetrante noticiou que já efetuou a compensação da contribuição previdenciária incidente sobre 1/3 de férias (terço constitucional) com tributo da mesma natureza e, portanto, sobre esta compensação administrativa, não se aplica a regra do art. 170A do CTN, ficando sujeita às regras do processo administrativo, regulado pela Lei n° 9.784/99. (...)” A sentença é bem clara ao delinear dois requisitos para que a RECORRENTE possa realizar a compensação: (i) que tenha sido efetivamente recolhida a contribuição reputada como indevida (sobre as verbas objeto do mandado de segurança); e (ii) que aguarde o trânsito em julgado daquela ação judicial (excetuandose dessa regra a compensação já realizada da contribuição previdenciária incidente sobre 1/3 de férias, objeto do processo administrativo nº 15940.720087/201404). O crédito utilizado pela RECORRENTE para a compensação de tributos foi da ordem de R$ 325.587,77 (R$ 193.561,97 compensados em 10/11 e R$ 132.025,80 compensados em 11/2011). No entanto, apenas poderia ser utilizado antes do trânsito em julgado o crédito no valor de R$ 189.238,08, correspondente ao valor da contribuição previdenciária incidente sobre 1/3 de férias. Demais créditos reclamados pela RECORRENTE não podem ser acatados, mesmo que contemplados no objeto do mandado de segurança, pois: (i) não restou comprovado qualquer recolhimento indevido ou a maior; e (ii) há determinação expressa para que se aguarde o trânsito em julgado da decisão para efetuar compensação de todos os créditos jub judice, exceto o decorrente de 1/3 de férias. Ademais, não foram apresentados argumentos plausíveis acerca da existência de créditos oriundos de pagamentos indevidos ou a maior. Sendo assim, ao meu ver, é correto o entendimento da autoridade lançadora que evidenciou erro da RECORRENTE quando da apuração do crédito que poderia utilizar antes do trânsito em julgado do Mandado de Segurança (contribuições sobre 1/3 de férias). Diante de compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados, é dever da fiscalização efetuar a glosa e consequente lançamento tributário, nos termos do art. 142 do CTN, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. Assim, a RECORRENTE tem o ônus de apresentar (e comprovar) fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito do Fisco de efetuar o lançamento. Sem a apresentação de provas, não há como efetuar qualquer alteração no lançamento. Dispõe neste sentido o art. 16 do Decreto 70.235/76, assim como o art. 373 do CPC, abaixo transcritos: Fl. 674DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 675 20 Decreto 70.235/76 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; CPC Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Ou seja, para atestar a origem do crédito que julga possuir, a RECORRENTE deveria demonstrar que recolheu contribuições previdenciárias sobre verbas que se enquadram nos casos previsto no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual prescreve as rubricas que não integram o salário de contribuição, ou ainda que possui decisão judicial válida (transitada em julgado) reconhecendo o crédito e autorizando a compensação. Neste sentido, caberia à RECORRENTE ter demonstrado de forma específica os valores que teriam caráter não remuneratório, apresentando provas de suas alegações. Não é possível, pelo constante dos autos, identificar se houve recolhimento de contribuições sobre parcelas prevista no art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91 para fins de atestar a liquidez e certeza do crédito de contribuições previdenciárias. Importante esclarecer que o art. 195, I, “a” da Constituição Federal determina que tais contribuições incidem sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício;” Neste parâmetro constitucional, o art. 22 da Lei nº 8.212/91 prevê o seguinte sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo das empresas: “Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: I vinte por cento sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título, durante o mês, aos segurados Fl. 675DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 676 21 empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestem serviços, destinadas a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa.” O art. 28, §9º, da mesma Lei nº 8.212/91 dispõe uma lista de verbas que não integram a remuneração para efeitos de incidência da contribuição previdenciária patronal. Sendo assim, é ônus da RECORRENTE demonstrar que as verbas por ele consideradas indenizatórias não fazem parte da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Ora, sem a apresentação de fundamentos fáticos e jurídicos que comprovem a legitimidade do procedimento adotado pela RECORRENTE, não há razão para atestar a liquidez e certeza do crédito que julga possuir. Ou seja, deveria demonstrar o caráter não remuneratório das verbas a fim de legitimar o crédito utilizado em compensação. Ademais, as alegações de inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária sobre as várias verbas mencionadas pela RECORRENTE não podem ser objeto de apreciação pelo CARF, nos termos da Súmula 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, entendo pela correta realização da glosa das compensações, haja vista que não há qualquer indicação de que as verbas originárias dos supostos créditos possuem caráter não remuneratório. Com isso, inexiste razão para a não inclusão delas na base de cálculo das contribuições previdenciárias. Portanto, correto o procedimento adotado pela autoridade fiscal e pela DRJ, no sentido de determinar o sobrestamento do processo envolvendo a glosa da compensação relativa ao valor do crédito apurado sobre o 1/3 de férias (R$ 189.238,08). Rememoro que referido valor está dividido em dois processos: R$ 160.144,41 na competência 10/2011, objeto do processo nº 15940.720087/201404, que se encontra totalmente sobrestado até decisão final do Mandado de Segurança nº 000194662.2012.4.03.6112; e R$ 29.093,67, na competência 10/2011, objeto deste processo nº 15940.720088/201441 (somente esta parte do processo está sobrestada até o trânsito em julgado da sentença definitiva no Mandado de Segurança); Portanto, o valor discutido neste processo (relativo ao DEBCAD nº 51.048.8455) que está sendo mantido para a cobrança por parte da fiscalização é o seguinte: R$ 4.323,89, relativo à competência 10/2011; e R$ 132.025,80, relativo à competência 11/2011. Fl. 676DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 677 22 Do dispositivo legal aplicável às compensações Em sua defesa, a contribuinte afirma que o art. 66 da Lei nº 8.383/91 possibilita a utilização de créditos de tributos pagos a maior ou indevidamente para compensar débitos vincendos, independentemente de autorização da Administração Pública ou de sentença transitada em julgado. Referido dispositivo possui a seguinte redação: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. § 1º A compensação só poderá ser efetuada entre tributos, contribuições e receitas da mesma espécie. § 2º É facultado ao contribuinte optar pelo pedido de restituição. § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do tributo ou contribuição ou receita corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. § 4º As Secretarias da Receita Federal e do Patrimônio da União e o Instituto Nacional do Seguro Social INSS expedirão as instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste artigo. No entanto, entendo que não merece prosperar as argumentações da RECORRENTE, pois é condição para a compensação que tenha havido o recolhimento de tributo indevido ou a maior, o que não foi comprovado. Corrobora esse argumento o fato de a RECORRENTE ter considerado como existentes os créditos sobre rubricas para os quais não houve sequer o recolhimento da contribuição previdenciária (abono pecuniário e 1/3 de féris sobre abono pecuniário). Quando a compensação é realizada mediante a utilização de créditos incontroversos, como no caso do art. 66 da Lei nº 8.383/91, o Fisco simplesmente homologa tal ato e extingue o débito compensado. Por outro lado, quando for verificada a utilização de créditos ilegítimos, o Fisco não homologa a compensação e, ato continuo, realiza o procedimento previsto em lei para cobrar o crédito indevidamente compensado. Ademais, ao contrário de que alega a RECORRENTE, não foi o art. 170A do CTN que motivou a glosa da compensação. A autoridade fiscal, após diligência, afirmou que não houve recolhimento do crédito que a RECORRENTE alega possuir. A importância do referido dispositivo para o presente caso revelase na medida que a RECORRENTE chegou a pleitear créditos (que não os decorrentes do 1/3 de férias) objeto de Mandado de Segurança por ela impetrado. Porém, a sentença proferida no processo é expressa ao determinar que se aguarde o trânsito em julgado para a utilização dos créditos (exceto em relação aos decorrentes do 1/3 de férias, conforme amplamente exposto). Ao levar para o Judiciário a discussão acerca da não incidência de contribuição previdenciária sobre determinadas verbas e, consequentemente, da existência de Fl. 677DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 678 23 créditos relativos aos respectivos valores recolhidos nos últimos anos, o contribuinte deve aguardar a decisão final de seu pleito. E isto devese em homenagem ao princípio da segurança jurídica, a fim de evitar contradição entre a ordem judicial e o ato de compensação levado ao conhecimento do Fisco. No presente caso, houve decisão proferida no Mandado de Segurança reconhecendo a não incidência da contribuição previdenciária sobre as rubricas nele discutidas (15 primeiros dias do auxíliodoença e do auxílioacidente, férias indenizadas, 1/3 de férias e aviso prévio indenizado). No entanto, a RECORRENTE não pode invocar a decisão judicial favorável para valerse de créditos nela contemplados, devendo aguardar o seu trânsito em julgado, conforme expressamente determinado pela própria sentença (exceto em relação aos decorrentes do 1/3 de férias, conforme amplamente exposto). Portanto, não há qualquer conflito entre a norma do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e aquela disposta no art. 170A do CTN, devendo esta última ser aplicada no caso em que a tributação de determinadas verbas ainda está sendo apreciada em processo judicial movido pelo contribuinte. Por outro lado, no caso de haver uma efetiva ocorrência do recolhimento indevido ou a maior, o contribuinte pode fazer uso do art. 66 da Lei nº 8.383/91 para realizar a compensação do crédito apurado, desde que não haja discussão sub judice envolvendo o crédito. Da Aplicação da Multa Isolada de 150% Em princípio, esclareço que o fundamento legal da multa isolada é o art. 89, §10º, da Lei nº 8.212/91, o qual possui a seguinte redação: “Art. 89. As contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, as contribuições instituídas a título de substituição e as contribuições devidas a terceiros somente poderão ser restituídas ou compensadas nas hipóteses de pagamento ou recolhimento indevido ou maior que o devido, nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Mencionado art. 44 da Lei nº 9.430/96 dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 678DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 679 24 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;” Ou seja, para aplicação da penalidade imposta, exigese que a fiscalização demonstre a ocorrência de falsidade na declaração de compensação apresentada pelo contribuinte. Neste sentido, a partir do momento que a RECORRENTE declara possuir crédito sem qualquer respaldo legal ou sem decisão judicial a seu favor, entendo que a mesma agiu com falsidade na declaração. Não foi equivoco, na medida que a RECORRENTE apurou crédito sobre verbas para as quais sequer houve o recolhimento da contribuição previdenciária (abono pecuniário e 1/3 de férias sobre abono pecuniário), conforme apresentado pela autoridade fiscal quando da diligência efetuada (fls. 243/253). Também não pode chamar de erro o fato de ter apurado crédito sobre salário maternidade, verba que é base de cálculo das contribuições previdenciárias por expressa determinação legal (art. 28, §2º, da Lei nº 8.212/91). Também não se confunde falsidade com fraude. Neste sentido, adoto como fundamento trecho do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, no Acórdão nº 9202004.341, julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais em 24/08/2016: “Ou seja, o legislador determina a aplicação de multa de 150% quando se trata de falsidade de declaração, sem que no mencionado dispositivo, tenha a autoridade fiscal, mencionado a necessidade de imputação, de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Mas, qual o limite entre a caracterização de simples informação inexata, ou sem que o recorrente tenha legitimidade para exercer naquele momento o direito e a falsidade propriamente dita? Ao efetivar compensação sobre valores de contribuições ao qual não demonstrou o recorrente ter efetivamente promovido o recolhimento, procedeu o recorrente a informação de existência de crédito na verdade inexistente, indicando nítida falsidade de declaração. (...) Neste ponto, entendo pertinente transcrever o voto do ilustre Conselheiro Kleber Ferreira de Araujo, que tratou com muita propriedade a questão: ‘Verificase de início que a lei impõe como condição para aplicação da multa isolada que tenha havido a comprovada falsidade na declaração apresentada. Assim, para que o fisco possa impor a penalidade de 150% sobre os valores indevidamente compensados, é imprescindível a demonstração de que a declaração efetuada mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP contém falsidade, ou seja, não retrata a realidade tributária da declarante. Fl. 679DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 680 25 Pesquisando o significado do termo falsidade em http://www.dicionariodoaurelio.com, obtémse o seguinte resultado: ‘s.f. Propriedade do que é falso. / Mentira, calúnia. / Hipocrisia; perfídia. / Delito que comete aquele que conscientemente esconde ou altera a verdade.’ Inserindo esse vocábulo no contexto da compensação indevida é de se concluir que se o sujeito passivo inserir na guia informativa créditos que decorrentes de contribuições incidentes sobre parcelas integrantes do saláriode contribuição, evidentemente cometeu falsidade, haja vista ter inserido no sistema da Administração Tributária informação inverídica no intuito de se livrar do pagamento dos tributos. Vale ressaltar que legislador foi bastante feliz na redação do dispositivo encimado, posto que utilizouse do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 apenas para balizar o percentual de multa a ser aplicado, não condicionando à aplicação da multa à ocorrência das condutas de sonegação, fraude e conluio, definidas respectivamente nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n. 4.502/1964. Esse opção legislativa serviu exatamente para afastar os questionamentos de que a mera compensação indevida não representaria os ilícitos acima, nos casos em que o sujeito passivo tivesse declarado corretamente os fatos geradores, posto que não se poderia falar em sonegação ou fraude fiscal.’ (...) Contudo, não há que se confundir fraude com falsidade, tendo em vista que se o legislador, quisesse atribuir a mesma natureza as duas penalidades, teria simplesmente determinado a aplicação do art. 44, § 1º da 9430/1996.” Ademais, no presente caso, a autoridade fiscal ainda demonstrou que a RECORRENTE chegou a apurar crédito utilizando alíquota RAT diversa da indicada em GFIP. Por tais razões, entendo correta a aplicação da multa isolada de 150%. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendose integralmente a decisão da DRJ. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 680DF CARF MF Processo nº 15940.720088/201441 Acórdão n.º 2201003.999 S2C2T1 Fl. 681 26 Fl. 681DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13678.000241/98-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Aug 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1991
DIREITO À RESTITUIÇÃO. CRÉDITO ASSEGURADO JUDICIALMENTE.
Ao contribuinte é assegurado o direito à restituição de crédito líquido e certo, ainda que reconhecido em sede de ação judicial restrita à compensação, conforme arts. 12 e 17 da IN SRF nº 21/1997, legislação vigente a época.
Numero da decisão: 9303-005.586
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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CRÉDITO ASSEGURADO JUDICIALMENTE. Ao contribuinte é assegurado o direito à restituição de crédito líquido e certo, ainda que reconhecido em sede de ação judicial restrita à compensação, conforme arts. 12 e 17 da IN SRF nº 21/1997, legislação vigente a época. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Luiz Augusto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 67 8. 00 02 41 /9 8- 24 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13678.000241/9824 Acórdão n.º 9303005.586 CSRFT3 Fl. 387 2 do Couto Chagas, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3803006.958, de 19 de março de 2015 (fls. 339 a 343 do processo eletrônico), proferido pela Terceira Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, para reconhecer o direito à restituição, observados os valores já utilizados em compensação. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido realizado pelo Contribuinte de compensação de crédito de FINSOCIAL, oriundo da ação judicial n° 95.15137, com débitos da CONFINS relativos aos períodos de apuração novembro/ 1997 a dezembro/ 1 998. Na referida ação judicial, discutiuse a inconstitucionalidade das sucessivas majorações de alíquota do FINSOCIAL acima de 0,5% e, via de consequência, o direito à compensação desse crédito com parcelas da COFINS. A decisão final da lide, com trânsito em julgado em 15/10/1997, foi favorável ao Contribuinte, restando autorizada a compensação dos valores pagos indevidamente a esse título, devidamente corrigidos, com valores devidos de outros tributos federais, sem os limites da IN 67/92 e do Ato Declaratório n° 15, de 30/03/1994. No Despacho Decisório foi homologada a compensação realizada, porém foi indeferido o pedido de restituição, por considerar que a ação judicial não trata de repetição de indébito, mas exclusivamente de compensação. Cientificado da decisão, o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o deferimento do Pedido de Restituição, alegando o seguinte: a) os institutos da restituição e da compensação encontravamse disciplinados pela IN SRF n° 21/1997, instrução essa que permitia que o saldo credor Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13678.000241/9824 Acórdão n.º 9303005.586 CSRFT3 Fl. 388 3 passível de restituição pudesse ser devolvido ao contribuinte, conforme § 8° do art. 12 e o art. 17 da referida IN; b) a repetição do indébito tributário pode operarse mediante compensação ou por intermédio de restituição, independentemente do teor do comando sentencial transitado em julgado, uma vez que ambas representam espécies do gênero “repetição de indébito”, conforme jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e decisões do CARF e da Cosit; c) homologação tácita do pedido, pelo transcurso do prazo de cinco anos contados entre o protocolo do pedido e a emissão do despacho decisório. A DRJ em Belo Horizonte/MG julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, e o Colegiado por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso, para reconhecer o direito à restituição, observados os valores já utilizados em compensação, , conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1991 REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. Para pedidos e declarações formulados até 9 de junho de 2005, o prazo para a repetição ou compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos ao lançamento por homologação é de 10 anos contados da data do fato gerador do tributo, conforme decisão do Supremo tribunal Federal (STF) no julgamento do Recurso Extraordinário nº 566.621, submetido à sistemática da repercussão geral. DIREITO À RESTITUIÇÃO. CRÉDITO ASSEGURADO JUDICIALMENTE. Ao contribuinte é assegurado o direito à restituição de crédito líquido e certo, ainda que reconhecido em sede de ação judicial restrita à compensação. Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13678.000241/9824 Acórdão n.º 9303005.586 CSRFT3 Fl. 389 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/1989 a 31/03/1991 REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO NO CARF. As decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 345 a 351) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada da Fazenda Nacional foi em razão de entender que originalmente, o contribuinte havia apresentado Pedido de Compensação e Pedido de Restituição, amparado em decisão judicial transitada em julgado, em que se decidiu pela inconstitucionalidade das sucessivas majorações de alíquota do FINSOCIAL acima de 0,5%, tendo a repartição de origem atestado a existência do crédito e homologado a compensação, mas indeferido o Pedido de Restituição, em razão do fato de o objeto da ação judicial se restringir à compensação. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma o acórdão de número 3802001.566. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição integral da ementa no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 353 e 354, sob o argumento que o simples confronto entre as ementas traz a divergência de entendimentos. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls.365 a 381, manifestando pelo não provimento do recurso especial e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13678.000241/9824 Acórdão n.º 9303005.586 CSRFT3 Fl. 390 5 Conheço do Recurso Especial de divergência interposto pela da Fazenda Nacional por verificar que estão atendidos os requisitos necessários para sua admissibilidade Entendo que ficou comprovada a divergência jurisprudencial, pois o acórdão recorrido reformou a decisão da DRJ que determinou que não caberia restituição dos créditos do FINSOCIAL apenas compensação. Desta forma, o acórdão recorrido concedeu a restituição, condicionando que o deferimento da restituição pela autoridade administrativa dependerá do crédito disponível a ser calculado pela repartição de origem no momento da execução da decisão definitiva obtida neste processo, observados os valores já utilizados em compensação. O acórdão paradigma traz a impossibilidade da restituição dos valores do PIS em pecúnia, mesmo que na sentença haja esta previsão, alegando que neste caso o contribuinte deveria receber por precatório ou RPV, aplicando apenas ao procedimento de execução de decisão judicial da alçada exclusiva do Poder Judiciário. Cabendo somente a compensação. Assim, restou comprovada a divergência jurisprudencial apontada pelo Contribuinte. Ventiladas tais considerações, passo a análise à discussão. Do mérito. A discussão dos presentes autos tem origem no pedido protocolado pelo contribuinte em 13/11/1998 de compensação de crédito de FINSOCIAL, oriundo da ação judicial n° 95.15137, com trânsito em julgado em 15/10/1997. O Pedido de Compensação e Pedido de Restituição do saldo Credor da compensação se refere ao FINSOCIAL dos períodos de apuração de setembro de 1989 a março de 1991. Na referida ação judicial, discutiuse a inconstitucionalidade das sucessivas majorações de alíquota do FINSOCIAL acima de 0,5% e, via de consequência, o direito à compensação desse crédito com parcelas da COFINS. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 13678.000241/9824 Acórdão n.º 9303005.586 CSRFT3 Fl. 391 6 A decisão final da lide, foi favorável ao Contribuinte, restando autorizada a compensação dos valores pagos indevidamente a esse título, devidamente corrigidos, com valores devidos de outros tributos federais, sem os limites da IN 67/92 e do Ato Declaratório n° 15, de 30/03/1994. No entanto, a repartição de origem atestou a existência do crédito e homologado a compensação, mas indeferiu o Pedido de Restituição, em razão do fato de o objeto da ação judicial se restringir à compensação. Entendo que o acórdão recorrido não merece reparos. De acordo com a IN SRF n° 21/1997, vigente a época, essa permitia que o saldo credor passível de restituição pudesse ser devolvido ao contribuinte, conforme § 8° do art. 12 e o art. 17 da referida IN, senão vejamos; INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 21, DE 10 DE MARÇO DE 1997 Dispõe sobre a restituição, o ressarcimento e a compensação de tributos e contribuições federais, administrados pela Secretaria da Receita Federal. COMPENSAÇÃO ENTRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES DE DIFERENTES ESPÉCIES Art. 12. Os créditos de que tratam os arts. 2º e 3º, inclusive quando decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, serão utilizados para compensação com débitos do contribuinte, em procedimento de ofício ou a requerimento do interessado. (...) § 4º Será admitida, também, a apresentação de pedido de compensação após o ingresso do pedido de restituição ou ressarcimento, desde que o valor ou saldo a utilizar não tenha sido restituído ou ressarcido. § 5º Se o valor a ser ressarcido ou restituído, na hipótese do § 4º, for insuficiente para quitar o total do débito, o contribuinte deverá efetuar o pagamento da diferença no prazo previsto na legislação especifica. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 13678.000241/9824 Acórdão n.º 9303005.586 CSRFT3 Fl. 392 7 § 6º Caso haja redução no valor da restituição ou do ressarcimento pleiteado, a parcela do débito a ser quitado, na hipótese do § 4º, excedente ao valor do crédito que houver sido deferido, ficará sujeita à incidência de acréscimos legais. § 7º A utilização de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, para compensação, somente poderá ser efetuada após atendido o disposto no art. l7. § 8º A parcela do crédito, passível de restituição ou ressarcimento em espécie, que não for utilizada para a compensação de débitos, será devolvida ao contribuinte mediante emissão de ordem bancária na forma da Instrução Normativa Conjunta SRF/STN nº 117, de 1989. DISPOSIÇÕES GERAIS (...) Art. 17. A restituição, o ressarcimento ou a compensação de crédito decorrente de sentença judicial, transitada em julgado, somente poderá ser efetuada após prévia análise do pedido pela CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, que deverá se pronunciar quanto ao mérito, valor e prazo de prescrição ou decadência. "Art. 17. Para efeito de restituição, ressarcimento ou compensação de crédito decorrente de sentença judicial transitada em julgado, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou de ressarcimento uma cópia do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito e da respectiva sentença, determinando a restituição, o ressarcimento ou a compensação. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Parágrafo único. Para efeito do disposto neste artigo, o contribuinte deverá anexar ao pedido de restituição ou ressarcimento uma cópia da sentença e do inteiro teor do processo judicial a que se referir o crédito. § 1° No caso de título judicial em fase de execução, a restituição, o ressarcimento ou a compensação somente poderão ser efetuados se o contribuinte comprovar junto à unidade da SRF a desistência, perante o Fl. 392DF CARF MF Processo nº 13678.000241/9824 Acórdão n.º 9303005.586 CSRFT3 Fl. 393 8 Poder Judiciário, da execução do título judicial e assumir todas as custas do processo, inclusive os honorários advocatícios. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) § 2° Não poderão ser objeto de pedido de restituição, ressarcimento ou compensação os créditos decorrentes de títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório."; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 73, de 15 de setembro de 1997) Ademais, cumpre ressalta que, posteriormente foi publicada a Instrução Normativa – IN SRF nº 210, de 30/09/2002, que, em seu art. 37, estabelecia que somente era vedado a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. A conferir: DISCUSSÃO JUDICIAL DO CRÉDITO Art. 37. É vedada a restituição, o ressarcimento e a compensação de crédito do sujeito passivo para com a Fazenda Nacional, objeto de discussão judicial, antes do trânsito em julgado da decisão em que for reconhecido o direito creditório do sujeito passivo. § 1º A autoridade da SRF competente para dar cumprimento à decisão judicial de que trata o caput poderá requerer ao sujeito passivo, como condição para a efetivação da restituição, do ressarcimento ou da compensação, que lhe seja encaminhada cópia do inteiro teor da decisão judicial em que seu direito creditório foi reconhecido. § 2º Na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção Fl. 393DF CARF MF Processo nº 13678.000241/9824 Acórdão n.º 9303005.586 CSRFT3 Fl. 394 9 de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. § 3º Não poderão ser objeto de restituição ou de ressarcimento os créditos relativos a títulos judiciais já executados perante o Poder Judiciário, com ou sem emissão de precatório. § 4º A compensação de créditos reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado com débitos do sujeito passivo relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF darseá na forma disposta nesta Instrução Normativa, caso a decisão judicial não disponha sobre a compensação dos créditos do sujeito passivo. Ressaltese, ainda, que a Lei nº 10.833, de 2003, introduziu, na Lei nº 9.430, de 1996, dispositivo legal atribuindo à Secretaria da Receita Federal a competência para estabelecer a disciplina da compensação de valores repetidos ou ressarcidos, inclusive com origem em decisões judiciais com trânsito em julgado. Vejam: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 14. A Secretaria da Receita Federal – SRF disciplinará o disposto neste artigo, podendo, para fins de apreciação dos pedidos de restituição e de ressarcimento, fixar critérios de prioridade, em função do valor compensado ou a ser restituído ou ressarcido e dos prazos de Fl. 394DF CARF MF Processo nº 13678.000241/9824 Acórdão n.º 9303005.586 CSRFT3 Fl. 395 10 prescrição. (Redação então dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Por fim, ressalto ainda, que as modalidades de compensação e restituição de tributos federais então vigentes, denominadas de compensação a pedido (ou compensação por requerimento) e de compensação escritural (ou autocompensação escritural), encontravamse previstas, respectivamente, no art. 74 da Lei 9.430/1996, na sua redação original, e no art. 66 da Lei 8.383/1991. Essas duas modalidades de compensação existiram até 30/9/2002. A partir de 1/10/2002, entrou em vigor uma nova sistemática de compensação de tributos federais, denominada de compensação declarada. Esta nova modalidade de compensação, que substituiu as duas modalidades de compensação anteriores, foi introduzida no direito positivo por meio da Medida Provisória 66/2002, convertida na Lei 10.637/2002, que de nova redação ao art. 74 da Lei 9.430/1996. Em conformidade com o novo regramento legal, a partir de 1/10/2002, a regulamentação do novo regime de compensação foi determinada pela Instrução Normativa SRF 210/2002, que revogou a Instrução Normativa 21/1997, que tratava da regulamento dos regimes anteriores de compensação. Após sucessivas edições, atualmente, o assunto encontra se regulamentado na Instrução Normativa 1.300/2012. Desta maneira, na hipótese de ação de repetição de indébito, a restituição, o ressarcimento e a compensação somente poderão ser efetuados se o requerente cumprir as exigências fixadas nas normas da Receita Federal que disciplinam a matéria, dentre os quais está o pedido ao órgão preparador. E essas exigências eram justificáveis e necessárias, posto que, de posse do título judicial, o autor da ação, sabidamente, dispõe de duas opções, isto é, ou executálo perante o Poder Judiciário, ou ingressar com um pedido de restituição, ressarcimento ou compensação perante à unidade da RFB. Neste sentido, o entendimento exarado na Súmula STJ nº 461, que tem o seguinte teor, in verbis: “O contribuinte pode optar por receber, por meio de precatório ou por Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13678.000241/9824 Acórdão n.º 9303005.586 CSRFT3 Fl. 396 11 compensação, o indébito tributário certificado por sentença declaratória transitada em julgado.” Analisando os autos, não restam dúvidas acerca da higidez do saldo credor pleiteado, pois de acordo com o despacho decisório da repartição de origem (fls. 208 a 209), os cálculos efetuados nos termos da decisão judicial demonstravam a efetiva existência do crédito, crédito esse suficiente à homologação da compensação declarada, restando saldos não compensados cuja restituição restou indeferida. Assim, independentemente da disciplina da referida instrução normativa, ao contribuinte encontrasse assegurado pela legislação tributária o direito a requerer administrativamente a repetição do indébito, relativa a crédito líquido e certo, ainda que, reconhecido em decisão judicial restrita à compensação. Enfatizase, novamente, que até 30/9/2002, a compensação tributária de crédito reconhecido por decisão judicial com trânsito em julgado somente poderia ser realizada nos termos e segundo os requisitos estabelecidos na multicitada Instrução Normativa SRF 21/1997. Diante do exposto nego provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 396DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.002565/2010-30
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 14 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jan 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado a divergência dos resultados alcançados para situações similares e prequestionamento das matérias recorridas.
Numero da decisão: 9202-006.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrentes FAZENDA NACIONAL EISENMANN DO BRASIL EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado a divergência dos resultados alcançados para situações similares e prequestionamento das matérias recorridas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 25 65 /2 01 0- 30 Fl. 366DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração AI, DEBCAD nº 37.046.478 8, à efl. 02, no qual foram constituídos créditos referentes a contribuições a cargo da empresa, parte patronal, destinadas à Seguridade Social. O crédito lançado tem como fatos geradores das contribuições as parcelas de remunerações pagas aos segurados, não informadas em GFIP, em face de a empresa ter custeado vale alimentação aos seus trabalhadores sem a devida obediência à legislação. A empresa, mesmo intimada, não apresentou documento comprobatório de sua inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 21/08/2010 (efl. 70) e constituiu créditos, para as competências de 01/2005 a 12/2005, com multa e juros no valor de R$ 103.641,14, consolidados em 12/08/2010, e tem seu relatório fiscal de infração posto às e fls. 48 a 52. Ao presente processo foram apensados os de números: 19515.002564/2010 95, 19515.002566/201084, e 19515.002567/201029, conforme informado nos termos de apensação às efls. 135, 136 e 137, respectivamente, emitidos em 20/12/2011 . O auto de infração foi impugnado, às efls. 75 a 89, em 21/09/2010. Já a 14ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 1636.236, prolatado em 23/02/2012, às efls. 154 a 168, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 22/10/2012, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 178 a 192, argumentando, em apertada síntese: · a decadência que teria alcançado os fatos geradores de janeiro a agosto de 2005, em face ao preconizado no art. 150, § 4º do CTN; Fl. 367DF CARF MF Processo nº 19515.002565/201030 Acórdão n.º 9202006.323 CSRFT2 Fl. 367 3 · ela estaria em consonância com o Programa de Alimentação do Trabalhador PAT e por isso não seria obrigada a incluir o auxílio alimentação na base de cálculo das contribuições previdenciárias; · há posicionamento judicial contrário ao entendimento do fisco de que o auxílioalimentação in natura sofra incidência das contribuições sociais; · é também descabida a aplicação do Parecer PGFN nº 2.117/2011 ao caso, pois editado posteriormente aos fatos que são objeto do auto de infração; e · doutrinadores afirmam que benefícios aos trabalhadores que não correspondam a contraprestações sinalagmáticas entre eles e as empresas não representam remuneração. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 14/08/2013, resultando no acórdão nº 2302002.666, às efls. 200 a 236, que tem as seguintes ementas: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 150, § 4°, DO CTN. Se a definição legal do fato gerador da contribuição previdenciária da empresa apóiase na totalidade da remuneração no decorrer do mês (art. 22, I, II e III, da Lei n° 8.212/1991), consequentemente, todo e qualquer pagamento acaba por se referir à totalidade no mês, e não àquela rubrica ou levantamento específico. Assim, havendo alguma antecipação de pagamento, atraise, para toda aquela competência, para todo aquele fato gerador, a aplicação do parágrafo 4º, do art. 150 do CTN, independentemente da rubrica ou levantamento a que se refira, desde que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação. Precedentes da Câmara Superior de Recursos Fiscais. ALIMENTAÇÃO. PARCELA FORNECIDA NA FORMA DE VALE/CARTÕES ALIMENTAÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Os valores despendidos pelo empregador na forma de vale/cartões alimentação fornecidos ao trabalhador integram o conceito de remuneração, na forma de benefícios, compondo assim o Salário de Contribuição dos segurados favorecidos, para os específicos fins de incidência de contribuições previdenciárias, eis que não encampadas expressamente nas hipóteses de não incidência tributária elencadas numerus clausus no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. Fl. 368DF CARF MF 4 As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em dar provimento parcial à preliminar de decadência para afastar do lançamento as competências até 07/2005, em vista da homologação tácita do artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional, vencido o Conselheiro Relator que entendeu aplicarse o artigo 173, I, do Código Tributário Nacional. Designado para fazer o voto divergente vencedor o Conselheiro André Luís Mársico Lombardi. No mérito, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, devendo a multa aplicada ser calculada considerando as disposições do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, para o período anterior à entrada em vigor da Medida Provisória nº 449/2008, ou seja, até a competência 11/2008, inclusive. Vencidos na votação os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes, por entenderem que a multa aplicada deve ser limitada ao percentual de 20% em decorrência das disposições introduzidas pela MP nº 449/2008 (art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação da MP nº 449/2008 c/c art. 61, da Lei nº 9.430/96). Também no mérito, por voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário quanto à verba paga a título de alimentação fornecida em vales/cartão, por integrar o salário de contribuição, vencidos os Conselheiros Leo Meirelles do Amaral, Fábio Pallaretti Calcini e Leonardo Henrique Pires Lopes. RE da Fazenda A Procuradoria da Fazenda foi intimada do acórdão nº 2302002.666 em 14/11/2013 (efl. 238) e interpôs recurso especial de divergência, em 11/12/2013, às efls. 239 a 250. Em seu recurso, aponta entendimento expresso em acórdãos paradigmas de números: 2401002.453 e 920202.086, que vão de encontro ao recorrido no tocante à aplicação da retroatividade benigna às multas lançadas. Fl. 369DF CARF MF Processo nº 19515.002565/201030 Acórdão n.º 9202006.323 CSRFT2 Fl. 368 5 Nos acórdãos paradigmas, de números: 2401002.453 e 920202.086, tratou se a matéria com o seguinte entendimento (efl. 245) : ...em hipóteses como a dos presentes autos em que houve lançamento de ofício da obrigação principal, bem como lançamento da obrigação acessória, devese efetuar o seguinte cálculo: somar as multas da sistemática antiga (art. 35, II e art. 32 da norma revogada) e comparar o resultado dessa operação com a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e que remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (75%). Já o Colegiado a quo, no acórdão recorrido sustenta ser desnecessária a soma da multa da obrigação principal com a multa da obrigação acessória para efeitos de comparação com o que dispõe o art. 35A da Lei nº 8.212/1991. De acordo com aquela Turma, a comparação deve ser feita separadamente. Primeiro, entre a multa por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, da norma revogada, com o novo art. 32A da Lei nº 8.212/91. Depois, entre a multa por descumprimento de obrigação principal prevista no art. 35, revogado, com o novo art. 35 na Lei n. 8212/91. Portanto, para o acórdão recorrido o art. 35A deveria ser sempre ignorado na comparação entre as multas. Por fim, requer que seja conhecido e provido o seu recurso especial para reforma do acórdão recorrido a fim de que prevaleça a forma de cálculo utilizada pela autoridade fiscal para aferição da multa mais benéfica ao contribuinte, em conformidade com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 1.027/2010. O RE da Procuradora foi apreciado pelo Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 254 a 258, datado de 31/05/2016, entendendo por lhe dar seguimento, ao vislumbrar similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma e o recurso cumprir os demais requisitos regimentais. Contrarrazões da contribuinte Houve encaminhamento de intimação (efl. 261) do acórdão nº 2302 002.666, do recurso especial de divergência da Fazenda e do seu despacho de admissibilidade, da qual a contribuinte teve ciência em 01/11/2016 (efl. 263). Em 09/11/2016, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial de divergência da Procuradoria, às efls. 266 a 272. Afirma que a aplicação de penalidades deve ser mantida conforme o recorrido, pela aplicação do princípio tempus regit actus, limitandose a multa a 75%, resultando essa a situação menos gravosa à contribuinte à luz do art. 106, inc. II, "c", do CTN, com rechaço ao disposto na IN RFB nº 1.207/210. Finaliza requerendo o recebimento de suas contrarrazões e a manutenção do benefício retroativo da multa do acórdão do recurso voluntário. Fl. 370DF CARF MF 6 RE da contribuinte Em 09/11/2016, a contribuinte também interpôs recurso especial de divergência, às efls. 275 a 284. Em seu recurso especial o representante da empresa salienta, com preliminar, que se considere alcançado pela decadência o período de apuração de janeiro a agosto de 2005, com base no art. 150, § 4º, do CTN, e não apenas até julho daquele ano, como definido no acórdão recorrido, pois teriam ocorrido pagamentos antecipados a menor. Esgrime como paradigmas os acórdãos nº 10192.642 e nº 2201002.858. Quanto ao mérito, sobre a exigência de tributação dos pagamentos de auxílio alimentação, a contribuinte afirma que cumpria os requisitos para participação do PAT desde 2001 e fora recadastrada em 01/03/2004. Aponta a divergência de entendimentos com base no acórdão nº 2401003.361, que para situação similar a sua entendeu que se deveria deduzir do montante lançado a parcela de auxílio alimentação paga in natura. Conclui requerendo que seja conhecido seu recurso especial de divergência e que ele seja provido para tornar totalmente improcedente a exigência fiscal. O recurso especial de divergência da contribuinte foi apreciado por este Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 346 a 349, datado de 30/05/2017, entendendo por darlhe seguimento, tanto em relação à preliminar quanto em relação ao mérito. Contrarrazões da Procuradoria Cientificada do recurso especial de divergência da contribuinte em 01/06/2017, a procuradoria da Fazenda Nacional a ele apresentou contrarrazões, às efls. 351 a 363, em 15/06/2017. Em breve resumo, argumenta pela não admissibilidade do recurso, relativamente à decadência, haja vista inexistir divergência, por ao menos duas razões: a) o recorrido enfrentou a questão da decadência apenas em relação à obrigação principal, enquanto o paradigma nº 2201002.858 tratava de obrigação acessória; b) tanto o acórdão a quo quanto os paradigmas, entendiam pela aplicação do art. 150, § 4º às situações fáticas, não havendo se falar em soluções divergentes. Quanto à matéria de mérito, também afirma inexistência de divergência, o que se observaria pela leitura do próprio acórdão do paradigma nº 2401003.631, que afirmava não ser possível afastar a exação, mas na sua ementa admitia a natureza salarial do vale, repercutindo o que fora expresso no voto da relatora. Além disso, na eventualidade de ser apreciada a segunda matéria, há que se considerar que os valores fornecidos em forma de pecúnia, inclusive desconto em folha, vale refeição e ticket aos empregados a título de auxílioalimentação integram o saláriode contribuição, já que não se enquadram como prestação in natura. O decreto nº 5/1991, que regulamenta o programa, em seu art. 4º , não inclui o pagamento em pecúnia nas modalidades de fornecimento de alimentação, independentemente da empresa estar, ou não, inscrita no programa. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 19515.002565/201030 Acórdão n.º 9202006.323 CSRFT2 Fl. 369 7 Finaliza requerendo que não seja conhecido o recurso especial da contribuinte, em razão da ausência de pressupostos de admissibilidade e, caso contrário, que seja a ele negado provimento nas matérias em discussão. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Passo a analisar os recursos na ordem em que foram interpostos.. RE DA FAZENDA Conhecimento O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, e cumpre todos os requisitos para seu conhecimento. Mérito A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI Fl. 372DF CARF MF 8 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Fl. 373DF CARF MF Processo nº 19515.002565/201030 Acórdão n.º 9202006.323 CSRFT2 Fl. 370 9 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 374DF CARF MF 10 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 375DF CARF MF Processo nº 19515.002565/201030 Acórdão n.º 9202006.323 CSRFT2 Fl. 371 11 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Fl. 376DF CARF MF 12 Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 377DF CARF MF Processo nº 19515.002565/201030 Acórdão n.º 9202006.323 CSRFT2 Fl. 372 13 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, há que se aplicar a de retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009 e o que se observa na apuração da multa, às efls. 45 e 46, é que foi esse o critério adotado pela fiscalização no presente processo. Por essas razões, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradora, dandolhe provimento para reformar o acórdão a quo, retomando o critério utilizado no auto de infração. RE DA CONTRIBUINTE Conhecimento O recurso especial de divergência da contribuinte é tempestivo. A despeito de ter conhecido originariamente do recurso especial, em face dos argumentos da Procuradoria da Fazenda em contrarrazões, na análise agora realizada para prolação do acórdão, me vejo forçado a rever minha posição. Vejamos o porquê em cada matéria recorrida. a) Decadência De início cabe ressaltar que o paradigma nº 10192.642, trata de imposto de renda da pessoa jurídica, tributo distinto do que aqui se aprecia, contribuições sociais previdenciárias. Logo, a situação fática não pode ser considerada, de pronto, similar, ainda que a norma geral de decadência a ambos se aplique, porque a sistemática de apuração e recolhimento de cada tributo é diferente o que implica diferenças no cálculo dos prazos. Fl. 378DF CARF MF 14 Observese, ainda, que a legislação aplicada, seja pelo acórdão a quo, seja pelos paradigmas, é a mesma, o §4º do art. 150 do CTN. Isso enseja convergência na aplicação da legislação ao invés de divergência. O acórdão paradigma de nº 2201002.858, invoca a aplicação da mesma regra decadencial, tanto para o auto de infração de obrigação acessória, que era o caso lá enfrentado, quanto para o de obrigação principal, mas jamais foi essa a discussão no acórdão recorrido; nele apenas se discute se houve recolhimentos que pudessem ser homologados, independentemente do levantamento a que se refira. Além disso, o lançamento em testilha é de obrigação principal, para o qual o acórdão recorrido entendeu deverse aplicar o § 4º do art. 150 do CTN, não havendo como buscar espeque para divergência em acórdão que enfrenta lançamento de obrigação acessória que também aplicou a mesma norma no tocante à decadência. Na verdade, a contribuinte quer ver a decadência alcançar também o mês de agosto de 2005 na contagem que se fizesse com base no art. 150, § 4º, do Código, pois o acórdão a quo concluiu por atingir apenas o período de janeiro a julho daquele ano. Para que houvesse possibilidade de apreciação dessa matéria, haveria a contribuinte, ao menos, que manejar embargos de declaração no qual questionasse por que a contagem a partir da mesma norma decadencial deixou de excluir um mês (agosto/2005) dos períodos sujeitos à autuação. Se viu erro na contagem deveria indicálo claramente, questionandoo, e não buscar divergência onde não havia. Por isso, revejo minha posição e voto por não conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte nessa matéria. b) Exclusão do vale alimentação. Analisandose os acórdãos em confronto, verificase, na verdade, que tanto o paradigma quanto o recorrido entendem que em casos de parcelas pagas in natura, tais pagamentos podem ser excluídos do salário de contribuição, mesmo sem a inscrição da empresa empregadora no PAT, com base em julgados reiterados do STJ e no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2117/2011. Na visão da recorrente, a divergência se estabeleceria porque, no presente caso, o acórdão recorrido adota o entendimento de que em havendo parcelas pagas que não sejam relativas ao fornecimento de alimentação pronta para consumo ao empregado não se trata de pagamento in natura. Já o paradigma admite que outras formas de pagamento, que não sejam em espécie, realizadas por empresa inscrita no PAT, se enquadrem no critério que leva à sua exclusão do salário de contribuição. Todavia, o relatório fiscal do auto de infração informa, à efl. 49, pagamento em pecúnia: A verificação da conta 3.5.01.01.012, nos balancetes de 01 a 12 do ano de 2005, constatou pagamentos a segurados empregados a titulo de Vale Refeição, bem como o respectivo desconto na folha de pagamento a mesmo titulo. (Negritei.) Ou seja, se está tratando de pagamentos em pecúnia. e tal fato já fora ressaltado no acórdão da DRJ, no item 8.2, à efl. 163: Fl. 379DF CARF MF Processo nº 19515.002565/201030 Acórdão n.º 9202006.323 CSRFT2 Fl. 373 15 Os pagamentos foram efetuados aos segurados empregados a titulo de Vale Refeição, com desconto na folha de pagamento a mesmo titulo, valor do desconto como definido e ajustado em Convenção Coletiva da categoria, ou seja, restou caracterizado o pagamento em pecúnia do salário utilidade alimentação, que integra a base de cálculo de Contribuição Previdenciária. Já no acórdão paradigma, temse informado no relatório (efl. 315): ...a empresa, no lugar de fornecer a alimentação nas modalidades previstas no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. instituído pela lei n° 6.321, de 14 de abril de 1976, fornece para alguns empregados o salário utilidade/alimentação em pecúnia, creditado como proventos em seus contracheques. Apesar de regularmente inscrita no PAT durante o período fiscalizado, o pagamento em espécie do salário utilidade/alimentação, modalidade que não está prevista para o cumprimento do Programa, faz com que esse beneficio seja considerado basedecálculo para fins da contribuição previdenciária. Adicionalmente, cumpre referir que, no acórdão recorrido não foi sequer enfrentado o fato de a contribuinte, estar ou não, inscrita no PAT. Assim, quando vemos a decisão final, não há verdadeira divergência entre os acórdãos cotejados. Como pontos em comum, quanto à situação fática no recorrido e no paradigma, temos pagamentos em pecúnia. Já o critério jurídico utilizado em ambos é o de inclusão desses pagamentos no salários de contribuição. Como pontos distintos, temos que no paradigma de pronto se admite a inscrição da empregadora no PAT, enquanto no acórdão recorrido tal informação não é apreciada, pois o simples fato de o pagamento ser desconsiderado como in natura, foi suficiente para que o relator entendesse que sobre ele incidiria a tributação de contribuição social. Todavia, ainda que no acórdão a quo se admitisse a inscrição da contribuinte no PAT, nada teria mudado, tornando ainda mais similares os entendimentos quanto à motivação para a tributação dos valores pagos. Apesar de os acórdãos revelarem distintos entendimentos jurídicos em alguns pontos, essas distinções não permitiram que houvesse divergência entre eles; decidiram no mesmo sentido em frente de pagamentos da mesma natureza. Logo, não há divergência quando paradigma e recorrido são consonantes quanto à possibilidade de tributar como parcela do salário de contribuição os valores pagos a título de alimentação quando esses não se qualificam como in natura, ainda que se admita a possibilidade teórica de discussão do que seria o pagamento in natura. Por outra banda, o argumento trazido pela contribuinte no tocante à comprovação de sua inscrição no PAT não poderia ser apreciado, tendo em vista que não foi enfrentado no acórdão recorrido, carecendo de prequestionamento, ou de embargos que levantassem essa omissão. Além disso, como já ficou claro, nada garante que isso afetaria o decidido. Fl. 380DF CARF MF 16 Finalizando, resumidamente, para que houvesse divergência comprovada, apta ao conhecimento do recurso especial da contribuinte, teria sido necessário: (1) embargar a decisão recorrida, para trazer à discussão a questão relativa à inscrição no PAT, como suficiente, ou não, para afastar a tributação dos valores pagos em pecúnia, através de ticket, para fins de prequestionamento, e (2) apresentar, a título de acórdão paradigma, uma decisão que tivesse entendido pela não tributação de pagamento de auxílio alimentação em pecúnia, realizado através de ticket por empresa inscrita no PAT. Como nada disso ocorreu, entendo não haver divergência a ser apreciada por esta Câmara Superior de Recursos Fiscais. CONCLUSÃO Com base no exposto, voto por: a) conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional, para darlhe provimento e reformar o acórdão a quo, devendo a DRF de jurisdição da contribuinte seguir as disposições da Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009, no momento da cobrança dos débitos ; e b) não conhecer do recurso da contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 381DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.003252/2010-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO.
Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade.
DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1001-000.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
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ATRASO NA ENTREGA DA DCTF Recorrente COMÉRCIO DE METAIS LINENSE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. DCTF. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF n. 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 32 52 /2 01 0- 17 Fl. 56DF CARF MF Processo nº 11610.003252/201017 Acórdão n.º 1001000.003 S1C0T1 Fl. 57 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Campo Grande (MS), mediante o Acórdão nº 0429.904, de 11/08/2016 (efls. 30/33), objetivando a reforma do referido julgado. O crédito tributário lançado se refere à exigência de multa por atraso na entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao mês de abril de 2006, conforme Notificação de Lançamento (efl. 24). Em homenagem à economia processual, adotarei parte do Relatório constante no referido Acórdão de primeira instância, pelo que peço vênia para transcrevêlo: A impugnante arguiu a ilegalidade da DCTF e da imposição da multa, porquanto instituídas por ato administrativo, expedido pela Receita Federal. Sustentou que as obrigações acessórias, em atenção ao princípio da legalidade, devem ser necessariamente instituídas por lei. Ademais, quanto à multa, alegou no caso concreto os efeitos da denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional – CTN. Ao final, pediu o cancelamento do auto de infração. A DRJ analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2006 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. LEGALIDADE. ATO ADMINISTRATIVO. Em se tratando de obrigação tributária acessória, a lei estabelece as linhas gerais, cabendo ao ato administrativo especificar conteúdo, forma e periodicidade. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. MULTA POR ATRASO NO CUMPRIMENTO. EFEITOS DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Ciente da decisão de primeira instância em 28/05/2015, conforme Aviso de Recebimento à efl. 41, a recorrente apresentou recurso voluntário em 26/06/2015, conforme carimbo de recepção à efl. 44. No recurso interposto (efls. 44/51), a recorrente reitera os argumentos trazidos em sede de impugnação. É o Relatório. Fl. 57DF CARF MF Processo nº 11610.003252/201017 Acórdão n.º 1001000.003 S1C0T1 Fl. 58 3 Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Observo, inicialmente, que não há discussão quanto ao atraso ter efetivamente ocorrido. De igual modo, não há qualquer contestação quanto ao cálculo do valor da multa exigida. Os argumentos da recorrente, a exemplo do que ocorreu em primeira instância, se baseiam na denúncia espontânea, por ter entregue a declaração antes de qualquer procedimento fiscal e nas ilegalidades da instituição da entrega da DCTF e da multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto, a seguir, do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, em cumprimento aos ditames do §1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999: O fato que deu ensejo à aplicação da multa ora impugnada foi o atraso na entrega da DCTF. Não resignada, a impugnante alegou ofensa ao princípio da legalidade e invocou também os efeitos da denúncia espontânea. Não procede a alegação de ofensa ao princípio da legalidade, pois, em se tratando de obrigação tributária acessória, à lei cabe definir genericamente a obrigação, deixando ao ato administrativo o detalhamento da conduta a ser exigida do contribuinte. Vale dizer, a lei estabelece a obrigação de prestar informações à Fazenda, enquanto o ato administrativo especifica o conteúdo, a forma e a periodicidade. Nesse sentido decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça – STJ, como se vê da ementa abaixo transcrita: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. MULTA. ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. A instrução normativa 73/96 estabelece apenas os regramentos administrativos para a apresentação das DCTF's, revelandose perfeitamente legítima a exigibilidade da obrigação acessória, não havendo que se falar em violação ao princípio da legalidade. 2. Embargos de declaração acolhidos. (EDcl no AgRg no Resp nº 507.467, DJ 09/12/2003) Do voto condutor da decisão, proferido pelo Ministro Luiz Fux, colhese o seguinte trecho: Deveras, a questão a ser debatida consiste em saber se subsiste respaldo legal para a edição da obrigação de entrega de Declaração de Contribuições Federais e da aplicação da penalidade imposta decorrente do atraso na entrega da DCTF. Entende o embargante ser descabida a multa, porquanto a Instrução Normativa 73 de 18/12/96 não poderia ter instituído a Fl. 58DF CARF MF Processo nº 11610.003252/201017 Acórdão n.º 1001000.003 S1C0T1 Fl. 59 4 penalidade, uma vez que se trata de matéria reservada à lei, consoante dispõe o art. 97, V do CTN. A exigibilidade de multa pelo atraso na entrega das informações imposta pelo Regulamento do Imposto de Renda de 1980, decorre do Decreto nº 1.968/82 que, em seu art. 11, assim preceitua: "Art. 11 A pessoa física ou física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. §1º (...) §2º Será aplicada multa em valor equivalente ao de uma ORTN para(..) §3º Apresentada a informação fora do prazo e antes de qualquer procedimento exofficio, ou se, após a intimação, for apresentada no prazo nela fixado, a multa prevista no parágrafo anterior será reduzida a metade" Posteriormente, o dispositivo acima restou alterado pelo Decretolei nº 2.065/83, que assim assentou: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. §1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. §2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. §3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (grifo nosso) Destarte, forçoso concluir que a instrução normativa 73/96 (fl.42) estabelece apenas os regramentos administrativos para a apresentação das DCTF's, revelandose perfeitamente legítima a exigibilidade da obrigação acessória, não havendo que se falar em violação do princípio da legalidade. Isto posto, acolho os embargos para sanar a omissão apontada. Inexiste, por outro lado, ofensa à legalidade no que tange à multa, uma vez que há previsão expressa no art. 7º da Lei nº 10.426/2002 tanto da DCTF, quanto da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória. No que tange à ultima alegação, é pacífico no âmbito do Superior Tribunal de Justiça o entendimento segundo o qual os efeitos da denúncia espontânea não se aplicam às chamadas obrigações acessórias, conforme se percebe pelo teor da ementa abaixo reproduzida. Fl. 59DF CARF MF Processo nº 11610.003252/201017 Acórdão n.º 1001000.003 S1C0T1 Fl. 60 5 TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no AREsp 11340 / SC 2011/01079325, Segunda Turma, Relator Ministro Castro Meira, julgado em 13/09/2011, Dje 27/09/2011) Quanto às ilegalidades levantadas pela recorrente, tanto da instituição, quanto da aplicação da multa pelo não cumprimento da obrigação acessória, reproduzo, a seguir, a base legal do lançamento, o referido artigo 7º da Lei nº 10.426, de 2002, que criou uma regra específica de sanção para o descumprimento da obrigação acessória relativa às declarações DIPJ, DCTF, DIRF e DACON: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3; [...] § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; [...] § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996; II R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. Por fim, em relação ao instituto da denúncia espontânea, tema que versa os autos, suscitado pela recorrente, é respaldado por entendimento sumulado do CARF: Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11610.003252/201017 Acórdão n.º 1001000.003 S1C0T1 Fl. 61 6 Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. A hipótese colocada, sem dúvida alguma, configura aquela a situação prevista na Súmula acima mencionada, desta forma, diante da especificidade da Súmula CARF nº. 49 e conforme Regimento Interno deste Conselho, que prevê a obrigatória observância das Súmulas CARF pelos conselheiros, não havendo que se falar, portanto, em benefícios da denúncia espontânea. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 61DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000920/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Oct 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO.
Nos termos do art. 530 do RIR/99, o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS.
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. CHEQUES RECEBIDOS.
No regime de caixa, as receitas devem ser reconhecidas no momento em que forem efetivamente recebidas, ainda que por meio de cheque. E ainda que o cheque seja "pré-datado", sua natureza jurídica de ordem de pagamento A. vista não se altera, haja vista que o portador do cheque tem direito ao pagamento correspondente ainda que o apresente antes do dia indicado como data de emissão, nos termos do parágrafo único do art. 32 da Lei n2 7.357, de 2 de setembro de 1985.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
MULTA QUALIFICADA. RECEITAS DECLARADAS.
Nos meses em que houve a receita declarada, de se descaracterizar o dolo e a multa qualificada, reduzido-a para os patamares regulares de 75%.
DECADÊNCIA PARCIAL. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO UNO.
Considera-se que o lançamento é uno, não havendo como segregar as receitas de cada lançamento, de se manter os lançamentos do 1º e 2º trimestres de 2004 para IRPJ e CSLL e de janeiro a junho de 2004 para PIS e COFINS, não havendo o que falar em decadência parcial.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não .presentes arguições especificas ou elementos de prova novos.
Numero da decisão: 1301-002.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em: por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicar o coeficiente de arbitramento de lucros de 9,6% em relação à receita de revenda de mercadorias do primeiro trimestre de 2004. Por maioria de votos, reduzir a multa para o percentual de 75% em relação ao arbitramento de lucros aplicado sobre a receita bruta declarada. Vencida Conselheira Milene de Araújo Macedo que votou por manter a penalidade em 150%. A Conselheira Bianca Felicia Rothschild votou por dar provimento parcial em maior extensão para reconhecer a decadência de IRPJ e de CSLL do primeiro e do segundo trimestres do ano-calendário de 2004 e de PIS e de Cofins relativos aos meses de janeiro a junho do ano-calendário de 2004 em relação ao crédito tributário cuja penalidade foi reduzida para 75%.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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CABIMENTO. Nos termos do art. 530 do RIR/99, o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. CHEQUES RECEBIDOS. No regime de caixa, as receitas devem ser reconhecidas no momento em que forem efetivamente recebidas, ainda que por meio de cheque. E ainda que o cheque seja "prédatado", sua natureza jurídica de ordem de pagamento A. vista não se altera, haja vista que o portador do cheque tem direito ao pagamento correspondente ainda que o apresente antes do dia indicado como data de emissão, nos termos do parágrafo único do art. 32 da Lei n2 7.357, de 2 de setembro de 1985. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA QUALIFICADA. RECEITAS DECLARADAS. Nos meses em que houve a receita declarada, de se descaracterizar o dolo e a multa qualificada, reduzidoa para os patamares regulares de 75%. DECADÊNCIA PARCIAL. INOCORRÊNCIA. LANÇAMENTO UNO. Considerase que o lançamento é uno, não havendo como segregar as receitas de cada lançamento, de se manter os lançamentos do 1º e 2º trimestres de 2004 para IRPJ e CSLL e de janeiro a junho de 2004 para PIS e COFINS, não havendo o que falar em decadência parcial. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 09 20 /2 00 9- 04 Fl. 2768DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.769 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer na apreciação destes, desde que não .presentes arguições especificas ou elementos de prova novos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em: por unanimidade de votos dar provimento parcial ao recurso voluntário para aplicar o coeficiente de arbitramento de lucros de 9,6% em relação à receita de revenda de mercadorias do primeiro trimestre de 2004. Por maioria de votos, reduzir a multa para o percentual de 75% em relação ao arbitramento de lucros aplicado sobre a receita bruta declarada. Vencida Conselheira Milene de Araújo Macedo que votou por manter a penalidade em 150%. A Conselheira Bianca Felicia Rothschild votou por dar provimento parcial em maior extensão para reconhecer a decadência de IRPJ e de CSLL do primeiro e do segundo trimestres do anocalendário de 2004 e de PIS e de Cofins relativos aos meses de janeiro a junho do anocalendário de 2004 em relação ao crédito tributário cuja penalidade foi reduzida para 75%. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 2769DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.770 3 Relatório COMPEF COMERCIO DE PNEUS E FILTROS LTDA, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que, por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação, para manter em parte o crédito tributário exigido, bem como a responsabilidade solidária do Sr. Bruno César Heberle CPF 605.712.68900, conforme tabela abaixo: Do Lançamento A ação fiscal foi desencadeada a partir da "Operação OuroVerde" promovida pela Polícia Federal. No processo judicial nº 2006.72.00.0105098, da Vara Federal Criminal da Seção Judiciária de Santa Catarina, em representação da autoridade policial, foi autorizado o compartilhamento das informações obtidas nas buscas e apreensões entre o Departamento de Policia Federal e a Secretaria da Receita Federal do Brasil. A Decisão proferida pela Juíza Federal Substituta Ana Cristina Kramer (fls. 265/271), relata que a empresa fiscalizada, COMPEF COMÉRCIO DE PNEUS E FILTROS LTDA (COMPEF), integra organização criminosa envolvida na prática de câmbio clandestino, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Segundo o Termo de Verificação e Encerramento da Ação Fiscal, (fls. 87/154), e Relatório do acórdão recorrido, as razões de autuação foram: Dos procedimentos investigatórios realizados pela RFB no âmbito da "Operação OuroVerde" resultou o Relatório de Pesquisa e Investigação (RPI) que, sobre a empresa fiscalizada, discrimina as atividades ilícita (ao menos) em tese praticadas pela empresa. Seriam: a) evasão de divisas, com remessa de recursos ao exterior mediante operações dólarcabo; b) interposição fraudulenta na importação; c) contrabando/descaminho, tendo em vista o desvio da finalidade da importação de pneus usados que deveriam ser utilizados, segundo decisão judicial, apenas como matériaprima no Fl. 2770DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.771 4 processo de industrialização chamado remoldagem e que eram vendidos na mesma condição em que eram importados ao consumidor final; d) omissão de receitas com a prática de "Caixa 2"; e, por fim, e) formação de quadrilha, considerada as várias pessoas (físicas e jurídicas) que, tendo conhecimento ou razoável noção das irregularidades sendo levadas a cabo, participaram diretamente do esquema. Nesse contexto, foi identificada a ocorrência das seguintes infrações tributárias, nos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007: 1) Não escrituração da movimentação financeira realizada em nome da empresa ao longo de todo o período sob fiscalização; 2) Falta de declaração e recolhimento de IRPJ e CSLL no 1° Trimestre de 2007, constatada no procedimento fiscal de verificações preliminares; 3) Omissão de Receita caracterizada por depósitos em contas bancárias para os quais a contribuinte, regularmente intimada, não conseguiu comprovar a origem; 4) Omissão de Receita caracterizada por não contabilização de cheques recebidos, encontrados nas buscas e apreensões judiciais e pela não comprovação da origem, apesar da regular intimação; 5) Diferença do valor tributável do IRPJ referente à mudança do regime de tributação do que era antes realizada pelo contribuinte com base no Lucro Presumido para o regime do Lucro Arbitrado; 6) Reflexos da Omissão de Receita sobre os tributos que tem como base de cálculo a Receita Bruta (PIS, COFINS e CSLL). Foi arbitrado o lucro, com fulcro no art. 530, inciso II, alínea "a" do RIR/99 (escrituração com evidentes indícios de fraudes ou vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancaria); A multa de ofício foi qualificada (150%), por entender a autoridade autuante que nas infrações cometidas pela contribuinte, foram encontrados padrões de conduta tipificados no art. 71 da Lei n° 4.502/64 como sonegação. Foi relacionado como responsável tributário o sócioadministrador da fiscalizada Sr. Bruno César Heberle, com base no art. 124 do CTN, conforme Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 2517/2518. Foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins de fls. 07/86. A ciência para a COMPEF deuse por meio postal (“AR” fl. 2535), assim como para o responsável tributário (“AR” fl. 2537), em 01/07/2009. Da Impugnação O contribuinte e responsável foram cientificados dos lançamentos por meio postal (Fls. 2.535 e 2.537), apresentando impugnação às fls. 2.540/2.563. Fl. 2771DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.772 5 Em julgamento realizado em 09 de março de 2012, a 3ª Turma da DRJ/FNS, considerou improcedente em parte a impugnação da contribuinte e do sujeito passivo solidário e prolatou o acórdão 0727.698, que afastou da base de cálculo os valores de cheques que foram computados em duplicidade ou que não se referiam à atividade comercial da contribuinte. Assim como, não foi impugnada a responsabilidade tributária do Sr. Bruno César Haberle, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004, 2005, 2006, 2007 ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. Nos termos do art. 530 do RIR/99, o imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigada a contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, regularmente intimada, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. REGIME DE CAIXA. CHEQUES RECEBIDOS. No regime de caixa, as receitas devem ser reconhecidas no momento em que forem efetivamente recebidas, ainda que por meio de cheque. E ainda que o cheque seja "prédatado", sua natureza jurídica de ordem de pagamento A. vista não se altera, haja vista que o portador do cheque tem direito ao pagamento correspondente ainda que o apresente antes do dia indicado como data de emissão, nos termos do parágrafo único do art. 32 da Lei n2 7.357, de 2 de setembro de 1985. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. No caso dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, em se verificando as circunstâncias de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício financeiro seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Em razão da vinculação entre o lançamento principal e os decorrentes, devem as conclusões relativas àquele prevalecer n a. apreciação destes, desde que não .presentes arguições especificas ou elementos de prova novos. Impugnação Procedente em Parte Fl. 2772DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.773 6 Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão em 01/06/2012 (Fls. 2.666), a COMPEF interpôs Recurso Voluntário em 03/07/2012 (Fls. 2.668/2.704), alegando em síntese os seguintes aspectos: decadência dos tributos lançados por homologação; vício material na aplicação do coeficiente de arbitramento do lucro; ilegitimidade passiva da contribuinte (pessoa jurídica) em relação aos cheques encontrados no domicílio particular do sócioadministrador; aplicação de indevido arbitramento do lucro; incorreta apuração da omissão de receitas decorrente de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada; inexistência de omissão de receitas referente aos cheques apreendidos no estabelecimento da empresa e no domicílio dos sócios; inobservância do regime de caixa adotado pela pessoa jurídica; impossibilidade de cobrança de cheques ultrapassado o período de apresentação do título de crédito; apuração indevida da diferença de imposto regularmente recolhido durante o procedimento fiscal; inaplicabilidade da multa qualificada, em razão da inexistência de situação qualificadora e do lançamento amparado em presunções; afastamento dos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins, por seguirem o principal (IRPJ). Por meio de Resolução n. 1103000.150, de 27/08/2014, houve a conversão do julgamento em diligência para que fossem resolvidas questões prejudiciais para análise da decadência de alguns períodos, assim, solicitouse a verificação, para cada um dos fatos geradores compreendidos entre 01/12/2004 a 31/12/2007, se houve débito de CSLL, PIS e de Cofins: (1) pago espontaneamente ou (2) compensado ou (3) confessado em DCTF ou (4) parcelado. Os resultados deverão ser apresentados em relatório fiscal, com quadro demonstrativo detalhando se houve pagamento ou confissão de débito, para cada fato gerador, e com as telas de consulta dos sistemas internos da Receita Federal. Às fls. 2.758/2.759, 2.736/2.745, 2.746/2.754, está acostado o Relatório Fiscal, com os valores confessados em DCTF de CSLL, PIS e COFINS, bem como se tratou de pagamento com DARF, Compensação de pagamento Indevido ou a maior, conforme informações retiradas do Módulo FISCEL do sistema SIEF. Fl. 2773DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.774 7 Constatou, ainda, o relatório, que somente ficaram em aberto o valor de R$0,01 de CSLL para o 1º Trimestre de 2007 e de R$5,20 de PIS para Set/2007. Verificou, ainda, que não há parcelamentos em nome do contribuinte. Devidamente intimado, em 26/12/2014, às fls. 2.761, não apresentou nenhum aditamento ao Recurso Voluntário. Recebi, por sorteio, o presente auto em 18/05/2017. É o relatório. Fl. 2774DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.775 8 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. Cientificado da decisão em 01/06/2012 (sextafeira) (Fls. 2.666), interpôs Recurso Voluntário em 03/07/2012. O recurso da COMPEF, portanto é tempestivo, e reúne os pressupostos de admissibilidade, assim dele conheço e passo a analisar. O responsável solidário Sr. Bruno Haberle, devidamente intimado do lançamento, às fls. 2.491, não apresentou impugnação. Assim, quanto ao termo de sujeição passiva de se manter o lançamento. Conforme levantado previamente pelo Relator da Resolução, utilizome também dos seus entendimentos quanto à não localização da ciência da decisão de primeira instância do responsável tributário, Sr. Bruno César Haberle, sócioadministrador da empresa, em que pese ele não ter apresentado impugnação ainda que devidamente intimado do auto de infração. A própria impugnação e as razões do Recurso Voluntário são assinadas pelo próprio Sr. Bruno Haberle, e não contém quaisquer justificativas ou alegações relacionadas à sua responsabilidade tributária. E assim, ainda que em nome da pessoa jurídica, ele tomou ciência da decisão de primeira instância, ressaltese novamente, ainda que não tenha apresentado impugnação. Das Preliminares Da decadência Com relação à decadência será analisada ao final em razão da prévia análise necessária relativa à existência de dolo, fraude ou simulação. Do vício material na aplicação do coeficiente de arbitramento do lucro Alegou o recorrente que apesar de não ter alegado este fato em sede de impugnação, o faz agora, por se tratar de matéria de ordem pública, ou decorrer de disposição expressa em lei. Alega que no cálculo feito pela fiscalização referente ao 1º trimestre de 2004, em relação à atividade de Revenda de Mercadorias foi aplicado o coeficiente de 38,40% para o arbitramento, quando o correto seria 9,60%. Dessa forma, o valor autuado deveria ser reduzido para 30.401,82, ao invés dos R$121.607,28. Da análise deste item do auto e infração, às fls. 17, de fato há essa divergência apontada pelo recorrente conforme abaixo: Fl. 2775DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.776 9 Não entendo que seja caso de ordem pública como afirmado pelo recorrente, houve, em meu entendimento um lapso manifesto, e diante desse equívoco, de se corrigir o percentual para 9,60% no item revenda de mercadorias do primeiro trimestre de 2004. Da ilegitimidade passiva da contribuinte (pessoa jurídica) em relação aos cheques encontrados no domicílio particular do sócioadministrador; Alega a recorrente que figurou ilegitimamente no pólo passivo da obrigação tributária em relação à maior parcela da infração relativa à omissão de receitas decorrentes de cheques recebidos e não contabilizados. Sustenta que a Busca e Apreensão na sede da empresa e da residência do sócioadministrador levaram diversos cheques e dinheiro em espécie, e que aqueles apreendidos em sua residência já não mais se encontravam na esfera patrimonial da pessoa jurídica COMPEF, e sim ao patrimônio particular dos sócios, como lucros distribuídos. A decisão recorrida mantém o lançamento pois, com exceção de um único cheque no valor de R$54.000,00, os demais eram de propriedade da COMPEF, ou um dia havia sido. E a própria recorrente concorda com isso, entretanto, não consegue diferenciar o montante exato que era da pessoa jurídica e os montantes já distribuídos aos sócios. De fato, para ser distribuídos como lucros, antes as receitas deveriam ter sido tributadas, o que não aconteceu, segundo a fiscalização. Intimada a apresentar a comprovação da tributação, não logrou êxito em fazêlo na sua totalidade, com exceção do cheque de R$54.000,00, que foi fruto da venda de um veículo de propriedade da esposa do sócio administrador. Fl. 2776DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.777 10 Assim, tal alegação não merece prosperar, já que sem a devida comprovação de tributação como receita, antes de virar lucro distribuído. Do Mérito Da aplicação de indevido arbitramento do lucro; A autuação arbitrou o lucro da recorrente, nos termos do art. 530, II da Lei 9.430/96: Art. 530. 0 imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei n2 8.981, de 1995, art. 47, e Lei n2 9.430, de 1996, art. 1º): (...) II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou (...) Isso em razão de que a recorrente, optante pela apuração pelo Lucro Presumido deveria possuir a escrituração contábil nos termos legais ou manter o Livro Caixa, onde estivesse contida a escrituração de toda a movimentação financeira, inclusive a bancária. Em 2004, 2005 e 2007 a opção foi pela escrituração comercial, e no ano de 2006, a opção foi pela escrituração do Livro Caixa, de acordo com as DIPJs apresentadas. Intimada a apresentar a documentação fiscal, num primeiro momento apenas não apresentou o Livro Caixa. De análise da documentação e extratos bancários apresentados, a fiscalização concluiu que a "escrita da empresa omitia a quase totalidade de sua movimentação financeira e bancária". Produziu, inclusive um gráfico de Fluxos Contábeis, produzido pelo Sistema CONTÁGIL, onde as setas representam os grupos de lançamentos que partem de uma conta credora para uma devedora. E as contas relativas a Disponibilidades não tiveram fluxos contábeis importantes, apenas uma seta fina, no valor de R$51.147,66 a R$75.6427,68 no período fiscalizado. debitando e creditando uma conta Bancos contra a conta Caixa: Fl. 2777DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.778 11 Assim, diante da impossibilidade de se precisar o valor da receita bruta total da empresa, bem como em razão da grande disparidade dos valores ao se confrontar aqueles provenientes da contabilidade da empresa com os constantes nos extratos bancários, ela foi considerada inidônea. Conforme se verifica da tabela abaixo, a discrepância é enorme: Alega a recorrente 4 fundamentos para se afastar o arbitramento: a) ofensa ao disposto no art. 24, da Lei 9.249/95, que determina que a omissão de receita deve ser tributada no regime de tributação a que estava submetida a pessoa jurídica no anocalendário a que corresponder a omissão, no caso da recorrente lucro presumido; b) que hipótese prevista no art. 530, II, a da Lei 9.430/96 seria somente para os optantes do lucro real e ela tendo optado pelo lucro presumido não estaria a ela submetida; c) escrituração contábil continha a movimentação financeira das notas fiscais emitidas e que foram integralmente acatadas pela autoridade fiscal como origem para grande parte dos depósitos bancários; Fl. 2778DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.779 12 d) a escrituração contábil apresentada serviu de fundamento para o procedimento fiscal de verificações obrigatórias e também para lançamento de diferenças; Ora, da análise das argumentações trazidas, não merecem prevalecer. No que tange ao item a), a recorrente tem razão, desde que a contabilidade apresentada seja hábil e idônea, uma vez desconsideradas pela fiscalização, passa ela a ser arbitrada, nos moldes realizados. Ademais, conforme a opção feita pela Recorrente, para se calcular o lucro presumido, imprescindível a receita bruta, uma vez que a fiscalização verificou o descompasso no fluxo contábil dessas contas e não comprovadas pela recorrente, de se manter o arbitramento. Já quanto ao item b), a norma em que se baseou a fiscalização está correta, a alegação de que ela só é aplicável aos optantes do lucro real não possui sustentação legal. A fiscalização entendeu que a contabilização a tornava imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. Talvez a recorrente tenha se confundido com o item "b" do mesmo inciso, que aí sim seria no caso de se determinar o lucro real, o que de fato não é o caso em debate. Quanto aos demais itens, da mesma forma, o fato das notas fiscais apresentadas estarem corretamente escrituradas não é o cerne da questão aqui. O fato que a fiscalização trouxe e a recorrente não conseguiu comprovar a tributação está nas movimentações financeiras da empresa, que não estavam de alguma forma refletidas na contabilidade da empresa, tornandoas inábeis e imprestáveis, o que justifica o arbitramento. Não que se falar em aplicação de penalidade, já que prevista na lei a situação do caso concreto. Ademais também não cabe falar em falta de oportunidade para a comprovação como alega, poderia até ter apresentado em sede recursais, mas também não o fez. Outrossim, de se ressaltar novamente, que o lançamento foi pelo lucro arbitrado em todos os períodos, em que pese a argumentação da tribuna de que haveria lançamentos de diversas formas, trechos do auto de infração: Quanto às omissões de receitas: Da incorreta apuração da omissão de receitas decorrente de depósitos bancários cuja origem não restou comprovada; Fl. 2779DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.780 13 Baseiase o lançamento no art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente 6 época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, [..] Alega a recorrente que o artigo acima não deveria ser aplicado, uma vez que conseguiu comprovar parcialmente as receitas registradas, pugna, assim pela recomposição de todo o caixa e contraposição de toda a movimentação bancária de entradas e saídas. Ora, a presunção legal trazida pela norma citada torna legítima a exigência das informações bancárias e transfere o ônus da prova ao sujeito passivo, cabendo a este prestar os devidos esclarecimentos quanto aos valores movimentados. A própria recorrente alega e reconhece que as receitas não foram totalmente comprovadas, apenas parcialmente, e diante da norma, o ônus da prova é dela. O procedimento adotado pela Fiscalização considerou a documentação apresentada pela recorrente, e manteve apenas aquela que não foi comprovada: E assim, de se manter a omissão das receitas não comprovadas. Fl. 2780DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.781 14 Da inexistência de omissão de receitas referente aos cheques apreendidos no estabelecimento da empresa e no domicílio dos sócios; Sustentou a recorrente que a fiscalização não confrontou os valores dos cheques apreendidos com as recitas escrituradas e com os saldos do caixa, e de forma diversa, presumiu que a totalidade dos cheques provinha de omissão de receitas. No entanto, conforme se verifica do longo e minucioso Termo de Verificação Fiscal. de fls. 122, item 2.4: Ora, a recorrente foi intimada para que apresentasse a origem de cada cheque apreendido, solicitou mais dias e ao final apenas respondeu que não se tratavam de receitas novas e portanto não caberia a sua tributação de novo. Outro ponto importante constatado pelo TVF: Todas as receitas escrituradas e notas fiscais emitidas já estavam comprovadas pelo próprio recorrente, ou seja, faltavam receitas escrituradas!!! Ademais, o TVF descreve com detalhes o modus operandi adotado pela empresa na importação de pneus e demonstra como o fluxo dos recursos na atividade da empresa se encaixam os cheques apreendidos e além disso, compunham uma grande parte dos pagamentos efetuados a Fornecedores, pagamentos com cheques de terceiros que não eram escriturados na contabilidade da empresa. Boa parte dos cheques eram guardados nos cofres da empresa ou na residência dos sócios e conforme a necessidade eram depositados nas contas bancárias da própria empresa ou compunham pagamentos a terceiros. Ainda, comprova o TVF todo o esquema fraudulento que culminou com o subfaturamento da empresa, de forma reiterada. Fl. 2781DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.782 15 Assim, diante da não comprovação pelo recorrente da origem dos cheques apreendidos, e de tudo o que foi exposto, de se manter o lançamento fiscal. Da inobservância do regime de caixa adotado pela pessoa jurídica e da impossibilidade de cobrança de cheques ultrapassado o período de apresentação do título de crédito; Em síntese, a Contribuinte alega que: • em face de sua opção pelo regime de caixa, os cheques apreendidos somente poderiam ser considerados como parcela da receita bruta sujeita à tributação após o seu efetivo recebimento; • parte dos cheques se referia a operações não concluídas (adiantamentos de clientes); • diversos cheques já se encontravam fora do período de apresentação por ocasião de sua apreensão, por ausência de provisão de fundos ou de pedido de prorrogação dos clientes; • os cheques foram retidos pela Policia Federal em 30/03/2007 e restituídos somente em 15/08/2007, ocasião em que todos os títulos de crédito já tinha expirado o seu período de apresentação, nos termos do art. 33 da Lei n° 7.357/85; • a legislação tributária ordinária alberga a possibilidade de se excluir "da receita bruta os valores correspondentes às vendas canceladas ou devoluções de vendas; • as vendas que não puderam ser concretizadas pela paralisação das atividades da Impugnante, e também o não recebimento dos valores relativos ás operações já concluidas, não podem ser incluídas na receita bruta para fins de tributação; • o dispositivo contido no art. 9 2 da Lei n° 9.430/96 revela o firme propósito do legislador em não pretender tributar valores que não integraram ou desfalcaram o patrimônio da pessoa jurídica. Nesse item, acertada a decisão recorrida quando diz: No regime de Caixa, sabese que as receitas são reconhecidas somente no momento em que forem efetivamente recebidas. E, no âmbito das relações comerciais, as receitas são consideradas efetivamente recebidas quando o cliente efetua o pagamento e se libera de uma obrigação assumida. E não olvidemos que o cheque é um meio de pagamento. Fl. 2782DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.783 16 Nesse sentido, podese citar a lição de Fabio Ulhoa Coelho, em seu Curso de Direito Comercial1 : Cheque é ordem de pagamento a vista, emitida contra um banco, em razão de provisão que o emitente possui junto ao sacado, proveniente essa de contrato de depósito bancário ou de abertura de crédito. Para parte da doutrina comercialista, trata se de titulo de crédito impróprio, melhor definido como meio de pagamento, do que como instrumento de circulação creditícia. Portanto, o cheque é um meio de pagamento, e como tal, é um meio de extinção de obrigações. E essa conclusão é válida ainda que o emitente não disponha de fundos no momento da apresentação do cheque, pois, nesse caso, a obrigação original não é restabelecida, e ao portador basta a posse do cheque para demandar o emitente em procedimento especifico. Inclusive, nos termos do inciso I do art. 585 do Código de Processo Civil, o cheque é um titulo executivo extrajudicial. E ainda que o cheque seja "prédatado", sua natureza jurídica de ordem de pagamento à vista não se altera, haja vista que o portador do cheque tem direito ao pagamento correspondente ainda que o apresente antes do dia indicado como data de emissão, nos termos do parágrafo único do art. 32 da Lei n 2 7.357, de 2 de setembro de 1985: Art. 32 O cheque é pagável à vista. Considerase nãoestrita qualquer menção em contrário. Parágrafo único O cheque apresentado para pagamento antes do dia indicado como data de emissão é pagável no dia da apresentação. Portanto, de se concluir que, no regime de caixa, as receitas devem ser reconhecidas no momento em que forem efetivamente recebidas, ainda que por meio de cheque. Quanto As alegações de que (1) diversos cheques já se encontravam fora do período de apresentação por ocasião de sua apreensão; e (2) os cheques retidos pela Policia Federal foram restituídos no momento em que já tinha expirado o seu período de apresentação; de se dizer apenas que os valores deveriam ser oferecidos à tributação no momento do recebimento dos cheques, o que torna irrelevantes, para os efeitos da tributação, os eventos ocorridos no curso de sua cobrança. Quanto à alegação de que parte dos cheques se referia a adiantamentos de clientes em face de operações não concluídas, de se afirmar apenas que tal situação não foi comprovada pela Contribuinte. Quanto à alegação de que a legislação tributária alberga a possibilidade de se excluir da receita bruta os valores correspondentes As vendas canceladas ou devoluções de vendas, cumpre observar que os cheques apreendidos em poder da Impugnante e de seus sócios revelam que os clientes efetuaram pagamentos, e se assim o fizeram é de se esperar que as respectivas vendas tenham sido concretizadas. Novamente, se algum cheque se refere a vendas canceladas ou devolvidas, tal fato não foi comprovado pela Contribuinte. 1 COELHO, Fábio Ulhoa. Curso de Direito Comercial, volume 1. 6 ed. São Paulo: Saraiva, 2002. p.433. Fl. 2783DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.784 17 Por fim, quanto ao art. 9º da Lei n° 9.430, de 1996, dispositivo citado pela Impugnante, de se afirmar que o referido artigo trata de perdas no recebimento de créditos, o que não é o caso da Impugnante neste especifico ponto de sua petição, afinal, conforme há pouco consignado, com o recebimento dos cheques a obrigação original dos clientes é extinta. Da apuração indevida da diferença de imposto regularmente recolhido durante o procedimento fiscal; Diz a decisão recorrida: No curso do procedimento fiscal, no âmbito das verificações obrigatórias, a autoridade fiscal constatou que o valor do IRPJ referente ao 1º trimestre de 2007 escriturado na contabilidade da Contribuinte era superior ao valor declarado em DCTF. Após ser intimada a esclarecer o fato, a Contribuinte apresentou DCTF retificadora aumentando o valor do débito declarado a titulo de IRPJ do 1º trimestre de 2007, 3 e, efetuou o pagamento correspondente (pagamento em 06/03/2009 — fl. 1739). Considerando a falta de espontaneidade da Impugnante, a fiscalização lançou o valor correspondente à diferença apurada, nos seguintes termos (Tabela 3 — fl. 114): Registrese que o valor lançado a titulo de IRPJ do 1º trimestre de 2007, apurado no âmbito das verificações obrigatórias, foi acrescido de multa de oficio de 75%. A recorrente alega que a autoridade fiscal jamais poderia exigir novamente e integralmente o imposto efetivamente recolhido, aplicando adicionalmente a multa integral. Ora não merece prosperar o alegado pela recorrente. No momento que ela realizou o pagamento da diferença, não possuía mais a espontaneidade, visto que após o início do procedimento fiscal. Ademais, ela não está cobrando em duplicidade, e sim a diferença, sobre a qual recai a multa de ofício de 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96. Da mesma forma, que esse valor será alocado quando da cobrança do crédito tributário. Da aplicação da multa qualificada Nos termos do TVF: Fl. 2784DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.785 18 Conforme se verificou, a prática reiterada de conduta dolosa, no caso por diversos anoscalendários, bem como a significância dos valores, mais de R$10 milhões de diferença: Ademais, todo o artifício e modus operandi empregado pela empresa conforme descrito no TVF, escutas telefônicas e documentações apreendidas demonstram o esquema fraudulento que a empresa participava, com o intuito doloso de sonegação fiscal. Fl. 2785DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.786 19 Assim, o meu entendimento, inicialmente, foi no sentido de que a multa qualificada deveria ser mantida. No entanto, das discussões surgidas em sessão, entendeu a maioria, e decidimos que para aqueles meses em que houve a receita declarada de se afastar a qualificação da multa, já que o recorrente declarou uma parte de sua receita, não ficando patente o dolo nesses casos. Dessa forma, de se reduzir para 75% a multa qualificada nos meses em que houve a receita declarada. Da decadência parcial Alega o recorrente que o lançamento estaria fulminado pela decadência em relação aos fatos geradores de 01/01/2004 a 30/06/2004, no que tange ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, uma vez que a ciência do auto de infração se deu em 01/07/2009, (fls. 2535/2536 e 2537/2538) e nos termos do art. 150, §4º do CTN, em relação aos 1º e 2º trimestre de 2004 para IRPJ e CSLL e de Janeiro a Junho de 2004 para PIS e COFINS estariam decaídos. Em decorrência da aplicação da multa qualificada e sua manutenção, não cabe o argumento do recorrente de decadência parcial daqueles períodos. Dessa forma, diante da conduta dolosa da recorrente, aplicável o art. 173, I do CTN, e não o previsto no §4º do art. 150 do CTN, não havendo o que falar em decadência parcial daquelas competências. Nesse ponto, também, após discussões travadas em sessão, o entendimento que prevaleceu, foi no sentido de que em que pese o dolo não ter ficado patente em todos os meses, já que houve períodos com receita declarada, o que prevaleceu foi também de que o Fl. 2786DF CARF MF Processo nº 10925.000920/200904 Acórdão n.º 1301002.567 S1C3T1 Fl. 2.787 20 lançamento é uno, não tendo como se segregar das receitas lançadas e declaradas, assim, afastouse o argumento da recorrente de decadência parcial. Do afastamento dos lançamentos reflexos de CSLL, PIS e Cofins, por seguirem o principal (IRPJ). Em se mantendo o lançamento do IRPJ recorrido, da mesma forma os lançamentos reflexos de CSLL, PIS e COFINS. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para no mérito DAR PARCIAL PROVIMENTO, reduzindose o percentual aplicado para o lucro presumido no 1º trimestre de 2004 de 38,4% para 9,6%, bem como para reduzir a multa para o percentual de 75% em relação ao arbitramento de lucros aplicado sobre a receita bruta declarada. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 2787DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13739.000588/2002-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997
EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL
Constatada a inexatidão material, cabe o acolhimento dos embargos inominados para corrigir o erro.
LANÇAMENTO. DÉBITO CONFESSADO. CANCELAMENTO.
Deve ser cancelado o lançamento cujos débitos constituídos já se encontravam confessados em parcelamento, antes do lançamento.
Embargos Acolhidos.
Crédito Tributário Exonerado em Parte.
Numero da decisão: 3201-003.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos com efeitos infringentes.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Peraira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1997 EMBARGOS INOMINADOS. INEXATIDÃO MATERIAL Constatada a inexatidão material, cabe o acolhimento dos embargos inominados para corrigir o erro. LANÇAMENTO. DÉBITO CONFESSADO. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o lançamento cujos débitos constituídos já se encontravam confessados em parcelamento, antes do lançamento. Embargos Acolhidos. Crédito Tributário Exonerado em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Peraira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade.
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INEXATIDÃO MATERIAL Constatada a inexatidão material, cabe o acolhimento dos embargos inominados para corrigir o erro. LANÇAMENTO. DÉBITO CONFESSADO. CANCELAMENTO. Deve ser cancelado o lançamento cujos débitos constituídos já se encontravam confessados em parcelamento, antes do lançamento. Embargos Acolhidos. Crédito Tributário Exonerado em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos com efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Winderley Morais Peraira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisário e Leonardo Vinícius Toledo de Andrade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 05 88 /2 00 2- 99 Fl. 458DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração de Pis e Cofins, informados em DCTF como compensados com ação judicial, a qual não foi confirmada em auditoria eletrônica. A empresa impugnou o lançamento, informando que teria compensado os débitos de que se trata, com créditos de Pis reconhecidos em ação judicial. Acrescenta que a multa e os juros seriam indevidos por haver suspensão nos termos do art. 151,V1 do CTN. A DRJ/Rio de Janeiro I/RJ – 3ª Turma, por meio do acórdão 9.931, de 23/03/3006, decidiu pela improcedência da impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1997 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infraçãolavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração. MALHA DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento autoriza lançamento. Cabe ao contribuinte o ônus da prova de eventual compensação realizada. MULTA DE OFICIO. Não comprovada a suspensão da exigibilidade na forma dos incisos IV e V, do art. 151, do CTN, época do lançamento, é cabível exigência de multa de oficio. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1997 Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. Não está inquinado de nulidade o Auto de Infração lavrado por autoridade competente e em consonância com o que preceituam os artigos 142, do CTN, e 10 e 59, do PAF, especialmente se o 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; Fl. 459DF CARF MF Processo nº 13739.000588/200299 Acórdão n.º 3201003.237 S3C2T1 Fl. 459 3 sujeito passivo, em sua defesa, demonstra pleno conhecimento dos fatos que ensejaram a lavratura do Auto de Infração. MALHA DCTF. FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento autoriza lançamento. Cabe ao contribuinte o ônus da prova de eventual compensação realizada. MULTA DE OFÍCIO. Não comprovada a suspensão da exigibilidade na forma dos incisos IV e V, do art. 151, do CTN, à época do lançamento, é cabível exigência de multa de ofício. Lançamento Procedente A empresa então apresentou recurso voluntário, onde, desta vez, alega que os débitos de Cofins lançados já estavam parcelados no âmbito do Refis. Quanto ao Pis, reitera que os débitos teriam sido compensados com créditos do próprio Pis, no âmbito da ação ordinária 94.00230125 e medida cautelar 95.00403870. Reitera, também, o pedido para que sejam afastados a multa e os juros, porque entende que a exigibilidade estaria suspensa nos termos do art. 151,V do CTN. A Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, em 20/09/2007, decidiu converter o julgamento em diligência para que se verificassem as datas em que os débitos de Cofins foram parcelados. A DRF/Niterói/RJ informa, fl. 398, que todos os débitos de Cofins foram parcelados no Refis, e que foram consolidados no refinanciamento em 01/03/2000. Informa ainda que a empresa fora excluída do Refis em 10/12/2003. A empresa apresentou ainda os esclarecimentos que transcrevo: 1) A sua adesão ao parcelamento denominado REFIS I ocorreu em 4 de dezembro de 2000, sendo que tais débitos de COFINS (objeto deste PTA) foram consolidados (comprovante em anexo). Tais débitos de Cofins foram devidamente incluídos no REFIS I através da Declaração REFIS (Declaração de Recuperação Fiscal) entregue em 12 de fevereiro de 2001 (conforme cópia em anexo); 2) Posteriormente, estes débitos foram migrados para o parcelamento especial denominado PAES, em 22 de julho de 2003 e parcelamento especial denominado PAEX, em 15 de fevereiro de 2007; 3) Atualmente, tais débitos de COFINS foram consolidados no âmbito do REFIS IV (Lei 11.941/09), conforme anexo III apresentado em 16 de agosto de 2010 (cópia em anexo, e que tomou o nº de PTA 15553.001320/201088). Importante ressaltar que tal débito de COFINS foi consolidado com o número de PTA original, qual seja, 10730.450915/2001 Fl. 460DF CARF MF 4 61, o que pode ser confirmado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Em 27/05/2014 foi prolatado acórdão 3101001.649, que negou provimento ao recurso voluntário. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1997 Lançamento procedente Adesão a sucessivos parcelamentos. Recurso Voluntário Improvido Transcrevo também a íntegra do voto da Conselheira relatora, Valdete Aparecida Marinnheiro: O Recurso Voluntário já foi admitido como tempestivo e dele tomo conhecimento novamente, por conter todos os requisitos de admissibilidade. A diligência, no meu entendimento foi atendida pela Recorrente e confirmada só no que foi solicitado no voto de fls. 334. Do que consta dos autos e relatado o lançamento é procedente, o Recorrente desistiu de discutilo, conforme prova nos autos aderindo sucessivos parcelamentos. Isto Posto Nego Provimento ao Recurso Voluntário. Em 19/03/2015 a empresa peticiona para que seja reconhecida a duplicidade da cobrança quanto à Cofins, porque os débitos, conforme visto, estariam já em cobrança, no processo administrativo 10730.450915/200161. Tal petição foi recebida pelo presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção como embargos inominados, conforme despacho à fl. 455/456, para que fossem apreciados quanto a alegada duplicidade de cobrança, no presente processo e no processo 10730.450915/200161. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, relator. A duplicidade é clara, ao se compararem os débitos. Conforme consta inclusive do relatório de diligência (fl. 398), os débitos de Cofins (fl. 80) em foco já estavam em cobrança antes do lançamento (fl. 153). . Desse modo, considero como erro material do acórdão embargado o fato de tomar a confissão dos débitos parcelados como posterior ao lançamento, enquanto, de fato, era anterior. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 13739.000588/200299 Acórdão n.º 3201003.237 S3C2T1 Fl. 460 5 Portanto, não há como manter o lançamento de Cofins, devendose corrigir o acórdão embargado, nos termos do art. 322 do PAF – Decreto 70.235/72, para afastar o lançamento de Cofins. No caso do Pis, embora o acórdão embargado não tenha apreciado as alegações de compensação, o fato é não foi objeto de embargos, e portanto, resta definitivamente decidido nesta instância. Desse modo, voto por acolher os embargos inominados, com efeitos infringentes, para cancelar o Auto de Infração de Cofins do presente processo. Marcelo Giovani Vieira Relator 2 Art. 32. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. Fl. 462DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10675.903021/2009-46
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000
PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL.
As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543-B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-005.956
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. AÇÃO JUDICIAL. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO TRIÂNGULO S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. LEI 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO STF. REPERCUSSÃO GERAL. As decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, reconhecidas como de Repercussão Geral, sistemática prevista no artigo 543B do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte. Artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Declarado inconstitucional o § 1º do caput do artigo 3º da Lei 9.718/98, integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e da Contribuição para o PIS/Pasep o faturamento mensal, representado pela receita bruta advinda das atividades operacionais típicas da pessoa jurídica. Recurso Especial do Procurador Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Charles Mayer de Castro Souza, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Valcir Gassen e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 30 21 /2 00 9- 46 Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10675.903021/200946 Acórdão n.º 9303005.956 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional, com fundamento no art. 67, do anexo II, do antigo regimento interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, em face do Acórdão nº 3402001.716, de 24/04/2012, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2000 a 31/07/2000 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Para melhor contextualizar os fatos ocorridos, transcrevo parte do voto da decisão recorrida: "Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tãosomente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf RE n° 346 084PR Rel orig Min ILMAR GALVÃO; RE n° 357 950RS, RE n° 358.273RS e RE n° 390.840MG, Rel. MM. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF n° 408, p. 1).(grifo aqui) Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1°A do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados.Custas ex lege. Publiquese" Na decisão recorrida a Turma não incluiu as receitas financeiras decorrentes das operações bancárias na base de cálculo da contribuição. O provimento foi parcial apenas "devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário (...)". A Fazenda Nacional apresentou, tempestivamente, recurso especial apontando paradigma e demonstrando a divergência quanto à base de cálculo das contribuições Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10675.903021/200946 Acórdão n.º 9303005.956 CSRFT3 Fl. 4 3 das instituições financeiras. Em apertada síntese, defendeu o entendimento no sentido de que para as instituições financeiras as receitas decorrentes de prestação de serviços abrangem tanto as advindas da cobrança de taxas e tarifas quanto aquelas de intermediação financeira. Aduz que não pode se depreender da declaração de inconstitucionalidade do STF que o conceito de faturamento é restrito. Isso porque a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, não alterou, nesse particular, o critério definidor da base de incidência das contribuições como as receitas decorrentes das atividades empresariais típicas, e não somente a venda de mercadorias ou de serviços do contribuinte. Assim, por perfilar desse entendimento, afirma inexistir violação à coisa julgada formada nos autos da ação judicial proposta pelo contribuinte. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento. O contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões, pedindo que seja negado provimento ao recurso. Em resumo, defende que a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP deve se dar sobre o faturamento, assim entendido a receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviço, com a consequente exclusão das receitas financeiras decorrentes das operações bancárias. Assim, no seu entender, a receita de prestação de serviços, que configura o faturamento das instituições financeiras e seguradoras, englobaria apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelas instituições, sendo que as receitas da atividade financeira propriamente dita estariam fora do conceito de faturamento fixado pelo STF. Assevera ainda que adotar outro entendimento resultaria em ofensa direta à coisa julgada formada nos autos do Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782, que, na sua compreensão, teria determinado que a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP fosse calculada com base no faturamento, entendido como a receita da venda de mercadorias e a prestação de serviços. Ressaltese que, em suas contrarrazçoes, o contribuinte não contestou aspectos relativos ao conhecimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303005.944, de 28/11/2017, proferido no julgamento do processo 10675.720831/201001, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303005.944): Fl. 303DF CARF MF Processo nº 10675.903021/200946 Acórdão n.º 9303005.956 CSRFT3 Fl. 5 4 "(...) No mérito, discutese entendimento sobre o que vem a ser “receita” para as instituições do mercado financeiro. Como relatado, a Recorrente obteve decisão judicial (Mandado de Segurança 2000.38.03.0007782,) para calcular o PIS utilizando o conceito de faturamento, cujo significado corresponde a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. Esse entendimento ficou claro na fundamentação do voto constante da decisão judicial, conforme trechos acima transcritos no Relatório. Portanto, como se vê, a questão referese ao sentido a ser atribuído à expressão “o faturamento, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza”, especificamente para a compreensão do que se entende por “receita de serviços” para as instituições financeiras. Pois bem. No meu entender, a referida decisão judicial efetivamente não adentrou no mérito da discussão sobre o que deve ser entendido por receita de serviços para as instituições financeiras. Logo, não há que se falar em desrespeito a coisa julgada: a decisão judicial apenas afastou a aplicação do §1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/98, na esteira do que já restara assentado no Supremo Tribunal Federal, e definiu que a base de cálculo da contribuição deve ser o faturamento, “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. E mais nada! Contudo, resta ainda a discussão sobre a conceito de “faturamento” para fins de incidência do PIS e da Cofins para as instituições financeiras, ou seja, sobre o que deve ser entendido por “a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza” em relação às instituições financeiras. Como muito bem destacado no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9303002940, julgado em 03/06/2014, que tratou especificamente sobre a mesma matéria deste litígio, a controvérsia teve início na promoção do alargamento do conceito de faturamento para efeito de cálculo das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, introduzido pela Lei 9.718/98, que incluiu na base de cálculo toda e qualquer receita, independentemente de sua classificação contábil. O Supremo Tribunal Federal ao apreciar a matéria decidiu, em sistemática de Repercussão Geral, nos seguintes termos: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98.Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Decisão O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Fl. 304DF CARF MF Processo nº 10675.903021/200946 Acórdão n.º 9303005.956 CSRFT3 Fl. 6 5 Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. RE 585.235QO, Min. Cezar Peluso Portanto, tanto a decisão judicial obtida pelo contribuinte quanto o julgado do STF que reconheceu a repercussão geral para a matéria, apenas afastou a aplicação do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, mas não adentrou no alcance das receitas financeiras, nem tampouco ventilou a possibilidade de exclusão da receita bruta operacional do faturamento. Por outro lado, o Supremo Tribunal Federal já fixou o conceito de receita bruta como sendo não somente aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também à soma das receitas oriundas do exercício de atividades empresariais. Nesse sentido, vejamos o leading case RE 390.840/MG, onde o Ministro Cezar Peluzo delimita o conceito de faturamento nos seguintes termos: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação”. (negritei) No mesmo sentido, vejamos os trechos dos pronunciamentos dos Ministros Marco Aurélio, Carlos Brito, Cezar Peluzo e Sepúlveda Pertence sobre a matéria, trazidos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, na ocasião do julgamento do Pleno do STF dos Recursos Extraordinários nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR (leading cases): Min. Marco Aurélio (relator): Presidente, na condição de relator, permitame aos colegas escancarar a questão versada neste processo. Houve a edição da Lei 9.718/98, sob a égide da Carta da redação anterior a Emenda Constitucional nº. 20. O artigo 3º, cabeça, dessa lei preceituou algo que se mostrou consentâneo com o Diploma Maior: “art. 3º. O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde a receita bruta da pessoa jurídica.” O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na ADC nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. O SR. MINISTRO CARLOS BRITO – Receita operacional. O SR. MINISTRO MARCO AURELIO (RELATOR) – Operacional. (...)” Min. Carlos Brito: Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo DecretoLei 2397, de 1987, art. 22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Min. Veloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Fl. 305DF CARF MF Processo nº 10675.903021/200946 Acórdão n.º 9303005.956 CSRFT3 Fl. 7 6 “a) a receita bruta das vendas de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda; Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente aqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional. Min. Cezar Peluso: “Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgado proferido no RE 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que , a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Min. Sepúlveda Pertence: “(...) Lamentando não poder nada mais acrescentar a tudo que aqui foi dito hoje, acompanho o voto do Min. Cezar Peluso e, nos outros casos, o do Ministro Marco Aurélio.” Destarte, resta claro que o entendimento assentado no STF é de que faturamento não se restringe unicamente à venda de mercadorias e serviços, mas também às receitas decorrentes de outras atividades empresariais desempenhadas pelo sujeito passivo, como delimita objetivamente o Ministro Cezar Peluzo no RE 444.601ED: “O conceito de receita bruta sujeita à incidência da COFINS envolve, não só aquela decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, mas também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." Em conclusão, no meu entender, em consonância com a jurisprudência do STF, o faturamento das instituições financeiras deve compreender não apenas as receitas de prestação de serviços (taxas e tarifas), mas também as demais receitas decorrentes de outras atividades empresariais da recorrente. Pois bem. E quais são as atividades empresariais típicas de um banco? A clara delimitação de quais são as atividades empresariais da Recorrente pode ser extraída do seu próprio Estatuto Social (efls. 79/ss), onde consta: Artigo 2º O objeto social do BANCO TRIÂNGULO S.A. é a prática de operações ativas, passivas e acessórias, inerentes à carteira comercial, à carteira de crédito, financiamento e investimento e à carteira de investimentos, de acordo com as disposições legais e regulamentares em vigor. Percebese, portanto, que o rol de atividades indicadas no objeto social da Recorrente (operações ativas e passivas inerentes às carteiras comercial, de crédito, financiamento e investimento) envolve necessariamente, de forma ampla, todas as receitas decorrentes e/ou provenientes da prestação de serviços de intermediação financeira, dentre as quais podemos citar os “spreads bancários”, prêmios, ágios/deságios na venda de moedas estrangeiras (receitas cambiais), juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamento bancário, negociação de títulos e valores mobiliários, etc..., em suma, todas as receitas ordinárias, típicas, provenientes da prestação de serviços geradas pelos bancos. A meu ver, não há como fazer uma interpretação restritiva para abarcar no conceito de receita bruta apenas aquelas decorrentes das receitas com “taxas e tarifas” cobradas pelas instituições para prestar serviços bancários, como pretende a Recorrente. Fl. 306DF CARF MF Processo nº 10675.903021/200946 Acórdão n.º 9303005.956 CSRFT3 Fl. 8 7 Categoricamente, todos sabem, o negócio principal de um banco não se restringe apenas em cobrar taxas ou tarifas pela prestação de serviços bancários (sobre a abertura ou manutenção de contascorrentes, pela emissão de talonário de cheques, pelo fornecimento de extratos bancários, etc...), até mesmo porque em muitos casos, após um determinado volume de movimentação financeira de seus clientes, estas taxas e tarifas são até mesmo isentadas. Estas últimas representam, a bem da verdade, atividades acessórias àquela principal. A essência da atividade bancária reside justamente na prática de operações ativas e passivas inerente à sua carteira comercial (desconto de duplicatas, com um percentual de deságio, p. ex.), carteira de crédito (os valores depositados por determinados clientes na instituição são oferecidos a outros clientes, por meio de empréstimos, cheques especiais, etc... devidamente remunerados pelos juros cobrados), etc... Aliás, são justamente essas atividades que constam como objeto social no Estatuto Social da Recorrente. Destarte, é de concluirse que as instituições financeiras têm como atividade principal a intermediação de recursos financeiros. Por conseguinte, as receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, aqui incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeira, compõem o faturamento porque estão relacionadas ao exercício do objeto social dessas instituições. Por fim, registrese que a jurisprudência desta Câmara Superior tem decidido no mesmo sentido defendido neste voto (Acórdãos nº 9303002.962; 9303002.960, 9303 002.957, dentre outros). Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso especial. " No presente processo o recurso especial foi interposto pela Fazenda Nacional, de sorte que o resultado do julgamento deve ser pelo seu provimento, dado que o resultado do paradigma, no qual o recurso especial foi do contribuinte, foi por negar provimento. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 307DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18471.000459/2007-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 23 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
Deve ser anulada a decisão de primeira instância, tendo em vista que a decisão judicial que determinou à Receita Federal do Brasil a apreciação da impugnação apresentada pelo contribuinte não produziu os seus efeitos, razão porque não se instaurou o litígio administrativo.
Numero da decisão: 2401-005.120
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e declarar a nulidade da decisão de primeira instância. Em razão da declaração de nulidade da decisão de primeira instância, restou prejudicada a análise do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente.
(assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e declarar a nulidade da decisão de primeira instância. Em razão da declaração de nulidade da decisão de primeira instância, restou prejudicada a análise do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira.
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NÃO INSTAURAÇÃO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Deve ser anulada a decisão de primeira instância, tendo em vista que a decisão judicial que determinou à Receita Federal do Brasil a apreciação da impugnação apresentada pelo contribuinte não produziu os seus efeitos, razão porque não se instaurou o litígio administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 04 59 /2 00 7- 15 Fl. 1337DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em conhecer do recurso e declarar a nulidade da decisão de primeira instância. Em razão da declaração de nulidade da decisão de primeira instância, restou prejudicada a análise do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Andréa Viana Arrais Egypto e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1338DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Acórdão n.º 2401005.120 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face da decisão proferida pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS, que por maioria de votos, julgou procedente em parte a impugnação, conforme ementa do Acórdão nº 0736.545 (fls. 1195/1213): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. O imposto de renda, pessoa física, decorrente da omissão de rendimento é tributo sujeito a lançamento por homologação. Assim, o direito de a Fazenda constituir o crédito tributário decai após cinco anos contados da data do fato gerador ocorrido em dezembro de cada ano calendário, quando não houver ocorrência de dolo, fraude ou simulação. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. INTUITO DE FRAUDE. INAPLICABILIDADE Inaplicável a multa de ofício agravada de 150%, nos casos em que, no procedimento de ofício, não ficar constatado que a conduta do contribuinte está associada a evidente intuito de fraude, devendo ser aplicada a multa de 75%. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, quando a contribuinte, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, e de forma individualizadas, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo teve sua origem no Auto de Infração de fls. 55/60 lavrado em nome da Contribuinte, em 18/06/2007, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, anoscalendário 2001 e 2002, decorrente da constatação da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários no exterior de origem não comprovada, nos termos do dispositivo legal contido no art. 42 da Lei nº 9.430/96, sendo apurado o valor total do crédito tributário de R$ 3.479.386,57, acrescido de multa qualificada e juros de mora. Por ocasião do Mandado de Procedimento Fiscal nº 07.1.90.00200601343 5, emitido em 13/09/2006, foi dado início ao procedimento de fiscalização de IRPF dos períodos de 01/2000 a 12/2002 (fl. 03). Fl. 1339DF CARF MF 4 Em 18/09/2006 e em 29/09/2006, foram emitidos Termo de Início de Fiscalização, intimando o contribuinte a apresentar os comprovantes de rendimentos recebidos de pessoas físicas e jurídicas durante os anoscalendário de 2000, 2001 e 2002 (fls. 13/14), com intimação por Edital em 05/01/2007 (publicação do Edital em 21/12/2006), (fl. 25). Posteriormente, em 31/05/2007, foi publicado o Edital/DEFIS/RJO nº 86, de 23/05/2007, para cientificar a contribuinte do Auto de Infração nº 18471.000459.200715, tendo em vista não haver sido encontrada no domicílio fiscal, para determinar que no prazo de 30 (trinta) dias, contados do 15º (décimo quinto) dia da publicação do Edital, efetue o pagamento do débito constante do processo administrativo fiscal, ou apresente impugnação à exigência fiscal. No caso da contribuinte não efetuar o pagamento, nem apresentar impugnação, o Edital fica valendo como intimação para cobrança amigável, com 30 (trinta) dias adicionais de prazo. Decorrido o prazo para cobrança amigável, vale o Edital como intimação para o procedimento de inscrição do Débito em Dívida Ativa da União (fl. 49). Foi lavrado o TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL às fls. 50/54, acompanhado do Auto de Infração (fls. 55/60), lavrado em 18/06/2007. De acordo com o TERMO DE CONSTATAÇÃO FISCAL (fls. 50/54) a ação fiscal teve como origem demanda externa Representação Fiscal. A Equipe Especial da CoordenaçãoGeral de Fiscalização, assim se pronunciou em seus relatórios: "Em trabalho de análise documental da conta nº. 9004681, denominada "TIGRUS CORPORATION", mantida junto ao Merchants Bank, agência de Nova York, nos Estados Unidos da América, foram identificados como responsáveis os contribuintes Pompeu Costa Lima Pinheiro Maia, CPF nº 595.205.40725 e Isabel Cristina Pinheiro Maia, CPF nº 628.651.29772, pelos motivos abaixo explicitados: 1. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Department of the Treasury Internal Revenue Service denominados "Certificate of Foreign Status", datados de 05/05/1998, em que é indicado o nome e o código da conta; 2. Cópias dos passaportes dos contribuintes foram apreendidos juntamente com os outros documentos no Merchants Bank; 3. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, datado de 08/07/1998, denominado "Funds Tranfer General Terms & Conditions", em que é indicado o nome da conta; 4. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, denominado "Hold Mail Request", em que é indicado o nome e código da conta; 5. Nome e assinatura do contribuinte Pompeu Maia consta de documento datado de 17/04/2001, encaminhado para o Merchants Bank e vinculado à conta Tigrus Corporation, autorizando Carolina Nolasco a movimentar as contas do mesmo;" Com relação à conta n º 9200172 a Equipe Especial assim se manifestou: Fl. 1340DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Acórdão n.º 2401005.120 S2C4T1 Fl. 4 5 "Em trabalho de análise documental da conta nº 9200172, denominada "POMPEU MAIA", mantida junto ao Merchants Bank, agência de Nova York, no Estados Unidos da América', foram identificados como responsáveis os contribuintes Pompeu Costa Lima Pinheiro Maia, CPF nº 595.205.40725 e Isabel Cristina Pinheiro Maia, CPF nº 628.651.29772, pelos motivos abaixo explicitados: 1. Nome e assinatura do contribuinte Pompeu Costa constam de documentos do Mechants Bank, datado de 04/04/2001 (faxsímile) denominado "Funds Tranfer General Terms & Conditions"; 2. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, denominado "Password/Waiver Form for Wire & Cable Funds Transfers", datado de 04/02/1997; 3. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, datado de 04/02/1997, denominado "Custumer/Account Change Form", em que é indicado o código da conta; 4. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Department of the Treasury Internal Revenue service denominados "Certificate of Foreign Status", datados de 04/02/1997, em que é indicado o código da conta; 5. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, datado de 04/02/1997, denominado "Personal Account Application" em que é indicado o código da conta; 6. Nomes e assinaturas dos contribuintes constam de documentos do Merchants Bank, denominado "Application for ATM Cash Access Card, em que é indicado o código da conta; 7. Cópias de documentos pessoais do contribuinte Pompeu Costa foram apreendidos juntamente com os outros documentos no Merchants Bank." Segundo o Termo de Constatação Fiscal, com base nos extratos bancários, a fiscalização elaborou os Quadros Demonstrativos 01 (fls. 26/40) e 02 (fls. 41/42) onde aparecem discriminados e convertidos para a moeda nacional os créditos / depósitos efetuados nas mencionadas contas. Fl. 1341DF CARF MF 6 Assevera o Fiscal que, em virtude da não comprovação da origem dos recursos referentes aos depósitos relacionados nos Quadros Demonstrativos 01 e 02, consoante o art. 42 da Lei 9.430/96, estes valores foram considerados como receitas presumidamente omitidas, decorrentes de depósitos bancários de origem não comprovada. Esclarece que foi elaborado o Quadro Demonstrativo 03 (fl. 43) dos valores das receitas omitidas, mês a mês, considerando nesta apuração 50% dos valores consignados à Contribuinte, cotitular das contas correntes bancárias. Entendeu o Fiscal que restou caracterizado o evidente intuito de fraude, sujeitando o contribuinte à multa qualificada de 150%, tipificada no artigo 44, inciso II da Lei nº 9.430/96, tendo sido efetuada Representação Fiscal para Fins Penais (fls. 61/65). Em 18/07/2007 foi lavrado o Termo de Revelia constante à fl. 68, em que assevera ter transcorrido o prazo regulamentar sem a Contribuinte ter apresentado impugnação ao lançamento, ou recolhido o crédito tributário, ou apresentado prova de interposição de medida judicial, razão porque a Delegacia da Receita Federal do Brasil do Rio de Janeiro/RJ a declarou revel. Transcorrido o prazo para cobrança amigável o processo foi encaminhado para a Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, a qual foi efetivada em 30/08/2007 (fl. 75/78), com o ajuizamento da execução fiscal nº 2007.51.01.530720 (ver petição às fls. 90/96). A contribuinte, por sua vez, interpôs medida judicial (Processo nº 2010.51.01.5209237 às 1242/1259) em que alega a existência de vício formal no processo administrativo fiscal (PAF 18471000459/200715), que precede o crédito tributário constante da CDA 70.1.07.04422005 (Imposto de Renda), exigida nos autos a execução fiscal Processo nº 2007.51.01.5307250, em virtude da ausência de notificação do lançamento do crédito tributário, lavrado em data posterior (18/06/2007) à publicação do Edital de intimação (Edital DEFIS/RJO 86 de 23 de maio de 2007, fl. 56). Por ocasião da sentença prolatada no Processo nº 2010.51.01.5209237 (fls. 1249/1259), foi determinado à Receita Federal do Brasil a apreciação da impugnação apresentada pelo contribuinte às fls. 1160/1188. A impugnação, protocolada em 05/12/2007, recebeu o número de processo administrativo 18239.000113/201067 (fls. 03/31), tendo sido esta apensada ao presente processo (18471.000459/200715). Na impugnação a Contribuinte apresenta os seguintes argumentos (fls. 1160/1188): 1. Preliminarmente ressalta a tempestividade da impugnação; 2. Alega ter sido surpreendida com o aviso de cobrança emitido pela douta Procuradoria da Fazenda Nacional dandolhe ciência da inscrição na Dívida Ativa em 30/08/2007; Fl. 1342DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Acórdão n.º 2401005.120 S2C4T1 Fl. 5 7 3. Cita que o termo de fiscalização, datado de 29/09/2006, foi encaminhado ao endereço Avenida das Américas, n° 3459, Loja 122, Barra da Tijuca, e que nesta data, o contribuinte já havia alterado seu domicílio para a mesma Avenida das Américas, porém no n° 500, Bloco 08, Loja 114, razão pela qual não atendeu ao TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO; 4. Aduz que não tomou conhecimento do Edital publicado em 21/12/2006 porque não tem por costume ler o Diário Oficial; 5. Informa que na sua declaração de ajuste anual, relativa ao exercício de 2007, anocalendário de 2006, encaminhada à RF em 30/04/2007, já constava como seu domicílio fiscal o novo endereço: Avenida das Américas, n° 500, Bloco 08, Loja 114, Rio de Janeiro; 6. Cita que o domicílio fiscal constante do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do Ministério da Fazenda era situado na Avenida das Américas, n° 500, Bloco 08, Loja 114, Rio de Janeiro e era de pleno conhecimento das autoridades fiscais desde 30/04/2007; 7. Assevera que causa espanto o fato de um edital do dia 23/05/2007, publicado no dia 31/05/2007 (fl. 49), dar ciência ao contribuinte de um Auto de Infração lavrado quase trinta dias depois, ou seja, em 18/06/2007; 8. Alega ser absolutamente nulo o procedimento da fiscalização a partir do Edital n° 83, de 23/05/2007, face ao princípio da ampla defesa previsto constitucionalmente; 9. Que só teve conhecimento do Auto de Infração impugnado, quando obteve a cópia do procedimento fiscal, em 06/11/2007; 10. Questiona o transcurso do prazo decadencial de parte dos fatos geradores do imposto pretensamente devido e à formalização da exigência, no que alega que os depósitos bancários que deram azo ao lançamento, datam dos meses de dezembro de 2001 a junho de 2002, enquanto que do lançamento só foi o contribuinte cientificado em novembro de 2007, isto é, depois de transcorrido o prazo de 5 (cinco) anos previsto no artigo 150, § 4 , do CTN entre os fatos geradores ocorridos nos períodosbase de 31 de dezembro de 2001 a 30 de junho de 2002 e o lançamento suplementar; 11. Alega vício insanável praticado pela fiscalização na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. Diz que o Auditor Fiscal elegeu como sujeito passivo a pessoa física da impugnante, que não tem qualquer relação pessoal e direta com a situação que constitui o respectivo fato gerador do imposto de renda pretensamente devido. Não existindo tal relação, não pode a pessoa física responder como sujeito passivo da obrigação principal; Fl. 1343DF CARF MF 8 12. Afirma que o próprio Fiscal, em todos os atos e termos lavrados no curso da ação fiscal, inclusive, no Auto de Infração e no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, admite que a impugnante não é, e jamais foi, titular dos depósitos bancários que serviram de base de cálculo para o crédito tributário que lhe foi imputado; 13. Diz que a fiscalização reconhece e declara, expressamente, que a conta bancária é da titularidade a empresa Tigrus Corporation, em relação a qual a impugnante assinou apenas para sua abertura, não tendo jamais atuado na movimentação financeira da referida conta. Afirma ser necessário que o contribuinte seja identificado, comprovadamente, como o remetente dos recursos depositados nas contas bancárias pesquisadas, ou responsável pela ordem /determinação de remessa de divisas, ou como o beneficiário dos recursos, isto é, como destinatário final das divisas ordenadas /remetidas; 14. Sustenta que a Fiscalização não logrou êxito em enquadrar a impugnante em nenhuma dessas categorias, o que pode ser comprovado através da análise dos Extratos Bancários da referida conta fornecido pelo MERCHANT'S BANK em Nova York, que deveriam ter sido anexados ao auto de infração, onde ficaria evidenciado que nenhum dos depósitos foi efetuado, remetido ou ordenado pela impugnante, a qual, de igual modo, não foi beneficiada por nenhum saque da conta bancária situada no exterior; 15. Alega desconhecer a movimentação da aludida conta. Justifica que jamais remeteu, efetuou ou ordenou qualquer depósito ou recurso para mencionada conta e, de igual modo, não foi beneficiada por nenhum saque da conta bancária situada no exterior; 16. Afirma que a conta pesquisada se encontra em Banco situado em Nova York e da titularidade de pessoa jurídica, igualmente, sediada no exterior; 17. Questiona a incidência do tributo devido sobre 50% dos depósitos efetuados na referida conta, percentual este obtido por dedução do Auditor Fiscal, independentemente de pertencerem ou não terem sido movimentados pela Autuada; 18. Sustenta, em síntese, erro na identificação do sujeito passivo, adoção de base de cálculo, além de irreal, sem respaldo em documentos e apurada em períodobase equivocado, ou seja, anual, enquanto a lei estabelece a apuração mensal (Lei n° 7.713/88 e Lei n° 9.430, art. 42, § 4o); 19. Alega que a fiscalização deveria proceder a equiparação do esposo da impugnante à pessoa jurídica e, aí então, tributar a firma individual, tal qual estabelecido na lei e confirmado em vasta jurisprudência. 20. Afirma que, além de não ter procedido a equiparação da impugnante à pessoa jurídica, para fins da correta tributação, a Fiscalização, sequer considerou que na atividade cambial a receita compreende apenas Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Acórdão n.º 2401005.120 S2C4T1 Fl. 6 9 spread, que corresponde ao diferencial verificado entre o valor de compra e da venda da moeda estrangeira, diferencial este que, via de regra, gira em torno de 5% (cinco por cento). Considera assim que eventual receita omitida corresponderia, no máximo a 5% dos depósitos bancários, nunca 100% conforme diz fiscalização; 21. Alega que a movimentação da conta sempre foi de exclusiva responsabilidade da Sra. Maria Carolina Nolasco, estrangeira residente no exterior; 22. Assevera ainda que o Auditor Fiscal deixou de considerar como origem dos depósitos os valores das sobras de recursos dos depósitos tributados nos meses anteriores, que representam origem dos valores depositados nos meses subseqüentes, procedendo simplesmente à soma algébrica de todos os depósitos considerados de origem não comprovada nos períodosbase autuados; 23. Complementa que é injustificada e incabível a aplicação da multa de 150%, pois a fiscalização não produziu nenhuma prova que caracterizasse evidente intuito de fraude por parte da impugnante, única condição prevista em Lei que autoriza a exacerbação da penalidade. Por fim, requer o cancelamento da autuação, no que alega que esta foi feita sem qualquer fundamentação legal que possa respaldála. Encaminhado o processo para apreciação e julgamento, a 6ª Turma da DRJ/FNS, deixou de apreciar as questões relacionadas à tempestividade da impugnação apresentada em 05/12/2007, em decorrência da decisão judicial obtida pela contribuinte na ação declaratória (Processo nº 2010.51.01.5209237), e decidiu, por maioria de votos, pela procedência em parte da defesa, considerando: 1. exonerado o valor de R$ 339.440,27, correspondente ao ano calendário 2001, exigido a título de Imposto de Renda Pessoa Física, em decorrência de que o credito exigido se encontra abrangido pela decadência quinquenal. 2. mantido o valor do imposto de R$ 3.139.946,30, correspondente ao anocalendário 2002, exigidos a título de Imposto de Renda Pessoa Física sobre depósitos bancários de origem não comprovada. 3. reduzida a multa de ofício aplicada de 150%, no valor de R$ 4.709.919,45 para 75%, que corresponde ao valor de R$ 2.354.959,72, incidente sobre a parcela do imposto mantida, relativa ao ano calendário 2002, a ser acrescido de juros de mora. Fl. 1345DF CARF MF 10 No mesmo Acórdão ficou determinado o Recurso de Ofício ao CARF, na forma do art. 366, I, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, na redação conferida pelo Decreto nº 6.224, de 04 de outubro de 2007, e arts. 25, inciso II e 34, inciso I, do Decreto nº 70.235/72, com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.941 de 27 de maio de 2009, combinado com a Portaria do Ministério da Fazenda (MF) nº 3, de 03 de janeiro de 2008. A Contribuinte foi notificada do Acórdão de nº 0736.545 em 07/04/2015 através do AR à fl. 1222. Em 29/04/2015, não se conformando com o teor da decisão proferida pela DRJ/FNS, apresentou Recurso Voluntário (fls. 1225/1233), onde alega, em síntese o seguinte: 1. Somente pode ser caracterizada a presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, após ser regularmente intimado o titular da conta para que comprove a origem dos recursos; 2. Se foi constatado a existência de mais de um titular, haveria necessidade de regular intimação de todos eles para a comprovação da origem dos depósitos; 3. Requer a aplicação da Súmula Vinculante nº 29 para anular o lançamento efetuado uma vez que, um dos cotitulares não foi intimado para comprovar a origem dos depósitos bancários. Foi determinado pela equipe de Contencioso Administrativo Fiscal, à fl. 1240, o cancelamento da Inscrição da Dívida Ativa, e solicitado encaminhamento do processo ao CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para apreciação do Recurso de Ofício e Recurso Voluntário. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional solicitou à DRJ a revisão de ofício acerca da tempestividade da impugnação, a análise da concomitância da via administrativa recursal juntamente com a via judicial em curso, bem como que a Delegacia prestasse informações sobre a solicitação de cancelamento da inscrição nº 70 1 07 04422005 (fls. 1260/1261). Entretanto, a Delegacia de Julgamento através da Resolução nº 07000.066 6ª Turma da DRJ/FNS (fls. 1262/1264) entendeu que não caberia mais à Turma de Julgamento proceder à solicitada revisão de oficio, tendo em vista o contribuinte ter interposto recurso voluntário, remetendo a este Conselho a decisão de acatar ou não o entendimento consubstanciado em despacho da PGFN. O processo foi encaminhado para julgamento tendo os membros do Colegiado, por unanimidade, convertido o julgamento em diligência, nos seguintes termos da Resolução nº 2401000.561 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária: Fl. 1346DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Acórdão n.º 2401005.120 S2C4T1 Fl. 7 11 Diante dos fatos acima narrados, e em face da decisão proferida nos autos do Processo nº 2010.51.01.5209237, da 10ª Vara Federal de Execução Fiscal do Rio de Janeiro (1242/1259), através da qual determinou que a Administração Tributária apreciasse a impugnação apresentada pela contribuinte em 05/12/2007 no processo administrativo 18239.000113/201067, determino a baixa dos autos à unidade da Delegacia da Receita Federal do Brasil de origem, para que solicite certidão de objeto e pé do processo em primeira instância (Juízo Federal da 10ª Vara de Execução Fiscal do Rio de Janeiro Processo nº 2010.51.01.5209237) e em segunda instância, nos autos da Apelação nº 052092369.2010.4.02.5100 (Tribunal Regional Federal da Segunda Região), bem como, proceda a intimação da contribuinte para fornecer toda a documentação relacionada ao mencionado processo. A contribuinte foi intimada a atender a solicitação da diligência contemplada na Resolução nº 2401000.561 (fl. 1282), através do AR entregue em 26/05/2017 no endereço à rua Joaquim Nabuco, 98, apartamento 302, Copacabana, Rio de JaneiroRJ (fl. 1284), tendo apresentado a petição de fl. 1288, bem como os documentos de fls. 1289/1334. Tendo em vista o retorno de diligência o processo foi encaminhado a esta Relatora para prosseguimento e inclusão em pauta para julgamento. É o relatório. Fl. 1347DF CARF MF 12 Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto Relatora Após o retorno de diligência contemplada na Resolução nº 2401000.561, a contribuinte apresentou a petição de fls. 1288, através da qual requer a juntada dos documentos de fls.1289/1334 e aduziu a não existência de concomitância entre o procedimento administrativo fiscal e a ação proposta em juízo. Como se observa da documentação apresentada, a contribuinte ajuizou ação declaratória de inexistência da relação jurídica entre a autora e a União, decorrente da intimação pretendida pelo Edital DEFIS/RJO nº 86, de 23 de maio de 2007, a qual foi julgada procedente e declarada a nulidade dos atos praticados no Processo Administrativo Fiscal – PAF 18471.000459/200715, a partir da notificação por edital realizada em 31/05/2007. O processo foi encaminhado ao TRF da 2ª Região em virtude da apelação interposta pela Fazenda, recebida nos seus efeitos devolutivo e suspensivo (fl.1328). A Procuradoria Regional da República manifestouse pelo desprovimento do Recurso e a confirmação da sentença recorrida (fls. 1330/1333). O processo encontrase pendente de julgamento no Tribunal (fl. 1305). Conforme se destaca da impugnação apresentada às fls. 1160/1188, a contribuinte pleiteia em sede de preliminar a tempestividade da impugnação, aduzindo a nulidade do procedimento da fiscalização a partir do Edital n° 83, de 23/05/2007. A decisão proferida pela Delegacia de Julgamento às fls. 1195/1213 deixou de apreciar as questões atinentes à tempestividade da impugnação em decorrência da decisão judicial obtida no Processo judicial nº 2010.51.01.5209237. No mérito, julgou parcialmente procedente o pedido, exonerando o valor do Imposto de Renda Pessoa Física atingido pela decadência e reduzindo o percentual da multa de ofício aplicada. Houve recurso de ofício. Assim, embora a DRJ não tenha apreciado a questão concernente a tempestividade da impugnação, admitiu a peça impugnatória apresentada e proferiu decisão quanto aos demais questionamentos apresentados pela contribuinte. Em recurso voluntário a contribuinte não mais questiona a nulidade do Edital de intimação e tempestividade da impugnação, se insurgindo apenas quanto ao mérito da demanda. A PGFN solicitou à DRJ a revisão de ofício acerca da tempestividade da impugnação, no entanto, em virtude do Recurso Voluntário interposto o processo foi encaminhado ao CARF para julgamento. Ocorre que o julgamento do Recurso Voluntário e do Recurso de Ofício passa pela análise da instauração do contencioso administrativo fiscal com o recebimento da impugnação apresentada. Fl. 1348DF CARF MF Processo nº 18471.000459/200715 Acórdão n.º 2401005.120 S2C4T1 Fl. 8 13 Vale ressaltar que a matéria atinente a tempestividade da impugnação apresentada e, por conseguinte, a consequente instauração do contencioso administrativo fiscal está sendo discutida em ação judicial própria (Processo nº 2010.51.01.5209237). No entanto, consoante verificado nos presentes autos, a decisão proferida no Processo judicial nº 2010.51.01.5209237 encontrase com os seus efeitos suspensos conforme despacho de admissibilidade da apelação interposta pela Fazenda. Ou seja, a decisão judicial não produziu seus efeitos, conforme se constata dos documentos adunados aos autos por ocasião do cumprimento da diligência. Dessa forma, a apreciação da tempestividade, por ser matéria de ordem pública, deve ser feita de ofício, razão pela qual, diante da apresentação da impugnação fora do prazo legal, não se instaurou o litígio processual administrativo, o que tem como consequência a nulidade da decisão proferida pela DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço do recurso para declarar a nulidade da decisão de primeira instância, tendo em vista que a decisão judicial que determinou à Receita Federal do Brasil a apreciação da impugnação apresentada pelo contribuinte não produziu os seus efeitos, razão porque não se instaurou o litígio administrativo, restando prejudicada as demais matérias apresentadas do Recurso Voluntário. Em razão da declaração de nulidade da decisão de primeira instância, restou prejudicada a análise do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 1349DF CARF MF
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