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4756744 #
Numero do processo: 10980.002537/2002-41
Turma: Quarta Turma Especial
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/1211998DILAÇÃO DE PRAZO - JUNTADA DE DOCUMENTOS - CERCEAMENTO DE DEFESA É de se anular o despacho decisório quando proferido com o evidente cerceamento de defesa do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 294-00.071
Decisão: ACORDAM os membros da QUARTA TURMA ESPECIAL do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o cerceamento de defesa e anulação do processo a partir do despacho decisório, inclusive, e determinar que seja outorgada à Recorrente, prazo de 15 dias para juntada da documentação reclamada no termo de intimação.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: ARNO JERKE JUNIOR

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Recurso n • 155.706 Voluntário .. : • Matéria RESSARCIMENTO DE IPI Acórdão n• 294-00.071 Sessão de 28 de novembro de 2008 Recorrente PLANIEX FÁBRICA DE MÓVEIS COLONIAIS LTDA. Recorrida DRJ em Ribeirão Preto/SP g er., ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/10/1998 a 31/1211998 ta I 71 ü; DILAÇÃO DE PRAZO - JUNTADA DE DOCUMENTOS - . 0 a f t_: CERCEAMENTO DE DEFESA ifi E, -Ia, t fe co . ;ai e ' 54‘ k i 4 . 2 É de se anular o despacho decisório quando proferido com oi evidente cerceamento de defesa do contribuinte. Ca 1' H S,Q1 r:ja 1 I - a Recurso Voluntário Provido em Parte i la , , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. tz .. g ' ACORDAM os membros da QUARTA TURMA ESPECIAL do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o cerceamento de defesa e anulação do processo a partir do despacho decisório, inclusive, e determinar que seja outorgada à Recorrente, prazo de 15 dias para juntada da documentação reclamada no termo de intimação. • -61,,,,,,_tIQUE PINHEIRO TORRES Presidente fMA..<:::"} . . Relator JERKE 10 . / • Participaram, ainda, do presente julgamento, as Conselheiros Renata Auxiliadora Marcheti e Magda Cotta Cardozo. 1 . Processo e 10980.00253712002-41 CCO2/T94 Acórdão n.• 294-00.071 Fls. 345 Relatório O Recorrente, na data de 04/02/2002, pugnou à Receita Federal de Porto União/SC, o ressarcimento de crédito de IPI decorrente de entrada de matérias-primas tributadas utilizadas na industrialização de produtos, aplicados na fabricação de produtos finais destinados à exportação, nos moldes da Portaria MF n°38/97 (fl. 01). O objetivo do Recorrente era a compensação do crédito supostamente existente como ressarcimento das contribuições que tratam as Leis Complementares n° 07/1970, n° 08/1970 e n°70/1991, nos moldes do artigo 1 3 da Lei n°. 9.363/1996. Juntou documentos (fls. 08/96). Por conta da demora excessiva do processo administrativo, o Recorrente ajuizou Mandado de Segurança na Justiça Federal de Ponta Grossa/PR, reclamando celeridade na apreciação de seu pedido. Em resposta, o MM. Juízo acordado com o pleito exposto na exordial, proferiu decisão determinando ao Fisco que o processo administrativo fosse encerrado no prazo de 120 dias, bem como que houvesse decisão deste processo ao cabo de 30 dias, a contar do término do período de 120 dias para a instrução (fls. 99/102). Ato continuo, respeitando os ditames judiciais, o Fisco examinou o pleito e expediu Termo de Informação Fiscal solicitando a juntada dos documentos necessários para o exame e apreciação da causa (fls. 106/108). O prazo anotado para a diligência foi de 05 dias úteis, improrrogáveis. Após intimado, o Recorrente interpôs Pedido de Dilação de Prazo, requerendo concessão de mais prazo para cumprimento da ordem (fls. 110/111). Juntou mais documentos(fls. 112/278). Em seguida veio Despacho Decisório indeferindo o pedido de prorrogação de prazo e negando o pedido de ressarcimento do IPI, sem análise de mérito, com arrimo na falta de provas (fls. 279/282). Em face da decisão denegatória, o Recorrente ajuizou recurso à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), reclamando seu direito de elastecer o prazo concedido outrora, para que fosse examinado seu direito em receber o crédito de IN reclamado. No seu julgamento, a DRJ em Ribeirão Preto/SP, votou por novamente indeferir o pleito do Recorrente, alicerçando-se na intempestividade da comprovação do crédito, nos moldes da decisão anterior. Houve recurso para este Conselho (fls. 329/342). É o Relatório. e: „ otigic_9,.t.:=Buiffits CS 2 1/4./ EranomatATsrporstibta Processo e 10980.0025371200241 CC07/P94 Acórdão n.• 294-00.071 Fls. 346MF-SEGUNEV CONE ELMO DE CONTRIBUINTES CUM' LIC. COM O ORIGINAL BrasLa nç I (0 C\ Elaine Aliceas5 Lima MaL Slape"-955159 Voto Conselheiro ARNO JERICE JÚNIOR, Relator O recurso merece conhecimento, porquanto preenchido o requisito temporal. Passo a enfrentar o mérito. Como já referido, o Recorrente alega ser empresa produtora de artigos destinados à exportação, com direito ao crédito de IPI instituído pela Lei n" 9.363/1996, para compensação do crédito supostamente existente como ressarcimento das contribuições que tratam as Leis Complementares n° 07/1970, n° 08/1970 e n° 70/1991, nos moldes do artigo 1* da Lei n°. 9.363/1996. Desde a gênese da demanda, buscava, em seus recursos, fazer reconhecer seu direito ao elastecimento do prazo para juntada aos autos dos documentos outrora solicitados pelo Fisco. Neste grau de julgamento, pugna a reforma da decisão recorrida, a declaração da homologação tácita do crédito objeto do pedido de ressarcimento, a devolução dos valores ao Recorrente ou sua disponibilizacão para compensação (fls. 329/342). Ocorre que não houve nestes autos pedido de compensação dos supostos créditos de IPI, o que toma impossível falar-se em homologação tácita, pela ausência do que se homologar. Quanto ao pedido de prorrogação de prazo, tenho que assiste razão ao Recorrente. Passados quase 05 anos da protocolização do pedido de compensação, ante a inatividade do Fisco, fora impossível outra alternativa que não reclamar o desenrolar do processo administrativo pelo seio do Poder Judiciário. . Com a ordem judicial para enfrentamento da matéria, no prazo total de 150, o Fisco intimou o Recorrente para que apresentasse nos autos, farta quantidade de prova documental, no prazo — improrrogável — de 5 dias. Ora, aparente o motivo que ensejou o Fisco a deferir prazo tão exíguo: o ajuizamento de demanda judicial. Se em tantos casos gemelares, e até em processos que exijam menor quantidade de documentos, se concedem prazos superiores, de dez, quinze e até trinta dias para a juntada de documentos, a determinação do prazo de 05 dias, improrrogáveis, se deu em flagrante contraponto ao ajuizamento de demanda judicial. É claro que não se esta aqui a defender que o Recorrente possa produzir provas a qualquer tempo, segundo a sua vontade, mas garantir o experimento da razoabilidade, fundamento constitucional que se arvora em todas as searas do Direito. 3 , ; .• • Processo n• I 0980.0025.37/2002-41 CO32/794 Acórdão n.* 294-00.071 Fls. 347• .• Por outro lado, diz o Recorrente que toda a documentação já se encontra hoje disponível para apreciação (fl.292), o que, neste momento, tomaria desnecessário a concessão de prazo superior àquele outrora concedido. De mais a mais, não se pode deslembrar que o objetivo do direito discutido é incentivar, fomentar as exportações brasileiras. Permitir o exame acurado da matéria, além de justo, é colaborar com o objetivo do Legislador, que clama na iniciativa privada a ajuda necessária para o desenvolvimento do Brasil. Destarte, pelas razões supra, voto pelo indeferimento da Homologação Tácita do direito a compensação do IPI, bem como anular o processo a partir do despacho decisório, inclusive, e determinar que seja outorgado ao Recorrente prazo de 15 dias, para a juntada dos documentos reclamados no Termo de Intimação Fiscal. Sala das Sessões, em 28 de novembro de 2008. ' , VLÇKE • • O JE IOR • tiFsecurca2:? Bras51,1, _f .1Ccrellowl.130130ERC2NT INALRIBUINTES Elaine Alice' Mat. Sopa 95500 4 Page 1 _0003700.PDF Page 1 _0003800.PDF Page 1 _0003900.PDF Page 1

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4637561 #
Numero do processo: 16045.000560/2006-81
Turma: Quarta Turma Especial
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFICIO QUALIFICADA - CONFIGURAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - INOCORRÊNCIA - Incabível a aplicação de multa de oficio qualificada, não estando devidamente configurado o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 194-00.025
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE

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I • MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES h . ' 1> b%:•‘, QUARTA TURMA ESPECIAL Processo n° 16045.000560/2006-81 Recurso n° 164.224 Voluntário Matéria IRPF Acórdão n° 194-00.025 Sessão de 09 de setembro de 2008 Recorrente RITA BERNARDINO BARROS Recorrida 6a TURMA/DRJ-SÀO PAULO/SP II ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 • MULTA DE OFICIO QUALIFICADA - CONFIGURAÇÃO DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - INOCORRÊNCIA - Incabível a aplicação de multa de oficio qualificada, não estando devidamente configurado o evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por RITA BERNARDINO BARROS. ACORDAM os Membros da Quarta Turma Especial do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. /& t_c_LÀ14), j< 9 Li da ÁStWeou_001 RIA HELENA COTTA CARDOZ5_. Presidente AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE Relatora Processo e 16045.000560/2006-81 CCOI/T94 Acórdão n.° 194-00.025 EL 2 FORMALIZADO EM: 21 OUT 2008 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Júlio Cezar da Fonseca Furtado. 2 Processo n° 16045.000560/2006-81 CCO 1/T94 Acórdão n.° 194-00.025 Fls. 3 • - Relatório AUTUAÇÃO, - Contra a contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03 a 10, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2001 a 2004, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 1.659,38, acrescido de multa de oficio qualificada e juros de mora. A autuação foi assim resumida no relatório do acórdão de primeira instância (fls. 67): "2 - Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (lis. 04), foi apurada a seguinte infração: DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Glosa de deduções com despesas médicas, pleiteadas indevidamente:• Fato Gerador Valor tributável Multa (% 31/12/2000 R$2.000,00 150 31/12/2001 • R$ 2.800,00 150 31/12/2002 R$3.900,00 150 31/12/2003 R$4.120,00 150 Enquadramento Legal: Art. 11, § 3°, do Decreto-Lei n°5.844/43; Arts. 8°, inciso II, alínea "a" e § 2° da Lei n° 9.250/95;Arts. 73e 80 do RIR/99. 3.Na descrição da infração, consta que as glosas se deram devido ao fato da Pessoa Jurídica beneficiária, após intimação, não ter reconhecido o recebimento dos pagamentos deduzidos (fls. 23-24)." IMPUGNAÇÃO Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de 29 a 31, acatada como tempestiva. Alega, consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 67): • "que não houve má-fé quando do lançamento dos valores relativos às deduções de despesas médicas, e acredita que, por um lapso, tais valores possam ter sido lançados erroneamente em suas Declarações de Imposto de Renda, pois não havia necessidade de despesas fictícias, visto que sempre contou com inúmeras despesas, muito além dos valores exigidos por lei para as deduções, pois tem inúmeros dependentes, devidamente comprovados. Alegou também, que mantém convênio com a empresa Pro-Odonto Pronto Atendimento 3 Processo n° 16045.000560/2006-81 CC01/1-94 Acórdão n.° 194-00.025 Fls. 4 Odontológico S/C Ltda desde o ano de 1999, até os dias atuais, e que, em 2001 e 2002, seu esposo, que é seu dependente no plano de saúde odontológico, fez uso de aparelho ortodeintico, sendo responsável pelas despesas referentes à colocação do aparelho, bem como as despesas da manutenção deste, não possuindo mais os recibos referentes a tais• serviços, por achar desnecessária a manutenção dos mesmos, mas a empresa deve manter a ficha em nome da mesma, e provavelmente conste a relação e valores dos trabalhos executados. Acrescentou ainda, que, entre os anos 2000 a 2003, realizou alguns procedimentos não cobertos pelo plano odontológico em questão, não se recordando acerca dos valores pagos, podendo afirmar que eram valores relativamente altos, com certeza, maiores do que os valores pagos mensalmente para a manutenção do referido plano." A autoridade julgadora solicitou que a fiscalização da DRF/São José dos Campos diligenciasse junto à empresa PRO ODONTO PRONTO ATENDIMENTO ODONTOLÓGICO S/C LTDA, CNPJ 65.039.091/0001-14, a fim de verificar a existência de pagamentos em nome de RITA BERNARDINO DE BARROS, CPF 072.468.558-82, e de seu esposo, Sr. JOSÉ MARCOS DOS SANTOS (despacho de fls. 45). Em resposta, a referida empresa informou que houve pagamentos da referida contribuinte, decorrente de despesas odontológicas com tratamento próprio (ano-calendário 2000) e de seu esposo. Sr. José Marcos dos Santos (anos-calendário 2001, 2002 e 2003). ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A DRJ/São Paulo - SP II julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento, restabelecendo o valor que restou comprovado após a diligência (R$ 618,60, exercício 2001), relativo ao tratamento odontológico da contribuinte. Quanto às despesas de tratamento do cônjuge, entendeu que: "Tendo em vista a constatação de que o esposo da contribuinte, Sr. JOSÉ MARCOS DOS SANTOS, CPF n° 087.342.998-23, apresentou as Declarações de IRPF dos exercícios 2001, 2002, 2003 e 2004 no modelo Simplificado (lis. 56), usufruindo assim, do desconto padrão de 20% do valor dos rendimentos tributáveis declarados, fica inviável considerar dedutíveis na Declaração da requerente as despesas com tratamento de seu esposo nos anos de 2001, 2002 e 2003, pois o desconto simplificado substitui todas as demais deduções permitidas pela legislação. A situação seria aceitável somente do caso do esposo da impugnante não ter aproveitado qualquer dedução em suas Declarações, ou ainda se tivesse apresentado as mesmas no modelo Completo e não tivesse utilizado tais despesas em suas próprias Declarações. Inclusive, é esta a orientação que consta no Manual de Perguntas e Respostas (Pergunta n° 356) referente à Declaração IRPF que está disponível no "site" da Receita Federal na Internet (www. receita.fazenda.gov.br)." Os fundamentos da decisão de primeira instância estão consubstanciados na seguinte ementa: 4 Processo n° 16045.000560/2006-81 CCOUT94 Acórdão n.° 194-00.025 Fls. 5 "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. Havendo a comprovação de parte das despesas médicas glosadas no lançamento, o mesmo deve ser revisto, devendo ser mantidas as glosas decorrentes de despesas que não podem ser deduzidas. Lançamento Procedente em Parte" RECURSO AO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Cientificada da decisão de primeira instância em 27/07/2007 (fls. 75), a contribuinte apresentou, em 28/08/2007, o Recurso de fls. 76 a 78, intruído com os documentos de fls. 79 a 85 (cópia de documento de identidade e de comprovantes de algumas despesas mensais), argumentando, em síntese, que sempre recorreu a terceiros para o preenchimento de sua Declaração de Ajuste Anual, que não se ateve ao fato de o marido da recorrente entregar declaração em separado em modelo simplificado. Apenas a dependência perante o plano odontológico foi considerada. Conforme exposto na impugnação, não teve intenção de usar meios fraudulentos para obter vantagem a seu favor. Nos exercícios lançados tinha despesas elevadas com plano de saúde, referente a seus pais, seus dependentes, não tendo necessidade de forjar despesas para apurar imposto a restituir, pois esse já era o resultado de sua declaração. A multa imposta é elevada, impossibilitando-a de saldá-la, eis que suas despesas mensais são grandes. O processo foi distribuído a esta Conselheira, numerado até as fls. 88, que também trata do envio dos autos a este Conselho de Contribuintes. É o Relatório. • Processo n° 16045.000560/2006-SI CCO 1/F94 Acórdão n.° 194-00.025 Fls. 6 Voto Conselheira AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Relativamente ao direito à dedução de despesas médicas em valor superior ao já restabelecido, é importante registrar que a contribuinte nada de novo traz aos -autos para permitir afastar o acerto do acórdão recorrido. De fato, como bem fundamentou a autoridade julgadora de primeira instância, não são passíveis de dedução os valores para os quais não foram apresentados documentos comprobatórios e nem foram confirmados pela beneficiária dos pagamentos alegados após a diligência realizada. Em relação às despesas médicas do cônjuge, que apresentou declaração em separado nos exercícios em questão, optando pelo desconto simplificado, o qual substitui todas as deduções, também não há como deduzi-las nas declarações da interessada. Não obstante tais ponderações, deve ser considerado que a contribuinte também se insurge contra a manutenção da multa de oficio qualificada lançada, reafirmando os argumentos da impugnação, a saber, a ausência de má-fé e a desnecessidade de uso de meios fraudulentos. A imposição da multa de oficio qualificada está prevista na Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44, inciso II, com redação vigente à época, reproduzido a seguir: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I - de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II - cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. "(grifos acrescidos) Por oportuno, confira-se a redação da Lei n°4.502, de 30 de novembro de 1964, arts. 71, 72 e 73: Art. 71 - Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: dr" 6 . . • Processo n° 16045.00056012006-81 CCOI/T94 Acórdão n.° 194-00.025 Fls. 7 I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 - Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73 - Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. (grifos acrescidos) No caso, as glosas se deram devido ao fato da Pessoa Jurídica beneficiária, após intimação, não ter reconhecido o recebimento dos pagamentos deduzidos. Na impugnação, a interessada apresenta documentos relativos a períodos diversos dos lançados, demonstrando que fazia pagamentos de despesas odontológicas para a Pessoa Jurídica Pro Odonto Pronto Atendimento Odontológico S/C Ltda, CNPJ 65.039.091/0001-14. A autoridade julgadora de primeira instância solicitou que a beneficiária dos pagamentos fosse intimada a esclarecer se prestou serviços odontológicas à contribuinte ou a seu cônjuge, nos anos-calendário 2000 a 2003. A resposta foi afirmativa, o que, inclusive, permitiu que fosse restabelecida a dedução referente aos pagamentos efetuados pela contribuinte relativos aos seu tratamento odontológico. Quer dizer, a qualificação da multa de oficio se fundamentou, essencialmente, no Termo de Declaração padronizado fornecido pela autoridade fiscal (fls. 25). Tal termo, porém, se demonstrou equivocado após a diligência, eis que a pessoa jurídica confirmou ter recebido da interessada os seguintes pagamentos (fls. 57 a 63): • Tratamento da própria contribuinte: R$ 618,60 no ano-calendário 2000; • Tratamento do cônjuge, José Marcos dos Santos, CPF 087.342.998-23: R$ 1.218,00, R$ 1.888,00 e R$ 1.738,00, nos anos-calendário 2001 a 2003, respectivamente. Nesse contexto, os argumentos da contribuinte se tomam razoáveis e, ao mesmo tempo, frágil a necessária comprovação de tratar-se de caso de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, capaz de justificar a imposição da penalidade. Ante ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%. Sala das Sessões - DF, em 09 de setembro de 2008 err----- AMARYLLES REINALDI E HENRIQUES RESENDE 7

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Numero do processo: 10540.721427/2011-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue Nov 21 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2008 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ALUGUÉIS - OUTROS RENDIMENTOS Os rendimentos recebidos por dependente apontados em DIRF, configuram rendimentos tributáveis e não foram informados na declaração de ajuste anual do contribuinte.
Numero da decisão: 2002-008.087
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Alvares Feital, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA

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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, Thiago Alvares Feital, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra a Contribuinte acima identificada foi emitida, em 14/02/2011, a Notificação de Lançamento de fls. 04 a 07, relativa ao Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF do exercício 2009, ano-calendário 2008, tendo sido apurado o crédito tributário assim constituído (em Reais): Imposto 1.213,76 Multa de Ofício (passível de redução) 910,32 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 72 14 27 /2 01 1- 52 Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-008.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10540.721427/2011-52 Juros de Mora (calculados até 28/02/2011) 206,46 Total do Crédito Tributário 2.330,54 O lançamento foi decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica pelos seus dependentes, no montante de R$ 9.242,12, conforme demonstrativo abaixo: Cientificada do lançamento, a Interessada apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL (fls. 36), que foi indeferida, como pode ser constatado às fls. 11. Após tomar ciência pessoalmente dessa decisão em 25/08/2011 (fls. 11), a Contribuinte apresentou, em 31/08/2011, a impugnação parcial de fls. 02, juntamente com os documentos de fls. 03 a 12, na qual concorda com a omissão de rendimentos relativa à fonte pagadora Fundação Universidade de Brasília, no valor de R$ 61,80. Quanto à omissão de rendimentos recebidos da Secretaria da Educação, no valor de R$ 9.180,32, alega que o beneficiário dos rendimentos, seu filho Fernando Elizário Santana da Silva, não poderia figurar como seu dependente, por ter completado 25 anos no ano-calendário 2008, sendo sua inclusão indevida. Por conseguinte, requer a exclusão do valor por ele recebido no lançamento em discussão. Às fls. 13 presta esclarecimentos adicionais e requer a inclusão das despesas com o plano de saúde PLANSERV como dedução de despesas médicas, juntando como provas cópias dos contracheques em que constam os valores pagos mensalmente ao citado plano. Na SRL juntada ás fls. 36, a Contribuinte informa que excluiu do valor pago ao plano de saúde PLANSERV – que está solicitando que seja deduzido como despesas médicas, R$ 2.440,86 - a quantia de R$ 1.087,92, por se referir a despesas com seu filho Fernando Elizário Santana da Silva que, segundo ela, não pode figurar como seu dependente. O crédito tributário não impugnado foi transferido para o processo nº 13652.720061/2013-04, conforme extrato do processo de fls. 28. Os autos foram encaminhados à DRJ/Brasília para julgamento, tendo sido distribuídos a este Julgador. É o Relatório. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/07/2016, o sujeito passivo interpôs, em 18/08/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) erro de preenchimento da declaração ao incluir dependente indevidamente b) as despesas médicas estão comprovadas nos autos É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Freitas De Souza Costa - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço O litígio recai sobre omissão de rendimentos recebidos por dependente. A decisão de 1ª instância com a qual concordo assim se pronunciou: Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-008.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10540.721427/2011-52 A impugnação é tempestiva e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecida. Cumpre informar, inicialmente, que a Contribuinte concorda com a omissão de rendimentos relativa à fonte pagadora Fundação Universidade de Brasília, no valor de R$ 61,80. Trata-se, portanto, de matéria não impugnada, nos termos do art. 58 do Decreto nº 7.574, de 2011, cujo crédito tributário encontra-se definitivamente constituído na esfera administrativa. DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS IMPUGNADA Quanto à omissão de rendimentos recebidos da Secretaria da Educação, no valor de R$ 9.180,32, a Impugnante alega que não pode prosperar, pois os valores foram auferidos por seu filho Fernando Elizário Santana da Silva, que não poderia figurar como seu dependente, por ter completado 25 anos no ano-calendário 2008. Acerca da dedução de dependentes, o art. 77, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/99, assim dispõe: “Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I - o cônjuge; II - o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV - o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V - o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI - os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII - o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). § 5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º).” (destaquei) No livro “Perguntas e Respostas”, elaborado pela Receita Federal do Brasil, consta o esclarecimento de que o fato de o filho ter completado 25 anos durante o ano-calendário não ocasiona a perda da condição de dependência. Confira-se o conteúdo da resposta à pergunta nº 326 daquele livro, relativo ao exercício 2009, ano-calendário 2008. Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-008.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10540.721427/2011-52 “FILHO UNIVERSITÁRIO QUE FAZ 25 ANOS NO INÍCIO DO ANO 326 — Filho universitário que completou 25 anos durante o ano de 2008 pode ser considerado dependente? Sim. De acordo com a legislação tributária pode ser considerado dependente a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até 21 anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho. Podem ainda ser assim considerados, quando maiores até 24 anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. O fato de ter completado 25 anos durante o ano não ocasiona a perda a condição de dependência. (Lei n º 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 35, III, § 1 º ; Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), art. 77, §§ 1 º , III, e 2 º )” Assim, ao contrário do que sustenta a Interessada, seu filho Fernando Elizário Santana da Silva poderia figurar como seu dependente, caso atendesse aos demais requisitos descritos no § 2º do art. 77, do RIR/99, por ter completado 25 anos no ano-calendário 2008, pois nasceu em 24/09/1983 (fls. 23). Como a Impugnante sequer mencionou que seu filho não estava cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau em 2008, depreende-se que ele atendia a esse requisito. Tendo optado por deduzir Fernando Elizário Santana da Silva como dependente em sua declaração de ajuste anual do IRPF auditada, a Contribuinte, obrigatoriamente, deveria incluir os rendimentos tributáveis recebidos por ele, conforme estabelece o art. 38, § 8º, da Instrução Normativa SRF nº 15, de 06/02/2001, vigente à época da ocorrência do fato gerador, abaixo reproduzido: “Art. 38. Podem ser considerados dependentes: (...) § 8º Os rendimentos tributáveis recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos do contribuinte para efeito de tributação na declaração.” Por tais razões, deve ser mantida a omissão de rendimentos recebidos da Secretaria da Educação, no valor de R$ 9.180,32, pelo filho e dependente da Contribuinte Fernando Elizário Santana da Silva. DA SOLICITAÇÃO PARA INCLUSÃO DE DESPESAS MÉDICAS A Contribuinte requer que seja acatada como dedução de despesa médica o valor de R$ 2.440,86, pago ao plano de saúde PLANSERV. Como prova, junta os contracheques de fls. 14 a 21, sendo que foi apresentado, também o comprovante de rendimentos fornecido pela Secretaria da Educação, no qual informa ter sido paga a quantia de R$ 3.528,78 (fls. 42). Verificando os documentos acima citados, constata-se que não há informação de quem são os beneficiários do plano de saúde em questão. E, como disposto no art. 80, II, do RIR/99, somente são passíveis de dedução como despesas médicas os pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes. “Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-008.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10540.721427/2011-52 II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).” (destaquei) Por tais razões, não há como acatar o pedido de inclusão das despesas médicas no montante de R$ 2.440,86. Diante do exposto, voto pela IMPROCEDÊNCIA da impugnação, o que resulta na manutenção do crédito tributário lançado. O crédito tributário não impugnado foi transferido para o processo nº 13652.720061/2013-04, conforme extrato do processo de fls. 28. Walter Reinaldo Falcão Lima Relator Desta forma, entendo que os demais argumentos contidos em seu recurso não procedem por estar incluindo despesas médicas que não foram objeto da autuação. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, Negar- lhe Provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas De Souza Costa Fl. 95DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-008.087 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10540.721427/2011-52 Fl. 96DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10140.721100/2013-55
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 27 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Nov 13 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2010 DESPESAS MÉDICAS . COMPROVAÇÃO. A dedução com despesas médicas é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal (Súmula CARF nº 180).
Numero da decisão: 2001-006.639
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: HONORIO ALBUQUERQUE DE BRITO

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COMPROVAÇÃO. A dedução com despesas médicas é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal (Súmula CARF nº 180). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório A seguir transcreve-se o relatório do acórdão nº 08-34.226 da 1ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE (fls. 45 e segs.). Contra o contribuinte, acima identificado, foi emitida Notificação de Lançamento – Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 33/38, relativa ao ano-calendário de 2010, exercício de 2011, reduzindo o saldo de imposto a restituir de R$ 4.639,61 para R$ 1.339,61 A infração apurada pela Fiscalização, relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 35/36, foi: Dedução Indevida de Despesas Médicas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 11 00 /2 01 3- 55 Fl. 90DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-006.639 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10140.721100/2013-55 Glosa do valor de R$ 12.000,00, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou pro falta de previsão legal para sua dedução, conforme abaixo discriminado. Inconformado com a exigência, da qual tomou ciência em 23/05/2013, fl. 39, o contribuinte apresentou impugnação em 27/05/2013, conforme trechos abaixo colacionados: Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-006.639 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10140.721100/2013-55 Aos autos foram anexados os documentos de folhas 03/38. Após análise, a DRJ não acatou os argumentos da contribuinte. Do voto do acórdão recorrido: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, ano-calendário 2010, exercício 2011, relativo à infração Dedução Indevida de Despesas Médicas, no valor de R$ 12.000,00, em virtude da não comprovação do efetivo pagamento. Para a perfeita compreensão das glosas das deduções de despesas médicas efetuadas, devemos considerar os seguintes dispositivos: Lei nº 9.250, de 1995 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º - O disposto na alínea “a” do inciso II: (...) II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. (Sem grifos no original) Decreto-Lei nº 5.844, de 1943 Art 11 Poderão ser deduzidas, em cada cédula, as despesas referidas nêste capítulo, necessárias à percepção dos rendimentos. § 1° As deduções permitidas senão as que corresponderem a despesas efetivamente pagas. (...) § 3° Tôdas as deduções estarão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 4° Se forem pedidas deduções exageradas em relação ao rendimento bruto declarado, ou se tais deduções não forem cabíveis, de acôrdo com o disposto neste capítulo, poderão ser glosadas sem audiência de contribuinte. (Grifos nossos) Decreto n° 3.000, de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) Fl. 92DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-006.639 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10140.721100/2013-55 Art.73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §3º). §1ºSe forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §4º). §2ºAs deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §5º). (...) Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados , no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (Os grifos não constam do original) Instrução Normativa SRF nº 15, de 06 de fevereiro de 2001 Art. 43. Na Declaração de Ajuste Anual podem ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem assim as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º A dedução das despesas médicas restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento ou a de seus dependentes. Art. 46. A dedução a título de despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, a comprovação ser feita com a indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. (Os grifos não constam do original) Depreende-se dos dispositivos transcritos que o direito à dedução das despesas médicas na declaração de ajuste, está sempre limitado a pagamentos especificados e comprovados com indicação do nome, endereço e número de CPF ou CNPJ de quem os recebe e com a informação do tratamento e do paciente, ou seja, incumbe ao contribuinte o ônus de provar o preenchimento do suporte fático que autoriza a dedução, mediante a apresentação de documentos idôneos, a fim de comprovar a efetiva prestação do serviço, bem como o efetivo pagamento das despesas incorridas por tratamento próprio ou de seus dependentes, cabendo esclarecer que a dedutibilidade das despesas da base de cálculo do imposto de renda está vinculada aos dispositivos legais e normativos que tratam da matéria, aplicados de forma objetiva. Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-006.639 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10140.721100/2013-55 Vale dizer que a autoridade administrativa, inclusive a julgadora, deve observar a norma estabelecida para regulamentar a questão em litígio, não podendo, por mero juízo de valor, restringi-la ou ampliá-la. A inversão legal do ônus da prova, do Fisco para o contribuinte, transfere para este a obrigação de comprovação e justificação das deduções, e, não o fazendo, sofre as consequências legais, ou seja, o não cabimento das deduções por falta de comprovação e justificação. Importa dizer, que o ônus de provar significa trazer elementos que não deixem qualquer dúvida quanto ao fato questionado. Vale lembrar, outrossim, que o princípio do ônus da prova é inerente a todo ordenamento jurídico, sendo que deve ser obedecido também na esfera administrativa. Assim, incumbe ao Impugnante apresentar tempestivamente, ou seja, junto com a impugnação, as provas em direito admitidas, conforme determina o art. 16, inciso III, do Decreto 70.235, de 1972. De forma que, apenas podem ser admitidas as deduções questionadas pela Fiscalização que o contribuinte logre comprovar por meio de documentos hábeis, cabendo ao Fisco, por imposição legal, tomar as cautelas necessárias a preservar o interesse público implícito na defesa da correta apuração do tributo, que se infere da interpretação do art. 11, § 4º, do Decreto-Lei nº 5.844, de 1943. Nesse contexto, passa-se à análise concreta das glosas impugnadas pelo Contribuinte: Em sua defesa o impugnante informa ter sido o paciente dos procedimentos médicos, que compareceu à Receita Federal para prestar esclarecimentos, que a pessoa que o atendeu não informou que deveria apresentar laudo medico ou outro documento, só tomando conhecimento desse fato quando do recebimento da notificação de lançamento hora combatida. Ao analisarmos os documentos acostados aos autos, constatamos que os recibos médicos se coadunam com os valores informados pelo contribuinte em sua declaração de ajuste anual. Ainda, de acordo com cópias de canhotos de cheques anexados, temos que tais valores guardam relação com os saques efetuados pelo contribuinte. A fim de corroborar sua defesa o contribuinte anexou declarações emitidas pelos profissionais, a qual atestam que o mesmo foi o beneficiário dos procedimentos realizados. Contudo, em que pese o conjunto de provas trazidas aos autos, nenhum dos documentos comprova o efetivo pagamento, motivo pelo qual a fiscalização glosou referidas despesas. Considerando que os pagamentos foram efetuados através de cheques, os documentos necessários para fins de comprovação são as cópias dos mesmos. Dessa forma, mesmo restando comprovado que o contribuinte foi o beneficiário dos serviços médicos prestados, face à exigência de comprovação do efetivo pagamento, temos que não merece reparo o feito fiscal. CONCLUSÃO. Por todo exposto, VOTO pela improcedência da impugnação, restando mantida as alterações de acordo com a notificação de lançamento. Cientificado da decisão de primeira instância em 13/08/2015, o sujeito passivo interpôs, em 19/08/2015, Recurso Voluntário, fl. 57, ao qual anexa cópias dos cheques utilizados nos pagamentos deduzidos. É o relatório. Fl. 94DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-006.639 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10140.721100/2013-55 Voto Conselheiro Honório Albuquerque de Brito - Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. Despesas médicas Dispõe o art. o art. 73 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99) que a autoridade fiscal, se entender necessário, pode solicitar elementos de convicção da efetiva realização, bem como da natureza da despesa que se pretende deduzir. Assim, é lícito ao Fisco exigir, a seu critério, elementos comprobatórios das despesas, caso haja indícios que levem a questionamentos da efetividade da prestação dos serviços, de a quem foram prestados ou sobre quem assumiu seu ônus. A não apresentação dos elementos solicitados, ou sua não aceitação como hábeis e idôneos, pode ensejar a glosa dos valores deduzidos. Nesse sentido a Súmula CARF nº 180: Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. No caso em análise, foram glosadas pela Fiscalização da Receita Federal as deduções das despesas médicas com os cirurgiões dentistas José Simões Soares (R$ 7.500,00) e Luzia Peres Martins Soares (R$ 4.500,00) por falta de comprovação do efetivo pagamento, e pela mesma razão o lançamento foi mantido após o julgamento na DRJ. Em sede de Recurso Voluntário, entretanto, o recorrente apresenta as cópias dos cheques utilizados nos pagamentos em questão (fl. 60 a 67), sanando a pendência. Desta forma, uma vez comprovados os pagamentos, devem ser restabelecidas as deduções de despesas médicas glosadas pelo Fisco. CONCLUSÃO: Por todo o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO, conforme acima descrito. (assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito Fl. 95DF CARF MF Original

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10183627 #
Numero do processo: 11052.720067/2017-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 18 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Nov 16 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 2012, 2013 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ANÁLISE DE TODAS AS ALEGAÇÕES SUSCITADAS. INAPLICABILIDADE. O julgador possui o dever de enfrentar apenas questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Esse entendimento vem sendo aplicado ainda que na vigência do CPC/2015, visto que não são poucos os exemplos de entendimentos jurisprudenciais, inclusive, do próprio STJ, notadamente no que se refere o inciso IV do aludido art. 489, no sentido de que o dever de enfrentar as alegações podem se restringir àquelas capazes de combalir a conclusão adotada no lançamento. Se, e somente se, houver lacuna no procedimento acima, ou seja, se constatado que houve desrespeito ao dever de motivação tendo havido ponto omisso atrelado ao tema relevante ao deslinde da causa é que haveria suposta violação a esse dever, pois do contrário, significaria que a questão suscitada não teria o condão de alterar o julgamento da demanda, pois estar-se-ia diante de uma alegação, ou um argumento, utilizado como um reforço de convencimento. DECADÊNCIA. REMESSA DE JUROS AO EXTERIOR. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. PRINCÍPIO DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. REGRAS DO CTN. Consoante previsão dos manuais do imposto de renda retido na fonte (MAFON 2012 e 2013), as remessas ao exterior a título de juros e comissões em geral estão previstas a serem efetuadas sob o código de arrecadação 0481, ou sob o código 5299 para remessas não aplicadas no financiamento de exportações, cujo regime de tributação é exclusivo na fonte, na forma do art. 35 da IN SRF nº 208/2002 (art. 35), c/c IN SRF nº 252/2002 (art. 1º). Ocorre que cada fato gerador de IR-fonte (cada pagamento efetuado pela fonte pagadora a um beneficiário) é um fato gerador próprio, completo, autônomo, individual, que não se comunica com outras retenções relativas a outros pagamentos feitos pela fonte pagadora (outros fatos geradores). O fato gerador do IR-fonte é um típico fato gerador instantâneo. Não há nesse caso a figura do fato gerador complexivo (periódico), como se dá com o IRPJ e a CSLL. Se cada fato gerador de IR-fonte é único, não há como falar em pagamento parcial de tributo. Não há como utilizar recolhimentos de IR-fonte referentes a outras retenções (outros fatos geradores) independentemente do código de recolhimento, da rubrica, etc., para fins de deslocar a contagem da decadência para a regra do art. 150 do CTN. O deslocamento da regra decadencial só seria possível se o contribuinte apresentasse recolhimento parcial de IR-fonte para uma determinada retenção feita por ele. Ainda assim, o deslocamento só abrangeria esse específico fato gerador, e não serviria para antecipar a contagem da decadência para todos os demais fatos geradores de IR-fonte ocorridos na mesma semana, no mesmo decêndio, na mesma quinzena, no mesmo mês, no mesmo trimestre, no mesmo ano, etc. DISSIMULAÇÃO. ABUSO DE FORMA. CONTRATO DE PRÉ- PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. Configura-se abuso de direito dissimulatório na modalidade abuso de forma quando a vontade das partes foi, de fato, firmar determinado contrato de Pré-Pagamento de Exportação, todavia, a real finalidade era fugir da tributação das remessas ao exterior, além de gerar nova dedutibilidade do lucro real nos referidos valores, configurando claro abuso do direito subjetivo de obter benefício fiscal na obtenção de financiamento externo vinculado à exportação futura. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO FIRMADO COM EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. VIABILIDADE. REGULAÇÃO PELO BACEN. ASPECTO CAMBIAL. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS DO BACEN PARA REGULAR BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO DE ALÍQUOTA ZERO DE IRRF INCIDENTE SOBRE OS JUROS REMETIDOS AO EXTERIOR. A regulação realizada pelo BACEN acerca dos contratos de pré-pagamento de exportações, notadamente, é inerente ao aspecto cambial, visando o controle das operações de crédito e suas implicações no mercado, de modo a possibilitar que se promova o encontro de contas entre os recursos que ingressaram no País e os produtos exportados, medidas fundamentais ao controle do endividamento externo. Neles se incluem, obviamente, créditos obtidos no exterior para financiamento de exportações. Por outro lado, a competência regulamentar daquele órgão não retira da RFB a competência que a autoriza a verificar, por intermédio de seus agentes, os efeitos e a conformidade da operação no âmbito tributário. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO-PPE. EXPORTAÇÃO A OUTROS DESTINATÁRIOS. Caso o contrato de PPE preveja exportações futuras direcionadas apenas ao financiador, no total equivalente ao valor captado, não é possível remeter juros a este financiador, totalmente com alíquota zero do IRRF, quando o total exportado totalizou apenas 15% do valor captado, sob alegação de que o valor recebido (financiado) foi utilizado também para exportações a outros destinatários não previstos ou autorizados pelo PPE. EMISSÃO DE TÍTULOS DE DÍVIDA. CAPTAÇÃO DE RECURSO. ENVIO DO RECURSO, POSTERIORMENTE, AO EXTERIOR, PARA EMPRESA DO GRUPO. CONTRATO DE PRÉ- PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO-PPE. REMESSAS DE JUROS AO EXTERIOR COM ALÍQUOTA ZERO DE IRRF. NÃO CONFIGURAÇÃO DOS REQUISITOS DE NORMALIDADE, USUALIDADE E ESSENCIALIDADE DAS DESPESAS PARA FINS DE DEDUÇÃO. Não se verificam os requisitos de usualidade, normalidade e essencialidade para dedução de despesas de juros remetidos ao exterior, referente a contrato de Pré-Pagamento de Exportação-PPE, quando demonstrado que o mesmo recurso havia sido captado do exterior pelo grupo econômico, anteriormente, através de sua Holding, por via de emissão de títulos de dívida para investidores no exterior e sob alegação de desenvolvimento econômico operacional de polos prospectores. Isso porque houve cessão de direitos e deveres referentes aos títulos de dívida para empresa do grupo, no exterior, transferindo-se, em tese, os juros dedutíveis para essa. Ocorre que, com o novo retorno do mesmo recurso ao Brasil, agora sob fundamento de contrato de PPE, gerou-se novos juros a serem deduzidos no Brasil, para beneficiar empresa operacional no Brasil que gerava prejuízos, e prevendo pagamentos de juros à empresa do exterior com alíquota zero de IRRF, sob fundamento do financiamento de exportação, fazendo com que não houvesse ônus tributário. Corrobora o entendimento quando não há prova da completa utilização desse valor para as referidas exportações. JUROS REMETIDOS AO EXTERIOR. CONVENÇÃO INTERNACIONAL PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO ENTRE BRASIL E ÁUSTRIA. ALÍQUOTA MÁXIMA DE IRRF DE 15%. APLICABILIDADE AO CASO. Regra geral, os casos do imposto incidente na fonte sobre os juros pagos a domiciliados no exterior possuirão natureza de tributação exclusiva, já que o rendimento não mais será objeto de tributação no País; nesse caso, a fonte pagadora revestir-se-á da condição de responsável exclusiva pelo imposto, competindo-lhe entregar o valor líquido ao beneficiário. Contudo, se a fonte pagadora não efetuar a retenção de imposto, quando devido, aplicar-se-á o disposto no art. 725 do RIR/99, devendo-se proceder ao reajustamento da BC; isso porque uma das hipóteses em que a fonte pagadora assume o ônus do IRRF é quando não efetua o desconto do IRFonte nos casos em que a lei prevê a retenção, consoante interpretação do art. 61 da Lei n. 8981/1995, c/c art. 74, § 2' da Lei nº 8.383/1991; Todavia, a IN SRF n. 70/1982, prevê que aos juros, relativos à aquisição financiada de bens, pagos a residentes ou domiciliados em país com o qual o Brasil tenha firmado Convenção destinada a evitar a dupla tributação da renda, aplicam-se as alíquotas nela previstas em detrimento das fixadas na legislação interna, não cabendo reajustamento da base de cálculo, ainda que o adquirente tenha assumido contratualmente o ônus do imposto. Acrescente-se que o art. 98 do CTN prevê que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Além disso, a Portaria MF n. 470/19761, que, nos limites de sua competência, estabelece entendimentos para esse órgão fazendário, considera que a legislação brasileira só seria aplicável ao caso quando se verificasse rendimentos não abrangidos pelos artigos 10, 11 e 12 da Convenção (que tratam de dividendos, juros e royalties), ocorre que o caso refere-se a juros incidentes sobre remessas à residente na Áustria. Assim, a limitação da alíquota de IRRF em 15% prevista na Convenção Brasil-Áustria para Evitar Dupla Tributação em matéria de impostos sobre a renda e o capital, internalizada através do Decreto n. 78.107, de 22 de julho de 1976, deve ser aplicada quando a empresa no exterior não possua, ou detenha, um estabelecimento permanente no Brasil, do qual detenha o controle, ou tenha influência significativa; assim aplica-se aos juros remetidos ao exterior para empresa domiciliada na Áustria o parágrafo 2º do art. 11 da referida Convenção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 05. O julgador administrativo vincula-se às normas cogentes, qual seja, a Portaria MF n. 277, de 07 de junho de 2018, a qual atribuiu efeito vinculante a determinadas Súmulas CARF, dentre elas a de nº 5, publicada no DOU de 23-12-10, a qual prevê serem devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. IRRF. EMPRÉSTIMO OBTIDO NO EXTERIOR. REGISTRO CONTÁBIL DOS JUROS. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDAS OU PROVENTOS PELO CREDOR. INEXISTÊNCIA. O mero registro contábil dos juros pelo devedor não implica a disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos pelo credor, devendo ser afastada a incidência do imposto de renda na fonte. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-006.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e em relação ao recurso voluntário afastar as arguições de nulidade do auto de infração para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar a exigência do IRRF relativo aos fatos geradores de 31 de maio de 2013 a 31 de outubro de 2013. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA

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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 2012, 2013 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ANÁLISE DE TODAS AS ALEGAÇÕES SUSCITADAS. INAPLICABILIDADE. O julgador possui o dever de enfrentar apenas questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Esse entendimento vem sendo aplicado ainda que na vigência do CPC/2015, visto que não são poucos os exemplos de entendimentos jurisprudenciais, inclusive, do próprio STJ, notadamente no que se refere o inciso IV do aludido art. 489, no sentido de que o dever de enfrentar as alegações podem se restringir àquelas capazes de combalir a conclusão adotada no lançamento. Se, e somente se, houver lacuna no procedimento acima, ou seja, se constatado que houve desrespeito ao dever de motivação tendo havido ponto omisso atrelado ao tema relevante ao deslinde da causa é que haveria suposta violação a esse dever, pois do contrário, significaria que a questão suscitada não teria o condão de alterar o julgamento da demanda, pois estar-se-ia diante de uma alegação, ou um argumento, utilizado como um reforço de convencimento. DECADÊNCIA. REMESSA DE JUROS AO EXTERIOR. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. PRINCÍPIO DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. REGRAS DO CTN. Consoante previsão dos manuais do imposto de renda retido na fonte (MAFON 2012 e 2013), as remessas ao exterior a título de juros e comissões em geral estão previstas a serem efetuadas sob o código de arrecadação 0481, ou sob o código 5299 para remessas não aplicadas no financiamento de exportações, cujo regime de tributação é exclusivo na fonte, na forma do art. 35 da IN SRF nº 208/2002 (art. 35), c/c IN SRF nº 252/2002 (art. 1º). Ocorre que cada fato gerador de IR-fonte (cada pagamento efetuado pela fonte pagadora a um beneficiário) é um fato gerador próprio, completo, autônomo, individual, que não se comunica com outras retenções relativas a outros pagamentos feitos pela fonte pagadora (outros fatos geradores). O fato gerador do IR-fonte é um típico fato gerador instantâneo. Não há nesse caso a figura do fato gerador complexivo (periódico), como se dá com o IRPJ e a CSLL. Se cada fato gerador de IR-fonte é único, não há como falar em pagamento parcial de tributo. Não há como utilizar recolhimentos de IR-fonte referentes a outras retenções (outros fatos geradores) independentemente do código de recolhimento, da rubrica, etc., para fins de deslocar a contagem da decadência para a regra do art. 150 do CTN. O deslocamento da regra decadencial só seria possível se o contribuinte apresentasse recolhimento parcial de IR-fonte para uma determinada retenção feita por ele. Ainda assim, o deslocamento só abrangeria esse específico fato gerador, e não serviria para antecipar a contagem da decadência para todos os demais fatos geradores de IR-fonte ocorridos na mesma semana, no mesmo decêndio, na mesma quinzena, no mesmo mês, no mesmo trimestre, no mesmo ano, etc. DISSIMULAÇÃO. ABUSO DE FORMA. CONTRATO DE PRÉ- PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. Configura-se abuso de direito dissimulatório na modalidade abuso de forma quando a vontade das partes foi, de fato, firmar determinado contrato de Pré-Pagamento de Exportação, todavia, a real finalidade era fugir da tributação das remessas ao exterior, além de gerar nova dedutibilidade do lucro real nos referidos valores, configurando claro abuso do direito subjetivo de obter benefício fiscal na obtenção de financiamento externo vinculado à exportação futura. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO FIRMADO COM EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. VIABILIDADE. REGULAÇÃO PELO BACEN. ASPECTO CAMBIAL. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS DO BACEN PARA REGULAR BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO DE ALÍQUOTA ZERO DE IRRF INCIDENTE SOBRE OS JUROS REMETIDOS AO EXTERIOR. A regulação realizada pelo BACEN acerca dos contratos de pré-pagamento de exportações, notadamente, é inerente ao aspecto cambial, visando o controle das operações de crédito e suas implicações no mercado, de modo a possibilitar que se promova o encontro de contas entre os recursos que ingressaram no País e os produtos exportados, medidas fundamentais ao controle do endividamento externo. Neles se incluem, obviamente, créditos obtidos no exterior para financiamento de exportações. Por outro lado, a competência regulamentar daquele órgão não retira da RFB a competência que a autoriza a verificar, por intermédio de seus agentes, os efeitos e a conformidade da operação no âmbito tributário. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO-PPE. EXPORTAÇÃO A OUTROS DESTINATÁRIOS. Caso o contrato de PPE preveja exportações futuras direcionadas apenas ao financiador, no total equivalente ao valor captado, não é possível remeter juros a este financiador, totalmente com alíquota zero do IRRF, quando o total exportado totalizou apenas 15% do valor captado, sob alegação de que o valor recebido (financiado) foi utilizado também para exportações a outros destinatários não previstos ou autorizados pelo PPE. EMISSÃO DE TÍTULOS DE DÍVIDA. CAPTAÇÃO DE RECURSO. ENVIO DO RECURSO, POSTERIORMENTE, AO EXTERIOR, PARA EMPRESA DO GRUPO. CONTRATO DE PRÉ- PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO-PPE. REMESSAS DE JUROS AO EXTERIOR COM ALÍQUOTA ZERO DE IRRF. NÃO CONFIGURAÇÃO DOS REQUISITOS DE NORMALIDADE, USUALIDADE E ESSENCIALIDADE DAS DESPESAS PARA FINS DE DEDUÇÃO. Não se verificam os requisitos de usualidade, normalidade e essencialidade para dedução de despesas de juros remetidos ao exterior, referente a contrato de Pré-Pagamento de Exportação-PPE, quando demonstrado que o mesmo recurso havia sido captado do exterior pelo grupo econômico, anteriormente, através de sua Holding, por via de emissão de títulos de dívida para investidores no exterior e sob alegação de desenvolvimento econômico operacional de polos prospectores. Isso porque houve cessão de direitos e deveres referentes aos títulos de dívida para empresa do grupo, no exterior, transferindo-se, em tese, os juros dedutíveis para essa. Ocorre que, com o novo retorno do mesmo recurso ao Brasil, agora sob fundamento de contrato de PPE, gerou-se novos juros a serem deduzidos no Brasil, para beneficiar empresa operacional no Brasil que gerava prejuízos, e prevendo pagamentos de juros à empresa do exterior com alíquota zero de IRRF, sob fundamento do financiamento de exportação, fazendo com que não houvesse ônus tributário. Corrobora o entendimento quando não há prova da completa utilização desse valor para as referidas exportações. JUROS REMETIDOS AO EXTERIOR. CONVENÇÃO INTERNACIONAL PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO ENTRE BRASIL E ÁUSTRIA. ALÍQUOTA MÁXIMA DE IRRF DE 15%. APLICABILIDADE AO CASO. Regra geral, os casos do imposto incidente na fonte sobre os juros pagos a domiciliados no exterior possuirão natureza de tributação exclusiva, já que o rendimento não mais será objeto de tributação no País; nesse caso, a fonte pagadora revestir-se-á da condição de responsável exclusiva pelo imposto, competindo-lhe entregar o valor líquido ao beneficiário. Contudo, se a fonte pagadora não efetuar a retenção de imposto, quando devido, aplicar-se-á o disposto no art. 725 do RIR/99, devendo-se proceder ao reajustamento da BC; isso porque uma das hipóteses em que a fonte pagadora assume o ônus do IRRF é quando não efetua o desconto do IRFonte nos casos em que a lei prevê a retenção, consoante interpretação do art. 61 da Lei n. 8981/1995, c/c art. 74, § 2' da Lei nº 8.383/1991; Todavia, a IN SRF n. 70/1982, prevê que aos juros, relativos à aquisição financiada de bens, pagos a residentes ou domiciliados em país com o qual o Brasil tenha firmado Convenção destinada a evitar a dupla tributação da renda, aplicam-se as alíquotas nela previstas em detrimento das fixadas na legislação interna, não cabendo reajustamento da base de cálculo, ainda que o adquirente tenha assumido contratualmente o ônus do imposto. Acrescente-se que o art. 98 do CTN prevê que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Além disso, a Portaria MF n. 470/19761, que, nos limites de sua competência, estabelece entendimentos para esse órgão fazendário, considera que a legislação brasileira só seria aplicável ao caso quando se verificasse rendimentos não abrangidos pelos artigos 10, 11 e 12 da Convenção (que tratam de dividendos, juros e royalties), ocorre que o caso refere-se a juros incidentes sobre remessas à residente na Áustria. Assim, a limitação da alíquota de IRRF em 15% prevista na Convenção Brasil-Áustria para Evitar Dupla Tributação em matéria de impostos sobre a renda e o capital, internalizada através do Decreto n. 78.107, de 22 de julho de 1976, deve ser aplicada quando a empresa no exterior não possua, ou detenha, um estabelecimento permanente no Brasil, do qual detenha o controle, ou tenha influência significativa; assim aplica-se aos juros remetidos ao exterior para empresa domiciliada na Áustria o parágrafo 2º do art. 11 da referida Convenção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 05. O julgador administrativo vincula-se às normas cogentes, qual seja, a Portaria MF n. 277, de 07 de junho de 2018, a qual atribuiu efeito vinculante a determinadas Súmulas CARF, dentre elas a de nº 5, publicada no DOU de 23-12-10, a qual prevê serem devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. IRRF. EMPRÉSTIMO OBTIDO NO EXTERIOR. REGISTRO CONTÁBIL DOS JUROS. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDAS OU PROVENTOS PELO CREDOR. INEXISTÊNCIA. O mero registro contábil dos juros pelo devedor não implica a disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos pelo credor, devendo ser afastada a incidência do imposto de renda na fonte. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.

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EM RECUPERACAO JUDICIAL FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Exercício: 2012, 2013 CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ANÁLISE DE TODAS AS ALEGAÇÕES SUSCITADAS. INAPLICABILIDADE. O julgador possui o dever de enfrentar apenas questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Esse entendimento vem sendo aplicado ainda que na vigência do CPC/2015, visto que não são poucos os exemplos de entendimentos jurisprudenciais, inclusive, do próprio STJ, notadamente no que se refere o inciso IV do aludido art. 489, no sentido de que o dever de enfrentar as alegações podem se restringir àquelas capazes de combalir a conclusão adotada no lançamento. Se, e somente se, houver lacuna no procedimento acima, ou seja, se constatado que houve desrespeito ao dever de motivação tendo havido ponto omisso atrelado ao tema relevante ao deslinde da causa é que haveria suposta violação a esse dever, pois do contrário, significaria que a questão suscitada não teria o condão de alterar o julgamento da demanda, pois estar-se-ia diante de uma alegação, ou um argumento, utilizado como um reforço de convencimento. DECADÊNCIA. REMESSA DE JUROS AO EXTERIOR. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. PRINCÍPIO DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. REGRAS DO CTN. Consoante previsão dos manuais do imposto de renda retido na fonte (MAFON 2012 e 2013), as remessas ao exterior a título de juros e comissões em geral estão previstas a serem efetuadas sob o código de arrecadação 0481, ou sob o código 5299 para remessas não aplicadas no financiamento de exportações, cujo regime de tributação é exclusivo na fonte, na forma do art. 35 da IN SRF nº 208/2002 (art. 35), c/c IN SRF nº 252/2002 (art. 1º). Ocorre que cada fato gerador de IR-fonte (cada pagamento efetuado pela fonte pagadora a um beneficiário) é um fato gerador próprio, completo, autônomo, individual, que não se comunica com outras retenções relativas a outros pagamentos feitos pela fonte pagadora (outros fatos geradores). O fato gerador do IR-fonte é um típico fato gerador instantâneo. Não há nesse caso a figura do fato gerador complexivo (periódico), como se dá com o IRPJ e a CSLL. Se cada fato gerador de IR-fonte é único, não há como falar em pagamento parcial de tributo. Não há como utilizar recolhimentos de IR-fonte referentes a outras retenções (outros fatos geradores) independentemente do código de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 2. 72 00 67 /2 01 7- 21 Fl. 2189DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 recolhimento, da rubrica, etc., para fins de deslocar a contagem da decadência para a regra do art. 150 do CTN. O deslocamento da regra decadencial só seria possível se o contribuinte apresentasse recolhimento parcial de IR-fonte para uma determinada retenção feita por ele. Ainda assim, o deslocamento só abrangeria esse específico fato gerador, e não serviria para antecipar a contagem da decadência para todos os demais fatos geradores de IR-fonte ocorridos na mesma semana, no mesmo decêndio, na mesma quinzena, no mesmo mês, no mesmo trimestre, no mesmo ano, etc. DISSIMULAÇÃO. ABUSO DE FORMA. CONTRATO DE PRÉ- PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. Configura-se abuso de direito dissimulatório na modalidade abuso de forma quando a vontade das partes foi, de fato, firmar determinado contrato de Pré- Pagamento de Exportação, todavia, a real finalidade era fugir da tributação das remessas ao exterior, além de gerar nova dedutibilidade do lucro real nos referidos valores, configurando claro abuso do direito subjetivo de obter benefício fiscal na obtenção de financiamento externo vinculado à exportação futura. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO FIRMADO COM EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. VIABILIDADE. REGULAÇÃO PELO BACEN. ASPECTO CAMBIAL. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS DO BACEN PARA REGULAR BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO DE ALÍQUOTA ZERO DE IRRF INCIDENTE SOBRE OS JUROS REMETIDOS AO EXTERIOR. A regulação realizada pelo BACEN acerca dos contratos de pré-pagamento de exportações, notadamente, é inerente ao aspecto cambial, visando o controle das operações de crédito e suas implicações no mercado, de modo a possibilitar que se promova o encontro de contas entre os recursos que ingressaram no País e os produtos exportados, medidas fundamentais ao controle do endividamento externo. Neles se incluem, obviamente, créditos obtidos no exterior para financiamento de exportações. Por outro lado, a competência regulamentar daquele órgão não retira da RFB a competência que a autoriza a verificar, por intermédio de seus agentes, os efeitos e a conformidade da operação no âmbito tributário. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO-PPE. EXPORTAÇÃO A OUTROS DESTINATÁRIOS. Caso o contrato de PPE preveja exportações futuras direcionadas apenas ao financiador, no total equivalente ao valor captado, não é possível remeter juros a este financiador, totalmente com alíquota zero do IRRF, quando o total exportado totalizou apenas 15% do valor captado, sob alegação de que o valor recebido (financiado) foi utilizado também para exportações a outros destinatários não previstos ou autorizados pelo PPE. EMISSÃO DE TÍTULOS DE DÍVIDA. CAPTAÇÃO DE RECURSO. ENVIO DO RECURSO, POSTERIORMENTE, AO EXTERIOR, PARA EMPRESA DO GRUPO. CONTRATO DE PRÉ- PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO- PPE. REMESSAS DE JUROS AO EXTERIOR COM ALÍQUOTA ZERO DE Fl. 2190DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 IRRF. NÃO CONFIGURAÇÃO DOS REQUISITOS DE NORMALIDADE, USUALIDADE E ESSENCIALIDADE DAS DESPESAS PARA FINS DE DEDUÇÃO. Não se verificam os requisitos de usualidade, normalidade e essencialidade para dedução de despesas de juros remetidos ao exterior, referente a contrato de Pré-Pagamento de Exportação-PPE, quando demonstrado que o mesmo recurso havia sido captado do exterior pelo grupo econômico, anteriormente, através de sua Holding, por via de emissão de títulos de dívida para investidores no exterior e sob alegação de desenvolvimento econômico operacional de polos prospectores. Isso porque houve cessão de direitos e deveres referentes aos títulos de dívida para empresa do grupo, no exterior, transferindo-se, em tese, os juros dedutíveis para essa. Ocorre que, com o novo retorno do mesmo recurso ao Brasil, agora sob fundamento de contrato de PPE, gerou-se novos juros a serem deduzidos no Brasil, para beneficiar empresa operacional no Brasil que gerava prejuízos, e prevendo pagamentos de juros à empresa do exterior com alíquota zero de IRRF, sob fundamento do financiamento de exportação, fazendo com que não houvesse ônus tributário. Corrobora o entendimento quando não há prova da completa utilização desse valor para as referidas exportações. JUROS REMETIDOS AO EXTERIOR. CONVENÇÃO INTERNACIONAL PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO ENTRE BRASIL E ÁUSTRIA. ALÍQUOTA MÁXIMA DE IRRF DE 15%. APLICABILIDADE AO CASO. Regra geral, os casos do imposto incidente na fonte sobre os juros pagos a domiciliados no exterior possuirão natureza de tributação exclusiva, já que o rendimento não mais será objeto de tributação no País; nesse caso, a fonte pagadora revestir-se-á da condição de responsável exclusiva pelo imposto, competindo-lhe entregar o valor líquido ao beneficiário. Contudo, se a fonte pagadora não efetuar a retenção de imposto, quando devido, aplicar-se-á o disposto no art. 725 do RIR/99, devendo-se proceder ao reajustamento da BC; isso porque uma das hipóteses em que a fonte pagadora assume o ônus do IRRF é quando não efetua o desconto do IRFonte nos casos em que a lei prevê a retenção, consoante interpretação do art. 61 da Lei n. 8981/1995, c/c art. 74, § 2' da Lei nº 8.383/1991; Todavia, a IN SRF n. 70/1982, prevê que aos juros, relativos à aquisição financiada de bens, pagos a residentes ou domiciliados em país com o qual o Brasil tenha firmado Convenção destinada a evitar a dupla tributação da renda, aplicam-se as alíquotas nela previstas em detrimento das fixadas na legislação interna, não cabendo reajustamento da base de cálculo, ainda que o adquirente tenha assumido contratualmente o ônus do imposto. Acrescente-se que o art. 98 do CTN prevê que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Fl. 2191DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 Além disso, a Portaria MF n. 470/19761, que, nos limites de sua competência, estabelece entendimentos para esse órgão fazendário, considera que a legislação brasileira só seria aplicável ao caso quando se verificasse rendimentos não abrangidos pelos artigos 10, 11 e 12 da Convenção (que tratam de dividendos, juros e royalties), ocorre que o caso refere-se a juros incidentes sobre remessas à residente na Áustria. Assim, a limitação da alíquota de IRRF em 15% prevista na Convenção Brasil- Áustria para Evitar Dupla Tributação em matéria de impostos sobre a renda e o capital, internalizada através do Decreto n. 78.107, de 22 de julho de 1976, deve ser aplicada quando a empresa no exterior não possua, ou detenha, um estabelecimento permanente no Brasil, do qual detenha o controle, ou tenha influência significativa; assim aplica-se aos juros remetidos ao exterior para empresa domiciliada na Áustria o parágrafo 2º do art. 11 da referida Convenção. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 05. O julgador administrativo vincula-se às normas cogentes, qual seja, a Portaria MF n. 277, de 07 de junho de 2018, a qual atribuiu efeito vinculante a determinadas Súmulas CARF, dentre elas a de nº 5, publicada no DOU de 23- 12-10, a qual prevê serem devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. IRRF. EMPRÉSTIMO OBTIDO NO EXTERIOR. REGISTRO CONTÁBIL DOS JUROS. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDAS OU PROVENTOS PELO CREDOR. INEXISTÊNCIA. O mero registro contábil dos juros pelo devedor não implica a disponibilidade econômica ou jurídica de rendas ou proventos pelo credor, devendo ser afastada a incidência do imposto de renda na fonte. APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e em relação ao recurso voluntário afastar as arguições de nulidade do auto de infração para, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário tão somente para afastar a exigência do IRRF relativo aos fatos geradores de 31 de maio de 2013 a 31 de outubro de 2013. Fl. 2192DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Cláudio de Andrade Camerano, Andre Severo Chaves e Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, Andre Luis Ulrich Pinto. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo contribuinte contra o Auto de Infração de fls. 1.006/1.022, lavrado com o objetivo de constituir crédito tributário referente a IRRF, referente aos anos-calendário de 2012 e 2013, no valor histórico de R$ 655.903.361,97. Tendo tomado ciência acerca do lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação (fls. 1.036/1.097) pugnando preliminarmente pela nulidade da autuação, e no mérito pela improcedência integral do Auto de Infração, o que fez com base nas seguintes alegações: a) Preliminarmente, alega que estariam fulminados pela decadência, os fatos geradores ocorridos entre os dias 25 de maio de 2012 e 24 de novembro de 2012, nos termos do §4º do art. 150 do CTN, tendo em vista que o Impugnante efetuou o recolhimento de IRRF no período autuado, conforme comprovado pelas guias de recolhimento em anexo, ainda que supostamente a menor do que o devido, bem como ressaltou que o STJ possui entendimento vinculante de que na hipótese de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando o contribuinte constitui o crédito, mas efetua pagamento parcial, sem constatação de dolo, fraude ou simulação, o termo inicial da decadência é o momento do fato gerador; b) Que ademais disso, o Auto de Infração seria nulo por falta de indicação do vício ou da figura jurídica que teria levado à desconsideração do negócio jurídico (Contrato de PPE firmado entre o Impugnante e a OGX Austria), sob o argumento de que na autuação teriam sido destrinchados diversos conceitos jurídicos indeterminados (evasão fiscal, elisão fiscal, abuso de direito, abuso de formas, simulação e planejamento tributário), sem que houvesse subsunção destes com os fatos em concreto; Fl. 2193DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 c) Que o artigo 116, parágrafo único, do CTN impõe que para se reclassificar um ato ou negócio jurídico praticado por um contribuinte, o lançamento deve demonstrar, de forma clara e objetiva, a forma (abuso, simulação, teste) pela qual se está a operar a desconsideração, o que não ocorreu no presente caso; d) Que os conceitos jurídicos mencionados acima distanciam-se entre si, e que, portanto, caberia à D. Autoridade Fiscal identificar no Termo de Constatação Fiscal, às claras, qual delas justificaria a desconsideração do negócio jurídico em questão materializado no “PPE”; e) Que a partir da leitura da autuação, o Impugnante deduziu que a Autoridade Fiscal identificou suposta simulação no negócio jurídico, e que caberia ao Impugnante comprovar a inexistência desse vício, mas que, não há de modo claro o apontamento e a fundamentação a respeito da ocorrência da simulação, de modo que resta impossibilitado o exercício da defesa; f) Que em razão da falta de definição acerca de qual instituto foi utilizado para desconsideração do negócio jurídico, o Impugnante ficou impossibilitado de realizar o pleno exercício da defesa, já que a linha de defesa seria distinta a depender da acusação; g) No mérito, alega que um “PPE”, acrônimo do contrato de pré-pagamento de exportação, é uma forma de financiamento à exportação, por meio do qual uma pessoa jurídica domiciliada no exterior concede empréstimo para pessoa jurídica domiciliada no Brasil sob a condição de que o adimplemento da obrigação principal ocorra por meio da exportação de bens ou serviços, e que podem ser cobrados juros, a serem também pagos mediante exportação de bens ou serviços, ou em dinheiro; h) Que não há qualquer vedação expressa, seja na legislação regulatória (BACEN), seja na legislação tributária, a que o contrato de “PPE” seja celebrado com pessoa jurídica domiciliada no exterior que seja ligada à devedora domiciliada no Brasil, bem como que a exportação não precisa necessariamente ter sido efetuada para o financiador/credor do PPE, mas também para pessoa jurídica domiciliada no exterior diversa; i) Que o Impugnante realizou exportações não apenas para a OGX Austria, financiadora do “PPE”, mas também para outro cliente pessoa jurídica domiciliada no exterior, conforme demonstrativo e Notas Fiscais de Exportações aqui apresentadas; j) Que os recursos do PPE não foram transferidos para a OGX Austria. O que houve, na verdade, foi a cessão dos títulos da dívida referente aos Bonds 2018 da OGXPAR para a OGX Austria, que passou a figurar como Devedor Substituto, cessão esta já autorizada pelo Escritura de Emissão de Títulos de Dívida; Fl. 2194DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 k) Que o inciso XI do art. 1º da Lei n.º 9.841/97 tem como objetivo estimular as exportações brasileiras, de modo que ao exigir que os recursos advindos do PEE sejam destinados exclusivamente às exportações, o que se pretende vedar é a utilização desses recursos para venda dos produtos para o mercado interno, o que não foi o praticado pelo Impugnante, bem como que o referido dispositivo, conjuntamente com o art. 6º do Decreto n.º 6.761/2009, expressamente estabelecem que a alíquota do IRRF incidente sobre os rendimentos auferidos por residentes no exterior, a título de juros e comissões relativos a créditos destinados ao financiamento das exportações, fica reduzida a zero; l) Que não há uma única prova de que o empréstimo tenha sido utilizado para gerar receitas dentro do mercado interno, e que o fato de não ter atingido o volume de recursos do “PPE”, se deve exclusivamente ao risco inerente a qualquer atividade; m) Que o Contrato de “PPE” não foi extinto com a Recuperação Judicial, mas continua em vigor, de forma que prova-se que este não foi celebrado com o mero intuito de anular o passivo que o Impugnante possuía com a OAGX Austria; n) Que os recursos decorrentes do “PPE” foram utilizados para a atividade exploratória, produção e posterior exportação de petróleo, em conformidade com a Portaria do Ministério da Fazenda nº 70/97, razão pela qual as obrigações relacionadas ao PPE se encontravam sujeitas ao regime de alíquota zero de IRRF nas remessas ao exterior pelo pagamento de juros decorrentes do contrato; o) Que não é possível atribuir ao contrato em comento, a falta de proposito negocial, e que sua celebração estaria relacionada a um planejamento tributário que culminaria no pedido de recuperação judicial do Impugnante, já que admitir essa hipótese seria o mesmo que que afirmar que a Recuperação Judicial se deu propositalmente, com o mero intuito de liquidar este contrato, o que se mostra absolutamente descabido; p) Que ainda que se admitisse – sem base legal - a exigência de outro propósito negocial além do exercício das atividades constantes em seu objeto social, cumpre ressaltar que o planejamento tributário, na medida que tem sua legalidade provada, é plenamente lícito e ancorado nos Princípios da Legalidade, da Livre Iniciativa e da Liberdade Contratual; q) Que não se pode admitir a desconsideração do negócio jurídico, até mesmo porque a tentativa de introdução de uma norma geral antielisiva no ordenamento jurídico brasileiro, por meio da inclusão do parágrafo único ao artigo 116 do CTN pela Lei Complementar nº 100/2011, logrou êxito, não sendo até hoje regulamentada por lei ordinária; r) Que o negócio jurídico em comento possui todos os requisitos de validade previstos no art. 104 do Código Civil, e que o Fisco não pode alterar a Fl. 2195DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 definição, o conteúdo e o alcance de institutos e formas próprias do direito privado para fins da aplicação da legislação tributária, com suporte justamente no comando inserto no artigo 110 do Código Tributário Nacional; s) Que durante o período de 31 de maio a 31 de outubro de 2013, não ocorreu o fato gerador do “IRRF”, tendo em vista que nesse período o Impugnante não efetuou qualquer remessa de juros à OGX-Áustria, tendo apenas realizado o lançamento contábil dos valores em questão, de modo que não ocorreu a materialização do fato gerador do imposto, que nos termos do art. 43 do CTN é a disponibilidade econômica ou jurídica; t) Que a Autoridade Fiscal, ao aplicar a alíquota de 25% sobre as remessas ao exterior, acabou por olvidar que a Convenção para Evitar Dupla Tributação firmada entre a República Federativa do Brasil e a República da Áustria, promulgada pelo Decreto nº 78.107/1976, estabelece que a alíquota do “IRRF” incidente sobre as remessas a título de juros realizadas entre estabelecimentos localizados naqueles países não pode exceder o montante de 15% (quinze por cento); u) Que nos termos do art. 98 do CTN, a legislação interna não pode revogar ou modificar os compromissos firmados pelo Brasil, em matéria tributária, na seara internacional, entendimento este chancelado pela RFB, conforme se infere da Solução de Consulta COSIT n.º 501/2017; v) Que a impossibilidade de cobrança do IRRF sob a alíquota de 25% também se deve ao fato de a Áustria não pertencer ao rol de países com tributação favorecida (“paraíso fiscal”), conforme se verifica da Instrução Normativa n.º 1.037/2010, bem como que não há qualquer norma que estabeleça alíquota majorada para as remessas efetuadas com destino a países com regime fiscal privilegiado (caso da Áustria a partir de 2016, ou seja, em período posterior a ocorrência dos fatos geradores), fato esse reconhecido pela Solução de Consulta COSIT n.º 52/2010; w) Por fim, na hipótese de não serem acatados os argumentos anteriores, o Fisco não poderia fazer incidir os juros de mora sobre a multa de ofício, já que o art. 61 da Lei n.º 9430/96 estabelece que os juros somente incidirão sobre tributos e contribuições. Na sessão de 27/09/2018, a DRJ decidiu converter os autos em diligência (fl. 1.788) a fim de que o Auditor Fiscal autuante verifique se o interessado se utilizou do saldo de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL em algum pedido de parcelamento. Em atendimento à diligência, foi certificado que não foi encontrado parcelamentos nos sistemas da RFB (fl. 1.795). Fl. 2196DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 O contribuinte apresentou manifestação (fls. 1.806/1.807), ratificando o conteúdo da resposta à diligência dada pelo Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, para confirmar a não utilização do saldo de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL por parte do contribuinte. Posteriormente, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ, proferiu o Acórdão n.º 12-110.855 (fls. 1.812/1.848) abaixo ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2012, 2013 DECADÊNCIA. REMESSA DE JUROS AO EXTERIOR. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. PRINCÍPIO DE PAGAMENTO. INOCORRÊNCIA. REGRAS DO CTN. Consoante previsão dos manuais do imposto de renda retido na fonte (MAFON 2012 e 2013), as remessas ao exterior a título de juros e comissões em geral estão previstas a serem efetuadas sob o código de arrecadação 0481, ou sob o código 5299 para remessas não aplicadas no financiamento de exportações, cujo regime de tributação é exclusivo na fonte, na forma do art. 35 da IN SRF nº 208/2002 (art. 35), c/c IN SRF nº 252/2002 (art. 1º). Ocorre que cada fato gerador de IR-fonte (cada pagamento efetuado pela fonte pagadora a um beneficiário) é um fato gerador próprio, completo, autônomo, individual, que não se comunica com outras retenções relativas a outros pagamentos feitos pela fonte pagadora (outros fatos geradores). O fato gerador do IR-fonte é um típico fato gerador instantâneo. Não há nesse caso a figura do fato gerador complexivo (periódico), como se dá com o IRPJ e a CSLL. Se cada fato gerador de IR-fonte é único, não há como falar em pagamento parcial de tributo. Não há como utilizar recolhimentos de IR-fonte referentes a outras retenções (outros fatos geradores) independentemente do código de recolhimento, da rubrica, etc., para fins de deslocar a contagem da decadência para a regra do art. 150 do CTN. O deslocamento da regra decadencial só seria possível se o contribuinte apresentasse recolhimento parcial de IR-fonte para uma determinada retenção feita por ele. Ainda assim, o deslocamento só abrangeria esse específico fato gerador, e não serviria para antecipar a contagem da decadência para todos os demais fatos geradores de IR-fonte ocorridos na mesma semana, no mesmo decêndio, na mesma quinzena, no mesmo mês, no mesmo trimestre, no mesmo ano, etc. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. SÚMULA CARF Nº 05. EFEITO VINCULANTE. Portaria ME nº 277, de 07 de junho de 2018. O CTN, quando trata da obrigação tributária principal, estabeleceu no art. 113, §1º que essa surge com a ocorrência do fato gerador, tendo por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária, e extingue-se com o crédito dela decorrente. Por sua vez, o art. 139 do mesmo diploma dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação [tributária] principal, e que ambos possuem a mesma natureza [jurídica], não deixando margem à dúvida de que o crédito tributário Fl. 2197DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Como o crédito tributário corresponde à obrigação tributária, e essa última é constituída de tributo e/ou de penalidade pecuniária, a única conclusão lógica possível a se chegar é a de que a penalidade é um crédito tributário. O art. 161 do CTN, por sua vez, dispõe que o crédito [tributário] não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Além disso, o julgador administrativo vincula-se às normas cogentes, qual seja, a Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018, a qual atribuiu efeito vinculante a determinadas Súmulas CARF, dentre elas a de nº 5, publicada no DOU de 23-12-10, a qual prevê serem devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012, 2013 JULGADOS ADMINISTRATIVOS. VINCULAÇÃO. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. Embora constituam importante fonte de pesquisa, os julgados administrativos e judiciais não estão compreendidos na legislação tributária e não vinculam a Administração Pública, produzindo efeitos apenas em relação às partes que integram o processo (art. 96 e 100 do CTN e Lei nº 9.868/1999). Assim sendo julgados e decisões invocadas possuirão caráter ilustrativo. Prevalece, na espécie, o princípio da legalidade, por meio do qual na Administração Pública, por meio de seus agentes, somente podem agir mediante expressa autorização legal (art. 37 da CRFB/88). CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. ANÁLISE DE TODAS AS ALEGAÇÕES SUSCITADAS. INAPLICABILIDADE. O julgador possui o dever de enfrentar apenas questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Esse entendimento vem sendo aplicado ainda que na vigência do CPC/2015, visto que não são poucos os exemplos de entendimentos jurisprudenciais, inclusive, do próprio STJ, notadamente no que se refere o inciso IV do aludido art. 489, no sentido de que o dever de enfrentar as alegações podem se restringir àquelas capazes de combalir a conclusão adotada no lançamento. Se, e somente se, houver lacuna no procedimento acima, ou seja, se constatado que houve desrespeito ao dever de motivação tendo havido ponto omisso atrelado ao tema relevante ao deslinde da causa é que haveria suposta violação a esse dever, pois do contrário, significaria que a questão suscitada não teria o condão de alterar o julgamento da demanda, pois estar-se-ia diante de uma alegação, ou um argumento, utilizado como um reforço de convencimento. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 2198DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 Ano-calendário: 2012, 2013 DISSIMULAÇÃO. ABUSO DE FORMA. CONTRATO DE PRÉ- PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO. Configura-se abuso de direito dissimulatório na modalidade abuso de forma quando a vontade das partes foi, de fato, firmar determinado contrato de Pré- Pagamento de Exportação, todavia, a real finalidade era fugir da tributação das remessas ao exterior, além de gerar nova dedutibilidade do lucro real nos referidos valores, configurando claro abuso do direito subjetivo de obter benefício fiscal na obtenção de financiamento externo vinculado à exportação futura. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Exercício: 2012, 2013 CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO FIRMADO COM EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. VIABILIDADE. REGULAÇÃO PELO BACEN. ASPECTO CAMBIAL. INAPLICABILIDADE DAS NORMAS DO BACEN PARA REGULAR BENEFÍCIO TRIBUTÁRIO DE ALÍQUOTA ZERO DE IRRF INCIDENTE SOBRE OS JUROS REMETIDOS AO EXTERIOR. A regulação realizada pelo BACEN acerca dos contratos de pré-pagamento de exportações, notadamente, é inerente ao aspecto cambial, visando o controle das operações de crédito e suas implicações no mercado, de modo a possibilitar que se promova o encontro de contas entre os recursos que ingressaram no País e os produtos exportados, medidas fundamentais ao controle do endividamento externo. Neles se incluem, obviamente, créditos obtidos no exterior para financiamento de exportações. Por outro lado, a competência regulamentar daquele órgão não retira da RFB a competência que a autoriza a verificar, por intermédio de seus agentes, os efeitos e a conformidade da operação no âmbito tributário. Assim, deve-se ter como premissa que, para fruição do benefício da alíquota zero do IRRF incidente sobre as remessas ao exterior dos juros pactuados nas operações, não basta que a operação seja rotulada de “financiamento antecipado de exportações” ou “pré- pagamento de exportações”, e que não tenha sido questionada pelo Bacen, pois o cumprimento de regras cambiais, embora necessárias, não são suficientes para operar o benefício fiscal; assim, a tomadora dos recursos no exterior deve comprovar tê-los aplicado, de fato, e na íntegra, no financiamento das exportações, especialmente quando confrontada com os elementos de prova constituídos em ação fiscal que atestam a falta de vinculação entre esses recursos e o financiamento efetivo das exportações. CONTRATO DE PRÉ-PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO-PPE. EXPORTAÇÃO A OUTROS DESTINATÁRIOS. Caso o contrato de PPE preveja exportações futuras direcionadas apenas ao financiador, no total equivalente ao valor captado, não é possível remeter juros a este financiador, totalmente com alíquota zero do IRRF, quando o total exportado totalizou apenas 15% do valor captado, sob alegação de que o valor Fl. 2199DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 recebido (financiado) foi utilizado também para exportações a outros destinatários não previstos ou autorizados pelo PPE. EMISSÃO DE TÍTULOS DE DÍVIDA. CAPTAÇÃO DE RECURSO. ENVIO DO RECURSO, POSTERIORMENTE, AO EXTERIOR, PARA EMPRESA DO GRUPO. CONTRATO DE PRÉ- PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO- PPE. REMESSAS DE JUROS AO EXTERIOR COM ALÍQUOTA ZERO DE IRRF. NÃO CONFIGURAÇÃO DOS REQUISITOS DE NORMALIDADE, USUALIDADE E ESSENCIALIDADE DAS DESPESAS PARA FINS DE DEDUÇÃO. Não se verificam os requisitos de usualidade, normalidade e essencialidade para dedução de despesas de juros remetidos ao exterior, referente a contrato de Pré-Pagamento de Exportação-PPE, quando demonstrado que o mesmo recurso havia sido captado do exterior pelo grupo econômico, anteriormente, através de sua Holding, por via de emissão de títulos de dívida para investidores no exterior e sob alegação de desenvolvimento econômico operacional de polos prospectores. Isso porque houve cessão de direitos e deveres referentes aos títulos de dívida para empresa do grupo, no exterior, transferindo-se, em tese, os juros dedutíveis para essa. Ocorre que, com o novo retorno do mesmo recurso ao Brasil, agora sob fundamento de contrato de PPE, gerou-se novos juros a serem deduzidos no Brasil, para beneficiar empresa operacional no Brasil que gerava prejuízos, e prevendo pagamentos de juros à empresa do exterior com alíquota zero de IRRF, sob fundamento do financiamento de exportação, fazendo com que não houvesse ônus tributário. Corrobora o entendimento quando não há prova da completa utilização desse valor para as referidas exportações. JUROS REMETIDOS AO EXTERIOR. CONVENÇÃO INTERNACIONAL PARA EVITAR DUPLA TRIBUTAÇÃO ENTRE BRASIL E ÁUSTRIA. ALÍQUOTA MÁXIMA DE IRRF DE 15%. APLICABILIDADE AO CASO. Regra geral, os casos do imposto incidente na fonte sobre os juros pagos a domiciliados no exterior possuirão natureza de tributação exclusiva, já que o rendimento não mais será objeto de tributação no País; nesse caso, a fonte pagadora revestir-se-á da condição de responsável exclusiva pelo imposto, competindo-lhe entregar o valor líquido ao beneficiário. Contudo, se a fonte pagadora não efetuar a retenção de imposto, quando devido, aplicar-se-á o disposto no art. 725 do RIR/99, devendo-se proceder ao reajustamento da BC; isso porque uma das hipóteses em que a fonte pagadora assume o ônus do IRRF é quando não efetua o desconto do IRFonte nos casos em que a lei prevê a retenção, consoante interpretação do art. 61 da Lei n. 8981/1995, c/c art. 74, § 2' da Lei nº 8.383/1991; Todavia, a IN SRF n. 70/1982, prevê que aos juros, relativos à aquisição financiada de bens, pagos a residentes ou domiciliados em país com o qual o Brasil tenha firmado Convenção destinada a evitar a dupla tributação da renda, aplicam-se as alíquotas nela previstas em detrimento das fixadas na legislação Fl. 2200DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 interna, não cabendo reajustamento da base de cálculo, ainda que o adquirente tenha assumido contratualmente o ônus do imposto. Acrescente-se que o art. 98 do CTN prevê que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Além disso, a Portaria MF n. 470/19761, que, nos limites de sua competência, estabelece entendimentos para esse órgão fazendário, considera que a legislação brasileira só seria aplicável ao caso quando se verificasse rendimentos não abrangidos pelos artigos 10, 11 e 12 da Convenção (que tratam de dividendos, juros e royalties), ocorre que o caso refere-se a juros incidentes sobre remessas à residente na Áustria. Assim, a limitação da alíquota de IRRF em 15% prevista na Convenção Brasil- Áustria para Evitar Dupla Tributação em matéria de impostos sobre a renda e o capital, internalizada através do Decreto n. 78.107, de 22 de julho de 1976, deve ser aplicada quando a empresa no exterior não possua, ou detenha, um estabelecimento permanente no Brasil, do qual detenha o controle, ou tenha influência significativa; assim aplica-se aos juros remetidos ao exterior para empresa domiciliada na Áustria o parágrafo 2º do art. 11 da referida Convenção. INAPLICABILIDADE DO REAJUSTAMENTO DA BASE DE CÁLCULO NO CASO DE REMESSAS DE JUROS AO EXTERIOR. AQUISIÇÃO DE BENS A PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 703, PARÁGRAFO ÚNICO, DO REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA-RIR/99. Está sujeito à incidência do imposto de que trata o artigo anterior o valor dos juros remetidos para o exterior, devidos em razão da compra de bens a prazo, ainda quando o beneficiário do rendimento for o próprio vendedor. Consideram-se fato gerador do imposto a remessa para o exterior e contribuinte, o remetente, não se aplicando o reajustamento de que trata o art. 725 do RIR/99. Impugnação procedente em parte. Crédito Tributário Mantido em parte. Inicialmente, a DRJ afastou a alegação de decadência do crédito tributário, sob o entendimento que as remessas ao exterior a título de juros e comissões em geral estão previstas a serem efetuadas sob o código de arrecadação 04817 (juros e comissões em geral), cujo regime de tributação é exclusivo na fonte, na forma do art. 35 da IN SRF n' 208/2002, c/c IN SRF n' 252/2002 (art. 1º), vigentes à época dos fatos geradores, de modo que por serem exclusivas são definitivas, e dessa forma, não se comunicam com quaisquer outras retenções, tampouco as que indicam atividades diversas. Dessa forma, entendeu ser aplicável ao presente caso, o prazo do inciso I do art. 173 do CTN, e que a contagem sob a forma prescrita no §4º do art. 150 do CTN, no presente caso, somente seria possível no caso que fosse comprovado o recolhimento parcial do IRRF sobre as operações de exportação efetuada à OGX Áustria. Fl. 2201DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 Em seguida, a DRJ afastou a preliminar de nulidade por entender que quando o fisco mencionou haver indício de planejamento tributário visando economia de tributos tal assertiva precedeu explicações ulteriores, relacionadas ao projeto de planejamento elaborado pelo grupo após a captação do investimento o exterior, demonstrando que houve objetivos inidôneos no negócio praticado (ou, um planejamento abusivo). Concluiu a DRJ que não foi vislumbrada contradição no relatório, na forma alegada, tampouco preterição ao direito de defesa, mesmo porque a Interessada demonstrou conhecer bem os motivos da autuação a ponto de poder confrontá-los a todos, bem como que no Termo de Constatação, a Fiscalização procedeu à explicação conceitual dos elementos narrados (planejamento tributário, evasão fiscal, elisão fiscal, abuso de direito e abuso de forma) e demonstrou sua aplicação ao caso em concreto. No tocante ao mérito, entendeu as legislações emitidas pelo BACEN, mencionadas na defesa, efetivamente não vedam que o contrato de PPE seja firmado entre pessoas ligadas, mas que a regulação do BACEN é inerente ao aspecto cambial, visando o controle das operações de crédito, sendo que a competência regulamentar daquele órgão não retira da RFB a competência que a autoriza a verificar, por intermédio de seus agentes, os efeitos e a conformidade da operação no âmbito tributário. Consignou que se deve ter como premissa que, para fruição do benefício da alíquota zero do IRRF incidente sobre as remessas ao exterior dos juros pactuados nas operações, não basta que a operação seja rotulada de “financiamento antecipado de exportações” ou “pré- pagamento de exportações”, e que não tenha sido questionada pelo Bacen, é necessário ainda que a tomadora dos recursos no exterior comprove tê-los aplicado, de fato, e na íntegra, no financiamento das exportações. No caso concreto, alegou que o PPE previu exportações tão somente para OGX Áustria, ou seja, o financiamento objetivou unicamente exportações direcionadas àquela empresa ligada, e no montante correspondente (em barris) ao valor captado. Mas que, não obstante a OGX Áustria tenha transferido o valor de 2,528 bilhões de dólares, em outubro de 2011, a performance de exportações àquela empresa até 2013 representou apenas 15% dos recursos adiantados. Ademais, observou que as exportações à OGX Áustria em 2015, no total de U$$ 51.487.708,45, foram as últimas verificadas, e até novembro de 2017 não haviam sido computadas quaisquer outras. Na sequência, analisou o fluxo dos recursos obtidos com o PPE, que segundo a DRJ já se encontravam no Brasil. Conforme demonstra, o primeiro deslocamento desse valor originou-se no exterior, captados em razão da emissão de títulos de dívida pela OGXPAR. No segundo deslocamento, a quantia retornou ao exterior, em virtude de contrato de cessão à OGX Áustria das dívidas e do crédito captado pela OGXPAR, mantendo-se essa e a Interessada como garantidoras, assim como a OXG Campos. Por fim, no terceiro deslocamento, o valor retornou novamente ao Brasil, através da OGX Áustria, sob fundamento de pagamento antecipado de exportação de óleo cru, com incidência de juros a taxa de 9% a/a, sendo o recurso captado destinado agora ao desenvolvimento e produção de óleo e gás natural que seriam exportados à OGX Áustria. Fl. 2202DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 Arremata este ponto afirmando que o valor se encontrava no Brasil, voltou ao exterior para novamente retornar ao país praticamente sob o mesmo objetivo, qual seja, desenvolvimento da produção, só que agora vinculado a efetivas exportações. Na sequência passa a analisar a dedutibilidade de tais despesas, concluindo que no caso concreto não vislumbrou os requisitos de usualidade, normalidade e essencialidade das despesas relativas aos juros remetidos ao exterior, inerentes ao PPE, tendo em vista os seguintes fatos: (i) um valor foi captado do exterior visando, primordialmente, desenvolvimento de campos petrolíferos; (ii) esse mesmo valor retornou ao exterior, vindo novamente ao Brasil na forma de PPE por empresa sem condições financeiras de captá-lo de investidores, por isso o recebeu pela Holding do Grupo; e (iii) o objetivo do PPE foi notadamente desvirtuado de seu principal objetivo, na medida em que o prazo de quitação foi dilatado (no âmbito do processo de recuperação judicial) em 20 anos, com quitação única, sem qualquer incidência de juros e com a possibilidade de quitação não ser mais através de exportação de barris de óleo, mas de compensação de dívida, através de crédito formado pela utilização desse valor para o aumento de capital do contribuinte. Ademais, sustenta que os fatos acima mencionados, evidenciam que as intenções do grupo era gerar juros dedutíveis de forma excessiva, utilizando um recurso que já se encontrava no país, aliado a intenção de gozar de benefício fiscal sem o cumprimento dos requisitos legais. Com relação à recuperação judicial do contribuinte, salientou que na data da homologação do plano de recuperação, a diferença entre a dívida contraída com a OXG Áustria e as exportações efetuadas foi de U$ 2,172,012,938.69; entretanto o PPE foi reformulado no tocante à obrigação e ao prazo, conforme a própria Interessada informou, pois além de se ter estabelecido novo prazo de 20 anos para quitação do PPE em parcela única, por parte da Interessada, desapareceram os juros incidentes; e, coincidentemente, isso se deu concomitantemente ao fato de os bondhoders, credores dos títulos de dívida, aceitarem o novo plano para quitação de seus créditos, através de capitalização da dívida. Dessa forma, concluiu que os contratos foram celebrados para viabilizar a necessidade de recebimento de juros do PPE para repasse aos bondholders, tanto que os juros do PPE (9%) foram fixados em percentual um pouco acima dos juros dos bonds (8,5%) já que os pagamentos, relativos ao PPE, seriam efetuados um pouco depois daqueles, mostrando, de fato, um planejamento de encontro de contas abusivo. Acrescentou ainda outro fato significativo. A partir do plano de recuperação, o contribuinte poderia utilizar o crédito que passou a deter contra OXG Áustria p para quitar a dívida do PPE que, anteriormente, só seria possível através de exportações de barris de óleo e, somente numa excepcionalidade, e visando complementar a obrigação eventualmente não adimplida, é que a devedora poderia pagar em dólares. Logo, afirma que a partir da recuperação judicial, houve um total desvirtuamento do PPE, afastando-o do requisito instituído na lei para obtenção do benefício da alíquota zero do IRRF, e indicando claramente que o valor recebido foi utilizado para a capitalização das dívidas dos bondholders daí porque gerou-se o crédito perante a OXG Áustria que poderia ser utilizado para quitar a dívida do PPE. Fl. 2203DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 Diante desses fatos, entendeu que houve abuso de direito dissimulatório na modalidade abuso de forma, pois apesar de a vontade das partes ter sido, de fato, firmar o PPE, a real finalidade era fugir da tributação das remessas ao exterior e gerar nova dedutibilidade do lucro real nos referidos valores, em claro abuso do direito subjetivo de obter benefício fiscal na obtenção de financiamento externo vinculado à exportação futura. Ainda que o Impugnante alegue ter havido fatores conjunturais que interferiram no desenvolvimento econômico do grupo, levando-o à crise econômico-financeira, o fato é que a lei abstrata (n. 9.481/1997) estabeleceu requisitos objetivos para concessão da isenção do IRRF, consubstanciados na efetiva exportação, de modo que não se pode entender plausível a utilização total do benefício quando não se cumpriu os requisitos para 85% do contrato. Afastou ainda a alegação de inocorrência do fato gerador para os períodos de apuração de maio a outubro de 2013, por entender que, apesar de não ter havido disponibilidade econômica por parte da a OGX Áustria, já que não houve a remessa dos valores, ocorreu sim a disponibilidade jurídica, tendo em vista que o item 6.2 do plano de recuperação (Pagamento de Créditos Detidos pela OGX Áustria) não previu o cancelamento dos juros do período ora analisado, pelo contrário, aludiu que as condições originais dos créditos OGX Áustria seriam preservadas, e que, portanto, caberia ao contribuinte demonstrar que o plano de recuperação alterou o contrato de pré-pagamento, cancelando a obrigação dos juros do período de maio outubro de 2013, o que não foi feito. Contudo, a DRJ deu razão ao contribuinte, no que toca à aplicação do §2º do art. 11 da Convenção [Brasil-Áustria] para Evitar Dupla Tributação, já que o art. 98 do CTN efetivamente prevê que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Ademais, salienta que no caso o §7º do art. 11 da referida convenção não é aplicável porque a OGX Áustria não detém qualquer participação no capital do Impugnante, bem como que a alíquota de 25% também não é aplicável ao presente caso, porque a Portaria MF n.º 470/197617, que trata de métodos de aplicação da Convenção Brasil-Áustria relativamente a esse órgão fazendário arrecadador, determina que a legislação brasileira só é aplicável quando se verifique rendimentos não abrangidos pelos artigos 10, 11 e 12 da Convenção (que tratam de dividendos, juros e royalties), o que não é o caso, já que o litígio envolve remessa de juros. Na sequência, determina que no presente caso seja aplicado o art. 703, § único do RIR/99, para se seja considerada como Base de Cálculo o valor apurado pelo fisco sem o reajuste previsto no art. 725 do RIR/99, tendo em vista o quanto disposto na Instrução Normativa n.º 70/1982 e no Parecer Normativo COSIT n.º 94/1974, vigente à época dos fatos geradores. Por fim, a DRJ manteve a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, sob o fundamento de que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto a penalidade pecuniária, e que o art. 161 do CTN c/c Súmula CARF n.º 05, dispõe que o crédito tributário não integralmente pago no vencimento será acrescido dos juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Ciente da decisão do Acórdão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 1.877/1.918), em que reitera os argumentos tecidos na defesa, sendo necessário evidenciar os seguintes argumentos, mas que em nada inovam nas suas alegações: Fl. 2204DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 a) Alega que o próprio acórdão da DRJ reconhece que não há na regulamentação do BACEN, hipótese de vedação para que o PPE seja firmado entre pessoas ligadas, citando, inclusive, o artigo 16 da Resolução BACEN nº 3.844/2010, embora se utilize, por diversas vezes, desse argumento para desconsiderar o contrato celebrado pelo Recorrente; b) Que o art. 73 da Resolução BACEN Nº 3.689/2013 dispõe que as antecipações de recursos a exportadores brasileiros podem ser efetuadas pelo importador ou por qualquer pessoa jurídica no exterior, inclusive instituições financeiras, de modo que a exportação efetuada para outra pessoa jurídica, que não o financiador/credor do PPE, não descaracteriza esta espécie de contrato; c) Que a despeito de o BACEN não deter competência para legislar sobre normas de natureza tributária, fato é que não há na legislação tributária, qualquer norma que vede a exportação para outros importadores residentes no exterior, que não o financiador do PPE; d) Que a DRJ pretendeu vincular o motivo da recuperação judicial à quitação do “PPE, como se o Recorrente tivesse formulado o pedido de recuperação judicial unicamente com o propósito de liquidar o contrato, mas ignora que o Plano de Recuperação Judicial foi devidamente aprovado por todos os credores e homologado pelo Juízo Empresarial do Rio de Janeiro, seguindo todo o iter procedimental previsto na lei que rege o tema; e) Que na realizada, o Recorrente aplicou a integralidade do investimento oriundo do Contrato de PPE na atividade operacional, porém, posteriormente, ao não localizar o quanto óleo esperava, isso acabou levando-a a grandes prejuízos e à recuperação judicial, comprovada também nos autos; f) Que quando do financiamento do PPE, acreditava-se que a reserva de petróleo era manifestamente superior ao que de fato se mostrou, sendo que naquela ocasião, o preço de barril de petróleo caiu vertiginosamente, sofrendo uma queda de USD 100,00/barril para USD 30,00/barril, fato que, em alguns poços, tornou a extração de petróleo como custo proibitivo; g) Que os valores captados pelo financiamento foram contabilizados em ativo não-circulante (imobilizado), sem, em nenhum momento, transitar pelo caixa da empresa, impossibilitando a hipótese de destinação diversa daquela para a qual foram obtidos É o relatório do essencial. Fl. 2205DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva, Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao e- processo. Os recursos Voluntário e de Ofício são tempestivos e preenchem os requisitos de admissibilidade, por isso dele conheço. No mais, da análise dos autos é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado, constitui-se basicamente em reprodução da impugnação cujos argumentos foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. No mais, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I - verificação do quórum regimental; II - deliberação sobre matéria de expediente; e III - relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. Assim, , desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, tanto quanto ao Recurso de Ofício quanto o Recurso Voluntário, considerando-se como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida, com exceção de um único ponto do recurso voluntário que entendo ser procedente e será analisado na sequência: Fl. 2206DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 DA ADMISSIBILIDADE E CONSIDERAÇÕES INICIAIS 5. A Impugnação é tempestiva, conforme item 3, atendendo aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/1972 e alterações posteriores. Assim sendo, dela conheço 6. Ressalte-se, inicialmente, que em algumas partes de sua defesa a interessada invoca decisões administrativas e judiciais, além de posicionamentos doutrinários, para embasar seus argumentos e alegações. Entretanto, de se observar que, embora constituam importante fonte de pesquisa, os julgados administrativos e judiciais não estão compreendidos na legislação tributária e não vinculam a Administração Pública, produzindo efeitos apenas em relação às partes que integram os processo (art. 96 e 100 do CTN e Lei nº 9.868/1999). Assim sendo, os julgados invocados, assim como as decisões mencionadas neste voto, têm apenas caráter ilustrativo. Prevalece, na espécie, o princípio da legalidade, por meio do qual na Administração Pública, por meio de seus agentes, somente podem agir mediante expressa autorização legal na conformidade do art. 37 da CRFB/884. 7. Necessário ressaltar também que, para além do entendimento assentado pelo Superior Tribunal de Justiça no REsp n° 902010/DF, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 15/12/2008, inerente a não obrigatoriedade de o julgador se manifestar sobre toda e qualquer alegação apresentada em sede de impugnação, inúmeros julgados anteriores ao NCPC também norteavam a questão para a conclusão de que o julgador, na verdade, deve se ater às questões necessárias e suficientes para exaurir a questão, capazes de infirmar sua convicção, a exemplo dos seguintes julgados exemplificativos: (...) 8. Todavia, quanto a esse tema, o art. 489, §1º do CPC 2015 trouxe à baila importantes regras sobre a fundamentação da decisão judicial,in verbis: (...) 9. A partir da vigência do novo regramento processual, no entanto, não são poucos os exemplos de entendimentos jurisprudenciais, inclusive, do próprio STJ, acerca da questão, notadamente no que se refere o inciso IV do aludido art. 489, no sentido de que o dever de enfrentar as alegações podem se restringir àquelas capazes de combalir a conclusão adotada no lançamento. Cite-se, inicialmente, o entendimento da Rel. Min. Diva Malerbi, Desembargadora convocada do TRF 3ª Região, proferida nos autos do EDcl no MS 21.315-DF, verbis: (...) 10. Da mesma forma, diversos Enunciados da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados, aprovados por todos os juízes do país, conduzem a questão nessa mesma linha, verbis: (...) 11. Em outras palavras, na apreciação das alegações do caso concreto deve-se levar em conta tudo o que de relevante for produzido e deduzido, e percebido, de modo a influenciar a decisão a ser proferida, e isso, notadamente não quer dizer que o julgador tenha de apreciar todo e qualquer alegação do recurso. 12. Se, e somente se, houver lacuna no procedimento acima, ou seja, se constatado que houve desrespeito ao dever de motivação tendo havido ponto omisso atrelado ao tema relevante ao deslinde da causa é que haveria suposta violação a esse dever, pois do contrário, significaria que a questão suscitada não teria o condão de alterar o julgamento da demanda, pois estar-se-ia diante de uma alegação, ou um argumento, utilizado como Fl. 2207DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 um reforço de convencimento; nesse sentido, importante ressaltar, a existência de distinção entre alegações de fundamentos, ou seja, vez que à lide deve interessar somente a apreciação do material jurídico capaz de suscitar convicção e dirimir o que está efetivamente em litígio. DAS PRELIMINARES Da Decadência Parcial do Crédito Tributário Lançado Relativo ao Período de Maio a Novembro de 2012 13. Inicialmente, asseverou a Interessada ter transcorrido o prazo decadencial previsto no art. 150, §4' do CTN, relativamente ao IRRF referente aos PAs Maio a Novembro/2012, pois a ciência da autuação se deu em 19/12/2017, mais de 5 anos após a ocorrência do fato gerador, compreendido entre 25/05/2012 e 24/11/2012. Nesse sentido, alegou a inaplicabilidade do art. 173, I do CTN, pois efetou recolhimentos do IRRF relativo a remessas de valores ao exterior (conforme guias de recolhimento - doc. 08), concluindo assim ter havido recolhimentos supostamente a menor do referido tributo (apresenta jurisprudência administrativa tratando dessa especificidade do tema, bem como a súmula 99 do CARF). 14. Verifico que o fisco em seu Termo de Constatação tratou do tema no item decadência (fl. 1003/1004), exatamente sobre os mesmos PAs referenciados pela Interessada, fundamentando o lançamento na falta de recolhimento. 15. Ocorre que, consoante previsão dos manuais do imposto de renda retido na fonte (MAFON 20125 e 20136), as remessas [ao exterior] a título de juros e comissões em geral estão previstas a serem efetuadas sob o código de arrecadação 04817 (juros e comissões em geral), cujo regime de tributação é exclusivo na fonte, na forma do art. 35 da IN SRF n' 208/2002, c/c IN SRF n' 252/2002 (art. 1'), vigentes à época, verbis: 16. Incluem-se nessa sistemática os recolhimentos constantes dos 7 DARFs constantes do doc. 08, relativos aos códigos de arrecadaçao 0422 (IRRF - Royalties e assist. técnica - residentes exterior) e 0473 (IRRF-rendimentos trabalho - resid exterior); todos essas retenções por serem exclusivas são definitivas, e dessa forma, não se comunicam com quaisquer outras retenções, tampouco as que indicam atividades diversas. 17. Note-se que ao caso não se aplica o REsp n. 973.733/SC - 1ª seção do STJ, suscitado pela Interessada em sua Impugnação, no qua se deu interpretação no sentido de estabelecer que o prazo da homologação contaria a partir do pagamento antecipado mesmo que parcial, do tributo sujeito a lançamento por homologação, visto que, como se verá não há como se considerar ter havido pagamento ou princípio de pagamento. 18. Conforme Acórdão 9101-003.231, proferido pela 1ª Turma da CSRF, deu-se provimento ao Recurso da Fazenda Nacional para aplicar a regra do art. 173, I do CTN; no referido voto o Conselheiro-relator entendeu, da mesma forma que no voto que ora se profere, que não há como utilizar recolhimentos de IR-Fonte referentes a outras retenções (outros fatos geradores), independentemente do código de recolhimento, da rubrica, etc., para fins de deslocar a contagem da decadência para a regra do artigo 150 do CTN. Assim, o referido deslocamento (pleiteado pela Interessada) somente seria possível se comprovado o recolhimento parcial do IRRF sobre as operações de exportação já verificadas, ou seja, valores unicamente relativos a cada exportação efetuada à OGX Áustria. 19. Cite-se EMENTA do julgado: (...) 20. Dessa forma, os pagamentos do doc. 08 devem ser considerados como totalmente independentes entre si; ademais, neles não prova de remessa anterior, primeiramente, Fl. 2208DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 referente ao código de arrecadação mencionado, ou seja, aquele decorrente de financiamento a exportações; e, necessariamente, vinculado ao mencionado PPE, pois os DARF informam remessas de natureza diversa. 21. Desse modo, não merece guarida a tese apresentada de que houve supostamente pagamento a menor, e de que deveria se considerar a regra do art. 150, §4º do CTN, razão pela qual rejeita-se a tese de decadência. Da Nulidade - Prejuízo A Defesa - Falta De Indicação Do Vício Ou Figura Jurídica Que Teria Levado A Desconsideração Do Negócio Jurídico Materializado No Contrato De PPE 22. Arguiu a Interessada a nulidade do Auto de infração por vício de motivação, em razão, inicialmente, de dois motivos: o relatório não ser específico e claro se considerou válidos ou não os negócios jurídicos analisados; exemplificou os seguintes dizeres do fisco: (...) há indício de que esta operação fez parte de um planejamento tributário visando a economia de tributos e, também, que (...) estão sendo desconsiderados, pelos órgãos fiscalizadores, efeitos de negócios jurídicos que, embora obedeçam à forma prescrita em lei, dissimulam a prática do verdadeiro negócio realizado. E, ainda, porque o fisco não teria vinculado os institutos do planejamento tributário, evasão fiscal, elisão fiscal, abuso de direito e abuso de forma aos fatos ocorridos. 23. Passo a me manifestar: 24. A título de esclarecimento, registre-se a premissa de que, o fato de que nenhuma empresa sobrevive sem um adequado gerenciamento do dia a dia e que empreender é aliar ações presentes com uma postura voltada para o futuro, e que, de uma forma geral, o pensamento nas organizações deve abranger a busca e consolidação de estratégias de tributação que proporcionem maior competitividade para suas entidades, não se deve obliterar, todavia, a necessária contribuição ao Estado, em respeito a isonomia que se deve atribuir a todos os contribuintes em potencial, que todos concorrer na construção e manutenção do organismo estatal. 25. Relativamente ao caso, no que concerne, primeiramente, a hipótese de existência, em tese, de planejamento tributário abusivo, não há qualquer mácula em sede de preliminar relativa ao auto de infração, vez que, como se verá nos itens relativos à matéria, o fisco entendeu que houve planejamento visando redução indevida de tributos pela inexecução do contrato de PPE, bem como descumprimento dos requisitos legais inerentes à aplicação de alíquota zero das remessas ao exterior a título de juros. 26. No tocante a afirmação da Interessada de contradição que teria gerado prejuízo a defesa, é cediço que tal hipótese encontra-se prevista art. 59, inc. II do Decreto n. 70235/1972, sendo também direito fundamental constitucional. Todavia, compulsando os autos, verifica-se que quando o fisco mencionou haver indício de planejamento tributário visando economia de tributos (fl. 991) tal assertiva precedeu explicações ulteriores, relacionadas ao projeto [de planejamento] elaborado pelo grupo após a captação do investimento o exterior (através dos bonds – conforme fls. 991 e ss), cujas etapas foram as seguintes: • Da origem dos recursos: captação dos recursos (através da emissão de títulos de dívida); • Da transferência dos recursos ao exterior (decorrente da cessão de direitos e deveres da OXGPAR contra OGX Áustria) • Do retorno dos recursos ao Brasil (por meio de pagamento antecipado relacionado ao PPE; Fl. 2209DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 • Das remessas posteriores ao exterior (de juros) sem recolhimento de IRRF; • Da extinção da dívida com a OXG Áustria (através da capitalização da dívida com entrega de ações (ou ADRs) aos bondholders); e, • Da [verdadeira] destinação dos recursos - fl. 993; 27. Ou seja, o fisco demonstra no relatório que houve objetivos inidôneos no negócio praticado (ou, um planejamento abusivo); tal afirmação, contudo, não é dissonante da segunda parte citada pela Impugnante. Senão vejamos: a segunda afirmação mencionada é a de que, segundo o fisco, estariam sendo desconsiderados, pelos órgãos fiscalizadores, efeitos de negócios jurídicos que, embora obedeçam à forma prescrita em lei, dissimulam a prática do verdadeiro negócio realizado. Ora, essa assertiva se deu no sentido de explicar que por conta da dissimulação na prática do negócio, ou seja, por conta de outra intenção existente nos negócios esses deveriam ser desconsiderados; o que coaduna-se perfeitamente à afirmação de ter uma verdadeira destinação dos recursos, como visto acima - fl. 990. 28. Notadamente, as palavras do fisco evidenciam a atitude tomada por órgãos fiscalizadores, no sentido de desconsiderarem os negócios jurídicos decorrentes de abuso do planejamento fiscal, quando criados com o objetivo de driblar a norma de incidência tributária. Portanto, não vislumbro contradição no relatório, na forma alegada, tampouco preterição ao direito de defesa, mesmo porque a Interessada demonstrou conhecer bem os motivos da autuação a ponto de poder confrontá-los a todos. 29. Afirmou ainda, a Interessada, ter havido outras contradições, pois a fiscalização não teria vinculado, ou subsumido aos fatos, conceitos que afirmou não estarem determinados, como planejamento tributário, evasão fiscal, elisão fiscal, abuso de direito e abuso de forma. Todavia, sobre os citados institutos, verifica-se que encontram-se explicitados pelo fisco no item conceitos - fl. 989 - do Termo de Constatação; ali houve a explicação conceitual dos elementos narrados, e para verificar a sua aplicação ao caso concreto bastaria ler o item constatação fiscal. 30. No item verificação fiscal o fisco demonstra o porquê de ter entendido ocorrida hipótese de planejamento abusivo, quando vincula citado conceito aos fatos ocorridos no processo, hipótese que conclui no item seguinte: constatação fiscal. Dessa forma, não há em nenhum momento nos autos qualquer indicativo de estarem tais conceitos ali sem motivo e desvinculados do caso concreto, pelo quê, rejeita-se a preliminar. 31. No que diz respeito ao mérito, tais institutos serão mais pormenorizadamente analisados. Da Alegação De Vício De Simulação Sem Provas: 32. No tocante às alegações em sede de preliminar referentes a vício de simulação sem provas, conforme estabelece o art. 167 da Lei n. 10.406/2002, a hipótese mostra-se intrínseca às questões de mérito probatório, o que será verificado no decorrer do voto. Da Alegação De Abuso De Forma 33. No que se refere à assertiva de que o fisco firmou a ocorrência do abuso de formas sem demonstrar as cláusulas contratuais que se coadunariam com a natureza desse negócio jurídico, bem como que tal conceito geraria um tipo de defesa diferente por parte da Interessada, não lhe assiste a razão, inicialmente, conforme as 3 citações abaixo, extraídas dos TCF: • Reproduzindo as palavras do fisco no item "conceitos": abuso de formas jurídicas se dá pela necessidade de buscar o equilíbrio entre a forma e a substância dos negócios Fl. 2210DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 jurídicos' (Torres). 'É quando busca-se encaixar uma realidade de fato que não se coaduna segundo os padrões usuais da realização do negócio jurídico' (Dória). Pode-se concluir, consoante afirmado pela autoridade fiscal que o abuso de formas, portanto, é uma ferramenta que eclipsa fatos reais que são diversos do autorizado pela lei para determinado negócio jurídico; • Agora, reproduzindo as palavras do fisco no item "constatação fiscal": Ocorre que, a OGXPAR se valeu de um planejamento, com a transferência dos valores ao exterior por meio da sua sucursal integral OGX Áustria, que ficou como substituta da dívida, e o retornou ao Brasil através do CONTRATO DE PRÉ- PAGAMENTO DE EXPORTAÇÃO (PPE), com compra/importação da produção futura da OGXPG, sob forma de “incentivo à exportação", com alíquota zero nas remessas ao exterior. • Por fim, reproduzindo as palavras do fisco no item "infrações apuradas": tendo em vista que o contrato de pré-pagamento de exportação (PPE) foi o elo principal de um planejamento; [...] 34. Em virtude das explicações ora verificadas, objetivando esclarecer, de forma cronológica, os fatos e fundamentos jurídicos que o levaram a concluir pelo abuso de forma, medida que é necessária para a consecução do suposto planejamento abusivo, não se lhe assiste razão sobre a alegada nulidade, também por esse prisma. Ademais, como se verá na parte do voto relativa ao mérito houve, de fato, forma abusiva no negócio praticado. Da Alegação De Nulidade Material 35. Alegou a Interessada, ainda, ter havido afronta ao artigo 142 do CTN, que geraria nulidade material pela incompletude da descrição fática, e por consequência, da falta do exato ateste dos motivos jurídicos justificadores do lançamento. Sobre tais alegações, verifica-se no item constatação fiscal do TCF a conclusão da análise do fisco, qual seja: de que houve planejamento tributário [abusivo], com vistas a não pagar tributos [devidos], pois os recursos outrora captados através da emissão de títulos de dívida deveriam ser destinados ao incentivo à exportação [mas não foram], indicando desvio do objetivo determinado pela lei n. 9.481/1997; esse item é apenas a finalização de todo o arrazoado cronológico anterior, razão pela qual, em tese, não houve incompletude na descrição fática, tampouco dos motivos jurídicos autorizadores da exação de modo a configurar vício passível de nulidade, do ponto de vista da autoridade autuante. 36. Por tais razões, em sede de preliminar, voto por rejeitar as alegações de nulidade. DO DIREITO Da Alegação Do Cumprimento Das Regras Gerais Para Dedutibilidade Das Despesas De Juros Do Contrato de PPE - art. 299 do RIR/99 37. As alegações da Interessada relativas ao presente tópico, em síntese, são as seguintes: • Que o contrato de PPE ainda está em vigor, sendo formal e materialmente válido, e que não há vedação na legislação regulatória (Bacen) e tributária para que o PPE seja celebrado com PJ no exterior ligada à devedora no Brasil; • Que os recursos obtidos foram utilizados nas atividades de exportação, que não propriamente para a OGX Áustria; • Que os recursos do PPE não foram transferidos para a OGX Áustria, o que houve foi uma cessão dos títulos da dívida, autorizada pela Escritura de Emissão dos títulos; Fl. 2211DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 • Que as despesas necessárias de juros, remetidas ao exterior, deveriam ser submetidas a alíquota zero e que, também, por conta disso, haveria a dedutibilidade das respectivas despesas por terem sido cumpridas as regras de sua detubilidade. 38. De fato, no que se refere à regulação do Bacen sobre as operações de recebimento antecipado de exportação, não há nos autos hipóteses de vedação para que o contrato de PPE seja firmado entre pessoas ligadas. Exemplo disso é a Resolução BACEN nº 3.844/2010 (art. 169) quando estabelece a possibilidade de a operação com prazo superior a 360 dias ser vinculada a exportação do tomador do financiamento, de sua controladora, de suas controladas, ou de empresas que sejam controladas por sua controladora. Por sua vez, a Circular Bacen nº 3.689/2013, em seu art. 7310, estabelece que as antecipações de recursos a exportadores brasileiros podem ser efetuadas pelo importador ou por qualquer pessoa jurídica no exterior, inclusive instituições financeiras. 39. Todavia, a regulação realizada pelo BACEN, notadamente, é inerente ao aspecto cambial, visando o controle das operações de crédito e suas implicações no mercado, de modo a possibilitar que se promova o encontro de contas entre os recursos que ingressaram no País e os produtos exportados, medidas fundamentais ao controle do endividamento externo, e neles se incluem, obviamente, os créditos obtidos no exterior para financiamento de exportações. Por outro lado, a competência regulamentar daquele órgão não retira da RFB a competência que a autoriza a verificar, por intermédio de seus agentes, os efeitos e a conformidade da operação no âmbito tributário. 40. Dessa forma, deve-se ter como premissa que, para fruição do benefício da alíquota zero do IRRF incidente sobre as remessas ao exterior dos juros pactuados nas operações, não basta que a operação seja rotulada de “financiamento antecipado de exportações” ou “pré-pagamento de exportações”, e que não tenha sido questionada pelo Bacen, pois o cumprimento de regras cambiais, embora necessárias, não operam benefício fiscal; assim, no caso concreto, a tomadora dos recursos no exterior deveria comprovar tê-los aplicado, de fato, e na íntegra, no financiamento das exportações, especialmente quando confrontada com os elementos de prova constituídos em ação fiscal que atestam a falta de vinculação entre esses recursos e o financiamento efetivo das exportações, como se verificará mais adiante. 41. Outrossim, quanto às alegações da falta de vedação de que as exportações futuras fossem destinadas a outras PJs no exterior, ainda que não ligadas à Interessada, e de que tais exportações serviriam de fundamento para obtenção do benefício da alíquota zero do IRRF, não são procedentes pelo seguinte: do ponto de vista fiscal, conforme reforçado pela Impugnante, de fato a Lei n. 9.481/1997 prevê incidência de alíquota zero quando juros e comissões relacionados a créditos obtidos no exterior sejam destinados ao financiamento de exportações; tais juros, conforme previsão do caput do art. 1º, são entendidos como rendimentos auferidos no País por residentes ou domiciliados no exterior, verbis: (...) 42. A citada norma condiciona o benefício a captações advindas do exterior, bem como destinação [obrigatória] ao financiamento das exportações. Sem embargo, o PPE previu exportações tão somente para OGX Áustria, ou seja, o financiamento objetivou unicamente exportações direcionadas àquela empresa ligada, e no montante correspondente (em barris) ao valor captado. E ressalte-se que do ponto de vista do obrigacional, e também negocial, nem poderia ser diferente, pois qual seria a finalidade de se financiar exportações a serem direcionadas a outras empresas, sem qualquer contrapartida ao financiante? 43. As afirmações acima são comprovadas através do documento de Tradução nº 63/2004, extraído das fls. 681, 682 e 685, a saber: Fl. 2212DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 (...) 44. Ademais, imagine-se o seguinte: se houve remessas "beneficiadas", todas vinculadas a PPE firmado com empresa "A", não seria plausível utilizar exportações a destinatário "B" para justificar o benefício sobre juros remetidos somente a "A". 45. Quanto ao volume de exportações à OXG Áustria, consoante o que foi registrado no TCF, e o que consta no já citado documento de Tradução Juramentada nº 63/2014 (fl. 685), a Interessada comprometeu-se a efetuar pagamento do valor antecipado através de exportações futuras (uma ou mais) de óleo cru, a um número de barris de óleo num montante igual a U$ 2,528,000,000.00. Assim, o valor remetido ao exterior por ser unicamente referente ao PPE firmado com OGX Áustria só deveria, em tese, sujeitar-se à alíquota zero na medida em que os recursos recebidos fossem totalmente vinculados, revertendo-se em efetivas exportações à compradora, do contrário o objeto do PPE estaria sendo desvirtuado, gerando falta de subsunção dos fatos à norma tributária beneficiadora: (...) 46. Note-se, no entanto, que, conforme constatado pelo fisco, não obstante a OGX Áustria ter transferido à Interessada, a título de financiamento das exportações, o valor de 2,528 bilhões de dólares, em outubro de 2011, a performance de exportações àquela empresa até 2013 representou apenas 15% dos recursos adiantados (e se considerarmos, ainda, o volume exportado em 2015, após a homologação do plano de recuperação - que, como se verá, desvirtuou o contrato de PPE para fins de obtenção do benefício fiscal -, esse percentual se elevou apenas para 18% - de 390 milhões para 442,4 milhões), conforme valores abaixo discriminado: (...) 47. Os juros relacionados ao PPE, direcionados à OGX Áustria (valores em dólar), foram discriminadas na tabela de fl.979 do TCF, a saber: (...) 48. Para apuração da BC, o fisco verificou, através do SPED CONTABIL da Interessada, a contabilização das diversas remessas ao exterior, inerentes ao contrato de PPE, desde a data de sua celebração até 28/05/2013; a partir daí, todavia, e até out/2013 (data da petição inicial do plano de recuperação), os valores deixaram de ser efetivamente remetidos, contudo, foram provisionados e apropriados/creditados contabilmente pela interessada, pelo regime de competência; o fisco, porém, desconsiderou do cálculo os valores estornados contabilmente, que foram referentes a nov/2013 a mai/2014 (tabela de fls. 979/980), a saber (tabela de fl. 999): (...) 49. As exportações à OGX Áustria em 2015, no total de U$$ 51.487.708,45, foram as últimas verificadas, e até novembro de 2017 não haviam sido computadas quaisquer outras. 50. Para analisar se os valores remetidos seriam dedutíveis da BC do Lucro Real e da CSLL, na forma afirmada pela Interessada, por terem sido cumpridas as regras de dedutibilidade, de se esclarecer o seguinte: 51. É fato que o recurso obtido do exterior, referente ao PPE, já se encontrava no Brasil. Como bem descrito no Termo de Constatação, o primeiro deslocamento desse valor originou-se no exterior, captados em razão da emissão de títulos de dívida pela OGXPAR. A justificativa para a emissão seria captar 2,56$ bilhões de dólares para Fl. 2213DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 desenvolvimento dos complexos de Waikiki e Waimea, ambos na bacia de Campos e, secundariamente, para o desenvolvimento das demais concessionárias da Cia. 52. No segundo deslocamento, a quantia retornou ao exterior, em virtude de contrato de cessão à OGX Áustria das dívidas e do crédito captado pela OGXPAR, mantendo-se essa e a Interessada como garantidoras, assim como a OXG Campos. Note-se que não houve explicação por parte da Interessada sobre o motivo da cessão dos débitos e créditos relacionados aos referidos bonds, tendo afirmado somente que tal negocio estaria autorizado pela escritura de emissão dos bonds; todavia, os fatos demostram que o motivo principal foi visando o retorno dos recursos do exterior a serem captados por meio de PPE. 53. Contudo, é notório que a OXG Áustria não possuia condições financeiras de quitar a referida dívida (com os bondholders), tampouco a Interessada, tanto que a quitação da dívida se deu por essa, enquanto garantidora, e em forma de capitalização, om a criação, a partir daí, de crédito contábil a seu favor (crédito subrogação OGX Áustria); a Interessada também não informou o prazo do pagamento por parte da OGX Áustria, todavia, como se verá, esse crédito poderia ser utilizado pela Interessada para quitação da dívida do PPE, após sua alteração quando da ocasião do plano de recuperação, no prazo de 20 anos. 54. Como já verificado, no terceiro e último deslocamento, o valor retornou novamente ao Brasil, através da OGX Áustria, sob fundamento de pagamento antecipado de exportação de óleo cru, com incidência de juros a taxa de 9% a/a, sendo o recurso captado agora destinado ao desenvolvimento e produção de óleo e gás natural que seriam exportados à OGX Áustria. 55. Assim, em resumo, o valor encontrava-se no Brasil, voltou ao exterior para novamente retornar ao país praticamente sob o mesmo objetivo, qual seja, desenvolvimento da produção, só que agora vinculado a efetivas exportações; todavia, poderia a própria OGXPAR já tê-lo destinado conforme objetivo da captação inicial, mas não o fez. 56. Aqui deve-se afastar a alegação da Interessada de que os recursos não haviam sido transferidos da OGXPAR para a OGX Áustria, e que teria havido apenas uma cessão de crédito; como se verifica, foram anexadas provas dos recebimentos dos recursos pela OGX Áustria, conforme extratos bancários de ambas as empresas, quando o fisco afirmou em seu relatório que a OGXPAR tornou-se devedora à OGX Áustria do produto líquido obtido da emissão e captação dos valores mobiliários-bonds, depositando os valores em 06/10/2011 e 07/10/2011, nas contas da OGX Áustria, a saber: (...) 57. Por sua vez, a Interessada, em atendimento ao Termo de Intimação Fiscal de fl. 128, que solicitava esclarecimentos sobre a origem dos depósitos efetuados na conta de titularidade da OGX Áustria, informou ao fisco (fl. 132 e 143) tratar-se de remessa efetuada pela OGXPAR, creditada na conta da OGX Áustria, no exterior, a saber: (...) 58. Nessa sede, contudo, se contradiz e contradiz os próprios extratos bancários, ao afirmar que os valores não teriam sido remetidos ao exterior pois que teria havido apenas cessão dos títulos da dívida. 59. Sobre a afirmação, propriamente, acerca da dedutibilidade, do lucro real, das despesas dos juros regularmente escrituradas, sabe-se que o tema não só é regido pelos requisitos fiscais, mas também por princípios contábeis, em particular, o daentidade, visando ao interesse societário da empresa. Fl. 2214DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 60. Segundo a NBC T 1, conforme Anexo da Resolução CFC 1.121/2008, as despesas são assim conceituadas, sob o aspecto contábil: (...) 61. Veja-se que, para fins contábeis, as despesas, propriamente ditas, são aquelas que surgem no curso das atividades ordinárias da entidade, tomando a forma de um desembolso ou redução de ativos como caixa e equivalentes de caixa, estoques e ativo imobilizado. 62. Adentrando aos aspectos fiscais, nos termos do art. 47 da Lei nº 4.506/1964, base legal do art. 299 do RIR/99, as despesas operacionais são os gastos não computados nos custos, mas necessários às transações ou operações da empresa, que, além disso, devem ser usuais e normais à atividade por esta desenvolvida ou à manutenção de sua fonte produtiva. Confira-se: (...) 63. Segundo o conceito legal transcrito, necessário é tudo aquilo que não se pode dispensar; que se impõe; que é essencial ou indispensável; que não pode deixar de ser; é forçoso, inevitável, fatal; que deve ser feito ou cumprido; que se requer; que é preciso. Do ponto de vista material do direito civil, necessário refere-se a tudo aquilo que tem por fim aumentar, facilitar, conservar ou evitar que um bem se deteriore. Portanto, juridicamente, a definição de necessidade inclui a utilidade, exclui a liberalidade, bem como os atos voluptuários e ilícitos. 64. Mais especificamente, no campo do direito tributário, as despesas necessárias dedutíveis na determinação do lucro real são aquelas que se encaixam nas condições fixadas no artigo 299 do RIR de 1999. O referido dispositivo determina que são necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa. Devem ser admitidas as usuais ou normais conforme o tipo de transações, operações ou atividades da empresa, isto é, devem ser necessárias à manutenção e desenvolvimento da respectiva fonte produtora de receitas. Enfim, devem ser intrinsecamente relacionadas com a produção ou comercialização, devendo, ao menos, ter o potencial de trazer utilidade para a empresa. 65. A usualidade ou normalidade da despesa, no entanto, não pode ser interpretada com todo o rigor do texto da lei quando a despesa apesar de não usual ou normal sirva a promover a venda da mercadoria ou produto. Sobre essa temática, o Parecer Normativo COSIT n'32/1981, definiu gasto necessário da seguinte forma: (...) 66. O mesmo parecer conceitua a despesa normal, assim: (...) 67. Portanto, não cabe no conceito de despesa necessária, aquela feita sem propósito empresarial, ou seja, aquela adequada para fins de manutenção, desenvolvimento e investimento, sempre visando o progresso do empreendimento. 68. Quanto ao requisito de usualidade deve ser interpretado na acepção de habitualidade na espécie de negócio. O Conselho de Contribuintes decidiu no Ac. n'103-08.218/88 (DOU de 18/05/89) que as despesas operacionais são aquelas necessárias, usuais ou normais, não se guardando nesse conceito qualquer liberalidade. 69. Ora, no caso em tela, não vislumbro os requisitos de usualidade, normalidade e essencialidade das despesas relativas aos juros remetidos ao exterior, inerentes ao PPE, não só pela afirmação do fisco de que as obrigações relativas ao PPE teriam sido extintas sem o fornecimento total das exportações de petróleo contratadas, todavia pelos Fl. 2215DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 seguintes fatos abaixo discriminados: (observe-se que, apesar de o PPE ter se mantido vigente, de forma desvirtuada, como se verificará, na prática a obrigação da Interessada para com a OGX Áustria se compensava, na medida que o crédito gerado poderia ser utilizado para quitar a dívida do PPE, conforme nele mesmo autorizado): • um valor foi captado do exterior visando, primordialmente, desenvolvimento de campos petrolíferos; • esse mesmo valor retornou ao exterior, vindo novamente ao Brasil na forma de PPE por empresa sem condições financeiras de captá-lo de investidores, por isso o recebeu pela Holding do Grupo; e, • o objetivo do PPE foi notadamente desvirtuado de seu principal objetivo, na medida em que o prazo de quitação foi dilatado em 20 anos, com quitação única, sem qualquer incidência de juros e com a possibilidade de quitação não ser mais através de exportação de barris de óleo, mas de compensação de dívida, através de crédito formado pela utilização desse valor para o aumento de capital da Interessada. 70. Assim, na captação do valor pelos investidores estrangeiros já teria havido geração de despesas de juros, em tese, dedutíveis do lucro real, em benefício da Holding (no Brasil, e portanto, em benefício do grupo); ocorre que, com o contrato de cessão os juros dedutíveis foram cedidos e aproveitados por outra empresa do Grupo; mas com o novo retorno dos mesmos recursos, na forma de PPE, gerou-se novos juros "dedutíveis" agora para a Interessada (num percentual um pouco maior que os primeiros), e ainda com o benefício fiscal do IRRF suprimindo ônus que recairia sobre a OGX Áustria. 71. Ora, ainda que, regra geral, haja posicionamento jurisprudencial administrativo de que os pagamentos antecipados à exportação (pré-pagamentos) financiados em moeda estrangeira devam ser reconhecidos na apuração do resultado tributável, no presente caso, não se pode admitir a alegada dedutibildiade quando originado de valor outrora já captado que acabou por gerar juros novamente para o grupo empresarial. 72. Acrescente-se detalhe importante nas afirmativas da OGXPAR, dirigidas ao juízo da 4ª Vara Empresarial do RJ, quando asseverou que tanto a OGX Internacional como a OGX Áustria seriam braços do grupo no exterior, contudo, sociedades que não exerceriam qualquer atividade operacional autônoma, ou seja, seriam empresas veículos da controladora brasileira para emissão de dívidas e recebimento de receitas no exterior, com vistas ao financiamento do grupo para as suas atividades no Brasil - fl. 775 - item 3, a saber: (...) 73. Tais informações corroboram os itens anteriores, no sentido de clarear as intenções do grupo em gerar juros dedutíveis de forma excessiva, através de um mesmo recurso, aliado a intenção de utilizar benefício fiscal sem cumprimento dos requisitos legais para tanto. 74. Oportuno salientar, sobre a hipótese de alíquota zero relativo ao IRRF sobre as remessas dos juros, fato relevante para o deslinde da questão que é o de que em 03/06/2014 houve a homologação em juízo do Plano de Recuperação proposto pela Interessada (houve também plano similar referente apenas a OGXPAR). Naquele momento a diferença entre a dívida contraída com a OXG Áustria e as exportações efetuadas foi de U$ 2,172,012,938.69; entretanto o PPE foi reformulado no tocante à obrigação e ao prazo, conforme a própria Interessada informou, pois além de se ter estabelecido novo prazo de 20 anos para quitação do PPE em parcela única, por parte da Interessada, desapareceram os juros incidentes; e, coincidentemente, isso se deu concomitantemente ao fato de os bondhoders, credores dos títulos de dívida, aceitarem o novo plano para quitação de seus créditos, através de capitalização da dívida; ou seja, ao mesmo tempo em que não houve mais necessidade de pagamento de juros relativos Fl. 2216DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 àqueles títulos também desapareceu a necessidade de remessa de juros à OGX Áustria, indicando muita similaridade nessas obrigações; isto, é, os contratos foram celebrados para viabilizar a necessidade de recebimento de juros do PPE para repasse aos bondholders. Note-se que os juros do PPE (9%) foram fixados em percentual um pouco acima dos juros dos bonds (8,5%) já que os pagamentos, relativos ao PPE, seriam efetuados um pouco depois daqueles, a saber: PPE: iniciando em maio/2011 indo até 2018; TÍTULOS DE DÍVIDA; iniciando em junho/2001 indo até 2018 conforme escritura de emissão, mostrando, de fato, um planejamento de encontro de contas abusivo: Colaciona-se tela de fl. 502 - Escritura de emissão dos Bonds: (...) 75. Acrescente-se outro fator significativo, que foi o de que a Interessada poderia agora utilizar o crédito que passou a deter contra a OXG Áustria (tela abaixo - fl. 1570 - extraída do plano de recuperação - doc. n. 07, pela capitalização da dívida dos bondholders), para quitar a dívida do PPE que, anteriormente, só seria possível através de exportações de barris de óleo e, somente numa excepcionalidade, e visando complementar a obrigação eventualmente não adimplida, é que a devedora poderia pagar em dólares, conforme telas abaixo colacionadas: Colaciona-se tela de fl. 685 (tradução do PPE): (...) 76. Ora, tais fatos notadamente indicam um total desvirtuamento do objetivo do PPE, a partir da recuperação judicial, mostrando, inclusive, vinculação dos juros do PPE aos juros devidos aos bondholders, afastando-o do requisito instituído na lei para obtenção do benefício da alíquota zero do IRfonte, e indicando claramente que o valor recebido foi utilizado para a capitalização das dívidas dos boldholders, daí porque gerou-se o crédito perante a OXG Áustria passível de utilização no PPE reformulado. 77. Nesse sentido, conforme mencionado art. 9' da Lei 9.779/1999, os aludidos juros e comissões de que tratam o inciso XI do art. 1' da Lei n' 9.481/1997 devem se sujeitar ao IRRF. Da Alegação De Impossibilidade De Se Desconsiderar O Contrato De Pré- Pagamento De Exportação Com Base Na Simulação, Abuso De Formas Ou Planejamento Tributário. 78. No presente tópico, novamente, arguiu a Interessada, agora em sede de mérito, sobre a falta de claro posicionamento da autoridade fiscal quanto a ocorrência de simulação no contrato de PPE, aduzindo que simulação seria vício nas vontades/intenções subjacentes a um negócio jurídico, tendo o PPE, todavia, transparecido claramente a vontade de exportar óleo cru e gás natural, não havendo outro negócio jurídico subjacente como parecer crer a d. autoridade fiscal. E complementa asseverando ausência de abuso de forma ou de direito. 79. Sobre tais argumentos, a Interessada faz menção ao que a doutrina denomina de simulação indireta (ou dissimulação), termo inclusive utilizado pelo fisco no item "conceitos" do TCF, como já se verificou. Sobre o tema, relevante mencionar as palavras André Gustavo Barros Leite, quando afirma sobre dissimulação que: (...) 80. Ora, não houve atos de simulação primária, pois que o negócio observado, de uma forma geral, pode até se revestir dos requisitos de validade, sem embargo, sob um prisma mais restrito, contrariou os requisitos legais já verificados, que autorizariam sua dedutibilidade do lucro, bem como os contratuais que condicionavam a utilização dos recursos obtidos à total exportação futura a pessoa determinada (como o próprio PPE Fl. 2217DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 previu), o que não foi cumprindo, ferindo assim a isonomia entre contribuintes, pois que pessoas na situação similar pagariam o IRRF incidente, bem como não estaria justificada a dedutibilidade das remessas, do lucro. 81. Desta feita, ocorreu abuso de direito dissimulatório na modalidade abuso de forma, pois note-se que a vontade das partes foi, de fato, firmar um PPE, todavia, a real finalidade era fugir da tributação das remessas ao exterior e gerar nova dedutibilidade do lucro real nos referidos valores, um claro abuso do direito subjetivo de obter benefício fiscal na obtenção de financiamento externo vinculado à exportação futura. 82. Dessa forma, entendo não merecer guarida a argumentação da Interessada de que houve estruturação de negócios jurídicos válidos lícitos, que seria prática comum nas atividades empresariais, tampouco a alegação de que a recuperação judicial nunca foi objetivo da Impugnante e que por conta disso não se poderia interpretar o contrato de PPE como parte de um planejamento, pois o que se verificou nos autos foi a captação de altos recursos no exterior (já captados) com o fito de obter benefício fiscal e dedução fiscal, tendo-se, após as deduções contábeis, desvirtuado o PPE do fim colimado pela lei: (...) 83. Tais fatos indicam, por óbvio, que os recursos captados só permitiram uma exportação irrelevante, se comparado com o volume total. Por isso, ainda que alegue a Impugnante terem havido fatores conjunturais que interferiram no desenvolvimento econômico do grupo, levando-o à crise econômico-financeira, o fato é que a lei abstrata (n. 9.481/1997) estabeleceu requisitos objetivos para concessão da isenção, consubstanciados na efetiva exportação, de modo que não se pode entender plausível a utilização total do benefício quando não se cumpriu os requisitos para 85% do contrato. 84. Vale destacar que, tratando-se de benefício fiscal, expresso por exceção à regra geral, a exegese é restritiva, conforme se depreende de parte das lições de Carlos Maximiliano: (...) Da Alegação De Validade Dos Negócios Jurídicos Praticados Pela Impugnante - Subsistência Do Contrato De Pré-Pagamento De Exportação Com Todos Seus Efeitos 85. A Interessada, no presente item, afirmou a impossibilidade de se desconsiderar o negócio jurídico inerente ao PPE, bem como justificou a validade do referido negócio consoante o preenchimento dos requisitos legais previstos no Código Civil/2002, assim como asseverou ter havido afronta a princípios constitucionais inerentes aos negócios jurídicos, como a liberdade de contratar, organizar e precificar negócios e a livre iniciativa e livre concorrência. E que aplicar-se-ia ao caso o art. 110 do CTN. 86. Ora, consoante já mencionado neste voto (item 79), não se ateve o auto de infração aos requisitos de validade de negócios jurídicos, previstos no código civil pátrio, sem embargo, tratou da impossibilidade de afastamento dos efeitos tributários da lei abstrata. Nesse sentido, a menção pela Interessada ao art. 110 do CTN não deve prosperar uma vez que não é a lei tributária que está alterando a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas do direito privado, justamente por serem estes de ordem privada, e portanto, ex persona. Pelo contrário, aplica-se ao caso o art. 109 do CTN, ao dispor que os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Dessa forma, a alegação de princípios do direito civil de ordem constitucional não podem se sobrepor a lei tributária abstrata, cujos efeitos são ex re. Fl. 2218DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 Da Alegação De Cancelamento De Parcela Do Crédito Tributário - Inocorrência Do FG Do IRRF Com O Simples Crédito Contábil 87. Nesse tópico, a Interessada refere-se ao período de Maio a Outubro de 2013, no qual não houve remessa efetiva de juros ao exterior (dirigidos à OGX Áustria), mas somente contabilização dos valores; por isso, teria inexistido disponibilidade econômica ou jurídica para configurar o FG do IRRF, na forma do art. 43 do CTN; por outro lado, o fisco teria utilizado, de forma indevida, a expressão "importâncias creditadas", consoante previsão do art. 702 do RIR/99, para justificar o lançamento, a saber: (...) 88. Para tanto, trouxe à colação doutrina de Hugo de Brito Machado, asseverando que a disponibilidade econômica advém do recebimento do valor que se acrescenta ao patrimônio, e a jurídica, do simples crédito que o contribuinte já passa a dispor juridicamente, embora o valor ainda não esteja em suas mãos. 89. Passo a me manifestar: 90. Inicialmente, deve-se considerar a premissa de que, de fato, o FG do IR não ocorre somente com a remessa ao exterior de importância a título de juros, caso contrário, o caput do art. 702 não teria variância nuclear, contendo outras hipóteses de incidência, como por exemplo pagamento, creditamento e emprego [da referida importância]. Portanto, há que se verificar o significado do vocábulo "creditamento" e se o mesmo poderia ser aplicado ao Auto de Infração. 91. Consoante disposto no Parecer Cosit n. 02/1995, que trata de operações de mútuo entre sociedades interligadas, o termo creditamento não pressupõe pagamento, verbis: (...) 92. De fato, para além dos julgados administrativos anunciados na Impugnação, existem outros, como por exemplo o Acórdão 106-17.142 de 05.11.2008, do 1' Conselho de Contribuintes / 6a. Câmara - Publicado no DOU em: 30.03.2009, no qual se afirma que só o registro contábil do crédito não caracteriza disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos para fins de incidência do imposto de renda retido na fonte nas remessas ao exterior. Ou, ainda, o Acórdão 106-17.142 de 05.11.2008, da 6ª Câmara do 1' Conselho de Contribuintes, publicado no DOU em 30/03/2009, no qual se assevera que o mero registro contábil do crédito [a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, por fonte situada no país, a título de juros ...] não caracteriza disponibilidade econômica ou jurídica dos rendimentos. 93. Todavia para se configurar no creditamento realizado a disponibilidade jurídica (já que a econômica não ocorreu, pois não houve remessa de valor), deve-se tomar como base as cláusulas obrigacionais constantes do PPE, e igualmente verificar como foi efetuada sua alteração pelo plano de recuperação judicial; pois caso a obrigação imposta pelo referido contrato tenha vigorado no prazo de maio a outubro de 2013, já que somente no fim desse prazo é que houve o pedido de recuperação judicial, e a consequente alteração contratual, a disponibilidade jurídica dos juros contratuais deve ser reconhecida, em virtude, do princípio da competência, bem como do princípio pacta sunt servanda, sendo que esse só poderia ser, em tese, afastado mediante prova de desequilibrio contratual, o que não foi levantado nesses autos, mesmo porque não caberia tal análise nessa seara administrativa. 94. Conforme tradução juramentada do contrato de PPE (fls. 683 e ss), o contrato foi firmado em 04/11/2011, para exportação de barris de óleo até o dia 27/05/2018, e pagamento de juros semestrais que se iniciariam em 27/05/2011, e daí em diante, até a data de vencimento da dívida, a saber: Fl. 2219DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 (...) 95. No Plano de Recuperação Judicial (fls. 792/902), conforme tela extraída do item 7 (Goverança Corporativa - Observância de Obrigações), a Interessada obriga-se a observar, desde a emissão [das ações] até sua efetiva entrega aos credores (boldholders), todos os termos e contratos de pré-pagamento de exportação, e/ou sua reestruturação, a saber: (...) 96. Além disso, o item 17 (fl. 853) é claro ao dispor que, em havendo conflitos entre as disposições do Plano de recuperação e os contratos de pré-pagamento, estes últimos prevaleceriam, a saber: (...) 97. Dessa forma, a Interessada teria de demonstrar que o plano alterou o contrato de pré-pagamento, cancelando a obrigação dos juros do período de maio outubro de 2013, o que não foi feito. 98. Ademais, o item 6.2 do Plano (Pagamento de Créditos Detidos pela OGX Áustria) não previu o cancelamento dos juros do período ora analisado, pelo contrário, alude que as condições originais dos créditos OGX Áustria seriam preservadas, exceto pela prorrogação do prazo de amortização em parcela única, e a extinção da incidência de juros; nesse sentido, em nada excepcionou quanto as obrigações que envolveram os juros do período em questão, de modo que, contrario sensu, deve-se considerar como atrativos os efeitos das mudanças engendradas a partir do plano de recuperação, pois que não afetaram os juros do PPE anteriormente remetidos: (...) 99. Por todo o exposto, considero que as obrigações de pagamento dos juros, no referido PPE, referente aos PAs maio a outubro/2013 eram exigíveis, pelo quê deveriam ser reconhecidos contabilmente pelo devedor, pelo regime de competência; e da mesma forma, os direitos, por parte do credor, no caso, a OGX Áustria, levando-se a concluir pela ocorrência da disponibilidade jurídica, ainda que não efetivamente remetidos. 100. Assim, procede, por essa linha de interpretação, o lançamento efetuado. Da Existência De Convenção Para Evitar A Dupla Tributação Firmada Entre Brasil E Áustria 101. No presente tópico, a Interessada argumentou que a autoridade fiscal ignorou o fato de que a Convenção para Evitar Dupla Tributação firmada entre as Repúblicas do Brasil e da Áustria, internalizada pelo Decreto n. 78.107/1976 (art. 11), estabelece limite para a alíquota de IRRF incidente sobre as remessas a título de juros, realizadas entre estabelecimentos localizados naqueles Estados, a qual não poderá exceder a 15%. 102. Acrescenta que o art. 98 do CTN prevê que os tratados e convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha (apresenta doutrina e jurisprudência sobre prevalência dos tratados internacionais sobre o direito interno, bem como a Solução de Consulta COSIT n. 501/2017, vinculada à SC 153/2015, que tratam de rendimentos pagos ou creditados a contribuinte domiciliado na França). 103. Passo a me manifestar: 104. Regra geral, aplicam-se às operações mencionadas as disposições das seguintes normas específicas: Fl. 2220DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 • Portaria MF nº 70/1997: trata das condições para aplicação da alíquota zero do Imposto de Renda incidente nas remessas a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior, nas hipóteses que menciona; • Circular Bacen nº 2.751/1997 (norma de objetivo cambial): trata da exigência de comprovação da aplicação de créditos obtidos no exterior no financiamento de exportações brasileiras; • Lei nº 9.779/1999: trata, dentre outros temas, sobre tributação de rendimentos de beneficiários no exterior, prevendo no art. 8º incidência de alíquota e 25% quando o país do residente no exterior não tribute a renda ou a tribute em alíquota inferior a 20%; todavia, o art. 9º determina aplicação da alíquota de 25%, independente do país, quando o crédito que deveria ter sido aplicado nas exportações não o foi; • Decreto nº 6.761/2009 (art. 6º a 9º): repete as disposições da lei n. 9779/1999, ratificando a destinação específica dos recursos captados no exterior e o pagamento de IRRF no caso de não comprovação da aplicação; •IN RFB nº 1455/2014 (art. 12): trata das normas de incidência da alíquota de IRRF de 25%, referenciando-se ao Decreto n. 6.761/2009, e à hipótese de os recursos obtidos no exterior não terem se destinado ao financiamento de exportações. Acrescente-se, que a matéria foi consolidada no art. 691, XI do RIR/99 (atual art. 755, VI do RIR/2018); • Contrato de Pré-Pagamento de Exportação (documento de Tradução Juramentada nº 63/2014): trata das exportações e remessa de juros à OGX Áustria, especificamente. 105. De fato, como mencionado pela Interessada, o art. 98 do CTN prevê que os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha. Nesse sentido, penso que se pode acrescentar que o CTN, porquanto norma recepcionada como Lei Complementar, possuirá prevalência, nas matérias de sua competência constitucional, sobre as demais normas primárias infraconstitucionais. 106. Ora, defende a Interessada a aplicação dos §§1º e 2º do art. 11 da Convenção [Brasil-Áustria] para Evitar Dupla Tributação em matéria de impostos sobre a renda e o capital, internalizada através do Decreto n. 78.107, de 22 de julho de 1976, que possuem a seguinte previsão: (...) 107. De acordo com essas normas, o limite máximo do tributo retido (que no caso não o foi) seria de 15% do valor bruto, pois que ao caso, em tese, se aplicaria o §2'. 108. Apenas para corroborar a convicção que aqui será firmada, de que aplica-se ao caso o §2' do art. 11, deve-se afastar a previsão do §5' da referida Convenção, que excepciona a aplicação do §2'e determina a aplicação do §7', cuja previsão é de que quando o devedor assume o ônus do pagamento os juros serão tributados no seu Estado, e não há, nesse caso, estabelecimento de alíquota máxima de 15%, verbis: (...) 109. O §7' supramencionado não deve ser aplicado, apesar de a Interessada ser devedora dos juros, possuir estabelecimento permanente no Brasil e ter suportado o ônus do pagamento, já que deveria tê-los retido e recolhido mas não o fez, visto não ter se vislumbrado a excepcionalidade prevista no §5', pois o afastamento do §2'só se daria se a beneficiária (na Áustria) possuisse (no Brasil) estabelecimento permanente; ora, a OGX Áustria não detém qualquer participação no capital da Interessada, e o sentido de se ter um estabelecimento só seria aplicável se fossem vislumbradas as hipóteses do art. Fl. 2221DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 243, §§ 1'e 2', da Lei n. 6.404/1976, que tratam dos conceitos de coligadas e controladas, verbis: (...) 110. Como a OXG Áustria não se enquadra às hipóteses acima, pois que não há títulos societários da Interessada a ela pertencentes, já que todos pertenciam praticamente à Holding, e que tampouco há prova de sua influência significativa junto à Interessada, restaria, de fato, ao caso, a aplicação da hipótese do §2' do art. 11 da referida Convenção. 111. Acrescente-se que o próprio Tratado Internacional prevê no §7' do art. 5' que o fato de uma sociedade residente [...] ser controlada por uma sociedade residente do outro Estado [no caso da Holding no Brasil] não será, por si só, bastante para fazer de qualquer dessas sociedades estabelecimento permanente de outra. Ora, se a previsão não se enquadraria à Holding (controladora), quanto mais à Interessada, que é controlada da Holding e não possui qualquer relação societária direta com a OGX Áustria. 112. Todavia, ainda que o §7' do art. 11 fosse aplicável ao caso, em tese, e que ele não estabeleça limite máximo de 15% para a alíquota do IRRF, ainda assim haveria impasse para a aplicação do percentual de 25%, visto que a Portaria MF n. 470/197617, que trata de métodos de aplicação da Convenção Brasil-Áustria relativamente a esse órgão fazendário arrecadador, determina que a legislação brasileira só é aplicável quando se verifique rendimentos não abrangidos pelos artigos 10, 11 e 12 da Convenção (que tratam de dividendos, juros e royalties), o que não é o caso, já que o litígio envolve remessa de juros, verbis: (...) Sobre a Hipótese de Reajustamento da BC a ser analisada de ofício 113. Continuando, tem-se que na hipótese, a BC apurada foi reajustada pelo fisco pois, como regra geral, os casos de imposto incidente na fonte sobre os juros pagos a domiciliados no exterior possuirão natureza de tributação exclusiva, já que o rendimento não mais será objeto de tributação no País; nesse caso, a fonte pagadora revestir-se-á da condição de responsável exclusiva pelo imposto, competindo-lhe entregar o valor líquido ao beneficiário. Contudo, no caso de a fonte pagadora não efetuar a retenção de imposto, quando devido, aplica-se o reajustamento da BC, na forma do art. 725 do RIR/99, verbis: (...) 114. Isto porque, como regra geral, uma das hipóteses em que a fonte pagadora assuma o ônus do IRRF é quando não efetua o desconto do IRFonte nos casos em que a lei prevê a retenção, consoante interpretação do art. 61 da Lei n. 8981/1995, c/c art. 74, § 2º da Lei nº 8.383/1991 (hoje, consolidados nos arts. 730, caput, § 1º e 731, caput, ambos do RIR/2018, já aplicáveis à época dos fatos). 115. No caso em tela, como consta dos itens anteriores, o entendimento firmado no voto tem se alinhado ao lançamento apenas no sentido de que a Interessada deveria ter efetuado as retenções na fonte, em virtude da falta de comprovação da utilização dos valores captados do exterior nas exportações previstas no PPE. Todavia, quanto ao reajustamento da BC, a IN SRF N. 70/1982, prevê sua impossibilidade ao caso, verbis: (...) 116. Por sua vez, o Parecer Normativo Cosit nº 94/1974, publicado no DOU em 15/07/1974, também corroborava expressamente a assertiva, sendo certo que o referido Fl. 2222DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 ato só foi revogado em 05/08/2014, através do Ato Declaratório Executivo RFB nº 04, de 06/08/201418, portanto, encontrava-se em vigor à época dos fatos geradores, verbis: (...) 117. Por fim, a mesma previsão encontrava-se consolidada no RIR/99, conforme art. 703, § único, a saber: (...) 118. Isto posto, ainda que não tenha a Interessada levantado a hipótese de improcedência do reajustamento da BC apurada pelo fisco, é cediço que o julgador administrativo deve zelar pela aplicação das normas cogentes, se cabíveis. Assim, penso ser aplicável à hipótese a previsão do §2º do art. 11 da Convenção Brasil-Aústria para evitar dupla tributação, internalizada através do Decreto n. 78.107, de 22 de julho de 1976, para reconhecer nesse voto o limite máximo de 15% para a constituíção do crédito de IRRF sobre os juros remetidos e creditados, bem como reconhecer a aplicabilidade do art. 703, § único do RIR/99, para se seja considerada como Base de Cálculo o valor apurado pelo fisco sem o reajuste previsto no art. 725 do RIR/99. 119. Dessarte, entendo ser exigível o IRRF no valor (total) e principal de R$ 129.178.321,44, conforme os ajustes da tabela abaixo: Da Alegação De Inaplicabilidade Da Alíquota Majorada Para Remessas À Pj Situada Na Áustria Pela Ausência Da Áustria No Rol De Países Com Tributação Favorecida 120. Não obstante o voto referente ao item anterior, passa-se a analisar o presente tópico considerando hipótese de eventual provimento de recurso de ofício, ou de voto vencido; sendo nesse tópico analisada tão somente a alegação de exigência de que o destinatário dos juros integre rol de países com tributação favorecida. 121. Alegou a Interessada a não subsistência da alíquota majorada de 25%, porque a Áustria não pertence ao rol de países com tributação favorecida (paraísos fiscais - n/f da IN RFB n. 1.037/2010 - cujo rol seria taxativo) e que essa seria exigência formulada pelo auditor, quando fundamentou o auto de infração nos arts. 685, II, "b", art 691, XI, §12, e art. 725, todos do RIR/99. 122. No máximo aquela República se enquandraria no rol dos regimes fiscais privilegiados, todavia, isso ocorreu apenas em 2016, com a IN RFB n. 1.658/2016, mas que por se tratar de situações completamente distintas, não caberia a majoração efetuada. 123. Passo a me manifestar: Fl. 2223DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 124. Não merecem guarida as alegações, pois a alíquota de 25% está especificada no art. 691, do RIR/99, sendo que o §12 determina aplicação de tal percentual referindo-se à hipótese do inciso XI do mesmo artigo, a saber: (...) 125. O inciso XI, por sua vez, apresenta hipótese de destinação obrigatória (do crédito que gerou os juros) ao financiamento de exportações, verbis: (...) 126. Ora, o auditor autuante mencionou o art. 685, II, "b" do RIR/99 justamente porque esse dispositivo excepciona sua aplicação quando se verifique a hipótese do inciso XI do art. 691, notadamente, o caso de juros vinculados a créditos para financiamento de exportações, verbis: (...) 127. Ficando claro que em nenhum momento a legislação aplicada ao auto de infração exige que o país destinatário dos juros integre rol daqueles com tributação favorecida, entendo que a fundamentação possui higidez necessária a manter o lançamento, no que se refere ao presente tópico. Da alegação de impossibilidade de se exigir juros de mora sobre valores exigidos a título de multa de ofício 128. No presente tópico, a Interessada afirma que, conforme dispõe o art. 61, caput da Lei n. 9430/96 os juros de mora só devem incidir sobre débitos decorrentes de "tributos e contribuições", ao passo que, nos termos do art. 3º do CTN as multas de ofício não se confundem com espécies. 129. Tais afirmações não merecem o acolhimento vez que o CTN, quando trata da obrigação tributária principal, no art. 113, §1º (abaixo), estabeleceu que essa surge com a ocorrência do fato gerador, tendo por objeto o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária, e extingue-se com o crédito dela decorrente, verbis: (...) 130. Por sua vez, o art. 139 daquele diploma dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação [tributária] principal, e ambos possuem a mesma natureza [jurídica], não deixando margem a dúvida de que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto a penalidade pecuniária, pois ambos constituem a obrigação, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. 131. Ora, como o crédito tributário corresponde à obrigação tributária, e essa última é constituída de tributo e/ou de penalidade pecuniária, a conclusão lógica a que se chega é a de que penalidade é crédito decorrente de obrigação tributária. Por isso, Celso Ribeiro Bastos em sua obra Curso de Direito Financeiro e de Direito Tributário, Saraiva, 2001, pp. 192 a 194, defende a necessidade de aplicação, às multas de ofício, do mesmo regime jurídico de cobrança previsto para os tributos, verbis: (...) 132. O art. 161 do CTN, por sua vez, dispõe que o crédito [tributário] não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Tal norma, por si só, já seria suficiente para justificar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, mas oportuno é acrescentar a vinculação dos julgadores administrativos às normas cogentes, já que a Portaria MF nº 277, de 07 de junho de 2018 atribuiu efeito vinculante a determinadas Súmulas CARF, dentre elas a de nº 5, publicada no DOU de 23-12-10, que prevê que São devidos juros de mora sobre Fl. 2224DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. 133. Cabe expor, ainda, importante esclarecimento que corrobora à necessidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, verificado na redação do Decreto- Lei nº 1.736/79, de 20.12.1979 [que trata sobre débitos para com a Fazenda e dá outras providências], pois dispõe tal norma sobre a incidência dos juros de mora sobre o “valor originário” do débito [tributário], definindo-o como o valor do débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e encargos previstos no Decreto-Lei n' 1.025/69 [Relativamente às antigas percentagens devidas a determinados servidores, pela cobrança judicial da Dívida Ativa da União], in verbis: (...) 134. O Decreto deixou inserir no rol das exclusões do valor originário, ou seja, do débito para com a Fazenda Nacional, a multa de ofício, isso porque trata-se também de valor originário, pois possui a característica de data de vencimento. Note-se que os juros de mora não podem incidir sobre os próprios juros ou multa de mora [esta possuindo limite máximo], bem como sobre a correção monetária, pois que tais acréscimos não possuem data de vencimento e perduram enquanto durar a mora, raciocínio que, por óbvio, não cabe sobre a multa de ofício. 135. Sob toda essa hermenêutica, entendo ser correta a interpretação dos dispositivos previstos dos art. 3º, 113 e 139 do CTN no sentido de se identificar neles autorização legal para a incidência dos juros de mora sobre a penalidade constituída. 136. No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Veja-se: (...) 137. Ainda nessa perspectiva, seguem também alguns precedentes oriundos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): (...) 138. Assim, deve-se manter os juros incidentes sobre a multa de ofício. Fl. 2225DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 Da análise dos fatos vê-se que a questão é eminentemente fática e documental, e a recorrente permanece com alegações genéricas e não enfrenta concretamente o detalhado trabalho fiscal, bem como a análise perpassada pela DRJ que detalhou as razões para não acolhimento dos documento apresentados. Outrossim, as poucas novas alegações da Recorrente, apenas reiteram os argumentos aduzidos desde a impugnação. No que se refere às preliminares de nulidade, Compulsando os autos, não se vislumbra o descumprimento de nenhum dos requisitos fixados no citado art. 59. Isso porque não houve atuação de pessoa incompetente e tampouco qualquer preterição no direito de defesa da contribuinte no presente processo administrativo. Ademais, a contribuinte constrói narrativa cujo objetivo é fazer parecer que a acusação fiscal seria “indeterminada”, ou seja, que a autoridade fiscal não teria indicado qual o vício ou irregularidade fora constatada nas operações praticadas pela contribuinte e pelas demais empresas do GRUPO OGX. Em sede recursal o contribuinte repisa os mesmos argumentos mas basta uma simples análise do TVF e da DRJ para verificar que a decisão recorrida enfrentou adequadamente tal arguição, não tendo o Recorrente dialogado adequadamente com a decisão. Diante disso, fica evidente que o inconformismo da contribuinte diz respeito à conclusão da autoridade fiscal, ou seja, a contribuinte questiona a qualificação dos fatos adotada pela Fiscalização e os respectivos efeitos jurídicos impostos com a lavratura do Auto de Infração. Por óbvio, a contribuinte tem direito de questionar o lançamento e requerer sua anulação, caso entenda que houve ilegalidade na autuação fiscal. Entretanto, se a intenção da contribuinte é discutir a qualificação dos fatos ou o enquadramento legal aplicado pela autoridade fiscal, deve fazê-lo como matérias típicas de mérito – e não como preliminar de nulidade, como apresentou em seu Recurso Voluntário e já havia feito em sua Impugnação. Por seu turno, cumpre ressaltar que não houve qualquer prejuízo ao direito de defesa da recorrente, tendo em vista que esta elaborou seu Recurso Voluntário enfrentando os fundamentos que embasaram o lançamento. Notadamente, a contribuinte dedica boa parte de seu Recurso Voluntário – a parte referente ao mérito – a discussões sobre o contrato de PPE e a necessidade deste para as suas atividades operacionais. Ao proceder dessa maneira, a contribuinte indica que compreendeu corretamente a autuação fiscal, a qual tem como cerne a necessidade das despesas de juros decorrentes do contrato de PPE e, consequentemente, a dedutibilidade dessas despesas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Partindo dessa premissa, resta evidente que a acuação fiscal foi elaborada, ao longo do TCF, de forma clara e precisa, permitindo à contribuinte conhecer os fatos e os fundamentos jurídicos que embasaram o lançamento e desenvolver satisfatoriamente a sua defesa. E é justamente por isso que a turma julgadora de primeira instância não acolheu as alegações da contribuinte no sentido de que teria havido cerceamento do seu direito de defesa. Já em preliminar de mérito, a contribuinte afirma que a turma julgadora de primeira instância não teria apreciado as provas juntadas aos autos, pela recorrente, quando esta apresentou sua Impugnação. Nada mais absurdo. Fl. 2226DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 Acontece que a DRJ analisou as provas apresentadas pela contribuinte e concluiu que o contrato de PPE firmado entre a contribuinte e a OGX Áustria não resultou na exportação de todo o petróleo cru que havia sido acordado entre as partes. Não procede a alegação da contribuinte de que a DRJ teria, simplesmente, ignorado os documentos apresentados junto com a Impugnação, as quais foram devidamente apreciadas. Quanto à preliminar de decadência, Ocorre que, consoante previsão dos manuais do imposto de renda retido na fonte (MAFON 20125 e 20136), as remessas [ao exterior] a título de juros e comissões em geral estão previstas a serem efetuadas sob o código de arrecadação 04817 (juros e comissões em geral), cujo regime de tributação é exclusivo na fonte, na forma do art. 35 da IN SRF n' 208/2002, c/c IN SRF n' 252/2002 (art. 1'), vigentes à época. Incluem-se nessa sistemática os recolhimentos constantes dos 7 DARFs constantes do doc. 08, relativos aos códigos de arrecadaçao 0422 (IRRF - Royalties e assist. técnica - residentes exterior) e 0473 (IRRF-rendimentos trabalho - resid exterior); todos essas retenções por serem exclusivas são definitivas, e dessa forma, não se comunicam com quaisquer outras retenções, tampouco as que indicam atividades diversas. Os pagamentos do doc. 08 devem ser considerados como totalmente independentes entre si; ademais, neles não prova de remessa anterior, primeiramente, referente ao código de arrecadação mencionado, ou seja, aquele decorrente de financiamento a exportações; e, necessariamente, vinculado ao mencionado PPE, pois os DARF informam remessas de natureza diversa. Desse modo, não merece guarida a tese apresentada de que houve supostamente pagamento a menor, e de que deveria se considerar a regra do art. 150, §4º do CTN, razão pela qual rejeita-se a tese de decadência. No mérito, quanto ao aspecto material importante ressaltar que o Contrato de PPE não representou a captação de nenhum recurso novo, tendo em vista que a OGX Áustria emprestou à OGXPG os mesmos recursos que haviam sido captados, pela OGXPAR, por meio da emissão dos títulos (bonds), no exterior – conforme explicitado pela DRJ, às 1836-1837. Essa percepção é fundamental para compreender o que representou o Contrato de PPE no âmbito do GRUPO OGX, vale dizer: um instrumento financeiro utilizado para alocar na OGX Áustria os recursos já captados pela OGXPAR, que serviriam para custear o mesmo empreendimento que havia justificado a emissão dos títulos pela própria OGXPAR. Em outras palavras, o surgimento do Contrato de PPE deve ser visto como uma operação dentro do GRUPO OGX, que teve o propósito de transformar apenas formalmente a estrutura do endividamento do grupo empresarial, sendo que o lastro econômico permaneceu atrelado aos títulos emitidos pela OGXPAR. Desse modo, fica claro que não há como dissociar o Contrato de PPE dos títulos emitidos pela OGXPAR, no exterior, uma vez que todo o capital que ingressou no GRUPO OGX era proveniente dos referidos títulos. O contrato de PPE firmado pela contribuinte estava atrelado a exportações de barris de petróleo para a OGX Áustria, nos termos das cláusulas do próprio contrato de PPE – conforme analisado anteriormente. Se o contrato de financiamento obtido pela contribuinte tinha como contrapartida vendas de barris de petróleo para a OGX Áustria, não há como desassociar o empréstimo e os juros pagos em decorrência deste financiamento das referidas vendas de barris de petróleo. Nessa situação, a modalidade de PPE contratada pela contribuinte implicou para esta Fl. 2227DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 uma obrigação de exportar barris de petróleo a financiadora do PPE. E é justamente essa obrigação de exportar um determinado produto (barris de petróleo) para uma pessoa específica (a OGX Áustria) que define a natureza do contrato e servirá para aferir se o mencionado acordo foi devidamente cumprido. A eventual exportação de barris de petróleo para uma pessoa jurídica distinta da OGX Áustria configura uma relação jurídica completamente alheia ao contrato de PPE firmado entre a contribuinte e a OGX Áustria. Quanto ao aspecto “cumprimento do Contrato de PPE”, restou demonstrado que a contribuinte não exportou para a OGX Áustria o montante de barris de petróleo que havia sido estabelecido no contrato. Significa dizer que não se pode considerar o pagamento de juros como encargos relativos ao financiamento de exportações, uma vez que a contribuinte não realizou as exportações que estavam previstas no contrato de PPE. Por seu turno, se tomarmos como parâmetro o aspecto material do endividamento, temos que a captação dos recursos que vieram para a OGXPG se transformou em aumento de capital desta pessoa jurídica, sem que tenha havido correlação entre o montante captado e as atividades de exportação de petróleo da OGXPG. Nessa perspectiva, o Contrato de PPE sobressai como uma mera realocação de endividamento dentro do GRUPO OGX, a qual fora realizada por liberalidade e para atender aos interesses de partes relacionadas. Conforme ressaltado anteriormente, a obrigação referente ao pagamento do empréstimo e respectivos juros permanece formalmente contabilizada, mas sem qualquer substância econômica ou chances concretas de ser convertida em atividades operacionais da contribuinte. Assim, a comprovação de efetividade das exportações tem sido o principal fator para aplicação ou não da alíquota zero de IRRF sobre as remessas a títulos de juros pagos ao exterior em decorrência de pré-pagamento de exportação. Quanto ao questionamento acerca da impossibilidade de aplicar juros sobre multa, ressalta-se o disposto na Súmula Carf. n. 5. Entretanto, ainda quanto ao Recurso Voluntário, no que se refere ao pedido de cancelamento do IRRF relativo aos fatos geradores de maio de 2013 a outubro de 2013, isto porque a partir daí até o mês de outubro de 2013 (data da petição inicial do Plano), foram apropriados/creditados pelo regime de contabilização por competência”. Neste ponto entendo ter razão a recorrente. A simples contabilização dos valores relativos aos juros incidentes sobre o contrato de “PPE” no período compreendido entre junho e outubro de 2013 não seria suficiente para configurar o fato gerador do “IRRF”, vez que não houve a efetiva disponibilidade econômica ou jurídica por parte da beneficiária domiciliada no exterior (“OGX-Áustria”). O CARF já se manifestou em caso idêntico, em que por unanimidade negou provimento a Recurso de Ofício, decisão com a qual concordo: IRRF. EMPRÉSTIMO OBTIDO NO EXTERIOR. REGISTRO CONTÁBIL DOS JUROS. DISPONIBILIDADE ECONÔMICA OU JURÍDICA DE RENDAS OU PROVENTOS PELO CREDOR. INEXISTÊNCIA. O mero registro contábil dos juros pelo devedor não implica a disponibilidade Fl. 2228DF CARF MF Original Fl. 41 do Acórdão n.º 1401-006.791 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11052.720067/2017-21 econômica ou jurídica de rendas ou proventos pelo credor, devendo ser afastada a incidência do imposto de renda na fonte. (Acórdão 2402005.720 – Cons. Relator João Victor Ribeiro Aldinucci) Logo, o lançamento contábil que não configure efetiva e real aquisição de disponibilidade econômica e jurídica pelo beneficiário (in casu, “OGX-Áustria”) não pode ser considerado fato gerador de tributo, por qualquer espécie que seja pertinente a essa hipótese de incidência. Assim, durante o período de 31 de maio a 31 de outubro de 2013, não ocorreu o fato gerador do “IRRF”, ao contrário do que entendeu a DRJ ao manter o crédito tributário de IRRF sobre esta parcela, razão pela qual oriento meu voto, neste particular, por dar parcial provimento do Recurso Voluntário, mantendo-se o lançamento tão somente quanto aos fatos geradores de 25/05/2012, 21/11/2012, 28/05/2013. Já no que se refere ao Recurso de Ofício mantenho também pelos próprios fundamentos por entender adequado o ajuste procedido pela DRJ em função do tratado existente entre os países. Desta feita, nos termos da faculdade garantida pelo § 3º do Art. 57 do Regimento Interno do CARF, adoto parcialmente a decisão da DRJ como razões de decidir, acrescidas das razões aqui expostas, e voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício e dar parcial provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 2229DF CARF MF Original

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Numero do processo: 12269.003506/2010-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Thu Nov 23 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR MEIO DE COOPERATIVAS. ART. 22, IV, DA LEI Nº 8.212/91. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO CARF. A contribuição devida à seguridade social incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperativas, prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.876/99, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (RE nº 595.838/SP - Tema 166). Ao lado disso, o Regimento Interno do CARF (art. 62) estabelece a obrigatoriedade de reprodução pelos conselheiros do CARF das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF.
Numero da decisão: 2402-012.181
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto. O conselheiro Rodrigo Rigo Pinheiro declarou-se impedido de participar do reportado julgamento, sendo substituído pelo conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Diogo Cristian Denny, Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino, Thiago Alvares Feital (suplente convocado) e Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado).
Nome do relator: ANA CLAUDIA BORGES DE OLIVEIRA

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INCIDÊNCIA SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO POR MEIO DE COOPERATIVAS. ART. 22, IV, DA LEI Nº 8.212/91. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. VINCULAÇÃO DO CARF. A contribuição devida à seguridade social incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperativas, prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei 9.876/99, foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (RE nº 595.838/SP - Tema 166). Ao lado disso, o Regimento Interno do CARF (art. 62) estabelece a obrigatoriedade de reprodução pelos conselheiros do CARF das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário interposto. O conselheiro Rodrigo Rigo Pinheiro declarou-se impedido de participar do reportado julgamento, sendo substituído pelo conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado) (documento assinado digitalmente) Francisco Ibiapino Luz - Presidente (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Claudia Borges de Oliveira (Relatora), Francisco Ibiapino Luz (Presidente), Diogo Cristian Denny, Gregório Rechmann Junior, José Marcio Bittes, Rodrigo Duarte Firmino, Thiago Alvares Feital (suplente convocado) e Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 35 06 /2 01 0- 99 Fl. 336DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-012.181 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12269.003506/2010-99 Relatório Trata-se de recurso voluntário em face do Acórdão nº 06-050.622 (fls. 284 a 290) que julgou parcialmente procedente a impugnação, em face do reconhecimento da decadência no período de 01/2005 a 11/2005, e manteve em parte o crédito tributário lançado por meio do Auto de Infração nº 37.295.508-8 (fls. 3 a 17), relativo às contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, no percentual de 15%, sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços prestados pela Cooperativa UNIMED, conforme previsto no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. Relatório Fiscal anexado às fls. 18 a 21 e Impugnação às fls. 51 a 77.. A decisão recorrida, que manteve em parte o crédito tributário exigido e declarou a decadência em relação às competências 01/2005 a 11/2005, restou assim ementada (fls. 284): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 AI DEBCAD n° 37.247.683-0 de 14/05/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA EMPRESA. COOPERATIVA DE TRABALHO. MULTA. EFEITO DE CONFISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. É devida a contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, de quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. A Administração Pública está sujeita ao princípio da legalidade, à obrigação de cumprir e respeitar as leis em vigor. Não caracteriza ofensa ao princípio da vedação da tributação com efeito de confisco, a aplicação de multa fundamentada na legislação que a rege e em plena vigência no mundo jurídico. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado em 05/02/2015 (fls. 296) e apresentou recurso voluntário em 09/03/2015 (fls. 305 a 320) sustentando a inconstitucionalidade da contribuição instituída pelo inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91. Sem contrarrazões. Voto Conselheira Ana Claudia Borges de Oliveira, Relatora. Da admissibilidade Fl. 337DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-012.181 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12269.003506/2010-99 O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele conheço e passo à análise da matéria. Das alegações recursais - Da contribuição devida à seguridade social incidente sobre 15% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços desenvolvidos por cooperativas O contribuinte alega a inexigibilidade da contribuição de 15% sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente aos serviços prestados por intermédio de cooperativas de trabalho prevista no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. O lançamento refere-se à cobrança de contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, no percentual de 15%, sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, relativamente aos serviços prestados pela Cooperativa UNIMED, conforme previsto no art. 22, IV, da Lei nº 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP com repercussão geral (Tema nº 166), declarou a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho, pois extrapolava a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição Federal, tributando o faturamento da cooperativa, representando nova fonte de custeio que somente pode ser instituída por meio de lei complementar. Negado o pedido de modulação dos efeitos da decisão de inconstitucionalidade, o recurso extraordinário transitou em julgado em 09/03/2015. Por meio da Resolução nº 10/2016, o Senado Federal suspendeu a execução do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91 e a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou a Nota PGFN/CASTF nº 174/2015 incluindo a matéria na lista daquelas com dispensa de contestar e recorrer, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 1/2014. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (art. 62) preceitua que é vedado ao julgador afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo se tiver sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF. Estabelece, ainda, a obrigatoriedade de reprodução pelos conselheiros do CARF das decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ em julgamento de recursos repetitivos, nos termos dos arts. 1.036 a 1.041 do CPC/15. Nesse sentido: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃO INCIDÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. SISTEMÁTICA DE REPERCUSSÃO GERAL. VINCULAÇÃO DO CARF. No julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, o STF declarou a inconstitucionalidade do inciso IV, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação conferida pela Lei nº 9.876, de 1999, que previa a contribuição previdenciária de 15% incidente sobre o valor de serviços prestados por meio de cooperativas de trabalho. Aplicação aos julgamentos do CARF, conforme artigo 62, § 2º, do RICARF. Fl. 338DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-012.181 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12269.003506/2010-99 (Acórdão nº 9202-009.574, Relator Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso, 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Sessão de 24/06/2021, Publicado em 23/07/2021) Nesses termos, o recurso voluntário deve ser provido para cancelar o lançamento das contribuições previstas no art. 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91. Conclusão Diante do exposto, voto pelo provimento do recurso voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Ana Claudia Borges de Oliveira Fl. 339DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10909.723096/2019-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Nov 24 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3401-002.818
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência para apresentação dos esclarecimentos dispostos no voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta (suplente convocado(a)), Wilson Antonio de Souza Correa (suplente convocado(a)), Marcos Roberto da Silva (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SCHWERTNER ZICCARELLI RODRIGUES

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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência para apresentação dos esclarecimentos dispostos no voto do relator. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Renan Gomes Rego, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado(a)), Anna Dolores Barros de Oliveira Sa Malta (suplente convocado(a)), Wilson Antonio de Souza Correa (suplente convocado(a)), Marcos Roberto da Silva (Presidente). Relatório Por bem narrar os fatos ocorridos, adoto o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (RJ): DA AUTUAÇÃO Trata o presente contencioso de lançamento de fls. 2/551, lavrado em 31/08/2010, complementado pelo relatório de fiscalização de fls. 31/59, e cientificado em 17/12/2019 (fls. 233), nos quais se exige diferenças apuradas de Imposto de Importação, de Imposto sobre Produtos Industrializados e das Contribuições para o PIS-importação e COFINS-importação sobre a declaração de importação (DI) n° 19/0081088-5, de 04/01/2019, acrescidos de juros e multa de mora, e multa por declaração de informação incorreta, multa por apresentação de fatura comercial em desacordo com o regulamento e multa por diferença entre o preço declarado e o preço RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 09 .7 23 09 6/ 20 19 -2 6 Fl. 385DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 efetivamente praticado ou o preço arbitrado na importação, no montante de crédito tributário apurado de R$ 105.173,94. Especifica a Autoridade Fiscal que: RELATÓRIO FISCAL TÓPICO 1 - CONSIDERAÇÕES INICIAIS [...] PAMPLONA ILUMINAÇÃO LTDA (CNPJ 79.416.459/0001-20), na qualidade de importador por conta própria, tendo sido elaborado para descrever detalhadamente os fatos ocorridos e as conclusões que levaram à constituição da MULTA ADMINISTRATIVA DE 100% SOBRE A DIFERENÇA APURADA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO PARA AS MERCADORIAS submetidas a despacho aduaneiro de importação com base na Declaração de Importação (DI) n° 19/0081088-5, registrada em 14/01/2019 na Alfândega da Receita Federal do Brasil no Porto de Itajaí, assim como o crédito tributário (II, IPI, PIS e COFINS) referente à diferença dos TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO RECOLHIDOS, com a multa de ofício e os acréscimos legais cabíveis, bem como outras MULTAS ADMINISTRATIVAS apuradas na operação de importação, em consonância com a jurisprudência pacífica do Poder Judiciário e com o ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 4, de 9 de maio de 2018, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. A citada DI ampara a importação de mercadorias descritas como "LÂMPADAS E TUBOS DE DIODOS EMISSORES DE LUZ (LED)", classificadas no código NCM 8539.50.00, no valor VMLE declarado de US$ 66.900,00, originárias da REPÚBLICA POPULAR DA CHINA, com peso líquido declarado de 10.950,00 kg. O EXPORTADOR declarado das mercadorias importadas é a empresa chinesa "SHANGHAI WELLMAX LIGHTING INDUSTRY CO., LTD" e o FABRICANTE/PRODUTOR declarado das mercadorias importadas é a empresa chinesa "LIN AN NEWSANLIAN LIGHTING ELECTRIC CO., LTD". A quantidade importada declarada é de 5.000 unidades, com preço unitário declarado de U$ 0,90 para lâmpadas tubulares modelo T8 de 9W e 52.000 unidades com preço unitário declarado de U$ 1,20 para lâmpadas tubulares modelo T8 de 18W. TÓPICO 2 - DA ANÁLISE FÍSICA E DOCUMENTAL 2.1. DI n° 19/0081088-5, de 14/01/2019 A DI foi parametrizada no canal vermelho de conferência aduaneira nos termos do art. 21, inciso III, da Instrução Normativa SRF n° 680/06, motivada pela suspeita de subfaturamento e falsidade ideológica nos valores declarados na fatura comercial (anexo 01). Com a distribuição da DI n.° 19/0081088-5, a mesma foi encaminhada para procedimento de Verificação Física (RVF) e realizada interrupção no Sistema Siscomex Importação em 30/01/2019, exigindo ao importador a cumprir as seguintes exigências conforme transcrito abaixo: [...] Entretanto, diante de determinação judicial em MS 5000980-50.4.04.7208/SC foi realizada em 15/02/2019 a entrega antecipada das mercadorias com o prosseguimento do despacho aduaneiro de importação e mantidas as exigências demandadas conforme relatado anteriormente. Em 29/03/2019, o importador apresentou via anexação ao dossiê 20190038115140 no Portal Único de Importação (anexo 03) sua resposta e esclarecimentos. A partir da documentação apresentada, o Relatório Fiscal analisa os dados contidos nos documentos para inferir que o importador não demonstrou nem comprovou a Fl. 386DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 regularidade da operação comercial e dos preços praticados das mercadorias objeto na DI n° 19/0081088-5, bem como a caracterização de falsa declaração dos valores pactuados na negociação. TÓPICO 3 - DA NÃO COMPROVAÇÃO DAS NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS [...] De acordo com o demandado na Interrupção Siscomex datada de 08/02/2019 e análise dos históricos de importações realizadas pela importadora PAMPLONA, constata-se: 1. Foi demandado ao importador a apresentação da fatura proforma RK17722 emitida e ASSINADA pelo exportador, contendo o ACEITE do importador. Observa-se que a fatura proforma RK17722 está indicada na fatura comercial RK17722 anexada na declaração de importação como documento instrutivo de despacho (anexo 01): (...) Entretanto o importador apresentou em sua resposta (anexo 03) a fatura proforma n.° RK17722-A, ou seja, documento com a numeração divergente da fatura proforma vinculada à Fatura Comercial instrutiva de despacho (anexo 01). Como esclarecimento, o importador alega que inicialmente a fatura proforma era RK17722 quando a negociação se iniciou, sendo que posteriormente houve uma divisão de embarque e alteração do número da fatura proforma para RK17722-A índices de preços e quantidades. Entretanto em análise da fatura proforma apresentada pelo importador, observa-se que a fatura proforma RK17722-A está vinculada à fatura comercial RK17722-A, ou seja, fatura comercial divergente da Fatura Comercial instrutiva da DI objeto deste Relatório Fiscal: (...) Além disto, a fatura comercial RK17722-A foi emitida em 25/10/2017, anteriormente à Fatura Comercial RK17722 (anexo 01) instrutiva de despacho que foi emitida em 07/12/2017. 2. Foi demandado ainda ao importador a apresentação de contrato de câmbio conforme declarado na DI n.° 19/0081088-5. Observa-se a informação em fatura comercial instrutiva de despacho aduaneiro, o pagamento adiantado de US$ 15.936,00. Conforme contrato de câmbio apresentado n.° 00166991781 (anexo 03), datado de 08/01/2018, observa-se que o valor do mesmo é de USD 31.872,00, ou seja, valor divergente do pagamento adiantado declarado pelo importador de USD 15.936,00. Ainda há a informação e vínculo do contrato de câmbio com a Fatura Comercial RK17722. Observa-se que o contrato de câmbio foi emitido posteriormente a emissão da Fatura Comercial instrutiva de despacho RK17722 (anexo 01) que está vinculada à Fatura Proforma RK17722 e também posteriormente a fatura proforma apresentada pelo importador RK17722-A (anexo 03) que está vinculada à Fatura Comercial RK17722-A. Desta forma, está claro que o contrato de câmbio está diretamente vinculado a Fatura Comercial RK17722 instrutiva de despacho. (...) 3. Também, o importador apresentou o contrato de câmbio 00196071776 (anexo 03), datado de 09/01/2019, o qual vincula ao pagamento das mercadorias referente a DI n.° 19/0081088-5 no valor de USD 50.964,00. Também neste contrato de câmbio, há a informação e vínculo do mesmo com a Fatura Comercial RK17722. Observa-se que o contrato de câmbio foi emitido posteriormente a emissão da Fatura Comercial instrutiva de despacho RK17722 (anexo 01) que está vinculada à Fatura Proforma RK17722 e também posteriormente a fatura proforma apresentada pelo importador RK17722-A (anexo 03) que está vinculada à Fatura Comercial RK17722-A. Desta Fl. 387DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 forma, está claro que o contrato de câmbio está diretamente vinculado a Fatura Comercial RK17722 instrutiva de despacho. (...) 4. O somatório para as mercadorias vinculadas à Fatura Comercial RK17722 conforme contratos de câmbios apresentados n.° 00166991781 e 00196071776 é de USD 82.836,00, valor este divergente do valor declarado na DI e fatura comercial RK17722 (anexo 01) de USD 66.900,00. 5. Em consulta ao histórico de importação da DI n.° 18/1219856-8 realizada pela PAMPLONA, constata-se que a mesma apresentou trocas de e-mails na importação da DI n.° 18/1219856-8 (anexo 04), via dossiê 20180022750070 vinculado em 20/07/2018 no PUCOMEX, no qual a importadora traz o HISTÓRICO DAS NEGOCIAÇÕES (EMAILS) DAS TRANSAÇÕES INTERNACIONAIS para as importações relativas às FATURAS RK17717 & RK17722. No mesmo dossiê, consta a FATURA PROFORMA RK17717, datada de 11/12/2017. As tratativas negociais então apresentadas demonstram, DE FORMA INEQUÍVOCA, que ambas as operações (RK17717 & RK17722) foram NEGOCIADAS EM CONJUNTO, NA MESMA ÉPOCA (fim de 2017 e início de 2018), exatamente para as MESMAS MERCADORIAS (lâmpadas LED tubulares de 9W e 18W) e com os MESMOS PREÇOS UNITÁRIOS ACORDADOS pelas partes (respectivamente, USD 1,09 e 1,44). (...) 6. Ainda, cotejando-se a FATURA RK17717 (DI 18/1219856-8) com a FATURA RK17722 (DI 19/0081088-5), emitidas pelo MESMO EXPORTADOR (SHANGHAI WELLMAX LIGHTING INDUSTRY CO., LTD) na China, contendo as mercadorias importadas do MESMO FABRICANTE (LIN AN NEW SANLIAN LIGHTING ELECTRIC CO.,LTD) e negociadas pelo MESMO IMPORTADOR (PAMPLONA ILUMINAÇÃO LTDA), observa-se que os PREÇOS UNITÁRIOS FOB das lâmpadas de 9W (L-TB-8050/04091306) e 18W (L-TB-8060/04181306) faturados e declarados na DI 19/0081088-5 (respectivamente, USD 0,90 e 1,20) são DIFERENTES E INFERIORES aos preços faturados e declarados na DI 18/1219856-8 (respectivamente, USD 1,09 e 1,44). Note-se, ainda, que a FATURA PROFORMA RK17717 apresenta quantidades (N° PEÇAS) bem SUPERIORES de lâmpadas de 9W e 18W, o que favoreceria a formação de um valor unitário INFERIOR numa mesa de negociação em separado. 7. Foi apresentado pelo importador (anexo 03), trocas de e-mails realizados pelo mesmo, onde está demonstrado a existência de negociação e aprovação da PAMPLONA junto ao exportador de Fatura Proforma RK17722. Como pode ser observado, os valores unitários para as mercadorias importadas estão divergentes dos valores declarados na DI 19/0081088-5 e Fatura Comercial instrutiva de despacho vinculada à Fatura Proforma RK17722: (...) Observa-se se ainda que o valor pago de adiantamento referente ao contrato de câmbio apresentado n.° 00166991781 (anexo 03), datado de 08/01/2018, no valor de USD 31.872,00 é a mesma condição de pagamento descrito na Fatura Proforma RK17722, ou seja 10% do valor negociado. Desta forma, está claro que a mercadoria importada pela DI n. 19/0081088-5, refere-se à negociação realizada referente a Fatura Proforma RK17722, no qual foi pactuado os valores unitários de USD 1,09 para as lâmpadas tubulares modelo T8 de 9W e o valor unitário de USD 1,44 para lâmpadas tubulares modelo T8 de 18W e não os valores de USD 0,90 e USD 1,20 respectivamente declarados. O simples fato de uma divisão do embarque das mercadorias conforme declarado pelo importador não é motivo para a deliberada alteração dos preços unitários pactuados com o exportador. Tal constatação demonstra claramente a Fl. 388DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 redução dos preços unitários declarados intencionalmente, configurando simulação e fraude nos valores apresentados para a DI n.° 19/0081088-5. 8. Finalmente, em consulta ao conjunto de e-mails apresentados pela importadora, seja para a DI 19/0081088-5 (anexo 03) objeto desta autuação, e para a DI 18/1219856-8 (anexo 04), extrai-se a informação de problemas e retrabalhos nas embalagens das lâmpadas negociadas, especificamente com relação às etiquetas, com inclusive prejuízos de mais de USD 50.000,00 para a importadora causados por erros referentes a etiquetagem de mercadorias importadas: (...) Entretanto, foram apresentadas trocas de e-mails espaçados, não deixando claro toda a negociação para uma redução dos valores acordados pela Fatura Proforma RK17722 e nem referente ao detalhamento dos erros ocorridos com a etiquetagem das mercadorias e sobre o pagamento de mais de USD 50.000,00 realizado pela PAMPLONA conforme demonstrado em e-mail anteriormente. Conforme extrai-se dos documentos apresentados pelo importador e também extraídos da DI 18/1219856-8 (anexo 04), conclui-se que as mercadorias foram negociadas conforme Fatura Proforma RK17722 e vinculada ao documento instrutivo de despacho, Fatura Comercial RK17722. Cabe o esclarecimento conforme previsão legal no art. 21 da Instrução Normativa SRF n.° 327/2003, que estabelece normas e procedimentos para a declaração e o controle do valor aduaneiro de mercadoria importada, temos que para apuração do valor aduaneiro, com base no método do valor da transação, não serão admitidos descontos relativos a transações anteriores.[...] Esse quadro probatório significante e convergente compromete sobremaneira a VERACIDADE da declaração do importador e a AUTENTICIDADE dos documentos instrutivos do despacho. A prestação de informações inverídicas quanto ao preço das mercadorias importadas caracteriza SUBFATURAMENTO (FRAUDE DE VALOR) mediante falsidade ideológica da fatura comercial, já que os valores (irreais) faturados e declarados na DI 19/0081088-5 não correspondem à verdade, conforme explanado. Cumpre destacar que o subfaturamento sempre consiste em um ato fraudulento, nos termos do art. 72, in fine, da Lei n° 4.502/1964, pois não se concebe o desígnio de subfaturar o preço de uma mercadoria importada sem conhecimento e vontade de REDUZIR O MONTANTE DOS TRIBUTOS DEVIDOS. O mesmo se diga quanto à falsidade documental. Em ambos os casos é manifesta a intenção de ludibriar o fisco, sem guarida para a hipótese de mero erro. Pelo Princípio da Verdade Material, é fato, portanto, que o importador, não apresentou os documentos que comprovam a licitude da transação comercial e preço praticado para a Declaração de Importação n.° 19/0081088-5, praticando a fraude de subfaturamento dos preços declarados. TÓPICO 4 - DO USO DE DOCUMENTOS FALSOS NO DESPACHO ADUANEIRO E APLICAÇÃO DE MULTA QUALIFICADA [...]O artigo 557 do Regulamento Aduaneiro dispõe sobre as indicações que a fatura comercial deve conter. Nele está claramente previsto em seu inciso XI, que deve ser declarado o preço unitário e total de cada produto importado e, se houver, o montante e a natureza das reduções e dos descontos concedidos. [... ] Constata-se nos documentos entregues pelo importador (anexo 01), o importador não comprovou documentalmente conforme demandado pela fiscalização aduaneira a negociação e preços praticados declarados. Pelo contrário, os documentos apresentados conforme detalhados no tópico 3 anteriormente apontam para a prática Fl. 389DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 de simulação e fraude nos valores unitários declarados para as mercadorias importadas. Desta forma, constata-se que a Fatura Comercial instrutiva do despacho aduaneiro, DI n.° 19/0081088-5 (anexo 01) é IDEOLOGICAMENTE FALSA. Com a publicação em 11/05/2018 do ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 4, de 9 de maio de 2018, no Diário Oficial da União, o qual foi aprovado pelo Ministro da Fazenda, tornando-se desta forma vinculante para a RFB, nos termos do § 4° do art. 19 da Lei n°10.522, de 2002, aplica-se o mencionado Ato Declaratório ao caso da DI em comento: falsidade ideológica consistente no subfaturamento do valor da mercadoria na declaração de importação. A jurisprudência no Poder Judiciário é no sentido de que a pena a ser aplicada é a pecuniária e não a de perdimento. Neste caso, reconhece-se a impossibilidade de aplicação da pena de perdimento em razão do subfaturamento e aplica-se a pena de multa prevista no art. 88, parágrafo único, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, em detrimento da pena de perdimento. Concluindo, o conceito de FRAUDE para fins tributários está devidamente estabelecido na Lei n° 4.502/64: [...] Entre as características essenciais do fato gerador, podemos citar seus elementos constitutivos: o temporal (momento da ocorrência); o espacial (local da ocorrência); o subjetivo (os sujeitos ativo e passivo da obrigação); e o quantitativo (a base de cálculo). Logo, a modificação dolosa por meio de falsa declaração dos valores unitários atribuídos às mercadorias, produzindo a redução ilícita da base de cálculo dos tributos, constitui-se FRAUDE, por EXPRESSA DEFINIÇÃO LEGAL. Por tal motivo, aplica-se, quando cabível, a multa qualificada pela ocorrência de FRAUDE. O Relatório Fiscal assevera que a Impugnante, ora importador, não comprovou documentalmente, embora demandado pela fiscalização aduaneira a partir das exigências formuladas, a negociação e preços praticados declarados, concluindo que os documentos apresentados demonstram a prática de simulação e fraude nos valores unitários declarados para as mercadorias importadas ao produzir a redução ilícita da base de cálculo dos tributos. Consequentemente, considerando a não comprovação das transações comerciais e do preço praticado, e a demonstração do uso de fatura comercial ideologicamente falsa, a Autoridade Fiscal promoveu o arbitramento do preço da mercadoria declarada na DI n° 19/0081088-5 e efetuou o lançamento dos ajustes tributários e penalidade incidentes, visto as violações à legislação tributária apuradas. TÓPICO 5 - DO ARBITRAMENTO DO PREÇO DAS MERCADORIAS REF. DI n° 19/0081088-5 Visto a não comprovação das transações comerciais e preço praticado conforme demonstrado no tópico 3, do uso de Fatura Comercial IDEOLOGICAMENTE FALSA pelo importador conforme demonstrado no tópico 4, há a necessidade de se arbitrar o preço da mercadoria declarada na DI n.° 19/0081088-5. Nos termos do art. 2°, inciso II, do Decreto-Lei n° 37/66, com a redação dada pelo Decreto-lei n° 2.472/88, a base de cálculo do imposto de importação, quando a alíquota for "ad valorem", é o valor aduaneiro apurado segundo as normas do art. 7° do Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio - GATT. Porém, conforme já demonstrado, a importação em questão foi efetuada mediante uso de documento falso, estando devidamente caracterizada e demonstrada a prática de fraude. Fl. 390DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 A fatura comercial instrutiva do despacho aduaneiro é ideologicamente falsa. O Comitê de Valoração Aduaneira da Organização Mundial de Comércio (OMC) elaborou Opiniões Consultivas, divulgadas por meio da Instrução Normativa SRF n° 318, de 4 de abril de 2003, que devem ser observadas na apuração do valor aduaneiro. A OPINIÃO CONSULTIVA 10.1 dispõe sobre o TRATAMENTO APLICÁVEL AOS DOCUMENTOS FRAUDULENTOS. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira assim se manifestou: 1.O Acordo obriga que as administrações aduaneiras levem em conta documentos fraudulentos? 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira emitiu a seguinte opinião: Segundo o Acordo, as mercadorias importadas devem ser valoradas com base nos elementos de fato reais. Portanto, qualquer documentação que proporcione informações inexatas sobre esses elementos estaria em contradição com as intenções do Acordo. Cabe observar, a este respeito, que o Artigo 17 do Acordo e o parágrafo 6 do Anexo III enfatizam o direito das administrações aduaneiras de comprovar a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração apresentados para fins de valoração aduaneira. Consequentemente, não se pode exigir que uma administração leve em conta uma documentação fraudulenta. Ademais, quando uma documentação for comprovada fraudulenta, após a determinação do valor aduaneiro, a invalidação desse valor dependerá da legislação nacional. No mesmo sentido, também deve ser transcrita a OPINIÃO CONSULTIVA 19.1: APLICAÇÃO DO ARTIGO 17 DO ACORDO E DO PARÁGRAFO 6 DO ANEXO III 1. A questão foi formulada objetivando esclarecer se o Artigo 17, lido conjuntamente com o parágrafo 6 do Anexo III, outorga poderes suficientes às Administrações Aduaneiras para detectar e comprovar as infrações relativas à valoração, incluída a fraude, e se incumbe ao importador o ônus da prova no curso da determinação do valor aduaneiro. 2. O Comitê Técnico de Valoração Aduaneira chegou à conclusão de que, ao examinar esta questão, cabe observar que o Artigo 17 estabelece que o Acordo não restringe, nem põe em dúvida os direitos da administração aduaneira. O parágrafo 6 do Anexo III enumera esses direitos, destacando concretamente o direito das administrações nacionais de contar com a plena cooperação dos importadores nas investigações sobre a veracidade ou exatidão de qualquer informação, documento ou declaração. Esta conclusão é reafirmada na Opinião Consultiva 10.1. Seria incorreto deduzir que ficam implicitamente excluídos quaisquer outros direitos das administrações aduaneiras que não estejam mencionados no Artigo 17 ou no parágrafo 6 do Anexo III. Os direitos que não estejam mencionados expressamente no Acordo, assim como os direitos e as obrigações dos importadores e das Aduanas na determinação do valor aduaneiro, dependerão das leis e regulamentos nacionais. Assim sendo, as disposições para apuração do valor aduaneiro previstos no Acordo de Valoração Aduaneira não se aplicam nos casos comprovados de fraude, devendo, neste caso, ser aplicada a legislação nacional. O artigo 88 da Medida Provisória n° 2158-35, de 24/08/2001, trouxe a disposição legal aplicável a esses casos: [...] No presente caso conforme extraído da Fatura Proforma RK17722 (anexo 03) é possível apurar o PREÇO EFETIVAMENTE PRATICADO, sendo desta forma ajustado o arbitramento do preço das mercadorias para os seguintes valores unitário conforme declarado na Fatura Proforma RK17722: Fl. 391DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 • Adição 01 - item 001: Valor unitário USD 1,09; • Adição 01 - item 002: Valor unitário USD 1,44. Considerando os preços unitários arbitrados anteriormente e os quantitativos declarados dos itens 001 e 002 da adição 001 na DI n.° 19/0081088-5, então o valor total da mercadoria arbitrado em seu local de origem (China) é de U$ 80.330,00. O valor aduaneiro da mercadoria, nos termos do acordo de valoração aduaneira, será o preço pago pela mercadoria, com acréscimos e deduções. No presente caso, será o preço da mercadoria com acréscimo do valor de frete e seguro internacional. Desta forma, temos: Valor da Mercadoria (na origem, China): U$ 80.330,00 Valor do Frete (conforme declarado na DI): U$ 1.541,42 Valor do Seguro (conforme declarado na DI): U$ 70,23 Valor Aduaneiro da Mercadoria: U$ 81.941,65 (dólares americanos) Considerando que a Declaração de Importação fora registrada em 14/01/2019, e neste dia a taxa cambial U$/R$ era de 3,6869, então o valor em moeda nacional: Valor Aduaneiro da Mercadoria: R$ 302.110,67 (trezentos e dois mil, cento e dez reais e sessenta e sete centavos) Desta forma, o procedimento de arbitramento do valor das mercadorias permite concluir, com lese legal, que o valor aduaneiro das mercadorias relativas à presente importação, amparadas pela DI 19/0081088-5, é de R$ 302.110,67 e não o valor de R$ 252.595,61, declarado na DI. Como não foi possível aplicar a pena de perdimento às mercadorias, aplica-se a multa de 100% sobre a diferença arbitrada, nos termos do Ato Declaratório PGFN N° 4, de 9 de maio de 2018, e do art. 703 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 6.759/09, e alterações:[...] Valor Aduaneiro DECLARADO = R$ 252.595,61 MULTA ADMINISTRATIVA DE 100% - Equivalente à DIFERENÇA entre o preço DECLARADO e o preço ARBITRADO = R$ 49.515,06 (R$ 302.110,67 ( - ) R$ 252.595,61) Sobre a DIFERENÇA de R$ 49.515,06, fraudulentamente omitida, a ser constituída sob a forma de multa de 100%, constitui-se, ainda, o crédito tributário referente à diferença dos tributos não recolhidos, bem como a multa de ofício e acréscimos legais cabíveis, conforme será abordado no próximo tópico. TÓPICO 6 - DO DANO AO ERÁRIO CAUSADO PELAS DIFERENÇAS DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES Diante dos valores acima expostos, em relação à carga importada através da DI 19/0081088-5, declarada a um valor aduaneiro de R$ 252.595,61, a mesma foi arbitrada em R$ 302.110,67 utilizando-se a taxa de câmbio da data de registro da DI.[... ] Desta forma, a atuada deixou de recolher, por ocasião do despacho aduaneiro, a quantia de R$ 20.573,52 (Vinte mil, quinhentos e setenta e três reais e cinquenta e dois Fl. 392DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 centavos) a título de tributos e contribuições, mediante fraude, aplicando-se, por tal motivo, a multa acima citada, por ser cabível nos casos de evidente intuito de fraude e sonegação, definidos nos artigos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, além dos juros de mora a serem calculados até a data do efetivo pagamento. TÓPICO 7 - CONCLUSÃO, PENALIDADE E CRÉDITO TRIBUTÁRIO Diante dos fatos narrados ao longo do presente relatório, fica evidenciado que a atuada fez uso de FATURA COMERCIAL IDEOLOGICAMENTE FALSA para instruir o despacho aduaneiro, além de ser caracterizado o subfaturamento das mercadorias. A legislação pátria atribui objetivamente a responsabilidade por infração dessa natureza, dispondo que, além da responsabilidade independer da intenção do responsável, independe também da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato. [...] Dessa forma, conforme exaustivamente exposto, promovo a lavratura do Auto de Infração n°. 0927800/00691/19 e deste Relatório Fiscal referente à constituição da MULTA ADMINISTRATIVA DE 100% SOBRE A DIFERENÇA ENTRE O PREÇO DECLARADO E O PREÇO ARBITRADO PARA AS MERCADORIAS importadas ao amparo da DI n°.19/0081088-5, de 25/09/2017, bem como o crédito tributário (II, IPI, PIS e COFINS) referente à diferença dos TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES NÃO RECOLHIDOS, com a multa de ofício e os acréscimos legais cabíveis, bem como outras MULTAS ADMINISTRATIVAS apuradas na operação de importação, em consonância com a jurisprudência pacífica do Poder Judiciário e com o ATO DECLARATÓRIO PGFN N° 4, de 9 de maio de 2018, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. A Autoridade Fiscal efetuou os lançamentos com base nos art. 86 e 88 da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001; no art. 80, caput e § 6°, inciso II, da Lei n° 4.502, de 1964; no art. 88, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001; no art. 135, inciso III, da Lei n° 5.172, de 1966; nos art. 1° a 8°, 13, inciso I, 19 e 20 da Lei n° 10.865, de 2004; no art. 44, inciso I e §1°, da Lei n° 9.430, de 1996; no art. 61, § 3°, da Lei n° 9.430, 1996; no art. 84, inciso I, da Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001, combinado com o art. 69 e art. 81, inciso IV, da Lei n° 10.833, de 2003; no art. 70, inciso II, alínea "b", item 2, da Lei n° 10.833, de 2003; e no art. 107, inciso X, alínea "c", do Decreto-Lei n° 37, de 1966. DA IMPUGNAÇÃO A impugnante, em sua defesa de fls. 237/267, apresentada em 14/01/2020, alega que: A) Da Higidez da Operação [...] 12. Acontece que, no presente caso, não é necessário o emprego de muito esforço para constatar que os lançamentos fiscais se baseiam em meros indícios de preços inferiores ao comparar a operação de importação amparada pela DI n° 19/0081088-5 com os preços faturados e declarados em operação de importação precedente (DI n° 18/1219856-8), sem qualquer prova que possa descaracterizar o valor da transação aduaneira realizada pela Impugnante. 13. É sabido que a valoração aduaneira se encontra disciplinada pelo Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 6.759/2009), nos artigos 75 a 83. Pelas regras estabelecidas no AVA/GATT, a valoração aduaneira pode ser apurada por vários métodos, sendo que o primeiro é o valor da transação. 14. Conforme se infere do Relatório Fiscal, antes mesmo da lavratura dos Autos de Infração ora combatidos, já havia a autoridade aduaneira concluído pela Fl. 393DF CARF MF Original Fl. 10 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 configuração de subfaturamento com alicerce na premissa de que as transações negociais relativas às faturas comerciais RK17717 - vinculada à DI n° 18/1219856-8 - e RK17722 -vinculada à DI n° 19/0081088-5 - se deram em conjunto, com os mesmos preços unitários acordados, os quais correspondem aos valores declarados na DI n° 18/1219856, isto é, USD 1,09 para lâmpadas LED tubulares de 9W; e USD 1,44 para lâmpadas LED tubulares 18W. [... ] 18. Onde a fiscalização enxergou subfaturamento - sob o argumento de que os preços praticados e declarados teriam sido inferiores aos constantes da "proforma" -, nada mais houve do que um ajuste na negociação do preço originalmente acordado, algo absolutamente lícito e normal em transações comerciais internacionais, que, no presente caso, é totalmente comprovado através dos e-mails que demonstram a negociação, os contratos cambiais, as transações financeiras, a comercial invoice, a DI. 19. Nesse ponto, insta esclarecer que, em 21/10/2018 a autuada realizou viagem à China1 para tratar de assuntos comerciais com o exportador Shanghai Wellmax Lighting Industry Co., Ltd, oportunidade em que houve a renegociação dos preços inicialmente ajustados na Proforma RK17722, os quais passaram a ser de USD 0,90 para lâmpadas 9W e USD 1,20 para lâmpadas 18W. 20. Tal assertiva pode ser constatada a partir da análise das negociações registradas nos e-mails acostados ao presente processo (anexo 03; fls. 85 a 149), em especial, da confirmação dos preços das mercadorias enviada pelo exportador em 16/11/2018, conforme abaixo: 21. Como se observa, após longas tratativas, o exportador diminuiu o preço inicialmente ajustado, de modo que o pedido foi concluído nos seguintes moldes: "1. 5000pcs 9W, 52000pcs 18W, in 2*40NOR will rework the LOTE: 11/2018/WE. Price is 0.90usd and 1.20usd [...]". 22. Anexa a Impugnação, consta a tradução juramentada do excerto acima. 23. Note-se, ainda, que a quantidade de mercadorias confirmadas pelo exportador, assim como o respectivo preço informado possuem exata semelhança com a descrição detalhada da mercadoria constante na DI n° 19/0081088-5 (fl. 64 do PAF): (...) 24. No mesmo sentido, são condizentes as informações registradas na "Commercial Invoice" - documento que retrata a operação comercial ajustada entre as partes (fl. 82 do PAF): (...) 25. No ponto, afigura-se relevante fazer um parêntese em relação a Fatura Proforma identificada na Commercial Invoice supra colacionada. Isto pois, segundo a autoridade aduaneira, o fato de a Commercial Invoice RK17722 estar vinculada à Proforma Invoice RK17722 seria suficiente à aferição de que o preço praticado foi superior ao informado no documento instrutivo da importação, vez que os valores indicados na referida fatura estão divergentes dos valores declarados na DI e na Fatura Comercial. 26. Ocorre, todavia, que tal fato, isoladamente, não é capaz de atingir a higidez da fatura comercial, quando mais se considerado que deixou a Fiscalização de levar em consideração A MUTAÇÃO NEGOCIAL DA OPERAÇÃO COMERCIAL, a qual, aliás, resultou na divisão da carga em dois contêineres, motivando a expedição de nova fatura proforma, acrescida do sufixa "A" - fatura proforma RK177222-A. Fl. 394DF CARF MF Original Fl. 11 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 27. Tanto assim o foi, que é possível identificar nas trocas de e-mails mensagem enviada por preposto da autuada informando a divisão do "processo RK17722" e encaminhando a "Proforma Invoice" do primeiro embarque RK17722-A contendo o aceite do importador (anexo 03; fls. 103 e 104 do PAF): 28. Observe-se, ainda, que na mesma oportunidade o preposto da autuada questiona sobre o valor do pagamento adiantado. Tal situação se dá justamente em razão do reajuste ulterior do preço da mercadoria, o qual impactou na realocação dos valores transacionados por meio do contrato de câmbio n° 00166991781 - preexistente às negociações que culminaram na mutação monetária da operação comercial.[... ] 31. Por certo, as circunstâncias que amparam o proceder da autoridade fiscal não passam de indícios - sobre os quais foi impingida interpretação distorcida - que jamais poderiam ensejar a desconsideração da operação da autuada, se não comprovada a sua efetiva ocorrência. 32. Assim, conclusivamente, não há amparo legal para o procedimento adotado, eis que fundado em meras presunções e indícios não lastreados em provas cabais do alegado subfaturamento, os quais, por sua vez, são insuficientes à comprovação de fraude - elemento essencial à caracterização da conduta - conforme passa a expor no tópico abaixo. A Impugnante, com o argumento de que renegociou as bases da operação de comércio exterior, afirma que a fiscalização enxergou subfaturamento onde apenas ocorreu um ajuste lícito e normal na negociação do preço originalmente acordado, o que está comprovado nos e-mails que demonstram a negociação, os contratos cambiais, as transações financeiras, a comercial invoice e a declaração de importação. Reitera que a renegociação resultou na divisão da carga em dois containeres e na expedição da nova fatura proforma RK177222-A, demonstrado nas trocas de e-mails que informam a divisão do "processo RK17722" e encaminham a "Proforma Invoice" do primeiro embarque RK17722-A contendo o aceite do importador, o que impactou na realocação dos valores transacionados por meio do contrato de câmbio n° 00166991781 preexistente às negociações. Aduz, assim, a ausência de comprovação de fraude. B)Da Ausência de Comprovação da Fraude 33. A respeito do tema, é assente o posicionamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF no sentido de que a mera diferença de preço entre uma operação de importação e outra é apenas ponto de partida para o aprofundamento da análise de suposto subfaturamento, o qual deve ser confirmado mediante conjunto probatório robusto e suficiente a comprovar a prolatada fraude: [...] 34. Com efeito, o conceito de fraude encontra amparo legal no art. 72 da Lei n° 4.502/64, cuja redação é a seguinte: [... ] 35. Ora, como se percebe, a caracterização da fraude impõe a clara constatação, carreada em prova material robusta, de que, mediante uma ação ou omissão DOLOSA, pretendeu-se impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, ou, ainda, alterando suas características, reduzir ou diferir o pagamento do montante devido. [... ] 38. Acontece que, no caso em apreço, logrou-se demonstrar que a documentação apresentada - em especial a commercial invoice - é idônea e reflete com veracidade a operação praticada e os preços adotados, inexistindo qualquer ação ou omissão que denote a intenção de causar dano à Fazenda Pública.[...] Fl. 395DF CARF MF Original Fl. 12 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 40. No caso em tela, não bastasse a comprovação de que os preços praticados condizem com a realidade da operação, inexistindo a intenção de lesar o Erário, a realização da prática de subfaturamento não traria quaisquer vantagens para a autuada.[...] 43.Nessa senda, além de não haver prova incontroversa que denote a inidoneidade dos preços adotados na operação, nem mesmo da intenção da autuada de causar dano ao Erário, inexistem razões para se afastar a presunção de boa-fé da empresa autuada, impondo-se a anulação dos lançamentos, sob pena de, assim não o fazendo, permitir-se a imposição de penalidade calcada em mera presunção. C)Impossibilidade de Cumulação de Penalidades: Multa por Subfaturamento na Importação e Multa Proporcional Agravada 44.Outro ponto que merece essencial destaque é a impossibilidade de cumulação das penalidades pecuniárias de multa por subfaturamento na importação (100% da diferença entre o preço declarado e o preço praticado) e multa proporcional agravada/qualificada (150%).[... ] 51. Portanto, a cumulação de penalidades, multa por insuficiência de recolhimento de tributos por subfaturamento no percentual de 100% da diferença entre o preço declarado e o preço praticado e multa proporcional agravada/qualificada, no percentual de 150%, evidencia nítido caráter confiscatório, vedado constitucionalmente. 52. A proibição de cumulação das multas ainda se dá em razão do princípio do non bis in idem, que veda a dupla punição. 53. Isto pois, verifica-se que a ocorrência de subfaturamento na importação encontraria, exclusivamente, motivação lógica no recolhimento a menor de tributos, infração que seria punível com a multa de ofício agravada (150% sobre a diferença de imposto ou contribuição), e, ainda, com a aplicação de multa de 100% da diferença entre o preço praticado e declarado, as quais têm por finalidade punir a mesma conduta, qual seja: o recolhimento a menor de tributos.[... ] 55. É, portanto, flagrante que a multa de ofício de 150% absorve a multa isolada aplicada por infração administrativa ao controle das importações (100% da diferença entre o preço declarado e o preço praticado), manifestando-se inconcebível a cumulação das penalidades em face da dupla penalização sobre a mesma suposta infração. D)Da Excessividade da Multa Proporcional Agravada 59. Sem prejuízo da fundamentação até aqui apresentada, cabe enfatizar a excessividade e o descabimento da multa proporcional agravada supedaneada no art. 44, inciso I, §1° da Lei n° 9.430/06, sob a alegação de intuito doloso de fraude fiscal.[...] 63. No caso em apreço, porém, como exaustivamente elucidado - em especial no item "B" da presente impugnação -, logrou-se demonstrar que a documentação apresentada - em especial a commercial invoice - é idônea e reflete com veracidade a operação praticada e os preços adotados, inexistindo qualquer ação ou omissão que denote a intenção de causar dano à Fazenda Pública (dolo). 64. Portanto, apesar de todo o exposto e debatido nos tópicos precedentes, acaso ainda remanesça a obrigação principal combatida, inconcebível e inadmissível se queda sua oneração através da multa qualificada de 150%, devendo a mesma ser reduzida para o patamar de 75% sobre a diferença dos tributos devidos, na forma do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. Fl. 396DF CARF MF Original Fl. 13 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 E)Da Inaplicabilidade da Multa de 1% do Valor Aduaneiro da Mercadoria 65.Adicionalmente às outras penalidades aplicadas e anteriormente comentadas e rechaçadas, a autoridade aduaneira lançou mão, ainda, de multa administrativa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, estribada no art. 84, caput, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, c/c art. 69, parágrafo 1° da Lei n° 10.833/2003 e art. 711, inciso III do Regulamento Aduaneiro (Dec. 6.759/2009), no valor de R$ 3.021,10. [...] 70.Em outros termos, a multa de que tratam os artigos 84 da Medida Provisória 2.158- 35/2001 e 711 do Regulamento Aduaneiro (Dec. 6.759/2009), tem aplicabilidade quando constatadas irregularidades atreladas à identificação das mercadorias importadas, seja para fins de determinar os tributos envolvidos na operação, seja para efeitos de controle aduaneiro. 71.Na autuação vergastada, em contrapartida, a irregularidade apontada pela fiscalização aduaneira envolve a alegação de subfaturamento, a qual - [ainda que estivesse caracterizada, o que se comenta apenas para fins de raciocínio] - não se enquadra na previsão legal. 72.Ante o exposto, e independentemente do que venha a se concluir em relação aos demais aspectos questionados nesta defesa, não sobram dúvidas de que a penalidade consistente na multa administrativa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, estribada no art. 84, caput, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, c/c art. 69, parágrafo 1° da Lei n° 10.833/2003 e art. 711, inciso III do Regulamento Aduaneiro (Dec. 6.759/2009), não se subsume à descrição dos fatos descritos no Relatório Fiscal, devendo ser integralmente afastada por ser inaplicável à espécie. F)Da Não Inclusão dos Gastos com Capatazia/THC no Valor Aduaneiro 73. Acaso mantidos os lançamentos perpetrados por meio dos Autos de Infração combatidos, é curial a observância do GATT para definição do "Valor Aduaneiro" - base de cálculo do PIS/COFINS-Importação, Imposto de Importação e IPI-Importação -, mormente o pacto firmado em 1994, que trata do "Acordo sobre a Implementação do Artigo VII do Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio", também conhecido por Acordo de Valoração Aduaneira - AVA, do qual se destacam os seguintes artigos: [... ] 84. Destarte, é incontroversa a inadequação da inclusão dos gastos relativos aos serviços de capatazia/THC desempenhados no território nacional no valor aduaneiro, pois afrontam as normas que disciplinam a matéria, em especial o artigo 8° do Acordo de Valoração Aduaneira, e o artigo 77, I e II, do Regulamento Aduaneiro (atualmente Decreto n° 6.759/2009), impondo-se o afastamento de tais despesas da base de cálculo do PIS/COFINS-Importação, Imposto de Importação e IPI-Importação. Ao final, a Interessada requer a improcedência do presente auto de infração. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro/RJ (DRJ07), por meio do Acórdão nº 107-000.578, de 27 de agosto de 2020, julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido, com base no entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2019 SUBFATURAMENTO. FATURA COMERCIAL. FALSIDADE. O uso de fatura comercial inidônea na instrução do despacho aduaneiro demonstrando que o valor negociado difere do valor declarado caracteriza o subfaturamento, autorizando a exigência das diferenças de tributos aduaneiros na operação de Fl. 397DF CARF MF Original Fl. 14 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 importação e a imposição de multa, a teor do Ato Declaratório PGFN n° 4, de 9 de maio de 2018, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FRAUDE. MULTA QUALIFICADA. Em caso de infração praticada mediante fraude, aplicam-se as multas qualificadas por insuficiência de recolhimento, no percentual de 150% sobre as diferenças de tributos, sem prejuízo de outras penalidades cabíveis. TRIBUTOS INCIDENTES NA IMPORTAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR ADUANEIRO. DESPESAS COM CARGA, DESCARGA E MANUSEIO DE MERCADORIAS. MERCOSUL. BRASIL. INCLUSÃO. CONTEÚDO DA EXPRESSÃO "ATÉ O PORTO OU LOCAL DE IMPORTAÇÃO". O Acordo de Valoração Aduaneira (AVA-GATT) estabelece, em seu Artigo 8, item 2, que os membros poderão prever a inclusão ou exclusão, no valor aduaneiro, no todo ou em parte, dos gastos relativos à carga, descarga e manuseio associados ao transporte das mercadorias importadas "até o porto ou local de importação". No MERCOSUL (Decisão CMC n° 13, de 2007, Artigo 5) e no Brasil (Regulamento Aduaneiro, artigo 77, inciso II), tais gastos foram incluídos no valor aduaneiro. A expressão "até o porto ou local de importação" inclui as despesas com descarga no país importador, necessárias para que a mercadoria efetivamente saia da embarcação e chegue ao porto. A chegada da mercadoria ao porto não se confunde com a chegada da embarcação ao porto. MULTA REGULAMENTAR. DECLARAÇÃO INEXATA. Quando o importador ou beneficiário de regime aduaneiro omitir ou prestar de forma inexata ou incompleta informação de natureza administrativo-tributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado, aplicável é a multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria importada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A recorrente interpôs Recurso Voluntário alegando, em breve síntese, que: a) o v. acórdão recorrido incorreu em nulidade ao ser omisso, por falta de análise de toda a argumentação exposta pela Recorrente, acarretando cerceamento do direito de defesa da contribuinte; b) onde se enxergou subfaturamento - sob o argumento de que os preços declarados teriam sido diferentes e inferiores aos preços faturados e declarados na DI n° 19/0081088-5 -, nada mais houve do que um ajuste na negociação do preço originalmente acordado, algo absolutamente lícito e normal em transações comerciais internacionais, que, no presente caso, é totalmente comprovado através dos e-mails que demonstram a negociação, os contratos cambiais, as transações financeiras, a comercial invoice, a DI. c) não há amparo legal para o procedimento adotado pela autoridade fiscal, tampouco para manutenção do Acórdão recorrido, eis que fundado em meras presunções e indícios não lastreados em provas cabais do alegado subfaturamento, os quais, por sua vez, são insuficientes à comprovação de fraude - elemento essencial à caracterização da conduta; d) a autuada não possui qualquer histórico de fraude em suas operações aduaneiras, tampouco da prática de comportamento que a desabone. Pelo contrário, trata-se de empresa proba com mais de 20 anos de atuação no mercado, realizando com afinco seu negócio, ciente da sua função social e Fl. 398DF CARF MF Original Fl. 15 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 jamais se furtando da sua posição de contribuinte, arcando com todas as exações e ônus tributários que lhe são impostos; e) não está demonstrada a presença de fraude, em função de o valor das mercadorias e os documentos que instruem a importação refletirem fidedignamente a operação negocial; f) o princípio do non bis in idem veda a dupla punição, pelo que emerge a proibição de cumulação da multa do controle aduaneiro, relativa à 100% da diferença entre o preço declarado e o preço praticado, com a multa proporcional agravada de 150%; g) acaso ainda remanesça a obrigação principal combatida, inconcebível e inadmissível se queda sua oneração através da multa qualificada de 150%, devendo a mesma ser reduzida para o patamar de 75% sobre a diferença dos tributos devidos, na forma do artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96.É o relatório. h) a penalidade consistente na multa administrativa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria, estribada no art. 84, caput, da Medida Provisória n° 2.158-35/2001, c/c art. 69, parágrafo 1° da Lei n° 10.833/2003 e art. 711, inciso III do Regulamento Aduaneiro (Dec. 6.759/2009), não se subsume à descrição dos fatos descritos no Relatório Fiscal, devendo ser integralmente afastada por ser inaplicável à espécie. i) os gastos relativos aos serviços de capatazia/THC desempenhados no território nacional devem ser excluídos do valor aduaneiro, pois afrontam as normas que disciplinam a matéria, em especial o artigo 8° do Acordo de Valoração Aduaneira, e o artigo 77, I e II, do Regulamento Aduaneiro (atualmente Decreto n° 6.759/2009), impondo-se o afastamento de tais despesas da base de cálculo do PIS/COFINS-Importação, Imposto de Importação e IPI-Importação. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Ziccarelli, Relator. O Recurso Voluntário foi protocolado em 14/01/2020, portanto, dentro do prazo de 30 dias contados da notificação do acórdão recorrido, ocorrida em 17/12/2019. Ademais, cumpre com os requisitos formais de admissibilidade, devendo, por conseguinte, ser conhecido. DA PRELIMINAR DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO Em seu Recurso Voluntário, a recorrente alega que o v. acórdão recorrido incorreu em nulidade ao ser omisso, por falta de análise de toda a argumentação exposta pela Recorrente, acarretando cerceamento do direito de defesa da contribuinte. Para tanto, apresenta os seguintes argumentos: [...] a Recorrente expôs na Impugnação que, acaso fosse considerado correto o lançamento tributário, haveria de ser reconhecida a excessividade e o descabimento da multa proporcional agravada (150%) supedaneada no art. 44, inciso I, §1°, da Lei n° 9.430/06, sob a alegação de intuito de fraude fiscal. 15. É que a aplicação de multa no percentual de 150% evidencia nítido caráter confiscatório, implicando ofensa aos princípios da proporcionalidade e não-confisco. Fl. 399DF CARF MF Original Fl. 16 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 16. Sobre este ponto, o Acórdão não se manifestou sob a justificativa de que não teria competência para julgar a inconstitucionalidade de lei. 17. Frisa-se, que, nos termos do Regimento Interno deste Conselho Administrativo (art. 62, §1°, inciso II, letra "b"), não cabe afastar a análise do efeito confiscatório da multa, já que o tema é objeto de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 1.036 a 1.041 do Código de Processo Civil, conforme ementa abaixo: "TRIBUTÁRIO - MULTA - VALOR SUPERIOR AO DO TRIBUTO -CONFISCO - ARTIGO 150, INCISO IV, DA CARTA DA REPÚBLICA. Surge inconstitucional multa cujo valor é superior ao do tributo devido. Precedentes: Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 551/RJ - Pleno, relator ministro Ilmar Galvão - e Recurso Extraordinário n° 582.461/SP - Pleno, relator ministro Gilmar Mendes, Repercussão Geral." (RE 833106 AgR, Relator(a): MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 25/11/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-244 DIVULG 11-12-2014 PUBLIC 12- 12-2014) 18. De outro lado, outro ponto que não foi objeto de análise pelo Acórdão recorrido, é a ausência de fraude para fins de majoração da multa, o que culmina, uma vez mais, na nulidade da decisão administrativa. 19. É necessário observar que o pressuposto para a aplicação da multa proporcional agravada é que esteja configurada, ao menos, uma das hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73, todos da Lei n° 4.502/64. Ou seja, necessária a identificação de ocorrência de fraude, simulação ou conluio. 20. Ocorre que, no caso em apreço - como exaustivamente elucidado -, não há prova de tais condutas, a ensejar a aplicação da multa majorada, razão pela qual é inconcebível e inadmissível onerar a Recorrente através da penalidade no percentual de 150%. 21.Por tal motivo, a análise da argumentação, no ponto, é de sua importância. 22. Todavia, se limitou o Acórdão recorrido a analisar, em relação às penalidades cominadas, tão somente a alegação de (i) impossibilidade de cumulação da multa do controle aduaneiro (100%) com a multa proporcional agravada (150%), e (ii) de inaplicabilidade da multa de 1% por declaração de informação inexata, refutando-se quanto aos argumentos dispensados exclusivamente à multa de 150%. 23. Ainda, outro ponto que merece destaque é a ausência da devida análise dos e- mails (cuja tradução juramentada foi anexada ao processo), que retrata a negociação entre a Recorrente e seu fornecedor, diminuindo o valor unitário das mercadorias. 24. Trata-se de prova extremamente importante para o deslinde do caso, que foi simplesmente relegada, sem qualquer justificativa plausível, configurando, inquestionavelmente, o cerceamento de defesa da contribuinte. 25. Assim, sob a ótica da Recorrente, referido Acórdão é nulo, vez que importou no cerceamento do seu direito de defesa (art. 59, I do Decreto n° 70.235/72), tendo-se em vista que não realizou a análise de todos os fundamentos e provas por ela apresentados. 26. Nesse contexto, cita-se julgado proferido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em que considerou nula a decisão que não analisa todos os argumentos expendidos pela empresa: "NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DE DECISÃO. Fl. 400DF CARF MF Original Fl. 17 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 A teor dos artigos 31 e 59 do Decreto n° 70.235/72 é nula a decisão que cerceie o direito do contribuinte ao contraditório e à ampla defesa. Não tendo a decisão "a quo" enfrentado todos os argumentos opostos pelo defendente é mister anulá-la, retornando para nova apreciação. (...)" (Grifado agora) (1° CC, 8 a Câmara, Acórdão n° 108-09.386 - Processo n° 10680.015646/2004-75 - j. em 12/09/2007 - inteiro teor, em anexo, disponível in www.carf.fazenda.gov.br) 27. Consubstanciada no precedente acima citado, a Recorrente entende que ao deixar de analisar todos os argumentos apresentados pela Contribuinte, a decisão contraria os princípios do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal aplicáveis ao processo administrativo. A negativa a esses princípios importa em nulidade da decisão. Entendo que não assiste razão à recorrente. Inicialmente, quanto ao caráter confiscatório da multa de 150%, o v. acórdão recorrido se manifestou no sentido de que “[...] nos termos da Súmula CARF n° 2, o julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Neste sentido, ao julgador administrativo é vedado de apreciar constitucionalidade de leis e atos normativos vigentes, devendo dar-lhes efetividade”. Tal entendimento não implica qualquer nulidade, uma vez que as alegações acerca da inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa de julgamento, tendo em vista que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Ainda, por tratarem de situação distintas, os precedentes do Supremo Tribunal Federal mencionados pela recorrente não se aplicam ao presente caso. Neste sentido, merece destaque que o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 736.090, reconheceu a Repercussão Geral do Tema “Limites da multa fiscal qualificada em razão de sonegação, fraude ou conluio, tendo em vista a vedação constitucional ao efeito confiscatório”, sendo certo que, após a prolação de decisão definitiva sobre a matéria, esta será de observância obrigatória pelas autoridades administrativas de julgamento, nos termos do artigo 62, §1º, inciso II, alínea b, do Regimento Interno do CARF (RICARF). Quanto às alegações de ausência de fraude para majoração da multa e ausência da devida análise dos e-mails anexados pela recorrente à impugnação, tratam-se de argumentos que envolvem o mérito da questão, sendo certo que o inconformismo da recorrente com o entendimento adotado no v. acórdão recorrido não gera por si só a nulidade da decisão, especialmente quando houve uma detida análise da questão posta em julgamento. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do v. acórdão recorrido. DA PROPOSTA DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Conforme se extrai das razões recursais, para contestar os fundamentos do auto de infração, a recorrente alega que: Fl. 401DF CARF MF Original Fl. 18 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 “[...] onde se enxergou subfaturamento - sob o argumento de que os preços declarados teriam sido diferentes e inferiores aos preços faturados e declarados na DI n° 19/0081088-5 -, nada mais houve do que um ajuste na negociação do preço originalmente acordado, algo absolutamente lícito e normal em transações comerciais internacionais, que, no presente caso, é totalmente comprovado através dos e-mails que demonstram a negociação, os contratos cambiais, as transações financeiras, a comercial invoice, a DI”. 33. Insta esclarecer que, em 21/10/2018, a autuada realizou viagem à China para tratar de assuntos comerciais com o exportador Shanghai Wellmax Lighting Industry Co., Ltd, oportunidade em que houve a renegociação dos preços inicialmente ajustados na Proforma RK17722, os quais passaram a ser de USD 0,90 para lâmpadas 9We USD 1,20para lâmpadas 18W. 34. Tal assertiva pode ser constatada a partir da análise das negociações registradas nos e-mails acostados ao presente processo (anexo 03; fls. 85 a 149), em especial, da confirmação dos preços das mercadorias enviada pelo exportador em 16/11/2018, conforme abaixo: 35. Como se observa, após longas tratativas, o exportador diminuiu o preço inicialmente ajustado, de modo que o pedido foi concluído nos seguintes moldes: "1. 5000pcs 9W, 52000pcs 18W, in 2*40NOR will rework the LOTE: 11/2018/WE. Price is 0.90usd and 1.20usd[...]". (...) 37. Note-se, ainda, que a quantidade de mercadorias confirmadas pelo exportador, assim como o respectivo preço informado possuem exata semelhança com a descrição detalhada da mercadoria constante na DI n° 19/0081088-5 (fl. 64 do PAF): Fl. 402DF CARF MF Original Fl. 19 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 38. No mesmo sentido, são condizentes as informações registradas na "Commercial Invoice" - documento que retrata a operação comercial ajustada entre as partes (fl. 82 do PAF): 39. No ponto, afigura-se relevante fazer um parêntese em relação a Fatura Proforma identificada na "Commercial Invoice " supra colacionada. 40. Isto porque, segundo o Acórdão recorrido, "A fatura comercial RK17722 instruiu a DI em apreço e faz referência à fatura proforma RF17722 (leia-se RK17722), acima exposta, divergindo dos preços de custo das mercadorias, demonstrando terem sido falsamente declarados e evidenciando a falta de idoneidade das informações constantes na fatura RK1772 ". 41. Porém, a bem da verdade é que, houve a ausência de menção ao sufixo "a" na numeração da proforma RK17722, indicada na Invoice. Explica-se. 42. Em razão do reajuste negocial realizado entre a Recorrente e o exportador Shanghai Wellmax Lighting Industry Co., Ltda, a carga foi desmembrada, alterando-se o número da proforma referente à parcela do embarque amparada pela DI n° 19/0081088-5 para RK17722-A. 43. Veja-se, tal fato, isoladamente, não é capaz de atingir a higidez da fatura comercial, quando mais se considerada A MUTAÇÃO NEGOCIAL DA OPERAÇÃO COMERCIAL inicialmente ajustada, que resultou na divisão da carga em dois contêineres, MOTIVANDO A EXPEDIÇÃO DE NOVA FATURA PROFORMA, ACRESCIDA DO SUFIXA "A" - FATURA PROFORMA RK17722-A, apresentada à autoridade fiscal em atendimento à exigência formalizada no Siscomex. Fl. 403DF CARF MF Original Fl. 20 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 44. Nesse sentido, destaca-se e-mail enviado pelo preposto da autuada informando a divisão do "processo RK17722", e encaminhando a "Proforma Invoice" do primeiro embarque RK17722-A contendo o aceite do importador (anexo 03; fls. 103 e 104 do PAF): Fl. 404DF CARF MF Original Fl. 21 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 45. Veja-se, a renegociação da mercadoria ocorreu antes de sua efetiva importação, sendo fato completamente normal e rotineiro no mercado internacional e que resta cabalmente demonstrado pela Recorrente por meio das informações colacionadas ao processo. Verifica-se que, de fato, a recorrente trouxe argumentos e provas que corroboram a higidez da operação realizada, o que, em princípio, teria o condão de afastar as alegações de fraude e subfaturamento. Ocorre que os referidos argumentos encontram aparente contradição com alguns dos documentos carreados aos autos, razão pela qual entendo que devam ser objeto de melhor esclarecimento, em observância ao princípio da verdade material, a fim de permitir o adequado julgamento da demanda. 1) O primeiro esclarecimento se refere a Commercial Invoice nº RK 17722, que instruiu a DI nº 19/0081088-5 (fl. 82), e as Proforma Invoices nº RK 17722-A (fl. 103) e nº RK 17722 (fls. 114 e 118). A referida Commercial Invoice está datada no dia 07/12/2017. Por outro lado, nos termos das alegações da recorrente e dos documentos carreados aos autos, o referido preço só foi ajustado em 16 de novembro de 2018. Além disto, a Proforma Invoice nº RK 17722-A, que, segundo alega a recorrente, embasa a Commercial Invoice nº RK 17722, está datada no dia 25/10/2017, ou seja, em data Fl. 405DF CARF MF Original Fl. 22 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 anterior a própria Commercial Invoice que ela supostamente faria referência, e se refere à Invoice nº RK 17722-A. Por fim, às fls. 114 e 118, temos duas Proforma Invoice nº RK 17722 datadas no mesmo dia (11/12/2017), com informações distintas quanto ao valor e a quantidade dos produtos. Neste cenário, deve ser intimada a recorrente para esclarecer se há equívoco nas datas e informações constantes dos referidos documentos, podendo apresentar novas provas ou indicar àquelas já carreadas aos autos que corroborem os seus argumentos. 2) O segundo esclarecimento se refere ao pagamento da Commercial Invoice nº RK 17722, em linha com o pagamento antecipado da Proforma Invoice nº RK 17722. Conforme se extrai das fls. 117 a 119, houve o pagamento antecipado de 10% relativo à Proforma Invoice nº RK 17722, no valor de USD 31.872,00, sendo tal pagamento vinculado à Invoice nº RK 17722, nos termos do Contrato de Câmbio nº 000166991781, de 08/01/2018 (fls. 85 a 89). Ainda, nos termos do Contrato de Câmbio nº 000196071776, de 09/01/2019 (fls. 90 a 94), houve novo pagamento à vista, vinculado à Invoice nº RK 17722, no valor de USD 50.964,00. Por sua vez, na DI nº 19/0081088-5 (fl. 62), no que se refere ao Contrato de Câmbio nº 000166991781, consta o pagamento antecipado de apenas USD 15.936,00. Em sua impugnação (fl. 248) – a referida alegação não foi repetida no Recurso Voluntário -, a recorrente alega que houve a realocação dos referidos valores, nos seguintes termos: 28. Observe-se, ainda, que na mesma oportunidade o preposto da autuada questiona sobre o valor do pagamento adiantado. Tal situação se dá justamente em razão do reajuste ulterior do preço da mercadoria, o qual impactou na realocação dos valores transacionados por meio do contrato de câmbio nº 00166991781 – preexistente às negociações que culminaram na mutação monetária da operação comercial. 29. Veja-se, a renegociação da mercadoria ocorreu antes de sua efetiva importação, sendo fato completamente normal e rotineiro no mercado internacional e que resta cabalmente demonstrado na presente defesa, assim como nas informações colacionadas ao processo. Da mesma forma, no extrato bancário de fl. 119, consta o seguinte comentário: Neste cenário, considerando que a informação relativa à realocação do referido pagamento antecipado é de extrema relevância para o julgamento da presente controvérsia, para Fl. 406DF CARF MF Original Fl. 23 da Resolução n.º 3401-002.818 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10909.723096/2019-26 o fim de averiguar se houve pagamento a maior do que o declarado – o que corroboraria a ocorrência de fraude e subfaturamento -, deve ser intimada a recorrente para esclarecer e comprovar documentalmente se houve a referida realocação do pagamento antecipado, sendo realizado o pagamento integral relativo à Invoice nº RK 17722 no valor total de USD 66.900,00 e não USD 82.836,00. Diante de todo o exposto, considerando se tratar de autuação que envolve cobrança de tributo e multa baseada em acusações de fraude e subfaturamento, e tendo em vista que a recorrente trouxe argumentos e provas que contestam de forma convincente os fundamentos que embasam o auto de infração, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, julgo ser prudente baixar o presente processo em diligência para que a unidade de origem: 1) intime a recorrente para, no prazo de 30 dias, apresentar os esclarecimentos exigidos nos termos da decisão supra, assim como, novos documentos que se mostrem pertinentes à comprovação do direito; 2) sendo apresentados os referidos esclarecimentos ou findo o prazo sem manifestação da recorrente, elabore relatório conclusivo acerca dos fatos autuados; 3) encerrado o referido procedimento, deve ser determinada a devolução do processo para este Colegiado, para prosseguimento do feito. CONCLUSÃO Por todo exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão recorrido e por converter o julgamento em diligência, nos termos da decisão supra. (documento assinado digitalmente) Matheus Ziccarelli Fl. 407DF CARF MF Original

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Numero do processo: 11065.724777/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 25 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Presentes os pressupostos regimentais e verificada contradição no julgado, o vício deve ser sanado por meio do acolhimento dos embargos de declaração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÃO À(AO) COFINS/PIS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO MERCADORIAS. REVENDA. COMÉRCIO VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE. O frete faz parte do custo de aquisição dos bens e produtos adquiridos para revenda. Se o bem ou produto adquirido não dá direito ao crédito por se encontrar sujeito à sistemática da monofasia, o frete envolvido na sua aquisição seguirá a mesma sorte. COFINS/PIS NÃO CUMULATIVA(O). CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. Nesse passo, excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo ou na prestação de serviços e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Assim, em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime não cumulativo sobre gastos com fretes na aquisição de mercadorias para revenda. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, I DO CPC Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil.
Numero da decisão: 3402-010.693
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada, com atribuição de efeitos infringentes, para afastar a incidência da Súmula CARF nº 01, resultando no conhecimento do Recurso Voluntário com relação ao direito creditório sobre as despesas com combustíveis, lubrificantes, encargos de depreciação de veículos, gastos com borracharia, pneus e câmaras, manutenção de veículos, peças de reposição, lavagem de veículos e caminhões-tanque e rastreamento (monitoramento em tempo real da frota) e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.686, de 25 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 11065.724771/2011-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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CONTRADIÇÃO. Presentes os pressupostos regimentais e verificada contradição no julgado, o vício deve ser sanado por meio do acolhimento dos embargos de declaração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CONTRIBUIÇÃO À(AO) COFINS/PIS. REGIME MONOFÁSICO. AQUISIÇÃO DE COMBUSTÍVEIS. DIREITO A CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO MERCADORIAS. REVENDA. COMÉRCIO VAREJISTA. IMPOSSIBILIDADE. O frete faz parte do custo de aquisição dos bens e produtos adquiridos para revenda. Se o bem ou produto adquirido não dá direito ao crédito por se encontrar sujeito à sistemática da monofasia, o frete envolvido na sua aquisição seguirá a mesma sorte. COFINS/PIS NÃO CUMULATIVA(O). CONCEITO DE INSUMO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS. ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE Os critérios de essencialidade ou de relevância (REsp nº 1.221.170/PR) devem ser avaliados em relação ao processo produtivo em si, do qual origina o produto final ou atinente à execução do serviço prestado a terceiros. Os incisos II dos arts. 3º das Leis nos 10.833/2003 e 10.637/2002 não contemplam o creditamento sobre bens ou de serviços utilizados na atividade de comercialização de mercadorias, mas tão somente sobre os insumos utilizados na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens. Nesse passo, excetuados os gastos com disposição legal específica, apenas os bens e serviços empregados no processo produtivo ou na prestação de serviços e que não se incluam no ativo permanente dão direito ao crédito sobre o valor de suas aquisições. Assim, em razão de nada produzirem e de nada fabricarem, empresas dedicadas à atividade comercial não podem tomar créditos do regime AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 47 77 /2 01 1- 96 Fl. 801DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 não cumulativo sobre gastos com fretes na aquisição de mercadorias para revenda. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ÔNUS DA PROVA. ARTIGO 373, I DO CPC Em processos decorrentes da não-homologação de declaração de compensação, deve o Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito de crédito. No âmbito do processo administrativo fiscal, constando perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização integral do crédito para quitação de outro débito, o ônus da prova sobre o direito creditório recai sobre o contribuinte, aplicando- se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada, com atribuição de efeitos infringentes, para afastar a incidência da Súmula CARF nº 01, resultando no conhecimento do Recurso Voluntário com relação ao direito creditório sobre as despesas com combustíveis, lubrificantes, encargos de depreciação de veículos, gastos com borracharia, pneus e câmaras, manutenção de veículos, peças de reposição, lavagem de veículos e caminhões-tanque e rastreamento (monitoramento em tempo real da frota) e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.686, de 25 de julho de 2023, prolatado no julgamento do processo 11065.724771/2011-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Renata da Silveira Bilhim, Marina Righi Rodrigues Lara, Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente o conselheiro Carlos Frederico Schwochow de Miranda. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Versa o presente litígio de Pedido de Ressarcimento Eletrônico (PER) pelo qual a contribuinte pretendeu o reconhecimento de créditos das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas, apurados na forma dos artigos 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. Fl. 802DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 O Recurso Voluntário foi julgado em sessão de 26 de abril de 2021 através do Acórdão nº 3402-008.259 com o seguinte resultado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do Recurso Voluntário para, na parte conhecida, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso. Vencidas as conselheiras Cynthia Elena de Campos (relatora), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Renata da Silveira Bilhim e Thais De Laurentiis Galkowicz. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Sousa Bispo. A Contribuinte interpôs Embargos de Declaração, o qual foi admitido através do r. Despacho, proferido nos seguintes termos: Alega a Embargante contraditório o acórdão embargado, uma vez que os créditos objeto deste processo administrativo não se referem ao mesmo período daqueles discutidos na esfera judicial, de modo que inaplicável a Súmula CARF nº 1. O tema foi assim enfrentado pela Relatora do acórdão embargado: Todavia, a Unidade de Origem informou no Relatório de Diligência, que a Recorrente ingressou com duas ações judiciais perante Tribunal Regional Federal da 4ª Região: Mandado de Segurança nº 5007061-58.2018.4.04.7108/RS (e-dossiê n.º 10010- 033.156/0418-92), distribuído em 26/03/2018, e cujo trânsito em julgado ocorreu em 30/10/2019. Esta ação tem por objeto: i) O direito ao creditamento de PIS e Cofins incidentes sobre despesas com combustíveis, lubrificantes e encargos de depreciação de veículos; ii) O reconhecimento do direito à compensação dos créditos não descontados nos últimos cinco anos. Mandado de Segurança nº 5017973-80.2019.4.04.7108/RS (e-dossiê n.º 13033- 022.469/2019-82), distribuído em 23/09/2019, sendo a segurança pleiteada concedida em 16/12/2019 por sentença, com interposição de Recurso de Apelação pela União, e até o momento não transitada em julgado. Esta ação tem por objeto: i) O direito ao creditamento de PIS e Cofins incidentes sobre gastos com borracharia, pneus e câmaras, manutenção de veículos, peças de reposição, lavagem de veículos e caminhões-tanque e rastreamento (monitoramento em tempo real da frota); ii) O reconhecimento do direito à compensação dos créditos não descontados desde os últimos cinco anos contados da propositura, até o trânsito em julgado, devidamente corrigidos pela Selic, a contar da data em que poderiam ter sido aproveitados. O ajuizamento da ação judicial foi confirmado pela Contribuinte em sua resposta à diligência (fls. 654-670). Diante da demanda judicial em referência, aplica-se a Súmula CARF nº 01, resultando em concomitância, motivo pelo qual deixo de conhecer o recurso quanto ao direito creditório sobre as glosas objeto do Mandado de Segurança n.º 5007061- 58.2018.4.04.7108/RS e Mandado de Segurança n.º 5017973-80.2019.4.04.7108/RS, referentes às despesas com combustíveis, lubrificantes, encargos de depreciação de veículos, gastos com borracharia, pneus e câmaras, manutenção de veículos, peças de reposição, lavagem de veículos e caminhões-tanque e rastreamento (monitoramento em tempo real da frota). Há aqui, com efeito, o vício alegado nos embargos. Erro de fato ou contradição, a verdade é que o acórdão embargado, ao aplicar a Súmula CARF nº 01, entendeu que as ações judiciais debatiam parcela do crédito discutido nos autos. Fl. 803DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 Ocorre que, como bem lembrado nos aclaratórios, o direito objeto do presente processo administrativo tem origem no período de apuração compreendido de 01/04/2006 a 30/06/2006 (conforme a sua própria ementa), bem anterior, portanto, aos discutidos nas ações judiciais (cinco anos anteriores ao ajuizamento, o que se deu em 26/03/2018 e 23/09/2019). Não há, pois, concomitância. Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 65, § 3º, do Anexo II do RICARF, ACOLHO os Embargos de Declaração opostos. Através de Despacho, o recurso foi encaminhado para julgamento. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos previstos pelo artigo 65, § 1º do Anexo II do RICARF, motivo pelo qual deve ser conhecido. Mérito Da contradição no Acórdão embargado Com relação à contradição indicada em peça de Embargos de Declaração, de fato assiste razão à defesa. Ocorre que, como informado no Relatório de Diligência, a Recorrente ingressou com os Mandados de Segurança nº 5007061-58.2018.4.04.7108/RS e 5017973- 80.2019.4.04.7108/RS perante Tribunal Regional Federal da 4ª Região e, diante da confirmação pela Contribuinte em Manifestação de e-fls. 654-670, esta Relatora incorreu em erro ao entender pela identidade de objeto, motivo pelo qual inicialmente concluiu pela configuração de concomitância e incidência da Súmula CARF nº 01, conhecendo parcialmente do recurso. Como bem observado em r. Despacho de Admissibilidade, o direito objeto do presente processo administrativo tem origem em períodos de apuração compreendidos entre 01/10/2004 e 31/12/2004 (conforme a sua própria ementa), bem anteriores, portanto, aos discutidos nas ações judiciais (cinco anos anteriores ao ajuizamento, o que se deu em 26/03/2018 e 23/09/2019), resultando na impossibilidade de concomitância. Portanto, deve ser conhecido e acolhido os Embargos de Declaração, para o fim de que seja integralmente conhecido o Recurso Voluntário. Fl. 804DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 Por sua vez, as glosas objeto deste litígio versam sobre os seguintes custos:  Créditos sobre Fretes Pagos na Aquisição de Diesel e Biodiesel para Revenda;  Créditos Indevidos sobre Encargos de Depreciação;  Valores de Créditos Calculados sem Previsão Legal, referentes à despesas gerais de conservação e manutenção (Créditos da linha 13 – DACON: borracharia de terceiros, oficina de terceiros, lavagem de terceiros, despesas com combustíveis, lubrificantes, pneus e câmaras, peças, acessórios e pedágio). A glosa sobre os fretes pagos na aquisição de diesel e biodiesel para revenda foi objeto de análise por este Colegiado, em anterior composição, a qual foi mantida pelo voto de qualidade, nos termos do r. voto vencedor. Com relação às demais glosas, passo à análise das razões da defesa. Da análise das glosas mantidas em diligência fiscal Como já mencionado, versa o presente litígio sobre Pedido de Ressarcimento Eletrônico (PER) pelo qual a contribuinte pretendeu o reconhecimento de créditos das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas, apurados na forma dos artigos 3º da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. A autuação objeto deste processo foi lavrada em razão da conclusão do Auditor Fiscal apontada em Relatório Fiscal de fls. 303-323, embasada na impossibilidade de considerar tais créditos originados de insumos para a atividade desenvolvida pela Autuada. Através do Mandado de Procedimento Fiscal n° 10.1.07.00-2011-00276-0 a equipe de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo/RS procedeu à verificação dos documentos apresentados pela Contribuinte, concluindo pelo lançamento de saldos devedores mensais remanescentes, acrescidos de multas de ofício. A Recorrente tem por objeto social e atividade principal o transporte e o comércio de óleo diesel, querosene e óleos combustíveis, sob a forma de Transportador Revendedor Retalhista (TRR) (Código CNAE 46.81-8-02), tratando-se de empresa autorizada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) a adquirir em grande quantidade combustível a granel, óleo lubrificante acabado e graxa envasados para depois vender a retalhos. Como observado em Relatório de Diligência Fiscal, assim consta o objeto social nos atos constitutivos da Recorrente: Fl. 805DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 O Auditor Fiscal lançou o crédito tributário por considerar que “sendo as mercadorias revendidas o óleo diesel e o biodiesel, e estes estando excepcionados da possibilidade do desconto de créditos, o custo dos fretes pagos na aquisição desses produtos não gera desconto de créditos”. Por sua vez, a decisão recorrida considerou que a vedação em referência abrange todos os valores que compõem o custo de aquisição para revenda de tais bens, inclusive gastos com fretes relacionados a referida aquisição. Considerou, ainda, que o óleo diesel e suas correntes comercializados pela contribuinte são sujeitos ao regime monofásico de apuração das contribuições para o PIS e a Cofins, nos termos do art. 4º da Lei nº 9.718, de 1998, resultando na impossibilidade de apuração de créditos na aquisição de bens para revenda, conforme previsão do art. 3º, I, “b” da as Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Através do Relatório de Diligência Fiscal de fls. 637-648, a Autoridade Fiscal de origem manteve a glosa efetuada, concluindo que “a possibilidade de apuração de créditos da não cumulatividade pelos revendedores de produtos sujeitos à cobrança monofásica ou concentrada das contribuições não é plena e deve atender aos requisitos estabelecidos pela legislação tributária, de acordo com o entendimento da 14ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto – SP”. Cumpre observar que, com relação aos créditos sobre fretes pagos na aquisição de diesel e biodiesel para revenda, esta Relatora havia concluído pela possibilidade de afastar a glosa, tendo em vista que a exceção ao creditamento em razão da monofasia não impede o direito creditório sobre o frete pago na aquisição do combustível para revenda (custo de aquisição), que está assegurado pelo inciso I do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Todavia, como mencionado acima, tal entendimento foi vencido pelo voto de qualidade, nos termos do r. voto vencedor. Por sua vez, com relação à demais despesas, entendo que, não obstante a controvérsia sobre a atividade comercial da Contribuinte, o fato é que não foi comprovado nos autos tais dispêndios. Vejamos: Créditos Indevidos sobre Encargos de Depreciação. Afirmou a Fiscalização que:  A Contribuinte se creditou indevidamente de valores relativos à depreciação de bens do ativo imobilizado, sendo a maior parte dessa despesa referente à depreciação de veículos (caminhões, carretas, motos, etc), estando incluído ainda tanques, máquinas e equipamentos, prédios e despesas de contraprestação de arrendamento mercantil;  Considerando que a atividade da Querodiesel Transporte e Comércio de Combustível Ltda é a de revenda de combustíveis, não há a possibilidade do aproveitamento de créditos da não-cumulatividade das contribuições sobre as suas máquinas e equipamentos no período em análise, por falta de previsão legal; Fl. 806DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96  Devem ser glosados os valores de créditos utilizados pelo contribuinte relativos a encargos de depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado. Argumentou a Recorrente que:  A Autoridade Administrativa e o Acórdão recorrido não observaram o fato de que a empresa Recorrente tem por atividade o transporte e o comércio de óleo diesel, querosene, óleos combustíveis, sob a forma de transportador revendedor retalhista;  Tal demonstração se fez pela juntada do contrato social da Recorrente, no qual consta a atividade de transportador revendedor retalhista, bem como através da habilitação concedida pela Agência Nacional do Petróleo – ANP, conforme atesta o documento anexado com a manifestação de inconformidade;  Em outros termos, a atividade da Recorrente não se resume a mera e exclusiva revenda de combustíveis como afirmado no relatório da ação fiscal, mas sim consistente na aquisição, armazenamento, transporte, revenda a retalho e o controle de qualidade e assistência técnica ao consumidor quando da comercialização de combustíveis;  Aplica-se o inciso VI do art. 3º tanto da Lei nº 10.637/02 quanto da Lei nº 10.833/03, na medida em que perfeitamente configurada a hipótese da norma à situação fática descrita e comprovada pela Recorrente, ou seja, de que sua atividade inquestionavelmente depende da utilização de máquinas, equipamentos e outros bens do ativo imobilizado para o seu regular exercício e que, por isso, deve descontar créditos em relação aos encargos de depreciação apurados. Através da Resolução nº 3402-002.361 (e-fls. 465-476), o julgamento do recurso foi convertido em diligência, determinando que a Contribuinte especificasse e comprovasse a forma de utilização dos itens considerados para os valores lançados como depreciação de bens do ativo imobilizado. Em Relatório de Diligência Fiscal de e-fls. 637-648, a Unidade Preparadora assim concluiu com relação a tais créditos: Análise das glosas: 3.2. Créditos Indevidos sobre Encargos de Depreciação. 10 A Recorrente, em sua resposta à intimação, informou que não foi possível localizar os relatórios de depreciação, bem a bem, do período de 09/2004 a 04/2006, razão pela qual atendeu parcialmente ao solicitado no item 2.4 da intimação mencionada no item 3 deste relatório. 11 Para o período de 05/2006 a 03/2008, informou que foram tomados créditos sobre depreciações de máquinas, mão de obra, tanques, motocicletas, veículo utilitário, caminhões, entre outros (v. arquivo denominado de “Item 2-4 Depreciacoes.xlsx”, digitalizado e anexado aos autos). 12 Na seção “6. Depreciação de veículos” de seu Laudo Técnico, constam esclarecimentos acerca da depreciação de veículos, mais especificamente sobre a utilização de caminhões próprios ou arrendados, porém não foi especificada a forma de utilização dos demais itens considerados para os valores lançados como depreciação de bens do ativo imobilizado. (...) Fl. 807DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 14 A previsão legal contida no inciso VI do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, autorizam a tomada de créditos exclusivamente nos casos de aquisição ou fabricação de bens do imobilizado para locação a terceiros, ou para a utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (...) 15 Logo, não há previsão para a tomada de créditos sobre bens do imobilizado nas atividades de revenda de bens. Em resposta, argumentou a Recorrente que, “restando demonstrado que a empresa não é uma simples revendedora de combustível, mas sim uma Transportadora Revendedora Retalhista – TRR que, por obrigação legal, realiza a entrega dos combustíveis revendidos através de caminhões próprios, não se caracterizando a atividade econômica desenvolvida como unicamente “comercial”, não há dúvidas de que deve ser reconhecido seu direito de descontar créditos de PIS e COFINS sobre os encargos de depreciação dos veículos (caminhões) utilizados na atividade, nos termos do art. 3º, §1º, inciso III, das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003”. Entretanto, como salientado pela Unidade Preparadora, não foi comprovada a forma de utilização dos itens considerados para os valores lançados como depreciação de bens do ativo imobilizado, na forma determinada em Resolução deste Colegiado. Inclusive, a própria Contribuinte afirmou que “não foi possível localizar os relatórios de depreciação, bem a bem, do período de 09/2004 a 04/2006”, razão pela qual atendeu parcialmente a diligência. Observo que deve ser aplicado o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito. Com efeito, em razão da busca pela verdade material, sempre deverá prevalecer a possibilidade de apresentação de todos os meios de provas necessários para exaurir toda e qualquer dúvida sobre a realidade fática. E, justamente em homenagem ao Princípio da Verdade Material, este Colegiado inicialmente converteu o julgamento do recurso em diligência através da Resolução nº 3402- 002.361. Todavia, a Contribuinte não demonstrou e tampouco comprovou, através de documentação hábil e idônea, a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não há como socorrer a parte que permaneceu inerte quanto ao seu ônus da prova. Neste sentido, colaciono as decisões abaixo ementadas: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Data do Fato Gerador: 20/04/2007 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 808DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 (Acórdão nº 9303-007.218 – PAF nº 10840.909854/2011-86 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. (Acórdão nº 9303-002.562 – PAF nº 10120.904658/2009-26 – 3ª Turma da CSRF - Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Possas) Destaco a fundamentação que embasou o voto condutor do v. Acórdão nº 9303- 002.562, de relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, abaixo reproduzida: Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se“convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. É interesse de ambas as parte em fazê-lo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as consequências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas suficiente para demonstrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desincumbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito, não tendo que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e suficientes para embasar a operação, tem-se relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: Fl. 809DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observe-se que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. (sem destaques no texto original) Por tais razões, deve ser mantida a decisão de primeira instância quanto a este item. Valores de Créditos Calculados sem Previsão Legal. Fl. 810DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 A equipe de fiscalização procedeu à glosa de créditos sobre valores calculados sem previsão legal, apontados pela Contribuinte como despesas gerais de conservação e manutenção, bem como originados dos seguintes custos, despesas e encargos informados na Linha do Dacon: Afirma a fiscalização que:  O contribuinte se creditou dos seguintes custos, despesas e encargos informados na Linha 13 do Dacon: Borracharia de terceiro, combustíveis, despesas com pedágio, lavagem de terceiro, lubrificantes, manutenção de tanques e bombas, oficina de terceiros, peças e acessórios, pneus e câmaras e vaporização.  Despesas gerais de conservação e manutenção, na atividade comercial, não encontram embasamento legal para servirem de base de cálculo de créditos das contribuições não cumulativas, conforme Solução de Consulta Disit SRRF nº 38/2010 1 e Solução de Consulta Disit SRRF nº 52/2009 2 . Por sua vez, alega a Recorrente que utiliza caminhões para o transporte do diesel revendido, de modo que os serviços de borracharia de terceiros, oficina de terceiros, lavagem de terceiros, despesas com combustíveis, lubrificantes, pneus e câmaras, peças e acessórios e pedágio, à evidência são necessárias ao exercício da atividade desempenhada, visto que tais despesas têm vinculo direto com a atividade de transporte exercida pela Recorrente. Com relação a estes itens, através da Resolução nº 3402-002.361, foi determinado que a Contribuinte especificasse e comprovasse a forma de utilização dos itens que deram origem aos valores supostamente calculados sem 1 Disit SRRF 08 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 38/2010 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins EMENTA: ATIVIDADE COMERCIAL. CRÉDITOS. PEÇAS E SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS. Para efeito do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, o termo insumo não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço necessário para a atividade da pessoa jurídica, mas, tão somente, aqueles bens ou serviços adquiridos de pessoa jurídica, intrínsecos à atividade, aplicados ou consumidos na fabricação do produto ou na prestação de serviço. Portanto, as despesas relativas à manutenção e conservação de máquinas e equipamentos utilizados nos estabelecimentos comerciais da pessoa jurídica na atividade de comercialização de mercadorias não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins. 2 Disit SRRF 10 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 52/2009 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins EMENTA: INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. ATIVIDADE INDUSTRIAL E COMERCIAL. CUSTOS. DESPESAS INCORRIDAS. FROTA PRÓPRIA DE TRANSPORTE. CRÉDITOS. IMPOSIBILIDADE. As despesas com a frota própria de veículos (aquisição de autopeças, pneus e manutenção, entre outras) empregados no transporte de produtos e mercadorias comercializadas pela pessoa jurídica não geram direito a crédito a ser descontado da Cofins. Fl. 811DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 previsão legal e apontados pela Contribuinte como despesas gerais de conservação e manutenção (Créditos da linha 13 – DACON: borracharia de terceiros, oficina de terceiros, lavagem de terceiros, despesas com combustíveis, lubrificantes, pneus e câmaras, peças, acessórios e pedágio). Em Relatório de Diligência Fiscal de e-fls. 637-648, a Unidade Preparadora observou que Recorrente informou que não foi possível localizar o Livro Razão do ano-calendário de 2004, razão pela qual atendeu parcialmente ao solicitado no item 2.6 da intimação. Com relação às despesas com lavagem de veículos e tanques, combustíveis, oficinas de terceiros, “Peças e acessórios”, pneus e câmaras, pedágios, despesas com manutenção de tanques e bombas, igualmente foi esclarecido em Relatório de Diligência Fiscal que constam registros sem a informação do CNPJ do fornecedor (não localizado ou não informado), impossibilitando sua perfeita caracterização, e/ou com a indicação de serviços adquiridos de pessoas físicas. Esclareceu, ainda, que a Contribuinte não especificou e comprovou a forma de utilização das despesas com “Peças e acessórios”, já que a descrição do fato contábil (histórico) constante dos registros contidos no arquivo denominado de “Item 2-6 – Créditos Linha 13 DACON.xlsx” (digitalizado e anexado aos autos) não foi feita com a devida clareza, impossibilitando sua perfeita caracterização, bem como o Laudo Técnico apresentado também foi omisso em demonstrar de forma detalhada e individualizada o enquadramento de cada bem e serviço glosado, considerando o conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância. Em resposta à diligência, a Recorrente cingiu-se a tecer considerações sobre a atividade desenvolvida, para a qual é imprescindível a utilização de outras máquinas e equipamentos, a utilização de veículos (caminhões), os quais para locomoção necessitam de combustíveis e lubrificantes. Como já mencionado no item anterior deste voto, não se pretende suprimir o direito creditório pleiteado, mas sim de tornar efetivo o dispositivo legal que trata sobre a distribuição do ônus probatório, na forma prevista pelo artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. Com isso, diante da ausência da comprovação do direito creditório, não obstante a determinação deste Colegiado através da Resolução em referência, não há outra alternativa senão manter a glosa sobre tais créditos. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher os Embargos de Declaração para sanar a contradição apontada, com atribuição de efeitos infringentes, para afastar a incidência da Súmula CARF nº 01, resultando no conhecimento do Fl. 812DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 Recurso Voluntário com relação ao direito creditório sobre as despesas com combustíveis, lubrificantes, encargos de depreciação de veículos, gastos com borracharia, pneus e câmaras, manutenção de veículos, peças de reposição, lavagem de veículos e caminhões-tanque e rastreamento (monitoramento em tempo real da frota) e, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 813DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-010.693 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11065.724777/2011-96 Fl. 814DF CARF MF Original

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Numero do processo: 12266.720538/2013-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Dec 01 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2009 MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei nº 37/1966, sendo cabível para a informação de desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido nos termos do artigo 22 e 50 e Parágrafo Único da Instrução Normativa RFB nº 800/07. ART. 50 DA IN RFB 800/2007. REDAÇÃO DADA PELA IN RFB 899/2008. Segundo a regra de transição disposta no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, as informações sobre as cargas transportadas deverão ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. A IN RFB nº 899/2008 modificou apenas o caput do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, não tendo revogado o seu parágrafo único. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. INTENÇÃO DO AGENTE E EFEITOS DO ATO. IRRELEVÂNCIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DEVERES INSTRUMENTAIS. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.
Numero da decisão: 3402-010.911
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Ricardo Piza di Giovanni, que reconhecia a prescrição intercorrente na forma do art. 1º, §1º da Lei n.º 9.873/1999. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.907, de 24 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 11128.725675/2013-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Ricardo Piza di Giovanni.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO

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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-11-24T22:36:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-11-24T22:36:13Z; Last-Modified: 2023-11-24T22:36:13Z; dcterms:modified: 2023-11-24T22:36:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-11-24T22:36:13Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-11-24T22:36:13Z; meta:save-date: 2023-11-24T22:36:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-11-24T22:36:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-11-24T22:36:13Z; created: 2023-11-24T22:36:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2023-11-24T22:36:13Z; pdf:charsPerPage: 2311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-11-24T22:36:13Z | Conteúdo => S3-C 4T2 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 12266.720538/2013-25 Recurso Voluntário Acórdão nº 3402-010.911 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2023 Recorrente YUSEN LOGISTICS DO BRASIL LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2009 MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei nº 37/1966, sendo cabível para a informação de desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido nos termos do artigo 22 e 50 e Parágrafo Único da Instrução Normativa RFB nº 800/07. ART. 50 DA IN RFB 800/2007. REDAÇÃO DADA PELA IN RFB 899/2008. Segundo a regra de transição disposta no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, as informações sobre as cargas transportadas deverão ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. A IN RFB nº 899/2008 modificou apenas o caput do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, não tendo revogado o seu parágrafo único. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. INTENÇÃO DO AGENTE E EFEITOS DO ATO. IRRELEVÂNCIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. DEVERES INSTRUMENTAIS. MULTA POR ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencido o conselheiro Ricardo Piza di Giovanni, que reconhecia a prescrição intercorrente na forma do art. 1º, §1º da Lei n.º 9.873/1999. Este julgamento seguiu a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 6. 72 05 38 /2 01 3- 25 Fl. 151DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhe aplicado o decidido no Acórdão nº 3402-010.907, de 24 de agosto de 2023, prolatado no julgamento do processo 11128.725675/2013-78, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Lázaro Antônio Souza Soares, Alexandre Freitas Costa, Jorge Luís Cabral, Marina Righi Rodrigues Lara, Carlos Frederico Schwochow de Miranda, Ricardo Piza di Giovanni (suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Renata da Silveira Bilhim, substituída pelo conselheiro Ricardo Piza di Giovanni. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente processo de Auto de Infração com exigência de multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada. Nos termos das normas de procedimentos em vigor, a empresa supra foi considerada responsável para efeitos legais e fiscais pela apresentação dos dados e informações eletrônicas fora do prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil – RFB. Cientificada do Auto de Infração, a interessada apresentou impugnação e aditamentos posteriores alegando em síntese:  A retificação não é fato gerador da penalidade aplicada nos autos;  O Auto de Infração é nulo por falta de pressupostos legais;  Está acobertada pelos benefícios da denúncia espontânea;  A penalidade fere princípios constitucionais;  Pede a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. A Contribuinte recebeu a Intimação e apresentou Recurso Voluntário, para o qual pediu o total provimento para que seja cancelado o auto de infração por não haver que se falar em aplicação da sanção de multa para os casos de prestação de informação em atraso, visto que a nova redação do parágrafo 2º do artigo 102 do Decreto Lei nº 37/66, dada pela Lei nº 12.350/2010, revogou tacitamente as penalidades que recaem sobre o atraso, passando a entender que tal conduta não é mais punível, mas sim uma conduta incentivada e que afasta a aplicação de penalidades. Subsidiariamente, pediu para que seja reconhecida a incidência de denúncia espontânea. É o Relatório. Fl. 152DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Pressupostos legais de admissibilidade O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. Preliminar de Mérito Conforme relatório, a Recorrente apresentou manifestação suscitando prescrição intercorrente, nos termos previstos pelo artigo 1º, § 1º, da Lei nº 9.783/1999, considerando tratar-se de auto de infração para aplicação de multa aduaneira. Para tanto, pediu para que seja afastada a Súmula CARF 11, uma vez inaplicável para multa de natureza aduaneira. Sem razão à defesa. A Lei nº 9.873/1999 assim prevê: Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando APURAR INFRAÇÃO à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. (sem destaques no texto original) § 1º Incide a prescrição no PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. (sem destaques no texto original) Art. 1º-A. Constituído definitivamente o crédito não tributário, após o término regular do PROCESSO ADMINISTRATIVO, prescreve em 5 (cinco) anos a ação de execução da administração pública federal relativa a crédito decorrente da aplicação de multa por infração à legislação em vigor. (sem destaques no texto original) Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos PROCESSOS E PROCEDIMENTOS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. (sem destaques no texto original) Da análise dos dispositivos acima, é possível verificar que, de fato, o art. 5º delimita que a prescrição “não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária”. Entretanto, cabe ponderar que não haveria razão para o legislador apontar os termos “processos e procedimentos”, caso seu objetivo abarcasse apenas o processo administrativo em sua fase litigiosa. Constata-se, ainda, que a Lei nº 9.873/1999 igualmente fez tal distinção, quando tratou sobre a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos (art. 1º, § 1º) e, na sequência, tratou sobre a prescrição de 5 (cinco) anos para a ação de execução, após o término regular do processo administrativo (art. 1º-A). Fl. 153DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 Consabido que o processo administrativo fiscal se divide em duas fases principais, sendo a primeira unilateral/não contenciosa e a segunda bilateral/contenciosa. O procedimento da autoridade fiscalizadora, referente a primeira fase, tem natureza inquisitória, vindo a instaurar-se o litígio administrativo somente após a lavratura do auto de infração, com a impugnação tempestiva interposta pelo sujeito passivo. Neste sentido: Acórdão 2301-01.646, 1302002.397. E neste exato sentido, prevê o caput do artigo 142 do Código Tributário Nacional ao regular sobre o lançamento de ofício. Vejamos: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (sem destaque no texto original) Da mesma forma, o Regulamento Aduaneiro faz a distinção entre procedimento de fiscalização e processo de exigência fiscal, a exemplo dos dispositivos abaixo: Art. 542. Despacho de importação é o procedimento mediante o qual é verificada a exatidão dos dados declarados pelo importador em relação à mercadoria importada, aos documentos apresentados e à legislação específica. (sem destaque no texto original) Art. 683. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento dos tributos dos acréscimos legais, excluirá a imposição da correspondente penalidade (Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 102, caput, com a redação dada pelo Decreto-Lei no 2.472, de 1988, art. 1o; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 138, caput). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada (Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 102, § 1º, com a redação dada pelo Decreto-Lei no 2.472, de 1988, art. 1o): I - no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; ou II - após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (sem destaque no texto original) Destaco, ainda, as disposições do Decreto nº 70.235/1972: Art. 7º O PROCEDIMENTO FISCAL tem início com: I - o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II - a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III - o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. (sem destaques no texto original) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. (sem destaques no texto original) Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 154DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º ..... § 3° Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago o crédito tributário, o órgão preparador declarará o sujeito passivo devedor remisso e encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. (sem destaques no texto original) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (sem destaques no texto original) Portanto, como já mencionado, não há dúvidas de que a instauração de um Processo Administrativo Fiscal tem início com o procedimento fiscalizatório da Fazenda Pública na apuração de eventual infração e exercício de sua pretensão punitiva/exigência fiscal, seguido pela fase litigiosa, representada pela interposição da Impugnação. Desta forma, somente com a notificação do lançamento restará finalizada a contagem do prazo decadencial e, caso o sujeito passivo não efetue o pagamento e não conteste a exigência, operar-se-á a preclusão do direito de defesa, iniciando a contagem do prazo prescricional, conforme dispositivos citados. Destaco, ainda, que além do art. 1º, § 1º versar sobre a possibilidade de prescrição no procedimento administrativo de natureza não tributária, não há nenhuma disposição legal atribuindo o mesmo tratamento com relação ao processo administrativo, em sua fase litigiosa. Com relação à Súmula CARF nº 11, destaco que sua redação segue a legislação acima citada, senão vejamos: SÚMULA CARF Nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). (sem destaques no texto original) Por sua vez, da análise das decisões que motivaram os processos precedentes da Súmula CARF nº 11 1 , ressalto que, mesmo versando sobre lançamentos decorrentes de créditos de natureza tributária, especificamente com relação à preliminar de prescrição intercorrente, o fundamento determinante e as circunstâncias fáticas que motivaram a conclusão dos precedentes 2 , quase que na totalidade dos casos, foi a suspensão da exigibilidade incidente com a impugnação tempestiva, nos termos previstos pelo Decreto nº 70.235/1972. 1 Acórdão de nºs 103-21113, 104-19410, 104-19980, 105-15025, 107-07733, 202-07929, 203-02815, 203-04404, 201-73615, 201-76985. 2 CPC: Art. 926. Os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente. § 2º Ao editar enunciados de súmula, os tribunais devem ater-se às circunstâncias fáticas dos precedentes que motivaram sua criação. Fl. 155DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 Em síntese, a Súmula em destaque incide sobre o PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, compreendendo, portanto, tanto os créditos de natureza tributária, quanto os créditos de natureza aduaneira, o que não contradiz o § 1º do art. 1º da Lei nº 9.873/99, o qual, repito, estabelece a prescrição sobre o PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO, bem como a impede sobre os PROCESSOS e PROCEDIMENTOS DE NATUREZA TRIBUTÁRIA (art. 5º). Outrossim, impera esclarecer que a sanção aduaneira de fato não tem natureza tributária. O Direito Aduaneiro, por ser um ramo do direito público, tem sua autonomia frente aos demais ramos do Direito, resultando em um conjunto de normas legais criadas com o intuito de regular e controlar as operações de comércio exterior. O Ilustre Doutrinador e Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes (2016, p. 41), traçou uma relação de interseção entre o Direito Aduaneiro, Direito Tributário e Direito Econômico, abordando sobre a aplicabilidade de princípios gerais tributários às normas aduaneiras a partir da análise individualizada do caso e respeitando a normativa aduaneira. Ponderou o autor que “o Direito Aduaneiro é um ramo reconhecidamente especializado, com particularidades e institutos próprios”3. Ainda que a multa aduaneira não tenha natureza tributária, entendo que a preliminar invocada pela defesa não está enquadrada como um caso de distinguishing à Súmula CARF nº 11, motivo pelo qual impera a sua incidência no caso em análise. Ademais, o DECRETO Nº 6.759/2009 (REGULAMENTO ADUANEIRO) remete o processo administrativo de exigência de penalidade aduaneira ao rito do Decreto nº 70.235/1972, conforme abaixo reproduzido: Art. 768. A determinação e a exigência dos créditos tributários decorrentes de infração às normas deste Decreto serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, na forma do Decreto nº 70.235, de 1972 (Decreto-Lei no 822, de 5 de setembro de 1969, art. 2º; e Lei nº 10.336, de 2001, art. 13, parágrafo único). § 1º O disposto no caput aplica-se inclusive à multa referida no § 1º do art. 689 (Lei no 10.833, de 2003, art. 73, § 2º). (Incluído pelo Decreto nº 7.213, de 2010). (sem destaques no texto original) Por sua vez, o Decreto nº 70.235/1972 rege o processo administrativo de determinação e exigência dos créditos tributários da União e o de consulta sobre a aplicação da legislação tributária federal (art. 1º), Todavia, ainda que a Lei do PAF tenha o rito voltado aos créditos tributários, considerando que o Regulamento Aduaneiro determina a aplicação desta mesma legislação, não há como afastá-la na análise processual das autuações referentes às penalidades de natureza aduaneira. 3 FERNANDES, Rodrigo Mineiro. Revisão Aduaneira e Segurança Jurídica. São Paulo: Editora Intelecto, 2016, pág. 41. Fl. 156DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 Impera igualmente destacar que a pretensão punitiva é exercida por meio do lançamento de ofício (art. 139 – Decreto nº 37/66 4 ), mantendo-se suspensa desde a interposição da defesa até decisão final administrativa. Com isso, através do lançamento de ofício, a pretensão punitiva do Estado no exercício do poder de polícia aduaneira já está sendo exercida, uma vez que o direito de punir do Estado é proposto com a lavratura do auto de infração. A partir do momento em que o autuado apresenta a impugnação, é instaurada a fase litigiosa (art. 16 - Decreto nº 70.235/1972 5 ), incidindo a suspensão da exigibilidade daquela penalidade aplicada pela Autoridade Fiscal. Entendo que, uma vez suspensa a exigência lançada de ofício, não há como ser aplicada a prescrição intercorrente, tendo em vista que a pretensão punitiva, embora já proposta pela Autoridade Fiscal, não pode ser exercida justamente em virtude de tal suspensão. Por fim, entendo que não é razoável considerar o direcionamento conferido pelo Regulamento Aduaneiro ao Decreto nº 70.235/1972 para efeito de suspensão da exigibilidade da multa e, em contrapartida, isoladamente desconsiderar o rito atribuído ao PAF quando se trata da incidência da prescrição intercorrente. Por tais razões, afasto o argumento da defesa com relação à prescrição intercorrente. Mérito Da multa aplicada Trata-se de auto de infração lavrado para cobrança de multa por não prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e nos prazos estabelecidos pela RFB, conforme previsão do artigo 107, alínea “e”, inciso IV do Decreto-Lei nº 37, de 18/11/1966, que assim dispõe: Art. 107. Aplicam-se ainda as seguintes multas: IV - de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta-a- porta, ou ao agente de carga. Conforme consta na descrição dos fatos apresentada pela Fiscalização, o lançamento versa sobre o cumprimento da obrigação acessória disposta no artigo 37 da IN/SRF nº 28/1994, com as alterações introduzidas pela Lei 10.833, de 2003, que assim dispõe: Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) 4 Art.139 - No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. 5 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Fl. 157DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 § 1º O agente de carga, assim considerada qualquer pessoa que, em nome do importador ou do exportador, contrate o transporte de mercadoria, consolide ou desconsolide cargas e preste serviços conexos, e o operador portuário, também devem prestar as informações sobre as operações que executem e respectivas cargas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003) O presente litígio versa sobre a Escala 13000089313, Manifesto Eletrônico 1513500642353, Conhecimento Eletrônico Máster MBL151305054846652 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL151305061923586, assim detalhado às fls. 28 dos autos: Em síntese, o Auditor Fiscal apurou que a Recorrente registrou as informações relativas a desconsolidação da carga representada pelo MHBL CE 151305054846652 e HBL CE 1151305061923586 após a atracação da embarcação no Porto de Santos. As informações constantes dos autos podem ser sintetizadas da seguinte forma: CE Master (MBL) Inclusão MBL Atracação CE Agregado (HBL) Desconsolidação MBL151305054846652 21/03/2013 10:34:48 hs 31/03/2013 23:43 hs HBL CE 11513050619 23586 01/04/2013 11:14:57 hs Ao proceder à desconsolidação, o Conhecimento Eletrônico foi bloqueado em razão de “inclusão de carga após o prazo ou atracação”. Vejamos parte do extrato de fls. 39: Fl. 158DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 Argumentou a Recorrente que informações foram prestadas antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório, a impedir a aplicação da penalidade. Argumentou ainda que não há que se falar em aplicação de multa para os casos de prestação de informação em atraso, visto que a nova redação do parágrafo 2º do artigo 102 do Decreto Lei n° 37/66, dada pela Lei nº 12.350/10, passou a entender que a conduta “atraso” não é mais punível, mas sim uma conduta incentivada e que afasta a aplicação de penalidades. Sem razão à defesa. A multa foi aplicada no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), prevista pelo artigo 107, inciso IV, alínea "e",' do Decreto-Lei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03. O ilustre Julgador de primeira instância manteve o lançamento, concluindo que, uma vez expirado o prazo previsto para prestação das informações, restou configurado, em detrimento do controle aduaneiro, o desrespeito à obrigação de prestar tempestivamente as informações sobre carga, que devem ser verdadeiras e corretas. Inicialmente, cumpre observar que as informações do Conhecimento Eletrônico Mercante são formadas pelos dados básicos, contendo as principais informações do contrato de transporte (número do conhecimento (BL), transportador, embarcador, consignatário, embarcação, porto de origem e porto de destino, frete e data de emissão), e finalizadas com os itens de carga (identificação e características da carga objeto do contrato de transporte: contêineres, tipo e quantidade de carga solta, granéis, peso, cubagem e NCM)6. A Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de novembro de 2007, com o texto vigente na época dos fatos, trata sobre o controle aduaneiro informatizado da movimentação de embarcações, cargas e unidades de carga nos portos alfandegados, e define em seu art. 2º, II, a consolidação de carga como o “acobertamento de um ou mais conhecimentos de carga para transporte sob um único conhecimento genérico, envolvendo ou não a unitização da carga”. Já o conhecimento de carga é classificado da seguinte forma (art. 2º, § 1º, IV, da IN/RFB nº 800/2007): 6 https://receita.economia.gov.br/orientacao/aduaneira/manuais/mercante/topicos/conhecimento-1/introducao Fl. 159DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 V - o conhecimento de carga classifica-se, conforme o emissor e o consignatário, em: a) único, se emitido por empresa de navegação, quando o consignatário não for um desconsolidador; b) genérico ou master, quando o consignatário for um desconsolidador; ou c) agregado, house ou filhote, quando for emitido por um consolidador e o consignatário não for um desconsolidador. (sem destaques no texto original) As informações prestadas sobre a carga transportada igualmente devem atentar às regras da IN/SRF nº 800/2007, que assim estabelece: Art. 10. A informação da carga transportada no veículo compreende: I - a informação do manifesto eletrônico; II - a vinculação do manifesto eletrônico a escala; III - a informação dos conhecimentos eletrônicos; IV - a informação da desconsolidação; e V - a associação do CE a novo manifesto, no caso de transbordo ou baldeação da carga. § 1º A informação da carga não será exigida no caso de embarcação arribada, exceto se houver carga ou descarga no porto. § 2º Não serão informadas as mercadorias transportadas no veículo e não sujeitas a conhecimento de carga, como sobressalentes e provisões de bordo. § 3º A carga cujo destino constante do CE seja porto nacional e que permaneça a bordo e retorne ao País em outra embarcação ou viagem, com ou sem transbordo ou baldeação em porto estrangeiro, deverá ser informada, na saída, em manifesto PAS, e no retorno, em manifesto LCI, com indicação de baldeação ou transbordo, quando for o caso. § 4º A mercadoria somente será considerada manifestada, para efeitos legais, quando a carga tiver sido informada nos termos do caput e demais disposições desta Instrução Normativa, observados, ainda, outras normas estabelecidas na legislação específica. (sem destaques no texto original) Art. 13. A informação do CE compreende os dados básicos e os correspondentes itens de carga, conforme relação constante dos Anexos III e IV, e deverá ser prestada pela empresa de navegação que emitiu o manifesto ou por agência de navegação que a represente. Art. 17. A informação da desconsolidação da carga manifestada compreende: I - a identificação do CE como genérico, pela informação da quantidade de seus conhecimentos agregados; e II - a inclusão de todos os seus conhecimentos eletrônicos agregados. Com relação especificamente à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único do mesmo Diploma Legal, com a seguinte previsão: Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: III - as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. (sem destaque no texto original) Fl. 160DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I - a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II - as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (sem destaque no texto original) Insta salientar que a IN RFB nº 899/2008 modificou apenas o caput do art. 50 da IN/RFB nº 800/2007, não tendo revogado o seu parágrafo único e, portanto, resultando em inequívoca vigência quanto ao fato gerador objeto da autuação. Com isso, nos termos do parágrafo único acima, é expressamente previsto que as informações devem ser prestadas antes da chegada da embarcação, o que não ocorreu no presente caso, uma vez que a desconsolidação somente foi efetivada após a atracação do navio, resultando em inquestionável intempestividade da informação prestada. Neste sentido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração lavrado por servidor competente, disponibilizado o direito de defesa e com a devida previsão legal para todos os valores lançados. MULTA REGULAMENTAR. DESCONSOLIDAÇÃO. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES FORA DO PRAZO. A multa por prestação de informações fora do prazo encontra-se prevista na alínea "e", do inciso IV, do artigo 107 do Decreto Lei n 37/1966, sendo cabível para a informação de desconsolidação de carga fora do prazo estabelecido nos termos do artigo 22 e 50 da Instrução Normativa RFB nº 800/07. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ART. 50 DA IN RFB 800/2007. REDAÇÃO DADA PELA IN 899/2008. Segundo a regra de transição disposta no parágrafo único do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, as informações sobre as cargas transportadas deverão ser prestadas antes da atracação ou desatracação da embarcação em porto no País. A IN RFB nº 899/2008 modificou apenas o caput do art. 50 da IN RFB nº 800/2007, não tendo revogado o seu parágrafo único. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de Fl. 161DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Acórdão nº 3003-000.697 – PAF nº 10711.725050/2013-63) Por sua vez, como corretamente concluiu o Ilustre Conselheiro Jorge Luís Cabral em seu r. voto condutor do v. Acórdão nº 3402-010.264, “...não há confusão entre a ausência de informação e o atraso na prestação da mesma, posto que o fato gerador da penalidade decorreu no transcurso do prazo regulamentar, e até aquela data e hora, não havia informação prestada, de qualquer forma”. Portanto, foi corretamente aplicada a penalidade estabelecida pelo artigo 107 do Decreto-Lei nº 37, de 18/11/1966. Da denúncia espontânea Alega a Recorrente que: i) Não há que se falar em aplicação de multa para os casos de prestação de informação em atraso, visto que a nova redação do parágrafo 2º do artigo 102 do Decreto Lei n° 37/66, dada pela Lei nº 12.350/10, passou a entender que a conduta “atraso” não é mais punível, mas sim uma conduta incentivada e que afasta a aplicação de penalidades ii) O instituto da denúncia espontânea deve ser aplicado ao presente caso, pois todos os pré-requisitos necessários ao reconhecimento da denúncia espontânea foram preenchidos pela Recorrente, eis que:  As informações referentes às cargas transportadas foram incluídas no Siscomex antes do início do despacho aduaneiro;  Não foi iniciado qualquer procedimento fiscalizatório apto a apurar o quanto alegado pela fiscalização no auto combatido, mas, ao contrário, a lavratura desse auto só foi possível graças às informações prestadas pela própria Recorrente (portanto, qualquer procedimento fiscal ocorreu após a inclusão das informações no Siscomex), e  O auto de infração em discussão não trata da aplicação de pena de perdimento. Sem razão à defesa. Observo que, através da legislação aduaneira, são implementadas políticas governamentais para controle sobre atividades voltadas ao comércio exterior na defesa dos interesses internos, resultando em imprescindível preservação do interesse público. Com relação à obrigação em análise, cumpre destacar a relevância de prestar as informações delimitadas legalmente, possibilitando o exato e imprescindível controle aduaneiro. Como já mencionado acima, o Conhecimento Eletrônico Mercante trata-se de um conhecimento de carga informado à autoridade aduaneira na forma eletrônica, mediante certificação digital do emitente (art. 2º, XI da IN/RFB nº 800/2007), e tem como objetivo sistematizar o tratamento das informações provenientes das operações de transporte de cargas por via marítima, tornando menos burocrático e automatizando o processo de arrecadação do AFRMM , além de reduzir custos de operação relacionados aos procedimentos e métodos de liberação de cargas em portos. Fl. 162DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 Já o Sistema Mercante é o instrumento que fornece o suporte informatizado para tal controle, pelo qual é efetuado o cálculo do valor do AFRMM de cada conhecimento de embarque, com o registro do valor apurado na base de dados. O Sistema Mercante é integrado com o módulo de controle de carga aquaviário do Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), denominado Siscomex Carga. Entendo relevantes tais esclarecimentos, considerando que, a partir do momento em que os prazos legais são descumpridos, automaticamente resta consolidado o dano ao controle aduaneiro e, por sua vez, configurada a infração, independentemente do tempo em que tenha ocorrido e/ou da vontade do agente. No presente caso, a legislação já citada é clara ao delimitar os prazos para prestação das informações sobre a desconsolidação da carga, o que não foi cumprido pela Autuada. E a responsabilidade objetiva é prevista pelo Decreto- Lei nº 37/66, que assim dispõe: Art. 94 - Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decreto-Lei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá-los. § 1º - O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. § 2º - Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ademais, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Com isso, diante da intempestividade da informação prestada pela Recorrente, flagrantemente infringiu o controle aduaneiro, inviabilizando a regular fiscalização alfandegária e, portanto, tipificando a conduta infracional na espécie, inadmitindo sua reparação. Ademais, aplica-se a Súmula CARF nº 126, que assim prevê: Súmula CARF nº 126: A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129 de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, afasto o argumento de defesa sobre a configuração do instituto da denúncia espontânea ao caso em análise. Conclusão Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Fl. 163DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3402-010.911 - 3ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 12266.720538/2013-25 Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47 do Anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 164DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10530.722842/2010-61
Turma: Quinta Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 28 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Nov 27 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2015 a 31/12/2015 APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITO. É requisito para o direto à isenção das contribuições previdenciárias patronais ser portador do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 2005-000.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Mario Hermes Soares Campos, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO

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FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITO. É requisito para o direto à isenção das contribuições previdenciárias patronais ser portador do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. SÚMULA CARF Nº 2. Aplica-se a Súmula CARF nº 2 quando o questionamento da multa de ofício se atém à matéria de índole constitucional: "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 28 42 /2 01 0- 61 Fl. 412DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2005-000.104 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.722842/2010-61 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Mario Hermes Soares Campos, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente). Relatório 01 – Destaco parte do relatório da decisão recorrida que diz: Trata-se de crédito lançado através do Auto de Infração (AI) DEBCAD nº 37.260.9554, por descumprimento de obrigação principal, em nome do contribuinte em epígrafe, referente às competências 12/06, 13/06, 05/07 e 06/07, recebido em 30/06/2010, no valor do principal atualizado de R$ 27.876,46 (vinte e sete mil, oitocentos e setenta e seis reais e quarenta e seis centavos), além de juros e multa. De acordo com os Relatórios do AI, fls. 01/25, os valores que integram o presente Auto referem-se às contribuições patronais devidas pelo Contribuinte incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a qualquer título aos segurados empregados e contribuintes individuais, mais a contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. As contribuições lançadas foram incluídas nos seguintes levantamentos: 2.1. DAL – Diferença de Ac. Legais. Tem como finalidade apurar as diferenças de atualização monetária, juros ou multa, considerando-se como competência para lançamento do acréscimo legal aquela em que foi efetuado o recolhimento a menor; 2.2. PA – QUOTA PATRONAL e PA1 – QUOTA PATRONAL. Levantamento referente à contribuição para a Seguridade Social relativa à quota patronal incidente sobre a remuneração de segurados empregados, no período compreendido entre 12 e 31 de dezembro de 2006, visto que o contribuinte não comprovou a Certificação como Entidade Beneficente da Seguridade Social para o período, sujeitando-se à obrigatoriedade de pagamento da quota patronal. A contribuição foi calculada proporcionalmente, visto que para as remunerações pagas para a competência 12/2006 foi aplicada a proporção de 20/31, enquanto que para a competência 13/2006 foi aplicada a proporção primeiro de 1/12 para conformação duodecimal do décimo terceiro, para depois ser aplicada a proporção 20/31; 2.3. PB – CONT PAT CONT INDIV. Levantamento referente à contribuição para a Seguridade Social relativa à quota patronal incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais, no período compreendido entre 12 e 31 de dezembro de 2006, visto que o contribuinte não comprovou a Certificação como Entidade Beneficiente da Seguridade Social para o período, sujeitando-se à obrigatoriedade de pagamento da quota patronal. A contribuição foi calculada proporcionalmente, visto que para as remunerações pagas para a competência 12/2006 foi aplicada a proporção de 20/31. 02 - O contribuinte apresentou defesa no qual teve o acórdão da DRJ assim ementado e que julgou a sua defesa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 30/06/2007 Ementa: Fl. 413DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2005-000.104 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.722842/2010-61 CERTIFICADO DE ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. ISENÇÃO. REQUISITO. É requisito para o direto à isenção das contribuições previdenciárias patronais ser portador do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. ARGÜIÇÃO. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade de ato normativo em vigor. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 03 - O contribuinte foi intimado e apresentou recurso. É o relatório. Voto 04 – O recurso do contribuinte é tempestivo e portanto passo a sua análise. 05 – Em suas razões recursais o contribuinte requer que sejam reapreciados os mesmos argumentos feitos na impugnação apresentada. 06 – Avaliando a impugnação verifico que houve manifestação quanto a questão de ser ou não a contribuinte considerada como entidade beneficente havendo inclusive manifestação da DRJ a respeito. Outra matéria discutida é a alegação de que os segurados não eram empregados mas autônomos. 07 – Avaliando a matéria até mesmo para o fim de eventualmente aplicar ao caso os termos da decisão do E. STF nas Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 2028, 2036, 2228 e 26211 e do Recurso Extraordinário (RE) 566.622, com repercussão geral reconhecida, verifiquei que não seria o caso, uma vez que a DRJ entendeu que para o período ora lançado a recorrente não tinha o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período de 12/12/2006 a 31/12/2006 esse inclusive foi o único fundamento do lançamento. 08 – Portanto, em vista da requerente ter feito a solicitação dos mesmos argumentos utilizados na impugnação e avaliando a decisão da DRJ, por concordar com essa, na forma do art. 57§ 3º do RICARF O Relatório Fiscal informa que o Contribuinte não possuía o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, requisito para a isenção das contribuições previdenciárias, como retro transcrito, para o período de 12/12/2006 a 31/12/2006, v. fls 63/69. Deste modo foram lançadas as contribuições patronais referente ao mencionado período. 9. O Impugnante não junta aos autos o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social para o período de 12/12/2006 a 31/12/2006. Assim, não há como Fl. 414DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2005-000.104 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.722842/2010-61 acolher a alegação de que seria isento de contribuições previdenciárias nas competências lançadas nos presentes autos. 10. A questão relativa à necessidade da gratuidade dos serviços para o direito à isenção é estranha aos autos, haja vista que o único requisito apontado pela fiscalização como descumprido pelo Impugnante foi não ser a Entidade portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, para o período de 12/12/2006 a 31/12/2006, art. 55, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela MP nº 2.18713, de 2001. 11. O salário de contribuição dos Levantamentos PA e PA1 é o valor da remuneração declarada em GFIP pelo impugnante referente a segurados empregados. O Levantamento PB se refere ao lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de contribuintes individuais. Portanto, inexiste lançamento relativo à caracterização, como segurados empregados, de prestadores de serviços autônomos. Assim, não tem pertinência aos presentes autos o argumento de que o débito se referiria às contribuições previdenciárias incidentes sobre valores pagos aos prestadores de serviços, supostamente empregados da Defendente, aos olhos da Auditoria Fiscal, e de que haveria, desta forma, bis in idem. 12. Deve-se ressaltar que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não se pode, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de ato normativo em vigor, visto que à Administração Pública cabe tão somente dar aplicação aos comandos legais. A instância administrativa está adstrita a verificar se o lançamento aplica-se ao caso, analisar os argumentos e provas apresentados pelo sujeito passivo, verificar se houve realmente o fato gerador que gerou a obrigação tributária e se a lei foi corretamente aplicada ao caso; o Poder Judiciário é o órgão competente para declarar qualquer irregularidade ou inconstitucionalidade existente no ordenamento jurídico. Nesse sentido é vasta a jurisprudência dos colegiados administrativos: (...) 09 – Em relação a questionamentos sobre constitucionalidade de Lei aplico ao casos os termos da Súmula CARF nº 02: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 10 – Portanto, conheço e nego provimento ao recurso voluntário. Conclusão 11 - Ante o exposto, conheço e nego provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 415DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2005-000.104 - 2ª Sejul/5ª Turma Extraordinária Processo nº 10530.722842/2010-61 Fl. 416DF CARF MF Original

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