Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15504.726266/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarou-se impedido de votar.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
camara_s : Quarta Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15504.726266/2011-43
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5358731
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-000.307
nome_arquivo_s : Decisao_15504726266201143.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 15504726266201143_5358731.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarou-se impedido de votar. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5517250
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:20 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814173691904
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1367; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 850 1 849 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.726266/201143 Recurso nº 99.999Voluntário Resolução nº 1401000.307 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 04 de junho de 2014 Assunto IRPJ/CSLL Recorrente ARCELORMITTAL BIOENERGIA LTDA (SUC. 20.771.747/000150) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Maurício Pereira Faro declarouse impedido de votar. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira., Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 55 04 .7 26 26 6/ 20 11 -4 3 Fl. 944DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 851 2 RELATÓRIO Tratase de recurso voluntário e de ofício no Acórdão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteMG. Adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância, compondo em parte este relatório: I DO LANÇAMENTO. Contra o Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/04, que determina ao sujeito passivo os ajustes na base de cálculo do IRPJ, em conformidade com demonstrativos anexos, substancialmente implicando na redução do prejuízo fiscal apurado no ano de 2006 de R$24.437.243,23 para R$2.241.467,74. O que perfaz o valor total do ajuste em R$22.195.775,49. Foi também formalizado o Auto de Infração a título de Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 08/10), também determinado os mesmos ajustes ao sujeito passivo na base de cálculo da contribuição do ano de 2006, em conformidade com demonstrativos anexos, para redução da base de cálculo negativa da CSLL de R$25.002.461,11 para R$2.806.685,62. I.1 DESCRIÇÃO DOS FATOS. IRPJ/CSLL. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: 0001 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação comprobatória dos lançamentos efetuados na conta contábil "3402018 Pesquisas e Experimentos Florestais", deixando de a apresentálos. Os lançamentos contábeis efetuados nesta conta são efetuados de forma sintética. Assim, a fiscalização não possui qualquer meio de verificação as condições legais de dedutibilidade destas despesas e mesmo a sua real existência. Dessa forma, impõese a glosa destas despesas na apuração do lucro líquido do exercício com os consequentes reflexos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tudo conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e indissociável deste auto de infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/12/2006 2.930.250,09 75,00 Enquadramento Legal Fl. 945DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 852 3 Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2006 e 31/12/2006: art. 3o da Lei n° 9.249/95. DecretoLei n° 1.598/1977, art. 6°; Lei n°8.981/1995 art. 37,§ 1o; Art. 247 do RIR/99 DecretoLeí n° 1.598/1977, art. T\ Lei n" 9.249/1995 art. 25 Art.251 do RiR/99; Lei ^4.506/1964, art. 47; Art. 299 do RIR/99 Lei 4.506/1964, art. 45, §2°; Art. 300 do RIR/99 0002 EXAUSTÃO INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS RECURSOS FLORESTAIS Conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal que é parte integrante e indissociável deste auto de infração. Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação comprobatória ao lançamento efetuado na conta contábil "3303003" como "Acerto de exaustão florestal" no valor de R$ 15.548.678,31. O contribuinte apenas elencou razões gerais que contribuíram, na sua opinião, para a diminuição áo potencial projetado das florestas. Ocorre que para os casos de quebras e perdas não razoáveis a legislação exige a apresentação de laudos de autoridades públicas, de acordo com o tipo de ocorrência determinante da quebra ou perda. Dessa forma, não cumprindo os requisitos legais para o lançamento de quebras e perdas, impõese a adição destas despesas na apuração na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tudo Enquadramento Legal: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2006 e 31/12/2006: art. 3o da Lei n° 9.249/95. DecretoLeI n* 1.598/1977, art. 6°; §2°; Art 249, l do RIR/99; DecretoLei n° 1.598/1977, art. 7o; Art.251 do RIR/99; Lei 4.506/1964, art. 46, incisos V e VI; Art. 291 do RIR/99 Lei 4.506/1964, art. 59; decretoLei n° 1.483/1976, art. 4o; Art. 334 do RIR/99 0003 INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE ESCRITURAÇÃO REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO REAL CAUSADA POR CUSTOS OU DESPESAS UTILIZADOS II DEVIDAMENTE Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar a documentação comprobatória O lançamento efetuado em 18/12/2006 na conta contábil "3303003" no valor de R$3.716.847,09. Justificou tal lançamento como sendo referente à aquisição de madeira da Suzano Celulose (nova denominação de Bahia Sul). Ocorre que tal aquisição de madeira ocorreu nos anos de 2000, 2001,2002 e 2003. Assim, o custo lançado não é referente ao período de apuração de 2006. Dessa forma, impõese a glosa deste custo na apuração do lucro líquido do exercício com os consequentes reflexos na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, tudo conforme explicado no Termo de Verificação Fiscal que é parte Integrante e Indissociável deste auto de infração. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa {%) Fl. 946DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 853 4 18/12/2006 3.716.847,09 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2006 e 31/12/2006: art. 3o da Lei n° 9.249/95. DecretoLei n° 1.598/1977, art. 6o; Lei n"8.981/1995 art. 37,§ 1o; Art. 247 do RIR/99 DecretoLei n° 1.598/1977, art. 7*; Lei n° 9.249/1995 art. 25 Art.251 do RIR/99; DecretoLei n° 1.598/1977, art. 6o, §5e; Art. 273 do RIR/99 DecretoLei n° 1.598/1977, art. 7o, §4° e art. 67, XI; Lei n" 7.450/1985, art. 18; Lei 9.430/1996, art. 5o; Art. 274 do RIR/99 fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. (...) I.2 DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL TVF (FLS. 14/209). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. (...) II GLOSA DE DESPESAS COM PESQUISAS E EXPERIMENTOS. O contribuinte foi devidamente intimado a apresentar a documentação comprobatória dos lançamentos efetuados na conta contábil "3402018 Pesquisas e experimentos florestais" no ano de 2006. Em resposta, afirmou que estava apresentado a "relação da documentação referente à movimentação da conta 3402018". Com base nos arquivos digitais da contabilidade entregues à Fiscalização, ela constatou que os lançamentos contábeis são feitos de forma sintética, tendo como contrapartida a conta contábil "4901009 () Transf. p/pesquisas experimentos industriais", e como histórico de lançamento "ORD PESQEXPERIME". Portanto, tais lançamentos não permitem que a Fiscalização tenha qualquer noção sobre os tipos de despesas/custos que estão sendo ali lançados, se os mesmos podem ser lançados diretamente ou se tem de ser ativados, se são despesas/custos necessários à manutenção da atividade da empresa e no caso se são realmente despesas/custos com pesquisas e experimentos. Portanto, o contribuinte não apresentou a documentação que comprove os lançamentos contábeis na conta relativa aos dispêndios com pesquisa e experimentos. Sendo assim, consideramse despesas não comprovadas, tendo sido glosadas. III GLOSA DE CUSTOS COM AQUISIÇÃO DE MADEIRA. Fl. 947DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 854 5 O contribuinte foi intimado a apresentar os contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamento e demais documentos comprobatórios do lançamento efetuado em 18/12/2006, no valor de R$3.716.847,09, na conta contábil "3303003". Respondendo, apresentou um Contrato, assinado em 18/11/1999, e um Aditivo, assinado em 01/08/2006, celebrado com a Suzano Papel e Celulose S/A (nova denominação de Bahia Sul Celulose S/A). Trata o contrato de permuta de madeira de eucalipto, Cláusula Segunda, entre a então CAF Santa Bárbara e a então Bahia Sul Celulose. O contribuinte acrescentou em sua resposta que "na época do acerto da contrapartida da permuta referente ao fornecimento de madeira pela CAF, não havia madeira disponível devido ao aumento da demanda para carbonização para atender a usina siderúrgica de Juiz de Fora. Conforme o contrato original, cláusula segunda, item Ie e no aditivo correspondente em anexo foi calculado e estabelecido o valor a ser ressarcido à Suzano em substituição à madeira". Analisando tal documentação, a Fiscalização ressaltou que se trata de "Contrato de Permuta", de madeira. Citando o art. 251 do RIR/1999, salientou que a empresa deve observar tanto a legislação comercial com a fiscal, bem como as normas e princípios contábeis usualmente aceitos no Brasil. O regime de competência é um princípio contábil, que deve ser, na prática, estendido a qualquer alteração patrimonial, independentemente de sua natureza e origem. Sob o método de competência, os efeitos financeiros das transações e eventos são reconhecidos nos períodos nos quais ocorrem, independentemente de terem sido recebidos ou pagos. No caso presente, o Fisco constatou que o contribuinte retirou a madeira nos anos de 2000 a 2003 e que a madeira permutada deveria ser devolvida até 30/11/2003, e que sendo impossível a devolução, nesta data deveria ser pago o valor em dinheiro correspondente à madeira retirada. Concluiu, pois, que pelo Princípio da Competência que todos os custos relativos à madeira retirada pela CAF (custos da efetiva retirada dos plantios da Bahia Sul e custo referente à madeira a ser devolvida) deveriam ser contabilizados nos em que ocorreram as efetivas retiradas de madeira, isto é, 2000, 2001, 2002 e 2003. Salientou que o aditivo assinado em 2006 apenas definiu os valores, forma e prazo de pagamento da CAF à Suzano, não sendo nova aquisição de madeira, mas acerto financeiro de madeira já adquirida entre 2000 e 2003, e não liquidada no vencimento contratual. Arremata o Fisco que essas aquisições de madeira deveriam constar da apuração do lucro líquido de 2000 a 2003, não podendo ser lançadas em 2006, visto não ser desta competência os custos associados. Ademais, quando da assinatura do aditivo, alguns períodos de apuração já estavam decaídos, e mesmo que o contribuinte não tivesse lançado os custos naqueles períodos não poderia fazelo em 2006, em face do transcurso de 5 anos entre os fatos geradores. Assim, por não ser um novo custo e por não competir aos períodos de apuração de 2006 deve o valor de R$3.716.847,09 ser glosado do custo dos produtos vendidos na apuração do lucro líquido e conseqüentemente o lucro real e a base de cálculo da CSLL. IV GLOSA DE CUSTO COM EXAUSTÃO DE FLORESTAS. Fl. 948DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 855 6 Ao contribuinte foi solicitada a apresentação das planilhas de cálculo dos custos e exaustão dos projetos de plantio da empresa no ano de 2006. Em resposta, apresentou planilha em formato "excel" contendo as informações acerca das despesas com exaustão florestal no ano de 2006, incluindo um "Ajuste de Exaustão" ocorrido em novembro de 2006. Tal ajuste, contabilizado em 30/11/2006, foi de R$15.548.678,31. O contribuinte foi intimado a "Informar, apresentado documentos comprobatórios, em relação aos projetos que sofreram ajustes no valor da exaustão em novembro 2006, a data em que foram tomadas as decisões de se reduzir as manutenções das florestas, conforme informado em respota ao termo de intimação n° 3, verbis "AJUSTE DO POTENCIAL PROJETADO EM FUNÇÃO DA REDUÇÃO DAS MANUTENÇÕES QUE OCASIONOU A BAIXA PRODUTIVIDADE DAS FLORESTAS"". O contribuinte apresentou resposta nos seguintes termos: "No ano de 2006 foi feito um ajuste de inventário do potencial de madeira em pé devido à combinação dos fatores relacionados abaixo durante o período de desenvolvimento das florestas. O volume ajustado se refere também ao ajuste de potencial da madeira em pé que havia sido projetado para rotações posteriores que não se concretizaram". Em sequência apresentou uma série de fatores que segundo o contribuinte contribuíram para a diminuição do potencial das florestas. Inicialmente, constatou o Fisco que nenhum documento comprobatório foi juntado à resposta do contribuinte, apenas uma enorme lista de fatores que incluem intempéries climáticas, pragas e doenças diversas, erros de manejo, etc. Transcrevendo o art. 334 do RIR/1999, diz, verificase que este art. não permite o lançamento de exaustão em função de ajuste do potencial estimado da floresta em decorrência de sua diminuição. Porém, o art. 291 trata das quebras e perdas. O inciso I deste art. afirma que integra o custo o valor das perdas razoáveis ocorridas no processo produtivo, sem a necessidade de laudo de autoridade competente, contudo deve o contribuinte comprovar de forma idônea e plausível as perdas ocorridas. Ocorre que o valor do ajuste lançado corresponde a um percentual de 34,84% do custo total dos projetos elencados. Se forem considerados apenas os projetos com algum ajuste o percentual de ajuste chega a 54,47%. Além disso, alguns projetos chegam a ter ajustes de 70%, 90% até 100%. Logo, não é uma perda razoável e, portanto, devem ser obedecidos os critérios elencados no inciso II, isto é, comprovar que os riscos não estão cobertos por seguro e apresentar o laudo ou certificado exigido nas letras "a", "b" e "c", conforme a natureza do evento causador da quebra ou perda. Assim, não tendo o contribuinte apresentado a documentação que comprovariam as quebras e perdas do potencial produtivo, conforme exigido pelo art. 291 do RIR/1999, foi procedida a glosa do referido custo. V CONCLUSÃO. Constatadas as irregularidades acima, o Fisco efetuou o lançamento de ofício, reconstituindo o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Ressaltou que todas as infrações apuradas se referem à atividade rural desenvolvida pela empresa e reduzirão o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa apurada pela empresa. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 856 7 O contribuinte foi intimado a reconstituir os seus controles de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL. II DA IMPUGNAÇÃO. Tendo sido dele cientificado pessoalmente em 13/12/2011, o sujeito passivo contestou o lançamento em 12/01/2012, mediante o instrumento de fls. 146/161. Adiante compendiamse suas razões. 1. DA TEMPESTIVIDADE. Inicialmente, a Impugnante ressalta a tempestividade da defesa apresentada. 2. DOS FATOS. Nesse item, a Impugnante faz um resumo dos fatos da autuação. Não entanto, salienta que não pode concordar com os ajustes promovidos pelo Fisco. 3. RAZÕES QUE JUSTIFICAM A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO. 3.1 Das despesas com Pesquisas e experimentos. Alega, segundo o TVF, a glosa dessas despesas deuse unicamente por ter sido constatado que os lançamentos contábeis são feitos de forma sintética. Destaca, a autoridade administrativa não realizou qualquer juízo de valor acerca da natureza das despesas, mas apenas ressaltou que as informações, no formato em disponibilizadas, não permitiram qualquer análise qualitativa. Defende, são despesas operacionais dedutíveis no IRPJ e na CSLL. Diz, os documentos anexados aos autos evidenciam que todos os lançamentos foram realizados de forma analítica, de modo a permitir o acesso da Fiscalização aos dados necessários. Copiase: Esclarece, contudo, a Impugnante dispõe de controle analítico das despesas, por mês e por lançamento (Doc. 05). A título exemplificativo, indicamos a conta "4406001 Viagens e Outros", que relativamente ao ano de 2006, possui o montante de R$145.662,37, ou 4,75% das despesas glosadas. Fl. 950DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 857 8 Copiase: Alega, a abertura dos valores para o mês de julho indica o montante de R$11.909,52, em um universo de despesas glosadas de R$261.531,93, conforme se verifica a seguir: (...) Esclarece, o valor acima pode ser decomposto por lançamento, o que se verifica da planilha abaixo, extraída do sistema integrado de contabilidade da Impugnante. Conclui, portanto, dúvidas não existem de que o registro das informações em questão é realizado de forma analítica, o que permite a verificação individualizada de todos os lançamentos contábeis efetuados pela Impugnante (vide Doc. 05, cit.) Fl. 951DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 858 9 Acrescenta, todas as despesas discutidas são dedutíveis em razão de sua natureza (operacionais), de modo que a glosa deve ser desconsiderada. Não é outro o entendimento do CARF para despesas dessa natureza. Informa, por razões de ordem prática, os documentos que suportaram cada um dos lançamentos, como recibos, RPAs e notasfiscais, não estão sendo juntados, pois a discussão envolve milhares de lançamentos e sequer foram solicitados pela autoridade administrativa no curso da fiscalização. Finaliza, na eventualidade desta DRJ considerar as despesas dedutíveis, em virtude da ausência de tal análise pela autoridade lançadora, os autos devem retornar à origem para que uma diligência seja realizada. 3.2 Da aquisição de madeira. Explica, em razão de uma forte demanda de produção ocorrida na Usina de Juiz de Fora da CAF, a então Bahia Celulose forneceu a madeira necessária, que deveria ser restituída até 30.11.2003 (Doc. 6). No entanto, as condições de mercado não permitiram que a madeira fosse restituída, de modo que, 01.08.2006, as partes aditaram o contrato anteriormente firmado. Encerada a obrigação pactuada entre as partes em razão do pagamento do valor previsto no aditivo contratual, a Impugnante tomou a dedutibilidade dos valores pagos, reduzindo o resultado do período respectivo. Assevera, no entanto, o Fisco entendeu que tal contabilização teria violado o princípio da competência. Diz, no entendimento do Fisco, a conseqüência, então, seria a impossibilidade de dedução do custo em 2006, de modo que os valores deveriam ter sido apropriados entre 2000 e 2003. Nesse ponto específico, assiste razão à autoridade administrativa, pois, em termos contábeis, o único regime adequado para reconhecimento das receitas e despesas é de fato o de competência. Contrapõe, no entanto, a não obediência ao princípio da competência não gera a impossibilidade definitiva de dedução do custo incorrido (o que decorre da presente autuação, que simplesmente glosa o valor deduzido), mas sim a obrigação de compensar o prejuízo decorrente de uma eventual postergação de tributo devido, afinal, a despesa é dedutível, de modo que a discussão restringese aos efeitos temporais da dedução em momento inadequado. Argumenta, o lançamento simplesmente se omitiu nesse ponto, não demonstrando a existência de efeitos tributários (que não existiram) decorrentes da apropriação do custo segundo o regime de caixa. Alega, no caso dos autos, é possível verificar que desde 2000 a Impugnante vem apurando prejuízo fiscal (Doc. 8), sem jamais ter utilizado esse prejuízo para a compensação com seus próprios lucros, até porque inexistentes. Assim, não há qualquer diferença efetiva entre a dedução da despesa entre 2000 e 2003, ou sua dedução integral em 2006. O saldo do prejuízo fiscal não é objeto de correção, de modo que, independentemente do momento da dedução, em casos como o presente, o efeito sobre a base de cálculo é idêntico. Citando a legislação fiscal e acórdão do CARF, arremata, a Fiscalização, ao verificar a inexatidão quanto ao período de escrituração, recompor os resultados dos Fl. 952DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 859 10 períodos afetados, de modo a verificar o efeito da contabilização indevida no tempo. Este é exatamente o entendimento perfilhado no Parecer Normativo COSIT n° 02/96. Finaliza, o Fisco deixou de recompor o lucro líquido dos anos de 2000 a 2003, glosando apenas o valor deduzido em 2006. Assim, nesse ponto, ante a inexistência de fundamento para a autuação, impõese seu cancelamento. 3.2 Do ajuste na exaustão de florestas. Salienta, nessa autuação, como destacado pelo Fisco, as perdas razoáveis integram o custo de aquisição e independem de laudo que as comprove. No entanto, apenas em razão do percentual envolvido (34,84% do custo total dos projetos elencados), a autuação pressupõe não se tratarem de perdas razoáveis, desconsiderando toda a documentação apresentada. Alega, certamente, a razoabilidade da perda irá variar segundo a atividade exercida pelo contribuinte, de modo que esse ponto não pode deixar de ser considerado pelo Fisco. Sobre esse aspecto, já se manifestou o então Conselho de Contribuintes. Diz, no caso dos autos, mostrase razoável o valor das perdas contabilizadas, principalmente se levado em consideração sua relação com o faturamento da empresa. Em 2006, por exemplo, o ajuste foi de R$15.548.678,31, em um faturamento de R$102.024.412,90 (Doc. 9). Assevera, não obstante, em nenhum momento a autoridade administrativa deixa claro os motivos pelos quais as provas apresentadas são imprestáveis, aliás, afirma terem sido indicados diversos fatores responsáveis, tais como, intempéries climáticas, pragas, doenças diversas e erros de manejo. É notório que tais fatores são responsáveis por perdas significativas nesse segmento, de modo que os documentos apresentados (Doc. 10), se não infirmados pelo Fisco, devem prevalecer, pois elaborados com base na observação do processo produtiva da Impugnante. Assim, improcedente a glosa levada a efeito no auto de infração. 4. DO PEDIDO DE PERÍCIA. Indicando quesitos e perito, a Impugnante postula por perícia contábil, em ralação a todos os itens da autuação. 5. DOS PEDIDOS. Requer, o provimento da presente Impugnação ou a baixa dos autos em diligência. É o relatório. A DRJ MANTEVE EM PARTE o lançamento, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 Custos ou despesas operacionais. Fl. 953DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 860 11 Os custos ou as despesas operacionais são dedutíveis, na medida em que atendam aos requisitos da necessidade, usualidade e normalidade, nos termos da legislação fiscal, além de outros requisitos como a sua efetividade e a comprovação mediante documentação hábil e idônea. Inobservância do Regime de Competência. A inobservância do regime de competência implica necessariamente para a autoridade fiscal a recomposição do lucro real dos dois períodos envolvidos. Feita a retificação, se verificado que o lucro real do período mais antigo é menor que o apurado anteriormente pelo contribuinte, nada há a fazer, salvo se a antecipação de receita ou contabilização posterior de custo ou despesa criar lucro necessário para aproveitar prejuízo fiscal que caducaria (regras vigentes até 31/12/1994) ou ferir o limite legal de 30% (regras legais a partir de 1701/1995). Perdas Extraordinárias. Em se tratando de perdas que não sejam razoáveis no processo produtivo (extraordinárias), a legislação fiscal impõe para sua dedutibilidade que o risco provocador da perda não esteja coberto por seguro e exige documentação hábil e idônea que a comprove, como laudos ou certificados, emitidos pelas autoridades competentes, sejam sanitárias, de segurança ou mesmo fiscal, conforme demandar o caso. Tributação Reflexa. CSLL. Por decorrência, o mesmo procedimento adotado em relação ao lançamento principal estendese ao reflexo.. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. Fl. 954DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 861 12 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso de ofício e voluntário preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Recorrente foi autuada por cometido 3(três) infrações legais, no ano calendário de 2006 (IRPJ e CSLL): (1) da glosa de custos/despesas operacionais/encargos(despesas com pesquisas e experimentos) não comprovados, no valor de R$2.930.250,09; (2) da redução indevida do lucro líquido causada por postergação de custos ou despesas, de R$3.716.847,09; e (3) da glosa de custos/despesas operacionais/encargos não dedutíveis, de R$15.548.678,31. Frisese que as infrações apuradas se referem à atividade rural desenvolvida pela empresa e reduziram o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL apurados nessa atividade. A infração 2 foi cancelada pela DRJ e submetida a Recurso de Ofício. PRELIMINAR DE JULGAMENTO EM CONJUNTO A Recorrente, preliminarmente, pugna pela conexão deste processo com outros dois e conseqüente julgamento por outra turma. Eis seu teor, naquilo que é relevante: Conforme já restou reconhecido no acórdão proferido em primeira instância administrativa, o presente PTA possui inegável vinculação com o PTA n.° 10680.721.396/201216. Naquele feito (PTA 10680.721.396/201216), com o objetivo de fiscalizar o IRPJ e CSLL apurado pelo contribuinte nos anos de 2008 e 2009, a fiscalização verificou supostas inconsistências no que tange à formação do prejuízo fiscal, dentre elas, afirmou que em virtude de autuações anteriormente lavradas e que resultaram no presente PTA e no de número 10680.020725/200741, o contribuinte já deveria ter feito a retificação do prejuízo fiscal apurado em 2002 e 2006 (períodos autuados). Ocorre que ambos os PTA's ainda não foram julgados de forma definitiva no âmbito administrativo, tendo a Empresa apresentado as respectivas Impugnações e demonstrado, entre outras questões, a inegável vinculação entre os três feitos, uma vez que o resultado de cada um deles influi diretamente na subsistência ou não da autuação que resultou no PTA n.° 10680.721.396/201216. Desta forma, já em primeira instância, a turma julgadora reconheceu a procedência dos argumentos postos pelo contribuinte no que tange à vinculação dos três PTA's e julgou de forma concomitante o presente feito e o PTA n.° 10680.721.396/201216, uma vez que se encontravam em mesma fase processual, já procedendo à reformulação do crédito exigido neste último, em razão da procedência Fl. 955DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 862 13 parcial da Impugnação apresentada no presente feito. Tal fato restou inclusive explicitado no acórdão recorrido. Não vejo conexão deste processo com o processo 10680.721.396/201216 (fatos geradores 2008/2009), primeiro porque o presente processo trata de fatos geradores anteriores àquele feito (2006), o que quer dizer que a conexão existente é apenas em um determinado sentido. De fato, o processo 10680.721.396/201216 que trata de redução de prejuízos fiscais depende do julgamento deste que modifica o saldo de prejuízo fiscal no anocalendário de 2006, mas o inverso não é verdadeiro. O que pode acontecer é o processo n. 10680.721.396/201216 ficar sobreposto no aguardo do deslinde deste processo, mas em hipótese alguma o julgamento deste processo por outra câmara irá resultar em julgamentos incoerentes para a mesma matéria, que é a situação extrema em que a lei não deseja que aconteça. Situação semelhante se encontra o processo 10680.020725/200741 em relação ao processo n. 10680.721.396/201216, nada tendo a ver com o presente feito, a não ser esse paralelismo com relação ao processo n 10680.721.396/201216 que receberá no caso a influência do julgamento desses dois (10680.721.396/201216 e do presente processo) Portanto, rejeito esta preliminar de conexão Delimitação dessa Resolução O escopo dessa resolução se restringirá à infração “1” da glosa de custos/despesas operacionais/encargos não comprovados (despesas com pesquisas e experimentos), no valor de R$2.930.250,09. Para ser fiel no relato dos fatos, transcrevase abaixo o TVF que fundamentou o referido item da autuação: Em 17/10/2011 através do Termo de Intimação n° 1 foi o contribuinte, na qualidade de sucessor de ArcelorMittal Florestas Ltda., intimado, a apresentar a documentação comprobatória dos lançamentos efetuados na conta contábil "3402018 Pesquisas e experimentos florestais" no ano de 2006. Em sua resposta, datada de 26/10/2006, afirmou que estava apresentando a "relação da documentação referente à movimentação da conta 3402018 Pesquisas e Experimentos Florestais". Ocorre que o arquivo digital apresentado no formato " excel 19972003" não continha dados acessíveis. A empresa foi verbalmente cientificada de que deveria promover a entrega de novo arquivo com as informações comprobatórias dos lançamentos efetuados. Porém, nenhum novo arquivo foi entregue. Com base nos arquivos digitais da contabilidade entregues à fiscalização em 08/09/2010, constatamos que os lançamentos contábeis são feitos de forma sintética, tendo como contrapartida a conta contábil "4901009 () Transf. p/ pesquisas experimentos industriais", e como histórico de lançamento "ORD PESQEXPERIME". Portanto, tais lançamentos não permitem que a fiscalização tenha qualquer noção sobre os tipos de despesas/custos que estão sendo ali lançados, se os mesmos podem ser lançados diretamente ou se tem de ser ativados, se são despesas/custos necessários à Fl. 956DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 863 14 manutenção da atividade da empresa e no caso se são realmente despesas/custos com pesquisas e experimentos, Portanto, não apresentando o contribuinte a documentação que comprove os lançamentos contábeis na conta relativa aos dispêndios com pesquisa e experimentos, consideramse despesas não comprovadas, devendo ser efetuada sua glosa na apuração do lucro líquido do exercício e consequentemente na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL. Como se vê o fiscal glosou os referidos custos fundamentalmente porque os lançamentos contábeis se apresentaram de forma sintética, não permitindo um aprofundamento da investigação, bem assim porque na sequência não apresentou toda documentação necessária que lastrearia os lançamentos contábeis. A descrição dos fatos deixa ainda mais claro o motivo principal da glosa, qual seja, a impossibilidade de aprofundamento da investigação em função da apresentação sintética das informações contábeis em meio magnético: (...) Os lançamentos contábeis efetuados nesta conta são efetuados de forma sintética. Assim, a fiscalização não possui qualquer meio de verificação as condições legais de dedutibilidade destas despesas e mesmo a sua real existência. Dessa forma, impõese a glosa destas despesas (...) (grifei) Na peça impugnatória, a Recorrente reforça sobremaneira sua defesa, sobretudo na tentativa de demonstrar que possuiria as informações na contabilidade de forma analítica e para tanto apresentou quadros demonstrativos, nos quais discriminaria a composição total das despesas/custos glosados, de R$2.930.250,09: (1) segregandoas em: "Mãodeobra'", "Benefícios", "Materiais", "Serviços", "Outras despesas operacionais'", "Depreciação"" e "Rateios""; e (2) especificando cada um dos itens citados anteriormente em subitens mais analíticos. Outrossim, alegou que dispõe de controles ainda mais pormenorizados. Como exemplo, indica a subconta "4406001 Viagens e outros"" (que compõe o item "Outras despesas operacionais"), a qual relativamente ao ano de 2006, possui o montante de R$145.662,37. Nesse sentido, apresentou demonstrativo para o mês de julho, onde o gasto com essa subconta foi R$11.909,52. Através de aditivo à impugnação (doc.05), não analisado pela DRJ, tratou mais ainda de aprofundar essa prova como se verá mais adiante neste voto. Diz por fim que, por ordem prática, os documentos que suportaram cada um dos lançamentos contábeis não foram juntados, pois envolvem milhares de registros.. Embora não tenha prestado talvez os esclarecimentos, provas e detalhamentos necessários quando da autuação, trouxe à colação na fase impugnatória e recursal indícios de provas que a meu ver precisariam de uma resposta mais satisfatória do que a que foi dado pela decisão de piso. Concordo com a DRJ que a situação que se apresenta, os esclarecimentos prestados e detalhamentos feitos, mesmo considerando ainda o aditivo não analisado à Fl. 957DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 864 15 impugnação, longe ainda estaria de se afirmar que a referida rubrica integralmente glosada foi comprovada, mas discordo da conclusão de que isso conduziria necessariamente à manutenção total da glosa. Com os novos elementos trazidos aos autos a situação é de indeterminação e não de certeza de algo, merecendo no caso a investigação ser aprofundada, mormente diante da grande quantidade de documentos que seriam necessários ser colacionados aos autos para a comprovação que se faz necessária. Por outro lado, tal investigação através de diligência na se trata de inovação do lançamento. Tenho pautado os meus votos em relação a esse aspecto em algumas premissas de forma a dar coerência nas situações que enfrento no sentido de saber se uma determinada situação conduziria ou não à inovação do lançamento. O que segue a baixo é muito mais no intuito de subsidiar os debates com os demais Conselheiros. A primeira situação é aquela em que a decisão de piso se utiliza de argumento subsidiário a fim de corroborar ainda mais o fundamento de determinado auto de infração , ou seja, quando se trata de um argumento que não é independente, que por si só não sustentaria o auto de infração. Nessa situação, se a DRJ estiver correta, esse argumento subsidiário ao principal apenas dota este último de maior robustez, caso contrário, a manutenção do lançamento dependerá apenas da validez do argumento original que fundamentou o auto de infração. Vale salientar que esse não é o caso concreto. Outra situação é quando as condições para se provar uma determinada situação de fato ou de direito são independentes uma da outra e cumulativas, mas tanto uma quanto a outra condição se apresenta factível de investigação ao mesmo tempo, sem necessariamente uma condição servir de prejudicial ao aparecimento da outra condição. Tal caso, é mais complexo e irá depender do contexto. Pois o autuante, pela lógica, poderia apenas dar por satisfeito para autuação quando qualquer uma das duas condições se mostrar não satisfeita. Isso não quer dizer que o contribuinte para provar a veracidade de uma situação jurídica bastasse comprovar a condição não satisfeita. A última situação, que espelha o caso concreto, é um pouco diferente e mais clara quanto ao seu desfecho. É aquela situação em que também existem várias condições para o aproveitamento de uma determinada prerrogativa ou para que uma situação jurídica se apresente como provada. Essas condições se mostram também cumulativas, mas diferente da situação anterior, uma determinada condição só se abre, ou seja, só tem razão de ser ou de se investigar quando satisfeita a condição anterior. É a típica situação de a primeira situação ser chamada por isso de “prejudicial”. Nessa situação específica quando o contribuinte consegue provar a prejudicial (primeira condição), por óbvio que isso por si só não pode ser suficiente. Se essa prova for fácil, o que se espera que o contribuinte já em fase impugnatória ou recursal já logre êxito em tomar a iniciativa e fazer essa prova. Dou alguns exemplos, se o contribuinte, em uma prejudicial, não consegue nem provar que pagou IR no exterior, não haveria porque o fiscal avançar e perquirir a respeito do oferecimento à tributação do rendimento que deu origem àquele recolhimento. Da mesma forma, se em sede de pedido de restituição, o contribuinte não consegue provar a retenção, não há porque o despacho denegatório investigar se a receita foi ou não oferecida à tributação. A situação do caso concreto a meu ver se enquadra justamente nessa última hipótese. O autuante ao não dar por satisfeito a composição de uma determinada rubrica, no caso, por falta de detalhamento que lhe permitiria aprofundar a investigação, glosou a despesa como um todo daquela rubrica por essa situação de fato que se lhe apresentou. Nesse momento, Fl. 958DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 865 16 ontologicamente, não se abria a hipótese levantada pela DRJ de verificação da comprovação documental de determinada subconta contábil que só se apresentou após o detalhamento feito pelo contribuinte em sede impugnatória. Da mesma forma, na medida em que tal situação não configura inovação, também não pode ser considerada não comprovada pela DRJ na medida em que o contribuinte por si só não trouxe aos autos o que em uma situação normal a investigação seria levada a cabo pelo fiscal autuante, mormente quando tal tarefa implique em uma quantidade grande de provas a serem colhidas e demonstradas como é o caso. Vejamos parte do teor de sua defesa:: Em relação aos valores glosados a título de despesas com pesquisas e experimentos, foram juntados aos autos documentos que evidenciam que todos os lançamentos foram realizados de forma analítica, de modo a permitir o acesso da Fiscalização aos dados necessários. Ademais, todas as despesas discutidas são dedutíveis em razão de sua natureza (operacionais). Por razões de ordem prática, os documentos que suportaram cada um dos lançamentos, como recibos, RPAs e notas fiscais, não foram juntados à impugnação, pois a discussão envolve milhares de lançamentos. De toda forma, a empresa deixou a documentação à disposição da Fiscalização e, ainda, requereu a realização de perícia ou a baixa em diligência, que certamente demonstraria que todos os valores lançados possuem documentação hábil e idônea que os suporte. Em análise da Impugnação apresentada, A DRJ, apesar de reconhecer que o contribuinte possui controles analíticos dos referidos gastos, entendeu por manter a exigência uma vez que tal fato não atacaria o cerne da infração "que se deu por falta de comprovação mediante documentação hábil e idônea dos dispêndios glosados". Ora, na verdade a DRJ não percebe essa nuance que tentei explicar acima, qual seja, o problema colocado pelas várias prejudiciais que podem interromper o avanço da fiscalização. Ademais disso, como bem colocou a Recorrente abaixo, mesmo que não fosse aceito o argumento anteriormente exposto, não é verdade que a contribuinte não tenha tentado trazer por amostragem documentação dê suporte aos valores glosados, em sede impugnatória, mesmo que através de aditivo à impugnação. Eis o teor de seu recurso a esse respeito: Tendo em vista o volume de documentos que envolvem os lançamentos glosados, a Recorrente não conseguiu durante o prazo para apresentar a Impugnação, selecionar e fornecer com base em amostragem a documentação suporte dos lançamentos referentes aos gastos com pesquisas e experimentos. Por esta razão, assim que foi possível reunir estas informações foi feito um aditamento à Impugnação, protocolada no dia 11.04.2012 (doc. 05). No acórdão recorrido, não se sabe por qual razão, ao que parece o aditamento apresentado não foi sequer analisado, não há qualquer menção aos documentos ali juntados, o que supriria inúmeros argumentos levantados pelo órgão julgador, como é o caso da ausência de documentação comprobatória. Neste aditamento, entre outros documentos, foram juntados os mesmos documentos apresentados no decorrer da fiscalização, mas organizados por tipo de despesa. Para demonstrar que os lançamentos representam despesas efetivamente incorridas, optouse por demonstrar com base em amostragem as despesas com pessoal no período autuado e, para comprovar que os empregados estavam alocados naquele Fl. 959DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 15504.726266/201143 Resolução nº 1401000.307 S1C4T1 Fl. 866 17 projeto, foi juntada a folha de salários. Apenas para conhecimento, as despesas com pessoal representam cerca de 70% do valor autuado. Pois bem, no aditamento, para demonstrar a relação entre os valores lançados, tomouse como exemplo o mês de julho de 2006, em que as despesas com salários e ordenados totalizaram R$ 49.363,81 (doe. 02 do aditamento). Dessa forma, em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, e diante da apresentação de indícios que poderiam comprometer parte do lançamento, por precaução, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Intimar novamente a recorrente, levando em consideração o aditivo à impugnação (doc. 05), bem assim solicitandolhe o que mais for necessário a fim de dar continuidade à investigação em relação às despesas com pesquisas e experimentos, podendo tal investigação ser feita por amostragem se o volume de provas for muito grande; Se for o caso, refazer a base de cálculo de apuração do IRPJ e CSLL. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, ressalvado o fornecimento de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 960DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001749/2004-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 15/03/2001, 21/03/2001, 17/04/2001, 04/09/2001, 29/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N° 9.363/96. BENEFICIAMENTO DO PRODUTO PARA EXPORTAÇÃO. COURO WET BLUE. INDUSTRIALIZAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO PARÁGRO ÚNICO DO ART. 4º DO REGULAMENTO DO IPI. LAUDO CONCLUSIVO.
Identificada, através de Laudo Técnico, a existência de processo industrial na modalidade de beneficiamento no produto sobre o qual o sujeito passivo teve deferido pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1°, da Lei n° 9.363/96, e não havendo provas da simples exportação de bens não industrializados, deve ser cancelado lançamento que pretendia a devolução dos valores ressarcidos.
Auto de Infração Improcedente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-002.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões dr. Winderley Morais Pereira. Fez sustentação oral dra. Fátima Rega Cassara OAB n° 288526.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente substituto), SILVA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201310
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 15/03/2001, 21/03/2001, 17/04/2001, 04/09/2001, 29/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N° 9.363/96. BENEFICIAMENTO DO PRODUTO PARA EXPORTAÇÃO. COURO WET BLUE. INDUSTRIALIZAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO PARÁGRO ÚNICO DO ART. 4º DO REGULAMENTO DO IPI. LAUDO CONCLUSIVO. Identificada, através de Laudo Técnico, a existência de processo industrial na modalidade de beneficiamento no produto sobre o qual o sujeito passivo teve deferido pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1°, da Lei n° 9.363/96, e não havendo provas da simples exportação de bens não industrializados, deve ser cancelado lançamento que pretendia a devolução dos valores ressarcidos. Auto de Infração Improcedente. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13855.001749/2004-05
anomes_publicacao_s : 201405
conteudo_id_s : 5351118
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3402-002.219
nome_arquivo_s : Decisao_13855001749200405.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13855001749200405_5351118.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões dr. Winderley Morais Pereira. Fez sustentação oral dra. Fátima Rega Cassara OAB n° 288526. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior - Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente substituto), SILVA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA.
dt_sessao_tdt : Thu Oct 24 00:00:00 UTC 2013
id : 5472436
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814184177664
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 476 1 475 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.001749/200405 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.219 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2013 Matéria IPI Recorrente INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES MINERVA LTDA.. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 15/03/2001, 21/03/2001, 17/04/2001, 04/09/2001, 29/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI N° 9.363/96. BENEFICIAMENTO DO PRODUTO PARA EXPORTAÇÃO. COURO WET BLUE. INDUSTRIALIZAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO PARÁGRO ÚNICO DO ART. 4º DO REGULAMENTO DO IPI. LAUDO CONCLUSIVO. Identificada, através de Laudo Técnico, a existência de processo industrial na modalidade de beneficiamento no produto sobre o qual o sujeito passivo teve deferido pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos do art. 1°, da Lei n° 9.363/96, e não havendo provas da simples exportação de bens não industrializados, deve ser cancelado lançamento que pretendia a devolução dos valores ressarcidos. Auto de Infração Improcedente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Votou pelas conclusões dr. Winderley Morais Pereira. Fez sustentação oral dra. Fátima Rega Cassara OAB n° 288526. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 5. 00 17 49 /2 00 4- 05 Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente substituto), SILVA DE BRITO OLIVEIRA, FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, WINDERLEY MORAIS PEREIRA (substituto), JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13855.001749/200405 Acórdão n.º 3402002.219 S3C4T2 Fl. 477 3 Relatório Tratase de Auto de Infração pelo qual se constituiu crédito tributário em desfavor da interessada, ao fundamento de que a mesma teria sido indevidamente beneficiária de Crédito Presumido de IPI como ressarcimento de PIS/Pasep e COFINS, de que trata a Lei nº 9.363/96, por ter indevidamente inserido na base de cálculo do benefício os custos com a aquisição de couro wet blue, os quais não teriam sido submetidos a processo industrial, mas simplesmente por ela exportados (revendidos). A acusação fiscal foi lastreada na verificação das notas fiscais que demonstrariam que a quantidade exportada desse tipo de couro teria sido maior que o total industrializado, de modo que o contribuinte não gozaria do incentivo fiscal que lhe fora disponibilizado. Consequentemente, foi constituído crédito tributário no valor total de R$ 314.698,59, já contemplados o principal (benefício indevidamente ressarcido), mais multa de 75% e juros pela incidência da SELIC. DA IMPUGNAÇÃO Cientificado do Auto de Infração em 22/10/04 e inconformado com a autuação, o sujeito passivo apresentou impugnação, pela qual sustentou, em síntese: 1 “que teria sido feita mera suposição pela fiscalização, com base nas notas fiscais e de exportação e na denominação do produto, de que a empresa teria apenas atuado como intermediária nas operações com couro "wetblue", o que não invalidaria o direito ao crédito presumido (transferência de uma etapa do processo de fabricação para outros fornecedores);” 2 – “houve a transcrição de definição oriunda da internet que não abrange todas as informações sobre o produto; o couro adquirido é submetido a certas operações (reidratação, acabamento, classificação, medição, padronização e embalagem) que não foram constatadas pela fiscalização e que constituem exigências do mercado externo (por que os fornecedores do couro não exportaram diretamente ou por empresa comercial exportadora, sendo que obteria preços maiores ?);” 3 – “nas notas fiscais de compra consta a expressão "a granel", ao passo que nas notas de exportação o produto consta como acabado, acondicionado e "paletizado";” 4 – “conforme laudo técnico, o couro adquirido é trabalhado remolho pra reidratação, adição de antimofo e fungicida, enxugamento e estiração, etc.); 5 – “são juntadas notas fiscais de compra, de venda de produtos, materiais intermediários e subprodutos, além de tabela de Fl. 477DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 classificações do couro "wetblue" e fotos ilustrativas do local e equipamentos em que é processado o couro "wetblue" ;” 6 – “a impugnante realiza operação industrial (modificação) conforme preconiza o RIPI/2002, art. 40, II, e de acordo com decisões do Conselho de Contribuintes; 7 – “os créditos haviam sido anteriormente verificados pela Receita Federal, não tendo sido trazidos aos autos elementos suficientes para infirmar o posicionamento anterior” (...) – trecho extraído do Relatório da decisão da DRJ. Em síntese, portanto, o sujeito passivo afirma que o couro wet blue adquirido no mercado interno, sofreria processo de “beneficiamento” na sua etapa de circulação, que o aperfeiçoaria ao consumo, e apenas após esse processo industrial, estaria apto para ser exportado, atendendo assim, os padrões especificados pelo adquirente situado no mercado externo. Por tais motivos requereu a improcedência do lançamento. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA A decisão recorrida, ao apreciar a impugnação ofertada pelo contribuinte, entendeu por julgar procedente o lançamento, nos seguintes termos: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS – IPI Data do fato gerador: 15/03/2001, 21/03/2001, 17/04/2001, 04/09/2001, 29/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. AQUISIÇÕES PARA EXPORTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDUSTRIALIZAÇÃO. São insuscetíveis de inclusão na apuração do beneficio fiscal as aquisições de produtos para exportação sem que haja processo produtivo específico. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/03/2001, 21/03/2001, 17/04/2001, 04/09/2001, 29/12/2003. IMPUGNAÇÃO. PROVAS ADICIONAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. Tendo em vista a superveniência da preclusão temporal, é rejeitado o pedido de apresentação de provas suplementares, pois o momento propício para a defesa cabal é o da oferta da peça impugnatória. PEDIDO DE PERÍCIA. AUSÊNCIA DE REQUISITOS BÁSICOS. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de perícia desnecessário para a elucidação dos fatos ou em desacordo com os ditames legais, notadamente no que concerne à nomeação de perito e à indicação de quesitos. Impugnação Improcedente. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13855.001749/200405 Acórdão n.º 3402002.219 S3C4T2 Fl. 478 5 Crédito Tributário Mantido”. DO RECURSO Irresignado com a nova denegação de seu pleito, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário ao CARF, no qual reitera e reforça todos os argumentos articulados quando de sua impugnação, especialmente voltados ao convencimento dos julgadores de que há efetivamente um processo industrial na etapa realizada pelo sujeito passivo, trazendo ainda jurisprudências emanadas deste Conselho que entendem como beneficiamento etapas similares as quais diz submeter o couro wet blue. Requer, então, o provimento de seu recurso e reitera o pedido de diligência ou de perícia. DO JULGAMENTO EM 2ª INSTÂNCIA Em sessão datada de 21/03/2012 esta 2ª TO, da 4ª Câmara, da 3ª Seção desta Casa analisou o processo, havendo unanimemente por bem em converter o julgamento em diligência, expedindo a Resolução nº. 3402000384, cujo conteúdo, em síntese, asseverava a necessidade de elaboração de Laudo Técnico produzido por agente dotado das premissas atinentes ao Processo Administrativo Fiscal, com o fim de aquilatar a presença de processo de industrialização do couro wet blue adquirido de terceiros no mercado interno, sobre o qual o contribuinte apropriara o crédito indevidamente deferido pela Administração. Foram elaborados quesitos que visavam a identificação do processo produtivo e de industrialização do sujeito passivo, visando obter esclarecimentos para o julgamento definitivo do processo. DA DILIGÊNCIA Foi o contribuinte intimado da decisão em 2ª instância em 01/06/2012, conforme AR de fls. 366 (numeração eletrônica), sendo ao mesmo tempo intimado através do ‘Termo de Diligência e Intimação nº 1’, a apresentar, no prazo de 10 dias, Laudo Técnico, bem como demais esclarecimentos, nas condições estipuladas pela Resolução nº. 3402000384 prolatada pelo CARF. Em 13/06/2012 o sujeito passivo pediu dilação de prazo (por 2 meses) para a apresentação dos documentos e esclarecimentos requeridos, acostando ao pedido proposta de serviços datada de 05/06/2012, onde consta cronograma maior do que o prazo concedido para apresentação dos trabalhos. Às fls. 375 (numeração eletrônica) a Autoridade Preparadora deferiu o pedido, designando a data máxima de 13/08/2012 para o cumprimento das solicitações efetuadas. Em 21/08/2012 foi protocolado pelo contribuinte pedido de juntada do Laudo elaborado, trazendoo aos autos às fls. 366435 (não numeradas eletronicamente). Foi em seguida elaborado o Relatório de Diligência, de fls. 458/462 (n.e), contendo, em resumo, as conclusões que aqui transcrevo: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Que o Certificado de Anotação de responsabilidade técnica apresentado em conjunto ao Laudo estava vencido e se reportava a estabelecimento diferente ao do contribuinte; Que o Laudo informa apenas de forma geral que os materiais foram absorvidos em processos produtivos, sem a segregação por etapa do processo de produção do couro wet blue, bem como, que seus custos estariam incluídos nas apurações do contribuinte, refletindo nos estoques, sem, no entanto, apresentar lançamentos contábeis que comprovassem as referidas constatações; Que sobre o questionamento a respeito da produção e comercialização do produto denominado "raspa", o Laudo informou que não há nos documentos contábeis analisados evidências de existência de um sistema organizado para o controle das operações e comercialização deste produto. Afirmou apenas que a raspa é um subproduto do couro e corresponde a 5% do volume total dos couros processados; Que ao contrário do que aponta o Laudo, as notas fiscais indicam uma mesma classificação fiscal para o couro wet blue, o fato de haver categorias “B”, “C” ou “D” é uma classificação subjetiva conforme o próprio contribuinte afirma no Relatório Técnico Contábil e Fiscal; Que o contribuinte não apontou o erro na definição do couro wet blue constante no site da Abilcalçados, apenas alegou que esta é uma definição genérica; Que a fiscalização não errou em interpretar que todos os couros em estágio wet blue tenham as mesmas especificações e sejam o mesmo produto, pois que a igualdade de tal redação é cristalina na página da Abilcalçados e a fiscalização apenas adotou a descrição mais simples lá contida; Ao final o Auditor ainda aduz: “Aqui a resposta do contribuinte demonstra a apuração correta do crédito presumido por parte da fiscalização. Considerando que não há industrialização do couro "wet blue" adquirido de terceiros, mas sim a industrialização pelo próprio contribuinte do couro obtido em seu processo industrial, a fiscalização deve considerar em sua totalidade a energia elétrica e os materiais intermediários utilizados na produção do couro "wet blue" pois tratase de produção própria da empresa.” DA MANIFESTAÇÃO EM DILIGÊNCIA FISCAL: Cientificado do Relatório de Diligência em 10/09/2012, conforme AR 463 (n. e.), o sujeito passivo apresentou sua Manifestação em Diligência Fiscal em 10/10/2012, às fls. 464 a 472, aduzindo, em apertada síntese, que: A juntada do Certificado de Responsabilidade Técnica com prazo de validade vencido tinha sido efetuada apenas por equívoco, sendo que para comprovar a validade do Laudo apresentado, junta a via correta do referido certificado, agora com prazo de validade vigente, não merecendo, portanto, ser desqualificado o Laudo; Fl. 480DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13855.001749/200405 Acórdão n.º 3402002.219 S3C4T2 Fl. 479 7 É insubsistente o intuito do Fiscal em desqualificar o Laudo apresentado, uma vez que a empresa contratou Técnico Químico que não possui qualquer vínculo com a interessada, sendo o mesmo perfeitamente habilitado para o trabalho; O Agente Fiscal desconsiderou as razões contidas no Laudo sem qualquer justificativa hábil, havendo por bem em querer manter o lançamento, indo, porém, de encontro às provas contidas nos autos; A própria fiscalização reconhece que o processo da empresa envolve a industrialização do couro wet blue, o que demonstra ser o Auto de Infração insubsistente; A alegação do Fiscal de que o Laudo elaborado não se reportava aos períodos fiscalizados é contrária às provas e documentos apresentados; O Laudo Técnico elaborado é claro em responder aos quesitos formulados, apontando a existência de um processo de industrialização, ao contrário do que conclui a Autoridade Fiscal quando afirma que “as etapas do processo produtivo descritas não se enquadrariam na modalidade de industrialização”; O regulamento do IPI, em seu art. 4º, é expresso em determinar que o mero acabamento e aperfeiçoamento caracteriza hipótese de industrialização; O Laudo também consigna que a empresa registra contabilmente todos os custos de produção, ao contrário do que foi utilizado como motivação do auto de infração, de que as tanto as notas fiscais de entrada, quanto as de saída, possuíam a mesma descrição do couro wet blue, não sendo esta descrição suficiente para se considerar que não houve industrialização; Solicita ao fim que sejam repisados todos os argumentos já expostos no recurso voluntário. DA DISTRIBUIÇÃO Retornando os autos de diligência, tendo o processo sido distribuído a este relator por meio de processo eletrônico, em 03 (três) Volumes, numerados até a folha 474 (quatrocentos e setenta e quatro), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 481DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de tempestividade e admissibilidade, de modo que merece ser conhecido pelo Colegiado. Retornando os autos de diligência designada por esta Turma, verifico que os procedimentos designados foram adotados e que foi o contribuinte cientificado dos resultados para, querendo, se manifestar, permitindo assim, o prosseguimento no julgamento com maior instrução quanto a matéria fática posta sob análise. Conforme consignado na Resolução nº. 3402000.384, até a apresentação do recurso voluntário o processo continha apenas indícios e um início de prova apresentado pelo contribuinte acerca da industrialização dos produtos sobre os quais tomara o crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº. 9.363/96, pois que, considerando ter sido elaborado de forma unilateral, merecia maiores esclarecimentos, adotando forma e modo então permitidos no âmbito do processo administrativo fiscal (contraditório). Assim, diante dos questionamentos levantados na análise do processo até aquele momento, foi elaborado Laudo Técnico, produzido por profissional habilitado, com aptidão técnica independente, acompanhado tanto pela Fiscalização, quanto pelo Contribuinte, para o esclarecimento de dúvidas que não permitiam o que processo fosse julgado no estado em que se encontrava. Antes de passar à análise de mérito que as conclusões do referido Laudo permitem concretizar, importa verificar questão prejudicial relativa à vigência do Certificado de Anotação de Responsabilidade Técnica acostado ao Laudo, uma vez que, inicialmente trazido aos autos com prazo vencido. É esta a afirmação trazida pela Fiscalização no Relatório de Diligência e, por sua vez, “corrigida” pelo contribuinte em sua manifestação. Do que se colhe dos documentos anexos ao processo, de fato, ao Laudo apresentado pelo contribuinte em 21/08/2012, com data de 12/08/2012, a Anotação de Responsabilidade Técnica trazida era datada de 31/03/2012, portanto, vencida. Entretanto, às fls. 474 (n.e) o contribuinte juntou novo certificado, datado de 15/02/2012 (antes, porém, da data em que elaborado o Laudo), com vencimento em 31/03/2013 (durante e até após, portanto, do período elaboração do mesmo). Neste sentido, supero a questão de vigência do Certificado de Responsabilidade Técnica do Profissional “Paulo Bueno de Camargo”, considerandoo hábil apara os fins a que se destinou, pois que, conforme exposto acima, a 2ª via do Certificado que foi pelo contribuinte trazida em sua Manifestação em Diligência Fiscal contém data de vencimento do Certificado vigente à época em que elaborado o Laudo para este processo. Em seguida, analisando propriamente as informações contidas no Laudo, as quais, além de informações adjacentes, respondiam aos questionamentos formulados na Resolução já citada, verifico que restou demonstrado o beneficiamento do produto denominado couro wet blue para posterior exportação, ensejando, nos termos da legislação de regência (regulamento do IPI), o direito ao crédito presumido questionado pela Autoridade Fiscal. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13855.001749/200405 Acórdão n.º 3402002.219 S3C4T2 Fl. 480 9 As conclusões trazidas no cotejo do Laudo solicitado na Resolução exarada por este Colegiado anteriormente, visavam a verificação da existência de qualquer processo de beneficiamento (industrialização) do couro wet blue, produto sobre o qual o contribuinte apropriou crédito presumido de IPI, que à ótica da Autoridade Fiscal era indevido. Considerando que tratam os autos de Auto de Infração, o ônus da prova do cometimento da infração incumbe a Autoridade Fiscal, pois é ela quem alega a existência de uma suposta conduta por parte do contribuinte, que constitui o direito ao crédito tributário objeto do lançamento (nos termos do art. 333, I, do CPC, aqui supletivamente aplicável). Esta prova, por sua vez – cujo encargo é da Autoridade Fiscal , deve ser conclusiva, e não apenas indiciária, como soa concluir do mero cruzamento das Notas Fiscais e classificações do produto wet blue nas entradas e saídas. A justificativa do administrado de que submete o couro wet blue a procedimento de beneficiamento, o que não lhe altera, necessariamente, a classificação fiscal, já impõe o dever de checagem do processo produtivo, concretamente. Portanto, diante da frágil comprovação constante dos autos, se objetivou suprir a prova ou mesmo a contraprova da fundamentação contida no lançamento, ponto sobre o qual não se poderia deixar de considerar, buscando, primordialmente, a verdade material resultante da convergência de todas as informações (provas e indícios de provas) postos à disposição para julgamento. O fato de haver a mesma classificação fiscal para o couro wet blue ou que as quantidades adquiridas e importadas não “fechariam” em termos de controles de estoques, pura e simplesmente, seriam “indícios” de que poderia ter havido exportação de produtos meramente adquiridos para revenda (sem industrialização). Porém, apresentada contraprova que infirme referidos “indícios”, a prova a ser produzida pela Fazenda deveria ser contundente, convergente e conclusiva, pena de não se sustentar o lançamento. Neste sentido, acerca da ocorrência ou não de processo produtivo no que tange ao couro wet blue, pondero tecnicamente o que determina a legislação para a tomada do crédito questionado pela Autoridade Fiscal, qual seja, o artigo 1º da Lei 9.363/96, in verbis: Art. 1ºA empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam asLeis Complementares nos7, de 7 de setembro de 1970,8, de 3 de dezembro de 1970, e70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafoúnico.O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. Notase que a disposição legal permite a apropriação de crédito incidente sobre as aquisições de matériaprima, material de embalagem ou produto intermediário para utilização em processo produtivo. Diante disso, insta trazer a baila o que prevê o regulamento do IPI acerca da caracterização do processo produtivo (industrialização): Fl. 483DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. (grifouse). Vejase que a disposição expressa contida na legislação de regência entende como industrialização qualquer espécie de modificação, transformação ou acabamento que aperfeiçoe o produto para o consumo, sendo “...irrelevantes, para caracterizar como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados”. Do Laudo Técnico realizado a partir da determinação da diligência, podese verificar que o couro na forma como adquirido pelo sujeito passivo wet blue, sofre a incidência de algumas etapas para sua posterior disposição à comercialização internacional, e que, ainda que seja um processo industrial com menos etapas, há de fato um aperfeiçoamento para que o produto chegue dentro dos parâmetros solicitados pelo comprador, caracterizando, nos termos da Lei, e ao menos em tese, a industrialização (sob a forma de beneficiamento) exigida para a tomada do crédito dita como indevida. Seja o preparo da peça para impedir a proliferação de fungos, seja o descarne para a retirada de resíduos orgânicos do tecido, ou ainda, seja a etapa de depilação, qualquer destas modificações ocorridas na peça a ser comercializada, é, segundo interpreto os termos da Lei em cotejo com a descrição do processo produtivo contido no Laudo, formas de “aperfeiçoamento para o consumo”, empregados no “acabamento” do produto, caracterizando a industrialização dita como não ocorrida pela Autoridade Autuante. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 13855.001749/200405 Acórdão n.º 3402002.219 S3C4T2 Fl. 481 11 Ainda, conforme o Laudo informa, todas as etapas a que se submete a peça de couro wet blue posteriormente comercializada pelo sujeito passivo, possuem o registro contábil respectivo, e, acaso não estejam estes documentos acostados aos autos por conta da determinação da realização de diligência, não entendo ser esta uma incumbência do contribuinte, uma vez que, conforme entendimento já mencionado, esta prova, assim como da ocorrência do fato gerador sobre o qual é lastreado o lançamento, incumbiria à Autoridade Administrativa apresentar, pois que tratamos na hipótese de Auto de Infração. Assim sendo, se estamos diante de um lançamento cujos fundamentos foram rebatidos pelo sujeito passivo com a contraprova do que alegava a Autoridade Fiscal, não incumbe mais ao sujeito passivo trazer novos sustentáculos para descaracterizar o que aduz a Autoridade Fiscal, e sim, incumbiria a ela (Administração) trazer os elementos que sustentariam a acusação. Tenho, assim, que a contraprova apresentada pelo contribuinte para infirmar a acusação fiscal é suficiente para demonstrar que aqueles indícios de provas sobre os quais se baseia a autuação (confronto das notas fiscais de compra com as notas fiscais de venda, aquilatando ser a mesma classificação fiscal), não são contundentes, convergentes e conclusivos para determinar com precisão a ocorrência da conduta objeto da acusação verdadeira, justamente em face do que concluiu o Laudo. Deste modo, falece de prova a questão posta nos autos, a sustentar o lançamento tributário. Nestes termos, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário do contribuinte, para considerar improcedente o auto de infração em comento. É como voto. (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 485DF CARF MF Impresso em 30/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13974.000208/2010-43
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2007, 2008, 2009
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada quando se tratar de omissão de receitas constatada não apenas nas declarações fornecidas ao Fisco pelo sujeito passivo, mas também na própria escrituração contábil e fiscal apresentada, tornando-se indispensável, para a sua efetiva quantificação, o procedimento de busca e análise de informações prestadas por terceiros.
Numero da decisão: 1803-002.224
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Cármen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Rodrigues Mendes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
Nome do relator: SERGIO RODRIGUES MENDES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201406
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2007, 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada quando se tratar de omissão de receitas constatada não apenas nas declarações fornecidas ao Fisco pelo sujeito passivo, mas também na própria escrituração contábil e fiscal apresentada, tornando-se indispensável, para a sua efetiva quantificação, o procedimento de busca e análise de informações prestadas por terceiros.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13974.000208/2010-43
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5353648
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 13 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1803-002.224
nome_arquivo_s : Decisao_13974000208201043.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SERGIO RODRIGUES MENDES
nome_arquivo_pdf_s : 13974000208201043_5353648.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
id : 5492074
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814191517696
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1259; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 274 1 273 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13974.000208/201043 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1803002.224 – 3ª Turma Especial Sessão de 4 de junho de 2014 Matéria IRPJ E OUTROS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente EROL SCHINDLER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2007, 2008, 2009 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a aplicação da multa de ofício qualificada quando se tratar de omissão de receitas constatada não apenas nas declarações fornecidas ao Fisco pelo sujeito passivo, mas também na própria escrituração contábil e fiscal apresentada, tornandose indispensável, para a sua efetiva quantificação, o procedimento de busca e análise de informações prestadas por terceiros. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 4. 00 02 08 /2 01 0- 43 Fl. 277DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13974.000208/201043 Acórdão n.º 1803002.224 S1TE03 Fl. 275 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Cármen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Cármen Ferreira Saraiva, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Arthur José André Neto. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13974.000208/201043 Acórdão n.º 1803002.224 S1TE03 Fl. 276 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 225 a 228): Trata o presente processo de impugnação a lançamentos fiscais, constituídos em Autos de Infração (AI) decorrentes de ação fiscal no contribuinte supra identificado, nos quais são exigidos Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o PIS/Pasep (PIS/PASEP) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), todos relativos aos anoscalendário 2006, 2007 e 2008. O valor total exigido soma R$ 462.570,74, compreendendo o principal, multa de ofício qualificada de 150% e juros moratórios calculados até 30/09/2010. A verificação fiscal teve início em 30/08/2010 e encerramento, com ciência ao contribuinte, em 21/10/2010, que, inconformado, apresentou impugnação em 22/11/2010. DO TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL Regularmente intimado a apresentar os registros contábeis e fiscais relativos a suas operações no período abrangido pelo procedimento fiscal, o contribuinte – que atua na atividade de comércio varejista de automóveis na cidade de Canoinhas (SC) – atendeu parcialmente à solicitação. Em relação aos documentos e informações não apresentados assim justificouse: ∙ Não foram contabilizadas, no período de 2006 a 2008, repasses ou comissões recebidos de instituições financeiras por serviços de intermediação de financiamentos de veículos. ∙ A contabilidade não refletia toda a movimentação financeira ocorrida em suas contascorrentes bancárias. ∙ Além das notas fiscais emitidas e apresentadas à fiscalização, não possuía documentos ou outras anotações relativas as demais vendas realizadas no período fiscalizado. O contribuinte foi também intimado (i) a apresentar os registros contábeis referentes aos pagamentos por prestação de serviços recebidos e consignados nas DIRF que lhe foram apresentadas pela fiscalização e (ii) a manifestarse quanto à concordância, ou não, quanto aos valores consignados naquelas declarações (fl. 12 e 13). Ao que respondeu: a) Os pagamentos realizados por agentes financeiros em virtude de serviços de intermediação de financiamentos efetuados pela fiscalizada contidos nas DIRFs de 2006 e 2008 não foram lançados nos livros contábeis da empresa; b) A empresa não localizou erros nos pagamentos declarados nas DIRFs 2006 a 2008, referentes a serviços de intermediação de financiamentos efetuados pela empresa fiscalizada. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13974.000208/201043 Acórdão n.º 1803002.224 S1TE03 Fl. 277 4 Com base na documentação apresentada e nas declarações do contribuinte, a autoridade fiscal concluiu ter havido omissões: (i) na DIPJ, de parcela da receita de venda de mercadorias, (ii) nos registros contábeis e na DIPJ, das receitas relativas a serviços prestados de intermediação de financiamentos e (iii) nos registros contábeis, das operações que refletiriam parte de sua movimentação de contascorrentes mantidas junto a instituições financeiras. Tais omissões mostraramse, a juízo da autoridade fiscal, suficientes para desqualificar a contabilidade mantida pelo contribuinte, nos termos do inciso II, do art. 530, do DecretoLei 3.00/1998 (RIR 99). Consequentemente, procedeuse aos lançamentos fiscais com base nas regras do Lucro Arbitrado. Nesse particular, assim se manifestou a autoridade lançadora (grifo no original): “Ante a impossibilidade de creditar fé à contabilidade da empresa, hajam vista (sic) as inúmeras irregularidade na contabilização dos fatos ocorridos no período fiscalizado (tais como: não emissão de notas fiscais de diversas transações comerciais, falta de contabilização de receitas por prestação de serviços, não contabilização integral da movimentação bancária da empresa), a auditoria, nos termos da legislação abaixo citada, não teve outra alternativa a não ser calcular o tributo devido por arbitramento.” (fl. 194) Com relação à multa de ofício, a autoridade fiscal entendeu cabível a aplicação da multa qualificada com base no seguinte. “Foi aplicada multa qualificada de 150% (art. 44, II da Lei 9430/96) em virtude de a fiscalizada ter intencionalmente omitido, em sua contabilidade, receitas auferidas e deixado de registrar contabilmente a integralidade de sua movimentação bancária referente a receita auferida de serviços de intermediação de financiamentos de veículos (conforme declaração emitida pela própria contribuinte), tendo, inclusive, declarado em IRPJ à Secretaria da Receita Federal do Brasil valores de receitas brutas a menor nos anoscalendário (sic) de 2006 a 2008.” (fl. 198) Por fim, tendo constatado que a conduta do contribuinte se amolda ao tipo penal prescrito no art. 2º, I , da Lei 8.137/1990, foi lavrada a devida representação para fins penais, que é objeto do Processo 13974.000209/201098. DA PEÇA IMPUGNATÓRIA Muito embora o contribuinte alegue vício de validade do ato administrativo do lançamento, as alegações presentes na impugnação focam, basicamente, a imposição da multa qualificada de 150%, conforme se poderá depreender do relatado adiante. Das Preliminares de Nulidade e Ilegalidade da Qualificação da Multa O impugnante alega que o ato de qualificação da multa macularia de vício o lançamento, pelo fato de a gradação ter origem em ato discricionário da autoridade fiscal. O exercício de tal poder discricionário afrontaria os princípios da indelegabilidade e vinculabilidade expressamente constantes dos arts. 7º e 142, ambos do Código Tributário Nacional. O agravamento da multa seria matéria reservada à Lei, sendo caso de nulidade quando decorra de discricionariedade da autoridade lançadora. Portanto entende ser caso de “vício de nulidade da própria autuação”. (fl. 208). Fl. 280DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13974.000208/201043 Acórdão n.º 1803002.224 S1TE03 Fl. 278 5 Assevera, também, que “a aplicação da multa no presente caso está contrariando o princípio da legalidade, haja vista que tal alíquota não tem previsão legal” (fl. 214). Isso porque, de sua perspectiva, a nova redação do artigo 44 da Lei 9.430/1996 – que dispõe sobre a aplicação da multa qualificada –, dada pela Lei nº 11.488/2007, eliminou a previsão de aplicação da multa de 150%. Destaca o fato de que, não obstante a citada alteração tenha ocorrido em data posterior à ocorrência dos fatos geradores, aplicarseia o princípio da retroatividade benigna, cuja observância encontrase pacificada em doutrina e jurisprudência. Ademais, sustenta que a imposição da multa de 150% inviabilizaria a continuidade da atividade econômica da empresa e “ferirá”, dentre outros princípios, o da proporcionalidade e da razoabilidade. Seria, assim, uma razão adicional para que a multa de ofício fosse reduzida. Do Mérito Quanto ao mérito, considera que o enquadramento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (evidente intuito de fraude) deve ser afastado pois exige presença de ação ou omissão dolosa por parte do autuado. Tal “ação ou omissão dolosa” não teria se caracterizado uma vez que o contribuinte colaborou prestativamente com a autoridade lançadora durante todo o procedimento fiscal. Em suas palavras (grifos e destaques da impugnante): “Com efeito, o elemento subjetivo do tipo (dolo), encontrase subjugado aos “casos de evidente intuito de fraude”. Por sua vez, o Art. 71 da Lei nº 4.502/64, também exige “ação ou omissão dolosa”, para configurar o ilícito fiscal. Obviamente, tratase de um ônus de prova da autoridade fiscal, provar o dolo do contribuinte, porém é facilmente afastada a hipótese do animus fraudandi, por parte do contribuinte, se nenhum obstáculo ou subterfúgio utilizar para omitir ou manipular sua informações financeira, colaborando com a Autuação Fiscal. Demonstra assim, que inexiste a tipificação dolosa e sim a ocorrência de “declaração inexata”, a exigir a requalificação da multa de oficio para 75% (setenta e cinco por cento), conforme previsto no Inciso I do Art. 44 da Lei nº 9.430/96.” (fl.208) Citando decisões e acórdãos de órgãos de julgamento administrativos, o impugnante enfatiza o entendimento de que cabe à autoridade lançadora comprovar inequivocamente que a empresa autuada agiu com dolo, para só então aplicarlhe a multa de 150%. Ou seja, a aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação do elemento subjetivo “evidente intuído de fraude” expressamente exigido pelo art. 44, II, da Lei 9.430/96. Finalizando, solicita o cancelamento do lançamento fiscal nos seguintes termos: “EX POSITIS, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a empresa fiscalizada que seja acolhido a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, haja vista a falta de fundamentação legal, principalmente com relação a multa aplicada ou caso não seja este o entendimento de Vossa Senhoria,m que determine a redução da multa qualificadora para o patamar de 75%, quer seja pela aplicação do art. 106, II, “c” do CTN, quer seja pela não configuração de dolo ou intuito de fraude.” (fl. 217) 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 223 e 224): Fl. 281DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13974.000208/201043 Acórdão n.º 1803002.224 S1TE03 Fl. 279 6 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008 LUCRO ARBITRADO. FALTA DE ESCRITURAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. A ausência de escrituração regular dos livros comerciais e fiscais autoriza o arbitramento do lucro. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008 ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E DE ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País e são incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e de ilegalidade de atos legais regularmente editados. ATIVIDADE VINCULADA. QUALIFICAÇÃO DA MULTA.. A autoridade administrativa deve orientarse pelo princípio da legalidade, não podendo se esquivar à aplicação de lei editada conforme o processo legislativo constitucional. A imposição da multa qualificada não decorre de discricionariedade do agente e sim por configurarse situação coincidente com a hipótese prevista em Lei para sua aplicação. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS E COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96, restando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/64. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Cientificada da referida decisão em 01/06/2012 (fls. 244 numeração digital ND), a tempo, em 28/06/2012, apresenta a interessada Recurso de fls. 245 a 260 ND, instruído com os documentos de fls. 261 a 265 ND, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13974.000208/201043 Acórdão n.º 1803002.224 S1TE03 Fl. 280 7 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. 4. Foi constatada pela fiscalização, conforme Termo de Verificação Fiscal, a falta de emissão de notas fiscais de diversas transações comerciais, a falta de contabilização de receitas por prestação de serviços de intermediação de financiamentos de veículos e a falta de contabilização integral da movimentação bancária da Recorrente. 5. Em face desses fatos não contraditados pela Recorrente , aplicouselhe a multa qualificada sob o seguinte fundamento (fls. 198): IV) DA MULTA QUALIFICADA Foi aplicada multa qualificada de 150% (art. 44, II, da Lei 9430/96) em virtude de a fiscalizada ter intencionalmente omitido, em sua contabilidade, receitas auferidas e deixado de registrar contabilmente a integralidade de sua movimentação bancária referente a receita auferida de serviços de intermediação de financiamentos de veículos (conforme declaração emitida pela própria contribuinte), tendo, inclusive, declarado em IRPJ, à Secretaria da Receita Federal do Brasil, valores de receitas brutas a menor, nos anocalendário de 2006 a 2008. 6. Em seu Recurso, insurgese a Recorrente contra a qualificação da multa de ofício, sob o argumento básico de ser, esta, sem nenhuma fundamentação e de caráter totalmente subjetivo. 7. De início, e com relação à necessidade da estrita observância de princípios e limitações constitucionais para o jus puniendi tributário, observase que tais princípios e limitações se dirigem estritamente ao legislador, a quem caberá, à luz deles, fixar as penalidades cabíveis em cada caso. 8. Cumpre ressaltar, por outro lado, que não existe a alegada delegação ao agente fiscal da gradação de multa, segundo sua avaliação da gravidade da infração, por ato discricionário. 9. Na realidade, essa gradação se faz rigorosamente vinculada à Lei (Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 44). 10. Nesse mesmo sentido, a decisão recorrida (fls. 228): Não procede o entendimento do impugnante de que teria havido delegação de poderes para que a autoridade fiscal aplicasse discricionariamente a multa de oficio qualificada. O Fl. 283DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13974.000208/201043 Acórdão n.º 1803002.224 S1TE03 Fl. 281 8 procedimento da autoridade fiscal encontrase vinculado à lei, cabendolhe — no caso de aplicação de multa qualificada — constatar se os elementos presentes na situação fática amoldam se ao conteúdo da norma sancionadora. Vale dizer, verificar se a ação ou omissão do contribuinte conformase com a(s) hipótese(s) de dolo prevista(s) na Lei, para então aplicar a sanção correspondente. 11. De se destacar, por oportuno, que a eventual colaboração posterior da empresa para com os trabalhos da fiscalização, em nada interfere na análise da sanção aplicada. 12. É que a conduta a ser objeto de qualificação é a do momento da ocorrência do fato gerador do tributo, e não a de qualquer outro que lhe seja posterior. 13. Esta última conduta, aliás, se contrária às normas pertinentes, resultaria na aplicação de sanções outras, relativas, por exemplo, ao não atendimento de intimações para prestar informações e ao embaraço à fiscalização. 14. Com relação à jurisprudência colacionada pela Recorrente, élhe, de todo, contrária. 15. Vejase. 16. No precedente citado da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) (Acórdão CSRF nº 0105.435, de 21/03/2006), ocorreu, apenas, a apresentação de informações em declaração em valores inferiores aos constantes dos livros fiscais (Registro de Saída/ICMS), de maneira reiterada. 17. Colhese desse precedente: Assim, o fato de o contribuinte não ter apresentado Declaração que reflita os registros contábeis e fiscais de sua escrita não corresponde automaticamente à conduta cujo tipo está previsto nos dispositivos acima mencionados, pois o fato gerador permanece devidamente exposto em seus livros contábeis e fiscais; isto é, não se escondeu ou omitiu. [...]. A fiscalização acusou que teria havido dolo do contribuinte ao apresentar faturamentos inferiores ao efetivamente verificados pelo contribuinte. Ocorre que a constatação foi efetuada pelos documentos fornecidos pelo próprio contribuinte (Livros fiscais do ICMS), o que se faz supor que ele não agiu de modo a esconder ou impedir a ocorrência do fato gerador, ou ainda reduzir, evitar ou diferir o pagamento do imposto. [...]. [...]. Como se viu acima, as declarações errôneas do contribuinte, que diferem dos documentos e elementos contábeis e fiscais colocados à disposição do Fisco, não são, por si só, razão para aplicarse a multa qualificada. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13974.000208/201043 Acórdão n.º 1803002.224 S1TE03 Fl. 282 9 18. Também no precedente mencionado do Primeiro Conselho de Contribuintes (Acórdão nº 10322.917, de 02/03/2007), ocorreu situação semelhante (omissão de receitas registradas nas escritas contábil e fiscal), conforme se observa de sua ementa: MULTA QUALIFICADA. DECLARAÇÃO INEXATA. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. A omissão de valores de receitas, registradas na escrita fiscal, em declarações entregues ao fisco é insuficiente para caracterizar a ocorrência do pressuposto legal para imposição da multa qualificada. 19. No presente caso, porém, bem outra foi a situação encontrada pela fiscalização: omissão de receitas NÃO registradas nas escritas contábil e fiscal. 20. Aqui, tornouse indispensável o procedimento de busca e análise de informações prestadas por terceiros, mediante Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), a fim de que se pudesse, efetivamente, quantificar a existência da omissão de receitas. 21. Não por outro motivo, aliás, rejeitouse, por não confiável, a escrituração contábil da Recorrente, com o inevitável arbitramento de seus lucros. 22. O próprio precedente da CSRF, citado pela Recorrente, ampara o procedimento fiscal de qualificação da multa de ofício: Pois bem, a atitude de alterar ou esconder o fato gerador ocorre, via de regra, nos livros e registros contábeis e fiscais do contribuinte. [...]. [...]. A fraude está diretamente ligada ao comportamento do contribuinte de esconder a ocorrência do fato gerador, o que só acontece quando os documentos fiscais e lançamentos contábeis e fiscais estão eivados de vícios deliberados pelo contribuinte. 23. Por fim, no tocante à suposta falta de previsão, no ordenamento jurídico, da multa qualificada, em face da superveniência da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, observase que constaram devidamente do enquadramento legal da multa de ofício aplicada, todas as alterações legislativas ocorridas no período autuado (fls. 128, 144, 165 e 182): MULTAS PASSÍVEIS DE REDUÇÃO Fatos Geradores entre 01/01/1997 e 21/01/2007. 150,00% Art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430/96. Fatos Geradores entre 22/01/2007 e 14/06/2007. 150,00% Art. 44, inciso I e § 1º , da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351/07. Fatos Geradores a partir de 15/06/2007. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 13974.000208/201043 Acórdão n.º 1803002.224 S1TE03 Fl. 283 10 150,00% Art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15.06.2007. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 286DF CARF MF Impresso em 13/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 13971.000760/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 31/07/2007 a 28/02/2008
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ELEVADORES. Para reclassificação da posição adotada pelo contribuinte, a fiscalização deve indicar a correta classificação fiscal de mercadoria. A insuficiência probatória de que a mercadoria tenha um fim específico é imprescindível para deslocar a classificação para posição que exija tal especificidade.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3101-001.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Luiz Roberto Domingo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: LUIZ ROBERTO DOMINGO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 31/07/2007 a 28/02/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ELEVADORES. Para reclassificação da posição adotada pelo contribuinte, a fiscalização deve indicar a correta classificação fiscal de mercadoria. A insuficiência probatória de que a mercadoria tenha um fim específico é imprescindível para deslocar a classificação para posição que exija tal especificidade. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13971.000760/2008-47
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5351924
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jun 09 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3101-001.316
nome_arquivo_s : Decisao_13971000760200847.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LUIZ ROBERTO DOMINGO
nome_arquivo_pdf_s : 13971000760200847_5351924.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres - Presidente. Luiz Roberto Domingo - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
id : 5481559
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:22:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814203052032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1690; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 732 1 731 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.000760/200847 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3101001.316 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 30 de janeiro de 2013 Matéria Classificação Fiscal Recorrente ENGECASS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/07/2007 a 28/02/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. ELEVADORES. Para reclassificação da posição adotada pelo contribuinte, a fiscalização deve indicar a correta classificação fiscal de mercadoria. A insuficiência probatória de que a mercadoria tenha um fim específico é imprescindível para deslocar a classificação para posição que exija tal especificidade. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Luiz Roberto Domingo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Valdete Aparecida Marinheiro, José Luiz Feistauer de Oliveira (Suplente), Leonardo Mussi da Silva (Suplente), Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 07 60 /2 00 8- 47 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Relatório Tratase de lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados constituído em face da Recorrente por entender a fiscalização que houve erro de classificação fiscal do produto “elevador automotivo” que a contribuinte utiliza para os produtos de sua fabricação ELEVADOR MOD.EC2600 CAP. CARG. 2600KG, ELEVADOR MOD.EC4100CAP. CAR.4100KG, ELEVADOR MONOFÁSICO MOD EC2600, ELEVADOR EC4100 Cl RAMPA TROCA ÓLEO, RAMPA DE ALINHAMENTO RAE4000, ELEVADOR EC2600 Cl RAMPA TROCA ÓLEO e RAMPA P/ALINH.RAE4000 C/MAC.PNEUMAT posição 8428.10.00 Elevadores e montacargas e ELEVADOR DE AUTOMÓVEIS MOD.EE2500, ELEVADOR DE AUTOMÓVEIS MOD.EE4000 e ELEVADOR DE AUTOMÓVEIS EE2500 MONO – posição 8425.41.00 – 8425.41.00 – elevadores fixos de veículos, para garagens. Verificou a Fiscalização que a Recorrente classifica os “Elevadores Modelo EE – 4000, 2500 e 4000 assimétrico 220V” na posição NCM 8425.41.00, “Kit cambalagem” na NCM 8425.42.00 e os “elevadores, rampa de alinhamento, macacos, etc” na posição 8428.10.00, conforme informação da tabela “Classificação Fiscal” de fl.152. No entendimento da fiscalização os produtos correspondem à posição 8425.41.00 Elevadores fixos de veículos, para garagens, haja vista que a Nota Explicativa da posição 84.28, que fora adotada pela empresa, exclui as máquinas e aparelhos da posição 84.25. Adoto trechos da decisão recorrida, que faz um exclente resumo das respostas da Recorrente às intimações da Fiscalização, nas quais esclarece a Recorrente que: “...as diferenças entre os produtos "2500 — Elevador de Automóvel Mod. EE 2500" e "2600 Elevador Mod. EC 2600 Cap.Carga 2600 kg" consiste na capacidade de carga de cada equipamento, bem como ao mercado a que se destinam, porém ambos “destinamse à elevação de veículos para execução de serviços em geral, com pequenas diferenças relativas à capacidade de carga, motorização, embalagem e mercado destinatário.” O Mod 2500 é destinado ao mercado externo.” “...para os demais comparativos entre "2501 Elevador de automóveis Mod. EE 4000" e "2511Elevador de automóveis Mod. EC 4100 Cap. Car. 4100 kg", relacionados na capacidade de carga de cada um deles, bem como na motorização, embalagem e +mercado destinatário dado que o Mod 2501, destinase a exportação, situação análoga ao ocorrido com os produtos "3500 – Elevador de automóveis EE 2500 Mono " e "7076 Elevador monofásico Mod EC 2600", destinandose o 1º ao mercado externo. “...se trata de erro do profissional responsável pelas operações junto ao mercado externo, erro que será corrigido pela sociedade, pois entende que a classificação correta para os produtos sob análise é a posição 8428.10.00, na aplicação da terceira regra para interpretação do Sistema Harmonizado – 3 a a posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas.” Fl. 734DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.000760/200847 Acórdão n.º 3101001.316 S3C1T1 Fl. 733 3 “Com relação aos mecanismos de elevação que integram os produtos da tabela 1 já mencionada, foi possível ao autuante concluir, com auxílio do material impresso e através dos esclarecimentos da autuada, que o motor se localiza no alto da coluna de elevação, ligado por polias e correias ao eixo laminado citado, posicionado internamente nesta mesma coluna, cuja rotação promove, mecanicamente, a elevação dos suportes metálicos, pois como afirmara a impugnante em resposta a intimação nº3 para descrever o mecanismo de elevação dos produtos listados na tabela 1, o "mecanismo de elevação é compreendido de tubos de aço retangulares e telescópicos, com sapatas redondas e com sistema de posicionamento no local de apoio, permitindo a regulagem de altura" (tratase da descrição dos braços de sustentação, que são posicionados sob o veículo a ser elevado pelo equipamento, conforme esclarecimento do autuante).” "...os tubos são unidos a dois suportes metálicos com deslocamento linear e deslizante através de roldanas em guia vertical e fechada" (referindose às colunas entre as quais o veículo a ser elevado se posiciona, segundo a fiscalização). “Quanto ao deslocamento linear dos suportes metálicos unidos aos braços de sustentação, na vertical, para elevação do veículo, a empresa alega que "... Um motor aciona o eixo laminado que promove o movimento dos suportes metálicos através de uma transmissão de polias e correias", para desprezar uma descrição mais simplista sugerida pela fiscalização de que o mecanismo consistiria em “compostos por dois parafusos ou roscas verticais de passo reduzido, dispostos em colunas e acionados por motor elétrico, cuja rotação aciona porcas solidárias à plataforma ou aos braços de sustentação, promovendo sua elevação ou descida. Cumpre informar que os equipamentos relacionados na tabela 01 possuem composições diferenciadas, especialmente, no que diz respeito à destinação dos produtos ...”. “...entre seus produtos possui “os elevadores fixos de veículos, para garagens", conforme mencionado no Termo de Intimação Fiscal, que é o produto de código EH 2500, equipamento enquadrado na classificação fiscal n° 8425.41.00, devido à sua especificidade e destinação, porém não é o caso dos equipamentos relacionados no Termo de Intimação Fiscal ...”, fls.251/252.” “... ‘rampa RAE – 4000” está descrita no mesmo manual às fls.100/114 como sendo “rampa de alinhamento RAE 4000 um equipamento que alinha rodas, detecta folgas na suspensão, e eleva veículos através do acionamento (giro) de um fuso que comunica o movimento à porca de serviço e a uma corrente, a qual transmite à outra coluna. Este equipamento permite a instalação de alinhadores ópticos ou computadorizados, tornandose uma ferramenta indispensável em oficinas mecânicas, centros automotivos e a concessionárias. Substitui as obsoletas valas e rampas mecânicas com grande vantagem ...’” Fl. 735DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 A despeito de conter no manual que a função principal do equipamento é “efetuar o alinhamento e detectar folgas na suspensão, a leitura do restante do manual indica que a rampa apenas eleva e posiciona o veículo para a realização de tais operações, efetuadas por equipamentos específicos, tais como alinhadores óticos ou computadorizados, que podem ser acoplados à rampa produzida e comercializada pela contribuinte fiscalizada, conforme resposta ao Termo de Intimação Fiscal nº03: “O produto rampa de alinhamento RAE4000 possui especificamente a função de elevação de veículos para realização de serviços diversos, porém NÃO possui nenhum dispositivo que possibilite a realização ou medição de alinhamento de rodas.”, tendo assim como função, a mesma já descrita para os outros elevadores. Com base nessas manifestações sobre a estrutura e funcionamento dos produtos listados na tabela a fiscalização entendeu “que a posição 8428 adotada pela empresa não é adequada, sendo que a classificação correta seria a '8425.41.00 Elevadores fixos de veículos, para garagens'. É de se notar que a empresa fiscalizada adotou esta classificação em outros produtos de sua fabricação”. Quanto aos produtos classificados na posição 8425.41.00 (2500 ELEVADOR DE AUTOMÓVEIS MOD.EE2500, 2501 ELEVADOR DE AUTOMÓVEIS MOD.EE4000 e 3500 ELEVADOR DE AUTOMÓVEIS EE2500 MONO, entendeu a fiscalização que a posição 84.25 – Talhas, cadernais e moitões; guinchos e cabrestantes; macacos é mais específica, em face do conceito de macacos, sendo que, com base na nota da posição 84.25, conclui que: “verificase que os produtos em questão encaixamse com perfeição na posição 8425, especificamente na classificação '8425.41.00 Elevadores fixos de veículos, para garagens'. A regra cita inclusive como exemplo de macaco de uso especial os elevadores fixos de veículos, para garagens, hidráulicos ou hidropneumáticos, que exercem exatamente a mesma função dos produtos sob análise. É de se destacar que o fato dos aparelhos fabricados serem mecânicos não invalida a comparação com o exemplo citado na regra (hidráulicos ou hidropneumáticos), já que tais exemplos não são exaustivos, e principalmente pelo fato do mecanismo de elevação utilizado pela empresa nestes equipamentos (detalhado no título 03 deste termo) estar perfeitamente descrito na regra de interpretação transcrita.” Faz ainda a autoridade lançadora uma comparação entre o texto da nota explicativa e os quesitos formulados (fl. 477, dos autos, fl.518 do processo eletrônico). Intimada, a Recorrente apresentou impugnação, assim sintetizada pela decisão recorrida: “Tendo o contribuinte sido cientificado em 11/03/2008 (fl.509 e 598), apresentou impugnação em (fls.613/625), alegando que: • conforme cópia do contrato social anexo é pessoa jurídica que se dedica à fabricação de estufas, caldeiras, máquinas industriais; ao comércio varejista e atacadista de peças e acessórios para máquinas industriais; importação, exportação e manutenção de equipamentos industriais; Fl. 736DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.000760/200847 Acórdão n.º 3101001.316 S3C1T1 Fl. 734 5 • requer, tendo em vista que foram gerados os processos administrativos de ns.° 13971.000760/200847 e 13971.000761/200891, os quais dependem dos mesmos elementos de prova para comprovação dos ilícitos, que seja feita uma conexão desses procedimentos administrativos, com vistas a facilitar a produção de provas e a evitar divergência entre as decisões, nos termos da Lei n° 11.196, de 2005, ao acrescentar o parágrafo 1º ao artigo 9º do Decreto n° 70.235, de 1972; • dentre os produtos que comercializa estão os vários modelos Elevador Automotivo (Modelos EC 2600, EC 4100, EE 2500, EE 4000, EE 2500 mono, Monofásico EC 2600), o Elevador com Rampa Troca de Óleo (EC 4100, EC 2600) e a Rampa para Alinhamento (ERA 4000 e ERA 4000 com macaco pneumático), os quais foram objeto do procedimento fiscal em epígrafe. Tais produtos classificamse na posição 8428.10.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM e segundo a Tabela de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI são tributados à alíquota zero com relação ao IPI; • ao lavrar o auto de infração ora impugnado, a Douta Autoridade Fiscal tenta enquadrar os produtos fabricados pela impugnante no código de classificação fiscal 8425.41.00 (Elevadores fixos de veículos, para garagens). Ora, essa classificação não está correta, já que essa descrição é específica para os elevadores conhecidos como duplicadores de vagas, específicos para garagens e estacionamentos. Os produtos relacionados não podem se enquadrar na classificação pretendida pela fiscalização, já que não são Elevadores fixos de veículos, para garagens e, sim: Elevadores Automotivos, Elevadores com Rampa Troca de Óleo e Rampas para Alinhamento. • A classificação dos produtos em uma determinada posição da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM, baseada no Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, deve ser realizada observandose não só o que dispõem as notas explicativas específicas de cada capítulo, mas também o que é determinado pelas Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, complementadas pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias NESH. • o código utilizado pela impugnante foi o 8428.10.00, que especifica "elevadores e montacargas", valendo dizer que as notas explicativas da NESH demonstram a correta classificação dos produtos da impugnante, "(...) Os elevadores que efetuam, vertical ou obliquamente, a subida ininterrupta de mercadorias diversas ou de pessoas. Estes aparelhos são constituídos essencialmente por uma série de dispositivos de carga, de tipos variáveis (cabinas, recipientes, plataformas, ganchos, etc), dispostos a intervalos sobre um equipamento mecânico articulado,' que circula em cadeia contínua (sem fim)."; • já o código considerado adequado pela Douta Autoridade Fiscal (8425.41.00), descreve o seguinte:"8425 Talhas, cadernais e moitões; guinchos e cabrestantes; macacos. 8425.41.00 Elevadores fixos de veículos, para garagens", e pela notas explicativas dos macacos especificados o único item que poderia se aproximar dos produtos objeto do presente AIIM, seria o do tópico n° 3 (os elevadores fixos de veículos, hidráulicos ou hidropneumáticos, para garagens), porém o Legislador foi cuidadoso ao descrever e complementar essa descrição com, novamente," "para garagem", e sendo assim os produtos fabricados pela impugnante jamais poderiam estar neste grupo, diferenças que podem ser demonstradas com laudo técnico anexo, doc.05, efetuado por engenheiro devidamente credenciado ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura; Fl. 737DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 • quando houver complexidade para classificação fiscal de mercadoria, deve haver laudo técnico que oriente essa classificação, conforme decisão que transcreve, este é o entendimento pacificado do Conselho de Contribuintes; • o enquadramento dos Elevadores Automotivos e das rampas de Alinhamento que foram objeto do MPF em epígrafe na posição 8428.10.00 do código NCM está na mais perfeita consonância com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, especialmente no que diz respeito à regra n° 4, que assim dispõe: "Regra 4 As mercadorias que não possam ser classificadas por aplicação das regras acima enunciadas classificamse na posição correspondente aos artigos mais semelhantes." Os produtos que não puderem ser classificados pelas regras gerais 1, 2, e 3 do sistema harmonizado, devem ser classificados na mesma posição dos seus artigos mais semelhantes, e assim transcreve as regras mencionadas para fundamentar seu argumento; • não obstante, supondose que não haja concordância com os argumentos tecidos até o momento nesta peça impugnatória, o que se admite apenas ad argumentandum, é de se notar que ainda que os produtos fabricados pela impugnante sejam classificados como elevadores automotivos para garagem, estes produtos também deveriam se enquadrar no código 8428.10.00, conforme Solução de Consulta da Secretaria da Receita Federal transcrita:"DECISÃO N° 327 de 03 de Julho de 1998; • além de toda a argumentação já exposta, vale dizer que em consulta realizada aos principais concorrentes da impugnante, bem como às entidades sindicais de sua categoria, ficou evidenciado que todo o segmento industrial de elevadores automotivos (produto objeto desta autuação) adota a mesma classificação fiscal adotada pela impugnante, qual seja: 8428.10.00, e, caso o presente auto de infração seja mantido e todas as explanações expostas sejam desconsideradas, estar seá frente a um injusto tratamento desigual entre as empresas desta categoria, o que resultaria numa concorrência desleal e um evidente desfavorecimento da impugnante, e, sendo a questão da classificação fiscal dos produtos em debate não pacífica perante as autoridades fiscais, conforme solução de consulta que descreveu, a autuação na monta exigida da impugnante é totalmente prematura e irresponsável, uma vez que poderia levar ao encerramento de suas atividades; • é exigida da impugnante uma abusiva e inconstitucional multa, que contraria, em absoluto, os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, que devem, imprescindivelmente, nortear os atos da administração tributária, conforme doutrina que transcreve, razão pela qual esta não deve ser mantida; • ademais, a exigência de uma multa desta monta representa, sem sombra de dúvidas, um efeito confiscatório, o que afronta o artigo 150, IV, da Constituição Federal, assim, imprescindível é o cancelamento da multa exigida, que além de contrariar os princípios de razoabilidade e de proporcionalidade, tem caráter evidentemente confiscatório e, portanto, afronta os dispositivos constitucionais em vigor, ressaltandose que no ordenamento jurídico pátrio o princípio da boafé abrange as relações jurídicotributárias; • resta claro que a impugnante cumpriu suas obrigações tributárias de forma diligente, não havendo que se falar no intento de sonegar tributos. Assim, é evidente que impugnante não agiu com má fé em momento algum, além de atender a todas as diligências determinadas por esta douta Fiscalização, facultando a lei a relevação a penalidade, conforme jurisprudência que transcreve;” Sob apreciação da turma julgadora de primeiro grau, a autuação foi mantida, com base na seguinte ementa: Fl. 738DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.000760/200847 Acórdão n.º 3101001.316 S3C1T1 Fl. 735 7 ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/07/2007 a 28/02/2008 MACACO. ELEVADOR DE AUTOMÓVEIS. Macaco fixo utilizado em oficinas mecânicas ou postos de serviço equivalentes, próprio para elevação de veículos, com chave de acionamento manual ou com motor elétrico, dotado de braços com tamanho regulável, telescópicos, e base horizontal, com capacidade de elevação, respectivamente, de 2500 e 4000 kg, denominado comercialmente “Elevador Automotivo”, classificase na posição 8425.41.00 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, recorre da decisão, repisando os argumentos da impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo, Conheço do Recurso por atender aos requisitos de admissibilidade. O Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias – SH foi criado através de trabalho conjunto, desenvolvido pela Organização das Nações Unidas, Comunidade Econômica Européia e Conselho de Cooperação Aduaneira, com os objetivos de criar uma codificação internacional e uniforme (linguagem aduaneira comum) para facilitar a identificação de mercadorias na comercialização aduaneira. Por isso contempla não só a tabela de mercadorias designadas, decodificadas e classificadas, mas, também, Regras Gerais de Interpretação, que traçam as diretrizes básicas para a determinação da posição fiscal do produto e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH que explicam quais produtos são açambarcados pelas seções e capítulos do Sistema, ou como uma dada informação deve ser interpretada. As Notas Explicativas constituem elemento subsidiário de interpretação do conteúdo dos textos das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do SH. A classificação adotada pelo SH divide as mercadorias por categorias, reunindoas segundo suas origens animais, vegetais, produtos derivados, produtos da indústria química, minerais, metais trabalhados, máquinas, equipamentos e mercadorias diversas. Cada categoria é reunida em uma Seção, e as espécies de cada categoria, em Capítulos. Nos Capítulos encontramos as posições e subposições de cada mercadoria, devidamente classificadas e correlacionadas com uma numeração que a identifique (codificação). Fl. 739DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Diante da diversidade de mercadorias o SH tem a pretensão de contemplálas todas em seus 96 capítulos reunidos em 21 seções. Essa divisão apesar de seguir indicadores lógicos de reunião das mercadorias segundo sua natureza, material constitutivo, tipo ou função e destinarse a facilitar a visualização do intérprete dos conjuntos que formam o sistema, tem caráter apenas indicativo, não proporcionando em si, a classificação. Isso porque, a natureza física ou funcional da coisa, por si só, não é determinante para a classificação, uma vez que o SH é uma convenção e segue os critérios artificialmente “convencionados” para determinar se uma mercadoria será incluída em uma classe e não em outra. Importante esclarecer que, para quem se empenha na tarefa de classificar mercadorias do SH, pouco importa os efeitos fiscais decorrentes da fixação da classificação em determinada posição. Ocorre que não é incomum encontrarmos situações em que o contribuinte ou Fisco tentam a partir da alíquota justificar a classificação adotada. A Convenção Internacional do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, celebrado em Bruxelas, em 14/06/1983, constituise norma internacional da qual o Brasil é signatário, desde 31/10/1986, tendo ratificado sua adesão em 08/11/1988. Internamente, o Brasil promulgou a convenção em 27/12/1988, por meio do Decreto n° 97.409/1988. Desta forma, tratase de norma jurídica que passou a integral o sistema de direito positivo interno, circunstância que o caracteriza como veículo introdutor de normas jurídicas. Tal constatação repercute de maneira relevante na solução de questões relativas à classificação de mercadorias, pois, em sendo norma jurídica as regras e disposições contidas no Sistema Harmonizado vinculam a administração pública (que se submete ao princípio constitucional da legalidade). Ademias, a aplicação e interpretação de tais normas submetemse à perspectiva da lógica jurídica. É de dizerse que a classificação de mercadorias é um procedimento afeto ao operador do Direito, por mais que elementos técnicos de outras ciências sejam requisitados. Antes de enfrentarmos a classificação fiscal do produto pelas Regras Gerais de Interpretação é imprescindível atendermos a “Regra Zero” de Classificação de mercadorias, ou seja, saber o que é a mercadoria: qual a sua definição e qual a significação que contempla a palavra na representação da mercadoria? No caso em tela, não foram realizados Laudos Técnicos para evidenciar as características extrínsecas e intrínsecas dos produtos, tendo a fiscalização utilizado dos manuais técnicos da Recorrente para elaborar sua conclusão. Esse procedimento dificulta uma apreciação do mérito mais aprofundada uma vez que é indiscutível que o laudo técnico traz elementos substanciais para qualificação e descrição correta da mercadoria. O ponto central da discussão é saber se os equipamentos industrializados pela Recorrente são macacos da espécie Elevadores fixos de veículos, para garagens da posição 8425.41.00 ou se são elevadores da posição 8428.10.00. Pelos catálogos apresentados os elevadores contemplam características ferramentas destinadas a guarnecer oficinas mecânicas, elevando veículos para reparo e não simplesmente equipamentos para garagens, duplicando o espaço de guarda de veículos. Inobstante insuficientes para determinar com exatidão a classificação devendo prevalecer a dada pelo contribuinte. Fl. 740DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13971.000760/200847 Acórdão n.º 3101001.316 S3C1T1 Fl. 736 9 Ademais a função principal de elevação aproxima a mercadoria da posição tarifária adotada pela contribuinte, afastandoa da posição específica de guarda de veículos em garagens. A classificação fiscal contestada pelo Fisco deve ser exata, sendo que não conferindo com o enunciado prescritivo não é eficaz para desconstituir a calssificação fiscal adotada pelo contribuinte. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso. Luiz Roberto Domingo Relator Fl. 741DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 31/03/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10280.721451/2010-19
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO COM BASE NO MONTANTE GLOBAL DEFINIDO EM ACORDO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS.
No caso de rendimentos fixados, por acordo judicial, em valor global único de pagamento das verbas trabalhistas originalmente pleiteadas, a incidência do imposto de renda se dá com base nesse montante global, uma vez prejudicada a análise sobre o modo de cálculo do imposto de renda que deveria incidir à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos.
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Mantém-se o lançamento quando o sujeito passivo não instrui os autos com provas documentais que evidenciem que o rendimento recebido caracteriza hipótese de isenção prevista na legislação tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-002.875
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández (Relator), Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jaci de Assis Júnior.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201405
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO COM BASE NO MONTANTE GLOBAL DEFINIDO EM ACORDO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. No caso de rendimentos fixados, por acordo judicial, em valor global único de pagamento das verbas trabalhistas originalmente pleiteadas, a incidência do imposto de renda se dá com base nesse montante global, uma vez prejudicada a análise sobre o modo de cálculo do imposto de renda que deveria incidir à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantém-se o lançamento quando o sujeito passivo não instrui os autos com provas documentais que evidenciem que o rendimento recebido caracteriza hipótese de isenção prevista na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10280.721451/2010-19
anomes_publicacao_s : 201407
conteudo_id_s : 5363392
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.875
nome_arquivo_s : Decisao_10280721451201019.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
nome_arquivo_pdf_s : 10280721451201019_5363392.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández (Relator), Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
id : 5544656
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:24:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814208294912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2217; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 119 1 118 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10280.721451/201019 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.875 – 2ª Turma Especial Sessão de 13 de maio de 2014 Matéria IRPF Recorrente EDYR BATISTA PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO COM BASE NO MONTANTE GLOBAL DEFINIDO EM ACORDO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. No caso de rendimentos fixados, por acordo judicial, em valor global único de pagamento das verbas trabalhistas originalmente pleiteadas, a incidência do imposto de renda se dá com base nesse montante global, uma vez prejudicada a análise sobre o modo de cálculo do imposto de renda que deveria incidir à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. HIPÓTESE DE ISENÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Mantémse o lançamento quando o sujeito passivo não instrui os autos com provas documentais que evidenciem que o rendimento recebido caracteriza hipótese de isenção prevista na legislação tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros German Alejandro San Martín Fernández (Relator), Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Jaci de Assis Júnior. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 14 51 /2 01 0- 19 Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JU NIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello, Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Versam os presentes autos sobre Notificação de Lançamento, na qual é cobrado Imposto de Renda Pessoa Física, relativamente ao anocalendário de 2007, exercício 2008, no valor de R$ 34.829,53, acrescido de multa de ofício e juros de mora, decorrente de omissão de rendimentos recebidos acumuladamente de pessoa jurídica decorrentes de ação trabalhista e dedução indevida de previdência oficial. Apresenta, o contribuinte, seis guias autenticadas de pagamento de INSS, para ajuste do valor de R$ 2.891,65, que fora tributado normalmente. Em sede de julgamento da Impugnação apresentada, a DRJ restabeleceu a dedução de contribuição previdenciária no valor de R$ 2.894,30, bem como cancelou a exigência Imposto de Renda Retido na Fonte no montante de R$ 435,64, por se tratar de tributação definitiva na fonte não sujeita a ajuste. No entanto, houve por julgar a ação fiscal parcialmente procedente, dada a falta de prova quanto à natureza de rendimentos recebidos em decorrência da ação judicial da qual foi beneficiário, posto que não teria carreado aos autos mais elementos de prova para refutar a glosa realizada e comprovar a natureza jurídica de cada parcela que compõe o valor de R$ 59.326,06. Nas razões de Voluntário (fls. 57/58), o recorrente junta cópias das peças da ação judicial, e afirma que o valor de R$ 59.326,06, não se referem a verbas tributáveis, mas sim, a verbas indenizatórias originadas dos reflexos de aviso prévio e férias com acréscimos de terço constitucional. Não há impugnação em relação à diferença entre a dedução restabelecida, por comprovada (R$ 2.894,30) e a glosa inicialmente realizada (R$ 3.473,16). Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JU NIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721451/201019 Acórdão n.º 2802002.875 S2TE02 Fl. 120 3 Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. A lide recursal se centra na ausência de prova quanto à qualificação dos rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial. Não há impugnação quanto à diferença da glosa da dedução de despesas com previdência social e o reconhecido pela DRJ. Constato que a tributação dos valores recebidos acumuladamente se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota de 27,5% sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo STJ, em sede de repetitivo (Resp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de repetitivo deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto de lide. A 1ª Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JU NIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das verbas trabalhistas. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pelo STF ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4 Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota de 27,5% sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria (27). De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência, ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo se presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que tributáveis, não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação. Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota, sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JU NIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10280.721451/201019 Acórdão n.º 2802002.875 S2TE02 Fl. 121 5 Dada a nulidade do lançamento, prejudicadas as demais alegações sobre a natureza dos rendimentos, se tributáveis ou isentos. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor A despeito dos argumentos definidos pelo Ilustre Relator, ouso divergir da conclusão expressa em seu voto, uma vez que este entendimento partiu do pressuposto de que o caso examinado nos presentes autos estaria representado pela hipótese de rendimento recebido acumuladamente que foi examinada pelo Superior Tribunal de Justiça, sob o rito estabelecido pelo art. 543C do CPC, nos termos do acórdão proferido no REsp nº 1.118.429∕SP. Conforme se pode observar da descrição dos fatos constante da Notificação do Lançamento, fls. 24, o valor de R$59.326,06, que serviu de base para a tributação, corresponde às verbas que foram indevidamente denominadas como “indenizatória” pelo acordo judicial trabalhista, uma vez que, por se tratarem de reflexo de horas extras, deveriam se sujeitar à tributação pelo imposto de renda das pessoas físicas. Conforme se observa do Termo de Audiência do Processo nº 1329.2007.014.08.00.1, fls. 7 e 8, a ação trabalhista movida pelo recorrente resultou em acordo que foi homologado no sentido de que a reclamada deveria pagar à reclamante, ora recorrente, a importância líquida de R$100.000,00. Depreendese dos termos desse acordo, que “do valor do acordo, R$40.673,94 correspondem a verbas remuneratórias (horas extras e reflexos nos décimos terceiros salários) e R$59.326,06 [objeto de tributação nos presentes autos] a verbas indenizatórias (reflexos das horas extras no aviso prévio e nas férias com acréscimo do terço constitucional e multa do art. 477, § 8º da CLT)”. Portanto, ficou definido entre as partes que, em substituição às verbas individualmente pleiteadas, a fonte pagadora deveria pagar um valor global de rendimentos. Diante desse contexto, o fato de o acordo judicial fixar um valor global único de pagamento das verbas trabalhistas originalmente pleiteadas importa prejuízo à análise sobre o modo de cálculo do imposto de renda. Este fato, por desnaturar a hipótese que serviu para a formação do entendimento expresso pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, impossibilita a identificação da tabela e das alíquotas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos pela fonte pagadora. No que tange à alegação de que referida verba seria isenta do imposto de renda, a decisão recorrida, após transcrever os artigos que regulamentam o regime jurídico das isenções, concluiu que: “No caso sob análise, o impugnante alega que o valor de R$59.326,06 lançado como tributável é isento, pois se trata de Fl. 74DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JU NIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 verbas indenizatórias e cita como elemento de prova o Termo de Audiência, onde está consignado que fruto da conciliação das partes o reclamante receberá R$ 100.000,00: (...) No entanto, não carreia aos autos nenhuma demonstração detalhada desses valores, apenas a citação genérica no Termo de Acordo, insuficiente para comprovar o que alega, principalmente o valor e a composição de cada parcela dos rendimentos controvertidos. Como a “incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção” § 1º, art. 43,CTN – o impugnante teria que carrear aos autos mais elementos de prova para refutar a glosa realizada e comprovar a natureza jurídica de cada parcela que compõe o valor de R$59.326,06. Não sendo suficiente a alegação genérica de que todo R$59.326,06 corresponde a verbas indenizatória. Neste passo, mantémse a glosa realizada, por insuficiência de prova para lastrear a alegação do impugnante, dadas as particularidades que envolvem o regime jurídico das isenções, como visto anteriormente.” Mesmo alertado pela decisão de primeiro grau sobre a necessidade de trazer aos autos as provas documentais necessárias para evidenciar que o valor de R$59.326,06 representa“aviso prévio e férias ambas indenizadas refletidas pelas horas extras” (sic), o recorrente deixou de juntar à sua petição os elementos comprobatórios que evidenciassem a isenção pretendida. Concluise, pois, que verificado que o rendimento, tratado nos presentes autos, resulta de acordo judicial que fixou um valor global único de pagamento das verbas trabalhistas originalmente pleiteadas, aliado ao fato de o recorrente não instruir os autos com provas documentais que evidenciem que o rendimento recebido caracteriza hipótese de isenção, a incidência do imposto de renda deverá se dar com base no montante global recebido, conforme exigido nos presentes autos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 75DF CARF MF Impresso em 31/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por JACI DE ASSIS JU NIOR, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.907387/2011-79
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02.
A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.907
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (Icms-ST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.907387/2011-79
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366304
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.907
nome_arquivo_s : Decisao_10830907387201179.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10830907387201179_5366304.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
id : 5557704
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814239752192
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2227; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 68 1 67 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.907387/201179 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.907 – 2ª Turma Especial Sessão de 23 de abril de 2014 Matéria COFINSCOMPENSAÇÃO Recorrente CITRATUS IBERTECH DO BRASIL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA Nº 02. A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e a Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento desta, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 73 87 /2 01 1- 79 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Em sede de manifestação de inconformidade, o Recorrente alegou que o crédito seria decorrente do recolhimento indevido de PIS/Pasep e de Cofins, resultante da inclusão do Icms na base de cálculo das contribuições. Sustentou ainda que, em se tratando de receita tributária dos Estados da Federação, o referido imposto não faria parte da receita auferida pela empresa. Aduz que a manutenção do imposto na base de cálculo da contribuição afrontaria os arts. 146, III, da Constituição e art. 110 do Código Tributário Nacional. A Recorrente, nas razões de fls. 57 e ss., reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, requerendo a reforma da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 09/10/2013 (fls. 66), interpondo recurso tempestivo em 08/11/2013 (fls. 57). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o mesmo pode ser conhecido. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.907387/201179 Acórdão n.º 3802002.907 S3TE02 Fl. 69 3 A exclusão do Icms da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, de acordo com a legislação vigente (Lei nº 10.833/200e, art. 1º, § 3º, III; Lei nº 9.718/1998, art. 3º, § 2º, Lei nº 9.715/1998, art. 3º, parágrafo único; Lei nº 10.637/2002, art. 1º, § 3º, II), somente é autorizada no regime de substituição tributária (IcmsST). No demais casos, a exclusão pressupõe o reconhecimento da inconstitucionalidade da incidência, matéria que, como se sabe, é objeto da Ação Direta de Constitucionalidade (ADC) nº 14, no Supremo Tribunal Federal. Antes do julgamento da referida ADC, não há como se afastar a inclusão do Icms na base de cálculo da Cofins e do PIS/Pasep, pela falta de previsão legal e, nos termos da Súmula CARF nº 02, pela incompetência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para declarar a inconstitucionalidade de atos normativos fora das hipóteses previstas no art. 62 do Regimento Interno: Súmula Carf nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Votase pelo não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 70DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 23/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10283.002468/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
SALDO NEGATIVO IRPJ. COMPENSAÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Inexistindo provas acerca das compensações de estimativas, quer seja através de escrituração contábil, declaração em DCTF ou DCOMP, tais valores devem ser excluídos do ajuste anual.
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Não se homologa a compensação quando não existir a prova feita na contabilidade ou em qualquer outro documento de confissão de dívida através do qual se possa aferir a correção do procedimento.
Numero da decisão: 1401-001.157
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 SALDO NEGATIVO IRPJ. COMPENSAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Inexistindo provas acerca das compensações de estimativas, quer seja através de escrituração contábil, declaração em DCTF ou DCOMP, tais valores devem ser excluídos do ajuste anual. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Não se homologa a compensação quando não existir a prova feita na contabilidade ou em qualquer outro documento de confissão de dívida através do qual se possa aferir a correção do procedimento.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10283.002468/2003-14
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5354613
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jun 18 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1401-001.157
nome_arquivo_s : Decisao_10283002468200314.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO BEZERRA NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10283002468200314_5354613.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2014
id : 5498212
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814248140800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1879; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T1 Fl. 265 1 264 S1C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.002468/200314 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 1401001.157 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2014 Matéria DCOMP Recorrente BIC AMAZÔNIA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO IRPJ. COMPENSAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Inexistindo provas acerca das compensações de estimativas, quer seja através de escrituração contábil, declaração em DCTF ou DCOMP, tais valores devem ser excluídos do ajuste anual. COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DA MESMA ESPÉCIE. Antes da nova sistemática de compensação das Dcomps, estabelecida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, existia a compensação entre tributos da mesma espécie que autorizava ao contribuinte, por meio de mera dedução do valor a ser recolhido no período subseqüente (art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991). Não se homologa a compensação quando não existir a prova feita na contabilidade ou em qualquer outro documento de confissão de dívida através do qual se possa aferir a correção do procedimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, EM NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 24 68 /2 00 3- 14 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002468/200314 Acórdão n.º 1401001.157 S1C4T1 Fl. 266 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002468/200314 Acórdão n.º 1401001.157 S1C4T1 Fl. 267 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em BelémPA. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Versa o presente processo sobre declaração de compensação de fls.l e 14, além da DCOMP n° 10253.98052.261104.1.3.022710 (fls.31/34) em que o contribuinte indica créditos de saldo negativo IRPJ e CSLL do anocalendário 2002 nos valores de R$ 860.396,03 e R$ 620.950,67 (fls.2 e 15), respectivamente. Os débitos compensados constam as fls.l, 14 e 33. Por intermédio do Parecer DRF/MNS/SEORT 10283.002468/200314 e respectivo Despacho Decisório (fls.l29/132), foram reconhecidos os valores de R$ 744.512,52 (saldo negativo IRPJ) e R$ 620.950,67 (saldo negativo CSLL). As compensações, parcialmente homologadas. O demonstrativo de fls.l25/128 mostra a operacionalização da compensação. Tendo tomado ciência do Parecer/Despacho Decisório em 24/04/2009 (fl.133), o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade dia 22/05/2009 (fls.l39/143), via procurador (fls.l37/138), alegando em síntese que: 1. O Parecer propõe que as compensações realizadas pela contribuinte sejam parcialmente homologadas quanto ao IRPJ por apontar suposta falta de comprovação das antecipações a título do referido tributo; 2. Uma breve análise das informações constantes do referido Parecer demonstra uma diferença de R$ 89.010,07, apurada entre os valores de R$ 255.665,17 (DIPJ ano base 2002 ficha 11 doe.05) e R$ 166.655,17 referente ao valor efetivamente pago em 29/11/2002 (doc.06); 3. A contribuinte esclarece que tal diferença é parte integrante do valor pago em 28/03/2002 de R$ 106.904,48, por conta do ajuste IRPJ anobase 2001. dessa forma, o montante de R$ 89.010,07 compõe o valor compensado no exercício 2002; 4. Para substanciar tais justificativas, aportadas estão aos autos, cópias de composições e demonstrações contábeis de apuração do IRPJ anosbase 2000 e 2001 (doc.08), bem como cópia da DIPJ anobase 2000 Ficha 12A (doc.09) e DIPJ ano base 2001 Ficha 12 A (doe. 10); 5. Da mesma forma, o Parecer informa que a compensação referente ao mês de julho/2002 no valor de R$ 26.873,45 não consta na DCTF do referido período. É fato que tal valor consta somente na DIPJ como imposto de renda a pagar anobase 2002, Ficha 11, linha 11 do mês de julho (doe.05), porém, fora compensado integralmente no mesmo período; 6. As compensações dos meses de julho/2002 e outubro/2002 referemse ao pagamento do ajuste de IRPJ anobase 2001, no valor original de R$ 106.904,48 (doc.07), submetida ao critério de atualização pela taxa selic, perfazendo assim o Fl. 267DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002468/200314 Acórdão n.º 1401001.157 S1C4T1 Fl. 268 4 montante a compensar de R$ 115.883,51, que é a exata diferença entre os valores de R$ 744.512,52 e R$ 860.396,03; 7. a legitimidade das compensações está baseada em valores pagos referente ao ajuste IRPJ anobase 2001, os quais estão sendo com maior nível de detalhes esclarecidos nesta manifestação, a fim de dirimir e aclarar definitivamente quaisquer indícios de dúvidas quanto ao procedimento contábil/fiscal efetuado pela contribuinte; 8. Com base na documentação aportada, a contribuinte requer nova análise do processo em epígrafe; 9. A contribuinte, diante do direito, nada amais fez senão compensar os valores pagos a título de saldo negativo IRPJ dos anosbase 2000 e 2001; 10. Requer a homologação das compensações efetuadas. É o relatório. A DRJ indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO IRPJ. COMPENSAÇÕES NÃO COMPROVADAS. Inexistindo provas acerca das compensações de estimativas, quer seja através de escrituração contábil/fiscal, declaração em DCTF ou DCOMP, tais valores devem ser excluídos do ajuste anual. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação e aduzindo em complemento: A Recorrente admite em que pese a sua boa fé, ter incorrido em erro material que distorceu o entendimento dos Julgadores de Primeira Instância, destarte, nesta fase recursal e diante da efetiva comprovação documental ora carreada para os autos, não lhe resta outra alternativa a requerer que seja desconsiderada a DCTF RETIFICADORA ( Doc. 08), relativa ao 1º trimestre do ano calendário de 2002, somente no que diz respeito ao código do tributo 2430 e considerar para todos os fins a DCTF ORIGINAL nº00001.002.002/80918992, enviada em 13/05/2002 (Doc. 05), onde consta o valor declarado de R$ 106.904,48, recolhido conforme o DARF (Doc. 06). O crédito postulado achase registrado no livro razão (Doc. 7), da mesma maneira que o pagamento foi materializado pelo DARF (Doc. 06), consequentemente o crédito é legitimo tendo sido reconhecido inclusive pela R. Decisão atacada. É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002468/200314 Acórdão n.º 1401001.157 S1C4T1 Fl. 269 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado pela DRJ, a DRF reconheceu integralmente o valor do saldo negativo CSLL anocalendário 2002 (R$ 620.950,67). A lide circunscrevese, portanto, apenas quanto ao IRPJ, pois no que se refere ao saldo negativo IRPJ anocalendário 2002, dos R$ 860.396,03 pleiteados, foi reconhecida a quantia de R$ 744.512,52. A diferença diz respeito às estimativas dos meses de julho/2002 e outubro/2002, onde os valores R$ 26.873,45 e R$ 89.010,07, respectivamente, não foram comprovados pelas telas do SINAL (fl.123), que retratam todos os pagamentos do referido ano, nem através de parcelamento ou compensação. A Recorrente, se defende afirmando que as diferenças apuradas (R$ 26.873,45 e R$ 89.010,07, totalizando R$115.883,52) estão contidas no valor pago em 28/03/2002 (R$ 106.904,48), por conta do ajuste IRPJ anobase 2001. A DRJ não acatou suas justificativas. Eis o teor do referido voto que ora subscrevo: (...)Análise dos documentos juntados pelo contribuinte para fins de comprovação das compensações (docs.05) revela que o contribuinte efetuou, à margem da legislação tributária, "compensações" de valor a pagar no exercício 2000 (R$ 1.709,23) com valor pago do exercício 2002 (R$ 106.904,48). Tal procedimento se mostra incorreto uma vez que eventuais valores a pagar devem ser quitados mediante pagamento ou compensação e posteriormente declarados na DCTF, bem como registrados na escrituração. A compensação de parte da estimativa IRPJ julho/2002 com suposto pagamento a maior de R$ 106.904,48 poderia ser feita pelo contribuinte mediante escrituração e posterior declaração na DCTF, o que não foi efetuado. Já a compensação de outubro/2002, sob a égide da INSRF210/2002, mesmo se referindo a tributos da mesma espécie, somente poderia ser realizada mediante a entrega de declaração de compensação DCOMP, nos termos do art.21, caput e §1° da INSRF210/2002. Notase que o contribuinte não apresentou referida declaração. Dessa maneira, o procedimento adotado pelo contribuinte não se coaduna com o estabelecido pela legislação tributária. Outra inconsistência verificada nas alegações do contribuinte referese à indicação de pagamento realizado em 28/03/2002 para compensar, sem qualquer manifestação através da escrita contábil, DCTF ou DCOMP, estimativas IRPJ que venceram em 31/08/2002 e 30/11/2002. Muito embora o pagamento indicado pelo contribuinte conste nos sistemas da RFB como disponível (fl.169), tal disponibilidade não é condição suficiente para que se considere realizada a compensação. É que o procedimento de compensação exige forma especial para sua realização. Até setembro/2002, o contribuinte poderia fazer compensação entre tributos da mesma espécie independentemente de requerimento à SRF, todavia, Fl. 269DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002468/200314 Acórdão n.º 1401001.157 S1C4T1 Fl. 270 6 deveria registrar referida compensação na escrita e declarála na DCTF. A partir de outubro/2002, procedimento válido até hoje, mesmo as compensações entre tributos da mesma espécie deveriam ser formalizadas mediante a entrega de DCOMP. Uma vez que inexiste. qualquer comprovação acerca das compensações supostamente efetuadas, não deve ser reconhecido o direito creditório pleiteado (R$ 115.883,51) a título de saldo negativo IRPJ anocalendário 2002. Conforme bem colocado pela decisão de piso, até setembro/2002, era possível se fazer compensação entre tributos da mesma espécie independentemente de requerimento à SRF, todavia deveria registrar referida compensação na escrita e declará la na DCTF. A partir de outubro/2002, procedimento válido até hoje, mesmo as compensações entre tributos da mesma espécie deveriam ser formalizadas mediante a entrega de DCOMP. Quanto à compensação de parte da estimativa IRPJ julho/2002 com suposto pagamento a maior de R$ 106.904,48, antes do advento da sistemática das Dcomps, tenho me posicionado, juntamente com esta Turma, favoravelmente à prova feita apenas na contabilidade, mesmo que não tenha preenchido a DCTF. A contabilidade por si só já demonstraria a boa fé do contribuinte e possuiria elementos suficientes para se aferir a correição do procedimento. Porém, esse não foi o caso. Como se viu, o contribuinte fez a suposta compensação à margem de todos os instrumentos declaratórios existentes, inclusive à margem também da contabilidade. Resta apenas o rastro da sua intenção, em função de um saldo que ficou disponível nem ao menos coincidente em sua inteireza com o valor a ser compensado. Isso quer dizer que na prática não houve compensação alguma. Não se pode então é admitir que se “reserve” um saldo qualquer de crédito, sem registro algum seja contábil, seja fiscal, e se fique no aguardo de uma autuação ou fiscalização para então se alegar que determinado débito foi coberto por uma suposta compensação. Aceitar tal situação é dar um verdadeiro “cheque em branco” para o contribuinte se utilizar de um mesmo crédito para inúmeras situações, pois controle algum há. No que tange à outra compensação (outubro de 2002), o que se tem é que a partir de então para efetivar as compensações com o novo regime de compensações atualmente em vigor, não caberia nem mesmo a mera demonstração de compensação na contabilidade, pois essa sistemática não seria mais vigente. A Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, em seu art. 49, instituiu a declaração de compensação (Dcomp) e deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, para estabelecer que, a partir de 1º de outubro de 2002 (art. 68), a compensação declarada à SRF extingue o crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação e será “efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos”: Porém, como se verificou além da falta da dcomp, também não há registro em DCTF ou contabilidade, o que inviabiliza completamente a pretensão do contribuinte de ter feito essa compensação. Outrossim, ainda alegou a Recorrente em seu recurso: 23. Com efeito, como anteriormente dito, o crédito postulado achase registrado no livro razão (Doc. 7), da mesma maneira que o pagamento foi materializado pelo DARF (Doc. 06), consequentemente o crédito é legitimo tendo sido reconhecido inclusive pela R. Decisão atacada. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 10283.002468/200314 Acórdão n.º 1401001.157 S1C4T1 Fl. 271 7 Cabe salientar que o problema aqui não é a declaração do crédito em DCTF original como propugnado pela Recorrente, nem em sua contabilidade. O problema aqui é a falta de declaração da COMPENSAÇÃO seja em DCTF, seja na contabilidade. Como já se colocou retro, o crédito não pode servir de “cheque em branco” e ser utilizado quando melhor aprouver ao contribuinte. O bom registro do crédito,no caso concreto, não diz nada e não vem o caso, pois esse seria em tese o interesse de qualquer contribuinte dentro da lógica mencionada nesse voto, eis porque se rejeita também o pedido de diligência a esse respeito. O bom registro e documentação da compensação é que é o relevante, e é o que convém à Receita se preocupar. E esse registro não houve. Por todo o exposto, NEGO provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 271DF CARF MF Impresso em 18/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.905791/2008-11
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003
PIS/PASEP. PER/DCOMP. RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação do sujeito passivo. Intempestividade. Não conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-002.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201402
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PIS/PASEP. PER/DCOMP. RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação do sujeito passivo. Intempestividade. Não conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10830.905791/2008-11
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5366291
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3802-002.409
nome_arquivo_s : Decisao_10830905791200811.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : SOLON SEHN
nome_arquivo_pdf_s : 10830905791200811_5366291.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5557678
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814299521024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1675; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE02 Fl. 152 1 151 S3TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.905791/200811 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3802002.409 – 2ª Turma Especial Sessão de 27 de fevereiro de 2014 Matéria PISCOMPENSAÇÃO Recorrente FORT DODGE SAÚDE ANIMAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 PIS/PASEP. PER/DCOMP. RECURSO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 (trinta) dias, contados da intimação do sujeito passivo. Intempestividade. Não conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 57 91 /2 00 8- 11 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.905791/200811 Acórdão n.º 3802002.409 S3TE02 Fl. 153 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2003 a 31/08/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. Correto o despacho decisório que homologou em parte a compensação declarada pelo contribuinte por insuficiência de direito creditório, diante da inexistência de comprovação do crédito que a sustentaria. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” No tocante à origem do direito de crédito, o interessado alegou ter recolhido a contribuição ao PIS nos regimes nãocumulativo e monofásico utilizando o código de receita único para ambos (6912). Porém, ao rever seus procedimentos de apuração, constatou que, na verdade, deveria têlos segregado, adotado o código 81092, em Darf separado, para o regime monofásico. Assim, diante da impossibilidade de efetuar o Redarf, teria sido orientado pela Receita Federal a transmitir PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) visando compensar a diferença a maior recolhida sob o código de receita 6912 com o débito do regime monofásico. Ao transmitir a declaração de compensação, entretanto, o contribuinte teria informado os valores originais, sem os acréscimos legais. Tal fato implicou a homologação parcial da compensação, com a exigência dos acréscimos legais (juros e multa) do débito do regime monofásico informado no PER/Dcomp. A DRJ, por sua vez, entendeu que não haveria prova do direito de crédito e que, ademais, o valor do débito foi informado no PER/Dcomp pelo próprio interessado, documento este que, nos termos do art. 26, § 4º, da Instrução Normativa nº 600/2005, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos compensados. O Recorrente, nas razões de fls. 71 e ss., expõe novamente a origem de seu direito de crédito, sustentando que a DRJ não poderia ter considerado a Dcomp uma confissão absoluta de dívida. Após destacar que os regimes cumulativo e monofásico são técnicas de apuração de um mesmo tributo, alegou ter havido erro da empresa ao eleger o instituto da compensação para corrigir o equívoco na apuração. Isso porque o crédito se confundia com o débito, de sorte que não teria havido compensação. Alega que o mero erro de fato e o descumprimento de obrigação acessória não pode ensejar a desconsideração de seu direito, já que possui toda a documentação comprobatória do crédito, que, por sua vez, é anexada à petição recursal. Aduz que, de acordo com o princípio da verdade material, a Administração tem o dever de observar a realidade factual apresentada nos autos; que não haveria qualquer mora do sujeito passivo, porquanto o valor devido foi liquidado tempestivamente. Por fim, não estaria correta a imputação efetuada pela Receita Federal, porquanto não haveria previsão legal para a utilização do crédito informado para liquidar multa e juros inaplicáveis; e que o valor do Fl. 153DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10830.905791/200811 Acórdão n.º 3802002.409 S3TE02 Fl. 154 3 crédito informado deveria ter sido atualizado pela Selic acumulada. Requerer o conhecimento e provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O Recorrente teve ciência da decisão no dia 07/02/2012 (fls. 67), interpondo recurso em 16/03/2012 (fls. 71). Tratase, assim, de recurso intempestivo, que não pode ser conhecido, nos termos do art. 33 do Decreto no 70.235/1972. Votase, assim, pelo não conhecimento do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 154DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 22/07/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.950910/2008-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
A inexistência de elementos que comprovem a existência do crédito impede a homologação da compensação declarada. Se a pretensão é da contribuinte e ela se insurge contra despacho decisório de não homologação da compensação dela é o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito.
Numero da decisão: 3803-003.977
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(Assinado digitalmente)
BELCHIOR MELO DE SOUSA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente Substituto), na ausência do Presidente Conselheiro ALEXANDRE KERN, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, JORGE VICTOR RODRIGUES.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201302
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A inexistência de elementos que comprovem a existência do crédito impede a homologação da compensação declarada. Se a pretensão é da contribuinte e ela se insurge contra despacho decisório de não homologação da compensação dela é o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10880.950910/2008-96
anomes_publicacao_s : 201406
conteudo_id_s : 5352292
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-003.977
nome_arquivo_s : Decisao_10880950910200896.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10880950910200896_5352292.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) BELCHIOR MELO DE SOUSA - Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente Substituto), na ausência do Presidente Conselheiro ALEXANDRE KERN, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, JORGE VICTOR RODRIGUES.
dt_sessao_tdt : Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2013
id : 5483442
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:23:02 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814333075456
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1857; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 5 1 4 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.950910/200896 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803003.977 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de fevereiro de 2013 Matéria Compensação COFINS Recorrente KHORTY WHITE AUDITORIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. PROVA. INEXISTÊNCIA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A inexistência de elementos que comprovem a existência do crédito impede a homologação da compensação declarada. Se a pretensão é da contribuinte e ela se insurge contra despacho decisório de não homologação da compensação dela é o ônus de provar os fatos constitutivos do seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) BELCHIOR MELO DE SOUSA Presidente. (Assinado digitalmente) JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: BELCHIOR MELO DE SOUSA (Presidente Substituto), na ausência do Presidente Conselheiro ALEXANDRE KERN, JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA, JULIANO EDUARDO LIRANI, HÉLCIO LAFETÁ REIS, JOSÉ LUIZ FEISTAUER DE OLIVEIRA, JORGE VICTOR RODRIGUES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 95 09 10 /2 00 8- 96Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Relatório Peço vênia aos pares para adotar o relatório da decisão de primeira instância contido nos autos pela objetividade e clareza na contextualização dos fatos, o que possibilita a sua fácil compreensão, para a tomada de decisão. 1. A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação n° 34184.90361.300704 em 30/07/2004 (fls. 06/10), pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela SRF, com créditos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, decorridos de suposto pagamento a maior ou indevido ocorrido em 15/05/2001. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico de fl. 01, emitido em 24/11/2008, a compensação pleiteada não foi homologada, sob o fundamento de que a partir das características do DARF, por meio do qual teria ocorrido o pagamento a maior ou indevido, o pagamento foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. 3. Cientificado da decisão em 02/12/2008 (fls. 04), o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 11/13) alegando, em síntese, que: 3.1 Tendo efetuado pagamento a maior de contribuições federais, utilizouse do direito previsto no art. 165, inciso I, do CTN. 3.2 Utilizou o pagamento a maior para recolhimento de impostos e contribuições administrados pela SRF, conforme art. 66, da Lei n° 8.383/91 e legislações posteriores, através do PER/DCOMP. 3.3 Atualizou este crédito, de acordo com o § 4°, do art. 39, da Lei n°9.250/1995. 3.4 Não procede a alegação de que não resta crédito disponível, uma vez que o DARF utilizado, a DCTF referente ao 2° trim/2001, e a DIPJ referente ao exercício de 2002,confirmam a existência do crédito. 3.5 Requer o cancelamento do Despacho Decisório; que o pedido de compensação seja homologado; e que a requerente seja liberada de todas as suas imputações. 4. E o relatório. Conclusos vieram os autos para julgamento pela 6ª Turma da DRJ/SP1 que, em 17/03/11, por meio do Acórdão nº 1630.268,julgou a manifestação de inconformidade improcedente e o direito creditório não reconhecido, ante a falta de comprovação do crédito objeto da DComp apresentada e, por conseguinte não houve homologação das compensações declaradas no anocalendário de 2001. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10880.950910/200896 Acórdão n.º 3803003.977 S3TE03 Fl. 6 3 Arguiu o voto condutor do acórdão hostilizado que a retificação da declaração pela contribuinte, que exclui o valor devido da Cofins originalmente informado, não é pressuposto para reconhecimento do indébito relativo ao saldo credor, bem assim que incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da existência do crédito declarado, para possibilitar a aferição de sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. A referida decisão ao examinar os elementos contidos nos autos nos itens 19 a 21, conferiu que, por ocasião da emissão do despacho decisório que não homologou a compensação declarada (fl. 01),a DCTF referente a 04/2001 (fls. 86), e a DIPJ referente ao exercício de 2002, no mes de abril (fl. 87), informavam o valor devido referente à COFINS. Verificamos também, o recolhimento efetuado por meio do DARF. Verificou, ainda, que a contribuinte retificou a DCTF (fls. 67/84), e a DIPJ(fl. 50) referente aos períodos acima, nas quais não constam débitos da COFINS, e pleiteia a compensação dos valores supostamente indevidos, ou recolhidos a maior, entretanto não acostou aos autos documentos, cópias da escrituração contábil, objetivando respaldar as retificações efetuadas, para concluir que as retificadoras apresentadas, excluindo o valor devido da COFINS,não são suficientes para demonstrar a existência do crédito pleiteado, visto ser indispensável que a origem do crédito seja comprovada por documentação hábil que dê suporte aos valores declarados. A contribuinte ciente da decisão de primeira instância em 02/05/11 (cópia do AR anexa), dela recorreu protocolando o seu apelo em 27/05/11, deduzindo reiteradamente os fatos expendidos na exordial, notadamente quanto aos pedidos formulados. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues Relator O recurso interposto preenche os pressupostos necessários à sua admissibilidade, dele reconheço. Circunscrevese a matéria devolvida para apreciação desta Corte à comprovação documental da existência de crédito tributário informado em Per/DComp pela contribuinte , suficiente à satisfação da compensação por ela declarada. Inferese da simples leitura efetuada do relatório dos autos, que a contribuinte não logrou demonstrar, mediante a apresentação de prova cabal (documentação hábil e idônea), a existência dos fatos expendidos na exordial, ou mesmo aqueles reiterados em seu apelo, ora sob exame. Em análise realizada para os casos semelhantes que recentemente tive sob a minha relatoria pautei o meu pronunciamento pelo desprovimento do recurso aviado, em consonância à posição predominantemente firmada pelos demais pares nos reiterados julgados nesta Turma. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 O entendimento a que me refiro é de que ao emitente do Per/DComp endereçado à RFB cabe o ônus probante do fato constitutivo do seu direito, que nada mais é que a demonstração da existência do crédito informado mediante a apresentação de documentação contábil e fiscal aceita pela autoridade administrativa, ou que demonstre a existência de fato impeditivo, modificativo, ou extintivo ao contido no despacho decisório, ex vi dos artigos 333 do CPC e 15 do Decreto nº 70235/72. No caso vertente ao impugnar o feito fiscal a recorrente limitouse a retificar os dados contidos em DCTF originária, referente a 04/2001, de igual modo procedendo em relação à DIPJ concernente ao exercício de 2002, o que se deu após a emissão do despacho decisório nº 808277114, de 24/11/08 (fl. 02), não fazendo à colação aos autos de cópias da escrituração contábil/fiscal, com o fito de respaldar as retificações efetuadas, sendo certo que tal procedimento foi considerado insuficiente para atestar a existência do crédito alegado. Por sua vez o acórdão recorrido pautou a sua decisão justamente na ausência de documentação hábil à demonstração dos dados transmitidos pela contribuinte no Per/DComp informado à RFB, situação esta que resta comprovada por este Colegiado, na persecução da verdade material. Portanto não merece reparo a decisão recorrida, pois escorreita. Há inúmeros precedentes a corroborar com o entendimento aqui profligado, dos quais menciono os mais recentes, a saber: 3803003.760, 3803003.761 e 3803003.762. Ante todo o exposto NEGO provimento do recurso voluntário e não reconheço o crédito tributário informado na DComp. É como voto. Sala de Sessões, em 28 de fevereiro de 2013. (assinado eletronicamente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Fl. 116DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2013 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 02/10/20 13 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 15889.000070/2009-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
Ementa:
COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE.
Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho.
INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade.
JUROS/SELIC
As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91.
Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.126
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário para considerar devida a contribuição de 15%, sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais- CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Negado
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15889.000070/2009-33
anomes_publicacao_s : 201408
conteudo_id_s : 5365213
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2302-003.126
nome_arquivo_s : Decisao_15889000070200933.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : LIEGE LACROIX THOMASI
nome_arquivo_pdf_s : 15889000070200933_5365213.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário para considerar devida a contribuição de 15%, sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde. Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5553219
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:25:17 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713046814364532736
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2036; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 250 1 249 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15889.000070/200933 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2302003.126 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria Cooperativa Recorrente CÂMARA DE DIRIGENTES LOJISTAS DE PEDERNEIRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 Ementa: COOPERATIVAS DE TRABALHO. CONTRATANTE. CONTRIBUINTE. Incidem contribuições previdenciárias na prestação de serviços por intermédio de cooperativas de trabalho. INCONSTITUCIONALIDADE. AFASTAMENTO DE NORMAS LEGAIS. VEDAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não é competente para afastar a aplicação de normas legais e regulamentares sob fundamento de inconstitucionalidade. JUROS/SELIC As contribuições sociais e outras importâncias, pagas com atraso, ficam sujeitas aos juros equivalentes à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do artigo 34 da Lei 8.212/91. Súmula do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais diz que é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época dos fatos geradores, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 00 70 /2 00 9- 33 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário para considerar devida a contribuição de 15%, sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi, Bianca Delgado Pinheiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15889.000070/200933 Acórdão n.º 2302003.126 S2C3T2 Fl. 251 3 Relatório Trata o Auto de Infração de Obrigação Principal de contribuições previdenciárias patronais devidas à Seguridade Social incidentes sobre o valor das notas fiscais ou faturas de prestação de serviço, relativamente aos serviços prestados por cooperados através de cooperativas de trabalho da área da saúde, nas competências de 01/2005 a 12/2005 O Auto de Infração foi lavrado em 27/02/2009 e cientificado ao sujeito passivo em 02/03/2009. O relatório fiscal de fls. 51/55, diz da existência de Ação Judicial nº 2000.01.08.001197 5, tendo como autora a Unimed BauruCooperativa de Trabalho Médico e por réu o Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, com sentença favorável em primeiro grau quanto à inexigibilidade da contribuição do artigo 22, IV da Lei n.º 8.212/91, mas que o lançamento foi efetuado para prevenir a decadência. Após a impugnação, Acórdão de fls. 229/234, julgou o lançamento procedente, tendo em vista que o provimento em que se fundou o procedimento da autuada, e que mantinha suspensa a exigibilidade do crédito, foi reformado no julgamento da Apelação/Reexame Necessário n° 000119777.2000.4.03.6108/SP, pelo Tribunal Regional Federal da 3' Região, que deu provimento a remessa oficial e a apelação concluindo pela inexistência de vício de inconstitucionalidade do artigo 22, inciso IV, da Lei n° 8.212/1991. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que a questão cingese à aplicação da norma legal contida no artigo 22,IV da Lei n.º 8.212/91; b) que o TRF da 3ª Região não é competente para julgar tese de inconstitucionalidade, somente o Supremo Tribunal Federal; c) que encontrase em tramitação no STF ADI 2594, proposta pela CNI – Confederação Nacional da Indústria, visando a declaração de inconstitucionalidade do artigo 22, inciso IV da Lei n.º 8.212/91, sendo que até o julgamento da ADI, a norma não tem exigibilidade amparada; d) que não procede a tese do Acórdão recorrido de que o julgador administrativo não pode se negar a aplicar a lei sob o argumento de inconstitucionalidade; e) que o presente lançamento não pode subsistir porquanto a matéria se encontra em debate judicial; f) que não deve ser aplicada a multa de ofício em vista do disposto no artigo 63§2º, da Lei n.º 9.430/96; Fl. 271DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 g) deve ser afastada a multa de mora devido a existência de mandamento jurisdicional que afastava a exigibilidade do tributo; h) se devida a multa de mora deve ser calculada a razão de 20% e os juros conforme a SELIC. Requer o provimento do recurso para declarar inaplicável a norma que o sustentou pela sua inconstitucionalidade e a redução dos juros, multa e correção monetária. É o relatório. Fl. 272DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15889.000070/200933 Acórdão n.º 2302003.126 S2C3T2 Fl. 252 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O Recurso cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. As contribuições lançadas no Auto de Infração correspondem ao percentual de 15%, incidente sobre aos valores pagos à cooperativa de trabalho, na forma estabelecida pelo artigo 22, inciso IV da Lei n.º 8.212/91: Lei 8.212/1991: Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... IV quinze por cento sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe são prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Tal dispositivo legal não foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, estando em plena vigência com aplicabilidade garantida. Compulsando os autos é de se ver que a recorrente não possui ação judicial que lhe garanta a inexigibilidade da exação em comento, estando válido o lançamento, já que não foi procedido ao recolhimento das contribuições devidas com amparo em legislação válida. A recorrente, em suas razões, admite que o Supremo Tribunal Federal é quem detém a competência para a declaração de inconstitucionalidade, mas ao mesmo tempo requer que este Colegiado administrativo aprecie e declare a inconstitucionalidade da contribuição aqui lançada com fulcro no artigo 22, incido IV da Lei n.º 8.212/91, incorrendo em flagrante contradição. A apreciação de inconstitucionalidade das leis em tribunal administrativo exacerba sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III do Título IV, especificamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Permitir que órgãos colegiados administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vício de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu: “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar uma lei por considerála inconstitucional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional.” Ademais, como da decisão administrativa não cabe recurso obrigatório ao Poder Judiciário, em se permitindo a declaração de inconstitucionalidade de lei pelos órgãos administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da Constituição. Poderseia, nestes casos, ter a absurda hipótese de o tribunal administrativo declarar determinada norma inconstitucional e o Judiciário, em manifestação do seu órgão máximo, pronunciarse em sentido inverso. Por essa razão é que através de seu Regimento Interno e Súmula, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF se autoimpôs com regra proibitiva nesse sentido: Portaria MF n° 256, de 22/06/2009 (que aprovou o Regimento Interno do CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SÚMULAS CONSOLIDADAS CARF PORTARIA MF N.° 383 – DOU de 14/07/2010) Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, está correto o lançamento amparado por lei vigente e sem qualquer ação judicial que confira à recorrente a inexigibilidade da exação. Quanto aos acréscimos legais que compõem o presente crédito, multa e juros, tenho que foram aplicados na forma prevista pela legislação do período de regência, não havendo qualquer reparo a fazer no lançamento. A multa moratória tem suporte no art. 35 da Lei n ° 8.212/1991, que à época dos fatos geradores assim dispunha: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). Fl. 274DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15889.000070/200933 Acórdão n.º 2302003.126 S2C3T2 Fl. 253 7 b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). § 1º Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) Fl. 275DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. (Parágrafo acrescentado pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99). No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 276DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 15889.000070/200933 Acórdão n.º 2302003.126 S2C3T2 Fl. 254 9 Por todo o exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 277DF CARF MF Impresso em 06/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 18/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
score : 1.0
