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Numero do processo: 10293.000546/92-31
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FONTE - Provido o recur- so voluntário apresentado no processo principal - IRP3, por uma relação de causa e efeito, é de se dar provimento ao recurso voluntário apresentado no processo decorrente - fonte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de I recurso interposto por REFRIGERANTES DO ACRE S/A I' ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por maioria de votos, DAR provimento ao recur- so, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente I julgado. i 1 Sala das Sessbes, em 10 de novembro de 1994 , ,, I- PRESIDENTE I, 1 ' 1 .,, CE5: ALVS F.ITOSA - RELATOR C",e052 VISTO EM LUIZ FERNANDO ,11yEIRA DE MORAES - PROCURADOR DA FA SFSSMO DE: O 9 DEZ 1994 /- --- ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, as seguintes Conselhei- ros: JEZER DE OLIVEIRA CANDIDO,FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, KAZUKI SHIOBARA, RAUL PIMENTEL, ROBERTO WILLIAM GONOLVES, SEBASTIA0 RODRI- GUES CABRAL. '1 'Pln ,14(I) -:,.{.. MIN :1:5.3T ER I O DA FAZENDA PRIME IRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO NR . :1.0293/000 „ 546/92-31 RECURSO NR . 80 „ 099 ACORDO NR .. 10 :I. – a7 „ 487 RECOR1E:1,Fr E: n RE:FR :I: (3E: R AtTr E: S DO AC:RE: IF: EELATORI,C1 1::* o :I. ix F.: c,.-.! c: o rr (......, n t (....? a t.t t. it a ri a „ em t ri bit t a 1?,:% c) r et :i «x ,vt :1: E.`,1:".* „ .a.ss.ss.:i. fri Cl é:-:` 5 C: i'' :i. t. a .::). :i. til pl.!. ta ç;-.2(4:::1 r ef e r (-:-...ri t (......, t o ( s ) è.t no de 1989 „ " :E IIP (3.S 'r O :30 BR E: O 1... ti C:R O I.. :E 01.1 :E Do I ME' OS'r (3 DE R !ENDA 1,IA F. 01,frE: „ A AL.. I QUOTA D1::: 8% INC 1 – D 1:1,rr E: f:30 B R E: O 1...1.1C:F: O 1... :1: ou :l: DO DO !EXERC.:1: C; :1: O ,, C:01,1E1:3R11E: D I .: .:,P (U (3 Pd:U I (30 :3 t'.'i DA L.. E I NR „ 7 » 71::5/08 E :EN NE:. 139/89 :I. – R E C:1::: :E T AS 11 AO T R I BUTADAS (.. AJUSTE DO LUCRO E: XIERC: .. ) :i – RE:C:E: I TA C: I.. ASS :1:1::. :E CADA NO PASSIVO F.11(:::1::: 1 T A )DE: In :E t... :i: ZA g:Pft3 DE V AS :1: 1. H AME S E : 1:11 E:11:BrAl.. 'NGE:1,16 c: G AF,'.IR A F. AS C: ARG OS :1: C0E* 1... A S T 5.3 ) 1E:SC:F: 't t.i RA :1:1 DowtEN-1-E: E:31 CON'rA DO F:' A SS :I: .'(JE: X I (31 V t:::: I. A I... C:31,1(3 .. PRAZO 22:106 .. 00 0: 19 – VA .:.:: Il...1-1 A ME: S E: :::11 B AL.. A– (:31:::1,16 / C: AU.; DE: s EF-1:::'t ii A D AS F'OR (31... :r. 1... ::: NET ES • 'r E: ND O E::11 V :I: – 'r A QUE: A f:3 :I: ME' O R 'r A ç.CIES 1: E:C:E:X.3:E DAS E:11 MOEDA CO R R 1:1,fr E: NA() SINO 1.131.1A1...11 E: NT E: RES . '''''' :E DAS AOS ( ..1... I E:: NT E: 6 – li SUA- R :I: O E QUE: A A isr li A D A SIE RE:SE'ONSAB I L. I Z A PELA CO Kl f:3 – T ANTE I R OC: A / R 1:::1 :: ' OS I Cir-113 DC3',..:3 ENGRADADOS E GARRAFAS SE:11 „ CONTUDO„ FOI :dl Al I Z AR A TRANSFERENC: I A DA PRO- PR :E 1:::D A D E: F'(:31.41 R A Z 0E: S C:01,1'r E:. ÉVT. t.JA I S C011 A 1::' R 01::' R I E:T AR :E A DA mAR(:::f; ccm...o, --c 0...A SALDO EM :::!,:l. /12/88 ,, „ „ „ „ ., .. — „ „ .. „ „ „ ,. .. .. .. — .. „ „ .. „ „ „ „ — „ ., C:Z.$ 31. c'.547 „ 584 „ 00 ME:NOS :: ,... , , N ,. Ã , , , 3 , Processo nr. 10293/000.546/92-31 , , Acórdão nr. 101-87.487 , ,, SALDO EM 31/12/87 ................................. CZ$ 60416.116,00 MOVIMENTOS A CREDITO EM 1988 - EX. FINANC. 89 CZ$ 25.231.468,00 SALDO EM 31/12/89 ................................. NCZ$ 654.875,41 MENOSp SALDO EM 31/12/88 ................................. NCZ$ 31.647,58 MOVIMENTOS A CREDITO EM 1989 - EX. FINANC. 9• NCZ$ 623.327,83 ANO BASE 1989 - EXERC FINANC 1990 - NCZ$ 623.327,83 1 ,, 1 - REDUçg0 DA BASE DE CALCULO DO IMP S • LUCRO LIO. AJUSTE DA BASE DE CALCULO DO IMPOSTO SOBRE O LUCRO LIQUIDO EM DECORRENCIA DA EXCLUSAO DO IMPOSTO DE RENDA INCIDENTE SOBRE AS INFRAçCES LANçADAS, BEM COMO DA PARCELA DE PARTICIPACAO DE PESSOA JURIDICA IMUNE OU ISENTA, CONFORME DISPOE O ARTIGO 35 E PA- RÁGRAFO QUINTO DA LEI NR. 7.713/88, ALTERADO PELO ARTIGO 33 INCISO I DA LEI NR. 7.730/89. AB/ Base de Imp de Renda % Imune Saldo a EX Descriç'ão Calculo e Adicional Isenta Tributar 89/90 Devido 623.327,83 249.331,13 373.996,70 CAPITULAçA0 LEGAL COMPLEMENTAR:: ARTIGOS 704. PARAGRAFO PRIMEIRO AO QUARTO, 726 E 729 DO REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA APROVADO ' PELO DECRETO NR. 85.450 DE 04/12/80p ARTIGOS 23, PARAGRAFO PRIMEIRO E 26 DO DECRETO-LEI NR. 1.967/82p ARTIGOS NONO E 16 DO DECRETO-LEI NR. 1968/82p ARTIGO 16 DO DECRETO-LEI 2.323/87g ARTIGO SEXTO DO DECRETO•LEI NR. 2.331/87 • ARTIGOS 61 PA- RAGRAFOS PRIMEIRO E SEGUNDO, 67, INCISO II, PARA- GRAFOS PRIMEIRO E SEGUNDO DA LEI NR. 7.799/89p AR- TIGO PRIMEIRO INCISO II, PARÁGRAFOS PRIMEIRO E SE- GUNDO DA LEI NR. 8.012/90, ARTIGOS TERCEIRO INCISO I, QUARTO, 30 DA LEI NR. 8.218/91, E ARTIGOS PRI- METROS, 53 INCISO II, 54 E PARÁGRAFOS, 58 PARAGRA - FO UNICO E 97 DA LEI NR. 8.383/91." 1........, , ! 1 , ,i í 4 , Processo nr. 10293/000.546/92-31 Acordao nr. 101 -87.487 .'d A impugnaçao da Recorrente encontra-se a fls. 10 com , referOncia a apresentada no processo matriz de n. 10293/000.550/92-16. I 1 ,A decisão recorrida assim se manifestou para manter o lançamento. li., E " ',...5 „ CONCL..USNO ., ii ! Pelo exposto e no uso das atribuiçbes estabeleci- das pela Portaria M.E no. 653, de 16/11/1977 • teraçtes posterioresp e com base na fundamenta0o • do art. 25, I, "a", do Decreto no. 70.235/72, RE- SOLVO reconhecer a Impugnaç%o por ser tempestiva, julgando procedente no todo a açao fiscal, DETER- MINO o processamento da cobrança do credito tribu- tario, de conformidade com os valores constantes do Auto de Infraçao de fl. 02, os quais devera° E ser atualizados na data do efetivo pagamento. 1, A presente decisao será impressa em 03 (tres) F, vias, que terão a seguinte destina0oN [ - tl.a. via in tegrarà o pro c: E.? is is o ,,, - 2a. via para ci0ncia da contribuinte, I, - 3a. via para o arquivo da SASIT." ,, I 1 A fls. 56, se v0 o recurso voluntário, repetindo, de 11., 1 :1forma geral, a impugnaçao. r! 11 E o Relatório. !'1 • Í 1 ! , ' I (r. 1 1 11 1 i li i [ , I , t 1 í I PROCESSO NR. 10293/000.546/92-31 Acórdão nr. 101-87.487 VOTO Conselheiron CELSO ALVES FEITOSA - RELATORn O recurso é tempestivo. No processo causa IRPJ foi dado provimento ao recurso voluntário - ACORDINO N. 87.415. Os fundamentos da decisão da autoridade monocrática, no processo reflexo, ficam sujeitos, em regra, em revisão por força do recurso voluntário, ao sujeito no processo-causa, que no caso afastou a tributação quando julgado por esta Primeira Cãmara do Conselho de Contribuintes. Assim, por uma relação de causa e efeito, dou provimen- to ao recurso. E. o mek.t voto„ • . em :iro d 1.994 . 11. CEL:f;,// - ES F:IT.SA - RELATOR. AdOgi'r , lk\,51111 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 00004.800084/29-80
Data da sessão: Sat Aug 26 00:00:00 UTC 19
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PROCESSO N9 0480/008.429/80 n05--,,nhdl., MINISTÉRIO DA FAZENDA LS.A. Sessão de 26 de agosto de 19 81 ACORIDÂO N° ..„..19. .1.7..„7. 2..! . 6 3 Recurso n° 83.457 - IRPJ - EX. DE 19 79 Recorrente BORBOREMA - IMPERIAL TRANSPORTES S.A. Recorrido DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM RECIFE (PE) IRPJ - EMPRESAS DE TRANSPORTES RODOVIÃRIO COLETIVO DE PASSAGEIROS - TRIBUTAÇÃO DOS LUCROS APURADOS - A partir do exerciciofi nanceiro de 1979, por força da nova reda- ção dada pelo Decreto-lei n9 1682/79 ao artigo 19 do Decreto-lei n9 1662/79, a a- li:quota reduzida de 6% (seis por cento) a plica-se, apenas, ao lucro da exploração da atividade de transporte rodoviário co- letivo de passageiros, concedida ou auto- rizada pelo Poder Público e com tarifapor ele fixada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autosde recurso interposto por BORBOREMA - IMPERIAL TRANSPORTES S.A.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir/a exigência a penalidade, os juros de mora e a correção monetaria 4 ,-,',1" ' CX., Sala das Sessõeál, _0,r+, em 2641 1ee agosto de 1981. - AMADOR OU,TEMOONANWZ // - PRESIDENTE / ' U Á NDRn NE Oili :(4/7/ '/i - RELATOR -,/ '' 1, t / Rd // ,,,v) VISTO EM ADHEM>WST BAS`TO. DE CARVAL 0 - PROCURADOR DA ---- i ,.SESSÃO DE II err im , ! ,_ FAZENDA NACIO I:. 4 JE I hili . .i/ /1 NAL I !, Participaram ainda, do presente julgamento f, os .:seguintes Conselhei ros: SYLVIO RODRIGUES, FRANCISCO DE ASSIS 'MIRANDA, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FILHO, RAUL PIMENTEL, E OLAVO ., JOÃO GALVÃO (Suplente). ZA*4 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N. 04 80/008. 429/80 RECURSO N.° : 83.457 ACÓRDÃO N.° 101-72.56 3 RECORRENTE: BORBOREMA - IMPERIAL TRANSPORTES S.A. RELATÓRIO Em decorrência da revisão da Declaração de rendi mentos do exercício de 1979, da empresa BORBOREMA IMPERIAL TRANS PORTES S.A., com domicílio fiscal na cidade do Recife, Estado de Pernambuco, resultou o lançamento suplementar com a exigência de um crédito tributário no montante de Cr$ 446.140,00, correspon- dente a imposto de renda, PIS, correção monetária e multa, con- forme Notificação de fls. , em virtude de a empresa ter-utili zado a aliquota de 6% (seis por cento) sobre o Lucro Real quan- do deveria ter aplicado esta aliquota apenas sobre o Lucro da Ex ploração e porque não adicionou ao lucro líquido as parcelas ex- cedentes a 5% (cinco por cento) da soma do lucro operacional mais as contribuições e doações, na quantia de Cr$ 19.036,00. 2. Dentro do prazo legal, o contribuinte, não se can formando com parte do lançamento, ofereceu impugnação à exigência às fls. 4, alegando que apresentou a Declaração de Rendimentos em 19/04/76, dentro do prazo legal e com a allquota reduzida de 6% sobre o Lucro Real, ao amparo do art. 19 do Decreto-lei n9 .... 1.662/79, vigente naquela época; aceitou parte da tributação re- lativa à doação como sendo despesa indedutível; e comprovou não tratar-se de doação parte do valor detectado pela revisão. : 3. Pela Decisão n9 070/81, o Delegado da Receita Fe 4 1 - 111 D M F - RJ/1.° C C - Secgraf - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0480/008.429/80 3. Acórdão n9 101-72.563 deral em Recife (PE), julgou procedente, em parte, o lançamento su- plementar, mantendo, apenas, a tributação relativa ã aliquota redu- zida aplicada indevidamente sobre o lucro real quando deveria ter sido pelo lucro da exploração. 4. Essa decisão foi que ensejou o recurso voluntãrio de fls. 22/23, interposto a este Conselho, cujas razões podem ser assim resumidas: 4.1 - O lançamento não pode prevalecer porque fere disposições legais, inclusive preceitos constitucionais. A matéria é de direito, pois a questão de fato, além de simples, não sofre controvérsia. 4.2 - A recorrente formalizou e entregou a sua de- claração de rendimentos do exercício de 1979 em 19 de abril daque- le ano, com a allquota reduzida de 6% incidente sobre o Lucro Real, ao amparo do art. 19 do Decreto-lei n9 1662, de 02 de fevereiro de 1979, com a interpretação dada pela Portaria n9 76, de 22/02/79, do Sr. Ministro da Fazenda, que estabelecia aplicar-se, a partir do exercício de 1979, o favorecimento da allquota de 6% ãs empresas de transporte rodoviãrio de passageiros, com tarifas aprovadas pelo Poder Público. 4.3 - Após ter completado o ato de Declaração, que se tornou perfeito e acabado, a Recorrente foi notificada para com plementar o imposto, em lançamento suplementar, tendo em vista a no va redação dada ao Decreto-lei n9 1662 pelo art. 39 do .DL 1682/79, que estabelece ser a alíquota de 6% aplicada sobre o lucro da ex- ploração e não mais sobre o lucro real. 4.4 - Editado o Decreto-lei 1662/79, que fixou a aliquota de 6% sobre o lucro real, e entregue a declaração, a Recor rente teve a situação jurídica consolidada a seu favor, não ficando sujeita a alteração em virtude de lei posterior. 4.5 - "Viu-se que a lei foi de 1979 e que o fisco a fez incidir sobre o mesmo exercício e,ainda, com o agravante de dirigi-lá contra uma situa ção perfeita e acabada". j s 5. Conclui a peça recursal releübrandb que a lei equi /ri/ SERVIÇO PUBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0480/008.429/80 4• Aceirdão n9 101-72.563 para a aumento de imposto a modificação da base do seu cãlculo,quan do esta o torna mais oneroso, conforme dispõe o § 19 do art. 97 do C.T.N. 6. Posteriormente, foi anexado ao recurso, como /Irmo- rial, o parecer do Escrit6rio Jaime Menezes, lido em PlenãrioV É o relatório. 44/ 7 SERVIÇO PÚBLICO FEDERA [PRXESSO N9 048010 08. 429/ 780 5. Acórdão n9 101-72.563 VOTO Conselheiro LUIZ ANDRÉ NETO, Relator: Questiona-se nestes autos se a aplicação da allquo- ta reduzida de 6% às empresas de transporte , rodoviário de passagei ros, com tarifas aprovadas pelo Poder Público, no exercício de 1979, é feita sobre o lucro real, como utilizado pela empresa, ou se a incidência sobre o lucro d ca.' exploração, como quer a decisão re- corrida. 2. Como se observa do relatório, a Recorrente, em 19 de abril de 1979, cumpriu a obrigação acessória da entrega da de- claração de rendimentos para o exercício de 1979, calculando o im- posto de renda a allquota de 6% sobre o lucro real, face às dispo- siçOes contidas no Decreto-lei n9 1662/79 e Portaria n9 76, do Mi- nistro da Fazenda. 3. O Decreto-lei n9 1.662/79, art. 19, estabelecia: "Art. 19 - As empresas concessionárias de transpor- te rodoviário coletivo de passageiros ou autoriza- das pelo poder público a explorá-lo pagarão o posto de renda ã razão de 6% (seis por cento) so- bre o lucro real apurado." Segundo o art. 104 do CTN, os dispositivos de lei que criarem, majorarem ou definirem novas hipóteses de incidência entrarão em vigor no dia 19 de janeiro do ano seguinte àquele em que for publicado. 4. A Portaria MF n9 76, de 22/02/79, publicada no D.O.U. de 01/03/79, dispunha que a alíquota de 6%, prevista no art. 19 do Decreto-lei n9 1662/79, seria aplicada a partir do exercício finan- ceiro de 1979. 5. ' 7/4\Essa Portaria, como Ato Normativo da autorida /1,40P - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NO 0480/008.429/80 6. Acardão n9 101-72.563 de administrativa, não poderia alterar a vigência de um Decreto- -lei, dada a sua colocação na linha hierárquica, não podendo ino- var ou ir além daquilo que está na lei. n o que se infere do teor dos arts. 99 e 100 do C.T.N. 6. O art. 144 do C.T.N. dispõe que "o lançamento re- porta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege- -se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada". O fato gerador do imposto de renda é complexivo e consi dera-se consumado com o término do período-base. No caso sob exa- me, o fato gerador estava completo em 31/12/78 e, portanto, o lan- çamento do crédito tributário relativo ao período-base de 1978 de veria ser regido pela legislação vigente em 31/12/78, ainda que posteriormente revogado. 7. O Mestre Aliomar Baleeiro, in Direito Tributário Brasileiro, 3a. edição, ao comentar o art. 144 do C.T. N. assim se expressou: "O lançamento retroage à data do fato ge rador e rege-se pela lei então vigente. Essa lei regUlará a base de cálculo, a tipicidade do fato gerador da obrigação principal e a aliquota, ainda que já es teja modificada ou revogada. Sobrevive para as situaçOes jurídicas definitiva- mente constituídas ao tempo de sua vi- gência. O lançamento apura e reconliere situação de fato num momento no tempo-o dia do fato gerador, segundo a lei em vigor nesse dia. Este e o prindlpio geral". 8. A constituição Federal, em seu art. 153, § 29, es- tabelece: "Nenhum tributo será exigido ou aumenta- do sem que a lei o estabeleça, nem co- brado em cada exercício, sem que a lei que o houver instituído ou aumentado es ! teja em vigor antes do inicio do exer- cício financeiro, ressalvados a tarifa alfandegária e a de transporte, o im- posto sobre produtos industrializados e o- inpcstp lançado por motivo de guerra e demaif previstos nesta Constitui- ção"'I' - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0480/008.429/80 7. Acórdão n9 101-72.563 9. Desta forma está expressa a regra da anualidade dos tributos. Verifica-se que no inicio do exercício de 1979 a Recorrente estava sujeita ao imposto de renda à aliquota de 30%, porque não estava previsto, na legislação tributária, tratamen- to diferenciado para as empresas de transporte rodoviário cole tivo de passageiros. 10. Com a finalidade de dirimir dúvidas quanto ã. a- plicação do Decreto-lei n9 1662/79, em 07/05/79 foi editadó o Decreto-lei n9 1.682, publicado no D.O.U. de 08.05.79, que, em seu art. 39 dispõe: "Art. 39 - Passam a vigorar com a re dação abaixo os seguintes dispositivos do Decre- to-lei n9 1.662, de 02 de fevereiro de 1979: — I - Artigo 19: "Art. 19 - A partir do exercício fi nanceiro de 1979 o lucro da exploração da ativI dade de transporte rodoviário coletivo de pass -a- geiros, concedida ou autorizada pelo poder púL- blico e com tarifa por ele fixada, estará sujei to ao imposto de renda ã aliquota de seis por cento." 11. Evidentemente, ao ser editado o Decreto-lei n9 1.662, de 02 de fevereiro de 1979, em vigor a partir de sua pu blicação no D.O.U. do mesmo dia, sua aplicação seria em relação ao Lucro Real do ano-base de 1979, que corresponderia ao exer- cício financeiro de 1980. Porém, o Decreto-lei n9 1.682/79, ao prever em seu artigo primeiro que, a partir do exercício de 1979, a alíquota de 6% seria aplicável ao LUCRO DE EXPLORAÇÃO não só ilidiu os efeitos ainda não operantes do Decreto-lei n9 1.662/79, como determinou, expressamente, o regime aplicável ao exercício de 1979. 12. n de concluir, portanto, que não houve nenhuma ofensa ao direito dá Recorrente. Ao contrário, houve beneficio, não só para a Interessada como também para todas as empresas que /T / • exploram o ramo de transporte rodoviário coletivo de passagei- e SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0480/008.429/80 8. Acórdão n9 101-72.563 ros. Isto porque inicialmente, no exercício de 1979, estavam elas sujeitas à tributação à allquota normal de 30% sobre todos os seus resultados. Posteriormente, com a edição do Decreto-lei n9 1682/79, foram beneficiadas com a aliquota favorecida de 6% em relação ao lucro da atividade explorada. Desta forma foi aplicada a retroati- vidade da lei mais benigna aos contribuintes, nos termos do inciso II do art. 106 do C.T.N. 13. Não seria demais salientar que toda lei que =cede benefício fiscal visa apenas a aplicação aos resultados decorren- tes do lucro da exploração. Não seria justo nem lógico conceder be nefício sobre a totalidade dos resultados, uma vez que a intenção do legislador é favorecer a atividade explorada. 14. Entretanto, cumpre observar que a Recorrente satis fez a obrigação acessória da entrega da declaração de rendimentos para o exercício de 1979, com observância de um ato normativo expe dido por autoridade administrativa. O parágrafo único do art. 100 do C.T.N. estabelece: "Parágrafo único. A observância das normas referi- das neste artigo exclui a imposição de penalida- des, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tribu- to." 15. Novamente transcrevo, os ensinamentos de Aliomar nle=,, ^, mo ^^m=nt = -.- = - f4 - 5-i- A= s normas complementares, em Di- reito Tributário Brasileiro, 3a. Edicão, às fls. 370/71:"Consagran do o que já assentara a jurisprudência do o § único do art.. 100 do C.T.N. estabelece a eficácia prática das normas complemen- tares: - o contribuinte que agiu em conformidade com elas não fica rá exposto a penalidades, juros moratórios, nem atualização do va- lor monetário da base de cálculo do tributo, se interpretação di- versa vier a ser adotada pelo Fisco. Os fatos anteriores à mudan- ça de interpretação, ou aplicação da lei, ficarão resguardados con tra essas vicissitudes." / Por tais motivos, sou pelo provimento parcial do 27 , 11/ V.V. recurso, para excluir as parcelas correspondentes a penalidades, ju ros moratOrips , e correção monetária, nos termos do § único do art. 100 do C.T.I'Lít, V: "Ár 4 ' LUI -.1/1-çr,"1' NETO RELATOR / / Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1
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Numero do processo: 18471.001000/2005-69
Data da sessão: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 05 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUICÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS
Período de apuração: 31/01/2000 a 31/01/2002
DECADENCIA - LEI N° 8212/91 - 1NAPLICABILIDADE - SÚMULA N°8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL
0 prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligências da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal: "Silo inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".
AMORTIZAÇÃO DE DESÁGIO - RECEITAS TRIBUTÁVEIS - LEI N° 9.718/98 - IMPOSSIBILIDADE
A conta redutora de ativo - contra partida da conta de deságio - consiste em uma "não receita", na concretização de um evento negativo apenas registrado contabilmente em razão das exigências do método de equivalência patrimonial, razão pela qual não pode ser considerada para fins de base de calculo do PIS e Cofins.
Numero da decisão: 3302-00.978
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco e Walber José da Silva. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Douglas Guidini Odorizzi — OAB/SP 207.535.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Fabiola Cassiano Keramidas
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MI: I:1. I S3-C3T2 Fl. I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nv 18471.001000/2005-69 Rccurbo n° 137.699 Voluntário Acórdão n° 3302-00.978 — 3' Câmara /2' Turma Ordinária Sessno de 06 de maio de 2011 Matéria COFINS Recorrente Tele Norte Leste Participações S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUICÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL — COFINS Período de apuração: 31/01/2000 a 31/01/2002 DECADENCIA - LEI N° 8212/91 - 1NAPLICABILIDADE - SÚMULA N°8 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL 0 prazo para constituição das contribuições sociais, incluindo as previdenciárias, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Inteligências da Súmula Vinculante n° 8 do Supremo Tribunal Federal: "Silo inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". AMORTIZAÇÃO DE DESÁGIO - RECEITAS TRIBUTÁVEIS - LEI N° 9.718/98 - IMPOSSIBILIDADE A conta redutora de ativo - contra partida da conta de deságio - consiste em uma "não receita", na concretização de um evento negativo apenas registrado contabilmente em razão das exigências do método de equivalência patrimonial, razão pela qual não pode ser considerada para fins de base de calculo do PIS e Cofins. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os Conselheiros José Antonio Francisco e Walber José da Silva. Fez sustentação oral, pela recorrente, o Dr. Douglas Guidini Odorizzi — OAB/SP 207.535. (assinado digitalmente) toitit iKedo cl;',3i'citmente erri 29i12120:1 ft t,Ir I •Arty„tLik tASS.1.1 , NO KLRAMIDAS, Astiit tad° (11:31;.thtente en t 29/1 2tt.tni peg FABIOLA C,At3StANO KEF.tiVitit» ,S impt- ftst:to oil" 12/01/2012 pnr FRAN(not )tOt3'2, DI CARI'MF Fl. 2 WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora. 1,Dl1 ADO EM: 29/12/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presi,lerae), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjdo Barreto. Relatório Trata-se de dois autos de infração, Cofins (fls. 92/94 — Vol. I) e PIS (fls. 263/265 — Vol. II - Processo 18471.001001/2005-11, juntado por anexação) referentes ao mesmo objeto, qual seja, tributação de outras receitas, com base na Lei n° 9.718/98, não oferecidas à tributação. Conforme se verifica dos autos, a infração encontra seu fundamento legal no parágrafo 1°, artigo 3 0, da Lei n°9.718/98, que determina como base de cálculo do PIS e Cofins a receita bruta, assim entendida, "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificavilo contábil adotada para as receitas." A fiscalização entendeu como tributável valor contabilizado como "OUTRAS RECEITAS" decorrente da operação realizada pela Recorrente de amortização de desigio em investimento em outra pessoa jurídica. Para melhor compreensão, esclareço que na prática, a Recorrente adquiriu investimento relevante em outra pessoa jurídica por preço inferior ao valor patrimonial da participação. Em cumprimento As regras contábeis, realizou o registro da aquisição no Patrimônio Liquido, informando o efetivo Custo de Aquisição, o Valor Patrimonial do Investimento e o Deságio na Aquisição deste Investimento. O Desigio restou qualificado como "Conta Redutora do Ativo". 0 fundamento deste desigio era a expectativa de geração de prejuízos futuros, logo, informa a Recorrente que seu montante foi amortizado nos anos em que tais prejuízos se verificaram. Esta amortização obrigatoriamente teve que ser classificada como "Outras Receitas", por reflexo contábil da conta redutora de ativo, e são estas "Outras Receitas" que estão sendo tributadas nestes autos pela fiscalização. itth ,,'ig.lienynte efT1 29/1212011 9, -)f- 1 ADOLA CALif;9AN() KL:1A912DAS, As ad() <it0i 0:3 Pm 29; i 1 CAWJANO KER/V:flr)AQ, 2 !volryss:, 12 1011212 FRANC VF- ;RA C:AR1' NiF 113 Processo n° 18471.001000/2005-69 83-C3T2 AcórdRo n.° 3302-00.978 F1.2 Inconformada com a autuação, a Recorrente apresentou suas razões de impugnação As fls. 136/158 — Vol. I, alegando, em resumo: (1) decadência — transcorridos mais de cinco anos dos fatos geradores ocorridos de 31/01/00 a 30/06/00, uma vez que ciência dos autos de infração se deu em 07.07.05, entendimento conforme o Código Tributário Nacional - CTN; (ii) contabilidade — amortização de deságio não pode ser considerada como receita porque não consiste em aumento patrimonial, mas apenas a contrapartida da conta redutora do ativo; "Dessa maneira, a cada amortização do valor projetado, o deságio é diminuído por meio de lançamento a débito de sua conta e a crédito na conta de receita do período. Todavia, a diminuição desta conta redutora de ativo, com contrapartida em receita, não significa o acréscimo de um bem ou direito ao patrimônio da investidora. Isso porque se, de um lado, houve a amortização do descigio com registro de receita, de outro, a confirmação da expectativa de diminuição patrimonial do investimento faz com que a investidora apure um resultado negativo de equivalência patrimonial no mesmo montante do descigio, diminuindo o valor patrimonial do investimento na mesma proporção do descigio amortizado, de tal forma que o titular do referido investimento não obtém ganho patrimonial" (fls. 145— Vol. 1— Imp) conceito de receita — não é todo registro de entrada de recursos, o empréstimo, por exemplo, não é considerado receita. Cita jurisprudência e doutrina analozia com IRPJ e CSL — desigio não significa nova receita a acrescer o resultado, sendo indiferente para determinação do resultado tributável (art. 391 do RIR); equiparação a vendas do ativo permanente — pleiteia a equiparação ao inciso IV, § 2°, do artigo 3°, da Lei 9.718/98, uma vez que assim como no caso de bens do ativo, a amortização de desigio não é uma receita auferida, mas uma técnica contábil para adequar o valor do investimento. Erro na autuação — a amortização do desigio se encerrou em 2001, sendo que no ano de 2002 (foi tributado janeiro/02) a amortização foi equivocada e posteriormente corrigida; Inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 — impossibilidade de tributar as demais receitas que não sejam operacionais em Au?e, , tlfs.;ido d;:n1:1 1 ructlicif en 2 ,3i 12+201 1 e FAU1C;LA eASSIANO IDAS, *ew I jt II ;)or FABK); A Cf SANO KERAADAA 3 s Lrn 2P3 1/2012 or r-ftANOSCO N?iFik;\ 1)1: CARE' N11 , 11.4 razão do alargamento indevido da base de cálculo do PIS e Cofins promovido pelo artigo 3 0 da citada lei. Após analisar os termos da impugnação apresentada pela Recorrente, a 4a Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro proferiu o acórdão n° 12325, fls. 347/359 — Vol. II, por meio do qual manteve incólume o auto de infração, entendendo: (;) Decadência — inocorrência, por aplicação da Lei n° 8.212/91 que aplica o prazo de 10 anos para a constituição das contribuições sociais; Contabilidade — a amortização de desigio é contabilizada como "Outras Receitas" e não está entre os excludentes da base de cálculo da regra matriz de incidência tributária, razão pela qual é tributado pelo PIS e Cofins; (iii) Conceito de receita — é o que está definido na Lei no 9.718/98, qual seja: "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas." (iv) Analogia com IRPJ e CSL — não se aplica, pois para estes tributos a exclusão de incidência está prevista em lei; (v) equiparação a vendas do ativo permanente não é possível pois estas estão textualmente excluídas da base de cálculo do PIS e Cofins, conforme inciso IV, parágrafo 2°, artigo 3° da Lei n°9.718/98; (vi) Erro na autuação — a alegação de que a amortização do desigio se encerrou em 2001 nit) foi suficientemente provada; (vii) Inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98 — o julgamento de inconstitucionalidade das leis não é de competência dos julgadores administrativos. Indignada com a manutenção da autuação a Recorrente opôs Recurso Voluntário Ls fls. 363/382 — Vol. II — por meio do qual reiterou as alegações trazidas em sua impugnação adicionando a informação de que a empresa discutiu judicialmente, através do mandado de segurança n° 99.0017922-6 a constitucionalidade da Lei n° 9.718/98, não tendo logrado êxito em seu pleito, sendo que a decisão transitou em julgado em abril/02. Em relação a este tópico, a Recorrente requereu a aplicação da decisão proferida pelo Pleno do Supremo Tribunal nos REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084, nos quais restou conhecida a inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e COFINS. o relatório. A, :teniicado digiimene em 29:I220 i rcx. .ABfr)t A (:ASSIANO Ki..RAMOAS, ¡ado ela 29;1 I 1 pc,r CA' 4NU KIIRAMiDAS 4 r• o orn 120 1/20 12 vor FRivsnSA0..10,,F7. VPIPA IA' CAR! MI' 11 5 Processo n° 18471.001000/2005-69 S3-C3T2 Aceirdslo n.° 3302-00.978 Fl. 3 Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS 0 Recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conhc yo. Após a leitura do relatório dos fatos verifica-se que três sio as questões a analisadas no presente processo administrativo, quais sejam: preliminarmente - a decadência dos fatos geradores ocorridos de 31/01/00 a 30/06/00, uma vez transcorridos mais de cinco anos entre a ocorrência destes e a ciência dos autos de infração, a qual se deu em 07/07/05; (ii) no mérito — a possibilidade de aplicação da decisão do Supremo Tribunal Federal (REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084) que reconheceu a inconstitucionalidade da majoração da base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, mesmo tendo transitado em julgado decisão contrária à Recorrente nos autos do mandado de segurança no 99.0017922-6; (iii) conceituação da operação realizada pela Recorrente (amortização de desigio) como receita para fim de tributação pelo PIS e Cofins. Preliminarmente Em sede de preliminar, reconheço a decadência dos fatos geradores ocorridos dos meses de janeiro a junho/2000, uma vez a ciência do auto de infração se deu em julho/2005. Registra-se que a Recorrente realizou recolhimentos destes tributos — PIS e COFINS — no período autuado, tendo a inadimplencia sido parcial, a especificamente autuada referente a determinada conta contábil das receitas diversas. de conhecimento geral que o Pleno do Supremo Tribunal Federal, ao analisar os Recursos Extraordinários n° 55664, 559882 e 559943, declarou e reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91, o que culminou na edição da Súmula vinculante n° 8, in verbis: "Silo inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" i'Mr; ■ =if oro 2)f 12/20i I por cd'k5St1, NO KERAMDAs, Aoii o ' -ido COI 2a/ i p,.:r AB;;)LA C.,-\1ANO RAtLAS 5 I V01:1,:0 I', pot' FrAt ■» 1 1)1: CARE N11.' 116 A simples edição da citada súmula já é suficiente para o cancelamento do presente auto de infração, não apenas em razão de ser vinculante, mas em virtude de reconhecer a total inconstitucionalidade do dispositivo legal que pretendia majorar em mais 5 anos o prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir tributos, razão pela qual o auto de infração deve ser parcialmente cancelado. Mérito Ao aderitrar no mérito, que deve ser analisado em virtude da decadência ser parcial, duas questões restam para análise. A primeira é processual, e remete à possibilidade ou não deste Colegiado, uma vez autorizado por seu Regimento Interno, aplicar a declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal quando da análise dos RFs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. Conforme relatado, verifica-se que a Recorrente apresentou medida judicial (mandado de segurança n° 99.0017922-6) para discutir a constitucionalidade da majoração da base de calculo do PIS e Cofins, trazida pela Lei n° 9.718/98. Todavia, não obteve êxito nesta ação, sendo que a decisão do tribunal que lhe foi contrária transitou em julgado em abril/02. No presente recurso, pretende a Recorrente a aplicação do posicionamento do Supremo independentemente desta decisão judicial, uma vez que se trata de exigência fundada em norma nula. Pois bem. Confesso que me incomodo com a manutenção de uma cobrança pautada em legislação sabidamente inconstitucional. Parece-me absurdo, no que se refere A justiça, a manutenção de qualquer auto de infração fundamentado em "norma nula". Isto porque, doutrinariamente falando, lei inconstitucional é lei nula, e a consequência da nulidade é justamente a ausência de produção de efeitos. Algo que nunca existiu — ou nunca deveria ter existido — certamente nunca produziu efeitos — ou nunca poderia tê-los produzido. E, até então, a declaração de inconstitucionalidade traria a situação julgada para seu status quo ante, ou seja, para o estado imediatamente anterior. Digo que "até então" pois a "modulação" dos efeitos de uma declaração de inconstitucionalidade, a meu ver, trouxe certa confusão As estáticas significações de nulidade e anulação, sendo que hoje algo pode ser nulo mas produzir efeitos até um determinado momento. Todavia, e a despeito de toda divagação entre o que é nulo e o que é anulável, analisando o fato in concreto, tem-se que a Recorrente foi ao judiciário buscar um determinado provimento jurisdicional que lhe foi negado. Obteve uma ordem judicial contrária ao seu pleito, e solicita, a este tribunal, que altere esta ordem judicial. Não que os motivos não sejam relevantes, a ordem está pautada em uma norma que o Supremo Tribunal Federal, após o julgamento da ação judicial da Recorrente, disse ser nula, entretanto, ao fim o que se requer é que um tribunal administrativo altere uma decisão definitiva de um tribunal judicial, o que não pode ser feito por absoluta ausência de competência. Apenas o judiciário é competente para modificar decisão terminativa proferida por seus membros. Esta espécie de "controle", inclusive em respeito ao pacto federativo, não pode ser realizada por órgão administrativo vinculado ao Poder Executivo. E a segurança jurídica do contribuinte, inclusive defendendo o cidadão do governante do próprio Estado. exatamente por isso que o ordenamento jurídico prevê as possibilidades de reversão de decisão judicial transitada em julgado (Ação Rescisória, artigo 285 do Código de Putehticado clilialmente em 29'1212 ) 11 poi FAt3;OLA CAb1:1ANO KLRAMIDAS, Ado dig;tel 'a: 3m 29/1 2129 ;1 por AI31(.1. A CASS;ANO VERAMIDAS lov, resf;o t.:11 1211 1/2012 per FRANC;SOO .1099 Di CAM: MI . 11.7 Pro cesso n° 18471.001000/2005-69 83-C3T2 Acordlo n.° 3302-00.978 Fl. 4 Processo Civil — CPC), trazendo inclusive limites para esta alteração. Limites estes impostos para os próprios membros do judiciário que trio reavaliar o que foi decidido. A questão aqui analisada se complica ainda mais, porque a decisão do tribunal super ior que concluiu pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofin.% não foi proferida em controle concentrado de constitucionalidade, mas apenas em controle diCuso, em rigor aplicável apenas is partes participantes dos autos daqueles processos (REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084). Da mesma forma, não foi requerida ao Senado Federal a expedição de uma Resolução, na intenção de que a citada norma fosse oxpui 2ada do ordenamento jurídico. Tais fatos são relevantes, porque a decisão do STF não possui efeitos erga omnes. Assim, ao acolher a tese da Recorrente este Colegiado, pertencente a um tribunal administrativo vinculado ao Poder Executivo, estaria contrariando uma decisão judicial transitada em julgado com base em precedente da Suprema Corte, em uma decisão que não tem efeitos para outros contribuintes ao não ser aqueles vinculados aos processos judiciais naquele momento julgados. Anoto que o Regimento Interno deste Tribunal permite que os julgadores administrativos reconheçam a inconstitucionalidade de leis já desta forma julgadas pelo Pleno do STF, certamente com a intenção de diminuir a quantidade de processos que mesmo tratando de causas decididas ainda tramitam pelo contencioso. Entretanto, entendo que tais regras, que são administrativas, não autorizam a utilização destas decisões para modificar a coisa julgada judicial. Desta forma, apesar de compreender que a manutenção da exigência significa permitir a cobrança de tributo pautado em norma considerada pela Suprema Corte nos REs 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084 como inconstitucional, em vista da questão especifica ora analisada e das limitações que são impostas aos julgadores administrativos, não vejo outra opção a não ser negar provimento ao Recurso do contribuinte neste particular. 0 segundo tópico que precisa ser analisado refere-se i conceituação da operação realizada pela Recorrente (amortização de desfigio) como receita para fim de tributação pelo PIS e Cofins. Para melhor compreensão passo a analisar a operação contábil realizada. A Recorrente é empresa que possui investimento em outra pessoa jurídica. Seu investimento é relevante (como esta questão não está em discussão, certamente foram atendidas as exigências contábeis para tanto) e, em razão deste fato, a contabilização do valor investido obrigatoriamente deve ser realizada pelo MÊTODO DE EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. E é exatamente a utilização deste método que gerou o problema tributário ora enfrentado pela Recorrente. Ê cediço que o método de equivalência patrimonial difere-se do método de custo porque ao invés de refletir a situação do investimento apenas no estático momento de distribuição de dividendos, reflete o fato econômico no exato instante em que ele ocorre. 0 método de equivalência acompanha a "formação do resultado" e não apenas a sua distribuição. Justamente em razão disso é entendido como sendo mais apropriado para refletir a real situação econômica e financeira das empresas. 2991 a:011 t:ca. 1:10LA CASSt A1:0 io RASO DAS, Assif <do si ten; 20/1 2120 i I po , CASSIANO KIERINMAS 7 -,c osso c 201 i24 ;:2 cc FR ANIC.;;3*.X.) JOSC: VIRA DI: CAR!" NI!' g No método de custo, os investimentos são avaliados única exclusivamente pelo prep de custo, menos provisão para perdas permanentes. No método de equivalência patrimonial, os resultados e qualquer variação patrimonial deve ser reconhecido. Então vejamos. A Recorrente estava submetida ao método de equivalência ao adquirir ações em outra pessoa jurídica. Em razão deste fato não foi possível contabilizar este investimento apenas pelo valor de custo. As ações foram adquiridas por valor inferior ao de mercado por alguma razão, prejuízo fiscal, recebiveis, passivo, etc. Quer dizer, por alguma razão as ações não valiam exatamente o valor patrimonial que estava registrado e, portanto, foram adquiridas por urn valor inferior. Em cumprimento its regras contábeis, a Recorrente realizou o registro da aquisição no Patrimônio Liquido informando o efetivo Custo de Aquisição (valor despendido pelo caixa), o Valor Patrimonial do Investimento (valor patrimonial das ações) e o Desagio na Aquisição deste Investimento (diferença entre valor efetivamente pago e o considerado como patrimonial). 0 Desigio restou qualificado como "Conta Redutora do Ativo". 0 fundamento deste desfigio era a expectativa de geração de prejuízos futuros, exatamente a razão pela qual o investimento não valia exatamente o que estava registrado como valor patrimonial. Informa a Recorrente que este montante foi amortizado nos anos em que tais prejuízos se verificaram. A subconta deste Deságio deve obrigatoriamente figurar no grupo de investimentos e sera diminuído a cada evento que gere o deszigio esperado. Esta diminuição terá como contrapartida um registro no subgrupo "Outras Receitas e Despesas Operacionais relativas a Lucros e Prejuízos de Participações em Outras Sociedades", na conta própria de amortização. E chegamos a questão dos autos. Por ser uma subconta de Receita, o valor contabilizado como contraparida do Desigio foi tributado pelo Agente Fiscal, e a Recorrente defende a impossibilidade desta autuação uma vez que tal valor não representa efetiva receita, mas realização de uma perda, de algo que é conceituado como sendo um desigio. Realmente, foi em razão de ter ocorrido um desigio que se contabilizou a amortização, em outras palavras, apenas constatou-se que aquela perda esperada quando o investimento foi adquirido aconteceu conforme previsto. Está-se tributando um valor negativo, ou seja, o acontecimento de prejuízo, que tem como resultado neutralizar a conta. Em outras palavras pode-se dizer que hi uma despesa de equivalência contraposta a um crédito contábil de receita consistente na amortização do desigio. Neste sentido, quando da aquisição do investimento, pagou-se o valor de Patrimônio Liquido Contábil da investida menos o desigio. Posteriormente, com a realização do prejuízo potencial, houve, de um lado, a despesa de equivalência e, de outro, com a amortização do desigio, um crédito que se contraptie ao primeiro lançamento. Assim, o custo de nalliSiCi0 do investimento permaneceu inalterado. Em meu entender, isso não representa efetiva entrada de receitas. ,' ,.iresjtc0:10 rri ta:menle m 23 12/201 F.ALW)LA c;AIANOArvION5, kdo em 21)!I 2/20 I i pe= FAPIOLA CASSIANO KERA::Alf.):;S r!r, o m 12:01/2012 or FRANC:ISCO JOS;: DV CA121' 9 Processo n° 18471.001000/2005-69 S3-C3'r2 Acórdio n.° 3302-00.978 Fl. 5 Esta neutralidade, por si só, impede a tributação ora pretendida, porque não existe o resultado positivo necessário, ou qualquer outra espécie de acréscimo patrimonial da Recorrente, que é o pressuposto para a incidência do PIS e COFINS (auferir receita). 1 Ademais, é cediço que a Lei n° 9.718/98, em seu parágrafo 1°, artigo 3 0, determina como base de cálculo do PIS e Cofms a receita bruta assim entendida como "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificagio contábil adotada para as receitas." Assim, é de clareza solar que o dispositivo legal pretende que a tributação do PIS e COFINS alcance todos os valores que tenham natureza de receita bruta, independentemente da classificação contábil adotada, o que denota a importância da essência da grandeza analisada e, consequentemente, significa a possibilidade de valores registrados como conta de receita não representarem efetivamente receitas para o fim de PIS e Cofins e vice-versa. Exatamente em decorrência desta expressa vontade do legislador, que o intérprete da norma, para concluir pela ocorrência de tributação, deve averiguar se a conta indicada como receita representa efetivamente parte da receita bruta da empresa. Procedimento inverso seria tributar valores inexistentes ou o próprio património do contribuinte que, por sua própria definição, não é objeto do PIS e Cofins. Desta forma, a tributação em análise não se justifica apenas pelo valor estar registrado em subconta de receita. Ante o exposto, conheço o recurso apresentado para o fim de dar-lhe TOTAL PROVIMENTO, reformando, portanto, a decisão de primeira instância administrativa. como voto. Sala das Sessões, em 06 de maio de 2011. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO ICERAMIDAS 1 Segundo o entendimento manifestado pelo Supremo Tribunal Federal ao declarar a inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n. 9.718198, considera-se receita auferida: "todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial" Voto do Ministro Mar Peluzo ao RE 390.840/MG — Rel. Min. Marco Aurélio —DJ: 15/08/2006. diglioimente ego 2'3i12/Z01 1 ow AUROLA CASSW, NO RADAS, Assina<P4 em ?Olt 9 2'2 li or FABIÇIILA CASS fANO KEIRAMIDAS t;: tl .s 12;0 1120 -1;' pre FRANC:SCO ki , 17:1 A (ARr ii FL H) Declaração de Voto CONSELHEIRO GILENO GURAO BARRETO Pc di vista destes autos para melhor analisar as questões faticas apresentadas. Assim como esclarecido pela ilustre relatora, o cerne da questão é "Por estar classificado com, subconta de Receita, o valor contabilizado como contrapartida do Descigio foi tributado pelo Agente Fiscal. A Recorrente defende a impossibilidade desta autuação, uma vez g w tal valor não representa efetiva receita, mas realização de um ganho, de algo que é conceituado como sendo um descigio." Analisando o conceito de desigio, de receita e de ganho de capital, podemos concluir que a realização, ou contabilmente a "amortização" do desfigio é ganho de capital e não receita. Assim vejamos: O desfigio surge quando o valor pago no momento da aquisição do titulo é inferior ao seu valor estimado, ou real, de maneira que a rentabilidade do titulo ou do investimento será maior do que a estabelecida nas condições originais. No entendimento de Bulhões Pedreira, o desigio na aquisição de investimento é a participação em perda de valor ainda não reconhecida na escrituração da controlada ou coligada e deve ser amortizada no exercício ou exercícios em que ocorrer esse reconhecimento. Deságio é também uma postergação de valores, que podem ou não se realizar No que se refere ao conceito de receita, o Supremo Tribunal Federal, em sessão de 09.11.2005, ao julgar os REs n's 346.0841PR, 357.9501RS, 358.2731RS e 390.840/MG, considerou inconstitucional o § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98, ao tempo em que reconheceu a constitucionalidade do artigo 8°, caput, do mesmo diploma legal. Com tal decisão restou definido que o conceito de receita bruta não poderia ter sido ampliado pelo § 1° do art. 3° da Lei 9.718/98, devendo permanecer o conceito definido pela legislação anterior (Art. 2° da LC n° 70/91), que considera como faturamento a receita bruta das vendas de mercadorias, e serviços de qualquer natureza. Receita não é todo registro de entrada de recursos. 0 empréstimo, por exemplo, nil) é considerado receita. 0 Supremo Tribunal Federal vêem decidindo pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de receita, como nas decisões dos Recursos números 358273, 346084, 375950, 390840/MG, dentre outros. Segue como exemplo parte da decisão do Recurso Especial 390840/MG, do relator Ministro Marco Aurélio: "..t inconstitucional o ,sS 1° do artigo 3 0 da Lei n°9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificagão contábil adotada." Pelos conceitos acima, entende-se com facilidade que deságio não é receita, pois não decorre do faturamento decorrente da venda de mercadorias e de serviços. t, pelo contrário, aquisição de titulo. E se o título adquirido com desEigio for vendido pela recorrente, as amortizações também não podem ser contabilizadas como receita, pois desigio é postergação de valores que podem ou não se realizar. At.1 , 1)txatI., (Vf.r.alriente eni 29 2 12iZO i p or 1 ABiCLA CASSIANO KI_RA‘,411:1 AfLI, As - '1 0.•Cht'ip e e;,) 29/1 2/2i I 1 {.or AL3101 A C/V3.>IANC) KFRAMIDAS 1 0 Tc';ocn 1219 1 /20 12 or rr.cAc c ..1031"i t 1)1: CAR! , MI: 1'1. 11 Processo n° 18471.001000/2005-69 83-C3T2 Ac6rdio n.° 3302-00.978 Fl. 6 A realização, ou amortização do desigio, economicamente, é ganho de capital, que decorre da realização financeira daquele ganho anteriormente previsto, pelo fato de um adquirente de titulo ou de investimento ter pago por ele menos do que seu valor contábil ou de mercado estimados. Assim, ganho de capital não decorre da atividade rotineira da empresa, só aparecendo como resultado de operações eventuais ou esporádicas. E o desigio não decorre de uma atividade rotineira da empresa, a empresa não compra títulos como se essa fosse sua atividade principal, bem como o ganho ou a perda de valores com essa movimentação, não pode ser prevista. Portanto, não há que se falar em receita quando a própria legislação determina apu: ação do chamado resultado não operacional em cada negócio realizado, mensuração só obtida mediante o cotejo entre o valor da alienação e o valor do custo do bem alienado. Ainda que esse confronto defronte resultado positivo, conhecido como ganho de capital, não será pertinente inclui-lo na base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins, pela absoluta falta de identidade com o conteúdo da materialidade albergada pelo conceito de receita, necessariamente decorrente do exercício da atividade empresarial. Além dos argumentos expressos acima, o artigo 391, parágrafo Calico do Regulamento de Imposto de Renda, determina expressamente que o deságio deve ser contabilizado como ganho de capital: "Art. 391. As contrapartidas da amortização do ágio ou deseigio de que trata o art. 385 não serão computadas na determinação do lucro real, ressalvado o disposto no art. 426 (Decreto-Lei n2 1.598, de 1977, art. 25, e Decreto-Lei n2 1.730, de 1979, art. P. inciso 1H). Parágrafo único. Concomitantem ente com a amortização, na escrituração comercial, do ágio ou destigio a que se refere este artigo, será mantido controle, no LALUR, para efeito de determinação do ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação do investimento (art. 426)." Conclui-se que a amortização de deságio não pode ser considerada como receita, mas como ganho de capital, portanto, não deve ser tributada pelo PIS/Cofins. Tal fato prejudica, como exposto, eventual tributação desses valores por força de eventual decisão judicial transitada em julgada que pudesse porventura ensejar tal tributação. A amortização de desigio nib é nem poderia ser objeto daquele requerimento por parte do contribuinte. Ante o exposto, conheço o recurso apresentado para o fim de dar integral provimento A pretensão, tanto no que diz respeito à decadência dos fatos geradores incorridos de janeiro a junho/2000, quanto no tocante ao mérito do pedido de reforma da decisão, para julgar improcedente a tributação pelo PIS e pela COFINS de desigio como se receita fosse. como voto. (assinado digitalmente) d cfletmcnt ,:l em 2'.d122011 ¡Jor FADIOLA CASSIt4,10 KL.PAMIDAS, Ash 29!1 2121)11 fE,r1-ABI;)1.A CASSlANO KERAMIDAS 11 1,2101/20 I? por FRANC )CO JOSF- V;!-"-tRA UF CAR1' Ml H. 12 GILENO GURJA0 BARRETO 29i 12120 11 p0! 1-A1310i A CASSiN ;C./ ciii 1, 9/ I ; 1). ) r l'A9101 A ( .../V)S'ANO KE:12Afv21),%\, 1; 12 • i2 19 1K.:0 12 por . RANCASCC) JOSE V;EIRA
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Numero do processo: 10073.000120/92-81
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 101-86842
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Numero do processo: 11020.005117/2002-38
Data da sessão: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Jan 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 1989
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ERRO DE CÁLCULO.
INEXISTÊNCIA. Restando comprovado que o saldo passível de ser
restituído ao contribuinte foi determinado com suporte em documentos carreados ao processo, há que se manter a decisão nos termos em que foi prolatada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1302-000.160
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA - 1/4 • v'ç --, CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • • 1,Trf t7.,n .1 • ‘ ...r2.12"r••).; PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO - • Processo n° 11020.005117/2002-38 Recurso n° 165.852 Voluntário Acórdão n° 1302-00.160 — 3' Câmara 1 r Turma Ordinária , Sessão de 29 de janeiro de 2010 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL/LL - EX.: 1989 Recorrente BRASDIESEL S/A COMERCIAL IMPORTADORA Recorrida ia TURMA/DRJ-PORTO ALEGRE/RS ASS UNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 1989 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ERRO DE CÁLCULO. INEXISTÊNCIA. Restando comprovado que o saldo passível de ser restituído ao contribuinte foi determinado com suporte em documentos carreados ao processo, há que se manter a decisão nos termos em que foi prolatada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. MARCOS RODRIGUES DE MELLO - Presidente 0.WILSON F lati N ,:i.:* - Relator „J.o"' - EDITADO EM: 26 AB.:,--: Participaram o • - - - - Julgamento os Conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jacinto do Nascimento, Albertina Silva Santos de Lima Benedicto Celso Benicio Júnior Natanael Vieira dos Santos Irineu Bianchi e Marcos Rodrigues de Mello. i Relatório BRASDIESEL S/A COMERCIAL IMPORTADORA, já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul. Trata o processo de pedido de restituição de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, originária de ação judicial transitada em julgado em 06 de setembro de 1999, processo n°98.1502948-7, cumulado com pedidos de compensação. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos da contribuinte (Delegacia da Receita Federal Caxias do Sul), os deferiu parcialmente, reconhecendo, de um total de crédito pleiteado de R$ 52.615,57 (fls. 02), R$ 6.517,92. Diante do deferimento parcial dos pedidos formulados, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 138/140), momento em que alegou que o cálculo efetuado pela Fiscalização estaria equivocado, pois o seu crédito, em janeiro de 1996, seria de R$ 61.645,81, dos quais, abatendo-se os valores já compensados, restaria um saldo a compensar de R$ 31.616,19, de modo que haveria saldo suficiente para efetuar integralmente as compensações requeridas. A P Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre, apreciando os argumentos expendidos pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão n° 14.875, de 09 de janeiro de 2008, pela improcedência do pedido, conforme ementa a seguir transcrita. CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não demonstrado o alegado erro de cálculo da autoridade administrativa, e constatado a improcedência do valor do crédito pleiteado pelo contribuinte, não procede a compensação efetuada. Inconformada, a contribuinte impetrou o recurso voluntário de fls. 165/168, por meio do qual sustenta: - que consta às fls. 92 do processo a apuração do crédito de CSLL a que tem direito em função da decisão judicial transitada em julgado; - que, como demonstra a planilha anexada por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade, bem como os documentos de arrecadação de CSLL referentes ao ano de 1989,0 seu crédito em janeiro de 1996 é de R$ 61.645,81; - que o erro da Fiscalização, e que foi também cometido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, consiste em ter considerado, para fins de determinação do saldo de crédito, a compensação do valor de R$ 33.412,56 referente a débito de CSLL vencido em 31 de janeiro de 2001, porém, tal valor não foi extinto por meio de compensação, mas, sim, através de base negativa da contribuição(sic). Assinala, ainda, a contribuinte: 2 Processo ri° 11020.005117/2002-38 51-C3T2 Acórdão m° 1302-00.160 Fl. 2 A Recorrente, relativamente às competências de setembro a dezembro de 1998, recolheu a CSLL com base em estimativa de lucro. Estes recolhimentos acabaram sendo a maior, pois ao apurar a CSL devido no ano de 1998, apurou saldo negativo em função do pagamento da CSL através de DARF's no valor de R$ 62.394,37, e das estimativas compensadas por processo judicial. Assim sendo o valor recolhido a maior em DARF 's foi considerado Saldo Negativo de CSL e os valores compensados por processo judicial em setembro a dezembro de 1998, também Saldo Negativo de CSL, porém fazendo parte novamente do crédito da planilha, pois eles somente foram utilizados para quitar o valor das estimativas apuradas. Desta forma, a Recorrente atualizou os valores recolhidos referente às competências de setembro a dezembro de 1998 e compensou com o valor devido relativo a competência de dezembro de 2000. Esta é a composição do valor utilizado para compensar R$ 33.412,56, relativo ao débito da competência de dezembro de 2000: 1) Saldo negativo de CSL referente ao ano base de 1998, atualizado pela SELIC — R$ 32.595,79, sendo R$ 23.436,46 original e R$ 9159,33 Selic, 2) Saldo negativo de CSL referente ao ano base de 1999, atualizado pela SELIC — R$ 816,77, sendo R$ 704,17 original e R$ 112,60 Selic. Desta forma, resta demonstrado que o débito referente a CSL devida relativa a competência de dezembro de 2000 não foi compensado com o crédito decorrente de processo judicial, mas sim de saldo negativo de CSL, de forma que deve ser excluído da planilha de compensação elaborada pela fiscalização. Isto levará à conclusão de que a Recorrente não compensou valores a maior, e o valor sendo exigido nos presentes autos é manifestamente indevido. É o Relatótia 3 Voto Conselheiro WILSON FERNANDES GUIMARÃES Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Trata a lide de pedido de restituição de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, originária de ação judicial transitada em julgado em 06 de setembro de 1999, processo n°98.1502948-7, cumulado com pedidos de compensação. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos da contribuinte (Delegacia da Receita Federal Caxias do Sul), os deferiu parcialmente, reconhecendo, de um total de crédito pleiteado de R$ 52.615,57 (fls. 02), R$ 6.517,92. Tal montante foi confirmado pela autoridade julgadora de primeira instância, vez que não foram acolhidas as razões trazidas pela contribuinte por meio de manifestação de inconformidade. Em sede de recurso voluntário, a contribuinte sustenta: a) que a planilha apresentada por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, bem como os documentos de arrecadação de CSLL referentes ao ano de 1989, comprovam que o seu crédito em janeiro de 1996 é de R$ 61.645,81; b) que o erro cometido pela Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul, e que foi também cometido pela autoridade julgadora de primeiro grau, consiste em ter considerado, para fins de determinação do saldo de crédito, a compensação do valor de R$ 33.412,56 referente a débito de CSLL vencido em 31 de janeiro de 2001, porém, tal valor não foi extinto por meio de compensação, mas, sim, através de base negativa da contribuição; c) que, relativamente às competências de setembro a dezembro de 1998, recolheu a CSLL com base em estimativa de lucro, sendo que tais recolhimentos acabaram sendo a maior, pois ao apurar a CSLL devida no ano de 1998, apurou saldo negativo em função do pagamento da contribuição através de DARF's, no valor de R$ 62.394,37, e das estimativas compensadas por processo judicial; d) que os valores recolhidos a maior (DARF 's e compensação) foram considerados Saldo Negativo de CSLL sendo que os montantes compensados por processo judicial no período de setembro a dezembro de 1998 fizeram parte novamente do crédito da planilha, pois eles somente foram utilizados para quitar o valor das estimativas apuradas; e) que atualizou os valores recolhidos referente às competências de setembro a dezembro de 1998 e compensou com o valor devido relativo a competência de dezembro de 2000; O que o valor utilizado para promover a compensação do débito relativo à competência de dezembro de 2000 (R$ 33.412,56) é a seguinte: saldo negativo de CSLL referente ao ano de 1998, atualizado pela SELIC (R$ 32.595,79) ± saldo negativo de CSLL referente ao and .de 1999, atualizado pela SELIC (R$ 816,77); g) que, com isso, restaria demonstrado que o débito referente a CSLL devida relativa a competência de dezembro de 2000 não foi compensado com o crédito decorrente de Processo n° 11020.005117/2002-38 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.160 El. 3 processo judicial, mas, sim, de saldo negativo de CSLL de forma que deve ser excluído da planilha de compensação elaborada pela Delegacia da Receita Federal. A Recorrente formalizou pedido de restituição de CSLL paga a maior no montante de R$ 52.615,57. O Despacho Decisório (fls. 121/122) da Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul reconheceu o direito creditório de R$ 6.517,92, esclarecendo que sobre tal valor deveria incidir juros selic. Às fls. 98 identifica-se Informação Fiscal, da qual releva destacar o seguinte excerto Os pagamentos relativos à CSLL do ano-calendário de 1988 foram confirmados às fls. 85-86. Cópia da IRPJ e dos DARF's às jis . 87-91. O crédito judicial foi calculado à fl. 92, obtendo-se o valor de RS 66.457,85 atualizado para 31/12/95. Em pesquisa às DCTF s apresentadas pelo contribuinte e ao sistema FISCEL, verificou-se que o contribuinte efetuou compensações sem processo administrativo antes da apresentação das DCOMP 's ((7s. 67-82). Tais compensações foram descontadas do crédito passível de utilização nas DCOMP's deste processo, obtendo-se o valor de R$ 6.517,92, atualizado em 31/12/95 (11s. 9347). (GRIFO DO ORIGINAL)". Em sede de Manifestação de Inconformidade (fls. 138/140), a contribuinte sustentou que o seu crédito seria, em JANEIRO de 1996, de R$ 61.645,81, que, diminuído dos valores já compensados, ficaria com um saldo de R$ 31.616,19. A autoridade julgadora de primeira instância, por sua vez, assinalou que: I. a contribuinte não apontou, objetivamente, que parte do cálculo promovido pela Delegacia da Receita Federal não estava correto; 2. o crédito existente em janeiro de 1996 apontado pela Delegacia da Receita Federal é superior ao pretendido pela contribuinte (RS 66.457,85, enquanto o apurado pela contribuinte foi de R$ 61.645,81); 3. a planilha apresentada pela contribuinte não considerou o valor da CSLL vencida em 31 de janeiro de 2001, no montante de RS 33.412,56, que foi devidamente declarada em DCTF (fls. 75); 4. o saldo de crédito apresentado pela contribuinte não está correto, visto que foi corrigido até setembro de 2007, quando a atualização, no caso vertente, deveria ter sido considerada somente até a data das compensações (04 de abril de 200 5. o cálculo apresentado pela contribuinte considerou a TAXA SELIC a partir de dezembro de 2005, enquanto que a própria decisão determinou que fosse utilizada a referida taxa a partir de 1° de janeiro de 1996. Vê-se, assim, que, não obstante o fato de a Recorrente não ter indicado a parte do cálculo promovido pela Delegacia da Receita Federal com a qual não concordava, a autoridade julgadora de primeiro grau, a partir da comparação entre a planilha anexada à manifestação de inconformidade pela contribuinte e os cálculos efetuados pela Delegacia da Receita Federal, cuidou de identificar diversos equívocos cometidos pela contribuinte. No recurso voluntário, a contribuinte, limitando-se a questionar a subtração do valor de R$ 33.412,56, não traz qualquer consideração acerca das demais constatações feitas pela autoridade a quo. Isto, por si só, já poderia servir de fundamento para o não acolhimento dos seus argumentos, vez que as impropriedades detectadas retiram do crédito a sua liquidez e certeza. Contudo, mais razões existem para o não acolhimento das razões de defesa trazidas por meio da peça recursal, senão vejamos: - com exceção da planilha de fls. 169/172, que já havia sido apresentada por ocasião da interposição da Manifestação de Inconformidade (fls. 143/147), a Recorrente não colaciona aos autos qualquer outro documento para confirmar suas alegações; - a cópia da DCTF anexada às fls. 75 indica que a compensação de R$ 33.412,56 de fato foi efetivada com base no processo judicial n°98.1502948-7; - de acordo com o mesmo documento (DCTF de fls. 75), a utilização de SALDO NEGATIVO foi feita para o montante de R$ 2.884,88, sendo o total do débito declarado de R$ 36.297,44. Diante do exposto, conduzo meu voto no sentido de negar provimento ao recurso. WILSO e 4e • • • S - Relatorp ns,....... 6
score : 1.0
Numero do processo: 10845.003195/2003-12
Data da sessão: Thu Jul 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 1998
AUDITORIA INTERNA DA DCTR.
Comprovado pelo próprio órgão lançador que não ocorreu a falta de
recolhimento motivadora do lançamento, conclui-se pela exoneração do
crédito tributário dele decorrente.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se a ato ou fato pretérito a legislação que comine penalidade menos
severa que a vigente à época do lançamento ou quando deixe de defini-lo
como infração.
Recurso Voluntário Negado,
Numero da decisão: 3302-000.506
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Participaram
Matéria: DCTF_IPI - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IPI)
Nome do relator: Não Informado
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Á7/ Giló Gyí EDITADO EM: 29/09/2010 arreto - Relator S3-C3T2 1: 1 65 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10845,003195/2003-12 Recurso n" 240,585 De Oficio Acórdão n" 3302-00.506 — .3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 28 de julho de 2010 Matéria COFINS Recorrente DRJ-RIBEIRÁO PRETO/SP Recorrida COMPANHIA SANTISTA DE PAPEL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 1998 AUDITORIA INTERNA DA DCTR. Comprovado pelo próprio órgão lançador que não ocorreu a falta de recolhimento motivadora do lançamento, conclui-se pela exoneração do crédito tributário dele decorrente. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se a ato ou fato pretérito a legislação que comine penalidade menos severa que a vigente à época do lançamento ou quando deixe de defini-lo como infração. Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), Alan Fialho Gandra, Andréa Medrado Darze, Alexandre Gomes e Gileno Gurjã.o Barreto (Relator), Ausente justificadamente o Conselheiro José Antonio Francisco. Relatório Adota-se o relatório do acórdão DRJ/RPO n° 14-15.094, de 14 de março de 2007: Em auditoria interna de Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DM') de que tratam a IN SRF n" 045, de 1998, e a IN SRF n" 077, de 1998, foi constatada falta de pagamento, relativamente ao ano de 1998, consoante capitulação legal consignada no quadro 10 do auto de infração e, então, foi lavrado o auto de infração para exigir R$ 614.433,56, inclusos multa de mora e juros, além de multa isolada.. Cientificada, a empresa apresentou a impugnação, na qual contestou a exigência de multa de mora no pagamento espontâneo em atraso, com base no artigo 138, do Código Tributário Nacional. Alegou, ainda, que os valores foram efetivamente recolhidos. Para provar o alegado, anexou cópias das guias de recolhimento (Darf) ao processo. Considerando os fatos trazidos ao processo pela manifestante, os documentos foram analisados pela autoridade administrativa, que propôs o cancelamento dos créditos tributários improcedentes constantes do demonstrativo de fl. 42, que fez imputação do pagamento, tendo apurado saldo remanescente de R$ 485.831,45 (valor referente a acréscimos legais não recolhidos em pagamentos feitos em atraso). Conforme decisão formalizada mediante acórdão n° 14-15.094, em 14 de março de 2007, a DR] de Ribeirão Preto entendeu em, por unanimidade de votos, considerar improcedente o lançamento, de forma a cancelar o crédito tributário exigido. Entenderam os julgadores que, após a realização de diligência, restou evidenciado o posterior pagamento do valor em atraso, afastando a incidência de multa de oficio e juros de mora sobre o principal, já no caso da multa isolada, prevista nos arts. 43, 45 e 46 da Lei n° 9.430/96, entendeu que também não era aplicável, tendo em vista a alteração trazida pela Medida Provisória n° 351 de 2007, que deixou de prever a multa isolada nos casos de recolhimentos em atraso, aplicável ao caso através do instituto da retroatividade benigna, uma vez que tal alteração se deu após a ocorrência do caso em tela. Tal decisão ensejou a interposição de recurso de oficio por parte da DRI de Ribeirão Preto, É o Relatório. Voto 2 Processo n" 10845.003195/2003-12 S3-C312 Acórdão o" 3302-00306 Fl 66 Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Relator Cumpridas todas as formalidades processuais, de acordo com a legislação que rege a matéria e tendo a DR.! ingressado com recurso de oficio, dele tomo conhecimento. Trata-se de lançamento exigindo valores supostamente não recolhidos relativos ao Imposto sobre produtos Industrializados -- IPI para o ano-calendário de 1998, no valor principal de R$ 46,723,6.3, acrescido de multa de ofício e juros de mora, além de multa isolada sobre demais valores relativos ao período de 1998 recolhidos em atraso por parte do contribuinte, no valor de R$ 485..831,45, totalizando a quantia de R$ 614A3.3,56. No tocante ao principal, não há o que se discutir o seu recolhimento, mediante DARF anexado aos autos (fl, 37) e comunicado da própria Receita Federal à DRJ de Ribeirão Preto, à fl. 43, que expressamente considera o lançamento improcedente no que diz respeito ao valor cobrado como principal, devido ao posterior recolhimento por parte do contribuinte.. Diante desta situação, também não se mostra cabível a cobrança os valores relativos à multa de ofício e juros, por se tratarem de valores diretamente ligados à cobrança do principal, restando, portanto, a discussão acerca da aplicabilidade no caso em tela da multa isolada sobre os demais valores recolhidos em atraso no período de 1998. A multa isolada encontra previsão legal nos arts. 4.3,45 e 46 da Lei n° 9.430/96, quem assim dispõe: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. (--) Art. 4.5. O art. 80 da Lei 11" 4_50.2, de 30 de novembro de 1964, com as alterações posteriores, passa a vigorar com a seguinte redação.- (Vide Medida Provisória ii2 303, de 2006) "Art. 80. A ,.falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal, a ..falta de recolhimento do imposto lançado ou o recolhimento após vencido o prazo, sem o acréscimo de multa moratória, sujeitará o contribuinte às seguintes multas de oficio: I - setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido ou que houver sido recolhido após o vencimento do prazo sem o acréscimo de multa moratória; II - cento e cinqüenta por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido, quando se tratar de infração qualificada. Art. 46. As multas de que trata o art. 80 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e 3 de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos. ,sç. 1" As multas de que trata este artigo serão exigidas.' 1 juntamente com o imposto, quando este não houver sido lançado nem recolhido,- .11 - isoladamente, nos demais casos. § 2" Aplicam-se às multas de que trata o art. 80 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, o disposto nos §§ 3"e 4" do art. 44. Conforme podemos extrair do texto legal supracitado, ocorria a previsão de multa isolada nos casos de atraso no pagamento de tributos quando não ocorria a aplicação de multa de oficio, até a entrada em vigor da Medida Provisória n° 351 de 2007, que assim dispõe: Art.13 O art. 80 da Lei n 4_502, de 30 de novembro de 1964, passa a vigorar' com a seguinte redação:. Art. 80A falta de lançamento do valor, total ou parcial, do imposto sobre produtos industrializados na respectiva nota fiscal ou dfalta de recolhimento do imposto lançado sujeitará o contribuinte à multa de ofício de setenta e cinco por cento do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. § 1" No mesmo percentual de multa incorrem,. §6°O percentual de multa a que se refere o caput, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, será,' I - aumentado de metade, ocorrendo apenas uma circunstância agravante, exceto a reincidência especifica; II - duplicado, ocorrendo reincidência especifica ou mais de uma circunstância agravante, e nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 desta Lei. §7° Os percentuais de multa a que se referem o caput e o § 6' serão aunzentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. § 8° A multa de que trata este artigo será exigida: - juntamente com o imposto, quando este não houver sido lançado nem recolhido; 11 - isoladamente, nos demais casos. 0° Aplica-se à multa de que trata este artigo, o disposto nos §§ 3' e 4" do -art. 44 da Lei n g- 9.430, de 27 de dezembro de 1996," (NR) Art.14 .0 art 44 da Lei n" 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação: Art. 44, Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 4 Processo n" 10845 003195/2003-12 S3-C3T2 AcOrd(io n ." 3302-00.506 Fl. 67 1 - de setenta e cinco por cento ,sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de .falta de pagamento ou recolhimento, de . falta de declaração e nos de declaração inexata; - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensaP a) na forma do art. 8°- da Lei n i2 7..713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessocrfísica; b) na fbrma do alt 2 desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. §1° O percentual de multa de que trata o inciso 1 do caput será duplicado nos casos previstos nos arts.. 71, 72 e 73 da Lei 112 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.. §2° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do eaput e o à ç 1° serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei IP 8.218, de 29 de agosto de 1991; III - apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38" Podemos concluir', diante do novo texto legal, a impossibilidade de aplicação de multa isolada, urna vez que prevê a aplicação de multa de oficio nos casos em que ocorre o atraso ou falta de recolhimento por parte dos contribuintes, multa esta que não foi alvo do lançamento em destaque. Apesar do novo texto legal passar a vigorar em momento posterior ao lançamento, entendo que pode ser aplicado no caso em comento o beneficio da retroatividade benigna, prevista no art. 106, II do CTN, abaixo in verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: II - tratando-se de ato não definitivamente julgado' a) quando deixe de defini-10 como infração, b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo,. 5 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifou-se) Desta forma, mantenho o entendimento defendido pelo acórdão ora atacado, corroborando inclusive com o entendimento do STJ, conforme julgados do Mia Teori Albino Zavascki, como o Resp 769683, conforme abaixo transcrito: "A Primeira Seção consolidou o entendimento de que a redução da penalidade aplica-se aos .fatos futuros e pretéritos, por fOrça do princípio da retroatividade da lex »Ulla,- consagrado no art. 106 do CTN Precedentes: RESP 204799/SP, 2" Turma, Min. João Otávio de Noronha, DJ de 30/06/2003; RESP 464372/PR, I" Turma, Min. Luiz Fia; DJ de 02/06/2003. Aplica-se retroativamente a redução da multa moratória, por ser mais benéfica ao contribuinte, aos débitos objeto de execução não definitivamente encerrada, entendendo-se como tal aquela em que não foram ultimados os atos executivos destinados à satisfação da prestação_ Precedentes... REsp 491242/RS, I" Turma, Min, Denise Arruda, DJ de 06.06.2005; EDcl no RESP 332.468/SP, 2" Turma, Min Castro ildeira, DJ de 21.06,2004". Destaco, assim corno exposto no acórdão atacado, que apesar de a MP n" 351/07, não definir penalidade diversa do que a prevista na redação anterior do art. 80 da Lei n" 4.502/64, o resultado é o mesmo, pois, ao deixar de prever a multa isolada para o caso em tela, abre espaço para a exigência da multa de oficio prevista no caput do artigo 80, ou seja, sobre a diferença que deixou de ser recolhida, porém, a multa de ofício não foi alvo de qualquer lançamento por parte da autoridade fiscal, não podendo esta ser aplicada de oficio por este julgador, o que isenta a contribuinte de qualquer obrigação legal advinda do lançamento em destaque. Diante de todo o exposto, indefiro o recurso de oficio ora interposto, mantendo em sua integralidade o acórdão proferido pela DR1 de Ribeirão Preto por seus próprios argumentos,. Giifto Cit̀ irikt Barreto 6
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Numero do processo: 10209.000727/2005-27
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II
Data do fato gerador: 14/09/2000
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL.
A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprova o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado no referido acordo de preferência.
Recurso Especial do Procurador Provido
Numero da decisão: 9303-001.238
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declaram-se impedidos de votar.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: Rodrigo da Costa Possas
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TRIANGULAÇÃO. RASTREABILIDADE DOCUMENTAL. A não apresentação da fatura comercial identificada no certificado que comprova o cumprimento das regras de origem inerentes à Associação Latino Americana de Integração (Aladi) impede a fruição do benefício ancorado no referido acordo de preferência. Recurso Especial do Procurador Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial. Vencida a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Os Conselheiros Nanci Gama e Rodrigo Cardozo Miranda declaramse impedidos de votar. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. EDITADO EM: 26/10/2010 Fl. 307DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de Recurso Especial proposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (fls. 248 a 259) dirigido à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no artigo 7º, inciso I, c/c art. 15, do Regimento Interno desse órgão — CSRF, insurgindose contra decisão da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, mediante o Acórdão n° 30239.553, fls. 233 a 244, de 18/06/2008, cuja ementa transcrevo: Assunto: Imposto sobre a Importação Data do fato gerador: 14/09/2000 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. CERTIFICADO DE ORIGEM. RESOLUÇÃO ALADI 232/97. Em se tratando de produto exportado pela Venezuela e comercializado através de um terceiro país que não integra a ALADI, é possível a realização desta operação, mantendo a preferência tarifária, desde sejam observadas as condições da resolução ALADI nº 232/97 RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Adotaremos o relatório da DRJ,com as alterações pertinentes. Da autuação 1. Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de juros de mora e da multa de oficio no percentual de 75% perfazendo, na data da autuação, um credito tributário no valor total de R$ 716.849,84. 2. Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa registrou a Declaração de Importação n° 00/08722301, em 14/09/2000, submetendo a despacho aduaneiro 74957,73 barris de gasóleo, mercadoria classificável no código NCM 2710.00.41 da Tarifa Externa Comum — TEC, utilizandose da redução de 80% da alíquota do Imposto de Importação prevista no Acordo de Complementação Econômica n°39 (ACE 39), assinado pelo Brasil no âmbito da ALADI, instituído pelo Decreto nº 3.138, de 16/08/1999. 3. Após análise dos documentos que instruíram a DI (fatura comercial, certificado de origem e conhecimento de carga), a fiscalização concluiu que em se tratando de urna operação comercial entre uma empresa brasileira e uma sediada nas Ilhas Cayman, não haveria como a interessada invocar a redução tarifária prevista nos Acordos firmados no âmbito da ALADI. Fl. 308DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000727/200527 Acórdão n.º 930301.238 CSRFT3 Fl. 232 3 4. A negativa à redução tarifária nos termos do ACE 39, conforme pleiteada na citada DI, foi justificada pela fiscalização com base nos seguintes fatos e irregularidades: a) “no Certificado de Origem n° ALD 1001034130 (fls. 23) emitido em 18/10/2000, está declarado que as mercadorias indicadas correspondem a fatura comercial nº 1147380 emitida pela empresa PDVSA PETRÓLEO Y GAS S/A, situada na Venezuela e não apresentada no despacho. Entretanto, a Fatura Comercial que instruiu o despacho de importação foi a de n° PIFSB1015/2000 (fls. 22), emitida em 14.11.2000 pela empresa Petrobras International Finanee Company (PIFC0) situada nas Ilhas Cayman, pais não membro da ALAD1, documento que a fiscalização aduaneira utilizou para fazer as verificações e procedimentos fiscais necessários para o desembaraço aduaneiro da mercadoria ...”; b) quanto ao “conhecimento de embarque (fls. 21), documento que assegura a propriedade da mercadoria, este foi consignado à empresa Petrobras International Finance Company (PIFC0), logo essa empresa situada nas Ilhas Cayman era a proprietária da mercadoria”; c) “a Resolução 252 do Comitê de Representantes da ALADI, apenso ao Decreto n° 3.325, de 30/12/1999, que trata de sua execução no seu artigo quarto, não prevê a intervenção de um terceiro pais não membro da ALADI na qualidade de exportador caracterizada nesta operação"; d) conquanto o artigo nono da Resolução n° 252 do Comitê de Representantes da ALADI, apenso ao Decreto n°3.325, de 30.12.1999, "admita que a mercadoria objeto de intercâmbio possa ser faturada por um operador de um terceiro pais, não se aplica ao caso, uma vez que não houve interveniência de um operador, nos termos da Resolução acima mencionada, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador, na medida em que uma empresa situada nas Ilhas Cayman fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI"; e) "mesmo que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, na área relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração ser faturada por um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, não se conhecesse número da fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justificasse o fato, o que não ocorreu"; f) a indicação da invoice emitida pela PDVSÁ PETRÓLEO Y GAS S/A em um campo da fatura emitida pela Petrobras International Finance Company (PIFC0) não supre as exigências da citada Resolução n° 252, tampouco a referência feita à PIFCO neste documento, "visto que não identifica efetivamente a operação pretendida"; g) em função do disposto no artigo 129 do Regulamento Aduaneiro de 1985, então vigente (Interpretase literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação), qualquer situação excepcional em matéria tributária, como a redução de imposto, só poderá ser reconhecida se expressamente prevista na legislação, se utilizada conforme estabelece na legislação, sendo que a não observância dos requisitos da lei implicará na perda da redução. Fl. 309DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 4 5. Deste modo, concluiu a fiscalização que as preferências e contrapartidas econômicas, assentadas no regime de origem, contemplam exclusivamente o comércio praticado entre dois países signatários, destinandose tal regime a coibir qualquer interveniência nociva aos objetivos dos acordos pactuados entre os paísesmembros, pois conforme a legislação de vigência á época, o legislador não deixou margem para a interveniência de um terceiro pais, nos moldes da operação de fato ocorrida, de que resultou a importação efetuada pela fiscalizada. 6. Em função do constatado, foi lavrado o auto de infração de fls. 02 a 11 para cobrança da diferença do Imposto de Importação, acompanhada dos juros de mora e da multa de oficio de 75%. Da impugnação 7. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 01/09/2005, fl. 02, a autuada apresentou impugnação, em 14/09/2005, documentos às fls. 38 a 57, nos termos a seguir resumidos: 7.1. após traçar um histórico acerca dos fatos que permeiam à lide, a impugnante se reporta à operação comercial realizada onde explica que se trata de uma triangulação comercial, prática internacional comum adotada por razões comerciais de alongamento de prazo para pagamento e ampliação de fontes de captação de recursos; 7.2. defende que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI; 7.3. reconhece a ocorrência de equivoco no preenchimento da DI, na qualidade de operadoras comerciais e não de exportadoras, isso se referindo à condição da PIFCO, onde afirma também que esta sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a revenda; 7.4. diz que a própria fiscalização reconhece que o contribuinte procedeu à importação da PDVSA (Venezuela) com transporte direto ao Brasil; 7.5. destaca ainda que a PIFC0 figura corno exportadora pelo fato da Receita Federal não prever o procedimento especifico nos casos de triangulação comercial; 7.6. defende que os documentos que instruíram a DI são regulares, e estão em consonância com a Resolução n°252; 7.7 opõese a uma suposta multa regulamentar ao descumprimento dos requisitos do art. 425 do Regulamento Aduaneiro/85 inerentes à fatura comercial por entender que tal fato ocorre pela falta de previsão do procedimento de triangulação comercial; 7.8. alega que a fiscalização laborou em equivoco ao tentar interpretar o Tratado de Montevidéu e suas regras complementares, conforme razões apresentadas às fls. 40 a 49, onde aduz que a legislação não vincula duas formas de documentos (certificado de origem e nota fiscal), mas tão somente a identidade do seu conteúdo, representado pela descrição das mercadorias e a correspondência com a mercadoria efetivamente negociada; Fl. 310DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000727/200527 Acórdão n.º 930301.238 CSRFT3 Fl. 233 5 7.9. considera que a Resolução n°252 não definiu afigura do operador, bem como não informou como deveria ser a operação; 7.10. rebate o argumento de que a autuada não cumprira as formalidades exigidas na Resolução nº 252, ressaltando a conduta formalista do autuante, dando destaque aos princípios da razoabilidade e da instrumentalidade das formas; 7.11. ressalta o caráter instrumental do Imposto de Importação, onde aduz que este é um instrumento regulador do comércio exterior, possuindo assim, função extrafiscal e não arrecadatória, como a maioria dos impostos; 7.12. discorda da aplicação da multa proporcional de 75 %, tomando por base o Ato Declaratório Interpretativo SRF n°13, de 10/09/2002, e ainda, destaca a inaplicabilidade da taxa SELIC. 8. Ao final, com base nos fundamentos acima elencados, a impugnante requer que o lançamento seja considerado totalmente insubsistente, protestando por lodos os meios de prova em direito admitidos. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a apreciar. Do Cabimento da Preferência Tarifária No presente recurso, a recorrente não logrou êxito em demonstrar o saneamento da falha perpetrada quando da instrução do despacho de importação da mercadoria objeto do presente litígio. Ou seja, não foi apresentada a fatura comercial atrelada ao certificado de origem e, por essa razão, não há como se considerar cumpridas as exigências inerentes ao regime de origem da Aladi. Nesse ponto, preciso é o parágrafo único do art. 434 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 1985, vigente à época dos fatos controvertidos: Art. 434. No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único. Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado Fl. 311DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 6 de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Nessa esteira, entendo aplicáveis, na espécie, as considerações formuladas por ocasição do voto vencido, prolatado quando do julgamento do recurso nº 137831, onde atuou como relator o conselheiro Luís Marcelo Guerra de Castro, onde foram enfrentadas as alegações trazidas na jurisprudência da CSRF que apoiaria as considerações do sujeito passivo. Transcrevo: Por sintetizar o raciocínio que orienta esse entendimento, transcrevo ementa de acórdão da CSRF prolatado nos autos do Recurso Especial nº 302124323, que teve como relatora a i. Conselheira Anelise Daudt Prieto, no qual, por maioria de votos, decidiuse: CERTIFICADO DE ORIGEM PREFERENCIA TARIFÁRIA RESOLUÇÃO ALADI 232 Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de país não integrante da ALADI. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo país produtor da mercadoria, acompanhado da fatura do país interveniente e do conhecimento de embarque que deixam clara a origem da mercadoria, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9°, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). Recurso especial provido. Apesar de entender que tal decisão está em harmonia com a regra geral de origem estampada no art. 9º do Decretolei nº 37, de 19661, peço licença para discordar das conclusões consignadas no aresto. Penso que, na espécie, o dispositivo nacional deve ceder espaço ao regime da Aladi, onde não foram produzidos os documentos corretos para a concessão da preferência tarifária objeto do presente litígio, nem suprida a sua ausência pelos meios definidos no mesmo acordo. Por uma questão de sistematização, analiso separadamente os fatores que me levaram a adotar essa conclusão. 1 Tipicidade e Relação Jurídica Tributária Interessa à solução do litígio, a meu ver, avaliar se os fatos carreados aos autos se subsumem perfeitamente à hipótese abstratamente prevista na norma negocial que estabeleceu a preferência tarifária objeto do presente litígio. Caso isso não se verifique, afastado estaria o fundamento para sua concessão. Ou seja, independentemente de ser conceituada como uma isenção parcial ou alíquota diferenciada, a aplicação da preferência tarifária negociada é necessariamente orientada 1 Art. 9º Respeitados os critérios decorrentes do ato internacional de que o Brasil participe, entenderseá por país de origem da mercadoria aquele onde houver sido produzida ou, no caso de mercadoria resultante de material ou mãodeobra de mais de um país, aquele onde houver recebido transformação substancial. Fl. 312DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000727/200527 Acórdão n.º 930301.238 CSRFT3 Fl. 234 7 pelo princípio da tipicidade cerrada, dogmatizado pelos arts. 97, VI e 111, II do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966)2 Vejamos o que diz Alberto Xavier3 Como já mais de uma vez se sublinhou, o lançamento é o ato administrativo pelo qual a Administração aplica a norma tributária material a um caso concreto. Nuns casos, essa aplicação tem por conteúdo reconhecer a tributabilidade do fato e, portanto, declarar a existência de uma relação jurídica tributária e definir o montante da prestação devida. Noutras hipóteses, porém, da aplicação da norma ao caso concreto resulta o reconhecimento da não tributabilidade do fato e, portanto, da não existência no caso concreto de uma obrigação de imposto. Nos primeiros, a Administração pratica um ato de conteúdo positivo; nas segundas, um ato de conteúdo negativo. (destaquei) José Souto Maior Borges4, a seu turno, pontifica: É o fato gerador, consoante se demonstrou, uma entidade jurídica (supra, III). Por força do princípio da legalidade da tributação, o fato gerador existe si et ia quantum estabelecido previamente em texto de lei: os contornos essenciais da hipótese de incidência (núcleo e elementos adjetivos) integram todos a lei tributária material. Sem a previsão legal hipotética dos fatos ou conjunto de fatos que legitimam a tributação inexiste portanto fato gerador de obrigação tributária. Por isso, afirmase corretamente que o fato gerador é fato jurídico. Sob outro ângulo, a análise jurídica revela ser a extensão do preceito que tributa delimitada pelo preceito que isenta. A norma que isenta é assim uma norma limitadora ou modificadora: restringe o alcance das normas jurídicas de tributação; delimita o âmbito material ou pessoal a que deverá estenderse o tributo ou altera a estrutura do próprio pressuposto da sua incidência. A norma de isenção, obstando o nascimento da obrigação tributária para o seu beneficiário, produz o que já se denominou fato gerador isento, essencialmente distinto do fato gerador do tributo. (destaquei) 2 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; 3 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1998, 2.ed. p. 100. 4 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ªed. p.p. 190/191 Fl. 313DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 8 Possivelmente, a principal conseqüência da préfalada tipicidade cerrada, pelo menos para a solução do vertente processo, é a impossibilidade se pode recorrer à analogia a pretexto de colmatar supostas lacunas da norma. Nesse caso, há que se aplicar a doutrina do Silêncio Eloqüente do legislador, com as restrições brilhantemente defendidas pelo Min. Moreira Alves, nos autos do RE Nº 130.5525 DF (DJ de 28/06/1991): “... só se aplica a analogia quando, na lei, haja lacuna, e não o que os alemães denominam ‘silêncio eloqüente’ (Beredtes Schweigen) que é o silêncio que traduz que a hipótese contemplada é a única a que se aplica o preceito legal, não se admitindo, portanto, aí o emprego da analogia.” Tal ressalva é importante para a solução do presente litígio porque, como se verá a seguir, o regime de origem do ACE 39, que isola a aplicação do regime do DL 37, de 1966, definiu as formas de suprir eventual falha documental perpetrada na demonstração do cumprimento dos requisitos de origem. É defeso ao intérprete, portanto, considerar suprida eventual falha documental por meios diversos dos previstos no Acordo, invocando, por exemplo, analogicamente, o comando do art. 9º, que trata do Regime Geral de Origem. Conforme se observa na leitura do já transcrito art. 9º do Decretolei nº 37, de 1966, delimitou com razoável precisão o conceito jurídico de “origem”, que, aliás, muito se aproxima do significado coloquial da expressão (local onde a mercadoria foi produzida ou sofreu transformação substancial). Assim, para efeito de aplicação da legislação, sempre que a delimitação da origem da mercadoria for relevante, caberia ao intérprete investigar o local onde a mercadoria foi produzida ou sofreu transformação substancial Tratarseia então do emprego do que Alfredo Augusto Becker5, apoiado na doutrina de Emilio Betti, denominou Cânone Hermenêutico da Totalidade do Sistema Jurídico, que a unicidade dos conceitos jurídicos, independentemente do contexto em que o mesmo esteja sendo empregado. Diz o autor: “...uma definição, qualquer que seja a lei que a tenha enunciado, deve valer para todo o direito; salvo se o legislador expressamente limitou, estendeu ou alterou aquela definição ou excluiu sua aplicação num determinado setor do direito; mas para que tal alteração ou limitação ou exclusão aconteça é indispensável a existência de regra jurídica que tenha disciplinado tal limitação, extensão, alteração ou exclusão.” Ocorre que, segundo o próprio art. 9º, o conceito de origem ali consignado cede espaço aos critérios fixados em ato internacional de que o Brasil participe, hipótese que se verifica no presente julgamento, onde se encontra em discussão a aplicação de preferência tarifária outorgada nos termos do 5 Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo, Lejus, 3ª ed. p. 123 Fl. 314DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000727/200527 Acórdão n.º 930301.238 CSRFT3 Fl. 235 9 Acordo de Complementação Econômica nº 39, promulgado pelo Decreto nº 3.138, de 16/08/1999. Vendo por outro ângulo, para efeito de reconhecimento de preferência tarifária, se o acordo que a concede possuir regime próprio, mercadoria originária de país signatário é aquela que preenche as condições daquele ato, ainda que tais condições não guardem relação com conceitos consagrados no plano da linguagem corriqueira ou no regime nacional de origem. Ou seja, assim como, para efeito de lei, determinados bens evidentemente móveis podem ser tratados como imóveis, para efeito da aplicação de preferência, mercadorias evidentemente extraídas de determinado país podem deixar de ser reconhecidas como originárias ou, em sentido inverso, ainda que não tenham sofrido qualquer transformação substancial, fazem jus ao regime diferenciado. O acordo que concede a preferência é soberano. Tanto em um quanto em outro exemplo, configurarseia uma ficção jurídica, onde o mundo fático, por disposição legal, é distorcido pelo jurídico. Preciso, a meu ver o conceito de ficção jurídica apresentado por Maria Rita Ferragut6, citando a obra de Perez de Ayala: De acordo com José Perez de Ayala a ficção jurídica constituise na valoração contida num preceito legal, em virtude do qual se atribuem, a determinados supostos de fatos, certos efeitos jurídicos, violentando ou ignorando a natureza real das coisas. E uma técnica que permite ao legislador atribuir efeitos jurídicos que, na ausência da ficção, não seriam possíveis a certos fatos ou realidades sociais. (grifei) No caso da preferência tarifária em debate, o regime de origem a ser considerado, por determinação expressa do artigo 87 do ACE nº 39, é o estabelecido na Resolução 78 da Aladi e pelas demais regras que a complementam, dentre as quais destacase a Resolução 252 do Comitê de Representantes da Aladi, promulgada pelo Decreto nº 3.325, de 1999. Cabe registrar, desde já, que. diferentemente do entendimento consignado no acórdão hostilizado, não vejo a “triangulação” comercial represente uma violação à regra do artigo Quarto da Resolução Aladi nº 78, atualmente consolidado na Resolução nº 252, que condiciona o reconhecimento da origem à expedição direta da mercadoria. Com efeito, o Conhecimento de Transporte juntado por cópia à fl. 17 não faz menção ao fato de que a mercadoria tenha transitado, sido transbordada ou armazenada em um país estranho ao ACE 39: a mercadoria, segundo aquele documento, 6 Presunções no Direito Tributário. São Paulo, Dialética, 2001 p. 85 7 Para a qualificação da origem das mercadorias que se beneficiem do presente Acordo as Partes Signatárias aplicarão o Regime Geral de Origem previsto na Resolução 78 e nas disposições complementares e modificativas do Comitê de Representantes da ALADI, salvo se as Partes Signatárias convierem diferentemente. Fl. 315DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 10 foi embarcada em Punta Cardon, Venezuela, com destino ao Território Brasileiro. Ou seja, a meu ver, assim como consignado no citado acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a regra em questão impõe restrições ao trânsito físico da mercadoria por um terceiro país, não à sua comercialização por um operador nele estabelecido. Tanto é assim que a Resolução nº 252 estabeleceu regra específica para a importação de mercadoria onde figure como exportador operador sediado em país nãoparticipante do ACE. Vejase o que diz o artigo nono da Resolução 252, incorporado ao Regime de Origem da Aladi por essa mesma resolução: NONO Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. (destaquei) Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. (os grifos não constam do original) Notese que, a mesma resolução 252 estabelece, por via oblíqua, as conseqüências do descumprimento das regras inerentes ao certificado de origem, literalmente: SÉTIMO Para que as mercadorias objeto de intercâmbio possam beneficiarse dos tratamentos preferenciais pactuados pelos países participantes de um acordo celebrado de conformidade com o Tratado de Montevidéu 1980, esses países deverão acompanhar os documentos de exportação, no formuláriopadrão adotado pela Associação, de uma declaração que acredite o cumprimento dos requisitos de origem que correspondam, de conformidade com o disposto no Capítulo anterior. Essa declaração poderá ser expedida pelo produtor final ou pelo exportador da mercadoria de que se tratar. (destaquei) Com efeito, se a norma condiciona o reconhecimento da preferência à apresentação da declaração própria do Certificado de Origem, segundo os ditames do acordo, por óbvio, afasta o tratamento diferenciado se descumpridas as condições préestabelecidas. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000727/200527 Acórdão n.º 930301.238 CSRFT3 Fl. 236 11 De se observar, ademais que, analisando o parágrafo único do artigo nono da mesma resolução, podese inferir que a norma definiu com clareza quais são as providências a adotar nas hipóteses em que a triangulação comercial impede o preenchimento na forma préestabelecida, rito que, conforme apontado pelas autoridades autuantes, não foi seguido. Nessa esteira, a meu ver, a tipicidade cerrada que norteia a avaliação do cumprimento dos pressupostos inerentes ao Acordo proíbe que se busquem outros meios para, supostamente demonstrar a observância do regime de origem. Ora, o regime de origem fixado pela Resolução 252 é aquele cuja prova é feita nos termos das regras procedimentais nele previstas, saber o último porto de embarque da mercadoria, neste caso, não supre o descumprimento daquelas regras. Ou seja, não é suficiente, para aplicação do tratamento diferenciado, a demonstração, por outros meios documentais, que a mercadoria, aparentemente foi produzida e embarcada na Venezuela. Isso seria suficiente se o reconhecimento estivesse sujeito à regra geral gizada no artigo 9º do Decretolei nº 37, de 1966. Repisese que, em obediência ao princípio da tipicidade, não se pode partir do pressuposto que a sistemática definida na Resolução 252 contém lacunas. Ela simplesmente optou por não admitir, por exemplo, que a falha na adoção das providências elencadas no art. nono sejam supridas pela apresentação de uma fatura comercial estranha àquela que constou do Certificado de Origem. Finalmente, a meu ver, razão assiste às autoridades autuantes quando apontaram a impossibilidade de se cotejar a quantidade da mercadoria amparada pelo certificado de origem coligido aos autos, que não contém essa informação. Sem que tal informação conste do certificado ou não for possível vincular certificado e fatura comercial, como saber se a totalidade das mercadorias desembarcadas no Brasil foi embarcada na Venezuela? Resta prejudicado portanto o cumprimento do requisito estabelecido no artigo oitavo da Resolução 252, literis: OITAVO A descrição das mercadorias incluídas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes deverá coincidir com a que corresponde à mercadoria negociada, classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que se registra na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro.(grifei) Logo, a certificação da origem é feita com base também em função da fatura comercial que acoberta a saída de mercadorias. Pelas normas internacionais vigentes (art. 4º do Fl. 317DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 12 Acordo 91 do Comitê de representantes da Aladi), é necessário que haja a vinculação do certificado de origem da mercadoria à fatura comercial correspondente. O próprio formulário adotado para formalizar a certificação possui um campo específico destinado à clara e perfeita informação do número da fatura a que se relaciona. Assim, qualquer certificado de origem somente pode ser usado para amparar a mercadoria coberta pela fatura comercial nele indicada. Com efeito, é o vínculo entre certificado de origem e fatura comercial que garante o cumprimento dos requisitos fixados entre os Estados signatários do Acordo e legitima a fruição do benefício tarifário quanto á mercadoria importada. No momento em que há divergência nas informações prestadas no certificado de origem e na fatura comercial, ou a ausência dos requisitos previstos nos acordos internacionais, O estado importador fica impedido de reconhecer o tratamento preferencial, devendo ser aplicado o regime normal de tributação previsto para os países não signatários dos acordos internacionais. Não se pode olvidar, por outro lado que a avaliação do cumprimento das condições fixadas pela legislação específica do regime reclama a observância das normas que disciplinam a fruição da isenção condicionada, especialmente o pelo art. 179, caput e § 2º, do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172, de 1966), que dizem: Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para concessão. (...) § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito acrescido de juros de mora: Aplicar o art. 179 e, se for o caso, o art. 155, significa, a meu ver, avaliar, conforme o caso, o cumprimento das condições fixadas no Acordo, inclusive no que se refere ao cumprimento das exigências de ordem instrumental. Sobre a imperiosidade da coexistência dos aspectos instrumental e material, bem assim da obrigatoriedade do sujeito passivo trazer ao processo, pelos meios adequados, os elementos que permitam a avaliação do cabimento da isenção, vale a pena relembrar trecho da obra de Alberto Xavier8: “... Na verdade, enquanto a Administração fiscal tem o dever de investigar oficiosamente os fatos arvorados por lei em elementos do tipo tributário, nem sempre esse dever lhe cabe quanto aos 8 Do lançamento: teoria geral do ato, do procedimento e do processo tributário. Rio de Janeiro. Forense, 1998, 2ª ed., p. 103/104. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO Processo nº 10209.000727/200527 Acórdão n.º 930301.238 CSRFT3 Fl. 237 13 fatos impeditivos da obrigação de imposto. Não pode afirmarse que a Administração não tenha o dever de investigar a verdade material quanto ao fato isento, nos casos a que nos referimos: o que sucede é que a lei faz depender o início da investigação de um pressuposto processual, que é um requerimento ou solicitação expressa do particular, sem o qual a Fazenda não pode reconhecer a isenção, nem portanto operar a sua eficácia impeditiva. É o que resulta do artigo 179 do Código Tributário Nacional, segundo o qual “a isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento no qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão”. (destaquei) De se reafirmar, portanto, que, como frisou o mestre lusitano, a regra isencional de caráter especial não gera efeitos ope iuris. É necessário que se cumpra o rito procedimental próprio, consubstanciado no pleito do benefício e na apresentação de prova do preenchimento das condições definidas na norma de caráter substancial. De maneira semelhante, pondera Souto Maior Borges9: “Toda isenção deve ser concedida mediante prova documental da sua causa que remova as contestações e incertezas. (...) Devese distinguir assim, consoante o ensinamento de Amílcar de Araújo Falcão, no estudo das isenções, dois momentos ou aspectos distintos: I) o aspecto substancial ou material, ou seja, os requisitos ou elementos de perfeição ou integração dos pressupostos da isenção; regime que estabelece os pressupostos para o surgimento do direito à isenção (Tatbestandsstücke), os destinatários da norma (Normadressaten) e o âmbito, o alcance ou extensão do preceito isentivo; II) o aspecto formal, um processus, um requisito de eficácia para que o efeito desagravatório da isenção se produza (Wirksamkeitserfordernis). Distinguese, deste modo, entre pressupostos integrativos da relação jurídica de isenção e pressupostos de eficácia do resultado legalmente estabelecido. Estes últimos relacionamse pois com as circunstâncias que condicionam a produção dos efeitos jurídicos. (destaquei) Não existe, pois, como debater a incidência da norma isentiva de cunho material ignorando aquelas de natureza processual. Sem o cumprimento dos pressupostos de eficácia, a cargo do sujeito passivo. A norma simplesmente não produz efeitos sem a intervenção do beneficiário. 9 Teoria Geral da Isenção Tributária. São Paulo. Malheiros, 2001, 3ª ed. p. 336 Fl. 319DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO 14 Nesse contexto, à luz do fixado no caput do art. 179 do CTN, é imperioso que o sujeito passivo que pretende usufruir do benefício faça prova que reúne condições para tanto. Ausente a comprovação documental pelos meios estabelecidos no Acordo de Complementação Econômica, incabível é a preferência tarifária. Voto pelo provimento do recurso especial. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 320DF CARF MF Emitido em 23/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Assinado digitalmente em 12/05/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, 18/07/2011 por CARLOS ALBERTO FREIT AS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.000650/2006-09
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Anocalendário:
1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Preliminar de nulidade.
Rejeitase
a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando
não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, tendo
sido obedecidos na consecução do lançamento todos os requisitos
legais inerentes a tal atividade.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Anocalendário:
1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Decadência.
No lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5
(cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador de acordo
com o art. 150 § 4º do CTN
Decadência das Contribuições para Seguridade Social.
O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos
extinguese
após 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do
exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Súmula nº 8
do Supremo Tribunal Federal
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade
Social Cofins
Anocalendário:
1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Entidade de Previdência Abertas e Fechadas. Base de Cálculo.
As entidades de previdência abertas e fechadas estão sujeitas ao
recolhimento da COFINS a partir do mês de fevereiro de 1999,
calculada mensalmente segundo as determinações da legislação
tributária pertinente: a base de cálculo é igual a diferença entre as
receitas e as exclusões admitidas.
Verificado em diligência fiscal erro na determinação de algumas
das bases de cálculo no lançamento das diferenças apuradas,
devese
proceder aos ajustes necessários.
Incabível a incidência da COFINS sobre as receitas de aluguel, ex
vi da inconstitucionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718/98
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Anocalendário:
1999, 2000, 2001, 2002, 2003
Entidade de Previdência Abertas e Fechadas. Base de Cálculo.
As entidades de previdência abertas e fechadas estão sujeitas ao
recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep a partir do ano de
1994, calculada mensalmente segundo as determinações da
legislação tributária pertinente: a base de cálculo é igual a
diferença entre as receitas e as exclusões admitidas.
Verificado em diligência fiscal erro na determinação de algumas
das bases de cálculo no lançamento das diferenças apuradas,
devese
proceder aos ajustes necessários.
Incabível a incidência do PIS sobre as receitas de aluguel, ex vi
da inconstitucionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718/98
Lançamento procedente em parte.
Numero da decisão: 3302-000.617
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os
conselheiros José Antonio Francisco e Walber José da Silva.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Não Informado
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Rejeitase a preliminar de nulidade invocada pela defesa, quando não houve cerceamento do direito de defesa do autuado, tendo sido obedecidos na consecução do lançamento todos os requisitos legais inerentes a tal atividade. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Decadência. No lançamento por homologação, o prazo de decadência será de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador de acordo com o art. 150 § 4º do CTN Decadência das Contribuições para Seguridade Social. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 05 (cinco) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Súmula nº 8 do Supremo Tribunal Federal Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Entidade de Previdência Abertas e Fechadas. Base de Cálculo. As entidades de previdência abertas e fechadas estão sujeitas ao recolhimento da COFINS a partir do mês de fevereiro de 1999, calculada mensalmente segundo as determinações da legislação Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 2 2 tributária pertinente: a base de cálculo é igual a diferença entre as receitas e as exclusões admitidas. Verificado em diligência fiscal erro na determinação de algumas das bases de cálculo no lançamento das diferenças apuradas, devese proceder aos ajustes necessários. Incabível a incidência da COFINS sobre as receitas de aluguel, ex vi da inconstitucionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718/98 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Entidade de Previdência Abertas e Fechadas. Base de Cálculo. As entidades de previdência abertas e fechadas estão sujeitas ao recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep a partir do ano de 1994, calculada mensalmente segundo as determinações da legislação tributária pertinente: a base de cálculo é igual a diferença entre as receitas e as exclusões admitidas. Verificado em diligência fiscal erro na determinação de algumas das bases de cálculo no lançamento das diferenças apuradas, devese proceder aos ajustes necessários. Incabível a incidência do PIS sobre as receitas de aluguel, ex vi da inconstitucionalidade do art. 3º § 1º da Lei nº 9.718/98 Lançamento procedente em parte. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros José Antonio Francisco e Walber José da Silva. (Assinado Digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto Relator EDITADO EM: 12/08/2011 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto (Relator). Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 3 3 Relatório Adotase o relatório do acórdão DRJ/BRE n° 0217.823, de 20 de Maio de 2008: Contra a Contribuinte, pessoa jurídica, já qualificada nos autos, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 05/08 e 87/90, exigindo, respectivamente, a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS e para o Programa de Integração Social – PIS, nos valores de R$ 84.709,34 e R$ 35.650,68, cumulados com multa de ofício, no percentual de 75%, e juros de mora pertinentes calculados até 30/12/2005. Auto de Infração da COFINS. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “Valor apurado conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, anexo.” Do Termo de Verificação Fiscal – TVF (documento de fls. 18/24). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. De acordo com o seu estatuto social, a Fiscalizada é uma Entidade Fechada de previdência Privada – EFPP, multipatrocinada, com finalidade assistencial e previdenciária. Nos termos do art. 22, § 1º, da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, para fins de determinação da COFINS, a CASFAM é equiparada às instituições financeiras. Por sua vez, a Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991, que instituiu a COFINS, no seu art. 11, parágrafo único, excluiu as EFPP do pagamento dessa contribuição. Posteriormente, a Lei nº 9.718, de 27/11/1998, nos seus arts. 2º e 3º, determinou a incidência da COFINS sobre a receita bruta mensal auferida pelas EFPP, admitidas as exclusões previstas nestes mesmos atos legais. E a Medida Provisória nº 1.807, de 1999, reeditada sob o nº 1.8586, de 1999, atual MP nº 2.15835, de 2001, promoveu alterações na forma de incidência da COFINS. O legislador, ao incluir as entidades de previdência privada abertas e fechadas, no rol das pessoas jurídicas sujeitas aos recolhimentos das contribuições para o PIS e a COFINS, com base na receita bruta mensal, o fez de maneira literal, inclusive quando autorizou a exclusão de determinadas receitas específicas dessas instituições da base de cálculo dessas contribuições. Sendo assim, as entidades de previdência abertas ou fechadas, sejam constituídas sob a forma de sociedade anônima, associação, sociedade civil ou fundação, estão sujeitas a efetuarem os recolhimentos das contribuições para o PIS e a COFINS, com base na receita bruta auferida mensalmente, após efetuarem as deduções e exclusões da base de cálculo admitidas pela legislação vigente. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 4 4 Na apuração da base de cálculo da COFINS, foram seguidas as determinações contidas no art. 29, da IN nº 247, de 2002. Para tanto, foram montadas as planilhas mensais intituladas “Apuração do PIS/Pasep e da COFINS das Entidades Fechadas de Previdência Complementar”, de fls. 25/84, nas quais foram lançados os rendimentos brutos, deduzindose as parcelas referentes aos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursos destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates. As bases de cálculo mensais foram, então, transpostas para a planilha “DIFERENÇAS APURADAS COFINS”, de fls. 85/86, na coluna “Base Apurada” que multiplicadas pela alíquota deu os valores constantes da coluna “COFINS Devida”. Do valor da COFINS apurado, foi deduzido o maior valor dentre os constantes ou das DCTF apresentadas, indicado como “Valor Declarado”, ou os efetivamente pagos constantes da coluna “Valor Pago”. O que resultou nas diferenças a serem lançadas. A Fiscalizada utilizouse do benefício previsto no parágrafo único do art. 32, da Lei nº 10.637, de 2002. Para tal, foi utilizado o código de recolhimento “9562”. Os recolhimentos foram efetuados em seis parcelas mensais consecutivas, de fevereiro a junho de 2002. Foi apresentado pela Fiscalizada um demonstrativo definindo o valor da contribuição correspondente a cada mês, intitulado “CALCULO DA COFINS – CASFAM CONSOLIDADO” (fls. 130). A soma destes valores com os recolhimentos normais efetuados pela Fiscalizada foram lançados na coluna “Valor Pago” da planilha “DIFERENÇAS APURADAS – COFINS”. A Contribuinte fez opção pelo regime especial de tributação – RET, introduzido pela MP nº 2.222, de 2001, desistindo expressamente das ações judiciais referentes à COFINS, conforme documentos de fls. 132/147. Auto de Infração do PIS. Na descrição dos fatos, a Fiscalização fez as anotações abaixo transcritas: “Valor apurado conforme TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL – PIS e demonstrativo DIFERENÇAS APURADAS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS, anexos.” Do Termo de Verificação Fiscal – TVF (documento de fls. 100/122). Eis os principais pontos abordados pela Fiscalização. Por meio da Emenda Constitucional de Revisão nº 1, de 1994, e das Emendas Constitucionais nº 10, de 1996, e nº 17, de 1997, o legislador estabeleceu que todas as pessoas jurídicas mencionadas no § 1º, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, aí compreendidas as entidades de previdência privada abertas e fechadas, deveriam contribuir para o PIS/PASEP, mediante aplicação da alíquota de 0,75% (setenta e cinco centésimos por cento), sobre a receita bruta operacional, nos exercícios financeiros de 1994 a 1999. Com a edição da MP nº 1.807, de 1999, a referida alíquota foi reduzida para 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento). Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 5 5 Com a edição da Lei nº 9.715, de 1998, houve previsão de tratamento diferenciado para as pessoas jurídicas de que trata o § 1º, do art. 22, da Lei 8.212, de 1991 (a CASFRAM, na qualidade de empresa de previdência privada fechada, está entre elas). E, de acordo com o art. 1º, da Lei nº 9.701, de 1998, essas entidades, para fins de apuração da base de cálculo do PIS, podem excluir as parcelas das contribuições destinadas à constituição de provisões ou reservas técnicas. Posteriormente, a Lei nº 9.718, de 1998, nos seus arts. 2º e 3º, determinou a incidência do PIS sobre a receita bruta mensal auferida pelas EFPP, admitidas as exclusões previstas nestes mesmos atos legais. E a Medida Provisória nº 1.807, de 1999, reeditada sob o nº 1.8586, de 1999, atual MP nº 2.15835, de 2001, promoveu alterações na forma de incidência do PIS/PASEP. O legislador, ao incluir as entidades de previdência privada abertas e fechadas, no rol das pessoas jurídicas sujeitas aos recolhimentos das contribuições para o PIS e a COFINS, com base na receita bruta mensal, o fez de maneira literal, inclusive quando autorizou a exclusão de determinadas receitas específicas dessas instituições da base de cálculo dessas contribuições. Sendo assim, as entidades de previdência abertas ou fechadas, sejam constituídas sob a forma de sociedade anônima, associação, sociedade civil ou fundação, estão sujeitas a efetuarem os recolhimentos das contribuições para o PIS e a COFINS, com base na receita bruta auferida mensalmente, após efetuarem as deduções e exclusões da base de cálculo admitidas pela legislação vigente. Na apuração da base de cálculo do PIS, foram seguidas as determinações contidas no art. 29, da IN nº 247, de 2002, art. 29. Para tanto, foram montadas as planilhas mensais intituladas “Apuração do PIS/Pasep e da COFINS das Entidades Fechadas de Previdência Complementar”, de fls. 25/84, nas quais foram lançados os rendimentos brutos, deduzindose as parcelas referentes aos rendimentos auferidos nas aplicações financeiras de recursos destinados ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates. As bases de cálculo mensais foram, então, transpostas para a planilha “DIFERENÇAS APURADAS PIS”, de fls. 107/108, na coluna “Base Apurada” que multiplicadas pela alíquota deu os valores constantes da coluna “PIS Devido”. Do valor do PIS apurado, foi deduzido o maior valor dentre os constantes ou das DCTF apresentadas, indicado como “Valor Declarado”, ou os efetivamente pagos constantes da coluna “Valor Pago”. O que resultou nas diferenças a serem lançadas. A Fiscalizada utilizouse do benefício previsto no parágrafo único do art. 32, da Lei nº 10.637, de 2002. Para tal, foi utilizado o código de recolhimento “9558”. Os recolhimentos foram efetuados em seis parcelas mensais consecutivas, de fevereiro a junho de 2002. Foi apresentado pela Fiscalizada um demonstrativo definindo o valor da contribuição correspondente a cada mês, intitulado “CALCULO DO PIS – CASFAM CONSOLIDADO” (fls. 131). Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 6 6 A soma destes valores com os recolhimentos normais efetuados pela Fiscalizada foram lançados na coluna “Valor Pago” da planilha “DIFERENÇAS APURADAS – PIS”. A Contribuinte fez opção pelo regime especial de tributação – RET, introduzido pela MP nº 2.222, de 2001, desistindo expressamente das ações judiciais referentes ao PIS, conforme documentos de fls. 132/147. Da impugnação. Tendo sido deles notificados, em 19/01/2006, o sujeito passivo contestou os lançamentos, em 20/02/2006, mediante o instrumento de fls. 180 a 192. Adiante compendiamse suas razões. De início, a Impugnante ressalta a tempestividade da defesa apresentada e faz um breve relato dos fatos. Depois, faz um breve resumo dos fatos. DECADÊNCIA. A seguir, a Impugnante, com base no art. 150, § 4º, do CTN, alega a decadência do direito de o Fisco constituir supostos créditos tributários após o prazo de 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. Nesse sentido, salienta que efetivamente recolheu antecipadamente os tributos objeto da autuação, configurandose, pois, lançamentos sujeitos a ulterior homologação por parte do Fisco. Alega, encontrase pacificado o entendimento segundo o qual o recolhimento parcial do tributo não afasta a incidência do disposto no art. 150, § 4º, do CTN. Esclarece que não há que se cogitar, aqui, de aplicação do art. 173, parágrafo único, do CTN. Aduz, não resta dúvida, portanto, que o Fisco decaiu do direito de constituir créditos tributários relativamente a fatos geradores ocorridos anteriormente a 19/01/2001 (data equivalente ao período de cinco anos contados da lavratura do auto de infração, em 19/01/2006). De outro lado, alega que “as medidas preparatórias” não obedeceram às determinações previstas no art. 7º, do decreto nº 70.235, de 1972. A Portaria SRF nº 3007, de 2001 (e alterações posteriores), determina, por sua vez, que o MPFF tenha prazo de validade de 120 dias, sendo admitidas prorrogações tantas vezes quantas necessárias, observados os limites estabelecidos no seu art. 13, ou seja, prazo máximo de sessenta dias. Alega que expirado o prazo de validade do MPFF (fls. 01), em 04/08/2004, não foi providenciada sua regular prorrogação por parte do Fisco, conforme estabelece o art. 13, § 2º, da Portaria SRF nº 3.007, de 2001, ou seja, com ciência da Impugnante. Ressalta, ainda, que o MPFC somente foi lavrado em 30/09/2005, ou seja, 5 (cinco) meses após a última prorrogação indicada às fls.03 (01/04/2005). Assim, caso sejam consideradas como válidas as prorrogações listadas às fls. 03, a emissão do MPF Complementar foi realizada fora do prazo permitido em lei. Não bastasse, tal MPFC está emitido irregularmente, pois não indica qual é o tributo objeto do procedimento fiscal, e inexiste outro novo MPF emitido pela Fiscalização. Portanto, ainda que se venha a cogitar da aplicação do art. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 7 7 173, do CTN, não poderão ser consideradas como “medidas preparatórias” válidas, para efeitos de contagem do prazo decadencial, os documentos de fls. 1, 2, 3, 121 e 123 dos autos. INEXISTÊNCIA DE DÉBITOS. Alega que o Fisco incorreu em diversos erros por ocasião da apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS devidos pela Impugnante. Impõese, por conseguinte, a conferência e homologação dos cálculos apresentados, elaborados com estrita observância às disposições da Portaria MPAS nº 4.858, de 1998. Aduz que, como uma pessoa jurídica constituída segundo as normas aplicáveis às EFPP, aufere receitas com a finalidade única de financiar o desenvolvimento das atividades previstas em seus atos constitutivos, configurando, assim, receitas necessárias para pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgate dos planos de benefícios de previdência complementar. Assim, está sujeita à legislação tributária na condição de instituição sem fins lucrativos (art. 31, § 1º, da Lei Complementar nº 109, de 2001). Diz, segundo as normas pertinentes, a contabilidade das EFPP deve ser segregada em 4 (quatro) Programas, quais sejam: (i) o previdencial; (ii) o assistencial; (iii) o administrativo; e (iv) o de investimentos. Os programas previdencial e assistencial são programasfim, destinados ao registro contábil dos planos de benefícios de caráter previdenciário, bem como o gerenciamento da administração dos planos de benefícios. Os programas administrativo e de investimentos são programasmeio, funcionando como uma espécie de “prestadores de serviço” para os demais programas da entidade, pois se destinam ao registro dos fatos contábeis relacionados à manutenção e funcionamento das atividades da entidade e dos bens pertencentes ao ativo permanente, bem como ao gerenciamento da aplicação dos recursos da entidade. De acordo com as normas que regulam os procedimentos contábeis da EFPP (MPAS/SPC nº 4.858, de 1998, posteriormente substituída pela Resolução CGPC nº 05, de 2002), as “transferências interprogramas” são utilizadas para identificar a movimentação de recursos entre os programas, por meio de transferências de recursos, de cobranças e de repasses entre as diferentes naturezas de gastos dos referidos programas, observados os critérios fixados na própria norma. Após análise minuciosa, a Impugnante verificou (Doc. 4) que o Fisco não levou em consideração as normas contábeis aplicáveis às EFPP, incorrendo em diversos equívocos que resultaram na errônea formação da base de cálculo do PIS e da COFINS, com lançamentos de quantias já lançadas em outras contas do balanço, ensejando dupla tributação sobre o mesmo fato gerador, bem como a desconsideração de parcelas já pagas a título de PIS e COFINS incidentes sobre receitas de ganho de imóvel. a) Do cálculo do PIS/COFINS sobre receitas de imóvel. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 8 8 Salienta que, conforme a Portaria MPAS/SPC nº 4.858, de 1998, a forma de contabilização de edificações para uso próprio se dá em conta do Ativo, de Código, “1.2.4.3.03 – Edificações para uso próprio”, a qual “01 registra o custo de aquisição, inclusive as despesas de honorários, taxas, emolumentos, impostos etc. e a transferência do saldo da conta imóveis em construção para uso próprio da entidade; e 02 – deve ser atribuído um aluguel compatível com o valor de mercado, com registro contábil em receitas de aluguéis no programa de investimentos e despesas administrativas, concomitantemente”. Diz que, seguindo a determinação acima, contabiliza as receitas oriundas de um imóvel que integra o patrimônio de seu Programa Assistencial, como aluguel hipotético. Essas receitas têm função puramente administrativa, sendo contabilizadas como “receitas do código 6 – investimentos imobiliários”. O resultado líquido de cada mês oriundo da exploração do imóvel é integralmente transferido do Programa Assistencial para o Programa Administrativo (transferência interprogramas), já sofrendo tributação neste momento. Assevera que as suas receitas são transferidas do Programa Assistencial (incluindo as de aluguel) para rentabilizar o Fundo Administrativo. Conforme comprovam os demonstrativos juntados em anexo, a totalidade da receita de aluguel de imóvel (investimentos imobiliários), já é tributada por ocasião da transferência interprogramas, não podendo sofrer nova incidência no Programa Assistencial, como pretende a Fiscalização. Em suma, o Fisco considerou corretas as transferências interprogramas efetuadas na contabilidade da Impugnante. Todavia, pretende que essas mesmas receitas sejam novamente oferecidas à tributação, o que constitui inadmissível bis in idem. As planilhas de cálculo apresentadas pela Impugnante em anexo são auto explicativas e demonstram com clareza os equívocos perpetrados pela Fiscalização na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS relativas às suas receitas imobiliárias. Fazse mister, portanto, sejam descartadas as planilhas de cálculo apresentadas pela Fiscalização por não terem observado as regras contábeis aplicáveis às EFPC, na formação da base de cálculo do PIS e da COFINS. b) Dos recolhimentos em separado do PIS e da COFINS realizados em 29/11/2002. Em 27/12/2001, a Impugnante optou pelo Regime Especial de Tributação – RET, previsto na MP nº 2.222, de 2001. Os débitos de PIS e COFINS, referentes aos períodos de 1997 a 2001, no tocante às diferenças apuradas pela aplicação das alíquotas sobre suas receitas, com as exclusões admitidas, foram parcelados. As guias de recolhimento foram pagas em 6 parcelas no período de fevereiro a junho de 2002, conforme DARF e planilhas em anexo. Não obstante a Fiscalização ter feito referência a este parcelamento, ocorre que não foram considerados os montantes pagos, em separado, a título das contribuições devidas sobre rendas de imóvel. A Fiscalização ao lançar na coluna, “Valor Pago”, das contribuições no período de 1999 a 2001, indicou os montantes correspondentes às parcelas pagas pela Impugnante nos meses de fevereiro de 2002 a junho de 2002, mas não considerou o recálculo dos valores Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 9 9 (planilhas Doc. 9 e 10), cujo pagamento, realizado em parcela única em 29/11/2002 (Doc. 11 – guias DARF), representa o montante devido de PIS e COFINS sobre receitas de aluguéis de imóveis, conforme autorizado pelo art. 32, parágrafo único, da Lei nº 10.637, de 2002 (então art. 12 da MP nº 75, de 2002). O benefício concedido pelo citado dispositivo abrangeu anistia do pagamento de juros e multa, em relação aos débitos de PIS/COFINS referentes a fatos geradores ocorridos até 31 de julho de 2002 decorrentes de rendimentos relativos a receitas de aluguel. Portanto, todos seus débitos de PIS/COFINS incidentes sobre tais receitas e referentes ao período de 2/99 a 7/02 (PIS) e 3/99 a 2/02 (COFINS), também objeto desta autuação, foram regularizados em estrita observância aos procedimentos legais. Não há que se falar, portanto, em diferença a recolher. c) Período janeiro de 1999. Especificamente em relação ao mês de janeiro de 1999, a Impugnante não é contribuinte da COFINS. Somente com entrada em vigor do art. 3º, §§ 5º e 6º, da Lei nº 9.718, de 1998, é que passou a sêlo, por força do art. 17, I, desta lei. Portanto, não é devida a COFINS em relação ao mês de janeiro de 1999. d) Período maio a dezembro de 2000. Conforme se verifica na planilha anexa (Doc. 4), o período em referência foi indevidamente auditado pela Fiscalização, não só pelas ocorrências dos fatos indicados anteriormente, mas também porque os lançamentos dos supostos débitos basearamse em procedimento não condizente com as normas gerais de contabilidade. O Fisco, ao invés de lançar o resultado da movimentação da conta, ou seja, débito menos crédito, lançou o saldo total das contas. Tal irregularidade é facilmente constatada através da simples análise das planilhas em anexo (Doc. 5). e) Demais irregularidades. Evidenciamse, ainda, erros de lançamento pela Fiscalização no tocante às diferenças nos recolhimentos em 2003. Consta que a apuração das bases de cálculo e tributos era realizada mediante provisão pela Impugnante, pois até o dia 15 do mês, ainda não se tinha todo o processo contábil fechado. Assim, posteriormente eram realizados os ajustes e os recolhimentos complementares ou compensações. Contudo, a Fiscalização ignorou tal procedimento. f) Conclusão. As irregularidades acima apontadas, bem como as demais indicadas nas planilhas em anexo resultam em flagrante prejuízo para a Impugnante, que, nesse sentido, requer sejam revistos os lançamentos consubstanciados nos Autos de Infração ora impugnados. PROVA PERICIAL. A Impugnante, com base no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, caso não seja efetuada a revisão de ofício, requer a produção de prova pericial. Foram apresentados os quesitos, bem como indicado o perito. PEDIDO. Em face do exposto, requer seja extintos os créditos tributários referentes aos fatos geradores anteriores a 19/01/2006, por decadência; sejam também Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 10 10 revistos os demonstrativos fiscais, notadamente na forma de apuração das bases de cálculo do PIS e da COFINS, em razão das irregularidades apontadas pela defesa, sendo, por conseguinte, acolhidos os cálculos apresentados pela Impugnante; protesta pela apresentação de novos documentos, bem como pela realização de perícia; e, por fim, requer que as intimações relativas ao presente processo sejam remetidas ao escritório dos advogados que a esta subscrevem, no endereço constante no rodapé desta impugnação. Da Portaria DRJ/BHE nº 31, de 21 de dezembro de 2006. Às fls. 628, consta cópia da publicação no DOU, de 22 de dezembro de 2006, da Portaria DRJ/BHE nº 31, de 21 de dezembro 2006, que distribuiu o presente processo administrativo fiscal para julgamento na Segunda Turma desta delegacia. Das diligências realizadas. Em razão da impugnação apresentada e tendo em vista o disposto no “caput” do art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, foi feita no presente processo a proposta de conversão do julgamento em diligência, o que se materializou por meio da Resolução DRJ/BHE nº 737, de 06 de fevereiro de 2007, cujo inteiro teor está contido nos documentos de fls. 630/636. A Fiscalização, então, procedeu às verificações que entendeu necessárias, as quais foram descritas no “Termo de Diligência”, datado de 02 de fevereiro de 2008 (documentos de fls. 638/646). Ao final do aludido “Termo de Diligência”, consignou o Fisco que, juntamente com ele, entregou ao contribuinte cópia do MPFD nº 06.1.01.00200701141 5 e do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação do MPFF nº 06.1.01.00 200400396, reabrindolhe o prazo legal para, em querendo, apresentar manifestação contrária. Em 20 de março de 2008, foi, então, apresentada impugnação complementar contra o referido “Termo de Diligência”, segundo consta dos documentos de fls. 652/667.” Por meio do acórdão n° 0217.823, a DRJ de Belo Horizonte entendeu que: 1. Quanto ao Lançamento de Pis/Cofins, a impugnante argüiu que não foram cumpridas as normas que regem a emissão dos MPF relativas a prorrogações de prazo. Entendeu a DRJ que tal afirmativa seria improcedente, pois as prorrogações teriam sido efetuadas corretamente seguindo o art. 13 da Portaria SRF nº 1.468/03. E ainda, ao término das diligências realizadas, o Fisco entregara ao contribuinte as cópias do MPF F, do MPFD e do demonstrativo de prorrogações. 2. Quanto à alegação de que, contados o prazo de 5 anos, houve decadência em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 19/01/2001, argumentou a DRJ que o prazo estipulado no art.150, §4, CTN seria relativo aos tributos “por homologação”, de modo que fora facultado à lei a prerrogativa de estipular prazo diverso para a ocorrência do direito da Fazenda Pública de constituir o crédito. Desta forma, considerou que o art. 45, I da Lei nº Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 11 11 8.212/91 estabelecera o prazo de 10 anos para a Fazenda apurar e constituir créditos. 3. O relator afirmou que todas as irregularidades alegadas pela contribuinte sobre bases de cálculo apuradas pela fiscalização já teriam sido esclarecidas de forma clara no Termo de Diligência (fls. 638/646) e, portanto, não viu necessidade de realização de perícia técnica. Em seu voto, citou onde cada item apontado pela impugnante estava explicado no Termo. 4. O relator concordou com a impugnante quanto à alegação que esta só seria contribuinte de COFINS a partir de fev/99, conforme art.17 da Lei 9.718/98, devendo ser exonerada do valor lançado ao mês de jan/99 Desta forma, o relator votou no sentido indeferir o pedido de nulidade arguida, da decadência suscitada, do pedido de perícia e no sentido de manter a exigência de Pis e Cofins, nos valores R$ 13.377,41 e R$ 24.420,02, respectivamente. A contribuinte tomou ciência da decisão em 24/06/08, e, inconformada, interpôs recurso voluntário na data de 16/07/08, com intuito de reformar o acórdão a quo, alegando a ocorrência da decadência, já que o prazo para a homologação do pagamento adiantado pelo contribuinte seria de 5 anos contados do fato gerador do tributo. A doutrina e a Jurisprudência dos Tribunais Superiores e dos Conselhos de Contribuintes seriam claras ao afirmar que a lei ordinária somente poderia alterar o prazo decadencial para diminuílo e nunca para aumentálo, uma vez que se trataria de norma de garantia do contribuinte, portanto, o argumento dos 10 anos dado pelo Fisco não deveria proceder. Alegou ainda, que a autoridade fiscal incorrera em diversos erros na apuração da base de cálculo de PIS/COFINS devidos, não levando em consideração as normas contábeis específicas aplicadas à contribuinte. O fisco deveria atentarse de que a recorrente é uma instituição sem fins lucrativos, sujeitandose à legislação tributária nesta condição, e também sujeita à legislação específica dos órgãos reguladores e fiscalizadores do Ministério da Previdência Social, além das regras pertinentes aos fundos de pensão. Desta forma, requereu que fossem revistos os lançamentos consubstanciados nos Autos de Infração ora impugnados, por meio de perícia, posto que não teriam sido atendidas as regras pertinentes ao seu regime contábil específico, bem como porquê teriam sido desconsiderados alguns pagamentos de PIS e Cofins realizados no período autuado. É o Relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 12 12 Primeiramente, cumprenos trazer alguns esclarecimentos técnicos sobre as operações da recorrente, peculiares por sua própria natureza. As Entidades Fechadas de Previdência Privada (“EFPC”) são sociedades civis ou fundações sem fins lucrativos criadas com o objetivo de instituir planos privados de concessão de benefícios complementares ou assemelhados ao da previdência social, acessíveis aos empregados ou dirigentes de uma empresa ou de um grupo de empresas, denominadas patrocinadoras. A recorrente é uma “EFPC” sem fins lucrativos, que tem por objetivo instituir planos privados de concessão de pecúlios ou de rendas, de benefícios complementares ou assemelhados aos da previdência oficial, mediante contribuições de seus participantes e assistidos, dos respectivos patrocinadores ou de ambos, e está obrigada a registrar contabilmente suas operações, nos termos do anexo E (Normas de Procedimentos Contábeis) da Resolução MPAS/CGPC nº. 05, de 30 de janeiro de 2002. A contabilidade da “EFPC” é elaborada por planos de benefícios, que são segregados em 4 (quatro) programas conforme descrito abaixo: (i) Programa Previdencial: registra os fatos contábeis relativos aos planos de benefícios de caráter previdenciário; (ii) Programa Assistencial: registra os fatos contábeis relativos aos planos de benefícios de assistência à saúde; (iii) Programa Administrativo: é destinado ao gerenciamento da administração dos planos de benefícios; (iv) Programa de Investimentos: é destinado ao gerenciamento das aplicações dos recursos da EFPC. Na entidade de previdência, as contribuições recebidas e os benefícios pagos constituem o “Fluxo Primário” de recursos, formando o “programafim” da entidade. Já ao “Fluxo Secundário” de recursos são atribuídos os esforços administrativos, operacionais e de investimentos, os quais constituem os “programasmeio”. Dessa forma, após identificadas as receitas e despesas por programa, são realizadas as transações interprogramas para que sejam concentradas nos programasfim, analogamente ao processo de sistema de acumulação de custos baseado no custeio por processo. A movimentação de recursos entre programas, é denominada “Transferência Interprogramas”, sendo permitida, desde que observados os critérios descritos no item IV do Anexo E da Resolução CGPC nº. 5/2002: a) Programa Previdencial: Contabilmente, é creditado pela transferência de recursos oriundos dos programas Administrativo e de Investimento, e debitado pela transferência de recursos para o Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 13 13 programa administrativo relativamente à sobrecarga administrativa e/ou ao valor reembolsado pelo(s) patrocinadore(s), das despesas administrativas incorridas, com custos parciais ou integrais de responsabilidade deste(s) patrocinadores, e também para o programa de investimentos relativamente à cobertura de eventual resultado negativo dos investimentos. b) Programa Assistencial: Creditado pela transferência de recursos do programa administrativo relativamente aos recursos oriundos da reversão do Fundo Administrativo de natureza assistencial, e do programa de investimentos pelo resultado positivo dos investimentos, desde que haja fundo constituído no programa assistencial. Debitado pela transferência de recursos para o programa administrativo relativamente ao custeio previsto no plano de custeio assistencial e/ou no rateio de despesas administrativas incorridas, e para o programa de investimentos para a cobertura de eventual resultado negativo dos investimentos, desde que haja fundo constituído no programa assistencial. c) Programa Administrativo Creditado pela transferência de recursos oriundos do programa previdencial relativa à sobrecarga administrativa e/ou ao valor reembolsado pelo(s) patrocinador(es), das despesas administrativas incorridas, com custos parciais ou integrais de responsabilidades deste(s) patrocinador(es), do programa assistencial relativamente ao custeio administrativo do plano assistencial, do programa de investimentos pelo resultado positivo de investimentos, quando houver aplicação do fundo administrativo nesse programa, e ainda, relativo ao custeio administrativo e/ou rateio das despesas administrativas incorridas. Debitado pela transferência de recursos para o programa previdencial em função das sobras de recursos (facultativo) e das reversões do fundo administrativo de natureza previdencial, para o programa assistencial em razão das reversões do fundo administrativo de natureza assistencial, e para o programa de investimentos relativamente à cobertura de eventual resultado negativo dos investimentos, desde que haja aplicação do fundo administrativo no programa de investimentos. d) Programa de Investimentos Creditado pela transferência de recursos dos diversos programas, para cobertura de eventual resultado negativo dos investimentos. Debitado pela transferência de recursos para o programa administrativo relativamente ao custeio administrativo do programa de investimentos, e também pela transferência do resultado positivo dos investimentos, desde que haja aplicação do fundo administrativo no programa de investimentos, e para demais programas em função do resultado positivo dos investimentos. A transferência interprogramas permite visualizar a gestão dos recursos, oriundos dos programasfim, aplicados nas atividades administrativas e de investimentos (programasmeio). A segregação por plano, por sua vez, atende à necessidade de avaliação da situação patrimonial de cada plano, conferindo maior transparência ao sistema, a fim de evitar que um plano financie a ineficiência de outro plano, com prejuízos aos seus participantes. Tal segregação só se justifica pela ausência de solidariedade entre os planos oferecidos pela EFPC quanto às obrigações. Nessa situação, a segregação possibilita vislumbrar com maior clareza a situação individual de cada plano, antes evidenciada apenas por entidade. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 14 14 Por força da legislação a elas aplicável (Lei Complementar nº. 109/01), as EFPC atuam obrigatoriamente sob regime de capitalização para o financiamento dos benefícios programados e continuados. Sendo assim, o custeio dos planos de benefícios corresponde ao conjunto de recursos necessários para o pagamento dos benefícios diferidos. De acordo com o art. 5º, inciso I da referida lei, o custeio pode ser classificado da seguinte maneira: a) contributivo, quando houver necessariamente a contribuição regular de participantes ativos e do patrocinador; b) nãocontributivo, quando custeado exclusivamente pelo patrocinador, não obstante a faculdade de o participante ativo efetuar contribuições eventuais, desde que previstas no regulamento; ou c) autofinanciado, quando a responsabilidade pelo custeio é do participante. O plano de custeio é calculado periodicamente, estabelecendo o nível de contribuição necessário à constituição das reservas garantidoras de benefícios, fundos, provisões e à cobertura das demais despesas. As provisões matemáticas são fundos que a entidade deve manter para cumprir integral e pontualmente os compromissos assumidos com seus participantes. Este fundo é formado com a parte das contribuições que a entidade, em harmonia com as regras determinadas pelo cálculo atuarial, acumula e capitaliza. Ou seja, é a expressão atual das responsabilidades assumidas pela entidade em relação aos seus participantes. Feitos os esclarecimentos técnicos, seguindo rumo ao mérito, primeiramente, importante denotar que a recorrente aderiu, segundo consta dos autos, ao RET Regime Especial de Tributação e ao benefício da dispensa dos acréscimos legais referentes à multa e juros de que trata o art. 5º. da Medida Provisória nº. 2222, de 4 de setembro de 2001, que determinava que os optantes pelo regime poderiam parcelar os débitos relativos aos tributos administrados pela então Secretaria da Receita Federal – SRF, nos termos e condições nela disciplinados. Isso posto, devemos analisar as provas constantes dos autos, principalmente aquelas trazidas à baila pela diligência realizada. Transcrevo as respostas aos questionamentos efetuados pela DRJ anteriormente à sua manifestação no Acórdão recorrido: A Fiscalização, atendendo à solicitação supra, realizou as diligências, descrevendo suas verificações no “Termo de Diligência” (documentos de fls. 638/646). Abaixo, evidenciase algumas das constatações feitas: “TERMO DE DILIGÊNCIA (...) Em atendimento aos quesitos acima transcritos, tenho os seguintes esclarecimentos: Fl. 14DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 15 15 a.1) Em relação ao quesito “a”, podemos notar que a legislação tributária deu um tratamento todo especial para, dentre outras, as Entidades Fechadas de Previdência Complementar – EFPC, desonerando da tributação das contribuições sociais grande parte de suas receitas e determinando a composição de sua base de cálculo de maneira distinta das demais pessoas jurídicas em geral. a.2) Para disciplinar a matéria, foram editadas Instruções Normativas contendo anexos com planilhas de apuração específicas para cada ramo de atividade abrangido pelos benefícios tributários (IN 170/2002, IN 215/2002 E IN 247/2002). a.3) Estas planilhas é que foram adotadas para determinar a base de cálculo das contribuições, sem considerações sobre as razões da inclusão ou exclusão de determinadas rubricas da base de cálculo. Portanto, só foram consideradas na base de cálculo dos tributos lançados, as parcelas da receita determinadas na legislação. a.4) Assim sendo, visando esclarecer a alegação de que as receitas de aluguéis haviam sido computadas em duplicidade, passo a analisar a composição dos valores lançados nas planilhas de apuração. a.5) Na primeira seção da planilha são lançadas todas as receitas e a seguir são efetuadas as exclusões previstas na legislação específica. Podemos notar, que os recursos coletados previdenciários (3.1) são totalmente excluídos da base de cálculo. Da mesma forma, também são excluídas as rendas de investimentos (código 6.1) excetuandose algumas parcelas que devem integrar o valor tributável, dentre elas as receitas de alugueis (código 6.1.1.3). Este é o primeiro item excetuado da exclusão do item 6.1 e foi desdobrado no demonstrativo apresentado por esta fiscalização nas diversas subcontas constantes do demonstrativo, para melhor visualização do contribuinte e das autoridades julgadoras. a.6) Da análise do demonstrativo de apuração da base de cálculo das contribuições, podemos verificar que após as exclusões das receitas de códigos 3.1 e 6.1., restaram na base de cálculo as receitas códigos 4.1 e 5.1 (Recursos Coletados Assistenciais e Receitas Administrativas, respectivamente). No caso da CASFAM, foi apurado apenas um lançamento no valor de R$ 104,01 recebido no mês de março de 1999 a título de Recursos Coletados Assistenciais durante todo o período objeto da ação fiscal, correspondente a participação dos beneficiários nas despesas de assistência médica. Quanto às receitas administrativas (contas do grupo 5.1), com os dados constantes dos balancetes que compõem os anexos numerados de I a V, podemos verificar nas diversas subcontas que a compõem, que ali também não foram incluídas receitas de alugueis. a.7) Os outros dois itens que compuserem a base de cálculo das contribuições foram o 3.3.2.3 (Custeio do Programa Administrativo) e 6.3.2.3 (Transferência para o Programa Administrativo). Ambos correspondem ao rateio dos custos administrativos para os programas Previdencial e de Investimentos, respectivamente. Estas, são receitas que não foram usadas no pagamento de benefícios, e que portanto, conforme previsto na legislação, integram a base de cálculo das contribuições. Fl. 15DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 16 16 a.8) A partir de setembro de 2002 a planilha utilizada nos cálculos foi aquela constante do anexo III da IN SRF nº 247/2002, não se incluindo mais os rendimentos de aluguéis, cuja exclusão da base de cálculo consta da IN SRF nº 247/2002, em seu art. 29, parágrafo 5º. a.9) Resumindo, a base de cálculo das contribuições é composta, no caso das EFPC, dos recursos coletados assistenciais, receitas administrativas, transferências do programa administrativo que por rateio deve ser coberta pelo programa previdenciário, transferências do programa de investimentos para o programa administrativo da parte do custo do programa administrativo que por rateio deve ser coberta pelo programa de investimentos e dos rendimentos/ganhos não equiparados a aplicações financeiras dentro do programa de investimentos, dentre as quais se incluem os rendimentos com imóveis. a.10) Os rendimentos de alugueis foram incluídos na planilha, em observância à legislação, que determina que devem ser deduzidos na exclusão da “Rendas de Investimentos (bruta)” – código 6.1. do plano de contas, os “Rendimentos/ganhos não equiparados a aplicações financeiras” do programa de investimentos – código 6.1.8..., que no caso da fiscalizada constava das contas relacionadas nas tabelas, ou seja, aquelas dos grupos 6.1.1.3 e 6.1.1.4 ali relacionadas. a.11) Todas as planilhas e balancetes já se encontravam nos autos e podem ser verificados pela autoridade julgadora para as devidas conclusões. b.1) Quanto ao quesito “b”, não há nada a ser acrescentado, visto que, conforme observações da própria autoridade julgadora (fl. 634), o contribuinte informou que “tal irregularidade é facilmente constatada através da simples análise das planilhas em anexo (Doc. 4)”. b.2) Além da informação do contribuinte, na documentação anexada por ocasião da constituição do crédito tributário (docs. de fls. 71 a 165 do Anexo II), constam os balancetes de maio a dezembro de 2000, onde podemos verificar que realmente ocorreu um erro na montagem do demonstrativo de apuração da base de cálculo das contribuições. b.3) Todas as planilhas foram montadas a partir dos dados de saldos finais das contas constantes dos balancetes. A partir destes dados foram introduzidas funções nas planilhas de relatórios, funções estas que deduziam do saldo final da conta, o saldo final do mês anterior. Neste período apontado pela impugnante as funções não foram copiadas, gerando o erro na base de cálculo. b.4) Portanto, procedem as alegações da impugnante quanto a este quesito, devendo, salvo melhor juízo, serem excluídas da base as seguintes parcelas: (...) c.1) Quanto à alegada tributação dos débitos do Programa Assistencial, passo a analisar a constituição da planilha de apuração da base de cálculo. c.2) Podese notar que integram a base de cálculo apurada pela fiscalização, até dezembro de 2001, os recursos coletados assistenciais, as receitas administrativas, custeio do programa administrativo. Neste período foi Fl. 16DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 17 17 computado como “Recursos Coletados Assistenciais” R$ 100,00 no mês de janeiro de 1999 e R$ 104,01 no mês de março de 1999. c.3) Quanto aos rendimentos/ganhos com imóveis, integram a base de cálculo das contribuições por serem rendimentos não equiparados a aplicações financeiras, conforme previsto na legislação. c.4) O outro componente da base de cálculo das contribuições, foram as transferências do programa de investimentos para o programa administrativo. Neste item que se situam as alegações da impugnante de que os rendimentos de alugueis que integraram a base de cálculo das contribuições em item próprio, estariam também na composição dos valores objeto da transferência do programa de investimentos para o programa administrativo (6.3.2.3). c.5) No desdobramento das transferências interprogramas (grupo 6.3.2.3), de conformidade com os balancetes constantes dos diversos anexos integrantes dos autos, podese verificar que se compõe de duas parcelas, sendo a primeira a conta 6.3.2.3.00.00.1.1.10.3 – Resultado Posit Investimentos e a segunda a conta 6.3.2.3.00.00.1.1.20.6 – Verba p/custeio Administrativo. c.6) Portanto, as receitas de alugueis integram as rendas de investimentos e parte desta renda foi transferida para o programa administrativo. A dúvida é se dentro do montante transferido está a receita de alugueis, o que configuraria a utilização da mesma receita por duas vezes na base de cálculo dos tributos lançados. c.7) Ora, pelas contas que compuseram não se pode falar que se trata da mesma receita. O contribuinte não demonstrou que qualquer um daqueles rendimentos de alugueis corresponde a rendimentos que estão sendo transferidos para o programa administrativo. Veja que a receita de alugueis é mínima em relação à receita total da conta de investimentos. O que se poderia excluir, se este fosse o entendimento da autoridade julgadora, seriam as receitas de alugueis correspondentes aos imóveis pertencentes ao programa administrativo e que estivessem sendo incluídos na conta 6.3.2.3.00.00.1.1.10.3 – Resultado Posit Investimentos. Para tanto deve a impugnante apresentar documentos e lançamentos contábeis comprovando esta relação. d.1) Quanto aos recolhimentos normais efetuados pela impugnante, contam das planilhas intituladas “DIFERENÇAS APURADAS – COFINS” e “DIFERENÇAS APURADAS – PIS” (fls. 85 a 86 e 107 a 108, respectivamente). d.2) Com relação aos recolhimentos efetuados com o benefício fiscal previsto no art. 32, parágrafo único, da Lei 10.637, de 2002, tenho a observar que foram todos considerados na apuração do crédito tributário constituído no presente auto de infração. Para demonstrar, apresento em anexo, planilha intitulada “RECOLHIMENTOS CONSIDERADOS”. d.3) Nesta planilha, relaciono os valores dos pagamentos efetuados com utilização do benefício fiscal, utilizados na apuração do saldo a ser constituído no auto de infração. Na coluna “Rec. Indidualizado”, foram Fl. 17DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 18 18 inseridos os recolhimentos efetuados em DARF individuais por período de apuração, cujos recolhimentos foram efetuados em 29/11/02 com o benefício fiscal previsto no art. 32, parágrafo único, da Lei 10.637, de 2002 e na coluna “6 parcelas”, foram lançados os recolhimentos efetuados em seis parcelas, de fevereiro a junho de 2002 com o benefício fiscal previsto no art. 5º da Medida Provisória 2222 de 2001. d.4) Para apropriação dos pagamentos efetuados em seis parcelas, foram utilizados os dados constantes do documento de fls. 130 no caso da COFINS e fls. 131 no caso do PIS, juntamente com os dados constantes do processo administrativo fiscal nr. 10680.016444/200106. d.5) Portanto, foram considerados, reduzindo os tributos lançados, todos os recolhimentos efetuados pela impugnante. O único problema gerado na compreensão dos fatos foi que, nos demonstrativos denominados “DIFERENÇAS APURADAS – COFINS” e “DIFERENÇAS APURADAS – PIS” de fls. 85 e 107, respectivamente, foram lançados os valores totais referentes a cada período de apuração, sem a composição de cada parcela mensal. d.6) Quanto ao questionamento de quais receitas de alugueis de imóveis, para as quais houve autorização de pagamento sem multa e juros, conforme previsto no citado dispositivo legal, informo que são todas as receitas obtidas no período ali mencionado, que constam dos demonstrativos de fls. 25 a 68. São as receitas do grupo 6.1.1.3 do período de janeiro de 1999 a dezembro de 2001 e também as receitas dos grupos 6.1.1.3 e 6.1.1.4 para o período de janeiro a agosto de 2002. d.7) Por oportuno, esclareço que a auditoria realizada obedeceu ao critério de pontualidade, não tendo sido objeto da auditoria a verificação da utilização do benefício fiscal previsto no art. 32, parágrafo único, da Lei 10.637 de 2002. Assim sendo, não configurou entre as infrações apontadas nos autos. Observação: foi apresentada em duplicidade, cópia do DARF referente ao recolhimento da COFINS do período de apuração de maio de 1999, que constam das fls. 372 e 373, conforme pode ser comprovado pelo número seqüencial de autenticação (nr. 61 da máquina 310240680).” Analisandose o resultado da diligência, entendo que não há reparos a fazer. Os critérios adotados foram corretos, as exclusões foram diligentemente consideradas tendo em mente os aspectos técnicos inicialmente apontados, com algumas exceções. Entendo, divergentemente, apenas que a tributação das receitas de alugueres não mais poderia prevalecer, considerando a jurisprudência do E. STF, no sentido de que as outras receitas não poderiam ser tributadas, configurada a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98. Finalmente, entendo decaído o direito de lançar relativo ao período compreendido entre janeiro de 1999 e dezembro de 2000, considerando o disposto no art. 150 § 4º do CTN (houve pagamento das contribuições no período aludido) e a Súmula nº 8 do STF, tendo sido o contribuinte sido cientificado do auto de infração em 19 de janeiro 2006. Fl. 18DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 10680.000650/200609 Acórdão n.º 330200.617 S3C3T2 Fl. 19 19 Isso posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para excluir as parcelas relativas à tributação dos alugueres e considerar a decadência dos períodos base compreendidos entre 01/1999 a 12/2000 constantes do presente lançamento de ofício. É como voto, (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 19DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO Assinado digitalmente em 13/08/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 12/08/2011 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.003640/98-10
Data da sessão: Wed Aug 25 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano-calendário: 1993, 1994 NI
PIS, LEI COMPLEMENTAR ' 7/70. BASE DE CÁLCULO E PRAZO DE
RECOLHIMENTO. Nos termos do art. 6 da Lei Complementar n" 7/70, a
Base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior, As Leis ns.
7.691/88, 7.799/89, 8.218/91, 8,383/91, 8.891/95 e 9.069/95 -, não
modificaram a base de cálculo do PIS, mas apenas o prazo e a forma de
recolhimento do PIS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-000.560
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Não Informado
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1993, 1994 NI PIS, LEI COMPLEMENTAR ' 7/70. BASE DE CÁLCULO E PRAZO DE RECOLHIMENTO. Nos termos do art. 6 da Lei Complementar n" 7/70, a Base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior, As Leis ns. 7.691/88, 7.799/89, 8.218/91, 8,383/91, 8.891/95 e 9.069/95 -, não modificaram a base de cálculo do PIS, mas apenas o prazo e a forma de recolhimento do PIS. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-21T10:15:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-21T10:15:19Z; Last-Modified: 2010-12-21T10:15:20Z; dcterms:modified: 2010-12-21T10:15:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:591e9f0a-fb43-4e00-b360-39bda4fdd6c2; Last-Save-Date: 2010-12-21T10:15:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-21T10:15:20Z; meta:save-date: 2010-12-21T10:15:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-21T10:15:20Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-21T10:15:19Z; created: 2010-12-21T10:15:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2010-12-21T10:15:19Z; pdf:charsPerPage: 1228; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-21T10:15:19Z | Conteúdo => provimento ao reeurr, rios te 4s do 1 , /i a ee - o. 4 a Sil ( It' A 1()/1 I t A Relato' EDITADO EM: 08/4)9/20101 Aerrdam os membroydó Colegiada por unanimidade de votos, em negar wrso, nos tezs do (oto áo Relator. esidente S3-C312 F 525 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10181003640/98-10 Recurso n" 239,967 Voluntário Acórdão n" 3302-00360 — 3" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 24 de agosto de 2010 Matéria RESTITUIÇÃO/COMP PIS Recorrente GUAPORÉ PECUÁRIA S/A Recorrida DR.I-CAMPO GRANDE/MS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 1993, 1994 NI PIS, LEI COMPLEMENTAR ' 7/70. BASE DE CÁLCULO E PRAZO DE RECOLHIMENTO. Nos termos do art. 6 da Lei Complementar n" 7/70, a Base de cálculo do PIS é o faturamento do sexto mês anterior, As Leis ns. 7.691/88, 7.799/89, 8.218/91, 8,383/91, 8.891/95 e 9.069/95 -, não modificaram a base de cálculo do PIS, mas apenas o prazo e a forma de recolhimento do PIS. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Andréa Medrado Darze, Alexandre Gomes (Relatou) e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por fielmente retratar a matéria tratada no presente processo, transcreve-se o relatório produzido pelo Relatar do processo na Delegacia de julgamento de Campo Grande: Guapo ré Pecuária SIA, acima identificada, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 115/146) contra o Parecer/Sasit/DRF/Culabá/MT n" 0260/2001, aprovado por despacho decisório datado de 25/04/2001 (fl y 108/110), que indeferiu o seu pedido inicial de restituição/compensação de PIS no montante de R$ 129 418,42, tendo, segundo ela, já efetivado a compensação caiu débitos de PIS e Co fins no montante de R$ 66 728,96 Ao seu pedido inicial (fls.. 01/04 e 06/10), a contribuinte juntou "Planilha de Levantamento do PIS de Acordo com as Leis 07/70 e 17/73" (lis 05 e 11), declaração (fl 12) e cópia da DIRRI/1995 (fls. 13/25), de Dai! (fis. 26/27) e atas de assembléia e alterações contratuais (fls 28/65) DRF de origem, para instrução dos autos, juntou, inicialmente, extrato de consulta ao sistema Sinal (f1. 67), Prolisc Oh 68/69), IRRI (fls 81/83) e CNRI (f1 84), cópia do Livro de Saídas (fls. 72/74) e de Darf (fls. 75/80). A Sasit da DRF de origem, ao constatar divergências entre a base de cálculo do PIS informada pela contribuinte em seu demonstrativo e os valores constantes do Livro de Apuração do ICMS, encaminhou os autos à &Os (11 85) A &Os juntou demonstrativos de débitos remanescentes (fls 86/88 e 90/100 e 103/104) e de saldas de pagamentos (fls. 89, 101 e 102), e prestou as informações às fls. 105/106, concluindo que a contribuinte não possuía o crédito a ser restituído ou compensado. O indeferimento do pedido de restituição/compensação do PIS, por intermédio da decisão já mencionada, foi fundamentado informação fiscal da Salis (fl. 105/106), que concluiu pela inexistência de crédito a ser restituiria ou compensado. Tendo tomado ciência do parecer antes referido, em 27/04/2001, conforme ti. 109, a contribuinte apresentou a citada manifestação de inconformidade em 25/05/2001 (fls. 115/146), acompanhada de cópia das atas das incorporações das empresas Oh 151/239), das planilhas demonstrativas dos valores devidos e recolhidos pelas empresas sucedidas e pela recorrente Uh 241/261) e Dad não considerados pela . fiscalização (fls. 263/295), alegando, em síntese, que 7.1 — ela é sucessora da Triángulo Agro Industrial S/A e ia D ias Alarias Agro Pastoril Ltda., como atestam os atos constit tivos e demais documentos de incorporação que anexou; 7.2 — ela, sendo contribuinte do PIS, vem recolhendo fiehnente contribuição, sob a aliquota e base de cálculo determinada para 2 Processo n" 10183 003640/98-10 S3-C3T2 Ann " 3302-00.560 cada período, conforme a Lei Complementar n" 07, de 07/09/1970, e posteriores alterações; 7,3 — recolheu o PIS referente aos fatos geradores de dezembro/1993, fcmeiro/1994 e abril/1994 a maior, pois incluiu indevidamente na base de cálculo as variações monetárias de aplicações financeiras, 7 4 — a razão do equívoco . foi por ter aplicado o previsto no Decreto-Lei a" 2.445/1988, modificado pelo Decreto-Lei n" 2.449/1988, que foram retirados do ordenamento jurídico, por- serem inconstitucionais, pela Resolução do Senado a" 49/1995, 7..5 — administrativamente, de fbrma estranha, e baseada em levantamento do cumprimento das obrigações tributárias, .foi indeferido o pedido de restituição, alegando "inexistência de direito creditório em favor do contribuinte"; 7.6 — como se pode ver na informação fiscal, ela, como sucessora da Triângulo Agroindustrial S/A possui realmente o crédito reclamado, mas, por existir débitos remanescentes, não pode ser restituído, 7.7 — após dissertar longamente, conclui que a base de cálculo do PIS e da Cqfins é o faturamento, assim entendido como "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza"; 7.8 — as várias alterações legislativas ocorridas em relação ao PIS, sempre se referiram ao prazo de recolhimento, e não à sua base de cálculo, 7.9 — citando farta jurispnidência, conclui que a base de cálculo do PIS é o faturamento auferido no sexto mês anterior ao fato aeraclor, 7.10 — assim, tendo ela recolhido o PIS sobre o faturam ento do mês anterior ao fato gerador, tem direito líquido e certo de reaver o quanto pago a maior, haja vista que deveria ter recolhido sobre o ,faturamento do sexto mês anterior ao .fato gerador, sem aplicar qualquer correção,' 7 11 — o levantamento tributário realizado para aferição do seu crédito está eivado de vícios insanáveis, posto que incluiu na base de cálculo valores e "receitas" que não integram o .finuranzento, tais como receita obtida mediante aluguel de pasto e receita financeira, 7 12 — no levantamento da Triângulo Industrial S/A (sucedida pela Guaporé) não foram considerados os Darf de pagamentos das filiais, pois o recolhimento não era de/br'na centralizada, 7.13 — nos anos de 1993 e 1994, a Duas as Agro Pastoril Lida (sucedida pela Guapore) obteve s mente receita proveniente de aluguel de pasto, que é 1111M r mut eração de capital, não constituindo base de cálculo do P15\ Fl 526 3 É o relatório, 7.14 — no levantamento fiscal da Guaporé, não foram considerados os Darf de pagamento das filiais, pois o recolhimento não era de . forma centralizada, além de fazei incidir a aliquota do PIS sobre receita proveniente de aluguel de pasto, aluguel de usina e aphcaçãofinanceira. Finaliza solicitando que seja dado provimento ao recurso, deferindo seu pedido de restituição/compensação, tendo em vista a afrontoso ilegalidade existente na decisão recorrida A DRJ entendeu por bem deferir parcialmente procedente a solicitação efetuada pela Recorrente, em decisão que assim ficou ementada: Assunto Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário. 1993, 1994 Ementa: RESHTUIÇÃO. DEFERIMENTO. Os créditos decorrentes de pagamento indevido ou maior que o devido de contribuição para o PIS são passíveis de restituição, devendo-se utilizar para amortização de débitos da contribuinte, mediante compensação de ofício. Solicitação procedente em parte. Contra esta decisão foi apresentado Recurso Voluntário, onde, em síntese, se alega que: a) a existência de diferença entre os créditos apontados pela DRJ e os créditos a que faria jus seria decorrente da interpretação equivocada de que os valores recolhidos em relação as competências 12/93 e 01/94 foram realizado fera do prazo legal, e que por conta disto a parcela relativa a multa e juros pelo atraso diminuiriam o montante do crédito a ser compensado; b) os recolhimentos das competências 12/93 e 01/94 deveriam ser realizados de acordo com o critério da semestralidade, que determina que a base e calculo destas competências seria o faturamento do sexto mês anterior e neste contexto o prazo de recolhimento destas competências seria junho e julho de 1994; ,-. \\c) com o prazo de recolhimento das competências 12/93 e 01/94 seria, respectivamente junho e julho de 1994, e como os pagamentos foram efetuados em 29/04/1994, muito antes d \)éncimento, com multa e juros, estes seriam indevidos e seriam crédito em favor da ReCOITCr t, i C\ Voto 4 Processo n" I 018.3 003640/98- 10 Acórdão o ." 3302-00360 S3-C3T2 F I 527 Conselheiro Alexandre Gomes, Relator O presente Recurso é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme consta do relatório, a solicitação da Recorrente foi parcialmente procedente pois na DRJ foram apontadas duas divergências, a saber: A divergência entre o montante acima apurado de 71 169,99 Ufir e o apurado pela contribuinte em sua planilha no -Mor de 83 399,33 LIfir explica-se em razão de dois equívocos cometidos por ela: primeiro, pela não consideração do recolhimento fira do prazo legal do PIS referente a dezembro/1993 ejaneiro/199=1, sendo devido, neste caso, multa e juros de mora, em segundo, pela consideração como indevido da totalidade dos recolhimentos, quando deveriam ter sido deduzidos os valores de PIS calculadas na . forma da LC n" 07/1970. Alega a Recorrente, em relação aos recolhimentos de 12/193 e 01/94, que o prazo de recolhimento destas competências seria junho e julho de 1994 respectivamente, Sem razão a recorrente. Ao que parece, na interpretação que faz a Recorrente, há confusão em relação a base de cálculo e prazo para recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep.. Quanto a Base de Cálculo, a Lei Complementar n" 7/70 assim prescreve: Art. 6." - A efetivação dos depósitos no Fundo correspondente à contribuição referida na alínea b do art. 3" será processada mensalmente a partir de 1"de julho de 1971. Parágrafb único - A contribuição de julho será calculada com base no .faturamento de janeiro,- a de agosto, com base no !aturamento de fevereiro; e assim sucessivamente. Ou seja, ao contrário do que alega a Recorrente para as competências 12/93 e 01/94, teremos como base de cálculo o faturamento de junho e julho de 1993. Já em relação ao prazo para pagamento destas competências, assim determinava a Lei n" 8_38.3/91, vigente à época dos fatos: Art. 5.2. Em relação aos fatos geradores que vierem a ocorrer a partir de 1" de novembro de 1993, os pagamentos dos impostos e contribuições relacionados a seguir deverão ser efetuados nos seguintes prazos. IV - contribuições para oF'\in.. ocial, o PIS/Pasep e sobre o açúcar e o álcool, até o dia 0 do mês subseqüente ao de ocorrência dos fatos geradores; Assim as contribuições deveriam ter sido recolhidas nos dias 20/01/94 e 20/02/94 e, como foram recolhidas somente no dia 29/04/1994, está correta a incidência de multa e juros sobre esté recolyrimen nos termos acima remissão nos termc 1,1( eyJpo 5(p Øo mi §co] s ojar 5 nplé O dai foto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mento aos lançados na decisão recorrida, aos quais faço Lei 9.784/99] andfè"Gonlie Au t 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: § 1 o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato @Áf 6
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