Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,484)
- Primeira Turma Ordinária (16,434)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Primeira Turma Ordinária (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,516)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,721)
- Terceira Câmara (68,184)
- Segunda Câmara (57,010)
- Primeira Câmara (21,265)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,874)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,921)
- Segunda Seção de Julgamen (115,679)
- Primeira Seção de Julgame (77,486)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,117)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,476)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,893)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,657)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,651)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,653)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (18,907)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10932.000208/2009-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10932.000208/2009-16
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892997
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.409
nome_arquivo_s : Decisao_10932000208200916.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10932000208200916_5892997.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7395403
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588721184768
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000208/200916 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202004.409 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EMPARSANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 31/05/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 02 08 /2 00 9- 16 Fl. 1321DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1322DF CARF MF Processo nº 10932.000208/200916 Acórdão n.º 2202004.409 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1323DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1324DF CARF MF Processo nº 10932.000208/200916 Acórdão n.º 2202004.409 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1325DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1326DF CARF MF Processo nº 10932.000208/200916 Acórdão n.º 2202004.409 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.001833/2004-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/06/1999
DECADÊNCIA.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
Numero da decisão: 1201-002.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
Nome do relator: JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/06/1999 DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10909.001833/2004-50
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5895354
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1201-002.311
nome_arquivo_s : Decisao_10909001833200450.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : JOSE CARLOS DE ASSIS GUIMARAES
nome_arquivo_pdf_s : 10909001833200450_5895354.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Eva Maria Los - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
id : 7406623
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:25:19 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588724330496
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1823; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 518 1 517 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10909.001833/200450 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201002.311 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de julho de 2018 Matéria CSLL Decadência Recorrente ILSON ROBERTO SCHMITZ – ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/06/1999 DECADÊNCIA. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Presidente em Exercício (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jose Carlos de Assis Guimarães, Leonam Rocha de Medeiros (suplente convocado em substituição ao conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado), Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Rafael Gasparello Lima, Gisele Barra Bossa, Luis Henrique Marotti Toselli, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado em substituição à conselheira Ester Marques Lins de Sousa ) e Eva Maria Los AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 00 18 33 /2 00 4- 50 Fl. 518DF CARF MF 2 (Presidente em Exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ester Marques Lins de Sousa e Luis Fabiano Alves Penteado. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário (fls. 455 e seguintes), contra Acórdão da Delegacia de Julgamento, que manteve o lançamento de ofício da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao período compreendido entre janeiro de 1999 e junho de 2002. Do Lançamento Tratase de auto de infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), com a constituição de crédito tributário total de R$129.987,74 (cento e vinte e nove mil, novecentos e oitenta e sete reais e setenta e quatro centavos), incluídos o principal, multa de oficio e juros de mora, estes calculados até junho/2004. Consta do Termo de Verificação de Infrações (fls. 394 e seguintes): INFRAÇÕES APURADAS 001 — DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (VERIFICAÇÕES OBRIGATÓRIAS) Através dos livros contábeis e fiscais apresentados identificamos as receitas escrituradas, mês a mês, nos anoscalendário 1999 a 2002 (cópias de partes dos livros Razão e de Apuração do ICMS às fls. 169 a 311). Com os valores apurados nos livros elaboramos as planilhas "Apuração da Base de Cálculo" (fls. 322 a 366). Com as bases de cálculo, calculamos os valores devidos da CSLL, os quais fazem parte das planilhas "Apuração de Débito" (fls. 367 a 370). As diferenças apuradas entre os valores escriturados e os declarados/pagos pela fiscalizada fazem parte das planilhas "Demonstrativo de Situação Fiscal Apurada" (fls. 371 a 374). Para esta infração foi aplicada a multa de ofício de 75%, em razão de não ter ficado comprovado o evidente intuito do contribuinte em fraudar a legislação tributária federal na forma definida pelos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, pois o fato de ter declarado valores a menor não impediu que a autoridade tributária tomasse conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, em virtude de as receitas estarem devidamente registradas em sua contabilidade. Da Impugnação A Contribuinte interpôs impugnação (fls. 407 e seguintes), alegando, em síntese, o seguinte: Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10909.001833/200450 Acórdão n.º 1201002.311 S1C2T1 Fl. 519 3 houve cerceamento de defesa, tendo em vista que os documentos que fundamentam a atuação fiscal não foram disponibilizados ao contribuinte quando da lavratura do Auto de Infração; a disponibilidade, na repartição fiscal, dos documentos que lastrearam a autuação fiscal não coaduna com o conceito de ampla defesa. Não é dado à autoridade administrativa o direito de efetuar lançamento baseado em mero indício ou presunção da ocorrência do fato gerador; o lançamento pautouse, ainda, na quebra do sigilo fiscal do contribuinte, mediante a utilização das informações relativas à CPMF e, por tal razão, os lançamentos relativos aos períodos anteriores ao ano 2001, padecem de vício de ilicitude, vez que inexiste base legal que o suporte e, tendo em vista que afrontam os princípios constitucionais da irretroatividade tributária e da inviolabilidade do sigilo de dados; a fiscalização arbitrou o imposto devido pelo contribuinte valendose somente do movimento em suas contas bancárias e, é licita a tributação somente quando houver o efetivo acréscimo patrimonial; a multa de oficio aplicada é confiscatória e portanto inconstitucional e ilegal; a correção do crédito tributário pela SELIC vai além dos limites legais à imputação de juros de mora, qual seja, o de repor aos cofres públicos o atraso no recolhimento do tributo devido. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 4.662, de 23 de setembro de 2004 (fls 441 e seguintes), exarado pela 4ª Turma da DRJ em Florianópolis (SC), que julgou procedente o lançamento, cuja ementa trago a colação: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1999 a 30/06/2002 Ementa: CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA — Descabida a argüição de cerceamento do direito de defesa, quando se constata que o auto de infração contém todos os elementos necessários à perfeita compreensão das razões de fato e de direito que fundamentaram o lançamento de ofício. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. MATÉRIA PROCEDIMENTAL. RETROATIVIDADE — Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS Fl. 520DF CARF MF 4 INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO — As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Lançamento Procedente Irresignado, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 455 e seguintes), reiterando os argumentos anteriormente apresentados e, com relação ao arrolamento de bens necessário ao conhecimento do Recurso Voluntário afirma não possuir qualquer bem ou direito em seu ativo, anexando declaração nesse sentido. O Recurso Voluntário em questão foi julgado pelo CARF, Primeiro Conselho de Contribuintes, em 28.07.2006, com a prolação pela Oitava Câmara do Acórdão nº 108 08.940, assim ementado: PAF — CERCEAMENTO DE DEFESA — Não há que se falar em cerceamento de defesa quando é possibilitado ao contribuinte pleno acesso à documentação que. instruiu o procedimento de fiscalização, inclusive com a possibilidade de extração de cópias. DECADÊNCIA CSLL — Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial para constituição do crédito tributário é de cinco anos, contado da ocorrência do fato gerador, de acordo com o disposto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. DADOS DA CPMF INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL O lançamento se rege pelas leis vigentes à época da ocorrência do fato gerador, porém os procedimentos e critérios de fiscalização regemse pela legislação vigente à época de sua execução. Assim, incabível a decretação de nulidade do lançamento, por vício de origem, pela utilização de dados da CPMF para dar inicio ao procedimento de fiscalização. E mais, ainda que a fiscalização tenha iniciado por incompatibilidade entre a receita declarada e a receita movimentada, o lançamento se baseou única e exclusivamente na documentação apresentada pelo próprio contribuinte, não havendo que se falar em ilegalidade no procedimento de fiscalização. LANÇAMENTO LASTREADO EM DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS DA EFETIVA RECEITA TRIBUTADA Não há que se falar em lançamento baseado em meros indícios, quando a autoridade fiscal faz prova dos elementos que deram margem à tributação, mormente quando se trata de documentação fornecida pelo próprio contribuinte. MULTA DE OFICIO — Correta a aplicação de multa de ofício à razão de 75%, nas situações previstas no artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996. JUROS DE MORA — O não pagamento de débitos para com a União, decorrente de tributos e contribuições, sujeita a empresa à incidência de juros de mora, calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic. Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10909.001833/200450 Acórdão n.º 1201002.311 S1C2T1 Fl. 520 5 Preliminar de cerceamento de defesa Rejeitada. Preliminar de decadência suscitada acolhida. Recurso negado. (DESTACAMOS) Ato contínuo, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial (fls 486 e seguintes), em 06.06.2007, em face do Acórdão do CARF ao norte mencionado, onde requer a nulidade do acórdão recorrido, que extrapolou a competência reservada ao colegiado administrativo ao julgar inconstitucional o artigo 45 da Lei 8.212/91 e, caso essa preliminar seja superada, pleiteia que seja afastada a decadência do lançamento, apontada pela Câmara a quo, vez que efetuado dentro do prazo legalmente fixado (artigo 45, I, da Lei 8.212/91). Em 01.11.2007, o CARF, através do despacho nº 108184/2007 (fls 499), da Presidência da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, afirma que o acórdão recorrido contrariou a lei em relação à CSLL, por causa do prazo decadencial, já que negara a aplicação ao artigo 45 da Lei 8.212/91 e, de acordo com o § 6º do artigo 15 do RICARF, aprovado pela Portaria nº 147, de 25 de junho de 2007, admitiu o Recurso Especial. Na sessão de 11 de maio de 2017, foi prolatado o Acórdão nº 9101002.822 (fls 508 e seguintes), pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que proveu o Recurso Especial da Fazenda Nacional, para anular a decisão recorrida, com retorno dos autos ao colegiado de origem para proferir novo julgamento apenas em relação à decadência, restando assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1999 DECADÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. SÚMULA VINCULANTE N. 8. São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto Lei nº 1.569/1977e os artigos45e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. DECADÊNCIA. RETORNO DOS AUTOS AO COLEGIADO DE ORIGEM. Em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa, bem como para evitar supressão de instância, necessário o retorno dos autos ao Colegiado de origem para a verificação dos pressupostos fáticos que, conforme normas vinculantes enunciadas inclusive pelo Superior Tribunal de Justiça, conduzem à aplicação do art. 150 ou 173 do CTN. Às fls. 516, foi proferido despacho de encaminhamento do processo ao CARF, nos seguintes termos: Tendo em vista que os créditos tributários definitivos na esfera administrativa, foram transferidos para o processo 11516.722977/201744, proponho o encaminhamento do Fl. 522DF CARF MF 6 presente processo ao CARF/MF/DF para novo julgamento do recurso voluntário relativamente apenas à decadência, conforme determinado no Acórdão de Julgamento do Recurso Especial da Fazenda Nacional de folhas 508 a 511 É o relatório. Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Assim, dele conheço. Como consta do relatório deste Acórdão cumpre a este Colegiado proferir novo julgamento apenas em relação à decadência da exigência da CSLL relativo aos períodos de apuração do 1º e 2º trimestres de 1999. A ciência da exigência fiscal deuse em 26/07/2004 (fls. 391). Ao debruçarse sobre a questão da decadência do crédito tributário, o acórdão da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes aplicou a contagem de prazo decadencial segundo a regra do §4º do art. 150 do CTN, isto é, 5 (cinco) anos a contar do fato gerador: Art. 150. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Todavia, no que tange às competências dos 1º e 2º trimestres de 1999, não foi localizado nenhum débito declarado ou recolhimento pela fiscalização, como pode ser observado na planilha "Apuração de Débito" de fls. 372. Para fins de contagem do prazo decadencial nos lançamentos dos tributos submetidos ao "regime de homologação" devese aplicar o que dispõe o § 4º do art. 150 do CTN, salvo na hipótese da inexistência de pagamento parcial ou da comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, em que incidirá a regra prevista no inciso I do art. 173 do CTN. Nesse sentido, o decidido no Recurso Especial (REsp) nº 973.733/SC, da relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, na sessão de 12/08/2009. Reproduzo parcialmente a sua ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 523DF CARF MF Processo nº 10909.001833/200450 Acórdão n.º 1201002.311 S1C2T1 Fl. 521 7 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). (...) (DESTAQUEI) Na ausência de pagamento ou antecipação impõese a aplicação do inciso I do art. 173 do CTN, na esteira do REsp nº 973.733/SC, contandose o termo inicial do prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado: Art. 173 — O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) Não consta dos autos a comprovação de que tenha efetivamente havido a antecipação pelo sujeito passivo de pagamento da CSLL vinculada ao fato gerador do 1º e 2º trimestres de 1999. Logo, para tais competências, segundo a regra do art. 173 do CTN, não se operou a decadência. Assim, voto no sentido de NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Fl. 524DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.723255/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2005 a 31/12/2006
DILIGÊNCIA. INTIMAÇÕES NÃO ATENDIDAS. PROVIMENTO NEGADO
O contribuinte pleiteou a realização de diligência, para que pudesse esclarecer as divergências entre lançamentos contábeis e DCTF, que originaram a autuação. Contudo, não atendeu às intimações. Não resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2005 a 31/12/2006
DILIGÊNCIA. INTIMAÇÕES NÃO ATENDIDAS. PROVIMENTO NEGADO
O contribuinte pleiteou a realização de diligência, para que pudesse esclarecer as divergências entre lançamentos contábeis e DCTF, que originaram a autuação. Contudo, não atendeu às intimações. Não resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 3301-004.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2005 a 31/12/2006 DILIGÊNCIA. INTIMAÇÕES NÃO ATENDIDAS. PROVIMENTO NEGADO O contribuinte pleiteou a realização de diligência, para que pudesse esclarecer as divergências entre lançamentos contábeis e DCTF, que originaram a autuação. Contudo, não atendeu às intimações. Não resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2005 a 31/12/2006 DILIGÊNCIA. INTIMAÇÕES NÃO ATENDIDAS. PROVIMENTO NEGADO O contribuinte pleiteou a realização de diligência, para que pudesse esclarecer as divergências entre lançamentos contábeis e DCTF, que originaram a autuação. Contudo, não atendeu às intimações. Não resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10580.723255/2009-61
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5880669
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.654
nome_arquivo_s : Decisao_10580723255200961.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 10580723255200961_5880669.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira - Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
dt_sessao_tdt : Tue May 22 00:00:00 UTC 2018
id : 7364737
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:36 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588728524800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1641; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 1.925 1 1.924 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.723255/200961 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301004.654 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de maio de 2018 Matéria PIS e COFINS Recorrente LIZCONSTRUÇÕES EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2005 a 31/12/2006 DILIGÊNCIA. INTIMAÇÕES NÃO ATENDIDAS. PROVIMENTO NEGADO O contribuinte pleiteou a realização de diligência, para que pudesse esclarecer as divergências entre lançamentos contábeis e DCTF, que originaram a autuação. Contudo, não atendeu às intimações. Não resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2005 a 31/12/2006 DILIGÊNCIA. INTIMAÇÕES NÃO ATENDIDAS. PROVIMENTO NEGADO O contribuinte pleiteou a realização de diligência, para que pudesse esclarecer as divergências entre lançamentos contábeis e DCTF, que originaram a autuação. Contudo, não atendeu às intimações. Não resta alternativa que não a de negar provimento ao recurso voluntário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 32 55 /2 00 9- 61 Fl. 1925DF CARF MF Processo nº 10580.723255/200961 Acórdão n.º 3301004.654 S3C3T1 Fl. 1.926 2 (assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado), Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Fl. 1926DF CARF MF Processo nº 10580.723255/200961 Acórdão n.º 3301004.654 S3C3T1 Fl. 1.927 3 Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância: "Tratase de Auto de Infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, pretendendo a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativa a períodos de apuração de 2004, 2005 e 2006. O presente processo também pretende a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, relativa também a períodos de apuração de 2004, 2005 e 2006. Conforme apontado nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal a eles anexo, foram constatadas diferenças entre a escrituração contábil da empresa e os valores declarados em DCTF, gerando os lançamentos de ofício sob análise. Cientificada da exigência fiscal, a autuada apresenta Impugnação, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: • Os fatos geradores anteriores a 01/07/2004 foram alcançados pela decadência tributária, visto que a ciência do auto de infração se deu em 01/07/2009. • Quanto às supostas divergências entre os valores escriturados e declarados, em 2004 e 2005 tais diferenças decorreram de equívocos na apuração do PIS e da Cofins nãocumulativos, em decorrência de má interpretação da nova legislação, somente corrigidos após o encerramento dos exercícios. Os valores corrigidos foram informados corretamente em DCTF e Dacon, e a contabilidade passou por ajustes. • As contas contábeis PIS a Recolher e Cofins a Recolher receberam lançamentos a débito apenas para ajustar os valores para coincidir com os valores declarados em DCTF. Entretanto, o fiscal autuante não aceitou tais ajustes. • Para o ano de 2006 também ocorreram equívocos, visto que contratos de diversos terrenos adquiridos em 2006 para incorporação somente foram enviados para contabilidade em 2007. Para corrigir, realizou ajustes contábeis, igualmente não aceitos pelo fiscal autuante. • A impugnante não pode concordar com a mera comparação entre a contabilidade e as DCTFs, sem investigação da apuração dos tributos. No caso, o tributo cobrado surgiu apenas da irreal comparação entre um Livro Razão manifestadamente incorreto (mas já corrigido) e as DCTFs, devendo ser declarado improcedente. • O procedimento fiscal feriu de morte os princípios da verdade material, da capacidade contributiva e da ampla defesa., devendo ser declarado nulo. • Requer diligência, a ser realizada por auditor fiscal estranho ao feito, para responder se o Livro Razão ajustado e as DCTFs retificadas estão corretos em relação à apuração do PIS e da Cofinsdo período autuado, e, em caso negativo, se existe débito de PIS e Cofins e qual o valor. • Por fim, requer que seja afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício. Fl. 1927DF CARF MF Processo nº 10580.723255/200961 Acórdão n.º 3301004.654 S3C3T1 Fl. 1.928 4 É o relatório." A DRJ em Salvador (BA) julgou a impugnação procedente em parte e o Acórdão n° 1532.733, datado de 12 de julho de 2013, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/10/2005 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastada a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal, em face da edição da Súmula Vinculante nº 08, de 2008, considerase que o prazo decadencial para se efetuar o lançamento de ofício relativo à Cofins é de cinco anos, contados a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. DIFERENÇA APURADA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E/OU DECLARADOS E PAGOS Apuradas, mediante procedimento de ofício de verificações obrigatórias, divergências entre os valores escriturados a título de Cofins e os que haviam sido declarados em DCTF pelo contribuinte, é procedente a autuação para exigência das diferenças não pagas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2004 a 29/02/2004, 01/04/2004 a 30/04/2004, 01/07/2004 a 30/09/2004, 01/08/2005 a 30/04/2006, 01/07/2006 a 31/12/2006 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Afastada a aplicação do art. 45 da Lei nº 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal, em face da edição da Súmula Vinculante nº 08, de 2008, considerase que o prazo decadencial para se efetuar o lançamento de ofício relativo ao PIS/Pasep é de cinco anos, contados a partir do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional. DIFERENÇA APURADA ENTRE OS VALORES ESCRITURADOS E/OU DECLARADOS E PAGOS Apuradas, mediante procedimento de ofício de verificações obrigatórias, divergências entre os valores escriturados a título de PIS e os que haviam sido declarados em DCTF pelo contribuinte, é procedente a autuação para exigência das diferenças não pagas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1928DF CARF MF Processo nº 10580.723255/200961 Acórdão n.º 3301004.654 S3C3T1 Fl. 1.929 5 Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Incabível a argüição de nulidade do auto de infração, quando se verifica que foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. CONTABILIDADE. PROVA. Considerandose que as informações registradas na escrita fiscal fazem prova contra o sujeito passivo, o registro contábil é suficiente para embasar o lançamento, quando a impugnante não comprova suas alegações de erro de escrituração dos valores lançados. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, por meio do qual repisou os argumentos contidos na impugnação. Em 19 de março de 2015, por meio da Resolução n° 3301000.213, o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: "O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Como visto tratase de um lançamento decorrente do cumprimento das chamadas verificações obrigatórias. Neste caso, a fiscalização efetua um confronto entre os registros contábeis relativos à apuração do PIS e da Cofins com os valores declarados em DCTF, procedendo ao lançamento das diferenças constatadas. As diferenças constatadas, foram previamente informadas ao contribuinte por meio de termos de constatação. Observase que as justificativas apresentadas pelo contribuinte para as diferenças apontadas nos referidos termos foram muito concisas e desprovidas de maiores elementos. Isto pode ser verificado nas respostas de fls. 195 e 228/229. Notase por exemplo que na justificativa de fls. 228/229 não é feita qualquer menção ao ajuste dos créditos decorrentes da apropriação indevida de créditos referentes a terrenos adquiridos em 2006, com créditos apropriados em 2007. Esta informação pelo que me consta só foi apresentada na impugnação. No meu modo de ver o contribuinte traz um argumento que entendo relevante ao ponto de se colocar dúvidas quanto à correta apuração dos valores devidos de PIS e Cofins. Alega ele, que sua contabilidade foi efetuada com erros que refletiram na apuração das contribuições. Em razão destes erros teria procedido os ajustes necessários em sua escrita contábil com reflexo na apuração dos tributos. Afirma que a fiscalização se recusou a fazer a conferência, ou seja, as verificações obrigatórias, utilizandose da contabilidade ajustada, pois o procedimento simplificado não permitiria a conferência dos valores contabilizados. Ressalto que não há provas desta afirmativa, qual seja, que a fiscalização teria se recusado a utilizar a contabilidade ajustada em sua apuração. Porém o contribuinte apresenta em sua impugnação o que ele diz ser o razão contábil com os ajustes em decorrência dos erros cometidos em função das dificuldades de adaptação Fl. 1929DF CARF MF Processo nº 10580.723255/200961 Acórdão n.º 3301004.654 S3C3T1 Fl. 1.930 6 às recentes regras de apuração nãocumulativa das contribuições ao PIS e Cofins. Também traz alguns elementos que no meu entender apontam para um possível erro na apuração efetuada pela fiscalização. Concordo, com a alegação do contribuinte que, se vai fazer só confronto contábil com os valores declarados, há que se considerar os ajustes contábeis realizados, sobretudo se foram efetuados antes da ação fiscal. Também não há provas de que o contribuinte apresentou a contabilidade ajustada no decorrer da fiscalização. Mas, conforme já dito, alguns elementos processuais apontam que o contribuinte, antes da fiscalização, teria efetuado ajustes contábeis que refletiram a apuração do PIS e Cofins. Pegando o próprio exemplo da apuração da Cofins do mês de julho/2004, cujo valor lançado no auto de infração foi de R$ 29.253,00. Neste caso o contribuinte havia apurado em sua contabilidade exatamente este valor o qual inclusive foi objeto de pagamento reconhecido pela fiscalização. Posteriormente, o contribuinte retificou a DCTF e o Dacom zerando o valor devido neste mês em função da apropriação de novos créditos. O Dacom foi retificado em 06/10/2005, fl. 335 e seguintes, ou seja, bem antes do início da fiscalização. Neste mesmo sentido, os contratos de aquisição de terrenos celebrados em 2006, cujos créditos haviam sido apropriados incorretamente em 2007 e que teriam sido também uma das razões das correções efetuadas na contabilidade. Como disse anteriormente, há indícios razoáveis de que a apuração dos valores devidos podem não estar em consonância com a realidade dos fatos. Neste sentido, em nome do princípio da verdade material, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que a autoridade administrativa tome as seguintes providências: 1) conferir a apuração dos valores lançados a título de PIS e Cofins tendo como contrapartida a contabilidade ajustada pelo contribuinte, a não ser que fique demonstrado que ela não mereça fé, situação esta que deve estar devidamente comprovada; 2) considerando o evidente interesse do contribuinte na apuração correta dos fatos, que seja intimado a apresentar planilhas demonstrativas das apurações do PIS e Cofins, dos períodos em referência, prestando os devidos esclarecimentos, quando necessários. Fica facultado à autoridade diligente proceder à intimação para apresentação de documentos e esclarecimentos que entender necessário; 3) Ao final, a autoridade diligente deverá elaborar relatório detalhado com os valores apurados, bem como, prestar todos os esclarecimentos necessários. Dar ciência deste relatório conclusivo ao contribuinte devolvendolhe prazo para apresentar as manifestações complementares, caso entenda necessário." A diligência foi realizada e o relatório encontrase nos autos (fls. 1.918 a 1.920). Em suma, a diligência foi encerrada, sem que os quesitos acima fossem respondidos, em razão de o contribuinte não ter atendido às intimações para prestação de esclarecimentos. É o relatório. Fl. 1930DF CARF MF Processo nº 10580.723255/200961 Acórdão n.º 3301004.654 S3C3T1 Fl. 1.931 7 Voto Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator Nos termos do exposto no relatório, por meio da Resolução n° 3301000.213, o julgamento foi convertido em diligência, para que fossem esclarecidas e, eventualmente, sandas, as divergências entre lançamentos contábeis, demonstrativos de apuração do PIS e da COFINS e DCTF, que originaram a autuação. destaquese que a diligência foi pleiteada pelo contribuinte nas duas peças de defesa apresentadas. A diligência foi realizada e o relatório encontrase nos autos (fls. 1.918 a 1.920). Em suma, a diligência foi encerrada, sem que os quesitos acima fossem respondidos, em razão de o contribuinte não ter atendido às intimações para prestação de esclarecimentos. Reproduzo trechos com a conclusão do trabalho: "Apesar das duas intimações realizadas pessoal mente em 21/07/2016 e 05/10/2016 e do alerta feito verbalmente por ocasião das mesmas, o contribuinte, decorridos quase seis meses da primeira e três meses da segunda intimação, não apresentou qualquer elemento solicitado ou justificativa para não o ter feito. Em face do exposto, não resta outra alternativa a não ser encerrar esta diligência e lavrar o presente Relatório sem o atendimento aos quesitos da Resolução tendo em vista o flagrante desinteresse do contribuinte em contribuir com elementos essenciais para a realização da diligência." Assim sendo, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 1931DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10517.720002/2014-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 01/01/2010 a 21/12/2013
ROVIMIX E 50 ADSORBARTE. ROVIMIX E 50 SD. ROVIMIX D3 500. ROVIMIX CEC. ROVIMIX FÓLICO 80 SD. ROVIMIX B2 80 SD. PARSOL SLX.
Mostrando-se incabível a classificação do produto no código pretendido pelo Fisco, é de se dar provimento ao recurso voluntário.
Numero da decisão: 3301-004.388
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: Liziane Angelotti Meira
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201803
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 21/12/2013 ROVIMIX E 50 ADSORBARTE. ROVIMIX E 50 SD. ROVIMIX D3 500. ROVIMIX CEC. ROVIMIX FÓLICO 80 SD. ROVIMIX B2 80 SD. PARSOL SLX. Mostrando-se incabível a classificação do produto no código pretendido pelo Fisco, é de se dar provimento ao recurso voluntário.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10517.720002/2014-66
conteudo_id_s : 5875068
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 3301-004.388
nome_arquivo_s : Decisao_10517720002201466.pdf
nome_relator_s : Liziane Angelotti Meira
nome_arquivo_pdf_s : 10517720002201466_5875068.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
id : 7352742
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:21:42 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588742156288
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-11T16:51:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 330104388_10517720002201466_201803; xmp:CreatorTool: PDFCreator Version 1.4.2; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: 14675722172; dcterms:created: 2018-07-11T16:51:26Z; Last-Modified: 2018-07-11T16:51:26Z; dcterms:modified: 2018-07-11T16:51:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 330104388_10517720002201466_201803; xmpMM:DocumentID: uuid:3a87fbff-8786-11e8-0000-5fef5f873263; Last-Save-Date: 2018-07-11T16:51:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: PDFCreator Version 1.4.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2018-07-11T16:51:26Z; meta:save-date: 2018-07-11T16:51:26Z; pdf:encrypted: false; dc:title: 330104388_10517720002201466_201803; modified: 2018-07-11T16:51:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: 14675722172; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: 14675722172; meta:author: 14675722172; dc:subject: ; meta:creation-date: 2018-07-11T16:51:26Z; created: 2018-07-11T16:51:26Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2018-07-11T16:51:26Z; pdf:charsPerPage: 2004; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: 14675722172; producer: GPL Ghostscript 9.05; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: GPL Ghostscript 9.05; pdf:docinfo:created: 2018-07-11T16:51:26Z | Conteúdo => S3-C3T1 Fl. 3.193 1 3.192 S3-C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10517.720002/2014-66 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301-004.388 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de março de 2018 Matéria CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Recorrente DSM PRODUTOS NUTRICIONAIS BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 21/12/2013 ROVIMIX E 50 ADSORBARTE. ROVIMIX E 50 SD. ROVIMIX D3 500. ROVIMIX C-EC. ROVIMIX FÓLICO 80 SD. ROVIMIX B2 80 SD. PARSOL SLX. Mostrando-se incabível a classificação do produto no código pretendido pelo Fisco, é de se dar provimento ao recurso voluntário. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D’Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semiramis de Oliveira Duro, Ari Vendramini, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), e Valcir Gassen e José Henrique Mauri. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório elaborado pela decisão recorrida (fls. 836/853), abaixo transcrito: A interessada promoveu a importação de diversos produtos do exterior, entendendo a fiscalização, com relação a alguns deles a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 7. 72 00 02 /2 01 4- 66 Fl. 3.193Fl. 3.193 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária 21 de março de 2018 21 de março de 2018 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS DSM PRODUTOS NUTRICIONAIS BRASIL S.A. DSM PRODUTOS NUTRICIONAIS BRASIL S.A. FAZENDA NACIONAL FAZENDA NACIONAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 7. 72 00 02 /2 01 4- 66 A Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.194 2 seguir explicitados, em razão de laudos oficiais elaborados, ter havido classificação fiscal incorreta, o que resultou na cobrança de diferença de imposto de importação, juros de mora, multa de ofício prevista na lei 9430/96 e multa de um por cento do valor aduaneiro da mercadoria prevista na MP 2158-35/01 combinada com a Lei 10833/03, totalizando R$ 18.538.425,57. A interessada apresentou impugnação alegando, em síntese, que: - a impugnação é tempestiva; Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.195 3 - a falta de sua participação na elaboração dos laudos macula os princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo que não se manifestou sobre eles; - não houve equívoco na descrição das mercadorias o que enseja a não aplicação da penalidade de ofício em razão do ADN/COSIT 10/97; - o mero equívoco na classificação fiscal não enseja a aplicação da penalidade de 1% do valor aduaneiro uma vez que a descrição das mercadorias permitem a sua identificação; - uma leitura criteriosa do art 711, I do Dec. 6759/09 leva a entender a aplicação da multa somente se do fato resulte a impossibilidade de identificação da mercadoria; - cita em seu favor o ADN/COSIT 12/97; - cita e analisa as regras de classificação fiscal; - inquestionavelmente se aplicam melhor as NESH da posição 2936; - a mercadoria PARSOL SLX é de sua fabricação e nada pode ser mais específico que isso; - a ração animal pode conter vitaminas mas o contrário não é possível; - a essencialidade da RGI 3, b deve ser levada em conta ao considerar vitaminas mais específicas do que ração animal; - a RGI 3, c traz critérios de desempate para ser aplicado ao caso; - a classificação das vitaminas de seu no Capítulo 29, Posição 36 em função da especificidade e da essencialidade dos produtos, estando incorreta a classificação apresentada pela fiscalização; - os laudos nunca concluíram que os produtos importados não eram vitaminas mas apenas acrescentaram outras substâncias, que são simples facilitadores para o transporte e a conservação, bem como para auxiliar a manipulação e a dosagem no preparo da ração animal; - os laudos em análise não informam as quantidades dos excipientes, contrariando a Nota Explicativa da posição 2309 que fala em quantidade das substâncias acrescentadas, que não sejam superiores aos necessários à sua conservação ou transporte e não modifiquem o caráter do produto tornando-o apto para uso específico de preferência à sua aplicação geral; - as vitaminas importadas não foram obtidas por meio do tratamento de matérias vegetais ou animais e muito menos perderam suas características específicas e essenciais; - quanto ao PARSOL, que produz, cita as NESH da posição 3910; Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.196 4 - a Decisão COANA 2, de 1999 classificou a vitamina E adsorvida em sílica na posição 2936; - decisões da DRJ/SP, com base nas decisões COANA 2, 3, 11 e 14, de 1999, desconsideraram as autuações fiscais na Posição 2309; - a Nota 1 do Capítulo 23 das NESH diz que a inclusão na posição 2309 somente se dá se os produtos não estiverem especificados nem compreendidos em outras posições; - ainda que a vitamina, de nome comercial ROVIMIX E-50 ADSORBATE. vá ser adicionada à ração animal, a correta classificação é 2936.28.12, sendo também esta a correta classificação da vitamina de nome comercial ROVIMIX E-50 SD; - a vitamina de nome comercial ROVIMIX D3 500 apresenta correta classificação na posição 2936 pois a inclusão de excipientes na composição é admitida pela legislação em vigor e não há qualquer comprovação de que em quantidade superior admitida para transporte e conservação; - perito químico ex funcionário da Receita Federal confirmou a classificação adotada pela impugnante, bem como decisão do CARF onde foi adicionada lactose à vitamina D3; - a vitamina de nome comercial ROVIMIX C-EC apresenta correta classificação 2936.27.10, não sendo suficiente a adição de excipiente como derivado de celulose para retirar a sua especialidade e a sua essencialidade de vitamina, o que foi entendimento do CARF; - a vitamina de nome comercial ROVIMIX FOLIC 80 SD apresenta correta classificação 2936.29.11, não sendo suficiente a adição de excipiente como um polissacarídeo para retirar a sua especialidade e a sua essencialidade de vitamina, o que foi entendimento do CARF; - a vitamina de nome comercial ROVIMIX B2 SD apresenta correta classificação na posição 2936 pois a inclusão de excipientes na composição é admitida pela legislação em vigor e não há qualquer comprovação de que em quantidade superior admitida para transporte e conservação, o que foi entendimento do CARF; - quanto ao produto PARSOL, em momento algum o laudo faz referência ao peso molecular da amostra coletada, não havendo a conclusão de que os pré-polímeros misturados, obtidos por hidrólise de dimetildiclorosilano, não poderiam ser equiparados ao polissiloxano contendo grupamento de éster, não tendo havido fundamentação legal ou técnica para desconsiderar a classificação utilizada. Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.197 5 Posteriormente à impugnação, a interessada pleiteou a juntada de laudos técnicos, o que foi atendido por esta DRJ/SP, constante do e-processo. Ao julgar a impugnação, a 24ª Turma da DRJ/SPO proferiu o Acórdão n° 16- 72.690 - 24ª Turma da DRJ/SPO, com a seguinte ementa (fl. 836): ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 Preparação para ser adicionada à ração animal. Preparações especificamente elaboradas para serem adicionadas à ração animal apresentam correta classificação fiscal 2309.90.90. Óleo de Silicone. Polissiloxano contendo Grupamento Éster, na forma líquida, outro óleo de silicone, apresenta correta classificação fiscal 3910.00.19. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido A DSM Produtos Nutricionais Brasil S/A apresentou Recurso Voluntário (fls 881/935), no qual apresenta as mesmas alegações e pedidos constantes da Impugnação. Às fls. 939/940, a Recorrente informou o oferecimento de seguro-garantia no montante total e atualizado do débito discutido neste processo e pediu juntada dos documentos pertinentes (fls 941/953). Às fls. 956/961, a Recorrente juntou documento onde retoma suas razões, especificamente: · defendeu a impossibilidade de aplicação das multas cominadas, asseverando que o ADN Cosit no 10/97 foi substituído pelo ADI SRF no 13/97, o qual inequivocamente afastou a aplicação da multa regulamentar desde que o produto esteja corretamente descrito; · asseverou que "sendo certo que a aplicação da multa de ofício (ou proporcional) ocorreu em função da suposta classificação incorreta da mercadoria, não restam dúvidas de que o ADN Cosit no 12/97, dispositivo legal vigente, deve ser aplicado a estes autos para afastar a cobrança desta multa, sob pena de aplicação não isonômica da legislação posto que inúmeros outros Contribuintes, na exata situação da Recorrente, já foram beneficiados com o cancelamento deste débito"; · alegou "ausência de fundamentação que justifique a manutenção da classificação pretendida pela Receita"; e · pediu "que, a exemplo dos demais julgamentos já realizados por este Conselho, sejam confirmadas as classificações fiscais indicadas pela Recorrente nas importações objeto de análise, cancelando-se assim, por consequência, a integralidade do auto de infração aqui combatido." Às fls. 966/971, a Recorrente pede a juntada de memoriais com decisões deste CARF, laudos periciais e Pareceres da OMA corroborando seu entendimento em relação à classificação de: Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.198 6 1 - VITAMINA C-EC; 2 - VITAMINA E-50 SD; 3 - VITAMINA D3-500; 4 - VITAMINA E-50 ADSORBATE; 5 - VITAMINA FOLIC 80 SD; 6 - VITAMINA B2 SD. Às fls. 972/1332 são juntadas decisões do CARF e laudos que apontam pelas classificações propugnadas pela Recorrente. Às fls. 1335/1340 a recorrente reafirma seu entendimento e solicita juntada de decisões do CARF e laudos que apontam pelas classificações que propugna. Estes documentos são juntadas às fls. 1341/1701. Ás fls. 1702/1706A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seçao, por meio da Resolução nº 3301-000.320 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, nos seguintes termos: Diante do exposto, proponho a conversão do presente julgamento em diligência para que o presente processo seja encaminhado ao Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias (Ceclam), criado pela Portaria RFB nº 1921/2017, para que emita parecer a respeito da classificação fiscal do produto em discussão. Caso o Ceclam entenda que os laudos técnicos produzidos no presente processo, sejam insuficientes, para a perfeita caracterização técnica do produto, fica autorizado a solicitar a realização de perícia técnica. Após concluído o seu exame, o Ceclam deverá enviar o presente processo à unidade de controle de origem, para cientificar o contribuinte quanto ao parecer elaborado, dandolhe prazo de 30 dias para se pronunciar a respeito dos elementos produzidos. Concluídas as etapas anteriores o processo deve ser devolvido ao CARF para que se prossiga no julgamento. Das fls. 1708/1709, consta a Informação Fiscal Cosit/Ceclam nº 07/2017, que apresenta as seguintes conclusões: 7. Em matéria de classificação fiscal, todo auditor fiscal da RFB é competente para realizar tal classificação, não sendo esta uma competência exclusiva do Ceclam. Ao Ceclam cabe solucionar as consultas sobre o tema e atender as demandas das unidades da RFB e aquelas decorrentes de convênios e acordos de cooperação institucional, nos termos da Portaria RFB nº 1.921, de 13 de abril de 2017, e da IN RFB nº 1.464/2014, mas não possui tal competência em se tratando de lide já instaurada. 8. No presente processo, a Receita Federal do Brasil (RFB), por intermédio da fiscalização, já firmou posição sobre a Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.199 7 classificação fiscal da mercadoria, não havendo previsão legal ou regulamentar para uma revisitação do feito por um órgão central de assessoramento do Secretário da RFB. 9. Na fase de julgamento em que o processo se encontra, a par de não haver previsão legal para qualquer manifestação da administração tributária, uma eventual opinião oficial de um órgão central como o Ceclam seria ilegítima, podendo inclusive ser entendida como uma quebra do princípio do equilíbrio processual. 10. Por tais razões, devolve-se os autos à unidade de origem, sem exame de mérito, a fim de que o órgão julgador analise de forma isenta o litígio. Às fls. 1715/1718, a Recorrente se manifestou sobre a Informação Fiscal, defendendo que: 2. Pois bem, os autos foram remetido ao Ceclam em 29.05.2017, e em 26.06.2017 foi proferida a Informação Fiscal Cosit/Ceclam nº 07/2017, por meio da qual a Presidente do Comitê, em brevíssima síntese, informa não ser de competência exclusiva da Ceclam manifestar-se sobre a classificação fiscal das mercadorias, e como nestes autos já existia manifestação anterior, emitida pelo auditor fiscal autuante, uma eventual opinião oficial de um órgão central como o Ceclam poderia ser entendida como quebra do princípio do equilíbrio processual. 3. É essencial que a ilustríssima Conselheira Relatora bem como os demais Conselheiros desta prestigiada Turma Julgadora, se atentem para o fato de que, inobstante a autorização legal expressa para que o Ceclam emitisse o parecer solicitado, ainda que já emitidos posicionamentos oficiais anteriores (conforme será demonstrado adiante), no intuito evidente de não contradizer o posicionamento de outra autoridade fiscal (no caso, a autuante) preferiu o Ceclam, na figura de sua Presidente, calar-se sob o fundamento do princípio do equilíbrio processual. Ora, convenhamos, fosse a Ceclam confirmar as classificações apontadas na autuação fiscal, qual prejuízo haveria em se manifestar? Por certo não seria a mesma conclusão aquela emitida pelo notável Centro de Classificação Fiscal de Mercadorias da Receita Federal do Brasil. 4. Desta feita, não há, por parte da Recorrente, a menor dúvida de que o Ceclam, diante de entendimento oposto àquele pretendido na presente autuação, preferiu eximir-se a ter de justificar uma mudança de entendimento que impactaria, como muito bem mencionou V.Sa. em sua decisão pela conversão, em reflexos tanto para o presente processo quanto para vários outros pendentes, bem como para as futuras importações. 5. Não se desconhece o fato de que a decisão proferida nestes autos não possui qualquer força vinculativa até porque, fossem assim, estaria essa própria Turma Julgadora obrigada a orientar- Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.200 8 se pelas decisões anteriores já proferidas por este Conselho confirmando a classificação fiscal adotada pela Recorrente. Neste sentido, vide: Acórdão nº 3201-001.907 -> Vitaminas C, E-C e E-50 SD; Acórdão nº 3201- 001.908 -> Vitaminas D3 500, AD3, B2 e A500; Acórdão nº 3202.001.453 -> E50 Adsorbate, E50 SD, B2 80SD; Acórdão nº 9303-003.064 -> Vitamina B2 80SD, este último, ainda, proferido pela Câmara Superior, todos eles já anexados a estes autos. 6. Assim, é fato que, não bastasse o robusto conjunto probatório, parte significativa dele emitido por órgãos credenciados por esta Receita e a seu pedido, preferiu o Ceclam, claramente com receio de formalmente contradizer a opinião de um outro auditor fiscal, eximir-se de se posicionar. 7. Ora, é fato que a discussão nestes autos reside na dicotomia: de um lado o auditor fiscal autuante, subsidiado por laudos emitidos por laboratório oficial (que inclusive já reviu seu posicionamento sobre o assunto), e de outro, inúmeros documentos técnicos, muitos deles emitidos a pedido da própria Receita e por laboratório e peritos credenciados, contradizendo o entendimento inicial. Observem: Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.201 9 8. Ou seja, até a conversão em diligência, tínhamos nesses o posicionamento de um auditor fiscal (repise-se, fundado em laudo já revistos, como demonstrado acima), contra laudos, pareceres, acórdãos deste Conselho, em alguns casos até parecer da OMA (Organização Mundial das Aduanas) e decisões COANA. No momento em que chamado outro auditor fiscal para posicionar-se, claramente evitando emitir opinião que contrariasse o primeiro, preferiu se eximir. 9. Com efeito, diversamente do quanto sustenta a Informação Fiscal emitida pela Ceclam, de que inexistiria poderes para Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.202 10 revisitar um posicionamento já exarado anteriormente, certo é que o art. 11, inc. IV da Instrução Normativa RFB nº 1921 de 13 de abril de 2017, atribui ao órgão a competência de reformar Soluções de Consulta e Soluções de Divergência. Ora, se pode modificar (revisitar, em suas palavras) até mesmo posicionamentos exarados com força vinculativa, que dirá um posicionamento proferido exclusivamente para fundamentar uma autuação fiscal. Não há qualquer cabimento ou veracidade na alegação do Ceclam que, repise-se, esquivou-se de contradizer o auditor fiscal pelo simples fato de não ter de emitir posicionamento contrário àquele, nestes autos. 10. Posto tudo isso, e mais uma vez trazido ao conhecimento de Vossas Senhorias, em especial da respeitável Conselheira Relatora, um significativo conjunto probatório que possui por condão confirmar a correta classificação fiscal adotada pela Recorrente para as suas mercadorias, reitera o pedido de que o auto de infração seja integralmente cancelado. (grifos no original) Às fls. 1719/3172 a Recorrente junta extenso, minucioso e atual conjunto de subsídios para seu pleito, composto por decisões do CARF, laudos e parecer da OMA. É o relatório. Voto Conselheira Liziane Angelotti Meira, Relatora O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Quanto à alegação da DSM Produtos Nutricionais Brasil S/A que a falta de sua participação na elaboração dos laudos teria maculado os princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo que não teria se manifestado sobre eles, cabe reafirmar, conforme consta da decisão recorrida (fl. 840), que não houve afronta ao contraditório e à ampla defesa porque a interessada participou da confecção dos laudos, inclusive com quesitos respondidos, tendo ainda a possibilidade, que efetivamente exerce, de se manifestar sobre os laudos no processo administrativo fiscal. No que concerne ao ADI SRF no 13/02, que teria substituído, mantendo os mesmos termos, o ADN Cosit no 10/97, a Recorrente está correta. Contudo essas disposições não lhe socorrem: Ato Declaratório Interpretativo - ADI SRF 13/02 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, e considerando o disposto no art. 84, e seu § 2º, da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, declara: Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.203 11 Art. 1º Não constitui infração punível com a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional, quando incabíveis, bem assim aindicação indevida de destaque ex, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. Art. 2º Fica revogado o Ato Declaratório (Normativo) Cosit nº 10, de 16 de janeiro de 1997. (Grifou-sei) Conforme se depreende do texto do ADI, ele somente se aplica aos casos de "solicitação, feita no despacho de importação, de reconhecimento de imunidade tributária, isenção ou redução do imposto de importação e preferência percentual negociada em acordo internacional." Tal solicitação deve ser feita nos termos do art. 119 do Decreto no 6759/2009, depende de reconhecimento pela autoridade fiscal. No presente caso, não houve solicitação de isenção, redução ou outro benefício fiscal, não se aplicando, portanto, o ADI SRF no13/02 O ADN Cosit no 12/1997, também não socorre a contribuinte e não afasta as multa de ofício ou a multa de 1%: ATO DECLARATÓRIO NORMATIVO COSIT Nº 12, DE 21 DE JANEIRO DE 1997 "Declara que o embarque de mercadoria antes da obtenção do licenciamento não automático no SISCOMEX não constitui infração administrativa ao controle das importações." O COORDENADOR-GERAL DO SISTEMA DE TRIBUTAÇÃO, no uso das atribuições que lhe confere o item II da Instrução Normativa nº 34, de 18 de setembro de 1974, e tendo em vista o disposto no inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto nº 91.030, de 5 de março de 1985, e no art. 112, inciso IV, do Código Tributário Nacional - Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, declara, em caráter normativo, às Superintendências Regionais da Receita Federal, às Delegacias da Receita Federal de Julgamento e aos demais interessados, que não constitui infração administrativa ao controle das importações, nos termos do inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro, a declaração de importação de mercadoria objeto de licenciamento no Sistema Integrado de Comércio Exterior - SISCOMEX, cuja classificação tarifária errônea ou indicação indevida de destaque "ex" exija novo licenciamento, automático ou não, desde que o produto esteja corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e que não se constate, em qualquer dos casos, intuito doloso ou má fé por parte do declarante. (grifou-se) Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.204 12 Verifica-se da leitura do ADN Cosit no 12/1997, que ele se aplica quando foi informada incorretamente a classificação da mercadoria para obtenção de licença de importação. Nesta hipótese, o importador não será apenado, mas deverá solicitar e conseguir nova LI. Visivelmente, o presente caso não se enquadra nas disposições do ADN, mas se enquadra no art. 84, I, da MP 2158-35, de 2001, que determina a aplicação da multa nos seguintes termos: Art. 84. Aplica-se a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: I - classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou (grifou-se). Sobre a classificação fiscal das mercadorias, trazemos a análise de cada um dos produtos. Iniciamos com trecho da recorrida (fl 841 e seguintes): 1. ROVIMIX E 50 ADSORBARTE Mercadoria identificada pelo laudo oficial 4322/2010-1 como preparação contendo acetato de tocoferol (acetato de vitamina E) e Excipientes como as Substâncias Inorgânicas à base de Sílica, na forma de pequenas esferas, pronta para serem administradas aos animais, adicionadas ao leite ou líquidos dietéticos para nutrição animal, não sendo os excipientes adicionados por motivo de transporte ou conservação mas para tornar a mercadoria pronta para ser adicionada à ração animal. Diz o laudo, conforme trecho a seguir, que não se trata somente de vitamina E, mas de preparação que contém também excipientes: (...) O laudo ficial diz expressamente que a mercadoria é especificamente formulada para ser adicionada à ração animal. O laudo trazido pela própria interessada diz que o seu produto é matéria-prima para preparações para ração animal, além de suplementos para dieta. No entanto, às fls. 1719/3172, a Recorrente junta robusto e recente conjunto de subsídios para seu entendimento, composto por decisões do CARF, laudos e parecer da OMA. Em relação ao produto em pauta, juntou especificamente: Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.205 13 Dessa forma, com respaldo na documentação acostada pela Recorrente, seguimos as na trilha do entendimento adotado no Acórdão n.° 3201-001.907 - 2 Câmara / 1aTurma Ordinária (juntados às fls. 2057/2064). Assim, consigna-se o entendimento de que as mercadorias importadas pela Recorrente são vitaminas misturadas com excipientes, que não perderam as suas características essenciais, mas as tornaram aptas para uso específico em animais. Dessarte, é de se concluir que a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, merecendo reforma a decisão recorrida. Continuamos com transcrição de trecho da decisão recorrida (fl. 842 e seguintes): 2. ROVIMIX E 50 SD Mercadoria identificada pelo laudo oficial 4284/2010-6 como preparação contendo acetato de tocoferol (acetato de vitamina E) e Excipientes como Lignossulfonato de Cálcio e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica, na forma de pequenas esferas, uma preparação especificamente formulada para ser adicionada à ração animal. Diz o laudo, conforme trecho a seguir, que não se trata somente de vitamina E, mas de preparação que contém também excipientes: Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.206 14 O laudo oficial diz expressamente que a mercadoria é especificamente formulada para ser adicionada à ração animal. O laudo trazido pela própria interessada diz que o seu produto é matéria-prima para preparações para ração animal, além de suplementos para dieta. No entanto, também em relação a este produto, a Recorrente junta laudos mais recentes, Acordãos deste CARF e Parecer da OMA que entendem pela classificação que propugna: Às fls. 1719/3172, a Recorrente junta robusto e recente conjunto de subsídios para seu entendimento, composto por decisões do CARF, laudos e parecer da OMA: Dessa forma, com respaldo na documentação acostada pela Recorrente e seguindo a trilha da jurisprudência deste CARF colacionada, concluímos que as mercadorias importadas pela Recorrente são vitaminas misturadas com excipientes, que não perderam as suas características essenciais, mas as tornaram aptas para uso específico em animais. Logo, a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, merecendo reforma a decisão recorrida. Segue mais um excerto da decisão recorrida (fl. 844 e seguintes): 3. ROVIMIX D3 500 Mercadoria identificada pelo laudo oficial 4284/2010-1 como preparação contendo Colecalciferol (Vitamina D3), Etoxiquina (Antioxidante) e Excipientes como Matéria Protéica, Maltodextrina e Substâncias Inorgânicas à base de Sílica, na forma de pó, uma preparação especificamente formulada para ser adicionada à ração animal. Diz o laudo, conforme trecho a seguir, que não se trata somente de vitamina D3, mas de preparação que contém também excipientes e antioxidante: No entanto, a Recorrente juntou laudos mais recentes, Acordãos deste CARF e Parecer da OMA que entendem pela classificação que propugna: Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.207 15 Às fls. 1719/3172, a Recorrente junta robusto e recente conjunto de subsídios para seu entendimento, composto por decisões do CARF e laudos: Dessa forma, com respaldo na documentação acostada pela Recorrente, concluímos que as mercadorias importadas pela Recorrente são vitaminas misturadas com excipientes, que não perderam as suas características essenciais, mas as tornaram aptas para uso específico em animais. Logo, a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, devendo ser reformada a decisão recorrida. Segue-se com mais um trecho da decisão recorrida (fl. 846 e seguintes): 4. ROVIMIX C-EC Mercadoria identificada pelo laudo oficial 4284/2010-4 como preparação constituída de Ácido Ascórbico (vitamina C) e Excipiente como Derivado de Celulose, na forma de pó, uma preparação especificamente formulada para ser adicionada à ração animal. Diz o laudo, conforme trecho a seguir, que não se trata somente de vitamina C, mas de preparação que contém também excipientes: (...) O laudo oficial diz expressamente que a mercadoria é especificamente formulada para ser adicionada à ração animal. O laudo trazido pela própria interessada diz que o seu produto é matéria-prima para preparações para ração animal, além de suplementos para dieta. No entanto, a Recorrente juntou laudos mais recentes, Acordãos deste CARF e Parecer da OMA que entendem pela classificação que propugna: Às fls. 1719/3172, a Recorrente junta robusto e recente conjunto de subsídios para seu entendimento, composto por decisões do CARF e laudos: Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.208 16 Dessa forma, com respaldo na documentação acostada pela Recorrente, concluímos que as mercadorias importadas pela Recorrente são vitaminas misturadas com excipientes, que não perderam as suas características essenciais, mas as tornaram aptas para uso específico em animais. Logo, a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, devendo ser reformada a decisão recorrida. Seguindo com mais um trecho da decisão recorrida (fls. 848 e seguintes): 5. ROVIMIX FÓLICO 80 SD Mercadoria identificada pelo laudo oficial 4298/2010-1 como preparação constituída de Ácido Fólico (Vitamina B9) e Excipiente como Polissacarídeo, na forma de pó, uma preparação especificamente formulada para ser adicionada à ração animal, sendo o polissacarídeo utilizado para facilitar a dosagem na formulação das rações. Diz o laudo, conforme trecho a seguir, que não se trata somente de vitamina B9, mas de preparação que contém também excipientes: (...) O laudo oficial diz expressamente que a mercadoria é especificamente formulada para ser adicionada à ração animal. O laudo trazido pela própria interessada diz que o seu produto é matéria-prima para preparações para ração animal, além de suplementos para dieta. No entanto, a Recorrente juntou laudos mais recentes, Acordãos deste CARF e Parecer da OMA que entendem pela classificação que propugna: Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.209 17 Às fls. 1719/3172, a Recorrente junta robusto e recente conjunto de subsídios para seu entendimento, composto por decisões do CARF e laudos: Dessa forma, com respaldo na documentação acostada pela Recorrente, concluímos que as mercadorias importadas pela Recorrente são vitaminas misturadas com excipientes, que não perderam as suas características essenciais, mas as tornaram aptas para uso específico em animais. Logo, a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, devendo ser reformada a decisão recorrida. Continuamos a disquisição, com trecho da decisão recorrida (fls. 850 e seguintes): 6. ROVIMIX B2 80 SD Mercadoria identificada pelo laudo oficial 4298/2010-3 como preparação constituída de Riboflavina (Vitamina B2) e Excipiente como Polissacarídeo, na forma de pó, uma preparação especificamente formulada para ser adicionada à ração animal, sendo o polissacarídeo utilizado para facilitar a dosagem na formulação das rações. Diz o laudo, conforme trecho a seguir, que não se trata somente de vitamina B2, mas de preparação que contém também excipientes: (...) O laudo oficial diz expressamente que a mercadoria é especificamente formulada para ser adicionada à ração animal. O laudo trazido pela própria interessada diz que o seu produto é matéria-prima para preparações para ração animal, além de suplementos para dieta. No entanto, a Recorrente juntou laudos mais recentes, Acordãos deste CARF e Parecer da OMA que entendem pela classificação que propugna: Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.210 18 Dessa forma, com respaldo na documentação acostada pela Recorrente, concluímos que as mercadorias importadas pela Recorrente são vitaminas misturadas com excipientes, que não perderam as suas características essenciais, mas as tornaram aptas para uso específico em animais. Logo, a classificação fiscal adotada pela Recorrente está correta, devendo ser reformada a decisão recorrida. 7. PARSOL SLX Mercadoria identificada pelo laudo oficial 4154/2010-4 como Polissiloxano contendo Grupamento Éster, na forma líquida, outro óleo de silicone, silicone, em forma primária, não sendo preparação e nem produto de constituição química definida. A fiscalização classificou o produto como 39100019, Outros óleos de silicone em formas primárias, enquanto a interessada utilizou a classificação 39100011, relativa a Misturas de pré- polímeros lineares e cíclicos. A interessada alegou que o laudo não faz referência ao peso molecular da amostra coletada, não havendo a conclusão de que os pré-polímeros misturados, obtidos por hidrólise de dimetildiclorosilano, não poderiam ser equiparados ao polissiloxano contendo grupamento de éster, não tendo havido fundamentação legal ou técnica para desconsiderar a classificação utilizada. Consta também informação de que a interessada declinou da formulação de quesitos, vindo a seguir as respostas aos quesitos apresentados pela fiscalização: "Não se trata de Misturas de pré-polímeros lineares e cíclicos, obtidos por hidrólise de dimetildiclorosilano, de peso médio inferior ou igual 8.800. Trata-se de Polissiloxanod contendo Grupamento Éster, na forma líquida, Outro Óleo de Silicone, Silicone, em forma primária. De acordo com Referência Bibliográfica, mercadoria de nome PARSOL SLX é utilizada em formujlações para produtos de Processo nº 10517.720002/2014-66 Acórdão n.º 3301-004.388 S3-C3T1 Fl. 3.211 19 cuidados pessoais, tais como, xampus, sprays para cabelos, condicionadores, pomadas, etc. Apesar de não ter havido a conclusão no laudo que os pré- polímeros misturados, obtidos por hidrólise de dimetildiclorosilano, não poderiam ser equiparados ao polissiloxano contendo grupamento de éster, verifica-se que ele foi claro ao dizer que o produto não é uma mistura de pré- polímeros lineares e cíclicos, conforme entendeu a interessada que classificou no subitem expresso para “Misturas de Pré- polímeros lineares e cíclicos”. Assevera a Recorrente nos seus memoriais de julgamento (fl. 2557) que "a discussão travada nestes autos é se o produto em questão possui peso molecular inferior ou igual a 8.800" e que "no Laudo de Análise anexado ao Auto de Infração para fundamentar a pretensa reclassificação, não há uma única linha sequer identificando o peso molecular do produto em questão, apenas limitando-se a contestar a classificação da Recorrente" e "sem qualquer fundamentação técnica que justifique a reclassificação pretendida para este produto." Considerando o lapso indicado pela Recorrente, entendo que não há fulcro para a classificação constante da decisão recorrida, devendo, portanto,ser afastada. Destarte, tendo em conta o exposto e a recente e farta documentação apresentada pela Recorrente, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000011/2006-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1998
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA.
Não é suficiente para a comprovação de divergência, acórdão paradigma que trata de pedido feito pelo contribuinte para exclusão de ofício, quando o caso dos autos é de exclusão de ofício. Ademais, o paradigma trata de situação excludente distinta, em hipóteses delineadas pela Lei nº 9.317/1996.
A falta de similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária impedem o conhecimento do recurso especial.
Numero da decisão: 9101-003.666
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1998 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. Não é suficiente para a comprovação de divergência, acórdão paradigma que trata de pedido feito pelo contribuinte para exclusão de ofício, quando o caso dos autos é de exclusão de ofício. Ademais, o paradigma trata de situação excludente distinta, em hipóteses delineadas pela Lei nº 9.317/1996. A falta de similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária impedem o conhecimento do recurso especial.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10825.000011/2006-43
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893867
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9101-003.666
nome_arquivo_s : Decisao_10825000011200643.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : CRISTIANE SILVA COSTA
nome_arquivo_pdf_s : 10825000011200643_5893867.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
id : 7399169
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588764176384
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1425; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 285 1 284 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10825.000011/200643 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101003.666 – 1ª Turma Sessão de 05 de julho de 2018 Matéria SIMPLES Recorrente REICON IND E COM DE COLETORES E PECAS ELETRICAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1998 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. FALTA DE SIMILITUDE FÁTICA E DIVERGÊNCIA NA INTERPRETAÇÃO DA LEI TRIBUTÁRIA. Não é suficiente para a comprovação de divergência, acórdão paradigma que trata de pedido feito pelo contribuinte para exclusão de ofício, quando o caso dos autos é de exclusão de ofício. Ademais, o paradigma trata de situação excludente distinta, em hipóteses delineadas pela Lei nº 9.317/1996. A falta de similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária impedem o conhecimento do recurso especial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 00 11 /2 00 6- 43 Fl. 285DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de processo originado por exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) por Ato Declaratório Executivo da DRF / Bauru n. 15, de 15/08/2007 (fls. 145): Art. 1° A exclusão da empresa REICON INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COLETORES E PEÇAS ELÉTRICAS LTDA, CNPJ 55.651.897/000105, situada na Rua Santos Dumont, S 538 — Centro, Pederneiras/SP, do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, tendo em vista a ocorrência da hipótese de exclusão obrigatória do SIMPLES, prevista no art. 9º, inciso II da Lei n° 9.317/96. Art. 2° A exclusão do Simples surtirá efeito a partir de 1 de janeiro de 1998, nos termos do inciso IV e parágrafo 3° do artigo 15 da Lei 9.317/96, estando assegurado ao contribuinte o direito de apresentar manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias contados a partir da ciência deste, junto à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, observada a legislação relativa ao processo administrativo fiscal da União. Art. 3° Não havendo manifestação nesse prazo, a exclusão tornarseá definitiva. Art. 4° Este Ato Declaratório Executivo produzirá efeitos a partir da data de sua ciência. O contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade contra a exclusão do Simples (fls. 148), que foi indeferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, conforme acórdão ementado da forma seguinte (fls. 157): GRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/1998 EXCLUSÃO DO SIMPLES DECADÊNCIA INCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS FATO IMPEDITIVO A alegação de que já teria ocorrido a decadência de eventuais créditos tributários que poderiam ser lançados em razão da exclusão do SIMPLES não tem o condão de invalidar o ato Fl. 286DF CARF MF Processo nº 10825.000011/200643 Acórdão n.º 9101003.666 CSRFT1 Fl. 286 3 declaratório de exclusão. Eventual alegação de decadência deve ser oposta no processo administrativo que tenha por objeto o lançamento destes créditos, caso porventura sejam constituídos de oficio. A pretensão de inclusão com efeitos retroativos, fundada na alegação de que houve intenção inequívoca de aderir ao SIMPLES, não pode ser acolhida quando se constata que o contribuinte incidiu em causa impeditiva à opção pelo SIMPLES. O contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 171), ao qual a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da da 1ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial (fls 175), conforme acórdão cuja ementa é a seguir colacionada: SIMPLES – RECEITAS ALÉM DO LIMITE – 1997 ADE VÁLIDO – É válido o ADE que excluiu a contribuinte do Simples a partir de 01011998 porque no ano de 1997 excedeu o limite de receitas para ser mantida no regime. SIMPLES – REINCLUSÃO – 1999 – A contribuinte pede que seja aceita sua inclusão no Simples, para os anoscalendários de 1999 a 2003. Ocorre que essa opção seria apenas regular no anocalendário de 1999, já que no ano de 1998 teve receitas que lhe permitiriam a opção. Nos anos de 1999 a 2002, as receitas da empresa foram sempre superiores ao limite admitido para opção pelo Simples no ano seguinte, logo, não é viável inclusão da empresa no Simples nos anoscalendários de 2000 a 2003.. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 08/05/2012 (fls. 189), que não interpôs recurso (fls. 191). O contribuinte foi intimado em 14/07/2012 (fls. 194), interpondo recurso especial em 30/07/2012 (segundafeira), sustentando divergência na interpretação da lei tributária, indicando como paradigma o acórdão nº 30131169, no qual consta que "a exclusão do sistema SIMPLES somente surte efeito a partir do ano calendário subsequente, não havendo precisão legal para considerala com efeitos retroativos”. Pede, assim, seja atribuído efeito de exclusão do Simples a partir do ADE. Menciona, ainda, a Súmula CARF 56. O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção, conforme trechos a seguir reproduzidos (fls. 269/272): A recorrente argumenta, em síntese, que a exclusão retroativa do Simples, corroborada pela decisão recorrida diverge da jurisprudência administrativa. Para tanto, cita jurisprudência da Primeira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, que entende divergente do presente caso, representada pelo acórdão paradigma nº 30131.169, de 13/05/2004, contido no processo nº 13836.000080/200292. Tratase de mesma matéria analisada no acórdão paradigma e no acórdão recorrido, com conclusões distintas. A conclusão do acórdão paradigma é a de que a exclusão do Simples somente surte efeitos a partir do anocalendário subsequente, não existindo previsão legal para considerála com efeitos retroativos. O acórdão recorrido, por seu turno, Fl. 287DF CARF MF 4 considerou correta a exclusão retroativa do Simples a partir de 01/01/98, levada a efeito pelo ADE. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. A Procuradoria foi intimada em 04/12/2012, interpondo contrarrazões ao recurso em 06/12/2012, requerendo seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte. Em síntese, alega que “se por um lado a legislação vigente permite que o contribuinte faça a opção sem a prévia manifestação do Fisco, por outro não impede a sua apreciação a qualquer momento, com vistas a verificação de cumprimento da legalidade do ato.” (trecho da petição, fls. 276/278) É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora O contribuinte indicou apenas um acórdão paradigma, nº 30131169, que tem o seguinte contexto fático descrito em seu relatório: Tratase de pedido de exclusão com efeitos retroativos da sistemática do SIMPLES formulado pela interessada, tendo em vista conter em seu contrato social a atividade de intermediação de compra e venda de veículos por conta de terceiros, solicitando também o deferimento da compensação dos valores recolhidos a título de SIMPLES. Destaquese trecho do voto condutor deste acórdão paradigma explicitando as suas razões de decidir: Sustenta a Recorrente, no caso em questão, que deve ser excluída do SIMPLES tendo em vista que à época do pleito constava em seu objeto social atividade vedada ao SIMPLES, qual seja, venda e compra de veículos por conta de terceiros, que equiparase a serviços de corretagem e representação comercial. Em sua redação original, o art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96 determinava que os efeitos da exclusão darseiam a partir do mês subseqüente àquele em que incorresse a situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9º. Já à época do ato de exclusão vigia o art. 15, inciso II, da Lei nº 9.317/96, com a redação dada pelo art. 32 da Lei n 9.732/98, que estabelecia que a exclusão surtiria efeito a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder a exclusão, ainda que de oficio, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9°. O mesmo inciso II do art. 15 foi novamente alterado, dessa vez pelo art. 73 da Medida Provisória nº 2.15835, de forma a voltar a viger a regra prevista na redação original, Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10825.000011/200643 Acórdão n.º 9101003.666 CSRFT1 Fl. 287 5 decorrendo, daí, que os efeitos da exclusão passaram a valer, novamente, a partir do mês subseqüente àquele em que incorresse ª situação excludente. Destarte, os fatos dão conta de que, se a apuração da vedação fosse feita sob a legislação atualmente em vigor, a interessada teria pronunciamento favorável da administração no tocante ao seu pedido, visto que os efeitos passariam a valer desde o mês subseqüente àquele em que incorreu a situação excludente do sistema. (...) Assim, entendo que a interpretação benigna retro transcrita, com a sua devida adequação, tem plena aplicação ao caso ora sob exame, desde que seja possível identificar o animus de nãoadesão da contribuinte à referida sistemática. No caso, os autos demonstram que a recorrente, efetivamente demonstrou o interesse pela exclusão do sistema e nesse sentido procedeu. Em decorrência, conclui se ser evidente a intenção da interessada de se valer, desde a sua constituição (contrato social de fls. 03/07, registrado na Junta Comercial em 01/06/2001), de tributação diversa da prevista no Simples e de não optar por esse sistema. (...) Diante do exposto, dou provimento ao recurso para que seja deferida a solicitação da interessada, de exclusão do Simples a partir de sua constituição, devendo a unidade fiscal competente efetuar a retificação de oficio na FCPJ da interessada. Entendo que o acórdão paradigma não se presta ao conhecimento do recurso especial, eis que trata de pedido de exclusão do Simples (regulado pelo artigo 13, I, da Lei nº 9.317/1996), enquanto o presente caso é de exclusão de ofício (então regrada pelo artigo 13, II, da Lei nº 9.317/1996). Os efeitos são também tratados de forma distinta pela legislação do Simples, eis que o pedido de exclusão tem efeitos a partir do ano calendário subsequente, na forma do artigo 15, I, da Lei nº 9.317/1996; enquanto a exclusão de ofício do Simples terá efeitos em momentos delineados no artigo 15, II a VI, da Lei nº 9.317/1996. Como se não bastasse, o acórdão paradigma analisa a hipótese de exclusão fundada em outros dispositivos da Lei nº 9.317/1996, isto é, o artigo 9º, incisos III a XIII, com efeitos atribuídos pelo artigo 15, II modificados pela Lei nº 9.732/1998 e, posteriormente, pela Medida Provisória nº 2.158/01. De outro lado, o presente caso analisa exclusão fundamentada no artigo 9º, II, com efeitos atribuídos pelo artigo 15, IV, todos da Lei nº 9.317/1996. O regramento é distinto, como os efeitos também distintos atribuídos pelas normas acima referidas , o que justifica os julgamentos dos acórdãos recorrido e paradigma, sem que se vislumbre divergência na interpretação da lei tributária, ou mesmo similitude fática. Portanto, por falta de similitude fática e ausência de divergência na interpretação da lei tributária, entendo por não conhecer do recurso especial do contribuinte. Conclusão: Fl. 289DF CARF MF 6 Pelas razões expostas, voto por não conhecer o recurso do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 290DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13864.000445/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005
PROCESSUAL - RECURSO DE OFÍCIO - SUMULA 103 DO CARF
Para verificação do cabimento do Recurso de Ofício, prevalece o valor de alçada fixado por Portaria do Ministério da Fazenda vigente à época do respectivo julgamento, nos precisos termos da Sumula 103 deste Conselho.
DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA.
A dissolução não extingue a personalidade jurídica de imediato, pois a pessoa jurídica continua a existir até que se concluam as negociações pendentes, procedendo-se à liquidação.
SIMPLES FEDERAL. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. APLICABILIDADE. PREVISÃO LEGAL.
A legislação tributária que rege o SIMPLES Federal determina que aplicam-se à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições que são abarcados nesse regime.
SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME ADOTADO PELO CONTRIBUINTE.
Constata omissão de receitas, o lançamento para constituição dos créditos tributários deve observar a forma de tributação adotada pelo contribuinte, sob pena de invalidar o auto de infração.
SIMPLES FEDERAL. ALÍQUOTAS APLICADAS. PREVISÃO LEGAL.
As alíquotas a serem aplicadas para apuração dos créditos tributários devidos no SIMPLES Federal estão determinadas na legislação de regência, com previsão de majoração de 20% incidente sobre as receitas que excederem ao limite permitido para permanência neste regime.
LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO.
Devem ser excluídos da base de cálculo os valores que comprovadamente não são receitas tributáveis.
Numero da decisão: 1302-002.927
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício; e, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Lucia Miceli - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: MARIA LUCIA MICELI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005 PROCESSUAL - RECURSO DE OFÍCIO - SUMULA 103 DO CARF Para verificação do cabimento do Recurso de Ofício, prevalece o valor de alçada fixado por Portaria do Ministério da Fazenda vigente à época do respectivo julgamento, nos precisos termos da Sumula 103 deste Conselho. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. A dissolução não extingue a personalidade jurídica de imediato, pois a pessoa jurídica continua a existir até que se concluam as negociações pendentes, procedendo-se à liquidação. SIMPLES FEDERAL. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. APLICABILIDADE. PREVISÃO LEGAL. A legislação tributária que rege o SIMPLES Federal determina que aplicam-se à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições que são abarcados nesse regime. SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME ADOTADO PELO CONTRIBUINTE. Constata omissão de receitas, o lançamento para constituição dos créditos tributários deve observar a forma de tributação adotada pelo contribuinte, sob pena de invalidar o auto de infração. SIMPLES FEDERAL. ALÍQUOTAS APLICADAS. PREVISÃO LEGAL. As alíquotas a serem aplicadas para apuração dos créditos tributários devidos no SIMPLES Federal estão determinadas na legislação de regência, com previsão de majoração de 20% incidente sobre as receitas que excederem ao limite permitido para permanência neste regime. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Devem ser excluídos da base de cálculo os valores que comprovadamente não são receitas tributáveis.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13864.000445/2009-18
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5891113
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 1302-002.927
nome_arquivo_s : Decisao_13864000445200918.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA LUCIA MICELI
nome_arquivo_pdf_s : 13864000445200918_5891113.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício; e, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
id : 7389856
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588829188096
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1964; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 95.964 1 95.963 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13864.000445/200918 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 1302002.927 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2018 Matéria SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITAS Recorrentes ÉVORA COMERCIAL LTDA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 PROCESSUAL RECURSO DE OFÍCIO SUMULA 103 DO CARF Para verificação do cabimento do Recurso de Ofício, prevalece o valor de alçada fixado por Portaria do Ministério da Fazenda vigente à época do respectivo julgamento, nos precisos termos da Sumula 103 deste Conselho. DISSOLUÇÃO DA SOCIEDADE. ILEGITIMIDADE PASSIVA. INOCORRÊNCIA. A dissolução não extingue a personalidade jurídica de imediato, pois a pessoa jurídica continua a existir até que se concluam as negociações pendentes, procedendose à liquidação. SIMPLES FEDERAL. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. APLICABILIDADE. PREVISÃO LEGAL. A legislação tributária que rege o SIMPLES Federal determina que aplicam se à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições que são abarcados nesse regime. SIMPLES FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITA. TRIBUTAÇÃO PELO REGIME ADOTADO PELO CONTRIBUINTE. Constata omissão de receitas, o lançamento para constituição dos créditos tributários deve observar a forma de tributação adotada pelo contribuinte, sob pena de invalidar o auto de infração. SIMPLES FEDERAL. ALÍQUOTAS APLICADAS. PREVISÃO LEGAL. As alíquotas a serem aplicadas para apuração dos créditos tributários devidos no SIMPLES Federal estão determinadas na legislação de regência, com AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 86 4. 00 04 45 /2 00 9- 18 Fl. 95965DF CARF MF 2 previsão de majoração de 20% incidente sobre as receitas que excederem ao limite permitido para permanência neste regime. LANÇAMENTO. RETIFICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Devem ser excluídos da base de cálculo os valores que comprovadamente não são receitas tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício; e, em rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique da Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flavio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. Relatório Trata o processo de auto de infração lavrado em face da recorrente acima identificada, no anocalendário de 2005, no valor total de R$ 9.569.606,21. Os créditos tributários foram determinados pelo Sistema de Tributação Simplificado SIMPLES, com multa de oficio de 75% e juros de mora. A autoridade fiscal efetuou o lançamento de ofício em face de omissão de receitas no ano calendário de 2005, no montante de R$ 41.115.905,31, apurada com base na presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, ou seja, depósitos e créditos bancários cuja origem não foi demonstrada através de documentos hábeis e idôneos, além de insuficiência de recolhimentos decorrentes de aumentos faixa de valores das alíquotas do SIMPLES. As planilhas com os valores que compuseram a base de cálculo está acostada aos autos às fls. 822/978. Em sede de julgamento de 1ª instância, por meio do Acórdão nº 0432.280, de 02 de julho de 2013, a 2ª Turma de Julgamento da DRJ/CGE julgou procedente em parte a impugnação, consubstanciada na ementa reproduzida a seguir: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005 Fl. 95966DF CARF MF Processo nº 13864.000445/200918 Acórdão n.º 1302002.927 S1C3T2 Fl. 95.965 3 CRÉDITOS BANCÁRIOS. Por presunção de natureza legal, os depósitos/créditos junto a instituições bancárias não comprovados com documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores com esses créditos autorizam o lançamento de ofício como omissão de receitas. EXCLUSÃO DO SIMPLES POR EXCESSO DE RECEITAS. A constatação pela administração, de excesso de receitas em determinado ano calendário, em relação ao permitido para a permanência do SIMPLES FEDERAL, é motivo para a exclusão do contribuinte desse sistema simplificado, a partir do ano seguinte ao do excesso. DISSOLUÇÃO IRREGULAR DE SOCIEDADE. A dissolução irregular de sociedade permite a desconsideração da personalidade jurídica para obter a satisfação do crédito através do sócio gerente à época dos fatos que originaram o lançamento, redirecionando a execução para este. Em função dos créditos tributários exonerados, cujos valores principais adicionados à multa de ofício, totalizam R$ 1.570.464,49, o Presidente da Turma Julgadora recorreu de ofício, conforme determina o inciso I do artigo 34 do decreto 70.235/72 e Portaria MF 03/2008. A recorrente teve ciência pessoal do acórdão de primeiro grau em 25/07/2013, conforme Termo acostado às fls. 1501. Em 22/08/2013, a recorrente apresentou recurso voluntário (fls. 1507/1533), no qual alega, em síntese: ilegitimidade passiva no lançamento, já que a recorrente foi extinta em 31/05/2008, conforme se verifica em seu distrato social, sendo que a intimação ocorreu em 07/12/2009. o arquivo da deliberação pelo encerramento da sociedade na JUCESP é o instrumento que confere legitimidade ao distrato, sendo a comunicação ao Fisco um ato posterior, de cunho infralegal, razão pelo qual não tem o condão de elidir os efeitos jurídicos da dissolução, determinados por lei. comprovada a dissolução e disponibilização de tal informação a todos, a pessoa jurídica não pode figurar como sujeito passivo de autuações fiscais, sob pena de nulidade. as alegações no acórdão da DRJ de que teria ocorrido uma tentativa de ocultar a situação fiscal de forma ilícita para burlar a execução dos créditos tributários, é matéria estranha, devendo ser desconsideradas. quanto ao mérito, afirma que as exigências são improcedentes, pois não se aplicar o artigo 42 da Lei nº 9.430/96 quando há prova de origem dos recursos não infirmada pela fiscalização. Fl. 95967DF CARF MF 4 a presunção legal de omissão de receita inverte o ônus da prova para o contribuinte, mas, uma vez apresentada documentação hábil e idônea que demonstre a origem dos recursos, compete ao fisco demonstrar que houve omissão de receita. descreve seu modus operandi, esclarecendo que no anocalendário de 2005 foi contratada por seguradoras de veículos e instituições financeiras para realizar serviços de despachante junto ao DETRAN e que, para realizar tais serviços, realizava uma série de pagamentos de exações vinculadas aos veículos licenciados. os dispêndios eram suportados pela recorrente, mas depois reembolsados juntamente com o pagamento da verba honorária, tudo previsto nos instrumentos firmados com os tomadores de seus serviços. a recorrente apresentou diversos documentos e contratos, mas a fiscalização sequer os analisou, sob a alegação que seriam insuficientes para demonstrar a origem dos recursos. afirma que os depósitos têm duas origens distintas: reembolso de despesas e ordem de clientes na prestação de serviços contratados; e a parcela remanescente diz respeito à transferência de recursos entre contas da recorrente e empréstimos tomados ao longo de 2005, parcela já cancelada pela DRJ, no montante de R$ 8.705.966,65. a prova de que grande parte dos depósitos efetuados nas contas correntes tem por origem o reembolso de despesas é demonstrado nas Notas Fiscais e pelos comprovantes de despesas que acompanham a defesa. pode se constatar que há uma correlação entre as placas constantes das Notas Fiscais e das custas com ela relacionadas, bem como há uma proximidade entre as datas de emissão das notas fiscais e de recolhimentos das exações ulteriormente reembolsadas, ratificados pelos contratos apresentados. a DRJ afirmou que não teria restado demonstrado nos autos a origem dos valores, pois a apresentação de diversos documentos teria se dado sem observância do previsto no § 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, ou seja, de forma individualizada, com coincidência de data e valores com os registrados na escrituração, deixando de examinar a farta documentação acostada aos autos. também discorda do argumento da DRJ de que a fiscalização teria examinado todos os documentos, uma vez que ela própria cancelou o montante de R$ 8 milhões. restou evidente que a decisão combatida deve ser reformada para haver o cancelamento do restante das autuações fiscais. que a fiscalização deveria ter apurado os créditos tributários pelo lucro real ou lucro arbitrado, uma vez que o artigo 14, inciso V da Lei nº 9.317/96 define como hipótese de exclusão de ofício do contribuinte do SIMPLES a verificação de “prática reiterada de infração à legislação tributária” e, nesta hipótese, a exclusão tem efeito a partir do mês em que identificado o motivo que der causa à exclusão artigo 15 V da lei 9.317/96. a DRJ tentou salvar o lançamento afirmando que a exclusão do SIMPLES foi por excesso do limite anual de receitas; contudo, a fiscalização não apontou o inciso I do artigo 14 da Lei nº 9.317/96 como fundamento do lançamento. Fl. 95968DF CARF MF Processo nº 13864.000445/200918 Acórdão n.º 1302002.927 S1C3T2 Fl. 95.966 5 assim, resta inequívoco que a justificativa aduzida pela fiscalização para o lançamento está em desacordo com os artigos 14, inciso V, 15, inciso V e 16 da Lei nº 9.317/96, o que demanda o seu cancelamento. houve erro na aplicação dos percentuais do SIMPLES, já que não consta nos autos a motivação para utilização de alíquotas que totalizam 10,32 %, aplicáveis nos casos em que a empresa exceder ao limite de receita acumulada de R$ 1.200.000,00. a DRJ remanesce silente sobre a aplicação equivocada da alíquota no caso concreto, face à ausência de demonstração da subsunção da recorrente ao ICMS e ISS, preferindo citar e defender a legislação aplicada no lançamento. não restou demonstrado de que Estado ou Município de domicílio da recorrente tenha estabelecido convênio com a Secretaria da Receita Federal que justifique a aplicação do percentual de 10,32 %. requer, caso mantido o lançamento, a redução da alíquota aplicada sobre as receitas que superaram o limite de 10,32% para 8,4%. argumenta da impossibilidade de exigência das contribuições sociais inclusive INSS, sob o fundamento do artigo 42 da Lei 9.430/96 antes da MP nº 449/08 convertida na Lei 11.941/09, pois, o artigo 42 da Lei 9.430/96 era, à época dos fatos, passível de aplicação unicamente para imputação de exigências de IRPJ, logo, a sua utilização para a imputação das contribuições sociais e INSS é improcedente por não haver previsão legal para tributação dessas contribuições que, somente passou a existir a partir da MP nº 449/08 em seu artigo 24 que entrou em vigor em 04.12.2008. equivocado o entendimento da DRJ quando afirma que a redação original do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 já estabelecia extensão da presunção para contribuições, pois, prevalecendo essa tese, não haveria necessidade de alteração da legislação. a exposição de motivos da MP nº 449/08 é expressa em reconhecer que foi criada a possibilidade de utilização de presunções legais de omissão de receita de outros tributos federais para as contribuições já listadas. portanto, a autuação limitase a cobrança do IRPJ, justificando a reforma da decisão da DRJ. Em sessão realizada no dia 24 de setembro de 2014, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção converteu o julgamento em diligência por meio da Resolução nº 1302 000.339, de fls. 1549/1556, nos seguintes termos: Assim, em observância ao princípio da verdade material, entendo pertinente converter o julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem tome as seguintes providências: a) Intime a recorrente para que, no prazo de 30 (trinta) dias, tome as seguintes medidas: a.1) apresente as planilhas e comprovantes que demonstrem a origem dos depósitos bancários, individualizando os valores Fl. 95969DF CARF MF 6 correspondentes aos reembolsos de despesas, isto referente a todo o ano calendário fiscalizado; a.2) apresente o relatório de reembolso de despesa enviado aos clientes para os referidos depósitos, ou seja, a prestação de contas a terceiros que justificam o pagamento daquelas quantias; a.3) apresente os contratos de prestação de serviços com seus clientes, demonstrando a previsão de reembolso de tais despesas, bem como demonstre a receita mensal advinda da prestação de serviços prestadas a cada cliente; b) Após este prazo, que o agente fiscal analise os documentos e requeira o que mais entender necessário ao melhor deslinde do caso, emitindo ao final parecer conclusivo sobre quais valores foram efetivamente comprovados como reembolso de terceiros e quais não tiveram justificativa, indicando os valores que no seu entender devem ser tributados como omissão de receita, com a respectiva fundamentação. Na seqüência, deve a recorrente ser cientificada do resultado da diligência para que, em sendo de seu interesse, manifestese da forma que entender adequada, no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem manifestação, seja o feito devolvido a este Conselho, que deverá julgá lo incontinenti. Após a diligência, a autoridade fiscal lavrou o relatório de fls. 95.924/95.932, do qual a recorrente teve ciência em 30/03/2017, de acordo com o Termo de Ciência por Abertura de Mensagem, fls. 95.951. Decorrido o prazo de trinta dias, não houve manifestação por parte da recorrente, retornando os autos para julgamento dos recursos voluntário e de ofício para este CARF. É o relatório. Voto Conselheira Maria Lucia Miceli Relatora O recurso voluntário é tempestivo, e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Assim, dele eu conheço. Quanto ao recurso de ofício, deve ser aplicada a Súmula 103 do CARF, abaixo transcrita: Sumula CARF nº 103 : "Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância". No presente caso, o valor exonerado de R$ 1.570.464,49 não atinge o valor de alçada previsto pela Portaria MF nº 63/2017, que é de R$ 2.500.000,00. Portanto, deixo de conhecer o recurso de ofício. Fl. 95970DF CARF MF Processo nº 13864.000445/200918 Acórdão n.º 1302002.927 S1C3T2 Fl. 95.967 7 Em preliminar, a recorrente alega que teria ocorrido ilegitimidade passiva, já que foi extinta em 31/05/2008, conforme comprova seu distrato social, sendo que a intimação ocorreu em 07/12/2009. Ocorre que a simples dissolução de sociedade não é suficiente para que sua personalidade jurídica seja extinta de imediato. Assim determina o artigo 51 do Código Civil: Art. 51. Nos casos de dissolução da pessoa jurídica ou cassada a autorização para seu funcionamento, ela subsistirá para os fins de liquidação, até que esta se conclua. § 1o Farseá, no registro onde a pessoa jurídica estiver inscrita, a averbação de sua dissolução. § 2o As disposições para a liquidação das sociedades aplicamse, no que couber, às demais pessoas jurídicas de direito privado. § 3o Encerrada a liquidação, promoverseá o cancelamento da inscrição da pessoa jurídica. (grifei) Considerando o dispositivo supra, a dissolução não extingue a personalidade jurídica de imediato, pois a pessoa jurídica continua a existir até que se concluam as negociações pendentes, procedendose à liquidação, conforme o citado dispositivo. No presente caso, só teria ocorrido a ilegitimidade passiva caso a liquidação da recorrente já tivesse sido concluída antes da ciência do lançamento, em 07/12/2009. Com base na pesquisa acostada aos autos às fls. 1462/1464, obtida no site da Junta Comercial do Estado de São Paulo, verificase que até o dia 24/04/2013, data do relatório, a liquidação não ocorreu. Aliás, esta constatação justifica o fato de que, em pesquisa ao sistema CNPJ, de fls. 1461, e que fundamentou a decisão da DRJ, a recorrente ainda se encontrava ativa, pois apenas após a sua liquidação que seria possível dar baixa da inscrição da pessoa jurídica. Portanto, afasto a preliminar de ilegitimidade passiva. Quanto ao mérito, a recorrente alega que, aceitando a omissão de receitas, o lançamento deveria ter sido realizado com base no lucro real ou arbitrado, uma vez que o artigo 14, inciso V da Lei nº 9.317/96 define como hipótese de exclusão de ofício do contribuinte do SIMPLES a verificação de “prática reiterada de infração à legislação tributária” e, nesta hipótese a exclusão tem efeito a partir do mês em que identificado o motivo que der causa à exclusão artigo 15 V da lei 9.317. Não procede sua defesa. Neste processo é tratado lançamento para apuração dos créditos tributários devidos em função de presunção de omissão de receita, nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430/96, combinado com os artigos 2º, § 2º, 3º, §1º, alíneas "a", 5º, 7º, §1º, e 18, da Lei nº 9.317/96 . De acordo com a legislação tributária, o cálculo dos créditos tributários devem observar a opção do contribuinte, no caso, SIMPLES Federal. Registrese que a constatação de omissão de receitas nem sempre tem como conseqüência a exclusão da sistemática do SIMPLES. No presente caso, por se constatar que a receita ultrapassou o limite permitido para permanência no sistema, nos termos do artigo 14, inciso I da Lei nº 9.317/96, a exclusão darseá de ofício e a partir do anocalendário seguinte. Fl. 95971DF CARF MF 8 Mas a exclusão do SIMPLES por ultrapassar o limite permitido não é tratada no presente processo, e sim no processo administrativo nº 16062.000316/201097. Ademais, o auditor fiscal em momento algum relatou "prática reiterada de infração à legislação tributária" para fundamentar o lançamento. A recorrente que assim classificou a situação verificada como forma de contestar a apuração dos créditos tributários. E a DRJ também não fundamentou o lançamento no artigo 14, I da Lei nº 9.317/96. Apenas citou como fundamento a ser aplicado no presente caso para fins de exclusão do SIMPLES, pela constatação de excesso de receitas para permanecer na sistemática. Ainda acerca da legislação, também não tem fundamento a alegação de que não poderia ocorrer o lançamento das contribuições e do INSS antes da edição da MP nº 449/08 convertida na Lei 11.941/09. No presente caso é necessário aplicar a legislação que rege a sistemática do SIMPLES pelo Princípio da Especificidade. Assim, o artigo 18 da Lei nº 9.317/96 é muito claro ao determinar que "Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas". A recorrente alega que houve erro na aplicação dos percentuais do SIMPLES, já que não consta nos autos a motivação para utilização de alíquotas que totalizam 10,32 %. Afirma que faltou a comprovação da subsunção da recorrente ao ICMS e ISS. Quanto a esta matéria, adoto o voto da DRJ como razões de julgar, por estar totalmente de acordo: A impossibilidade de aplicação do percentual previsto no artigo 11 da IN 355/2003 para cálculo do devido ao que exceder o teto do SIMPLES alegada pela impugnante é incompreensível, quando ela própria impugnante indica a motivação para tal aplicação quando a receita da empresa exceder o limite de receita, e, o fundamento da majoração da alíquota, ao contrário do que afirma a impugnante consta dos demonstrativos mencionados, sendo nos casos majorados o § 3º do artigo 23 da lei 9.317/1996. Da mesma forma que o parágrafo anterior, o percentual de 10,32% previsto no inciso I do artigo 11 está perfeitamente de acordo com os parâmetros estabelecidos na legislação, pois, prevê a aplicação desse percentual que está majorado em 20% previsto no § 3º do artigo 23 da lei 9.317/1996, sendo que a alíquota total antes do excesso de receita é de 8,60%, e, com o acréscimo de 20% resulta no percentual de 10,32% aplicada pela autoridade fiscal em relação aos valores excedentes, nada havendo a reparar. E, a alíquota mencionada de 7% que elevada em 20% resulta em 8,4% como se o caso da impugnante fosse o da alínea “e” do inciso II, do artigo 5º da lei 9.317/96 na verdade não é nessa alínea a situação da impugnante, mas sim, da alínea “i” do inciso II do artigo 5º da referida lei, que determina a alíquota normal de aplicação dentro do limite, de R$ 1.080.000,00 a R$ 1.200.000,00, de 8,6% que, com a majoração de 20% resulta em 10,32% conforme o lançamento efetuado pela autoridade fiscal. O limite de receitas para as empresas de pequeno porte no período do lançamento foi estabelecido pela lei 9.732/1998, em R$ 1.200.000,00. Fl. 95972DF CARF MF Processo nº 13864.000445/200918 Acórdão n.º 1302002.927 S1C3T2 Fl. 95.968 9 Ou seja, não há qualquer relação da aplicação das alíquotas no caso concreto com subsunção da recorrente ao ICMS ou ISS. Basta ler os dispositivos legais citados pela própria recorrente. Portanto, não há qualquer reparo a ser feito na decisão da DRJ pelo fato de sequer mencionar estes impostos de outras esferas administrativas por ser totalmente desnecessário. Por fim, passo a enfrentar as questões de mérito quanto a comprovação da origem dos valores depositados em suas contas correntes. Lembro que, para afastar a presunção de omissão de receita, deve ser provado que: (1) não é receita ou (2) se for receita, esta já foi oferecida à tributação. Como relatado, o julgamento foi convertido em diligência para análise dos documentos acostados aos autos, bem como demais providência necessárias. Antes de adentrar no resultado da diligência, reproduzo a tabela elaborada na decisão recorrida, na qual estão discriminados as bases de cálculo apuradas no auto de infração, e aquelas exoneradas no julgamento de 1ª instância, registrando que o recurso de ofício não foi conhecido: mês/ano Rec.Bruta Declarada Diferenças Apuradas Exclusões DRJ Nova Base de Cálculo jan/05 28.087,49 1.171.912,51 jan/05 0,00 947.811,88 91.900,00 2.027.824,39 fev/05 31.285,64 3.596.787,34 377.058,87 3.219.728,47 mar/05 34.786,04 3.620.992,28 694.850,83 2.926.141,45 abr/05 44.458,91 4.126.737,14 476.409,35 3.650.327,79 mai/05 35.434,20 3.275.778,05 502.852,99 2.772.925,06 jun/05 52.856,52 2.347.637,78 109.874,33 2.237.763,45 jul/05 62.500,10 2.734.087,99 355.061,75 2.379.026,24 ago/05 56.261,68 3.165.855,88 956.743,47 2.209.112,41 set/05 53.520,87 2.654.568,29 250.057,86 2.404.510,43 out/05 59.701,88 2.346.131,38 148.682,96 2.197.448,42 nov/05 51.812,21 3.412.290,97 1.408.442,33 2.003.848,64 dez/05 45.933,04 7.715.313,81 3.334.031,91 4.381.281,90 Total 556.638,58 41.115.905,30 8.705.966,65 32.409.938,65 Quanto à diligência, importante ressaltar que esta foi limitada pela Resolução nº 1303000.339, com a intimação da recorrente para: 1) apresentar as planilhas e comprovantes que demonstrem a origem dos depósitos bancários, individualizando os valores correspondentes aos reembolsos de despesas, isto referente a todo o ano calendário fiscalizado. 2) apresentar o relatório de reembolso de despesa enviado aos clientes para os referidos depósitos, ou seja, a prestação de contas a terceiros que justificam o pagamento daquelas quantias; 3) apresentar os contratos de prestação de serviços com seus clientes, demonstrando a previsão de reembolso de tais despesas, bem como demonstre a receita mensal advinda da prestação de serviços prestadas a cada cliente; Neste sentido, foi anexada juntamente com o Termo de Início de Procedimento Fiscal nº 303/1501, planilha com os depósitos bancários referentes a reembolso. Por óbvio, foram excluídos desta listagem os depósitos bancários cujo histórico já afastava a hipótese de ser reembolso, como, por exemplo, "Ficha Compe Recebida", já que se trata de recebimento de cobrança. Fl. 95973DF CARF MF 10 Assim consta no citado relatório: 2. Para tanto, intimei a empresa, através do TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL 303/1501, a apresentar as planilhas que demonstrassem a origem dos depósitos bancários, individualizando os valores correspondentes aos reembolsos de despesas, isto referente a todo o ano calendário fiscalizado. Os depósitos bancários em questão eram os que constam às folhas 822 a 978 do processo 13864.000445/200918, com a eliminação dos depósitos já excluídos da tributação, conforme decidido no Acórdão no 0432.280 (folhas 1465 a 1480), e estavam reproduzidos na planilha impressa e no arquivo Excel anexos ao termo. As planilhas solicitadas deveriam ser apresentadas em meio magnético (arquivo Excel ou similar) e também impressas. A planilha encaminhada juntamente com a intimação possuía um total de depósitos bancários de R$ 24.226.140,54, cujos montantes mensais estão abaixo discriminados: Mês Planilha Intimação jan/05 1.226.979,17 fev/05 1.801.364,75 mar/05 1.523.390,80 abr/05 2.682.575,33 mai/05 2.176.737,43 jun/05 1.701.734,79 jul/05 1.627.940,59 ago/05 2.121.356,12 set/05 1.944.957,04 out/05 1.865.766,70 nov/05 1.744.686,24 dez/05 3.808.651,58 Total 24.226.140,54 Em análise preliminar das informações prestadas pela recorrente, o auditor fiscal constatou que as origens dos depósitos se dividiam nos seguintes grupos: Grupo Valor Reembolsos de taxas 10.926.656,06 Empréstimos 1.050.210,24 Créditos de sócios 1.118.000,00 Transferências de mesma titularidade 10.340.842,22 Receitas 556.510,58 Total 23.992.219,10 Analisando cada grupo, constatouse que: 1) Reembolso de taxas Para este grupo, na primeira resposta apresentada pela recorrente, a apuração dos valores das taxas reembolsados se daria da seguinte forma: Valor total dos depósitos Taxa Receita Diferença R$ 11.717.088,08 R$ 10.926.656,06 R$ 556.510,58 R$ 233.921,44 Intimada a esclarecer o motivo da diferença constatada, a recorrente informou que "analisando a planilha 01 (um) anexa ao termo fiscal 303/1503, restou evidenciado que quando da elaboração das planilhas a serem encaminhadas à esta fiscalização, ocorreu um equívoco (erro de digitação) quando do seu preenchimento, eis que foram indexados valores que não correspondem à realidade, digitados (copiados e colados) de maneira equivocada, Fl. 95974DF CARF MF Processo nº 13864.000445/200918 Acórdão n.º 1302002.927 S1C3T2 Fl. 95.969 11 conforme se depreende pela planilha em anexo, bem como com a juntada de todas as fotocópias correspondentes as taxas efetivamente recolhidas nas datas em questão(folhas 07 a 221)". A nova composição dos valores restou assim consolidada: Valor total dos depósitos Taxa Receita Diferença R$ 11.711.922,08 R$ 10.328.766,07 R$ 550.425,30 R$ 832.730,71 Considerando as informações prestadas pela recorrente, assim concluiu a autoridade fiscal: 6.4. Considerando então essas novas informações prestadas pela empresa, chegase : 6.4.1. a uma receita reconhecida no total de R$ 550.425,30, conforme planilha 1 anexa a este relatório; 6.4.2. a uma diferença de R$ 832.730,71, conforme planilha 2 anexa a este relatório, justificada, sem nenhuma comprovação, como sendo decorrente de "reembolso de impresso e xerox". 6.5. Assim, essa diferença de R$ 832.730,71 deve ser considerada como proveniente de depósitos com origem não comprovada. Com relação aos valores reembolsados, no montante de R$ 10.328.766,07, a recorrente foi intimada a apresentar os comprovantes dos pagamentos das taxas de suas principais clientes, o que totalizou o montante de R$ 9.350.971,74. Este valor foi definido para fins de comprovação por amostragem, tendo em vista a grande quantidade de valores individuais envolvida. Da análise dos extratos bancários apresentados, foram comprovados pagamentos passíveis de serem considerados "reembolsos de taxas" no valor de R$ 5.945.870,50. Trago a conclusão do auditor fiscal a seguir: 8.19. Assim, do total de R$ 9.350.971,74 selecionado para amostragem (conforme item 8.13 acima), apenas R$ 5.945.870,50 confirmaramse como reembolso de taxas. 8.20. Os restantes R$ 3.405.101,24 devem ser considerados como provenientes de depósito com origem não comprovada. 2) Empréstimos no montante de R$ 1.050.210,24 Com relação aos empréstimos, o auditor fiscal considerou totalmente comprovado, seja aqueles com histórico "LIB CONTA GAR", consoante entendimento já adotado pela DRJ, seja com relação aos demais que comprovadamente se tratavam de transferência entre contas de mesma titularidade. 3) Crédito de Sócios no montante de R$ 1.118.000,00 Em que pese intimada, a recorrente não apresentou qualquer comprovação. Assim concluiu o auditor fiscal: 10.3. Assim, esse valor de R$ 1.118.000,00 deve ser considerado como proveniente de depósitos com origem não comprovada 4)Transferências de mesma titularidade, no montante de R$ 10.340.842,22 Fl. 95975DF CARF MF 12 Foram considerados como comprovados todos os depósitos com histórico "TED D ... EVORA COME" e "DOCDE.CR", consoante entendimento já adotado pela DRJ. Quanto aos demais, no montante de R$ 10.264.724,09, a recorrente foi intimada a comprovar que os créditos listados na planilha anexa ao termo de intimação tratavamse de transferência de mesma titularidade, indicando, para cada um deles, banco, agência, conta e data de onde se originaram. Em resposta, a recorrente informou que havia equivoco com relação às datas dos depósitos constantes dos extratos, o que foi acatada pela fiscalização. Ao final da verificação dos documentos apresentados, assim concluiu o auditor fiscal: 11.6. Uma vez corrigidas as datas: 11.6.1. todos os depósitos ocorridos em 2004 foram descartados; 11.6.2. as origens dos depósitos informadas pela empresa foram analisadas e confirmadas; 11.6.3. restaram não comprovados como transferências de mesma titularidade depósitos no valor total de R$ 909.946,01, conforme planilha 6 anexa a este relatório. CONCLUSÃO DA DILIGÊNCIA Reproduzo, a seguir, a conclusão da diligência: 12. RECEITAS 12.1. Aos valores reconhecidos pela empresa como receita (R$ 550.425,30, conforme item 6.4.1) e consolidados em seus valores mensais na planilha 1 anexa, devem ser adicionados depósitos de origem não comprovada, quais sejam: 12.1.1. diferenças (R$ 832.730,71) que a empresa informou como reembolso de xerox e impressos, mas não logrou comproválo, nos termos do item 6 (conforme planilha 2 anexa, consolidada em seus valores mensais); 12.1.2. aqueles (R$ 3.405.101,24) que a empresa informou como reembolso de taxas, mas não logrou comproválo, nos termos do item 8 (conforme planilha 4 anexa, consolidados em seus valores mensais) ; 12.1.3. aqueles (R$ 1.118.000,00) que a empresa informou como créditos de sócios, mas não logrou comproválo, nos termos do item 10 (conforme planilha 5 anexa, consolidados em seus valores mensais); 12.1.4. aqueles (R$ 909.946,01) que a empresa informou como transferências de mesma titularidade, mas não logrou comprová lo, nos termos do item 11 (conforme planilha 6 anexa consolidados em seus valores mensais). 12.2. Todos os totais mensais a serem considerados como receita, nos termos do item 12.1 anterior, estão consolidados na planilha 7 anexa, perfazendo um total anual de R$ 6.816.203,26. (grifei) Os valores mensais estão discriminados na tabela a seguir: Fl. 95976DF CARF MF Processo nº 13864.000445/200918 Acórdão n.º 1302002.927 S1C3T2 Fl. 95.970 13 Mês Receita reconhecida pela recorrente Diferença não justificada Reembolso de taxa não comprovado Empréstimo não comprovado Transferência de mesma titularidade não comprovada BC mensal valores não comprovados jan/05 R$ 28.087,49 R$ 12.292,71 R$ 204.626,73 R$ 20.000,00 R$ 265.006,93 fev/05 R$ 31.285,64 R$ 26.351,80 R$ 188.709,25 R$ 246.346,69 mar/05 R$ 34.786,04 R$ 719,53 R$ 594.678,30 R$ 103.294,46 R$ 733.478,33 abr/05 R$ 44.733,91 R$ 6.623,62 R$ 731.312,55 R$ 103.551,25 R$ 886.221,33 mai/05 R$ 35.434,20 R$ 87.514,08 R$ 693.200,03 R$ 140.286,32 R$ 956.434,63 jun/05 R$ 52.856,52 R$ 27.477,57 R$ 630.687,34 R$ 39.635,85 R$ 750.657,28 jul/05 R$ 61.311,10 R$ 126.972,05 R$ 137.798,31 R$ 130.685,83 R$ 456.767,29 ago/05 R$ 56.261,68 R$ 109.486,44 R$ 50.470,48 R$ 120.333,31 R$ 336.551,91 set/05 R$ 48.221,59 R$ 102.099,22 R$ 46.901,29 R$ 68.777,54 R$ 265.999,64 out/05 R$ 59.701,88 R$ 103.553,87 R$ 47.534,87 R$ 120.104,24 R$ 330.894,86 nov/05 R$ 51.812,21 R$ 103.621,22 R$ 39.207,92 R$ 63.277,21 R$ 257.918,56 dez/05 R$ 45.933,04 R$ 126.018,60 R$ 39.974,17 R$ 1.118.000,00 R$ 1.329.925,81 Totais R$ 550.425,30 R$ 832.730,71 R$ 3.405.101,24 R$ 1.118.000,00 R$ 909.946,01 R$ 6.816.203,26 Cumpre registrar que a recorrente teve ciência deste relatório de diligência, com prazo de trinta dias para apresentar manifestação caso discordasse, o que não ocorreu. DOS VALORES QUE NÃO FORAM OBJETO DE DILIGÊNCIA. Como relatado no início deste voto, nem todos os valores depositados foram objeto de diligência, já que a Resolução limitou aos créditos que seriam relativos a reembolso. Neste sentido, depósitos bancários cujo histórico seria, como exemplo, "FICHA COMPE RECEBIDA" não foram objeto de diligência. Ressalto que o ônus da comprovação de que não se trata omissão de receita é da recorrente, considerando que o lançamento tem como base legal o artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Desde o início da ação fiscal, assim como na apresentação da impugnação e do recurso voluntário, a recorrente tem ciência que possui o ônus de comprovar a origem de todos os valores depositados em suas contas correntes, com documentação hábil e idônea. Portanto, além dos valores que deverão ser mantidos conforme resultado da diligência, ainda devem ser considerados na base da cálculo dos tributos os seguintes montantes: mês/ano Nova Base de Cálculo DRJ Valores objeto de diligência Valores cuja origem não foi comprovada jan/05 2.027.824,39 1.226.979,17 800.845,22 fev/05 3.219.728,47 1.801.364,75 1.418.363,72 mar/05 2.926.141,45 1.523.390,80 1.402.750,65 abr/05 3.650.327,79 2.682.575,33 967.752,46 mai/05 2.772.925,06 2.176.737,43 596.187,63 jun/05 2.237.763,45 1.701.734,79 536.028,66 jul/05 2.379.026,24 1.627.940,59 751.085,65 ago/05 2.209.112,41 2.121.356,12 87.756,29 set/05 2.404.510,43 1.944.957,04 459.553,39 out/05 2.197.448,42 1.865.766,70 331.681,72 nov/05 2.003.848,64 1.744.686,24 259.162,40 dez/05 4.381.281,90 3.808.651,58 572.630,32 Total 32.409.938,65 24.226.140,54 8.183.798,11 Fl. 95977DF CARF MF 14 APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO NOS TERMOS DO VOTO A seguir, consolido a base de cálculo do presente lançamento, considerando os valores demonstrados neste voto: mês/ano Totais mensais após procedimento de diligência Valores cuja origem não foi demonstrada BC mantida jan/05 R$ 265.006,93 R$ 800.845,22 R$ 1.065.852,15 fev/05 R$ 246.346,69 R$ 1.418.363,72 R$ 1.664.710,41 mar/05 R$ 733.478,33 R$ 1.402.750,65 R$ 2.136.228,98 abr/05 R$ 886.221,33 R$ 967.752,46 R$ 1.853.973,79 mai/05 R$ 956.434,63 R$ 596.187,63 R$ 1.552.622,26 jun/05 R$ 750.657,28 R$ 536.028,66 R$ 1.286.685,94 jul/05 R$ 456.767,29 R$ 751.085,65 R$ 1.207.852,94 ago/05 R$ 336.551,91 R$ 87.756,29 R$ 424.308,20 set/05 R$ 265.999,64 R$ 459.553,39 R$ 725.553,03 out/05 R$ 330.894,86 R$ 331.681,72 R$ 662.576,58 nov/05 R$ 257.918,56 R$ 259.162,40 R$ 517.080,96 dez/05 R$ 1.329.925,81 R$ 572.630,32 R$ 1.902.556,13 Total R$ 6.816.203,26 R$ 8.183.798,11 R$ 15.000.001,37 Por todo acima exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da base de cálculo os valores que comprovadamente não são receitas, e não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Maria Lucia Miceli Relatora Fl. 95978DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.001404/2007-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201804
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 13896.001404/2007-18
anomes_publicacao_s : 201807
conteudo_id_s : 5881532
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 9202-006.781
nome_arquivo_s : Decisao_13896001404200718.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARIA HELENA COTTA CARDOZO
nome_arquivo_pdf_s : 13896001404200718_5881532.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
dt_sessao_tdt : Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
id : 7366540
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:22:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588838625280
conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-04T17:26:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-04T17:26:34Z; Last-Modified: 2018-07-04T17:26:34Z; dcterms:modified: 2018-07-04T17:26:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:03bd0b31-0a84-479e-a036-73048dcfae47; Last-Save-Date: 2018-07-04T17:26:34Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-04T17:26:34Z; meta:save-date: 2018-07-04T17:26:34Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-04T17:26:34Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-04T17:26:34Z; created: 2018-07-04T17:26:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-07-04T17:26:34Z; pdf:charsPerPage: 1849; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-04T17:26:34Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13896.001404/200718 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.781 – 2ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CABEL IMPORTACAO E EXPORTACAO LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/05/2004 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 14 04 /2 00 7- 18 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 217DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 218DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 219DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 220DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 221DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 222DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 223DF CARF MF Processo nº 13896.001404/200718 Acórdão n.º 9202006.781 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 224DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000182/2009-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2006
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201805
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10932.000182/2009-06
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5892975
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2202-004.387
nome_arquivo_s : Decisao_10932000182200906.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : RONNIE SOARES ANDERSON
nome_arquivo_pdf_s : 10932000182200906_5892975.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
dt_sessao_tdt : Tue May 08 00:00:00 UTC 2018
id : 7395358
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588873228288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1588; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10932.000182/200906 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2202004.387 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de maio de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente EMPARSANCO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2004 a 30/11/2006 INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado), Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 82 /2 00 9- 06 Fl. 1298DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10932.000179/200984, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, §6º, da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMENTO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 10932.000182/200906 Acórdão n.º 2202004.387 S2C2T2 Fl. 3 3 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 Fl. 1300DF CARF MF 4 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: “Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91.” A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Módulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse o respectivo Termo de Perempção e o processo foi encaminhado à PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou recurso voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa. O processo, então, retornou à fase administrativa para apreciação do recurso interposto, no qual se alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 10932.000182/200906 Acórdão n.º 2202004.387 S2C2T2 Fl. 4 5 Por fim, requereu o Recorrente o cancelamento da inscrição em dívida ativa e o retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório." Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018, proferido no julgamento do processo n° 10932.000179/200984, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pela Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, digna relatora da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 08 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.377 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201002.965, 2201 002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201 002.966 (processo 10932.000187/200921): “O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Fl. 1302DF CARF MF 6 Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/00001 08 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl. 1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013.” Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): “Art. 23. Farseá a intimação: [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei).” Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 10932.000182/200906 Acórdão n.º 2202004.387 S2C2T2 Fl. 5 7 alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o recurso voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestividade. (assinado digitalmente) Ana Maria Bandeira." Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 1304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000700/2007-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
Numero da decisão: 2201-004.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201807
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 15983.000700/2007-30
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5893501
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2201-004.597
nome_arquivo_s : Decisao_15983000700200730.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
nome_arquivo_pdf_s : 15983000700200730_5893501.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
id : 7397158
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:24:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588896296960
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1652; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.187 1 1.186 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15983.000700/200730 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.597 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de julho de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente USINAS SIDERÚRGICAS MG USIMINAS E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO CONTRATANTE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. É dever do Fisco, sob pena de ocorrência de vício material, a comprovação de que houve a prestação de serviço na construção civil. Ressaltese que, no mesmo plano de argumentação, aquilo que se conclui para a solidariedade na cessão de mãodeobra é aplicável, também, para a solidariedade na contratação da construção civil (art. 30, inciso VI, da Lei n° 8.212/91), não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Art. 31 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 9.032/95. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 07 00 /2 00 7- 30 Fl. 1187DF CARF MF 2 Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão de admissibilidade dos embargos de declaração do contribuinte às fls. 1.120/1.135, por bem relatar os fatos ora questionados. "Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, na condição de responsável solidária, e a empresa prestadora de serviços STME Serviços Técnicos de Manutenção Rep. e Engenharia Ltda., no valor de R$2.983.813,58 (dois milhões novecentos e oitenta e três mil oitocentos e treze reais e cinqüenta e oito centavos), consolidado em 20/12/2002, relativo a contribuições incidentes sobre a remuneração paga á mãodeobra incluída em notas fiscais de serviços de construção, reforma ou acréscimo, no período de junho/95 a dezembro/98. A empresa USIMINAS/COSIPA, tomadora dos serviços, inconformada com a notificação fiscal, apresentou defesa dentro do prazo legal impugnando o lançamento, consoante documentos de fls. 59 a 560, alegando, em síntese, o que segue: "...Ausência de vínculo entre a recorrente e os fatos geradores da contribuição previdenciária pretendida" uma vez que inexiste vínculo empregatício entre ela e os empregados das prestadoras de serviços. Como mera dona da obra, não poderia ser atribuída á impugnante qualquer responsabilidade solidária ou subsidiária pelas obrigações trabalhistas Afirma que tal entendimento foi pacificado pelo Tribunal Superior do Trabalho através da orientação jurisprudencial n.° 191/00 ali transcrita. Conclui que a ausência de responsabilidade trabalhista afasta a responsabilidade previdenciária, uma vez que esta decorre justamente daquela e que um eventual vínculo empregatício seria o elemento capaz de vincular a tomadora aos fatos geradores acionados pela prestadora. Não basta o que está estabelecido no art. 31 da Lei 8.212/91, é necessária a existência de vínculo entre o terceiro e o fato gerador da obrigação. Para corroborar a sua tese, reproduz trecho do Parecer n.° 1.710/99 da Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, aprovado pelo Ministro da Previdência. Em outro tópico, a defendente passa a discorrer acerca "do caráter subsidiário de eventual obrigação previdenciária e da ausência de previsão legal para lavratura de NFLD automaticamente junto a tomadora de serviço", onde afirma que é necessário se comprovar o inadimplemento da prestadora de serviços para que se possa exigir da impugnante tomadora de serviços que recolha a contribuição previdenciária devida. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.188 3 Que não possui poder diretivo sobre as contratadas que lhe permita buscar nas escritas contábeis/arquivos empresariais alheios os comprovantes de recolhimentos exigidos pela fiscalização. Que o procedimento adotado permite a ocorrência de bis in idem uma vez que é chamada a pagar, sem a comprovação de que a obrigada principal deixou de recolher. Completa afirmando que a ausência de exibição de documento comprobatório pela impugnante não atesta, necessariamente, que a empresa contratada deixou de pagar. Traz á colação uma série de jurisprudência sobre o assunto e requer a aplicação do Decreto 2.346/97 que prevê que as decisões dos Tribunais Superiores, que fixem interpretação de texto constitucional ou legal, devem ser uniformemente observadas peia Administração Pública Federal. Que o INSS tem que, primeiro comprovar o não recolhimento pelo obrigado principal, para, num segundo momento buscar o ressarcimento pela contratante, que funcionaria como "garante", nos termos de acórdão transcrito na peça de impugnação. Sob o título "nulidade da NFLD por impossibilidade de arbitramento quando da existência de escrita regular", o contribuinte notificado alega, com fulcro no § 6° do art. 33 da Lei 8.212/91 e itens 7.0 e 7.1 da Ordem de Serviço n.° 83/93 e item 11 da OS n.° 176, que não é admitido o recurso da aferição indireta do débito previdenciário quando a empresa prestadora possui contabilidade regular e não há qualquer indício de que a remuneração apresentada não reflete a realidade. A regra, afirma a defesa, é a aferição direta na empresa prestadora de serviços, a partir da contabilidade. Completa que a fiscalização em nenhum momento recorreu á contabilidade das empresas prestadoras de serviço, partindo de equivocada presunção de irregularidade. Completando, diz que os auditores fiscais entenderam que não houve comprovação pela USIMINAS do recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração paga aos empregados da prestadora de serviços, incluidas nas notas fiscais ou faturas correspondentes aos serviços executados, e que tal conclusão pressupôs fosse lançado o débito mediante arbitramento, disciplinado pelo § 3° do art. 33 da Lei 8.212/91, inobservando o principio da legalidade pois o procedimento adotado pressupõe a existência de contabilidade irregular junto às empresas contratante e contratada, o que não pode ser caracterizado m casu, haja vista trataremse de empresas idôneas. No tópico "da ausência de cessão de mão de obra envolvendo...", a impugnante entende que somente com a edição da Lei 9528/97 é que os serviços relacionados com as atividades normais da empresa passaram a ensejar a ocorrência de cessão de mão de obra. Fl. 1189DF CARF MF 4 Sob o título "da vedação expressa de levantamento de débito diretamente junto a tomadora de serviço" a impugnante argumenta que a Ordem de Serviço 176/97, revogando a OS 83/93, estabeleceu, em seu item 3.2, que a " existência de folha de pagamento e da respectiva GRPS quitada exclui a hipótese de levantamento de débito na empresa tomadora...". Acrescenta que o Relatório Fiscal confirma que a Notificada apresentou Guias de Recolhimentos, as quais só não foram aceitas pelo fato do auditor entender que as mesmas eram genéricas. Entretanto, continua a defesa, o fato de serem genéricas, por si só, não autoriza a lavratura de NFLD. Afirma que de acordo com o item 3.2. da OS 176/97, primeiramente haveria de ser promovida a fiscalização junto à contratada para, aí, sim, se fosse o caso, haver a atuação perante a contratante. Outro aspecto abordado pelo contribuinte notificado foi desenvolvido sob o titulo " impugnação ". No referido tópico, a defesa afirma que os serviços prestados pela STME não se encaixam na definição de serviços executados mediante cessão de mão de obra, por não terem natureza contínua, tendo sido executados por um curto espaço de tempo, delimitado no contrato celebrado entre esta empresa e a USIMINAS. No título "impugnação mediante comprovação dos recolhimentos efetuados pela empresa contratada (STME)", o contribuinte notificado argumenta que apresentou folhas de pagamento e guias de recolhimento englobando a totalidade dos funcionários da contratada, conforme se depreende dos documentos anexos á defesa, e, assim, demonstrado está a rigorosa obediência â Ordem de Serviço n.° 83 e ao Decreto 612/92. No título "da ímpugnação à cobrança do SAT até dez/97", a defesa afirma que não tem cabimento a alíquota aplicada para apuração da contribuição do SAT tendo em vista que o item 3.3. da OS n° 83/93 estabelece que tal enquadramento é determinado em função da atividade preponderante da prestadora de serviço e que nos autos não foi feita a necessária identificação da atividade da prestadora. Outro aspecto abordado pelo contribuinte notificado foi desenvolvido sob o título "SAT/suspensão da exigibilidade". No referido tópico, a defesa afirma que, o item 10.3.1 da OS n° 176 estabelece que o grau de risco será obtido em função da atividade econômica preponderante da empresa tomadora de serviço e que, porém, a impugnante ajuizou, em 15/10/98, mandado de segurança (processo 98.00438998) com intuito de ver assegurado seu direito de recolher contribuição para o financiamento da complementação das prestações por acidente de trabalho SAT á alíquota de 1%, obtendo liminar em 04/11/98, o que inviabiliza a constituição do respectivo crédito tributário. Em outro tópico, "impugnação a multa/aplicabilidade da Lei n° 9.430/96", a defesa requer a aplicação do art. 63 da Lei 9.430/96 para fins de determinação da multa relativa á alíquota residual de 2% referente ao SAT, considerando que a recorrente Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.189 5 obteve provimento liminar, na data de 04/11/98, em sede do Mandado de Segurança citado. No título "da bitributação (“bi/s in idem") e do enriquecimento sem causa" a impugnante reitera o argumento de que comprovou a regularidade dos recolhimentos das contribuições devidas e que, portanto, o lançamento é arbitrário, ilegal e injusto, eis que além de acarretar a bitributaçáo, também proporciona o enriquecimento sem causa, procedimento repudiado por nosso ordenamento jurídico. Por fim, no item intitulado "srs. julgadores a presente jurisprudência...", a notificada alega ter juntado recente Decisão da Ação Ordinária 97.00065782, onde a autora obteve nulidade de lançamentos que apresentavam vicios idênticos ao da NFLD sob analise. DA EMPRESA PRESTADORA DE SERVIÇOS Consoante Relatório Fiscal e documento de fls. 549. a terceira vía da Notificação foi encaminhada a empresa prestadora de serviços STME Serviços Técnicos de Manutenção Rep. E Engenharia Ltda. que a recebeu em 11/02/2003, sem, entretanto, apresentar defesa ou quitar o débito no prazo legal. DA DECISÃONOTIFICAÇÃO n° 11.401.4/0358/2003 Às fls.564 a 571, foi emitida a DecisâoNotificaçáo n° 11.401.4/ 0358/2003, enviada ás empresas prestadora e tomadora dos serviços, onde foi mantido integralmente o lançamento fiscal. DO RECURSO À DECISÃONOTIFICAÇÃO N° 11.401.4/ 0358/2003 Inconformada com a DecisãoNotificaçáo n° 11.401.4/0358/2003, a empresa notificada USIM1NAS interpôs recurso, acostado ás 581 a 614, acompanhado do depósito recursal, conforme GPS ás fls.615. DA DILIGÊNCIA FISCAL APÓS O RECURSO Tendo em vista as alegações do recorrente e documentação anexada, o processo foi baixado em diligência, consoante despacho de fls.618. Em resposta à diligência requerida, a fiscalização juntou os documentos de fls. 620 a 636, prestou os esclarecimentos, aqui relatados em síntese, e propôs a retificação do lançamento: Apesar de solicitado no TIAD de 21/06/2002 e reiterado em TIAD específicos de 03/07/2002 e 24/09/2002, a empresa não apresentou no decorrer da ação fiscal os documentos necessários á elisão da responsabilidade solidária referente aos serviços executados pela empresa STME Serviços Técnicos de Manutenção Representação e Engenharia Ltda. Analisando os contratos anexados aos autos foram verificadas as seguintes condições: Fl. 1191DF CARF MF 6 Os contratos de n° 8957 (fls.120/129), 9980 (fls.197/208), 9830 (fls.183/188), 10243 e 10680 (fls.224/229), referemse â manutenção, recuperação e montagem de equipamentos sem cessão de mão de obra, não estando caracterizada a empreitada de serviços de construção civil, visto que não se encontram elencados no Anexo III Discriminação de obras e Serviços de Construção Civil da IN 69, de 10/05/2002. Os valores lançados relativos a estes contratos serão excluídos do lançamento. O contrato n° 9020 (Ms. 130/175) referese a cessão de mão de obra e não a empreitada de construção civil, devendo os valores lançados serem excluídos, visto que a fundamentação legal da presente NFLD referese a serviços de empreitada de construção civil. Os valores excluídos deverão ser objeto de nova notificação com a fundamentação legal adequada. Os contratos de n° 9825 (176/182) , 9978 ( fls.189/196) , 10.166 (fls. 209/223), referemse a empreitada de serviços de construção civil elencados no Anexo III da IN 69, de 10/05/2002, nos diversos grupos ali discriminados, e deverá ser mantido o lançamento, retificandose o percentual de aferição do salário de contribuição de 40% (quarenta por cento) para 20% (vinte por cento), uma vez que constam nos contratos o fornecimento de material necessário á execução dos serviços, embora nas notas fiscais apresentadas á época da ação fiscal não tenham sido discriminados os valores. SP SANTOS DRF Fl. 699. Foi mantido o crédito, conforme lançado, relativo aos contratos de n° 11.223 e 11.243 ,uma vez que os mesmos não foram apresentados As GRPS apresentadas na defesa são genéricas e não estão de acordo com as formalidades exigidas pela legislaçõo para que a empresa tomadora se elida da responsabilidade solidária . Em razão da falta de comprovação de vinculação das guias apresentadas com os serviços prestados, as mesmas não puderam ser acolhidas. DA REFORMA DA DECISÀONOT1FICAÇÃO E RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Tendo em vista a as informações da fiscalização, ãs fls.620 a 636, o Serviço de Análise de Defesas e Recursos, emitiu a Reforma de DecisãoNotificação n° 11.401.4/0126/2004, juntada às fls. 690 a 702, retificando o lançamento, conforme DADR Discriminativo Analítico do Débito Retificado, juntado às fls. 703 a 710. As empresas Usinas Siderúrgicas de Minas Gerais S/A USIMINAS e STME Serviços Técnicos de Manutenção Representação e Engenharia Ltda, foram cientificadas da Reforma de DecisãoNotificação n° 11.401.4/0126/2004. Contra à Reforma de DecisãoNotificação n° 11.401.4/0126/2004, as empresas USIMINAS e STME, apresentaram recursos. O Serviço de Análise de Defesas e Recursos emitiu as contras razões de recurso e o processo foi Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.190 7 encaminhado ao Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, para julgamento. Através do Acórdão n° 02/217/2005, de fls.996 a 999, a 2ª CaJ – Segunda Câmara de Julgamento do CRPS, determinou a nulidade da Decisão Notificação (DN) com fundamento no Parecer/CJ/MPS n° 2376/2000, para que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal no prestador de serviços, objetivando certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias exigidas no levantamento. O processo foi encaminhado para diligência, conforme despacho de fls. 1003, do serviço de Análise de Defesas e Recursos. Às fls.1034, foi emitido Relatório de Diligência Fiscal, contendo os seguintes esclarecimentos: Que em 14 de setembro de 2011, foi efetuado diligencia junto ao endereço da empresa STME Serviços Técnicos de Man. e Engenharia Ltda, constante dos sistemas da Receita Federal do Brasil, na Rodovia Cónego Domênico Rangoni, s/ n° Km 6 COSIPA, JD. DAS INDÚSTRIAS CUBATÃOSP , a qual resultou infrutífera. Que por duas vezes se dirigiu ao endereço da sócia administradora Sra. Cristiane Paula Cordeiro, CPF 267.063.37811, na rua Walter Narciso do Amparo, 86 Guarujá SP, não logrando êxito para entregarlhe pessoalmente o Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, chegando a deixar uma cópia na caixa de correio. Que em seqüência, enviou novo Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, para a residência da sóciaadministradora Cristiane Paula Cordeiro, CPF 267.063.378 11, na rua Walter Narciso do Amparo, 86 Guarujá SP, datado de 21/10/2011, recebido via correio em 28/10/2011, conforme AR n° RQ 14399387 6 BR, e novamente não logrou êxito no intento de conseguir a documentação necessária para instruir a diligência determinada pela 2a.Câmara de Julgamento do CRPS. Que pelos motivos acima expostos não foi possível efetuar a Diligência Fiscal de forma conclusiva e por este motivo foi lavrado em 13/12/2011, o Auto de Infração AIOADEBCAD: 51.015.4964, Processo COMPROT: 15983720577/201153, por deixar a empresa de apresentar os Livros Diários e Razões, folhas de pagamento, contratos sociais e alterações, referentes ao período de 01/06/1995 a 31/12/1998, o que constitui infração a Lei 8.212, de 24/07/91, art. 33, parágrafo 2o e 3o, combinado com o art. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/99, tendo sido enviado para a residência da sócia administradora Sra. Cristiane Paula Cordeiro, CPF 267.063.37811, na rua Walter Narciso do Amparo, 86 Fl. 1193DF CARF MF 8 Guarujá SP, pelo correio conforme AR RQ 14574594 8 BR, recebido em 17/12/2011. Cópia do Processo acima epigrafado está à disposição do contribuinte através do ECAC, considerando que este foi transformado em processo digital, acessível por Certificado Digital. Nos termos do Decreto 70.235, de 06/03/72, fica o sujeito passivo cientificado do teor da resposta a esta diligência fiscal, com abertura do prazo legal de 30 (trinta) dias para manifestação.(recebida em 06/04/2012, conforme documentos de fls.1051 a 1055). A Usiminas, em 07/05/2012, apresentou impugnação de fls.1064 a 1075, com as seguintes manifestações sobre o resultado de diligência, aqui relatadas em apertada síntese: Que a empresa prestadora passou por procedimento de fiscalização total durante o período abrangido pela NFLD, conforme comprova a tela da Gerência Executiva da Secretaria da Receita Previdenciária, juntada às fls.989 (renumerada para 1002). Constatada a ocorrência da fiscalização na contabilidade da empresa prestadora no mesmo período abrangido pela autuação sofrida pela empresa tomadora, temse que, nos termos do acórdão do CRPS (fl. 985), a existência de fiscalização total "leva à constatação da improcedência da NFLD, pela ocorrência do 'bis in idem'". Assim, constatado que o prestador já havia sido fiscalizado, não há como exigir o crédito de outro devedor, conforme entendimento do CCMF que transcreve. Que caso se confirme a hipótese de os valores exigidos terem sido incluídos no parcelamento da empresa prestadora, o débito discutido nos presentes autos deve ser imediatamente cancelado, sob pena de se configurar, novamente, o bis in idem. Requer que seja feita nova diligência para que as providências ordenadas pelo CRPS sejam devidamente cumpridas, tanto a primeira delas, quanto a segunda. E, caso o débito parcelado de fato corresponda às competências lançadas no presente auto de infração, seja declarada a improcedência do lançamento. Que por culpa exclusiva da Administração Tributária, as provas não puderam ser encontradas, pois somente se procedeu à obtenção dos documentos junto à empresa prestadora depois de decorridos cerca de 15 anos da ocorrência dos respectivos fatos geradores. A obrigação da empresa em guardar referidos documentos limitase ao período de cinco anos depois de ocorridos os respectivos fatos geradores. A fiscalização, no entanto, só procedeu a esta busca quando o prazo estipulado em lei já havia expirado há tempos. Fl. 1194DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.191 9 Ora, é certo que se a Administração Tributária tivesse diligenciado junto à empresa prestadora de serviços para apurar o crédito tributário, facilmente obteria os documentos necessários. De fato, durante o período em que a prestadora foi autuada por deixar de recolher as contribuições previdenciárias (02/93 a 08/97), o débito foi levantado com base nas folhas de pagamentos, nos recibos de pagamento e no RAIS Relação Anual de informações Sociais, ou seja, não houve necessidade de apuração por arbitramento (fls. 801 e 888). Com base na Decisão do CRPS e no Parecer nº 2376, de 2000, diz que é inadmissível que se prossiga com a cobrança do crédito em relação a um dos responsáveis solidários, sendo que ele também pode ter sido constituído junto ao contribuinte que, por sua vez, pode ter parcelado ou até mesmo quitado o débito junto à Fazenda. Daí a importância das diligências enumeradas pela CRPS. Porém, conforme relatado, a busca junto à contribuinte (empresa tomadora) pelos documentados relativos aos fatos geradores ocorridos nos anos de 1995 a 1998 só ocorreu em 2011. Ou seja, cerca de 15 anos depois. Neste sentido, considerandose que a fiscalização deveria ter tomado estas providências à época da autuação, certo é que a Requerente não pode ser prejudicada por uma omissão que não é sua. Até mesmo porque, a prevalecer tese contrária, o Fisco estaria se beneficiando da própria torpeza, o que é repudiado pelo Direito. Ainda que a solidariedade não admita o benefício de ordem, fato é que a documentação necessária para a apuração do crédito tributário deveria ser obtida junto à empresa prestadora de serviços, quem era efetivamente obrigada por lei a guardálos. Não há que se falar, portanto, em recusa ou sonegação de documentos ou informações por parte da Requerente/empresa tomadora. Extinção do crédito, relativo às competências antes de 12/1997, em razão da decadência, com base no §4º ,do artigo 150, do Código Tributário Nacional – CTN. Por fim, solicita que seja determinado, em caráter de urgência, o levantamento do depósito recursal comprovado à fl. 603 do PTA, ante a inconstitucionalidade de sua exigência.” 2 – A DRJ julgou procedente em parte o lançamento em decisão assim ementada: Fl. 1195DF CARF MF 10 Assunto: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1995 a 31/12/1998 CONTRIBUIÇÃO PREV1DENCIÁRIA. RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO. NÃO ELISÃO. A empresa responde solidariamente pelas contribuições previdenciárias não adimplidas pelo contratado para executar serviços de construção, reforma ou acréscimo, nos termos do artigo 30, VI, da Lei n.° 8.212/91 SOLIDARIEDADE PASSIVA. COBRANÇA DIRIGIDA A TODOS OS COOBRIGADOS. Na ocorrência de solidariedade passiva prevista no art. 30, IV, da Lei 8.212/91, o sujeito ativo pode escolher de quem irá cobrar, dentre os sujeitos passivos, a satisfação da obrigação tributária. E poderá fazêlo em relação a apenas um deles ou em relação a todos os coobrigados. DECADÊNCIA. A decadência das contribuições previdenciárias devese operar em cinco anos, nos termos do Código Tributário Nacional, em decorrência da Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal. GUARDA DE DOCUMENTOS E LIVROS FISCAIS. PRAZO. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, conforme parágrafo único, do artigo 195, do Código Tributário Nacional CTN. 4 – O Contribuinte recorreu às fls. 1.148/1.169 repisando os mesmos argumentos de defesa pedindo o provimento do recurso voluntário. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 5 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Fl. 1196DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.192 11 6 – Essa matéria não é nova nessa C. Turma sendo que nos AC. 2201.004.075, 2201.004.078, 2201.004.083, 2201.004.076, 2201.004.077, 2201.004.081, 2201.004.079, 2201.004.080 e 2201.004.0082 todos de minha relatoria e do AC. 2201003.412 voto vencedor da relatoria do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, em que tratamos de casos similares a esses. 7 Deixo de me manifestar em relação às preliminares indicadas no recurso em vista do seu provimento quanto ao mérito aplicando o princípio da primazia da resolução de mérito de acordo com § 2º do art. 282 do CPC de 2015 e art. 59 § 3º do Decretolei 70.235/72 que se pode afirmar que, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta". 8 – No mérito entendo que o recurso merece provimento. Conforme dito alhures tomando como base os julgados acima indicados por esse Relator, esse lançamento iniciouse na época da antiga Secretaria da Receita Previdenciária. 9 – Tomandose por base os fundamentos utilizados na decisão notificação Nº 11.401.4/0126/2004 de fls. 996/998 do CRPS reproduzidos pelo contribuinte em recurso, verificamos que consoante o que ocorreu nos julgados citados anteriormente, nesse caso houve o mesmo diagnóstico por parte do antigo Conselho de Recursos da Previdência Social que diz: EMENTA. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO SOLIDARIEDADE DO ART. 30, VI, DA LEI 8.212/91. Ocorrendo uma das hipóteses previstas de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, por parte do responsável pelo tributo, não poderá o INSS cobrar, ou continuar cobrando, a obrigação do outro sujeito passivo PARECER/ CJ/MPS n2 2.376/2000. Deve ser apurado o crédito tributário junto ao prestador, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário. ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO Fl. 1197DF CARF MF 12 “A análise do processo em apreço e nos demais incluídos na mesma ação fiscal contra a USIMINAS demonstra que a Autarquia não teve o cuidado demonstrado no Parecer/CJ/MPS nB 2.376/2000, de se evitar a cobrança em duplicidade, pois não ficou evidenciada nenhuma ação tendente a verificar se a cedente de mãodeobra adimpliu suas obrigações previdenciárias. Assim sendo, determino que seja anulada a Decisão Notificação, para que sejam cumpridas as seguintes exigências: Verificar se a prestadora teve fiscalização total no período abrangido pela NFLD ou se aderiu ao REFIS, em período concomitante com o lançamento fiscal da NFLD em apreço. Consta do Recurso que parte do débito lançado nesta NFLD, ou seja, o período compreendido entre 04/98 a 01/00 foi incluído no REFIS. A existência de uma das situações, fiscalização total, ou adesão ao REFIS por si só já leva à constatação da improcedência da NFLD, pela ocorrência do "bis in idem". No entanto, caso não se verifique nenhuma destas duas situações, deve ser analisada a contabilidade da prestadora dos serviços, para comprovar a regularidade de suas contribuições perante a Previdência Social, no período abrangido por esta NFLD, assegurando a existência do crédito imputado à Recorrente por solidariedade. Atentar para a verificação do prazo de vigência do contrato de prestação do serviço, e não somente do lançamento fiscal. CONCLUSÃO: Face ao exposto, VOTO POR ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO, para que sejam realizados procedimentos mínimos de auditoria fiscal, objetivando certificarse do não adimplemento das contribuições previdenciárias, por parte do cedente de mãodeobra, certificandose da procedência de sua imputação ao responsável solidário.” Sem grifos no original 10 – Em que pese a total falta de técnica jurídica dos membros do Conselho de Recursos da Previdência Social posto que não houve nenhum vício na decisão recorrida, ao dizer “VOTO POR ANULAR A DECISÃO NOTIFICAÇÃO” e sim no lançamento tributário como sobejamente demonstrado pelos Conselheiros que se manifestaram restando claro que o comando do Colegiado foi no sentido da elaboração de novo relatório fiscal do qual constasse se houve fiscalização total no prestador do serviço no período abrangido pela NFLD; se houve parcelamento por parte do prestador de serviço em relação às contribuições objeto da NFLD no solidário e em caso de negativa que providenciasse elementos mínimos de auditoria no Fl. 1198DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.193 13 prestador, no caso a análise de sua contabilidade, para levantar elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. 11 Forçoso reconhecer que tal decisão expressa, inequivocamente, a constatação de que o lançamento tributário padecia de vício em sua constituição. Qualquer outra inferência invalidaria o comando expresso, constante do decisum, do retorno do procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária ao passo inicial, ou seja, a busca pelo Fisco dos elementos comprobatórios e por isso constitutivos, da obrigação tributária decorrente da prática, pelo sujeito passivo, dos fatos eleitos pelo legislador como fato imponíveis. 12 Patente a inovação dos argumentos do Fisco no Relatório Fiscal de fls. 1.034/1.035. Tal inovação significa na prática a realização de novo lançamento tributário, posto que a comprovação da ocorrência do fato gerador ensejador da obrigação tributária no caso em tela, dependeria da análise de elementos mínimos de auditoria na contabilidade da prestadora de serviço na contribuinte SMTE Serviços Técnicos de Manutenção e Engenharia Ltda., que não foi encontrada no endereço em que consta na Receita Federal, providenciando a autoridade lançadora apenas a diligência para a entrega da intimação no endereço do sócio sem lograr êxito: Fl. 1199DF CARF MF 14 13 – A meu ver a autoridade lançadora tinha outros métodos legais para providenciar o lançamento para a constituição do crédito no sujeito passivo principal que é o prestador de serviço, contudo, não os utilizou. 14 – Além disso, verifico que às fls. 1.002 existe tela de verificação de fiscalizações perante o prestador de serviço STME indicado pela Gerência Executiva da Secretaria da Receita Previdenciária Fl. 1200DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.194 15 15 – A manifestação da fiscalização às fls. 1.003 chega a dizer que no período deste lançamento 01/06/1995 a 31/12/1998 não houve fiscalização na prestadora, contudo, cotejando a tela de fls. 1.002 acima reproduzida com a informação da fiscalização, verificamos que são contraditórias e sem qualquer justificativa plausível para se manter a negativa da informação em relação a falta de fiscalização no prestador. 16 – Portanto, resta inegável o vício esculpido no lançamento original, sendo que a decisão da antiga CRPS na realidade anulou o lançamento por vício material, sendo que na época havia necessidade de produção de novo procedimento administrativo para a constituição do crédito tributário. 17 De fato, a decisão do CRPS, atecnica como visto, embora propugnasse pela nulidade da DN, motivouse pela nulidade do lançamento tributário por ausência de motivação, ou seja, falta de comprovação da ocorrência do fato gerador, da verificação da ocorrência deste. 18 – Nesse ponto, também adoto como razões de decidir parte do voto do I. Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira no Ac. 2201003.412 j. 17/01/17, verbis: O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado. Mister recordar que o Decreto nº 70.235/72 é claro ao exigir em seu artigo 9º: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito" (destaques nossos) Forçoso reconhecer o vício no procedimento do lançamento tributário. Como ato administrativo que é, o auto de infração Fl. 1201DF CARF MF 16 não pode ser irregular. Celso A Bandeira de Melo (Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p.478), assim comenta sobre a irregularidade dos atos administrativos: ATOS IRREGULARES SÃO AQUELES PADECENTES DE VÍCIOS MATERIAIS IRRELEVANTES, RECONHECÍVEIS DE PLANO, OU INCURSOS EM FORMALIZAÇÃO DEFEITUOSA CONSISTENTE EM TRANSGRESSÃO DE NORMAS CUJO REAL ALCANCE É MERAMENTE O DE IMPOR A PADRONIZAÇÃO INTERNA DOS INSTRUMENTOS PELOS QUAIS SE VEICULAM OS ATOS ADMINISTRATIVOS Verificando a irregularidade do ato administrativo, deve a Administração de ofício regularizálo, em face do princípio da autotutela. Nesse sentido, a Lei 9.784, de 1999, é clara ao determinar que: "Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. (...) Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração." (grifos nossos) Observase que a Lei que regula o processo administrativo federal cinde as irregularidades do ato segundo a gravidade do mesmo. Atos portadores de defeitos sanáveis, meras irregularidades, poderão ser convalidados. Já os atos produzidos com ofensa a legalidade devem ser anulados. Sobre o tema, a Professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro (Direito Administrativo, 14ª ed, p. 234), titular da inesquecível Faculdade de Direito do Largo São Francisco, leciona que convalidação ou saneamento "o ato administrativo pelo qual qual é suprido o vício existente em um ato ilegal, com efeitos retroativos à data em que este foi praticado". Além disso, a doutrinadora explicita que nem sempre é possível a convalidação, pois depende do tipo de vício que atinge o ato. Os defeitos atinentes à incompetência quanto à matéria, quanto ao motivo e finalidade, e ainda quanto ao objeto e conteúdo não são passíveis de convalidação. Especificamente quanto a impossibilidade de convalidação, esclarece a Professora: "O objeto ou conteúdo ilegal não pode ser objeto de convalidação." O remédio que deve ser tomado pela Administração é o previsto no artigo 53 da Lei nº 9.784/99, acima transcrito,: a anulação. Novamente, recordemos os ensinamentos de Maria Sylvia: Fl. 1202DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.195 17 "Quando o vício seja sanável ou convalidável, caracterizase hipótese de nulidade relativa; caso contrário, a nulidade é absoluta." Sobre o tema, devemos lembrar que as nulidades, absoluta ou relativa, produzem efeitos distintos para a Administração Tributária em razão do tempo que a lei determina para a correção do lançamento tributário viciado. Se este for convalidável, por eivado de vício formal, o saneamento deve ser realizado em 5 anos após o trânsito em julgado da decisão que anular o ato administrativo. Já o lançamento maculado por nulidade absoluta, deve ser refeito no prazo decadencial previsto no CTN, seja o do parágrafo 4º do artigo 150, seja o do inciso I do artigo 173. Tal distinção nos obriga a perquirir qual o vício existente no caso concreto. Para nós a distinção é simples e fundada no texto legal. Como ensina Maria Sylvia Zanela Di Pietro, lançamentos que contenham conteúdo ilegal não são passíveis de convalidação, pois a nulidade que ostentam é absoluta. Nesse sentido, qualquer ofensa às determinações do artigo 142 do CTN acima reproduzido, explicitados por meio do artigo 9ª do Decreto nº 70.235/72, viciam o conteúdo do ato, pois são requisitos do lançamento, atributos intrínsecos ao procedimento de constituição do crédito tributário. A lição de Paulo de Barros Carvalho corrobora a afirmação. Assevera o Professor Emérito (Curso de Direito Tributário, 14ª ed., p. 415): "O ato administrativo de lançamento será declarado nulo de pleno direito, se o motivo nele inscrito a ocorrência do fato jurídico tributário, por exemplo inexistiu. Nulo será, também, na hipótese de ser indicado sujeito passivo diferente daquele que deve integrar a obrigação tributária. Igualmente é nulo o lançamento de IR (pessoa física), lavrado antes do termo final do prazo legalmente estabelecido para que o contribuinte apresente sua declaração de rendimentos e bens. Para a nulidade se requer vício profundo, que comprometa viceralmente o ato administrativo. Seus efeitos, em decorrência, são 'ex tunc', retroagindo, linguisticamente, à data do correspondente evento. A anulação por outro lado, pressupõe invalidade iminente, que necessita de comprovação, a qual se objetiva em procedimento contraditório. Seus efeitos são 'ex nunc', começando a contar do ato que declara a nulidade" Continua o doutrinador: "(...) não importa que o ato administrativo haja sido celebrado e que nele conjuguem os elementos tidos como substanciais. Insta que seus requisitos estejam conformados às prescrições da lei" Fl. 1203DF CARF MF 18 19 Nesse sentido, forçoso reconhecer que o relatório fiscal de fls. 1.034/1.035 por inovar no lançamento, ou seja, por de fato realizar novo lançamento posto que veio ao mundo jurídico para reparar vício material, ou seja, vício insanável, deve respeitar os prazos previstos em lei complementar para que o Estado possa constituir seu direito de crédito. 20 – Portanto, o lançamento representado pela NFLD constante de fls. 2/28, consubstancia pelo Relatório Fiscal de fls 43/53, foi tacitamente reconhecido como nulo pelo CRPS que ao determinar a nulidade da DN e a elaboração na prática de novo relatório fiscal que explicitasse novo relatório fiscal do qual constasse se houve fiscalização total no prestador do serviço no período abrangido pela NFLD; se houve parcelamento por parte do prestador de serviço em relação às contribuições objeto da NFLD no solidário e em caso de negativa, que providenciasse elementos mínimos de auditoria no prestador, no caso a análise de sua contabilidade, para levantar elementos que permitissem a constituição do crédito por responsabilidade solidária do contratante. 21 Ocorre que tal lançamento, consubstanciado no relatório fiscal de fls. 1.034/1.035 relativo às competências 01/06/1995 a 31/12/1998 se aperfeiçoou com a ciência do recorrente em 05/04/2012 às fls. 1.052/1.053, fora, portanto até do lustro permitido pelo artigo 173, inciso I do CTN. 22 O Fisco não cumpriu seu dever, ou seja, deixou de comprovar suas alegações, se absteve de demonstrar a exatidão do lançamento realizado e a conclusão exarada é no sentido da nulidade material do lançamento em razão da autoridade lançadora não ter verificado adequadamente o descumprimento da obrigação tributária principal pelo prestador de serviço e é nulo em razão da inovação consubstanciada no Relatório Fiscal que, ressaltese, corrobora o entendimento de que não houve, por ocasião do lançamento originário, a devida apuração do inadimplemento da obrigação principal pelo prestador de serviço. Conclusão Fl. 1204DF CARF MF Processo nº 15983.000700/200730 Acórdão n.º 2201004.597 S2C2T1 Fl. 1.196 19 23 Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso e no mérito DAR PROVIMENTO para anular o lançamento em decorrência do vício material, na forma da fundamentação acima. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 1205DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10320.721701/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2008
EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO.
A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração.
PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL.
Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito.
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental.
ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR.
O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto.
ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS.
Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2401-005.568
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.635-9 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Matheus Soares Leite Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201806
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2008 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantém-se a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_processo_s : 10320.721701/2012-69
anomes_publicacao_s : 201808
conteudo_id_s : 5888843
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2018
numero_decisao_s : 2401-005.568
nome_arquivo_s : Decisao_10320721701201269.PDF
ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : MATHEUS SOARES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10320721701201269_5888843.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, dar-lhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.635-9 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
id : 7384049
ano_sessao_s : 2018
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:23:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713050588902588416
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2058; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 144 1 143 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10320.721701/201269 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401005.568 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 06 de junho de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Recorrente AGRÍCOLA CAMBURI LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2008 EXCLUSÕES DA ÁREA TRIBUTÁVEL. RETIFICAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO. A retificação da DITR que vise a inclusão ou a alteração de área a ser excluída da área tributável do imóvel somente será admitida nos casos em que o contribuinte demonstre a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. PEDIDO DE RETIFICAÇÃO DA DITR. DENUNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. APÓS AÇÃO FISCAL. Nos termos do artigo 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea somente é passível de aplicabilidade se o ato corretivo do contribuinte, com o respectivo recolhimento do tributo devido e acréscimos legais, ocorrer antes de iniciada a ação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos, impondo seja decretada a procedência do feito. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE, RESERVA LEGAL E ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS, PRIMÁRIAS OU SECUNDÁRIAS EM ESTÁGIO MÉDIO OU AVANÇADO DE REGENERAÇÃO. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente, reserva legal e áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios, notoriamente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 17 01 /2 01 2- 69 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 145 2 laudo técnico que identifique claramente as áreas e as vincule às hipóteses previstas na legislação ambiental. ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. ÁREAS COBERTAS POR FLORESTAS NATIVAS. EXCLUSÃO DA TRIBUTAÇÃO. REQUISITOS. Para fins de exclusão da tributação do imposto, as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias, em estágio médio ou avançado de regeneração deverão estar comprovadas através de documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário. No mérito, por voto de qualidade, darlhe provimento parcial para que seja considerada no imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359 a área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite (relator), Andréa Viana Arrais Egypto, Rayd Santana Ferreira e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para que fosse também excluída a área coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Vencidos em primeira votação os conselheiros Francisco Ricardo Gouveia Coutinho e José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Rayd Santana Ferreira, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 146 3 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento n° 03201/00021/2012 (fls. 03/06), contra o contribuinte acima qualificado, decorrente de procedimento de revisão de Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), relativo ao exercício de 2008, referente ao imóvel denominado “Fazenda Ourives III”, localizado no município de Barra do Corda (MA), com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359 (fls. 03). Segundo consta na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, o contribuinte, após regularmente intimado, não teria comprovado a área efetivamente ocupada com reflorestamento declarada, nem mesmo a área efetivamente utilizada para fins de exploração extrativa declarada, o que motivou a alteração do Documento de Informação e Apuração do ITR. A modificação imposta ocasionou a alteração da área utilizada e consequentemente do grau de utilização do imóvel, levando a modificação da alíquota incidente, nos termos da lei, antes de 0,30, para 8,60, ocasionando saldo suplementar a pagar no valor histórico de R$ 51.640,94, com fundamento no art. 10, § 1°, inciso V, alíneas “a” e “c” da Lei n° 9.393/96, além da multa de 75% (setenta e cinco por cento), no montante histórico de R$ 38.730,70, capitulada no art. 44, inciso I, § 1° e 3° da Lei n° 9.430/96, com alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07, além dos juros de mora, previstos no art. 61, § 3° da Lei n° 9.430/96. Após efetivada ciência da Notificação do Lançamento de ITR (fls. 10), o contribuinte, tempestivamente, compareceu aos autos apresentando sua Impugnação (fls. 13/33), com os seguintes argumentos, em síntese: (a) Deixou de informar áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas, porque a Receita Federal informava que a comprovação de tais áreas seria necessária a apresentação do Ato Declaratório Ambiental que, na época, não estava disponível no site do Ibama, o qual só veio a ser expedido em 2011. (b) Não conseguiu transmitir a declaração retificadora do exercício 2008, após ter protocolado o Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal junto à Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão, porque o sistema da Receita Federal não estava disponível naquela data, por isso o imóvel rural foi tributado como se não tivesse áreas isentas, resultando na cobrança de imposto bem elevado. Contudo, tem direito de retificar sua declaração porque adquiriu a espontaneidade e fazendo jus à isenção relativa às áreas de preservação permanente, reserva legal e florestas nativas, para justificar seu entendimento cita a súmula 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e Solução de Consulta Interna nº 15 de 20 de maio de 2005. (c) O Código Florestal e a Lei nº 10.165/2000 não exigem para o reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas averbação na matrícula do imóvel tampouco apresentação do ADA, e cita jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e do Supremo Tribunal Federal para justificar seu entendimento sobre a matéria. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 147 4 (d) Houve violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade que se constituem como verdadeiros anteparos jurídicos necessários à segurança das relações jurídicotributárias bem como à estrita obediência ao princípio da verdade material. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (DRJ/CGE), por meio do Acórdão nº 0434.067, de 11/11/2013, cujo dispositivo considerou improcedente a Impugnação, mantendo o crédito tributário (fls. 100/109). É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2008 Nulidade do Lançamento. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Áreas Isentas. Tributação. Averbação. ADA. Para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas, é necessária a comprovação efetiva da existência dessas áreas e apresentação de Ato Declaratório Ambiental (ADA) ao Ibama, no prazo previsto na legislação tributária. A área de reserva legal deve estar averbada na matrícula do imóvel na data do fato gerador do ITR. Retificação dos Dados da DITR. Incabível a retificação dos dados da DITR quando não restar comprovado com documentos hábeis e idôneos conforme previstos na legislação tributária erro no preenchimento da declaração. Matéria não Impugnada – Áreas com Reflorestamento e Exploração Extrativa. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, conforme legislação processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Nesse sentido, cumpre repisar que a decisão a quo exarou os seguintes motivos e que delimitam o objeto do debate recursal: (a) Para a exclusão das áreas de preservação permanente, reserva legal, bem como as áreas cobertas de florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, incluindo o Bioma Mata Atlântica, da incidência do ITR, é necessário a informação das áreas ambientais no Ato Declaratório Ambiental (ADA), protocolizado dentro dos prazos previstos nos atos normativos do IBAMA. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 148 5 (b) Para a exclusão da área de reserva legal, fazse necessário a averbação tempestiva à margem da matrícula junto ao Cartório de Registro de Imóveis competente, conforme preceituam os artigos 16 e seus parágrafos e 44 e seu parágrafo único da Lei n° 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/89 e pela Medida Provisória n° 2.16667, de 2001, art. 1°; RITR/2002, art. 12. (c) Constam nos autos Laudo Técnico de Avaliação do imóvel, ART, Certidão de Registro, mas o Ato Declaratório Ambiental de 2011 não regulariza o exercício 2008, face à anualidade de sua apresentação. Por outro lado, a área de reserva legal só foi averbada na matrícula em 16/06/2010. (d) Não sendo comprovada a isenção das áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas de florestas nativas mediante a apresentação do ADA protocolado no prazo previsto em ato normativo do Ibama, não há como atender o pleito do contribuinte. (e) Por fim, no que diz respeito à glosa das áreas de exploração extrativa e reflorestamento não comprovadas, o contribuinte nada questionou. Dessa forma, considerase não impugnada essas matérias, vez que não foram expressamente contestadas, conforme preceitua o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, com redação dos arts. 1º, da Lei nº 8.748/1993, e 67 da Lei nº 9.532/1997. O contribuinte, por sua vez, inconformado com a decisão prolatada e procurando demonstrar a improcedência do lançamento, interpôs Recurso Voluntário (fls. 114/128), no dia 05/02/2014, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos: (a) A recuperação da espontaneidade deferida mediante decisão unânime lavrada pelo Acórdão n. 0434067 devolveu ao contribuinte o direito de retificar sua declaração originária na Impugnação, operandose efeito ex tunc, isto é, desde a data anterior ao início da ação fiscal, possibilitando ao contribuinte realizar a retificação da declaração do ITR sem os efeitos do lançamento tributário, isto é, sem a aplicação da multa de ofício de 75% e seus consectários legais. (b) Deve ser aplicada a súmula 75 do CARF que dispõe que “a recuperação da espontaneidade do sujeito passivo em razão da inoperância da autoridade fiscal por prazo superior a sessenta dias aplicase retroativamente, alcançando os atos por ele praticados no decurso desse prazo”, ficando afastado, no caso em julgamento, o óbice do enunciado n° 33 do CARF que prevê que “a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício”. (c) O contribuinte é proprietário do imóvel rural com área total de 3.940,8 hectares, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), sob a matrícula n° 7740, possuindo 2.186,2 hectares a título de reserva legal, 67,3 hectares de área de preservação permanente, e, ainda, é detentor de área remanescente coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, correspondente a 1.683,5 hectares e possui 3,6 hectares de benfeitorias, conforme a certidão de inteiro teor do imóvel, o Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica e o Ato Declaratório Ambiental (documentos ns. 03, 04 e 05 coligidos à defesa). (d) Entretanto, o contribuinte deixou de considerar as áreas informadas na declaração do ITR, pois, segundo a Receita Federal, para a comprovação de tais áreas, seria imprescindível a apresentação do Ato Declaratório Ambiental, documento que na ocasião da Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 149 6 feitura da declaração original não estava disponível, pois o IBAMA somente veio a expedilo no ano de 2011, conquanto o requerimento do Termo de Averbação de Reserva Legal tenha sido protocolado na Secretaria do Meio Ambiente do Estado do Maranhão – SEMA, em data anterior (documento n. 06 da defesa). (e) A Lei 9.393/96 que disciplina o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural na redação anterior ao advento da Lei 12.651/2012 (novo Código Florestal), não traz em seu bojo a exigência de prazo para averbação de reserva legal, tampouco a exigência de Ato Declaratório Ambiental – ADA para comprovação da área de reserva legal, de preservação permanente e coberta por florestas nativas. (f) A única exigência prevista no antigo Código Florestal, aplicável à espécie, era a averbação da área de reserva legal à margem do registro do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis respectivo, sem estipulação de qualquer prazo para fazêlo (Medida Provisória n. 21667 que alterou a Lei 4.771/65, então em vigor, no início do procedimento fiscal). (g) E mesmo a Lei 10.165/2000, que alterou o art. 17O da Lei 6.938/81, não ventilou qualquer exigência à observância de prazo para requerimento do ADA, não se podendo cogitar em impor como condição à isenção, a data de sua requisição/apresentação. (h) No caso do imóvel em questão, a averbação da Reserva Legal foi efetivada no Cartório de Registro de Imóveis antes do início da ação fiscal e já é o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E, quanto à área de preservação permanente e a área remanescente coberta por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, suficiente à comprovação o Laudo Técnico de Avaliação do imóvel com a devida Anotação de Responsabilidade Técnica – ART, com apresentação de mapas e imagens captadas por satélite. (i) Assegurando a observância do princípio da verdade material, erigido ao status de lei, a autoridade julgadora é obrigada a decidir com base nos fatos que representam a realidade vivenciada pelo contribuinte, sempre partindo dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (j) A averbação da área de reserva legal, no Cartório de Imóveis competente, desde que realizada antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal, já é o suficiente à comprovação da existência da referida área e, por consequência, ao direito isencional garantido na Lei 9.393/96. E mesmo o ADA intempestivo, por si só, não é condição suficiente para impedir o contribuinte de usufruir o benefício fiscal no âmbito do ITR, também no que diz respeito à área de preservação permanente. (k) Dessa forma, o imóvel em questão, possui área de preservação permanente correspondente a 67,3 hectares, a qual, mesmo sendo dispensada por lei a averbação em cartório, dispõe também de laudo técnico elaborado por profissional habilitado devidamente reconhecido pelo CREA, sendo meio hábil de prova, suficiente ao êxito da presente discussão. Não obstante, as áreas referidas são preexistentes ao fato gerador do imposto territorial rural, isto é, a propriedade em 1° de janeiro de 2008. (l) E, tratandose de área de preservação permanente devidamente comprovada mediante documentação hábil e idônea, ainda que não apresentado o Ato Declaratório Ambiental – ADA tempestivamente, impõese o reconhecimento da aludida área, Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 150 7 glosada pela fiscalização, para efeito de cálculo do imposto a pagar em observância ao princípio da verdade material. Ao final, requereu a procedência do apelo para: (a) Declarar a nulidade do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIFR sob o n. 1.661.6359, relativo ao exercício de 2008, em face da espontaneidade readquirida, e da existência dos documentos necessários à comprovação da existência das áreas de reserva legal, de preservação permanente e aquelas cobertas por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, nos quantitativos discriminados no presente recurso e já apresentados na defesa. (b) Alternativamente, determinar que a autoridade fiscal promova a correta desoneração do crédito tributário do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel rural registrado no NIRF sob o n. 1.661.6359, referente ao exercício de 2008, em face da espontaneidade readquirida, e da existência dos documentos necessários à comprovação da existência das áreas de reserva legal, de preservação permanente e aquelas cobertas por florestas nativas primárias e secundárias em estágio de regeneração, anteriores ao início da ação fiscal, nos quantitativos discriminados no presente recurso e já apresentados na defesa. (c) Caso assim não entenda esse respeitável Conselho Administrativo, tendo em vista que já houve o reconhecimento da requisição da espontaneidade tributária da ora recorrente, que conceda ao contribuinte o direito de retificar a declaração original do ITR, relativa ao exercício de 2008 do imóvel cadastrado na Receita Federal do Brasil, sob o NIRF n. 1.661.6359, ante a existência das áreas de reserva legal, cobertas por floresta nativa (primária) e de preservação permanente no aludido imóvel, uma vez que não há como o contribuinte promover a retificação, já que o sistema da Receita Federal está indisponível para alteração/retificação de dados. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento do Recurso Voluntário. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/7. Portanto, dele tomo conhecimento. 2. Conexão Esclareço que, nos termos do art. 6°, § 1°, I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, o presente processo é conexo aos processos destacados abaixo, pois versam sobre Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 151 8 exigência de crédito tributário e pedido do contribuinte fundamentados em fatos idênticos, todos relativos ao imóvel com Código Fiscal sob o n° 0.047.4460, diferenciandose, entre eles, apenas em relação ao período em questão: Processo Exercício Imóvel 10320.721702/201211 2009 NIRF 1.661.6359 10320.721703/201258 2010 NIRF 1.661.6359 A discussão posta nos autos é pertinente, ainda, para os processos mencionados abaixo, pois possuem idêntica fundamentação de direito, embora relacionadas a fatos distintos, por se tratarem de imóveis distintos, conforme tabela abaixo: Processo Exercício Imóvel 10320.721698/201283 2008 NIRF 0.047.4460 10320.721699/201228 2009 NIRF 0.047.4460 10320.721700/201214 2010 NIRF 0.047.4460 10320.721704/201201 2008 NIRF 6.401.4835 10320.721705/201247 2009 NIRF 6.401.4835 10320.721706/201291 2010 NIRF 6.401.4835 10320.721707/201236 2008 NIRF 6.569.2071 10320.721708/201281 2009 NIRF 6.569.2071 10320.721709/201225 2010 NIRF 6.569.2071 Em todo o caso, os argumentos trazidos pelo contribuinte, em sede de Recurso Voluntário, são similares, diferenciandose apenas em relação ao período, e por vezes alterando, cirurgicamente, a ordem de alguns parágrafos ou acrescentando excertos jurisprudenciais. Por fim, destaco que todos os processos mencionados acima foram distribuídos a este Relator. 3. Considerações iniciais O julgador administrativo deve fundamentar suas decisões com a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que a motivam (art. 50 da Lei n° 9.784/99), observando, dentre outros, os princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 2° da Lei n° 9.784/99). O dever de motivação oportuniza a concretização dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório (art. 5º, LV, da CR/88), abrindo aos interessados a possibilidade de contestar a legalidade do entendimento adotado, mediante a apresentação de razões possivelmente desconsideradas pela autoridade na prolação do decisum. Para a solução do litígio tributário, deve o julgador delimitar, claramente, a controvérsia posta à sua apreciação, restringindo sua atuação apenas a um território contextualmente demarcado. Os limites são fixados, por um lado, pela pretensão do Fisco e, por outro lado, pela resistência do contribuinte, que culminam com a prolação de uma decisão de primeira instância, objeto de revisão na instância recursal. Dessa forma, se a decisão de 1ª instância apresenta motivos expressos para refutar as alegações trazidas pelo contribuinte, a lida fica adstrita a essa motivação. Para solucionar a lide posta, o julgador se vale do livre convencimento motivado, resguardado pelos artigos 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72. Assim, não é obrigado a Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 152 9 manifestar sobre todas as alegações das partes, nem a se ater aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando possui motivos suficientes para fundamentar a decisão. Cabe a ele decidir a questão de acordo com o seu livre convencimento, utilizandose dos fatos, das provas, da jurisprudência, dos aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pelo interessado. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, constato que não encontrei nenhum vício que macula o lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada, sendo o imposto e sua base de cálculo apurados com base na declaração apresentada pelo contribuinte à Receita Federal. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72. Caso a recorrente discorde da decisão proferida por este Colegiado, pode, ainda: (a) opor embargos de declaração no caso de “obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65 do RICARF); ou (b) interpor Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, desde que demonstre a existência de decisão de outra Câmara, Turma de Câmara, Turma Especial ou a própria CSRF que dê a à lei tributária interpretação divergente (art. 67 do RICARF). Assim, passo a analisar o mérito. 4. Mérito 4.1. Sobre a possibilidade de retificar a declaração após iniciada a ação fiscal, ou mesmo procedido o lançamento A teor do disposto nos arts. 142 da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN) e 10 e 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, tem se que o ITR é tributo sujeito ao lançamento por homologação, ou seja, cabe ao contribuinte a apuração e o pagamento do imposto devido, “independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior” (art. 10 da Lei n° 9.393/96). Iniciado o procedimento de ofício, não cabe mais a retificação da declaração por iniciativa do contribuinte, pois já houve a perda de espontaneidade, nos termos do art. 7° Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 153 10 do Decreto n° 70.235/72. Nesse caso, resta ao contribuinte a possibilidade de impugnar o lançamento (art. 145, inciso I, do Código Tributário Nacional), demonstrando a ocorrência de erro de fato no preenchimento da referida declaração. A propósito, é ver a redação do artigo 138 do Código Tributário Nacional: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Na hipótese dos autos, o contribuinte, após iniciada a ação fiscal, vem procurando retificar a declaração objeto da autuação, o que é vedado pelo dispositivo legal em comento, impossibilitando o acolhimento de seu pleito. Ainda que se considere a reabertura da espontaneidade do sujeito passivo, a denúncia espontânea deve vir acompanhada da declaração retificadora, e, antes do lançamento de ofício. Após esse prazo, a questão deve ser resolvida na Impugnação, com a análise dos argumentos postos pelo contribuinte para afastar o lançamento tributário e que, sendo sua pretensão acolhida pelo Colegiado, excluirá integralmente ou determinará o recálculo do imposto a pagar, com a retificação da declaração pela unidade da RFB responsável pelo cumprimento do decisum. 4.2. Da exigência do Ato Declaratório Ambiental para as Áreas de Preservação Permanente, Reserva Legal e Áreas Cobertas por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração Como se observa do relato introdutório, o cerne da questão posta nos autos é a discussão sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal e cobertas por florestas nativas, bem como a necessidade de averbação tempestiva da reserva legal junto à matrícula do imóvel, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Inicialmente, sobre a exigência do protocolo do Ato Declaratório Ambiental – ADA, dentro do prazo legal, no tocante às áreas de preservação permanente, reserva legal, e cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, cumpre esclarecer, o que dispõe a Lei nº 9.393/96, a respeito do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, conforme redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 154 11 II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) O Decreto n° 4.382/02, que regulamenta a tributação, fiscalização, arrecadação e administração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, tratou da área tributável da seguinte forma: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); III de reserva particular do patrimônio natural (Lei nº 9.985, de 18 de julho de 2000, art. 21; Decreto nº 1.922, de 5 de junho de 1996); IV de servidão florestal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 44A, acrescentado pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001); V de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput deste artigo (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "b"); VI comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 155 12 competente, federal ou estadual (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II, alínea "c"). § 1º A área do imóvel rural que se enquadrar, ainda que parcialmente, em mais de uma das hipóteses previstas no caput deverá ser excluída uma única vez da área total do imóvel, para fins de apuração da área tributável. § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural DITR. § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. § 4º O IBAMA realizará vistoria por amostragem nos imóveis rurais que tenham utilizado o ADA para os efeitos previstos no § 3º e, caso os dados constantes no Ato não coincidam com os efetivamente levantados por seus técnicos, estes lavrarão, de ofício, novo ADA, contendo os dados reais, o qual será encaminhado à Secretaria da Receita Federal, que apurará o ITR efetivamente devido e efetuará, de ofício, o lançamento da diferença de imposto com os acréscimos legais cabíveis (Lei nº 6.938, de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 2000). Ademais, o artigo 17O da Lei n° 6.938/81, com a redação que lhe foi dada pela Lei n° 10.165/00, passou a prever: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (Incluído pela Lei nº 10.165, de 2000) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 156 13 Apesar da previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, entendo que o dispositivo não pode ser analisado isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA. Pela interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, e § 7° da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81, entendo que a exigência do ADA para fins de isenção do ITR diz respeito apenas às seguintes áreas: (a) de reserva particular do patrimônio natural; (b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas nos incisos I e II do caput do artigo 10 do Decreto n° 4.382/02; (c) comprovadamente imprestáveis para a atividade rural, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual. Nas hipóteses acima, sendo o ADA exigido para fins de fruição da isenção, não cabe ao julgador afastar sua obrigatoriedade, invocando o princípio da verdade material, mormente em se tratando de exigência atinente ao ITR, de caráter nitidamente extrafiscal e que almeja a proteção do meio ambiente aliada à capacidade contributiva. Isso porque, muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Contudo, entendo que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal ou ambiental, estão excluídas da exigência do ADA para fins de fruição da isenção, em virtude do caráter interpretativo do disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96 e que trata expressamente dessas áreas. Ainda que as áreas de preservação permanente, de reserva legal, bem como as de servidão florestal, estejam mencionadas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02, a interpretação deve ser sistemática, excluindo a obrigatoriedade em razão da análise conjunta com o disposto § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96. Tratase de aparente antinomia, resolvida pelo intérprete mediante o emprego da interpretação sistemática. A propósito, no tocante às áreas de preservação permanente e de reserva legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR1, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Temse notícia, inclusive, de que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR, relativamente aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, tendo a 1 É ver os seguintes precedentes: REsp 665.123/PR, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 5.2.2007; REsp 1.112.283/PB, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 1/6/2009; REsp 812.104/AL, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, DJ 10/12/2007 e REsp 587.429/AL, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 2/8/2004; AgRg no REsp 1.395.393/MG, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, DJe de 31/03/2015. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 157 14 referida orientação incluída no item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). Já no tocante às áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, entendo que se encontram excluídas da exigência do ADA em virtude da ausência de sua menção no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Tratase de interpretação sistemática do art. 10, Inc. II, “e”, da Lei nº 9.393/96 c/c art. 10, Inc. I a VI e §3°, Inc. I do Decreto n° 4.382/02 c/c art. 17O da Lei n° 6.938/81. Ainda que se considere o fato de que a introdução da exclusão da referida área da base de cálculo do ITR somente sobreveio com a vigência da Lei nº 11.428, de 2006, que incluiu a alínea “e”, no inciso II, do § 1°, da Lei nº 9.393/96, e que o Regulamento do ITR é do ano de 2002, época em que não havia, portanto, a referida previsão legal, não é possível a utilização do recurso da analogia para criar obrigações tributárias, sob pena de desrespeito ao art. 108, § 1°, do CTN. Se não houve a alteração formal da legislação, não cabe ao intérprete criar obrigações não previstas em lei. Ademais, ressalto, novamente, que a previsão contida no § 1° do art. 17O, no sentido de que a utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é imperativa, não pode ser analisada isoladamente, e sua aplicação deve ser restrita às hipóteses em que o benefício da redução do valor do ITR tenha como condição o protocolo tempestivo do ADA, não sendo o caso das áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração, por não estarem previstas no caput do art. 10 do Decreto n° 4.382/02. Dessa forma, ao contrário da decisão de piso, entendo que não cabe exigir o protocolo do ADA para fins de fruição da isenção do ITR das áreas de preservação permanente, reserva legal e das áreas cobertas por florestas nativas, bastando que o contribuinte consiga demonstrar através de provas inequívocas a existência e a precisa delimitação dessas áreas. Se a própria lei não exige o ADA, não cabe ao intérprete fazêlo. E no tocante à questão probatória, reforço que o Laudo Técnico, referente ao ano de 2007, emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 55/71), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 78 e 80), identificou as áreas pertinentes ao imóvel denominado “Fazenda Ourives III”, elucidadas no demonstrativo abaixo: Exercício 2008 Demonstrativo do AI Distribuição da Área do Imóvel Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2007 Área Total do Imóvel 3.940,8 3.940,8 3.940,8 Área de Preservação Permanente 67,3212 Área de Reserva Legal 2.186,2397 Área Coberta por Florestas Nativas 1.683,5874 Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural (ha) Declarado Apurado Laudo Técnico 2007 Área com Reflorestamento (Essências Exóticas ou Nativas) 3.079,9 Área de Exploração Extrativa 855,9 O conjunto probatório acostado aos autos, ao meu juízo, permite atestar, com segurança, a existência dessas áreas, notadamente em razão dos seguintes documentos apresentados em sede de Impugnação: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 158 15 (a) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), constatando no Livro n° 2 do Registro Geral de Imóveis da Comarca, na matrícula n° 7740, que após levantamentos técnicos procedidos pelo Resp. Técnico – CREA – 1346/DPIVisto: 788MA – Gerson dos Santos Rodrigues, constatouse que a área encontrada foi de 3.940,8299 ha e não 6.900,00 ha (fls. 47). (b) Certidão expedida pelo Cartório do 1° Ofício Extrajudicial do Estado do Maranhão, da Comarca de Barra do Corda (MA), afirmando que, no Livro n° 2 de Registro Geral de Imóveis (Registro Geral), na matrícula n° 7740, registro n° 03, em data de 31 de agosto de 2003, há o registro de uma Gleba de terras situada neste município, denominada Fazenda Vale do Rio Ourives (03), localizada no lugar Ourives, com uma área de 3.940,8299 ha (fls. 54). (c) Laudo Técnico de Avaliação de Imóvel Rural – NIRF 1.661.6359 emitido por Engenheira Agrônomo (fls. 55/71), referente ao ano de 2007, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 78 e 80). (d) Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal TRARL, protocolizado junto à Sec. Est. Meio Ambiente (fls. 84). (e) Mapa de Uso do Solo, discriminando as áreas de Reserva Legal, Preservação Permanente, Remanescente e Benfeitorias, devidamente assinado por Engenheiro Florestal, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica – ART (fls. 78), informando que as coordenadas foram obtidas a partir de GPS de navegação (fls. 76). Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 55/71), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 47, 54 e 84. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 55/71) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. 4.3. Da exigência da prévia averbação de reserva legal no registro de imóveis como condição para a isenção do ITR No que diz respeito à necessidade prévia de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão para a isenção do Imposto Territorial Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 159 16 Rural, prevista no art. 10, II “a”, da Lei n° 9.393/96, o Superior Tribunal de Justiça2 pacificou as seguintes teses: (a) É indispensável a preexistência de averbação da reserva legal no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, tendo a averbação, para fins tributários, eficácia constitutiva; (b) A prova da averbação da reserva legal não é condição para a concessão da isenção do ITR, por se tratar de tributo sujeito à lançamento por homologação, sendo, portanto, dispensada no momento de entrega de declaração, bastando apenas que o contribuinte informe a área de reserva legal; e (c) É desnecessária a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis como condição para a concessão de isenção do ITR, pois essa área é delimitada a olho nu. Dessa forma, para a exclusão da área de reserva legal do cálculo do ITR, exigese sua averbação tempestiva e antes do fato gerador. Interpretação diversa não se sustenta, pois a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, que dispõe sobre a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal do cálculo do ITR, redação vigente à época, fazia referência às disposições da Lei nº 4.771/65 do antigo Código Florestal. E, ainda, o § 8° do art. 16 do Código Florestal exigia que a área de reserva legal fosse averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro competente. É ver a redação do dispositivo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. A referida exigência, consta, ainda, expressamente no art. 12, § 1°, do Decreto n° 4.382/02, in verbis: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). 2 STJ EREsp: 1310871 PR 2012/02329655, Relator: Ministro ARI PARGENDLER, Data de Julgamento: 23/10/2013, S1 PRIMEIRA SEÇÃO, Data de Publicação: DJe 04/11/2013. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 160 17 § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. Também a Lei 6.015/73 (Lei de Registros Públicos) prevê a obrigatoriedade da averbação da reserva legal, conforme se observa do art. 167, inciso II, nº 22: Art. 167 No Registro de Imóveis, além da matrícula, serão feitos. (...) II a averbação: (...) 22. da reserva legal. Assim, para o gozo da isenção do ITR no caso de área de reserva legal, é imprescindível a averbação prévia da referida área na matrícula do imóvel, sendo o ato de averbação dotado de eficácia constitutiva, posto que, diferentemente do que ocorre com as áreas de preservação permanente, não são instituídas por simples disposição legal3. Apesar do § 7°, do art. 10, da Lei n° 9.393/96, dispensar a prévia comprovação da área de reserva legal por parte do declarante, nada mais fez do que explicitar a natureza homologatória do lançamento do ITR, não dispensando sua posterior comprovação que só perfectibiliza mediante a juntada do documento de averbação, em razão de sua eficácia constitutiva. A averbação da área de reserva legal no Cartório de Registro de Imóveis, antes do fato gerador, deve ser exigida, portanto, como requisito para a fruição da benesse tributária, sendo uma providência que potencializa a extrafiscalidade do ITR4. Isso porque, o ITR é um imposto que concilia a arrecadação com a proteção das áreas de interesse ambiental, e o incentivo à averbação da área de reserva legal vai ao encontro do desenvolvimento sustentável, por criar limitações e exigências para a manutenção de sua vegetação, servindo como meio de proteção ambiental. Também aqui, entendo que não cabe ao julgador invocar o princípio da verdade material, mormente em atenção à extrafiscalidade do ITR, pois muito embora o livre convencimento motivado, no âmbito do processo administrativo, esteja assegurado pelos arts. 29 e 31 do Decreto n° 70.235/72, entendo que existem limitações impostas e que devem ser observadas em razão do princípio da legalidade e que norteia o direito tributário. Não cabe, pois, invocar a verdade material para o descumprimento de uma exigência legal e que está em consonância com a preservação do meio ambiente, aspecto ínsito ao caráter extrafiscal do ITR. 3 Nesse sentido: STJ EREsp 1027051/SC, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Seção, DJe 21.10.2013. 4 Precedentes: REsp 1027051/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 17.5.2011; REsp 1125632/PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 31.8.2009; AgRg no REsp 1.310.871/PR, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 14/09/2012. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 161 18 A jurisprudência deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, vem adotando o mesmo entendimento, ao exigir a averbação de reserva legal antes da ocorrência do fato gerador, como requisito para a isenção do ITR: ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO INTEMPESTIVA. DATA POSTERIOR AO FATO GERADOR. O ato de averbação tempestivo é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Mantémse a glosa da área de reserva legal quando averbada à margem da inscrição da matrícula do imóvel em data posterior à ocorrência do fato gerador do imposto. (CARF Processo nº 10660.724592/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401004.977 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 4 de julho de 2017). ÁREA DE RESERVA LEGAL. ISENÇÃO. AVERBAÇÃO NA MATRÍCULA DO IMÓVEL. NECESSIDADE. Para fins de isenção de ITR é necessária a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel antes da data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção TERCEIRA CÂMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: RECURSO DE OFÍCIO RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2301004.866 Data de decisão: 18/01/2017) ÁREA DE RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. A exclusão de área declarada como de reserva legal da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada a sua averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, até a data da ocorrência do fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CÂMARA SEGUNDA TURMA RECURSO: RECURSO VOLUNTARIO ACÓRDÃO: 2202004.311 Data de decisão: 04/10/2017). ISENÇÃO. RESERVA LEGAL. A averbação tempestiva é requisito indispensável à isenção de ITR para área de reserva legal. No caso dos autos a averbação ocorreu 2 anos após a ocorrência do fato gerador. Embargos Acolhidos. (CARF Segunda Seção QUARTA CMARA PRIMEIRA TURMA ECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2401004.436 Data de decisão: 12/07/2016) ÁREA DE RESERVA LEGAL. AVERBAÇÃO NO CARTÓRIO DE REGISTRO DE IMÓVEIS ANTES DO FATO GERADOR. OBRIGATORIEDADE. A área de reserva legal somente será considerada como tal, para efeito de exclusão da área tributada e aproveitável do imóvel, quando devidamente averbada junto Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 162 19 ao Cartório de Registro de Imóveis competente, na data anterior ao fato gerador. (CARF Segunda Seção SEGUNDA CMARA PRIMEIRA TURMA RECURSO: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ACÓRDÃO: 2201003.027 Data de decisão: 12/04/2016 ) Cumpre destacar, ainda, que o Código de Processo Civil de 2015, com aplicação subsidiária ao processo administrativo, por força de seu artigo 15, estimula a integridade das decisões proferidas, ao recomendar que “os tribunais devem uniformizar sua jurisprudência e mantêla estável, íntegra e coerente” (art. 926 do NCPC/15). Por fim, observo que o contribuinte alega que o Termo de Averbação da Reserva Legal – TRARL foi emitido antes do início da ação fiscal, o que já seria suficiente para comprovar a existência da área de reserva legal e, por consequência, o direito à isenção garantido pela Lei n° 9.393/96. Contudo, conforme exposto, endosso o entendimento de que para o exercício do direito à exclusão da área de reserva legal para fins de apuração do ITR, é imprescindível a averbação da área à margem da matrícula do imóvel, antes do fato gerador, por ser ato constitutivo da própria reserva, não importando que a emissão do Termo de Responsabilidade de Averbação de Reserva Legal tenha ocorrido antes do lançamento ou mesmo antes do início da ação fiscal. Dessa forma, entendo que o contribuinte não comprovou a averbação da área de reserva legal no registro competente, anteriormente ao fato gerador, impossibilitando a fruição do direito à isenção do ITR, relativamente a essa área, devendo ser mantida a glosa neste ponto. 4.4. Da Área Ocupada com Benfeitorias Úteis e Necessárias Destinadas à Atividade Rural A recorrente discorre, brevemente, em seu petitório recursal, alegando ser proprietária do imóvel rural com área total de 3.940,8 ha, em 2008, registrado no Cartório do 1° Ofício de Registro de Imóveis de Barra do Corda (MA), possuindo 3,6 ha como área de benfeitorias (estradas). Contudo, tratase de questão ventilada exclusivamente nesta instância revisora, impossibilitando que seja oferecida à apreciação do Colegiado, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. Ademais, não se constata existir pedido expresso para a consideração desta área, limitandose em discorrer sobre as áreas de reserva legal, de preservação permanente e as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de revisar as informações na declaração do exercício de 2008, passando a constar as seguintes áreas, referentes ao imóvel rural com cadastro fiscal sob o n° 1.661.6359: (a) área de preservação permanente, no total de 67,3212 ha; (b) área remanescente coberta por florestas nativas, no total de 1.683,5874 ha. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 163 20 Esclareço que a unidade da RFB responsável pela execução do acórdão deverá proceder ao recálculo do imposto, segundo a legislação vigente à época dos fatos geradores, devendo a multa de 75% (setenta e cinco por cento) incidir sobre o saldo remanescente apurado. É como voto. (assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar de seu voto na parte em que acolheu a comprovação da existência de área remanescente coberta por florestas nativas para fins de exclusão da área tributável do imóvel rural. A respeito dessa matéria controvertida, reproduzo excerto do voto do I. Relator: (...) Dessa forma, pela análise da documentação acostada aos autos, as respectivas áreas de preservação permanente, reserva legal, cobertas por florestas nativas, foram devidamente comprovadas pelo Laudo Técnico (fls. 55/71), cuja informação encontra respaldo, ainda, nos registros cartorários de fls. 47, 54 e 84. Ressalto, contudo, que apesar de entender que o Laudo Técnico (fls. 55/71) acostado pelo contribuinte não permite que se chegue à conclusão no sentido de que a área coberta de florestas nativas esteja em estágio médio ou avançado de regeneração, condição para a exclusão dessa área do montante tributável por força do art. 10, § 1°, inc. II, “e”, da Lei n° 9.393/96, esse aspecto passou ao largo da decisão de piso, que apenas condicionou a comprovação da área mediante a apresentação do Ato Declaratório Ambiental. Dessa forma, entendo que a lide recursal está adstrita à fundamentação posta, não podendo a instância recursal inovar no julgamento, surpreendendo a parte em relação a aspecto do qual não se defendeu, em ofensa aos princípios do contraditório, a ampla defesa e segurança jurídica. (...) Pois bem. Na origem, a revisão da declaração pela fiscalização foi motivada pela ausência de comprovação das áreas declaradas pelo contribuinte como ocupadas com reflorestamento e para fins de exploração extrativa, o que resultou na alteração de ofício dos dados e exigência de imposto suplementar. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 164 21 Por ocasião do contencioso administrativo, o recorrente não se insurgiu contra tal aspecto da declaração, mas sim afirmou que havia deixado de incluir tempestivamente na declaração anual as áreas de preservação permanente, reserva legal e coberta de florestas nativas do seu imóvel rural, calculando o imposto como se não houvesse áreas isentas. Nessa hipótese, em que o contribuinte alega erro no preenchimento da declaração, recai sobre ele todo o ônus de provar o fato constitutivo do seu direito. Em outros dizeres, cabe ao interessado demonstrar através de documentação hábil e idônea a existência das áreas, bem como o cumprimento dos requisitos legais para a exclusão da tributação. Para os imóveis rurais nos quais há áreas cobertas por florestas nativas, prescreve o art. 10, § 1º, inciso II, alínea "e", da Lei nº 9.393, de 1996: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: (...) e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (...) Como se observa do texto da Lei nº 9.393, de 1996, as áreas cobertas de florestas nativas são passíveis de exclusão do montante tributável por força de lei, desde que comprovado o estágio médio ou avançado de regeneração. Todavia, como assinala o I. Relator em seu voto, o laudo técnico acostado aos autos não permite inferir que a área coberta por florestas nativas encontrase em estágio médio ou avançado de regeneração, tal qual exigido em lei. Não se trata de inovação no julgamento em instância recursal, porque a área coberta por florestas nativas não havia sido declarada e, portanto, não foi objeto de avaliação pela autoridade fazendária. Por isso, tampouco há que se falar em alteração de critério jurídico do lançamento fiscal. Ao interpor o recurso voluntário, toda a matéria correspondente foi devolvida à apreciação pelo órgão de segunda instância administrativa. Na falta de comprovação pelo contribuinte que a área do imóvel cumpre os requisitos legais, inviável a sua exclusão para fins de redução do imposto devido. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10320.721701/201269 Acórdão n.º 2401005.568 S2C4T1 Fl. 165 22 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para considerar tão somente uma área de preservação permanente no total de 67,3212 ha. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
