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Numero do processo: 10675.003303/2004-37
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004
LANÇAMENTO POSTERIOR AO ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. APURAÇÃO DE PREJUÍZO. POSSIBILIDADE.
Nos casos de falta de recolhimento de diferenças de estimativas mensais de IRPJ relativas a períodos de apuração anteriores à Lei nº 11.488/2007, é cabível a cobrança da multa isolada após o término do ano-calendário, desde que tais diferenças não decorram de infração que tenha dado causa à redução do IRPJ apurado no balanço de encerramento do mesmo ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.791
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Luis Flávio Neto, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Julgado dia 13/09/2018, no período da tarde.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
(assinado digitalmente)
Flavio Franco Corrêa - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 LANÇAMENTO POSTERIOR AO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. APURAÇÃO DE PREJUÍZO. POSSIBILIDADE. Nos casos de falta de recolhimento de diferenças de estimativas mensais de IRPJ relativas a períodos de apuração anteriores à Lei nº 11.488/2007, é cabível a cobrança da multa isolada após o término do anocalendário, desde que tais diferenças não decorram de infração que tenha dado causa à redução do IRPJ apurado no balanço de encerramento do mesmo anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora) e Luis Flávio Neto, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Flávio Franco Corrêa. Julgado dia 13/09/2018, no período da tarde. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 33 03 /2 00 4- 37 Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 9101003.791 CSRFT1 Fl. 400 2 Flavio Franco Corrêa Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei e Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de processo originado por auto de infração para cobrança de multa isolada calculada sobre estimativas mensais de IRPJ e CSLL, quanto aos meses de fevereiro a dezembro de 2000, janeiro, março, abril, maio, junho, julho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2001, todos os meses de 2002 e 2003, janeiro a março de 2004. A multa foi imposta no percentual de 75%. Consta do auto de infração (fls. 7): Durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas divergências entre os valores declarados e os valores escriturados gerando falta de pagamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica, incidente sobre a base de cálculo estimada em função da receita bruta e acréscimos e/ou balanços de suspensão ou redução, no período de 01/2000 a 03/2004. Nos meses 01/2000, 01 e 02/2001, conforme informado nas DIPJ correspondentes, a apuração da estimativa foi feita com base na Receita Bruta e Acréscimos, porém no mês 01/2001 não houve o recolhimento; no restante do período, embora conste nas DIPJ como apuração com base em balanços/balancetes de suspensão ou redução, esses não foram apresentados. Em razão da insistência desta fiscalização para que o contribuinte apresentasse os referidos balanços/balancetes informou seguir a orientação do seu contador/advogado. Advogado esse que já havia informado a esta fiscalização que não apresentaria os balanços/balancetes solicitados por não ser interessante para seu cliente e respondeu em 17/08/2004, assim: "...Relativamente a apresentação de Balancetes o contribuinte esclarece que foram apresentados balancetes acumulados de 2000 a 03/2004, onde a fiscalização possui os elementos suficientes a apuração da redução ou suspensão do imposto e contribuição eventualmente devidos, justificando assim, a falta de recolhimento de IRPJ e CSL" (...) Mediante isso, está sendo aplicada a multa regulamentar de 75% sobre os valores dos impostos não recolhidos IRPJ Estimativa Mensal, já que o contribuinte além de não cumprir a determinação legal de fazer os balanços/balancetes que pudessem comprovar o seu direito & suspensão ou redução do recolhimento, em tempo hábil, não o fêz também na oportunidade dada por esta fiscalização. Fl. 400DF CARF MF Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 9101003.791 CSRFT1 Fl. 401 3 O contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 237), acolhida em parte para redução ao percentual de 50%, conforme acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (fls. 305): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. Aplicase a multa isolada, quando a empresa, sujeita ao recolhimento por estimativa com base em balancete de suspensão/redução, não apresentar os balancetes nem recolher os valores devidos a titulo de antecipação, independente do resultado apurado ao final do anocalendário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Em face do principio da retroatividade benigna, reduzse o percentual da multa de oficio isolada para 50%, nos termos da nova redação do art. 44, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, promovida pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Sendo apresentado recurso voluntário pelo contribuinte (fl. 335), a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara deulhe provimento por maioria de votos, em acórdão cuja ementa se transcreve a seguir (fls. 334, acórdão 140200.903): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. É inaplicável a penalidade após o encerramento do período de apuração quando o contribuinte não apura tributo devido. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 15/02/2012 (fls. 367), que interpôs recurso especial em 23/02/2012 (fls. 368), sustentando divergência na interpretação da lei tributária quanto ao acórdão paradigma 10194858. O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção, conforme decisão parcialmente transcrita a seguir (fls. 205): Por sua vez, a recorrente aduz haver divergência de interpretação da lei tributária, haja vista o acórdão nº 10194.858, proferido pela Primeira Câmara do extinto Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 9101003.791 CSRFT1 Fl. 402 4 Primeiro Conselho de Contribuintes, que recebeu a seguinte ementa: (...) Da simples leitura das transcrições acima, constatase a divergência apontada pela recorrente, assistindolhe razão. Enquanto o acórdão guerreado fixou a ilegitimidade da exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, no paradigma acostado pela recorrente decidiuse pela possibilidade do lançamento, em face de expressa imposição legal. (...) Com fundamento nas razões acima expendidas, nos termos dos art.18, III, c/c art.68, §1º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ADMITO o recurso especial interposto. O contribuinte foi intimado em 13/11/2013 (fls. 387), e em 18/11/2013, sem que tenha apresentado contrarrazões ao recurso especial. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Adoto as razões do Presidente de Câmara para conhecimento do recurso especial, na forma autorizada pelo artigo 59, §1º, da Lei nº 9.784/1999. Passo a enfrentar o mérito. O caso dos autos é de exigência de multa quanto às estimativas mensais, quando o contribuinte apurou prejuízo e bases negativas ao final do anocalendário. A impossibilidade de cobrança da multa sobre estimativas mensais tem por principal fundamento a lógica empregada na sistemática de antecipação por estimativas. Isto porque as estimativas mensais não configuram obrigação tributária autônoma, mas mera técnica de arrecadação. A esse respeito, destaquese artigo 231, do RIR/1999 (Decreto 3.000/1999), que estabelece a compensação dos valores antecipados a título de estimativa mensal ao final do ano: Art. 231. Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor (Lei nº 9.430, de 1996, art. 2º, § 4º): (...) IV do imposto pago na forma dos arts. 222 a 230. (grifamos) De acordo com o dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda, a pessoa jurídica que tenha recolhido estimativas poderá, ao final do anocalendário, deduzilas do saldo a pagar do IRPJ. Tal mecanismo demonstra a relação inafastável entre as estimativas mensais e Fl. 402DF CARF MF Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 9101003.791 CSRFT1 Fl. 403 5 a apuração ao final do período, confirmando que não se tratam de relações jurídicas tributárias autônomas, mas apenas uma técnica de arrecadação. Considerando a natureza de mera antecipação da estimativa, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais consolidou entendimento sobre a impossibilidade de sua cobrança após o encerramento do ano calendário, conforme Enunciado n. 82 de sua Súmula: Súmula CARF 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas. O E. Superior Tribunal de Justiça também decidiu que as estimativas mensais são meras antecipações do fato gerador, que ocorre ao final do período de apuração, verbis: É firme o entendimento deste Tribunal no sentido de que o regime de antecipação mensal é opção do contribuinte, que pode apurar o lucro real, base de calculo do IRPJ e da CSLL, por estimativa, e antecipar o pagamento dos tributos, segundo a faculdade prevista no art. 2º da Lei nº 9.430/96. (Superior Tribunal de Justiça, AgRg no Resp 694.278, Rel. Min. Humberto Martins, DJ de 03/08/2006) Nesse contexto, seria legítima a cobrança de multa isolada sobre estimativas mensais se efetuado o lançamento antes do encerramento do anocalendário, o que não ocorreu no caso do presente processo administrativo. São precisas as considerações de Paulo de Barros Carvalho tratando da relação indissociável entre o tributo pago ao final do ano e a estimativa mensal: Prescreve o art. 2º da Lei n. 9.430/969 que a pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento dos tributos, em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada. Feita essa opção, temse recolhimento do IRPJ e da CSLL por estimativa, em que os valores devidos a título de imposto e de contribuição são determinados mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais previstos em lei. Essa opção não exclui, contudo, a obrigação de calcular a renda e o lucro líquido no final do anocalendário, e de efetuar o pagamento dos tributos sobre ele incidentes. O §3º do dispositivo acima transcrito não deixa dúvidas a respeito do assunto (...). E o §4º segue a mesma linha de raciocínio, ao estipular que o tributo pago no regime de estimativa deve ser deduzido para fins de determinação do saldo de tributo a pagar. Em sentido semelhante, também, é a disposição do art. 6º da Lei n. 9.430/96, a qual permite entrever a indissociabilidade do tributo pago no regime de estimativa e aquele devido ao final do anocalendário. (...) Os referidos preceitos legais nos levam a concluir que o regime de estimativa não veicula tributos distintos do IRPJ e da CSLL Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 9101003.791 CSRFT1 Fl. 404 6 anuais. Tratase de técnica de tributação que implica antecipação do recolhimento de valores presumidamente devidos em 31 de dezembro de cada ano. Por isso, na apuração dos tributoos no último dia do anocalendário (critério temporal do IRPJ e da CSLL) devem ser consideradas as quantias antecipadas e, ainda, se estas forem superiores ao débito efetivo, cabe sua restituição (Derivação e Positivação no Direito Tributário, Volume 1, 2ª edição, São Paulo, Noeses, 2014, fl. 289/290) O artigo 44, IV, §1º, IV, da Lei nº 9.430/1996 tinha a seguinte redação anteriormente à Medida Provisória nº 351, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488/2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; Antes disso, a Medida Provisória nº 303/206, de 29/06/2006, perdeu a eficácia, mas também teve previsão de modificação do citado artigo 44. De toda forma, o caput do artigo 44 explicitava que apenas seria exigida a multa isolada no caso de "diferença de tributo ou contribuição". O §1º, inciso IV autorizava a cobrança isolada destas multa, ainda que apurado prejuízo fiscal, mas a interpretação do parágrafo deve se conformar ao caput e, assim, só poderia ser aplicada a citada multa isolada caso houvesse lançamento antes do final do anocalendário. Do contrário, indevida a cobrança de multa isolada sobre estimativas mensais. Nesse sentido, a Turma Ordinária deu provimento ao recurso voluntário, conforme voto condutor: Verificase, de início, que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1º, inciso IV, da Lei 9.430/96, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 404DF CARF MF Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 9101003.791 CSRFT1 Fl. 405 7 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” (...) § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazê lo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente;” (Grifei) (...) Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. (...) Portanto, a multa somente pode ser aplicada após o encerramento do ano calendário, estando rigorosamente de acordo com a lei; ou seja, desde que não se apresente concomitante com a multa proporcional de oficio sobre o tributo devido e que, evidentemente, seja apurado saldo de tributo a pagar no final do período de apuração. O acórdão recorrido não merece reparos. Assim, voto por negar provimento ao recurso especial da Procuradoria para afastar a exigência de multa isolada calculada sobre estimativas mensais. Conclusões Por tais razões, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro Flavio Franco Corrêa, Redator designado. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 9101003.791 CSRFT1 Fl. 406 8 Com as devidas vênias, ouso divergir. De início, é preciso destacar que não se trata de concomitância entre a multa isolada e a multa de ofício proporcional. Portanto, não é o caso de aplicação do entendimento consolidado na Súmula CARF nº 105. Em seguida, agora localizando os fatos no tempo, cabe assinalar que o pagamento do imposto por estimativa, instituído pela Lei nº 9.430/1996, é uma alternativa à apuração trimestral, prevista na mesma lei. Feita a opção pelo recolhimento do IRPJ por estimativa, o Estado aguarda a entrada desses recursos. Por isso, o contribuinte pode ser autuado com a imposição de uma multa isolada, caso não observe o dever de efetuar o recolhimento das estimativa sem o amparo de balanço de suspensão ou redução previsto no artigo 35 da Lei nº 8.981/1995, a teor do disposto na redação original do inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, verbis: "Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; [...] § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: [...] IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; " Percebase que o inciso IV, § 1º, do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, vigente à época, estabelecia, em sua redação original, que a multa isolada decorrente da falta ou insuficiência do recolhimento de estimativas também deveria ser aplicada, ainda que a pessoa jurídica viesse a apurar prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL. Isso, por si só, já denotava que a multa isolada em lume poderia ser aplicada mesmo depois de levantado o balanço de encerramento do anocalendário, pois sua incidência não dependia do resultado fiscal apurado nesse mesmo balanço. A opção pela apuração anual já implicava submissão às normas determinantes do recolhimento por estimativa. Nesses termos, não se admite a alegação de que o contribuinte, sem o amparo de balanço de suspensão ou redução, não se sujeita à multa isolada após o encerramento do anocalendário, tendo em conta que dessa proposição resultaria inegável desestímulo à realização de recolhimentos mensais apurados sobre bases de cálculo estimadas, colocando em risco o fluxo de caixa da União, que é dependente tanto da efetivação da antecipação de tributos como da efetivação de recolhimentos definitivos de tributos federais. Todavia, impende considerar o advento da Lei nº 11.488/2007, que reduziu a multa em questão ao percentual de 50%, verbis: Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10675.003303/200437 Acórdão n.º 9101003.791 CSRFT1 Fl. 407 9 “Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: [...] b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.” Nesses termos, observando a infração no tempo e não se verificando, nos autos, justificativa fundada em balanços/balancetes de suspensão ou redução, mostrase procedente a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ, consoante o artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, já com a redução para 50% prevista na Lei nº 11.488/2007, em decorrência do preceito insculpido no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Conclusão: em face do exposto, devese conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional para, no mérito, darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Fl. 407DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.961000/2008-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3401-001.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.158-35/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste-se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifeste-se em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Marcos Antonio Borges (suplente convocado em substituição a Mara Cristina Sifuentes, ausente justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 61 00 0/ 20 08 -3 9 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.961000/200839 Resolução nº 3401001.538 S3C4T1 Fl. 121 2 Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP), invocando crédito de COFINS, indeferido por meio de Despacho Decisório Eletrônico (DDE), por estar o pagamento indicado como indevido sendo utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível. Na Manifestação de Inconformidade, alega a empresa que: (a) realizou exportação de serviços que resultaram em ingresso de divisas para o Brasil, classificadas como receitas decorrentes de exportação, documentadas em nota fiscal, amparada em contrato de câmbio (não incidindo PIS e COFINS sobre tal rubrica, conforme art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e art. 6o, II da Lei no 10.833/2003); (b) realizou apuração mensal da COFINS sobre o total de suas receitas, ou seja, incluiu indevidamente na base de cálculo as referidas receitas de exportação; (c) o erro foi verificado pela empresa posteriormente, o que ensejou o pedido, tendo sido retificada a DCTF após o Despacho Decisório, o que ensejou o não reconhecimento do crédito e a não homologação da compensação; e (d) em nome da verdade material, requer que seja reconhecido o crédito. Como prova do direito ao crédito, junta Nota Fiscal, Contrato de Câmbio e DCTF retificadora e DCOMP. A decisão de primeira instância foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos. (a) os valores declarados em DCTF constituem confissão de dívida, conforme art. 5o do DecretoLei no 2.124/1984; e (b) a compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário, não bastando a documentação apresentada. Após ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta Recurso Voluntário, basicamente reiterando as razões externadas em sua manifestação de inconformidade, e agregando que o simples indeferimento, pela DRJ, ao invés da conversão em diligência, afrontou a verdade material, principio prestigiado pelo CARF, e que juntou ao recurso ainda o Livro Diário do Exercício correspondente ao período (cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça), para comprovar a entrada das divisas oriundas da exportação e serviços, única receita do período de apuração, comprovando seu direito. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10880.961000/200839 Resolução nº 3401001.538 S3C4T1 Fl. 122 3 Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.521, de 22 de outubro de 2018, proferida no julgamento do processo 10880.914766/200824, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.521 "O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403 002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10880.961000/200839 Resolução nº 3401001.538 S3C4T1 Fl. 123 4 “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, não houve a correção da DCTF para constar o valor efetivamente devido, mas que o crédito efetivamente existe, e deriva de cômputo incorreto de receita de exportação de serviços, documentadas em nota fiscal, e amparadas em contrato de câmbio. E junta, além de nota fiscal e contrato de câmbio, a DCTF retificadora do primeiro trimestre de 2000, transmitida em 02/09/2008, e DCOMP correspondente. Observando a nota fiscal de serviços (fl. 23), percebese trata de “serviço de representação comercial prestado no mês”, a empresa estrangeira, e que o valor corresponde ao do contrato de câmbio (R$ 12.369,00 – US$ 7.000,00). A DRJ, entendendo ser a documentação apresentada insuficiente para provar o alegado pela postulante ao crédito, indefere o pleito, chegando a aclarar, exemplificativamente, quais seriam as possíveis provas de amparo ao crédito: “...nos pedidos de repetição de indébitos e de compensação é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. A compensação com utilização de crédito correspondente a pagamento indevido ou a maior condicionase à demonstração da certeza e da liquidez do direito, impondose a apresentação de documentação hábil e idônea, bem como da escrituração contábil e/ou fiscal, do contribuinte, a comprovar a efetiva natureza da operação para o fim de se conferir a existência e o valor do indébito tributário (...) Portanto, diante desta situação, não basta o contribuinte anexar aos autos apenas a cópia da Nota Fiscal de Serviços e o Contrato de Câmbio alegando que tais documentos comprovam o erro ocorrido no preenchimento da DCTF, ou seja, que realizou a apuração mensal do COFINS sobre o Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10880.961000/200839 Resolução nº 3401001.538 S3C4T1 Fl. 124 5 total de suas receitas, incluindo indevidamente na base de cálculo desta contribuição os valores recebidos a título de serviços prestados a pessoa jurídica domiciliada no exterior (...). Para que se faça valer o princípio da verdade material, no caso em tela, é imprescindível que se prove que o que foi anteriormente declarado, confessado e recolhido não condiz com a realidade, e mais, que o novo valor traduz fielmente o que seja verdadeiramente devido ante a legislação tributária aplicável, acompanhado, no caso, da correspondente documentação hábil e idônea com a devida escrituração fiscal e/ou contábil, o que não restou demonstrado nos autos. Portanto, os documentos por ela juntados e a apresentação de DCTF retificadora, neste momento do rito processual, após o despacho decisório, não são suficientes para fazer prova em favor do contribuinte, existindo a necessidade da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, e dos documentos que lhe dão sustentação, (...)” Entendemos que poderia a empresa, em sede de recurso voluntário, agregar a documentação suscitada pelo julgador de piso, em nome da verdade material, e com fundamento no próprio comando do art. 16, § 4o, “c”, do Decreto no 70.235/1972, principalmente pelo fato de até o julgamento de piso não ter havido efetiva análise fiscal humana da documentação, mas mero cotejo massivo e eletrônico de informações, por sistema informatizado. E a empresa, em seu recurso voluntário, apesar de considerar que a documentação apresentada à instância de piso era suficiente para o deferimento do crédito, e a consequente homologação da compensação, porque as divisas oriundas da exportação foram suas únicas receitas no período, parece mover esforço, ainda que mínimo, para juntar aos autos o Livro Diário do Exercício de 2000 (ao menos cópia ilegível com algumas folhas de pontacabeça, às fls. 86 a 93). O fato de a exportação de serviços espelhar a única receita no período, e de terem sido apresentados nota fiscal e contrato de câmbio em valores compatíveis, aliado à juntada de Livro Diário (ainda que ilegível e com páginas de pontacabeça, provavelmente por problemas de digitalização), e à inexistência de análise humana do direito de crédito nas instâncias anteriores, faz com que tenhamos cautela na análise do contencioso, movida pela dúvida em relação ao tema principal em discussão. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10880.961000/200839 Resolução nº 3401001.538 S3C4T1 Fl. 125 6 aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”1 Ao que tudo aponta, resta clara, ainda que tímida, nos autos, a vontade de colaborar por parte da empresa, que, por mais que entendesse suficientes os documentos apresentados na instância de piso, curvouse ao que entendeu julgador de piso também como importante, embora não tenha sido bem sucedida a digitalização do documento juntado (Livro Diário). Portanto, entendo que se faz necessária análise, em sede de diligência, da documentação apresentada, à luz da argumentação da recorrente, de que as referidas receitas, amparadas em nota fiscal e contrato de câmbio, seriam efetivamente decorrentes de exportação de serviços, para verificar se os valores correspondentes são compatíveis com a retificação efetuada (ainda que a destempo) da DCTF. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifestese, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, , para que a unidade preparadora da RFB: (i) confirme se a documentação (nota e contrato de câmbio) apresentada corresponde efetivamente a prestação de serviços, nos termos do art. 14, II da Medida Provisória no 2.15835/2001; do art. 5o, II da Lei no 10.637/2002; e do art. 6o, II da Lei no 10.833/2003) e se guarda correspondência com a escrituração da recorrente; (ii) ateste se a retificação da DCTF (ainda que efetuada a destempo), no caso, versa exclusivamente sobre a receita registrada em tais documentos (nota fiscal e contrato de câmbio), e é compatível com a documentação apresentada; (iii) manifeste se, conclusivamente, a partir da análise empreendida nos itens anteriores, sobre a efetiva existência e, em caso positivo, sobre a quantificação dos créditos pleiteados e sua suficiência à 1 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10880.961000/200839 Resolução nº 3401001.538 S3C4T1 Fl. 126 7 compensação demandada; e (iv) elabore relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados, dando ciência à recorrente para que esta, desejando, manifestese em 30 dias, prazo após o qual os autos devem retornar a este CARF, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.003027/2003-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO - RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO — PRESSUPOSTOS - As obscuridades, dúvidas, omissões ou contradições contidas no acórdão podem ser saneadas por meio de Embargos de Declaração, previstos no art 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
Embargos Acolhidos em Parte
Numero da decisão: 1202-000.341
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos opostos para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão n° 108-09478, da sessão de 08/11/2007, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: NELSON LOSSO FILHO
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Embargos Acolhidos em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos opostos para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no Acórdão n° 108-09478, da sessão de 08/11/2007, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. EDITADO EM: 11 NOV 2oin Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Nelson Loss° Filho, Carlos Alberto Donassolo, Valéria Cabral Géo Verçoza, Darei Mendes de Carvalho Filho, Nereida de Miranda Finamore Horta e Orlando Jose Gonçalves Bueno, Relatório Após o despacho da Presidente desta Colenda Câmara, retornam os autos para exame do pedido formulado pelo embargante, com base no art, 57 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, denominado de "Embargos de Declaração", por entender o peticionário existir omissão e contradição no Acórdão n" 108-09.478, prolatado na sessão de 08 de novembro de 2007, apresentando em seu arrazoado de fls. 576/591 o seguinte: "Alexandre Gontijo Guerra, Calmo Ernany Araujo e Alberto Alves de Sousa, litisconsortes passivos na relação jurídico- tributária com a Fazenda Nacional nos autos, vem interpor embargos de declaração.. Já na porta de entrada, quando o i. Conselheiro-Relator na sessão de julgamento, ao lazer um apertado resumo da quizila .fiscal, asseverou que embora os recorrentes tenham levado a efeito vários expedientes a serem juntados aos autos do processo — aduzindo razões e documentos ao recurso voluntário — tão- somente iria apreciar o primeiro, uma vez que os demais excediam ao normal. Todos os expedientes juntados em momento algum estavam em desacordo com o RICC e a Lei n" 9,784/99, porquanto foram protocolados antes da publicação da pauta de julgamento, logo, os autos ainda estavam em poder do Conselheiro-Relator. O RICC então vigente não fazia qualquer limitação à quantidade de razões aditivos ao recurso poderiam ser oferecidas antes do recurso voluntário constar de julgamento, logo, nada de anormal ou contrário à lei aconteceu, como entendeu o i. Conselheiro- Relatar Em todas as oportunidades que se apresentaram aos embargantes, de forma exaustiva foi sustentado que o Sr. Masil Torres Pessoa sempre esteve à gerência da empresa — no período de janeiro/I988 a dezembro/2002 — e que o mesmo, sem qualquer exceção, assinou todos os documentos (públicos e particulares) que comprovam sua ampla, geral e irrestrita gestão à frente dos negócios. Em apertado resumo dos excertos do Relatório transcritos, a matéria posta sob os presentes deciaratórios restringe-se, na primeira parte, à constituição de provas trazidas pelos apelantes — omitidas no v. aresto embargado ou com conclusões contraditórias em si mesmo consideradas — que nitidamente prejudicaram os interesses dos' litisconsortes, Acontece que o julgador não pode omitir a existência — no mínimo no Relatório do aresto — quais as provas (documentais, diretas, testemunhais, indiretas, etc) trazidas pelas duas partes, por respeito ao equilíbrio processual. O destinatário da prova não são as partes ou o julgador, mas sim processo. Aliais, as provas (materiais e testemunhais) trazidas pela Fazenda 2 Processo n° I 0380 003027/200.3-3 I S1-C2T2 Acórdão n O 1202-00341 Fl 2 hzipositiva não só constam do Relatório e Voto, como firam utilizados como elementos de convicção do i.. Conselheiro- Matar. Consoante o Relatório do v. aresto embargado, destaca-se: 'Após a interposição do recurso, .foram juntados aos autos aditamentos, que trazem nzais fundamentos a respeito da negativa da responsabilidade imputada às pessoas físicas e anexados documentos.' Estes anexados documentos .foram provas materiais, objetivas, documentais, que comprovam de forma irrespondível que o Sr Ma,sil Torres Pessoa sempre esteve à .frente dos negócios da sociedade — como sócio majoritário com 95% do capital social -, mas infelizmente não foram sequer mencionadas no v. aresto embargado. É consabido que matéria de prova não está sujeita à revisão por instância superior, como também se sabe que não pode ser omitida sua existência, no mínimo, no relato da decisão embargada. À evidência, o v. aresto embargado ao omitir tais provas cerceou o direito de defesa dos embargantes, uma vez que não deu conhecimento ao Colegiado que nos autos as mesmas existiam — e contra provas não há argumentos, desde que não sejam inquinadas de ilegítimas, o que não ocorreu no caso — que demonstram de forma irrespondível que o Sr. Masil Torres Pessoa durante todo período sob exigência fiscal nunca se ausentou de Fortaleza; como ,fiz questão de qfinnar, ao contrário, a autoridade lançadora, a autoridade julgadora e o i. Conselho-Relator. Quanto aos instrumentos públicos de procuração, o v,. aresto embargado também omitiu — embora mencionando como prova da gerência de todos os enzbargantes nos negócios da pessoa jurídica durante o período sob ação fiscal, que tão-somente o Sr, Alberto Alves de Sousa detinha procuração em 1998 e, aquelas outorgadas em 13/12/01 ,foram às três pessoas. Quer-se dizer as procurações, se fosse o caso, poderiam produzir efeitos a partir da data da outorga e se isto .fosse dado conhecimento ao Colegiada seguramente a conclusão seria de que os Srs. Alexandre Gontijo Guerra e Celz?zo Ernany Araújo, não poderiam, jamais, responder pelos fatos geradores ocorridos antes de tal data. Neste mesmo rumo aconteceu quanto às fichas de autógrafos dos Bancos — 'os Cartões de Assinatura Procurador de/is. 146, 147, 166 e 167'— as quais o v aresto embargado diz que as mesmas fazem prova de que os três embargantes, de fato, administravam os negócios financeiros da pessoa jurídica. O voto condutor do v. aresto embargado também omitiu fato importante. Que o Sr, Alberto Alves de Sousa e Celmo Eivam; Araújo assinaram as mesmas em dezembro/2001 e, quanto ao Sr.. Alexandre Gontijo Guerra sequer existe tal documento bancário, 3 logo, os dois primeiros até poderiam movimentar as conta bancárias a partir daquela data e o último, jamais. Quanto à outorga das procurações, públicas são atos que exigem forma prescrita em lei — é um documento jure et de jure — o Sr. Masil Torres Pessoa esteve perante o tabelião do Cartório de Registro de Títulos e Documentos da Comarca de Fortaleza/CE em dezembro de 2001, como também suas assinaturas que constam das fichas de autógrafos bancárias são de 2001 e 2002, logo sempre esteve administrando os negócios da pessoa jttridica Por fim, na medida em que o voto condutor do v. ares-to embargado louvou-se exclusivamente no Termo de Apuração de Responsabilidade Solidária — quando assevera que o patrimônio do embargante Alexandre Gontijo Guerra 'é incompatível com seu patrimônio declarado, nada desprezível, constando de sua declaração de bens, imóvel considerado de ótimo padrão na cidade de Fortaleza', incorreu em contradição no confronto da prova com a conclusão.. Então, .fazendo as contas, do total das . fontes (RS378.433,49) subtraindo-se o total dos usos (R$373.681,91), 1-estou ainda uni saldo positivo (disponível) de R$4.751,58. Acresce-se que, os dois veículos trazidos como patrimônio do embargante Alexandre GOMO Guerra — conforme relatório do Renavam à fl. 136- constam em nome de sua esposa (que declara em separado) e são do ano de fabricação de 1998 e 2000, logo, não se prestam para conduzir ao juízo que foram adquiridos no ano-calendário de 2001, o qual está sob exame nos presentes autos O apartamento que a denúncia fiscal afirma ser de ótimo padrão foi adquirido com ,financiamento do SFH — como constata da DIPF — e por isto não é de propriedade do Sr Alexandre Ganido Guerra, Nesta ordem, inexiste a malsinada incompatibilidade entre os rendimentos e os gastos no ano-calendário de 2001 e, ao adotar esta conclusão, o v aresto embargado se contradisse no confronto da asseveração fiscal que foi tomada como verdade ab,sohaa, com os números insertos nos documentos trazidos pela própria fiscalização (XIV 2002/2002)." No julgamento do mérito, deliberou a extinta Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: "Iniciado o julgamento em 14/06/2007, participaram da votação da preliminar de conhecimento dos recursos interpostos por pessoas físicas quanto à responsabilidade tributária os Conselheiros Nelson Lósso Filho (Relator), Karem Jureidini Dias, 'vete Malaquias Pessoa Monteiro, Margil Mourão Gil Nunes, Orlando José Gonçalves Bueno, José Carlos Teixeira da Fonseca, José Henrique Longo e Mário Sérgio Fernandes Barroso, deliberando, pela maioria dos votos, CONHECER dos recursos interpostos. Vencidos os Conselheiros Nelson Lósso Filho (Relator), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e Mário Sérgio Femandes Barroso, Designado o Conselheiro Margit Mourão Gil Nunes para redigir o voto vencedor. Prosseguiu o julgamento do mérito em 08/11/2007, com a participação dos Conselheiros Nelson Lósso Filho, Margil Mourão Gil Nunes, Amaud da Silva (Suplente Convocado), Orlando José Gonçalves Buena, Mariam Seif, Cândido Rodrigues Neuber, Karem 4 Processo n" 10380 003027/2003-31 SI-C2T2 Acórdão n " 1202-00341 Fl 3 •ureidini Dias e Mário Sérgio Fernandes Barroso, que proferiram a seguinte decisão: por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso voluntário. Quanto à imputação da responsabilidade tributária, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias e Orlando José Gonçalves Buena Fará declaração de voto o Conselheiro Orlando José Gonçalves Buem Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Carlos Teixeira da Fonseca", como consta registrado naquela ata de julgamento, traduzida na folha de rosto do acórdão embargado, fls. 547/554.. É o Relatório 5 Voto Conselheiro Relator, Nelson Loss° Filho Vieram-me os autos em atendimento ao despacho da Presidente da 2" Câmara da ia Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, para que seja examinado o pedido manifestado pelo embargante às fls. 576/591, que vislumbrou ter ocorrido omissão e contradição no voto, conforme consta do Relatório. Acolho em parte os embargos opostos em virtude de restar configurada a omissão apontada. Não considero como contradição o que os embargantes indicaram existir no acórdão, a comparação entre a capacidade financeira dos sócios de direito e de fato. Pretenderam eles contrapor os fimdamentos expostos na decisão prolatada pela extinta Oitava Câmara, objetivando rediscutir questão de mérito. Os embargos de declaração não são o remédio adequado para tal situação, Caso não concordasse com o mérito do julgamento e constatasse divergência com decisão proferida por outra Câmara, tinha a Embargante à sua disposição a possibilidade de submissão da controvérsia ao exame da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em conformidade com o Processo Administrativo Fiscal, Deve a embargante orbitar dentro dos limites determinados para a interposição de Embargos de Declaração, sua admissibilidade jamais poderá implicar em revisão do decidido no julgamento de recurso por este Colegiado. Trago à colação, por pertinente, julgado da l a Turma do Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial 15.774-0-SP-Edcl, em que foi relator o Min. Humberto Gomes de Barros: "Não pode ser conhecido recurso que, sob o rótulo de embargos declaratórios, pretende substituir a decisão recorrida por . outra Os embargos declaratórios são apelos de integração - não de substituição. " (DJU de 22/12/93, pag, 24.895) Não cabe ao julgador em seu voto esgotar a análise de todos os parágrafos apresentados no recurso, principalmente aqueles de caráter condicional, se já formada a sua livre convicção. O Professor Cândido Rangel Dinamarco, ao discorrer sobre o Princípio da Persuasão Racional do Juiz, confirma a livre formação da convicção do julgador: "Tal princípio regula a apreciação e a avaliação das provas existentes nos autos, indicando que o ju& deve formar livremente sua convicção." (in "Teoria Geral do Processo", Ed. Malheiros, 1.4" Edição, 1998, p, 67) Da mesma forma entendem nossos Tribunais Superiores, como pode ser observado pelas ementas dos julgados a seguir: t, Processo o" 10.380 003027/2003-3 I S1-C2T2 Acórdão o " 1202-00341 Fl 4 "PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXT STÊNCIA DE OMISSÃO NO ACÓRDÃO. REEXAME DE PROVA. SÚMULA N" 7/STJ. (Omissis) 3, O não acatamento das argumentações deduzidas no recurso, não implica em cerceamento de defesa, posto que, ao julgador, cumpre apreciar o tema de acordo com o que reputar atinente à lide, 4. Não está obrigado o magistrado a julgar a questão posta a seu exame de acordo com o pleiteado pelas partes, mas sim, com o seu livre convencimento (art. 131, do CPC), utiliz.ando-se dos fatos, provas, jurisprudência, aspectos pertinentes ao tema e da legislação que entender aplicável ao caso concreto. (01,11ssi,$) (STJ — Primeira Turma — Rel. Min.. José Delgado Embargos de Declaração em Agravo Regimental em Agravo de Instrumento n" 304. 754/A/IG — RI 12.0.2.2001)" 'PROCESSUAL CIVIL. ACÓRDÃO OMISSO SOBRE O INVOCADAS NO RECURSO DE APELAÇÃO, ' AMARGOS DE DECLARAÇÃO. VICIO INEXISTENTE COMPLEMENTAÇÃO DA APOSENTADORIA. TETO SALARIAL AFASTADO POR DECISÃO IRRECORRIDA. PRECLUSÃO 1. o Juiz deve se pronunciar sobre todos os temas controvertidos da causa, não está obrigado, entretanto, a responder ponto a ponto, todas as alegações' das partes, que se irrelevantes podem ser repelidas implicitamente. Ofensa ao CPC, art. 535, II, que não se caracteriza. (Omis,sis) (STJ — Quinta Turma — Rel. Min_ Edson Migai — Recurso Especial n" 260 803/SP DJ 11.12.2000)" Cristalino que no direito processual brasileiro vigora o sistema do livre convencimento do julgador, não ficando ele adstrito a nenhum formalismo para decidir. Vejo que o posicionamento adotado na decisão do acórdão embargado foi resumido pela seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Colins Ano-calendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 CONHECIMENTO DE RECURSO INTERPOSTO POR PESSOAS VINCULADAS. Deve-se conhecer do recurso interposto por quaisquer pessoas vinculadas ao lançamento regularmente impugnado pelo sujeito passivo.. COFINS - LANÇAMENTO DECORRENTE - O decidido no .julgamento do processo matriz do Imposto de Renda Pessoa 7 Jurídica fiz coisa julgada no processo decorrente, no mesmo grau de jurisdição, ante a íntima relação de causa e feito entre eles existente. Preliminar rejeitada Recurso Voluntário Negado." No corpo do voto do acórdão do processo principal do IRRI, n° 108-09.477, os fundamentos apresentados estão assim descritos: "A exigência . fiscal foi dirigida à contribuinte Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda , que teve seu lucro arbitrado, gerando lançamentos tributários A responsabilidade solidária foi atribuída aos Srs. Alexandre Gontijo Guerra, Cehno Ernany Araújo e Alberto Alves de Sousa. Irresignados com essa imputação, alegam não ter relação alguma com a autuada, não sendo responsável pelos tributos por ela devidos O trabalho fiscal me convenceu do contrário. Os elementos levantados e juntados aos autos convergem para um mesmo ponto comum. a empresa autuada operava por ordem das pessoas indicadas como responsáveis,. Estes elementos são as Declarações e o Termo de diligência ,fiscal de lis:, 110 a 130, os Cartões de Assinaturas Procurador de fls. 146, 147, 166 e 167 e as Procurações de ,fls. 152 e verso, 153 e verso, 154 e verso e 163, 164 e 171 e verso, que demonstram a simulação perpetrada pelas pessoas físicas indicadas como responsáveis com o objetivo de omitir- receitas tributáveis, pela constituição de pessoa jurídica na qual os sócios de direito são interpostas pessoas. A . fiscalização levantou provas convincentes da vinculação das pessoas físicasindicadas São elas: 1- declarações dos sócios constantes no contrato social de que os 5/ S. Alexandre Gontijo Guerra, Cehno Ernany Araújo e Alberto Alves de Sousa eram de fato os administradores e dirigentes da empresa; 2- procurações públicas outorgadas pelo Sr, Masil Torres Pessoa, sócio de direito da pessoa jurídica, às três pessoas físicas para gerir a empresa, inclusive sua movimentação bancária, conforme procurações e cartões de assinatura bancária juntadas aos autos, no ano de 1998 e no ano de 2001; 3- dfalta de motivação para que os sócios de direito da empresa outorgassem poderes para as pessoas responsabilizadas gerissem os negócios da autuada; 4- outros indícios, pela comparação da capacidade financeira entre os sócios de fato e de direito da empresa. Por pertinente, transcrevo informações do Termo de Apuração da Responsabilidade Solidária de fls. 42/57, que bem 8 P: °cesso n" 10380 003027/2003-31 SI-C2T2 Acórdão " 1202-00.341 F I 5 fundamentam a caracterização da administração da autuada pelos responsabilizados:. "Diante de tudo o que foi apurado, para nós resta claro que as pessoas que .figuram como sócios no contrato social da empresa fiscalizada são seus sócios apenas de direito, mas não o são de fato. Estes senhores ao que tudo indica apenas emprestaram ou alugaram seus nomes para figurarem como sócios no contrato social da empresa fiscalizada, visando com isto encobrirem aqueles que são de fato seus verdadeiros sócios e que usufruem de seu resultado econômico e .financeiro („), Os "sócios de .fato" atuam em geral mediante procurações públicas outorgadas pelos "sócios filmais", através das quais lhe são conferidos os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a empre,sa. lii casu, todas as evidências conduzem à conclusão de que a empresa fiscalizada, na verdade, era dirigida pelos senhores Alexandre Gontijo Guerra, Cehno Ernany Araújo e Alberto Alves de Sousa. Com efeito, estes senhores detêm os mais amplos, gerais e ilimitados poderes para gerir e administrar a fiscalizada, por .força das procurações públicas outorgadas pelo Sr. Musil Torres Pessoa, através das quais o mesmo, na qualidade de sócio oficial da empresa, outorga poderes inclusive para movimentação de contas bancárias (docs..fls. 152/1.54, 163 e 171). Curioso é que estes senhores, em seus depoimentos, embora admitam atuarem na gerência ou na parte financeira da empresa, tentam fazer crer atuarem na condição de meros empregados ou prestadores de serviços, não justificando entretanto por que detinham aquelas procurações com tão amplos poderes e nem porque, se era o Sr. .11/1a,sil o sócio gerente da empresa, não estava ele mesmo à frente dos negócios. Os procuradores Alberto e Cehno possuem inclusive cartões de autógrafo (doc. fls. 146/148 e 166) nos Bancos Brade,sco e Sudameris onde a .fiscalizada mantém conta corrente, O Sr, Alexandre, vale frisar, disse em seu depoimento que antes de entrar para a Cometa já atuava no ramo de comércio atacadista de açúcar, na Rua Governador Sampaio, como proprietário de uma firma de nome Organização Esperança, mas que de uns tempos para cá não mais quis ser proprietário de empresa, devido aos inúmeros encargos que teria de assumir, preferindo atuar como simples empregada Admite entretanto que gerencia a empresa e reconhece a importância de seu trabalho quando afirma que a empresa só funciona graças aos serviços de corretagem realizados por ele. A afirmativa de que é mero empregado com salário de mil reais, é incompatível com seu patrimônio declarado, nada desprezível, constando de sua declaração de bens, imóvel considerado de ótimo padrão na cidade de Fortaleza, Consultando o sistema RENAVAM verificamos constar em nome da esposa do Sr. Alexandre dois veículos importados, um automóvel da marca SUZUKI VITARA e uma camionete TROLLER/SPORT 9 O Sr Masil, que figura como sócio majoritário da empresa em seu contrato social tem o perfil clássico dos escolhidos para figurar como "sócio formal", Com efeito, referido senhor é homem simples do interior, de poucas posses, cujo patrimônio se resume a um lasca velho. Apesar de não negar que seja proprietário da .fiscalizada, o Sr Masil reconhece que desde dezembro de 1998 se encontra totalmente alheio aos negócios da empresa, e indica textualmente o nome do Sr. Alexandre Gontijo como sendo a pessoa que toma conta do empreendimento, juntamente com o Sr Alberto Alves de Souza, que lhe paga uma importância mensal (R$ 1.000,00) para seu sustento, uma vez que se encontra desempregado. Com efeito, é o próprio Sr.Masil, no depoimento prestado aos agentes da &RE, que afirma desconhecer os negócios realizados pela _fiscalizada, não sabendo sequer informar o vohnne de seu _faturamento nos últimos três anos, nem como efeita a prestação de contas de seu movimento .financeiro, o que, convenhamos, desqualifica o seu papel de sócio-gerente e proprietário da empresa, detentor de 95% de seu capital, tal como oficialmente indicado no Contrato Social (doc. 66/72), com a agravante que essa pessoa, há mais de 4 anos, reside no interior de Minas Gerais, corno um pobre desempregado, não obstante a empresa da qual se diz dono, tenha faturado apenas no ano de 2002 o montante de R$ .57.892.035,34 (vide doc. fls. 40). Não é de são consciência que se conceba que o Sr, Masil, dito como sócio majoritário da Cometa tenha abandonado sua administração no auge de seu _ffituranzento, para .ficar desempregado, vivendo às expensas de uma mesada de R$ 1,000,00 a titulo de aluguel desse dito negócio, com certeza muito lucrativo, .. .0 Sr. Masil na sua inocência, até porque não deve ter sido "bem preparado" para prestar as declaraçães da conveniência dos interessados, uma vez que os agentes do Fisco foram diretamente ao local de sua residência, no seu depoimento, .foï bastante claro ao reconhecer' que, por ter cedido seu nome para figurar como sócio majoritário da Cometa recebe como recompensa a quantia de R$ 1,000,00 mensalmente, e mais: identificando claramente a pessoa que, dispondo daquele empreendimento comercial, lhe faz tal pagamento, no caso o Si . Alexandre Gontijo Guerra. As evidências são claras de que, o Sr. Masil, , fbi usado por pessoas de sua amizade, e conterrâneos atuantes no ramo de comércio, para essa aventura aqui no Ceará, tendo, após cumprir com sua obrigação, ou seja, após abrir as empresas Cometa Distribuidora de Alimentos Ltda. e a M. T Pessoa (objeto de outro procedimento ,fiscal), retornado para seu local de origem, deixando os negócios rolarem sob a tutela do seu nome, mas produzindo resultados . financeiros em benefício dos terceiros mentores do empreendimento Por isso é que, conivente com a situação, até porque recebe para isso uma compensação _financeira, o Sr. Masil não nega que seja sócio da Cometa, No entanto, se trai ao confessar que desde dezembro de 1998 se encontra totalmente alheio aos negócios dessa empresa, citando textualmente o nome do Sr. Alexandre Gontijo como sendo a pessoa que toma conta do empreendimento, .juntamente COM os Srs. Alberto Alves Souza e Cehno &man), Araújo. 10 Processo n° 10380 003027/2003-31 Acórdão n 1202-00.341 S1-C2T2 Fl 6 O mesmo perfil tem o Sr. Lorival de Jesus que também emprestou seu nome para .figurar como sócio no contrato social da empresa .fiscalizada. De fato o Sr. Lourival, como pudemos constatar, é pessoa pobre, de pouca instrução, que reside numa casa simple.s construída em regime de mutirão pela associação de bairro da qual faz parte e que ainda sequer .foi totalmente concluída. Sua condição ..financeira é totalmente incompatível, com a de alguém que participa de um empreendimento comercial, cujo . faturamento só no ano de 2002, atingiu a importância, como já dito, de R$ 57..892.03.5,34. Além do que nada sabe a respeito do dito empreendimento. É interessante ainda destacarmos o fato de que, logo após iniciada essa ação .fiscal, foi rapidamente providenciada procuração particular ao Sr. Rui Nas Amorim Marques Gontijo, para representar a empresa perante a Receita Federal. Essa providência era totalmente desnecessária haja vista que os Srs. Alexandre, Celmo e Alberto tinham poderes bastante para essa representação, pois como já dito, possuíam procurações públicas da empresa para representá-la em todos os fóruns e repartições inclusive perante a Receita Federal, O surpreendente é que foi escolhida uma pessoa totalmente alheia aos assuntos administrativos da empresa, pois não sabia se a mesma possuía contabilidade, onde ficavam os livros/documentos .fiscais ou mesmo o nome do seu contador, com a agravante de que o suposto outorgante — Sr Masil, no seu depoimento, nega que tenha passado tal procuração. Transpareceu nesse procedimento o objetivo de afastar de nosso contato os verdadeiros responsáveis pelas atividades da fiscalizada. Por todo o exposto, a conclusão a que somos conduzidos é que, realmente o Sr. Masil Torres Pessoa e o Sr. Lourival de Jesus foram usados, emprestando/alugando seus nomes para que figurassem no Contrato Social da empresa fiscalizada, na qualidade de sócios constas, com afina/idade escusa de encobrir a verdadeira identidade daqueles que realmente conduziam a empresa, praticando todos os atos de sua administração e dispondo, conseqüentemente, do resultado .financeiro de suas atividades comerciais e que, de igual modo, deveriam também arca,- com as obrigações inerentes ao negócio. Logo, é de se considerar como sócios co-responsáveis pelas obrigações contraídas em nome da pessoa jurídica citada, o Sr Alexandre Gontijo Guerra, CPF 485..681..716-72, Cehno Ernany Araujo, CPF 480.067 856-00 e Alberto Alves de Sousa, CPF 7.57.648 498-53 nos termos como disposto nos ar Is. 124, 1 e 135, 11 e 111 do Código Tributário Nacional." Quanto à definição legal para responsabilização tributária indicada pelos autuantes no Termo de Apuração de Responsabilidade Tributária de fls. 4.2/57, artigos 124 e 13.5 do CT1V; que a recorrente questiona, vejo que independente do enquadramento legal está pedeltamente caracterizada nos autos a participação das pessoas físicas COMO responsáveis solidários nos fatos geradores das tributos lançados.. 11 12 Assim, após a análise de todos os elementos juntados aos autos e do relato do Termo de Apuração da Responsabilidade Solidária, fica claro que a empresa Cometa Distribuidora de Alimentos Lida operou durante os anos . fiscalizados por ordem de terceiros não vinculados ao seu contrato social, deixando de recolher os tributas devidos, sendo administrada de fato pelos senhores Alexandre Gomil° Guerra, Ceitil° Emany Araújo e Alberto Alves de Sousa, devendo estas pessoas .físicas ser responsabilizadas pelos tributos exigidos." Após analisar as argumentações apresentadas e confrontá-las com o acórdão embargado, concluo que restou provada omissão no voto proferido que deixou de se manifestar a respeito das provas que pretendiam indicar que o sócio de direito da autuada, Sr. Masil Torres Pessoa, exerceu suas funções de gerente da empresa no período de janeiro/1998 a dezembro de 2002, não tendo se ausentado da sede da pessoa jurídica em Fortaleza, Ceará, e que durante todo período fiscalizado só a Sr. Alberto Alves de Sousa detinha procuração do Sr, Masil, sendo que a procuração em conjunto para as três pessoas fisicas responsabilizadas só aconteceu em 13/12/2001. As procurações passadas pelo Sr, Masil Torres Pessoa dando amplos poderes às pessoas físicas, bem como os cartões de assinatura bancárias, aconteceram nas seguintes datas, conforme documentos juntados ao processo principal do IRPJ: 1- Sr Alberto Alves de Sousa: - Procuração em 18/12/1998, fls. 154 e 163/164, além de outra em 13/12/2001, fls. 152. - Cartão de assinatura do Banco Bradesco, em 21/06/2001, fis 166/167, - Cartão de assinatura do Bamerindus, em 24/12/2001, fls. 146, 2- Sr. Cehno Ernany Araújo: - Procuração em 13/12/2001, fis. 153. - Cartão de assinatura do Banco Sudarneris, em 24/12/2001, fls. 147. 3- Sr. Alexandre Gontijo Guerra: - Procuração em 13/12/2001, fls. 171. Os documentos trazidos aos autos como aditamento, após a entrega do recurso, para comprovar o exercício regular da gerência pelo sócio de direito Sr. Masil Soares Pessoa, foram juntados às fls. 526 a 533, sendo repetidos às fls. 568/575, são os a seguir indicados: Fls. 526 em 22/06/1998 — Intimação da Secretaria de Fazenda; Fls, 527 em 14/08/1998 — Solicitação de mudança de endereço; Fls. 530 em 22/09/1998 — Autorização de AIDF Única; Fls. 528 cru 06/12/2000 — Autorização de ATE* Única; \ Processo n 10380 003027/2003-31 Sl-C2T2 Acórdão n O 1202-00.341 Fl. 7 Fls. 529 em 13/07/2000 — Termo de depósito; Fls. 531 em 12/02/2001 — Autorização para Celmo Emany Araújo receber cheques devolvidos. Fls., 532 em 06/08/2001 — Junta Comercial Fls. 533 em .31/08/2001 — Pedido de Autorização de Impressão de Documentos Fiscais, No voto do acórdão embargado a manutenção da responsabilização tributária às pessoas fisicas Alberto Alves de Sousa, Alexandre Gontijo Guerra e Celmo Emany Araujo, levou em conta um conjunto de fatos que convergiram para urna mesma conclusão. Esses elementos são as declarações tornadas a Termo, a diligência realizada, os Cartões de assinatura em bancos, a falta de motivação para esses procedimentos e a função de gerente e administrador exercida pelas três pessoas responsabilizadas tributariamente, com os sócios de direito figurando apenas como meras pessoas simbólicas. Portanto, as procurações dando pleno poderes em 1998 ao Sr. Alberto Alves de Sousa e em 2001 a todos os três responsabilizados e os cartões de assinatura bancária em 2001 para Sr Alberto Alves de Sousa e Sr. Celmo Emany Araújo, são provas que devem ser encaradas como coadjuvantes para convalidar as declarações do sócio de direito, informando que as pessoas físicas responsabilizadas eram de fato quem geriam a pessoa jurídica autuada. Os documentos juntados aos autos pelos recorrentes, para comprovar que a gerência era exercida pelo sócio de direito, Sr. Masil Torres Pessoa, nos anos de 1998 a 2002 e não pelas pessoas fisicas responsabilizadas, nada provam por si só, pois não representam o universo da administração de urna empresa que faturou milhões de reais nos períodos autuados. São eles em número de três documentos em 1998, nenhum em 1999, dois em 2000 e três em 2001. Só no ano de 2002 o faturamento da pessoa jurídica chegou ao montante de R$57.892,035,.34, o que, com certeza, geraria uma quantidade considerável de provas do exercício da gerência pelo Sr. Masil, tais como: movimentações bancárias, cheques emitidos, registro de empregados, pedidos de clientes e fornecedores, petições, declarações etc., que deveriam ter sido assinados, caso fosse ele o gerente e administrador, pelo Sr, Masil Torres Pessoa, o que não restou demonstrado nos autos. Assim, por falta de comprovação em sentido diverso, não consegue o recurso ilidir a constatação da fiscalização de que os três responsabilizados tributariamente exerciam a gerência e a administração da empresa autuada, como interpostas pessoas. Pelos fundamentos expostos, voto no sentido de acolher em parte dos embargos opostos para suprir a omissão apontada, sem, contudo, alterar a decisão consubstanciada no acórdão n' 108-09.478, da sessão de 08/11/2007. 13 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 10380,003027/2003-31 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3 0 , do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 12 de novembro de 2010. Maria Concçao de Sousa Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [J com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração. 14
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Numero do processo: 10880.973356/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Pedro Rinaldi de Oliveira Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: PEDRO RINALDI DE OLIVEIRA LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório. Tratase de Recurso Voluntário de fls 121 em face da decisão de primeira instância administrativa fiscal proferida no âmbito da DRJ/PR de fls. 111, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade de fls. 80 apresnetada em face do Despacho Decisório de fls. 5 que indeferiu o pedido de restituição. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 73 35 6/ 20 11 -1 1 Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10880.973356/201111 Resolução nº 3201001.480 S3C2T1 Fl. 198 2 Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório integrante da decisão recorrida: "Trata o processo de contestação contra Despacho Decisório emitido pela Derat São Paulo, em 09/09/2011 (Rastreamento nº 952494955), que indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado por meio do Per/Dcomp nº 21043.83896.240806.1.2.046373, devido à inexistência do direito creditório de R$ 15.541,69, uma vez que o pagamento de COFINS (código 2172), do período de 30/11/2002, efetuado em 13/12/2002, informado como a maior ou indevido, não foi localizado. Cientificada da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, argumentando que faz jus ao crédito informado, uma vez que comprovará a existência do pagamento não localizado pelo sistema da RFB. Diz que o crédito de R$ 15.541,69 referese à parcela do PIS que incidiu sobre valores que escapavam ao conceito de faturamento, na forma inconstitucionalmente posta pela Lei nº 9.718, de 1998, e compõe o valor do recolhimento no total de R$ 43.714,66. Por lapso, deixou de informar que o pagamento não foi realizado por meio de recolhimento com guia DARF, mas através de compensação na Dcomp nº "111831.000032/200308" (sic), objeto de discussão no PAF nº 13807.010069/200288, conforme informado em DCTF. Cita para a sua defesa o princípio da estrita legalidade, da tipicidade cerrada e da verdade material, além de ementas de acórdãos do CARF. É o relatório." A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade nos seguintes termos: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 13/12/2002 COFINS. CRÉDITO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO. Não existindo a comprovação do pagamento informado como origem do crédito, indeferese o conseqüente pedido de restituição. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido" Os autos retornaram foram distribuídos e pautados nos moldes do regimento interno. É o relatório. Voto. Conselheiro Relator Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Conforme as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10880.973356/201111 Resolução nº 3201001.480 S3C2T1 Fl. 199 3 concedidas aos Conselheiros, conforme portaria de condução e Regimento Interno deste Conselho, apresento e relato o seguinte Voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. O contribuinte sustenta que o crédito existe e aponta que a compensação equivocada foi que originou o pagamento indevido, que o pagamento indevido ocorreu em compensação que não deveria ter ocorrido sobre despesas não operacionais, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal na decisão de inconstitucionalidade do §1, do Art. 3.º, da Lei 9.718/98 (vide julgamentos dos RE 346.084, 357.950, 358.273 e 390.840 do STF), que tem aplicação obrigatória neste Conselho conforme Art 62 do regimento interno. Quanto ao erro de preenchimento na Dcomp, por apontar a origem do crédito de um pagamento indevido, que não se trata totalmente de um erro, este não pode se tornar um impedimento à obtenção do crédito existente e incontroverso. Ratificando tal entendimento, este Conselho já se pronunciou em diversas oportunidades. Destaco abaixo somente algumas mais recentes pronúncias, da Câmara Superior e da Primeira Seção de Julgamento: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE DCOMP E DIPJ. ESCLARECIMENTO E SANEAMENTO DE ERRO NO CURSO DO PROCESSO. POSSIBILIDADE. 1 Um erro de preenchimento de DCOMP, que motivou uma primeira negativa por parte da administração tributária (DRF de origem), não pode gerar um impasse insuperável, uma situação em que a contribuinte não pode apresentar nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo. Tal interpretação estabelece uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal. Não há como acolher a idéia de preclusão total, sustentada no entendimento de que a contribuinte pretende realizar uma nova compensação por vias indiretas, dentro do processo, especialmente pelas circunstâncias do caso concreto, em que ela não pretende modificar a natureza do crédito (saldo negativo de IRPJ), nem seu período de apuração (anocalendário de 2003), e nem mesmo aumentar o seu valor. 2 A decisão de primeira instância administrativa decidiu não examinar as informações que pretendiam justificar as divergências entre DCOMP e DIPJ, sustentando seu entendimento na questão formal da impossibilidade de retificação de DCOMP após ter sido exarado o despacho decisório, óbice que nesse momento está sendo afastado. Afastado o óbice formal que fundamentou a decisão da Delegacia de Julgamento, o processo deve retornar àquela fase, para que se examine o mérito do direito creditório e das compensações pretendidas pela contribuinte. (Processo 10880.932547/200827, Data da Sessão 02/02/2016, Acórdão n. 9101002.203). (...) Fl. 199DF CARF MF Processo nº 10880.973356/201111 Resolução nº 3201001.480 S3C2T1 Fl. 200 4 Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Ano calendário: 2002 COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO. Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. SALDO NEGATIVO DE CSLL APURADO NA DECLARAÇÃO. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de CSLL apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído, até o limite apurado nos anos calendário objeto do pedido. (Processo 11610.005921/200358, Data da Sessão 21/01/2016, Acórdão 1301001.918)." A mencionada compensação é objeto do processo 13807.010069/200288, que foi julgado neste Conselho e registrado no Acórdão de n.º 3403003.595, conforme a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1991 UNIDADE DE JURISDIÇÃO. DECISÃO JUDICIAL DEFINITIVA. APLICAÇÃO. Conforme Súmula CARF no 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com o trânsito em julgado do processo judicial, resta à fiscalização aplicar ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 31/08/1991 Ementa: COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. ENCONTRO DE CONTAS. A lei que regula a compensação tributária é a vigente à data do encontro de contas entre os recíprocos débito e crédito da Fazenda e do contribuinte (REsp no 1.164.452/MG e art. 62A do RICARF). COMPENSAÇÃO. ART. 170A DO CTN. APLICAÇÃO NO TEMPO. Em se tratando de compensação de crédito objeto de controvérsia judicial, é vedada a sua realização “antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”, conforme prevê o art. 170A do CTN, vedação que, todavia, não se aplica a ações judiciais propostas em Fl. 200DF CARF MF Processo nº 10880.973356/201111 Resolução nº 3201001.480 S3C2T1 Fl. 201 5 data anterior à vigência desse dispositivo, introduzido pela Lei Complementar no 104/2001 (REsp no 1.164.452/MG e art. 62A do RICARF). HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. CONTAGEM DE PRAZO EM ANOS. Os prazos em meses e anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar exata correspondência, conforme art. 132, § 3o do Código Civil brasileiro (Lei no 10.406/2002). Assim, uma DCOMP apresentada em 13/02/2003 só se considera homologada tacitamente em 14/02/2008." O recurso voluntário foi parcialmente provido neste mencionado processo conexo, conforme resultado do julgamento transcrito a seguir: "Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer a homologação tácita em relação ao pedido de compensação apresentado em 12/09/2002, e para, em função da unidade de jurisdição, devolver o processo à unidade preparadora, para que aplique ao caso concreto o que foi decidido em definitivo pelo Poder Judiciário, não cabendo a oposição do art. 170A do CTN, em função de a data de propositura da ação judicial ser anterior à Lei Complementar no 104/2001 (conforme REsp no 1.164.452/MG, julgado na sistemática dos recursos repetitivos), ressalvando que tal unidade da RFB, antes de implementar a decisão judicial, deve certificarse de que as quantias demandadas no presente processo não estejam sendo objeto de execução judicial, determinando à recorrente que apresente o respectivo pedido de desistência da execução, homologado pelo juízo. Esteve presente ao julgamento a Dra. Fabiana Carsoni A Fernandes da Silva, OAB/SP no 246.569, que desistiu do pedido de adiamento do julgamento para a sessão de março." Assim, se a compensação constante no processo conexo extinguiu débitos de Cofins sobre receitas não operacionais, o pagamento indevido poderia ser configurado e o contribuinte teria o direito à uma nova compensação. Os autos apontam indícios de que os débitos já foram pagos. Este entendimento já foi objeto desta Turma de julgamento e pode ser encontrado no precedente consubstanciado no Acórdão 3201002.824. Considerando que a não homologação do crédito foi fundamentada unicamente sobre a premissa de que não foi comprovado o crédito desta nova compensação pois não há DARF juntada aos autos que comprove o pagamento do tributo a ser compensado, justificase a busca da verdade material. Diante do exposto, votase pela conversão do presente processo em diligência, para que: 1 A DRF informe quais os débitos extintos na compensação do processo conexo, dentro dos créditos que o contribuinte pleiteia. Os documentos juntados em Manifestação de Inconformidade também devem ser apreciados de forma que fique claro se a Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10880.973356/201111 Resolução nº 3201001.480 S3C2T1 Fl. 202 6 compensação do processo conexo extinguiu débitos de Cofins sobre receitas não operacionais, com a devida análise sobre a natureza destas receitas. Após elaborado relatório fiscal, o contribuinte deve ser cientificado e deve ser oportunizada sua manifestação. Cumprida a diligência, retornem os autos a este Conselho para julgamento. Resolução proferida. (assinado digitalmente) Pedro Rinaldi de Oliveira Lima. Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.722176/2016-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL.
Laudo Pericial assinado por profissional da saúde e o Secretário Municipal da Saúde do Município, fica satisfeita a exigência. Recurso Provido.
Numero da decisão: 2002-000.462
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL. Laudo Pericial assinado por profissional da saúde e o Secretário Municipal da Saúde do Município, fica satisfeita a exigência. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 21 76 /2 01 6- 18 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10640.722176/201618 Acórdão n.º 2002000.462 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fl. 59) contra decisão de primeira instância (fls. 51/52), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: A interessada impugna lançamento do anocalendário 2014, onde foram incluídos rendimentos omitidos de R$ 27.855,32, pagos pelo Fundo do Regime de Previdência Social, resultando em imposto suplementar de R$. De acordo com o relatório fiscal, a contribuinte apresentara laudo pericial do INSS para comprovar a isenção dos rendimentos por ser portadora de esclerose múltipla. Pesquisa no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde não confirmou, porém, que o médico emitente, Carlos Augusto de Damasceno, fizesse parte do quadro de médicos do INSS. A impugnante apresenta novo laudo pericial para comprovar o seu direito à isenção dos rendimentos. Afirma que se trata de laudo emitido por “dois médicos oficiais que pertencem ao serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal, ou dos Municípios”. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO PERICIAL. A condição de portador de moléstia especificada em lei de isenção deve ser comprovada com laudo pericial emitido por órgão oficial. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, juntando novos documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10640.722176/201618 Acórdão n.º 2002000.462 S2C0T2 Fl. 4 3 A contribuinte foi notificada em 26/07/2017 (fl. 56); Recurso Voluntário protocolado em 11/08/2017 (fl. 59), assinado por procurador legalmente constituído (fls. 3, 21 e 60). Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: Compensação Indevida de Imposto de Renda na Fonte Sobre Rendimentos Declarados Como Isentos por Moléstia grave ou Acidente em Serviço – Não Comprovação da Moléstia ou sua condição de Aposentado, Pensionista ou Reformado ou não comprovação do Imposto de Renda na Fonte sobre Rendimentos Isentos. O v. acórdão, finca entendimento no seguinte argumento: “O impugnante não apresenta documentos hábeis para comprovar a sua condição de portador de moléstia grave prevista na lei de isenção. De acordo com o § 4º do art. 39 do Decreto nº 3.000/1999, para o reconhecimento de isenções por moléstia grave, a condição deve ser comprovada com laudo médico oficial”. Irresignada, a recorrente maneja recurso próprio alegando que: “por falta de conhecimento, apresentamos anteriormente um laudo de uma médica do meu município e o carimbo da cidade onde está locado o meu médico, porém ao consultar o plantão fiscal nos explicaram como se procede o julgamento, então concluído que não seria o domicílio do Dr Carlos Alberto Damasceno (CRM 6491) e sim o da Dra Joelma Alves (CRM 29228) que pertence ao Município de São João Nepomuceno”. Assim sendo, trouxe para os autos “o Laudo Oficial correto do médico comprovando que sou portadora de Esclerose Múltipla desde agosto de 2007, cópia de minha identidade e CPF, cópia do Exame médico onde comprovou minha doença”. Pois bem, o referido “Laudo Pericial”, está acostado à fl. 70 dos autos, onde consta que a recorrente Elise de Souza Lima Bertelli é portadora desde 08/2007 até a presente data de Esclerose Múltipla, assinado pela profissional de saúde Dra Joelma Alves – CRM 29228 e pelo Sr Secretário de Saúde – Isaías Sparch de Freitas do Município de São João de NepomucenoMG, do SUS – Sistema Único de Saúde de São João de NepomucenoMG. Assim sendo, diante das provas apresentadas, carece de reforma a r. decisão revisanda. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 79DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10820.900273/2006-50
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2002
DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR.
Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
Numero da decisão: 1002-000.474
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2002 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2002 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida.
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ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de demonstrar, com provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 DCOMP. PAGAMENTO A MAIOR. Não há direito creditório quando o crédito pleiteado se demonstra inexistente, tendo sido integralmente utilizado para quitação de débitos fiscais, ausente a comprovação de sua procedência na forma indicada na declaração de compensação transmitida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 02 73 /2 00 6- 50 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10820.900273/200650 Acórdão n.º 1002000.474 S1C0T2 Fl. 52 2 (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 5.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto SP (DRJ/RPO) mediante o Acórdão n.º 1439.295, de 23/11/12 (efls. 29 a 33). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza bem o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 15557.07246.140803.1.3.045783, por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (CSLLestimativa, código de arrecadação 2484), concernente ao período de apuração 10/2002. Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: "1 O DD. Auditor Fiscal retro nomeado declara que "Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a Compensação declarada." 2 Verificando o PER/DCOMP. em referência objeto da ação fiscalizadora, a Contribuinte Intimada notou no Campo Tipo de Crédito: Pagamento Indevido ou a Maior, entretanto a Intimada afirma que, declarou este tipo de Crédito, porque foi ele que primeiro gerou o Tipo de Crédito SALDO NEGATIVO DE CSLL. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10820.900273/200650 Acórdão n.º 1002000.474 S1C0T2 Fl. 53 3 3 A Intimada tentou retificar o PER/DCOMP. em questão com a mudança do Tipo de Crédito, para o correto SALDO NEGATIVO DE CSLL., deparandose com a mensagem: "Descrição do erro Tipo de Crédito informado neste documento diferente do tipo de crédito informado no PER/DCOMP." Ademais, tentou ainda criar um novo PER/DCOMP. informando o Tipo de Crédito SALDO NEGATIVO DE CSLL. Não conseguindo sucesso diante da mensagem "Descrição do Erro Período de Apuração do Saldo Negativo com mais de cinco anos em relação à data de Transmissão (Art. 168 do CTN.)". 4 Cumpre acrescentar que o Saldo Negativo de CSLL foi demonstrado e provado na Declaração de Informações EconômicoFiscal da Pessoa Jurídica DIPJ do Exercício de 2003 AnoCalendário 2002, tempestivamente apresentada, porém posteriormente retificada, conforme cópia ora juntada. 5 Não procede a mensagem "Descrição do Erro Período de Apuração do Saldo Negativo com mais de cinco anos" porque a transmissão do PER/DCOMP. em referência foi feita muito antes dos alegados cinco anos, a Receita Federal abriu o Processo de Crédito retro referenciado, pela sua numeração, no Ano Calendário de 2006 o que interrompeu o decurso do prazo de cinco anos e somente agora decidiu pela NÃO HOMOLOGAÇÃO. 6 Reportandose às afirmações contidas no item 02 (dois) retro, convém observar que o tipo de Crédito escolhido como Pagamento Indevido ou a Maior, é procedente porque se refere a pagamentos feitos conforme os respectivos DARFs. de parcelas mensais de Contribuição Social s/ o Lucro Líquido, recolhidas a maior POR ESTIMATIVA, gerando assim, SALDO NEGATIVO a favor da Intimada da DIPJ. mencionada no item 04 (quatro) retro. 7 A Intimada, neste ato, faz juntada de cópias de Novo PER/DCOMP. para melhor verificação de V.Exa. e chegar à conclusão da tardia e imprópria "NÃO HOMOLOGAÇÃO", que conduziu à falsa idéia fiscal de "Inexistência do Crédito". O Crédito existe, quer seja como "Pagamento Indevido ou a Maior" ou como "Saldo Negativo de CSLL.", comprovadamente não prescrito. 8 Diante das Razões de direito e comprovações apresentadas pela Contribuinte Intimada, é o presente para vir REQUERER de V.Exa. a remessa de todo o Expediente para a DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE JULGAMENTO, para os devidos fins e efeitos. Termos em que, R. Deferimento." Em 23/11/2012 a 5.ª Turma da DRJ/RPO negou provimento à manifestação de inconformidade, através do Acórdão n.º 1439.295, tendo o contribuinte apresentado recurso voluntário em 30/01/2013, reiterando exatamente as alegações contidas na manifestação de inconformidade, sem qualquer modificação. É o relatório. Voto Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10820.900273/200650 Acórdão n.º 1002000.474 S1C0T2 Fl. 54 4 Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida, conforme constam do recurso voluntário. No recurso interposto o recorrente reitera em absoluto o teor dos argumentos apresentados em sede de primeira instância, conforme demonstram os trechos dele extraídos, abaixo transcritos: [...] 07) A Recorrente confirma por inteiro, todos os elementos (alegações, comprovações e documentos) apresentados em sua Manifestação de Inconformidade protocolada em 18/07/2008. 08) Reitera os itens 2,4,5,6 e 7 da Manifestação de Inconformidade retro e junta cópia do respectivo DARF no valor de R$ 10,00 (Dez reais). 09) Diante das razões de direito e comprovações apresentadas pela Recorrente, é o presente para vir requerer de V.Exas. dessa Delegacia, a remessa de todo o expediente para o Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a reforma da decisão proferida na R.Delegacia da Receita Federal do Brasil de julgamento com vistas ao cancelamento do insignificante crédito tributário cobrado e final arquivamento do Processo. [...] Ou seja, o recorrente requer que os argumentos apresentados em sede de primeira instância sejam reanalisados por esta Câmara. Pelo que se observará adiante, a elaboração deste voto seguirá o que dispõe o § 3.º do artigo 57 do Anexo II do RICARF: (...) § 3º A exigência do 1§ 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) (...) 1 § 1.º do art. 57 do RICARF: A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10820.900273/200650 Acórdão n.º 1002000.474 S1C0T2 Fl. 55 5 Após a leitura atenta do voto condutor da decisão da DRJ, minha posição é pela integral concordância com seus fundamentos e conclusões, uma vez que as arguições (reiteradas neste recurso voluntário) foram racionalmente afastados em primeira instância. Peço então venia para transcrever os excertos abaixo, do voto condutor do acórdão recorrido, adotando desde já suas razões de decidir, nos termos do § 1.º do art. 50 da Lei no 9.784/1999, completandoo ao final: [...] Na manifestação de inconformidade, a contribuinte requer seja desconsiderada a informação prestada no campo “tipo de crédito” do PER/DCOMP, qual seja, “pagamento indevido ou a maior”, e considerado outro tipo de crédito, “saldo negativo de CSLL”, para efeitos de exame do recurso administrativo. Registrese que a interessada não formalizou pedido de retificação do PER/DCOMP, perante a autoridade competente da RFB, no prazo e na forma previstos na legislação (Instrução Normativa SRF n.º 360, de 2003, artigo 6º, e alterações posteriores). Resta assim evidenciado que tal pleito da contribuinte, expresso na defesa, não é outro senão o de obter o reconhecimento de direito creditório com fundamento diverso do inicialmente postulado, o que à evidência constitui inovação ao pedido inicial. E, como novo pedido, não deve ser apreciado nesta instância julgadora, seja porque tal pedido não fora previamente dirigido à autoridade fiscal, seja porque é competência do Delegado da Receita Federal do Brasil manifestarse quanto ao mérito da questão, ou seja, quanto ao valor do direito creditório em discussão. Se assim o fizesse, estaria a autoridade julgadora avocando uma competência que não lhe é atribuída regimentalmente, pois não se trata apenas de examinar a presença do direito em tese, mas também de se verificar se o tributo reclamado originou efetivamente aquele crédito, bem como se referido indébito já não foi liquidado em autocompensações e se, até mesmo, já não decaiu o direito de a contribuinte pleitear a restituição do tributo em questão. Nesse sentido, observese o disposto no Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012: “Art. 233. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, com jurisdição nacional, compete conhecer e julgar em primeira instância, após instaurado o litígio, especificamente, impugnações e manifestações de inconformidade em processos administrativos fiscais: [...] IV contra apreciações das autoridades competentes em processos relativos a restituição, compensação, ressarcimento, reembolso, imunidade, suspensão, isenção e redução de alíquotas de tributos, Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), indeferimento de opção pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), e exclusão do Simples e do Simples Nacional. [...] Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10820.900273/200650 Acórdão n.º 1002000.474 S1C0T2 Fl. 56 6 Art. 224. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] X executar as atividades relacionadas à restituição, compensação, reembolso ressarcimento, redução e reconhecimento de imunidade e isenção tributária, inclusive as relativas a outras entidades e fundos; [...]” (grifos no original). Portanto, é defeso à autoridade administrativa de 1ª instância pronunciarse sobre uma pretensão que não foi deduzida pelo contribuinte em seu pedido inicial. Nesse sentido, concluise não ter sido comprovada, nos autos, a existência de direito creditório líquido e certo, do contribuinte contra a Fazenda Pública, passível de compensação, nos termos do art. 170 do CTN, pelo que não se há de cogitar reparos no despacho decisório recorrido. Diante do exposto, VOTO pela improcedência da manifestação de inconformidade. As atribuições extraídas da Portaria MF n.º 203/2012 e mencionadas acima foram mantidas pela Portaria MF n.º 430/2017, artigos 270 e seu § 1.º, e 277, IV, "a", que a revogou. É importante deixar claro que o valor alegado recolhido a maior (R$ 10,00) compôs efetivamente o saldo negativo ao final do ano calendário 2002, como mostra a DIPJ 2003, efl 20, isto é, o Despacho Decisório contestado já havia informado a respeito da impossibilidade da utilização em duplicidade de tal valor. A discussão trazida aos autos posteriormente, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, manobrou somente os aspectos de cuja competência para a análise e conclusões os titulares são as DRFs, não os órgãos julgadores. Finalizado o exame do pleito, nada há que deva ser acrescentado por este juízo administrativo àquilo que já foi minuciosamente explicitado pela 5.ª Turma da DRJ/RPO, quando da prolação do acórdão recorrido, pois quanto ao que o recorrente pede relativamente aos propalados erros cometidos, pretendidos como formais, e às apregoadas dificuldades de retificação, esse contexto corresponde, de fato, como concluiu o colegiado a quo, a um novo pedido de compensação. Assim, por concordar com todos os seus termos e conclusões, adoto as razões de decidir da turma a quo, na linha do § 1.º do art. 50 da Lei no 9.784/99 c/c o § 3.º do art. 57 do RICARF, cujos fragmentos de interesse do voto condutor do acórdão recorrido se encontram transcritos neste voto. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10820.900273/200650 Acórdão n.º 1002000.474 S1C0T2 Fl. 57 7 Neste sentido, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendose in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13604.720165/2016-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2013
DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, comprovadamente decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
Numero da decisão: 2001-000.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. São dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, comprovadamente decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. São dedutíveis na declaração de ajuste anual as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, comprovadamente decorrentes de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de pensão alimentícia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 4. 72 01 65 /2 01 6- 10 Fl. 76DF CARF MF 2 O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Não se destacaram algumas dessas partes, pois tanto esse acórdão como o inteiro processo ficam disponíveis a todos os julgadores durante a sessão. A ementa do acórdão de impugnação foi a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. GLOSA. FALTA DE COMPROVAÇÃO Todas as deduções pleiteadas na declaração de ajuste, inclusive as referentes às despesas com pensão alimentícia, estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. Restando incomprovada documentalmente no julgamento a despesa glosada, cabe a manutenção da glosa. O recurso voluntário apresentou documentos para comprovar o alegado, nas fls. 70 e seguintes. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de pensão alimentícia. O fundamento para negar foi a falta de comprovação. Assim dispôs o acórdão de impugnação: Quanto ao pleito do contribuinte de que seja considerado como dedutível todo o valor declarado a título de pensão alimentícia em benefício de Gultyerres Guilherme da Cruz, sendo parte em benefício dele (R$ 4.040,00) e parte em benefício de Gabriele Silva Ventura (R$ 4.848,00), cabe ressaltar que a documentação apresentada pelo contribuinte para comprovar a obrigação judicial de pagamento nos valores requeridos se revela insuficiente para justificar o atendimento de seu pleito nesses termos. Como foi mencionado, além das cópias dos comprovantes de rendimentos, ele apresenta apenas as cópias dos dois termos de audiências de 1996 e de 2002. Não foram apresentadas outras peças das ações judiciais, com informações mais detalhadas e com menção ao nome de Gabriele Silva Ventura, bem como documentos que indicassem a situação atualizada dos processos à época do anocalendário em questão. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13604.720165/201610 Acórdão n.º 2001000.723 S2C0T1 Fl. 3 3 O contribuinte, nas fls. 69 e seguinte apresentou os documentos que comprovam o estabelecimento da pensão para filha Gabriele, reconhecimento de paternidade e sentença judicial. Observese, em relação a pedido que consta no recurso voluntário, que multas e juros são calculados após estabelecimento da base cálculo, de acordo com a legislação, e não são competência dessa instância de julgamento. Assim, supridos os fundamentos da glosa, deve ser restabelecida a pensão alimentícia da filha Gabriele, no valor de R$ 4.848,00. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10245.000713/2007-39
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Data do fato gerador: 27/04/2007
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.
Por força do disposto na súmula CARF nº 11, não há que se cogitar de prescrição intercorrente em processo administrativo fiscal.
ADMISSÃO TEMPORÁRIA DE AERONAVE. SAÍDA NÃO AUTORIZADA.
É cabível a aplicação da multa por promover a saída de veículo de recinto aduaneiro, sem a devida autorização, a quem deu causa à infração.
Numero da decisão: 3002-000.423
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Data do fato gerador: 27/04/2007 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Por força do disposto na súmula CARF nº 11, não há que se cogitar de prescrição intercorrente em processo administrativo fiscal. ADMISSÃO TEMPORÁRIA DE AERONAVE. SAÍDA NÃO AUTORIZADA. É cabível a aplicação da multa por promover a saída de veículo de recinto aduaneiro, sem a devida autorização, a quem deu causa à infração.
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Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE INFRAESTRUTURA AEROPORTUÁRIA INFRAERO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27/04/2007 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Por força do disposto na súmula CARF nº 11, não há que se cogitar de prescrição intercorrente em processo administrativo fiscal. ADMISSÃO TEMPORÁRIA DE AERONAVE. SAÍDA NÃO AUTORIZADA. É cabível a aplicação da multa por promover a saída de veículo de recinto aduaneiro, sem a devida autorização, a quem deu causa à infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 00 07 13 /2 00 7- 39 Fl. 106DF CARF MF 2 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fls. 48/49 dos autos: Trata o presente processo de auto de infração, no valor de R$ 5.000,00, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa a quem promover saída de veículo de recinto aduaneiro, sem a devida autorização, nos termos do art 107, inciso IV, alínea “d” do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Consta da autuação que a aeronave marca Cessna, prefixo N808CZ, país de registro USA, foi admitida, em 17/04/2007, no Regime de Admissão Temporária, através do Termo de Entrada e Admissão Temporária de Aeronave nº 047/07 (fl.06). Conforme relatório do plantonista da Receita Federal (fl. 08), consta que o mesmo foi informado da chegada a aeronave, previamente, por funcionários da INFRAERO e pelo piloto, e que orientou os comunicantes que os horários de atendimento da Receita Federal deveriam ser observados. Em 27/04/2007, às 03h 16min, conforme termo de ocorrência nº 00552/07 (fl.07), do Sistema de Ocorrência Aeroportuária – SISCOA, da INFRAERO, a aeronave pousou proveniente de São Paulo, com destino aos Estados Unidos. O piloto teria informado que deixaria os documentos de saída da aeronave para serem entregues, posteriormente, à fiscalização, pois já teria conversado com um servidor da Receita Federal para proceder dessa forma. A aeronave decolou no mesmo dia às 04h 39 min, sem autorização aduaneira, após os devidos trâmites junto à Polícia Federal e a Agência Nacional de Aviação Civil ANAC. Diante dos fatos foi, então, lavrado o presente auto de infração (fls.1322). Ciente da autuação, em 22/05/2007 (fl.14), a interessada apresentou a sua impugnação (fls.2533), em 21/06/2007, alegando que: a INFRAERO não tem poder de polícia para proibir ou autorizar decolagem de aeronaves, assim como sua retenção em solo; o servidor da Receita Federal não comunicou a INFRAERO que só iria atender a aeronave dentro do horário de funcionamento; a INFRAERO tentou, sem sucesso, entrar em contato com os plantonistas da Receita Federal; não deu causa ao ocorrido, não houve desrespeito à legislação aduaneira, pois a INFRAERO cumpriu, dentro do âmbitos de suas competências, todos os procedimentos que lhe cabiam; somente a Autoridade Aeronáutica e a Receita Federal poderiam liberar ou não a aeronave. Por derradeiro, solicita: a procedência da impugnação; que seja notificada no endereço Av. Santos Dumont, 1350, Tarumã, ManausAM. O contribuinte juntou os seguintes documentos: cartão de CNPJ (fl. 34), procuração e documentos de identidade (fl. 35/38); legislação e página do DOU (fls. 39/43). Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por maioria de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Data do fato gerador: 27042007 Fl. 107DF CARF MF Processo nº 10245.000713/200739 Acórdão n.º 3002000.423 S3C0T2 Fl. 107 3 ADMISSÃO TEMPORÁRIA DE AERONAVE. SAÍDA NÃO AUTORIZADA. É cabível a aplicação da multa por promover a saída de veículo de recinto aduaneiro, sem a devida autorização, a quem deu causa à infração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 47/53) registrou, em caráter preliminar, não conhecer do pedido de intimação no endereço do subscritor da impugnação por considerá lo matéria estranha à lide. No mérito, consignou que a Infraero deixou de comunicar aos órgãos atuantes no Aeroporto Internacional de Boa Vista acerca da mudança no horário de atendimento da Receita Federal, da qual havia sido informada, e quando tal procedimento era de sua responsabilidade. Em razão disso, não acolheu seus argumentos, entendendo que a empresa deu causa à saída de aeronave sem autorização da autoridade aduaneira. O conselheiro Ricardo Serra Rocha emitiu declaração de voto apresentando sua dissensão no que concerne ao pedido de intimação do procurador do contribuinte no endereço informado. Votou no sentido do conhecimento e da denegação do pedido, por ser questão tratada no artigo 23 do Decreto 70.235/72, porém não respaldada para obter deferimento. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 06/06/16 (vide AR à fl. 58 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 06/07/2016 (vide extrato do processo à fl. 104), Recurso Voluntário (fls. 62/69). Em seu recurso, o contribuinte alegou a ocorrência de prescrição intercorrente, argumentando que entre a lavratura do auto de infração (21/05/07) e o julgamento de sua impugnação (15/04/16) decorreram quase nove anos. Alegou que não se verificou, no caso, elemento subjetivo de sua parte que justifique a imposição de penalidade. Repisou os argumentos de não deter poder de polícia para evitar a decolagem da aeronave, e de ter tomado as providências para informar a chegada do voo à Anvisa, à Polícia Federal e à Receita Federal. Contudo, não obteve sucesso na comunicação com o último órgão. Afirmou que a providência que lhe cabia era entrar em contato com os órgãos competentes, e que o fez. Por fim, pediu a extinção do processo e da penalidade em razão da prescrição intercorrente, ou, não sendo este o entendimento, o julgamento pela improcedência do auto de infração e afastamento da penalidade imposta. Juntou, com o recurso, documentos de representação (fls. 70/98). Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Fl. 108DF CARF MF 4 Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Consoante acima narrado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário por meio do qual alegou, resumidamente: (i) a ocorrência de prescrição intercorrente; (ii) no mérito, inexistência de elemento subjetivo de sua parte que justifique a imposição da penalidade. Os referidos argumentos serão devidamente analisados em sucessivo. 1. Da prescrição intercorrente De início, alega o contribuinte que teria se configurado a prescrição intercorrente no caso concreto aqui analisado, visto que teria decorrido quase nove anos entre a lavratura do auto de infração (21/05/07) e o julgamento de sua impugnação (15/04/16). É cediço, contudo, que, nos termos da súmula CARF nº 11, abaixo transcrita, não há que se falar em prescrição intercorrente em processo administrativo fiscal: Súmula CARF nº 11 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Sendo assim, há de ser afastado este argumento do Recorrente. 2. Do mérito No mérito, defende o Recorrente que o auto de infração e a decisão recorrida estariam embasados tão somente em elementos objetivos acerca da suposta conduta infracional, nada havendo acerca de um elemento subjetivo de sua parte que justificasse a imposição da penalidade. Alega que teria adotado todas as medidas para cumprimento das solicitações da Receita Federal, tendo esbarrado na ausência de poder de polícia para evitar que a aeronave em questão decolasse sem a permissão da autoridade aduaneira. Por concordar com a análise realizada pela DRJ no presente caso, transcrevoa a seguir, adotandoa como razão de decidir: O objeto deste processo consiste em examinar, levando em conta o auto de infração e a impugnação apresentada, a ocorrência, ou não, da infração capitulada na disposição legal em análise, caracterizada por promover a saída de veículo de recinto aduaneiro, sem autorização da autoridade aduaneira, para, então, decidirse acerca do cabimento da penalidade aplicada. Pois bem. Em decorrência da ação fiscal, foi aplicada a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea ‘d’ do DecretoLei nº 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/03, que assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10245.000713/200739 Acórdão n.º 3002000.423 S3C0T2 Fl. 108 5 d) a quem promover a saída de veículo de local ou recinto sob controle aduaneiro, sem autorização prévia da autoridade aduaneira; Interessante, neste momento, atentar para o significado do vocábulo “promover”, assim definidos nos termos do Dicionário Eletrônico Aurélio2: Promover: 1. Fazer com que se execute, que se ponha em prática alguma coisa. 2. Fomentar, desenvolver. 3. Anunciar os feitos, os valores ou as vantagens de. 4. Causar, originar. (Grifei). Alega a impugnante que os procedimentos, dentro de sua competência, foram totalmente cumpridos e que não deu causa ao ocorrido. Vejamos o que diz o art. 3º da Lei nº 5.862/79 que define as competências da INFRAERO, conforme transcrição parcial: “Art 3º Para a realização de sua finalidade compete, ainda, à INFRAERO: I (...) (...) XII promover e coordenar junto aos órgãos competentes as medidas necessárias para instalação e permanência dos serviços de segurança, polícia, alfândega e saúde nos aeroportos internacionais, supervisionandoas e controlandoas para que sejam fielmente executadas;” Pelo disposto acima, compete a INFRAERO coordenar e supervisionar as medidas necessárias para o funcionamento dos vários órgãos que atuam dentro de um aeroporto internacional. Entretanto, não comunicou, formalmente, aos órgãos competentes atuantes no Aeroporto Internacional de Boa Vista sobre a alteração no horário de atendimento da Receita Federal, conforme demonstrado a seguir. Em 11/12/2006, a Seção de Controle Aduaneiro –SAANA, da DRF/Boa VistaRR, através do Ofício nº 1217/2006 (fl. 10), comunicou a INFRAERO sobre a alteração de horário para atendimento de vôos internacionais não regulares e solicitou providências no sentido de informar tal alteração aos interessados e demais órgãos atuantes naquele aeroporto. Trazse trecho do ofício citado: “Tendo em vista os inúmeros problemas observados nos últimos meses relativos ao atendimento pela Secretaria da Receita Federal em vôos internacionais não regulares, quais sejam, sintetizando: 1 falhas na comunicação com antecedência da chegada de aeronaves; 2 falta de servidores neste órgão para compor escalas de plantão racionais e eficientes, comunicamos que a partir de 01 de janeiro de 2007 o atendimento deste órgão no Aeroporto Internacional de Boa Vista será realizado durante o horário de funcionamento da Delegacia da Receita Federal em Boa Vista, conforme relacionado abaixo: Horário: das 08h00 às 17h30 Dias: de 2ª feiras às 6ª feiras Fl. 110DF CARF MF 6 Ressaltamos que os outros órgãos federais participantes da fiscalização no Aeroporto Internacional de Boa Vista sofrem as mesmas restrições supracitadas e, solicitamos que sejam tomadas as devidas providências no sentido de informar aos interessados, com a devida antecedência, a respeito dos novos horários de atendimento, procurando assim evitar embaraços e problemas que tendem a ocorrer aos sábados, domingos e madrugadas sendo que as aeronaves chegando ou saindo para o exterior deverão permanecer estacionadas até o início do próximo horário de atendimento.” (grifei) A Receita Federal antecipouse ao problema ocorrido e, no intuito de evitálo, definiu de forma clara qual procedimento deveria ser adotado. Caberia à autuada repassar as determinações da Receita Federal, formalmente, aos órgãos competentes, em especial à ANAC, órgão responsável pela emissão de NOTAM3 para aviação civil e quem poderia desautorizar a decolagem da aeronave. Não o fez, e acabou por causar a saída da aeronave sem autorização da autoridade aduaneira. Portanto, não prosperam as alegações da autuada. Há de se acrescentar, ainda, que o argumento do Recorrente no sentido de que a autuação não teria trazido qualquer elemento subjetivo para fins de justificação do auto de infração, apresentase completamente insubsistente. Isso porque, como é cediço, a responsabilidade pela prática da infração aqui analisada é objetiva, não sendo necessário averiguar, para fins de sua aplicação, se houve prejuízo ao erário, máfé do contribuinte ou mesmo regularidade da mercadoria transportada. Nenhum desses elementos, ainda que restassem confirmados, possuiria o condão de afastar a incidência do dispositivo em tela, aplicável a todos os casos em que a prática infracional tenha ocorrido, independentemente das condições específicas do caso concreto. Nesse sentido, assim dispõe o Código Tributário Nacional: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Esse mesmo entendimento encontra previsão no Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009), conforme transcrição a seguir: Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 94, § 2º). Até porque, sabese que, por força do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, a atividade da autoridade autuante é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Logo, a legislação pertinente deverá ser aplicada sempre que se verificar a sua hipótese de incidência, tal qual na hipótese dos presentes autos. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10245.000713/200739 Acórdão n.º 3002000.423 S3C0T2 Fl. 109 7 3. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Fl. 112DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.720984/2016-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.920
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Trata o presente processo de autos de infração de PIS/Pasep e Cofins lavrados contra a pessoa jurídica acima qualificada, nos valores respectivos de R$ 3.601.883,43 e R$ 16.726.491,14, incluídos nesses valores as contribuições, multas proporcionais e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .7 20 98 4/ 20 16 -4 6 Fl. 35036DF CARF MF Processo nº 10925.720984/201646 Resolução nº 3302000.920 S3C3T2 Fl. 3 2 2. Segundo Termo de Verificação Fiscal integrante dos autos (fls. 20/34), , após ser intimada a apresentar os documentos comprobatórios das exclusões relativas a vendas para cooperados (Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 09), a impugnante apresentou Dacons’s retificadores alterando os valores relativos a: (1) receita de bens e serviços tributável; (2) receita tributada a alíquota zero; (3) receita revenda de produtos sujeitos a incidência monofásica; (4) receita de vendas sujeitas a suspensão tributária; (5) receita de revenda de operações sujeitas a substituição tributária; (6) a composição dos créditos de não cumulatividade; (7) o valor da exclusões/deduções da receita tributável, valor este que tinha sido objeto do citado TIF nº 09. 3. Em decorrência dessa retificação, através do TIF nº 11 a cooperativa foi intimada a comprovar as alterações efetivadas por meio das retificadoras em questão, tendo sido apontado pela Fiscalização quais as linhas do referido demonstrativo que o sujeito passivo deveria apresentar as memórias de cálculo. Em resposta, a impugnante aduziu que foram constatadas em relação a insumos e mercadorias por ele discriminadas, incorreções nos parâmetros do sistema de informações, o que motivou a retificação. 4. Da resposta apresentada, em especial do seu anexo I, verificou a autoridade fiscal que rubricas que na Dacon original constavam como tributadas, nas retificadoras foram classificadas como sujeitas alíquota zero, restando evidente que a alteração relevante que se deu em relação ao montante das vendas sujeitas a suspensão, sendo que na resposta apresentada não foi feita qualquer referência a esse tipo de venda. Assim, a fiscalização levou em consideração apenas os demonstrativos originais. 5. Ainda sobre a resposta ao mesmo TIF nº 09, a cooperativa informou os valores excluídos da base de cálculo das contribuições referemse a vendas de produtos e mercadorias a associados ou mesmo repasse efetuado a associados por conta de produtos por eles entregues. 6. Referindose ao inciso II do art. 11 da Instrução Normativa SRF nº 635, de 2006, a fiscalização entende que, na exclusão das receitas de venda de bens e mercadorias ao associado, necessário se faz determinar qual a natureza dessa venda, visto que a teor do § 2º do mesmo art. 11 da IN SRF 635/2006, a exclusão alcançará somente as receitas decorrentes da venda de bens e mercadorias vinculadas diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado e que seja objeto da cooperativa, e que deverão ser contabilizadas destacadamente pela cooperativa, sujeitas à comprovação mediante documentação hábil e idônea, com a identificação do associado, do valor da operação, da espécie e quantidade dos bens ou mercadorias vendidos. 7. Sendo assim, a autoridade fiscal reincluiu na base de cálculo valores referentes a itens destinados a alimentação, vestuário, higiene pessoal, etc., que não guardam relação com a atividade econômica do cooperado. Além disso, com relação ao produto “leite in natura”, concluiu que a cooperativa somente poderá excluir da base de cálculo o valor repassado ao cooperado pelo produto a ela entregue (inciso I Fl. 35037DF CARF MF Processo nº 10925.720984/201646 Resolução nº 3302000.920 S3C3T2 Fl. 4 3 do artigo 11 da IN SRF 635/2006) e não o valor da receita de venda desse produto pela cooperativa (inciso II do artigo 11 da IN SRF 635/2006). 8. Para elaboração do auto foram aproveitados os créditos relativos a “Aquisições no Mercado Interno Vinculados à Receita Tributada no Mercado Interno”, “Aquisições no Mercado Interno – Presumido – Atividades Agroindustriais” e os saldos de créditos anteriores, conforme demonstrado no Relatório (apenas a título de informação tais itens foram, em ação fiscal posterior, objeto de glosa, conforme processo 10925.722302/201630, julgado em conjunto com o presente). 9. Cientificada em 01.07.2016 (fl. 35), a interessada apresentou tempestivamente, em 02.08.2016, impugnação (fls. 34.886/34.908), onde apresenta os argumentos abaixo sintetizados: a) Reclama da desconsideração dos Dacons’s retificadores, alegando que apresentou o detalhamento das exclusões declaradas nos mesmos, bem inferiores ao valor declarado nos originais, tendo a fiscalização considerado os demonstativos originais para a tributação das receitas e, para as exclusões da base de cálculo, os valores das retificadoras, onde as exclusões são menores; b) “A autoridade fiscalizadora em momento algum provou em sentido contrário ao que a Impugnante apresentou nas DACON e na EFD Contribuições transmitidas ao FISCO, logo, permanece a presunção de verdadeiros dos registros contábeis, declarações e demais documentos elaborados pela Impugnante.”; c) Afirma que o agente fiscalizador valeuse de critérios próprios e subjetivos, distanciado das disposições legais, conforme amplamente demonstrado, não tendo provado as suas alegações e o cometimento de irregularidade por parte da Impugnante; d) Quanto as exclusões da base de cálculo, alerta para as peculiaridades das cooperativas, ressaltando que “as operações realizadas entre os associados e a sociedade cooperativa, e entre esta e aqueles, não representam negócio mercantil, pois não há como fazer negócio mercantil consigo mesmo, não há como realizar operação de compra e venda com a mesma pessoa”; e) Acrescenta: “Não se pode perder de vista que, tanto para o direito tributário, quanto para o direito privado, para que exista receita bruta, é imprescindível a existência de atos de comércio.”; f) “Portanto, forte no art. 79 e seu parágrafo único da Lei nº 5.764/1971, consoante as decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça no sentido de não ser possível tributar as operações que envolvem os atos cooperativos, e, em abalizada doutrina, outra conclusão não há, senão a de que as operações realizadas entre a Impugnante e seus associados tratase de NÃO INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA, vez que não se trata de negócio mercantil, mas sim de verdadeiro ato cooperativo.”; g) No que diz respeito ao “leite in natura”, aduz que o agente fiscalizador não observou que tais tem como destinatário a Fl. 35038DF CARF MF Processo nº 10925.720984/201646 Resolução nº 3302000.920 S3C3T2 Fl. 5 4 “COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE – AURORA”, da qual a Impugnante é cooperativa singular filiada, caracterizando, portanto, ato cooperativo; h) Aponta a impossibilidade de aplicação de penalidades e cobrança de juros de mora por força do art. 100 do CTN, uma vez que a impugnante teria seguido estritamente as disposições legais e as orientações da Administração Tributária quanto a apuração das contribuições; i) Reclama do efeito confiscatório das multas aplicadas; j) Requer a realização de perícia e diligência, para as quais aponta quesitos e indica perito; k) Ao final, requer: “1 o recebimento e processamento da presente, com os documentos que a acompanham; 2 determinar, até o julgamento final na instância administrativa, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário, a rigor do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional; 3 Seja dado provimento a presente Impugnação para o fim de que: 3.1.seja determinado a extinção do crédito tributário em debate, pelas razões antes expostas, e, consequentemente, a anulação e arquivamento do auto de infração; 3.2.em assim não entendendo, seja determinada a exclusão da multa e dos juros, consoante o disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional; 3.3.e, se a tanto chegar, seja determinada a adequação da multa aplicada, em respeito ao princípio constitucional da vedação de utilização de tributo com efeito confiscatório. 4 determinar, no caso de não acolhimento do pedido consignado no item 3.1, a mais ampla produção de provas, em especial a pericial e as diligências mencionadas.” A Terceira Turma da DRJ Belém julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 0134.162, de 02 de maio de 2017, cuja ementa foi vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2012 a 31/10/2012 CONSTITUCIONALIDADE. Escapa à competência da autoridade administrativa afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 35039DF CARF MF Processo nº 10925.720984/201646 Resolução nº 3302000.920 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2012 a 31/10/2012 COOPERATIVAS. EXCLUSÕES. As sociedades cooperativas poderão excluir da base de cálculo da contribuição, dentre outros itens, os valores repassados aos associados decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa e as receitas de venda de bens e mercadorias a associados, quando estiverem vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2011 a 31/12/2011 COOPERATIVAS. EXCLUSÕES. As sociedades cooperativas poderão excluir da base de cálculo da contribuição, dentre outros itens, os valores repassados aos associados decorrentes da comercialização de produto por eles entregue à cooperativa e as receitas de venda de bens e mercadorias a associados, quando estiverem vinculados diretamente à atividade econômica desenvolvida pelo associado. Impugnação improcedente Inconformado com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário onde repisa todos os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator. O Recurso é tempestivo e apresenta os demais requisitos de admissibilidade, de forma que dele tomo conhecimento e passo a análise de mérito. Conforme já relatado, o processo trata de autos de infração do PIS e da Cofins apurados pela não cumulatividade, resultante da análise fiscal que identificou exclusões indevidas das bases de cálculo das exações. Segundo termo de verificação fiscal, o sujeito passivo é uma cooperativa de produção, sendo regida por legislação específica. Ao apurar a base de cálculo das contribuições referentes aos período de apuração compreendido entre 01/06/2012 a 31/10/2012, o sujeito passivo teria excluído valores referentes a venda de produtos e mercadorias a associados ou mesmo repasse efetuado a associados por conta de produtos por eles entregues. A fiscalização entendeu como indevidas as exclusões e efetuou o lançamento tributário. Em sua defesa, o contribuinte alega que: Fl. 35040DF CARF MF Processo nº 10925.720984/201646 Resolução nº 3302000.920 S3C3T2 Fl. 7 6 a) A Fiscalização considerou as exclusões dos DACON retificadores e a apuração de receita do DACON original, fato que resultou em um maior valor tributável. Acontece que tal procedimento não teve amparo probatório, de forma que o correto seria acatar as retificadoras apresentadas pelo sujeito passivo, uma vez que o agente fiscal teria estabelecido critérios subjetivos distanciados da realidade b) Quanto à glosa das exclusões de bens de consumo: à alimentação, vestuário, higiene pessoal: Que as operações realizadas entre os associados e a sociedade cooperativa, e entre esta e aqueles, não representam negócio mercantil, pois não há como fazer negócio mercantil consigo mesmo, não há como realizar operação de compra e venda com a mesma pessoa. Desta forma, visto que não há negócio mercantil nas operações realizadas entre a Cooperativa ora Impugnante e os associados, não há que se falar em receita bruta de comercialização na entrega de produtos para os cooperados, ou mesmo na comercialização da produção do associado quando os produtos são entregues à cooperativa. Portanto, considerando que as operações com cooperados não configuram hipótese de incidência das contribuições para o PIS e Cofins, todas as operações com cooperados devem ser excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. c) Quanto à glosa da exclusão pertinente às vendas de leite in natura: O agente fiscalizador glosou as exclusões referentes a venda de leite in natura, sob o argumento de que em seu entendimento, nas operações com o leite o recorrente deveria excluir o valor repassado aos cooperados pelo leite entregue ao recorrente e não as receitas de venda desse leite. Nada obstante, o agente fiscalizador não observou que as vendas de leite in natura excluídas da base de cálculo tem como destinatário a “COOPERATIVA CENTRAL OESTE CATARINENSE – AURORA”. Esta por sua vez, é associada do recorrente e o recorrente é cooperativa singular filiada a central de cooperativas AURORA. Ou seja, as operações entre o recorrente e a AURORA constituemse em ato cooperativo. Portanto, nas operações entre o recorrente e a central de cooperativas Aurora não pode incidir PIS e Cofins por se tratar de verdadeiro ato cooperativo; d) As multas aplicadas possuem caráter de confisco Acontece que para esse relator faltam elementos essenciais para formação de sua convicção, em vista de que o sujeito passivo apresentou argumentos com grau de probabilidade e os autos não possuem um conjunto probatório suficiente para sanar as dúvidas surgidas após os recursos apresentados pelo sujeito passivo. Diante desse quadro, entendo necessária a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora esclareça os seguintes pontos: a) Se as vendas de leite in natura excluídas da base de cálculo das contribuições sociais para o Pis e Cofins foram destinadas à Cooperativa Central Oeste Catarinense Aurora? b) Qual a relação entre a Cooperativa Aurora e a Cooperativa Concórdia? Fl. 35041DF CARF MF Processo nº 10925.720984/201646 Resolução nº 3302000.920 S3C3T2 Fl. 8 7 Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 35042DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.910621/2015-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/07/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 06 21 /2 01 5- 30 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.910621/201530 Acórdão n.º 3301005.286 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.426. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10680.910621/201530 Acórdão n.º 3301005.286 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10680.910621/201530 Acórdão n.º 3301005.286 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10680.910621/201530 Acórdão n.º 3301005.286 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10680.910621/201530 Acórdão n.º 3301005.286 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10680.910621/201530 Acórdão n.º 3301005.286 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 92DF CARF MF
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