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Numero do processo: 11080.721390/2013-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO.
Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
Numero da decisão: 1001-000.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1295; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 49 1 48 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.721390/201351 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1001000.390 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 06 de março de 2018 Matéria SIMPLES NACIONAL INDEFERIMENTO DA OPÇÃO Recorrente CONGRESSUL EQUIPAMENTOS E SERVICOS DE COMUNICACAO LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. IMPOSSIBILIDADE DE OPÇÃO. Se no prazo limite para a opção a empresa possuir débitos sem exigibilidade suspensa perante a Fazenda Pública, não poderá ingressar no Simples Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 13 90 /2 01 3- 51 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 11080.721390/201351 Acórdão n.º 1001000.390 S1C0T1 Fl. 50 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 5ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Fortaleza (CE), mediante o Acórdão nº 0827.485, de 29/10/2013 (efls. 26/28), objetivando a reforma do referido julgado. Em 07/01/2013, a empresa fez a opção pelo Simples Nacional, que foi indeferida, mediante Termo de Indeferimento, em 15/02/2013 (efl. 10), sob o fundamento de que a pessoa jurídica incorreu, naquele momento, na(s) seguinte(s) situação(ões) impeditiva(s): Débito previdenciário com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cuja exigibilidade não está suspensa. Lista de Débitos 1)Débito: 368516024 2)Débito: 368516032 3)Débito: 368516288 A interessada apresentou manifestação de inconformidade (efl. 2) contra o indeferimento da sua opção pelo Simples Nacional, argumentando que: Após consulta ao órgão para identificação desses débitos, pois os mesmos não se encontravam disponibilizados para parcelamento, foi identificado que esses faziam parte do parcelamento através da lei 11.941/2009, mas que não estavam identificados dentro deste parcelamento. (grifo não consta do original) A DRJ considerou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja fundamentação do voto transcrevese a seguir: Analisando as provas constantes das fls. 19 a 21 e 25, constatase que os débitos correspondentes aos códigos 368516024 e 368516032 foram realmente parcelados, conforme extrato de fl. 19. Entretanto, não há registro nos sistemas internos, bem como prova anexada pelo contribuinte, no sentido de que o débito correspondente ao código 368516288 tenha sido objeto de parcelamento. Ao contrário, de acordo com o extrato de fl. 25, o débito em causa encontrase em cobrança na PGFN desde 15/07/2010. O acórdão foi publicado com a seguinte ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Anocalendário: 2013 INDEFERIMENTO DE OPÇÃO. DÉBITO PREVIDENCIÁRIO. EXISTÊNCIA DE DÉBITO. NÃO COMPROVAÇÃO DA REGULARIZAÇÃO. MANUTENÇÃO DO INDEFERIMENTO. Deve ser mantido o Termo de Indeferimento de opção no Simples Nacional quando não regularizadas as pendências impeditivas até a data prevista para a opção Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Fl. 50DF CARF MF Processo nº 11080.721390/201351 Acórdão n.º 1001000.390 S1C0T1 Fl. 51 3 Ciente da decisão de primeira instância em 14/11/2013, conforme Aviso de Recebimento à efl. 31, a recorrente apresentou recurso voluntário em 04/12/2014 (efls. 33/47), conforme carimbo aposto na efl. 37 (No Termo de Análise de Solicitação e Juntada, à efl. 48, a data é confirmada, pois o carimbo não se encontra legível). É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Gira a lide sobre o indeferimento do pedido de inclusão no Simples Nacional, em virtude dos referidos débitos não pagos no prazo legal, ou cuja exigibilidade não estava suspensa. A base legal do indeferimento foi o art. 17, inciso V, da Lei Complementar 123/2006. No recurso interposto, a recorrente apresenta as seguintes alegações, transcritas a seguir: (grifos constam do original) DOS FATOS: Em 03/09/2012, recebemos o ADE Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Regime Especial Unificado de Tributos e Contribuições, nele constavam pendências junto a SECRETARIA DE RECEITA FEDERAL DÉBITOS PREVIDENCIARIOS E NÃO PREVIDENCIARIOS, junto a PGFN PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NÃO PREVIDENCIARIOS e junto ao MUNICÍPIO DE PORTO ALEGRE. Quando começamos a solucionar as pendências da empresa a Receita Federal do Brasil através da Coordenaria Geral de Arrecadação e Cobrança Codac, divulgou nota onde admitiu problemas no sistema de controle de cobrança Previdenciária, e que as empresas deveriam ignorar essas cobranças, pois elas não seriam impeditivas. Então qual não foi a nossa surpresa quanto essa cobrança foi mantida, inclusive nos penalizando com EXCLUSÃO DO SISTEMA. Ainda mais que os débitos Previdenciários em cobrança no ADE foram parcelados. Cabe salientar, nesse caso, que no parcelamento de débitos solicitado à previdência Social existentes no âmbito da RECEITA FEDERAL DO BRASIL, o qual deveria elencar e formalizar de TODOS OS DÉBITOS EXISTENTES, o mesmo não considerou o debito 368516288, constante no Relatório de Pendências da Receita Federal do Brasil, o que não ocorreu, pois o debito, não constava nos relatórios da previdência, nem nos débitos inscritos em Divida Ativa. Como se pode proceder o Fl. 51DF CARF MF Processo nº 11080.721390/201351 Acórdão n.º 1001000.390 S1C0T1 Fl. 52 4 Parcelamento do débito, se ele não consta nos relatórios formais de parcelamento? Anexa documentos (efls. 38/40), entre eles: ADE de exclusão (efls. 38/40), comunicado da CODAC (efl. 41); e consulta de débitos junto à PGFN (efl. 47). Quanto ao Comunicado da CODAC Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança, que identificou casos de listagem indevida de débitos, transcrevo artigo 1º do Ato Declaratório Executivo (ADE) nº 8, de 26 de setembro de 2012, D.O.U.: 27/09/2012, que trata do assunto, verbis: (grifos não constam do original) Art. 1º São nulos de pleno direito, desde a emissão, sem a produção de quaisquer efeitos jurídicos, os Atos Declaratórios Executivos EMITIDOS EM 3 DE SETEMBRO DE 2012 para os contribuintes optantes pelo Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional) QUE PARCELARAM, ATÉ AQUELA DATA, seus débitos de acordo com a Instrução Normativa RFB nº 1.229, de 21 de dezembro de 2011, e que não possuíam outros débitos que motivaram a exclusão. (grifos não constam do original) Apesar de a recorrente não apresentar prova de que a data de emissão do ADE foi no dia 03/09/2012, consta nos documentos à efls. 14/15, que o pedido de parcelamento se deu em 01/11/2009. Cotejando as informações acima, concluise que, como o parcelamento foi solicitado após a data de 03/09/2012, ao caso em tela não se aplica os efeitos do ADE nº 8, de 26 de setembro de 2012 (comunicado CODAC). Outrossim, o presente processo não trata do mérito do ADE de exclusão do SN de 2012, mas sim do indeferimento à opção pelo SN no anocalendário de 2013. No recurso interposto (segundo e terceiro parágrafos da transcrição acima), a recorrente reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, ou seja, não traz nenhum novo argumento contra o indeferimento de sua opção. Esses argumentos foram fundamentadamente afastados em primeira instância, pelo que peço vênia para transcrever o excerto a seguir do voto condutor do acórdão recorrido, adotandoo desde já como razões de decidir, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/1999 e com base no §3º do art. 57 do RICARF: (grifos não constam no original) Inicialmente, acerca do prazo de que dispõe o interessado, a cada ano, para realizar a opção pelo Simples Nacional, o parágrafo 2º do art 16 da Lei Complementar 123/2006 assim dispõe: Art 16 – A opção pelo Simples Nacional da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e empresa de pequeno porte darseá na forma a ser estabelecida em ato do Comitê Gestor, sendo irretratável para todo o ano calendário. ....................... § 2º – A opção de que trata o caput deste artigo deverá ser realizada no mês de janeiro, até o seu último dia útil, produzindo Fl. 52DF CARF MF Processo nº 11080.721390/201351 Acórdão n.º 1001000.390 S1C0T1 Fl. 53 5 efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário de opção, ressalvado o disposto no parágrafo terceiro deste artigo. De acordo com o Termo de Indeferimento, a pendência que impediu o contribuinte de efetuar a opção pelo Simples Nacional, para o anocalendário 2013, está relacionada à existência de débitos de natureza previdenciária, cuja exigibilidade não estariam suspensa. Sobre o tema, o inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, assim estabelece: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: V que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa;(grifo nosso) Analisando as provas constantes das fls. 19 a 21 e 25, constatase que os débitos correspondentes aos códigos 368516024 e 368516032 foram realmente parcelados, conforme extrato de fl. 19. Entretanto, não há registro nos sistemas internos, bem como prova anexada pelo contribuinte, no sentido de que o débito correspondente ao código 368516288 tenha sido objeto de parcelamento. Ao contrário, de acordo com o extrato de fl. 25, o débito em causa encontrase em cobrança na PGFN desde 15/07/2010. Em face do exposto, voto por considerar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o Termo de Indeferimento de fl. 10 Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário mantendose in totum a decisão de primeira instância. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726972/2009-44
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA.
As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho
INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS.
Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
Numero da decisão: 9202-006.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10507.000734/2008-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, trata-se de juros tributáveis.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10507.000734/2008-15, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10580.726972/200944 Recurso nº 1 Especial do Contribuinte Acórdão nº 9202006.365 – 2ª Turma Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria IRPF Recorrente IVAN QUEIROZ PEREIRA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE URV. NATUREZA. As diferenças de URV incidentes sobre verbas salariais integram a remuneração mensal percebida pelo contribuinte. Compõem a renda auferida, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional, por caracterizarem rendimentos do trabalho INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE OS JUROS RECEBIDOS. Não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10507.000734/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 69 72 /2 00 9- 44 Fl. 438DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, tendo por paradigma o processo n° 10507.000734/200815. Tratase de recurso especial interposto pelo contribuinte contra decisão proferida pela turma a quo que concluiu pela incidência do imposto de renda sobre verbas recebidas à título de "Valores Indenizatórios de URV". No entendimento daquele colegiado, em que pese a classificação dada pela respectiva lei estadual, as verbas em questão possuem natureza remuneratória, pois visavam corrigir diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão das moedas Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV em 1994. Na mesma decisão também foi mantido o lançamento do imposto sobre os valores correspondentes aos juros de mora. Na peça recursal o Contribuinte argui serem as verbas recebidas indenizatórias nos exatos termos em que fixado pela lei estadual, cita como exemplo entendimento sedimentado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando da promulgação da sua Resolução nº 245 a qual reconheceu que o abono conferido aos magistrados da União em razão das diferenças de URV possuía natureza jurídica indenizatória. Subsidiariamente, defende a não incidência do IRPF sobre os juros de mora, pois referidos valores não representariam acréscimo patrimonial. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.361, de 29/01/2018, proferido no julgamento do processo 10507.000734/200815, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor dos votos proferidos naquela decisão (Acórdão 9202006.361): Fl. 439DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 4 3 Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade e portanto deve ser conhecido. Conforme relatório, discutese nos autos a incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos em razão de lei estadual que previa pagamento de diferenças decorrentes de erro na conversão da moeda Cruzeiro Real para URV Unidade Real de Valor. Insatisfeito com a decisão a quo, o Contribuinte interpôs Recurso Especial objetivando o cancelamento do lançamento sob o fundamento de que citada verba tem caráter indenizatório. Subsidiariamente, caso seja negado provimento ao recurso neste aspecto, requer a exclusão dos juros moratórios da base de cálculo utilizada. Segundo argumentos apontados no Recurso, a verba em questão possui a mesma natureza do abono variável pago aos membros da Magistratura Federal e ao Ministério Público Federal. Nos termos da Resolução nº 245/2002 as verbas recebidas teriam natureza indenizatória e como tal estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Desta forma, aplicando o princípio da isonomia, a interpretação dada à legislação estadual deve ser igual aquela adotada para as leis federais nº 10.474/2002 e 10.477/2002. Pertinentes as considerações do Recorrente. Ao contrário do apontado no acórdão recorrido e do alegado em sede de contrarrazões não se pode afastar a aplicação do citado entendimento apenas pelo fato de a Resolução nº 245/2002 versar sobre valores recebidos por profissionais da União, afinal interpretandose sistematicamente as normas pertinentes, percebemos que o problema central da discussão natureza jurídica das verbas decorrentes de diferenças de URV também é tratado tanto na resolução quanto nas normas federais acima citadas. O jurista Marco Aurélio Greco ao se manifestar sobre a questão emitiu parecer didático, demonstrando que apesar de as normas federais regularem a forma de pagamento de "abono variável", esse é composto por valores de URV e como tal, adotandose a posição do STF, devem ser classificados como verbas indenizatórias. O professor ainda traçou um histórico demonstrando que toda a legislação estadual teve como pano de fundo o tratamento dado ao pagamento efetuado na esfera federal. Merece transcrição parte do parecer, haja vista a clareza na exposição dos fatos (grifos nossos): Em 2002, foi editada a Lei federal n. 10.474 cujo artigo 1° fixa o subsídio de Ministro do Supremo Tribunal Federal e cujo artigo 2° estabelece que o "abono variável" concedido pela Lei n. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 5 4 9.655/98" passa a corresponder à diferença entre a remuneração mensal percebida pelo Magistrado, vigente à data daquela lei e a decorrente desta lei" (caput), "descontados todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados a qualquer título" (§ 1°). Ou seja, a diferença entre o que cada Magistrado recebia em 1998 e o que foi fixado pela Lei n. 10.474/2002. Aqui está o ponto! Fixouse o subsídio do Ministro do S.T.F. e a diferença entre este e a remuneração individualmente percebida, no lapso temporal previsto na lei, seria pago a título de abono variável. Meses após esta Lei, é editada pelo Supremo Tribunal Federal a Resolução n. 245/2002 cujo artigo 1°é explícito ao prever: "Artigo 1o É de natureza indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da lei 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal." Diante da clareza dessa previsão, encerrase a discussão quanto à natureza jurídica do abono variável: tem natureza indenizatória. Portanto; não está sujeito à incidência do imposto sobre a renda e o que foi retido deveria ser devolvido ao magistrado. (É o que estabelece a respeito o art. 3°, II da REs. N. 245/2002). A questão que remanesceu em aberto era no sentido de saber se o montante desse abono variável englobava ou não a "diferença de URV". Para os agentes públicos que já estavam recebendo essa diferença, por força de decisão judicial ou administrativa, obviamente que o abono não a englobava, pois era expressamente excluída de sua base de cálculo (§ 1° do art 2° da Lei n. 10.474/2002 e inciso I, do art. 2° da Resolução n. 245/2002 do S.T. F) Para os demais, a resposta a esta pergunta é simples: se a "diferença de URV" foi considerada quando da fixação do subsídio do Ministro do S.T.F. (art. 1° da Lei n. 10.474/2002), então, ela (dif. URV) está abrangida pelo valor do abono, pois este corresponde à diferença entre o subsídio e a remuneração individual. Em números: se o subsídio foi fixado em R$ 100,00 computando se a diferença de URV de R$ 10,00 e a remuneração individual era de R$ 70,00 então o abono (de R$ 30,00) englobava a diferença de URV, pois esta estava dentro dos R$100,00 que serviram de patamar para cálculo do abono. Mas, como saber se o subsídio fixado pela Lei n. 10.474/2002 levava em conta a" diferença de URV"? A resposta não está no texto da lei, mas na estrutura da remuneração de Ministro do S.T.F então vigente. Fl. 441DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 6 5 À época da Mensagem enviada pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal com o projeto que se transformou na Lei n, 10.474/2002 vigorava a Resolução STF n. 195/2000 cujo artigo 1° previa: "Artigo 1° A remuneração do Ministro do Supremo Tribunal Federal será integrada das parcelas: R$ 454,53 (Lei 8.880/94) + R$ 1.008,83 (DL n. 2.371/87) + R$ 9.536,74 (Lei 8.448/92), num total de R$ 11.000,00." Ora, a "parcela da Lei n. 8.880/94" é exatamente a "diferença de URV"!! Portanto, ao se fixar na Lei n. 10.474/2002 o subsídio do Ministro que serviu de parâmetro para cálculo do abono variável, englobouse a "diferença de URV" extinguindo, com isto, eventuais pretensões neste sentido que ainda subsistissem. Aliás, isto foi expressamente apontado na Mensagem que encaminhou o projeto de lei que se transformou na Lei n. 10.474/2002: "A remuneração total da magistratura da União remanescerá composta unicamente de três parcelas (vencimento básico, gratificação e adicional de tempo de serviço). Não haverá possibilidade de incidir sobre esses valores quaisquer outros percentuais, tal como hoje está a correr, por exemplo, com os 11,98% relacionados com a conversão da URV." Podese concluir que, na fixação do subsídio e, portanto, na dimensão do abono variável, foi levada em conta a diferença de URV. Daí duas consequências: 1 quem recebeu o abono variável da Lei n. 10.474/2002 e não havia ganho por decisão administrativa ou judicial a diferença de URV estava a recebêla naquele momento embutida no abono. 2 Ao dizer que o abono da Lei n. 10.474/2002 tinha natureza jurídica indenizatória não sujeita a imposto sobre a renda, o Supremo Tribunal Federal estava a dizer que a "diferença de URV" até então não recebida e que veio a ser embutida no abono tem natureza indenizatória. A natureza indenizatória do abono variável da Lei n. 10.474/2002 e a intributabilidade dessa verba pelo imposto sobre a renda veio a ser reconhecida pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, no Parecer n. 529/2003 e estendida também ao abono previsto pela Lei federal n. 10.477/2002 aplicável aos Procuradores da República pelo Parecer PGFN n. 923/2003 (ambos referidos na Nota COSIT n. 177/2008). No âmbito dos agentes públicos estaduais, a PGFN entendeu que a natureza da verba era remuneratória (e, portanto, tributada pelo I.R.), salvo no caso do Rio de Janeiro, pois havia lei estadual determinando a aplicação aos Procuradores do Estado do abono previsto na Lei n. 10.477/2002. Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 7 6 Em suma, como reconhecido pela própria PGFN os abonos variáveis previstos nas Leis n. 10.474/2002 e n. 10.477/2002 não são alcançados pela norma de incidência do imposto sobre a renda. E acrescenta: A Lei Complementar n. 20/2003 e a Lei n. 8.730/2003 do Estado da Bahia prevêem expressamente que os pagamentos nelas previstos dizem respeito às diferenças pela conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. Notese que estas Leis: 1) São de setembro de 2003, portanto, depois da Lei federal n. 10.474/2002 que instituiu o abono que englobava a diferença de URV e da Resolução n. 245/2002 do Supremo Tribunal Federal que afirmou o caráter indenizatório desse abono; 2) Aplicamse aos que não haviam até então recebido a "diferença de URV" os quais, se estivessem no âmbito federal ou no Estado do Rio de Janeiro, a estariam recebendo embutida no abono e como verba de natureza indenizatória. O quadro aqui exposto mostra que os dispositivos das referidas leis do Estado da Bahia, ao preverem que as 36 parcelas em que foi dividido o pagamento da diferença de URV tinham natureza indenizatória, não veiculam preceitos despropositados à vista do contexto jurídico da época. Mais ainda, se em relação a idênticas funções exercidas no âmbito federal e do Estado do Rio de Janeiro admitiuse o caráter indenizatório por existir lei expressa determinando o pagamento de verba que englobe a URV, cumpre ser assegurado o mesmo tratamento ao Estado da Bahia, sob pena de violação ao artigo 150, II da CF/88. (GRECO, Marco Aurélio. Imposto Sobre a Renda: Valores Pagos a Agente Públicos Estaduais a Título de Diferença de URV. Falta de Fundamento Jurídico Para a União Cobrar o Imposto. Revista Eletrônica de Direito do Estado (REDE), Salvador, Instituto Brasileiro de Direito Público, nº. 30, abril/maio/junho de 2012. Disponível na Internet: <http://www.direitodoestado.com/revista/REDE30ABRIL2012MARCO AURELIOGRECO.pdf>. Acesso em: 06 de junho de 2016) Portanto, se o entendimento adotado pelo STF, e também pela Procuradoria da Fazenda Nacional em seus pareceres, é no sentido de o abono variável recebido pelos magistrados federais e Ministério Público Federal ser verba indenizatória, e se tal abono também é composto por verba paga em razão da conversão da moeda da época em URV, forçoso concluir que essa mesma verba quando prevista pelas leis estaduais deve receber o mesmo tratamento. Entendimento diverso violaria o princípio constitucional da isonomia e a segurança jurídica. Para o professor Roque Antônio Carrazza para garantir a segurança jurídica na relação Fisco/contribuinte é mister que "a lei que descreve a açãotipo Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 8 7 tributária valha para todos igualmente, isto é, seja aplicada a seus destinatários (quer pelo Judiciário, quer pela Administração Fazendária) de acordo com o princípio da igualdade (art. 5º, I da CF)." Destaco ainda que o lançamento e acórdão recorrido ao afastarem o caráter indenizatório das verbas, sob o argumento de que essas serviram para repor "a atualização monetária dos salários do período considerado", reforçaram a tese de que os valores ora discutidos não podem ser tributados pelo imposto de renda. Isso porque é passível na doutrina e na jurisprudência dos tribunais que a correção monetária não representa acréscimo patrimonial, é na verdade mecanismo de recomposição da efetiva desvalorização da moeda, seu objetivo é preservar o poder aquisitivo original em relação à inflação, inflação essa que motivou toda a sistemática de aplicação da própria URV. O Ministro Marco Aurélio, relator do Recurso Extraordinário nº 565.089, onde se discute (em sede de Repercussão Geral) a indenização por falta de revisão anual em vencimentos dos servidores públicos de São Paulo, externa em seu voto o seguinte entendimento: O Supremo já assentou que “a correção monetária não se constitui em um plus, não é uma penalidade, mas mera reposição do valor real da moeda corroída pela inflação” – Agravo Regimental na Ação Cível Originária nº 404, da relatoria do Ministro Maurício Corrêa. Nos termos do art. 43 do CTN não se discute que o fato gerador do Imposto de Renda é a disponibilidade econômica ou jurídica de renda (produto do capital, do trabalho ou de ambos) ou proventos de qualquer natureza, entretanto o conceito de renda é limitado e não abrange valores que não representem acréscimo ao patrimônio do contribuinte, como é o caso dos autos. Portanto, sob todos os prismas analisados, não vejo como possível afastar a natureza indenizatória das verbas recebidas pelo Recorrente à titulo de "diferenças de URV", seja pela aplicação da Resolução nº 245 do STF, seja pelo fato de tal medida ter sido adotada no intuito de recompor seu patrimônio pela perda experimentada quando da conversação das moedas. Diante do exposto, no que tange a natureza da verba recebida, dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Do pedido subsidiário: Vencida quanto ao mérito haja vista a decisão da maioria do Colegiado, manifestome acerca do pedido subsidiário formulado pelo Recorrente, por meio do qual defende a não incidência do Imposto de Renda sobre os valores recebidos a título de juros. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 9 8 Segundo o entendimento do Recorrente, invariavelmente, os juros de mora possuem natureza indenizatória, pois sua função é a de recompor dano ao patrimônio do beneficiário que deixou de receber no tempo certo valor que lhe seria devido. Tratase de entendimento compartilhado pelos mais renomados juristas, valendo citar parte do artigo publicado pelo Professor Hugo de Brito Machado, na Revista Dialética de Direito Tributário nº 215 (p. 115/116): Não há dúvida quanto à natureza indenizatória dos juros de mora. A expressão juros moratórios, que é própria do Direito Civil, designa a indenização pelo atraso no pagamento da divida. O Código Civil de 1916 estabelecia que as perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, consistem nos juros de mora e custas, sem prejuízo das pena convencional. E o Código Civil vigente estabelece: "Art. 404. As perdas e danos, nas obrigações de pagamento em dinheiro, serão pagas com atualização monetária segundo índices oficiais regularmente estabelecidos, abrangendo juros, custas e honorários de advogados, sem prejuízo da penas convencional. Parágrafo único: Provado que os juros de mora não cobrem o prejuízo, e não havendo pena convencional, pode o juiz concede ao credor indenização complementar." Com se vê, o legislador previu que o não recebimento nas datas correspondentes dos valores me dinheiro aos quais se tem direito implica prejuízo. (...) Não se trata de lucro cessante, nem de dano simplesmente moral, que evidentemente também podem ocorrer. Tratase de perda patrimonial efetiva, decorrente do não recebimento, nas datas correspondentes, dos valores aos quais tinha direito. Perda que o legislador presumiu e tratou como presunção absoluta que não admite prova em contrário, e cuja indenização com juros de mora independe de pedido do interessado. Ora, os valores recebidos a título de juros moratórios não estariam sujeitos ao imposto, afinal o conceito de renda e proventos propostos pela Constituição Federal exigem a ocorrência de um acréscimo patrimonial experimentado ao longo de um determinado período de tempo, o que conforme anteriormente exposto não ocorre no presente caso concreto. Em que pese concordar com os argumentos acima, entendo que a norma regimental prevista no art. 62 do RICARF me impede de deixar de aplicar o que determina o art. 16 da Lei 4.506/1964: “Art. 16. serão classificados como rendimentos do trabalho assalariado tôdas as espécies de remuneração por trabalho ou serviços prestados no exercício dos empregos, cargos ou funções Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 10 9 referidos no artigo 5º do Decretolei número 5.844, de 27 de setembro de 1943, e no art. 16 da Lei número 4.357, de 16 de julho de 1964, tais como: (...) Parágrafo único. Serão também classificados como rendimentos de trabalho assalariado os juros de mora e quaisquer outras indenizações pelo atraso no pagamento das remunerações previstas neste artigo.” (Grifamos) Destaco que o Supremo Tribunal Federal ainda não firmou sua posição em relação ao assunto, haja vista estar pendente de julgamento o Recurso Extraordinário nº 855.091, recebido sob o rito da Repercussão Geral sob o Tema 808 Incidência de imposto de renda sobre juros de mora recebidos por pessoa física, processo por meio do qual questionase a constitucionalidade dos dispositivos acima descrito. Vale mencionar que a maioria do colegiado, nos termos da jurisprudência em especial do RE1.227.133/RS, entende que apenas não são tributáveis os juros incidentes sobre verbas isentas ou não tributáveis, assim como os recebidos no contexto de perda do emprego. Na situação sob análise, não se estando diante de nenhuma destas duas hipóteses, tratase de juros tributáveis. Assim, diante do exposto, quanto à incidência de imposto de renda sobre os juros de mora, nego provimento ao recurso do Contribuinte. Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora quanto à natureza da verba em litígio, ouso discordar quanto à não incidência do IRPF pela natureza supostamente indenizatória das verbas recebidas, à luz da aplicação da Lei Complementar Estadual no. 20, de 2003, e da Resolução STF no. 245, de 2002. A propósito, reitero aqui considerações que teci quando do julgamento de feito semelhante no âmbito da 1a. Turma Ordinária 1a. Câmara da 2a. Seção deste CARF (Acórdão no. 2.101002.724), mantendo de forma integral meu posicionamento acerca do assunto, que assim se resume: a) Da natureza das verbas recebidas e da Lei Complementar Estadual 20, de 2003 Cumpre, primeiramente, salientar que os rendimentos de que trata o presente processo foram recebidos do Ministério Público do Estado da Bahia, a título de "Valores Indenizatórios de URV", em atendimento ao disposto pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, a qual, dentre outras disposições, preceitua que a verba em questão é de Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 11 10 natureza indenizatória. Para melhor entendimento, transcrevemos, a seguir, os artigos 2° e 3° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003: Art. 2° As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de n° 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1° de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3° São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2° desta Lei. Com efeito, da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, é possível concluir, tal como concluiu a parte recorrente, que foi atribuída, pelo Estado da Bahia, natureza indenizatória às diferenças decorrentes de erro na conversão da remuneração dos membros do Ministério Público, de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária em questão. Todavia, do exame desses dispositivos isoladamente, é impertinente inferir que se tratam de rendimentos isentos do Imposto sobre a Renda de Pessoa física. Em primeiro lugar, a competência para legislar sobre o imposto sobre a renda é da União, e a lei acima transcrita é estadual. Assim, não se trata, aqui, de invasão de competência do STF pela União para declarar inconstitucional a referida Lei Complementar Estadual, mas, sim, interpretar o diploma de acordo com a competência tributária constitucionalmente estabelecida, de forma que os efeitos da referida LC, no que tange ao caráter indenizatório das verbas recebidas, se limitem a matérias cuja competência seja do Estado da Bahia, visto que, de outra forma, se estaria a validar a possibilidade de invasão de competência tributária da União por este mesmo Estado. Assim, imprescindível a análise da natureza dessas verbas, no contexto de todo o direito positivo, para se concluir pela sua tributação ou não pelo imposto sobre a renda. Chama a atenção o fato de que as diferenças de URV pagas ao contribuinte pelo Ministério Público do Estado da Bahia não se destinam à recomposição de um prejuízo, ou dano material por ela sofrido. Diferentemente, as verbas recebidas pela contribuinte repõem a atualização monetária dos salários do período considerado. Nesse sentido, observase que o artigo 2° da Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, deixa claro que se trata de diferenças de remuneração quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV. É incontornável a constatação que tais diferenças integram a remuneração mensal percebida pela contribuinte, em Fl. 447DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 12 11 decorrência do seu trabalho, constituindo parte integrante de seus vencimentos. As verbas assim auferidas integram, portanto, a definição de renda, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional. Por fim, de se reproduzir uma vez mais a jurisprudência do STJ, colacionada inclusive em um dos paradigmas trazidos pela recorrente (Acórdão 2801002.742), que sustenta tal posicionamento, no sentido de se rejeitar o caráter indenizatório das verbas em questão. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. IMPORTÂNCIAS PAGAS EM DECORRÊNCIA DE SENTENÇA TRABALHISTA. NATUREZA REMUNERATÓRIA. RESPONSABILIDADE PELA RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. FONTE PAGADORA. ALÍQUOTA APLICÁVEL. EXCLUSÃO DA MULTA. 1. O recebimento de remuneração em virtude de sentença trabalhista que determinou o pagamento da URP no período de fevereiro de 1989 a setembro de 1990 não se insere no conceito de indenização, constituindose complementação de caráter nitidamente remuneratório, ensejando, portanto, a cobrança de imposto de renda. (...) 5. Recurso especial parcialmente provido (REsp 383.309/SC, Rel. Min. João Otávio de Noronha, DJU de 07.04.06); Eram, portanto, as verbas em questão tributáveis, independentemente da denominação a elas conferida pela Lei Complementar do Estado da Bahia n° 20, de 2003, conclusão em perfeita consonância e respaldada pelos dispositivos legais mencionados no auto de infração à efl. 06. b) Da Resolução n.° 245 do STF A recorrente traz à baila a Resolução n.° 245 do STF, que, uma vez estendida aos membros do Ministério Público da União, por força do artigo 2° da Lei n° 10.477, de 2002, de despacho do PGR no âmbito do Processo Administrativo 1.00.000.011735/2002 e Pareceres PGFN nos. 529 e 923, de 2003, aplicarseia também aos membros do Ministério Público dos Estados, de forma a que se afastasse a incidência do IRPF sobre as verbas em discussão. A respeito, verifico que a questão da aplicabilidade da Resolução n° 245 do STF aos valores recebidos a título de diferenças de URV foi exaustivamente analisada pelo Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka no voto condutor da decisão proferida pela mesma 1a. Turma Ordinária da 1a Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho, no Acórdão n° 2101002.388, de 18 de fevereiro de 2014. Por se aplicar ao caso que aqui se analisa, e por refletir o entendimento deste Relator, adotase o quanto manifestado naquele voto. Veja se: “(...) Fl. 448DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 13 12 Buscando reforçar o argumento, requer a contribuinte a aplicação da Resolução n.° 245 do STF, assim como de consulta administrativa realizada pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, os quais disporiam acerca da remuneração dos magistrados. No entanto, mencionadas normas não se aplicam ao fim pretendido pela Recorrente. Inicialmente, cumpre salientar que a dita resolução dispôs acerca da forma de cálculo do abono salarial variável e provisório de que trata o art. 2° e parágrafos da Lei n.° 10.474/2002, considerandoo como de natureza indenizatória. Neste sentido, o inciso I do art. 1° trouxe a forma de cálculo deste abono: "I apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei n° 10.474, de 2002 (Resolução STF n° 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%)". A própria redação da Resolução excluiu do valor integrante do abono as verbas referentes à diferença de URV, de onde se interpreta que esta não tem natureza indenizatória, mas de recomposição salarial. Tal tema inclusive já foi enfrentado Egrégio Superior Tribunal de Justiça, tendo este reconhecido as diferenças entre a abono salarial tratado pela norma e a diferença da URV, conforme se verifica de voto da Ministra Eliana Calmon: "Na jurisprudência desta Casa, colho os seguintes precedentes, que sempre distinguiram as hipóteses de percepção das diferenças remuneratórias da URV do abono identificado na Resolução 245/STF: (...)" (STJ, Recurso Especial n.° 1.187.109/MA, Segunda Turma, Ministra Relatora Eliana Calmon, julgado em 17/08/2010)" E tal também foi o entendimento do Ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, em decisão monocrática proferida nos autos do Recurso Extraordinário n.° 471.115, do qual se colaciona o seguinte excerto: "Os valores assim recebidos pelo recorrido decorrem de compensação pela falta de oportuna correção no valor nominal do salário, quando da implantação da URV e, assim, constituem parte integrante de seus vencimentos. As parcelas representativas do montante que deixou de ser pago, no momento oportuno, são dotadas dessa mesma natureza jurídica e, assim, incide imposto de renda quando de seu recebimento. No que concerne à Resolução n° 245/02, deste Supremo Tribunal Federal, utilizada na fundamentação do acórdão recorrido, tem se que suas normas a tanto não se aplicam, para o fim pretendido pelo recorrido (...)" (STF, Recurso Extraordinário n.° 471.115, Ministro Relator Dias Toffoli, julgado em 03/02/2010)" Fl. 449DF CARF MF Processo nº 10580.726972/200944 Acórdão n.º 9202006.365 CSRFT2 Fl. 14 13 Adicionalmente, caso se tenha leitura diversa da Resolução STF no. 245, de 2002, entendo de se aceder, ainda, à argumentação da PGFN, no sentido de se cingirem os efeitos da referida e dos despachos PGR e Pareceres PGFN em questão aos membros das carreiras mencionadas no âmbito das Leis no. 10.474 e 10.477, ambas de 27 de julho de 2002 (às quais, ressaltese, não pertence, o recorrente), vedados: a) o estabelecimento de isenção por analogia a partir do disposto nos arts. 97, VI e 111, I e II do CTN e 150 §6o. da CRFB; b) o afastamento da hipótese de incidência, delineada pelos dispositivos legais de efl. 10, por violação ao princípio constitucional da isonomia, uma vez que é expressamente vedado a este Conselho afastar a aplicação da lei tributária com base em argumentação de violação a preceitos constitucionais, consoante dispõe o art. 62 do Regimento já mencionado e Súmula CARF no. 02. Concluise, portanto, pelo caráter salarial dos valores recebidos acumuladamente pelo Recorrente, razão pela qual deverão compor a base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, nos termos do art. 43 do Código Tributário Nacional e dispositivos legais de efl. 06 que fundamentaram o auto de infração, descartado o afastamento da incidência do IRPF seja pelo disposto na Lei Complementar do Estado da Bahia no. 20, de 2003, seja pelo teor da Resolução STF no. 245, de 2002. Assim, opinando pela natureza remuneratória das verbas recebidas sob análise, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. Em face ao exposto, voto por conhecer do Recurso Especial e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 450DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.903159/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO.
Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3302-005.086
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PIS/COFINS Recorrente FERMENTOS BRASIL ESPANHA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS PROBATÓRIO DO INTERESSADO. Recai sobre o contribuinte o ônus probatório quanto à certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Sarah Maria L. de A. Paes de Souza que convertia o julgamento em diligência para apuração da base de cálculo devida. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, José Fernandes do Nascimento, José Renato Pereira de Deus, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Jorge Lima Abud, Diego Weis Júnior, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 90 31 59 /2 01 0- 82 Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10950.903159/201082 Acórdão n.º 3302005.086 S3C3T2 Fl. 3 2 Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. De acordo com o Despacho Decisório emitido pela unidade de origem, a partir das características do DARF descrito no PerDcomp foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de inconformidade alegando que, após profícuo e extenuante estudo, constatou que desde o advento da Lei 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja visto que a peticionária comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código este contemplado pela referida lei através do seu Art º com alíquota 0 para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Afirma ainda que após ser cientificada do DD, tentou retificar a DCTF sem êxito, haja vista o prazo já ter expirado. O contribuinte apresentou Solução de Consulta sobre classificação de mercadorias e notas fiscais (amostragem), requerendo a reavaliação do Despacho Decisório. Na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, nos termos do Acórdão nº 02052.058. Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa, após ser cientificada, apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, no qual repisa os argumentos já aduzidos em sede de manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.066, de 30 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10950.900108/201180, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.066): "PRELIMINARES Dos requisitos de admissibilidade Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10950.903159/201082 Acórdão n.º 3302005.086 S3C3T2 Fl. 4 3 O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Do pedido para juntada posterior de provas Protesta o Recorrente pela posterior juntada de novos documentos e provas que se fizerem necessárias ao deslinde do feito. Esclareçase que a juntada posterior ao momento impugnatório, de provas ao processo somente encontra amparo se comprovadas às condições impostas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, abaixo transcrito: § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Observase no entanto, que não demonstrou o recorrente abrigarse na norma excepcional acima destacada. MÉRITO Da inexistência probatória Tendo em vista que a questão dos autos diz respeito ao instituto da compensação, forma de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156 do CTN, e disciplinada no art. 170 do referido diploma legal, há exigências fundamentais para que possa ser operacionalizada a compensação, no âmbito do Direito Tributário, sendo as principais: (1) a necessidade de lei que autorize a compensação; e (2) que os créditos de titularidade do sujeito passivo sejam líquidos e certos. Dizse assim que um crédito é certo quando não há dúvida relativa à sua existência e é líquido quando é conhecido seu exato valor, ou seja, a certeza diz respeito à existência do crédito e a liquidez diz respeito ao montante. Sendo líquido e certo o crédito do particular e existindo lei que preveja a compensação, procederseá ao encontro das dívidas. Nesse mister, a compensação está disciplinada nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, no caso em apreço, quanto à questão meritória, destaca o recorrente que desde o advento da Lei nº 10.925, de 23 de Julho de 2004, estava recolhendo PIS e COFINS em desacordo com o citado diploma legal, haja vista que comercializa, dentre outros, o produto popularmente conhecido como "fermento lático" cuja classificação no código NCM é 3002.90.99, código contemplado pela referida lei com alíquota zero para PIS e COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de vendas no mercado interno. Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10950.903159/201082 Acórdão n.º 3302005.086 S3C3T2 Fl. 5 4 Em se tratando de direito creditório pleiteado é importante demonstrar em breve abordagem a questão do ônus probatório. Utilizandose subsidiariamente as regras do Código de Processo Civil, vigente à época da apresentação da manifestação de inconformidade, verifica se: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. Disciplina o processo administrativo fiscal, Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 9º que [a exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito]. Já o art. 16, III, do citado diploma legal estabelece que a impugnação mencionará [os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir]. Observese que a premissa para verificar a origem do crédito, que é a constatação do indébito, inexiste no presente caso, visto que restou demonstrado no citado despacho decisório que o suposto crédito estava totalmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, não restando, assim, crédito disponível para compensação pretendida. Ressaltese que, no presente caso, a regra acima quanto ao ônus probatório, se inverte, cabendo ao requerente de um suposto direito creditório demonstrar ao fisco, os livros e documentos exigidos pela legislação para a comprovação de seu direito. Nesse sentido, o recorrente teve a oportunidade processual, visto que lhe foram assegurados o contraditório e ampla defesa, quando da apresentação da manifestação de inconformidade de apresentar documentos/livros que demonstrem à Administração Tributária o suposto o crédito pleiteado. Com efeito, pela minudência da fundamentação, reproduzo parcialmente excertos da decisão de piso: Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta.(grifei). Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10950.903159/201082 Acórdão n.º 3302005.086 S3C3T2 Fl. 6 5 No caso concreto, o contribuinte declarou em DIPJ e confessou em DCTF o tributo recolhido por meio do Darf apresentado como crédito para a compensação. Transmitiu o PerDcomp (...), mas não efetuou a retificação de suas declarações. Ressaltese que (...) retificou as DCTF (....) contudo sem alterar os valores em discussão. A Solução de Consulta de classificação serve para amparar a classificação da mercadoria ali descrita. As notas fiscais apresentadas, de acordo com o contribuinte, por amostragem comprovam a venda da mercadoria indicada na Solução de Consulta. Entretanto, o valor pleiteado como crédito é igual a 96% do Darf. Significa dizer que o contribuinte , praticamente, só comercializa o produto objeto da Solução de Consulta, informação que não foi prestada nem comprovada na manifestação. As provas apresentadas por amostragem são insuficientes para comprovar os fatos relatados e para conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado.(grifei). Ante o exposto, VOTO POR REJEITAR A PRELIMINAR SUSCITADA E NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar os fatos relatados e conferir certeza e liquidez ao crédito pleiteado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 128DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12448.720534/2010-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DISPOSIÇÕES CONSTANTES DA LEI Nº 10.101/00. NORMA ISENTIVA. EXIGÊNCIA DE CUMPRIMENTO.
Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição se, e somente se, forem observados os requisitos constantes da Lei nº 10.101/00, entre eles, a exigência da existência de regras claras e objetivas sobre as metas a serem alcançadas.
ESTAGIÁRIO. REMUNERAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Os valores de prêmios destinados a reconhecer os melhores estagiários, embora possam ser considerados como remuneração destes, não integram o salário de contribuição em face da natureza do contrato de estágio, distinta de um contrato de trabalho.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-004.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 26/02/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DISPOSIÇÕES CONSTANTES DA LEI Nº 10.101/00. NORMA ISENTIVA. EXIGÊNCIA DE CUMPRIMENTO. Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição se, e somente se, forem observados os requisitos constantes da Lei nº 10.101/00, entre eles, a exigência da existência de regras claras e objetivas sobre as metas a serem alcançadas. ESTAGIÁRIO. REMUNERAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Os valores de prêmios destinados a reconhecer os melhores estagiários, embora possam ser considerados como remuneração destes, não integram o salário de contribuição em face da natureza do contrato de estágio, distinta de um contrato de trabalho. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 26; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1738; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 910 1 909 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12448.720534/201066 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.067 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 05 de fevereiro de 2018 Matéria Contribuições Sociais Previdenciárias Recorrente OPPORTUNITY GESTORA DE RECURSOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. DISPOSIÇÕES CONSTANTES DA LEI Nº 10.101/00. NORMA ISENTIVA. EXIGÊNCIA DE CUMPRIMENTO. Os valores pagos a título de PLR não integram o salário de contribuição se, e somente se, forem observados os requisitos constantes da Lei nº 10.101/00, entre eles, a exigência da existência de regras claras e objetivas sobre as metas a serem alcançadas. ESTAGIÁRIO. REMUNERAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. Os valores de prêmios destinados a reconhecer os melhores estagiários, embora possam ser considerados como remuneração destes, não integram o salário de contribuição em face da natureza do contrato de estágio, distinta de um contrato de trabalho. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 44 8. 72 05 34 /2 01 0- 66 Fl. 936DF CARF MF 2 CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente e Relator. EDITADO EM: 26/02/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Relatório Tratase de Recurso de Voluntário interposto contra acórdão da 10ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I que manteve, integralmente, o lançamento tributário relativo às contribuições sociais previdenciárias devidas pela empresa aos Terceiros e incidentes sobre pagamentos realizados aos segurados empregados a título de PLR e outras parcelas consideradas remuneratórias pela Fiscalização. Tal crédito foi constituído por meio de Auto de Infração que contém o Debcad 37.299.4830 (fls. 2 do processo digitalizado), devidamente explicitado, pelo qual foi apurado o crédito tributário no valor de R$ 2.004.420,29 em valores consolidados em novembro de 2010. A ciência pessoal do Auto de Infração, que contém o lançamento referente às contribuições devidas no período de janeiro de 2007 a novembro de 2008, ocorreu em 25 de novembro de 2010, conforme se verifica às folhas 02. Em 27 de dezembro de 2010, foi apresentada a impugnação ao lançamento (fls.78). Porém houve recolhimento, no prazo para apresentação da impugnação, de valores relativos à rubrica 'gratificação eventual'. Em 14 de maio de 2013, a 10ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, por meio da decisão consubstanciada no Acórdão 1255.835 (fls. 736), de forma unânime, julgou parcialmente procedente a defesa administrativa apresentada e tal decisão restou assim ementada: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007, 01/08/2007 a 31/10/2007, 01/02/2008 a 31/03/2008, 01/06/2008 a 31/12/2008 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. As parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desacordo com a lei 10.101/2000 integram o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuição previdenciária, na inteligência do art. 28, § 9º, alínea “j” da Lei nº 8.212/91. Fl. 937DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 911 3 SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integram a remuneração para fins de incidência de contribuições sociais as rubricas não expressamente desvinculadas por lei do saláriodecontribuição. Impugnação Improcedente" Tal decisão tem o seguinte relatório que, por sua clareza e precisão, reproduzo (fls. 738): "Tratase de crédito lançado pela fiscalização (AI DEBCAD 37.299.4830, consolidado em 05/11/2010), no valor de R$ 1.290.071,78; acrescidos de juros e multa de mora, contra a empresa acima identificada que, de acordo com o Relatório Fiscal (fls. 50/72), referese às contribuições devidas pelo sujeito passivo ao SalárioEducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE, no período de 01/2007 a 03/2007, 08/2007 a 10/2007, 02/2008, 03/2008, 06/2008 a 13/2008. 2. Segundo o relatório fiscal, o débito levantado nesta autuação decorre de pagamento de participações nos lucros ou resultados em desconformidade com a legislação e, do pagamento de outras parcelas remuneratórias não integradas à base de cálculo das contribuições previdenciárias (Prêmio Melhor Estagiário e Gratificação Eventual). DA IMPUGNAÇÃO 3. Inconformada com o lançamento, a interessada manifestouse às fls. 78/127, argüindo a tempestividade e alegando em síntese que: 3.1. no que se refere às infrações relacionadas à rubrica “Gratificação Eventual”, a impugnante reconhece a procedência do lançamento, razão pela qual efetuou o pagamento dos correspondentes débitos, encontrandose extintos, nos termos do art. 156, I, do CTN, os créditos tributários correspondentes; 3.2. os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados ocorreram em estrita observância ao art. 7º, XI, da CF e a todos os requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000; 3.3. conforme entendimento do STJ, os valores distribuídos a título de PLR, não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, não sendo necessária a análise de preenchimento de todos os requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000; 3.4. os planos de PLR, negociados no âmbito da Impugnante efetivamente cumpriram com todos os requisitos da Lei 10.101/2000; 3.5. quanto ao primeiro fundamento utilizado pela fiscalização para a autuação (falta de regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras Fl. 938DF CARF MF 4 adjetivas – art. 2º, § 1º, da Lei 10.101/2000), temse que da leitura do plano de PLR da impugnante – doc. 06, resta demonstrado que tal exigência foi atendida; 3.6. no tocante aos critérios substantivos, o plano de PLR é absolutamente claro ao determinar que a participação dos empregados nos lucros e resultados dependeria de dois fatores: lucro líquido no período ou, o alcance das metas estabelecidas para referido período – Cláusula 5º, alínea “a”, e a distribuição de lucros e resultados de acordo com o desempenho individual de cada trabalhador, apurado de acordo com o Programa de Avaliação– Cláusula 5ª, alínea “b” – docs. 10, 11, 12 e 13); 3.7. de acordo com o Plano (Cláusula 5ª, §§ 2º e 3º), as metas a serem alcançadas, os critérios de avaliação de desempenho e a forma de cálculo do valor tocante a cada trabalhador a título de PLR estão descritos no Anexo I ao Plano (Estrutura do Programa de PLR – doc. 07); 3.8. a Estrutura do Programa de PLR descreve pormenorizadamente o processo de avaliação de desempenho, sob o sistema 360º (Avaliação Vertical, Avaliação da Área e Avaliação Lateral); 3.9. o referido documento prevê quais os fatores preponderantes e as metas a serem alcançadas, utilizadas como medida no processo de avaliação para determinação do valor a ser pago de PLR, quais sejam: eficácia, melhoria da empresa, informação/análise/negócio, relacionamento e imagem da empresa, precaução, custos, formação de equipes (para líderes), indique de clientes, contribuição ao quadro, comprometimento organizacional, alinhamento com valores da empresa, dedicação, entendimento do negócio, iniciativa, liderança, preparo e autoaprimoramento, automotivação, estabilidade emocional, orientação empresarial, disponibilidade e trabalho em equipe; 3.10. cada um dos fatores de avaliação recebe uma nota e a média das notas atribuídas por cada avaliador a cada um dos quesitos de avaliação, ponderadas de acordo com os pesos referentes ao grau de senioridade, representa a nota final do empregado; 3.11. o Plano de PLR é ainda cristalino no tocante à forma de cálculo da participação que toca a cada trabalhador, concluído o processo de ponderação de notas, o resultado é multiplicado por R$ 1.000,00, chegandose ao valor individual de PLR; 3.12. os valores creditados em favor dos empregados no período objeto da autuação foram calculados em estreita observância aos parâmetros traçados naquele instrumento, o que se extrai do simples cotejo entre os resultados das avaliações de desempenho dos empregados e os valores que lhes foram pagos (docs. 10, 11, 12 e 13); 3.13. os trabalhadores da impugnante sabem com antecedência o que precisam fazer para receberem a PLR: contribuir para o resultado financeiro positivo da empresa e esmerarse nas tarefas diárias para alcançarem as metas setoriais negociadas Fl. 939DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 912 5 para cada exercício, para assim ter um bom desempenho no processo de avaliação; 3.14. quanto aos critérios adjetivos, a cláusula 4ª estabelece quais trabalhadores são elegíveis a participar do programa de PLR; 3.15. também restou claro que os valores seriam pagos em duas oportunidades, com periodicidade semestral; 3.16. os empregados tiveram ciência dos Programas de Avaliação e a distribuição operada foi feita com absoluta observância do atingimento das metas negociadas junto aos trabalhadores; 3.17. quanto à efetiva negociação com a coletividade dos empregados, temse que a empresa optou por fazêla sob a modalidade de comissão composta por representantes do empregador e dos empregados; 3.18. a impugnante circulou, em 08/03/2004, o comunicado (doc. 09), convocando os trabalhadores interessados a se inscreverem para fazerem parte da referida comissão, entretanto apenas o Sr. Fabio Pereira Nunes se candidatou, pelo que este foi o único empregado a compor a comissão; 3.19. os termos do Plano de PLR foram negociados e aprovados no âmbito da comissão e a assinatura do referido representante dos empregados demonstra que o mesmo foi objeto de negociação e elaboração de maneira paritária; 3.20. quisesse a fiscalização demonstrar a inexistência de negociação, deveria ter trazido alguma prova de coação sobre este representante dos empregados para forçálo a assinálo; entretanto, ciente da fragilidade de seu argumento, deixou de provar esta insinuação; 3.21. além da comissão regularmente eleita ter negociado o Plano de PLR, este foi aprovado pela integralidade de empregados, que à época trabalhavam na impugnante, aprovação esta manifestada por meio da assinatura da Lista de Concordância ao PLR firmado em 2004 (doc. 08); 3.22. o Comitê ainda fez reuniões com o objetivo de tratar do processo de avaliação de empregados adjacente ao Plano de PLR; 3.23. não há qualquer espaço para se levantar suspeita acerca da efetiva atuação dos empregados na negociação da participação nos lucros ou resultados da empresa; 3.24. as distribuições de PLR feitas aos empregados demitidos foram transitadas nos Termos de Rescisão apresentados à fiscalização por meio de resposta ao TIF nº 3, de 06/10/2010; 3.25. a questão dos aportes em contas de PGBL não guardam relação com o Programa de PLR existente na impugnante, sendo Fl. 940DF CARF MF 6 certo que os valores creditados a cada um dos beneficiários não se confundem com as importâncias recebidas a título de PLR; 3.26. embora as Atas de Reunião do Comitê Executivo prevejam tal faculdade, nenhum dos trabalhadores da impugnante manifestou interesse em receber parte de seu PLR por meio de aporte em previdência privada; 3.27. tendo em vista que os créditos em PGBL não se confundem com o PLR distribuído aos empregados da impugnante, falece o argumento utilizado pela fiscalização para autuála neste particular; 3.28. quanto à alegada ausência de representação sindical na negociação dos Planos, temse que o programa de PLR contou com a participação do Sindicato dos Empregados no Mercado de Capitais do Rio de Janeiro, o qual, manifestando sua concordância e ciência com os termos negociados, apôs seu carimbo ao documento em questão; 3.29. tal carimbo faz prova não só da participação do sindicato no processo negocial do Plano de PLR, mas também do arquivamento de tal documento em seus quadros; 3.30. a resposta do sindicato utilizada como fundamento para autuação não demonstra que esta entidade foi alijada da negociação do plano de PLR firmado em 2004 e o fato de o referido plano encontrarse nela arquivado e por ela carimbado representa evidência não só da integral concordância do sindicato com seus termos, mas também da sua participação na negociação do seu conteúdo; 3.31. ainda que assim não fosse, a presença do sindicato torna se prescindível quando, como no presente caso, todos os trabalhadores concordam com as regras do plano de PLR; 3.32. exigirse a intermediação sindical seria privilegiar uma inútil prevalência da forma sobre o conteúdo; 3.33. quanto à afirmação da fiscalização de que se utilizou o PLR como meio de complementar a remuneração dos empregados, temse que não cabe à autoridade pública mensurar a legalidade do plano a partir do valor distribuído a cada empregado a título de participação nos lucros, desde que obedecidas as regras estipuladas na Lei nº 10.101/2000, na negociação do Plano de PLR e se os valores distribuídos tiverem sido apurados em conformidade com as regras desse mesmo plano; 3.34. quanto aos aportes em plano de previdência privada complementar (“PGBL”), os mesmos não possuem natureza salarial, e o referido plano estava disponível à totalidade dos empregados e dirigentes da Impugnante, em atendimento ao art. 28, parágrafo 9º, alínea “p”, da Lei 8.212/1991, não exigindo a lei que todos efetivamente participem; 3.35. no momento das reuniões para apresentação dos planos, ocorridas no ano de 2007, não houve assinatura de lista de presenças, nem termo de declaração de opção ao plano, Fl. 941DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 913 7 simplesmente porque a impugnante achou desnecessário, valendose agora das declarações anexas, obtidas de alguns empregados, para comprovação de que todos tinham ciência do plano que lhes era e ainda é disponibilizado; 3.36. é evidente que essa parcela do auto de infração deve ser julgada improcedente, uma vez que os aportes feitos em PGBL não integram os saláriosdecontribuição dos empregados; 3.37. a verba Prêmio Melhor Estagiário não tem natureza remuneratória, pois não visou retribuir o trabalho de um empregado, mas de um estagiário; 3.38. os prêmios pagos em fevereiro/2007 e em agosto/2007 resultaram da avaliação à qual se submetem os estagiários ao final de cada semestre, conforme demonstram as anexas planilhas de avaliação de estagiários (doc. 19); 3.39. o valor creditado em fevereiro/2007 ocorreu quando ainda vigente a relação de estagiário, não havendo dúvidas quanto a sua não inclusão no saláriodecontribuição, conforme previsto no art. 28, § 9º, alínea “i”, da Lei nº 8.212/1991; 3.40. o mesmo se diga com relação ao pagamento efetuado em agosto/2007, uma vez que este guarda relação com o contrato de estágio cumprido, e não com o vínculo empregatício estabelecido após seu encerramento; 3.41. ao final requer a improcedência parcial do lançamento, em relação aos valores pagos a título de PLR, PGBL e Prêmio Melhor Estagiário. DA APENSAÇÃO 4. 4. Consoante Termos de Juntada de Processo (fls. 76), o presente processo foi apensado ao de nº 12448.720532/201077. 5. É o relatório." Cientificado da decisão que contrariou seus interesses em 18 de outubro de 2013 (AR fls. 890), o sujeito passivo apresentou tempestivamente recurso voluntário (fls.781) no qual, na essência, reproduz seus argumentos da impugnação. Por amor a clareza, necessário ressaltar a existência de reconhecimento de intempestividade na apresentação do apelo, consoante despacho de folhas 789, em face de erro em informação obtida junto aos Correios. Porém, por meio de despacho de folhas 1072 do processo principal (12448.720532/201077), foi reconhecida, pela Equipe de Documentação e Expedição SEGEC/EQDEX da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro, I, a tempestividade do recurso interposto e juntada a cópia do Aviso de Recebimento que comprova a data da cientificação da decisão recorrida. Em 13 de novembro de 2017, por meio de petição de folhas 1138, a Recorrente formalizou desistência, em razão da adesão ao parcelamento da Lei nº 13.496/17, do processo 12448.720532/201077, ao qual foi apensado o presente processo. Ressalto que o Fl. 942DF CARF MF 8 termo de desistência é específico, não abrangendo o crédito constituído nos presentes autos, embora seja patente a conexão entre ambos. O recurso foi distribuído por sorteio eletrônico, em sessão pública, para este Conselheiro. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, passo a apreciar o recurso na ordem de suas alegações. DA PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS E DO SINDICATO NA INSTITUIÇÃO DO PROGRAMA PLR Antes de adentrarmos nas alegações recursais, entendo ser mais adequado, no caso concreto, uma explanação sobre a incidência tributária no caso das verbas pagas como participação nos lucros e resultados. Como regra geral, as contribuições previdenciárias têm por base de cálculo a remuneração percebida pela pessoa física pelo exercício do trabalho. É dizer: toda pessoa física que trabalha e recebe remuneração decorrente desse labor é segurado obrigatório da previdência social e dela contribuinte, em face do caráter contributivo e da compulsoriedade do sistema previdenciário pátrio. De tal assertiva, decorre que a base de cálculo da contribuição previdenciária é a remuneração percebida pelo segurado obrigatório em decorrência de seu trabalho. Nesse sentido caminha a doutrina. Eduardo Newman de Mattera Gomes e Karina Alessandra de Mattera Gomes (Delimitação Constitucional da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias ‘in’ I Prêmio CARF de Monografias em Direito Tributário 2010, Brasília: Edições Valentim, 2011. p. 483.), entendem que: “...não se deve descurar que, nos estritos termos previstos no art. 22, inciso I, da Lei nº 8.212/91, apenas as verbas remuneratórias, ou seja, aquelas destinadas a retribuir o trabalho, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo disponibilizado ao empregador, é que ensejam a incidência da contribuição previdenciária em análise” (grifos originais) Academicamente (OLIVEIRA, Carlos Henrique de. Contribuições Previdenciárias e Tributação na Saúde ‘in’ HARET, Florence; MENDES, Guilherme Adolfo. Tributação da Saúde, Ribeirão Preto: Edições Altai, 2013. p. 234.), já tivemos oportunidade de nos manifestar no mesmo sentido quando analisávamos o artigo 214, inciso I do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, que trata do salário de contribuição: “O dispositivo regulamentar acima transcrito, quando bem interpretado, já delimita o salário de contribuição de maneira definitiva, ao prescrever que é composto pela totalidade dos rendimentos pagos como retribuição do trabalho. É dizer: a base de Fl. 943DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 914 9 cálculo do fato gerador tributário previdenciário, ou seja, o trabalho remunerado do empregado, é o total da sua remuneração pelo seu labor” (grifos originais) O final da dessa última frase ajudanos a construir o conceito que entendemos atual de remuneração. A doutrina clássica, apoiada no texto legal, define remuneração como sendo a contraprestação pelo trabalho, apresentando o que entendemos ser o conceito aplicável à origem do direito do trabalho, quando o sinalagma da relação de trabalho era totalmente aplicável, pois, nos primórdios do emprego, só havia salário se houvesse trabalho. Com a evolução dos direitos laborais, surge o dever de pagamento de salários não só como decorrência do trabalho prestado, mas também quando o empregado "está de braços cruzados à espera da matériaprima, que se atrasou, ou do próximo cliente, que tarda em chegar", como recorda Homero Batista (Homero Mateus Batista da Silva. Curso de Direito do Trabalho Aplicado, vol 5: Livro da Remuneração.Rio de Janeiro, Elsevier. 2009. pg. 7). O dever de o empregador pagar pelo tempo à disposição, ainda segundo Homero, decorre da própria assunção do risco da atividade econômica, que é inerente ao empregador. Ainda assim, cabe o recebimento de salários em outras situações. Numa terceira fase do direito do trabalho, a lei passa a impor o recebimento do trabalho em situações em que não há prestação de serviços e nem mesmo o empregado se encontra ao dispor do empregador. São as situações contempladas pelos casos de interrupção do contrato de trabalho, como, por exemplo, nas férias e nos descansos semanais. Há efetiva responsabilização do empregador, quando ao dever de remunerar, nos casos em que, sem culpa do empregado e normalmente como decorrência de necessidade de preservação da saúde física e mental do trabalhador, ou para cumprimento de obrigação civil, não existe trabalho. Assim, temos salários como contraprestação, pelo tempo à disposição e por força de dispositivos legais. Não obstante, outras situações há em que seja necessário o pagamento de salários A convenção entre as partes pode atribuir ao empregador o dever de pagar determinadas quantias, que, pela repetição ou pela expectativa criada pelo empregado em recebêlas, assumem natureza salarial. Típico é o caso de uma gratificação paga quando do cumprimento de determinado ajuste, que se repete ao longo dos anos, assim, inserese no contrato de trabalho como dever do empregador, ou determinado acréscimo salarial, pago por liberalidade, ou quando habitual. Nesse sentido, entendemos ter a verba natureza remuneratória quando presentes o caráter contraprestacional, o pagamento pelo tempo à disposição do empregador, haver interrupção do contrato de trabalho, ou dever legal ou contratual do pagamento. Assentados no entendimento sobre a base de cálculo das contribuições previdenciárias, vejamos agora qual a natureza jurídica da verba paga como participação nos lucros e resultados. O artigo 7º da Carta da República, versando sobre os direitos dos trabalhadores, estabelece: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) Fl. 944DF CARF MF 10 XI – participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; De plano, é forçoso observar que os lucros e resultados decorrem do atingimento eficaz do desiderato social da empresa, ou seja, tanto o lucro como qualquer outro resultado pretendido pela empresa necessariamente só pode ser alcançado quando todos os meios e métodos reunidos em prol do objetivo social da pessoa jurídica foram empregados e geridos com competência, sendo que entre esses estão, sem sombra de dúvida, os recursos humanos. Nesse sentido, encontramos de maneira cristalina que a obtenção dos resultados pretendidos e do conseqüente lucro foi objeto do esforço do trabalhador e portanto, a retribuição ofertada pelo empregador decorre dos serviços prestados por esse trabalhador, com nítida contraprestação, ou seja, com natureza remuneratória. Esse mesmo raciocínio embasa a tributação das verbas pagas a título de prêmios ou gratificações vinculadas ao desempenho do trabalhador, consoante a disposição do artigo 57, inciso I, da Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, explicitada em Solução de Consulta formulada junto à 5ªRF (SC nº 28 – SRRF05/Disit), assim ementada: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias PRÊMIOS DE INCENTIVO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Os prêmios de incentivo decorrentes do trabalho prestado e pagos aos funcionários que cumpram condições pré estabelecidas integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias e do PIS incidente sobre a folha de salários. Dispositivos Legais: Constituição Federal, de 1988, art. 195, I, a; CLT art. 457, §1º; Lei nº 8.212, de 1991, art. 28, I, III e §9º; Decreto nº 3.048, de 1999, art. 214, §10; Decreto nº 4.524, de 2002, arts. 2º, 9º e 50. (grifamos) Porém, não só a Carta Fundamental como também a Lei nº 10.101, de 2000, que disciplinou a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), textualmente em seu artigo 3º determinam que a verba paga a título de participação, disciplinada na forma do artigo 2º da Lei, “não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade” o que afasta peremptoriamente a natureza salarial da mencionada verba. Ora, analisemos as inferências até aqui construídas. De um lado, concluímos que as verbas pagas como obtenção de metas alcançadas tem nítido caráter remuneratório uma vez que decorrem da prestação pessoal de serviços por parte dos empregados da empresa. Por outro, vimos que a Constituição e Lei que instituiu a PLR afastam – textualmente – o caráter remuneratório da mesma, no que foi seguida pela Lei de Custeio da Previdência Social, Lei nº 8.212, de 1991, que na alínea ‘j’ do inciso 9 do parágrafo 1º do artigo 28, assevera que não integra o salário de contribuição a parcela paga a título de “participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica” A legislação e a doutrina tributária bem conhecem essa situação. Para uns, verdadeira imunidade pois prevista na Norma Ápice, para outros isenção, reconhecendo ser a Fl. 945DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 915 11 forma pela qual a lei de caráter tributário, como é o caso da Lei de Custeio, afasta determinada situação fática da exação. Não entendo ser o comando constitucional uma imunidade, posto que esta é definida pela doutrina como sendo um limite dirigido ao legislador competente. Tácio Lacerda Gama (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, Ed. Quartier Latin, pg. 167), explica: "As imunidades são enunciados constitucionais que integram a norma de competência tributária, restringindo a possibilidade de criar tributos" Ao recordar o comando esculpido no artigo 7º, inciso XI da Carta da República não observo um comando que limite a competência do legislador ordinário, ao reverso, vejo a criação de um direito dos trabalhadores limitado por lei. Superando a controvérsia doutrinária e assumindo o caráter isentivo em face da expressa disposição da Lei de Custeio da Previdência, mister algumas considerações. Luis Eduardo Schoueri (Direito Tributário 3ªed. São Paulo: Ed Saraiva. 2013. p.649), citando Jose Souto Maior Borges, diz que a isenção é uma hipótese de não incidência legalmente qualificada. Nesse sentido, devemos atentar para o alerta do professor titular da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, que recorda que a isenção é vista pelo Código Tributário Nacional como uma exceção, uma vez que a regra é que: da incidência, surja o dever de pagar o tributo. Tal situação, nos obriga a lembrar que as regras excepcionais devem ser interpretadas restritivamente. Paulo de Barros Carvalho, coerente com sua posição sobre a influência da lógica semântica sobre o estudo do direito aliada a necessária aplicação da lógica jurídica, ensina que as normas de isenção são regras de estrutura e não regras de comportamento, ou seja, essas se dirigem diretamente à conduta das pessoas, enquanto aquelas, as de estrutura, prescrevem o relacionamento que as normas de conduta devem manter entre si, incluindo a própria expulsão dessas regras do sistema (abrogação). Por ser regra de estrutura a norma de isenção “introduz modificações no âmbito da regra matriz de incidência tributária, esta sim, norma de conduta” (CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 25ª ed. São Paulo: Ed. Saraiva, 2013. p. 450), modificações estas que fulminam algum aspecto da hipótese de incidência, ou seja, um dos elementos do antecedente normativo (critérios material, espacial ou temporal), ou do conseqüente (critérios pessoal ou quantitativo). Podemos entender, pelas lições de Paulo de Barros, que a norma isentiva é uma escolha da pessoa política competente para a imposição tributária que repercute na própria existência da obrigação tributária principal uma vez que ela, como dito por escolha do poder tributante competente, deixa de existir. Tal constatação pode, por outros critérios jurídicos, ser obtida ao se analisar o Código Tributário Nacional, que em seu artigo 175 trata a isenção como forma de extinção do crédito tributário. Voltando uma vez mais às lições do Professor Barros Carvalho, e observando a exata dicção da Lei de Custeio da Previdência Social, encontraremos a exigência de que a verba paga a título de participação nos lucros e resultados “quando paga ou creditada de Fl. 946DF CARF MF 12 acordo com lei específica” não integra o salário de contribuição, ou seja, a base de cálculo da exação previdenciária. Ora, por ser uma regra de estrutura, portanto condicionante da norma de conduta, para que essa norma atinja sua finalidade, ou seja impedir a exação, a exigência constante de seu antecedente lógico – que a verba seja paga em concordância com a lei que regula a PLR – deve ser totalmente cumprida. Objetivando que tal determinação seja fielmente cumprida, ao tratar das formas de interpretação da legislação tributária, o Código Tributário Nacional em seu artigo 111 preceitua que se interprete literalmente as normas de tratem de outorga de isenção, como no caso em comento. Importante ressaltar, como nos ensina André Franco Montoro, no clássico Introdução à Ciência do Direito (24ªed., Ed. Revista dos Tribunais, p. 373), que a: “interpretação literal ou filológica, é a que toma por base o significado das palavras da lei e sua função gramatical. (...). É sem dúvida o primeiro passo a dar na interpretação de um texto. Mas, por si só é insuficiente, porque não considera a unidade que constitui o ordenamento jurídico e sua adequação à realidade social. É necessário, por isso, colocar seus resultados em confronto com outras espécies de interpretação”. (grifos nossos) Nesse diapasão, nos vemos obrigados a entender que a verba paga à título de PLR não integrará a base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias se tal verba for paga com total e integral respeito à Lei nº 10.101, de 2000, que dispõe sobre o instituto de participação do trabalhador no resultado da empresa previsto na Constituição Federal. Isso porque: i) o pagamento de verba que esteja relacionada com o resultado da empresa tem inegável cunho remuneratório em face de nítida contraprestação que há entre o fruto do trabalho da pessoa física e a o motivo ensejador do pagamento, ou seja, o alcance de determinada meta; ii) para afastar essa imposição tributária a lei tributária isentiva exige o cumprimento de requisitos específicos dispostos na norma que disciplina o favor constitucional. Logo, imprescindível o cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101 para que o valor pago a título de PLR não integre o salário de contribuição do trabalhador. Vejamos quais esses requisitos. Dispõe textualmente a Lei nº 10.101/00: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao Fl. 947DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 916 13 cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. ... Art. 3º ... (...) § 2o É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em mais de 2 (duas) vezes no mesmo ano civil e em periodicidade inferior a 1 (um) trimestre civil. (grifamos) Da transcrição legal podemos deduzir que a Lei da PLR condiciona, como condição de validade do pagamento: i) a existência de negociação prévia sobre a participação; ii) a participação do sindicato em comissão paritária escolhida pelas partes para a determinação das metas ou resultados a serem alcançados ou que isso seja determinado por convenção ou acordo coletivo; iii) o impedimento de que tais metas ou resultados se relacionem à saúde ou segurança no trabalho; iv) que dos instrumentos finais obtidos constem regras claras e objetivas, inclusive com mecanismos de aferição, sobre os resultados a serem alcançados e a fixação dos direitos dos trabalhadores; v) a vedação expressa do pagamento em mais de duas parcelas ou com intervalo entre elas menor que um trimestre civil. Esses requisitos é que devemos interpretar literalmente, ou como preferem alguns, restritivamente. O alcance de um programa de PLR, ao reverso, não pode distinguir determinados tipos de trabalhadores, ou categorias de segurados. Não pode o Fisco valorar o programa de meta, ou mesmo emitir juízo sobre a participação sindical, ou ainda, mensurar os valores pagos aos segurados, comparandoos com a remuneração ajustada. A autoridade lançadora deve sim, verificar o cumprimento dos ditames da Lei nº 10.101/00. Voltemos ao caso concreto. Sobre o ponto, são as seguintes, as alegações da Recorrente (fls. 760): "15. Conforme narrado no tópico anterior, os membros da 10a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I, ao analisarem o Programa de PLR da Recorrente, entenderam que tal programa não teria cumprido os requisitos da Lei n° 10.101/2000, razão pela qual consideraram que os pagamentos realizados pela Recorrente a título de Fl. 948DF CARF MF 14 participação nos lucros e resultados deveriam integrar o salário decontribuição. 16. Para sustentar a manutenção do lançamento, o primeiro fundamento utilizado pela turma julgadora diz respeito à suposta ausência de negociação entre a empresa, seus empregados e o Sindicato correspondente, quando da instituição do Programa de PLR, o que feriria o comando previsto no artigo 2o, da Lei n° 10.101/2000. Tal ausência, segundo a decisão combatida, decorreria dos seguintes fatos: (i)não teria sido comprovado que o funcionário que compôs o Comitê Executivo, para criação do Programa PLR, teria sido indicado pelo sindicato da categoria; (ii)o texto da lista de concordância daria a entender que o Programa de PLR teria sido imposto pela Recorrente, sem qualquer participação dos seus empregados; (iii)o carimbo aposto pelo sindicato no documento do Programa de PLR da Recorrente atestaria apenas a ciência do mesmo, mas não a sua efetiva participação. No que toca ao primeiro item acima, é preciso ressaltar inicialmente que inexiste qualquer dispositivo legal que exija que o representante dos empregados na negociação do Programa de PLR tenha sido indicado pelo sindicato da categoria, conforme dá a entender a decisão combatida. Da simples leitura do caput do artigo 2o da Lei n° 10.101/10, bem como de seus incisos I e II, é possível perceber que o que se exige para que um Programa de PLR seja considerado válido é a participação tanto dos empregadores quanto dos empregados, não havendo qualquer norma no sentido de que a participação desses últimos somente será considerada regular caso o representante dos empregados nas negociações tenha sido indicado pelo sindicato. Em outras palavras, basta que haja um representante de cada uma das partes (empregados e empregadores) na negociação para que o comando normativo seja satisfeito. E para que isso aconteça, é desnecessário que o empregado escolhido tenha sido indicado pelo sindicato. (...) Ainda no que tange à elaboração do Programa de PLR, a autoridade julgadora afirmou que a aposição de carimbo do sindicato no documento que instituiu o programa apenas comprovaria "a ciência do documento, porém, não traduz sua concordância ou sua participação efetiva nas negociações ". Nada mais ilógico. Primeiro, por ser tratar de mais uma alegação desamparada de qualquer documento que a comprove. Tal alegação, por sinal, assim como todas outras, leva à conclusão de que a todo tempo as autoridades julgadoras buscaram exclusivamente identificar argumentos que pudessem justificar a manutenção do lançamento, chegando a distorcer a Fl. 949DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 917 15 realidade dos fatos e a deixar de apreciar atentamente as inúmeras provas apresentadas pela ora Recorrente. Dito isso, é bom que se diga que a aposição do carimbo do sindicato faz prova não só da sua participação no processo negocial do Plano de PLR, mas também do arquivamento de tal documento em seus quadros. Este, inclusive, é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça: uO registro do acordo no sindicato é modo de comprovação dos termos da participação, possibilitando a exigência do cumprimento na participação dos lucros na forma acordada."1 (grifos nossos) 40. Não é demais lembrar que o PLR efetivamente contempla a participação do sindicato profissional na sua confecção, conforme se lê de seu intróito: "Adota o seguinte PROGRAMA DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS, o qual, submetido e aprovado pelo Sindicato dos Empregados no Mercado de Capitais do Rio de Janeiro (...)" Sobre esse pontos, assim se manifestou a autoridade lançadora (fls 52): "12. Importante, também, transcrever o texto das listas de concordância dos empregados: “Eu, abaixo assinado, empregado de Opportunity Gestora de Recursos Ltda., declaro, de livre e espontânea vontade que, tomando conhecimento dos termos e condições constantes do Programa de Participação nos Lucros criado pelo meu empregador, com os mesmos concordo integralmente e sem ressalvas, e desejando aderir ao mesmo, subscrevo a presente” (grifouse). Notadamente os Programas não foram objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, cabendo a estes últimos somente a opção de subscrever ou não o Programa criado pelo empregador, o que também contraria o artigo 2o da Lei 10.101. (...) Nesse ínterim, como os Programas de PLR apresentados apresentavam um carimbo da entidade sindical, mas não havia registro de que um representante indicado pelo sindicato tivesse participado da negociação de elaboração dos mesmos (exigência do art. 2o, I da Lei 10.101) e nem que estes instrumentos estivessem arquivados na entidade sindical (exigência do art. 2o, 2o da Lei 10.101) foi realizado o procedimento fiscal de diligência 07.1.85.00201000138 no sindicato da categoria. 21. O Mandado de Procedimento Fiscal, o Termo de Intimação e as respostas da entidade constam do Documento 10. A seguir Fl. 950DF CARF MF 16 são agrupados os questionamentos do fisco e as respostas dadas pela entidade: 1. O Sindicato tem conhecimento da existência de instrumento(s) resultante(s) de negociação entre o OPPORTUNITY GESTORA DE RECURSOS LTDA (CNPJ: 01.608.570/000121) e seus empregados em relação à Participação nos Lucros ou Resultados – PLR, referente ao pagamento nos anos de 2007 a 2008? Informamos que não existe em nossos arquivos nenhum Acordo Coletivo relacionado ao pagamento de PLR referente aos anos de 2007 e 2008, decorrente de negociação com a empresa OPPORTUNITY GESTORA DE RECURSOS LTDA, CNPJ 01.608.570/000121. 2. O Sindicato participou, conforme exigência legal (Lei no 10.101/2000), da elaboração do(s) referido(s) instrumento(s), enviando ou indicando representantes para integrar as comissões que definiram os termos dos Acordos, conforme prevê o inciso I do art. 2o da Lei 10.101/2000? Em caso afirmativo, demonstrar as respectivas participações mediante apresentação de documentação comprobatória, contemporânea aos fatos. Este Sindicato não participou de negociação nem firmou Acordo Coletivo com suporte na Lei n° 10.101/2000, válido para os anos e empregados da empresa citada no parágrafo acima. 3. O(s) referido(s) acordo(s) está arquivado neste Sindicato? Já respondido no parágrafo 1. 4. Apresentar cópias do(s) acordo(s) de PLR realizados pelo OPPORTUNITY GESTORA DE RECURSOS LTDA (CNPJ: 01.608.570/000121) e seus empregados, referentes às parcelas pagas nos anos de 2007 e 2008. Não existe Acordo Coletivo, como informado anteriormente." Como visto acima, o cumprimento de todos os requisitos da Lei nº 10.101/00 é imprescindível para a higidez do programa de participação nos lucros e resultados e, portanto, necessário para a isenção tributária criada pela mencionada lei. Não vejo tal aderência nos pontos levantados pelo Fisco. Não assiste razão ao Fisco quanto ao ponto relativo a ausência de tratativas. Explico: não foi comprovada, pelo Fisco, tal lacuna, uma vez que mera reprodução da lista de concordância, com interpretação literal de seus termos, não tem o condão de comprovar que não existiram negociações entre a empresa e seus empregados. As alegações fiscais, sem comprovação e com base em mera interpretação em excerto de documento, são meras ilações. Porém, ao reverso, há efetiva comprovação da ausência da participação do sindicato nas negociações ensejadoras do acordo de PLR firmando entre a empresa e seus empregados. Fl. 951DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 918 17 A autoridade fiscal diligenciou junto ao sindicato e acostou aos autos (fls. 144 do processo principal, nº12448.720532/201077), a declaração da entidade representante dos trabalhadores que assevera a ausência da mesma das negociações sobre o pagamento da PLR e mais, o descumprimento do dever de depositar o termo do ajuste na entidade sindical, como acima reproduzido. Mister realçar que as alegações da Recorrente de que a existência do carimbo do sindicato supre a alegada ausência não merece prosperar posto que tal carimbo consta no programa ajustado para o ano de 2004 (fls. 195), longínquo dos anos de 2007 e 2008 (fls. 124/126), objeto do lançamento em discussão. Assim, forçoso reconhecer o descumprimento das normas isentivas, com a consequente atração da incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de PLR. Não obstante o exposto, e recordando apoiados na lição de Paulo de Barros acima apresentada que o descumprimento de um dos requisitos da Lei nº 10.101/00 é suficiente para a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores de PLR pagos, importa ressaltar a inexistência de regras objetivas a serem cumpridas para o atingimento das metas ajustadas para o pagamento da verba denominada PLR. Vejamos as razões recursais sobre o tema (fls. 773): "A autoridade julgadora alegou também que a Recorrente teria violado o artigo 2°, parágrafo Io, da Lei n° 10.101/00, que prevê que, para que um programa de PLR seja válido, é necessário que ele contenha "regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas (...)". A tal conclusão chega a autoridade julgadora a partir da análise da Cláusula 5a do Programa de PLR da Recorrente, que diz: "Cláusula 5a. Condições de forma de distribuição A participação nos lucros ou resultados da Estipulante condiciona se aos seguintes parâmetros: a) ao desempenho da Estipulante, assim entendida a existência de lucro líquido, apurável no balanço. Não havendo lucro, poderá a Estipulante participar os resultados obtidos, de acordo com o atingimento de metas b) ao desempenho individual dos empregados, a ser apurado com base na sua Autoavaliação e na Avaliação feita pelo seu superior hierárquico e eventualmente ao atingimento de metas estabelecidas. Parágrafo único. O programa de Avaliação de Desempenho regese por sua normas próprias, conforme o instrumento geral que o institui." 57. De início, a autoridade julgadora parece questionar a possibilidade de o referido programa possibilitar o pagamento Fl. 952DF CARF MF 18 da PLR tanto em função da existência de lucro quanto em função de determinado resultado atingido pela Recorrente, alegando que o Programa PLR da Recorrente garantiria o pagamento de participação nos lucros independentemente da existência de lucro Tal alegação, contudo, não subsiste nem mesmo a uma análise superficial da referida clausula e também da própria legislação que regulamenta a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa. No que se refere à referida clausula, ela prevê que a Recorrente poderia pagar a seus empregados uma participação nos lucros ou, inexistindo lucro, uma participação nos resultados obtidos, de acordo com o atingimento de metas estabelecidas. Essa previsão está exatamente em consonância com o caput do artigo 2o, da Lei n° 10.101/00, que confere total liberdade aos envolvidos nas negociações do Programa de PLR para instituir a participação dos empregados nos lucros, nos resultados ou por uma combinação dos lucros e dos resultados (modelo misto)." (destaquei) Recordemos a imputação fiscal sobre o ponto em análise (fls. 51): "É relevante destacar que os Programas são idênticos em conteúdo, inexistindo em ambos tanto regras claras e objetivas para a fixação da participação de cada empregado quanto regras adjetivas de aferição de resultados, em afronta ao §1o do artigo 2o da Lei 10.101. A seguir é transcrita a Cláusula 5a dos Programas, que trata da distribuição das participações : “Cláusula 5a. Condições de forma de distribuição – A participação nos lucros ou resultados da Estipulante condiciona se aos seguintes acontecimentos e parâmetros: a) ao desempenho da Estipulante, assim entendida a existência de lucro líquido, apurável no balanço. Não havendo lucro, poderá a Estipulante participar os resultados obtidos, de acordo com o atingimento de metas estabelecidas; b) ao desempenho individual dos empregados, a ser apurado com base na sua Autoavaliação e na Avaliação feita pelo seu superior hierárquico e eventualmente ao atingimento de metas estabelecidas. Parágrafo Único. O Programa de Avaliação de Desempenho regese por suas normas próprias, conforme o instrumento geral que o institui.” (grifouse) Segundo o Fisco, não se observa a existência de regras claras e objetivas a ensejar as metas a serem atingidas pelos trabalhadores para a percepção dos valores da PLR ajustada. Verifico no Programa, na ata do Comitê Executivo de 07 de março de 2007, o seguinte (fls 683): Fl. 953DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 919 19 A mera leitura elucida a questão. A avaliação dos funcionários se dará por um processo de autoavaliação e avaliação pelo chefe deste e pelos subordinados do funcionário. Ressaltese que tal disposição se repete, 'ipsis litteris', no programa de 2008. Critério subjetivo. Há ofensa ao preceito do parágrafo 1º do artigo 2º da Lei nº 10.101/00. O programa de PLR em apreço foi estipulado com base em regras subjetivas o que ofende, na essência, o preceito legal quanto à fixação de direitos da participação com base em regras claras e objetivas. Claro é aquilo que é fácil de apreender ou entender, que se compreende ou se percebe facilmente, que não deixa dúvida, que é óbvio, que é flagrante, segundo acepções do dicionário HOUAISS, em sua versão eletrônica (https://houaiss.uol.com.br/pub/apps/www/v32/html/index.php#2). Objetivo é aquilo cujos julgamentos não são influenciados por sentimentos ou opiniões pessoais; é aquilo que esta no campo da experiência sensível, independente do pensamento individual e perceptível por todos os observadores; ainda segundo o mesmo dicionário. Ora, não pode o Fisco valorar as metas pactuadas, mas deve sim verificar se são ajustes claros e objetivos, ou seja, se são de fácil apreensão ou compreensão pelo trabalhadores e se não permitem julgamentos decorrentes de opinião pessoal daquele que vai verificar o cumprimento da meta. Nesse sentido, assiste razão à autoridade lançadora. Diante de todo o exposto, e repetindo que os vícios acima apontados são suficientes para incidência tributária em discussão, o que torna despicienda a análise dos demais pontos recursais, nego provimento ao recurso nessa parte. DOS APORTES REALIZADOS PELA RECORRENTE EM PLANO DE PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ("PGBL") Alega a Recorrente (fls. 780): "A decisão recorrida entendeu que aos aportes feitos em planos de previdência privada deveria ser dado o mesmo tratamento Fl. 954DF CARF MF 20 fiscal que se deu aos pagamentos realizados a título de PLR, já que tais aportes "foram escriturados em contas contábeis de Participação nos Lucros e Resultados (item 24 do relatório fiscal fls. 56/57) e como tais também reconhecidas na D IPJ (item 41 do Relatório Fiscal e doe. 15) ". Contudo, conforme informado na impugnação apresentada, os aportes realizados nas contas de previdência privada de certos trabalhadores da Recorrente em nada se confundiram com a distribuição de lucros ou resultados. É imperioso destacar inicialmente que, embora as Atas de Reunião do Comitê Executivo (doe. 14, da Impugnação) prevejam a faculdade de o PLR ser pago por meio de crédito em conta de previdência privada, nenhum dos trabalhadores da Recorrente manifestou interesse em receber parte de seu PLR por este meio. Dessa simples constatação evidenciase, mais uma vez, as deficiências da decisão combatida que, sem se importar em investigar a realidade dos fatos, tomou como verdade todas as alegações contidas no relatório elaborado pela fiscalização. O fato de alguns aportes em PGBL terem sido eventualmente contabilizados de maneira equivocada em conta contábil de PLR não desvirtua, contudo, o fato de se tratar de pagamentos de natureza absolutamente distinta, o que deve ser considerado, sob pena de ofensa ao princípio da verdade material. Inclusive, em observância ao referido princípio, a Recorrente apresentou o Plano Gerador de Benefício Livre (doe. 15, da Impugnação) firmado com o ícatu Hartford Seguros S/A, demonstrado a efetiva existência de um Plano de Previdência Privada Complementar que abrangia a todos os seus funcionários. Assim é que, os aportes por ela realizados em tal Previdência guardavam relação com o referido Plano, não tendo qualquer vinculação com o Programa de PLR por ela instituído. E, em se tratando de pagamentos efetuados a título de PGBL, como se sabe, não há incidência de contribuição previdenciária, quer porque não possuírem natureza remuneratória, quer por expressa exclusão prevista no artigo 28, parágrafo 9o, alínea p, da Lei n° 8.212/91, que diz: (...)" Sobre o tema, assim se pronunciou a decisão de piso (fls. 745): 22. No que tange aos aportes em contas de PGBL, embora o impugnante alegue que tais valores não guardam relação com o Programa de PLR, mas sim com Planos de Previdência Privada, sem incidência, portanto de contribuição previdenciária, verificase que além de todas as Atas de Reunião do Comitê Executivo destacarem a possibilidade do empregado receber o PLR por meio de aporte em sua conta de previdência privada (doc. 07), tais pagamentos foram escriturados em contas contábeis de Participação nos Lucros e Resultados (item 24 do Relatório Fiscal – fls. 56/57) e como tais também reconhecidos Fl. 955DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 920 21 na DIPJ (item 41 do Relatório Fiscal e doc. 15), pelo que diante da consideração de todos os valores pagos a título de PLR como remuneratórios, há de se manter também os valores pagos de PLR por meio de aportes em planos de PGBL." O ponto fundante do dissenso da Recorrente é sobre a escrituração dos valores pagos a título de previdência complementar que, segundo ela, foram incorretamente escriturados, posto que embora previsto nos programas de PLR a possibilidade de percepção de tais valores em plano de previdência complementar nenhum funcionário fez tal opção. Não se pode aceitar os argumentos da Recorrente. Suas alegações carecem de comprovação. Ao reverso, a imputação fiscal se encontra fundada em provas, provas essas obtidas nos documentos elaborados pela própria recorrente e mais, documentos distintos, como a escrituração contábil e a DIPJ apresentadas (fls. 196). Cediço que a escrituração contábil faz prova contra o contribuinte, consoante as disposições do artigo 226 do Código Civil. Diante do exposto, restando comprovado o direito de crédito do Fisco em razão dos pagamentos realizados à título de PLR (valores estes passíveis de incidência, como visto alhures), embora depositados em contas de previdência privada, e ausente a comprovação de fatos impeditivos, extintivos ou modificativos de tal direito, pelo Contribuinte, forçoso negar provimento ao voluntário nesta parte. PRÊMIO MELHOR ESTAGIÁRIO Sobre este ponto, assim se insurge o Recorrente (fls. 782): De acordo com a decisão recorrida, o pagamento efetuado na competência de 08/2007 a titulo de "Prêmio Melhor Estagiário", deveria compor a base de cálculo do saláriodecontribuição, tendo em vista que, nessa época, já existia vínculo empregatício entre o estagiário contemplado com o prêmio e a Recorrente. 88. Além do que, a Recorrente não teria apresentado as regras que nortearam o pagamento e a periodicidade com o qual era recebido, para comprovar que se tratou de pagamento efetuado após a existência do vínculo empregatício, mas relacionado a período anterior de estágio. Acerca de tais argumentos, inicialmente, a Recorrente confirma, mais uma vez, que, apesar de o pagamento ter sido efetuado quando já existia vínculo empregatício com o até então estagiário, referirseia ao contrato de estágio cumprido e existente em período imediatamente anterior Nesse sentido, a Recorrente, em sua impugnação, apresentou documentação de avaliação que demonstra o período avaliado 2007.1, justificando o pagamento realizado na competência de 08/2007, àquele beneficiário do Prêmio Melhor Estagiário (doe. 19, da Impugnação). Fl. 956DF CARF MF 22 A despeito disso, para que não reste qualquer dúvida de que o pagamento efetuado na competência 08/2007 referese ao Prêmio Melhor Estagiário do período de 2007.1, quando o beneficiário do prêmio ainda possuída vínculo de estágio, a Recorrente apresenta documento descritivo das regras que regiam o pagamento do "Prêmio Melhor Estagiário"(doc.01). Nesse documento, é possível verificar que os estagiários eram avaliados em um período semestral, fazendo jus ao recebimento do prêmio aquele que obtivesse a melhor avaliação, o qual seria pago em até 90 dias após o encerramento do respectivo período base, de acordo com a avaliação de desempenho, que ocorria nos meses de fevereiro e agosto. Assim, é evidente que o pagamento de tal prêmio na competência de 08/2007 era decorrente de uma relação de estágio jamais impugnada pela autoridade fiscal, não podendo servir de base para exigência das contribuições previdenciárias, nos termos da alínea 'i', do parágrafo 9, do artigo 28, da Lei 8.212/91, devendo, por tal razão, ser reformada essa parte da decisão que assim não entendeu" Observo às folhas 786, juntada, pela Recorrente, do Programa Prêmio Melhor Estagiário, que contém tais disposições: Patente que tal premiação visa incentivar o empenho do estagiário no cumprimento de suas obrigações decorrentes do contrato de estágio, que como sabido, não é contrato de trabalho e sim, contrato de aprendizado profissional, consoante as disposições da Lei nº 11.788, de 2008. Nesse sentido, não há que se falar que a remuneração do estagiário integre o salário de contribuição. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 921 23 Verifico ainda que o valor do prêmio tem previsão de pagamento postergada da avaliação de desempenho, esta sim determinante para a percepção do valor. Nesse sentido, tendo sido o valor pago em agosto de 2007, primeiro mês da contratação do profissional, não há que se valor em valor pago para segurado empregado. Recurso provido nesta parte. Por fim, o recurso, ainda que timidamente, pugna pela não incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Aqui, também não assiste razão ao Recorrente. Tal tema é pacífico no colegiado. Cediço que a multa de ofício integra o crédito tributário, consoante as disposições do artigo 139 do CTN. A incidência dos juros nos créditos tributários inadimplidos decorre de Lei. Não obstante, tal tema se encontra devidamente pacificado no âmbito deste colegiado. Tanto assim o é que a Súmula CARF nº 4, expressamente dispõe: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Corroborando tais entendimentos, a Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no voto condutor do Acórdão 9202002003.765, de 16/02/16, explicitou: "Ao contrário do que entende o recorrente, a aplicação de juros sobre multa de ofício é devida, na medida em que a penalidade compõe o crédito apurado. De acordo com o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN é autorizada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fazendo parte do crédito juntamente com o tributo, devem ser aplicados à multa os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. Nesse sentido, já se manifestou esta Câmara, em outras oportunidades, como no processo 10.768.010559/200119, Acordão 920201.806 de 24 de outubro de 2011, cuja ementa transcrevo a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário:1997 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE O art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a Fl. 958DF CARF MF 24 multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Recurso especial negado. É legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região. Recurso Especial Negado. A matéria sob exame pode ser dividida em duas questões, que se completam. A primeira, diz respeito à própria possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, e centrase na interpretação do artigo 161 do CTN; a segunda questão envolve a discussão sobre a existência ou não de previsão legal para a exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa Selic. Sobre a incidência de juros de mora o citado art. 161 do CTN prevê o seguinte: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.” Inicialmente entendo que o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Ou seja, tanto a multa como o tributo compõem o crédito tributário, devendolhes ser aplicado os mesmos procedimentos e os mesmos critérios de cobrança, devendo, portanto, sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Ademais, não haveria porque o valor da multa permanecer congelado no tempo. Por seu turno o § 1.º do art. 161 do CTN, ao prever os juros moratórios incidentes sobre os créditos não satisfeitos no vencimento, estipula taxa de 1% ao mês, não dispondo a lei de modo diverso. Abriu, dessa forma, possibilidade ao legislador ordinário tratar da matéria, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de oficio com base na taxa Selic. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa. Confirase in verbis: Fl. 959DF CARF MF Processo nº 12448.720534/201066 Acórdão n.º 2201004.067 S2C2T1 Fl. 922 25 "Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento." Esse entendimento se coaduna com a Súmula nº 45 do extinto Tribunal Federal de Recursos, que já previa a correção monetária da multa: "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justifica se a sua aplicação sobre a multa. Precedentes do Tribunal Regional da 4ª Região: “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa.” (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2005.72.01.0000311/ SC, Relator: Desembargador Federal Dirceu de Almeida Soares) “TRIBUTÁRIO. ART. 43 DA LEI 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a exigência fiscal consistente na incidência de juros moratórios sobre multa de ofício aplicada ao contribuinte. Inteligência do artigo 43 da Lei 9.430/96 c/c art. 113, § 3, do CTN 2. Improvida a apelação.” Fl. 960DF CARF MF 26 (APELAÇÃO CÍVEL Nº 2004.70.00.0263869/ PR, Relator: Juiz Federal Décio José da Silva). Destarte, entendo que é legítima a incidência de juros sobre a multa de ofício, sendo que tais juros devem ser calculados pela variação da SELIC. Conforme descrito acima, os juros de mora sobre a multa são devidos em função do § 3º do art. 113 do CTN, pois tanto a multa quanto o tributo compõe o crédito tributário. Esse entendimento encontra precedentes da 2ª Turma da CSRF: Acórdão nº 920201.806 e Acórdão nº 920201.991. Destacase ainda que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu a legalidade dos juros de mora sobre a multa de oficio (AgRg no REsp 1.1335.688/PR; REsp 1.129.990PR; REsp 834.681MG)." Recurso negado nessa parte. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por dar provimento parcial ao recurso para determinar a exclusão, da base de cálculo do lançamento, dos valores pagos a título de 'prêmio melhor estagiário'. (assinado digitalmente) Relator Carlos Henrique de Oliveira Fl. 961DF CARF MF
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Numero do processo: 10925.001665/2009-17
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator e Presidente em Exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Recorrente COTRAMOL COOPERATIVA TRANSPORTE DE CARGAS DO MEIO OESTE CAT LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator e Presidente em Exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 16 65 /2 00 9- 17 Fl. 655DF CARF MF 2 Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Ausente, justificadamente, a conselheira Adriana Gomes Rêgo. Relatório Do auto de infração ao recurso voluntário Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal AIOP, DEBCAD nº 37.154.3770, à efl. 02, no qual foram constituídos créditos referentes a contribuições para seguridade social, correspondente à parte dos segurados, incidentes sobre o valor pago ou creditado a eles pela cooperativa. O auto de infração foi cientificado à contribuinte em 29/07/2009 e constituiu créditos, para as competências de 07/2004 a 12/2008, com multa e juros no valor de R$ 2.080.398,35, consolidados em 22/07/2009, e tem seu relatório fiscal de infração posto às e fls. 250 a 274. A contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, às efls. 282 a 310, em 26/08/2009. Já a 5ª Turma da DRJ/FNS, no acórdão nº 0730.150, prolatado em 22/11/2012, às efls. 383 a 417, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário exigido. Inconformada, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 12/04/2013, às efls. 431 a 457, argumentando, em síntese que extraímos do acórdão recorrido, que: 1. O fisco simplesmente ignora uma série de documentos apresentados pela requerente. , com fulcro na subjetiva ilação de que a cooperativa não distingue os prestadores de serviços em sua contabilidade, chega a exigir valores que não compõem a base de cálculo de contribuições. 2. Não verifica a inadimplência dos tributos em comento, simplesmente autua, sem observar que os mesmos podem ter sido recolhidos aos cofres públicos pelo próprio contribuinte individual. 3. Em preliminar fala em nulidade, ao entendimento de abuso de poder da autoridade fiscal que agiu de forma ilegal e arbitrária no procedimento de fiscalização. 4. Cita que a empresa cumpriu todas as exigências e intimações no curso da fiscalização e que por várias vezes a autoridade fiscal invadiu a sede da recorrente, abrindo gavetas e arquivos, jogando papéis no chão e levandoos como se seu fossem. 5. improcedência da pretensão fiscal, além do teto limite.Que embora a Lei nº 8.212/91 em se art. 15 equipare a cooperativa a empresa, tal fato serve apenas para os fins desta lei, e não para a Lei nº 8.706/93 e, ainda, mesmo que equiparada por esta lei, tem que é irrelevante quando a contribuição é a devida pelos transportadores autônomos. Fl. 656DF CARF MF Processo nº 10925.001665/200917 Acórdão n.º 9202006.450 CSRFT2 Fl. 656 3 6. Aduz que o art. 2º do Decreto nº 1.007, de 13 de dezembro de 1993 é claro ao dispor que a responsabilidade é da pessoa jurídica tomadora dos serviços do transportador autônomo. 7. Discorre sobre as Sociedades Cooperativas, seus fins e que se trata de um sistema de ajuda mútua, mediante esforço comum de interessados, eliminando intermediários, que foi o motivo da criação da COTRAMOL, sociedade cooperativa de transporte, que pratica atos cooperados e não cooperados e que no seu caso, os fretes realizados pelos cooperados a tomadores de serviços são atos cooperados. 8. Que é uma sociedade cooperativa e não uma transportadora (sociedade empresária). 9. Fala que o lançamento é nulo porque contém valores a título de terceiros e esporádicos quando se trata de frete prestado por cooperado. 10. Diz que em inúmeros casos, a autoridade fiscal apura valores supostamente devidos quando o frete é prestado por Cooperado (C), lançando valores de fretes na coluna Cooperado e também na coluna Terceiro (T) e Esporádicos (E). 11. Fala em nulidade por tipificação indevida no fato que a legislação não se refere a matéria objeto do lançamento, aduzindo que o § 4° do art. 201 do Decreto 3.048/99 não se aplica a atividade de transporte rodoviário de cargas, mas sim de atividade remunerada de condutor autônomo de veiculo rodoviário, ou ao auxiliar de condutor autônomo de veiculo rodoviário. 12. Por fim requereu a nulidade do procedimento fiscal e insubsistente o auto de infração, produção de todos os meios de provas, especialmente documental, bem como sejam as intimações encaminhadas aos advogados. O recurso voluntário foi apreciado pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 23/01/2014, resultando no acórdão nº 401003.377, às efls. 511 a 530, que tem as seguintes ementas: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AIOP CONTRIBUIÇÃO PATRONAL CONTRATAÇÃO DE TRABALHADORES AUTÔNOMOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS VINCULADOS A COOPERATIVA Houve discriminação clara e precisa dos fatos geradores, possibilitando o pleno conhecimento pela recorrente. A não apresentação dos documentos durante o procedimento fiscal, acaba por inverter o ônus da prova, competindo ao recorrente a apresentação de argumentos e provas da inexistência dos fatos geradores. Só deve ser afastada exigência em relação a impropriedades realizadas na contabilidade da empresa, quando a mesma Fl. 657DF CARF MF 4 demonstra pontualmente, os equívocos cometidos, ou que a que os fatos não constituam fato gerador de contribuição. ENTIDADE COOPERATIVA CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EQUIPARAÇÃO AS EMPRESAS EM GERAL As cooperativas em relação aos segurados que contrata, sejam eles, segurados empregados ou mesmo contribuintes individuais, possui as mesmas obrigações que as empresas em geral, tendo em vista sua equiparação. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS AUSÊNCIA DO DESCONTO ENCARGO DO EMPREGADOS LEI 10.666/2003 A contratação de trabalhadores autônomos, contribuintes individuais, é fato gerador de contribuições previdenciárias, que atinge simultaneamente dois contribuintes: a empresa e o segurado. A partir da competência 04/2003, de acordo com a Lei nº 10.666/2003, o valor da contribuição a cargo dos segurados contribuintes individuais, passa a ser arrecadada pelo própria empresa contratante, correspondendo ao desconto de 11% sobre a base de cálculo acima identificada. Neste sentido, dispõe a lei: “Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontando a da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia dois do mês seguinte ao da competência.” MULTA LEI 11.941/08 RETROATIVIDADE BENIGNA Na superveniência de legislação que estabeleça novos critérios para a apuração da multa por descumprimento de obrigação acessória, fazse necessário verificar se a sistemática atual é mais favorável ao contribuinte que a anterior. Com a alteração introduzida pela lei 11.941/08, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, como no presente caso, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no art. 44: 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade; e II) Por maioria de votos, no mérito, negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Carolina Wanderley Landim, que davam provimento parcial para excluir a multa de 75%. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. RE da contribuinte Fl. 658DF CARF MF Processo nº 10925.001665/200917 Acórdão n.º 9202006.450 CSRFT2 Fl. 657 5 A contribuinte foi intimada (efl. 534) do acórdão nº 2401003.377, em 15/02/2016 (efl. 535), e interpôs recurso especial de divergência em 1º/03/2016, às efls. 593 a 601. A matéria recorrida, cuja divergência estaria posta nos acórdãos nº 2301 003.243 e 2301003.277 é a aplicação de multa pelo critério de retroatividade benigna, em face das alterações de penalidades da Lei nº 8.212/1991, trazidas pela Lei nº 11.491/2009. O acórdão recorrido conclui pela aplicação de penalidade que atinge 75% da totalidade dos tributos lançados, pela incidência do art. 35A da Lei nº 8.212/1991. Os paradigmas afastam, a aplicação do mesmo artigo, pois a mudança legislativa não tiraria a natureza de multa de mora definida no art. 35 da legislação antiga e por isso deve ser aplicada sua homóloga, mais benigna, com base no novo art. 35, que remete ao art. 61 da Lei nº 9.430/1996, limitandoa a 20%. Finaliza por requerer o conhecimento e o provimento do seu recurso especial de divergência para que se reforme o acórdão recorrido para cancelar a exigência fiscal em relação à multa de mora e à de ofício ou, alternativa e sucessivamente, consignar que relativamente aos fatos geradores anteriores a novembro/2008 deve ser aplicada a multa de mora limitada ao percentual de 20%, prevista na novel redação do art. 35 da Lei nº 8.212/1991. No despacho de efls. 644 a 650, em 25/05/2016, a Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, reconheceu a similitude das situações fáticas dos acórdãos paradigmas e do recorrido, com atendimento aos requisitos regimentais, e entendeu por dar seguimento ao recurso especial da contribuinte para que se rediscuta a matéria relativa à aplicação de multa com a consideração da penalidade mais benigna. Contrarrazões da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional manejou contrarrazões ao recurso em 08/07/2016, às efls. 651 a 654. Em seu arrazoado, a Procuradora inicia por afirmar que a tese encampada pela recorrente não merece prevalecer, pois a forma de cálculo por ela defendida somente pode ser utilizada no caso em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso espontaneamente. Na espécie, não houve recolhimento espontâneo do tributo devido. Houve isto sim lançamento de ofício. Daí conclui que: Nessa linha de raciocínio, o lançamento em testilha deve ser mantido, com a ressalva de que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, II, da norma revogada) ou o art. 35A da MP nº 449/2008, atualmente convertida na Lei nº 11.941/2009. Ao final, requerer seja negado provimento ao recurso especial de divergência interposto pela contribuinte. Em 13/04/2016, este processo foi apensado ao de nº 10925.001666/200953, conforme termo de efl. 642. É o relatório. Fl. 659DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e, por isso, dele conheço. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a Fl. 660DF CARF MF Processo nº 10925.001665/200917 Acórdão n.º 9202006.450 CSRFT2 Fl. 658 7 mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no auto de infração de obrigação acessória AIOA somado com a multa aplicada na NFLD do auto de infração da obrigação principal AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição Fl. 661DF CARF MF 8 devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 662DF CARF MF Processo nº 10925.001665/200917 Acórdão n.º 9202006.450 CSRFT2 Fl. 659 9 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 663DF CARF MF 10 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). Fl. 664DF CARF MF Processo nº 10925.001665/200917 Acórdão n.º 9202006.450 CSRFT2 Fl. 660 11 § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso Fl. 665DF CARF MF 12 resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Dessarte, voto por negar provimento ao recurso da contribuinte, mantendo o critério do auto de infração ratificado pelo acórdão recorrido e que aplicava a retroatividade benigna em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da contribuinte e negolhe provimento para manter o auto de infração e o acórdão a quo no que respeita às multas, por têlas apurando em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04/12/2009. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 666DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19679.017889/2003-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 07 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 1999
SIMPLES. INCLUSÃO COM EFEITO RETROATIVO. As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços de assessoria estão
impedidas de optar pelo Simples, por ser assemelhada a de consultor.
CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade dos atos
legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-000.163
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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INCLUSÃO COM EFEITO RETROATIVO. As pessoas jurídicas cuja atividade seja de prestação de serviços de assessoria estão impedidas de optar pelo Simples, por ser assemelhada a de consultor. CONSTITUCIONALIDADE O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Albertina iva Santos e ,ima Antônio José Praga de, ouza Relator Presidente EDITADO EM: 07/04/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Albertina Silva Santos de Lima, Roberto Armond, André Ricardo Lemes da Silva e Adriana Giuntini Viana. Relatório LEADER TECH COMERCO E SERVICOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto n° 70,235 de 1972 (PAF), Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: A empresa acima identificada ingressou, em 01/12/2003, com a petição de fl. 01 requerendo a sua inscrição no Simples com data retroativa a 01/01/1999 alegando preencher todos os requisitos para usufruir o Simples. A Delegacia da Receita Federal em Araraquara, por meio do despacho decisório de fi.s 80/81, indeferiu o pedido ao argumento de que, conforme notas fiscais anexadas ao processo, a empresa presta serviços de acessória comercial desde 1999, o que impede de ingressar no Simples, consoante a Lei rf 9 317 de 1996, art. 9°, XIII. Inconformada, a contribuinte apresentou a manifestação de fls 86/108, alegando que não exerce atividade de profissão regulamentada e que ao proceder a exclusão do Simples o intérprete só pode ter enquadrado a sua atividade como "assemelhados", já que em nenhuma outra hipótese a mesma se encaixa, não restando dúvida de que o intérprete utilizou a analogia com violação direta ao art . 108, §1° do Código Tributário Nacional (CTN). Argumentou que a Lei n.° 9.317, de 1996, ao regular o tratamento diferenciado garantido às microempresas e às empresas de pequeno porte, estabeleceu condições qualificativas e não apenas quantificativas para opção ao regime, quebrando o tratamento isonômico da igualdade tributária, dado que seu art. 90 estaria violando o disposto nos artigos 150, II, e 179 da Constituição Federal, de 1988, por inserir restrições, impedindo a opção de muità pessoas jurídicas ao Simples. Alegou que a exclusão da contribuinte do Simples é arbitrária, não obedecendo qualquer critério razoável. Citou entendimento do S1T estampado na decisão proferida na Ação Declaratória de Inconstitucionalidade 1 643-1, Por fim, alegou que o ordenamento jurídico não contempla que os efeitos da exclusão do Simples venham a retroagir e que não seria lógico, nem racional, admitir que a contribuinte faça a opção, apresente declaração pelo Simples durante dois, três ou mais exercícios e, após seja excluída de aludida sistemática com efeitos retroativos. Argüiu que o silêncio da administração pública (que ficou inerte quanto à suposta impossibilidade de inscrição da impugnante no Simples) representa a aceitação de que o comportamento do contribuinte estava correto, ou seja, que o mesmo possuía o direito à inscrição no Simples. O acórdão de fls. 121-125 confirmou a exclusão, e cientificada em 29/01/2008, AR de fl. 127, a contribuinte apresentou recurso voluntário de fls. 130-159, repisando suas alegações especialmente quanto a abrangência da expressão "assemelhados" do art, 13 da Lei 9,317/1996 e ofensas a princípios constitucionais. É o relatorio, 2 Processo rf 19679 017889/2003-71 S1-C4T2 Acórdão n° 1402-00.163 R. .3 Voto Conselheiro Antonio José Praga de Souza, Relatar O recurso é tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade. Conforme relatado, trata-se de pedido de inclusão retroativa no Simples. As notas fiscais de fis, 24 a 74 comprovam que a empresa prestava serviços de assessoria comercial no período. Dentre as vedações ao enquadramento no Simples, o inciso XIII, do art, da Lei n° 9,317, de 05.12,1996, a atividade de contador, ou a essas assemelhadas; "iI2 verbis" mencionado dispositivo legal: "Art. 90 - Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (-) XIII — que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, ,jornalista, publicitário, .fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legahnente exigida. (Grifei) Compulsando os autos verifica-se que o contribuinte de fato exerce a atividade vedada, qual seja consultor. Definitivamente não se trata de "assemelhados"; é uma vedação direta. Reforçando esse entendimento, peço vênia para adotar a brilhante fundamentação do acórdão recorrido: No caso em análise consta do contrato social que a empresa presta serviços, entre outros, de "assessoria no desenvolvimento de projetos de terceirização" e as notas fiscais apresentadas também constam discriminados serviços de assessoria comercial e a própria contribuinte, através de seu sócio, declarou que exerce a atividade de prestação de serviços de planejamento e orientação. Embora não conste expressamente no texto legal (art. 9 0, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996) a atividade de assessoria, esta assemelha a de consultoria, cuja atividade é expressamente vedada à opção pelo Simples. Do Dicionário Jurídico de Maria Helena Diniz, Edições Saraiva de 1998, obtém-se as seguintes definições: - Consultor — Aquele que, pelo seu saber, técnica e experiência profissional, está apto, dentro de sua especialidade, a dar conselhos ou a emitir opinião ou parecer, esclarecendo o consulente a respeito da questão formulada. '4" 3 - Assessor — Pessoa ou órgão que vêm a desempenhar, pelos seus conhecimentos especializados, junto a outra pessoa (fisica ou jurídica) a função de conselheiro, assistente, auxiliar ou adjunto. E aquele que fornece assessoramento técnico ou jurídico". Os serviços de assessoria são assemelhados aos de consultoria; atividades geralmente prestadas por profissionais especializados. Relativamente à expressão assemelhados, a Coordenação Geral do Sistema de Tributação — COSIT, órgão central da Secretaria da Receita Federal responsável pela interpretação da legislação, já manifestou o entendimento de que, no contexto do artigo em comento, o vocábulo assemelhado deve ser entendido como qualquer atividade de prestação de serviço que tenha similaridade ou semelhança com as atividades enumeradas no respectivo dispositivo legal. Assim, a interessada exercendo a atividade de assessoria e sendo esta assemelhada a de consultor, fica impedida de optar pelo Simples. Quanto à alegação de que a exclusão não pode ter efeito retroativo cabe mais uma vez ressaltar que não se trata de exclusão, Pelo que consta dos autos a interessada nunca esteve no Simples, embora venha apresentando declarações e recolhendo os tributos por essa modalidade. Em relação à alegação de que o silêncio da administração pública representa a aceitação de que o comportamento do contribuinte estava correto, cabe esclarecer que o fato de a contribuinte ter entregue sua declaração de imposto de renda pelo modelo simplificado, sem que houvesse manifestação do Fisco já naquele momento, não impede a apreciação posterior da legalidade daquele ato, haja vista que essa opção é faculdade da própria contribuinte, que a exerce se e quando o quiser, sujeitando-se, apenas, à fiscalização posterior da Receita Federal, tendente a verificar a regularidade da opção, uma vez que somente os contribuintes que atendam às condições previstas na lei podem exercer esse direito Portanto, quando o Fisco apura que a empresa optou indevidamente pelo regime simplificado pode, e deve, exclui-lo de tal sistemática, Assim, apenas nesse momento, e não antes, a Receita Federal praticará ato comunicando o contribuinte da irregularidade que cometeu. Tal procedimento não afronta o princípio do direito adquirido como insinuou a contribuinte, porquanto à época do pedido formulado mediante a Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica (FCRJ) a contribuinte já não reunia as condições de optar pelo Simples, posto que já havia inscrição em divida ativa com exigibilidade não suspensa. Enfim, não se verifica qualquer afronta aos princípios enumerados pela contribuinte. Quanto às alegações de inconstitucionalidade cumpre registrar que, por força de sua vinculação ao texto da norma legal e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, à autoridade administrativa é vedado emitir qualquer juízo de valor acerca da constitucionalidade de leis ou outros aspectos de sua validade, não podendo se esquivar à aplicação de norma regularmente inserida no ordenamento jurídico, até que outra a revogue, ou então, que o Judiciário a afaste, no controle concentrado, com efeito erga ames, ou no difuso, cuja validade restringe-se às partes interessadas. Sobre esse tema, é vasta a jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, a exemplo dos seguintes julgados: "LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS - Compete exclusivamente ao Judiciário o exame da iegalidade/constitucionalidade das leis. Recurso negado." (Acórdão n°202-10665, de 10/11/1998), "INCONSTITUCIONAL1DADE - Lei n° 8.383/91- A autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a constitucionalidade de leis 4 Processo n' 19679 017889/2003-71 S1-C4T2 Acórdão n " 1402-00,163 F1 4 e o contencioso administrativo não é foro próprio para discussões desta natureza, haja vista que a apreciação e a decisão de questões que versarem sobre inconstitucionalidade dos atos legais é de competência do Supremo Tribunal Federal." (Acórdão 106-10694, de 26/02/1999) O ilustre representante do contribuinte em sua peça recursal apresenta um extenso estudo jurídico, citando doutrina, jurisprudência e normas constitucionais para embasar sua tese no sentido de que o contribuinte não foi enquadrado no simples por exercer atividade "assemelhada"de profissão que exige habilitação profissional. Além disso discorre sobre a possibilidade de inclusão retroativa, que não foi abordada, seja no despacho decisorio, seja na decisão recorrida. Todavia, nessa elaborada peça recursal não há um parágrafo sequer para contestar o principal motivo da não inclusão, qual seja, a empresa presta serviço de assessoria comercial, que é consultoria, atividade vedada expressamente. Estou convencido que a empresa não pode ser enquadrada no Simples, pelo que nego provimento ao recurso. (//71Antonio J se("‘raga de So za 5 l ã Seção 4a Câmara MINISTÉRIO DA FAZENDA Fls CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF CARF I" SEÇÃO DE JULGAMENTO/4 a CÂMARA Processo n" : 19679017889/2003-71 Interessado(a) : LEADER TECH COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. TERMO DE JUNTADA a Seção/4' Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1402-00.163, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / Chefe da Secretaria
score : 1.0
Numero do processo: 10735.900004/2011-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Relatório
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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Resolvem os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (suplente convocado), Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Rogério Aparecido Gil, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado), Gustavo Guimarães da Fonseca, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 35 .9 00 00 4/ 20 11 -1 0 Fl. 601DF CARF MF Processo nº 10735.900004/201110 Resolução nº 1302000.570 S1C3T2 Fl. 602 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1241.595, proferido pela DRJRJOI, em 20/10/2011, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório da DRFNova Iguaçu/RJ que indeferiu parcialmente o Pedido de Compensação de Saldo Negativo de IRPJ, efetuado através dos PER/Dcomp nº 34359.84247.120506.1.3.025770, 12452.87855.290906.1.7.026533, 22906.56964.120307.1.7.020497, 00821.51798.290906.1.7.029740, 29485.12468. 171006.1.3.027202, 18297.30863.261006.1.3.020630, 13847.66407.101106.1.3.027418 e 14166.32576.120307.1.7.028702 por meio dos quais a interessada pleiteia compensar crédito que alega possuir decorrente de saldo negativo de IRPJ, referente ao 4º trimestre de 2005, com débitos neles declarados. O acórdão recorrido tem a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 DCOMP. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. Incumbe ao contribuinte a demonstração, com documentação comprobatória, da existência do crédito, líquido e certo, que alega possuir junto à Fazenda Nacional. IRRF. COMPROVANTE DE RETENÇÃO. Incabível a dedução, na declaração de rendimentos, de IRRF que não tenha sido informado em DIRF e, ainda, que não seja confirmado por comprovante de retenção. IRRF. DEDUÇÃO. COMPROVAÇÃO DA TRIBUTAÇÃO DA RECEITA CORRESPONDENTE. Somente é possível a dedução do IRRF devidamente retido e recolhido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado pelo beneficiário que apura o lucro real quando restar devidamente comprovada a tributação da receita correspondente. Cientificada do acórdão recorrido em 08/04/2013 (fls. 462), a recorrente apresentou recurso voluntário em 14/06/2012 (fls. 464/481), no qual apresenta, em síntese, as seguintes razões recursais; i. apesar da minuciosa demonstração das retenções na fonte que elaborou, a DRJ preferiu a forma ao conteúdo, entendendo que apenas as DIRFs e Informe de Rendimentos seriam hábeis a fazer a prova necessária; Fl. 602DF CARF MF Processo nº 10735.900004/201110 Resolução nº 1302000.570 S1C3T2 Fl. 603 3 ii. aduziu que em nenhum momento foi negada a existência do direito creditório e, portanto, sob a égide da Verdade Material deveria ter sido aceita a robustez das provas apresentadas com a manifestação de inconformidade; iii. as DIRFs estão sujeitas a erros, especialmente no caso de contratantes do setor público; iv. a Recorrente não poderia depender de informações apresentadas por terceiros, as quais não tem acesso; v. as notas fiscais apresentadas veiculariam informações sobre o recebimento, data, retenções de tributos e não detêm natureza contábil, porém, fiscal, com reflexos contábeis; vi. não era condição para reconhecimento do direito à compensação do imposto retido na fonte o recolhimento do tributo retido pela fonte pagadora; vii. seja no despacho decisório, ou na decisão da DRJ, não foram invalidadas as informações prestadas na DIPJ referente ao período, não recebeu intimação sobre a sua irregularidade, o valor total das receitas sujeitas a retenções na fonte apresentadas no “anexo B” são compatíveis com as informações apresentadas na DIPJ e com o saldo negativo informado; viii. o art. 923/RIR determina que a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, de sorte que não prosperaria a alegação de falta de comprovação das retenções, exceto se considerada a inércia e/ou falta de investigação da fiscalização, que não teria contestado as informações da DIPJ; ix. para corroborar as suas alegações, faz referência a diversos julgados dessa Corte Administrativa, em que se entende que a comprovação de retenções na fonte não se limita às DIRFs, sendo possível ao contribuinte demonstrar o seu direito creditório por outros elementos de convicção; x. afirma que, muito embora entenda que tenha apresentado suficientes provas para lastrear o seu direito, tendo em vista o fundamento inovador da decisão relativo à “tributação de receitas”, e que a efetividade das retenções poderia ser aferida nos seus registros, pugnou pela realização de perícia, formulando três quesitos a serem complementados no curso da demanda e indicando assistente técnico. Juntou ao recurso voluntário a respectiva DIPJ. É o relatório. Fl. 603DF CARF MF Processo nº 10735.900004/201110 Resolução nº 1302000.570 S1C3T2 Fl. 604 4 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos pressupostos regimentais. Assim dele conheço. A controvérsia instaurada gira em torno da comprovação de IRRF retido pelas fontes pagadoras, no montante informado pela recorrente em suas PER/Dcomp's, que compõe o saldo negativo de IRPJ pleiteado para utilização nas compensações declaradas. A autoridade administrativa que analisou o pleito entendeu que, no cotejo entre os valores informados pela contribuinte e as informações prestadas pelas fontes pagadoras em suas DIRF's, restou confirmado o montante retido de R$ 973.340,36, de um total pleiteado de R$ 1.144.009,46, resultando em uma glosa no valor de R$ 170.669,10. o que reduziu o saldo negativo apurado e declarado pela contribuinte de R$ 992.025,54 para 821.356,44. A recorrente apresentou junto com sua manifestação de inconformidade, além das notas fiscais emitidas com destaque dos tributos retidos na fonte (Anexo C fls. 129/440), diversas planilhas de controle que demonstram individualizadamente as retenções sofridas em cada operação e a data de recebimento de cada fatura de serviços (Anexo A fls. 111/117, Anexo B fls. 118/128). Além disso, verificase nas notas fiscais anexadas o valor líquido de cada operação e, em grande parte delas, os dados bancários para o pagamento das faturas. Embora a recorrente não tenha trazido aos autos os documentos previstos nas instruções normativas instituídas pela administração tributária federal, apresenta outros elementos, de forma sistematizada, que servem ao menos como início de prova a favor do sujeito passivo. Especialmente, levandose em consideração que grande parte delas, foi confirmada pela própria RFB por meio das DIRFs disponíveis no sistema. É fato que o contribuinte para ter direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período deve apresentar o comprovante de retenção,emitido em seu nome pela fonte pagadora, conforme o disposto no art.55 da Lei nº 7.450/1985, verbis: Art 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. Todavia, essa exigência tem sido relativizada nas hipóteses em que o contribuinte não tenha recebido esse comprovante e/ou não tenha como obtêlo, desde que consiga fazer prova, por outros meios ao seu dispor, de que efetivamente sofreu as retenções que alega,conforme a jurisprudência deste CARF, verbis: Acórdão nº 130100.769, de 24/11/2011– 3ª Câmara/1ªTO Fl. 604DF CARF MF Processo nº 10735.900004/201110 Resolução nº 1302000.570 S1C3T2 Fl. 605 5 SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. COMPROVANTE DE RENDIMENTOS.AUSÊNCIA. FALTA DE COMPROVAÇÃO. VALORES CONSTANTES DA DIRF. O contribuinte tem direito a abater do valor do imposto devido ao final do período de apuração os montantes retidos pelas fontes pagadoras, incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação nesse mesmo período. Para tanto, deve apresentar o comprovante de rendimentos fornecido pelas fontes pagadoras, ou fazer prova da efetividade das retenções mediante quaisquer outros meios ao seu alcance. Em assim não sendo,correta a decisão de primeira instância que considerou comprovados apenas os valores declarados pelas fontes pagadoras em DIRF. Acórdão nº 130200.945 – 05/07/2012 3ª Câmara/2ªTO IRRF. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. COMPROVANTES DE RETENÇÃO. O sujeito passivo tem direito à dedução do imposto retido pelas fontes pagadoras incidentes sobre receitas auferidas e oferecidas à tributação, do valor do imposto devido ao final do período de apuração,ainda que não tenha recebido o comprovante de retenção ou não possa mais obtêlo, desde que consiga provar, por quaisquer outros meios ao seu dispor, que efetivamente sofreu as retenções que alega. No caso em apreço, entendo que, embora não estejam devidamente comprovadas as retenções existem fortes indícios de sua ocorrência e, tendo em conta os princípios da razoabilidade e da verdade material, que é justificável a conversão do julgamento em diligência com vistas a permitir à recorrente a apresentação de elementos complementares que demonstrem a efetividade das operações. Com efeito, tem razão a recorrente quando aponta que não pode ser responsabilizada pela falta ou incorreção de informações nas DIRF's pelas fontes pagadoras, ou mesmo, pela falta de recolhimento dos tributo retidos, se comprovados por outros meios que efetivamente ocorreu a retenção. Conforme acima destacado, a recorrente apresentou a cópia de cada nota fiscal/fatura contendo os valores brutos e líquidos de cada operação e informou a data do recebimento de cada uma delas e, ainda, em muitos casos, a própria informação dos dados bancários para recebimento das faturas. Assim, entendo que é perfeitamente possível que esta possa identificar e comprovar o recebimento dos valores de cada operação pelos seus montantes líquidos, a denotar a efetividade da retenção dos tributos pelas fontes pagadoras. Tais comprovações podem ser feitas mediante extratos ou avisos bancários e ainda pelos registros contábeis dos respectivos recebimentos nos livros Diário/Razão. E, ainda, que a própria fiscalização possa intimar as fontes pagadoras a confirmar as operações e respectivas retenções na fonte. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 10735.900004/201110 Resolução nº 1302000.570 S1C3T2 Fl. 606 6 Noutro giro, é possível até mesmo que, tendo decorrido um prazo razoável entre a data de prolação do despacho decisório e a interposição do presente recurso, que as próprias fontes pagadoras tenham apresentados DIRF's retificadoras, que possam comprovar total ou parcialmente os valores anteriormente glosados. Assim, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligências, encaminhandose os autos à unidade preparadora para que: a) seja designada autoridade fiscal competente para: a.1) intimar a interessada a apresentar a comprovação do recebimento dos valores informados nas notas fiscais (conforme as planilhas por ele apresentadas Anexos A, B e C da manifestação de inconformidade) pelos valores líquidos dos tributos retidos, mediante a apresentação de extratos ou avisos bancários respectivos (quando for o caso) e dos respectivos registros contábeis (livros Diário e/ou Razão) nas contas pertinentes; a.2) intimar, se necessário, as fontes pagadoras a confirmar a retenção dos valores que deixaram de ser reconhecidos, em face da ausência de informação em Dirf e da ausência de Comprovantes de Rendimentos; a.3) efetuar outras averiguações que julgar convenientes, inclusive nos sistemas da RFB, com vistas a identificar o montante efetivo de imposto retido pelas fontes pagadoras à contribuinte, no período ora examinado; a.4) elaborar relatório circunstanciado, detalhando as apurações realizadas e informando os novos valores que tenham sido comprovados pela contribuinte ou pelas fontes pagadoras, indicando o saldo adicional passível de reconhecimento, se for o caso. a.5) dar ciência do relatório à interessada para que esta, querendo, se manifeste sobre suas conclusões no prazo de 30 (dias), findo o qual o processo deve retornar a este colegiado para prosseguimento. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 606DF CARF MF
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Numero do processo: 10735.904439/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO QUE SE RECONHECE.
Confirmado por documentação contemporânea aos fatos que houve pagamento indevido pelo contribuinte e, por consequência, a existência de crédito líquido e certo, a homologação da compensação de tal crédito com débitos da recorrente, deve ser atendida até o limite do direito creditório reconhecido.
Numero da decisão: 1402-002.901
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para homologar as compensações pleiteadas, tendo em vista o reconhecimento do indébito no valor de R$ 64.036,97, conforme decidido no bojo do processo 10735.904263/2009-03.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO QUE SE RECONHECE. Confirmado por documentação contemporânea aos fatos que houve pagamento indevido pelo contribuinte e, por consequência, a existência de crédito líquido e certo, a homologação da compensação de tal crédito com débitos da recorrente, deve ser atendida até o limite do direito creditório reconhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para homologar as compensações pleiteadas, tendo em vista o reconhecimento do indébito no valor de R$ 64.036,97, conforme decidido no bojo do processo 10735.904263/2009-03. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO. COMPROVAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO QUE SE RECONHECE. Confirmado por documentação contemporânea aos fatos que houve pagamento indevido pelo contribuinte e, por consequência, a existência de crédito líquido e certo, a homologação da compensação de tal crédito com débitos da recorrente, deve ser atendida até o limite do direito creditório reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para homologar as compensações pleiteadas, tendo em vista o reconhecimento do indébito no valor de R$ 64.036,97, conforme decidido no bojo do processo 10735.904263/200903. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Marco Rogério Borges, Eduardo Morgado Rodrigues, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 44 39 /2 00 9- 19 Fl. 868DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 869 2 Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Ausente justificadamente o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 870 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada em face de decisão exarada pela 1ª Turma da DRJ/RJ1 em sessão de 11 de agosto de 2011 (fls. 63/66)1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta e manteve o Despacho Decisório que declarou não homologada a compensação declarada (nº de rastreamento 831661544 – 20/04/2009 fls. 6) e PER/DCOMP nº 10009.41070.260707.1.7.04 5616 (fls. 2/5), referente ao código de receita 236201 IRPJ Demais PJ obrigadas ao lucro real/Estimativa mensal período de apuração abril/2006. Irresignado, o sujeito passivo interpôs manifestação de inconformidade (fls. 7/17) onde alegou erro material no preenchimento da DCFT do mês de março/2006 (IRPJ) que 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 870DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 871 4 deveria apontar valor devido de R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15; que a DIPJ do período confirma o primeiro valor; que recolheu R$ 249.713,63 (DARF) e compensou R$ 141.163,52, de modo que recolheu a maior R$ 64.036,97, montante (parcial) do qual se utilizou para efetivar a compensação não homologada. Juntou cópia da DCTF retificadora do 1º trim/2006, cópia da DIPJ do ano calendário/2006 e cópia do DARF pago. Apreciando a MI, a 6ª Turma da DRJ/RJ1 negou provimento ao pedido por entender (fls. 66): “A DIPJ, desde o anocalendário de 1999, tem caráter meramente informativo, isto 6, as informações nela prestadas não configuram confissão de divida – a Instrução Normativa n° 127, de 30 de outubro de 1998, que extinguiu, em seu art. 6 0, inciso I, a DIRPJ — Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica e instituiu, em seu art. 1º, a DIPJ — Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, deixou de fazer referência confissão de tributos ou contribuições a pagar. Por sua vez, a DCTF — Declaração de Contribuições e Tributos Federais, instituída pela Instrução Normativa SRF n° 129/1986, sempre foi destinada a tal fim A DCTF, sendo confissão de divida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. O darf foi alocado conforme DCTF. A DCTF juntada pelo próprio interessado, às fls. 25/26, confirma a alocação apontada no Despacho Decisório. Eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa”. O Acórdão recorrido tem a seguinte ementa: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2006 RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. Mantémse o despacho decisório, se não elididos os fatos que lhe deram causa. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Cientificada em 28/09/2011 (“AR” – fls. 73), a contribuinte interpôs recurso voluntário em 27/10/2011 (fls. 74/88) no qual rebate a decisão recorrida e basicamente repisa a argumentação expendida na manifestação de inconformidade. Subindo os autos ao Colegiado de 2º Piso, a então 2ª Turma Especial da 1ª Sejul converteu o julgamento em diligência (Resolução nº 1802000.344, de 08/10/2013 – fls. 121/129). Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 872 5 Com a Informação Fiscal de 01/10/2015 (fls. 856/862 e documentos juntados), os autos retornaram para julgamento e foram redistribuídos a este Relator em razão da extinção da Turma original (2ª Turma Especial da 1ª Sejul). É o relatório do essencial. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 873 6 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone Relator O Recurso Voluntário é tempestivo (ciência da decisão recorrida em 27/09/2011 – “AR” – fls. 73 e protocolização da peça recursal em 27/10/2011 – fls. 74), a representação da contribuinte está corretamente formalizada (fls.102/109) e os demais pressupostos exigidos para admissibilidade foram atendidos, de modo que o recebo e dele conheço. O tema em discussão prendese em definir se as alegações da recorrente de que teria recolhido a maior o valor de estimativa mensal de IRPJ de março/2006 restaria confirmado em razão de equívoco no preenchimento da DCTF e se este montante poderia ser utilizado na compensação de débito de sua responsabilidade perante a Fazenda Nacional, ou se, como assentado pelo DD e decisão recorrida, inexistiu tal comprovação e o eventual pagamento a maior estaria alocado a débitos confessados. Mais ainda, que, “o darf foi alocado conforme DCTF”; que “ a DCTF juntada pelo próprio interessado, às fls. 25/26, confirma a alocação apontada no Despacho Decisório”, e que, “eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito” (decisão recorrida – fls. 66). Já a recorrente sustenta ter cometido equívoco ao preencher e transmitir a DCTF com o valor da estimativa de março/2006 apontando débito de R$ 390.877,15, devidamente recolhido ou compensado (R$ 249.713,63 e R$ 141.163,52, respectivamente), quando deveria declarar como valor devido o montante de R$ 326.840,18. Com isto, no dizer da recorrente, seria detentora de crédito, por pagamento a maior e indevido, de R$ 64.036,97, que utilizou (parcialmente) na compensação não homologada e objeto deste litígio. Pois bem, em casos de estimativas mensais, como se sabe, a) os recolhimentos estimados são obrigatórios para os contribuintes que optam pelo Lucro Real e devem ser feitos tendo como base de cálculo a receita bruta e acréscimos; b) tais recolhimentos podem ser reduzidos ou mesmo dispensados em casos de levantamento de balanços ou balancetes de suspensão; e, c) o demonstrativo da base de cálculo e dos valores apurados são informados pelos contribuintes na DIPJ do período (no caso de IRPJ, na Ficha 11). A compulsação dos autos mostra que a recorrente, nos doze meses, utilizou se da receita bruta e acréscimos para apuração das estimativas, ou seja, a pessoa jurídica, em tese e a princípio, não quis ou não conseguiu se utilizar da prerrogativa legal de, mediante “balancetes de redução ou suspensão”, adequar o recolhimento dos valores estimados ao “lucro real”, preferindo a via mais simples de calcular o montante a ser recolhido sobre sua receita. Nesse ponto, segundo a recorrente assevera e encontrase transcrito na DIPJ – Ficha 11 (fls. 31) , a “estimativa” de março/2006 seria de R$ 326.840,18 (já com a dedução dos incentivos fiscais), conforme abaixo demonstrado: Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 874 7 Ocorre que, CONTRARIAMENTE ao acima estampado, a recorrente informou em DCTF o valor devido de R$ 390.877,15 (fls. 27), quitado da seguinte forma (DARF – R$ 249.713,63 – fls. 32) e “compensação” de R$ 141.163,52 (fls. 28), tudo como abaixo reproduzido: Ø DCTF (fls. 27): Ø DARF (fls. 32): Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 875 8 Ø COMPENSAÇÃO (fls. 28): Nestas condições, não haveria ressalva a fazer ao decidido no Despacho Decisório (fls. 6) isto porque, à época, o confronto das informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB revelava que o DARF discriminado para fins de compensação já se encontrava integralmente utilizado para quitação de débitos do Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 876 9 interessado, não restando crédito disponível. Em outras palavras, o recolhimento feito em DARF foi alocado à DCTF transmitida pelo sujeito passivo. Mesmo entendimento esposado na decisão recorrida, acrescido ao fato de que, segundo a Relatoria de 1º Grau, a interessada não se desincumbiu do dever de comprovar o equívoco que alegou no preenchimento da DCTF. Todavia, não se pode olvidar e este é o pensamento deste Relator e, na mesma linha, do voto condutor da Resolução da então 2ª Turma Especial da 1ª Seção que apreciou inicialmente estes autos e converteu o julgamento em diligência , o processo administrativofiscal é regido pelo “princípio da busca da verdade material”, de modo que, em face do quanto alegado no recurso voluntário e à vista dos documentos juntados com o procedimento diligenciador, os argumentos expendidos pela contribuinte devem ser reanalisados (ainda que a decisão de 1º pugne, de forma diversa e em sentido oposto e que “eventual retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito” Ac. DRJ – fls. 66). Nesse sentir, pareceme induvidoso que regramentos de cunho acessório que se fazem presente nas informações prestadas pelos contribuintes aos Órgãos Tributários não podem ser imutáveis, até por força da falibilidade humana. De outro lado, claro, ao Poder Tributante é lícito, mais ainda, é imperativo sejam dadas condições legais e normativas para que possa impor aos jurisdicionados a obrigatoriedade da prestação de informações de interesse do Órgão, até porque envolve o interesse público, em última análise, a própria sociedade organizada. Dito isto, é certo que as informações de natureza tributária que devem prestar ao Fisco as pessoas jurídicas que adotem o Lucro Real baseiamse, sempre e sempre, na sua escrituração, nos seus livros e nos documentos que os lastreiem, vale dizer, “DIPJ”, “DCTF”, “DACON” e outros e que, no fundo, nada mais são do que verdadeiras “FERRAMENTAS”, melhor, são meios, jamais fim em si mesmo, não podendo ser INTOCÁVEIS. Em outras palavras, o que alimenta tais demonstrativos, declarações e informações é a escrituração (tida em seu aspecto amplo) e esta é a que deve prevalecer em última análise. Foi dentro dessa linha de pensamento que a então 2ª Turma Especial da 1ª Seção, pelo voto do Relator original, Conselheiro Nelso Kichel, expresso na Resolução nº 1802000.344, decidiu pela conversão do julgamento em diligência, na forma abaixo reproduzida (destaques do original): “No caso, a recorrente efetuou compensação tributária, sob condição resolutória, do débito informado na DCOMP, com utilização de pretenso crédito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, conforme DCOMP retificadora transmitida eletronicamente em 26/07/2007, mediante programa gerador PER/DCOMP (fls.02/05). Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, não reconheceu o direito creditório utilizado/pleiteado, deixando de homologar a compensação tributária, ante a inexistência de pagamento indevido ou maior do IRPJ estimativa mensal do P.A. março/2006. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 877 10 Nesta instância recursal, a recorrente rebelase contra a decisão recorrida, argumentando que o crédito pleiteado existe, aduzindo: que o valor principal do débito do IRPJ estimativa mensal do P.A março/2006, confessado na respectiva DCTF, está equivocado; que houve erro material no preenchimento da DCTF; que o débito correto é o informado na DIPJ respectiva, e não o valor constante da DCTF; que não houve retificação da DCTF para ajustar o valor débito, para coincidir com o valor informado na DIPJ, pois o erro material foi constatado após ciência do despacho decisório, o qual impede transmissão eletrônica de DCTF retificadora, pela perda de espontaneidade. Compulsando os autos, consta que atinente ao P.A março/2006, houve os seguintes desdobramentos: a) a contribuinte confessou débito do IRPJ estimativa mensal no valor de R$ 390.877,15, conforme DCTF transmitida eletronicamente em 30/07/2008, cuja cópia consta das fls.27/28; b) que esse débito confessado na DCTF teria sido adimplido do seguinte modo: b1) pagamento por DARF no valor de R$ 249.713,63, data de recolhimento 28/04/2006, cópia do DARF (fl. 32); b2) – outras compensações no valor de R$ 141.163,52, mediante utilização de crédito do IPI (DComp: 09231.74003.270406.1.3.018112 e DComp: 07398.18112.270406.1.3.015150) – informação constante da cópia da DCTF (fls. 28/29). c) que, entretanto, o débito apurado e informado na DIPJ, quanto ao PA março/2006, seria menor, em relação débito informado na DCTF, quanto ao mesmo PA. Vale dizer, a contribuinte informou débito do do IRPJ estimativa mensal, P.A. março 2006, o valor de R$ 326.840,18, na DIPJ 2007, anocalendário 2006, Ficha 11 – Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, com base na receita bruta e acréscimos (fl. 31), transmitida eletronicamente em 29/06/2007, conforme recibo de entrega (fl. 29); d) que, quanto ao PA março/2006, teria adimplido IRPJ estimativa mensal a maior, ou indevidamente, no valor de R$ 64.036,97 (original) e que desse valor, utilizou parcela de crédito original de R$ 12.444,44 para compensar débito informado na compensação objeto destes autos. Ainda, constato pela cópia da DIPJ que, em princípio, a contribuinte não alterou critério de apuração do IRPJ estimativa mensal de receita bruta e acréscimos para balancete de suspensão/redução. Então, em tese é plausível a alegação de erro material quanto ao débito informado na DCTF. Além do mais, a DCTF foi transmitida eletronicamente, praticamente, 01 (um) ano após a entrega da DIPJ, o que reforça a tese do erro material, quanto ao real valor do débito. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 878 11 No âmbito da DRF/Nova Iguaçu, não houve intimação da contribuinte para comprovação, à luz da escrituração contábil e respectivos documentos de suporte idôneos dos registros contábeis, a apuração do IRPJ do PA março/2006 e dos demais meses desse anocalendário, para que houvesse esclarecimento cabal, se houve, ou não, erro material no preenchimento da DCTF. Simplesmente a unidade de origem da RFB emitiu despacho decisório do qual consta que o direito creditório demandado é inexistente, pois os valores adimplidos foram consumidos pelo respectivo débito confessado na DCTF, não restando crédito disponível. Na decisão recorrida, consta que a DRJ/Rio de Janeiro I, embora a contribuinte tivesse pleiteada a realização de diligência, entendeu não ser cabível, conforme fundamentação constante do voto condutor (fls. fls. 64/65), in verbis: (...) Pelo entendimento exarado na decisão recorrida, existindo divergência entre DCTF e DIPJ quanto ao débito apurado e informado, prevalece aquela e não está, pois somente a DCTF tem caráter de confissão de dívida. Esse entendimento não merece prosperar. Embora a DCTF seja o instrumento por excelência para confissão de débito tributário (porém, não sendo o único!), não tem caráter absoluto essa confissão, se houver prova irrefutável de erro material, antes de prescrito o direito de repetição do indébito tributário. A decisão recorrida refutou o protesto de produção de todas as provas admitidas em direito, fundamentada no entendimento de que as provas deveriam ter sido juntadas aos autos junto com a impugnação e não o foram; que a faculdade processual restou preclusa; que a contribuinte é autora do pedido de direito creditório contra o fisco; que no processo de compensação tributária, o ônus probatório do fato constitutivo do direito de crédito contra o fisco é do autor do pedido do crédito. Mas, tanto o despacho decisório, quanto a decisão recorrida, pecam por falta de indicação à contribuinte acerca do elemento de prova necessário para a comprovação do crédito pleiteado, embora alegado o erro material de preenchimento da DCTF. Em momento algum nos auto o fisco pediu à contribuinte a verificação da escrituração contábil, ou seja, a juntada de prova da escrituração contábil, para dirimir a dúvida sem houve, ou não, erro material no preenchimento da DCTF. As cópias da DCTF, da DIPJ e do DARF, sem a apresentação da respectiva escrituração contábil, não têm o condão de comprovação do direito creditório pleiteado, pois é necessário cotejar, confrontar, a escrituração contábil e a escrituração fiscal, para demonstração do alegado erro material. Embora no processo de compensação tributária o ônus probatório do fato constitutivo do direito (da liquidez e certeza do crédito demandado) seja da contribuinte, pois é o autora da demanda nos termos do art. 333, I, do Código de Processo Civil Brasileiro e do art. 170 do Código Tributário Nacional, entendo que esse rigor probatório deve ser mitigado, com base no princípio da verdade material, pois a unidade de origem da Receita Federal, bem como a DRF/Rio de Janeiro I, deixaram de intimar a contribuinte para apresentação da escrituração contábil e respectivos documentos idôneos de suporte dos registros contábeis. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 879 12 Como visto, a instrução processual dos autos está incompleta, não permitindo a formação de convicção do julgador quanto ao direito creditório demandado. Além disso, se restar comprovado o alegado erro material na DCTF, é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração (não relacionado com a receita bruta ou com balancete de suspensão ou redução) sem necessidade de leválo para o ajuste anual ou para compor o saldo negativo, em face da revogação do art. 10, 2ª parte, da IN SRF 600/2005 pelo art. 11 da IN RFB 900/2008. Esse ato normativo tem efeito ou aplicação retroativa. Nesse sentido, é o entendimento do CARF, conforme Súmula CARF nº 84, in verbis: (...) Em face disso, justamente para afastar eventual prejuízo à defesa (aos princípios do contraditório e da ampla defesa), propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: a) se houve erro material no preenchimento da DCTF quanto ao valor do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006; b) se as DCOMP nºs 09231.74003.270406.1.3.018112 e 07398.18112.270406.1.3.015150) foram homologadas, ou não ( fls. 28/29); c) se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse ano calendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir); d) se o crédito pleiteado está disponível para efetuar a compensação objeto dos autos”. Para concluir: “No término da diligência fiscal, a unidade de origem da RFB (DRF/Nova Iguaçu) deverá elaborar relatório circunstanciado com resultado conclusivo, devidamente fundamentado e demonstrado, quanto ao crédito demandado”. Diligência cumprida, com ela veio a Informação Fiscal (fls. 856/862) e documentos juntados no procedimento (fls. 133/855). Antes de tudo, ressalto a lamentável forma com que foram juntados aos autos os documentos relativos à escrituração contábil e fiscal da recorrente, sem um mínimo de ordenamento lógico que permitisse aferir e contrapor rapidamente as provas juntadas com o alegado nos autos e, mais ainda, sem que a interessada tivesse feito sequer um índice racional para manuseio de tal documentação; ao contrário, referidas provas – cujo maior interesse em vêlas aceitas, presumese, seja da recorrente – foram acostadas dispersa e aleatoriamente. Nesse sentido: IRPJ – PROVA – Cumpre à impugnante demonstrar o efeito modificativo ou extintivo do crédito constituído pelo lançamento. Não basta ao impugnante juntar documentos aos autos, sendo indispensável que ele demonstre o efeito probatório por eles produzido. (Acórdão nº 10707882) Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 880 13 Este fato levou ao exaustivo trabalho elaborado pela autoridade fiscal diligenciadora em parcimoniosa e detalhada Informação e exigiu não menos esforço deste Relator para que pudesse se chegar o mais próximo possível da “verdade material” tão reclamada. Consignada a ressalva acima, passo às conclusões do voto. Segundo a Informação de Diligência (fls. 857), no que tange ao “quesito a” da Resolução nº 1802000.344 (“se houve erro material no preenchimento da DCTF quanto ao valor do débito do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006”): “Quesito a) Considerando que não foram encontrados no processo, documentos juntados pelo contribuinte que comprovassem as suas argumentações relativamente ao erro material alegado, não obstante o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e tendo em vista, principalmente, as solicitações do CARF em diligência, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos que respaldassem suas alegações de erro material no preenchimento da DCTF, conforme intimação juntada ao processo. Em análise aos documentos apresentados pela contribuinte, podese dizer que aparentemente não houve erro material no preenchimento da DCTF, na medida em que os documentos apresentados, notadamente o seu “Livro Diário Geral” e demais documentos, não nos permitem aferir que a contribuinte tenha, de fato, apurado e contabilizado suas estimativas mensais nos valores e períodos por ele sustentados, posto que, nos lançamentos contábeis apresentados, não consta os valores das estimativas “mês a mês”. Ressaltese ainda que, posteriormente à resposta da intimação, a contribuinte foi contatada, por telefone, sendo solicitado os documentos contábeis que embasassem tais lançamentos, sendo que, os documentos apresentados não identificam lançamentos de provisão de IRPJ e CSLL mês a mês, não contemplando, dessa forma, o que foi solicitado, referente à estimativa de IRPJ de março de 2006, o que não serviu para aferir o que por ela foi alegado. Vêse na manifestação da autoridade que presidiu a diligência a ratificação do que já dito neste voto acerca da dispersão das provas, juntadas aleatoriamente e sem nenhuma concatenação lógica, tanto que a Informação Fiscal é clara ao dizer que não permitiram “aferir que a contribuinte tenha, de fato, apurado e contabilizado suas estimativas mensais nos valores e períodos por ele sustentados”; que, “nos lançamentos contábeis apresentados, não consta os valores das estimativas “mês a mês”; e, que, “os documentos apresentados não identificam lançamentos de provisão de IRPJ e CSLL mês a mês, não contemplando, dessa forma, o que foi solicitado, referente à estimativa de IRPJ de março de 2006”. Mais ainda, “podese dizer que aparentemente não houve erro material no preenchimento da DCTF”. De fato, como este Relator teve oportunidade de confirmar ao analisar minudentemente os autos, visàvis, lançamento a lançamento, os Livros Diário e Razão, a recorrente não teve por hábito contabilizar a “provisão de IRPJ e CSLL mês a mês” (como ressaltado pela diligência), procedimento que contemplaria, sem dúvida, maior técnica contábil, quando os montantes provisionados são lançados no passivo e posteriormente baixados contra o circulante. Tivesse assim procedido a contribuinte, a visão dos fatos se faria sem maior esforço. Todavia, o fato de a recorrente ter adotado método mais simplificado de Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 881 14 escrituração, debitando uma conta de ativo (tributos a recuperar) e creditando diretamente o circulante (Caixa/Bancos) pelo pagamento, SEM PROVISIONAMENTO anterior, não desnatura a contabilização nem traz reflexos tributários. Vejase a forma de contabilização assumida, naquilo que interessa (estimativa de IRPJ – março/2006): Ø Livro Diário (fls. 762/763): Ø Livro Razão (fls. 433): Ø Conferindo: ESTIMATIVA IRPJ MARÇO/2006 1. Pagamento (DARF) 249.713,63 2. Compensação DCOMP nº 07398.18112.270406.1.3.015150 7.103,35 3. Compensação DCOMP nº 09231.74003.270406.1.3.018112 134.060,17 4. Estimativa IRPJmarço/2006paga/compensada (1+2+3) 390.877,15 Parece induvidoso que, na contemporaneidade dos fatos, a recorrente, de uma forma ou outra, preliminarmente, apurou como “estimativa de IRPJ de março/2006”, o valor de R$ 390.877,15 que buscou adimplir mediante o pagamento (DARF) de R$ 249.713,63 e compensações de R$ 7.103,35 e R$ 134.060,17 e só POSTERIORMENTE, quando da elaboração da DIPJ (em junho/2007) é que chegou definitivamente ao débito de R$ 326.840,18 (DIPJ – Ficha 11 – Linha 12 fls. 165). Então cabe a pergunta: por que a recorrente recolheu/compensou R$ 390.877,15 em 28/04/2006 (DARF – código de receita 2362 fls. 32), gerando um recolhimento em excesso de R$ 64.036,97? A resposta, até pelo longo lapso de tempo (cerca de dez anos...), óbvio, passa por um verdadeiro exercício de imaginação e muitas suposições. Porém, conhecendo o universo das empresas, é lícito presumir que, em 30 de abril de 2006, quando vencia o prazo para recolhimento da estimativa de março/2006, a escrituração da recorrente ainda não tinha sido “fechada”, ou seja, provavelmente faltavam Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 882 15 alguns documentos para serem contabilizados e, neste contexto, até para evitar penalidades e acréscimos moratórios, a contribuinte apurou “estimadamente” o valor “devido” e o recolheu/compensou. Somente depois, passado mais de um ano, por ocasião da elaboração e transmissão da DIPJ do anocalendário de 2006 (ex/2007) em 29/06/2007 (fls. 29) é que a empresa teria chegado ao montante correto devido (R$ 326.840,18), de forma que, recolhido/compensado o valor de estimativa de R$ 390.877,15 nada restaria a pagar e, ao contrário, a contribuinte se tornaria credora da Fazenda Pública em R$ 64.036,97. Então, cabe a segunda pergunta: qual o motivo da não homologação da compensação? Por três pontos principais: a) porque, quando da emissão do Despacho Decisório, o valor pago de R$ 390.877,15 estava totalmente declarado em DCTF e integralmente alocado; b) porque a Turma a quo, que analisou a manifestação de inconformidade, concluiu que a contribuinte não teria conseguido comprovar o alegado equívoco (erro material) no preenchimento da referida DCTF; e, c) a impossibilidade da retificação de DCTF após a emissão do Despacho Decisório. Entretanto, com a conversão em diligência, vieram aos autos, ainda que dispersa e aleatoriamente, documentos e escrituração que deram às alegações da recorrente, maior robustez, exigindo aprofundamento da análise. Nesse cenário, a conjunção de vários fatores leva a algumas conclusões relevantes e favoráveis à tese da recorrente, o primeiro deles o fato de, à época, a contribuinte já possuir direito contra a Fazenda Pública Federal em razão de “ressarcimento de IPI” no valor de R$ 141.163,52 e, ainda assim, recolher mais R$ 249.713,63 em moeda corrente, chegando ao total de R$ 390.877,15 (estimativa de março/2006). Tivesse condições de apurar naquele instante corretamente a estimativa do mencionado mês, R$ 326.840,18 (o que só veio a ocorrer depois), certamente iria recolher R$ 185.676,66 e não R$ 249.713,63. Em outras palavras, não desembolsaria, por mera liberalidade, R$ 64.036,97 (R$ 390.877,15 – R$ 326.840,18). Se assim fez, parece óbvio ter apurado (no instante em que teve de efetuar o recolhimento, em 28/04/2006), ainda que estimadamente, o valor de R$ 390.877,15, justificando o “erro material” alegado. Depois, o fato de a recorrente haver assumido como base de cálculo das estimativas mensais durante todo o anocalendário de 2006 a “receita bruta e acréscimos” e não “balanços ou balancetes de redução ou suspensão”, sendo de se presumir que os valores apurados e recolhidos ainda eram “estimados” e não definitivos (assim fosse, certamente recolheria/compensaria R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15. Em exprimir diverso, se os “balanços ou balancetes de redução ou suspensão” tivessem sido elaborados à época dos fatos, já com conotação de definitividade, obviamente a contribuinte apuraria R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15 e aquele seria o montante devido e não este. Se fez o inverso, a conclusão plausível é que este último montante, em 28/04/2006, data do recolhimento, ainda era meramente uma estimativa e não o valor final devido, o que dá sustentação a alegação de que teria cometido “erro material” quando do preenchimento da DCTF. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 883 16 Mais, a contabilização, em 31/07/20072, do valor definitivo da estimativa de março/2006 no importe de R$ 326.840,18 (Livro Razão – fls. 463), escrituração que se fez cronologicamente: i) depois que a estimativa de março/2006 já havia sido recolhida em 28/04/2006, reforçando o argumento de que, nesta data (abril/2006), não se conhecia o valor final a pagar, o que só veio a ocorrer em 2007, quando da preparação da DIPJ a ser entregue (em junho); ii) praticamente no mesmo momento da elaboração da DIPJ do exercício de 2007 (transmitida em 29/06/2007) corroborando o pensamento de que, neste estágio, já se havia chegado ao importe correto, tanto que incluído na Ficha 11 da citada DIPJ; iii) antes da entrega da DCTF (30/07/2008 – fls. 27); iv) quase no mesmo dia de transmissão do PER/DCOMP nº 10009.41070.260707.1.7.045616 (26/07/2007 fls. 2/5), de modo que, neste instante, presumivelmente, já se conhecia o montante efetivamente apurado; e, v) muito antes do Despacho Decisório que declarou não homologada a compensação (nº de rastreamento 831661544 – 20/04/2009 fls. 6) ter sido exarado. Esta cronologia demonstra que, como a recorrente não conhecia em 28/04/2006 (quando efetuou o recolhimento), o valor definitivo da estimativa de março/2006, optou por assumir a “receita bruta e acréscimos” para encontrar, naquele momento, o quantum a ser pago (R$ 390.877,15), só chegando ao montante depurado e conciliado (R$ 326.840,18) no ano seguinte. Fatores que reforçam seus argumentos e levam à comprovação do equívoco cometido e, em última análise, do alegado “erro material”. Fortalece ainda mais este raciocínio a manifestação da própria autoridade que presidiu a diligência quando, depois de ressalvar a dispersão das provas, acaba por concluir, em relação ao questionado valor de R$ 64.036,97 – quesito “d”3, que (Informação Fiscal – fls. 861): “Ante todo o exposto, em relação ao quesito (d), onde é questionado se o montante requerido pelo contribuinte, no valor de R$ 64.036,97, relativo suposto recolhimento a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ (2362), alusivo ao período de apuração de março de 2006, recolhido em 28/04/2006, no valor de R$ 249.713,63, encontrase 2 3 “d) se o crédito pleiteado está disponível para efetuar a compensação objeto dos autos”. Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 884 17 disponível para efetuar a compensação objeto dos autos, temos que, fazendo uma análise restrita ao período de apuração de março, se for considerado somente o IRPJ referente à estimativa de março/2006, aceitando o erro material alegado pelo contribuinte no preenchimento da DCTF, considerando o valor de R$ 326.840,18, e tendo sido esse valor parcialmente quitado através de duas DCOMP que remontam: 141.163,52, que foram homologadas, resta a pagar somente R$ 185.676,66. Uma vez que o valor recolhido foi de R$ 249.713,63, restaria o valor de R$ 64.036,97. Ressaltese no entanto que, conforme já dito em resposta ao quesito “a”, não foram apresentados documentos contábeis com lançamentos mensais das estimativas que nos permitam aferir se efetivamente houve o erro material alegado no preenchimento da DCTF”. (o negritado foi acrescido). Pois bem, informado na diligência que, “uma vez que o valor recolhido foi de R$ 249.713,63, restaria o valor de R$ 64.036,97”, confirmase o crédito alegado pela recorrente que estaria, assim, “disponível para efetuar a compensação objeto destes autos”. Sobre a ressalva presente no final da manifestação (“Ressaltese no entanto que, conforme já dito em resposta ao quesito “a”, não foram apresentados documentos contábeis com lançamentos mensais das estimativas que nos permitam aferir se efetivamente houve o erro material alegado no preenchimento da DCTF”), disso já se tratou exaustivamente neste voto, pelo que superada. Porém, há mais informações vindas com a diligência (quesitos “b” e “c”) que merecem apreciação. A respeito ao primeiro deles4 (fls. 857): “Quesito b) A DCOMP nº 09231.74003.270406.1.3.018112 foi retificada pela DCOMP nº 07978.09220.220410.1.7.019848. Esta última foi analisada e parcialmente homologada, restando quitado mediante pagamento a diferença do débito compensado, conforme telas extraídas dos sistemas RFB, juntadas ao processo. A DCOMP nº 07398.18112.270406.1.3.015150 foi retificada pela DCOMP nº 19917.09797.200410.1.7.012030. Esta última foi analisada e parcialmente homologada, restando quitado mediante pagamento a diferença do débito compensado, conforme telas extraídas dos sistemas RFB, juntadas ao processo. Com a resposta positiva ao quesito, fica ratificado o procedimento da recorrente, destacandose, por relevante, que estas duas DCOMP (posteriormente retificadas, mas igualmente homologadas) referemse exatamente à compensação da estimativa de março/2006 com crédito de IPI (ressarcimento) que a recorrente possuía e utilizou para compensar parte do débito. 4 “(...) propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: (...) b) se as DCOMP nºs 09231.74003.270406.1.3.018112 e 07398.18112.270406.1.3.015150) foram homologadas, ou não ( fls. 28/29)”; Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 885 18 As informações relativas quesito “c”5 vinculamse com a posição final do IRPJ devido em 31/12/2006 e sua contraposição com os recolhimentos/compensações de estimativas e outras deduções legais permitidas (PAT/PDTI, etc.) e se tal saldo remanescente restaria adimplido. Ou seja, cuidase do valor devido no “ajuste anual”. Segundo a DIPJ do período, Ficha 12A (fls. 823), os valores estão assim retratados: De acordo com resposta da contribuinte, a quitação deste valor deuse da forma abaixo, conforme planilha elaborada por esta Relatoria, à vista da informação (fls. 802) e dos lançamentos presentes no Livro Diário juntado aos autos (fls. indicadas): DATA LACTO. FLS. AUTOS DATA PAGTO. MEIO DE PAGTO. VALOR 30/03/2007 782 30/03/2007 DARF 175.470,03 29/07/2007 783 30/07/2007 PER/DCOMP 6.821,08 01/08/2007 790 30/07/2007 PER/DCOMP 9.408,04 01/08/2007 790 30/07/2007 PER/DCOMP 6.791,47 29/09/2007 784 29/03/2007 PER/DCOMP 1.167,26 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 2.578,70 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 1.041,74 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 1.318,80 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 1.350,68 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 5.104,17 5 “(...) propugno pela conversão do julgamento em diligência, para que a unidade de origem da RFB, no caso a DRF/Nova Iguaçu, à luz da escrituração contábil da contribuinte, apure: (...) c) se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse anocalendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir)”; Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 886 19 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 5.246,28 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 5.425,24 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 6.079,81 29/09/2007 784 30/03/2007 PER/DCOMP 6.215,95 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 8.431,00 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 22.819,98 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 45.552,51 29/09/2007 783 30/03/2007 PER/DCOMP 55.504,83 30/03/2007 791/792 25/07/2007 PER/DCOMP 240.309,52 29/09/2007 783 29/03/2007 PER/DCOMP 12.055,34 TOTAL 618.692,43 Significa dizer que, admitidas como corretas as informações acima, o valor devido (residual) no ajuste anual corresponderia a R$ 618.692,41, estando totalmente resgatado. Destaquese, por relevante que, neste caso, o valor considerado das estimativas mensais (DIPJ Ficha 12A – Linha 16 – R$ 3.078.609,35) foi o somatório do informado na Ficha 11 da Declaração, consignandose no mês de março/2006 o importe de R$ 326.840,18 e não R$ 390.877,15: jan/06 234.134,64 fev/06 223.355,19 mar/06 326.840,18 abr/06 191.972,70 mai/06 221.685,51 jun/06 275.355,38 jul/06 307.741,40 ago/06 347.928,52 set/06 291.113,20 out/06 206.212,15 nov/06 250.383,48 dez/06 201.887,00 TOTAL 3.078.609,35 Pois bem, se os valores “apurados e devidos” no final do exercício “fecham” quando contrapostos com as deduções legais e estimativas mensais e esta, no mês de março/2006, foi considerada como R$ 326.840,18 (ver acima), parece certo que a diferença entre este montante e o que foi pago/compensado pela recorrente no referido mês (R$ 390.877,15), ou seja, R$ 64.036,97 se constitui em legítimo indébito tributário, exteriorizado na forma de “direito creditório” e passível de restituição/compensação. É o que deflui dos autos e do resumo da posição final em 31/12/2006, conforme planilhas abaixo, da lavra deste Relator, à vista dos documentos acostados ao processo: 1. Com a estimativa informada na DIPJ: APURAÇÃO DO IRPJ EM 31/12/2006 Fl. 886DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 887 20 CONSIDERANDO ESTIMATIVA DE MARÇO/2006 INFORMADA NA DIPJ 1. IRPJ DEVIDO À ALIQUOTA DE 15% 2.337.089,13 2. ADICIONAL DE IRPJ 1.534.059,42 3. TOTAL DO IRPJ APURADO (1 + 2) 3.871.148,55 () DEDUÇÕES 4. OPERAÇÕES DE CARÁTER ART./CULTURAL 84.552,00 5. PAT 57.989,00 6. IRRFONTE 31.305,79 7. ESTIMATIVAS MENSAIS 6 3.078.609,35 8. TOTAL DAS DEDUÇÕES (4 +5 + 6 + 7) 3.252.456,14 9. IRPJ A PAGAR AJUSTE ANUAL (3 8) 618.692,41 10. PAGTOS/COMPENSAÇÕES AJUSTE ANUAL 618.692,41 11. VALOR RESIDUAL A PAGAR (9 10) 0,00 2. Com a estimativa efetivamente paga/compensada: APURAÇÃO DO IRPJ EM 31/12/2006 CONSIDERANDO ESTIMATIVA MARÇO/2006 RECOLHIDA EM ABRIL/2006 1. IRPJ DEVIDO À ALIQUOTA DE 15% 2.337.089,13 2. ADICIONAL DE IRPJ 1.534.059,42 3. TOTAL DO IRPJ APURADO (1 + 2) 3.871.148,55 () DEDUÇÕES 4. OPERAÇÕES DE CARÁTER ART./CULTURAL 84.552,00 5. PAT 57.989,00 6. IRRFONTE 31.305,79 7. ESTIMATIVAS MENSAIS7 3.142.646,32 6 Valor da estimativa considerado – R$ 326.840,18 7 Valor da estimativa considerado – R$ 64.036,97 Fl. 887DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 888 21 8. TOTAL DAS DEDUÇÕES (4 +5 + 6 + 7) 3.316.493,11 9. IRPJ A PAGAR AJUSTE ANUAL (3 8) 554.655,44 10. PAGTOS/COMPENSAÇÕES AJUSTE ANUAL 618.692,41 11. VALOR RESIDUAL A PAGAR (9 10) (64.036,97) Em resumo, se o débito do IRPJ do período, aí incluído o “ajuste anual” foi totalmente adimplido (planilha 1) nada haveria a ser recolhido. Entretanto, como foi recolhida/compensada a estimativa de março/2006 em valor maior que o devido, a recorrente passou a dispor de direito creditório (indébito) em face do Poder Público Federal no valor de R$ 64.036,97 (planilha 2). Até aqui, não há controvérsia, restando apenas aferir se o saldo a pagar apurado no ajuste anual (R$ 618.692,41) teria sido efetivamente recolhido/compensado como assenta a recorrente. Acerca desse ponto, a Informação Fiscal da diligência, depois de longo e detalhado trabalho de composição de valores e de compensações manejadas pela recorrente, resume o tema (fls. 858/861) nos seguintes termos, respondendo ao quesito “c” da Resolução (“se houve adimplemento a maior ou indevido do IRPJ estimativa mensal do PA março/2006 e se o valor foi levado, ou não, para a declaração de ajuste desse anocalendário (se foi computado em eventual apuração de saldo de imposto a pagar ou a restituir”): Quesito c) O contribuinte anexou tabela em que lista a forma de quitação das estimativas de IRPJ. Para efeito de verificação e batimento dos valores informados em DIPJ com aqueles declarados em DCTF, foi procedida a análise a seguir: (...) Assim, o total quitado na apuração anual é de R$ 620.133,30 (R$ 444.663,27 + R$ 175.470,03), sendo suficiente à quitação do IRPJ a pagar informado em DIPJ. No entanto, não será suficiente à quitação do IRPJ a pagar encontrado, considerando as DCOMP que não foram homologadas ou que se encontram inscritas em Dívida Ativa da União, posto que, uma vez considerado que houve DCOMP não homologadas e inclusive DCOMP cujo débito foi inscrito em DAU, o saldo de IRPJ a pagar seria de R$ 783.728,00. E ainda, caso considere a diferença de recolhimento requerida em DCOMP, o saldo de IRPJ a pagar passaria a ser de R$ 847.765,97, como já descrito. (...)”. Portanto, em relação ao saldo remanescente a pagar (ajuste anual – 31/12/2006 – R$ 618.692,41), a diligência conclui que, a princípio, o valor pago seria “suficiente à quitação do IRPJ a pagar informado em DIPJ”, deixando de sêlo quando se leva em conta compensações não homologadas ou já inscritas em dívida ativa. Com a devida vênia, não vejo como estas pendências das compensações utilizadas no ajuste anual possam afetar o valor de R$ 64.036,97, direito creditório aqui discutido, isto porque, tais compensações, se não homologadas, como algumas parecem não ter sido, permanecem em discussão em outros processos e, caso confirmado suas não ratificações, o crédito tributária já estará constituído (pelas DCOMP) e poderá ser Fl. 888DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 889 22 objeto de execução pela Procuradoria Fazendária, não tendo qualquer relação com o direito creditório aqui discutido. Em outro dizer, a única ressalva feita pela Autoridade Fiscal relacionouse ao saldo do ajuste anual, não havendo qualquer contraposição ao montante sob questionamento nestes autos, ou seja, o eventual direito creditório de R$ 64.036,97, nascido de recolhimento/compensação (devidamente homologada) de estimativa de março de 2006 e incluído no cálculo do ajuste anual (R$ 326.840,18 frente a recolhimento/compensação de R$ 390.877,15). Nesse eito, a Informação Fiscal é clara ao definir que “fazendo uma análise restrita ao período de apuração de março, se for considerado somente o IRPJ referente à estimativa de março/2006, aceitando o erro material alegado pelo contribuinte no preenchimento da DCTF, considerando o valor de R$ 326.840,18, e tendo sido esse valor parcialmente quitado através de duas DCOMP que remontam: 141.163,52, que foram homologadas, resta a pagar somente R$ 185.676,66. Uma vez que o valor recolhido foi de R$ 249.713,63, restaria o valor de R$ 64.036,97”. (destacouse). A propósito e por relevante, impende registrar que situação fática do mesmo teor já foi enfrentada profundamente pela então Conselheira Edeli Pereira Bessa (Ac. 1101 000.330 – 09/07/2010) valendo a reprodução de excertos de seu esclarecedor voto naqueles autos, em tudo aqui aplicáveis (os destaques foram acrescidos por este Relator): “Relativamente aos indébitos de estimativas, não vejo como tratar a restrição inserta a partir da Instrução Normativa SRF n° 460/2004 como procedimental. Não vislumbro espaço para a Administração Tributária definir, para além das normas que estabelecem a incidência do IRPJ ou da CSLL, em qual momento é possível pleitear a restituição ou compensar um recolhimento indevido decorrente de erro na determinação ou recolhimento de estimativas. (...) Concordo que há questões de ordem operacional que merecem a atenção da Administração Tributária, especialmente quanto a eventuais abusos na alegação de indébitos desta natureza, com vistas a antecipar a utilização de saldo negativo que somente se formaria ao final do anocalendário. Todavia, como já conclui em voto anterior apresentado a esta Turma, confrontando as disposições normativas e o conteúdo da Lei n° 9.430/96, tenho que a supressão da vedação veiculada com a Instrução Normativa RFB n° 900/2008 melhor se adequou à sistemática de apuração anual do IRPJ e da CSLL. Transcrevo, a seguir, minha manifestação acerca da matéria: (...) Eventualmente a contribuinte pode, por facilidade operacional, computar estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas este procedimento em nada prejudica o Fisco, na medida em que desloca para momento futuro a data de formação do indébito e assim reduz os juros de mora sobre ele aplicáveis. Por outro lado, se a contribuinte erra ao calcular ou recolher a estimativa mensal, não vejo, ante o contexto que expus, obstáculo legal ao pedido de restituição ou à compensação deste indébito antes de seu prévio cômputo na Fl. 889DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 890 23 apuração ao final do anocalendário. Comprovado o erro e, por conseqüência, o indébito, o pedido de restituição ou a declaração de compensação já podem ser apresentados, incorrendo juros de mora contra a Fazenda a partir do mês subseqüente ao do pagamento a maior, na forma do art. 39, § 4° da Lei n" 9,250/95 c/c art. 73 da Lei n° 9.532/97. Em conseqüência, por ocasião do ajuste anual, o contribuinte deve confrontar, apenas, as estimativas que considerou devidas, sob pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito. Ainda, ao interpretar que somente as estimativas devidas na forma da Lei n° 9.430/96 são passíveis de dedução na apuração anual do IRPJ ou. da CSLL, concluo que, mesmo após o encerramento do anocalendário, se o contribuinte identificar um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o indébito na data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de apenas reconstituir a apuração anual do IRPJ ou da CSLL. Esta interpretação, friso, tem por pressuposto a ocorrência de erro no cálculo ou no recolhimento da estimativa. Não está aqui abarcada a mudança de opção quanto à sistemática de cálculo das estimativas, formalizada definitivamente quando o contribuinte determina o valor inicialmente recolhido com base na receita bruta e acréscimos ou em balancetes de suspensão/redução”. Ora, no caso aqui tratado, como no acórdão adotado, i) a contribuinte não modificou em nenhum momento a sua forma de apuração (mantevese estável nos doze meses com base na “receita bruta e acréscimos” e, ii) comprovouse o erro no cálculo e/ou no recolhimento do mês de março/2006. Mais a mais, a matéria, por força de reiteradas decisões das diversas Turmas do Colegiado (dentre elas, além da acima citada, os Acórdãos nº 120100.404, de 23/2/2011; nº 120200.458, de 24/1/2011; nº 910100.406, de 02/10/2009 e nº 10515.943, de 17/8/2006), acabou por ser sistematizada pela Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Nestas condições, considerando i) que, caso as compensações utilizadas para quitação do valor devido de IRPJ no ajuste anual (R$ 618.692,41) venham a ser, total ou parcialmente, não homologadas, o crédito tributário de responsabilidade da recorrente já estará declarado e consequentemente constituído, não afetando o direito creditório aqui discutido; ii) que, restando comprovado o alegado erro material de preenchimento da DCTF é cabível a restituição ou devolução/aproveitamento do excesso do pagamento mensal por antecipação do referido período de apuração, nos termos da Súmula CARF nº 84; e, Fl. 890DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 891 24 iii) o que mais consta nos autos e com suporte na conclusão da diligência, fonte de que deve se fiar o julgador (conforme pacificado no CARF)8 e nos documentos com ela juntados, entendo comprovado o equívoco no preenchimento da DCTF e confirmado o “erro material” alegado. Pelo exposto, VOTO no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário ofertado pela recorrente para RECONHECER o indébito de R$ 64.036,97 e HOMOLOGAR a compensação até o limite do direito creditório aqui reconhecido. É como voto. Brasília (DF), em 21 de fevereiro de 2018. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone 8 Processo nº 10580.011166/200200 Acórdão nº 110100008 – Sessão de 11/03/2009 – Relator Valmir Sandri Decisão – Provimento parcial ao recurso para reduzir a matéria tributável para (...) valor apurado na diligência fiscal. RECOMPOSIÇÃO DE BASES A diligência fiscal resultou em recomposição das bases tributáveis objeto do lançamento. O julgamento administrativo é norteado pelo Princípio da Verdade Material, constituindose em dever do Julgador Administrativo a sua busca incessante. Adequação do lançamento de acordo com ajustes reconhecidos pela própria autoridade fiscal em diligência realizada. Fl. 891DF CARF MF Processo nº 10735.904439/200919 Acórdão n.º 1402002.901 S1C4T2 Fl. 892 25 Fl. 892DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.726806/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011
REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO DE PIS/COFINS PARA PRODUTOS FARMACÊUTICOS. LEI Nº 10.147/2000. ATO ADMINISTRATIVO EMITIDO PELA FAZENDA PÚBLICA AO FINAL DO PROCESSO DE HABILITAÇÃO. ATO DE EXCLUSÃO. NATUREZA DECLARATÓRIA. NATUREZA CONSTITUTIVA. ARTIGO 179 DO CTN.
Os atos administrativos que concedem isenção condicionada ou benefício fiscal condicionado, como o previsto no artigo 179, do CTN, podem ter natureza declaratória ou constitutiva, a depender das condições para fruição da isenção e/ou benefício fiscal estabelecidas na Lei.
No caso específico do Regime Especial de Crédito Presumido de PIS/COFINS para produtos farmacêuticos da Lei nº 10.147/2000, a habilitação do contribuinte ao regime especial pela publicação do ADE nada mais é que o reconhecimento pela Administração Pública que o contribuinte preenche os requisitos previstos em Lei para a sua fruição, ou seja, tem natureza declaratória da relação jurídica estabelecida entre contribuinte e Fazenda, em razão da Lei que trata do regime especial. Do mesmo modo, o ato administrativo de exclusão do contribuinte do regime especial, previsto no artigo 7º, parágrafo 1º do Decreto nº 3.803/2001 e no artigo 8º, parágrafo 4º, da Instrução Normativa SRF nº 40/2001, tem natureza declaratória, mas declaratória negativa, da inexistência de relação jurídica entre contribuinte e Fazenda que permita ao contribuinte fruir de regime especial, motivada pela inobservância, pelo contribuinte, de uma das condições previstas em Lei para fruição do benefício.
EFEITO SUSPENSIVO DO RECURSO ADMINISTRATIVO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO QUE EXCLUI CONTRIBUINTE DE REGIME ESPECIAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO NO REGIME ESPECIAL ENQUANTO PENDENTE DE DECISÃO O RECURSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO QUE CONFIRMA EXCLUSÃO. EFEITOS EX TUNC OU EX NUNC. TERMO INICIAL DA EXCLUSÃO.
Um recurso é dotado de efeito suspensivo quando obsta a produção imediata de efeitos da decisão/ato administrativo, por razões de segurança jurídica e por um juízo de probabilidade quanto à reversão da decisão recorrida.
Porém, a concessão de efeito suspensivo a determinado recurso e o impedimento da decisão recorrida/ato recorrido em produzir seus efeitos na pendência de julgamento do recurso não garante à parte que o interpõe a manutenção do regime jurídico que fora preservado pelo efeito suspensivo.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011
LEI Nº 10.147/00. DECRETO Nº 3.803/01. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO DA COFINS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DURANTE A FRUIÇÃO. NECESSIDADE.
As disposições do art. 7º do Decreto nº 3.803/01, que regulamenta o regime especial de apuração do PIS/Pasep e Cofins instituído pela Lei nº 10.147/00, sinalizam que o cumprimento dos requisitos para habilitação no regime, inclusive a regularidade fiscal, deve ser mantido durante o período de fruição, sob pena de suspensão/exclusão, com a exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, não se aplicando ao caso vertente a decisão em recurso repetitivo consubstanciada no REsp 1.041.237/SP.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011
LEI Nº 10.147/00. DECRETO Nº 3.803/01. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO DO PIS/PASEP. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DURANTE A FRUIÇÃO. NECESSIDADE.
As disposições do art. 7º do Decreto nº 3.803/01, que regulamenta o regime especial de apuração do PIS/Pasep e Cofins instituído pela Lei nº 10.147/00, sinalizam que o cumprimento dos requisitos para habilitação no regime, inclusive a regularidade fiscal, deve ser mantido durante o período de fruição, sob pena de suspensão/exclusão, com a exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, não se aplicando ao caso vertente a decisão em recurso repetitivo consubstanciada no REsp 1.041.237/SP.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011
JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com o tributo devido, constitui-se em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-004.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator e os Conselheiros Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor, externando o posicionamento majoritário que prevaleceu no colegiado, de que a comprovação da regularidade fiscal não se restringe ao momento inicial de concessão do benefício. O Conselheiro Rosaldo Trevisan indicou que apresentará Declaração de Voto sobre a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício.
Conselheiro ROSALDO TREVISAN - Presidente.
Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA - Relator.
Conselheiro ROBSON JOSÉ BAYERL - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: AUGUSTO FIEL JORGE DOLIVEIRA
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LEI Nº 10.147/2000. ATO ADMINISTRATIVO EMITIDO PELA FAZENDA PÚBLICA AO FINAL DO PROCESSO DE HABILITAÇÃO. ATO DE EXCLUSÃO. NATUREZA DECLARATÓRIA. NATUREZA CONSTITUTIVA. ARTIGO 179 DO CTN. Os atos administrativos que concedem isenção condicionada ou benefício fiscal condicionado, como o previsto no artigo 179, do CTN, podem ter natureza declaratória ou constitutiva, a depender das condições para fruição da isenção e/ou benefício fiscal estabelecidas na Lei. No caso específico do Regime Especial de Crédito Presumido de PIS/COFINS para produtos farmacêuticos da Lei nº 10.147/2000, a habilitação do contribuinte ao regime especial pela publicação do ADE nada mais é que o reconhecimento pela Administração Pública que o contribuinte preenche os requisitos previstos em Lei para a sua fruição, ou seja, tem natureza declaratória da relação jurídica estabelecida entre contribuinte e Fazenda, em razão da Lei que trata do regime especial. Do mesmo modo, o ato administrativo de exclusão do contribuinte do regime especial, previsto no artigo 7º, parágrafo 1º do Decreto nº 3.803/2001 e no artigo 8º, parágrafo 4º, da Instrução Normativa SRF nº 40/2001, tem natureza declaratória, mas declaratória negativa, da inexistência de relação jurídica entre contribuinte e Fazenda que permita ao contribuinte fruir de regime especial, motivada pela inobservância, pelo contribuinte, de uma das condições previstas em Lei para fruição do benefício. EFEITO SUSPENSIVO DO RECURSO ADMINISTRATIVO CONTRA ATO ADMINISTRATIVO QUE EXCLUI CONTRIBUINTE DE REGIME ESPECIAL. EFEITOS. MANUTENÇÃO NO REGIME ESPECIAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 68 06 /2 01 3- 35 Fl. 550DF CARF MF 2 ENQUANTO PENDENTE DE DECISÃO O RECURSO ADMINISTRATIVO. DECISÃO QUE CONFIRMA EXCLUSÃO. EFEITOS EX TUNC OU EX NUNC. TERMO INICIAL DA EXCLUSÃO. Um recurso é dotado de efeito suspensivo quando obsta a produção imediata de efeitos da decisão/ato administrativo, por razões de segurança jurídica e por um juízo de probabilidade quanto à reversão da decisão recorrida. Porém, a concessão de efeito suspensivo a determinado recurso e o impedimento da decisão recorrida/ato recorrido em produzir seus efeitos na pendência de julgamento do recurso não garante à parte que o interpõe a manutenção do regime jurídico que fora preservado pelo efeito suspensivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 LEI Nº 10.147/00. DECRETO Nº 3.803/01. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO DA COFINS. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DURANTE A FRUIÇÃO. NECESSIDADE. As disposições do art. 7º do Decreto nº 3.803/01, que regulamenta o regime especial de apuração do PIS/Pasep e Cofins instituído pela Lei nº 10.147/00, sinalizam que o cumprimento dos requisitos para habilitação no regime, inclusive a regularidade fiscal, deve ser mantido durante o período de fruição, sob pena de suspensão/exclusão, com a exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, não se aplicando ao caso vertente a decisão em recurso repetitivo consubstanciada no REsp 1.041.237/SP. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 LEI Nº 10.147/00. DECRETO Nº 3.803/01. REGIME ESPECIAL DE APURAÇÃO DO PIS/PASEP. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DURANTE A FRUIÇÃO. NECESSIDADE. As disposições do art. 7º do Decreto nº 3.803/01, que regulamenta o regime especial de apuração do PIS/Pasep e Cofins instituído pela Lei nº 10.147/00, sinalizam que o cumprimento dos requisitos para habilitação no regime, inclusive a regularidade fiscal, deve ser mantido durante o período de fruição, sob pena de suspensão/exclusão, com a exigência dos tributos que deixaram de ser recolhidos, não se aplicando ao caso vertente a decisão em recurso repetitivo consubstanciada no REsp 1.041.237/SP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96, após a formalização da multa de ofício através de instrumento de lançamento, auto de infração ou notificação de lançamento, o valor correspondente, isoladamente ou conjuntamente com o tributo devido, constituise em crédito tributário e, nessa condição, está sujeito à incidência dos juros moratórios. Recurso voluntário negado. Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 551 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos o relator e os Conselheiros Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl para redigir o voto vencedor, externando o posicionamento majoritário que prevaleceu no colegiado, de que a comprovação da regularidade fiscal não se restringe ao momento inicial de concessão do benefício. O Conselheiro Rosaldo Trevisan indicou que apresentará Declaração de Voto sobre a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Conselheiro ROSALDO TREVISAN Presidente. Conselheiro AUGUSTO FIEL JORGE D'OLIVEIRA Relator. Conselheiro ROBSON JOSÉ BAYERL Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge d' Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Fenelon Moscoso de Almeida, Renato Vieira de Ávila e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. Relatório O processo administrativo ora em julgamento decorre da lavratura de Autos de Infração (fls. 0216 e 3245), em 14/11/2013, dos quais o contribuinte foi cientificado no dia 19/11/2013, conforme Termos de fls. 04, 31, 33 e 60, para cobrança de valores a título de Contribuição para o PIS ("PIS") e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social ("COFINS"), acrescidos de juros de mora e multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento), correspondentes à utilização indevida, segundo a Fiscalização, de regime especial de crédito presumido instituído pela Lei nº 10.147/2000, no período de 05/2009 a 12/2011. Nos Relatórios de Ação Fiscal de fls. 1731 e 4660, que acompanham os Autos de Infração, a Fiscalização traça um histórico da utilização do regime especial de crédito presumido pelo contribuinte, nos seguintes termos: "A fiscalizada, através de requerimento datado de 26/04/2001 solicitou sua HABILITAÇÃO PARA CONCESSÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO, tendo obtido reconhecimento de seu direito, a partir da referida data, para utilizarse do regime especial de crédito presumido da contribuição para o PIS e para a COFINS, de que trata a Lei 10.147/2000. O reconhecimento de seu direito Fl. 552DF CARF MF 4 ocorreu através do Ato Declaratório Executivo Cosar número 70, de 25/06/2001. Dessa forma, a fiscalizada era beneficiária do regime especial de crédito presumido da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) de que trata a Instrução Normativa SRF 40/2001, revogada sem interrupção de sua eficiência normativa pela Instrução Normativa SRF 247/2002. Para usufruir deste regime especial deveria manter a regularidade fiscal, conforme artigo 65 da referida Instrução Normativa. Tendo em vista irregularidade fiscal na situação da fiscalizada, foi proposto pelo SEORT/DRF/Campinas em 08/09/2008 a emissão de Ato Declaratório Executivo para suspensão do regime do crédito presumido pelo prazo de trinta dias (despacho em anexo). A empresa foi suspensa por 30 dias do Regime Especial de Crédito presumido por meio de Ato Declaratório Executivo ADE nº 12, de 11/09/2008, publicado no DOU de 12/09/2008 (anexo). O acompanhamento usual da fiscalizada em questão revelou a continuação da situação de irregularidade fiscal, com débitos fazendários e previdenciários em aberto na Receita Federal do Brasil, bem como junto a Procuradoria da Fazenda Nacional, sendo assim nos termos do inciso I do parágrafo 8º do artigo 63 da Instrução Normativa nº 247/2002, a fiscalizada foi novamente intimada a apresentar no prazo de trinta dias, o saneamento das referidas irregularidades, sob pena de exclusão do regime especial (anexa intimação). Em 01/04/2009, vencido o prazo para a regularização e permanecendo as irregularidades fiscais, foi emitido o Ato Declaratório Executivo nº 58, o qual foi publicado em 06/04/2009, excluindo a fiscalizada do regime especial. (anexo). Tal decisão foi objeto de recurso administrativo por parte da fiscalizada, nos autos do processo número 10168.001772/200107. A fiscalizada impetrou MANDADO DE SEGURANÇA, processo número 2009.61.05.0053715, com trâmite junto à 5ª Subseção Judiciária 2ª Vara Federal de Campinas, solicitando a concessão de ordem liminar para atribuição de "efeito suspensivo ao Recurso protocolado em 04/05/2009 até julgamento final do referido Recurso (artigo 151, inciso III, do CTN)". Em 25/05/2009 foi concedida a Liminar, nos seguintes termos: "Diante do exposto DEFIRO O PEDIDO DE LIMINAR. Assim, concedo efeito suspensivo no recebimento do recurso administrativo interposto pela impetrante nos autos do processo administrativo nº 10168.001772/200107". A Liminar foi cumprida por meio da publicação do ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO número 59, de 27/05/2009, que suspendeu os efeitos do ADE número 58/2009. Referido Mandado de Segurança é acompanhado pelo processo administrativo fiscal de número 10830.004519/200994. Em razão da sujeição obrigatória ao duplo grau de jurisdição, o Mandado de Segurança (MS 2009.61.05.0053715) foi encaminhado ao TRF da 3ª Região Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 552 5 e encontrase aguardando decisão (último andamento do MS: "20/09/2013 REDISTRIBUIÇÃO POR SUCESSÃO (...)". O ADE nº 59, de 27/05/2009, que suspendeu os efeitos ao ADE nº 58, de 06/04/2009, estava em vigor, no entanto, a DISIT/SRRF08 emitiu o Despacho Decisório nº 280 (anexo), em 30/09/2009, negando provimento ao recurso administrativo nos autos do processo administrativo nº 10168.001772/200107, no mérito, mantendo a decisão recorrida, conforme acórdão abaixo: [segue ementa da decisão]" (grifos nossos) Diante dos fatos narrados no histórico do Relatório de Ação Fiscal, a Fiscalização apresenta as seguintes conclusões para embasar o lançamento realizado: "(...) depreendese que a fiscalizada não poderia se utilizar de créditos presumidos de PIS/PASEP por 30 (trinta) dias, a partir de 12/09/2008, data de publicação do ADE ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO número 12, o qual suspendeu a empresa fiscalizada, por 30 (trinta) dias, do Regime Especial de Crédito Presumido e a partir de 06/04/2009, data a partir da qual a fiscalizada ficou impedida de utilizar créditos presumidos de PIS/PASEP, tendo em vista a exclusão definitiva do Regime Especial de Crédito Presumido através do ADE Ato Declaratório Executivo número 58. O Mandado de Segurança (...) impetrado pela empresa determinava o efeito suspensivo apenas no recebimento do recurso administrativo (...) e tal recurso foi negado no mérito pela Receita Federal (...). Da análise da contabilidade da empresa, dos demonstrativos apresentados e dos documentos correlatos, essa fiscalização constatou que a fiscalizada cumpriu o determinado através do ADE 12/2008, respeitando a suspensão de utilização dos créditos presumidos, por 30 (trinta) dias a partir de 12/09/2008. Referente ao disposto no ADE 58/2009 a fiscalizada cumpriu parcialmente para o período de 06/04/2009 à 25/05/2009, tendo deixado de cumprilo a partir de 26/05/2009. (...)" (grifos nossos) Ao final, a Fiscalização constituiu o crédito tributário correspondente a glosa dos créditos presumidos por ela entendidos como indevidamente utilizados para dedução de contribuições a pagar a título de PIS/COFINS, a partir de 26/05/2009 até o período de 12/2011. Contra esse lançamento, o contribuinte apresentou Impugnação, julgada totalmente improcedente pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, na sessão de julgamento do dia 24/02/2014, em acórdão que possui a seguinte ementa: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 REGIME ESPECIAL DE CRÉDITO PRESUMIDO. MEDICAMENTOS. HABILITAÇÃO E RECURSO. COMPETÊNCIA DA DRJ. Fl. 554DF CARF MF 6 Não cabe às Delegacias de Julgamento apreciar a habilitação ou oposição a indeferimento do regime especial de utilização do crédito presumido do PIS e da Cofins de que trata o art. 3º da Lei nº 10.147, de 2000. REGIME ESPECIAL. MEDICAMENTOS. CRÉDITO PRESUMIDO. EXCLUSÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Excluída a empresa do regime do regime especial para medicamentos, não poderão ser aproveitados os créditos presumidos de PIS e de Cofins por no mínimo seis meses e até nova habilitação. Os créditos tributários apurados em decorrência do aproveitamento indevido do crédito presumido deverão ser lançados de ofício. MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de ofício, cujo percentual é fixado em lei. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicála nos moldes da legislação que a instituiu. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor acumulado mensal da taxa referencial do Selic tem previsão legal. A incidência de juros moratórios sobre débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, conforme previsto na lei, abrange a multa de ofício não paga até a data do seu vencimento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2009 a 31/12/2011 (...)" Dessa decisão, o contribuinte, ora Recorrente, foi cientificado no dia 12/03/2014, conforme "Termo de Abertura de Documento" de fls. 359, anterior ao "Termo de Ciência por Decurso de Prazo" de fls. 360, apresentando tempestivo Recurso Voluntário no dia 11/04/2014, conforme documento de fls. 361, pelo qual pede a reforma do acórdão recorrido, para que seja reconhecida a nulidade do lançamento em relação ao período de outubro a dezembro de 2011 e, no mérito, para que seja cancelada integralmente a cobrança, com base nos seguintes argumentos: (i) os Autos de Infração seriam nulos em relação ao período de outubro a dezembro de 2011, pois o aproveitamento do regime especial de PIS e COFINS referente a esse período estaria fundamentado em novo pedido de fruição ao crédito presumido junto a CMED, protocolado e válido desde outubro de 2011; (ii) a Recorrente teria direito ao regime especial de créditos de PIS/COFINS, tendo em vista que a obrigação de manutenção de regularidade fiscal não é condição prevista em Lei para fruição do regime especial em questão; (iii) caso se entenda pela necessidade de demonstração da regularidade fiscal do contribuinte para aproveitamento do regime especial, a Recorrente defende que após a emissão de certidão negativa de débitos em 19/05/2009, deve ser reconhecido o cumprimento do requisito infra legal para a fruição do regime, em atenção aos princípios da proporcionalidade, finalidade e da razoabilidade dos atos administrativos; (iv) a multa deveria ser cancelada ou reduzida, pois o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) fugiria da razoabilidade; (v) os juros deveriam ser cancelados, diante da ilegalidade da cobrança de juros à taxa SELIC; e (vi) devem ser cancelados os juros sobre a multa de ofício. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 553 7 A Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou suas Contrarrazões ao Recurso Voluntário, às fls. 457 e seguintes, pelas quais requer a manutenção da decisão recorrida, pelos seguintes fundamentos: (i) com relação ao pedido do contribuinte de cancelamento do lançamento no período de outubro a dezembro de 2011, a Fazenda alega que embora o contribuinte tenha encaminhado pedido ao CMED, "o procedimento para concessão do regime especial de crédito presumido para medicamentos é finalizado por Ato Declaratório Executivo, publicado no Diário Oficial da União", que não teria sido apresentado pelo contribuinte, não havendo certeza quanto ao seu deferimento; (ii) haveria preclusão administrativa no que diz respeito à exclusão da empresa do regime de crédito presumido, matéria já apreciada e julgada pela Administração Pública nos autos do processo nº 10168.001772/200107, sendo, dessa forma, vedada a sua rediscussão no âmbito do presente processo; (iii) para gozo do benefício fiscal, é necessária a comprovação da manutenção da regularidade fiscal durante o período do benefício e não apenas no ato de concessão ou reconhecimento, exigência que encontraria amparo não apenas na Instrução Normativa, mas na Lei e Constituição; (iv) a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.05.0053715 não serve de base para que se reconheça a reinclusão da empresa no regime especial, pois trata de concessão de efeito suspensivo do recurso administrativo, para fins do disposto no artigo 151, inciso III, do CTN, ou seja, para obstar a execução de crédito tributário eventualmente lançado, e tal efeito suspensivo só perduraria até a data da decisão final, que teria ocorrido em 09/2009; (v) quanto à aplicação da multa de ofício, a Fazenda Nacional invocou a Súmula CARF nº 02, para afastar o conhecimento pelo Tribunal dos argumentos apresentados pela Recorrente; e quanto à taxa SELIC sobre a multa de ofício, defendeu a Fazenda Nacional a sua manutenção, com base na interpretação que expõe do artigo 61 da Lei nº 9.430/1996, citando decisões do Poder Judiciário que abonam o seu entendimento. Em seguida, os autos foram remetidos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF"), sendo distribuídos à minha relatoria. Por último, a Recorrente apresentou em 04/12/2017 parecer jurídico de lavra de Eurico Marcos Diniz de Santi, Professor da Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, que conclui pela improcedência ao auto de infração em relação ao período de 25/05/2009 a 01/09/2011, apontando vários motivos, mas, em especial, por ausência de publicidade do Despacho Decisório nº 280/2009, em decorrência de omissão no cumprimento da ordem de intimação do referido despacho, o que, segundo a opinião do ilustre doutrinador, teria resultado na manutenção do regime especial dos créditos presumidos durante tal período. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, O Recurso Voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos legais, de modo que dele tomo conhecimento. Fl. 556DF CARF MF 8 Do Regime Especial de Crédito Presumido de PIS/COFINS para produtos farmacêuticos Em 22/12/2000, foi publicada a Lei nº 10.147/2000, que dispõe a respeito da incidência do PIS e COFINS nas operações de venda de produtos farmacêuticos e de outros produtos por pessoas jurídicas que procedam a sua industrialização ou importação e, para o que interessa ao julgamento do Recurso Voluntário interposto, instituiu o regime especial de utilização de crédito presumido de PIS/COFINS para as pessoas jurídicas que procedam a industrialização ou importação de produtos farmacêuticos. De acordo com o artigo 3º da Lei nº 10.147/2000, a concessão do regime especial de crédito presumido visa assegurar a repercussão nos preços da redução de carga tributária promovida e, nos dias de hoje, tem como destinatários as pessoas jurídicas que: "I tenham firmado, com a União, compromisso de ajustamento de conduta, nos termos do § 6º do art. 5º da Lei nº 7.347, de 24 de julho de 1985; ou II cumpram a sistemática estabelecida pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido, na forma determinada pela Lei nº 10.213, de 27 de março de 2001". (artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.147/2000) (grifos nossos) Nos termos do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei nº 10.147/2000, o crédito presumido será "I determinado mediante a aplicação das alíquotas estabelecidas na alínea a do inciso I do art. 1o desta Lei sobre a receita bruta decorrente da venda de medicamentos, sujeitas a prescrição médica e identificados por tarja vermelha ou preta, relacionados pelo Poder Executivo; II – deduzido do montante devido a título de contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins no período em que a pessoa jurídica estiver submetida ao regime especial". A Lei ainda traz a vedação à qualquer outra forma de utilização ou compensação do crédito presumido, bem como sua restituição (artigo 3º, parágrafo 3º, da Lei nº 10.147/2000), o acompanhamento inicial, nos anos de 2001 e 2002, pelo Congresso Nacional, do resultado da implementação da Lei em relação aos preços praticados ao consumidor dos produtos beneficiados, pelo envio semestral de informações pelo Poder Executivo (artigo 6º da Lei nº 10.147/2000), e que a Secretaria da Receita Federal expediria as normas necessárias à aplicação da Lei (artigo 5º da Lei nº 10.147/2000). No ano seguinte, em 25/04/2001, foi publicado o Decreto Presidencial nº 3.803/2001, que regulamentou o regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS instituído pela Lei nº 10.147/2000 e prevê em seu artigo 2º que "a concessão do regime especial de que trata o artigo anterior depende de habilitação perante a Câmara de Medicamentos, criada pelo art. 12 da Lei nº 10.213, de 27 de março de 2001, e a Secretaria da Receita Federal", trazendo determinações sobre o procedimento de habilitação e concessão do regime especial de crédito presumido. De acordo com o Decreto, o contribuinte deverá apresentar requerimento à Câmara de Medicamentos ("CMED") no qual constem: (i) "todas as informações exigidas em Resolução expedida pela mencionada Câmara"; (ii) a "opção pelo enquadramento em uma das seguintes hipóteses: a) adequação às condições estabelecidas pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido; ou b) adesão ao Compromisso de Ajustamento de Conduta a ser firmado junto à Câmara de Medicamentos" e (iii) "em anexo, certidão negativa de todos os tributos e contribuições federais" (artigo 2º, parágrafo 1º, incisos I, II e III, do Decreto nº 3.803/2001). Em seguida, a CMED tem um prazo de cinco dias para verificar a "conformidade das informações prestadas com as condições previstas para a fruição do Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 554 9 crédito presumido e encaminhará à Secretaria da Receita Federal o requerimento da empresa, acompanhado da relação dos medicamentos por ela fabricados ou importados, com a respectiva classificação na NCM". (artigo 2º, parágrafo 2º, do Decreto nº 3.803/2001). Já o papel da Receita Federal no procedimento de habilitação e concessão do regime especial de crédito presumido, a meu ver, é apenas um papel secundário, pois, como prevê o artigo 2º, parágrafo 3º, do Decreto nº 3.803/2001, cabe à ela, dentro de um prazo de trinta dias, tãosomente duas providências, a saber, conferir se as certidões apresentadas pelo contribuinte são verdadeiras e expedir o ato administrativo reconhecendo o direito à utilização do crédito presumido. É ler o dispositivo que trata das atribuições da Receita Federal no procedimento: "§ 3º A Secretaria da Receita Federal, de posse da documentação encaminhada pela Câmara de Medicamentos, no prazo de até trinta dias, analisará a veracidade das certidões negativas de tributos e contribuições federais apresentadas, e, constatada a regularidade fiscal da empresa, expedirá ato a ser publicado no Diário Oficial da União, reconhecendo o direito da requerente à utilização do crédito presumido". (grifos nossos) Além disso, se não houver pronunciamento da Receita Federal dentro do prazo que lhe é estabelecido pelo Decreto nº 3.803/2001, nos termos do artigo 2º, parágrafo 4º, "considerarseá automaticamente deferido o regime especial de crédito presumido", independentemente de análise de veracidade das certidões apresentadas pelo contribuinte à CMED e de publicação de ato administrativo reconhecendo o direito ao regime especial. Com relação ao termo inicial da fruição, destaquese o artigo 3º do Decreto nº 3.803/2001, que prevê que "o regime especial de crédito presumido poderá ser utilizado a partir da data da protocolização do requerimento na Câmara de Medicamentos (...)". Por último, há que se mencionar as disposições contidas no artigo 7º do Decreto nº 3.803/2001 sobre a suspensão, exclusão e nova habilitação ao regime. Segundo o caput do artigo 7º, é causa de suspensão por trinta dias do regime, que pode ser convertida em exclusão, "o descumprimento das condições necessárias à fruição do crédito presumido, inclusive com relação à regularidade fiscal". Portanto, na leitura da Lei feita pelo Decreto, não apenas o descumprimento das condições previstas no artigo 3º, incisos I e II, da Lei nº 10.147/2000, mas também questões relacionadas à regularidade fiscal do contribuinte no curso da fruição do regime especial podem ensejar a suspensão seguida de exclusão do contribuinte do referido regime. No que se refere à nova habilitação, o artigo 7º, parágrafo 4º, Decreto nº 3.803/2001, traz uma restrição ao direito de fruir do regime especial de crédito presumido previsto na Lei, ao determinar que "a pessoa jurídica excluída do regime especial somente fará jus a nova habilitação após o período mínimo de seis meses, contado da exclusão". (grifos nossos) Na mesma época, apenas com dois dias de diferença na data de publicação, a Receita Federal editou a Instrução Normativa SRF nº 40/2001, publicada no dia 27/04/2001, que dispõe sobre o PIS/COFINS e sobre o crédito presumido de que trata a Lei nº 10.147/2000, detalhando ainda mais o procedimento de habilitação e concessão do crédito presumido. O procedimento de habilitação e, ao seu final, concessão do regime de crédito presumido estava disciplinado no artigo 6º da Instrução Normativa SRF nº 40/2001, nos seguintes termos: Fl. 558DF CARF MF 10 "Art. 6º A concessão do regime especial dependerá de habilitação, primeiramente perante a Câmara de Medicamentos que, constatada a conformidade das informações prestadas pela pessoa jurídica com as condições previstas para a fruição do crédito presumido, encaminhará à CoordenaçãoGeral do Sistema de Arrecadação da Secretaria da Receita Federal, (Cosar/SRF), em Brasília, cópia do requerimento da empresa, acompanhado da relação dos medicamentos por ela fabricados ou importados, com a respectiva classificação na NCM, e das certidões negativas de tributos e contribuições federais. § 1º A Cosar/SRF, de posse da documentação encaminhada pela Câmara de Medicamentos, no prazo de trinta dias, a contar de seu recebimento: I formalizará processo administrativo; II analisará as certidões negativas de tributos e contribuições administrados pela SRF apresentadas; e III expedirá, se constatada a veracidade das certidões referidas no inciso anterior, ato declaratório executivo, a ser publicado no Diário Oficial da União (DOU), reconhecendo o direito da requerente à utilização do regime especial de crédito presumido. § 2º Se, no prazo mencionado no parágrafo anterior, não houver pronunciamento da Cosar/SRF, considerarseá automaticamente deferido o regime especial de crédito presumido. (...)" Como se verifica, na mesma linha do já determinado pelo Decreto Presidencial, o procedimento tem início no CMED, a quem cabe verificar se o contribuinte se enquadra nas condições estipuladas pela Lei para fazer jus ao regime especial, cabendo à Receita Federal fazer uma segunda verificação quanto às certidões de regularidade fiscal apresentadas, no que diz respeito especificamente à sua veracidade. Além disso, a Instrução Normativa delimita o ato administrativo a ser editado para fins de reconhecimento ao regime especial: (i) o ato em questão é um Ato Declaratório Executivo; (ii) o órgão competente para a sua edição é a CoordenaçãoGeral do Sistema de Arrecadação da Secretaria da Receita Federal ("Cosar"); e (iii) esse ato deve ser publicado no Diário Oficial. Para fins de suspensão e exclusão do contribuinte do regime especial, é necessário ato administrativo de igual estatura, com mesma natureza, autoridade competente e forma de publicidade, tendo em vista a determinação contida no artigo 8º, parágrafo 4º, da Instrução Normativa SRF nº 40/2001: "A suspensão ou a exclusão do regime especial ocorrerá com a publicação de ato declaratório executivo, expedido pela Cosar/SRF e publicado no DOU". Seguindo a determinação da Lei nº 10.147/2000 no que se refere ao termo inicial de fruição do regime especial, o artigo 7º da Instrução Normativa prevê que "o regime especial de crédito presumido poderá ser utilizado a partir da data de protocolização do pedido, ou de sua renovação, na hipótese do § 5º do artigo anterior, perante a Câmara de Medicamentos, observado o disposto no art. 3º do Decreto nº 3.803, de 2001". E, mesmo sem dispositivo expresso na Lei nº 10.147/2000 tratando de manutenção de regularidade fiscal após concessão do regime especial e de prazo para apresentação de novo pedido para fruição caso o contribuinte fosse excluído do regime, a Instrução Normativa, do mesmo modo que o Decreto Presidencial, prevê como causa para suspensão ou exclusão questões relativas à regularidade fiscal (artigo 8º, caput) e período mínimo de seis meses contados da exclusão para fazer jus a nova habilitação ao regime especial (artigo 8º, parágrafo 7º). Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 555 11 Posteriormente, a Instrução Normativa SRF nº 40/2001 foi revogada, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 247/2002, publicada em 26/11/2002, que dispõe sobre as contribuições ao PIS/COFINS de forma geral e, nesse âmbito, também incluiu a regulamentação da aplicação do regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS para produtos farmacêuticos nos artigos 62 a 65, sem alterações de destaque para a solução do caso concreto ora em julgamento, no que se refere ao ato regulamentar anterior. Da natureza jurídica do ato administrativo que habilita o contribuinte a fruir do regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS para produtos farmacêuticos Uma primeira questão que se coloca é a que diz respeito à natureza jurídica do ato administrativo emitido pela Fazenda Pública ao final do processo de habilitação ao regime especial do crédito presumido de PIS/COFINS para produtos farmacêuticos. Ao examinar o "despacho da autoridade administrativa" para concessão de isenção condicionada de que trata o artigo 179 do CTN1, a doutrina, de forma majoritária, entende que referido ato administrativo possui natureza declaratória e não constitutiva, tendo em vista que a isenção sempre decorre de Lei e não de ato do Poder Executivo, como determina o artigo 176 do CTN2. Sobre a matéria, Hugo de Brito Machado3 expõe que: "O ato administrativo que defere o pedido de isenção tributária apenas reconhece que a norma isentiva incidiu, ou que as condições de fato, anunciadas para futura ocorrência, configuram sua hipótese de incidência, e que, portanto, uma vez concretizadas, ela incidirá. Esse ato administrativo tem, assim, natureza simplesmente declaratória, tal como ocorre com o lançamento tributário. Por isto, se uma norma isentiva incidiu, fez nascer o direito à isenção, de sorte que haverá de ser aplicada aos fatos contemporâneos à sua vigência, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (...) Sendo meramente declaratório o ato administrativo que defere isenção, ou reconhece existentes as condições que a lei estabelece para o gozo desta, os seus efeitos retroagem à data dos fatos sobre os quais incidiu a norma isentiva". Em estudo específico sobre isenção, José Souto Maior Borges4, calcado nos apontamentos de Amílcar de Araújo Falcão5 e Pontes de Miranda6 sobre a matéria, chega a 1 Art. 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção. § 2º O despacho referido neste artigo não gera direito adquirido, aplicandose, quando cabível, o disposto no artigo 155. 2 Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. 3 Curso de Direito Tributário. Editora Malheiros. 35ª Edição. 2014. p. 237238. Fl. 560DF CARF MF 12 essa mesma conclusão, pela natureza declaratória do ato administrativo em referência, com as seguintes ponderações: "Tal ato administrativo pertencerá à espécie dos atoscondição, da doutrina francesa. Ensina Amílcar de Araújo Falcão que a tramitação estabelecida pela regime jurídicoformal das isenções para a exibição, pelo contribuinte, de planos e comprovações, culmina com ato administrativo de reconhecimento a ser proferido em certo prazo, sob pena de o silêncio valer por ato de provimento favorável. Esta conditio iuris não tem conteúdo negocial e destinase tãosomente à constatação e declaração do direito à isenção. (...) O ato administrativo de reconhecimento da existência e autorizativo do gozo da isenção é meramente declaratório de uma situação jurídica preexistentes por força de lei; ato plenamente vinculado a critérios legais e sem nenhum conteúdo discricionário". Todavia, há também doutrina em sentido oposto, pela natureza constitutiva de tal ato, como defende Ricardo Lobo Torres7, que divide o procedimento de concessão da isenção condicionada em duas fases, a do exame das condições de legitimação que pode culminar na edição do ato administrativo, caso verificadas tais condições pela Fazenda Pública, e a do exame do cumprimento dos requisitos da Lei, posterior à edição do ato, em que a Fazenda Pública verificará a manutenção das condições legais pelo contribuinte. Ao tratar dessa primeira etapa, o doutrinador expõe seu entendimento sobre a natureza jurídica do ato, nos seguintes termos: "O contribuinte apresenta ao Fisco todas as provas sobre as condições previstas na Lei para a fruição do benefício. Se, por exemplo, se tratar de isenção condicionada para a construção de hotel, o contribuinte apresentará o projeto da obra, o valor do investimento, o cronograma de execução e demais requisitos previstos em lei. Essa fase culmina com o despacho da autoridade 4 Teoria Geral da Isenção Tributária. Editora Malheiros. 3ª Edição. 2011. p. 336337. 5 Em parecer lavrado em 06/02/1962 e publicado na Revista de Direito Administrativo, volume 67, com o título "Isenção Tributária Pressupostos Legais e Contratuais Taxa de Despacho Aduaneiro", Amílcar de Araújo Falcão examina aspectos da isenção prevista na Lei nº 1.942/1953 para fabricantes de cimento e as exigências à época formuladas pelo Ministério da Fazenda para a sua fruição. Segundo narrado em tal parecer, o Ministério da Fazenda estaria exigindo que o interessado, além de preencher os pressupostos legais para fruição da isenção, também assinasse um contrato, sujeito a prévio registro no Tribunal de Contas, com previsões adicionais às da Lei, como sujeição a penalidades e conseqüências pelo não cumprimento das condições legais e reconhecimento pelas partes de que a taxa de despacho aduaneiro estaria excluída da isenção. Foi nesse contexto que Amílcar de Araújo Falcão analisou a natureza do ato que habilita o interessado à fruição da isenção, tecendo os seguintes comentários: "Tudo isso é dito para bem caracterizar a natureza jurídica do ato administrativo que, pelo artigo 3º da Lei nº 1.942, condiciona o gozo da isenção. Em primeiro lugar, ele não cria direito à isenção, não é fonte desta: fonte é a lei. Também não é elemento existencial ou substancial para o nascimento da relação jurídica, ou do direito à isenção; tais elementos ou requisitos materiais integrativos do pressuposto legal da isenção (...) são os mencionados nos artigos 1º e 2º, da Lei nº 1.942. Tal ato administrativo é, isto sim, um requisito de eficácia (...), uma condicio juris, para que o efeito jurídico se produza. É, vejase bem, um ato tipicamente administrativo, ou seja, um ato praticado no exercício de uma das funções ou atividades por que se manifesta a soberania do Estado, consiste num accertamento, numa declaração de estarem configurados os requisitos legais para o gozo da isenção". 6 "O Poder Legislativo, federal, estadual ou municipal, não pode deixar ao Poder Executivo a dispensa ou isenção de imposto ou taxa: salvo quando a função do Executivo seja apenas a de verificar se o interessado ou os interessados satisfizeram os pressupostos legais para estarem isentos: então, o ato administrativo é declaratório e não constitutivo; é decisão e não ato de arbítrio". (Pontes de Miranda. Questões Forenses. t. II. p. 488) 7 Curso de Direito Financeiro e Tributário. Editora Renovar. Rio de Janeiro. 16ª Edição. 2009. p. 308. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 556 13 administrativa que reconhece a isenção. Nasce, nesse momento, o direito subjetivo do contribuinte, penetrando a isenção no seu patrimônio e tornandose insuscetível de revogação unilateral. A isenção, portanto, ao contrário da imunidade, tem eficácia constitutiva". (grifos nossos) Essa divergência doutrinária quanto à natureza do ato pode ser apenas aparente, pois não se pode afirmar genericamente sobre a natureza do ato administrativo previsto no artigo 179, do CTN, sem que se examine de forma particular as condições para fruição da isenção estabelecidas por uma dada Lei, pois é possível que, dentre as condições, esteja justamente a emissão de um ato pela Administração. É a ressalva feita por Luís Eduardo Schoueri8, que afirma: "É comum que se afirme que o ato administrativo a que se refere ao artigo 179 teria caráter meramente declaratório, já que a isenção decorre da lei. Esta afirmação deve ser vista com cautela, já que, como visto, pode a própria lei prever o ato administrativo como requisito para a isenção". No presente caso, as condições para fruição do regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS são aquelas prevista na Lei nº 10.147/2000 em seu artigo 3º, a saber, o contribuinte deve ser pessoa jurídica que proceda a industrialização ou a importação dos produtos farmacêuticos classificados nas posições tarifárias indicadas no caput do artigo 3º e deve se enquadrar em uma das hipóteses dos incisos I e II do artigo 3º. Não há na Lei a exigência de expedição de qualquer ato por parte da Administração Pública para fruição do regime especial, não havendo que se falar em mais uma condição para a fruição do regime especial, representada pela emissão de ato por parte da Administração. A referência que a Lei faz à Administração é no artigo 5º9, mas é limitada ao papel de publicar as normas necessárias à aplicação da Lei, não havendo a outorga pela Lei de competência à administração para estipular condições adicionais. Em decorrência, os atos normativos que regulamentaram a aplicação do regime especial (Decreto nº 3.803/2001 e Instrução Normativa SRF nº 40/2001), a meu ver, deixam claro a natureza declaratória do "Ato Declaratório Executivo" a ser emitido pela Cosar para habilitação do contribuinte interessado no regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS de produtos farmacêuticos, tendo em vista que: (i) o regime especial pode ser utilizado a partir da data de protocolo do pedido perante a CMED, logo, quando o contribuinte afirma perante a Administração Pública que preenche todos os pressupostos ou condições previsto em Lei para a fruição, e não a partir da data de publicação do Ato Declaratório Executivo (artigo 3º do Decreto nº 3.803/2001 e artigo 7º da Instrução Normativa SRF nº 40/2001); e (ii) mesmo que a Receita Federal não publique a tempo o "Ato Declaratório Executivo", o contribuinte poderá fruir do regime especial, o que acontece caso a Receita Federal não verifique a veracidade das certidões de regularidade fiscal no prazo de trinta dias (artigo 2º, parágrafo 4º, do Decreto nº 3.803/2001 e artigo 6º, parágrafo 2º, da Instrução Normativa SRF nº 40/2001). Com isso, a habilitação do contribuinte ao regime especial pela publicação do ADE nada mais é que o reconhecimento pela Administração Pública que o contribuinte preenche os requisitos previstos em Lei para a sua fruição, ou seja, tem natureza declaratória da relação jurídica estabelecida entre contribuinte e Fazenda, em razão da Lei que trata do regime especial. 8 Direito Tributário. Editora Saraiva. São Paulo. 4ª Edição. 2014. p. 693. 9 Art. 5o A Secretaria da Receita Federal expedirá normas necessárias à aplicação desta Lei. Fl. 562DF CARF MF 14 Do mesmo modo, o ato administrativo de exclusão do contribuinte do regime especial, previsto no artigo 7º, parágrafo 1º do Decreto nº 3.803/2001 e no artigo 8º, parágrafo 4º, da Instrução Normativa SRF nº 40/2001, tem natureza declaratória, mas declaratória negativa, da inexistência de relação jurídica entre contribuinte e Fazenda que permita ao contribuinte fruir de regime especial, motivada pela inobservância, pelo contribuinte, de uma das condições previstas em Lei para fruição do benefício. Do regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS do Recorrente Nesse quadro normativo, o Recorrente apresentou à CMED pedido de habilitação no regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS em 26/04/2001, tendo sido posteriormente publicado o Ato Declaratório Executivo nº 70/2001, reconhecendo que o Recorrente preenchia os pressupostos da Lei e, portanto, fazia jus ao gozo do regime especial em questão. Porém, anos mais tarde, foi editado o Ato Declaratório Executivo nº 12/2008, publicado em 12/09/2008, suspendendo o Recorrente do regime especial por trinta dias, com a justificativa de que o Recorrente se encontraria em situação fiscal irregular. No ano seguinte, segundo a Fiscalização, "o acompanhamento usual da fiscalizada em questão revelou a continuação da situação de irregularidade fiscal, com débitos fazendários e previdenciários em aberto na Receita Federal do Brasil, bem como junto a Procuradoria da Fazenda Nacional" (fls. 51 dos autos), o que acarretou a intimação do Recorrente para saneamento de tais irregularidades dentro do prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de exclusão do regime especial. Com o vencimento do prazo e a permanência das irregularidades, a Receita Federal editou o Ato Declaratório Executivo nº 58/2009, publicado em 06/04/2009, pelo qual excluiu a Recorrente do regime especial, nos termos a seguir: Contra a publicação do ato administrativo de exclusão do Recorrente do regime especial, o Recorrente interpôs em 04/05/2009 o recurso administrativo previsto no Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 557 15 artigo 8º, parágrafo 5º , da Instrução Normativa nº 40/200110 e, além disso, tendo em vista que a norma regulamentar previa, de forma expressa, que o recurso não seria dotado de "efeito suspensivo", o Recorrente impetrou Mandado de Segurança, distribuído à 2ª Vara Federal de Campinas sob o nº 2009.61.050053715, "para que seja atribuído efeito suspensivo ao Recurso protocolado em 04.05.2009 até o julgamento final do referido Recurso (artigo 1561, inciso III, do CTN)", como se observa do pedido constante na petição inicial do writ às fls. 438 dos autos. Pela leitura da petição inicial do Mandado de Segurança, a fundamentação que ampara o pedido é a de que, apesar de existir norma regulamentar infra legal afirmando que o recurso administrativo em questão não teria efeito suspensivo (artigo 8º, parágrafo 5º , da Instrução Normativa nº 40/2001), tal dispositivo da Instrução Normativa nº 40/2001 careceria de amparo legal e, mais, seria contrário ao artigo 151, inciso III, do CTN. Dessa forma, expondo que "o aproveitamento dos créditos fiscais na forma da referida Lei nº 10.147/2000 certamente sujeitará a Impetrante a diversos atos de cobrança por parte da D.D. Autoridades Coatoras", o Recorrente defende que haveria ofensa ao artigo 151, inciso III, do CTN, e ao princípio da legalidade (artigo 150, inciso I, da CF/88, e 97 do CTN), ao não ser conferido efeito suspensivo ao recurso administrativo que se insurge contra a exclusão do Recorrente do regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS. Nos autos do Mandado de Segurança, ao apreciar o pedido de liminar, o Juízo da 2ª Vara Federal de Campinas ponderou que existem dispositivos legais que atribuem efeito suspensivo ao recurso administrativo, como o artigo 151, inciso III, do CTN, e o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972, assim como existem dispositivos de lei no sentido da não atribuição de efeito suspensivo, como é o caso do artigo 32, parágrafo 8º, da Lei nº 9.430/199611. Em decorrência, na falta de regramento legal específico, entendeu que era aplicável o regramento legal genérico de atribuição de efeito suspensivo, "haja vista que a hipótese de restrição de direitos ainda que processuais administrativos , não prescinde de previsão legal limitadora", deferindo o pedido liminar, em decisão do dia 25/05/2009, nos seguintes termos: Essa decisão foi mantida por sentença proferida em 26/06/2009, estando o processo em trâmite na Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, para julgamento de recurso contra a decisão de primeira instância. 10 Art. 8º O descumprimento das condições necessárias à fruição do crédito presumido, inclusive com relação à regularidade fiscal, sujeitará a empresa infratora: (...) § 5º Da decisão determinante da suspensão ou da exclusão caberá recurso, sem efeito suspensivo, em instância única, no prazo de trinta dias, contado de sua publicação, ao Secretário da Receita Federal. 11 Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. Fl. 564DF CARF MF 16 Em seguida à decisão do pedido liminar, para fins de cumprimento da ordem judicial, a Receita Federal editou o Ato Declaratório Executivo nº 59/2009, publicado em 02/06/2009, pelo qual suspendeu os efeitos do ADE nº 58/2009, portanto, atingiu o ato anterior no plano da eficácia e não da validade, conforme a seguir: Alguns meses adiante, em 30/09/2009, sobreveio o Despacho Decisório nº 280 DISIT, da 8ª Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, proferido nos autos do processo administrativo nº 10168.001772/200107, que manteve a exclusão do Recorrente do regime especial, em acórdão assim ementado: Há, ao final da decisão, ordem de intimação, com o seguinte teor: "Restitua se o presente processo à DRF/CPS para conhecimento, ciência da interessada e providências quanto à presente decisão, bem como para que se pronuncie quanto aos documentos apresentados em 03.06.2009". Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 558 17 Apesar dessa ordem de intimação, o Recorrente só foi intimado da decisão que manteve a sua exclusão do regime especial dois anos e meio após a sua emissão, em 01/09/2011, quando, não tendo qualquer notícia do julgamento do recurso administrativo, compareceu à repartição onde se encontrava o processo e tomou ciência do despacho decisório em referência. Com isso, no mês seguinte, o Recorrente apresentou novo pedido de habilitação ao regime especial, que teria sido protocolizado no CMED no dia 03/10/2011. Não há nos autos informação quanto ao resultado desse pedido, se em razão dele foi emitido um Ato Declaratório reconhecendo o direito ao benefício fiscal de regime especial de crédito presumido e em qual data. Nesse cenário de idas e vindas no regime jurídico da Recorrente em relação ao regime especial, impende mencionar que a Recorrente observou com rigor a suspensão do regime especial por trinta dias provocada pelo ADE nº 12/2008, não fruindo do regime especial nesse período. O mesmo ocorreu quando foi excluída do regime especial por força do ADE nº 58/2009. Desde a edição do ADE nº 58/2009, em 06/04/2009, a Recorrente parou de fruir do regime especial, só voltando a utilizálo no dia seguinte à concessão da ordem liminar proferida nos Autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.050053715, ou seja, a partir do dia 26/09/2009. Assim, o crédito tributário constituído pelo lançamento se refere ao período que vai de 26/05/2009 a 12/2011. Nesse contexto, uma questão que se coloca diz respeito ao termo inicial de exclusão do Recorrente do regime especial de crédito presumido, matéria apresentada pela Recorrente em seu Recurso e aprofundada no parecer jurídico por ela juntado aos autos. Segundo a Recorrente, a decisão do pedido liminar nos autos do Mandado de Segurança impetrado provocou a sua reinclusão no regime especial até a data de ciência do despacho decisório que negou provimento ao recurso administrativo. Nas palavras da Recorrente, "o ADE 59/2009 teve efeito constitutivo quando veiculou internamente o conteúdo da decisão judicial: somente com o advento da publicidade do DD 280/2009 em 30.09.2011 que se operou a revogação dos efeitos do ADE nº 59/2009". Por outro lado, a Fazenda Nacional argumenta que a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança não serve de base para que se reconheça a reinclusão da empresa no regime especial, pois trata de concessão de efeito suspensivo do recurso administrativo, para fins do disposto no artigo 151, inciso III, do CTN, ou seja, para obstar a execução de crédito tributário eventualmente lançado, e tal efeito suspensivo só perduraria até a data da decisão final, que teria ocorrido em 09/2009. Diante dos argumentos lançados por cada parte, percebese que contribuinte e Fazenda não divergem quanto a extinção do ADE nº 59/2009 pelo Despacho Decisório nº 280 e quanto à desnecessidade de publicação de outro ato administrativo reconhecendo de forma expressa a extinção do ADE nº 59/2009, em razão daquilo que fora decidido no despacho decisório. Na realidade, o ADE nº 59/2009 foi editado para viabilizar a conferência de efeito suspensivo ao recurso administrativo até o seu julgamento, de modo que, com a realização do julgamento, houve esgotamento do ato administrativo, o que resulta em sua extinção. Nessas hipóteses, de acordo com a doutrina Antônio Carlos Cintra do Amaral12, não "há necessidade 12 Extinção do Ato Administrativo. Editora Revista dos Tribunais. São Paulo. 1977. p. 4546. Fl. 566DF CARF MF 18 de se produzir um novo ato administrativo. A simples ocorrência do fato [que torne impossível a sua eficácia fática] é qualificada, juridicamente, como produtora do efeito extintivo". Portanto, com o julgamento do recurso administrativo, ocorreu a extinção do ADE nº 59/2009, que obstava a produção de efeitos do ato administrativo anterior, divergindo as partes quanto a data inicial de exclusão do regime especial. Apesar de a Recorrente pretender limitar a discussão a uma suposta divergência entre termo inicial como data da decisão e termo inicial como data de ciência da decisão, ao afirmar que a Fazenda Nacional teria encampado essa primeira data como data de exclusão do regime especial em suas contrarrazões ao Recurso Voluntário, a divergência é ainda maior. Se estivesse em jogo apenas a data em que a decisão proferida no despacho decisório pode ingressar na esfera jurídica da Recorrente e produzir efeitos, haveria que se concordar com a Recorrente, com todos os seus argumentos no sentido de que a publicidade é condição essencial e pressuposto de validade e eficácia dos atos e decisões administrativas, até mesmo em razão da prevalência da teoria da publicidade em detrimento da teoria da assinatura. Porém, a questão vai além e não está limitada a uma divergência a partir da data do despacho decisório, se de sua assinatura ou de sua publicidade. Isso porque, não parece que a Fazenda Nacional tenha concordado que a exclusão tenha ocorrido apenas com a emissão do despacho decisório. Tanto é assim que o lançamento se refere a período anterior ao despacho decisório o lançamento constitui crédito tributário relativo a Maio de 2009 em diante, enquanto que a decisão foi proferida em Setembro de 2009. Logo, a divergência aqui é se a exclusão do regime especial deve se operar a partir da edição do ADE nº 58/2009, como entende a Receita Federal, ou somente a partir da ciência do despacho decisório, como defende a Recorrente. Pela leitura da inicial e decisões proferidas no Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, verificase que a ordem judicial concedida foi de atribuição de efeito suspensivo ao recurso administrativo até o seu julgamento. Como bem exposto pela Fazenda Nacional em suas contrarrazões, o mandado de segurança não versa sobre o direito da Recorrente em fruir do regime especial de concessão de crédito presumido, estando limitado à questão processual, sobre os efeitos em que deveria ser recebido o recurso administrativo que, em princípio, estaria sem o efeito suspensivo, em razão de uma limitação veiculada em ato infra legal, limitação esta que foi superada pelo entendimento firmado pelo Juízo da 2ª Vara Federal de Campinas. É nesse contexto que devem ser examinados os efeitos da medida judicial em referência na situação jurídica da Recorrente. Em outras palavras, há que se examinar os efeitos sobre a esfera jurídica da Recorrente relativamente ao regime especial decorrentes de ter a Recorrente interposto recurso administrativo, por força de decisão judicial, dotado de efeito suspensivo. Dizse que um recurso é dotado de efeito suspensivo quando obsta a produção imediata de efeitos da decisão, no caso, do ato administrativo, por razões de segurança jurídica e por um juízo de probabilidade quanto a reversão da decisão recorrida. Assim, no presente caso, foi atribuído efeito suspensivo para impedir que o ADE nº 58/2009 produzisse efeitos, quais sejam, que a exclusão da Recorrente do regime especial produzisse efeitos desde logo. Sem o efeito suspensivo, a Recorrente seria excluída do regime especial a partir da publicação do ADE, arcando com todos os prejuízos daí decorrentes mesmo na hipótese de provimento do recurso administrativo e reconhecimento por parte da Administração de que a Recorrente faria jus ao regime especial. Já com o efeito suspensivo, Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 559 19 essa exclusão ficaria obstada até o julgamento do recurso administrativo, justamente para evitar os prejuízos que poderiam ser sofridos pelo contribuinte com a exclusão, diante da possibilidade de reversão da decisão recorrida. Todavia, a concessão de efeito suspensivo a determinado recurso e o impedimento da decisão recorrida / ato recorrido em produzir seus efeitos na pendência de julgamento do recurso não garante à parte que o interpõe a manutenção do regime jurídico que fora preservado pelo efeito suspensivo. Logo, no presente caso, com o não provimento do recurso administrativo, foi retirado o obstáculo, de caráter precário e temporário, que impedia a produção de efeitos do ADE nº 58/2009, que passou a produzir efeitos ab initio. Além disso, não há que se falar em produção de efeitos ex nunc do despacho decisório relativamente à exclusão da Recorrente, ante uma suposta natureza constitutiva do ADE nº 59/2009, pois, como visto acima, os atos administrativos que concedem e excluem os contribuinte do regime especial previsto na Lei nº 10.147/2000 possuem natureza declaratória. Em decorrência, com a extinção do ADE nº 59/2009 e manutenção da validade do ADE nº 58/2009 por força do conteúdo decisório do Despacho Decisório nº 280 DISIT, devese considerar que a Recorrente foi excluída do regime especial desde o momento fixado pelo artigo 8º, parágrafo 4º, da Instrução Normativa SRF nº 40/2001, com a publicação do ADE nº 58/2009. Por essas razões, não merece prosperar a alegação da Recorrente no sentido de que somente teria sido excluída do regime especial a partir da data de ciência do despacho decisório, em 01/09/2011, o que implicaria o cancelamento do crédito tributário constituído até esse período. Diante do afastamento da alegação de que não teria sido excluída do regime especial antes da ciência do despacho decisório, cabe enfrentar as alegações que dizem respeito ao próprio ato de exclusão da Recorrente do regime especial, com o objetivo de verificar a sua conformidade com o ordenamento jurídico. Nesse ponto, a Fazenda Nacional defende a impossibilidade de apreciação dessas alegações, sob o argumento de que teria ocorrido preclusão administrativa no que diz respeito à exclusão da empresa do regime de crédito presumido, pois a matéria já teria sido apreciada e julgada pela Administração Pública nos autos do processo nº 10168.001772/2001 07, o que acarretaria a vedação de sua rediscussão no âmbito do presente processo. Contudo, não há que se falar em preclusão administrativa entre o que foi decidido no processo nº 10168.001772/200107 e o que será aqui decidido, pois as competências e, em conseqüência, as matérias objeto de apreciação, são distintas e não se confundem. Enquanto a CoordenaçãoGeral do Sistema de Arrecadação da Secretaria da Receita Federal ("Cosar/SRF") tem competência para, examinando se o contribuinte preenche as condições legais, conceder o regime jurídico de crédito presumido de PIS/COFINS para o setor farmacêutico, e para, verificando que tais condições legais não estão mais presentes, declarar a sua exclusão do regime especial (artigo 6º, caput, e parágrafo 8º, inciso II, da Instrução Normativa SRF nº 40/2001), o CARF tem competência para julgamento, em segunda instância administrativa, de processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nos termos do artigo 25, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Fl. 568DF CARF MF 20 Uma coisa é apreciar se o contribuinte preenche requisitos legais para fruição de regime especial de benefício fiscal e editar atos administrativos declarando o direito à fruição desse regime jurídico ou declarando a inexistência desse direito, com a exclusão do contribuinte do regime jurídico. Outra coisa, totalmente distinta, é a competência para julgar a legalidade de determinado lançamento tributário, se determinado crédito tributário foi constituído em conformidade com a Lei, no que a competência do CARF é ampla, podendo, inclusive, verificar se a exclusão do contribuinte do regime especial se deu em conformidade com a Lei, pois essa matéria está intimamente ligada ao motivo e fundamentação legal do lançamento. E, caso entenda o Colegiado que a exclusão do regime especial foi indevida, realizada sem o amparo da Lei, não haverá invasão à competência da Receita Federal ou um novo julgamento de mesma matéria decidida pela 8ª Região Fiscal, porque a conseqüência é simplesmente o cancelamento daquele crédito tributário específico lançado no caso concreto e não a declaração de concessão de regime especial, que é de competência da Receita Federal. Aliás, nesse mesmo sentido, existe decisão unânime da 2ª Turma Ordinária da Quarta Câmara deste Terceira Seção, referente a esse mesmo regime especial de crédito presumido da Lei nº 10.147/2000, na qual foi fixado o seguinte entendimento: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/10/2006 a 31/05/2009. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. MEDICAMENTOS. LEI Nº 10.147/2000. REGIME ESPECIAL. CASSAÇÃO. ANÁLISE DO PROCESSO RESPECTIVO. COMPETÊNCIA. PAF. Está dentro das atribuições e competências do CARF, no rito do PAF, a análise do mérito e fatos relativos à tramitação do processo relativo à concessão ou cassação de Regimes Especiais, para que se avalie os reflexos tributários que deles emanam na seara fiscal, pois que necessário para a interpretação e aplicação da legislação tributária". (Acórdão nº 3402002.178; Relator: João Carlos Cassuli Junior; decisão unânime; julgado em 20/08/2013) Dessa maneira, proponho ao Colegiado rejeitar a alegação da Fazenda Nacional e passar ao exame das demais matérias discutidas pelas partes, que dizem respeito à legalidade da exclusão da Recorrente do regime especial. Nesse ponto, a questão que deve ser decidida é se a regularidade fiscal do contribuinte deve ser aferida apenas no momento da concessão do regime especial de crédito presumido da Lei nº 10.147/2000 ou se, além disso, deve o contribuinte manter a regularidade fiscal após a concessão do regime especial e durante a fruição do benefício fiscal. A Receita Federal defende que a manutenção de regularidade fiscal é uma das condições para a fruição do regime especial. Para tanto, transcreve no relatório de ação fiscal dispositivos da Lei nº 10.147/2000 e do Decreto nº 3.803/2001, apontando decisão proferida no processo nº 10168.001772/200107, que cita em sua ementa o artigo 5º da Lei nº 10.147/200013 e afirma que tal dispositivo outorgaria competência à Receita Federal para expedir normas complementares necessárias à aplicação da Lei e do Decreto Executivo. 13 Art. 5o A Secretaria da Receita Federal expedirá normas necessárias à aplicação desta Lei. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 560 21 Na seqüência, sem fazer qualquer referência expressa ao artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 40/200114, que inclui a manutenção da regularidade fiscal como uma das condições necessárias à fruição do regime especial, ao prever que a sua inobservância poderá acarretar suspensão e exclusão do contribuinte do regime especial, a Fiscalização narra a exclusão da Recorrente do regime especial e indica nos Autos de Infração dispositivos genéricos das leis de regência das contribuições (artigos 1º, 3º e 4º da Lei nº 10.637/2002 fls. 7 dos autos e artigos 1º, 3º e 5º, da Lei nº 10.833/2003 fls. 36) como o fundamento legal do lançamento. Diante da narrativa contida no relatório de ação fiscal e do enquadramento proposto, a Recorrente defende que a manutenção de regularidade fiscal não é uma condição prevista na Lei para a fruição do regime especial, pois não consta da Lei nº 10.147/2000 e da Lei nº 10.213/2001, que a modificou, e quando essa é uma exigência para a fruição de um benefício fiscal, a própria Lei que institui um dado benefício fiscal prevê essa condição de forma expressa, citando como exemplo a Lei nº 11.196/2005 ("Lei do Bem") e os seguintes dispositivos: "Art. 7º A adesão ao Repes fica condicionada à regularidade fiscal da pessoa jurídica em relação aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. (...) Art. 15. A adesão ao Recap fica condicionada à regularidade fiscal da pessoa jurídica em relação aos tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil. (...) Art. 23. O gozo dos benefícios fiscais e da subvenção de que tratam os arts. 17 a 21 desta Lei fica condicionado à comprovação da regularidade fiscal da pessoa jurídica". Diante disso, defende a Recorrente que as Instruções Normativas que colocaram a manutenção de regularidade fiscal como condição para fruição do regime especial (Instrução Normativa nº 40/2001 e posteriormente a Instrução Normativa nº 247/2002) teria inovado no ordenamento jurídico, ao prever uma restrição a direito que não estava prevista na Lei que pretendia regulamentar. Realmente, apenas considerando a fundamentação legal e narrativa apresentada pela Receita Federal no lançamento, assistiria razão à Recorrente, pois a Lei nº 10.147/2000, modificada pela Lei nº 10.213/2001, prevê como condição para a fruição do regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS apenas que o interessado (i) tenha firmado compromisso de ajustamento de conduta que vise assegurar a repercussão nos preços da redução da carga tributária; e (ii) cumpra a sistemática estabelecida pela CMED para utilização do crédito presumido, na forma determinada pela Lei. Não há qualquer exigência de regularidade fiscal no momento da concessão do benefício fiscal, quando a Receita Federal reconhece que o contribuinte faz jus à fruição, nem no momento posterior se exige a manutenção da regularidade fiscal durante o período de fruição. Com isso, considerando que o artigo 5º da Lei nº 10.147/2000 outorgou competência à Receita Federal para expedir normas relativas à aplicação da Lei e não para 14 Art. 8º O descumprimento das condições necessárias à fruição do crédito presumido, inclusive com relação à regularidade fiscal, sujeitará a empresa infratora: Fl. 570DF CARF MF 22 fixar condições adicionais para a fruição do regime especial, haveria que se reconhecer a ilegalidade do dispositivo da Instrução Normativa que não desempenha a função meramente de regulamentar o disposto na Lei e que vai além, prevendo uma restrição a um direito conferido pela Lei. Contudo, na visão da Receita Federal, a base legal para o artigo 8º da Instrução Normativa SRF nº 40/2001 não é a Lei nº 10.147/2000, mas o artigo 60 da Lei nº 9.069/1995, mencionado no Despacho Decisório nº 280/2009 (fls. 6772 dos autos) que confirmou a exclusão da Recorrente do regime especial, e também na decisão recorrida, como fundamentos para a manutenção do lançamento. Esse, portanto, a principal dispositivo legal a ser examinado para o deslinde da controvérsia. A ausência de sua menção expressa tanto nos Autos de Infração, quanto no relatório da ação fiscal, a meu ver, poderia suscitar a nulidade do lançamento, por apresentação de fundamentação legal defeituosa, em prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, nos termos do artigo 10, inciso IV, combinado com artigo 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Observem que a ora Recorrente defende a tese de que as Instruções Normativas teriam extrapolado o seu poder regulamentar, por não existir na Lei nº 10.147/2000 exigência de manutenção de regularidade fiscal. Não tece qualquer comentário sobre o artigo 60 da Lei nº 9.069/1995, o que pode ter sido causado pela falta de sua indicação seja como fundamento legal dos Autos de Infração seja no relatório de ação fiscal que traz a descrição dos fatos. E, na decisão recorrida, é utilizado justamente o artigo 60 da Lei nº 9.069/1995 como fundamento legal para a manutenção do lançamento, o que poderia configurar violação ao artigo 146 do CTN15, ante a inexistência de tal fundamento legal seja nos Autos de Infração seja no relatório de ação fiscal. Apesar de tais considerações, deixo de fazer um juízo definitivo para o fim de pronunciar a nulidade seja do lançamento seja da decisão recorrida, por entender que o mérito pode ser decidido em favor do Recorrente, tendo em conta o disposto no artigo 59, parágrafo 3º, do Decreto nº 70.235/197216, pelos motivos a seguir. Segundo o artigo 60 da Lei nº 9.069/1995: "Art. 60. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". (grifos nossos) A meu ver, a norma que se extrai do dispositivo fixa o momento em que o contribuinte deve comprovar a sua regularidade fiscal: (i) no momento da concessão do benefício fiscal; ou (ii) no momento do reconhecimento do benefício fiscal. Mas que momentos são esses? O momento da concessão equivaleria ao do reconhecimento? O momento do reconhecimento equivaleria à fruição ou gozo do benefício fiscal pelo contribuinte? Acredito que o sentido das palavras "concessão" e "reconhecimento" utilizadas pela legislador federal possa ser buscado na própria legislação tributária, mais precisamente no artigo 179, caput e parágrafo 1º, do CTN, que tem a seguinte redação: "Art. 15 Art. 146. A modificação introduzida, de ofício ou em conseqüência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. 16 Art. 59. São nulos:(...) § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 571DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 561 23 179. A isenção, quando não concedida em caráter geral, é efetivada, em cada caso, por despacho da autoridade administrativa, em requerimento com o qual o interessado faça prova do preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei ou contrato para sua concessão. § 1º Tratandose de tributo lançado por período certo de tempo, o despacho referido neste artigo será renovado antes da expiração de cada período, cessando automaticamente os seus efeitos a partir do primeiro dia do período para o qual o interessado deixar de promover a continuidade do reconhecimento da isenção". (grifos nossos) Assim, seguindo o sentido da palavra do modo que vem veiculada no caput do artigo 179 do CTN, para a generalidade dos casos de isenção condicionada ou benefício fiscal condicionado, o termo "concessão" tem relação com o momento em que a autoridade administrativa verifica o preenchimento dos pressupostos legais pelo interessado, se há observação das condições legais pelo interessado, e emite o ato administrativo de natureza declaratória de reconhecimento da isenção ou benefício fiscal condicionado. Dessa forma, quando a Lei afirma que a regularidade fiscal deverá ser comprovada no momento da concessão, quer isso significar que o interessado deverá comprovar que está regular no momento em que pleiteia a isenção ou benefício fiscal condicionado, sendo essa mais uma condição para a emissão de ato administrativo em seu nome. Já o momento de "reconhecimento" da isenção ou benefício fiscal condicionado, tal como previsto no parágrafo primeiro do artigo 179 do CTN, tem relação com a isenção ou benefício fiscal de "tributo lançado por período certo de tempo", como é o exemplo do IPTU. Nesses casos, caso o contribuinte pleiteie uma isenção condicionada de IPTU à Municipalidade, essa isenção condicionada pode ser em um momento inicial "concedida", porém, como se trata de um tributo anual, aquela concessão inicial não se renova automaticamente, devendo o contribuinte todo ano – período certo de tempo promover a renovação do ato administrativo, momento em que a Administração deverá não conceder, mas "reconhecer" a isenção que fora antes concedida. Dessa maneira, quando a Lei afirma que a regularidade fiscal deverá ser comprovada no momento do reconhecimento, esse termo não tem significado amplo, equiparável a todo o período de fruição ou gozo do benefício pelo contribuinte, mas tem significado preciso, correspondente a cada momento de renovação de isenções ou benefícios fiscais a que alude o artigo 179, parágrafo 1º, do CTN. Portanto, o momento de concessão e o momento de reconhecimento do benefício fiscal são distintos entre si. Embora ambos tratem do momento estático, definido no tempo, de emissão do ato administrativo de natureza declaratória quanto ao direito do contribuinte, o primeiro se refere à generalidade de tributos, ao passo que o segundo é relativo ao momento de renovação por período certo de tempo para um grupo específico de tributo. De qualquer maneira, nem o momento de concessão nem o momento de reconhecimento se confundem com o momento de gozo ou fruição do benefício fiscal, momento esse que não é isolado no tempo, mas um momento que se prolonga, perdura, ao longo de determinado período de tempo. Esse entendimento, inclusive, é compartilhado por especialistas na matéria tributária, como o ilustre exsecretário da Receita Federal do Brasil, Everardo Maciel que, em recente artigo jornalístico, fez os seguintes comentários sobre o artigo 60 da Lei nº 9.069/1995: “O dispositivo legal fala em concessão ou reconhecimento. Concessão de incentivo ou benefício e reconhecimento de isenção ou imunidade. O artigo não menciona fruição. (...) Se Fl. 572DF CARF MF 24 quisesse garantir isso, o artigo mencionaria textualmente “concessão, reconhecimento e fruição” 17. No CARF, a interpretação majoritária do dispositivo em referência é no sentido de que a regularidade fiscal do contribuinte é no momento de outorga, concessão do benefício fiscal, não havendo que se falar em verificação durante a fruição do benefício. Nesse sentido, vejam os julgados a seguir: “A posição do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é no sentido de que tal verificação deve se realizar no momento opção do contribuinte pelo incentivo fiscal, isto é, a regularidade fiscal do contribuinte que opta pelo incentivo fiscal em foco deve acontecer momento da apresentação da DIPJ onde o contribuinte realiza tal opção, conforme diversos julgados realizados no âmbito de sua primeira seção de julgamento”. (Acórdão nº 1202001.084; Relator: Orlando José Gonçalves Bueno; data: 04/12/2013; unânime) ***** “Diferentemente do defendido pela autoridade julgadora de primeira instância, entendo que o momento em que se deve verificar a regularidade fiscal do sujeito passivo, quanto à quitação de tributos e contribuições federais, é a data da opção pela aplicação nos Fundos de Investimentos, na declaração de rendimentos, portanto na data da apresentação de sua DIRPJ. Entender de forma diferente, por exemplo, na data do processamento da declaração ou na data em que a autoridade administrativa proceda ao exame do pedido, impossibilitaria a defesa do sujeito passivo, pois a cada momento poderiam surgir novos débitos, numa ciranda de impossível controle. "O sentido da lei não é impedir que o contribuinte em débito usufrua o beneficio fiscal, mas sim, condicionar seu gozo à quitação do débito. Dessa forma, a comprovação da regularidade fiscal, visando o deferimento do PERC, deve recair sobre aqueles débitos existentes na data da entrega da declaração, o que poderá ser feito em qualquer fase do processo. Débitos surgidos posteriormente à data da entrega da declaração não influenciarão o pleito daquele anocalendário, podendo influenciar a concessão do beneficio em anos calendários subseqüentes". (Primeira Câmara, Acórdão 10196.294, de 13/06/2007) Sobre o tema específico do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais, o entendimento é, inclusive, sumulado pela Súmula CARF nº 37, com a seguinte redação: “Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72”. Nada obstante, por outro lado, há aqueles que defendem justamente a posição do lançamento, de que a regularidade pode ser aferida a qualquer tempo. Nessa linha de entendimento, oportuno citar o julgado abaixo: 17 “Especialistas questionam cassação de benefício fiscal”. Fonte: Valor Econômico. Data: 17/10/2017. Fl. 573DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 562 25 “A Recorrente defende que, uma vez habilitado ao regime automotivo, estaria livre do ônus de comprovar a quitação dos tributos federais por ocasião do registro das DIs. Portanto, como já ressaltado pela DRJ, percebe se que, de fato, o fulcro da questão é a procedência ou não da exigência da CNDs (Certidões Negativas de Débito) a cada novo desembaraço de mercadorias ao amparo do benefício fiscal, mesmo que a apresentação das CNDs já tenha sido exigido para habilitação ao benefício. Como se passa a demonstrar, a exigência, além de decorrente de lei plenamente vigente (art. 60 da Lei nº 9.069, de 1995) – cuja aplicação não pode ser afastada pela autoridade administrativa (Súmula CARF nº 2) –, é racional e coerente. Racional e coerente, porque concordar com o entendimento de que, uma vez habilitado ao regime, a Recorrente estaria livre de comprovar a quitação dos tributos federais a cada nova importação equivaleria, em última análise, ao mesmo que permitir que, durante todo o período de vigência do benefício (no caso, dez anos!), o seu beneficiário poderia, ainda que devedor da União, continuar promovendo a importação dos produtos a que se referem o art. 5º da Lei nº 10.182, de 2001, com redução do II. O Direito, contudo, deve ser interpretado coerentemente, não de forma a envolver um absurdo, uma inconveniência. Assim, e sem maiores delongas, entendemos correta a decisão que indeferiu, por essa razão de mérito, o pedido formulado pela Recorrente”. (Acórdão nº 3201002.125; Relator: Charles Mayer de Castro Souza; data: 26/04/2016; unânime) Com a devida vênia, a interpretação adotada pela Turma nessa ocasião foi além do limite possível para a interpretação, pois a interpretação encontra seu limite no texto da Lei. Se a Lei afirma que a regularidade deve ser aferida em um momento específico, de concessão ou reconhecimento, tal momento não pode ser ampliado por razões de coerência ou racionalidade, pois, nesse caso, o interprete está saindo do seu papel e entrando no papel do legislador, que é o ente político dotado de legitimidade democrática para editar a Lei. Para determinado intérprete, exigir regularidade apenas na concessão pode se traduzir em um absurdo; para outro, o absurdo pode ser o contribuinte a todo momento se ver sob o risco de ser excluído de um benefício fiscal para o qual adimpliu vultuosas condições – muitas vezes, representadas por investimentos de grande montante – em razão de inconsistências em seu “Extrato de Conta Corrente”, na casa das centenas de reais que, não raras vezes, se mostram indevidas posteriormente. A escolha do momento em que a regularidade será aferida, como inúmeras outras decisões, está dentro de um juízo político. Ao final, cabe ao legislador, eleito democraticamente, determinar o momento em que a Administração verificará a regularidade fiscal do contribuinte e, aos nossos olhos, esse momento é o da concessão e reconhecimento e não o da fruição, salvo a existência de um dispositivo específico em sentido contrário, o que não ocorre no presente caso. Fl. 574DF CARF MF 26 Por essas razões, acredito que o entendimento do julgado mencionado não deva prevalecer, até porque está há muito superado por jurisprudência do e. Superior Tribunal de Justiça, que entende: “TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. REGIME FISCAL DIFERENCIADO (BEFIEX). CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO FISCAL. ART. 60 DA LEI Nº 9.069/95. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. CONCESSÃO DO BENEFÍCIO. I O art. 60 da Lei nº 9.069/95 dispõe que "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". II Incabível a exigência de apresentação de certidão negativa de débitos fiscais no momento do desembaraço de mercadoria importada por empresa beneficiada pelo BEFIEX, eis que já cumpridos os requisitos legais no momento da adesão. Precedentes: REsp nº 357.438/RS, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 18/10/2004; REsp nº 434.621/RS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 23/09/2002. (...)" (REsp 723.644/PR, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 06/12/2005, dj 13/02/2006, p. 697) (grifos nossos) ***** TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. ART. 60 DA LEI Nº 9.069/95. PRECEDENTES. 1. O conceito de drawback consiste na operação de ingresso de matériaprima em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O art. 60 da Lei nº 9.069/95 estabelece que "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". 3. Esta Corte preconiza não ser cabível a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação de mercadoria, na hipótese em que já tenha sido apresentado o certificado negativo antes da concessão do benefício por operação no regime de drawback. Precedentes. (...)" (REsp 413.934/RS, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, Julgado em 16/09/2004, Dj 13/12/2004, p. 278) Em 2009, a matéria foi julgada sob a sistemática dos recursos repetitivos. O raciocínio desenvolvido foi diferente, mas a conclusão a que chegou o STJ naquela ocasião leva ao mesmo resultado do entendimento aqui exposto, pelo cancelamento do lançamento. O e. STJ entendeu que o momento da concessão se refere ao momento em que são verificadas as condições legais para a fruição do benefício, enquanto que o momento do reconhecimento Fl. 575DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 563 27 equivaleria ao momento da fruição – no que não se concorda como exposto acima. Mas, de acordo com o STJ, a Receita só poderia exigir a certidão OU no momento de concessão OU no momento do reconhecimento, para ele, fruição do benefício. Nunca poderia exigir a certidão de forma cumulativa. É ler: “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. REGIME DE DRAWBACK. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). INEXIGIBILIDADE. ARTIGO 60, DA LEI 9.069/95. 1. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. 2. O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: "a concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais". 3. Destarte, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 839.116/BA, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 21.08.2008, DJe 01.10.2008; REsp 859.119/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 06.05.2008, DJe 20.05.2008; e REsp 385.634/BA, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 21.02.2006, DJ 29.03.2006). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1041237/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 19/11/2009) Trecho do Voto: “Desta sorte, o artigo 60 da Lei nº 9.069/95, ao contrário do sustentado pela Fazenda Nacional, exige a certidão na concessão ou no reconhecimento do incentivo, vale dizer: em um momento ou em outro e não sob a forma cumulativa. Com efeito, consoante jurisprudência reiterada deste Superior de Justiça, concedido o drawback não se admite que a CND seja exigida no momento do desembaraço aduaneiro, quando há comprovação da regularidade fiscal antes do deferimento do benefício”. Como se verifica, o STJ entende que a certidão não pode ser exigida no momento de fruição, pois já fora exigida em momento anterior, da concessão, ao passo que o entendimento aqui defendido é que o “momento de reconhecimento” não se confunde com Fl. 576DF CARF MF 28 “momento de fruição”, o que leva ao mesmo resultado, pela impossibilidade de se exigir certidão no momento da fruição. Pelo exposto, proponho ao Colegiado dar provimento ao Recurso Voluntário para determinar o cancelamento do lançamento, em razão da insubsistência do seu fundamento, ante a ilegalidade da exclusão da Recorrente do regime especial. Na hipótese de a Turma não encampar o entendimento aqui proposto, devese examinar os demais argumentos da Recorrente, começando pela alegação de que os Autos de Infração seriam nulos em relação ao período de outubro a dezembro de 2011, pois o aproveitamento do regime especial de PIS e COFINS referente a esse período estaria fundamentado em novo pedido de fruição ao crédito presumido junto a CMED, protocolado e válido desde outubro de 2011. Apesar dessa informação da Recorrente, não há provas de que o respectivo Ato Declaratório Executivo teria sido emitido, permitindose a fruição dos benefícios com efeito retroativo à data de protocolo do pedido junto ao CMED. Diante disso, a Fazenda Nacional defende a manutenção do “lançamento e, caso posteriormente a glosa se revelar indevida, o auto de infração poderá ser revisto, nos exatos termos do eventual ato declaratório executivo que reconhecer o retorno da autuada ao regime especial”. Com efeito, a Recorrente deixou de juntar prova documental que ampara o seu direito, nos termos do artigo 16, parágrafo 4º, do Decreto nº 70.235/1972, não sendo, portanto, hipótese de conversão do julgamento em diligência, pois a diligência estaria não a trazer mais elementos para convencimento do julgador, mas a sanar deficiência probatória por parte da Recorrente. Por essas razões, entendo que essa alegação da Recorrente merece ser rejeitada, por carência probatória. No que refere ao argumento de que, com a emissão de certidão negativa de débitos, em 19/05/2009, deveria ser reconhecido o cumprimento do requisito infralegal para a fruição do regime, em atenção aos princípios da proporcionalidade, finalidade e da razoabilidade dos atos administrativos, não há como prosperar tal argumento, pois, embora tenha a Recorrente regularizado a situação logo após a emissão do ADE nº 58/2009, a Recorrente não manifestou sua vontade de fruir do benefício fiscal, mediante a apresentação de requerimento junto a Administração, talvez confiando que o “efeito suspensivo” do recurso administrativo lhe garantiria o benefício até a data da ciência de sua decisão. Ou seja, uma simples providência, a apresentação de novo pedido de habilitação logo após a exclusão do regime já teria lhe garantido a fruição do regime, tendo em vista que já se encontrava regular, com certidão, não havendo que se observar, a meu ver, a ilegal carência de seis meses prevista em ato infralegal para novo pedido de habilitação. Porém, essa apresentação só ocorreu mais de dois anos depois, com a ciência da decisão do despacho decisório. Apesar de injusta a situação da Recorrente, que decorre parte da omissão da Receita em cientificála e parte da não provocação da Administração por petição, pela Recorrente, não há como esse Tribunal Administrativo afastar os dispositivos legais que regem a habilitação, com base nos princípios da proporcionalidade, finalidade e da razoabilidade dos atos administrativos, em razão do disposto na Súmula CARF nº 02. Fl. 577DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 564 29 Pelo mesmo óbice, entendo que o órgão julgador não tem competência para cancelar ou reduzir o percentual de 75% (setenta e cinco por cento) da multa de ofício, por conta da razoabilidade desse patamar. Do mesmo modo, desta vez, em razão da Súmula CARF nº 4, é improcedente o pedido para cancelar os juros, eis que calculados à taxa SELIC. Todavia, por último, mantendo entendimento exposto em outros julgados, entendo como procedente o pedido da Recorrente de cancelamento dos juros sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal, pela fundamentação constante no Acórdão nº 3401 003.443, que teve a seguinte ementa nessa matéria: “JUROS MORATÓRIOS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. NÃO CABIMENTO. É incabível a aplicação da taxa SELIC sobre a multa de ofício, por ausência de previsão legal (artigo 61 da Lei no 9.430/1996)”. Conclusão Por todo o exposto, proponho ao Colegiado dar provimento ao Recurso para cancelar o lançamento, diante da ilegalidade da exclusão da Recorrente do regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS de que trata a Lei nº 10.147/2000, eis que o artigo 60 da Lei nº 9.069/95 exige como condição para fruição de benefício fiscal a regularidade fiscal no momento de concessão do regime especial e não a manutenção da regularidade. É como voto. Augusto Fiel Jorge d'Oliveira Relator Fl. 578DF CARF MF 30 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator designado Com as vênias de praxe, divirjo do i. Relator em relação aos efeitos jurídicos deflagrados pelo ato administrativo expedido pela RFB, que reconhece (ou não) o preenchimento das condições para fruição do regime especial em debate; a possibilidade de rediscussão, nesta instância administrativa, ainda que de forma incidental, do cumprimento dos requisitos para tal desiderato; a desnecessidade de atendimento às condições durante o período de fruição do regime; e, por fim, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Nesse passo, dispõe o art. 2º que a concessão do regime especial previsto na Lei nº 10.147/00 depende de habilitação perante a Câmara de Medicamentos e Secretaria da Receita Federal do Brasil, isto é, a demonstração de aptidão para o benefício perante ambos os órgãos. Logo, não vislumbro a incumbência da Receita Federal como secundária, isso porque, a verificação da irregularidade fiscal pode acarretar, sim, o indeferimento inicial do regime, e conseqüente cobrança das contribuições que deixaram de ser pagas, uma vez não saneadas as pendências no momento oportuno, ainda que o decreto preveja que a ausência de manifestação da RFB no prazo hábil (30 dias) implica no deferimento automático, havendo expressa previsão para tal providência nos arts. 2º e 3º do Decreto nº 3.803/2001: “Art. 2º A concessão do regime especial de que trata o artigo anterior depende de habilitação perante a Câmara de Medicamentos, criada pelo art. 12 da Lei nº 10.213, de 27 de março de 2001, e a Secretaria da Receita Federal. § 1º Para fins de habilitação a pessoa jurídica interessada apresentará à Câmara de Medicamentos requerimento do qual constem: I todas as informações exigidas em Resolução expedida pela mencionada Câmara; II a opção pelo enquadramento em uma das seguintes hipóteses: a) adequação às condições estabelecidas pela Câmara de Medicamentos para utilização do crédito presumido; ou b) adesão ao Compromisso de Ajustamento de Conduta a ser firmado junto à Câmara de Medicamentos; e III em anexo, certidão negativa de todos os tributos e contribuições federais. § 2º A Câmara de Medicamentos, no prazo de até cinco dias úteis, verificará a conformidade das informações prestadas com as condições previstas para a fruição do crédito presumido e encaminhará à Secretaria da Receita Federal o requerimento da empresa, acompanhado da relação dos medicamentos por ela fabricados ou importados, com a respectiva classificação na NCM. § 3º A Secretaria da Receita Federal, de posse da documentação encaminhada pela Câmara de Medicamentos, no prazo de até trinta dias, analisará a veracidade das certidões negativas de tributos e contribuições federais Fl. 579DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 565 31 apresentadas, e, constatada a regularidade fiscal da empresa, expedirá ato a ser publicado no Diário Oficial da União, reconhecendo o direito da requerente à utilização do crédito presumido. § 4º Se, no prazo mencionado no parágrafo anterior, não houver pronunciamento da Secretaria da Receita Federal, considerarseá automaticamente deferido o regime especial de crédito presumido. § 5º No curso da análise do requerimento, nos termos dos §§ 2º e 3º, as irregularidades apuradas serão comunicadas à requerente, sendolhe concedido prazo de até trinta dias para regularização. § 6º Na hipótese do parágrafo anterior, ficarão suspensos os prazos a que se referem os §§ 2º e 3º. § 7º Indeferida a habilitação pela Câmara de Medicamentos ou pela Secretaria da Receita Federal, poderá a pessoa jurídica requerente renovar o pedido, nos mesmos autos, desde que sanadas as irregularidades que o motivaram. Art. 3º O regime especial de crédito presumido poderá ser utilizado a partir da data da protocolização do requerimento na Câmara de Medicamentos, observado o disposto na Lei nº 10.147, de 2000, especialmente no seu art. 4º, e na Lei nº 10.213, de 2001. § 1º Os requerimentos poderão ser protocolizados a partir da entrada em vigor deste Decreto. § 2º No caso de indeferimento do requerimento, serão devidas a contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins que deixaram de ser pagas, com acréscimos de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, nos termos da legislação tributária, a contar do início da utilização do regime.” A partir da leitura dos dispositivos é possível divisar o seguinte iter: i) o interessado apresenta requerimento junto à Câmara de Medicamentos e, desde logo, já pode usufruir do crédito presumido (art. 3º); ii) a Câmara, em 05 (cinco) dias úteis, promove suas verificações e encaminha o processo à SRF; e, iii) a SRF, no prazo de 30 (trinta) dias, adota as medidas de sua alçada, o que, não ocorrendo, redunda no deferimento automático do requerimento. Entretanto, se no curso da análise do requerimento, seja pela Câmara de Medicamentos, seja pela RFB, for constatado o não preenchimento dos requisitos para admissão no regime especial, o requerimento será sumariamente indeferido e devidas as contribuições não pagas. Nesse cenário, temse que o contribuinte poderá gozar do regime especial, sob condição resolutória da ulterior confirmação do atendimento das condições, desde o protocolo do pedido junto à Câmara de Medicamentos, onde o procedimento se inicia. Desse modo, entendo que as manifestações da Câmara de Medicamentos e da Secretaria da Receita Federal do Brasil são exigências inafastáveis para fruição incondicionada do regime especial em apreço, não havendo que se falar em participação principal ou acessória deste ou daquele órgão. Fl. 580DF CARF MF 32 O direito pleno ao regime especial, até então gozado sob condição resolutória, somente se aperfeiçoa com a manifestação dos órgãos intervenientes atestando o cumprimento dos requisitos. No entanto, esse debate não afeta diretamente o caso sub examine, tendo em conta que não se cuida de habilitação ao regime especial, mas sim, a manutenção do contribuinte no programa, que envolve outras discussões, como se verá adiante. Concernente aos efeitos dos atos administrativos editados pela RFB na situação dos autos, mormente os atos de suspensão e exclusão do regime, grosso modo, concordo com o entendimento do Relator sobre o tema e peço licença para transcrevêlo: “Do regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS do Recorrente Nesse quadro normativo, o Recorrente apresentou à CMED pedido de habilitação no regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS em 26/04/2001, tendo sido posteriormente publicado o Ato Declaratório Executivo nº 70/2001, reconhecendo que o Recorrente preenchia os pressupostos da Lei e, portanto, fazia jus ao gozo do regime especial em questão. Porém, anos mais tarde, foi editado o Ato Declaratório Executivo nº 12/2008, publicado em 12/09/2008, suspendendo o Recorrente do regime especial por trinta dias, com a justificativa de que o Recorrente se encontraria em situação fiscal irregular. No ano seguinte, segundo a Fiscalização, "o acompanhamento usual da fiscalizada em questão revelou a continuação da situação de irregularidade fiscal, com débitos fazendários e previdenciários em aberto na Receita Federal do Brasil, bem como junto a Procuradoria da Fazenda Nacional" (fls. 51 dos autos), o que acarretou a intimação do Recorrente para saneamento de tais irregularidades dentro do prazo de 30 (trinta) dias, sob pena de exclusão do regime especial. Com o vencimento do prazo e a permanência das irregularidades, a Receita Federal editou o Ato Declaratório Executivo nº 58/2009, publicado em 06/04/2009, pelo qual excluiu a Recorrente do regime especial, nos termos a seguir: Contra a publicação do ato administrativo de exclusão do Recorrente do regime especial, o Recorrente interpôs em 04/05/2009 o recurso administrativo Fl. 581DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 566 33 previsto no artigo 8º, parágrafo 5º , da Instrução Normativa nº 40/200118 e, além disso, tendo em vista que a norma regulamentar previa, de forma expressa, que o recurso não seria dotado de "efeito suspensivo", o Recorrente impetrou Mandado de Segurança, distribuído à 2ª Vara Federal de Campinas sob o nº 2009.61.05005371 5, "para que seja atribuído efeito suspensivo ao Recurso protocolado em 04.05.2009 até o julgamento final do referido Recurso (artigo 1561, inciso III, do CTN)", como se observa do pedido constante na petição inicial do writ às fls. 438 dos autos. Pela leitura da petição inicial do Mandado de Segurança, a fundamentação que ampara o pedido é que, apesar de existir norma regulamentar infra legal afirmando que o recurso administrativo em questão não teria efeito suspensivo (artigo 8º, parágrafo 5º , da Instrução Normativa nº 40/2001), tal dispositivo da Instrução Normativa nº 40/2001 careceria de amparo legal e, mais, seria contrário ao artigo 151, inciso III, do CTN. Dessa forma, expondo que "o aproveitamento dos créditos fiscais na forma da referida Lei nº 10.147/2000 certamente sujeitará a Impetrante a diversos atos de cobrança por parte da D.D. Autoridades Coatoras", o Recorrente defende que haveria ofensa ao artigo 151, inciso III, do CTN, e ao princípio da legalidade (artigo 150, inciso I, da CF/88, e 97 do CTN), ao não ser conferido efeito suspensivo ao recurso administrativo que se insurge contra a exclusão do Recorrente do regime especial de crédito presumido de PIS/COFINS. Nos autos do Mandado de Segurança, ao apreciar o pedido de liminar, o Juízo da 2ª Vara Federal de Campinas ponderou que existem dispositivos legais que atribuem efeito suspensivo ao recurso administrativo, como o artigo 151, inciso III, do CTN, e o artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972, assim como existem dispositivos de lei no sentido da não atribuição de efeito suspensivo, como é o caso do artigo 32, parágrafo 8º, da Lei nº 9.430/199619. Em decorrência, na falta de regramento legal específico, entendeu que era aplicável o regramento legal genérico de atribuição de efeito suspensivo, "haja vista que a hipótese de restrição de direitos ainda que processuais administrativos , não prescinde de previsão legal limitadora", deferindo o pedido liminar, em decisão do dia 25/05/2009, nos seguintes termos: Essa decisão foi mantida por sentença proferida em 26/06/2009, estando o processo em trâmite na Quarta Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, para julgamento de recurso contra a decisão de primeira instância. 18 Art. 8º O descumprimento das condições necessárias à fruição do crédito presumido, inclusive com relação à regularidade fiscal, sujeitará a empresa infratora: (...) § 5º Da decisão determinante da suspensão ou da exclusão caberá recurso, sem efeito suspensivo, em instância única, no prazo de trinta dias, contado de sua publicação, ao Secretário da Receita Federal. 19 Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. (...) § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. Fl. 582DF CARF MF 34 Em seguida à decisão do pedido liminar, para fins de cumprimento da ordem judicial, a Receita Federal editou o Ato Declaratório Executivo nº 59/2009, publicado em 02/06/2009, pelo qual suspendeu os efeitos do ADE nº 58/2009, portanto, atingiu o ato anterior no plano da eficácia e não da validade, conforme a seguir: Alguns meses adiante, em 30/09/2009, sobreveio o Despacho Decisório nº 280 DISIT, da 8ª Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil, proferido nos autos do processo administrativo nº 10168.001772/200107, que manteve a exclusão do Recorrente do regime especial, em acórdão assim ementado: Há, ao final da decisão, ordem de intimação, com o seguinte teor: "Restitua se o presente processo à DRF/CPS para conhecimento, ciência da interessada e providências quanto à presente decisão, bem como para que se pronuncie quanto aos documentos apresentados em 03.06.2009". Fl. 583DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 567 35 Apesar dessa ordem de intimação, o Recorrente só foi intimado da decisão que manteve a sua exclusão do regime especial dois anos e meio após a sua emissão, em 01/09/2011, quando, não tendo qualquer notícia do julgamento do recurso administrativo, compareceu à repartição onde se encontrava o processo e tomou ciência do despacho decisório em referência. Com isso, no mês seguinte, o Recorrente apresentou novo pedido de habilitação ao regime especial, que teria sido protocolizado no CMED no dia 03/10/2011. Não há nos autos informação quanto ao resultado desse pedido, se em razão dele foi emitido um Ato Declaratório reconhecendo o direito ao benefício fiscal de regime especial de crédito presumido e em qual data. Nesse cenário de idas e vindas no regime jurídico da Recorrente em relação ao regime especial, impende mencionar que a Recorrente observou com rigor a suspensão do regime especial por trinta dias provocada pelo ADE nº 12/2008, não fruindo do regime especial nesse período. O mesmo ocorreu quando foi excluída do regime especial por força do ADE nº 58/2009. Desde a edição do ADE nº 58/2009, em 06/04/2009, a Recorrente parou de fruir do regime especial, só voltando a utilizálo no dia seguinte à concessão da ordem liminar proferida nos Autos do Mandado de Segurança nº 2009.61.050053715, ou seja, a partir do dia 26/09/2009. Assim, o crédito tributário constituído pelo lançamento se refere ao período que vai de 26/05/2009 a 12/2011. Nesse contexto, uma questão que se coloca diz respeito ao termo inicial de exclusão do Recorrente do regime especial de crédito presumido, matéria apresentada pela Recorrente em seu Recurso e aprofundada no parecer jurídico por ela juntado aos autos. Segundo a Recorrente, a decisão do pedido liminar nos autos do Mandado de Segurança impetrado provocou a sua reinclusão no regime especial até a data de ciência do despacho decisório que negou provimento ao recurso administrativo. Nas palavras da Recorrente, "o ADE 59/2009 teve efeito constitutivo quando veiculou internamente o conteúdo da decisão judicial: somente com o advento da publicidade do DD 280/2009 em 30.09.2011 que se operou a revogação dos efeitos do ADE nº 59/2009". Por outro lado, a Fazenda Nacional argumenta que a decisão proferida nos autos do Mandado de Segurança não serve de base para que se reconheça a reinclusão da empresa no regime especial, pois trata de concessão de efeito suspensivo do recurso administrativo, para fins do disposto no artigo 151, inciso III, do CTN, ou seja, para obstar a execução de crédito tributário eventualmente lançado, e tal efeito suspensivo só perduraria até a data da decisão final, que teria ocorrido em 09/2009. Diante dos argumentos lançados por cada parte, percebese que contribuinte e Fazenda não divergem quanto a extinção do ADE nº 59/2009 pelo Despacho Decisório nº 280 e quanto à desnecessidade de publicação de outro ato administrativo reconhecendo de forma expressa a extinção do ADE nº 59/2009, em razão daquilo que fora decidido no despacho decisório. Na realidade, o ADE nº 59/2009 foi editado para viabilizar a conferência de efeito suspensivo ao recurso administrativo até o seu julgamento, de modo que, com a realização do julgamento, houve esgotamento do ato administrativo, o que resulta em sua extinção. Nessas hipóteses, de acordo com a doutrina Antônio Carlos Cintra do Amaral20, não "há necessidade de se produzir um novo ato administrativo. A simples ocorrência do 20 Extinção do Ato Administrativo. Editora Revista dos Tribunais. São Paulo. 1977. p. 4546. Fl. 584DF CARF MF 36 fato [que torne impossível a sua eficácia fática] é qualificada, juridicamente, como produtora do efeito extintivo". Portanto, com o julgamento do recurso administrativo, ocorreu a extinção do ADE nº 59/2009, que obstava a produção de efeitos do ato administrativo anterior, divergindo as partes quanto a data inicial de exclusão do regime especial. Apesar de a Recorrente pretender limitar a discussão a uma suposta divergência entre termo inicial como data da decisão e termo inicial como data de ciência da decisão, ao afirmar que a Fazenda Nacional teria encampado essa primeira data como data de exclusão do regime especial em suas contrarrazões ao Recurso Voluntário, a divergência é ainda maior. Se estivesse em jogo apenas a data em que a decisão proferida no despacho decisório pode ingressar na esfera jurídica da Recorrente e produzir efeitos, haveria que se concordar com a Recorrente, com todos os seus argumentos no sentido de que a publicidade é condição essencial e pressuposto de validade e eficácia dos atos e decisões administrativas, até mesmo em razão da prevalência da teoria da publicidade em detrimento da teoria da assinatura. Porém, a questão vai além e não está limitada a uma divergência a partir da data do despacho decisório, se de sua assinatura ou de sua publicidade. Isso porque, não parece que a Fazenda Nacional tenha concordado que a exclusão tenha ocorrido apenas com a emissão do despacho decisório. Tanto é assim que o lançamento se refere a período anterior ao despacho decisório o lançamento constitui crédito tributário relativo a Maio de 2009 em diante, enquanto que a decisão foi proferida em Setembro de 2009. Logo, a divergência aqui é se a exclusão do regime especial deve se operar a partir da edição do ADE nº 58/2009, como entende a Receita Federal, ou somente a partir da ciência do despacho decisório, como defende a Recorrente. Pela leitura da inicial e decisões proferidas no Mandado de Segurança impetrado pela Recorrente, verificase que a ordem judicial concedida foi de atribuição de efeito suspensivo ao recurso administrativo até o seu julgamento. Como bem exposto pela Fazenda Nacional em suas contrarrazões, o mandado de segurança não versa sobre o direito da Recorrente em fruir do regime especial de concessão de crédito presumido, estando limitado à questão processual, sobre os efeitos em que deveria ser recebido o recurso administrativo que, em princípio, estaria sem o efeito suspensivo, em razão de uma limitação veiculada em ato infra legal, limitação esta que foi superada pelo entendimento firmado pelo Juízo da 2ª Vara Federal de Campinas. É nesse contexto que devem ser examinados os efeitos da medida judicial em referência na situação jurídica da Recorrente. Em outras palavras, há que se examinar os efeitos sobre a esfera jurídica da Recorrente relativamente ao regime especial decorrentes de ter a Recorrente interposto recurso administrativo, por força de decisão judicial, dotado de efeito suspensivo. Dizse que um recurso é dotado de efeito suspensivo quando obsta a produção imediata de efeitos da decisão, no caso, do ato administrativo, por razões de segurança jurídica e por um juízo de probabilidade quanto a reversão da decisão recorrida. Assim, no presente caso, foi atribuído efeito suspensivo para impedir que o ADE nº 58/2009 produzisse efeitos, quais sejam, que a exclusão da Recorrente do regime especial produzisse efeitos desde logo. Sem o efeito suspensivo, a Recorrente seria excluída do regime especial a partir da publicação do ADE, arcando com todos os prejuízos daí decorrentes mesmo na hipótese de provimento do recurso administrativo e reconhecimento por parte da Administração de que a Recorrente faria jus ao regime especial. Já com o efeito suspensivo, essa exclusão ficaria obstada até o julgamento do recurso administrativo, justamente para evitar os Fl. 585DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 568 37 prejuízos que poderiam ser sofridos pelo contribuinte com a exclusão, diante da possibilidade de reversão da decisão recorrida. Todavia, a concessão de efeito suspensivo a determinado recurso e o impedimento da decisão recorrida / ato recorrido em produzir seus efeitos na pendência de julgamento do recurso não garante à parte que o interpõe a manutenção do regime jurídico que fora preservado pelo efeito suspensivo. Logo, no presente caso, com o não provimento do recurso administrativo, foi retirado o obstáculo, de caráter precário e temporário, que impedia a produção de efeitos do ADE nº 58/2009, que passou a produzir efeitos ab initio. Além disso, não há que se falar em produção de efeitos ex nunc do despacho decisório relativamente à exclusão da Recorrente, ante uma suposta natureza constitutiva do ADE nº 59/2009, pois, como visto acima, os atos administrativos que concedem e excluem os contribuinte do regime especial previsto na Lei nº 10.147/2000 possuem natureza declaratória. Em decorrência, com a extinção do ADE nº 59/2009 e manutenção da validade do ADE nº 58/2009 por força do conteúdo decisório do Despacho Decisório nº 280 DISIT, devese considerar que a Recorrente foi excluída do regime especial desde o momento fixado pelo artigo 8º, parágrafo 4º, da Instrução Normativa SRF nº 40/2001, com a publicação do ADE nº 58/2009. Por essas razões, não merece prosperar a alegação da Recorrente no sentido de que somente teria sido excluída do regime especial a partir da data de ciência do despacho decisório, em 01/09/2011, o que implicaria o cancelamento do crédito tributário constituído até esse período.” (destaques no original) Nada obstante, discordo da possibilidade de rediscussão incidental, no processo que alberga o lançamento, do preenchimento dos requisitos para fruição do regime especial em apreço, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, porquanto o decreto que o regulamenta – Decreto nº 3.803/01 –, no que tange à suspensão/exclusão, estabelece um rito próprio, estribado na lei geral de regência do processo administrativo, Lei nº 9.784/99, através de seu 7º, § 2º, com a faculdade de interposição de recurso à autoridade imediatamente superior àquela que proferiu a decisão, no prazo de 30 (trinta) dias de sua publicação, tratandose, sem sombra de dúvida, de um recurso hierárquico. Não há previsão de emprego supletivo do processo administrativo fiscal, nos moldes do Decreto nº 70.235/72, com indicação do CARF como instância revisora da decisão que examina o preenchimento das condições para gozo do regime fiscal tratado na Lei nº 10.147/00, cabendolhe tãosomente, a meu ver, a análise dos efeitos do ato administrativo de suspensão/exclusão em relação aos tributos que deixaram de ser pagos, não, porém, o seu conteúdo. Nessa vereda, o ato administrativo que decide a suspensão/exclusão do interessado do regime especial, na sistemática do Decreto nº 3.803/01, após julgamento do recurso hierárquico, revestese do atributo da irreformabilidade, não se encartando dentre as atribuições regimentais desse sodalício, como dito, a revisão dos critérios adotados pela RFB na expedição dos atos declaratórios executivos de suspensão/exclusão, ainda que incidenter tantum no processo que trata da exigência do crédito tributário decorrente, cujo limite, repito, circunscrevese aos efeitos desses atos. Por via oblíqua, restam prejudicados os debates a respeito do acerto da decisão de exclusão, do restabelecimento da regularidade fiscal durante o procedimento de Fl. 586DF CARF MF 38 suspensão/exclusão e da desproporcionalidade da aplicação da penalidade de exclusão do regime, porquanto são questões atreladas ao próprio conteúdo do ato declaratório executivo de exclusão, que, na linha deste voto vencedor, não pode ser altercado nessa instância. Outro ponto controvertido que, mesmo compondo o conteúdo da decisão de exclusão, foi objeto de discussão específica em plenário, como contraponto ao raciocínio do i. Relator, referese à necessidade de manutenção da regularidade fiscal durante a fruição do regime especial, que correspondeu à própria razão de fundo para a exclusão promovida. Segundo o voto vencido, a exigência de regularidade fiscal nesses termos não estaria amparada na Lei nº 10.147/00, pois não prevista expressamente, não servindo a tal finalidade o socorro ao art. 60 da Lei nº 9.069/95, de sorte que o art. 8º da IN SRF 40/2001 teria exorbitado sua função normativa e criado exigência sem fundamento legal. Contudo, data maxima venia, essa leitura pareceme equivocada, quando esquadrinhado os termos do próprio Decreto nº 3.803/01, que regulamentou o regime especial da Lei nº 10.147/00, especialmente o seu art. 7º, assim vazado: Art. 7º O descumprimento das condições necessárias à fruição do crédito presumido, inclusive com relação à regularidade fiscal, sujeitará a empresa infratora: I à suspensão do regime especial pelo prazo de trinta dias, que se converterá em exclusão nas seguintes hipóteses: a) se, findo o prazo de trinta dias, as irregularidades constatadas não tiverem sido sanadas; ou b) se ocorrerem duas suspensões dentro do período de doze meses; e II ao recolhimento da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins que deixaram de ser pagas, com acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, nos termos do que dispõe a legislação tributária, em relação aos fatos geradores ocorridos: a) nos meses em que tiverem sido descumpridas as condições relativas a preços praticados, que motivaram a suspensão ou a exclusão; e b) no período da suspensão. (...)” (destacado) Notese que o dispositivo estabelece que o descumprimento das condições, inclusive regularidade fiscal, acarreta a suspensão do regime especial com a consequente cobrança das contribuições, enquanto perdurar essa situação jurídica. A suspensão do regime especial logicamente pressupõe a sua anterior concessão, o seu deferimento, de maneira que, nesse estágio, o interessado já detém a habilitação a que alude o art. 2º do decreto, estando em pleno gozo do benefício. Destarte, o descumprimento ab initio das condições, nos termos dos arts. 2º e 3º do Decreto nº 3.803/01 redunda no indeferimento do requerimento de concessão do regime especial e não a sua suspensão, porque até então, e desde o protocolo do pedido junto à Câmara de Medicamentos, o interessado já goza das vantagens do regime especial de forma precária, sob condição resolutória de sua ulterior admissão no programa. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 569 39 Nesse diapasão, diversamente do que consignado no voto vencido nessa parte e no recurso voluntário, a manutenção da regularidade fiscal durante o regime especial, e não apenas na sua concessão, é da própria essência do instituto, não havendo que se falar em ilegalidade da IN SRF 40/2001, ao aclarar tal exigência. Demais disso, a leitura conjugada dos arts. 60 da Lei nº 9.069/95 e 179 do Código Tributário Nacional proposta pelo i. Relator, com ênfase no substantivo “concessão” e no verbo “concedido” lá inseridos, para concluir que, referindose apenas à concessão do benefício fiscal, na qualidade de ato inaugural, a extensão da exigência da regularidade fiscal à manutenção da vantagem fiscal exigiria norma expressa, como ocorrido na Lei nº 11.196/05, e.g., parece investir contra as demais disposições do CTN acerca da “isenção”, como o parágrafo segundo do próprio art. 179, ao dispor que o despacho da autoridade, que reconhece a isenção individual condicionada, não gera direito adquirido e se sujeita ao disposto no art. 155 do mesmo diploma. O art. 155, caput, por seu turno, prevê que “a concessão da moratória em caráter individual não gera direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos para a concessão do favor, cobrandose o crédito (...)" destacado. A meu sentir, as expressões “deixar de fazer” ou “deixar de cumprir” indicam a necessidade da observância das condições/requisitos durante a fruição da vantagem fiscal e não apenas no momento de sua concessão, como sustenta o voto vencido. A título meramente ilustrativo, admitir que o sujeito passivo deva comprovar a regularidade fiscal apenas por ocasião da concessão do benefício fiscal conduziria a situações inusitadas, onde o devedor contumaz, objetivando vantagem tributária, obtém causa momentânea de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, como p.e. o parcelamento, com emissão da competente certidão positiva com efeitos de negativa e, após o deferimento do pleito, simplesmente deixe de adimplir a obrigação assumida e retome à condição de devedor, sem risco de perda do benefício fiscal, o que configura contrassenso. Outrossim, entendo que a referência ao REsp 1.041.237/SP, julgado sob a sistemática dos recursos repetitivos, de obrigatória observância neste Conselho Administrativo, não é aplicável ao processo, ao passo que examinou situação jurídica distinta, in casu “drawback”, não se encontrando ao longo da manifestação qualquer tese no sentido que a aplicação do art. 60 da Lei nº 9.069/95 se restringe ao momento da concessão do benefício fiscal, qualquer que seja ele, oportunidade que transcrevo a íntegra do voto lá exarado: “O EXMO. SR. MINISTRO LUIZ FUX (Relator): Preliminarmente, revelase cognoscível a insurgência especial, uma vez prequestionada a matéria federal ventilada. Cingese a controvérsia sobre a legalidade da exigência de Certidão Negativa de Débito CND, para o reconhecimento do benefício fiscal de drawback no ‘momento do desembaraço aduaneiro’. Drawback é a operação pela qual a matériaprima ingressa em território nacional com isenção ou suspensão de impostos, para ser reexportada após sofrer beneficiamento. Fl. 588DF CARF MF 40 O artigo 60, da Lei nº 9.069/95, dispõe que: ‘A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, pessoa física ou jurídica, da quitação de tributos e contribuições federais.’ A indagação que se faz é se o drawback é uma operação única, com três momentos distintos, ou uma operação bipartida, em que o Fisco pode exigir do contribuinte nova documentação quando da reexportação. Adotando o posicionamento desta Corte, caracterizase o drawback – ‘arrastar para traz’ ou ‘arrastar de volta’ como negócio jurídico único, de efeito diferido, que se aperfeiçoa em um ato complexo. Desta sorte, o artigo 60 da Lei nº 9.069/95, ao contrário do sustentado pela Fazenda Nacional, exige a certidão na concessão ou no reconhecimento do incentivo, vale dizer: em um momento ou em outro e não sob a forma cumulativa. Com efeito, consoante jurisprudência reiterada deste Superior de Justiça, concedido o drawback não se admite que a CND seja exigida no momento do desembaraço aduaneiro, quando há comprovação da regularidade fiscal antes do deferimento do benefício. À guisa de exemplos, confiramse as ementas dos seguintes julgados: (...) Assim, ressoa ilícita a exigência de nova certidão negativa de débito no momento do desembaraço aduaneiro da respectiva importação, se a comprovação de quitação de tributos federais já fora apresentada quando da concessão do benefício inerente às operações pelo regime de drawback.” (destaques no original) Do texto precedente inferese que o julgado é específico para as hipóteses de “drawback”, não sendo possível alargar seu alcance para além dessas situações, sendo, com isso, inaplicável ao caso dos autos o disposto no art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF 343/15). Por derradeiro, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, também não merece censura a decisão recorrida. A teor do art. 61 da Lei nº 9.430/96, os débitos decorrentes de tributos administrados pela RFB serão atualizados pela taxa SELIC, sendo que o emprego da expressão “débitos decorrentes”, a meu sentir, açambarca os consectários vinculados aos tributos, no caso específico, a multa de ofício aplicada, cuja constituição ocorre juntamente com a formalização do crédito tributário correspondente ao tributo, mediante lavratura do competente auto de infração ou mesmo notificação de lançamento. Este raciocínio está alinhado à teleologia do Código Tributário Nacional, quando dispõe, em seu art. 113, § 1º, que a obrigação principal tem como objeto, além da quitação do tributo, o pagamento de penalidade pecuniária, da qual, s.m.j., é espécie a multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, estabelecendo ainda que o crédito tributário decorre da obrigação principal e possui a mesma natureza desta (art. 139), finalizando, no art. 161, que não liquidado – o crédito – na data aprazada, deve ser acrescido dos juros moratórios. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 570 41 Então, cabível a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, a partir do lançamento. Nesse ponto, cumpre anotar que, enquanto não estiver formalizada através de lançamento, por ser a penalidade em questão multa de ofício oriunda de um procedimento de fiscalização, não cabe sua atualização monetária, tanto assim que no instrumento de constituição (auto de infração ou notificação de lançamento) a multa incide exclusivamente sobre o valor histórico do tributo conjuntamente lançado, limitandose os juros moratórios à atualização desta parcela. Todavia, após a formalização do lançamento, tributo e penalidade passam a compor o denominado "crédito tributário integral", devendo este montante submeter se à fluência da taxa SELIC. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. Robson José Bayerl Fl. 590DF CARF MF 42 Declaração de Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Externo na presente declaração as razões de recentemente ter alterado meu posicionamento em relação à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Sobre esse tema, sustentei, reiteradamente, neste colegiado, que não havia incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, em diversos acórdãos, como o de no 3403 002.367, do qual se extraio a argumentação a seguir. O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula no 4 do CARF: “Súmula CARF no 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2o O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei no 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, Fl. 591DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 571 43 calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1o A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2o O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3o Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3o do art. 5o, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei no 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior Fl. 592DF CARF MF 44 ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é “créditos”. Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob o risco de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre as multas aplicadas no lançamento de ofício. Tenho, no entanto, analisado com atenção tanto a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais quanto do Poder Judiciário sobre o tema, não por simples subserviência ou acolhida cega a seus fundamentos, mas para verificar até que ponto é sustentável, jurídica e até logicamente cada um dos posicionamentos. Ciente de que a Câmara Superior de Recursos Fiscais aprecia a matéria de forma diversa, fui buscar, inicialmente, os fundamentos que levaram à conclusão daquele colegiado, para examinar me demoviam do entendimento que vinha sustentando. Verifiquei, para tanto, de início, acórdão recente da CSRF, que usou como fundamentos os artigos 113, 139 e 161 do CTN, e os artigos 43, 44 e 61 da Lei no 9.430/1996: “Esta matéria não é nova no âmbito deste colegiado e reitero as razões que venho utilizando a tempos nos processos de minha relatoria. De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação Fl. 593DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 572 45 principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Nesse sentido é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, no AgRg no Recurso Especial nº 1.335.688PR, relator Ministro Benedito Gonçalves, em decisão de 04/12/2012, assim ementada: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Para confirmar este entendimento é relevante apresentar algumas recentes decisões da CSRF, abaixo transcritas: (...)” (sic) (grifos nossos) (Acórdão no 9303005.042, maioria, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, sessão de 12 abr. 2017) Os ingredientes anexados à discussão no referido acórdão apontam para algo importante, a nosso ver, ainda que o argumento seja usado apenas por analogia: o artigo 43 da Lei no 9.430/1996. Não consideramos em nossa análise inicial o referido artigo 43, por entender que não se aplicava à multa de ofício. Recordese como é desmembrada a Seção V (“Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições”) do Capítulo IV (“Procedimentos de Fiscalização”) da lei: em “Auto de Infração sem Tributos” (art. 43); “Multas de Lançamento de Ofício” (arts. 44 a 46); e “Aplicação de Acréscimos de Procedimento Espontâneo” (art. 47). No art. 43 (geograficamente fora das “Multas de Lançamento de Ofício”) dispõese que: Fl. 594DF CARF MF 46 “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” (grifo nosso) Desse artigo, concluo que a RFB não precisa mais realizar “imputações” de pagamento proporcionais para os pagamentos em atraso, desmembrandoos em principal, multa e juros de mora, pois cada uma dessas quantias pode ser objeto de exigência isolada. Vejase, por exemplo, um pagamento em atraso de R$ 1.000.000,00 (aos quais, v.g., o fisco “imputaria”, à revelia do pagador – que poderia estar a discordar dos acréscimos moratórios –, R$ 200.000,00 a título de multa e R$ 100.000,00, a título de juros de mora, restando R$ 700.000,00 a título de principal). A multa e os juros que deixaram de ser pagos em função do atraso poderiam, após o art. 43, ser exigidos com juros de mora, ainda que a integralidade dos R$ 1.000.000,00 fosse considerada como pagamento do principal. Isso simplificaria a autuação, que não se referiria mais ao principal, mas apenas ao que deixou de ser pago em função do atraso. Tal disposição é absolutamente incompatível com a multa de ofício de que trata o artigo seguinte da lei, e permite tãosomente a incidência de juros de mora sobre a multa de mora, e de juros de mora sobre os próprios juros de mora. No item 23 da Mensagem no 990/96, do Poder Executivo, que acompanha o Projeto de Lei (PL) no 2.448/1996, do qual se origina a da Lei no 9.430/1996, encontramse as razões para a redação do artigo: “23 . O art. 43 possibilita a constituição de crédito tributário relativo apenas aos encargos de multa ou de juros, permitindo sua cobrança administrativa ou judicial e dando materialidade às normas contidas nos artigos subseqüentes (arts. 44 a 46).” (disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra ?codteor=1132081&filename=Dossie+PL+2448/1996) Claro está, aí, que trata o artigo de encargos. Aliás, isso foi bem percebido pelo relator do projeto, na Câmara dos Deputados, Deputado Roberto Brant: “8.7. O art. 43 cobre lacuna existente na legislação federal. Prevê a formalização da exigência de crédito tributário, através de auto de infração ou notificação de lançamento, exclusivamente para cobrança de multa e juros de mora, nos casos em que o tributo ou contribuição social sejam pagos após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. No caso será exigida multa de ofício, como consta do artigo seguinte do projeto. A proposta, além de incutir nos contribuintes maior respeito para com as normas tributárias, simplifica procedimentos operacionais da administração fiscal, já que a lacuna existente vem sendo contornada, administrativamente, por um complexo mecanismo de “imputação de pagamentos”. (sic) (idem) Fl. 595DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 573 47 Assim, não se tem dúvidas de que está o artigo 43 a tratar de lançamento de ofício de multa de mora e de juros de mora. E isso nos afastava de seu teor, na análise de juros incidentes sobre multa de ofício. Entretanto, reconhecemos que ao se lançar valores correspondentes a multa de mora não paga e a juros de mora não pagos, estáse a exigir tais valores de ofício. E que sobre ditos encargos exigidos de ofício incidem indubitavelmente juros de mora. Não se presta o artigo 43 da Lei no 9.430/1996, assim, a afirmar que incidem juros de mora sobre qualquer exigência de multa de ofício, mas tãosomente daquela referida na lei, decorrente de recolhimento a destempo. Isso poupou um bom trabalho da RFB na complexa tarefa de imputação de pagamentos. Também desse artigo se afastou o recente entendimento da COSIT sobre a matéria (Solução de Consulta no 47, de 4/5/2016, que agregou ainda comando do DecretoLei no 1.736/1979). A análise sobre o que se abrangeria na expressão “crédito tributário”, no CTN (incluindo penalidades), encontra obstáculos lógicos de intelecção em diversos dispositivos do próprio Código (v.g., arts. 97, 161 e 164), como mencionamos em nosso recorrente entendimento: “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. (...) Art. 157. A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (...) “Art. 164. A importância de crédito tributário pode ser consignada judicialmente pelo sujeito passivo, nos casos: (...) § 2o Julgada procedente a consignação, o pagamento se reputa efetuado e a importância consignada é convertida em renda; julgada improcedente a consignação no todo ou em parte, cobrase o crédito acrescido de juros de mora, sem prejuízo das penalidades cabíveis. Entretanto, devese ler sistematicamente o CTN, não se entendendo que ao usar a mesma expressão “crédito tributário”, esteja às vezes o legislador a tratar de uma coisa e às vezes de outra. Eis um pressuposto básico da hermenêutica, bem contemplado na lei Fl. 596DF CARF MF 48 brasileira que dispõe sobre o processo de elaboração das leis (art. 11 da Lei Complementar no 95/1998): “Art. 11. As disposições normativas serão redigidas com clareza, precisão e ordem lógica, observadas, para esse propósito, as seguintes normas: (...) II para a obtenção de precisão: (...) b) expressar a idéia, quando repetida no texto, por meio das mesmas palavras, evitando o emprego de sinonímia com propósito meramente estilístico; c) evitar o emprego de expressão ou palavra que confira duplo sentido ao texto;” Cabe ao exegeta corrigir as imperfeições terminológicas da lei, na interpretação dos dispositivos, buscando sua inserção lógica e coerente no sistema normativo. E, com esse escopo, passo aqui a realizar trabalho diametralmente oposto, no mesmo Código Tributário Nacional, buscando artigos nos quais não faça qualquer sentido que a expressão crédito tributário exclua as penalidades, tarefa que é, lamentavelmente (para a precisão do texto), igualmente executada com sucesso. Vejamse, v.g., os artigos 113, 139, 142, 168, 173, 174 e 175: “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (...) Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipótese dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário; (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (...) Fl. 597DF CARF MF Processo nº 10830.726806/201335 Acórdão n.º 3401004.298 S3C4T1 Fl. 574 49 Art. 174. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. (...) Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela conseqüente. (...) (grifo nosso) O artigo 175 é a demonstração mais clara da utilização imperfeita da expressão “crédito tributário”, que deve ser sanada pelo exegeta. Por certo que se a exclusão do crédito tributário abrange a isenção (de tributos em sentido estrito, sem penalidades) e a anistia (abrangendo obviamente as penalidades), “crédito tributário” não se refere inequivocamente só a tributos. Admitir o contrário teria um efeito devastador sobre as restituições (art. 168), que não incluiriam as penalidades indevidamente pagas. Há que se aparar a imperfeição de redação com a adequação dos conteúdos ao sistema. Não tenho dúvidas de que a restituição do “crédito tributário” se aplica indistintamente a tributos e a penalidades, e que qualquer de tais rubricas, se indevidamente recolhidas, enseja restituição com atualização pela Taxa SELIC. Entender que o tributo indevidamente pago deve ser restituído a tal taxa é absolutamente coerente com exigir dita taxa dos tributos devidos a partir de seu vencimento. Da mesma forma, entender que a multa indevidamente paga deve ser restituída a tal taxa é absoluta e logicamente coerente com exigir dita taxa da multa devida a partir do lançamento. Não se afigura plausível, então, a manutenção do posicionamento que venho externando, no sentido de serem indevidos juros de mora sobre a multa de ofício (por não ser esta “crédito tributário”), ao mesmo passo em que reconheço a atualização nas restituições de multas pagas consideradas indevidas (que também são “crédito tributário”). Forçome, assim, a rever, em nome da lógica, e da própria leitura sistêmica dos dispositivos aqui mencionados, tal posicionamento, entendendo serem devidos juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Alinhome, assim, à jurisprudência majoritária da corte superior deste tribunal administrativo, e ao STJ. Na Primeira Seção do CARF, aliás, a matéria foi apreciada unanimemente, recentemente (v.g., Acórdão no 9101002.501, de 12 dez. 2016). São diversos os acórdãos, nas três Seções de Julgamento deste tribunal administrativo, que, no último ano, entenderam pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício (v.g., no 9101002.180, no 9202003.821 e no 9303003.385). Fl. 598DF CARF MF 50 E no STJ, assentase que tal posicionamento reflete o entendimento de ambas as turmas que compõem a Primeira Seção da corte (que trata de matéria tributária): “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMAS QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” (AgRg no REsp 1335688/PR, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 04/12/2012, DJe 10/12/2012) (grifo nosso) Pelo exposto, passo a entender, em interpretação sistemática dos dispositivos que regem a matéria, que incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício lançada. Por fim, noticio que já venho externando esse novo entendimento desde o Acórdão no 3401004.011, no qual atuei como redator designado em relação à matéria. Rosaldo Trevisan Fl. 599DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.720887/2012-96
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2012
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE NÃO CONEHCIDA. INTEMPESTIVADE.
É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão, apresentar manifestação de inconformidade contra o lançamento tributário. Expirado tal prazo, a reclamação administrativa será considerada intempestiva e não será conhecida.
A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (Art.16, III, do DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972).
Numero da decisão: 1001-000.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas em relação à questão sobre a intempestividade da impugnação e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas em relação à questão sobre a intempestividade da impugnação e, no mérito, na parte conhecida, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente).
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INTEMPESTIVADE. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão, apresentar manifestação de inconformidade contra o lançamento tributário. Expirado tal prazo, a reclamação administrativa será considerada intempestiva e não será conhecida. A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (Art.16, III, do DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, apenas em relação à questão sobre a intempestividade da impugnação e, no mérito, na parte conhecida, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) LIZANDRO RODRIGUES DE SOUSA Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues (Relator), José Roberto Adelino da Silva e Lizandro Rodrigues de Sousa (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 08 87 /2 01 2- 96 Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10805.720887/201296 Acórdão n.º 1001000.333 S1C0T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 36 a 105) interposto contra o Acórdão nº 0130.599, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém/PA (fls. 28 a 31), que, por unanimidade, não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL ANOCALENDÁRIO: 2012 Ementa: INTEMPESTIVADE. É facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão, apresentar manifestação de inconformidade contra o lançamento tributário. Expirado tal prazo, a reclamação administrativa será considerada intempestiva e não será conhecida. A impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. (Art.16, III, do DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972). Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Sem Crédito em Litígio" Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: " 1. Tratase de man festação de inconformidade apresentada pelo contribuinte acima identificado contra sua exclusão do SIMPLES NACIONAL a partir de 01/01/2011, determinada pelo ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO DRF/SAE N.444812, DE 01 DE SETEMBRO DE 2010, o qual incluímos no processo às fls.27. 2. O motivo da exclusão foi a existência de Débitos do SIMPLES NACIONAL, com exigibilidade não suspensa, relacionados às fls.27, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Comlementar N.123, de 14 de dezembro de 2006, e na alínea “d” do inciso II do art.3o, combinada com o inciso I do art.5o, ambos da Resolução CGSN n.15, de 23 de julho de 2007. 3. Em sua Manifestação de Inconformidade em 04/04/2012, fl.02/03, o contribuinte alega que: 4. Foi excluído do regime do SIMPLES NACIONAL em 31/12/2010; 5. Que em virtude de ser atividade compatível com o regime e ter cumprido com todas as obrigações e compromissos do mesmo. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10805.720887/201296 Acórdão n.º 1001000.333 S1C0T1 Fl. 4 3 6. Requer sua inclusão retroativa no SIMPLES NACIONAL 2011." Inconformada com a decisão de primeiro grau, que não conheceu da manifestação de inconformidade em razão da extemporaneidade, a ora Recorrente apresentou Recurso Voluntário sem apontar qualquer fundamento jurídico que amparasse as suas pretensões, apenas justificando os débitos em aberto apontados pela fiscalização como resultado de dificuldades financeiras e requerendo a sua reinclusão no SIMPLES. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, no entanto, dele conheço apenas parcialmente. Passo a explicar as razões para o parcial conhecimento. Se faz oportuno salientar que nos casos em que o Recurso Voluntário é interposto contra decisão que não conheceu das razões iniciais oferecidas pelo contribuinte, seja por ocasião de Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, a cognição deve se restringir tão somente aos fundamentos e conclusões que nortearam a decisão de primeira instância pelo não conhecimento da medida processual interposta. Destarte, no caso deste Conselho entender que a decisão de piso errou ao não conhecer do processo, deve se limitar a anular o julgamento de primeira instância e determinar a baixa dos autos para que se realize novo julgamento, desta vez analisando o mérito. Se não for desta forma, qualquer decisão desta instância recursal que se preste a proceder diretamente ao julgamento de mérito, cerne da questão trazida pelo contribuinte, estarseá suprimindo o primeiro grau de jurisdição, situação claramente incompatível com os ditames constitucionais. Assim, sendo exatamente esta a situação concreta dos presentes autos, esclareço que analisarei tão somente as questões que ensejaram o NãoConhecimento da presente medida por parte da DRJ de origem. Superada esta questão, passo à análise do recurso e da decisão ora atacada. Primeiramente, cabe dizer que a Recorrente, tal como já havia feito em sua Manifestação de Inconformidade, não trouxe um elemento ou fundamento jurídico sequer que escore suas pretensões, tampouco apresentou qualquer argumentação que contrariasse os fundamentos esposados pela decisão de piso. Desta feita, por economia processual, tomo a liberdade de aqui reproduzilos: " 8. Primeiramente cabe a delimitação do objeto do processo, sendo este o que está manifestado pelo contribuinte em sua manifestação de inconformidade, fls.02/03, conforme o mesmo expressa: Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10805.720887/201296 Acórdão n.º 1001000.333 S1C0T1 Fl. 5 4 “não se conformando com a exclusão do simples nacional, vem, respeitosamente, no prazo legal, com aparo no que dispõe o art.15 do DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972, apresentar sua impugnação” 9. Quanto ao ato de exclusão, devem ser observados os seguintes pontos: O contribuinte apresenta o pedido de reinclusão no SIMPLES NACIONAL para o anocalendário 2011, mais de um ano após os efeitos da exclusão determinada pelo ato de fls.27. Nesta solicitação apresentada pelo contribuinte, fls.02/03, o mesmo nãoapresenta qualquer argumentação quanto a regularização dos débitos que motivaram sua exclusão do referido regime tributário. Não há qualquer previsão legal para o pedido de inclusão retroativo proposto pelo contribuinte, senão vejamos: 10. Existe um prazo para regularização destes débitos, e no ano calendário 2011, este encerrouse em 31/01/2011, conforme a norma abaixo: Resolução CGSN nº 4, de 30 de maio de 2007 Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o anocalendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do anocalendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. § 1ºA Enquanto não vencido o prazo para solicitação da opção o contribuinte poderá: (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) I regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, sujeitandose ao indeferimento da opção caso não as regularize até o término desse prazo; (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) II efetuar o cancelamento da solicitação de opção, salvo se o pedido já houver sido deferido. (Incluído pela Resolução CGSN nº 56, de 23 de março de 2009) 11. Complementando as razões para o não conhecimento do pedido do contribuinte, ainda que se argumente que tal proposta tinha como referência o Termo de Indeferimento de fls.06/08, mesmo em relação a este indeferimento o pedido apresentado pelo contribuinte não apresenta qualquer argumento relativo ao objeto do impedimento de sua adesão ao SIMPLES NACIONAL 2012, permanecendo não conhecido o mesmo." Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10805.720887/201296 Acórdão n.º 1001000.333 S1C0T1 Fl. 6 5 Conforme se extrai da análise da decisão em tela, o contribuinte apresentou Manifestação de conformidade mais de um ano após o ato que o excluiu do SIMPLES. Outrossim, em nenhuma das duas instâncias apresentou qualquer elemento que tivesse o condão de descaracterizar a patente intempestividade da medida adotada. Ora, não se pode olvidar que, mesmo sob o manto da busca da verdade material, não se pode permitir o completo descaso as normas processuais. Com efeito, da mesma forma que se exige dos órgãos e agentes da administração fazendária respeito à estrita legalidade no tocante aos procedimentos administrativos, em boa parte também se deve exigir o mesmo respeito por parte dos contribuintes. Desta forma, seguindo o entendimento esposado pelo trecho supra colacionado, entendo não ser possível conhecer das pretensões da Recorrente, haja vista a intempestividade já demonstrada de sua manifestação de inconformidade. Por derradeiro, diante de tudo o que foi exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 113DF CARF MF
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