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Numero do processo: 18471.000780/2004-49
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/07/2000 a 31/07/2000, 01/09/2000 a 31/12/2000, 01/02/2001 a 31/03/2001, 01/07/2001 a 31/12/2001, 01/04/2002 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 30/11/2002, 01/01/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003
PIS DECADÊNCIA. SUMULA Nº 8 DO STF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO PRAZO DECADENCIAL DO ARTIGO 173, I, CTN. ARTIGO 62A, RICARF.
Sendo declarado inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/91 com a edição da Súmula nº 8 do E. STF, o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos de PIS/Pasep, não tendo havido qualquer pagamento, conta-se a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-000.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os períodos 08 a 11/98. Vencida a Conselheira Magda Cotta Cardozo, que dava provimento integral..
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Júnior, Paulo Sérgio Celani, Maria Adelaide Carreiro Gonçalves de Aquino. Ausente justificadamente Andreia Dantas Lacerda Moneta.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Relator
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SUMULA Nº 8 DO STF. AUSÊNCIA DE PAGAMENTO PRAZO DECADENCIAL DO ARTIGO 173, I, CTN. ARTIGO 62A, RICARF. Sendo declarado inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/91 com a edição da Súmula nº 8 do E. STF, o prazo para a Fazenda Nacional constituir créditos de PIS/Pasep, não tendo havido qualquer pagamento, contase a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para excluir os períodos 08 a 11/98. Vencida a Conselheira Magda Cotta Cardozo, que dava provimento integral.. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado ad hoc. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 07 80 /2 00 4- 49 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 18471.000780/200449 Acórdão n.º 3801000.411 S3TE01 Fl. 138 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Magda Cotta Cardozo, Flávio de Castro Pontes, Arno Jerke Júnior, Paulo Sérgio Celani, Maria Adelaide Carreiro Gonçalves de Aquino. Ausente justificadamente Andreia Dantas Lacerda Moneta. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 18471.000780/200449 Acórdão n.º 3801000.411 S3TE01 Fl. 139 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 36 a 46 contra a contribuinte em epígrafe, relativo à diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, referente aos períodos entre agosto de 1998 e outubro de 2003 relacionados às fls. 37 a 39, no valor de R$31.611,76 incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/06/2004. Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 37) a autoridade lançadora registra que: a) A fiscalizada, intimada, apresentou as planilhas com as bases de cálculo do PIS e da COFINS do período de 1998 a 2003; b) Através do confronto entre os valores informados nas planilhas apresentadas e as informações nos sistemas da SRF referentes aos pagamentos efetuados e valores declarados em DCTF foram apuradas diferenças nos Demonstrativos da Situação Fiscal apurada; c) Observese que em diversos períodos a empresa deixou de efetuar recolhimentos destes tributos, porém, como estavam devidamente declarados em DCTF e sem diferenças nas bases de cálculo, não foi efetuado o lançamento de ofício nestes casos. O enquadramento legal citado no Auto de Infração foi: artigo 77, III, do Decretolei 5.844/43; artigo 149 da Lei 5.172/66; artigos 1° e 3', alínea "b" da Lei Complementar n° 7/70; artigo 10, parágrafo único, da Lei Complementar 17/73, Título 5, capítulo 1, seção 1, alínea "b", itens 1 e II, do Regulamento do PIS/PASEP, aprovado pela Portaria MF 142/82; artigos 2°, I, 30, 8°, I e 90 da Medida Provisória 1.212/95 e suas reedições, convalidadas pela Lei 9.715/98; artigos 2°, I, 30, 80, I e 9' da Lei n° 9.715/98; artigos 2' e 30 da Lei a' 9.718/98; arts. 2°, 1, alínea "a" e parágrafo único, 3', 10, 26, e 51 do Decreto 4.524/02. A base legal da multa de ofício e dos juros de mora exigidos consta em fl. 46. Após tomar ciência da autuação em 14/07/2004 (fl. 36), a empresa autuada, inconformada, apresentou a impugnação de fls. 49 a 51 em 13/08/2004 alegando em síntese que: a) Não será objeto da presente impugnação a discussão relativa ao período de 2000 em diante, uma vez que a ora impugnante pretende adimplilos tão logo possível; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 18471.000780/200449 Acórdão n.º 3801000.411 S3TE01 Fl. 140 4 b) O direito da Fazenda de lançar o crédito tributário relativo ao exercício de 1998 extinguiuse com o término do ano de 2003, ou seja, cinco anos após o exercício seguinte à ocorrência do fato gerador, nos termos do artigo 173 do CTN; c) Requer seja julgada procedente a presente impugnação para declarar insubsistente o auto de infração e o lançamento dele decorrente relativamente ao exercício de 1998. A Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ), às fls. 85/89, proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/07/2000 a 31/07/2000, 01/09/2000 a 31/12/2000, 01/02/2001 a 31/03/2001, 01/07/2001 a 31/12/2001, 01/04/2002 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 30/11/2002, 01/01/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003 PIS. DECADÊNCIA. Tendo sido constituído o crédito Tributário dentro do prazo de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, não se caracteriza a decadência. Lançamento Procedente Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso de fls. 98 a 111, no qual alega, em síntese, que o prazo decadencial a ser aplicado na constituição do crédito tributário relativo a contribuição para o PIS é de cinco anos a contar do fato gerador, colacionando jurisprudência nesse sentido e, ainda, a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91. É o Relatório. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 18471.000780/200449 Acórdão n.º 3801000.411 S3TE01 Fl. 141 5 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges Redator Designado Ad Hoc. Deixo consignado, de plano, que fui designado redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, conforme despacho abaixo colacionado, fls. 136. Tendo sido constatado pela Secretaria da Câmara que o acórdão referente ao processo acima especificado está pendente de formalização e com base na atribuição deferida pela art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 RICARF, designo o Conselheiro Marcos Antônio Borges redator ad hoc para formalizar o Acórdão nº 3801 00.411,de 04/2010, tendo em vista que o relator, Conselheiro Arno Jerke Júnior, não mais compõe o colegiado O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A questão posta em discussão em sede de recurso voluntário cingese ao prazo decadencial a ser aplicado ao PIS e outras contribuições. No que tange à decadência, devemos analisar a Lei 8.212, de 24/07/1991, que trata da organização da Seguridade Social e institui o respectivo Plano de Custeio, que no seu art. 45 assim dispunha: Art. 45. O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, a constituição de crédito anteriormente efetuada. O STF já manifestou reiteradamente o entendimento de que o PIS é um tributo da espécie contribuição social para a seguridade social, assim acolhido nos arts. 194, 195, 201, inciso IV, e 239, todos da Constituição Federal de 1988, o que o faria obedecer ao disposto no retrocitado artigo. No entanto, a partir de diversos precedentes, o STF editou a Súmula Vinculante 08 (DOU de 20/06/2008), que foi envasada nos seguintes termos: Súmula Vinculante 08 do STF São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 18471.000780/200449 Acórdão n.º 3801000.411 S3TE01 Fl. 142 6 Neste sentido, há de se observar o artigo 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010, que dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemática da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Registrese, finalmente, que a própria regra estatuída nos arts. 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/1991, encontrase hoje expressamente revogada pelo disposto no art. 13, inciso I, alínea “a”, da Lei Complementar 128, de 19/12/2008: Art. 13. Ficam revogados: I – a partir da data de publicação desta Lei Complementar: a) os arts. 45 e 46 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991; (...) Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei 8.212/91, para fins de cômputo do prazo de decadência para lançamento de ofício, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art.. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo de 5 (cinco) anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;. No caso em tela, a recorrente foi cientificada dos lançamentos em 14/07/2004, relativos as contribuições cujos períodos de apuração se deram nas datas de 01/08/1998 a 31/08/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998, 01/03/2000 a 31/03/2000, 01/05/2000 a 31/05/2000, 01/07/2000 a 31/07/2000, 01/09/2000 a 31/12/2000, 01/02/2001 a 31/03/2001, 01/07/2001 a 31/12/2001, 01/04/2002 a 30/04/2002, 01/06/2002 a 30/06/2002, 01/08/2002 a 30/11/2002, 01/01/2003 a 31/05/2003, 01/07/2003 a 31/08/2003, 01/10/2003 a 31/10/2003. Portanto o direito da autoridade administrativa efetuar o lançamento de ofício das contribuições cujos períodos de apuração ocorreram entre 08/98 a 11/98, já havia sido atingido pela decadência no momento da ciência do Auto de Infração. Isto posto, encaminho meu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir os períodos 08 a 11/98. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 18471.000780/200449 Acórdão n.º 3801000.411 S3TE01 Fl. 143 7 Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 11/06/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/05/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
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Numero do processo: 10855.003502/99-16
Data da publicação: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2005
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO SANADA COM MODIFICAÇÃO DA DECISÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabe retificar o Acórdão embargado, quando constatada contradição na decisão que, por um lado, decidiu que a Convenção firmada entre o Brasil e França em 1971 não abrange a Cofins, mas, por outro, concluiu pela não incidência da Contribuição nos períodos de apuração de abril de 1996 a dezembro de 1996 com fundamento em Consulta respondida favoravelmente ao contribuinte, que por sua vez condiciona a não incidência à existência de Acordo ou Tratado Internacional entre o país sede da empresa e o Brasil. Sanada a contradição e constatada que a condição imposta pela Consulta não foi satisfeita, acolhem-se os embargos dando-lhes efeitos infringentes para modificar a decisão.
COFINS. ISENÇÃO. CONVENÇÃO ENTRE BRASIL E FRANÇA PARA EVITAR A DUPLA TRIBUTAÇÃO DE IMPOSTOS SOBRE O RENDIMENTO. DECRETO Nº 70.506/72. COFINS. NÃO ABRANGÊNCIA. Não se aplica à Cofins a isenção prevista na Convenção para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre o Rendimento, firmada entre o Brasil e a França e promulgada pelo Decreto nº 70.506/72, após aprovação pelo Decreto Legislativo nº 87/71, por ser restrita ao Imposto sobre a Renda.
Embargos providos, com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 203-10507
Nome do relator: Não Informado
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". 21 CC-MF - '4 ir-z,:. vi . Ministério da Fazenda.. a Fl. Segundo Conselho de Contribuintes .•:,(Y>'....- Processo n': 10855.003502/99-16 Recurso n° : 124.243 mdeFputssegundo Corin_nselho decialon dalnub:Altonotes Acórdão n° 203-10.507 Rubrica 411.• .e-- Recorrente : RAMIRES DIESEL LTDA. Recorrida : DRJ em Ribeirão Preto - SP EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SANADA „A COM MODIFICAÇÃO DA DECISÃO. EFEITOS . INFRINGENTES. Constatada omissão relativa à análise dos valores necessários à execução do julgado, ponto sobre o qual o Acórdão embargado necessariamente deveria ter se pronunciado, cabe completá-lo. Verificado que os valores necessários ao recalculo do lançamento não foram apurados pela autoridade lançadora, acolhem-se os Embargos dando-lhes efeitos infringentes para anular o lançamento. PIS. BASE DE CÁLCULO E SEMESTRALIDADE. VALORES NECESSÁRIOS AO RECÁLCULO NÃO APURADOS PELA AUTORIDADE AUTUANTE. NULIDADE DO LANÇAMENTO. O recalculo do lançamento, com vistas à aplicação da semestralidade do PIS nos termos da interpretação que afinal prevaleceu para o parágrafo único do i art. 6° da Lei Complementar n° 5, somente é possível com utilização de valores apurados pela fiscalização. Constatado que os valores necessários ao recalculo não foram levantados pela autoridade autuante, face à impossibilidade de que tais valores sejam levantados pela autoridade executora do Acórdão, é anulado o lançamento. Embargos providos, com efeitos infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes Embargos de Declaração interposto por: RAMIRES DIESEL LTDA. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em conhecer e dar provimento aos Embargos de Declaração para dar-lhe efeitos infringentes no Acórdão n° 203-09.794, nos termos do voto do Relator. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2005. . ,0 „dal_ toni.01 - erra Netoté MINISTÉRIO DA FAZENDA 2° Conselno ;24, Contribuintes Presiden , _falo CONFERE COM O OMINA). gie- -4-4Wa' Brasília, 07 ,O2/ (21-0...... -e çe ..-- de uel C, e Rn • liti Tr. de . sis-, VISTO Relator Participaram, ainda, do pres .:, te jul ti ento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Maria Teresa Martinez López, esar Pi tavigna, Sílvia de Brito Oliveira, Valdemar Ludvig e Francisco Maurício R. de Albuquer, ue Silva. 1 CC-MF • - Ministério da Fazenda nt " ! r n. "fn ir Segundo Conselho de Contribuintes t---Vf•-•;a: - Processo n2 : 10855.003502/99-16 Recurso n2 : 124.243 Acórdão n° : 203-10.507 Embargante : RAMIRES DIESEL LTDA. RELATÓRIO • Tratam-se dos Embargos de Declaração de fis. 137/138, tempestivos (fls. 136/137), interpostos pelo contribuinte contra o Acórdão n°203-09.794 (fls. 117/121). Alega o embargante que o Acórdão gerou interpretação contraditória e obscura. Tanto assim que o órgão de origem apurou diferenças a lançar, por ter considerado como bases de cálculo dos períodos de apuração lançados valores do sexto mês anterior. Aduz que, se no julgamento do Recurso Voluntário foi reconhecido que a base de cálculo adotada no lançamento estava errada, nulo é o lançamento. Afirma que para adotar outra base de cálculo deve ser efetuado novo lançamento. Requer, ao final, seja declarada expressamente a impossibilidade de cobrança do PIS com utilização da nova base de cálculo, sob pena de o Recurso Voluntário, a que se deu provimento, implicar em prejuízo à recorrente (reformatio in pejus). Após parecer favorável ao recebimento, os Embargos foram admitidos e vieram a esta Câmara para julgamento. É o relatório. MINISTÉRIO DA FAZENDA r Consetho de Contribuintes CONFERE CAM O ORIGINAL Brasília 07 1 02.1 ele VISTS • 2 „ g h, 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. Segundo Conselho de Contribuintesti Processo nt : 10855.003502/99-16 Recurso n2 : 124.243 Acórdão n° : 203-10.507 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS O Acórdão em questão, na sua parte dispositiva, admitiu "a semestsalidade na forma da LC n° 7/70, procedendo-se ao cálculo do PIS com base no faturamento do sexto mês anterior ao do fato gerador, sem correção monetária no intervalo dos seis meses.” O órgão de origem, interpretando corretamente a decisão, considerou que aos períodos de apuração mantidos - meses 02/95 a 05/95, levando-se em conta a decisão da DRJ, que cancelou o período de apuração 01/95 -, devem corresponder, respectivamente, as bases de cálculos dos meses 08/94 a 11/94. Todavia, para proceder ao recálculo empregou valores não apurados pela fiscalização. Como assentado no Despacho Sacat/DRF Sorocaba n° 33/2005 (fl. 139), as novas bases de cálculo foram levantadas por meio de pesquisa no sistema IRPJ da DIRPJ/1995, ano-calendário 1994, entregue pelo interessado (fl. 127). Como os novos valores da Contribuição apurados na execução do Acórdão são superiores aos do lançamento, o órgão de origem representou à Seção de Fiscalização, visando o lançamento das diferenças apuradas. Quanto aos valores lançados, prosseguirá na cobrança. O procedimento adotado pelo órgão de origem, embora de acordo com o Acórdão, no que se utilizou de valores não constantes do lançamento acarretou dúvida que compete a esta Câmara esclarecer. Carece seja respondida a seguinte questão: pode o órgão de origem, com vistas à aplicação da semestralidade determinada, empregar tais valores? A resposta é negativa: ao órgão de origem é vedada a utilização de valores não constantes do lançamento. Permitir o emprego dos dados extraídos da DIRPJ e não constantes do lançamento implicaria em alteração substancial deste, de modo ilegal. Os valores das bases de cálculo, em vez de apuradas pela autoridade lançadora, estariam sendo levantadas pela autoridade encarregada de executar o Acórdão, num procedimento não autorizado pela legislação. Ainda que tais valores constem de declaração entregue pelo contribuinte, caberia ao fiscal autuante levantá-las, nunca à autoridade executora do Acórdão. Constatada a impossibilidade de o procedimento adotada pelo órgão de origem na execução do Acórdão, cabe observar que houve omissão na decisão embargada, no que não verificou que os valores das bases de cálculo nos meses de 08/94 a 11/94, correspondentes aos fatos geradores 02/95 a 05/95, não constavam do lançamento. Sanar tal omissão, agora, leva à sua nulidade, posto que tais valores não podem ser obtidos depois de julgado o Recurso Voluntário. Daí o acolhimento dos presentes Embargos, dando-lhes efeitos infringentes para se anular o lançamento. Pelo exposto, acolho os Embargos para sanar a omissão e, completando o Acórdão, modificar a decisão e anular o lançamento. Sala das Sessões, em 20 de outubro de 2005. MI NISTÉVO . DcAuFpzulutirrimsDA. 20 OnSiO -e-411a---1111$414. E 4 4,010-01'101,450.,-.4 s ' • P E ASSIS CsOraNsFuEi EoCcil 01217.L10HA661 VIST 3 Page 1 _0002900.PDF Page 1 _0003000.PDF Page 1
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CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° : 11080.007833/88-71 Recurso n° : RP/105-0.224 Matéria : IRPJ Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : 5' CÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo: ALBERTO PULLA FILHOS & CIA LTDA Sessão de : 13DE JULHO DE 1998 Acórdão n° : CSRF/G1 -92.444 I R PJ — Somente se consideram interligadas duas empresas quando há identidade total dos sócios, quando houver disposição neste sentido no contrato social, ou ainda quando uma das sociedades participar do capital social de outra. Nos autos não restou configurada quaisquer destas hipóteses, razão porque há que se manter o acórdão recorrido quanto à exclusão da tributação das receitas omitidas pela Joalheria Alberto LTDA. Recurso conhecido e improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por .maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Dimas Rodrigues de Oliveira (Relator). Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Wilfrido Augusto Marques. ON PER ",.-1 •:,° • ODRIGUES PRESIDEN,,r WILFRIDO ' ' GUST* M ' ' QUES RELATOR - DESI ADO FORMALIZADO EM: 10 OU r- 2000 Processo n° : 11080.007833/88-71 Acórdão n° : CSRF/01-02.444 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CELSO ALVES FEITOSA, ANTONIO DE FREITAS DUTRA, FRANCISCO DE PAULA C. C_ GIFFONI, CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE, T FILA MARIA SCHERRER LEITÃO (Ausência Justificada) NEISON MALLMANN (Suplente Convocado), REMIS ALMEIDA ESTOL, VERINALDO HENRIQUE DA SILVA, AFONSO CELSO mATTos LOURENÇO, FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QUEIROZ, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. z/ Processo n°. : 11080.007833/88-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.444 Recurso n°. : RP/105-0.224 Recorrente : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO O D. Procurador Representante da Fazenda Nacional junto à Colenda Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, com base no disposto no inciso I, do Decreto n° 83304, de 28/03/79, interpõe Recurso Especial a esta Instância Superior buscando a reforma do Acórdão n° 105-05.696, de 22 de maio de 1.991, apelo que logrou seguimento nos termos do Despacho de fls. 174, exarado pelo I. Presidente do precitado Colegiado em data de 25/08/95, após ter analisado apenas aspecto relacionado com a sua tempestividade. 2. Regularmente cientificado em 04.12.91 do decido no Acórdão precitado, bem assim, do recurso interposto pelo representante da Fazenda Nacional, se insurge o Sujeito Passivo contra a parte da exigência mantida pela decisão de segunda instância e, tempestivamente, em 16/12/91, apresenta o Recurso Especial de Divergência de fls. 177 a 180, bem assim, as Contra-Razões de fls. 181 a 183 ao Recurso da Fazenda Nacional. 3. O Recurso Fazendário contesta tão-somente a matéria relacionada com a omissão de receita caracterizada pela falta de registro de serviços prestados a empresa interligada, entendendo o seu autor, que a recorrente, como pessoa jurídica tributada com base no lucro real, se utiliza do artifício de contabilizar os custos dos serviços prestados, ao mesmo tempo em que registra as receitas na interligada que é tributada com base no lucro presumido e que não possui infra- estrutura para a prestação dos ditos serviços, contrariamente à recorrente que mantém oficina e funcionários para esse fim, e que presta serviços à interligada sem qualquer título gratuito, o que caracteriza, segundo entende, o desvio de receitas para a empresa optante pela tributação mais favorecida. Processo n°. : 11080.007833/88-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.444 4. O Recurso de Divergência interposto pelo Sujeito Passivo não logrou ter seguimento diante da negativa apresentada pelo 1. presidente da Câmara recorrida, sob os fundamentos de que descumpridas as exigências regimentais para sua admissibilidade, quais sejam, a falta de indicação de decisão divergente, sua comprovação e fundamentação, bem assim, falta de apresentação de cópia autêntica de inteiro teor da decisão paradigma ou da publicação de até duas ementas de julgados divergentes. É o relatório. 4 e(i7 Processo n°. :11080.007833/88-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.444 VOTO VENCIDO Conselheiro DIMAS RODRIGUES DE OLIVEIRA - RELATOR O Recurso atende os pressupostos para sua admissibilidade. Dele Conheço. 2. Consoante relatado, após ter o I. Presidente da Câmara recorrida negado seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, remanesce a discussão perante esta Egrégia Câmara, tão-somente a matéria relacionada com a omissão de receita objeto do recurso interposto pelo Representante da Fazenda Nacional. 3. O lançamento fiscal neste particular, decorreu da constatação de que empresa optante pela tributação com base no lucro presumido, integrante do mesmo grupo societário da recorrente, que é tributada com base no lucro real, auferia regularmente receitas provenientes de prestação de serviços de conserto e fabricação de óculos, jóias e relógios, sendo que tais serviços, em realidade, eram prestados pela autuada à sua interligada a título gratuito, suportando os correspondentes custos com material, manutenção de oficina e de funcionários pagos para esse fim, infra-estrutura esta, conforme provado nos autos, inexistente na interligada que auferia as ditas receitas. 4. A decisão recorrida considerou insubsistente a exigência relacionada com tal matéria por entender que as receitas foram efetivamente auferidas pela empresa JOALHERIA ALBERTO LTDA (interligada), conforme registrado no seu Livro de Registro Especial do Imposto Sobre Serviços de Qualquer z‘,67, Processo n°. : 11080.007833/88-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.444 Natureza, decorrendo portanto, de contratações por ela realizadas com seus clientes e não pela autuada. 5. Ao desenvolver seu raciocínio, o relator do voto condutor da decisão recorrida assevera que verbis: "...é usual a transação descrita, a exemplo do que ocorre nas chamadas industrializações por encomenda, em que as empresas comerciais contratam com as empresas industriais a realização de operações de industrialização por conta das primeiras. Observe-se, a propósito, que o pagamento do serviço ou da mercadoria é feito pelo consumidor à empresa comercial, que fica obrigada a oferecer a receita à tributação do imposto de renda. No caso, caberia à autoridade fiscal realizar a glosa do custo dos serviços prestados gratuitamente à empresa interligada à luz do disposto no art. 191, do RIR/80, e não tributar a receita auferida por ela." 6. É contra esse entendimento que se insurge o D. Representante da Fazenda Nacional, aduzindo que por não ter a autuada auferido qualquer receita nas operações, e por ser ela tributada pelo lucro real enquanto que a interligada é optante pela tributação com base no lucro presumido, na realidade o que aconteceu foi a utilização de artifício montado para aproveitar custos na autuada e desviar receitas para a empresa com tributação simplificada, cujo resultado fiscal independe da apuração de custos. 7. A autuada, conforme deixou consignado na peça impugnatória (fls. 52), bem assim no recurso voluntário, admite que nunca reconheceu as receitas de tais operações realizadas com a sua interligada, a teor das suas próprias palavras grafadas às fls. 157 (peça recursal): "Ora, Senhores Conselheiros, como poderia a empresa autuada fazer o lançamento de receitas que na verdade jamais foram cobradas da outra empresa, posto que, como foi afirmado na defesa administrativa apresentada, por serem empresas coligadas, pertencentes a um mesmo grupo econômico, a recorrente jamais cobrou pelos serviços prestados." (Grifei) 6 Processo n°. : 11080.007833/88-71 Acórdão n°. : CSRF/01-02.444 8. A questão me parece simples. A glosa de custos sugerida pelo i. Relator do voto contestado se me afigura inviável, posto que realizados de conformidade com os objetivos da sociedade, atendidos portanto, todos os pressupostos legais para seu cômputo no resultado fiscal da pessoa jurídica. Por outro lado, em que pese o brilhante raciocínio desenvolvido pelo douto Relator ao ilustrar seu voto com a industrialização por encomenda, lhe passou despercebido o fato de que também é usual e normal nessas circunstâncias o auferimento de receitas pela empresa industrial quando executa as encomendas, receitas estas que por força de lei devem ser oferecidas à tributação pelo imposto de renda, o que efetivamente inocorreu na hipótese dos autos. Assim, pode-se resumir o procedimento da autuada a um simples artifício engendrado com o propósito de fuga à tributação, configurando clara manifestação de liberalidade da pessoa jurídica ao abrir mão de suas receitas em favor de terceiros, ainda que esse terceiro seja integrante do mesmo grupo econômico, pois, mesmo nessas condições, as respectivas aziendas não se confundem. 9. A toda evidência pois, ao deixar de registrar as correspondentes receitas, infringiu a autuada, conforme indicação contida às fls. 03, dispositivos da legislação tributária que lhe impunham tal obrigação 10. Por essas razões e por tudo mais que dos autos consta, entendo deva ser modificada a r. decisão recorrida em relação à matéria analisada desta feita, pelo que voto no sentido de DAR provimento ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões - DF, em 13 de julho de 1998 )DIM* I _ •• OLIVEIRA 7 , , , Processo n' : 11080.007833/88-71 , Acórdão n° : CSRF/01-02.444 , ,, , VOTO VENCEDOR , CONSELHEIRO WILFRIDO AUGUSTO MARQUES, RELATOR DESIGNADO , , O recurso é tempestivo, tendo sido interposto por parte , legítima e preenchidos os requisitos de admissibilidade, razão- parque dele tomo conhecimento. ,, , 1 , Aduz o Procurador, em seu Recurso Especial, serem interligadas as empresas Alberto Pulla Filhos ez CIA LTDA e Joalheria ' Alberto LTDA com objetivo de evasão fiscal. A interligação estaria caracterizada a partir do controle comum das empresas- ,,,,, No exame das provas provas carreadas aos autos, contudo, , , não se vislumbra a alegada interligação. Com efeito, para que tal hipótese , restasse configurada necessário seria que houvesse identidade total entre , , os sócios de ambas as empresas ou que houvesse disposição específica , neste sentido nos respectivos contratos sociais. À fls. 26, contudo, constata-se que eram sócios da empresa fiscalizada os Senhores Alberto , Pulla, Renato Casagrande Pulla, Roberto Pulla e a Senhora Odalea Maria J. , , C. Pulla. Embora a fiscalização não tenha colacionado o contrato social da , ' Joalheira Alberto LTDA, única prova hábil a evidenciar a identidade dos sócios da empresa, verifica-se que à fis. 77 o relatório indica que a sociedade seria formada pelos Senhores Renato Casagrande Pulla, Alberto Pulla e Alberto Pulla Filho. Presumindo-se a veracidade das informações descritas no relatório - embora, ressalte-se, não tenha a fiscalização cuidado de comprovar a formação da sociedade Joalheria Alberto LTD_A - ainda assim depreende-se que a identidade dos sócios é apenas parcial, não restando i Processo n° : 11080.007833/88-71 Acórdão n° : CSRF/01-02.444 configurada a coligação das empresas, mas sim a distinção das mesmas, inclusive com regimes jurídicos diversos. A autoridade fiscal de Primeira Instância, ao proferir sua decisão, partiu do pressuposto de que as pessoas jurídicas em comento teriam os mesmos sócios (fls. 150). Tal afirmação, contudo, não procede, tendo em vista que a própria fiscalização constatou não haver completa identidade. Em suas razões de decidir assevera, ainda, que "são coligadas as sociedade quando uma participa com 10% ou mais, do capital da outra, sem controlá-la (art. 243, 51 0, da Lei "a° 6.404176); e quauto a grupo ecouomis-o, as regras constam dos artigos 265 a 277 da Lei n° 6.404/76." Data venia, a aludida norma legal dispõe sobre as sociedades por ações, tendo aplicação subsidiária somente quanto ao contrato social das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, consoante lição abaixo transcrita extraída da obra Manual de Direito Comercial de Fábio Ulhoa Coelho: "Mais especificamente, quando se tratar de constituição ou dissolução, a disciplina legal vigente em relação à sociedade limitada é a prevista no Código Comercial, por força do disposto no art. 2 0 do Decreto n. 3.708119, que expressamente se reporta aos arts. 300 e 302 do CCom. Nos demais assuntos, sendo omisso o Decreto n. 3.708/19, observar-se-á o que dispuser o contrato social e, em sendo omisso também este, aplicar- se-á a legislação do anonimato (presentemente, a Lei n. 6.404/76 ,), por força do preceituado no art. 18 do Decreto n. 3.708, de 1919. Observe-se bem que o dispositivo mencionado não elege a Lei das Sociedades Anônimas como supletiva da disciplina legal da sociedade limitada, mas do seu contrato social. Assim, os sócios poderão pactuar cláusula divergente de disposição contida na Lei n. 6.404/76, uma vez que esta somente terá vi , ência em rela ão às sociedades limitadas na hipótese de omissão do ato constitutivo. A solução seria diferente, evidentemente, se o legislador houvesse tomado a Ofi Processo n° : 11080.007833/88-71 Acórdão n° : CSRF/01-02.444 legislação do anonimato como diploma supletivo do Decreto n. 3.708/19." Não é o caso, portanto, de aplicação da referida Lei. Entretanto, ainda que tal fosse possível, não estaria a hipótese subsumida aos termos do parágrafo 1°, do artigo 243, que assim prescreve: "Art. 243. O relatório anual da administração deve relacionar os investimentos da companhia em sociedades coligadas e controladas e mencionar as modificações ocorridas durante o exercício. 51" São coligadas as sociedades quando uma participa, com 10% (dez por cento) ou mais, do capital da outra, sem controlá-la" Ora, verifique-se que não há qualquer participação da empresa fiscalizada no capital social da joalheria Alberto LTDA. Tratando-se de pessoas jurídicas, não se considera a pessoa dos sócios, mas apenas a sociedade. Assim, o fato de estarem presentes em uma e outra sociedades os sócios Alberto Pulla e Renato Casagrande Pulla não caracteriza a existência de sociedades interligadas, ainda que in casu se aplicasse a indigitada Lei. Pacificada a questão atinente à inexistência de interligação entre a empresa fiscalizada c a Joalheria Alberto LTDA, impende analisar o procedimento da fiscalização. Participo do entendimento do Conselheiro Relator, José Roberto Moreira de Melo, esposado no acórdão recorrido. Com efeito, entendo que andou mal a fiscalização ao tributar a receita auferida pela empresa Joalheria Alberto LTDA (fls. 08). Em verdade, deveria ter sido realizada somente a glosa dos custos dos serviços prestados gratuitamente, à luz do que dispõe o artigo 191 do RIR/80. jiy Processo n° : 11080.007833/88-71 Acórdão n° : CSRF/01-02.444 Portanto, ainda que se admitisse a hipótese de interligação das empresas, impossível haver tributação de uma pessoa jurídica com fundamento em receita auferida por outra, com regime de tributação diverso. Não é possível usar a receita de uma para tributar a outra, sob a alegação de omissão de rendimentos. ANTE O EXPOSTO conheço do Recurso Especial e nego-lhe provimento. É o voto. Sala das Sessões — DF, em 13 de julho de 1998 - , WI RIDO UGUS (70,/' R ES'-'4911( Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1
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II - Emissão da GI após chegada da mercado ri.a ao país, mas antes do registro d -a- , respectiva declaração de importação, momento do fato gerador do imposto (art. 23 do Decreto-lei n9 37/66). III- Caracterizado embarque da mercadoria no exterior antes de emitida a GI e não importação sem GI ou documento equi_ valente. ,Infração punida na forma do inciso VI do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. IV -- Negado provimento ao Recurso da Pro- curadora da Fazenda Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar opresente julgado. 'as S-ssifies (DF) , em 27 de setenibro de 1991. •/ , "-.,.í_/ •.• • zE ,i, 47 í ' - P RE SIDENTE d'e ----- „ U-LDO/ÇAmy ELO -- RELATOR „ IRAN DE LIMA - PROCURADOR DA FAZENDA NACI.5), ..... . DAMEFP/OF- 3ECO9 èi -. 084/90 J.H V.V. Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselheiros: ITAMAR VIEIRA DA COSTA, FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, JOSÉ ALVES DA FONSECA, JOÃO HOLANDA COSTA, PAULO AFFONSECA DE BARROS FARIA JONIOR e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Presente ao julgamento o advogado da inte- ressada, Dr. Jurge de Souza Ramalho - OAB/SP n9 76.418 - A/84, ei PROCE5S0 N 2 10283/003823/90-14 RECURSO N 2 RP/ 303-1.088 ACORDÂO CSRF/03-01.910 RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL RECORRIDA : 3 2 CÂMARA DO 3 2 CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: GRADIENTE INDUSTRIAL S/A RELATÓRIO Por ocasião do julgamento do recurso voluntário interpos to pela empresa em referncia, acordaram os membros da Cãmara julga- dora em prover parcialmente o apelo para, reconhecendo a ccorrncia da infração acusada nos autos, substituir a penalidade imposta quando dá autuação pela prevista no inciso VI do artigo 526 do RA. Tendo assim decidido, manifesta a recorrida o entendimen to de que a emissão de Guia de Importação posterior ao embarque da mercadoria no exterior, e no caso, apOs o ingresso da mercadoria im- portada no territOrio nacional, não tipifica a hip q tese infracioná- ria descrita no inciso II do já mencionado art. 526. Com vistas à reformulação desta decisão, a -Procuradoria da Fazenda Nacional vem nos autos deste processo da mesma recorrer, para ver restabelecida a penalização na forma em que foi proposta no auto de infração. Afirma, preliminarmente, a recorrente que o ac6rdão re- corrido contraria a legislação vigente, uma vez que a autuada impor- tou mercadoria estrangeira cujo ingresso no territbrio nacional efe- tivou-se antes da emissão da Guia de Importação ou documento equiva- lente, ocasião em que, dá-se por ocorrido o fato gerador do Imposto de importação, conforme o disposto no art. 19 do CTN, c/c o art. 86 do RA. Reportando-se às razões expostas pelo contribuinte no recurso voluntário, lembra que este alegou mudança de orientação ado tada pela repartição aduaneira, e pediu que, alternativamente à re- forma total da decisão singular, fosse, pelo menos como era de cos- tume, aplicada a penalidade do art. 526, 22, inciso I e II. Contesta a recorrente que tal proposição não pode ser aceita, posto que a ningum é dado desconhecer a lei. Argumenta que as datas da entrada da mercadoria e da emissão da GI são do inteiro conhecimento do importador, que a Guia de Importação é documento cuja essencialidade, no caso da Zona Fran- N.S\ f r AcOrdão n9-CSRF/03-01.910 .2 ca de Manaus, verifica-se no art. 35 do D.L. 1455/76, regulamentado pela Portaria Interministerial ri P 192/76 que determina a sujeição à emissão de G.I., anteriormente ao embarque no exterior, para a impof tação de produtos destinados àquela Zona Franca. Complementando, a Portaria 89/85 estabelece que a emissão tardia da GI, conquanto não exclua os benefícios fiscais previstos no DL n g. 288/67, tampouco dis pensa a aplicação das penalidades cabíveis. Prossegue para afirmar que a apalicação da multa não corresponde a um tratamento diferenciado, como quer a defendente, mas sim de fato material sabido e comprovado - importação de mercado ria sem cobertura de Guia de Importação ou documento equivalente - que constitui a infração tipificada no inciso II do art. 526 do RA. Defende a recorrente que a penalidade descrita no inciso VI desse mesmo dispositivo tem por alvo a infração consistente na emissão da GI após o embarque da mercadoria no exterior porém, ante- riormente ao seu ingresso no território nacional, momento da ocorren cia do fato gerador do II, nos termos do parágrafo único do art. 1Q do D.L. 37/66. A emissão da G.I. após a entrada da mercadoria no país atende apenas à formalização do despacho aduaneiro, mas não elide a infração já caracterizada. Em suas contra•alegações, o sujeito passivo traz, ini- cialmente, em sua defesa o entendimento manifestado no voto vencedor do acórdão recorrido, transcrevendo-o parcialmente. Assim, interpreta que o referido voto conclui que a pena lidade prescrita nos termos do inciso II do artigo 526 é aplicável apenas nos casos de importação sem guia de importação, e que, uma vez emitida a guia, pelo órgão competente, mesmo após o embarque da mercadoria, a penalidade cabível encontra-se descrita no inciso VI desse mesmo dispositivo legal. Relativamente à tese defendida pelos votos vencidos, que entendem ser o referido inciso VI aplicável apenas aos casos de emis são da Guia após o embarque porém antes do ingresso das mercadorias no território nacional, argumenta o contribuinte questionando a res- peito de quando considera-se ocorrido o embarque dos produtos. Se na data da expedição do conhecimento de embarque, pergunta: em que momento deverá ser emitida a G.I., considerados, no transporte aéreo, as diferenças de fuso horário e uma possível coincidência com o fi- nal de semana, quando as repartições brasileiras estariam fechadas 0;14 Acórdão n9-CSRF/03-01.910 .3- -“ : Nylco nunl,,, n I a ,- e não poderiam emitir tal documento? Nesse caso, com a G.I. expedida somente na segunda-feira, o importador está sujeito às pena lidades do inciso II do artigo 526? Prossegue para salientar que se tivesse o legislador a intenção de agir com tal rigidez etária, não teria criado a norma contida no § 2 2 , inciso II, do mesmo artigo 526, que gradua e limita a sanção aplicável. Afirma que o recurso especial nada trouxe que pudesse aba lar os fundamentos da decisão recorrida, e menciona a seu favor o acórdão n g. 303-26.207, cujo voto integrante transcreve integralmen- te. É o relatório. O ‘)\I ,:,,,; .4 ,-;Fnviço runt.u-,c, r-rnEn^L. Proc. n210283-003823/90-14 Ac. CSRF/03-01.910 VOTO A mercadoria foi embarcada, no exterior e descarre- gada em territário nacional, antes que tivesse sido emitida a cor- respondente guia de importação. A autoridade julgadora local, 2M primeira instância, entendeu que com a entrada da mercadoria se co racterizara uma importaçao sem GI ou documento equivalente, razao pela qual exigiu da empresa o pagamento da multa de que trata o inciso II do art. 526 do Regulamento Aduaneiro. O Recurso Especial interposto contra a decisão não unanime da douta 3a. Camara do 3 2 Conselho de Contribuintes / mani - festa o mesmo entendimento da digna autoridade administrativa local. Peço venia para discordar da douta Procuradora da Fazenda Nacional. Com efeito, o simples fato de haver descarregado a mercadoria não configura ainda em sua plenitude o conceito de im a, portaçao para os efeitos da legislaçao especifica. Deve-se salientar, como consta dos autos, que a im- portadora não se descuidara da obtenção do documento mas estavam em curso suas gestEes junto s autoridades governamentais competen tes (SUFRAMA e CACEX), com razoável antecedância, de modo que fi- a cara ela a depender de autorizaçoes cujo desfecho dependia to s6 de decisoes unilaterais desses órgãos sem que ela pudesse exercer qualquer interferencia. Ademais, nesse ínterim, a transaçao comer- cial com o exportador estrangeiro estava em curso e foi concluída, sendo a mercadoria sob encomenda afinal posta para embarque nos por tos estrangeiros, submissa s des p esas normais de armazenagem capatazia, etc. A demora na expediçao do documento admita-se como normal, não vindo a justificar para a importadora tenha determina do o embarque no exterior, por sua conta e risco, ciente de que co metia uma infraçao, já que no obtivera ainda a CI. O que acima se relata, como está nos autos, serva para demonstrar que "importação" no se resume no mero ato da fazer ingressar a mercadoria no territário nacional, mas percorre toda uma tramitação, fase por fase, sob pena de se tornar um descaminho. Acrescente-se ainda que essa tramitação, alem do pedido de licencia - mento, prossegue com outros procedimentos da iniciativa do impor- .5 Proc. n210283-003823/90-14 -rç çn rum Ac. CSRF/03-01.910 tador, junto as autoridades portuárias no porto de descarga e peran te a administraç go aduaneira. Nesses procedimentos, o contribuinte vai manifestar a sua intenç go e seu interesse de dar continuidade à sua importaç go atá obter o desembaraço aduaneiro, condiç go para afi nal receber sua carga. , No e demais lembrar ainda que o contribuinte tem que cumprir prazos para promover o despacho das mercadorias ou dar- -lhe continuidade, sob risco de vir a cometer a infraç go de aban - dono cuja pena será a declaraçao especifica a que se segtke o proces ao para aplicaç go da pena de perdimento, em Favor da Fazenda Nacio- nal. No caso desta importaç go, está comprovado que, final mente, a CACEX expediu a GI (ou GIs) em data anterior à do registro da declaraç go de importaçao, momento esse que se deve ter como aguo- le em que, formalmente, ocorreu o fato gerador do imposto de impor- taç go (art. 23 do Decreto-lei n g 37/66). Como bem admite a Fazenda Nacional, no seu Recurso, a GI atende à formalizaçao do despacho a- duaneiro, o que induz à convicçao da que, na espácie, completado o despacho aduaneiro com a existência da GI, a infraç go que restou a descoberto foi a do embarque antes da emissao da GI ou documento e- quivalente, conforme previsto no inciso VI do art. 526 do RA. A penalidade do inciso II do mesmo art. 526 está re- servada à infraçao descrita como: "importar mercadoria do exterior sem guia de im portaçao ou documento equivalente...." A previsgo é para os casos em que no tenha sido emi tida, a GI até a momento do registro da DI. G caso mais comum á o da divergência de mercadoria, isto: á, entre a licenciada na GI aquela que se verifique em conferência fisica, divergência usualmen te atestada atravás de laudos laboratoriais. No caso em foco, existe (m) a(s) guia (s) de impor- taçao, emitida (s) especificamente para a(s) mercadoria(s) constan- te (s) do despacho de importaçao. Por entender que a decisgo da 3a. Câmara do 3 g Canse lho da Contribuintes foi exarada coaim os melhores fundamentos de di 1 reito, voto para negar provimento ao Recurso Especial. Sa]. çias Sessgs, em 27 de setembro de 1991 rgbl Ubaldo Campello Neto - Relator •\ Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1
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I.I. - IPI. Diferença de imposto resul- tante de novo preço indicado pela Cacex apôs o despacho da mercadoria. Competen- cia legal da Cacex para fiscalizaçao pra via ou a posteriori do preço. Da-se pro- vimento ao recurso do Procurador da Fa- zenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recurso Fis- cais, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso especial. Ven- cidos os Cons. Paulo César de Ãvila e Silva, Enila Leite dereitas Chagas,WilfridoAugustoMarquese Sebastião Rodrigues abra '' i 4/1,9 1 / Sala das :s-Oel(lo- , em 03 de maio d/ ,I983. -, , 1 / AMADORO 4# Á/ 'NuF'4 ANDEZ - PRESIDENTE 4i k, 1 - .,, HINDEMBUR 4 DO: , TipIRA - RELATOR / U.h. 7 , /LUIZ FERNAND• OLIVEiRA DE MORAES - PROCURADOR DA (---- .,/ FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselhei- v.v. ros:I PAULO DE ALMEIDA e EDWALDO REIS DA SILVA. : -,;:iP:4 n 0;, ~T,,..~." SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL ,, PROCESSO N.9 0 814/05 7 . 954/80 :,1 , , RECURSO N.° : -R1)/303-0.755 . ,, Ac(5~ N.°:-CSRF/03-1.048 ,,!,: RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL ! RECORRIDA: TERCEIRA CÂMARA DO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: POLAROID DO BRASIL LTDA. REL'ATC5RIO O Sr. Procurador da Fazenda Nacional visa a reforma do acórdão n9 22.590, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes onde foi adotada a seguinte ementa: "Valor fixado em G.I., por determinação da CA- CEX: não pode ser majorado, posteriormente ao despacho, seja para fins cambiais ou fiscais." Alega-se no recurso, em resumo, que a fixação da ba se de calculo do imposto aduaneiro e prerrogativa exclusiva da CA- CEX, a quem compete exercer previa ou posteriormente a fiscalização de preços, pesos, medidas, classificação, etc. (Lei n9 4.595/64;Lei n9 2.145/52 e Lei n9 5.025/66); a Portaria Ministerial n9 355/69 dis— pcSe que o preço declarado pelo importador na guia de importação se- rá tomado como base de cálculo, sem prejuízo de eventual impugnação pela autoridade fiscal, com base em elementos próprios ou à vista de indicaçOes fornecidas pela Cacex; o art. 149, inciso VIII, do CO , digo Tributário Nacional dá competência ao Fisco para proceder à , revisão do lançamento quando de4a ser apurado fato não conhecido por ocasião do lançamento ante'or I .Lik 'i D M F - RJ/1.° C - C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0814/057.954/80 2. Acórdão n9-CSRF/03-1.048 O interessado contra-arrazoou alegando, em resumo,o seguinte: não e possível alterar o preço aprovado pela Cacex e con- signado em guia de importação, em decorrência de mudança deste pre- ço apOs consumada a importação: o disposto na Portaria Ministerial n9 GB 355 foi cumprido conforme se verifica por anotação na própria guia e o ispo9,.o no art. 149, do CTN, não tem aplicação no presen- )) ///te caso. i f f., n o RelatOrio. 1///// SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 0814/057.954/80 3. AcOrdão n9-CSRF/03-1.048 VOTO Conselheiro HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA, Relator: O procedimento fiscal exigindo diferença de imposto foi baseado em informação da Cacex, estabelecendo novo preço para a , mercadoria importada pela interessada. Essa comunicação da Cacex foi feita em termos inequivocos: "Face a novos exames feitos pela Car- teira, indicamos também para as Guias acima, o preço de US$ 555,00/ unidade para os fins da Portaria GB-355, de 05.09.69, do Ministério da Fazenda, embora consideremos os valores na época indicados nas mesmas, como aceitáveis para fins cambiais". Não cabe ao Fisco discutir os novos valores indica- dos pela Cacex, que agiu dentro de suas atribuiçaes legais, já que lhe compete exercer previa ou posteriormente a fiscalização de pre- ços. É oportuno salientar que o lançamento se fez dentro do prazo legal. Em face do exposto, parece-nos correta a argumenta- ção do Sr. Procurador da Fazenda Nacional, já havendo também pronun ciamento desta Câmara fixa''do • -ntendimento sobre o assunto. Dou provimento ao recurso esp ial/ il ' k...„„i Brasia,763 dè aio de 1983./I HINDEMBURGO DOBAL TEIXEIRA - RELATOR. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 12466.002636/2003-59
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jun 28 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 04/09/2001 a 05/08/2002
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PERFUMES. ÁGUAS DE COLÔNIAS. As mercadorias mencionadas no código 33 03.00.20 da NCM, referidas como "águas de colônias" englobam os produtos com teor de concentração de essência de 10 a 15%, nos termos da NOTA COANA/COTEC/DINOM n° 253/2002, em vigor até 13 de dezembro de 2006, quando foi expedida a NOTA COANA/COTEC/DINOM n° 344/2006.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.724
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - classificação de mercadorias
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 04/09/2001 a 05/08/2002 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PERFUMES. ÁGUAS DE COLÔNIAS. As mercadorias mencionadas no código 33 03.00.20 da NCM, referidas como "águas de colônias" englobam os produtos com teor de concentração de essência de 10 a 15%, nos termos da NOTA COANA/COTEC/DINOM n° 253/2002, em vigor até 13 de dezembro de 2006, quando foi expedida a NOTA COANA/COTEC/DINOM n° 344/2006. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres - Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
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PERFUMES. ÁGUAS DE COLÔNIAS. As mercadorias mencionadas no código 33 03.00.20 da NCM, referidas como "águas de colônias" englobam os produtos com teor de concentração de essência de 10 a 15%, nos termos da NOTA COANA/COTEC/DINOM n° 253/2002, em vigor até 13 de dezembro de 2006, quando foi expedida a NOTA COANA/COTEC/DINOM n° 344/2006. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 26 36 /2 00 3- 59 Fl. 227DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002636/200359 Acórdão n.º 3202000.724 S3C2T2 Fl. 207 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (DRJ/FNS) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade (fls. 100/124) apresentada por INDÚSTRIA E COMERCIO QUIMETAL S/A, ora Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, destacando que a Recorrente recebeu o auto de infração em julho de 2003, verbis: “A empresa acima qualificada importou, amparadas nas Declarações de Importação juntadas às fls. 31 a 99, cinco produtos da marca Cartier, descritos como "Alust de Cartier Eau de Toilette (Prot. MS 25351.009432/0046)", "Santos de Cartier Eau de Toilette (Prot. MS 25351.009437/0060)", "So Pretty de Cartier Eau de Toilette (Prot. MS 25351.009436/0005)", "Declaration de Cartier Eau de Toilette (Prot. MS 25351.009431/00 83)" e "Mus' Pour Homme de Carne, Eau de Toilette (Prot. MS 25351.008201/0179)", classificandoos no código NCM 3303.00.20, cuja alíquota do IPI, à época dos fatos geradores era de 10%. Retiradas amostras dos referidos produtos, por ocasião da conferência física das Declarações de Importação 01/08316658, 01/11316698 e 01/1131674 4 (fls. 14 a 18) o Laboratório Nacional de Análises Luiz Angerami, elaborou os Laudos Técnicos IN 0449.01, 1637.01, 1637.03, 1637.04, 1637.17 e 1637.20 (fls. 19 a 30). Em função das análises procedidas nas amostras coletadas no curso dos despachos aduaneiros das citadas declarações de importação, o laboratório de análises concluiu que os produtos importados são: "Perfume, constituído de solução HidroAlcoólica e Substâncias Odoríferas, na forma líquida acondicionada em embalagem própria para venda a retalho", em função do percentual do teor de substâncias odoríferas. Com base nessas informações e no comando expresso no § 39 do art. 30 do Decreto n9 70.235/1972, alterado pelo art. 67 da Lei n9 9.532/1997 (produtos com o mesmo número de protocolo junto ao Ministério da Saúde), as autoridades lançadoras concluíram que as mercadorias importadas Fl. 228DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002636/200359 Acórdão n.º 3202000.724 S3C2T2 Fl. 208 3 deveriam ser classificadas no código NCM 3303.00.10, sujeitas à alíquota de IPI de 40% (quarenta por cento). Razão pela qual procedeuse à lavratura do Auto de Infração de fls. 01 a 13 para exigência do crédito tributário integral de R$ 27.147,59, em decorrência da diferença de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), multa de oficio (75%), juros de mora e multa proporcional ao valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. Ciente da autuação, a interessada protocolou a defesa de fls. 100 a 124, e aditamento às fls. 129 /130, acompanhada dos documentos de fls. 131 a 149, argumentando, em síntese, que: a) a conclusão imputada nas análises técnicas não pode gerar os efeitos pretendidos pela fiscalização, pois se apoiam genericamente em "referências bibliográficas", sem indicar quais sejam essas; b) não havendo alusão ao teor das "referências bibliográficas" utilizadas, restou afrontado o primado constitucional da legalidade, da segurança jurídica, da ampla defesa e do contraditório; c) devese coadunar o ato administrativo praticado com os ditames da carta republicana, pois, caso contrário restará nulo, por ausência de fundamento de validade; d) não se conhece a diferenciação entre água de colônia e perfumes em função da quantidade de concentração aromática dos produtos, motivo pelo qual entende que o apontamento realizado no laudo técnico é evasivo; e) a desclassificação fiscal deuse em decorrência da determinação contida no Decreto n° 79.094, de 05/01/1977, que diferencia águas de colônia e perfumes em função da quantidade de concentração aromática existente nos produtos; f) embora não tendo tido conhecimento do fundamento que ensejou as conclusões exaradas nos laudos técnicos que embasaram a autuação, resta indubitável que o procedimento realizado pela autoridade lançadora da Secretaria da Receita Federal não poderia prevalecer por carecer de competência funcional para tanto; g) com o advento da Lei ri' 9.782, de 26/01/1999, compete exclusivamente à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) regulamentar, controlar e fiscalizar o setor de águas de colônia e perfumes; h) a reclassificação fiscal, por ter sido fundada nas normas insitas no Decreto n° 79.094, de 1977, é nulo de pleno direito, pois a referida norma legal tornouse incompatível com as explicitadas em lei posteriormente editada, que a revogou Lei n° 9.782/1999; i) antes de efetuar a importação das mercadorias em questão, a impugnante protocolou os respectivos formulários junto a ANVISA, objetivando realizar Fl. 229DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002636/200359 Acórdão n.º 3202000.724 S3C2T2 Fl. 209 4 a notificação de produto de grau de risco 1, classificandoas no grupo 2010470, atinente às águas perfumadas; j) a ANVISA, ao autorizar a sua comercialização, aduziu tacitamente que eles estão enquadrados no grupo das águas perfumadas/águas de colônia, não podendo a Receita Federal interpretar de maneira diferente, por lhe faltar competência legal para tanto; k) indagado o fabricante dos produtos reclassificados, este informou que não há nenhum dos produtos concentração de substância odorífera igual ou superior a 10% (dez por cento); 1) o Decreto n° 79.094/77 compromete os esforços engendrados na consecução dos objetivos traçados no Tratado de Assunção, ao considerar que águas perfumadas, águas de colônia, loções e similares são produtos constituídos pela dissolução de até 10% (dez por cento) de composição aromática em álcool de diversas graduações, sendo que nos demais países do Mercosul não há essa distinção, e, portanto, a carga fiscal é menor para a importação de perfumes; m) depois do Tratado de Assunção, não há como sustentar válida disposição normativa que, de forma indireta, acaba por impor política comercial distinta em relação aos demais membros participantes, aumentando a tributação incidente na importação; n) não há como entender de outra forma o § 1' do art. 161 do Código Tributário Nacional, senão de que os juros de 1% seja o teto máximo, pois se assim não fosse o preceito constitucional que limita a cobrança de juros a 12% ao ano restaria descumprido; o) a taxa Selic nada mais representa do que verdadeiros juros remuneratórios, posto que reflete um autêntico pagamento pelo uso de dinheiro alheio, não sendo possível admitila como correção dos créditos da Fazenda, a título de juros moratórios, posto que esse último visa a recompor o patrimônio do credor ofendido pela mora do devedor, não podendo ser substituído por juros que visam a remunerar o capital emprestado; p) não pode o fisco, a pretexto de cobrar juros, adotar verdadeiro indexador monetário vinculado ao mercado de capitais, desvirtuando a real função dos juros, criandose com a Selic modalidade de índice de correção monetária; q) o nosso ordenamento jurídico não possui determinação constitucional que possibilite a exigência da taxa Selic; r) não se pode exigir cobrança de juros e correção numa taxa não clarificada e definida, pelo menos para fins tributários; se todo tributo deve ser definido em lei, sua quantificação monetária, bem como os juros, devem ser, também, previstos por lei; Fl. 230DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002636/200359 Acórdão n.º 3202000.724 S3C2T2 Fl. 210 5 s) a multa de oficio imposta à impugnante, no percentual de 75%, está em completa desarmonia com o texto constitucional, em virtude de sua feição confiscatória; t) cumular multa de oficio com multa regulamentar é ato completamente ilegal, não sendo possível que o administrador tributário impute em duas oportunidades encargo com a mesma natureza. Ao final, considerando as razões apresentadas, a impugnante requer que seja anulado o Auto de Infração em comento, cancelandose, em consequência, a exigência fiscal nele formalizada. Protesta, também, pela posterior juntada de documentos, bem como a produção de outras provas admitidas em direito, essenciais para o deslinde da questão. Conforme expediente de fls. 150, o processo foi encaminhando a esta delegacia para prosseguimento. A ementa da decisão da DRJ/FNS ora recorrida foi a seguinte: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 04/09/2001 a 05/08/2002 Ementa: PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Inaceitável invocar preterimento do direito e defesa quando a impugnação demonstra que a interessada tem pleno conhecimento dos fatos que deram ensejo à imputação fiscal, contestando, inclusive, as conclusões contidas em laudos periciais. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 04/09/2001 a 05/08/2002 Ementa: DESCLASSIFICAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO. Mantémse a classificação fiscal efetuada de oficio pela fiscalização, uma vez que embasada em competente laudo técnico que contém elementos suficientes para demonstrar que o produto examinado não é o descrito pela contribuinte nos documentos que instruíram o seu respectivo despacho aduaneiro. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 04/09/2001 a 05/08/2002 Ementa: QUESTIONAMENTO DE LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO. A legalidade e a constitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 04/09/2001 a 05/08/2002 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002636/200359 Acórdão n.º 3202000.724 S3C2T2 Fl. 211 6 Ementa: MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. MULTA DE OFÍCIO. IMPOSIÇÃO. A aplicação da multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul não prejudica a exigência da multa de oficio, à razão de 75% do imposto devido, por haver disposição legal expressa neste sentido. Lançamento Procedente Inconformada com o acórdão da DRJ/FNS, a Recorrente interpôs o presente recurso, retomando as alegações coligidas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade, assim, dele conheço. Tratase de estabelecer a correta classificação de cinco produtos descritos pela ora Recorrente nas DI’s n°s. 01/08316658; 01/11316744; 02/00074134; 02/00133149; 01/11316418; 01/11702687; 02/00132894; 02/06316857, da marca LEMUST DE CARTIER, descritos como: MUST DE CARTIER EAU DE TOILETTE (PROT.M.S. 25351 009432/0046); SANTOS DE CARTIER EAU DE TOILETTE (PROT.M.S. 25351 009437/0060); SO PRETTY DE CARTIER EAU DE TOILETTE (PROT.M.S. 25351 009436/0005); DECLARATION DE CARTIER EAU DE TOILETTE (PROT.M.S. 25351 009431/0083); MUST POUR HOMME DE CARTIER ESSENCE EAU DE TOILEITE (PROT.M.S. 25351008201/0179). Destarte, o fulcro da questão destes autos reside na análise das posições 3303.00.20 (específico para as águas de colônia) e 3303.00.10 (próprio para os perfumes – extratos); a primeira, defendida pelo contribuinte, e a segunda, pela autoridade fiscal em função do teor de substâncias odoríferas. A NCM também não estabeleceu qualquer especificação que tendesse à distinção entre tais produtos, tendo em vista que, ao instituir para a posição 3303 os itens e subitens correspondentes (72 e 82 dígitos), apenas discriminou: Fl. 232DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002636/200359 Acórdão n.º 3202000.724 S3C2T2 Fl. 212 7 3303.00.10 — Perfumes (extratos) 3303.00.20 — Águasdecolônia Ademais, nenhuma nota de seção ou de capítulo trata do tema. Fazendose, portanto, necessário o uso subsidiário das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) para distinguir os perfumes (extratos) das águas de colônia temse que: 33.03 PERFUMES E ÁGUAS DE COLÔNIA. A presente posição compreende os perfumes que se apresentem nas formas de líquido, de creme ou de sólido (compreendendo os bastões (sticks)), e as águasdecolônia, cuja função principal seja a de perfumar o corpo. Os perfumes propriamente ditos, também chamados extratos, consistem geralmente em óleos essenciais, essências concretas de flores, essências absolutas ou em misturas de substâncias odoríferas artificiais, dissolvidas em álcool de título elevado. Usualmente, estas composições contêm ainda adjuvantes (aromas suaves) e um fixador ou estabilizador. As águasdecolônia (por exemplo, águadecolônia propriamente dita, água de lavanda), que não devem confundirse com águas destiladas aromáticas e soluções aquosas de óleos essenciais da posição 33.01, diferem dos perfumes propriamente ditos pela sua mais fraca concentração em óleos essenciais, etc., e pelo título geralmente menos elevado de álcool empregado. Com efeito, da simples leitura do acima transcrito, verificase que as NESH não especificam a concentração de óleos essenciais que poderia vir a diferenciar os “perfumes propriamente ditos” das “águas de colônia”, apenas informando que as “águas de colônia” apresentam mais fraca concentração de óleos essenciais e um título geralmente menos elevado do álcool nelas empregado. Diante disso, a autoridade fazendária fundamenta sua exigência no fato dos laudos técnicos (de fls. 19 a 30 emitidos pelo Laboratório Nacional de Análises Luiz Angeram) indicarem o teor de substâncias odoríferas compreendido entre 11,5% e 13,0% (valores encontrados por diferença) e de que o enunciado das alíneas “a” e “b”, do artigo 49, do Decreto 79.094/77, estabelecer em 10% o limite máximo da concentração da composição aromática das águas de colônia e considerar extratos os produtos de concentração aromática superior àquela. Todavia, a Câmara Superior de Recursos fiscais já se pronunciou no sentido de que o Decreto nº 79.094/77 que em seu art. 49, inciso II, alínea “a”, estabelece que são extratos as fragrâncias cuja concentração varia de um mínimo de 10% até 30% e águas de colônia águas perfumadas, loções e similares, as diluições até 10% não se presta para o fim pretendido pela fiscalização fazendária. O acórdão restou assim ementado, in verbis: Fl. 233DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002636/200359 Acórdão n.º 3202000.724 S3C2T2 Fl. 213 8 “ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 06/08/2002 PERFUME (EXTRATO) OU ÁGUA DE COLÔNIA. Os limites da concentração da composição aromática fixados nas alíneas “a” e “b” do inciso II do artigo 49 do Decreto 79.094, de 5 de janeiro de 1977, são específicos para o fim de registro dos perfumes (extratos, águas de colônia etc.) no sistema de vigilância sanitária. Na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a classificação dos perfumes (extratos) e das águas de colônia independe dos valores absolutos da concentração da composição aromática. É o confronto da concentração de um com a do outro que define qual deles é perfume (extrato) e qual deles é água de colônia. Recurso Especial do Contribuinte Provido”. (CSRF. Terceira Turma. Rel. Maria Teresa Martinez Lopez. Acórdão n° 930301.516, julgado em 01.06.11) Portanto, adotando o posicionamento acima transcrito, afasto a aplicação do Decreto 79.094/77 ao caso concreto, por se tratar de norma específica para o registro no sistema de vigilância sanitária. Por outro lado, não obstante o argumento acima ser suficiente para afastar a classificação pretendida pela Autoridade Fiscal, há de se observar ainda que a matéria foi objeto de manifestação da Coordenação Geral do Sistema Aduaneiro da SRF, por meio da Nota COANA/COTAC/DINOM n° 253/02, vigente quando da lavratura do presente auto de infração, segundo a qual: "7.1 “Essência ou extrato" é o perfume em sua concentração mais alta, sendo que a percentagem varia, conforme a marca, de 15% a 30% de essência diluída em álcool de 90° GayLussac (GL). É o tipo mais caro de perfume e, por não serem adequados ao clima tropical, são difíceis de serem encontrados em razão da pouca comerciabilidade. O fixador (por exemplo, gordura de origem animal reproduzida em laboratório) tem um poderoso efeito de fixação que pode se prolongar por até 24 horas. 7.2 “Eau de parfum" é um perfume com menor concentração de essência, de 10% a 15%, diluída em álcool etílico de 90° GL, cujo efeito de fixação chega a ultrapassar às 12 horas. 7.3 "Eau de toileite" tem concentração de essência entre 5% e 10%, diluída habitualmente em álcool de 85" GL. Seus índices de fixação não passam das 8 horas em temperaturas mais altas. 7.4 "Águadecolônia" ou "eau de cologne" é a fragrância cuja percentagem de essência varia entre 3% e 5% e seu grau alcoólico fica entre 70° e 80° GL. Sua fixação não é maior do que 5 horas e seria, a priori, o ideal para o nosso clima. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002636/200359 Acórdão n.º 3202000.724 S3C2T2 Fl. 214 9 7.5 "Eau fratche" é a "água refrescante", perfumada quase sempre com pouquíssima essência cítrica (limão ou tangerina). Por isto, muitas vezes é chamada de "eau de sport". Tem uma baixa percentagem de essência, de 1% a 3%, e vem quase sempre diluída em álcool de 70° ou 80° GL, havendo poucas variantes de "eau fraiche" que não empregam álcool Sua taxa de fixação é mínima, de 2 a 4 horas. 8. Tendose em mente o exposto e considerando as NESH podese afirmar que os "perfumes ou extratos", citados no código 3303.00.10 da NCM, compreendem apenas as essências ou extratos (subitem 7.1). 9. Já as mercadorias mencionadas no código 3303.00.20 da NCM, referidas como "águasdecolônia" englobam as chamadas "eau de patfum", "eau de toilette", "eau de cologne" e "cais fraiche" (subitem 7.2 a 7.5)" (grifamos) Analisandose logicamente o disposto nesta nota, concluímos que os produtos que contenham percentuais de essência que estejam compreendidos entre 10 e 15% foram classificados pela Secretaria da Receita Federal, através da COANA, como inseridos na posição 3303.00.20. Neste sentido, diversas decisões proferidas pelo antigo Terceiro Conselho de Contribuintes também suportam o posicionamento do contribuinte, in verbis: “Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 08/04/2004 Ementa: CLASSIFICAÇÃO FISCAL. PERFUMES. ÁGUAS DE COLÔNIAS. As mercadorias mencionadas no código 33 03.00.20 da NCM, referidas como "águas de colônias" englobam os produtos com teor de concentração de essência de 10 a 15%, nos termos da NOTA COANA/COTEC/DINOM no. 253/2002, em vigor até 13 de dezembro de 2006, quando foi expedida a NOTA COANA/COTEC/DINOM no. 00344/2006. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. (Antigo Terceiro Conselho de Contribuintes. Primeira Câmara. Rel. Susy Gomes Hoffman. Acórdão n° 30134.012, julgado em 11.09.07). “Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 12/11/2002 Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. TIPI. PERFUMES (EXTRATOS). As mercadorias referidas como "perfumes" ("extratos") no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática superior a 15%, de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom n° 253/2002, vigente até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom n° Fl. 235DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002636/200359 Acórdão n.º 3202000.724 S3C2T2 Fl. 215 10 344/2006, de 13/12/2006, que, para adequarse ao disposto no Decreto ri2 79.094/77, fixou como condição para enquadramento nesse código tarifário uma composição aromática em concentração superior a 10%. Apurado em laudo técnico a existência de teor de composição aromática superior a 15% em se tratando de fato gerador ocorrido na vigência da Nota Coana n° 253/2002, há que se considerar os produtos como "perfumes" ("extratos") e incorreta a classificação adotada pela importadora, própria para águas de colônia. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória n° 2.15835/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. RECURSO DESPROVIDO”. (Antigo Terceiro Conselho de Contribuintes. Primeira Câmara. Rel. José Luiz Novo Rossari. Acórdão n° 30134.067, julgado em 16.10.07). “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 26/10/2000 CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. TIPI. PERFUMES (EXTRATOS) E ÁGUASDECOLÔNIA. As mercadorias referidas como “águasdecolônia” no código 3303.00.20 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática de até 15%, de acordo com a Nota Coana/Cotec/Dinom no 253/2002, vigente até sua reformulação pela Nota Coana/Cotec/Dinom no 344/2006, de 13/12/2006, que, para adequarse ao disposto no Decreto no 79.094/77, fixou como condição para enquadramento nesse código tarifário uma composição aromática em concentração inferior ou igual a 10%. Já as mercadorias referidas como “perfumes” (“extratos”) no código 3303.00.10 da NCM, compreendem os produtos com um teor de composição aromática superior a 15%, de acordo com as normas citadas. Apurado em laudos técnicos a existência de teores de composição aromática em percentuais de até 15%, e superior a 15%, em se tratando de fatos geradores ocorridos na vigência da Nota Coana no 253/2002, há que se considerar os produtos como “águasdecolônia” e como “perfumes” (“extratos”), respectivamente, e incorreta a classificação adotada pela importadora para esses últimos. MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória no 2.15835/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. MULTA DE OFÍCIO. IPI. Constitui infração punível com multa de ofício a falta de pagamento do imposto, decorrente de classificação incorreta, quando o produto não estiver corretamente descrito no despacho de importação. RECURSO Fl. 236DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 12466.002636/200359 Acórdão n.º 3202000.724 S3C2T2 Fl. 216 11 VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE”. (Antigo Terceiro Conselho de Contribuintes. Primeira Câmara. Rel. Acórdão n° 30134.075, julgado em 16.10.07). Por tudo o quanto acima exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 237DF CARF MF Impresso em 02/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 25/06/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/06/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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PORTARIA MF 303/85. Nos termos do Parecer Normativo CST 03/86, a opção pela aplicacão do trata mento previsto no art. 89 do Decreto- -lei n9 2.065/83 deverá ser manifesta- da, no prazo de impugnação, tanto pela pessoa jurídica como também pelos pre- sumíveis beneficiários da distribuição de lucros. A falta de manifestação dos beneficiários impede que a opçao se a- perfeiçoe. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso espe cial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presen te julgado./ Sala das SessOes(DF), em 19 de junho de 1987. URGELZ '*, LOP S - PRESIDENTE .v \ cy/ osÉ EDUARDO RAN / rDE KMIN - RELATOR ( I, . 717. -- LUIZ FERNANDO 0 I 1'4:4 DE MORAES - PROCURADOR DA FA- ZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhe- ros: JACINTO DE MEDEIROS CALMON, WALDEVAN ALVES DE OLIVEIRA, ANTO- NIO DA SILVA CABRAL, CARLOS WALBERTO CHAVES ROSAS, LEVY VALÉRIO DE OLIVEIRA, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, CARLOS AGOSTINHO ALnSSIO OLIVE TO, RUY CRUVINEL FILHO, LOURIERDES FIUZA DOS SANTOS e SEBASTIÃO Ra- DRIGUES CABRAL. • • • • ..,..„: SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N c? 10830/003.037/85-15 RECURSO N9: RD/105-0.097 ACÓRDÃON9: CSRF/01-0.741 RECORRENTE FAZENDA NACIONAL RECORRIDA: QUINTA CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SUJEITO PASSIVO: TRANSLíQUID TRANSPORTES RODOVIÃRIOS LTDA RELATÓRIO É o seguinte o relatório feito pelo eminente Presi_ dente da colenda Quinta Câmara, no despacho que deu seguimento ao recurso especial: "Através de petição dirigida ao Presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuin- tes (fls. 43/46), recebida em 14/08/86 (fls. 31), com fundamento no artigo 39 e seu inciso II do De- creto n9 33.304, de 28/03/79, insurge-se a FAZENDA NACIONAL, representada pelo seu procurador junto àquele Colegiado, contra o Acórdão n9 105-1.827, de 03/07/86 (fls. 33/42), pelo qual decidiu aludi- da Câmara, por unanimidade de votos, dar provimen- to aó recurso autuado neste Conselho sob número 47.082 (fls. 19), sob o fundamento, resumido em sua ementa, de que (fls. 33): "APLICAÇÃO DA LEI - Imposto devido na fon te - Lucros considerados distribuídos a só- cios, em razão de omissão de receita na pes- soa jurídica - A tributação, no regime de fon te, de que trata o artigo 89 do Decreto-Lei n9 2065, de 26.10.83, não se aplica a fatos geradores ocorridos no período-base de 1982, inclusive, em face de o lançamento reportar- se à data do fato •-rador e reger-se pela lei então vigente."/ /7/ • 4 ,. .': DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1600/75 SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10830/003.037/85-15 2. Acórdão n9-CSRF/01-0.741 O Procurador da Fazenda Nacional junto a Cãma ra recorrida deu "visto" no prefalado Acórdão em 07/08/86 (fls. 33), e, no recurso especial, indica a existência de dissídio dessa decisão com o Acór- dão 119 101-76.493, de 12/03/86, da Egrégia Primei- ra Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, anexado por cópia aos autos (fls. 47/52), que de- cidiu, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso interposto pelo sujeito passivo sob o fundamento, sintetizado em sua ementa, de que (f is. 47): DECORRÊNCIA - Reconhecida, no processo matriz, a ocorrência do fato econômico com inegável repercurssão na fonte pagadora, é de se manter a tributação reflexa, consubstancia da na decisão recorrida. Com o advento do art—. 89 do Dec.-lei 2.064/83, reproduzido no Decre to-lei 2.065/83, as infrações que impliquem em repassagem de lucros pressupõem distribuição automática aos sócios, acionistas ou titular da empresa individual, conforme o caso,e,sem prejuízo da incidência do imposto de renda da pessoa jurídica, Será tributada exclusivamen- te na fonte à alíquota de 25%. A Portaria (NT) 303, de 17 de junho de 1985, permite que a empresa opte por esse regime em relação aos casos ocorridos antes da vigência do referido decreto-lei." O Procurador da Fazenda Nacional, alega, ain- da (fls. 46), que: ... ... as hipóteses são idênticas: Omissão de receita no ano de 1982, com opção pela tti butação segundo o artigo 89 do Decreto-Lei n9 2.065/83 (na pessoa jurídica), com base na Portaria MF n9 303, de 17,06.85. Enquanto o acórdão recorrido não reconheceu eficácia à opção exercida pela pessoa jurídica,o acórdão divergente reconheceu válida tal opção." o relatório." Fundamentando o seguimento do recurso, acentuou o r. despacho: (I) , SERVIÇO PuBuco FEDERAL PROCESSO N9 10830/003.037/85-15 3. Acórdão n9-CSRF/01-0.741 "Consoante se verifica do relatório, a peti- ção de recurso foi dirigida ao Presidente da Câma- ra recorrida, e, apresentada temporaneamente, de- montrou, fundamentadamente, a divergência argüida, indicou a existência de decisão divergente, prola- tada pela Colenda Primeira Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, que foi apontada e compro- vada mediante de seu inteiro teor (f is. 47/52). A tributação versada nestes autos, como exclu sivamente na fonte, à aliquota de 25%, teve com trã" se a omissão de receita nos resultados da própria pessoa jurídica e considerada distribuída aos só- cios. Em relação ao Acórdão apontado como divergen- te, versou ele também sobre decorrência, tributa- ção exclusiva na fonte, pela omissão de receita na pessoa jurídica. Na situação versada no Acórdão paradigma, a autuada, da mesma forma que no Acórdão recorrido, apresentou manifestação sobre a opção permitida pe la Portaria MF n9 303, de 17/06/85, e, posterior- mente, interpôs recurso voluntário, dirigido a es- te Conselho, Conforme registra o seguinte trecho do voto de seu relator (f is. 51): "Tendo em vista que parte das omissões de receita referia-se ao ano de 1982, e face às determinações constantes da Port. (MF) 303,de 17/06/85, a empresa foi instada a pronunciar- se sobre a faculdade ali inserta (fls. 04), a nuindo com a sua aplicação à espécie (fls. 05)-T: O dissídio jurisprudencial está evidenciado uma vez que o Acórdão indicado como divergente tra tou da mesma matéria que versou o "decisum" recor- rido, verificando-se aexistência de julgados dissi dentes, tendo em vista que naquela foi negado pro- vimento e neste foi dado provimento, considerando irrelevante a opção manifestada, em face do lança- mento reportar-se à data do fato gerador e reger- se pela lei então vigente. Diante de todo o exposto, e no uso da compe- tência conferida pelo §, 39 do artigo 59 do Regimen tó Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, DOU seguimento ao rec so especial interposto pela Fazenda Nacional.7/' , SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10830/003.037/85-15 4. Acórdão n9-CSRF/01-0.741 Instada a se manifestar, a contribuinte apresentou contra-razões de fls. 63/65 em que defende a manutenção do acórdão atacado. É o relatório. - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10830/U3.037/85-15 5. Acórdão n9-CSRF/01-0.741 VOTO - - - - Conselheiro JOSn EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, Relator O recurso reúne os pressupostos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. No mrito, cuida-se de decisão da egr6gia Quinta Cá mara do Primeiro Conselho de Contribuintes que, apesar de expres- sa manifestação da pessoa jurídica, entendeu a ser inaplicável, no caso, o tratamento estabelecido pelo art. 89 do Decreto-lei n9 2.065/83. A douta Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso a este Colegiada apontando divergência com decisão da Pri meira Câmara do mesmo Conselho, em que se decidiu pela possibilida da da referida opção, nos termos da Portaria MF 303/85. 1 Realmente, a questão atinente a aplicação do referi do artigo 89 do Decreto-lei n9 2.065/83 a fatos geradores ocorri- dos anteriormente a sua vigência tem dado ensejo a algumas per- plexidades que exigem uma orientação por parte desta Câmara Supe- rior. A aludida Portaria Ministerial estabeleceu que é fa cultado ás pessoas jurídicas aplicar o tratamento fiscal da tribu- tação exclusiva na fonte, previsto no citado art. 89. Ao estabelecer tal faculdade, de fato a norma legal em referência, com certeza, veio permitir que o sujeito" passivo, tendo identificado qualquer tipo de incorreção passível de dar en- sejo ao lançamento de imposto de renda na p ssoa do sócio, espon-g SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 10830/G03.037/85-15 . 6. Acórdão n9-CSRF/01-0.741 taneamente cuide de providenciar o recolhimento do tributo calcula do conforme estabelece o dispositivo do D-ecreto-lei n9 2.065/83. Resta, porém, exafflinar se depois de constituído o crédito tributário contra a pessoa jurídica, mediante lançamento ex officio, é possível pretender que se aplique o tratamento tribu trio já referido. O deslinde da matéria encontra preciosos subsídios no Parecer CST 03/86, que bem esclarece que em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente à vigencia do Decreto-lei 2.065/83, os lançamentos de ofício deveriam identificar com sujei- tos passivos, na tributação reflexa, os beneficiários das distri buiçOes de lucros realizados por força de omissões de receitas das pessoas jurídicas. O mesmo Parecer admite a opção de pessoas físi- cas e jurídicas envolvidas pela tributação nas pessoas jurídicas exclusivamente na fonte, acentuando deve se dar em requerimento assinado pela pessoa jurídica e pelos beneficiários da distribui- ção de lucros,, dentro do prazo para a impugnação. O que se observa é que no caso houve apenas manifes tação por parte da pessoa jurídica, faltando a imprescindível ma- nifestação dos beneficiários dos lucros, que são os verdadeiros su jeitos passivos. Em face dessas considerações, e também reportando- -me ao Acórdão CSRF/01-0.735, relatado pelo eminente Conselheiro URGEL PEREIRA LOPES, voto pelo improvimento do r- urso._/zfl Brasília-DF, em 19 de junho de 1987. gost EDUARDO RANG L pE ALCKMIN - RELATOR - / / Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10510.001810/2005-08
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 31/12/1999 a 31/12/2003
COFINS - DECADÊNCIA
A Súmula Vinculante no. 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei no. 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições é de cinco anos, contando-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para os períodos em que nao houve pagamentos nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL QUE ATENDE ÀS EXIGÊNCIAS ESTABELECIDAS EM LEI. COFINS. IMUNIDADE PREVISTA NO ART. 195, § 7o. DA CF/88.
Estando demonstrado que a Recorrente é entidade beneficente de assistência social, que preenche os requisitos do artigo 14 do CTN e também os requisitos do artigo 55 da lei 8212/91, as receitas relativas ao exercício de sua atividade, mesmo que de natureza contraprestacional, estão imunes à COFINS, nos moldes previstos no artigo 195 § 7º da Constituição Federal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-001.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 31/12/1999 a 31/12/2003 COFINS - DECADÊNCIA A Súmula Vinculante no. 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei no. 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições é de cinco anos, contando-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para os períodos em que nao houve pagamentos nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL QUE ATENDE ÀS EXIGÊNCIAS ESTABELECIDAS EM LEI. COFINS. IMUNIDADE PREVISTA NO ART. 195, § 7o. DA CF/88. Estando demonstrado que a Recorrente é entidade beneficente de assistência social, que preenche os requisitos do artigo 14 do CTN e também os requisitos do artigo 55 da lei 8212/91, as receitas relativas ao exercício de sua atividade, mesmo que de natureza contraprestacional, estão imunes à COFINS, nos moldes previstos no artigo 195 § 7º da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2279; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10510.001810/200508 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801001.131 – 1ª Turma Especial Sessão de 22 de março de 2012 Matéria COFINS INSTITUIÇÃO SEM FINS LUCRATIVOS Recorrente COLÉGIO SALESIANO NOSSA SENHORA AUXILIADORA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 31/12/1999 a 31/12/2003 COFINS DECADÊNCIA A Súmula Vinculante no. 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei no. 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições é de cinco anos, contandose do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para os períodos em que n”ao houve pagamentos nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). ENTIDADE BENEFICENTE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL QUE ATENDE ÀS EXIGÊNCIAS ESTABELECIDAS EM LEI. COFINS. IMUNIDADE PREVISTA NO ART. 195, § 7o. DA CF/88. Estando demonstrado que a Recorrente é entidade beneficente de assistência social, que preenche os requisitos do artigo 14 do CTN e também os requisitos do artigo 55 da lei 8212/91, as receitas relativas ao exercício de sua atividade, mesmo que de natureza contraprestacional, estão imunes à COFINS, nos moldes previstos no artigo 195 § 7º da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes (Relator). Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 18 10 /2 00 5- 08 Fl. 338DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 12 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 339DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Contra a empresa acima identificada foi lavrado o Auto de Infração (fls. 03/07 e Demonstrativos de fls.08/19), para exigir a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins referente ao período compreendido entre janeiro/1999 e dezembro/2003, no valor de R$457.986,64, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora. A infração relatada no auto de infração corresponde à falta de recolhimento ou pagamento da contribuição, apurada a partir do faturamento escriturado no Livro Razão, conforme demonstrativo das receitas anexo, tendo em vista que de acordo com o art.47 da IN SRF nº247, de 21 de novembro de 2002, somente são isentas da Cofins as receitas derivadas das atividades próprias da instituição, as quais, conforme §2º, são as decorrentes das contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. O enquadramento legal do lançamento para exigência da Cofins aponta infração aos arts.1º da Lei Complementar nº 70, de 1991; 2º, 3º e 8º da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações da Medida Provisória nº1.807, de 1999, e reedições, com as alterações da Medida Provisória nº1.858, de 1999 e reedições; arts. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51 do Decreto nº4.524, de 2002, art.47, §2º, da IN SRF nº247, de 2002. Cientificada da exigência em 23/08/2005, fl.03, a contribuinte apresentou impugnação ao lançamento em 09/09/2005, alegando em síntese que: É instituição sem fins lucrativos, reconhecida por meio do Decreto nº70.998, de 17/08/1972, Lei Estadual nº1.021, de 30/11/1960, Lei Municipal nº1.047, de 07/05/1985, com direitos adquiridos em face das disposições constitucionais, doc.36/38; Tem registro no Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS e no Ministério da Justiça, doc.39/40, condição reiterada em várias decisões judiciais, também na esfera administrativa, que reconhecem sua condição de instituição sem fins lucrativos, doc.41/43; Distinguese a decisão de nº1.438, de 24/07/2001, proferida por esta mesma Delegacia da Receita Federal de Julgamento, no processo 10510.002339/9895, doc.44/50, ementa transcrita, não Fl. 340DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 14 4 tendo havido nenhuma situação que assim alterasse esta condição, razão pela qual é inócuo o auto de infração; Requer que seja acolhida a presente liminar para se reconhecer o direito a isenção de pagamento da Cofins por esta instituição; Quanto ao mérito, mesmo estando convicto do acolhimento da preliminar, afirma que o grupo existe em Aracaju desde 1913, comentando os serviços prestados e benefícios às comunidades de baixa renda, seus diretores não recebem remuneração, fazem voto de pobreza, sempre reconhecido por seus serviços através de decretos municipais, estaduais e federais, tendo em seu quadro inúmeros alunos que estudam gratuitamente. Além disso, é mantenedor do Oratório Festivo de N. S. Auxiliadora, anexo, no qual estudam 500 alunos da periferia sem qualquer custo; Dos Estatutos da Congregação (doc.03/31) se vê que os Salesianos são portadores dos votos de pobreza, castidade e obediência, tudo pertencendo ao acervo da congregação, que não distribui bônus, dividendos ou pro labore a nenhum dos seus afiliados, desde a fundação; Não há donos ou proprietários, é uma instituição autorizada pela Igreja Católica Apostólica Romana, sendo também mantenedora dos institutos de formação para o sacerdócio, paróquias, escolas profissionais, não há inventário ou partilha, os bens são indivisíveis, intransferíveis, impartilháveis; Incompetente para gerir escola pública não pode o Governo Federal, via autarquias e órgãos a ele afetos, desarticular e desestabilizar o ensino particular realizado por via de concessão; O direito do Salesiano está amparado na legislação pátria, art.195, §7º da Constituição Federal; As exigências contidas no art.55 da Lei nº8.212, de 1991, são inteiramente atendidas pelo Colégio impugnante, como se comprova mediante os documentos apresentados, cópias anexas, e decisões judiciais; Assim, por ser sem fins lucrativos, inserida no contexto das entidades beneficentes de assistência social e beneficiária de quaisquer isenções, requer o cancelamento do auto de infração. A DRJ em Salvador (BA) julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa abaixo transcrita: RECEITA. CARÁTER CONTRAPRESTACIONAL. INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO. INCIDÊNCIA. A isenção prevista na Medida Provisória nº 1.8589, de 1999, atinge tão somente as receitas relativas às atividades próprias, não incluindo as receitas de caráter contraprestacional auferidas pelas instituições de educação. Fl. 341DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 15 5 Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 248 a 282, instruído com os documentos de fls. 283 a 324, cujo teor é sintetizado a seguir. Em extenso arrazoado, inicialmente, discorre sobre a natureza da instituição, ressaltando que o Colégio Recorrente faz parte de uma Congregação fundada por São João Bosco e é uma associação civil e religiosa, de caráter confessional, educacional, beneficente e de assistência social, sem fins econômicos. Sustenta que em nenhum momento a requerente descumpriu suas atividades essenciais, mantendose fiel ao seu Estatuto Social, sendo certo que a entidade faz jus à isenção (ou imunidade) referente à Cofins. Argumenta que o Colégio Salesiano Nossa Senhora Auxiliadora, como entidade beneficente que é, faz jus a fruição da isenção (imunidade) tributária, inclusive, quanto às contribuições previdenciárias, dentre as quais a Cofins, nos termos do art. 197, § 7º da Carta Magna. Assim, os requisitos legais a serem cumpridos para a obtenção do aludido beneficio fiscal não são sequer os da Lei ordinária 8.212/91 e sim da Lei 5.172/66, que instituiu o Código Tributário Nacional e que foi recepcionada pela CF/88 com status de lei complementar. Aduz que o art. 10 da Lei 3.577/59 instituiu isenção em favor de entidades de fins filantrópicos. Neste sentido obteve provimento judicial para permanecer não recolhendo tais tributos acaso continuasse cumprindo os requisitos da Lei 3.577/59. Defende a tese de que a expressão "lei" utilizada no artigo 195, § 7º referese à lei complementar, pois ali houve uma impropriedade terminológica, inclusive, justificável, vez que diria respeito à isenção, inclusive o Pretório Excelso deferiu a liminar e suspendeu os artigos introduzidos pela Lei 9.732/98, sem adentrar no mérito de verificar se o próprio artigo 55 da Lei 8.212/91 se consubstanciaria constitucional ou não. Alega que cumpre os requisitos necessários para a fruição da isenção (imunidade) previdenciária, conforme o disposto nos artigos 9º e 14 do Código Tributário Nacional, inclusive obteve seu certificado de Entidade de Fins Filantrópicos em 1975 e foi reconhecida de utilidade pública federal em 1972. Explica que por ser uma entidade beneficente todas as receitas, sejam elas originárias de quaisquer fontes são destinadas integralmente na consecução de suas finalidades institucionais dentro do Território Nacional, como exigência legal sobre a matéria. Questiona a constitucionalidade e legalidade da Instrução Normativa 247 da SRF em razão de que ela delimitou o alcance da própria beneficência prestada pelas entidades, já que alterou significativamente o que previu a Constituição e, inclusive, a Lei 8.212/91. Argui que ainda que entendamos como aplicáveis os requisitos insertos em lei ordinária, que segundo interpretação teleológica, não deveria ser, estes são os encartados na Lei 8.212/91, sem as alterações introduzidas por legislação suspensa através de liminar pelo STF, segundo o disposto no art. 17 da MP 2.15835/2001. Colaciona vasta doutrina e jurisprudência para sustentar os seus argumentos. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 16 6 Por fim, requer o recebimento de seu recurso no sentido de julgar improcedente o lançamento. É o relatório. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 17 7 Voto Vencido Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. De início, ainda que não suscitada examinase a questão da decadência por constituir matéria de ordem pública. Como visto, o lançamento abrange os fatos geradores de 31/01/1999 a 31/12/2003 e a ciência do lançamento ocorreu em 23/08/2005. A Lei nº 8.212/91 estabelecia em seu art. 45 que o prazo do direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos era de 10 (dez) anos. Ocorre, todavia, que o Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), após analisar a matéria em sede de controle difuso de constitucionalidade (precedentes recursos extraordinários nºs. 559.9434, 559.8829, 560.6261 e 556.6641), editou a seguinte súmula vinculante: “Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A propósito dos efeitos da súmula vinculante, o artigo 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Neste sentido, é o disposto no art. 2º da Lei 11.417/2006: “Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei.” Fl. 344DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 18 8 Destarte, após a publicação desta súmula no DOU em 20/06/2008 com eficácia imediata para a Fazenda Pública, é inconteste que o prazo decadencial é o estabelecido no Código Tributário Nacional. A contribuição Cofins é sujeita à sistemática do lançamento por homologação. Assim sendo, se houver pagamento antecipado da contribuição em tela, aplicase a regra decadencial do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifouse) Por outro lado, não havendo pagamento, a regra a ser aplicada é a geral do art. 173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Este também é o magistério de Leandro Paulsen: No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, podem ocorrer duas hipóteses quanto à contagem do prazo decadencial do Fisco para a constituição de crédito tributário: I) quando o contribuinte efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício de eventual diferença a maior, ainda devida, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, forte no art. 150, § 4º do CTN; 2) quando o contribuinte não efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte ao de ocorrência do fato gerador, o que decorre da aplicação, ao caso, do art. 173, I, do CTN. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 19 9 Importante é considerar que, conforme o caso, será aplicável um ou outro caso prazo; jamais os dois sucessivamente, pois são excludente um do outro. Ou é o caso de aplicação da regra especial ou da regra geral, jamais aplicandose as duas no mesmo caso. (Leandro Paulsen, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2010, p. 1.190 e 1.191). Nessa esteira é o Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008: (...) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; O Superior Tribunal de Justiça também consolidou esse entendimento, inclusive em sede de recurso repetitivo de controvérsia: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.INCIDÊNCIA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, na Sessão Plenária de 12.6.2008, editou a Súmula Vinculante n. 8, publicada no DO de 20.6.2008, com este teor: "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5.º do DecretoLei n. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 2. Nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação é de se aplicar o art.173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. No REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/9/2009, submetido ao Colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543C do CPC, reafirmouse tal posicionamento (grifouse). (REsp 1090021, DJe 05/05/2010) Fl. 346DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 20 10 Registrese, por oportuno, que no caso vertente, do exame do lançamento verificase que não existiu pagamento antecipado, logo aplicase a regra estabelecida no art. 173, I, do CTN. O lançamento de ofício lançamento abrange os fatos geradores de 31/01/1999 a 31/12/2003 e a ciência do lançamento ocorreu em 23/08/2005. Destarte, aplicandose como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, contatamos que encontrase atingido pelo instituto da decadência os fatos geradores até 30/11/1999. No mérito, a recorrente sustenta essencialmente que não está sujeita ao recolhimento da Cofins em face de ofensa ao dispositivo constitucional estabelecido no art. 195, § 7°, da Constituição Federal de 1988, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Da inteligência deste dispositivo, é importante consignar que tratase de imunidade constitucional, como bem asseverado pela recorrente, porém esta imunidade é condicionada as exigências estabelecidas em lei. Desta forma, em relação aos fatos geradores a partir de 01/02/1999 a imunidade da Cofins foi disciplinada nos arts. 13 e 14 da MP 2.15835/2001: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: (...) III instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997; IV instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997; Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. (...) Fl. 347DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 21 11 Assim, o cerne do litígio consiste em definir o alcance do conceito de receitas relativas às atividades próprias. A fim de regulamentar estas disposições, a então Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 247/2002 que em seu art. 47, § 2º, estabeleceu a concepção de receitas relativas às atividades próprias: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: (...) II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (grifouse) Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação. Essa norma complementar não atentou contra a legalidade, além de não ter extrapolado os limites traçados na respectiva lei. Deste modo, as receitas que implicassem em um caráter contraprestacional direto, tais como mensalidades e receitas da cantina, estariam sujeitas a incidência da Cofins. Em linhas gerais para o gozo da isenção é necessário que as receitas sejam relativas às atividades próprias da entidade. De sorte que se as receitas decorrem de atividades que exijam uma prestação de serviço, elas devem ser tributadas pela Cofins. Verificase que a Fiscalização não tributou as receitas decorrentes das atividades próprias da entidade. Em regra, as receitas próprias das entidades cuja finalidade social é a difusão do ensino, são doações, contribuições, anuidades ou mensalidades pagas para a manutenção da instituição, mas que não tenham cunho contraprestacional. Havendo a feição de remuneração pelo serviço prestado, isto é, caracterizada a atividade de natureza empresarial praticada de forma concorrencial, ainda que sem o objetivo de lucro, em que os diversos prestadores atuam de forma independentes com vistas a alcançar os consumidores, é de se incidir a contribuição. Neste sentido, já decidiu o Superior Tribunal de Justiça: AGRAVANTE:FUNDAÇÃO ESCOLA SUPERIOR DO MINISTÉRIO PÚBLICO FESMP AGRAVADO: FAZENDA NACIONAL Fl. 348DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 22 12 TRIBUTÁRIO – FUNDAÇÃO DE DIREITO PRIVADO – ATIVIDADES REMUNERADAS – CONTRAPRESTAÇÃO – FATOS GERADORES NÃO ISENTOS – INCIDÊNCIA DA COFINS – REEXAME FÁTICOPROBATÓRIO INEXISTENTE – NORMA DE ISENÇÃO TRIBUTÁRIA – INTERPRETAÇÃO DADA NA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A controvérsia essencial dos autos restringese aos seguintes aspectos: a) suposta existência de reexame do conjunto fático probatório na decisão agravada; b) alegado equívoco na interpretação da norma de isenção da COFINS. 2. Do exame da decisão agravada, constatase, ao contrário do alegado pela agravante, que o caráter contraprestacional de serviços profissionais de ensino e de treinamento implica incidência da COFINS e prescinde de reexame fático probatório contido nos autos. 3. A legislação de regência foi aplicada na forma da jurisprudência dominante do STJ. Denotase que, ao contrário do decidido pelo Tribunal de origem, o STJ entende que segundo a exegese do art. 111, inciso II, do CTN, a legislação tributária que outorga a isenção deve ser interpretada literalmente. Portanto, inexiste suposta isenção no caso, uma vez que a agravante aufere receita oriunda da remuneração pela prestação de serviços. (AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 476.246 RS (2002∕01484681, Acórdão publicado em 12/11/2007) (grifouse) Em suma, as receitas, mensalidades e venda de produtos na cantina, que possuem caráter contraprestacional não estão isentas da Cofins. Em relação à alegação de que o art. 10 da Lei 3.577/59 instituiu isenção em favor de entidades de fins filantrópicos e que a interessada obteve provimento judicial para permanecer não recolhendo tais tributos acaso continuasse cumprindo os requisitos da Lei 3.577/59, é inequívoco que essa tese deve ser rechaçada porque, como visto, legislação superveniente de natureza constitucional e infraconstitucional disciplinou a imunidade/isenção das contribuições sociais. Ademais, nesta época a contribuição Cofins não havia sido sequer instituída, assim não há que se falar em violação da coisa julgada. Além do mais a autoridade julgadora não pode afastar a aplicação de normas jurídicas, pois o controle das constitucionalidades das leis é prerrogativa do Poder Judiciário, seja pelo controle abstrato ou difuso, de tal maneira que a autoridade julgadora não pode se manifestar sobre a constitucionalidade ou legalidade da aludida Medida Provisória. Por outro lado, em que pese que a matéria alargamento da base de cálculo não tenha sido suscitada de forma específica na impugnação, ela será apreciada por este colegiado em face do princípio da legalidade que norteia a administração pública. Tenhase presente que a Lei nº 9.718/98, conversão da Medida Provisória nº 1.724/98, estendeu o conceito de faturamento, base de cálculo das contribuições PIS e Cofins, definindoo no §1º do art. 3º como "receita bruta" da pessoa jurídica, e esta seria “a totalidade Fl. 349DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 23 13 das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Ocorre, todavia, que o Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, e n.º 346.0846/PR, do Ministro Ilmar Galvão, pacificou o entendimento da inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo das contribuições destinadas ao PIS e à Cofins, promovida pelo § 1º, do artigo 3º, da Lei n.º 9.718/98. Os aludidos acórdãos foram assim ementados: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Em outra oportunidade, a Excelsa Corte (STF), por unanimidade, ao apreciar o recurso extraordinário nº 585235, DJ nº 227 do dia 28/11/2008, reconheceu a existência de repercussão geral e reafirmou a jurisprudência no sentido da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, conforme decisão transcrita abaixo: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Outrossim, o Decreto nº 70.235/72, que rege o processo fiscal, estabelece: Fl. 350DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 24 14 “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade* (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:* I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;* (...)” *Nova redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 Destarte, são inúteis e desnecessárias eventuais discussões de outras teses sobre o conceito de faturamento. As autoridades administrativas têm que se submeter ao entendimento do Supremo Tribunal Federal e, de fato, atribuir eficácia em relação ao mérito. Neste sentido, alterouse o Regimento Interno do Conselho Administrativo Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria nº 256/2009 do Ministro da Fazenda, com alterações das Portarias 446/2009 e 586/2010. O artigo 62A dispõe que os Conselheiros têm que reproduzir as decisões do STF proferidas na sistemárica da repercussão geral, in verbis: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. {*} (...) {*} alteraçãos introduzida pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010 ( grifouse) Além do mais, em consonância com o entendimento da Excelsa Corte, a Lei nº 11.941/09 revogou expressamente o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98. Da análise dos demonstrativos de receitas, verificase que as receitas financeiras integraram a base de cálculo da contribuição Cofins. Com efeito, nesta matéria é incontroverso o direito da recorrente, visto que o alargamento da base de cálculo da contribuição com fundamento no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 foi declarado inconstitucional pelo Excelso STF. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário até o período de apuração 30/11/1999 e excluir do lançamento as receitas financeiras. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 351DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 25 15 Voto Vencedor Conselheira MARIA INÊS CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Com a devida vênia, no que tange ao mérito, ouso discordar do douto Conselheiro Relator. Dispõe o art. 195, § 7°, da Constituição Federal de 1988, in verbis: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: (...) 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Verificase, pois, tratarse de imunidade constitucional, voltada a entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei. Ora, a Recorrente, conforme exaustivamente demonstrado pela documentação acostada aos autos do presente processo, é entidade de assistência social, como tal sempre reconhecida pelo Ministério da Previdência Social, e que preenche os requisitos do artigo 14 do CTN. Está, pois, enquadrada como instituição de assistência social, nos termos do artigo 195 § 7º da Constituição Federal. A par do meu entendimento de que o artigo 55 cria condições não constantes do artigo 14 do CTN, porquanto as isenções contributivas são imunidades e, para gozo das imunidades, bastaria o cumprimento das disposições do art. 14 do CTN; é de se destacar também que a Recorrente demonstrou preencher os requisitos dispostos no artigo 55 da Lei no. 8.212/1991. Detém certificado de Entidade de Fins Filantrópicos desde 1975 e obteve reconhecimento de utilidade pública federal em 1972. Preenche, pois, todos os requisitos constitucionais do artigo 14 do CTN e também os requisitos do artigo 55 da lei 8212/91. Estes os dispositivos que vieram regulamentar a imunidade prevista no citado artigo 195 § 7º da Constituição Federal, e não os artigos 13 e 14 da MP 2.15835/2001, com todo o respeito ao entendimento contrário do Relator. E nem mesmo poderia ser. Isso porque o artigo 13 da MP 2.15835/2001 elenca o rol de entidades sujeitas à cobrança da contribuição para o PIS/PASEP com base na folha de salários. Daí se conclui que tal mandamento não poderia alcançar a Recorrente ou Fl. 352DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 26 16 qualquer outra entidade imune, em face de sua intributabilidade absoluta por contribuições, haja vista que está alcançada pela regra da imunidade. É bem verdade que, na lista das entidades mencionadas no artigo 13, constam as instituições de educação e de assistência social a que se refere o art. 12 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Porém, tais entidades a que o mencionado art. 12 se refere são as imunes a impostos, alcançadas pelo artigo 150, VI, alínea c, da Constituição Federal. As entidades de assistência social imunes a impostos nem sempre estão alcançadas pela imunidade contributiva, prevista no artigo 195, § 7º da Constituição Federal. Isso porque, para ser reconhecida como imune à incidência de contribuições para o financiamento da Seguridade Social, deve a entidade ser não apenas de natureza assistencial sem fins lucrativos, mas também ser beneficente. Nessa lista também constam as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as associações, a que se refere o art. 15 da Lei no 9.532, de 1997. E, ao realizar uma interpretação deste dispositivo legal conforme à Constituição, temse que tais entidades não são confundidas com as entidades beneficentes de assistência social, porquanto, caso fossem, jamais poderiam estar sujeitas à Contribuição ao PIS sobre folha de salários. Por conseguinte, as entidades a que se referem o art. 13 da MP 2.15835/2001 não alcançam as entidades beneficentes de assistência social, como a Recorrente, não se subsumindo esta à regra matriz de incidência lá prevista. Por óbvio, e conseqüentemente, também o artigo 14 da MP 2.15835/2001 não alcança a Recorrente. Isso porque este prevê a isenção da COFINS quanto às receitas relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13, supra analisado. Ora, como as entidades a que se refere o artigo 13 da MP 2.15835/2001 não são as entidades imunes previstas no artigo 195, § 7º da Constituição Federal, o artigo 14, igualmente, não é aplicável à Recorrente, que observa, sim, os requisitos impostos pelo artigo 55 da Lei no. 8.212/2001. Porém, mesmo que se admitisse a subsunção da Recorrente à norma contida no artigo 14, que prescreve a isenção da COFINS quanto às receitas relativas às atividades próprias, melhor sorte não teria a pretensão fiscal. Isso porque todas as receitas aferidas pela Recorrente são, pelo que se depreende da análise dos autos, relativas às suas atividades próprias. Porém, ao conceituar o que seriam as receitas relativas às atividades próprias da Recorrente, lançou mão o agente fiscal do disposto na Instrução Normativa nº 247/2002 que em seu art. 47, § 2º, estabeleceu a concepção de receitas relativas às atividades próprias: Art. 47. As entidades relacionadas no art. 9º desta Instrução Normativa: (...) II são isentas da Cofins em relação às receitas derivadas de suas atividades próprias. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 27 17 § 1º Para efeito de fruição dos benefícios fiscais previstos neste artigo, as entidades de educação, assistência social e de caráter filantrópico devem possuir o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social expedido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos, de acordo com o disposto no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991. § 2º Consideramse receitas derivadas das atividades próprias somente aquelas decorrentes de contribuições, doações, anuidades ou mensalidades fixadas por lei, assembleia ou estatuto, recebidas de associados ou mantenedores, sem caráter contraprestacional direto, destinadas ao seu custeio e ao desenvolvimento dos seus objetivos sociais. (grifouse) Admitir a restrição da imunidade àquelas receitas sem caráter contraprestacional direto, conforme determina a norma acima transcrita, é admitir que a autoridade fiscal determine o nível da imunidade, as condições, os benefícios. Não faz o menor sentido, visto que, se assim tivesse o constituinte disposto, à nitidez, não seria a autoridade fazendária que se submeteria ao legislador Constituinte, mas este que se submeteria à autoridade fazendária. O que se verifica, na norma supra transcrita, é a exigência da total gratuidade na prestação da assistência social, exigência esta, repisese, jamais feita pelo legislador constitucional, tampouco pela própria lei. De se destacar que o próprio Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão no sentido de que a remuneração de entidades de saúde por serviços prestados (ADIN nº 2028 DF) não desnatura a assistência social, visto que tais entidades não são “filantrópicas”, mas “beneficentes” e que a “filantropia” é espécie do gênero “beneficência”. Leiase trecho do voto do eminente Ministro Moreira Alves: “Com efeito, a Constituição, ao conceder imunidade às entidades beneficentes de assistência social, o fez para que fossem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios auxiliados nesse terreno de assistência aos carentes por entidades que também dispusessem de recursos para tal atendimento gratuito, estabelecendo que a lei determinaria as exigências necessárias para que se estabelecessem os requisitos necessários para que as entidades pudessem ser consideradas beneficentes de assistência social. É evidente que tais entidades, para serem beneficentes, teriam de ser filantrópicas (por isso, o inciso II do artigo 55 da Lei 8.212/91, que continua em vigor, exige que a entidade "seja portadora do Certificado ou do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Serviço Social, renovado a cada três anos"), mas não exclusivamente filantrópicas, até porque as que o são não o são para o gozo de benefícios fiscais, e esse benefício concedido pelo § 7° do artigo 195 não o foi para estimular a criação de entidades exclusivamente filantrópicas, mas, sim, das que, também sendo filantrópicas sem o serem integralmente, atendessem às exigências legais para que se impedisse que qualquer entidade, desde que praticasse atos de assistência filantrópica a carentes, gozasse da imunidade, que é Fl. 354DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 28 18 total, de contribuição para a seguridade social, ainda que não fosse reconhecida como de utilidade pública, seus dirigentes tivessem remuneração ou vantagens, ou se destinassem elas a fins lucrativos. Aliás, são essas entidades que, por não serem exclusivamente filantrópicas, têm melhores condições de atendimento aos carentes a quem o prestam que devem ter sua criação estimulada para o auxílio ao Estado nesse setor, máxime em época em que, como a atual, são escassas as doações para a manutenção das que se dedicam exclusivamente à filantropia” 1. Inferese, do julgado mencionado, que a imunidade das entidades de assistência social não depende da cobrança por serviços prestados, sendo suficiente que a entidade de assistência social não tenha fins lucrativos e seja voltada ao bem dos outros e não dos seus detentores. Não se deve reduzir a imunidade à caridade e filantropia, o que não esteve no cálculo do constituinte, que dá à sociedade a possibilidade de cooperar com o governo na esfera da educação e da assistência com organismos fortes, autosuficientes e progressistas, certo que sem atividade econômica própria não poderiam tais entes desenvolver as funções educacionais e assistenciais a que se propuseram. Exigir que, para o gozo da imunidade, a Recorrente não possua receitas de caráter contraprestacional implicaria reduzir a assistência social a um conceito oitocentista segundo o qual esta deve ser compreendida numa acepção filantrópica, em que o homem fica à mercê da caridade e da esmola alheia, colaborando para que ele nunca atinja a verdadeira dignidade no contexto social. A previsão do art. 47, § 2º, da Instrução Normativa nº 247/2002 não consta em lei. A bem da verdade, extrapola os ditames da lei. Sob pretexto de regulamentála, cria condição que a própria lei não vislumbrou, alargando seus limites e, o que é mais grave, limitando a imunidade. Por conseguinte, entendo que todas as receitas inerentes à atividade da Recorrente, sejam elas decorrentes de doação, ou mesmo as de caráter contraprestacional direto, tais como mensalidades e receitas da cantina, não estão sujeitas à incidência da Cofins. Assim, acompanhando o Relator no que tange ao prazo decadencial, também no que tange ao mérito, voto pelo total provimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel – Relatora designada 1 ADINs n. 20285 e 20366 (Medida Liminar). Fl. 355DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10510.001810/200508 Acórdão n.º 3801001.131 S3TE01 Fl. 29 19 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 10/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 28/05/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07 /06/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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