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Numero do processo: 10746.720373/2013-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008, 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.
Constata a contradição apontada pelo contribuinte no acórdão embargado, é de rigor a apreciação das razões de defesa apontadas com a finalidade de sanar o vício na decisão.
Numero da decisão: 2201-004.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a contradição apontada nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ERRO MATERIAL Embargante JOSE EDUARDO SENISE Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. Constata a contradição apontada pelo contribuinte no acórdão embargado, é de rigor a apreciação das razões de defesa apontadas com a finalidade de sanar o vício na decisão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a contradição apontada nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 72 03 73 /2 01 3- 63 Fl. 1419DF CARF MF Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201004.931 S2C2T1 Fl. 1.413 2 Cuidase de Embargos de Declaração de fls. 1343/1379, interposto contra o Acórdão nº 2201003.909, de fls. 1327/1333, o qual acolheu os embargos de fls. 1242/1264, opostos pelo ora EMBARGANTE, para sanar a omissão apontada e, sem efeitos infringentes, alterar a decisão prolatada anteriormente para reconhecer a não aplicação do artigo 129 da Lei nº 11.196/2005 ao caso concreto. Referido acórdão restou assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008, 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Constata a omissão apontada pelo contribuinte no acórdão embargado, é de rigor a apreciação das razões de defesa apontadas com a finalidade de sanar o vício na decisão. CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS FIRMADO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. COMPROVAÇÃO DE QUE A PESSOA FÍSICA NÃO ATUOU EM NOME DA SUA EMPRESA INDIVIDUAL. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO NA PESSOA FÍSICA. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco afastar a tributação através de Pessoa Jurídica, desde que consiga comprovar que o contribuinte pessoa física atuou dentro do modus operandi da empresa contratante, agindo em nome desta, mediante indicação de fatos que afastam a sua qualificação como mero prestador de serviço intelectual. Dos Embargos de Declaração O EMBARGANTE, devidamente intimado do Acórdão nº 2201003.909 em 05/01/2018 (sextafeira), conforme termo de fl. 1.386, apresentou os Embargos de Declaração de fls. 1343/1379 em 12/01/2018. Em suas razões, alega o EMBARGANTE que o aresto proferido teria incorrido em erro de fato, quanto à existência de relação de emprego entre o ora EMBARGANTE e a COOPERATIVA DOS AGRICULTORES DA REGIÃO DE ORLÂNDIA (“CAROL”). Os aclaratórios do contribuinte foram acolhidos para correção de contradição existente entre o acórdão ora embargado (nº 2201003.909) e o primeiro acórdão de nº 2201 002.700. Adiante transcrevo trecho do despacho de admissibilidade de fls. 1408/1412: “Cientificado do acórdão em 05/01/2018 sextafeira (Termo de Ciência efl. 1386 e ss), o contribuinte opôs, tempestivamente, em 12/01/2018, os Embargos de Declaração de efls. 1343 a 1379, com fundamento nos artigos 65 e 66 do RICARF, alegando a existência de erro de fato, quanto à existência de relação de emprego entre o ora embargante e a empresa CAROL. Aduz que o acórdão embargado assumiu que a "Autoridade Fiscal teria alegado e comprovado a relação de emprego (...), sendo que, na realidade, o Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201004.931 S2C2T1 Fl. 1.414 3 Auto de Infração diz exatamente o contrário (a infração constante da "descrição dos fatos e enquadramento legal" corresponde à suposta "omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoas jurídicas")." Por fim, requer que "todas as intimações e notificações a serem feitas, relativamente às decisões proferidas neste processo, sejam encaminhadas aos seus procuradores (...) bem como sejam enviadas cópias ao Embargante, no endereço constante destes autos". (...) Como esclarece o contribuinte, o acórdão ora embargado cuidava de analisar omissão no Acórdão nº 2201002.700 quanto à aplicação ou não do art. 129 da Lei nº 11.196/05 ao caso concreto. Transcrevese as ementas do citado Acórdão: ‘ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF AnoCalendário: 2008,2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS EM ATIVIDADE DE DIRETOR EXECUTIVO. IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA FÍSICA. INCIDÊNCIA. São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vínculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte de da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei 7.713, art. 3º, §4º). Os rendimentos auferidos pela prestação individual de serviços em atividade de Diretor Executivo, que são prestados de forma pessoal, são tributados na pessoa física. MULTA QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. Em suposto planejamento tributário, quando identificada a convicção do contribuinte de estar agindo segundo o permissivo legal, sem ocultação da prática e da intenção final dos seus negócios, não há como ser reconhecido o dolo necessário à qualificação da multa, elemento este constante do caput dos art. 71 a 73 da Lei nº4.502/64. EXCLUSÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE TRIBUTAÇÃO NA FIRMA INDIVIDUAL PRESTADORA DO SERVIÇO DO IMPOSTO APURADO NA PESSOA FÍSICA. A BASE DE CÁLCULO DA MULTA DE OFÍCIO DEVE SER O MONTANTE DO IMPOSTO APÓS A EXCLUSÃO DOS VALORES PAGOS NA FIRMA INDIVIDUAL PRESTADORA DO SERVIÇO. A despeito do equívoco de tributar os rendimentos do trabalho na firma individual, devese aproveitar, na quantificação do imposto devido, os pagamentos feitos, Fl. 1421DF CARF MF Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201004.931 S2C2T1 Fl. 1.415 4 abatendoos do imposto devido, remanescendo dessa forma um imposto de renda minorado, que passa a ser a base de cálculo da multa de ofício. LANÇAMENTO. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende o tributo e a multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora.’ Portanto a decisão ora embargada passou a integrar a decisão proferida nos termos do Acórdão retrocitado, no qual foi reconhecida a prestação de serviços de forma pessoal (e não através da empresa J.E.Senise): Não resta dúvida, considerando os aspectos destacados no parágrafo supra de que foi o Sr. José Eduardo Senise, pessoa física, quem foi contratado para desenvolver atividades na CAROL, atividades estas próprias de Diretor Executivo. Foi o Sr. José Eduardo Senise, pessoalmente, quem assumiu a responsabilidade pelo trabalho, conforme ficou claro na apresentação do mesmo ao Conselho Administrativo da CAROL, a todos os órgãos e entidades ligados ao cooperativismo, ao agronegócio, órgãos do governo federal e estadual, bem como a fornecedores, parceiros comerciais. Em nenhum momento falouse na empresa J. E. Senise Consultoria Empresarial ou em contrato com esta empresa. (Grifamos.) Por seu turno, na sessão de julgamento realizada em 14/09/2017, ao proferir o acórdão ora embargado, a turma julgadora afastou a aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196/05 ao presente caso, com fundamento na comprovação da relação de emprego, conforme os seguintes excertos: O EMBARGANTE defende a aplicação ao caso concreto do artigo 129 da Lei nº 11.196/2005, alegando que a receita auferida deveria ser tributada segundo o regime de apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois estaria prestando um “serviço de natureza eminentemente intelectual” à empresa contratante. No entanto, entendo que não assiste razão ao ora EMBARGANTE. ... Por fim, entendo que o dispositivo do art. 129 da Lei nº 11.196/2005 não tem o condão de afastar a atuação das autoridades fiscais quando comprove a ocorrência da relação de emprego no bojo de contrato firmado entre pessoas jurídicas. Sobre o tema, peço vênia para transcrever trecho do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201004.931 S2C2T1 Fl. 1.416 5 Silva Vieira no acórdão nº 9202004.641 da 2ª Turma da CSRF: ‘Todavia, verificandose presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego (conforme descrito no item anterior) não há de se cogitar da aplicação do art. 129 da Lei n.º 11.196/2005, mas do art. 9.º da CLT, in verbis: (...) Portanto, concluise que não assiste razão ao ora EMBARGANTE em seu pleito pela aplicação do artigo 129 da Lei nº 11.196/2005 e, consequentemente, não tributando o contribuinte de acordo com o regime de tributação das pessoas jurídicas. Isso porque os documentos coletados e fatos apurados durante o curso processual comprovam que o RECORRENTE nunca atuou em nome da empresa individual J.E. Senise Consultoria Empresarial, mas sim atuou dentro do modus operandi da empresa contratante, o que converge para o fato de que o RECORRENTE agia em nome dessa empresa contratante e, consequentemente, não permitindo a tributação através de Pessoa Jurídica. (grifamos) Verificase assim que a fundamentação utilizada para a não aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196/05 pelo acórdão embargado apresenta contradição com a conclusão do Acórdão nº 2201002.700, devendo ser revista somente nesta parte. Finalmente, quanto ao requerimento de que todas as intimações sejam enviadas inclusive ao Patrono e encaminhadas a endereço diverso do contribuinte que se encontra em litígio, cabe informar da limitação contida no comando do §4º, do art. 23 do Decreto 70.235/72 que dispõe sobre o endereço fornecido para fins cadastrais a SRF. Sendo, portanto, descabida tal pretensão. Diante do exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, ACOLHO os Embargos de Declaração opostos pelo Sujeito Passivo, para correção da contradição apontada, mediante a prolação de um novo acórdão." (grifos e negritos no original) É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Os embargos de declaração são tempestivos. Conforme fundamentos expostos na decisão de admissibilidade de fls. 1408/1412, conheço dos aclaratórios apenas em relação à contradição apontada, acerca da fundamentação utilizada no acórdão nº 2201003.909 para a não aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196/05 ao caso concreto contrariar a conclusão do acórdão nº 2201002.700. Fl. 1423DF CARF MF Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201004.931 S2C2T1 Fl. 1.417 6 Isto porque, conforme relatado, o acórdão nº 2201002.700 tratou o contribuinte ora EMBARGANTE como prestador individual de serviços em atividade de diretor executivo; já o acórdão embargado (nº 2201003.909) afirmou que “o dispositivo do art. 129 da Lei nº 11.196/2005 não tem o condão de afastar a atuação das autoridades fiscais quando comprove a ocorrência da relação de emprego no bojo de contrato firmado entre pessoas jurídicas”, e citou trecho do voto proferido pela Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no acórdão nº 9202004.641 da 2ª Turma da CSRF para embasar o alegado. Contudo, entendo que o erro apontado pelo EMBARGANTE não é capaz de anular o lançamento ou até mesmo o acórdão embargado. Isto porque a afirmação de que houve relação de emprego foi utilizada em uma passagem do voto proferido por este julgador Relator, não se tratando de reconhecimento inequívoco de tal fato, nem muito menos foi o fundamento basilar para a não aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196/05 ao caso concreto. Inicialmente, cumpre transcrever o teor do mencionado dispositivo legal: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Apesar de o contribuinte apontar o que chamou de erro de fato como se fosse um erro de premissa, entendo que o resultado do julgamento não deve ser alterado. É que, na opinião deste Relator, mesmo no caso de prestação individual de serviços, para a aplicabilidade do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, deve estar demonstrado que a pessoa física não entrou no modus operandi da tomadora dos serviços, conforme já exposto no acórdão embargado. Em outras palavras: a fim de permitir a aplicação e forma de tributação prevista no art. 129 da Lei nº 11.196/2005, a pessoa física que exerce os serviços em nome da pessoa jurídica contratada pela tomadora não deve adentrar no modus operandi desta. Isto significa, por exemplo, que a pessoa jurídica contratada deva atuar no mercado como verdadeira prestadora de serviços intelectuais, e não contratada como forma de fazer com que seu sócio preste serviço exclusivamente a apenas uma tomadora. E esta premissa vale para qualquer forma ou denominação de contratação do trabalhador, seja na condição de empregado, contribuinte individual (caso dos autos, em que o EMBARGANTE exercia atividade de Diretor Executivo, sem vínculo empregatício) ou qualquer outro. É sabido que o art. 129 da Lei nº 11.196/2005 permite que a prestação de serviços pela empresa contratada se dê em caráter personalíssimo. No entanto, referido dispositivo legal não foi criado para legalizar toda e qualquer prestação de serviço por meio de pessoa jurídica, impedindo a aplicação das normas de tributação relativas às pessoas físicas e a observância dos direitos sociais e individuais aos trabalhadores, mas tão somente para dar validade a figura da sociedade quando o exercício das atividades for efetivamente idealizado e assumido pela pessoa jurídica. No presente caso, o contribuinte pleiteia a aplicação do mencionado dispositivo, mas o que se vê é a prestação de serviços não só de maneira personalíssima, mas Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201004.931 S2C2T1 Fl. 1.418 7 também de forma exclusiva à COOPERATIVA DOS AGRICULTORES DA REGIÃO DE ORLÂNDIA (“CAROL”), entrando o sócio da J.E. Senise Consultoria Empresarial (EMBARGANTE) no modus operandi da tomadora e efetuando o exercício do cargo de Diretor Executivo da CAROL, com todas as atribuições e competências previstas nos artigos 37, 43 e 45 do seu Estatuto. Tanto que, em diligência na J. E. Senise Consultoria Empresarial (empresa prestadora de serviços), os únicos documentos obtidos no período sob fiscalização foram as notas fiscais de serviço de “consultoria e assessoria empresarial” emitidas exclusivamente em favor da CAROL. Os elementos dos autos convergem para o entendimento de que a J. E. Senise, através de seu sócio, ora EMBARGANTE, servia apenas à CAROL. Isso demonstra a sua relação de exclusividade com a CAROL, de forma que não aplicável o art. 129 da Lei nº 11.196/2005. Ademais, conforme exposto no acórdão embargado, o Termo de Verificação Fiscal aponta que quem foi contratado como Diretor Executivo da Carol foi o próprio fiscalizado, pessoa física, e não a J. E. Senise Consultoria Empresarial, conforme aponta a Ata da Reunião Extraordinária do Conselho de Administração da CAROL, de 15/09/2006, convocada especificamente para o fim de "...ratificar formalmente a contratação do dr. José Eduardo Senise, ocorrida no dia 8 de maio de 2006, para desempenhar o cargo de Diretor Executivo da Carol. Nos termos do parágrafo segundo do artigo 41 do Estatuto Social, o quadro de competências do novo Diretor Executivo foi definido pelo Conselho de Administração através de procuração pública. Se fosse valer o entendimento da EMBARGANTE, qualquer pessoa física que exerça a prestação individual de serviços em atividade de diretor não empregado exclusivo poderia ser contratada através de uma pessoa jurídica para fins do art. 129 da Lei nº 11.196/2005, o que, s.m.j., não é o entendimento aplicável ao caso. Neste sentido, replico os argumentos do acórdão embargado para embasar a afirmação de que, no presente caso, o EMBARGANTE adentrou no modus operandi da tomadora de serviços. É que, como bem demonstrado durante o curso processual, os supostos “serviços” prestados pelo EMBARGANTE à CAROL, nada mais foram do que o efetivo exercício do cargo de Diretor Executivo desta empresa, com todas as atribuições e competências previstas nos artigos 37, 43 e 45 do seu Estatuto. Tal fato restou comprovado através da análise dos documentos apresentados pelo próprio EMBARGANTE e coletados em diligências realizadas junto à CAROL e à J.E. Senise Consultoria Empresarial. Em especial, merecem ser repisadas sete situações apontadas pelo Termo de Verificação fiscal (fls. 850): 1. O fiscalizado foi contratado como Diretor Executivo da Carol em 8 de maio de 2006 conforme Ata da Reunião Extraordinária do Conselho de Administração da CAROL, de 15/09/2006, convocada especificamente para o fim de "...ratificar formalmente a contratação do dr. José Eduardo Senise, ocorrida no dia 8 de maio de 2006, para desempenhar o cargo de Diretor Executivo da Carol. Nos termos do parágrafo segundo do artigo Fl. 1425DF CARF MF Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201004.931 S2C2T1 Fl. 1.419 8 41 do Estatuto Social, o quadro de competências do novo Diretor Executivo foi definido pelo Conselho de Administração através de procuração pública. "; 2. Nas procurações públicas lavradas no Tabelião de Notas e de Protesto de Letras e Título de Orlândia, cujas cópias integram o presente processo administrativo, e que foram parcialmente transcritas nos itens 2.2.1.1 e 2.2.1.2 acima (do TVF), verificamos que a Carol concedeu ao fiscalizado, na qualidade de Diretor Executivo, em conjunto com qualquer outro diretor, poderes para praticar todos os atos da competência da Diretoria Executiva além de outros atos a serem realizados em conjunto com qualquer procurador ou diretor; 3. Assim, no uso de suas atribuições como Diretor Executivo e a partir da leitura das atas das fls. 39 a 88 das reuniões do Conselho de Administração da Carol, registradas em o Livro de Atas do Conselho de Administração da Carol, constatamos que na pauta das reuniões ordinárias do referido Conselho havia um item específico denominado Resumos das Atividades da Diretoria Executiva nos quais o fiscalizado discorria sobre as suas atividades no período tais como: atendimentos a banqueiros e advogados, reuniões com gerentes de outros departamentos da empresa; reuniões com presidentes e diretores de diversas empresas parceiras e/ou fornecedores (IBM, Monsanto, Milênia, Accenture, Dupont, etc.); apresentação de projetos/estudos em desenvolvimento e a serem desenvolvidos pela Diretoria Executiva; juntamente com outros de eventos políticos e/ou técnicos (fóruns, reuniões e palestras). 4. Conforme Contrato, os serviços eram realizados nas dependências da Carol e com o apoio de todo o seu corpo de funcionários desta empresa, uma vez que a empresa individual do fiscalizado não possuía funcionários; 5. Além das atas acima referidas, documentos coletados em diligência na Carol demonstram que o fiscalizado enviava e recebia emails e correspondências diversas nos quais assinava como Diretor Executivo da Carol; 6. Apesar de todos os atos realizados pelo fiscalizado como Diretor Executivo, atos estes de competência exclusiva de prestação de serviços de pessoa física, nenhum pagamento foi efetuado pela Carol em nome do fiscalizado. Todos os pagamentos pelos serviços prestados pelo fiscalizado no cargo de Diretor Executivo foram efetuados a favor da empresa individual J. E. Senise Consultoria Empresarial, no montante de R$1.825.265,40 em 2008 e de R$1.923.801,66 em 2009, diferentemente dos membros do Conselho de Administração e Fiscal cuja remuneração foi deliberada em Assembleia Geral Ordinária da Carol de 29 de março de 2008 (ver ata transcrita no Livro de Registro de Atas de Assembleias Gerais às fls. 52 a 56, especificamente à fl 54). 7. Além disto, em diligência na J. E. Senise Consultoria Empresarial, os únicos documentos obtidos da J. E. Senise Consultoria Empresarial, no Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 10746.720373/201363 Acórdão n.º 2201004.931 S2C2T1 Fl. 1.420 9 período sob fiscalização, foram as notas fiscais de serviço de “consultoria e assessoria empresarial” emitidas exclusivamente em favor da Carol. Isto posto, a despeito do contrato de prestação de serviços celebrado entre a J.E. Senise Consultoria Empresarial e a CAROL, temse que o EMBARGANTE exercia o cargo de Diretor Executivo de maneira pessoal, única e exclusiva. Suas atribuições, vale salientar, eram cumpridas no interior das dependências da CAROL com o auxílio do corpo de funcionários desta, bem como as correspondências diversas – tanto postais quanto eletrônicas – a ele eram direcionadas como Diretor Executivo da CAROL, o que afasta a sua pretensão de mero prestador de serviços intelectual. Deste modo, resta claro que o contrato firmado entre a J.E. Senise e a CAROL não objetivava a prestação, de fato, de serviço. No caso dos autos, a empresa contratada (J. E. Senise) não tem outra fonte de renda que não aquela relativa ao contrato firmado com a CAROL; ademais, seu sócio (ora EMBARGANTE) se apresenta como diretor e verdadeiro representante da pessoa jurídica contratante. Caso se tratasse de uma verdadeira prestação de serviço intelectual, o EMBARGANTE não desenvolveria suas atividades dentro do modus operandi da empresa contratante. Com essas considerações, entendo que não devem prosperar as alegações da EMBARGANTE acerca da aplicação do art. 129 da Lei nº 11.196/2005 ao presente caso, haja vista a comprovação, pela autoridade fiscal, de que não há os requisitos para atrair a tributação prevista em tal norma. CONCLUSÃO Em razão do exposto, conheço parcialmente dos Embargos de Declaração e, na parte conhecida, voto por ACOLHER os embargos para, sem efeitos infringentes, sanar a contradição apontada. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator Fl. 1427DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.008114/2008-91
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008
MULTA QUALIFICADA. SIMPLES DECLARAÇÃO INEXATA. INAPLICABILIDADE.
A simples constatação de declaração inexata, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
Assinado digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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SIMPLES DECLARAÇÃO INEXATA. INAPLICABILIDADE. A simples constatação de declaração inexata, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. Assinado digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 81 14 /2 00 8- 91 Fl. 5370DF CARF MF 2 Cuidase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 2201002.279, proferido na Sessão de 19 de novembro de 2013, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 IRRF NÃO DECLARADO EM DCTF. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. A falta de registro em DCTF do Imposto de Renda Retido na Fonte impõe a necessidade do lançamento, para constituição do crédito tributário correspondente, sem considerar os pagamentos efetuados, os quais deverão ser utilizados na sua amortização quando da fase de cobrança. DCTF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. INOCORRÊNCIA. A simples declaração inexata, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação da prática de ato doloso do sujeito passivo. A decisão foi assim registrada: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para que sejam aproveitados os eventuais pagamentos efetuados espontaneamente antes do lançamento, desde que não utilizados anteriormente, e desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. O recurso visa rediscutir a seguinte matéria: Desqualificação da multa de ofício. Em exame preliminar de admissibilidade, a Presidente da Segunda Câmara, da Segunda Seção do CARF deu seguimento ao apelo, nos termos do Despacho de efls. 4.940 a 4.943. Em suas razões recursais a Fazenda Nacional aduz, em síntese, que, ao informar em DCTF valores inferiores aos contabilizados, de forma reiterada, o contribuinte agiu com dolo tendente à fraude e sonegação, o que respalda a aplicação da multa qualificada; que o acórdão recorrido equivocouse quando entendeu que no ilícito cometido pela Recorrida não estaria evidenciado o intuito de fraude; que também não se pode afastar a qualificação sob o fundamento de que o contribuinte colaborou com a fiscalização, o que é um dever e não um favor; que segundo o próprio art. 71 da Lei nº 4.502/64 não é permitido de forma alguma ao contribuinte declarar reiteradamente valores falsos; que tal dispositivo é plenamente compatível com as demais norma que compõem o ordenamento jurídico; que a jurisprudência do CARF corrobora esse entendimento. Cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 28/03/2018 (AR, efls 5.534) o Contribuinte apresentou, em 16/04/2018, as Contrarrazões de efls. 5.299 a 5.310, nas quais defende, em síntese, a manutenção do Acórdão Recorrido com base nos seus próprios fundamentos. É o relatório. Fl. 5371DF CARF MF Processo nº 19515.008114/200891 Acórdão n.º 9202007.511 CSRFT2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Dele conheço. Deixo de considerar as Contrarrazões apresentadas pelo contribuinte, em razão de sua intempestividade. O contribuinte foi cientificado do Acórdão Recorrido, do Recurso Especial da Procuradoria e do Despacho que lhe deu seguimento em 28/03/2018 (AR, efls 5.534), e somente apresentou as Contrarrazões em 16/04/2018, quanto já ultrapassado o prazo regimental de 15 dias. Quanto ao mérito, a matéria devolvida ao Colegiado é a desqualificação da multa de ofício. A decisão recorrida desqualificou a multa sob o fundamento de que a autoridade fiscal não logrou comprovar a pratica de ato doloso, conforme o seguinte trecho do voto condutor do julgado: Quanto à aplicação da multa de ofício no percentual de 150%, penso que sua imposição não é possível, pois a autoridade fiscal não logrou comprovar a prática de ato doloso para a configuração do ilícito penal. A informação de que a suplicante deixou de lançar em DCTF a integralidade das informações constantes da contabilidade, nada mais é do que o próprio pressuposto da autuação, ou seja, simples declaração inexata. Assim, incomprovada a fraude ensejadora da multa isolada, esta não pode subsistir. Dessa forma, o percentual da multa de ofício deve ser reduzido para 75%. De fato, analisando o Termo de Verificação Fiscal, constatase que a autoridade lançadora sequer descreve a conduta do contribuinte que teria ensejado a qualificação da multa, limitandose a se referir ao dispositivo legal (art. 44, § 1°). Ora, o próprio art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a hipótese de qualificação da multa, reportase aos artigos 71, 72 e 73, da Lei 4.502, de 1.964, que descreve as condutas caracterizadoras da sonegação. Confirase: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. O os artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1.964: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: Fl. 5372DF CARF MF 4 I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Sem a demonstração de que a conduta do contribuinte incorreu em alguma das hipóteses referidas nos artigos 71 a 73, da Lei nº 4.502, acima reproduzidos, não se configura a hipótese referida no artigo 44, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, ensejadora da exasperação da penalidade. Neste caso, a autoridade lançadora sequer descreveu a conduta do sujeito passivo. Era indispensável, portanto, que a imputação descrevesse e demonstrasse que o contribuinte incorreu em sonagação, fraude ou conluio, o que não foi o caso. Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito, negolhe provimento. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 5373DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11128.721971/2014-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/05/2009
MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA
A prestação de informação sobre conhecimento de carga em prazo inferior às 48 horas que antecedem a atracação do navio configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação em prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal.
MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Isonomia, Razoabilidade, Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e Vedação ao Confisco.
Numero da decisão: 3002-000.519
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade. Em relação à parte conhecida, acordam, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/05/2009 MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA A prestação de informação sobre conhecimento de carga em prazo inferior às 48 horas que antecedem a atracação do navio configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação em prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Isonomia, Razoabilidade, Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e Vedação ao Confisco.
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MULTA REGULAMENTAR. Recorrente GENERAL NOLI DO BRASIL LTDA EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/05/2009 MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA A prestação de informação sobre conhecimento de carga em prazo inferior às 48 horas que antecedem a atracação do navio configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação em prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Isonomia, Razoabilidade, Proporcionalidade, Capacidade Contributiva e Vedação ao Confisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 19 71 /2 01 4- 81 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11128.721971/201481 Acórdão n.º 3002000.519 S3C0T2 Fl. 105 2 Em relação à parte conhecida, acordam, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o presente processo de auto de infração para a aplicação de multa ao agente de carga pela não prestação de informação sobre carga importada, no prazo definido pela Receita Federal (fls. 2 a 35). De acordo com o auto de infração e seus anexos, a autuada deveria ter informado no Siscomex Carga os dados relativos a um conhecimento eletrônico agregado no prazo mínimo de 48 horas, anterior à a atracação do navio Cap Domingo, que se deu às 8h54min do dia 26.05.2009. Entretanto, a recorrente inseriu a informação às 17h41min do dia 25.05.2009, cerca de 15 horas antes da atracação do navio, motivo pelo qual foi aplicada a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/1966, ipsis litteris: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: ....................................................................................................... IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): ........................................................................................................ e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (grifado) A autuada apresentou impugnação (fls. 43 a 53), na qual alegou inconstitucionalidade da norma por afronta ao princípio da isonomia e a aplicação do instituto da denúncia espontânea. A Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro proferiu o Acórdão nº 12 96.016 (fls. 78 a 83), por meio do qual decidiu pela improcedência da impugnação, tendo em vista a tipicidade da conduta e a responsabilidade do agente de carga definida em lei, bem como a impossibilidade de aplicação da denúncia espontânea para o caso concreto. Acrescentou, ainda, que o julgador administrativo não estava afeto a arguições de inconstitucionalidade ou de ilegalidade. Tratase de acórdão sem ementa, por ser julgamento de baixo valor. O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 09.03.2018, conforme Aviso de Recebimento às fls. 87 e 88, e protocolizou o recurso voluntário em 03.04.2018, conforme Termo de Solicitação de Juntada à fl. 89. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 11128.721971/201481 Acórdão n.º 3002000.519 S3C0T2 Fl. 106 3 Em seu recurso voluntário (fls. 91 a 100), a recorrente retoma as alegações relativas à ofensa ao Princípio da Isonomia, acrescentando os Princípios da Proporcionalidade, da Razoabilidade, da Capacidade Contributiva e da Vedação ao Confisco, bem como a defesa da aplicação de denúncia espontânea no presente caso. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Os únicos argumentos da impugnação, que a multa na forma como foi concebida viola o princípio da isonomia e que cabe a aplicação da denúncia espontânea no caso em tela, foram respondidos pela primeira instância nos seguintes termos: Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que as argüições de inconstitucionalidade ou ilegalidade não estão afetas ao julgador administrativo. Além disso, sequer se pode imaginar a ocorrência de denúncia espontânea, que justamente é regulada no artigo 138 do CTN e tem seu escopo na infração que enseja o pagamento de tributo, não se aplicando esse instituto ao caso concreto. Ainda que de forma extremamente sucinta, o acórdão recorrido aborda as matérias impugnadas, decidindo por não acolher os argumentos, ao que resolve a recorrente responder retomando a tese de que a multa viola princípio constitucional, agora não apenas o da isonomia, mas também da proporcionalidade, da razoabilidade, da capacidade contributiva e da vedação ao confisco. No que tange a argumentação de nulidade de norma por afronta a princípio constitucional, este Colegiado não pode conhecer da matéria por incompetência do julgador administrativo. Tal limitação decorre de previsão expressa, que atinge todas as instâncias do contencioso administrativo, e que foi estabelecida pelo Decreto nº 70.235/1972, da seguinte forma: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(grifado) O Regimento Interno do Carf trata igualmente da matéria em seu art. 62, além de ter emitido súmula nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (grifado) Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11128.721971/201481 Acórdão n.º 3002000.519 S3C0T2 Fl. 107 4 Assim, temos que à Administração Fazendária, bem como ao julgador no contencioso administrativofiscal, cabe realizar o confronto dos atos praticados com a norma posta, vedada a perquirição relativa à existência de vício em lei ou ato normativo infralegal. Para esse propósito, deve a recorrente se socorrer das instâncias judiciais. A segunda parte da defesa está centrada na aplicação do instituto da denúncia espontânea. Tal matéria foi recentemente sumulada pelo Carf, o que implica a adoção obrigatória do entendimento professado pelo Conselho nos seguintes termos: Súmula Carf nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (grifado) Esta Súmula foi publicada exatamente para a situação de que trata este auto de infração, estando, portanto, vedada a aplicação da denúncia espontânea no caso presente. Logo, uma vez demonstrado no auto de infração o descumprimento pela recorrente do prazo mínimo de 48 horas, anterior à atracação do navio, para a prestação de informação sobre a carga relacionada em conhecimento de transporte, deve ser aplicada a multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/1966. A infração aduaneira tem caráter objetivo, respondendo por ela quem deu causa, independentemente da intenção do agente ou mesmo da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato. Quanto ao pedido final para redução do valor da multa “fixada unilateralmente pela Receita Federal do Brasil”, cabe o esclarecimento de que o valor lançado foi fixado pelo Congresso Nacional, não estando na alçada deste Conselho a alteração desse valor se não há previsão para tal na Lei que instituiu a multa. Pelo o exposto, não conheço dos argumentos de inconstitucionalidade e, em relação à parte conhecida, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 107DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.721450/2011-29
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
RECURSO ESPECIAL. SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE.
O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados.
Numero da decisão: 9202-007.399
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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SITUAÇÕES FÁTICAS DIFERENTES. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. IMPOSSIBILIDADE. O Recurso Especial da Divergência somente deve ser conhecido se restar comprovado que, em face de situações equivalentes, a legislação de regência tenha sido aplicada de forma divergente, por diferentes colegiados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 14 50 /2 01 1- 29 Fl. 547DF CARF MF 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física decorrente de omissão de rendimentos por depósitos bancários com origem não comprovada, para o anocalendário de 2008. Segundo a fiscalização, as informações prestadas pelo Contribuinte não comprovam a ocorrência dos contratos de mútuo supostamente firmado entre ele e seus familiares. Os depósitos foram realizados nos meses de março a maio e julho a dezembro de 2018. Contra decisão da Delegacia de Julgamento que manteve o lançamento, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário onde foram reiteradas as argumentações da defesa. Resumidamente alegou o Contribuinte: 1) nulidade do lançamento pela inaplicabilidade do art. 42 da Lei nº 9.430/96, uma vez que da análise conjunta da movimentação bancária e das informações prestadas por meio das respectivas DIRPF caberia ao fisco apresentar novas provas para invalidar aquelas produzidas pelo Contribuinte, 2) no mérito, argumenta que os valores depositados são quantias relativas aos empréstimos tomados do seu pai, afirmando haver nos autos inclusive a comprovação da devolução de parte dos valores. Pugna pela não incidência de juros sobre multa de ofício. Por meio do acórdão nº 2101002.667 o Colegiado, por maioria de votos, deu provimento ao recurso. Após julgamento de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional o acórdão integrativo de nº 2301005.145 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição em acórdão exarado pelo Carf, devem ser acolhidos embargos de declaração visando a sanálas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO HÁBIL E IDÔNEA DA ORIGEM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Quando regularmente intimado, cabe ao contribuinte colaborar com a fiscalização e indicar a origem dos depósitos realizados em sua conta bancária, pois é ônus seu elidir a imputação tributária que lhe está sendo apresentada, por força do art. 42 da Lei 9430/96, o que ocorreu no caso dos autos. Segundo a redação dada à decisão pelo Conselheiro Relator dos embargos, temos: Por primeiro consigno a impossibilidade fática desta 1ª Turma da 3ª Câmara – da qual nenhum conselheiro participou do julgamento do acórdão embargado – “esclarecer os critérios jurídicos de análise dos documentos e as razões de decidir pelas quais a maioria do colegiado teria rechaçado as razões apontadas pelo relator e acompanhadas pela minoria”. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 19515.721450/201129 Acórdão n.º 9202007.399 CSRFT2 Fl. 548 3 O máximo que podemos fazer é consignar elementos probatórios compatíveis com o dispositivo do acórdão (recurso voluntário provido). Registro, entretanto, que analisando os elementos probatórios não me convenci das justificativas acerca da comprovação da origem dos depósitos bancários. Porém, não há dúvidas que “no caso dos autos, a maioria do colegiado entendeu que a documentação apresentada pelo recorrente é idônea e hábil o suficiente para justificar os valores relativos a depósitos bancários lançados” (ementa do acórdão, em consonância com o dispositivo e o voto da redatora para o acórdão). Assim, me resta supor que os elementos probatórios que convenceram a votação no acórdão embargado seriam: a) a Declaração do Imposto sobre a Renda Pessoa Física do recorrente (efls. 59 e 119 a 136) e do Sr. Isaac Michaan (efls. 219 a 240) para o anocalendário de 2008, os quais dão suporte à existência do alegado saldo devedor no final de 2008, pois consta o montante registrado a título de empréstimo ao Sr. Avraham Meir Michaan, no valor de R$35.349.300,00 (efl. 237), sendo a diferença entre o valor de R$35.493.300,00 e o montante tributado (R$ 39.740.462,01) devido à devolução de R$4.427.162,01 efetuada no ano, na forma de quadro das efls. 198 a 200, anteriormente já apresentado às efls. 112 a 114; tais documentos são corroborados por extratos da conta do recorrente (efls. 241 a 320) e pelo saldo do empréstimo existente em 31/12/2007, de R$180.000,00; b) existência de documentação suporte de transações com a SV Holding Ltda. e Bonor Botões do Nordeste S/A, efls. 321 a 338 e 421 a 428; c) os extratos e documentos bancários do recorrente, que mostram movimentações vinculadas a seu genitor, Sr. Isaac Michaan, a Sra. Rosalyn Nehama Michaan e ao Sr. Shlomo Nehemia Michaan (efls. 09 a 58, 60 a 61, 80 a 101, 116/117, 241 a 320, 397 a 420 e 429 a 451); d) o recibo e o contrato das efls. 321 a 338, através dos quais foi justificada a origem do valor de R$ 91.947,56, recebido em agosto de 2008. Intimada da decisão dos embargos, a Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial. Citando como paradigmas os acórdãos 10616.977 e 10423.562 defende a recorrente ter o Colegiado incorrido em erro de interpretação do art. 42 da Lei nº 9.430/96 ao concluir que os valores declarados em Declaração de Ajuste Anual podem ser considerados como comprovação de origem dos depósitos bancários, independente de identificação entre as fontes e os depósitos. Por sua vez, a Quarta e a Sexta Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes firmaram o entendimento de que somente a demonstração efetiva da origem dos recursos, afastariam a presunção. Defende também a Fazenda Nacional, com base no acórdão Fl. 549DF CARF MF 4 10421400 que cada depósito deve ser justificado e individualizado como determina a lei, exigindose a coincidência entre datas e valores. Assim, nos termos do despacho de admissibilidade o recurso devolve a este Colegiado a análise das seguintes matérias: "(a) dos valores constantes na declaração de ajuste anual" e "(b) da necessidade de coincidência de datas e valores para demonstrar a origem das receitas omitidas". Contrarrazões do Contribuinte pela inadmissibilidade do recurso por ausência de similitude fática. Argumenta que as decisões paradigmas analisaram autuações fundadas na presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, entretanto nesses casos os contribuintes não conseguiram comprovar a origem dos depósitos se limitando a apontarem como prova as informações constantes em suas respectivas declarações. Entretanto, no caso concreto, o Contribuinte teria apresentado vasta documentação a qual foi aceita pelo Colegiado Recorrido como suficiente para demonstrar a origem e o fundamento dos depósitos de forma individualizada. Esclarece que o recurso especial não serva para revaloração de provas ou ainda para sanar omissões, obscuridade ou contradições do acórdão recorrido. No mérito pugna pela manutenção da decisão a quo. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento: Analisando o teor da decisão recorrida, do Recurso Especial e dos acórdãos apontados como paradigmas, julgo pertinente haver uma reavaliação do juízo de admissibilidade da peça recursal. A Fazenda Nacional ao interpor seu recurso afirma que a decisão recorrida, na parte em que considerou as provas juntadas aos autos como hábeis para comprovarem a origem dos depósitos realizados na conta bancária do contribuinte, divergiu do entendimento manifestado por meio dos acórdãos nº 10616977 e 10423562 posto que estes concluíram que, respectivamente, os valores declarados em espécie na DAA não podem ser considerados origem por vedação legal, e que sobras de valores referentes a um determinado mês não pode, por raciocínio lógico, servir como comprovação de origem para os valores depositados no mês seguinte (matéria: Dos valores constantes na declaração de ajuste anual). Haveria conflito de entendimento também em relação acórdão nº 10421.400, afinal diante da ausência de coincidência em datas e valores entre os depósitos realizados deveria o lançamento ter sido mantido (matéria: Da necessidade de coincidência de datas e valores para demonstrar a origem das receitas omitidas). Vejamos mais especificamente cada um dos acórdãos. Quanto à matéria: Dos valores constantes na declaração de ajuste anual. O caso analisado pelo acórdão paradigma nº 10616.977 referese a lançamento baseado em omissão de rendimentos, tendo sido apontado entre as acusações a Fl. 550DF CARF MF Processo nº 19515.721450/201129 Acórdão n.º 9202007.399 CSRFT2 Fl. 549 5 existência de rendimentos tidos como omitidos provenientes de valores creditados em contas bancárias de titularidade do interessado, uma vez que a origem de recursos utilizados não foi comprovada mediante documentação hábil e idônea. Na parte que nos interessa aquela autuada traz como matéria recursal a tese de que os depósitos bancários considerados rendimentos omitidos em determinado mês deveriam ser utilizados para comprovar e justificar a omissão presumida no mês subseqüente. O Relator assim se manifestada: Superado o item V, passase a apreciar a defesa trazida no item VI (os depósitos bancários considerados rendimentos omitidos em determinado mês devem ser considerados para comprovar e justificar a omissão presumida no mês subseqüente). Este entendimento parte de uma compreensão equivocada da tributação decorrente dos depósitos bancários de origem não comprovada, que é uma tributação que incide sobre uma presunção de omissão de rendimentos, confundindoa com a tributação referente ao acréscimo patrimonial a descoberto. Na tributação referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, quando se estrutura um fluxo de caixa mensal, os saldos bancários em início de período são fontes e os saldos em fins de período, aplicação de recursos. No início do mês subseqüente, o saldo em final do mês antecedente funciona como fonte para o mês subseqüente, e assim por diante. Observe que não estamos tratando de depósitos individuais, feitos diariamente, mas em saldos em fins de período. Por óbvio, o saldo no último dia do mês, que funcionou como aplicação no fluxo do referido período, é fonte de recursos para o mês seguinte. Na tributação dos depósitos bancários de origem não comprovada não se individualiza os saldos em fins de período, mas os próprios depósitos, considerados rendimentos omitidos na hipótese especificada em lei. A permissão de que os depósitos de um mês pudessem funcionar como origens para os depósitos do mês seguinte, somente seria possível se houvesse a comprovação de que o valor sacado foi, posteriormente, depositado. Acatar a possibilidade, em tese, dos depósitos antecedentes servirem como comprovação e origem dos depósitos subseqüentes, no extremo, permitiria que o depósito de um dia servisse para justificar o depósito do dia seguinte. Sabemos que não é assim que as coisas acontecem na vida, pois, em regra, o recurso sacado não retoma para a conta de depósito, mormente quando existia a CPMF. No segundo acórdão, o de número 10423.562, temos um lançamento relativo aos anoscalendário 2000, 2001 e 2002, com incidência da multa de oficio no percentual de 150% e juros de mora, tendo em vista a constatação de Omissão de Rendimentos Caracterizada por Depósitos Bancários Sem Comprovação de Origem. Citando parte do termo de verificação fiscal o relatório do respectivo acórdão esclarece que o agente responsável pela fiscalização desconsiderou as informações e provas apresentadas pelo autuado. Vejamos a parte transcrita onde é demonstrada as razões para realização do lançamento: Fl. 551DF CARF MF 6 Procedimento Fiscal Consta no Termo de Verificação Fiscal as seguintes informações: Após a análise da documentação adunada pelo contribuinte, este foi instado a justificar com documentos hábeis e idôneos as operações relacionadas nas Planilhas anexas às intimações de fls. 38 a 42. Cabe esclarecer que quanto aos demais depósitos bancários, e que o contribuinte afirma se tratarem de recursos da empresa REGOSO COM IND E TRANSP DE MADEIRAS LTDA. a regular tributação destes recursos será verificada no procedimento fiscal ora em curso nesta empresa. As intimações de fls. 38 a 42 foram respondidas pelo contribuinte através dos expedientes de (fis.88 e 99), respectivamente. Frente às considerações trazidas à baila pelo contribuinte em epígrafe. esta fiscalização considerou como não justificadas a origem dos recursos creditadas em suas contas bancárias, e que estão relacionados na Planilha cI fls. 156. pelos seguintes motivos: 1) Itens 1, 6, 14, 16, 33, 34, 35, 36, 37 e 38 da Planilha a fls. 156: Para estes depósitos o contribuinte não apresentou documentos que comprovassem a origem destes recursos. Ainda quanto a estes depósitos, o contribuinte limitouse a esclarecer que no caso dos créditos bancários relacionados nos itens I, 6, 14 e 16, estes foram efetuados "pelo titular", (conforme informação nas Planilhas de fls. 72/73/75/76), sem contudo apresentar documentos que comprovassem a origem destes recursos. 2)Itens 02, 04, 05, 12, 18, 20, 26, 27 e 28 da Planilha c:fls. 156: Para estes depósitos o contribuinte apresentou os documentos adunados as fls. 143/144/149/1.50/151/152/153/154/155, respectivamente, os quais não se prestam a informar qual a origem daqueles recursos. 3)Itens 03, 07, 08, 09, 10, 11, 13, 15, 17, 19, 21, 22, 23, 24, 25, 29, 30, 31 e 32 da Planilha afls. 156. Para estes depósitos o contribuinte cingiuse a informar que estes se referem a vendas para o exterior da empresa REGOSO COM IND E TRANSP DE MADEIRAS LTDA, e para tanto apresentou o documento c:fls. 145a 148. Não consideramos comprovada a origem destes recursos visto que, em se tratando de vendas para o exterior, o documento hábil a comprovar tal operação seria aquele registrado no sistema próprio (SISCOMEX), acompanhado das Notas Fiscais respectivas, e demais documentos exigidos para uma exportação regular. Por sua vez a entrada dos recursos no país devia se dar através dos procedimentos próprios determinados pelo Banco Central do Brasil (contrato de câmbio) e pelo que se apurou nos extratos Fl. 552DF CARF MF Processo nº 19515.721450/201129 Acórdão n.º 9202007.399 CSRFT2 Fl. 550 7 bancários do contribuinte, tais lançamentos se referem a "doc eletrônicos". Contra o lançamento o Contribuinte arguiu, entre outros elementos, ter informado na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário anterior a posse de dinheiro em espécie, que justificaria os depósitos tidos como sem comprovação de origem. Especificamente contra esta argumento o Colegiado paradigmático, de forma breve assim se manifestou: Da existência de numerário em bancos e em espécie na declaração de ajuste do impugnante. O recorrente ainda indica que seja aproveitado o numerário em bancos e os valores em espécie que constantes em sua declaração de ajuste. Entretanto, efetivamente não há como acolher a pretensão do interessado pois a definição legal exige a análise individualizada dos créditos bancários. A Lei vetou essa possibilidade, sendo necessária a comprovação depósito a depósito. Vejamos que quanto a esta matéria valores constantes da Declaração de Ajuste Anual a situação analisada no primeiro paradigma (10616977) em nada se assemelha ao presente caso. Naquele caso o Contribuinte solicitou que os valores depositados em sua conta em um mês servissem de lastro aos depósitos realizados nos meses seguinte, e como didaticamente apontado pelo então Conselheiro Relator, a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 não se trata de uma apuração conjunta de valores, os apontamentos são feito sobre cada ação/depósito sendo impossível, por exemplo, que um depósito de R$ 100,00 em março justifique a origem de um novo depósito de R$ 100,00 ocorrido em abril. No lançamento ora analisado, o acórdão recorrido conclui que o saldo apontado na Declaração de Ajuste Anual do exercício, por decorrer de empréstimos recebidos, em conjunto com a DAA apresentada pelos mutuantes e com as demais elementos, comprova a origem e justifica os depósitos realizados na conta bancária do contribuinte naquele ano calendário. O acórdão de embargos, integrativo, assim conclui: Assim, me resta supor que os elementos probatórios que convenceram a votação no acórdão embargado seriam: a) a Declaração do Imposto sobre a Renda Pessoa Física do recorrente (efls. 59 e 119 a 136) e do Sr. Isaac Michaan (efls. 219 a 240) para o anocalendário de 2008, os quais dão suporte à existência do alegado saldo devedor no final de 2008, pois consta o montante registrado a título de empréstimo ao Sr. Avraham Meir Michaan, no valor de R$35.349.300,00 (efl. 237), sendo a diferença entre o valor de R$35.493.300,00 e o montante tributado (R$ 39.740.462,01) devido à devolução de R$4.427.162,01 efetuada no ano, na forma de quadro das efls. 198 a 200, anteriormente já apresentado às efls. 112 a 114; tais documentos são corroborados por extratos da conta do recorrente (efls. 241 a 320) e pelo saldo do empréstimo existente em 31/12/2007, de R$180.000,00; Fl. 553DF CARF MF 8 b) existência de documentação suporte de transações com a SV Holding Ltda. e Bonor Botões do Nordeste S/A, efls. 321 a 338 e 421 a 428; c) os extratos e documentos bancários do recorrente, que mostram movimentações vinculadas a seu genitor, Sr. Isaac Michaan, a Sra. Rosalyn Nehama Michaan e ao Sr. Shlomo Nehemia Michaan (efls. 09 a 58, 60 a 61, 80 a 101, 116/117, 241 a 320, 397 a 420 e 429 a 451); d) o recibo e o contrato das efls. 321 a 338, através dos quais foi justificada a origem do valor de R$ 91.947,56, recebido em agosto de 2008. Percebemos, portanto, o distanciamento entre os fatos analisados. Para esta Relatora a fundamentação do Colegiado a quo para admitir como origem os valores constantes da Declaração de Ajuste se baseia exatamente na conclusão pela comprovação da realização de operação de mútuo entre o contribuinte e seu genitor no ano de 2008. Reforça esse entendimento a seguinte parte constante do voto vencido do acórdão recorrido: Assim, considerandose, conjuntamente: a) o elevado saldo devedor mantido pelo mutuante junto ao mutuário durante quatro anoscalendário (só revertida após autuação, durante o anocalendário de 2012); b) a inexistência de qualquer rendimento gerado pelo mútuo durante estes quatro anos e c) repitase, novamente, a inexistência de qualquer contrato formal entre mutuante e mutuário, evidência sobre a qual já se discorreu extensivamente no âmbito do julgamento administrativo de 1a. instância e que adoto aqui como indício em minha razão de decidir, também entendo como não devidamente comprovada a origem dos recursos objeto de lançamento, cuja análise, conforme meu entendimento, repito, deve perpassar, quando da aplicação da presunção estabelecida pelo art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, a mera procedência (identificação da fonte), abrangendose no vocábulo origem também a natureza (qualificação do negócio jurídico) vinculada(o) aos recursos creditados. Ainda que assim constem das DIRPFs do contribuintes (as quais entendo como sujeitas à devida comprovação sempre que objeto de intimação pela autoridade fiscal, como no caso), não me convenci, com base nos elementos carreados aos autos, de serem os recursos objeto de tributação como oriundos de operação de mútuo (empréstimo), alegadamente objeto de devolução parcial durante o anocalendário de 2008, sendo relevante notar que a presunção do art. 42 da Lei no. 9.430, de 1996, tem como corolário fundamental dispensar a autoridade lançadora da necessidade de requalificação dos fatos (cabendo exclusivamente ao contribuinte comprovar a origem dos créditos sob pena de aplicação da presunção)... Pela mesma razão o fato relevante de haver comprovação da realização de empréstimo entendo não ser possível a caracterização da divergência em relação ao segundo paradigma (acórdão 10423562), afinal aquele Colegiado analisou situação de saldo apontado na DAA e decorrente de "dinheiro em espécie". Não se pode assegurar que o Colegiado paradigmático não consideraria o contrato particular como origem dos depósitos, qualquer juízo de valor neste sentido seria mera suposição o que impede o "teste de aderência". Fl. 554DF CARF MF Processo nº 19515.721450/201129 Acórdão n.º 9202007.399 CSRFT2 Fl. 551 9 Quanto à matéria: Da necessidade de coincidência de datas e valores para demonstrar a origem das receitas omitidas. Sobre este tema defende a Fazenda Nacional que ao contrário do decidido pelo Colegiado Recorrido, no caso do acórdão paradigma nº 10421400 ficou registrado o entendimento de que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 somente poderia ser afastada a partir da comprovação individualizada de cada depósito, por meio de documentos hábeis e idôneos, com coincidência de datas e valores das operações. O acórdão paradigma concluiu que: Pois bem, o lançamento que ora se examina foi feito com base em presunção legal do tipo juris tantum, onde o fato conhecido é a existência de depósitos bancários de origem não comprovada e a certeza jurídica decorrente desse fato é o de que tais depósitos foram feitos com rendimentos subtraídos ao crivo da tributação. Tal presunção pode ser ilidida mediante prova em contrário, a cargo do autuado. Assim, não basta a indicação de prováveis fontes de recursos que dariam suporte aos depósitos, é preciso identificar, de forma individualizada, de onde saíram os recursos que aportaram às contas. Isto é, é preciso demonstrar, com coincidência de datas e valores, de onde saíram os recursos depositados nas contas bancárias. O Contribuinte, em sua defesa, se limita a indicar, genericamente, recursos que poderiam ter sido utilizados para fazer tais depósitos, tais como saldo bancário ou rendimentos declarados, mas não vincula essas fontes a nenhum dos depósitos. Para compreender o entendimento do Colegiado ora Recorrido, diante da escassez de elementos no voto vencedor proferido por Redator ad doc, cito trechos do voto vencido onde é afirmado que embora o contribuinte tenha juntado aos autos elementos comprobatórios da origem dos depósitos, inclusive com a exigida coincidência entre datas e valores, no entendimento do Relator original essas informações não seriam suficientes, pois a presunção do art. 42 exige a comprovação da origem, conceito que extrapola a simples declaração de procedência. Assim, no presente caso, considerando que por outros elementos o contrato de mútuo não foi aceito pelo Relator, as informação sobre os depósitos (data e valores) eram irrelevantes. Vejamos parte do voto vencido: b) Quanto ao mérito: Alega o contribuinte que além dos elementos anexados aos autos pela autoridade autuante, os documentos trazidos em sede de impugnação, às efls. 219 a 338 (DIRPF/2008 do Sr. Isaac Michaan, extratos bancários do autuado e documentação suporte de transações com a SV Holding Ltda. e Bonor Botões do Nordeste S/A), quando complementados pelos extratos bancários do Sr. Isaac Michaan, da Sra. Rosalyn Nehama Michaan e do Sr. Shlomo Nehemia Michaan (doc. 01 anexo ao recurso voluntário, de efls. a 397 a 420 e 429 a 451), apresentando coincidência entre datas valores e meios de pagamento utilizados comprovam a origem dos créditos objeto Fl. 555DF CARF MF 10 da autuação. Ainda, argumenta que tais elementos serem suficientes para comprovar a devolução dos recursos, na forma de itens 58 a 60 do pleito recursal. ... Como já tive oportunidade de me manifestar quando de minha participação em feitos anteriores, analisando o teor do art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, interpreto que não se deve confundir o conceito de identificação da fonte ou da procedência dos recursos (pessoa física ou jurídica de onde emanaram os recursos depositados) com o conceito de comprovação de origem, a que se referiu o legislador tributário quando estabeleceu a presunção através do referido dispositivo constante da Lei nº 9.430. A partir de uma integração entre os métodos literal e teleológico, sendo cediça a intenção do legislador de garantir que os recursos depositados tenham sido objeto de prévia tributação e/ou se originem de fatos econômicos não caracterizadores da hipótese de incidência do Imposto sobre a Renda, só se pode entender como documentação hábil e idônea para fins de comprovação da origem dos valores depositados aquela que possa identificar sim, a fonte do crédito, o valor, a data mas, também e, principalmente, aquela que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a se poder identificar a natureza da transação, se tributável ou não, não cabendo a “comprovação” fundada em meras alegações verbais. Neste cenário, considerando que a maioria do Colegiado refutou o entendimento do então Conselheiro Relator, devese concluir que o entendimento do Colegiado a quo foi no sentido de que nos autos além da existência de provas da celebração de contrato de mútuo válido, o contribuinte também conseguiu demonstrar a correlação entre os valores transacionados e aqueles que ingressaram em sua conta corrente, haja vista a comprovação de operações de transferências bancárias pelo mutuante. Lembramos que o recurso é baseado no art. 67, do Regimento Interno (RICARF), o qual define que caberá recurso especial de decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. O Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a pressupostos estabelecidos no RICARF. Por isso, essa modalidade de apelo é chamada de recurso especial de divergência, pois tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre os diversos colegiados do CARF. Assim, ao julgar o Recurso Especial, a CSRF não constitui uma terceira instância, mas sim instância especial, responsável pela pacificação de conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica. No presente caso, as decisões recorrida e paradigma possuem o mesmo entendimento acerca da legislação, qual seja, ambas compartilham da conclusão que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96 pode ser afastada nos casos em que restar comprovada Fl. 556DF CARF MF Processo nº 19515.721450/201129 Acórdão n.º 9202007.399 CSRFT2 Fl. 552 11 a coincidência de informações entre os valores apurados e aqueles vinculados à fonte do pagamento. Diante do exposto voto pelo não conhecimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 557DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.902983/2013-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2009
PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.089
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$117.607,17, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Letícia Domingues Costa Braga - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LETICIA DOMINGUES COSTA BRAGA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2009 PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$117.607,17, homologando as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Mauritania Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 29 83 /2 01 3- 58 Fl. 139DF CARF MF 2 Relatório Adoto como relatório, aquele da decisão de primeira instância, complementando a seguir: A interessada acima qualificada apresentou a Declaração de Compensação – PER/DCOMP nº 05226.69008.300810.1.3.049391, por meio da qual compensou crédito da CSLL, do período de apuração de 31/12/2009, com os débitos relacionados (R$2.640,53). O crédito informado, no valor original na data da transmissão de R$ 117.607,17, seria decorrente de pagamento a maior relativo ao DARF no valor de R$ 459.190,40, recolhido em 29/01/2010. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico a Autoridade Competente resolveu NÃO HOMOLOGAR a compensação se fundamentando no fato de o DARF informado já ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. De acordo com a decisão, o valor original total de R$ 459.190,40 já havia sido utilizado para quitar débito do código 2484 (período de apuração 31/12/2009) no mesmo valor, não restando crédito passível de compensação. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: Alega que confessou indevidamente em DCTF o valor de R$ 459.190,40 relativo a CSLL de dezembro de 2009. Ressalta que em sua DIPJ consta a apuração correta da CSLL deste período no valor de R$ 381.518,07. Também destaca que retificou a DCTF entregue com equívoco. Nestes termos, requereu que fosse acolhida a sua impugnação para homologar a compensação requerida. Quando da decisão da instância primeva restou decidido conforme ementa abaixo pela inviabilidade do reconhecimento do crédito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2009 PER/DCOMP. ERRO DE FATO. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a DIPJ para fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. ESPONTANEIDADE O primeiro ato por escrito de servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária, implica a perda da espontaneidade para retificar as declarações apresentadas. Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13896.902983/201358 Acórdão n.º 1401003.089 S1C4T1 Fl. 140 3 RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Apresentou a contribuinte o competente recurso onde apresentou suas razões e juntou mais provas. Este é o relatório Voto Conselheiro Relator Letícia Domingues Costa Braga O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e, portanto dele conheço. Com relação ao alegado crédito de R$117.607,17, apesar de não ter sido apresentado quando da manifestação de inconformidade toda a DIPJ comprovandose assim o erro na DCTF anteriormente informada, certo é que apresentou a contribuinte quando da interposição do recurso a esse Conselho a documentação capaz de comprovar o seu direito. Quanto à espontaneidade para a retificação da DCTF, observo que a Lei não trata de despacho decisório como prazo para a retificação, sendo certo que o prazo coincide com a homologação da decisão, conforme IN 1.110/2010 da própria Receita: Art. 9º (...) § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração.” Assim, dialogando com a decisão, providenciou a recorrente as provas capazes de demonstrar que faz jus ao crédito original de R$117.607,17, relativo ao pagamento a maior em dezembro de 2009. Não considerar a prova juntada em sede de recurso seria permitir o enriquecimento ilícito do Estado e, ainda, abarrotar o judiciário com celeumas que podem ser resolvidas administrativamente. Fl. 141DF CARF MF 4 Ademais, apesar de a legislação explicitar que deve o contribuinte demonstrar seu direito liquido e certo, tendo sido retificada a DCTF após a PERDCOMP, deveria ter a contribuinte juntado aos autos quando da manifestação de inconformidade tal comprovação. Contudo, pelo princípio da verdade material e considerando que restou devidamente comprovado o direito, creio que em alguns casos pode ser relativizado o prazo da apresentação das provas. Isso porque, o regramento do instituto da preclusão visa estabelecer uma ordem no sistema processual com a finalidade de atingir um desempenho satisfatoriamente célere e ordenado. Contudo, se generalizado, por puro formalismo, acaba sendo aplicado de forma exagerada. É sabido que, por vezes, a ausência de um ato no limite temporal aprazado pode levar o julgador a proferir uma decisão de forma definitiva, ocasionando a perda de direito a um julgamento justo na esfera administrativa. Assim, para uma correta e adequada decisão no contencioso administrativo fiscal o julgador deve se utilizar de todos os meios de provas disponíveis ou colocadas a disposição, não deixando de recebêlas em razão de não terem sido apresentadas no momento da instrução do processo. A produção probatória que acontece em momento posterior a instrução do processo administrativo pode ser de ordem complementar àquelas provas apresentadas anteriormente , o que ocorreu no caso em análise, ou, ainda, aquelas não oferecidas originalmente no momento próprio, por impossibilidade real na obtenção dos documentos necessários a comprovação dos fatos e das alegações apresentadas. Em qualquer caso, a baliza temporal não deve impedir ou dificultar o exercício do direito no que se refere aos princípios da verdade material, do contraditório e da ampla defesa. Assim, devidamente demonstrado que teria a contribuinte o direito ao crédito e, ainda, sendo esse suficiente para compensar o valor de R$2.640,53 deve ser provido o recurso. Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto o sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório de R$117.607,17 e homologar a PER/DCOMP nº. 05226.69008.300810.1.3.049391 de R$2.640,53. (assinado digitalmente) Letícia Domingues Costa Braga Fl. 142DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.720291/2015-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1302-003.279
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhê-los, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
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OMISSÃO. CONFIGURAÇÃO. Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõese a análise da matéria com vistas a sanar a omissão. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ALEGAÇÃO DE INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A mera citação de dispositivos legais que justificariam a manutenção da autuação, como fundamento da decisão e em contraponto às alegações trazidas na impugnação do contribuinte, não caracteriza inovação nos fundamentos da autuação quando esta se revela em consonância e coerente com a descrição da infração e respectiva responsabilização do responsável feita no Termo de Verificação Fiscal, cuja imputação foi bem compreendida e adequadamente defendida pela contribuinte autuada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos embargos e acolhêlos, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 02 91 /2 01 5- 57 Fl. 1183DF CARF MF Processo nº 11516.720291/201557 Acórdão n.º 1302003.279 S1C3T2 Fl. 1.184 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração da Contribuinte opostos face ao Acórdão nº 1302002.615 por meio do qual o Colegiado negou provimento ao recurso voluntário, recebendo a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 INCORPORAÇÃO. APROVEITAMENTO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. É indevida a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SUCESSÃO EMPRESARIAL. INCORPORAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. A responsabilidade dos sucessores de sociedade extinta em decorrência de deliberação que aprovar operação de incorporação, aplicase às obrigações tributárias vinculadas à empresa incorporada, cuja abrangência da sujeição passiva alcança os respectivos tributos devidos, acrescido das multas de natureza fiscal e juros moratórios a eles associados, em relação às infrações cometidas quanto aos fatos geradores ocorridos até a data do evento societário. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. O resultado de julgamento foi assim registrado: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator, vencido o Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira que dava provimento com relação a alegação de não incidência de juros sobre a multa. Declarouse impedido o conselheiro Jose Roberto Adelino da Silva. O Despacho de Admissibilidade destacou os seguintes pontos dos Embargos: Fl. 1184DF CARF MF Processo nº 11516.720291/201557 Acórdão n.º 1302003.279 S1C3T2 Fl. 1.185 3 A Embargante alega que teria havido as seguintes omissões, contradições e obscuridades: 1 da contradição entre a ementa e os fatos ocorridos: erro na Indicação do AnoCalendário; 2 obscuridade número do processo administrativo fiscal; 3 contradição nos supostos acórdãos paradigmas sobre o tema: acórdãos indicados não tratam de CSLL, mas de IRPJ; 4 omissão do acórdão: ausência de manifestação sobre o item do recurso voluntário: tópico da inovação no critério jurídico por parte da DRJ; 5 Lei 13.655/2018: fato novo necessidade de aplicação imediata ao caso concreto. Em conclusão, apenas um tópico dos Embargos foi admitido, nos seguintes termos: Tendo em vista todo o exposto, e nos termos do art. 65, §§ 1° e 3°, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 343/2015, ADMITO PARCIALMENTE os presentes embargos opostos pelos sujeitos passivos, a fim de que sejam submetidas à apreciação da Turma apenas o vício apontado no tópico 4 (Inovação do critério jurídico por parte da DRJ) e REJEITO, em caráter definitivo, os demais vícios apontados (Tópicos 1 a 3 e Tópico 5). O tópico admitido foi assim tratado no despacho de admissibilidade: 4 Omissão do acórdão: Ausência de Manifestação sobre o item do Recurso Voluntário: Tópico Da Inovação no Critério Jurídico por Parte da DRJ A embargante assim procura demonstrar essa omissão: Neste particular, a Embargante trouxe argumentação, em seu Recurso Voluntário, de que a DRJ tentou sanar a nulidade do lançamento alegando (i) ser irrelevante a caracterização do sujeito passivo da obrigação tributária; (ii) que este pode ser qualificado como responsável tributário, conforme dispõe os art. 121 e 123 do CTN; e, (iii) no presente caso, a Embargante foi devidamente qualificada como sujeito passivo, por sucessão, da obrigação tributária, de forma correta e completa, conforme os artigos 121, § único, inciso II, 129, 132 e 142 do CTN. Todavia, como restou demonstrado no Recurso Voluntário, a DRJ, diante da nulidade da autuação fiscal gerada pelo erro na identificação do sujeito passivo, bem como pelo vício em sua fundamentação, ambos demonstrados pela Embargante em sua peça impugnatória, na tentativa de salvar o lançamento fiscal, trouxe em seu acórdão os fundamentos legais que deveriam ter constado da autuação fiscal. Ocorre, contudo, que a Turma Julgadora não possui competência para tal. Assim sendo, resta claro que o acórdão embargado foi omisso sobre este ponto autônomo, que visa não apenas a nulidade da decisão da DRJ, mas o reconhecimento da nulidade e improcedência da própria autuação fiscal, devendo esta E. Turma Julgadora analisar os embargos em questão, suprimindose, assim, a omissão apontada. A esse respeito assim tratou o acórdão embargado: Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 11516.720291/201557 Acórdão n.º 1302003.279 S1C3T2 Fl. 1.186 4 Preliminares Alegação de Erro na Identificação do Sujeito Passivo e Vício na Fundamentação Legal A alegação preliminar de erro quanto à identificação do sujeito passivo baseouse no fato de que o auto de infração seria nulo, pelo fato de ter sido a empresa SADIA S/A que, no ano de sua incorporação pela autuada, BRF S/A, apresentou sua declaração de rendimentos sem observar o limite de 30% na compensação da base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. E que a BRF S/A, deveria ter sido autuada somente na qualidade de responsável, por sucessão, nos termos do artigo 132 do CTN. A Recorrente sustenta que o artigo 142 do CTN impõe expressamente a correta especificação do sujeito passivo da obrigação tributária e que não há razões que justifiquem a flexibilização da norma, devendose observar a necessidade de respeito integral ao comando do referido artigo. Entende que, desse modo, houve "erro na identificação do sujeito passivo" o que acarretaria a nulidade do lançamento. Acrescenta que, como não teria havido demonstração fundamentada dos motivos pelos quais a Fiscalização considerou a Recorrente, sujeito passivo da infração supostamente cometida. Nessa linha de entendimento alega que o auto de infração seria inválido e ilegal pois, a descrição dos fatos não seria suficiente para demonstrar que a autuada é responsável pelo crédito tributário supostamente devido pela Sadia S/A, à luz da legislação tributária. A DRJ afastou esse entendimento, com base no fundamento de que o sujeito passivo da obrigação tributária poderá ser qualificado tanto pelo contribuinte quanto pelo responsável, sendo irrelevantes para tal caracterização, ressalvado disposições em lei em contrário, os acordos formulados nas convenções entre particulares, com observância dos preceitos estipulados pelos arts. 121 e 123 do CTN (...) Com base em tais fundamentos expostos no acórdão recorrido é possível concluir que, a BRF S/A está correta e suficientemente qualificada como sujeito passivo da obrigação tributária, por sucessão, em conformidade com as disposições dos arts. 142 e 121, parágrafo único e inciso II do CTN, verbis: (...) Pelo exposto, não há como acolher as alegações de erro na identificação do sujeito passivo, com base no artigo 142 do CTN e de nulidade do auto de infração, em razão de ter sido a SADIA S/A que não observou o limite de 30% na compensação da base de cálculo negativa da CSLL. Rejeitase assim, as preliminares de nulidade do auto de infração, erro na identificação do sujeito e vício de fundamentação legal. De fato, a embargante tem razão. A Turma apenas se pronunciou sobre tudo que a DRJ já havia decidido, ratificando apenas a posição de que não haveria erro de identificação do sujeito passivo, porém sem levar em consideração um argumento autônomo que poderia em tese reverter a decisão, qual seja, que os fundamentos defendidos pela DRJ teriam que estar estampados no auto de infração e como isso não aconteceu ou o lançamento deveria ser considerado nulo (por falta de fundamentação) ou haveria "inovação do critério jurídico" feito pela DRJ sem competência para tal. E sobre isso a Turma foi omissa. É verdade que conforme jurisprudência pacífica, o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os pedidos e argumentos suscitados pelas partes quando já tenha encontrado motivo suficiente para sustentar sua decisão. Fl. 1186DF CARF MF Processo nº 11516.720291/201557 Acórdão n.º 1302003.279 S1C3T2 Fl. 1.187 5 Mas este não é o caso, pois tratase de um pedido autônomo, de nulidade, que em tese poderia mudar o destino do julgamento. E sendo assim, sobre essa temática a Turma deveria ter se pronunciado. Isso porque os embargos têm como finalidade também conferir completude ao provimento jurisdicional, na medida em que o órgão julgador somente terá se desincumbido de seu dever de aplicar o direto ao caso concreto acaso tenha posto fim à lide em todos os seus aspectos relevantes. Ratificando a omissão acima colocada, transcrevese trechos relevantes nos quais a embargante desenvolveu uma alentada defesa em tópico apartado denominado Da Inovação no Critério Jurídico por Parte da DRJ" e não enfrentado pela Turma: Da Inovação no Critério Jurídico por Parte da DRJ Como se vê, foi devidamente demonstrado na impugnação a nulidade do auto de infração, pelo fato de que a fiscalização não autuou a ora Recorrente como sucessor da SADIA, e sim, como sendo o próprio sujeito passivo da relação tributária, sem levar em consideração que os atos foram praticados pela empresa sucedida e não pela sucessora. Reforça a nulidade do auto de infração ora combatido, o fato de que a DRJ, como será demonstrado, na tentativa de salvar a autuação, traz apenas em sua decisão os fundamentos que justificariam a lavratura do auto de infração em nome da Recorrente como sucessora da SADIA e não como sujeito passivo original. De fato, a leitura da decisão recorrida demonstra que a Turma Julgadora tenta sanar a nulidade do lançamento, alegando (...) Como se vê, a DRJ, diante da nulidade da autuação fiscal gerada pelo erro na identificação do sujeito passivo, bem como pelo vício em sua fundamentação, ambos demonstrados pela Recorrente em sua peça impugnatória, na tentativa de salvar o lançamento fiscal, traz no acórdão recorrido os fundamentos legais que deveriam ter constado na autuação, de modo a efetivar sua lavratura em nome da Recorrente. Ocorre, contudo, que a Turma Julgadora não possui competência para tal. Com efeito, nos termos do art. 146, do CTN, não podem as autoridades administrativas alterar o critério jurídico adotado pela Fiscalização quando da lavratura do auto de infração, salvo quando houver a ocorrência de fato gerador posterior à sua introdução, o que não ocorreu no presente caso. Vejase: (... ) Nesse sentido, este E. CARF já decidiu reiteradas vezes pela impossibilidade de alteração do critério jurídico utilizado pela Autoridade Fiscal no lançamento, conforme se depreende da leitura do acórdão n° 1301001.436, verbis: "RECURSO VOLUNTÁRIO. ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS UTILIZADOS NO LANÇAMENTO PELAS AUTORIDADES JULGADORAS. IMPOSSIBILIDADE. (... ) E no caso concreto temos exatamente a mesma situação já condenada por esse E. CARF , na qual a Turma Julgadora, ao invés de cancelar o auto de infração nulo, inovou o critério jurídico da autuação, de forma a sanar os vícios apontados pela Recorrente em sua impugnação, o que é vedado pela legislação e não pode ser admitido. Fica patente, desta forma, a falta de motivação do lançamento. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 11516.720291/201557 Acórdão n.º 1302003.279 S1C3T2 Fl. 1.188 6 Portanto, verificada a inovação do critério jurídico pela Turma Julgadora como meio de corrigir e complementar a motivação relacionada à identificação dos fundamentos que levaram à escolha da Recorrente como sujeito passivo, não resta alternativa senão o julgamento de improcedência da autuação fiscal, haja vista os insanáveis vícios de fundamentação e motivação do auto de infração, demonstrados a seguir. Pelo exposto, em juízo prelibatório, não há como dizer que a omissão apontada é manifestamente improcedente ou que não foi objetivamente apontada. Portanto, ACOLHO este item dos embargos para que seja submetido à Turma julgadora. É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator Nos termos do Despacho de Admissibilidade, os Embargos de Declaração da Contribuinte são tempestivos e foram parcialmente admitidos. Os autos referemse à utilização de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSLL, referentes ao anocalendário 2012, em que a empresa Sadia S.A., diante de sua incorporação pela Embargante, BRF S.A., ocorrida em 31/12/2012, e considerando que seria extinta e portanto não haveria mais oportunidade para utilizar seus créditos de períodos anteriores, considerou a totalidade dos prejuízos fiscais e bases negativas, na apuração final do lucro real, ultrapassando o limite legal de 30%. Na forma relatada, os Embargos foram admitidos somente em relação à alegação preliminar do Recurso Voluntário, referente à Inovação no Critério Jurídico por Parte da DRJ, em relação à qual o Acórdão embargado seria omisso, no que diz respeito à argumentação autônoma da Embargante de que a DRJ teria introduzido novo fundamento para o lançamento, o que é vedado às autoridades julgadoras. De fato, o acórdão embargado tratou da argumentação relativa à nulidade da autuação, trazida no recurso, mas não se desincumbiu, adequadamente, de analisar a alegação de nulidade em face do acórdão de primeiro grau. Assim, passo a analisar a alegação, com vistas a suprir a lacuna do acórdão. Para melhor análise e compreensão da discussão, transcrevo os trechos do voto condutor da decisão de primeiro grau no qual a questão foi analisada, verbis: PRELIMINARES DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEIRO PASSIVO VICIO DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL A impugnante reclama que o auto de infração seria nulo uma vez que foi a empresa SADIA S/A que, no ano de sua incorporação pela autuada, apresentou sua declaração de rendimentos sem observar o limite de 30% na compensação da base de cálculo negativa da CSLL de períodos anteriores. E que ela, BRF S/A, deveria ter sido autuada na qualidade de responsável por sucessão, nos termos do artigo 132 do CTN. Fl. 1188DF CARF MF Processo nº 11516.720291/201557 Acórdão n.º 1302003.279 S1C3T2 Fl. 1.189 7 Alega que o artigo 142 do CTN impõe expressamente a correta especificação do sujeito passivo da obrigação tributária e que não há razões que justifiquem a flexibilização da norma, devendose observar a necessidade de respeito integral ao comando do referido artigo 142. Conclui que, desse modo, houve “erro na identificação do sujeito passivo” o que acarretaria a nulidade do lançamento. Acrescenta que, como não houve a demonstração fundamentada dos motivos que levariam a impugnante a ser considerada responsável tributária pela suposta infração cometida, o ato administrativo do lançamento em questão (auto de infração) seria inválido e ilegal pois, a descrição dos fatos não seria suficiente para demonstrar que a autuada é responsável pelo crédito tributário supostamente devido pela Sadia S/A, à luz da legislação tributária. Inicialmente, cabe ressaltar que o sujeito passivo da obrigação tributária poderá ser qualificado tanto pelo contribuinte quanto pelo responsável, sendo irrelevantes para tal caracterização, ressalvado disposições em lei ao contrário, os acordos formulados nas convenções entre particulares, com observância dos preceitos estipulados pelos arts. 121 e 123 do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.(destacouse) (...) Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.”(destacouse) A empresa BRF S/A foi autuada na qualidade de responsável por sucessão, nos termos do artigo 132 do CTN, por ter incorporado em 31/12/2012 a companhia SADIA S/A e, portanto, responde pelos créditos tributários da sucedida conforme disposto nos artigos 129 e 132 do referido diploma legal. “Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. (destacou se) (...) “Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas.“ (destacouse) Fl. 1189DF CARF MF Processo nº 11516.720291/201557 Acórdão n.º 1302003.279 S1C3T2 Fl. 1.190 8 Sob este cenário, observase também que o responsável pode tornarse obrigado a prestar conta pelo adimplemento de exigências fiscais apuradas em relação ao contribuinte, decorrentes da aplicação da legislação tributária, consoante o art. 128 do referido CTN: “Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” As alegações de “erro na identificação do sujeito passivo”, com base no artigo 142 do CTN e de nulidade do auto de infração, em razão de ter sido a SADIA S/A que não observou o limite de 30% na compensação da base de cálculo negativa da CSLL, caem por terra na medida em que a BRF S/A foi devidamente qualificada como sujeito passivo, por sucessão, da obrigação tributária, de forma correta e completa, conforme artigos 142 e 121, § único, inciso II do CTN. "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível." “Art. 121 (..................) Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I – (...................) II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei.(destacouse) Nulo seria o auto de infração lavrado contra um falecido em vez de estar direcionado ao espólio durante o inventário, ou aos sucessores após o encerramento do inventário, também aquele realizado em face de uma empresa extinta (como é caso da SADIA S/A), pois ambos estariam sendo efetuados contra sujeito passivo inexistente. De tal forma, são rejeitadas as preliminares de nulidade do auto de infração, erro na identificação do sujeito e vicio de fundamentação legal. [...] (grifo nosso) O exame dos argumentos trazidos no acórdão recorrido ao apreciar a alegação de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo, revela, de forma cristalina, que não houve qualquer inovação por parte da DRJ ao apreciar a questão. Os fundamentos legais indicados na decisão recorrida foram utilizados apenas como contraponto à argumentação do sujeito passivo de que não teria sido observado Fl. 1190DF CARF MF Processo nº 11516.720291/201557 Acórdão n.º 1302003.279 S1C3T2 Fl. 1.191 9 corretamente o art. 142, no que dispõe sobre a necessidade de correta identificação do sujeito passivo. Chama a atenção a conclusão final do acórdão que aponta que " Nulo seria o auto de infração lavrado [...] realizado em face de uma empresa extinta (como é caso da SADIA S/A), pois [...] estariam sendo efetuados contra sujeito passivo inexistente." Portanto, a questão foi corretamente enfrentada e afastada pelo acórdão de primeiro grau, sem qualquer emenda ao fundamento trazido pela autoridade fiscal no auto de infração que, na linha do que sustentou a DRJ, indicou com clareza no Termo de Verificação Fiscal que a fiscalização e a autuação foi realizada na empresa incorporadora em face da sucessão, verbis: Contexto No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal, efetuouse procedimento fiscal de revisão interna de Declarações de Informações EconômicoFiscais de empresa incorporada pela contribuinte acima identificada, referente ao anocalendário de 2012. (...) Em 31/12/2012, a BRF S/A CNPJ 01.838.723/000127, incorporou a empresa SADIA S/A CNPJ 20.730.099/000194 (fls. 164/290 dos processos). Inicialmente, verificouse que a empresa incorporada (SADIA S/A, CNPJ 20.730.099/000194) apresentou sua declaração de rendimentos (DIPJ) sem observar o limite de 30% de prejuízos fiscais de períodos anteriores na apuração do lucro real relativo ao ano calendário de 2012, conforme consta da DIPJ AC 2012 (fls. 322/884 do proc. 11516.720289/201588), na ficha 9A, a seguir transcrita: (...) 2. Ação Fiscal Com a incorporação da SADIA S/A, CNPJ 20.730.099/000194, pela BRF S/A, CNPJ 01.838.723/000127, formalizouse o início dos trabalhos de auditoria, em 26/11/2014, através do Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF (fls. 002/003 dos processos), onde foi solicitado à INCORPORADORA que disponibilizasse toda a documentação da empresa incorporada, relativamente ao anocalendário de 2012. Em resposta (fls. 005/290 dos processos), a contribuinte apresentou o Livro Registro de Apuração de Lucro Real LALUR (fls. 018/163 dos processos), Livro de Apuração da Contribuição Social LACS (fls. 008/017), documentos da incorporação realizada em 31/12/2012 (fls. 164/290), documento de representação (fls.296/297 dos processos) e demais documentos da empresa incorporada (SADIA S/A, CNPJ 20.730.099/000194). 2.1 COMPENSAÇÕES NA APURAÇÃO DO IRPJ E CSLL O Sistema de Acompanhamento de Prejuízo Fiscal (SAPLI) nas fls. 299/320 do proc. 11516.720289/201588 e Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI) nas fls. 299/305 do proc. 11516.720291/201557, apontaram que a empresa INCORPORADA (SADIA S/A, CNPJ 20.730.099/000194) apresenta divergências na compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL. Fl. 1191DF CARF MF Processo nº 11516.720291/201557 Acórdão n.º 1302003.279 S1C3T2 Fl. 1.192 10 (...) .2 TERMO DE INTIMAÇÃO FISCAL NÚMERO QQ1 (TIF QQ1) Após a verificação de que a empresa INCORPORADA havia realizado compensações indevidas na apuração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do anocalendário de 2012, a Fiscalização consultou à BRF S/A sobre o procedimento adotado na escrituração fiscal que não respeitou o limite de compensação de trinta por cento preconizado pela legislação fiscal (vide TIF 001 às fls. 291 dos processos). (...) Em sua resposta (fls. 292/295 dos processos), a sucessora ( BRF S/A CNPJ 01.838.723/000127) admitiu que não respeitou a "trava" dos trinta por cento, tendo inclusive reconhecido a sua validade... (...) 2.3 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA Nas apurações do IRPJ e da CSLL relativas ao anocalendário de 2012 a SADIA S/A (CNPJ 20.730.099/000194), que foi incorporada pela BRF S/A (CNPJ 01.838.723/000127), não respeitou a "trava dos trinta por cento" prescrita nos artigos 15 e 16 da Lei 9.065. As alegações trazidas pela sucessora (BRF S/A, CNPJ 01.838.723/000127), em resposta ao TIF 001, NÃO tem amparo legal, pois afrontam dispositivo da legislação fiscal, que estabelece as normas de apuração do Imposto de Renda e da Contribuição Social. São frágeis as alegações de que nos casos de incorporação não vale a regra imposta pela "trava dos trinta por cento", pois não foram previstas exceções ao dispositivo imposto pela legislação fiscal. Assim, considerando que as informações da declaração de rendimentos (DIPJ) da empresa incorporada (SADIA S/A CNPJ 20.730.099/000194) foram corroboradas pela escrita fiscal apresentada pela contribuinte e também pela resposta fornecida ao TIF 001 ficou comprovada a ocorrência de compensações indevidas tanto na apuração do IRPJ quanto na CSLL, conforme descrito a seguir. 2.3.1 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES (INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%) NA APURAÇÃO DO IRPJ No LALUR fornecido pela empresa, vide fls. do processo 11516.720289/201588, verificase que a incorporada efetuou a compensação de seu lucro, na apuração do ano calendário de 2012, sem respeitar a "trava dos trinta por cento"... (...) Verificase, portanto, que não obstante o fato de não haver no Auto de Infração a indicação do art. 132 do CTN, citado no acórdão da DRJ., o TVF deixa claro que o sujeito passivo é a Sadia S.A. e a BRF S.A. é a responsável pelos tributos devidos pela Sadia S.A., por ser sua sucessora (incorporadora). Toda a argumentação contida no acórdão da DRJ, foi no sentido de que o lançamento foi realizado em face da contribuinte, ora recorrente, por se revestir da condição de sucessora legal da incorporada, (situação, digase, bem compreendida e defendida pela Fl. 1192DF CARF MF Processo nº 11516.720291/201557 Acórdão n.º 1302003.279 S1C3T2 Fl. 1.193 11 recorrente em suas peças de defesa) de sorte que não há que se cogitar de nulidade de tal decisão quando esta, em linha com a autuação, afastou corretamente a alegação de nulidade. Por todo o exposto, voto por acolher os Embargos de Declaração, com vistas a suprir a omissão apontada, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 1193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.905278/2013-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.632
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 52 78 /2 01 3- 93 Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10880.905278/201393 Acórdão n.º 3201004.632 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.785. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10880.905278/201393 Acórdão n.º 3201004.632 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10880.905278/201393 Acórdão n.º 3201004.632 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10880.905278/201393 Acórdão n.º 3201004.632 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10880.905278/201393 Acórdão n.º 3201004.632 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 164DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15954.000269/2008-50
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OBSCURIDADE NA DECISÃO.
Ocorrência de obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Necessidade de correção saneadora da decisão colegiada.
Numero da decisão: 2001-000.949
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a obscuridade e alterar a decisão recorrida, para manter o crédito tributário no valor de R$ 4.918,04.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OCORRÊNCIA DE OBSCURIDADE NA DECISÃO. Ocorrência de obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Necessidade de correção saneadora da decisão colegiada.
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OCORRÊNCIA DE OBSCURIDADE NA DECISÃO. Ocorrência de obscuridade na decisão prolatada no Acórdão conforme alegada pela Embargante. Necessidade de correção saneadora da decisão colegiada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para sanar a obscuridade e alterar a decisão recorrida, para manter o crédito tributário no valor de R$ 4.918,04. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, José Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 95 4. 00 02 69 /2 00 8- 50 Fl. 121DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, em face do Acórdão nº 2001000.057, exarado em 31 de outubro de 2017, pela 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cuja ementa expressou o seguinte enunciado: DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS COM NÃO DEPENDENTE. Os comprovantes de despesas médicas incorridas com pessoas que não constam como dependentes para fins fiscais não serão dedutíveis. PRELIMINARES. MULTA DE OFÍCIO. JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. Alegação em preliminares com contestação improcedentes de inadequada notificação pelo Correio. Alegação improcedente de incidência de multa de ofício e juros de mora pela taxa Selic. Previsão legal. Cientificada do Acórdão, a Procuradoria da Fazenda Nacional formulou os Embargos de Declaração, que teve o recurso admitido em 14 de março de 2018, cujo teor da decisão repete os termos da Autoridade Embargante, com a seguinte expressão conclusiva: Logo, se a decisão embargada concluiu pela reforma da decisão a quo, deveria ter feito a análise desses comprovantes e especificado quais despesas seriam passíveis de dedução, com a devida justificativa, porém, não o fez, restando, pois, procedente a obscuridade apontada pela Embargante. Diante do exposto, admitemse os embargos, para que sejam incluídos em pauta de julgamento para apreciação da obscuridade apontada. Ressaltese, todavia, que a presente análise se restringe à admissibilidade dos embargos, sem uma apreciação exauriente das questões apresentadas, a qual será procedida quando do julgamento pelo colegiado. A afirmação de obscuridade apontada nos Embargos de Declaração trazem as seguintes ponderações: De acordo com a descrição dos fatos apresentados pela autoridade fiscal, a glosa deveuse a: Fl. 122DF CARF MF Processo nº 15954.000269/200850 Acórdão n.º 2001000.949 S2C0T1 Fl. 122 3 1. não comprovação da dependência das Sras. Geni Biaggi Destro e Vanessa Biaggi Destro, que apresentaram DIRPF em separado, utilizandose de modelo simplificado; 2. não comprovação do valor referente ao pagamento ao plano de saúde Sul América. A DRJ deu provimento parcial à impugnação, afastando a glosa referente ao documento de fls. 42/43, obtido junto à empresa Sul América e que individualiza os valores pagos, possibilitando apurar ser o total de R$ 5.930,34 referente ao impugnante e a cuja dedução tem direito. (...) Da leitura do votocondutor do acórdão, verificase que o i. Relator deu provimento parcial ao recurso “para manter a glosa das deduções utilizadas indevidamente”. Tal decisão, data máxima vênia, se mostra eivada do vício da obscuridade, uma vez que não se sabe e não se especificou quais foram as glosas mantidas ou não, e quais foram as despesas deduzidas indevidamente. Com efeito, o único documento comprobatório que o contribuinte trouxe aos autos para fins legitimar as despesas deduzidas já foi considerado pela DRJ e a glosa referente a tais valores já foi afastada. Não há nos autos nenhum outro recibo, nota fiscal, comprovante, e/ou declaração a ser considerado/analisado. O contribuinte não trouxe aos atos qualquer documento capaz de infirmar as glosas que justificaram o presente lançamento. Diante da inexistência de qualquer documento comprobatório, não se vislumbra qual teria sido a despesa médica que foi considerada como dedutível pelo e. colegiado, a fim de ensejar o provimento parcial do recurso voluntário. A obscuridade do julgado se evidencia, na medida em que o contribuinte não comprovou qualquer despesa, daí porque nenhuma delas poderia ser acolhida, conforme o próprio raciocínio adotado pelo decisium. E não se está aqui falando de valoração probatória, mas sim da inexistência de qualquer prova. Não há o que ser valorado! Reiterese que o único comprovante apresentado pelo contribuinte já foi considerado pela DRJ e a correspondente glosa já foi devidamente afastada. Com isso, salvo melhor juízo, o resultado do julgamento deveria ter sido o de negar provimento ao recurso voluntário e não o de dar provimento parcial, como restou consignado no r. voto condutor do julgado. Afinal, se o resultado do julgamento foi o de “manter a glosa Fl. 123DF CARF MF 4 das deduções que foram indevidas (considerando a inexistência de documentos apresentados pelo contribuinte), o lógico seria concluir que todas as glosas deveriam ter sido mantidas. Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho – Relator Sem dúvida que o embasamento do Lançamento buscava respaldo na interpretação de que os recibos em originais não se constituíam em prova cabal e definitiva do pagamento das despesas médicas, tendo o Fisco solicitado complementação de comprovação do “efetivo” pagamento, como se verifica na Complementação da descrição dos fatos fl. 28. Todavia, na análise do caso na DRJ a decisão foi no sentido de que os documentos probatórios tornaramse válidos não pela efetividade dos pagamentos, mas quando da individualização dos beneficiários do plano de saúde, posicionamento que coincide com a decisão do Colegiado da 1ª Turma Extraordinária da 2ª Seção de Julgamento. A obscuridade na decisão do Acórdão restou constatada, contudo, os recibos foram apresentados pelo Contribuinte à fiscalização no nascedouro da ação fiscal, como relatado pelo próprio Agente Autuante, conforme descrito no item “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, no Lançamento, constante da fl. 28, e posteriormente, em sede de impugnação, complementados com a individualização dos beneficiários do plano de saúde, o que permitiu fossem aceitas as despesas referentes ao Contribuinte pessoalmente e mantida a glosa das despesas com os dependentes que na verdade não o eram para efeitos fiscais, com se observa da decisão da DRJ, fl.58 dos autos. O contribuinte trouxe aos autos os documentos de fls. 30/32 e 34/35, relativos às Sras. Geni Biaggi Destro e Vanessa Biaggi Destro, bem como o de fls. 37 e 39, já apreciados pela fiscalização, que glosou as respectivas despesas, pelas razões acima apresentadas. Às fls. 42/43, apresenta documento novo, solicitado à empresa Sul América (fls. 40) e que individualiza os valores pagos, possibilitando apurar ser o total de R$ 5.930,34 referente ao impugnante e a cuja dedução tem direito. Quanto aos documentos de fls. 33, tratase de despesas relativas ao impugnante e não foram glosadas pela autoridade fiscal. (...) Restabelecida a dedução de R$ 5.930,34, recompõese o demonstrativo de Apuração do Imposto Devido: (...) Pelas razões expostas, voto pela procedência em parte da impugnação e manutenção parcial do crédito tributário exigido, que fica assim configurado: Imposto Exigido R$ 6.548,88 – Exonerado R$ 1.630,84 – Mantido R$ 4.918,04. Por evidente, com base na legislação vigente considerase dedutível a despesa médica incorrida com o próprio contribuinte e seus dependentes, sendo que no caso registrase a inexistência de dependentes para efeitos fiscais, permitida, portanto, a dedução de despesa Fl. 124DF CARF MF Processo nº 15954.000269/200850 Acórdão n.º 2001000.949 S2C0T1 Fl. 123 5 restrita ao Recorrente, relativo ao Plano de Saúde ao qual é beneficiário. Na verdade os termos conclusivos do Acórdão nº 2001.000.057 remete para o provimento parcial das despesas do Plano de Saúde no valor de R$ 5.930,34, que o Contribuinte logrou êxito em comprovar individualizadamente por beneficiário, caso em que foi considerada somente a sua despesa pessoal. Neste sentido a decisão do Acórdão nº 2001.000.057 coincide com os termos do julgamento da DRJ, razão pela qual a conclusão do voto é de negar provimento tendo em vista que o que foi aceito em termos de exclusão parcial da glosa já está contemplado na decisão de primeiro grau de julgamento administrativo. Assim que, esclarecida a ocorrência de obscuridade apontada nos Embargos, retificase os termos da decisão do Acórdão para manter o crédito tributário no valor de R$ 4.918,04 e acréscimos legais, nos termos da decisão da DRJ. Por todo o exposto, voto por conhecer e ACOLHER os Embargos de Declaração interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional, promovendo o saneamento da obscuridade apontadas na decisão do Acórdão nº 2001.000.057, para manter o crédito tributário no valor de R$ 4.918,04, com os acréscimos legais. (assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.000863/2010-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2006
Comprovado que o contribuinte foi vítima de fraude, de se afastar a multa a ele aplicada decorrente da transmissão de declaração de compensação, cujo autor não foi ele.
Ademais, se o processo principal reconhece a fraude e analisa o processo, aqui também de se reconhecê-la e afastar a multa.
Numero da decisão: 1301-003.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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Ademais, se o processo principal reconhece a fraude e analisa o processo, aqui também de se reconhecêla e afastar a multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Ângelo Abrantes Nunes (suplente convocado), Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente, justificadamente, a Conselheira Giovana Pereira de Paiva Leite, substituída pelo Conselheiro Ângelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 08 63 /2 01 0- 24 Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10980.000863/201024 Acórdão n.º 1301003.643 S1C3T1 Fl. 233 2 Relatório CRESUS COUTINHO CAMARGO, já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Curitiba (PR) DRJ/CTA (fls. 167 e ss), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de R$5.087.593,00 de multa isolada, decorrente de compensação indevida efetuada em PerdComp 04727.24619.181206.2.3.04 7688. Segundo o Relatório do acórdão recorrido: Pedido de Restituição/Compensação Em decorrência de ação fiscal desenvolvida em face do'contribuinte qualificado, foi lavrado o auto de infração de fls. 03/06, cientificado em 04/03/2010 (fl. 03), que exige o recolhimento de RS 5.087.593,00 a título de multa isolada, em decorrência de compensação indevida efetuada em declaração de compensação (Per/Dcomp n° 04727.24619.181206.2.3.04 7688) tida como não declarada (no âmbito do processo n° 10980.000255/200714 fls.16/17), com base nas alíneas “a” e "e”, do inc. II, do § 12 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. A fundamentação legal do lançamento está disposta à fl. 05. O Relatório Fiscal de fls. 101/108, detalha o procedimento adotado e esclarece que o lançamento anterior, feito a mesmo título, foi anulado por decisão judicial. Despacho Decisório da DRF 2. Em 11/01/2007, a Delegacia da Receita Federal em Curitiba/PR, através do Despacho Decisório de folha 18 e ss, decidiu por considerar não declarada a compensação de que trata a DCOMP em causa. Da Manifestação de Inconformidade Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 113 e documentos, que aduziu os seguintes argumentos: como já informado, não enviou pedido algum de compensação. Alega ter sido vítima de crime de estelionato, em curso no processo 2007.70.00.028082, e pede o cancelamento do auto de infração. Em julgamento realizado em 12 de maio de 2010, 3ª Turma da DRJ/CTA, considerou improcedente a impugnação apresentada e prolatou o acórdão 0626573, assim ementado: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Data do fato gerador: l8/l2/2006 COMPENSAÇÃO NÃODECLARADA. MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO. Tratandose de compensação não declarada em que o crédito utilizado seja de terceiros e não se refira a tributos e contribuições administrados pela Receita Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10980.000863/201024 Acórdão n.º 1301003.643 S1C3T1 Fl. 234 3 Federal é cabível a aplicação de multa isolada de 75% sobre o valor total do débito indevidamente compensado. PER/DCOMP. NEGATIVA DE AUTORIA. A simples negativa da autoria da transmissão de um Per/Dcomp não autoriza o cancelamento da multa isolada lançada em razão de compensação considerada como nãodeclarada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 176 e ss, onde reforça os argumentos já apresentados em sede de impugnação, atendose aos seguintes pontos: de que foi vítima de estelionato, vez que não realizou nenhuma compensação, conforme Inquérito Policial 2007.70.00.0289082; da suspensão do presente procedimento fiscal até a apuração final do referido Inquérito; Diligência para que a própria RFB apure a procedência e autoria do pedido de compensação. À fl. 198 temse a informação do falecimento do contribuinte. Recebi os autos por sorteio em 15/08/2018. É o relatório. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10980.000863/201024 Acórdão n.º 1301003.643 S1C3T1 Fl. 235 4 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/CTA e intimada ao recolhimento do débito em 10/06/2010, (AR à fl. 175), e apresentou em 01/07/2010, recurso voluntário e demais documentos, juntados às fls. 176 e ss. Já que atendidos os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, e tempestivo, dele conheço. O lançamento em questão é de multa isolada, nos termos do art. 18 da Lei 10.833/03, com redação dada pelas Leis 11.051/04 e 11.196/05. "Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitar seá à imposição de multa isolada em razão da não homologação de compensação declarada pelo sujeito passivo nas hipóteses em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 2o A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada no percentual previsto no inciso II do caput ou no § 2o do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. § 4o A multa prevista no caput deste artigo também será aplicada quando a compensação for considerada não declarada nas hipóteses do inciso II do § 12 do art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996." (NR) A DComp enviada mostrava créditos decorrentes de pagamentos indevidos ou a maior, no valor de R$900.000.000,00, e foi transmitida em 18/12/2006, consta que o crédito já havia sido informado em PA anterior (10168.001414/200277) onde se compensava com diversos débitos de IRPF lançamento de ofício. Tais débitos decorrem do PA 10980.009865/200601. Segundo o despacho decisório, o processo indicado, onde o crédito se encontraria não pertence ao contribuinte, e sim a terceiro, Edílson Figueiredo de Souza, e encontravase na época na PGFN/DF. E assim sendo, e em existindo tal crédito, pertenceria a terceiro, sendo, portanto, vedada a sua utilização, os termos do art. 26, §3º, V e art. 40 da IN 600/2005, e art. 74 da Lei 9.430/96. Outro ponto levantado, se refere à origem desse crédito, apesar de mencionar pagamento indevido ou a maior, tratase de crédito oriundo de Ação Judicial contra o Estado Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10980.000863/201024 Acórdão n.º 1301003.643 S1C3T1 Fl. 236 5 do Paraná, com trânsito em julgado. Porém, inexiste Pedido de Habilitação de Crédito reconhecido por Decisão Judicial transitada em julgado, através de processo próprio, nos termos do art. 51 da In 600/2005, como condição prévia à apresentação da DCOMP. E dessa forma, novamente, caso o crédito exista, não teria natureza tributária, e novamente não atenderia às condições impostas pelo art. 74 da Lei 9.430/96, de que o crédito deve referirse à tributo ou contribuição administrado pela RFB, passível de restituição ou ressarcimento. O contribuinte impetrou Mandado de Segurança nos autos do PA (PA 200714) para suspender o PA e AI. (PA 200714) (A intimação foi considerada nula e determinouse nova intimação) O contribuinte, a seu turno, alegou sempre que não realizou tal compensação, não possui nenhum crédito e que foi vítima de estelionato, tendo oferecida notíciacrime para instauração de Inquérito Policial Federal para identificar a origem e a autoria daqueles que lhe ofereceram vantagens ilícitas e efetuaram em seu nome o pedido de compensação. Que a escritura pública, feita para tentar dissuadir o contribuinte a adquirir os supostos créditos que lhe foram oferecidos, não foi por ele assinada. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10980.000863/201024 Acórdão n.º 1301003.643 S1C3T1 Fl. 237 6 Junto à Policia Federal, a RFB procedeu na consulta às bases do sistema receitanetLog porém não se conseguiu ir além do endereço IP pelo qual foi transmitida a DCOMP e o servidor correspondente. Pois bem. Tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida baseiamse no fato de que a declaração de compensação apresentada trazia em seu bojo créditos decorrentes de terceiros e de natureza não tributária, e ainda judicial (Ação de Atentado na Ação reivindicatória de área denominado Apertados), sem o competente processo de habilitação prévio. Assim, nos termos do §12 do art. 74 da Lei 9.430/96 a compensação foi considerada não declarada. (Diante disso, inclusive não sendo passível de apresentação de manifestação de inconformidade) E por conseqüência aplicada a multa de que trata esta autuação. O recorrente, por sua vez, informa em sua defesa que foi vítima de estelionato, trazendo para tanto documentos relacionados ao Inquérito Policial. A última informação que consta aqui nestes autos acerca do processo policial é de que os Srs. Roberto de Oliveira Xavier e Laelson Osires Gomes da Silva foram indiciados pelos crimes de estelionato e falsificação de documento público (fl. 140). Ora, temos inclusive uma declaração desse Sr. Roberto de Oliveira Xavier, dada à Polícia Federal, nos autos do Inquérito Policial, às fls. 124 dizendo que foi ele quem fez a compensação de Cresus com a autorização deste, que por meio do Sr. Laelson, que possuía uma procuração, que por sua vez não havia sido outorgado pelo Sr. Cresus. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10980.000863/201024 Acórdão n.º 1301003.643 S1C3T1 Fl. 238 7 Ademais, de se reforçar também, que o PA 10980.009865/200601, acórdão 2401005.496, que tratava dos débitos que foram submetidos à suposta compensação foram julgados recentemente, onde foi reconhecida a fraude, trechos abaixo: Dessa forma, do meu ponto de vista, a multa que decorre da declaração de compensação deve ser afastada, primeiro porque o débito a ele atrelado já foi julgado ao menos parcialmente favorável, ademais, a questão da fraude, lá também foi reconhecida. É sabido que há fraudadores no mercado que atuam buscando a venda de créditos de todas as formas, buscando um lucro mas muitas das vezes não de modo correto, acossando vítimas, mediante a busca de mais dinheiro. Assim, a mim ficou evidente, é à Turma de igual forma, que o Sr. Cresus Coutinho Camargo foi vítima de fraude, não tendo sido ele que transmitiu a Declaração de Compensação, não externando tal vontade, inclusive tendo se defendido naqueles autos, de se afastar aqui a multa aplicada. CONCLUSÃO Diante de todo o acima exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, e no mérito DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 238DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.912493/2009-30
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO POR PAGAMENTO A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo.
Numero da decisão: 3003-000.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antonio Borges - Presidente.
Vinícius Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: VINICIUS GUIMARAES
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COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Instaurado o contencioso administrativo, em razão da não homologação de compensação de débitos com crédito de suposto pagamento indevido ou a maior, é do contribuinte o ônus de comprovar nos autos, tempestivamente, a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar. Não há como reconhecer crédito cuja certeza e liquidez não restou comprovada no curso do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antonio Borges Presidente. Vinícius Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges (presidente da turma), Márcio Robson Costa, Vinícius Guimarães e Müller Nonato Cavalcanti Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 91 24 93 /2 00 9- 30 Fl. 263DF CARF MF Processo nº 10166.912493/200930 Acórdão n.º 3003000.043 S3C0T3 Fl. 3 2 Relatório Por bem retratar a realidade dos fatos, transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Tratam os autos da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 09257.51466.270209.1.3.047088, transmitida eletronicamente em 27/02/2009, com base em créditos relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte declarou no PER/DCOMP a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as seguintes características: Características do DARF: A partir das características do DARF foi identificado que o referido pagamento havia sido utilizado integralmente, de modo que não existia crédito disponível para efetuar a compensação solicitada. Assim, em 07/10/2009, foi emitido eletronicamente o Despacho Decisório (fl. 182), cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados por inexistência de crédito. O valor do principal correspondente aos débitos informados é de R$ 43.255,00. Cientificado dessa decisão em 21/10/2009, bem como da cobrança dos débitos confessados na Dcomp, o sujeito passivo apresentou em 19/11/2009, manifestação de inconformidade à fl. 2 a 9, acrescida de documentação anexa. Em suma, a contribuinte alega erro no preenchimento da DCTF e do Dacon transmitidos originalmente, que não foram retificados antes da emissão do Despacho Decisório. Acrescenta que a declaração e o demonstrativo foram retificados antes da ciência do referido despacho e que as informações retificadas demonstrariam o direito ao crédito pleiteado pela interessada. Argumenta, ainda, que o erro em retificar a DCTF após o pedido de compensação não seria suficiente, por si só, para afastar o direito à quitação do débito compensado. Cita doutrinadores, princípios constitucionais e jurisprudência administrativa para ilustrar sua argumentação. Trata ainda da multa imposta em razão da não homologação, no percentual de 150%, apresentando o entendimento de que esta não deveria ser aplicada por inexistir subsunção do fato concreto à norma jurídica e não ter sido demonstrado que a declaração era falsa. Ao final, apresenta os seguinte pedidos: a) suspensão da exigibilidade do crédito tributário; b) deferimento da manifestação de inconformidade; Fl. 264DF CARF MF Processo nº 10166.912493/200930 Acórdão n.º 3003000.043 S3C0T3 Fl. 4 3 c) homologação do PER/DCOMP objeto dos autos; d) baixa do débito, face a sua compensação; e) afastamento da aplicação da multa de 150% sobre o débito. A 4ª Turma da DRJ em Brasília proferiu decisão, cuja ementa segue transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário:2004 APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábilfiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A compensação de créditos tributários (débitos do contribuinte) só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo, sendo que a compensação somente pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, pugnando o seguinte: 1. Que as normas da RFB cita as INs 900/08 e 1300/12 que estabelecem critérios para compensação tributária não deixam claro a necessidade de apresentação de outros documentos, além das PER/DCOMPs, DCTFs e DACONs, para a comprovação do crédito pleiteado; 2. Que, visando não deixar dúvidas quanto à legitimidade do crédito pleiteado, traz, além dos documentos já apresentados na impugnação, planilha de apuração da contribuição social, utilizada como memória de cálculo da compensação efetuada, livros fiscais de apuração do IPI e do ICMS, colocandose à disposição para fornecer informações adicionais. Fl. 265DF CARF MF Processo nº 10166.912493/200930 Acórdão n.º 3003000.043 S3C0T3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Vinícius Guimarães, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos e requisitos de admissibilidade. O valor do crédito efetivamente em litígio é inferior a sessenta salários mínimos, estando dentro da alçada de competência desta turma extraordinária. Sendo assim, passo a analisar o recurso. A compensação tributária uma das modalidades de extinção do crédito tributário, prevista no art. 156, II, do Código Tributário Nacional , pressupõe a existência de créditos e débitos tributários em nome do sujeito passivo. Segundo o art. 170 do CTN, a lei poderá atribuir, em certas condições e sob garantias determinadas, à autoridade administrativa autorizar a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. Nesse contexto, o direito à compensação existe na medida exata da certeza e liquidez do crédito em favor do sujeito passivo. Assim, a comprovação da certeza e liquidez do crédito tributário mostrase fundamental para a efetivação da compensação. Como se sabe, a compensação pode ser declarada pelo contribuinte por meio do preenchimento e transmissão de Declaração de Compensação (DCOMP), na qual se indicará, de forma detalhada, o crédito existente e o débito a ser compensado, sujeitandose, tal procedimento, a ulterior homologação por parte da autoridade tributária. No caso concreto, o sujeito passivo transmitiu eletronicamente a DCOMP descrita no relatório acima, tendo indicado a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, cujo DARF apresenta as características apontadas no referido relatório. Em verificação fiscal da DCOMP transmitida, apurouse, pelas características do DARF informado pelo contribuinte, que não existia crédito disponível para se realizar a compensação pretendida, uma vez que o pagamento relativo ao DARF indicado já havia sido utilizado para quitação de outro débito, tendo sido emitido eletronicamente Despacho Decisório cuja decisão não homologou a compensação dos débitos confessados. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Na impugnação, a recorrente alega que cometeu erro material ao transmitir a DCTF e DACON originais. Em tais declarações, o débito de COFINS foi erroneamente apurado, de maneira que a retificação da DCTF e DACON seria suficiente para demonstrar a existência do crédito pleiteado. Na impugnação, a recorrente trouxe aos autos as declarações retificadoras com apuração de débito de COFINS a menor, deixando de apresentar, todavia, documentos para comprovar sua alegação de que as declarações originais continham apuração errônea dos débitos de COFINS de onde decorreria o crédito efetivamente litigioso. Ao apreciar a impugnação, a decisão recorrida entendeu que a simples entrega de declarações retificadoras não seria suficiente para demonstrar a existência de pagamento a maior do qual teria derivado o direito creditório pleiteado pela recorrente em sua DCOMP. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 10166.912493/200930 Acórdão n.º 3003000.043 S3C0T3 Fl. 6 5 No entendimento do colegiado, a recorrente deveria ter demonstrado a certeza e liquidez do direito creditório, por meio da apresentação de escrituração contábil fiscal, lastreada em documentos hábeis e idôneos, comprovando que a COFINS devida era realmente menor do que o valor constante das declarações originais. Analisando os autos, observase que, de fato, a recorrente não apresentou, na fase de impugnação (manifestação de inconformidade), documentos que pudessem demonstrar a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Como bem assinalado pela decisão recorrida, para a demonstração da certeza e liquidez do direito creditório invocado, não basta que a recorrente apresente declarações retificadoras, com redução de débitos apurados. Fazse necessário que as alegações da recorrente sejam embasadas em escrituração contábilfiscal e documentação hábil e idônea que a lastreie. Incumbe à recorrente o ônus de comprovar, por provas hábeis e idôneas, o crédito alegado. É o que o Código de Processo Civil, em seu art. 373: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; Tal é o entendimento da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de nº 9303005.226, nos seguintes termos: "...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repitase, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações." Assim, no caso concreto, já em sua impugnação perante o órgão a quo, a recorrente deveria ter reunido todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido, sob pena de preclusão do direito de produção de provas documentais em outro momento processual, em face do que dispõe o §4º do art. 16 do Decreto nº. 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 267DF CARF MF Processo nº 10166.912493/200930 Acórdão n.º 3003000.043 S3C0T3 Fl. 7 6 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Não obstante, em homenagem ao princípio da verdade material e considerando que, no despacho eletrônico, a recorrente não foi informada sobre quais documentos probatórios deveria apresentar, passo à análise dos documentos apresentados após a impugnação trazidos como forma de contrapor as razões da decisão recorrida, podendose aplicar, no caso concreto, a exceção prevista no art. 16, §4º, "c", Decreto nº. 70.237/72. Compulsando os autos, observase que a recorrente não logrou demonstrar a certeza e liquidez do direito pleiteado. Explico. Apesar de ter trazido aos autos planilha de apuração da COFINS, além de páginas dos livros de Apuração de IPI e ICMS, a recorrente não demonstrou a natureza e a extensão dos valores atinentes à exclusão e deduções na apuração da COFINS devida, das quais resultou o débito a menor que teria fundamentado a retificação da DCTF e da DACON. De fato, não há, nos autos, provas que demonstrem a natureza e os valores concernentes às deduções nãocumulativas e aqui são várias rubricas, entre as quais, "compras revenda", "compras PJ", "frete PJ", "embalagens", etc., deduções presumidas "milho pessoa física" e "sorgo pessoa física" e exclusões "Zona Franca", "IPI saída" e "S.Trib." , constantes do demonstrativo de apuração da COFINS devida no período de apuração da DCOMP. Para demonstrar seu direito, a recorrente deveria ter trazido aos autos documentos hábeis e idôneos para comprovar cada rubrica que compõe as deduções não cumulativas, deduções presumidas e exclusões. Poderia, por exemplo, ter trazido notas fiscais de frete, embalagens, além de outros documentos, a fim de provar a natureza e valor das deduções e se são, de fato, aplicáveis a seu caso. Do material probatório apresentado, não há como aferir e atestar a natureza e valores das deduções e exclusões na apuração da COFINS de que resultou o crédito pleiteado nos autos. As planilhas apresentadas e as páginas de livros apuração de IPI e ICMS não são suficientes para comprovar o direito alegado. Se o crédito pleiteado pela recorrente é derivado de pagamento indevido ou a maior em face de apuração errônea da COFINS, deveria a recorrente ter demonstrado a natureza e extensão de cada conta contábil que teria levado à redução do débito da referida contribuição social. Há que se destacar que planilhas, declarações ou demonstrativos apresentados pelo próprio contribuinte, quando desacompanhados de outros elementos que ratifiquem o seu conteúdo, sua natureza e sua exatidão, não possuem força probatória para demonstração de direito creditório oponível à fazenda pública. É de se assinalar, ainda, que a recorrente, apesar de juntar páginas dos livros de apuração de IPI e ICMS sem documentos que os lastreiem, vale registrar , não faz qualquer vinculação de tais escriturações às contas expressas no demonstrativo de apuração apresentado, de maneira a demonstrar a redução da COFINS devida e, por consequência, justificar o direito creditório alegado: ocorreu simples juntada de escrituração, sem esclarecimentos analíticos e específicos para demonstrar a certeza e liquidez do direito alegado. Deveria a recorrente ter trazido descrição minuciosa da apuração da COFINS, estabelecendo conexões entre os documentos contábeis e fiscais apresentados, a fim de demonstrar o direito alegado. Fl. 268DF CARF MF Processo nº 10166.912493/200930 Acórdão n.º 3003000.043 S3C0T3 Fl. 8 7 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Vinícius Guimarães Relator Fl. 269DF CARF MF
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