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Numero do processo: 13502.000843/2009-43
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS DECORRENTE DE INCENTIVO FISCAL CONCEDIDO PELOS ESTADOS E PELO DISTRITO FEDERAL NÃO OSTENTA NATUREZA JURÍDICA DE RECEITA OU FATURAMENTO, MAS DE RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS.
Benefício fiscal decorrente de crédito presumido do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, concedido pelo Estado da Bahia não configura receita ou faturamento das empresas beneficiadas do regime.
COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENEFÍCIO FISCAL DECORRENTE DE CRÉDITO PRESIMIDO DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide a Cofins apurada no regime não cumulativo sobre crédito presumido do ICMS, denominado de subvenção governamental, pois não configura receita ou faturamento, mas recuperação de custo ou despesa da pessoa jurídica.
SUBVENÇÃO DO ICMS PARA INVESTIMENTO, CONTABILIZADA COMO RESERVA DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA, AINDA QUE NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA.
Para os fatos geradores ocorridos antes das alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 (adotando a chamada Nova Contabilidade, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas como reservas de capital - e sempre consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017), não integram a base de cálculo da contribuição, mesmo que apurada no regime da não-cumulatividade.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS DECORRENTE DE INCENTIVO FISCAL CONCEDIDO PELOS ESTADOS E PELO DISTRITO FEDERAL NÃO OSTENTA NATUREZA JURÍDICA DE RECEITA OU FATURAMENTO, MAS DE RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS.
Benefício fiscal decorrente de crédito presumido do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, concedido pelo Estado da Bahia não configura receita ou faturamento das empresas beneficiadas do regime.
PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENEFÍCIO FISCAL DECORRENTE DE CRÉDITO PRESIMIDO DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA.
Não incide a Contribuição para o PIS/Pasep apurada no regime não cumulativo sobre crédito presumido do ICMS, denominado de subvenção governamental, pois não configura receita ou faturamento, mas recuperação de custo ou despesa da pessoa jurídica.
SUBVENÇÃO DO ICMS PARA INVESTIMENTO, CONTABILIZADA COMO RESERVA DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA, AINDA QUE NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA.
Para os fatos geradores ocorridos antes das alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 (adotando a chamada Nova Contabilidade, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas como reservas de capital - e sempre consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017), não integram a base de cálculo da contribuição, mesmo que apurada no regime da não-cumulatividade.
Numero da decisão: 9303-007.651
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS DECORRENTE DE INCENTIVO FISCAL CONCEDIDO PELOS ESTADOS E PELO DISTRITO FEDERAL NÃO OSTENTA NATUREZA JURÍDICA DE RECEITA OU FATURAMENTO, MAS DE RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS. Benefício fiscal decorrente de crédito presumido do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, concedido pelo Estado da Bahia não configura receita ou faturamento das empresas beneficiadas do regime. COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENEFÍCIO FISCAL DECORRENTE DE CRÉDITO PRESIMIDO DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide a Cofins apurada no regime não cumulativo sobre crédito presumido do ICMS, denominado de subvenção governamental, pois não configura receita ou faturamento, mas recuperação de custo ou despesa da pessoa jurídica. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 08 43 /2 00 9- 43 Fl. 5095DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.095 2 SUBVENÇÃO DO ICMS PARA INVESTIMENTO, CONTABILIZADA COMO RESERVA DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA, AINDA QUE NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. Para os fatos geradores ocorridos antes das alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 (adotando a chamada “Nova Contabilidade”, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas como reservas de capital e sempre consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017), não integram a base de cálculo da contribuição, mesmo que apurada no regime da nãocumulatividade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS DECORRENTE DE INCENTIVO FISCAL CONCEDIDO PELOS ESTADOS E PELO DISTRITO FEDERAL NÃO OSTENTA NATUREZA JURÍDICA DE RECEITA OU FATURAMENTO, MAS DE RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS. Benefício fiscal decorrente de crédito presumido do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, concedido pelo Estado da Bahia não configura receita ou faturamento das empresas beneficiadas do regime. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENEFÍCIO FISCAL DECORRENTE DE CRÉDITO PRESIMIDO DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide a Contribuição para o PIS/Pasep apurada no regime não cumulativo sobre crédito presumido do ICMS, denominado de subvenção governamental, pois não configura receita ou faturamento, mas recuperação de custo ou despesa da pessoa jurídica. SUBVENÇÃO DO ICMS PARA INVESTIMENTO, CONTABILIZADA COMO RESERVA DE CAPITAL. NÃO INCIDÊNCIA, AINDA QUE NA APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. Fl. 5096DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.096 3 Para os fatos geradores ocorridos antes das alterações promovidas na Lei das S/A (nº 6.404/76) pela Lei nº 11.638/2007 (adotando a chamada “Nova Contabilidade”, convergente com os padrões internacionais, a partir de 1º de janeiro de 2008), as subvenções do ICMS concedidas pelo Estados, devidamente contabilizadas como reservas de capital e sempre consideradas como para investimento (art. 9º da Lei Complementar nº 160/2017), não integram a base de cálculo da contribuição, mesmo que apurada no regime da nãocumulatividade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3201002.228, de 21 de junho de 2016 (fls. 5045 a 5055 do processo eletrônico), proferido Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por maioria de votos, deu provimento ao Recurso Voluntário. Fl. 5097DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.097 4 A discussão dos presentes autos tem origem autos de infração lavrados em face do contribuinte, pretendendo a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, e da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, relativas aos períodos de apuração de janeiro de 2005 a dezembro de 2007. O contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: os incentivos fiscais têm a natureza de redutores de custos, sendo equivocada classificação desses benefícios como subvenção; em face ao princípio da eventualidade, caso se qualifique os incentivos fiscais como subvenção, esta deve ser da espécie subvenção para investimentos, que é contabilizada diretamente na conta de patrimônio líquido, não sendo computada para fins de apuração de lucro; o fato gerador das exações em comento é o faturamento, não há que se falar na incidência sobre benefícios fiscais; não se deveria considerar todo o incentivo fiscal como base de cálculo das contribuições, pois ao receber o crédito presumido de 90% do ICMS a requerente fica impossibilitada de apropriarse de quaisquer créditos relativos a não cumulatividade do ICMS. Logo, o incentivo não é de 90%, mas tão somente da diferença entre os créditos que se poderiam apropriar em razão da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e embalagens, e o valor do crédito presumido; quanto à suposta tomada indevida de créditos de PIS e COFINS sobre despesas de energia elétrica, há que se dizer que a apropriação de créditos foi feita dentro dos moldes previstos pela regra da não cumulatividade das contribuições; as faturas de fornecimento de energia elétrica eram vinculadas ao CNPJ da requerente e foram por ela pagas, gerando o direito aos créditos da não cumulatividade. É irrelevante o fato de a impugnante ter rateado internamente com outras empresas do mesmo grupo empresarial as despesas de energia elétrica; além do fato de estar à fatura de energia elétrica vinculada ao seu CNPJ, fato incontroverso, é que a energia que ingressa no estabelecimento através da sua unidade consumidora não é, e nem poderia, ser comercializada por ela por proibição legal. Logo, as empresas que compartilhavam a energia com a ora impugnante não arcavam com o ônus relativo ao PIS e à COFINS incidentes sobre as faturas; Fl. 5098DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.098 5 não se admita a tomada de crédito com base na não cumulatividade, o fato inegável é que a impugnante arcou com toda a COFINS e todo o PIS oriundo das faturas de energia elétrica e, portanto, é inequivocamente credora das contribuições que pagou à concessionária pelo consumo alheio; também é fato de que a forma como foram utilizados os créditos oriundos de energia elétrica não gera qualquer dano aos cofres públicos. Isso porque os créditos foram utilizados unicamente pela impugnante, não tendo nenhuma das outras empresas parceiras que utilizaram da energia elétrica da mesma unidade consumidora utilizado qualquer crédito. A 4ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado por maioria de votos, deu provimento para cancelar a exigência relacionada à cobrança da COFINS sobre as denominadas subvenções, correspondentes a incentivo fiscal concedido pelo Estado da Bahia, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS DECORRENTE DE INCENTIVO FISCAL CONCEDIDO PELOS ESTADOS E PELO DISTRITO FEDERAL NÃO OSTENTA NATUREZA JURÍDICA DE RECEITA OU FATURAMENTO, MAS DE RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS. Benefício fiscal decorrente de crédito presumido do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, concedido pelo Estado da Bahia não configura receita ou faturamento das empresas beneficiadas do regime. Fl. 5099DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.099 6 COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENEFÍCIO FISCAL DECORRENTE DE CRÉDITO PRESIMIDO DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide a COFINS apurada no regime não cumulativo sobre crédito presumido do ICMS, denominado de subvenção governamental, pois não configura receita ou faturamento, mas recuperação de custo ou despesa da pessoa jurídica. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS DECORRENTE DE INCENTIVO FISCAL CONCEDIDO PELOS ESTADOS E PELO DISTRITO FEDERAL NÃO OSTENTA NATUREZA JURÍDICA DE RECEITA OU FATURAMENTO, MAS DE RECUPERAÇÃO DE CUSTOS OU DESPESAS. Benefício fiscal decorrente de crédito presumido do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, concedido pelo Estado da Bahia não configura receita ou faturamento das empresas beneficiadas do regime. PIS. REGIME NÃO CUMULATIVO. BENEFÍCIO FISCAL DECORRENTE DE CRÉDITO PRESIMIDO DO ICMS. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide a Contribuição para o PIS/PASEP apurada no regime não cumulativo sobre crédito presumido do ICMS, denominado de subvenção governamental, pois não configura receita ou faturamento, mas recuperação de custo ou despesa da pessoa jurídica. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 5057 a 5081) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Fl. 5100DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.100 7 Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de números 1402001.277 e 9303 003.549, sendo que somente a análise do primeiro foi necessária para comprovar o dissídio jurisprudencial. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição de inteiro teor das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 5083 a 5086, sob o argumento que o acórdão recorrido manifestase no sentido de que o crédito presumido de ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS, por entender que não constitui receita/faturamento do subvencionado, mas sim recuperação de custo/ despesa; por outro lado, o acórdão paradigma assenta que o referido crédito presumido de ICMS é receita do subvencionado, devendo integrar a base de cálculo do PIS/COFINS. Desta forma, entendeuse que restou comprovada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte foi cientificado para apresentar contrarrazões e não se manifestou, conforme se verifica às fls. 5092. É o relatório em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 5083 a 5086. Fl. 5101DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.101 8 Mérito No mérito, cingese a controvérsia à inclusão ou não das receitas de subvenção (benefícios fiscais de créditos de ICMS) na base de cálculo do PIS e da COFINS. O benefício diz respeito a crédito presumido correspondente a um percentual do imposto destacado nas operações praticadas pela empresa beneficiada do programa DESENVOLVE instituído pela Lei n° 7.980, de 12 de dezembro de 2001 e regulamentado pelo Decreto n.º 8.205/2002, alterado pelos Decretos n.º 8.413/2002 e n.º 8.435/2003, e ao Programa de Promoção do Desenvolvimento da Bahia PROBAHIA, instituído pela Lei n.º 7.025/1997 e regulamentado pelo Decreto n.°6.734/1997.9 (Fls. 106) Tais benefícios, instituídos mediante Leis Estaduais, possuem o claro intuito de estimular o desenvolvimento da indústria baiana, em especial de pólos industriais regionais. Neste ponto, é válido mencionar o que dispõe a lei baiana que trata de benefícios. Citando por exemplo, no que tange ao "Desenvolve", o artigo 1º consta da Lei Estadual n.º 7.980/ 2001: "Art. 1o Fica instituído o Programa de Desenvolvimento Industrial e de Integração Econômica do Estado da Bahia DESENVOLVE, com o objetivo de fomentar e diversificar a matriz industrial e agroindustrial, com formação de adensamentos industriais nas regiões econômicas e integração das cadeias produtivas essenciais ao desenvolvimento econômico e social e à geração de emprego e renda no Estado." Assim, através desses programas o Governo da Bahia, para desenvolver o pólo petroquímico do Estado concedeu à grande maioria das empresas nele existentes incentivos fiscais, em geral baseados na redução ou diferimento do ICMS, até o crédito presumido deste imposto. No que tange aos fatos geradores abrangidos pela sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, ponto crucial é analisar se o valor que se pretende Fl. 5102DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.102 9 tributar pode ser conceituado como receita, pois esse o critério que definirá a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, nos termos do que dispôs o legislador nos artigos 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, mais importante que a classificação contábil do incentivo em tela, é a definição de sua natureza jurídica, pois dela dependerá o seu regime jurídico de tributação. Deixou claro o legislador que a essência assume maior relevância que a forma, indicando que a tributação não dependerá de o valor estar registrado como receita, mas sim que o mesmo seja efetivamente uma receita. Visando à melhor compreensão da natureza dos valores objeto do litígio, importa tecer algumas considerações sobre as características singulares dos benefícios fiscais concedidos pelos Governos Estaduais na forma de subvenções de ICMS. O Contribuinte seguindo o benefício fiscal instituído pela Bahia procedeu da seguinte forma abaixo: (fls.12 do Termo de Verificação Fiscal) 18 Na contabilização, a empresa aplicou o percentual do crédito presumido sobre as saídas e efetuou o seguinte lançamento: D ICMS a recolher (passivo) C Redução do ICMS (patrimônio líquido) 19 – A empresa contabilizou o benefício fiscal em conta de patrimônio líquido. Intimada a informar se havia oferecido tais benefícios à tributação, a empresa informou que os incentivos fiscais são subvenções para investimento e por isso são reconhecidas diretamente no patrimônio líquido, por conta da destinação fiscal do incentivo ao investimento e aplicação dos recursos oriundos da subvenção em investimentos relacionados à modernização do empreendimento. 20 –Este entendimento do contribuinte está em desacordo com a legislação da COFINS. Com efeito, os dispositivos legais que tratam da contribuição Fl. 5103DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.103 10 dispõem que o fato gerador da mesma é o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. A lei n° 10.833/2003... Ainda de acordo com o Termo de Verificação Fiscal houve a concordância integral da DRJ/SDR e ambos dão destaque ao Parecer Normativo CST n° 112, de 1978, com a seguinte justificativa (fls. 13): 22 Com relação à classificação das subvenções, o Parecer Normativo CST n° 112/78, que disciplina o tratamento fiscal a ser dado às subvenções originadas do poder público, sejam elas de custeio ou de investimento, diz que essas devem compor o resultado da empresa, sendo classificado como operacional, quando for subvenção para custeio, ou não operacional, se for subvenção para investimento. O PN CST n.º 112/78 traz que a subvenção para investimento corresponde efetivamente a uma transferência de recursos do Poder Público para uma pessoa jurídica com a finalidade de darlhe suporte para aplicação específica em bens e serviços para “expandir empreendimentos econômicos” – o que é o caso vertente. Eis o que traz o PN (Grifos meus): “[...] 2.11 – Uma das fontes para se pesquisar o adequado conceito de SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO é o Parecer Normativo CST nº 2/78 (DOU de 16.01.78). No item 5.1. do Parecer encontramos, por exemplo, menção de que a SUBVENÇÃO para INVESTIMENTO seria destinada à aplicação em bens ou direitos. Já no item 7, subentendese um confronto entre as SUBVENÇÕES PARA CUSTEIO ou OPERAÇÃO e as SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTO, tendo sido caracterizadas as primeiras pela não vinculação a aplicações específicas. Fl. 5104DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.104 11 Já o Parecer Normativo CST nº 143/73 (DOU de 16.10.73), sempre que se refere a investimento complementa o com a expressão em ativo fixo. Desses subsídios podemos inferir que SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de auxiliála, não nas suas despesas, mais sim, na aplicação específica em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos. Essa concepção está inteiramente de acordo com o próprio § 2º do art. 38 do DL 1.598/77. 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia de intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o “animus‟ de subvencionar par investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a simples aplicação dos recursos decorrentes de subvenção em investimentos não autoriza a sua classificação como SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO [...]” Vale ressaltar ainda, que a Contribuinte anexou várias planilhas demonstrando de forma sintética a quantia recebida a título de incentivo fiscal em cada ano e, de igual sorte, a quantia gasta em investimentos de modernização, dinamização e ampliação da estrutura produtiva. Assim, a contribuinte entende que “o benefício fiscal concedido pelo Estado da Bahia não se enquadra no conceito de subvenção, mas em verdade tratase de redução de custo que por sua natureza não deve sofrer a incidência das mencionadas contribuições”. Ressalto ainda que a própria Receita Federal do Brasil corrobora o fato de que os incentivos fiscais estaduais são mera redução de custos ou despesas, não passíveis, portanto, de tributação. Menciona em seu favor Soluções de Consulta n° 11 de 26 de fevereiro de 2007 e n° 225 de 06 de agosto de 2007: Fl. 5105DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.105 12 SOLUÇÃO DE CONSULTA N.11 de 26 de Fevereiro de 2007 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ EMENTA: LUCROREAL. SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. Incentivos dados por Estadosmembros a empresas instaladas na região, mediante regime especial de pagamento de ICMS, consistente em dilação de prazo de recolhimento e concessão de desconto sob condição suspensiva, não configuram subvenções para investimento, sequer subvenções correntes para custeio, posto que, no sentido técnicocontábil, as vantagens advindas não têm natureza de receitas ou de resultados. Tais vantagens configuram meras reduções de custos ou despesas. "SOLUÇÃO DE CONSULTA N° 225 de 06 de Agosto de 2007 ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. EMENTA: Subvenções e Recuperações de Custos. Crédito Presumido do ICMS. Tratamento Fiscal. As subvenções para custeio, recuperações de custos ou de investimentos, quando aportadas em espécie, integram a base de cálculo da COFINS pela sistemática da nãocumulatividade, por significar ingresso de recursos para entidade beneficiária. Em caso contrário, quando decorrer de recuperações, lastreadas em incentivos que decorram de créditos presumidos, que não significam ingressos de receitas, ou derivam de reversão de provisões, não integram a base de cálculo da citada contribuição. Dispositivo Legal: Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. Io, § 3o, inciso V, alínea "b". Assim, o incentivo fiscal concedido pelo Estado da Bahia, na forma de crédito presumido de ICMS, não pode ser considerado como faturamento, pois não se constitui em uma receita da empresa. Consectário lógico é que não pode integrar a base de cálculo da COFINS nãocumulativa. A afirmação encontra lastro no entendimento do Supremo Tribunal Federal consignado em julgamento proferido nos autos do Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, que tratou da incidência de PIS e COFINS sobre a transferência de saldos credores de ICMS, no Fl. 5106DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.106 13 sentido de que o conceito constitucional de receita bruta implica em um "ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições". Embora não se trate aqui dos casos comumente analisados de subvenções para investimentos, também é pertinente a menção ao julgado do STF que delimita o conceito de receita bruta equivalente a faturamento a fim de demonstrar que o crédito presumido de ICMS em questão não pode ser tributado pela COFINS nãocumulativa. Ao trazer o conceito constitucional de receita bruta, definiu a Suprema Corte como cerne, além de se verificar a existência de condicionantes ou contraprestação para o ingresso patrimonial da pessoa que o recebe, aspecto importante para as subvenções de investimentos, determinarse se há efetivo ingresso ou não daquele valor no patrimônio da empresa. Importa a transcrição da ementa do julgado: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Fl. 5107DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.107 14 Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificam Fl. 5108DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.108 15 se como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 22112013 PUBLIC 25112013) (grifouse) No caso em análise, portanto, os créditos de ICMS concedidos pelos Governos Estaduais não constituem receita bruta em virtude de não serem concedidos sem reservas ou condições e por não se constituírem em elemento novo e positivo. Assim, inequivocamente afastada hipótese de incidência das contribuições para o PIS e para a COFINS na sistemática nãocumulativa. Confirmando a não inclusão dos créditos presumidos de ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS nãocumulativo, o Superior Tribunal de Justiça manifestouse no sentido de que o crédito presumido deve ser sempre entendido como redutor de custos e não como efetivo ingressos de receitas. Ilustram precedentes da Primeira e da Segunda Turmas da Primeira Seção daquela Corte: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. PRECEDENTES. 1. As Turmas da Primeira Seção desta Corte firmaram entendimento no sentido de que os valores provenientes do crédito do ICMS não ostentam natureza de receita ou faturamento, mas de recuperação de custos na forma de incentivo fiscal concedido pelo governo para desoneração das operações, de forma que não integram a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. Fl. 5109DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.109 16 Precedentes: AgRg no REsp 1.363.902/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, DJe 19/08/2014 e AgRg no AREsp 509.246/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 10/10/2014. 2. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no AREsp 596.212/PR, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 16/12/2014, DJe 19/12/2014) (grifouse) TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO. ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. BENEFÍCIO FISCAL. RESSARCIMENTO DE CUSTOS. 1. A controvérsia dos autos diz respeito à inexigibilidade do PIS e da COFINS sobre o crédito presumido do ICMS decorrente do Decreto n. 2.810/01. 2. O crédito presumido do ICMS consubstanciase em parcelas relativas à redução de custos, e não à obtenção de receita nova oriunda do exercício da atividade empresarial como, verbi gratia, venda de mercadorias ou de serviços. 3. "Não se tratando de receita, não há que se falar em incidência dos aludidos créditospresumidos do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS." (REsp 1.025.833/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 6.11.2008, DJe 17.11.2008.) Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1229134/SC, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 26/04/2011, DJe 03/05/2011) (grifouse) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. CRÉDITO PRESUMIDO DE ICMS. INCLUSÃO NA BASE DE CÁLCULO DO IRPJ, CSLL PIS E DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 83/STJ. ARGUMENTOS INSUFICIENTES PARA DESCONSTITUIR A DECISÃO ATACADA. I Consoante o decidido pelo Plenário desta Corte na sessão realizada em 09.03.2016, o regime recursal será determinado pela data da publicação do provimento jurisdicional impugnado. Assim sendo, in casu, aplicase o Código de Processo Civil de 2015. Fl. 5110DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.110 17 II – A Corte de origem apreciou todas as questões relevantes apresentadas com fundamentos suficientes, mediante apreciação da disciplina normativa e cotejo ao posicionamento jurisprudencial aplicável à hipótese. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade. III – É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual o crédito presumido de ICMS não se inclui na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. IV – É firme o posicionamento entendimento desta Corte segundo o qual o crédito presumido de ICMS não integra a base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. V – O recurso especial, interposto pelas alíneas a e/ou c do inciso III do art. 105 da Constituição da República, não merece prosperar quando o acórdão recorrido encontrase em sintonia com a jurisprudência desta Corte, a teor da Súmula n. 83/STJ. VI – A Agravante não apresenta, no agravo, argumentos suficientes para desconstituir a decisão recorrida. VII – Agravo Interno improvido. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, os Ministros da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça acordam, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao agravo interno, nos termos do voto da Sra. Ministra Relatora. Os Srs. Ministros Gurgel de Faria, Napoleão Nunes Maia Filho, Benedito Gonçalves e Sérgio Kukina (Presidente)". Recurso Especial n° 1.627.291 SC (2014/02800074), de 04 de abril de 2017, Relatado pela Ministra Regina Helena Costa Ainda que se entenda importar ao deslinde do feito adentrarse na classificação contábil dos créditos presumidos de ICMS, é possível atribuir aos mesmos natureza jurídica de subvenção financeira ou de investimento, uma vez que se trata de auxílio ou doação que só pode ser concretizada se atendidos os requisitos estabelecidos na respectiva legislação de regência. Nesse sentido, pronunciouse o Ilustre Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis ao proferir Voto Vencedor no acórdão n.º 3401001976, de 26/09/2012, que Fl. 5111DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.111 18 também consignou entender de menor relevância a classificação contábil, em face da predominância natureza jurídica do incentivo. Além disso, de acordo com o art. 182, §1º, alínea "d" da Lei nº. 6.404/76, vigente à época do período lançado, as subvenções para investimento eram classificadas como reservas de capital, não interferindo na apuração do lucro líquido da Empresa, de que a receita faz parte, e se destinando a incrementar o Ativo Permanente. Também por esse prisma, não há de se entender subvenção como receita. Verificase que os períodos de apuração do presente ato são anteriores à adoção da chamada “Nova Contabilidade”, convergente com os padrões internacionais, que se deu com a entrada em vigor, a partir de 1º de janeiro de 2008, da Lei nº 11.638/2007, a qual promoveu profundas alterações na Lei das S/A (n.º 6.404/76). Nessa linha relacional, considerando que os créditos decorrentes de subvenção não integram o conceito de receita, afastando a incidência do PIS e da COFINS na sistemática da nãocumulatividade, pronunciouse a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento em acórdão assim ementado, cujos fundamentos passam a integrar a presente fundamentação: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Ano Calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A obstrução à defesa, motivadora de nulidade do ato administrativo de referência, deve apresentarse comprovada no processo. PIS. DECADÊNCIA. PRAZO O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário da contribuição para o PIS/PASEP extinguese em 5 (cinco) anos contados da ocorrência do fato gerador. PIS. CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo das contribuições para o PIS é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º, do art. 3º, da Lei nº 9.718/98 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS DO ICMS. NÃO Fl. 5112DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.112 19 INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual. PIS. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRSUMIDO DO IPI. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide PIS sobre os valores de créditos presumido do IPI, previsto na Lei nº 9.336/96. PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. Não incide PIS sobre os valores de créditos de ICMS, obtidos em razão de subvenção estadual, uma vez sua natureza jurídica não se revestir de receita. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 340300.799, P.A. 10283.000091/200521, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, julgado em 03.02.2011) (grifouse) Por fim vale citar que inúmeros julgamentos deste Conselho debateram a natureza das subvenções de investimento para fins de incidência das contribuições sob o regime não cumulativo e decidiram pela possibilidade da exclusão da base de cálculo do Pis e da Cofins (a exemplo os recentes Acórdãos 9303006541 e 9303006.606 CSRF da Lavra da Ilustre Conselheira Vanessa Marini Cecconello e Acórdãos 910100.566, 3201002.638, 3402003.042, 3301002.970 e 3402002904, 1302 002.303). Processo nº 10508.000947/200748 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.541 – 3ª Turma Sessão de 15 de março de 2018 Matéria PIS/Pasep e COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado CDI BRASIL COMUNICAÇÃO WEB LTDA. (CDI BRASIL INDUSTRIAL LTDA.) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 30/06/2003, 01/02/2004 a 31/12/2004, 01/02/2005 a 28/02/2005, 01/04/2005 a 31/12/2005 PIS. NÃOCUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL ESTATAL. ICMS DIFERIDO. Fl. 5113DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.113 20 Não integram a base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS nãocumulativos os valores relativos aos incentivos fiscais concedidos pelos Estados da Federação à pessoa jurídica, sob a forma de ICMS diferido, por não se enquadrarem no conceito de faturamento ou receita bruta. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Rodrigo da Costa Pôssas, que lhe deram provimento parcial. Neste processo citado acima, foi reconhecido que que os valores decorrentes do diferimento de ICMS concedido pelo Governo do Estado da Bahia ao Sujeito Passivo não se constituí em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS do regime não cumulativo sobre os mesmos. Possui uma lógica nobre entender que um incentivo fiscal concedido por um Estado, para o desenvolvimento de uma região, não seja tributado pela União. É exatamente esta a situação presente nos autos, situação em que a União pretende incluir na base de cálculo das contribuições de sua competência um incentivo fiscal concedido pelo Estado da Bahia. Tais valores representam mero ingresso na contabilidade do contribuinte, com roupagem de ressarcimento e não de receita, porque o contribuinte adianta o investimento da construção, instalação e operação do parque fabril e atividades e, o Estado, lhe assegura o reembolso dos valores gastos através dos incentivos. Por fim, vale ainda ressaltar que em 2017 foi publicada a Lei Complementar n.º 160/17, a qual dispôs sobre a remissão de créditos tributários, constituídos ou não, decorrentes das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeirofiscais instituídos em desacordo com o disposto na alínea “g” do inciso XII do § 2º do art. 155 da Constituição Federal, bem como sobre as correspondentes reinstituições, trouxe em seu art. 9º alteração ao art. 30 da Lei n.º 12.973/14, conforme segue: Fl. 5114DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.114 21 “Art. 30. 4o Os incentivos e os benefícios fiscais ou financeirofiscais relativos ao imposto previsto no inciso II do caput do art. 155 da Constituição Federal, concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal, são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos neste artigo. § 5o O disposto no § 4o deste artigo aplicasse inclusive aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. O que, em breve síntese, com tal dispositivo, não haveria como considerarmos tal subvenção para investimento como integrante da base de cálculo do PIS e da Cofins, ainda que houvesse a discussão da natureza dessa subvenção – se subvenção para custeio ou subvenção para investimento. Recordo que essa discussão envolvendo a natureza da subvenção poderia influenciar no direcionamento da natureza do evento – o que, por consequência, abriria, a princípio, a discussão acerca da tributação pelo PIS e Cofins se considerássemos a natureza da subvenção em discussão como de custeio. Digo “a princípio”, pois com o advento do Convênio ICMS 190/17 e a publicação até 29.3.2018 dos atos instituidores de benefícios fiscais de ICMS pelos Estados nos Diários Oficiais– não há mais a discussão da natureza das subvenções – sendo todas consideradas como subvenção para investimento. Assim, a subvenção tratada nesse caso deve ser considerada como subvenção para investimento, conforme preceitua a Lei Complementar n.º 160/17 e, nessa linha, em respeito às mudanças normativas que envolveram tal evento ao longo do tempo Lei 6.404/76, PN CST n.º 112/78, ICVM n.º 59/86, Decreto Lei n.º 1.598/77, PN 2/78, Lei n.º 11.941/09 e Lei n.º 12.973/14 que, mantendo respeito à Primazia da Essência sobre a Forma e à segurança jurídica, trouxeram explicitamente que, para fins tributários, tais subvenções não seriam tributadas pelas contribuições, eis que consideraram que não possuem em sua essência "natureza" de receita, não devem sofrer os efeitos tributários como tal, ainda que na forma fossem registradas como receita. O que a Lei n.º 11.941/09 fez foi ratificar que tai subvenções nunca tiveram caráter de receita, eis que explicitou que se assim fossem registradas não poderiam ser consideradas integrantes da base de cálculo das r. contribuições. Fl. 5115DF CARF MF Processo nº 13502.000843/200943 Acórdão n.º 9303007.651 CSRFT3 Fl. 5.115 22 Assim, considerando, também, que os valores (apurados antes de 1º de janeiro de 2008) foram contabilizados como Reserva de Capital e não se discute a natureza da subvenção, eles efetivamente não comporiam a base de cálculo das contribuições Portanto, reconhecese que os valores decorrentes do credito presumido de ICMS concedido pelo Governo do Estado da Bahia ao Sujeito Passivo não se constituí em receita bruta, restando afastada a incidência do PIS e da COFINS. Assim, considerando que os valores (apurados antes de 1º de janeiro de 2008) foram contabilizados como Reserva de Capital e não se discute a natureza da subvenção, eles efetivamente não comporiam a base de cálculo das contribuições Diante do exposto, negase provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como Voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 5116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12267.000056/2008-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1996
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 31 DA LEI Nº 8.212/1991. PAGAMENTOS VINCULADOS A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO.
Não atestados recolhimentos por parte da prestadora, vinculados especificamente aos serviços prestados à empresa tomadora, prova que essa poderia realizar houvesse observado a legislação, mantém-se a imputação de responsabilidade solidária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2202-004.456
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ART. 31 DA LEI Nº 8.212/1991. PAGAMENTOS VINCULADOS A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Não atestados recolhimentos por parte da prestadora, vinculados especificamente aos serviços prestados à empresa tomadora, prova que essa poderia realizar houvesse observado a legislação, mantémse a imputação de responsabilidade solidária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Dilson Jatahy Fonseca Neto (relator), Martin da Silva Gesto e Junia Roberta Gouveia Sampaio, que lhe deram provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo (suplente convocada), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 00 56 /2 00 8- 88 Fl. 542DF CARF MF 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202004.454 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 12267.000076/200859, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2202004.454 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária “Na condição de Presidente da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção, no uso das atribuições conferidas pelo art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF, designome Redator ad hoc para formalizar o presente acórdão, tendo em vista que tanto o Relator originário, Dilson Jatahy Fonseca Neto, quanto o Redator Designado para o voto vencedor na sessão de julgamento, Waltir de Carvalho, não mais integram o Colegiado. Assim, reproduzo, na íntegra, o relatório disponibilizado em meio magnético pelo referido Conselheiro Relator, conforme a seguir. Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Recorrente para constituir crédito de Contribuições Sociais Previdenciárias por solidariedade em relação ao Contribuinte devedor principal. Intimado, o sujeito passivo protocolou Impugnação. A DRJ deu provimento parcial à impugnação. Ainda inconformado, interpôs Recurso Voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Acompanhando o Auto de Infração, o Relatório Fiscal esclareceu que: O débito correspondente à NFLD supra referese às Contribuições Sociais devidas à Seguridade Social e a Terceiros, incidentes sobre a remuneração de empregados a serviço da empresa notificada, mediante contrato de cessão de mãodeobra com empresa prestadora de serviço. Aplicouse o art. 31 da Lei nº 8.212/1991 com a redação dada pela Lei nº 9.032/1995 Constituiu o crédito em nome da tomadora do serviço, responsável solidária pelo débito tributário, ora autuada, uma vez que esta não comprovou o recolhimento das contribuições previdenciárias pela Contribuinte, a empresa contratada; Aberto o prazo para a autuada se defender, esta protocolou Impugnação. Analisando a peça, a DRJ entendeu que o crédito tributário pode ser constituído diretamente na pessoa do devedor solidário independentemente da constituição em relação ao Contribuinte. Também entendeu que, apesar de haver decisão judicial determinando a verificação se houve ou não pagamento por parte das prestadoras de serviço, não foi possível vincular os eventuais recolhimentos efetuados pelas prestadoras de serviços aos valores que compõem o presente auto de infração em todas as competências, razão pela qual não é possível afastar o lançamento nesse ponto em relação a esses períodos. Fl. 543DF CARF MF Processo nº 12267.000056/200888 Acórdão n.º 2202004.456 S2C2T2 Fl. 3 3 Cientificada, a devedora solidária protocolou Recurso com os seguintes argumentos: Que tem decisão judicial determinando que a autoridade fiscalizadora verificasse se as prestadoras realizaram o recolhimento das cotas previdenciárias, para evitar o recebimento em duplicidade; Que a prestadora de serviços realizou o recolhimento em todo o período de autuação; Que eventual diferença apurada a menor na prestadora de serviço não pode ser imputada à Recorrente, vez que os valores que lhe eram referentes foram pagos, sendo que a eventual diferença seria referente a outros serviços prestados pela contratada, que não em favor da Contribuinte; Que a atribuição de responsabilidade solidária não dispensa o fisco de comprovar a inexistência do pagamento pela Contribuinte. Nesse caminho é necessário fiscalizar a prestadora do serviço para verificar o efetivo não pagamento antes de constituir o crédito em desfavor da responsável solidária; e Que, subsidiariamente, caso seja mantida a autuação, sejam compensados/deduzidos os valores já recolhidos pela prestadora de serviços, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco; É o relatório.” Voto Ronnie Soares Anderson, Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202004.454 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018, proferido no âmbito do processo n° 12267.000076/200859, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor dos Votos Vencido e Vencedor, proferidos por mim mesmo, Conselheiro Ronnie Soares Anderson na condição de, respectivamente, Relator ad hoc e Redator ad hoc da decisão paradigma, digase, Acórdão nº 2202004.454 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 09 de maio de 2018: Acórdão nº 2202004.454 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Voto Vencido “Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. A teor do relatório acima reproduzido, também adoto aqui, na íntegra, o voto disponibilizado pelo Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto: Fl. 544DF CARF MF 4 O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase, em resumo, de lançamento lastreado no art. 31 da Lei nº 8.212/1991, com redação dada pela Lei nº 9.032/1995. Convém transcrição da Legislação: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entendese como cessão de mãodeobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.032, de 1995). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãodeobra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Incluído pela Lei nº 9.032, de 1995). Conforme a legislação então vigente, o tomador do serviço era responsável solidário, ao lado do Contribuinte prestador do serviço, pelas Contribuições Sociais Previdenciárias nascidas em função da cessão de mãodeobra específica. O prestador do serviço, Contribuinte, continuava tendo a obrigação de recolher as Contribuições Sociais. O tomador de serviço tinha o ônus de exigir a comprovação do recolhimento prévio, quando do pagamento das notas fiscais ou faturas correspondentes aos serviços executados, bem como exigir folha de pagamento e guia de recolhimento distinta para si. Diante desse ambiente normativo, a autoridade lançadora fiscalizou a ora Recorrente e, diante da não apresentação de comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada ou porque as guias apresentadas não atendem os requisitos, atribuiulhe a responsabilidade solidária descrita acima. Para apurar o montante devido, escorouse no art. 33 da mesma Lei nº 8.212/1991, e apurou a base de cálculo por aferição indireta. Argumenta a Recorrente que há decisão judicial determinando que, antes de executar o presente lançamento, seja apurado se o valor cobrado já não foi recolhido pela Contribuinte do débito, ou seja, pela empresa prestadora do serviço. Argumenta também que a Contribuinte, prestadora do serviço, recolheu os valores e, se não o fez integralmente, não se pode presumir que a parte não paga se refira aos serviços prestados a si e não a outrem. Enfim, pede a compensação Fl. 545DF CARF MF Processo nº 12267.000056/200888 Acórdão n.º 2202004.456 S2C2T2 Fl. 4 5 dos valores recolhidos pela Contribuinte, prestadora de serviço, e cobrança apenas da diferença. A situação deve ser observada por diversos ângulos. De um lado, a Lei efetivamente atribui à tomadora do serviço, in casu a Recorrente, a obrigação de comprovar a regularidade do pagamento. Regularidade essa não apenas no tocante à efetividade do pagamento, mas também à apuração do montante devido. Nesse contexto, uma vez que não preencheu esses requisitos, pode e deve ser responsabilizada solidariamente pelo eventual inadimplemento tributário. De outro lado, não se pode olvidar que se trata de responsabilidade solidária. Em outras palavras, o débito é da Recorrente mas também o é da Contribuinte, a prestadora do serviço. Portanto, só há inadimplemento se nenhuma das duas tiver efetuado o pagamento. Exatamente por esse ângulo é que a autoridade judiciária concluiu ser necessário que a autoridade lançadora verificasse se houve o pagamento por parte da prestadora do serviço. Registrase que essa determinação foi feita no âmbito de decisão que anulou os atos do processo administrativo desde a autuação e determinou o reinício da sua tramitação. Também, que a DRJ já determinou a realização da diligência, na qual se concluiu não ser possível vincular os pagamentos efetuados pela Contribuintes executora do serviço às Contribuições Sociais devidas em função dos serviços prestados à Recorrente. Pois bem. O instituto da responsabilidade solidária tem por escopo aumentar a garantia do adimplemento do débito. Na seara tributária, o sujeito passivo assume a qualidade de responsável solidário, passando a ser devedor, mas não o alça à condição de Contribuinte. Exatamente por isso que a Lei foi expressa em atribuir ao tomador do serviço a obrigação acessória de exigir do prestador do serviço a elaboração de folhas de pagamento especificas. Seja como for, a responsabilidade solidária não afeta os demais critérios do fato gerador. Nesse contexto, cabe ao fisco o ônus de comprovar a existência do fato gerador, inclusive apurando a sua base de cálculo. Pode, para tanto, utilizarse dos instrumentos legais, inclusive das prerrogativas do art. 33 da mesma Lei nº 8.212/1991. Foi o que fez a autoridade lançadora. Uma vez que a Recorrente não apresentou a documentação referente à apuração da base de cálculo, aferiu indiretamente o débito. Fêlo, contudo, sem buscar obter tais informações da Contribuinte propriamente dita. Não solicitou da prestadora do serviço quando da fiscalização e lançamento informações quanto à existência do pagamento nem quanto à apuração do débito. Simplesmente presumiu a inexistência da documentação ante a não apresentação pela responsável solidária. Há que se registrar que o STJ tem inúmeros precedentes no sentido de que não é possível a constituição do crédito tributário nos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/1991 por arbitramento no período anterior à Lei nº 9.711/1998, sem que antes tenha sido averiguado se o prestador do serviço reconheceu o débito. Nesse sentido, o recente acórdão de 2017: Fl. 546DF CARF MF 6 TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NOS EMBARGOS NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO TOMADOR DE MÃODEOBRA. PERÍODO ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO, A FIM DE CERTIFICAR A AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO TRIBUTO. AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. A responsabilidade do tomador do serviço pelas Contribuições Previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/1991, não comportando benefício de ordem. 2. Todavia, no período pretérito à edição da Lei 9.711/1998, há necessidade de prévia aferição na contabilidade do prestador dos serviços, cedente de mãodeobra, para certificar a ausência do reconhecimento da Contribuição Previdenciária, sendo incabível a aferição indireta nas contas do tomador dos serviços antes de tal providência. Precedentes: REsp. 1.518.887/RJ, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 30.6.2015; AgRg no REsp. 1.375.330/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 4.12.2014. 3. Agravo Interno em Recurso Especial da Fazenda Nacional desprovido. (AgInt nos EDcl no REsp 1141989/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 20/06/2017, DJe 28/06/2017) Dentre os acórdãos menos recentes, mas que demonstram a consolidação da posição do STJ, e que inclusive baseou o acórdão acima, pode se enumerado o seguinte precedente: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. CONTROVÉRSIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS DE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. ART. 31 DA LEI 8.212/1991. AFERIÇÃO INDIRETA ANTES DA VIGÊNCIA DA LEI 9.711/1998. IMPOSSIBILIDADE. ART. 124 DO CTN. CONSTITUIÇÃO VÁLIDA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 83/STJ (...) 2. o acórdão recorrido não nega a existência de responsabilidade solidária pelo recolhimento das contribuições entre tomadora e prestadora dos serviços. O que sustenta o acórdão é que a responsabilidade solidária supõe a existência de regular constituição do crédito tributário, que não teria ocorrido. In casu, como bem fundamentou o acórdão recorrido, a constituição do crédito tributário, referente ao período anterior a 1º.02.1999, não poderia ser feita por meio da aferição indireta nas contas do tomador dos serviços. Precedentes: REsp 1.175.075/PR, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 31.5.2011; AgRg no REsp 1.142.065/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 10.6.2011; REsp 1.174.976/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 11.5.2010. 3. Dessumese que o acórdão recorrido está em sintonia com o atual entendimento deste Tribunal Superior, razão pela qual não merece prosperar a irresignação. Incide, in casu, o princípio estabelecido na Súmula 83/STJ. 4. Acrescentese que, nos contratos de cessão de mão de obra, a responsabilidade do tomador do serviço pelas contribuições previdenciárias é solidária, conforme consignado na redação original do art. 31 da Lei 8.212/91, não comportando benefício de ordem, nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional. Precedentes: AgRg no REsp 1.213.709/SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, julgado em 18.12.2012, DJe 8.02.2013; REsp 1.281.134/MG, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 13.12.2011, DJe 19.12.2011; AgRg no REsp 1.142.065/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 7.6.2011, DJe 10.6.2011. (...) 6. Recursos Especiais não providos. (REsp 1518887/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/04/2015, DJe 30/06/2015) Fl. 547DF CARF MF Processo nº 12267.000056/200888 Acórdão n.º 2202004.456 S2C2T2 Fl. 5 7 PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. FUNDAMENTO NÃO IMPUGNADO. SÚMULA 182/STJ. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO VIGENTE ATÉ 1.2.1999). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. NECESSIDADE DE PRÉVIA FISCALIZAÇÃO DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. CONSTITUIÇÃO EFETIVADA COM OBSERVÂNCIA DA CONTABILIDADE DA CEDENTE. MODIFICAÇÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. De início, observase que as razões do agravo regimental não impugnam o fundamento da decisão agravada quanto à ausência de violação aos arts. 165, 458 e 535 do CPC. Incidência da Súmula 182/STJ. 2. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, que a responsabilidade do tomador do serviço é solidária quanto às contribuições que deveriam ser recolhidas pelo prestador. Outrossim, reconhece a jurisprudência que a constituição do crédito tributário implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora ou, ao menos, a concomitância , a fim de que se certifique se a empresa cedente recolheu as contribuições devidas. Súmula 83/STJ. 3. Se a conclusão da Corte de origem foi no sentido que houve efetivamente a prévia fiscalização da prestadora de serviço e, de consequência, a constituição do crédito tributário, para só então estabelecer a responsabilidade da tomadora, a modificação do julgado demandaria incursão na seara fática dos autos, inviável na via estreita do recurso especial, ante o óbice da Súmula 7/STJ. Agravo regimental conhecido em parte e improvido. (AgRg no REsp 1375330/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 20/11/2014, DJe 04/12/2014) TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE PRESTADOR E TOMADOR DE SERVIÇOS. ART. 31 DA LEI N. 8.212/91 (REDAÇÃO ORIGINAL). CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. VERIFICAÇÃO PRÉVIA DO PRESTADOR DE SERVIÇO. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A jurisprudência do STJ reconhece, nos termos do art. 31 da Lei n. 8.212/91, com a redação vigente até 1º.2.1999, a inviabilidade de lançamento por aferição indireta, com base tão somente nas contas do tomador do serviço, pois, para a devida constituição do crédito tributário, fazse necessário observar se a empresa cedente recolheu ou não as contribuições devidas, o que, de certo modo, implica a precedência de fiscalização perante a empresa prestadora, ou, ao menos, a concomitância. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. O entendimento sufragado não afasta a responsabilidade solidária do tomador de serviço, até porque a solidariedade está objetivamente delineada na legislação infraconstitucional. Reprimese apenas a forma de constituição do crédito tributário perpetrada pela Administração Tributária, que arbitra indevidamente o lançamento sem que se tenha fiscalizado a contabilidade da empresa prestadora dos serviços de mão de obra. Agravo regimental improvido. (AgRg no REsp 1348395/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 27/11/2012, DJe 04/12/2012) Nessa senda, não pode prevalecer o lançamento tal como feito, vez que não comprovou ter intimado a Contribuinte, prestadora do serviço, antes de arbitrar ou aferir indiretamente base de cálculo. Dispositivo Fl. 548DF CARF MF 8 Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso. Eis o voto vencido que me coube redigir. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson (voto de Dilson Jatahy Fonseca Neto) “ Voto Vencedor “Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Redator ad hoc. Conforme mencionado no relatório, o Redator Designado para o voto vencedor na sessão de julgamento, Waltir de Carvalho, não mais integra o CARF. Diversamente do que ocorreu no caso do Relator originário, entretanto, referido Redator não disponibilizou em meio magnético o voto que lhe incumbiu. Não obstante, havendo este conselheiro então acompanhado o voto vencedor, apresentarei na qualidade de redator ad hoc também do voto vencedor, na sequência, as razões de convencimento que prevaleceram no Colegiado quanto à controvérsia examinada. Pois bem, diversamente do que refere o voto do D. Relator, e cogitado pelo recorrente, o mandamento judicial, conforme referido à fl. 170 e à fl. 327, foi no sentido de que fossem verificados se teriam havido pagamentos das contribuições no período por parte da prestadora de serviços, e não de que nela fosse efetuada fiscalização completa, com exames aprofundados de livros contábeis e providências do gênero. E a determinação judicial foi devidamente cumprida pela auditoria fiscal, que expediu a informação de fls. 243 e ss, dentre outras, manifestandose por haver fortes indícios de que a prestadora de serviços não realizara os recolhimentos em questão, tendo em vista o cotejo entre os dados da RAIS e os valores recolhidos constantes nos sistemas de conta corrente da autarquia previdenciárias. Também foi frisado em informação fiscal à fl. 167 que não havia como afirmar que os recolhimentos do conta corrente da prestadora correspondia aos serviços prestados ao recorrente. Notese que a indigitada empresa não pode ser objeto de eventual fiscalização até mesmo porque não mais se encontrava no seu domicílio fiscal, quedando sem sucesso as tentativas do Fisco de localizála. Assim, a demanda por verificação "in loco" na prestadora restaria improfícua, além de inapropriada, considerando que os elementos dos autos são suficientes para a manutenção da exigência. Noutro giro, cabe destacar que a legislação aplicável prevê que a empresa tomadora "deverá exigir" ou seja, não se trata aqui de uma faculdade da tomadora, mas sim um dever legal "do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento" (§ 4º do art. 31 da Lei nº 8.212/91, incluído pela Lei nº 9.032, de 28/4/1995). Tal acompanhamento visa justamente a salvaguardar a tomadora, e, em última análise, os interesses previdenciários, face ao possível inadimplemento da prestadora ("executor") frente as suas obrigações tributárias. Fl. 549DF CARF MF Processo nº 12267.000056/200888 Acórdão n.º 2202004.456 S2C2T2 Fl. 6 9 Reiterese que houve o devido cumprimento da decisão judicial, com a expedição de sucessivas informações fiscais (fls. 213/215, fls. 234/237) resultantes de procedimentos para verificação dos recolhimentos, e, ao contrário do que alardeia a peça recursal, não houve comprovação de que os pagamentos constatados se referem ao "serviço contratado pela requerente", e que os valores em litígio estão "já satisfeitos anteriormente pela empresa contratada". Houvesse o autuado tido a diligência de ter exigido da prestadora as cópias das guias quitadas, e respectiva folha de pagamento, poderia perfeitamente sustentar seus argumentos com o devido respaldo. Contudo, quedouse inerte, e no contencioso limitase a imputar o ônus de prova que é seu à fiscalização. E, em se tratando de responsabilidade solidária, que não comporta benefício de ordem, não havendo, como visto, sido comprovados os recolhimentos das contribuições pelo prestador de serviços quanto às relações específicas examinadas, temse resultante a lavratura do lançamento no tomador de serviço. Por oportuno, há que se rejeitar a menção que a peça recursal faz a reportarse, "no mais", às "manifestações protocoladas anteriormente", pois as razões de inconformidade tidas como aptas a reformar a decisão combatida devem estar expressas no corpo do recurso voluntário, não se admitindo mera remissão a aduções precedentes. Cabe afastar também a necessidade de verificação de que os débitos em questão já estariam sendo cobrados junto à prestadora, na ausência de evidência de que teria havido lançamento de ofício decorrente de eventual fiscalização sobre aquela, além de se tratar de matéria estranha aos presentes autos. E o aproveitamento dos recolhimentos atestados como já efetuados pela prestadora para compensação é medida de todo sem amparo, pois o constatado pela fiscalização é justamente que não há como se associar tais pagamentos à prestação de serviços ao recorrente, o que, não é demasiado reiterar, poderia esse perfeitamente comprovar, houvesse observado a legislação tributária. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Eis o voto vencedor que me coube redigir. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson “ CONCLUSÃO Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 550DF CARF MF 10 Fl. 551DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10950.900938/2011-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/2005
MATÉRIA NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante.
Numero da decisão: 1003-000.351
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, vencida a conselheira Bárbara Santos Guedes.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: SERGIO ABELSON
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score : 1.0
Numero do processo: 15173.720004/2015-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/03/2014
DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009.
Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ª-A da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator.
Numero da decisão: 3401-005.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, tendo em vista o decidido em juízo.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Tiago Guerra Machado, substituído pelo conselheiro Müller Nonato Cavalcante (suplente convocado) e ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado).
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Período de apuração: 01/10/2012 a 31/03/2014 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ª-A da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, tendo em vista o decidido em juízo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente o conselheiro Tiago Guerra Machado, substituído pelo conselheiro Müller Nonato Cavalcante (suplente convocado) e ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1642; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 856 1 855 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15173.720004/201598 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3401005.707 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de novembro de 2018 Matéria IPI Recorrente SPAL INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2012 a 31/03/2014 DECISÃO JUDICIAL. SEPARAÇÃO DE PODERES. ACOLHIMENTO. COISA JULGADA. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. EFICÁCIA. ART. 22 DA LEI Nº 12.016/2009. Deve ser acolhida pela Administração a decisão judicial irrecorrível que decidiu pela aplicação, ao caso concreto, do art. 22 da Lei nº 12.016/2009 (Lei do Mandado de Segurança), que limitou os efeitos da coisa julgada aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante, em detrimento do art. 2ªA da Lei nº 9.494/1997, que restringia tais efeitos à competência territorial do órgão prolator. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, tendo em vista o decidido em juízo. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Lázaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 17 3. 72 00 04 /2 01 5- 98 Fl. 856DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201598 Acórdão n.º 3401005.707 S3C4T1 Fl. 857 2 Ausente o conselheiro Tiago Guerra Machado, substituído pelo conselheiro Müller Nonato Cavalcante (suplente convocado) e ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes, substituída pelo conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado). Relatório 1. Tratase de Auto de Infração, lavrado com a finalidade de formalizar a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) referente ao período compreendido entre 01/10/2012 e 31/03/2014, acrescido de multa e juros de mora, de maneira a totalizar o crédito tributário histórico de R$ 153.889.420,84. 2. Conforme se depreende do termo de encerramento fiscal, o estabelecimento industrial apropriouse, indevidamente, em sua escrita fiscal (livro Registro de Entradas e livro Registro de Apuração do IPI), de créditos de IPI relativos às aquisições de matériasprimas isentas, oriundas de fornecedores da Zona Franca de Manaus e Amazônia Ocidental. No caso, as matériasprimas tidas como isentas foram adquiridas da empresa RECOFARMA INDÚSTRIA DO AMAZONAS LTDA, a qual, ainda segundo a fiscalização, não fazia jus às saídas com a isenção do IPI prevista no art. 82, III, do RIPI/2002 (Regulamento do IPI, Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002). Conseqüentemente, a empresa adquirente de tais produtos não poderia creditarse do IPI como se devido fosse, nos termos em que autoriza o art. 175, III, do RIPI/2002 3. A contribuinte, cientificada do auto de infração, apresentou tempestiva impugnação na qual argumentou, em síntese, que: (i) estar amparada pela disposição expressa do art. 6º do Decretolei nº 1.435, de 16 de dezembro de 1975; (ii) o STF, em sessão plenária, no julgamento do recurso extraordinário RE nº 212.484RS, já concluiu que o adquirente de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus e aplicados na industrialização de produtos sujeitos ao IPI tem direito ao crédito do imposto calculado com base na alíquota prevista para o próprio insumo, em face do princípio da nãocumulatividade; (iii) decisão proferida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 assegurou aos integrantes da Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC) o direito de se creditarem do IPI relativo à aquisição de insumo isento, adquirido de fornecedor situado na Zona Franca de Manaus e utilizado na industrialização de seus refrigerantes; (iv) a Câmara Superior de Recursos Fiscais reconheceu o direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos (com benefício da isenção subjetiva), utilizados na fabricação de produtos sujeitos ao IPI. Assim, não caberia a aplicação de penalidade (multa de ofício), nos termos do art. 76, II, “a”, da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964 4. Em 25/05/2016, a 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) prolatou o Acórdão DRJ nº 1056.800, de relatoria da AuditoraFiscal Carla Regina Maia, decidindo, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos da ementa que abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2012 a 31/03/2014 Fl. 857DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201598 Acórdão n.º 3401005.707 S3C4T1 Fl. 858 3 INSUMOS ISENTOS. ZONA FRANCA DE MANAUS. APROVEITAMENTO DE CRÉDITO. A aquisição de insumos isentos, provenientes da Zona Franca de Manaus, não legitima aproveitamento de créditos de IPI. GLOSA DE CRÉDITOS. INOBSERVÂNCIA DE REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO QUE INSTITUI INCENTIVO FISCAL A ESTABELECIMENTOS LOCALIZADOS NA AMAZÔNIA OCIDENTAL. É indevido o aproveitamento de créditos de IPI decorrentes de aquisições de insumos isentos feitas a estabelecimentos industriais localizados na Amazônia Ocidental e com projetos aprovados pelo Conselho de Administração da SUFRAMA, mas que não tenham sido elaborados com matériasprimas agrícolas e extrativas vegetais, exclusive as de origem pecuária, de produção regional. CRÉDITOS ORIGINADOS DE AQUISIÇÕES DE MATERIAIS NÃO COMPREENDIDOS NO CONCEITO DE MP, PI E ME. INEXISTÊNCIA DE DIREITO AO APROVEITAMENTO. As compras de material de limpeza e outros materiais não compreendidos no conceito de MP, PI e ME não legitimam o aproveitamento de créditos do IPI. AÇÃO JUDICIAL. ALCANCE. Os efeitos de mandado de segurança coletivo restringemse aos associados domiciliados no âmbito da competência territorial do órgão prolator. MULTA DE OFÍCIO. AFASTAMENTO. Incabível a exclusão de penalidade sob o argumento de que o contribuinte teria agido de acordo com interpretação fiscal constante de decisão irrecorrível na instância administrativa, uma vez que referidas decisões não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não possuem caráter normativo nem vinculante. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A multa sobre lançamento de ofício consiste em débito para com a União decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, e, por isso, é legítima a incidência de juros de mora sobre o respectivo valor, a partir do vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 858DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201598 Acórdão n.º 3401005.707 S3C4T1 Fl. 859 4 5. A contribuinte, intimada em 01/06/2016, em conformidade com o termo de ciência situado à fl, 621, Módulo "eCAC" do Site da Receita Federal, interpôs, em 28/06/2016, recurso voluntário, situado às fls. 624 a 698, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco 6. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele conheço. 7. Antes da análise da admissibilidade do recurso voluntário, necessário se enfrentar a questão atinente à competência deste colegiado, tendo em vista a edição da Resolução CARF nº 3401000.581, de relatoria do Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, que decidiu pelo sobrestamento do Processo a este vinculado até a ulterior decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, nos seguintes termos: Fl. 859DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201598 Acórdão n.º 3401005.707 S3C4T1 Fl. 860 5 8. Entendo que os recursos em referência possam ser objeto de apreciação por esta turma julgadora, em decorrência de um primeiro fato superveniente à Resolução: o trânsito em julgado do Recurso Especial nº 1.438.361RJ em 23/02/2017, proferido nos autos do Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834, reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados. Transcrevese, neste sentido, trecho do despacho de 17/11/2016 de lavra do relator, Ministro Og Fernandes: "Em relação ao art. 2ºA da Lei n. 9.497/97, introduzido pela MP 1.7981/99, e ao art. 16 da Lei n. 7.347/85, com redação dada pela Lei n. 9.494/97, a jurisprudência desta Corte firmou se no sentido de que a limitação contida no art. 2ºA, caput, da Lei n. 9.494/97 de que a sentença proferida "abrangerá apenas os substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicílio no âmbito da competência territorial do órgão prolator", não pode ser aplicada aos casos em que a ação coletiva foi ajuizada antes da entrada em vigor do mencionado dispositivo, sob pena de perda retroativa do direito de ação das associações (...) No caso, dos autos, a instância ordinária expressamente afirmou que o mandado de segurança foi impetrado em data anterior a vigência da MP n. 2.18035/2001 (eSTJ, fl. 429)" (seleção e grifos nossos). 9. A decisão em referência, como se conclui a partir tanto dos documentos trazidos a conhecimento deste colegiado, bem como por meio do extrato do processo obtido por este Relator no site do Superior Tribunal de Justiça, transitou em julgado em 23/02/2017: 10. O Recurso Especial nº 1.438.361RJ, por seu turno, tem, como recorrente, a contribuinte autuada, como se pode verificar a partir do extrato a seguir recortado: Fl. 860DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201598 Acórdão n.º 3401005.707 S3C4T1 Fl. 861 6 11. O segundo fato superveniente à decisão foi a decretação, pelo Supremo Tribunal Federal, em 18/08/2017, da extinção da Reclamação nº 7.778, em virtude da perda superveniente de objeto, reconhecendo que a decisão do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial nº 1.438.361RJ teve por efeito a reforma do acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, em conformidade com despacho do relator, Ministro Gilmar Mendes, que abaixo se transcreve: "Tratase de embargos de declaração opostos pela Companhia de Bebidas Ipiranga contra acórdão do Plenário (eDOC 52), que negou provimento ao agravo regimental em reclamação, ementado nos seguintes termos: “Agravo regimental em reclamação. 2. Ação coletiva. Coisa julgada. Limite territorial restrito à jurisdição do órgão prolator. Art. 16 da Lei n. 7.347/1985. 3. Mandado de segurança coletivo ajuizado antes da modificação da norma. Irrelevância. Trânsito em julgado posterior e eficácia declaratória da norma. 4. Decisão monocrática que nega seguimento a agravo de instrumento. Art. 544, § 4º, II, b, do CPC. Não ocorrência de efeito substitutivo em relação ao acórdão recorrido, para fins de atribuição de efeitos erga omnes, em âmbito nacional, à decisão proferida em sede de ação coletiva, sob pena de desvirtuamento da lei que impõe limitação territorial. 5. Agravo regimental a que se nega provimento”. (eDOC 52, p. 2) Ocorre que, após a oposição dos embargos, a parte embargante noticia, por meio da Petição 17.128/2017, o trânsito em julgado Fl. 861DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201598 Acórdão n.º 3401005.707 S3C4T1 Fl. 862 7 da decisão da 2ª Turma do STJ que reformou o ato impugnado pela presente reclamação (eDOC 6). Ante o exposto, julgo prejudicados os embargos declaração e julgo extinto o presente feito, ante a perda superveniente do seu objeto (art. 21, IX, do RISTF). Publiquese. Brasília, 11 de maio de 2017. Ministro Gilmar Mendes Relator 12. A decisão em referência transitou em julgado em 18/08/2017, como se denota da seguinte certidão: 13. Tais fatos supervenientes devolvem a questão ao conhecimento deste colegiado, uma vez que são prejudiciais ao objeto da Resolução, que se prestou a sobrestar o processo a fim de aguardar o pronunciamento do Supremo Tribunal Federal acerca do mérito, inacessível ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão administrativo, a partir do reconhecimento judicial da coisa julgada. Devolvemna, no entanto, unicamente para que se reconheça a superveniência da decisão judicial no sentido da aplicação da coisa julgada ao caso presente. 14. Assim, diferente do contexto fático apreciado quando da prolação do Acórdão CARF nº 3401003.750, proferido em sessão de 26/04/2017, de minha relatoria, no qual externamos as razões pelas quais deveriam ser reconhecidos os efeitos da coisa julgada da decisão judicial transitada em julgado e obtida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 (Processo nº 004778334.1991.4.02.5101), que reconheceu o direito de todos os associados ao crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos de empresas situadas na Zona Franca de Manaus, no momento da prolação da presente decisão, a questão restou judicial e definitivamente decidida, o que afasta a jurisdição e a competência deste Conselho. 15. Desta forma, inoportuno e descabido a este Relator ou a este colegiado se pronunciarem a respeito da extensão dos efeitos da coisa julgada, como, aliás, tivemos a oportunidade de fazer, detidamente, no Acórdão CARF nº 3401003.750, e, muito menos, a respeito da matéria de fundo, ou seja, o direito ao creditamento do IPI. Isto porque, Fl. 862DF CARF MF Processo nº 15173.720004/201598 Acórdão n.º 3401005.707 S3C4T1 Fl. 863 8 conforme já defendemos naquela ocasião, uma vez que se reconheça a prevalência e, logo, a primazia da coisa julgada (matéria que o colegiado tem a obrigação de conhecer previamente, sem jamais deixar de decidir a respeito dela, sob pena de caracterização do non liquet), descabido será o pronunciamento quanto ao mérito. 16. Outro não poderia ser o desfecho do presente caso, sob pena de afronta à separação constitucional do Poder, tendo em vista a necessidade de observância, por parte das instâncias administrativas, do trânsito em julgado do Recurso Especial nº 1.438.361 RJ (Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834), reconhecendo que a decisão de mérito transitada em julgado em 02/12/1999 é aplicável a todos os associados da AFBCC, independentemente do Estado em que estão localizados e, portanto, inclusive da contribuinte ora recorrente, bem como a perda de objeto da Reclamação nº 7.778 que tramitou no Supremo Tribunal Federal. 17. Assim, voto no sentido do cumprimento da decisão judicial naquilo que concerne à não aplicação da interpretação da limitação territorial da coisa julgada no caso em análise, devendo a decisão obtida no Mandado de Segurança Coletivo nº 91.00477834 (Processo nº 004778334.1991.4.02.5101), que tramitou na 22ª Vara Federal da Subseção do Rio de Janeiro, aproveitar à contribuinte em tela. Com base nesses fundamentos, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 863DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.002104/2009-15
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008
BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO
Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços.
Numero da decisão: 9202-007.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11060.002335/2009-11, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz, que lhe deram provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 21 04 /2 00 9- 15 Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 9202007.080 CSRFT2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 11060.002335/200911, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais "Tratase de auto de infração lavrado para cobrança de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física acrescido de multa de ofício e juros de mora em decorrência da apuração de rendimentos classificados indevidamente pelo sujeito passivo em sua respectiva declaração anual como não tributados. Os rendimentos se referem a valores pagos por pessoa jurídica a título de bolsa de estudos/pesquisa, mais especificamente valores pagos pela Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (FATEC), entidade privada contratada pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) para execução de projetos de extensão em diversas áreas. Entre outras obrigações, estava sob a responsabilidade da FATEC o dever de contratar bolsistas e pessoal de apoio. A partir da análise dos contratos apresentados a fiscalização afastou a aplicação da regra de isenção do art. 26 da Lei nº 9.250/95 em razão da caracterização de remuneração pela prestação de serviços e a notória vantagem econômica perseguida pela UFSM, FATEC e financiadores privados dos programas. Concluiuse a partir dos objetivos e finalidades dos projetos que não se tratava de doação de financiadores pessoas físicas e jurídicas à UFSM, mas verdadeiros contratos de prestação de serviço da UFSM para com aqueles, contratos intermediados pela FATEC a qual acabava por contratar os próprios docentes pertencentes aos quadros da universidade para comporem a equipe técnica. Após o trâmite processual, a turma a quo negou provimento ao recurso voluntário por concordar que a natureza dos valores pagos à recorrente não se caracterizam doação nos termos do citado art. 26 da Lei n° 9.250/95 e, por conseguinte, verbas isentas do imposto de renda. Os elementos para formação da convicção do Colegiado foram: previsão de pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração da UFSM pela utilização da sua infraestrutura; previsão de que na data da conclusão ou término dos contratos, seriam incorporadas ao patrimônio da universidade os bens materiais remanescentes, e ainda o fato de que os valores das bolsas foram devidamente cotados nos custos dos projetos, não onerando o patrimônio das Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 9202007.080 CSRFT2 Fl. 4 3 entidades envolvidas, o que demonstra a perda do caráter de liberalidade quanto à transferência patrimonial do doador para o donatário, característica essencial para configuração da natureza da doação civil. Assim, as atividades desenvolvidas pelos participantes dos mencionados projetos não seriam exclusivamente voltadas a estudos ou pesquisas, mas visavam à consecução de resultados econômicos em favor dos contratantes. Intimado da decisão o contribuinte apresentou recurso especial. Citando como paradigmas diversas decisões proferidas em casos onde foram analisados contratos semelhantes que previam pagamento de bolsas de pesquisas decorrentes de relação firmada entre a UFSM e a FATEC, a recorrente reitera sua tese de que os valores auferidos não são tributados pelo imposto de renda, pois não representaram proveito econômico nem contraprestação de serviços para a Fundação, defende que seu vínculo obrigacional é apenas com a UFSM, e que não ocupa cargo, emprego ou função na FATEC, sendo a bolsa resultado de uma doação, imune ou isenta do IRPF nos termos da lei. Contrarrazões da Fazenda Nacional pugnando pela manutenção do acórdão. Argui que nos ternos da legislação de regência, para que as bolsas de estudo e de pesquisa não sofram a incidência do imposto de renda, é necessário: a) que sejam caracterizadas como doação; b) que sejam recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas; c) que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador; e d) que os resultados dessas atividades não importem contraprestação de serviços. Afirma que, nos termos do TVF os valores pagos à recorrente não cumpriram esses requisitos. É o relatório." Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo n° 11060.002335/200911, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto vencedor condutor da decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 9202007.098 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, de 25 de julho de 2018: Acórdão nº 9202007.078 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 9202007.080 CSRFT2 Fl. 5 4 "Peço licença a ilustre conselheira relatora Relator para divergir do seu entendimento com relação ao mérito do recurso especial da contribuinte. A questão devolvida a este Colegiado cingese à discussão sobre a natureza dos rendimentos percebidos pelo sujeito passivo da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência FATEC, em virtude de projetos em que esse atuou por intermédio da Universidade Federal de Santa Maria – UFSM, autarquia da qual é servidor. Alega o recorrente em resumo que as bolsas concedidas pela FATEC são isentas de imposto de renda, haja vista decisões recentes do próprio CARF. Aduz que o próprio CARF entende que as bolsas concedidas pela FATEC aos servidores da UFSM que atuam em seus projetos não são passíveis de incidência de imposto de renda, por se tratarem de DOAÇÃO, logo isenta de tal imposto. De início, importa esclarecer que, se por um lado, conforme arguido no recurso especial, há algumas decisões no sentido de reconhecer o direito a isenção em situações análogas a aqui analisadas (acórdãos nº 210202.200, 210202.101, 2102 002.513), por outro lado, existem inúmeros outros julgados em sentido diametralmente oposto, a exemplo das decisões consubstanciadas nos acórdãos nº 2801003.850, 2801003.680, 2801003.338, 2801003.343, 2402005.761, 2402005.760, 2402005.762. Assim, o fato de um colegiado deste Conselho adotar determinado posicionamento não tem o condão de derrogar entendimento que tenha sido exarado por colegiado diverso, ainda que em virtude de matérias semelhantes, tampouco de vincular quaisquer das turmas de julgamento do CARF. É que, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF, a fim de uniformizar a jurisprudência administrativa, prestigiandose o principio da segurança jurídica. Em relação às questões de mérito, a despeito de, via de regra, as bolsas de estudo estarem sujeitas à tributação pelo imposto sobre a renda das pessoas físicas, o legislador conferiu tratamento diverso a essa espécie de benefício uma vez verificadas, simultaneamente, as seguintes condições: i) constituir mera liberalidade do cedente em favor do beneficiário, sem significar o pagamento de contraprestação, caracterizando se como doação; ii) sua concessão se dê exclusivamente para a realização de estudos e pesquisas; e iii) os resultados destas atividades não representem vantagens para o doador. Nesse sentido é o inciso VII do art. 39 do RIR (fundamentado no art. 26 da Lei n.º 9.250/95), que a seguir se reproduz: Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 9202007.080 CSRFT2 Fl. 6 5 Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: [...] VII as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços (Lei nº 9.250, de 1995, art. 26). Referido entendimento é também aplicável às bolsas de ensino e pesquisa referidas na Lei nº 8.958/1994 e no Decreto nº 5.205/2004, conforme se infere dos dispositivos reproduzidos a seguir: Lei nº 8.958/1994 Art. 4º As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1º. desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. § 1º A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1º. desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. Decreto n.º 5.205/2004 Art. 6º As bolsas de ensino, pesquisa e extensão a que se refere o art. 4º , § 1º , da Lei 8.958, de 1994, constituemse em doação civil a servidores das instituições apoiadas para a realização de estudos e pesquisas e sua disseminação à sociedade, cujos resultados não revertam economicamente para o doador ou pessoa interposta, nem importem contraprestação de serviços. (...) Art. 7º As bolsas concedidas nos termos deste Decreto são isentas do imposto de renda, conforme o disposto no art. 26 da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, e não integram a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária prevista no art. 28, incisos I a III, da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991. (Grifos Nossos) Vêse, pois, que as bolsas de estudo somente serão consideradas como rendimentos isentos ou não tributáveis nas hipóteses em que tais verbas possam, na forma da legislação aplicável, ser consideradas como doações por parte da instituição de ensino ao beneficiário e, como já se viu, sem qualquer exigência de contraprestação por parte deste em favor do doador. Não é Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 9202007.080 CSRFT2 Fl. 7 6 outro o juízo que tem imperado nas decisões do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO IMPOSTO DE RENDA BOLSA DE ESTUDOS DO BANCO CENTRAL DO BRASIL ISENÇÃO DOAÇÃO NÃO CARACTERIZADA CONTRAPRESTAÇÃO DE SERVIÇOS RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. A isenção do imposto de renda prevista no art. 26 da Lei 9.250/95 exige que a bolsa de estudos seja espécie de doação, sem vantagens para o doador. 2. Hipótese em que o recorrente continuou recebendo salário a título de bolsa de estudos para desenvolver atividades acadêmicas no exterior, assumindo por escrito a obrigação de reverter ao empregador os resultados dos estudos e pesquisas por este financiados. 3. A manutenção da natureza salarial da verba paga para cobrir os custos da oportunidade dada pelo Banco Central do Brasil ao seu servidor descaracteriza a doação. 4. Recurso especial improvido.” (STJ, 2ª Turma, REsp 959.195/MG, Rel. Ministra ELIANA CALMON, julgado em 25/11/2008, DJe 17/02/2009) (Grifos Nossos) Ademais, entendimento semelhante é o que tem preponderado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Vejamos: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008 IRPF. BOLSA DE EXTENSÃO. ISENÇÃO. De acordo com a jurisprudência deste CARF e em consonância com julgados do STJ, apenas são isentos os rendimentos provenientes de bolsas de estudos concedidas se tais valores decorrerem de liberalidade, bem como se os trabalhos exercidos pelo beneficiário não representem, de nenhuma forma, benefício econômico para a instituição de ensino ou contraprestação pela prestação de serviços. Hipótese em que as bolsas recebidas pelo contribuinte não caracterizam mera liberalidade da instituição de ensino. (Acórdão 2101002.370, Processo: 11080.005297/200910, data de Publicação: 24/02/2014, Relator(a): ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007, 2008 BOLSAS DE ESTUDO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Somente são isentas do imposto de renda as bolsas caracterizadas como doação quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos, pesquisas ou extensão e desde que os resultados dessas de serviços. Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 9202007.080 CSRFT2 Fl. 8 7 (Acórdão 2402005.760, Processo: 11060.002104/200915, data de Publicação: 05/04/2017, Relator(a): MARIO PEREIRA DE PINHO FILHO) No caso concreto, o Relatório de Fiscalização, assim como os contratos e demais documentos acostados aos autos, revelam que as “bolsas” pagas ao contribuinte decorreram de sua participação em projetos desenvolvidos a partir de contratos firmados entre a Universidade Federal de Santa Maria e a FATEC, cujos recurso foram obtidos junto a pessoas físicas ou jurídicas para o desenvolvimento de projetos voltados aos interesses de tais pessoas. Por certo, não há como considerar que esses pagamentos tenham constituído mera liberalidade em favor do contribuinte, tampouco que o produto das atividades por ele desenvolvidas não tenha representado vantagem à contratante e aos financiadores dos projetos. Ao contrário, todos os serviços remunerados sob a forma de bolsa de extensão exigiam resultados específicos em benefício dos financiadores, ou seja, os valores recebidos pelo sujeito passivo tratamse, em verdade, de pagamentos efetuados em razão da prestação de serviços, não havendo como caracterizálos como doação por mera liberalidade, com exige a norma isentiva. Além do que, os contratos estabelecidos entre a FATEC e a UFSM para realização dos referidos projetos preveem pagamento de taxa de administração à FATEC e remuneração à UFSM pela utilização de sua infraestrutura, caracterizandose em retorno econômico a essas duas entidade, as quais são remuneradas em valores proporcionais ao custo total dos projetos, sendo esse mais um elemento a denotar que a situação em apreço não obedece aos requisitos estabelecidos em lei para o reconhecimento da isenção. Conclusão Ante todo o exposto, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto no sentido CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 11060.002104/200915 Acórdão n.º 9202007.080 CSRFT2 Fl. 9 8 Fl. 1263DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.720420/2011-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.PIS/PASEP. CRÉDITO. ATIVIDADE FLORESTAL COMO PARTE INTEGRANTE DO PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS DE INSUMOS.
Afinando-se ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18, bem como considerando a atividade florestal como parte integrante do processo produtivo, ao aplicar o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre: (i) os dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físico-químico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; (ii) aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; (iii) transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; (iv) lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; (v) gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados e (vi) combustíveis empregados no processo produtivo.
PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre (i) calços para alinhamento de equipamentos rotativos; (ii) Equipamento de proteção individual e óculos; (iii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório; (iv) serviços com movimentação de materiais.
Considerando ainda o Teste de Subtração, não cabe a constituição de crédito das contribuições para o item gastos com combustível empregado no transporte de pessoal, vez que não há nos autos a vinculação desse transporte ao processo produtivo do sujeito passivo.
PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
PIS/PASEP. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. REGIME DE RECONHECIMENTO.
Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.COFINS. CRÉDITO. ATIVIDADE FLORESTAL COMO PARTE INTEGRANTE DO PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS DE INSUMOS.
Afinando-se ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18, bem como considerando a atividade florestal como parte integrante do processo produtivo, ao aplicar o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre: (i) os dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físico-químico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; (ii) aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; (iii) transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; (iv) lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; (v) gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados e (vi) combustíveis empregados no processo produtivo.
COFINS. CRÉDITO. INSUMOS.
Afinando-se ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre (i) calços para alinhamento de equipamentos rotativos; (ii) Equipamento de proteção individual e óculos; (iii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório; (iv) serviços com movimentação de materiais.
Considerando ainda o Teste de Subtração, não cabe a constituição de crédito das contribuições para o item gastos com combustível empregado no transporte de pessoal, vez que não há nos autos a vinculação desse transporte ao processo produtivo do sujeito passivo.
COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA
Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo.
Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições.
COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. REGIME DE RECONHECIMENTO.
Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço.
Numero da decisão: 9303-007.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins sobre calços para alinhamento de equipamentos rotativos, equipamento de proteção individual e óculos, insumos utilizados em análises químicas em laboratórios, serviços com movimentação de materiais e fretes pagos para transporte de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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Afinando-se ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18, bem como considerando a atividade florestal como parte integrante do processo produtivo, ao aplicar o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre: (i) os dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físico-químico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; (ii) aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; (iii) transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; (iv) lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; (v) gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados e (vi) combustíveis empregados no processo produtivo. PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Afinando-se ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre (i) calços para alinhamento de equipamentos rotativos; (ii) Equipamento de proteção individual e óculos; (iii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório; (iv) serviços com movimentação de materiais. Considerando ainda o Teste de Subtração, não cabe a constituição de crédito das contribuições para o item gastos com combustível empregado no transporte de pessoal, vez que não há nos autos a vinculação desse transporte ao processo produtivo do sujeito passivo. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. PIS/PASEP. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. REGIME DE RECONHECIMENTO. Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo - qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.COFINS. CRÉDITO. ATIVIDADE FLORESTAL COMO PARTE INTEGRANTE DO PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS DE INSUMOS. Afinando-se ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18, bem como considerando a atividade florestal como parte integrante do processo produtivo, ao aplicar o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre: (i) os dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físico-químico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; (ii) aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; (iii) transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; (iv) lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; (v) gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados e (vi) combustíveis empregados no processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Afinando-se ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicando-se o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre (i) calços para alinhamento de equipamentos rotativos; (ii) Equipamento de proteção individual e óculos; (iii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório; (iv) serviços com movimentação de materiais. Considerando ainda o Teste de Subtração, não cabe a constituição de crédito das contribuições para o item gastos com combustível empregado no transporte de pessoal, vez que não há nos autos a vinculação desse transporte ao processo produtivo do sujeito passivo. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na operação de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo frete na operação de venda, e não frete de venda quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. REGIME DE RECONHECIMENTO. Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço.
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CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.PIS/PASEP. CRÉDITO. ATIVIDADE FLORESTAL COMO PARTE INTEGRANTE DO PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS DE INSUMOS. Afinandose ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18, bem como considerando a atividade florestal como parte integrante do processo produtivo, ao aplicar o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre: (i) os dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 04 20 /2 01 1- 22 Fl. 7748DF CARF MF 2 físicoquímico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; (ii) aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; (iii) transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; (iv) lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; (v) gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados e (vi) combustíveis empregados no processo produtivo. PIS/PASEP. CRÉDITO. INSUMOS. Afinandose ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre (i) calços para alinhamento de equipamentos rotativos; (ii) Equipamento de proteção individual e óculos; (iii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório; (iv) serviços com movimentação de materiais. Considerando ainda o Teste de Subtração, não cabe a constituição de crédito das contribuições para o item “gastos com combustível empregado no transporte de pessoal”, vez que não há nos autos a vinculação desse transporte ao processo produtivo do sujeito passivo. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação Fl. 7749DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.749 3 de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. PIS/PASEP. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. REGIME DE RECONHECIMENTO. Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 COFINS. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.COFINS. CRÉDITO. ATIVIDADE FLORESTAL COMO PARTE INTEGRANTE DO PROCESSO PRODUTIVO. INSUMOS DE INSUMOS. Afinandose ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18, bem como considerando a atividade florestal como parte integrante do processo produtivo, ao aplicar o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre: (i) os dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físicoquímico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato Fl. 7750DF CARF MF 4 cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; (ii) aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; (iii) transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; (iv) lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; (v) gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados e (vi) combustíveis empregados no processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. INSUMOS. Afinandose ao conceito de insumos exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre (i) calços para alinhamento de equipamentos rotativos; (ii) Equipamento de proteção individual e óculos; (iii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório; (iv) serviços com movimentação de materiais. Considerando ainda o Teste de Subtração, não cabe a constituição de crédito das contribuições para o item “gastos com combustível empregado no transporte de pessoal”, vez que não há nos autos a vinculação desse transporte ao processo produtivo do sujeito passivo. COFINS. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. REGIME DE RECONHECIMENTO. Fl. 7751DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.750 5 Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer a constituição de crédito de PIS/Pasep e Cofins sobre calços para alinhamento de equipamentos rotativos, equipamento de proteção individual e óculos, insumos utilizados em análises químicas em laboratórios, serviços com movimentação de materiais e fretes pagos para transporte de produtos acabados, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deram provimento parcial em menor extensão. Votou pelas conclusões o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Fl. 7752DF CARF MF 6 Tratamse de recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra Acórdão nº 3402002.603, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 FALTA DE APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas dos créditos alegados, de acordo com o sistema de distribuição da carga probatória adotado. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. A realização de diligência ou perícia não se presta para a produção de provas que toca à parte produzir. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matériaprima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Fl. 7753DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.751 7 Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo a pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. FRETES. TRANSPORTE DE MATÉRIA PRIMA ENTRE A FLORESTA E A FÁBRICA Os custos incorridos com fretes no transporte de madeira entre a floresta de eucaliptos e a fábrica compõe o custo de produção da celulose e, por tal razão, integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. CRÉDITOS. DESPESAS OPERACIONAIS. TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO. As despesas com inspeção e movimentação de produto acabado, antes de sua venda não geram créditos no regime da não cumulatividade. CRÉDITOS. ATIVO PERMANENTE. FASE AGRÍCOLA DO PROCESSO PRODUTIVO. É legítima a tomada de crédito em relação ao custo de aquisição de bens empregados na fase agrícola do processo produtivo da agroindústria, ainda que sejam classificáveis no ativo permanente. CRÉDITOS. BENS E SERVIÇOS. MANUTENÇÃO. BENS PASSIVEIS DE ATIVAÇÃO. Não há direito à tomada de créditos sobre o custo de aquisição de bens ou serviços empregados na manutenção de bens passiveis de ativação que não guardem estreita relação de pertinência e essencialidade com a fase agrícola. CRÉDITOS. REGIME DE RECONHECIMENTO. Os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. REGIME NÃO CUMULATIVO. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. RECONHECIMENTO DE RECEITAS. Na determinação dos créditos da não cumulatividade passíveis de ressarcimento, o rateio proporcional entre as receitas obtidas com operações Fl. 7754DF CARF MF 8 de exportação e de mercado interno, reconhecendo as receitas de exportação apuradas na data de embarque das mercadorias. CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DACON. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. PIS E COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. COMBUSTÍVEIS. REINTRODUÇÃO NA CADEIA DE PRODUÇÃO. NATUREZA DE INSUMO. DIREITO A CRÉDITO. Apesar dos combustíveis estarem sujeitos a tributação concentrada (incidência monofásica), sendo eles tributados pelo fabricante ou importador, ao serem empregados no processo produtivo são reintroduzidos na cadeia fabril, passando a ostentarem a natureza de insumos para os fins dos incisos II, dos arts. 3º, das Leis nºs. 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, os quais concedem expressamente o direito ao crédito. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · Na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Considerase, pois, inadequado entender por insumo os gastos com bens ligados supostamente “essenciais ao processo produtivo”, já que esse entendimento adota noção extremamente subjetiva. Em Despacho às fls. 7166 a 7168, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda, ressurgindo com a discussão sobre o direito ao crédito das contribuições não cumulativas em relação aos seguintes itens: Fl. 7755DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.752 9 a) Dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físicoquímico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; b) Aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; c) Transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; d) Lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; e) Gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados; f) Combustíveis empregados no processo produtivo. Traz o despacho que, em síntese, o debate a ser travado envolve o direito de crédito pelos gastos incorridos nas etapas préindustriais, considerando o termo “produção”, inserto na legislação de regência, como sinônimo de “industrialização”, sendo essa a pretensão que exsurge do recurso manobrado pela Fazenda Nacional. Insatisfeito, o sujeito passivo opôs Embargos de Declaração em face do r. acórdão, alegando omissão no tocante a análise do índice de rateio e ao momento de apuração dos créditos. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, que: · Não há como se conhecer o Recurso Especial, vez que tanto no acórdão recorrido quanto no acórdão paradigma restou assentado o entendimento de que conceito de insumo na legislação referente às contribuições ao PIS e à Cofins não guarda correspondência com o Fl. 7756DF CARF MF 10 extraído da legislação do IPI, devendo se verificar a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo; · Não há similitude fática entre os arestos; · A essencialidade dos bens e serviços classificados como insumos está claramente delimitada e comprovada pelo Laudo Descritivo do processo produtivo; · A atividade florestal é parte integrante do processo produtivo. Em Despacho às fls. 7282 a 7289, foi negado seguimento aos presentes embargos, considerando inexistir qualquer vício na decisão embargada. Insatisfeito, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão especificamente na parte que negou provimento ao recurso voluntário e indeferiu parte do crédito da Cofins relacionado ao momento de apuração do crédito de bens e serviços utilizados como insumos; possibilidade de aproveitamento do crédito em meses subsequentes sem a necessidade de retificação dos DACON e DCTF; determinados itens que supostamente não se subsumem ao conceito de insumo; encargos de exaustão de florestas e supostos bens passíveis de ativação; dispêndios de fretes para transporte de produtos acabados; gastos com gasolina utilizada no transporte pessoal. Em Despacho às fls. 7654 a 7671, foi dado seguimento parcial ao recurso interposto pelo sujeito passivo, apenas em relação às seguintes divergências: · Quanto ao momento de apuração dos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre insumos; · Quanto ao direito de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas com (a) calços para alinhamento; (b) equipamento de proteção individual e óculos; (c) insumos utilizados em análises químicas em laboratórios; (d) serviços com movimentação de materiais, e; · Quanto ao direito de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os gastos com combustível empregado no transporte de pessoal. Fl. 7757DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.753 11 Agravo ao despacho que deu seguimento parcial ao Recurso Especial do sujeito passivo foi interposto pelo sujeito passivo, requerendo que todas as matérias trazidas em recurso sejam admitidas. Em Despacho às fls. 7720 a 7729, foi: · Rejeitado o agravo relativamente às matérias “Possibilidade de aproveitamento de créditos extemporaneamente, sem necessidade de retificação de DACON e DCTF; Direito de tomada de créditos das contribuições sociais nãocumulativas sobre os encargos de exaustão de florestas; e Direito de tomada de créditos em despesas com (a) correntes de corte (motosserra), picadoras (desgastador de madeira), sabres de motosserras (manejo florestal), insumos utilizados no corte de cavaco e (b) peças e reparos em maquinários relacionados com a área de silvicultura (tratores e outros veículos) e (c) ferramentas de trabalho para manutenção.”; · Acolhido o agravo, dando seguimento à matéria “Direito de tomada de créditos das contribuições sociais nãocumulativas sobre os fretes pagos para transporte de produtos acabados”. Contrarrazões ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo foram apresentadas pela Fazenda Nacional, trazendo, entre outros, que: · Na busca pela definição do que deva ser considerado insumo, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, devese adotar um conceito que esteja situado entre a noção de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem do IPI e a ideia de despesas necessárias do IRPJ, compatibilizandose, assim, a não cumulatividade com a materialidade daquelas contribuições; · Relativamente aos “insumos” especificados no item 3 (calços para alinhamento; equipamento de proteção individual e óculos; insumos utilizados em análises químicas em laboratório; serviços com movimentação de materiais), as glosas devem ser mantidas por não serem essenciais ao processo produtivo; Fl. 7758DF CARF MF 12 · Do mesmo modo, o combustível utilizado no transporte de pessoal (item 7) não guarda relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo, devendo ser mantida a glosa; · Especificamente quanto às despesas com transporte de bens (item 6), o inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03 estabelecem que o contribuinte poderá descontar créditos referentes aos “bens e serviços utilizados como insumo na prestação de serviços ou na produção de bens destinados à venda. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise dos recursos interposto pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo, passarei a discorrer de forma segregada sobre cada recurso. Em relação ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, pois houve comprovação de divergência de conceitos de insumos em relação ao 2º acórdão indicado como paradigma. Para melhor elucidar, recordo que o acórdão recorrido, entre outros, traz a seguinte conceituação de insumos: “Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. As Leis de Regência da não cumulatividade atribuem o direito de crédito em relação ao custo de bens e serviços aplicados na "produção ou fabricação" de bens destinados à venda, inexistindo amparo legal para Fl. 7759DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.754 13 secção do processo produtivo da sociedade empresária agroindustrial em cultivo de matéria prima para consumo próprio e em industrialização propriamente dita, a fim de expurgar do cálculo do crédito os custos incorridos na fase agrícola da produção. Os custos incorridos com bens e serviços aplicados na floresta de eucaliptos guardam relação de pertinência e essencialidade com o processo produtivo da pasta de celulose e configuram custo de produção, razão pela qual integram a base de cálculo do crédito das contribuições não cumulativas. Para melhor elucidar o conceito de insumo que foi utilizada pelo Colegiado a quo, importante transcrever parte do voto que direcionou ao conceito observado pelos julgadores (Grifos meus): “Portanto, ao contrário do que pretende o recorrente, não é todo e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ. Há de se perquirir a pertinência e a essencialidade do gasto relativamente ao processo fabril ou de prestação de serviço para que se lhe possa atribuir a natureza de insumo.” Vêse, claro, que o colegiado a quo adotou o critério da essencialidade e pertinência. No 1º acórdão indicado como paradigma – de nº 330101.470, consta do voto: “Embora sejam necessários à atividade da empresa, não constituem insumos utilizados no seu processo produtivo nem imprescindíveis à produção de celulose, produto fabricado pela recorrente. ” Ou seja, o 1º acórdão indicado como paradigma adotou o conceito da essencialidade e pertinência vinculando os itens ao processo produtivo, tal como no acórdão recorrido. No 2º acórdão indicado como paradigma – de nº 3102001.272, consta da ementa: Fl. 7760DF CARF MF 14 “DELIMITAÇÃO DO CONCEITO Para efeito de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o termo "insumo" não pode ser interpretado como todo e qualquer bem ou serviço que onere a atividade da econômica, mas tão somente os que sejam diretamente empregados na produção de bens ou prestação de serviços. ” Em relação ao 2º acórdão indicado como paradigma, o colegiado delimitou o conceito somente aos itens que eram DIRETAMENTE empregados na produção de bens ou serviços. Diferentemente do acórdão recorrido que traz que insumos são todos aqueles bens e serviços pertinentes ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados. Em vista do exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para ressurgir a discussão dos seguintes itens admitidos em despacho de admissibilidade: a. Dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa, tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físicoquímico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; b. Aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; c. Transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; d. Lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; e. Gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados; f. Combustíveis empregados no processo produtivo. Fl. 7761DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.755 15 Quanto ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, o que concordo com o despacho de admissibilidade e de agravo. Sendo assim, apenas recordo que o sujeito passivo ressurge com a discussão acerca das seguintes matérias: a. Momento de apuração dos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre insumos; b. Direito de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas com (i) calços para alinhamento; (ii) equipamento de proteção individual e óculos; (iii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório; (iv) serviços com movimentação de materiais; c. Direito de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os gastos com combustível empregado no transporte de pessoal; d. Direito de tomada de créditos das contribuições sociais nãocumulativas sobre os fretes pagos para transporte de produtos acabados. Ventiladas tais considerações, para melhor elucidar meu entendimento, passo a discorrer a priori sobre os critérios a serem observados para a conceituação de insumo para a constituição do crédito do PIS e da Cofins trazida pela Lei 10.637/02 e Lei 10.833/03. Não é demais enfatizar que se tratava de matéria controvérsia – pois, em fevereiro de 2018, o STJ, em sede de recurso repetitivo, ao apreciar o REsp 1.221.170, definiu que o conceito de insumo, para fins de constituição de crédito de PIS e de Cofins, deve observar o critério da essencialidade e relevância – considerandose a imprescindibilidade do item para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo sujeito passivo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa (Grifos meus): “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. Fl. 7762DF CARF MF 16 DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte.” Definiu ser ilegal a disciplina de creditamento prevista nas IN SRF 247 e 404 que, por sua vez, traz um entendimento mais restritivo que a descrita na lei. Fl. 7763DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.756 17 Nessa linha, efetivamente a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, tal como já entendia, expresso que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pela contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante recordar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins não cumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do Fl. 7764DF CARF MF 18 que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, era de se constatar que o entendimento predominante considerava o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 7765DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.757 19 [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Fl. 7766DF CARF MF 20 Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, para tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Fl. 7767DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.758 21 Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. Tal como expressou o STJ em recente decisão. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · O art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: (Incluído) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído) a. Matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído) b. Os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. (Incluído) [...]” · art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): Fl. 7768DF CARF MF 22 “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; Fl. 7769DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.759 23 e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Fl. 7770DF CARF MF 24 Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, Fl. 7771DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.760 25 não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: Fl. 7772DF CARF MF 26 “COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos. Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. Nessa linha, o STJ, que apreciou, em sede de repetitivo, o REsp 1.221.170 –trouxe, pelas discussões e votos proferidos, o mesmo entendimento já aplicável pelas suas turmas e pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Privilegiando, assim, a segurança jurídica que tanto merece a Fazenda Nacional e o sujeito passivo. Em vista do exposto, em relação aos critérios a serem observados para fins de conceito de insumo, entendo que a Fazenda Nacional não assiste razão ao aplicar a IN 247/02 e a IN 404/02 – consideradas ilegais pelo STJ. Fl. 7773DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.761 27 Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito de insumo anteriormente, importante ainda trazer que, recentemente, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." A Nota clarifica a definição do conceito de insumos na “visão” da Fazenda Nacional (Grifos meus): “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindose mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial Fl. 7774DF CARF MF 28 desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ou seja, a Fazenda Nacional esclareceu, entre outros, com tal manifestação que “insumos de insumos” geram crédito de PIS e Cofins não cumulativo. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Fl. 7775DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.762 29 Passadas tais considerações acerca do conceito de insumos, entendo que todos os itens trazidos em Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional geram o direito ao crédito das contribuições não cumulativas, vez que pertinentes e essenciais ao processo produtivo e à atividade do sujeito passivo. Ademais, refinandose os itens ao teste de subtração, não há como não gerar crédito das contribuições para os seguintes itens: a. Dispêndios com bens e serviços contratados a terceiros para o plantio clonagem, pesquisa (seleção dos clones), tratamento do solo, adubação, irrigação, controle de pragas, combate a incêndio, corte, colheita, transporte das toras de madeira, utilizados antes do tratamento físico químico da madeira, não caracterizados como despesas relacionadas com bens do ativo permanente e que possuem classificação jurídica e contábil como custos de produção, entre eles, serviços florestais de silvicultura/trato cultural das florestas próprias, serviços de viveiros, serviço florestal de colheita, serviços topográficos, controle de qualidade de madeiras, monitoramento florestal, irrigação, terraplenagem; b. Aluguéis de guindaste operado para manejo de insumos; c. Transporte de madeira entre a floresta e a fábrica; d. Lubrificantes, consumidos nos equipamentos, mesmo durante a etapa agrícola; e. Gastos com correias de amarração, estrados, paletes e caixas de papelão, desde que não se configurem em itens imobilizados; f. Combustíveis empregados no processo produtivo. Vêse que a própria PFGN deixou claro que geram crédito de PIS e Cofins os insumos de insumos. Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Quanto às matérias trazidas em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo: Fl. 7776DF CARF MF 30 a. Momento de apuração dos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre insumos; b. Direito de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre as despesas com (i) calços para alinhamento; (ii) equipamento de proteção individual e óculos; (iii) insumos utilizados em análises químicas em laboratório; (iv) serviços com movimentação de materiais; c. Direito de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre os gastos com combustível empregado no transporte de pessoal. d. Direito de tomada de créditos das contribuições sociais nãocumulativas sobre os fretes pagos para transporte de produtos acabados Considerando a descrição sobre o conceito de insumos, antes de discorrer sobre a discussão acerca do “momento de apuração dos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre insumos”, passo a trazer o entendimento sobre cada item trazido em recurso: · Calços para alinhamento de equipamentos rotativos; · Equipamento de proteção individual e óculos; · Insumos utilizados em análises químicas em laboratório; · Serviços com movimentação de materiais; · Gastos com combustível empregado no transporte de pessoal. · Fretes pagos para transporte de produtos acabados Sobre todos os itens, com exceção dos “gastos com combustível empregado no transporte de pessoal, entendo que geram o direito ao crédito das contribuições, vez que essenciais e pertinentes ao processo produtivo – o que, fazendo o teste de subtração, impossível não gerar o direito ao crédito das contribuições. Importante elucidar que entendo que não há como reconhecer o direito ao crédito sobre o item “gastos com combustível empregado no transporte de pessoal”, pois não há como se atestar nos autos do processo se esse transporte de pessoal seria aquele utilizado internamente dentre das áreas de produção ou se trataria de mero deslocamento envolvendo o domicílio do empregado ao trabalho e viceversa. Eis que – se o transporte fosse internamente, por conta da extensão da área de produção, entendo que seria possível o reconhecimento do crédito das contribuições. Fl. 7777DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.763 31 Não obstante, como não há nos autos a vinculação desse transporte ao processo produtivo do sujeito passivo, entendo que resta prejudicado a constituição de crédito das contribuições para esse item. Ademais, quanto ao conceito de insumos, importante recordar os recentes julgados dessas matérias: · Acórdão 9303007.562: “PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. Com o advento da NOTA SEI PGFN MF 63/18, restou clarificado o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não cumulativas, definido pelo STJ ao apreciar o REsp 1.221.170, em sede de repetitivo qual seja, de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. PIS/PASEP. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. FRETES DE INSUMOS ADQUIRIDOS COM ALÍQUOTA ZERO. Afinandose ao conceito exposto pela Nota SEI PGFN MF 63/18 e aplicandose o Teste de Subtração, é de se reconhecer o direito ao crédito das contribuições sobre os fretes de produtos acabados entre estabelecimentos e sobre os fretes de insumos adquiridos com alíquota zero das contribuições, eis que essenciais e pertinentes à atividade do contribuinte. É de se atentar ainda, quanto aos fretes de insumos adquiridos com alíquota zero, que a legislação não traz restrição em relação à constituição de crédito das contribuições por ser o frete empregado ainda na aquisição de insumos tributados à alíquota zero, mas Fl. 7778DF CARF MF 32 apenas às aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. ” · Acórdão 9303006.016: “PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMOS. CRÉDITO. POSSIBILIDADE A legislação das Contribuições Sociais não cumulativas PIS/COFINS informa de maneira exaustiva todas as possibilidades de aproveitamento de créditos. Não há previsão legal para creditamento sobre a aquisição de uniformes/vestimentas, cuja aplicação não seja em decorrência de exigências legais, além da necessária comprovação de sua utilização diretamente no processo produtivo. Acatase os créditos da aquisição de equipamentos de proteção individual em razão de seu necessário consumo, com o tempo, durante o uso no processo produtivo. [...]” E, especificamente aos fretes de produtos acabados, vêse que essa turma já enfrentou a matéria, tendo sido firmado o posicionamento de que os custos de frete de mercadorias entre estabelecimentos gerariam o direito à constituição de crédito das contribuições. Frisese a ementa do acórdão 9303005.156: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 30/09/2008 CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. Cabe a constituição de crédito de PIS/Pasep sobre os valores relativos a fretes de produtos acabados realizados entre estabelecimentos da mesma empresa, considerando sua essencialidade à atividade do sujeito passivo. Não obstante à observância do critério da essencialidade, é de se considerar ainda tal possibilidade, invocando o art. 3º, inciso IX, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso IX, da Lei 10.637/02 eis que a inteligência desses dispositivos considera para a r. constituição de crédito os serviços intermediários necessários para a efetivação da Fl. 7779DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.764 33 venda quais sejam, os fretes na “operação” de venda. O que, por conseguinte, cabe refletir que tal entendimento se harmoniza com a intenção do legislador ao trazer o termo “frete na operação de venda”, e não “frete de venda” quando impôs dispositivo tratando da constituição de crédito das r. contribuições. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MATÉRIAS PRIMAS ENTRE ESTABELECIMENTOS Os fretes na transferência de matérias primas entre estabelecimentos, essenciais para a atividade do sujeito passivo, eis que vinculados com as etapas de industrialização do produto e seu objeto social, devem ser enquadrados como insumos, nos termos do art. 3º, inciso II, da Lei 10.833/03 e art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/02. Cabe ainda refletir que tais custos nada diferem daqueles relacionados às máquinas de esteiras que levam a matériaprima de um lado para o outro na fábrica para a continuidade da produção/industrialização/beneficiamento de determinada mercadoria/produto.” Nesse ínterim, proveitoso citar ainda os acórdãos 9303005.155, 9303 005.154, 9303005.153, 9303005.152, 9303005.151, 9303005.150, 9303005.116, 9303 006.136, 9303006.135, 9303006.134, 9303006.133, 9303006.132, 9303006.131, 9303 006.130, 9303006.129, 9303006.128, 9303006.127, 9303006.126, 9303006.125, 9303 006.124, 9303006.123, 9303006.122, 9303006.121, 9303006.120, 9303006.119, 9303 006.118, 9303006.117, 9303006.116, 9303006.115, 9303006.114, 9303006.113, 9303 006.112, 9303006.111, 9303005.135, 9303005.134, 9303005.133, 9303005.132, 9303 005.131, 9303005.130, 9303005.129, 9303005.128, 9303005.127, 9303005.126, 9303 005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303005.127, 9303 005.126, 9303005.125, 9303005.124, 9303005.123, 9303005.122, 9303005.121, 9303 005.120, 9303005.119, 9303005.118, 9303005.117, 9303006.110, 9303004.311, etc. É de se entender que, em verdade, se trata de frete para a venda, passível de constituição de crédito das contribuições, nos termos do art. 3º, inciso IX, das Lei 10.833/03 e Lei 10.637/02 – pois a inteligência desse dispositivo considera o frete na “operação” de venda. Fl. 7780DF CARF MF 34 A venda de per si para ser efetuada envolve vários eventos. Por isso, que a norma traz o termo “operação” de venda, e não frete de venda. Inclui, portanto, nesse dispositivo os serviços intermediários necessários para a efetivação da venda, dentre as quais o frete ora em discussão. Nestes termos, voto por dar provimento parcial, nessa parte, ao recurso interposto pelo sujeito passivo. Quanto à outra matéria trazida em Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, qual seja, “Momento de apuração dos créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre insumos”, importante recordar que: · O sujeito passivo alega que o momento para a contabilização do crédito não é a data da aquisição do bem ou contratação do serviço, mas sim a data da entrega do bem ou conclusão da prestação do serviço; · O acórdão recorrido entende que os créditos da não cumulatividade devem ser reconhecidos no período de apuração em que for realizada aquisição do bem ou contratada a prestação do serviço. Sem maiores delongas, entendo que a constituição do crédito das r. contribuições devem ser reconhecidas no momento em que há a aquisição do bem ou contratação da prestação do serviço, pois é nesse momento em que deve ser registrado contabilmente o dispêndio desses eventos e, por conseguinte, o crédito das contribuições, nos termos do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03. Esses são os fatos geradores para a constituição dos r. créditos. Frisese inclusive a inteligência da Solução Cosit de Divergência nº 21/2011 – que trata de prescrição do crédito e do termo a quo. Sendo assim, nessa parte, nego provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. Fl. 7781DF CARF MF Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n.º 9303007.864 CSRFT3 Fl. 7.765 35 Ex positis, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e dar provimento parcial ao recurso do sujeito passivo. É como voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 7782DF CARF MF
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Numero do processo: 15983.720217/2016-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.652
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. A conselheira Eva Maria Los acompanha a relatora em menor extensão e apresentará declaração de voto. Processo julgado no dia 22/11/2018 na sessão das 09:00 horas.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gisele Barra Bossa - Relatora
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Declaração de Voto
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Relatório
Nome do relator: GISELE BARRA BOSSA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. A conselheira Eva Maria Los acompanha a relatora em menor extensão e apresentará declaração de voto. Processo julgado no dia 22/11/2018 na sessão das 09:00 horas. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Relatora (assinado digitalmente) Eva Maria Los Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Henrique Marotti Toselli, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada), Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .7 20 21 7/ 20 16 -6 6 Fl. 1295DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 3 ___________ 1. Tratase de processo administrativo decorrente de autos de infração lavrados para a cobrança de IRPJ, CSLL e IRRF. 2. O crédito relativo ao IRPJ e à CSLL foi lavrado, respectivamente, nos montantes de R$ 13.218.583,79 e R$ 6.947.426,44 e em face da (i) não comprovação de custos de bens vendidos e serviços prestados indicados pela fiscalização durante o período entre 01/01/2011 e 31/12/2011; e (ii) falta de recolhimento sobre base de cálculo estimada no período entre 28/02/2011 e 31/01/2012. 3. O crédito relativo ao IRRF foi lavrado no montante de R$ 36.312.746,31 e em face de pagamentos efetuados a terceiros, contabilizados ou não, cujas operações e causas não foram comprovadas referentes ao período entre 10/01/2011 e 12/12/2011. 4. No Relatório Fiscal (fls. 547/674), parte integrante dos autos de infração, a autoridade fiscalizadora verificou e concluiu o que segue: “5. DA PARTICIPAÇÃO DA UTC NA OPERAÇÃO LAVA JATO 5.1. A UTC ENGENHARIA era uma das integrantes do cartel formado para fraudar licitações junto a Petrobras. 5.2. Conforme já descrito no tópico "4" deste Relatório Fiscal, o Ministério Público Federal – MPF tornou pública a consulta a alguns dos processos judiciais formalizados no âmbito da Operação Lava Jato, fornecendo para tanto a respectiva chave de acesso. Desta forma, as denúncias oferecidas pelo MPF contra os operadores, empreiteiros e outros se tornaram públicas, permitindo consulta também a toda a documentação probatória apresentada pelo MPF, assim como aos acordos de colaboração premiada firmados com Alberto Youssef, Mário Góes, Júlio Camargo e outros. 5.3. Em 12/12/2014, o Ministério Público Federal no Paraná ofereceu denúncia contra (entre outros), o sr. RICARDO RIBEIRO PESSOA, relativo às operações da UTC (e outras empresas) na Petrobras pelos crimes de organização criminosa, corrupção ativa e passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a denúncia, no período entre 2004 e 2014, o sr. RICARDO PESSOA lavou dinheiro por meio de operadores financeiros para repassar os valores a então diretores da Petrobras, que os destinavam a grupos políticos responsáveis pela indicação das Diretorias corrompidas para direcionar as licitações às empresas integrantes do cartel. As condutas em comento foram investigadas em duas ações penais, nº 505374431.2014.404.7000 e nº 508325829.2014.404.7000. (...) 5.5. Destacase que RICARDO PESSOA e WALMIR PINHEIRO SANTANA (Diretor Financeiro da UTC) também foram denunciados na ação penal nº 504792579.2015.4.04.7000, a respeito da obstrução na investigação do cartel na denominada "CPI da Petrobras"11. Fl. 1296DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 4 3 5.6. Destacase ainda que tanto RICARDO PESSOA quanto WALMIR PINHEIRO SANTANA já foram condenados em primeira instância, pelos crimes de corrupção ativa, pertinência a organização criminosa, lavagem de dinheiro e obstrução à investigação de organização criminosa. (...) 8. DOS PAGAMENTOS FEITOS PARA AS PESSOAS JURÍDICAS DISCRIMINADAS NO ITEM 1.2 DESTE RELATÓRIO FISCAL, QUE NÃO PRESTARAM SERVIÇOS PARA A UTC 8.1. DA CONTRATAÇÃO DAS EMPRESAS "HEDGE AUDITORIA E CONSULTORIA TRIBUTARIA E SOCIETARIA S/S LTDA" 8.1.1. A empresa HEDGE AUDITORIA E CONSULTORIA TRIBUTARIA E SOCIETARIA S/S LTDA (CNPJ 00.788.234/0001 45, doravante “HEDGE”) recebeu os seguintes pagamentos da UTC no ano calendário 2011: 8.1.2. Os pagamentos feitos pela UTC à empresa HEDGE foram objeto de questionamento do TIF nº 3 e posteriores, com o objetivo de determinar se os serviços foram efetivamente prestados. 8.1.3. Não foi apresentado nenhum documento que comprovasse a prestação de serviços; somente a nota fiscal e o comprovante do pagamento. Nem mesmo o contrato com o referido prestador de serviços foi apresentado. 8.1.4. Conforme já mencionado no presente Relatório Fiscal, tal empresa é de propriedade e controlada pelo contador ROBERTO TROMBETA e seu sócio RODRIGO MORALES. 8.1.5. Os próprios controladores da empresa em questão admitiram que firmaram contratos ideologicamente falsos com empresas do grupo UTC, com o objetivo único de devolver dinheiro em espécie para os srs. RICARDO PESSOA e WALMIR PINHEIRO (...). 8.1.9. Considerando: 8.1.9.1. Que os controladores da empresa HEDGE informam que usaram essa e outras empresas com o propósito específico de gerar recursos em espécie para abastecer o esquema criminoso que ocorria na PETROBRAS; 8.1.9.2. Que os próprios contratantes da HEDGE, personificados nos srs. RICARDO PESSOA e WALMIR PINHEIRO, admitiram que a contratação da HEDGE teve o propósito específico de gerar recursos em espécie; 8.1.9.3. Que não há evidência alguma da prestação de serviço da HEDGE; Fl. 1297DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 5 4 8.1.9.4. Que sequer foi apresentado o contrato ou qualquer tipo de controle em relação aos valores cobrados pela HEDGE; 8.1.10. Isto posto, restou exaustivamente comprovado que os supostos serviços NUNCA FORAM PRESTADOS. As declarações prestadas pelos contribuintes ao fisco não têm eficácia absoluta, apenas relativa. Elas devem ser suportadas por documentos que comprovem, como no caso em questão, a efetiva prestação dos serviços contratados. Não basta que sejam apresentadas notas fiscais e os pagamentos efetuados; tem de ser demonstrado que os serviços contratados são suportados por documentação consistente, sólida, objetiva e que dê respaldo e sustentação inequívoca às declarações prestadas. Como foi demonstrado nesse Relatório, a UTC não apresentou nenhum documento que comprovasse a efetividade da prestação dos serviços. 8.2. DA CONTRATAÇÃO DA EMPRESA "ROCK STAR PRODUCOES, COMERCIO E SERVICOS LTDA EPP" 8.2.1. A empresa "ROCK STAR PRODUCOES, COMERCIO E SERVICOS LTDA EPP" (CNPJ 05.298.439/000166, doravante “ROCK STAR”) recebeu os seguintes pagamentos da UTC no ano calendário 2011: 8.2.2. Os pagamentos feitos pela UTC à empresa ROCK STAR foram objeto de questionamento do TIF nº 2 e posteriores, com o objetivo de determinar se os serviços foram efetivamente prestados. 8.2.3. Em relação aos pagamentos efetuados em 2011, foram apresentados somente a nota fiscal e o comprovante do pagamento. Para os pagamentos supracitados, o contrato com o referido prestador de serviços não foi apresentado. (...) 8.2.5. O próprio sr. RICARDO PESSOA, conforme trechos do Termo de Colaboração nº 20 já copiados no presente Relatório Fiscal, já menciona que a empresa ROCK STAR era usada para gerar valores em espécie, e que ele tinha conhecimento que a empresa era controlada de fato pelo operador ADIR ASSAD. 8.2.6. Tais informações foram corroboradas pelo sr. WALMIR PINHEIRO, no Termo de Colaboração nº 24, que já teve trechos copiados no presente Relatório Fiscal.(...) Fl. 1298DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 6 5 8.2.8. Considerando: 8.2.8.1. Que os próprios contratantes da ROCK STAR, personificados nos srs. RICARDO PESSOA e WALMIR PINHEIRO, admitiram que a contratação da empresa teve o propósito específico de gerar recursos em espécie; 8.2.8.2. Que sequer foi apresentado o contrato ou qualquer tipo de controle em relação aos valores cobrados pela ROCK STAR; 8.2.9. Concluise que o objeto principal da contratação da ROCK STAR foi a geração de recursos em espécie para o pagamento de personagens envolvidos no esquema criminoso que envolveu as obras da PETROBRAS, bem como outras obras. Tal objeto é claramente ilícito, tendo em vista se tratar de conduta acessória a atos tipificados como crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Quaisquer serviços que eventualmente tenham sido prestados no âmbito de tal contratação foram acessórios ao principal, que, repisese, tratavase da geração de recursos em espécie. 8.3. DA CONTRATAÇÃO DA EMPRESA "TWC PARTICIPACOES LTDA" 8.3.1. A empresa TWC PARTICIPACOES LTDA (CNPJ 04.432.412/000151, doravante “TWC”) recebeu os seguintes pagamentos da UTC no ano calendário 2011: (...) 8.3.17. Considerando: 8.3.17.1. Que os próprios contratantes da TWC, personificados nos srs. RICARDO PESSOA e WALMIR PINHEIRO, admitiram que a contratação da empresa teve o propósito específico de gerar recursos em espécie; 8.3.17.2. Que não há evidência alguma da prestação de serviço da TWC; 8.3.17.3. Que sequer foi apresentado o contrato ou qualquer tipo de controle em relação aos valores cobrados pela TWC; 8.3.18. Isto posto, restou exaustivamente comprovado que os supostos serviços NUNCA FORAM PRESTADOS. As declarações prestadas pelos contribuintes ao fisco não têm eficácia absoluta, apenas relativa. Elas devem ser suportadas por documentos que comprovem, como no caso em questão, a efetiva prestação dos serviços contratados. Não basta que sejam apresentadas notas fiscais e os pagamentos efetuados; tem de ser demonstrado que os serviços contratados são suportados por documentação consistente, Fl. 1299DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 7 6 sólida, objetiva e que dê respaldo e sustentação inequívoca às declarações prestadas. Como foi demonstrado nesse Relatório, a UTC não apresentou nenhum documento que comprovasse a efetividade da prestação dos serviços. 8.4. DA CONTRATAÇÃO DA EMPRESA "EAGLE CONSULTORIA EM ENGENHARIA LTDA" 8.4.1. A empresa EAGLE CONSULTORIA EM ENGENHARIA LTDA (CNPJ 05.759.392/000190, doravante "EAGLE") recebeu o seguinte pagamento da UTC em 2011: (...) 8.4.8. Considerando: 8.4.8.1. Que os próprios contratantes da EAGLE, personificados nos srs. RICARDO PESSOA e WALMIR PINHEIRO, admitiram que a contratação da empresa teve propósito diverso daquele estabelecido no contrato, ideologicamente falso; 8.4.8.2. Que o próprio sr. RICARDO PESSOA informou que não houve nenhuma prestação efetiva de serviços; 8.4.8.3. A única conclusão a que se pode chegar é que tais serviços NUNCA FORAM PRESTADOS. As declarações prestadas pelos contribuintes ao fisco não têm eficácia absoluta, apenas relativa. Elas devem ser suportadas por documentos que comprovem, como no caso em questão, a efetiva prestação dos serviços contratados. Não basta que sejam apresentadas notas fiscais e os pagamentos efetuados; tem de ser demonstrado que os serviços contratados são suportados por documentação consistente, sólida, objetiva e que dê respaldo e sustentação inequívoca às declarações prestadas. Como foi demonstrado nesse Relatório, a UTC não apresentou nenhum documento que comprovasse a efetividade da prestação dos serviços. 8.5. DA CONTRATAÇÃO DA EMPRESA "LOYALTY SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA" 8.5.1. A empresa LOYALTY SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA (CNPJ 12.103.327/000178, doravante "LOYALTY") recebeu os seguintes pagamentos da UTC em 2011: (...) 8.5.9. Considerando: 8.5.9.1. Que o próprio contratante da LOYALTY, personificado no sr. RICARDO PESSOA, admitiu que a contratação da empresa teve propósito diverso daquele estabelecido no contrato, ideologicamente falso; Fl. 1300DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 8 7 8.5.9.2. Que a correspondência entre a ZARIF e a UTC indica que não havia nenhum saldo a pagar à ZARIF; 8.5.9.3. A única conclusão a que se pode chegar é que a LOYALTY NUNCA PRESTOU SERVIÇO ALGUM, e os pagamentos à LOYALTY foram realizados como mera liberalidade do sr. RICARDO PESSOA. Além disso, como foi demonstrado nesse Relatório, a UTC não apresentou nenhum documento que comprovasse a efetividade da prestação dos serviços. 8.6. DA CONTRATAÇÃO DA EMPRESA "EPGN ENGENHARIA LTDA" (...)8.6.12. A empresa EPGN não informa em DIRF nenhuma subcontratação de outros prestadores de serviço, sejam pessoas físicas ou jurídicas. 8.6.13. Considerando: 8.6.13.1. Que não foi apresentado nenhum dos relatórios que EPGN estaria obrigada a apresentar para receber a remuneração, de acordo com o contrato com a UTC; 8.6.13.2. Que tampouco foi apresentado qualquer documento que evidencie a prestação dos serviços; 8.6.13.3. Que a EPGN não tem funcionários (além dos próprios filhos de MARIO ILDEU) e aparenta não dispor de capacidade operacional; 8.6.13.4. A única conclusão a que se pode chegar é que tais serviços NUNCA FORAM PRESTADOS. As declarações prestadas pelos contribuintes ao fisco não têm eficácia absoluta, apenas relativa. Elas devem ser suportadas por documentos que comprovem, como no caso em questão, a efetiva prestação dos serviços contratados. Não basta que sejam apresentadas notas fiscais e os pagamentos efetuados; tem de ser demonstrado que os serviços contratados são suportados por documentação consistente, sólida, objetiva e que dê respaldo e sustentação inequívoca às declarações prestadas. Como foi demonstrado nesse Relatório, a UTC não apresentou nenhum documento que comprovasse a efetividade da prestação dos serviços. 9. DA GLOSA DOS CUSTOS E DAS DESPESAS OPERACIONAIS 9.1. Conforme demonstramos ao longo deste relatório, os documentos enviados pela UTC não foram suficientes para comprovar a efetividade dos serviços prestados para as prestadoras de serviço "HEDGE AUDITORIA E CONSULTORIA TRIBUTARIA E SOCIETARIA S/S LTDA", "ROCK STAR PRODUCOES, COMERCIO E SERVICOS LTDA EPP", "LOYALTY SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA.", "TWC PARTICIPACOES LTDA", "EPGN ENGENHARIA LTDA" e "EAGLE CONSULTORIA EM ENGENHARIA LTDA". Fl. 1301DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 9 8 (...)9.11. Face o acima exposto, serão constituídas, de ofício, as glosas do anocalendário de 2011, valores apurados tomando como base os lançamentos contábeis referentes a despesas e custos, de serviços que não tiveram sua materialidade comprovada e que terão reflexos na apuração do IRPJ – Imposto de Renda Pessoa Jurídica e CSLL Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. (...)9.16. De acordo com todo o exposto nesse relatório e tomando por base as planilhas acima apresentadas, será glosado o valor total de R$ 15.241.536,19. 10. IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA OU DE OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA (...)10.7. Na auditoria de que tratamos, restou claro que o pagamento ao esquema criminoso fezse de forma subreptícia, camuflada em contrato inverídico. Esta maneira serviu para não identificar os beneficiários das propinas pagas pelo esquema criminoso, notadamente e comprovadamente no caso das empresas HEDGE, TWC e ROCK STAR. Portanto, tratase de pagamento a beneficiário não identificado, eis que o fluxo dos recursos da propina paga passam pelas pessoas jurídicas do operador, para em seguida chegar aos omitidos beneficiários das propinas. 10.8. De outra parte, cabe também a capitulação da infração de pagamento sem causa. Isto porque a causa justificada pela autuada em nada diz com a verdade. Aduziu a UTC que se trataria de consultoria e outras prestações de serviços e/ou aquisição de produtos ou mercadorias, mas a fiscalização comprovou que serviço e aquisições não houve. Bastaria esta prova para ser caracterizado o pagamento sem causa, mas as provas desvelaram uma plêiade de crimes perpetrados pelos envolvidos. O conjunto probatório infirma a veracidade do objeto contratado. 10.9. A norma persegue com o pagamento sem causa atribuir responsabilidade a quem oculta a causa que o motivou. No caso concreto, na esteira de um sólido conjunto probatório, o fisco faz mais do que determina a norma, quando além de provar que a causa apontada não é verdadeira, ainda comprova a causa omitida. 10.10. Neste ponto, a simples consideração da existência de causa não atinge o lançamento, pois o pagamento existiu. Descabe asseverar que a causa ilícita poderia comprometer o enquadramento legal do art. 674, § 1º, do RIR/99. A infração de esconder a justa causa do pagamento é a infração perseguida pela norma. Agiu a empresa contra o ditame legal por inibir o conhecimento do fisco da causa do pagamento, sofrendo como consequência a responsabilização tributária imposta pela norma fiscal. Por acobertar a causa dos rendimentos pagos, a fiscalizada tornase sujeito passivo. 10.11. A análise dos fatos comprovados pela auditoria, ao fim, resulta no enquadramento tanto de pagamento a beneficiário não identificado como pelo pagamento sem causa, considerando que tais infrações podem ser inquinadas pelas fraudes contratuais caracterizadas em um mesmo contrato, quais sejam, da falta de Fl. 1302DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 10 9 identificação dos recebedores finais das propinas pagas em seus montantes, como também da falsa causa motivadora dos pagamentos. (...) 10.13. Demonstramos e comprovamos no presente caso, conforme descrito no item 8 deste RELATÓRIO FISCAL, que os pagamentos feitos pela UTC para todas as pessoas jurídicas discriminadas no item 1.2 deste RELATÓRIO FISCAL, NÃO tiveram a contrapartida de qualquer prestação de serviços. 10.14. Todos os casos relatados referemse a operações não comprovadas e/ou inexistentes, sem fruição pelo sujeito passivo e consórcios que integrou de qualquer serviço prestado ou do recebimento de quaisquer produtos ou mercadorias, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa. 10.15. Frisese: o que está sendo tributado, exclusivamente na fonte, são os rendimentos recebidos pelos beneficiários das propinas através das pessoas jurídicas discriminadas no item 1.2 deste RELATÓRIO FISCAL. A UTC é o sujeito passivo da obrigação tributária em razão dos pagamentos irregulares”. 5. Devidamente cientificada dos lançamentos (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem em 13/12/2016, fl. 693) a contribuinte UTC Engenharia apresentou impugnação (fls. 699/758) em 11/01/2017. Posteriormente, em 20/02/2017, apresentou petição complementando sua defesa. 6. Em suas peças, a contribuinte levantou os seguintes pontos: (i) é indevida a glosa de despesas imprescindíveis à atividade da empresa; (ii) o custo relativo ao esquema de pagamentos para agentes públicos e políticos consiste em despesa necessária; (iii) a multa isolada é inaplicável, visto que enseja dupla penalidade; (iv) diante da ausência de comprovação do elemento doloso a qualificação da multa é inaplicável; (v) há decadência parcial do crédito tributário, nos termos do artigo 150, §4º, do CTN; e (vi) a fiscalização se equivocou na apuração do IRPJ, multa de 150% e no cálculo da multa isolada de 50% aplicada à CSLL. 7. Por sua vez, os responsáveis solidários Ricardo Ribeiro Pessoa e Walmir Pinheiro Santana devidamente cientificados dos lançamentos (Avisos de Recebimento de 14/12/2016, fls. 694 e 696) apresentaram, individualmente, suas Impugnações em 13/01/2017 (fls. 870/895 e 903/927). Reiteram os pontos já apresentados na impugnação da contribuinte e acrescentam as seguintes alegações: (i) a conduta do solidário Ricardo Pessoa não configura ilícito tributário, ainda que possa representar um ilícito penal; (ii) o solidário Wlamir Santana não tinha poder de gestão; e (iii) a fiscalização não foi capaz de comprovar a suposta conduta dolosa por parte dos solidários. 8. Em sessão de 6 de setembro de 2017, a 4ª Turma da DRJ/BSB, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação da contribuinte e improcedente as impugnações dos responsáveis tributários Ricardo Ribeiro Pessoa e Walmir Pinheiro Santana, nos termos do voto relator, Acórdão nº 03076.745 (fls. 992/1410), cuja ementa recebeu o seguinte descritivo, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 1303DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 11 10 Anocalendário: 2011 GLOSA DE DESPESAS. DESPESA ILÍCITA. INDEDUTIBILIDADE. O § 2º do art. 47 da Lei 4.506/64 dispõe que são necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, ou seja, são dedutíveis as despesas habituais para as operações da empresa. No entanto, não se pode admitir como da essência da atividade empresarial a geração de caixa dois para pagamento de propinas. MULTA QUALIFICADA. DEVIDA. Há que se manter a qualificação da multa, uma vez demonstrada a conduta dolosa com o fito de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco das circunstâncias materiais do fato gerador, pela simulação de contratos de prestação de serviços, com o fito de dissimular os verdadeiros fins dos pagamentos. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. IRRF. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada com relação ao lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2011 CAUSA DE PAGAMENTO. NÃO IDENTIFICADOS Deve ser mantido o lançamento do IRRF com base no art. 61, § 1º, da Lei 8.981/95, quando não identificada a causa ou o real beneficiário de pagamentos. MULTA QUALIFICADA. DEVIDA. Há que se manter a qualificação da multa, uma vez demonstrada a conduta dolosa com o fito de impedir ou retardar o conhecimento do Fisco das circunstâncias materiais do fato gerador, pelo uso de notas fiscais ideologicamente falsas para lastrear saídas de caixa, ocultando do Fisco a verdadeira causa e o real beneficiário de pagamentos. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. 9. A DRJ/BSB julgou as impugnações sob os seguintes fundamentos: (i) a alegação de que haveria bis in idem pela cobrança de IRRF, IRPJ e CSLL é descabida, pois não existe relação de causa e efeito entre o lançamento do IRRF sobre pagamento sem causa e o do IRPJ/CSLL em virtude da glosa de despesa; (ii) não há como considerar despesa dedutível a geração de “caixa dois” para pagamento de propinas; (iii) a prestação parcial de um contrato, por si só, não evidencia tratarse de despesa necessária para a autuada, pois o próprio controlador da empresa afirma que o objetivo do contrato era a geração de “caixa dois”; (iv) a Fl. 1304DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 12 11 multa isolada pode ser cumulada com a multa de ofício a partir da entrada em vigor da Lei nº 11.488/07; (v) a qualificação da multa deve ser mantida em face da evidente conduta fraudulenta; (vi) não há que se falar em decadência, pois diante de conduta dolosa a regra aplicável ao presente caso é a prevista no artigo 173, inciso I, do CTN; (vii) houve equívoco de cálculo da fiscalização em relação a multa isolada por falta de recolhimento da CSLL, devendo ser reduzida de R$ 2.815.476,49 para R$ 703.869,12; (viii) os solidários Ricardo Pessoa, enquanto sócio administrador, e Walmir Santana, enquanto Diretor Financeiro com poder de gerência, se enquadram na hipótese de responsabilização solidária prevista no artigo 135, inciso III, do CTN. 10. Cientificada da decisão (Termo de Ciência por Abertura de Mensagem em 20/09/2017, fl. 1039), a contribuinte, ora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 1042/1101) em 13/10/2017. Os responsáveis solidários, Ricardo e Walmir, devidamente cientificados (Avisos de Recebimento de 10/11/2017, fls. 1115/1116) apresentaram, individualmente, Recursos Voluntários (fls. 1119/1141 e 1145/1167). Os sujeitos passivos reiteram as razões expostas em sede de impugnação (itens 5 e 6) e complementam sua defesa com os seguintes pontos: 10.1. É indevida a tributação simultânea de IRPJ, CSLL e IRRF, pois a legislação vigente à época do fato gerador não permite essa cumulação. 10.2. A defesa trouxe provas (contratos de prestação de serviços, notas fiscais e comprovantes de pagamento) que demonstram que as despesas glosadas eram relativas a gastos inerentes à consecução da atividade da autuada. 10.3. Para que a autuada pudesse ser contratada pela Petrobrás a empresa se viu compelida a agir de acordo com a praxe sistêmica de arcar com os custos de pagamentos de valores tanto para Diretores do alto escalão da empresa, quanto para políticos embrenhados no esquema. O motivo de parte das despesas glosadas terem sido declaradas sob outra roupagem está na necessidade de justificar tais despesas. 10.4. Inexiste previsão legal para a cobrança da CSLL em relação às glosas de despesas necessárias. No mais, a exigência de IRRF é indevida, pois são facilmente identificáveis os beneficiários e a causa dos pagamentos realizados. 10.5. Embora parte dos serviços contratados não tenham sido prestados da forma como descritos nos termos contratuais, a defesa alega que houve efetiva prestação dos serviços por parte das empresas citadas pela fiscalização, ainda que parcialmente. Para esses casos, deve ser subtraído das bases de cálculo o montante correspondente ao contrato. 10.6. Afirma ser inaplicável a multa isolada em concomitância com a multa de ofício, pois significaria dupla penalidade sobre a mesma infração. 10.7. Diante da ausência de sonegação ou fraude, deve ser aplicado o artigo 150, §4º, do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. Logo, deve ser reconhecida a decadência parcial (i) do crédito de IRRF referente aos fatos geradores entre 01/01/2011 e 12/12/2011; e (ii) das multas isoladas relativas ao ano calendário de 2011. 10.8. A fiscalização deveria ter transportado para o auto de infração o montante de R$ 3.626.475,66 e não o montante de R$ 3.786.384,03 (valor incorreto da somatória do valor exigido a título de estimativa mensal). Fl. 1305DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 13 12 10.9. Os solidários reiteram que a fiscalização e a decisão de piso não foram capazes de comprovar a prática de conduta dolosa. Ademais, afirmam ser inadmissível a responsabilização solidária lastreada em mera presunção. 10.10. Por fim, os Recorrentes requerem que: (i) seja cancelada a exigência do IRRF; (ii) se reverta as glosas relativas ao IRPJ e à CSLL por se tratarem de despesas necessárias; (iii) subsidiariamente, seja excluída da base de cálculo a parcela relativa a serviços efetivamente prestados; (iv) se afaste a multa isolada em razão da impossibilidade da concomitância com a multa de ofício; (v) se afaste a qualificação da multa de ofício; (vi) seja cancelada a multa de ofício incidente sobre o IRRF; (vii) se declare a decadência parcial do crédito exigido; (viii) os lançamentos de IRPJ e respectiva multa sejam retificados diante do erro de cálculo; e (ix) se exclua a responsabilidade tributária imposta aos solidários. 11. Na sessão de 16 de outubro de 2018 a empresa autuada apresentou memoriais e foi dada vista a Conselheira Eva Maria Los, tendo esta relatoria votado pela conversão do julgamento do recurso em diligência. É o relatório. Voto Conselheira Gisele Barra Bossa, Relatora 11. Os recursos voluntários interpostos são tempestivos e cumprem os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual deles tomo conhecimento e passo a apreciar. Da Necessária Realização de Diligência 1. Da Glosa de IRRF à alíquota de 35% 12. No tocante ao IRRF lançado em razão de pagamentos sem causa, a Recorrente afirma que os beneficiários e a causa dos pagamentos apontados pela fiscalização são identificáveis. 13. Em sede de impugnação, a Recorrente alega que, ao invés de promover o lançamento de IRRF em face da autuada, a fiscalização poderia ter intimado as empresas beneficiárias a fim de apurar se ofereceram regularmente à tributação os pagamentos recebidos. 14. Conforme o item 8 do Termo de Verificação Fiscal (fls. 575/610), a fiscalização foi capaz de identificar as empresas beneficiárias dos pagamentos sem causa, são elas: (i) HEDGE AUDITORIA E CONSULTORIA TRIBUTÁRIA E SOCIETÁRIA S/S LTDA; (ii) ROCK STAR PRODUÇÕES, COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA – EPP; (iii) TWC PARTICIPAÇÕES LTDA; (iv) EAGLE CONSULTORIA EM ENGENHARIA LTDA; (v) LOYALTY SERVIÇOS DE ENGENHARIA; e (vi) EPGN ENGENHARIA LTDA. 15. Contudo, mesmo sem ter intimado as beneficiárias, autoridade lançadora considerou que a contribuinte não foi capaz de comprovar a causa dos pagamentos realizados, tampouco que os serviços contratados foram efetivamente realizados. Fl. 1306DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 14 13 16. Por sua vez, a DRJ afastou a alegação da empresa autuada por entender que cabia a ela o ônus da prova, verbis: “Quanto à falta de intimação das prestadoras de serviço Noutro ponto, alega a recorrente que “a fiscalização poderia, ao invés de promover lançamento de ofício ao léu, ter intimado tais beneficiários a fim de apurar, vez por todas, se ofereceram regularmente à tributação os pagamentos recebidos”. Equivocase a impugnante, pois é dela o ônus de provar a veracidade dos seus registros contábeis, se não vejamos o que se segue. Vale observar que o ônus de provar a efetiva prestação dos serviços era da impugnante nos termos do art. 226 do Código Civil – CC (...) Assim, a escrituração contábil faz prova contra o contribuinte, mas, para ser alegada em seu favor, deverá ser confirmada por outro elemento de prova, o qual, ordinariamente, é o lastro documental que suporta os lançamentos contábeis. (...) Por último, mas nem por isso menos importante, cabe ressaltar que a alegação da impugnante é contraditória, pois ao mesmo tempo que reconhece que os contratos de prestação de serviços eram simulados e serviram apenas para gerar caixa dois, reclama que a Fiscalização deveria ter diligenciado junto as prestadoras de serviços. De nada serviria a diligência reclamada quando tanto o controlador como a própria impugnante já reconheceram que os contratos de prestação de serviço serviram apenas para lastrear a saída de recursos do caixa da impugnante, com o fito de custear o pagamento de propinas a agentes público e políticos”. 17. Em que pese a fiscalização tenha identificado as empresas prestadoras de serviços (beneficiárias), constato que não foi realizada nenhuma diligência para se verificar se os valores recebidos foram contabilizados e os tributos devidamente recolhidos. 18. Diferente do consignado na decisão de piso, não cabe à empresa autuada comprovar se os valores por ela pagos foram devidamente escriturados pelas empresas beneficiárias, bem como se esses valores foram oferecidos à tributação. Da mesma forma, não cabe à empresa autuada o ônus de trazer aos autos a informação sobre a existência de procedimento fiscal em curso lançamento de omissão de receitas em face das beneficiárias dos pagamentos. 19. De acordo com o artigo 61 da Lei nº 8.981/95, fica sujeito à incidência de IRRF todo pagamento efetuado a beneficiário não identificado e quando não for comprovada sua operação ou causa, verbis: “Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for Fl. 1307DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 15 14 comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto” (grifos nossos). 20. A partir da leitura do dispositivo acima, verificase que cabe ao contribuinte o ônus de provar/identificar o (s) beneficiário (s) e a ocorrência da operação ou causa dos pagamentos enquanto à fiscalização compete a tarefa de realizar diligência em face das empresas identificadas como beneficiárias para exigir que as mesmas demonstrem se os valores recebidos foram devidamente contabilizados em sua escrituração fiscal, e o IRPJ e a CSLL devidamente recolhidos, bem como se não há procedimento fiscal em curso para exigir os mesmos valores (AIIM de omissão de receitas em face das beneficiárias). A palavra de ordem é rastreabilidade da operação. 21. Vejam que, o artigo 61 da Lei nº 8.981/95 figura como verdadeira medida de enforcement (solução eficiente apta a incentivar boas práticas), pois tem a capacidade de direcionar o comportamento do contribuinte para que opere com a devida transparência, tanto é que, a manutenção e adequada escrituração fiscal e contábil e/ou a existência de coincidências em lançamentos bancários capazes de identificar eventuais beneficiários e a ocorrência da operação, afastam a aplicação do IRRF de 35%. Aqui os critérios de valoração da prova não podem ser, em larga medida, os mesmos aplicáveis aos lançamentos que envolvem glosa de despesas, por exemplo. 22. Feitas essas considerações, fica claro que a diligência in casu é relevante, pois o lançamento de IRRF em face da contribuinte, sem a devida verificação e comprovação da ausência de recolhimento de tributos por parte das empresas beneficiárias dos pagamentos ou demonstração de que tais valores não são os mesmos cobrados à título de omissão de receitas das beneficiárias, pode ensejar dupla tributação. E, da mesma forma que não pode haver ausência de tributação (e por isso a glosa de omissão de receitas), não se pode permitir incidência de tributação à título de IRRF de 35% desalinhada dos próprios preceitos normativos (animus legis e hipótese de incidência em concreto). 23. Frisese que, o foco da diligência é o lançamento do IRRF e não dedutibilidade ou não dos supostos dispêndios, o que será objeto da análise de mérito quando do retorno dos autos para julgamento. 24. Diante do exposto, por considerar a verdade material, a segurança jurídica e a satisfatividade das decisões os valores máximos a serem perseguidos pelo julgador, não vejo outra alternativa senão propor a conversão do julgamento em diligência. 25. Não é demais lembrar que as atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão devem ser realizadas de ofício pela autoridade fiscal, nos termos do artigo 29, da Lei nº 9.784/991. 1 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. Fl. 1308DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 16 15 2. Do Reajustamento da Base de Cálculo 26. A Recorrente alega que o valor do IRRF lançado deve ser reduzido, em razão da fiscalização tributária ter promovido o reajustamento previsto no artigo 61, §3º, da Lei nº 8.981/95 duas vezes, conforme abaixo: DESCRIÇÃO VALOR Rendimento Reajustado Correto (Base) R$ 21.945.752,29 Rendimento Reajustado Utilizado (Base) R$ 33.762.965,83 DIFERENÇA DA BASE DE CÁLCULO R$ 11.816.943,54 27. O reajustamento relatado teria gerado exigência a maior do IRRF no importe de R$ 4.135.930,24 (petição e composição de fls. 1231/1235). Em análise da planilha apresentada pela Recorrente, evidencio aparente diferença de bases e eventual divergência. 28. Com base no princípio da prudência, especialmente diante da potencial ocorrência de erro na quantificação do auto de infração de IRRF, não enfrentado pela DRJ, considero relevante a verificação dos cálculos apresentados pela Recorrente para que, se for o caso (duplo reajustamento), sejam devidamente corrigidos os montantes exigidos (liquidez). Dos Termos da Diligência 29. Diante do exposto, proponho a remessa dos autos à unidade preparadora com o objetivo de: (i) Referente à glosa de IRRF à alíquota de 35%, a unidade preparadora deverá verificar internamente a existência de procedimento fiscal para exigência do IRPJ e Reflexos das empresas supostamente beneficiárias dos pagamentos e instruir o presente feito com cópia de eventuais autuações fiscais de omissão de receitas. Em última análise, precisa ficar claro para esta relatoria se: (i) os valores pagos às beneficiárias foram por elas contabilizados; (ii) os respectivos valores já foram submetidos à tributação ou se tais quantias estão sendo cobradas a título de omissão de receitas; e (iii) em última análise, é possível evidenciar que estamos diante de empresas de fachada. Se necessário, as beneficiárias deverão ser devidamente intimadas para tal fim. (ii) Sobre o aspecto supra, a unidade preparadora, quando da elaboração de relatório conclusivo, deve se atentar aos indícios relativos à coincidência de valores e datas, a fim de demonstrar a existência ou não de rastreabilidade dos valores enviados pela ora Recorrente às supostas beneficiárias (se de fato identificadas, por restar afastada a hipótese de empresas de fachada (sem lastro)). § 1º O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. Fl. 1309DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 17 16 (iii) No mais, é relevante verificar se não houve efetiva prestação de serviços pelas citadas beneficiárias que justifique, ainda que em parte, os valores por elas recebidos (ex. documentos relacionados à prestação de serviços pela ROCK STAR; casos como da Loyalty e EPGN, onde houve recolhimento de tributos pela Recorrente sobre os valores transferidos). Nesta última hipótese, os valores devem ser apresentados de forma segregada (valores pagos em razão da efetiva prestação de serviços vs valores direcionados para o caixa 2). O foco não é a valoração da prova relativa à suposta dedutibilidade ou não dos dispêndios, o que caberá a esta relatoria quando do retorno dos autos. HEDGE AUDITORIA E CONSULTORIA TRIBUTÁRIA E SOCIETÁRIA S/S LTDA 1. Documentos não pagináveis: 1.1. Demonstrativo de lançamentos extraído da contabilidade da UTC, indicando pagamento no montante de R$ 56.169,23 direcionado à HEDGE. Este valor corresponde ao pagamento apontado pela fiscalização. Nome do arquivo: “Doc 6_Demonstrativo dos Lançamentos Extraído da Contabilidade 2011 a 2013 Hedge”. 1.2. Nota fiscal e comprovante referentes ao pagamento apontado pela fiscalização. Nome do arquivo: “Doc 9_NFs e Comprov Pagto Hedge Auditoria Consult Tribut e Societ SS Ltda”. ROCK STAR PRODUÇÕES, COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA 1. Documentos não pagináveis: 1.1. Comprovantes de pagamento nos montantes de R$ 933.850,00 (01/03/2011) e R$ 60.000,00 (03/03/2011) e Nota Fiscal de R$ 933.850,00. Valores correspondem a pagamentos apontados pela fiscalização. Nome do arquivo: “Doc 2_Comprovantes de pagamentos 010311_030311_Rock Star”. 1.2. Autorização para a transferência de R$ 993.850,00 em 25/04/2011 Nome do arquivo: “Doc 3_Autorização para Transferência_R$ 993.850_Rock Star”. 1.3. Notas fiscais e comprovantes de pagamento referentes às transferências para Rock Star em 2011 e 2012. Valores correspondem a pagamentos de 2011 apontados pela fiscalização. Nome dos arquivos: “Doc 3_NFs e Comprov Pagto Rock Star Produções Com e Serviços Ltda” e “Termo de Declaração 3 Comprovante de Pagamento_Notas Fiscais_Rock Star Produções Com e Serviços Ltda”. 1.4. Contrato de Publicidade e Patrocínio assinado em 15/02/2012 Nome dos arquivos: “Doc 4_Contrato Rock Star Produções Com e Serv Ltda” e “Termo de Declaração 3 Contrato Rock Star Produções Com e Serv Ltda”. 1.5. Planilha com demonstrativo dos lançamentos extraído da contabilidade da UTC indicando os pagamentos feitos à Rock Star no período entre 28/02/2011 e 31/01/2013. Nome do arquivo: “Doc 5_Demonstrativo dos Lançamentos Extraído da Contabilidade 2011 a 2013 Rock Star”. 1.6. Fotos e notícias de 2010 e 2011, demonstrando a utilização da marca da UTC no carro de piloto de Stock Car. – Nome do arquivo: “Termo de Declaração 3 Comprovante Fotos Stock Car Rock Star Prod Serv Ltda”. TWC PARTICIPAÇÕES LTDA 1. Documentos não pagináveis: Fl. 1310DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 18 17 1.1. Termo de início de Início de procedimento fiscal em face da empresa TWC, cujo objeto é o IRPJ no período entre 01/2011 e 12/214. – Nome do arquivo: “Anexo 33 Ciência Pessoal Termo de Início TWC para Fernando”. 1.2. Distrato social da empresa TWC assinado em 01/09/2014. – Nome do arquivo: “Anexo 32 TWC 20140901 Distrato Social”. 1.3. Notas Fiscais e comprovantes de pagamentos dos anos de 2011 a 2013. Os valores correspondem aos pagamentos de 2011 apontados pela fiscalização. Nome do arquivo: “Doc 02 NFs e Comprov Pagto TWC Participações Ltda”. 1.4. Procuração da empresa para Rodrigo Tacla Duran. Nome do arquivo: “Anexo 35 Procuração Tacla TWC”. 1.5. Planilha com demonstrativo dos lançamentos extraído da contabilidade da UTC indicando os pagamentos feitos à Rock Star no período entre 08/09/2011 e 29/10/2013. Nome do Arquivo: “Doc 03 Demonstrativo dos Lançamentos Extraído da Contabilidade 2011 a 2013 TWC”. 1.6. Relação de pagamentos efetuados a TWC no período entre 02/09/2011 e 29/10/2013. Nome do Arquivo: “Relação de Pagamentos Efetuados a TWC Participações Ltda”. EAGLE CONSULTORIA EM ENGENHARIA LTDA 1. Documentos não pagináveis: 1.1. Ata de reunião para o recebimento de propostas para projeto da Petrobrás (Minutes of Meeting for the Receipt of Bid Proposals). Nome do Arquivo: “Termo de Declaração 9 Comprovação Eagle Consultoria Engenharia Ltda”. 1.2. Comprovante de pagamento e Nota Fiscal de pagamento para a transferência apontada pela fiscalização direcionada à empresa Eagle. Emails referentes ao pagamento entre Wlamir (UTC) e a empresa Eagle. Valor corresponde ao pagamento apontado pela fiscalização. Nome do Arquivo: “Termo de Declaração 9 Comprovante de Pagamentos_Notas Fiscais_Eagle Consultoria Engenharia Ltda”. 1.3. Contrato de prestação de serviços entre UTC e Eagle assinado em 15/11/2011. O preço acordado é de R$ 500.000,00. Nome do Arquivo: “Termo de Declaração 9 Contrato Eagle Consultoria Engenharia Ltda”. LOYALTY SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA 1. Documentos não pagináveis: 1.1 Comprovante e fatura de pagamento para a empresa Loyalty. Valor corresponde ao pagamento apontado pela fiscalização. Nome do Arquivo: “Doc 03_NFs e Comprov Pagto Loyalty Serviços de Engenharia Ltda”. 1.2. Instrumento particular de prestação de serviços entre UTC e a empresa Loyalty, assinado em 01/07/2010. Uma das opções de preço corresponde com o valor do pagamento apontado pela fiscalização, qual seja: 4% sobre valores igual ou maior a R$ 25.000.000,00. Nome do Arquivo: “Doc 04_Contrato Loyalty Serviços de Engenharia Ltda”. 1.3. Planilha com demonstrativo dos lançamentos extraído da contabilidade da UTC indicando os pagamentos feitos à Loyalty no período entre 17/01/2011 e 31/03/2011. Nome do Arquivo: “Doc 05_Demonstrativo dos Lançamentos Extraído da Contabilidade 2011 a 2013 LOYALTY”. EPGN ENGENHARIA LTDA 1. Documentos não pagináveis: Fl. 1311DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 19 18 1.1. Planilha com demonstrativo retirado da contabilidade da UTC, contendo pagamentos efetuados para a empresa EPGN no período de 06/01/2011 a 20/08/2013 – Nome do Arquivo: “Doc 04 Demonstrativo dos Lançamentos Extraído da Contabilidade 2011 a 2014 – EPGN”. 2. Documentos constantes dos autos: 2.1. Nas fls. 346/398 dos autos Comprovantes de pagamento e Notas Fiscais relativas às transferências apontadas pela fiscalização. Todos os pagamentos apontados têm uma NF e comprovante correspondentes. 2.2. Nas fls. 399/454 dos autos Comprovantes e NFs de 2012 e 2013. 2.3. Nas fls. 455/461 dos autos – Contrato de Prestação de Serviços entre UTC e EPGN, assinado em 02/01/2011. O valor acordado é de R$ 4.500.000,00 dividido em 30 parcelas mensais, fixas e iguais de R$ 150.000,00. Valor do contrato não coincide exatamente com os pagamentos realizados. 2.4. Nas fls. 462/468 dos autos – Contrato de Prestação de Serviços entre UTC e EPGN, assinado em 01/10/2010. O valor acordado é de R$ 1.000.000,00, dividido em 10 parcelas iguais de R$ 100.000,00. Valor do contrato não coincide exatamente com os pagamentos realizados. 2.5. Nas fls. 469/470 dos autos – Aditivo ao Contrato de Prestação de Serviços mencionado no item 2.4. O aditivo foi assinado em 01/10/2010 e tem como objeto a alteração do contrato para possibilitar a prorrogação do mesmo. (iv) Com relação às alegações de suposto reajustamento previsto no artigo 61, §3º, da Lei nº 8.981/95 em duplicidade (petição e composição de fls. 1231/1235), deve a autoridade preparadora, diante da potencial ocorrência de erro na quantificação do auto de infração de IRRF, verificar os cálculos apresentados pela Recorrente para que, se for o caso (duplo reajustamento), sejam devidamente corrigidos os montantes exigidos; 30. Em caso de dúvidas quanto à exatidão das informações prestadas pela Recorrente (conjunto probatório e valores), em respeito ao princípio da verdade material, da eficiência e da cooperação processual, a autoridade fiscal deve intimar a contribuinte a prestar esclarecimentos complementares. 31. Após a conclusão da diligência, a autoridade fiscal responsável deverá elaborar Relatório Conclusivo, com posterior ciência à Recorrente, para que, se assim desejar, se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias e na seqüência retornem os autos ao E. CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Gisele Barra Bossa Declaração de voto Conselheira Eva Maria Los Citese inicialmente, decisão judicial referente a perícia/diligência: RECURSO ESPECIAL Nº 906.794 CE (2006/02614695) Fl. 1312DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 20 19 RELATOR: MINISTRO LUIS FELIPE SALOMÃO RECORRENTE: UNIÃO DE CLÍNICAS DO CEARÁ LTDA ADVOGADO: STENIO ROCHA CARVALHO LIMA E OUTRO(S) RECORRIDO: MARIA AURILUCE DOS SANTOS ADVOGADO: PEDRO WILLIAM NOGUEIRA DE SÁ E OUTRO(S) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO INDENIZATÓRIA . ALEGAÇÃO DE ERRO MÉDICO. JUIZ QUE DETERMINA A BAIXA DOS AUTOS PARA REALIZAÇÃO DE NOVAS PROVAS. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INVESTIGAÇÃO E DA VERDADE REAL. RECURSO ESPECIAL NÃO PROVIDO. 1. O artigo 130 do CPC permite ao julgador, em qualquer fase do processo, ainda que em sede de julgamento da apelação no âmbito do Tribunal local, determinar a realização das provas necessárias à formação do seu convencimento, mesmo existente anterior perícia produzida nos autos. 2.Contudo, não é possível ao Julgador suprir a deficiência probatória da parte, violando o princípio da imparcialidade, mas, por óbvio, diante da dúvida surgida com a prova colhida nos autos, competelhe aclarar os pontos obscuros, de modo a formar adequadamente sua convicção. 3. Recurso especial a que se nega provimento. ACÓRDÃO A Turma, por unanimidade, negou provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Aldir Passarinho Junior e João Otávio de Noronha votaram com o Sr. Ministro Relator. (Grifouse.) O decisum supra esclarece que cabe diligência/perícia em qualquer fase do julgamento de um processo, se necessária à formação do convencimento do julgador, porém descabe, se for para suprir deficiência probatória da parte. Feita esta introdução, apresento minhas considerações acerca da diligência proposta pela ilustre Relatora, tal como posta na sessão de julgamento da 1ª Turma Ordinária, da 2ª Câmara, da 1ª Seção do CARF, em 22/11/2018, analisando item por item, que reproduzo a seguir: Itens (i) e (ii): (i) Referente a glosa de IRRF à alíquota de 35%, a unidade preparadora deverá verificar internamente a existência de procedimento fiscal para exigência do IRPJ, Reflexos e IRRF (aqui citados e outros) das empresas supostamente beneficiárias dos pagamentos e instruir o presente feito com cópia de eventuais autuações fiscais de omissão de receitas. Deve cotejar os extratos utilizados para compor a base de cálculo das autuações "conexas" a fim de verificar a ocorrência de repercussão jurídica. Em última análise, precisa ficar claro para esta relatoria se os valores pagos às beneficiárias não foram por elas contabilizados e os respectivos valores já submetidos à tributação ou se tais quantias já estão sendo cobradas à título de omissão de receitas com base nos mesmos extratos/lançamentos bancários. Se necessário, as beneficiárias deverão ser devidamente intimadas para, com base no princípio da cooperação processual, prestar os devidos esclarecimentos. Fl. 1313DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 21 20 (ii) No mais, a unidade preparadora, quando da elaboração de relatório conclusivo, deve se atentar aos indícios relativos à coincidência de valores e datas, a fim de demonstrar a existência ou não de rastreabilidade dos valores enviados pela ora Recorrente aos supostos beneficiários e eventual autuação à título de omissão de receitas, se for o caso. Entendi que a Relatora solicita diligências para averiguar se os pagamentos em relação aos quais se exige IRRF correspondem a recebimentos pelas beneficiárias Hedge Auditoria e Consultoria Tributaria e Societaria S/S Ltda, Rock Star Produções, Comércio e Serviços Ltda EPP, Loyalty Serviços de Engenharia Ltda., TWC Participações Ltda, EPGN Engenharia Ltda, Eagle Consultoria em Engenharia Ltda, que estas já ofereceram à tributação ou foram objetos de autos de infração exigindo tributos sobre os mesmos; nestes termos, acerca dos itens (i) e (ii) supra, concordo com os termos da diligência. Item (iii): (iii) Por fim, é relevante verificar se não houve efetiva prestação de serviços pelas citadas beneficiárias que justifique, ainda que em parte, os valores por elas recebidos (ex. documentos relacionados à prestação de serviços pela ROCK STAR). Nesta última hipótese, os valores devem ser apresentados de forma segregada. Analisando a impugnações e os recursos voluntários apresentados, verifico que o contribuinte alega que parte dos pagamentos se referia a pagamento de propinas a agentes públicos e políticos, explicando que seriam condição para que fosse contratado; e parte teriam sido pagamentos de despesas necessárias, cuja dedutibilidade deve ser aceita pelo julgador; dentro da última alegação, cita como exemplo e detalha, além de apresentar documentos, os pagamentos efetuados no montante R$4,06 milhões à Rock Star Produções Comércio e Serviços Ltda, conforme transcrevo a seguir: "Tomese, como exemplo, o contrato firmado com a empresa "ROCK STAR" que tinha como objeto o patrocínio da equipe do piloto de stock car Allan Khodair, em relação a qual o Sr. Ricardo Pessoa afirma em sua "Declaração n.0 03" que cerca de 30% dos valores cobrados se referiam à efetiva prestação de serviço, conforme trecho abaixo transcrito: 1) A UTC ENGENHARIA S/A CNPJ: 44.023.661/000108 pagou por serviços prestados pelas empresas ROCK STAR PRODUÇÕES, COMERCIO E SERVIÇOS LTDA EPP, CNPJ 05.298.439/0001 66 nos anos calendário de 2010 e 2012 o valor de R$ 4.022.379,36. O Objeto do Contrato com a ROCK STAR era a prestação dos seguintes serviços: "patrocínio da equipe do piloto Allan Khodair no Campeonato de Stock Car". Houve a real prestação dos serviços acima descritos por parte da ROCK STAR? A ROCK STAR prestava o serviço de patrocínio e "hospitality" (camarote) nas corridas, porém devolvia cerca de 70% do valor do contrato em espécie como caixa dois para a UTC. Nesse sentido, a maior parte da contratação era devolvida em espécie, em um serviço assemelhado ao prestado pelas empresas do grupo TROMBETA, para a geração de caixa dois. Fl. 1314DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 22 21 Corroborando com a declaração prestada, seguem anexas à presente defesa as Notas Fiscais que foram emitidas pela empresa "ROCK STAR" e fotos de corridas das quais o piloto participou divulgando o nome do patrocinador ("UTC"), nas quais facilmente se pode encontrar o logo "UTC" no carro do piloto, em bonés e camisas utilizadas pela equipe e também por convidados que assistiam a corrida, além de banners colocados em locais de acesso e na pista. (Doe. 02) Ora, uma vez reconhecido que parte dos serviços, foi, de fato, contratada; que os serviços foram prestados e devidamente pagos pela Defendente, outra não é a conclusão senão a de que consubstanciam despesas dedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL em cobro nos presentes auto. Destarte, imperioso que, no mínimo, seja devidamente subtraído das bases de cálculo consideradas pela fiscalização o montante correspondente aos serviços efetivamente prestados, conforme declarado pelo Sr. Ricardo Pessoa. Todavia, a DRJ em Brasília concluiu equivocadamente que não seria possível promover esta redução, alegando que (i) o Sr. Ricardo Pessoa teria declarado que os contratos firmados eram fictos e (ii) que o fato de 30% dos serviços terem sido efetivamente prestados não torna as despesas necessárias. Ora, ao contrário do que foi sustentado pela DRJ em Brasília, a declaração prestada pelo Sr. Ricardo Pessoa atesta que parte dos contratos foram efetivamente prestados, conforme depoimento prestado e formalizado no Termo de Declaração n° 3." Avalio que a Recorrente, em se tratando da Rock Star, apresentou documentos e descreveu os serviços prestados, portanto, nada há o que diligenciar, restando julgar: a) se os 30% estão devidamente comprovados como efetivos gastos de "hospitality" e patrocínio; b) se estão comprovados, decidir se são despesas necessárias e dedutíveis ou não. No que se refere aos demais pagamentos para Hedge Auditoria e Consultoria Tributária e Societária S/S Ltda, Loyalty Serviços de Engenharia Ltda., TWC Participações Ltda, EPGN Engenharia Ltda, Eagle Consultoria em Engenharia Ltda, a Recorrente nada menciona estando englobados na afirmação genérica de que: Nessa senda, não há porque assentir com o entendimento vergastado pela DRJ em Brasília/DF, sendo de rigor o cancelamento do lançamento de IRPJ e CSLL dos anoscalendários de 2012 e 2013, haja vista que decorre de glosas nitidamente improcedentes, dado que o pagamento de valores a agentes públicos e políticos era uma imposição feita à empresa, e se não feito, estaria a empresa fadada a falência. Nada obstante ao quanto até então asseverado, cumpre salientar que a RECORRENTE requereu em sua impugnação que na remota hipótese de se entender pela manutenção de todas as glosas promovidas, que fosse reduzido do montante glosado as despesas correspondentes aos serviços efetivamente prestados, a exemplo do consubstanciado no contrato firmado com a “ROCK STAR”, conforme abaixo se verifica: (...) Fl. 1315DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 23 22 No entanto, o Fiscal Autuante foi enfático conforme o Relatório Fiscal: 1.2. No presente Relatório Fiscal tratamos somente dos procedimentos realizados e das infrações constatadas pela fiscalização relacionadas às pessoas jurídicas discriminadas a seguir, que NÃO prestaram serviços ou NÃO venderam produtos/mercadorias para a UTC: "HEDGE AUDITORIA E CONSULTORIA TRIBUTARIA E SOCIETARIA S/S LTDA", "ROCK STAR PRODUCOES, COMERCIO E SERVICOS LTDA EPP", "LOYALTY SERVIÇOS DE ENGENHARIA LTDA.", "TWC PARTICIPACOES LTDA", "EPGN ENGENHARIA LTDA" e "EAGLE CONSULTORIA EM ENGENHARIA LTDA". (Destacouse) Entendo que, para que se justifique este item (iii) da diligência, deve o Relator solicitante, ao menos apontar por amostragem, dentre os numerosos documentos, respostas a intimações e "arquivos não pagináveis" incluídos no processo durante o procedimento fiscal, quais documentos/elementos no processo evidenciam veracidade de que ocorreu efetiva prestação de serviços necessários à atividade da Recorrente, haja vista que esta não os apontou, nem na impugnação, nem no recurso voluntário. Da forma como foi apresentado o item (iii), significa que o Fiscal Autuante deverá revisar toda a documentação (uma vez que o relator que determina a diligência, não delimita quais documentos e serviços devem ser verificados) e intimar o contribuinte juntar comprovantes e justificativas adicionais, ou seja, praticamente, refazer a fiscalização entendo que, uma vez reiteradamente intimado durante o procedimento fiscal, que durou de 30/06/2015, pág. 69, a 13/12/2016, pág. 691, dispôs o contribuinte de tempo suficiente para reunir e apresentar tais provas e, se o relator determina diligências, deve apontar quais documentos nos autos evidenciam que o Fiscal Autuante deixou de levar em conta serviços efetivamente prestados. Concluindo, com relação ao item (iii), conforme apresentado na sessão de julgamento, entendo que faltou justificar e delimitar a diligência solicitada. Item (iv): (iv) Referente ao suposto erro da base de cálculo (verificar memorais da Recorrente e documentos juntados recentemente aos autos) No que tange a erros de cálculo, o litigante apontou os seguintes, págs. 1.098/1.100: a) valor de IRPJ, aponta que há divergência entre o valor de R$3.786.384,03 no auto de infração e o valor de R$3.626.457,66, na planilha, Anexo 40 (Doc 1), verbis: Na planilha denominada Anexo 40 e ora acostada aos autos pela RECORRENTE (Doc. 01), a somatória do valor exigido pela fiscalização a título de estimativa mensal (coluna L da planilha) e que deveria ter sido transportada para o auto de infração e imposição de multa corresponde a R$ 3.626.475,66. (...) Fl. 1316DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 24 23 Portanto, deve ser corrigido o erro acima elucidado a fim de que seja excluído do lançamento o montante cobrado indevidamente, o qual corresponde a importância de R$ 399.770,92 a título de IRPJ e multa qualificada. Esta questão foi posta na impugnação e analisada pela DRJ, que considerou improcedente, conforme esclareceu à pág. 1.016: A alegação da impugnante decorre de um rotundo equívoco, pois o valor da diferença devida de IRPJ na apuração anual (FG 31/12/2011) não teria de corresponder à somatória das diferenças de IRPJ estimativa mensal que serviram de base para o lançamento da multa isolada. Notese que o valor total das glosas de despesas (R$ 15.241.536,19) foi o que serviu de base de cálculo da diferença de IRPJ a ser lançada, conforme cálculos a fls. 245, não se verificando nenhum erro nesses cálculos. Assim, estando correto o valor do IRPJ lançado (R$ 3.786.384,03 ), correto também o valor da multa de ofício qualificada (R$ 5.679.576,04). Por essa razão, voto por negar provimento à impugnação neste ponto. Concluo que cabe ao julgador do CARF analisar os argumentos do contribuinte, pois os dados estão disponíveis no processo, e, ou dar razão ao Recorrente, ou concordar com a conclusão da DRJ. Não se justifica diligência. b) incorreção na multa isolada de CSLL, Anexo 41 verificase que esta reclamação foi analisada pela DRJ, págs. 1.016/1.017, que deu razão à Recorrente e reduziu o total das multas isoladas referentes ao não recolhimento das estimativas mensais de CSLL, de R$2.815.476,49, para R$703.869,12; como desta decisão não coube recurso de ofício, a redução é definitiva na esfera administrativa, portanto, nada há a diligenciar nesta questão. c) na Petição de págs. 1.231/1.233, a Recorrente aponta erro na apuração do IRRF, afirmando que o reajustamento da base de cálculo teria sido efetuado em duplicidade; anexa planilha pág. 1.235. Verificase que estão listados: c.1) no Anexo 38 da pág. 639 Contabilidade pagamentos sem causa AC 2011.xls, os valores dos pagamentos sem causa; cito como exemplo o valor de R$500.000,00 pago em 17/01/2011; c.2) no Anexo 39 da pág. 639 Base de Cálculo Pagamentos sem Causa AC 2011.xls; repito o mesmo exemplo do pagamento em 17/01/2011 de R$500.000,00, cuja base de cálculo reajustada passa a ser R$769.230,77; c.3) no auto de infração, pág. 666, o pagamento de 17/01/2011 está listado no valor de R$769.230,77; c.4) no demonstrativo de Apuração Imposto de Renda retido na Fonte, pág.669, consta: Fato Gerador: 17/01/2011; Rendimento Pago: R$769.230,77; Rendimento reajustado: R$1.183.431,95. Como exposto, há elementos suficientes nos autos para que o relator possa julgar se houve ou não duplicidade no reajuste da base de cálculo, na apuração do IRRF. Fl. 1317DF CARF MF Processo nº 15983.720217/201666 Resolução nº 1201000.652 S1C2T1 Fl. 25 24 Por isso, considero injustificado o item (iv) da diligência. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 1318DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904272/2012-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.348
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .9 04 27 2/ 20 12 -8 0 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 16327.904272/201280 Resolução nº 3201001.348 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição de créditos da contribuição (Cofins/PIS), decisão essa lastreada na ausência de direito creditório disponível, uma vez que os pagamentos declarados já haviam sido integralmente utilizados na quitação de débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte havia alegado que o crédito pleiteado decorrera do recolhimento indevido da Contribuição calculada nos termos da Lei nº 9.718/1998, dado o reconhecimento da inconstitucionalidade do parágrafo 1º do seu art. 3º, que pretendeu estender a base de cálculo da contribuição para além do faturamento, ou seja, para além do resultado da venda de mercadorias e/ou de serviços. Arguiu o então Manifestante que seu pedido não deveria ter sido indeferido de plano, sem intimação para apresentar documentos e prestar os esclarecimentos necessários, sob pena de cerceamento do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72. Segundo ele, a controvérsia sobre a inclusão das receitas financeiras na receita bruta (conceito de faturamento) das instituições financeiras encontravase pendente de decisão do Supremo Tribunal Federal e que, independentemente disso, não podiam integrar a base de cálculo das contribuições as receitas financeiras decorrentes da aplicação de seus recursos próprios e/ou de terceiros em hipóteses que não envolvessem intermediação financeira. Alegou também que, além de auferir receitas decorrentes do exercício de suas atividades sociais típicas, ele realizava também operações no seu próprio interesse, auferindo receitas financeiras em relação à aplicação de seu próprio capital de giro e capital de terceiros, bem como em razão da remuneração dos depósitos compulsórios realizados junto ao Banco Central e aplicações próprias. A Delegacia de Julgamento (DRJ) considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de que a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998 não alcançava as receitas típicas das instituições financeiras (faturamento), dentre elas as receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras), como os juros sobre capital próprio decorrentes da participação no patrimônio líquido de outras sociedades e o depósito compulsório rentável. Em seu Recurso Voluntário, o contribuinte reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 16327.904272/201280 Resolução nº 3201001.348 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.345, de 25/07/2018, proferida no julgamento do processo nº 16327.904269/201266, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.345): Tratase de demanda que discute acerca da base de cálculo das contribuições para realizar o PER/DCOMP para instituições financeiras. Sobre o tema já se posicionou a Terceira Turma Câmara Superior no Acórdão 9303 005.051, sendo o Relator Designado o Conselheiro Charles Mayer, vejamos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiro Em recente julgado essa Turma adotou posicionamento de converter o feito em diligência nos autos 16327.720228/201481, por entender que é necessário apresentar de modo detalhado o que são operações financeiras próprias. Em que pese, ter decisão judicial com trânsito em julgado, vejo a necessidade de adotar o mesmo posicionamento do mencionado autos 16327.720228/201481, devendo o feito ser convertido em diligência (...): (...) para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias.(Processo 16327.720228/201481) Fl. 134DF CARF MF Processo nº 16327.904272/201280 Resolução nº 3201001.348 S3C2T1 Fl. 5 4 Diante de tal, a prorrogação pode ser prorrogada por igual prazo em favor do Contribuinte. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável por igual prazo. Finalmente apresentado os documentos, dê vistas à Procuradoria da Fazenda Nacional, em igual prazo para que se manifeste acerca dos documentos juntados, após, retornem para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 135DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.986470/2009-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/2003
NULIDADE ACÓRDÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que analisa o direito creditório do contribuinte com base em argumento diverso do que constou no despacho decisório combatido.
COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE.
Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 1302-003.378
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o seu retorno à DRJ para que profira novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 NULIDADE ACÓRDÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. É nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que analisa o direito creditório do contribuinte com base em argumento diverso do que constou no despacho decisório combatido. COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE. Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o seu retorno à DRJ para que profira novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado- Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2003 NULIDADE ACÓRDÃO. FALTA DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO DO CONTRIBUINTE. É nulo o acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento que analisa o direito creditório do contribuinte com base em argumento diverso do que constou no despacho decisório combatido. COMPENSAÇÃO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. POSSIBILIDADE. Nos termos da súmula 84 do CARF, é possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para declarar a nulidade do acórdão de primeiro grau, determinando o seu retorno à DRJ para que profira novo julgamento, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 98 64 70 /2 00 9- 96 Fl. 58DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Carmen Ferreira Saraiva (Suplente Convocada), Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase processo administrativo decorrente de Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte DESIM Desenvolvimento Imobiliário Ltda., ora Recorrente, em face de despacho decisório que não homologou pedido de compensação administrativa, na qual foi indicado como direito creditório pagamento indevido ou a maior de estimativas do IRPJ referente ao período de apuração de 03/2003. Como se depreende dos autos, o litígio que envolve o presente processo decorre da análise da possibilidade legal de restituição e posterior compensação de recolhimentos a maior de estimativas mensais do IRPJ, uma vez que o contribuinte alega que recolheu, a título de estimativas mensais, valor superior ao devido no período, como se observa da Manifestação de Inconformidade que deu origem ao procedimento administrativo em questão. Contudo, em que pese os argumentos apresentados pelo contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP) entendeu por bem julgar como improcedente o apelo do contribuinte, sob o argumento de que o pagamento indevido ou a maior de estimativa deve ser deduzido do IRPJ apurado ao final daquele período ou compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição/compensação, como pretendido. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/06/2003 ESTIMATIVA. PAGAMENTO INDEVIDO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. A partir de 29/10/2004, na hipótese de ter sido efetuado pagamento indevido ou maior que o devido de IRPJ calculado por estimativa, este valor somente poderia ter sido utilizado na dedução do IRPJ apurado ao final daquele período de apuração, ou para compor o saldo negativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Devidamente intimado, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, requer o reconhecimento do seu direito creditório e, por consequência, a homologação da compensação apresentada. Este é o relatório. Voto Fl. 59DF CARF MF Processo nº 10880.986470/200996 Acórdão n.º 1302003.378 S1C3T2 Fl. 59 3 Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias Relator DA TEMPESTIVIDADE Como se denota dos autos, o Recorrente foi intimado do teor do acórdão recorrido em 04/03/2011 (fl. 51), apresentando o Recurso Voluntário ora analisado no dia 18/03/2011 (fl. 52 e seguintes), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Portanto, sem maiores delongas, é tempestivo o Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente e, por isso, uma vez cumpridos os demais pressupostos para a sua admissibilidade, deve ser analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO PROFERIDO PELA DRJ. DA POSSIBILIDADE DE SE VER RESTITUÍDO/COMPENSADOS OS PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR RELATIVOS ÀS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ. Como demonstrado no relatório acima, o Despacho Decisório não homologou a compensação pretendida, uma vez que os créditos teriam sido "integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". O contribuinte, por sua vez, demonstrou que houve o recolhimento a maior das estimativas e que, por isso, estava caracterizado o indébito tributário, passível de compensação. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (SP), contudo, sem analisar o direito creditório do contribuinte, fundamentou o seu voto com o argumento de que o "não era possível à Recorrente à época da transmissão da DCOMP sob análise — pleitear restituição/compensação de IRPJ calculado por estimativa eventualmente pago a maior como 'pagamento indevido ou maior que o devido'". Com esse entendimento, entendeu, aquela DRJ, que a Manifestação de Inconformidade do contribuinte deveria ser julgada como improcedente. Entretanto, é fato que aquele acórdão deixou de analisar o direito creditório do contribuinte, nos termos invocados pelo Despacho Decisório e que foram contrapostos, inclusive via documentação, pelo Recorrente. Assim, de ofício, reconhecese a nulidade do acórdão proferido pela DRJ de São Paulo, devendo os autos retornarem à instância a quo, para nova análise do direito creditório do contribuinte e se este é passível de liquidar os débitos, nos termos do pedido de compensação apresentado. Devese ressaltar, ainda, que a douta DRJ de São Paulo proferiu voto indeferindo o pleito do contribuinte, como mencionado, sob o argumento de que o crédito das estimativas pagas a maior deve ser deduzido do IRPJ apurado ao final daquele período ou compor o saldo negativo, não podendo ser objeto de restituição/compensação. Assim, como houve pedido de restituição/compensação, entendeu, aquela Delegacia de Julgamento, que o pleito do Recorrente deveria ser indeferido. Fl. 60DF CARF MF 4 Contudo, ao contrário do que restou decidido pela Turma a quo, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais proferiu diversos julgados em sentido diametralmente oposto ao que foi colocado no acórdão recorrido, sendo a discussão encerrada com a edição da súmula CARF nº 84, que tem a seguinte redação: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Ademais, em que pese o entendimento já sumulado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, não se pode olvidar que a própria Receita Federal do Brasil alterou o posicionamento, quando da publicação da Solução de Consulta Interna COSIT Nº 19, de 05 de dezembro de 2011, que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIOESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO.O art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1ºde janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa.Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005.A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1ºde janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº460, de 2004, e IN SRF nº600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Dispositivos Legais: Lei nº9.430, de 27 de dezembro de 1996, arts. 2ºe 74; IN SRF nº460, de 18 de outubro de 2004; IN SRF nº600, de 28 de dezembro de 2005; IN RFB nº900, de 30 de dezembro de 2008. Assim, o entendimento exarado pela DRJ não pode prevalecer, devendo o direito creditório ser analisado nos limites do que já restou consolidado pelo CARF e externado através da súmula acima citada. Por todo exposto, votase por DECLARAR A NULIDADE do acórdão proferido pela DRJ de São Paulo I (SP), determinandose o retorno dos autos para que a instância a quo profira novo julgamento, com a análise do direito creditório do contribuinte, com base no entendimento de que é possível, para fins de restituição e compensação, caracterizar como indébito o pagamento indevido ou a maior, pelo contribuinte, das estimativas. Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.986470/200996 Acórdão n.º 1302003.378 S1C3T2 Fl. 60 5 (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Relator Fl. 62DF CARF MF
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Numero do processo: 18492.000023/2008-51
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 01/04/2008
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO.
A informação extemporânea da declaração de exportação enseja a aplicação da penalidade aduaneira estabelecida no art. 107, IV, e do Decreto-lei no 37/66.
Numero da decisão: 3001-000.705
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DE DECLARAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. A informação extemporânea da declaração de exportação enseja a aplicação da penalidade aduaneira estabelecida no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 49 2. 00 00 23 /2 00 8- 51 Fl. 78DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário impetrado contra Acórdão de Impugnação emitido pela DRJ de São Paulo que decidiu pela improcedência da impugnação mantendo o crédito tributário lançado. O presente processo versa sobre auto de infração lavrado para exigência da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66, com redação dada pela Lei no 10.833/03. Afirma a fiscalização que a empresa PETROBRAS S/A descumpriu o prazo previsto para o registro da declaração de exportação previsto para o último dia da quinzena subsequente àquela na qual o ocorreu o fornecimento nos termos do art. 56, I da IN SRF no 28/94. Com isso foi aplicada a multa de R$5.000,00 (cinco mil reais). A Recorrente apresentou Impugnação em face do auto de infração alegando, em síntese, o seguinte: (i) que cumpriu com todas as obrigações estabelecidas; (ii) que o art. 107, IV, “b” aplicase aos casos de não entrega à fiscalização dos documentos relativos à operação de exportação, mas não pelo atraso; (iii) que, mesmo que existisse a exigência da multa, esta deveria ser cobrada apenas em relação ao mês calendário de apresentação dos documentos, no caso o mês de outubro. A DRJ de São Paulo julgou improcedente a impugnação, mantendo o lançamento do auto de infração conforme Acórdão no 1677.312 a seguir transcrito: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 01/04/2008 PROCEDIMENTO ESPECIAL DE DESPACHO DE EXPORTAÇÃO A POSTERIORI. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DESCUMPRIMENTO. MULTA O descumprimento da obrigação acessória prevista no art. 56, I da Instrução Normativa SRF n° 28/94, relativa ao despacho de exportação à posteriori, resulta na aplicação de multa prevista no art. 107 do Decretolei n° 37/66. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância repisando os argumentos apresentados em sede de Impugnação e alegando o seguinte: (i) que cumpriu todas as obrigações estabelecidas e que as DDE foram entregues, apesar de fora do prazo; (ii) da prescrição intercorrente. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Fl. 79DF CARF MF Processo nº 18492.000023/200851 Acórdão n.º 3001000.705 S3C0T1 Fl. 3 3 Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Mérito A discussão objeto da presente demanda versa sobre o cabimento da aplicação da multa aduaneira prevista no art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66 em virtude da inclusão das informações das declarações de exportação fora do prazo estabelecido no art. 56, I da IN SRF nº 28/1994. A Recorrente alega em seu Recurso Voluntário os seguintes motivos para cancelamento da penalidade: (i) Do cumprimento de todas as obrigações estabelecidas e que as DDE foram entregues, apesar de fora do prazo; (ii) Da prescrição intercorrente. 1) Do cumprimento de todas as obrigações estabelecidas e que as DDE foram entregues, apesar de fora do prazo Alega a Recorrente que cumpriu todas as obrigações previamente estabelecidas, quais sejam: a) Registro de saída do produto; b) Controle das suas operações; c) Indicação e classificação fiscal dos valores. Afirma ainda que entregou as DDEs, todavia as apresentou após o prazo do mês calendário, e que o dispositivo normativo prevê a multa na hipótese de não apresentação da documentação (DDE). Não assiste razão à recorrente. O art. 107, IV, “e” do Decretolei no 37/66 assim dispõe: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) Fl. 80DF CARF MF 4 IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; (grifos da reprodução) Diante desta determinação legal, a Secretaria da Receita Federal editou a IN SRF no 28/94 que estabeleceu em seus art. 52, I e 56, I o seguinte: Art. 52. O registro da declaração para despacho aduaneiro de exportação, no SISCOMEX, poderá ser efetuado após o embarque da mercadoria ou sua saída do território nacional, nos seguintes casos: I fornecimento de combustíveis e lubrificantes, alimentos e outros produtos, para uso e consumo de bordo em aeronave ou embarcação de bandeira estrangeira ou brasileira, em tráfego internacional; (...) Art. 56. A declaração para despacho aduaneiro de exportação nas situações indicadas no art. 52 deverá ser registrada na forma estabelecida nos arts. 3º a 9º, no que couber: I pelo fornecedor dos produtos a que se refere o inciso I, com base nos fornecimentos realizados em cada quinzena do mês, até o último dia da quinzena subseqüente, à unidade da SRF que jurisdiciona o local do fornecimento; (grifos da reprodução) Portanto, conforme disposto, a apresentação da declaração para despacho aduaneiro de exportação (DDE) deve ocorrer até o último dia da quinzena subsequente ao fornecimento dos produtos. No presente caso, o querosene de aviação foi fornecido em 14/03/2008 e a DDE foi apresentada em 15/04/2008, ou seja, fora do prazo estabelecido pela norma acima reproduzida. Portanto, tendo em vista o procedimento adotado pela fiscalização consubstanciado no presente auto de infração, do qual corroboro, e mantida pela decisão de piso, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste particular. 2) Da prescrição intercorrente A Recorrente alega a prescrição intercorrente em relação ao exercício da ação punitiva do Estado tendo por base o §1º do art. 1º da Lei no 9.873/99 no qual estabelece que ocorre a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho. A duração razoável dos processos encontrase assentada no art. 5°, LXXVIII da Constituição Federal com redação dada pela Emenda Constitucional 45/2004, que assim dispôs: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." Os prazos decadenciais e prescricionais em matéria tributária, conforme descrito no artigo 146, inciso III, alínea "b", da Carta da República, devem ser regulados por meio de Lei Complementar. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 18492.000023/200851 Acórdão n.º 3001000.705 S3C0T1 Fl. 4 5 "Art. 146. Cabe à lei complementar: (...) III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: (...) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários". O Código Tributário Nacional, recepcionado pela ordem constitucional vigente com status de lei complementar, dispôs sobre os prazos decadencial de constituição do crédito tributário e prescricional de cobrança do crédito tributário após a sua regular constituição nos artigos 173 e 174. Estabeleceu ainda que a apresentação de reclamações e recursos suspende a exigibilidade do crédito tributário, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Com isso, o processo administrativo tributário, regulado pelo Decreto nº 70.235/1972, prevê os institutos da Impugnação e do Recurso Voluntário produzem os efeitos previstos no artigo 151, inciso III, do CTN, quando da sua apresentação. Portanto, enquanto o processo administrativo estiver um fase de julgamento, não há que se falar em exigibilidade do crédito tributário com base no art. 151, inciso III, do CTN. Essa exigibilidade somente poderá ocorrer após decisão final proferida em sede administrativa. Portanto, o prazo prescricional só se inicia quando o Fisco está apto a cobrar o crédito tributário definitivamente constituído, não podendo se falar em prescrição intercorrente conforme alegado pela recorrente. Nesta mesma linha de entendimento, foi editada a Súmula CARF no 11 que assim estabelece: "Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal". Esse também é o entendimento da Primeira Seção do e. STJ, que, no julgamento do Recurso Especial nº 1.113.959/RJ, submetido ao rito dos recursos repetitivos, na relatoria do Ministro Luiz Fux, assim decidiu: "o recurso administrativo suspende a exigibilidade do crédito tributário, enquanto perdurar o contencioso administrativo, nos termos do art. 151, III do CTN, desde o lançamento (efetuado concomitantemente com auto de infração), momento em que não se cogita do prazo decadencial, até seu julgamento ou a revisão ex officio, sendo certo que somente a partir da notificação do resultado do recurso ou da sua revisão, tem início a contagem do prazo prescricional, afastandose a incidência da prescrição intercorrente em sede de processo administrativo fiscal, pela ausência de previsão normativa específica" (REsp 1.113.959/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, DJe de 11/03/2010). Portanto, improcedentes as alegações de prescrição intercorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter na íntegra a decisão de primeira instância. Fl. 82DF CARF MF 6 (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 83DF CARF MF
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