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Numero do processo: 44021.000046/2006-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS.
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/08/2005SEGURADOS. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração (art. 20 c/c o art. 30, inciso I, alínea "a", ambos da Lei n° 8.212/1991). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE GFIP. DESACOMPANHADA RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA.O simples fato do contribuinte declarar os valores na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), não acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, não caracteriza a denúncia espontânea em relação à obrigação tributária.JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos da Súmula n. 03 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 2402-001.253
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DEVIDAS. A empresa é obrigada a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração (art. 20 c/c o art. 30, inciso I, alínea "a", ambos da Lei n° 8.212/1991). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE GFIP. DESACOMPANHADA RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. O simples fato do contribuinte declarar os valores na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), não acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, não caracteriza a denúncia espontânea em relação à obrigação tributária. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos da Súmula n. 0.3 do Eg. Segundo Conselho de Contribuintes, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art, 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo ARMO OLIVEIRA - Presidente afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais ou afrontariam legislação hierarquicamente superior.. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator, RONALDO DE LIMA MACEDO — Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Rogério de Lellis Pinto, Lourenço Ferreira do Prado, Nereu Miguel Ribeiro Doming,ues. 2 Processo n" 44021 000046/2006-50 S2-C4T2 Acórdão n 2402-01.253 Fl 112 Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lançada pelo Fisco contra a empresa FLOR DE MAIO S/A, referentes às contribuições sociais previdenciárias descontadas dos segurados empregados e não recolhidas integralmente à Previdência, para o período de 06/2005 a 08/2005. O Relatório Fiscal da notificação (Es. 14 a 1 7) informa que o fato gerador foi apurado com base nas remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, arrecadadas pela empresa mediante desconto na remuneração de seus segurados e não recolhidas em épocas próprias. Essas contribuições foram apuradas por meio do levantamento "GFI" - VALORES BASE GFIP, sendo que os valores descontados dos segurados empregados foram declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP's), tendo ocorrido a redução da multa prevista na legislação em vigor. Segundo o Relatório Fiscal, a apuração dos valores lançados são decorrentes das divergências, competência por competência, evidenciadas pelo confronto de valores declarados e confessados em GFIP's com a falta de valores efetivamente recolhidos pela empresa à Previdência, conforme verificado nos documentos apresentados no curso da ação fiscal e no sistema PLENUS da Previdência Social, Esse Relatório Fiscal informa ainda que a situação acima descrita, em tese, configura a prática de Crime de Apropriação Indébita Previdenciária, nos termos do artigo 168- A, parágrafo 1°, inciso I, do Código Penal (Decreto-Lei ri' 2.848/1940), com a redação dada pela Lei n° 9,983/2000, o que ensejou a formalização de Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deu-se em 06/12/2006 (fi, 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (Es. 108 a 112) acompanhada de anexos de Es, 114 a 121 —, alegando, em síntese, que: 1. os valores lançados "excedem aqueles de fatos geradores"; foram considerados empregados outros prestadores de serviço não sujeitos "ao desconto em tela"; 7 , 3. houve denúncia espontânea, com a declaração em GFIP dos valores devidos e, portanto, deve ser excluída a multa aplicada; 4. a taxa SELIC não pode ser usada para o cômputo de juros moratórias de créditos previdenciários, conforme decisões que cita; 3 5. requer que a presente NFLD seja considerada insubsistente e, subsidiariamente, que seja revisto o lançamento. A Delegacia da Receita Previdenciária (DRP) em São Paulo Centro-SP — por meio da Decisão-Notificação (DN) n 21.401.4/0212/2007 (fls. 128 a 131) — considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que a notificação (NFLD) objeto do presente lançamento fiscal encontra-se revestida das formalidades legais, tendo sido lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, não havendo que se falar em improcedência ou extinção da Notificação. A Notificada apresentou recluso (fls. 135 a 171), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de defesa, A Delegacia da Receita Federal do Brasil Previdenciária em São Paulo Centro-SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento do lançamento fiscal ora analisado, fis. 210 e 211. É o relatório 4 Processo n°44021 000046/2006-50 S2-C4T2 Acórdão n 2402-01.253 Fl 113 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Sendo tempestivo (fi. 211), CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO: No aspecto meritório, o recurso voluntário em questão resumiu-se a atacar os seguintes pontos: (i) com a declaração dos valores devidos em GFIP, houve denúncia espontânea e, portanto, deve ser excluída a multa aplicada; (ii) os valores lançados "excedem aqueles constantes dos fatos geradores" e foram considerados empregados de outros empresas prestadoras de serviço; e (iii) inconstitueionalidade/ilegalidade da utilização da taxa SELIC como .juros moratórios; além disso, a multa aplicada seria abusiva e indevida. Quanto à existência de denúncia espontânea, antes da lavratura da autuação, cum a conseoiiente exclusão da multa, esclarecemos à recorrente que não ocorreu a denúncia espontânea. Verifica-se que, apesar dos valores estarem declarados nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP's), não ocorreu o pagamento das contribuições sociais previdenciárias apuradas no presente lançamento fiscal. Com efeito, não será possível aplicar a exclusão da responsabilidade da multa e dos juros de mora no lançamento fiscal ora analisado, eis que a declaração dos valores ao Fisco, por meio da GFIP, foi desacompanhada do pagamento das contribuições devidas no período de 06/2005 a 08/2005. Nesse sentido, o art, 138 do Código Tributário Nacional - CTN (Lei n° 5.172/1966) permite que o sujeito passivo noticie ao Fisco os valores dos tributos devidos — acompanhados, se for o caso, do pagamento e dos juros de mora — para se beneficiar do instituto da denúncia espontânea (confissão espontânea), retirando do sujeito passivo a responsabilidade pelo pagamento de multa. f CTIV: espontânea da infração, gcompanhada, se for o caso, do Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia pacamento do tributo, devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração,, (g. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia 411111iiiapresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Logo, não há razão no argumento de que deveria ser aplicado o instituto da denúncia espontânea, eis que a simples confissão, desacompanhada de pagamento das contribuições devidas, não configura a pretensão da Recorrente. Com reta ão à ale . a ão de ue os valores lan ados "excedem a neles constantes dos fatos geradores" e foram considerados empregados de outros empresas restadoras de servi o essa ale . a ão não deve ser acatada, eis que as contribuições apuradas no presente lançamento fiscal são decorrentes de valores declarados nas GFIP's. Além disso, a Recorrente não apresentou na fase litigiosa administrativa tributária — constituída pelas peças de impugnação (fl. 108 a 121) e do recurso (fls. 135 a 171) — qualquer documento contábil, ou não contábil, para demonstrar a sua alegação ora pretendida. Esclarecemos que as informações prestadas em GFIP's caracterizam-se corno confissão de dívida, nos termos do art. 32, §2°, da Lei n° 8,212/1991, ia verbis: "Art 32. A empresa é também obrigada a. IV - informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social-INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS, (Inciso acrescentado pela Lei n'9,528, de 10. 12.97). §2° - A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de divida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações COMPOrà0 a base de dados sara ars de cálculo e concessão dos bene !cios previdenciários."(g.n ) Nesse sentido, o ST.I pacificou o entendimento de que entrega de declaração pelo sujeito passivo, como a GFIP, constitui definitivamente o crédito tributário, dispensando outras providências por parte do Fisco_ Assim, a nova súmula de número 436 do ST.I preconiza o seguinte enunciado: Súmula 436 "A entrega de declaração pelo contribuinte, reconhecendo o débito . fiscal, constitui o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência par parte do Fisco". Assim, os elementos que compõem os autos, constantes nas fls. 01 a 17, são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja, contribuições arrecadas dos segurados e não recolhidas pela empresa, cujas bases de cálculo foram apuradas nas folhas de pagamento e nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GHP's). Quanto à alegação de inconstitucionalidade, ou ilegalidade, da legislação previdenciária que dis õe sobre a utilização taxa SELIC frise-se qjj.e incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusar-se a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8,212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado, Toda lei presume-se constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art., 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitá-la. Assim, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer Cl n ci 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: 6 Processo n 44021000046/2006-50 S2-C4T2 Acórdão n 2402-01.253 Fl 114 Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucianalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretória Excelso é o órgão competente para tal declaração. „lá o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difluo (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei .federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula ri° 2, publicadas no DOU de .22/12/2009, ANEXO III - CONSOLIDAÇÃO DAS SÚMULAS DO CARF, pág. 71, transcrito a seguir: Súmula CARF n" 2.' O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1" e •2 a Conselhos do antigo Conselho de Contribuintes. Esclarecemos que — como o art, 144 do CTN dispõe que o lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e rege-se pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e como a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art, 34 da Lei if 8..212/1991, abaixo transcrito — foi correta a aplicação do índice pela autarquia previdenciária. Art,34 As contribuições saciais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, .ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia-SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n" 9 065, de 20 de .junho de 199.5, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável (Artigo restabelecido, com nova redação 411.11dada e parágrafo único acrescentado pela Lei n" 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórias relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Nesse sentido já se posicionou o ST,I no Recurso Especial ri ° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: 7 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ COBRANÇA DE JUROS TAXA SELIC INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ No caso de execução de dívida fiscal, os .juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto, Não há confronto com o art. 161, § 1 0, do CTN A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1701/1996. (REsp 439256/MG), Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Segundo Conselho de Contribuintes aprovou o enunciado da Súmula n" 3, em 18 de setembro de 2007, nos seguintes termos: SÚMULA N" 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos :federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poder-se-ia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos na NFLD, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, eis que o art.„34 da Lei n" 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abre-se a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. LEI n" 5.172/1966 - CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (CTN). Art. 161. O crédito não integralmente paga no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1". Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês (g.n O disposto no art.161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecem os arts. 34 e 35, ambos da Lei n0 8.212/1991, a multa de mora é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Processo n°44021 000046/2006-50 S2-C4T2 Acórdão n " 2402-01253 Fl 115 O art. 35 da Lei n° 8,212/1991 dispõe, nestas palavras: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1", da Lei n" 9.876/99) I - para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n" 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pelo ar!. 1 0, da Lei n" 9.876/99) ç) vinte por cento, a partir do segundo nzés seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n" 9.876/99). II - para pagamento de créditos incluídos em notificação .fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n°9 876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n°9876/99.). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n" 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei n" 9, 8 7 6/99), III - para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento,. (Redação dada pelo art. 1", da Lei n°9.876/99,). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pelo art.. I", da Lei n" 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n" 9.876/99).. d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito .foi objeto de parcelamento; (Redação dada pelo art. 1", da Lei n" 9 .876/99). § I" Nas hipóteses de parcelamento ou de reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o Caput e seus incisos. (Parágrafo acrescentado 9 pela MP n" 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9 528/97) 5 -,4) Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em. parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. (Parágrafo acrescentado pela MP n" 1 571/97, reeditada até a conversão na Lei e 9.528/97) § 3" O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que . for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § I" deste artigo. (Parágrafb acrescentado pela MP n" 1 571/97, reeditada até a conversão na Lei n" 9,528/97) § 4" Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei n" 9,876/99) Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa, estando os valores descritos na NFLD, bem como os seus fundamentos legais (fls. 07 e 08), em consonância com o prescrito pela legislação previdenciaria. Finalmente, pela análise dos autos, chegamos à conclusão de que o lançamento foi lavrado na estrita observância das determinações legais vigentes, sendo que teve por base o que determina a Legislação de regência, CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGAR-LHE PROVIMENTO. É como voto. Sala das Sessões, em 21 de outubro de 2010 RONALDO DE LIMA MACEDO - Relator 10 Quarta Câmara da Segunda Seção Ara,sqi.J.0. (( 4,Pro 4P í" aria Jo'Cr}zdaUriii MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS — Q.01 — BLOCO "3" — ED. ALVORADA —11° ANDAR EP: 70396-900 — BRASÍLIA (DF) Te!: (0xx61) 3412-7568 PROCESSO: 44021.000046/2006-50 INTERESSADO: FLOR DE MAIO S/A TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 2402-01253 de folhas Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providências de sua alçada.
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Numero do processo: 10665.900423/2006-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 24 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3402-000.358
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da Terceira Seção de julgamento, por unanimidade de votos, converterem o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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NAYRA BASTOS MANATTA (Presidente) GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Relator) Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Helder Masaaki Kanamaru (Suplente). Fl. 350DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10665900423/200665 Resolução n.º 3402000358 CSRFT3 Fl. 191 2 RELATÓRIO Trata se de processo de ressarcimento do crédito presumido do IPI a ser utilizado na compensação de débitos tributários. O sujeito passivo teve seu pedido parcialmente indeferido pela DRF de Divinópolis (MG). Inconformado com a decisão, apresentou manifestação de inconformidade, a qual foi julgada parcialmente procedente, nos termos do Acórdão nº 0927.373, de 30 de novembro de 2009, cuja ementa foi assim vazada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. O frete integra a base de cálculo do crédito presumido quando cobrado do adquirente, ou seja, quando estiver incluído no preço do produto. Contudo, quando o frete for pago a terceiros e o transporte for efetuado por pessoa jurídica (contribuinte do PIS/Pasep e Cofins), com Conhecimento de Transporte vinculado única e exclusivamente à nota fiscal de aquisição, admitese que o frete integre a base de cálculo do crédito presumido. O frete só será considerado como integrante do custo de aquisição de insumos (MP, PI e ME), mediante atendimento das condições acima referidas; explicitadas pela Receita Federal do Brasil. CRÉDITO PRESUMIDO. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. A partir de março de 2003, o conceito de receita operacional bruta vigente para fins de cálculo do crédito presumido de IPI é o produto da venda de industrializados de produção da pessoa jurídica, nos mercados interno e externo . Desse modo, a receita decorrente da venda de produtos nãotributados, isto é, de produtos cuja elaboração está fora do conceito de industrialização e, por isso, não integra a receita operacional bruta para fins de cálculo do crédito presumido de IPI. (art. 21 da IN SRF n° 315, de 2003, e arts. 2º, 3º e 4° do RIPI/2002) CREDITAMENTO DE IPI. POSSIBILIDADE. (1) Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. Comprovadas essas condições, deferese o crédito, senão, rejeitase a petição do interessado. (2) O creditamento na escrita fiscal, decorrente do estorno de débito pela saída de produto tributado do estabelecimento industrial, não é crédito ressarcível, segundo previsão contida no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10665900423/200665 Resolução n.º 3402000358 CSRFT3 Fl. 192 3 Em 06/04/2010, foi protocolado recurso voluntário ao CARF, com a juntada de cinco planilhas, fls. 268/272, constando dados sobre os fretes utilizados. Aduziu , também, as notas fiscais referentes aos períodos de apuração compreendidos entre 01/2003 e 09/2003 (anexos I, II, III, IV e V). Em sua peça recursal, defende a inclusão das despesas com fretes vinculados às compras de insumos. Reclama da inclusão das receitas de venda de resíduos industriais no valor da receita bruta total, para fins de cálculo do percentual a ser aplicados nos insumos. E afiança que foi glosado o valor de R$ 323,85 sem qualquer tipo de motivação, fato este que cerceou seu direito de defesa. Termina sua peça recursal, requerendo que seja reconhecida a integralidade do crédito pleiteado. É o relatório. VOTO Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Conforme relatado, o recorrente apresentou diversos documentos que, em tese, podem comprovar que os custos com os fretes foram assumidos pela empresa. Os documentos acostados foram: cinco planilhas discriminando as notas fiscais e os conhecimentos de transporte e as cópias de todas as notas fiscais relacionadas na citada planilha. Não posso negar que sua vontade de contribuir foi tardia, porém, também admito que os fatos jurídicos apresentados extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento de mérito nesta sessão. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, texto literal do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas intempestivamente pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados nos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem analise as notas fiscais e os conhecimentos de transporte anexos I, II, III, IV e V e emita um parecer sobre a inclusão dos custos com fretes no valor das matériasprimas empregadas na industrialização de produtos destinados à exportação. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à contribuinte, abrindolhe o prazo de trinta dias para, querendo, pronunciarse sobre o feito. Após todos os procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA Processo nº 10665900423/200665 Resolução n.º 3402000358 CSRFT3 Fl. 193 4 Sala das Sessões, em 24 de janeiro de 2012 GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Fl. 353DF CARF MF Impresso em 21/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 1 0/02/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 20/02/2012 por NAYRA BASTOS MA NATTA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000854/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2001
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE COMPRAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS.
A acusação de omissão de receitas pela falta de contabilização de compras, deve ser lastreada na comprovação dos pagamentos realizados ao fornecedor e/ou pela juntada dos comprovantes de entrega das mercadorias que teriam deixado de ser registradas. A mera juntada de relação contendo as notas fiscais que teriam sido emitidas pelos fornecedores a partir de procedimento fiscal de circularização não é suficiente para comprovar a omissão de receitas por falta de escrituração de pagamentos.
OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE COMPRAS.
A falta de escrituração das devoluções de compras realizadas implica na majoração do custo das mercadorias vendidas, reduzindo, portanto o resultado tributável do período de apuração.
GLOSA DE EXCLUSÃO. BEFIEX. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA.
A ausência de comprovação do direito à fruição do benefício relativo ao BEFIEX é motivo suficiente para a glosa da exclusão do lucro da exploração na apuração do lucro real.
Numero da decisão: 1401-005.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso tão somente para excluir da autuação a infração relativa a omissão de receitas pela falta de escrituração da compra de mercadorias.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: Luiz Augusto de Souza Gonçalves
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE COMPRAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A acusação de omissão de receitas pela falta de contabilização de compras, deve ser lastreada na comprovação dos pagamentos realizados ao fornecedor e/ou pela juntada dos comprovantes de entrega das mercadorias que teriam deixado de ser registradas. A mera juntada de relação contendo as notas fiscais que teriam sido emitidas pelos fornecedores a partir de procedimento fiscal de circularização não é suficiente para comprovar a omissão de receitas por falta de escrituração de pagamentos. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE COMPRAS. A falta de escrituração das devoluções de compras realizadas implica na majoração do custo das mercadorias vendidas, reduzindo, portanto o resultado tributável do período de apuração. GLOSA DE EXCLUSÃO. BEFIEX. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA. A ausência de comprovação do direito à fruição do benefício relativo ao BEFIEX é motivo suficiente para a glosa da exclusão do lucro da exploração na apuração do lucro real.
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FALTA DE CONTABILIZAÇÃO DE COMPRAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS. A acusação de omissão de receitas pela falta de contabilização de compras, deve ser lastreada na comprovação dos pagamentos realizados ao fornecedor e/ou pela juntada dos comprovantes de entrega das mercadorias que teriam deixado de ser registradas. A mera juntada de relação contendo as notas fiscais que teriam sido emitidas pelos fornecedores a partir de procedimento fiscal de circularização não é suficiente para comprovar a omissão de receitas por falta de escrituração de pagamentos. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE COMPRAS. A falta de escrituração das devoluções de compras realizadas implica na majoração do custo das mercadorias vendidas, reduzindo, portanto o resultado tributável do período de apuração. GLOSA DE EXCLUSÃO. BEFIEX. COMPROVAÇÃO NECESSÁRIA. A ausência de comprovação do direito à fruição do benefício relativo ao BEFIEX é motivo suficiente para a glosa da exclusão do lucro da exploração na apuração do lucro real. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso tão somente para excluir da autuação a infração relativa a omissão de receitas pela falta de escrituração da compra de mercadorias. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 54 /2 00 6- 18 Fl. 407DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.899 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000854/2006-18 Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Trata o presente processo de auto de infração IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), por meio do qual constituiu- se crédito tributário no importe de R$240.754,73 (duzentos e quarenta mil, setecentos e cinquenta e quatro reais e setenta e três centavos), aí incluídos os valores do imposto, da multa de ofício e dos juros de mora. Os tributos foram lançados haja vista a verificação, por parte da Autoridade Fiscal, das seguintes infrações: 1) Omissão de receita operacional caracterizada pela não contabilização de compras, relativamente aos seguintes fatos geradores: 2) Majoração indevida de compras pela ausência de registro contábil de devolução de compras, relativamente aos seguintes fatos geradores: 3) Exclusões não autorizadas na apuração do lucro real – exclusão indevida do lucro da exploração – valor indevidamente excluído na apuração do lucro real, a título de lucro da exploração sobre exportações incentivadas BEFIEX até 31/12/1987, relativamente aos seguintes fatos geradores: Irresignada com a exigência, a Recorrente apresentou a impugnação de e-fls. 274/286, que foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo I – DRJ/SPOI. A DRJ/SPOI prolatou o acórdão nº 16-20.365 – 5ª Turma em 09 de fevereiro de 2009, cuja ementa reproduzo abaixo: Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.899 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000854/2006-18 Fl. 409DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.899 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000854/2006-18 O lançamento foi julgado procedente em parte pela DRJ/SPOI. A decisão recorrida afastou a exigência do PIS e da COFINS relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 28/04/2001, ao reconhecer a decadência do lançamento; também foi exonerado o lançamento relativo à omissão de receita operacional, caracterizada pela não contabilização de compras, no importe de R$165.873,33. Também foi reconhecido o direito da Contribuinte de compensar prejuízos fiscais de anos anteriores, com a limitação de 30% do lucro líquido ajustado, com o IRPJ e CSLL apurados neste auto de infração. Assim, abaixo colaciono o demonstrativo dos valores exonerados e mantidos em relação a cada um dos tributos objeto do lançamento: Ainda não satisfeita com a decisão retro, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de e-fls. 378/394, em 11/05/2010. Em seu recurso, a Recorrente alega o seguinte: 1) Em relação à infração de omissão de compras, alega que “a falta de escrituração de pagamento de qualquer espécie é tão somente um indício de que ocorreu omissão de receita, cabendo ao fisco provar a efetiva ocorrência do fato gerador. Caberia à fiscalização aprofundar-se na investigação da ocorrência do fato gerador e do exato momento em que ocorreu”; Fl. 410DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.899 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000854/2006-18 2) Ainda a respeito dessa infração, alega que “a fiscalização trabalhou com montantes globais de operações realizadas com fornecedores da fiscalizada, elegendo a omissão em razão de diferenças apuradas no encontro de contas, e não com relação a operações individualmente determinadas, gerando assim verdadeira dúvida quanto à identificação do fato gerador”; O Fisco não teria averiguado junto aos fornecedores sobre a efetividade das operações por eles identificadas como se realizadas com a Recorrente, baseando-se pura e simplesmente em relação encaminhada pelos mesmos, transferindo para a fiscalizada a produção de prova negativa, isto é, de que não tenha realizado nenhuma compra, pelo simples fato de alguma nota fiscal não estar registrada em sua escrita fiscal; 3) Aduz que caberia ao fisco identificar e comprovar com base em documento hábil (e não em simples relação) que operação o contribuinte deixou de contabilizar e, em que momento tal operação acarretou o desembolso de recurso pela fiscalizada, para aí então caracterizar eventual omissão de receita. Porém, assim não teria procedido. Cita a jurisprudência do CARF; 4) Repete o argumento de que o embasamento legal adotado pela Fiscalização, no caso, o art. 41-A da Lei nº 9.430/96, não seria congruente com a forma de apuração da suposta infração apontada, requerendo, por esse motivo, o cancelamento do auto de infração; Cita a jurisprudência do CARF e o voto vencido do acórdão recorrido, que assim dispôs: Fl. 411DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.899 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000854/2006-18 5) Em relação à infração de majoração indevida de compras pela ausência de registro contábil das respectivas devoluções, no valor de R$2.652,75, alega a Recorrente, novamente, que “ao deixar de contabilizar as devoluções seus Fl. 412DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.899 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000854/2006-18 valores permaneceram no estoque final, majorando-o na mesma proporção do custo das compras, o que neutralizou o efeito no resultado do exercício, haja vista que pela regra Estoque Inicial + Compras – Estoque Final = Custo do Produto Vendido, quanto maior o estoque final menor será o custo do produto vendido”. 6) Em relação à última infração, de glosa de exclusões a título de lucro da exploração sobre exportações incentivadas BEFIEX até 31/12/1987, a Recorrente limitou-se a alegar que “o fisco, sem nenhuma averiguação e aprofundamento da análise, baseado exclusivamente na declaração de rendimentos da contribuinte, entendeu por efetuar a glosa da exclusão computada na Ficha 09ª da DIPJ 2002, sob o argumento de ter expirado o prazo de fruição do incentivo”; (...) Portanto, agiu irregularmente a fiscalização, haja vista que baseada exclusivamente na DIPJ apresentada pela contribuinte, efetuou a glosa (....). Afinal, vieram os autos para a apreciação deste Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado, razão pela qual o mesmo deve ser conhecido. Como vimos no Relatório, trata-se de auto de infração de IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS) através do qual foram apontadas as seguintes infrações: 1) Omissão de receita operacional caracterizada pela não contabilização de compras; 2) Majoração indevida de compras pela ausência de registro contábil de devolução de compras; 3) Exclusões não autorizadas na apuração do lucro real – exclusão indevida do lucro da exploração – valor indevidamente excluído na apuração do lucro real, a título de lucro da exploração sobre exportações incentivadas BEFIEX até 31/12/1987. A decisão recorrida considerou a impugnação procedente apenas em parte; restou cancelada uma parcela da exigência relativa à omissão de receita operacional caracterizada pela não contabilização de compras e garantiu-se o direito à compensação dos prejuízos fiscais de anos anteriores, com a limitação de 30% do lucro líquido ajustado; entretanto as demais infrações restaram integralmente mantidas. Fl. 413DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.899 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000854/2006-18 Trataremos de cada uma das infrações de forma individualizada. 1) Omissão de receita operacional caracterizada pela não contabilização de compras Em relação à infração de omissão de compras, a Recorrente alega que “a falta de escrituração de pagamento de qualquer espécie é tão somente um indício de que ocorreu omissão de receita, cabendo ao fisco provar a efetiva ocorrência do fato gerador”. Também aduz que “a fiscalização trabalhou com montantes globais de operações realizadas com fornecedores da fiscalizada, elegendo a omissão em razão de diferenças apuradas no encontro de contas, e não com relação a operações individualmente determinadas, gerando assim verdadeira dúvida quanto à identificação do fato gerador”. Por fim, defende que caberia ao fisco identificar e comprovar, com base em documento hábil (e não em uma simples relação disponibilizada pelos seus fornecedores) quais operações não teriam sido contabilizadas e, em que momento tais operações teriam acarretado o desembolso de recursos pela Fiscalizada, para aí então caracterizar eventual omissão de receita. Repete o argumento de que o embasamento legal adotado pela Fiscalização, no caso, o art. 41-A da Lei nº 9.430/96, não seria congruente com a forma de apuração da suposta infração apontada, requerendo, por esse motivo, o cancelamento do auto de infração. Após o julgamento realizado pela DRJ/SPOI, restou, em relação a essa infração, apenas R$55.257,82 de valores de compras que não teriam sido registradas na contabilidade. Esse valor, conforme o disposto no Termo de Verificação Fiscal de e-fls. 248/251, é composto de R$19.472,58 relativos a compras efetuadas da empresa PETROM e foi obtido a partir de informações prestadas pelo próprio fornecedor, complementadas pela Recorrente em atendimento à intimação feita pela Fiscalização. A outra parcela, no valor de R$35.785,24, refere-se a diferença entre o valor informado pela empresa ELEKEIROZ e os registros contábeis da Recorrente. O recurso voluntário repetiu os mesmos argumentos já expendidos quando da impugnação e, dentre as suas alegações, creio que uma se destaca, haja vista os fatos que redundaram nesta infração; justamente a arguição de que caberia ao Fisco identificar e comprovar, com base em documentação hábil, quais operações não teriam sido contabilizadas e em que momento teriam acarretado o desembolso de recursos pela Fiscalizada, para aí então caracterizar eventual omissão de receita. A Fiscalização fundamentou a autuação de forma bastante precária, pois no auto de infração citou diversos dispositivos sem qualquer relação com a infração apontada, de omissão de receitas por falta do registro contábil de compras efetuadas. Vejam abaixo os dispositivos elencados no auto de infração: Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.899 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000854/2006-18 Já o Termo de Verificação Fiscal (v. e-fls. 250) indicou em suas conclusões, a respeito da suposta infração perpretada, o art. 281, inciso II, sem indicar a qual norma se referia. Supõe-se que seja do Regulamento do Imposto de Renda, que trata do seguinte: Art. 281. Caracteriza-se como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I – a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II – a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III - a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Tais inconsistências foram relevadas pela decisão recorrida ao considerar que não teria havido prejuízo à defesa da Recorrente em função da clareza com que os fatos teriam sido narrados no Termo de Verificação Fiscal. Então, no caso, a omissão de receitas caracterizada pela Autoridade Fiscal o foi em função da “falta de escrituração de pagamentos efetuados” relativamente às compras que não teriam sido contabilizadas. A falta de escrituração de pagamentos efetuados em relação às compras que não teriam sido contabilizadas foi identificada a partir de procedimento de circularização dos fornecedores da Recorrente, instadas a informar todas as vendas a ela realizadas no ano calendário de 2001. Foram intimados os principais fornecedores, no total de seis contribuintes, que declararam ter vendido à Recorrente um total de R$18.396.446,57, em termos de valor, no ano calendário de 2001. Deste total de vendas à Recorrente, foram apontados pela Fiscalização valores que não teriam sido contabilizados da ordem de R$221.131,15. Na instância a quo foi excluído da autuação um total de R$165.873,33; assim, restou para a nossa análise o valor de R$55.257,82, ou seja, um valor que corresponde a 0,3% do total das compras devidamente registradas pela Recorrente no respectivo período. Se a Fiscalização apontou a existência de compras não escrituradas e fundamentou a autuação na falta de escrituração dos respectivos pagamentos, caberia a ela, no mínimo, buscar a comprovação de que os fornecedores efetivamente teriam recebido os valores não escriturados, Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art12%C2%A72 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art40 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9430.htm#art40 Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-005.899 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000854/2006-18 ainda mais se considerarmos a insignificância desses valores em relação ao total de compras realizadas no período. Portanto, creio que falece ao procedimento fiscal alguns cuidados mínimos em relação à acusação realizada, pois embora se possa admitir que os fatos apurados representam indícios na caracterização da omissão de receitas, esta deve restar comprovada pelo único meio que o legislador escolheu para demonstrá-la, qual seja, a falta de escrituração dos pagamentos efetuados; ainda, no caso em exame, sequer os comprovantes de entrega das mercadorias que teriam deixado de ser registradas foram trazidos aos autos (o que, também, por si só, não autorizaria o lançamento), muito menos a comprovação de que os pagamentos das mercadorias foram de fato realizadas pela Recorrente (foram anexadas apenas as listas preparadas pelos fornecedores em atendimento ao procedimento de circularização), v. e-fls. 181/235. Tais documentos não comprovam a realização de pagamentos pela fiscalizada, única hipótese que poderia ensejar, no presente caso, a aplicação do art. 281, inc. II, do RIR/99. O art. 281, inc. II, do RIR/99 trata de presunção legal, sendo essencial que a Autoridade Fiscal comprove a ocorrência de pagamentos não escriturados. Este é o fato eleito pelo legislador como autorizador da presunção de omissão de receitas. Admitir a simples omissão no registro de compras em substituição à ausência da escrituração de pagamentos significaria, em última análise, autorizar a constituição do crédito tributário com base em presunção da presunção. Por todo o exposto, dou provimento ao recurso no ponto para afastar da exação o valor de R$55.257,82 relativo aos valores remanescentes da infração apontada como de compras que não teriam sido registradas na contabilidade. 2) Majoração indevida de compras pela ausência de registro contábil de devolução de compras Neste ponto, a Recorrente repete, ipsis litteris, os argumentos já expendidos quando da impugnação, ou seja, que “ao deixar de contabilizar as devoluções seus valores permaneceram no estoque final, majorando-o na mesma proporção do custo das compras, o que neutralizou o efeito no resultado do exercício, haja vista que pela regra Estoque Inicial + Compras – Estoque Final = Custo do Produto Vendido, quanto maior o estoque final menor será o custo do produto vendido”. Já a decisão recorrida fundamentou sua decisão no seguinte raciocínio: Ora, o resultado com mercadorias é igual a vendas menos o custo das mercadorias vendidas, assim estando o custo das mercadorias majorado pela falta de contabilização de devolução de compras, resta indevidamente reduzido o lucro liquido e conseqüentemente o lucro real, base de cálculo do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Mantida a autuação. Tenho como perfeita a fundamentação adotada pelo acórdão recorrido, haja vista que a falta de escrituração das devoluções de compras realizadas implicam na majoração do custo das mercadorias vendidas, reduzindo, portanto o resultado tributável do período de apuração. Por essa singela razão, nego provimento ao recurso no ponto. Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-005.899 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.000854/2006-18 3) Exclusões não autorizadas na apuração do lucro real – lucro da exploração sobre exportações incentivadas - BEFIEX até 31/12/1987 Como vimos no Relatório, a Recorrente limitou-se a alegar que “o fisco, sem nenhuma averiguação e aprofundamento da análise, baseado exclusivamente na declaração de rendimentos da contribuinte, entendeu por efetuar a glosa da exclusão computada na Ficha 09A da DIPJ 2002, sob o argumento de ter expirado o prazo de fruição do incentivo”; (...) Portanto, agiu irregularmente a fiscalização, haja vista que baseada exclusivamente na DIPJ apresentada pela contribuinte, efetuou a glosa (....). Sequer dialogou com a decisão recorrida, principalmente em relação aos fundamentos por ela adotados para negar provimento à impugnação, que abaixo reproduzo: Compulsando os autos, verifica-se que o contribuinte foi intimado (fls. 140), em 31/03/2006, a apresentar os documentos que comprovassem o direito à fruição dos incentivos fiscais previstos na legislação que regem o BEFIEX, mas não atendeu e tampouco trouxe agora junto com a impugnação os documentos necessários para a verificação da regularidade para a fruição do gozo do benefício. Glosa mantida. Também neste caso, não há nada a se acrescentar ao decidido pela instância a quo. A questão se resume à ausência de comprovação, por parte da Recorrente, do direito à fruição do benefício ainda no período de apuração objeto da auditoria. Como a Recorrente não logrou provar que tinha direito ao benefício, o que poderia ter feito de forma bastante simples, sem maiores esforços, adoto como minhas as razões de decidir da decisão recorrida e nego provimento ao recurso também neste ponto. Por todo o exposto voto por dar parcial provimento ao recurso tão somente para excluir da autuação a infração relativa a omissão de receitas pela falta de escrituração da compra de mercadorias. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13971.900713/2008-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 30 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3402-000.110
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Sergio Celani (Suplenet).
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 13807.009793/2001-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Oct 25 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 3302-000.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar competência para Primeira Seção de Julgamento.
[assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
[assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo.
RELATÓRIO
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RFLEXO APURAÇÃO IRPJ Recorrente COPLASTIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar competência para Primeira Seção de Julgamento. [assinado digitalmente] Ricardo Paulo Rosa Presidente. [assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo e Walker Araújo. RELATÓRIO Por bem descrever os fatos ocorridos até o presente momento processual, os quais foram relatados de forma minudente, adoto o relatório da r. decisão recorrida, conforme a seguir transcrito: Trata o presente processo de auto de infração de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) lavrado em 24/08/2001 contra pessoa jurídica epigrafada, reflexo do processo de IRPJ n° 13807.012180/200128, julgado por esta Delegacia de Julgamento em Campinas, cuja cópia encontrase anexa ao presente processo às fls.102/110. A constituição do crédito tributário reportase ao valor total de R$ 415.910,84, correspondente ao imposto, multa de oficio e juros de mora, calculados até 31/07/2001. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 07 .0 09 79 3/ 20 01 -8 8 Fl. 896DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13807.009793/200188 Resolução nº 3302000.553 S3C3T2 Fl. 888 2 2. Conforme a descrição dos fatos, de fl. 48, e o termo de verificação fiscal, de fls.32/37, a peça básica de autuação enfeixa a seguinte infração no âmbito do IPI: falta de lançamento do imposto por conta de venda sem emissão de nota fiscal. A irregularidade foi apurada em decorrência de fiscalização do IRPJ que constatou omissão de receita, no ano de 1997 devido a falta de comprovação de ingresso de numerário e pagamentos de fornecedores com numerário de origem não comprovada. 3. O enquadramento legal reportase aos arts. 22, inciso II, III, 29, inciso II, 54, 55, inciso I, alínea "b" e inciso II, alínea "c", 59, 62, 63, inciso II, 107, inciso II, 112, inciso IV e 343, caput e § 2°, todos do RIPI aprovado pelo Decreto n° 87.981/82; art.40 da Lei n° 9.430/96. 4. Cientificada da autuação em 24/08/2001 (fl 37, 47 e 51), interpôs a contribuinte impugnação de fls. 53/68, em 14/09/2001, alegando as mesmas razões invocadas no processo de IRPJ n°13807.012180/2001 28. Aduz a interessada que foi tratada com excesso de rigor, na medida em que houve exíguo prazo para a apresentação dos documentos solicitados pela fiscalização, ferindo o direito ao contraditório e a ampla defesa, insculpido no inciso LV do art. 5° da Constituição Federal. Assevera que o auto de infração não contem a descrição minuciosa dos fatos e não há a sua subsunção às normas legais, implicando na nulidade do trabalho fiscal. Além disso, salienta especificamente neste processo, que o "termo de verificação e constatação não foi apresentado a impugnante, impondo lhe o ônus de apresentar a defesa, sem dispor de todos os elementos necessários", o que levou ao cerceamento de defesa 5. Enfatiza que a imposição das modalidades tributárias, acrescidas de multas e juros de mora implicam em valor correspondente a 200% da receita arbitrada no mesmo período, fato que denota que a obrigação tributária exigida está absolutamente discrepante com a própria atividade desenvolvida pela interessada. Cita Aliomar Baleeiro discorrendo sobre o efeito confiscatório dos tributos e os princípios constitucionais tributários da vedação do confisco e da observância da capacidade contributiva no intuito de ressaltar que de acordo com entendimento da doutrina, a vedação do efeito confiscatório deve ser estendido às penalidades tributárias para evitar a destruição do patrimônio da contribuinte. Transcreve ainda, trecho da publicação da revista Dialética n°20, no trabalho de Heron Arzua e Dirceu Galdino afirmando a feição confiscatória das multas. Aduz que os acréscimos cobrados são abusivos e inconstitucionais, em razão de tais autores vislumbrarem uma estreita relação entre a capacidade contributiva e o princípio da vedação do efeito confiscatório. 6. Salienta que em seu caso especifico a cobrança de multa e juros mostrase indevida porque a impugnante recorreu a uma concordata preventiva, distribuída ao M.M Juízo da 2° Vara Cível da Comarca de Bragança Paulista, cujo processamento foi deferido por decisão prolatada em 30 de junho de 1995. Assim sendo, cita o art.23 da Lei das Falências que também se aplica as concordatas e solicita a exclusão dos valores referentes a mu ta moratória. Fl. 897DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13807.009793/200188 Resolução nº 3302000.553 S3C3T2 Fl. 889 3 Cita o art. 112, inciso II, do C.T.N para justificar o posicionamento de que a jurisprudência admite que a regra do art.23 da Lei das Falências seja aplicada por analogia no caso das concordatas. 7. Ao final, a autuada protesta por todas as provas em direito admitidas, em especial perícia contábil e apresentação de documentos, afirmando que o auto de infração é destituído de fundamento legal, na medida em que se apresenta contendo imposições abusivas e contrárias à legislação e Constituição Federal, além de ter violado o princípio da ampla defesa, motivo pelo qual solicita anulação do feito. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento sintetizou, na ementa a seguir transcrita , a decisão proferida. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 10/01/1997 a 31/12/1997 Ementa: TRIBUTAÇÃO REFLEXA. IPI. OMISSÃO DE RECEITAS. Lavrado o auto principal, devem também ser lavrados os autos reflexos, que seguem a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem, dada a relação de causa e efeito que os vincula. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Tendo sido regularmente oferecida, e amplamente exercida pela autuada, a oportunidade de defesa, restam descaracterizadas as alegações de cerceamento de direito de defesa. PERÍCIA CONTÁBIL. FORMALIZAÇÃO. REQUISITOS. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atender aos requisitos legais, indeferindose a perícia quando esta não for necessária para a convicção do julgador. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA. ENCARGOS MORATÓRIOS. EMPRESA CONCORDATÁRIA. A condição de concordatária não afasta a autuada da submissão à multa de oficio e encargos aplicáveis por infração à legislação tributária. JUROS DE MORA — TAXA SELIC A partir de 01/01/1995 os juros de mora serão equivalentes a taxa do Sistema Especial de Liquidação e Custódia: — SELIC, por expressa disposição legal. Lançamento Procedente Assim, inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa após ciência em 15/02/2007, conforme AR de fl. 137, apresenta conforme fls. 138/159 e documentos de fls. 160/193, Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, arguindo, em apertada síntese: a nulidade do auto de infração, por ausência de provas da ocorrência fática apontada, e, também para contestar a decisão recorrida em sua afirmativa de que, no caso, Fl. 898DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13807.009793/200188 Resolução nº 3302000.553 S3C3T2 Fl. 890 4 apenas a incompetência do servidor poderia ensejar a nulidade do lançamento, em face do disposto no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972; que a carência dos requisitos formais previstos no art. 10 do referido decreto, bem como a ausência das provas da infração imputada, conforme determinação do art. 9° desse mesmo diploma legal, também acarretam a nulidade da peça fiscal e, nesse caso, o auto de infração não se fez acompanhar de prova material das infrações apontadas, impondose à contribuinte o dever de provar o equívoco das alegações da fiscalização, com clara inversão do ônus da prova; a autuação baseouse em mera presunção, visto que, por não ter a contribuinte provado a origem de recursos, presumiuse que era devido o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e, numa segunda presunção, que terseia promovido a saída de produtos do seu estabelecimento sem as correspondentes notas fiscais; a mesma presunção que motivou a cobrança do IRPJ não poderia fundamentar a cobrança do IPI, visto que não se pode presumir que toda a receita omitida decorra da saída de produtos, visto que pode existir outras fontes de renda não operacionais, tais como aplicações financeiras;(sic) não poderia ter sido tributado toda a receita à mesma alíquota de 15%, pois fabrica vários produtos sujeitos a alíquota diversas da utilizada pela fiscalização; Ao final, aduziu o caráter confiscatório da multa de oficio e a inconstitucionalidade da utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) no cálculo dos juros moratórios, no âmbito tributário, acusando a impropriedade da decisão recorrida, no ponto em que se exime da apreciação de alegada violação a princípios constitucionais, por entender que os julgadores administrativos podem e devem conhecer da argüição de inconstitucionalidade de leis. Por último, a recorrente solicitou o provimento do seu recurso para reformar a decisão recorrida e declarar a nulidade do auto de infração ou, alternativamente, julgar totalmente improcedente o lançamento ou, ao menos, reduzir a multa aplicada e afastar a aplicação da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios. O julgamento foi convertido em diligência através da Resolução CARF nº 204 00.583, de 04/06/2008, fls. 202/204 (vol I), nos seguintes termos: para que a unidade de origem providenciei a anexação de cópia de todas as peças produzidas e trazidas pela fiscalização, até a apresentação da impugnação, no processo relativo ao IRPJ de ' que este processo é reflexo.(sic).(grifei). A ARFB em Bragança Paulista/SP, através do Despacho de fl. 210, de 14/10/2008 encaminhou o processo ao então 1º CC, para juntada das cópias solicitadas, em razão de o processo 13807.012180/200128 encontrarse, à época, naquele Conselho. Em 19/7/2010 o processo foi encaminhado à DRFB Jundiaí/SP. Localização atual: PSFN Jundiaí/SP. Fl. 899DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13807.009793/200188 Resolução nº 3302000.553 S3C3T2 Fl. 891 5 Em 27/09/2011, através do despacho, fl. 221 do Serviço de Seção da Terceira do CARF, de ordem, encaminha o processo à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Jundiaí/SP, em face de sua localização no referido órgão para atender à diligência. Em 02/04/2012, fl.431, (vol. 2) através do Memorando nº 202/2012/PSFN/JUNDI a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em Jundiaí/SP encaminha ao CARF [cópia integral dos processos nº 13807.012180/200128 e 13807.009230/200190.].(sic). À fl. 444 o SECAT/DRF/Jundiaí encaminha o PSFNJUNDIAISP para que sejam digitalizados e juntados os documentos solicitados pelo Pedido de Diligência e, posteriormente, retorne os autos ao SECAT. Às fls. 445/885 encontramse cópias dos processos nºs 13807.012180/200128 e 3807.009230/200190. Em 20/07/2015, fl.886, o SECAT/DRF/Jundiaí/SP encaminha o presente processo ao SECOJ/CARF. Em 09/12/2015 o processo foi distribuído por sorteio, para relatar. Informese que os Autos de Infração formalizados através do processo nº 13807.012180/200128, apenso ao presente processo, foram julgados através do Acórdão CARF nº140200.122, de 10/03/2010, fls.653/659, cuja ementa se reproduz a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 Nulidade O enfrentamento das questões na peça de defesa com a indicação dos enquadramentos legais denota perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento. Sendo asseguradas à Recorrente as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, não tem cabimento a nulidade do ato administrativo. Prova A realização de perícia ou outros meios de prova é prescindível, no caso de os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos serem suficientes para a solução do litígio. Falência A falência é uma execução concursal em face do devedor empresário ou sociedade empresária que tramita na esfera judicial Juros de Mora A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre os débitos tributários administrativos pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Multa de Ofício De acordo com o princípio da legalidade (art. 37 da Constituição da República) deve prevalecer a multa de ofício proporcional no Fl. 900DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13807.009793/200188 Resolução nº 3302000.553 S3C3T2 Fl. 892 6 percentual de 75% (setenta e cinco por cento) incidente sobre os tributos lançados em decorrência da omissão de receitas. CSLL, Cofins e PIS Tratandose de lançamentos decorrentes, a relação de causalidade que informa os procedimentos leva a que os resultados do julgamento dos feitos reflexos acompanhem aqueles que foram dados ao lançamento principal. É o relatório. Conselheira Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Relatora: Conforme relatado, o processo que ora se examina referente ao Auto de Infração de IPI, decorre do mesmo procedimento fiscal que culminou com a lavratura do processo n° 13807.012180/200128, para a formalização das exigências de IRPJ, PIS/Pasep, COFINS e CSLL, em face da constatação de omissão de receitas referente ao mesmo período de apuração, cujo julgamento neste E. Conselho consta do Acórdão nº 140200.122, de 10/03/2010. Ante a situação acima delineada verificase que o presente processo se enquadra nas disposições regimentais quanto a processo reflexo, definidas no art. 6º, § 1º, III do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, visto que se referem a processos formalizados em face de um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. Ocorre que o art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF foi alterado pela Portaria nº 152, de 3 de maio de 2016 (DOU de 5.5.2016), conforme se transcreve a seguir: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (....); IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016).(grifei). Com efeito, verificase que a alteração regimental acima destacada implica na mudança de competência do presente processo, nº 13807.009793/200188 que trata da exigência reflexa do IPI, haja vista que antes da referida alteração fazia parte da competência regimental da 3ª Seção e por esse motivo distribuído eletronicamente para essa relatora. Assim, tendo em vista que no presente momento, por força regimental, a competência passa a ser da Primeira Seção de Julgamento deste CARF, VOTO POR NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO, nesta Turma, para declinar da Fl. 901DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 13807.009793/200188 Resolução nº 3302000.553 S3C3T2 Fl. 893 7 competência de julgamento em favor da Primeira Seção de Julgamento, para onde deve ser encaminhado o processo nº 13807.009793/200188, que trata da exigência reflexa do IPI. [Assinado digitalmente] Maria do Socorro Ferreira Aguiar Fl. 902DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13971.900768/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ano calendário: 2003
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-001.486
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LÍQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário: 2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Winderley Morais Pereira, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Fl. 434DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Trata o presente processo de pedido de compensação, cujos créditos teriam origem em pagamento a maior da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. A unidade de origem decidiu não homologar o pedido de compensação, em razão de estarem os pagamentos supostamente realizados a maior, alocados a débitos do PIS, conforme declarado em DCTF. Inconformada, a Recorrente impugnou o despacho alegando que houve um erro no preenchimento da DCTF, sendo o valor correto declarado em DIPJ e DACON. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento manteve o despacho, exarado pela unidade de origem. Decidindo que os débitos a serem considerados são os declarados em DCTF e não os valores declarados em DIPJ e na DACON, que seriam meramente informativos. A ementa do Acórdão da DRJ foi a seguinte: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido.” Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o equívoco no preenchimento da DCTF, informando a apresentação de DCTFRetificadora, apresentado cópia da DACON e da DIPJ para comprovar as suas alegações. Ao analisar o Recurso, a Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara resolveu determinar a baixa dos autos em diligência para que a Unidade Preparadora verificasse se os valores informados na DACON e na DIPJ estariam de acordo com os registros contábeis da Recorrente, confirmando o erro no preenchimento da DCTF. A Unidade de origem intimou a Recorrente a apresentar os documentos contábeis que comprovassem os erros no preenchimento da DCTF. Atendendo a intimação, a Recorrente apresentou os livros e lançamento contábeis referentes ao período. De posse dos documentos, a Unidade de Origem verificou os lançamento contábeis e não comprovou os erros alegados. A contabilidade registra como valor devido da contribuição o valor constante da DCTF original, ou seja, aquela que o contribuinte afirmou estar com erro de preenchimento. Fl. 435DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900768/200813 Acórdão n.º 310201.486 S3C1T2 Fl. 2 3 Portanto, o valor da DCTF original corresponde aos registros contábeis, não existindo recolhimento a maior da contribuição. Cientificada do resultado da diligência, a Recorrente se manifestou nos autos, reafirmando o seu direito creditório. Informando que procedeu ao lançamento da diferença na contabilidade. Entretanto, não trouxe nenhuma documento ou alegação que confronte a posição relatada pelo fisco na diligência. Os autos retornaram ao CARF para prosseguimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente alega o direito à restituição sob o argumento que ocorreu um erro no preenchimento da DCTF, sendo lançado um valor da contribuição para o PIS maior do que o realmente devido, apesar do pedido de retificação de DCTF complementar, a época do indeferimento do pedido, a DCTF original registrava a utilização integral do pagamento, não existindo nenhum direito creditório. O Fisco decidiu utilizando as informações apresentadas pela própria Recorrente. Caso exista algum erro nestas informações, conforme alegado na impugnação e posteriormente no Recurso Voluntário, caberia a comprovação do fato. Para melhor enfrentar a questão, vejamos o enunciado do artigo 170, do Código Tributário Nacional – CTN, que ao disciplinar o instituto da compensação, exige certeza e liquidez dos créditos alegados. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento.” Fl. 436DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação. Autorizar a compensação com créditos pendentes de certeza e liquidez não encontra amparo na legislação. A alteração dos débitos lançados em DCTF necessita de prova clara e inconteste. No caso em tela, o contribuinte argumente a ocorrência de equívoco no preenchimento da DCTF, informando que teria um crédito referente ao PIS do período de abril de 2003, no valor de R$ 912,94, decorrente da diferença entre o valor recolhido de R$ 18.182,19 e o que seria devido no valor de R$ 17.269,25. Diante deste fato, resolveu a Terceira Turma da Quarta Câmara baixar os autos em diligência para que fossem verificado o suposto equivoco no preenchimento da DCTF. Realizada a diligência, a Unidade de Origem, cotejando os documentos fiscais da Recorrente e as informações prestadas nas declarações, não confirmou o suposto equívoco, visto que os valores constantes dos assentamentos contábeis e fiscais, apresentam um valor devido da contribuição de R$ 17.943,52 e o pagamento de R$ 18.182,19. A diferença foi lançada a título de "PIS a Recuperar", entretanto não fica evidente que este valor a recuperar diga respeito ao Período de Apuração de abril de 2003. As conclusões da diligência foram assim detalhadas no termo de diligência fiscal. " Os registros disponibilizados, porém, NÃO evidenciam o direito creditório da forma como postulado, senão vejamos: o contribuinte alega possuir crédito no valor de R$ 912,94, decorrente da diferença entre o valor recolhido a título de PIS (cód. 8109 – PA 04/2003), R$ 18.182,19, e o efetivamente devido, R$ 17.269,25. ... da obrigação, em 2003, no valor de R$ 17.943,67, e o pagamento de R$ 18.182,19. A diferença, ou seja, R$ 238,52, foi lançada a título de “PIS a Recuperar” (conta contábil 1.1.4.06.02). tais registros, de outra via, não se prestam a comprovar o alegado montante de crédito. Isto porque os lançamentos contábeis efetuados no Livro 76 (fls. 94 e 95) não deixam claro que a importância de R$ 1.684,02, lançada em 30/11/2003 a débito na conta “PIS a Recuperar” (conta contábil 1.1.4.06.02) diga respeito ao PA 04/2003. Em tais condições, é de se concluir que os registros contábeis apresentados não confirmam integralmente a existência do crédito pleiteado através do PER/DCOMP nº 31606.40117.120404.1.3.040758. Com base nos documentos ofertados, somente o valor de R$ 238,52 compreenderia crédito oriundo do pagamento de PIS do PA 04/2003." Diante do exposto, por ausência do indébito tributário, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 13971.900768/200813 Acórdão n.º 310201.486 S3C1T2 Fl. 3 5 Winderley Morais Pereira Fl. 438DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 06/06/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 01/06/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10880.979187/2018-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Dec 07 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2015
NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. SÚMULA.
Súmula CARF nº 162: O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento.
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTERIOR À EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO.
O contribuinte deve provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice ao direito creditório. Prevalece na espécie a verdade material. Por conseguinte, o direito creditório deve ser reanalisado pela Receita Federal.
Não se pode desconsiderar o efeito da DCTF retificadora de substituir integralmente as informações anteriores, porquanto apresentada de acordo com orientação emanada da própria Administração Tributária. Por outro lado também não se pode desconsiderar o art. 147, §1º do CTN, uma vez que a retificação de declaração para reduzir tributo só é admissível mediante comprovação do erro. Nesse caso, tendo em vista que a recorrente apresentou DCTF retificadora antes da análise da emissão do Despacho Decisório, a solução para conformar ambas as posições é dar provimento parcial para reanálise do direito crédito à luz da DCTF retificadora.
Numero da decisão: 1201-005.299
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração a DCTF retificadora, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.296, de 18 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.979190/2018-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Efigênio de Freitas Júnior
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NÃO OCORRÊNCIA. CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. IMPUGNAÇÃO. SÚMULA. Súmula CARF nº 162: O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA ANTERIOR À EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. VERDADE MATERIAL. REANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. O contribuinte deve provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice ao direito creditório. Prevalece na espécie a verdade material. Por conseguinte, o direito creditório deve ser reanalisado pela Receita Federal. Não se pode desconsiderar o efeito da DCTF retificadora de substituir integralmente as informações anteriores, porquanto apresentada de acordo com orientação emanada da própria Administração Tributária. Por outro lado também não se pode desconsiderar o art. 147, §1º do CTN, uma vez que a retificação de declaração para reduzir tributo só é admissível mediante comprovação do erro. Nesse caso, tendo em vista que a recorrente apresentou DCTF retificadora antes da análise da emissão do Despacho Decisório, a solução para conformar ambas as posições é dar provimento parcial para reanálise do direito crédito à luz da DCTF retificadora. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração a DCTF retificadora, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.296, de 18 de outubro de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 91 87 /2 01 8- 07 Fl. 307DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.979187/2018-07 2021, prolatado no julgamento do processo 10880.979190/2018-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente manifestação de inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório proferido pela unidade de origem, que não homologou compensações declaradas pelo contribuinte de débitos próprios com crédito de decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ. O Despacho Decisório não homologou as compensações em razão de o pagamento indicado como crédito ter sido utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. Os argumentos da manifestação de inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido, o qual manteve a não homologação sob o fundamento de que a recorrente não instruiu sua manifestação de inconformidade com nenhum documento comprobatório do erro cometido nas informações prestadas pelas declarações anteriores. Cientificada do acórdão recorrido, a recorrente interpôs recurso voluntário em que aduz, preliminarmente, nulidade da decisão recorrida por não analisar os argumentos e provas anexadas aos autos; no mérito, alega, em síntese, que o crédito de pagamento indevido ou maior de IRPJ decorre de adições/exclusões nas variações cambiais de contratos de empréstimo, conforme DCTF (retida em malha fiscal) e ECF retificadoras apresentadas antes do Despacho Decisório; salienta que ao retificar a DCTF para reduzir o suposto débito não incorreu em nenhuma das hipóteses de restrição à retificação prevista na IN RFB nº 1.110/2010; invoca o Parecer PGFN/CAT nº 88/2014 e a Solução de Consulta Interna Cosit nº 18/2006 que trata da compensação de estimativa; com base no princípio da eventualidade pugna pelo sobrestamento deste feito até o processamento definitivo da DCTF retificadora; por fim, requer a homologação das compensações declaradas. Fl. 308DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.979187/2018-07 É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Passo à análise. Preliminar de nulidade do acórdão recorrido De início, discorre a recorrente que, “em razão de inúmeras adições/exclusões nas variações cambiais decorrentes de sua própria atividade, como a assinatura de contratos de empréstimos”, viu-se obrigada a reapurar os cálculos da CSLL e do IRPJ e apresentar ECF e DCTF retificadoras. Em seguida, alega que o acórdão recorrido “deve ser anulado porque o único argumento apresentado pela d. Delegacia de Julgamento foi no sentido de que a ora Recorrente não teria instruído “(...) sua manifestação de inconformidade com nenhum documento comprobatório do erro cometido nas informações prestadas pelas declarações anteriores””. Aduz que a única maneira de “comprovar que cometeu um erro no preenchimento de obrigações acessórias é transmitindo uma nova obrigação acessória para retificar a anterior, inclusive, conforme previsto pela própria legislação federal”. É dizer, “Se a Recorrente verificou uma diferença cambial que afete o valor de referidas apurações, deve transmitir uma ECF retificadora para que o fisco enxergue que determinada variação cambial afetou seus resultados de IRPJ e CSLL”. Ademais, não seria necessário a juntados dos arquivos de ECF, pois são de conhecimento da Receita Federal. Por fim, destaca que em manifestação de inconformidade demonstrou a nulidade do Despacho Decisório, porquanto não fora intimada a apresentar documentos comprobatórios acerca da existência do crédito, bem como pelo fato de a Receita Federal não processar a DCTF retificadora, retida na malha fiscal, que contém o crédito pleiteado. Pois bem. Inicialmente, cumpre esclarecer, na linha da jurisprudência sedimentada no Superior Tribunal de Justiça, já na vigência do CPC/2015, que o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão, é dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. Veja-se: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA ORIGINÁRIO. INDEFERIMENTO DA INICIAL. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE, ERRO MATERIAL. AUSÊNCIA. Fl. 309DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.979187/2018-07 1. Os embargos de declaração, conforme dispõe o art. 1.022 do CPC, destinam- se a suprir omissão, afastar obscuridade, eliminar contradição ou corrigir erro material existente no julgado, o que não ocorre na hipótese em apreço. 2. O julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. A prescrição trazida pelo art. 489 do CPC/2015 veio confirmar a jurisprudência já sedimentada pelo Colendo Superior Tribunal de Justiça, sendo dever do julgador apenas enfrentar as questões capazes de infirmar a conclusão adotada na decisão recorrida. 3. No caso, entendeu-se pela ocorrência de litispendência entre o presente mandamus e a ação ordinária n. 0027812-80.2013.4.01.3400, com base em jurisprudência desta Corte Superior acerca da possibilidade de litispendência entre Mandado de Segurança e Ação Ordinária, na ocasião em que as ações intentadas objetivam, ao final, o mesmo resultado, ainda que o polo passivo seja constituído de pessoas distintas. 4. Percebe-se, pois, que o embargante maneja os presentes aclaratórios em virtude, tão somente, de seu inconformismo com a decisão ora atacada, não se divisando, na hipótese, quaisquer dos vícios previstos no art. 1.022 do Código de Processo Civil, a inquinar tal decisum. 5. Embargos de declaração rejeitados. (EDMS - Embargos de Declaração no Mandado de Segurança - 21315 2014.02.57056-9, Diva Malerbi (Desembargadora convocada TRF 3ª Região), STJ - Primeira seção, DJE:15/06/2016) (Grifo nosso) No mesmo sentido já se pronunciou este CARF: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - DEFESA DO CONTRIBUINTE - APRECIAÇÃO - Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça - STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a se manifestar sobre todas as alegações do Recorrente, nem quanto a todos os fundamentos indicados por ele, ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 165.430, de 18.09.2008) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE ANÁLISE RASA DAS PROVAS NA INSTÂNCIA ANTERIOR. DESCABIMENTO. O julgador, ao decidir, não está obrigado a examinar todos os fundamentos de fato ou de direito trazidos ao debate, podendo a estes conferir qualificação jurídica diversa da atribuída pelas partes, cumprindo-lhe entregar a prestação jurisdicional, considerando as teses discutidas no processo, enquanto necessárias ao julgamento da causa. (Acórdão Carf 9101-004.250, de 09.07.2019) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/12/2010 a 31/12/2013 Fl. 310DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.979187/2018-07 O ÓRGÃO JULGADOR NÃO ESTÁ OBRIGADO A SE PRONUNCIAR ACERCA DE TODOS ARGUMENTOS SUSCITADOS PELA RECORRENTE. O órgão julgador não está obrigado a se pronunciar acerca de todos argumentos suscitados pela parte se os pontos analisados são suficientes para motivar e fundamentar sua decisão. O inconformismo com o resultado do acórdão, contrário aos interesses da recorrente, não significa haver falta de motivação ou cerceamento do direito à ampla defesa (EDcl no Mandado de Segurança nº 21.315 - DF, Diva Malerbi, STJ - Primeira Seção, DJE 15.06.2018). (Acórdão Carf 1201-003.145, de 18.09.2019) No caso dos autos, o julgador proferiu decisão motivada e explicitou as razões pertinentes à formação de sua livre convicção, qual seja, ausência de prova para comprovar a redução de valores na DCTF, com fundamento no §1º do art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN). Veja-se: A simples alegação de erro apenas fundamentada pela apresentação de DCTF retificadora, uma vez instaurado o processo fiscal, não é suficiente para fazer prova em favor do Contribuinte. Mantém-se, nesses casos, a necessidade de comprovação documental do quanto alegado, por meio da apresentação da escrituração contábil/fiscal do período, em obediência ao disposto no art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Apenas a entrega de DCTF retificadora alterando o valor do crédito tributário, apesar de ser condição necessária, não pode ser considerada suficiente para reconhecimento de direito creditório. Uma vez instaurado o litígio é indispensável a apresentação de provas que justifiquem o erro inicialmente cometido, nos termos do §1º, do art. 147, do CTN [..]. (Grifo nosso) Nestes termos, o inconformismo com o resultado do acórdão, contrário aos interesses da recorrente, não significa haver falta de motivação ou cerceamento do direito à ampla defesa. A recorrente explicita que “em razão de inúmeras adições/exclusões nas variações cambiais decorrentes de sua própria atividade, como a assinatura de contratos de empréstimos”, um dos documentos que ensejaram a retificação da DCTF e ECF foram os contratos de empréstimos. Todavia, tais contratos não foram anexados aos autos. Segundo o §1º do art. 9º do Decreto-Lei 1.598, de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Tal fato só comprova a necessidade da apresentação dos documentos que provocaram a alteração das declarações. Quanto à nulidade do Despacho Decisório devido a não intimação da recorrente para apresentação dos documentos comprobatórios da existência do crédito, e ao fato de a Receita Federal não processar a DCTF retificadora, retida na malha fiscal, que contém o crédito pleiteado, também não assiste razão à recorrente. Na fase de auditoria a fiscalização não está obrigada a informar o sujeito passivo acerca das investigações em curso, tampouco precisa oferecer-lhe, como regra, oportunidade de esclarecimentos ante os elementos de provas já em poder do Fisco. Afinal, é com o aperfeiçoamento do ato administrativo, mediante a ciência da exigência fiscal, que nasce para o sujeito passivo o direito ao contraditório e à ampla defesa, conforme estabelecido no processo administrativo tributário. No caso de declaração de compensação tal direito inicia-se com a apresentação de manifestação de Fl. 311DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.979187/2018-07 inconformidade ao Despacho Decisório denegatório do direito creditório. Nesse sentido já se pronunciou o Carf: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2008 DESPACHO DECISÓRIO. PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NA FASE DE AUDITORIA INTERNA. FASE PRÉ-PROCESSUAL. PRELIMINAR REJEITADA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa na fase de auditoria interna, inexistindo ainda acusação ou imputação de infração, mas tão-somente investigação fiscal. Os princípios do contraditório e da ampla defesa são de observância obrigatória na fase do devido processo legal administrativo fiscal, que - no caso de declaração de compensação - tem início com a apresentação de manifestação de inconformidade ao despacho decisório denegatório do direito creditório. (Acórdão Carf nº 9101-004.214, de 04/06/2019) Na mesma linha a Súmula Carf nº 162: Súmula CARF nº 162: O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. Acórdãos Precedentes: 2401-004.609, 2201-003.644, 1302-002.397, 1301- 002.664, 1301-002.911, 2401-005.917 e 1401004.061. Assim, se a recorrente não fora intimada a apresentar documentos comprobatórios, poderia tê-los apresentados na manifestação de inconformidade. Quanto ao fato de a DCTF estar retida em malha tal fato não inviabiliza a apresentação de provas, motivo do indeferimento do pleito. Por tais fundamento, afasto a preliminar de nulidade arguida. Mérito A recorrente apresentou Dcomp’s em que compensou débitos próprios com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código 2484 - estimativa), referente ao período de apuração 05/2015, recolhido em 30/06/2015, no valor de R$6.021.262,37 (e-fls. 4). O Despacho Decisório não homologou a compensação em razão de o pagamento indicado como crédito ter sido utilizado para quitação de débitos da recorrente. Cinge-se a controvérsia, portanto, a verificar a higidez do direito creditório pleiteado. A recorrente apresentou DCTF originária, em que identificou um saldo de CSLL a pagar, na competência 05/2015, no valor de R$ 6.021.262,37, e efetuou o recolhimento do respectivo Darf. Contudo, em razão de inúmeras adições/exclusões nas variações cambiais decorrentes de sua atividade, como a assinatura de contratos de empréstimos, a recorrente reapurou o IRPJ e a CSLL e verificou que o suposto valor de CSLL a pagar passou de R$6.021.262,37 para sem valor devido, havendo um pagamento a maior de CSLL exatamente do no mesmo valor. Com efeito, apresentou DCTF (retida em malha fiscal) e ECF retificadoras. Fl. 312DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.979187/2018-07 Como visto acima, a decisão de primeira instância indeferiu o pleito da recorrente em razão da ausência de provas da redução de valor na DCTF, ao amparo do art. 147 do CTN. Pois bem. O art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, dispõe que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar o ônus probatório. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 - CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. Nessa esteira, cabe ao contribuinte provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado caso a caso, não pode figurar como óbice ao direito creditório. Por outro lado, a não apresentação de elementos probatórios prejudica a liquidez e certeza do crédito vindicado, o que inviabiliza a repetição do indébito. Quanto à declaração retificadora, segundo o §1º do art. 147, do CTN, a “retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Em consonância com o art. 16 da Lei nº 9.779 1 , de 1999, segundo a Instrução Normativa (IN) RFB nº 1110, de 2010, a DCTF retificadora tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindo-a integralmente, tanto para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados quanto para efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados, salvo no caso de redução de débito já enviado para a PGFN para inscrição em dívida ativa ou objeto de procedimento fiscal, bem como no caso de contribuinte com espontaneidade suspensa. 1 Lei nº. 9.779, de 1999. Art. 16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Fl. 313DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.979187/2018-07 Ressalva-se, entretanto, a hipótese de prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. Veja-se: DA RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÕES Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I - reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II - alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1177, de 25 de julho de 2011) § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extingue-se em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I - na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II - no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Art. 9º-A As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1258, de 13 de março de 2012) Fl. 314DF CARF MF Documento nato-digital http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=16150#514108 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=16150#514108 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042091 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042091 Fl. 9 do Acórdão n.º 1201-005.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.979187/2018-07 § 1º A pessoa jurídica ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentos sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o art. 7º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1258, de 13 de março de 2012) § 2º A intimação para o sujeito passivo prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1258, de 13 de março de 2012) § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1258, de 13 de março de 2012) § 4º Não produzirão efeitos as informações retificadas: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1258, de 13 de março de 2012) I - enquanto pendentes de análise; e (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1258, de 13 de março de 2012) II - não homologadas. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1258, de 13 de março de 2012) (Grifo nosso). Observe-se ainda que a DCTF’s retificadoras retidas para análise (malha) só produzem efeitos depois de analisadas as informações retificadas e homologadas. Como informou a recorrente, ao apresentar as Dcomp’s a DCTF retificadora ainda estava pendente de análise, daí o motivo de o Despacho Decisório efetuar o cotejamento com a DCTF retificada e não ter homologado as compensações declaradas. Em recurso voluntário, a recorrente reitera o direito creditório postulado ao argumento de que a DCTF retificadora substitui integralmente a DCTF retificada, porém não apresenta provas da redução do débito de R$ 6.021.262,37 para R$0,01. (e-fls. 109, 137). Todavia, verifica-se que a recorrente transmitiu a DCTF retificadora em 25/05/2017, ou seja, antes da emissão do Despacho Decisório em 14/12/2018 (e-fls. 119, 137, 84). A meu ver, não se pode desconsiderar o efeito da DCTF retificadora de substituir integralmente as informações anteriores, porquanto apresentada de acordo com orientação emanada da própria Administração Tributária. Por outro lado também não se pode desconsiderar o art. 147, §1º do CTN, uma vez que a retificação de declaração para reduzir tributo só é admissível mediante comprovação do erro, ônus do qual não se desincumbiu a recorrente. Considerar a DCTF retificadora e homologar as declarações compensadas pode vir a lesar direito do Fisco, afinal não houve análise de potenciais inconsistências nessa declaração, porquanto estava retida em malha à época da transmissão da Dcomp. Por outro lado não homologar tais compensações poderia lesar direito da recorrente, bem como incorrer em supressão de instância, tendo em vista que a matéria não fora analisada na origem pelo Fisco. Nesse caso, tendo em vista que a recorrente apresentou DCTF retificadora antes da análise da emissão do Despacho Decisório, entendo que a solução para conformar ambas as posições é dar provimento parcial para reanálise do direito crédito à luz da DCTF retificadora. Fl. 315DF CARF MF Documento nato-digital http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042092 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042092 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042093 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042093 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042094 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042094 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042095 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042095 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042096 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042096 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042097 http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?visao=anotado&idAto=37548#1042097 Fl. 10 do Acórdão n.º 1201-005.299 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.979187/2018-07 Desse modo, resguarda-se o direito da recorrente, que poderá apresentar novas provas, caso lhes sejam solicitadas; bem como o direito do Fisco de somente permitir a repetição do indébito no caso de crédito líquido e certo. Prevalece, na espécie, a verdade material. Ante o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração a DCTF retificadora, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração a DCTF retificadora, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 316DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10830.004467/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1998 a 30/11/1998
DECADÊNCIA TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE ARTIGOS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. SÚMULA VINCULANTE STF.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
O lançamento foi efetuado com a ciência ao sujeito passivo em 20/12/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/1998 a 11/1998, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-001.980
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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INCONSTITUCIONALIDADE ARTIGOS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991. SÚMULA VINCULANTE STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. O lançamento foi efetuado com a ciência ao sujeito passivo em 20/12/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/1998 a 11/1998, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de ofício. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Fl. 557DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/09/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 558DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/09/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004467/200794 Acórdão n.º 240201.980 S2C4T2 Fl. 542 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, lavrado em face da empresa Nossa Senhora de Fátima Indústria e Comércio de embalagens Ltda, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, relativas às contribuições da parcela dos segurados e da parte patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros (SalárioEducação/FNDE, SESI, SENAI, INCRA e SEBRAE), para as competências 05/1998 a 11/1998. O Relatório Fiscal (fls. 24/26) informa que as contribuições lançadas são decorrentes do instituto da solidariedade, em face aos serviços tomados da empresa VIG PORT Serviços de Portaria e Recepção Ltda. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 20/12/2008 (fl.01) A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 32/290), alegando, em síntese, que: 1. as contribuições já foram alcançadas pela decadência, nos termos do art. 156, inciso V, c/c o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN; 2. não se aplica ao presente caso o instituto da solidariedade, uma vez que a responsabilidade pelo pagamento dos funcionários é da empresa prestadora dos serviços; 3. mesmo no remoto caso de se entender que possui alguma responsabilidade, deveria ter sido dado tempo para que pudesse comprovar a regularidade fiscal; 4. não há qualquer obrigação em aberto com o INSS, conforme se verifica dos documentos juntados; 5. é inconstitucional a exigência de juros moratórios, calculados em aplicação da taxa SELIC, vez que os juros devem ser de 1% ao mês, conforme dispõe o § 1°, do art. 161 do CTN; e que a multa aplicada é extorsiva e possui caráter confiscatório. A Delegacia da Receita Previdenciária em Campinas/SP – por meio da DecisãoNotificação (DN) no 214244/0305/2007 da SECAP (fls. 296/305) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele encontrase revestido das formalidades legais, tendo sido lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, consoante o disposto no “caput” do artigo 33 da Lei n° 8.212/1991. Fl. 559DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/09/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 A Notificada apresentou recurso (fls. 309/535), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de impugnação, acrescentando que seja observado o enunciado no 08 da Súmula Vinculante do STF. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Campinas/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) para processamento e julgamento (fl.540). É o relatório. Fl. 560DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/09/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004467/200794 Acórdão n.º 240201.980 S2C4T2 Fl. 543 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente apresenta preliminar de decadência que deve ser acolhida. O presente crédito previdenciário referese ao lançamento de obrigação tributária principal, abrangendo as competências 05/1998 a 11/1998, e foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/1991. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante no 08:“São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: Art. 103A.O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: Art.173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Fl. 561DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/09/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Códex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade Fl. 562DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/09/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10830.004467/200794 Acórdão n.º 240201.980 S2C4T2 Fl. 544 7 administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) Assim, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado no presente processo, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições previdenciárias omitidas para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. Ocorre que no caso em questão, o procedimento fiscal de lançamento foi efetuado em 20/12/2006, tendo a ciência ao sujeito passivo ocorrido no dia 20/12/2006 (fl. 01). Logo, como os fatos geradores ocorreram entre as competências 05/1998 a 11/1998, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, haja vista que a decadência há de ser declarada por qualquer das teorias existentes: quer seja pela aplicação do § 4º do art. 150, quer seja pela aplicação do inciso I do art. 173, ambos do CTN. Fl. 563DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/09/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Logo, a recorrente não poderia ter sido autuada pelos motivos anteriores às competências 11/2000, inclusive, pois o direito potestativo do Fisco de constituir crédito tributário – por meio de lançamento fiscal de ofício – já estava extinto pela decadência tributária quinquenal. Com isso, acato a preliminar de decadência tributária para dar provimento ao recurso interposto, restando prejudicado o exame de mérito. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, reconhecendo, assim, que o crédito tributário lançado em sua totalidade foi extinto pela decadência quinquenal. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 564DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/09/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 02/09/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 08/09/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13896.901694/2017-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 09/05/2016
COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADA
O deferimento de retificação de DCTF por agente fiscal afasta necessidade de reapresentação de provas no âmbito processual administrativo relativas às informações nela contidas.
Numero da decisão: 1201-005.273
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração o deferimento da retificação da DCTF pela própria RFB e os demais documentos juntados aos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.231, de 18 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.901641/2017-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Jeferson Teodorovicz
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 09/05/2016 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADA O deferimento de retificação de DCTF por agente fiscal afasta necessidade de reapresentação de provas no âmbito processual administrativo relativas às informações nela contidas. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração o deferimento da retificação da DCTF pela própria RFB e os demais documentos juntados aos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.231, de 18 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.901641/2017-44, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte, contra Acórdão da DRJ que negou provimento à pretensão impugnatória. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 16 94 /2 01 7- 65 Fl. 439DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.273 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901694/2017-65 No presente caso, o Despacho Decisório não homologou o PER/DCOMP transmitido com o objetivo de compensar débito(s) próprio(s) com crédito de IRRF, por sua vez decorrente de recolhimento com DARF. Ainda, conforme alude o Despacho decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizado(s) para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, cientificado do despacho, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, sustentando o seguinte: a) no termo de intimação fundamentado pelo auditor fiscal da RFB, o crédito não foi homologado com a alegação de inconsistências na informação dos créditos constantes da declaração de compensação; b) foi elaborada Declaração de Débitos Tributários Federais – DCTF Retificadora, para demonstrar o pagamento indevido a maior da DCTF que se encontrava ativa na data do processamento do PER/DCOMP; c) cabe à RFB efetuar análise das informações detalhadas transmitidas à RFB pela empresa sobre a respectiva compensação, que se encontram devidamente detalhadas na DCTF retificadora e no PER/DCOMP. Contudo, o Acórdão recorrido, dispôs o seguinte, em acórdão assim ementado, em síntese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) (...) Ementa: COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. A restituição/compensação de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro, como ocorre com o IRRF, somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de tê-lo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebê-la. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, entendendo que a DCOMP deve ser integralmente homologada, pelos seguintes fundamentos: a) nulidade do Acórdão em face de alteração de critério jurídico (segundo o recorrente, o acórdão teria adotado dispositivo legal não utilizado pela autoridade fiscal, violando o art. 146 do CTN); b) que o IRRF indevidamente recolhido pelo recorrente nos pagamentos efetuados à sociedade estrangeira foi integralmente suportado pela Recorrente; c) que o pedido de retificação da DCTF foi deferido, e que comprovariam os créditos existentes; d) entendeu pela impossibilidade da tributação da renda relativa ao pagamento de serviços para sociedade residente na França em função da aplicação de Tratado bilateral entre os dois países em que estão sediadas as partes contratantes, fundamentado no Ato Declaratório Interpretativo n. 5/14 e na Solução Cosit n. 507/17, assim como em jurisprudência administrativa colacionada na peça recursal. Após, os autos foram encaminhados para o CARF, para apreciação e julgamento. É o Relatório. Fl. 440DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.273 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901694/2017-65 Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Trata-se de Recurso Voluntário em face da r. decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo em integridade o r. despacho decisório que indeferiu o direito creditório pleiteado. Analisando o despacho decisório, verifica-se que o motivo do indeferimento da compensação requerida residiu no fato de o direito creditório informado na DCOMP referir-se a pagamento utilizado integralmente na quitação de débito regularmente confessado em DCTF: De outro lado, ao analisar a manifestação de inconformidade, a r. DRJ acrescenta, ainda, que no tocante ao IRRF, a interessada deve ainda, comprovar que atende aos requisitos previstos no art. 166 do CTN para que o direito creditório lhe seja reconhecido. Nesse aspecto, passo a analisar a razão inicial do indeferimento do crédito. Neste aspecto bem andou a DRJ ao registrar que: No caso vale lembrar que a DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), instituída pela IN SRF nº 126/98, constitui confissão de dívida nos termos do artigo 5º, § 1º, do Decreto-lei nº 2.124/84, que dispõe que “O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito“. Cumpre observar, ainda, que a DCTF retificadora que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições entregue após o início de qualquer procedimento fiscal, como no presente caso (a ciência do despacho decisório ocorreu em 11/05/2017), somente pode ser aceita no âmbito do contencioso administrativo fiscal se guardar consonância com o conteúdo das outras declarações prestadas pelo contribuinte à RFB. Lembre-se, em adição, que tal retificação ainda deve ser restar acompanhada de elementos de prova bastantes para confirmar a efetiva ocorrência do equívoco objeto da retificação, na esteira da norma veiculada no art. 147, §1º, do CTN, e item 13.1 do Parecer Normativo COSIT nº. 2/2015, a seguir transcrito: “O sujeito passivo é obrigado a comprovar a veracidade das informações declaradas na DCTF e no PER/DCOMP e a autoridade administrativa tem o poder-dever de confirmá-las. A autoridade administrativa poderá solicitar a comprovação do alegado crédito informado no PER/DCOMP, e se ele, por exemplo, for um pagamento e estiver perfeitamente disponível nos sistemas da RFB, pode ser considerado apto a ser objeto de restituição ou de compensação, sem prejuízo de ser solicitado do declarante comprovação de que se trata de fato de indébito. Vale dizer, a retificação da DCTF é necessária, mas não Fl. 441DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.273 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901694/2017-65 necessariamente suficiente para deferir o crédito pleiteado, que depende da análise da autoridade fiscal/julgadora do caso concreto. Tanto que tal autoridade poderá discordar das razões apresentadas (a despeito da retificação da DCTF) e, consequentemente, indeferir/não homologar o PER/DCOMP com base em outros elementos de prova de que tal pagamento, ainda que disponível nos sistemas da RFB” (g.n.) Assim, consideram-se devidos os valores confessados em DCTF, exceto se o interessado lograr comprovar ter incorrido em erro em seu preenchimento, mediante documentação hábil e legítima, em atenção ao princípio da verdade material. Vale ressaltar que a prevalência do princípio da verdade material não transfere o ônus da prova que, no caso de postulação de direito creditório, recai sobre o contribuinte. Com efeito, nos termos da legislação processual em vigor, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333 do Código de Processo Civil). In casu, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo. Decorre daí que os pedidos, solicitações e declarações envolvendo reivindicação de direito creditório junto à Fazenda Nacional devem estar, necessariamente, instruídos com as provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, configurando-se imprescindível, no caso de pagamento indevido de IRRF, que seja comprovada a regular apuração do débito devido no período, bem como sua quitação. Os créditos declarados pelos contribuintes devem obrigatoriamente refletir a apuração corretamente escriturada, sujeitando-se, assim, à comprovação documental para aferição da certeza do crédito pleiteado. Assim sendo, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição, compete ao sujeito passivo que teria, supostamente, efetuado pagamentos indevidos. Decorre, daí, que o pleito deve estar necessariamente instruído com as provas nas quais se fundamenta, sob pena de pronto indeferimento. Observo ainda que, nas fls. 334-341, a recorrente apresentou o Despacho Decisório DRF/BRE/SECAT n°191/2019 proferido nos Processos Administrativos n. 13896.721736/2017-86 e 13896.721008/2018-55, em que a própria RFB após analisar a documentação necessária, deferiu a correção do débito relativo à IRRF e CIDE: Diante de todo o exposto e considerando: • as justificativas apresentadas pelo requerente; • os documentos que suportaram cada uma das operações em que ensejaram as alterações na apuração dos tributos; • o teor das normas internas acerca das retificações de DCTF ; • o teor do Decreto n° 70.506/1972, das Soluções de Consulta COSIT n° 381/2017 e 501/2017 e do art. 2°da Lei n°10.168/2000; Ficam DEFERIDAS as alterações nos débitos conforme demonstrativo a seguir, em Reais: (...) Tudo somado, a meu ver, resta demonstrada a verossimilhança suficiente das alegações da recorrente enquanto aptas a provocar a reanálise do direito crédito pleiteado. Fl. 442DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.273 - 1ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13896.901694/2017-65 Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso para dar PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração o deferimento da retificação da DCTF pela própria RFB e os demais documentos juntados aos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pelo contribuinte, levando em consideração o deferimento da retificação da DCTF pela própria RFB e os demais documentos juntados aos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade do interessado, retomando-se o rito processual. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 443DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10480.913041/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
DCOMP. ERRO. COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO.
Se por um lado é correto indeferir o direito creditório postulado equivocadamente, por outro lado, o débito informado também de forma equivocada na Dcomp não pode ensejar cobrança indevida. Prevalece na espécie a verdade material, a realidade dos fatos. Assim, a Dcomp transmitida com erro deve ser cancelada de ofício, bem como eventuais cobranças dela decorrentes.
Numero da decisão: 1201-005.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Efigênio de Freitas Júnior
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 DCOMP. ERRO. COMPROVAÇÃO. CANCELAMENTO. Se por um lado é correto indeferir o direito creditório postulado equivocadamente, por outro lado, o débito informado também de forma equivocada na Dcomp não pode ensejar cobrança indevida. Prevalece na espécie a verdade material, a realidade dos fatos. Assim, a Dcomp transmitida com erro deve ser cancelada de ofício, bem como eventuais cobranças dela decorrentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigênio de Freitas Júnior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (Suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de declaração de compensação (Dcomp) em que o contribuinte compensou débito de IRPJ referente ao 1º trimestre de 2008, no valor de R$429.044,10, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ (código 2089 - lucro presumido) referente ao período de apuração 04/2008 recolhido em 30/04/2008, no valor de R$440.492,82 AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 30 41 /2 00 9- 11 Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.425 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.913041/2009-11 (e-fls. 3 e seg.). 2. Despacho Decisório não homologou a compensação declarada em razão de o pagamento indicado como crédito ter sido utilizado integralmente para quitação de débitos do contribuinte. 3. Em manifestação de inconformidade, a recorrente reconheceu a higidez do Despacho Decisório, “posto que coerente e com base nos lançamentos constantes junto a essa SRFB”, porém alega que as informações constantes das DCTF’s transmitidas (original e duas retificadoras) não retrataram com fidelidade a totalidade dos tributos apurados no mês de março de 2008. 4. Observa que informou no Darf referente ao 1º trimestre de 2008 (R$440.492,82) o período de apuração 30/04 quando o correto seria 31/03; registra também equívocos no preenchimento de DCTF e aduz que os valores corretos constam da DCTF retificadora transmitida em 17/07/2008, ou seja, o valor devido de IRPJ no 1º trimestre é R$429.044,10 e o valor efetivamente pago R$440.492,82, o que gerou um crédito remanescente de R$ 11.448,72 (R$440.492,82- R$429.044,10). Todavia, “sem razão, sem causa e sem justificativa”, em 1/08/2008, transmitiu nova e indevida DCTF retificadora que retornou o valor anterior para R$440.492,82. Veja-se: 3.1. o presente processo teve início em 17/07/2008 em razão da Declaração de Compensação transmitida, na qual identificou DARF do período de apuração de 30/04/2008 correspondente a IRPJ, código de receita 2089, com vencimento em 30/04/2008 e recolhido em 30/04/2008, no valor de R$ 440.492,82, sendo este o mesmo valor do débito a ser compensado e identificado na Declaração de Compensação; 3.2. “Detecta-se de logo o erro de preenchimento daquele DARF quanto ao ‘período de apuração’, posto que o correto seria ‘período de apuração 31 de março de 2008’ (primeiro trimestre de 2008), e não ‘período de apuração 30 de abril de 2008”; [...] 3.5. em 14/05/2008, com o objetivo de sanear aqueles erros de informações relativos à DCTF primitiva, elaborou e transmitiu a 1ª DCTF retificadora, protocolada sob o nº 37.64.19.80.52, na qual informa novos tributos devidos em favor da Fazenda Nacional, relativos ao mês declarado, nos seguintes valores: IRPJ, R$ 440.492,82 (valor incluído); CSLL, R$ 159.258,10 (valor incluído); PIS/Pasep, R$ 31.516,90; Cofins R$145.462,64; 3.6. fez lançar a informação de "Débito Apurado" sob a rubrica de IRPJ - 1°.TRIM- 2008, devido em favor da Fazenda Nacional no importe de R$ 440.492,82, quando o valor que deveria ter sido lançado naquela DCTF importaria R$ 429.044,10, no entanto, por equívoco, foi lançado/declarado como sendo R$ 440.492,82; 3.7. verificado o equívoco, procedeu à transmissão da 2ª DCTF retificadora, recepcionada em 17/07/2008 sob o nº 37.07.28.41.47, e possuindo as seguintes totalizações de tributos apurados no mês: IRPJ de R$ 429.044,10 (valor retificado); CSLL de R$ 159.258,10; PIS/Pasep no montante de R$ 31.516,90 e Cofins na cifra de R$ 145.462,64; 3.8. destaca que essa “2ª” (sic) DCTF retificadora, transmitida em 17/07/2008, retrata fielmente a totalização dos tributos apurados no mês/trimestre correspondente; Fl. 272DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.425 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.913041/2009-11 3.9. no entanto, “sem razão, sem causa e sem justificativa”, em 1º/08/2008, a manifestante elabora e transmite uma nova e indevida DCTF retificadora, (recepcionada sob o nº 01.29.00.47.28), fazendo lançar aquele valor de R$ 440.492,82 como sendo a totalização do imposto apurado (IRPJ) no mês/trimestre, quando o correto e exato corresponde ao valor do IRPJ apurado e devido em favor da Fazenda Nacional importa em R$ R$ 429.044,10; [...] 3.15.4. em síntese, reconhecer que o contribuinte efetivamente recolheu em favor da fazenda nacional a importância de R$ 440.492,82, quando deveria recolher R$ 429.044,10, restando-lhe efetivamente um crédito no importe de R$ 11.448,72. 3.16. destaque-se que quando da elaboração da DCTF retificadora transmitida em 17/07/2008, o valor postulado para ser compensado, no importe de R$429.044,10, representa o valor efetivamente devido, enquanto que o valor efetivamente pago e recolhido em favor da Fazenda Nacional importou R$ 440.492,82, restando, pois, evidente cabível a compensação, além de um crédito remanescente de R$ 11.448,72. 5. A decisão recorrida assentou que “a DCTF serve inclusive confissão de dívida, que a contribuinte não apresentou documentação que comprovasse erro que desse fundamento para retificação de DCTF anterior, por meio de redução de tributo, considerando-se, ainda, que as provas devem ser apresentadas juntamente com a defesa da contribuinte, tendo, no caso, inclusive, já precluído o seu direito de apresentá-las em outro momento, uma vez que não demonstrou, muito menos com fundamentos, a ocorrência de alguma das hipóteses do art. §4º do art. 16 do Decreto 70.235/72”. 6. Com efeito, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo transcrita (e-fls. 61): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2008 IMPUGNAÇÃO E PROVAS DOCUMENTAIS. PRAZO DE APRESENTAÇÃO. Pela legislação de regência do processo administrativo fiscal, as razões de impugnação e as provas documentais devem ser aduzidas no prazo de trinta dias contados da data em que for feita a intimação da exigência, ressalvada a hipótese, desde que fundamentada, de posterior apresentação de provas documentais que demonstrem a impossibilidade de efetuá-las naquele prazo, se por motivo de força maior, ou se refiram a fato ou direito superveniente ou caso se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido 7. Cientificada da decisão de primeira instância em 06/10/2012, a recorrente interpôs recurso voluntário em 08/10/2012 e apresentou as alegações a seguir. 8. Registra, inicialmente que a Dcomp “que gerou o presente processo (n° 39606.10660.170708.1.3.04-9967) foi encaminhada por engano, de forma equivocada. Não havia, como não há, motivo para o envio da referida Declaração. Nem o crédito ali informado, no valor de R$ 440.492,82, nem o débito, no valor de R$ 429.044,10, deveriam ter sido informados. Fl. 273DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.425 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.913041/2009-11 9. Em seguida assenta que “Em verdade, o que a ora Recorrente pretendia nestes autos já está sendo discutido no Processo n° 10480.913040/2009-68 (a que o acórdão ora recorrido, inclusive, fez textual remissão), inclusive no recurso voluntário interposto contra o acórdão n° 11-35.630 (4ª Turma da DRJ/REC).” 10. Reitera as alegações apresentadas no processo nº 10480.913040/2009-68 e salienta que “não conseguiu cancelar o questionado PERDCOMP porque o sistema eletrônico da RFB não processou o respectivo requerimento sob o argumento de que a decisão administrativa já havia sido prolatada”. 11. Por fim, requer o provimento do recurso voluntário para cancelar a compensação e o débito nela informado. 12. No âmbito deste Carf, a 2ª Turma Especial da Primeira Seção converteu o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos da Resolução nº 1802-000.305, de 06/08/2013 (e-fls. 189): 13. Aparentemente, com base do Despacho Decisório de fl. 06, a Recorrente utilizou a PER/DCOMP para declarar e extinguir o débito de IRPJ referente ao 1º trimestre de 2008, pago através do DARF de R$ 440.492,82, vez que não conseguiu retificar novamente a DCTF. Se essa premissa estiver correta a PER/Dcomp objeto do presente processo deve ser cancelada. Vê-se que a negativa da compensação se deu com fundamento na alegação que o DARF havia sido utilizado na extinção de débito da contribuinte. Ocorre que o débito indicado no Despacho Decisório (ao qual o pagamento foi vinculado) é o mesmo débito objeto do PER/Dcomp. Por todo o exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a delegacia de origem informe: a) com base na escrita contábil, memórias de cálculo do IRPJ e escrituração das notas fiscais de faturamento, o montante devido em 31/03/2008 a título de IRPJ - lucro presumido; b) o desmembramento, por tributo e período de apuração, dos débitos da Recorrente extintos através do DARF no valor de R$ 440.492,82; c) intimar o contribuinte do resultado da diligência para que se manifeste no prazo de 30 (trinta) dias. Concluída a diligência fiscal, a delegacia de origem deverá lavrar relatório circunstanciado, pormenorizado e conclusivo dos resultados apurados. (Grifo nosso) 14. A autoridade fiscal realizou a diligência e lavrou relatório fiscal (e-fls. 246), a recorrente foi cientificada (e-fls. 258), mas não se manifestou, e os autos foram devolvidos a este Carf. 15. É o relatório. Fl. 274DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.425 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.913041/2009-11 Voto Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior - Relator, Relator. 16. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade razão pela qual dele conheço. Passo à análise. 17. A recorrente apresentou Dcomp em que compensou débito de IRPJ relativo ao 1º trimestre de 2008, no valor original de R$429.044,10, com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, referente ao período de apuração 04/2008, recolhido em 30/04/2008, no valor de R$440.492,82. 18. Alega, em síntese, equívoco no envio da Dcomp n° 39606.10660.170708.1.3.04- 9967 objeto destes autos, no sentido de que o “Nem o crédito ali informado, no valor de R$ 440.492,82, nem o débito, no valor de R$ 429.044,10, deveriam ter sido informados”, porquanto o que se pretende é objeto de discussão nos autos do processo n° 10480.913040/2009-68. 19. Pois bem. O art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN estabelece que a lei pode, nas condições e garantias que especifica, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. 20. Em consonância com o art. 170 do Código Tributário Nacional - CTN, o art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e respectivas alterações, dispõe que a compensação deve ser efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração em que constem informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos compensados. O mencionado dispositivo estabelece, ainda, que a compensação declarada à Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. 21. Faz-se necessário, portanto, que o crédito fiscal do sujeito passivo seja líquido e certo para que possa ser compensado (art. 170 CTN c/c art. 74, §1º da Lei 9.430/96). 22. Por outro lado, a verdade material, como corolário do princípio da legalidade dos atos administrativos, impõe que prevaleça a verdade acerca dos fatos alegados no processo, tanto em relação ao contribuinte quanto ao Fisco. O que nos leva a analisar o ônus probatório. 23. Nos termos do art. 373 da Lei 13.105, de 2015 - CPC/2015, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O que significa dizer, regra geral, que cabe a quem pleiteia, provar os fatos alegados, garantindo-se à outra parte infirmar tal pretensão com outros elementos probatórios. 24. Nessa esteira, cabe ao contribuinte provar a liquidez e certeza do direito creditório postulado, exceto nos casos de erro evidente, de fácil constatação. Uma vez colacionados aos autos elementos probatórios suficientes e hábeis, eventual equívoco, o qual deve ser analisado Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.425 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.913041/2009-11 caso a caso, não pode figurar como óbice ao direito creditório. Por outro lado, a não apresentação de elementos probatórios prejudica a liquidez e certeza do crédito vindicado, o que inviabiliza a repetição do indébito. 25. No caso em análise, converteu-se o julgamento em diligência para verificar “com base na escrita contábil, memórias de cálculo do IRPJ e escrituração das notas fiscais de faturamento, o montante devido em 31/03/2008 a título de IRPJ - lucro presumido”. 26. Em diligência, embora a recorrente não tenha apresentado documentação comprobatória solicitada pelo Fisco, a autoridade fiscal relata a rara situação implementada pela recorrente, qual seja, informar como crédito o valor de R$440.492,82 que é o próprio valor do Darf pago para o respectivo vencimento. 27. Aduz que, apesar do não atendimento à intimação, o que prejudicou parcialmente a análise, a pretensão da recorrente foi uma tentativa “mal acabada” de retificar a Dcomp nº 39.606.10660.170708.1.3.04-9967, objeto do processo nº 10480.913.041/2009-11. Com efeito, ao amparo da verdade material entendeu pela desconsideração dos efeitos da Dcomp objeto destes autos. 28. A seguir, trechos do relatório de diligência (e-fls. 246): Relatório 1.1 DCOMP (Fls. 03 a 11) Conforme consta do arquivo anexo ao processo sob a denominação “DCOMP RELACIONADAS”, contribuinte apresentou duas DCOMP que foram admitidas para análises, as quais utilizam o mesmo crédito, ou seja, as de nºs 33254.08200.150708.1.3.04-9957 (Analisada no processo nº 10480.913.040/2009-68) e 39606.10660.170708.1.3.04-9967 (A ser analisada neste processo). Na DCOMP em análise neste processo, o contribuinte aproveita o saldo de crédito de R$ 436.403,49 , resultante na DCOMP nº 33254.08200.150708.1.3.04-9957. O débito compensado é o do IRPJ (2089), relativo ao período de apuração do 1º trimestre do ano de 2008, vencido em 30/04/2008, no valor original de R$ 429.044,10. [...] 1.7 Intimação e ciência Às fls. 199 dos autos consta a intimação determinada pelo CARF, cuja ciência do contribuinte ocorreu em 20/03/2020 (Fls. 202). No caso, a resposta à intimação só ocorreu no 30/06/2020 (Fls. 205 a 208), de 2020. Observe-se que em função do que consta no art. 6º e alterações da Portaria RFB n° 543, de 2020, e alterações, a resposta foi efetivada tempestivamente. 1.8 Resposta a intimação Na citada resposta consta que: a) em função da restrição de pessoas e veículos (Decreto do Estado de Pernambuco 49.017, de 2020), e do tempo já decorrido, está tendo dificuldade para a localização de parte documentação solicitada. Informa que já localizou a escrituração contábil e a memória de cálculos, mas ainda não obteve êxito em relação às notas ficais; e b) pede mais prazo para apresentar o resta da documentação. 1.9 Em função do momento de pandemia por qual passamos e considerando que já são passados 12 anos desde o fato gerador em questão, foi emitido documento para o contribuinte, acatando em retirar as notas fiscais dos documentos solicitados e Fl. 276DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1201-005.425 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.913041/2009-11 determinando a apresentação da documentação que o contribuinte já possui (Ver fls. 216 e 217). 2. Análise Embora todo o descrito no relatório desta Informação Fiscal, fins dar uma visão histórica dos fatos, na realidade só é relevante para esta análise o que consta nos subitens 1.6 a 1.9 do relatório desta informação. No caso, ressalvo que: a) Na DCOMP Matriz (33254.08200.1507081.3.04-9957 (Processo nº 10480.913.040/2009-69), o contribuinte coloca uma situação que seria rara para o caso, ou seja, que o crédito a compensar seria o valor de R$ 440.492,82 que é o próprio valor do DARF pago para o respectivo vencimento. O próprio contribuinte em suas defesas diz que o correto valor do crédito a compensar seria de R$ 11.488,72, ou seja, R$ 440.492,82 (Valor pago) subtraído do débito que pretende compensar de R$ 429.044,10. No caso, considerando que o valor do crédito que o contribuinte entende ter estivesse correto (Não atendeu intimação para apuração de ofício dos citados valores), o valor que sobraria de crédito após a compensação da DCOMP citada nesta alínea seria de R$ 7.319,24 (R$ 11.488,72 – 4.169,48) e não R$ 436.403,49 como está na DCOMP nº 39.606.10660.170708.1.3.04-9967 (Processo nº 10480.913.041/2009- 11); b) o valor do débito compensado na DCOMP n° 39.606.10660.170708.1.3.04-9967 (Processo nº 10480.913.041/2009-11), ou seja, R$ 429.044,10 é o mesmo que fez parte da composição do contribuinte para concluir que tem um crédito de R$ 11.488,72 (Ver alínea anterior); e c) em resumo, no meu entender o que o contribuinte pretendia fazer na confecção e transmissão da DCOMP nº 39.606.10660.170708.1.3.04-9967 (Processo nº 10480.913.041/2009-11) seria uma retificadora mal acabada da DCOMP nº (33254.08200.1507081.3.04-9957 (Processo nº 10480.913.040/2009-69). Observe-se que o não atendimento do contribuinte à intimação descrita nos subitens 1.8 e 1.9 desta decisão prejudicou demais um raciocínio preciso sobre a situação. 3. Conclusão Pelo descrito item 2 (Dois) desta informação e considerando o princípio da verdade material, entendo que: a) deve ser desconsiderado os efeitos da DCOMP nº 39.606.10660.170708.1.3.04- 9967 (Processo nº 10480.913.041/2009-11); e b) deve ser cancelada a cobrança decorrente do Despacho decisório de fls. 13 do presente processo. 4. Encaminhamento Dar ciência dessa informação fiscal ao contribuinte, abrindo prazo de 30 dias contados da respectiva ciência para se manifestar. Decorrido o prazo citado, encaminhar o processo à 2ª Turma Especial do CARF. (Grifo nosso) 29. Embora a recorrente não tenha apresentado documentação comprobatória durante a diligência, verifica-se que o débito de IRPJ referente ao 1º trimestre de 2008 é R$429.044,10, conforme DCTF retificadora nº 1002.008.2010.1810435564, transmitida em 29/08/2010 (e- fls.134, 138 - documentos anexados pela RFB); verifica-se ainda o recolhimento para esse período no valor de R$440.492,82, embora com equívoco na informação do período de apuração do Darf (informou-se 30/04 quando o correto seria 31/03, e-fls. 215). Fl. 277DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1201-005.425 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10480.913041/2009-11 30. Acrescente a isso a alegação da recorrente no sentido de que “não conseguiu cancelar o questionado PERDCOMP porque o sistema eletrônico da RFB não processou o respectivo requerimento sob o argumento de que a decisão administrativa já havia sido prolatada”. Tal impedimento está em consonância com a IN RFB 900, de 2008, que permite a retificação de Dcomp, nas hipóteses em que permitida, dentre elas inexatidão material, somente no caso de a Dcomp estar pendente de decisão administrativa à época do envio da retificadora. Veja-se: Art. 77. O pedido de restituição, ressarcimento ou reembolso e a Declaração de Compensação somente poderão ser retificados pelo sujeito passivo caso se encontrem pendentes de decisão administrativa à data do envio do documento retificador e, observado o disposto nos arts. 78 e 79 no que se refere à Declaração de Compensação. Art. 78. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel somente será admitida na hipótese de inexatidões materiais verificadas no preenchimento do referido documento e, ainda, da inocorrência da hipótese prevista no art. 79. Art. 79. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário em meio papel não será admitida quando tiver por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à RFB. (Grifo nosso) 31. Nesse contexto, a meu ver o valor original pleiteado seria R$11.488,72 (R$440.492,82 - R$429.044,10) e não o valor de R$440.492,82 informado na Dcomp 39606.10660.170708.1.3.04-9967 objeto destes autos. Ocorre que esse crédito (R$11.488,72) é objeto dos autos do processo nº 10480.913040/2009-68 (Dcomp 33254.08200.150708.1.3.04- 9957), o que demonstra a inexatidão material do pleito a ensejar o cancelamento da segunda Dcomp. 32. Se por um lado é correto indeferir o direito creditório postulado equivocadamente, Por outro lado, o débito informado também de forma equivocada na Dcomp não pode ensejar cobrança indevida. Prevalece na espécie a verdade material, a realidade dos fatos. Assim, a Dcomp transmitida com erro deve ser cancelada de ofício, bem como eventuais cobranças dela decorrentes. Conclusão 33. Ante o exposto, dou provimento ao recurso voluntário para cancelar a Dcomp 39606.10660.170708.1.3.04-9967, objeto destes autos. 34. É como voto. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior - Relator Fl. 278DF CARF MF Documento nato-digital
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