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Numero do processo: 10920.000206/00-76
Data da sessão: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Mon Sep 18 00:00:00 UTC 2006
Ementa: CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL – Na presença de ação judicial contra a Fazenda Pública, prévia ou posterior ao lançamento, com o mesmo objeto discutido na esfera administrativa, caracteriza-se renúncia às instâncias administrativas.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/01-05.518
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos
termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado.
Nome do relator: Marcos Vinícius Neder de Lima
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA TURMA Processo n° :10980.004705/92-09 Recurso :101-125644 Matéria : CLS Recorrente : BUSCAR INVESTIMENTOS E EMPREENDIMENTOS LTDA Recorrida : V CÂMARA DO 1° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Interessada : FAZENDA NACIONAL Acórdão n° : CSRF/01-05.518 Sessão :18 de setembro de 2006 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL — Na presença de ação judicial contra a Fazenda Pública, prévia ou posterior ao lançamento, com o mesmo objeto discutido na esfera administrativa, caracteriza-se renúncia às instâncias administrativas. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BUS CAR INVESTIMENTOS E EMPREENDIMENTOS LTDA. ACORDAM os Membros da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam integrar o presente julgado. MANOEL AN •NIO GADELHA DIAS PRESID n Mfriz5 •S VINICIUS NEDER DE LIMA RDATOR FORMALIZADO EM: 23 FEV 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: CÂNDIDO RODRIGUES NEUBER, MÁRCIO MACHADO CALDEIRA (substituto convocado), JOSÉ CLÓVIS ALVES, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, DORIVAL PADOVAN, JOSÉ HENRIQUE LONGO e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. Ausente justificadamente o Conselheiro PAULO JACINTO DO NASCIMENTO. Ou Processo n° : 10980.004705/92-09 Acórdão : CRSF/01-05.518 Recurso n° :101-125644 Recorrente : BUS CAR INVESTIMENTOS E EMPREENDIMENTOS LTDA Interessada : FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO Trata-se de processo de exigência de Contribuição Social sobre Lucro Líquido - CSLL no ano-calendário de 1996, 1997 e 1998 ante a constatação de exclusão indevida na determinação da base de cálculo da diferença IPC/OTN Fiscal (Plano Verão) e compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores. Segundo informa a decisão recorrida, as duas matérias em discussão no presente processo administrativo são objeto de ações judiciais. Pelo Acórdão no 101-94.310, de 13/08/2003 (fls. 447 e segs), a Primeira Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso. A decisão, na matéria objeto do recurso especial, rejeitou a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau requerida em razão do não conhecimento da matéria objeto de ação judicial. Com fulcro no artigo 32, inciso II, aprovado pela Portaria n° 55/98, recorre tempestivamente o sujeito passivo à Câmara Superior de Recursos Fiscais contra a decisão proferida em segunda instância administrativa, alegando divergência entre a referida decisão e outras do Conselho de Contribuintes (Ac. 201-71.703 e 203- 05.200) no que se refere à renúncia à via administrativa por haver ação judicial interposta pela contribuinte com o mesmo objeto do recurso administrativo em exame. As decisões trazidas como paradigma conheceram do recurso interposto mesmo na hipótese de discussão simultânea na via judicial e administrativa pelo sujeito passivo. 2 y-71 Processo n° :10980.004705/92-09 Acórdão : CRSF/01-05.518 Conforme o Despacho n" 101-176/2005 (fls.549 e segs), a Presidência da Primeira Câmara do Primeiro Conselho deu seguimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte, por entender estar configurada a divergência. A Procuradoria da Fazenda Nacional não apresentou contra-razões ao recurso especial. É o relatório. 0 d(9 , 3 Processo n° : 10980.004705/92-09 Acórdão : CRSF/01-05.518 VOTO Conselheiro - MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, Relator. A divergência suscitada versa sobre a possibilidade de conhecer de recurso administrativo com o mesmo objeto de ação judicial interposta previamente ao lançamento. Essa matéria se encontra pacificada na jurisprudência desse Colegiado, que entende não ser possível o conhecimento do recurso administrativo no tocante a matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, seja o auto de infração lavrado antes ou após a interessada ter ingressado com ação judicial, como se depreende do enunciado da Súmula n° 1 do Primeiro Conselho de Contribuintes, a seguir transcrito: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." São estas razões de decidir que me levam a negar provimento ao recurso do sujeito passivo. Sala das Ses õ z 18 de setembro de 2006. MA' C* INICIUS NEDER DE LIMA 4 Page 1 _0027200.PDF Page 1 _0027300.PDF Page 1 _0027400.PDF Page 1
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Numero do processo: 35582.002630/2006-01
Data da sessão: Mon Nov 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 30 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998
TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE. MÃO DE OBRA.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARBITRAMENTO
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional.
Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no artigo 173, inciso 1 do CTN Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.770
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998 TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE. MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARBITRAMENTO O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no artigo 173, inciso 1 do CTN Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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JULGAMENTO Processo n" 35582.002630/2006-01 Recurso n" 145.414 Voluntário Acórdão n" 2301-00.770 — 3" Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de .30 de novembro de 2009 Matéria DECADÊNCIA Recorrente EMPRESA BRASILEIRA DE. TELECOMUNICAÇÕES SA Recorrida DRP EM RIO DE JANEIRO - CENTRO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDE,'NCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1998 a 31/12/1998 TOMADOR DE SERVIÇO. CESSÃO DE. MÃO DE OBRA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ARBITRAMENTO O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras de decadência estabelecidas no Código Tributário Nacional. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no artigo 173, inciso 1 do CTN Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presente autos. ) Processo n" 35582 002630/2006-0 I S2-C3T1 Acórdzio n " 2301-00.770 Fl 2 ACORDAM os membros da 3" Câmara / 1" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar de decadência para provimento do recurso, nos termos do voto do relator. I: n 1, 1 -.- f n . ,, f'-\ 1 ,Ç , r.. N -;» ki R i,\_,_----- ,. JULIO ÇESA sVIEIRA GOMES — Presidente L ( Oh DAMIÃO CORDE RO DE MORAES — Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vida! (suplente), Maria Helena Lima dos Santos (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente) Relatório I, Trata-se de recurso voluntário interposto pelo EMPRESA BRASILEIRA DE TELECOMUNICAÇÕES SÃ contra decisão monocrática que julgou procedente o lançamento fiscal de crédito tributário ensejado pelo não recolhimento das contribuições previdenciárias para a Seguridade Social. Essa cobrança é proveniente da responsabilidade solidária entre a tomadora e a prestadora de serviço CONSERVADORA MANAUS LTDA, tendo em vista a cessão de mão de obra referente a serviços de conservação e limpeza realizados durante o período de 01/02/1998 a 31/12/1998. 2. A ementa da decisão de primeira instância restou vazada nos seguintes termos: "R.ESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA A respon,sabilidade solidária não comporta beneficio de ordem, podendo o fisco exigir o total do crédito constituido da empresa contratante, a teor do ar! 31 da Lei 8.212/91, com a redação vigente à época dos latos geradores, c/c art. 124, parágrafb único, do Código Tributário Nacional (Lei n" 5 172/66) LANÇAMENTO PROCEDENTE" 3, Considerando que a empresa contratada, em síntese, repisou os mesmos argumentos trazidos em sede de primeira instância, transcrevo trecho das contra-razões do fisco, nos seguintes termos: -, Processo o' 35582.002630/2006-01 S2-C3T1 Acórdão o.° 2301-00.770 Fl, 3 '71. Não se pode aplicar a variação do percentual da multa de 12%, 15%, 20%, e 2.5%, uma vez que tal norma penaliza, indiscutivelmente, sem qualquer cerimônia o exercício do direito de defesa do sujeito passivo,' 7,2 O prazo de dez anos não pode ser, validamente utilizado para lançamentos tributários no ordenamento jurídico pátrio o que, sem maiores comentários, inquina de inconstitucionalidade o art, 4.5, da Lei n°8.212/91; 7.3. Somente seria admissivel ao INSS exigir da recorrente as contribuições objeto do lançamento se restasse configurada a efetiva inadimplência do prestador dos serviços, contra quem, inicialmente, deveria ter sido lançado o crédito e somente após terem esgotados todos os meios de cobrança; 7.4 Caso a decisão a Tio seja mantida e a recorrente venha a ser compelida a efetuar o pagamento do suposto débito em discussão, o INSS pode estar se locupletando indevidamente; 7..5. Revela-se patente a arbitrariedade do lançamento por meio de aferição indireta, em flagrante contrariedade aos dispositivos da Lei 8,212/91, e, aos princípios do não confisco e da verdade material; 76. Requerer a procedência do seu recurso administrativo para que seja reformada a decisão recorrida ou, caso os argumentos e fundamentos apresentados não sejam suficientes, per se, à anulação dos lançamentos em questão, seja realizada perícia ou no mínimo, seja o julgamento convertido em diligência, de forma que sejam carreados aos autos os elementos indispensáveis para que forme o convencimento do Colendo Conselho, 11,1 "(fls. 170) 4. Por sua vez, o Colegiado da antiga 4" Câmara de Julgamento decidiu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência para que o fisco informasse "se o prestador do serviço já foi submetido à alguma espécie de fiscalização total (com contabilidade), ou mesmo se há lançamentos referentes ao mesmo período considerado no tom ador, se aderiu a parcelamentos especiais, e se tem CND de baixa já emitida." 5. Em seguida, após emissão de informativo fiscal (fi. 178), o contribuinte manifestou-se nos autos pugnando pela improcedência do lançamento fiscal haja vista presença de vício e ilegalidade. É o relatório. 3 Processo n° 35582.002630/2006-01 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.770 Fi 4 Voto Conselheiro DAMIÀ0 CORDEIRO DE MORAES, Relator ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. Conheço do recurso, uma vez que é tempestivo a atende aos pressupostos de admissibilidade. DECADÊNCIA 2. Sobre a decadência, cumpre dizer que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: "Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5" do Decreto-lei n° 1,569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, § 40, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art, 5' do Decreto-lei n° 1.569/77, ,frente ao § 1° do art 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69, É como voto, Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8,212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário" 4 Processo n°35582 0026:30/2006-01 S2-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.770 FI, 5 3, Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei tf 11.417, de 19/12/2006, in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei, (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei 11,417, de 19/1212006,- Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei no 9,784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. „. Art, 2" O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas ,federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. 1° O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante Inultiplicação de processos • sobre idêntica questão." 4. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante, Assim sendo, independente de meu entendimento pessoal sobre a matéria, manifestado em meus votos anteriores, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08. 5, Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - C'FN se aplicar ao caso concreto. Compulsando os autos, constata-se no Relatório de Lançamentos e no Discriminativo Analítico de Débito que a recorrente não efetuou o pagamento de suas obrigações as quais se refere o lançamento. Então, deve-se prevalecer a regra trazida pelo artigo 173, 1 do CTN, 6, Assim sendo, tendo sido cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 21/12/2005, referente às contribuições do período de 01/05/1995 a .31/12/1998, fica alcançado pela decadência qüinqüenal o lançamento fiscal em sua totalidade. Dl 5 Processo n° 35582 002630/2006-0 / S2-C3T1 Acórdão n •° 2301-0W770 El 6 7. Em razão do exposto, acato a preliminar de decadência para dar provimento ao recurso voluntário interposto. CONCLUSÃO 8. Assim, voto por dar PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, em 30 de novembro de 2009. DAMIÃO CORDEIRO DE MORAES 6
score : 1.0
Numero do processo: 13804.004234/99-35
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração:01/10/1989 a 30/06/1994
RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO.
Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco.
As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.
Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte.
Numero da decisão: 9900-000.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração:01/10/1989 a 30/06/1994 RESTITUIÇÃO. PRESCRIÇÃO. Para os pedidos de restituição protocolizados antes da vigência da Lei Complementar nº 118/2005, o prazo prescricional é de 10 anos a partir do fato gerador, em conformidade com a tese cognominada de cinco mais cinco. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. Recurso Extraordinário do Procurador Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao Recurso Extraordinário OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 42 34 /9 9- 35 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas, Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de Recurso Extraordinário interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão proferido pelo colegiado a quo, que deu provimento ao recurso especial interposto pelo contribuinte. A PGFN interpôs Recurso Extraordinário a este Pleno alegando, em síntese, que o direito de ação relativo ao exercício de um direito subjetivo de crédito, decorrente de pagamento indevido, é atribuído ao sujeito passivo, e o termo inicial do prazo prescricional de 05 (cinco) anos (art. 168 do CTN) para exercêlo começa da data da extinção do crédito tributário, operandose este tão logo efetue o pagamento indevido. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido. O pedido de restituição foi apresentado em 23/11/1999, relativo ao período de apuração de 01/10/1989 a 30/06/1994. Não assiste razão à recorrente, pois, com a edição da Lei Complementar 118/2005, o seu artigo 3º foi debatido no âmbito do STJ no Resp 327043/DF, que entendeu tratarse de usurpação de competência a edição desta norma interpretativa, cujo real objetivo era desfazer entendimento consolidado. Entendendo configurar legislação nova e não interpretativa, os Ministros do STJ decidiram que as ações propostas até a data de 09/06/2005, não se submeteriam ao consignado na nova lei. Com efeito, de acordo com a decisão prolatada pelo pleno do STF, no RE nº 566.621, em 04/08/2011, em julgamento de mérito de tema com repercussão geral, o prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, relativamente a pedidos de restituição efetuados anteriormente à vigência da LC nº 118/05 (09/06/2005), é de cinco anos para a homologação do pagamento antecipado, acrescido de mais cinco para pleitear o indébito, em conformidade com a cognominada tese dos cinco mais cinco, sendo, portanto, de dez anos o prazo para pleitear a restituição do pagamento indevido. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 13804.004234/9935 Acórdão n.º 9900000.671 CSRFPL Fl. 3 3 Assim, somente os pleitos referentes aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 10 anos da data do protocolo estariam com o eventual direito de restituição extinto, tendo em vista terem sido alcançados pela prescrição. No presente caso, houve a perda parcial do direito a se pleitear a restituição em relação à uma parcela do período objeto da solicitação. Assim, está prescrito o direito em relação ao período de 01/10/1989 a 31/10/1389. Portanto, em que pese a minha total discordância com tal entendimento, com fulcro no art. 62A do Anexo II à Portaria MF nº 256/09 (RICARF), deve ser reconhecida a aplicabilidade da tese dos cinco mais cinco. Ante o exposto, voto pelo provimento parcial do Recurso Extraordinário interposto pela PGFN, com a remessa dos autos à autoridade preparadora, para a análise do mérito do período não prescrito.. Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 251DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/03/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 08/03/2 013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 11/03/2013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10925.003134/2008-70
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006, 2007
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA.
A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador.
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/1996.
Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Não se pode, simplesmente, ancorar-se na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-002.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 955.414,60 e R$ 793.603,31, correspondentes aos anos-calendário de 2005 e 2006, respectivamente, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino, que negou provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Nelson Mallmann - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo.
Nome do relator: NELSON MALLMANN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006, 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizar-se por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/1996. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê-los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Não se pode, simplesmente, ancorar-se na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido.
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ARTIGO 42, DA LEI Nº 9.430, DE 1996. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CARACTERIZAÇÃO. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. INFRAÇÃO FISCAL. MEIOS DE PROVA. A prova de infração fiscal pode realizarse por todos os meios admitidos em Direito, inclusive a presuntiva com base em indícios veementes, sendo, outrossim, livre a convicção do julgador. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO. AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DOS DEPOSITANTES PELA FISCALIZAÇÃO. DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES. NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI N° 9.430/1996. Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetêlos, se for o caso, às normas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 31 34 /2 00 8- 70 Fl. 1303DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 2 tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430, de 1996. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 955.414,60 e R$ 793.603,31, correspondentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, respectivamente, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino, que negou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rafael Pandolfo. Fl. 1304DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório VALMIR CERUTTI, contribuinte inscrito no CPF/MF sob o nº 776.640.948 87, com domicílio fiscal na cidade de Xanxerê SC, Estado de Santa Catarina, à Rua da Paz, nº 56, Bairro La Salle, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joaçaba SC, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 1276/1292, prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1288/1297. Contra o contribuinte acima mencionado foi lavrado, em 25/04/2009, o Auto de Infração de Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 1208/1214), com ciência por AR, em 28/04/2009 (fl. 1225), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 2.495.944,43 (padrão monetário da época do lançamento do crédito tributário), a título de Imposto de Renda Pessoa Física, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% para a omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários não comprovados e multa de lançamento de oficio qualificado de 150% para a omissão de rendimentos da atividade rural e ganhos de capital (prática reiterada de omissão de rendimentos) e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculado sobre o valor do imposto de renda relativo aos exercícios de 2006 e 2007, correspondente aos anoscalendário de 2005 e 2006, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão de Declaração de Ajuste Anual referente aos exercícios de 2006 e 2007, onde a autoridade fiscal lançadora constatou as seguintes irregularidade: 1 ATIVIDADE RURAL OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL: Omissão de rendimentos provenientes de atividade rural, conforme descrição de fatos presente no Relatório da Atividade Fiscal às fls. 1.131 a 1.207. Infração capitulada nos art. 9° da Lei n° 9.250, de 1995; arts. 60, 61 e 841, do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99); e art. 1° da Lei n°11.119, de 2005. 2 GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS: Omissão ganhos de capital obtidos na alienação de bens imóveis rurais, conforme descrição de fatos presente no Relatório da Atividade Fiscal às fls. 1.131 a 1.207. Infração capitulada nos arts. 1°, 2°, 3° e §§, 16, 18 a 22, da Lei n° 7.713, de 1988; arts. 7° e 21, da Lei n° 8.981, de 1995; art. 19 da Lei n° 9.393, de 1996 e arts. 7° e 841, do Decreto n° 3.000, de 1999. 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA: Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme descrição detalhada dos fatos presente no Relatório da Atividade Fiscal às fls. 1.131 a 1.207. Fl. 1305DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 4 Infração capitulada no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996; art. 841 do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99); e art. 1° da Lei n° 11.119, de 2005. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, responsável pela constituição do crédito tributário, esclarece, ainda, através do próprio Relatório da Atividade Fiscal (fls. 1131/1171), entre outros, os seguintes aspectos: que com vistas a colher informações adicionais sobre a atividade rural exercida pelo contribuinte foi efetuada circularização às pessoas jurídicas SADIA S/A, PERDIGÃO AGROINDUSTRIAL S/A e COOPERATIVA REGIONAL SANANDUVA DE CARNES E DERIVADOS LTDA. Para isso foram lavrados os Termos de Intimação Fiscal SAFIS/DRF/JOASC n° 311 a 313/2009 (acostados, respectivamente, às fls. 1.043 a 1.045, 1.052 a 1.054 e 1.061 a 1.063; que ainda visando obter informações sobre a atividade rural do contribuinte, especialmente no que diz respeito à emissão de notas fiscais de produtor rural, foi lavrado o Ofício GAB/DRF/JOASC n° 1.275/2008 e enviado à Secretaria de Estado da Fazenda de Santa Catarina, conforme exibido à fl. 1.066; que ao término do trabalho de campo concluiuse que o atendimento à solicitação de documentos constante nas várias intimações foi suficiente para a apuração da regularidade do cumprimento das obrigações tributárias por parte do contribuinte nos termos estabelecidos neste Relatório. Apesar da omissão em escriturar o Livro Caixa, da falta de emissão de notas fiscais de produtor rural e da não apresentação de documentos comprobatórios das origens da maior parte dos recursos depositados, não foi detectada nenhuma conduta que se coadunasse com as práticas de desobediência ou embaraço à fiscalização; que a orientação inicial da ação fiscal em relato era verificar o cumprimento da legislação do IRPF em relação aos créditos bancários efetuados nas contas correntes do contribuinte, ou seja, verificar os fortes indícios de omissão de rendimento devidos à incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo sujeito passivo e a sua movimentação financeira. Por isso, conforme informado no capítulo anterior foram formulados Termos de Intimação visando colher tais esclarecimentos; que visando atender à determinação legal acerca da regular intimação foram formulados os Termos Fiscais indicados no Capitulo 1 deste Relatório. Essas intimações solicitavam — para expor de forma sucinta — que o contribuinte informasse as contas nas quais possuía movimentação financeira, que apresentasse os extratos bancários respectivos e, por fim, que trouxesse os devidos documentos comprobatórios acompanhados de termo de esclarecimento com vistas a provar a origem de cada crédito ocorrido em suas contas correntes; que as primeiras constatações sobre possíveis irregularidades referentes à apuração do tributo começaram a ser apresentadas já na entrega dos extratos bancários, quando o contribuinte apresentou termo de esclarecimento (fls. 13 a 14) em que informava a origem de recursos proveniente da atividade rural de R$ 1.656.616,87 para o ano de 2005 e R$ 248.520,51 para 2006. Nas DIRPF referentes aos mesmos anoscalendário o contribuinte havia informado não obter nenhum rendimento proveniente da atividade rural; que, de forma que, após a apresentação pelo sujeito passivo do termo de esclarecimento e dos extratos bancários, o AFRFB elaborou o Termo de Constatação e Intimação Fiscal SAFIS/DRF/JOASC n° 190/2008 (fls. 404 a 420). Neste Termo o AFRFB Fl. 1306DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 4 5 formalizava a constatação de que o contribuinte recebia rendimentos cuja origem era a atividade rural e, por isso, intimava o sujeito passivo a apresentar os documentos comprobatórios da atividade rural, bem como, dos depósitos bancários; que os depósitos bancários a serem comprovados foram relacionados no "Demonstrativo de Valores — Extratos Bancários" (ANEXO I do Termo de Constatação e Intimação Fiscal SAFIS/DRF/JOASC n° 190/2008, fls. 406 a 418), demonstrativo este que é composto por todos os créditos bancários restantes ao fim dos procedimentos de verificação dos históricos bancários autoexplicativos e de conciliação entre créditos e débitos de contas do mesmo titular; que a documentação foi examinada e, em sua quase totalidade, reconhecida como comprobatória da origem de parte dos depósitos questionados. Contudo, ao fim da avaliação dessa documentação, a maior parte dos créditos bancários restavam não comprovados; que conforme já foi antecipado, a orientação inicial desta ação fiscal era examinar indícios de omissão de rendimentos provenientes da incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo contribuinte em DIRPF e o seu movimento financeiro em instituições bancarias. De forma que toda a lógica da obtenção de informações foi montada sobre este tipo de procedimento fiscal. Por isso, tanto o rendimento da atividade rural quanto o ganho na alienação de bens imóveis são considerados de forma residual, ou seja, apenas quando houve a comprovação de tal origem, mediante apresentação de documentação pertinente, o recurso depositado em conta bancária foi definido como receita da atividade rural ou ganho na alienação de bens imóveis; que de acordo com o apresentado na Tabela 4, os 126 créditos cuja origem é a atividade rural, que totalizaram um valor comprovado de R$ 2.967.173,83, foram comprovados mediante apresentação de notas fiscais de produtor rural aduzidas pelo contribuinte, ou mediante informação trazida em procedimento fiscal de diligência (circularização). Em resposta às Intimações formuladas às três pessoas jurídicas diligenciadas sobrevieram as planilhas demonstrativas de operações realizadas com o produtor rural Valmir Cerutti, que estão acostadas respectivamente às fls. 1.050 a 1.051 (Sadia SA). 1.058 a 1.060 (Perdigão Agroindustrial SA) e 1.065 (Cooperativa Regional Sananduva de Carnes e Derivados Ltda.); que dos 69 créditos cuja origem é o rendimento recebido de pessoas jurídicas, 62 são referentes a aluguéis recebidos do HSBC SA pela locação de edifício para instalação de agência em XanxerêSC. Estes valores, que totalizaram R$ 151.035,61, haviam sido declarados pelo contribuinte, parte em sua DIRPF e parte na DIRPF de sua esposa. Os 7 demais créditos, que totalizaram R$ 60.028,45, foram justificados como provenientes de causa trabalhista contra Ilender do Brasil SA, estão em conformidade com o declarado na DIRPF 2006 (fls. 1.096 a 1.098); que os 12 "Créditos cuja origem é a receita da venda de imóveis", que totalizaram R$ 223.782,00, foram comprovados mediante análise das matrículas no Registro de Imóveis apresentadas às fls. 1.005 a 1.007, Embora não tenha sido declarado o ganho na alienação desses bens, há correspondência entre as vendas de imóveis efetuadas e as informações prestadas na Declaração de Bens e Direitos inserida na DIRPF 2006; Fl. 1307DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 6 que os 15 "Outros créditos", de forma geral, dizem respeito a situações que não foram detectadas na análise preliminar de históricos bancários autoexplicativos e na conciliação entre contas do sujeito passivo. São 3 resgates de aplicação financeira (R$ 18.918,86), 2 estornos (R$ 115.584,41), 4 transferências entre contas do contribuinte (R$ 213.000,00), 3 saques de poupança e depósito em contacorrente (R$ 72.825,83) e 3 reembolsos de despesas bancárias (R$ 96,34); que como se pode notar pela leitura da Tabela 5, para 10 dos créditos pleiteados cujas justificativas não foram acatadas nesta AuditoriaFiscal, foi apontado como origem o recebimento de empréstimo de terceiros. Todavia, não foram trazidos os documentos comprobatórios de tais operações creditícias, ou seja, os correspondentes controles de empréstimo. Nesse sentido, vale lembrar que mesmo apresentando um instrumento particular de mútuo, dificilmente o contribuinte conseguiria alcançar reconhecimento do seu pleito pois pelo disposto no art. 221 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, abaixo transcrito, os efeitos do instrumento particular não se operam a respeito de terceiros antes de registrado no competente registro público. Se fosse de outra forma, perderia totalmente o sentido a ação fiscal que colimasse apurar a origem da movimentação financeira, pois todo sujeito passivo fiscalizado argumentaria ter recebido uma grande quantidade de empréstimos de terceiros e se livraria da exigência tributária; que sobre o valor de alienação, o § 2° do art. 19 da INSRF n° 84/01 estabelece que, tratandose de imóvel rural adquirido a partir de 1997, considerase valor de alienação a parcela do preço correspondente às benfeitorias quando tais benfeitorias não tiverem o seu valor de aquisição deduzido como custo ou despesa da atividade rural. Conforme discutido no subcapítulo anterior, o sujeito passivo não escriturava Livro Caixa nem tampouco apurava e declarava as receitas e despesas da atividade rural. Portanto, não há como terem sido abatidas como despesas as parcelas do valor da alienação dos imóveis rurais referentes a benfeitorias; que para dizer de forma resumida, na presente fiscalização foram encontrados fatos econômicos que se enquadram na hipótese de incidência descrita acima. Isto é, na apuração da origem dos créditos bancários efetuados nas contas correntes do sujeito passivo foram encontrados depósitos procedentes de recebimentos de vendas de imóveis com ganho de capital. Este ganho de capital, conforme a legislação que rege a matéria, deve ser considerado como as diferenças entre o "valores de alienação integrais" e o "custos de aquisição", tendo em vista que a parcela do valor correspondente a benfeitorias não havia sido computada em resultados da atividade rural de períodos anteriores; que os evidentes intuitos de fraude são facilmente reconhecidos pelos principais elementos característicos da intenção dolosa, ou seja a Reiteração e a Significância. No caso do contribuinte em questão esses elementos são bem claros pois o quadro por ele próprio pintado ao longo dos anoscalendário de 20052006 revela o seguinte: ao longo do período compreendido entre fevereiro de 2005 a dezembro de 2006 (portanto, continuamente, por 23 meses consecutivos), o contribuinte obteve receitas oriundas de vendas de imóveis e de sua atividade rural, inclusive com emissão de notas de produtor rural, e, apesar disso, deixou de declarar em sua DIRPF um valor de R$ 3.172.114,42 em Receita Bruta e R$ 115.975,32 em Ganho na Alienação de Imóveis Rurais que repercutiriam numa diferença de aproximadamente R$ 192 mil em IRPF devido. Irresignado com o lançamento o autuado apresenta, tempestivamente, em 25/05/2009, a sua peça impugnatória de fls. 1230/1252, instruído pelos documentos de fls. 1253/1275, solicitando que seja acolhida a impugnação e determinado o cancelamento do crédito tributário amparado, em síntese, nos seguintes argumentos: Fl. 1308DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 5 7 que apesar da farta comprovação da origem dos depósitos e da juntada de elementos de convicção por parte do contribuinte, a autoridade tributária desconsiderou parte da comprovação apresentada e incorreu em equívocos na apuração da matéria tributável que devem ser apreciados por esse colegiado administrativo de julgamento; que na comprovação da origem dos depósitos bancários, o contribuinte apresentou diversos elementos que além de comprovar a origem dos depósitos bancários, demonstraram a exploração da atividade rural, decorrente da criação e venda de suínos vivos para diversas agroindústrias e cooperativas; que de posse destas informações, efetuou a autoridade fiscal circularização para confirmação dos elementos apresentados, tendo apurado com base nas informações disponíveis a receita da atividade rural dos anos calendários 2005 e 2006; que inexistindo o livro caixa contendo a escrituração da atividade rural, a autoridade fiscal arbitrou os rendimentos da atividade à razão de 20% da receita bruta, consoante disposto no § 20 do art. 18 da Lei n. 9.250/95 (art. 60, § 2º do RIR/99); que os rendimentos tributáveis assim apurados, foram integralmente adicionados no procedimento de ofício aos rendimentos já declarados pelo impugnante nos anos calendários de 2005 e 2006, conforme se depreende do Auto de Infração e Relatório da Atividade Fiscal constantes do processo n. 10925.003134/200870; que olvidou, no entanto, a autoridade fiscal, que os rendimentos assim apurados, decorreram da exploração de unidade rural comum ao casal, casado em Comunhão Universal de Bens (vide certidão de casamento anexa), cujo cônjuge Sra. Marizete Fochesatto Cerutti CPF n. 385.731.05968, apresentou declaração em separado em 2005 e 2006; que consoante a autoridade fiscal demonstrou, por desorganização pessoal do casal, os rendimentos decorrentes da exploração da atividade rural comum, não foram oferecidos à tributação em suas declarações relativas aos anos calendários 2005 e 2006; que, diante do exposto, não tendo havido o exercício da opção aventada nos dispositivos mencionados, a autoridade fiscal deveria imputar a cada um dos cônjuges, 50% (cinqüenta por cento) dos rendimentos apurados na atividade rural; que não tem razão a autoridade fiscal em incluir como benfeitorias a diferença entre os valores recebidos e o valor da terra nua constante do DIAT no ano da venda (2005), pois não há esse destaque nas escrituras; que se equivoca, outrossim, ao pretender incluir no valor da alienação a diferença entre os valores efetivamente recebidos e o valor constante do DIAT no ano da venda (2005) escudado no § 2º do art. 19 da IN SRF 84/2001, sob argumento que estes valores não teriam sido computados como custo ou despesa da atividade rural; que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, o contribuinte comprovou quase integralmente a origem dos depósitos bancários, devendo as diferenças apuradas serem atribuídas mais a falta de empenho na busca da verdade real por parte da autoridade fiscal do que a falta de comprovação propriamente dita; Fl. 1309DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 8 que, oral o contribuinte apresentou prova robusta de que os valores depositados em sua conta bancária no Banco SICOOB, tinham origem em operações de desconto de títulos (cheques) atendendo, portanto, o dispositivo legal do art. 42 da Lei n. 9.430 de 1996, invertendo novamente o ônus da prova em seu favor; que, no entanto, em esforço adicional em busca da verdade real, requereu o impugnante novos elementos ao Banco SICOOB que enviou a planilha denominada "Sicoob — Títulos Descontados Relação das Operações contratadas no período de 01/01/2005 a 31/12/2006" contendo o detalhamento e identificação dos emitentes dos cheques que foram descontados e a data das respectivas operações; que , diante do exposto, restando devidamente comprovada a origem dos créditos relacionados com o histórico "Créd. Liberação TD" no Banco SICOOB, devem ser excluídas da matéria tributável dos anos calendários 2005 e 2006, as importâncias de R$ 818.864,96 e R$ 659.528,95, respectivamente; que, do mesmo modo, mesmo tendo recebido elementos indiciários do contribuinte, comprovando em tese a origem dos recursos depositados em sua conta, a autoridade fiscal recusou a comprovação, sem no entanto exigir novos esclarecimentos e tampouco procurando novos elementos junto às instituições financeiras, conforme se depreende da tabela 5, constante das fls. 16/17 do Relatório de Atividade Fiscal; que, tendo esta sido apresentada pelo contribuinte, ao menos de forma indiciária, cabe ao Fisco comprovar a verdadeira natureza jurídica do recurso e tributálo na forma da legislação específica atividade rural; rendimentos de aluguéis; ganho de capital, etc; que, às folhas 34 e 35 do Relatório da Atividade Fiscal, a autoridade fiscal tece considerações acerca da aplicação da multa de ofício simples (75%) e qualificada (150%), preconizadas no art. 44 da Lei n. 9.430/96; que, como o ordenamento jurídico pátrio, não acolhe o fenômeno da repristinação da lei penal, constatase que para os fatos geradores de 2005 e 2006, não é possível atualmente a aplicação da multa qualificada de 150%, com amparo no inciso II do art. 44 da Lei n. 9.430/96, devendo ser aplicada a multa simples de 75%; que a autoridade fiscal ampara a aplicação da penalidade de 150% apenas no fato da relevância dos valores e na reiteração da prática da conduta adotada pelo contribuinte, não fazendo qualquer indicação em quais dos artigos da Lei n° 4.502 /64 estaria enquadrada a conduta do contribuinte; que, não é demais lembrar que a maior parte dos valores apurados pela autoridade fiscal relativos à exploração da atividade rural, foi fornecida pelo próprio contribuinte, na justificação dos depósitos bancários, não se podendo caracterizar qualquer atitude dolosa também em relação a esta matéria. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pelo impugnante, os membros da Quarta Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC, concluíram pela procedência da ação fiscal e pela manutenção do crédito tributário, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que, o sujeito passivo sustenta ter figurado ilegitimamente no pólo passivo da relação jurídico tributária em relação à integralidade dos rendimentos decorrentes da exploração da atividade rural. Baseia seu entendimento no artigo 64 do RIR199, que estabelece Fl. 1310DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 6 9 que o resultado auferido em unidade rural comum ao casal deverá ser apurado e tributado pelos cônjuges proporcionalmente à sua parte; que em análise ao argüido, cumpre esclarecer que, no caso de se constatar ilegitimidade passiva de parte do lançamento, tal constatação não demanda a declaração de nulidade do lançamento como um todo, mas simplesmente sua improcedência (no todo ou em parte); que, depreendese, portanto, que nas propriedades em comunhão decorrente de sociedade conjugal a tributação, em nome de cada cônjuge, incide sobre cinqüenta por cento do total dos rendimentos comuns, podendo, opcionalmente, ser tributado em sua totalidade em nome de um dos cônjuges; que, observase, ainda que os dois cônjuges apresentaram declaração de rendimentos em separado referente aos anoscalendário 2005 e 2006. Assim sendo, diante de expressa disposição regulamentar, acolhese o pleito do sujeito passivo para apuração dos rendimentos apurados na atividade rural a proporção de 50%, tendo em vista trataremse de rendimentos auferidos em unidade rural comum ao casal; que, no tocante ao ganho de capital por alienação de bens imóveis rurais, o sujeito passivo entende que a autoridade fiscal equivocouse na interpretação da legislação. Aduz que, conforme o artigo 19 da Lei n° 9.393/96, considerase valor de alienação, para imóveis adquiridos a partir de 1997 e que houve apresentação de Diat, o valor declarado na Diat, e não o valor das escrituras; que, a autoridade fiscal, na determinação do valor de alienação do imóvel rural, utilizou os valores efetivamente recebidos pelo sujeito passivo na transação, e não os valores declarados na Diat, entendendo que os valores recebidos pelo sujeito passivo pela venda do imóvel rural, excluindo o valor da terra nua declarado pelo alienante, referemse a benfeitorias; que, assim sendo, não tendo sido comprovado a existência de benfeitorias nos imóveis rurais, deve ser tomado como custo de aquisição e valor de alienação o valor da terra nua, e tendo sido o imóvel adquirido em abril de 1997, deve ser tomado como custo de aquisição e valor de alienação os valores declarados nas Diat correspondentes aos anos de aquisição e alienação, respectivamente; que, em relação aos depósitos bancários de origem não comprovada, sustenta o sujeito passivo ter comprovado quase integralmente a origem dos depósitos, devendo as diferenças serem atribuídas a falta de empenho na busca pela verdade real por parte da autoridade fiscal; que, a planilha enviada pelo Banco SICOOB contem detalhamento e identificação dos emitentes dos cheques que foram descontados, constatandose facilmente que os cheques foram emitidos por clientes ou pessoas de relacionamento do sujeito passivo, com os valores coincidindo com os créditos constantes dos extratos do banco; que, a análise do dispositivo permite concluir que a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas é hipótese legal de presunção de omissão de rendimentos. A norma atenuou a carga probatória atribuída ao Fisco, que precisa apenas Fl. 1311DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 10 demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o ônus probandi a seu cargo; que, como se pode observar, o contribuinte deve comprovar minudentemente, e de forma individualizada, a origem de cada um dos ingressos em suas contas bancárias. Em regra, ou o sujeito passivo demonstra a origem de cada um dos depósitos por documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor, de forma individualizada, ou então se aperfeiçoa a presunção legal de omissão de rendimentos; que, em relação aos valores depositados em sua conta no Banco SICOOB, durante a ação fiscal limitouse o sujeito passivo a anexar "Fichas Gráficas da Operação — Desconto de Títulos" (fls. 668 a 1.002), fichas estas que não apresentam informações capazes de demonstrar a origem dos depósitos; que, o sujeito passivo defende que o nosso ordenamento jurídico não acolhe o fenômeno da repristinação da lei penal, razão pela qual, para fatos geradores de 2005 e 2006, não é possível a aplicação da multa de 150%, com amparo no inciso II do artigo 44 da Lei n° 9.430/96, devendo ser aplicada multa simples de 75%. Ainda que se entenda válida a aplicação da multa, aduz o sujeito passivo ser necessário que a conduta esteja enquadrada em um dos tipos legais da Lei n° 4.502/64, artigos 71,72 e 73, devendo a autoridade fiscal indicar em qual dos casos está enquadrada; que, em relação aos rendimentos da atividade rural, todos estes são declarados de uma vez no anexo da atividade rural, sendo que a simples falta de preenchimento não pode ser enquadrada como fraude, até mesmo porque os valores foram indicados para a autoridade fiscal na justificação dos depósitos bancários; que, como se percebe, em que pese a alteração da redação legal, a norma que punia com multa de oficio de 150% nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64 permaneceu intacta, sem qualquer alteração; que, a prática reiterada por dois exercícios fiscais, bem como o valor elevado de rendas de sua atividade rural consideradas como omitidas, quais sejam de R$ 1.741.525,71 para o anocalendário 2005 e R$ 1328.806,64 para o anocalendário 2006, leva a convicção de que tal conduta foi praticada com a intenção de evitar o pagamento do tributo, caracterizando o dolo por parte do sujeito passivo. A decisão de Primeira Instância está consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 RENDIMENTO PRODUZIDO' EM BEM COMUM. SOCIEDADE CONJUGAL. Em face do regime de bens do casamento, não apenas os rendimentos decorrentes de aluguel, arrendamento e ganho de capital são considerados rendimentos comuns ao casal, mas também as receitas da atividade rural obtidas na exploração de imóvel rural havido na constância da sociedade conjugal. GANHO DE CAPITAL. IMÓVEL RURAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. BEM ADQUIRIDO A PARTIR DE 01.01.1997. Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 7 11 No caso de imóvel rural adquirido a partir de 1° de janeiro de 1997, considerase custo de aquisição o valor da terra nua constante do Documento de Informações e Apuração do ITR DIAT, do ano da aquisição/alienação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. NÃO COMPROVADA ORIGEM. Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. É aplicável a multa de oficio qualificada de 150%, naqueles casos em que, no procedimento de oficio, constatado resta que à conduta do contribuinte esteve associado o evidente intuito de fraude. Impugnação Procedente em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 09/11/2009, conforme Termo constante na fl. 1285, e, com ela não se conformando, o recorrente interpôs, em tempo hábil (27/11/2009), o recurso voluntário de fls. 1288/1297, instruída de documentos na fls. 1298/1302, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçadas pelas seguintes considerações: que, o recorrente acata a decisão de primeira instância relativa às matérias omissão de rendimentos da atividade rural e ganhos de capital, tendo formulado pedido de parcelamento nos termos da Lei n° 11.941/2009, conforme recibo do requerimento anexo, renunciando de forma expressa e irrevogável a quaisquer alegações de direito em relação a estas matérias; que, a r. decisão de primeira instância formulada pela DRJ Florianópolis, desconsiderou as razões da impugnação em relação à tributação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada; que entendeu o ilustre relator do voto condutor, de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar a origem dos recursos relativos aos créditos havidos em suas contas bancárias nos anos calendários 2005 e 2006 e que a comprovação desta origem caberia, em virtude do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430/96, única e exclusivamente ao contribuinte; que, e evidente que incorreu em lamentável equívoco o ilustre relator da decisão de primeira instância, no que foi acompanhado pelos demais integrantes da 4 Turma da DRJ Florianópolis — SC; Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 12 que, com efeito, a utilização de depósitos bancários para fins de tributação de imposto de renda, sofreu sensível alteração com a edição da Lei n° 9.430/96, cujo artigo 42, instituiu presunção simples caracterizando como rendimento omitido, o depósito ou crédito sem origem comprovada; que, assim, cumprindo o ditame do art. 42 do citado diploma legal, basta à Fiscalização Tributária intimar o contribuinte acerca da origem dos depósitos/créditos e aguardar que o mesmo comprove um a um a origem dos mesmos, sob pena de restar caracterizada a subsunção à hipótese legal de omissão de rendimentos; que, no entanto, tendo o contribuinte apresentado de forma detalhada e individualizada a origem dos recursos depositados ou creditados, mesmo de forma insatisfatória aos olhos da autoridade fiscal, revertese o ônus da prova, cabendo ao Fisco averiguar se os recursos são tributáveis ou não; que, não pode a autoridade fiscal simplesmente recusar a comprovação efetuada pelo contribuinte no curso da ação fiscal, escudandose na presunção legal do art. 42 da Lei n° 9.430/96, sem aprofundar as investigações para verificar se o rendimento é tributável ou não; que no caso em tela a autoridade fiscal acatou a comprovação de parte dos depósitos através de notas fiscais de vendas da atividade rural, não acolhendo, no entanto, as comprovações das operações de desconto de títulos para fins de capital de giro efetuadas na Cooperativa de Crédito Rural Meio Oeste Catarinense — SICOOB e também outros créditos derivados das operações da exploração da atividade rural; que conforme já foi exposto na impugnação, o contribuinte comprovou de forma detalhada e individualizada os créditos bancários constantes dos extratos da Cooperativa de Crédito Rural Meio Oeste Catarinense (SICOOB), comprovando que os recursos tinham como origem as operações de desconto de títulos (cheques) decorrentes da exploração da atividade rural agropecuária; que durante o curso da ação fiscal o recorrente apresentou a comprovação dos créditos constantes dos extratos da SICOOB, grafados com o histórico "Crédito liberação TD" através de documento fornecido pela cooperativa de crédito denominado "Fichas Gráficas da Operação", comprovando tratarse de operações de desconto de títulos de crédito (cheques); que, portanto, tendo sido apresentados documentos hábeis e idôneos comprovando a origem dos créditos devia a autoridade fiscal, em caso de dúvida quanto a sua natureza tributável ou não tributável, exigir novos elementos ao contribuinte e à instituição financeira (cooperativa de crédito) e não quedarse inerte e recusar simplesmente a comprovação apresentada; que, os cheques que lastrearam as operações de desconto, embutem parcelas tributáveis ou não tributáveis é prova cujo ônus cabia à autoridade fiscal, não elidindo, porém a comprovação da origem dos créditos que foi amplamente demonstrada; que, destarte, afigurase ilegal e indevida a tributação como rendimento omitido por depósitos bancários sem origem comprovada, dos créditos decorrentes de operações de desconto de títulos (cheques) na SICOOB, por não se subsumirem a hipótese legal aventada no art. 42 da Lei n° 9.430/96 Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 8 13 que, tratandose na verdade de financiamentos para capital de giro de suas operações da atividade rural, não podem os créditos ser considerados como rendimento tributável e muito menos como créditos sem origem comprovada. É o Relatório. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 14 Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Nelson Mallmann, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. Nesta fase recursal, não há argüição de qualquer preliminar. Inicialmente é de se observar, que o recorrente acatou a decisão de primeira instância relativa às matérias omissão de rendimentos da atividade rural e ganhos de capital, tendo formulado pedido de parcelamento nos termos da Lei n° 11.941, de 2009, conforme recibo do requerimento (fls. 1298/1299), renunciando de forma expressa e irrevogável a quaisquer alegações de direito em relação a estas matérias. Da análise preliminar dos autos do processo se verifica que a ação fiscal que resta em discussão teve início em razão da movimentação financeira do contribuinte e que pela análise dos documentos bancários a autoridade fiscal lançadora entendeu haver omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações já na vigência do artigo 42, da Lei 9.430, de 1996. Inconformado, em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, o contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, em sua defesa, apresenta as suas razões de mérito sobre lançamentos efetuados sobre depósitos bancários. Desta forma, a discussão, neste colegiado, se restringe sobre o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê a possibilidade de se efetuar lançamentos tributários por presunção de omissão de rendimentos, tendo por base os depósitos bancários de origem não comprovada. Fazse necessário ressaltar, que os extratos bancários foram apresentados pelo próprio contribuinte em atendimento a intimação fiscal. No mérito, através de sua peça recursal, o suplicante solicita o provimento ao seu recurso, alegando, em síntese, que o lançamento foi efetuado tendo por base exclusiva os depósitos bancários já que não houve a comprovação de sinais exteriores de riqueza, bem como devem ser excluídos da tributação a título de depósitos bancários sem origem, todos os créditos da conta bancária do Banco SICOOB (Banco 756, Agência 3075, Conta 11029), com o histórico "Créd. Liberação TD", constantes da planilha Anexo 1 — Relatório da Atividade Fiscal, como também devem ser excluídos os créditos cuja origem foi plenamente demonstrada e comprovada no curso da ação fiscal, relacionados com empréstimos de pessoas físicas, receita da atividade rural e venda de veículo, constantes da tabela 5 — fls. 16/17 do Relatório de Atividade Fiscal. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 16 Ao contrário do pretendido pela defesa, o legislador federal pela redação do inciso XXI, do artigo 88, da Lei nº 9.430, de 1996, excluiu expressamente da ordem jurídica o § 5º do artigo 6º, da Lei nº 8.021, de 1990, até porque o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, não deu nova redação ao referido parágrafo, bem como soterrou de vez o malfadado artigo 9° do Decretolei n° 2.471, de 1988. Desta forma, a partir dos fatos geradores de 01/01/97, quando se tratar de lançamentos tendo por base valores constantes em extratos bancários, não há como se falar em Lei nº 8.021, de 1990, ou Decretolei n° 2.471, de 1988, já que os mesmos não produzem mais seus efeitos legais. É notório, que no passado os lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em cheques emitidos, depósitos bancários e/ou de extratos bancários, sempre tiveram sérias restrições, seja na esfera administrativa, seja no judiciário. Para por um fim nestas discussões o legislador introduziu o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, caracterizando como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantido junto à instituição financeira, em relação às quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, estipulando limites de valores para a sua aplicação, ou seja, estipulou que não devem ser considerados créditos de valor individual igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais. Apesar das restrições, no passado, com relação aos lançamentos de crédito tributário baseado exclusivamente em depósitos bancários (extratos bancários), como já exposto no item inicial deste voto, não posso deixar de concordar com a decisão singular, que a partir do ano de 1997, com o advento da Lei n. 9.430, de 1996, existe o permissivo legal para tributação de depósitos bancários não justificados como se “omissão de rendimentos” fossem. Como se vê, a lei instituiu uma presunção legal de omissão de rendimentos. É conclusivo que no nosso sistema tributário tem o princípio da legalidade como elemento fundamental para que flore o fato gerador de uma obrigação tributária. Ou seja, ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Seria por demais mencionar, que a Lei Complementar não pode ser conflitada ou contraditada por legislação ordinária. E que, ante o princípio da reserva legal (CTN, art. 97), e o pressuposto da estrita legalidade, ínsito em qualquer processo de determinação e exigência de crédito tributário em favor da Fazenda Nacional, insustentável o procedimento administrativo que, ao arrepio do objetivo, finalidade e alcance de dispositivo legal, imponha ou venha impor exação. Assim, o fornecimento e manutenção da segurança jurídica pelo Estado de Direito no campo dos tributos assume posição fundamental, razão pela qual o princípio da Legalidade se configura como uma reserva absoluta de lei, de modo que para efeitos de criação ou majoração de tributo é indispensável que a lei tributária exista e encerre todos os elementos da obrigação tributária. À Administração Tributária está reservado pela lei o direito de questionar a matéria, mediante processo regular, mas sem sobra de dúvida deve se atrelar à lei existente. Com efeito, a convergência do fato imponível à hipótese de incidência descrita em lei deve ser analisada à luz dos princípios da legalidade e da tipicidade cerrada, que demandam interpretação estrita. Da combinação de ambos os princípios, resulta que os fatos erigidos, em tese, como suporte de obrigações tributárias, somente, se irradiam sobre as Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 10 17 situações concretas ocorridas no universo dos fenômenos, quando vierem descritos em lei e corresponderem estritamente a esta descrição. Como a obrigação tributária é uma obrigação ex lege, e como não há lugar para atividade discricionária ou arbitrária da administração que está vinculada à lei, devese sempre procurar a verdade real à cerca da imputação, desde que a obrigação tributária esteja prevista em lei. Não basta a probabilidade da existência de um fato para dizerse haver ou não haver obrigação tributária. Neste aspecto, apesar das intermináveis discussões, não pode prosperar, na íntegra, os argumentos do recorrente, já que, a princípio, o ônus da prova em contrário é da defesa, sendo a legislação de regência cristalina, conforme o transcrito abaixo: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I – os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II – no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Lei n.º 9.481, de 13 de agosto de 1997: Art. 4° Os valores a que se refere o inciso II do § 3° do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser R$ Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 18 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Lei n.º 10.637, de 30 de dezembro de 2002: Art. 58. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescido dos seguintes §§ 5° e 6°: Art. 42. (...) § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titular. Instrução Normativa SRF nº 246, 20 de novembro de 2002: Dispõe sobre a tributação dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira em relação aos quais o contribuinte pessoa física, regularmente intimado, não comprove a origem dos recursos. Art. 1º Considerase omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, cuja origem dos recursos o contribuinte, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea. § 1º Quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 2º Caracterizada a omissão de rendimentos decorrente de créditos em conta de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos dos titulares tenha sido apresentada em separado, o valor dos rendimentos é imputado a cada titular mediante divisão do total dos rendimentos pela quantidade de titulares. Art. 2º Os rendimentos omitidos serão considerados recebidos no mês em que for efetuado o crédito pela instituição financeira. Art. 3º Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, os créditos serão analisados individualizadamente. Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 11 19 § 1º Para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o somatório desses créditos não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), dentro do anocalendário. § 2º Os créditos decorrentes de transferência entre contas de mesmo titular não serão considerados para efeito de determinação dos rendimentos omitidos. Da interpretação dos dispositivos legais acima transcritos podemos afirmar, que para a determinação da omissão de rendimentos na pessoa física, a fiscalização deverá proceder a uma análise preliminar dos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, onde devem ser observados os seguintes critérios/formalidades: I – não serão considerados os créditos em conta de depósito ou investimento decorrentes de transferências de outras contas de titularidade da própria pessoa física sob fiscalização; II – os créditos serão analisados individualizadamente, ou seja, a análise dos créditos deverá ser procedida de forma individual (um por um); III – nesta análise não serão considerados os créditos de valor igual ou inferior a doze mil reais, desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de oitenta mil reais (com a exclusão das transferências entre contas do mesmo titular); IV – todos os créditos de valor superior a doze mil reais integrarão a análise individual, exceto os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física fiscalizada; V – no caso de contas em conjunto cuja declaração de rendimentos tenham sido apresentadas em separado, os lançamentos de constituição de créditos tributários efetuados a partir da entrada em vigor da Lei n° 10.637, de 2002, ou seja, a partir 31/12/02, deverão obedecer ao critério de divisão do total da omissão de rendimentos apurada pela quantidade de titulares, sendo que todos os titulares deverão ser intimados para prestarem esclarecimentos; VI – quando comprovado que os valores creditados em conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos é efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento; VII – os rendimentos omitidos, de origem não comprovada, serão apurados no mês em que forem recebidos e estarão sujeitos, com multa de ofício, na declaração de ajuste anual, conforme tabela progressiva vigente à época. Podese concluir, ainda, que: I na pessoa jurídica os créditos serão analisados de forma individual, com exclusão apenas dos valores relativos a transferências entre as suas próprias contas bancárias, não sendo aplicável o limite individual de crédito igual ou inferior a doze mil reais e oitenta mil reais no anocalendário; Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 20 II – caracteriza omissão de receita ou rendimento, desde que obedecidos os critérios acima relacionados, todos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, não comprove a origem dos recursos utilizados nessas operações, desde que regularmente intimada a prestar esclarecimentos e comprovações; III – na pessoa física a única hipótese de anistia de valores é a existência de créditos não comprovados que individualmente não sejam superiores a doze mil reais, limitado ao somatório, dentro do anocalendário, a oitenta mil reais; IV – na hipótese de créditos que individualmente superem o limite de doze mil reais, sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; V – na hipótese de créditos não comprovados que individualmente não superem o limite de doze mil reais, entretanto, estes créditos superam, dentro do ano calendário, o limite de oitenta mil reais, todos os créditos sem a devida comprovação da origem, ou seja, sem a comprovação, mediante apresentação de documentação hábil e idônea que estes créditos (recursos) tem origem em rendimentos já tributados, não tributáveis ou que estão sujeitos a normas específicas de tributação, cabe a constituição de crédito tributário como se omissão de rendimentos fossem, desde que regularmente intimado a prestar esclarecimentos e comprovações; VI os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específica previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos; VII para efeito de determinação do valor dos rendimentos omitidos, não será considerado o crédito de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório desses créditos não comprovados não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00, dentro do anocalendário. Como se vê, nos dispositivos legais retromencionados, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse a autorização legal para considerar ocorrido o fato gerador, ou seja, para presumir que os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. É evidente que nestes casos existe a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável. É incontroverso, que é função do fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento, examinar a correspondente declaração de rendimentos e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o artigo 42 da lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 12 21 declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do Princípio da Legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente, tãosomente, a inquestionável observância da legislação. Por outro lado, também é verdadeiro, como visto anteriormente, que dos valores constantes dos extratos bancários do contribuinte, devem ser excluídos os valores dos depósitos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física, os referentes a proventos, resgates de aplicações financeiras, estornos, cheques devolvidos, empréstimos bancários etc., e ainda os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o somatório dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Por fim, após efetuar a conciliação bancária e constatada a possibilidade de tributação com base nos depósitos/créditos, em virtude de se verificar que o somatório anual dos depósitos realizados em todas as contas bancárias mantidas pelo contribuinte é superior a R$ 80.000,00, ou que o contribuinte teve depósitos em valor superior a R$ 12.000,00, deve o contribuinte ser intimado para comprovar a origem dos recursos utilizados nas operações. Esta comprovação deverá ser feita com documentação hábil e idônea, devendo ser indicada à origem de cada depósito individualmente. Assim, os valores cuja origem não houver sido comprovada serão oferecidos à tributação, submetendose aos limites individual e anual para os depósitos, como omissão de rendimentos, utilizandose a tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela Instituição Financeira. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Não poderia ser mais ponderado. Afinal, é ele, contribuinte, que participa diretamente do negócio, o qual, na quase totalidade dos casos, se exterioriza pela produção de um instrumento formal que se constitui em prova documental da sua realização (recibo, contrato, escritura, nota fiscal, etc.). Em suma, a norma estabeleceu a obrigatoriedade de o contribuinte manter documentação probatória da origem dos valores que deposita em sua conta bancária. Fazse necessário reforçar, que a presunção criada pelo art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é uma presunção relativa passível de prova em contrário. Ou seja, está condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições bancárias. A simples prova em contrário, ônus que cabe ao contribuinte, faz desaparecer a presunção de omissão de rendimentos. Por outro lado, a falta de justificação faz nascer à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência, já que a principal obrigação em matéria tributária é o recolhimento do valor correspondente ao tributo na data aprazada. A falta de recolhimento no vencimento acarreta em novas obrigações de juros e multa que se convertem também em obrigação principal. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, entendo que seja do recorrente o ônus de provar a origem dos Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 22 recursos depositados em sua conta corrente. Desta forma, para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela fiscalização, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar rendimentos tributáveis ou não. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Feitas estas observações genéricas sobre a tributação por omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, resta a análise de alguns pontos específicos já que o recorrente alega, que devem ser excluídos da tributação a título de depósitos bancários sem origem, todos os créditos da conta bancária do Banco SICOOB (Banco 756, Agência 3075, Conta 11029), com o histórico "Créd. Liberação TD", constantes da planilha Anexo 1 — Relatório da Atividade Fiscal, como também devem ser excluídos os créditos cuja origem foi plenamente demonstrada e comprovada no curso da ação fiscal, relacionados com empréstimos de pessoas físicas, receita da atividade rural e venda de veículo, constantes da tabela 5 — fls. 16/17 do Relatório de Atividade. Sobre o assunto a autoridade fiscal lançadora se manifestou da seguinte forma: "Créditos para os quais a justificativa/tentativa de comprovação foi considerada inapta a comprovar a sua origem" A Tabela 5 é uma demonstração das justificativas do contribuinte e da situação final dos 15 "Créditos para os quais a justificativa/tentativa de comprovação foi considerada inapta a comprovar a sua origem". Como se pode notar pela leitura da Tabela 5, para 10 dos créditos pleiteados, cujas justificativas não foram acatadas nesta AuditoriaFiscal, foi apontado com recebimento de empréstimo de terceiros. Todavia, não foram trazidos os documentos comprobatórios de tais operações creditícias, ou seja, os correspondentes contratos de empréstimo. Nesse sentido, vale lembrar que mesmo apresentando um instrumento particular de mútuo, dificilmente o contribuinte conseguiria alcançar reconhecimento do seu pleito pois pelo disposto no art. 221 da Lei n° 10.406, de 10 de janeiro de 2002, abaixo transcrito, os efeitos do instrumento particular não se operam a respeito de terceiros antes de registrado no competente registro público. Se fosse de outra forma, perderia totalmente o sentido a ação fiscal que colimasse apurar a origem da movimentação financeira, pois todo sujeito passivo fiscalizado argumentaria ter recebido uma grande quantidade de empréstimos de terceiros e se livraria da exigência tributária. Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. Para 2 dos créditos em que houve tentativa de justificativa não acatada nesta fiscalização, a origem apresentada era o. Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 13 23 recebimento de pagamentos por venda da produção rural, como se pode observar na leitura da Tabela 5. Nestes dois casos, no entanto, o sujeito passivo não logrou apresentar a correspondente documentação probatória. De forma que não há como reconhecer como provada a origem de tais créditos. Há também, na Tabela 5, dois créditos cuja origem não foi comprovada referentes a TEDs que, segundo o contribuinte, teriam sido efetuados por ele mesmo (um em 15/02/2006 e o outro em 20/03/2006). Com relação ao TED de 15/02/2006, embora o contribuinte tenha apresentado o documento exibido à fl. 1.017, este documento informa uma ordem de pagamento, em dinheiro, na conta 11.029 da agência 3.075 da SICOOB/CREDIMOC. Não há transferência de recursos, nem o saque do respectivo valor em nenhuma das contas correntes do contribuinte nos dias imediatamente anteriores nem na data em questão. Tratase, portanto, de "recurso novo" cuja origem não foi comprovada. De forma semelhante, ao crédito representado pelo TED de 20/03/2006 (no valor de R$ 8.000,00, na conta 11.029 da agência 3.075 da SICOOB/CREDIMOC) não corresponde um débito na conta corrente informada pelo sujeito passivo (conta 24.491 da agência 0385 do Bradesco SA). De forma que, também neste caso, não é possível atender o pleito do contribuinte. Por fim, há um crédito cuja origem pleiteada é a venda de um veículo em 2006. Para este crédito não foi apresentado nenhum comprovante, além de não constar na Declaração de Bens das DIRPF 2006 e 2007 o registro de tal bem entre os de seu patrimônio. Por isso, é impossível reconhecer a origem deste crédito também. Sobre este assunto a decisão recorrida se manifestou da seguinte forma: Como se pode observar, o contribuinte deve comprovar minudentemente, e de forma individualizada, a origem de cada um dos ingressos em suas contas bancárias. Em regra, ou o sujeito passivo demonstra a origem de cada um dos depósitos por documentos hábeis e idôneos coincidentes em data e valor, de forma individualizada, ou então se aperfeiçoa a presunção legal de omissão de rendimentos. Em relação aos valores depositados em sua conta no Banco SICOOB, durante a ação fiscal limitouse o sujeito passivo a anexar "Fichas Gráficas da Operação — Desconto de Títulos" (fls. 668 a 1.002), fichas estas que não apresentam informações capazes de demonstrar a origem dos depósitos. O sujeito passivo aduz que a autoridade tributária deveria, entendendo carente a comprovação, ter intimado o Banco SICOOB, solicitando esclarecimentos. Tal entendimento, conforme já ressaltado, é despropositado, pois cabe ao contribuinte o ônus de comprovar a origem dos créditos, de Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 24 forma individualizada, ao passo que compete a autoridade fiscal efetuar o lançamento referente aos rendimentos omitidos caso a origem não tenha sido comprovada. A planilha enviada pelo Banco SICOOB, e anexada a impugnação, contendo a identificação dos emitentes dos cheques que foram descontados e os valores, ainda não permite comprovar a origem das operações, tendo em vista não indicar a que título foi efetuado a operação, qual o motivo pelo qual os cheques foram pagos ao sujeito passivo. Alegar simplesmente que os cheques foram emitidos por clientes ou pessoas de relacionamento do sujeito passivo, sem trazer documentos comprovando a que título estes cheques foram entregues ao sujeito passivo, não supre o ônus probatório a cargo do contribuinte. Para que o entendimento do sujeito passivo fosse aceito seria necessária a comprovação por documentação hábil e idônea da origem de todos os depósitos bancários para os quais foi argüido o contribuinte mediante intimação, atendendo assim ao que dispõe o art. 42 da Lei n° 9.430/96. Como o sujeito passivo não comprovou o alegado, mantêmse os valores lançados a este título. Como visto, tanto a autoridade fiscal lançadora como a decisão recorrida são do entendimento de que para a comprovação da origem dos depósitos bancários se faz necessário a identificação do depositante; a comprovação da causa, bem como da eventual tributação dos valores questionados. No presente caso entendo, que o recorrente trouxe provas aos autos que representam elementos de convicção capazes de arredar a presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, de vários depósitos bancários questionados pela autoridade fiscal lançadora como se verifica pelos demonstrativos contidos às fls. 1295/1297. A autoridade fiscal autuante imputou ao recorrente um rol de depósitos considerados não comprovados (fls. 1171/1197), incidindo na hipótese normativa da presunção de omissão de rendimentos do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, e cabe, à luz das provas juntadas, verificar se há a comprovação da origem dos depósitos. Na linha acima, devese apreciar as argumentações trazida pelo recorrente de que a autoridade fiscal acatou a comprovação de parte dos depósitos através de notas fiscais de vendas da atividade rural, não acolhendo, no entanto, as comprovações das operações de desconto de títulos para fins de capital de giro efetuadas na Cooperativa de Crédito Rural Meio Oeste Catarinense — SICOOB e também outros créditos derivados das operações da exploração da atividade rural. (Entende o recorrente, que durante o curso da ação fiscal o recorrente apresentou a comprovação dos créditos constantes dos extratos da SICOOB, grafados com o histórico “Crédito liberação TD” através de documento fornecido pela cooperativa,) de crédito denominado "Fichas Gráficas da Operação", comprovando tratarse de operações de desconto de títulos de crédito (cheques). Assim sendo, entende que devem ser excluídos da tributação a título de depósitos bancários sem origem, todos os créditos da conta bancária do Banco SICOOB, com o histórico “Créd. Liberação TD”, constantes da planilha Anexo I – Relatório de Atividade Fiscal. Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 14 25 Da mesmo modo, o recorrente, entende que devem ser excluídos os créditos cuja origem foi plenamente demonstrada e comprovada no curso da ação fiscal, relacionados com empréstimos de pessoas físicas, receita da atividade rural e venda de veículo, constantes da tabela 5 – fls. 16/17 do Relatório de Atividade Fiscal. A autoridade fiscal lançadora rejeitou a origem dos depósitos acima mencionados, já que o contribuinte não informou se o valor tinha sido tributado, nem o motivo do crédito ter sido feito em sua conta bancária. Na espécie, somente se manteria a tributação de tais valores se a justificativa em debate fosse trazida na impugnação, ou mesmo no recurso voluntário, sem comprovação de que o valor fora regularmente tributado. Entretanto, comprovada a origem do depósito na fase da autuação, caberia a autoridade autuante perscrutar a origem do rendimento, e, caso verificada a omissão, efetuar a tributação no titulo devido. Esta é a inteligência do art. 42, § 2°, da Lei n° 9.430/96, verbis: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa _física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [...] § 2° Os valores cuia origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos submeterseão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Confrontando os extratos e os demonstrativos, há múltiplos depósitos de origem comprovada com identidade de data e valor. Aqui também, no momento em que o contribuinte demonstrou a origem dos depósitos, caberia a fiscalização formalmente intimar as empresas para justificarem o porquê dos depósitos na conta bancária do contribuinte. Resta claro, no Auto de Infração, que a irregularidade lançada foi a de omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária, cuja infração foi capitulada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim, a autoridade fiscal lançadora, diante do entendimento de que o contribuinte teria deixado de comprovar, através de apresentação de documentação hábil e idônea, os recursos que transitaram nas contas corrente, lançou mão da presunção de omissão de receitas estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 e considerou que os recursos originados nos depósitos bancários não tinham a sua origem comprovada. A maior discussão, neste processo, nesta parte, esta centralizado no significado comprovar a origem dos recursos nas operações de crédito bancário, condição necessária para ilidir a presunção legal imposta pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. A autoridade fiscal lançadora normalmente interpreta, como foi o caso da presente autuação, o vocábulo “origem dos recursos” de maneira ampla, entendendo que a Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 26 origem abarca a necessidade de se comprovar também a causa ou motivação da operação. Assim, no seu entendimento, como foi o caso em discussão, nesta parte do lançamento, não bastaria comprovar a origem dos depósitos bancários, com informação de quem seria o depositante e a motivação abstrata do depósito, mas seria preciso comprovar documentalmente tanto quem fez o depósito bancário, como a motivação da operação, para então ser afastada a presunção legal. No âmbito da jurisprudência do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem delimitado a interpretação do vocábulo “origem dos recursos”, entendendo que, na fase do procedimento fiscal anterior à autuação, antes de instaurado o contencioso administrativo pela impugnação, bastaria ao contribuinte comprovar a simples origem dos depósitos bancários, sem a necessidade de comprovação documental da causa ou motivação da operação. Comprovada dessa maneira a origem dos depósitos bancários, caberia à autoridade fiscalizadora intimar os depositantes, para que declinassem a causa ou a motivação da operação, para então, se fosse o caso, submeter os valores às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que as receitas teriam sido auferidas, na forma do § 2º do art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. Neste aspecto, não pode prosperar, na íntegra, nesta parte, os argumentos utilizados pela autoridade fiscal lançadora, endossados pela decisão recorrida, já que restou comprovada a origem dos recursos depositados na conta corrente questionada, de acordo com a exigência estabelecida na legislação de regência, verbis: Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Não há dúvidas, que na presunção de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o sujeito passivo é o titular da conta bancária que, regularmente intimado, não comprove a origem dos depósitos bancários. Assim sendo, resta claro de que o legislador atribuiu ao titular da disponibilidade financeira, e não à Administração Tributária, o ônus de identificar os negócios jurídicos que proporcionaram os depósitos. Assim, desde que o procedimento fiscal esteja lastreado nas condições imposta pelo permissivo legal, é do contribuinte o ônus de provar a origem dos recursos depositados em sua conta corrente. Para que se proceda à exclusão da base de cálculo de algum valor considerado, indevidamente, pela autoridade fiscal lançadora, se faz necessário que o contribuinte apresente elemento probatório que seja hábil e idôneo para comprovar a origem do valor depositado (créditos), independentemente, se tratar rendimentos tributáveis ou não. Os Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 15 27 valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributações específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. A prova direta prevalece sobre a indireta. Inferese do disposto no § 2º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 que o fato real conhecido, ainda que não declarado, se sobrepõe ao fato presumido. Assim, se certo depósito bancário teve por origem rendimento proveniente de um ganho de capital na alienação de bens, a tributação deverá recair sobre esta operação, fundamentada em seu próprio regime tributário e não como omissão de receita presumida. Decorre ainda do disposto no citado § 2º que o agente lançador não pode deixar de ignorar os esclarecimentos prestados durante a fiscalização, afirmando que a presunção legal lhe autorizaria exigir toda e qualquer prova, ainda que produzida por terceiros. Quando for possível o acesso do Fisco as pessoas, indicadas como fonte dos recursos, não pode o agente lançador deixar de investigar a licitude da transferência dos recursos, imaginando que o contribuinte investigado teria a obrigação de atuar contra si próprio, e como se fosse delegado, auxiliar do agente lançador, perante terceiros na relação processual. Da análise individuada dos depósitos bancários a primeira dedução que se pode extrair do texto legal é que o legislador empregou a redação do § 3º para conduzir o intérprete à observação das restrições postas nos incisos I e II do mesmo parágrafo, ou seja, identificar e excluir as transferências bancárias e não se valer da presunção em casos imateriais. No entanto o que a regra impõe não é só isso; ela exige uma análise específica para cada crédito. Em outras palavras: aquele que se vale da presunção legal deve expor, na forma de análise, todas as razões que o levaram a presumir a omissão de receitas. Este arrazoado pode ser simples quando acontece de o fiscalizado, ainda que intimado, permanecer no silêncio e não cumprir sua carga no dever de provar. Todavia toda e qualquer oposição feita pelo intimado não pode ser ignorada sob o falso argumento de que o fiscalizado não apresentou "documentação hábil e idônea" sem a devida especificação do que seria hábil e idôneo para cada crédito em debate. Existem diversas presunções legais relativas em nosso sistema jurídico tributário. Parte delas surgiram com a experiência reiterada da própria atividade de fiscalização, como são os casos do saldo credor de caixa, do passivo fictício, do suprimento de caixa não comprovado, da omissão de compras e dos sinais exteriores de riqueza. Em regra todas elas se perpetram mediante certa e adequada técnica de quantificação do valor a ser juridicamente consagrado como valor tributável. Em comum nestas presunções está a situação de que o operador do direito determina o ato ou fato de relevância jurídica e dele extrai o valor tributável por decorrência. A busca da verdade material prevalece no processo administrativo fiscal. O princípio da verdade material norteia os atos preparatórios do lançamento e influem no próprio julgamento das disputas processuais. Resta claro, nos autos de que a autuação deuse pela constatação de que teria ocorrido omissão de rendimentos caracterizada pela falta de comprovação da origem de recursos depositados em conta bancária conforme, consta do Relatório Fiscal, o qual faz parte integrante dos lançamentos. Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 28 A única conclusão possível, diante dos argumentos e das provas documentais apresentadas pelo ora Recorrente é a de que a decisão recorrida não teve argumentos, suficientes para contraporse a impugnação apresentada. Evidentemente que, quer a nível de cidadão contribuinte, quer a nível de terceiros envolvidos, o interesse do Estado prevalece, segundo os princípios do bem comum e os objetivos da justiça social. Porém, o Estado não pode e nem deve avançar sobre o cidadão, ao arrepio de leis que regem especificamente o assunto, já que tal situação redundará, por sem dúvidas, em nulidade processual junto ao poder judiciário. E, inúteis esforços administrativos, com o risco de o mesmo Estado ser condenado ao pagamento de honorários de sucumbência e custas judiciais, acaso a questão seja levada àquele Poder. Ora, não é possível colocarse em plano secundário, como que num passe de mágica, o princípio da legalidade e da verdade material. Digase, a bem da verdade, que a legislação é clara por demais no sentido de que quando restar provado nos autos, que sobre os valores depositados/creditados se tem noticia dos depositantes, ou seja, se sabe quem os depositou e por via de conseqüência se conhece a origem dos recursos, incabível se torna à aplicação do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (lançamento com base em depósitos bancários). Assim sendo, é de se excluir da base de cálculo da exigência os depósitos bancários abaixo listados, que constam das planilhas apresentadas pelo recorrente às fls. 1295/1297, bem como no Anexo I Demonstrativo da Apuração da Comprovação de Créditos Bancários – Situação Final – (fls. 1171 /1198): DATA VALOR EM R$ FLS. ANEXO 1 31/01/2005 58.171,64 6 10/02/2005 14.921,75 6 17/02/2005 64.540,72 6 15/03/2005 45.095,98 7 30/03/2005 32.366,41 7 02/05/2005 27.819,87 8 18/05/2005 36.512,48 8 19/05/2005 14.969,80 8 24/05/2005 26.275,90 8 27/05/2005 19.586,87 8 21/06/2005 9.949,49 9 22/06/2005 19.977,51 9 29/06/2005 19.977,51 9 04/07/2005 19.927,00 9 05/07/2005 15.883,11 9 Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 16 29 13/07/2005 10.298,60 9 19/07/2005 16.235,47 10 22/07/2005 15.194,49 10 27/07/2005 10.283,02 10 04/08/2005 76.192,42 10 11/08/2005 14.785,90 10 22/08/2005 56.819,41 10 23/08/2005 50.516,68 10 24/08/2005 20.662,46 10 05/09/2005 13.648,53 11 24/11/2005 13.004,79 13 28/11/2005 8.114,40 13 28/11/2005 9.434,57 13 30/11/2005 11.264,59 13 14/12/2005 9.163,16 13 16/12/2005 8.833,34 13 26/12/2005 30.167,50 13 29/12/2005 7.706,46 14 29/12/2005 10.563,13 14 TOTAL 2005 818.864,96 DATA VALOR EM R$ FLS. ANEXO 1 25/01/2006 17.614,27 14 24102/2006 34.000,67 14 23/03/2006 32.587,55 15 06/04/2006 9.441,77 16 11/04/2006 31.653,49 16 24/04/2006 34.809,73 16 Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 30 25/04/2006 5.369,25 16 28/04/2006 24.718,57 16 09/05/2006 7.593,46 17 11/05/2006 5.533,63 17 12/05/2006 6.964,30 17 30/05/2006 79.916,17 17 23/06/2006 10.608,54 18 18/07/2006 58.359,63 19 19/07/2006 45.793,55 19 24/08/2006 40.420,96 20 01/09/2006 11.875,68 20 06/09/2006 34.635,37 20 13/09/2006 34.363,03 20 31/10/2006 21.999,13 21 20/12/2006 15.483,53 22 22/12/2006 68.577,19 22 27/12/2006 27.209,48 22 TOTAL DE 2006 659.528,95 Do mesmo modo, devem ser excluídos os créditos cuja origem foi demonstrada no curso da ação fiscal, relacionados com empréstimos de pessoas físicas, receita da atividade rural e venda de veículo, constantes da tabela 5 — fls. 16/17 do Relatório de Atividade Fiscal, relacionados a seguir: DATA VALOR EM R$ Justificativa Esclarecimentos 31/01/2005 58.171,64 Coop.Trit.Erechim — Cred. Lib.TD 01/02/2005 8.708,00 RecebimentoLucimara TED/DOC SICOOB 15/02/2005 24.670,00 Enviado conta BB Valmir TED/DOC 02/08/2005 45.000,00 Empréstimo Elécio Pedro Faita TED/DOC TOTAL 2005 136.549,64 05/07/2006 1.000,00 Empréstimo Adair Fiamenti Ted/Doc Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN Processo nº 10925.003134/200870 Acórdão n.º 2202002.199 S2C2T2 Fl. 17 31 06/07/2006 1.000,00 Idem Idem 07/07/2006 1.000,00 Idem Idem 17/07/2006 11.994,59 Frigoespanha — atividade rural Idem 18/07/2006 104,77 Rec. Devol. Empr. Maria Silva Idem 24/11/2006 38.825,00 Empréstimo de Elecio P.Faita TED/Doc 20/03/2006 8.000,00 TED Bradesco Valmir Cerutti 27/07/2008 11.000,00 Empréstimo Márcio Simon TED/DOC 28/07/2008 10.000,00 Venda carro Cristiane Possamai 01/08/2006 15.150,00 Empréstimo Anderson L. Faita TED/DOC 10/11/2006 36.000,00 Empréstimo Euzébio Almeida TED/DOC TOTAL 2006 134.074,36 Por outro lado, é de se manter os valores dos demais depósitos bancários, já que a falta de justificação de sua origem faz nascer à presunção de omissão de rendimentos e por via de conseqüência à obrigação do contribuinte para com a Fazenda Nacional de pagar o tributo com os devidos acréscimos previstos na legislação de regência. O contribuinte na tentativa de comprovar a origem dos demais depósitos bancários, relaciona alguns valores e datas junta extratos bancários e cópias de cheques os quais, segundo o interessado, comprovariam a origem dos recursos utilizados nos depósitos contestados. Todavia, tais valores não guardam relação alguma com os depósitos lançados, pois não são coincidente em datas e valores. Ora, ao recorrente é atribuído o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos. O que se vê nos autos, porém, é que a defesa não consegue relacionar e equacionar os demais valores que alega ter recebido no período em análise, com os depósitos bancários levantados no auto de infração. Com todas as vênias necessárias, se nem mesmo o recorrente sabe o quanto foi depositado em suas contas, como poderia a fiscalização saber. O ônus da prova, neste caso especifico, é do contribuinte, o qual deverá comprovar, através de documentação hábil e idônea, a origem dos valores/créditos depositados em suas contas bancárias, pormenorizadamente, individualizandoos e identificandoos, de acordo com os respectivos contratos de locação, os quais estavam sob sua administração. Aparente informalidade no controle dos negócios efetuados pelas pessoas físicas não pode eximir o fiscalizado de apresentar prova da efetividade das transações, porquanto a relação entre Fisco e contribuinte é formal e vinculada à lei, sem exceção. Assim, independentemente do grau de controle, exigido pelo Fisco, das operações realizadas pelas pessoas físicas, tal fato não exime o contribuinte de apresentar a prova da origem dos montantes de dinheiro ingressados em sua conta bancária. Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN 32 O que não se pode, a meu ver e com a devida vênia, é se eleger como sujeito passivo, principalmente para fins de gozar de tributação minorada pelo imposto de renda, tudo o que, “lato sensu”, todo o contribuinte entenda ser conveniente para si e quando estiver com vontade de fazêlo. As ações praticadas pelos contribuintes para ocultar sua real capacidade econômica, e assim se beneficiar indevidamente de algum tratamento diferenciado, deve merecer sempre a ação saneadora contrária, por parte da autoridade fiscal, em defesa até dos legítimos beneficiários daquele tratamento. Na perquirição do fato de relevância econômica capaz de caracterizar a ocorrência do fato gerador do tributo, a ação fiscal jamais se deterá na superficialidade dos aspectos formais dos atos, fatos e negócios jurídicos dos contribuintes, aceitandoos como eles se apresentam e sem poder investigar o que realmente aconteceu. Muito pelo contrário, a função precípua do Fisco é a de examinar a essência e a natureza dos fatos e dos negócios jurídicos, nada se importando com a nomenclatura que os contribuintes lhes tenham emprestado. Assim, não pode o contribuinte usar em sua defesa o fato de ter criado em sua vida tributária uma situação indefinida para beneficiarse do princípio do in dublio pro reo, situação esta derivada da prática de ato contrário ao ordenamento jurídico. Os fatos devem ser devidamente comprovados de forma coerente e com meios de prova idôneos, que não deixe margem à dúvida quanto à consistência das operações. Isto não foi feito no presente processo, nada foi apresentado pelo suplicante que pudesse orientar o julgador. Por fim, é de se dizer que simples alegações desacompanhadas de documentação que as comprovem não são suficientes para afastar a presunção legal de omissão de rendimentos prevista no art. 42 da Lei n.° 9.430, de 1996. Eis que, por força do caput e § 3.° do referido artigo, os depósitos bancários devem ser comprovados mediante documentação hábil e idônea. Como a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal e como, no presente caso, o contribuinte nada apresentou é de se manter o lançamento na forma que foi realizado pela autoridade lançadora. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria e por ser de justiça, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência os valores de R$ 955.414,60 e R$ 793.603,31, correspondentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, respectivamente. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 26/02/2013 por NELSON MALLMANN
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Numero do processo: 10980.004872/2003-65
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: DECADÊNCIA.
O art. 45, 1, da Lei nº 8.212/91, estipula que o direito de a Seguridade-Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após lO (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.953
Decisão: ACORDAM os -Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de
Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Fabíola Cassiano Keramidas, Maria Teresa Martinez López, Leonardo Siade Manzan e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira que deram provimento ao recurso.
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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Numero do processo: 35339.001538/2006-06
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Dec 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 28/02/2005
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO.
O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade.
Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72.
AJUDA DE CUSTO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES.
Os valores pagos aos segurados a título de ajuda de custo, em mais de uma parcela e sem comprovação de que foram recebidos em decorrência da mudança do local de trabalho do empregado, integram a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS.
Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas.
VÍCIO MATERIAL
A falta de comprovação da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, acarreta a nulidade do lançamento por vício material.
A falta de demonstração pelo fisco da existência dos pressupostos contidos na hipótese legal da antecipação compensável referente à retenção de 11% incidente sobre notas fiscais ou faturas de prestação de serviço com cessão de mão de obra, levou à nulidade do levantamento RET.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e para excluir o lançamento RET por vício material, frente à não comprovação da existência do fato gerador, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Juliana Campos de Carvalho Cruz, divergiram quanto à decadência, entendendo que se aplicava ao caso, o artigo 150§4º do Código Tributário Nacional.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente Substituta
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos.
A conselheira Adriana Sato declarou-se impedida de participar do julgamento.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 28/02/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerar-se-á como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. AJUDA DE CUSTO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Os valores pagos aos segurados a título de ajuda de custo, em mais de uma parcela e sem comprovação de que foram recebidos em decorrência da mudança do local de trabalho do empregado, integram a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. VÍCIO MATERIAL A falta de comprovação da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, acarreta a nulidade do lançamento por vício material. A falta de demonstração pelo fisco da existência dos pressupostos contidos na hipótese legal da antecipação compensável referente à retenção de 11% incidente sobre notas fiscais ou faturas de prestação de serviço com cessão de mão de obra, levou à nulidade do levantamento RET. Recurso Voluntário Provido em Parte
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2222; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 1.005 1 1.004 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35339.001538/200606 Recurso nº 244.424 Voluntário Acórdão nº 2302002.246 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2012 Matéria Remuneração dos segurados parcelas em folha de pagamento Recorrente SINDICATODOS TRABALHADORES NAS INDÚSTRIAS DA CONSTRUÇÃO E DO MOBILIÁRIO DE BRUSQUE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 28/02/2005 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. PEDIDO DE PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. O indeferimento do pedido de perícia não caracteriza cerceamento do direito de defesa, quando demonstrada sua prescindibilidade. Considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. AJUDA DE CUSTO REMUNERAÇÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES. Os valores pagos aos segurados a título de ajuda de custo, em mais de uma parcela e sem comprovação de que foram recebidos em decorrência da mudança do local de trabalho do empregado, integram a base de cálculo das contribuições para todos os fins e efeitos, nos termos do artigo 28, I, da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Incidem contribuições previdenciárias sobre a remuneração e demais rendimentos do trabalho recebidos pelas pessoas físicas. VÍCIO MATERIAL AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 33 9. 00 15 38 /2 00 6- 06 Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 A falta de comprovação da ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, acarreta a nulidade do lançamento por vício material. A falta de demonstração pelo fisco da existência dos pressupostos contidos na hipótese legal da antecipação compensável referente à retenção de 11% incidente sobre notas fiscais ou faturas de prestação de serviço com cessão de mão de obra, levou à nulidade do levantamento RET. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, pela fluência do prazo decadencial exposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e para excluir o lançamento RET por vício material, frente à não comprovação da existência do fato gerador, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior e Juliana Campos de Carvalho Cruz, divergiram quanto à decadência, entendendo que se aplicava ao caso, o artigo 150§4º do Código Tributário Nacional. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Substituta Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Juliana Campos de Carvalho Cruz , Paulo Roberto Lara dos Santos. A conselheira Adriana Sato declarouse impedida de participar do julgamento. Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35339.001538/200606 Acórdão n.º 2302002.246 S2C3T2 Fl. 1.006 3 Relatório A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito, lavrada em 10/05/2005 e cientificada ao sujeito passivo em 20/05/2005, referese às contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, contribuintes individuais e às retenções de 11%, sobre serviços prestados com cessão de mão de obra, tudo no período de 01/1995 a 02/2005. O relatório fiscal de fls.510/520, traz que a contabilidade da recorrente não foi aproveitada como elemento de prova a seu favor, por demonstrar inúmeras inconsistências, o que levou a lavratura dos pertinentes autos de infração por descumprimento de obrigação acessória, inclusive, por ter deixado de apresentar o Livro Diário do exercício de 2004. Aduz que o levantamento referese a pagamento de valores extrafolha aos segurados empregados a título de ajuda de custo, horas extras e salários; à caracterização de segurados como empregados, às diferenças de salário relativas aos dirigentes sindicais, considerados pela fiscalização como empregados e, por presunção, à parcela de 11%, descontada dos recibos pagos às empreiteiras de mão de obra. Após a impugnação, os autos baixaram em diligência, fls. 752, para que restasse evidenciada a existência dos pressupostos necessários à caracterização dos segurados considerados pela fiscalização como empregados. Informação Fiscal de fls. 754/761, manteve o crédito como lançado, pugnando pela caracterização dos segurados como empregados, por preencherem os requisitos necessários para tanto. A notificada foi cientificada do resultado da diligência, manifestouse e DecisãoNotificação de fls. 867/879, julgou o lançamento procedente em parte para excluir os segurados tidos como empregados à exceção da segurada Ivone Maria Machado, que prestava serviços como servente, contratada por hora, com pagamentos de salário, 13º salário e férias. Ainda inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em apertada síntese: a) a decadência qüinqüenal; b) que é entidade sem fins lucrativos adotando o regime de caixa para sua escrituração, sendo que não há lei que obrigue a adoção do regime por competência; c) que seus resultados contábeis exibem fielmente a realidade, que não há mácula na sua contabilidade, reiterando o pedido efetuado na defesa e indeferido, quanto à realização de perícia contábil; d) a nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa, ao não deferir a perícia e nem fundamentar o indeferimento; Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 e) que a segurada Ivone não é empregada, juntando escritura pública onde está declarado que presta serviço em dois dias , de forma descontínua, e sem subordinação, pois é ela que decide sobre a limpeza; f) que ajuda de custo é verba indenizatória; g) que os honorários advocatícios não podem ser acrescidos da verbas sucumbenciais , porque foram repassadas de livre vontade ao advogado; h) que não tem obrigação de recolher 11% de retenção porque a obrigação legal da retenção só existe a partir de 04/2003, e os recibos são anteriores, assim como são relativos à pessoas jurídicas; i) que os dirigentes sindicais foram considerados autônomos, na forma prescrita pela Ordem de Serviço Nº 564/97. Requer o reconhecimento da decadência, a realização de perícia, a procedência das razões recursais e a relevação da multa, na forma disposta pelo artigo 291§1º do Decreto n.º 3048/99, por ser primária e não ter incorrido em agravantes. Após a apreciação do recurso na primeira instância, foi emitida outra DecisãoNotificação para reformar a decisão anterior , fls.993/999, para excluir do lançamento as contribuições relativas aos dirigentes sindicais nas competências 08/1997 a 11/1997, onde reconhecidamente os mesmos são considerados contribuintes individuais (autônomos). O contribuinte foi cientificado da nova decisão e não se manifestou. O Fisco apresentou as contrarrazões pela manutenção do lançamento remanescente. É o relatório. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35339.001538/200606 Acórdão n.º 2302002.246 S2C3T2 Fl. 1.007 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora O recurso apresentado às fls.884/913, cumpriu com o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, devendo ser conhecido e examinado. Da Preliminar A notificação referese ao período de 09/1995 a 02/2005 e foi lavrada em 17/05/2005, com ciência pelo sujeito passivo em 20/05/2005. A recorrente arguiu a aplicação da decadência qüinqüenal e com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. No caso presente, não há recolhimentos parciais relativos ao crédito lançado nesta notificação, assim, aplicase o artigo 173, I do CTN, devendo ser excluídas do levantamento as competências até 11/1999, inclusive: Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35339.001538/200606 Acórdão n.º 2302002.246 S2C3T2 Fl. 1.008 7 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Quanto à argüição da recorrente acerca da nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa em não deferir a realização de perícia, ressalto a inexistência do mesmo, posto que a notificação de débito, seus anexos e o relatório fiscal explicitam claramente a origem e o valor do débito, o procedimento fiscal foi desenvolvido dentro da empresa, à vista de seus administradores e empregados, tanto que foi possível à notificada contestar totalmente o débito, o que demonstra perfeita compreensão do mesmo. O relatório fiscal de fls.510/520, expressa que a base imponível para a cobrança das contribuições previdenciárias, consubstanciadas nesta notificação, foi retirada dos documentos elaborados pela recorrente, de sua posse e guarda. Os recibos de pagamentos de valores que foram considerados como remuneração também constam dos autos, volume I e II, planilhas anexas ao levantamento às fls. 164/179, trazem todas as bases levantadas e consideradas como remuneração de empregados ou contribuintes individuais, não configurando cerceamento de defesa. Assim, o direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, já que são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado foi notificado de todos os atos e procedimentos efetivados durante o trâmite administrativo e apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. Quanto à solicitação de perícia para demonstrar a veracidade da escrita contábil, primeiramente, é de se ver que tal alegação caberia nos autos de infração que foram lavrados pelo descumprimento de obrigação acessória de apresentar ao fisco a contabilidade regular e de escriturar todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, na forma como disposto pelos artigos 32 e 33, da Lei n.º 8.212/91, e não nesta notificação que referese ao descumprimento da obrigação principal de recolher as contribuições devidas à Seguridade Social. Ademais, à autoridade julgadora de primeira instância é que compete a determinação para a realização de perícia se julgála necessária ou conveniente, conforme a legislação que disciplina o processo administrativo tributário, in verbis: DECRETO Nº 70.235, DE 6 DE MARÇO DE 1972. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) PORTARIA Nº 520, DE 19 DE MAIO DE 2004 Art. 11. A autoridade julgadora determinará de ofício ou a requerimento do interessado, a realização de diligência ou perícia, quando as entender necessárias, indeferindo, mediante despacho fundamentado ou na respectiva DecisãoNotificação, aquelas que considerar prescindíveis, protelatórias ou impraticáveis. Portanto, o pedido de perícia não se constitui em direito subjetivo do notificado e a prova do fato de eventual erro nos valores lançados, independe de conhecimento técnico, sendo, inclusive, o crédito já retificado na primeira instância para aquelas alegações do recorrente que se mostraram procedentes. Destarte, considerarseá como não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos previstos no artigo 16, IV c/c §1° do Decreto n° 70.235/72. Do Mérito Com referência ao mérito do levantamento, deixo de me manifestar quanto às contribuições dos dirigentes sindicais por já estarem alcançadas pela fluência do prazo decadencial. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35339.001538/200606 Acórdão n.º 2302002.246 S2C3T2 Fl. 1.009 9 A recorrente confirma nas razões recursais que efetuava pagamentos a títulos ajuda de custo que não eram oferecidos a incidência contributiva previdenciária pois a recorrente os considerava excluídos do salário de contribuição. Porém, o salário indireto se constitui em um ganho habitual que amplia o patrimônio do trabalhador. Consiste, no dizer da melhor doutrina, em toda e qualquer vantagem atribuída ao empregado, sem a qual, para alcançála, teria que arcar com o respectivo ônus. Decorre do contrato de trabalho e é ajustado por meio de acordo expresso ou tácito. O ganho habitual, por sua natureza, é sempre remuneratório. A matéria de ordem tributária é de interesse público, por isso é a lei que determina as hipóteses em que valores pagos aos empregados não integram o salário de contribuição, ficando isentos da incidência de contribuições sociais. Nessa linha, da análise dos autos, verificase que os valores pagos pela empresa aos segurados a título de ajuda de custo não se enquadram nas hipóteses previstas em Lei como isentas de contribuições sociais; a Lei 8.212/91, em seu art. 28 inciso IV § 9º alínea "g", que assim determina: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Assim, os valores pagos por liberalidade da recorrente não se enquadram na alínea "g" do § 9º do art. 28 supra citado, posto que não foram pagos em parcela única e não foram recebidos em decorrência da mudança do local de trabalho do empregado, sendo passíveis da incidência da contribuição previdenciária, pela sua habitualidade, por ter caráter remuneratório e não indenizatório, representando uma vantagem patrimonial para o trabalhador. Na mesma linha de raciocínio os valores pagos à advogada da recorrente a títulos de verbas de sucumbência integram o salário de contribuição do segurado contribuinte Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 individual, na forma disposta pelo artigo 28, inciso III, da Lei n.º 8.212/91. A própria recorrente afirma que repassa as verbas de livre espontânea vontade para a segurada, não havendo qualquer restrição para que as mesmas integrem o salário de contribuição da segurada , contribuinte individual. A liberalidade do pagamento não exclui a obrigatoriedade da incidência da contribuição previdenciária: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5º No que concerne à segurada Ivone Maria Machado, entendo que não há reparos a fazer no lançamento efetuado que a considerou como empregada, posto que contratada por hora, recebendo através de recibos valores de salário, décimoterceiro salário, férias e constando das fls. 519, acordo firmado na Justiça do Trabalho, onde lhe foi pago FGTS. As alegações da recorrente quanto à eventualidade do trabalho, a não subordinação e à escritura pública declaratória firmada pela segurada onde afirma prestar serviços de diarista duas vezes por semana, não tem o condão de ilidir ou desvirtuar a forma pela qual o serviço é prestado, ou seja com habitualidade, não eventualidade, onerosidade, subordinação e pessoalidade, todos elementos caracterizadores da relação de emprego, que perdura por treze anos, com cumprimento de horário das 08:00 hs às 13:00 hs, duas vezes por semana, conforme consta dos autos, na já citada escritura pública declaratória. O fato do serviço não ser prestado diariamente não implica em eventualidade, pois a natureza do serviço é permanente, ou seja, a recorrente necessita que o serviço seja prestado “sempre” nos dias e horários agendados. A eventualidade restaria demonstrada se, esporadicamente, houvesse uma pessoa para efetuar os serviços de limpeza na sede da recorrente, mas não como no caso em tela, onde a segurada presta serviço de maneira regular, cumprindo horário, recebendo remuneração, férias e décimoterceiro salário, de forma que se mostra inócua a assertiva de que a segurada não recebe ordens, decidindo por si acerca da limpeza. Por óbvio, a assertiva não foi comprovada e não merece maior destaque, frente à natureza do serviço prestado que por si só, subordinase ao mando do empregador. Quanto às retenções de 11%, incidentes sobre recibos de mão de obra que não foram objeto de recolhimento por parte da recorrente, na condição de tomadora desses serviços, o fisco diz que o lançamento se deu por presunção. A recorrente nas suas razões não discorre sobre este assunto, arguindo que a retenção de 11% , relativa a parte do segurado e incidente sobre a remuneração do contribuinte individual, somente entrou em vigor a partir de 04/2003, pelo que não se aplica ao lançamento que é de período anterior. Entretanto, o lançamento não diz respeito à retenção do contribuinte individual. A Lei nº 9.711/98 em seu artigo 23 alterou a redação do artigo 31 da Lei nº 8.212/91, estabelecendo uma nova modalidade de substituição tributária, ao determinar que os tomadores de serviço efetuem a retenção de 11% (onze por cento) sobre o valor bruto do pagamento referente à prestação de serviço efetuado com cessão de mãodeobra. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 35339.001538/200606 Acórdão n.º 2302002.246 S2C3T2 Fl. 1.010 11 A partir de 1º de fevereiro de 1999, com a nova redação do art. 31 da Lei nº 8.212/91, alterouse a natureza jurídica da relação entre o INSS e a empresa tomadora de serviços com cessão de mãodeobra, deixando de existir a solidariedade, criandose a substituição tributária estribada no art. 128 do CTN. O artigo 31 da Lei n.º 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela Lei n.º 9.711/1998, diz que a empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãode obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá proceder à retenção incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço e recolher a importância retida até o dia dois do mês subsequente ao da emissão da nota fiscal ou fatura, em nome da cedente de mãodeobra: Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher a importância retida até o dia dois do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, em nome da empresa cedente da mãodeobra, observado o disposto no § 5º do art. 33. (Redação dada pela MP nº 1.66315, de 22/10/98 e convertida no art. 23 da Lei nº 9.711, de 20/11/98). Vigência a partir de 01/02/99, conforme o art. 29 da Lei nº 9.711/98. É a esta retenção que o lançamento se refere. Todavia, é de se ver que o lançamento não está estribado em notas fiscais ou faturas de prestação de serviços, porque segundo consta do relatório fiscal, não foram emitidas, de forma que o levantamento RET foi efetuado por presunção, como diz o fisco a partir de recibos pagos a empreiteiras. Neste aspecto entendo que não restou demonstrada a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, qual seja a prestação de serviço com cessão de mão de obra , que sujeitase à retenção de 11%, estipulada pelo artigo 31 da Lei n.º 8.212/91, na redação que lhe foi dada pela Lei n.º 9711/98. O relatório fiscal, fls.510/520, também não faz referência a apuração do crédito por aferição indireta, que tampouco consta do discriminativo FLD Fundamentos Legais do Débito. Destarte, o procedimento fiscal não evidenciou a subsunção ao que prescreve o artigo 33, §§ 2º e 3º da Lei n.º 8.212/91. Art. 33 (...) §2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou o seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI 12 §3º Havendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS e o Departamento da Receita Federal – DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. É certo que compete à fiscalização solicitar e examinar livros e documentos da empresa a fim de assegurar o correto e eficaz cumprimento das obrigações principais e acessórias, relativamente às contribuições previdenciárias e na falta de documentos regulares e formalizados, arbitrar o débito, mas isto deve estar explícito no lançamento para que o contribuinte tenha conhecimento do que lhe foi imputado e por que. O relatório descreveu a existência de recibos pagos a empreiteiras de onde presumiu a existência de serviços prestados com cessão de mão de obra e lançou o crédito de retenção. Contudo, falta a comprovação de que o fato efetivamente ocorreu, os pressupostos fáticos até podem ter ocorrido, mas ausentes as provas da sua subsunção, entendo que o lançamento deve ser anulado por vício material. O motivo do lançamento, a efetiva comprovação da ocorrência do fato gerador, a demonstração da existência dos pressupostos contidos na hipótese legal da antecipação compensável referente à retenção de 11% incidente sobre notas fiscais ou faturas de prestação de serviço com cessão de mão de obra, não restou demonstrada pelo fisco, levando a nulidade do levantamento RET. Por derradeiro, não há que se falar em relevação da multa, com base no artigo 291, paragráfo 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois o dispositivo, hoje revogado, referiase à multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em legislação, não se confundindo com a multa de mora imposta nesta notificação pelo descumprimento da obrigação principal de recolher as contribuições previdenciárias devidas. Por todo o exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para acatar o prazo decadencial exposto no artigo 173, I do Código Tributário Nacional e excluir do lançamento as competências até 11/1999, inclusive e o levantamento RET, deve ser anulado por vício material. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 1018DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/11/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13807.006966/2004-59
Data da sessão: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003
CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSIBILIDADE. A Lei n. 9.363/1996 permite a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes a aquisições de insumos para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação, independentemente de o fornecedor ser pessoa física (produtor rural) ou cooperativa. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. A definição de receita de exportação estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei no 9.363(1996. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. O crédito referente a ressarcimento sujeita-se a atualização monetária (Taxa SELIC), a partir do pedido, até a data de sua efetiva utilização. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos.
Numero da decisão: 3403-001.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, reconheceu-se o direito de o contribuinte incluir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido, assim como o direito à correção do ressarcimento pela Taxa SELIC, a partir da data de protocolo do pedido; e II) por maioria de votos, negou-se provimento quanto à inclusão dos produtos NT no cálculo do crédito presumido. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSIBILIDADE. A Lei n. 9.363/1996 permite a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes a aquisições de insumos para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação, independentemente de o fornecedor ser pessoa física (produtor rural) ou cooperativa. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. A definição de receita de exportação estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei no 9.363(1996. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. O crédito referente a ressarcimento sujeita-se a atualização monetária (Taxa SELIC), a partir do pedido, até a data de sua efetiva utilização. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos.
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E EXPORTAÇÃO SA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2003 a 31/12/2003 CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ADMISSIBILIDADE. A Lei n. 9.363/1996 permite a inclusão na base de cálculo do crédito presumido do IPI os valores referentes a aquisições de insumos para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação, independentemente de o fornecedor ser pessoa física (produtor rural) ou cooperativa. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. CRÉDITO PRESUMIDO. IPI. DEFINIÇÃO DE RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. RESTRIÇÃO A BENS NÃO INDUSTRIIALIZADOS. PROCEDÊNCIA. A definição de “receita de exportação” estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei no 9.363/1996. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. CABIMENTO. O crédito referente a ressarcimento sujeitase a atualização monetária (Taxa SELIC), a partir do pedido, até a data de sua efetiva utilização. Matéria já apreciada pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao recurso da seguinte forma: I) por unanimidade de votos, reconheceuse o direito de o contribuinte incluir as aquisições de pessoas físicas e cooperativas no cálculo do crédito presumido, assim como o direito à correção do ressarcimento pela Taxa SELIC, a partir da data de protocolo do pedido; e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 69 66 /2 00 4- 59 Fl. 775DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 2 II) por maioria de votos, negouse provimento quanto à inclusão dos produtos NT no cálculo do crédito presumido. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, Marcos Tranchesi Ortiz, e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente processo sobre pedido de ressarcimento de IPI, referente ao 3o trimestre de 2003, apresentado por meio de PER/DCOMP transmitida em 12/05/2004 (fls. 2 a 31). Após decisão judicial interlocutória medida liminar em mandado de segurança impetrado pela recorrente, para que fossem apreciadas todas suas solicitações de ressarcimento em 30 dias (fls. 34 a 36), e a correspondente verificação fiscal, encerrouse a ação fiscal por meio do Termo de fls. 394, acompanhado do Relatório Fiscal de fls. 395 a 397. Em análise dos cálculos e crédito presumido para o período em referência, bem como da documentação de suporte, por amostragem, a autoridade fiscal concluiu (tal análise se refere não só ao pedido objeto deste processo, mas também a outros, da mesma empresa), em síntese: (a) pelo ajuste do valor das receitas de vendas no mercado interno, tendo em conta a existência de vendas para entrega futura e reversões de algumas delas, ICMS por substituição tributária e ICMS deduzido da receita; (b) pela desconsideração das vendas para o mercado externo de óleo destilado de soja / Tocopherol (1522.00.00) e outros grãos de soja, produtos não tributados (NT), no cálculo proporcional de receitas de exportação; (c) pela glosa de insumos adquiridos de pessoas físicas e de cooperativas; (d) pela adequação do cálculo do estoque ao disposto no art. 11 da IN SRF no 69/2001; e (e) pela elaboração, com base nas adequações e glosas efetuadas, de planilha de Demonstrativo de Cálculo do Crédito Presumido, com apuração do novo valor trimestral do crédito presumido em contraposição ao valor pleiteado. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.006966/200459 Acórdão n.º 3403001.738 S3C4T3 Fl. 738 3 Em 5/12/2005, a recorrente solicita ainda a atualização pela taxa Selic dos valores a serem ressarcidos (fls. 400 e 401). Por meio do despacho decisório de fls. 405 a 411, a Delegacia da Receita Federal da Administração Tributária em São Paulo (DERAT) concede parcialmente o ressarcimento, com as adequações e glosas indicados no Relatório Fiscal, e informando adicionalmente sobre a impossibilidade de atualização dos valores a serem ressarcidos, visto ser a medida um incentivo fiscal, e não meramente uma restituição de indébito. Cientificada da decisão, a recorrente apresenta em 16/3/2006 (fls. 565 a 599) impugnação/manifestação de inconformidade, sustentando que: (a) tem direito à inclusão do valor dos insumos adquiridos de produtores rurais (pessoas físicas) e de cooperativas na base de cálculo do incentivo previsto nas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001, pois o que era tratado anteriormente como um crédito fiscal (MP no 674/1994 até MP no 905/1995) passou a constituir, com a MP no 948/1995 (após algumas reedições, convertida na Lei no 9.363/1996) um crédito presumido, tendo as IN SRF no 23/1997 e no 103/1997 extrapolado os comandos da Lei no 9.363/1996, conforme reiterados entendimentos do CARF; (b) deve manterse no montante da receita de exportação a decorrente da exportação de produtos classificados como NT, pois a Lei no 9.363/1996 não restringiu as receitas que podem compor a receita de exportação da empresa, entendimento também assentado no CARF; e (c) deve ser aplicada a Taxa Selic aos valores a serem ressarcidos, seja porque o ressarcimento é uma espécie do gênero restituição, seja para evitar o enriquecimento sem causa da Fazenda (derivado exatamente da mitigação do incentivo fiscal por ela proposto), ou ainda para manter a isonomia com o tratamento dispensado pela Portaria MF no 38/1997 (pagamento em caso de crédito presumido aproveitado a maior ou indevidamente), entendimento que também encontra guarida no CARF. A Manifestação de Inconformidade foi apreciada em 22/10/2008, pela DRJ/Ribeirão Preto (fls. 644 a 652), que concluiu, em síntese, que: (a) a Lei estabelece que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições (PIS/Pasep e Cofins) incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para Fl. 777DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 4 utilização no processo produtivo, e que não havendo incidência, não há o que ressarcir, como entende também a PGFN (Parecer PGFN/CAT no 3.092/2002); (b) a legislação (IN SRF no 23/1997) não permite a inclusão, no montante da receita de exportação, da receita decorrente da exportação de produtos classificados como NT, entendimento endossado pelo Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP no 139/1996; (c) é incabível, por não estar normativamente determinada, a aplicação da Taxa Selic aos valores a serem ressarcidos, que constituem renúncia tributária, e não resultado de repetição de indébito. Cientificada da decisão de primeira instância (AR às fls. 653verso, com data de recebimento indicada como 20/12/2008), a autuada apresenta em 23/12/2008 seu RECURSO VOLUNTÁRIO (fls. 679 a 720), reiterando a argumentação exposta na manifestação de inconformidade. Em 25/4/2012 a matéria foi submetida à 3a Turma Especial desta 3a Seção de Julgamento (fls. 735 e 736), que não se manifestou sobre o mérito, tendo em vista ter sido extrapolado o limite de alçada a que se refere o parágrafo único do art. 8o do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/6/2009. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. O presente contencioso trata basicamente: (a) da inclusão do valor dos insumos adquiridos de produtores rurais (pessoas físicas) e de cooperativas na base de cálculo do incentivo previsto nas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001; (b) da inclusão da receita decorrente da exportação de produtos classificados como NT como receita de exportação; e (c) da atualização pela taxa Selic do montante a ser ressarcido a título de crédito presumido de IPI. A seguir, são analisados estes três tópicos essenciais à solução do litígio apresentado no presente processo. Da inclusão do valor dos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas A questão pode ser analisada a partir do comando do caput do art. 1o da Lei no 9.363/1996: Fl. 778DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.006966/200459 Acórdão n.º 3403001.738 S3C4T3 Fl. 739 5 “Art. 1o A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”.(grifos nossos) Enquanto sustenta a recorrente que as expressões “ressarcimento” e “incidentes” não são empregadas no texto em sua acepção técnica (alicerçada por diversas decisões deste colegiado), o julgador a quo manifesta que só há que se falar em crédito presumido quando houve incidência, em sua acepção técnica, endossando seu entendimento principalmente com o teor da Instrução Normativa SRF no 23/1997 e do Parecer PGFN/CAT no 3.092/2002. Contudo, não cabe alongarse no tratamento deste tópico, tendo em vista que a matéria já foi definida pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (e, portanto, vincula as decisões deste órgão julgador, conforme art. 62A do Anexo II do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/6/2009). Assim acordou o Superior Tribunal de Justiça: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. CONDICIONAMENTO DO INCENTIVO FISCAL AOS INSUMOS ADQUIRIDOS DE FORNECEDORES SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO PELO PIS E PELA COFINS. EXORBITÂNCIA DOS LIMITES IMPOSTOS PELA LEI ORDINÁRIA. SÚMULA VINCULANTE 10/STF. OBSERVÂNCIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA (ATO NORMATIVO SECUNDÁRIO). CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não poderia ter sua aplicação restringida por força da Instrução Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode inovar no ordenamento jurídico, subordinandose aos limites do texto legal. (...) 8. Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos Fl. 779DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 6 oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS (Precedentes das Turmas de Direito Público: REsp 849287/RS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Documento: 1028791 DJe 28.09.2010; AgRg no REsp 913433/ES, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 04.06.2009, DJe 25.06.2009; REsp 1109034/PR, Rel.Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, julgado em 16.04.2009, DJe 06.05.2009; REsp 1008021/CE, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 01.04.2008, DJe 11.04.2008;REsp 767.617/CE, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 12.12.2006, DJ 15.02.2007; REsp 617733/CE, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 03.08.2006, DJ 24.08.2006; e REsp 586392/RN, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 19.10.2004, DJ 06.12.2004). 9. É que: (i) "a COFINS e o PIS oneram em cascata o produto rural e, por isso, estão embutidos no valor do produto final adquirido pelo produtorexportador, mesmo não havendo incidência na sua última aquisição" ; (ii) "o Decreto 2.367/98 Regulamento do IPI , posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição às aquisições de produtos rurais" ; e (iii) "a base de cálculo do ressarcimento é o valor total das aquisições dos insumos utilizados no processo produtivo (art. 2º), sem condicionantes" (REsp 586392/RN). (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...) 15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.006966/200459 Acórdão n.º 3403001.738 S3C4T3 Fl. 740 7 17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” 1 (grifo nosso) Arrematese este tópico com excerto do voto do Relator no citado julgamento, que aponta exatamente o ditame da Instrução Normativa SRF no 23/1997 que extrapola o comando legal: “Nesse segmento, o Secretário da Receita Federal expediu a Instrução Normativa 23/97 (revogada, sem interrupção de sua força normativa, pela Instrução Normativa 313/2003, também revogada, nos mesmos termos, pela Instrução Normativa 419/2004), assim preceituando: "Art. 2º Fará jus ao crédito presumido a que se refere o artigo anterior a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. § 1º O direito ao crédito presumido aplicase inclusive: I Quando o produto fabricado goze do benefício da alíquota zero; II nas vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. § 2º O crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matériaprima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação às aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas às contribuições PIS/PASEP e COFINS ." Com efeito, o § 2º, do artigo 2º, da Instrução Normativa SRF 23/97, restringiu a dedução do crédito presumido do IPI (instituído pela Lei 9.363/96), no que concerne às empresas produtoras e exportadoras de produtos oriundos de atividade rural, às aquisições, no mercado interno, efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições destinadas ao PIS/PASEP e à COFINS. (...) Conseqüentemente, sobressai a "ilegalidade" da instrução normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96, ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido do IPI, as aquisições (relativamente aos produtos oriundos de atividade rural) de matériaprima e de insumos de fornecedores não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS.”(grifo nosso) 1 REsp 993.164MG, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, unânime, julgado em 13.dez.2010, DJe de 17.dez.2010. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 8 A situação aqui analisada, assim, inserese totalmente no contexto da decisão do STJ, pelo que se admite à recorrente o direito de apurar crédito presumido de IPI sobre as aquisições efetuadas de pessoas físicas (produtores rurais) e cooperativas, ou seja, de fornecedores não sujeitos à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS. Da inclusão da receita decorrente da exportação de produtos classificados como NT e não industrializados Nesse tema, sustenta a recorrente que o montante referente a “receitas de exportação” deve incluir as receitas decorrentes de exportação de produtos classificados como NT (também alicerçada em jurisprudência deste CARF), enquanto o julgador a quo expressa entendimento no sentido de que a legislação (IN SRF no 23/1997 e ADN COSIT no 13/1998) não permite a inclusão, o que já havia sido externado no Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP no 139/1996. Mister preliminarmente retornarse ao teor da Lei no 9.363/1996, que estabelece a formatação do crédito presumido. Dispõem o caput do art. 2o e o art. 6o da referida Lei: “Art.2oA base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador.” Art.6oO Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador.” (grifo nosso) Atendendo ao comando legal, o Ministro da Fazenda efetivamente definiu receita (bruta) de exportação, no § 15 do art. 3o da Portaria MF no 38, de 27/2/1997: “§ 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; III venda com o fim específico de exportação, a saída de produtos do estabelecimento produtor vendedor para embarque ou depósito, por conta e ordem da empresa comercial exportadora adquirente.” (grifo nosso) Na definição, não se vê impeditivo à consideração das exportações de produtos “NT” e não industrializados entre as “receitas de exportação”. E percebase que seria Fl. 782DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.006966/200459 Acórdão n.º 3403001.738 S3C4T3 Fl. 741 9 perfeitamente possível que a norma ministerial estabelecesse conceito mais restritivo de receita de exportação (pois há expressa autorização legal, conforme destacado acima). Ocorre que não o fez2. Daí o entendimento unânime externado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (em processo do ano de 2002, julgado em 2011), no qual o Cons. Julio Cesar Alves Ramos (relator) expressa em seu voto claro posicionamento sobre o tema: “Tenho entendimento firmado, há muito tempo, no sentido de que a parcela discutida integra ambas, tanto a receita de exportação quanto a receita operacional bruta. Isso porque, se é verdadeiro o argumento fazendário quanto à Receita Operacional Bruta, ele se aplica do mesmo modo à receita de exportação. De fato, não há na legislação do imposto de renda, nem na legislação comercial, qualquer exclusão a ser feita, seja entre produtos fabricados e não fabricados ou qualquer outro. Receita de exportação é simplesmente aquela que resulta da venda de produtos ou serviços no mercado externo, em nada interferindo a natureza do produto ou do serviço. Esse é, aliás, o conceito proposto no primeiro ato administrativo editado para regular o incentivo, a Portaria 38/97 do Sr. Ministro da Fazenda. Vale dizer que somente o Ministro de Estado recebeu autorização legal para tal regulamentação (art. 6º da Lei 9.363) carecendo, pois, de competência o autor do ato expedido e seguido pela fiscalização. De sorte que não me parece duvidoso que a decisão proferida não aplicou da melhor forma a legislação ao manter a exclusão daquela parcela da receita de exportação e determinar que ela fosse excluída também da Receita Operacional Bruta. Deveria, ao contrário, mantêla na Receita Operacional Bruta – como já feito no trabalho fiscal – e determinar que ela fosse igualmente computada na receita de exportação. Até porque essa fora a postulação do recurso.” 3 (grifos nossos) Contudo, a Portaria no 38, de 27/2/1997 foi revogada pela Portaria MF no 64, de 24/3/2003, que estabeleceu, no inciso II do § 12 de seu art. 3o: “§ 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: (...) II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais;” (grifos nossos) Tal comando, que modifica a definição de receita bruta de exportação, foi mantido no § 12 do art. 3o da Portaria MF no 93, de 27/4/2004, que atualmente disciplina a matéria. As Instruções Normativas SRF no 313, de 3/4/2003 (art. 17, II), e no 419, de 10/5/2004 2 Em que pese a edição do ADN COSIT 131998, por autoridade de hierarquia inferior. 3 Acórdão 9303001.725, Terceira Turma, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Rel. Cons. Julio Cesar Alves Ramos, unânime, Sessão de 9.nov.2011. Fl. 783DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 10 (art. 17, II), regulamentaram, respectivamente, a Portarias MF no 64/2003 e no 93/2004, reproduzindo as definições de “receita bruta de exportação”. É de se destacar, aqui, que o pedido que dá ensejo a este processo (PER/DCOMP transmitida em 12/05/2004) ocorre já sob a égide da nova regra, na qual o Ministro da Fazenda usa regularmente da competência legalmente atribuída para estabelecer mais restritivamente a definição. Assim, não se pode admitir a inclusão dos produtos NT e não industrializados no cômputo da receita bruta de exportação. Aliás, esse é o entendimento explicitado pelo STJ, em julgados recentes: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVOS REGIMENTAIS NOS RECURSOS ESPECIAIS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. LEI 9.363/96. FORMA DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES REFERENTES A AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS E PESSOAS FÍSICAS. POSSIBILIDADE. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 993.164/MG. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. 1. O STJ já se manifestou pela legalidade da limitação imposta pelas IN SRF 313/2003 e 419/2004, de cômputo dos valores referentes a exportação de produtos não tributados na base de cálculo do crédito presumido do IPI, na medida em que, a própria Lei 9.363/96 admitiu a possibilidade de ampliação ou restrição do conceito de "receitas de exportação" por norma de hierarquia inferior. Precedentes: REsp 982.020/PE, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 14/02/2011 e AgRg no REsp 1236305/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 16/05/2011. 2. Tendo em vista que, além do reconhecimento do direito da contribuinte a computar, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, os valores referentes aos insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, houve o deferimento da pretensão de correção monetária de tais valores, concluise que houve o decaimento da Fazenda em maior proporção.” 4 (grifo nosso) Vejase que o STJ, ao mesmo tempo em que repele as negativas do Fisco nos outros dois temas tratados neste processo (crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e cooperativas, e atualização de ressarcimento pela taxa Selic), expressamente afirma a regularidade da definição infralegal de “receita de exportação”: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS. ARTS 1º, 2º E 6º, DA LEI N. 9.363/96. (...). ILEGALIDADE DO ART. 2º, §2º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA 23/97. LEGALIDADE DO ART. 17, §1º, DA INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF N. 313/2003. CORREÇÃO MONETÁRIA. (...). 4 AgRg no REsp 1239952/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, unânime, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012. Fl. 784DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.006966/200459 Acórdão n.º 3403001.738 S3C4T3 Fl. 742 11 (...) 2. O art. 2º, § 2º, da Instrução Normativa n. 23/97, impôs limitação ilegal ao art. 1º da Lei n. 9.363/96, quando condicionou gozo do benefício do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas sujeitas às contribuições para o PIS/PASEP e COFINS. Tema já julgado pelo recurso representativo da controvérsia REsp. n.993.164/MG, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 13.12.2010. 3. O art. 17, §1º, da IN SRF n. 313/2003, não viola o art. 2º, da Lei n. 9.363/96, pois encontra guarida no art. 6º, da mesma lei, que admitiu que o conceito de "receita de exportação" (componente da base de cálculo do benefício fiscal) ficaria submetido a normatização inferior, podendo, inclusive, ser restringido ou ampliado, conforme a teleologia do benefício e razões de política fiscal. 4. O tema da correção monetária dos créditos escriturais de IPI é matéria sumulada neste STJ (Súmula 411/STJ: "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco") e já foi objeto de julgamento pela sistemática para recursos repetitivos prevista no artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, no REsp. Nº 1.035.847 RS, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 24.6.2009. 5. A compensação tributária submetese ao regime em vigor na data do ajuizamento da demanda. Tema que já foi objeto de julgamento no recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.137.738 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 9.12.2009.” 5 (grifo nosso) Improcedente, então, o recurso nesse aspecto, pois a definição de “receita de exportação” estabelecida nas Portarias do MF encontra expresso amparo no art. 6o da Lei no 9.363/1996. Da atualização do montante a ser ressarcido pela taxa Selic A questão a ser derradeiramente tratada nesta decisão já vem sendo tangenciada ao longo da exposição sobre os temas anteriores. Assim, remetese de plano à manifestação do STJ sobre o assunto, na sistemática dos recursos repetitivos (o que, como já referido, vincula este colegiado, por força de disposição regimental): “PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE 5 REsp 982.020/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, unânime, julgado em 03/02/2011, DJe 14/02/2011. Fl. 785DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN 12 CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” 6 O julgamento remete à oposição constante de ato estatal, que poderia ser interpretada tanto na forma de ação (indeferimento do pleito) quanto de omissão (mora na análise do pedido). Isso exsurge da própria situação fática que enseja o acórdão, relatada pelo Min. Luiz Fux (vejase que não houve indeferimento no caso, mas mora na análise): “Noticiam os autos que MINUANO PNEUS E ADUBOS LTDA., em 29.06.2005, ajuizou ação ordinária em face da FAZENDA NACIONAL, pleiteando a restituição dos valores correspondentes à correção monetária desde a data de apuração do saldo credor de IPI até a data da efetiva compensação. Informou que requerera a restituição dos créditos do IPI do período de agosto de 2000 e outubro de 2001, mas somente no ano 2005 foi comunicada do deferimento do pedido. Destacou que apesar de terem sido reconhecidos os créditos, a autoridade fiscal apurou débitos do PIS e COFINS e por esse motivo, iria proceder à compensação dos valores. Argumentou que os débitos das contribuições seriam atualizadas monetariamente, enquanto os créditos do IPI 6 REsp 1.035.847RS, Primeira Seção, Rel. Ministro Luiz Fux, unânime, julgado em 24.jun.2009. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 13807.006966/200459 Acórdão n.º 3403001.738 S3C4T3 Fl. 743 13 seriam utilizados no seu valor nominal, causando violação ao princípio da isonomia.” 7 (grifos nossos) Pelo exposto, admitese a atualização monetária do crédito a ser ressarcido, com os mesmos atributos da atualização dos créditos administrados pela RFB. A atualização tem como termo inicial a data de registro do pedido (transmissão da PER/DCOMP), e como termo final a data de sua efetiva utilização (seja mediante compensação, ou ressarcimento em espécie). Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, provimento este que se estende à (a) inclusão do valor dos insumos adquiridos de produtores rurais (pessoas físicas) e de cooperativas na base de cálculo do incentivo previsto nas Leis no 9.363/1996 e no 10.276/2001, e à (b) atualização monetária do montante a ser ressarcido a título de crédito presumido de IPI. A contrario sensu, voto pelo não provimento do pleito de inclusão da receita decorrente da exportação de produtos classificados como NT e não industrializados como “receita de exportação”. Rosaldo Trevisan 7 Idem. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 12045.000502/2007-88
Data da sessão: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Jul 09 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1995 a 30/10/1997
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do
Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o
pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°, caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-000.078
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento nos artigos 150, § 40 e 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento
para provimento do recurso. Os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior acompanharam o Relator pelas conclusões entendendo que se aplica o artigo 150, § 4º do CTN para ambos os levantamentos; no mérito, por unanimidade de votos, mantidos os
demais valores.
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 30/10/1997 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°, caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento nos artigos 150, § 40 e 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento do recurso. Os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior acompanharam o Relator pelas conclusões entendendo que se aplica o artigo 150, § 4º do CTN para ambos os levantamentos; no mérito, por unanimidade de votos, mantidos os demais valores.
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".- lit MINISTÉRIO DA FAZENDA '"*.fi4 CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO''..NZ4.--r4t::.,......?.?“0,.. e Processo n° 12045.000502/2007-88 Recurso n° 149.306 Voluntário Acórdão n° 2302-00.078 — 3* Câmara / 2* Turma Ordinária Sessão de 09 de julho de 2009 Matéria Decadência Recorrente BIDIM INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida DRP/SÃO JOSÉ DOS CAMPOS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 30/10/1997 DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°, caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Á.- 1 , •Processo n° 12045.000502/2007-88 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.078 Fl. 284 ACORDAM os membros da 3' Câmara / Ti Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, com fundamento nos artigos 150, § 40 e 173, I do CTN, acatar a preliminar de decadência de parte do período a que se refere o lançamento para provimento do recurso. Os Conselheiros Edgar Silva Vidal e Manoel Coelho Arruda Junior acompanharam o Relator pelas conclusões entendendo que se aplica o artigo 150, § 40 do CTN para ambos os levantamentos; no mérito, por unanimidade de votos, mantidos os demais valores. f-tiLtef-‘" .LIÉGE Li CROIX THOMASI Presidente e Relatora Participaram do julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira, Adriana Sato, Edgar Silva Vidal (Suplente), Bernadete de Oliveira Barros (Suplente), Manoel Coelho Arruda Junior e Liége Lacroix Thomasi (Presidente). 2 Processo n° 12045.000502/2007-88 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.078 Fl. 285 Relatório Trata a notificação de contribuições previ denci ári as relativas à responsabilidade solidária entre o sujeito passivo acima identificado e a empresa Fundhas — Fundação Atendimento à Criança e Adolescente Prof. Hélio Augusto de Souza, pelos serviços prestados no período de 05/1995 a 10/1997. A notificação foi entregue ao sujeito passivo à prestadora de serviços em 08/11/2005. Após impugnação, Decisão-Notificação de fls.122/138,julgou o crédito procedente. Inconformado o notificado ofereceu recurso tempestivo, onde requer a juntada de GRPS que foram obtidas junto à empresa prestadora de serviços, para comprovar que as contribuições previdenciárias foram recolhidas. Por este motivo, requer a insubsistência do débito apurado. A prestadora também ofereceu recurso tempestivo, onde alega em síntese que: a nulidade da decisão por não ter apreciado a defesa da recorrente; possui imunidade isencional no que tange aos impostos federais; o crédito foi atingido pela decadência. Requer o provimento do recurso acatando a preliminar argüida, a anulação da decisão ou a insubsistência da notificação. A DRP ofereceu as contra-razões pugnando pela manutenção do crédito previdenciário. É o relatório. / 3 Processo n° 12045.000502/2007-88 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.078 Fl. 286 • Voto Conselheira LIÉGE LACROIX THOMASI, Relatora Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. . Refere-se o crédito tributário a contribuições previdenciárias relativas à responsabilidade solidária nos serviços prestados, no período de 05/1995 a 10/1997. A Notificação foi lavrada em 29/10/2005, com ciência pelo sujeito passivo e pela prestadora em 08/11/2005.. Uma das recorrentes argúi a decadência qüinqüenal e com efeito, há que de destacar que nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exino Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 e o parágrafo único do art.5° do Decreto-lei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, ,sç 4°, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5° do Decreto-lei n° 1.569/77, frente ao ,f 1° do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: "São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5' do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 4 Processo n° 12045.000502/2007-88 S2-C3T2 Acórdão n.° 2302-00.078 Fl. 287 Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103-A, O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional n°45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei re 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. • •• Art. 2' O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § l' O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. , Portanto, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo , artigo 173, inciso I, uma vez que os valores devidos não foram objeto de recolhimento previdenciário: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. /5 Processo n° 12045.000502/2007-88 S2 -C3T2 Acórdão n.° 2302-00.078 Fl. 288 Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Do Mérito Em vista do instituto da decadência quanto aos valores lançados na notificação, o exame do mérito resta prejudicado. Pelo exposto, Voto pelo provimento do recurso. Sala das Sessões, em 09 de julho de 2009 LIÉGE LA OIX THOMASI - Relatora • • 6
score : 1.0
Numero do processo: 11020.001014/2003-80
Data da sessão: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Aug 17 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF)
Exercício: 1999
REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL —
INEXISTÊNCIA.
É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996.
Recurso especial não conhecido.
Numero da decisão: 9202-000.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vieira Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: Moisés Giacomelli Nunes da Silva
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ementa_s : Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) Exercício: 1999 REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DE RECURSO ESPECIAL — INEXISTÊNCIA. É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso especial não conhecido.
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É entendimento da CSRF que acórdão cujo objeto é o julgamento de matéria afeta à CSLL não serve de paradigma para caracterizar divergência em face a acórdão cuja matéria fática está relacionada ao imposto de renda pessoa física, ainda que em ambos os casos se discuta a multa isolada de que trata o art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996. Recurso especial não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso. Vencidos os Conselheiros Julio Cesar Vi ra Gomes e Carlos Alberto Freitas Barreto. , 04 CARLOS ALBE • FREITAS BA '1' IO - Presidente MOISÉS GIACOME I NUNES DA SILVA - Relator EDITADO EM: . 18 sET 2009 Participaram, da sessão de julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Gonçalo Bonet Allage (substituto do Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (convocada), Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Júnior, Moisés Giaconelli Nunes da Silva, Nelson Mallmann (convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Contra a parte recorrida foi lavrado o auto de infração de fls. 05 e seguintes em que se apurou, entre outras infrações, dedução indevida do livro caixa e falta de recolhimento do carnê-leão. Em relação ao imposto correspondente à dedução indevida das despesas com livro caixa e falta de recolhimento do carnê-leão foi exigido, sobre a mesma base de cálculo, multa de oficio e multa isolada. A Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência do crédito tributário o valor correspondente à multa isolada. Em 31/08/07 a Fazenda Nacional foi intimada (fl. 395) e na mesma data ingressou com recurso especial de fls. 398 e seguintes, alegando ser legitima a aplicação da multa isolada cumulada e da multa isolada, previstas no art. 44, I e no parágrafo único, IV da Lei n° 9.430, de 1996, uma vez que, mesmo que incidam sobre idênticas bases de cálculos, as mesmas decorrem de infrações diversas, razão pela qual não a que se falar em bis in idem. Com a finalidade de demonstrar divergência jurisprudencial, a Fazenda Nacional destaca o acórdão de n°101-94858, cuja ementa, no ponto que interessa ao presente feito, espelha a seguinte decisão: "MULTA DE OFICIO — MESMA BASE DE CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas." O recurso foi admitido por meio do despacho de fls. 430/431, com contra- razões as fls. 446 a 453. É o Relatório. 2 Processo n° 11020.001014/2003-80 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.051 Fl. 2 — Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 15 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria n° 147 de 25 de junho de 2007, do Ministro da Fazenda. Foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Ao tratar dos requisitos para admissibilidade do recurso especial em face de decisões unânimes, os artigos 7 0, II e 15, § 2°, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais assim dispõe: Art. 7°. Compete à Câmara Superior de Recursos Fiscais, por suas Turmas, julgar recurso especial interposto contra: — decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. Art. 15. O recurso especial, do Procurador da Fazenda Nacional ou do sujeito passivo, deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Câmara que houver prolatado a decisão recorrida, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § 2°. Na hipótese de que trata o inciso II do art. 7° deste Regimento, o recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de inteiro teor ou de cópia de publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente da Câmara Recorrida. Assim, quanto à divergência necessária à admissibilidade do recurso, passo a confrontar a decisão recorrida e o acórdão paradigma: Decisão recorrida Acórdão paradigma MULTA ISOLADA E MULTA DE MULTA DE OFÍCIO ISOLADA — FALTA DE OFÍCIO - CONCOMITÂNCIA — RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — Cabível a aplicação de multa de oficio aplicada isoladamente, na MESMA BASE DE CÁLULO - A falta de recolhimento da CSLL com base na estimativa aplicação concomitante da multa isolada dos valores devidos, por expressa previsão legal. e da multa de oficio não é legítima 3 quando incide sobre uma mesma base de MULTA DE OFÍCIO — MESMA BASE DE cálculo (Acórdão CSRF n° 01-04.987 de CÁLCULO — APLICAÇÃO EM DUPLICIDADE — O 15/06/2004). lançamento de duas multas de oficio, sobre a mesma base de cálculo, é possível, visto tratar-se de duas Recurso Parcialmente provido, infrações à lei tributária, tendo por conseqüência a aplicação de duas penalidades distintas. Recurso voluntário não provido. Fixado a matéria do acórdão recorrido e o acórdão divergente, observo que o artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória 351, de 27 de janeiro de 2007, que foi convertida na Lei n° 11.488, de 15/06/2007, dispõe "in verbis": Lei n° 9.430, de 1996. Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei n° 11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n°351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra) - de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Redação dada ao inciso pela Lei n°11.488, de 15.06.2007, DOU 15.06.2007 - Ed. Extra, conversão da Medida Provisória n° 351, de 22.01.2007, DOU 22.01.2007 - Ed. Extra). Esta Câmara Superior de Recursos Fiscais tem por competência precipua apreciar divergência jurisprudencial quanto à aplicação de norma. Assim, para este relator, ainda que a matéria fática, no acórdão recorrido, verse sobre omissão de rendimentos recebidos de alugueis e no acórdão paradigma sobre a CSLL, o que se discute neste recurso é se a multa isolada, de que trata o artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, pode ser aplicada concomitantemente com a multa de oficio, incidindo sobre a mesma base de cálculo. Assim, ao meu sentir, o que se discute neste recurso não é matéria fática, mas sim jurídica, razão pela qual entendo que o recurso merecesse ser admitido. Em que pese meu entendimento pessoal, ao apreciar esta matéria, na forma regimental, em sessão que se realizou no dia 04 de agosto de 2008, no exame dos recursos de n°106-149655; 106-149656; 106-149857; 106-149859; 106-149860 e 106-150058, por maioria de votos, decidiu o colegiado que o acórdão que exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática era a Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, não serve de paradigma para acórdão que não exigiu multa isolada, de forma concomitante com a multa de oficio, cuja matéria fática não seja a CSLL. 4 Processo n° 11020.001014/2003-80 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.051 Fl. 3 Além das decisões administrativas acima referidas, matéria referente à admissibilidade de recurso especial, só que relacionada à prestação de serviços a organismos internacionais foi objeto de apreciação pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais que no Recurso Especial n° 106-132169, na sessão de 15/10/2008, deliberou por não conhecer do recurso. Em síntese, deliberou o plenário que a divergência deve estar relacionada à matéria fálica idêntica, No caso dos autos o acórdão paradigma trata de CSLL e o acórdão guerreado versa sobre IRPF, razão pela qual não há identidade de matéria fática. Com tais considerações, tendo em vista a jurisprudência majoritária da CSRF, cujo voto divergente é apenas deste relator, ressalvo o meu ponto de vista, não conheço do recurso. Isso posto, voto por não conhecer do recurso. Moisés . - • • . es .a i Relator Declaração de Voto Conselheiro JULIO CÉSAR VIEIRA GOMES Apresento voto no sentido de reconhecer a comprovação de divergência para fins de conhecimento de recurso especial ainda que as decisões recorrida e paradigma tenham por objeto dispositivos legais distintos ou mesmo que disciplinem espécies tributárias diferentes. Isto porque assimilei com clareza os princípios básicos segundo o qual dispositivos legais não se confundem com a norma neles subjacente. A doutrina é uníssono nesse sentido e não vejo como não ser. Os dispositivos legais apenas indicam os endereços de onde extraímos as normas, sejam elas regras ou princípios. Muitas poderiam ser as fontes doutrinárias, mas pela sua precisão escolhi a obra do Professor Humberto Ávila': "Normas não são textos nem o conjunto deles, mas os sentidos construídos a partir da interpretação sistemática de textos normativos." E continua apresentando essa diferença entre dispositivo legal e norma: "...Em alguns casos há norma mas não há dispositivo.. .Em outros casos há norma mas não há dispositivo. ..Em algumas hipóteses há apenas um dispositivo, a partir do qual se constrói mais de uma norma.. .Noutros casos há mais de um dispositivo, mas a partir deles só é construída uma norma..." Em razão dessa diferença é que, no exame de admissibilidade do tS recurso especial de divergência, entendo prescindível a presença de características irrelevantes na construção da tese. Em termos práticos, deve-se examinar se a tese existente na decisão paradigma ainda assim seria construída se ausentes as características que pertencem apenas à decisão recorrida. Caso a resposta seja afirmativa, não há como negar a comprovação da divergência. É o que se extrai do Regimento Interno: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. I AVILA, Humberto. Teoria dos Princípios: da definição à aplicação dos princípios jurídicos. Malheiros Editores: São Paulo, 3' edição, página 22. 6 1 Processo n° 11020.001014/2003-80 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.051 Fl. 4 Ora, a divergência é de interpretação, logo se trata da construção de norma através do trabalho hermenêutico. A tese resultante se constrói da atividade cognitiva do intérprete, considerando-se as características que lhe são pertinentes e dispensando-se o que o caso concreto traz de periférico. Por fim, vale esclarecer que não se está aqui generalizando para se defender que a espécie tributária será sempre irrelevante para a comprovação do paradigma, mas apenas que nem sempre o é. Apenas como exemplo, a regra decadencial depende da espécie tributária; aqueles que sejam lançados por homologação possuem prazo especial para constituição do crédito tributário. Por tudo, entendo que o recurso especial deva ser conhecido para que sejam examinadas as questões preliminares e de mérito. É come voi ,11,, W II \SP Julio 1- . ieira Gomes 1 , , 1 1 1 I 1 i , 7
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Numero do processo: 13826.000221/2007-09
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 14/06/2007
A EMPRESA É OBRIGADA A PRESTAR TODOS OS ESCLARECIMENTOS À FISCALIZAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALVO SE TIVER OCORRIDO O PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. GUARDA DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento explanado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Dessa feita, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias passa a obedecer ao que consta dos artigos 150 e 173 do CTN.
Com o crédito tributário principal extinto pela decadência, falece interesse à administração tributária na exigência dos documentos fiscais do período respectivo.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-002.006
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência do lançamento fiscal.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 14/06/2007 A EMPRESA É OBRIGADA A PRESTAR TODOS OS ESCLARECIMENTOS À FISCALIZAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALVO SE TIVER OCORRIDO O PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. GUARDA DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento explanado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Dessa feita, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias passa a obedecer ao que consta dos artigos 150 e 173 do CTN. Com o crédito tributário principal extinto pela decadência, falece interesse à administração tributária na exigência dos documentos fiscais do período respectivo. Recurso Voluntário Provido
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Obrigação Acessória Recorrente ACM TRANSPORTES RODOVIARIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 14/06/2007 A EMPRESA É OBRIGADA A PRESTAR TODOS OS ESCLARECIMENTOS À FISCALIZAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALVO SE TIVER OCORRIDO O PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. GUARDA DE DOCUMENTOS. DESNECESSIDADE. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento explanado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Dessa feita, o prazo decadencial das contribuições previdenciárias passa a obedecer ao que consta dos artigos 150 e 173 do CTN. Com o crédito tributário principal extinto pela decadência, falece interesse à administração tributária na exigência dos documentos fiscais do período respectivo. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a), em razão da decadência do lançamento fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 6. 00 02 21 /2 00 7- 09 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13826.000221/200709 Acórdão n.º 2803002.006 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amílcar Barca Teixeira Júnior e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13826.000221/200709 Acórdão n.º 2803002.006 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório A empresa foi autuada em 14.06.2007 por descumprimento da legislação previdenciária, por não ter apresentado os livros fiscais referentes aos anos de 1997 e 1998. O r. acórdão – fls 66 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o Auto lavrado. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, decadência do direito da Fazenda de proceder o lançamento. Requer seja julgado insubsistente o AIT em comento, com o conseqüente cancelamento e arquivamento, por se tratar de obrigação acessória, dependente do principal que foi alcançado pela decadência, com extinção do crédito tributário. A produção de todas as provas em direito permitidas. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13826.000221/200709 Acórdão n.º 2803002.006 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. O auto de infração foi lavrado em 14.06.2007 em razão da não apresentação dos livros fiscais referentes aos anos de 1997 e 1998. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há de se observar as regras previstas no CTN. Tratandose de auto de infração, sem pagamentos a homologar, deve ser aplicada, em relação à decadência, a regra trazida pelo artigo 173, I do CTN, que transcrevemos. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Consoante a regra retrocitada, forçoso se faz reconhecer a decadência referente ao período anterior a novembro de 2001, inclusive. Uma vez que o Auto se fundamentou exclusivamente em documentos referentes a período decadente, se faz necessário reconhecer a improcedência do mesmo. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe provimento. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13826.000221/200709 Acórdão n.º 2803002.006 S2TE03 Fl. 6 5 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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