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Numero do processo: 10921.001186/2004-18
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Data do fato gerador: 12/05/2004
Ementa:
IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA DIMODAN. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA.
O produto químico denominado comercialmente como Dimodan se classifica no código NCM 3404.90.19 por se tratar, conforme laudo da Funcamp, explicitado pelo parecer técnico do Laboratório de Análise Falcão Bauer, de cera artificial à base de mistura de reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, com características de cera.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3202-000.271
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi.
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente em Exercício
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari (Presidente), Heroldes Bahr Neto, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior.
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 12/05/2004 Ementa: IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA DIMODAN. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. O produto químico denominado comercialmente como Dimodan se classifica no código NCM 3404.90.19 por se tratar, conforme laudo da Funcamp, explicitado pelo parecer técnico do Laboratório de Análise Falcão Bauer, de cera artificial à base de mistura de reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, com características de cera. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Ausente o Conselheiro João Luiz Fregonazzi. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente em Exercício Rodrigo Cardozo Miranda Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 1. 00 11 86 /2 00 4- 18 Fl. 351DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 212 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Luiz Novo Rossari (Presidente), Heroldes Bahr Neto, Irene Souza da Trindade Torres, Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto por Duas Rodas Industrial Ltda. (fls. 175 a 194) contra o v. acórdão proferido pela Colenda 2ª Turma da DRJ de Florianópolis – SC (fls. 162 a 168) que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento consubstanciado no auto de infração de fls. 01 a 15. A presente controvérsia, em síntese, trata da classificação fiscal da mercadoria “Dimodan”, descrita na DI nº 04/04478772 (fls. 18) como sendo “DIMODAN PÓ (Monoglicerideo destilado) – para fabricação de produtos para sorvete”. O código NCM adotado pela contribuinte na DI foi o 2915.70.40 – ÉSTERES DO ÁCIDO ESTEARICO. Já a autoridade fiscal, após análise do Laboratório de Análise da FUNCAMP (fls. 27 a 29), firmou convicção de que a classificação correta é no código NCM 3404.90.19. As razões para tal conclusão foram as seguintes, verbis: o laudo laboratorial nº 2446.01, emitido para a mercadoria, concluiu: “Tratase de Mistura de Reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, com característica de cera, na forma de pó; uma outra cera artificial.”; pela Regra Geral para a Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 e 6 (textos da Nota 5 do Capítulo 34, da posição 3404 e da subposição 3404.90) conjuntamente com a Regra Geral Complementar (RGC) – NCM nº 1, esta descrição correspondente à classificação código TECNCM 3404.90.19. No tocante ao andamento do processo, e por bem descrever a controvérsia e seus detalhes, adoto o relatório apresentado na DRJ, verbis: A empresa supracitada internou, com supedâneo na declaração de importação (DI) nº 04/04478772 (fls. 16 a 18), 50.000 kg do produto químico de nome comercial – DIMODAN PÓ descrito como sendo “(Monoglicerídeo destilado) – para fabricação de produtos para sorvete”, classificandoo no código NCM 2915.70.40 (indicado para ésteres do ácido Esteárico), com alíquotas de 12,00% para o imposto de importação (II) e 0,00% para o imposto sobre produtos industrializados, vinculado à importação (IPI). Informa a autoridade que foi providenciada a análise nas amostras do produto colhidas por meio do Pedido de Exame nº ALF/SFS/050/04, em que foram formulados diversos quesitos com vista a sua correta identificação (fls. 27), o Laboratório de Análises da Fundação de Desenvolvimento da Unicamp – FUNCAMP, elaborou o Laudo nº 2446.01 – Lab. 2227/São Fl. 352DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 213 3 Francisco do Sul (fls. 28/29), que concluiu “Tratase de Mistura de Reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos graxos, com características de cera, na forma de pó”. Os peritos técnicos da Funcamp esclarecem ainda que o produto não se trata de Éster do Ácido Esteárico, de constituição química definida em que a pureza do Ácido Esteárico é igual ou maior que 90%. Tratase de Éster de Glicerol de Ácido Esteárico Industrial. O mencionado laudo da Funcamp também informa que de acordo com literatura técnica específica, a mercadoria é utilizada como emulsificante na indústria alimentícia, e que o DIMODAN (denominação comercial do produto) é constituída de Monoglicerídeos Destilados. Com base nos resultados da análise acima referenciada, e em observância da Regra Geral para a Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI/SH) nº 1 e 6, conjuntamente com a Regra Geral Complementar (RGC) nº 1, a fiscalização desconsiderou o enquadramento tarifário adotado na DI, reposicionando o produto para o código NCM 3404.90.19, que previa, à época do fato gerador, a incidência das alíquotas de 14,00% para o II e 15,00% para o IPI. Em conseqüência, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 01 a 15, ao qual a importadora foi instada a recolher ou impugnar o crédito tributário lançado no valor de R$ 41.402,10, relativo às exigências do imposto de importação e do imposto sobre produtos industrializados e demais acréscimos legais, além da multa por erro de classificação fiscal. Discordando da autuação em tela, a contribuinte apresentou as impugnações de fls. 51 a 59 e 74 a 82, instruindoas com os documentos de fls. 60 a 73 e 83 a 100. Em sua defesa aduz que a classificação fiscal pretendida pelo fisco está equivocada, pois as conclusões apontadas pelo laudo elaborado por seu perito técnico (Ricardo Krepsky, CRF/UF 1364/SC), são divergentes àquelas trazidas pelo laudo da Funcamp, pairando, por conseguinte, inúmeras dúvidas quanto à correta identificação do produto, sendo que a principal está no fato de o laudo da Funcamp afirmar haver características de cera no produto analisado, sem, no entanto, especificar como se chegou a esta conclusão. Alega que o fato de o laudo da Funcamp afirmar que o produto importado se trata de uma cera constitui o ponto fundamental de sua contestação, na medida em que as ceras artificiais não têm aplicação na indústria alimentícia, menos ainda como matériaprima para a elaboração de sorvetes, uma vez que possuem em sua composição polietileno, componente cuja origem provém da indústria petroquímica. Diante das divergências suscitadas, requer, portanto, com fundamento no art. 16, IV, § 1º, do Decreto nº 70.235/72, perícia Fl. 353DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 214 4 técnica com a finalidade de solucionar as dúvidas acima elencadas e responder aos quesitos formulados às fls. 58 a 81, indicando seu perito para acompanhála. Ao final, pretende seja cancelado os autos de infração combatidos. Com fundamento na legislação de regência (Decreto nº 70.235/72 e Portaria MF nº 58/06), foi determinada a conversão do julgamento em diligência (fls. 105 a 107), para que a entidade emitente do Laudo nº 2446.01 (Funcamp), após tomar ciência das alegações da defendente, elaborasse informação técnica respondendo os quesitos acima mencionados. Em atenção à diligência, foi juntado aos autos o Parecer Técnico 029, de 09.11.2007 (fls. 111 a 115), elaborado pelo Laboratório de Análise Falcão Bauer, entidade contratada para a prestação de serviços laboratoriais em substituição à Funcamp, conforme Contrato ALF/STS nº 05/2005. No mencionado parecer, primeiramente, os peritos esclarecem, com respaldo nas referências bibliográficas, (i) qual a conceituação do termo “cera”, suas características físicas, constituintes químicos, processos de obtenção, citando, alguns exemplos de ceras artificiais; (ii) reexamina os resultados constantes no Laudo nº 2446.01 Funcamp; (iii) transcrevem as NESH relativamente à parte que trata das ceras (páginas 633 e 634); e (iv) concluem que a mercadoria “tratase de uma Mistura constituída de 77,6% de Estearato de Glicerol; 19,2% de Palmitato de Glicerol; 0,8% de Oleato de Glicerol e 0,4% Miristato de Glicerol, uma Mistura de Ésteres de Ácidos Graxos de Glicerol, com características de Cera, uma Outra Cera Artificial”. Em seguida, respondem os quesitos formulados pela impugnante. Intimada a aditar sua impugnação (Termo de Intimação SRAC nº 55, de 19.12.2007 e “AR” de fls. 118/119), a contribuinte comparece, em aditamento à defesa, com a petição de fls. 120 a 134, instruída com o laudo técnico de fls. 135 a 143 e demais documentos às fls. 144 a 159, salientando que pelo fato de as informações trazidas no Parecer Técnico 029/2007 terem sido embasadas nas conclusões contidas em laudo pericial incompleto e evasivo, entende ser necessária à realização de nova perícia. Em seguida traz uma síntese dos elementos fáticos e jurídicos constantes dos presentes autos, salientando os motivos da autuação, notadamente quanto aos aspectos técnicos noticiados no laudo emitido pela Funcamp, bem como transcreve as Nesh e os códigos da NCM relativamente às posições indicada na DI e pretendida pela fiscalização. Mais adiante tece comentários acerca do laudo de contraprova apresentado, emitido pela Food Inteligence – Consultoria Técnica em Alimentos S/S Ltda., para ao final, transcrever a opinião de seus peritos subscritores que concluíram: “O produto Fl. 354DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 215 5 Dimodan consiste de monoglicerídeos destilados do éster de ácido esteárico, predominantemente, e como tal deve ser classificado fiscalmente, tendo em vista que o ácido esteárico confere a característica essencial ao produto”. Prosseguindo em sua linha de defesa, a impugnante tece comentários acerca do que entende ser cera, critica as expressões “com aparência de cera” e “com característica de cera, uma outra cera artificial”, contida no laudo da Funcamp, posto não serem compatíveis com o produto importado (Dimodan), por não se tratar de uma cera, não possuir características emulsionantes para alimentos, não podendo, por conseguinte, ser usado em produtos alimentícios. Afirma que o laudo emitido por conta do exame da contraprova distingue ceras e glicerol. Portanto, sendo o Dimodan monoglicerídeos destilados não pode ser considerado uma cera artificial. Esclarece ainda, com fundamento em ambos os laudos, que o Dimodan, por conter em sua composição 75% de ácido esteárico e possuir 94,3% de teor de monoglicerídeos (Estearato, Palmitato, Oleato, Miristato) possui constituição química definida, assemelhandose ao grupo funcional do éster de ácido esteárico com glicerol. Razão porque conclui que o Dimodan “Tratase de uma associação de ésteres de ácidos graxos com glicerol, constituída de mais de 96% de estearato de metila e palmitato de metila. E por predominância é éster de ácido esteárico, devendo, portanto, estar corretamente classificado no código NCM 2915.70.40”. Quanto à característica emulsificante, esclarece que a legislação pátria, com supedâneo da ANVISA, não permite a utilização de cera como emulsificante na indústria de alimentos, sendo que as únicas ceras permitidas são as de abelhas e de candelita para a função glaceante (Resolução RDC 43/2005). Dessa forma, sendo o Dimodan um emulsificante amplamente utilizado na indústria de alimentos, devidamente aprovado pela ANVISA, não pode ser considerado uma cera. Ainda, entende ser conveniente que o laudo emitido pela Food Inteligence – Consultoria Técnica em Alimentos S/S Ltda., em anexo, seja encaminhado para o Laboratório de Análise Falcão Bauer, para que possa fazer suas considerações acerca dos fundamentos do referido laudo da contraprova, emitindo parecer mais abrangente e esclarecedor. No mais, ratifica os termos da defesa inicialmente apresentada, solicitando, por fim, a determinação do cancelamento da autuação em tela. Nos termos do expediente de fl. 161, o processo foi novamente remetido a esta DRJ para apreciação. É o Relatório. Fl. 355DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 216 6 A ementa do v. acórdão ora recorrido, que bem resume os fundamentos adotados na r. decisão, tem o seguinte teor: Assunto: Classificação de Mercadorias Data do fato gerador: 12/05/2004 PRODUÇÃO DE PROVA. COMPLEMENTAÇÃO. LAUDO PERICIAL. LIMITES OBJETIVOS. O deferimento do pedido de perícia não se justifica se os elementos trazidos aos autos são suficientes para o deslinde da questão. IDENTIFICAÇÃO DA MERCADORIA DIMODAN. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. O produto químico denominado comercialmente como Dimodan, se classifica no código NCM 3404.90.19 por se tratar, conforme laudo da Funcamp, explicitado pelo parecer técnico do Laboratório de Análise Falcão Bauer, de cera artificial à base de mistura de reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, com características de cera. Lançamento Procedente Irresignada, a contribuinte reiterou os termos da sua impugnação, requerendo o provimento do seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, o recurso voluntário interposto deve ser conhecido. No tocante ao mérito, todavia, o recurso não merece melhor sorte. Com efeito, para procedermos à classificação de acordo com as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, e considerando especificamente a RGI 1, em que se aponta que a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo, devemos analisar, inicialmente, os textos das posições respectivas: 2915 – Ácidos carboxílicos acíclicos saturados e seus anidridos, halogenetos, peróxidos e perácidos; seus derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados 3404 – Ceras artificiais e ceras preparadas Fl. 356DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 217 7 Nesse ponto, entendo que o voto condutor da r. decisão recorrida foi certeiro ao tratar da questão, razão pela qual peço vênia para adotálo como razão de decidir. Outrossim, por sua percuciência, destaco os seguintes excertos, verbis: (...) O que se observa do cotejo do laudo da Funcamp e da manifestação da Food Intelligence, a única divergência apontada diz respeito h inaplicabilidade da expressão com característica de cera, urna outra cera artificial para o produto Dimodan. Importa esclarecer que o laudo da Funcamp, ao concluir, As fls. 29, que o Dimodan é uma "Mistura de Reação constituída de Ésteres de Glicerol corn Ácidos Graxos, com características de cera, na forma de pó", em nenhum momento afirmou que o Dimodan é, na acepção conceitual de cera natural, conforme expressou a Food Intelligence, pois a cera a que se refere é somente aquela proveniente da natureza, tanto que ao exemplificar seu entendimento cita a cera de carnaúba e a cera de abelhas. Salientese que o pretendido entendimento é totalmente inaplicável As circunstâncias dos presentes autos, na medida em que estamos tratando de produto químico. Caso fosse a intenção da Funcamp conceituar o Dimodan como uma cera na acepção pretendida pela impugnante, por comezinho, não expressaria da forma como fez constar no laudo (produto com característica de cera). Convém esclarecer, muito embora referida especificidade já se encontrava devidamente demonstrada nos autos, que o elemento fundamental para a Funcamp concluir que o Dimodan possui característica de cera decorreu única e exclusivamente de suas características fisicoquímicas. É fato incontroverso no presente litígio que o Dimodan é um produto químico constituído de material ceroso, obtido sinteticamente, com características emulsificantes, cuja fusão é estabelecida em torno de 70°C, formado por ácidos e respectivos ésteres de pesos moleculares relativamente elevados, cujo ponto de gota ocorre a uma temperatura de aproximadamente 71°C, detentor de viscosidade é igual a 32 cPs. Logo, pelas características fisicoquímicas acima apontadas, com supedâneo na legislação que rege os procedimentos inerentes à classificação fiscal das mercadorias, em especial as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado, assiste razão h. fiscalização quando entende que o Dimodan deve ser considerado cera artificial. Esclarecido esse ponto, passemos à análise concernente à correta classificação tarifáriofiscal do produto químico em apreço (Dimodan). Fl. 357DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 218 8 A autuada adotou a classificação fiscal do código NCM 2915.70.40, indicado para os ésteres do ácido esteárico. Ocorre que o laudo técnico emitido pelo laboratório de análise da Funcamp, afirma ser o produto uma mistura de reação constituída de ésteres de glicerol com ácidos graxos, evidenciando, por conseguinte, não se tratar de éster do ácido esteárico, nem de um produto de constituição química definida em que a pureza do ácido esteárico seja é igual ou superior a 90% em peso. Mais adiante o mencionado laudo esclarece, com suporte em literatura técnica especifica, que o Dimodan é usado como emulsificante na indústria alimentícia, circunstância que levaram a autoridade fiscal reposicionálo para o código NCM 3404.90.19. Assim, para melhor elucidação do tema em debate convém transcrevermos antes os textos dos códigos utilizados, em nível de posição, subposição e item: Código pretendido pelo Importador 2915 ÁCIDOS MONOCARBOXI:LICOS ACICLICOS SATURADOS E SEUS ANIDRIDOS, HALOGENETOS, PER ÓXIDOS E PERÁCIDOS; SEUS DERIVADOS HALOGENADOS, SULFONADOS, NITRADOS OU NITROSADOS 2915.70 Ácido palmitico, ácido esteárico, seus sais e seus ésteres 2915.70.10 Ácido palmitico, seus sais e seus ésteres 2915.70.20 Ácido esteárico 2915.70.3 Sais do ácido esteárico 2915.70.40 Ésteres do ácido esteárico Código atribuído pela Fiscalização 3404 CERAS ARTIFICL4IS E CERAS PREPARADAS 3404.90 Outras 3404.90.1 Ceras artificiais 3404.90.11 De polietileno, emulsionáveis 3404.90.12 Outras, de polietileno 3404.90.13 De polipropilenoglicóis 3404.90.19 Outras O Capitulo 29 do Sistema Harmonizado compreende, de modo geral, os produtos químicos orgânicos, consideradas as ressalvas determinadas pelas notas legais inerentes ao retro citado capitulo, posto que a Regra 1, dentre as Regras Gerais Fl. 358DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 219 9 para Interpretação do Sistema Harmonizado, assim dispõe, in verbis: "Os títulos das seções, capítulos e subcapitulos tem apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das notas de seção e de capitulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e notas, pelas Regras seguintes." A nota 1, alínea "a", do Capitulo 29, por sua vez, determina, nos seguintes termos, in verbis: "1. Ressalvadas as disposições em contrário, as posições do presente Capitulo apenas compreendem: a) os compostos orgânicos de constituição química definida apresentados isoladamente, mesmo contendo impurezas;" Resta evidenciado, portanto, que a Nota 1A do Capitulo 29, em que pese o universo dos produtos químicos orgânicos, restringe a abrangência do referido capitulo, não se admitindo nele a classificação de outros compostos orgânicos que não os de constituição química definida. Este é o cerne da questão. Se a mercadoria importada pela impugnante atendesse a essa e às demais determinações fixadas nas notas legais do Capitulo em comento, estaria consignado o primeiro passo no sentido de se concluir pelo correto enquadramento do produto em exame no Capitulo 29. No entanto, contrariamente a essa hipótese, o Laudo n° 2446.01 da Funcamp,corroborado pelo Parecer Técnico 029 do L. A. Falcão Bauer, conclui textualmente, em resposta aos quesitos formulados pela fiscalização, conclui, textualmente, que a mercadoria importada pela impugnante "não se trata de Éster de Glicerol de Acido Esteárico de constituição química definida em que a pureza do Acido Esteárico é igual ou maior que 90%", mas sim de "Mistura de Reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, com características de cera". Portanto, verificando as Notas Legais do Capitulo 29, com o entendimento dado pelas NESH, de fato não é possível aceitar sua classificação neste Capitulo, pois este tipo de mistura não está incluído nas exceções ali expressas. Ademais, as NESH da posição 29.15 são taxativas ao enviar o produto em questão (Dimodan), por suas características fisico quimicas, para a posição 34.04, conforme expresso a seguir, in verbis: "Posição 29.15 Ácidos monocarboxilicos aciclicos saturados e seus anidridos, halogenetos, peróxidos e percicidos; seus derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 220 10 NOTA EXPLICATIVA c) Entre os ésteres do ácido esteárico citamse os estearatos de etila e de butila, usados como plastificantes, e o estearato de glicol, utilizado como sucedâneo das ceras naturais. Todavia, misturas de mono, di e triestearatos de glicerina (glicol), emulsionantes de gorduras, classificam se nas posições 34.04 ou 38.24, consoante apresentem ou não, respectivamente, características de ceras artificiais." (grifos acrescidos) Assim sendo, tendo em vista que a mercadoria importada em exame, pelos motivos retro expostos, não poderia ser classificada no Capitulo 29, está, por conseguinte, incorreta a classificação tarifária adotada pela impugnante a época do registro da DI. Frisese, a conclusão da Food Inteligence, quando recomenda a classificação do Dimodam no código NCM 2915.70.40, pretendido pela importadora, não guarda consistência com a realidade dos fatos, inclusive com aqueles trazidos por seus peritos. Senão vejamos, o próprio laboratório afirma que o produto importado é uma associação de ésteres de ácidos graxos com glicerol, constituída de mais de 96% de estearato de metila e palmitato de metila, mais adiante aduz, após análise cromatogrifica, que o Dimodan apresenta altos teores de monoglicerideos com predominância de éster de ácido esteárico com glicerol, éster de ácido palmitico, além de pequenas quantidades de glicerol, ésteres de ácido oléico e miristico, todos derivados de ácidos graxos de cadeia curta. A impugnante discorda da classificação fiscal pretendida pelo fisco sob o fundamento de que as ceras artificiais não têm aplicação na indústria alimentícia, uma vez que estas são compostas de polietileno, produto originário das indústrias petroquímicas. Por óbvio, as ceras decorrentes de processos petroquimicos não têm aplicação na indústria alimentícia, mas não é o caso do Dimodan, conforme se extrai dos laudos e pareceres técnicos trazidos aos autos. Logo, esta alegação se mostra, também, absolutamente desarrazoada para o caso sob exame. Dos autos extrai outro equivoco da defesa, com supedâneo no parecer da Food Inteligence, quando pretende a manutenção da classificação fiscal do Dimodan no Capitulo 29, posto que as normas de classificação são absolutamente taxativas ao exclui do Capitulo 29 produtos que evidenciam ser uma mistura ou associação, como conceitua o referido laboratório, de ésteres, ainda que em sua composição se tenha a predominância de um ou mais de seus componentes constitutivos, para o fim de lhe conferir uma característica fundamental, razão porque, no caso em apreço, é absolutamente inaplicável a RGI 3ª "b", mas tão somente a RGI 1ª. Fl. 360DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 221 11 Quanto ao código apontado pela fiscalização como correto para o produto importado, identificado pela Funcamp e depois confirmado e explicitado pelo L. A. Falcão Bauer como "uma Mistura constituída de 77,6% de Estearato de Glicerol; 19,2% de Palmitato de Glicerol; 0,8% de Oleato de Glicerol e 0,4% de Miristato de Glicerol, uma Mistura de Ésteres de Acidos Graxos de Glicerol, com características de Cera, uma Outra Cera Artificial", conveniente se faz A. verificação das Notas Explicativas da Posição 34.04, in verbis: "Posição 34.04 Ceras artificiais e ceras preparadas. A presente posição compreende as ceras artificiais (por vezes conhecidas na indústria por "ceras sintéticas") e as ceras preparadas (definidas na Nota 5 do presente Capitulo), constituídas de matérias orgânicas de peso molecular relativamente elevado e que não são compostos de constituição química definida apresentados isoladamente. Estas ceras são: [...] NOTA EXPLICATIVA [...] As ceras desta posição podem ser de composições químicas muito diferentes. Entre elas podem citarse: [...] 5)Ceras compostas de misturas de cetonas graxas (gordas*), de ésteres graxos (gordos*) (tais como o monoestearato de propilenoglicol, modificado por pequenas quantidades de sabão; a mistura de mono e de diestearato de glicerina, esterificada por meio do ácido tartcirico e do ácido acético, por exemplo), de aminas ou arnidas graxas (gordas*). Entram na composição dos cosméticos, produtos para encerar, tintas, etc. [...] Além das exclusões já mencionadas, esta posição não compreende: [...] f) As misturas de mono, di e triésteres de ácidos graxos (gordos*) do glicerol que não possuam características de caers ( posição 38.24)." (grifos nossos) Notamos claramente que dentro do Capitulo 34, no Subcapitulo 04, que trata de ceras artificiais e ceras preparadas, existe a prevista expressa das NESH para as ceras de ésteres graxos (gordos). Fl. 361DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA Processo nº 10921.001186/200418 Acórdão n.º 3202000.271 S3C2T2 Fl. 222 12 Deste modo, para efeito de classificação tarifária, o Capitulo 34 do Sistema Harmonizado, abrangendo os "Sabões, agentes orgânicos de superficie, preparações para lavagem, preparações lubrificantes, ceras artificiais, ceras preparadas, produtos de conservação e limpeza, velas e artigos semelhantes, massas ou pastas para modelar, "ceras" para dentistas e composições para dentistas h. base de gesso", apresenta a melhor classificação para o caso em tela, que, enquadrandose mais especificamente na posição 3404 ceras artificiais e ceras preparadas, com ausência de subposição e subitem mais específicos, impõe a classificação tarifária do produto importado no código adotado pela fiscalização. (grifos e destaques nossos) Depreendese dos autos, portanto, na esteira do voto acima destacado, que o produto químico denominado comercialmente como Dimodan se classifica no código NCM 3404.90.19 por se tratar, conforme laudo da Funcamp, explicitado pelo parecer técnico do Laboratório de Análise Falcão Bauer, de cera artificial à base de mistura de reação constituída de Ésteres de Glicerol com Ácidos Graxos, com características de cera. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a r. decisão recorrida em todos os seus termos. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 362DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/09/2014 por RODRIGO CAR DOZO MIRANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001103/2002-32
Data da sessão: Thu Aug 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF.
Mantém-se a exigência vez que simples alegações desacompanhadas de prova robusta, não tem o condão de cancelar a exigência do crédito tributário apurado.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-002.479
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
.
EDITADO EM: 15/08/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas De Mello.Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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DCTF. Mantémse a exigência vez que simples alegações desacompanhadas de prova robusta, não tem o condão de cancelar a exigência do crédito tributário apurado. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. . EDITADO EM: 15/08/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Carlos Andre Ribas De Mello.Ausente justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 11 03 /2 00 2- 32 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração à fl.13, com a exigência do crédito tributário no valor de R$2.848,57 a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF do anocalendário de 1997, com o crédito tributário composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados até 28/02/2002, bem como juros de mora e multa de ofício. 0 referido Auto de Infração derivou de procedimento de auditoria interna executada em Declaração de Contribuições e Tributos Federais — DCTF na qual foi constatada a falta de pagamento do principal e/ou insuficiência de recolhimento dos acréscimos legais, vinculados aos códigos de receita 0561 e 1708, cuja descrição dos fatos e enquadramento legal encontramse detalhados no corpo do mencionado auto. Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fl. 01, alegando, consoante o relatório da decisão de primeira instância, que os pagamentos foram efetuados nos prazos de vencimento, conforme cópias dos DARF que anexa Neste contexto, a DRF de origem procedeu à revisão do lançamento por meio de análise dos pagamentos, excluiu parte do crédito tributário, nos termos do despacho de fls. 31/32 e planilhas de fls. 27/30, mantendo o crédito tributário no valor de R$742,44 ( Principal (0561) de R$666,46 e (1708) de R$85,98. A DRJ Campinas (SP) por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento, por meio do Acórdão 0521.034 DRJ/CPS, que recebeu a seguinte ementa (fls. 81): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. DCTF. Não comprovado o pagamento do débito exigido, nem esclarecidos eventuais erros ou duplicidade de preenchimento da DCTF, mantémse a exigência fiscal relativa ao código de receita 1708, imposto incidente sobre rendimentos por serviços prestados por pessoas jurídicas. No entanto, em relação ao imposto incidente sobre rendimentos do trabalho assalariado, presentes indícios suficientes a caracterizar possível erro de preenchimento da DCTF, cancelase a exigência respectiva. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. Em face do principio da retroatividade benigna, consagrado no Código Tributário Nacional, é cabível a exoneração da multa de lançamento de oficio, para débitos já declarados em DCTF. Lançamento Procedente em Parte Cientificada do Acórdão em 04 de março de 2008, em 02/04/2008 a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 85, alegando que o IRRF código de receita 1708, o valor do Imposto de R$.85,98, foi declarado em duplicidade na DCTF do 3º e 4° trimestres de 1997. Que o período de apuração correto é 05/09/97, com vencimento 10/09/97, que se refere a DCTF do 3°. Trimestre, foi declarado incorreto na DCTF do 4° trimestre, por ter confundido a data de pagamento 08/10/97 em atraso, o período de apuração é o 05/09/97. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10882.001103/200232 Acórdão n.º 2802002.479 S2TE02 Fl. 106 3 Junta aos autos , cópias simples dos DARF's do IRRF e • DCTF's dos 3° e 4° trimestres do anocalendário de 1997. É o relatório. Voto Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. No mérito, o cerne da presente controvérsia gira em torno da comprovação da existência ou não do débito de R$ 85,98, PA: 0110/98, código de receita 1708, cuja guia de arrecadação apresentada pela contribuinte, fl. 22, encontrase alocada à primeira semana de setembro (PA: 0109/97). A contribuinte alega que teria declarado incorretamente tal débito no PA:01 10/97, quando o correto seria o PA: 0109/97.Ocorre que conforme consta no voto do acórdão recorrido, a contribuinte restringese a alegar o pretenso erro de preenchimento, sem apresentar qualquer documento, como por exemplo, cópias de notas fiscais e elementos de sua escrituração fiscal e contábil, que pudessem confirmar suas alegações. Assim, em consonância com o princípio da verdade real, a simples retificação da DCTF desacompanha da comprovação, por documentação contábil e fiscal adequada, do motivo do erro de apuração do débito retificado, não é suficiente para acatar a pretensão do recorrente. Foi a própria Recorrente quem informou os valores na DCTF, e sem a apresentação da documentação fiscal (como por exemplo, cópias de notas fiscais e elementos de sua escrituração fiscal e contábil), não há como saber se realmente o débito foi declarado em duplicidade. Daí a necessidade da apresentação da adequada documentação, com vista a confirmação do alegado equívoco. A Recorrente simplesmente alegou que o débito informado na DCTF apresentada estava errado, porém, não trouxe aos autos os elementos probatórios necessários a comprovação do mencionado erro, limitandose a apresentar apenas as cópias simples dos DARF's do IRRF e • DCTF's dos 3° e 4° trimestres do anocalendário de 1997. Ante ao exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/201 3 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10380.002093/90-63
Data da sessão: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 1991
Ementa: IRPF EXERCÍCIOS DE 1987, e 1988
DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS
Subsistindo, a tributação relativa ao processo ma
triz, igual sorte colhe o feito referente a ação
correlata relativo ao IRPF.
Recurso não provido.
Numero da decisão: 103-11.309
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Luiz Henrique Barros de Arruda
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Recurso não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por BENEDITO ORIGENES SALLES. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar pro vimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Sala das Sessões-DF., em 11 de junho de 1991 • MACHADO CALDEIRA - PRESIDENTE P HENRI';:y.prfl.'S 'ELATOR VISTO EM s‘l-Avoisrx .1 .41144gle t. - PROCURADOR DA FAZENDA SESSÃO DE: NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conse- lheiros: ANTONIO PASSOS COSTA DE OLIVEIRA, D1CLER DE ASSUNÇÃO,MA RIA DE FÁTIMA PESSOA DE MELLO CARTAXO, LUIZ ALBERTO CAVA MACEI - RA, VICTOR LUIS DE SALLES FREIRE e ILCENIL FRANCO. ;pior- SECOU MI 0841110 bi• 4744;.:lh ; - o,* SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N° 10380/002.093/90-63 RECURSONS: 62.405 ACORDA010: 103-11.309 RECORRENTE: BENEDITO OR1GENES SALLES RELATÓRIO BENEDITO ORIGENES SALLES, contribuinte inscrito no CPF sob o n9 007.574.977-72, com domicílio tributário em Fortale- za(CE), inconformado com a decisão n9 715/90, proferida pelo Dele gado Substituto da Receita Federal em Fortaleza ás fls. 93/94 do • presente, interpõe, na forma do artigo 33 do Decreto n970.235/72, o recurso voluntário de fls. 99, com o kito de obter sua refor- ma. A exigência contestada tem origem no auto de infra ção de fls. 54/58, mediante o qual foi constituído de ofício cré- dito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, cor- respondente aos exercícios de 1987 e 1988, no valor equivalente a 1.689,53 BTNFiscal, acrescidos de juros de mora e da multa de 50% prevista no artigo 728, inciso II, do RIR/80. O lançamento em apreço é mera decorrência da ação fiscal levada a efeito na empresa Construtora Salles Furlani Ltda., da qual o Autuado é sócio, cujo resultado acarretou a lavraturado auto de infração objeto do processo n9 10380/002.100/90-27, haven do sido imputado, como rendimento de cédula "H", nos exercícios mencionados, as importâncias tributadas naquela pessoa jurídica como distribuição disfarçada de lucros por negócios com e reali zados. DAMEFP/OF • SECO@ 141 065/90 4.11. sumo "suo fouca. Processo n9 10380/002.093/90-63 2. Acórdão n9 103-11.309 Concedida pnaLuijaçâo de prazo para defesa, por despa cho de 29/03/90, em 07105/90 o Interessado apresentou a impugna- ção de fls. 62, mediante a qual requereu a sustação do andamento do presente até o julgamento do processo matriz. Manifestando-se os Autores do procedimento fiscal às fls. 70, o feito veio a ser apreciado em primeira instância pe la decisão recorrida, que julgou procedente a ação fiscal. Cientificado do decisório em 18/10/90, o contrituin te interpôs, em 01/11/901 0 recurso voluntário de fls. 98, reprodu zindo os argumentos da inicial. 2 o relatório. VOTO Conselheiro LUIZ HENRIQUE BARROS DE ARRUDA, Relator. O recurso é tempestivo, por isso dele conheço. Esta Câmara, ao apreciar o processo matriz, em 10/06/91, deu provimento parcial ao recurso, de acordo com o acór dão n9 103-11.277. Em consequência, igual sorte colhe o recurso apre- sentado neste feito decorrente, na medida em que não há fatos ou argumentos novos a ensejares conclusões diversas. A vista do exposto e do mais que dos autos co nego provimento ao recurso. Brasília-DF., em 11 de junho de 1991 • LUIZ #1511. • ". e Z bE iNRICEA - RELATOR MFCT Page 1 _0005900.PDF Page 1 _0006100.PDF Page 1
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Numero do processo: 13118.000206/2006-68
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2005
SIMPLES. COMPENSAÇÃO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL.
COMPETÊNCIA.
A competência para julgamento de processos relativos à tributação pela sistemática do SIMPLES é da Primeira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do Regimento Interno do Conselho, DECLINADA A COMPETÊNCIA
RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Numero da decisão: 2401-001.326
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, declinando da competência para a Primeira Seção
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAÚJO
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE - SIMPLES Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2005 SIMPLES. COMPENSAÇÃO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. COMPETÊNCIA. A competência para julgamento de processos relativos à tributação pela sistemática do SIMPLES é da Primeira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do Regimento Interno do Conselho, DECLINADA A COMPETÊNCIA RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
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COMPENSAÇÃO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. COMPETÊNCIA. A competência para julgamento de processos relativos à tributação pela sistemática do SIMPLES é da Primeira Seção de Julgamento do CARF, nos termos do Regimento Interno do Conselho, DECLINADA A COMPETÊNCIA RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, declinando da competência para a Primeira Seção. ELIAS SAMPAIO FREIRE - Presidente IkkU KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Relator Participatarn, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Ausente a Conselheira Cleusa Vieira de Souza. 2 Processo o' 13118.000206/2006-68 S2-C4T1 Acórdão o.' 2401 -01326 F I 236 Relatório Trata-se de recurso voluntário, fls. 199/209, apresentado pela empresa acima epigrafada contra o Acórdão n 03-20.306 — 4" Turma da DRI/BSA, fls. 177/161, que, por unanimidade, desproveu a manifestação de inconformidade apresentada contra Despacho Decisório exarado pela DRF Goiânia, fls. 40/44, o qual não homologou compensações efetuadas pela interessada. As compensações em questão foram efetuadas pelo contribuinte acima, relativas aos seus débitos do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples, do período de agosto de 2001 a dezembro de 2005. O recorrente alega que os créditos que detém são de natureza previdenciária e que foram reconhecidos judicialmente através do Mandado de Segurança número 1999.35.00.020919-9, que tramitou perante o Egrégio Tribunal Regional Federal da Primeira Região, com trânsito em julgado. Nesse sentido, afirma, não poderia a decisão atacada se fundamentar em legislação aplicável aos tributos administrados pela Receita Federal, posto que os créditos em questão são administrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, Assevera que os créditos foram compensados em obediência ao que prevê a Lei n„ 9„.317/1996, a qual expressamente indica o percentual da contribuição recolhida a ser destinada ao INSS. Por outro lado, sustenta, não há legislação prevendo o procedimento para compensação de créditos relativos a contribuições previdenciárias pelas empresas optantes pelo Simples, nesse sentido, deve-se aplicar o que dispõe da Lei 8.38.3/91, e não a Lei 9.430/96, vez que, como dito, não se trata de crédito administrado pela Receita Federal. Afirma que as empresas optantes pelo sistema SIMPLES recolhem suas contribuições previdenciárias única e exclusivamente por ocasião do pagamento do DARF mensal, inexistindo outra oportunidade de realizar a compensação judicialmente reconhecida. Assim, continua, impedir a compensação das contribuições previdenciárias por ocasião do recolhimento do SIMPLES é tornar letra morta a decisão judicial. Advoga ainda que os recolhimentos efetuados ao SIMPLES não alteram a administração dos tributos nele incluídos. Apenas se referem a uma técnica de arrecadação. É esse inclusive o entendimento do Superior Tribunal de Justiça — STJ, conforme decisões já colacionadas, Observa que a IN SRF n. 600/2005 não pode ser aplicada à espécie, posto que é específico para procedimento de restituição, além de não existir quando da efetivação das compensações em questão, Ao final, pede que seja admitida a compensação das contribuições previdenciárias no sistema de arrecadação denominado SIMPLES, no limite do percentual destinado ao INSS, homologando-se, pois, o procedimento efetivado. É o relatório. 4 Processo n° 1.3118 000206/2006-68 S2-C4T1 Acórdão n° 2401-01326 A 237 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Verifico que na presente lide inexiste discussão acerca de matéria previdenciária, haja vista que o crédito que o contribuinte utilizou foi obtido mediante ação judicial. Assim, não há que se decidir sobre a procedência ou não dos valores compensados. O cerne da contenda reside na verificação da possibilidade de compensação desses créditos judiciais nos recolhimentos efetuados no Simples. Cabe, então, ao órgão de julgamento posicionar-se sobre a correção do procedimento compensatório no bojo do sistema simplificado de recolhimento de contribuições. Repetindo, não há o que se decidir aqui acerca da existência ou não dos créditos decorrentes de recolhimento indevido de contribuições previdenciárias, posto que essa matéria já foi objeto de decisão judicial. Essa vedação decorre da observância ao enunciado de súmula, abaixo reproduzido, o qual foi divulgado pela Portaria CARF n,' 106, de 21/12/2009 (DOU 22/12/2009): SÚMULA N°1 do GARP'. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo .judiciat. Então, uma vez que o órgão administrativo não pode se pronunciar sobre a existência dos créditos, o que resta a ser decidido diz respeito à aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — Simples, que, nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, aprovado pela Portaria MF n. 256, de 22/06/2009, é da competência da Primeira Seção desse Órgão, como se observa: Art. 22 À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de oficio e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de; V - exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microetnpresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, Vask KLEBER FERREIRA DE AR ÚJO - Relator dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLES-Nacional), ) Malgrado o § 1.° do art. 7.° do Regimento Interno prescreva que a competência para julgamento de recurso em processo de compensação é definida pelo crédito alegado, na situação sob enfoque, não há o que se discutir sobre o crédito utilizado, posto que já deferido pelo Poder Judiciário. Nessa toada, a competência para apreciação do presente recurso é da colenda Primeira Seção de Julgamento do CARF, posto que a matéria em discussão diz respeito à sistemática de anecadação do sistema Simples. Procedendo-se, assim, respeita-se o critério que norteia a distribuição de competência dentro do Conselho, que é a especialização por matéria. Em assim sendo, voto por declinar da competência para este julgado em favor da Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Sala das Sessões, em 18 de agosto de 2010 6 Quarta Câmara da Segunda Seção Brasília C) i (C) / (0)-19 ( MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA — SEGUNDA SEÇÃO SCS - QUADRA 01 - BLOCO "X" - ED. ALVORADA I 1° ANDAR — CEP: 70396 — 900 — Brasília - DF Tel: (0xx61) 3412-7568 Flome Page:I-Ittp:// www carTfazenda.gov br PROCESSO : 000W /i- INTERESSADO: nGsw‘ P\ u 1,,Tb TERMO DE JUNTADA E ENCAMINHAMENTO Fiz juntada nesta data do Acórdão/Resolução 9J4 O 1 — O 1_6 folhas Encaminhem-se os autos à Repartição de Origem, para as providências de sua alçada. de
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Numero do processo: 10825.001622/2007-90
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO - LANÇAMENTO DE OFÍCIO - PRESSUPOSTOS - IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - GLOSA TOTAL DAS DEDUÇÕES.
O lançamento, como procedimento vinculado e portanto regrado, deve ser celebrado com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo artigo 142 do CTN, cuja motivação deve estar apoiada em elementos materiais de prova veementes, consubstanciados por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança, seriedade e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ilicitude fiscal.
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA - GLOSA DE DEDUÇÕES FUNDADA APENAS NA FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA DO CONTRIBUINTE - ILEGALIDADE.
Não é licito, ao Fisco, glosar deduções apenas em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos, sem que o haja qualquer prova da intimação do contribuinte para tanto.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2802-000.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado e ad hoc.
(Acórdão formalizado extemporaneamente, a Relatora Dra. Lúcia Reiko Sakae não mais faz parte deste Colegiado)
EDITADO EM 16/7/2013
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: LUCIA REIKO SAKAE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Redator designado e ad hoc. (Acórdão formalizado extemporaneamente, a Relatora Dra. Lúcia Reiko Sakae não mais faz parte deste Colegiado) EDITADO EM 16/7/2013 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
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O lançamento, como procedimento vinculado e portanto regrado, deve ser celebrado com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo artigo 142 do CTN, cuja motivação deve estar apoiada em elementos materiais de prova veementes, consubstanciados por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança, seriedade e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ilicitude fiscal. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA GLOSA DE DEDUÇÕES FUNDADA APENAS NA FALTA DE INTIMAÇÃO PRÉVIA DO CONTRIBUINTE ILEGALIDADE. Não é licito, ao Fisco, glosar deduções apenas “em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos”, sem que o haja qualquer prova da intimação do contribuinte para tanto. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 16 22 /2 00 7- 90 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso. Vencida a Conselheira Lúcia Reiko Sakae (relatora). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado e ad hoc. (Acórdão formalizado extemporaneamente, a Relatora Dra. Lúcia Reiko Sakae não mais faz parte deste Colegiado) EDITADO EM 16/7/2013 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Segue abaixo o Relatório elaborado pela Emin. Conselheira Lúcia Reiko Sakae. “Tratase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, de fls. 28/30, que considerou procedente o lançamento relativo a apuração de deduções indevidas a título de contribuição à Previdência Oficial, contribuição à Previdência Privada, despesas com instrução, com despesas médicas e com dependentes, em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos. No relato da decisão de 1ª instância se fez constar (com grifos nossos) que o contribuinte alegara: “que jamais recebeu qualquer notificação para prestar esclarecimentos, não sabendo pelo que foi autuado, que não houve recusa em atender a notificação posto que a correspondência de intimação foi devolvida pelos Correios e requerendo o cancelamento do Auto de Infração e nova notificação sob pena de cerceamento de defesa.” Na decisão de 1ª instância mantevese, ao final, o lançamento por falta de apresentação de documentação hábil e idônea e entendendo, também, inexistir qualquer irregularidade na ausência de intimação durante o procedimento de fiscalização, além de se constatar a plena compreensão do contribuinte em face da matéria autuada. A ciência de tal julgado se deu por via postal em 3 de julho de 2009, consoante o AR – Aviso de Recebimento – de fl. 33 . À vista da decisão, foi protocolizado, em 3 de agosto de 2009, recurso voluntário de fls. 34/47, no qual o pólo passivo questiona a decisão proferida, protestando pela produção de sustentação oral Fl. 121DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10825.001622/200790 Acórdão n.º 2802000.786 S2TE02 Fl. 113 3 Na peça recursal, o contribuinte informando as deduções pleiteadas (fl. 38) contestou item a item as deduções pleiteadas (item 13 a 20), relacionando após, no item 21 a sua argumentação relativas às despesas médicas , que assim se resume: Deduções valor Recurso Voluntário item do RV Fl. Contribuição Previdência Oficial 8.430,10 Item 13 56 A 70 Contribuição Previdência Privada 3.930,16 item 16 , doc 4 72 Dependentes 1.272,00 item 17, 18, doc 5 74 Despesas com instrução 1.998,00 item 20, doc 06 76 Despesas Médicas 25.567,30 item 21, 93 / 101 subtotal 41.197,56 I R F 4.813,93 item 14 (fl. ), doc 3 item 21 das despesas médicas: “no que tange as despesas médicas no montante de R$ 25.567,30 (vinte e cinco mil, quinhentos e sessenta e sete reais e trinta centavos) vale ressaltar que referese a despesas com planos de saúde, psicólogas e dentista conforme abaixo discriminado: a) R$ 1.261,30 (um mil, duzentos e sessenta e um reais e trinta centavos) referese a despesas com plano de saúde, cujo comprovante segue acostado a este (doc. 07); b) R$ 1.610,00 (um mil, seiscentos e dez reais) referese a de despesa com terapia de casal, pagos à Dra. Maria Teresa Pires Menicucci, CRP 06/413935 e CPF n. 517.339.27620; c) R$ 12.096,00 referese à terapia de casal, pagos à Dra. Herminia M. Lopes de Souza, CRP n. 06/387524 e CPF n. 096.135.13817 consoante se comprova dos recibos anexos (doc. 08); e d) R$ 10.600,00 (dez mil e seiscentos reais) referese a tratamento odontológico do Recorrente consoante recibos anexos (doc. 09).” (grifei) Diante das argumentações, requer o cancelamento do auto. Encontrase á fl. 102 requerimento de juntada do extrato de contribuição junto ao INSS para comprovação do recolhimento no valor de R$ 3.616,17 à Previdência Oficial (fls. 104/108). É o relatório do essencial.” Fl. 122DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Voto Vencido Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator ad hoc. Abaixo segue o voto proferido em sessão pela Eminente Conselheira Lúcia Reiko Sakae. “O recurso voluntário é tempestivo e presentes, ainda, os demais requisitos formais de admissibilidade, dele conheço. Tratase de recurso voluntário resultante da glosa com a contribuição à Previdência Oficial, contribuição à Previdência Privada, despesas com instrução, com despesas médicas e com dependentes, em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos. Apesar da não apresentação de documentação por ocasião da impugnação, mas como o contribuinte contestou a falta de intimação, fato esse que foi comprovado pela devolução da intimação por ausência (fl. 08), e requereu a reintimação na impugnação, passo a verificar a documentação ora juntada, para evitar o cerceamento de sua defesa. Assim, pelos documentos acostados aos autos e indicados no relatório confirmamse as deduções referentes ás contribuições, dependentes e com instrução, demonstrando a seguir a comprovação relativamente à Previdência Oficial, por demandar maior número de documentação. Prev. Oficial Valor fl. 2.272,64 56 COMPROVANTES 2.541,29 57 4.813,93 GPS 59, 60,61, 62, 63 286,00 4X 1.430,00 SUBTOTAL 6.243,93 Comprovantes BCN net 64/ 66 312,31 67, 68, 69, 70 7 1873,86 2.186,17 TOTAL 8.430,10 DAS DESPESAS MÉDICAS Neste quesito, cabe registrar inicialmente, que as deduções da base de cálculo com despesas médicas encontram previsão legal no art. 8º, inciso II e §2º, da Lei nº. 9.250, de 26 de dezembro de 1995 , a saber: “II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; Fl. 123DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10825.001622/200790 Acórdão n.º 2802000.786 S2TE02 Fl. 114 5 IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 3º As despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração, observado, no caso de despesas de educação, o limite previsto na alínea “b” do inciso II deste artigo.”(grifei) Ainda, dispõe o artigo 73 do Decreto 3000/1999 (RIR/99), abaixo in verbis, a necessidade da comprovação efetiva dos pagamentos efetuados ou justificação das despesas, a saber: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º).” (grifo nosso) Antes de adentrar na análise do caso em questão, quero registrar meu atual entendimento, desenvolvido com o desenrolar das discussões nas sessões, quanto à aplicabilidade do disposto no artigo 73 do RIR/99. Primeiramente devese observar que, na medida que tal dispositivo tem como base, o artigo 11 , § 3º do Decreto Lei n° 5.844, de 1943, fica a dúvida quanto à sua aplicabilidade após a Constituição de 1988, que consagrou o Estado Democrático de Direito, com observância do devido processo legal, direito ao contraditório e à ampla defesa. Ao mesmo tempo, como tal dispositivo continua sendo reproduzido, mesmo após 88, nos regulamentos que se sucederam, quer sejam no de 1994 e no de 1999, entendo que sua aplicabilidade deve ser considerada “constitucionalizadamente”. Não restam dúvidas que termos como “a juízo da autoridade lançadora”, pleiteadas deduções “exageradas”, deduções “incabíveis”, glosadas “sem audiência” do contribuinte, sem a devida fundamentação e esclarecimentos não se coadunam com o Estado Democrático de Direito, tampouco demonstram atendimento aos princípios constitucionais, pois, para que não pairem dúvidas quantos às exigências a serem comprovadas pelo contribuinte e a razão desse aprofundamento, fazse necessária a motivação da autoridade lançadora que não pode ao seu alvitre desconsiderar os comprovantes que apresentem os requisitos legais sem um mínimo de fundamentação para o não acolhimento. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 6 Assim, entendo que, em princípio, os recibos que atendam aos requisitos legais são os documentos hábeis à comprovação para efeito de dedução, salvo, quando a autoridade lançadora desconstituílos, apresentando a devida motivação e esclarecimentos minudentemente detalhados, para que o contribuinte possa se defender, inclusive, desse fundamento, contrapondose ou derrubando a motivação e as alegações que fundamentem a desconsideração dos recibos. Ultrapassadas as considerações preliminares, passo a análise da documentação juntada, conforme quadro demonstrativo a seguir: Discriminação profissional / serviços Valor (R$) Fl. referência Obs.: DIRPF acatar UNIMED BAURU (doc. 07) 1.513,56 78 1.513,56 1.261,30 1.261,30 1.260,00 80 005/2002 31/01/02 15 sessões 1.008,00 81 22/03/02mês de fevereiro 12 sessões 1.008,00 82 28/03/02mês de março 1.260,00 83 30/04Mês de abril 15 756,00 84 28/05mês de maio 09 1.008,00 85 28/06 mês de junho 12 1.008,00 86 31/07 mês de julho 12 1.008,00 87 30/08mês de agosto 1.008,00 88 30/09mês de setembro 1.008,00 89 31/10 mês de outubro 1.008,00 90 29/11mês de novembro Dra. Herminia M. Lopes de Souza (doc. 08) psicoterapia de casal 756,00 91 28/12mês de dezembro 12.096,00 12.096,00 12.096,00 1.000,00 93 30/1/2002 1.200,00 94 5/4/2002 1.000,00 95 7/5/2002 1.500,00 96 12/7/2002 2.300,00 97 16/9/2002 2.300,00 98 16/9/2002 mesmo recibo em duplicata 1.000,00 99 20/11/2002 600,00 100 12/11/2002 sem endereço LÚCIA HELENA LIMA ANDREATTA (doc. 09) dentista 1.000,00 101 20/12/2002 11.900,00 9.600,00 10.600,00 0,00 subtotal 25.509,56 23.957,30 Dra. Maria Teresa Pires Menicucci sem qualquer comprovação 1.610,00 0,00 total 25.567,30 13.357,30 Dessa documentação, serão acatadas as despesas com o plano de saúde da UNIMED no valor pleiteado na DIRPF ( R$ 1.261,30) e com a Dra. Hermínia M. Lopes de Fl. 125DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10825.001622/200790 Acórdão n.º 2802000.786 S2TE02 Fl. 115 7 Souza no valor de R$ 12.096,00, uma vez que os documentos juntados atendem aos requisitos legais para dedução. Já a despesa com a dentista Lúcia Helena Lima Andreatta, no montante total pleiteado de R$ 10.600,00, não será acatada pela falta do endereço do consultório dentário nos recibos, não atendendo a legislação vigente, uma vez que o consultório devidamente estabelecido é vital para o exercício dessa atividade profissional. Ainda, devese ressaltar a juntada de cópia de recibo em duplicidade (para o mês de setembro de 2.002), não resultando, inclusive no montante de despesas declaradas. Ainda, como indicado no quadro, não foi juntada qualquer comprovação em relação ao suposto serviço prestado pela Dra. Maria Teresa Pires Menicucci, no valor de R$ 1.610,00. Por todo o exposto, a glosa no valor de R$12.210,00 a titulo de despesas médicas deve ser mantida, do total de R$ 25.567,30 pleiteado, restabelecendose as demais deduções que resultam no valor de R$ 13.357,30 pleiteadas. Em resumo, são acatadas as deduções como a seguir, que resulta no montante a deduzir da base de cálculo de R$ 28.987,46 (vinte e oito mil, novecentos e oitenta e sete reais e quarenta e seis centavos) Deduções Valor (R$) Prev. OFICIAL 8.430,00 Prev. Privada 3.930,16 Dependentes 1.272,00 Instrução 1.998,00 Médicas 13.357,30 Total Dedução 28.987,46 Conclusão. Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL, ao recurso interposto”. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Voto Vencedor Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Redator designado. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 8 Tratase o presente Recurso Voluntário da irresignação do Contribuinte contra acórdão proferido na 1ª instância administrativa, pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, o qual considerou procedente o lançamento relativo a apuração de deduções indevidas a título de contribuição à Previdência Oficial, contribuição à Previdência Privada, despesas com instrução, com despesas médicas e com dependentes, em decorrência do não atendimento ao pedido de esclarecimentos. Com efeito, a única justificativa para o lançamento ora debatido foi a falta de atendimento do Contribuinte a uma intimação em que o mesmo fora instado a prestar esclarecimentos sobre as deduções lançadas em sua DIRPF. Conquanto valha o respeito ao Judicioso voto lançado pela Emin. Conselheira Relatora, entendo que o caso é de cancelamento da exigência fiscal, porque está provado nos autos que o Contribuinte não foi devidamente intimado para prestar os tais esclarecimentos, eis que às fls. 08 consta que referida Intimação, enviada por via postal, retornou às autoridades fiscais lançadoras sem que dela o Contribuinte tivesse tomado conhecimento. Neste sentido, a motivação pelo lançamento tornase inválida, na medida em que o Contribuinte não contribuiu para esta com sua omissão no dever de prestar informações, o que torna nula a inversão do ônus da prova de que as deduções lançadas são legítimas. Este é a lição que a Doutrina nos presta, da qual é exemplar o ensinamento do Professor Paulo Celso Bergstron Bonilha, em sua celebrada DA PROVA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO (São Paulo, 1997), cujo excerto se transcreve: "Seção III — Do ônus da prova __________________________________________ Poderes de Instrução das Autoridades Administrativas __________________________________________ Questão paralela à da carga da prova atribuível às partes da relação processual tributária é a que concerne aos poderes de instrução probatória cometidos às autoridades administrativas (no processo administrativo fiscal da União, como vimos, as autoridades julgadoras detém poderes expressos para determinar diligências e produzir provas). Esta característica, segundo Enrico Allorio, decorre do caráter inquisitório do processo tributário e é um dos traços que o diferencia do processo civil. Em verdade, conquanto no processo civil o princípio da iniciativa das partes, em matéria de prova, conviva com o princípio da iniciativa oficial, por meio do qual o juiz também pode determinar a produção de provas, este poder do juiz deve ser entendido como supletivo da iniciativa das partes. Embora de maior amplitude, o poder de prova das autoridades administrativas deve ser, por uma questão de princípio, distinto do direito de prova a ser exercido pela Fazenda na relação processual. Esta conclusão elementar decorre da própria estrutura da relação processual administrativa, visto que ela pressupõe modos de atuação distintos da Administração: não se confundem as atribuições de defesa da pretensão fiscal e a de julgamento, por isso mesmo desempenhadas por órgãos autônomos. Fl. 127DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10825.001622/200790 Acórdão n.º 2802000.786 S2TE02 Fl. 116 9 Essas premissas, a nosso ver, justificam as seguintes assertivas: o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos, mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo. É interessante registrar, a propósito deste tema, decisão daComissão Tributária de Segundo Grau de Sondrio, Itália, objeto de comentário de Francesco Tenra», na " Rivista di Diritto Finanziario e Scienza delle Finanze" , cuja ementa soa: “Se a administração financeira emitiu um ato de lançamento sem coletar e produzir em juízo provas que demonstrassem a subsistência dos pressupostos com base nos quais o ato foi emanado, o juiz deve imediatamente sancionar tal omissão, anulando o ato e não sanar o vicio, subrogandose à administração no desenvolvimento de instrução primária, que a administração omitiu". É bastante sugestivo e esclarecedor o comentário aduzido pelo eminente Mestre acima referido: “No processo tributário, onde o tema de decidir é o de se deve ou não ser anulado um provimento administrativo, é a parte que propõe os motivos do anulamento, delineando aspectos de fato e de direito; o juiz, portanto, não pode ir além do pettitum e não pode enveredar pela pesquisa dos motivos e dos fatos que dariam justificação ao ato impugnado ou aos motivos da impugnação”. Em suma, como já acentuamos, o exercício da atuação probatória da autoridade julgadora do processo administrativo tributário demanda, antes de mais nada, equilíbrio e bom senso. Não lhe compete ir além do " petitum" , ou seja, dos pontos definidos como controversos na impugnação do contribuinte, muito menos suprir a inércia deste ou da Fazenda com a sua iniciativa. Cabelhe, não obstante, esclarecer os pontos considerados relevantes para seu convencimento e que, porventura, não ficaram suficientemente comprovados pelas provas aportadas ao processo pelas partes. A título ilustrativo dessas considerações, transcrevemos abaixo teor da ementa de julgado administrativo do Tribunal de Impostos e Taxas de São Paulo, que evidencia a justa percepção dos limites em que se deve ater o julgador administrativo. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 10 "Provas Falta de Apresentação pelo Fisco Apelo Provido. O duelo de provas é facilmente vencido pela recorrente. A própria afirmação do Agente Fiscal de Rendas de que infelizmente nem tudo que apuramos em nossas investigações pôde ser provado e levado ao AIIM enfraquece bastante o trabalho fiscal. O julgador deve aterse ao que consta do processo e aos elementos existentes nele, e nunca as afirmações que as partes façam e não comprovem". Ora, é representativo o fato de que com seu Recurso Voluntário o Contribuinte tenha demonstrado grande parte da inconsistência do lançamento, mas o devido respeito à vinculação da motivação do mesmo induz à conclusão que este imingiu ao contribuinte cerceamento do seu direito de defesa, pois utilizou como fundamento único da glosa das despesas médicas o não atendimento pelo Recorrente de uma intimação cuja existência não está provada nos autos. Ao se desincumbir do seu dever de motivar validamento o lançamento, a Autoridade Fiscal produziu um lançamento nulo, pois não provou que garantiu ao Contribuinte a faculdade de ter justificado suas deduções previamente à constituição de ofício do crédito tributário, já que foi este o fundamento que utilizou. Por estas razões, peço vênia à Emin. Conselheira Relatora, cujo profícuo trabalho de auditoria reforça, s.m.j., a inviabilidade da manutenção de sequer parte do crédito constituído de ofício, para divergir de seu judicioso voto, dando provimento integral ao Recurso para cancelar a exigência fiscal vergastada. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10825.001622/200790 Acórdão n.º 2802000.786 S2TE02 Fl. 117 11 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 17 de julho de 2013. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 130DF CARF MF Impresso em 06/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 19647.012620/2005-37
Data da sessão: Wed Oct 27 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 3302-000.075
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (fls. 1055 a 1075) apresentado em 18 de dezembro de 2008 contra o Acórdão n o 11-24.199, de 22 de outubro de 2008, da 2 a Turma de Julgamento da DRJ Recife / PE (fls. 1024 a 1044), cientificado em 20 de novembro de 2008, que, relativamente a autos de infração de Cofins e de PIS dos períodos de maio a dezembro de 1999, junho a agosto de 2000, janeiro a março, junho, agosto a novembro de 2001, janeiro de Fl. 205DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 09/11/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.012620/2005-37 Resolução n.º 3302-00.075 S3-C3T2 Fl. 2 2 2002 a março de 2004, considerou parcialmente procedentes os lançamentos, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/1999, 01/06/2000 a 31/08/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 31/03/2001, 01/06/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 30/11/2001, 01/01/2002 a 31/03/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Para fins de determinação da base de cálculo da Cofins, excluem-se da receita bruta, apenas os itens previstos em lei, quando restar provada nos autos a existência de tais valores. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN. SÚMULA VINCULANTE. EFEITOS SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DIRETA. A súmula vinculante editada pelo STF obriga a Administração Direta à adoção do entendimento nela fixado, a partir de sua publicação no órgão de imprensa oficial. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. Integram a base de cálculo da COFINS os valores relativos a recuperação de despesas. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. INCONSTITUCIONALIDADE - Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 206DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 09/11/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.012620/2005-37 Resolução n.º 3302-00.075 S3-C3T2 Fl. 3 3 Período de apuração: 01/05/1999 a 31/12/1999, 01/06/2000 a 31/08/2000, 01/11/2000 a 30/11/2000, 01/01/2001 a 30/06/2001, 01/08/2001 a 30/11/2002, 01/01/2003 a 31/01/2003, 01/03/2003 a 31/03/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRELIMINAR DE NULIDADE. Estando os atos administrativos, consubstanciadores do lançamento, revestidos de suas formalidades essenciais, não se há que falar em nulidade do procedimento fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS, excluem-se da receita bruta, apenas os itens previstos em lei, quando restar provada nos autos a existência de tais valores. RECUPERAÇÃO DE DESPESAS. Integram a base de cálculo da contribuição PIS, os valores relativos a recuperação de despesas. DECADÊNCIA. Declarada a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91 por meio de súmula vinculante, cabe a aplicação da regra de decadência prevista no CTN. SÚMULA VINCULANTE. EFEITOS SOBRE A ADMINISTRAÇÃO DIRETA. A súmula vinculante editada pelo STF obriga a Administração Direta à adoção do entendimento nela fixado, a partir de sua publicação no órgão de imprensa oficial. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. As sentenças judiciais só produzem efeitos para as partes envolvidas no processo. INCONSTITUCIONALIDADE - Não compete à autoridade administrativa apreciar argüições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico, cabendo tal controle ao Poder Judiciário Lançamento procedente em parte Os autos de infração foram lavrados em 25 de dezembro de 2005 e, de acordo com o termo de fls. 39 a 59, apuraram-se diferenças entre os valores determinados a partir da contabilidade e os declarados pela Interessada, alguns durante a ação fiscal. Ademais, esclareceu o referido termo (com os devidos destaques): Fl. 207DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 09/11/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.012620/2005-37 Resolução n.º 3302-00.075 S3-C3T2 Fl. 4 4 Objetivando a verificação da correção ou não da apuração pelo contribuinte das bases de cálculo do PIS e da COFINS, a empresa fiscalizada foi intimada a esclarecer a composição dos valores mensais do item “Outras Exclusões”, no demonstrativo Informações Prestadas à SRF, tendo apresentado novos demonstrativos denominados “Bases de Cálculo PIS/COFINS Devidos S/ Receita Bruta” dos anos- calendário de 1999 a 2004, nos quais descreve os valores das receitas e exclusões que compuseram as bases de cálculo do PIS e da COFINS naqueles períodos. Os valores das Receitas de Vendas, Receitas de Serviços e Outras Receitas constantes dos demonstrativos denominados Informações Prestadas à SRF foram confrontados com os descritos nos demonstrativos denominados Bases de Cálculo PIS/COFINS não tendo sido encontradas divergências. Quanto às exclusões das bases de cálculo elas estão descritas detalhadamente nos demonstrativos denominados “Bases de Calculo PIS/COFINS Devidos S/ Receita Bruta” razão pela qual estes foram considerados para efeito de verificação da correta apuração ou não das bases de cálculo. Nos demonstrativos denominados “Bases de Cálculo PIS/COFINS Devidos S/ Receita Bruta” os totais mensais das exclusões têm composição diversa em função do período conforme é demonstrado a seguir: • nos meses de maio de 1999 a junho de 2000, são compostos por “Devoluções de Vendas”, “Vendas Canceladas”, “Exclusão Veículos Usados” e “Despesas Recuperadas”; • nos meses de julho de 2000 a março de 2004, os totais mensais das exclusões, além daqueles quatro subitens incluem “Exclusão de Veículos Novos”; • nos meses de novembro de 2002 a março de 2004, além dos subitens anteriormente referidos as exclusões incluem os subitens “Peças Monofásicas”, “Comissões de Faturamento Direto” e “Bonificações de Veículos Novos”. Os valores constantes dos demonstrativos denominados Bases de Cálculo PIS/COFINS foram confrontados com os valores escriturados no Livro Razão - Balancetes de Verificação tendo sido verificado o que é descrito a seguir. a) Com relação aos itens Receita de Vendas, Receitas de Serviços, Outras Receitas Operacionais, Devoluções de Vendas e Vendas Canceladas, foi constatada divergência, apenas, em dezembro de 2003 (em Outras Receitas Operacionais - Receita Financeira, cujo valor escriturado é de R$ 36.556,44, enquanto o valor constante do demonstrativo é de R$ 36.536,44). A diferença de R$ 20,00 será acrescida à base de cálculo. b) Quanto ao item Exclusões foram encontradas divergências no subitem “Exclusão de Veículos Usados”, Conta No 30110110001, nos meses de junho/99, novembro/99 e dezembro/99, sendo os valores escriturados de R$ 49.000,00, R$ 232.600,00 e R$ 241.990,53, enquanto os valores informados no demonstrativo são respectivamente Fl. 208DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 09/11/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.012620/2005-37 Resolução n.º 3302-00.075 S3-C3T2 Fl. 5 5 R$ 70.00,00, R$ 243.600,00 e R$ 249.290,53. As diferenças de R$ 21.000,00, R$ 11.000,00, R$ 7.300,00, serão adicionadas as bases de cálculo. Nos meses de janeiro e maio, do ano-calendário de 2001, no subitem Veículos Usados, no demonstrativo Bases de Cálculo PIS/COFINS, foram informadas as exclusões respectivas de R$ 305.591,38 e R$ 102.700,00, enquanto que os valores escriturados no Livro Razão - Balancetes de Verificação Por C. Responsabilidade, na Conta No 0130110001, eles são, respectivamente de R$ 233.400,00 e R$ 76.124,88 (R$ 110.200,00 - R$ 34.075,12). As diferenças de R$ 72.191,38 R$ 26.575,12 serão adicionadas às bases de cálculo. Relativamente ao período de janeiro de 2003 a março de 2004, através do confronto dos valores descritos nos demonstrativos com os escriturados no Livro Razão/Balancete de Verificação não foram constatadas divergências. Deve ser destacado que os valores das exclusões descritos no demonstrativo Base de Cálculo PIS/COFINS são iguais aos informados na Ficha 05 do DACON, cuja cópia esta anexa. c) Com relação às exclusões efetuadas pelo contribuinte a título de “Despesas Recuperadas” (nos anos-calendário de 1999 á 2004), e Bonificações de Veículos Novos (anos-calendário de 2003 e 2004), não obstante as intimações expedidas durante a fiscalização não foram apresentados os documentos comprobatórios relativos aos valores informados no demonstrativo Base de Cálculo PIS/COFINS, razão pela qual eles não serão considerados. d) Quanto às exclusões efetuadas nos meses de novembro de 2002 a março de 2004 a título de Comissões de Faturamento Direto, em resposta ao Temo de Intimação Fiscal expedido em /09/2005 o contribuinte informou em 26/09/2005 que elas estão amparadas no art. 2o, inciso II, parágrafo 2o da Lei No 10.485/2002. Complementando a justificativa o contribuinte apresentou uma relação na qual descreve as datas de emissão os números e valores de 142 Notas Fiscais de Comissões de Faturamento Direto. A relação foi confrontada com as cópias e as originais das Notas Fiscais apresentadas não tendo sido contatadas divergências. Foi verificado, ainda, que todas as Notas Fiscais relacionadas estão escrituradas no Livro Registro de Serviços Prestados, N os 08, 09 e 10. Em decorrência dos fatos acima expostos, na apuração da matéria tributável, não foram considerados como exclusões das bases de cálculo do PIS e da COFINS os valores relativos a “Despesas Recuperadas” (nos anos-calendário de 1999 a 2004) e Bonificações de Veículos Novos (anos-calendário de 2003 e 2004), os quais foram adicionados aos valores das bases de calculo apuradas no Anexo VI ao Termo de Verificação Fiscal, apurando-se novas bases de cálculo do PIS e da COFINS, conforme Tabelas 08 e 09, Anexos VII e VIII ao Termo de Verificação Fiscal. A DRJ, conforme ementa anteriormente reproduzida, considerou haver ocorrido decadência em relação aos períodos de maio de 1999 a novembro de 2000, aplicando o art. 150, § 4 o , do CTN. No recurso, a Interessada alegou, preliminarmente, a nulidade do auto de infração, por afronta aos princípios da verdade material, contraditório e ampla defesa. Segundo a Interessada, a alegada falta de provas não seria admissível, uma vez que a Fiscalização teria Fl. 209DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 09/11/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.012620/2005-37 Resolução n.º 3302-00.075 S3-C3T2 Fl. 6 6 tido acesso a todos os documentos fiscais e contábeis e, se havia dúvidas sobre o cometimento ou não de infração, “deveria a autoridade autuante investigar a conduta do contribuinte até chegar à verdade dos fatos, para só então imputá-los como não cumpridos, sob pena de nulidade.” Sobre o assunto, citou ainda lições da doutrina. No mérito, alegou a legalidade das exclusões da base de cálculo efetuadas. Em relação aos meses de junho, novembro e dezembro de 1999, solicitou a exclusão dos valores lançados. Acrescentou que “a partir de junho de 2000, os veículos novos comercializados pela Recorrente passaram a se submeter à sistemática da substituição tributária, de sorte que suportava, já na aquisição dessas mercadorias, os valores devidos a titulo de PIS e COFINS, situação não observada pela Autoridade Autuante e Julgadora, o que fez gerar exigência de tributo manifestamente indevido.” Segundo a Interessada, “com a edição da Medida Provisória no 1.991-14, de 10 de março de 2000, reeditada diversas vezes, que promoveu alterações na Lei Ordinária n o 9.718/98, deixou a Recorrente de ser a responsável pelo recolhimento da COFINS e do PIS sobre o faturamento de veículos novos [...]. Ademais, “Comprovando o equívoco acima apontado, a Recorrente trouxe à colação na Impugnação Administrativa cópias de notas fiscais relativas ao mês de junho de 2000, o que deveria, por si só, determinar o reconhecimento da improcedência da exigência das contribuições, em função de não ter sido observado o sistema de tributação imposto às mercadorias por ela comercializadas.” A seguir, alegou que teria havido erros na apuração da Fiscalização, relativamente aos veículos novos, de acordo com notas fiscais apresentadas em relação aos meses de “junho, julho, agosto e novembro de 2000 e junho e dezembro de 2001”. Em relação às recuperações de despesas, alegou que “A maioria dos valores utilizados correspondem a contribuições previdenciárias para o INSS e ICMS, mas todos constam no Livro Razão e, para que não pairem dúvidas acerca da regularidade das exclusões efetuadas, trouxe a Recorrente cópia do referido livro de um exercício, disponibilizando os demais, tendo em vista o volume de documentos envolvidos.” No tocante às receitas financeiras, alegou que o art. 3 o da Lei n o 9.718, de 1998, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Por fim, requereu o cancelamento do auto de infração. É o relatório. VOTO Conselheiro José Antonio Francisco, Relator Em relação às alegações preliminares de nulidade, descabe razão à Interessada. De fato, a Fiscalização analisou a documentação apresentada, ao contrário do que afirmou a Interessada, e concluiu que ela não demonstraria o direito alegado. A questão da prova, por sua vez, diz respeito ao mérito e deve ser apreciada pela análise documental dos autos e o cumprimento da legislação que regula a matéria. Em outras Fl. 210DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 09/11/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.012620/2005-37 Resolução n.º 3302-00.075 S3-C3T2 Fl. 7 7 palavras, a ampla defesa e o contraditório são exercidos no âmbito do processo administrativo fiscal. Em relação aos períodos de 1999, conforme o acórdão de primeira instância destacou, “No que cinge ao argumento de legalidade das exclusões da base de cálculo dos meses de junho, novembro e dezembro de 1999, deixo de tecer comentários, posto que os valores relativos a tais fatos geradores deverão ser excluídos do crédito tributário por se encontrarem decadentes.” Portanto, as alegações sobre tais períodos não têm objeto. Quanto à substituição tributária, em nenhum momento se contestou a vigência da MP citada pela Interessada, não se tratando de discussão a respeito do direito aplicado, mas de prova. A Interessada alegou haver trazido na impugnação cópias de notas fiscais relativas ao mês de junho de 2000. Entretanto, o acórdão de primeira instância observou o seguinte: 27. Percebe-se que, atinente às cópias de notas fiscais relativas ao mês de junho de 2000 trazidas ao processo pela impugnante, justamente neste mês, não constam no demonstrativo, valores correspondentes à rubrica Mercadorias c/Substituição Tributária e que os valores das bases de cálculo dos autos de infração correspondem àquelas dos Demonstrativos Base de Cálculo apresentados pela contribuinte, inclusive, tendo sido excluídos dos valores das receitas, os valores concernentes a Mercadorias/Substituição Tributária, como se vislumbra no demonstrativo, os valores, a partir do mês de julho/2000, fl. 93. Já, no recurso, a Interessada afirmou que, “apesar de constar no Termo de Verificação Fiscal que teriam sido considerados os valores suportados por força da referida sistemática, os cálculos e demonstrativos efetuados no Auto de Infração provam que não é verdade esta assertiva.” Entretanto, não esclareceu o porquê de tais afirmações, ainda mais que as notas fiscais não satisfariam as exigências legais de informar o montante dos tributos objeto da substituição. Quanto aos equívocos que teriam sido cometidos pela Fiscalização, a primeira instância já analisara a questão, observando que a Interessada não apresentara as provas à Fiscalização, o que não teria ocorrido nem mesmo na impugnação, uma vez que “a simples juntada de cópias de notas fiscais, desacompanhadas de registros em livros e outras comprovações, não consubstanciam prova suficiente para desautorizar os lançamentos fiscais [..]”. Entretanto, à vista de dúvida sobre a questão, seria possível a realização de diligência, para que a Fiscalização verificasse a escrituração, a partir da documentação apresentada nos autos. Em relação às recuperações de despesas, a primeira instância considerou que não haveria previsão legal para sua exclusão da base de cálculo. Entretanto, a Interessada alegou que a maioria dos valores utilizados corresponderia a contribuição previdenciária e ICMS. Fl. 211DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 09/11/2010 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 19647.012620/2005-37 Resolução n.º 3302-00.075 S3-C3T2 Fl. 8 8 Resta, portanto, dúvida a respeito de matéria de fato. Finalmente a Interessada contestou a exigência sobre as receitas financeiras, no que tem toda a razão a respeito da exclusão, à vista de decisão definitiva do plenário do Supremo Tribunal Federal a respeito da matéria. À vista do exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a Fiscalização 1) verifique a escrituração em relação à comprovação do que a Interessada considerou serem os equívocos na apuração dos valores dos meses de junho de 2000 a dezembro de 2001; 2) verifique a procedência da inclusão de valores incluídos na base de cálculo a título de recuperação de despesas com contribuição previdenciária e ICMS, apurando o seu montante; e 3) apure o montante das receitas financeiras a serem excluídas da base de cálculo no período em que as contribuições eram cumulativas. Sala das Sessões, em 27 de outubro de 2010 José Antonio Francisco Fl. 212DF CARF MF Emitido em 04/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 05/11/2010 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, 09/11/2010 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 15374.902977/2008-58
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Embargos.
Ausentes os fundamentos do artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho, os Embargos de Declaração opostos, conquanto tempestivos, não merecem ser conhecidos ante a absoluta ausência da omissão reputada.
Numero da decisão: 1301-001.236
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade não conhecer dos embargos.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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Ausentes os fundamentos do artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho, os Embargos de Declaração opostos, conquanto tempestivos, não merecem ser conhecidos ante a absoluta ausência da omissão reputada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade não conhecer dos embargos. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 29 77 /2 00 8- 58 Fl. 259DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte acima identificada. A contribuinte, após relembrar os fatos sucedidos, passou a reputar o denominou de omissões no acórdão, fazendoos nos seguintes termos: (...) (...) Após articular estas razões, reputando o acórdão omisso, a Embargante formulou os seguintes requerimentos: É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15374.902977/200858 Acórdão n.º 1301001.236 S1C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Os Embargos de Declaração opostos, conquanto tempestivos, não merecem ser conhecidos ante a absoluta ausência da omissão reputada, porquanto aduziu que o relatório, sobremodo sucinto, do acórdão impugnado não fez menção a todos os seus argumentos, deixando de apreciar a questão alusiva ao fato de a decisão judicial ter enfrentado a matéria em questão. Seguramente a Embargante pretende, na estreita via dos Embargos Declaratórios, a reapreciação dos seus argumentos. Com efeito, a decisão que se reputa omissa, conquanto desfavorável ao que sustentava a contribuinte, não omitiu a questão alusiva aos efeitos concretos da decisão judicial, contrário disso, marcou a partir deles os limites do seu enfretamento, confirase os trechos abaixo: Cuidase como visto, de apresentação de DCOMPs cujo crédito seria oriundo de pagamentos efetivados indevidamente porquanto a recorrente, na qualidade de ente imune, pagou impostos à União. Argumentou a recorrente que a referida imunidade teria sido reconhecida por provimento jurisdicional transitado em julgado, decorrendo daí, diante de pagamento espontâneo de impostos, o seu direito creditório. (...) A recorrente, por seu turno, insiste que tem reconhecida a imunidade por decisão judicial transitada em julgado, e diante disso, ainda que tenha efetivado os recolhimentos, esses se revestiriam de caráter de “tributo pago indevidamente”. Temse, portanto, que o deslinde do caso concreto passa necessariamente pelo cotejo dos efeitos da norma individual e concreta obtida pela recorrente. Inegavelmente (“vide” documentos de folhas 35 a 52 – cópias do processa judicial, incluindo certidão de trânsito em julgado), a recorrente obteve do Poder Judiciário, posicionamento no qual se assinalou que entidades fechadas de previdência privada (como seu caso), embora cobrando dos seus associados contribuições mensais a título de remuneração pelos serviços prestados, gozam de imunidade tributária. Por essa razão é que se reafirma que o enfrentamento da questão da recorrente deve ser realizado à luz da eficácia das decisões do Poder Judiciário, já que não se discute a efetividade dos pagamentos, como também não se discute o mandamento legal que impôs a superveniente obrigação à recorrente, Fl. 261DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 tampouco, a mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal acerca das entidades fechadas de previdência. Relembrese, portanto, que o óbice encontrado pela decisão recorrida consiste no fato de o Supremo Tribunal Federal, em caso alheio ao processo da ora recorrente, ter decidido que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF (sendo este o fundamento da imunidade da recorrente), e que a lei inovadora não encontra limites na sua eficácia em razão de decisão judicial anterior, evitando eternizarse os efeitos da coisa julgada. Tem razão a decisão recorrida. Por óbvio não se olvida que em determinado período, cotejando a legislação e a jurisprudência que vigoravam, a recorrente obteve do Poder Judiciário declaração de ser ente imune, ocorre, que também na se pode olvidar, que o quadro normativo vigente, as leis que regem a matéria e o posicionamento do Poder Judiciário, evoluíram para os fins de obrigar a recorrente, ao pagamento do imposto tido por ela como indevido. (...) Como bem observou a decisão recorrida, a recorrente gozou incontinente da reconhecida imunidade, até que sobreveio alteração no sistema jurídico vigente, fato que a obrigou ao pagamento do imposto, como de fato o fez nos recolhimentos por ela considerados, posteriormente, como se indevidos fossem. Ademais, é ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. (...) Diante disso, se a Embargante entende que a decisão administrativa negou eficácia à norma individual e concreta de que dispunha, é fato que não se confunde com omissão do acórdão embargado, que analisou a questão alusiva ao transito em julgado e a despeito disso, concluiu na esteira dos precedentes, que não havia certeza e liquidez nos créditos pleiteados. Ausentes os fundamentos do artigo 65 do Regimento Interno deste CARF, não conheço do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 13 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15374.902977/200858 Acórdão n.º 1301001.236 S1C3T1 Fl. 4 5 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 30/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 31/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10166.003985/91-33
Data da sessão: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 1997
Ementa: ERRO MATERIAL - Reconhecida a ocorrência de obscuridade,
dúvida ou erro material, impõe-se a correção do acórdão referente ao recurso interposto, constituindo a sua correção imperativo para a boa aplicação da legislação tributária.
Numero da decisão: 102-41.259
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em Retificar o Acórdão N° 102-30.153 de 25/08/95 e DAR provimento ao recurso, para adequar a base tributável ao decidido através do Acórdão N° 102-41.255, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado
Nome do relator: Ursula Hansen
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MINISTÉRIO DA FAZENDAN., • ''• CONSELHO DE CONTRIBUINTES 11. PROCESSO N°. : 10166/003.985/91-33 RECURSO N°. : 81.357 MATÉRIA : PIS/FATURAMENTO - EX.: 1987 RECORRENTE : NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES S/A RECORRIDA : DRF - BRASÍLIA - DF SESSÃO DE :27 DE FEVEREIRO DE 1997 ACÓRDÃO N°. : 102-41.259 ERRO MATERIAL - Reconhecida a ocorrência de obscuridade, dúvida ou erro material, impõe-se a correção do acórdão referente ao recurso interposto, constituindo a sua correção imperativo para a boa aplicação da legislação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES S/A. ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em Retificar o Acórdão N° 102-30.153 de 25/08/95 e DAR provimento ao recurso, para adequar a base tributável ao decidido através do Acórdão N° 102-41.255, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. ANTONIO DE/FREITAS DUTRA PRESIDENTE ' S PIANSEN ' ORA FORMALIZADO EM: 21 MAR 1997 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA CLÉLIA PEREIRA DE ANDRADE, JOSÉ CLÓVIS ALVES, JÚLIO CÉSAR GOMES DA SILVA, RAMIRO HEISE e FRANCISCO DE PAULA CORRÊA CARNEIRO GIEFONI. Ausente Justificadamente a Conselheira SUELI EFIGÊNIA MENDES DE BRITTO. MNS , MINISTÉRIO DA FAZENDA - PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES ;71 ,„-sr PROCES +•; : 10166/003.985/91-33 ACÓRDÃO N°. : 102-41.259 RECURSO N°. : 81.357 RECORRENTE : NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES S/A RELATÓRIO NOVADATA SISTEMAS E COMPUTADORES LTDA., já qualificada nos autos, interpôs recurso contra decisão do Delegado da Receita Federal em Brasília, DF, apreciado pelo Plenário desta 2' Câmara em Sessão realizada em 22 de agosto de 1995, conforme faz certo o Acórdão n° 102-30.075. Considerando que a contribuinte, conforme documento de fls. 613, alegando que: "2. .... em sua parte dispositiva (fls. 606 dos autos e página 08 do Acórdão supra referenciado), faz-se menção aos valores de Cz$ 1.277.002,11, Cz$ 7.507.566,38 e Cz$ 3.477.747,56, que indevidamente foram tomados enquanto omissão de receita, entendendo serem os documentos acostados suficientes para elidir a apontada omissão e determinando, por conseqüência, o recálculo do débito originalmente lançado. 3. No entanto, em sua conclusão (fls. 607 dos autos e página 09 do Acórdão), ao transcrever os valores passíveis de exclusão da tributação, deixaram de ser consignados enquanto receitas não contabilizadas os valores de Cz$ 7.507.566,38 e Cz$ 3.477.747,56, bem como grafou-se incorretamente o valor de Cz$ 1.277.002,11, que constou como Cz$ 1.227.002,11." com fundamento no disposto no artigo 26 do Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes interpôs RECURSO ESPECIAL, requerendo a remessa dos autos do processo citado à Presidência da Segunda Câmara, para que a inexatidão apontada fosse sanada. Requer, ainda, a remessa dos autos dos Processos 10166/003.984/91-71 (FINSOCIAL s/Faturamento 1987); 10166/003.985/91-33 (PIS s/Faturament)/- , 2 ,' . #vii; MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESS iii' 1 *: : 10166/003.985/91-33 ACÓRDÃO N°. : 102-41.259 10166/003.986/91-04 (IRF Decorrência) e 10166/003.987/91-69 (PIS Dedução - decorrência) decorrentes do principal, posto que todos demandarão recálculo, face à redução da base de cálculo. Considerando os Despachos de fls. 61, do Sr. Presidente desta Segunda Câmara, e de acordo com o Regimento Interno do Primeiro Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria n° 537, de 17 de julho de 1992, submete-se a questão ao exame dos Conselheiros que atualmente compõem esta Câmara. I '1 As peças citadas são lidas integralmente em Sessão. 1 É o relatfófio /( 3 MINISTÉRIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCES : 10166/003.985/91-33 ACÓRDÃO N°. : 102-41.259 VOTO CONSELHEIRA URSULA HANSEN, RELATORA Tendo sido o Recurso da contribuinte admitido face à alegação de obscuridade, erro material e contradição entre o constante do corpo e fundamentos do Voto proferido e de sua conclusão, no processo n° 10166/003.988/91-21, a controvérsia apontada foi submetida à apreciação deste Plenário, retificado o Acórdão n° 102-30.075 de 22/08/95 e dado provimento ao recurso. Considerando que a decisão proferida no processo matriz se aplica ao julgamento do processo decorrente, dada a intima relação de causa e efeito que vincula um ao outro, Voto no sentido de que seja retificado o Acórdão n° 102-30.153, e dado provimento ao recurso para adequar a base tributável ao decidido no processo principal. Sala das Sessões - DF, em 27 de Fevereiro de 1997. / ' 4: AN° S---EN 4 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1
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Numero do processo: 12155.000477/2007-95
Data da sessão: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/08/2002
NÃO COMPROVAÇÃO DE CIENTIFICAÇÃO DO CONTRIBUINTE ACERCA DA AUTUAÇÃO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO.
É nula a decisão na qual não se tenha dado ao contribuinte a possibilidade de exercício do seu direito de defesa, não constando nos autos cópia do AR no caso de intimação postal.
MÉRITO. DECISÃO EM FAVOR DO SUJEITO PASSIVO A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE.
Não será decretada a nulidade do auto de infração em razão do disposto no art. 59, parágrafo 3º, do Decreto 70.235/72 que informa que, quando se puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, bem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.
LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA.
Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação.
Recurso voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-002.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar os devedores solidários do pólo passivo, mantendo o crédito tributário para o devedor principal.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO. É nula a decisão na qual não se tenha dado ao contribuinte a possibilidade de exercício do seu direito de defesa, não constando nos autos cópia do AR no caso de intimação postal. MÉRITO. DECISÃO EM FAVOR DO SUJEITO PASSIVO A QUEM APROVEITARIA A DECLARAÇÃO DE NULIDADE. Não será decretada a nulidade do auto de infração em razão do disposto no art. 59, parágrafo 3º, do Decreto 70.235/72 que informa que, quando se puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, bem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. Existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. Recurso voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 15 5. 00 04 77 /2 00 7- 95 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para afastar os devedores solidários do pólo passivo, mantendo o crédito tributário para o devedor principal. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Freitas de Souza Costa, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12155.000477/200795 Acórdão n.º 2403002.180 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face de DecisãoNotificação n. 12.401.4/0186/2005, proferida pela Secretaria da Receita Previdenciária, que entendeu por manter a autuação constante do AI DEBCAD n. 35.561.6467, originalmente no importe de R$ 21.241,21 (vinte e um mil duzentos e quarenta e um reais e vinte e um centavos). Segundo a Fiscalização, fl. 03 (Relatório Fiscal), a empresa apresentou GFIP/GRFP – Guia do FGTS e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme demonstrativo dos valores devidos e os valores declarados na GFIP, conforme o art. 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei 8.212/91 e suas alterações. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou o presente Auto de Infração por meio do instrumento de fls. 17/33. DA DETERMINAÇÃO DE NOVAS INFORMAÇÕES E DO RELATÓRIO COMPLEMENTAR O fiscal arrolou em sua relação de vínculos pessoas diversas da autuada, sob a alegação de existência de grupo econômico envolvendo a empresa notificada e as empresas: a) Damazonia Industrial e Comércio Ltda.; b) Brasileira Indústria e Comércio Ltda; c) Solução Indústria e Comercio Ltda; d) Frigorífico Paragominas S/A; e) Frigorífico Centauro Ltda; f) Frigorífico Guzera Ltda. Em razão desse fato, a Diretoria de Arrecadação no Estado do Pará prolatou Despacho Interlocutório N.12.401.3/0097/2003, fl. 60/61, requerendo que o fiscal conste do anexo de Coresponsáveis e do Relatório Fiscal todas as pessoas físicas e jurídicas integrantes do suposto grupo econômico de fato, bem como determinando o envio de toda a documentação para estas pessoas a fim de obedecer ao contraditório. O fiscal procedeu ao solicitado no despachodecisório elaborando relatório fiscal complementar de fls. 63/73. DA IMPUGNAÇÃO COMPLEMENTAR Em razão do relatório complementar, a Coqueiro Indústria e Comércio acostou impugnação complementar de fls. 89/125. Fl. 296DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 DA DECISÃO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL Após analisar os argumentos da Autuada, prolatou a DecisãoNotificação n. 12.401.4/0186/2005, fls. 138/160, mantendo o lançamento, conforme ementa que abaixo segue transcrita, verbis: INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAR GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES. INTIMAÇÃO. SANEAMENTO. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. COMPLEMENTAR. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Constitui infração, apresentar a empresa, GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, na forma estabelecida no Art. 32, IV, parágrafo quinto, da Lei n. 8.212/91 e alterações posteriores. O comparecimento do contribuinte notificado supre a falta ou irregularidade da intimação dos atos processuais. Os vícios processuais que não estejam elencados no art. 31, da PT/MPS/520/2004, permitem o saneamento da falta, nos termos do art. 32, da mesma portaria. Não cabe a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal Complementar quando da confecção de Relatório Fiscal e Relatório de Coresponsáveis Complementar. Se no exame da documentação apresentada pela notificada, bem como através de outras informações obtidas em diligências, a fiscalização constatou a formação de grupo econômico de fato, não há como negar a legitimidade do procedimento fiscal que arrolou as empresas componentes do grupo e seus sócios como sendo coresponsáveis pelo crédito previdenciário lançado. AUTUAÇÃO PROCEDENTE. DAS INTIMAÇÕES E DOS RECURSOS Da DECISÃONOTIFICAÇÃO que julgou o lançamento procedente foi dada ciência ao contribuinte em 06/09/2005, fl. 159. Os coresponsáveis no processo, listados na Relação de Coresponsáveis CORESP, tomaram ciência desta decisão conforme abaixo: 1. DAMAZONIA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA, Sem data no AR , fl. 173; 2. FRIGORIFICO SIMENTAL LTDA, 14/02/2008, fl. 187; 3. BRASILEIRA INDUSTRIA E COMERCIO LTDA,23/09/2005, fl. 175; 4. SOLUÇÃO INDUSTRIA E COMERCIO LIDA, 05/09/2005, fl.171; 5. FRIGORIFICO PARAGOMINAS S.A., 23/09/2005, fl.174; 6. FRIGORIFICO CENTAURO LTDA., 05/09/2005, fl.172; 7. FRIGORIFICO GUZERA LTDA, 14/02/2008, fl. 187 As informações constam do documento de fls. 290/291 dos autos. A autuada originalmente não apresentou recurso, no entanto, as pessoas arroladas como corresponsáveis o fizeram. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12155.000477/200795 Acórdão n.º 2403002.180 S2C4T3 Fl. 4 5 Nas fls. 168/171 a empresa D`AMAZONIA apresentou recurso com os seguintes argumentos: A alegação do contribuinte de que se configurou grupo econômico entre ela e as demais empresas arroladas, é arbitrária, imprecisa e meramente presuntiva; A empresa Coqueiro Industria e Comércio Ltda., funciona como entreposto, empório ou depósito para comercialização de produto de qualquer procedência e não apenas com o recorrente; É insubsistente a alegação de sucessão trabalhista; O lançamento é nulo uma vez que não foi emitido Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, conforme art. 10, do Decreto n. 3.969/2001 Nas fls. 201/221 o FRIGORÍFICO SENTIMENTAL acostou recurso voluntário, com os mesmos argumentos daquele apresentado pelo FRIGORÍFICO GUZERRÁ, fls. 234/254, com os seguintes argumentos em suma: A nulidade do processo administrativo uma vez que não foi a empresa regularmente notificada de fatos e trâmites processuais dos quais advieram importantes conseqüências de direito, em detrimento ao contraditório e ampla defesa; A responsabilidade por infração à lei, decorrente do descumprimento de obrigação acessória, não pode ser transferida a coresponsável tributário; A inexistência de Grupo Econômico uma vez que ocorreu presunção da autoridade fiscal É o relatório. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme o documento de fls. 290/291, conheço do recurso em razão de sua tempestividade, assim como por preencher os demais requisitos legais. DA NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Alegam as recorrentes, Frigorífico Sentimental e Frigorífico Guzerá, que não foram cientificadas de todos os procedimentos fiscais constantes no presente auto de infração. Razão assiste aos recorrentes. Da própria análise do acórdão da DRJ percebe se que os julgadores em primeira instância presumiram a ciência em razão da apresentação de defesas a autos de infração conexos a este. Após a feitura do Relatório de Infração Complementar, foi enviada, via correios, cópia de todos os procedimentos realizados aos então corresponsáveis arrolados por suposto grupo econômico. No entanto, conforme documento de fl.82, após transcorridos mais de 30 (trinta) dias não houve devolução, pelos correios, do aviso de recebimento em relação a 04 (quatro) empresas incluídas na lista de corresponsáveis. Por tal razão, foram emitidos ofícios de fls. 83 e seguintes aos correios o qual quedouse silente. Este fato consta inclusive do acórdão da DRJ, constante na fl. 142. Na fl. 144, alega que, considerando a ausência do Aviso de Recebimento das citadas empresas, tornarse ia impossível saber se foram intimadas ou não da documentação que lhes foi encaminhada e alega que todas as empresas aproveitaram a reabertura de prazo que lhes foi concedido, apresentando impugnação ao Relatório Fiscal Complementar das Notificação e dos Autos de infração, conforme tabela transcrita no voto. No entanto, todos os aditamentos protocolados se referem a NFLD/AI diversos do AI n. 35.561.6467, tendo sido apresentado apenas, no auto em apreço, pelo autuado principal, Coqueiro Indústria e Comércio Ltda. Portanto, resta configurado o cerceamento do direito de defesa, haja vista a falta de cientificação das empresas arroladas como integrantes de grupo econômico, acerca dos procedimentos iniciais da fiscalização, tolhendo assim a sua oportunidade de apresentação de impugnação, infringindo assim o devido processo legal. Porém, não será decretada a nulidade pelos fatos expostos, em razão do disposto no art. 59, parágrafo 3º, do Decreto 70.235/72 que informa que, quando se puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará, bem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Trata se que dispositivo que consagra o princípio da eficiência da administração fiscal e, por entender que o julgamento do mérito aproveitará ao sujeito passivo, passo à sua análise. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12155.000477/200795 Acórdão n.º 2403002.180 S2C4T3 Fl. 5 7 DO MÉRITO DA AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL COMPLEMENTAR Alega a recorrente que o lançamento é nulo uma vez que não foi emitido Mandado de Procedimento Fiscal Complementar, conforme art. 10, do Decreto n. 3.969/2001. No entanto, apesar de não ter ocorrido prorrogação do referido Mandado de Procedimento Fiscal, é assente na jurisprudência deste colegiado o caráter instrumental do MPF, concluindose que sua não prorrogação não invalida o lançamento. Nestes termos é o precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. INEXISTÊNCIA QUE NÃO CAUSA NULIDADE DO LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar inicio ou a levar adiante o procedimento fiscal. A inexistência de MPF para fiscalizar determinado tributo ou a não prorrogação deste não invalida o lançamento que se constitui em ato obrigatório e vinculado. Recurso do Contribuinte negado, com retomo dos autos à DRJ para exame das demais questões. Tendo os autos retomado à origem para exame das demais questões, neste momento, resta prejudicado a análise do recurso da Fazenda Nacional. Recurso especial do Contribuinte negado. (CARF. CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS. Processo n° 12686.000149/200448, Recurso n° 147.655 Especial do Procurador e do Contribuinte, Acórdão n° 920200.637 — 2 Turma, Sessão de 12 de abril de 2010) No mesmo norte, Acórdãos: 40202.898, 40202.899, 40106.085, 9202 00.661, 910100.189, 40203.717, 230101.376, 230101.373, 230101.374, 230200.993, 240101.309, 240101.310, 240201.099, 220100.633. DO GRUPO ECONÔMICO Aduz o contribuinte a configuração de grupo econômico entre ela e as demais empresas arroladas, é arbitrária, imprecisa e meramente presuntiva. Acerca de D`Amazônia Indústria e Comércio Ltda, afirma o fiscal em seu relatório, páginas 138/160: 41.7. Os sócios atualmente são os seguintes: Adilson Sandre Uliana, responsável pela compra e controle do abato de gado e Fl. 300DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Dulcimar Uliana, responsável pela gerência financeira e atendimento dos auditores fiscais. De acordo com o quadro societário, verificase que Darcy Dalberto Uliana, Walace Roberto Peterli Uliana e Antônio Alcides Lisboa Gentil, já foram sócios das empresas Frigorífico Guzerá Ltda, Frigorífico Sentimental Ltda, Frigorífico Centauro Ltda e FRIPAGO. Também compôs o quadro societário exempregados da FRIPAGO. O capital social não reflete a realidade financeira da empresa. Seu capital é de R$ 100.000,00 (cem mil reais), entretanto, a empresa detém a compra e venda dos animais e venda da carne, possuindo um abate em torno de 7.000 cabeças de gado, que tem hoje como preço mínimo por cabeça R$ 350,00 (trezentos e cinqüenta reais). Nos processos trabalhistas, foi arrolada como sucessora da FRIPAGO. Assumiu o passivo trabalhista de diversos segurados empregados da FRIPAGO que passaram a constituir seu quadro funcional. Atua dentro das dependências da FRIPAGO em Ananindeua. 41.8. O grupo econômico “de fato”foi intitulado pelos Auditores Fiscais como GRUPO Uliana, em virtude do sobrenome do Diretor Presidente do Frigorífico Paragominas S/A, Darcy Dalberto Uliana. 41.9. Esclarecem que as empresas componentes do grupo econômico possuem como responsável pela contabilidade o Sr. João Góes Xavier e pelo departamento pessoal, o Sr. José Reinaldo Alves Barros, que desenvolvem suas atividades em sala localizada no Frigorífico Paragominas S/A. (...) 41.12. No relatório fiscal que acompanha a NFLD n. 35.561.6459, os Auditores Fiscais notificantes destacam que a empresa Coqueiro Indústria e Comércio Ltda assumiu exclusivamente a entrega de carnes e derivados na região de Belém e municípios vizinhos, utilizado as dependências do Frigorífico Paragominas S/A – FRIPAGO em Ananindeua. Na referida localidade é mantido o centralizador da empresa D`Amazonia Indústria e Comércio Ltda. 41.13. Informam também no mencionado Relatório, que o quadro societário da defendente é composto por exempregados da FRIPAGO, que mantiveram a sede dentro da filial do citado frigorífico em Ananindeua. Operam com parte da carne recebida da unidade frigorífica de Paragominas, que são mantidas em seus frigoríficos para posterior comercialização pela empresa D`Amazônia Indústria e Comércio Ltda. 41.14. Considerando que as empresas supracitadas estão sujeitas a mesma administração contábil, mesmo departamento pessoal e jurídico, os mesmos prepostos para as diferentes empresas, a mesma linha de atendimento aos auditores, a não apresentação dos documentos contábeis e financeiros, utilizando artifícios como a opção do SIMPLES – Sistema de Tributação para diminuir o ônus tributário, não espelham a sua realidade financeira, nem a realidade da comercialização de produtos rurais, concluem os auditores fiscais que ficou demonstrado a formação de Grupo Econômico “de fato” que denominaram de Fl. 301DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12155.000477/200795 Acórdão n.º 2403002.180 S2C4T3 Fl. 6 9 “GRUPO ULIANA”, respondendo solidariamente entre si as empresas que o compõe. Citam como fundamentação legal para o presente caso, o inciso IX, do art. 30, da Lei n. 8.212/1991 e suas alterações e inciso I, do art. 124, do Código Tributário Nacional – CTN. 43. Isto posto, apesar de a defendente considerar como inócuas as evidências de que as empresas aqui tratadas estão sujeitas a mesma administração contábil, mesmo departamento pessoal e jurídico, mesmo endereço, mesmos prepostos, mesmos sócios, mesma atividade, referidas evidências estão corroboradas por cópias de documentos anexados aos autos, comprovando portanto a caracterização de Grupo Econômico de Fato. Não há como negar a interveniência das empresas umas nas outras. Também faz quadro comparativo demonstrando que a família Uliana está presente na maiorias das empresas que compõe o grupo econômico de fato, Este relator entende que para que haja a caracterização de grupo econômico é necessário mais do que empresas possuírem sócios em comum e a existência de um ou outro empregado que se transfere de uma empresa para outra. Na realidade, é entendimento deste, que mesmo que fosse provada a existência do grupo econômico, isso não seria motivo suficiente para as empresas incluídas serem consideradas como responsáveis solidárias. Ocorre que, invariavelmente se confundem relações tributárias com as relações trabalhistas quando se trata de solidariedade. Nas relações trabalhistas podem entrar no polo passivo empresas com vínculo jurídico de controle, em face do seu caráter mais protecionista, pois se trata das relações com as empresas e os “hipossuficientes”, que devem ser protegidos de quaisquer “armadilha” tentada pelo empregador que não deseja pagar o devido ao seu empregado. Sendo assim juridicamente aceitável a configuração de grupo econômico independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica. É o denominado “grupo composto por coordenação” em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento (TRT4RO19827/97 – DOMG. 22.07.98). No entanto, quando se trata da aplicação da responsabilidade solidária no campo fiscal, esse caráter protecionista não pode ser aplicado, já que no polo ativo da relação não está o trabalhador e sim o Fisco. O Superior Tribunal de Justiça – STJ, em recente julgado, já se manifestou em vários precedentes sobre o assunto, conforme colacionado, verbis: TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PASSIVA. REEXAME DE PROVAS EM RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO NÃO PROVIDO. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 1. Não caracteriza a solidariedade passiva em execução fiscal o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico. Precedentes do STJ. 2. Para verificar as alegações da parte agravante de existência de solidariedade entre o banco e a empresa de arrendamento, em contraposição ao que foi decidido pelo Tribunal de origem, é necessário o revolvimento de matéria de provas, o que é inadmissível em recurso especial, conforme a Súmula 7/STJ. 3. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1240335/RS, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/05/2011, DJe 25/05/2011) **************************************************** AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. PRECEDENTES: AGRG NO ARESP 21.073/RS, REL. MIN HUMBERTO MARTINS, DJE 26.10.2011 E AGRG NO AG 1.240.335/RS, REL MIN. ARNALDO ESTEVES LIMA, DJE 25.05.2011. REEXAME DE PROVAS. SÚMULA 7/STJ. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A jurisprudência dessa Corte firmou o entendimento de que o simples fato de duas empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, por si só, não enseja a solidariedade passiva em execução fiscal. 2. Tendo o Tribunal de origem reconhecido a inexistência de solidariedade entre o banco e a empresa arrendadora, seria necessário o reexame de matéria fáticoprobatória para se chegar a conclusão diversa, o que encontra óbice na Súmula 7 desta Corte, segundo a qual a pretensão de simples reexame de prova não enseja recurso especial. 3. Agravo Regimental do MUNICÍPIO DE GUAÍBA desprovido. (AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012, DJe 21/09/2012) ************************************************ TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. 1. A jurisprudência do STJ entende que existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. 2. A pretensão da recorrente em ver reconhecido o interesse comum entre o Banco Bradesco S/A e a empresa de leasing na Fl. 303DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 12155.000477/200795 Acórdão n.º 2403002.180 S2C4T3 Fl. 7 11 ocorrência do fato gerador do crédito tributário encontra óbice na Súmula 7 desta Corte. Agravo regimental improvido. (AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011) Ademais, o entendimento do artigo 124 do CTN, somente permite que a fiscalização busque colocar no polo passivo da obrigação previdenciária empresas que possuem efetivamente vínculo jurídico de controle ou de administração ou que tenham participado conjuntamente da materialidade do fato gerador e não apenas se apresentem como um grupo empresarial para o mercado, devido a controle ou ligação comum no exterior, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Portanto, não merece prosperar a imputação fiscal em razão de não estar comprovado que as empresas arroladas como solidárias praticaram o fato gerador sob análise. CONCLUSÃO Do exposto, conheço dos recursos voluntários para no mérito dar provimento ao recurso para afastar os devedores solidários do pólo passivo, mantendo o crédito tributário para o devedor principal. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 304DF CARF MF Impresso em 02/09/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 15/08 /2013 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 02/09/2013 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 13971.722493/2011-68
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Mar 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/05/2006
DIREITO DE IMPOR PENALIDADE. INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. EXTINÇÃO. PRAZO.
O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extingue-se em cinco anos a contar da data da infração.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO.
O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.873
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Relator.
EDITADO EM: 20/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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INFRAÇÕES AO REGULAMENTO ADUANEIRO. EXTINÇÃO. PRAZO. O direito de impor penalidade por infrações ao Regulamento Aduaneiro extinguese em cinco anos a contar da data da infração. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEREMPÇÃO. O recurso voluntário deve ser interposto no prazo previsto no art. 33 do Decreto no 70.235/72. Não observado este preceito, dele não se toma conhecimento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 20/03/2015 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 24 93 /2 01 1- 68 Fl. 916DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Jonathan Barros Vita, Cláudio Monroe Massetti e Fabiola Cassiano Keramidas. Relatório Por bem representar os fatos, transcrevo e adoto o relatório da decisão recorrida, como segue: Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 18/11/2011, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 32.490,33, em virtude dos fatos a seguir descritos. A fiscalização apurou que a empresa em epígrafe não é a real adquirente das mercadorias importadas através da Declaração de Importação nº 06/06185962, registrada em 29/05/2006, em nome da empresa D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA. A empresa operava como interposta pessoa em comércio exterior para a empresa MENDES ENGENHARIA E AUTOMAÇÃO LTDA, praticando assim infração de ocultação do sujeito passivo, com previsão de pena de perdimento às mercadorias transacionadas. Face ao que determina o art. 23, c/c o §3º, do DecretoLei n° 1.455, de 07 de abril de 1976, foi lavrado o presente Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias. Como responsável solidário: •MENDES ENGENHARIA E AUTOMAÇÃO LTDA. Como Responsáveis Solidários Pessoais (Sócios de Fato/Administradores da D&A): • CAIO MARCELO DEBOSSAN, CPF 936.292.65987; e • ÉRICA DEBOSSAN REINERT, CPF 919.869.82904. Cientificado do auto de infração, via Edital nº 04/11/DRF/BLU/SAANA, afixado nas dependências da DRF/Blumenau, em 28/11/2011 (fls. 394 do processo digital), o contribuinte empresa MENDES ENGENHARIA apresentou impugnação, de folhas 603 a 619. Em conformidade como as disposições do artigo 23, § 1º, II, e § 2º, IV, do supracitado, em 13/12/2011, encerrando o prazo para a apresentação de eventual recurso ou pagamento da exigência fiscal, em 12/01/2012. Portanto, a impugnação por ele apresentada em 13/01/2012 (fls. 603/619) é flagrantemente intempestiva!o nº 70.235/72, que trata do processo administrativo fiscal, uma vez afixado o edital em 28/11/2011, o contribuinte foi considerado regularmente intimado do Auto de Infração supracitado, em 13/12/2011, encerrando Fl. 917DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 4 3 o prazo para a apresentação de eventual recurso ou pagamento da exigência fiscal, em 12/01/2012. Portanto, a impugnação por ele apresentada em 13/01/2012 (fls. 603/619) é flagrantemente intempestiva! Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 25/11/2011 (fls. 390 do processo digital), os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA, CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram impugnação conjunta, tempestivamente em 21/12/2011, na forma do artigo 56 do Decreto nº 7.574, de 29/09/2011, de fls. 410 à 474, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Alegouse que: PRELIMINARMENTE · ILICITUDE E IMPRESTABILIDADE DAS PROVAS EMPRESTADAS AUSÊNCIA DE PROVAS NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Os documentos e HDs apreendidos no Mandado de Busca e Apreensão jamais poderiam ter sido utilizados como provas para o presente procedimento fiscal, eis que: O compartilhamento dos documentos apreendidos (que jamais foram submetidos ao contraditório e ampla defesa), somente poderia ter sido realizado ao término do Inquérito Policial, o que até hoje não ocorreu; A grande maioria dos documentos apreendidos eram da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior, e; As infrações apuradas no presente auto de infração não guardam qualquer relação com os crimes apurados no inquérito policial, razão pela qual se tornam imprestáveis para tanto. · COMPARTILHAMENTO DE PROVAS INOBSERVÂNCIA DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA INOBSERVÂNCIA DE CONDIÇÃO PARA O COMPARTILHAMENTO NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL. Para fins de aplicação da pena de perdimento e das supostas infrações apontadas no Auto de Infração, a Autoridade Fiscal se valeu EXCLUSIVAMENTE de provas (invasão domiciliar para apreensão de documentos e quebra de sigilo bancário e telemático) que não merecem respaldo jurídico, vez que ilícitas. Qualquer prova obtida com violação a essas ou outras garantias as quais, constitucionalmente asseguradas, não podem ser admitidas. Junta textos da Jurisprudência Judicial a respeito do assunto: STF, Voto do Rel. Min. Ilmar Galvão na AP 3073DF, DJU 13/10/95. No caso concreto, as provas utilizadas foram "emprestadas" dos autos do INQUÉRITO POLICIAL N° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) que tramita na Justiça Federal da Comarca de Florianópolis/SC. A D&A não faz parte daquele processo! Nunca teve acesso àqueles autos! Sequer lhe foi dado o direito ao contraditório e à ampla defesa sobre as provas Fl. 918DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 5 4 colhidas naquele inquérito. Não merece qualquer respaldo jurídico a prova que não é submetida ao contraditório e à ampla defesa, devendo ser rechaçada, pois ilícita! Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito da validade da "Prova Emprestada". Tais provas, ainda que pudessem ser admitidas para o presente processo fiscal, somente poderiam ter sido utilizadas "após o sucesso das investigações policiais", ou seja, após o trânsito em julgado daquele processo, pois, sem isso, não se pode verificar o "sucesso" das investigações. Outra irregularidade nas provas emprestadas. Conquanto o sigilo tenha sido quebrado "pelos últimos 5 anos" daquele despacho (digase, de 08/Ago/2000 a 08/Ago/2005). verificase que as TODAS as provas juntadas ao presente processo fiscalizatório possuem datas POSTERIORES ao ano de 2005! Aliás, o próprio MPF F menciona que o período das apurações é de 2006 a 2008. Logo, resta cristalino que a autoridade fiscal excedeu os poderes que lhe foram conferidos para a quebra dos sigilos daquelas empresas relacionadas no despacho judicial, evidenciando ainda mais a ilicitude da prova, imprestável, portanto, ao fim que se destina. Por essas razões, IMPUGNAMSE, desde já, TODAS as provas juntadas no presente procedimento que tiveram origem do Mandado de Busca e Apreensão em questão. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS EMPRESA DIVERSA DA INVESTIGADA AUSÊNCIA DE MANDADO JUDICIAL ESPECÍFICO ILICITUDE DAS PROVAS NULIDADE. Não obstante as ilegalidades apontadas no item anterior, outro ponto ainda mais abjeto quanto às provas utilizadas no presente procedimento fiscal é que muitas delas foram colhidas na empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda., empresa para a qual as autoridades fiscais e policiais não detinham Mandado Judicial para realizar as apreensões. Todos os documentos referentes à etapa 'préimportação', tais como planilhas de custo de importação, licenciamentos de importação, certificados de conformidade de produtos, laudos, bem como aqueles referentes ao despacho aduaneiro além de CPU's (dentre os itens 1 a 12 do Auto de Apreensão) estavam na posse e propriedade da empresa Debossan Despachos Aduaneiros e não da D&A Comércio Exterior. Embora a empresa Debossan Despachos Aduaneiros prestasse serviços de desembaraço de mercadorias para a empresa D&A Comércio Exterior (dentre outras empresas), certo é que na época dos fatos, a Debossan Despachos Aduaneiros funcionava em endereço contíguo ao endereço da D&A Comércio Exterior Ltda, ambas no Edifício Tóquio, um prédio comercial situado na Rua General Osório, n° 880 com diversas salas comercia. Enquanto a D&A estava localizada na Rua General Osório, n° 880, sala L Debossan Despachos Aduaneiros funcionava na sala ao lado, ou seja, no endereço Rua General Osório, n° 880, sala 05. Vejase que a autorização judicial não especificou em qual sala do Edifício Tóquio, na Rua General Osório, 880, funcionava a empresa D&A, mas apenas fez referência que seria no andar térreo. Fl. 919DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 6 5 Ocorre que o Mandado de Busca e Apreensão, expedido única e exclusivamente para diligências na empresa D&A Comércio Exterior, foi levado a cabo também nas dependências da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Tal fato ocorreu, provavelmente porque o endereço constante do Mandado não especificava a sala, mas apenas que a empresa funcionava no andar térreo. Ao invés de certificarse de que no andar térreo funcionavam duas empresas distintas, o que fez a autoridade policial foi utilizarse daquela 'ambiguidade' constante da autorização judicial para fazer uma devassa não somente nos computadores da D&A Comércio Exterior, como também da empresa Debossan Despachos Aduaneiros. Aliás, digase de passagem, que o endereço constante no mandado de busca e apreensão não foi informado pela Juíza Federal, mas pela própria autoridade policial. Sendo assim, tudo leva a crer que a autoridade policial, certa de que não obteria um mandado de busca na empresa Debossan Despachos, utilizouse de meios escusos (a informação de endereço não específico), induzindo o magistrado em erro na decretação da medida cautelar. Dessa forma, conseguiria justificar a apreensão de bens e documentos não só na empresa D&A, mas também na Debossan Despachos Aduaneiros. Por esses motivos, imperioso reconhecerse a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, devendose declarar a nulidade de todo o procedimento por mais esse motivo. · APREENSÃO DE DOCUMENTOS INVESTIGAÇÃO CRIMINAL INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO ENTRE OS CRIMES INVESTIGADOS E AS INFRAÇÕES APURADAS ILICITUDE DAS PROVAS. Para se conseguir que aquela investigação alcançasse a empresa Impugnante, alegouse que a D&A estaria envolvida com o Grupo Roger Tur, efetuando remessas cambiais às margens oficiais com o fim de subfaturamento de mercadorias. Contudo, em que pese toda a devassa realizada contra a Impugnante, com a quebra do seu sigilo fiscal, bancário, invasão domiciliar através da busca e apreensão de documentos sem mandado de procedimento fiscal, quebra de sigilo de dados, dentre outros, nenhuma prova ou qualquer indício de prova foi encontrado que pudesse ligar a D&A Comércio Exterior com o Grupo Roger Tur originalmente investigado. Por outro lado, de posse de todos aqueles dados, a autoridade fiscal lavrou o presente Auto de Lançamento apurando supostas infrações administrativas no controle aduaneiro, como a multa por prestação de informações incorretas no comércio exterior, suposta ocultação do real adquirente de mercadorias ou, em alguns casos, multas por embarques de mercadorias sem o licenciamento de importação prévio. Ocorre que, de todas as infrações apuradas pela autoridade fiscal ao longo desses anos de fiscalização, nenhuma possui correlação com os crimes investigados no 'processomãe' do grupo Roger Tur. As penalidades aplicadas contra a Impugnante fogem à finalidade para a qual o Mandado de Busca e Apreensão fora concedido: apurar a evasão de divisas ou prática cambial às margens oficiais! Fl. 920DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 7 6 Por esse motivo, não se pode aceitar como lícita a prova utilizada no presente processo pois não se presta ao fim a que se destinava. Estáse diante de uma verdadeira inversão das garantias fundamentais do cidadão, insculpidas no art. 5º da Constituição Federal, o que jamais poderá prosperar, devendo ser reconhecida desde já por esse ilustre julgador, ainda que em sede administrativa. Não é admissível que uma quebra de sigilos e garantias, com finalidade específica diante do objeto próprio do processo investigatório em curso, seja deturpada a ponto de chegarse a uma divulgação maior, fora dos parâmetros desse processo, para alcançar infrações administrativas que nenhuma relação possuem com o alvo inicial a que se destinava. A excepcional quebra do sigilo bancário da Impugnante foi autorizada com um único fim: comprovar de alguma forma a remessa de divisas ao exterior às margens oficiais. No entanto, a autoridade fiscal utilizou tais extratos para tentar caracterizar infrações de natureza eminentemente administrativa, longe de caracterizar um ilícito penal. No caso em análise, houve verdadeira deturpação da ressalva constitucional para fins escusos. Utilizouse de meras suposições, sem respaldo em qualquer documentação probante, para a concessão das medidas judiciais próprias e exclusivas da investigação criminal. Desde o início do procedimento criminal, as quebras dos sigilos da Impugnante, bem como o Mandado de Busca e Apreensão, foram baseados em supostos crimes contra a ordem tributária, praticados pela empresa D&A. É sabido que a propositura de ação penal, bem como o procedimento prévio investigatório de crimes somente pode ser admitido após ocorrido o lançamento definitivo do tributo, assim entendido aquele que não comporte mais qualquer recurso na fase administrativa. Tratase, portanto, de expedientes próprios da investigação criminal sendo claramente utilizados de forma indevida para a definição de infrações de cunho administrativo ou créditos tributários. Impossível se referendar tal prática, devendose reconhecer a ilicitude das provas utilizadas no presente procedimento fiscal, vez que não guardam qualquer relação com os crimes para os quais as quebras das garantias constitucionais foram autorizadas, determinandose o cancelamento do Auto de Lançamento ora impugnado. · AUSÊNCIA DE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL DE FISCALIZAÇÃO (MPFF) FISCALIZAÇÃO IRREGULAR NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO O procedimento fiscal em comento foi instaurado sem o prévio e necessário Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF, o que causa evidente e manifesta ilegalidade, por inobservância dos arts. 2º e 3º da Portaria RFB 3.014/2011. À época em que a Autoridade Fiscal deu início ao Procedimento de Fiscalização, dispunha apenas e tão somente de um Mandado de Procedimento Fl. 921DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 8 7 Fiscal de Diligência, que, de acordo com a própria legislação que trata da matéria, não se presta para a realização de procedimento fiscal. Aliás, o próprio relatório do Auto de Infração ora impugnado demonstra claramente que somente em 16 junho de 2011 houve a conversão do Mandado de Procedimento Fiscal de Diligência em Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização (Doc. 53 e fls. 18/19 do Auto de Infração). Ou seja, todos os atos de fiscalização praticados pelas Autoridades entre 21/10/2010 e 16/06/2011 são manifestamente nulos, por ausência de MPFF. Já os praticados posteriormente, são igualmente nulos, pois decorrem de atos nulos praticados anteriormente (observância da teoria dos frutos da árvore envenenada). Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 11.371/2007. Transcreve os artigos 2º e 3º da Portaria da RFB n° 3.014/2011. Portanto, necessitavam as Autoridades Fiscais, desde o início do procedimento fiscal, de um mandado de procedimento fiscal de fiscalização, nos termos dos arts. 2º e art. 3º de ambas as portarias, acima transcritas, o que não ocorreu, gerando inequívoca ilegalidade, passível de anulação do Auto de Infração. Dessarte, muito mais do que um mero instrumento de controle interno é uma garantia do contribuinte, para que, mediante a apresentação do MPFF lavrado contra si, possa invocar desde o início da fiscalização todos os princípios que a norteiam, notadamente o da ampla defesa e do contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · EXCESSO DE PRAZO NA CONCLUSÃO PROCEDIMENTAL AUSÊNCIA DE NOTIFICAÇÃO SOBRE AS PRORROGAÇÕES DO MPFF NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. O lançamento tributário é um ato administrativo de ofício, e como tal, somente poderá se aperfeiçoar se forem seguidos todos os seus requisitos essenciais, procedimentos imprescindíveis à sua perfectibilidade. Da mesma forma, o sujeito contra o qual foi procedido o conjunto de atos, deve tomar a devida e regular ciência dos mesmos. No caso concreto, além do vício formal por falta de MPFFiscalização para realizar o Procedimento Fiscal em questão, a autoridade fiscalizadora também extrapolou os prazos legais para a realização da fiscalização instaurada, além de não ter intimado regularmente os Impugnantes acerca das prorrogações dos prazos do MPF. É certo que, se por um lado é dado à autoridade fiscal o poder de fiscalizar, por outro lado tal poder está submetido a certos limites, dentre os quais, o prazo para a conclusão dos seus atos. Certamente o contribuinte não pode ser submetido a um procedimento de fiscalização eterna. No caso concreto, portanto, evidenciouse verdadeiro abuso do poder fiscalizatório. Não existe fiscalização por prazo indeterminado. Quando a autoridade fiscal inicia seu trabalho é obrigado a emitir um termo de início. Nesse termo já deve constar prazo máximo para o término do trabalho. Emitido o MPFD no dia 07/out/2010 a autoridade fiscalizadora detinha o prazo máximo de sessenta dias para sua conclusão, ou seja, deveria necessariamente terminar seu procedimento até o dia 06/Jan/2011 ou, solicitar a prorrogação da Fl. 922DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 9 8 fiscalização, desde que devidamente justificada, sob pena de arquivamento do processo. Além do mais, verificase que houve diversas prorrogações do prazo do MPF, sem que, contudo, os Impugnantes fossem cientificados a respeito, em total afronta ao disposto no art. 9º, parágrafo único, da então vigente Portaria RFB 11.371/2007. Aliás, os Impugnantes solicitaram expressamente que, caso ocorressem prorrogações desta natureza, fossem estes expressamente notificados a respeito. No entanto, o pleito foi negado ao errôneo argumento de que não haveria previsão legal para tal pedido. No entanto, consoante se pôde ver da leitura do parágrafo único do art. 9º da Portaria que regulamente o MPF, o pleito dos Impugnantes tinha, sim, base legal, razão pela qual devia ter sido atendido. Assim, ao negar o pedido dos Impugnantes, incorreu a Autoridade Fiscal em novo ato ilegal, que acarreta em nulidade todos os atos praticados, mormente porque agiram em total afronta aos princípios constitucionais da publicidade dos atos administrativos, ao direito de informação, da ampla defesa e do contraditório. Diante disso, deve ser declarado nulo o AI por vício formal. · DOIS SUJEITOS PASSIVOS NO MESMO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE INDIVIDUALIZAÇÃO DO LANÇAMENTO NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO O lançamento não está individualizado. O Auto de Infração aplicou pena de perdimento às mercadorias importadas sob o argumento de que a empresa MENDES ENGENHARIA seria a real adquirente das mercadorias, apesar de oculta. A conversão do perdimento cm multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias ocorreu porque os produtos já "teriam sido" consumidos. Como se sabe, o perdimento caracterizase pela pessoalidade e intransmissibilidade da pena e, por isso mesmo, só pode ser aplicado em face do proprietário da mercadoria, até porque, logicamente, ninguém pode ser condenado a "perder", ou melhor, ter subtraído do seu patrimônio, bem ou direito que nunca o compôs. Transcreve o artigo 100 do DecretoLei n° 37/66. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Como se vê, para a concretização da pena de perdimento é imprescindível se obter a exata e completa identificação do proprietário da mercadoria, pois é unicamente este o sujeito que poderá ser apenado ou alcançado pela sanção do perdimento. No presente caso, apesar de identificar quem supostamente seria o real proprietário oculto, o Fisco autuou as empresas D&A e MENDES ENGENHARIA conjuntamente, na condição de contribuinte, sem qualquer distinção. Assim, se o Auditor Fiscal entende que a MENDES ENGENHARIA se ocultou, então deveria, vem Processo Administrativo e Auto de Infração próprio, individualizar sua conduta, e punila unicamente. Não existe, porque impossível, a "pena de perdimento solidária". A responsabilização solidária, quando prevista em lei, só pode ocorrer para fins de Fl. 923DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 10 9 pagamento de tributo, que não se confunde com pena de perdimento e, evidentemente, também não pode ser confundida com a responsabilização penal do agente infrator, esta prevista no art. 95 do Dec.Lei 37/66. O Decreto 70.235/72 veda e impede que sejam reunidos em um só processo. Autos de Infração instaurados contra contribuintes diversos, ainda que em razão do mesmo fato. In casu, porém, não se trata de reunião em um só processo de dois autos de infração contra dois contribuintes diversos, o que já seria ilegal. No presente caso a ilegalidade é ainda mais flagrante, pois se trata de constituir em um único auto de infração, ou seja, um único crédito tributário constante em um único processo administrativo contra dois contribuintes distintos. Junta textos da Jurisprudência Administrativa a respeito do assunto. · ILEGITIMIDADE DE CAIO MARCELO DEBOSSAN E ÉRICA DEBOSSAN REINERT PARA FIGURAREM SOLIDARIAMENTE NO PÓLO PASSIVO DO AUTO DE INFRAÇÃO Aspectos Fáticos Relevantes da Empresa D&A (Impugnante) O impugnante faz um relato sobre a constituição da empresa D&A Comércio Exterior Ltda. Ao se consultar o histórico de importações da empresa D&A, poderseá constatar que as importações em seu nome iniciaram efetivamente a partir de Junho de 2005, justamente por conta do benefício fiscal que lhe fora concedido naquele mês. Portanto, embora o foco da empresa D&A tenha mudado, iniciando como uma empresa prestadora de serviços de despacho aduaneiro (em 2003) e consolidandose como uma empresa comercial importadora (a partir de Jun/2005), a sua motivação negocial foi sempre muito bem definida. Todas as alterações contratuais foram realizadas conforme os ditames da lei vigente, sempre administrada pela sua sócia Josiane Denise dos Santos Debossan, essa, aliás, quem deu verdadeira guinada nas atividades da empresa, colocandoa no rumo em que se encontra hoje, não havendo qualquer irregularidade a ser apontada. Das Motivações da Autoridade Fiscal para Inclusão de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert como Responsáveis Solidários. Pelo que se depreende do Relatório do Auto de Infração, conjuntamente do que a autoridade fiscal denominou "Anexo Probante da Sociedade de Fato Caio Érica", a razão que levou à inclusão dos Despachantes Aduaneiros e sócios da Debossan Despachos Aduaneiros 1 (Sr. Caio Debossan e Érica Debossan) a figurarem como responsáveis solidários do presente Auto, foi que a AFRFB entendeu serem eles "sócios ocultos" da empresa D&A. Acontece que a Autoridade Fiscal, data vênia, parte de uma premissa totalmente equivocada para chegar a tal conclusão. A Autoridade Fiscal sustenta que Caio e Érica teriam "tentando ocultarse do quadro societário da empresa D&A com o uso de seus cônjuges na sociedade de direito", e que apesar de a legislação ter desvinculado funcionalmente a profissão de despachante aduaneiro da administração pública, dotoua de múnus público com a impossibilidade de comercializar mercadorias estrangeiras, pois se isso fosse possível "colocaria o despachante aduaneiro em franca vantagem concorrencial, ante Fl. 924DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 11 10 as informações de que dispõe em razão de sua profissão, mutatis mutandis, o que o assemelha a um servidor público". Caso a premissa adotada pela Autoridade Fiscal fosse verdadeira, então nenhum servidor público poderia ter seu cônjuge sócio de uma empresa privada. Para se demonstrar que a premissa adotada pela Autoridade Fiscal é falha, tomase como exemplo os inúmeros auditores fiscais cujos cônjuges fazem parte do quadro societário de empresas privadas (muitas vezes de empresas importadoras). No caso hipotético, então, esses funcionários públicos teriam que ser considerados "sócios ocultos daquelas empresas visando obter franca vantagem concorrencial ante as informações de que dispõe". Tal linha de raciocínio, evidentemente, não pode prosperar. Além disso, interessante abrir um parêntesis nesse ponto para uma argumentação sob o plano hipotético, a fim de se demonstrar, sob outro ângulo, que as premissas tomadas pela Autoridade Fiscal são equivocadas. É que, caso a vedação do art. 10, I do Dec. 646/92 pudesse ser considerada válida, mesmo assim ela não atingiria o despachante aduaneiro sócio de uma empresa atuante na importação por conta e ordem. Se por um lado a empresa D&A Comércio Exterior Ltda. sempre foi gerenciada e administrada pela Josiane dos Santos Debossan (conforme pode ser comprovado pelo simples constatação de que é ela quem assina todas as procurações da empresa, livros fiscais, contratos com terceiros, negocia valores, etc.), por outro lado, Caio e Érica Debossan sempre atuaram como sócios e despachantes da empresa Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. Não há que se confundir as duas empresas, pois distintas não só de fato, como também de direito. Da mesma forma, não há o que se falar em sociedade oculta, vez que os sócios de cada pessoa jurídica são conhecidos e exercem suas devidas funções. Ora, o fato das duas empresas terem sócios com laços familiares entre si, não tem o condão de desconsiderar suas personalidades jurídicas. Da mesma forma, não se pode presumir que Caio Debossan e Érica Debossan seriam sócios da empresa D&A pelo simples fato de que seus cônjuges é quem figuram no seu quadro societário, quando todos os documentos jurídicolegais da empresa demonstram o contrário. É um total disparate. Por sua vez, a alegação de que Josiane Debossan e Ivan Luiz Reinert seriam sócios "laranja" ou "presta nomes" também não passa de uma suposição descabida de qualquer fundamentação legal. No que tange especificamente o sócio da D&A, o Sr. Ivan Luiz Reinert, é certo que ele é apenas um sócio quotista e não detinha cunho gerencial na empresa. Aliás, possuía, sim, outro emprego em empresa diversa. É uma verdadeira aberração a presunção feita pela autoridade fiscal, de que Josiane Debossan seria uma 'sócia laranja', baseado numa simples conversa, desconsiderando todo o histórico gerencial da empresa realizado sempre pela Josiane Debossan. A empresa D&A se consolidou na prestação serviços de importação por conta e ordem de terceiros. Todo e qualquer outro serviço atrelado ao comércio exterior, como agenciamento de frete, preparação de documentos, desembaraço aduaneiro, etc. era prestado e cobrado pela Debossan Despachos Aduaneiros. Fl. 925DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 12 11 Portanto, esse é o motivo para que Caio e Érica (sócios de fato e de direito Debossan Despachos) recebessem o percentual maior das comissões, repar do restante aos demais. Ou seja, mais um grande equívoco da autoridade fiscal. Érica Debossan, assim como inúmeros outros despachantes aduaneiros que trabalhavam para a D&A Comércio Exterior Ltda., eram apenas mandatários daquela empresa. Érica ao fazer contato com a ANP e buscar subsídios para realizar o cadastro de um dos seus clientes junto àquele órgão estatal, estava simplesmente exercendo seu mister. Como se sabe, a ANP é um dos inúmeros órgãos anuentes de licenciamentos de importação para determinadas mercadorias, razão pela qual Érica Debossan, na qualidade de despachante da D&A, estava angariando informações e procedimentos para que Josiane Debossan realizasse o cadastro de sua empresa junto àquele órgão. Érica Debossan representava, então, a empresa D&A, por força do Mandato que lhe havia sido conferido. O que parece é que a autoridade fiscal pretende fazer crer que a sócia administradora de sua empresa não poderia terceirizar nenhum serviço, devendo pessoalmente tratar de todas as questões burocráticas, e, quiçá, cuidar pessoalmente do desembaraço aduaneiro. Um total desconhecimento da realidade empresarial. Merece destaque esse ponto, para se frisar que a importação por conta e ordem em Santa Catarina é regra, não exceção. Somente as empresas que possuem seus próprios benefícios fiscais de ICMS é quem realizam importações diretas. Sendo assim, despachantes aduaneiros da região invariavelmente firmam parcerias com empresas importadoras de sua confiança, pois se assim não o fizerem, o importador buscará outra comercial importadora e, consequentemente, irá desembaraçar suas mercadorias com outro despachante aduaneiro. Logo, a indicação de empresas comerciais importadoras/exportadoras (assim como empresas de outros ramos, como as de transporte nacional, agentes de carga internacional, inspetores de qualidade, corretores de seguros, tradutores e intérpretes, especialistas em classificação aduaneira, agências bancárias, despachantes aduaneiros dentre outras várias que gravitam a atividade de comércio exterior) é prática comum comercial, eis que se depende de vários prestadores de serviços terceirizados para a internação de mercadorias ou seu envio para o exterior. Contudo, a simples indicação da empresa D&A pela Érica Debossan não pode conduzir ao entendimento de que essa a gerenciava. Fosse assim, Érica e Caio Debossan teriam que ser considerados "sócios ocultos" de inúmeras outras empresas, tais como a ES Logística (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros no transporte internacional); Torre Corretora de Seguros (parceiros da Debossan Despachos Aduaneiros nos seguros internacionais de carga), dentre inúmeros outros. A fim de se esclarecer o imbróglio causado pela autoridade fiscal, vejase que em verdade, o site www.deacomex.com.br é destinado ao "Grupo D&A", ou seja, à todas as empresas pertencentes à família Debossan que atuam no comércio exterior. São ao todo três empresas distintas (D&A Com. Serv. Imp. Exp. Ltda.; Debossan Despachos Aduaneiros Ltda. e; Confiança Comércio Exterior Ltda.), com motivos negociais específicos a cada uma delas. Não se confundem nem se misturam. Atuam individualmente e livremente, cada qual no seu segmento de mercado. Fl. 926DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 13 12 Vejase, portanto, que embora se tratem de empresas distintas, com o passar dos anos, por serem da mesma família, passouse a chamálas apenas como "D&A". Isso, contudo, não quer dizer que esteja se falando apenas da D&A Comércio Serviços Importação Exportação Ltda. (ora Impugnante), mas sim do Grupo de Empresas D&A (Confiança; Debossan e D&A). Por fim, cumpre lembrar que somente poderia a autoridade fiscalizadora incluir os sócios Caio Debossan e Érica Debossan como solidariamente responsáveis no presente auto de infração, caso tivesse comprovado que os mesmos tiveram agido com excesso de poderes, infração de lei, ou em caso de dissolução irregular da empresa, nos termos do art. 135 do CTN. Entretanto, nenhuma das hipóteses ocorreu conforme amplamente demonstrado na presente peça impugnatória. Ainda que ao final da presente Impugnação se entenda que alguma infração tenha ocorrido, certo é que isso não terá o condão de desconsiderar a personalidade jurídica limitada da empresa Impugnante, ao ponto de alcançar qualquer pessoa física que seja, muito menos terceiros que em nada contribuíram para tal infração, tampouco puderam se beneficiar dela. · ILEGITIMIDADE PASSIVA DA D&A PARA APLICAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO E MULTA DE CONVERSÃO Ainda que se admitisse como correta a aplicação da pena de perdimento e a multa de conversão dela decorrente, mesmo nessa hipótese o Auto de Infração deve ser anulado, diante da manifesta ilegitimidade passiva da D&A. É que a pena de perdimento da mercadoria importada, quando constatada a ocultação do real importador, mediante fraude ou interposição fraudulenta, é sanção que visa punir o real encomendante/adquirente da mercadoria, e não o importador ostensivo, pois este deve ser punido apenas com multa de 10% pela cessão de nome. Essa é, aliás, a exegese que se extrai da conjugação do art. 33 da Lei 11.488/07 com o art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76. Cita Jurisprudência Administrativa, em relação aos seguintes acórdãos da DRFSP: ACÓRDÃO N° 1728100; ACÓRDÃO N° 1728104 e ACÓRDÃO N° 1724943. Pelo mesmo motivo, também não se admite que o adquirente seja punido, solidariamente ao importador, com a multa do artigo 33 da Lei 11.488, sob pena de estarse ferindo o princípio do non bis in idem. Transcreve o art. 100 do DecretoLei 37/66. Não bastasse o erro de tipificação legal, é certo que a manutenção da multa de conversão da pena de perdimento em face da D&A causará inegável bis in idem, pois tal empresa já está respondendo a outro Auto de Infração, de n° 13971.722508/201198, no qual lhe fora aplicada justamente a pena de 10% pela cessão de nome. Assim, se a própria Receita Federal reconhece que a D&A deve ser multada apenas em 10% do valor da operação pela cessão de nome para a importação, não pode figurar, concomitantemente, como sujeito passivo na aplicação da pena de perdimento das mercadorias nem suportar a multa de conversão, no valor aduaneiro das mesmas, pois estaria sendo punida duas vezes pelo mesmo fato. Fl. 927DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 14 13 Face ao exposto, o presente Auto de Infração deve ser integralmente anulado ou julgado integralmente improcedente, por erro de tipificação legal. · AUSÊNCIA DE PROVA DO CONSUMO DAS MERCADORIAS MERA PRESUNÇÃO CERCEAMENTO DE DEFESA IMPOSSIBILIDADE DE CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA. É de fácil percepção, portanto, que a conversão da pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro pressupõe a prova da impossibilidade de localização das mercadorias ou de que foram consumidas. Acontece que, no caso concreto, a Autoridade Fiscalizadora aplicou a multa em questão por mera presunção pessoal, pois, pelo que consta nos autos, não foram realizadas diligências nem constatações suficientes, conclusivas, que apontassem claramente que as mercadorias não foram encontradas, ou que já foram consumidas. Do extenso relatório do Auto de Infração impugnado não se extrai qualquer prova de que a Receita Federal tenha buscado 'localizar' a mercadoria em questão. E foi exclusivamente com base neste suposto 'consumo da mercadoria' que a Autoridade Fiscal, de imediato, converteu a pena de perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Não bastasse a flagrante ilegalidade acima apontada, é de se reconhecer também a existência de FLAGRANTE CERCEAMENTO DE DEFESA da D&A, pois esta sequer foi intimada a prestar informações ou esclarecimentos a respeito da localização das mercadorias que envolvem este Auto de Infração. Ora, se a D&A é quem foi autuada pela pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, necessariamente deveria ser intimada a prestar esclarecimentos, informar o paradeiro/situação das mercadorias ou, pelo menos, se defender. Dessa forma, ante a ausência de intimação da D&A, necessária se mostra a completa anulação do Auto de Infração ora impugnado, notadamente porque se está diante de inegável afronta a princípios basilares do Estado Democrático de Direito: ampla defesa e contraditório. Junta textos da Jurisprudência Administrativa e Judicial a respeito do assunto. Da mesma forma, face à ausência de intimação da D&A, para que esta pudesse apresentar as mercadorias destinadas à pena de perdimento ou, no mesmo prazo, esclarecimentos a respeito das mesmas, resta igualmente prejudicada a aplicação da pena de perdimento e da multa de conversão dela decorrente, inclusive por violação direta aos direitos constitucionais da ampla defesa e contraditório (CF 5º LV), motivos pelos quais deve ser decretada a nulidade deste Auto de Infração. · INEXISTÊNCIA DE SONEGAÇÃO, FRAUDE E CONLUIO. A pena de perdimento das mercadorias é sanção aplicável aos casos de comprovada fraude na operação de importação ou de exportação. O próprio art. 23, V do DL 1.455/1976, no qual a Autoridade Fiscal embasa sua autuação, pressupõe a existência de fraude para que reste caracterizado o dano ao Erário. Fl. 928DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 15 14 No caso em apreço, contudo, não houve ação nem omissão dolosa. O que houve foi um mero equívoco operacional, um erro de preenchimento da DI, que jamais pode ser considerado doloso, até porque esta "conduta" dolosa não traria benefício algum à Impugnante. Além do mais, a conduta dolosa deve, NECESSARIAMENTE, ter por escopo impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador ou de situações pessoais que sejam capazes de afetar a obrigação ou o crédito tributário, o que evidentemente não ocorreu no caso em tela, porquanto TODOS OS TRIBUTOS INCIDENTES NA OPERAÇÃO FORAM REGULARMENTE RECOLHIDOS! Em outras palavras, se a conduta da D&A não impediu o conhecimento do fato gerador dos tributos, nem afetou a obrigação tributária e o crédito tributário, não há que se falar em sonegação, como quer fazer crer a Autoridade Fiscal. Aliás, agarrase tal autoridade no frágil argumento de que a conduta em tela visaria à quebra da cadeia do IPI, o que à toda evidência não prospera, consoante restará demonstrado em tópico apartado. Diante disso, não há que subsistir a forçosa alegação de que a D&A teria agido de forma fraudulenta, pois mesmo eventual erro no preenchimento da DI, além de não ser uma conduta deliberada (dolosa), não contribuiu em nada para que tributos deixassem de incidir ou deixassem de ser pagos, ou ainda que incidissem de forma reduzida. E, se não há fraude, também não há que se falar na aplicação da pena de perdimento das mercadorias, razão a mais para se julgar integralmente improcedente este lançamento tributário. Transcreve o artigo 73 da Lei n° 4.502/64. Nessa toada, mero juízo de delibação é suficiente para verificar que o conluio só existirá se houver a presença de sonegação e/ou fraude. No entanto, restou sobejamente demonstrado que em momento algum a D&A agiu de forma dolosa, a fim de praticar sonegação ou fraude, mormente porque todos os tributos foram regularmente recolhidos. Assim sendo, ante a inexistência de fraude ou sonegação, não há que se falar em conluio com a D&A. · INEXISTÊNCIA DA QUEBRA DA CADEIA DO IPI É flagrante o equívoco da Autoridade Fiscal. Primeiro porque, as mercadorias adquiridas revendidas pela D&A à MENDES tiveram o IPI recolhido devidamente, tanto na importação, quanto na sua posterior revenda, conforme demonstram cabalmente as DIs e as Notas Fiscais de Saída, juntadas aos autos. Segundo porque as mercadorias compradas pela MENDES são utilizadas na sua produção industrial, ou seja, não serão revendidas diretamente, fato que por si só, desbanca a tese falaciosa da autoridade fiscalizadora sobre a suposta "quebra fraudulenta do IPI". Sendo empresa industrial, e considerando que as mercadorias importadas foram utilizadas como insumos na produção industrial da empresa MENDES. Ou seja, não há qualquer conduta dolosa, tendente a praticar fraude ou sonegação de IPI, eis que este tributo sequer incide na operação. Para que pudesse cogitar a eventual quebra da cadeia do IPI necessariamente a autoridade fiscal Fl. 929DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 16 15 deveria ter juntado aos autos cópias das Notas Fiscais de Saída da MENDES sem o destaque do IPI. prova que lhe incubia, mas deixou de fazer. Segundo, pois, ainda que a mercadoria importada não tivesse sido destinada à industrialização da MENDES, mesmo assim não haveria sonegação do imposto em questão, mormente porque o entendimento predominante é no sentido de que não incide o IPI na saída de mercadorias importadas e destinadas diretamente à comercialização, no estado em que foram adquiridas, como é o caso. · EXTINÇÃO DO DIREITO DE REALIZAR A REVISÃO ADUANEIRA TRANSCURSO DO PRAZO DE 5 ANOS DECADÊNCIA O caso em tela é emblemático e não deixa dúvidas. A decadência operouse após a inércia da Administração Pública ao longo de 5 anos, não havendo como aquelas importações (digase ainda: de terceira empresa) ressoarem na esfera jurídica da Impugnante agora, depois de ultrapassado o prazo decadencial previsto no Regulamento Aduaneiro e no DecretoLei n° 37/66. O direito de a Administração punir se extinguiu, não podendo gerar conseqüências sancionatórias sobre a Impugnante, o que torna o Auto de Infração NULO DESDE O NASCIMENTO. Ora, em razão do transcurso in a/bis do período de 5 anos, a contar da data da suposta Infração leiase: registro da DI), extinguiuse o direito de o Fisco aplicar a pena de perdimento e, por conseqüência, de cobrar multa de conversão. A REVISÃO ADUANEIRA, ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação (art. 638 do RA), extrapolou o prazo legal para sua conclusão. · INOCORRÊNCIA DE OCULTAÇÃO OU DE SIMULAÇÃO INEXISTÊNCIA DE BURLA AOS CONTROLES ADUANEIROS IMPORTAÇÃO DIRETA PARA REVENDA REGULARMENTE CARACTERIZADA Junta textos da doutrina de Hugo de Brito Machado e Heleno Taveira Tôrres a respeito do assunto. No presente caso, verificase que a Autoridade Fiscal fundamenta a aplicação da penalidade de perdimento das mercadorias ao argumento de que se estaria diante de uma interposição fraudulenta. E esta, por sua vez, seria realizada ao propósito de burlar os controles aduaneiros e quebrar a cadeia de incidência de IPI. Relativamente à suposta "quebra da cadeia do IPI", não houve qualquer burla ao recolhimento de tal imposto, notadamente porque as mercadorias importadas ou são materiais não tributáveis pelo IPI ou possuem alíquota 0%, ou seja, não há que se falar em sonegação de um imposto que sequer incide. Da mesma forma, todos os tributos incidentes na operação foram regularmente recolhidos, não se evidenciando, portanto, nenhuma sonegação ou fraude. Já no que se refere à suposta "burla aos controles aduaneiros" e à suposta "interposição fraudulenta", estas, de igual forma, não ocorreram. A Autoridade Fiscal quer fazer crer que a Impugnante ocultou dolosamente o real encomendante das mercadorias, ao argumento de que não teria informado o Fl. 930DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 17 16 CNPJ deste no "campo próprio". Ocorre que este "campo próprio" não existia (e ainda não existe). Assim, as importações em questão se tratam de importações diretas para revenda. A importação direta diferese da importação por conta e ordem de terceiros, basicamente porque nesta (conta e ordem), a mercadoria continua sendo de propriedade do adquirente por conta e ordem, enquanto naquela (direta) a mercadoria é de propriedade do próprio importador, que, depois de desembaraçada, irá revendêla no mercado nacional. A empresa Importadora (D&A) cuidou de cumprir todos os aspectos jurídicos, tributários e formais para deixar "às claras" o negócio realizado, não havendo o que se cogitar em "simulação", como quer fazer crer a autoridade fiscalizadora em seu relatório. Ademais, o negócio concretizado obedeceu todos os requisitos normatizados pela Receita Federal para que a mercadoria seja considerada de propriedade do importador, como é o caso na importação direta para revenda. Transcreve o Ato Declaratório Normativo da SRF n° 7 de junho de 2002 (ADN n° 7/2002). De acordo com o ADN SRF n° 7 como bastaria uma hipótese ser cumprida, para caracterizar a aquisição e propriedade da mercadoria importada pela importadora (D&A Comércio Exterior), descartandose a importação por conta e ordem de terceiros ou encomenda e, conseqüentemente, qualquer hipótese de "interposição fraudulenta". Desta feita, a Ré não pode negar vigência à normativa da RFB a qual está diretamente vinculada, para concluir que a operação realizada tenha sido meramente uma prestação de serviços. Em suma, tratase claramente de importação própria, para revenda no mercado interno, assim caracterizada tanto do ponto de vista substancial, quanto formal, nos termos da legislação em vigor, especialmente do ADN n° 7/2002. · DAS CONSEQÜÊNCIAS JURÍDICAS DE EVENTUAL DESCARACTERIZAÇÃO DA IMPORTAÇÃO PARA A MODALIDADE 'CONTA E ORDEM'. Em suas alegações, a Autoridade Fiscalizadora invoca a tese de que teria havido pagamentos antecipados para a D&A nas operações e, por conta disso, tratar seia de uma operação de importação por conta e ordem de terceiros. Embora não vá se entrar no mérito da questão sobre os pagamentos, eis que impossível para a impugnante verificar todos os documentos em tempo hábil para sua defesa administrativa, fato é que as alegações da autoridade fiscalizadora estão embasadas no que dispõe o art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002. Examinado o teor do comando legal acima colacionado, resta claro que as conseqüências de se presumir que uma importação qualquer tenha sido realizada na modalidade "por conta e ordem", possuem meramente os efeitos tributários, dispostos nos arts. 77 a 81 da MP nº 2.15835/01. Examinandose tais artigos mais afundo, percebese que o legislador esta preocupado tão somente com o aspecto tributário da questão, ou seja, em caracterizar a solidariedade do importador com o adquirente no pagamento dos Fl. 931DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 18 17 tributos e a equiparação a estabelecimento industrial do adquirente equiparação a contribuinte da Pis e Cofins. Curioso é que a tributação na importação por conta e ordem é menos onerosa do que a tributação na importação direta o por encomenda. É que enquanto essas duas últimas se caracterizam como verdadeira "compra e venda" de mercadorias, a primeira (por conta e ordem) ó tratada perante a legislação federal como uma mera prestação de serviços e, portanto, não há incidência da Pis e da Cofins quando o importador dá saída dessas mercadorias ao destinatário final (arts. 12 e 86 §1o da IN SRF 247/02) Assim, caso a presente operação de importação fosse 'descaracterizada' para ser enquadrada na modalidade 'por conta e ordem', caberiam ainda à D&A a restituição dos tributos que pagou sobre o faturamento das mesmas, especificamente no que tange à Pis e à Cofins. · AUSÊNCIA DO ELEMENTO DANOSO RELEVAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO As importações sob análise, ainda que se entendesse irregulares, não foram realizadas dessa forma com o intuito de fraude. Pelo contrário, o contribuinte agiu de boafé, entendendo ser correta sua conduta, baseada na interpretação da legislação aduaneira em vigor. Vejase que o legislador tratou de relevar a pena de perdimento, nos casos em que o infrator, voluntariamente, comunique eventual erro ou equívoco ocorrido nos seus procedimentos, pois são casos nos quais não há o elemento danoso, nem intenção do agente em cometer a infração. Junta textos da Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça a respeito do assunto: (REsp n° 331548/PR, Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 04/05/06) e (REsp n° 512517/SC, Min. Eliana Calmon, DJ de 19/09/05) Por mais que se insistisse na decretação da pena de perdimento à D&A, acreditandose ter havido a ocultação do real adquirente da mercadoria importada, mesmo depois de toda a argumentação exposta, não há como se negar que houve o recolhimento de todos os tributos devidos na operação. Noutras palavras, a infração supostamente cometida neste caso, não resultou em falta ou insuficiência de recolhimento de tributo. Diante disso, considerandose que não houve falta de recolhimento de quaisquer tributos, a relevação da pena de perdimento, com fulcro no art. 737 do Regulamento Aduaneiro, é medida de Justiça que se impõe. · NECESSIDADE DE APLICAÇÃO DA PENALIDADE MAIS FAVORÁVEL Caso se entenda que houve irregularidades na importação, imperioso se reconhecer que estas foram de ordem meramente formal o que ensejaria a aplicação da multa comumente conhecida como "multa por erro", do art. 711 do R.A., ao invés da pena de perdimento. Aliás, insta frisar a existência de conflito entre a pena de perdimento por "ocultação do real comprador", fundamentada no art. 23, V do Decreto Lei 1.455/76, com a pena de multa por "omissão do adquirente comprador" fundamentada no art. 711, inciso III, §1°, do Regulamento Aduaneiro. Fl. 932DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 19 18 Conforme demonstrado, ao se confrontar a redação do art. 711, III do RA (omitir a identificação do adquirente comprador) com a redação art. art. 23, V do Dec. Lei 1.455/76 (ocultar o comprador da operação), que ensejou a pena de perdimento no AI ora atacado, notase que as tipificações são idênticas para o caso sob análise, razão pela qual se faria necessária a aplicação da penalidade mais branda, nos termos do art. 112 do Código Tributário Nacional. Além do mais, a redação que introduziu a pena de perdimento no caso de "ocultação do real comprador", prevista no art. 23, V do DeL. 1.455/76, veio ao mundo jurídico através da Lei 10.637, de 30/12/2002. Já a redação do art. 711, inciso III, §1°, inciso I do R.A., por seu turno, que aplica multa de 1% do valor aduaneiro no caso da "omissão do real comprador", foi dada pela Lei 10.833 de 29/12/2003, que é mais recente, razão pela qual há de prevalecer, por força do disposto no art. 2°, § 1° da Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro. DOS PEDIDOS. DO EXPOSTO, os Impugnantes requerem: O acatamento das preliminares alhures constatadas, para: · Reconhecer a ilicitude e imprestabilidade das provas emprestadas do Inquérito Policial n° 2006.72.00.081320 (2005.72.00.0134793) e, consequentemente, decretar a integral nulidade do Auto de Infração (tópico 2.1); · Reconhecer a existência de cerceamento de defesa e, consequentemente, anular o Auto de Infração ou oportunizar a juntada posterior de outros argumentos de fato e de direito, além de outros documentos que possam surgir para contrapor a autuação fiscal (tópico 2.2); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, por ausência de Mandado de Procedimento Fiscal de Fiscalização MPFF (tópico 2.3); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pelo excesso de prazo para a conclusão procedimental e pela ausência de intimação sobre as prorrogações do MPFF (tópico 2.4); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, por conta da ausência de individualização do lançamento tributário, em virtude da existência de diversos sujeitos passivos no mesmo Auto de Infração (tópico 2.5); · Reconhecer a ilegitimidade passiva e a responsabilidade solidária de Caio Marcelo Debossan e Érica Debossan Reinert, para anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tais Impugnantes (tópico 2.6); · Reconhecer a ilegitimidade passiva da D&A para suportar a pena de perdimento e a multa de conversão eis que tal multa não pode ser aplicada ao importador ostensivo, mas tãosomente ao real encomen dante/adquirente , para o efeito de anular/cancelar o Auto de Infração em relação a tal Impugnante, estendendose automaticamente tais efeitos a Caio e Érica (tópico 2.7); · Decretar a nulidade do Auto de Infração, pela ausência de comprovação do consumo das mercadorias, o que impossibilita a aplicação da pena de Fl. 933DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 20 19 perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro (tópico 2.8); · Decretar a nulidade do Auto de Infração por cerceamento de defesa, consistente na ausência de intimação da D&A para apresentar as mercadorias a serem destinadas ao perdimento (tópico 2.8); No mérito, os Impugnantes ainda requerem: · Seja reconhecida a inexistência de qualquer fraude, sonegação, conluio e/ou subfaturamento que pudesse ensejar a aplicação de pena de perdimento por suposta interposição fraudulenta (tópico 2.9); · Seja reconhecida a inexistência de quebra da cadeia de IPI nas operações em questão eis que não se deixou de recolher o imposto em questão (tópico 2.10); · Seja reconhecida a ocorrência da decadência do direito de realizar a Revisão Aduaneira e, consequentemente, decretada a nulidade/cancelamento do Auto de Infração (tópico 2.11); · Seja declarada a inocorrência de ocultação dolosa do real encomendante das mercadorias, a inocorrência de burla aos controles aduaneiros, bem como a inocorrência de interposição fraudulenta, a fim de afastar a pena de perdimento e a multa de conversão; · Seja afastada a hipótese de aplicação da pena de perdimento ao caso concreto, por ausência do elemento danoso; ou, na remota hipótese de se entender realmente aplicável ao caso concreto a pena de perdimento, seja então, relevada tal penalidade, nos termos do art. 737 do R.A. · Por fim, diante da completa ausência de dolo, fraude, sonegação ou dano, reconhecendo por outro lado a boafé, presente nas atividades das Impugnantes, sejam estas isentadas de qualquer tipo de penalidade, ou, alternativamente, seja aplicada apenas a multa de 1% do Valor Aduaneiro por erro, por se tratar de penalidade mais favorável. A 23a Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo – SP julgou improcedente a Impugnação, mantendo integralmente o lançamento, nos termos do Acórdão no 16050.678, de 25/09/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 29/09/2006 Dano ao Erário por infração de ocultação do verdadeiro interessado nas importações, mediante o uso de interposta pessoa. Pena de perdimento das mercadorias, comutada em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. A atuação da empresa interposta em importação tem regramento próprio, devendo observar os ditames da legislação sob o risco de configuração de prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 934DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 21 20 A aplicação da pena de perdimento não deriva da sonegação de tributos, muito embora tal fato possa se constatar como efeito subsidiário, mas da burla aos controles aduaneiros, já que é o objetivo traçado pela Receita Federal do Brasil possuir controle absoluto sobre o destino de todos os bens importados por empresas nacionais. As empresas autuadas e os responsáveis solidários tomaram ciência da referida decisão nos seguintes dias: a D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA no dia 25/10/2013; a MENDES ENGENHARIA E AUTOMAÇÃO LTDA no dia 18/10/2013; o Sr. CAIO MARCELO DEBOSSAN no dia 21/10/2013; e a Sra. ÉRICA DEBOSSAN REINERT no dia 19/10/2013, conforme ARs de fls. 829/832. No dia 25/11/2013 os contribuintes D&A COMERCIO E SERVIÇOS IMP E EXP LTDA., CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT protocolizaram recurso voluntário conjunto, no qual renovam os argumentos da impugnação, acima resumido. A empresa MENDES ENGENHARIA E AUTOMAÇÃO LTDA não apresentou recurso voluntário. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O recurso voluntário apresentado por D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA é tempestivo e atende aos demais requisitos legais e regimentais. Dele se conhece. Já o recurso voluntário apresentado por CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT não atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72, por ter sido apresentado intempestivamente. A recorrente ÉRICA DEBOSSAN REINERT tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 19/10/2013 (sábado) e ingressou com o recurso voluntário no dia 25/11/2013, ou seja, no 34o dia após a ciência da decisão recorrida. Por seu turno, o Recorrente CAIO MARCELO DEBOSSAN tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 21/10/2013 e ingressou com o recurso voluntário no dia 25/11/2013, ou seja, no 34o dia após a ciência da decisão recorrida. Determina o art. 33 do Decreto no 70.235/72 que é cabível recurso voluntário dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão: Fl. 935DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 22 21 “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão”. Por sua vez, o art. 35, também do Decreto nº 70.235/72, determina que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que julgará a perempção: “Art. 35. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção”. No caso sob exame não resta nenhuma dúvida de que o recurso foi interposto após o transcurso do prazo assinalado no art. 33 acima transcrito, posto que o termo final para apresentação do recurso voluntário ocorreu no dia 20/11/2013, tanto para a Sra. ÉRICA como para o Sr. CAIO. Os recorrentes supra silenciaram sobre a interposição do recurso após o decurso do prazo legal. Em face do exposto, não se conhece do recursos voluntário interposto por CAIO MARCELO DEBOSSAN e ÉRICA DEBOSSAN REINERT Passemos, então, à apreciação do recurso da empresa D&A. Como relatado, contra as empresas D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA e MENDES ENGENHARIA E AUTOMAÇÃO LTDA foi lavrado Auto de Infração para a aplicação de multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas pela impossibilidade de apreensão de tais mercadorias, conforme determina o art. 23, V, § 3º, do DecretoLei nº 1.455/75 c/c o art. 105, VI e VII do DecretoLei nº 37/66 (arts. 689, VI, VII, XXII e § 1º, c/c art. 673 e 675, IV, todos do RA/2009). Nas questões de mérito a empresa D&A COMÉRCIO SERVIÇOS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA alega que ocorreu a extinção do direito de a Fazenda Nacional realizar a revisão aduaneira, por decurso de prazo, e de, conseqüentemente, efetuar o lançamento da multa objeto deste processo. As mercadorias objeto do perdimento, convertido em multa, foram desembaraçadas por meio da DI nº 06/06185962, registrada no dia 29/05/2006. A ciência do Auto de Infração pela recorrente D&A ocorreu no dia 25/11/2011. Portanto, já havia transcorrido mais de 5 (cinco) anos da data do registro da referida DI nº 06/06185962, de 29/05/2006, objeto da autuação. Sobre esse tema, comungo com a decisão proferida pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 3ª Seção de Julgamento no Recurso de Ofício contido nos autos do Processo nº 12466.002712/201055, cujo Acórdão nº 3202001.391, da lavra do conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior, tem a seguinte ementa: PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DAS MERCADORIAS. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de multa em razão da pena de perdimento, por se cuidar de infração de caráter administrativo Fl. 936DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 23 22 (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso de ofício negado. No voto condutor do referido Acórdão nº 3202001.391, o Ilustre Conselheiro Relator transcreve o seguinte enxerto do voto da decisão da DRJ, objeto do recurso de ofício: Todavia o artigo 139 do Decretolei n° 37/1966, assim dispõe, in verbis: Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Tal dispositivo foi reprisado no Regulamento Aduaneiro, Decreto n° 4.543/2002, nos seguintes termos, in verbis: Art. 669. O direito de impor penalidade extinguese em cinco anos, a contar da data da infração (Decretolei n° 37, de 1966, art. 139). Desses dispositivos, observase que as penalidades têm prazo de contagem próprio para sua constituição, qual seja, cinco anos contados a partir da data da infração. No presente caso, considerandose que as infrações imputadas à interessada possuem como data de seu cometimento a data do registro das Declarações de Importação e que a ciência do auto de infração, ato que o perfectibiliza, ocorreu em 18/10/2010, o lançamento referente a Declarações de Importação registradas antes de 18/10/2005 deve ser declarado nulo. O auto de infração em tela se refere as Declarações de Importação registradas entre 07/03/2005 e 20/06/2005, portanto nulo. Sobre essa matéria, não posso concordar com a fundamentação da decisão recorrida que, após um longo arrazoado, concluiu o seguinte: Assim, o marco inicial para transcorrer o prazo a que se refere o artigo 139 do DecretoLei nº 37/66 é quando se apreende a mercadoria (retirada do mercado interno) ou o órgão responsável pelo controle aduaneiro tem a ciência inequívoca da infração [...] Portanto, a exigência da multa equivalente ao valor aduaneiro, que vem a ser substitutiva da pena de perdimento, na forma do §3º, do artigo 23, do Decreto Lei n° 1.455/76, tem como inicio do seu prazo decadencial o primeiro dia ao ano subsequente da data da intimação não respondida pelo autuado para a apresentação das mercadorias passíveis de serem apenadas com perdimento. Fl. 937DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.722493/201168 Acórdão n.º 3302002.873 S3C3T2 Fl. 24 23 Em primeiro lugar, a decisão recorrida utilizouse de disposições da Lei nº 9.873/99 que, pelo disposto no seu art. 5º, abaixo reproduzido, não se aplica aos processos e procedimentos de natureza tributária, como é o presente caso. Art.5o O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Em segundo lugar, não posso concordar com a referida conclusão do acórdão recorrido sobre essa matéria, acima reproduzida. E não o faço porque, a meu sentir, o art. 139 do DL 37/66 diz que extinguese em cinco anos o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. E para mim, a infração, neste caso, não é continuada, como alegado pela decisão recorrida, e ocorreu pontualmente com o registro da DI, onde deixou de ser informado o real importador. Tudo o que aconteceu antes do registro da DI era absolutamente normal e legal as tratativas de compra no exterior e as transferência de recursos da MENDES ENGENHARIA para a D&A, devidamente contabilizado. Se tivesse sido registrado a DI como importação por conta e ordem da MENDES ENGENHARIA, não haveria que se falar que ocorreu ocultação do real importador. E o que ocorreu depois venda pela D&A e compra e venda pela MENDES ENGENHARIA das mercadorias não se constitui na mesma infração imputada às empresas autuadas: interposição fraudulenta de terceiros. Diante da extinção do direito de a Fazenda Nacional de impor a penalidade, e a conseqüente improcedência do Auto de Infração, desnecessário abordar e discutir aqui as demais questões preliminares e de mérito argüidas pelas recorrentes. Por tais razões, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para declarar improcedente o Auto de Infração. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Relator Fl. 938DF CARF MF Impresso em 23/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por WALBER JOSE DA SILVA
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