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Numero do processo: 11686.000015/2009-79
Data da sessão: Fri Jun 03 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 3302-000.128
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator. EDITADO EM: 06/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Alexandre Gomes. Ausente o conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de Cofins não cumulativa referente ao 1º trimestre de 2008, cujo valor solicitado foi deferido parcialmente pela RFB, em face de glosas de créditos relativos as seguintes despesas: (i) fretes de transferência entre os estabelecimentos da recorrente; (ii) agenciamento de leite; (iii) aquisição de leite in natura cujos fornecedores utilizaramse do benefício da suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000015/200979 Resolução n.º 330200.128 S3C3T2 Fl. 272 2 Inconformada, a empresa ingressou com manifestação de inconformidade na qual discorre sobre a sistemática da não cumulatividade dos PIS, da Cofins, do IPI e do ICMS para apontar distinções entre as sistemáticas desses impostos e contribuições para concluir que tem direito ao crédito referente a todos os bens corpóreos adquiridos e a todos os serviços aplicados na formação da receita. Especificamente quanto aos crédito presumido sustenta que não é empresa agroindustrial e que nas notas fiscais de aquisição não havia indicação de que as mercadorias tinham sido adquiridas com suspensão das contribuições, levando a conclusão de que o crédito deveria ser calculado pela regra do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, dando direito ao ressarcimento pleiteado. A DRJ em Porto Alegre RS indeferiu a solicitação da empresa interessada, nos termos do Acórdão no 1025.345, de 13/05/2010, cuja ementa abaixo se reproduz. CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Apenas os custos e as despesas elencadas nos incisos do art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003 geram créditos de PIS e de Cofins, respectivamente, pela sistemática da não cumulatividade. VENDA DE LEITE "IN NATURA" SUSPENSÃO CRÉDITO PRESUMIDO Comprovado que a venda de leite "in natura" ocorreu com o benefício da suspensão da contribuição para o PIS e para a Cofins, inexiste a possibilidade de cálculo de créditos com base nos disposto nos art. 3° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei n° 10.833/2003, respectivamente, pelo adquirente dos insumos, havendo previsão legal apenas de crédito presumido, nos termos do disposto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004.. Ciente desta decisão em 25/05/2010 (AR de fl. 232), a empresa ingressou, no dia 23/06/2010, com o recurso voluntário de fls. 233/261, no qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e acrescenta que a decisão recorrida ignorou argumentos seus relativos as condições de emissão da nota fiscal com exigibilidade suspensa e sua condição de empresa não agroindustrial. Na forma regimental o recurso voluntário foi a mim distribuído, para relatar. É o resumo do essencial. Voto Conselheiro Walber José da Silva, relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais preceitos legais e, por esta razão, dele conheço. A empresa recorrente está pleiteando o reconhecimento do crédito de Cofins não cumulativa relativo as despesas incorridas com o agenciamento de leite junto a fornecedores seus e com frete entre seus estabelecimentos. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000015/200979 Resolução n.º 330200.128 S3C3T2 Fl. 273 3 Também pretende a recorrente ver reconhecido o direito de calcular os créditos nas aquisições de leite in natura, realizada junto a pessoas jurídicas, na forma prevista no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, consequentemente, ver reconhecido o direito ao seu ressarcimento. Sobre esta última matéria, a Fiscalização efetuou a glosa dos créditos com base em declaração prestada pelos fornecedores de leite in natura de que a venda realizada à recorrente foi com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Independente do argumento da recorrente de que não é uma empresa agroindustrial, a que se refere o art. 6º da IN SRF nº 660/06, é fato que a empresa vendedora de leite in natura, para dar saída ao mesmo com suspensão da exigibilidade de PIS e de Cofins, deveria adotar duas providências, quais sejam: (i) exigir e receber de seu cliente a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06; e (ii) consignar na nota fiscal de venda que a mesma está sendo realizada com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins, conforme determina o art. 2º da mesma IN SRF. No caso sob exame, a Fiscalização não procurou verificar se as compras de leite in natura realizadas pela recorrente obedeceram às condições acima. A única medida tomada pela Fiscalização, para comprovar que as comprar foram realizadas com exigibilidade suspensa, foi colher de alguns fornecedores de leite in natura uma declaração de que as vendas foram efetuadas com suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Portanto, a prova trazida pela Fiscalização não é suficiente para afirmarse, com convicção, que as compras de leite in natura realizadas pela recorrente junto a pessoas jurídicas foram com suspensão de exigibilidade do PIS e da Cofins e, portanto, o crédito a que tem direito é o previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/04 (crédito presumido) e, em assim sendo, não pode ser objeto de ressarcimento ou de compensação por falta de previsão legal. Por outro lado, também a recorrente não prova suas alegações de que as aquisições de leite in natura foram realizadas sem a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins e que nas notas fiscais de aquisição não constam a informação a que se refere o art. 2º da IN SRF nº 660/06. Bastaria, para provar o alegado, a recorrente juntar cópias dessas notas fiscais. Existe a possibilidade de a recorrente ter adquirido leite in natura com e sem a suspensão da exigibilidade do PIS e da Cofins. Para esclarecer essa situação, há que ser carreado aos autos prova e demonstrativo das aquisições nessas condições. Portanto, entendo que o processo precisa retornar à origem para completar a sua instrução com a juntada das provas sobre o regime de tributação do PIS e da Cofins (normal ou com suspensão) das compras de leite in natura realizadas pela recorrente junto a pessoas jurídicas. Lembro que, pelas disposições do art. 4º da IN SRF nº 660/06, a empresa recorrente estava obrigada a fornecer a declaração prevista neste dispositivo. Isto posto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para as seguintes providências: Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11686.000015/200979 Resolução n.º 330200.128 S3C3T2 Fl. 274 4 1 intimar a recorrente para informar, no período objeto do pedido de ressarcimento, para quais fornecedores seus, pessoas jurídicas, entregou a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e para quais fornecedores deixou de entregar a referida declaração. 2 intimar a recorrente a demonstrar o valor das aquisições de leite in natura junto a pessoas jurídicas, segregando o valor dessas compras, por mês e por fornecedor, nas seguintes categorias: 2.1 valor das compras a cujo fornecedor foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e este consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.2 valor das compras a cujo fornecedor foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 mas este deixou de consignar na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.3 valor das compras a cujo fornecedor não foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 mas este consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 2.4 valor das compras a cujo fornecedor não foi entregue a declaração do Anexo I da IN SRF nº 660/06 e este não consignou na nota fiscal de venda a expressão “Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS”; 3 efetuar a conferência, por amostragem, das respostas da recorrente aos itens 1 e 2, juntando cópia, também por amostragem, das notas fiscais de aquisição de leite in natura para cada categoria acima referida; 4 intimar os fornecedores a que se refere o subitem 2.3 a apresentar a declaração a que se refere o Anexo I da IN SRF nº 660/06, emitida pela recorrente em data anterior à da emissão das notas fiscais de venda. Se a intimação não for atendida no prazo marcado, a diligência pode ser encerrada sem essa informação, subentendose ratificada a informação prestada pela recorrente. 5 prestar as informações que julgar necessário ao deslinde da questão; 6 elaborar relatório circunstanciado da diligência (Termo de Encerramento de Diligência), dele dando ciência à recorrente, abrindolhe prazo para, querendo, manifestarse. 7 dar ciência desta resolução junto com o termo de início da diligência. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Assinado digitalmente em 06/06/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 35464.002455/2005-18
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/1998 a 31/05/2004
DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submete-se à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerando-se, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental.
PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES.
A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes ou da presença de indícios necessários.
CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE.
O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade prático-social, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as conseqüências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros.
APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO.
Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa.
DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA
O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Relator(a); B) em ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão da existência de bis in idem, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento ao recurso, pela existência de bis in idem; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Impedido: Adriano Gonzáles Silvério Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes - Declaração de voto
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/1998 a 31/05/2004 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submete-se à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerando-se, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES. A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes ou da presença de indícios necessários. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade prático-social, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as conseqüências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Relator(a); B) em ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão da existência de bis in idem, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento ao recurso, pela existência de bis in idem; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente Impedido: Adriano Gonzáles Silvério Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes - Declaração de voto Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS GFIP VÍNCULO SALÁRIO UTILIDADE Recorrente HEIDELBERG DO BRASIL SISTEMAS GRÁFICOS E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/1998 a 31/05/2004 DECADÊNCIA. DIES A QUO E PRAZO. APLICAÇÃO DO ART. 173, INCISO I DO CTN NO CASO DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. O lançamento de ofício ou a parte deste que trata de aplicação de penalidade por descumprimento de obrigação acessória submetese à regra decadencial do art. 173, inciso I, considerandose, para a aplicação do referido dispositivo, que o lançamento só pode ser efetuado após o prazo para cumprimento do respectivo dever instrumental. PROVA INDICIÁRIA. NECESSIDADE DE INDÍCIOS CONVERGENTES. A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes ou da presença de indícios necessários. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRATO DE TRABALHO. QUALIFICAÇÃO JURÍDICA DOS FATOS. PRESENÇA DE PESSOALIDADE, SUBORDINAÇÃO, CONTINUIDADE E ONEROSIDADE. O negócio jurídico é reconhecido juridicamente por sua causa objetiva, sua finalidade práticosocial, e não pela forma que lhe é, artificialmente, atribuída. Cabe à fiscalização promover a qualificação jurídica dos fatos para atribuir ao real negócio jurídico celebrado, identificado segundo sua causa objetiva, as conseqüências tributárias que lhe são próprias segundo os desígnios da lei. As diferenças entre um contrato de trabalho e um contrato de prestação de serviço residem na pessoalidade, subordinação e continuidade que estão fortemente presentes no primeiro. Havendo provas da presença de tais elementos, correta a qualificação jurídica de contrato de trabalho AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 24 55 /2 00 5- 18 Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 proposta pela fiscalização, o que resulta em considerar os pagamentos feitos os prestador como parcela remuneratória sujeita à incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR. AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO. Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 11/1999, anteriores a 12/1999, nos termos do voto do(a) Relator(a); B) em ) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso na questão da existência de bis in idem, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que dava provimento ao recurso, pela existência de bis in idem; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, I, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.492 3 seja mais benéfico à Recorrente Impedido: Adriano Gonzáles Silvério Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Declaração de voto Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente o lançamento apresentada pela(o) interessada(o). O processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 35.669.8653, lavrado em 30/06/2005, que constituiu crédito tributário relativo a penalidade por não apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), com dados correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, no período de 08/98 a 05/04, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 509.509,45, fls. 01. Após tomar ciência pessoal da autuação em 30/06/2005, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 37/48, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A Seção de Contencioso Administrativo Previdenciário da DRPSão PauloSul determinou a realização de diligências, fls. 337/339, para que o fiscal autuante se manifestasse sobre as GPS anexadas. O fiscal autuante manifestouse em fls. 347 sem nada acrescentar. Na DecisãoNotificação de fls. 343/347, a DRP/São Paulo Sul concluiu pela procedência integral do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 16/10/2005, fls. 354. O recurso voluntário apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Argumenta que haveria nulidade da decisão a quo na medida em que não foram analisados todos os argumentos das impugnações às NFLDs 35.669.8688 e 35.669.8670 e ao AI 35.669.8661 que estão intimamente ligadas ao presente caso. Sustenta que as verbas apontadas pela fiscalização não compõem o salário de contribuição e, portanto, estão fora da base de cálculo das contribuições previdenciárias, conforme já demonstrou nas impugnações das NFLDs. Haveria duplicidade na multa imputada pela fiscalização, tendo em vista que as obrigações referentes aos autônomos já foram exigidas na NFLD 35.669.8661. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Como as omissões na GFIP atribuídas à recorrente foram objeto de duas NFLDs: 35.669.8688 e 35.669.8670 e ciente de que o processo referente à NFLD 35.669.8688 já estava distribuído para este Relator, esta Turma converteu o julgamento em diligência por meio da Resolução 120 de 17/03/2011 para que fossem, juntados documentos do processo referente à NFLD 35.669.8670 que já se encontrava no setor de Dívida Ativa da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.493 5 A diligência foi cumprida e os autos retornam para prosseguimento do julgamento. Para melhor compreensão, passamos a relatar o que a fiscalização lançou nas NFLDs 35.669.8688 e 35.669.8670. A NFLD 35.669.8688, já foi julgada por esta Turma por meio do Acórdão 230102.195 de 28 de julho de 2011, tendo o decisum o seguinte teor: "Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir da autuação, devido à regra decadencial expressa no I, Art. 173 do CTN, os motivos que serviram ao cálculo da multa até a competência 12/1999, anteriores a 01/2000, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, pela aplicação da regar expressa no § 4º, Art. 150 do CTN; e b) Por unanimidade de votos) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator." A referida NFLD relacionavase aos seguintes fatos narrados naquela ocasião: A autoridade fiscal considerou como empregados da recorrente o Sr. Luiz Metzler, sócio da Metzler Comércio e Serviços Gráficos Ltda, e o Sr. Romualdo Mossom, sócio da R.M. Assessoria de Vendas S/C Ltda por ter encontrado os elementos caracterizadores do vínculo empregatício. No caso do Sr. Luiz Metzler, a fiscalização apontou que este exercia função de relações públicas, trabalhando nas dependências da empresas com email institucional da recorrente. As notas fiscais da pessoa jurídica Metzler são seqüenciais, sendo que a recorrente paga complemento de assistência médica e reembolsa viagens. Ademais, o prestador assina documentos com timbre da recorrente para autorizar emissão de passagens aéreas, reservas de hotéis e aprovação de despesas. Tudo conforme documentos presentes nos autos, fls. 74/96. O Sr. Romualdo Mossom recebia sua remuneração por intermédio da RM Assessoria, mas exercia a função de Gerente da Região Sul, aprovando despesas e solicitando passagens aéreas, fls. 97/98. As notas fiscais da RM para a recorrente são seqüenciais, fls. 99/127. O Sr. Romualdo recebeu participação nos lucros destinada aos empregados da empresa e consta em documentos desta como gerente regional. Na planilha que apura a participação nos lucros há uma meta de vendas, o que sugere que o Sr. Romualdo seguia orientações da recorrente, sob subordinação. Por seu turno, na NFLD n° 35.669.8670 a fiscalização atribuiu natureza salarial a verbas pagas a titulo de ajuda de custo e a despesas com expatriados. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 6 A 4ª Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social (CAJCRPS), fls. 1293, julgou o Recuso da interessada em relação ao processo que tratava da NFLD 35.669.8670, negandolhe provimento de modo a confirmar o que já havia sido decidido em primeira instância, fls. 1124/1132. Há notícia em fls. 1292 que o respectivo débito foi pago, mas a interessada ingressou com ação anulatória de tal débito e de outros dois lançados pelas NFLDs 35.669.8696 e 35.669.8700, fls. 1316/1357. É o relatório. Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.494 7 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Passamos a apresentar nossa análise sobre cada um dos pontos abordados no Recurso Voluntário que sejam relevantes para o deslinde do presente, bem como sobre as eventuais questões de ordem pública identificadas no caso. Decadência. Prazo de cinco anos e dies a quo tomando a regra do art. 173, inciso I ou art. 150, §4º, conforme detalhes do caso. Aplicação do Resp 973.733SC. A aplicação da decadência suscita o esclarecimento de duas questões essenciais: o prazo e o dies a quo ou termo de início. O prazo decadencial para as contribuições sociais especiais para a seguridade social, que era objeto de disputa com relação à aplicação do que dispunha a Lei 8.212/1991 – dez anos ou o CTN – cinco anos, suscitou o surgimento de súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF). Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 8 único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos devem acatar o conteúdo da Súmula Vinculante n°. 08. Temos, então, que a partir da edição da Súmula Vinculante nº 08 o prazo decadencial das contribuições sociais especiais destinadas para a seguridade social é de cinco anos. Definido o prazo decadencial, resta o esclarecimento sobre o seu dies a quo. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.495 9 Como podemos extrair dos trechos citados acima, a referida súmula trata, no que se refere â decadência, da definição de seu prazo – 05 anos – em harmonia com o previsto no CTN , deixando o dies a quo do prazo decadencial para ser definido segundo as regras constantes do art. 150,§4º ou do art. 173, inciso I do CTN. A regra geral para aplicação dos termos iniciais da decadência encontrase disciplinada no art. 173 CTN: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Quis o legislador dispensar tratamento diferenciado para os contribuintes que antecipassem seus pagamentos, cumprindo suas obrigações tributárias corretamente junto a Fazenda Pública, fixando o termo inicial do prazo decadencial anterior ao do aplicado na regra geral, no dispositivo legal do §4o do art. 150 do CTN, in verbis : "Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Observese, pois que, da definição do termo inicial do prazo de decadência, há de se considerar o cumprimento pelo sujeito passivo do dever de interpretar a legislação aplicável para apurar o montante devido e efetuar o pagamento ou o recolhimento do tributo ou contribuição correspondente a determinados fatos jurídicos tributários. Nesta mesma linha transcrevemos algumas posições doutrinárias: Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 10 Misabel Abreu Machado Derzi, Comentários ao Código Tributário Nacional, coordenado por Carlos Valder do Nascimento, Ed. Forense, 1997, pág. 160 e 404: “A inexistência do pagamento devido ou a eventual discordância da Administração com as operações realizadas pelo sujeito passivo, nos tributos lançados por homologação, darão ensejo ao lançamento de ofício, na forma disciplinada pelo art. 149 do CTN, e eventual imposição de sanção.” (auto de infração). “O prazo para homologação do pagamento, em regra, é de cinco anos, contados a partir da data da ocorrência do fato gerador da obrigação. Portanto a forma de contagem é diferente daquela estabelecida no art. 173, própria para os demais procedimentos, inerentes ao lançamento com base em declaração ou de ofício. Tratase de prazo mais curto, menos favorável a Administração, em razão de ter o contribuinte cumprido com seu dever tributário e realizado o pagamento do tributo.”. Luciano Amaro , Direito Tributário Brasileiro, Ed. Saraiva, 4a Ed., 1999, pág. 352: “Se porém o devedor se omite no cumprimento do dever de recolher o tributo, ou efetua recolhimento incorreto, cabe a autoridade administrativa proceder ao lançamento de ofício (em substituição ao lançamento por homologação, que se frustrou em razão da omissão do devedor), para que possa exigir o pagamento do tributo ou da diferença do tributo devido.”. Sob o mesmo enfoque, no Acórdão CSRF/0101.994, manifestouse o Relator: “O lançamento por homologação pressupõe o pagamento do crédito tributário apurado pelo contribuinte, prévio de qualquer exame da autoridade lançadora. Segundo preceitua o art. 150 do Código Tributário Nacional, o direito de homologar o pagamento decai em cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de fraude, dolo ou simulação, situações previstas no § 4º do referido artigo 150. O que se homologa é o pagamento efetuado pelo contribuinte, consoante dessumese do referido dispositivo legal. O que não foi pago não se homologa, porque nada há a ser homologado. Se o contribuinte nada recolheu, se houve insuficiência de recolhimento e estas situações são identificadas pelo Fisco, estamos diante de uma hipótese de lançamento de ofício. Tratase de lançamento ex officio cujo termo inicial da contagem do prazo de decadência é aquele definido pelo artigo 173 do Código Tributário Nacional, ou seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.” (negrito da transcrição). O Superior Tribunal de Justiça (STJ), que durante anos foi bastante criticado pela doutrina por adotar a tese jurídica da aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, julgou em maio de 2009 o Recurso Especial 973.733 – SC (transitado em julgado em Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.496 11 outubro de 2009) como recurso repetitivo e definiu sua posição mais recente sobre o assunto, conforme podemos conferir na ementa a seguir transcrita: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadência regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 12 Extraise do julgado acima transcrito que o STJ, além de afastar a aplicação cumulativa do art. 150, §4º com o art. 173, inciso I, definiu que o dies a quo para a decadência nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação somente será aquele da data do fato gerador quando o contribuinte tiver realizado o pagamento antecipado. Nos demais casos, deve ser aplicado o dispositivo do art. 173, inciso I. Apesar de contribuir para clarificar a aplicação da decadência, tal julgado não eliminou por completo as possíveis dúvidas do aplicador da lei. Entre elas, a que nos interessa no momento é a seguinte: qualquer pagamento feito pelo contribuinte relativo ao tributo e ao período analisado desloca a regra do dies a quo da decadência do art. 173, inciso I para o art. 150, § 4º? Nossa resposta é: não. O pagamento antecipado realizado só desloca a aplicação da regra decadencial para o art. 150, §4º em relação aos fatos geradores considerados pelo contribuinte para efetuar o cálculo do montante a ser pago antecipadamente. Fatos não considerados no cálculo, seja por omissão dolosa ou culposa, se identificados pelo fisco durante procedimento fiscal que antecede o lançamento, permanecem com o dies a quo do prazo decadencial regido pelo art. 173, inciso I. Vale dizer que a aplicação da regra decadencial do art. 150, §4º referese aos aspectos materiais dos fatos geradores já admitidos pelo contribuinte. Afinal, não se homologa, não se confirma o que não existiu. Assim, mesmo estando obrigados a reproduzir as decisões definitivas de mérito do STJ, por conta da alteração do Regimento do CARF pela Portaria 586 de 26/12/2010, manteremos nossa posição quanto a esse aspecto, uma vez que a decisão daquele Tribunal Superior não esclarece a dúvida quanto à abrangência do pagamento antecipado. Definida a aplicação da regra decadencial do art. 173, inciso I, precisamos tomar seu conteúdo para prosseguirmos: “Art. 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Da leitura do dispositivo, extraímos que este define o dies a quo do prazo decadencial como o “primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. Mas ainda precisamos definir a partir de quando o lançamento pode ser efetuado. O texto do item 3 do Resp 973.733 fala que tal data “corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”. ,Se considerássemos isoladamente tal trecho da ementa do Resp 973.733 poderíamos concluir que o dies a quo da decadência para aplicação do art. 173, inciso I do CTN seria o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível. Um fato gerador ocorrido em 31/12/20XX teria como dies a quo do prazo decadencial 01/01/20(X+1), o que levaria o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+5). Tal conclusão, entretanto, estaria em desalinho com a lógica, uma vez que um fato gerador que se constata ocorrido em 31/12/20XX só poderá ser lançado a partir de 01/01/20(X+1), dada a cristalina premissa de que só existe obrigação tributária após a ocorrência do fato gerador. Se só poderia ser lançado em 01/01/20(X+1) , o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/20(X+2), o que leva o fim do prazo de caducidade para 31/12/20(X+6). Ainda sobre o assunto, estamos cientes que após o trânsito em julgado do Resp 973.733, em 22/10/2009, a Segunda Turma do STJ já se manifestou no sentido de admitir Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.497 13 que os fatos geradores ocorridos em dezembro de 200X só tem seu dies a quo em relação à decadência em 01 de janeiro de 20(X+2), conforme podemos conferir na ementa a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) Julgado em 09/02/2010. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Dessa maneira, já podemos afirmar que o próprio STJ já expressou, por uma de suas Turmas, que a afirmação categórica do item 3 do Resp 973.733 serviu apenas para afastar a tese da decadência decendial que houvera sido adotada por aquele Tribunal. Ademais, ao adotarmos a interpretação mais formalista do item 3 do Resp 973.733, estaríamos em contradição com a própria finalidade da norma regimental que criou a obrigatoriedade de os conselheiros seguirem as decisões do STJ tomadas em Recursos Repetitivos. O art. 62A do RICARF tem nítida finalidade de evitar que o CARF continue emitindo decisões que serão revistas pelo Poder Judiciário, o que estaria em desacordo com o princípio da eficiência, da moralidade administrativa e acarretaria despesas para o Erário Público na forma de ônus de sucumbência. Como o próprio STJ já vem adotando uma interpretação alinhada com lógica do texto do art. 173, inciso I do CTN, a continuidade de uma interpretação formalista resultaria em não atingimento da finalidade da norma regimental. Resulta, então, em síntese, que para fatos geradores ocorridos em 31/12/20XX (competência 12/20XX das contribuições previdenciárias, por exemplo) teremos o fim do prazo decadencial em 31/12/20(X+6) no caso de aplicação da regra do art. 173, inciso I do CTN. Assim, para o lançamento do crédito tributário de contribuições sociais especiais destinadas à seguridade social, seja este oriundo de tributo ou de penalidade pelo não pagamento da obrigação principal, o prazo decadencial é de cinco anos contados a partir do Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 14 primeiro do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, no caso dos fatos geradores para os quais não houve qualquer pagamento por parte do contribuinte, em atendimento ao disposto no art. 173, inciso I do CTN. Para o lançamento de ofício em relação aos aspectos materiais dos fatos geradores relacionados a pagamentos efetuados pelo contribuinte nas situações em que não haja caracterização de dolo, fraude ou sonegação, o dies a quo da decadência é a data da ocorrência do fato gerador, conforme preceitua o art. 150, §4º do CTN. Para a aplicação do art. 150, § 4º, entretanto, temos que atentar para o texto do referido dispositivo: § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Notamos que o texto legal referese a uma homologação tácita por parte da Fazenda Pública – “considerase homologado” é a expressão utilizada no caso de expirado o prazo de cinco anos do fato gerador sem que o fisco “se tenha pronunciado”. A interpretação mais comum desse trecho conclui que o pronunciamento a que se refere o dispositivo deve ser entendido como a homologação expressa ou a conclusão do lançamento de ofício com a ciência do sujeito passivo. Discordamos de tal entendimento. A expressão “pronunciado” não conduz a uma interpretação inequívoca de que equivale a homologação expressa ou lançamento de ofício. O verbo pronunciar, no dicionário Michaelis, é associado a diversos sentidos possíveis, entre eles, “emitir a sua opinião, manifestar o que pensa ou sente “. Quando a Fazenda Pública inicia fiscalização sobre um tributo em um período, está se manifestando, se pronunciando no sentido de que irá realizar a atividade prevista no art. 142 do CTN. Caso o §4º do art. 150 quisesse exigir a homologação expressa e não um simples pronunciamento, teria feito referência ao conteúdo do caput do mesmo artigo que define os contornos de tal atividade, mas preferiu a expressão ”pronunciado”. Com esse entendimento concluímos que, iniciada a fiscalização, a decadência em relação a todos os fatos geradores ainda não atingidos pela homologação tácita, passa a ser submetida à regra geral de tal instituto, ou seja, passa a ser regida pelo art. 173, inciso I. Ressaltamos que não se trata de interrupção ou suspensão do prazo decadencial, mas de um deslocamento da regra aplicável. Vejamos um exemplo. Considerando que uma fiscalização tenha sido iniciada em 06/20XX em relação a um tributo para o qual o sujeito passivo exerceu a atividade dele exigida pela lei, ou seja, o sujeito passivo realizou sua escrituração, prestou as informações ao fisco e antecipou, se foi o caso, algum pagamento. Nesse caso teria ocorrido a homologação tácita em relação aos fatos geradores ocorridos até 05/20(XX5). Os fatos geradores ocorridos depois de 05/20(XX5) poderão ser objeto de lançamento de ofício válido, desde que este seja cientificado ao sujeito passivo antes de transcorrido o prazo previsto no art. 173, inciso I. Feitas tais considerações jurídicas gerais sobre a decadência, passamos a analisar o caso concreto. Tratamos de lançamos de ofício motivado por descumprimento de obrigação acessória, o que, segundo nosso entendimento anteriormente apresentado, levanos a aplicar a regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, observando que tal situação não está abrangida pelo conteúdo do Resp 973.733SC. O lançamento foi cientificado em 30/06/2005, assim, o Fl. 1504DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.498 15 fisco tinha até 11/1999 para efetuar o lançamento. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Do mérito Esclarecemos que o auto de infração 35.669.8661 diz respeito a outra penalidade por não apresentação da folha de pagamento, o que afasta o argumento da recorrente de que teria havido duplicidade de lançamento. Como já relatado,. as omissões na GFIP atribuídas à recorrente foram objeto de duas NFLDs: 35.669.8688 e 35.669.8670. Esta última, conforme relatamos, já foi objeto de decisão definitiva na esfera administrativa, bem como a interessada tenta anular o respectivo débito na esfera judicial. Portanto, a discussão sobre os fatos geradores incluídos na NFLD 35.669.8670 já foi encerrada na esfera administrativa. A NFLD 35.6698688 já foi objeto de julgamento por esta Turma, porém ainda não alcançou a definitividade, o que nos leva a repetir a argumentação que adotamos naquela decisão. Da prova indiciária no direito tributário A recorrente não admite a prova indiciária no direito tributário, o que nos induz a algumas considerações sobre tal tipo de elemento probatório. Fabiana Del Padre Tomé, autora com obra relativamente recente e que é freqüentemente citada no estudo das provas, é enfática ao afirmar que “toda prova é indireta, pois nunca se tem acesso aos fatos, que são sempre passados. Daí por que toda prova é uma conjectura, levando à presunção acerca da ocorrência ou não de certo fato”(A prova no direito tributário. São Paulo: Noeses, 2005, p. 94) e acrescenta que “ toda prova é indiciária, visto que jamais toca o objeto a que se refere”(op.cit., p. 94). Em outro trecho de sua obra, a autora destaca que “o indício em nada difere da prova”(op. cit., p. 138). A respeitável autora reconhece a existência de uma distinção tradicional entre indício e prova em função do grau de convicção que o fato provado acarrete no julgador, de modo que seria prova quando levar à certeza, e indício se dele decorrer mera possibilidade. Porém, sua lição é de que a verdade jurídica decorre da decisão do julgador após a análise do conjunto probatório. Este, o conjunto probatório, pode ser composto por indícios que podem ser de duas espécies: indícios necessários e indícios contingentes. Fl. 1505DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 16 Os indícios necessários revelam, com alto grau de probabilidade, determinada situação. Os indícios contingentes indicam de forma mais ou menos provável a ocorrência de certo acontecimento. Além de necessários ou contingentes. Os indícios podem ser homogêneos ou heterogêneos. São homogêneos os indícios que tem conteúdo convergente, todos conduzindo ao mesmo resultado, ao passo que são heterogêneos os indícios que indicam fatos diversos. A autora conclui que “a força probatória de qualquer indício(...) deve ser avaliada no caso concreto, de modo que, havendo um único indício necessário(prova no sentido comumente empregado) ou vários indícios contingentes e convergentes, ter seá por provado o fato”. (op. cit., p. 1389). É de ser observado que as lições de Fabiana Del Padre Tomé que adotamos divergem da doutrina de Marcus Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López(Processo administrativo fiscal federal comentado. 2. ed. São Paulo, Dialética, 2004, p. 173). O autor, em certo trecho de sua doutrina, exige que os indícios no direito tributário sejam graves, ou seja, sejam aceitos somente se tiverem como conseqüência apenas um único fato. Essa exigência, no entanto, é qualidade dos indícios chamados necessários e que se equiparam ao que comumente se denomina de prova. Deixam de ser indícios, portanto. Exigir tal qualidade dos indícios é o mesmo que negar a utilidade deles para o direito tributário, mesmo quando convergentes. Em outro trecho de sua obra, entretanto, Marcus Vinicius admite a prova indiciária. Vejamos: “O trabalho investigatório realizado pelo agente fiscal é muito parecido com o desenvolvido pelo paleontólogo que aproveita diversas peças análogas de um animal. Completandoas uma com outras para formar o esqueleto do animal. Nesse trabalho de reconstrução, Le não precisa obter todos os ossos do esqueleto para ter uma idéia clara e precisa do animal e a certeza da espécie que foi descoberta. Basta que o conjunto de vestígios lhe dê segurança de suas conclusões. O julgador, de maneira análoga, vai reunindo indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desse indícios que permitem inferências sobre determinados fatos. Utilizase da combinação desses indícios, sua comparação e a exclusão das hipóteses contraditórias, de modo a reconstruir o passado de forma segura.”(p. 173) Fácil notar, portanto, que mesmo Marcus Vinicius e Maria Teresa admitem a prova indiciária no direito tributário. Sobre o assunto, não poderíamos deixar de fazer referência ao mestre Alberto Xavier (Do Lançamento: Teoria Geral do Ato, do Procedimento e do Processo Tributário. Rio de Janeiro: Forense, 1997, p. 133), que assim expressa seu entendimento: “Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos Fl. 1506DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.499 17 os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substitutiva) prevista na lei: só que num caso a verdade material se obtém de um modo direto e nos outros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções, juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade.” O que queremos destacar de tais abalizadas lições é que não somente as provas ou indícios necessários é que conduzem à certeza jurídica construída pelo julgador, mas também um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Cada um dos indícios contingentes nunca se equipara, isoladamente, a um indício necessário (prova no sentido tradicional) e não pode ser excluído do conjunto probatório por tal razão. A análise de um conjunto de indícios contingentes deve ser feita em duas etapas. Na primeira, analisamos a existência em si de cada indício. Na segunda etapa, analisamos o conjunto de indícios para qualificarmos se tratamos de um conjunto de indícios contingentes e convergentes. Se forem contingentes e convergentes, os indícios que compõem o conjunto terão alto valor probatório, habilitandose a fundamentar o convencimento do julgador que emitirá sua decisão conformadora da verdade jurídica aplicável ao caso. Por óbvio, não podemos olvidar da possibilidade da utilização da análise do conjunto probatório baseado em indícios para o direito tributário. Que qualidade superior ao direito penal teria o direito tributário para negarmos a utilização de conjuntos indiciários, tendo em vista que no direito penal tal metodologia probatória é amplamente aceita? Se aqui lidamos com o patrimônio do contribuinte, no direito penal tratamos da liberdade do cidadão. Teria o patrimônio um valor mais nobre que a liberdade individual em nosso Estado Democrático Direito de tal sorte que na análise das provas no direito que pode afetar o patrimônio devemos ser mais restritivos do que no direito que afeta a liberdade? Teria a legalidade tributária uma força jurídico axiológica maior que a legalidade no direito penal? Com todo respeito aos que pensam diferente, nossa resposta é não! Se para o direito penal é assente a utilização da análise do conjunto indiciário, o direito tributário há de admitila. Talvez a busca por uma verdade material como corolário do princípio da legalidade seja o argumento dos que querem afastar do direito tributário a análise do conjunto indiciário. Mas Fl. 1507DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 18 voltandonos para as lições de Fabiana Del padre Tomé, é certo que “a verdade que se busca no curso do processo de positivação do direito, seja ele administrativo ou judicial, é a verdade lógica, quer dizer, a verdade em nome da qual se fala, alcançada mediante a constituição de fatos jurídicos, nos exatos termos prescritos pelo ordenamento: a verdade jurídica”. O que comumente é denominado princípio da verdade material se conforma na possibilidade de a administração pública carrear aos autos outras provas de modo a possibilitar que sua decisão se aproxime da realidade. Não se relaciona, portanto, com a vedação à análise do conjunto indiciário. Registramos que no CARF, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, há várias decisões que acatam a utilização da prova indiciária: Acórdão 10708326 PAF PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, quando a sua formação está apoiada num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levam ao convencimento do julgador. Acórdão 10707083 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é aceita em matéria tributária, quando formada a partir de um juízo instrumental que leve em conta a existência de vários indício convergentes. Acórdão CSRF/0105.132 PAF – PROVA INDICIÁRIA A prova indiciária é meio idôneo para referendar uma autuação, desde que ela resulte da soma de indícios convergentes. O que não se aceita no Processo Administrativo Fiscal é a autuação sustentada em indício isolado, o que não é o caso desses autos que está apoiado num encadeamento lógico de fatos e indícios convergentes que levaram ao convencimento do julgador. Tomando tais considerações jurídicas gerais sobre os indícios, passamos a outras questões de relevo para o caso. Caracterização do contrato de trabalho. Qualificação jurídica dos fatos. Presença de pessoalidade, subordinação, continuidade e onerosidade. A matriz legal da caracterização de empregado na seara tributária é o art. 12, inciso I da Lei 8.212/91: Fl. 1508DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.500 19 DOS CONTRIBUINTES Seção I Dos Segurados Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: I como empregado: a) aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado; A lei tributária, portanto, definiu o empregado como “aquele que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, inclusive como diretor empregado”. Ao assim definir, destacou a necessidade de três requisitos para caracterização do empregado: não eventualidade, subordinação e onerosidade. São requisitos totalmente alinhados com o que prevê a legislação trabalhista por intermédio da CLT: Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. Tomando a legislação trabalhista, a doutrina estabeleceu como requisitos para a relação de emprego: a continuidade, subordinação, onerosidade e pessoalidade. Parecenos que a lição de Amauri Mascaro do Nascimento é perfeitamente cabível também para a lei tributária acima citada, pois a pessoalidade adviria da expressão “as seguintes pessoas físicas” contida no Fl. 1509DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 20 caput do art. 12. Assim, assumimos os quatro requisitos apontados pelo doutrinador como necessários para que um prestador de serviço seja considerado empregado. Nesse cenário, cabe à autoridade fiscal demonstrar que, em dada situação, tais requisitos foram constatados para que o prestador seja considerado empregado e os pagamentos feitos a ele sejam tidos como remuneração que deve sofrer a incidência da contribuição previdenciária. Se o contratante e o prestador ajustaram entre si que haveria a interposição de uma pessoa jurídica para a formalização da prestação de serviço, isso em nada altera a situação fática, pois, por exemplo, não é por denominarmos de compra e venda um negócio que se revela com as características jurídicas de uma doação que este assim será reconhecido no mundo do direito. Esse raciocínio traz em si a noção de causa objetiva do negócio jurídico que, seguindo as lições de Antonio Junqueira de Azevedo, equivale à função práticosocial ou econômicosocial do negócio. (Cf. AZEVEDO, Antonio Junqueira de. Negócio jurídico: existência, validade e eficácia. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 151). Adotando tais lições, Rodrigo de Freitas assinalou como a análise da causa objetiva permeia o trabalho do intérprete tributário (Cf. FREITAS, Rodrigo. É legítimo economizar tributos? Propósito negocial, causa do negócio jurídico e análise das decisões do antigo Conselho de Contribuintes. In: SCHOUERI, Luís Eduardo (coord.); FREITAS, Rodrigo de (org.). Planejamento tributário e o “propósito negocial”. São Paulo: Quartier Latin, 2010, p. 441490, (p. 4756)): “O conteúdo do negócio jurídico (previsão objetiva – vontade declarada), plasmado em forma de linguagem, serve de parâmetro, de referência, para a determinação do regime jurídico. Contudo, é na análise da causa objetiva que o trabalho do intérprete irá apurar se o regime jurídico é adequado à norma tributária ou não. (...) (...)concluise que não é o conteúdo formal do negócio jurídico consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência da norma tributária, mas sim a causa objetiva. O que importa ao intérprete é procurar a verdade substancial do evento, não a simples declaração de vontade objetivada em forma de linguagem.” Portanto, cabe ao intérprete da lei identificar os dados da realidade para promover a requalificação jurídica dos fatos, ou seja, identificar para qual negócio jurídico apontava a causa objetiva do verdadeiro negócio celebrado. Identificado o negócio celebrado, atribuise a este as conseqüências que a legislação tributária prescreve. Para tanto, cumprenos identificar a causa objetiva do negócio jurídico celebrado. Fl. 1510DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.501 21 Se alguém deseja contratar, de maneira eventual, uma prestação de serviços sem que seja relevante a pessoa física que irá realizar o serviço, o negócio jurídico previsto em nosso ordenamento é um contrato de prestação de serviços. Ou seja, a causa objetiva, a função práticosocial ou econômicosocial do referido contrato é oferecer uma prestação de serviço eventual e não pessoal. Evidente que quem contrata deseja que o serviço seja executado segundo sua orientação ou necessidade, daí a presença da subordinação técnica nesse tipo de contrato. Mas a ausência de pessoalidade não permitirá que o contratante exija que o contratado se submeta a todo o seu comando, inclusive, por exemplo, o modo de proceder no decorrer da execução. A subordinação técnica não permite que a contratante exerça todo os eu poder de direção. De outro modo, para uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante, nosso ordenamento prevê a figura do contrato de trabalho. Portanto, a causa objetiva, a função práticosocial ou econômicosocial do negócio jurídico denominado contrato de trabalho é permitir uma prestação de serviços contínua (não eventual), exercida pessoalmente e subordinada ao contratante. Se o conjunto fático revela que foi formalizado um negócio com a denominação de contrato de prestação de serviço, mas que tem a causa objetiva, a função práticosocial ou a finalidade econômicosocial de um contrato de trabalho, então o negócio formalizado é um ato ilícito, conforme art. 187 do Código Civil: Art. 187. Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes. Ou seja, quem celebra negócio com falsa causa objetiva, abusa de seu direito, comete ato ilícito, pois excedeu os limites impostos pelo fim econômicosocial, pela causa objetiva do negócio. A formalização declarada é ilícita, mas os efeitos tributários do negócio jurídico celebrado subsistem, conforme sua causa objetiva. Assim, embora os contratos de prestação de serviço possam estar perfeitamente formalizados, as empresas envolvidas regularmente criadas e inscritas nos órgãos públicos, as situações fáticas revelaram que a recorrente desejava contratar uma prestação de serviço contínua, pessoal e a ela subordinada, o que é causa objetiva, função práticosocial ou econômico social, não do contrato de prestação de serviços pretendido pela recorrente, mas do contrato de trabalho. Em situação similar, este Colegiado já se manifestou pela consideração de rendimentos do trabalho mesmo com a existência de pessoa jurídica que foi interposta na relação entre contratado e contratante. Vejamos: Acórdão 10421.954 Fl. 1511DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 22 CESSÃO DO DIREITO AO USO DA IMAGEM CONTRATO DE TRABALHO DE NATUREZA PERSONALÍSSIMA IMPOSSIBILIDADE DE SEREM PROCEDIDAS POR OUTRA PESSOA, JURÍDICA OU FÍSICA PRESTAÇÃO INDIVIDUAL DE SERVIÇOS JOGADOR DE FUTEBOL SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA São tributáveis os rendimentos do trabalho ou de prestação individual de serviços, com ou sem vinculo empregatício, independendo a tributação da denominação dos rendimentos, da condição jurídica da fonte e da forma de percepção das rendas, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. Desta forma, o jogador de futebol, cujos serviços são prestados de forma pessoal, terá seus rendimentos tributados na pessoa física incluídos aí os rendimentos originados no direito de arena/cessão do direito ao uso da imagem, sendo irrelevante a existência de registro de pessoa jurídica para tratar dos seus interesses. Em suma, na presença de pessoalidade, subordinação, continuidade e onerosidade, teremos a caracterização de um contrato de trabalho e, portanto, os pagamentos feitos ao prestador do serviço serão considerados parcela remuneratória que está no campo de incidência das contribuições previdenciárias e de terceiros. No âmbito do Tribunal Superior do Trabalho, exigese apenas dois elementos para caracterização do contrato de trabalho em face de interposição de pessoa jurídica: pessoalidade e subordinação direta. Vejamos a Súmula 331: Súmula Nº 331 do TST CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LEGALIDADE (nova redação do item IV e inseridos os itens V e VI à redação) Res. 174/2011, DEJT divulgado em 27, 30 e 31.05.2011 I A contratação de trabalhadores por empresa interposta é ilegal, formandose o vínculo diretamente com o tomador dos serviços, salvo no caso de trabalho temporário (Lei nº 6.019, de 03.01.1974). II A contratação irregular de trabalhador, mediante empresa interposta, não gera vínculo de emprego com os órgãos da Administração Pública direta, indireta ou fundacional (art. 37, II, da CF/1988). III Não forma vínculo de emprego com o tomador a contratação de serviços de vigilância (Lei nº 7.102, de 20.06.1983) e de conservação e limpeza, bem como a de serviços especializados ligados à atividademeio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação direta. Fl. 1512DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.502 23 A pessoalidade existe naquela situação na qual o empregado não pode fazerse substituir sem o consentimento do empregador (Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 153). Sobre a subordinação tomemos algumas lições doutrinárias. Vinculado por um contrato de trabalho, o empregado é, segundo a lição de Amauri Mascaro do Nascimento (Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 155): “um subordinado porque ao se colocar nessa condição consentiu por contrato que o seu trabalho seja dirigido por outrem, o empregador. Este pode dar ordens de serviço. Pode dizer ao empregado de que modo deverá trabalhar, o que deverá fazer, em que horário, em que local etc.” O mesmo autor adverte que nos altos escalões administrativos a subordinação é mais tênue a subordinação: “..nos altos escalões administrativos da empresa, há diretores que têm subordinação leve, quase imperceptível, a ponto de confundir alguns teóricos quando procuram responder qual a sua posição jurídica (...).Há, também nesse nível. A subordinação, embora menos visível, mas existente, com as nuanças próprias da situação em que esses trabalhadores, predominantemente intelectuais, encontramse Só o fato de, numa empresa, Alguém se inserir numa organização para cumprir diretrizes que não traça, mas que provém de uma assembléia da sociedade, é indicativo.”( Cf. NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Iniciação ao Direito do Trabalho. 24 ed. São Paulo: LTr, 1998, p. 156) Logo, quando há uma prestação de serviços com pessoalidade por alguém que segue diretrizes que não traça, temos configurado a presença de subordinação. Passemos à análise fática do caso dos autos. Analisaremos a presença dos elementos caracterizadores da relação de emprego e, portanto, da natureza salarial dos pagamentos, em relação a cada uma das contratadas. Metzler A subordinação fica caracterizada por alguns indícios convergentes colecionados pela fiscalização. O Sr. Metzler trabalha nas dependências da empresa, usa email institucional e este solicita e aprova emissão de passagens aéreas, reservas de hotéis e aprova despesas, fls. 74/94. São indícios que convergem para o fato de o contratado cumprir diretrizes que não traça, corroborando a noção de subordinação para altos escalões traçada por Amauri Mascaro Nascimento. A pessoalidade advém de outros elementos indiciários. O Sr. Luiz Metzler recebe complementação de assistência médica, Fl. 1513DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 24 porta cartão pessoal com o timbre e o email institucional da recorrente, fls. 84, a empresa Metzler foi constituída por este juntamente com sua esposa, fls. 227/230, nunca possuiu empregados e as notas emitidas para a recorrente eram seqüenciais, fls. 74/94. Tratase de conjunto de elementos convergentes que apontam para uma prestação de serviços com pessoalidade. A onerosidade e a habitualidade ficam facilmente identificadas nos pagamentos mensais durante alguns anos. RM Assessoria O principal argumento da recorrente para afastar a subordinação e a pessoalidade em relação ao Sr. Romualdo Mossom é o fato de a RM prestar serviços a outras empresas. No entanto, no período que nos interessa, após 31/12/1999, a RM só prestou serviços para a recorrente. As notas emitidas pela RM e que constam dos autos só mostram a existência de outro destinatário dos serviços no ano de 1998. Afastado tal argumento, a subordinação fica caracterizada por alguns indícios convergentes colecionados pela fiscalização. O Sr. Romualdo trabalha como Gerente Regional Sul, solicita e aprova emissão de passagens aéreas, reservas de hotéis e aprova despesas, fls. 97/127. São indícios que convergem para o fato de o contratado cumprir diretrizes que não traça, corroborando a noção de subordinação para altos escalões traçada por Amauri Mascaro Nascimento. A pessoalidade advém de outros elementos indiciários. O Sr. Romualdo Mossom foi indicado como beneficiário de Participação nos Lucros, o que evidencia que atuava diretamente para a empresa. Ademais, a própria recorrente reconhece, fls. 436, que somente o sócio majoritário da RM é que atuava a na prestação de serviços. Tratase de conjunto de elementos convergentes que apontam para uma prestação de serviços com pessoalidade. A onerosidade e a habitualidade ficam facilmente identificadas nos pagamentos mensais durante alguns anos. Com relação aos indícios que nos levaram a concluir pela presença dos elementos caracterizadores da relação de emprego em ambos os casos, a recorrente não negou a existência destes, mas tentou afastar a relação dos indícios com os referidos elementos. A despeito dos argumentos apresentados, nossa avaliação é de os indícios constantes dos autos são aptos a construir a certeza jurídica de que houve relação de emprego entre a recorrente e os Srs. Metzler e Mossom. Configurada a relação de emprego, os valores pagos aos trabalhadores devem sofrer a incidência da contribuição previdenciária e de terceiros. Aplicação do art. 129 da Lei 11.196. Impossibilidade. Inteligência do art. 105 do CTN Fl. 1514DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.503 25 Pretende a recorrente a aplicação do art. 129 da Lei 11.196/2005 que, segundo entende, teria autorizado a prestação de serviços por pessoas jurídicas em casos similares aos dos autos. Sem entrar no mérito do conteúdo do dispositivo mencionado, não é possível sua aplicação ao caso, pois os fatos geradores são anteriores à publicação da lei. Como é cediço, o art. 105 do CTN estabelece que “a legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116”. Já temos jurisprudência do CARF nesse sentido que citamos não em relação ao mérito da Lei, mas em relação ao aspecto intertemporal: Acórdão 10421.954 APLICAÇÃO DE LEI SUPERVENIENTE AO FATO GERADOR – AUSÊNCIA DE CARÁTER INTERPRETATIVO Inaplicável o art. 129 da Lei n°. 11.196, de 2005, a fatos geradores pretéritos, uma vez que dito dispositivo legal não possui natureza interpretativa, mas sim instituiu um novo regime de tributação. Assim, como a Lei 11.196/2005 foi publicada em 22/11/2005 e os fatos geradores são de 01/2000 a 02/005 não é possível considerarmos sua aplicação ao caso. Não vislumbro a ocorrência de bis in idem, pois eventual contribuição previdenciária recolhida sobre as notas fiscais dos prestadores tinham aqueles como contribuintes e nos autos o contribuinte é a contratante. Quanto aos valores recolhidos pelas empresas prestadoras, estes poderão ser objeto de pedido de restituição protocolizado pelas interessadas. No tocante às alegações quanto à desconsideração da pessoa jurídica, nos alinhamos com o que ficou consignado na decisão a quo, in verbis: “21. A atuação do fisco não foi além das prerrogativas que a lei e a jurisprudência lhe permitem conforme afirma a impugnação. A personalidade jurídica da pessoa jurídica não foi desconsiderada, pois esta se mantém incólume. A auditoria fiscal desconsiderou, apenas, o contrato de prestação de serviços existente entre a terceirizada e a tomadora dos serviços, com o fim único de atribuir a esta, a responsabilidade previdenciária que emerge da vinculação fáticojurídica que se estabeleceu entre ela e os sócios das empresas contratadas. Nessa linha, seguem os ensinamentos do ilustre Rubens Requião: Não se trata, é bom esclarecer, de considerar ou declarar nula a personificação da pessoa jurídica, mas de a tornar ineficaz para Fl. 1515DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 26 determinados atos (Curso de Direito Comercial, vol. 1, 14a ed., São Paulo, Editora Saraiva, 1994).” Por fim, registramos que o reconhecimento da relação de emprego de forma a gerar efeitos jurídicos na relação entre empregado e empregador é, de fato, de competência da Justiça do Trabalho, mas o que aqui foi discutido é a natureza dos pagamentos feitos aos trabalhadores e seu reflexo na relação entre fisco e empregador. Portanto, os fatos geradores relacionados com as NFLDs: 35.669.8688 e 35.669.8670 deviam constar da GFIP. Agindo de outro modo, a recorrente ensejou a aplicação da penalidade aqui discutida. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 1516DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.504 27 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são Fl. 1517DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 28 normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não Fl. 1518DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.505 29 idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe Fl. 1519DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 30 expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.506 31 da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a: (a) afastar os fatos geradores ocorridos até 11/1999, por conta da decadência; (b) para as penalidades aplicadas Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 32 com motivação em infrações relacionadas a GFIP, determinar a aplicação da multa mais benéfica quando comparadas as penalidades do art. 32A com as penalidades dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Declaração de Voto DO LANÇAMENTO 1. No que diz respeito ao mérito, o processo teve início com o Auto de Infração (AI) nº 35.669.8653, lavrado em 30/06/2005, que constituiu crédito tributário relativo a penalidade por não apresentar as Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP), fls. 01. 2. Ocorre que, conforme pude constatar, na mesma ação da fiscalização foram lavrados outros autos de infração contra o mesmo sujeito passivo, o que enseja dupla punição. 3. A infração ora em tela, no meu entendimento, já foi devidamente punida com a emissão dos demais autos de infração e, assim, não poderia ser novamente castigada pelo descumprimento de obrigação acessória. 4. Tal entendimento encontra guarida na própria norma previdenciária que, em alguns casos, já trata conjuntamente as hipóteses de “recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente” para assegurar que o fisco poderá lançar de ofício a importância devida (art. 33, §3º, da Lei 8.212/91). 5. O duplo sancionamento deve ser evitado. Sobre o tema vale ressaltar os ensinamentos de Daniel Ferreira “tem outra e especial serventia enquanto princípio geral do Direito: a de proibir reiterado sancionamento por uma mesma infração – vale dizer, afastar a possibilidade de múltipla e reiterada manifestação sancionadora da Administração Pública” (in “Sanções Administrativas”, Malheiros Editores). 6. Nesse sentido, cito jurisprudência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): “AUTO DE INFRAÇÃO – BIS IN IDEM – IMPOSSIBILIDADE DE COEXISTÊCIA DE AUTO DE INFRAÇÃO PELA NÃO ENTREGA DE GFIP E PELA NÃO INFORMAÇÃO DE TODOS OS FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NO MESMO PERÍODO PARA O MESMO SUJEITO PASSIVO. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.507 33 Ocorrência de bis in idem quando se trata de uma infração e são lavrados dois autos de infração para aplicação de multa punitiva pelo descumprimento de uma obrigação acessória. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 2050.1522, julgado em 03.02.2009, Conselheira Relatora Liege Lacroix Thomasi) “DOCUMENTOS. INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS PRESTADOS. BIS IN IDEM. IMPOSSIBILIDADE DA MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO. A não apresentação de todos os documentos relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 constitui infração distinta da não prestação de informações e esclarecimentos, mas a autuação fiscal deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra. Recurso Voluntário Provido.” (Acórdão 230101.291, julgado em 23.03.2010; Rel.: Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes) 7. Ainda com relação à matéria, apenas para exemplificar, a legislação que trata do processo administrativo por dano ambiental pacifica matéria semelhante na Lei 9.605/98, artigo 76, onde encontrase previsto que “o pagamento de multa imposta pelos Estados, Municípios, Distrito Federal ou Territórios substituiu a multa federal na mesma hipótese de incidência”. 8. Além disso, é importante que sejam observados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade, conforme previsto nos artigos 37, 5º, inciso II, e 84, inciso IV, todos da Constituição Federal, pois, a meu ver, a Administração Pública deve seguilos como parâmetro para que as medidas adotadas por ela não gerem prejuízos elevados ao contribuinte. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de Justiça (STJ), in verbis: “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA DE PESSOA FÍSICA. PREENCHIMENTO INCORRETO DA DECLARAÇÃO. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. PREJUÍZO DO FISCO. INEXISTÊNCIA. PRINCÍPIO DA RAZOABILIDADE. 1. A sanção tributária, à semelhança das demais sanções impostas pelo Estado, é informada pelos princípios congruentes da legalidade e da razoabilidade. 2. A atuação da Administração Pública deve seguir os parâmetros da razoabilidade e da proporcionalidade, que censuram o ato administrativo que não guarde uma proporção adequada entre os meios que emprega e o fim que a lei almeja alcançar. 3. A razoabilidade encontra ressonância na ajustabilidade da providência administrativa consoante o consenso social acerca do que é usual e sensato. Razoável é conceito que se infere a contrario sensu; vale dizer, escapa à razoabilidade "aquilo que não pode ser". A proporcionalidade, como uma das facetas da razoabilidade revela que nem todos os meios Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 34 justificam os fins. Os meios conducentes à consecução das finalidades, quando exorbitantes, superam a proporcionalidade, porquanto medidas imoderadas em confronto com o resultado almejado(...).” (Recurso Especial nº 728.999 PR (2005∕00331148; Ministro Relator Luiz Fux) 9. O princípio da proporcionalidade pode ser visto como um desdobramento do princípio da razoabilidade e se traduz no sentido de que, adotando a medida necessária para atingir o interesse almejado, o administrador age com proporcionalidade, que deve ser medida não pelos critérios pessoais do administrador e nem nos termos frios da lei, mas diante do caso concreto e segundo os padrões comuns na sociedade. 10. E no caso concreto entendo que a fiscalização agiu de forma desproporcional ao autuar nove vezes o contribuinte em decorrência de ações da empresa que se comunicam entre si. Celso Antônio Bandeira de Mello ensina que a proporcionalidade é uma “faceta específica” da razoabilidade, o que significa dizer que nas decisões e nas medidas administrativas deve haver adequação entre os meios e os fins previstos na lei. 11. A segurança jurídica é afetada ante a ação da fiscalização. E sobre a questão cito o parecer ProCADE n.º 526/2005, da Advocacia Geral da União AGU, no qual a Procuradora Nancy de Abreu afirma que o bis in idem “tratase de um princípio basicamente de construção doutrinária e que irradia sobre os atos administrativos, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, como uma limitação ao poder punitivo ao EstadoAdministração”. 12. Ainda conforme a AGU “a expressão bis in idem pode ter seu significado dividido nos seguintes termos: o bis deve ser entendido como uma vedação não só à nova sanção, mas deve ser estendido seu significado para se evitar nova persecução (instrução mediante novo processo); o idem, em termos objetivos, possui como significado, ao menos no direito brasileiro, como mesmos fatos, em termos reais e históricos, com relevância decorrente da análise dos fatos e não estritamente jurídica”. 13. Seguindo essa linha de raciocínio, Fábio Medina ensina que “a idéia básica do non bis in idem é que ninguém pode ser condenado duas ou mais vezes por um mesmo fato” e segue dizendo que “já foi definida essa norma como ‘princípio geral de direito’, que, com base nos princípios da proporcionalidade e da coisa julgada, proíbe a aplicação de dois ou mais procedimentos, seja em uma ou mais ordens sancionadoras, nos quais se dê uma identidade de sujeitos, fatos e fundamentos, e sempre que não exista uma relação de supremacia especial da Administração Pública” (in Direito Administrativo Sancionador – SP, Editora RT, 2000, Osório, Fábio Medina, f. 279). 14. Assim, firme está meu convencimento no sentido de que o agente fiscal agiu em contraposição ao princípio do non bis in idem, ao autuar o contribuinte por nove vezes, agravando as multas aplicadas. 15. O fisco deve evitar a aplicação de dupla penalidade quando uma das ações cometidas pelo contribuinte estiver abrangida pela outra, porém, cumpre salientar que não estou a menosprezar a função repressiva das sanções tributárias, adotadas sempre no sentido de preservar a atividade de fiscalização e a segurança nos atos destinados a arrecadação dos tributos. Entretanto, a meu sentir, o Estado também não pode punir excessivamente o contribuinte, notadamente no presente caso em que a empresa recebeu nove autos de infração por múltiplas condutas. Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 35464.002455/200518 Acórdão n.º 2301003.528 S2C3T1 Fl. 1.508 35 16. Não é demais falar que no Brasil a burocracia e o excessivo dever acessório de prestar ou franquear o acesso a informações de interesse da administração tributária colocam as empresas em situação caótica. A guarda de documentos, a produção de dados nos exatos formatos delimitados pelo fisco, entrega de documentos mensais, são apenas algumas das inúmeras e crescentes obrigações dos contribuintes passivas de pesadas multas. Sem falar no acompanhamento diário a que é obrigada a empresa sobre a edição de Leis, Decretos, Portarias, Instruções Normativas, etc. 17. Essas imposições de obrigações tributárias acessórias sem limite algum, na verdade, asfixiam as pequenas empresas e propiciam o aumento da informalidade no País. O que resulta, finalmente, no aumento do Custo Brasil, que, por seu turno, afeta gravemente a vida das empresas e dos empregados. 18. Feitas tais considerações, voto pelo provimento do recurso voluntário, por entender que o auto de infração lavrado não subsiste. CONCLUSÃO 19. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/11 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 31/07/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digit almente em 31/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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Numero do processo: 10320.003171/2002-00
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. SALDO INICIAL DA CONTA CAIXA. VALORES DIVERGENTES. ÔNUS DA PROVA.
A indicação de saldo credor na conta Caixa caracteriza, por presunção legal, omissão de receitas. No entanto, para que a Fiscalização possa desconsiderar o valor do saldo inicial dessa conta e proceder à sua reconstituição, há que se ter prova robusta, cujo ônus é do Fisco. Diante de dois valores divergentes e, ainda, não sendo possível trazer aos autos o balanço patrimonial tempestivamente registrado no competente órgão do registro de comércio, não se pode desacreditar o saldo inicial escriturado no Livro Caixa e substituí-lo por aquele que constava na declaração de rendimentos do período.
Numero da decisão: 1302-001.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. SALDO INICIAL DA CONTA CAIXA. VALORES DIVERGENTES. ÔNUS DA PROVA. A indicação de saldo credor na conta Caixa caracteriza, por presunção legal, omissão de receitas. No entanto, para que a Fiscalização possa desconsiderar o valor do saldo inicial dessa conta e proceder à sua reconstituição, há que se ter prova robusta, cujo ônus é do Fisco. Diante de dois valores divergentes e, ainda, não sendo possível trazer aos autos o balanço patrimonial tempestivamente registrado no competente órgão do registro de comércio, não se pode desacreditar o saldo inicial escriturado no Livro Caixa e substituílo por aquele que constava na declaração de rendimentos do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 31 71 /2 00 2- 00 Fl. 1487DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.488 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório SÃO LUÍS DISTRIBUIDORA DE LIVROS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 4777, de 19/08/2004, da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza/CE, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Trata o presente processo de autos de infração, lavrados em 04/12/2002 (ciência do sujeito passivo em 23/12/2002), para constituição de crédito tributário de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ – fl. 06), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL – fl. 30), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS – fl. 14) e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS – fl. 22), por fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 1998, 1999, 2000 e 2001. O total da exação alcançou R$ 1.009.639,12, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, à fl. 05. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado pelo diligente relator do processo por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito. [...] 2. A infração apurada pela fiscalização e relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 07/08, e complementada pelo Termo de Verificação às fls. 43/46, foi, em síntese, a seguinte: 3. Omissão de Receitas da Atividade A Partir do AC 93: 3.1. Omissão de receitas da atividade, configurada pela ocorrência de saldo credor de caixa, conforme apurouse na fiscalização levada a efeito na autuada, cujos fatos estão descritos no Termo de Verificação Fiscal (fls. 43/46) e demais documentos e demonstrativos, em anexo, que fazem parte integrante deste Auto de Infração. [...] 4. O Termo de Verificação Fiscal está assim redigido: “DOS FATOS 1 A ação fiscal teve início em 21/05/2002, quando o contribuinte foi cientificado do MPF e do Termo de Início de Fiscalização, solicitando que o mesmo apresentasse, no prazo de 10 (dez) dias os documentos nele relacionados (fls. 47/48). 2 Em 14/06/2002, o contribuinte apresentou os Livros Registros de Entradas e de Saídas, e de Apuração de ICMS, referente aos anos de 1997 a 2001, bem como os Livros Diários de 1997 a 2000, conforme fls. 49. Também na mesma data o contribuinte Fl. 1488DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.489 3 apresentou nove pastas contendo os documentos discriminados na relação em anexo (fls. 50); 3 Em 20/06/2002, o contribuinte foi intimado a apresentar os livros Caixa e Registro de Inventário, bem como declaração informando se houve no período de jun/97 a mar/02 compras pagas com recursos externos à empresa, apresentando, se positivo, documentos comprobatórios da origem desses recursos (fls. 51); 4 Na mesma data, foi emitido Termo de Intimação Fiscal para a Editora FTD S/A, sendo recebido em 24/06/2002, solicitando o valor das vendas realizadas para a São Luís Distribuidora de Livros Ltda, no período de jan/98 a dez/2001 (fls. 52); 5 Tendo em vista que os Livros Diários estavam escriturados em partidas mensais, sem os correspondentes livros auxiliares, o contribuinte, em 02/09/2002, solicitou 15 (quinze) dias de prazo para concluir a escrituração do livro caixa (fls. 55); 6 Em 28/06/2002, a Editora FTD S/A encaminhou fax relatando o montante das vendas realizadas para a São Luís Distribuidora de Livros. Posteriormente, foi encaminhado o original (fls. 57/63); 7 Em 03/07/2002, o contribuinte foi intimado a apresentar demonstrativo discriminando, mês a mês, os valores das compras efetuadas junto a Editora FTD S/A, no período de jan/98 a dez/2001, bem como a data do efetivo pagamento (fls. 64); 8 No mesmo sentido, a Editora FTD S/A foi intimada a apresentar demonstrativo discriminando, mês a mês, os valores das vendas efetuadas à empresa São Luís Distribuidora de Livros Ltda, no período de jan/98 a dez/2001, informando ainda o nº das notas fiscais/faturas emitidas, bem como o valor e a data do efetivo pagamento destas (fls. 64); 9 Em 02/10/2002, o contribuinte foi reintimado a apresentar o Livro Caixa, o qual foi apresentado em 07/10/2002 (fls. 67); II DA INFRAÇÃO APURADA OMISSÃO DE RECEITA CARACTERIZADA POR SALDO CREDOR DE CAIXA. 1 Após circularização feita junto a empresa Editora FTD S/A, CNPJ 61.196.490/000157, principal fornecedor do contribuinte sob fiscalização (doc. fls. 65), a empresa circularizada nos remeteu relatório evidenciando as compras feitas pelo contribuinte, bem como os títulos emitidos e a data de sua quitação, conforme documento de fls. 69/343; 2 Ao confrontarmos as compras realizadas pelo contribuinte junto ao seu principal fornecedor com o livro fiscal Registro de Entradas (fls. 345/582), constatamos que várias compras não fora escriturada no respectivo livro, conforme planilhas elaboradas por esta fiscalização e constantes das folhas 583/597; Fl. 1489DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.490 4 3 Intimado a justificar a origem dos recursos financeiros utilizados para pagamento das referidas compras, o contribuinte respondeu (fls. 599) que tais recursos eram oriundos de receitas de vendas declaradas em DCTF’s e devidamente registradas nos Livros Registros de Saídas. 4 – Comparandose as vendas realizadas com as compras escrituradas e não escrituradas (fls. 600), percebese que somente os valores das vendas são insuficientes para fazer face às compras realizadas. 5 Na mesma oportunidade, intimamos o contribuinte a comprovar, com documentos hábeis e idôneos, o saldo inicial do livro caixa em 01/01/1997, no valor de R$ 7.046.712,10 (fls. 598), tendo em vista que tal saldo divergia do declarado em DIRPJ/98, no valor de R$ 7.548,96 (fls. 603); 6 Em resposta o contribuinte disse que o referido saldo era advindo do exercício de 1996, conforme livro caixa apresentado junto à resposta. Como o contribuinte não apresentara os respectivos documentos que comprovassem a veracidade da escrituração e conseqüentemente o saldo inicial do livro caixa/97, reintimamos o mesmo, através do Termo de Constatação Fiscal nº 002 (fls. 614), a apresentálos, observandolhe o disposto no art. 527 do RIR/99. 7 Em resposta à reintimação o contribuinte afirma que os saldos dos livros caixas eram compostos de valores em espécie, cheques prédatados, notas promissórias e duplicatas. Porém o contribuinte, uma vez mais, não apresenta os documentos comprobatórios dessa escrituração. (fls. 615); 8 Portando, levandose em conta que os livros caixas foram efetivamente escriturados no curso da ação fiscal, que o contribuinte não apresentou documentos comprovando o saldo inicial do caixa em 01/01/97, no valor de R$ 7.046.712,10 (tipo por exemplo extratos bancários, de aplicação financeira, poupança etc), que o saldo de caixa e bancos declarados no período de 1993 a 2001 (f1s. 601/613) diferem, e muito, do constante dos livros caixas, DESCONSIDERAMOS O SALDO INICIAL DO LIVRO CAIXA EM 01/01/97, conforme informado ao contribuinte no Termo de Constatação Fiscal nº 001 (fls. 598); 9 Ao refazer o Livro Caixa do contribuinte, consideramos como saldo inicial em 01/01/97 o valor efetivamente declarado na DIRPJ/98, no montante de R$ 7.548,96 (fls. 603). O Caixa refeito, que se encontra em anexo (fls. 898/945), apresentou saldo credor nos meses discriminados conforme planilha de consolidação anexa (fls. 946), sendo que para efeito de tributação consideramos com omissão de receita o maior saldo credor no período de um mês. Desse modo, observandose o disposto no art. 281, inciso I, do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), no art. 24, § 2º, da Lei nº 9.249/95 e nos arts. 44, inciso I e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, procedemos ao lançamento do respectivo crédito tributário. Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.491 5 E, para constar e surtir os efeitos legais, lavramos o presente Termo, em 03 (três) vias de igual forma e teor, assinado pelo(s) Auditor(es) Fiscal(is) da Receita Federal e pelo contribuinte/preposto da fiscalizada, que neste ato recebe uma das vias.” 5. Foram lavrados os seguintes Autos de Infração, em conseqüência das infrações acima mencionadas: [...] 6. Inconformado com a autuação acima descrita, da qual tomou ciência em 23/12/2002 (fls. 1.054), o contribuinte, através de seu representante legal, em 22/01/2003 (fls. 1.057/1.060; 1.086/1.089; 1.115/1.118 e 1.144/1.147), apresenta impugnações, todas de igual teor, alegando o seguinte: “Aos vinte e um dias do mês de maio do exercício de 2002, através do Mandado de Procedimento Fiscal M.P.F. de número 03.2.01.002002000573 (docs. 09 a 11) fotocópias em anexo, foi lavrado o Termo de Início de Fiscalização, o qual com ciência em 21/05/2002, ficou a peticionária intimada à apresentação de livros e documentos fiscais/contábeis referentes ao período de junho de 1997 a março de 2002. Que, aos 14 (quatorze) dias do mês de junho de 2002, foi entregue na Delegacia da Receita Federal Seção de Fiscalização, sito à Rua Oswaldo Cruz, número 1.618 setor C Canto da Fabril São Luís MA, os documentos e livros fiscais/contábeis conforme relação (docs. 12 e 13) fotocópias em anexo, e que além dos períodos exigidos, (06/1997 a 03/2002) prontificouse, a peticionária, a entregar também livros e documentos fiscais/contábeis relativos aos períodos de janeiro/97 a maio/97, que se observe, períodos já contemplados pela prescrição. Que no decorrer do período, início até o fim, tido com tempo necessário para o encerramento da fiscalização 21/05/2002 a 23/12/2002, houve vários procedimentos fiscais, todos descritos no Termo de Verificação Fiscal (docs. 14 a 17) fotocópias em anexo. MATÉRIA EM QUESTÃO. Referido Auto de Infração teve como base, a suposta ausência de saldo de Caixa para honrar aos pagamentos já efetuados pela autuada, o que veio a se evidenciar pelo fato do fisco não considerar o que fora apresentado pela peticionária em termos de livros fiscais e demonstrações. Nestes termos, fora entregue o Livro Caixa de 1997 com um saldo inicial de R$ 7.046.712,10 onde referido valor foi substituído por R$ 7.548,96 o que seria o saldo inicial de caixa constante da DIPJ de 1997, o que referido ato, veio logicamente, a gerar saldos credores com o decorrer das transações a partir de 16/03/1998 e com isto, o surgimento das obrigações Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.492 6 tributárias descritas no Auto de Infração e suas folhas de continuação. Através do Termo de Constatação nº 02 de 06/11/2002, (docs. 18 e 19) fotocópias em anexo, foi a requerente reintimada a apresentar documentos que comprovassem o saldo inicial do Livro Caixa em 01/01/1997, para o que, assim o fizemos, além de apresentarmos também o Livro Caixa de 1996 (janeiro a dezembro) contendo toda a continuidade do movimento financeiro da empresa, onde também apresentamos resposta ao exigido no citado Termo, inclusive justificando as divergências entre saldos de nossos caixas escriturais e as declarações do Imposto de Renda Pessoa Jurídica apresentadas nos exercícios de 1994 a 2001, (doc. 20) fotocópia em anexo. Com referência aos documentos que instruiriam tais movimentações, deixamos de apresentálos pelo fato de não mais dispormos dos mesmos, vez que tratavamse de documentos já amparados pela prescrição, e já incinerados, o que para isto nos baseamos nos ditames do Código Tributário Nacional (Artigos 174 e 195, Parágrafo único) e do próprio Regulamento do Imposto de Renda (Artigos 527 e 901). Isto posto, e sombreados nestes diplomas legais, verificase que a ação fiscal deveria se posicionar exatamente dentro do período, a princípio citado no Termo de Início de Fiscalização, junho de 1997 a março de 2002 (doc. 11), o que obviamente, demonstrou respeito ao período prescricional. Por outro lado, não entendemos o pensamento do fisco, quando em seu Termo de Verificação Fiscal (doc. 15) no item 6, faz menção ao artigo 527 do RIR/99, que trata justamente em seu item III de período prescricional, e ainda aí, faz menção a não apresentação de documentos que comprovassem a escrituração do movimento de 1996 e conseqüentemente o saldo inicial de 1997. Notese que todo o trabalho efetuado pelo fisco foi direcionado a partir do exercício de 1998, inclusive quando da solicitação dos valores de nossas compras à Editora FTD como menciona o próprio auditor no item 4 do Termo de Verificação Fiscal (doc. 14) como assim se reporta: "Na mesma data, foi emitido Termo de Intimação Fiscal para a Editora FTD S/A, sendo recebido em 24/06/2002, solicitando o valor das vendas realizadas para a São Luís Distribuidora de Livros Ltda., no período de jan/98 a dez/2001". Isto vem a se justificar pelo fato do Auditor Fiscal ter conhecimento amplo e pleno dos diplomas legais que regulamentam o direito da prescrição e que se ao contrário, qualquer ação seria de maneira improcedente. Quando da apresentação de nossos Livros Caixas, exercícios de 1996 a 2001, todos em partidas diárias, como requer a legislação, e todos fotocopiados pelo Auditor Fiscal para fazer Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.493 7 parte integrante dos processos de origens a partir dos Autos de Infrações, notese que nenhum apresenta saldo credor no curso de suas escriturações e que constam também dos mesmos todos os pagamentos de títulos, despesas diversas de cunho da empresa no decorrer dos citados exercícios. Se houvera pagamentos, presumese que havia saldo de caixa, e para comprovar o aqui exposto fazemos juntar demonstrativos, em partidas mensais pelos totais de pagamentos e de recebimentos (docs. 21 a 25). Nestes termos, requer a peticionária, seja considerado o saldo inicial de caixa do exercício de 1997, exercício imediatamente anterior aos períodos fiscalizados, e que cujo saldo, proveniente de recursos totalmente escriturados em seus livros, já vistos pela fiscalização, e que constam dos Autos de origem, requerendo ainda, seja enviado o presente recurso à seção julgadora, para em primeira instância, seja deferido o aqui requerido.” A 3ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 4777, de 19/08/2004 (fls. 1191/1204), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. SALDO CREDOR DE CAIXA. LUCRO PRESUMIDO. A constatação de saldo credor de caixa, não infirmada pela fiscalizada, autoriza a tributação dos valores por omissão de receitas, independente da forma de tributação adotada pelo contribuinte. OMISSÃO DE RECEITAS. LUCRO PRESUMIDO. A regra de tributação da receita omitida, prevista no § 2º do artigo 43 e artigo 44 da Lei nº 8.541/92, é aplicável ao lucro presumido a partir do ano de 1995, por força da nova redação que lhe foi dada pela Medida Provisória nº 492/94, convertida na Lei nº 9.064/95. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL. CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL. Aplicase às exigências ditas reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas, ressalvadas as alterações exoneratórias procedidas de ofício, decorrentes de novos critérios de interpretação ou de legislação superveniente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.494 8 Exercício: 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: PRESCRIÇÃO PARA COBRANÇA DE DOCUMENTOS. Enquanto não configurada a prescrição da ação para cobrança do crédito tributário, o contribuinte deverá manter em ordem os livros contábeis e a documentação correlata. A ação para a cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. Ciente da decisão de primeira instância em 20/09/2004, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1125, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 19/10/2004 conforme carimbo de recepção à folha 1238. No recurso interposto (fls. 1238/1307), traz os seguintes argumentos, em apertada síntese: 1. Pede a declaração de nulidade do lançamento, porquanto baseado em ato atingido pelo instituto da decadência. A recorrente argumenta que, para quaisquer valores decorrentes do ano calendário 1996, o prazo decadencial começaria a fluir em 31 de dezembro daquele mesmo ano, esgotandose em 31 de dezembro de 2001. Desta forma, no início da ação fiscal, em 21 de maio de 2002, o Fisco não mais poderia questionar e desconsiderar, como o fez, o saldo final que consta do Livro Caixa em 31/12/1996, em valor idêntico ao saldo de abertura de Caixa em 01/01/1997. Acrescenta que em 2002 estaria desobrigada da guarda dos documentos relativos ao ano de 1996. 2. Argúi a insubsistência da legislação invocada, notadamente os preceitos da Lei nº 8.541/1992, considerando também a aplicação do quanto disposto no art. 106 do CTN. A interessada se insurge contra o entendimento manifestado pelo acórdão recorrido acerca da aplicabilidade, ao caso concreto, das disposições dos artigos 43 e 44 da Lei nº 8.541/1992, alterados pela Lei nº 9.064/1995. Sustenta que tais dispositivos já teriam sido expressamente revogados pelo art. 36, IV, da Lei nº 9.249/1995, por ocasião dos fatos geradores de que trata o presente processo. O mesmo se daria com os artigos 523, 739 e 892 do RIR/94, os quais se reportam aos referidos dispositivos revogados da Lei nº 8.541/1992. Entende que a Lei nº 9.249/1995 lhe seria mais benéfica e, destarte, essa seria a única lei a ser aplicada ao lançamento. 3. Considera ilegal o art. 281, I, do RIR/99 (Decreto nº 3.000/1999). A recorrente afirma que o art. 40 da Lei nº 9.430/1996 somente prevê duas situações passíveis de serem caracterizadas como omissão de receitas, a saber: (a) a falta de escrituração de pagamentos efetuados pela pessoa jurídica; e (b) a manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Sustenta, então, que o RIR/99 (Decreto nº 3.000/99) teria extrapolado o comando legal, ao incluir, no inciso I do art. 281, também “a indicação na escrituração de saldo credor de caixa”, criando nova hipótese normativa de omissão de receitas, sem previsão legal. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.495 9 Tendo sido a autuação baseada nesse dispositivo (RIR/99, art. 281, I), a exação deveria ser considerada improcedente. 4. Questiona a multa prevista no art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, por considerála ilegal e inconstitucional. A multa em tela seria confiscatória, ofendendo dispositivos constitucionais, especialmente a vedação à utilização de tributo com efeito de confisco e os princípios da razoabilidade e proporcionalidade e, ainda, da capacidade contributiva. Pede, então, a redução da multa aplicada, tendo como parâmetros os precedentes do Supremo Tribunal Federal, de 20% a 30%. 5. Questiona a aplicação da taxa SELIC, por considerála ilegal e inconstitucional. A interessada argumenta que a taxa SELIC não teria sido estabelecida em lei, e que teria natureza remuneratória de títulos. Seria, então, inaplicável para determinação dos juros moratórios em matéria tributária. O processo foi levado a julgamento perante a Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF. Mediante a Resolução nº 1301 000.024, de 15/12/2010 (fls. 1466/1474), o julgamento foi convertido em diligência, nos seguintes termos: Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte adote as seguintes providências: 1. Diligencie junto à interessada e faça acostar aos autos, se existentes, cópia dos balanços patrimoniais levantados em 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/12/2000 e 31/12/2001, acompanhados dos termos de abertura e encerramento dos livros Diário em que tenham sido transcritos. 2. Acrescente outros documentos e/ou informações que considerar relevantes. Após a diligência, o AuditorFiscal encarregado do feito lavrou o Termo de Encerramento de Diligência de fls. 1483/1484, cujo teor reproduzo abaixo: 1) Tendo em vista a solicitação feita pelo CARF, intimamos o contribuinte acima identificado a apresentar os seguintes documentos (fl. 1.459): 1.1) Livro Diário dos anos de 1996, 1997, 1998, 1999, 2000 e 2001; e 1.2.) Cópia dos balanços patrimoniais levantados em 31/12/1996, 31/12/1997, 31/12/1998, 31/12/1999, 31/12/2000 e 31/12/2001; 2) Em 16/08/2013, o contribuinte solicitou – e lhe foi concedido – prazo para a entrega dos documentos (fl. 1.460). 3) Em 10/09/2013, o contribuinte apresentou resposta declarando que os documentos solicitados não foram localizados e que possivelmente teriam sido incinerados, haja visto que os mesmos não faziam parte de nenhum processo em litígio (fl. 1.461). Informa, ainda, que tais documentos estiveram à disposição da Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.496 10 Receita Federal e que esta os devolveu alegando serem desnecessários por não se reportarem ao período abrangido pela fiscalização. 4) Por oportuno, tais alegações não procedem, há vista que ferem o disposto no art. 264 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR), Decreto nº 3.000, de 1999, que trata da conservação de livros e comprovantes, in verbis, posto que as informações contidas nos referidos livros estavam em litígio com a Receita Federal: [...] 5) Quando ao fato de a fiscalização ter devolvido os livros Diários, isto ocorreu a pedido do contribuinte, conforme consta no documento de folha 55. Ademais, devido os mesmos estarem escriturados em partidas mensais, não servindo no momento para a determinação do saldo credor de caixa, não houve por parte da fiscalização óbice em sua devolução. Cientificado do conteúdo do termo acima reproduzido, o contribuinte não se manifestou. O processo retorna, agora, para prosseguimento do julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Conforme visto, trata o presente processo de autos de infração para exigência de IRPJ e reflexos. A infração objeto de lançamento é a omissão de receitas, quantificada com base no saldo credor de caixa apurado pelo Fisco, após reconstituição do Livro Caixa apresentado pela então fiscalizada. O ponto central do litígio, no que tange aos fatos, é a desconsideração, pelo Fisco, do saldo inicial que consta do Livro Caixa em 01/01/1997, no valor de R$ 7.046.712,10 (fl. 629), valor esse idêntico ao saldo de encerramento de caixa, em 31/12/1996 (fl. 626). Entendeu o AuditorFiscal que referido saldo careceria de comprovação, especialmente em face da circunstância de terem sido elaborados os livros Caixa durante o procedimento de fiscalização, fato incontroverso, e da não apresentação da documentação comprobatória do saldo apurado em 31/12/1996. A resposta da contribuinte à intimação para prestar esclarecimentos se encontra à fl. 622, confirase: A comprovação de que trata o item 1 do citado Termo são as escriturações constantes de nossos Livros Caixas já em poder desta fiscalização e já mencionados em resposta a Termo anterior. Na época, os saldos de nossos Caixas eram compostos de valores em espécie, cheques prédatados, notas promissórias, duplicatas, e tudo considerado como saldo real de Caixa, porém tudo advindo de receitas escrituradas e devidamente tributadas. Com referência aos valores informados nas Declarações de Rendimentos (DIRPJ e DIPS) [...] tratavamse de valores restritamente a expécie ou seja em moeda corrente. Como no decorrer destes exercícios consideramos todas as nossas Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.497 11 vendas à vista, embora não as fossem, os nossos Caixas escriturais sempre apresentaram saldos elevados como comprovam os próprios livros já mencionados e vistos. Essa resposta, frisese, não se fez acompanhar de documentos que a respaldassem. Assim, foi desconsiderado o saldo de abertura do livro Caixa em 01/01/1997, substituído pelo valor declarado pelo contribuinte à Receita Federal em sua DIRPJ, no montante de R$ 7.548,96 (fl. 610, DIRPJ ex. 1998/ac 1997, ficha 26 – Informações Gerais, linha 03). A partir daí, a movimentação de caixa foi recalculada para os anoscalendário 1997 a 2001, incluindose as saídas correspondentes aos pagamentos não escriturados à Editora FTD S/A, do que resultaram os saldos credores de caixa nos anoscalendário 1998, 1999, 2000 e 2001, objeto de autuação. Como se vê, estáse diante de dois valores muito diversos para o saldo inicial da conta Caixa em 01/01/1997: R$ 7.046.712,10, a se acreditar no Livro Caixa apresentado durante a fiscalização; ou R$ 7.548,96, caso mereça crédito a DIRPJ do exercício 1998/ano calendário 1997. Na oportunidade anterior em que este processo esteve em julgamento perante o CARF, o Colegiado houve por bem buscar maiores informações, especialmente os livros Diário e os balanços patrimoniais que nele deveriam estar transcritos. Com esse fito, foi determinada a conversão do julgamento em diligência, a qual resultou improfíqua, como já se viu. Diante disso, considero que o presente lançamento não pode prosperar. A presunção legal de que valeu o Fisco foi aquela estabelecida pelo inciso I do art. 281 do RIR/99, a saber: Art. 281. Caracterizase como omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12, §2º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 40): I a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; II a falta de escrituração de pagamentos efetuados; III a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. Uma vez provado o fato indiciário, ou seja, a hipótese legal – no caso concreto, o saldo credor de caixa –, o ônus da prova resta invertido, cabendo ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Mas a prova do fato indiciário deve ser robusta, e dela está incumbido o Fisco. Neste caso, o saldo credor de caixa exsurgiu após a reconstituição da escrituração desse livro, não apenas por causa da inclusão de pagamentos que até então estavam à margem da escrita, mas principalmente porque o Fisco desconsiderou o saldo inicial (em 01/01/1997) e o substituiu por aquele que constou da DIRPJ. Não vislumbro, a priori, motivo pelo qual um valor seja preferível ao outro. Em desfavor do saldo da DIRPJ, devese observar que o saldo final que consta na declaração do ano anterior (em 31/12/1996) é de R$ 2.186,15, o que reforça a pouca credibilidade de tais valores, já que seria de se esperar que o saldo final de um período fosse coincidente com o saldo inicial do período seguinte. A resposta do contribuinte igualmente nada acrescenta, Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 10320.003171/200200 Acórdão n.º 1302001.262 S1C3T2 Fl. 1.498 12 porque desprovida dos indispensáveis documentos comprobatórios. Finalmente, os livros Diários não mais puderam ser localizados, pelo que não podem reforçar um nem outro lado. Observo que, no que toca ao valor do saldo inicial de Caixa, não se cogita de presunção. Aqui, para desacreditar o valor escriturado, a prova deve ser direta e produzida pelo Fisco. Observo que os livros Diário estiveram em poder da fiscalização durante o procedimento, e foram devolvidos ao contribuinte, considerados desnecessários e escriturados em partidas mensais, desatendendo à legislação pertinente (fls. 52 e 59). Ainda assim, os balanços patrimoniais que neles deveriam estar transcritos poderiam se constituir em prova valiosa, mas a fiscalização não cogitou de fazer acostar aos autos cópia dessas demonstrações contábeis, nem mesmo de mencionar qual o valor do saldo de caixa que delas constaria. Desta forma, entendo que o Fisco não se desincumbiu do ônus que lhe cabe de provar que o valor do saldo inicial de Caixa, em 01/01/1997, era diferente daquele escriturado. Em decorrência, desaparecem os saldos credores de caixa, objeto de lançamento, e as exigências se revelam insubsistentes. Deixo de me manifestar sobre os demais argumentos de defesa, que perdem interesse diante do exposto. Em conclusão, voto por dar provimento ao recurso voluntário, cancelando integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/12/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 06/12/2013 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/12/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 18336.000263/2002-62
Data da sessão: Wed Aug 10 00:00:00 UTC 2005
Ementa: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PREFERÊNCIA TARIFÁRIA
PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO
DE ORIGEM. RESOLUÇÃO ALADI 232.
Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de pais
não integrante da ALADI. No âmbito da ALADI admite-se a
possibilidade de operações através de operador de um terceiro pais,
observadas as condições da Resolução ALADI 232/87.
A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido
pelo pais produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas
faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as
informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser
apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9 0, do
Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78).
RECURSO PROVIDO.
Numero da decisão: 303-32.276
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Tarásio Campelo Borges
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Marciel Eder Costa
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. RESOLUÇÃO ALADI 232. Produto exportado pela Venezuela e comercializado através de pais não integrante da ALADI. No âmbito da ALADI admite-se a possibilidade de operações através de operador de um terceiro pais, observadas as condições da Resolução ALADI 232/87. A apresentação para despacho do Certificado de Origem emitido pelo pais produtor da mercadoria, acompanhado das respectivas faturas bem assim das faturas do pais interveniente, supre as informações que deveriam constar de declaração juramentada a ser apresentada à autoridade aduaneira, como previsto no art. 9 0, do Regime Geral de Origem da Aladi (Res. 78). RECURSO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Tardsio Campelo Borges. ANELISE DAUDT PRIETO Presidente • : 18 36.000263/ 62 : 30 2.276 MACIEL DE TdST Relator Processo n° Acórdão n° Formalizado em: 29 SET 2005 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Zenaldo Loibman, Nanci Gama, Sérgio de Castro Neves, Nilton Luiz Bartoli e Davi Machado Evangelista (Suplente). Ausente o Conselheiro Silvio Marcos Barcelos Fiúza. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Maria Cecilia Barbosa. • Processo n° : 18336.000263/2002-62 Acórdão n° : 303-32.276 RELATÓRIO Pela clareza das informações prestadas, adoto o relatório proferido pela DRY- FORTALEZA/CE, o qual passo a transcrevê-lo: "I - DA AUTUAÇÃO Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido de multa e juros de mora, bem como da multa pela apresentação de fatura comercial em desacordo com os requisitos legais, perfazendo, na data da autuação, um crédito tributário no valor total de R$ 69.642,20, objeto do Auto de Infração fls. 01-10. DA FRUIÇÃO INDEVIDA DE REDUÇÃO TARIFÁRIA 2. Segundo a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe promoveu a importação de mercadoria, submetida a despacho aduaneiro com base na Declaração de Importação - DI de n° 00/0112214-7, registrada em 08/02/2000 (fis. 16-19), utilizando a redução da aliquota do Imposto de Importação, prevista no Acordo de Complementação Econômica n° 39 (ACE 39), conforme Decreto no 3.138, de 16 de agosto de 1999. Posteriormente foi retificada a DI para inclusão do frete na base de cálculo. 3. Pelo exame dos documentos que instruíram a DI a fiscalização constatou que o sujeito passivo importou mercadoria das Ilhas Cayman, instruindo a DI com a fatura comercial emitida pela empresa Petrobrás International Finance Company (PIFCO), situada naquele pais, que não é membro da Associação Latino- Americana de Integração - ALADI e, portanto, não é parte no Acordo ACE 39. A mercadoria foi transportada diretamente para o Brasil, vindo da Venezuela, conforme comprova o Conhecimento de Embarque. Acrescenta, que o importador participou de uma triangulação comercial, restringida pelos países-membros da ALADI por meio do Regime de Origem. 4. Conforme relato da fiscalização, foram infringidas as cláusulas 9a e 10 do Regime Geral de Origem da ALADI (que consolidou as normas das Resoluções n°.s 227 e 232 e dos Acordos n°.s 25, 91 e 215, do Comitê de Representantes da ALADI) e concluiu pela invalidade do Certificado de Origem e da fatura comercial, com base nas seguintes irregularidades: a) o Certificado de Origem foi expedido 'antes comercial, o que é vedado pelo Regime de Origem da ALADI; issão da fatura 3 Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 b) o número da fatura comercial que consta no Certificado de Origem, expedido na Venezuela, diverge daquele referente à fatura que instruiu a DI, emitida pela empresa PIFCO, situada nas Ilhas Cayman; c) o certificado não indica que a mercadoria foi faturada por um terceiro pais, nem contém as informações exigidas pelo Regime de Origem da ALADI; d) 0 Certificado de Origem não se relaciona com a mercadoria amparada pela citada DI nem com o pais exportador; e) o Conhecimento de Carga não indica o valor do frete.; 5. Diante dos fatos, a fiscalização reputou indevida a redução tarifária, porque a fatura comercial que instruiu a DI, emitida pela empresa situada nas Ilhas Cayman, não está mencionada no Certificado de Origem, expedido na Venezuela, e ainda por entender que os acordos internacionais acima mencionados não permitem o tipo de triangulação comercial praticado pelo importador. 6. Para que fossem atendidas as exigências legais, afirma o autuante, o Certificado de Origem deveria indicar o número da fatura comercial emitida pela PIFCO. Caso esse número não fosse conhecido, por ocasião da emissão do Certificado de Origem, o campo respectivo deveria ter sido deixado em branco. Nessa situação, o importador apresentaria uma declaração juramentada, conforme prevista na legislação, o que não foi observado. 0 agente fiscal faz alusão, ainda, aos arts. 98 e 99 do Código Tributário Nacional; arts. 129 a 132 e 434 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030, de 1985, aduzindo que a mercadoria possui similar nacional. DA FATURA COMERCIAL EM DESACORDO COM OS REQUISITOS LEGAIS 7. Ainda de acordo com os fatos descritos no Auto de Infração, a fatura comercial, relativa à citada DI, não preenche os requisitos exigidos pelo art. 425, alíneas "a", "h", "i", "j", e "m", e art. 427, parágrafo único, do Regulamento Aduaneiro, constatando-se a inexistência dos elementos essenciais de validação do documento. DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 8. Por conseguinte, foi efetuado o lançamento da diferença do Imposto de Importação não recolhida, acrescida de multa e juros de mora, e ainda da multa relativa à fatura comercial, prevista no art. 106, inci 0 V, do Decreto-lei n° 37, de 1966, conforme enquadramento legal citado no Auto e Infraçã fls. 10). 4 Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 II-DA IMPUGNAÇÃO 9. Cientificado do lançamento em 12/06/2002, conforme fls. 01, o contribuinte insurgiu-se contra a exigência, apresentando em 04/07/2002 a impugnação de fls. 39-57, nos termos a seguir resumidos: 9.1 o entendimento do 3° Conselho de Contribuintes é no sentido de que a Guia de Importação e Declaração de Importação, fora de prazo não podem ser considerados inexistentes; 9.2 o Certificado de Origem destina-se a comprovar a origem da mercadoria no âmbito de MERCOSUL, conforme Tratado de Assunção de 1991, promulgado pelo Decreto n° 350, de 21 de novembro de 1991, o qual prevê que referido documento tem validade de 180 dias; 9.3 a exceção do Tratado de Assunção não existe nenhuma outra disposição legal acerca da data de emissão da fatura comercial, sendo que qualquer norma de direito interno, principalmente Ins trução Normativa, contraria o espirito do tratado internacional; 9.4 a interpretação teleológica dos tratados há que considerar a facilidade das transações comerciais realizadas pelos países integrantes do MERCOSUL e prestigiar a origem dos produtos; 9.5 com relação as multas por apresentação do Certificado de Origem e fatura fora do padrão, o Auto de Infração é equivocado, pois os certificados da Venezuela, se analisados em conjunto, são iguais e, mesmo que não fossem, não há previsão de um formulário Calico; 9.6 o que interessa é a substância do ato, pois o formulário existe e foi emitido por sociedade certificadora habilitada no pais de origem, contendo data, assinatura, especificação das mercadorias, carimbos e todos os aspectos formais; 9.7 não pode haver um baralhamento de tipos de Certificados de Origem, pois num mesmo pais poderá haver duas ou mais entidades certificadoras, como no caso da Argentina, de modo que não há que haver um padrão nem o Decreto da ALADI fala em Certificado único; 9.8 0 fato de a ALADI ter permitido a triangulação a partir de 08/12/1997, não quer dizer que antes estava proibida, uma vez que, pela ótica do Direito Comercial, o negócio entre a Petrobrds e a PFICO se trata de operação financeira praticada internacionalmente, visando obtenção de preço; a ALADI apenas veio chancelar uma prática comercial há muito adotada; Processo n° Acórdão no : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 9.9 Pelo principio de que é permitido o que não é proibido, e com base no art. 5°, inciso II, da Constituição Federal, somente se pode fazer ou deixar de fazer alguma coisa em virtude de lei, de modo que, não havendo lei proibitiva, o lançamento não pode prosperar; 9.10 o Terceiro Conselho de Contribuintes já decidiu vários processos idênticos favoravelmente à Petrobrds, o que deve ser observado, julgando- se improcedente o presente lançamento; 9.11 a DRF/CE tem entendimento uníssono reiterado pelo Terceiro Conselho de Contribuintes e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (sic) de que não se pode determinar a perda da redução tarifária por motivos de erros formais em documentos, invocando a Decisão 601/98 e os Acórdãos ncl.s 303-28.771 e 303- 28.696, cujas ementas transcreve; 9.12 a mercadoria é comprada diretamente dos fornecedores abrangidos pelos acordos tarifários, com transporte direto para o Brasil, porém, por interesses vitais para a economia do pais e falta de recursos necessários para pagamento do preço, a importadora revende a mercadoria e a recompra concomitantemente, apenas para alongar o prazo de pagamento e contar com fontes alternativas de captação; 9.13 diante das dificuldades de captação de recursos das as restrições administrativas na área cambial e do prazo para pagamento no mercado internacional de petróleo, a importadora vem se valendo de linhas de crédito tomadas no exterior, diretamente, por suas subsidiárias id instaladas; 9.14 em virtude significativas especificidades geopoliticas, que acarretam limitações aos negócios e inviabilizaram o pagamento no prazo estipulado pelo fornecedor, a mercadoria é enviada diretamente para o Brasil e uma das subsidiárias da Petrobrds, por ordem da controladora, paga o preço da compra ao produtor-exportador situado na Venezuela, sendo que, concomitantemente, a Petrobris revende a mercadoria à mesma subsidiária e a recompra para alongar o prazo para pagamento; 9.15 a fatura final, relativa 5. recompra, compreende o preço puro e idêntico constante das faturas anteriores, acrescido apenas do repasse dos encargos financeiros das linhas de crédito tomadas; 9.16 a exigência da fatura e o lançamento do imposto contrariam frontalmente a apreciação que sobre a matéria fez o órgão sistêmico da Secretaria da Receita Federal, nos termos na Nota Coana/ColadfDiteg no , de 19/08/1997, que conclui pela regularidade da intermediação, inclusive qu do envolver preferência tarifária; 6 Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 9.17 tais operações intermediárias, como negócio indireto e posterior, adjeto de uma operação principal, visam tão-somente uma forma alternativa de alavancagem financeira, viabilizando a compra e evitando liquidá-la à vista, o que teria impactos sobre o saldo de divisas do pais; 9.18 a inexistência de financiamentos acarretaria redução da capacidade aquisitiva do pais no setor, comprometendo o abastecimento e provocando um significativo aumento dos preços dos derivados de petróleo, para fazer face ao agravamento dos custos com antecipação do pagamento, impondo, ainda, prejuízos e riscos de eventuais restrições nas futuras renovações dessas linhas de crédito tomadas no exterior ou seu encarecimento em face de problemas com o governo brasileiro; 9.19 os acordos desse tipo visam a proteção reciproca das exportações dos países que enfrentam especial dificuldade; exemplo disso é o custo final mais alto do petróleo da Venezuela, que só com a redução tarifária se toma suportável, e cuja aquisição pela importadora conforma-se no esforço para a integração dos países do cone sul, na esteira da decisão governamental de mudanças estratégicas ma matriz energética e suas fontes fornecedoras; 9.20 a operação comercial não colide com a intenção que presidiu a celebração dos Acordos de redução tarifária; pelo contrário vivifica-a tomando efetiva a relação comercial entre os países; 9.21 o art. 40 , "b", da Resolução n° 78 e o Acordo n° 91 não vedam a compra direta com interveniência posterior de terceiros, com finalidade de mera alavancagem financeira e sem trânsito por outro pais; 9.22 o requisito da especialidade da origem era no sentido de que a mercadoria fosse expedida diretamente do território do pais de origem para o da Alta Parte, sendo que a qualificação dessa expedição direta é dada, alternativamente, pela alínea "a" ou pela "b", já que é incompatível numa mesma hipótese passar ou não passar pelo território de terceiro pais; 9.23 a regra é no sentido de que a mercadoria seja transportada diretamente de uma parte para a outra ou que, apesar de ter passado por pais não signatário, preencha os requisitos da alínea "b", porém, não se tem na legislação que a inobservância desses aspectos formais traga perda do direito â. redução; 9.24 os requisitos da alínea "b" não são aplicáveis aos que se enquadrarem na alínea "a", mas mesmo que se tratasse por inteiro da alínea "b", essas importações estariam acobertadas, pois o requisito de não serem destinadas ao comércio no pais de trânsito refere-se à efetiva operação de compra e venda e não a pessoa que dele participa, vinculada à importadora, e qu reatiz4 meras operações de alavancagem financeira, para viabilizar a compra da mer adoria; Processo n° Acórdão no • 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 9.25 a vedação é quanto 'a figura do atravessador ou especulador e não impede que o importador subseqüentemente negocie a mercadoria, quando já satisfeitas a finalidade e as formalidades do Acordo, impondo-se o reconhecimento do beneficio neles previsto, em homenagem à real origem da mercadoria e sua expedição direta; 9.26 o art. 10 da Resolução 78 determina que os 'Daises signatários procederão a consultas entre os Governos, sempre e previamente 6. adoção de medidas que impliquem rejeição do Certificado de Origem, devendo-se observar ainda o devido processo legal; 9.27 0 art. 18 do Decreto no 70.235/72, com redação dada pela Lei no 8.748/93, confere à autoridade julgadora o poder de determinar de oficio a realização de perícia, quando entender a medida como necessária à solução do litígio; 9.28 ao contrário do que afirma a fiscalização, no campo "observações" do Certificado de Origem consta sim informações sobre o operador de terceiro pais; 9.29 o número da fatura comercial que consta no Certificado de Origem não diverge cia fatura que instrui o processo; no campo "invoice" vê-se corn clareza o número da fatura comercial a que se refere o agente fiscal; 9.30 não cabe declarar a perda da redução tarifária em razão da falta de indicação da quantidade de mercadoria no Certificado de Origem e da emissão extemporânea desse documento em relação 6. fatura, uma vez que o enquadramento legal citado no Auto de Infração não traz nenhuma disposição legal que ampare esse entendimento, invocando o art. 5'; inciso II, da Constituição Federal; 9.31 a importação estava amparada na Porto DECEX 15, de 09 de agosto de 1991, e na Instrução Normativa - IN SRF n° 06, de 02 de janeiro de 1986; 9.32 o Auto de Infração encontra-se eivado de nulidade por contrariar o art. 10,inciso IV, do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972, que considera requisito essencial do Auto de Infração a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, ao não especificar de modo claro o que está sendo cobrado; 9.33 o enquadramento legal citado pela fiscalização não traz disposição quanto à perda da redução tarifária, fazendo com que tal enquadramento não se coadune com a penalidade imputada 6. impugnante, afrontando o principio do contraditório e da ampla defesa, conforme art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal e art. 59, II; do Decreto no 70.235, de 1972, sendo também aplicável ao caso o art. 112 do Código Tributário Nacional- CTN; • Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 9.34 o cerne da autuação reside na impossibilidade material de correlacionar a fatura comercial emitida pela PFICO com a da PDVSA, revelando-se necessária uma perícia, conforme quesitos que formula as fls. 54; 9.35 deveria fiscal servir-se de perícia, para ampliar os meios de elucidação da verdade material e certeza dos fatos, não havendo como refutar a apreciação da prova material ora apresentada pela impugnante, em respeito ao principio do formalismo moderado, que se traduz na interpretação flexível e razoável quanto às formas, evitando que elas sejam vistas como um fim em si mesmas desligando-se da verdadeira finalidade do processo; 9.36 os juros de mora estão em desacordo com o disposto nos arts. 1.062, 1.063 e 1.064 do Código Civil que, de modo claro estabelecem o percentual de 6% ao ano, e também com o art. 162, § 3°, da Constituição Federal, que limita a cobrança de juros a 12% ao ano; 9.37 sobre a quem compete um suposto controle da constitucionalidade ou legalidade das leis, a Administração deve tomar sem efeito os atos declaradamente viciados, não importando que o faça sob alegação de controle de constitucionalidade ou legalidade, pois este é o pensamento do Supremo Tribunal Federal, manifestado através da Súmula n° 473; 9.38 interpretar a legislação vigente não significa dizer estar-se-ia o servidor público extrapolando o principio da vinculaçdo a que se encontra obrigado. 10. Por fim, requer seja declarada a nulidade do Auto de Infração ou a sua improcedência". Cientificada da Decisão a qual julgou procedente os lançamentos, fls.63/83, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivo, em 22/11/2003, conforme documentos de fls. 88/122. Suas razões de recurso em apertada síntese são desenvolvidas no sentido de apontar a improcedência do Auto de Infração, tendo em vista que no âmbito da ALADI admite-se a possibilidade de operações através de operador de um terceiro pais, observadas as condições da Resolução ALADI 232/87. Promoveu o arrolamento de bens como garantia recursal nos termos do artigo 33 do Decreto 70235/72. Subiram então os autos a este Colegiado, tendo sido distribuídos, por sorteio, a este Relator, em Sessão realizada no dia 23/p12005. o relatório. 9 ( Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32276 VOTO Conselheiro Marciel Eder Costa, Relator 0 recurso é tempestivo, vem acompanhado do depósito recursal e trata de matéria da exclusiva competência deste Terceiro Conselho de Contribuintes. Com o intuito de ilustrar e fundamentar o presente julgamento, trago baila decisão prolatada por esta Colenda Camara, no processo n.° 10.380.030650/99- 74, Recurso n.° 121168, Acórdão n.° 303-29.776, em que o douto Conselheiro Relator Irineu Bianchi apreciou situação em tudo semelhante à do caso agora em estudo. Por tal razão, e, ressalte-se, guardando as eventuais divergências de fato e de direito que possam particularizar a matéria posta em exame naquela oportunidade, menciono as razões de decidir daquele ilustre Conselheiro, assim alinhadas: "Entende a fiscalização que a recorrente perdeu o direito de redução pleiteado, pelos seguintes motivos: a) divergência constatada entre o número da fatura comercial informada no Certificado de Origem e o da fatura apresentada pelo importador como documento de instrução das respectivas declarações de importação e; b) a operação intentada pelo importador (triangulação comercial) não está acobertada pelas normas que regem os acordos internacionais no âmbito da ALADI. Observa-se que a ação fiscal não impugna a validade dos Certificados de Origem e nem das Faturas Comerciais, pelo que, afasta-se de imediato a alegação da recorrente no sentido de ter ocorrido prejuizo quanto a ver suprimida a diligência prevista no art. 10 da Resolução n° 78 da ALADI, que prevê a consulta entre os Governos, sempre e antes da adoção de medidas no sentido da rejeição do certificado apresentado. Assim, válidos os documentos apresentados no desembaraço aduaneiro, ao menos no seu aspecto formal, entendo que eslinde do conflito passa necessariamente pela análise dos atos praticados pela ycorrente, vale dizer, se foram realizados atos contrários aos requisitos preceitua os na legislação e regência, capazes de gerar a perda do beneficio tarifário. ( 10 • Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 A fruição dos tratamentos preferenciais acha-se normatizada no art. 4°, da Resolução ALADI/CR n° 78 — Regime Geral de Origem (RGO)-, aprovada pelo Decreto n° 98.836, de 1990, 4°, in verbis: CUARTO.- Para que ias mercancias originarias se beneficien de los tratamientos preferenciales, las mismas deben haber sido expedidas directamente del pais exportador al pais importador. Para tales efectos, se considera como expedición directa: a) Las mercancias transportadas sin pasar por el território de algan pais no participante del acuerdo. b) Las mercancias transportadas en transito por uno o más países no participantes, com o sin transbordo o almacenamiento temporal, bajo la vigilancia de la autoridade aduanera competente em tales países, siempre que: i) el transito esté justificado por razones geográficas o por consideraciones relativas a requerimientos del transporte; ii) no estén destinadas al comercio, uso o empleo en el pais de transito; y iii) no sufran, durante su transporte y depósito, ninguna operación distinta a la carga y descarga o manipuleo para mantenerlas en buenas condiciones o assegurar su conservación. O caput do dispositivo em comento, combinado com sua letra "a", estabelece, de forma expressa e clam, que é requisito para a fruição dos tratamentos preferenciais, que as mercadorias tenham sido expedidas diretamente do pais exportador ao pais importador, considerando-se expedição direta, as mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum pais não participante do acordo. As hipóteses perfiladas na letra "b", segundo entendo, destinam-se aqueles casos em que, fisicamente, a mercadoria passe por terceiro pais não participante do acordo, e por isto mesmo não se aplicam ao presente caso. que a análise dos documentos apresentados demonstra que embora a ocorrência de tri angulação comercial, as mercadorias foram tr ansportadas diretamente da Venezuela para o Brasil, e apenas virtualmente passaram pelas Ilhas Cayman. 6- Logo, sob o ponto de vista da origem d mercadorias, não ha nenhuma dúvida de que as mesmas são procedentes da Vene ela, pais Signatário do • II 12 Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 Tratado de Montevidéu, ficando atendido o requisito para que a importadora se beneficiasse do tratamento preferencial. Entendo, outrossim, que o conteúdo do Certificado de Origem e as divergências que podem causar no confronto com as Faturas Comercias, não podem embasar a negativa ao beneficio pretendido. Com efeito, analisando a dicção do art. 434, caput, do Regulamento Aduaneiro, verifica-se que o mesmo determina que no caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta mesma origem será feita por qualquer meio julgado idôneo. Já o parágrafo único faz ressalva em relação as mercadorias importadas de pais-membro da Associação Latino-Americana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, caso em que a comprovação da origem se fará através de certificado emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. A previsão legal acima acha-se perfilada com o que estabelece o art. 70, da Resolução ALADI/CR n° 78 — Regime Geral de Origem (RGO) -, aprovada pelo Decreto n° 98.836, de 1990. A finalidade precipua do Certificado de Origem, na forma do dispositivo legal citado e nos termos da NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, acostada pela recorrente as fls. 179/181, é tratar-se de : LC ... um documento exclusivamente destinado a acreditar o cumprimento dos requisitos de origem pactuados pelos países membros de um determinado Acordo ou Tratado, com a finalidade especifica de tornar efetivo o beneficio derivado das preferências tarifárias negociadas". JA o art. 8° determina que as mercadorias incluidas na declaração que acredita o cumprimento dos requisitos de origem estabelecidos pelas disposições vigentes, deverá coincidir com a que corresponde a mercadoria negociada classificada de conformidade com a NALADI/SH e com a que foi registrada na fatura comercial que acompanha os documentos apresentados para o despacho aduaneiro. Analisando e confrontando cada uma das DIs e respectivos documentos complementares (Certificado de Origem, Bill of Lading, Faturas Comerciais), apresentados para despacho, verifica-se que a descrição das mercadorias é a mesma, não se constatando qualquer divergência, o que re orça o entendimento de que as operações atenderam ao disposto no art. 4°, letra "a", d Resolução n° 78. Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 Resta uma análise no que se refere A triangulação comercial, apontada pelo fisco como causa para a negativa do beneficio pleiteado. A mesma NOTA COANA/COLAD/DITEG N° 60/97, de 19 de agosto de 1997, antes referenciada, traz importante constatação, sendo pertinente a respectiva transcrição: Na triangulação comercial que reiteramos, é prática frequente no comércio moderno, essa acreditação não corre riscos, pois se trata de uma operação na qual o vendedor declara o cumprimento do requisito de origem correspondente ao Acordo em que foi negociado o produto, habilitando o comprador, ou seja, o importador a beneficiar-se do tratamento preferencial no pais de destino da mercadoria. 0 fato de que um terceiro pais fature essa mercadoria é irrelevante no que concerne A origem. 0 número da fatura comercial aposto na Declaração de Origem é uma condição coadjuvante com essa finalidade. Importante notar ainda que, em ambos os casos (ALADI e MERCOSUL), não há exigência expressa de apresentação de duas faturas comerciais. No caso MERCOSUL, se obriga apenas que na falta da fatura emitida pelo interveniente, se indique, na fatura apresentada para despacho (aquela emitida pelo exportador e/ou fabricante), a modo de declaração jurada, que "esta se corresponde com o certificado, com o número correlativo e a data de emissão, e devidamente firmado pelo operador". A lacuna apontada na referida NOTA restou preenchida através da Resolução n° 232 do Comitê de Representantes da ALADI, incorporada ao ordenamento jurídico pátrio pelo Decreto n° 2.865, de 7 de dezembro de 1988, que alterou o Acordo 91 e deu nova redação ao art. 9° da Resolução 78, prevendo: Quando a mercadoria objeto de intercâmbio, for faturada por um operador de um terceiro pais, membro ou não membro da Associação, o produtor ou exportador do pais de origem deverá indicar no formulário respectivo, na Area relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro pais, identificando o nome, denominação ou razão social e domicilio do operador que em definitivo será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatpra comercial emitida por um operador de um pais, a Area corresp ndente do certificado não deverá ser preenchida. Nesse caso, o mportador s apresentará administração aduaneira correspondente uma N..dec1aração 13 Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Contudo, o Julgador Singular entendeu que não houve a interveniência de um operador, mas sim de um terceiro pais exportador, consoante a fundamentação a seguir: Observa-se que a Resolução 232, de 1998, ressalva a interveniência de um operador de um terceiro pais, signatário ou não do acordo em questão. Entretanto, A espécie dos autos não se aplicam as disposições da norma em apreço, visto que da análise das peças processuais, harmoniosamente analisadas, constata-se que não há a interveniência de um operador, nos moldes previstos na Resolução retromencionada, mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador, na medida ern que uma empresa situada nas Ilhas Cayman, fatura e exporta para o Brasil uma mercadoria objeto de preferências tarifárias no âmbito da ALADI. Com efeito, na maioria das operações, o próprio contribuinte admite que "revende a mercadoria à subsidiária", situada nas Ilhas Cayman e, posteriormente, "a recompra", o que descaracteriza a participação de um operador, na forma prevista na legislação. Em outras operações a interveniência também não atende os requisitos exigidos no art. segundo do Acordo 91, como a redação dada pela Resolução 232 da ALADI, acima transcrito. Observe-se que as normas que dispõem sobre a certificação de origem, no âmbito na ALADI, trazem, como pressuposto mandarnental, a origem da mercadoria acobertada pela fatura comercial emitida pelo pais exportador, fato que deve estar inequivocamente demonstrado em todas as peças que instruem o despacho de importação, tendo em vista que essa documentação materializa, enquanto elemento probatório perante o pais importador, a regularidade da utilização do beneficio pleiteado. À luz da legislação de regência, nos precisos termos das normas de certificação de origem, no âmbito da ALADI, constata-se que, ainda que a empresa exportadora, situada nas Ilhas Cayman, se enquadrasse de fato como operadora, seria necessário, nos termos da Resolução 232, acima citada, que o produtor ou exportador do pais de origem indicasse no Certificado de Origem, na area relativa a "observações", que a mercadoria objeto de sua declaração seria faturada por um terceiro pais, identiIcando o nome, denominação ou razão social e domicilio do op rador ou, se no momento de expedir o certificado de origem, no se corthecess o número da 14 Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 fatura comercial emitida pelo operador de um terceiro pais, o importador deveria apresentar à Administração aduaneira correspondente unia declaração juramentada que justificasse o fato. Porém, no caso em tela, os certificados de origem apresentados, fls. 21, 31, 42, 53, 64, 76, 86, 100, 117 e 128, 139, 150 e 160 não atendem as exigências da mencionada Resolução. Também não consta dos autos que o importador tenha apresentado a declaração juramentada referida na legislação. A se considerar que a subsidiária da recorrente não se equipara a operador, como entendeu o Julgador Singular, não seria o caso de aplicar-se as disposições do art. 9° antes citado. Por outra via, se a PIFCO for qualificada como operadora, nos termos da Resolução 78, fica evidente que a norma em apreço não foi observada, visto que os Certificados de Origem contêm, em sua totalidade, o número da Fatura Comercial emitida pela empresa venezuelana. Na primeira hipótese, como entendido pela decisão singular, retorna-se 6. situação, justamente aquela analisada pela NOTA COANA antes mencionada, no sentido de que as triangulações comerciais são práticas frequentes e que não prejudicam a acreditação estampada no Certificado de Origem, caso em que, os requisitos para a fruição do beneficio estão atendidos. Na segunda hipótese, configura-se a inobservância ao disposto na Resolução 78, porquanto com o desembaraço aduaneiro, a recorrente, na qualidade de importadora, deveria apresentar uma declaração juramentada justificando a razão pela qual no campo relativo a "observações" do Certificado de Origem não foi preenchido, informando ainda os números e datas das faturas comerciais e dos certificados de origem que ampararam as operações de importação. Mas nestas alturas cabe averiguar se a não entrega da declaração juramentada tem o condão de desqualificar as operações corno hábeis à fruição do tratamento diferenciado ou mesmo, se o conjunto de documentos apresentados no desembaraço suprem as informações que deveriam constar do aludido documento. A única justificativa plausivel e racional para a exigência de uma declaração juramentada é a consideração de que, no ato do desembaraço, seria apresentada apenas a fatura emitida pelo operador. Não é o caso presente, uma vez que todos os documentos utilizados nas ditas triangulações, foram apresentados A. autoridade aduaneira, de sorte que as informações que deveriam constar da mencionada declaração já se acham presentes nos mesmos, suprindo, ao meu ver, toda e qualquer exigência legal. 15 • • Adotando em sua integra, as procedente as alegações da Reco te, e su conhecer do presente Recurso Vol e , dando Sala das Sessões, es 10 e e l acima expostas, entendo ser temente voto no sentido de lh; im. to. 005 Processo n° Acórdão n° : 18336.000263/2002-62 : 303-32.276 Não vislumbro, assim, qualquer mJivo para descaracterizar as • operações realizadas sob o pálio do tratamento tri e tário favorecido, segundo o espirito que norteou a elaboração da Resolução n° 78" •
score : 1.0
Numero do processo: 35423.000747/2006-75
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Aug 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2006
PEDIDO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. SITUAÇÃO QUE IMPEDE O CONHECIMENTO DO RECURSO.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2803-002.396
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, ante a ausência de competência deste órgão em razão da matéria.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima Presidente.
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos , Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
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Recorrente ASSOCIAÇÃO DOS USUÁRIOS DO CENTRO COMUNITÁRIO URBANO DE REGENTE FEIJÓ. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2006 PEDIDO DE ISENÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. SITUAÇÃO QUE IMPEDE O CONHECIMENTO DO RECURSO. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do Relator, ante a ausência de competência deste órgão em razão da matéria. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima – Presidente. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos , Oséas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 42 3. 00 07 47 /2 00 6- 75 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35423.000747/200675 Acórdão n.º 2803002.396 S2TE03 Fl. 98 2 Relatório Tratase no presente processo de requerimento de reconhecimento de isenção de contribuições sociais previdenciárias, com base no artigo 55 da Lei 8.212/91, fls. 01 a 04, protocolizado, em 16/11/2006, capa do processo. O indeferimento do requerimento de isenção se deu devido ao descumprimento do artigo 55, inciso, II e parágrafo 6º, da Lei 8.212/91, conforme Informação fiscal, de fls. 65 e 66. O sujeito passivo tomou conhecimento do indeferimento, em 03/04/2007, AR, fls. 85. O recurso foi protocolizado, em 02/05/2007, estando este materializado pelos documentos, de fls. 88 a 92. O sujeito passivo apresentou recurso, recebido, em 02/05/2007, que integram, as fls. 88 a 92, desacompanhado de qualquer documentos. As razões recursais não serão resumidas, o que se explicará no voto. O recurso foi considerado tempestivo, fls. 96. É o relatório Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35423.000747/200675 Acórdão n.º 2803002.396 S2TE03 Fl. 99 3 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado Inicialmente, cumpre esclarecer que os artigos 44 e 45, do Decreto 7.237/2010 não se aplicam, uma vez que a requerente foi fiscalizada, em 2006, com o lançamento de três créditos DEBCAD’S 35.814.4507; 35.814.4515 e 35.814.4523, o que para mim atende ao contido nas normas citadas. Porém, tais, créditos estão formalizados em outros autos, tendo, inclusive, dois deles sido objeto de julgamento em primeiro grau, conforme DN’s, de fls. 70 a 78, as quais considerou os lançamentos procedentes, DEBCAD’s 35.814.4523 e 35.814.4507. Verifico segundo busca no site www.receita.fazenda.gov.br comprot que o DEBCAD 35.814.4507: Proc. 15936.000091/200784, o DEBCAD 35.814.4515: Proc. 15936.000083/200738 e o DEBCAD 35.814.4523: Proc. 15936.000092/200729, encontram se todos na Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional de Presidente Prudente – SP. Assim sendo, tendo em vista a mudança da legislação no que diz respeito ao reconhecimento da isenção MP 446/2008, seguida pela Lei 12.101/2009, deixou de ser competência do INSS; SRP ou RFB o reconhecimento de isenção e a emissão do respectivo termo, o que veda o conhecimento de mérito do recurso, este é o motivo pelo qual as razões recursais não foram sumariadas. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto pelo não conhecimento do recurso, ante a ausência de competência deste órgão em razão da matéria. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35423.000747/200675 Acórdão n.º 2803002.396 S2TE03 Fl. 100 4 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/07/2013 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 23/07/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000537/2007-14
Data da sessão: Thu Jun 17 00:00:00 UTC 2010
Ementa: QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO
As INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA
FEDERAL - É licito ao fisco, após a edição da Lei Complementar n°105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições ,financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais
exames forem considerados indispensáveis, independentemente de
autorização judicial
DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97, a
Lei n°, 9.430, de 1996, em seu art, 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancaria para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE
EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei n° 9.430/96,
caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, excluídos os valores dos rendimentos tributáveis declarados na DIRPF.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA - A
aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1 0, do art, 44, da Lei n° 9,430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legitima quando incidem sobre a mesma base de calculo.
Preliminar rejeitada.
Recurso parcialmente provido
Numero da decisão: 2202-000.589
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao item 2 (depósitos bancários), o valor de R$ 18.000,00, bem como excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada de forma concomitante com a multa de oficio, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maria Lucia Moniz de Aragdo Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso e Antonio Lopo Martinez, que provia parcialmente o recurso somente para excluir da exigência a multa isolada.
Nome do relator: Gustavo Lian Haddad
1.0 = *:*
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ementa_s : QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO VIA ADMINISTRATIVA - ACESSO As INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL - É licito ao fisco, após a edição da Lei Complementar n°105, de 2001, examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições ,financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial DEPÓSITOS BANCÁRIOS - PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS - Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1°/01/97, a Lei n°, 9.430, de 1996, em seu art, 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancaria para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, excluídos os valores dos rendimentos tributáveis declarados na DIRPF. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1 0, do art, 44, da Lei n° 9,430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legitima quando incidem sobre a mesma base de calculo. Preliminar rejeitada. Recurso parcialmente provido
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IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS Com o advento da Lei n° 9.430/96, caracteriza-se também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, excluídos os valores dos rendimentos tributáveis declarados na DIRPF. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCÓMITANCIA - A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1 0, do art, 44, da Lei n° 9,430, de 1996) e da multa de oficio (incisos I e II, do art 44, da Lei n° 9.430, de 1996) não é legitima quando incidem sobre a mesma base de calculo. Preliminar rejeitada, - JAAr Recurso parcialmente provido. ,!rif‹.<0 / , resLSi Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada pela Recorrente e, no mérito, por maioria de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência, relativo ao item 2 (depósitos bancários), o valor de R$ 18.000,00, bem como excluir da exigência a multa isolada do carnê-leão, aplicada de forma concomitante com a multa de oficio, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maria Lucia Moniz de Aragdo Calomino Astorga, que negava provimento ao recurso e Antonio Lopo Martinez, que provia parcialmente o recurso somente para excluir da exigência a multa isolada. GTAVO L AN HADDAD Relator EDITADO EM: 11 PEI/ 20 11 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Junior, Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente) 2 Processo o' 11634 000537/2007-14 S2-C2T2 Acórddo n ° 2202-00.589 F1 2 Relatório Contra a contribuinte acima qualificada foi lavrado, em 29/06/2007, o Auto de infração de fls. 152/155, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercícios 2003 e 2005, anos-calendário 2002 e 2004, por intermédio do qual lhe é exigido crédito tributário no montante de R$142,07.3,88, dos quais R$58.297,20 correspondem a imposto, R$46.332,59 a multa de oficio, e R$37,444,09, a juros de mora calculados ate .31/05/2007. Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais (fls. 15.3/155), a autoridade fiscal apurou as seguintes infrações: "001 — RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTE NO EXTERIOR OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE FONTES NO EXTERIOR Omissão de rendimentos recebidos de „fontes pagadoras situadas no exterior, conforme demonstrado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, Termo este parte integrante e indestaccivel do presente Auto de Infração. 002 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM 140 COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NA -0 COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, emz relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme demonstrado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, Termo este parte integrante e indestaccivel do presente Auto de Infração, 003 — MULTAS ISOLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPF DEVIDO A TITULO DE CARA"- LEÃO Falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Física devido a titulo de came-IMO, apurada tendo em vista a omissão de rendimentos recebidos de . finites no exterior, conforme demonstrado no Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal, Termo este parte integrante do presente Auto de Infração." Cientificada do Auto de Infração em 04/07/2007 (AR de fls. 157), a contribuinte apresentou, em 03/08/2007, a impugnação de fls. 158/175, cujas alegações foram assim sintetizadas pela autoridade julgadora de primeira instancia: 3 "Detalha o procedimento fiscal e afirma que ele desrespeitou vários princípios constitucionais que regem o direito administrativo, Esmiúça os cálculos que foram utilizados para apuração do imposto, contestando a não subtração, do total dos depósitos bancários, daqueles rendimentos que foram declarados na DIRPF do ano-calendário, e a não aplicação do desconto padrão de 20% sobre o total da base de cálculo, considerando-se as omissões apuradas.. Alega que "encontra-se . formalmente errado, o cálculo representado no Demonstrativo de Apuração relativo a omissão de rendimentos recebidos de fontes no exterior, que também não considerou o valor declarado para o ano-calendário de 2004, tampouco o imposto pago, pelo que, requer-se a correção por oficio, uma vez que o Auto de Infração encontra-se em seu todo viciado, haja vista que a multa de Oficio, bem como a punitiva, também são calculadas pelo valor das infrações". Contesta a quebra do sigilo bancário, sem autorização judicial, por isso, "a prova em que se baseia a autuação é nula de pleno direito, tendo em vista basear-se em procedimento ilegal, qual fere' o postulado da reserva constitucional de jurisdição, que importa em submeter à esfera única de decisão dos magistrados a prática de determinados atos cuja realização, por efeito de explicita determinação constante do próprio texto da Carta Política, somente pode emanar do juiz, e não de terceiros, inclusive daqueles a quem se haja eventualmente atribuído o exercício de poderes de investigação próprios das autoridades judiciais ".. Afirma que o lançamento é nulo porque as atividades de auditoria somente podem ser eiercidas por profissional habilitado como Contador junto ao Conselho Regional de Contabilidade, No mérito, diz que "nenhuma razão assiste às presunções .fiscais, primeiro, porque os meros depósitos em conta corrente bancária, não representam omissão de receitas coma quer fazer crer a Auditora Autuante, vez que a presunção estabelecida pelo Artigo 42, da Lei n" 9,430/96, não pode alcançar as pessoas fisicas, simplesmente por não se lembrar esta, no momento da intimação fiscal, de fatos ocorridos à mais de 4 (quatro) anos; e em segundo, porque os valores recebidos pela autuada do exterior também não representam omissão de receitas, como adiante set-6 abordado". Aduz que "em certas ocasiões, manteve operações de saques e depósitos bancários, que não representam o ingresso de valores que pudessem aumentar seu património, uma vez que em várias situações, recebeu valores de compradores, para repasse a vendedores, divisão de comissões auferidas na venda de móveis ou imóveis entre outros corretores, recebimentos de empréstimos a titulo não oneroso, que mantinha com amigos ou parentes, entre tantos outros, o que não caracteriza que todo o volume de depósitos efetuados possa ser considerado como omissão ao fisco".. Transcreve decisões judiciais e administrativas que afirmam que depósitos bancários não constituem, por si só, fato gerador do imposto de renda e agrega que "a chamada omissão de receita decorrente de nzovimentação bancária sempre foi examinada com bastante cautela, porque deduzir de meros depósitos bancários, cujas origens podem ser mais variadas, não significa dizer que houve aumento de renda, ganho real de capital, ou seja, que um Contribuinte teve rendimentos, cuja existência omitiu, sendo à toda evidência, mera presunção" e, assim, "para que o depósito bancário se transforme em renda 4 Processo n" 11634.000537/2007-14 S2-C2T2 Ac6rdzio o " 2202-00.589 A 3 tributável, é necessário que seja comprovada a utilização dos valores depositados como renda consumida (ex: aplicações em imóveis, carros e outros bens próprios ou beneficio pessoal do contribuinte)". Em relação à omissão de rendimentos recebidos de ,fonte no exterior, afirma que mencionados recursos referem-se a doação de um membro da frzinília que esta residindo e trabalhando no exterior", Acrescenta que "o irmão da Autuada, Senhor Silas do Valle, conforme se comprova com os inclusos documentos, passou a residir nos Estados Unidos da América, no ano de 2000, la permanecendo, sem regresso ao Brasil, até o ano de 2004, quando regressou para buscar seus familiares, mulher e filhos, uma vez haver conseguido o vista permanente naquele Pais. Coin a previsão de retorno ao Brasil para meados de 2004, o irmão da Autuada solicitou a esta, no ,final de 2003, o empréstimo de sua conta corrente junto ao Banco do Brasil, para que pudesse enviar numerários, afim de custear as despesas com o traslado de seus familiares, além de algumas despesas de sua mulher e filhos, sendo que todos os valores recebidos em conta corrente da Autuada foram devidamente repassados à esposa dele, que morava até o ano de 2004 na Cidade de Londrina, porém, não mantinha conta bancária junto a instituições .financeiras", Informa que "seu irmão, após a Autuação, o mesmo se prontificou em assumir todos os riscos, inerentes às ordens de pagamentos enviadas na conta corrente da Autuada, inclusive enviando, via fax, os documentos que acompanham a presente defesa, e que ora se requer ajuntada aos Autos, para demonstrar a veracidade do ocorrido". Quanto à multa exigida isoladamente, argúi que "lido pode prevalecer, haja vista que aplicada coin base na suposta falta de recolhimento do imposto de renda a titulo de came' leão, pois se, afastada a infração que deu origem aplicação da multa exigida isoladamente por .falta de recolhimento do came' leão, oriundo da omissão de rendimentos recebidos de ,fonte no exterior, a mesma sorte deve seguir a penalidade correspondente, requerendo-se também, a sua anulação", Requer seja julgado improcedente e insubsistente o lançamento, de acordo com as razões elencadas." A 4 Turma da DRJ em Curitiba, por unanimidade de votos, considerou procedente em parte o lançamento, em decisão assim ementada: "Assunto,. Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003, 2005 DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS, EFEITOS. As decisões administrativas e as .judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE, Argüições de inconstilucionalidade refogem à competência da instância administrativa, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal Y4, declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. DEDUÇÕES, DESCONTO SIMPLIFICADO, OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A dedução do desconto simplificado, até o limite previsto na legislação, incide sobre os rendimentos omitidos, CARATÊ-LEÃO. OMISSÃO, MULTA ISOLADA. Incide a multa de oficio isolada sobre o não recolhimento do imposto devido a titulo de carne-leão, cujos rendimentos não foram declarados. NULIDADE INSCRIÇÃO NO CRC, O exercício da função de AFRFB não está condicionado à habilitação prévia em Ciências Contábeis, nem à inscrição nos Conselhos Regionais de Contabilidade, PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL, PRO-VA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n" 70,235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de faze-10 em data posterior. MOV1MENTAÇÃ 0 FINANCEIRA. OBTENÇÃO. AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A autoridade administrativa pode requisitar informações sobre a movimentação financeira do contribuinte, diretamente c) instituição bancária, independentemente de autorização judicial, quando haja procedimento fiscal em curso e os exames se mostrem imprescindíveis a atividade de fiscalização. OMISSÃO DE RENDIMENTO, LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÃ RIOS, O art. 42, da Lei n" 9.430, de 1996, determina o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTO. FONTE SITUADA NO EXTERIOR. O recebimento de recursos do exterior não justificados por nenhuma excludente de incidência, constitui fato gerador do imposto de renda" A r, decisão proferida pela DRJ reduziu parcialmente o valor do crédito tributário por aplicar o desconto simplificado aos rendimentos omitidos, tendo em vista a opção da contribuinte pela declaração simplificada . Cientificada da decisão de primeira instancia em 30/01/2008, conforme AR de fls. 205, e com ela não se conformando, a recorrente interpôs, em 28/02/2008, o recurso voluntário de fls.. 206/219, por meio do qual reitera suas razões apresentadas na impugnação. o relatório. 6 Processo n" 11634 000537/2007-14 S2-C2T2 Acárdzio n 2202-00.589 Fl 4 Voto Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD, Relator' O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Preliminarmente a Recorrente alega a nulidade do lançamento em decorrência da quebra do sigilo bancdrio . Examino inicialmente a suposta ilegalidade da quebra do sigilo bancário devido A aplicação da Lei Complementar n° 105, de 2001. Neste ponto a jurisprudência do C. Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais) é no sentido de que, ao contrário do que entende o Recorrente, o acesso a esses passou a ser franqueado ao Fisco com a edição da referida De fato, a Lei Complementar n° 105, de 2001, trata, expressamente, do dever de sigilo das instituições financeiras em relação As operações financeiras de seus clientes, ressalvando, no entanto, o acesso a essas informações As autoridades fiscais, verb's: "Art l'' — As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. ,sç 3" Nfio constitui violação do dever de sigilo: (-) VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2", 3", 4", .5", 6", 7" e 9" desta Lei Complementar . . ) Art. 6" As autoridades e os agentes .fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento .fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente Partigrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária:." Resta claro, portanto, que com a introdução do referido dispositivo ao ordenamento juridico à fiscalização foi autorizado o acesso a informações bancárias dos contribuintes, desde que atendido o devido processo legal, razão pela qual afasto a suposta ilegalidade arguida. Dessa forma rejeito a preliminar suscitada pela Recorrente. Além disso a Recorrente sustenta a ofensa a vários princípios constitucionais, tais como o princípio da legalidade, da moralidade, da finalidade, etc., objetivando suscitar diversas nulidades do lançamento relativas ao cálculo dos valores omitidos, presunção com base em depósitos bancários e outras alegações que se confundem com o mérito, razão pela qual deixo de analisá-las como preliminares para enfrentá-las a seguir. No mérito, aduz a Recorrente que o lançamento 6 ilegítimo na medida em que decorre de arbitramento por parte da fiscalização, não tendo sido verificado/comprovado qualquer sinal exterior de riqueza, que devem ser excluidos os rendimentos poi ela declarados e que os rendimentos recebidos do exterior foram remetidos por seu irmão para a sua cunhada, não representando renda sua. Contesta ainda a aplicação da multa isolada. Omissão de rendimentos — Depósitos Bancários No tocante A presunção de omissão de rendimentos relativa a depósitos bancários sem origem comprovada pelo contribuinte, dispõe o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, com as alterações e acréscimos introduzidos pelas Leis n° 9.481, de 1997 e n° 10.637, de 2002: "Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de Investimento mantida junto a instituição .financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica ou . jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1" 0 valor das receitas ou dos rendimentos omitido sera considerado auferido ou recebido no IngS do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2" Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação especificas, previstas na legislação vigente época em que auferidos ou recebidos. § 3" Para efeito de determinagão da receita omitida, os créditos serão analisados individuahzadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras cantos da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior', os de valor individual igual ou inferior a R$ 12..000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano- calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), § 4" Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição . financeira. § 5° Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou sL 8 Processo n 11634.000537/2007-14 S2-C212 Acórdão ri." 2202-00.589 Fl. 5 receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da coma de depósito ou de investimento. e Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." A partir do exame do dispositivo verifica-se que a fiscalização está devidamente autorizada a presumir a omissão de rendimentos pelo contribuinte caso este, instado a comprovar a origem de depósitos bancários, não o faça. Claro está, portanto, que a regra contida no artigo 42 da Lei n° 9.340, de 1996 trata de presunção legal do tipo juris tantwn, invertendo o Onus da prova relativamente suposta omissão de rendimentos, cabendo h autoridade fiscal provar a existência dos depósitos bancários e, ao contribuinte, o Onus de demonstrar, com documentos hábeis e idôneos, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Assim, na prática, identificada pela autoridade fiscal a existência de depósitos bancários que possam configurar omissão de rendimentos, por força do supra mencionado dispositivo legal inverte-se o Onus da prova cabendo ao contribuinte comprovar a origem desses depósitos. A jurisprudência deste E. Colegiado é praticamente uníssona quanto legitimidade da presunção estabelecida pelo art, 42 da Lei n. 9.430, de 1996, não mais se aplicando o entendimento vigente para os fatos anteriores A vigência desse dispositivo, no sentido de que, A ausência de norma presuntiva, a existência de depósito bancário não seria per se suficiente A apuração de renda omitida, sem que houvesse outros elementos indiciarios apurados pelo Fisco . No caso em exame a fiscalização, aplicando o disposto no artigo 42 da Lei n° 9 430, de 1996, a partir de um dado conhecido, qual seja o de que o Recorrente foi titular de depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, lavrou a autuação considerando que esses depósitos tiveram origem em rendimentos subtraídos ao crivo da tributação, já que o contribuinte não comprovou que eles tinham lastro em rendimentos tributados ou isentos. A autoridade lançadora em momento algum equiparou esses depósitos bancários a renda, mas, aplicando o que dispbe o art, 42 da Lei n° 9,430, de 1996, procedeu ao lançamento com base na renda omitida, presumida esta a partir dos depósitos bancários. A Recorrente, em sua peça recursal se limitou a informar que tem como atividade a corretagem de imóveis, sendo que os valores que transitaram pela sua conta são de titularidade de terceiros (repasses a vendedores, recebimentos a serem partilhados corn outros corretores, empréstimos, etc), deixando de trazer aos autos qualquer elemento que pudesse demonstrar a origem dos depósitos e elidir a presunção legal de omissão de rendimentos, razão pela qual entendo que deve ser mantido lançamento . Nada obstante, verifico que a Recorrente pleiteou a exclusão do valor informado em sua declaração de ajuste anual como rendimentos tributáveis recebidos de pessoa 9 fisica do montante dos rendimentos omitidos apurados pela fiscalização. Tal pleito, nos termos da jurisprudência deste E. Colegiado, merece ser acolhido. Adoto, para tanto, os fundamentos do voto do Ilustre Conselheiro Pedro Anan Jr, constante do Acórdão n°2202-00170, que a seguir transcrevo: "A alegação de que os rendimentos declarados na DIRPF devem ser excluídos dos valores objeto de tributação tem fundamento, caso contrário, estariamos tributando novamente algo que foi declarado e tributado. Desta forma, devemos excluir da base de cálculo dos valores informados nas Declarações de Rendimentos a titulo de rendimento tributável no no ano de 2001 R$ 16 380,00 e no ano de 2002 o valor de R$ 15.800,00, Desta forma, é devida parte da presente tributação com base em depósitos bancários de origem não comprovada." Assim, deve ser excluído do lançamento de omissão de rendimentos por depósitos de origem não comprovada o valor de R$18,000,00 relativo ao ano-calendário de 2002, correspondente aos rendimentos tributáveis declarados pela Recorrente. Rendimentos recebidos do exterior A Recorrente pleiteia o cancelamento do item 001 do lançamento — 0MISSA0 DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR, sustentando que se trata de valores remetidos por seu hulk) para a sua cunhada, não representando renda ou acréscimo patrimonial seu. Em sua impugnação, para comprovar o quanto alegado, a Recorrente trouxe aos autos uma cópia do passaporte do seu irmão (fis 176/178) e da declaração de imposto de renda apresentada ao fisco dos Estados Unidos da América (fls. 179/183). Entendo que tais elementos não se prestam a comprovar as alegações da Recorrente. De fato, os documentos apresentados não comprovam que os valores recebidos pela Recorrente se destinavam a terceiros. Adicionalmente e como bem observou a decisão proferida pela DIU, o remetente constante dos contratos de câmbio juntados aos autos não é o irmão da Recorrente . Assim, entendo que deve ser mantido integralmente o lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos do exterior. Multa isolada Adicionalmente a Recorrente contesta a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento do caruê-leão sobre os rendimentos recebidos do exterior em conjunto com a multa de oficio aplicada sobre os mesmos rendimentos . Como se verifica dos autos a Recorrente foi autuada por ter deixado de recolher o carne-ledo relativamente a rendimentos recebidos do exterior. Em face de tal irregularidade, foram imputados os rendimentos omitidos e apurada a efetiva base de calculo a ser considerada para fins de apuração do imposto de renda devido nos períodos sob comento. )4 lo Processo n" 11634 000537 12007-14 S2-C2T2 Acórdão n " 2202-00389 Fl 6 Sobre a diferença de imposto entre os valores declarados e os valores apurados pela fiscalização foram acrescidos multa de oficio (75%) e juros de mora (SELIC).. Adicionalmente, pelo não recolhimento do imposto por meio da sistemática do carne-ledo foi imputada a Recorrente multa isolada de 75%. Para fins de clareza, transcrevo abaixo os dispositivos legais que tratam da aplicação das multas, veiculados pela Lei n° 9430, de 1996 (conforme redação em vigor época do lançamento): "Art. 43 — Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único — Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão . juros de mora, calculados a taxa a que se refere o ,sç 3" do art. 5", a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o Ines anterior ao pagamento e de um por cento no mês de pagamento.. Artigo 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: 1 - de setenta e cinco por cento sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; - de cinqüenta por cento, exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8" da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa .física; b) na forma do art. 2' desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo .fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano-calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. I" 0 percentual de multa de que trata o inciso I do caput será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4..502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. ,sç 2" Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o ,§ 1" serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I - prestar esclarecimentos; II - apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts.. 11 a 13 da Lei n°8218, de 29 de agosto de 1991; AA - -1 H III - apresentar a dacumentaçâo técnica de que trata o art, 38." Com base nos dispositivos legais acima transcritos a fiscalização imputou Recorrente duas multas - a punitiva pelo não recolhimento de tributo (multa normal — art, 44, I) e a isolada pelo não recolhimento de imposto na sistemática do carne-leão (multa isolada — art. 44, II, "a"). A legalidade da aplicação concomitante da multa de oficio de 75% decorrente da apuração de diferença de imposto e da multa isolada de 75% pelo não recolhimento do imposto na sistemática conhecida como carne-leão não é matéria nova no Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). Reiteradas decisões deste E. Colegiado têm concluído pela impossibilidade de cobrança concomitante da multa normal e da multa isolada, 0 entendimento que tem prevalecido é o de que havendo lançamento de diferença de imposto deve ser cobrada a multa de lançamento de oficio juntamente com o tributo (multa de oficio normal), não havendo que se falar na aplicação de multa isolada. Por outro lado, quando o imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual houver sido pago, mas havendo omissão quanto ao recolhimento do came-leão, dever ser lançada a multa isolada, e somente ela. Nestes termos, seguindo o entendimento já pacificado transcrito acima entendo que no caso em exame deve ser afastada a aplicação da multa isolada pelo não- recolhimento do camê-ledo sobre os rendimentos recebidos do exterior. Conclusão Ante o exposto conheço do recurso para rejeitar a preliminar argüida e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO para (i) excluir do item 002 — DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NAO COMPROVADA do lançamento o valor de R$18.000,00, relativo ao ano-calendário de 2002, e (ii) excluir da exigência a multa isolada aplicada em concomitância com a multa de oficio. Sala das Sessões, em 17 de junho de 2010. GUS ]'A O LIAN HADDAD 12 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2 CAMARA/2' SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 11634.000537/2007-14 Recurso IV: 166.526 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3 0 do art, 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Camara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202-00.589. Brasilia/DF, 11 de fevereiro de 2011, EVELINE COELHO DE M LO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, corn a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador(a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 19515.002621/2006-50
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001, 2002
CASO BEACON HILL. INSUFICIÊNCIA DE PROVA.
Sendo o conjunto probatório insuficiente para se concluir que as remessas ao exterior foram efetivamente determinadas pelo sujeito passivo, há que se concluir pela improcedência do lançamento tributário.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos dos demais tributos.
Numero da decisão: 1302-001.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Waldir Veiga Rocha apresentou declaração de voto.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Marcelo Guerra, Guilherme Silva e Hélio Araújo.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001, 2002 CASO BEACON HILL. INSUFICIÊNCIA DE PROVA. Sendo o conjunto probatório insuficiente para se concluir que as remessas ao exterior foram efetivamente determinadas pelo sujeito passivo, há que se concluir pela improcedência do lançamento tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos dos demais tributos.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 CASO BEACON HILL. INSUFICIÊNCIA DE PROVA. Sendo o conjunto probatório insuficiente para se concluir que as remessas ao exterior foram efetivamente determinadas pelo sujeito passivo, há que se concluir pela improcedência do lançamento tributário. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos dos demais tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. O Conselheiro Waldir Veiga Rocha apresentou declaração de voto. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto S. Jr., Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Marcelo Guerra, Guilherme Silva e Hélio Araújo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 26 21 /2 00 6- 50 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.440 2 Peço vênia aos meus pares para transcrever o preciso relatório destes autos, exarado pelo Conselheiro Waldir Rocha na Resolução nº 1051.431, a fls. 2.401, in verbis: “PRODUTOS ELETRÔNICOS METALTEX LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 1613.023, de 10/04/2007, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever os fatos, peço vênia para transcrever, a seguir, trechos do minucioso relatório elaborado pela autoridade julgadora em primeira instância. ‘Em ação fiscal levada a efeito sobre o contribuinte acima identificado, instaurada por força do MPF n° 08191002006025730 (fl. 01), foram lavrados Autos de Infração relativos aos anoscalendário de 2001 e 2002 de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, de Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS, de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — COFINS, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL e de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. 2. Conforme relatado no Termo de Constatação de fl. 148/155: 2.1. A fiscalização foi motivada pelo recebimento de documentos de fontes externas e internas abaixo relacionados: DOCUMENTOS RECEBIDOS DE FONTES EXTERNAS Oficio n° 120/03 — PF/FT/DPF/PR de 04/08/2003, do Delegado de Polícia Federal ao MM Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR, versando sobre o pedido de quebra de sigilo bancário no exterior, via Tratado de Mútua Assistência em Matéria Penal (MLAT) (fls. 46 a 48); Decisão do MM Juiz Federal da 2ª Vara Criminal de Curitiba/PR de 14/08/2003, definindo extensão e compartilhamento das quebras de sigilo bancários no exterior, via MLAT (IPL 207/98) (fls. 49 a 54) Oficio n° 001/03PF/FT/NY/SR/DPF/PR, de 27/08/2003, do Delegado de Polícia Federal ao DR. Robert Morgenthau, "District Attomey's Office of the County of New York", solicitando o afastamento de sigilos bancários e pedindo investigação criminal nos EUA (fls, 55 a 60); "Order do Disclose", emitida pela Justiça da Suprema Corte, Judge Renee White em 29/08/2003(fls. 61 a 63); Decisão do MM Juiz Federal da 2 Vara Criminal de Curitiba/PR de 20/04/2004, transferindo os dados de quebra de sigilo bancário para a Secretaria da Receita Federal (fls. 66 a 76 e 79); Ofícios do Delegado de Polícia Federal aos Peritos Federais Criminais FT/CC5, para emissão de Laudo Pericial referente aos elementos existentes nos arquivos magnéticos de conta ou subconta (fls. 77 a 78); Laudo de exame EconômicoFiananceiro n° 1258 de 18/05/2004 — INC do Instituto Nacional de Criminalística do Departamento de Polícia Federal (fls. 80 a 86), demonstrando a consolidação da movimentação financeira de todas as contas e subcontas administradas pe con Hill (Laudo Global); Laudo de Exame EconômicoFinanceiro n° 1412/04 — INC do Instituto de Criminalística do Departamento de Polícia Federal (fls. 87 a 97), baseado em mídia computacional sobre a subconta SINKEL FINANCIAL LTD, n° Fl. 699DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.441 3 311197, pertencente à conta 6192033 — Beacon Hill no Banco JP Morgan Chase Bank — NY; Mídia eletrônica contendo as informações completas das transações realizadas pelo contribuinte; Cópias de ordens de pagamento relacionadas ao contribuinte, quando coletadas/disponibilizadas, referentes às operações relacionadas o item II, em que o mesmo aparece como ordenante de divisas através da subconta: SINKEL n° 31197, mantida/administrada no Banco JP Morgan Chase de Nova York por BHSC — Beacon Hill Service Corporation (fls. 104 a 132). DOCUMENTOS RECEBIDOS DE FONTES INTERNAS Transcrição de campos da mídia eletrônica, com informações das operações, em que o contribuinte identificado, aparece como ordenante de divisas através da subconta SINKEL n° 31197, mantida administrada no Banco Chase de Nova York por BHSC — Beacon Hill Service Corporation. Documentação recebida através da Representação Fiscal n° 426/04 de 29/06/2004 (fls. 98 a 103), elaborada pela Equipe Especial de Fiscalização, constituída nos termos da Portaria SRF n° 463 de 30/04/2004 e dirigida ao Superintendente Regional da Receita Federal da 8 Região Fiscal. 2.2. Em seguida o autuante apresentou um resumo do histórico do caso "Beacon Hill": ...Em decorrência das investigações promovidas a partir da CPI do Banestado, verificouse que a empresa Beacon Hill Service Corporation — BHSC foi identificada como uma das maiores beneficiárias de recursos oriundos daquele banco brasileiro, configurando um verdadeiro sistema financeiro paralelo globalizado. Desta forma, no curso do inquérito instaurado para apurar crime contra o Sistema Financeiro Nacional e contra a Ordem Tributária, o Departamento de Polícia Federal solicitou ao Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba — PR a quebra do sigilo bancário no exterior da empresa BHSC sediada em Nova Iorque, Estados Unidos da América, que atuava como preposto bancáriofinanceiro de pessoas fisicas ou jurídicas representadas por cidadãos brasileiros, dentre outros, em agência do JP Morgan Chase Bank. O Juízo da 2ª Vara Criminal Federal de Curitiba/pr encarregou a autoridade policial presidente do inquérito de obter a documentação pertinente, a qual oficiou a Promotoria do Distrito de Nova Iorque (District Athorney's of the County of New York), sobre o afastamento de sigilo bancário e pedido de investigação criminal nos EUA. Em 09/09/2003, a Promotoria apresentou as mídias eletrônicas e documentos contendo dados financeiros relativos à empresa Beacon Hill, após decisão judicial (Order To Disclose), de 29/08/2003. Estas informações e documentos foram trazidos para o País pela autoridade policial e, em 20/04/2004, conforme decisão da 2° Vara Criminal Federal de Curitiba/PR, houve a transferência dos dados à Receita Federal, a fim de proceder ao exame dos fatos e documentos mencionados, foi constituída Equipe Especial de Fiscalização, nos termos da Portaria SRF n° 463, de 30/04/2004, integrando representantes das áreas de Fiscalização, Aduana e Pesquisa e Investigação. Com base nestes elementos, evidenciouse que diversos contribuintes nacionais enviaram e/ou movimentaram divisas estrangeiras, utilizandose de Fl. 700DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.442 4 contas/subcontas mantidas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa "Beacon Hill Service Corporation", a qual representava "doleiros" brasileiros e/ou empresas OFFSHORE com participação de brasileiros. A empresa Beacon Hill Service Corporation — BHSC mantinha uma conta própria no JP Morgan Chase NY ("contaônibus" ou "contamãe”) através da qual administrava dezenas de outras contas e subcontas, em especial de "doleiros" brasileiros, exercendo, inclusive, controle sobre a origem dos depósitos. Algumas subcontas tinham indicação de serem de titularidade de empresas offshore, sediadas em paraísos fiscais e movimentadas por brasileiros na qualidade de procuradores. Há indícios de que esses procuradores eram os reais titulares das subcontas, servindo a constituição destas empresas apenas como meio de esconder atividades ilícitas. Uma pessoa fisica ou jurídica buscava os serviços de um intermediador financeiro ("doleiro') com a finalidade de remeter/repatriar recursos financeiros para/do exterior ou movimentar recursos no exterior, à margem do Sistema Financeiro Nacional. O "doleiro", responsável por determinada sub conta, em contato direto com a Beacon Hill Service Corporation — BHSC, determinava a realização da operação 2.3. Para melhor esclarecer o MODUS OPERANDI do esquema BEACON HILL, o autuante apresentou no Termo de Constatação o seguinte exemplo: 1. No caso de remessa, via de regra, não há transferência física de numerário para o exterior, a PF/PJ (ordenante/remetente) entrega recursos ao "doleiro' domiciliado no Brasil (sistema de compensação). Em seguida, a conta/sub/conta no Beacon Hill Service Corporation — BHSC, por ele movimentada é debitada e o equivalente em moeda estrangeira é destinado ao beneficiário final no exterior. 2. Para repatriar recursos mantidos no exterior, a conta/subconta no BHSC movimentada pelo "doleiro" é creditada e o valor equivalente é entregue à PF/PJ no Brasil, que figura na condição de beneficiário, podendo ocorrer hipóteses em que o contribuinte está na situação de ordenante/remetente (no caso em que a PF/PJ remete/ordena recursos, para si próprio). 3. a movimentação de recursos poderia ocorrer somente entre contas mantidas no exterior, sem trânsito de recursos no Brasil, objetivando dificultar o rastreamento das operações no exterior, não vinculando diretamente as partes relacionadas. 2.3. Descreveu o autuante a mídia eletrônica e as ordens de pagamento de fls. 98 a 104, onde consta Dentre outras informações cuja autenticidade foi confirmada por laudos periciais , o cliente que determinou a ordem de pagamento, no caso "METALTEX" e o beneficiário final. 2.4. A respeito da identificação da sujeição passiva esclareceu o autuante que: Pesquisa do nome do contribuinte constante na mídia supracitada, nos sistemas da SRF, para verificação de homônimos, o que não foi constatado; Pesquisas se estenderam à internet, nas companhias telefônicas e nos sites dos beneficiários finais constantes da mídia. Ficou evidenciado que o nome de atividade destes coincide com o do fiscalizado, ou seja, fabricação/comércio de materiais eletrônicos, além de que os endereços dos beneficiários na mídia correspondem aos endereços das matrizes nas páginas de seus sites (fls. 133 a 141). Fl. 701DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.443 5 2.5. Foram resumidas as infrações apuradas pela fiscalização, de acordo com o Termo de Constatação (fls. 151/154) como segue: O contribuinte foi intimado através do Termo de Inicio de Fiscalização de 24/10/2006 (Aviso de recebimento de 25/10/2006), a informar a natureza, bem como apresentar toda a escrituração, documentação fiscal e bancária, relacionadas às operações que motivaram as transferências de recursos ao exterior, como ordenante, através da conta mantida no banco "JP Morgan Chase Bank), pela empresa Beacon Hill Service Corporation', conta n° 6192033, subconta SINKEL n° 31197, nos anoscalendário de 2001 e 2002, totalizando o montante de U$ 855.040,80, conforme relação das Operações em que o Contribuinte consta como Ordenante, em anexo (fis. 03 a 10), resumidas a seguir. (...) Em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte declarou expressamente que desconhece a conta o exterior acima identificada, assim, como as movimentações de recursos envolvendo a mesma (vide declaração em anexo, fls. 25 e 26). O autuante assim concluiu: À vista dos fatos relacionados e extensamente documentados acima (vide itens I a VI) podese inferir que o contribuinte movimentou no exterior, recursos que estão a margem de sua contabilidade, como ordenante, junto à conta bancária identificada como subconta SINKEL n° 31197, pertencente à conta 6192033Beacon Hill no *banco JP Morgan Chase bank — NY, autorizando a presunção de que estes valores são oriundos de receitas omitidas de origem não comprovada; Ex positi, fundamentalmente, a constatação de que o contribuinte efetuou pagamentos sem causa e/ou de operação não comprovada, com recursos à margem de sua contabilidade, os quais foram aplicados na subconta SINKEL n° 31197, pertencente à conta 6192033 Beacon Hill no banco JP Morgan Chase Bank NY, ficam estes montantes reajustados, conforme art. 61, § 3º, da Lei n° 8.981/95, e IN n° 4/90 e sujeitos à tributação do IRRF sob a alíquota de 35% pelo qual será lavrado o competente auto de infração de IRRF. No que concerne à sujeição passiva das operações supracitadas, cabe ressaltar, o fato de que o ramo da empresa fiscalizada, ou seja, fabricação de material eletrônicos (fls. 134), coincide com o ramo dos beneficiários finais dos recursos, assim como os endereços informados nas ordens de pagamento da mídia também correspondem aos endereços apresentados na página do site destes beneficiários no exterior; Verificações no sistema SISCOMEX, apontam para inúmeras importações do fiscalizado, relativas aos beneficiários finais (fornecedores) discriminados nas operações citadas no item VII nos anoscalendário de 2001 e 2002 (vide extrato do sistema SISCOMEX, com as Declarações de Importação efetuadas, fls. 141 a 146). Assim sendo esta fiscalização CONSTATOU que o contribuinte deixou de oferecer à tributação o valor de R$1.835901,24 a título de IRPJ e R$2.814.445,53, a titulo de IRRF sobre pagamentos sem causa para os anos calendário de 2001 e 2002 pelo que será lavrado o competente Auto de Infração do Imposto de Renda e Reflexos.. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.444 6 2.7. A fundamentação fática e legal e os valores totais dos créditos tributários constituídos, incluída a multa proporcional de 150% e juros calculados até 29/12/2006, estão discriminados nos autos de infração e no Termo de Constatação, parte integrante da autuação. 3. O contribuinte foi cientificado em 12/01/2007, nos próprios autos de infração e apresentou a impugnação de fls. 204/245, em 09/02/2007, na qual apresenta as alegações abaixo sintetizadas. 3.1. O crédito tributário encontrarseia fulminado pelo advento da decadência e mesmo que assim não fosse o contribuinte não teria praticado qualquer das infrações descritas, desconhecendo totalmente as supostas operações de remessa de valores para o exterior. 3.2. À época dos fatos estaria vigente a Lei n° 8.541/1992, que instituiu o regime de apuração do imposto mensal, segundo o qual o recolhimento do imposto devido deveria ocorrer no mês seguinte à sua apuração, devendo a autoridade fiscalizadora homologálo ou lançálo neste mesmo prazo, sob pena de decadência. 3.3. O prazo decadencial começaria a fluir a partir do fato gerador da obrigação tributária, exvi do disposto § 4º do art. 150 do CTN. Como o auto teria sido lavrado em razão de vendas resultantes de possíveis remessas de valores ao exterior durante o ano de 2001, teria passado a fluir o prazo decadencial a partir das datas em que o imposto teria se tornado devido, conforme estabelecido no §4° do art. 150 do CTN. 3.4. Mesmo na hipótese da ocorrência de fraude, dolo ou simulação, o que não seria o caso, a decadência do direito de ação da administração pública deveria obedecer às regras gerais contidas no art. 173 do CTN. O prazo decadencial seria também de cinco anos, contados a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Como as supostas remessas de valores ao exterior ocorreram em diversas datas, em sua imensa maioria durante o ano de 2001, na pior das hipóteses, a decadência operouse em 1° de janeiro de 2.007. Apenas os impostos e contribuições relativos a uma única suposta remessa, ocorrida em 26.03.02, não estariam acobertados pelo advento da decadência. 3.5. O auto seria nulo pois o autuante nem ao menos teria comparecido à sua sede, e quando se contrapõe este quadro fático às regras que a Constituição Federal traça para reger o relacionamento entre fisco e o contribuinte, verificase, nitidamente, o abuso inaceitável do poder conferido ao Administrador Público, o excesso de exação, que marcam de nulidade absoluta os atos praticados. , 3.6. Quanto à atribuição ao contribuinte da movimentação de numerário, no exterior , não existiriam provas, não teriam fatos ou indícios para dar suporte a tal conclusão, não haveria lei que autorizaria tal presunção. 3.7. Não existiria nenhum elemento objetivo nos autos que faria a vinculação entre as operações ocorridas no exterior e o contribuinte, mas o ponto central que aqui se quer destacar, é que o trabalho espelhado nos processos fiscais não fornece qualquer pista com relação aos mecanismos que levaram a fiscalização a fazer a presunção que fez. Simplesmente, pressupôs a equipe fiscal que isto era a verdade, extrapolando os limites impostos pela lei ao administrador público. 3.8. Para afirmar que os numerários movimentados não estavam contabilizados pelo contribuinte, seria necessário admitirse que a Fl. 703DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.445 7 fiscalização teria conseguido vincular tal movimentação à impugnante, o que, como vimos, não ocorreu. 3.9. Apesar da fiscalização ter solicitado à apresentação dos livros fiscais, ela não teria chegado a examinálos, portanto, não poderia afirmar que tal ou qual valor consta ou não da escrituração. 3.10. O único argumento que invocaria a equipe fiscal para justificar a omissão de receitas, seriam as movimentações financeiras e consoante a súmula 182 do STJ, seria ilegítimo o lançamento do imposto arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários, por importar em presunção. 3.11. Quanto à afirmação de que estas receitas teriam tido origem na operação industrial do contribuinte, não teriam sido trazidas provas ao processo. Não seria possível a defesa quando não se sabe qual foi a acusação, em fase de não constar nos autos quais os critérios usados pela equipe fiscal para tirar tal conclusão. A fiscalização não teria comparecido na sede da contribuinte e não teria compulsado seus livros, pois se o tivesse feito, teria percebido o erro que estava por cometer. 3.12. A descrição do destinatário dos recursos constante do documento, com nome e endereço, inclusive a própria conta para onde foram enviados os recursos, todos esses dados de nada valeram para a equipe fiscal, eis que o destino dos recursos foi considerado não identificado. Que critério usou a fiscalização? O documento presta ou não presta? Se não presta, porque efetuaram o lançamento, se presta, como puderam considerar a remessa como ocorrida para beneficiário não identificado? 3.13. Não existiria nos autos urna única palavra tipificando a ocorrência de fraude. A fiscalização teria apenas agravado a multa de oficio e noticiado que foi feita representação fiscal, sem justificar o porquê. Seria princípio corrente que fraude não se presume se prova e onde estariam as provas? 3.14. Todos os fatos e argumentos deveriam, de acordo com os arts. 9º e 59 do Decreto n° 70.237/1972, ser colocados à disposição da parte para permitirlhe a mais ampla defesa sob pena de nulidade do ato por cerceamento ao direito de defesa. 3.15. O presente processo estaria todo lastreado em um único fato, a movimentação financeira havida, que não seria do contribuinte, processos lastreados, tão somente, neste pressuposto, são considerados nulos pela legislação positiva em vigor. 3.16. O Decretolei n° 2.441/88 em seu artigo 9°, inciso VII determinaria que ficaria cancelado, devendo ser arquivado o processo administrativo que tivesse tido a origem na cobrança do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários. 3.17. Ante o exposto não haveria como não se reconhecer hipótese de nulidade da presente autuação, em razão do evidente cerceamento ao direito de defesa. 3.18. O contribuinte e a METALTEX, mencionada nos documentos de fls 104/132, não se tratariam da mesma pessoa jurídica. Não haveria nenhum indício de que a remetente ou ordenante dos pagamentos METALTEX seja o contribuinte, Fl. 704DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.446 8 PRODUTOS ELETRÔNICOS METALTEX LTDA. 3.19. Constaria dos referidos documentos que a remetente/ordenante dos pagamentos encontrarseia domiciliada na Av. Brigadeiro Luís Antônio, 2.851, cj. 52, endereço que seria desconhecido pelo contribuinte, que jamais teria estado domiciliado naquele local, conforme comprovariam as anexas cópias de seu contrato social e alterações. 3.20. A coincidência parcial dos nomes do contribuinte e do remetente/ordenante dos pagamentos, não poderia, por si só justificar a lavratura da presente autuação, pois só na cidade de São Paulo, como provam documentos anexos, existiriam duas outras empresas denominadas "METALTEX". A expressão METALTEX, constante dos documentos em questão, poderia referirse a qualquer outro contribuinte com esse mesmo nome. 3.21. A fiscalização teria se consistido apenas em intimação para o contribuinte solicitar esclarecimentos acerca de remessas ao exterior. Teria a fiscalização apresentado uma planilha cujos itens dizia corresponder a remessas de numerário para o exterior através de conta de não residentes e solicitando da impugnante que esclarecesse tais remessas. 3.22. O contribuinte não poderia esclarecer as referidas remessas por desconhecêlas. 3.23. As conclusões a que chegou a equipe fiscal estariam baseadas em presunções sem sustento em lei. O processo todo seria composto por cópias, oriundas de um processo que estaria em curso ou teria cursado na Justiça Federal do Paraná, onde se teria quebrado o sigilo bancário não se sabe de quem, e daquele procedimento judicial, teriam aparecido as tais remessas por conta da impugnante. O que constaria dos autos seriam papéis e não documentos, não haveria uma única assinatura. 3.24. O endereço que consta das ordens de débito nada teriam a ver com o contribuinte. Não constaria nada nos autos que pudesse fazer supor qualquer relacionamento entre o impugnante e os titulares das contas cujo sigilo foi quebrado por ordem judicial. 3.25. O contribuinte já teria sido autuado por supostas remessas de recursos, em outros processos administrativos. Aqueles autos teriam sido lavrados pelos mesmos motivos da presente lavratura e od lançamentos foram considerados improcedentes. 3.26. Não existiriam nos presentes autos qualquer comprovação de haver o impugnante agido com evidente e inequívoco intuito de fraude, sendo inaplicável ao caso em tela a multa de 150%. A 5ª Turma da DRJ em São Paulo I / SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n° 1613.023, de 10/04/2007 (fls. 584/598), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Constatado que inexistiu qualquer ato e/ou omissão da autoridade Fiscal que implicasse em prejuízo ou preterição do direito de defesa e estando o contribuinte ciente de todos os elementos de que Fl. 705DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.447 9 necessitava para elaborar suas contrarazões de mérito, fica de todo afastada a hipótese de nulidade do procedimento fiscal. DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento de oficio, o termo inicial da contagem do prazo decadencial ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, mormente em face de dolo, fraude ou simulação. O prazo para que o Fisco efetue o lançamento das contribuições sociais é de dez anos, conforme previsto na Lei n° 8.212/1991. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizase como omissão de receita, a remessa para o exterior por meio de conta de não residentes, que se revelaram em ação fiscal constituíremse em pagamentos efetuados a terceiros, para os quais não logrou o contribuinte comprovar a correspondente escrituração. MULTA QUALIFICADA. Constatado o evidente intuito de fraude é cabível a aplicação da multa qualificada, no percentual de 150% TRIBUTAÇÃO REFLEXA O decidido para o Imposto sobre a Renda alcança as tributações reflexas dele decorrentes: PIS, COFINS e CSLL. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF Anocalendário: 2001, 2002 PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado por pessoas jurídicas a beneficiário não identificado ou, ainda, os pagamentos efetuados e os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, o não comprovada a operação ou a sua causa. Ciente da decisão de primeira instância em 30/10/2007, conforme Aviso de Recebimento à fl. 610, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/11/2007 conforme carimbo de recepção à folha 611. No recurso interposto (fls. 611/656), alega preliminarmente os pontos que se seguem: • Reafirma que o direito da Fazenda estaria atingido pela decadência por ocasião do lançamento, posto que as supostas remessas de valores ao exterior foram realizadas, em sua imensa maioria, durante o ano de 2001. Por sua ótica, estaria em vigor a Lei n° 8.541/1995, a qual estabelecia que o imposto seria devido mensalmente. Assim, a fluência do prazo decadencial se iniciaria a partir das respectivas datas em que o imposto se tornou devido, e seria contada segundo as regras do art. 150, § 4º, do CTN. • Ainda que, apenas por argumentação, se admitisse a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, seriam aplicáveis as regras do art. 173, I, do mesmo código. Em qualquer caso, mesmo na pior das hipóteses, a decadência se teria operado em 1° de janeiro de 2007, antes, portanto, do lançamento, ocorrido em 12/01/2007 (data da ciência). Fl. 706DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.448 10 • Insiste na nulidade do lançamento, pelos mesmos motivos alegados na peça impugnatória. No mérito, repete os mesmos argumentos já trazidos em sede de impugnação.” Em seu voto, o Relator da Resolução nº 1051.431 assim se pronunciou: “O recurso é tempestivo, e dele conheço. Compulsando os autos, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento, pelas razões que passo a expor. A documentação acostada aos autos pelo Fisco dá conta de remessas ao exterior, apuradas no âmbito do caso conhecido como "Beacon Hill, tendo como remetente "METALTEX AV. BRIG. LUIS ANTONIO, 2851 CL 52 SÃO PAULO, BRAZIL", vide fls. 99/103 e 104/132. Tais remessas foram imputadas pelo Fisco à pessoa jurídica PRODUTOS ELETRÔNICOS METALTEX LTDA., com as consequências tributárias daí decorrentes. No entanto, a pessoa jurídica em questão nega a autoria de tais remessas, e afirma desconhecêlas. Observase que a questão a ser analisada é a correção ou não da sujeição passiva da obrigação tributária. Para tanto, considero indispensável saber quem era o ocupante do endereço citado nos documentos representativos da remessas, à época dos fatos. E não encontro tal informação nos autos. Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona o contribuinte adote as seguintes providências: 1. Efetue diligência no endereço que consta nos documentos representativos das remessas ao exterior (AV. BRIG. LUIS ANTONIO, 2851, CJ. 52 SÃO PAULO), com o objetivo de identificar o ocupante (proprietário, locatário ou outro) do imóvel em questão, à época das remessas, entre 03/01/2001 e 26/03/2002. 2. Diligencie também para apurar e informar, se existente, o vínculo entre aquele ocupante e a pessoa jurídica PRODUTOS ELETRÔNICOS METALTEX LTDA., interessada no presente processo. 3. Acrescente os documentos comprobatórios obtidos no cumprimento dos itens 1 e 2, acima, bem assim outros documentos e/ou informações que I considerar relevantes. O resultado final das verificações ora requeridas deve constar de relatório conclusivo, do qual deve ser cientificada a empresa interessada para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, no prazo de 30 dias.”. Em resposta à diligência, foi lavrado o Relatório Fiscal a fls. 2.306 e segs., o qual informa que: “Através do sistema de assinantes da Telefônica, foi identificado o morador do endereço em questão, sito à Av. Brigadeiro Luiz Antonio 2851, ap: 52, tratase de Maria Helena Mollica, CPF: 003.180.43815. As declarações de Fl. 707DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.449 11 bens da contribuinte, relativas aos anoscalendário de 2001 e 2002, apontam ser a contribuinte, a proprietária do imóvel em questão, sendo este seu domicílio fiscal no mesmo período. O prédio em questão é estritamente residencial.” “Através dos sistemas informatizados da RFB, foi constatado não haver qualquer vínculo direto no período de 2001 e 2002 entre a pessoa jurídica em epígrafe e a moradora do endereço em questão. Foram consultados sistemas de declarações imobiliárias (DIMOB) e de retenção na fonte (DIRF), além das declarações de bens.” Após cientificada do Relatório Fiscal, a recorrente assim se manifestou: “Ficou, assim, absolutamente comprovado que a empresa autuada, PRODUTOS ELETRONICOS METALTEX LT'DA, nada tem a ver com o ocupante do endereço constante das ordens de remessa de valores ao exterior, (fls. 99/103 e 104/132), corroborando "o Relatório Fiscal de fls. 699/700 com toda a argumentação apresentada pela ora requerente em sua Impugnação e em seu Recurso Voluntário, no sentido de não ser ela a responsável pelas supostas remessas, desconhecendo completamente tais operações. Resta comprovado, pois, que os dados que constam dos documentos de fls. 99/103 e 104/132 não são suficientes para vincular a empresa autuada ao responsável pelas supostas remessas, restando incontroverso e provado que a ora requerente nada tem a ver com o endereço constante dos referidos documentos. Ante todo o exposto, reiterando toda a argumentação, anteriormente expendida, entendendo a requerente encontrarse mais do que demonstrado sua absoluta desvinculação do responsável pelas remessas de valores ao exterior, requerse a remessa dos autos ao E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, para que seja julgado o Recurso Voluntário interposto, reiterandose pedido de seu completo acolhimento, com a consequ ente improcedência da ação fiscal e arquivamento dos autos de infração lavrados em 03.01.2007, por se tratar de medida de inteira justiça.” É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 222, razão pela qual dele conheço. Conforme DIPJ dos anos 2001 e 2002 (doc. a fls. 33 e segs.), a recorrente sofreu retenção de imposto de renda na fonte em todos os trimestres de 2001 e de 2002, sendo que o IRRF reduziu o valor do IRPJ a pagar de cada um dos referidos trimestres. Logo, a a aplicação do art. 173, I, do CTN ao caso vai depender de restar demonstrada a conduta dolosa da recorrente ao efetuar pagamentos sem escrituração. Por sua vez, esta mesma conduta (pagamento sem escrituração) é o indício que, se não provado, desconstituirá a própria presunção de omissão de receitas (infração) e, por consequência, os lançamentos em tela. Por Fl. 708DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.450 12 essa razão, passo a apreciar o mérito do lançamento antes da sua preliminar – decadência, ou seja, passo a apreciar, primeiro, se há provas dos atos imputados à recorrente. A base legal do lançamento reside, segundo o Termo de Constatação Fiscal a fls. 423, no art. 40 da Lei nº 9.430/96, o qual preceitua que caracteriza omissão de receita a falta de escrituração de pagamentos. Assim, o lançamento se fundou não em uma prova direta, mas em uma presunção de omissão de receitas. Ensina Candido Dinamarco (Instituições de Direito Processual Civil. Vol. III, 4ª Edição, p. 113 e segs.) que o objetivo de todas as presunções relevantes para o Direito é a facilitação da prova, pois há situações em que, sendo particularmente difícil a prova direta, a lei facilita a demonstração do fato relevante, satisfazendose com a prova daquele fato que é mais fácil provar, pois a experiência demonstra que existem relações razoavelmente constantes entre a ocorrência deles e a dos fatos relevantes que se quer provar. Assim, define o ilustre processualista que “Presunção é um processo racional do intelecto, pelo qual do conhecimento de um fato inferese com razoável probabilidade a existência de outro ou o estado de uma pessoa ou coisa...O momento inicial desse processo psicológico é o conhecimento de um fato base, ou indício revelador da presença de outro fato. Seu momento final, ou seu resultado, é a aceitação de um outro fato, sem dele ter um conhecimento direto”. Logo, para se aceitar a ocorrência de omissão de receita com base na presunção legal prevista no art. 40 da Lei nº 9.430/96, há que restar demonstrado pela fiscalização que a recorrente foi quem efetivamente fez as remessas para o exterior e que tais remessas se destinavam a terceiros (pagamentos). Ora, o Termo de Constatação a fls. 420 sustenta que a identificação do sujeito passivo se deu a partir de mídias eletrônicas, apreendidas com terceiros no exterior, que citavam o nome Metaltex como o cliente que determinou a ordem de pagamento ao exterior. A partir daí, os autuantes fizeram pesquisas na internet e em companhias telefônicas, para identificar quem seria a “Metaltex”. Como não encontraram pessoas jurídicas homônimas e, em pesquisa nos “sites” dos beneficiários das ordens de pagamento, verificaram que essas empresas eram do mesmo ramo de atividade da recorrente, concluíram assim, que a Metaltex citada nos documentos apreendidos era a recorrente e que teria sido efetivamente ela quem determinou a remessa ao exterior. Entendo que não temos uma prova efetiva de que foi a recorrente quem determinou as ordens de pagamento, mas apenas indícios, o que afastaria a aplicação do art. 40 da Lei 9.430/96, sob pena de estarmos concluindo pela ocorrência de omissão de receita a partir do indício de que houve pagamento não escriturado. Ora, o indício ou fatobase que autoriza presumir o fato relevante (omissão de receitas) há que restar provado. Para o sucesso do lançamento, seria necessário que houvesse alguma prova que efetivamente vinculasse a recorrente à ordem bancária a fls. 108 e segs. ou, pelos menos, que tornasse mais robusto o indício consistente no nome METALTEX ali informado como remetente dos recursos. Ocorre, porém, que a resposta à diligência solicitada pela antiga Quinta Câmara do Conselho de Contribuintes terminou por enfraquecer ainda mais este indício, quando se constatou que o endereço informado na ordem bancária, abaixo do nome Metaltex, era residencial e de pessoa sem qualquer vinculação com a recorrente. Ora, se o endereço do remetente era falso, é possível também que o nome informado também o seja. Assim, entendo que o conjunto probatório é insuficiente para se concluir que as remessas ao exterior foram efetivamente determinadas pela recorrente, razão pela qual voto por dar provimento ao recurso voluntário e, consequentemente, cancelar os lançamentos de Fl. 709DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.451 13 IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS e Cofins, consubstanciados nos autos de infração a fls. 425 e segs. Alberto Pinto Souza Junior Relator Declaração de Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha Diversos litígios têm sido submetidos à apreciação deste CARF envolvendo autuações decorrentes de remessas ao exterior apuradas no âmbito do caso conhecido como “Beacon Hill”. A primeira e mais tormentosa questão a ser analisada a seguir diz respeito à sujeição passiva, ou seja, a correta identificação do remetente/ordenador dos pagamentos ou remessas, e o caso vertente não foge à regra. A documentação acostada aos autos pelo Fisco dá conta de remessas ao exterior, tendo como remetente “METALTEX – AV. BRIG. LUIS ANTONIO, 2851 – CJ. 52 – SÃO PAULO , BRAZIL”, vide fls. 99/103 e 104/132. Já no lançamento, a autuante afirmava ter efetuado “pesquisa do nome do contribuinte constante na mídia supracitada, nos sistemas da SRF, para verificação de homônimos, o que não foi constatado”. A interessada afirma que dela não se trata. Aduz que a palavra Metaltex, isoladamente, não poderia levar à conclusão inequívoca de que se trata da recorrente Produtos Eletrônicos Metaltex Ltda., visto haver outras empresas cujo nome empresarial contém a mesma palavra. Aponta, pelo menos, duas outras empresas, na cidade de São Paulo, nessas condições. Em primeira instância, a autoridade julgadora afastou tais argumentos, ao afirmar que a METALTEX REPRESENTAÇÕES S/C LTDA – CNPJ 46.311.296/000162 teve suas atividades encerradas em 1993 (fl. 515), e que a METALTEX COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA – CNPJ 58.648.923/000197 tem o mesmo endereço da interessada (fl. 516). Não obstante, quanto a esta última, observo que se encontrava com cadastro ativo na época dos fatos de que aqui se trata, embora suas declarações de rendimentos não registrassem quaisquer operações. Não encontro nos autos a pesquisa de homônimos a que se referiu a autuante, e essa afirmação fica bastante enfraquecida quando se constata que, pelo menos, outros dois existem. Surge, assim, uma primeira dúvida quanto à imputação da sujeição passiva à Produtos Eletrônicos Metaltex Ltda. Mas o Fisco prossegue, e acrescenta outros elementos que, por seu entendimento, vinculariam em definitivo a METALTEX mencionada nos documentos das remessas à empresa PRODUTOS ELETRÔNICOS METALTEX LTDA. Em primeira instância, tais elementos foram considerados suficientes pela Autoridade Julgadora, que assim se manifestou: Fl. 710DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.452 14 21. Ora, como consta dos autos e acima relatado, no tocante à sujeição passiva das operações em questão, há vários fatos relevantes trazidos pela fiscalização que permitem concluir ser improcedente tal alegação. 22. A fiscalização demonstrou que o ramo do autuado, fabricação de material eletrônico (fls. 134) é o mesmo dos beneficiários finais dos pagamentos efetuados, bem assim são os mesmos os endereços informados nas referidas ordens de pagamentos (fls. 135 a 140) e as pesquisas de fls. 136 a 140. 23. A fiscalização anexou também extratos de pesquisas no sistema SISCOMEX (fls. 141/146), com as Declarações de Importação efetuadas nos anoscalendário de 2001 e 2002, que mostram a existência de inúmeras importações do contribuinte “PRODUTOS ELETRÔNICOS METALTEX LTDA”, relativas aos beneficiários finais (fornecedores) discriminados nas operações citadas no Termo de Constatação de fls 148/155. No entanto, da mesma forma que a autuante, a Turma Julgadora considerou de menor relevância o endereço que consta em todos os documentos representativos das remessas, a saber, “METALTEX – AV. BRIG. LUIS ANTONIO, 2851 – CJ. 52 – SÃO PAULO , BRAZIL”. Não penso da mesma forma. Se o nome do remetente se encontra incompleto, o endereço seria de fundamental importância para estabelecer de forma incontestável a sujeição passiva. E não encontro nos autos sequer menção a qualquer providência que houvesse sido tomada no sentido de verificar o que lá havia. Com o fito de identificar o proprietário, locatário ou ocupante do imóvel à época dos fatos e sua possível ligação com a empresa investigada, este Colegiado, em oportunidade anterior, determinou a realização de diligência no endereço mencionado acima, com o resultado que agora se vê: tratase de endereço residencial, e a proprietária/ocupante do imóvel, desde a época dos fatos até agora, não possui qualquer vínculo identificável com a interessada neste processo. É certo que a jurisprudência deste CARF tem apontado para a aceitação de indícios como provas, desde que fortes, vários e convergentes. Se os indícios anteriormente referidos (parte do nome, ramo de atividades, importações dos mesmos beneficiários das remessas) são, de fato, fortes e convergentes, não se pode abandonar outro indício que se mostra divergente, posto que, mesmo após a diligência, não há nos autos qualquer ligação entre a interessada e o endereço da Av. Brig. Luís Antônio. Em outras palavras, não se pode aceitar prova pela metade. Também quanto às referidas importações, não encontro nos autos provas de que não tenham sido pagas com recursos regularmente contabilizados (o que poderia levar à conclusão de que as remessas sob exame seriam os pagamentos das importações) nem de que se trate de subfaturamento (com o que as remessas poderia ser o pagamento, “por fora”, da diferença entre o valor real e o valor subfaturado). Também esse ônus seria do Fisco. Concluo, pois, que, não havendo provas diretas, nem indícios fortes, variados e convergentes, não se pode imputar a sujeição passiva à empresa PRODUTOS ELETRÔNICOS METALTEX LTDA. Não se podem acolher os indícios convergentes e descartar, sem motivos consistentes, um elemento tão relevante quanto o endereço atribuído ao remetente dos recursos. Entendo, assim, que as exigências não se sustentam. Relevante ressaltar, ainda, que o mesmo contribuinte foi anteriormente autuado por operações, ocorridas em 1999, em tudo semelhantes àquelas que levaram às presentes autuações. Os julgadores administrativos terminaram por concluir da mesma forma que aqui, senão vejamos: Fl. 711DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.002621/200650 Acórdão n.º 1302001.301 S1C3T2 Fl. 2.453 15 O processo administrativo nº 19515.000405/200599, que tratava de imposto de renda na fonte (IRRF), teve suas exigências afastadas em primeira instância, o que foi confirmado em sede recursal, em decisão assim ementada: PAGAMENTOS SEM CAUSA. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PROVAS. Faltando provas de que a fiscalizada é a efetiva remetente de recursos ao exterior, não há como lhe imputar a responsabilidade por pagamentos sem causa, com a exigência do IRRF. (Rec 151.952, Ac 10615.823, da 6ª Câm. do 1º CC, em 20/09/2006). As exigências do processo administrativo nº 19515.000402/200555, que tratava de IRPJ e reflexos, foram definitivamente afastadas em primeira instância, não cabendo recurso de ofício. O acórdão foi assim ementado: OMISSÃO DE RECEITAS. REMESSAS DE RECURSOS AO EXTERIOR. PROVAS. Faltando provas de que a fiscalizada é a remetente de recursos ao exterior, não há como presumir a ocorrência da omissão de receitas. (Ac. 12237, da 3ª Turma da DRJ Ribeirão Preto/SP, em 13/04/2006) Finalmente, o processo administrativo nº 19515.000404/200544, que tratava do IPI, teve suas exigências afastadas em primeira instância, decisão confirmada pelo 2º Conselho de Contribuintes que negou o recurso de ofício, em decisão ementada como segue: PRESUNÇÃO DE OCORRÊNCIA DE FATO GERADOR. OMISSÃO DE RECEITAS. VINCULAÇÃO ENTRE O CONTRIBUINTE E DIVISAS REMETIDAS AO EXTERIOR POR REFERÊNCIA À PARTE DA DENOMINAÇÃO SOCIAL. PROVA. INSUFICIÊNCIA. É insuficiente a vinculação do contribuinte a remessa de divisas para o exterior, ensejando a apuração de omissão de receitas, efetuada apenas pela referência à parte de sua denominação social. (Rec. 135.092, Ac. 20179.750, da 1ª Câm. do 2º CC, em 07/11/2006) Estes os motivos que me levaram a acompanhar o voto do ilustre Relator, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 712DF CARF MF Impresso em 22/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/02/2014 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 21/02/2014 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 19/03/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002710/2004-75
Data da sessão: Wed Mar 25 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2000
Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Condições.
A configuração de determinada área como de preservação permanente ou reserva legal decorre exclusivamente da sua conformidade com as hipóteses contempladas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965 (Código Florestal). Inadmissível a pretensão de condicionar seu reconhecimento ao cumprimento formalidade fixada em ato administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.021
Decisão: ACORDAM os membros da 2° Câmara / 1° Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Luis Marcelo Guerra de Castro
1.0 = *:*
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Recorrida DRJ-RECIFE/PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 Área de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Condições. A configuração de determinada área como de preservação permanente ou reserva legal decorre exclusivamente da sua conformidade com as hipóteses contempladas na Lei n°4.771, de 15 desetembro de 1965 (Código Florestal). Inadmissível a pretensão de condicionar seu reconhecimento ao cumprimento formalidade fixada em ato administrativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da r Câmara / I* Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, temporariamente e justificadamente, a Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, nos termos do voto do Relator. IS MA CELO GUERRA DE CASTRO Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Anelise Daudt Prieto, Celso Lopes Pereira Neto, Nanci Gama, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto e Nilton Luiz Bartoli. Processo n°10735.002710/2004-75 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.021 Fl. 121 Relatório Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que deu suporte à decisão recorrida, que passo a transcrever: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 02/12, no qual é cobrado o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, exercício 2000, relativo ao imóvel denominado "Fazenda Açu — Gleba D", localizado no município de Petrópolis - RJ com área total de 924,2 ha, cadastrado na SRF sob o n° 229.860-0, no valor de R$ 100.141,13 (cem mil cento e quarenta e um reais e treze centavos), acrescido de multa de lançamento de oficio e de juros de mora, calculados até 30/09/2004, perfazendo um crédito tributário total de R$ 245.155,49 (duzentos e quarenta e cinco mil cento e cinqüenta e cinco reais e quarenta e nove centavos). 2. No procedimento de análise e verificação das informações declaradas na DITRJ2000 e dos documentos coletados no curso da ação fiscal, conforme demonstrativo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fl. 04, a fiscalização apurou as seguintes infrações: • a) exclusão, indevida, da tributação de 578,2 ha de área de preservação permanente; b) exclusão, indevida, da tributação de 185,0 ha de área de utilização limitada. 3. As exclusões indevidas, conforme demonstrativo Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal fl. 05, têm origem na intempestividade do protocolo do Ato Declaratório Ambiental — ADA. 4. O Auto de Infração foi postado nos correios tendo o contribuinte tomado ciência em 05/11/2004, conforme Comprovante de Recebimento - CR de fl. 18. 5. Não concordando com a exigência, o contribuinte apresentou, em 03/12/2004, a impugnação de fls. 20/80, alegando, em síntese: I - que as Leis n°9. 333/96, n° 4.771/65, com redação dada pela • Lei n° 7.083/89, não exigem apresentação de qualquer documento para o gozo do beneficio; II - que a exigência encontra-se prevista somente numa Instrução Normativa destituída de suporte legal; III - que o ADA é ato de natureza puramente declaratória certificante da situação preexistente; 2 Processo n°10735.002710/2004-75 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.021 Fl. 122 IV — que o art. 3° da Medida Provisória n°1.956-50, de 26-05- 2000, atual MP n°2.166-67, de 24-08-2001, que introduziu o ,f 7° ao art. 10 da Lei n° 9.393/96, deixou evidente a desnecessidade do ADA; V— transcreve ementas do Conselho de Contribuintes. Ponderando tais argumentos e as demais razões expostas no voto condutor do acórdão recorrido, decidiu o órgão julgador de P instância pela manutenção integral da exigência, conforme se observa na ementa abaixo transcrita: Assunto: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2000 ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. COMPROVAÇÃO. A exclusão de áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR. está condicionada ao reconhecimento delas pelo lhama ou por órgão estadual competente. mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA). no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2000 ISENÇÃO. INTERPRETAÇÃO LITERAL. A legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção deve ser interpretada literalmente. ARGÜIÇÕES DE ILEGALIDADE E DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA PARA APRECIAR. Não se encontra abrangida pela competência das Delegacias da Receita Federal de Julgamento a apreciação da inconstitucionalidade de atos legais ou da ilegalidade dos atos normativos expedidos pela Secretaria da Receita Federal, uma vez que neste juízo eles se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese, negar-lhe execução. Mantendo sua irresignação, comparece o sujeito passivo mais uma vez aos autos para, em sede de recurso voluntário, sinteticamente, reiterar as razões de inconformidade formuladas por ocasião da instauração da fase litigiosa É o relatório. 631 3 Processo n°10735.002710/2004-75 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.021 Fl. 123 Voto Conselheiro LUÍS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Presidente e Relator O recurso é tempestivo e trata de matéria afeta à competência deste Terceiro Conselho. Dele tomo conhecimento, portanto. Penso que a decisão recorrida merece reparos. A meu ver, data venia, equivocou-se a r. autoridade autuante quando motivou a exigência única e exclusivamente na intempestividade da protocolização do Ato Declaratório Ambiental (ADA). Com efeito, a exclusão da base de cálculo prevista na alínea "a", do inciso II do § 1° do Art. 10 da Lei n° 9.393, de 1996 1 reclama tão somente a existência das áreas ali enumeradas. Por outro lado, o Código Florestal, ao conceituar área de preservação permanente e de reserva legal, em seu artigo 2° ou no § 8° do seu art. 162, não condiciona seu reconhecimento à tempestividade da protocolização do pedido de ADA. Finalmente, acho que o § 1° do art. 17-0 da Lei n° 6.938, de 31/08/1981, inserido pela Lei n° 10.165, de 27 de dezembro de 2000,3 além de posterior ao fato gerador objeto do presente processo, fala da exigência da apresentação do Ato Declaratório Ambiental, mas não define prazo para fazê-lo. De tal sorte, antes da incidência do Regulamento do ITR, aprovado pelo Decreto n°4.382, de 19 de setembro de 2002, aplicável, portanto, a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 2003, o dispositivo legal apto a estabelecer a exigência da apresentação do ADA como condição para fruição de redução do ITR só poderia ser aplicado em conjunto com o § 7° do art. 10 da Lei n°9393, de 1996, inserido pela Medida Provisória n° 2.166-67, de 24 de agosto de 2001. § 7°A declaração para fim de isenção do 1TR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso 14 § 1", deste artigo, Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitando-se a homologação posterior. § 1° Para os efeitos de apuração do ITR, considerar-se-á: (...) II - área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n°4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei n°7.803, de 18 de julho de 1989; 2 Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: Art. 16. (...) § 2° A reserva legal, assim entendida a área de , no mínimo, 20% (vinte por cento) de cada propriedade, onde não é permitido o corte raso, deverá ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada, a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, ou de desmembramento da área. (Incluído pela Lei n°7.803 de 18.7.1989) 3 Art. 17-0... § 1° A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei n° 10.165, de 2000) • Processo n° 10735.002710/2004-75 S3-C2T1 Acórdão n.°3201-00.021 Fl. 124 não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." Incabível, portanto, impor exigência única e exclusivamente em razão da intempestividade do protocolo de ADA. • Assim, admitir essa hipótese, seria violar o art. 97, incisos V e VI, do CTN4 (Lei 5.172, de 1966). Com efeito, ainda que se afirme que a perda do beneficio não representa penalidade (hipótese do inciso V), indiscutivelmente haveria um conflito com o inciso VI, eis que estar-se-ia regulando matéria afeta à exclusão do crédito tributário por meio de hierarquicamente inferior. De se notar, ademais, que não consta do autos que a recorrente tenha sido sequer intimada a, no curso da ação fiscal, trazer elementos que comprovassem a constituição de reserva legal ou a existência de área de preservação permanente no imóvel objeto de exigência. Em respeito ao que Alfredo Augusto Beckers denominou cânone hermenêutico da totalidade do sistema jurídico, entendo aplicável o conceito e as consequências do vicio de motivação extraído, parágrafo único do art. 2° da lei n° 4.717, de 1964 (lei da ação popular), que reza: Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes normas: C.) d) a inexistência dos motivos se verifica quando a matéria de fato ou de direito, em que se fundamenta o ato, é materialmente inexistente ou juridicamente inadequada ao resultado obtido; (gr(ii) Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 25 de março de 2009. LUÍS MARCELO GUERRA DE CASTRO — Presidente e Relator 4 Art. 97. Somente a lei pode estabelecer (...) V - a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI - as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. 5 Teoria Geral do Direito Tributário. São Paulo, Lejus, 3* ed. p.p. 116/123 5
score : 1.0
Numero do processo: 13608.000041/85-17
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 1986
Ementa: IRF - DECORRÊNCIA - ANULAÇÃO DE DECISÃO:
Tornada insubsistente a fase processual que alicerçava a presente exigência fiscal, cabe adotar as medidas processuais que
compatibilizem o procedimento nestes autos decorrentes, qual seja, no caso, a anulação da decisão de primeiro grau, para que outra venha a ser prolatada em consonância com o que vier a ser decidido nos autos do processo matriz.
Numero da decisão: 101-76.616
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anular a decisão recorrida
para que outra seja prolatada em consonância com o que vier a ser decidido nos autos de que esta exigência e decorrente, nos termos
do relatE5rio e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Francisco de Assis Miranda
1.0 = *:*
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-07T16:29:55Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-07T16:29:55Z; Last-Modified: 2009-07-07T16:29:55Z; dcterms:modified: 2009-07-07T16:29:55Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-07T16:29:55Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-07T16:29:55Z; meta:save-date: 2009-07-07T16:29:55Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-07T16:29:55Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-07T16:29:55Z; created: 2009-07-07T16:29:55Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2009-07-07T16:29:55Z; pdf:charsPerPage: 1437; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-07T16:29:55Z | Conteúdo => PROCESSO N9 13608-000.041/85-17 MINISTÉRIO DA FAZENDA MHP Sessão de 14 de Maio de 198_6. ACORDÃO N,° 101-_76.616 Recurso n.° 46.411 - IRF - Anos de 1983 e 1984. Recorrente JAPIELNA LTDA. Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELO HORIZONTE - MG. IRF - DECORRÊNCIA - ANULAÇÃO DE DECISÃO: I Tornada insubsistente a fase processual' que alicerçava a presente exigência fiscal, cabe adotar as medidas processuais que compatibilizem o procedimento nestes au- tos decorrentes, qual seja, no caso, a anulação da decisão de primeiro grau, pa ra que outra venha a ser prolatada em consonância com o que vier a ser decidi- do nos autos do processo matriz. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JAPIELNA LTDA.: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Primeiro Con . selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, anular a decisão re- corrida para que outra seja prolatada em consonância com o que vier a ser decidido nos autos de que esta exigência e decorrente, nos termos do relatE5rio e voto gue passam a iRtegrar o presente julgado. I Sala das s e 11 /DF), em 14 de maio de 19862 ''lAMADOR OU í- F,IvÂNDEZ - PRES;DENTE , ,,_.-v--- --) V1/4.,/vkitIV' ..‘.,,,, FRAk-ISCO DE á SSIS :RANDA - Ri ATOR , VISTO EM ,GOSTINHO FAip= - PROCURADOR DA FAZENDA NA - : SESSÃO DE: 15 m ig CIONAL ; Participaram, ainda, do nresetne julgamento, os seguintes Conselheiros : SYLVIO RODRIGUES, CARLOS ALBEF-L-TO GONÇALVES NUNES, AGOSTINHO SERRANO FI_ V.V LHO, JOSn EDUARDO RANGEL DE ALCKMIN, ALCEU DE AZEVEDO FONSECA PINTO e RAUL PIMENTEL. 2 - SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13608-000.041/85-17 RECURSO N9: 46.411 ACÓRDÃO N9: 101-76.61.6 RECORRENTE: JAPIELNA LTDA. RELATÓRIO jAPIELNA LTDA., pessoa jurídica de direito priva do estabelecida em Ponte Nova - MG, e jurisdicionada ã D.R.F. em Belo Horizonte - MG., foi alvo da ação fiscal a que alude o Auto de Infração de fls. 7, lavrado em 11/06/85, onde e exigido o reco- lhimento do credito tributário de Cr$ 94.605.449. A exigência tem suporte no fato de haver a fisca lização considerado como automaticamente distribuídos aos sócios , nos períodos-base de 1983 e 1984, exercício de 1984 e 1985, os va- lores respectivos de Cr$ 27.250.000 e Cr$ 46.000.000, supostamente omitidos pela pessoa jurídica, ante a ausência de comprovação do ingresso e efetiva entrega de numerário para integralização de su- cessivos aumentos do capital social subscritos pelos sócios. A tributação desses lucros considerados automati camente distribuídos foi feita exclusivamente na fonte, por força do disposto no art. 89 do Decreto-lei n9 2.065/83, aplicando-se a alíquota de 25%. O contraditório foi inaugurado pela petição de fls, 12/16, na qual a interessada argumenta que caberia ao fisco provar a ocorrência da omissão de receita que originou a tributa- ção reflexa ora exigida, na forma prevista no art. 99, §§ 19, 29 e / 39 do Decreto-lei n9 1.598/77, o que não foi feito, sendo que Vil DMF - DF/19 C-C - Secgraf - 1607/ SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13608-000.041/85-17 3 Acórdão n9 101-76.616 tributação foi levada a efeito por mera presunção fiscal, absolu tamente carente de base legal. Sustenta que o crédito tributário resultante da omissão de receita anteriormente detectada pelo fisco, e que serviu de base para o lançamento decorrente, já foi objeto de contestação através do processo n9 13.608-000.043/85-42, o que justifica que a exigência ora formulada seja examinada em conjunto com aquela da qual é reflexo, observado o entendimento' jurisprudencial referido no processo principal. Pela decisão de fls. 35/37, a autoridade mono-- crática julgadora manteve o credito tributário impugnado, face ao reconhecimento no processo matriz, da ocorrência do fato eco- nômico, qual seja, a omissão de receita que serviu de base de cálculo para o crédito tributário ora exigido, conforme decisão n9 01670/85, cuja cópia constitui parte integrante deste proces- so, como, também, por não ter a contestante atacado o mérito ob- jeto da autuação, ou seja, aplicação do art. 89 do Decreto-lei r? 2.065/83. Postulando a reforma da aludida decisão, a au- tuada ingressou com o tempestivo recurso de fls. 41/45, onde ale ga em síntese que os pressupostos básicos de que trata o §. 19 do art. 99 do Decreto-lei n9 1.598/77, estão plenamente observados, pois que: a) - Nem os srs. auditores e nem o conteúdo da Decisão recorrida aponta qualquer irregularidade na escrituração ou qual - quer dispositivo de lei especificamente descumprido, quanto a es crituração e a contabilidade; b) Os únicos documentos que, tan- to o sr. julgador de instância Quanto os srs. auditores fis- cais alegam inexistência se referem a efetiva entrega de numerá- rio pelos sócios, para integralização do capital. Aduz que está clarissimo que todo ritual e documentação relativa ao aumento de capital está perfeito, pois que: 1 - houve a subscrição do capi- tal; 2 - houve a efetiva entrega do numerário pelos sócios; 3 - Esse numerário entregue pelos sócios à empresa, foi por ela depo sitado em Bancos; 4 - Foram elaboradas e registradas as respec- tivas alterações contratuais e registradas na Junta Comercial no devido tempo. Se o numerário foi depositado em Banco, isto é , aquele numerário efetivamente entregue pelos sócios, que outra - prova mais substancial poderá haver do que o depósito recebido SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL. PROCESSO N9 13608-000.041/85-17 4 Acórdão n9 101-76.616 pelo Banco? 2 evidente que só após o ingresso efetivo no caixa da empresa é que esse depósito poderia ser efetuado. A seguir te ce considerações sobre a tributação com base em meros indícios que violenta o direito do contribuinte e vicia o ato da autorida_ de que só pode fazer e agir em absoluta conformidade com a lei e esta exige a ocorrência do fato gerador para que tenha lugar o lançamento. Faz remissão aos termos da impugnação onde transcre- veu copiosa jurisprudência que requer seja examinada. Conclui di_ zendo que está sendo vítima de mero sofisma fiscal e requer o provimento do recurso. 09 E o rel tório. , ',.. SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO N9 13608-000.041/85-17 5 Acórdão n9 101-76.616 VOTO_ Conselheiro FRANCISCO DE ASSIS MIRANDA, Relator: O processo instaurado contra a pessoa jurídica onde foi detectada a omissão de receita e que causou reflexo na fonte por caracterizada distribuição de lucros aos sócios, já foi julgado por esta Câmara em grau de recurso voltintário interposto' contra decisão de instância (Recurso n9 89.876). Assim, através do Acórdão n9 101-76.587 de 12.05.86 decidiu a Câmara, ã unanimidade de votos anular a decisão recorri- da para que outra fosse proferida na boa forma, facultando-se ao contribuinte a produção da prova da origem dos recursos entregues em conferência de aumentos de capital subscritos pelos sócios, pro va essa julgada dispensável pela decisão. Uma vez anulada a decisão de 1 instância profe- - rida no processo matriz, a suposta omissão de receita detectada na empresa e que causou reflexo na fonte por configurada a distri buição de lucros, ainda não se consolidou na primeira fase do jul gamento. Por outro lado é certo ser a irreversibilidadena mesma instância, do credito fiscal exigido das pessoas jurídicas, - que autoriza a autoridade julgadora singular a ratificar a exigen cia fiscal nos processos decorrentes. Assim, anulada a decisão de 19 grau proferida no processo matriz instaurado contra a pessoa jurídica, a mesma sor- te deverá ter a decisão daquela autoridade prolatada nestes autos, em razão justamente do suporte que aquela dava a esta e a intima relação de causa e efeito. Ante o exposto, voto pela anulação da decisão re - corrida, para que outra venha a ser prolatada, em consonância corn o que a autoridade julgadora monocrática vier a decidir no proces so instaurado contra a pessoa juríd.: .. FRANCISCO DE ASSIS M • DA - RELA R Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1
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Numero do processo: 10875.005553/2002-93
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA
SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração . 01/02/1999 a 31/12/2001
SÚMULA N° 02 do SEGUNDO CONSELHO de
CONTRIBUINTES.
O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.
FALTA DE AMPARO LEGAL.
A Lei Complementar n° 70/91, que instituiu a Contribuição para o
Financiamento da Seguridade Social - COFINS, estabeleceu,
entre outras disposições, a contribuição à alíquota de 2% sobre o
faturamento, a qual foi considerada constitucional, destarte, não
ficaram demonstrados recolhimentos indevidos da COFINS nos
períodos requisitados. Sem fundamento o entendimento proposto
pelo interessado de que o rol do parágrafo 1° do artigo 22 da Lei
n° 8.212, de 24/07/1991 tem caráter exemplificativo, podendo
albergar outros tipos de atividades econômicas.
Recurso negado
Numero da decisão: 203-13.399
Decisão: Acordam os MEMBROS da terceira câmara do Segundo Conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Gilson Macedo Rosenburg Filho
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Recorrida DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração . 01/02/1999 a 31/12/2001 SÚMULA N° 02 do SEGUNDO CONSELHO de CONTRIBUINTES. O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária. FALTA DE AMPARO LEGAL. A Lei Complementar n° 70/91, que instituiu a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS, estabeleceu, entre outras disposições, a contribuição à alíquota de 2% sobre o faturamento, a qual foi considerada constitucional, destarte, não ficaram demonstrados recolhimentos indevidos da COFINS nos períodos requisitados. Sem fundamento o entendimento proposto pelo interessado de que o rol do parágrafo 1° do artigo 22 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991 tem caráter exemplificativo, podendo albergar outros tipos de atividades econômicas. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORD4os Me ,01"‘,•., E r.• RA CÂMARA do SEGUNDO LSON CONSELHO DE Cir BUINyErpo,Fighisí. i e de votos, em negar provimento ao - —n. _ . . '" DO 120SENBURG FILHO _ " Presi nte e Relator MF-SECUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL • Brasilla 09/6 Marfo% Otrde Oliveira Mal. Siape 91650 ‘ ". Processo e 10875.005553/2002-93 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.399 Fls. 79 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Morae/de Castro e Silva, Odassi Guerzoni Filho, Jean Cleuter Simões Mendonça, José Adão Vit Lilo de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda_ MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COMO ORIGINAL Brasitia, n,..94A / ii / Og 1:11CMarlIde Curs de Onveira Mat. Siape 91650 . . _ - - -. . _.. _ 2 Processo n° 10875.005553/2002-93 CCO2/CO3 • Acórdão n.° 203-13.399 ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONYRIBUINTES Fls. 80 • CONFERE COM O ORIGINAL o? , r o1 Brasitia Mate Cursino de Oliveira Mat. Siape 91650 Relatório Como forma de elucidar os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, in verbis: Em 29/11/2002, a contribuinte acima identificada protocolou a • Declaração de Compensação (DCOMP) de fls. 01/02, pela qual • extinguia, sob condição resolutó ria de posterior homologação, créditos no montante de R$142.486,47, aproveitando-se de direito creditório originado de pagamentos da Contribuição para o Financiamento da • Seguridade Social — Cofins relativos à apuração dos meses de fevereiro • de 1999 a dezembro de 2001. Cópias dos comprovantes de pagamentos que subsidiam o pedido foram juntadas aos autos, fls. 11/23. Planilha de cálculo foi juntada àfl. 10. Na peça que acompanha a DCOMP, fls. 05/08, a contribuinte reivindica tratamento isonómico ao conferido às instituições financeiras pelo parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n° 70, de 30/12/1991. Calculada a Cotins com base na forma de apuração aplicável àquelas entidades, teria havido pagamento a maior no período objeto da demanda. Ainda na peça que acompanha a DCOMP, • a interessada argúi não poder incidir multa de qualquer espécie sobre os débitos objeto de compensação. Em decisão de fls. 41/43, o Serviço de Orientação e Análise Tributária da unidade local não reconheceu o direito creditó rio pleiteado é não homologou as compensações vinculadas, sustentando, em síntese, ser defeso às autoridades administrativas estender tratamento tributário diferenciado a contribuintes que não componham o universo visado pela norma. A autoridade que examinou o pleito argumentou, ainda, não consistir em violação ao princípio da isonomia conferir tratamento diferente a pessoas jurídicas cujas atividades tenham naturezas diversas. Por fim, a decisão em tela afirma a incidência da multa de • mora sobre os débitos não pagos em seu vencimento. Cientificada da decisão em 08/05/2007, em 22/05/2007 a contribuinte postou a Manifestação de Inconformidade de fls. 49/56, na qual alega, em síntese, que: a) o privilégio conferido às instituições financeiras pelo parágrafo único do art. 11 da Lei Complementar n° 70, de 1991, viola as garantias constitucionais de isonomia tributária, pelo que é indevido o tributo recolhido; • b) o pleito como formulado não busca, na esfera administrativa, a • declaração de inconstitucionalidade, mas sim a aplicação da lei dentro dos limites constitucionalmente traçados;. c) a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos perdeu o prazo para n esse Recurso, cujo ditame legal era de 08 a 30 dias, demorando mais ffr 3 • Processo e 10875.005553/2002-93 CCO2/033 Acórdão n.° 203-13.399 Fls. SI de 04 anos e meio para fazê-lo o que se requer sua imediata • homologação Por intermédio do Acórdão n° 05-20053 de 12/11/2007, às fls. 60/61 (verso), a DRJ de Campinas julgou o lançamento procedente, com a seguinte ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2001 Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Restituição de Indébito. Pagamento Indevido. Inexistência. O direito à restituição/compensação pressupõe a existência de crédito a favor do sujeito passivo decorrente de pagamento a maior ou indevido. Verificado que os pagamentos efetuados decorrem da correta aplicação da legislação vigente, indefere-se o direito creditá rio pleiteado. Rest/Ress. Indeferido — Comp. Não homologada Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário de fls. 70/75, no qual defende, em síntese, que a administração pode negar aplicabilidade à norma inconstitucional na via administrativa, ou, ainda, por não ter havido a manifestação em sede de conpple direto de constitucionalidade sobre a integralidade da norma questionada: É o relatório. ME-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Bras% 496 / 441/ / Malhe C‘de Caveira Mat. 91650 4 Processo e 10875.005553/2002-93CCO2/CO3 MF-SEGL!</0 CONSELHO DE CONITUSUINTES Acórdão n.° 203-13.399 CONFERE COMO ORIGINAL Fls. 82 emas 02,6 t (21 Matilde Cita Oliveira Mat. Siape 91850 Voto Conselheiro GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Relator A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. SÚMULA 02 do SEGUNDO CONSELHO de CONTRIBUINTES Após análise profunda da peça recursal, constata-se que a lide está adstrita na possibilidade de os Órgãos Judicantes da Administração Tributária por seus deixar de aplicar • leis consideradas inconstitucionais no controle difuso. Consoante noção cediça, os Órgãos Judicantes do Poder Executivo não tem competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declarar-lhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso • expressamente previsto, haja vista tratar-se de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tão-somente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo acha-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. • Noutro giro, não se pode olvidar que está encartado no artigo 53 da . Portaria n° • 147, de 25 de junho de 2007, que "As decisões unânimes, reiteradas e uniformes dos Conselhos serão consubstanciadas em súmulas de aplicação obrigatória pelo respectivo Conselho". A matéria pertinente a este caso já foi objeto de Súmula pelo Segundo Conselho • de Contribuinte, in verbis: SÚMULA N° O 2 - O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para• _ pronunciar sobré a inconstitucionalidade de legislação tributária 5 Processo rt° 10875,005553/2002-93 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-13.399 Fls. 83 COM essas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Salada» 3 4,8 de . o):008 ./.0101;" N 4. CEDO ROSENEURG FILHO MF-SEGUNDO CONSELHO DE CL* YR5i4INTES' CONFERE COMO ORICI:4AL ' Brastl522L—LJC./ 0 51 MaldiferSin0 de 011mra Met. SI 91650 6 Page 1 _0042400.PDF Page 1 _0042500.PDF Page 1 _0042600.PDF Page 1 _0042700.PDF Page 1 _0042800.PDF Page 1
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