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Numero do processo: 16327.002924/2003-59
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL.
A existência de processo judicial não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública.
MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL.
A suspensão da exigibilidade do crédito tributário pressupõe que o depósito integral. Se o depósito é efetuado após o vencimento, cumpre ao contribuinte adicionar ao principal os acréscimos legais devidos. Por outro lado, não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício. Súmula CARF n° 17.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3802-004.112
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: SOLON SEHN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/02/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. A existência de processo judicial não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário pressupõe que o depósito integral. Se o depósito é efetuado após o vencimento, cumpre ao contribuinte adicionar ao principal os acréscimos legais devidos. Por outro lado, não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício. Súmula CARF n° 17. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. DEPÓSITO JUDICIAL. A existência de processo judicial não afasta a possibilidade de lançamento para prevenção de decadência, já que a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não atinge o lançamento, que é ato administrativo vinculado da Fazenda Pública. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário pressupõe que o depósito integral. Se o depósito é efetuado após o vencimento, cumpre ao contribuinte adicionar ao principal os acréscimos legais devidos. Por outro lado, não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício. Súmula CARF n° 17. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 29 24 /2 00 3- 59 Fl. 83DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Bernardo do Campo, que manteve o lançamento impugnado, assentado nos fundamentos de fato e de direito resumidos na ementa a seguir transcrita (fls. 42): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFNS Período de apuração: 01/02/1998 a 30/06/1998, 01/10/1998 a 31/12/998. LANÇAMENTO. DEPÓSITO JUDICIAL. O depósito judicial, desde que integral, embora tenha o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário a que se refira, não obsta o lançamento do correspondente tributo e/ou contribuição. MULTA DE OFÍCIO. DEPÓSITO JUDICIAL. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário pressupõe que o depósito seja feito na sua integralidade. O depósito efetuado após o vencimento da contribuição deve estar acompanhado dos acréscimos legais devidos (multa de mora e, se for o caso, juros de mora). Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O auto de infração impugnado foi lavrado para fins de prevenção de decadência, em razão da falta de recolhimento da Cofins nos 1°, 2° e 4° trimestres de 1998. A DRJ entendeu que o lançamento para prevenção de decadência não viola direito subjetivo do contribuinte, mas protege os interesses da Fazenda Pública. A multa de ofício não foi excluída, porquanto o depósito não compreendeu o valor integral. O Recorrente, nas razões recursais de fls. 49 e ss., sustenta que os créditos tributários constituídos pelo auto de lançamento impugnado estariam garantidos por depósito judicial na Ação Declaratória n° 1999.03.99.0109191. Assim, por estarem com exigibilidade suspensa, seria indevida a multa de ofício. É o Relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.002924/200359 Acórdão n.º 3802004.112 S3TE02 Fl. 84 3 Voto Conselheiro Solon Sehn A ciência da decisão recorrida ocorreu em 02/03/2010 (fls. 49), ao passo que o recurso foi protocolizado, por meio postal, em 01/04/2010 (fls. 64), dentro do prazo legal (cf. ADN nº 19/1997, item “a”1). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. Inicialmente, cabe destacar que, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430/1994, é perfeitamente lícita a lavratura de auto de infração visando à prevenção de decadência: Art. 63. Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001). Tratase de entendimento pacificado no CARF (Súmula nº 17) e no âmbito jurisprudencial, consoante se depreende do seguinte julgado do Superior Tribunal de Justiça: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário na via judicial impede o Fisco de praticar qualquer ato contra o contribuinte visando à cobrança de seu crédito, tais como inscrição em dívida, execução e penhora, mas não impossibilita a Fazenda de proceder à regular constituição do crédito tributário para prevenir a decadência do direito de lançar. 4. Embargos de divergência providos. (EREsp 572.603/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 08/06/2005, DJ 05/09/2005, p. 199). 1 “a) será considerada como data da entrega, no exame da tempestividade do pedido, a data da respectiva postagem constante do aviso de recebimento, devendo ser igualmente indicados neste último, nessa hipótese, o destinatário da remessa e o número de protocolo referente ao processo, caso existente;” Fl. 85DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Por outro lado, razão assiste ao Recorrente quanto à impossibilidade de incidência de multa de ofício nos lançamentos relativos aos período de apuração em que houve o depósito integral do crédito tributário, consoante Súmula CARF n° 17: Súmula CARF n° 17: Não cabe a exigência de multa de ofício nos lançamentos efetuados para prevenir a decadência, quando a exigibilidade estiver suspensa na forma dos incisos IV ou V do art. 151 do CTN e a suspensão do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. Logo, estando caracterizado o depósito integral, conforme planilha constante da decisão recorrida, deve ser excluída a multa de ofício: Votase, assim, pelo conhecimento e provimento parcial do recurso, apenas para excluir a incidência da multa de ofício nos períodos de apuração seguintes: 01/04/1998, 01/05/1998 e 01/06/1998. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 86DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 16366.000389/2010-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 1998
PER/DCOMP. COMPETÊNCIA. CRÉDITO
Não deve ser conhecido Recurso Voluntário que não tem como ponto controvertido a existência do crédito, pois o objeto do contencioso administrativo nas hipóteses de revisão de indeferimento de pedido de compensação restringe-se ao exame da existência (ou não) do crédito informado na respectiva declaração. Impossível a análise do débito declarado, posto seja objeto de confissão pelo sujeito passivo.
Numero da decisão: 1102-001.297
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermam Thomé - Presidente
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 1998 PER/DCOMP. COMPETÊNCIA. CRÉDITO Não deve ser conhecido Recurso Voluntário que não tem como ponto controvertido a existência do crédito, pois o objeto do contencioso administrativo nas hipóteses de revisão de indeferimento de pedido de compensação restringe-se ao exame da existência (ou não) do crédito informado na respectiva declaração. Impossível a análise do débito declarado, posto seja objeto de confissão pelo sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarou-se impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé - Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Otávio Oppermann Thomé.
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COMPETÊNCIA. CRÉDITO Não deve ser conhecido Recurso Voluntário que não tem como ponto controvertido a existência do crédito, pois o objeto do contencioso administrativo nas hipóteses de revisão de indeferimento de pedido de compensação restringese ao exame da existência (ou não) do crédito informado na respectiva declaração. Impossível a análise do débito declarado, posto seja objeto de confissão pelo sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Acompanhou o relator pelas conclusões o conselheiro Francisco Alexandre dos Santos Linhares, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Declarouse impedido o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. Participou do julgamento em seu lugar o conselheiro Marcos Vinicius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermam Thomé Presidente (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 03 89 /2 01 0- 64 Fl. 756DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregório, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Jackson Mitsui, João Carlos de Figueiredo Neto, Marcos Vinicius Barros Ottoni e João Otávio Oppermann Thomé. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 0641.011 (fls. 556/565), proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR (DRJ/CTA), na sessão de 16 de maio de 2013, que, unanimemente, julgou improcedente a manifestação de inconformidade protocolada em decorrência da não homologação da PER/DCOMP 11396.08618.301208.1.3.022541, transmitida em 30/12/2008 (fl. 09). Em suma, na data acima informada, a Contribuinte efetuou pedido de compensação1 de crédito no valor original de R$ 3.437.471,31 (fl. 04), decorrente de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 1998. Esse mesmo saldo negativo de 1998 foi informado no pedido de restituição de nº 29047.79697.311204.1.2.0283522. Os débitos constantes na DCOMP são de estimativa mensal de IRPJ (01 e 11/2003) e de estimativa mensal de CSL (01 e 11/2003) (fls. 05/06). Em 30/09/2009 foi proferido Despacho Decisório (Rastreamento nº 848039268), o qual considerou a DCOMP não declarada. A decisão assim foi fundamentada (fl. 09): “Considero não declaradas as compensações apresentadas no PER/DCOMP acima identificado, uma vez que se trata de matéria já apreciada pela autoridade administrativa e não foi 1 A Recorrente, por erro, enviou a DCOMP em nome da VIVO S.A, e, por tal motivo, em 30/08/2010 (fl. 51), requereu sua retificação (fls. 51/52 e docs. fls. 53/68), a qual foi deferida em 30/09/2010, nos seguintes dizeres: “Em relação ao pedido da empresa quanto ao CNPJ ao qual se vinculam os débitos incluídos [nesta DCOMP], verificase, pelas informações prestadas em DCTF por ambas as empresas (incorporada e incorporadora – fls. 84/105), que assiste razão à interessada, devendo ser exigidos com o CNPJ 02.330.506/000194.” – fl. 371. 2 Esse processo de restituição recebeu o nº 15374.919841/200887. Em 10/04/2014, a 2ª TO da 4ª Câmara da 1ª Seção, por unanimidade, por meio do Acórdão 1402001.648, afastou a decadência, aplicando a Súmula CARF nº 91, e ordenou o retorno dos autos à DRF para apurar o valor do eventual crédito. Fl. 757DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 4 3 reconhecido direito creditório suficiente para extinção de novos débitos por compensação. Período de apuração do crédito: EXERCÍCIO 1999 (DE 01/01/1998 A 31/12/1998) PER/DCOMP do mesmo crédito objeto de despacho decisório proferido pela autoridade administrativa: 29047.79697.311204.1.2.028352.” Em 07/10/2009, a Contribuinte foi intimada (fl. 11) e, no dia 05/11/2009 (fl. 12), recorreu da decisão (fls. 12/16 e docs. fls. 17/50). Argumentou, em síntese, que a decisão do PER/DCOMP 29047.79697.311204.1.2.028352, citado no despacho decisório desta DCOMP, foi enviada para endereço diverso de sua sede (fl. 13) e, por tal motivo, a Contribuinte não sabia do indeferimento do saldo negativo de 1998, razão pela qual, de boafé, “utilizou o mesmo direito creditório na compensação veiculada nos presentes autos (PER/DCOMP nº 11396.08618.301208.1.3.022541)” – fl. 13. Por fim, pediu a decretação da nulidade do despacho decisório. O Recurso foi posto para julgamento e, por meio do Parecer SAORT/DRF/LON nº 1070/2010 (fl. 113/119), e do respectivo despacho decisório (fl. 120), decidiuse pela anulação do Despacho Decisório de número de rastreamento 848039268, mas considerou a DCOMP como não declarada, agora sob o fundamento do transcurso do prazo de 5 (cinco) anos para pleitear restituição (fl. 116). Após ter sido intimada em 18/10/2010 (fl. 123), a Contribuinte protocolou pedido de reconsideração (fls. 124/131 e docs. fls. 132/356) em 28/10/2010 (fl. 124). Essa petição foi recebida como Recurso Hierárquico, o qual foi provido, em 11/01/2011, pelo Despacho Decisório nº 5 – SRRF09/Disit (fls. 360/363), nos seguintes termos: “5. Vêse que a decisão ora atacada há de ser reformada pelas seguintes razões: 5.1 a. Se a ciência pela interessa quanto ao indeferimento do pedido de restituição, decididos pela DERAT/Rio de Janeiro e pela DRJ/Rio de Janeiro, ocorreu após a apresentação da DCOMP, esta não pode ser considerada nãodeclarada ao fundamento de anterior denegação de pedido de restituição. 5.1 b. O saldo negativo de IRPJ é passível de compensação por ser restituível, consoante o art. 4º da IN RFB n. 900/2008. Portanto, não há falar em compensação nãodeclarada porque o crédito em análise (saldo negativo de IRPJ) é passível de restituição / compensação. Uma vez que o pedido de restituição feito pela interessada ainda resta pendente de decisão definitiva na esfera administrativa, a decisão recorrida há de ser reformada para que haja nova decisão pela Unidade (DRF/Londrina) de homologação ou não da compensação, em vez de nãodeclaração.” – fls. 361/362. Fl. 758DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 5 4 Por consequência, foi elaborado o Parecer SAORT/DRF/LON nº 247/2011 (fls. 367/371) e, em 18/03/2011, foi firmado novo Despacho Decisório (fl. 372), decidindo novamente pela anulação do Despacho Decisório de número de rastreamento 848039268 e, desta vez, não homologando a DCOMP, nos seguintes termos: “Crédito: Saldo Negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) do exercício 1999, anocalendário 1998. O direito de pleitear a restituição ou utilizar em compensação Saldo Negativo de IRPJ extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) contado a partir do mês de janeiro do anocalendário subsequente ao do encerramento do período de apuração (art. 168, inciso I, da Lei nº 5.172/1996 – Código Tributário Nacional – CTN. Art. 4º, inciso I, da IN RFB nº 900/2008). Compensação não homologada”. – fl. 367. Em 29/03/2011 (fl. 374), a Contribuinte foi intimada do Parecer SAORT/DRF/LON nº 247/2011 e do respectivo Despacho Decisório. A ora Recorrente se contrapôs ao referido ato administrativo por meio de Manifestação de Inconformidade (fls. 375/408 e docs. fls. 409/552), apresentada em 25/04/2011 (fl. 375). Os fundamentos dessa petição foram precisamente resumidos pelo r. Relator da 1ª Turma da DRJ/CTA, razão pela qual transcrevemos o seguinte trecho (fls. 560/561): “a) o prazo decadencial para pleitear a restituição/compensação de valores pagos a maior ou indevidamente é de 10 anos (tese dos 5 + 5); não ocorrendo a homologação expressa, o crédito se extingue com o decurso do prazo de cinco anos contado da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN), a chamada homologação tácita, e o prazo quinquenal (art. 168, I, do CTN) para restituição do tributo somente começa a fluir a partir da extinção do crédito tributário; b) como o nascimento do crédito e seu efetivo aproveitamento ocorreram antes da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005, o prazo decadencial para a restituição era de dez anos a contar do fato gerador, segundo entendimento consagrado pelo STJ; c) em que pese a tentativa do art. 4° da Lei Complementar n° 118, de 2005, de aplicar retroativamente o novo prazo estabelecido no seu art. 3° (cinco anos, a contar da data do pagamento do tributo indevido ou a maior), o fato é que nas restituições e compensações decorrentes de pagamentos indevidos realizados antes de sua vigência (julho/2005) o prazo decadencial continua sendo de dez anos; o art. 4° não é norma interpretativa (art. 106, I, do CTN), pois pretende inovar a ordem jurídica, modificando o prazo decadencial para a restituição do indébito tributário; d) o despacho decisório fundase apenas em instruções normativas da Receita Federal para defender o entendimento do prazo de cinco anos, contado a partir de janeiro do ano Fl. 759DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 6 5 subsequente ao período de apuração do saldo negativo; se o despacho decisório não utiliza expressamente a LC n° 118, de 2005, em sua fundamentação, devese aplicar o entendimento anteriormente consolidado do prazo de dez anos; e) argumenta que o saldo negativo de R$ 22.308.424,97 de IRPJ foi apurado deduzindose do imposto devido de R$ 23.960.819,39 (alíquota de 15% + adicional) as seguintes parcelas: (i) R$ 551.666,90 de IRRF sobre aplicações financeiras; (ii) R$ 575.635,66 de incentivos fiscais e (iii) R$ 45.141.941,80 de pagamento de estimativas mensais; que as retenções de IRRF somam, em realidade, R$ 671.493,96, o que eleva o saldo negativo apurado no anocalendário de 1998 para R$ 22.428.252,03; que as retenções de IRRF por órgãos públicos foram desconsideradas em face da falta dos respectivos comprovantes; f) contesta a exigência de multa de mora pelo envio da declaração de compensação em atraso, ao argumento de que os recolhimentos que resultaram nos créditos da requerente deram se anteriormente ao surgimento dos débitos com eles compensados, já que foram apropriados ao erário desde dezembro/1998; g) aduz que as estimativas de IRPJ e CSLL não são exigíveis depois de encerrado o anocalendário, pois o saldo do imposto apurado em 31 de dezembro deve ser pago em quota única ou compensado como imposto a ser pago no ano subsequente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer a restituição do montante pago a maior; h) argúi a decadência do direito do Fisco de exigir os débitos cujas compensações não foram homologadas, na hipótese de se entender que a constituição do crédito tributário se dá pelo despacho decisório que nega a compensação; o suposto direito da Fazenda encontrase fulminado pela decadência, haja vista que o despacho decisório deuse após um período superior a cinco anos dos fatos geradores dos tributos exigidos. i) entende que é ilegal a incidência dos juros de mora sobre a multa em face da inexistência de previsão legal.” A 1ª Turma da DRJ/CTA, por unanimidade, não reconheceu o direito creditório. O Acórdão nº 0641.011 (fls. 556/565), proferido em 16 de maio de 2013, foi assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998 PRAZO DECADENCIAL PARA SOLICITAÇÃO DE RESTITUIÇÃO Fl. 760DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 7 6 O prazo para solicitação de restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contado da data da extinção do crédito tributário, que ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado do tributo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” – fl. 556. Os fundamentos apresentados pelos integrantes daquele órgão colegiado foram os seguintes: DO PRAZO DECADENCIAL PARA REQUER RESTITUIÇÃO E/OU COMPENSAÇÃO “Portanto, somente as pretensões ajuizadas perante o Poder Judiciário até o dia 08/06/2005 é que estariam socorridas pela orientação consolidada pelo STJ de que o prazo para repetição é de 10 anos, contado a partir do fato gerador, não sendo possível interpretar extensivamente a expressão ações ajuizadas de maneira a abarcar, de igual sorte, petições administrativas. No caso concreto, além de a declaração de compensação em análise ter sido apresentada em 30/12/2008, a compensação pretendida foi levada ao conhecimento apenas da autoridade administrativa tributária, não se identificando uma ação formulada perante autoridade judiciária. Dessa forma, já estava esgotado o prazo para que ela pudesse pleitear a restituição do indébito” fl. 564. DO CRÉDITO PLEITEADO “Acrescentese que o crédito cujo reconhecimento pleiteia nos autos não está computado no direito creditório de R$ 12.395.965,39 indicado no PER/DCOMP n° 29047.79697.311204.1.2.028352 (fls. 7477), nos autos do processo n° 15374.919841/2008 87, porquanto tal crédito já foi integralmente utilizado na compensação dos débitos de estimativa de IRPJ dos meses de junho, julho, agosto e setembro/1998. Na Ficha 13 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real da DIPJ 1999, a Telerj Celular S/A não declarou o saldo negativo de R$ 22.302.424,97 indicado na declaração de compensação em análise (PER/DCOMP nº 11396.08618.301208.1.3.022541), mas um saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 19.308.121,44” – fls. 564/565. DA MULTA E DOS JUROS DE MORA “Com relação à exigência de multa de mora sobre os débitos vencidos indicados na declaração de compensação, cabe ressaltar Fl. 761DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 8 7 que o crédito e o débito devem ser valorados na data da apresentação da declaração de compensação, razão pela qual o débito vencido ficou sujeito à incidência de acréscimos moratórios, conforme disposto no artigo 36 da IN RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008. Deixase de se pronunciar a respeito da incidência dos juros de mora sobre a multa em face de inexistir a exigência a esse título no presente processo” – fl. 565. A contribuinte foi intimada da decisão em 24/05/2013, uma sextafeira (fl.572). Objetivando ver reformado o Acórdão nº 0641.011, da 1ª Turma da DRJ/CTA, interpôs Recurso Voluntário (fls. 574/585 e anexos fls. 586/637), via postal, em 21/06/2013 (fl. 573), argumentando: DAS ESTIMATIVAS DE CSLL E IRPJ APÓS O TÉRMINO DO ANOCALENDÁRIO “Em verdade, são reiteradas as recentes decisões do CARF e da CSRF que corroboram com o acima alegado, desvelando com clareza meridiana a natureza jurídica das estimativas e sua inaptidão a configurar fato gerador do IRPJ e CSLL. Neste sentido, a fim de por fim à discussão, o CARF aprovou recentemente a Súmula n° 82” – fl. 581”. DA DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO “Daí decorre a conclusão de que estão decaídas as estimativas de IRPJ e CSLL referentes ao período de janeiro e novembro de 2003, haja vista que a ciência do despacho decisório original que as considerou não declaradas deuse em 07.10.2009 (doc. n° 05 da manifestação de inconformidade) e, ainda mais o despacho decisório que anulou o despacho original, que ocorreu em 29.03.2011 (doc. n° 03 da manifestação de inconformidade, cit.)” – fl. 583. (...) “Portanto, é aplicável ao caso o lustro decadencial previsto no artigo 150, § 4º do CTN, não tendo o condão de afetálo o artigo 74, § 5º da Lei n° 9.430/96, que estabelece prazo de cinco anos do envio da declaração de compensação para sua apreciação pela autoridade fiscal, já que a decadência é matéria reservada à lei complementar” – fl. 584. Por fim, pede: “Pelo exposto, pede a Recorrente o regular recebimento e processamento do presente recurso voluntário, com a sua consequente procedência, declarandose extintos os débitos de Fl. 762DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 9 8 estimativas IRPJ e CSLL, PA 01 e 11/2003, tendo em vista a patente inexigibilidade dos mesmos” – fl. 585. Registrase, ainda, que, em 11/11/2010, foi formalizado o processo n. 16366.000546/201031 (fl. 357), processo dos débitos vinculados à DCOMP em análise, quais sejam, IRPJ e CSLL devidos por estimativa nos meses de janeiro e novembro/2003 e, em 13/09/2012, aludido processo foi apensado a estes autos (fl. 553). É o suficiente para o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Relator I. DO JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE Um dos pressupostos e requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, determinados pelo Decreto 70.235/1972 e pelo Regimento Interno do CARF, não se faz presente, senão vejamos. Nos termos dos art. 7º, § 1º3, do Regimento Interno do CARF, combinado com o art. 2º, inciso I4, desse mesmo diploma, os recursos interpostos em processo de compensação, cujo crédito alegado seja IRPJ, são da competência desta Primeira Seção. No que tange à legitimidade, a petição está assinada (fl. 585) por advogados com poderes para a prática deste ato, conforme se comprova pelo substabelecimento (fls. 589/591) outorgado por advogada, a qual, por sua vez, recebeu poderes através de procuração pública (fls. 588/587). 3 Art. 7° Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. §1° A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. 4 Art. 2° À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: I Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ); Fl. 763DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 10 9 O recurso é tempestivo, haja vista que a decisão proferida pela DRJ em 16/05/2013 (fl. 556) chegou ao conhecimento da Contribuinte em 24/05/2013, uma sextafeira (fl. 572) e a postagem foi feita em 21/06/2013 (fl. 573). Vêse, assim, a tempestividade do ato, à luz da norma prevista no art. 33, do Decreto 70.235/70, haja vista que o termo final foi o dia 25/06/2013, uma terçafeira. Observase, entretanto, que a Contribuinte tenta incluir na lide discussão acerca dos débitos por ela declarados e constituídos na apresentação da DCOMP: as estimativas de IRPJ e CSL dos meses de janeiro e novembro/2003 “quitadas” através dessa DCOMP. Esta matéria não é passível de discussão em processo de PER/DCOMP. O crédito fazendário é constituído pela DCOMP. Em caso de não homologação da DCOMP, tal crédito deve ser imediatamente cobrado e, inadimplida a exigência fiscal, transmitido diretamente para a Procuradoria da Fazenda Nacional e inscrito na Dívida Ativa. Enfim, igualase à hipótese de DCTF, não sendo cabível instauração de processo fiscal. É o que se depreende do art. 147, §1º do CTN e do art. 74, especialmente §§6º e seg., da Lei nº 9.430/96. Situação semelhante já foi apreciada por esta e. Turma, inclusive em processo de minha relatoria, na sessão realizada em 07/11/2013, e assim foi decidido, por unanimidade – Acórdão nº 1102000.969: “De fato, conforme é de conhecimento geral, o objeto do contencioso administrativo nas hipóteses de revisão de indeferimentos de pedidos de compensação restringese ao exame da existência (ou não) do crédito informado na respectiva declaração, já que o débito respectivo é objeto de confissão pelo sujeito passivo. Nestes termos, não conheço do pedido relativo ao cancelamento de ofício da PER/DCOMP n. 33974.71089.310804.1.3.031181”. Ademais, ainda que pudesse ser conhecido o ponto referente ao débito, não assistiria razão à Recorrente quando afirma que não é possível cobrar estimativas após o término do anocalendário. Ao contrário do que afirma a Contribuinte, o e. STJ e este CARF entendem que após o término do anocalendário não é possível aplicar a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, entendimento esse que, inclusive, foi sumulado, recentemente em 08/12/2014, pelo Pleno deste e. CARF: “Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício”. Quanto à citada Súmula CARF nº 82, ela veda o lançamento de ofício, contudo, no caso dos autos, a constituição do débito ocorreu por ato praticado pela Recorrente. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 11 10 Vejamos: “Súmula CARF nº 82: Após o encerramento do anocalendário, é incabível lançamento de ofício de IRPJ ou CSLL para exigir estimativas não recolhidas”. A Contribuinte afirma também que (fl. 582): “Assim, encerrado o anocalendário, não há falar em exigência de estimativas a título de IRPJ e CSLL, mas, sim, de eventual exigência de insuficiência de IR e CSLL pagos a menor, pois imposto efetivamente devido é aquele apurado ao final do exercício e não aquele que deveria ser antecipado ao longo do ano”. Todavia, não deve ser essa a interpretação, pois os débitos das estimativas foram considerados na composição do saldo negativo de IRPJ e da base de cálculo negativa da CSL: AC 2003 IRPJ Estimativa Mensal AC 2003 CSLL Estimativa Mensal Janeiro R$ 2.262.556,12 Fl. 530 Janeiro R$ 815.176,58 Fl. 535 Fevereiro R$ 0,00 Fl. 530 Fevereiro R$ 0,00 Fl. 535 Março R$ 0,00 Fl. 530 Março R$ 0,00 Fl. 535 Abril R$ 0,00 Fl. 531 Abril R$ 0,00 Fl. 536 Maio R$ 0,00 Fl. 531 Maio R$ 0,00 Fl. 536 Junho R$ 0,00 Fl. 531 Junho R$ 0,00 Fl. 536 Julho R$ 0,00 Fl. 532 Julho R$ 0,00 Fl. 537 Agosto R$ 0,00 Fl. 532 Agosto R$ 0,00 Fl. 537 Setembro R$ 0,00 Fl. 532 Setembro R$ 0,00 Fl. 537 Outubro R$ 0,00 Fl. 533 Outubro R$ 0,00 Fl. 538 Novembro R$ 1.432.314,50 Fl. 533 Novembro R$ 518.135,54 Fl. 538 Dezembro R$ 0,00 Fl. 533 Dezembro R$ 0,00 Fl. 538 TOTAL R$ 3.694.870,62 Fl. 533 TOTAL R$ 1.333.312,12 Fl. 538 Saldo Negativo R$ 3.694.870,62 Fl. 534 Base de Cálculo Negativa R$ 1.333.312,12 Fl. 539 Por fim, cabe lembrar o PARECER PGFN/CAT/Nº 88/2014, que, em nosso entender, aplicase com perfeição ao caso: “15. O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e computados como pagamento no momento do ajuste anual, contudo, essa compensação pode não ser homologada, ocorrendo a decisão após a apuração do lucro real. Assim, tratarseiam de valores referentes a tributo consolidados com o ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e da contribuição sobre o lucro. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 12 11 (...) Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo, portanto, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste, como explicado pela própria Receita Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013 (...): O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que tratamos de tributo em si, não mais de estimativas, cuja existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos Pareceres PGFN/CAT nº 1.658/2011 e 193/2013, razão pela qual podemos ter uma conclusão diferente daqueles constantes nos pareceres mencionados, contudo, sem modificarlhes em nenhum ponto, apenas por considerar que no caso estamos tratando de tributo propriamente dito. A conclusão que podemos formular, a partir do questionamento da Receita Federal do Brasil, é pela legitimidade de cobrança de valores que sejam objeto de pedido de compensação não homologada oriundos de estimativa, uma vez que já se completou o fato jurídico tributário que enseja a incidência do imposto de renda, ocorrendo à substituição da estimativa pelo imposto de renda”. No caso dos autos, a estimativa extinta por meio de compensação foi incorporada ao ajuste na composição do saldo negativo de IRPJ e da base de cálculo negativa da CSL, como demonstrado acima e reconhecido pela própria Recorrente: “No presente caso, destacase, foi apurado saldo negativo de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2003, exatamente nos valores das compensações realizadas e não homologadas no presente processo” – fl. 582. Isso significa que a extinção das estimativas resultará em enriquecimento ilícito da Contribuinte, haja vista que as estimativas de IRPJ e CSL dos meses de janeiro e novembro de 2003 foram considerados no saldo negativo e, possivelmente, tal crédito foi apresentado em alguma DCOMP. A Recorrente alega também que o Fisco decaiu do direito de exigir as estimativas, haja vista que a constituição do crédito ocorreu com o Despacho Decisório que chegou ao seu conhecimento originariamente em 07/10/2009 e, posteriormente, em despacho decisório que anulou o primeiro mas que também não homologou a compensação em 29/03/2011. Mais uma vez, não assiste razão à Contribuinte, pois este e. CARF entende pacificamente, assim como entende o Judiciário, que a DCOMP constitui o crédito tributário. Desse modo, nos termos do art. 74, §§ 6º e 7º da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, o crédito está constituído desde 30/12/2008, dispensando o Fisco de efetuar lançamento de ofício; considerando que o Fisco tem 5 (cinco) anos para intimar a Contribuinte da análise da declaração, não há que se falar em decadência, já que a última ciência da ora Recorrente se deu em 29/03/2011, ou seja, em dois anos e três meses após a apresentação da DCOMP. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16366.000389/201064 Acórdão n.º 1102001.297 S1‐C1T2 Fl. 13 12 Também seria afastado o argumento que deve prevalecer o art. 150, § 4º do CTN em lugar do 74, § 5º da Lei n° 9.430/96, haja vista que este tem como fundamento o art. 168, do CTN. Por fim, considerando que na petição interposta não há nenhum enfrentamento do crédito, apenas de questões relacionadas ao débito, cujos valores foram apresentados pela própria Recorrente sem questionar a existência e valor dos mesmos, não conheço do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 767DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 19515.000453/2011-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 31/07/2006 a 10/07/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. CONTROLE INTERNO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle interno da Administração. A ausência de emissão não eiva de nulidade o lançamento efetuado em decorrência do procedimento fiscal, pois não macula a competência da autoridade fiscal.
Numero da decisão: 3403-003.545
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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AUSÊNCIA. CONTROLE INTERNO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é instrumento de controle interno da Administração. A ausência de emissão não eiva de nulidade o lançamento efetuado em decorrência do procedimento fiscal, pois não macula a competência da autoridade fiscal. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Ausente ocasionalmente o Conselheiro Ivan Allegretti. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Jorge Olmiro Lock Freire, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 04 53 /2 01 1- 25 Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Versa o presente sobre Autos de Infração lavrados em 14/02/2011 (fls. 156 a 1691) contra a recorrente, para exigência da Contribuição para o PIS/PASEP (períodos de apuração de 08/2006, e 02/2007 a 09/2007) e da COFINS (períodos de apuração de 02/2007 a 07/2007, e 09/2007), acrescidas de juros de mora e multa de ofício (75%), nos valores consolidados de R$ 2.800.943,75 (Contribuição para o PIS/PASEP) e de R$ 10.439.345,60 (COFINS). No Termo de Constatação (fls. 147 a 151), narrase que a empresa apresentou vários pedidos de compensação, em 2006 e 2007, relacionados à fl. 147, referentes a créditos oriundos de “obrigações do reaparelhamento econômico” O.R.E. (cártulas representativas de dívida), todos indeferidos administrativamente, tendo sido as compensações consideradas como não declaradas. Em procedimento de revisão interna, constatouse que os pedidos de compensação contêm valores de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS que ainda não se encontravam formalmente constituídos. A apuração de tais valores foi feita confrontando os montantes apurados em ação fiscal anterior (processo administrativo no 19515.0004388/2007 21) e DACON com os valores declarados em DCTF e lançados na autuação anterior, lançando se em complemento a diferença, conforme os demonstrativos de fls. 149 e 152. Notificada da autuação em 21/02/2011 (AR à fl. 171), a empresa apresenta impugnação em 21/03/2011 (fls. 185 a 195), alegando que: (a) o procedimento é nulo por ausência de ordem escrita da autoridade competente, conforme art. 906 do RIR, para a realização de nova fiscalização de período já fiscalizado, sendo imprescindível a demonstração de existência de motivo novo e relevante; b) o procedimento é nulo pela ausência de MPF, nos termos da Portaria RFB no 11.371/2007 (arts. 2o e 10, IV) e do Decreto no 3.724/2001 (art. 2o, § 3o, IV), pois não houve o tratamento automático de declarações, mas uma nova verificação dos dados referentes à fiscalização anterior; c) houve dupla cobrança, pois se está exigindo débitos que já estão sendo cobrados em dívida ativa da União, no processo administrativo no 16143.000107/200829. Em 18/08/2011 (fls. 246 a 259), ocorre o julgamento de primeira instância, no qual se acorda pela procedência parcial da autuação, exonerandose o montante referente à Contribuição para o PIS/PASEP do período de apuração 08/2006, no valor de R$ 67.836,41 (com a correspondente multa de R$ 50.877,30), que corresponde a exigência já efetuada em autuação anterior. Decidese ainda que: (a) não é necessária autorização escrita para reexame do mesmo período de apuração quando o procedimento fiscal decorre de revisão interna de declaração apresentada pelo sujeito passivo, pois esta não constitui reexame ou nova fiscalização; (b) o MPF representa mero instrumento de controle da Administração Tributária, não tendo implicação sobre a competência da autoridade fiscal, e sua emissão não é obrigatória em ato de revisão interna de declarações apresentadas pelos contribuintes; (c) não houve no processo nenhuma das nulidades previstas no art. 59 do Decreto no 70.235/1972; e (d) os débitos com compensação considerada não declarada não foram confessados em DCTF e nem incluídos no auto de infração lavrado anteriormente, devendo o crédito tributário decorrente ser constituído, em consequência de ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória. O julgador de primeira instância detecta ainda erro na transcrição na tabela da Contribuição para o PIS/Pasep referente a agosto de 2006, refazendo o demonstrativo do mês, o que resultou na exoneração da contribuição a ele referente. Cientificada da decisão em 13/12/2011 (AR à fl. 269), a empresa apresenta recurso voluntário em 04/01/2011 (fls. 281 a 298), reiterando a argumentação no sentido de que o lançamento padece de nulidade por vícios formais (ausência de autorização expressa da 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000453/201125 Acórdão n.º 3403003.545 S3C4T3 Fl. 1.101 3 autoridade competente e inadequação do RPF, emitido pelo próprio Auditorfiscal, para o procedimento fiscal), agregando que por duas vezes (na MP no 66/2002, art. 47, e na MP no 75/2002) o Poder Executivo tentou (sem êxito) equivaler o MPF à autorização escrita de que trata o RIR. Por fim, acrescenta que interpôs ação ordinária objetivando a exclusão da parcela referente ao ICMS da base de cálculo das contribuições, obtendo provimento, reconhecendo direito à exclusão, em segunda instância, pelo que o lançamento fiscal deveria ter sido efetuado com exclusão das referidas parcelas. Em 20/03/2003 esta Terceira Turma converte o julgamento em diligência, por meio da Resolução no 3403000.435 (fls. 598 a 601), para que unidade local: a) esclarecesse a dúvida em relação à autoridade expedidora do documento que determinou a revisão interna (cuja peça inicial no processo é a intimação de fl. 05), juntando o RPF de no 08.1.90.002010035183, ou comprovando por outro modo a identificação da autoridade expedidora de tal documento (em caso de não ser a autoridade o delegado da unidade, juntar ainda eventual instrumento de delegação de competência); e b) promovesse a adequação da autuação ao definido judicialmente, isolando a parcela de ICMS da base de cálculo das contribuições. No Termo de Informação Fiscal de fls. 1074 a 1088 (que opera como relatório de diligência), a unidade local informa que juntou ao processo o formulário de requisição de RPF (fl. 1073) e o próprio RPF (fls. 1070/1071), além da Portaria no 92/2009 (DOU de 13/05/2009) que trata da delegação de competência. Sobre a questão referente ao ICMS, a unidade local acrescenta planilhas como Anexo 01 (“Demonstrativo detalhado da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS elaborado, após validada por procedimento de auditoria, a partir da planilha fornecida pelo próprio contribuinte”) e Anexo 02 (“Demonstrativo do PIS e da COFINS após exclusão do ICMS da base de cálculo das respectivas contribuições”). Cientificada a recorrente do relatório em 12/11/2014 (fl. 1088), há despacho do setor competente propondo a devolução dos autos ao CARF em 27/11/2014 (fl. 1089), o que é aceito em 01/12/2014 (fl. 1090). A autoridade responsável complementa o relatório de diligência em 04/12/2014 (fls. 1093 a 1095), narrando que as autoridades que emitiram o MPF foram Jorge Alberto Pereira da Silva (Chefe da Programação) e Roberto Dominguez (Chefe da Divisão de Fiscalização da Indústria), cf. delegação de competência de fls. 1093/1094. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Baixado o processo em diligência, e atendidos os questionamentos efetuados, dandose ciência à recorrente (que não se manifesta nos trinta dias que lhe são concedidos), apto está o processo a julgamento por este colegiado. E as considerações complementares efetuadas pelo fisco em 04/12/2014, a nosso ver, não são ensejadoras de nova abertura de prazo para manifestação, visto que somente nomeiam outorgante do RPF (já presente no processo fl. 1073) e trazem Portaria publicada em diário oficial (fls. 1093/1094). Assim, cabe de plano a análise dos dois temas originalmente versados no presente contencioso (ausência da autorização escrita a que se refere o art. 906 do RIR e ausência de MPF), além de um terceiro e último tema, adicionado em sede de Recurso Voluntário, atinente à ação judicial para exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições. Da autorização para a revisão Questiona preliminarmente a recorrente a ausência de ordem escrita da autoridade competente, conforme art. 906 do RIR, para a realização de nova fiscalização de período já fiscalizado, sendo imprescindível a demonstração de existência de motivo novo e relevante. Sobre o assunto, a DRJ decide que não é necessária autorização escrita para reexame do mesmo período de apuração quando o procedimento fiscal decorre de revisão interna de declaração apresentada pelo sujeito passivo, pois esta não constitui reexame ou nova fiscalização. O referido dispositivo do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto no 3.000/1999) dispõe: “Art. 906. Em relação ao mesmo exercício, só é possível um segundo exame, mediante ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º, §2º, e Lei nº 3.470, de 1958, art. 34).” Cabe destacar que a autuação anterior (efetuada no processo administrativo no 19515.004388/200721), cientificada à recorrente em 26/12/2007, tratava de exigência de Contribuição para o PIS/PASEP e de COFINS relativas aos períodos de 31/1/2005 a 31/8/2007 (cf. cópia às fls. 78 a 115), em decorrência de cotejamento entre valores declarados em DCTF e valores escriturados. De 14/9/2006 a 19/10/2007, a recorrente apresentou diversos pedidos de compensação, indicando como origem as “O.R.E.”, tendo as compensações sido unanimemente consideradas “não declaradas” em diversos despachos decisórios (emitidos antes e depois da autuação, mas dela desconectados). Tal conexão vem a ser feita na segunda autuação, quando a fiscalização efetua o lançamento de diferenças em relação às contribuições, ligadas a cada pedido de compensação (conforme detalhamentos de fls. 149 e 152). Essa segunda autuação decorre de ação fiscal inaugurada com o Termo de Intimação de fl. 7. Em tal termo, a autoridade fiscal informa que “no exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, dando início à ação de REVISÃO INTERNA Fl. 1103DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000453/201125 Acórdão n.º 3403003.545 S3C4T3 Fl. 1.102 5 determinada pelo RPF no 08.1.90.002010035183” (grifo nosso), ficava a recorrente intimada a apresentar determinados documentos. A recorrente afirma, em seu Recurso Voluntário, que o reexame de período já analisado, de acordo com o art. 906 do RIR (Decreto no 3.000/1999), não poderia ser feito sem ordem escrita do Superintendente, do Delegado ou do Inspetor da Receita Federal, e que: “O indigitado Registro de Procedimento Fiscal não foi expedido pelo Superintendente, Delegado ou Inspetor da Receita Federal, mas sim pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, autoridade absolutamente incompetente para os efeitos do artigo 906 supra citado”. (grifo nosso) A documentação carreada ao processo não permitia fidelidade à ilação da recorrente, visto que o RPF que determina ao AuditorFiscal a revisão interna não figura nos autos, para que se ateste quem o expediu. Após a baixa do processo em diligência para que a unidade local esclarecesse a dúvida em relação à autoridade expedidora do documento que determinou a revisão interna, foi juntado ao processo o RPF de no 08.1.90.002010035183 (fls. 1070/1071), assim como a correspondente solicitação (fl. 1073), identificandose a autoridade outorgante (Roberto Dominguez, chefe da Divisão de Fiscalização da Indústria), que detinha competência (cf. portaria de fls. 1093/1094) para representar o Delegado. Entendemos, diante do exposto, que não há nulidade no procedimento adotado, que está de acordo com a legislação de regência. Da ausência de MPF Questiona ainda a recorrente a ausência de Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), nos termos da Portaria RFB no 11.371/2007 (arts. 2o e 10, IV) e do Decreto no 3.724/2001 (art. 2o, § 3o, IV), sustentando a nulidade do procedimento, pois não houve o tratamento automático de declarações, mas uma nova verificação dos dados referentes à fiscalização anterior, ao que rebate a DRJ afirmando que o MPF representa mero instrumento de controle da Administração Tributária, pelo que sua ausência não macula o procedimento administrativo de lançamento tributário, que é vinculado (conforme art. 142 do CTN). O Decreto no 3.724/2001 (art. 2o, § 3o, IV), vigente à época dos fatos, expressamente dispensava a emissão de MPF para tratamento automático das declarações (malhas fiscais), sendo o comando reproduzido no art. 10, IV da Portaria RFB no 11.371/2007, que trata ainda dos tipos de MPF (art. 2o). Sobre o tema, é de se destacar que o art. 7o do Decreto no 70.235/1972, que regula o procedimento de determinação e exigência de crédito tributário, dispõe: “Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; Fl. 1104DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos.” (grifo nosso) É necessário aqui, de início, aclarar que a competência do AuditorFiscal, seja para o exame ou a apreensão de documentos, seja para levar a cabo qualquer outro procedimento fiscal, não deriva de norma infralegal, mas de lei. Assim, o AuditorFiscal da RFB, autoridade administrativa de que trata, v.g., o art. 142 do CTN (mencionado pelo julgador de piso), tem competência legal para (art. 6o, I, “c” da Lei no 10.593/2002) “executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados”. Reparese que o art. 6o da referida Lei não possibilita que o Poder Executivo em ato infralegal retire ou mitigue a competência, consentindo somente com a regulamentação das competências ali estabelecidas (art. 6o, § 3o da Lei no 10.593/2002). O Mandado de Procedimento Fiscal é um instrumento de controle administrativo, e não um documento que atribua competência (e nem poderia, pois a competência já foi legalmente atribuída). Na interpretação do Decreto que inova no ordenamento jurídico disciplinando o Mandado de Procedimento Fiscal (Decreto no 3.724/2001), poderseia trilhar dois caminhos. O primeiro é o de que estabeleceram as normas infralegais condição de validade do ato administrativo, mitigando ou retirando (em verdade, transferindo ao administrador de plantão) a competência do AuditorFiscal legalmente estabelecida. Essa linha, que parece ser adotada na defesa da recorrente, encontra numerosos obstáculos de ordem legal e constitucional, pois está a restringir a lei, alterando atribuições por ela estabelecidas, sem autorização, em prejuízo do Poder Público (e até do Erário). Não se tem dúvidas que tal linha levaria à conclusão pela ilegalidade (e, inclusive, pela inconstitucionalidade) do Decreto no 3.724/2001. É corolário da hermenêutica que entre as interpretações de determinado ato normativo, deve prevalecer a que não conduza ao absurdo, à ilegalidade, ao abuso, ao desrespeito a atos de hierarquia superior. E é nesse sentido, alicerçado pelo art. 26A do Decreto no 70.235/1972 (que impede o julgador de negar vigência a decreto sob fundamento de inconstitucionalidade), que se busca interpretação do Decreto no 3.724/2001 que não afronte o sistema ao qual tal norma é vinculada. Assim, para que tal Decreto seja legal e constitucional, deve ser lido não como um mitigador ou saqueador de competência, mas como um instrumento de controle da Administração, de caráter interna corporis. É desta forma que o MPF tem sido encarado unanimemente de forma recorrente por este CARF, inclusive pela Câmara Superior de Recursos Fiscais: Fl. 1105DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000453/201125 Acórdão n.º 3403003.545 S3C4T3 Fl. 1.103 7 “NULIDADE. IRREGULARIDADES NA EMISSÃO DE MPF. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal é simples instrumento de controle interno da Administração Tributária, não se constituindo em elemento essencial de validade do correspondente auto de infração. Também aí entendese pertinente o posicionamento do julgador a quo, que esclareceu que o MPF é um instrumento interno de planejamento e controle das atividades fiscais, e eventuais irregularidades em seu trâmite não invalidam o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado.” 2 “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O MPF é ato interna corporis de controle interno e eventuais vícios são consideradas meras irregularidades, que não têm efeito de contaminar de nulidade o crédito constituído pelo lançamento de ofício.” 3 “MPF. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Eventuais omissões ou incorreções do MPF não são causa de nulidade do auto de infração” 4 “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF Eventual irregularidade na emissão do MPF ou o descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não induzem a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público.” 5 “NORMAS PROCESSUAIS MPF MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL NULIDADE DO LANÇAMENTO. O MPF é instrumento de controle administrativo e eventual irregularidade em sua emissão não tem o condão de trazer nulidade ao lançamento. Não pode se sobrepor ao que dispõe o Código Tributário Nacional acerca do lançamento tributário, e aos dispositivos da Lei n° 10.593/2002, que trata da competência funcional para a 1avratura do auto de infração.” 6 Improcedente, assim, a alegação de nulidade por ausência de emissão do MPF. Acrescentese, a título de esclarecimento, que tal figura (MPF) nem mais existe em nosso ordenamento, tendo sido o Decreto no 3.724/2001 substancialmente alterado pelo Decreto no 8.303/2014, que passou a tratar não de um “mandado” (denominação que veio 2 CARF, Acórdão 1401000.740, 4a Câmara, 1a Seção, Rel. Cons. Fernando Luis Gomes de Matos, unanimidade, Sessão de 15.mar.2012. 3 CARF, Acórdão 1801001.018, 3a Turma Especial, 1a Seção, Rel. Cons. Carmen Ferreira Saraiva, unanimidade, Sessão de 10.mai.2012. 4 CARF, Acórdão 3102001.669, 1a Câmara, 3a Seção, Rel. Cons. Winderley Morais Pereira, unanimidade, Sessão de 27.nov.2012. 5 CARF, Acórdão 2403002.353, 3a Câmara, 2a Seção, Rel. Cons. Carlos Alberto Mees Stringari, unanimidade, Sessão de 20.nov.2013. 6 CSRF, Acórdão 9101001.798, Rel. Cons. Marcos Aurélio Pereira Valadão, maioria, Sessão de 19.nov.2013. Fl. 1106DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 a gerar grande parte da confusão perceptível nos autos), mas de um “termo de distribuição” do procedimento fiscal. Da existência de ação judicial para exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições Em relação à informação trazida em sede de recurso voluntário sobre a situação da ação judicial (ação ordinária com antecipação de tutela) em nome da empresa, tendente a excluir a parcela referente ao ICMS da base de cálculo das contribuições, incumbe destacar que a decisão do TRF da 3a Região no processo no 2007.61.00.0297892 (0029789 14.2007.4.03.6100), conforme Certidão de Objeto e Pé de fl. 300, foi no sentido de “julgar procedente o pedido, reconhecendo o direito da autora a excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS”, tendo sido rejeitados os embargos declaratórios da União, chegando os autos ao TRF para processamento do Recurso Extraordinário da União em 13/09/2011, restando em 19/12/2011 ao aguardo das contrarrazões do recorrido. Em consulta aos sítios do TRF da 3a Região e da Justiça de Primeiro Grau, e ao Diário Eletrônico da Justiça Federal da 3a Região (de 29/06/2012), constatouse à época da primeira apreciação da lide por esta Terceira Turma (20/03/2013) que o Recurso Extraordinário interposto pela União teve sua admissibilidade negada em 18/05/2012, pela ausência do exaurimento das vias recursais na instância ordinária (Súmula 281 do STF), transitando em julgado o acórdão em 23/07/2012. Apesar de o processo judicial ter sido distribuído em 25/10/2007, tendo a primeira decisão favorável em 14/04/2011, na certidão de objeto e pé de fls. 300/301 atestase que o objeto da ação é “afastar a exigibilidade do PIS e da COFINS com inclusão do ICMS em sua base de cálculo e a compensação dos valores já recolhidos Processo Administrativo no 13.804.001562/200661”. Por óbvio que não se poderia fazer menção ao presente processo administrativo, porque ele sequer existia em 2007. Mas os valores que são objeto das presentes autuações (lavradas em 12/02/2011) tratam de débitos das contribuições referentes a períodos anteriores à propositura da ação judicial (outubro de 2007). E nas poucas peças judiciais anexadas aos autos já se percebe que a tutela concedida foi exclusivamente para excluir o ICMS da base de cálculo das contribuições> Veja se, inicialmente, a certidão de objeto e pé (fl. 300): Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000453/201125 Acórdão n.º 3403003.545 S3C4T3 Fl. 1.104 9 Merece ainda destaque a decisão proferida por maioria no âmbito do TRF da 3a Região (fls. 302/303), que, pelo seu caráter sintético, é a seguir integralmente transcrita. Tal decisão não foi alterada em sede de embargos, e é exatamente o que transitou em julgado durante o curso deste contencioso administrativo, em 23/07/2012. Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 19515.000453/201125 Acórdão n.º 3403003.545 S3C4T3 Fl. 1.105 11 Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 Assim, entendese que a ação judicial apresentada em sede de recurso voluntário não socorre as pretensões da recorrente em ver afastada a parcela de ICMS nas autuações de que trata o presente processo administrativo. Isso porque o provimento judicial não sinaliza qualquer retroação a períodos anteriores à propositura da ação.7 Não há, ainda, concomitância de objeto, visto ser a ação judicial relativa a períodos sequer relacionados na autuação. Concluise, considerando os elementos presentes no processo (e analisados com fundamento na verdade material, visto que a questão relativa à ação judicial só foi levantada pela recorrente em sede de recurso voluntário, e com pouca documentação de amparo), que não há provimento judicial assegurando (nem ao tempo da autuação, nem posteriormente a ela) a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições para períodos de apuração anteriores à propositura da ação judicial. E a decisão obtida em juízo não retroage aos períodos de apuração referidos neste processo administrativo. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado. Rosaldo Trevisan 7 A demanda por diligência em relação ao tema, então, solicitando segregação da parcela de ICMS da base de cálculo das contribuições, prestase apenas à hipótese de eventualmente não prosperar na turma o entendimento externado neste voto. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 05/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2015 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 10865.000305/2004-37
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§1º e 2º do Regimento do CARF.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente, Redatora Designada e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (26/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62A, §§1º e 2º do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente, Redatora Designada e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (26/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: A contribuinte acima identificada insurgese contra auto de infração que lhe exige crédito tributário no montante de R$ 58.146,70, sendo R$ RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 65 .0 00 30 5/ 20 04 -3 7 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000305/200437 Resolução nº 2801000.179 S2TE01 Fl. 119 2 23.950,37 de imposto; R$ 17.962,77 de multa de oficio, e R$ 16.233,56 de juros de mora calculados até 27/02/2004, fls. 03/08. O auto de infração apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada no anocalendário 1999, tudo com aplicação da multa de oficio de 75%, fls. 06. Em 17/03/2004, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal , fls. 09/14, e o auto de infração de fls. 03/08 do qual a contribuinte foi cientificada em 01/04/2004, fls. 48. A impugnação foi apresentada em 29/04/2004, fls. 49/67, com os argumentos que passamos a relatar em síntese e na ordem na qual aparecem naquele documento. Inicia sustentando que não teve conhecimento dos dados bancários que embasaram a autuação e que só poderiam ser válidos após perícia. Teria havido ofensa ao direito ao contraditório e ampla defesa. Não concorda com a quebra do sigilo bancário sem qualquer tipo de requisição judicial e em relação a operações feitas antes da entrada em vigor da LC 105/2001. Entende que só poderia haver quebra de seu sigilo bancário por autorização judicial. Como no caso isso não ocorreu, as provas utilizadas para o lançamento são provas ilícitas que contaminam todo o procedimento. Protesta contra o procedimento de amostragem que entende ter sido adotado pela fiscalização. Argumenta que houve ofensa ao princípio da irretroatividade previsto no art. 150, inciso II, "a" da Constituição Federal na aplicação da LC 105/2001 e da Lei 10.174/2001 para o presente caso que representa ano anterior à entrada em vigor das referidas leis. Nesse sentido diversas decisões administrativas do Conselho de Contribuintes que colaciona. Entende ser impossível o lançamento com base exclusivamente em extratos bancários, uma vez que depósitos bancários não são, por si só, prova de acréscimo patrimonial. O lançamento assim realizado estaria em ofensa ao art. 43 do CTN, pois não estaria demonstrada a aquisição de disponibilidade jurídica ou econômica de renda entendida como acréscimo patrimonial. Cita a súmula 182 do TFR, algumas decisões de tribunais e do Conselho de Contribuintes para embasar seu argumento. Sustenta que a multa de oficio aplicada tem caráter confiscatório e foi aplicada em ofensa ao art. 150, IV da Constituição Federal. Nesse sentido, o STF já teria se manifestado, conforme jurisprudência e doutrina que cita. Protesta pela aplicação de juros de mora, conforme entende deterp.m oá pelo CTN, no percentual de 1%, pois a Taxa Selic seria ilegal como juros de Mora por t r caráter remuneratório e não meramente moratório. Ao analisar o pedido da contribuinte, a DRJ decidiu conforme a ementa abaixo: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000305/200437 Resolução nº 2801000.179 S2TE01 Fl. 120 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 PROCEDIMENTOS DE FISCALIZAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO CONTRADITÓRIO. A fase de investigação e formalização da exigência, que antecede à fase litigiosa do procedimento, é de natureza inquisitorial, não prosperando a argüição de nulidade do auto de infração por não observância do princípio do contraditório. SIGILO BANCÁRIO. A obtenção de informações junto às instituições financeiras, por parte da administração tributária, a par de amparada legalmente, não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de oficio. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE.RENDIMENTOS A Lei n° 9.430/1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. APLICAÇÃO DA LEI NO TEMPO. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das .1toridades administrativas( Art.144, § 1° do CTN). DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de oficio é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic devidamente demonstrada no auto de infração, porquanto o Código Tributário Nacional outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e Fl. 120DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000305/200437 Resolução nº 2801000.179 S2TE01 Fl. 121 4 autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. Lançamento Procedente Doravante, inconformada com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário reiterando os argumentos já suscitados em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Trata o presente caso de lançamento baseado em omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. A Recorrente questiona a quebra do sigilo bancário sem qualquer tipo de requisição judicial e em relação a operações feitas antes da entrada em vigor da LC 105/2001. A questão do sigilo bancário é matéria reconhecida de repercussão geral e aguarda julgamento pelo STF (RE 601.314), devendo o julgamento do presente processo ser sobrestado, conforme imposição do Regimento Interno do CARF, instituído pela Portaria nº 256, de 22 junho de 2009, com alterações introduzidas pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, que determina, in verbis: Artigo 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543 C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ressaltese que o posicionamento do STF tem sido no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais Fl. 121DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000305/200437 Resolução nº 2801000.179 S2TE01 Fl. 122 5 para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso Fl. 122DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000305/200437 Resolução nº 2801000.179 S2TE01 Fl. 123 6 extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente(RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presento feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012) Fl. 123DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10865.000305/200437 Resolução nº 2801000.179 S2TE01 Fl. 124 7 Esses os motivos pelos quais entendo por bem sobrestar a apreciação do presente recurso voluntário, até que ocorra decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, a ser proferida nos autos do RE n.º 601.314, nos termos do disposto nos artigos 62A, §§1º e 2º, do RICARF. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 02/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.722418/2011-14
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Mar 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. INOCORRÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO.
Se o Auto de Infração descreve suficientemente os fatos, bem como a verificação, feita pelo Auditor Fiscal, da ocorrência do fato gerador, do montante tributável e da penalidade aplicável, permitindo o pleno exercício do direito de defesa, não há nulidade do lançamento. O contraditório e a ampla defesa são assegurados com a instauração da fase litigiosa do processo contencioso, que é inaugurada com a impugnação.
IRPF. GANHO DE CAPITAL. NATUREZA DA OPERAÇÃO DE ALIENAÇÃO. CONTRATO PARTICULAR DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA. ESCRITURA PÚBLICA. COMPROVAÇÃO DE QUE OS FATOS OCORRERAM CONFORME REGISTRADOS NO CONTRATOS PARTICULAR E QUE A ESCRITURA NÃO RETRATA A REALIDADE. PREVALECIMENTO DO CONTRATO PARTICULAR. OPERAÇÃO DE PERMUTA COM TORNA
A informação consignada no contrato particular de promessa de compra e venda deve prevalecer sobre a contida na escritura pública por ter sido comprovado que os fatos ocorrem tal qual previstos no contrato particular. Não obstante os termos usados, o contrato particular demonstra um operação de permuta com torna, sendo irrelevante que a escritura tenha usado a expressão dação em pagamento, pois o comprador entregou o imóvel conforme pactuado na promessa e não prestação diversa. Dessa forma, a operação deve ser tributada como de uma permuta com torna.
IRPF. PERMUTA COM RECEBIMENTO DE TORNA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA SOBRE A TORNA.
No caso de permuta com recebimento de torna em dinheiro, deverá ser apurado o ganho de capital apenas em relação à torna.
IRPF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA.
A declaração e apuração do ganho de capital com suporte em valores subavaliados na escritura constitui o evidente intuito doloso que autoriza a qualificação da multa de ofício. A gravidade da conduta é agravada com a apresentação à Fiscalização de cópia do contrato particular que não representa fielmente o documento original e suprime a indicação do valor da operação.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-003.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para corrigir a inexatidão da apuração do ganho de capital para que conste o valor da alienação de R$150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) e cálculo para operação de permuta com torna, na forma do art. 138 do RIR1999, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 12/03/2015
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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INOCORRÊNCIA. IMPUGNAÇÃO. INSTAURAÇÃO DA FASE LITIGIOSA. AMPLA DEFESA E CONTRADITÓRIO. Se o Auto de Infração descreve suficientemente os fatos, bem como a verificação, feita pelo Auditor Fiscal, da ocorrência do fato gerador, do montante tributável e da penalidade aplicável, permitindo o pleno exercício do direito de defesa, não há nulidade do lançamento. O contraditório e a ampla defesa são assegurados com a instauração da fase litigiosa do processo contencioso, que é inaugurada com a impugnação. IRPF. GANHO DE CAPITAL. NATUREZA DA OPERAÇÃO DE ALIENAÇÃO. CONTRATO PARTICULAR DE PROMESSA DE COMPRA E VENDA. ESCRITURA PÚBLICA. COMPROVAÇÃO DE QUE OS FATOS OCORRERAM CONFORME REGISTRADOS NO CONTRATOS PARTICULAR E QUE A ESCRITURA NÃO RETRATA A REALIDADE. PREVALECIMENTO DO CONTRATO PARTICULAR. OPERAÇÃO DE PERMUTA COM TORNA A informação consignada no contrato particular de promessa de compra e venda deve prevalecer sobre a contida na escritura pública por ter sido comprovado que os fatos ocorrem tal qual previstos no contrato particular. Não obstante os termos usados, o contrato particular demonstra um operação de permuta com torna, sendo irrelevante que a escritura tenha usado a expressão dação em pagamento, pois o comprador entregou o imóvel conforme pactuado na promessa e não prestação diversa. Dessa forma, a operação deve ser tributada como de uma permuta com torna. IRPF. PERMUTA COM RECEBIMENTO DE TORNA. GANHO DE CAPITAL. INCIDÊNCIA SOBRE A TORNA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 24 18 /2 01 1- 14 Fl. 175DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 No caso de permuta com recebimento de torna em dinheiro, deverá ser apurado o ganho de capital apenas em relação à torna. IRPF. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. A declaração e apuração do ganho de capital com suporte em valores subavaliados na escritura constitui o evidente intuito doloso que autoriza a qualificação da multa de ofício. A gravidade da conduta é agravada com a apresentação à Fiscalização de cópia do contrato particular que não representa fielmente o documento original e suprime a indicação do valor da operação. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos REJEITAR a preliminar e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para corrigir a inexatidão da apuração do ganho de capital para que conste o valor da alienação de R$150.000,00 (cento e cinqüenta mil reais) e cálculo para operação de permuta com torna, na forma do art. 138 do RIR1999, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 12/03/2015 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, Mara Eugênia Buonanno Caramico, Ronnie Soares Anderson, Vinícius Magni Verçoza, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física dos exercícios 2008 e 2009, anoscalendário 2007 e 2008, referente a omissão de ganho de capital na alienação de bens e direitos, conforme descrito no Relatório de Ação Fiscal (fls. 07 a 11), integrante do Auto de Infração de fls. 02 a 23. A omissão de ganhos de capital é relativa ao apartamento nº 501 e ao estacionamento nº 15, localizados à rua Julio de Castilhos, nº 180, em Torres/RS. A autuação decorreu de informações coletadas originariamente no curso de procedimento fiscal instaurado em nome de Edgard Antonio Lippmann Junior, CPF nº 253.610.40959, companheiro da interessada e demais elementos e documentação obtidos através de intimações à contribuinte e terceiros envolvidos na transação imobiliária. Consta no Auto de Infração que o apartamento nº 501 e o espaço de estacionamento nº 15, situado à rua Julio de Castilhos nº 180, em Torres/RS, foi adquirido em 12.03.2004, pelo montante de R$ 140.000,00, conforme indicado no Registro de Imóveis de Torres/RS, e apontado na DIRPF da contribuinte, tendo a sua venda concretizada em Fl. 176DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.722418/201114 Acórdão n.º 2802003.323 S2TE02 Fl. 176 3 12.12.2007, mediante Contrato de Promessa de Compra e Venda de Imóvel, com preço total de R$380.000,00, sendo R$ 111.000,00, pagos em 21.12.2007, R$ 49.000,00, em 10 parcelas mensais de R$ 4.900,00, entre janeiro a outubro de 2008, e R$ 220.000,00, com a dação em pagamento do apartamento nº 801 e do Box nº 14, no edifício Ilha de Saint Croix, na rua Desembargador Vieira Pires nº 128, em Torres/RS, diferentemente do que consta na Escritura Pública nº 46.482, de 11.01.2008. Na escritura pública o valor total é de R$ 230.000,00, representados por R$ 111.000,00, anteriormente recebido e por R$ 119.000,00, correspondente ao mencionado apartamento transferido em dação em pagamento. Salienta que o Contrato de Promessa de Compra e Venda foi apresentado à Fiscalização pelo comprador do imóvel, Ricardo André Zorzato Caldieraro, evidenciando o preço ajustado de R$ 380.000,00, e pela própria contribuinte/alienante, sendo que a cópia da vendedora, incompleta, omite intencionalmente a informação de valor, mediante adulteração do item que trata do objeto. A autoridade fiscal registrou que a Certidão da Procuração Pública nº 29.110, do Tabelionato de Notas de Torres/RS, de 15.12.2007, “dá totais direitos sobre imóvel avaliado e entregue pelo valor total de R$ 220.000,00”, bem como a evidência contida no referido contrato, quando o comprador comprova com as cópias de 10 (dez) cheques compensados, o pagamento de R$ 49.000,00, previstos no instrumento particular, mas ignorados na Escritura Pública, e ainda a avaliação do bem imóvel para fins do pagamento do Imposto de Transmissão de Bens Imóveis – ITBI, no valor de R$ 334.000,00 (apt. nº 501) e R$ 10.000,00 (Box nº 15). A multa de ofício foi qualificada, tendo em vista o evidente intuito de fraude, consubstanciado na adulteração de documentos e na omissão de informações, objetivando reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto de renda – “Contrato de Promessa de Compra e Venda de Imóvel” – fls. 55 a 57. Foi formalizada Representação Fiscal para Fins Penais. Na impugnação, a contribuinte, alegou: a) nulidade da ação fiscal, visto que o auditorfiscal teria extrapolado os limites básicos e elementares do direito constitucional, bem como do direito tributário, ao utilizar informações prestadas de forma sigilosa por seu excompanheiro Edgard Antonio Lippmann Junor, este sim respondendo procedimento fiscal. Reportase, ainda, ao disposto no artigo 142 do CTN, e afirma, que apenas uma única vez foi intimada para colaborar na fiscalização instaurada contra seu excompanheiro, apresentando informações e documentos. Invoca a garantia constitucional do devido processo legal. b) inocorrência da alegada adulteração, visto que a juntada parcial do instrumento anterior de compromisso de compra e venda objetivou esclarecer um dos depósitos efetuados em sua conta conjunta, acrescentando que se tal documento fosse importante, deveria ter sido intimada, o que seria prontamente atendido. c) o auditor agiu de forma agressiva e desleal, imputandolhe a abstrata “adulteração”, chegando ao cúmulo de sugerir o envio de peças para representação fiscal para fins penais; d) incoerência do alegado ganho de capital para fins tributáveis, tendo em vista que a concretização da alienação do imóvel somente foi formalizada, de forma pública e Fl. 177DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 legal, em 11 de janeiro de 2008, data em que houve a transcrição imobiliária em decorrência da escritura pública de compra e venda. Salienta a importância de confrontar os elementos contidos no instrumento particular com o instrumento público, assim, embora a negociação estivesse precedida de ajuste preliminar de compromisso de compra e venda, na prática está comprovado que, deduzidas as comissões, taxas, emolumentos e outros encargos, a alienação foi por R$ 279.000,00, ou seja R$ 110.000,00 no ato, R$ 49.000,00 (10 cheques de R$ 4.900,00) e R$ 120.000,00, pelo apto 801 e Box do Edif. Ilha Saint Croix, em Torres/RS, conforme escritura de compra e venda em 26.01.2008, cujo imóvel foi alienado a Evaldo Manoel Dimer e Nelsi Marta Seibert, pelo valor de R$ 120.000,00, conforme escritura pública, admitindo, por fim, um lapso involuntário, pois se utilizou apenas dos valores já recebidos, no caso, R$ 230.000,00, como lançado também na própria Escritura Pública de Compra e Venda, e não dos cheques que iriam vencer mensalmente, tanto que reconheceu como ganho de capital, após as legais deduções, o valor de R$ 72.489,82, importando no imposto devido de R$ 10.873,47, tendo pago algumas das parcelas. Juntou documentação às fls. 108 a 129. A preliminar foi rejeitada e a impugnação indeferida, em síntese, com os seguintes fundamentos: a) o litígio restringese ao valor de alienação, estando comprovado nos autos que foi de R$380.000,00 conforme indicado no lançamento e comprovado pelo pagamento com o cheque de R$56.000,00 (fls. 65), o de R$55.000,00 (fls. 56), mais 10 cheques de R$4.900,00 (fls. 67/76) e acrescido do valor de R$220.000 da dação em pagamento do apartamento nº 801 e do Box 14 do Edifício Ilha Saint Croix, à rua Desembargador Vieira Pires, em Torres/RS; b) a data da operação de venda foi 12/12/2007 conforme citado no contrato de promessa de compra e venda e previsão no art. 3º da lei 7.713/1988; c) para efeito de pagamento do Imposto sobre Transmissão, o apartamento e o Box alienados foram avaliados, respectivamente, em R$334.000,00 e R$10.000,00 (fls. 120/121 e 87/90); d) o adquirente apresentou documentos que comprovam a data e os valores de aquisição e cópia da certidão de procuração pública (fls. 85/86) que informa a entregue do imóvel pelo valor de R$220.000,00; e e) a qualificação da multa decorre do fato de a contribuinte ter apresentado documentação incompleta e adulterada, e omitido informações, com intuito evidente de fraude, visando reduzir a base de cálculo do imposto de renda. A ciência do acórdão ocorreu em 09/11/2012 e o recurso voluntário foi interposto no dia 07/12/2012 assentado nas razões adiante resumidas: 1. reitera as alegações acerca da nulidade do lançamento por ter havido violação ao direito de defesa e ao devido processo legal, notadamente por não ter sido suficientemente intimada do procedimento movido contra seu excompanheiro e do qual decorreu a autuação contra si e por não ter havido intimação ao promitente comprador do imóvel recebido como parte do pagamento, adquirido por preço inferior ao contido no compromisso de compra e venda (embora tenha sido intimado o promitente comprador do imóvel da Rua Julio de Castilho, 180, alienado), o que comprovaria que não houve ganho de capital; Fl. 178DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.722418/201114 Acórdão n.º 2802003.323 S2TE02 Fl. 177 5 2. a alienação somente foi concretizada no momento da transcrição da escritura pública, 11/01/2008, e não das tratativas iniciais documentadas no instrumento particular; o §3º do art. 3º da Lei 7.713/1988 aplicase às operações que importem em alienação que decorram única, direta e exclusivamente dos instrumentos formais ali mencionados e não para o caso de alienação somente concretizada com o instrumento público; o instrumento particular pode a qualquer tempo ser rescindido ou desconsiderado; evoca os art. 364 e 366 do Código de Processo Civil CPC; 3. a análise combinada do instrumento particular com a escritura comprova que, deduzidas as comissões, taxas, emolumentos e outros encargos, a alienação ocorreu no valor de R$279.000,00, representado por um cheque de R$56.000,00 e outro de R$55.000,00, no ato, 10 cheques de R$4.900,00 e mais o recebimento do apartamento e Box do Edifício Ilha de Saint Croix por R$120.000,00; 4. em ajuste preliminar, o valor do último imóvel citado foi estimado em R$220.000,00, todavia, foi alienado a Evaldo Manoel Dimer e Nelsi Marta Seibert por R$120.000,00, conforme escritura em anexo, de sorte que, se eventualmente houve ganho de capital, este incidiria somente “pelo valor que sobejou o valor de aquisição originária (R$140.000,00) no caso R$139.000,00” (sic); levandose em conta que incidiram duas comissões de corretagem pagas pela recorrente, sendo de 6% na primeira venda (R$22.800,00) e R$7.200,00 na segunda, o que totalizou R$30.000,00; 5) por lapso seu e do contador, entendeu que deveria apurar o ganho de capital sem considerar os cheques que iria receber posteriormente (no total de R$49.000,00) reconhece que declarou um ganho de capital a menor de R$1.272,16 (declarou R$72.489,82 e agora reconhece como sendo R$73.761,98), todavia contesta as diferenças a partir de janeiro de 2008; 6) o acórdão recorrido ofende os princípios da segurança jurídica e da legalidade, o imposto sobre ganho de capital somente pode incidir se houver acréscimo patrimonial, o modesto patrimônio da recorrente e de seus familiares se revela absolutamente desproporcional com a tributação em comento e que se arrimou em presunções, sem que fossem desenvolvidas as investigações a partir dos meros indícios levantados pela autoridade fiscal; e 7) quanto à qualificação da multa, não adulterou fatos nem omitiu intencionalmente informação, a autoridade fiscal deixou de consignar que a finalidade da juntada parcial do instrumento do compromisso de compra e venda objetivou esclarecer um dos depósitos efetuados na conta conjunta da impugnante, nada mais; caso o documento fosse importante para a investigação realizada pelo AuditorFiscal deveria ter intimado a recorrente a juntálo integralmente, o que seria, prontamente, atendido; a conduta da autoridade fiscal fere o princípio da razoabilidade, representa perseguição gratuita contra a recorrente e seu ex companheiro que agiram de forma leal e Cortez durante toda a tramitação da investigação fiscal, por via reflexa, o procedimento da autoridade representaria abuso de autoridade e desvio de finalidade. Não foram juntados documentos ao recurso. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Da preliminar O lançamento demonstrou adequadamente a infração imputada à contribuinte, tanto assim que a defesa é substancial e demonstra suficiente conhecimento das imputações fiscais. O procedimento de constituição do crédito tributário até a lavratura do lançamento é de natureza inquisitorial, sem que isso caracterize violação ao direito ao contraditório ou cerceamento do direito de defesa. O contraditório e a ampla defesa são assegurados com a instauração do processo contencioso, o que ocorre com a impugnação tempestiva. É nesse sentido que se afirma que a impugnação inaugura a fase litigiosa do processo administrativo fiscal, a teor do art 14 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, in verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Por essas razões, rejeitase a preliminar. Do mérito A aplicação do §3º do art. 3º da Lei 7.713/1988, no caso dos autos, prescinde da transcrição da escritura, uma vez que o contrato particular de promessa de compra e venda já é instrumento que caracteriza operação que importe alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos, e caracteriza a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica tratada no caput do art. 43 do CTN. O cerne do litígio é o valor pelo qual o apartamento e o Box do Edifício Ilha de Saint Croix devem ser computados na formação do valor de alienação; se R$120.000,00 como sustenta a recorrente ou se por R$220.000,00 como considerado no acórdão recorrido. O contrato particular de promessa de compra e venda foi apresentado pelo promitente comprador (fls. 77/83), bem como procuração pública que outorgou à recorrente e seu excompanheiro poderes, entre outros, para alienar o apartamento e o Box do Edifício Ilha de Saint Croix . A Fiscalização comprovou que a escritura pública não é hábil para fins de apuração do ganho de capital, uma vez que comprovou que os fatos ocorreram tal qual previstos no contrato particular de promessa de compra e venda, que serviu de base à autuação. Não obstante os termos usados, o contrato particular demonstra uma operação de permuta com torna, sendo irrelevante que a escritura tenha usado a expressão dação em Fl. 180DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.722418/201114 Acórdão n.º 2802003.323 S2TE02 Fl. 178 7 pagamento, pois o comprador entregou o que fora pactuado na promessa e não prestação diversa. A recorrente e seu excompanheiro receberam em permuta o apartamento e o Box do Edifício Ilha de Saint Croix A inexistência de uma escritura pública de permuta não desqualifica a natureza da operação. Como o processo administrativo tributário é guiado pela busca da verdade material, devese dar primazia à constatação de que houve uma permuta com recebimento de torna no valor de R$160.000,00 pela recorrente e não a compra e venda com recebimento de imóvel em dação de pagamento como registrado na escritura pública. Não se nega que irregularidades foram praticadas, mas a definição legal do fato gerador da obrigação tributária em julgamento deve ser obtida com abstração da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes (inciso I do art. 118 do Código Tributário Nacional CTN). Cabe analisar a tributação sob a ótica da permuta com torna. Art.121.Na determinação do ganho de capital, serão excluídas (Lei n º 7.713, de 1988, art. 22, inciso III): I as transferências causa mortis e as doações em adiantamento da legítima, observado o disposto no art. 119; II a permuta exclusivamente de unidades imobiliárias, objeto de escritura pública, sem recebimento de parcela complementar em dinheiro, denominada torna, exceto no caso de imóvel rural com benfeitorias. §1 º Equiparamse a permuta as operações quitadas de compra e venda de terreno, seguidas de confissão de dívida e escritura pública de dação em pagamento de unidades imobiliárias construídas ou a construir. §2 º No caso de permuta com recebimento de torna, deverá ser apurado o ganho de capital apenas em relação à torna. Valor de Alienação Art.123.Considerase valor de alienação (Lei n º 7.713, de 1988, art. 19 e parágrafo único): I o preço efetivo da operação, nos termos do §4 º do art. 117; II o valor de mercado nas operações não expressas em dinheiro; III no caso de alienações efetuadas a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada em países com tributação favorecida (art. 245), o valor de alienação será apurado em conformidade com o art. 240 (Lei n º 9.430, de 1996, arts. 19 e 24). Fl. 181DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 (...) §2 º Na alienação de imóvel rural com benfeitorias, será considerado apenas o valor correspondente à terra nua, observado o disposto no art. 136. §3 º Na permuta, com recebimento de torna em dinheiro, será considerado valor de alienação somente o da torna recebida ou a receber. (...) No mesmo sentido são os seguintes precedentes do CARF que trataram de litígios acerca de ganho de capital com permuta: Excerto do Voto condutor do Acórdão 210101.751, de 10/07/2012: Também esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem acolhendo o entendimento acerca da inexistência de ganho de capital nos casos de permuta entre bens ou direitos sem torna, independentemente da natureza desses. É o que se depreende de trecho do Acórdão n.º 10247.844, da então 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes: “Essa Câmara firmou entendimento majoritário que não incide ganho de capital na permuta de bens, seja qual for a natureza desses (terrenos, participações societárias, veículos, etc.), conforme Acórdão n.º 10247.681, proferido na sessão de 22/06/2006. Entendeu o Colegiado que na operação de permuta não há acréscimo patrimonial do contribuinte; logo a não incidência do ganho de capital não poderia ser restrita às operações entre imóveis mediante escritura pública de permuta.” (1º Conselho de Contribuinte, 2ª Câmara, RV 141.114, Relator Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, sessão de 17/08/2006) Como se vê, não se está a tratar de um incentivo instituído pelo legislador, mas da própria não incidência da regra de tributação em decorrência da sistemática estabelecida pelo legislador constitucional e infraconstitucional em relação ao imposto sobre a renda. Por essa razão específica, portanto, podese inferir, desde já, que a exigência de escritura pública definitiva não constitui requisito sine qua non para a verificação da não incidência do imposto. De fato, muito embora alguns dispositivos legais colacionados versem a respeito da comprovação das operações mediante apresentação de escritura pública definitiva, fato é que referida prova, ainda que seja a mais comum no âmbito cível, não é a única que poderia ser produzida para fins de comprovação da alienação ocorrida, bem como de seus regulares efeitos tributários. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ano calendário: 1995, 1996, 1997 Ementa: CUSTO DO BEM RECEBIDO EM PERMUTA — VALOR DO BEM OFERTADO NA PERMUTA CONSTANTE NA DECLARAÇÃO DE BENS E DIREITO IDENTIDADE —A permuta ou troca é o contrato pelo qual as partes se obrigam a dar uma coisa por outra que não seja dinheiro. Tudo que pode ser objeto de uma compra e Fl. 182DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.722418/201114 Acórdão n.º 2802003.323 S2TE02 Fl. 179 9 venda pode ser trocado, não sendo necessário que os bens permutados sejam de igual espécie ou valor, sendo lícito, portanto, permutar um imóvel por uma coisa móvel, ou ainda um bem imóvel ou móvel por um direito. Apesar de as disposições civis referentes à compra e venda serem aplicadas à troca ou permuta (art. 533 do Código Civil), não se deve esquecer que o contrato de permuta antecedeu ao da compra e venda. A interpretação tributária que restringe a permuta a troca de bens imóveis não tem base na doutrina ou na própria legislação regente do ganho de capital Dessa forma, ao contrato de permuta, de forma geral, deve ser dado o mesmo tratamento atribuído ao de permuta de unidades imobiliárias, quando somente se pode falar em ganho de capital se houver torna. Inexistindo torna, não haverá ganho de capital, exceto se o permutante ativar em sua declaração de bens e direitos o bem recebido por um valor maior do que o dado na permuta. Assim, incabível a utilização do valor registrado na escritura de permuta como custo do bem recebido na permuta, devendo ser acatado como custo do bem recebido na permuta aquele do bem ofertado nesta avença. (Excerto da minuta do Acórdão 10616.964, de 26/06/2008) Como a recorrente considerou a alienação ocorrida somente em 2008, a operação somente foi registrada na DIRPF2009 (fls. 93), onde o apartamento e o Box do Edifício Ilha de Saint Croix foram incluídos por R$119.000,00 (vide 1º item) e discriminados e baixados por venda informada como tendo ocorrido por R$120.000,00 (8º item). Embora correta a data de ocorrência do fato gerador empregada no lançamento, o ganho de capital somente poderia ter incidido sobre os R$160.000,00 recebidos como torna e não sobre o valor total da operação (R$380.000,00). Anotese que a operação envolveu a alienação de um imóvel e vaga de garagem. O lançamento reportase unicamente ao apartamento pelas razões apontadas às fls10, razão pela qual o valor de alienação foi considerado como o valor total da operação menos R$10.000,00. Para que não haja agravamento da exigência (lato senso), a apuração do ganho de capital deve subtrair da torna recebida o valor de R$10.000,00 que a autoridade fiscal atribuiu à vaga de garagem, respeitada a regra do art. 138 do RIR199 adiante transcrito. Art.138.O ganho de capital será determinado pela diferença positiva, entre o valor de alienação e o custo de aquisição, apurado nos termos dos arts. 123 a 137 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §2º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 2º, §7º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 17). Parágrafo único. No caso de permuta com recebimento de torna em dinheiro, o ganho de capital será obtido da seguinte forma: Fl. 183DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 I o valor da torna será adicionado ao custo do imóvel dado em permuta; II será efetuada a divisão do valor da torna pelo valor apurado na forma do inciso anterior, e o resultado obtido será multiplicado por cem; III o ganho de capital será obtido aplicandose o percentual encontrado, conforme inciso II, sobre o valor da torna. Em síntese, devese corrigir a inexatidão do ganho de capital apurado às fls. 12/16, para a operação permuta com recebimento de torna, reduzindo o valor de alienação para R$150.000,00, na forma do art. 138 do RIR1999. Da qualificação da multa A declaração e apuração do ganho de capital com suporte em valores subavaliados na escritura constitui o evidente intuito doloso que autoriza a qualificação da multa de ofício. A reprovabilidade da conduta é agravada com a apresentação à Fiscalização de cópia do contrato particular que não representa fielmente o documento original e suprime a indicação do valor da operação, consoante se verifica do confronto entre o documento apresentado pela recorrente (fls. 55) com o que foi apresentado pelo comprador (fls. 77). A alegação de que esse documento foi apresentado somente com intuito de justificar depósito não se sustenta é evidente a tentativa de omitir informação da Fiscalização. Ademais, não cabia à Fiscalização fazer outras intimações, mormente quando obteve do promitente comprador a outra via do contrato. Diante do exposto, devese REJEITAR a preliminar e, no mérito, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para corrigir a inexatidão da apuração do ganho de capital para que conste o valor da alienação de R$150.000,00 e cálculo para operação de permuta com torna, na forma do art. 138 do RIR1999. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 184DF CARF MF Impresso em 17/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 13 /03/2015 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720985/2010-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 14 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008, 2010
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. Não se conhece de recurso especial da Contribuinte na parte que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CSLL. A exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio ano-calendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o ano-calendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa.
Recurso especial da Contribuinte conhecido e provido em parte.
Numero da decisão: 9101-002.121
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, quanto ao conhecimento: recurso parcialmente conhecido, por unanimidade de votos. Quanto ao mérito: na parte conhecida, recurso provido, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego, Leonardo de Andrade Couto e Henrique Pinheiro Torres.
(assinado digitalmente)
HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (Presidente-Substituto).
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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PRESSUPOSTO DE ADMISSIBILIDADE. DISSENSO JURISPRUDENCIAL NÃO CARACTERIZADO. Não se conhece de recurso especial da Contribuinte na parte que desatende aos pressupostos de admissibilidade estabelecidos na legislação de regência. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CSLL. A exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Recurso especial da Contribuinte conhecido e provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, quanto ao conhecimento: recurso parcialmente conhecido, por unanimidade de votos. Quanto ao mérito: na parte conhecida, recurso provido, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão, Adriana Gomes Rego, Leonardo de Andrade Couto e Henrique Pinheiro Torres. (assinado digitalmente) HENRIQUE PINHEIRO TORRES – Presidente Substituto. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 09 85 /2 01 0- 61 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, VALMIR SANDRI, ADRIANA GOMES REGO, KAREM JUREIDINI DIAS, LEONARDO DE ANDRADE COUTO (Conselheiro Convocado), ANTÔNIO CARLOS GUIDONI FILHO, RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), HENRIQUE PINHEIRO TORRES (PresidenteSubstituto). Relatório Com base no permissivo do art. 64, art. 67, e parágrafos, e art. 68 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, a Contribuinte interpõe recurso especial em face de acórdão proferido pela extinta 2a Turma Especial da 2a Câmara da Primeira Seção do CARF, assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2010 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS CSLL. Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher total ou parcialmente as estimativas mensais de CSLL a que estava obrigada, no curso do ano calendário, ainda que em 31 de dezembro tenha apurado prejuízo fiscal. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Uma vez que a autuação se deu em razão de nãohomologação da compensação porque não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado em PER/DCOMPs, transmitido em 26/02/2010, resta aplicável a multa de 50%, sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada, nos termos da MP nº 472, de 2009, e da Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010. JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO ISOLADA É legitima a exigência de juros de mora sobre a multa isolada lançada de ofício, não paga no vencimento, calculados pela taxa Selic a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do respectivo vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, conforme determinação legal expressa no artigo 43 da Lei nº 9.430/96.” O caso foi assim relatado pela Câmara recorrida, verbis: “Por economia processual e bem descrever os fatos adoto o relatório da decisão recorrida que a seguir transcrevo: ´Tratam os autos do Despacho Decisório (fls. 12 a 29), que homologou em parte as compensações pleiteadas pela contribuinte, e do Auto de Infração (fls. 2 a 10), que trata da exigência tributária da multa isolada no valor de R$ 84.769,82, lançada em decorrência da compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 9101002.121 CSRFT1 Fl. 3 3 1) Despacho Decisório Os presentes autos foram formalizados para dar tratamento manual às Declarações de Compensação (DCOMP) relacionadas no quadro a seguir, nas quais a contribuinte informou ser possuidora de crédito tributário de saldo negativo da CSLL referente ao exercício de 2009 – Ano calendário 2008, no montante de R$ 1.988.774,31 (um milhão, novecentos e oitenta e oito mil, setecentos e setenta e quatro reais e trinta e um centavos), conforme declarado na DCOMP retificadora 05075.798.060110.1.7.033096. DCOMP TIPO 39373.14217.310809.1.3.036200 Original 37492.98861.300909.1.3.037301 Original 25212.33622.301109.1.3.030080 Original 05075.79858.060110.1.7.033096 Retificadora 39373.14217 38966.98419.060110.1.7.034710 Retificadora 37492.98861 34827.00331.060110.1.7.030200 Retificadora 25212.33622 20083.19470.260210.1.3.039350 Original Por meio do Termo de Intimação Fiscal n° 497/2010 foi solicitado ao contribuinte, para constituição e ratificação de prova a seu favor, a apresentação dos comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras relativos às deduções de retenção na fonte de CSLL declaradas na DIPJ/2009. Analisando os documentos apresentados pela contribuinte, a Fiscalização chegou aos seguintes resultados: a) glosa de R$ 107.893,60, referente às deduções de Impostos e Contribuições Federais na Fonte efetuados por Órgãos Públicos declarados na DIPJ 2009, pelo fato da documentação apresentada pela contribuinte não possuir lastro em comprovantes de retenção de imposto de renda emitidos pelas fontes pagadoras, mas em documentos internos elaborados pela própria contribuinte e que, por si só, não constituem prova a seu favor (fls. 14 a 18); b) apuração de novo saldo negativo de CSLL no montante de R$ 1.907.182.50 (fl. 19); c) existência de crédito tributário (débito da contribuinte) a ser cobrados da contribuinte, com os acréscimos legais cabíveis, no valor original de R$ 81.591,81, correspondentes às compensações não homologadas (fl. 19); d) necessidade de lavratura de auto de infração de multa isolada (50%), nos termos do art.44, inciso II, alínea b, da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº11.488, de 15 de junho de 2007 (fls. 19 e 20), em função de ter sido verificado a existência de diferença de imposto de renda mensal pago por estimativa no valor total de R$ 81.591,81, resultante do valor declarado pela contribuinte (R$ 3.500.587,96) subtraído do valor confirmado pela RFB (R$ 3.418.996,15); e) necessidade de lavratura de auto de infração de multa isolada (50%), nos termos do art.74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430, de 1996, incluídos pela Lei n° 12.249, de 11 de junho de 2010 (conversão da Medida Provisória n° 472/2009), em função da insuficiência de crédito da contribuinte para homologar integralmente as Fl. 231DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 compensações pleiteadas. O valor total da compensação não homologada foi de R$ 87.947,80 (fls. 21 a 24). Com base na análise realizada, a Autoridade Fiscal competente decidiu: 1) RECONHECER EM PARTE a existência do direito creditório a favor da pessoa jurídica HOSPFAR IND. E COM. DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA, inscrito no CNPJ/MF sob o n° 26.921.908/000121, no montante originário de R$ 1.907.182,50 (um milhão, novecentos e sete mil, cento e oitenta e dois reais e cinqüenta centavos), concernente ao Saldo Negativo da CSLL relativo ao ano calendário de 2008, que foi utilizado para compensação de débitos discriminados nas correspondentes DCOMP e respectivas retificadoras 2) HOMOLOGAR EM PARTE as compensações efetivadas pelo contribuinte, no montante de R$ 2.064.876,12 (dois milhões, sessenta e quatro mil, oitocentos e setenta e seis reais e doze centavos) em, em valores originais, referentes aos valores compensados relacionados no quadro 09 do Despacho Decisório, com crédito de saldo negativo de CSLL, ano calendário de 2008; 3) NÃO HOMOLOGAR as compensações efetivadas pelo contribuinte no montante original de R$ 87.947,80 (oitenta e sete mil, novecentos e quarenta e sete reais e oitenta centavos), em valores originais, referentes aos valores não compensados, em razão da insuficiência do crédito de saldo negativo de CSLL; 4) AUTORIZAR a emissão de Registro de Procedimento Fiscal para o lançamento de ofício referente à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) a ser exigida sobre os valores mensais no montante de R$ 40.795,91 (quarenta mil, setecentos e noventa e cinco reais e noventa e um centavos), por motivo de falta de pagamento de CSLL estimativa mensal, na época própria, com fulcro no artigo 44, inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei n° 11.488, de 15/06/2007); 5) AUTORIZAR a emissão de Registro de Procedimento Fiscal para o lançamento de ofício referente à multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) a ser exigida sobre o montante dos débitos (créditos tributários), objetos de compensações não homologadas, no valor total de R$ 43.973,90 (quarenta e três mil, novecentos e setenta e três reais e noventa centavos), conforme disposições constantes do art. 74, parágrafos 15 e 17, da Lei 9.430/96,. incluídas pela Lei n° 12.249, de 11 de junho de 2010 (conversão da Medida Provisória n° 472/2009). 2) Auto de Infração – Multa Isolada Tratase da exigência tributária de multa de 50% no valor de R$ 84.769,82, exigida isoladamente sobre os valores mensais devidos (fls. 2 a 10), decorrente de: a) estimativas de CSLL não confirmadas, conforme art. 44 , inciso II, alínea b, da Lei 9.430/96 (redação dada pela Lei 11.488, de 15/06/2007); b) compensação indevida efetuada em declaração prestada pelo sujeito passivo, nos termos do art. 74, §§ 15 e 17, da Lei 9.430/96 (incluído pela Lei 12.249, de 2010). Foram efetuados os seguintes lançamentos (fl. 7): FATO GERADOR VALOR DA MULTA 01/01/2008 R$ 3,76 01/04/2008 R$ 1.688,70 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 9101002.121 CSRFT1 Fl. 4 5 01/05/2008 R$ 3.670,60 01/06/2008 R$ 5.226,07 01/07/2008 R$ 5.417,28 01/08/2008 R$ 6.343,87 01/09/2008 R$ 3.811,29 01/10/2008 R$ 7.835,33 01/11/2008 R$ 6.799,02 26/02/2010 R$ 43.973,90 TOTAL R$ 84.769,82 Consta no “Relatório Fiscal Anexo ao Auto de Infração” (fls. 5 a 7), quadros demonstrativos da base de cálculo da multa isolada aplicada. 2) Ciência A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório e do Auto de Infração em 20/05/2011 (fl. 60) e apresentou manifestação de inconformidade / impugnação (fls. 61 a 93) em 17/06/2011. 4) Impugnação / Manifestação de Inconformidade a) Da improcedência da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais: Resumidamente, a contribuinte alega que “o lançamento da multa isolada exigida sobre diferença de IRPJ recolhido por estimativa mensal somente se justifica se levada a efeito no curso do próprio ano calendário, ou, após o seu encerramento, se da ausência do pagamento”. Acrescenta que, se for comprovado que o somatório das estimativas mensais recolhidas tenha superado o valor do tributo devido, apurado ao final do ano calendário, não seria possível lançar a multa isolada por falta ou insuficiência de recolhimento destas estimativas em anos posteriores, o que afastaria, a aplicabilidade do disposto no art. 44, inciso II, alínea " b " da precitada Lei n° 9.430/96. Apresenta acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para ilustrar sua argumentação. b) Da improcedência da multa isolada sobre a compensação não homologada: Em síntese, a contribuinte argumenta que a aplicação da multa isolada sobre os débitos não compensados constitui nova, hipótese de infração, diferente da prevista na MP nº 472/2009, que se limitava aos casos de não homologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado. Acrescenta que, tal multa, introduzida no ordenamento jurídico em data posterior à transmissão dos pedidos de compensação, não poderia ser aplicada ao caso em espécie, “por contrariar o princípio da irretroatividade das leis, gravado no art. 105 do Código Tributário Nacional”. Alega, que “a lei que tipifica condutas infracionais, estabelece ou majora penalidade, somente produz efeitos em relação aos fatos ocorridos durante a sua vigência, mas nunca em relação a fatos pretéritos”. Conclui que “a eficácia retroativa da referida Lei n° 12.249/2010 certamente estremecerá a segurança das relações entre o Estado e os cidadãos, bem como o legítimo direito que os contribuintes têm de não verem agravada a situação jurídica Fl. 233DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 anteriormente configurada. É um desdobramento do princípio da segurança jurídica”. Discute, detalhadamente, a efícácia da lei e argumenta que a multa aplicada obstaria o direito constituição de petição. c) Da não incidência dos juros SELIC sobre a multa de ofício: A contribuinte alega que não existe previsão legal para a atualização da multa de ofício com base na taxa Selic. Enfatiza que a incidência dos juros moratórios se dá apenas com relação ao principal, e não à multa, um vez que o caput do art. 61 da Lei nº 9.430/96, quando se refere a "débito", restringese apenas ao valor dos tributos e contribuições. Cita doutrina e decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Ao final, requer que requer seja recebida e conhecida a presente Impugnação, por atender aos pressupostos legais, e, após, seja julgado totalmente improcedente o auto de infração ora em debate. Caso seja mantido o lançamento ou parte dele, que seja afastada a incidência dos juros Selic sobre a multa de ofício, por inexistência de previsão legal.’ A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Brasília/DF), julgou improcedente a impugnação conforme decisão proferida no Acórdão nº 0350.912, de 21 de fevereiro de 2013 (fls.97/107), cientificado ao interessado em 21/05/2013, em consonância com o despacho de encaminhamento dos presentes autos ao CARF. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.97): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Ano calendário: 2008, 2010 PRECLUSÃO MATERIAL. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada, razão pela qual é mantida a decisão proferida no Despacho Decisório. MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS. Cabível o lançamento da multa de ofício, exigida isoladamente, nos casos em que a pessoa jurídica optante pelo lucro real anual deixa de recolher total ou parcialmente as estimativas mensais de IRPJ ou CSLL a que estava obrigada. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Cabível a aplicação da multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. LEGALIDADE. A multa de ofício, sendo parte integrante do crédito tributário, está sujeita à incidência dos juros de mora a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento. CRÉDITO VENCIDO. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Os créditos Tributários vencidos e ainda não pagos devem ser acrescidos de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic). Fl. 234DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 9101002.121 CSRFT1 Fl. 5 7 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão de primeira instância que manteve as multas isoladas, a pessoa jurídica interpôs recurso voluntário em 05/06/2013 ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF no qual, em síntese, traz as mesmas razões alegadas na impugnação, tanto no que se refere a improcedência da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais quanto à multa isolada sobre a compensação não homologada. Assim desnecessário repetir tais alegações porque já constam do relatório acima. Também se insurge contra os juros de mora sobre as multas lançadas que não foram quitadas. Finalmente requer o provimento ao recurso, e por conseqüência o cancelamento das exigências reclamadas.” No que interessa a essa instância recursal, por maioria de votos, o acórdão recorrido rejeitou o recurso voluntário para manter a imposição de multas isoladas (a) por não recolhimento de estimativas de CSLL, no anocalendário de 2008 e (b) por indeferimento da compensação pretendida pela Contribuinte, no anocalendário de 2010. Em sede de recurso especial, a Contribuinte sustenta divergência entre o acórdão recorrido e (a) o Acórdão nº 10320.572, segundo o qual “encerrado o período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido apurado, com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido superou, largamente, o efetivamente devido.”; e (b) o Acórdão n. 9101001.313, que assenta o entendimento de que, nas hipóteses de compensação não homologada, deve ser “aplicável a lei que menos penalizou, no período vigente entre o ato (compensação) e o julgamento”. O recurso especial foi admitido pelo Sr. Presidente da 2a Câmara da Primeira Seção do CARF (Despacho n. 120000.116 (fls. 214/215)), ante a caracterização da alegada divergência jurisprudencial em cada uma das matérias acima referidas. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões (fls. 218/225), pelas quais (a) suscita preliminar de não conhecimento do recurso especial na parte relativa à multa de ofício decorrente da não homologação da compensação realizada e (b) no mérito, defende a legitimidade de ambas as penalidades de ofício impostas à Contribuinte. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 235DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 8 Pedese vênia para se divergir do Despacho n. 120000.116 no tocante à admissibilidade do recurso especial interposto pela Contribuinte relativa à imposição de multa isolada por indeferimento de compensação realizada no anocalendário de 2010. Premissa fundamental para análise do recurso especial de divergência é a similitude fática entre acórdãos paradigma e recorrido, de modo a, verificada a discrepância entre eles, firmarse a jurisprudência desta Corte a respeito da específica questão de direito posta a desate. Sobre o conceito de divergência para fins recursais, vejase iterativa jurisprudência do E. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, verbis: Processo civil. Agravo nos embargos de divergência no recurso especial. Cotejo entre acórdãos paradigma e embargado. Inexistência de similitude fática e jurídica entre os arestos confrontados. Ausência de argumentos capazes de ilidir os fundamentos da decisão agravada. Em tema de divergência jurisprudencial, mostrase imprescindível para a caracterização do dissídio que os julgados confrontados tenham decidido as mesmas teses jurídicas com bases fáticas semelhantes. Agravo não provido. (AgRg nos EREsp 972590, Relatora Nancy Andrighi, DJe 16/02/2009 – grifos nossos) No mesmo sentido: 'PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE SIMILITUDE ENTRE OS CASOS EM CONFRONTO. NÃO CONHECIMENTO. 1. Os embargos de divergência têm por escopo a uniformização da jurisprudência desta Corte, eliminando as dissidências internas quanto à interpretação do direito em tese, e, para tanto, pressupõem a identidade fática e solução divergente entre os acórdãos confrontados, o que não é o caso dos autos (...)' (AgRg nos EREsp 510.299/TO, Rel. Min. Teori Zavascki, DJ 03.12.2007 – grifos nossos) No mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL – EXECUÇÃO FISCAL – LEILÃO – AVALIAÇÃO DO BEM – IMPUGNAÇÃO – DECISÃO NÃO AGRAVADA PRECLUSÃO – INTIMAÇÃO DO EXEQÜENTE E DE POSSÍVEIS CREDORES PRECEDENTES OU PREFERENCIAIS DESNECESSIDADE PREÇO VIL ARREMATAÇÃO POR MAIS DA METADE DO VALOR DA AVALIAÇÃO NÃOOCORRÊNCIA DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL SEMELHANÇA FÁTICA INEXISTÊNCIA. 1. Não se conheceu da alegação de inobservância do procedimento de impugnação à avaliação do bem penhorado porque precluso o direito de atacar a decisão que a indeferiu liminarmente. Este fundamento restou inatacado no recurso especial. 2. Ausente qualquer prejuízo ao exeqüente ou aos demais possíveis credores da parte executada na inexistência de intimação prévia à arrematação, reputase válida a arrematação. 3. Arrematação de bem penhorado por mais da metade do valor da avaliação não é considerado preço vil para a jurisprudência desta Corte. 4. Inviável o conhecimento do recurso especial pelo dissídio jurisprudencial se o acórdão paradigma não possui semelhança fática com o acórdão recorrido. 5. Recurso especial conhecido em parte e, nesta parte, não provido. (REsp 1052691/SC, Rel.: Min. Eliana Calmon, DJE – 26/11/2008). Do exame do acórdão recorrido depreendese que o contexto fático e legislativo verificado na lavratura do lançamento é distinto daquele constante do aresto paradigma. Neste (paradigmas), reconheceuse a aplicação de retroatividade benigna em relação a compensação realizada em anoscalendário anteriores à edição da Lei n. 11.051/2004, por força de esta legislação ter limitado a imposição de multa por indeferimento de compensação às hipóteses de (a) compensação não declarada e (b) sonegação, fraude ou Fl. 236DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 9101002.121 CSRFT1 Fl. 6 9 conluio, de que tratam os artigos 71 a 73 da Lei n. 4.502/64. No caso, a compensação não homologada foi efetivada apenas no anocalendário de 2010, razão pela qual não há que se falar em aplicação retroativa de norma editada no ano de 2004 e, inclusive, já revogada na data dos fatos deste processo. Por sintetizar o quanto se disse no parágrafo acima a respeito da ausência de divergência jurisprudencial, transcrevese trecho das contrarazões da Fazenda Nacional a respeito do assunto, verbis: “Nos presentes autos, a multa isolada é aplicada em razão da não homologação da compensação por falta de confirmação da legitimidade ou suficiência do crédito, conforme estabelecido no art. 18 da Lei nº 10.833/2003, segundo a redação conferida pela MP nº 472/2009, nos seguintes termos: “Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória na 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando não confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado ou quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Redação dada pela MP nº 472/2009) (...) §2º A multa isolada a que se refere o caput deste artigo será aplicada sobre o total do débito indevidamente compensado, no percentual: (Redação dada pela Medida Provisória nº 472, de 2009) I previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese em que não for confirmada a legitimidade ou suficiência do crédito informado; ou (Incluído pela Medida Provisória nº 472, de 2009) II previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n 2 9.430, de 27 de dezembro de 1996, duplicado na forma de seu §1º, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. (Incluído pela Medida Provisória nº 472, de 2009)” Embora a norma supra transcrita fosse a regra vigente à época da transmissão da declaração de compensações em 26/02/2010, a fiscalização, sob o fundamento de retroatividade benigna, aplicou a multa na forma da lei nº 12.249/2010, que, para a mesma infração, fixava a penalidade no percentual de 50%, inferior ao percentual de 75%, originalmente previsto na disciplina anterior. De outro lado, no caso do acórdão nº 9101001.313, a multa isolada foi aplicada em razão de compensação indevida com créditos de terceiros. Na hipótese analisada pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, os julgadores decidiram aplicar a retroatividade benigna sob o fundamento de que a norma posterior previa a hipótese de multa isolada somente para os casos de falsidade. Nessa perspectiva, o precedente citado aplicou a norma posterior por considerála mais benéfica por reduzir o campo de incidência da multa para as hipóteses de falsidade. Ao se confrontar os acórdãos, recorrido e o de nº 9101001.313, verificase, aliás, uma convergência de entendimentos, pois ambos aplicam a norma posterior ao amparo da retroatividade benigna no regime das penalidades. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 10 Ante os argumentos expendidos, em sede preliminar, devese negar seguimento ao recurso especial neste ponto, diante da ausência de demonstração da divergência jurisprudencial.” Conhecese, pois, do recurso especial da Contribuinte apenas na parte em que versa sobre a discussão da legitimidade da multa isolada por não recolhimento de estimativas, no anocalendário de 2008. Conforme corrente jurisprudencial majoritária desta Corte Administrativa, a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o anocalendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Vejase, nesse sentido, ementas de v. acórdãos proferidos pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10680.005834/200312, Relator Marcos Vínícius Nederde Lima, Ac. 105139794) No mesmo sentido: CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a empresa recolhe, ao longo do ano, valor superior ao apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial provido. (CSRF, 1a Turma, Processo n. 10665.001042/9948, Ac. 108133750, Rel.: Marcos Vinícius Neder de Lima) No mesmo sentido: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO CALENDÁRIO: Encerrado o período anual da apuração, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência efetivamente devida, apurada com base no balanço anual, revelandose improcedente a cominação de multa, mormente se o contribuinte optou, antes da ação fiscal, em incluir a referida no REFIS. (CSRF, 10140.001362/200247, Ac. 107133806, José Henrique Longo) No mesmo sentido: IRPJ – RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANOCALENDÁRIO: Encerrado o período anual de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto Fl. 238DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10120.720985/201061 Acórdão n.º 9101002.121 CSRFT1 Fl. 7 11 efetivamente devido, apurado com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido antecipadamente superou o efetivamente devido. Recurso especial negado. (CSRF, Primeira Turma, Ac. 103 124926, Rel.: José Carlos Paussuelo, Processo n. 10280.009389/9926) Tal entendimento não merece reparos mesmo na vigência do art. 44 da Lei n. 9.430/1996 com a redação dada pela Lei n. 11.488/2007. Sobre o tema, pedese vênia para transcrever trecho do Acórdão nº 1102001.226, de Relatoria do ilustre Conselheiro Ricardo Marozzi Gregório, por meio do qual se decidiu pela impossibilidade de aplicação da multa isolada na hipótese em que o contribuinte apura resultado negativo ao final do anocalendário, mesmo após o advento da Medida Provisória nº 351/07. Verbis: “Assim, a exegese que se extrai dos comandos legais contidos no artigo 44 da Lei nº 9.430/96, mesmo após as alterações inseridas pela Lei nº 11.488/07, é aquela segundo a qual o lançamento da multa isolada pode ser feito em duas hipóteses: (i) Antes da apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, quando a base para a imposição da multa observará um dos seguintes critérios: (i.1) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir da margem setorial (o percentual definido em lei) da receita bruta acumulada; ou (i.2) o valor correspondente às antecipações não pagas calculadas a partir do balanço de redução ou suspensão (neste último caso, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa da CSLL). (ii) Após a apuração do tributo devido no balanço do final do anocalendário, somente se ficar constatado que houve parcela daquele tributo devido que deixou de ser paga a forma de antecipação (quando deveria ter sido paga nesta forma), mas foi paga no ajuste. A base para a imposição da multa corresponderá exatamente ao valor da mencionada parcela. Não se admite, por óbvio, que tal base supere o valor do tributo devido apurado. Assim, há que se verificar se os valores de estimativa a pagar foram deduzidos na apuração anual. Em caso positivo, isto significa que o tributo devido não foi recolhido nem como estimativa nem como resultado do ajuste, portanto, não se trata de cobrar mula isolada, mas, sim, de cobrar o tributo acompanhado da multa proporcional. Em caso negativo, isto significa que o tributo não foi recolhido como estimativa, mas foi recolhido como resultado do ajuste, portanto, é cabível a multa isolada. Contudo, a base para a imposição da multa deverá corresponder ao valor da estimativa não paga que deixou de ser deduzida na apuração anual do imposto devido. Não se admite, também, que essa base supere o valor do imposto devido calculado na apuração anual.” Do exame dos autos é incontroverso o fato de que a Contribuinte apurou base negativa de CSLL no anocalendário de 2008 (fls. 19). Por todo o exposto, orientase voto no sentido de conhecer em parte do recurso especial interposto pela Contribuinte para, na parte conhecida, darlhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 12 Fl. 240DF CARF MF Impresso em 14/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 26 /03/2015 por ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO, Assinado digitalmente em 09/04/2015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 10580.721057/2009-62
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2802-000.062
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 6-2A
do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento nos termos do §1º do art. 62A do Regimento Interno do CARF c/c Portaria CARF nº 01/2012. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 27/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (Relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Em proveito ao valioso trabalho consubstanciado às fls. 79 e seguintes dos autos, perfeitamente elaborado pela Douta Delegacia da Receita Federal, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais valese da respectiva transcrição do relatório apresentado naquela oportunidade, a saber: “ Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 146.777,77, Fl. 129DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721057/200962 Resolução n.º 2802000.062 S2TE02 Fl. 130 2 incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e Fl. 130DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721057/200962 Resolução n.º 2802000.062 S2TE02 Fl. 131 3 correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boa fé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo Advogado Geral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, de 12 de fevereiro de 2009, da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que, em razão de jurisprudência pacificada no Superior Tribunal de Justiça, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visassem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, deveriam ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global.” Ato contínuo, em sessão de 23/02/2011, a 3ª Turma da DRJ/SDR, no Acórdão 1526.264, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação, fundamentando que: (a)as diferenças reconhecidas através da Lei n.º 8.730/2003, tinham, em sua origem, natureza eminentemente salarial, por se incorporarem à remuneração dos Magistrados do Estado da Bahia, inclusive ressaltando a espontaneidade do contribuinte, que reconheceu a ocorrência do fato gerador do tributo; (b)o recebimento extemporâneo de referidas diferenças não altera a sua natureza, mesmo nos casos em que o beneficiário tenha sido obrigado a recorrer ao judiciário, e que o acordo tenha sido implementado mediante lei complementar; (c)independe a natureza do tributo conferida pelo Artigo 5º da Lei 8.730/2003, uma vez que prevalece a lei federal que regulamenta o imposto de renda; (d)a incidência do imposto independe da denominação do rendimento, sendo que as indenizações não desfrutam de isenção indistintamente, nos termos do Artigo 150, § 6º, CF/88; (e)o Artigo 55, inciso XIV, do RIR/99, determina que as indenizações estão sujeitas à tributação; Fl. 131DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721057/200962 Resolução n.º 2802000.062 S2TE02 Fl. 132 4 (f)a Resolução nº 245, de 2002, do STF, não pode ser aplicada aos Magistrados da Bahia, pois que não se pode conferir isenção sem lei específica e nem por analogia, nos termos do inciso II, do Artigo 111, do CTN, sendo inextensível o âmbito de aplicação de tal Resolução, não havendo em que se falar em isonomia; (g)é de competência exclusiva da União a exigência do tributo e o lançamento fiscal em comento; (h)é cabível a aplicação da multa de ofício em percentual de 75%, uma vez que esta é fixada independentemente da boafé do impugnante, com fulcro no Artigo 136 do CTN, diferentemente da sanção prevista no inciso II, do Artigo 44, da Lei n.º 9.430/1996; e (i)os pareceres, notas e demais consultas realizadas para verificação de multa ou de outro consectário não vinculam a Autoridade Fiscal, tendo mero caráter informativo ou restritivo, seja pela inobservância de requisitos formais ou pelo não atendimento do Artigo 100 do CTN. Regularmente intimado (fl. 85), o Contribuinte, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário (fls. 88/125), repisando os argumentos contidos na Impugnação e requerendo a reforma do Acórdão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal para julgar nulo o auto de infração, alegando (i) inexistência de conduta hábil à aplicação de multa; (ii) efeito vinculante da consulta efetuada; (iii) nulidade do lançamento por forma inadequada de apuração da base de cálculo; (iv) não incidência de IR sobre juros moratórios; (v) a URV tem natureza indenizatória; (vi) ilegitimidade da União; e (vii) violação ao Princípio da Isonomia Tributária. É o relatório. Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Preliminarmente, observo que a hipótese do lançamento de ofício de Imposto de Renda Pessoa Física contempla rendimentos recebidos de forma acumulada, matéria que se encontra pendente de julgamento ao qual se atribuiu repercussão geral, conforme decisão nos autos do Recurso Extraordinário número 614232, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da Fl. 132DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 10580.721057/200962 Resolução n.º 2802000.062 S2TE02 Fl. 133 5 isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. Voto no sentido de sobrestar o julgamento até decisão do pretório Excelso sobre o tema. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Fl. 133DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 27/09/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
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Numero do processo: 10980.000051/2003-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 26 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002
AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, OBSCURIDADE E OMISSÃO.
Não há que se falar em obscuridade e sequer em omissão se o Acórdão fundamento o seu voto em informação fiscal prestada em diligência, em que a Autoridade Fazendária analisou todas as compensações realizadas pela Embargante e concluiu que ainda havia débito em aberto.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3403-003.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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(KRAFT FOODS BRASIL S.A.) Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 AUTO DE INFRAÇÃO. COFINS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, OBSCURIDADE E OMISSÃO. Não há que se falar em obscuridade e sequer em omissão se o Acórdão fundamento o seu voto em informação fiscal prestada em diligência, em que a Autoridade Fazendária analisou todas as compensações realizadas pela Embargante e concluiu que ainda havia débito em aberto. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 00 51 /2 00 3- 50 Fl. 330DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados por Mondelez Brasil Ltda. (anterior Kraft Foods Brasil S.A), em que alega obscuridade no acórdão 3403003.355, apontando contra a parcela da COFINS cuja exigibilidade foi mantida no valor de R$ 779.356,27. Aduz que o CARF manteve o referido débito em razão da não comprovação de parte das compensações realizadas. E, no seu entendimento, o acórdão teria incorrido em obscuridade, pois apesar de terem sido realizadas duas diligências nos autos para verificar a regularidade das compensações e a existência de créditos, as respostas foram incompletas e inconclusivas. E a Embargante alega que teria juntado em petições de 13/12/2011 e 19/03/2014 todos os documentos que comprovariam a regularidade das compensações. Tais provas, de acordo com a Embargante não podem ser desconsideradas e ignoradas, o que configura a omissão e a obscuridade do acórdão embargado. É o Relatório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista Inicialmente, não posso deixar de fazer referência ao Relatório constante do Acórdão Embargado, em que consta a descrição que o processo foi levado ao antigo Segundo Conselho de Contribuintes, em que restou decidido, por unanimidade de votos, a conversão do julgamento em diligência à Delegacia de origem para verificação dos processos citados pelo contribuinte, para que seja analisada a natureza dos processos de compensação e de créditos pendentes de julgamento, e após, juntada das decisões finais dos mesmos ser devolvido ao Colegiado responsável para prosseguimento do Recurso Voluntário. Fl. 331DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10980.000051/200350 Acórdão n.º 3403003.588 S3C4T3 Fl. 7 3 Em resposta à Diligência solicitada, a DRF se pronunciou após verificar os processos relacionados. Do total devido pela contribuinte, foi compensado o valor total de R$ 813.661,12, nos seguintes processos: 13836.000233/200111 (10980.005471/200322) o valor de R$ 14.970,14; 13836.000411/200111 (10980.005470/200388) o valor de R$ 2.762,58; 13973.000460/200171 (10980.005535/200395) o valor de R$ 53.844,61 e 13888.000109/200221 (10980.005474/200366) o valor de R$ 742.083,79. No relatório de diligência de fls. 192/193 não consta compensação de débito de Cofins relativo ao mês de fevereiro/2002. O processo retornou à Segunda Instância, tendo o CARF novamente decidido pela realização de nova diligência, abaixo descrita: Vejam V. Sas. que a segunda diligência foi específica, devidamente norteada pelos questionamentos acima reproduzidos, tendo retornado, em suma, com as respostas às perguntas formuladas, com a conclusão de que ainda se encontra em aberto o valor de R$ 779.356,27, não tendo sido comprovado nenhum recolhimento ou compensação, conforme fls. 244//246 dos autos. A Recorrente, ora Embargante, se manifestou em tom muito parecido com os presentes Embargos de Declaração, em 19 de março de 2014, alegando que a competência de 02/2002 estaria totalmente paga, assim como que as diligências foram deficientes, mas todo o conjunto probatório demonstraria que não haveria débito da COFINS, motivo pelo qual junta documentação para fazer prova de suas alegações. Aduz que a diligência não foi devidamente cumprida e alega pagamentos realizados posteriormente, descritos em sua petição de fls. 252/259. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 Ora, conforme restou decidido, foram realizadas diligências que apuraram que a versão constante na impugnação da Embargante não correspondia totalmente à realidade, mas mesmo assim o CARF determinou a realização de nova diligência, cuja conclusão foi a de que encontrase em aberto o valor de R$ 779.356,27 após compensação de R$ 819.269,89. Aliás, o valor efetivamente compensado era completamente distinto daquele afirmado em impugnação e no Recurso Voluntário da Embargante, sendo que, no voto, ressaltei a marcha extraordinária que tomou o processo com a realização de diligências para a complementação de prova da própria Embargante, que, por sua vez, havia falhado quanto a prova realizada em sua Impugnação e Recurso Voluntário e, por essa razão, passou a complementar pontualmente a sua prova como se tal fosse possível. A Embargante, na realidade, contou com extraordinária tolerância do CARF quanto a frágil prova por ela produzida, motivo pelo qual o julgamento do Recurso Voluntário foi convertido em diligência, em que a Receita Federal foi obrigada a verificar todas as compensações realizadas, esgotando a sua informação fiscal às fls. 244/246, que apontou o valor do débito em R$ 779.356,27. Ora, diversamente do alegado pela Embargante, o Recurso Voluntário não foi julgado parcialmente procedente por ausência de provas, mas sim porque após a realização de duas diligências, com a conversão do julgamento pelo CARF, em que todas as compensações efetuadas passaram sob o crivo fazendária, a conclusão a que se chegou foi de que ainda encontravase em aberto o valor de R$ 779.356,27. Não há que se falar, pois, em obscuridade, que em nenhum momento foi apontada, e muito menos em omissão, pois o Acórdão embargado deixou bastante claro a tomada de posição em favor da informação fiscal, após a realização de duas diligências, estampando valor ainda em aberto. Na realidade, a Embargante pretende rediscutir fatos e provas, reavivar o seu Recurso Voluntário por meio dos Embargos de Declaração, o que não se admite, vez que não se verifica obscuridade ou omissão, mas sim claramente a fundamentação do julgado com base na informação fiscal de fls. 244/246. Ante o exposto, rejeito os Embargos de Declaração. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator Fl. 333DF CARF MF Impresso em 12/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 11/ 03/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 10/03/2015 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 12897.000193/2010-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 31 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005, 2006
IRPJ - LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA - DIVIDENDOS FICTOS - LUCROS - TRATADO - ART. 10 OU ART. 7º
1 - A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 não recai sobre dividendos fictos. Não se pode empregar ficção legal para alcançar materialidade ou se antecipar seu aspecto temporal quando a Constituição Federal usa essa materialidade na definição de competência tributária dos entes políticos. Ademais, o art. 10 do Tratado Brasil-Holanda trata dos dividendos pagos, não permitindo que se considerem como dividendos os distribuídos fictamente. O problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado Brasil-Holanda. Inaplicabilidade do art. 10 do tratado.
2 - O regime de CFC do Brasil do art. 74 da MP 2.158/01 considera transparente as controladas no exterior (entidade transparente ou pass-through entity): considera como auferidos pela investidora no País os lucros da investida no exterior; são os lucros em dissídio. Isso é considerar auferidos os lucros no exterior pela investidora no País, por intermédio de suas controladas no exterior. Não é o mesmo que ficção legal: é parecença com a consideração do lucro de grupo societário (tax group regime). O art. 7º do Tratado Brasil-Holanda é norma de bloqueio: define competência exclusiva para tributação dos lucros da sociedade residente num Estado contratante a este Estado. Regra específica em face de regra geral. A não aplicação da norma de bloqueio do art. 7º aos lucros em dissídio seria simplesmente desconsiderar, no âmbito de tratado, a personalidade jurídica da sociedade residente na Holanda. No mesmo sentido, bastaria um dos Estados contratantes proceder a uma qualificação a seu talante do que (não) sejam lucros de controlada residente noutro Estado contratante, para frustrar norma de tratado que as partes honraram respeitar. Intributabilidade com o IRPJ dos lucros em discussão, pela aplicação do art. 7º do Tratado Brasil-Holanda.
IRPJ, CSLL - LUCROS DE COLIGADA NA ARGENTINA - ADI 2.588-DF
No julgamento da ADI 2.588-DF, com trânsito em julgado em 17/2/14, reconheceu-se a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01 em relação a lucros de coligadas não situadas em paraíso fiscal. Efeitos do julgamento da ADI 2.588-DF sobre os lucros da coligada residente na Argentina. Intributabilidade, no País, desses lucros.
CSLL - LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA - TRATADO
Sofrem incidência da CSLL os lucros das pessoas jurídicas controladas sediadas na Holanda.
MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA - MULTA PROPORCIONAL
Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre a CSLL exigida exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anos-calendário.
Numero da decisão: 1103-001.122
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial para excluir (i) a exigência de IRPJ, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, (ii) a exigência de CSLL quanto aos lucros da coligada Cia. Mega, por unanimidade, e a multa isolada por falta de pagamentos mensais de IRPJ e CSLL, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. A parcela da exigência de IRPJ sobre os lucros da Cia. Mega foi excluída por unanimidade e a parcela da CSLL sobre os lucros das controladas sediadas na Holanda foi mantida pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata (Relator), Fábio Nieves Barreira e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 IRPJ - LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA - DIVIDENDOS FICTOS - LUCROS - TRATADO - ART. 10 OU ART. 7º 1 - A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 não recai sobre dividendos fictos. Não se pode empregar ficção legal para alcançar materialidade ou se antecipar seu aspecto temporal quando a Constituição Federal usa essa materialidade na definição de competência tributária dos entes políticos. Ademais, o art. 10 do Tratado Brasil-Holanda trata dos dividendos pagos, não permitindo que se considerem como dividendos os distribuídos fictamente. O problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado Brasil-Holanda. Inaplicabilidade do art. 10 do tratado. 2 - O regime de CFC do Brasil do art. 74 da MP 2.158/01 considera transparente as controladas no exterior (entidade transparente ou pass-through entity): considera como auferidos pela investidora no País os lucros da investida no exterior; são os lucros em dissídio. Isso é considerar auferidos os lucros no exterior pela investidora no País, por intermédio de suas controladas no exterior. Não é o mesmo que ficção legal: é parecença com a consideração do lucro de grupo societário (tax group regime). O art. 7º do Tratado Brasil-Holanda é norma de bloqueio: define competência exclusiva para tributação dos lucros da sociedade residente num Estado contratante a este Estado. Regra específica em face de regra geral. A não aplicação da norma de bloqueio do art. 7º aos lucros em dissídio seria simplesmente desconsiderar, no âmbito de tratado, a personalidade jurídica da sociedade residente na Holanda. No mesmo sentido, bastaria um dos Estados contratantes proceder a uma qualificação a seu talante do que (não) sejam lucros de controlada residente noutro Estado contratante, para frustrar norma de tratado que as partes honraram respeitar. Intributabilidade com o IRPJ dos lucros em discussão, pela aplicação do art. 7º do Tratado Brasil-Holanda. IRPJ, CSLL - LUCROS DE COLIGADA NA ARGENTINA - ADI 2.588-DF No julgamento da ADI 2.588-DF, com trânsito em julgado em 17/2/14, reconheceu-se a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01 em relação a lucros de coligadas não situadas em paraíso fiscal. Efeitos do julgamento da ADI 2.588-DF sobre os lucros da coligada residente na Argentina. Intributabilidade, no País, desses lucros. CSLL - LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA - TRATADO Sofrem incidência da CSLL os lucros das pessoas jurídicas controladas sediadas na Holanda. MULTA ISOLADA - CONCOMITÂNCIA - MULTA PROPORCIONAL Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre a CSLL exigida exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anos-calendário.
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PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 IRPJ LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA DIVIDENDOS FICTOS LUCROS TRATADO ART. 10 OU ART. 7º 1 A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 não recai sobre dividendos fictos. Não se pode empregar ficção legal para alcançar materialidade ou se antecipar seu aspecto temporal quando a Constituição Federal usa essa materialidade na definição de competência tributária dos entes políticos. Ademais, o art. 10 do Tratado BrasilHolanda trata dos dividendos pagos, não permitindo que se considerem como dividendos os distribuídos fictamente. O problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado BrasilHolanda. Inaplicabilidade do art. 10 do tratado. 2 O regime de CFC do Brasil do art. 74 da MP 2.158/01 considera transparente as controladas no exterior (entidade transparente ou pass through entity): considera como auferidos pela investidora no País os lucros da investida no exterior; são os lucros em dissídio. Isso é considerar auferidos os lucros no exterior pela investidora no País, por intermédio de suas controladas no exterior. Não é o mesmo que ficção legal: é parecença com a consideração do lucro de grupo societário (tax group regime). O art. 7º do Tratado BrasilHolanda é norma de bloqueio: define competência exclusiva para tributação dos lucros da sociedade residente num Estado contratante a este Estado. Regra específica em face de regra geral. A não aplicação da norma de bloqueio do art. 7º aos lucros em dissídio seria simplesmente desconsiderar, no âmbito de tratado, a personalidade jurídica da sociedade residente na Holanda. No mesmo sentido, bastaria um dos Estados contratantes proceder a uma qualificação a seu talante do que (não) sejam lucros de controlada residente noutro Estado contratante, para frustrar norma de tratado que as partes honraram respeitar. Intributabilidade com o IRPJ dos lucros em discussão, pela aplicação do art. 7º do Tratado BrasilHolanda. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 7. 00 01 93 /2 01 0- 11 Fl. 2573DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.168 2 IRPJ, CSLL LUCROS DE COLIGADA NA ARGENTINA ADI 2.588 DF No julgamento da ADI 2.588DF, com trânsito em julgado em 17/2/14, reconheceuse a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01 em relação a lucros de coligadas não situadas em “paraíso fiscal”. Efeitos do julgamento da ADI 2.588DF sobre os lucros da coligada residente na Argentina. Intributabilidade, no País, desses lucros. CSLL LUCROS DE CONTROLADAS NA HOLANDA TRATADO Sofrem incidência da CSLL os lucros das pessoas jurídicas controladas sediadas na Holanda. MULTA ISOLADA CONCOMITÂNCIA MULTA PROPORCIONAL Apenado o continente, incabível apenar o conteúdo. Penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos. Princípio da consunção em matéria apenatória. A aplicação da multa de ofício de 75% sobre a CSLL exigida exclui a aplicação da multa de ofício de 50% sobre CSLL por estimativa dos mesmos anoscalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, por unanimidade, e, no mérito, dar provimento parcial para excluir (i) a exigência de IRPJ, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura, (ii) a exigência de CSLL quanto aos lucros da coligada Cia. Mega, por unanimidade, e a multa isolada por falta de pagamentos mensais de IRPJ e CSLL, por maioria, vencidos os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro e André Mendes de Moura. A parcela da exigência de IRPJ sobre os lucros da Cia. Mega foi excluída por unanimidade e a parcela da CSLL sobre os lucros das controladas sediadas na Holanda foi mantida pelo voto de qualidade, vencidos os Conselheiros Marcos Shigueo Takata (Relator), Fábio Nieves Barreira e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 2574DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.169 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ e CSL, referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, cujos instrumentos específicos se encontram às fls. 1897 a 1912. Os autos de infração têm por objeto a exigência de IRPJ e CSL incidentes sobre os lucros auferidos por sociedades controladas e coligada da recorrente no exterior, nos anoscalendário de 2005 e 2006, e tem como fundamento o art. 74 da MP 2.15835/01. Em 26/5/2009, a recorrente tomou ciência do termo de início de fiscalização, em que foram solicitados os comprovantes de sua escrituração contábil básica e listagem de todas as empresas em que houvesse participação da Petrobras: suas filiais, sucursais, controladas e coligadas domiciliadas no exterior, bem como a escrituração contábil de cada uma das empresas estrangeiras apresentadas na listagem. A autoridade fiscalizadora solicitou também a comprovação, quando existente, de valor efetivamente pago a título de IR sobre lucro auferido no exterior nos anos calendário de 2005 e 2006, apresentando cópia de documento de recolhimento autenticado ou reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador estrangeiro e pelo consulado brasileiro no país onde devido o imposto. Foi exigido que a recorrente demonstrasse de que forma ofereceu os mencionados lucros à tributação, conforme a previsão do art. 74 da Medida Provisória 2.158 35/01, e que justificasse os valores declarados a título de lucros disponibilizados nas fichas 34 das DIPJs 2006 e 2007 de cada uma das empresas domiciliadas no exterior, bem como o valor declarado na linha 5 das fichas 9A das mesmas DIPJs e, ainda, que demonstrasse os valores declarados nas fichas 35. Especificamente sobre a DIPJ/06, foi solicitado que esclarecesse a insuficiência de informações, nas fichas 34 e 35, relativamente às empresas Petrobras Netherlands BV – PNBV e Compañia Mega S.A., prestando informações omitidas, quando fosse o caso. Quanto à DIPJ/07, foi solicitado que esclarecesse a insuficiência de informações, nas fichas 34 e 35, relativamente à empresa Petrobras Internacional S.A. Colômbia, prestando informações omitidas, quando fosse o caso. E, por fim, foram solicitadas as memórias de cálculo dos resultados da equivalência patrimonial de cada empresa referente a 2005 e 2006, bem como informações, caso existentes, sobre qualquer medida judicial sobre a matéria objeto do presente processo que pudesse impedir o lançamento ou suspendesse a exigibilidade do crédito de IRPJ e CSL dela recorrente. Em resposta, sobre a fiscalização das empresas localizadas na Holanda (Petrobras International S.A. Braspetro PIB BV e Petrobras Netherlands BV PN BV – Fl. 2575DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.170 4 controladas), foram apresentados documentos do IR relativo ao Fisco holandês que, posteriormente, a recorrente afirmou ter sido restituído integralmente a ela após a apuração do resultado final de cada exercício. Após o quarto termo de intimação, a recorrente admitiu expressamente (fl. 1404) não ter oferecido à tributação os resultados positivos apurados no exterior pela Petrobras Internacional Braspetro BV PIBBV, pela Petrobras Netherlads BV PNB e pela Compañia Mega S.A., em virtude das convenções destinadas a evitar dupla tributação entre Brasil e Holanda e Brasil e Argentina (anexos fls. 1451 a 1475). Novamente intimada, foi solicitada a apresentação da destinação dada ao lucro apurado pelas empresas domiciliadas no exterior, inclusive sua escrituração contábil e o correspondente reflexo no balanço patrimonial, devendo também ser juntadas a ata de deliberação dos acionistas quanto à matéria e cópia da transcrição no Livro Diário da recorrente acerca das correspondentes operações. Por fim, a recorrente apresentou suas últimas respostas à fiscalização, demonstrando: sua participação no capital das empresas Mega S.A., PIBBV e PNBBV, em 31/12/2005 e em 31/12/2006, respectivamente, e, também, os valores de aquisição e alienação, valores contábeis de sua participação na Compañia Mega S.A.; a destinação dada aos lucros auferidos em 2005 e 2006 pelas três empresas; os montantes efetivamente recolhidos pela Mega (2005) e PNBV (2005 e 2006) a título de IR em seus países de domicílio; e a forma de apuração dos resultados auferidos no exterior pelas três empresas, inclusive no que tange à ausência de prejuízos acumulados gerados em períodos anteriores. Esclareceu, ainda, a ausência de tributos a serem pagos na Holanda pela PIB BV com a possibilidade de compensação de tributos pagos por suas controladas e coligada domiciliadas no exterior e admitidas pela legislação. Mediante os dados apresentados, a fiscalização elaborou quadros com a demonstração de resultados de cada uma de suas controladas ou coligada com os lucros auferidos nos anoscalendário de 2005 e 2006: Petrobras Netherlads BV PNBV; Petrobras Internacional Braspetro BV PIBBV. E somente com os lucros auferidos no anocalendário de 2005: Compañia Mega S.A. Em seguida, apresentou quadro apurando o resultado da Petrobras oriundo de referidas empresas, consolidando os resultados indicados nas DRE’s das investidas, e seu reflexo na investidora, a Petrobras, à fl. 1881 dos autos, no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1873 a 1894): Fl. 2576DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.171 5 À fl. 1882, foi apresentado quadro ilustrativo dos créditos atribuíveis à Petrobras decorrentes de IR pago no exterior por suas empresas controladas e coligada. Nele, a coluna “IR pago Exterior Créditos PB” indica o valor do crédito de imposto de renda que poderia ser atribuído à Petrobras para fins de compensação, conforme previsão do art. 26 da Lei 9.249/95. O Termo de Verificação Fiscal, à fl. 1888, assinalou que o art. 74 da MP 2.15835/01 definiu da seguinte maneira o momento em que os lucros apurados por controladas ou coligadas no exterior seriam considerados disponibilizados em favor da controladora ou coligada no Brasil: “na data do balanço no qual tiverem sido apurados”. Contudo, nesse caso, afirmou ter ocorrido a perda do direito à compensação dos créditos com o imposto devido no Brasil por conta da inobservância do prazo sinalizado pelo art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97. Observou que as investidas Petrobras Netherlads BV PNBV, Petrobras Internacional Braspetro BV PIBBV e Compañia Mega S.A. não possuíam prejuízos acumulados compensáveis. Concluiu que são tributáveis no Brasil os lucros auferidos no exterior por meio da PIBBV e da PNBV, nos anoscalendário de 2006, e por meio da Mega S.A., no ano calendário de 2005. Registrou que não há óbice dos tratados firmados com a Holanda e com a Argentina para a tributação dos lucros em questão, pois a exigência recai sobre os lucros auferidos pela Petrobrás no exterior, por meio das controladas e coligada no exterior. Os montantes dos lucros do exterior não oferecidos à tributação foram de R$ 865.783.818, 32, no anocalendário de 2005, e de R$ 754.546.172,56, no anocalendário de 2006, convertidos em reais nas datas dos balanços de 31/12/05 e 31/12/06. O não oferecimento do lucro auferido no exterior à tributação no Brasil teria ocasionado também a ausência de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e CSL incidentes sobre a base de cálculo estimada para os meses de dezembro/2005 (IRPJ e CSL) e dezembro/2006 (CSL). Por essa razão, a autoridade fiscal promoveu a recomposição dos balancetes mensais de suspensão ou redução, conforme fl. 1892 do TVF, e disposições do art. 25 da Lei 9.249/95 e arts. 21 e 74 da MP 2.15835/01. Fl. 2577DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.172 6 Não houve aplicação de multa isolada para estimativa de IRPJ do mês de dezembro/2006, por ter a recorrente apurado saldo negativo de IRPJ no valor de R$ 336.805.243,64 que, ainda que tenha sido utilizado em Dcomp posterior, permitiu a absorção integral dos lucros oriundos do exterior adicionados à base de cálculo do imposto mensal na recomposição do balancete de suspensão ou redução do referido período. Em 28/4/2010, tomou ciência da lavratura dos autos de infração, que afirmaram a ausência, para determinação do lucro real, de adição ao lucro líquido do período dos lucros auferidos no exterior através de suas sociedades controladas e coligadas. Assim, foram exigidos o IRPJ e a CSL referentes aos anoscalendário de 2005 e 2006, a multa prevista pelo art. 44, I, da Lei 9.430/96, os juros moratórios e as multas pela falta de pagamento mensal por estimativa referentes a dezembro/2005 e dezembro/2006. Foi composto crédito tributário total equivalente, à época, a R$ 1.370.353.460,78, sendo R$ 874.423.260,22 correspondente ao IRPJ, R$ 314.792.373,67 à CSL e R$ 181.137.826,89 às multas isoladas referentes ao pagamento dos tributos por estimativa. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação em 2/6/2010, de fls. 1960 a 1998, em que aduz, em síntese, o que segue. Rebateu a utilização do art. 25, §§ 2º e 3º, da Lei 9.249/95, pela autoridade fiscal no tocante à adição do lucro auferido no exterior ao lucro líquido da empresa coligada ou controladora domiciliada no Brasil. Isso porque o referido dispositivo impõe que haja adição ainda que tais lucros tenham sido integralmente retidos e não distribuídos. Afirmou que, dessa forma, o imposto brasileiro atingiria renda não pertencente à sociedade brasileira, mas de titularidade jurídica de sociedades estrangeiras independentes. Independentemente de ter sido distribuído ou não, a adição direta do lucro auferido no exterior representaria concepção das sociedades estrangeiras como “sociedades fiscalmente transparentes”, de personalidade jurídica desconsiderada ex lege para efeitos fiscais. Assim, equivaleria a dizer que os lucros seriam automaticamente auferidos pelas sociedades brasileiras como se elas mesmas exercessem, diretamente, atividade no exterior. Nesse sentido, não haveria tributação dos dividendos eventualmente distribuídos, vez que já teriam sido incluídos no lucro, de forma que também já teriam sido tributados como se fosse lucro da própria sociedade domiciliada no Brasil. Ponderou a incompatibilidade do regime de tributação acima descrito com o art. 43 do CTN, reconhecida pelo fisco por meio da IN SRF 38/96, que foi editada com o fito de compatibilizar o regime dos artigos 25, 26 e 27, da Lei 9.249/95 à previsão do CTN. Assim, a tributação passou a incidir exclusivamente sobre o lucro disponibilizado, em forma de pagamento ou crédito. Posteriormente, a Lei Complementar 104/01 introduziu o § 2º do art. 43 do CTN, que dispôs que “na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei Fl. 2578DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.173 7 estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo." Nesse sentido, afirmou que o art. 74 da Medida Provisória 2.15835/01 apenas representou retorno ao regime anterior previsto pelo art. 25 da Lei 9.249/95, ao qual se remete expressamente, retomando a tributação automática do lucro apurado no exterior, independentemente de sua distribuição, criando uma aparência de compatibilidade com o art. 43 do CTN. Afirmou que o assunto foi a principal questão discutida na ADI 2.5881/DF, que permanece com julgamento em curso no STF, e possui três votos proferidos no sentido da inconstitucionalidade total do referido regime. Acerca da previsão do art. 74 da MP 2.15835/01, a fiscalização teria considerado o lucro das controladas e coligada no exterior apurados nos balanços como objeto da tributação, antes mesmo de serem descontados os impostos do país de domicílio. Em outras palavras, procurou tributar o lucro das controladas e coligada, e não o dividendo, considerando aquele disponibilizado à sociedade domiciliada no Brasil, por ficção legal. Lembra que, conforme a melhor doutrina, a tributação nos moldes do art. 74 da MP 2.15835/01 é tributação dos lucros das sociedades residentes no exterior compreendidos no art. 7º dos tratados firmados entre o Brasil e a Holanda e o Brasil e a Argentina. O referido artigo prevê, para tributação dos lucros de uma sociedade residente num Estado contratante, competência exclusiva desse Estado contratante – no caso, a Holanda e a Argentina. O mesmo art. 7º dos tratados prevê hipótese de ressalva, que se dá quando a pessoa jurídica residente em um país contratante, v.g., o Brasil, exerce diretamente atividade em território de outro país contratante, v.g., a Holanda, por meio de estabelecimento permanente. A existência do estabelecimento permanente em outro Estado contratante configura a única exceção à regra de que os lucros de uma pessoa jurídica só podem ser tributados no Estado contratante de sua residência. Exemplificou às fls. 1968 e 1969 as hipóteses cabíveis, tanto no caso da Holanda, quanto no caso da Argentina. Assim: Só a Holanda (competência exclusiva) pode tributar os lucros auferidos na Holanda pela controlada lá residente de controladora no Brasil; O Brasil não pode tributar os lucros auferidos na Holanda por tal controlada, pois só pode tributar lucros de estabelecimentos permanentes no exterior de pessoa jurídica residente no Brasil, e não de entidades com personalidade jurídica própria existentes no outro Estado contratante. Sendo assim, entendeu que a autoridade fiscalizadora se utilizou da palavra “disponibilização”, que é mera forma de linguagem, técnica morfológica de exprimir uma ficção legal. Para corroborar suas alegações citou jurisprudência da 1ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes, especificamente os Acórdãos nº 10195.802 e nº 10197.070. Fl. 2579DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.174 8 Assim, no Acórdão nº 10195.802, de 19/10/2009, reconheceuse que a partir da MP 2.158/01 a tributação deixou de incidir sobre lucros efetivamente disponibilizados (dividendos distribuídos), mas sobre os lucros apurados no balanço. Aqui, a expressão “serão considerados disponibilizados” passou a ter conotação de ficção legal. Tendo a expressão “pagos” sentido de “execução de obrigação”, é possível submeter os lucros disponibilizados antes da MP 2.158/01 às regras do art. 10 dos tratados, mas não aqueles disponibilizados a partir da vigência daquela MP. Também o Acórdão nº 10197.070 entendeu que na vigência das Leis 9.249/95 e 9.532/97 o fato gerador era representado pelo pagamento ou crédito e os dividendos é que eram tributados. E que, a partir da MP 2.158/01, a tributação deixou de depender de pagamento ou crédito (mesmo que presumidos), incidindo sobre os lucros apurados, e não mais sobre os dividendos. Acrescentou a recorrente que, especificamente no caso da Argentina, os lucros auferidos pela Compañia Mega também teriam tributação ilegítima no Brasil, ainda que se considerados regidos pelo art. X do Tratado BrasilArgentina, e não pelo art. VII. Isso porque o art. XXIII, § 2º, do referido tratado previu o método de isenção para as participações societárias mais relevantes, o que significa que todo dividendo de origem Argentina pago a uma sociedade residente no Brasil detentora de mais de 10% do capital da sociedade pagadora é sumariamente excluído de tributação no Brasil. Como se observa da fl. 6 do termo de verificação fiscal, a recorrente detinha 34% do capital da Compañia Mega, de forma que a tributação dos lucros dessa no Brasil seria sempre incabível. Afirmou que os lucros da Petrobras Netherlands BV, Petrobras International Braspetro BV e Compañia Mega S.A. também sofreram tributação de CSL, com fundamento no art. 21 da MP 2.15835/01. Entretanto, à CSL também seria aplicável a previsão do art. 7º dos tratados. Alegou, ainda, ter sido ilegal a recusa da compensação dos créditos de impostos pagos no exterior sob a regra prevista pelo art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97. O referido dispositivo tem por objetivo estimular que a distribuição dos lucros da controlada ou coligada estrangeira ao sócio do Brasil seja realizada num prazo razoavelmente curto: dois até dois anos após sua apuração. Tal regra deixa de fazer sentido num sistema em que a tributação não mais dependa de ato de distribuição dos lucros aos sócios, mas passe a, por ficção legal, considerar automaticamente disponibilizados os lucros. Não por menos, a IN SRF 213/02, que disciplinou o crédito do imposto pago no exterior em seus artigos 14 e 15, não fez nenhuma alusão ao limite temporal previsto no art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97. Nesse sentido, a única limitação para a utilização dos referidos créditos passou a ser de ordem qualitativa, tendo em vista que só é admitida a realização de compensação dos créditos com o imposto incidente no Brasil sobre os mesmo lucros. Precisamente pelo fato de essa compensação ter por finalidade eliminar a dupla tributação. Sendo assim, a não compensação dos impostos pagos no exterior pelas controladas e controladas da recorrente constituiu, a seu ver, grave ilegalidade. Ademais, Fl. 2580DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.175 9 durante, o curso da fiscalização, foram juntados aos autos documentos que comprovam os pagamentos dos referidos impostos na forma do art. 26 da Lei 9.249/95 e do art. 14 da IN 213/02 e que, se considerados, ensejariam o cancelamento das exigências. Alegou, ainda, ser matéria pacífica na jurisprudência administrativa o não cabimento da exigência cumulativa de multa isolada com a multa de lançamento de ofício por caracterizar dupla penalização. Para corroborar sua alegação, colacionou as ementas dos Acórdãos nºs 101132.980, 10809802, 10517066 e 10809552. Por todo o exposto, requereu o cancelamento integral das exigências de IRPJ e CSL sobre os lucros de suas controladas PNBV, PIBBV, residentes na Holanda, e Compañia Mega, residente na Argentina, tendo em vista o art. 7º do Tratado BrasilHolanda e do Tratado BrasilArgentina. Alternativamente, requereu o igual cancelamento das exigências de IRPJ e CSL formalizadas sobre os lucros da Compañia Mega em virtude da obrigação assumida pelo Brasil de isentar de tributação os dividendos provenientes de sociedades argentinas participadas em mais de 10%. Requereu, ainda, sejam deduzidos do lançamento os valores correspondentes aos impostos pagos pelas sociedade PIBBV, PNBV e Compañia Mega. E, por fim, requereu o cancelamento da exigência de multa isolada em razão do não pagamento das estimativas de IRPJ e CSL nos meses de dezembro/2005 e dezembro/2006 diante da impossibilidade de sua exigência cumulativa com a multa de lançamento de ofício. DA DECISÃO DA DRJ Em 5/8/2010, acordaram os julgadores da 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, por unanimidade de votos, negar integralmente procedência à impugnação, com base nos fundamentos que seguem. Afirmou, primeiramente, que a jurisprudência não possui força vinculante, de forma que as autoridades administrativas não têm suas atividades atreladas à orientação firmada em jurisprudência, quer administrativa, quer judicial, conhecendo e decidindo somente sobre a conformidade do ato à lei. Acerca da tributação de lucros auferidos no exterior, asseverou que, após a edição da MP 2.158/01, passaram a ser tributáveis na data do balanço levantado pela controlada, desde que não tivesse havido antecipação da disponibilização (art. 74, parágrafo único). E, ainda, que o que se busca é a correta repercussão da situação patrimonial das controladas no exterior no patrimônio da controladora brasileira, bem como o respectivo oferecimento à tributação dos lucros disponibilizados. Em seguida, mencionou que a referida medida provisória está com sua constitucionalidade sendo questionada e julgada pelo Supremo Tribunal Federal. De forma que, até a conclusão desse julgamento, permanece em vigor a regra que determina que os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior devem ser considerados Fl. 2581DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.176 10 disponibilizados para a controladora ou coligada domiciliada no Brasil na data do balanço no qual tenham sido apurados. Em seguida, atentou para a questão da incompetência da autoridade administrativa para examinar a constitucionalidade ou legalidade de leis inseridas no ordenamento jurídico nacional, conforme previsão do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Afirmou, ainda, que o que é vedado pelos Tratados BrasilHolanda e Brasil Argentina é a tributação do lucro na origem, contudo, os referidos tratados não impedem a tributação quando distribuídos ou postos à disposição dos sócios ou acionistas, ainda que estes sejam residentes em outro Estado (tributação do lucro no destino). Sobre a recusa da compensação questionada pela recorrente, afirmou que, conforme previsto pelo art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97, foi correto o entendimento da fiscalização sobre a preclusão do direito de eventual utilização dos impostos pagos no exterior para compensação do valor considerado disponibilizado. Assim, foi mantido o lançamento do item acima descrito por não ter a recorrente apresentado elemento de prova capaz de elidilo. Fundamentou a exigência de multa isolada, prevista pelo art. 44, II, “b”, da Lei 9.430/96, com a afirmativa de que as pessoas jurídicas optantes pelo regime de tributação do lucro real devem pagar mensalmente o IRPJ e a CSL em forma de estimativa. Dessa maneira, foi mantido o lançamento também neste item por não ter a recorrente apresentado elemento de prova capaz de elidilo. Tendo o lançamento da CSL sido decorrente da mesma base de cálculo apurado no lançamento do IRPJ, deve ser aplicado ao lançamento conexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e efeito que os vincula. Como o lançamento de IRPJ foi considerado procedente, o lançamento conexo, de CSL, também é. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 2052 a 2103, em 13/9/2010, alegando, em síntese, o que aduzido em sede de impugnação e acrescentando o que segue. Apresentou preliminar de nulidade do acórdão recorrido sob alegação de preterição de seu direito de defesa, com base nos arts. 31 e 59, II, do Decreto 70.235/72. Nesse sentido, apresentou acórdãos proferidos pela CSRF e diversas câmaras do CARF e, em seguida, enumerou todas as razões de defesa por ela apresentadas e que não foram apreciadas no acórdão recorrido. Requereu, assim, a decretação da nulidade do acórdão nº 1232.496 da 1ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro I, para que outra decisão seja proferida em seu lugar com a apreciação das razões de defesa expostas na impugnação de fls. 1960 a 1998. Fl. 2582DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.177 11 DA RESOLUÇÃO DO CARF Em sessão do dia 4/12/2012, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante a Resolução nº 1103000.078, por maioria de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, por unanimidade, sobrestar o julgamento, nos termos da Portaria CARF 1/2012, conforme entendimento abaixo sintetizado. Primeiramente, rejeitouse a preliminar de nulidade do acórdão a quo, a qual possui como fundamento a falta de análise de algumas questões apresentadas pela recorrente em sua impugnação. Com relação à inaplicabilidade ou não ao caso em questão do artigo 7º dos Tratados BrasilHolanda e BrasilArgentina, afirmou que essa questão não foi analisada de como deveria pelo acórdão recorrido, mas que a máxima economia da ratio decidendi não chega a configurar um error in procedendo. Consignou que apesar de a fiscalização não ter afastado os argumentos apresentados pela recorrente no que tange a incompatibilidade da exigência cumulativa de multa isolada com multa proporcional, isso não indica que ela não apreciou tal matéria. Isso porque, por se tratar de quaestio juris, não há a necessidade de serem combatidos expressamente os argumentos jurídicos deduzidos pela recorrente. Sobre a consecução da decadência para o tax credit, aduziu que essa questão não foi analisada como mereceria pelo acórdão a quo. A economia da fundamentação se coloca no limite, porém não chega a verter um error in procedendo, podendo eventualmente caracterizar um error in judicando. Nesse sentido, apontou que o acórdão recorrido se manifestou de maneira implícita acerca da matéria retromencionada, de acordo com trecho da resolução do CARF, de fls. 2.157 (eprocesso), infratranscrito: “O que disse o acórdão a quo, implicitamente, foi que, como o oferecimento à tributação dos lucros no exterior da Petrobras Netherlands B.V. (PNBV), da Petrobras Internacional Braspetro B.V. (PIBBV) e da Cia. Mega, dos anos de 2005 e 2006, deuse somente com o lançamento de ofício em 2010, houve a consecução da decadência do tax credit, conforme o art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97. Isso, apesar de o lançamento ter adicionado ao lucro líquido, de ofício, os lucros no exterior de 2005 e 2006, das referidas entidades, pelo “regime de competência”, e, portanto, tributandoos dentro do prazo decadencial do art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97.” Com relação à aplicabilidade e em que termos do artigo 23, § 2º, do Tratado BrasilArgentina aos lucros auferidos em 2005 pela Cia. Mega, acentuou que o acórdão a quo não analisou essa matéria. Nesse sentido, registrou que a análise dessa matéria não foi feita, pois tratase de questão prejudicada e superada, devido ao entendimento de que devese tributar os lucros auferidos no exterior por meio de controladas e coligadas. Fl. 2583DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.178 12 Apontou que durante as sustentações orais, o Procurador da Fazenda Nacional requereu o sobrestamento do feito, nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, devido ao reconhecimento de repercussão geral no RE nº 611.586. Aduziu que no julgamento do RE nº 574.975, pelo STF, o Ministro Ricardo Lewandowski determinou a devolução dos autos referentes a esse feito ao tribunal de origem, a fim de que ocorra o sobrestamento do feito, nos termos do art. 543B do CPC, cumprindo, desse modo, o que determina o artigo 1º da Portaria CARF 1/12. Consignou que devese aplicar ao presente caso o artigo 62A do Regimento Interno do CARF, pois a questão de aplicabilidade, ou não, das normas de bloqueio dos Tratados BrasilHolanda e BrasilArgentina passa pela questão da constitucionalidade da norma de transparência fiscal prevista pelo artigo 74 da MP 2.158/01. Por fim, afirmou que está caracterizada, no presente processo, a hipótese para sobrestamento do julgamento do presente feito. DO DESPACHO DE RETORNO AOS AUTOS Tratase de despacho expedido em 24/2/2014 que determina a reinclusão do presente processo, o qual foi sobrestado, na pauta para julgamento. Consignou que a inclusão na pauta para julgamento de processos que tratam de matérias que estão em repercussão geral sem trânsito em julgado no STF, de acordo com o rito do artigo 543B do CPC, derivou do fato de a Portaria MF 545/2013 ter revogado o §§ 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II da Portaria MF 256/2009, o qual aprova o Regimento Interno Do CARF. Determinou o retorno do presente processo para o CARF, de modo a prosseguir o julgamento, em consonância com o Decreto 70.235/72. É o relatório. Fl. 2584DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.179 13 Voto Vencido Conselheiro Marcos Shigueo Takata Como se viu do relatório, durante as sustentações orais, na sessão de 4/12/12, o douto Procurador da Fazenda Nacional requereu o sobrestamento do feito, nos termos do art. 62A, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Isso, em face do reconhecimento da repercussão geral, publicado em 2/5/2012, no RE nº 611.586, de relatoria do Ministro Joaquim Barbosa, em que se discutiu a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória (MP) 2.158/01. Na ocasião, esta Turma entendeu ser o caso de se aplicar o art. 62A, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, porquanto a questão da aplicabilidade ou não das normas de bloqueio dos Tratados BrasilHolanda e BrasilArgentina, envolvidos na lide, passa pela questão da constitucionalidade da norma de transparência fiscal adotada pelo art. 74 da MP 2.158/01. Assim, houve o sobrestamento do feito, por meio da Resolução nº 1103 000.078, da sessão de 4/12/12. O citado RE nº 611.586PR foi pautado, assim como o RE nº 541.090SC, este sem repercussão geral, para julgamento em conjunto com o da finalização do julgamento da ADI nº 2.588DF. Na sessão de 10/4/13, o Pleno do Supremo Tribunal Federal julgou o RE nº 611.586PR, negandose provimento ao recurso, por maioria de votos, vencido o Ministro Marco Aurélio de Mello. O juízo extraído nesse julgamento foi o que já se dera na finalização do julgamento da ADI nº 2.588DF, no qual se reconheceu a constitucionalidade do art. 74 da Medida Provisória 2.158/01 para os lucros de controladas situadas em “paraíso fiscal”. Anotase que na ADI nº 2.588DF o efetivo juízo sobre a constitucionalidade ou não do art. 74 da Medida Provisória 2.158/01 se reservou a: a) coligadas não situadas em “paraíso fiscal”, em relação aos lucros das quais foi reconhecida a inconstitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01 (votação por 6 a 4); b) controladas situadas em “paraíso fiscal”, em relação aos lucros das quais foi reconhecida a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01 (votação por 6 a 4); c) lucros de controladas e coligadas apurados até 31/12/01, em relação aos quais foi reconhecida a inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 74 da MP 2.158/01 (igualmente por 6 a 4). Fl. 2585DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.180 14 Nas hipóteses de lucros de coligadas em “paraíso fiscal” e de lucros de controladas fora de “paraíso fiscal”, não se atingiu o juízo efetivo no julgamento da referida ADI, porquanto não se colheu a votação mínima de 6 votos, num sentido ou noutro. Como se disse, o resultado do julgamento do RE nº 611.586PR, sob repercussão geral, está contido no do julgamento da ADI nº 2.588DF. Registrase, também, que o julgamento do RE nº 541.090SC, com relatoria designada ao Ministro Teori Zavascki, concluído igualmente em 10/4/13, deuse provimento parcial ao recurso, para reconheceu a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01 quanto a lucros de controlada fora de “paraíso fiscal”, vencidos os Ministros Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio de Mello e Celso de Mello. O placar foi de 5 a 4, com impedimento do Ministro Luiz Fux. Conforme dito, o julgamento desse RE não se deu sob repercussão geral. No que toca ao RE nº 611.586PR, sob repercussão geral, em consulta ao site do STF, consta como último andamento a publicação da ata de julgamento no DJe em 19/4/13. Não se tem notícia quanto a trânsito em julgado. Ainda que o RE em questão não tenha seu julgamento transitado em julgado, houve a revogação dos §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, pela Portaria MF 545, de 18/11/13 (DOU de 20/11/13). Ou seja, a revogação dos dispositivos que previam o sobrestamento do julgamento do recurso. Diante dessa revogação, os autos do feito retornaram a este relator, para julgamento do recurso. Em que pese ter apreciado a preliminar de nulidade do acórdão recorrido na Resolução nº 1103000.0078, reitero seu exame no presente voto. Articula a recorrente preliminar de nulidade do acórdão recorrido, por não ter enfrentado todas as questões deduzidas na peça impugnatória. Nesses termos, segundo a recorrente, o acórdão a quo não apreciou a questão da aplicabilidade do art. 7º do Tratado BrasilHolanda e do art. 7º do Tratado BrasilArgentina, na pretensão fiscal sobre os lucros das controladas Petrobras Netherlands B.V. (PNBV), Petrobras Internacional Braspetro B.V. (PIBBV), ambas residentes na Holanda, e sobre os lucros da então coligada Compañia Mega S.A. (Cia. Mega), residente na Argentina. Também, não teria sido enfrentada a questão da aplicação do art. 23, § 2º, do Tratado BrasilArgentina, caso fosse superada a questão da incidência do art. 7º desse tratado. O preceito daquele artigo prevê a isenção no Brasil dos dividendos pagos por sociedade residente na Argentina a sociedade residente no Brasil que possua mai de 10% do capital daquela. Ainda, carentes de apreciação pelo acórdão de origem a questão da aplicabilidade dos referidos tratados à CSL, bem como as razões de fato e de direito da inaplicabilidade do prazo decadencial para o tax credit, previsto no art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97, por incompatibilidade lógica com o art. 74 da MP 2.158/01. Fl. 2586DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.181 15 Mais. Alega a recorrente que não houve enfrentamento das razões da incompatibilidade da exigência cumulativa de multa isolada com a multa proporcional. Sobre a questão da aplicabilidade ou não do art. 7º dos Tratados Brasil Holanda e BrasilArgentina, reconheço que a ratio decidendi não foi vazada como deveria. Transcrevo os seguintes excertos do voto do relator (fl. 2048; fl. 7 do acórdão): Houve a tributação de lucros auferidos no exterior (e não de dividendos), através de controladas e coligadas domiciliadas no exterior. O lançamento teve por base legal o art. 74 da MP nº 2.15835/2001, em pleno vigor. As sociedades controlada e controladora devem ser tratadas como entidades independentes. O que os tratados referidos pelo interessado vedam é a tributação do lucro na origem, mas não impedem a tributação quando forem distribuídos ou postos à disposição dos sócios ou acionistas, ainda que estes sejam residentes em outro Estado (tributação do lucro no destino). (grifamos) Como disse, conquanto a ratio decidendi não tenha sido deduzida como deveria ter sido, sua máxima economia não chega a aperfeiçoar error in procedendo, no caso, carência de exame da questão. É como entendo. No que concerne à questão da multa isolada, não acuso a ausência de apreciação da questão. Há fundamento deduzido para manutenção da multa, ainda que os argumentos deduzidos pela recorrente não tenham sido expressamente afastados. Tratase de quaestio juris, cuja apreciação não implica enfrentamento expresso dos argumentos jurídicos deduzidos pela recorrente. Quanto à consecução da decadência para o tax credit, uma vez mais reconheço que o acórdão recorrido não deduziu sua ratio decidendi como mereceria. A economia dessa, no caso, se põe no limite do que se pode colocar como fundamentação do decisório. O que disse o acórdão a quo, implicitamente, foi que, como o oferecimento à tributação dos lucros no exterior da Petrobras Netherlands B.V. (PNBV), da Petrobras Internacional Braspetro B.V. (PIBBV) e da Cia. Mega, dos anos de 2005 e 2006, deuse somente com o lançamento de ofício em 2010, houve a consecução da decadência do tax credit, conforme o art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97. Isso, apesar de o lançamento ter adicionado ao lucro líquido, de ofício, os lucros no exterior de 2005 e 2006, das referidas entidades, pelo “regime de competência”, e, portanto, tributandoos dentro do prazo decadencial do art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97. Como disse, a economia da fundamentação do decidido se coloca no limite, a meu ver, de modo que pode haver error in judicando, mas não se ultimou um error in procedendo. Sobre a questão da aplicabilidade e em que termos do art. 23, § 2º, do Tratado BrasilArgentina, quanto aos lucros da Cia. Mega auferidos em 2005, superada a aplicação do art. 7º do referido tratado, observo o seguinte. Fl. 2587DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.182 16 O acórdão de origem deixou de apreciar essa questão por se encontrar prejudicada, em face de seu entendimento de que se tributam lucros auferidos no exterior, por meio de controladas e coligadas, pela pessoa jurídica no Brasil. Ou seja, tevea por superada. Em tais termos, rejeito a preliminar de nulidade do acórdão a quo. Passo, assim, ao exame do mérito. Como se sabe, o regime de tributação das Controlled Foreign Corporations, conhecidas como CFC, impõe a transparência fiscal de uma entidade residente no exterior de país, em relação a seus sócios ou acionistas residentes desse país, como se aquela entidade no exterior inexistisse, de modo que os lucros auferidos pela entidade no exterior são tributados diretamente na pessoa de seus sócios ou acionistas. Ou seja, os lucros da entidade residente no exterior são tratados como se houvessem sido auferidos diretamente por seus sócios ou acionistas, sendo considerada transparente a entidade no exterior. É pressuposto de uma CFC que ela configure, sob a legislação tributária do país de residência da adoção do regime (de CFC), uma entidade independente. Não sendo ela um ente autônomo, ou não sendo ela considerada ente autônomo, distinto de seus sócios ou acionistas, não se está diante de uma CFC. Até porque, do contrário, é totalmente desnecessária uma legislação que imponha um regime de CFC. Em regra, no regime de tributação de CFC (regime de CFC), a transparência fiscal da pessoa jurídica residente no exterior (entidade transparente ou passthroug entity) é estabelecida pelas legislações desde que se concretizem certos requisitos. Tais são: haver controle sobre a sociedade residente no exterior do país pelos sócios ou acionistas residentes no país; a sociedade ser residente em jurisdição de tributação favorecida (critério ou abordagem jurisdicional); e/ou os lucros da sociedade no exterior ser formado por rendimentos passivos, como royalties, alugueis, dividendos, ganhos de capital, etc. (critério ou abordagem transacional). Em geral, as legislações adotam uma combinação dos métodos jurisdicional e transacional, com diferenças de grau quanto aos requisitos do método jurisdicional e do transacional. Disse, em regra, o regime de CFC (Controlled Foreign Corporations) é caracterizado pela presença de certos requisitos, acima relacionados. É o que se dá na esmagadora maioria das legislações que impõem o regime de CFC. Hipótese isolada há, porém, em que o regime é adotado mesmo sem previsão de tais requisitos. É caso do Brasil. E, anteriormente, a Nova Zelândia – ao que sabemos, esse país passou a adotar recentemente o regime de CFC condicionado aos requisitos supradescritos. O Brasil adota um regime de CFC? A resposta é afirmativa, a meu ver. Fl. 2588DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.183 17 Mas, um regime de CFC nos moldes da lei brasileira tem função diversa ao regime de CFC que se põe em regra, e irradia eventuais efeitos diversos em relação a tratados. Ou seja, a função e eventuais efeitos perante tratados são diversos diante de um regime de CFC imposto que não se limite a sociedades investidas residentes em jurisdição de baixa tributação e/ou cujos lucros não sejam compostos por rendimentos passivos, e mesmo que não haja controle de tais sociedades por parte dos sócios ou acionistas residentes no país que adota tal regime. Em regra, o regime de CFC tem função antielisiva ou antielusiva, ou de correção de “abusos”. I.e., o regime de CFC imposto sob os requisitos já descritos (métodos jurisdicional e transacional, variáveis por país) tem função antielisiva ou de evitamento de “abusos”. Evitase que sejam usadas sociedades interpostas em jurisdições de tributação favorecida e/ou no auferimento de rendas passivas, como meio de se furtar ou mesmo de diferimento da tributação. É para essa função antielisiva ou de correção de “abusos” que a legislação de um país considera os lucros auferidos por sociedade controlada residente no exterior, em jurisdição de baixa tributação e/ou que realiza proponderantemente rendimentos passivos, como lucros auferidos diretamente pelos sócios ou acionistas daquelas sociedades, tornandoas transparentes. Aí há uma finalidade antielisiva ou antielusiva. Isso não ocorre no regime de CFC adotado pelo Brasil, para o qual não se exige que a sociedade seja residente em país de tributação favorecida, nem que seus lucros sejam representativos majoritariamente por rendimentos passivos, nem que o controle da sociedade residente no exterior seja dos sócios ou acionistas residentes no País. Ou seja, o regime de CFC incorporado no País, com sua amplitude, não possui função antielisiva ou de correção de “abusos”. Pois bem. Disse acima que o Brasil incorpora um regime de CFC – ainda que diverso do da maioria dos países, como um regramento “geral”, sem função antielisiva ou antielusiva. Eis a dicção do art. 74 da Medida Provisória 2.158/01: Art.74. Para fim de determinação da base de cálculo do imposto de renda e da CSLL, nos termos do art. 25 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e do art. 21 desta Medida Provisória, os lucros auferidos por controlada ou coligada no exterior serão considerados disponibilizados para a controladora ou coligada no Brasil na data do balanço no qual tiverem sido apurados, na forma do regulamento. Parágrafo único. Os lucros apurados por controlada ou coligada no exterior até 31 de dezembro de 2001 serão considerados disponibilizados em 31 de dezembro de 2002, salvo se ocorrida, antes desta data, qualquer das hipóteses de disponibilização previstas na legislação em vigor. O objeto da tributação são os lucros da investida no exterior que são considerados como auferidos diretamente pela investidora no Brasil. Fl. 2589DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.184 18 Ou se pode dizer que a tributação recai sobre dividendos fictos? Noutras palavras, o legislador criou uma hipótese de distribuição ficta de dividendos? Pressuposto da apreciação das questões é a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01. Já se viu que, no julgamento da ADI nº 2.588DF, fixouse definitivamente o entendimento de que o art. 74 da MP 2.158/01 é constitucional em relação a lucros de controladas domiciliadas em “paraíso fiscal”, e inconstitucional quanto a lucros de coligadas não domiciliadas em “paraíso fiscal”. O julgamento da ADI nº 2.588DF teve seu trânsito em julgado em 17/2/14, segundo informação obtida no site do STF. Por conseguinte, resulta afastada a exigência de IRPJ e de CSL sobre os lucros auferidos pela Compañia Mega, domiciliada na Argentina, porquanto se trata de investida coligada da recorrente fora de “paraíso fiscal”. A participação da recorrente na Compañia Mega é de 34% em seu capital (a YPF S.A. detém 38% de seu capital). Não houve a interpretação com essa carga de definitividade em relação a lucros de controladas não domiciliadas em “paraíso fiscal”, nem para com lucros de coligadas domiciliadas em “paraíso fiscal”. Estamos diante de lucros de controladas não domiciliadas em “paraíso fiscal”. Como se sabe, a este órgão é defeso se manifestar sobre constitucionalidade de norma legal, conforme Súmula CARF nº 21 e o art. 26A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09. Nesse passo, vem à lume a questão da aplicabilidade do art. 10 ou do art. 7º dos tratados, os quais versam, respectivamente, sobre a competência impositiva dos Estados contratantes: quanto a dividendos pagos e recebidos (art. 10 dos tratados); quanto a lucros de entidade autônoma e independente (art. 7º dos tratados). No caso, tratase da questão da aplicabilidade do art. 10 ou do art. 7º dos tratados celebrados com a Holanda e com a Argentina, que seguem o modelo OCDE. A redação do art. 74 da MP 2.158/01 pode dar a impressão de que se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. Mas, podem ser tributados dividendos fictos? Antes de falar sobre dividendos fictamente distribuídos, trato do argumento de que o suporte fático eleito pela norma legal não são os dividendos, pois o que se tributa são os lucros antes de descontado o tributo pago no país de origem. E, por óbvio, só se cogita de dividendos após todas as despesas incorridas, nas quais se inclui o tributo pago sobre os lucros no país de origem. O que a sociedade delibera distribuir aos sócios ou acionistas, como dividendos, só pode ser o resultado líquido do tributo pago sobre o lucro. Essa dimensão do pressuposto fático de incidência tributária é prevista textualmente no art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF 213/02: § 7º. Os lucros, rendimentos e ganhos de capital de que trata este artigo a serem computados na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL, serão considerados pelos seus valores antes de descontado o tributo pago no país de origem. 1 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2590DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.185 19 O argumento não me impressiona, se interpretado o art. 1º, § 7º, da Instrução Normativa SRF 213/02 em seus devidos termos. Dividendos são distribuição de lucros apurados pela sociedade a seus sócios ou acionistas. E só há lucros distribuíveis após a despesa com pagamento de tributo sobre o lucro. Entretanto, o mesmo argumento caberia para tributação de lucros da sociedade controlada ou coligada no exterior. Lucros da sociedade são o resultado líquido de um período, após a despesa incorrida com tributo: só se pode falar de lucros, ainda mais lucros distribuíveis, após a despesa incorrida com tributo pago sobre o lucro; afinal o objeto da tributação, se não forem dividendos, é o lucro líquido auferido pela controlada ou coligada no exterior. A meu ver, o que o art. 1º, § 7º, da IN 213/02 fez, ao interpretar o comando legal, foi o seguinte. A norma legal confere o tax credit correspondente ao tributo pago no exterior, com a instituição da tributação em bases universais para a pessoa jurídica. Ao se ver sistematicamente o objeto da tributação, em bases universais, o valor do tributo pago no exterior não é despesa, mas ativo da controladora ou da coligadaparticipante no Brasil – afinal, referido valor é compensável no País – ou melhor, desde que e no limite do que seja compensável no País. Logo, como a lei confere o tax credit relativo ao tributo pago no país de origem, o legislador infralegal, ao falar que os lucros do exterior da controlada ou coligada serão considerados antes de descontado o tributo pago no país de origem, simplesmente utilizou a expressão como técnica tributária de se reconhecer que tal valor não deve reduzir a base tributável, por ser um ativo. E a leitura que faço do art. 1º, § 7º, da IN SRF 213/02 é a de considerar os lucros antes de descontado o tributo pago no país de origem, no limite do compensável no País. Nesse passo, e nos termos acima expostos, cuidase de técnica tributária que não desborda o limite legal. I.e., versase técnica de aplicação e, assim, de interpretação das normas legais, desde que (o antes de descontado) nos limites do imposto que seja compensável no País. Não se está, com isso, a tributar algo por ficção ou mesmo por presunção, ou precisamente: não se está definindo materialidade ou seu aspecto temporal por ficção, ou mesmo por presunção. É como entendo. Daí ter dito que o argumento não impressiona, interpretado o preceito em comentário em seus devidos termos. Como disse, a redação do art. 74 da MP 2.158/01 pode dar a impressão de que se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. Retomo, pois, a questão que considero fundamental: podem ser tributados dividendos fictos? A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 recai sobre dividendos fictos? Fl. 2591DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.186 20 É sabido que não se pode empregar ficção legal para alcançar materialidade ou se antecipar seu aspecto temporal quando a Constituição Federal usa essa materialidade na definição de competência tributária dos entes políticos. Nesse sentido, o art. 110 do CTN2 seria inclusive despiciendo, assumindo feição didática. Também, por óbvio que o CTN não pode dar “carta branca” ao legislador ordinário, para, dessa forma, voltear a materialidade, inclusive em seu aspecto temporal, empregada pela Constituição Federal para outorga de competência tributária. Não é a isso que se presta o § 2º do art. 43 do CTN. E também não é diferente o que se passa em relação ao § 1º do art. 43 do CTN. Não é a lei ordinária que, a bel prazer, e a seu exclusivo talante, irá determinar como e quando se dá a disponibilidade econômica ou jurídica da renda, da receita ou do rendimento. Além disso, é regra hermenêutica elementar que o parágrafo de um artigo se subordina à cabeça (caput) dele. Sublinhese, ainda que seja evidente: o pressuposto adotado é a constitucionalidade do § 2º do art. 43 do CTN. Mais. Vejase o que dispõe o art. 10 do Tratado BrasilHolanda, incorporado ao direito doméstico pelo Decreto 331/92, que, na essência, é igual ao art. 10 do Tratado Brasil Argentina (há uma variação no § 5º do art. 10, a qual não afeta a questão em dissídio): ARTIGO 10 Dividendos 1. Os dividendos pagos por uma sociedade residente em um Estado Contratante a um residente no outro Estado Contratante podem ser tributados nesse outro Estado. 2. Todavia, esses dividendos podem também ser tributados no Estado Contratante onde reside a sociedade que os paga, e nos termos da lei desse Estado; mas, se a pessoa que os receber for o beneficiário efetivo dos dividendos, o imposto assim incidente não poderá exceder 15% (quinze por cento) do montante bruto dos dividendos. O disposto neste parágrafo não prejudica a tributação da sociedade, no que diz respeito aos lucros dos quais se originaram os dividendos pagos. 3. O termo "dividendos", empregado no presente artigo, designa os rendimentos provenientes de ações ou direitos de 2 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Fl. 2592DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.187 21 fruição; ações de empresas mineradoras; partes de fundador ou outros direitos de participação em lucros, com exceção de créditos, bem como rendimentos de outras participações de capital assemelhados aos rendimentos de ações pela legislação tributária do Estado em que reside a sociedade que realiza a distribuição. 4. Não se aplica o disposto nos parágrafos 1 e 2 se o beneficiário dos dividendos, residente em um Estado Contratante, realiza negócios no outro Estado Contratante em que reside a sociedade que paga os dividendos, por intermédio de estabelecimento permanente ali situado, e se a participação, em virtude da qual os dividendos são pagos, se relaciona efetivamente ao estabelecimento permanente. Nesse caso aplicase o disposto no Artigo 7. 5. Quando um residente em um Estado Contratante tiver um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante, este estabelecimento permanente pode estar, ali, sujeito a imposto retido na fonte, nos termos da legislação daquele Estado. Todavia, tal imposto não excederá 15% (quinze por cento) do montante bruto dos lucros do estabelecimento permanente, apurado após o pagamento do imposto de renda de sociedades, incidente sobre aqueles lucros. 6. Quando uma sociedade residente em um Estado Contratante recebe lucros ou rendimentos do outro Estado Contratante, esse outro Estado Contratante não poderá cobrar qualquer imposto sobre os dividendos pagos pela sociedade, exceto se tais dividendos forem pagos a residente desse outro Estado, ou se a participação em virtude da qual os dividendos são pagos, relacionarse efetivamente a um estabelecimento permanente situado nesse outro Estado; nem poderá sujeitar os lucros não distribuídos da sociedade a imposto sobre lucros não distribuídos, ainda que os dividendos pagos ou os lucros não distribuídos consistam, no total ou parcialmente, de lucros ou rendimentos provenientes desse outro Estado. 7. As limitações de alíquota do imposto previstas nos parágrafos 2 e 5 não se aplicam aos dividendos ou lucros pagos antes do final do primeiro ano calendário seguinte ao ano de assinatura desta Convenção. É muito claro que o dispositivo convencional trata dos dividendos pagos, ao versar sobre a competência tributária cumulativa dos Estados contratantes sobre a materialidade em questão. O problema da qualificação de dividendos é resolvido pelo próprio art. 10 do Tratado BrasilHolanda (e do art. 10 do Tratado BrasilArgentina), em seu § 3º. Ainda, o referido § 3º do art. 10 do tratado não permite que se considerem como dividendos os distribuídos fictamente. E também remete ao Estadofonte, i.e., ao Estado contratante em que reside a sociedade distribuidora dos dividendos, a qualificação residual de dividendos, mas coloca Fl. 2593DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.188 22 como um dos limites: a distribuição efetiva. É expressa nesse sentido a parte final do § 3º do art. 10 do tratado em questão. Interditase, pois, inserir na moldura de dividendos os fictos ou os distribuídos fictamente. Ainda, registrese que o § 6º do art. 10 do tratado prevê – tal como no Modelo OCDE – cláusula de salvaguarda. Impedese que um Estado contratante pretenda tributar indiretamente como dividendos ou até mesmo como lucros não distribuídos (o que é diferente de dividendos) certos valores correspondentes a lucros ou rendimentos. Os lucros e rendimentos de uma sociedade residente no Estado contratante “X” são realizados no Estado contratante “Y”. Se aquela sociedade residente no Estado “X” pagar dividendos a quem não seja residente no Estado “Y”, mesmo que os dividendos pagos sejam originários de lucros ou rendimentos realizados no Estado “Y”, tais dividendos não poderão ser tributados nesse Estado “Y”. O mesmo vale para lucros não distribuídos. Vedase uma tributação extraterritorial em tais moldes. Ao fazer esse registro, quero dizer que o tratado não dá margem a permitir que o art. 10 seja aplicado a dividendos fictos ou distribuídos fictamente. Todo o art. 10 do tratado em comentário cuida de dividendos pagos, ao delinear a competência tributária cumulativa do Estado contratante em que reside o sócio ou o acionista, com a do Estado contratante em que reside a sociedade que distribui (paga) os dividendos. Como o pressuposto é a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01, só posso concluir que o regime de transparência fiscal adotado não tem como materialidade os dividendos, pois, como se viu, não há como se tributarem dividendos fictos ou dividendos distribuídos fictamente. Adiante esclareço a materialidade do art. 74 da MP 2.158/014. A técnica de tributação não pode ser manejada ou manipulada para alcançar materialidade ou seu aspecto temporal por ficção legal, nos termos deduzidos alhures. Por outro lado, seja como corolário do que se deduziu, seja pela interpretação e aplicação direta do art. 10 dos tratados em jogo, fica evidenciado claramente o seguinte: o art. 10 do Tratado BrasilHolanda e o art. 10 do Tratado BrasilArgentina são inaplicáveis sobre o suporte fático em dissídio. Não vejo como se possa dar interpretação diversa. Essas são as duas primeiras exegeses extraíveis. Tais exegeses funcionam como fundamentos para a conclusão da inaplicabilidade do art. 10 dos tratados em debate sobre a materialidade em dissídio. Reiteroas. Pelo art. 74 da MP 2.158/01 não se tributam dividendos fictos ou dividendos fictamente distribuídos. Fl. 2594DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.189 23 O art. 10 dos tratados em discussão, ao estabelecer a competência cumulativa dos Estados contratantes, não alcança os lucros auferidos e não distribuídos por controlada e coligada domiciliadas num dos Estados contratantes: ele delimita a competência cumulativa dos Estados contratantes, para a tributação dos dividendos efetivamente distribuídos. Prossigo. Como acentuei alhures, o regime de CFC (Controlled Foreign Corporations) adotado pelo Brasil não tem função antielisiva. É um regime de transparência fiscal distinto do incorporado pela quase totalidade dos países que o agasalham. A transparência fiscal instituída pelo art. 74 da MP 2.158/01 c/c o art. 25 da Lei 9.249/95 é o de considerar os lucros apurados por qualquer controlada ou coligada no exterior como auferidos diretamente pela controladora ou coligadaparticipante no Brasil. Logo, o regime de CFC do Brasil, aperfeiçoado pelo art. 74 da MP 2.158/01, é o da tributação dos lucros auferidos no exterior pela pessoa jurídica no País, por meio ou por intermédio de suas controladas ou coligadas no exterior. Por outras palavras, sem rodeios: a tributação do art. 74 da MP 2.158/01 recai sobre os lucros da investida no exterior que são considerados como auferidos diretamente pela investidora no Brasil. A consolidação dos balanços de entes juridicamente independentes (inicialmente, controladora e controladas) se deu por ideia dos anglosaxões – desconexão com o princípio da separação patrimonial que caracteriza a personalidade jurídica distinta de cada entidade. Posteriormente, desenvolveuse essa ideia em relação às coligadas, mas de forma a não se inserirem nas demonstrações consolidadas do grupo societário os ativos, os passivos, as receitas e as despesas dos entes coligados, e sim a parcela proporcional à participação da coligadaparticipante no patrimônio líquido delas. Isso inclui justamente a parcela proporcional da investidora nos resultados líquidos das coligadas (pois seus resultados estão contidos no patrimônio líquido delas, fazendo parte de sua variação – observase que essa variação do patrimônio líquido não se dá somente com os resultados líquidos). Dessa forma, surgiu a chamada one line consolidation, aplicada às coligadas e às controladas. Tratase da consolidação em uma linha, no balanço individual da investidora, do patrimônio líquido de suas controladas e coligadas destacandose do balanço consolidado do grupo (até então, somente nesse aparecia o patrimônio líquido das investidas). Isto significa dizer: temse a consolidação em uma linha no balanço individual da investidora (= no seu ativo) os balanços de suas controladas e coligadas. Assim nasceu o método da equivalência patrimonial das investidas (controladas e coligadas). A tributação do art. 74 da MP 2.158/01 recai na essência sobre a parte da one line consolidation (consolidação em uma linha) das investidas no exterior que corresponda a seus lucros contidos nessa consolidação em uma linha na investidora no Brasil. Independentemente de os lucros considerados serem os apurados segundo o BRGaap ou pelo Gaap local (contabilidade brasileira ou estrangeira), a essência é igual. Mas, será isso mesmo? Fl. 2595DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.190 24 Como o pressuposto é a constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01, em princípio, temos de admitir na essência aquela afirmaçãoo como regramento geral. Anotese que isso não é o mesmo que ficção legal. É, como dito adiante, “desconsiderar” por lei a personalidade jurídica da controlada ou coligada, tornandoa transparente perante a controladora ou coligadaparticipante (entidade transparente ou pass through entity). É uma parecença (pois difere) com a tributação sobre lucro do grupo societário – regime tributário para grupo de empresa (group tax regime), que apresenta variações nos países que a adotam. A questão é se tal colocação pode prevalecer diante de regramentos específicos. Precisamente, diante de norma especial de tratado, no caso, o art. 7º dos Tratados BrasilHolanda e BrasilArgentina. Eis a dicção do art. 7º do Tratado BrasilHolanda (Decreto 332/91), e, na sequência, do art. 7º do Tratado BrasilArgentina (Decreto 87.976/82) – ambos são praticamente iguais: ARTIGO 7 Lucros das Empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado; a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado. Se a empresa exerce suas atividades na forma indicada, seus lucros podem ser tributados no outro Estado, mas unicamente na medida em que forem atribuíveis àquele estabelecimento permanente. 2. Ressalvado o disposto no parágrafo 3º, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente ali situado, serão atribuídos, a esse estabelecimento permanente, em cada Estado Contratante, os lucros que obteria se fosse uma empresa distinta e separada, exercendo atividades iguais ou similares, sob condições iguais ou similares e transacionando com absoluta independência com a empresa da qual é estabelecimento permanente. 3. Na determinação dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas incorridas para a consecução dos seus objetivos, inclusive as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos disciplinados separadamente em outros artigos desta Convenção, o disposto em tais artigos não é prejudicado pelo que dispõe este Artigo. ARTIGO VII Fl. 2596DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.191 25 Lucros das empresas 1. Os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só são tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado. Se a empresa exercer sua atividade na forma indicada, seus lucros são tributáveis no outro Estado, mas unicamente à medida em que sejam atribuíveis a esse estabelecimento permanente. 2. Com ressalva das disposições do parágrafo 3º, quando uma empresa de um Estado Contratante exercer sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado, serão atribuídos, em cada Estado Contratante, a esse estabelecimento permanente, os lucros que obteria se constituísse uma empresa distinta e separada, exercendo atividades idênticas ou similares em condições idênticas ou similares, e transacionando com absoluta independência com a empresa de que é um estabelecimento permanente. 3. No cálculo dos lucros de um estabelecimento permanente, é permitido deduzir as despesas que tiverem sido feitas para a consecução dos objetivos do estabelecimento permanente, incluindo as despesas de direção e os encargos gerais de administração assim realizados. 4. Nenhum lucro será atribuído a um estabelecimento permanente pelo simples fato de comprar bens ou mercadorias para a empresa. 5. Quando os lucros compreenderem elementos de rendimentos tratados separadamente nos outros artigos da presente Convenção, as disposições desses artigos não serão afetadas pelas disposições deste Artigo. O art. 7º dos tratados em questão atribui competência exclusiva para tributação dos lucros de sociedade residente num Estado contratante a este Estado. Retomese aquela afirmação posta logo após as duas primeiras conclusões extraídas. A transparência fiscal instituída pelo art. 74 da MP 2.158/01 é o de considerar os lucros apurados por qualquer controlada ou coligada no exterior como auferidos diretamente pela controladora ou coligadaparticipantes no Brasil. Noutras palavras, é a tributação, na essência, de parte da one line consolidation dos balanços das investidas no exterior correspondente a seus lucros contidos nessa consolidação (de seus balanços) em uma linha no ativo da investidora no Brasil. Isso, independentemente de se adotar o BRGaap ou o Gaap local para apuração dos lucros (a essência não muda). Ora, o prevalecimento dessa asserção ou interpretação, em face do art. 7º dos referidos tratados, com a devida vênia, seria frontal violação desse. Fl. 2597DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.192 26 Esclareço. O art. 7º dos tratados é textual ao vedar a tributação dos lucros de sociedade residente num Estado contratante por outro Estado contratante. A aplicação daquela colocação seria simplesmente desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade residente num Estado contratante (no caso vertente, na Holanda e na Argentina), para evitar a norma de bloqueio do art. 7º dos tratados! Pouco sentido haveria para a existência do art. 7º do Tratado BrasilHolanda e do art. 7º do Tratado BrasilArgentina, se eles não fossem normas de bloqueio para as situações de fato em dissídio. Afinal, como eles teriam a devida eficácia, se se pudessem tributar os lucros auferidos pelas controladas ou coligada na Holanda e na Argentina, considerandoos auferidos pela controladora ou coligadaparticipante no Brasil? Com todas as vênias aos que pensam diversamente, dessa forma, seria fácil se violar qualquer norma convencional que o Brasil honrara respeitar! Ainda no mesmo sentido, bastariam o Brasil ou o outro Estado contratante procederem a uma qualificação a seu exclusivo talante do que (não) sejam lucros de controlada ou coligada residente no outro dos Estados contratantes, e, assim, mudar a qualificação de lucros para outro tipo de renda ou rendimento, para frustrar norma convencional que as partes firmaram e honraram respeitar! Pois bem. Evidentemente o regramento geral tem de ceder diante do regramento especial, ou então esse pouco vale. A meu ver, de nada adianta dizer que o que se tributa com o art. 74 da MP 2.158/01 é o espelho ou reflexo no Brasil, dos lucros auferidos pela controlada ou coligada no exterior, concretizado pelo método da equivalência patrimonial. A essência é a mesma. É exprimir o mais do mesmo. O art. 7º do Tratado BrasilHolanda e o art. 7º do Tratado BrasilArgentina são normas de bloqueio que vedam a tributação dos lucros auferidos ou apurados pela controlada ou coligada na Holanda e na Argentina, na controladora ou na coligadaparticipante no Brasil. Que o art. 7º dos referidos tratados é norma de bloqueio que veda o Estado contratante de tributar fato jurídicoeconômico atrelado a residente no outro Estado contratante, não existe dúvida. Dizendo por outras palavras o que dissemos antes, o art. 7º do Tratado Brasil Holanda e o art. 7º do Tratado BrasilArgentina são normas de bloqueio que recaem sobre certa objetividade: lucros auferidos ou apurados pela controlada ou coligada na Holanda e na Argentina. Claro, controlada ou coligada de controladora ou coligadaparticipante no Brasil. É isso o que não pode ser tributado (pelo Brasil). Fl. 2598DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.193 27 Igualmente, lucros auferidos ou apurados pela controlada ou coligada no Brasil são a objetividade sobre que recaem essas mesmas normas de bloqueio. Só o Brasil pode tributálos. É isso o que não pode ser tributado (pela Holanda e pela Argentina). Reitero. O contrário seria desconsiderar, no âmbito dos tratados, a personalidade jurídica das sociedades residentes no Estado contratante (Holanda e Argentina), para alcançar materialidade vedada à tributação no outro Estado contratante (Brasil). Daí ter dito violação frontal às normas convencionais do art. 7º dos referidos tratados. Como disse, o regime de transparência fiscal adotado pelo Brasil pode ser interpretado como a tributação dos lucros auferidos pela sociedade no Brasil, por meio das controladas ou coligadas no exterior, à vista do pressuposto de constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01. No fundo, isso é “desconsiderar” por lei a personalidade jurídica da controlada ou da coligada no exterior, tornandoas transparentes para com a controladora ou coligadaparticipante no Brasil, como semelhantemente, ou melhor, proximamente, ocorreria na consideração do resultado do grupo societário – regime tributário para grupo de empresa (group tax regime), como o Organschaft, o group relief (alguns dos tipos de regime de tributação do resultado do grupo societário, adotados em diversos países). É o que se dá, mesmo se dizendo ou se pretendendo dizer, por outro ângulo, que aqueles lucros já representam rendimentos (receitas) que compõem o lucro (por isso auferidas) da sociedade no Brasil, encontrandose aqueles lucros disponíveis jurídica ou economicamente. É o pressuposto da constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01, que aqui se impõe. É a transparência fiscal. “Desconsiderar” por lei a personalidade jurídica de um ente não é verdadeira desconsideração da personalidade jurídica (daí ter colocado entre aspas). Isso é técnica legal (de lei) para atribuição, ou de responsabilidade (v.g., arts. 130 a 134 do CTN), ou de certo aspecto de um pressuposto fático, a outro ente. Verdadeira desconsideração da personalidade jurídica é aquela feita pelo aplicador da lei. Também isso não é sinônimo de ficção legal. No caso em análise, é parecença com a consideração do lucro do grupo societário. Ou ainda, à vista da profundidade da pertinência e da vinculação de certa materialidade de um ente com a de outro, é dizer ou se pretender dizer que os lucros da controlada ou da coligada são lucros da sociedade no Brasil, ou lucros auferidos pela sociedade no Brasil, por meio daquelas, disponíveis, pois, jurídica ou economicamente. É o pressuposto da constitucionalidade do art. 74 da MP 2.158/01; é a transparência fiscal. Como já disse, é a tributação, na essência, de parte da one line consolidation dos balanços das investidas no exterior correspondente a seus lucros contidos nessa consolidação (de seus balanços) em uma linha no ativo da investidora no Brasil. Independentemente de os lucros considerados serem os apurados pelo BRGaap ou pelo Gaap local, o cerne (essência) é o mesmo. O princípio, ou melhor, o conceito é igual, para o alcance da tributação. Fl. 2599DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.194 28 Mas esse regramento geral, como igualmente disse, não pode prevalecer em face de regramento específico, de norma especial – ou esta a pouco se presta. Uma coisa é “desconsiderar” a personalidade jurídica por lei doméstica considerando transparente a sociedade residente no exterior; para considerar como já auferidos pela investidora no País lucros auferidos pela investida no exterior (entidade transparente – passthrough entity). Outra, muito distinta, é querer desconsiderar a personalidade jurídica das sociedades residentes no outro Estado contratante com o qual há tratado para evitar dupla tributação (art. 7º), para considerar como já auferidos pela investidora no Brasil lucros auferidos pela investida residente no outro Estado contratante. Quando muito, poderia ser dito que o art. 7º dos tratados não se colocaria como norma de bloqueio na presença de uma situação compreendida pelo regime de CFC circunscrito sob os critérios ou abordagens transacionais e/ou jurisdicionais, e de controle do Estado contratante. I.e., se o regime de CFC do Estado contratante tivesse função antielisiva ou antielusiva. Outro aspecto. É claro que, em um cenário de um regime CFC de função antielisiva ou antielusiva, nem todos os lucros da sociedade residente num Estado contratante seriam alcançáveis pelo outro Estado contratante. Os lucros da sociedade residente num Estado contratante que não fossem auferidos em jurisdição de baixa tributação e/ou não fossem constituídos de renda passiva (= diverso da função antielisiva) não seriam tributáveis no outro Estado contratante: ou seja, a tais lucros “continuaria” a ser aplicável o art. 7º dos tratados, como norma de bloqueio. Nessa linha caminharam os Comentários da OCDE a partir de 2003. Disse acima, quando muito, pois, ainda assim, tal interpretação é discutível; não por menos, tais Comentários da OCDE têm sido objeto de censura pela doutrina. Nesse sentido, alegase que a própria norma convencional tem de prever a inaplicabilidade do art. 7º diante de norma doméstica de função antielisiva, inexistindo um princípio não escrito antielisivo nesse sentido. Quando muito, sob esse ângulo é que se podem interpretar a contrario sensu o art. 23, §§ 5º e 6º, do Tratado BrasilRepública Tcheca e BrasilRepública Eslovaca (Decreto 43/91), o art. 23, §§ 5º e 6º, do Tratado BrasilDinamarca (Decreto 75.106/74) e o art. 24, §§ 5º e 6º, do Tratado BrasilNoruega (Decreto 86.710/81)3. Ou seja, quando muito, sob o enfoque 3 Decreto 43/91: ARTIGO 23 Métodos para eliminar a dupla tributação 5. Os lucros não distribuídos de uma sociedade de um Estado Contratante, cujo capital pertencer ou for controlado total ou parcialmente, direta ou indiretamente, por um ou mais residentes do outro Estado Contratante, não serão tributáveis nesse último Estado. 6. O valor das ações emitidas por uma sociedade anônima de um Estado Contratante, cujo capital pertencer ou for controlado, total ou parcialmente, direta ou indiretamente, por um ou mais residentes do outro Estado Contratante, não estará sujeito a imposto sobre a renda neste último Estado. Decreto 75.106/74: ARTIGO 23 Fl. 2600DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.195 29 de regras de CFC que alcançam lucros de controladas sob regime privilegiado e/ou dominados por rendas passivas (função antielisiva ou antielusiva) é que se podem invocar tais normas, em relação a tratados sem essas disposições expressas. A propósito, vale citar dois casos emblemáticos. Um é o decidido pelo Conselho de Estado da França em 2002, conhecido como caso Schneider. De modo resumido, a França possui um regime de CFC para alcançar lucros de controlada no exterior que sejam compostos por menos de 50% de rendas ativas e desde que a controlada esteja sujeita a regime de baixa tributação (inferior a 50% ao da França). É o regime de CFC de função antielisiva. No caso, a controlada de investidora francesa atendia aos referidos requisitos, sendo residente na Suíça. O Conselho de Estado da França entendeu ser aplicável o art. 7º do tratado com a Suíça, reconhecendo que os lucros da controlada suíça não poderiam ser tributados na França, pela aplicação de seu regime de CFC, embora esse seja de caráter antielisivo. Preponderou o entendimento de que, para ser aplicável o regime de CFC francês (que é diferente do brasileiro, como se viu), seria necessária norma convencional expressa afastando o art. 7º do tratado. Outro caso é o decidido pela Suprema Corte Administrativa da Finlândia, conhecido como caso A Oyi Abp. Também, de modo bem resumido, a Finlândia possui um regime de CFC parecido com o da França (de função antielisiva ou antielusiva) – mesmo anteriormente à reforma de 2009 (o caso ocorreu bem antes da reforma). A sociedade residente na Finlândia tinha uma controlada na Bélgica, a qual estava sujeita nesse país a uma tributação “favorecida”. Aplicouse a legislação de CFC finlandesa para tributar os lucros da controlada na Bélgica. A Suprema Corte Administrativa da Finlândia entendeu ser aplicável a legislação de CFC finlandesa, e, pois, compatível com o tratado entre esse país e a Bélgica para evitar a dupla tributação, afastando o art. 7º do tratado. Compatível, pois, o entendimento foi o de que o tratado também objetiva a elisão fiscal internacional, tal como a legislação de CFC finlandesa. Daí haver dito e repetido que, quando muito, poderia ser cogitada a inaplicabilidade do art. 7º dos tratados, diante de um regime de CFC circunscrito sob critérios transacional e/ou jurisdicional. Métodos para eliminar a dupla tributação 5. Os lucros não distribuídos de uma sociedade anônima de um Estado Contratante cujo capital pertencer ou for controlado, total ou parcialmente, direta ou indiretamente, por um ou mais residentes de outro Estado Contratante não são tributáveis no último Estado. 6.O valor das ações emitidas por uma sociedade anônima de um Estado Contratante cujo capital pertencer ou for controlado, total ou parcialmente, direta ou indiretamente, por um ou mais residentes do outro Estado Contratante, não será tributável neste último Estado. Decreto 86.710/81: ARTIGO 24 Métodos para eliminar a dupla tributação 5. Os lucros não distribuídos de uma sociedade de um Estado Contratante cujo capital pertencer ou for controlado, total ou parcialmente, direta ou indiretamente, por um ou mais residentes do outro Estado Contratante, não serão tributáveis neste último Estado. 6. O valor das ações emitidas por uma sociedade anônima de um Estado Contratante cujo capital pertencer ou for controlado, total ou parcialmente, direta ou indiretamente, por um ou mais residentes do outro Estado Contratante, não será tributável neste último Estado. Fl. 2601DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.196 30 Não é o que se dá aqui. Fica, pois, a meu ver, evidente ser aplicável no caso vertente o art. 7º dos Tratados BrasilHolanda e BrasilArgentina, em face do que não são tributáveis no Brasil os lucros no exterior em discussão. A propósito, cito também o Acórdão nº 10195.802, da sessão de 19/10/06, e o Acórdão nº 10197.070, da sessão de 17/12/08, ambos da 1ª Câmara do antigo 1º Conselho de Contribuintes, de relatoria da ilustre exConselheira Sandra Faroni. Em ambos os acórdãos se reconheceu que, com o art. 74 da MP 2.158/01, passaram a ser tributados os lucros apurados pela controlada ou coligadas no exterior, sendo aplicável o art. 7º do Tratado BrasilEspanha, o que interdita a tributação no Brasil dos lucros apurados por meio da investida na Espanha. Mesmo no Acórdão nº 10197.070 (conhecido como caso Eagle 2), o entendimento da ilustre relatora não fora vencido, quanto à aplicação do ar. 7º do tratado aos lucros apurados pela controlada na Espanha. Eis excerto da ementa do Acórdão nº 10195.802: LUCROS AUFERIDOS POR INTERMÉDIO DE COLIGADAS E CONTROLADAS NO EXTERIOR – Na Lei n. 9.532/97 o fato gerador era representado pelo pagamento ou crédito (conforme definido no art. 1º da Lei 9.532/97), e o que se tributavam eram os dividendos. A partir da MP 2.15835/2001, a tributação independe de pagamento ou crédito (ainda que fictos), deixando, pois, de ter como base os dividendos. LUCROS ORIUNDOS DE INVESTIMENTO NA ESPANHA – Nos termos da Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Imposto sobre a Renda entre Brasil e a Espanha, promulgada pelo Decreto n. 76.795, de 1976, em se tratando de lucros apurados pela sociedade residente na Espanha e que não sejam atribuíveis a estabelecimento permanente situado no Brasil, não pode haver tributação no Brasil. Não são também tributados no Brasil os dividendos recebidos por um residente do Brasil e que, de acordo com as disposições da Convenção, são tributáveis na Espanha. Cito também excerto da ementa do Acórdão nº 10197.070: LUCROS AUFERIDOS POR INTERMÉDIO DE COLIGADAS E CONTROLADAS NO EXTERIOR Na vigência das Leis 9.249/95 e Lei 9.532/97 o fato gerador era representado pelo pagamento ou crédito (conforme definido na IN 38/96 e na (sic.) ei n° 9.532/97), e o que se tributavam eram os dividendos. A partir da MP 2.15835/2001, a tributação independe de pagamento ou crédito (ainda que presumidos), passando a incidir sobre os lucros apurados, e não mais sobre dividendos. LUCROS ORIUNDOS DE INVESTIMENTO NA ESPANHA Nos termos da Convenção Destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal cru Matéria de Imposto Fl. 2602DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.197 31 sobre a Renda entre Brasil e a Espanha, promulgada pelo Decreto n° 76.975, de 1976, em se tratando de lucros apurados pela sociedade residente na Espanha e que não sejam atribuíveis a estabelecimento permanente situado no Brasil, não pode haver tributação no Brasil. Ainda assim, prossigo. Os Tratados BrasilHolanda e BrasilArgentina não possuem dispositivos como os previstos nos tratados celebrados pelo País com o México e com o Peru (respectivamente, § 3º do art. 28 e alínea “d” do item 5 do Protocolo). Vejase o que preveem os tratados firmados entre o Brasil e esses países, incorporados ao direito doméstico4. Tratado BrasilMéxico (Decreto 6.000/06, art. 28, § 3º): ARTIGO 28 Disposições Diversas 1. As autoridades competentes de ambos os Estados Contratantes poderão negar os benefícios desta Convenção, quando assim o acordarem nos termos do Artigo 25 da mesma, a qualquer pessoa ou em relação a qualquer operação, se, em sua opinião, a outorga dos benefícios da Convenção constitui um abuso desta Convenção considerando seu objeto e fim. 2. Nenhuma disposição da Convenção, exceto no que diz respeito ao Artigo de "Troca de Informações", será aplicável: a) aos rendimentos que estejam isentos de imposto num Estado Contratante do qual o beneficiário efetivo do rendimento seja 4 Seria discutível se o dispositivo previsto no Tratado BrasilÁfrica do Sul (Decreto 5.922/06) teria o mesmo alcance que o dos ora citados (Tratados BrasilMéxico e BrasilPeru): "6. Com referência ao Artigo 24 a) Fica entendido que, com relação ao Artigo 24, exigências adicionais razoáveis que não o pagamento de impostos não constituirão discriminação como considerada nos parágrafos 1 e 4. b) Fica entendido que as disposições do parágrafo 5 do Artigo 10 não estão em conflito com as disposições do parágrafo 2 do Artigo 24. c) Fica entendido que as disposições da legislação tributária brasileira que não permitem que os "royalties" conforme definidos no parágrafo 3 do Artigo 12, pagos por um estabelecimento permanente situado no Brasil a um residente da África do Sul que desenvolva uma atividade empresarial no Brasil por meio desse estabelecimento permanente, seja dedutível no momento da determinação dos rendimentos tributáveis desse estabelecimento permanente não estão em conflito com as disposições do parágrafo 3 do Artigo 24. d) Fica entendido que, como as filiais da África do Sul de sociedades que têm sua sede de direção efetiva fora da África do Sul estão isentas do imposto secundário sobre as sociedades, nada contido no presente Artigo impedirá a África do Sul de instituir, sobre os lucros atribuíveis a um estabelecimento permanente na África do Sul de uma sociedade residente do Brasil, um imposto a uma alíquota que não exceda a alíquota do imposto normal sobre as sociedades de mais que cinco pontos percentuais e) Fica ademais entendido que, se a África do Sul abolir o imposto secundário sobre as sociedades sem substituílo por um imposto similar, as disposições da alínea (d) deixarão de produzir efeitos a partir da data em que o imposto secundário sobre as sociedades for abolido. f) Fica entendido que as disposições do Artigo 24 não impedem um Estado Contratante de aplicar as disposições de sua legislação interna a respeito das sociedades controladas no exterior ou da subcapitalização." Mas mesmo isso ou dispositivo semelhante não é previsto no Tratado BrasilHolanda e no Tratado Brasil Argentina. Fl. 2603DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.198 32 residente, ou aos rendimentos obtidos por esse residente que sejam tributáveis nesse Estado Contratante a uma alíquota menor que a alíquota aplicável ao mesmo rendimento obtido por outros residentes desse Estado Contratante que não se beneficiem dessa isenção ou alíquota; b) aos rendimentos obtidos por um beneficiário efetivo que seja residente de um Estado Contratante, que goze de uma dedução, restituição ou outra concessão ou benefício, que se relacione direta ou indiretamente com esse rendimento, que não seja o crédito do imposto estrangeiro pago e que não se outorgue a outros residentes desse Estado Contratante. 3. As disposições da presente Convenção não impedirão que um Estado Contratante aplique as disposições de sua legislação nacional relativa a capitalização insuficiente ou para combater o diferimento, incluída a legislação de sociedades controladas estrangeiras (legislação CFC) ou outra legislação similar. 4. As disposições da presente Convenção não impedirão que um Estado Contratante aplique as disposições de sua legislação nacional relativa ao combate da evasão e elisão fiscal ou abuso da Convenção, inclusive as aplicáveis aos créditos respaldados. 5. Não obstante, uma pessoa que não tenha direito aos benefícios da presente Convenção conforme as disposições dos parágrafos 1 e 3 poderá demonstrar às autoridades competentes do Estado de que provêm os rendimentos seu direito aos benefícios da Convenção. Para tal efeito, um dos fatores que as autoridade competentes tomarão em consideração será o fato de que o estabelecimento, constituição, aquisição e manutenção de referida pessoa e a realização de suas atividades não teve como um de seus principais propósitos o de obter algum benefício em conformidade com esta Convenção. Tratado BrasilPeru (Decreto 7.020/09, alínea “d” do item 5 do Protocolo): P R O T O C O L O No momento da assinatura da Convenção entre o Governo da República Federativa do Brasil e o Governo da República do Peru para Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal com Relação ao Imposto sobre a Renda, os abaixo assinados convieram nas seguintes disposições que constituem parte integrante da Convenção. [...] 5. Com referência ao Artigo 23 ("Não Discriminação"): a) As disposições do parágrafo 6 do Artigo 10 não são consideradas discriminatórias nos termos do parágrafo 2 do Artigo 23; b) As disposições da legislação fiscal brasileira que não permitem que os "royalties", mencionados no parágrafo 3 do Fl. 2604DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.199 33 Artigo 12, pagos por um estabelecimento permanente situado no Brasil a um residente do Peru que exerce atividades empresariais no Brasil por intermédio desse estabelecimento permanente, sejam dedutíveis no momento de se determinar o rendimento tributável do referido estabelecimento permanente, não são discriminatórias nos termos do parágrafo 4 do Artigo 23. Este parágrafo aplicarseá igualmente ao Peru caso, no futuro, estabeleça um regime tributário similar ao vigente no Brasil no momento da assinatura desta Convenção; c) As disposições da legislação tributária peruana que estabelecem que os contribuintes que contabilizem como despesa ou custo os royalties, e retribuições por serviços, assistência técnica, cessão de uso ou outros de natureza similar, faturados por não residentes (não domiciliados), devem pagar ao fisco o montante equivalente à retenção no mês em que se dê seu registro contábil, independentemente se são ou não pagas as respectivas contraprestações aos não residentes (não domiciliados), não são discriminatórias nos termos do parágrafo 4 do Artigo 23; d) As disposições da Convenção, especialmente as do Artigo 23, não impedirão que um Estado Contratante aplique as disposições de sua legislação nacional relativa à capitalização insuficiente ou para combater o diferimento do pagamento do imposto sobre a renda, incluída a legislação de sociedades controladas estrangeiras (legislação de “CFC”) ou outra legislação similar. Nada disso é previsto no Tratado BrasilHolanda e no Tratado Brasil Argentina. Conquanto não seja decisivo para meu juízo em relação ao IRPJ sobre as questões em dissídio, cito o julgamento do REsp nº 1.325.709RJ pela Primeira Turma do STJ. O julgamento do REsp nº 1.325.709RJ, de relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, concluiuse em 24/4/14. No acórdão do referido REsp, reconheceuse a intributabilidade no País de lucros de controladas domiciliadas na Bélgica, na Dinamarca e em Luxemburgo, nos termos do art. 7º dos tratados firmados entre o Brasil e tais Estados, sendo tributáveis os lucros de controlada em Bermudas, conforme o art. 74 da MP 2.158/01. Essa intributabilidade foi reconhecida para fins de IRPJ como de CSL. O julgamento do REsp nº 1.325.709RJ não se deu sob procedimento repetitivo (art. 543C do CPC) – foi da Primeira Turma e se encerrou sob o placar de 3 a 1 (com impedimento do Ministro Benedito Gonçalves), vencido o Ministro Sérgio Kukina, com votosvista dos Ministros Ari Pargendler, Arnaldo Esteves e Sérgio Kukina. Eis a ementa e o dispositivo do acórdão: RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. MANDADO DE SEGURANÇA DENEGADO NA ORIGEM. APELAÇÃO. EFEITO APENAS DEVOLUTIVO. PRECEDENTE. NULIDADE DOS ACÓRDÃOS RECORRIDOS POR Fl. 2605DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.200 34 IRREGULARIDADE NA CONVOCAÇÃO DE JUIZ FEDERAL. NÃO PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS 282 E 356/STF. IRPJ E CSLL. LUCROS OBTIDOS POR EMPRESAS CONTROLADAS NACIONAIS SEDIADAS EM PAÍSES COM TRIBUTAÇÃO REGULADA. PREVALÊNCIA DOS TRATADOS SOBRE BITRIBUTAÇÃO ASSINADOS PELO BRASIL COM A BÉLGICA (DECRETO 72.542/73), A DINAMARCA (DECRETO 75.106/74) E O PRINCIPADO DE LUXEMBURGO (DECRETO 85.051/80). EMPRESA CONTROLADA SEDIADA NAS BERMUDAS. ART. 74, CAPUT DA MP 2.15735/2001. DISPONIBILIZAÇÃO DOS LUCROS PARA A EMPRESA CONTROLADORA NA DATA DO BALANÇO NO QUAL TIVEREM SIDO APURADOS, EXCLUÍDO O RESULTADO DA CONTRAPARTIDA DO AJUSTE DO VALOR DO INVESTIMENTO PELO MÉTODO DA EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E PARCIALMENTE PROVIDO, PARA CONCEDER A SEGURANÇA, EM PARTE. 1. Afastase a alegação de nulidade dos acórdãos regionais ora recorridos, por suposta irregularidade na convocação de Juiz Federal que funcionou naqueles julgamentos, ou na composição da Turma Julgadora; inocorrência de ofensa ao Juiz Natural, além de ausência de prequestionamento. Súmulas 282 e 356/STF. Precedentes desta Corte. 2. Salvo em casos excepcionais de flagrante ilegalidade ou abusividade, ou de dano irreparável ou de difícil reparação, o Recurso de Apelação contra sentença denegatória de Mandado de Segurança possui apenas o efeito devolutivo. Precedente: AgRg no AREsp. 113.207/SP, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe 03/08/2012. 3. A interpretação das normas de Direito Tributário não se orienta e nem se condiciona pela expressão econômica dos fatos, por mais avultada que seja, do valor atribuído à demanda, ou por outro elemento extrajurídico; a especificidade exegética do Direito Tributário não deriva apenas das peculiaridades evidentes da matéria jurídica por ele regulada, mas sobretudo da singularidade dos seus princípios, sem cuja perfeita absorção e efetivação, o afazer judicial se confundiria com as atividades administrativas fiscais. 4. O poder estatal de arrecadar tributos tem por fonte exclusiva o sistema tributário, que abarca não apenas a norma regulatória editada pelo órgão competente, mas também todos os demais elementos normativos do ordenamento, inclusive os ideológicos, os sociais, os históricos e os operacionais; ainda que uma norma seja editada, a sua efetividade dependerá de harmonizarse com as demais concepções do sistema: a compatibilidade com a hierarquia internormativa, os princípios jurídicos gerais e constitucionais, as ilustrações doutrinárias e as lições da jurisprudência dos Tribunais, dentre outras. Fl. 2606DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.201 35 5. A jurisprudência desta Corte Superior orienta que as disposições dos Tratados Internacionais Tributários prevalecem sobre as normas de Direito Interno, em razão da sua especificidade. Inteligência do art. 98 do CTN. Precedente: (RESP 1.161.467RS, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJe01.06.2012). 6. O art. VII do Modelo de Acordo Tributário sobre a Renda e o Capital da OCDE utilizado pela maioria dos Países ocidentais, inclusive pelo Brasil, conforme Tratados Internacionais Tributários celebrados com a Bélgica (Decreto 72.542/73), a Dinamarca (Decreto 75.106/74) e o Principado de Luxemburgo (Decreto 85.051/80), disciplina que os lucros de uma empresa de um Estado contratante só são tributáveis nesse mesmo Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante, por meio de um estabelecimento permanente ali situado (dependência, sucursal ou filial); ademais, impõe a Convenção de Viena que uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado (art. 27), em reverência ao princípio basilar da boafé. 7. No caso de empresa controlada, dotada de personalidade jurídica própria e distinta da controladora, nos termos dos Tratados Internacionais, os lucros por ela auferidos são lucros próprios e assim tributados somente no País do seu domicílio; a sistemática adotada pela legislação fiscal nacional de adicioná los ao lucro da empresa controladora brasileira termina por ferir os Pactos Internacionais Tributários e infringir o princípio da boafé na relações exteriores, a que o Direito Internacional não confere abono. 8. Tendo em vista que o STF considerou constitucional o caput do art. 74 da MP 2.15835/2001, aderese a esse entendimento, para considerar que os lucros auferidos pela controlada sediada nas Bermudas, País com o qual o Brasil não possui acordo internacional nos moldes da OCDE, devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados. 9. O art. 7º, § 1º da IN/SRF 213/02 extrapolou os limites impostos pela própria Lei Federal (art. 25 da Lei 9.249/95 e 74 da MP 2.15835/01) a qual objetivou regular; com efeito, analisandose a legislação complementar ao art. 74 da MP 2.15835/01, constatase que o regime fiscal vigorante é o do art. 23 do DL 1.598/77, que em nada foi alterado quanto à não inclusão, na determinação do lucro real, dos métodos resultantes de avaliação dos investimentos no Exterior, pelo método da equivalência patrimonial, isto é, das contrapartidas de ajuste do valor do investimento em sociedades estrangeiras controladas. 10. Ante o exposto, conheço do recurso e doulhe parcial provimento, concedendo em parte a ordem de segurança postulada, para afirmar que os lucros auferidos nos Países em Fl. 2607DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.202 36 que instaladas as empresas controladas sediadas na Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo, sejam tributados apenas nos seus territórios, em respeito ao art. 98 do CTN e aos Tratados Internacionais em causa; os lucros apurados por Brasamerican Limited, domiciliada nas Bermudas, estão sujeitos ao art. 74, caput da MP 2.15835/2001, deles não fazendo parte o resultado da contrapartida do ajuste do valor do investimento pelo método da equivalência patrimonial. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por maioria, vencido o Sr. Ministro Sérgio Kukina, conhecer do recurso especial e darlhe parcial provimento para conceder, em parte, a segurança, nos termos da reformulação de voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Ari Pargendler e Arnaldo Esteves Lima votaram com o Sr. Ministro Relator. Impedido o Sr. Ministro Benedito Gonçalves. (negritos e sublinhados nossos) Do voto do Ministro relator, Napoleão Nunes Maia Filho, transcrevo excertos: 26. O ilustre Ministro GILMAR MENDES, em voto proferido por ocasião do início do julgamento do RE 460.320/PR – que versa sobre tributação de residentes ou domiciliados no Exterior pelo IR, à luz do art. 77 da Lei 8.383/91 e do RIR 94 – ainda pendente de finalização, em face do pedido de vista do douto Ministro DIAS TOFFOLI – afirmou que a orientação mais recente daquela Corte Suprema de Justiça é a de que as Convenções e os Acordos Internacionais, em cotejo com a legislação tributária interna infraconstitucional devem prevalecer, submetendose, obviamente, apenas à Constituição, cuja supremidade não pode ser questionada. 27. E assim é – e deve ser – porque, no âmbito tributário, a efetividade da cooperação internacional viabiliza a expansão – desejável expansão – das múltiplas operações transnacionais que impulsionam o desenvolvimento econômico global, o combate à dupla tributação internacional e à evasão fiscal internacional, e contribui poderosamente para o estreitamento das relações culturais, sociais e políticas entre as Nações. [...] 29. Nesse mesmo voto, o eminente Ministro pontuou que essa complexa cooperação internacional seria garantida essencialmente pelo pacta sunt servanda, assinalando que, nesse contexto, tanto quanto possível, o Estado Constitucional Cooperativo reinvindicaria a manutenção da boafé e da segurança dos compromissos internacionais, ainda que diante Fl. 2608DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.203 37 da legislação infraconstitucional, notadamente no que se refere ao Direito Tributário, que envolve garantias fundamentais dos contribuintes e cujo descumprimento colocaria em risco os benefícios de cooperação cuidadosamente articulada no cenário internacional. 30. Ainda reputou que a tese da legalidade ordinária, na medida em que permite às entidades federativas internas do Estado Brasileiro o descumprimento unilateral de acordo internacional, conflitaria com princípios internacionais fixados pela Convenção de Viena sobre Direito dos Tratados (art. 27), segundo o qual uma parte não pode invocar as disposições de seu direito interno para justificar o inadimplemento de um tratado; e reiterou que a possibilidade de afastamento da incidência de normas internacionais tributárias por meio de legislação ordinária (treaty override), inclusive em sede estadual e municipal, estaria defasada com relação às exigências de cooperação, boafé e estabilidade do atual panorama internacional; esse é o ponto de vista do ilustre Professor FRANCISCO REZEK. 31. E concluiu, então, que o entendimento de predomínio dos Tratados Internacionais não vulneraria os dispositivos tidos por violados, enfatizando que a República Federativa do Brasil, como sujeito de Direito Público Externo, não poderia assumir obrigações nem criar normas jurídicas internacionais à revelia da Constituição; observou, finalmente, que a recepção do art. 98 do CTN pela ordem constitucional independeria da desatualizada classificação em tratadoscontratos e tratados leis. (Pleno do STF, em 31.08.2011, INF/STF 638). [...] 63. Repitase que a sistemática adotada pela Fazenda Pública, de adicionar o lucro obtido pela empresa controlada no Exterior para cômputo do lucro real da empresa controladora importa na tributação daquele mesmo lucro, em contraste com o disposto nas referidas Convenções Internacionais. 64. A argumentação recursal em torno da incompatibilidade da legislação infraconstitucional com os Tratados Internacionais voltouse para as controladas sediadas em Países com os quais o Brasil mantém esses acordos contra a bitributação (Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo); no que tange à controlada sediada nas Bermudas, a solução envolve a análise da legislação nacional. 65. Pelo meu entendimento, como disse, somente após a distribuição dos lucros é que o patrimônio dos acionistas estaria sujeito à tributação; todavia, tendo em vista que o STF considerou constitucional a aplicação do caput do art. 74 da MP 2.15835/2001, outra alternativa não resta senão aderir a esse entendimento, para considerar que os lucros auferidos por Brasamerican Limited em Bermudas devem ser considerados disponibilizados para a controladora na data do balanço no qual tiverem sido apurados, sujeitandose à tributação no Brasil Fl. 2609DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.204 38 por ausência de acordo internacional nos moldes daqueles realizados com os demais Países acima mencionados. [...]” (fls. 27 a 31, 39 e 40 do acórdão, grifos e negritos nossos) Do votovista do Ministro Ari Pargendler, transcrevo os excertos a seguir: Do ponto de vista econômico, a norma jurídica, que dispõe que os lucros auferidos por empresas controladas com sede no exterior serão computados na apuração do lucro líquido das controladoras aqui estabelecidas (L. 9.249/95, art. 25), tributa riqueza já submetida a imposto de renda, ou a imposto da mesma espécie, em outro país. Sob o viés jurídico, essa dupla tributação está vedada pelo art. 7º, item 1, do Modelo OCDE, a cujo teor "os lucros de uma empresa de um Estado Contratante só serão tributáveis nesse Estado, a não ser que a empresa exerça sua atividade no outro Estado Contratante por meio de um estabelecimento permanente aí situado". Tratase do 'princípio da residência', a teor do qual o país do domicílio da empresa, e só ele, tem competência para tributar os lucros desta. Esmiuçando a norma, temse: a regra geral, que proíbe a tributação em mais de um Estado Contratante, com os seguintes elementos: (i) os lucros de uma empresa; (ii) o respectivo domicílio em um dos Estados Contratantes; e (iii) a competência tributária exclusiva do Estado Contratante em que a empresa tem domicílio. a regra de exceção, que admite a tributação em mais de um Estado Contratante, com estes componentes: (i) os lucros de uma empresa, (ii) o respectivo domicílio em dos Estados Contratantes, e (iii) a existência de um estabelecimento permanente no outro Estado Contratante. A regra geral supõe duas sociedades com personalidades jurídicas próprias, embora uma tenha o poder de controle sobre a outra. A regra de exceção tem como alicerce uma única sociedade com um ou mais estabelecimentos permanentes no outro Estado Contratante. No caso, tendo Vale S/A e as sociedades estrangeiras acima arroladas personalidades jurídicas próprias, incide a regra geral. Dirseá que o Modelo OCDE não é incompatível com as medidas antielisivas inspiradas pela legislação CFC (Controlled Foreing Corporation). Fl. 2610DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.205 39 Acontece que essa legislação antielisiva visa coibir a má concorrência ocasionada pelos Estados conhecidos como paraísos fiscais em que a tributação é mínima. A celebração de tratados internacionais para evitar a dupla tributação tem como pressuposto Estados Contratantes com regimes fiscais assemelhados, a se concluir que – salvo disparatada decisão das nossas autoridades (diplomáticas e fazendárias) Bélgica, Dinamarca e Luxemburgo implementam esse requisito. A tributação de Rio Doce Comércio International, domiciliada na Dinamarca prevista pelo art. 74 da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 sobre lucros não distribuídos esbarra ainda no art. 23, item 5, do tratado incorporado ao nosso Direito pelo Decreto 75.106, de 1974, segundo o qual só os lucros distribuídos podem ser tributados no Brasil. (fls. 48 e 49 do acórdão, negritos e grifos nossos) Destacamse, pois, as razões vertidas nos votos do Ministro relator Napoleão Nunes Maia Filho, e do Ministro Ari Pargendler, no acórdão do REsp nº 1.325.709RJ. Repito, em que pese o v. acórdão não ser decisivo para meu juízo em relação ao IRPJ. À vista de todas as considerações deduzidas, não tenho dúvidas de que o art. 7º dos Tratados BrasilHolanda e BrasilArgentina é aplicável às situações de fato em discussão, como normas de bloqueio que impedem a tributação dos suportes fáticos em dissídio no Brasil. Não vejo como se possa extrair conclusão diversa. Em relação aos lucros auferidos pela Compañia Mega, domiciliada na Argentina, como já havia antecipado neste voto, fica afastada a exigência de IRPJ, por ser a investida coligada da recorrente, fora de “paraíso fiscal”. É o efeito do julgamento da ADI nº 2.588DF, com trânsito em julgado em 17/2/14. Sob o manto dessas considerações e juízo, dou provimento ao recurso em relação ao IRPJ. Cabe verificar se as normas convencionais contidas no art. 7º dos referidos tratados são aplicáveis à CSL. Eis a dicção, respectivamente, do art. 2º do Tratado BrasilHolanda (Decreto 332/91) e do art. 2º do Tratado BrasilArgentina (Decreto 87.976/82): ARTIGO 2 Impostos Visados 1. Esta Convenção aplicase aos impostos sobre a renda estabelecidos por um dos Estados Contratantes, independentemente da maneira pelo qual se efetua a respectiva cobrança. 2. Os impostos atuais aos quais se aplica a Convenção são: Fl. 2611DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.206 40 a) no caso do Brasil o imposto federal sobre a renda, excluídos o imposto suplementar de renda e o imposto sobre atividades de menor importância, (doravante designado "imposto brasileiro"); b) no caso da Holanda: o imposto de renda; o imposto sobre salários; o imposto sobre sociedades, inclusive a participação do Governo nos lucros líquidos da exploração de recursos naturais, cobrada conforme o Mijnwet 1810 (Lei de Mineração, de 1980) relativamente a concessões feitas a partir de 1967, ou conforme o Mijnwet Continental Plat 1965 (Lei de Mineração na Plataforma Continental do Reino dos Países Baixos de 1965); o imposto sobre dividendos (doravante designados como "imposto holandês"). 3. A Convenção aplicase também a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem estabelecidos após a data de sua assinatura, adicionalmente ou em substituição aos impostos mencionados no parágrafo 2. As autoridades competentes dos Estados Contratantes notificarse ão mutuamente sobre quaisquer modificações substanciais que ocorram em suas respectivas legislações tributárias. ARTIGO II Impostos visados 1. Os impostos atuais aos quais se aplica a presente Convenção são: a) na República Federativa do Brasil: o imposto sobre a renda, com exclusão das incidências sobre remessas excedentes e sobre atividades de menor importância (doravante denominado "imposto brasileiro"); b) na República Argentina: o imposto sobre os ganhos (" impuesto a Ias ganancias "); o imposto sobre os lucros eventuais (" impuesto a los beneficio eventuales ") (doravante denominado "imposto argentino"). 2. A presente Convenção se aplicará também a quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem posteriormente introduzidos, seja em adição aos existentes, seja em sua substituição. As autoridades competentes dos Estados Contratantes notificarseão mutuamente sobre qualquer modificação significativa que tenha ocorrido em suas respectivas legislações tributárias. Fl. 2612DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.207 41 Não hesito em afirmar que as normas convencionais de ambos os tratados são aplicáveis igualmente à CSL. Quanto ao Tratado BrasilArgentina, dispensável digressão a respeito, pois é anterior a 1988. O fato de o Tratado BrasilHolanda não falar expressamente da CSL não me impressiona. A CSL é substancialmente igual ao imposto de renda. Interpretar de forma diversa o art. 2º do Tratado BrasilHolanda seria desvirtuar o sentido do tratado. Claro é o sentido, seja sistemático, seja teleológico: o alcance do tratado se dá a tributos substancialmente semelhantes ao imposto de renda. Nesse sentido, citase a lição de Luciano Amaro5: [...] Há, é verdade, tratados firmados pelo Brasil após a criação da contribuição social sobre o lucro que (talvez pela lei da inércia) continuam referindo como “imposto visado” o imposto de renda, sem explicitar a contribuição sobre o lucro. Entretanto, se esses mesmos tratados preveem a aplicação das normas convencionais aos impostos idênticos ou substancialmente semelhantes àquele, que a ele acresçam, parecenos lógico que a contribuição sobre o lucro deva entenderse acrescida. (destaques nossos, exceto o penúltimo) E de Heleno Torres6: O Modelo não propõe limitações quer à qualificação dos “tipos de impostos” arrolados pelos Estados contratantes (no § 3º) [este, nas convenções com a Holanda e com a Argentina cujo art. 2º foi transcrito acima corresponde, respectivamente, ao § 2º e ao § 1º do art. 2º] quer à identificação “temporal” dos mesmos, i.e., quanto aos impostos em vigor no momento da assinatura da convenção. A relação dada pelo Modelo é apenas ilustrativa, melhor, declarativa, como diz o Comentário OCDE, item 6 [...] (destaques nossos) Ademais, embora tal argumento não seja decisivo para mim em face do que disse acima, ao tempo em que o Tratado BrasilHolanda fora ratificado pelo País e mesmo ao tempo de sua incorporação ao direito doméstico (Decreto 331/92), o Brasil não tributava a renda das pessoas jurídicas em bases universais. Não as tributava para fins do IRPJ, e muito menos para efeitos da CSL. Então, se o argumento da referência expressa puder ser invocável por se cuidar de tratado posterior a 1988, perante esse mesmo argumento faz sentido a ausência da referência textual à CSL no Tratado BrasilHolanda. 5 Cf. “Os tratados internacionais e a contribuição social sobre o lucro”. In: ROCHA, Valdir de Oliveira (Org.) “Grandes questões atuais do Direito Tributário”. São Paulo: Dialética, 1997, p. 164. 6 Cf. “Pluritributação internacional sobre as rendas de empresas”, 2ª ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2001, p. 603. Fl. 2613DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.208 42 Ou seja, por esse argumento também faz sentido não haver referência literal à CSL, pois, ao tempo da introdução do referido tratado ao direito doméstico, não se cogitava da CSL enquanto tributação em bases universais; e, diferentemente do IR, a CSL não incidia, como ainda não incide, na fonte (pagamento, crédito, remessa, entrega, emprego). Para além, como já dito e com excertos de votos transcritos, em 24/4/14, a Primeira Turma do STJ finalizou o julgamento do REsp nº 1.325.709RJ, sob a relatoria do Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, em que se reconheceu a intributabilidade, inclusive para fins de CSL, de lucros de controladas domiciliadas na Bélgica, na Dinamarca e em Luxemburgo. Bem verdade que os tratados com a Bélgica (Decreto 72.542/73), com a Dinamarca (Decreto 75.106/74) e com Luxemburgo (Decreto 85.051/80) foram todos eles celebrados antes da criação da CSL. Por outro lado, nem no voto do Ministro relator, nem no dos demais votos vista no acórdão do REsp nº 1.235.709RJ, há alguma referência ou consideração sobre a questão de ser aplicável o art. 7º dos referidos tratados à CSL, por serem anteriores à sua criação. Noutras palavras, não se vê, no referido acórdão colocarse a questão da aplicabilidade da norma contida nos tratados em jogo para fins de CSL, pelo dado de fato de eles terem sido firmados e introduzidos ao direito doméstico antes da criação da CSL. Como antecipado neste voto, fica afastada a exigência de CSL sobre os lucros auferidos pela Compañia Mega, domiciliada na Argentina, por ser investida coligada da recorrente – efeito do julgamento da ADI nº 2.588DF, com trânsito em julgado. Pelas razões que havia deduzido, às quais se adicionam as postas no julgamento do RE nº 1.325.709RJ, dou provimento ao recurso no que toca à exigência da CSL. Em que pese as demais questões restarem prejudicadas, não me escuso de as enfrentar. A questão do direito ao tax credit, a meu ver, é franciscanamente singela. Os lucros das controladas e coligada (esta, avaliada por equivalência patrimonial) no exterior são tributáveis no Brasil no momento em que apurados por elas, i.e., sob o regime de transparência fiscal daquelas. Logo, por óbvio que fica prejudicado o prazo decadencial do direito ao tax credit previsto no art. 1º, § 4º, da Lei 9.532/97 – prazo de 2 anos para disponibilização dos lucros das controladas e coligada no exterior para permanência do tax credit. Aliás, passa a ser antitético falar de prazo decadencial do direito ao tax credit – prazo que é para disponibilização dos lucros quando os lucros são considerados imediatamente disponibilizados (por transparência fiscal das controladas e coligada). Fl. 2614DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.209 43 Isso é inconfundível com o momento em que o lançamento é feito – ademais do que esse se reporta ao momento em que se consideram imediatamente disponibilizados os lucros. Aqui, o dislate da pretensão é palmar. Sobre a questão da multa isolada sobre a estimativa de IRPJ de dezembro de 2005 e sobre as estimativas de CSL de dezembro de 2005 e de dezembro de 2006, aplicada concomitantemente com a multa proporcional (75%) sobre o IRPJ e a CSL efetivos (exigidos), faço as considerações seguintes. A redação original do art. 44, caput, I e II e § 1º, da Lei 9.430/96 era a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º. As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ao base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. Posteriormente, a Medida Provisória 303/06 alterou essa redação, mas teve sua vigência coarctada em 27/10/06, pois não fora convertida em lei, conforme o Ato Declaratório do Congresso Nacional 57/06, no exercício do art. 62, § 3º, da CF. Sobreveio a Medida Provisória 351/07 alterando novamente a redação do preceito legal em comentário, com a mesma dicção prevista pela Medida Provisória 303/06. A Fl. 2615DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.210 44 Medida Provisória 351/07 fora convertida na Lei 11.488/07, de modo que a atual redação do art. 44, caput, I, II e § 1º, da Lei 9.430/96 é a seguinte: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Vêse que na atual dicção do art. 44 da Lei 9.430/96 a penalidade de multa de ofício é menos gravosa à prevista originariamente por esse preceito. Tenho para mim que a dicção do art. 44 da Lei 9.430/96 prestouse a corrigir a deficiência redacional primitiva, pois na literalidade pura dessa a multa de ofício era aplicável mesmo quando o tributo fosse integralmente pago com atraso – o que dava azo a se discutir como seria apurada a base de cálculo para a incidência da multa em tal hipótese. Essa questão foi espancada com a nova redação do art. 44 da Lei 9.430/96, que não mais prevê a incidência de multa de ofício no pagamento integral do tributo com atraso. A partir da Lei 9.430/96, com a instituição do IRPJ e da CSL apurados trimestralmente (sem prejuízo da opção pela apuração anual no caso de lucro real), o IRPJ mensal, assim como a CSL mensal, deixaram de ser IRPJ e CSL efetivos, tornandose IRPJ e CSL por estimativa. Isso resulta claro no “título” dos arts. 2º e 6º, da Lei 9.430/96 (e para a CSL, em virtude do art. 28 dessa lei) que preconizam “pagamento por estimativa”: Pagamento por Estimativa Art. 2º. A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. Fl. 2616DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.211 45 § 1º. O imposto a ser pago mensalmente na forma deste artigo será determinado mediante a aplicação, sobre a base de cálculo, da alíquota de quinze por cento. § 2º. A parcela da base de cálculo, apurada mensalmente, que exceder a R$ 20.000,00 (vinte mil reais) ficará sujeita à incidência de adicional de imposto de renda à alíquota de dez por cento. § 3º. A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. [...] Pagamento por Estimativa Art. 6º. O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. § 1º. O saldo do imposto apurado em 31 de dezembro será: I pago em quota única, até o último dia útil do mês de março do ano subseqüente, se positivo, observado o disposto no § 2º;II compensado com o imposto a ser pago a partir do mês de abril do ano subseqüente, se negativo, assegurada a alternativa de requerer, após a entrega da declaração de rendimentos, a restituição do montante pago a maior. [...] Art. 28. Aplicamse à apuração da base de cálculo e ao pagamento da contribuição social sobre o lucro líquido as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1º a 3º, 5º a 14, 17 a 24, 26, 55 e 71, desta Lei. Lembrase que, sob a égide da Lei 8.981/95, o IRPJ e a CSL mensais configuravam exações efetivas, sem embargo do ajuste anual do IRPJ e da CSL: o art. 27 dessa lei falava em fatos geradores ocorridos em cada mês e em base de cálculo apurada mensalmente e se coloca sob a Seção II denominada de Pagamento mensal do imposto”7 7 SEÇÃO II Do Pagamento Mensal do Imposto Art. 27. Para efeito de apuração do Imposto de Renda, relativo aos fatos geradores ocorridos em cada mês, a pessoa jurídica determinará a base de cálculo mensalmente, de acordo com as regras previstas nesta seção, sem prejuízo do ajuste previsto no art. 37. Art. 37. Sem prejuízo dos pagamentos mensais do imposto, as pessoas jurídicas obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real (art. 36) e as pessoas jurídicas que não optarem pelo regime de tributação com base no lucro presumido (art. 44) deverão, para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada anocalendário ou na data da extinção. § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido com observância das disposições das leis comerciais. Fl. 2617DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.212 46 (igualmente válido para a CSL, por força do art. 57 da mesma lei)8. Ou, no mínimo, poderia ser colocada em discussão o IRPJ e a CSL mensais serem exações efetivas. De toda forma, a Instrução Normativa 93/97, sob os auspícios da Lei 9.430/96, alterando o que dispunha a Instrução Normativa 11/96, passou a prever que a falta de pagamento do IRPJ e da CSL mensais por estimativa não autoriza sua cobrança, mas tão só a multa isolada por falta do referido pagamento. Ora, com a aplicação da multa de ofício proporcional sobre o valor de IRPJ e CSL exigidos9, como se pretender aplicar, ao mesmo tempo, a multa de 50% sobre IRPJ e CSL por estimativa não pagas dos mesmos anoscalendário (a multa isolada foi aplicada somente para dezembro de 2005 quanto à estimativa de IRPJ)10? Constitui uma incoerência lógica, teleológica e axiológica a aplicação concomitante dessas multas, à vista do bem jurídico tutelado. É de cartesiana nitidez que a aplicação das multas de ofício sobre IRPJ e CSL efetivos, cobráveis juntamente com esses, exclui a aplicação da multa de ofício de 50% (multa isolada) sobre o valor não pago do IRPJ e da CSL mensal por estimativa, dos mesmos anos calendário (para estimativa de IRPJ, somente para dezembro de 2005). Isso, seja por interpretação lógica dos preceitos citados (aliás, para além disso, podese dizer que é corolário lógico), seja por interpretação finalística do art. 44, I e II, da Lei 9.430/96. Apenado o continente, desnecessário e incabível apenar o conteúdo. Se já se penaliza o todo, não há sentido em se penalizar também a parte do todo. Noutros termos, é a aplicação do princípio da consunção em matéria penal. Como penalizar pelo todo e ao mesmo tempo pela parte do todo? Isso seria uma contradição de termos lógicos e axiológicos – e mesmo finalísticos (teleológicos). 8 Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei nº 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o Imposto de Renda das pessoas jurídicas, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta lei. § 1º Para efeito de pagamento mensal, a base de cálculo da contribuição social será o valor correspondente a dez por cento do somatório: a) da receita bruta mensal; b) das demais receitas e ganhos de capital; c) dos ganhos líquidos obtidos em operações realizadas nos mercados de renda variável; d) dos rendimentos produzidos por aplicações financeiras de renda fixa. § 2º No caso das pessoas jurídicas de que trata o inciso III do art. 36, a base de cálculo da contribuição social corresponderá ao valor da receita bruta ajustada, quando for o caso, pelo valor das deduções previstas no art. 29. § 3º A pessoa jurídica que determinar o Imposto de Renda a ser pago em cada mês com base no lucro real (art. 35), deverá efetuar o pagamento da contribuição social sobre o lucro, calculandoa com base no lucro líquido ajustado apurado em cada mês. § 4º No caso de pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, a contribuição determinada na forma dos §§ 1º a 3º será deduzida da contribuição apurada no encerramento do período de apuração. 9 Multa do art. 44, I, da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 11.488/07, ou multa do art. 44, I e § 1º, I, da Lei 9.430/96 na redação original. 10 Multa isolada do art. 44, II, “b”, da Lei 9.430/96 com a redação da Lei 11.488/07. Fl. 2618DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.213 47 Demais a mais, notase que no caso vertente a multa isolada é sobre IRPJ e CSL por estimativa apurados com base em balanço de suspensão ou redução de dezembro dos anoscalendário de 2005 e de 2006 (não houve aplicação de multa isolada sobre estimativa de IRPJ de dezembro de 2006). É a aplicação do princípio da consunção em matéria apenatória. Enfim, tratase de matéria cujo entendimento se encontra pacificado nesta Turma, como em muitas outras Turmas da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Portanto, sobre essa questão dou provimento ao recurso, para afastar a inflição da multa isolada de IRPJ por estimativa de dezembro de 2005 e da multa isolada de CSL por estimativa de dezembro de 2005 e de dezembro de 2006. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento ao recurso. É o meu voto. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 2619DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 12897.000193/201011 Acórdão n.º 1103001.122 S1C1T3 Fl. 2.214 48 Voto Vencedor Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva Encontrome com a duríssima tarefa de divergir parcialmente do bem fundamentado voto do Conselheiro Marcos Takata, um "votoaula", como é costume nos entendimentos expostos pelo i. colega. Para o d. Relator, não o impressiona o fato de o Tratado BrasilHolanda não falar expressamente da CSLL. Nas suas palavras: "A CSL é substancialmente igual ao imposto de renda. Interpretar de forma diversa o art. 2º do Tratado BrasilHolanda seria desvirtuar o sentido do tratado. Claro é o sentido, seja sistemático, seja teleológico: o alcance do tratado se dá a tributos substancialmente semelhantes ao imposto de renda." (Os destaques são do original) É nesse específico aspecto que ouso divergir da sua interpretação. Com efeito, o art. 2º do referido tratado exclui a incidência tributária unicamente do imposto sobre a renda e de "quaisquer impostos idênticos ou substancialmente semelhantes que forem estabelecidos após a data de sua assinatura." Entretanto, ao se deparar com a indicação apenas da espécie tributária "impostos", não pode o aplicador da legislação estender a sua abrangência também às contribuições sociais, espécie tributária diversa, tal qual a CSLL. Há que se referir também o art. 111 do CTN – Código Tributário Nacional (Lei 5.172/1966), impondo interpretação restritiva no caso concreto, por semelhança. Eis porque considero procedente a tributação pela CSLL dos lucros das controladas sediadas na Holanda, devendose prestigiar a decisão recorrida neste aspecto. Acompanho o Relator em tudo o mais, ao tempo em que lhe rendo homenagem pelo brilhante voto. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Fl. 2620DF CARF MF Impresso em 31/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2015 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/201 5 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 10580.720697/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Apr 02 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1402-000.302
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem determinar que o processo 10580.730754/2012-18 (Suspensão da Isenção) seja distribuído ao relator para apreciação em conjunto com o presente, sendo que este terá o julgamento sobrestado até que se proceda à distribuição, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pela e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1574; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.720697/201331 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1402000.302 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 3 de março de 2015 Assunto Solicitação de Julgamento em Conjunto Sobrestamento Recorrente SINDICATO DAS EMPRESAS DE TRANSPORTE DE PASSAGEIROS DE SALVADOR SETPS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, resolvem determinar que o processo 10580.730754/201218 (Suspensão da Isenção) seja distribuído ao relator para apreciação em conjunto com o presente, sendo que este terá o julgamento sobrestado até que se proceda à distribuição, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pela e Paulo Roberto Cortez. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 20 69 7/ 20 13 -3 1 Fl. 1074DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório SINDICATO DAS EMPRESAS DE TRANSPORTES DE PASSAGEIROS DE SALVADOR SETPS, contribuinte inscrito no CNPJ/MF sob nº 15.663.461/000111, com domicílio fiscal na cidade de Salvador, Estado da Bahia, na Rua da Alfazema, nº 761, Bairro Caminho das Árvores, jurisdicionado a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador BA, inconformado com a decisão de Primeira Instância de fls. 541/604, prolatada pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 615/644. Contra o contribuinte, acima identificado, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador – BA em 22/01/2013 lavrou os Autos de Infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 03/59), com ciência, por AR, em 30/01/2013 (fl. 251) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 4.744.708,95) a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social, acrescido da multa lançamento de ofício normal 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do imposto e contribuição, referente aos exercícios de 2009 e 2010, correspondentes aos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização externa referente aos exercícios de 2009 e 2010, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver, as seguintes irregularidades: 1 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS: Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2008 e 30/09/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995 e arts. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300 do RIR/99. 2 RESULTADOS ESCRITURADOS E NÃO DECLARADOS RESULTADOS OPERACIONAIS NÃO DECLARADOS: Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 30/09/2009. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995 e arts. 247, 249, inciso II e 841. Inciso III, do RIR/99. Os Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil responsáveis pela constituição do crédito tributário lançado esclarecem, ainda, através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 62/98), entre outros, os seguintes aspectos: que o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR n° 66, de 18 de dezembro de 2012, suspendeu a imunidade e a isenção do Contribuinte nos anos calendário de 2008 e de 2009; que, após a expedição do ato acima, o Contribuinte passou à condição de pessoa jurídica sujeita ao recolhimento dos tributos e contribuições federais: IRPJ, CSLL, COFINS, PIS; Fl. 1075DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 4 3 que no que concerne ao IRPJ e CSLL, considerando que o Contribuinte possuía escrituração contábil na forma da legislação comercial e fiscal, a Autoridade Fiscal esclareceu que a tributação se dará com base no lucro real trimestral; que para apuração do lucro real, com base nos balancetes mensais, elaborou demonstrativo onde se visualiza por mês os valores consignados contabilmente a título de receitas e de despesas e o respectivo lucro mensal o qual foi consolidado por trimestres; que as receitas tributadas foram aquelas pagas pelas empresas de transportes coletivos de Salvador como remuneração pela prestação de serviços de administração e venda do SMART CARD; que foi esclarecido, de acordo com o DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL, que foram apurados na qualidade de lucro não tributado os valores de R$ 509.900,06, R$ 1.344.756,37 e R$ 694.516,00 respectivamente para o primeiro, segundo e terceiro trimestre do ano calendário de 2008, enquanto que, relativamente ao quarto trimestre, apurouse um prejuízo de 652.145,14; que, com referência ao ano calendário de 2009, ainda com respaldo do demonstrativo acima citado, apurouse os valores relativos aos primeiro, segundo e terceiro trimestre respectivamente: R$ 915.756,35; R$ 345.884,86 e R$ 311.993,58. No ano de 2009, também foi apurado prejuízo no quarto trimestre, desta feita no valor de R$ 563.136,36; que, além dos valores tributáveis pela perda da isenção, esclarece a Fiscalização que outras infrações foram cometidas, agora diretamente relacionadas com a legislação do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido; que foram constatadas infrações à legislação do IRPJ e da CSLL, relativas à escrituração de despesas pagas a Carlos Eduardo Villares Barral Advogados Associados S/C LTDA, sem que restasse comprovada a efetiva necessidade dos mesmos; que foram dadas ao Contribuinte todas as oportunidades de comprovação dos serviços relacionados às ações judiciais para os quais haviam contratos e aos quais os referidos gastos estavam relacionados, mas o Contribuinte não logrou apresentar pelo menos as iniciais das referidas demandas judiciais, cingidose a apresentar cópia de ação coletiva encetada pelas suas associadas empresas de transporte coletivo de Salvador; que como não foram comprovados que os gastos levados a despesas operacionais não se deveram às efetivas necessidades operacionais da empresa, mas sim a formação de uma “caixinha” para pagamento de propinas, serão tais despesas glosadas por não necessárias à atividade empresarial da entidade; que a Fiscalização, ficou “caracterizado que os pagamentos do SETPS não se prenderam a nenhuma causa lícita, mas a colaborar com o pagamento das propinas que foram efetuadas pelo Escritório do Sr. Carlos Eduardo Vilares Barral, tudo conforme denúncia apresentada”; que, em seguida, foi transcrito o Termo de Constatação elaborado para solicitar a suspensão da isenção pela Autoridade Administrativa. Sua leitura é essencial e encontrase às fls. 62 a 98 do Termo de Verificação Fiscal; Fl. 1076DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 5 4 que, baseado no descrito no Termo de Constatação, a Fiscalização apurou, com respaldo na contabilidade do Contribuinte (o razão foi anexado ao processo), os valores escriturados pelo mesmo como despesas e correspondentes aos referidos desembolsos, conforme pode ser visualizado no demonstrativo anexo intitulado “DEMONSTRATIVO DAS GLOSAS DAS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS”; que, portanto, o Contribuinte apresentou prejuízo no 4º trimestre de 2008 e de 2009, e lucro nos demais trimestres desses anos. Foi elaborado pela Fiscalização o “DEMONSTRATIVO DA COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS E VALOR TRIBUTÁVEL”. Em sua peça impugnatória de fls. 254/283, instruído pelos documentos de fls. 284/537 apresentada, tempestivamente, em 25/02/2013, o autuado se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência dos Autos de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que o contribuinte tratarse de entidade sindical patronal, representativa do segmento de transporte municipal urbano de passageiros na cidade de Salvador, por isso entende ser beneficiária de isenção fiscal, dentre elas, a do imposto de renda da pessoa jurídica, por determinação do art. 15, da Lei nº 9.532/1997; que em homenagem ao princípio da eventualidade, a Impugnante tratou da questão relacionada ao “Termo de Constatação”, utilizado para a propositura da suspensão da isenção (processo nº 10580.730754/201218). Requereu a confirmação de tudo que foi esclarecido e defendido na peça específica, com os argumentos seguintes; que a supressão de todos os fatos não relacionados à suas atividades e que não interfiram no pleno gozo do beneficio fiscal de isenção pertinente ao sindicato, na condição de associação civil sem fins lucrativos, por faltarlhe legitimidade para defesa, bem assim extrapolar tema tributário administrativo; que no Termo de Constatação, há uma infinidade de pessoas mencionadas pelos órgãos de segurança pública, em decorrência de escuta telefônica, sobre estas, cabe a Impugnante declarar que dentre elas mantém contratos de prestação de serviços advocatícios com a pessoa jurídica Carlos Eduardo Vilares Barral S/C Ltda. CNPJ 02.284.470/000150. Entretanto, não tem relações contratuais, formais ou não, com os sócios, pessoas físicas, os quais também não exercem qualquer cargo ou função na Entidade. Fato que não retira dos mesmos a inerente virtude que qualifica a sociedade que dirigem e torna aquele escritório em um dos principais prestadores de serviços da Impugnante; que os atos que deram origem à equivocada suspensão da isenção, disse que a acusação é genérica quanto à tipificação da suposta infringência, a ponto de não mencionar o inciso desatendido do art. 14 do CTN; que o Auditor que assinou o Parecer percorreu o caminho que demonstra dubiedade ao grafar os três incisos, como a indicar que a infração estivesse capitulada em todos eles. Por sua vez, a Autoridade Julgadora ao decidir pela suspensão capitulou nos incisos I e II do art. 14 do CTN; que há falta de uniformidade e infeliz a alteração patrocinada pela Autoridade Julgadora, restando requerer a nulidade do Despacho Decisório, e por diversos motivos, dentre eles, não pode aquela autoridade alterar a acusação e decidir. A um, em razão de cercear o Fl. 1077DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 6 5 direito de defesa, suprimir instância e impedir o contraditório. A dois, falta previsão legal para aquela autoridade aperfeiçoar o ato que julga, modificandoo. Logo, toda alteração efetuada por pessoa incompetente (capacidade legal), vicia e anula o ato administrativo, conforme determina o art. 59, I e II, do Decreto nº 70.235, de 1972; que a sua situação é de isenção e não de imunidade. Diz que não foi citado o inciso do art. 14 do CTN, sendo a acusação genérica; que as entidades listadas no artigo 9º do CTN, referenciadas no caput do art. 14, são as que gozam do benefício de imunidade. Essas se subordinam aos requisitos do artigo 14, enquanto a situação da Impugnante é de isenção. Assim, o enquadramento legal aplicado, seja qual for o inciso, não se coaduna com o fato narrado pelo fisco e não há nos autos a identificação da lei efetivamente infringida; que, no caso concreto, a ausência da capitulação legal é particularmente grave, pois não decorre de simples esquecimento ou falha sanável. Ademais, é de fundamental importância saber qual a norma infringida, sob pena de nulidade do ato administrativo por implicar em cerceamento do direito de defesa, conforme previsto no inciso II, art. 59 do PAF; que é nulo o procedimento fiscal, em razão da falta de indicação da norma infringida e também pelo fato do Julgador inserir modificações na capitulação legal sem possuir competência, além de não reabrir prazo sobre a nova capitulação; que da atividade do sindicato, discorre a Impugnante sobre o que entende ser a melhor forma de solucionar a questão central, que seria percorrer o funcionamento da operacionalização de bilhetagem dentro do sistema de transportes urbano de passageiros em Salvador, nos seguintes tópicos: a) identificação da Autoridade Estatal do sistema de transporte coletivo e delegação; b) a atividade de bilhetagem e o interesse público; c) os lançamentos contábeis no SETPS; d) os conceitos de receita e despesa; e, e) conclusão. que de acordo com a CF/88, no seu art. 30, V, é a Prefeitura Municipal a autoridade competente para organizar o funcionamento do transporte de passageiros em Salvador, e no exercício dessa competência editou diversos atos regulando e disciplinando a questão da bilhetagem, a qual representa a venda de bilhetes nas modalidades de meia passagem; vale transporte em papel ou eletrônico, avulso e gratuidade; que, originariamente, a bilhetagem esteve a cargo do Município, a exemplo do vale transporte, em razão do interesse público implícito nas operações, contudo, adiante, foi delegada à Impugnante (SETPS), conforme dispõe o Decreto Municipal nº 9.656, de 1992 (Doc. I); que a Lei Federal nº 7.418, de 1985, instituidora do vale transporte, atribuiu o ônus da bilhetagem a uma operadora, e na regulamentação, Decreto nº 95.247, de 1987, admitiu que essa pudesse ser o próprio município, uma operadora, ou ainda um consórcio. Contudo, impõe ainda responsabilidade solidária entre a operadora da bilhetagem e as empresas do sistema de transportes urbanos e a submissão do sistema à homologação estatal; que de acordo com o art. 15 e 16 do Decreto, a regulamentação visou não tributar a operação de bilhetagem, por isso mesmo atribuiu a um órgão da administração direta a operação e alternativamente a um ente privado do tipo com aparência de consórcio; ambos fora do campo de incidência da hipótese tributária do imposto de renda; Fl. 1078DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 7 6 que o bilhete meia passagem, ou passagem para estudante, seguiu a mesma trilha do vale transporte, ou seja, o Município de Salvador também delegou ao SETPS a incumbência da bilhetagem, conforme determinado em inúmeros atos, a exemplo do Decreto 11.228, de 1996 (Doc 2); que as delegações e instruções regulamentares sobre a operacionalização do sistema de bilhetagem emergem de toda burocracia da Autoridade Municipal, como a que reafirma o ônus da operacionalização do Vale Transporte eletrônico para a Impugnante, conforme dicção da Portaria do Superintendente de Transporte Público STP nº 74, de 2006 (Doc. III); que a Secretaria dos Transportes e Infraestrutura SETIN, através da Portaria nº 009/2006 GAB/ SETIN, determinou as condições para comercialização da meiapassagem (Doc. IV); que a atividade de bilhetagem é estatal na sua essência e as normas indicam a Autoridade Municipal, através de seus órgãos descentralizados ou desconcentrados, como operadora do sistema em face do interesse público no desdobramento e conseqüências do processo de bilhetagem; que a bilhetagem eletrônica introduzida pelo SETPS e patrocinada pelos associados, as empresas de transportes urbanos, contrataram, pagaram e pagam a empresa TACOM Engenharia para desenvolver programas de computador a fim de atender especificamente a demanda de Salvador, propiciando significativa redução de dinheiro em circulação nos transportes e em radical diminuição de assaltos; que o sistema de bilhetagem eletrônica implantada e desenvolvida a partir dos operadores do sistema em Salvador, centralizado em entidade sem fins lucrativos, SETPS, executa atividade típica de estado, por isso a operacionalização não é tributável e compatível com as atribuições da atividade sindical, como legitima associação civil sem fins lucrativos, conforme previsto no parágrafo único do art. 18 da Lei 9.532, de 1997 e amparada nas cláusulas do Estatuto da Entidade em causa; que, no entanto, há diversos atos normativos com exigências no sentido de proibir que os custos e despesas na operacionalização dos bilhetes resultem em aumento de tarifa, bem assim, que o operador cobre sobre preço. Essas condições impuseram que a Impugnante, entidade sem fins lucrativos, formatada como sindicato patronal de transportadores de passageiros, assumisse a tarefa, como o fez, a partir de disposição em seu Estatuto e por imposição legal, nos diversos atos da Prefeitura Municipal; que o Decreto Federal nº 95.247, de 1987, é um dos inúmeros diplomas legais que proíbe sobre preço e repasse do custo de operação da bilhetagem, ou seja, que não faça parte da planilha de custos para definição da tarifa; que a Impugnante está impedida de vender os bilhetes por preço superior à tarifa, também os prestadores dos serviços, transportadores de passageiros, proibidos de repassarem ao custo da tarifa os gastos com a comercialização. Em razão das condicionantes a Impugnante não é remunerada pela operação, uma vez que todo o produto da venda de bilhetes é repassado para os transportadores de passageiros, bem assim, os custos e despesas decorrentes; Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 8 7 que os registros contábeis do SETPS, comprovam a proibição legal de se cobrar preço superior ao da tarifa e a não remuneração pela prestação do serviço; que existe nos lançamentos contábeis uma atecnia cuja intelecção trata dos custos, despesas e receitas em conta própria, ou seja, que a operacionalização da bilhetagem gera resultados a Impugnante. No entanto, toda operação é realizada por conta e ordem de terceiros, operadoras do sistema de transporte, logo, incabível o trânsito pelas contas de resultado; que do ponto de vista contábil, as contas que representam receitas e despesas de terceiros não transitam pelas contas de resultado do administrador do recurso e devem ser registradas nas contas patrimoniais, representando direitos e obrigações para com terceiros. Apenas na hipótese de remuneração do serviço, esse ingresso é que seria levado ao resultado. Ao contrário, não havendo remuneração, a receita não sendo própria e os custos rateados entre os beneficiários das receitas, inexistirá qualquer lançamento contábil no resultado; que as transações representadas por lançamentos contábeis levadas ao resultado não podem representar direitos sujeitos a reivindicação por terceiros, ou seja, só transita pelas contas de resultados aquelas estritamente vinculadas ao negócio próprio, risco negocial do operador. Por isso, o conceito legal de receita bruta está intrinsecamente ligado a expressão operações em conta própria ou resultado em conta alheia, conforme art. 279 do RIR/99; que as receitas originadas na venda de bilhetes não pertencem à Impugnante, pois ela não possui veículos, não transporta pessoas e não é comissionada pelo serviço prestado a terceiros. Desse modo, os valores em questão pertencem ao terceiro que presta o serviço de transporte de passageiros e não paga comissão a quem vendeu o bilhete. Então, a partir do conceito legal de receita bruta, podese afirmar que a Impugnante não aufere receita bruta na operação de bilhetagem; que o Fisco não entendeu dessa forma e suspendeu a isenção por considerar que os lançamentos nas contas de resultado representam receita bruta originadas de operações em conta própria ou resultado auferido em conta alheia; que há que se ponderar o equívoco do Fisco em razão da complexidade das operações e do inadequado registro contábil. A melhor técnica seria registrar os valores sujeitos a repasse, receitas, e os custos e despesas compartilhados na operacionalização da bilhetagem, em contas patrimoniais até o confronto e a respectiva prestação de contas aos associados; que diante dos argumentos apresentados, defendeu a Impugnante que é impossível manter suspensa a isenção pela atividade de bilhetagem exercida; que os Auditores apuraram o resultado contábil de cada trimestre a partir da soma algébrica dos valores demonstrados em balancetes mensais sob o título de superavit ou déficit, considerando os com natureza de lucro contábil e tributou na modalidade do lucro real trimestral nos anos calendários de 2008 e 2009; que se admita como correta a suspensão da isenção, não se pode confundir o resultado peculiar das entidades sem fins lucrativos, com o lucro contábil apurado sob a exegese do Decreto lei n° 1.598, de 1977, e, a partir de janeiro de 2008, observada a Lei nº 11.638, de 2007, com as alterações da Lei nº 11.941, de 2009; Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 9 8 que os balancetes mensais utilizados pelo fisco não servem como ponto de partida para encontrar o lucro contábil, na forma preconizada pelas leis fiscais e societárias, por terem sido elaborados sob a premissa de registrar as operações de forma a garantir a exatidão dos fluxos financeiros de entidade sem fins lucrativos. Enquanto, a tributação pelo lucro real exige a realização de diversos lançamentos contábeis, comumente chamados de ajustes para balanços. Por isso mesmo os resultados das entidades sem fins lucrativos são denominados de superavit ou déficit, e não podem ser confundidos ou utilizados como se fossem resultados contábeis apurados na formatação das empresas com fins lucrativos; que vários procedimentos na elaboração de balancetes foram citados pela Impugnante, que ainda disse que os balancetes mensais levantados pela Impugnante eram elaborados para efeito gerencial e na condição de entidade sem fins lucrativos, por isso sem os ajustes de balanço; que o item afirmando que o procedimento dos Auditores está em desacordo com os atos emanados pela Receita Federal, através da IN nº 113, de 1998 e do Parecer Normativo CST n° 73, de 1978. Também contrária a jurisprudência formada na Câmara Superior de Recursos Fiscais. Logo, a tributação engendrada é inapropriada e ilegal; que a Impugnante a tratar da questão da dedutibilidade das despesas referentes aos pagamentos efetuados à pessoa jurídica Carlos Eduardo Vilares Barral Advogados Associados S/C Ltda., CNPJ 02.284.470/000150; que as despesas relacionadas com aquele escritório de advocacia estavam lastreadas em contrato, com emissão de nota fiscal, retenção dos tributos correspondentes e apropriação de gastos intrinsecamente vinculados à atividade sindical, ou seja, em defesa do interesse dos associados e realizados sem contrariar a legislação regente; que outra questão de suma importância é que as despesas com esse escritório de advocacia, bem assim, como os demais serviços, foram realizadas por conta e ordem de terceiros associados, desse modo a despesa não foi suportada pela Impugnante, em que pese ter levado à conta de resultado em razão da atecnia contábil; que apresenta a comprovação de despesas glosadas, que entende ser ônus da Impugnante, mesmo o Fisco sabendo que todas elas foram rateadas entre os associados; que as despesas vinculadas ao sistema de bilhetagem são rateadas entre os associados, operadores do sistema de transporte de passageiros em Salvador, por isso não poderiam ser objeto de glosa; que as despesas são dedutíveis; as despesas compartilhadas, realizadas por conta e ordem de terceiros, foram rateadas; as despesas foram indevidamente contabilizadas como receitas; e, a impossibilidade de glosar despesas realizadas por conta e ordem de terceiros e que foram rateadas; que as despesas são dedutíveis por serem pertinentes aos negócios transacionados e que foram objeto de rateio entre os associados, uma vez que a Impugnante funcionou como catalisadora, sem remuneração, e serviu aos fins previstos em seu Estatuto Social, do que é impossível a manutenção do auto de infração; Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 10 9 que todas as observações pertinentes ao imposto de renda da pessoa jurídica são extensivas à contribuição social sobre o lucro, como se aqui estivessem escritas; que requer a Impugnante o cancelamento do Ato que suspendeu a isenção e, independentemente do decidido sobre a isenção, o cancelamento do auto de infração em razão dos argumentos expostos. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo – SP, concluíram pela improcedência da impugnação e pela manutenção do crédito tributário lançado com base, em síntese, nas seguintes considerações: que devemos observar que o presente processo administrativo fiscal nº 10580.720697/201331 (Autos de Infração do IRPJ e da CSLL) possui conexão com o processo 10580.730754/201218 (“Suspensão da Isenção”) e com o processo nº 10580.720595/2013 (Autos de Infração da COFINS e do PIS), devendo, pela relação existente entre eles, ser julgados conjuntamente; que na impugnação que apresentou aos Autos de Infração do IRPJ e da CSLL, em homenagem ao princípio da eventualidade, a Impugnante requereu a confirmação de tudo que foi esclarecido e defendido na peça específica que consta do processo que trata da suspensão da isenção, desenvolvendo alguns outros argumentos nos autos deste processo; que à defesa da isenção da entidade SETPS, ela foi apreciada e julgada no processo específico que trata da questão, cujo Voto está reproduzido adiante, tornadose parte integrante do presente Voto; que quanto ao pedido de supressão de todos os fatos não relacionados às suas atividades (pagamento de propinas, operação “Expresso”, corrupção, etc.), já dissemos no processo que trata da suspensão da isenção que os temas não relacionados com as questões tributárias dos processos administrativos não serão apreciados, mesmo por que são questões da competência de outros órgãos estatais e por eles serão apreciados e julgados; que a questão da isenção esteja decidida, merecem apreciação alguns pontos trazidos ao presente processo; que, primeiro, a questão da acusação feita pela Fiscalização ter sido genérica quanto à tipificação da suposta infringência, a ponto de não mencionar o inciso desatendido do art. 14 do CTN; que não procede essa alegação. A competência para determinar a suspensão da isenção tributária do SETPS é da Autoridade Administrativa que proferiu o despacho decisório e o Ato Declaratório Executivo DRF/SDR n° 66, de 18 de dezembro de 2012, e não dos Auditores que elaboraram o Termo. E a própria Impugnante reconheceu que foi indicada a capitulação legal na decisão administrativa, o que torna improcedente o argumento; que à supressão de instância, isso não ocorreu. A Autoridade competente praticou o ato de suspensão, contra o qual a impugnante se insurgiu no processo que trata da suspensão da isenção já citado; Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 11 10 que, quanto aos demais argumentos, eles já foram abordados no Voto cujo texto acima reproduzimos; que a questão da isenção tributária fica definida pelo acerto do despacho decisório proferido pela Autoridade Administrativa que decidiu pela sua suspensão; que da atividade do sindicato, este item já foi abordado dentro da questão da procedência da suspensão da isenção. A lei que trata da isenção de tributos federais estabelece condições que devem ser satisfeitas para o gozo do benefício fiscal. Para o caso, não importa se há ato legal municipal estabelecendo competência ao SETPS para a comercialização dos bilhetes, pois é a lei federal que estipula a tributação e os casos de isenção; que não importa que exista interesse público na atividade de bilhetagem, conforme sustenta a Impugnante. Se fosse assim, as empresas que transportam efetivamente os passageiros não sofreriam tributação, já que esse serviço possui claro interesse público. E como sabemos, elas são tributadas. Se o próprio serviço de transporte de passageiros é tributado, não haveria razão para que a comercialização de bilhetes não fosse tributada; que, portanto, os demais argumentos apresentados pela Impugnante, como a forma de escrituração, a conceituação de receita e despesa, não afetam a tributabilidade da comercialização dos bilhetes pelo SETPS, pelos motivos já explanados; que, sendo assim, a Impugnante ainda argumentou que as receitas originadas da venda de bilhetes não lhe pertencem, pois ela não possui veículos, não transporta pessoas e não é comissionada pelo serviço prestado a terceiros. Desse modo, os valores em questão pertenceriam ao terceiro que presta o serviço de transporte de passageiros e não paga comissão a quem vendeu o bilhete; que, sendo assim, o argumento apresentado pela Impugnante apenas demonstra que essa atividade deve ser tributada. Se as receitas são devidas a quem efetivamente transporta os passageiros e, como sabemos, as empresas transportadoras são tributadas, as receitas da comercialização dos bilhetes também o são, conforme já discutido acima; que do auto de infração do IRPJ: lucro real trimestral, ou seja, neste item, é conveniente trazermos alguns pontos do “Termo de Verificação Fiscal” elaborado pelas Autoridades Lançadoras, que são esclarecedores da questão trazida aos autos pela Impugnante; que, portanto, o contribuinte possuía escrituração contábil na forma da legislação comercial e fiscal, permitindo a tributação com base na regra do lucro real trimestral; que as receitas tributadas foram as pagas pelas empresas de transportes coletivos de Salvador como remuneração pela prestação de serviços de administração e venda do SMART CARD; que foi apurado lucro para os primeiros, segundos e terceiros trimestre de 2008 e de 2009; e prejuízo para os quartos trimestres de 2008 e de 2009; que, dos excertos retirados do citado termo, depreendese que a Fiscalização pautouse pela legislação tributária regente e pelos dados e fatos pertinentes ao caso. Não Fl. 1083DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 12 11 houve questionamento específico da parte da Impugnante, a qual limitouse a uma defesa teórica, sem identificar erro na autuação de forma clara e mensurável; que a autuação, como se vê, foi construída dos dados retiradas da própria contabilidade da entidade, não sendo agora cabível tentar desqualificála; que com relação aos pagamentos efetuados à pessoa jurídica Carlos Eduardo Vilares Barral Advogados Associados S/C Ltda., CNPJ 02.284.470/000150, do Termo de Verificação Fiscal, verificase que as Autoridades Fiscais glosaram os respectivos valores contabilizados como despesas por considerarem que não ficou comprovada a efetiva necessidade delas à atividade da entidade; que embora a apuração das questões relacionadas com “propinas”, “formação de caixinha”, “escutas telefônicas” etc., seja, conforme já dissemos, da competência de outros órgãos estatais, neste ponto guardam ligação com a questão tributária da dedutibilidade das despesas. Com isso, não estamos dizendo que passa a ser nossa competência a apuração daquelas questões, mas sim verificar se o motivo da glosa efetuada apresentado pela Fiscalização encontra sustentação nos autos deste processo; que a resposta é afirmativa. Ao percorrermos a documentação que se encontra nos autos do processo, mormente as transcrições das escutas telefônicas, não encontramos qualquer justificativa de que o escritório de advocacia citado tivesse exercido atividade relacionada com os pagamentos efetuados pelo SETPS; que, no caso, a apresentação de notas fiscais, quando colocadas ao lado daquilo que se lê nas citadas transcrições, não encontram sustentação, razão pela qual nosso entendimento é de que os pagamentos contabilizados como despesas operacionais da entidade não podem ser considerados como necessários à atividade da entidade e, dessa forma, não podem ser deduzidos na apuração do seu resultado; que, portanto, a documentação solicitada pelas Autoridades Fiscais, mas não apresentada no curso do procedimento fiscal, também não foi apresentada com a impugnação. Portanto, fica mantida a glosa efetuada pela Fiscalização; que do auto de infração da contribuição social sobre o lucro líquido, ou seja, a Impugnante reitera para a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido toda a defesa feita para o Imposto de Renda, pela relação existente entre causa e efeito entre eles; que, de fato, todo o decidido para o Imposto de Renda aplicase à CSLL, em decorrência de apresentarem os mesmos elementos de prova; que em decorrência da conexão existente entre o presente processo administrativo fiscal e os processos nº 10580.730754/201218 (“Suspensão da Isenção”) e nº 10580.720595/201316 (Autos de Infração da COFINS e do PIS), eles deverão, caso seja interposto recurso ao CARF, ser julgados conjuntamente; que, de todo o exposto, voto pela improcedência da impugnação apresentada e pela manutenção do crédito tributário conforme lançado. A decisão de Primeira Instância esta consubstanciada nas seguintes ementas: Fl. 1084DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 13 12 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 DECISÃO ADMINISTRATIVA. NULIDADE. REQUISITOS LEGAIS PRESENTES. A decisão administrativa proferida por autoridade competente não é nula, quando são observados os requisitos exigidos pela legislação tributária. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não ocorre nulidade da decisão administrativa que analisou todos os pontos que motivaram o ato administrativo, de acordo com a legislação regente. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. ATIVIDADE MERCANTIL. FALTA DE OBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. SUSPENSÃO DA ISENÇÃO. A falta de observância dos requisitos estabelecidos em lei para o gozo da isenção tributária, caracterizado pelo exercício de atividade mercantil, com intuito de lucro, tem como conseqüência a suspensão da isenção e conseqüente incidência dos tributos sobre todas as atividades do contribuinte. COMERCIALIZAÇÃO DE BILHETES DE TRANSPORTE. NATUREZA EMPRESARIAL. A comercialização de bilhetes de transportes municipais possui natureza empresarial, que não se coaduna com as atividades de um sindicato, o qual possui natureza de associação civil. ISENÇÃO TRIBUTÁRIA FEDERAL. LEGISLAÇÃO NÃO FEDERAL E INFRALEGAL. NÃO INTERFERÊNCIA. Leis Estaduais, Municipais e suas normas infralegais não possuem força para alterar a incidência de uma norma tributária federal, eis que é a lei federal que disciplina as isenções tributárias de tributos e contribuições federais. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009. PERDA DA ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. IRPJ. INCIDÊNCIA. A perda da isenção tributária implica no lançamento do Imposto de Renda devido sobre a base de cálculo da entidade apurada. IRPJ. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO COMERCIAL E FISCAL. BASE DE CÁLCULO APURADA. MANUTENÇÃO DO LANÇAMENTO. O lançamento do Imposto de Renda calculado sobre base de cálculo apurada de acordo com a escrituração do próprio contribuinte deve ser mantido. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 14 13 DESPESAS NECESSÁRIAS À ATIVIDADE EMPRESARIAL. NÃO COMPROVAÇÃO. GLOSA MANTIDA. Não comprovada a necessidade das despesas à atividade da entidade, mantémse a glosa das mesmas. TRIBUTAÇÃO CONEXA. CSLL. Aplicase ao lançamento conexo o decidido sobre o lançamento que lhe deu origem, eis que possui os mesmos elementos de prova. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 09/06/2014, conforme Termo constante às fl. 824, e, com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, em tempo hábil (30/06/2014), o recurso voluntário de fls. 829/875, instruído pelos documentos de fls. 876/1069, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que o IRPJ, o acórdão recorrido não traz a certeza de que o d. Relator tenha lido a peça de impugnação, uma vez que não elabora qualquer comentário, mesmo que superficial, sobre os argumentos de defesa lastreados em atos legais e normativos, bem como farta jurisprudência do Carf e Câmara Superior de Recursos Fiscais; que o IRPJ, lucro real trimestral, ou seja, em decorrência da suspensão da isenção e de inexistência de demonstrativos trimestrais, balanço ou balancetes, os Auditores apuraram o resultado contábil de cada trimestre a partir de sua soma algébrica; que outra evidência é que, por não auferir remuneração pela centralização da bilhetagem, a Recorrente não é contribuinte do Imposto sobre Serviços de qualquer Natureza – ISS; que o CSLL, pela relação existente entre causa e efeito, todas as observações pertinentes ao IRPJ são extensivas à CSLL, como se aqui estivessem escritas. É o relatório. Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 15 14 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito do presente lançamento em razão da conexão existente entre o presente processo administrativo fiscal e os processos nº 10580.730754/201218 (“Suspensão da Isenção”) e nº 10580.720595/201316 (Autos de Infração da COFINS e do PIS) ainda não julgados, que, neste caso, de acordo com as orientações legais, deverão ser reunidos para julgamento em conjunto com o processo de suspensão da isenção. A autoridade administrativa através do Ato Declaratório Executivo DRF/SDR n° 66, de 18 de dezembro de 2012, suspendeu a imunidade e a isenção do Contribuinte nos anos calendário de 2008 e de 2009, formalizado através do processo nº 10580.730754/201218, ainda não julgado no CARF. A situação atual do processo de acordo com o site do CARF é DISTRIBUIR/SORTEAR 1ª SEJUL/CARF/MF/DF. Após a expedição do ato acima, o Contribuinte passou à condição de pessoa jurídica sujeita ao recolhimento dos tributos e contribuições federais: IRPJ, CSLL, COFINS, PIS. Em razão da suspensão da isenção e decorrente do trabalho de fiscalização realizado na recorrente, relativo aos anoscalendário de 2008 e de 2009, foi lavrado, em 30/01/2013, os seguintes autos de infração: A do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro, formalizado através do processo nº 10580.720697/201331. Processo em discussão no presente voto. B – da COFINS e do PIS, formalizado através do processo nº 10580.720595/201316, ainda não julgado no CARF. A situação atual do processo de acordo com o site do CARF é DISTRIBUÍDO OU SORTEADO PARA RELATOR Unidade: 2ªTO/2ªCÂMARA/3ªSEJUL/CARF/MF Relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA. Os processos em que se discutem os lançamentos efetuados deveriam estar apensos ao processo em que se discute a suspensão da isenção tributária e as decisões deveriam constar em um único acórdão em face do que determina o § 10 do artigo 123 c/c artigo 124 ambos do Decreto nº 7.574, de 2011: Art. 123. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida em conformidade com o disposto nesta Seção (Lei no 9.430, de 1996, art. 32). § 1 o Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais, de que trata a alínea "c" do inciso VI do caput do art. 150 da Constituição, não está observando requisitos ou condições previstos no § 1 o do art. 9 o e no art. 14 da Lei n o 5.172, de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinaram a suspensão do benefício, indicando inclusive a data em que os requisitos legais deixaram de ser atendidos. Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 16 15 § 2º O disposto no § 1º não se aplica no caso de descumprimento de requisito estabelecido no art. 12 da Lei n o 9.532, de 1997. § 3 o A entidade poderá, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 4 o O delegado ou inspetor da Receita Federal do Brasil decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício no caso de improcedência, dando ciência de sua decisão à entidade. § 5 o Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 3 o sem qualquer manifestação da parte interessada. § 6 o A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data em que os requisitos legais deixaram de ser atendidos. § 7 o Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento competente; e II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 8 o A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 9 o A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. § 10. Caso seja lavrado auto de infração, as impugnações e os recursos contra o ato declaratório e contra a exigência do crédito tributário serão reunidos em um único processo, devendo as decisões respectivas às matérias litigadas serem objeto de um único acórdão. (o destaque não conta do original) [...] Art. 124. Os procedimentos estabelecidos no art. 123 aplicamse também às hipóteses de suspensão de isenções condicionadas quando a entidade beneficiária estiver descumprindo as condições ou requisitos impostos pela legislação de regência (Lei no 9.430, de 1996, art. 32, § 10). Art. 125. No caso da isenção das contribuições sociais previstas nos arts. 22 e 23 da Lei n o 8.212, de 1991, constatado o descumprimento, pela entidade beneficiária, dos requisitos impostos pela legislação de regência, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção (Lei n o 12.101, de 27 de novembro de 2009, arts. 29 e 32). Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.720697/201331 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 1402 000.302 S1C4T2 Fl. 17 16 § 1 o Considerase automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no caput durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2 o O disposto neste artigo obedecerá ao rito processual do Decreto n o 70.235, de 1972 (Título II deste Regulamento). Como visto, existe uma questão prejudicial à análise do mérito do presente processo, relacionada com o processo nº 10580.730754/201218 (suspensão da isenção), ainda não julgado no CARF. Pelos fundamentos expostos, voto pelo sobrestamento do presente processo até que o processo nº 10580.730754/201218 (suspensão da isenção) seja distribuído para este relator. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 02/04/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 30/03/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 20/03/2015 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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