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Numero do processo: 11516.722368/2013-61
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2011 EMENTA DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. CUSTEIO DE PLANO DE SAÚDE COMPLEMENTAR. CONTRATAÇÃO POR PESSOA JURÍDICA EM FAVOR DA PESSOA FÍSICA. INTERMEDIAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ÔNUS ECONÔMICO. AUSÊNCIA. MANUTENÇÃO DA GLOSA. A dedução dos valores destinados ao custeio de plano de saúde complementar, originariamente pago por pessoa jurídica intermediária, em favor da pessoa física, pressupõe a prova de que o beneficiário arcou com o ônus econômico da avença. Dentre outros meios probatórios admissíveis, o sujeito passivo pode indicar ter ele ressarcido a pessoa jurídica com a transferência de valores (“reembolso”) ou a compensação da obrigações recíprocas. Ausente a comprovação do ressarcimento, a glosa deve ser mantida.
Numero da decisão: 2001-005.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO

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DESPESA MÉDICA. CUSTEIO DE PLANO DE SAÚDE COMPLEMENTAR. CONTRATAÇÃO POR PESSOA JURÍDICA EM FAVOR DA PESSOA FÍSICA. INTERMEDIAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ÔNUS ECONÔMICO. AUSÊNCIA. MANUTENÇÃO DA GLOSA. A dedução dos valores destinados ao custeio de plano de saúde complementar, originariamente pago por pessoa jurídica intermediária, em favor da pessoa física, pressupõe a prova de que o beneficiário arcou com o ônus econômico da avença. Dentre outros meios probatórios admissíveis, o sujeito passivo pode indicar ter ele ressarcido a pessoa jurídica com a transferência de valores (“reembolso”) ou a compensação da obrigações recíprocas. Ausente a comprovação do ressarcimento, a glosa deve ser mantida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 23 68 /2 01 3- 61 Fl. 184DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra o sujeito passivo acima identificado foi expedida notificação de lançamento referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2012, ano-calendário 2011, consubstanciando saldo de imposto a restituir no valor de R$2.457,21. A autuação decorreu de glosa das despesas médicas, no total de R$16.389,42, detalhadas na notificação de lançamento, “DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL”. Cientificado do lançamento em 11/06/2013, o sujeito passivo apresentou impugnação em 04/07/2013. Aduz o(a) contribuinte: “Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física Processo nº 2012/784617597812048 Impugnação SAUL BRANDALISE NETO, brasileiro, casado, administrador, portador da Carteira de Identidade n 2.406.086 SSP/SC, inscrito no CPF sob nº 765.780.209-00, residente e domiciliado à Rua Esteves Júnior, nº 527, Apto. 111, Bloco 1, Centro, em Florianópolis-SC, CEP nº 88015-130, por sua procuradora signatária, NILZA APARECIDA LAZZARI DA SILVEIRA, brasileira, casada, comerciante, portadora da Carteira de Identidade nº 1.103.674 SSP/SC, inscrita no CPF sob nº 501.100.129-68, residente e domiciliada à Rua Alberto Zoller, nº 165, Alvorada, em Videira - SC, não se conformando com o Auto de Notificação de Lançamento acima referido, vem, respeitosamente, no prazo legal, com amparo no que dispõe o art. 15, do Decreto nº 70.235/72, apresentar sua IMPUGNAÇÃO, pelos motivos de fato e de direito que se seguem: I - DOS FATOS Em 27 de abril de 2012, o impugnante apresentou tempestivamente sua Declaração de Rendimentos relativa ao exercício 2012, ano-calendário 2011. Na declaração acima citada foram prestadas informações consoantes aos pagamentos e doações efetuados, conforme se depreende por documento anexo. Ocorre que em 10 de junho de 2013, o impugnante tomou ciência da Notificação de Lançamento n 2012/784617597812048. demonstrando a glosa das referidas despesas médicas com plano de saúde, o que resultou em redução no valor do imposto a restituir conforme demonstrado em sua Declaração de Imposto de Renda, de R$ 6.964,30 (seis mil, novecentos e sessenta e quatro reais, e trinta centavos) para R$ 2.457,21 (dois mil, quatrocentos e cinquenta e sete reais, e vinte e um centavos), ou seja, uma redução (perda) de Imposto de Renda a restituir de R$ 4.507,09 (quatro mil, quinhentos e sete reais, e nove centavos). O motivo desta redução (perda) de valor de imposto a restituir foi devido à "Glosa do valor de R$ 16.389,42, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para a sua dedução, (...)", e ainda, que "O ônus do plano de saúde (Sul América Seguro Saúde) foi da empresa Jenebra Consultoria Ltda.". Ora, tal notificação não merece prosperar vez que o impugnante ao efetivamente incorrer em tais desembolsos com o citado Plano de Saúde, apenas informou em sua Declaração de Ajuste Anual que os pagamentos foram realizados para a Sul América Seguro Saúde S/A, quando poderia/deveria informar que os pagamentos eram para a Fl. 185DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 Jenebra Consultoria Ltda. A retificação da Declaração de Ajuste Anual, por si só, já corrige tal inconsistência. Ademais, o beneficiário final com os pagamentos em decorrência do Plano de Saúde, é pois, a Sul América Seguro Saúde S/A, e a Jenebra Consultoria Ltda, é apenas uma intermediária. Em tempo, a simples informação dos gastos com o Plano de Saúde para a Jenebra Consultoria Ltda., em nada alteraria o resultado final do cálculo do imposto a restituir na Declaração do impugnante. De outro modo, esta informação, com a devida vénia, nada mais é do que uma mera formalidade para o caso em questão. Por tais motivos a presente impugnação merece prosperar. II - DO DIREITO O Direito do impugnante encontra-se amparado no Decreto nº 70.235/72 que sobre a impugnação aduz o que segue: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. A presente impugnação conforme o art. 16, do Decreto nº 70.235/72, preserva todos os requisitos indispensáveis para sua propositura, senão vejamos: Art. 16. A impugnação mencionará. I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. V - se a matéria impugnada foi submetida a apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. Assim, dados os argumentos de fato e de direito, é que se requer seja acolhida a impugnação oferecida. III - DO PEDIDO À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, anulando-se por conseguinte, a Notificação de Lançamento nº 2012/784617597812048, e reconhecendo o direito do impugnante em restituir o valor de R$ 4.507,09 (quatro mil, quinhentos e sete reais, e nove centavos), por ser medida de justiça.” Tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 11 de abril de 2013 (DOU 17/04/2013), e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 24 de julho de 2013 (DOU 25/07/2013), e conforme definição da Coordenação-Geral de Contencioso Administrativo e Judicial da RFB, encaminhou-se o presente e-processo para apreciação pela DRJB/Fortaleza. A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235 de 06/03/1972 e suas alterações posteriores. Portanto, dela se toma conhecimento. Da análise da matéria consubstanciada na Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF e seus anexos, na peça impugnatória e nos demais Fl. 186DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 documentos acostados ao processo, fundamento, na qualidade de autoridade julgadora, esta decisão nas verificações a seguir descritas. Dedução Indevida de Despesas Médicas. A Lei 9.250/1995, art. 8º, II, "a", §§ 2º e 3º, dispõe que na declaração de ajuste anual, poderão ser deduzidos da base de cálculo do imposto de renda os pagamentos feitos, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas provenientes de exames laboratoriais e serviços radiológicos, restringindo-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte relativos ao seu tratamento e ao de seus dependentes. A dedução fica condicionada ainda a que os pagamentos sejam especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e CPF ou CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação de cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento, não se aplicando às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro. O valor em discussão, como constou da notificação de lançamento, foi glosado em virtude de o sujeito passivo não ter comprovado que suportou o ônus das despesas do plano de saúde, cuja estipulante é a pessoa jurídica da qual participa do quadro societário. Neste contexto, não basta a apresentação do comprovante de rendimentos e/ou de declaração afirmando que o sujeito passivo teria arcado com o pagamento do plano de saúde. Por força do princípio contábil da entidade (o patrimônio da sociedade não se confunde com o patrimônio de seus sócios), transferências de recursos entre sócios e sociedade devem estar lastreados em documentos bancários hábeis e idôneos, sob pena de as operações não poderem ser invocadas perante terceiros, por inexistência de documentação de suporte apta a amparar eventuais lançamentos contábeis. Quanto à declaração enunciativa, conforme estabelecido na Lei 10.406/2002 (Código Civil), art. 219 e parágrafo único, os interessados em sua veracidade não se eximem do ônus de prová-las. Assim, não tendo sido apresentados documentos hábeis e idôneos aptos à comprovação do alegado ônus financeiro, ônus do sujeito passivo carrear aos autos (Decreto 70.235/1972, art. 16, §4º), inócuos os argumentos expendidos na impugnação. Aduz a fiscalização: “O ônus do plano de saúde (Sul América Seguro Saúde) foi da empresa Jenebra Consultoria Ltda.” Os documentos apresentados pela defesa, fls. 19 a 65, compostos por demonstrativos de faturamento celebrados entre a empresa JENEBRA CONSULTORIA LTDA. e SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE, não são suficientes para comprovar documentalmente o efetivo pagamento/desembolso financeiro das contribuições mensais do referido plano de saúde, condição essencial para a dedutibilidade dos valores na declaração de ajuste anual. Poderia ter anexado contracheques onde constasse o débito do plano de saúde, bem como partes da própria contabilidade da empresa USINA CAETÉ S/A., constando o ressarcimento desta quantia à pessoa jurídica. Dessa forma, incabível a dedução de contribuições mensais do(a) contribuinte a plano de saúde contratado coletivamente por estabelecimento empresarial, visto não comprovar documentalmente o seu efetivo pagamento/desembolso financeiro. Diante do exposto, voto por julgar a impugnação improcedente. A decisão de primeira instância, proferida com dispensa da ementa, manteve o lançamento do crédito tributário exigido. Fl. 187DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 Cientificado da decisão de primeira instância em 04/12/2020, o sujeito passivo interpôs, em 15/12/2020, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que os documentos apresentados comprovam que o recorrente arcou com as despesas com plano de saúde. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A questão de fundo devolvida ao conhecimento deste Colegiado consiste em decidir-se se o sujeito passivo comprovou o custeio do plano de saúde complementar cuja dedução pleiteia, com recursos próprios. Conforme expõe o i. CONS. HONÓRIO ALBUQUERQUE DE BRITO: Retornando à sistemática do lançamento por homologação no IRPF, dentro do prazo até que se dê a homologação, e enquanto a Fazenda Pública não interfere e não se pronuncia a respeito, opera-se como que uma presunção de verdade em relação à apuração do contribuinte. Entretanto, uma vez estabelecida a ação da Fiscalização da Receita Federal para verificação de eventuais infrações, cabe ao fiscal promover as diligências necessárias. Assim sendo, não se mostra desarrazoada a exigência do Fisco da apresentação de elementos que comprovem, a juízo da autoridade tributária, a ocorrência da prestação do serviço, sua natureza e especialidade, a quem foi prestado, a transferência efetiva dos valores pagos de quem arcou com o ônus financeiro para o beneficiário. Ao contrário, é zelo da autoridade fiscal em cumprimento de suas obrigações funcionais, com amparo da lei. Ao solicitar, por exemplo, documentos que comprovem o efetivo pagamento dos valores, não está o fiscal necessariamente a atestar a inidoneidade do recibo apresentado ou tampouco do profissional que o emitiu. Está sim a solicitar elementos que se complementam na composição de um conjunto probatório com vista a formar sua convicção. É certo que as solicitações de documentos devem atender à razoabilidade, devendo ser evitados os pedidos de provas impossíveis ou de difícil produção. De fato, nos termos da Súmula CARF 180, “para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais”. Assim, a autoridade fiscal tem legitimidade e permissão para exigir do sujeito passivo a apresentação de provas complementares para acolhimento das alegadas despesas médicas efetuadas, de modo a tornar a singela apresentação de recibos insuficiente, ainda que eles atendam aos requisitos formais previstos na legislação. Fl. 188DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 Sem prejuízo da estrita observância à orientação sedimentada no enunciado da Súmula CARF 180, a permissão para a exigência de comprovação complementar é ato plenamente vinculado, isto é, cuja prática não pode ser discricionária. Como qualquer ato administrativo, a rejeição das alegadas despesas médicas deve ser fundamentada e motivada. A imprescindibilidade da motivação decorre do caráter plenamente vinculado do lançamento (art. 142, par. ún.do CTN) e da circunstância de ele se tratar de ato administrativo (art. 50 da Lei 9.784/1999). Afinal, sabe-se que “a presunção de validade do lançamento tributário será tão forte quanto for a consistência de sua motivação, revelada pelo processo administrativo de constituição do crédito tributário” (AI 718.963-AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 26/10/2010, DJe-230 DIVULG 29-11-2010 PUBLIC 30-11-2010 EMENT VOL-02441-02 PP-00430), e, dessa forma, o processo administrativo de controle da validade do crédito tributário pauta-se pela busca da chamada “verdade material”. A propósito, “por respeito à regra da legalidade, à indisponibilidade do interesse público e da propriedade, a constituição do crédito tributário deve sempre ser atividade administrativa plenamente vinculada. É ônus da Administração não exceder a carga tributária efetivamente autorizada pelo exercício da vontade popular. Assim, a presunção de validade juris tantum do lançamento pressupõe que as autoridades fiscais tenham utilizado os meios de que legalmente dispõem para aferir a ocorrência do fato gerador e a correta dimensão dos demais critérios da norma individual e concreta, como a base calculada, a alíquota e a sujeição passiva” (RE 599194 AgR, Relator(a): JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 14/09/2010, DJe-190 DIVULG 07-10-2010 PUBLIC 08-10-2010 EMENT VOL-02418-08 PP- 01610 RTJ VOL-00216-01 PP-00551 RDDT n. 183, 2010, p. 151-153) Assim, a declaração de insuficiência de recibos conjugada à faculdade de exigir documentação complementar, especialmente prova específica da transferência de valores monetários (cheques, PIX, DOCs, TEDs, transferências bancárias, cartão de crédito, extratos bancários) não são discricionárias e, nesse sentido, devem ser devidamente motivadas e fundamentadas. A questão de fundo se torna, assim, saber-se se exige-se a inexorável apresentação desse tipo de documento – prova da operação de transferência de recursos (se as condições de sua exigibilidade foram cumpridas), ou se sua ausência pode ser suprida por outros meios de prova admitidos em direito. De fato, são indícios consistentes a exigir aprofundamento do acervo probatório das despesas médicas, exemplificativamente: a) Insuficiência do patrimônio ou das receitas declaradas para fazer frente ao custo dos serviços, dada a necessidade de prover outras despesas essenciais à vida humana; b) Inidoneidade dos prestadores dos serviços médicos; Fl. 189DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 c) Incompatibilidade dos valores pagos, quando comparados com a prática normalmente verificada na praça; d) Ausência de registro dos respectivos recebimentos nos deveres instrumentais dos prestadores de serviços (e.g., DAA, DMED); e) Inusualidade da prática de pagamento de tais quantias em espécie. AGUSTÍN GORDILLO faz uma observação muito interessante e que julgo útil para o estudo das presunções e do “ônus processual probatório" a envolver atos administrativos em sentido amplo: “Claro está, se o ato não cumpre sequer com o requisito de explicitar os fatos que o sustentam, caberá presumir com boa certeza, à mingua de prova em contrário produzida pela Administração, que o ato não tem tampouco fatos e antecedentes que o sustentem adequadamente: se houvesse tido, os teria explicitado” (Tratado de derecho administrativo. Disponível em http://www.gordillo.com/tomos_pdf/1/capitulo10.pdf, pág. X-26). Singelamente, acrescemos que o sujeito passivo também deve saber exatamente o que a autoridade fiscal entende como necessário para confirmar ou para infirmar os fatos jurídicos relevantes à apuração do tributo. Por oportuno, transcrevo os arts. 73 e 80 do Decreto 3.000/1999, aplicável aos fatos jurídicos em exame: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). § 2º As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tornar irrecorrível na esfera administrativa (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 5º). [...] Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e Fl. 190DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV - não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V - no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exige-se a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. § 2º Na hipótese de pagamentos realizados no exterior, a conversão em moeda nacional será feita mediante utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América, fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento. § 3º Consideram-se despesas médicas os pagamentos relativos à instrução de deficiente físico ou mental, desde que a deficiência seja atestada em laudo médico e o pagamento efetuado a entidades destinadas a deficientes físicos ou mentais. § 4º As despesas de internação em estabelecimento para tratamento geriátrico só poderão ser deduzidas se o referido estabelecimento for qualificado como hospital, nos termos da legislação específica. § 5º As despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimentos (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). Resumidamente, diante de fundada dúvida, a autoridade fiscal pode exigir a apresentação complementar de documentos, como, por exemplo: 1- Recibos, documentos fiscais, declarações ou laudos que atendam aos requisitos formais previstos no art. 80 do Decreto 3.000/1999 (beneficiário/paciente, pagador, indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, registro profissional do prestador de serviços, descrição do serviço prestado); 2- Títulos de crédito ou extratos bancários que comprovem a efetiva transferência da quantia em dinheiro tida por despesa médica. Fl. 191DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 Para assegurar ao sujeito passivo a possibilidade de conhecer e atender à exigência da autoridade fiscal, a especificação desses documentos deve ocorrer logo no início do processo de fiscalização e controle da atividade desempenhada pelo contribuinte, sob pena de violação do art. 59, II do Decreto 70.235/1972. O detalhamento da documentação necessária na primeira oportunidade de contato com o sujeito passivo é profilática, com o objetivo de evitar futura contaminação do crédito tributário pela inovação de critérios legais originariamente adotados para confirmar ou para infirmar as deduções pretendidas. Elucidativos desse risco são os seguintes precedentes: Numero do processo:10510.007814/2008-34 Turma:Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Tue Sep 22 00:00:00 UTC 2020 Data da publicação:Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2020 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2004 PAF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de dedução indevida de IRRF é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão:2003-002.600 Numero do processo: 10680.005472/2008-66 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 Ementa: IRPF. JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Se o fundamento da decisão recorrida para a manutenção da glosa de despesa com livro caixa é diverso do fundamento do lançamento, há de se restabelecer a dedução pleiteada, pois é vedado à autoridade julgadora alterar o critério jurídico do lançamento. Numero da decisão: 2201-002.503 Numero do processo: 13162.000079/2009-12 Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Fl. 192DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 INOVAÇÃO NO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. É de se cancelar a autuação quando a decisão recorrida aponta fundamentos diversos daqueles da autuação para manter a exigência, sob pena de violação ao princípio da ampla defesa e do contraditório. Numero do processo: 10510.004826/2007-26 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação: Wed Oct 30 00:00:00 UTC 2019 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2005 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. POSSIBILIDADE. Restando comprovado o imposto de renda retido na fonte, cabe computa-lo no lançamento. AUTO DE INFRAÇÃO. ALTERAÇÃO PELA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA. IMPOSSIBILIDADE. MUDANÇA DO CRITÉRIO JURÍDICO. ART. 146 DO CTN. Não se afigura possível à autoridade julgadora de primeira instância alterar o fundamento do lançamento, adotando-se um novo critério, diverso daquele apontado pela autoridade fiscal no auto de infração. Referida alteração configura mudança do critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do CTN, caracterizando inovação e aperfeiçoamento do lançamento. Numero do processo: 13748.001852/2008-98 Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção Câmara: Primeira Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014 Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. INOVAÇÃO Devem ser restabelecidas as despesas devidamente comprovadas, através de documentação idônea, que faz prova da efetividade dos serviços contratados e dos respectivos beneficiários dos serviços contratados. Vedada a inovação da fundamentação por oposição de motivo não constante da autuação. Recurso Provido Uma vez comprovadas as despesas médicas, por documentação idônea, é imprescindível assegurar ao sujeito passivo o direito à respectiva dedutibilidade, observada a legislação de regência. Vão ao encontro da observância do direito à dedutibilidade os seguintes precedentes: Fl. 193DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 Numero do processo:13677.000205/2001-73 Data da sessão:Mon May 10 00:00:00 UTC 2010 Ementa:IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA — IRPF Ano-calendário: 1999 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR DECLARAÇÕES DOS PRESTADORES DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Declarações dos prestadores de serviços, sem que haja qualquer indicio de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física. Recurso especial negado Numero da decisão:9202-000.814 Numero do processo:10850.000104/2008- 22 Turma:Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara:Segunda Câmara Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu Oct 05 00:00:00 UTC 2017 Data da publicação:Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS. IDONEIDADE DE RECIBOS CORROBORADOS POR LAUDOS, FICHAS E EXAMES MÉDICOS. COMPROVAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. FISCALIZAÇÃO. A apresentação de recibos médicos, corroborados por Laudos, fichas e Exames Médicos, sem que haja qualquer indício de falsidade ou outros fatos capazes de macular a idoneidade de aludidos documentos declinados e justificados pela fiscalização, é capaz de comprovar a efetividade e os pagamentos dos serviços médicos realizados, para efeito de dedução do imposto de renda pessoa física Recurso Voluntário Provido Numero da decisão:2202-004.319 Numero do processo:10980.720179/2009-29 Turma:Segunda Turma Especial da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Thu May 12 00:00:00 UTC 2011 Data da publicação:Fri May 13 00:00:00 UTC 2011 Ementa:ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Na apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física são dedutíveis as despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, efetuadas pelo contribuinte, relativas ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, quando comprovadas com documentação hábil e idônea. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Em princípio, os recibos que, emitidos por profissionais habilitados, atendem os requisitos legais são hábeis e idôneos para fins de comprovar a dedução de despesas médicas, são eles que comprovam o pagamento. Não obstante, em havendo indícios que desabonem a presunção de idoneidade desses documentos, a autoridade fiscal tem o poderdever de exigir outras formas de comprovação a fim de comprovar por provas ou mesmo por conjunto de indícios veementes que afastem a regra geral de aptidão dos recibos para fins de dedução. Na falta dessas provas ou indícios veementes os recibos permanecem como documentos hábeis e idôneos. Todavia, não são hábeis a justificar a dedução documentos que não contenham os requisitos intrínsecos a Fl. 194DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 qualquer recibo, entre os quais identificar quem pagou, quem recebeu, o quanto foi pago e em que data, e os requisitos legais. Recurso provido em parte. Numero da decisão:2802-00.824 Numero do processo:13603.000777/2007- 10 Turma:2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS Câmara:2ª SEÇÃO Seção:Câmara Superior de Recursos Fiscais Data da sessão:Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019 Data da publicação:Mon Aug 05 00:00:00 UTC 2019 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. A apresentação de recibos idôneos fornecidos por profissionais de saúde, contendo os elementos necessários à identificação de quem recebeu o pagamento, constituem documentos hábeis a comprovar a realização das despesas permitidas como dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda. Numero do processo:13830.720850/2016-72 Turma:Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção Seção:Segunda Seção de Julgamento Data da sessão:Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação:Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018 Ementa:Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE DOCUMENTAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Notas fiscais de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos comprovantes de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos documentos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. PRÓTESE ORTOPÉDICA. LAUDO MÉDICO. Notas fiscais com identificação do paciente e médico. Laudo médico apresentado. Comprovação realizada. Numero da decisão:2001-000.204 Ademais, a singela ausência de distinção entre fonte pagadora e beneficiário é insuficiente para manter a glosa. O modo menos ambíguo e vago para identificação dos elementos essenciais do pagamento consiste na aposição de rótulos às informações. Contudo, a prática empresário-comercial de emissão de documentos nem sempre é padronizada de modo otimizado, nem observa a máxima cautela. Afinal, a linguagem natural utilizada no cotidiano tende a ser fluida (cambiante), atécnica e subordinadas às particularidades regionais. Em alguns momentos, o Direito acaba por juridicizar a prática (e.g., art. 673, 3 da Lei 556/1850). Assim, ausentes outros obstáculos, pode-se inferir que a fonte pagadora é também o beneficiário, pois essa é a prática adotada na elaboração de documentos simplificados ou padronizados. De fato, a própria SRFB reconhece essa circunstância, como revela consulta ao art. 97, II da IN 1.500/2014, textualmente: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: Fl. 195DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 [...] II - a identificação do responsável pelo pagamento, bem como a do beneficiário CASO seja pessoa diversa daquela; (grifamos). Em sentido semelhante, a simples e isolada ausência de indicação do endereço não justifica a glosa, ante a possibilidade de identificação desse dado de outro modo, inclusive com consulta aos bancos de dados disponíveis à autoridade fiscal: Art. 97. A dedução a título de despesas médicas limita-se a pagamentos especificados e comprovados mediante documento fiscal ou outra documentação hábil e idônea que contenha, no mínimo: § 4º A ausência de endereço em recibo médico é razão para ensejar a não aceitação desse documento como meio de prova de despesa médica, porém não impede que outras provas sejam utilizadas, a exemplo da consulta aos sistemas informatizados da RFB. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1756, de 31 de outubro de 2017) (grifamos). Sobre a necessidade de comprovação do efetivo pagamento das despesas médicas, na hipótese de adimplemento em espécie, em que pese meu entendimento pessoal, no sentido de que a rejeição dos recibos deve ser expressamente motivada e fundamentada, de modo a inexistir permissão legal para que a autoridade fiscal exija discricionariamente e logo de início prova legitimada por terceiros acerca da efetiva transferência de valores, reconheço que, no âmbito desta Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção do CARF, a compreensão sobre o tema é diversa (cf., e.g., os Processos 19647.001463/2008-87, 17437.720120/2012-41 e 15504.720043/2012-53). Por observância do Princípio do Colegiado, registro minha posição pessoal, mas adiro à orientação firmada. Desse modo, se a autoridade lançadora exigiu prova do efetivo pagamento de despesa médica (por ocasião de intimação expressa no curso do lançamento), supostamente realizada em dinheiro, deve-se comprovar a disponibilidade do numerário em data coincidente ou próxima ao desembolso. Segundo entendimento desta c. Turma Extraordinária, essa comprovação deve ser feita com a apresentação de extratos (suporte) e com a correlação entre os respectivos saques e datas de pagamento (argumentação sintética). No caso em exame, o sujeito passivo não comprovou ter arcado com o ônus econômico do custeio do plano de saúde complementar, mediante pagamento direto ou por ressarcimento, seja pela transferência de valores, seja pela compensação de direitos recíprocos, destinado à pessoa jurídica intermediária da contratação e que, originariamente, solveu a obrigação. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e NEGO-LHE PROVIMENTO. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2001-005.163 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11516.722368/2013-61 Fl. 197DF CARF MF Original

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9799022 #
Numero do processo: 10855.725890/2017-15
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 27 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 3301-001.708
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam devolvidos á Secretaria da Câmara, para a sua posterior movimentação para a Primeira Seção do CARF, a quem compete o julgamento do feito (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Ari Vendramini - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Antonio Marinho Nunes (Presidente Substituto), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Salvador Cândido Brandão Junior, Juciléia de Souza Lima e Carlos Delson Santiago (Suplente Convocado). Ausentes a Conselheira Liziane Angelotti Meira e o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, substituídos pelo Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes e pelo Conselheiro Carlos Delson Santiago.
Nome do relator: Não se aplica

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Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que os autos sejam devolvidos á Secretaria da Câmara, para a sua posterior movimentação para a Primeira Seção do CARF, a quem compete o julgamento do feito (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes – Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Ari Vendramini - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Antonio Marinho Nunes (Presidente Substituto), Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro, Salvador Cândido Brandão Junior, Juciléia de Souza Lima e Carlos Delson Santiago (Suplente Convocado). Ausentes a Conselheira Liziane Angelotti Meira e o Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, substituídos pelo Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes e pelo Conselheiro Carlos Delson Santiago. Relatório 1. Adoto o relatório que compõe o Acórdão da DRJ/BRASÍLIA, aqui combatido, por economia processual e por bem descrever os fatos : Trata o presente processo de impugnação em face do lançamento de ofício de PIS/PASEP e de Cofins, acrescidos de multa de ofício de 150% e juros de mora, do crédito tributário no montante total de R$ 68.366,63 conforme discriminado no ‘Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal’ de fls. 164/165. CREDITO TRIBUTÁRIO APURADO Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins............... ….…………………………….…….R$ 60.546,92 Contribuição para o PIS/PASEP .................................. R$ 7.819,41 DO LANÇAMENTO A empresa fiscalizada foi excluída do Simples Nacional com efeitos retroativos a 01/03/2012, por meio do Ato Declaratório Executivo Nº 081/2017, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 55 .7 25 89 0/ 20 17 -1 5 Fl. 374DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 3301-001.708 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.725890/2017-15 expedido em 17/11/2017 pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba - SP (feito tratado no processo administrativo fiscal nº 10855.724.956/2017-50). Com essa exclusão a autoridade fiscal responsável pela ação fiscal verificou se o contribuinte cumpriu a legislação tributária e, se fez o correto pagamento das Contribuições Previdenciárias, do IRPJ, da CSLL, do PIS/PASEP e da Cofins, fora da sistemática do Simples Nacional no ano calendário de 2013. O lançamento, efetuado em 16/12/2017 por meio por meio dos Autos de Infrações de fls. 103/132, deu-se em conclusão a procedimento de fiscalização relativo ao ano calendário de 2013, levado a efeito contra a pessoa jurídica impugnante, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.10.00-2016-00322. Conforme o campo ‘Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal’ constante dos Autos de Infrações de IRPJ, a fiscalização apurou ao final dos trabalhos, como resultado da auditoria fiscal, para os fatos geradores de 31/01/2013 a 31/12/2013, a seguinte infração: “INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO”. A autuação de Cofins teve como fundamento o art. 1º da Lei Complementar nº 70/91, o art. 2º da Lei nº 9.718/98 e, o art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158-35/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e, pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. A autuação de PIS/PASEP teve como fundamento o art. 1º da Lei Complementar nº 7/70, arts. 2º, inciso I, e 9º da Lei nº 9.715/98, art. 2º da Lei nº 9.718/98, art. 79 da Lei nº 11.941/2009 e, art. 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações introduzidas pelo art. 2º da Medida Provisória nº 2.158-35/01, pelo art. 41 da Lei nº 11.196/05 e, pelo art. 15 da Lei nº 11.945/09. As ações desenvolvidas e os valores apurados pela autoridade fiscal no procedimento de fiscalização encontram-se detalhados no ‘Relatório Fiscal’ de fls. 99/102 e na planilha ‘Apuração da Cofins e do PIS do ano calendário de 2013 que serão exigidos em Autos de Infrações’ de fl. 98, a qual faz parte integrante do referido relatório. Relatório Fiscal A presente fiscalização, objeto do TDPF em epígrafe, foi inicialmente desenvolvida no sentido de ser verificada a correta opção por parte da pessoa jurídica Sistema Educacional Ciências e Letras Eireli, CNPJ 04.811.108/0001- 15, ao Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - Simples Nacional. 2 – Referido procedimento culminou na exclusão da citada empresa do Simples Nacional, com efeitos retroativos a 1º de março de 2012, feito tratado no Processo Administrativo 10855.724.956/2017-50, de Representação Fiscal para Exclusão do Simples Nacional, cujas peças principais junto neste processo por cópia, quais sejam: - Representação Fiscal Para Exclusão do Simples Nacional - Termo de Constatação de Fatos Impeditivos ao Enquadramento da Opção Pelo Simples Nacional; - Ato Declaratório Executivo nº 081. 3 – Considerando a exclusão citada e que o presente procedimento de fiscalização se reporta somente ao ano de 2013, fez-se necessária a verificação do correto pagamento das Contribuições Previdenciárias, do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS fora da sistemática do Simples Nacional, nesse ano calendário. 4 – As Contribuições Previdenciárias estão sendo tratadas no processo administrativo 10855-725.691/2017-15. 5 – Quanto ao IRPJ e à CSLL, informamos que consoante documentos apresentados pela empresa no curso da fiscalização, constatamos à apuração de prejuízo fiscal, portanto, consequentemente não haverá lançamento correspondente quanto a um e outro. 6 – Restam, portanto, a COFINS e o PIS, que serão exigidos em autos de infração que serão tratados no presente processo, o que passa a ser feito. 7 - Haja vista o objeto social da empresa ser a “prestação de serviços profissionais necessários à educação infantil e ao ensino fundamental”, temos que a forma de apuração da COFINS e do PIS deve se dar pelo regime cumulativo. Fl. 375DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 3301-001.708 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.725890/2017-15 8 - Nas declarações apresentadas mensalmente pela empresa no ano de 2013, por meio do Programa Gerador do Documento de Arrecadação do Simples Nacional – Declaratório (PGDAS-D), encontramos a Receita Bruta Auferida para fins da apuração das referidas contribuições. 9 – Para quantificação, elaboramos a planilha denominada “Apuração da COFINS e do PIS do ano calendário de 2013 que serão exigidos em autos de infração”, a qual passa a fazer parte integrante deste Relatório Fiscal. Salientamos que as parcelas da COFINS e do PIS pagas na forma do Simples Nacional estão sendo consideradas e deduzidas do devido. (...) O contribuinte autuado SISTEMA EDUCACIONAL CIÊNCIAS E LETRAS EIRELI, CNPJ 04.811.108/0001-15, foi cientificado do lançamento fiscal em 05/01/2018 (‘Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal’ de fls. 164/165, ‘Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Postal DTE’ de fl. 166 e ‘Termo de Abertura de Documento’ de fl. 185 e fl. 186). DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA De acordo com o item 11 do ‘Relatório Fiscal’ e, conforme consta do ‘Termo de Constatação de Fatos Impeditivos ao Enquadramento da Opção pelo Simples Nacional’ de fls. 59/95, as empresas a seguir listadas, integrantes do grupo econômico de fato denominado ÁGATHOS EDUCACIONAL, foram arroladas como sujeitos passivos solidários nos ‘Demonstrativo de Responsáveis Tributários’ de fls. 107 a 111 e de fls. 121 a 125 constantes dos Autos de Infrações. Sujeitos Passivos Solidários CNPJ Nome 06.988.517/0001-17 Escola de Educação Portal da Colina Eireli 71.481.584/0001-02 Ciências e Letras Ensino Ltda. 05.352.465/0001-25 Escola de Educação Sorocaba Eireli 06.988.267/0001-15 Sistema Educacional Sorocaba Ltda. 07.656.791/0001-51 Sistema Educacional Itapetininga LTDA. EPP 04.209.911/0001-84 Sistema Educacional SR Ltda. EPP 09.294.069/0001-40 Sistema Educacional Montpellier Ltda. EPP 09.242.782/0001-40 Escola de Educação de Itapetininga ME. 09.522.595/0001-10 Ágathos – Participações e Empreendimentos S/A. 03.770.276/0001-47 Escola Superior de Educação Ciências e Letras Ltda. 03.363.565/0001-21 Escola Superior de Gestão de Negócios Ltda. 50.784.313/0001-56 Sistema Educacional Quinta Ltda. EPP 50.360.502/0001-00 Sistema Educacional Barão Ltda. 04.317.243/0001-09 Escola Superior de Educação Itapetininga Ltda. Os sujeitos passivos arrolados como solidários foram cientificados do lançamento e da responsabilização tributária solidária entre os dias 22/12/2017 a 05/01/2018 (Documentação de fls. 167 a 202: ‘Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Total do Procedimento Fiscal – Responsabilidade Tributária’, ‘Termo de Registro de Mensagem de Ato Oficial na Caixa Postal DTE’ e Avisos de Recebimento). DA IMPUGNAÇÃO A pessoa jurídica autuada em conjunto com todas as pessoas jurídicas arroladas como responsáveis solidários interpuseram em 16/01/2018 (Termo de Solicitação de Juntada de fl. 203), por intermédio de procurador regulamento constituído (instrumentos de mandatos de fls. 240 a 269), a impugnação única de fls. 221/239 contestando a autuação e as responsabilizações tributárias solidárias. Fatos Na peça de defesa apresentada, o patrono das empresas impugnantes inicialmente faz uma síntese dos fatos que culminaram na autuação e nas responsabilizações tributária solidárias. Questão prejudicial Pugna que há uma questão prejudicial que impede o lançamento em virtude do ato declaratório executivo que excluiu do Simples Nacional a empresa Fl. 376DF CARF MF Original Fl. 4 da Resolução n.º 3301-001.708 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.725890/2017-15 SISTEMA EDUCACIONAL CIÊNCIAS E LETRAS EIRELI ser objeto de manifestação de inconformidade, a qual ainda está pendente de julgamento. Alega que “até que haja decisão definitiva acerca da manifestação de inconformidade interposta, o ato de exclusão da primeira requerente do Simples Nacional não produz qualquer efeito”, motivo pelo qual entende que há nulidade dos Autos de Infrações. Nulidade do lançamento Protesta que há nulidade do auto de infração em virtude da fiscalização ter como escopo exclusivo a verificação do recolhimento de contribuições previdenciárias e de contribuições destinadas a outras entidades no ano de 2013, sem que tenha havido alteração “para abranger fatos relacionados à Cofins e ao PIS”. Improcedência da acusação Protesta que é equivocada “a inclusão da requerente no suposto grupo econômico de fato”; que “a requerente não exerce a mesma atividade daquelas empresas”, uma vez que presta serviços de educação infantil e ensino fundamental enquanto as outras empresas atuam no ensino médio, pré-vestibular e ensino superior; e que ainda que atuem todas no segmento educacional, não realizam a mesma prestação de serviços. Aduz que no “segmento educacional, é comum que empresas atuem no mesmo espaço físico, desenvolvendo atividades complementares (ensino infantil, ensino fundamental 1, ensino fundamental 2, ensino técnico, ensino preparatório para vestibular) e compartilhando serviços”. Sustenta que o grau de parentesco entre titulares de empresas não é elemento que autorize a constituição de grupo econômico. Cita acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais para afirmar que a “jurisprudência administrativa não admite a vinculação de uma empresa a grupo econômico sob o argumento do parentesco”. Defende que a “caracterização de grupo econômico de fato depende, dentre outros requisitos, da prova de controle comum das empresas e da evidenciação da chamada confusão patrimonial”; que “o fato de pessoas ligadas por vínculo familiar serem sócias de empresas diversas não implica dizer que haja comunhão de controle, ainda que outras circunstâncias estejam presentes”; e que “a autoridade fiscal não traz nenhum elemento que se contraponha ao fato de que há autonomia administrativa por parte da primeira requerente”. Pugna que não está provado o “requisito essencial à caracterização de grupo econômico”; que “a autoridade fiscal não demonstra – nem no processo administrativo que deu origem ao ato declaratório executivo de exclusão, nem nestes autos – a chamada confusão patrimonial”; e que “não há elementos para sustentar a acusação de que a requerente integraria o grupo econômico apontado pela autoridade fiscal”. Argumenta que “ainda que subsistisse a acusação, o que se admite em atenção à eventualidade, ela deveria se restringir às empresas que se situam no mesmo endereço da requerente, não alcançando empresas situadas em outros locais, especialmente em outras cidades”. Afirma que “não houve qualquer evidenciação de confusão patrimonial ou de gestão comum entre as pessoas jurídicas, fatos essenciais para a formação de grupo econômico”. Conclui pela “insubsistência do ato declaratório executivo de exclusão da primeira requerente do Simples Nacional e a improcedência da acusação fiscal”. Erro na quantificação do crédito tributário Em tese subsidiária, protesta que há “erro na quantificação do crédito tributário pela falta de exclusão da base de cálculo da Cofins e do PIS dos valores devidos pela primeira requerente a título de ISS”. Justifica que “a primeira requerente, ao prestar serviços de educação, sujeita-se ao pagamento do ISS”; que “nos pagamentos efetuados em 2013 no âmbito do Simples Nacional, há parcelas correspondentes àquele imposto municipal”; que “o montante do ISS incidente sobre as operações da requerente não integra sua receita bruta”; e “consequentemente, não compõe a base de cálculo da Cofins e do PIS por ela devidos”. Fl. 377DF CARF MF Original Fl. 5 da Resolução n.º 3301-001.708 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.725890/2017-15 Menciona que “é nesse sentido a jurisprudência dos tribunais a partir do julgamento proferido pelo STF no RE nº 574.706, quando foi reconhecida a ilicitude da inclusão do ICMS na base de cálculo daqueles tributos”. Conclui que “há vício na quantificação do crédito tributário, o que torna nulo o lançamento”. Não cabimento da multa agravada Contesta que é descabida a multa qualificada de 150% do valor do crédito tributário uma vez que “a autoridade não justificou adequadamente a incidência da multa” ao não apontar “de forma específica, quais as condutas caracterizariam sonegação, fraude ou conluio”; limitando-se “de forma genérica, a sustentar a incidência dos artigos 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/64”. Argumenta que “a referência ao Termo de Constatação anexado ao processo administrativo que deu origem ao ato declaratório de exclusão da primeira requerente do Simples Nacional e a invocação genérica dos artigos 71, 72 e 73 da lei nº 4.502/64 não suprem a exigência de adequada fundamentação e justificação para a exigência de multa qualificada”. Reforça que “não há nos autos nada que indique que a primeira requerente e as demais empresas supostamente integrantes do grupo econômico não tenham cumprido adequadamente todas as obrigações tributárias acessórias exigíveis, emitindo documentos, escriturando livros e remetendo declarações ao fisco”; e que ao longo do procedimento de fiscalização, as empresas entregaram prontamente à autoridade fiscal todos os documentos e esclarecimentos solicitados. Pondera que “ainda que prevaleça a acusação fiscal, os fatos teriam resultado numa redução de carga tributária, mas não numa sonegação fiscal, haja vista a transparência adotada e o cumprimento de todas as obrigações fiscais acessórias”. Cita jurisprudências do CARF. Conclui que “não há espaço para a imposição de multa qualificada”; motivo pelo qual entende que deve ser reduzida a multa imposta. Impossibilidade da responsabilização de terceiros Defende que “não há qualquer interesse comum entre a primeira requerente e os responsáveis tributários”; que “o simples fato de empresas integrarem um mesmo grupo não as faz solidárias entre si”; que “o Relatório Fiscal não indica nem prova qual seria o “interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”, o que torna nula a atribuição de responsabilidade solidária”. Cita jurisprudência judicial do STJ e do STF e jurisprudência administrativa do CARF. Conclui pela “insubsistência da inclusão de terceiros no pólo passivo da relação jurídico- tributária constituída”. Pedidos Ao final da defesa requer: a) a decretação da nulidade dos autos de infração; ou b) a improcedência dos autos de infração ou a redução do crédito tributário; e c) a exclusão da responsabilidade tributária. É o relatório 2. Assim restou ementado o Acórdão da DRJ/BSA : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 NULIDADE. PRESSUPOSTOS. Ensejam a nulidade apenas os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 378DF CARF MF Original Fl. 6 da Resolução n.º 3301-001.708 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.725890/2017-15 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2013 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. CONFIRMAÇÃO. POSSIBILIDADE LANÇAMENTO DE OFÍCIO DOS TRIBUTOS POR OUTRA FORMA DE TRIBUTAÇÃO. INDEPENDÊNCIA. Independe da confirmação do ato de exclusão da empresa do Simples Nacional para que se proceda de ofício o lançamento dos tributos devidos, seja por qualquer outra forma de tributação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2013 RESPONSABILIDADE PELO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INTERESSE COMUM. SOLIDARIEDADE. Consoante o que dispõe as normas gerais de Direito Tributário, as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador são solidariamente responsáveis pelo crédito tributário apurado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2013 FATO IMPONÍVEL. EVIDENCIAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Evidenciado na ação fiscal o fato imponível previsto na legislação tributária sujeito à tributação do PIS/PASEP, cabível o lançamento de ofício do tributo pela autoridade fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Ano-calendário: 2013 FATO IMPONÍVEL. EVIDENCIAÇÃO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Evidenciado na ação fiscal o fato imponível previsto na legislação tributária sujeito à tributação da Cofins, cabível o lançamento de ofício do tributo pela autoridade fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadra-se, em tese, nas hipóteses tipificadas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502/64. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 3. Irresignada, a impugnante apresenta recurso voluntário dirigido a este CARF, com o seguinte teor : 1- SÍNTESE DOS FATOS E DA DECISÃO RECORRIDA 2 – DOS FUNDAMENTOS 2.1. PRLIMINARMENTE 2.1.1 DA QUESTÃO PREJUDICIAL 2.1.2 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO NA INSTRUÇÃO 2.1.3 DA NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL 2.2 DO MÉRITO 2.2.1 DA IMPROCEDÊNCIA DA ACUSAÇÃO POR INOCORRÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO 2.2.2 DO ERRO NA QUANTIFICAÇÃO DO CRÉDITO 2.2.3 DA MULTA PUNITIVA 2.2.4 DA IMPOSSIBILIDADE DE RESPONSABILIZAÇÃO DE TERCEIROS 3 DO PEDIDO - Ante o exposto, requer seja conhecido e provido o presente recurso voluntário, a fim de que seja integralmente julgada improcedente a presente acusação. Fl. 379DF CARF MF Original Fl. 7 da Resolução n.º 3301-001.708 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.725890/2017-15 4. Assim os autos me vieram distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini, Relator. 5. Verifica-se, preliminarmente, que o processo apenso, de nº 10855.724956/2017-50, trata de exclusão do SIMPLES NACIONAL, exclusão esta que deu origem aos presentes autos, pois que dela são reflexos. 6. Destaque-se, para tornar mais clara a situação dos presentes autos. o relatório que compõe o Acórdão nº 03-81.042, exarado naqueles autos, pela 7º Turma da DRJ/BRASÍLIA : Trata o presente processo de manifestação de inconformidade em face do Ato Declaratório Executivo Nº 81/2017 de fls. 461 e 462, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba - SP em 17/11/2017 que excluiu, a partir de 01/03/2012, a pessoa jurídica SISTEMA EDUCACIONAL CIÊNCIAS E LETRAS EIRELI, CNPJ 04.811.108/0001-15, do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional). A exposição de motivos que resultaram nessa exclusão do contribuinte do Simples Nacional encontra-se na “REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL” de fls. 02/03 e no “TERMO DE CONSTATAÇÃO DE FATOS IMPEDITIVOS AO ENQUADRAMENTO DA OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL” de fls. 04/40 que faz parte integrante da mencionada Representação. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL de fl. 02/03 (...) 2. No Termo de Constatação, o qual faz parte integrante dessa representação, estão amplamente demonstradas as infrações à legislação tributária que representam impedimentos à adesão e/ou manutenção no Sistema SIMPLES de tributação. 3. Em conformidade com o referido termo de constatação, ficou caracterizado que a empresa em epígrafe faz parte de um grupo econômico de fato. 4. O fundamento para a exclusão não é a caracterização do grupo econômico de fato, mas sim a realidade subjacente que advém dessa caracterização, qual seja, a dependência entre as empresas, que atuam como empreendimento único. Nessa hipótese, a receita bruta para fins de apuração do limite legal não pode ser considerada individualmente (por empresa integrante do grupo), mas na sua totalidade, a fim de que o grupo econômico não se beneficie indevidamente do Simples Nacional através das empresas dele integrante. 5. Na planilha anexa, denominada de ANEXO I, é apresentado os valores individuais declaradas pelas empresas componentes do grupo econômico de fato, sendo que a somatória dessas receitas representa a RECEITA BRUTA GLOBAL do grupo econômico de fato, perfazendo, já na competência 02/2012 (fevereiro de 2012), um valor acima de 20% do limite estabelecido pelo inciso II do Art. 3º, da Lei Complementar 123/2006. Fl. 380DF CARF MF Original Fl. 8 da Resolução n.º 3301-001.708 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.725890/2017-15 6. Em razão da extrapolação da receita bruta global, a empresa optante do SIMPLES NACIONAL, por determinação legal – LC 123/96, art. 30 IV, deveria obrigatoriamente comunicar a sua exclusão do Simples Nacional, porém, não comunicou. 7. Dessa forma, caracterizadas as infrações à legislação tributária, conforme demonstradas no termo de constatação, as quais representam impedimentos a adesão e/ou manutenção no Sistema SIMPLES de tributação, propondo a exclusão de ofício da empresa em epigrafe, com efeito a partir de 1º de março de 2012, conforme previsto no artigo 29, inciso I, e no artigo 31, inciso V, “a”, da Lei Complementar nº 123/2006. (...) (Sublinhados acrescidos) Cientificada por via postal do Ato Declaratório Executivo Nº 81/2017 em 28/11/2017 (Termo de Ciência de fls. 463/464 e AR de fl. 465), a pessoa jurídica interessada apresentou em 20/12/2017 a manifestação de inconformidade de fls. 472/478 contestando o ato de exclusão do Simples Nacional. Na peça de defesa apresentada, a empresa inicialmente faz uma síntese dos fatos que culminaram na sua exclusão do Simples Nacional. Prossegue protestando que: - é equivocada “a inclusão da requerente no suposto grupo econômico de fato”; - a requerente não exerce a mesma atividade das outras “empresas supostamente integrantes do grupo”; - enquanto “a requerente presta serviços de educação fundamental 1 (do primeiro ao quinto ano), aquelas outras empresas atuam na educação infantil e no ensino fundamental 2 (sexto ao nono ano)”; - ainda que atuem todas no segmento educacional, não realizam a mesma prestação de serviços; - no “segmento educacional, é comum que empresas atuem no mesmo espaço físico, desenvolvendo atividades complementares (ensino infantil, ensino fundamental 1, ensino fundamental 2, ensino técnico, ensino preparatório para vestibular) e compartilhando serviços”; - o grau de parentesco entre titulares de empresas não é elemento que autorize a constituição de grupo econômico; - a “jurisprudência administrativa não admite a vinculação de uma empresa a grupo econômico sob o argumento do parentesco”; - a “caracterização de grupo econômico de fato depende, dentre outros requisitos, da prova de controle comum das empresas e da evidenciação da chamada confusão patrimonial”; - a autoridade fiscal “não demonstra que, em relação a cada uma das empresas, a administração se dava em comum por todas aquelas pessoas ou por parte delas”; - o “fato de pessoas ligadas por vínculo familiar serem sócias de empresas diversas não implica dizer que haja comunhão de controle, ainda que outras circunstâncias estejam presentes”; - não há nos autos “nenhum elemento que se contraponha ao fato de que há autonomia administrativa por parte da requerente”; - não há nada que indique, como pretende a autoridade fiscal, que as atividades da requerente seriam controladas por terceiros; e - a autoridade fiscal não demonstra a chamada confusão patrimonial. Aduz que não há elementos para sustentar a acusação de que a Impugnante integraria o grupo econômico apontado pela autoridade fiscal e, que “ainda que subsistisse a acusação, o que se admite em atenção à eventualidade, ele deveria se restringir às empresas que se situam no mesmo endereço da requerente, não alcançando empresas situadas em outros locais”. Sustenta que como indícios da acusação “a autoridade fiscal traz aos autos a dissertação de mestrado” que sugere ser “documento particular de conteúdo acadêmico que jamais pode servir de elemento de prova”. Contesta que a “autoridade fiscal pretende, ainda, provar a acusação pelo fato de haver entre as empresas o compartilhamento de serviços”, o que defende ser lógico Fl. 381DF CARF MF Original Fl. 9 da Resolução n.º 3301-001.708 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.725890/2017-15 como forma de economia, uma vez que “há complementariedade nas atividades desempenhadas e ocupação do mesmo local”. Pugna o fato de a autoridade fiscal trazer aos autos “publicações feitas por terceiros em redes sociais”, as quais, por se tratarem de “manifestações de cunho privado”, “a requerente não tem nem ingerência nem controle”. Conclui que “não houve qualquer evidenciação de confusão patrimonial ou de gestão comum entre as pessoas jurídicas, fatos essenciais para a formação de grupo econômico”. Ao final, requer que seja tornado sem efeito o Ato Declaratório Executivo impugnado. É o relatório. 7. Naqueles autos, o Acórdão restou assim ementado : ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2012 EXCLUSÃO. GRUPO ECONÔMICO. EXCESSO DE RECEITA BRUTA. Consoante o disposto no artigo 3º da Lei Complementar nº 123, de 2006, é cabível a exclusão de ofício da pessoa jurídica do Simples Nacional pertencente a Grupo Econômico quando constatado em conjunto o excesso de receita bruta das empresas componentes do grupo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio 8. Contra tal Acórdão, a impugnante apresentou recurso voluntário, que não foi julgado, pois os autos foram apensos aos presentes. 9. Assim, o que se verifica é que houve erro procedimental na apensação dos processos administrativos, entendemos que os autos apensos, de nº 10855.724956/2017-50, na realidade, devem ser os autos principais, pois os presentes autos daqueles são reflexos. 10. O artigo 6º do ANEXO II do Regimento Interno do CARF, RICARF/2015, assim determina sobre processos reflexos : Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III - reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. 11. Já os artigos 7º e 8º esclarecem a questão : Art. 7º Incluem-se na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Fl. 382DF CARF MF Original Fl. 10 da Resolução n.º 3301-001.708 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.725890/2017-15 § 2º Os recursos interpostos em processos administrativos de cancelamento ou de suspensão de isenção ou de imunidade tributária, dos quais não tenha decorrido a lavratura de auto de infração, incluem-se na competência da 2ª (segunda) Seção. Art. 8º Na hipótese prevista no § 1º do art. 7º, quando o crédito alegado envolver mais de um tributo com competência de diferentes Seções, a competência para julgamento será: I - da 1ª (primeira) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e das demais; e II - da 2ª (segunda) Seção de Julgamento, se envolver crédito alegado de competência dessa Seção e da 3ª (terceira) Seção. 12. Quanto ás competências, assim está redigido o artigo 2º do ANEXO II do RICARF : Seção I Das Seções de Julgamento Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I - Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ); II - Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III - Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), quando se tratar de antecipação do IRPJ; IV - CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova em um mesmo Processo Administrativo Fiscal; V - exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SimplesNacional); VI - penalidades pelo descumprimento de obrigações acessórias pelas pessoas jurídicas, relativamente aos tributos de que trata este artigo; e VII - tributos, empréstimos compulsórios, anistia e matéria correlata não incluídos na competência julgadora das demais Seções. Conclusão 13. Diante do exposto, e considerando a falta de competência material desta 3a Seção para o exame da contenda principal, proponho sejam os processos em tela devolvidos à Secretaria da Câmara, para a sua posterior movimentação para a Primeira Seção do CARF, a quem compete o julgamento do feito. É como voto (assinado digitalmente) Ari Vendramini Fl. 383DF CARF MF Original

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9800019 #
Numero do processo: 10508.720350/2013-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 08 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. PRELIMINAR DE NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implicando quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Nos termos do art. 62, do Anexo II, do RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. ILEGITIMIDADE PASSIVA. ARGUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR PESSOA JURÍDICA DISTINTA. IMPOSSIBILIDADE. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio (art. 18, CPC/15). Não poderia o sujeito passivo se insurgir contra a atribuição de responsabilidade solidária a pessoa jurídica distinta. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF N° 2. Este colegiado não tem competência para afastar a aplicação de dispositivo legal vigente, em razão de alegação de inconstitucionalidade - Súmula CARF n° 2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando os princípios da isonomia tributária, da moralidade administrativa ou da impessoalidade, afastar a aplicação da lei tributária. Isto ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO HISTORICAMENTE DENOMINADA FUNRURAL. LEI N.º 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. NORMA DE SUB-ROGAÇÃO. VALIDADE. SÚMULA CARF N.º 150. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a descontar a contribuição social substitutiva do empregador rural pessoa física destinada à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, que por fatores históricos se convencionou denominar de FUNRURAL, no prazo estabelecido pela legislação, contado da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Elas ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física produtora rural, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação, obrigando-se ao desconto e, posterior, recolhimento, presumindo-se efetivado oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável. São constitucionais as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas, instituídas após a publicação da Lei n.º 10.256/2001, bem assim a atribuição de responsabilidade por sub-rogação a pessoa jurídica adquirente de tais produtos. A Resolução do Senado Federal n.º 15/2017 não se prestou a afastar exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre comercialização da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas instituídas a partir da edição da Lei n.º 10.256/2001, tampouco extinguiu responsabilidade do adquirente pessoa jurídica de arrecadar e recolher tais contribuições por sub-rogação. Súmula CARF n.º 150. A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SENAR. SUBROGAÇÃO. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Outras Entidades Terceiros, inclusive as destinadas à Entidade SENAR, em consonância com legislação específica. A empresa adquirente fica sub-rogada na obrigação de recolher as contribuições do produtor rural pessoa física, decorrentes da comercialização da produção rural, inclusive as destinadas à Entidade SENAR, em consonância com legislação específica. AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO DO ART. 30, III DA LEI Nº 8.212/91 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR. A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852/MG. Desse modo, permanece a exação tributária. A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindo-se assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN. SENAR. CONSTITUCIONALIDADE. TEMA 801. REPERCUSSÃO GERAL. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal (STF), apreciando o tema 801 da Repercussão Geral, que versou sobre incidência da contribuição destinada ao SENAR sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, fixou a seguinte tese: "É constitucional a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, na forma do art. 2º da Lei nº 8.540/92, com as alterações do art. 6º da Lei 9.528/97 e do art. 3º da Lei nº 10.256/01". DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOTA SEI Nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME. Conforme a Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, é cabível a retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 11.941/09, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A fim de aplicar a retroatividade benigna, deve ser realizada comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91 e a multa que seria devida com base no art. art. 32-A da mesma Lei 8.212/91.
Numero da decisão: 2401-010.938
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial aos recursos voluntários para: a) nos autos de infração com lançamento de obrigação principal, aplicar a retroação da multa da Lei 8.212/91, art. 35, na redação dada pela Lei 11.941/2009; e b) no auto de infração com apuração de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicar a retroatividade benigna a partir da comparação com a multa prevista no art. 32-A da Lei 8.212/1991, se mais benéfica ao sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Wilsom de Moraes Filho, Matheus Soares Leite, Eduardo Newman de Mattera Gomes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE

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O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implicando quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Nos termos do art. 62, do Anexo II, do RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. ILEGITIMIDADE PASSIVA. ARGUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR PESSOA JURÍDICA DISTINTA. IMPOSSIBILIDADE. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio (art. 18, CPC/15). Não poderia o sujeito passivo se insurgir contra a atribuição de responsabilidade solidária a pessoa jurídica distinta. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF N° 2. Este colegiado não tem competência para afastar a aplicação de dispositivo legal vigente, em razão de alegação de inconstitucionalidade - Súmula CARF n° 2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando os princípios da isonomia tributária, da moralidade administrativa ou da impessoalidade, afastar a aplicação da lei tributária. Isto ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO HISTORICAMENTE DENOMINADA FUNRURAL. LEI N.º 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. NORMA DE SUB-ROGAÇÃO. VALIDADE. SÚMULA CARF N.º 150. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a descontar a contribuição social substitutiva do empregador rural pessoa física destinada à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, que por fatores históricos se convencionou denominar de FUNRURAL, no prazo estabelecido pela legislação, contado da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Elas ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física produtora rural, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação, obrigando-se ao desconto e, posterior, recolhimento, presumindo-se efetivado oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável. São constitucionais as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas, instituídas após a publicação da Lei n.º 10.256/2001, bem assim a atribuição de responsabilidade por sub-rogação a pessoa jurídica adquirente de tais produtos. A Resolução do Senado Federal n.º 15/2017 não se prestou a afastar exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre comercialização da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas instituídas a partir da edição da Lei n.º 10.256/2001, tampouco extinguiu responsabilidade do adquirente pessoa jurídica de arrecadar e recolher tais contribuições por sub-rogação. Súmula CARF n.º 150. A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SENAR. SUBROGAÇÃO. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Outras Entidades Terceiros, inclusive as destinadas à Entidade SENAR, em consonância com legislação específica. A empresa adquirente fica sub-rogada na obrigação de recolher as contribuições do produtor rural pessoa física, decorrentes da comercialização da produção rural, inclusive as destinadas à Entidade SENAR, em consonância com legislação específica. AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO DO ART. 30, III DA LEI Nº 8.212/91 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR. A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852/MG. Desse modo, permanece a exação tributária. A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindo-se assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN. SENAR. CONSTITUCIONALIDADE. TEMA 801. REPERCUSSÃO GERAL. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal (STF), apreciando o tema 801 da Repercussão Geral, que versou sobre incidência da contribuição destinada ao SENAR sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, fixou a seguinte tese: "É constitucional a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, na forma do art. 2º da Lei nº 8.540/92, com as alterações do art. 6º da Lei 9.528/97 e do art. 3º da Lei nº 10.256/01". DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOTA SEI Nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME. Conforme a Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, é cabível a retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 11.941/09, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A fim de aplicar a retroatividade benigna, deve ser realizada comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91 e a multa que seria devida com base no art. art. 32-A da mesma Lei 8.212/91.

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INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE DA ADMINISTRAÇÃO. VÍCIOS NÃO ANULAM O LANÇAMENTO. O Mandado de Procedimento Fiscal se constitui em mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, e irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para se anular o lançamento. PRELIMINAR DE NULIDADE. SIGILO BANCÁRIO. O acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implicando quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais. SIGILO BANCÁRIO. DECISÃO DO STF. REPERCUSSÃO GERAL. O Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, e consolidou a tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Nos termos do art. 62, do Anexo II, do RICARF, tal decisão deve ser repetida por esse Conselho. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 50 8. 72 03 50 /2 01 3- 61 Fl. 2880DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 ILEGITIMIDADE PASSIVA. ARGUIÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA POR PESSOA JURÍDICA DISTINTA. IMPOSSIBILIDADE. Ninguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio (art. 18, CPC/15). Não poderia o sujeito passivo se insurgir contra a atribuição de responsabilidade solidária a pessoa jurídica distinta. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, não tendo ele se desincumbindo deste ônus. Simples alegações desacompanhadas dos meios de prova que as justifiquem, revelam-se insuficientes para comprovar os fatos alegados. AFRONTA A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. SÚMULA CARF N° 2. Este colegiado não tem competência para afastar a aplicação de dispositivo legal vigente, em razão de alegação de inconstitucionalidade - Súmula CARF n° 2. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando os princípios da isonomia tributária, da moralidade administrativa ou da impessoalidade, afastar a aplicação da lei tributária. Isto ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Como é cediço, somente os órgãos judiciais têm esse poder. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. REGIME GERAL DE PREVIDÊNCIA SOCIAL. CONTRIBUIÇÕES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO HISTORICAMENTE DENOMINADA FUNRURAL. LEI N.º 10.256/2001. CONSTITUCIONALIDADE. NORMA DE SUB-ROGAÇÃO. VALIDADE. SÚMULA CARF N.º 150. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a descontar a contribuição social substitutiva do empregador rural pessoa física destinada à Seguridade Social, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, que por fatores históricos se convencionou denominar de FUNRURAL, no prazo estabelecido pela legislação, contado da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Elas ficam sub-rogadas nas obrigações da pessoa física produtora rural, nos termos e nas condições estabelecidas pela legislação, obrigando-se ao desconto e, posterior, recolhimento, presumindo-se efetivado oportuna e regularmente pela empresa a Fl. 2881DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável. São constitucionais as contribuições previdenciárias incidentes sobre a comercialização da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas, instituídas após a publicação da Lei n.º 10.256/2001, bem assim a atribuição de responsabilidade por sub-rogação a pessoa jurídica adquirente de tais produtos. A Resolução do Senado Federal n.º 15/2017 não se prestou a afastar exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre comercialização da produção rural de empregadores rurais pessoas físicas instituídas a partir da edição da Lei n.º 10.256/2001, tampouco extinguiu responsabilidade do adquirente pessoa jurídica de arrecadar e recolher tais contribuições por sub-rogação. Súmula CARF n.º 150. A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei 10.256/2001. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. SENAR. SUBROGAÇÃO. Em decorrência dos artigos 2º e 3º da Lei nº 11.457/2007 são legítimas as contribuições destinadas a Outras Entidades Terceiros, inclusive as destinadas à Entidade SENAR, em consonância com legislação específica. A empresa adquirente fica sub-rogada na obrigação de recolher as contribuições do produtor rural pessoa física, decorrentes da comercialização da produção rural, inclusive as destinadas à Entidade SENAR, em consonância com legislação específica. AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBRROGAÇÃO DO ART. 30, III DA LEI Nº 8.212/91 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A RECEITA DA COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO. CONTRIBUIÇÃO TERCEIROS SENAR. A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei no 8.212/91, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), não foi objeto de reconhecimento de inconstitucionalidade no Recurso Extraordinário n 363.852/MG. Desse modo, permanece a exação tributária. A responsabilidade atribuída à pessoa jurídica adquirente, consumidora ou consignatária e ainda à cooperativa não está prevista apenas no §5º do Decreto nº 566/1992, mas também no inciso III, do art. 30, da Lei nº 8.212/91 cuja regulamentação se deu por meio do Decreto nº 3.048/99, cumprindo-se assim o princípio da legalidade previsto no art. 128 do CTN. SENAR. CONSTITUCIONALIDADE. TEMA 801. REPERCUSSÃO GERAL. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. O Supremo Tribunal Federal (STF), apreciando o tema 801 da Repercussão Geral, que versou sobre incidência da contribuição destinada ao SENAR sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, fixou a Fl. 2882DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 seguinte tese: "É constitucional a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, na forma do art. 2º da Lei nº 8.540/92, com as alterações do art. 6º da Lei 9.528/97 e do art. 3º da Lei nº 10.256/01". DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. NOTA SEI Nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME. Conforme a Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME, é cabível a retroatividade benéfica da multa moratória prevista no art. 35 da Lei 8212/91, com a redação da Lei 11.941/09, no tocante aos lançamentos de ofício relativos a fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A da Lei nº 8.212/91. MULTA DE OFÍCIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A fim de aplicar a retroatividade benigna, deve ser realizada comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91 e a multa que seria devida com base no art. art. 32-A da mesma Lei 8.212/91. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial aos recursos voluntários para: a) nos autos de infração com lançamento de obrigação principal, aplicar a retroação da multa da Lei 8.212/91, art. 35, na redação dada pela Lei 11.941/2009; e b) no auto de infração com apuração de multa por descumprimento de obrigação acessória, aplicar a retroatividade benigna a partir da comparação com a multa prevista no art. 32-A da Lei 8.212/1991, se mais benéfica ao sujeito passivo. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Wilsom de Moraes Filho, Matheus Soares Leite, Eduardo Newman de Mattera Gomes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório A bem da celeridade, peço licença para aproveitar boa parte do relatório já elaborado em ocasião anterior e que bem elucida a controvérsia posta, para, ao final, complementá-lo (e-fls. 2602 e ss). Fl. 2883DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Pois bem. Trata-se de crédito apurado junto à empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, CNPJ 08.202.364/0001-66, nome fantasia “KENO Compra de Cacau”. O crédito é relativo à contribuição previdenciária a cargo da empresa e à contribuição para o financiamento dos benefícios em razão da incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, devidas à Seguridade Social e à contribuição destinada a terceiros – SENAR, devidas pelo segurado especial, produtor rural ou intermediário pessoa física, incidentes sobre a comercialização de produto rural (cacau em amêndoas) no período de 01/2008 a 12/2008, subsistindo a responsabilidade pelo recolhimento de tais valores ao adquirente pessoa jurídica, em virtude da sub-rogação prevista no art. 30, IV da Lei nº 8.212/1991. No procedimento de auditoria foi solicitada a apresentação dos livros fiscais de entrada e saída de mercadoria e notas fiscais de saída de mercadorias. A análise dos documentos demonstrou que houve a compra de produto rural (cacau) de pessoa física por pessoa jurídica. Sobre a comercialização de produto rural incidem contribuições previdenciárias substitutivas da contribuição patronal e RAT, conforme art. 25, incisos I e II da Lei nº 8.212/1991, bem como a contribuição para o SENAR. No caso de produtor rural pessoa física e de segurado especial a contribuição patronal e RAT incidentes sobre a folha de pagamento são substituídas por contribuições incidentes sobre a comercialização da produção rural, conforme art. 25 da Lei nº 8.212/1991: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001) A legislação elenca o adquirente da produção pessoa jurídica como responsável pelo recolhimento da contribuição previdenciária, nos termos do art. 30 da Lei nº 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 05/01/1993) III - a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 até o dia 10 (dez) do mês subseqüente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15/06/2007). Ver § 2º deste artigo. A contribuição para o SENAR, criado pela Lei nº 8.315/1991, foi exigida com base na Lei 9.528/1997, artigo 6º, com redação dada pela Lei 10.256/2001. O Relatório Fiscal (fls. 2447/2458) informa que o exame das notas fiscais bem como das informações presentes nos sistemas internos da RFB comprovou os seguintes fatos: - A empresa contribuinte não declarou em GFIP e não recolheu valores de contribuição previdenciária durante o período fiscalizado; - A empresa contribuinte adquiriu produto rural de pessoa física e não fez a retenção da contribuição previdenciária incidente sobre o fato gerador que é a comercialização do produto rural, apesar de ser responsável como empresa adquirente; - A empresa contribuinte não declarou a comercialização da produção rural em GFIP, incorrendo no descumprimento de obrigação acessória. Em razão de não ter declarado Fl. 2884DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 este fato gerador em GFIP foi emitida Representação Fiscal para Fins Penais, pela ocorrência, em tese, de crime de sonegação fiscal previdenciária. O crédito foi apurado através dos Autos de Infração assim identificados: - Debcad nº 37.381.723-1, relativo à cobrança da contribuição no valor de 2% da receita bruta proveniente da comercialização da produção (contribuição substitutiva da contribuição patronal sobre a folha de pagamento) e de 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho (contribuição substitutiva do RAT), não declaradas em GFIP e não recolhidas, no montante de R$ 973.513,57 (novecentos e setenta e três mil, quinhentos e treze reais e cinqüenta e sete centavos), consolidado em 10/07/2013 (fls. 2415); - Debcad nº 37.381.724-0, destinado ao lançamento da contribuição ao SENAR (0,2%) incidente sobre a comercialização da produção do produtor rural pessoa física, cujo recolhimento está a cargo da autuada na condição de adquirente, em virtude da sub-rogação prevista na legislação. Esta contribuição não foi declarada em GFIP e não foi recolhida, totalizando R$ 92.126,44 (noventa e dois mil, cento e vinte e seis reais e quarenta e quatro centavos), consolidado em 10/07/2013 (fls. 2434); - Debcad nº 37.381.722-3 (item 5 do Relatório Fiscal), relativo ao descumprimento de obrigação acessória, em razão do sujeito passivo ter deixado de informar mensalmente ao INSS, por intermédio do documento a que se refere o art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/1991 (GFIP), fatos geradores de contribuições previdenciárias no período de 05/2008 a 11/2008. Tal fato constitui infração ao art. 32, IV e § 9º, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, combinado com o art. 225, IV e §§ 2º e 3º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999. Esta infração é identificada nos sistemas informatizados desta Instituição sob o Código de Fundamento Legal – CFL 67. Foi aplicada multa com base no art. 32, §§ 4º e 7º, acrescentados pela Lei nº 9.528/1997 e art. 102 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, no valor de R$ 17.122,85 (dezessete mil, cento e vinte e dois reais e oitenta e cinco centavos), em 17/07/2013 (fls. 2414). Multas. Retroatividade Benéfica. A aplicação das multas foi explicitada no item 6 do Relatório Fiscal. As multas até 11/2008 foram calculadas segundo a legislação anterior à edição da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 e comparadas à nova legislação para a aplicação da mais benéfica ao contribuinte, em respeito ao princípio da retroatividade benéfica (art. 106, II, “c” do CTN). Os resultados foram apresentados no subitem 6.6 do Relatório Fiscal. No período de 01/2008 a 04/2008 foi aplicada a multa de ofício de 75% por ser a mais benéfica ao sujeito passivo. No período de 05/2008 a 11/2008 a multa de mora de 24% prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/1991 e a multa do Auto de Infração CFL 67 se mostraram as mais benéficas, comparadas à multa de ofício de 75%. Na competência 12/2008 foi aplicada a multa de ofício de 75%, conforme a legislação de regência. Além do Relatório Fiscal a fiscalização elaborou o Relatório de Utilização de Interposta Pessoa (fls. 2386/2410) e o Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 2363/2383) acompanhado de relatório circunstanciado. Relatório de utilização de Interposta Pessoa Fl. 2885DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Este relatório consta às fls. 2386/2410 e descreve a situação fática verificada pela fiscalização, de terceiros utilizando a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME para a emissão de notas fiscais, no intuito de fraudar o Fisco. A ação fiscal foi desencadeada em razão do sujeito passivo ter informado à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia o montante de receita de R$ 27.833.520,08 como saída de mercadorias durante o ano de 2008 e ao mesmo tempo ter declarado à Secretaria da Receita Federal do Brasil que não houve faturamento para o mesmo período. Em diligência realizada junto à empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME foi verificado que além do estabelecimento se encontrar fechado, pessoas questionadas próximas ao local pela fiscalização responderam desconhecer quem era a pessoa do Sr. Josenildo. Importante esse registro, visto que o Sr. Josenildo exercia no ano de 2008 a atividade de guarda municipal da cidade de Nova Ibiá (enquanto a empresa de mesmo nome operava no município de Gandu/BA), recebendo um salário-mínimo, no mesmo período em que sua empresa faturou mais de 30 milhões. A fiscalização lavrou Termo de Solicitação de Comparecimento para obter informações acerca das atividades da pessoa jurídica Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME. Os esclarecimentos foram tomados a termo e foram prestados pessoalmente pelos intimados. Prestaram depoimento: Sr. Josenildo dos Santos, Sra. Kelly Christina Santana Silva, Sr. Eliomar Lima de Deus, Sr. Sergio Duarte Souza da Costa, Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, Sr. Gilvan Zeferino Costa e Sr. Edmilson Rocha da Silva. Dentre as conclusões da autoridade lançadora, destaca-se: “Some-se a tudo isso o fato de ser comum no comércio de cacau a figura do“repassador”, que se encaixa perfeitamente no perfil da empresa de Josenildo. O cacau foi negociado por uma pessoa(corretor) ou empresa e uma outra empresa “paga” esse cacau e dá saída como se fosse seu, ganhando um percentual menor sobre a venda do que se tivesse comprado diretamente do produtor. Perfeito para quem não tem lastro financeiro como a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau. Necessário dizer que a atividade de repassador não teria nada de ilegal, se fosse emitida a nota fiscal de venda do produto do real adquirente para o repassador. Mas não é isso que acontece. O repassador emite a nota de entrada como se fosse direto do produtor (pessoa física) e a nota de saída para as indústrias. Em 3 anos essa empresa é abandonada sem nenhum pagamento de tributo e sem patrimônio para execução de possíveis autuações ocorridas.” (...) “Adicione a esta situação, a quantidade de empresas individuais como a do sr. Josenildo, que proliferam na região, que funcionam por apenas 2 ou 3 anos, movimentando elevadas quantias, vendendo muito cacau já no primeiro ano de funcionamento, e abandonadas antes de completarem 3 anos, sem nenhum recolhimento de tributo. Tudo leva a crer que estas empresas são criadas com interpostas pessoas (laranjas) ou usadas por outros negociadores apenas com o intuito de emitirem notas fiscais para cobrirem cacau de terceiros, pessoas jurídicas ou físicas, comprado sem nota fiscal e fugirem do pagamento dos tributos devidos, pois quando a Receita Federal vai atrás dos valores sonegados, encontra apenas “empresários” sem nenhum lastro para garantir os autos de infração lavrados.” Diante de tudo o apurado acima, ou seja, a baixa capacidade financeira do Sr. Josenildo e sua empresa; do parentesco entre o procurador nomeado, Sérgio Duarte, e o dono da Almeida Costa Comércio de Cacau, Gilvan Zeferino Costa; de funcionários registrados com salário mínimo ou pouco acima, das empresas Central do adubo e Almeida Costa terem recebido vultosas quantias em cheques da empresa; do Sr. Edmilson, conhecido Fl. 2886DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 como “catingueiro”, ser um ativo negociador de cacau na região, são fortes indícios de que o cacau vendido para as indústrias pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau eram de propriedade dos negociadores Gilvan Zeferino Costa, Edmilson Rocha da Silva e Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, que a usaram para emitir as notas fiscais que acobertassem o cacau enviado para a indústria, no intuito de fugir da tributação devida. O contrato de aluguel do local onde operaria a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME, embora datado de 2008, foi registrado em cartório somente após a intimação fiscal para a sua apresentação. Os pagamentos dos aluguéis, por sua vez, não foram comprovados, inclusive não tendo sido identificados nos extratos bancários da empresa nenhuma transferência ou cheque mensal com tal valor. De acordo com o constatado pela fiscalização, o proprietário da empresa é uma pessoa simples e cujo patrimônio é incompatível com o faturamento da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME. Termo de Sujeição Passiva Solidária Através do relatório de fls. 2364/2383 a fiscalização relata a situação fática verificada junto ao sujeito passivo e que culminou com a lavratura do “Termo de Sujeição Passiva Solidária”, às fls. 2363. Dos fatos relatados destaca-se: - Apesar da empresa ter faturado quase R$ 30.000.000,00 no ano calendário de 2008, em consulta realizada ao sistema CNIS Cadastro Nacional de Informações Sociais) verificou-se que o Sr. Josenildo dos Santos (dono da empresa) está cadastrado como guarda municipal na prefeitura de Nova Ibiá, desde abril de 2003, sendo remunerado com salário mínimo (doc. 19). - Foi verificado também que, apesar da empresa ter faturado cerca de R$ 30.000.000,00, sua movimentação financeira foi de apensas R$ 18.000.000,00, indicando que nem todos os recebimentos pelas vendas de cacau transitaram pela conta corrente do contribuinte. Por meio de Requisições de Movimentação Financeira – RMF a fiscalização investigou as contas bancárias da empresa Josenildo junto às instituições financeiras Bradesco e Banco do Brasil no município sede da empresa, em Gandu/BA, objetivando identificar quem movimentava as contas correntes da empresa, os valores depositados e os beneficiários do dinheiro depositado. Da análise dos créditos feitos em conta corrente comparados com as notas fiscais de saída, a investigação apontou as seguintes empresas: Delfi Cacau do Brasil Ltda, Amazon Bahia Com. e Arm. de Prod. Agrícola Ltda (fls. 1095), Barry Callebaut Brasil Ind. e Com. de Prod. Alimentícios Ltda, Cargill Agrícola SA e Joanes Industrial S A Produtos Químicos e Vegetais (fls. 774). Intimadas, estas empresas confirmaram que negociaram com o Sr. Josenildo e que as mercadorias eram oriundas da Praça José Amado 65, Gandu (mesmo endereço indicado da empresa). Sobre o assunto, uma passagem do relatório informa: Percebe-se que somente a empresa Delfi Cacau do Brasil Ltda pagou pelo cacau comprado diretamente na conta da empresa. Todas as outras empresas, apesar de terem notas fiscais de saída da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau, fizeram o pagamento do cacau adquirido por outros meios. A fiscalização analisou os extratos bancários e os principais clientes da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME chegando a várias pessoas físicas, tendo tomado o depoimento pessoal de cada uma delas a fim de esclarecer como elas movimentaram as Fl. 2887DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 quantias apuradas sem ter capacidade financeira e sem terem vinculação à empresa fiscalizada. Destas, cita-se: - Josenildo dos Santos – CPF xxx – com vínculo empregatício de guarda municipal na prefeitura de Nova Ibiá, recebendo salário mínimo, proprietário da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau que teve faturamento de cerca de R$ 30.000.000,00 no ano de 2008; - Edmilson Rocha da Silva – CPF xxx -– funcionário da empresa Central do Adubo, conhecido pela alcunha de “caatingueiro”, negociador de cacau na região de Gandu, beneficiário do montante de R$ 719.406,12, sacados em cheques nominais ao próprio.“Tornou-se gestor da empresa por procuração (era quem tocava o negócio)”.Do depoimento dele a fiscalização concluiu que ele negociava cacau para terceiros e que recebia corretagem para isso, usando inclusive a conta da esposa. - Gilvan Zeferino Costa – CPF: xxx – proprietário da empresa Almeida Costa Comércio de Cacau, colocado como contato nos dados cadastrais da conta corrente, aberta no Banco do Brasil, da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau. Locador do imóvel alugado a Josenildo dos Santos Comércio de Cacau, conforme contrato apresentado pelo contribuinte e beneficiário do montante de R$ 1.179.395,00, sacados em cheques nominais ao próprio. Movimentou apenas R$ 390 mil reais em sua conta corrente no ano de 2008; - Sergio Duarte Souza da Costa – moto taxista e motoboy, nomeado procurador da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau para receber os pagamentos referentes ao cacau vendido às empresas Amazon Bahia, Cargill, Joanes e Barry Callebaut. Recebeu em cheques nominais ao próprio e a Josenildo dos Santos Comércio de Cacau, mais de 10 milhões de reais, dinheiro este que não circulou na conta bancária da empresa. - Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis – proprietário da empresa homônima, nome fantasia Central do Adubo. Começou a trabalhar com fertilizantes em 2001/2002 (saiu da Cargill e abriu a empresa em Gandu). Ao que se lembra, em 2008, admitiu na empresa uma pessoa que saiu da Cargill, o Edmilson, e começou a comprar cacau lá por 2010 (mudou o objeto da empresa), passando toda a gestão da empresa, por meio de procuração, para o Edmilson. Ficou em Itabuna somente com a venda fertilizante. No início de 2013 o Edmilson foi demitido da empresa, mas a procuração ainda não foi revogada. Por fim a fiscalização assim concluiu: - Tudo leva a crer que estas empresas são criadas como interpostas pessoas (laranjas) ou usadas por outros negociadores apenas com o intuito de emitirem notas fiscais para cobrirem cacau de terceiros, pessoas jurídicas ou físicas, comprado sem nota fiscal, e fugirem do pagamento dos tributos devidos, pois quando a Receita Federal vai atrás dos valores sonegados, encontra apenas “empresários” sem nenhum lastro para garantir os autos de infração lavrados. Diante de tudo o apurado acima, ou seja, a baixa capacidade financeira do Sr. Josenildo e sua empresa; do parentesco entre o procurador nomeado, Sergio Duarte, e o dono da Almeida Costa Comércio de Cacau, Gilvan Zeferino Costa; de funcionários registrados com salário mínimo ou pouco acima, das empresas Central do Adubo e Almeida Costa terem recebido vultosas quantias em cheques da empresa; do Sr. Edmilson, conhecido como “caatingueiro”, ser uma ativo negociador de cacau na região, são fortes indícios de que o cacau vendido para as indústrias pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau eram de propriedade dos negociadores Gilvan Zeferino Costa, Edmilson Rocha da Silva e Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, que a usaram para emitir as notas fiscais que acobertassem o cacau enviado para a indústria, no intuito de fugir da tributação devida. Diante da situação fática constatada, a fiscalização caracterizou a sujeição passiva solidária de Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, proprietário da Central do Adubo; Edmilson Fl. 2888DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Rocha da Silva, corretor autônomo de cacau e gerente da Central do Adubo e Gilvan Zeferino Costa, proprietário da Almeida Costa Comércio de Cacau, que foram chamados a responder pelo crédito tributário nos termos do artigo 124, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional – CTN, por interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias objeto da autuação sendo, portanto, solidariamente obrigados ao pagamento dos tributos, originando a lavratura de “Termo de Sujeição Passiva Solidária”, às fls. 2363. Da Impugnação do Sujeito Passivo autuado Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME – Cientificado pessoalmente da autuação em 17/07/2013 (fls. 2415), o sujeito passivo apresentou impugnação em 16/08/2013 por meio do instrumento de fls. 2516/2598, anexando os documentos de fls. 2545/2598, incluindo-se notas fiscais de entrada e saída emitidas pela empresa Josenildo. É de se ver as sínteses das alegações: 1. Relata que o auditor teria fundamentado a exigência das contribuições previdenciárias no art. 25, incisos I e II da Lei nº 8.212/1991, mas o Superior Tribunal Federal pronunciou a inconstitucionalidade da cobrança do FUNRURAL devido à inconstitucionalidade do art. 12, V e VII; do art. 25, I e II e do art. 30, IV, todos da Lei nº 8.212/1991. Cita jurisprudência que decidiu acerca da inconstitucionalidade da exação conhecida como FUNRURAL (RE nº 363.852, de 03/02/2010). 2. Informa que a empresa não se enquadra na exceção mencionada na Solução de Consulta 2, de 15/03/2013 da 5ª Região Fiscal, cuja ementa transcreve e que trata da contribuição previdenciária substitutiva do produtor rural pessoa jurídica. Para não restar dúvida de que a empresa não possui como única finalidade a produção rural e que não se enquadra na exceção da consulta citada, transcreve entendimento da Receita Federal contido no art. 165 da IN RFB nº 971/2009 quanto à definição de produtor rural pessoa jurídica. 3. Com base nos dispositivos legais citados e na jurisprudência; restando comprovado que a empresa não tinha funcionários em 2008 conforme RAIS 2007/2008 (anexos 24 e 25) e em se tratando de contribuinte urbano devido à retirada de pró-labore do empresário individual, conclui que são indevidas a contribuição relativa à parte patronal e ao SENAR. 4. Acrescenta que a contribuição ao RAT também é indevida pelo fato da empresa não ter empregados. 5. Por fim, pede que sejam consideradas indevidas a cobrança do SENAR, a contribuição patronal e RAT. 6. Requer a apuração atualizada da contribuição previdenciária incidente sobre o pró-labore para ter ciência do único valor real que deixou de ser recolhido e o seu posterior parcelamento. 7. Informa que tanto a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, CNPJ 06.202.364/0001-66 (sic, 08.202.364/0001-66) quanto o seu empresário individual – Sr. Josenildo dos Santos, CPF xxx poderão consubstanciar outros esclarecimentos. Das Impugnações dos Sujeitos Passivos Solidários Regularmente cientificados, os autuados apresentaram impugnação tempestiva em separado, conforme a seguir sintetizado: Fl. 2889DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Gilvan Zeferino Costa - Cientificado da autuação por via postal em 22/07/2013 (fls. 2460), o Sr. Gilvan Zeferino Costa apresentou impugnação em 21/08/2013 por meio do instrumento de fls. 2464/2473. É de se ver as sínteses das alegações: 1. Destaca que o seu nome aparece pela primeira vez nas investigações servindo apenas como mera referência pessoal para a conta do contribuinte autuado. 2. Posteriormente o requerente aparece como locador do imóvel onde se localizaria a empresa, no contrato de aluguel apresentado por Josenildo dos Santos. Os auditores teriam verificado que a empresa autuada faturou cerca de R$ 30 milhões, mas que a sua movimentação financeira foi de apenas 18 milhões, indicando que nem todos os recebimentos pelas vendas de cacau transitaram pela conta corrente do contribuinte, concluindo pela responsabilidade solidária do ora requerente. 3. Alega que é parte ilegítima para figurar no pólo passivo da autuação, nos termos do art. 124, I e II do CTN. 4. Quanto ao fato de ter assinado o contrato de aluguel do imóvel onde está a empresa Josenildo, deve-se à relação de amizade e confiança que mantém com os proprietários, dispensando-os de deslocarem-se de outro município onde residem para tal procedimento. 5. Afirma que inexiste qualquer norma legal que torne obrigatório o reconhecimento de firma em contrato de locações; que o Sr. Gilvan cuida somente da intermediação da locação, não tendo conhecimento do valor do aluguel porque tal fato interessa somente a quem desprende o numerário mensalmente e a quem o aproveita. Destaca que caso haja dúvidas acerca da propriedade do imóvel localizado na Praça José Amado Costa, 65, Gandu/BA, basta oficiar o Cartório de Registro de Imóveis daquela comarca. 6. Atribui o fato de seu nome ou de sua empresa constar no cadastro bancário da empresa Josenildo, em razão de ter assinado contrato de locação do imóvel. 7. Acrescenta que é pessoa bastante conhecida na cidade, de família tradicional, de valores reconhecidos e que tal fato pode ter sido utilizado pelo Sr. Josenildo como forma de demonstrar segurança à instituição financeira, inclusive com o escopo de obtenção de crédito. 8. Adverte que mera informação, a exemplo de uma referência de contato, em unidade bancária, não pode prescindir qualquer responsabilidade, uma vez que tais informações, na maioria das vezes, são prestadas sem o conhecimento da parte, de forma unilateral. 9. No que tange aos saques de cheques em pagamento ao Sr. Josenildo, explica que no ano de 2008, em razão de estar envolvido com outras ocupações, em especial as corridas de motovelocidade pelo Brasil, repassou os seus fornecedores de cacau (pequenos agricultores da região) para o Sr. Josenildo, comprometendo-se a pagá-los em espécie após Josenildo lhe repassar os recursos oriundos do fechamento do negócio com as indústrias, independente da variação do preço do produto (commodity). Tal fato se deu em razão do grau de confiança entre os pequenos produtores e toda a familia do Sr. Gilvan na região. 10. Conclui que não possui qualquer relação com a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, não podendo ser responsabilizado pelo fato do Sr. Josenildo não ter recolhido seus impostos. Fl. 2890DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 11. Diz que é equivocado afirmar que o cacau vendido pelo Sr. Josenildo era da propriedade do contestante, visto que em momento algum foi sequer citado que o mesmo possui cacau para venda, sendo somente comprador de cacau, através de sua empresa, proprietário de pousada e piloto de motovelocidade. 12. Nos pedidos finais requer a exclusão da sua responsabilidade, com a declaração de ilegitimidade para responder pelo presente processo, arquivando todas as denúncias, isentando-o de qualquer penalidade, face à absoluta falta de provas de possível infração aos ditames previstos no Código Tributário Nacional. Edmilson Rocha da Silva - Cientificado da autuação por via postal em 22/07/2013 (fls. 2459), o responsável solidário Edmilson Rocha da Silva apresentou impugnação em 21/08/2013 por meio do instrumento de fls. 2477/2485. É de se ver as sínteses das alegações: 1. Relata que o Fisco caracterizou a sujeição passiva solidária de Edmilson Rocha da Silva, nos termos do art. 124 do Código Tributário Nacional, tomando como base o relato de testemunhas e depoentes, considerando, que o ora contestante utilizou-se da empresa denunciada, Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, para emitir notas fiscais de saída de cacau de terceiros. 2. Alega sua total ilegitimidade para figurar no pólo passivo da demanda. 3. Afirma que jamais emitiu notas fiscais de saída de cacau da empresa; que jamais teve qualquer tipo de acesso aos documentos desta empresa e que jamais efetuou qualquer negociação com o seu proprietário, pessoa que conhece apenas por residirem ambos em uma cidade pequena. 4. Admite que as únicas transações comerciais firmadas pelo contestante se deram com o Sr. Sérgio Duarte, que coincidentemente era o procurador da referida empresa e que isto justifica a movimentação financeira existente entre a empresa investigada e o ora contestante, através dos cheques que foram a ele emitidos. Tais movimentações seriam lícitas, previstas em lei, tendo sido citado pelo agente auditor responsável pelas denúncias, quando conclui que "necessário dizer que a atividade de repassador não teria nada de ilegal(...)." 5. Explica que a movimentação existente entre a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME e o Sr. Edmilson Rocha da Silva se dava através de contrato de mútuo financeiro, acordado muitas vezes por contratos verbais, outras através de documentos assinados, como contratos, cheques ou notas promissórias. O funcionamento destes contratos seria assim: pessoas conhecidas no ramo de cacau, como o ora contestante, possuem contatos com pequenos produtores, que lhes confiam a venda de sua produção. A confiança seria adquirida com o tempo e o conhecimento seria decorrente de contatos inicialmente realizados em empresas de grande aporte financeiro, como a Cargill, no caso do contestante. Relata que saiu da Cargill porque ela impedia a corretagem por seus funcionários, para desenvolver a atividade por conta própria. Segundo afirma, as coisas não aconteceram conforme o planejado e ele teve que voltar ao mercado de trabalho assalariado, desta vez na empresa Central do Adubo. Neste intervalo de tempo, comprou cacau para diversas pessoas, inclusive para Sérgio Duarte, tomando conhecimento apenas recentemente de que o mesmo atuava como procurador da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME. Por tais razões, teria declarado em sede de depoimento que jamais negociou com a empresa investigada. 6. Assevera que os valores recebidos da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, muitas vezes através das indústrias que compravam o cacau desta, como a Amazon Bahia, é proveniente do contrato de mútuo financeiro que Fl. 2891DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 possibilitava esta compra de cacau. Como contraprestação desta compra de cacau que realizou naquele intervalo recebeu alguns cheques de terceiros, endossando seu pagamento. Afirma que neste período não possuía ponto fixo, nem comércio e que comprava cacau na confiança que os produtores lhe tinham, por isso não exercia atividade financeira, mas tão somente a intermediação entre comprador e os produtores vendedores. As notas fiscais oriundas destas transações eram emitidas - ou ao menos deveriam ter sido - diretamente pelos compradores, sejam eles a empresa investigada, Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, sejam outras empresas que aqui não foram citadas. 7. Sustenta que não contribuiu para a suposta lesão aos cofres públicos, que não infringiu nenhuma norma legal, alegando a sua ilegitimidade para figurar no pólo passivo da investigação, requerendo a sua exclusão da lide. Repisa que apenas comercializou o cacau em amêndoas, no período investigado, como um intermediário da transação entre as empresas de compra e venda de cacau e os pequenos produtores lotados na região. 8. Reforça que não vendeu cacau para indústria em seu nome ou nome de terceiros, porque tal atividade não fazia parte de suas transações, limitadas apenas à compra do cacau, através do excelente contato que possuía com pequenos produtores na região. Segundo entende, a tarifação destinada aos impostos devidos sobre as transações oriundas do comércio de compra e venda de produtos agrícolas incide exclusivamente na venda de produtos e que condená-lo ao pagamento solidário dos encargos tributários supostamente devidos no caso em análise implica em condená-lo por ter comprado cacau de fazendeiros, o que seria absurdo. 9. Afirma que os documentos ou operações objeto do lançamento investigado não lhe pertencem e que não realizou as operações das quais é acusado, inexistindo quaisquer destas provas nos autos. 10. Traz subsídios do Direito Penal, do Direito Processual Penal e do Direito Administrativo para definir a imputabilidade por analogia, destacando-se o princípio da verdade real, segundo o qual o julgador não deve se contentar com as provas levadas aos autos para formar seu convencimento devendo buscar as peças que retratam a verdade com fidelidade; do in dúbio pro réu; do princípio da razoabilidade e do princípio da proporcionalidade. 11. Sustenta que a situação narrada nos autos exclui a possibilidade do contestante sequer responder pelo presente procedimento, eis que não possui responsabilidade alguma pelos eventuais inadimplementos tributários da empresa investigada. 12. Faz analogia com o Direito Penal material, para falar da teoria da culpabilidade, segundo a qual ninguém pode ser culpado pelo resultado de fato não previsto. 13. Não se pune o agente sem avaliar os elementos subjetivos presentes no resultado de sua ação. 14. Frisa que não há crime se não houver culpa. Fala do dolo para dizer que não se atribui responsabilidade ao agente (imputabilidade) se ele não possui responsabilidade com o dano causado. Neste sentido, não há como o ora contestante ser penalizado pelos erros supostamente cometidos por empresa diversa, da qual não faz parte do contrato social, nem jamais interagiu, senão como intermediário da compra de cacau em amêndoas, devidamente habilitado em razão da existência de contratos de mútuos financeiros. Fl. 2892DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 15. Nos pedidos finais requer a exclusão da sua responsabilidade, com a declaração de ilegitimidade para responder pelo presente processo, arquivando todas as denúncias, isentando-o de qualquer penalidade, face à absoluta falta de provas de possível infração aos ditames previstos no Código Tributário Nacional. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis – foi cientificado da autuação por via postal em 23/07/2013 (fls. 2461) e apresentou impugnação em 22/08/2013 por meio do instrumento de fls. 2489/2511. É de se ver as sínteses das alegações: 1. Relata que o Fisco se equivocou ao entender que ele estaria ligado ao Impugnante pelo fato de funcionários da empresa Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis – ME lotada em Gandu-BA (nome fantasia Central do Adubo) terem mantido supostas relações comerciais com a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME. Preliminares de Nulidade 2. Em preliminar pede a nulidade absoluta do Auto de Infração, por ofensa ao princípio da razoável duração do processo estampado no art. 5º, inciso LXXVIII, da CF/1988 (na redação dada pela Emenda Constitucional nº 45/2004), bem como nos arts. 13 e seguintes da Portaria SRF nº 3007/2001 e Instrução Normativa SRF nº 228/2002, enfatizando a necessidade de um prazo razoável para a duração do procedimento fiscal e que no caso a investigação fiscal demandou dois anos e cinco meses sem que a fiscalização apresentasse uma única solicitação de prorrogação. Sustenta que a celeridade na tramitação e solução das demandas administrativas e judiciais é almejada por toda a sociedade e que uma demora excessiva deixa o fiscalizado em uma situação de terrível suspense, contrariando inúmeros princípios processuais e causando graves prejuízos de ordem moral e material. 3. Alega que a quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da administração, independente de autorização judicial não se coaduna com o art. 5º, X e XII e art. 60, § 4º da CF/1988 e com os princípios da separação orgânica dos poderes e indelegabilidade de atribuições contidas no art. 2º; art. 60, § 4º, III c/c o art. 68 da CF/1988, sendo ilícita e ilegal. Este entendimento seria predominante na jurisprudência pátria. 4. Sustenta que ao ignorar princípios constitucionais delineados em cláusula pétrea, quebrando o sigilo bancário através de uma simples RMF (Requisição para Informação de Movimentação Financeira), a Receita Federal agiu de forma arbitrária e com excesso de poderes. 5. Pelas razões expostas pede que o Auto de Infração seja declarado nulo. 6. Caso ultrapassadas as preliminares anteriores, pede a nulidade do Auto de Infração em razão da insuficiência probatória em relação a Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis pelo fato do auditor não ter apresentado um arcabouço probatório satisfatório e suficientemente capaz de sustentar a suposta sujeição passiva. 7. Relata que a autuação recai sobre a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME que é o sujeito passivo principal da obrigação tributária e que o Impugnante é apontado no Termo de Sujeição Passiva Solidária porque algumas pessoas investigadas estão registradas como funcionários da empresa Central do Adubo, “supostamente” de propriedade do Sr. Adilson porque ele autorizou a cessão da marca, que passou a ser utilizada como nome fantasia por inúmeras empresas com CNPJ e proprietários diferentes, devendo ser realizadas mais Fl. 2893DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 investigações para apontar qual a unidade seria responsável. Nos depoimentos colhidos pelo auditor, o Sr. Adilson não é citado pelo Sr. Josenildo e os demais apenas o apontam como proprietário da Central do Adubo, sem especificar de qual unidade é proprietário. 8. Pede a nulidade do Auto de Infração. No Mérito 9. Das contribuições previdenciárias – FUNRURAL e SENAR – alega que o auditor fundamentou o Auto de Infração com base na Lei nº 8.212/1991, art. 22, I e art. 25, determinando a incidência da contribuição sobre a comercialização da produção rural, afrontando os preceitos delineados no art. 195, caput e § 4º e art. 154, I ambos da Constituição Federal. O STF teria se manifestado sobre o assunto sob a forma de controle constitucional concentrado, através do RE 36852. O CARF em caso idêntico teria definido a impossibilidade de manutenção da cobrança do Funrural. Colaciona ementas. 10. Registra que a fundamentação da aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória pela falta de apresentação de GFIP, objeto do Auto de Infração Debcad nº 37.381.722-3, estaria prejudicada em face da inconstitucionalidade da cobrança da contribuição previdenciária. 11. Destaca que os §§ 4º e 7º, do art. 32, da Lei nº 8.212/1991 utilizados para fundamentar a aplicação da multa foram revogados pela Lei nº 11.941/2009. 12. Requer a improcedência do Auto de Infração referente à contribuição da empresa, do SENAR e da multa por descumprimento de obrigação acessória. Em seguida, sobreveio julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão de e-fls. 2602 e ss, cujo dispositivo considerou a impugnação improcedente, com a manutenção do crédito tributário. É ver a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Debcad nº 37.381.723-1 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. SEGURADO ESPECIAL. COMERCIALIZAÇÃO DE SUA PRODUÇÃO RURAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SUB- ROGAÇÃO DA EMPRESA ADQUIRENTE. EXIGÊNCIA FUNDADA EM LEGISLAÇÃO VIGENTE. São devidas as contribuições do empregador rural pessoa física e do segurado especial, incidentes sobre a receita bruta da comercialização de sua produção, previstas no art. 25, I e II da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Tratando-se de lei válida e vigente, encontra-se a administração pública a ela vinculada, sendo dever da autoridade fiscal aplicá-la, porquanto o lançamento é ato vinculado e obrigatório, de acordo com a previsão constante do art. 142 e parágrafo único do Código Tributário Nacional - CTN, devendo a Fiscalização zelar pelo cumprimento da Lei, sob pena de responsabilidade funcional. A empresa adquirente fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001 e pelo recolhimento da contribuição para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural - SENAR, criado pela Lei no 8.315, de 23 de dezembro de 1991, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. Fl. 2894DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 É solidariamente obrigada a pessoa que tenha interesse comum na situação que constitua o fato gerador. PRODUÇÃO DE PROVAS. Os esclarecimentos e provas do sujeito passivo devem se fazer por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. ALEGAÇÕES SEM COMPROVAÇÃO. As alegações desacompanhadas de elementos de prova são incapazes de desconstituir lançamento regularmente efetuado em conformidade com a legislação. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. A prorrogação do prazo de validade do MPF poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quanto necessárias, observado, em cada ato, o prazo máximo de sessenta dias, para procedimentos de fiscalização. A prorrogação ocorre de forma automática, por meio eletrônico na rede mundial de computadores e independe de anuência do contribuinte. O conhecimento da extensão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF incumbe ao contribuinte, mediante acesso ao mesmo, sob a forma digital, na rede mundial de computadores. SIGILO BANCÁRIO. É lícito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte, inclusive as referentes a contas de depósitos, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem indispensáveis. O exame pelo Fisco de informações econômicas e financeiras do contribuinte não implica quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto, em contrapartida, está o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais por dever de ofício. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. A multa de ofício só é aplicada a fatos geradores anteriores à sua previsão no âmbito previdenciário se for a menos severa ao contribuinte, na comparação entre as penalidades de multa. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 Debcad nº 37.381.724-0 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÃO DESTINADA A TERCEIROS. SENAR. São devidas as contribuições destinadas a terceiros (SENAR) pelo segurado especial e pelo produtor rural pessoa física em relação à comercialização da sua produção rural. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal é vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de lei ou decreto sob o fundamento de ilegalidade/inconstitucionalidade. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2008 a 30/11/2008 AI Debcad nº 37.381.722-3 INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DEIXAR DE APRESENTAR GFIP. A empresa adquirente de produto rural de pessoa física e de segurado especial é obrigada a apresentar GFIP declarando o valor bruto da comercialização da produção rural, por se constituir em fato gerador de contribuição previdenciária e de terceiros. Fl. 2895DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA POSTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado, aplica-se a lei vigente à época dos fatos geradores, quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte e devedor principal, JOSENILDO DOS SANTOS COMÉRCIO DE CACAU, inconformado com a decisão prolatada, apresentou Recurso Voluntário, repisando, em grande parte, os argumentos tecidos na impugnação. Os responsáveis solidários Srs. GILVAN ZEFERINO COSTA, EDMILSON ROCHA DA SILVA e ADILSON CLAUDIO RIBEIRO DOS REIS, inconformados com a decisão prolatada, apresentaram Recurso Voluntário, em separado, repisando, em grande parte, os argumentos tecidos na impugnação. Em seguida, os autos foram remetidos a este Conselho para apreciação e julgamento dos Recursos Voluntários interpostos. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. Os Recursos Voluntários interpostos pelo contribuinte e pelos responsáveis solidários são tempestivos e atendem aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, deles tomo conhecimento. 2. Do Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo JOSENILDO DOS SANTOS COMÉRCIO DE CACAU. Conforme narrado, o lançamento abrange as contribuições previdenciárias contidas na Lei nº 8.212/1991, artigo 25, incisos I e II, com as alterações posteriores da Lei nº 10.256/2001, devidas pelo empregador rural pessoa física e pelo segurado especial, cuja obrigação pela arrecadação e recolhimento foi sub-rogada ao sujeito passivo enquanto adquirente da produção rural comercializada, por imposição legal contida na Lei nº 8.212/1991, artigo 30, IV. Em seu Recurso Voluntário (e-fls. 2649 e ss), o sujeito passivo alega, em síntese, o seguinte: (i) inconstitucionalidade da cobrança da contribuição rural (FUNRURAL); (ii) ausência de obrigatoriedade do recolhimento em razão do não enquadramento do contribuinte como produtor rural pessoa jurídica; (iii) ilegitimidade passiva de Edmilson Rocha da Silva; (iv) ilegitimidade passiva de Gilvan Zeferino Costa. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Explica-se. Fl. 2896DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Inicialmente, sobre a tentativa de o sujeito passivo afastar a hipótese de responsabilidade tributária solidária, ao caso dos autos, atribuída aos Srs. EDMILSON ROCHA DA SILVA e GILVAN ZEFERINO COSTA, cabe pontuar que é incabível ao devedor principal pleitear a exclusão da responsabilidade tributária atribuída a terceiros, eis que estaria a pleitear direito alheio em nome próprio, o que somente seria admissível em caráter excepcional, mediante expressa autorização legal. Nesse sentido, o art. 18, do CPC/15 é claro ao dispor que “[n]inguém poderá pleitear direito alheio em nome próprio”, razão pela qual por serem pessoas jurídicas distintas, não poderia o sujeito passivo se insurgir contra a atribuição de responsabilidade solidária a terceira pessoa. De toda sorte, a matéria será tratada nos tópicos que seguem, em razão de Recurso Voluntário próprio apresentado pelos responsáveis solidários, Srs. EDMILSON ROCHA DA SILVA e GILVAN ZEFERINO COSTA. Esclarecido o ponto acima, no tocante à inconstitucionalidade das exigências em epígrafe, inicialmente, cumpre pontuar que foge à competência deste Colegiado o exame da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 (ou qualquer outra lei tributária) aos princípios e às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas na CF/88, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando os princípios da isonomia tributária, da moralidade administrativa ou da impessoalidade, afastar a aplicação da lei tributária. Isto ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que serviu como base legal do lançamento, sendo que apenas os órgãos judiciais têm esse poder. Cumpre observar, inclusive, que o referido entendimento já está sumulado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Tem-se, pois, que não é da competência funcional do órgão julgador administrativo a apreciação de alegações de ilegalidade ou inconstitucionalidade da legislação vigente. A declaração de inconstitucionalidade/ilegalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos é prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, outorgada pela própria Constituição Federal, falecendo competência a esta autoridade julgadora, salvo nas hipóteses expressamente excepcionadas no parágrafo primeiro do art. 62 do Anexo II, do RICARF, bem como no art. 26- A, do Decreto n° 70.235/72, não sendo essa a situação em questão. Ultrapassado o ponto acima, cabe pontuar que o art. 30, III e IV, combinado com o art. 25, ambos da Lei n.º 8.212, em outras palavras, afirma que a empresa adquirente de produtos rurais fica sub-rogada nas obrigações da pessoa física produtora rural (empregadora rural pessoa física/natural) pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a receita bruta da comercialização de sua produção. Em outras palavras, o contribuinte adquirente de produtos rurais, sub-roga-se na obrigação de recolher as contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física, inclusive aquela destinada ao Senar, descontando-as do preço pago e repassando-as aos cofres públicos, de forma que o adquirente, substituto tributário, não sofre qualquer redução patrimonial pelo recolhimento das referidas exações. Fl. 2897DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Para além do exposto, cabe esclarecer que parte do referido lançamento, inclusive, foi efetuada sob a égide Lei 10.256/01, sendo que a Resolução do Senado Federal n° 15/2017, atinge tão somente as situações anteriores à edição da Lei n° 10.256/2001. A propósito, trago à colação excertos do voto proferido pelo Conselheiro Cleberson Alex Friess, desta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, no Acórdão n° 2401-005.396, em sessão de 03 de abril de 2018, e que elucida bem a questão posta: (...) 81. A Resolução n° 15/2017 tem como fundamento as decisões proferidas pelo STF nos RE n° 363.852/MG e 596.177/RS, para as quais pretende atribuir eficácia “erga omnes”, de maneira tal que não é capaz de gerar qualquer efeito sobre os fatos geradores ocorridos desde a entrada em vigor da Lei n° 10.256, de 2001, porquanto a suspensão de dispositivos declarados inconstitucionais pelo Poder Legislativo somente é possível nos limites daquelas decisões da Corte Suprema. 82. Por esse motivo, em harmonia com o ponto de vista reproduzido nas linhas acima, o inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212, de 1991, apenas deixa de ser aplicado nos exatos limites da declaração de inconstitucionalidade na contribuição do empregador rural pessoa física, incidente sobre o produto da comercialização da produção rural, isto é, em relação ao período anterior à Lei n° 10.256, de 2001. Também trago à colação excertos do voto proferido pelo Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho, da 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, no Acórdão n° 2402-005.994, em sessão de 13 de setembro de 2017, que também tratou, didaticamente, da questão posta: (...) As resoluções do Senado Federal a que se refere o inciso X do art. 52 da Constituição têm por finalidade suspender a execução de leis federais declaradas inconstitucionais por decisão do STF pela via do controle incidental ou difuso, quando a Corte é chamada a julgar recursos extraordinários relacionados a casos concretos. Convém ressalvar que a sentença do STF que venha a considerar inconstitucional determinada norma em controle difuso possuirá efeitos tão somente inter partes e ex tunc, isto é, se a inconstitucionalidade foi verificada na via incidental, a decisão Suprema Corte alcançará tão-somente as partes interessadas do processo. De outro modo, o inciso X do art. 52 da CF/88 instituiu a possibilidade de esse tipo de decisão surtir efeitos erga omnes (para todos) ao atribuir ao Senado Federal a possibilidade de, por juízo de relevância, editar resolução suspendendo a execução da norma declarada inconstitucional. Contudo, a resolução da Casa Legislativa não pode extrapolar os limites da decisão judicial, pois isso implicaria invadir competência precípua da Corte Suprema, conferida pela alínea “b” do inciso III do art. 102 da Carta da República. Dito isso, constata-se que a Resolução do Senado Federal n° 15/2017 não trouxe qualquer inovação que possa interferir no desfecho da situação aqui analisada, visto que se refere a decisão afeta a situações anteriores à edição da Lei n° 10.256/2001 que, como dito acima, teve sua constitucionalidade reconhecida pelo STF. Cabe esclarecer que a discussão sobre a constitucionalidade da contribuição a ser recolhida pelo empregador rural pessoa física, prevista no art. 25 da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 10.256/2001 foi objeto de julgamento na data de 30.03.2017, quando a Suprema Corte analisou o RE 718.874, com repercussão geral reconhecida. Naquela ocasião, por maioria de votos, ficou assentada pelo STF a tese de que “é constitucional, formal e materialmente, a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção”. Fl. 2898DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Vale dizer que, por maioria de votos, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitou oito embargos de declaração, com efeitos modificativos, apresentados contra decisão proferida no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 718.874, que reconheceu a constitucionalidade da cobrança da contribuição ao Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural) pelos empregadores rurais pessoas físicas 1 . Conforme noticiado no sítio do próprio STF 2 : [...] os embargos foram apresentados por produtores rurais e suas entidades representativas, sob o argumento de que há contradição de entendimento entre aquele julgamento e o decidido também pelo Plenário em 2010, quando o STF desobrigou o empregador rural de recolher ao Funrural sobre a receita bruta de sua comercialização (RE 363852). Os produtores destacaram que a Resolução 15/2017 do Senado Federal suspendeu a execução dos dispositivos legais que garantiam a cobrança do Funrural, declarados inconstitucionais por decisão definitiva do STF no julgamento do RE 363852. Assim, pediram a suspensão da cobrança da contribuição ao fundo ou, subsidiariamente, a modulação de efeitos da decisão que considerou a cobrança constitucional, para definir a partir de quando deverá ser cobrada. Contudo, de acordo com o relator, ministro Alexandre de Moraes, não houve, no julgamento do recurso, declaração de inconstitucionalidade da Lei 10.256/2001 ou alteração de jurisprudência que ensejasse a modulação dos efeitos. Para o ministro, o que se pretende nos embargos é um novo julgamento do mérito. Para o ministro, não procede o argumento dos embargantes de que no julgamento questionado não teriam sido aplicados os precedentes firmados no julgamento dos REs 363853 e 596177. Segundo o relator, os precedentes foram afastados porque tratavam da legislação anterior sobre a matéria, e não da lei questionada no RE 718874. A respeito do pedido de aplicação da Resolução 15/2017 do Senado Federal, o ministro destacou que a norma não se refere à decisão proferida no RE 718874. O artigo 52, inciso X, da Constituição Federal, só permite a suspensão de norma por parte do Senado quando esta for declarada inconstitucional pelo Supremo. Não é o caso dos autos, uma vez que a Lei 10.256/2001 foi considerada constitucional. No voto do Ministro Alexandre de Moraes, também foram rechaçados os argumentos do bis in idem com a Cofins e da quebra da isonomia. É ver os seguintes trechos: O RE 596.177 manteve a inconstitucionalidade formal (necessidade de lei complementar), mas reconheceu a inexistência de bis in idem não autorizado pela Constituição, uma vez que, enquanto sujeito passivo da contribuição prevista nas Leis 8.540/92 e 9.528/97, o empregador rural pessoa física não era contribuinte da COFINS, como bem destacado pelo voto do Ilustre Relator, Ministro RICARDO LEWANDOWISKI: conforme se verifica dos fundamentos que serviram de base para o leading case, ainda que se afastasse a duplicidade de contribuição a cargo do produtor rural pessoa física empregador por inexistência de previsão legal de sua contribuição para a COFINS, não se poderia desconsiderar a ausência de previsão constitucional para a base de incidência da contribuição social trazida pelo art. 25, I e II, da Lei 8.212/1991, a reclamar a necessidade de instituição por meio de lei complementar. Da mesma maneira, em sede de embargos de declaração, no RE 596.177, expressamente foi afastado o fundamento de quebra de isonomia, tendo sido destacado: por não ter sido servido de fundamento para a conclusão do acórdão embargado, exclui-se da ementa a 1 Notícias STF: Rejeitados embargos contra decisão sobre contribuição de empregador pessoa física ao Funrural. Disponível em: < http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=379330>. Acesso em: 10/09/2018. 2 Notícias STF: Rejeitados embargos contra decisão sobre contribuição de empregador pessoa física ao Funrural. Disponível em: < http://www.stf.jus.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=379330>. Acesso em: 10/09/2018. Fl. 2899DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 seguinte assertiva: ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. Não bastasse isso, a nova redação do caput do artigo 25 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 10.256/01, expressamente, afastou a possibilidade de maior carga tributária em relação ao empregador rural pessoa física, pois estabeleceu que: A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição a contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22..... No mesmo sentido foi o voto do Ministro Luiz Fux: Com relação à Isonomia, igualmente não vislumbro qualquer inconstitucionalidade, visto que a ideia de submeter o empregador rural pessoa física a uma tributação diferenciada é a mesma do segurado especial, pois reconhece as dificuldades e especificidades das atividades no campo, permitindo a participação dos trabalhadores rurais na Seguridade Social. Nesse ponto, ao preconizar a igualdade dos cidadãos sob nosso ordenamento jurídico, o legislador constituinte não vedou o tratamento desigual que porventura poderia ser empregado a determinada parcela do corpo social em situações específicas. Muito pelo contrário. O Princípio da Isonomia, como fundamento legítimo do Estado Democrático de Direito, ao lado da liberdade, comporta duas dimensões, a saber: formal, ao preconizar a impossibilidade de concessão de privilégios na aplicação da lei, e material, ao requerer discriminações positivas na lei voltadas à superação de desigualdades fáticas, natural ou historicamente estabelecidas, como é o caso do trabalho no campo em relação ao trabalho urbano. O tratamento desigual em circunstâncias específicas milita em prol da própria Isonomia, com o escopo de que sejam alcançados determinados objetivos para toda uma parcela da sociedade. Nessas situações, portanto, a adoção de medidas diferentes para alguns destes indivíduos, não só se faz necessária, como atende ao desígnio constitucional em todas as suas dimensões. Por fim, em relação à suposta ocorrência de bis in idem na espécie, além de tal argumento já ter sido rechaçado por esta Corte no julgamento do RE 596.177, é preciso novamente frisar que o produtor rural pessoa física não é contribuinte da COFINS, cuja incidência recai tão somente sobre as pessoas jurídicas e as elas equiparadas, nos termos da legislação federal. Ex positis, acompanho a divergência, no sentido dar provimento ao recurso extraordinário da União, reconhecendo a constitucionalidade da contribuição previdenciária do empregador rural pessoa física, tal como prevista pela Lei 10.256/01. E, ainda, no dia 23/05/2018, sobreveio decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal no sentido de rejeitar os embargos de declaração, bem como a modulação dos efeitos da declaração de constitucionalidade, tomada por maioria e nos termos do voto do Relator. É ver o seguinte despacho decisório que consta no sítio www.stf.jus.br, em consulta ao andamento processual do RE 718.874/RS: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, rejeitou os embargos de declaração, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio, que os acolhiam para modular os efeitos da decisão de constitucionalidade. Ausente, justificadamente, o Ministro Celso de Mello. Presidiu o julgamento a Ministra Cármen Lúcia. Plenário, 23.5.2018. Mais recentemente, referido acórdão foi divulgado em 11/09/2018, e publicado no DJE n° 191, com a seguinte ementa: EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OBSCURIDADE OU OMISSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE REDISCUSSÃO DE QUESTÕES DECIDIDAS PARA OBTENÇÃO DE CARÁTER INFRINGENTE. INAPLICABILIDADE DA Fl. 2900DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 RESOLUÇÃO 15/2017 DO SENADO FEDERAL QUE NÃO TRATA DA LEI 10.256/2001. NÃO CABIMENTO DE MODULAÇÃO DE EFEITOS PELA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. 1. Não existentes obscuridades, omissões ou contradições, são incabíveis Embargos de Declaração com a finalidade específica de obtenção de efeitos modificativos do julgamento. 2. A inexistência de qualquer declaração de inconstitucionalidade incidental pelo Supremo Tribunal Federal no presente julgamento não autoriza a aplicação do artigo 52, X da Constituição Federal pelo Senado Federal. 3. A Resolução do Senado Federal 15/2017 não se aplica a Lei nº 10.256/2001 e não produz qualquer efeito em relação ao decidido no RE 718.874/RS. 4. A inexistência de alteração de jurisprudência dominante torna incabível a modulação de efeitos do julgamento. Precedentes. 5. Embargos de Declaração rejeitados (STF - OITAVOS EMB. DECL. NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 718.874 RIO GRANDE DO SUL) No mesmo sentido, já está sumulado no âmbito deste Conselho, o entendimento segundo o qual a inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de sub-rogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. É de se ver o teor da Súmula CARF n° 150, in verbis: Súmula CARF n° 150 Aprovada pela 2ª Turma da CSRF em 03/09/2019 A inconstitucionalidade declarada por meio do RE 363.852/MG não alcança os lançamentos de subrogação da pessoa jurídica nas obrigações do produtor rural pessoa física que tenham como fundamento a Lei nº 10.256, de 2001. Acórdãos Precedentes: 2401-005.593, 9202-006,636, 2201-003.486, 2202-003.846, 2201-003.800, 2301- 005,268, 9202-005.128, 9202-003.706 e 9202-004.017. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 410, de 16/12/2020, DOU de 18/12/2020). No caso dos autos, é fato inconteste que o sujeito passivo adquiriu cacau de produtor rural pessoa física, intermediário pessoa física ou segurado especial no período de 2008, tal como noticia o item 3.1 do Relatório Fiscal, caracterizando-se portanto, como empresa adquirente ficando, em decorrência, sub-rogado nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial, responsável pelo recolhimento das contribuições incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização do produto rural, sendo irrelevante perquirir se o sujeito passivo é contribuinte sem empregados, eis que a contribuição sob exame não incide sobre a folha de salários. Ademais, cabe observar que a contribuição devida na forma do dispositivo legal mencionado deve ser, obrigatoriamente, recolhida pela empresa adquirente do produto rural, na condição de sub-rogada, para esse fim, nas obrigações do produtor rural pessoa física ou segurado especial, conforme previsão contida no inciso IV do artigo 30 da Lei nº 8.212/1991, na redação da Lei 9.528/1997, não desobrigando a empresa urbana. E, ainda, em nenhum momento o Relatório Fiscal apontou o sujeito passivo como sendo produtor rural pessoa jurídica, limitando-se a referendá-lo como adquirente de produto Fl. 2901DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 rural (cacau) de produtor rural pessoa física, intermediário pessoa física ou segurado especial, consoante se lê no item 3.1 do Relatório Fiscal. Na mesma toada, Solução de Consulta nº 2, de 15/03/2013, da 5ª Região Fiscal citada pelo sujeito passivo trata da desoneração da folha de pagamento de empresas de diversos setores, prevista na Lei 12.546/2011 e suas alterações, caso em que as empresas desoneradas passam a recolher a contribuição com uma alíquota fixa incidente sobre a receita bruta. Portanto, trata-se de situação diversa dos autos, cujo fato gerador é relativo a 2008, sendo inaplicável ao caso. Para além do exposto, conforme visto anteriormente, a exigência das contribuições ao SENAR, devida pelo produtor rural, de que trata o artigo 12, inciso V, “a”, da Lei nº 8.212/91, mas que foi sub-rogada ao recorrente, enquanto adquirente da produção comercializada, por imposição legal contida no artigo 30, IV, da referida Lei, tem seu fundamento no artigo 6º da Lei nº 9.528/97, com a redação dada pela Lei nº 10.256/01. A contribuição ao Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) será recolhida pelo adquirente, consignatário ou cooperativa que ficam sub-rogados, para esse fim, nas obrigações do produtor, na forma da alínea “a” do § 5º do art. 11 do Decreto nº 566, de 10 de junho de 1992, com a inclusão feita pelo Decreto nº 790, de 31 de março de 1993. A empresa autuada, adquirente de produtos rurais, sub-roga-se na obrigação de recolher as contribuições devidas pelo produtor rural pessoa física, inclusive aquela destinada ao Senar, as quais são arrecadadas conjuntamente com as contribuições previdenciárias (art. 25 e incisos I e II da Lei nº 8.212/91) igualmente sub-rogadas, descontando-as do preço pago e repassando-as aos cofres públicos, de forma que a adquirente, substituta tributária, não sofre qualquer redução patrimonial pelo recolhimento das referidas exações. Trata-se de sub-rogação subjetiva, que é a substituição de uma pessoa por outra em uma mesma relação jurídica. Esta sub-rogação ocorre apenas na obrigação de recolher as contribuições previdenciárias, inclusive a do Senar. O papel de contribuinte, no caso, continua sendo do produtor rural pessoa física. Assim, o recorrente, embora não revista a condição de contribuinte, é responsável pelo recolhimento da contribuição incidente sobre a aquisição de produção rural, não lhe sendo lícito alegar qualquer omissão para se eximir do recolhimento, tendo em vista que sua obrigação decorre de disposição expressa de lei (art. 121, § único, II, do CTN). A propósito, recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF), apreciando o tema 801 da Repercussão Geral, que versou sobre incidência da contribuição destinada ao SENAR sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, fixou a seguinte tese: "É constitucional a contribuição destinada ao SENAR incidente sobre a receita bruta da comercialização da produção rural, na forma do art. 2º da Lei nº 8.540/92, com as alterações do art. 6º da Lei 9.528/97 e do art. 3º da Lei nº 10.256/01". Sobre as demais alegações apresentadas pelos sujeitos passivos, conforme bem pontuado pela decisão recorrida, não acrescentam e nem diminuem o lançamento fiscal, quando, na verdade, confirmam que o trabalho da Fiscalização está correto. Cabe pontuar, ainda, que o julgador não está obrigado a refutar, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, basta apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais e suficientes ao julgamento, conforme jurisprudência consolidada também no âmbito do STJ (EDcl no AgRg no REsp nº 1.338.133/MG, REsp nº 1.264.897/PE, AgRg no Ag 1.299.462/AL, EDcl no REsp nº 811.416/SP). Fl. 2902DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Dessa forma, rejeito as alegações do sujeito passivo principal. 3. Do Recurso Voluntário apresentado pelo responsável solidário Sr. GILVAN ZEFERINO COSTA. Conforme narrado, a fiscalização imputou solidariedade ao Sr. Gilvan Zeferino Costa, com espeque nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), por ter participado dos negócios realizados pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME, em razão das seguintes circunstâncias narradas no Termo de Sujeição Passiva Solidária (e-fls. 2363 e ss): [...] Mudando o foco para a empresa Almeida Costa Comércio de Cacau, verificamos que a empresa declarou à Receita Federal, apenas R$ 9.600,00 de faturamento para o ano calendário 2008. Também foi demonstrado neste relatório, que o Sr. Gilvan, proprietário da empresa, foi beneficiário de recursos da empresa Josenildo dos Santos, na ordem de 1,2 milhão de reais, e, que seu funcionário, Sr. Júlio Cesar Dos Santos Mendes, registrado como motorista, com salário mínimo, foi beneficiário de mais 500 mil reais. Além disso, o procurador da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau, que é seu primo, recebeu quase cinco milhões de reais em cheques nominais ao mesmo. Em seu depoimento, o Sr. Gilvan foi evasivo nas respostas e não conseguiu explicar a razão de ter recebido os recursos da Josenildo dos Santos Comércio de Cacau. Também não soube explicar o motivo de sua empresa, a Almeida Costa, ter declarado, à Receita Federal, um faturamento irrisório para o ano de 2008. Todos os indícios apurados até agora indicam que o Sr. Gilvan Zeferino Costa também utilizou a empresa Josenildo dos Santos para emitir as notas fiscais referentes ao cacau negociado por sua empresa. Por último, é notório, em nossa região, a desorganização e até a informalidade do setor de compra e venda de cacau. Como o produtor, em sua maioria não exige ou não quer a nota fiscal na hora da venda, o atacadista fica muitas vezes com a mercadoria sem nota fiscal. Adicione a esta situação, a quantidade de empresas individuais como a do Sr. Josenildo, que proliferam na região, que funcionam por apenas 2 ou 3 anos, movimentando elevadas quantias, vendendo muito cacau já no primeiro ano de funcionamento, e abandonadas antes de completarem 3 anos, sem nenhum recolhimento de tributo. Tudo leva a crer que estas empresas são criadas com interpostas pessoas (laranjas) ou usadas por outros negociadores apenas com o intuito de emitirem notas fiscais para cobrirem cacau de terceiros, pessoas jurídicas ou físicas, comprado sem nota fiscal, e fugirem do pagamento dos tributos devidos, pois quando a Receita Federal vai atrás dos valores sonegados, encontra apenas "empresários" sem nenhum lastro para garantir os autos de infração lavrados. Diante de tudo o apurado acima, ou seja, a baixa capacidade financeira do Sr. Josenildo e sua empresa; do parentesco entre o procurador nomeado, Sérgio Duarte, e o dono da Almeida Costa Comercio de Cacau, Gilvan Zeferino Costa; de funcionários registrados com salário mínimo ou pouco acima, das empresas Central do Adubo e Almeida Costa terem recebidos vultosas quantias em cheques da empresa; do próprio Gilvan Zeferino Costa ter recebido mais de 1 milhão em cheques da empresa; do Sr. Edmilson, conhecido como “caatingueiro", ser um ativo negociador de cacau na região, são fortes indícios de que o cacau vendido para as indústrias pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau eram de propriedade dos negociadores Gilvan Zeferino Costa, Edmilson Rocha da Silva e Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, que a usaram para emitir as notas fiscais que acobertassem o cacau enviado para a indústria, no intuito de fugir da tributação devida. Ante o exposto, restou a esta fiscalização caracterizar a sujeição passiva solidária das pessoas físicas ADILSON RIBEIRO DOS REIS, proprietário da Central do Adubo, EDMILSON ROCHA DA SILVA, corretor autônomo de cacau e gerente da Central do Adubo, e GILVAN ZEFERINO COSTA, proprietário da Almeida Fl. 2903DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Costa, nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), conforme este termo lavrado. Ademais, acerca do depoimento prestado pelo Sr. Gilvan Zeferino Costa, a fiscalização pontuou o seguinte (e-fls. 2363 e ss): [...] Comentário da fiscalização: O depoimento do Sr. Gilvan foi o mais evasivo possível. Ele não esclareceu absolutamente nada. Disse que não tinha nenhuma relação comercial com a empresa de Josenildo, mas não soube explicar o motivo de ter recebido mais de 1 milhão de reais da empresa de Josenildo. Não é normal um comerciante de uma cidade pequena, não se lembrar de ter recebido uma quantia dessas. Além disso, o próprio Josenildo, em seu depoimento, disse que não era incomum "pegar" cacau da Almeida Costa e da Central do Adubo para ganhar uma comissão menor. Não soube explicar também porque sua empresa declarou a receita Federal apenas R$ 9.600,00 de faturamento anual, reforçando a suspeita de que utilizou a empresa de Josenildo para emitir a nota de saída de um cacau que seria seu. A fiscalização também pontuou que o Sr. Gilvan Zeferino Costa, dono da Almeida Costa Comercio de Cacau Ltda, teria recebido mais de um milhão de reais da empresa, sendo que o único documento que o ligaria com a mesma seria o valor do aluguel e que não ultrapassaria R$ 36.000,00 no ano de 2008. Em seu Recurso Voluntário (e-fls. 2720 e ss), o sujeito passivo questiona a narrativa da fiscalização, trazendo as seguintes alegações, em síntese: 1. No que tange ao contrato de locação do imóvel, tal fato é facilmente explicável, visto que muito embora não seja de propriedade do Requerente, é de família antiga da cidade, que em razão de residirem em outro município, e de nutrir profundo laço de amizade entres os familiares a mais de 50 anos, depreendem total confiança, no Sr. Gilvan, pois contam com a sua gentileza para intermediar a locação do imóvel para comerciantes locais; 2. O Sr. Gilvan cuida tão somente da intermediação da locação, apresentação de documentos e assinatura do contrato, sendo que o valor concernente ao aluguel é pago diretamente aos proprietários do imóvel, o que vem a justificar o fato de que passados 6 seis anos da locação e o Requerente não tenha recordação do valor exato pactuado; 3. De outro modo, na análise do segundo paradigma em que tenta responsabilizar o Requerente por ter seu nome ou da sua empresa constando no cadastro bancário como referência, justifica-se em razão do mesmo ter assinado contrato de Locação de Imóvel, documento este que certamente fora utilizado quando da abertura da conta no Banco da cidade; 4. O Requerente é pessoa bastante conhecida na cidade, de família tradicional, de valores reconhecidos e que tal fato pode ter sido utilizado pelo Sr. Josenildo como forma de demonstrar segurança à Instituição Financeira, inclusive com o escopo de obtenção de crédito; 5. No que tange aos saques de cheques em pagamento ao Sr. Josenildo, deve-se elucidar que no ano de 2008, em razão de estar envolvido com outras ocupações, em especial as corridas de motovelocidade por todo o Brasil, o Requerente foi procurado pelo Sr. Josenildo para que o mesmo lhe passasse os seus fornecedores de cacau (pequenos agricultores da região). O Pedido foi procedido em virtude do grau de confiança entre os pequenos produtores e toda família do Sr. Gilvan, ora Requerente, na Região; 6. Em razão do grande conhecimento que possuía na região, inclusive por ter laborado por muitos anos na compra e venda de amêndoas de cacau, aliado ao crédito que possuía face a sua conduta idônea e escorreita, o Requerente aceitou a proposta e passou os seus fornecedores diretamente ao Sr. Josenildo; 7. O Requerente efetivou os pagamentos diretamente aos produtores rurais, ou por eles autorizados, após ter recebido os recursos da empresa Josenildo, em subsequente liberação de recursos pela indústria; Fl. 2904DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 8. Tal informação justifica o recebimento da quantia de R$ 1.179.395,00 pelo Requerente, durante o referido ano, valor este que era evidentemente repassado aos pequenos fornecedores. Assim, foi mantida a sua credibilidade e constância na relação de confiança com os pequenos produtores; 9. No que tange a alegação, de que a existência de créditos em nome de parentes e funcionários leva a crer que era o Requerente o responsável pelo suposto esquema não merece prosperar. Observe que estamos tratando de uma cidade com população de pouco mais de 30.000 habitantes, sendo natural que as pessoas envolvidas no mesmo ramo comercial se conheçam, sejam parentes e até possuam vínculo empregatício uns com os outros. Em que pese a veemência das alegações trazidas pelo recorrente, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. Pois bem. O Código Tributário Nacional consagra a responsabilidade solidária das “pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal” (art. 124, I) e das “pessoas expressamente designadas por lei” (art. 124, II). É de se ver: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. No caso dos autos, entendo que a autoridade fiscal demonstrou claramente a coparticipação do sujeito arrolado no esquema artificioso criado, com a correta atribuição da responsabilidade solidária ao recorrente, com espeque no art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), sobretudo em razão dos seguintes aspectos: (i) questões de ordem subjetiva e ligadas à moral e aos costumes da região são inoponíveis à Fazenda Pública (arts. 123, 136, 118 e 108, IV, § 2º, todos do CTN); (ii) o Sr. Gilvan não trouxe nenhum documento para desconstituir os fatos apontados pela autoridade lançadora, eis que não houve apresentação de prova minimamente robusta para comprovar suas alegações, não sendo suficiente declarações superficiais, prevalecendo o que está nos autos. A propósito, é preciso pontuar que é ônus do contribuinte produzir as provas dos fatos consignados em sua defesa. Essa prova deve, evidentemente, estar fundamentada em documentos hábeis e idôneos, de modo a comprovar, de forma cabal e inequívoca, os fatos declarados, o que não ocorreu nos presentes autos. Cabe destacar, pois, que o princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal, não afasta a necessidade de prova das alegações de defesa contrárias ao lançamento fiscal. Comprovado que o procedimento fiscal levado a efeito atende às normas regulamentares, não há que se falar em falta de atendimento à verdade material. O ônus da prova existe, portanto, afetando ambas as partes litigantes. Não cabe a qualquer delas manter-se passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. A propósito, manifesta-se com precisão Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em sua obra Processo Administrativo Tributário, Malheiros Editores, 2000, pg. 184/185: As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguram-se e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a Fl. 2905DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 exigibilidade fiscal. (...) A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeita-se às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. A informalidade dos negócios entre as partes não pode eximir o contribuinte de apresentar prova de suas alegações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigido em razão da confiança entre as partes, mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. A relação entre Fisco e contribuinte é de outra natureza: é formal e vinculada à lei. Ademais, cabe pontuar que o litigante deveria ter sido zeloso em guardar documentos para apresentação ao Fisco, até que ocorresse a decadência/prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (conforme art. 195, parágrafo único do CTN). Trata-se, pois, do ônus de munir-se de documentação probatória hábil e idônea de suas atividades. Dessa forma, o vasto conjunto probatório acostado aos autos, revela a participação efetiva do sujeito passivo arrolado como responsável solidário e ora recorrente na situação descrita, o que demonstra o interesse comum no fato gerador, nos termos do art. 124, do CTN, eis que nas situações narradas, todos concorreram para a prática do ato, estando vinculados ao fato gerador do tributo. A propósito, são valiosas as lições de Carlos Jorge Sampaio Costa 3 , ao afirmar que: “Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica”. Com efeito, a fiscalização demonstrou, exaustivamente, que as empresas foram criadas com interpostas pessoas (laranjas) ou usadas por outros negociadores apenas com o intuito de emitirem notas fiscais para cobrirem cacau de terceiros, pessoas jurídicas ou físicas, sem nota fiscal, e fugirem do pagamento dos tributos devidos, pois quando a Receita Federal vai atrás dos valores sonegados, encontra apenas "empresários" sem nenhum lastro para garantir os autos de infração lavrados. A propósito, dentro de suas prerrogativas legais, decorrentes dos artigos 142 e 149 do CTN e do art. 33 e § 1.º da Lei n.º 8.212/91, a Auditoria-Fiscal tem o poder-dever de fiscalizar e identificar, conforme a situação fática apresentada, a realidade dos fatos geradores ocorridos, isto é, a verdade material, em detrimento dos aspectos meramente formais dos negócios jurídicos apresentados pelo contribuinte. A questão gravita em torno dos princípios do Direito, dentre os quais se destaca o da primazia da substância sobre a forma, em atenção ao qual deve a autoridade fiscalizadora, em cada situação analisada, avaliar a correspondência entre o fato concreto e a forma com a qual este se apresenta, prevalecendo, em caso de discordância entre ambos, o primeiro (fato concreto), entendimento que está em consonância com o princípio da verdade material, que também integra o processo administrativo fiscal. Dessa forma, entendo que o recorrente não logrou êxito em demonstrar a fragilidade da acusação fiscal, motivo pelo qual, deve ser reconhecida a legitimidade passiva, estando correta sua inclusão no polo passivo da demanda, na qualidade de responsável solidário. 3 COSTA, Carlos Jorge Sampaio. Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador, in Revista de Direito Tributário nº 4. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1978, p. 304. Fl. 2906DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Nesse sentido, em que pese a insatisfação do recorrente, a meu ver, a decisão de piso decidiu acertadamente sobre a controvérsia posta, motivo pelo qual endosso as razões anteriormente adotadas e que são convergentes com o entendimento deste Relator. Ademais, tendo em vista que o recorrente transcreve, ipsis litteris, a impugnação apresentada, enxertando apenas alguns comentários sobre a decisão recorrida, opto por reproduzir no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordo integralmente, em relação à atribuição de responsabilidade tributária ora questionada: [...] De plano tem-se a dizer que questões de cunho subjetivo (laços de amizade, valores, conduta, confiança, etc), como as que foram trazidas pelo Sr. Gilvan, não tem o condão de legitimar os atos que lhe são imputados. Também não o isentam de responsabilidade nas situações aqui vertidas, o exercício concomitante da atividade de empresário com a de desportista (piloto de moto velocidade). Tampouco lhe exime de qualquer responsabilidade o fato de ser administrador de pousada. Releva salientar que o Sr. Gilvan não traz nenhum documento para desconstituir os fatos apontados pela autoridade lançadora. Não houve prova minimamente robusta de suas afirmações, não sendo suficiente declarações superficiais, prevalecendo o que está nos autos: O Sr. Gilvan não explicou à fiscalização porque recebeu em 2008 mais de um milhão da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME e no mesmo período declarou à Receita Federal apenas R$ 9.600,00 de faturamento, reforçando a suspeita de que utilizou a empresa Josenildo para emitir a nota fiscal de saída de cacau que seria seu. Portanto, restou demonstrado que o Sr. Gilvan Zeferino Costa efetivamente participou dos negócios realizados pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME, demonstrando interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação sob exame, estando correto constar como sujeito passivo solidário da obrigação, nos termos do art. 124 do CTN. Ante o exposto, tendo em vista que o recorrente repete, em grande parte, os argumentos de defesa tecidos em sua impugnação, não apresentado fato novo relevante, ou qualquer elemento novo de prova, ainda que documental, capaz de modificar o entendimento exarado pelo acórdão recorrido, reputo hígido o lançamento tributário, endossando a argumentação já tecida pela decisão de piso. 4. Do Recurso Voluntário apresentado pelo responsável solidário Sr. EDMILSON ROCHA DA SILVA. Conforme narrado, a fiscalização imputou solidariedade ao Sr. Edmilson Rocha da Silva, com espeque nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), por ter participado dos negócios realizados pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME, em razão das seguintes circunstâncias narradas no Termo de Sujeição Passiva Solidária (e-fls. 2363 e ss): [...] Os depoimentos mostraram também que o Sr. Edmilson Rocha da Silva não era urna simples interposta pessoa, como se pensou a princípio. No decorrer da investigação descobrimos que ele é ex-funcionário da Cargill, e, um conhecido negociador de cacau na região de Gandu, que durante o ano calendário 2008, trabalhou fazendo corretagem de cacau por conta própria, uma parte do ano, e na Central do Adubo em outra parte. Ao que tudo indica, também participou ativamente da utilização da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau para emitir notas fiscais de saída de cacau de terceiros. Fl. 2907DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Impossível também, pessoas de tão baixo poder aquisitivo, terem lastro para movimentar quantias tão grandes. A hipótese de adiantamento de recursos pelas indústrias, não é razoável, visto que uma empresa não daria tanto crédito a um "empresário" ou empresa que não tivesse a mínima garantia, como o Sr. Josenildo e sua empresa. Em seu próprio depoimento, o Sr. Josenildo relatou que, primeiro enviava a mercadoria para a indústria e, somente depois de avaliada e pesada é que recebia o dinheiro. Este procedimento parece ser o mais adequado para um pequeno comprador de cacau e não de quem movimentou quase 30 milhões de reais no ano de 2008. Em pesquisa ao sistema CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), descobrimos que o Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis trabalhou na Cargill, na função de gerente, até março de 2003 (doc 54). É de conhecimento público, conforme informação retirada da própria página da Central do Adubo na internet (doc 55), que a empresa é representante da Cargill na venda de fertilizantes. Apesar de não dizer na internet em nenhum momento que comercializa amêndoas de cacau, em seu letreiro, abaixo do nome Central do Adubo, consegue-se ler "compra de cacau". Aqui, estamos falando de alguém conhecido no mercado e que poderia facilmente obter adiantamentos para a compra de cacau dos produtores. Continuando as pesquisas, descobrimos também que, o Sr. Edmilson Rocha da Silva, registrado como auxiliar administrativo da Central do Adubo, consta em Dirf (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) da Cargill até o ano calendário de 2007, como tendo recebido rendimento de trabalho assalariado (doc 56). Mais uma pessoa com relacionamento nas indústrias. Além disso, os depoimentos do Sr. Adilson e do próprio Edmilson, apontaram-no como gerente de fato da filial de Gandu da Central do Adubo e como ativo negociador de cacau na região. Outro aspecto interessante foi o fato de, em seus depoimentos, o Sr. Eliomar, funcionário da Central do Adubo, dizer que prestava favores de serviços bancários para o Josenildo, e o Sr. Gilvan também dizer o mesmo sobre o seu funcionário da Almeida Costa, o Sr. Júlio César. Não é estranho que duas empresas sólidas, com vários funcionários registrados, mas com faturamento baixo, ajudem uma outra empresa, que durou apenas 3 anos, sem funcionários registrados, mas com faturamento infinitamente maior do que elas? Some-se a tudo isso o fato de ser comum no comércio de cacau a figura do "repassador", que se encaixa perfeitamente no perfil da empresa do Josenildo. O cacau foi negociado por uma pessoa (corretor) ou empresa e uma outra empresa "pega" esse cacau e dá saída como se fosse seu, ganhando uma percentual menor sobre a venda do que se tivesse comprado diretamente do produtor. Perfeito para quem não tem lastro financeiro como a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau. Necessário dizer que a atividade de repassador não teria nada de ilegal, se fosse emitida a nota fiscal de venda do produto do real adquirente para o repassador. Mas não é isso que acontece. O repassador emite a nota de entrada como se fosse direto do produtor (pessoa física) e a nota de saída para as indústrias. Em 3 anos essa empresa é abandonada sem nenhum pagamento de tributo e sem patrimônio para execução de possíveis autuações ocorridas. À Receita Federal, a empresa Central do Adubo declarou, para o ano calendário 2008, um faturamento de apenas R$ 240.000,00, aumentando este faturamento para 4,2 milhões em 2009 e 5 milhões em 2010, Conforme já amplamente demonstrado acima, funcionários de sua empresa receberam da Josenildo dos Santos Comércio de Cacau, mais de 5 milhões de reais. Em seu depoimento, O Sr. Adilson não esclareceu nada, alegando que tinha passado uma procuração, apresentada a esta fiscalização somente em 01/07/2013, datada de 21/08/2011, fora, portanto, do período em análise, dando amplos poderes para que o Sr. Edmilson administrasse o seu negócio em Gandu. Todos os indícios apurados até agora indicam que o Sr. Adilson Cláudio e Sr. Edmilson, seu gerente, utilizaram a empresa Josenildo dos Santos para emitir as notas fiscais referentes ao cacau negociado por eles e declararam como faturamento da empresa Central do Adubo, no ano calendário de 2008, apenas a venda de fertilizantes. Fl. 2908DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 (...) Diante de tudo o apurado acima, ou seja, a baixa capacidade financeira do Sr. Josenildo e sua empresa; do parentesco entre o procurador nomeado, Sérgio Duarte, e o dono da Almeida Costa Comercio de Cacau, Gilvan Zeferino Costa; de funcionários registrados com salário mínimo ou pouco acima, das empresas Central do Adubo e Almeida Costa terem recebidos vultosas quantias em cheques da empresa; do próprio Gilvan Zeferino Costa ter recebido mais de 1 milhão em cheques da empresa; do Sr. Edmilson, conhecido como “caatingueiro", ser um ativo negociador de cacau na região, são fortes indícios de que o cacau vendido para as indústrias pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau eram de propriedade dos negociadores Gilvan Zeferino Costa, Edmilson Rocha da Silva e Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, que a usaram para emitir as notas fiscais que acobertassem o cacau enviado para a indústria, no intuito de fugir da tributação devida. Ante o exposto, restou a esta fiscalização caracterizar a sujeição passiva solidária das pessoas físicas ADILSON RIBEIRO DOS REIS, proprietário da Central do Adubo, EDMILSON ROCHA DA SILVA, corretor autônomo de cacau e gerente da Central do Adubo, e GILVAN ZEFERINO COSTA, proprietário da Almeida Costa, nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), conforme este termo lavrado. Ademais, acerca do depoimento prestado pelo Sr. Edmilson Rocha da Silva, a fiscalização pontuou o seguinte (e-fls. 2363 e ss): [...] Comentário da fiscalização: O depoimento do Sr. Edmilson, apesar de não assumir que negociava com Josenildo, confirmou algumas suspeitas. A 1a de que ele negociava cacau para terceiros e que recebia corretagem por isso, usando inclusive a conta de sua esposa. Ao dizer que pode ter sido oriundo da corretagem que fazia, os valores recebidos pela sua esposa da empresa Amazonbahia, contradiz com o fato de não ter relação com a Josenildo Comércio de Cacau, pois os pagamentos feitos pela Amazonbahia foram de notas ficais de saída da Josenildo. Também não conseguiu justificar o recebimento de mais de R$ 700.000,00 da empresa de Josenildo. Só disse que não negociava com ele. Mas o próprio Josenildo, em seu depoimento, listou entre seus fornecedores o "caatingueiro", reforçando a suspeita de que utilizou a empresa de Josenildo para emitir a nota de saída de um cacau que estaria negociando. Em seu Recurso Voluntário (e-fls. 2732 e ss), o sujeito passivo questiona a narrativa da fiscalização, trazendo as seguintes alegações, em síntese: Preliminares 1. No caso em tela, o auto de infração não atende ao preceituado na legislação. Da descrição elaborada pelo Sr. Fiscal, não se permite ao contribuinte identificar a origem do suposto crédito tributário ora exigido, impossibilitando por completo o exercício do direito ao contraditório e a ampla defesa; 2. Não pode ser considerada clara e precisa uma peça acusatória que não transparece com exatidão a origem do crédito ora exigido; 3. O auto de infração ora impugnado foi lavrado com base em documentos coletados mediante quebra ilícita de sigilo bancário, ocorrendo procedimento de fiscalização de modo desleal e abusivo. Os relatórios de movimentação bancária citados no auto de infração e ratificados na decisão que julgou improcedentes as impugnações arguidas pelo ora recorrente não foram obtidos legalmente, mas sim através de uma atuação inadequada, abusiva e ilícita; 4. O presente processo administrativo se embasa única e exclusivamente em prova obtida por meio ilícito, que o torna eivado de vício insanável e, portanto, nulo de pleno direito; Mérito Fl. 2909DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 5. O recorrente não realizou as operações de que é acusado, inexistindo quaisquer destas provas nos autos; 6. Os valores recebidos da empresa Josenildo dos Santos Compra de Cacau, muitas vezes através das indústrias que compravam o cacau desta, como a Amazon Bahia, é proveniente do contrato de mútuo financeiro que possibilitava esta compra de cacau; 7. As notas fiscais oriundas destas transações eram emitidas — ou ao menos deveriam ter sido — diretamente pelos compradores, sejam eles a empresa investigada, Josenildo dos Santos Compra de Cacau, sejam outras empresas que aqui não foram citadas; 8. Caso a investigada Josenildo dos Santos Comércio de Cacau realmente não tenha recolhido os impostos oriundos destas transações, como consta na denúncia do Auditor Fiscal, não pode o recorrente ser penalizado por isso. Em que pese a veemência das alegações trazidas pelo recorrente, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. A começar, ao contrário do que arguido pelo recorrente, vislumbro que o ato administrativo de lançamento foi motivado pelo conjunto das razões de fato e de direito que carrearam à conclusão contida na acusação fiscal, à luz da legislação tributária compatível com as razões apresentadas no lançamento. O convencimento fiscal está claro, aplicando a legislação que entendeu pertinente ao presente caso, procedeu a apuração do tributo devido com a demonstração constante no Auto de Infração. No presente caso, a autoridade agiu em conformidade com os dispositivos legais que disciplinam o lançamento, discriminando no Relatório Fiscal os dispositivos legais aplicáveis ao caso, além de descrever, minuciosamente, o fato gerador que ensejou a presente obrigação tributária, além de mencionar os valores dos acréscimos legais, com a correspondente fundamentação legal. Para além do exposto, entendo que não houve nos autos em momento algum cerceamento do direito de defesa da recorrente ou violação ao contraditório e ao devido processo legal, tendo em vista que lhe foi oportunizado a prática de todos os atos processuais inerentes ao processo administrativo-fiscal, contidos no Decreto no 70.235/1972. O cerceamento do direito de defesa se dá pela criação de embaraços ao conhecimento dos fatos e das razões de direito à parte contrária, ou então pelo óbice à ciência do auto de infração, impedindo o contribuinte de se manifestar sobre os documentos e provas produzidos nos autos do processo, hipótese que não se verifica in casu. O contraditório é exercido durante o curso do processo administrativo, nas instâncias de julgamento, não tendo sido identificado qualquer hipótese de embaraço ao direito de defesa do recorrente. Dessa forma, não procede o argumento acerca da nulidade do lançamento, eis que não se vislumbra ofensa à ampla defesa, tendo em vista estarem descritos todos os motivos para constituição do crédito; os fatos geradores; as bases de cálculos; os fundamentos legais; o Relatório fiscal e os seus relatórios de lançamentos, além da certeza de que foram oferecidas totais condições para que o contribuinte pudesse compreender perfeitamente os procedimentos adotados pela auditoria fiscal. E, ainda, entendo que foram oferecidas ao recorrente todas as informações relevantes para apresentar sua defesa. Tanto o foi que, tempestivamente, o sujeito passivo impugnou o lançamento, demonstrando conhecer plenamente os fatos que lhe foram imputados. A meu ver, o lançamento em comento seguiu todos os passos para sua correta formação, conforme determina o art. 142 do Código Tributário Nacional, quais sejam: (a) Fl. 2910DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 constatação do fato gerador cominado na lei; (b) caracterização da obrigação; (c) apuração do montante da base de cálculo; (d) fixação da alíquota aplicável à espécie; (e) determinação da exação devida – valor original da obrigação; (f) definição do sujeito passivo da obrigação; e (g) lavratura do termo correspondente, acompanhado da descrição dos fatos, tudo conforme a legislação. Constato que o presente lançamento tributário atendeu aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, havendo a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972, bem como a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte, de modo que restam afastadas quaisquer hipóteses de nulidade do lançamento. Entendo, portanto, que não há nenhum vício que macula o presente lançamento tributário, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente considerando que o contribuinte teve oportunidade de se manifestar durante todo o curso do processo administrativo. Nesse sentido, tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Assim, uma vez verificado a ocorrência do fato gerador, o Auditor Fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ele constatados e efetuar o lançamento tributário. Portanto, não há de se falar em nulidade do auto de infração, tendo em vista que este foi devidamente instituído com base no Decreto nº 70.235/1992 e na Lei nº 8.212/91, bem como foi assegurado ao Recorrente o exercício de seu direito à ampla defesa, ao contraditório e ao devido processo legal, razões pelas quais afasto a preliminar arguida. Quanto ao argumento de defesa da impossibilidade de Requisição de Movimentação Financeira sem prévia autorização judicial por parte da Administração Tributária, necessário esclarecer o que segue. Embora a possibilidade de requisição às instituições bancárias já estivesse prevista no art. 197, II da Lei nº 5.172, de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN), somente com edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 2001, foi autorizado à Receita Federal do Brasil acessar as informações protegidas pelo sigilo bancário no âmbito do processo administrativo fiscal, sem prévia autorização judicial. Código Tributário Nacional: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: [...] II - os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras;[...] Lei Complementar nº 105, de 2001: Fl. 2911DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Art. 6º - As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único - O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. O teor do art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001 autoriza a busca de informações junto às instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, sempre que houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Na hipótese dos autos, resta comprovado de forma inequívoca que a busca de informações referentes a operações das instituições financeiras era indispensável para o prosseguimento da investigação fiscal, justificando a Requisição de Movimentação Financeira e que se deu em observância aos ditames legais. Assim, não constato qualquer irregularidade no presente procedimento administrativo fiscal uma vez que o Auditor Fiscal estava se valendo de meios e instrumentos de fiscalização criteriosamente dados pelo ordenamento jurídico. Dessa forma, o procedimento fiscal de requisitar as informações sobre a movimentação bancária às instituições financeiras tem respaldo legal expresso no art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001, com regulamentação do Decreto nº 3.724, de 2001, conforme evidenciam os docs. e-fls. 275 a 287. A propósito, o Supremo Tribunal Federal já definiu a questão em sede de Repercussão Geral, no RE n° 601.314, tendo sido consolidada a seguinte tese: Decisão: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto do Relator, apreciando o tema 225 da repercussão geral, conheceu do recurso e a este negou provimento, vencidos os Ministros Marco Aurélio e Celso de Mello. Por maioria, o Tribunal fixou, quanto ao item “a” do tema em questão, a seguinte tese: O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. [..] A decisão deste tema foi noticiada no sítio do STF 4 no dia 25/02/2016, nos seguintes termos: (grifos acrescentados) O Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) concluiu na sessão de 24/02/2016 o julgamento conjunto de cinco processos que questionavam dispositivos da Lei Complementar (LC) 105/2001, que permitem à Receita Federal receber dados bancários de contribuintes fornecidos diretamente pelos bancos, sem prévia autorização judicial. Por maioria de votos – 9 a 2 – , prevaleceu o entendimento de que a norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas sim em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos ao Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, portanto não há ofensa à Constituição Federal. [...] Nesse desiderato, o acesso às informações obtidas junto às instituições financeiras pela autoridade fiscal independe de autorização judicial, não implicando quebra de sigilo bancário, mas simples transferência deste, porquanto em contrapartida está o sigilo fiscal a que 4 disponível no sítio do STF no endereço: http://www.stf.jus.br/portal/cms/verJulgamentoDetalhe.asp?idConteudo=310708 Fl. 2912DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 se obrigam os agentes fiscais. Nesse sentido, não há como se falar em irregularidade na obtenção dos dados pela fiscalização. O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. Para além do exposto, no caso dos autos, entendo que a autoridade fiscal demonstrou claramente a coparticipação do sujeito arrolado no esquema artificioso criado, com a correta atribuição da responsabilidade solidária ao recorrente, com espeque no art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), sobretudo em razão dos seguintes aspectos: (i) o Sr. Edmilson Rocha da Silva estava registrado como auxiliar administrativo na empresa Central do Adubo com salário de R$ 900,00 e que foi beneficiário do montante de R$ 719.406,12 depositados em 2008 na conta bancária da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, junto ao Bradesco (fls. 2390/2391); (ii) o Sr. Edmilson não apresentou nenhum contrato de mútuo financeiro, tampouco qualquer outro documento com o fito de comprovar a licitude das movimentações financeiras; (iii) não parece razoável que as negociações financeiras do Sr. Edmilson em 2008, que atingiram a monta significativa de quase oitocentos mil reais, tenham se sustentado tão somente na “relação de confiança” que ele mantinha com os pequenos produtores da região ou em razão do “excelente contato que mantinha com eles”, como aduz na peça impugnatória; (iv) o contexto probatório dos autos indica que o Sr. Edmilson comprava cacau diretamente dos produtores rurais, mas as notas fiscais que lastreavam tais operações eram emitidas pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME. Na seqüência, o produto era repassado por esta empresa aos verdadeiros adquirentes - dentre eles o Sr. Edmilson (através da empresa Central do Adubo), mediante nota fiscal de saída (venda), numa operação que eximia o efetivo adquirente da responsabilidade das contribuições incidentes por sub-rogação na aquisição de produto rural de pessoas físicas, deixando essa obrigação para a primeira empresa, criada especialmente para este fim. A propósito, é preciso pontuar que é ônus do contribuinte produzir as provas dos fatos consignados em sua defesa. Essa prova deve, evidentemente, estar fundamentada em documentos hábeis e idôneos, de modo a comprovar, de forma cabal e inequívoca, os fatos declarados, o que não ocorreu nos presentes autos. Cabe destacar, pois, que o princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal, não afasta a necessidade de prova das alegações de defesa contrárias ao lançamento fiscal. Comprovado que o procedimento fiscal levado a efeito atende às normas regulamentares, não há que se falar em falta de atendimento à verdade material. O ônus da prova existe, portanto, afetando ambas as partes litigantes. Não cabe a qualquer delas manter-se passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. A propósito, manifesta-se com precisão Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em sua obra Processo Administrativo Tributário, Malheiros Editores, 2000, pg. 184/185: As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguram-se e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. (...) A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeita-se às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. Fl. 2913DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 A informalidade dos negócios entre as partes não pode eximir o contribuinte de apresentar prova de suas alegações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigido em razão da confiança entre as partes, mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. A relação entre Fisco e contribuinte é de outra natureza: é formal e vinculada à lei. Ademais, cabe pontuar que o litigante deveria ter sido zeloso em guardar documentos para apresentação ao Fisco, até que ocorresse a decadência/prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (conforme art. 195, parágrafo único do CTN). Trata-se, pois, do ônus de munir-se de documentação probatória hábil e idônea de suas atividades. Dessa forma, o vasto conjunto probatório acostado aos autos, revela a participação efetiva do sujeito passivo arrolado como responsável solidário e ora recorrente na situação descrita, o que demonstra o interesse comum no fato gerador, nos termos do art. 124, do CTN, eis que nas situações narradas, todos concorreram para a prática do ato, estando vinculados ao fato gerador do tributo. A propósito, são valiosas as lições de Carlos Jorge Sampaio Costa 5 , ao afirmar que: “Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica”. Com efeito, a fiscalização demonstrou, exaustivamente, que as empresas foram criadas com interpostas pessoas (laranjas) ou usadas por outros negociadores apenas com o intuito de emitirem notas fiscais para cobrirem cacau de terceiros, pessoas jurídicas ou físicas, comprado sem nota fiscal, e fugirem do pagamento dos tributos devidos, pois quando a Receita Federal vai atrás dos valores sonegados, encontra apenas "empresários" sem nenhum lastro para garantir os autos de infração lavrado. A propósito, dentro de suas prerrogativas legais, decorrentes dos artigos 142 e 149 do CTN e do art. 33 e § 1.º da Lei n.º 8.212/91, a Auditoria-Fiscal tem o poder-dever de fiscalizar e identificar, conforme a situação fática apresentada, a realidade dos fatos geradores ocorridos, isto é, a verdade material, em detrimento dos aspectos meramente formais dos negócios jurídicos apresentados pelo contribuinte. A questão gravita em torno dos princípios do Direito, dentre os quais se destaca o da primazia da substância sobre a forma, em atenção ao qual deve a autoridade fiscalizadora, em cada situação analisada, avaliar a correspondência entre o fato concreto e a forma com a qual este se apresenta, prevalecendo, em caso de discordância entre ambos, o primeiro (fato concreto), entendimento que está em consonância com o princípio da verdade material, que também integra o processo administrativo fiscal. Dessa forma, entendo que o recorrente não logrou êxito em demonstrar a fragilidade da acusação fiscal, motivo pelo qual, deve ser reconhecida a legitimidade passiva, estando correta sua inclusão no polo passivo da demanda, na qualidade de responsável solidário. Nesse sentido, em que pese a insatisfação do recorrente, a meu ver, a decisão de piso decidiu acertadamente sobre a controvérsia posta, motivo pelo qual endosso as razões anteriormente adotadas e que são convergentes com o entendimento deste Relator. 5 COSTA, Carlos Jorge Sampaio. Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador, in Revista de Direito Tributário nº 4. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1978, p. 304. Fl. 2914DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Ademais, tendo em vista que o recorrente transcreve a impugnação apresentada, enxertando apenas alguns comentários sobre a decisão recorrida, opto por reproduzir no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordo integralmente, em relação à atribuição de responsabilidade tributária ora questionada: [...] Os depoimentos colhidos pela fiscalização não confirmam a afirmativa trazida na peça impugnatória pelo Sr Edmilson Rocha da Silva, de que não possuía ponto fixo, nem comércio e que comprava cacau na confiança que os produtores lhe tinham, por isso não exercia atividade financeira, mas tão somente a intermediação entre comprador e os produtores vendedores. Veja-se, por exemplo, as seguintes passagens do Relatório Fiscal que contrapõe esta afirmativa: “Os depoimentos mostraram também que o Sr. Edmilson Rocha da Silva não era uma simples interposta pessoa, como se pensou a princípio. No decorrer da investigação descobrimos que ele é ex-funcionário da Cargill, e, um conhecido negociador de cacau na região de Gandu, que durante o ano calendário 2008, trabalhou fazendo corretagem de cacau por conta própria, uma parte do ano, e na Central do Adubo em outra parte. Ao que tudo indica também participou ativamente da utilização da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau para emitir notas fiscais de saída de cacau de terceiros.” (..) “(...) É de conhecimento público, conforme informação retirada da própria página da Central do Adubo na internet(doc 55), que a empresa é representante da Cargill na venda de fertilizantes. Apesar de não dizer na internet em nenhum momento que comercializa amêndoas de cacau, em seu letreiro, abaixo do nome Central do Adubo, consegue-se ler “compra de cacau”. Aqui, estamos falando de alguém conhecido no mercado e que poderia facilmente obter adiantamentos para a compra de cacau dos produtores. “(...) mais uma pessoa com relacionamento nas indústrias. Além disso, os depoimentos do Sr. Adilson e do próprio Edmilson apontaram-no como gerente de fato da filial de Gandu da Central do Adubo e como ativo negociador de cacau na região.” A fiscalização apurou que o Sr. Edmilson Rocha da Silva estava registrado como auxiliar administrativo na empresa Central do Adubo com salário de R$ 900,00 e que foi beneficiário do montante de R$ 719.406,12 depositados em 2008 na conta bancária da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, junto ao Bradesco (fls. 2390/2391). O Sr. Edmilson em depoimento à fiscalização negou que tivesse efetuado qualquer negociação com a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME porém na peça impugnatória admite que as transações comerciais se deram com o Sr. Sergio Duarte - procurador daquela empresa, fato que alegou desconhecer à época. Quanto às movimentações financeiras que lhe são imputadas, sustenta que se davam através de contrato de mútuo financeiro, acordado muitas vezes por contratos verbais e em outras, através de documentos assinados, como contratos, cheques ou notas promissórias. Em outra passagem alega que os valores recebidos da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, muitas vezes através das indústrias que compravam o cacau desta, como a Amazon Bahia Comércio de Cacau Ltda, é proveniente do contrato de mútuo financeiro que possibilitava esta compra de cacau. Por fim, alega que as atividades seriam lícitas, corroboradas pelas palavras do auditor quando referiu: "necessário dizer que a atividade de repassador não teria nada de ilegal“(...)". Fl. 2915DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Em relação ao assunto cumpre ressaltar que o Sr. Edmilson não apresentou nenhum contrato de mútuo financeiro, tampouco qualquer outro documento com o fito de comprovar a licitude das movimentações financeiras. E não parece razoável que as negociações financeiras do Sr. Edmilson em 2008, que atingiram a monta significativa de quase oitocentos mil reais, tenham se sustentado tão somente na “relação de confiança” que ele mantinha com os pequenos produtores da região ou em razão do “excelente contato que mantinha com eles”, como aduz na peça impugnatória, ainda mais em se tratando de um experiente negociador de cacau na região, como emerge dos autos. Observe-se que a fiscalização não convalidou as movimentações financeiras do Sr. Edmilson, ao contrário do que ele afirma. Veja-se neste sentido o inteiro teor da manifestação fiscal: Some-se a tudo isso o fato de ser comum no comércio de cacau a figura do “repassador”, que se encaixa perfeitamente no perfil da empresa do Josenildo. O cacau foi negociado por uma pessoa (corretor) ou empresa e uma outra empresa “pega” esse cacau e dá saída como se fosse seu, ganhando um percentual menor sobre a venda do que se tivesse comprado diretamente do produtor. Perfeito para quem não tem lastro financeiro como a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau. Necessário dizer que a atividade de repassador não teria nada de ilegal, se fosse emitida a nota fiscal de venda do produto do real adquirente para o repassador. Mas não é isso que acontece. O repassador emite a nota de entrada como se fosse direto do produtor (pessoa física) e a nota de saída para as indústrias. Em 3 anos essa empresa é abandonada sem nenhum pagamento de tributo e sem patrimônio para execução de possíveis autuações ocorridas. No caso, os argumentos apresentados pelo Sr. Edmilson não foram suficientes para abalar a legitimidade do lançamento, amparado em depoimentos e elementos de prova robustos e convergentes, os quais corroboram o entendimento da fiscalização, que em relação ao assunto assim se manifestou: Toda a investigação feita até aqui demonstra fortes indícios que a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau foi usada com o consentimento do seu proprietário, que provavelmente recebia alguma comissão pelo “favor”, para permitir nota fiscal de cacau de outras empresas. As entrevistas dos envolvidos com menor poder aquisitivo aumentaram as suspeitas de que os Srs. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis e Gilvan Zeferino Costa foram beneficiados com a emissão de notas fiscais pela Josenildo dos Santos Comércio de Cacau. Surgiu ainda uma terceira pessoa que, a princípio estava sendo considerada como de baixo poder aquisitivo, mas que os depoimentos revelaram ser um ex-funcionário da Cargill e um ativo negociador de cacau da região, que é o Sr. Edmilson Rocha da Silva, conhecido pela alcunha de “caatingueiro”. - Todos os indícios apurados até agora indicam que o Sr. Adilson Cláudio e Sr. Edmilson, seu gerente, utilizaram a empresa Josenildo dos Santos para emitir as notas fiscais referentes ao cacau negociado por eles e declararam como faturamento da empresa Central do Adubo, no ano calendário de 2008, apenas a venda de fertilizantes. Para refutar a presunção de legitimidade de que se revestem os atos administrativos, é indispensável haver prova cabal do vício que consubstanciaria a sua ilegitimidade, não se revelando suficiente, para tanto, a dedução de argumentos genéricos, que tangenciam o mérito. O contexto probatório dos autos indica que o Sr. Edmilson comprava cacau diretamente dos produtores rurais mas as notas fiscais que lastreavam tais operações eram emitidas pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME. Na seqüência, o produto era repassado por esta empresa aos verdadeiros adquirentes - dentre eles o Sr. Edmilson Fl. 2916DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 (através da empresa Central do Adubo), mediante nota fiscal de saída (venda), numa operação que eximia o efetivo adquirente da responsabilidade das contribuições incidentes por sub-rogação na aquisição de produto rural de pessoas físicas, deixando essa obrigação para a primeira empresa, criada especialmente para este fim. Portanto, o Sr. Edmilson participou ativamente dos negócios da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME, demonstrando interesse comum na situação que constitui o fato gerador em tela, estando correto constar como sujeito passivo solidário do crédito lançado, nos termos do art. 124 do CTN. Quanto às questões de Direito Penal trazidas, saliento que o presente julgamento não trata da ocorrência de crimes contra a ordem tributária, mas de exigência de crédito tributário não satisfeito pelo contribuinte (Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME) e pelo qual o Sr. Edmilson responde na condição de sujeito passivo solidário. Ante o exposto, tendo em vista que o recorrente repete, em grande parte, os argumentos de defesa tecidos em sua impugnação, não apresentado fato novo relevante, ou qualquer elemento novo de prova, ainda que documental, capaz de modificar o entendimento exarado pelo acórdão recorrido, reputo hígido o lançamento tributário, endossando a argumentação já tecida pela decisão de piso. 5. Do Recurso Voluntário apresentado pelo responsável solidário Sr. ADILSON CLAUDIO RIBEIRO DOS REIS. Conforme narrado, a fiscalização imputou solidariedade ao Sr. Adilson Claudio Ribeiro dos Reis, com espeque nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), por ter participado dos negócios realizados pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME, em razão das seguintes circunstâncias narradas no Termo de Sujeição Passiva Solidária (e-fls. 2363 e ss): [...] Os depoimentos mostraram também que o Sr. Edmilson Rocha da Silva não era urna simples interposta pessoa, como se pensou a princípio. No decorrer da investigação descobrimos que ele é ex-funcionário da Cargill, e, um conhecido negociador de cacau na região de Gandu, que durante o ano calendário 2008, trabalhou fazendo corretagem de cacau por conta própria, uma parte do ano, e na Central do Adubo em outra parte. Ao que tudo indica, também participou ativamente da utilização da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau para emitir notas fiscais de saída de cacau de terceiros. Impossível também, pessoas de tão baixo poder aquisitivo, terem lastro para movimentar quantias tão grandes. A hipótese de adiantamento de recursos pelas indústrias, não é razoável, visto que uma empresa não daria tanto crédito a um "empresário" ou empresa que não tivesse a mínima garantia, como o Sr. Josenildo e sua empresa. Em seu próprio depoimento, o Sr. Josenildo relatou que, primeiro enviava a mercadoria para a indústria e, somente depois de avaliada e pesada é que recebia o dinheiro. Este procedimento parece ser o mais adequado para um pequeno comprador de cacau e não de quem movimentou quase 30 milhões de reais no ano de 2008. Em pesquisa ao sistema CNIS (Cadastro Nacional de Informações Sociais), descobrimos que o Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis trabalhou na Cargill, na função de gerente, até março de 2003 (doc 54). É de conhecimento público, conforme informação retirada da própria página da Central do Adubo na internet (doc 55), que a empresa é representante da Cargill na venda de fertilizantes. Apesar de não dizer na internet em nenhum momento que comercializa amêndoas de cacau, em seu letreiro, abaixo do nome Central do Adubo, consegue-se ler "compra de cacau". Aqui, estamos falando de alguém conhecido no mercado e que poderia facilmente obter adiantamentos para a compra de cacau dos produtores. Continuando as pesquisas, descobrimos também que, o Sr. Edmilson Rocha da Silva, registrado como auxiliar administrativo da Central do Adubo, consta em Dirf (Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte) da Cargill até o ano calendário de Fl. 2917DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 2007, como tendo recebido rendimento de trabalho assalariado (doc 56). Mais uma pessoa com relacionamento nas indústrias. Além disso, os depoimentos do Sr. Adilson e do próprio Edmilson, apontaram-no como gerente de fato da filial de Gandu da Central do Adubo e como ativo negociador de cacau na região. Outro aspecto interessante foi o fato de, em seus depoimentos, o Sr. Eliomar, funcionário da Central do Adubo, dizer que prestava favores de serviços bancários para o Josenildo, e o Sr. Gilvan também dizer o mesmo sobre o seu funcionário da Almeida Costa, o Sr. Júlio César. Não é estranho que duas empresas sólidas, com vários funcionários registrados, mas com faturamento baixo, ajudem uma outra empresa, que durou apenas 3 anos, sem funcionários registrados, mas com faturamento infinitamente maior do que elas? Some-se a tudo isso o fato de ser comum no comércio de cacau a figura do "repassador", que se encaixa perfeitamente no perfil da empresa do Josenildo. O cacau foi negociado por uma pessoa (corretor) ou empresa e uma outra empresa "pega" esse cacau e dá saída como se fosse seu, ganhando uma percentual menor sobre a venda do que se tivesse comprado diretamente do produtor. Perfeito para quem não tem lastro financeiro como a empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau. Necessário dizer que a atividade de repassador não teria nada de ilegal, se fosse emitida a nota fiscal de venda do produto do real adquirente para o repassador. Mas não é isso que acontece. O repassador emite a nota de entrada como se fosse direto do produtor (pessoa física) e a nota de saída para as indústrias. Em 3 anos essa empresa é abandonada sem nenhum pagamento de tributo e sem patrimônio para execução de possíveis autuações ocorridas. À Receita Federal, a empresa Central do Adubo declarou, para o ano calendário 2008, um faturamento de apenas R$ 240.000,00, aumentando este faturamento para 4,2 milhões em 2009 e 5 milhões em 2010, Conforme já amplamente demonstrado acima, funcionários de sua empresa receberam da Josenildo dos Santos Comércio de Cacau, mais de 5 milhões de reais. Em seu depoimento, O Sr. Adilson não esclareceu nada, alegando que tinha passado uma procuração, apresentada a esta fiscalização somente em 01/07/2013, datada de 21/08/2011, fora, portanto, do período em análise, dando amplos poderes para que o Sr. Edmilson administrasse o seu negócio em Gandu. Todos os indícios apurados até agora indicam que o Sr. Adilson Cláudio e Sr. Edmilson, seu gerente, utilizaram a empresa Josenildo dos Santos para emitir as notas fiscais referentes ao cacau negociado por eles e declararam como faturamento da empresa Central do Adubo, no ano calendário de 2008, apenas a venda de fertilizantes. (...) Diante de tudo o apurado acima, ou seja, a baixa capacidade financeira do Sr. Josenildo e sua empresa; do parentesco entre o procurador nomeado, Sérgio Duarte, e o dono da Almeida Costa Comercio de Cacau, Gilvan Zeferino Costa; de funcionários registrados com salário mínimo ou pouco acima, das empresas Central do Adubo e Almeida Costa terem recebidos vultosas quantias em cheques da empresa; do próprio Gilvan Zeferino Costa ter recebido mais de 1 milhão em cheques da empresa; do Sr. Edmilson, conhecido como “caatingueiro", ser um ativo negociador de cacau na região, são fortes indícios de que o cacau vendido para as indústrias pela empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau eram de propriedade dos negociadores Gilvan Zeferino Costa, Edmilson Rocha da Silva e Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, que a usaram para emitir as notas fiscais que acobertassem o cacau enviado para a indústria, no intuito de fugir da tributação devida. Ante o exposto, restou a esta fiscalização caracterizar a sujeição passiva solidária das pessoas físicas ADILSON RIBEIRO DOS REIS, proprietário da Central do Adubo, EDMILSON ROCHA DA SILVA, corretor autônomo de cacau e gerente da Central do Adubo, e GILVAN ZEFERINO COSTA, proprietário da Almeida Costa, nos termos do art. 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), conforme este termo lavrado. Fl. 2918DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Ademais, acerca do depoimento prestado pelo Sr. Adilson Claudio Ribeiro dos Reis, a fiscalização pontuou o seguinte (e-fls. 2363 e ss): [...] Comentário da fiscalização: O depoimento do Sr. Adilson não esclareceu quase nada. De novidade, apenas a procuração passada para o Sr. Edmilson para gerir a filial de Gandu. Ficou de nos entregar a procuração passada. Somente em 01/07/2013 chegou às nossas mãos a certidão fornecida pelo cartório retratando a procuração feita. Apesar do Sr. Adilson ter mencionado em seu depoimento que tinha passado a procuração em 2010, ela só foi formalizada em cartório no dia 25/08/2011(doc 51). Portanto, durante todo o ano de 2008 não havia nenhuma procuração dando amplos poderes ao Sr. Edmilson. De estranho, o fato do dono da empresa delegar todos os poderes para um gerente e não saber mais nada da empresa. Não nos parece razoável, no mundo de hoje, o empresário entregar a gestão de sua empresa para um funcionário e nunca mais retornar nem ao local da empresa. Ainda assim, a procuração passada não o exime das responsabilidades assumidas pela empresa, pois como ele mesmo disse, a empresa continua sua. O fato de funcionários de sua empresa terem recebido vultosas quantias da Josenildo dos Santos Comércio de Cacau também não foi explicado, e a suspeita de utilização da Josenildo para emissão de notas fiscais de cacau de terceiros não foi afastada. Em seu Recurso Voluntário (e-fls. 2796 e ss), o sujeito passivo questiona a narrativa da fiscalização, trazendo as seguintes alegações, em síntese: Preliminares 1. A demasiada demora do procedimento de investigação por parte do i. Auditor contraria inclusive portaria da própria RH, quer seja a Portaria SRF n 3007, de 26 de novembro de 2001 que regulamenta a execução dos procedimentos fiscais relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal; 2. A duração máxima de um Mandado de procedimento Fiscal Federal é de 120 dias (art. 12, I), prorrogável pela autoridade responsável quantas vezes se faça necessário (art. 13). No entanto, a prorrogação se fará por intermédio de Registro Eletrônico que deverá estar disponível na internet (art. 13, § 19) e a cada nova prorrogação (30 ou 60 dias, a depender) o Agente Fiscal responsável deverá fornecer ao sujeito passivo o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas (art. 13, § 19); 3. É absolutamente imperioso a declaração de NULIDADE ABSOLUTA do presente auto de infração, por ofensa clara ao princípio da razoável duração do processo estampado no Art. 52, inciso LXXVIII, bem como nos arts 13 e seguintes da Portaria SRF n 2 3007 de 2001, e Instrução Normativa SRF n2 228 de 2008, ambas da própria RFB; 4. A quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da administração, independente de autorização judicial não se coaduna com o art. 59-, X e XII e art. 60, §42, IV, da CF/88; 5. A quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da administração, independente de autorização judicial não se coaduna com os princípios da separação orgânica dos poderes e indelegabilidade de atribuições consubstanciados no art. 22; art. 60, §42, III, c/c a inteligência do art. 68 da CF/88; Mérito 6. O auto de infração em comento deve ser anulado em relação ao Recorrente, quer seja, o Sr. ADILSON CLÁUDIO RIBEIRO DOS REIS, em razão do i. Auditor Fiscal não ter logrado êxito em apresentar um arcabouço probatório satisfatório e suficientemente capaz de sustentar a suposta sujeição passiva do Recorrente; 7. De início, insta relevar que a autuação recai primeiramente sobre a empresa JOSENILDO DOS SANTOS COMÉRCIO DE CACAU LTDA, que figura nos presentes autos como sujeito passivo principal da obrigação tributária. Por sua vez, o Recorrente é apontado pelo Autuante no Termo de Sujeição Passiva Solidária, que chega a essa conclusão Fl. 2919DF CARF MF Original Fl. 41 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 basicamente em razão de um argumento, totalmente refutável, quer seja, o fato de que algumas pessoas por ele investigadas estão registradas como funcionários da empresa CENTRAL DO ADUBO e que em algumas assinaturas de e-mail trocados com empresas adquirentes/industriais de cacau por essas pessoas contavam a marca "CENTRAL DO ADUBO", "supostamente" de propriedade do Sr. Adilson; 8. Dizemos "supostamente", visto que embora a CENTRAL DO ADUBO tenha sido fundada pelo Sr. Adilson, hoje existem diversas unidades autônomas dessa empresa as quais o Sr. Adilson não possui nenhuma participação societária e poder de administração; 9. Com a idéia de fortalecer sua marca, o Sr. Adilson autorizou, por meio de um instrumento jurídico denominado CESSÃO DE MARCA, que alguns empresários se utilizassem da marca CENTRAL DO ADUBO em suas próprias empresas. Dessa forma, hoje temos inúmeras empresas de CNPJ's diferentes, com proprietários diferentes, ou seja, totalmente independentes, mas que utilizam como nome de fantasia a marca CENTRAL DO ADUBO; 10. No entanto, essa questão não foi devidamente averiguada pelo i. Auditor, demonstrando que os fatos ainda carecem de uma investigação mais profunda antes de simplesmente apontar o Recorrente como responsável solidário das supostas infrações cometidas por terceiros; 11. Corroborando com a nossa tese de insuficiência probatória, percebemos que em todos os depoimentos colhidos pelo i. Auditor, no seu TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA o nome do Sr. ADILSON CLÁUDIO RIBEIRO DOS REIS sequer foi citado pelos depoentes. Nestes termos, o Sr. Josenildo, proprietário da empresa Autuada não o cita uma única vez. Todos os demais depoentes apenas apontam o Sr. Adilson como proprietário da Central do Adubo, mas sem especificar de qual unidade ele seria proprietário; 12. Dessa forma, ainda que supostamente se possa atribuir alguma responsabilização a uma empresa identificada pela marca CENTRAL DO ADUBO, há de ser realizado mais averiguações para apontar qual unidade seria a responsável, tendo em vista que, conforme já explicado, existem inúmeras empresas que se utilizam dessa marca, senda a de propriedade do Sr. ADILSON REIS apenas mais uma delas. 13. Faz-se mister registrar, que a presente fundamentação da aplicação da multa se encontra prejudicada, em face da visível inconstitucionalidade da cobrança da Contribuição Previdenciária (FUNRURAL e SENAR). 14. Simultaneamente, é imperioso destacar que os dispositivos §§ 4º e 72 do art. 32 da Lei 8.212, utilizados para fundamentar a aplicação da multa foram revogados pela Lei 11.941/09. Dos Pedidos 15. Seja o Auto de Infração nº 10508.720350/2013-61 julgado totalmente NULO em razão do cerceamento aos princípios constitucionais da razoável duração do processo e da ilícita quebra de sigilo bancário dos autuados; 16. Seja o Auto de Infração ri2 10508.720350/2013-61 julgado NULO quanto ao Sr. ADILSON CLÁUDIO RIBEIRO DOS REIS, em razão da insuficiência probatória contra o mesmo; 17. Ultrapassados os pedidos anteriores, em observância ao princípio de eventualidade, caso seja desconsiderada a nulidade do referido Auto que este seja julgado totalmente IMPROCEDENTE, em razão do erro no procedimento fiscal, bem como pela impossibilidade da cobrança das contribuições previdenciárias, Patronal, RAT, SENAR por todos os argumentos declinados nesta defesa, sobretudo pela Inconstitucionalidade do FUNRURAL; Caso não seja o entendimento deste ilustre Conselho procedência dos pedidos anteriores, que seja realizado conversão do julgamento em diligência de modo a verificar e identificar as outras empresas que utilizam o nome fantasia CENTRAL DO ADUBO, principalmente em Amargosa e Ipiaú, responsabilizando-as no que couber. Fl. 2920DF CARF MF Original Fl. 42 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 18. Conseqüentemente, seja ainda determinado o arquivamento do presente Auto de Infração nº 10508.720350/2013-61, dando-se baixa neste Processo Administrativo, após todas as formalidades legais necessárias; 19. Requer, por fim, a produção do todos os meios de prova de direito admitidos, inclusive juntada de novos documentos, depoimento pessoal dos agentes autuadores, bem como outras que se façam necessárias para o bom deslinde deste Processo Administrativo. Em que pese a veemência das alegações trazidas pelo recorrente, entendo que a decisão recorrida não merece reparos. A começar, cabe pontuar que o MPF é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos da fiscalização, não implicando nulidade do procedimento fiscal as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento. Da mesma forma, a eventual falta de ciência do contribuinte na prorrogação do mesmo não implica nulidade do processo se cumpridas todas as regras pertinentes ao processo administrativo fiscal. Tem-se, portanto, que eventuais omissões ou incorreções afligindo os citados documentos não têm o condão de culminar na nulidade do lançamento tributário, disciplinado pelo artigo 142 do CTN, que se constitui em ato obrigatório e vinculado, sob pena de responsabilidade funcional por parte do agente fiscal. Somente na hipótese de o contribuinte provar que a presença do vício ocasionou prejuízo em sua defesa é que, eventualmente, tais vícios poderão acarretar na nulidade do crédito tributário. Ademais, ao contrário do que alegado pelo recorrente, a demora no desenrolar do processo administrativo, não acarreta a decadência ou prescrição do crédito tributário constituído em auto de infração. Também não impõe à Administração Pública a perda de seu poder-dever de julgar processos administrativos e nem mesmo caracteriza nulidade do lançamento. E, conforme visto acima, a respeito do sigilo bancário, o Supremo Tribunal Federal (STF) já definiu a questão em sede de Repercussão Geral no RE n° 601.314, tendo consolidado a seguinte tese: “O art. 6° da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realize a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o traslado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. Também entendo por rejeitar o pedido de produção de prova pericial ou conversão do julgamento em diligência, por entender que os elementos de prova a favor do recorrente, no caso em análise, poderiam ter sido por ele produzidos, apresentados à fiscalização no curso do procedimento fiscal, ou, então, na fase impugnatória, com a juntada de todos os documentos e o que mais quisesse para sustentar seus argumentos, não podendo o pedido de perícia ser utilizado como forma de postergar a produção probatória, dispensando-a de comprovar suas alegações. Nesse desiderato, destaco que a conversão do julgamento em diligência ou o pedido de produção de prova pericial não serve para suprir ônus da prova que pertence ao próprio contribuinte, dispensando-o de comprovar suas alegações. Dessa forma, entendo que o presente feito não demanda maiores investigações e está pronto para ser julgado, dispensando, ainda, a produção de prova pericial técnica, por não depender de maiores conhecimentos científicos, podendo a questão ser resolvida por meio da análise dos documentos colacionados nos autos, bem como pela dinâmica do ônus da prova. A propósito, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar a realização de diligências e perícias apenas quando entenda necessárias ao deslinde da controvérsia. Fl. 2921DF CARF MF Original Fl. 43 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Após os esclarecimentos acima, registro que não vislumbro nenhum vício capaz de macular o presente lançamento tributário ou a decisão recorrida, não tendo sido constatada violação ao devido processo legal e à ampla defesa, havendo a devida descrição dos fatos e dos dispositivos infringidos e da multa aplicada. Portanto, entendo que não se encontram motivos para se determinar a nulidade do lançamento, por terem sido cumpridos os requisitos legais estabelecidos no artigo 11 do Decreto n° 70.235/72, notadamente considerando que o contribuinte teve oportunidade de se manifestar durante todo o curso do processo administrativo. Nesse sentido, tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente arts. 142 do CTN e 10 e 11 do Decreto n° 70.235/72, não há que se falar em nulidade do lançamento. Assim, uma vez verificado a ocorrência do fato gerador, o Auditor Fiscal tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo com os fatos por ele constatados e efetuar o lançamento tributário. Cabe, portanto, ao contribuinte o ônus de enfrentar a acusação fiscal, devidamente motivada, apresentando os argumentos pelos quais entende que o presente lançamento tributário. A propósito, incumbe ao autor o ônus de comprovar os fatos constitutivos do Direito por si alegado, e à parte adversa, a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Para além do exposto, no caso dos autos, entendo que a autoridade fiscal demonstrou claramente a coparticipação do sujeito arrolado no esquema artificioso criado, com a correta atribuição da responsabilidade solidária ao recorrente, com espeque no art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional), sobretudo em razão dos seguintes aspectos: (i) da análise dos documentos apresentados ao Fisco pelas empresas clientes restou comprovado que a maior beneficiária dos recursos depositados pela empresa Amazon Bahia por conta da aquisição de cacau da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, no montante de R$ 544.848,00, foi a Sra. Kelly Christina Santana Silva que é funcionária da empresa Central do Adubo, com remuneração aproximada de R$ 900,00; (ii) a análise dos débitos na conta corrente nos extratos enviados pelo banco Bradesco comprovou transferências feitas por TED - Transferência Eletrônica Disponível, tendo como maior beneficiário, num montante de R$ 749.344,50, o Sr. Agostinho Pereira dos Reis que vem a ser o pai do Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, proprietário da empresa Central do Adubo; (iii) as cópias de cheques e dos recibos de retirada do sujeito passivo junto ao Banco Bradesco demonstram que dentre os maiores beneficiários destes valores estavam Sr. Edmilson Rocha da Silva, funcionário da empresa Central do Adubo, beneficiário do montante de R$ 719.406,12 sacados em cheques nominais em seu nome e o Sr. Eliomar Lima de Deus, também funcionário da empresa Central do Adubo, com rendimento mensal um pouco maior que o salário mínimo, beneficiário do montante de R$ 4.268.427,89 sacados em cheques nominais a ele; (iv) a Sra. Kelly Cristina e o Sr. Eliomar Lima de Deus em depoimento prestado à fiscalização disseram que no ano de 2008 eram funcionários nas funções de secretária e Officeboy/serviços gerais, respectivamente, da Central do Adubo; (v) a Sra. Kelly Christina era casada com o Sr. Edmilson, tendo movimentado em sua conta corrente pessoa física um valor superior a 7 milhões de reais durante o ano de 2008. Em seu depoimento, disse que desconhecia esse valor, mas que Edmilson movimentava a conta corrente. Ele, por sua vez, em seu depoimento alegou que eram valores de corretagens; (vi) em depoimento, o Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis referindo-se a sua empresa Central do Adubo, afirmou que Fl. 2922DF CARF MF Original Fl. 44 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Edmilson era quem “tocava o negócio”. E Edmilson confirmou que tinha poderes para agir em nome da Central do Adubo; (vii) o Sr. Sergio Duarte da Costa, procurador da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME, era moto-taxista na cidade de Gandu e primo de Gilvan Zeferino Costa. Em depoimento afirmou categoricamente que não reconhecia os e-mails enviados pela empresa Amazon Bahia; que não é proprietário do e-mail indicado (xxx@xxx.com); que não sabe sequer onde se localiza a referida empresa e que nunca indicou contas bancárias onde deveriam ser feitos depósitos; (viii) o Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, ainda que indiretamente – utilizando-se de pessoas simples, de baixo poder aquisitivo, ligadas por vínculo de parentesco ou registradas como empregados de sua empresa, recebeu valores significativos da Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME, utilizando-se desta empresa para emitir as notas fiscais da aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física, beneficiando-se das transações efetuadas em nome desta empresa. A propósito, é preciso pontuar que é ônus do contribuinte produzir as provas dos fatos consignados em sua defesa. Essa prova deve, evidentemente, estar fundamentada em documentos hábeis e idôneos, de modo a comprovar, de forma cabal e inequívoca, os fatos declarados, o que não ocorreu nos presentes autos. Cabe destacar, pois, que o princípio da verdade material, que rege o Processo Administrativo Fiscal, não afasta a necessidade de prova das alegações de defesa contrárias ao lançamento fiscal. Comprovado que o procedimento fiscal levado a efeito atende às normas regulamentares, não há que se falar em falta de atendimento à verdade material. O ônus da prova existe, portanto, afetando ambas as partes litigantes. Não cabe a qualquer delas manter-se passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. A propósito, manifesta-se com precisão Lídia Maria Lopes Rodrigues Ribas, em sua obra Processo Administrativo Tributário, Malheiros Editores, 2000, pg. 184/185: As alegações de defesa que não estiverem acompanhadas de produção das competentes e eficazes provas desfiguram-se e obliteram o arrazoado defensório, pelo que prospera a exigibilidade fiscal. (...) A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeita-se às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. A informalidade dos negócios entre as partes não pode eximir o contribuinte de apresentar prova de suas alegações. Tal informalidade diz respeito, apenas, a garantias mútuas que deixam de ser exigido em razão da confiança entre as partes, mas não se pode querer aplicar a mesma informalidade ou vínculo de confiança na relação do contribuinte com a Fazenda Pública. A relação entre Fisco e contribuinte é de outra natureza: é formal e vinculada à lei. Ademais, cabe pontuar que o litigante deveria ter sido zeloso em guardar documentos para apresentação ao Fisco, até que ocorresse a decadência/prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram (conforme art. 195, parágrafo único do CTN). Trata-se, pois, do ônus de munir-se de documentação probatória hábil e idônea de suas atividades. Dessa forma, o vasto conjunto probatório acostado aos autos, revela a participação efetiva do sujeito passivo arrolado como responsável solidário e ora recorrente na situação descrita, o que demonstra o interesse comum no fato gerador, nos termos do art. 124, do CTN, eis que nas situações narradas, todos concorreram para a prática do ato, estando vinculados ao fato gerador do tributo. Fl. 2923DF CARF MF Original Fl. 45 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 A propósito, são valiosas as lições de Carlos Jorge Sampaio Costa 6 , ao afirmar que: “Na fraude ou conluio, o interesse comum se evidencia pelo próprio ajuste entre as partes, almejando a sonegação. A solidariedade no pagamento de tributos por aqueles que agiram fraudulentamente é pacífica”. Com efeito, a fiscalização demonstrou, exaustivamente, que as empresas foram criadas com interpostas pessoas (laranjas) ou usadas por outros negociadores apenas com o intuito de emitirem notas fiscais para cobrirem cacau de terceiros, pessoas jurídicas ou físicas, comprado sem nota fiscal, e fugirem do pagamento dos tributos devidos, pois quando a Receita Federal vai atrás dos valores sonegados, encontra apenas "empresários" sem nenhum lastro para garantir os autos de infração lavrado. A propósito, dentro de suas prerrogativas legais, decorrentes dos artigos 142 e 149 do CTN e do art. 33 e § 1.º da Lei n.º 8.212/91, a Auditoria-Fiscal tem o poder-dever de fiscalizar e identificar, conforme a situação fática apresentada, a realidade dos fatos geradores ocorridos, isto é, a verdade material, em detrimento dos aspectos meramente formais dos negócios jurídicos apresentados pelo contribuinte. A questão gravita em torno dos princípios do Direito, dentre os quais se destaca o da primazia da substância sobre a forma, em atenção ao qual deve a autoridade fiscalizadora, em cada situação analisada, avaliar a correspondência entre o fato concreto e a forma com a qual este se apresenta, prevalecendo, em caso de discordância entre ambos, o primeiro (fato concreto), entendimento que está em consonância com o princípio da verdade material, que também integra o processo administrativo fiscal. Dessa forma, entendo que o recorrente não logrou êxito em demonstrar a fragilidade da acusação fiscal, motivo pelo qual, deve ser reconhecida a legitimidade passiva, estando correta sua inclusão no polo passivo da demanda, na qualidade de responsável solidário. Sobre as demais alegações apresentadas pelos sujeitos passivos, conforme bem pontuado pela decisão recorrida, não acrescentam e nem diminuem o lançamento fiscal, quando, na verdade, confirmam que o trabalho da Fiscalização está correto. Cabe pontuar, ainda, que o julgador não está obrigado a refutar, um a um, todos os argumentos deduzidos pelo recorrente, basta apreciar com clareza, ainda que de forma sucinta, as questões essenciais e suficientes ao julgamento, conforme jurisprudência consolidada também no âmbito do STJ (EDcl no AgRg no REsp nº 1.338.133/MG, REsp nº 1.264.897/PE, AgRg no Ag 1.299.462/AL, EDcl no REsp nº 811.416/SP). Nesse sentido, em que pese a insatisfação do recorrente, a meu ver, a decisão de piso decidiu acertadamente sobre a controvérsia posta, motivo pelo qual endosso as razões anteriormente adotadas e que são convergentes com o entendimento deste Relator. Ademais, tendo em vista que o recorrente transcreve a impugnação apresentada, enxertando apenas alguns comentários sobre a decisão recorrida, opto por reproduzir no presente voto, nos termos do art. 57, § 3º, Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9/6/15, com redação dada pela Portaria MF nº 329, de 4/6/17, as razões de decidir da decisão de primeira instância, com as quais concordo integralmente, em relação à atribuição de responsabilidade tributária ora questionada: 6 COSTA, Carlos Jorge Sampaio. Solidariedade passiva e o interesse comum no fato gerador, in Revista de Direito Tributário nº 4. São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 1978, p. 304. Fl. 2924DF CARF MF Original Fl. 46 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 [...] O Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis era proprietário de empresa homônima, CNPJ 05.157.667/0001-16, conhecida pelo nome fantasia de Central do Adubo, conforme afirmou em depoimento à fiscalização (fls. 2375). A investigação fiscal apurou que o faturamento da empresa Josenildo foi de R$ 30.000.000,00 em 2008 enquanto sua movimentação financeira registrou somente R$ 18.000.000,00, indicando que a totalidade dos recebimentos pelas vendas de cacau não havia transitado pela conta corrente da empresa. A análise dos extratos de movimentação financeira das contas bancárias do sujeito passivo junto ao Banco do Brasil e Bradesco demonstrou que dentre as empresas clientes, somente uma (Delfi Cacau do Brasil Ltda) pagou pelo cacau adquirido diretamente na conta da empresa Josenildo e que todas as demais clientes fizeram o pagamento da compra de cacau utilizando outros meios. Destas, destaca-se a empresa Amazon Bahia, que confirmou ter negociado com o Sr. Josenildo e explicitou de forma minuciosa o procedimento relativo aos pagamentos do cacau. Segundo relatou, recebia um e-mail do procurador do sujeito passivo – Sr. Sergio Duarte da Costa, indicando o nome das pessoas e das contas bancárias onde o dinheiro deveria ser depositado. A fiscalização constatou que no campo “assunto” destes e- mails constava o nome “Central do Adubo”, cuja razão social era Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, interessando aqui que esta empresa é de titularidade do Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis. Através da análise dos documentos apresentados ao Fisco pelas empresas clientes restou comprovado que a maior beneficiária dos recursos depositados pela empresa Amazon Bahia por conta da aquisição de cacau da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau - ME, no montante de R$ 544.848,00, foi a Sra. Kelly Christina Santana Silva que é funcionária da empresa Central do Adubo, com remuneração aproximada de R$ 900,00. A análise dos débitos na conta corrente nos extratos enviados pelo banco Bradesco comprovou transferências feitas por TED - Transferência Eletrônica Disponível, tendo como maior beneficiário, num montante de R$ 749.344,50, o Sr. Agostinho Pereira dos Reis que vem a ser o pai do Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, proprietário da empresa Central do Adubo. As cópias de cheques e dos recibos de retirada do sujeito passivo junto ao Banco Bradesco demonstram que dentre os maiores beneficiários destes valores estavam Edmilson Rocha da Silva, funcionário da empresa Central do Adubo, beneficiário do montante de R$ 719.406,12 sacados em cheques nominais em seu nome e o Sr. Eliomar Lima de Deus, também funcionário da empresa Central do Adubo, com rendimento mensal um pouco maior que o salário mínimo, beneficiário do montante de R$ 4.268.427,89 sacados em cheques nominais a ele. A Sra. Kelly Cristina e o Sr. Eliomar Lima de Deus em depoimento prestado à fiscalização disseram que no ano de 2008 eram funcionários nas funções de secretária e Officeboy/serviços gerais, respectivamente, da Central do Adubo. A Sra. Kelly Christina era casada com o Sr. Edmilson, tendo movimentado em sua conta corrente pessoa física um valor superior a 7 milhões de reais durante o ano de 2008. Em seu depoimento, disse que desconhecia esse valor, mas que Edmilson movimentava a conta corrente. Ele, por sua vez, em seu depoimento alegou que eram valores de corretagens. Em depoimento, o Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis referindo-se a sua empresa Central do Adubo, afirmou que Edmilson era quem “tocava o negócio”. E Edmilson confirmou que tinha poderes para agir em nome da Central do Adubo. O Sr. Sergio Duarte da Costa, procurador da empresa Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME, era moto-taxista na cidade de Gandu e primo de Gilvan Zeferino Costa. Em depoimento afirmou categoricamente que não reconhecia os e-mails enviados pela empresa Amazon Bahia; que não é proprietário do e-mail indicado (xxx@xxx.com); que não sabe sequer onde se localiza a referida empresa e que nunca indicou contas bancárias onde deveriam ser feitos depósitos. Fl. 2925DF CARF MF Original Fl. 47 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 As situações relatadas demonstram que o Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis, ainda que indiretamente – utilizando-se de pessoas simples, de baixo poder aquisitivo, ligadas por vínculo de parentesco ou registradas como empregados de sua empresa, recebeu valores significativos da Josenildo dos Santos Comércio de Cacau – ME, utilizando-se desta empresa para emitir as notas fiscais da aquisição de produto rural de produtor rural pessoa física, beneficiando-se das transações efetuadas em nome desta empresa. O farto conjunto probatório dos autos não deixa dúvidas de que o Sr. Adilson Cláudio Ribeiro dos Reis tinha interesse comum na situação que constitui o fato gerador, devendo constar como responsável solidário do crédito apurado, nos termos do art. 124 do CTN. Em relação à constitucionalidade das exigências relativas ao FUNRURAL, cabe destacar que o sujeito passivo submeteu a questão ao Poder Judiciário (e-fls. 2830 e ss), ocorrendo, portanto, renúncia à esfera administrativa, neste particular. Sobre o Tema n° 669, o egrégio Supremo Tribunal Federal, em julgamento sob o rito do art. 543-B do Código de Processo Civil de 1973 (Repercussão Geral), nos autos do RE 718874/RS, em 30/03/2017, fixou a seguinte tese: "É constitucional formal e materialmente a contribuição social do empregador rural pessoa física, instituída pela Lei 10.256/2001, incidente sobre a receita bruta obtida com a comercialização de sua produção". Assim, a Suprema Corte reconheceu que a Lei n° 10.256/2001 afastou a inconstitucionalidade da exação questionada, vez que foi editada posteriormente à Emenda Constitucional n° 20/1998, que deu nova redação ao inciso I do art. 195 da Constituição Federal. Dessa forma e conforme já assinalado anteriormente, a constitucionalidade da exigência em epígrafe foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), tratando-se, portanto, de matéria prejudicada. Por fim, o sujeito passivo alega que os §§ 4º e 7º, do art. 32, da Lei nº 8.212/1991 utilizados para fundamentar a aplicação da multa foram revogados pela Lei nº 11.941/2009. A esse respeito, quanto à obrigação acessória em comento, entendo que não demonstrou o recorrente, de modo objetivo, fato impeditivo, modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental, motivo pelo qual, subsiste a autuação em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, pela falta de apresentação de GFIP, objeto do Auto de Infração Debcad nº 37.381.722-3. Contudo, entendo que aqui cabe observar o entendimento mais recente a respeito da matéria, de modo que deve ser feito um pequeno reparo no lançamento tributário, determinando, por força do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, nos DEBCAD’s relativos às obrigações principais, a retroatividade benigna do art. 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/09, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, inclusive nas hipóteses de lançamento de ofício; bem como, no DEBCAD relativo à obrigação acessória, o recálculo da multa, mediante comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91 e a multa que seria devida com base no art. art. 32-A da mesma Lei 8.212/91. A esse respeito, relevante destacar que a própria Procuradoria da Fazenda Nacional, passou a acolher a jurisprudência firmada pelo Superior Tribunal de Justiça, acolhendo o entendimento da inaplicabilidade do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, o qual prevê a multa de 75% para os casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias relativas a fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei nº 11.941/09. Fl. 2926DF CARF MF Original Fl. 48 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Nesse sentido, após a consolidação da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça no sentido de admitir a retroatividade benigna do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/09, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, inclusive nas hipóteses de lançamento de ofício, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional incluiu essa matéria na lista e elaborou a nota retro referida, cujos principais trechos destaco pela pertinência com a presente lide. Embora inexista decisão do Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, o que implicaria força normativa formal nos termos do Regimento Interno deste Conselho (art. 62, § 1º, II, "b"), a jurisprudência reiterada e orientadora da 1ª Seção daquele Tribunal tem força normativa material, tanto que culminou com a edição da Nota SEI nº 27/2019/CRJ/PGACET/PGFN-ME (vide art. 62, § 1º, II, "c", do Regimento), impondo-se a sua observância até como forma de preservar o sobreprincípio da segurança jurídica e o consequente princípio da proteção da confiança. Para além do exposto, conforme voto proferido no Acórdão nº 9202-009.753, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de Relatoria da Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, embora a penalidade decorrente de descumprimento de obrigação acessória, prevista no art. 32, inciso IV, §§ 4º e 5º, em razão da não apresentação de GFIP ou apresentação com dados não correspondentes aos fatos geradores, não tenha sido expressamente tratada no Parecer SEI 11315/2020, como a tese encampada pelo STJ é pela inexistência de multas de ofício na redação anterior do art. 35 da Lei 8.212/91, é de rigor que, em obediência ao disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, haja comparação entre a multa pelo descumprimento de obrigação acessória amparada nos §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91, com a nova penalidade por apresentação de declaração inexata, a saber, o art. 32-A da mesma Lei. A propósito, destacam-se os seguintes excertos extraídos do decisum: [...] Cabe ressaltar que, na vigência da legislação anterior, havia previsão de duas penalidades, uma de mora, uma já tratada no parágrafo precedente, e outra decorrente de descumprimento de obrigação acessória, esta prevista no art. 32, inciso IV, §§ 4º e 5º, em razão da não apresentação de GFIP ou apresentação com dados não correspondentes aos fatos geradores, imposições que, a depender o caso concreto, poderiam alcançar a alíquota de 100%, sendo certo que tal penalidade não foi expressamente tratada no citado Parecer SEI 11315/2020. Como se viu, na nova legislação, que tem origem na MP 449/08, o art. 35 da lei 8.212/91 continuou a tratar de multa de mora pelo recolhimento em atraso, passando a exigir para as contribuições previdenciárias a mesma penalidade moratória prevista para os tributos fazendários (art. 61 da Lei 9.430/96). Por outro lado, a mesma MP 449 inseriu o art. 35-A na Lei 8.212/91, e, assim, da mesma forma, passou a prever, tal qual já ocorria para tributos fazendários, penalidade a ser imputada nos casos de lançamento de ofício, em percentual básico de 75% (art. 44 da Lei 9.430/96). Como a tese encampada pelo STJ é pela inexistência de multas de ofício na redação anterior do art. 35 da Lei 8.212/91, resta superado o entendimento deste Conselho Administrativo sobre a natureza de multa de ofício de tal exigência. Por outro lado, não sendo aplicável aos períodos anteriores à vigência da lei 11.941/09 o preceito contido no art. 35-A, a multa pelo descumprimento da obrigação acessória relativo à apresentação da GFIP com dados não correspondentes (declaração inexata), já não pode ser considerada incluída na nova penalidade de ofício, do que emerge a necessidade de seu tratamento de forma autônoma. Fl. 2927DF CARF MF Original Fl. 49 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 Assim, considerando a mesma regra que impõe a aplicação a fatos pretéritos da lei que comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração, conforme art. alínea “c”, inciso II do art. 106 da Lei 5.172/66 (CTN), e de rigor que haja comparação entre a multa pelo descumprimento de obrigação acessória amparada nos §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91, com a nova penalidade por apresentação de declaração inexata, a saber, o art. 32-A da mesma Lei. Assim, temos as seguintes situações: - os valores lançados, de ofício, a título de multa de mora, sob amparo da antiga redação do art. 35 da lei 8.212/91, incidentes sobre contribuições previdenciárias declaradas ou não em GFIP e, ainda, aquela incidente sobre valores devidos a outras entidades e fundos (terceiros), para fins de aplicação da norma mais benéfica, deverão ser comparados com o que seria devido pela nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Lei 11.941/09; - os valores lançados, de forma isolada ou não, a título da multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91, para fins de aplicação da norma mais benéfica, deverão ser comparados com o que seria devido pelo que dispõe o art. o art. 32-A da mesma Lei; Portanto, no caso em apreço, impõe-se afastar a aplicação do art. 35-A da Lei nº 8.212/91, devendo ser aplicada a retroatividade benigna a partir da comparação da multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91 com a que seria devida com base no art. art. 32-A da mesma Lei 8.212/91. Dessa forma, os valores lançados, de ofício, a título de multa de mora, sob amparo da antiga redação do art. 35 da lei 8.212/91, incidentes sobre contribuições previdenciárias declaradas ou não em GFIP e, ainda, aquela incidente sobre valores devidos a outras entidades e fundos (terceiros), para fins de aplicação da norma mais benéfica, deverão ser comparados com o que seria devido pela nova redação dada ao mesmo art. 35 pela Lei 11.941/09. E, ainda, os valores lançados, de forma isolada ou não, a título da multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91, para fins de aplicação da norma mais benéfica, deverão ser comparados com o que seria devido pelo que dispõe o art. o art. 32-A da mesma Lei. Ante o exposto, no presente caso, faz-se necessário determinar, por força do art. 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional, nos DEBCAD’s relativos às obrigações principais, a retroatividade benigna do art. 35 da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 11.941/09, que fixa o percentual máximo de multa moratória em 20%, inclusive nas hipóteses de lançamento de ofício; bem como, no DEBCAD relativo à obrigação acessória, o recálculo da multa, mediante comparação entre a multa por descumprimento de obrigação acessória a que alude os §§ 4º e 5º, inciso IV, do art. 32 da Lei 8.212/91 e a multa que seria devida com base no art. art. 32-A da mesma Lei 8.212/91. Conclusão Ante o exposto, voto por CONHECER dos Recursos Voluntários interpostos pelo sujeito passivo e responsáveis solidários, para rejeitar as preliminares e, no mérito, DAR-LHES PARCIAL PROVIMENTO, a fim de: a) para os autos de infração com lançamento de obrigação principal, aos débitos com fatos geradores anteriores ao advento do art. 35-A da Lei 8.212/1991, aplicar a retroação da multa da Lei 8.212/91, art. 35, na redação dada pela Lei 11.941/2009, se mais benéfico ao sujeito passivo; e b) para o auto de infração com lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, determinar o recálculo da multa aplicando-se a Fl. 2928DF CARF MF Original Fl. 50 do Acórdão n.º 2401-010.938 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10508.720350/2013-61 retroatividade benigna, comparando-se com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/1991, se mais benéfico ao sujeito passivo. É como voto. (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 2929DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10640.002809/2010-74
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2006 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL (AIOP). NÃO RECOLHIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS A TERCEIROS. 1. A empresa deve recolher as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais, as destinadas ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8213/91, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, bem como aquelas destinadas aos terceiros, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos. 2. Constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições dispostas na Lei nº 8.212/91, não declaradas na forma do art. 32 do referido diploma legal, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.247
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1994; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 75          1 74  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10640.002809/2010­74  Recurso nº             Voluntário  Acórdão nº  2803­01.247  –  3ª Turma Especial   Sessão de  19 de janeiro de 2012  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  AUTO POSTO PETROGAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2006 a 31/10/2006  PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL  (AIOP).  NÃO  RECOLHIMENTO  DAS  CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS A TERCEIROS.   1.  A  empresa  deve  recolher  as  contribuições  previdenciárias  a  seu  cargo,  incidentes  sobre  a  remuneração  de  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais, as destinadas ao financiamento do benefício previsto nos arts. 57  e  58  da  Lei  nº  8213/91,  e  daqueles  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  bem  como  aquelas  destinadas  aos  terceiros,  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados e trabalhadores avulsos.  2.  Constatado  o  não  recolhimento  total  ou  parcial  das  contribuições  dispostas na Lei nº 8.212/91, não declaradas na forma do art. 32 do referido  diploma legal, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento.  Recurso Voluntário Negado       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).     (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente        Fl. 80DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10640.002809/2010­74  Acórdão n.º 2803­01.247  S2­TE03  Fl. 76          2   (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator      Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e  Wilson Antônio de Souza Correa.  Fl. 81DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10640.002809/2010­74  Acórdão n.º 2803­01.247  S2­TE03  Fl. 77          3   Relatório    Trata­se  de  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  (AIOP)  lavrado  em  desfavor  do  contribuinte  acima  referido,  em  razão  do  não  recolhimento  das  contribuições  devidas  a  TERCEIROS  (Salário  Educação,  Incra,  Sesc,  Senac  e  Sebrae),  incidentes  sobre  remunerações pagas a segurados empregados, no período de 01/2006 a 08/2006 e 10/2006.       O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva.      A  impugnação  foi  julgada em 06 de  abril  de 2011,  ementada nos  seguintes  termos:    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÕES  SOCIAIS  PREVIDENCIÁRIAS    Período  de  apuração:  01/01/2006  a  31/08/2006,  01/10/2006 a 31/10/2006.    37.247.577­9      AUTO  DE  INFRAÇÃO.  REMUNERAÇÃO  DE  SEGURADOS  EMPREGADOS.  CONTRIBUIÇÕES  PARA  TERCEIROS.  IMPUGNAÇÃO  TEMPESTIVA  E  IMPROCEDENTE.  Entende­se por salário de contribuição para o empregado a  remuneração  auferida  em  uma  ou  mais  empresas,  assim  entendida  a  totalidade dos  rendimentos  pagos,  devidos  ou  creditados  a  qualquer  título,  durante  o  mês,  destinados  a  retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma e para o  contribuinte individual a remuneração auferida em uma ou  mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta  própria, durante o mês, observado o limite máximo.  Constatado  o  não­recolhimento  total  ou  parcial  das  contribuições tratadas nesta Lei 8212/1991, não declaradas  na  forma  do  art.  32  deste  mesmo  diploma  legal,  será  lavrado auto de infração ou notificação de lançamento.  Não comprovados na  impugnação os motivos de  fato  e de  direito,  os  pontos  de  discordância,  as  razões  e  provas,  o  lançamento fiscal deve ser mantido.  A  prova  documental  deverá  ser  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em outro momento processual.  No  pedido  de  perícia  ou  de  diligência  que  o  impugnante  pretenda  seja  efetuada,  expostos  os  motivos  que  a  justifique,  com  a  formulação  dos  quesitos  referentes  aos  exames desejados, deve haver também, no caso de perícia,  Fl. 82DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10640.002809/2010­74  Acórdão n.º 2803­01.247  S2­TE03  Fl. 78          4 a  indicação  do  nome,  do  endereço  e  a  qualificação  profissional do perito.    Lançamento Improcedente    Crédito Tributário Mantido    Inconformado  com  resultado  do  julgamento  da  primeira  instância  administrativa,  o  Contribuinte  apresentou  recurso  tempestivo,  onde  alega,  em  síntese,  o  seguinte:      ­ A  sociedade  empresária  foi  autuada,  na  concepção  do Sr.  Fiscal,  por  não  cumprir obrigação principal para com outras entidades, que, na situação em questão, foi o não  recolhimento das contribuições devidas a TERCEIROS, incidentes sobre remunerações pagas a  segurados empregados, no período de 01/2006 a 08/2006 e 10/2006 .      ­  O  Sr.  Fiscal  constatou  que  as  contribuições  previdenciárias  apuradas  não  foram declaradas na GFIP.      ­ Ocorre que a empresa impugnante não recolheu as contribuições devidas a  outras  entidades  ­  TERCEIROS,  incidentes  sobre  remunerações  pagas  a  segurados  empregados, no período 01/2006 a 08/2006, porque o segurado empregado Felipe Lima Sales,  admitido  em  27/11/2002,  foi  demitido  em  09/04/2003,  e  NÃO  em  02/08/2006,  conforme  documentos anexados à impugnação.      ­ Se foi constatado que o referido empregado prestou serviços à empresa no  período  de  27/11/2002  a  02/08/2006,  o  motivo  certamente  é  erro  material  perpetrado  pela  contadora da empresa que equivocadamente  lançou no sistema RAIS e no arquivo digital da  folha de pagamento estes dados, mesmo depois de o empregado ter sido demitido.      ­ Tendo o referido empregado sido demitido em 09/04/2003, não lhe foi paga  remuneração  no  período  posterior,  razão  pela  qual  a  empresa  impugnante  não  recolheu  as  contribuições previdenciárias patronais e nem as declarou em GFIP.      ­ Desse modo, referido acórdão deve ser reformado para julgar insubsistente  o auto de infração que ora se ataca. Requer, ao final, seja o acórdão reformado para que o auto  de infração seja julgado improcedente, pois esta é a medida que atenderá à verdadeira justiça.    Não apresentadas as contrarrazões.    É o relatório.  Fl. 83DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10640.002809/2010­74  Acórdão n.º 2803­01.247  S2­TE03  Fl. 79          5 Voto             Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator.    Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame.    Em  seu  recurso  o  contribuinte  insurge  apenas  contra  a  manutenção  do  lançamento em face do segurado empregado Felipe Lima Sales, sob a alegação de que referido  trabalhador  foi demitido em 09/04/2003, portanto, em período anterior ao  lançamento. Alega  ainda que se foi constatado que o empregado prestou serviços à empresa em período posterior à  sua demissão, o motivo certamente é erro material perpetrado pela contadora da empresa que  equivocadamente  lançou  no  sistema RAIS  e  no  arquivo  digital  da  folha  de  pagamento  estes  dados, mesmo depois de o empregado ter sido demitido.    Com efeito,  tais  alegações não merecem prosperar,  naturalmente por  serem  totalmente  desprovidas  de  fundamentos  legais,  bem  como  por  se  tratar  de  situação  fática  improvável,  considerando  que  passados  longos  anos  da  demissão  do  empregado,  não  é  admissível a contadora da empresa, errar de forma grosseira como alega o contribuinte na sua  peça recursal.    No  ponto,  é  importante  transcrever  parte  do  acórdão  ora  recorrido,  onde  a  autoridade de primeira instância assevera que:    A  argumentação  da  impugnação  de  que  a  inclusão  do  segurado  Felipe  Lima  Salles  na  RAIS  e  na  Folha  de  Pagamento do Arquivo Digital se deu por erro material da  contadora da empresa não desconstituiu os fatos materiais,  inclusive com efetivação dos pagamentos ao empregado. A  auditoria  fiscal  situou  muito  bem  os  fatos  constantes  da  RAIS  e  do  Arquivo  Digital  oferecido  pela  impugnante  e  onde  o  mesmo  constou  como  empregado  da  autuada,  estando  caracterizado  nos  autos  que  o  mesmo  foi  remunerado  no  período  de  01  a  08/2006  como  consta  do  documento de fls. 31. Igualmente o fato está caracterizado  materialmente às fls. 32 onde consta a demissão do referido  empregado  em  02/08/2006.  Segundo  o  relato  fiscal,  o  mesmo  empregado  constou  da  folha  de  pagamento  do  arquivo digital  da  impugnante,  apenas não  sendo  incluído  na  folha  de  pagamento  em  meio  papel,  na  GFIP  e  nos  recolhimentos  previdenciários  da  impugnante  feitos  em  época própria (fls. 19).    Os  documentos  acostados  à  impugnação  nada  trazem  a  respeito do não  trabalho do empregado alegado,  contudo,  sendo  que  a  demissão  constante  do  documento  de  fls.  60  ocorrida  em  09/04/2003  não  desconstituiu  a  prestação  de  serviços continuada e caracterizada materialmente na RAIS  e na folha de pagamento constante do arquivo digital para  Fl. 84DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10640.002809/2010­74  Acórdão n.º 2803­01.247  S2­TE03  Fl. 80          6 o período do lançamento fiscal de 01 a 08/2006. Da mesma  forma,  os  recibos  de  pagamentos  de  fls.  62/65  em  nada  modificam o crédito  tributário  lançado, pois  se referem as  competências 11/2002 a 03/2003.      Como  se  pode  observar,  não  há  nos  autos  qualquer  possibilidade  de  acatamento da tese esposada pelo contribuinte. O procedimento levado a efeito pela autoridade  administrativa autuante, bem como pelo julgamento de primeira instância administrativa estão  em perfeita conformidade com a legislação tributária vigente.       Ademais,  não  há  como  afastar  os  comandos  legais  de  que  a  empresa  deve  recolher  as  contribuições  previdenciárias  a  seu  cargo,  incidentes  sobre  a  remuneração  de  segurados  empregados  e  contribuintes  individuais,  bem  como  aquelas  destinadas  ao  financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8213/91, e daqueles concedidos  em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do  trabalho,  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados empregados e trabalhadores avulsos.      Constatado o não recolhimento total ou parcial das contribuições dispostas na  Lei nº 8.212/91, não declaradas na forma do art. 32 do referido diploma legal, será lavrado auto  de infração ou notificação de lançamento. Mantenho, pois, o lançamento.          Pelo  exposto,  voto  por CONHECER  do  recurso  para,  no mérito, NEGAR­ LHE PROVIMENTO.        É como voto.          (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator.                              Fl. 85DF CARF MF Impresso em 26/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 7/02/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 27/01/2012 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR

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4748638 #
Numero do processo: 15889.000174/2007-86
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1999 a 01/12/2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO. Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão exarado pelo Conselho, correto o acolhimento dos embargos de declaração visando sanar o vicio apontado. COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO. Constatada a falta de clareza no julgado cabe complementá-lo, re/ratificando o Acórdão. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2803-001.259
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, excluindo do lançamento as competências 09/1999 a 11/2001, inclusive, em razão da regra decadencial prevista no art. 173, inciso I do CTN; estando as demais competências 12/2001 a 12/2004 válidas para o lançamento fiscal em epígrafe.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA LIMA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 81          1 80  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  15889.000174/2007­86  Recurso nº           Embargos  Acórdão nº  2803­01.259  –  3ª Turma Especial   Sessão de  19 de janeiro de 2012  Matéria  Decadência.  Embargante  UNIÃO (DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL  DO BRASIL EM  BAURU/SP)  Interessado  BARRA TUR TRANSPORTES LTDA    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/09/1999 a 01/12/2004  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ACOLHIMENTO.  Constatada a existência de obscuridade, omissão ou contradição no Acórdão  exarado  pelo Conselho,  correto  o  acolhimento  dos  embargos  de  declaração  visando sanar o vicio apontado.  COMPLEMENTAÇÃO DO ACÓRDÃO.   Constatada a falta de clareza no julgado cabe complementá­lo, re/ratificando  o Acórdão.  Embargos Acolhidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher  os  embargos,  excluindo  do  lançamento  as  competências  09/1999  a  11/2001,  inclusive,  em  razão  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  173,  inciso  I  do  CTN;  estando  as  demais  competências 12/2001 a 12/2004 válidas para o lançamento fiscal em epígrafe.   (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator  Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima, Wilson Antonio de Souza Correa, Oseas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Junior,  Gustavo Vettorato.       Fl. 22DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000174/2007­86  Acórdão n.º 2803­01.259  S2­TE03  Fl. 82          2 Relatório  Trata­se de embargos de declaração interposto pela União por Intermédio da  Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP contra Acórdão exarado pela 3a. Turma  Especial,  Segunda  Seção  de  Julgamento,  do Conselho Administrativo  de Recursos  Fiscais  –  CARF, sob a alegação de haver obscuridade na contagem do prazo decadencial da decisão.  Solicita a embargante a confirmação da decadência da competência 12/2001,  constante da decisão proferida pelo Acórdão nº 2803­00.662, de 14 de abril de 2011, emitido  pela 3a Turma Especial, em que deu provimento parcial ao recurso, excluindo do lançamento as  competências até 12/2001, inclusive, em razão da decadência prevista no art. 173, inciso I, do  Código Tributário Nacional ­ CTN.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator  Trata­se de embargos de declaração contra acórdão, amparado na existência  de  suposta  obscuridade  na  contagem  do  prazo  decadencial  da  decisão,  interposto  tempestivamente.  O  Regimento  Interno  deste  Órgão  Colegiado  prevê,  em  seu  art.  65  e  seguintes,  embargos  declaratórios  contra  seus  julgados  que  restarem  omissos,  obscuros  ou  contraditórios em algum de seus termos.  Analisando  as  alegações  da  embargante  e  contrastando­a  com  o  Acórdão  guerreado  concluímos  que  há  razão  na  peça  recursal,  pois  pairam  dúvidas  na  metodologia  utilizada  na  contagem  da  regra  decadencial  aplicada. Destarte,  é  necessária  nova  análise  no  sentido de esclarecer todas as dúvidas quanto ao questionamento dos embargos.  No  caso  em  concreto,  trata­se  de  lançamento  de  ofício  (arbitramento  das  remunerações de segurados empregados e contribuintes individuais), não declarado em GFIP e  sem  registro  de  recolhimento  prévio,  período  09/1999  a  12/2004.  A  ciência  da  notificação  fiscal se deu em 22/06/2007 (fl. 01). Destarte, deve ser aplicada a regra do art. 173, inciso I, do  CTN.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  sumulado,  Súmula  Vinculante  de  n  º  8,  no  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008,  reconheceu  a  inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212 de 1991, nestas palavras:  Súmula  Vinculante  nº  8“São  inconstitucionais  os  parágrafo  único do artigo 5º do Decreto­lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da  Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito  tributário”.  Conforme previsto no art. 103­A da Constituição Federal a Súmula de n º 8  vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicá­la.  Fl. 23DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000174/2007­86  Acórdão n.º 2803­01.259  S2­TE03  Fl. 83          3 Art.  103­A.  O  Supremo  Tribunal  Federal  poderá,  de  ofício  ou  por  provocação,  mediante  decisão  de  dois  terços  dos  seus  membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional,  aprovar  súmula  que,  a  partir  de  sua  publicação  na  imprensa  oficial,  terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do  Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas  esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua  revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.  Uma  vez  não  sendo  mais  possível  a  aplicação  do  art.  45  da  Lei  n  º  8.212/1991, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional ­ CTN.   As  contribuições  previdenciárias  são  tributos  lançados  por  homologação,  assim devem, em regra, observar o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo, então  o pagamento antecipado, observar­se­á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do  CTN. Se não houver pagamento antecipado sobre a rubrica há que ser observado o disposto no  art.  173,  inciso  I  do  CTN.  Nessa  hipótese,  o  crédito  tributário  será  extinto  em  função  do  previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será  observado  o  disposto  no  art.  150,  parágrafo  4o  do  CTN,  sendo  aplicado  necessariamente  o  disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado.  REGRA DO ART. 173, I DO CTN.  Para  as  competências  09/1999  a  12/2004  encontram­se  atingidos  pela  fluência  do  prazo  decadencial  os  fatos  geradores  apurados  pela  fiscalização  ocorridos  até  a  competência  11/2001,  inclusive,  a  contar  de  01/01/2002  o  prazo  final  para  lançamento  seria  31/12/2006. A competência 12/2001 não decaiu, pois a exação só poderia ser exigida e lançada  a partir janeiro de 2002; assim o prazo decadencial, para a competência 12/2001, possui como  termo de início o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia  ter  sido efetuado, ou seja, o dia 1o de janeiro de 2003, a qual findaria em 31 de dezembro de 2007.  O contribuinte tomou ciência da notificação em 22/06/2007 (fl. 01).  Este é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça ­ STJ quando decidiu  quanto a contagem do prazo decadencial do art. 173, I, do CTN, para a competência dezembro:   Processo : EEARES 200401099782EEARES – EMBARGOS DE  DECLARAÇÃO  NOS  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO  NO  AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL – 674497 ,  Relator(a)  MAURO  CAMPBELL  MARQUES  ,Órgão  julgador  SEGUNDA TURMA , Fonte DJE DATA:26/02/2010  Decisão  : Vistos,  relatados e discutidos estes autos em que são  partes as acima indicadas, acordam os Ministros da SEGUNDA  TURMA do Superior Tribunal de  Justiça,  na  conformidade dos  votos  e  das  notas  taquigráficas,  por  unanimidade,  acolher  os  embargos  de  declaração,  com  efeitos  modificativos,  para  dar  parcial  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  voto  do  Sr.  Ministro Relator..  Ementa:  PROCESSUAL  CIVIL.  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR  HOMOLOGAÇÃO.  RECOLHIMENTOS  NÃO  EFETUADOS  E  NÃO  DECLARADOS.  ART.  173,  I,  DO  Fl. 24DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 15889.000174/2007­86  Acórdão n.º 2803­01.259  S2­TE03  Fl. 84          4 CTN.DECADÊNCIA.ERRO  MATERIAL.  OCORRÊNCIA.  ACOLHIMENTO.  EFEITOS  MODIFICATIVOS.  EXCEPCIONALIDADE. 1. Trata­se de embargos de declaração  opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência  de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em  dezembro de 1993. 2. Na espécie, os  fatos geradores do  tributo  em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja,  a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de  1994.  Sendo  assim,  na  forma  do  art.  173,  I,  do  CTN,  o  prazo  decadencial  teve  início  somente  em 1º.1.1995,  expirando­se  em  1º.1.2000. Considerando que o auto de  infração  foi  lavrado em  29.11.1999, tem­se por não consumada a decadência, in casu. 3.  Embargos  de  declaração  acolhidos,  com  efeitos  modificativos,  para dar parcial provimento ao recurso especial.  Data da Decisão 09/02/2010 , Data da Publicação 26/02/2010    CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto por  em dar provimento parcial  ao  recurso,  excluindo do  lançamento  as  competências  09/1999  a  11/2001,  inclusive,  em  razão  da  regra  decadencial  prevista  no  art.  173,  inciso  I  do  CTN;  estando  as  demais  competências  12/2001  a  12/2004  válidas para o lançamento fiscal em epígrafe.   (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima                              Fl. 25DF CARF MF Impresso em 15/03/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 26/ 01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA

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4748607 #
Numero do processo: 10167.001465/2007-13
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/10/2006 CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL DECLARADAS EM GFIP. As informações apuradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP são suficientes ao lançamento tributário. A não comprovação de erro no que declarado, confirma o acerto dos valores apurados. Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-001.254
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: OSÉAS COIMBRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1431; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 92          1 91  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10167.001465/2007­13  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2803­01.254  –  3ª Turma Especial   Sessão de  19 de janeiro de 2012  Matéria  Contribuições Previdenciárias  Recorrente  MÉTODO EMPREENDIMENTOS EDUCACIONAIS LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/08/2005 a 31/10/2006    CONTRIBUIÇÕES A SEGURIDADE SOCIAL DECLARADAS EM GFIP.  As informações apuradas em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações  à Previdência Social – GFIP são suficientes ao lançamento tributário. A não  comprovação  de  erro  no  que  declarado,  confirma  o  acerto  dos  valores  apurados.      Recurso Voluntário Negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).    assinado digitalmente  Helton Carlos Praia de Lima ­ Presidente.     assinado digitalmente  Oséas Coimbra ­ Relator.       Fl. 97DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10167.001465/2007­13  Acórdão n.º 2803­01.254  S2­TE03  Fl. 93          2   Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de  Lima, Oséas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Amílcar Barca Teixeira Júnior.     Fl. 98DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10167.001465/2007­13  Acórdão n.º 2803­01.254  S2­TE03  Fl. 94          3   Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  decisão  da  Delegacia  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento,  que  manteve  a  notificação  fiscal  lavrada, referente a divergências de valores devidos a Previdência Social declarados nas Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  a  Previdência  Social (GFIP), com os valores efetivamente recolhidos através das Guias da Previdência Social  (GPS).  A  Decisão­Notificação  –  fls  64  e  ss,  conclui  pela  improcedência  da  impugnação  apresentada,  mantendo  a  Notificação  lavrada.  Inconformada  com  a  decisão,  apresenta recurso voluntário tempestivo, alegando, em síntese, o seguinte:  •  Estando  sujeita  ao  pagamento  dos  encargos  sociais,  procede  aos  recolhimentos  das  contribuições  devidas  à  Previdência  Social  de  maneira  individualizada,  tanto  no  que  concerne  à  parte  relativa  aos  empregados,  como àquela  referente  à obrigação  patronal  e  terceiros,  mediante apuração dos salários de contribuições através de folhas de  pagamento e recibos diversos.  •  Dentre  as  remunerações  pagas  existem  aquelas  isentas  de  contribuições, quais sejam as verbas de caráter indenizatório.  •  É dever do Fisco, sob pena de se cometer excesso de exação e abuso  de poder, antes de autuar ou notificar o sujeito passivo da obrigação  tributária,  previdenciária  ou  de  contribuições  sociais,  verificar  a  materialidade  da  ocorrência  do  fato  gerador,  exteriorizado,  segundo  os  pressupostos  legais  e  fáticos  previstos  para  os  vários  impostos,  taxas e contribuições de melhoria. É principio comezinho de direito.  •  E  injusto  arbitrar  imposto  ou  contribuição  pela  suposição,  imaginação,  apenas  por  achar  que  determinado  empregado  recebeu  por  horas  extras  trabalhadas,  apenas  com  base  em  cartão  de  ponto,  bem  ainda  por  achar  que  determinados  lançamentos  não  estão  acobertados  com  prova  de  despesas,  ou  ainda,  por  achar  que  o  pagamento  de  um  acordo  trabalhista  corresponde  na  totalidade  a  verbas  passíveis  de  incidência  previdenciária,  quando  no  próprio  acordo  ficaram  estipulados  os  percentuais  destinados  a  cada  verba.  Por  exemplo,  os  especificados  no  relatório  fiscal  que  compôs  a  presente autuação, encontram­se verbas indenizatórias absolutamente  isentas de contribuições previdenciárias.   •  Ilegalidade dos juros da lei 8.981/95 ­ TAXA SELIC e do anatocismo  •  Vedação ao confisco  Fl. 99DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10167.001465/2007­13  Acórdão n.º 2803­01.254  S2­TE03  Fl. 95          4 •  Pugna pelo provimento do recurso, com a reforma total da r. sentença  de primeira Instancia para ver declarada a extinção do débito lançado.  É o relatório.  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10167.001465/2007­13  Acórdão n.º 2803­01.254  S2­TE03  Fl. 96          5 Voto             Conselheiro Oséas Coimbra    DOS FATOS GERADORES DECLARADOS EM GFIP    O  presente  débito  fundamentou­se  nos  dados  declarados  na  Guia  de  Recolhimento do Fundo de Garantia e  Informações à Previdência Social – GFIP, documento  elaborado  pelo  próprio  recorrente,  onde  informa  todos  os  fatos  geradores  de  contribuições  sociais,  sendo  instrumento  bastante  para  a  lavratura  da  respectiva  notificação  uma  vez  que   contém todos os elementos necessários ao lançamento.   Caso  alguma  inconsistência  porventura  existisse,  caberia  ao  recorrente  objetivamente apontá­las,o que não foi feito. A lei determina que a empresa entregue a GFIP  com os fatos geradores pertinentes, de forma correta, e assim deve ser a presunção da Fazenda,  tanto que, para desconstituir o que declarado em GFIP, somente através de provas coletadas em  procedimento fiscal específico ou através de outros documentos comprobatórios trazidos pelo  contribuinte onde fique evidenciado que errou ao preencher o documento.  O decreto n° 3.048/99, em seu art. 225 §1°, determina ainda que a GFIP se  constitui  em  termo de confissão de dívida caso os valores declarados no  referido documento  não tiverem sido recolhidos, transcrevemos:  Art. 225. (...)  §1°.  As  informações  prestadas  na  Guia  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência  Social  servirão  como  base  de  cálculo  das  contribuições  arrecadadas  pelo  Instituto  nacional  do  Seguro  Social,  comporão  a  base  de  dados  para  fins  de  cálculo  e  concessão dos beneficios previdenciários,  bem como constituir­ se­ão  em  termo  de  confissão  de  dívida,  na  hipótese  do  não  recolhimento.  De posse do que declarado pelo contribuinte, o fisco apenas transferiu esses  valores  para  a  presente  Notificação,  não  havendo  que  se  falar  em  omissão  de  informações  quanto à base de cálculo ou aos segurados envolvidos, pois está tudo informado em GFIP.  Fica assim demonstrado que o contribuinte não trouxe nenhum elemento que  desconstituísse o que declarado em GFIP e devidamente lançado.    DOS JUROS APLICADOS  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10167.001465/2007­13  Acórdão n.º 2803­01.254  S2­TE03  Fl. 97          6 A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art.  34 da Lei n ° 8.212/1991, abaixo transcrito.   Art.34.  As  contribuições  sociais  e  outras  importâncias  arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de  lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento,  ficam  sujeitas  aos  juros  equivalentes  à  taxa  referencial  do  Sistema Especial de Liquidação e de Custódia­SELIC, a que se  refere  o  art.  13  da  Lei  nº  9.065,  de  20  de  junho  de  1995,  incidentes  sobre  o  valor  atualizado,  e multa  de mora,  todos  de  caráter  irrelevável.  (Artigo  restabelecido,  com  nova  redação  dada  e  parágrafo  único  acrescentado  pela  Lei  nº  9.528,  de  10/12/97)  Parágrafo  único.  O  percentual  dos  juros  moratórios  relativos  aos  meses  de  vencimentos  ou  pagamentos  das  contribuições  corresponderá a um por cento.  Nesse  sentido  já  se  posicionou  o  STJ  no  Recurso  Especial  n  °  475904,  publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  EXECUÇÃO  FISCAL.  CDA.  VALIDADE.  MATÉRIA  FÁTICA.  SÚMULA  07/STJ.  COBRANÇA  DE  JUROS.  TAXA  SELIC.  INCIDÊNCIA.  A  averiguação  do  cumprimento  dos  requisitos  essenciais  de  validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória,  situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da  Súmula  07/STJ. No  caso  de  execução de dívida  fiscal,  os  juros  possuem  a  função  de  compensar  o  Estado  pelo  tributo  não  recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC  estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não  há confronto  com o art.  161, § 1º,  do CTN. A aplicação de  tal  Taxa  já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da  sua  instituição,  isto é, 1º/01/1996.  (REsp 439256/MG). Recurso  especial  parcialmente  conhecido,  e  na  parte  conhecida,  desprovido.  Quanto à inconstitucionalidade apontada pela recorrente, não cabe tal análise  na  esfera  administrativa.  Não  é  de  competência  da  autoridade  julgadora  a  recusa  ao  cumprimento de norma supostamente inconstitucional – ex vi art. 62 do regimento interno do  CARF, aprovado pela portaria GMF no­ 256, de 22 de junho de 2009.  Toda  lei  presume­se  constitucional  e,  até  que  seja  declarada  sua  inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame  da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitá­la.   A  alegação  de  inconstitucionalidade  formal  de  lei  não  pode  ser  objeto  de  conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional  pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por  outra  lei  federal,  a  referida  lei  estará  em  vigor  e  cabe  à  Administração  Pública  acatar  suas  disposições.  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 10167.001465/2007­13  Acórdão n.º 2803­01.254  S2­TE03  Fl. 98          7 Pondo  fim  a  essa  discussão,  o  STF,  em  sede  de  repercussão  geral,  no  julgamento do RE 582461/SP, rel. Min. Gilmar Mendes, em 18.5.2011, decidiu ser legítima a  incidência da Selic como índice de atualização dos débitos tributários pagos em atraso.  Dessa feita,  foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal.    DA MULTA DE MORA APLICADA  A  multa  de  mora  aplicada  tem  seu  valor  determinado  pela  legislação  em  vigor. A  atividade tributária é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais,  sendo­lhe vedada  a discricionariedade de aplicação da norma quando presentes os  requisitos  materiais e formais para sua aplicação. A multa aplicada encontra fundamento nos dispositivos  legais  trazidos  no  relatório  Fundamentos  Legais  do  Débito  –  FLD,  fls  31  e  32  e  foi  corretamente aplicada pela autoridade fiscal, encontrando­se livre de vícios.    CONCLUSÃO  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso  e,  no  mérito,  nego­lhe  provimento.      assinado digitalmente  Oséas Coimbra ­ Relator.                                Fl. 103DF CARF MF Impresso em 01/03/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/01/2012 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por OSEAS COIMBRA JUNIOR

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Numero do processo: 11065.004934/2008-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 EMENTA OMISSÃO DE RENDA OU DE RENDIMENTOS. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). INCONSTITUCIONALIDADE DO MODELO DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADO SEGUNDO OS PARÂMETROS EXISTENTES, VÁLIDOS E VIGENTES NO MOMENTO DO PAGAMENTO CONCENTRADO. NECESSIDADE DE ADEQUAR A TRIBUTAÇÃO AOS PARÂMETROS EXISTENTES, VIGENTES E VÁLIDOS POR OCASIÃO DE CADA FATO JURÍDICO DE INADIMPLEMENTO (MOMENTO EM QUE O INGRESSO OCORRERIA NÃO HOUVESSE O ILÍCITO). Em precedente de eficácia geral e vinculante (erga omnes), de observância obrigatória (art. 62, § 2º do RICARF), o Supremo Tribunal Federal - STF declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988, que determinava a tributação da renda ou de rendimentos pagos acumuladamente, segundo as regras e os parâmetros do momento em que houvesse os respectivos pagamentos ou os creditamentos. Segundo a orientação vinculante da Corte, a tributação deve seguir por parâmetro a legislação existente, vigente e válida no momento em que cada pagamento deveria ter sido realizado, mas não o foi (fato jurídico do inadimplemento). Portanto, se os valores recebidos acumuladamente pelo sujeito passivo correspondem originariamente a quantias que, se pagas nas datas de vencimento corretas, estivessem no limite de isenção, estará descaracterizada a omissão de renda ou de rendimento identificada pela autoridade lançadora.
Numero da decisão: 2001-005.177
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: THIAGO BUSCHINELLI SORRENTINO

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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE (RRA). INCONSTITUCIONALIDADE DO MODELO DE TRIBUTAÇÃO CONCENTRADO SEGUNDO OS PARÂMETROS EXISTENTES, VÁLIDOS E VIGENTES NO MOMENTO DO PAGAMENTO CONCENTRADO. NECESSIDADE DE ADEQUAR A TRIBUTAÇÃO AOS PARÂMETROS EXISTENTES, VIGENTES E VÁLIDOS POR OCASIÃO DE CADA FATO JURÍDICO DE INADIMPLEMENTO (MOMENTO EM QUE O INGRESSO OCORRERIA NÃO HOUVESSE O ILÍCITO). Em precedente de eficácia geral e vinculante (erga omnes), de observância obrigatória (art. 62, § 2º do RICARF), o Supremo Tribunal Federal - STF declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988, que determinava a tributação da renda ou de rendimentos pagos acumuladamente, segundo as regras e os parâmetros do momento em que houvesse os respectivos pagamentos ou os creditamentos. Segundo a orientação vinculante da Corte, a tributação deve seguir por parâmetro a legislação existente, vigente e válida no momento em que cada pagamento deveria ter sido realizado, mas não o foi (fato jurídico do inadimplemento). Portanto, se os valores recebidos acumuladamente pelo sujeito passivo correspondem originariamente a quantias que, se pagas nas datas de vencimento corretas, estivessem no limite de isenção, estará descaracterizada a omissão de renda ou de rendimento identificada pela autoridade lançadora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 49 34 /2 00 8- 48 Fl. 39DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-005.177 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.004934/2008-48 (documento assinado digitalmente) Honorio Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Rocha Paura, Thiago Buschinelli Sorrentino, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Através da Notificação de Lançamento foi apurado imposto suplementar no valor de R$ 2.632,35 relativos ao exercício de 2007 em decorrência da omissão de rendimentos informados em DIRF. A descrição dos fatos e a legislação infringida constam da referida Notificação. O total do crédito tributário é de R$5.020,15. Na impugnação o contribuinte alega, em síntese, que: - não se trata de omissão de rendimentos recebidos de processo trabalhista, mas sim de indenização de 24 meses de salários de aposentadoria do INSS, cujo o pagamento foi efetuado acumuladamente de uma só vez por força de decisão judicial; -tais rendimentos deveriam ser tributados mês a mês, com a aplicação das respectivas tabelas dos anos a que referem, transcreve trecho de decisão judicial para corroborar seu entendimento; - a incidência do imposto de renda sobre o total pago caracteriza afronta ao Princípio da Capacidade Contributiva; - sempre declarou seus rendimentos, não podendo agora ser penalizado com medida gravosa e indevida. Cita o caput do art. 46 da Lei nº 8.541/92 e pede a improcedência do lançamento. No presente caso, o fato gerador do imposto de renda pessoa física em questão é o pagamento do rendimento em cumprimento de decisão judicial e não trabalhista (Precatório/Processo 20037112003330-0/JF) conforme informado pelo contribuinte na declaração de ajuste anual à fl. 13. Sobre os rendimentos recebidos acumuladamente serem tributados exclusivamente na fonte, a Medida Provisória (MP) nº 497, de 27 de julho de 2010. convertida na Lei 12.350, de 20 de dezembro de 2010, inseriu o art. 12-A à Lei nº 7.713/1998, regulando a matéria: Art. 44. A Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, passa a vigorar acrescida do seguinte art. 12-A: " Art. 12-A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anos-calendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na Fl. 40DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-005.177 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.004934/2008-48 fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. § 1º O imposto será retido pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento ou pela instituição financeira depositária do crédito e calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. § 2º Poderão ser excluídas as despesas, relativas ao montante dos rendimentos tributáveis, com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. § 3º A base de cálculo será determinada mediante a dedução das seguintes despesas relativas ao montante dos rendimentos tributáveis: I - importâncias pagas em dinheiro a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de separação ou divórcio consensual realizado por escritura pública; e II - contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 4º Não se aplica ao disposto neste artigo o constante no art. 27 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, salvo o previsto nos seus §§ 1º e 3º. § 5º O total dos rendimentos de que trata o caput, observado o disposto no § 2º, poderá integrar a base de cálculo do Imposto sobre a Renda na Declaração de Ajuste Anual do ano-calendário do recebimento, à opção irretratável do contribuinte. § 6ºº Na hipótese do § 5º, o Imposto sobre a Renda Retido na Fonte será considerado antecipação do imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual. § 7º Os rendimentos de que trata o caput, recebidos entre 1º de janeiro de 2010 e o dia anterior ao de publicação da Lei resultante da conversão da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, poderão ser tributados na forma deste artigo, devendo ser informados na Declaração de Ajuste Anual referente ao ano-calendário de 2010. §8º A Secretaria da Receita Federal do Brasil disciplinará o disposto neste artigo." Assim, os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, recebidos acumuladamente a partir de 28/07/2010 são tributados conforme art. 12-A da Lei nº 7.713, de 1988. Ou seja, são tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês, sendo o imposto calculado sobre o montante dos rendimentos pagos, mediante a utilização de tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referiam os rendimentos pelos valores constantes da tabela correspondente ao mês do recebimento ou crédito. É ressalvada a hipótese do § 5º do artigo em questão, de opção irretratável do contribuinte pela tributação convencional. Portanto, os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para reserva remunerada ou reforma recebidos acumuladamente anteriores a 28/07/2010 , hipótese dos autos, são tributados de acordo com o art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, incidindo o imposto, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos. Dispõe o art. 43 do CTN: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; Fl. 41DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-005.177 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.004934/2008-48 II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) A lei nº 7.713/88 em seu art. 12 dispõe que: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos dos valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. O fato gerador do imposto de renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica. Assim, no caso de verbas reconhecidas em ação judicial, a incidência do imposto de renda ocorre no momento do levantamento dos valores da ação, no caso em 2006. O artigos 56 do RIR/1999, dispõe: Art. 56. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros e atualização monetária (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12). Parágrafo único. Para os efeitos deste artigo, poderá ser deduzido o valor das despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos, inclusive com advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12) Art. 640. no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto na fonte incidirá sobre o total dos rendimentos pagos no mês, inclusive sua atualização monetária e juros (Lei nº 7.713, de 1988, art. 12 e Lei nº 8.134, 1990, art. 3º). No caso, uma vez que o rendimento foi recebido acumuladamente no ano-calendário de 2006 e, considerando que a legislação pertinente determina que a tributação deve se dar no momento da percepção do rendimento e não em relação a cada um dos períodos (mês a mês) a que o rendimento se referir, os rendimentos percebidos acumuladamente pelo contribuinte devem ser acrescidos aos rendimentos tributáveis auferidos no próprio ano- calendário e oferecidos à tributação na Declaração de Ajuste Anual do exercício de 2007, submetendo-se à aplicação das alíquotas constantes da tabela progressiva anual. Assim, os rendimentos recebidos acumuladamente, por pessoa física, em virtude de decisão judicial, a título de diferenças de aposentadorias, inclusive correção monetária e juros, estão sujeitos à retenção do imposto de renda na fonte, devendo, ainda, integrar a base de cálculo do imposto na declaração de ajuste anual da pessoa física beneficiária. No que concerne às jurisprudências invocadas, há que ser esclarecido que as decisões administrativas e judiciais não constituem normas complementares do Direito Tributário.Assim, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, pois se aplicam somente à questão em análise, vinculado as partes envolvidas naqueles litígios. O contribuinte traz, ainda, em sua defesa, alegações relativas ao princípio constitucional da isonomia, a qual estaria em desacordo com o crédito tributário exigido na Notificação de Lançamento. De plano, deve-se salientar que o § 1º do art. 145 da Constituição Federal é direcionado para cada uma das esferas legislativas, ou seja, a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, conforme estampado no caput do referido artigo, no sentido de que, “sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte...”. Sendo assim, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária, que se submete ao princípio da legalidade, não podendo se esquivar da aplicação de lei editada conforme o processo legislativo constitucional, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 42DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-005.177 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.004934/2008-48 A autoridade lançadora, portanto, não deve e nem pode fazer um juízo valorativo sobre a conveniência do lançamento. O lançamento tributário é rigidamente regrado pela lei, ou, no dizer do art. 3º da Lei n° 5.172, de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), é “atividade administrativa plenamente vinculada”. O que é determinante para a efetivação do lançamento é a ocorrência do fato gerador, e não a repercussão da exigência no patrimônio do contribuinte. Conforme o art. 142 do CTN, ocorrido o fato gerador, a autoridade fiscal deve constituir o crédito tributário, calculando a exigência de acordo com a lei vigente à época do fato, sendo irrelevante a situação econômico- financeira do sujeito passivo. Quanto ao argumento de que não pode ser penalizado por equívoco q que não deu causa, esclareça-se que, de conformidade com o art. 136 do CTN – Lei n.º 5.172/1966, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, salvo disposição de lei em contrário. Diante do acima exposto, voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, devendo ser mantido o crédito tributário exigido. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 RENDIMENTOS RECEBIDOS EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL Submetem-se ao ajuste anual todos os rendimentos oriundos da ação judicial que não sejam isentos ou de tributação exclusiva, observadas as deduções permitidas em lei. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. TRIBUTAÇÃO Os rendimentos pagos acumuladamente em data anterior a 28/07/2010, devem ser declarados como tributáveis na declaração de ajuste anual relativa ao ano-calendário do efetivo recebimento dos valores, somando-os aos demais rendimentos auferidos no período. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/03/2012, o sujeito passivo interpôs, em 25/04/2012, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que inexiste omissão, pois a apuração e a tributação devem ser feitas sob a sistemática dos rendimentos recebidos acumuladamente, É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Buschinelli Sorrentino - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Por ocasião do julgamento do RE 614.406-RG, com eficácia vinculante e geral (erga omnes), o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988, que determinava a tributação da renda ou de rendimentos pagos acumuladamente, em virtude de sentença judicial, segundo as regras e os parâmetros do momento em que houvesse os respectivos pagamento ou o creditamento. Fl. 43DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2001-005.177 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.004934/2008-48 A Corte entendeu que a tributação deveria seguir os parâmetros existentes por ocasião de cada fato jurídico de inadimplemento, isto é, que o sujeito passivo obrigado a buscar a tutela jurisdicional em razão da inadimplência fosse tributado nos mesmos termos de seus análogos, que receberam os valores sem que a entidade pagadora tivesse violado o respectivo direito subjetivo ao recebimento. Referido precedente foi assim ementado: IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. (RE 614406, Relator(a): ROSA WEBER, Relator(a) p/ Acórdão: MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 23/10/2014, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL - MÉRITO DJe-233 DIVULG 26-11-2014 PUBLIC 27-11-2014) Em atenção à decisão do STF, a Secretaria da Receita Federal adequou a legislação infraordinária, como se vê, e.g., na IN 1.500/2014. Nos termos do art. 62, § 2º do RICARF, o acórdão dotado de eficácia geral e vinculante é de observância obrigatória, e o precedente específico em questão vem sendo aplicado pelo CARF, como se lê nas seguintes ementas: Numero do processo: 10580.720707/2017-62 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção Câmara: Quarta Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018 Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2015 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. DIFERENÇAS DE APOSENTADORIA. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR PRIVADA. Relativamente ao ano calendário de 2014, os rendimentos recebidos acumuladamente pagos por entidade de previdência complementar não estavam enquadrados na sistemática de tributação exclusiva na fonte, em separado dos demais rendimentos. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). O Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE nº 614.406/RS, em sede de repercussão geral, e com aplicação obrigatória no âmbito do CARF, conforme dispõe o dispõe o art. 62, § 2º do RICARF, entendeu que a sistemática de cálculo do imposto de renda sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deveria levar em consideração o regime de competência para o cálculo mensal do imposto sobre a renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos e não pelo montante global pago. Numero da decisão: 2401-005.782 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do Imposto sobre a Renda relativo aos rendimentos recebidos acumuladamente omitidos pelo contribuinte, no importe de R$ 148.662,01, com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte, conforme competências compreendidas na ação (regime de competência). (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cleberson Alex Friess, Fl. 44DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2001-005.177 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.004934/2008-48 Andréa Viana Arrais Egypto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente Convocada), Rayd Santana Ferreira, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Luciana Matos Pereira Barbosa, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente) Nome do relator: ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO Numero do processo: 11516.721861/2015-26 Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção Câmara: Segunda Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2017 Data da publicação: Thu May 04 00:00:00 UTC 2017 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2013 CÁLCULO DO RRA. O cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente ocorre com a utilização da tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se referem os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. Numero da decisão: 2201-003.504 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 11/04/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra, Dione Jesabel Wasilewski, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Marcelo Milton da Silva Risso, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e José Alfredo Duarte Filho (Suplente). Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ Diante da inconstitucionalidade da tributação concentrada dos rendimentos recebidos acumuladamente, deve a autoridade fiscal competente desmembrar os valores totais recebidos segundo as datas em que o pagamento originário seria devido, para aplicação da legislação de regência, tanto a que define alíquotas como a que define faixas de isenção. Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO, com as especificidades expostas ao longo da fundamentação. É como voto. (documento assinado digitalmente) Thiago Buschinelli Sorrentino Fl. 45DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2001-005.177 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 11065.004934/2008-48 Fl. 46DF CARF MF Original

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Numero do processo: 10183.903240/2017-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 16 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Fri Mar 31 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 PEDIDO DE RESSARCIMENTO, COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVAS PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas na manifestação de inconformidade, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3002-002.630
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e Mateus Soares de Oliveira.
Nome do relator: WAGNER MOTA MOMESSO DE OLIVEIRA

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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 PEDIDO DE RESSARCIMENTO, COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVAS PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas na manifestação de inconformidade, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.

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conteudo_txt : Metadados => date: 2023-03-28T13:36:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2023-03-28T13:36:40Z; Last-Modified: 2023-03-28T13:36:40Z; dcterms:modified: 2023-03-28T13:36:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2023-03-28T13:36:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2023-03-28T13:36:40Z; meta:save-date: 2023-03-28T13:36:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2023-03-28T13:36:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2023-03-28T13:36:40Z; created: 2023-03-28T13:36:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2023-03-28T13:36:40Z; pdf:charsPerPage: 1877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2023-03-28T13:36:40Z | Conteúdo => S3-TE02 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10183.903240/2017-77 Recurso Voluntário Acórdão nº 3002-002.630 – 3ª Seção de Julgamento / 2ª Turma Extraordinária Sessão de 16 de março de 2023 Recorrente CAMIL CACERES MINERAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 PEDIDO DE RESSARCIMENTO, COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO. EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO SUJEITO PASSIVO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVAS PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas na manifestação de inconformidade, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira – Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wagner Mota Momesso de Oliveira (Presidente), Anna Dolores Barros de Oliveira Sá Malta e Mateus Soares de Oliveira. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) 01, às fls. 557/560: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento, formalizado através do PER/DCOMP nº 35883.30162.180116.1.1.10-2265, no valor de R$ 13.050,74, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 32 40 /2 01 7- 77 Fl. 1093DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3002-002.630 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.903240/2017-77 referente a crédito de PIS não cumulativo - Mercado Interno apurado no 3º trimestre de 2011. Constam declarações de compensação vinculadas ao pedido. Pelo primeiro Despacho Decisório, o pedido foi totalmente indeferido sem análise da apuração em razão de os créditos apurados constarem informados no DACON como vinculados a receitas tributadas, considerando que somente créditos vinculados a receitas não tributadas são passíveis de ressarcimento conforme o disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 c/c o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. A documentação relativa ao primeiro procedimento da autoridade fiscal consta no processo administrativo nº 10010.034545/0617-80, cujo resultado foi consolidado na Informação Fiscal Seort/DRF-Cuiabá/MT nº 0207/2017. Tendo retificado o DACON após a emissão do Despacho Decisório corrigindo o erro no rateio dos créditos, a manifestação de inconformidade foi julgada procedente para que a autoridade de origem procedesse a análise da apuração dos créditos. Para a nova análise foi formalizado o dossiê de atendimento nº 10265.012338/2019-75, onde constam as intimações e a documentação apresentada. Após 3 (três) intimações, o sujeito passivo não apresentou a documentação adequada referente aos anos calendário 2011 e 2012. Sendo assim, foi emitido novo Despacho Decisório de folhas 512 a 515, indeferindo o pedido pela falta de apresentação da documentação hábil e idônea para a comprovação do direito, conforme solicitada. Em petição dirigida a autoridade fiscal de origem, folhas 522 e 523, o sujeito passivo pede a revisão do despacho decisório, juntando cópias em PDF de relatório de entradas da EFD-ICMS, “a fim de complementar os documentos requeridos”. Consta ainda dos autos a obtenção, pelo Interessado, de Liminar em Mandado de Segurança determinando à autoridade impetrada que sejam adotadas providências necessárias à decisão dos requerimentos administrativos no prazo de 30 dias, sob pena de multa. Por meio do acórdão acima mencionado, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório pleiteado, conforme a ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2011 a 30/09/2011 RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Para fazer jus ao ressarcimento pleiteado, incumbe ao contribuinte a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir, para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, sob pena de indeferimento de seu pedido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A ora recorrente interpôs recurso voluntário em face do sobredito acórdão (fls. 568/572), por meio do qual, repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Em apertada síntese, a recorrente aduz que todas as informações necessárias para a homologação do crédito estão na EFD-ICMS apresentada; que a fim de comprovar a legalidade e origem dos créditos pleiteados, além da EFD-ICMS, “acosta aos autos o XLM das notas Fl. 1094DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3002-002.630 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.903240/2017-77 fiscais, DANFESs, contas de energia e memória de cálculo correspondentes aos PER/DCOMP solicitados”; defende a juntada desses documentos na fase recursal; para, enfim, pleitear a revisão da decisão combatida, com a homologação do PER/DCOMP, com base nas EFD-ICMS apresentadas ou, não sendo esse o entendimento, o acolhimento dos documentos comprobatórios apresentados na fase recursal e a homologação do PER/DCOMP nº 35883.30162.180116.1.1.10- 2265. Posteriormente, o presente processo foi encaminhado à 6ª Câmara Recursal das DRJ, que, após análise, mediante o despacho de fls. 1091/1092, o encaminhou a este Conselho para julgamento. Voto Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Conforme visto, a recorrente asseverou que todas as informações necessárias para a homologação do crédito estão na EFD-ICMS apresentada e pleiteia a homologação desses créditos com base nas informações constantes na EFD-ICMS. A DRJ analisou tal pleito, com a fundamentação adequada, a qual adoto e reproduzo a seguir: Na petição de folhas 522 e 523, recepcionada pela unidade de origem a título de manifestação de inconformidade, o sujeito passivo não contesta diretamente as razões do indeferimento expostas no despacho decisório. Deste documento, apenas retira do contexto uma frase buscando inferir que apenas o DACON seria suficiente para comprovar seu direito, juntando cópias em PDF de relatório de entradas da EFD-ICMS, “a fim de complementar os documentos requeridos”. Conforme bem fundamentado no Despacho Decisório, o direito creditório informado deve ser comprovado pela documentação hábil e idônea correspondente aos fatos que lhe deram origem e registrados em sua escrituração contábil. Relativamente ao período sob análise, o sujeito passivo nada apresentou. (...) No que se refere à comprovação do direito creditório exclusivamente por meio do DACON, esclarece-se que este trata-se de instrumento de natureza informativa, estando as informações nele contidas sujeitas à verificação pela autoridade fiscal, conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda/2018 (Decreto nº 9.580/2018): Art. 897. As declarações das pessoas físicas e jurídicas ficarão sujeitas à revisão pelas autoridades administrativas, as quais exigirão os comprovantes necessários à revisão ( Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 74, caput ). § 1º A revisão será feita com elementos de que dispuser a administração, esclarecimentos verbais ou escritos solicitados aos contribuintes, ou por outros meios facultados na legislação tributária ( Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 74, § 1º ). Fl. 1095DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3002-002.630 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.903240/2017-77 Quanto às cópias do relatório de registros de entradas da EFD-ICMS não se prestam a demonstrar e comprovar a apuração de créditos da não cumulatividade do PIS e da COFINS. Conforme bem demonstrado no Despacho Decisório, nos casos de restituição e compensação é atribuição do interessado a demonstração da efetiva existência do direito creditório pretendido. O artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011 que regulamenta os processos administrativos fiscais no âmbito da Receita Federal do Brasil dispõe: “Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36).” Ainda nesse sentido, o artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil – Lei nº 13.105/2015, aplicável subsidiariamente ao citado Decreto, estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto a fato constitutivo do seu direito. Dessa forma, cabe ao contribuinte provar o teor das alegações em defesa do crédito pretendido. No âmbito de um processo administrativo fiscal no qual se discute um direito creditório, todas as declarações e informações prestadas pelos contribuintes somente fazem prova a seu favor perante o Fisco se calcados em documentos contábeis e fiscais hábeis e idôneos. Faltando nos autos a devida comprovação, o direito creditório não pode ser reconhecido e a compensação que dele se pretende aproveitar não pode ser homologada. Com efeito, conforme consignado no aludido acórdão recorrido, em atenção à sobredita legislação (art. 28 do Decreto nº 7.574/2011, cuja base legal é o art. 36 da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, e art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil – Lei nº 13.105/2015), cabe à recorrente comprovar o crédito pleiteado mediante a apresentação de todos os documentos e esclarecimentos solicitados pela autoridade fiscal responsável pela análise desses suposto crédito. Registre-se ainda que a compensação tributária pressupõe a existência de crédito líquido e certo em nome do sujeito passivo, a teor do art. 170 do CTN (Código Tributário Nacional), transcrito abaixo: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) Vale dizer, para possibilitar a homologação da compensação tributária, há expressa exigência legal no sentido de que é necessária a certeza e liquidez do crédito pleiteado e compensado. No entanto, da análise dos autos, infere-se que a recorrente não logrou êxito em comprovar os créditos em questão, uma vez que não apresentou todos os esclarecimentos e documentos indispensáveis para a sua análise, requeridos pela autoridade fiscal, conforme intimações juntadas às fls. 460/462, 466/468 e 508/510, notadamente documentos e esclarecimentos indispensáveis para a verificação, pela autoridade fiscal, da natureza dos produtos e serviços adquiridos e considerados pela recorrente como insumos, além de Fl. 1096DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3002-002.630 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.903240/2017-77 informações acerca de créditos atinentes a devoluções de venda, aluguel de máquinas e equipamentos, encargos de depreciação, energia elétrica e a outras operações com direito a crédito. Portanto, a recorrente, em duas oportunidades, quais sejam, no procedimento fiscal atinente à análise do direito creditório pleiteado e na fase de apresentação de impugnação à DRJ, deixou de evidenciar o crédito pleiteado. Ressalte-se que, exceto no caso de força maior, fato ou direito superveniente, e para contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, a fase de impugnação à DRJ consiste no último momento em que a recorrente poderia ter apresentado todos os esclarecimentos e documentos (provas) solicitados pela autoridade fiscal, conforme disposição expressa no art. 16, inciso II e § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, a seguir reproduzido: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Importante esclarecer que não se está privilegiando o formalismo exacerbado em detrimento ao princípio da verdade material, norteador do processo administrativo fiscal, e sim tão somente cumprindo o disposto expressamente em lei, a qual dispõe que, na fase recursal, é cabível a apresentação de novas provas somente nas hipóteses acima mencionadas. Ademais, constata-se que a recorrente, na fase recursal, limitou-se a juntar documentos diversos, como “XLM das notas fiscais, DANFESs, contas de energia e memória de cálculo”, sem demonstrar, de forma inequívoca, a legitimidade dos créditos pleiteados, notadamente sem os aludidos esclarecimentos e documentos solicitados pela autoridade fiscal, às fls. 460/462, 466/468 e 508/510, de sorte que tais documentos apresentados em sede de recurso voluntário não evidenciam, de plano, a legitimidade dos créditos pleiteados. Por último, impende assinalar que nesse mesmo sentido há o acórdão nº 9303- 012.990, de 17 de março de 2022, proferido pela 3ª Turma do Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Conselho, cuja ementa reproduzimos a seguir: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2011 a 30/06/2011 Fl. 1097DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3002-002.630 - 3ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10183.903240/2017-77 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE NOVOS ARGUMENTOS E PROVAS EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. A manifestação de inconformidade e os recursos dirigidos a este conselho Administrativo de Recursos Fiscais seguem o rito processual estabelecido no Decreto nº 70.235/72, além de suspenderem a exigibilidade do crédito tributário, conforme dispõem os §§ 4º e 5º da Instrução Normativa da RFB nº 1.300/2012. Os argumentos de defesa e as provas devem ser apresentados na manifestação de inconformidade interposta em face do despacho decisório de não homologação do pedido de compensação, precluindo o direito do Sujeito Passivo fazê-lo posteriormente, salvo se demonstrada alguma das exceções previstas no art. 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Portanto, forte nesses argumentos, nego provimento ao recurso voluntário sob exame. É como voto. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira Fl. 1098DF CARF MF Original

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Numero do processo: 37322.004547/2006-55
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Mar 12 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1996 a 30/04/2002 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SEGURADO – ARRECADAÇÃO/RECOLHIMENTO – OBRIGAÇÃO EMPRESA – DESCUMPRIMENTO – APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado. O descumprimento de tal obrigação se configura, em tese, crime de apropriação indébita previdenciária, nos termos do Código Penal. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 206-00.560
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE or unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA

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O5 1 02 Fls. 87 SilmeWee dam Slepe erms2 INIINISTÉRIWITA FALENDA r•-;;--. . .0. SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 37322.004547/2006-55 Recurso n° 142.073 Voluntário Matéria DIFERENÇAS DE CONTRIBUIÇÕES - APROPRI: :i : MF-Sepundo Conseleo de Con"." .. eus Acórdão n° 206-00.560 dentoi DroOficiai fac_ Sessão de 12 de março de 2008 Rumas A Recorrente ANDRADE CONSTRUTORA E INCORPORADORA LTDA Recorrida SRP - SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA EM BAURU - SP Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1996 a 30/04/2002 Ementa: CONTRIBUIÇÃO SEGURADO — ARRECADAÇÃO/RECOLHIMENTO — OBRIGAÇÃO EMPRESA — DESCUMPRIMENTO — APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA. A empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado. O descumprimento de tal obrigação se configura, em tese, crime de apropriação indébita previdenciária, nos termos do Código Penal. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. hiF - SEGUNDOcoNrECONSERE copALHOODE0RCOJTRIBUINTESIAL Processo n.° 37322.004547/2006-55 _satã_ CCO2/C06Brasile& O 9. Acórdão n.° 206-00.560 Fls. 88 Sn MIS 011 MIC soo em52 ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTE or unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. / ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente ANAIOIAADEIRA Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rogério de Lellis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Daniel Ayres Kalume Reis, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Cleusa Vieira de Souza e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Processo n.°37322.00454712006-55 CCO2C06 Acórdão n.° 206-00560 - SIGUNDOcopin Oo cossain_commoi_oDeORCONTRInin BUloNsTES &asile I Fls. 89 Sn~ de a. swe erma Relatório Trata-se de lançamento da contribuição dos segurados vinculada à matrícula CEI n° 21.060.04761/79 retidas dos segurados empregados e incidentes sobre as remunerações dos mesmos. A notificada apresentou defesa tempestiva (fls. 57/63), onde alega que se não foram apresentados todos os documentos necessários, tal fato ocorreu em decorrência de mudança de sede da empresa. Requer dilação do prazo em sessenta dias para apresentar as guias, solicitação que teria por fimdamento os princípios da razoabilidade e ampla defesa Argumenta que há excesso de exação quanto à cobrança da contribuição do SAT, a qual o judiciário tem reconhecido como obrigatória apenas com alíquota de 1%, sendo a cobrança de alíquotas excedentes reconhecidas como inconstitucionais. Pela Decisão-Notificação n° 21.423.4/0439/2006 (fls. 65/67), o lançamento foi considerado procedente. Contra tal decisão, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 74/80) onde repete as alegações já apresentadas na defesa. Em contra-razões (fls. 86) a SRP manteve a decisão recorrida. É o Relatório. Processo n.° 37322.004$47/2006-55 D CONTRIBUINTES CCO2,C06 SEGUNDO CONSELHO EAcórdão n.° 206 -00.560 MF - CONFERE COM O ORIGINAL Fls. 90 CfS BroMM, .321! kr/ faina de • eme Os en862 Voto Conselheira ANA MARIA BANDEIRA, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. O presente lançamento refere-se a contribuições descontadas dos segurados empregados e que não foram devidamente recolhidas pela recorrente. É obrigação da empresa arrecadar e recolher a contribuição dos segurados empregados a seu serviço. A obrigação acima está insculpida no art 30, inciso I, alíneas "a" e "b", da Lei n° 8.212/1991, in verbis: "Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importáncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: 1- a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência;' Como a recorrente não procedeu de acordo com o que dispõe a lei, a auditoria fiscal corretamente efetuou o lançamento. Quanto às razões recursais, verifica-se o cunho meramente protelatório das mesmas. O recurso da recorrente resume-se à solicitação de prorrogação de prazo para apresentação de documentos supostamente fundada em princípios de razoabilidade e ampla defesa, bem como alega excesso de exação quanto à contribuição ao SAT. O segundo dos argumentos citados sequer é pertinente ao caso em testilha, uma vez que as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho não foi objeto de lançamento nesta notificação. Quanto à solicitação de prorrogação de prazo para apresentação de documentos, vale dizer que os únicos documentos capazes de desconstituir o presente lançamento seriam as guias de recolhimento das contribuições devidas, das quais não há registro no sistema informatizado do órgão, conforme informou o julgador de primeira instância. ME - W.OUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES I Processo n.° 37322.004547/2006-55 CONFERE COM O ORONAL CCO2/C063'asibe. / CSAcórdão n.° 206-00.560 / Fls. 91 Mis A h s met: Sim ema.? Portanto, não se trata de ofensa aos princípios a recorrente, pois ainda que a recorrente tivesse deixado de apresentar as guias de recolhimento, se os mesmos tivessem sido efetivamente realizados haveria o devido registro junto aos sistemas da Secretaria. Diante do exposto e em razão de não haver mais nada a ser enfrentado. Voto no sentido de CONHECER do recurso para NEGAR-LHE PROVIMENTO. É COMO voto. Sala das Sessões, em 12 de março de 2008 f tclUí AatIfIA BA41:4IRA Page 1 _0055300.PDF Page 1 _0055400.PDF Page 1 _0055500.PDF Page 1 _0055600.PDF Page 1

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Numero do processo: 10265.806292/2021-72
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon Mar 27 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/2005 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. FATO NÃO CONHECIDO PELA TURMA JULGADORA. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS. O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões proferidas, por meio de embargos.
Numero da decisão: 2401-010.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, com efeitos modificativos, para anular o Acórdão nº 2401-007.983 e não conhecer do Recurso Voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Wilsom de Moraes Filho, Matheus Soares Leite, Eduardo Newman de Mattera Gomes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MATHEUS SOARES LEITE

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LAPSO MANIFESTO. FATO NÃO CONHECIDO PELA TURMA JULGADORA. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. PEDIDO DE PARCELAMENTO. EFEITOS. DESISTÊNCIA DA DISCUSSÃO NO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. ANULAÇÃO DAS DECISÕES PROFERIDAS POSTERIORMENTE AO PEDIDO DE PARCELAMENTO. CABIMENTO DE EMBARGOS. O pedido de parcelamento importa a desistência da discussão travada no âmbito do contencioso administrativo e autoriza a anulação de eventuais decisões proferidas, por meio de embargos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, com efeitos modificativos, para anular o Acórdão nº 2401-007.983 e não conhecer do Recurso Voluntário interposto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Wilsom de Moraes Filho, Matheus Soares Leite, Eduardo Newman de Mattera Gomes, Ana Carolina da Silva Barbosa, Thiago Buschinelli Sorrentino (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 26 5. 80 62 92 /2 02 1- 72 Fl. 591DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-010.899 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10265.806292/2021-72 Relatório Trata-se de despacho de encaminhamento apresentado pela Unidade da Administração Tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão em face de acórdão proferido pela 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção. A 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção exarou o Acórdão n° 2401- 007.983, em 7/8/20, fls. 547 a 557, nos termos da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/04/2005 DECADÊNCIA. CONTAGEM DE PRAZO. CTN. À contagem do prazo decadencial das contribuições devidas à Previdência Social e a outras entidades ou fundos, denominados terceiros, aplicam-se as regras previstas no Código Tributário Nacional. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DA REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. OBRIGATORIEDADE. Nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado, o dies a quo do prazo quinquenal de decadência rege-se pelo disposto no art. 173, I, do CTN. Considera-se pagamento antecipado aquele efetuado antes do início da fluência do art. 173, I, do CTN, vez que inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário. SAT. LANÇAMENTO DEVIDO. A contribuição a cargo da empresa é devida para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. CONTRIBUIÇÃO PARA O SEBRAE. CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. EXIGIBILIDADE O Plenário do STF, no julgamento do RE 635682/RJ, submetido ao rito da repercussão geral (tema 227), entendeu ser constitucional a Contribuição para o Sebrae e válida a cobrança do tributo, independentemente de contraprestação direta em favor do contribuinte. PREVIDENCIÁRIO. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR - PAT. Conforme Ato Declaratório nº 3 de 20.12.2011 da Procuradoria Geral da fazenda Nacional - PGFN, sobre o pagamento in natura do auxílio- alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. AUTO DE INFRAÇÃO. OMISSÃO DE FATOS GERADORES. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. SERVIÇOS PRESTADOS POR COOPERADOS POR INTERMÉDIO DE COOPERATIVAS DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL COM REPERCUSSÃO GERAL. RICARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, por unanimidade de votos, declarou, em recurso com repercussão geral, a inconstitucionalidade do inciso IV, do art. 22, da Lei n° 8.21291, com a redação dada pela Lei n° 9.876/99 (RE n° 595838/SP, Pleno, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 23 de abril de 2014). O § 2° do art. 62 do RICARF estabelece que as decisões de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ na sistemática dos Fl. 592DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-010.899 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10265.806292/2021-72 arts. 543B e 543C do CPC revogado, ou dos arts. 1.036 a 1.041 do Código processual vigente, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reconhecer a decadência até a competência 11/1999; e b) excluir os lançamentos relativos a valores pagos a título de alimentação in natura e a cooperativas de trabalho (levantamentos AL, ALS, COP, CPS, UME e UOD). Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite. Rayd Santana Ferreira e Andréa Viana Arrais Egypto, que davam provimento parcial em maior extensão para reconhecer a decadência até a competência 09/2000 e excluir do lançamento os levantamentos AL, ALS, COP, CPS, UME e UOD. Fazenda Nacional foi cientificada da decisão, não apresentando recursos (fls. 558 a 560). A Unidade da Administração Tributária, ECOA-DEVAT01-VR, vinculada à Superintendência Regional da 1ª Região Fiscal, por meio de despacho de encaminhamento à fl. 583, informou que os créditos lançados no DEBCAD nº 35.868.265-7, e julgados no Acórdão nº 2401-007.983, haviam sido incluídos em parcelamento pela contribuinte, em data anterior ao julgamento, já em fase de cobrança na PGFN, resultando na desistência do recurso voluntário apresentado. Em observância aos princípios da primazia do mérito e da celeridade processual, e tendo em vista a possibilidade regimental de, a qualquer tempo, qualquer legitimado, inclusive a Presidente da Turma, interpor embargos inominados, sobreveio despacho de admissibilidade (e- fls. 586 e ss, admitindo, com fundamento nos arts. 65 e 66, do Anexo II, do RICARF, o despacho de fl. 583 como embargos inominados, e dando-lhe seguimento. Em seguida, os autos foram distribuídos a este Conselheiro para apreciação e julgamento dos Embargos Inominados. É o relatório. Voto Conselheiro Matheus Soares Leite – Relator 1. Juízo de Admissibilidade. Os embargos de declaração foram recebidos como embargos inominados, consoante previsão no art. 66, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, de modo que não há que se apreciar a questão da tempestividade, eis que não há prazo para a correção de erro manifesto. Portanto, conheço do recurso, uma vez que estão presentes os requisitos de admissibilidade. 2. Mérito. Pois bem. Conforme narrado, a Unidade da Administração Tributária, ECOA- DEVAT01-VR, vinculada à Superintendência Regional da 1ª Região Fiscal, por meio de despacho de encaminhamento à fl. 583, informou que os créditos lançados no DEBCAD nº 35.868.265-7, e julgados no Acórdão nº 2401-007.983, haviam sido incluídos em parcelamento Fl. 593DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-010.899 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10265.806292/2021-72 pela contribuinte, em data anterior ao julgamento, já em fase de cobrança na PGFN, resultando na desistência do recurso voluntário apresentado. O despacho de encaminhamento da ECOA-DEVAT01-VR, de 2/12/21, devolveu o processo julgado para ciência sobre o parcelamento dos débitos julgados pelo acórdão do recurso voluntário, conforme segue: Este dossiê foi formalizado para informar ao CARF acerca do parcelamento do Debcad 35.868.265-7 (proc 35087.001340/2005-42) antes de proferido o Acórdão de Rec Vol 2401-07.983. Devido à Informação fls 564/565, ao risco de prescrição e desistência tácita do contribuinte ao parcelar, o processo foi encaminhado p inscrição imediata. Após ciência, devolver à ECOA para arquivamento, caso não haja entendimento diverso sobre o assunto. No despacho de fls. 580, de 22/11/21, consta a seguinte informação: Em atenção ao despacho de fls.567, informamos que, em 30/11/2009, o contribuinte em epígrafe fez opção pelo parcelamento da Lei 11.941/2009-RFB-PREV-ART.1. Em 30/06/2010, manifestou-se pela inclusão da totalidade dos débitos no parcelamento, nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 03/2010 (fls.568). Portanto, todos os débitos passíveis de serem parcelados, nesta modalidade, foram incluídos no parcelamento. De acordo com o documento de fls.562, o debcad 35.868.265-7 foi incluído no parcelamento em 15/08/2011. Em 27/05/2017, houve a rescisão do parcelamento por inadimplência de parcelas, sendo o último pagamento realizado no âmbito do parcelamento, em 30/06/2015 (fls.577). A partir da exclusão, o debcad 35.868.265-7 estava apto a ser objeto de cobrança amigável ou ainda, de ser encaminhado para a cobrança executiva. Em relação ao questionamento, sobre a possibilidade de revisão do parcelamento, em função da decisão do CARF, consta na informação de fls.563/564 que a decisão, mesmo q. [sic] Conforme documentos juntados pela Unidade da Administração Tributária às fls. 569 a 579, verifica-se que a Contribuinte incluiu os débitos discutidos no presente processo (DEBCAD nº 35.868.265-7) no Parcelamento Especial instituído pela Lei n.º 11.941, de 2009, com data do pedido em 30/11/09, portanto em data anterior à prolação do acórdão pelo CARF (7/8/20). Nos termos do § 3º do art. 78 do Anexo II do RICARF: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. [...] § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de Fl. 594DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-010.899 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10265.806292/2021-72 origem para procedimentos de cobrança, tornando-se insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Nesse passo, havendo a recorrente desistido e renunciado ao direito, conforme documentação anexada, ou seja, quando ainda não existia o Acórdão ora embargado, torna-se imperioso concluir pela inexistência de lide. Fosse a informação sobre a existência do referido pedido de desistência ou inclusão dos débitos em parcelamento trazida aos autos, por qualquer das partes, antes do julgamento, o encaminhamento ali referendado pelo colegiado possivelmente seria outro. Consequentemente, necessário se torna a anulação do Acórdão prolatado por este colegiado, por ocorrência de evidente lapso manifesto, uma vez que não mais existia lide. Ante o exposto, voto por acolher os embargos inominados, com efeitos modificativos, para anular o Acórdão nº 2401-007.983 e NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto. Conclusão Ante o exposto, voto por acolher os embargos inominados, com efeitos modificativos, para anular o Acórdão nº 2401-007.983 e NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto. É como voto. (documento assinado digitalmente) Matheus Soares Leite Fl. 595DF CARF MF Original

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