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Numero do processo: 13876.000147/2003-01
Data da sessão: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Sep 15 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3803-000.013
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO DE
JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IPI- processos NT - ressarc/restituição/bnf_fiscal(ex.:taxi)
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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Recorrida DM-RIBEIRÃO PRETO/SP RESOLUÇÃO N. 3803-00.013 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da .3' Turma Especial da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator, Ç,,,...__ALEX , NDRE KERN 1;.er.) Pr6sidente e Relatar Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Ivan Allegretti, Hélcio Lafetá Reis, Daniel Mauricio Fedato e Carlos Henrique Martins de Lima. Relatório Inferteq Indústria e Comércio de Etiquetas Ltda, acima qualificado, formalizou pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, a ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. Em procedimento fiscal de verificação prévia do pleito, a Fiscalização constatou que o estabelecimento promovia a saída de seus produtos (etiquetas auto-adesivas de plástico) com a classificação fiscal TIPI 4911 99A0 Solicitação Indeferida. 2 (Outros impressos — 0%), quando o correto seria classificá-las na posição 3919.90,00 (15%). Conseqüentemente foi constituído o correspondente crédito tributário, mediante regular lançamento de oficio (objeto dos processos 10855.002690/2004-76, 10855.000135/2005-91 e 10855.000258/2005-21) e reconstituída a escrita fiscal do contribuinte, o que acabou por absorver o saldo credor de que o mesmo se julgava titular.. Diante disso, a autoridade competente para apreciar o presente pedido indeferiu o ressarcimento e não homologou as compensações declaradas, em razão da inexistência de crédito liquido e certo contra a SRF, também acrescentado que, mesmo na hipótese dos autos de infração serem julgados improcedentes, o pleito deveria ser indeferido porque o interessado não teria comprovado não ter repassado o encargo do tributo aos adquirentes, nos termos do artigo 166 do CTN, Sobreveio Manifestação de Inconformidade, julgada improcedente pela 2" Turma da DRI/RPO, fis. 1569 a 1584, em julgado que teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração • 01/07/2000 a 30/09/2000 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFICIO QUE ESGOTOU PARTE DO SALDO CREDOR DO IPI Comprovada a procedência do lançamento de oficio e inexistente saldo credor do IPI, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito contra a SRF IPI FA TO GERADOR SERVIÇOS DE COMPOSIÇÃO GRÀ FICA PERSONALIZADOS SÚMULAS 143 DO TER E 156 DO STI. INAPLICABILIDADE OS serviços de composição e impressão gráficas, personalizados, previstos no 8", § 1", do DL n" 406, de 1968, estão sujeitos à incidência do IPI e do ISS. IPI CLASSIFICAÇÃO FISCAL Etiquetas impressas, consistentes cai pelica/as de plástico auto- adesivas, aplicáveis à temperatura ambiente e por pressão mecânica, que não necessitam de umedecimento ou de adição de adesivo, classificam-se sob o código 3919.90.00, por fbrça da RGI n" I ERRO DE DIREITO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURIDICO. A adoção de critério jurídico confirme constante do ar! 146 do CIN, cito necessário para que possa ocorrer erro de direito, no que se refere à classificação fiscal, só ocorre quando ela (classificação) está devidamente estabelecido em legislação normativa especifica, processo de consulta ou no lançamento de ofício SOLICITAÇÃO DE PERICIA Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos, sendo que, mesmo as perícias requeridas regularmente podem ser indeferidas quando dos autos constem proms que, a juízo do julgador, .já sejam suficientes para decidir a questão Processo n" 13876.000147/2003-01 Resoluçiio n." 3803-01L013 S3-1E03 19 1 764 Vem agora o interessado, em sede de Recurso Voluntário (fls. 1589 a 1746), combater a decisão de primeira instância, articulando os seguintes argumentos: a) Em sede de preliminar: Nulidade do procedimento, por cerceamento do direito de defesa, em face do indeferimento de seu pedido de perícia; ii. Nulidade do procedimento, por carência de fundamentação, quanto a adoção da classificação fiscal pretendida, que decorre tão-somente de mera interpretação do agente fiscal autuante, referendada pela decisão recorrida, das regras interpretativas aplicáveis segundo a NBM e NSH; A suspensão da exigibilidade dos débitos lançados nos processos 10855,002690/2004-76, 10855.00135/2005-91 e 10855.000258/2005-21, a teor do art. 151, inc, 111 e V, da Lei n2 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional — CTN, conforme jurispudência que cita e transcreve; b) No mérito: A correta classificação fiscal adotado pelo recorrente para o produto que industrializa (etiquetas impressas em suporte fisico de material plástico, de policarbonato ou polipropileno) por encomenda do usuário final no código 4911,99.00 da TIPI, aliquota zero, conforme laudo técnico de perito especializado, cujo parecer conclusivo ' transcreve, e chancelada pelo Fisco, a teor da Decisão SRRF/7" RF IV 12, de 19 de janeiro de 1998, que, como prática reiterada da administração Tributária, já se configuraria norma complementar da legislação tributária; A impossibilidade de revisão do lançamento do imposto nas notas fiscais, promovido pelo contribuinte, por erro de direito, em hipótese que não se subsume a qualquer das alternativas contidas no art. 149 do CTN (cita e transcreve doutrina de Rubens Gomes de Sousa, Gilberto Ulhôa Canto, Amílcar de Araújo Falcão, Ruy Barbosa Nogueira, Giuliani Fonrouge, Túlio Ascarelli), invocando ainda o art, 146 do CTN A ofensa do princípio da isonomia, conforme doutrina de Luciano Amaro, na medida cai que estaria a sofrer tratamento desigual do dado a outras pessoas . jurídicas do mesmo ramo; A não incidência do IP1 sobre os produtos que industrializa, que submetem-se, exclusivamente, à tributação pelo ISS, conforme jurisprudência que cita e transcreve; 3 v. A equiparação de sua atividade fabril à de um parque gráfico, diferenciando-se apenas quanto ao suporte material da impressão. Repetindo o pedido de perícia (nomeando e qualificando o perito e formulando quesitos), pede acolhimento para seu recurso, para o fim de ser processada e acatada a compensação pleiteada. O processo então subiu ao antigo 3° Conselho de Contribuintes para julgamento.. Entretanto, a colenda 2" Câmara declinou a competência para o julgamento ao 2" Conselho de Contribuintes, em julgado que teve a seguinte ementa (Acórdão n2 302-39.488, de 21 de maio de 2008, fls. 1754 a 1758): Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPÍ Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes para o julgamento dos processos que tratam de imposto sobre produtos. industrializados - IPL exceto IPI cujo lançamento decorra de classificação de mercadorias e IPI nos' casos de importação. Recurso não conhecido por declínio de competência em .favor do Segundo Conselho de Contribuintes DECLINADA A COMPETÊNCIA. É o Relatório. Voto Conselheiro ALEXANDRE KERN, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de lis, 1589 a 1644 merece ser conhecida corno recurso voluntário contra o Acórdão DRI-RPO n2 14-1 3 664, de 14 de setembro de 2006, fis. 1569 a 1584 Toca verificar se, nos termos do art. 170 do CTN, o recorrente dispõe de saldo credor, liquido e certo, de IPI, ressarcivel e portanto oponível em compensação aos débitos confessados. Trata-se de questões discutidas nos autos dos processos 10855.002690/2004-76, 10855.00135/2005-91 e 108,55.000258/2005-21. Compulsando o sítio do Conselho de Contribuintes na INTERNET (http ://www..conselhos.fazendasov,bridomino/Conselhos/SinconWeb.nsf/webPesquisa?OpenA gent&Query-10855 ,002690/2004-7684Position=l&Tipo=Processo&Conselho—Terceiro), utilizado como critério de pesquisa o número do processo, constato que os três processo5já foram objeto de deliberação pelo antigo 3" Conselho de Contribuintes, acórdãos ri 2 301-34..380, 303-35.170 e 303-35,064. O primeiro deles julgou a questão relacionada com a classificação fiscal e declinou a competência para o 2" CC para a apreciação da matéria relacionada com a incidência cio [PI nas operações de fabricação por encomenda de etiquetas auto-adesivas. Os outros dois acórdãos, liminarmente, declinaram a competência para o julgamento para o 2" CC. Não há dúvida, o deslinde das controvérsias sobre tais matérias é questão prejudicial, razão pelo qual voto por que se converta o presente julgamento em diligência, baixando-se o processo à origem, para que lá se adotem as seguintes providências: 4 NDRE KERNAL,EX Processo n" 1.3876 000147/2003-01 S3-TE03 Resoluç5o n " 3803-00,013 F I . 1. 765 a) Aguarde-se a decisão definitiva a ser proferida nos processos 10855„002690/2004-76, 10855.00135/2005-91 e 10855.000258/2005-21; b) À luz dessas decisões, certifique-se o saldo credor disponível para ressarcimento mediante compensação com o(s) débito(s), objeto da(s) declaração(ões) de compensação do presente processo, em parecer conclusivo, e; c) Devolva-se o processo a este Conselho, para julgamento do recurso voluntário, 5
score : 1.0
Numero do processo: 36202.003089/2007-11
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1999
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SALÁRIO INDIRETO - SEGURO DE VIDA EM GRUPO - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF N° 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n ° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário".
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/1997 a 11/1999, com a cientificação da NFLD ocorrida em 04/07/2006, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4°, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2403-000.038
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para conhecer a decadência total por qualquer critério previsto no CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/1999 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO - SALÁRIO INDIRETO - SEGURO DE VIDA EM GRUPO - PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF N° 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n ° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/1997 a 11/1999, com a cientificação da NFLD ocorrida em 04/07/2006, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4°, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
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decisao_txt : ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para conhecer a decadência total por qualquer critério previsto no CTN.
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n ° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes terrnos:"São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 01/1997 a 11/1999, com a cientificação da NFLD ocorrida em 04/07/2006, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4°, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Lla Câmara / 3' Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para conhecer a decadência total por qualquer critério previsto no CTN. A40010"-- CARLOS ALBERTO EES STRINGARI - Presidente Orirma vvi PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO — Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio De Souza, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa (Convocado) e Ewan Teles Aguiar (Convocado). 2 - Z./7 Processo n° 36202.003089/2007-11 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.038 Fl. 201 Relatório Trata-se de recurso voluntário, às fls. 170 a 192, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro II, DRJ / RJ II, fls. 153 a 165, que julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito exigido na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n° 37.102.803-5 correspondente a contribuições devidas à Seguridade Social nas competências 01/1997 a 11/1999, em virtude do não recolhimento, por parte da empresa, de contribuições devidas à Seguridade Social, a cargo dos segurados empregados, a parte patronal e as destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC E SEBRAE), incidentes sobre a remuneração indireta paga, devida ou creditada, a título de seguro de vida em grupo, concedidos a todos seus segurados. A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito - NFLD n° 37.102.803-5, de 06.06.2007, foi formalizada com contribuições sociais no montante de R$ 22.985,12 (vinte e dois mil reais e novecentos e oitenta e cinco reais e doze centavos), consolidado em 05.06.2007_ O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, fls. 34, foi de janeiro/1997 a novembro/2006. O Relatório Fiscal se encontra às fls. 43 a 46. Constata-se pela Auditoria-Fiscal que a empresa já fornecia seguro de vida para seus segurados e não lançava este valor como remuneração, no período de 01/1997 a 11/1999, o que ensejou a lavratura da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD no estabelecimento matriz tendo em vista a recusa da empresa em apresentar os valores discriminados por estabelecimento. Os Fatos Geradores (base de cálculo e alíquotas) da notificação foram discriminados no Relatório de Lançamentos — RL, através dos seguintes levantamentos: - SV1 - período anterior à implantação da GFIP — período de 01/1997 a 12/1998; - SVG - período posterior à implantação da GFIP, para fatos geradores NÃO informados em GFIP - período 01/1999 à 11/1999. A fiscalização ressalta ainda que: a) foi lavrado o AI DEBCAD 37.102.809-4 para o levantamento SVG — Fatos geradores não informados em GF1P e o Al DEBCAD 37.102.807-8 pela não inclusão em folha de pagamento dos fatos geradores correspondentes aos lançamentos SVG; b) Os valores relativos a SAT/GILRAT foram lançados na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD DEBCAD n° 37.102.804-3, tendo em vista que foram objetos de ação (4\---- 3 judicial, já transitada em julgado, a favor da Receita Federal do Brasil –RFB. c) fará Representação Fiscal para Fins Penais, a fim de comunicar a ocorrência de ilícito penal, consubstanciada na prática de omissão de remunerações pagas e sonegação de contribuição previclenciária. Como não houve desconto do segurado, não houve prática de apropriação indébita. Em 16/05/2007 foi dada ciência à recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 34 a 36. Em 06/06/2007 foi dada ciência à recorrente do lançamento, fls. 01. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação tempestiva, contestando o débito em sua totalidade, às fls. 114 a 149. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente o lançamento, fls. 153 a 165. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, fls. 170 a 192, onde alega, em síntese, que: Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD n°. 37.102.803-5 que versa acerca de pretenso débito relativo ao não pagamento das contribuições sociais dos segurados empregados e contribuintes individuais destinadas à Seguridade Social devidas pelo empregador — contribuição social da parte patronal. A NFLD ainda aponta débito relativo ao ntio pagamento e/ou pagamento a menor das contribuições devidas a Terceiros (Salário Educação, INCRA, SESI, SENAI, SEBRAE). As autuações dizem respeito ao período de 04/1997 a 11/1999. A Recorrente impugnou por completo a Notificação Fiscal em comento, levantando uma série de vícios que vão desde a decadência do direito de a Recorrida constituir o crédito tributário, até ilegalidades e inconstitucionalidades que maculam o suposto crédito ora rechaçado, tornando-o inapto a surtir efeitos jurídicos. Em relação ao que tange às inconstitucionalidades e ilegalidades existentes na NFLD lavrada, a 6' Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro II — DRPRJOII — absteve-se de julgar tais questões, sob o argumento de que tal mister compete única e exclusivamente ao Poder Judiciário. Colaciona doutrina e jurisprudência a fim corroborar seu entendimento. Em relação à decadência do direito de lançamento nos exercícios fiscais de 1997 a 1999, colaciona doutrina e jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ a fim de afastar a noinia insculpida no art. 45, Lei 8.212/1991 e aplicar os institutos do Código Tributário Nacional – CTN. Aduz acerca da impossibilidade de inclusão na base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de seguro de vida. Estas verbas não têm natureza salarial e por isso não podem integrar a base de cálculo de contribuições previdenciárias; Argumenta pela inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação ordinária para exigir a contribuição do SESC, SENAC e SEBRAE, posto ser necessário a edição de Lei 4 Processo n° 36202.003089/2007-11 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.038 Fl. 202 Complementar. Como até o momento não existe qualquer Lei Complementar disciplinando estas contribuições, a exigência delas é inconstitucional. Em relação à contribuição do INCRA, esta só pode ser exigida das empresas rurais, sendo inconstitucional a exigência de empresas urbanas, caso em questão. A contribuição para o INCRA foi extinta pela Lei 7.787/89 ou Lei 8.212/91, ou seja, em período anterior ao apurado nesta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD. Assim, sua exigência é ilegal. Em relação à contribuição do Salário Educação instituída pelo Decreto-Lei n° 1.422, este normativo legal não pode ser equiparado a Lei Complementar, portanto não foi recepcionado pela Constituição da Federação de 1988; Em relação às multas aplicadas, estas têm natureza confiscatória, atentando também contra os princípios constitucionais de moralidade, da proporcionalidade e razoabilidade. Em relação aos juros equivalentes à Taxa SELIC, aduz pelo vício de ilegalidade e inconstitucionalidade da utilização da Taxa SELIC como juros moratórios ao (munas com normatização de hierarquia superior (CTN, art. 161, § 1°), além de violar os Princípios Constitucionais Legalidade, Anterioridade, Indelegabilidade Nizo-Confisco (CF/88, arts. 48, inciso 1, e150, incisos I, III, alínea b, e IV). Por fim, requer pede a reforma do Acórdão prolatado pela 6" Turma da DRJ/RJII, devendo ser cancelada a exigência fiscal, ou pelo menos reduzido o seu montante, bem como excluídas as multas e os juros aplicados. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 199. É o relatório. C-17111 5 Voto Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme infoimação à fl. 199. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Preliminarmente, deve-se verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal - STF, conforme o Informativo STF n° 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos tennos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários n's 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n° 8.212/91, atribuindo-se, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante n° 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante n° 8 - São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5 0 do Decreto-lei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção I, 19.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103-A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional n° 45/2004. in verbis: "Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. sç 1°A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2° Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser 6 Processo n° 36202.003089/2007-11 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.038 Fl. 203 provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3" Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgando-a procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, conclui-se que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64-B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. "Art. 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciência à autoridade prolatora e ao órgão • competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras deci.Sões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal" Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF no 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: -Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob • fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II - que fundamente crédito tributário objeto de: .7/ rr-/ a) dispensa legal de constituição ou de ato declarató rio do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n°10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do Advogado-Geral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)" Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional - CTN. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4°, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g. n.)" Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplica-se o disposto no § 4 0 , do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ssç 1' - O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. - § 2" Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. •.\\ 8 - /À Processo n° 36202.003089/2007-11 S2-C4T3 Acórdão n.° 2403-00.038 Fl. 204 § 3° - Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4°- Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n)" Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. "Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador. Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, 1, do Código Tributário Nacional." (STJ.1" Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n) "Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN). Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, 1, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipkese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicando-se a regra do art. 173, 1, do CTN." (STJ. 2" Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08) . (g.n) "Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4°, e 173, 1, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (..) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova defraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN.." (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1' Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n) Portanto, para que possa identificar o dispositivo legal a ser aplicado - seja o art. 173, I, do CTN ou seja o art. 150, § 4°, do CTN — deve-se identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim se pode declarar os efeitos da decadência no lançamento. Verifica-se, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela recorrente se deu em 06.06.2007 e o débito correspondente a contribuições devidas à Seguridade Social nas competências 01/1997 a 11/1999, em virtude do não recolhimento, por parte da empresa, ,)•—• 9 de contribuições devidas à Seguridade Social, a cargo dos segurados empregados, a parte patronal e as destinadas a terceiros (Salário Educação, INCRA, SESC, SENAC E SEBRAE), incidentes sobre a remuneração indireta paga, devida ou creditada, a titulo de seguro de vida em grupo, concedidos a todos seus segurados. Dessa foinia, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4°, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. - CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do recurso para dar provimento ao recurso para conhecer a decadência total por qualquer critério previsto no CTN. É como voto. Sala das Sessões, e 29 de abril de 2010 PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO - Relator o , MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO Processo n°: 36202.003089/2007-11 Recurso n°: 158.407. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2403-00.038 Brasília, 09 de julho de 2010 L. ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: { } Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração - Data da ciência: / / Procurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10880.690697/2009-39
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3802-000.085
Decisão: RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, preliminarmente, por maioria, não declarar a nulidade do despacho decisório. Vencido, neste ponto, o Conselheiro Solon Sehn (relator). Fará declaração dos fundamentos vencedores o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para análise dos créditos pleiteados, intimando- se o contribuinte para juntada de provas e, ao fim, para manifestação após a conclusão da análise pela unidade de origem.
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, preliminarmente, por maioria, não declarar a nulidade do despacho decisório. Vencido, neste ponto, o Conselheiro Solon Sehn (relator). Fará declaração dos fundamentos vencedores o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por unanimidade, converter o julgamento em diligência à unidade de origem para análise dos créditos pleiteados, intimando se o contribuinte para juntada de provas e, ao fim, para manifestação após a conclusão da análise pela unidade de origem. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento – Redator Designado Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral, o Dr. Murilo Marco, OAB/SP nº 238.689. Relatório Fl. 170DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15074.FYKT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.690697/200939 Resolução n.º 3802000.085 S3TE02 Fl. 158 2 Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentado nos fundamentos resumidos na ementa seguinte: [...] DCTF. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. DÉBITO DECLARADO. Não se admite a existência de indébito tributário quando o valor recolhido encontrarse totalmente utilizado para pagamento de tributo informado em declaração que constitui confissão de dívida e não houver provas quanto a eventual erro material contido na declaração. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. Aplicamse as regras processuais previstas no Decreto nº 70.235, de 1972, à manifestação de inconformidade, a qual deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentam os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. A simples apresentação de DCTF retificadora, desacompanhada de documentos que a embasem, não pode ser aceita para cancelar o despacho decisório realizado com base na DCTF originária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O PER/Dcomp foi transmitida sem a retificação da Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente. O pagamento, porém, devido ao não processamento da retificação de declaração, continuou atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. A Recorrente, nas razões de fls. 49 e ss., sustenta a inexistência de indébito tributário, porquanto a Dctf retificadora, apesar de seu processamento ter ocorrido após o despacho decisório, substitui a retificada, nos termos da IN SRF nº 903/2008. Aduz que, diante da retificação espontânea e tempestiva, não cabe a exigência de prova do crédito. Todavia, ainda assim, apresenta as provas documentais que entende suficientes para essa finalidade, requerendo o provimento do recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn, Relator O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 24/06/2011 (fls. 48), interpondo recurso tempestivo em 22/07/2011 (fls. 49). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. A Recorrente, consoante destacado, transmitiu o PER/Dcomp e promoveu a retificação da Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) do período correspondente. O pagamento, porém, devido ao não processamento da retificação, continuou atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação, consoante passagem seguinte do despacho decisório: Fl. 171DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15074.FYKT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.690697/200939 Resolução n.º 3802000.085 S3TE02 Fl. 159 3 “3 FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL [...] A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP.” Do exame dos autos, verificase que o Recorrente promoveu a retificação da Dctf em 28/04/2009 (fls. 41 e 44), ou seja, antes do despacho decisório (de 23/10/2009) e da própria transmissão do PER/Dcomp (ocorrida em 30/04/2009, cf. fls. 02). O débito compensando, assim, foi desvinculado do Darf pago em 14/11/2006 (fls. 27). A compensação, entretanto, não foi homologada porque, por ocasião do despacho decisório, ainda não havia sido processada a retificação, prejudicando a sua identificação no sistema de controle. A DRJ, por sua vez, entendeu que a retificação da DCTF, para ser acolhida, deveria ser acompanhada de cópia da escrituração contábil e demonstrações financeiras, firmadas e regularmente levadas a registro no órgão competente, à época dos fatos. Assim não entendo. No caso, tendo em vista que a retificação da DCTF foi realizada previamente a apresentação da DComp e que na data da prolação do Despacho Decisório guerreado o valor do débito já havia sido retificado, a meu ver, o citado Despacho deve ser anulado, para que outro seja proferido em boa devida forma, levando em conta os dados da respectiva DCTF retificadora. Isso porque, consoante disposto na Instrução Normativa RFB nº 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente ao tempo da apresentação da Dctf: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. Entretanto, vencido na preliminar de nulidade, com fundamento no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), devido as particularidades do caso concreto, voto pela CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, devendo os autos retornarem à Unidade da Receita Federal de origem, para que seja analisada a documentação contábil e fiscal colacionada aos autos e emitido parecer sobre a comprovação do direito creditório compensado. Em seguida, seja cientificada a recorrente, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestese sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a esta 2ª Turma Especial, para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Declaração de Voto Fl. 172DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15074.FYKT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10880.690697/200939 Resolução n.º 3802000.085 S3TE02 Fl. 160 4 Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Com a devida vênia ao entendimento esposado pelo nobre Conselheiro Relator, entendo que o Despacho Decisório colacionado aos autos não apresenta nenhum vício insanável que possa conspurcar a sua legalidade. No presente caso, embora a retificação da DCTF tenha ocorrido antes da transmissão da DComp e previamente a emissão do Despacho Decisório, por ausência de previsão legal, tais circunstâncias não constituem hipóteses de nulidade da citada Decisão. No âmbito do processo administrativo fiscal, nos termos do inciso II do art. 59 do PAF, somente as decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, são passíveis de nulidade, o que não se vislumbra no presente caso. Nesse sentido, em consonância com o disposto no art. 60 do PAF, as irregularidades, incorreções e omissões diferentes dos vícios de autoridade incompetente ou preterição do direito defesa não importarão em nulidade, porém, se resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, tais irregularidades devem ser sanadas. No caso em tela, a ausência de informação quanto a retificação prévia da DCTF e a falta de pronunciamento da autoridade fiscal acerca do mérito da redução do valor do débito, originariamente declarada, obviamente, resultou em prejuízo à recorrente, logo, para sanar tal irregularidade, a meu ver, os autos devem retornar à Unidade da Receita Federal de origem, para que autoridade fiscal analise a documentação colacionada aos autos e emita parecer acerca da redução do valor do débito original. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento – Redator Designado Fl. 173DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP03.0221.15074.FYKT. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por SOLON SEHN em 21/03/2013 18:28:12. Documento autenticado digitalmente por SOLON SEHN em 28/03/2013. Documento assinado digitalmente por: REGIS XAVIER HOLANDA em 03/06/2013, JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO em 06/04/2013 e SOLON SEHN em 28/03/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 03/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP03.0221.15074.FYKT Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 9F102AD347F6F964D798D5CBE3F76104E6F2B9FE Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10880.690697/2009-39. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10845.005597/93-09
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Classificação de Mercadorias
Ano-calendário: 1993
Ementa: PAF — Para o conhecimento dos Embargos de Declaração devem estar devidamente caracterizadas as ocorrências de obscuridade, omissão ou contradição.
EMBARGOS REJEITADOS
Numero da decisão: 301-34.009
Decisão: ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de
Declaração, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: SUSY GOMES HOFFMANN
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EMBARGOS REJEITADOS Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da PRIMEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto da Relatora. or\ OTACILIO DANTA • ARTAXO - Presidente % •' SUSY G me, 4 MANN — Relatora Processo n.° 10845.005597/93-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.009 Fls. 122 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Maria Regina Godinho de Carvalho (Suplente), Patricia Wanderkoke Gonçalves (Suplente), Luis Alberto Pinheiro Gomes e Alcoforado (Suplente), Irene Souza da Trindade Torres e João Luiz Fregonazzi. Ausentes os Conselheiros Luiz Roberto Domingo e José Luiz Novo Rossari. Esteve presente a Procuradora da Fazenda Nacional Diana Bastos Azevedo de Almeida Rosa. • • ' Processo n.° 10845.005597/93-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.009 Fls. 123 Relatório A Fazenda Nacional, com base no então vigente art. 27 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, ofereceu embargos de declaração, a fim de que sejam supridas as obscuridades e omissões apontadas, relativamente ao Acórdão acima indicado, da sessão de 06/07/2005. Diz a ementa do acórdão ora embargado: "CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA O produto químico "Preparação química à base de Trimetilo 3,9 Dietilo Decano", cujo nome comercial é "R-TEMP", sendo uma preparação refrigerante dielétrica à base de trimetil 3,9 dietil decano, corresponde ao descrito no "Ex" 001 da Posição 3823.90.0399, da • TAB (NBM-SH). RECURSO PROVIDO." Alega a Fazenda Nacional que a omissão e a obscuridade se dão pelo fato de que o laudo LABANA, específico para o caso concreto, foi posto de lado e que houve a certificação do erro perpetrado no exame do pedido de abertura de "Ex" tarifário, através da informação técnica n". 002/94. Aduz ainda, que em todas as abordagens técnicas ficou constatado que a substância se constitui numa mistura e não numa preparação. Ademais, alega que o relator do v.acórdão apegou-se a um único fraseado que utiliza a expressão preparação, obscurecendo o acórdão ora embargado e contrariando as conclusões da perícia. Por fim, esclarece que o pedido de novo laudo teria a importância como eventual fato modificativo ou extintivo da autuação fiscal. Entretanto, não foi realizado por • culpa do autuado. A embargante requer, ao final, sejam conhecidos e providos os embargos, a fim de declarar a nulidade da decisão proferida por esta Câmara ou sanar a omissão e a obscuridade apontadas, com efeitos infringentes. No Despacho 301-116.802, de 09/05/07 (fl.120), o Presidente desta Câmara determinou o encaminhamento dos autos a esta conselheira, para exame e inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. • Processo n.° 10845.005597/93-09 CCO3/C01 Acórdão n.° 301-34.009 Fls. 124 Voto Conselheira Susy Gomes Hoffrnann, Relatora Conforme disposto no novo Regimento dos Conselhos de Contribuintes os Embargos de Declaração poderão ser opostos nos seguintes casos: "Art. 57. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciar-se a Câmara. § 1" Os embargos de declaração poderão ser interpostos por Conselheiro da Câmara, pelo Procurador da Fazenda Nacional, por Presidente da Turma de Julgamento de primeira instância, pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da execução do acórdão ou pelo 410 recorrente, mediante petição fundamentada, dirigida ao Presidente da Câmara, no prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão". No v.acórdão ora embargado, verifica-se que não houve contradição, omissão ou obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, conforme demonstração que se segue. Foi esclarecido no voto do Nobre Relator que diante da contrariedade do Laudo n°. 697/93 do Laboratório de Análise da DRF/Santos, complementado pela Informação Técnica n°. 002/94 e do Parecer CST (NMB) n°. 1310/83, foi proferida decisão apreciando-se os demais elementos trazidos aos autos. Assim sendo, utilizou-se dos documentos de fls. 23/26 para embasar a sua decisão. Tais documentos informam que a Recorrente, em 31/01/1990, pleiteou junto à Comissão de Política Aduaneira do Ministério da Fazenda, a criação de um destaque "ex" no código tarifário 3823.90.0399. Em 17/09/90 foi publicada no DOU a Portaria do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento n°. 549, que abriu um "ex" para o produto preparação refrigerante dielétrica à base de trimetilo 3,9 dietil decano e alterou a sua alíquota ad valorem para 0% (zero por cento), cujo • código ali indicado foi retificado em publicação posterior do DOU para 3823.90.0399. Portanto, não se vislumbra a ocorrência de contradição ou de omissão no V. Acórdão prolatado, visto que a Embargante pretende discutir novamente o mérito, posto que ataca o fundamento do voto, o que não é cabível em sede de Embargos de Declaração. Diante do exposto, por não vislumbrar a ocorrência de omissão e obscuridade, voto para NÃO CONHECER os Embargos de Declaração interpostos pela Fazenda Nacional, mantendo-se o acórdão ora embargado. É COMO voto. Sala das Sessões, em 11 de setembro de 2007 • SU M 41 FF • - Relatora
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Numero do processo: 10680.015794/2004-90
Turma: Sétima Turma Especial
Câmara: Sétima Câmara
Seção: Primeiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue May 26 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue May 26 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1804-000.002
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10680.015794/2004-90 Recurso n° 158.867 Resolução n° 1804-00.002 — C Turma Especial Sessão de 26 de maio de 2009 . Matéria IRPJ e OUTRO - Ex.: 2001 Recorrente BIG STOK LTDA Recorrida C TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do r-lat e 440,/ O MAR Wr ICIUS NEDER DE LIMA - Presidente _ aí- IA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA — Relatorir . DITADO EM: i 9 MAR 2 O IP Participaram, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Leonardo Lobo de Almeida e Selene Ferreira de Moraes. i Processo no 10680.015794/2004-90 SI-TE04 Erro! A origem da referência aio foi encontrada. n.° 1804-00.002 Fl. 3 A Contribuinte tomou conhecimento do teor da decisão prolatada em sede de julgamento de primeiro grau administrativo no dia 22 de março de 2007 (fls. 435). Não concordando com a decisão proferida em primeiro grau administrativo, apresentou a ora Recorrente, tempestivamente, Recurso Voluntário (fls. 440/450), instruído com documentos (fls. 451/452), requerendo que o Auto de Infração subjacente fosse anulado, por não se enquadrar às normas que o regulamentam. Alegou em síntese que houve, durante todo o curso do feito administrativo, efetiva comprovação de que as operações comerciais que supostamente geraram os créditos tributários perseguidos pelo Fisco ocorreram não podendo ser assim motivo para a manutenção da autuação guerreada É o relatório. VOTO • Conselheira LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA - Relatora A Recorrente declarante pelo lucro real no ano-calendário de 1999 contabilizou custos referentes a mercadorias adquiridas para revenda. Conforme relatório da perícia judicial de folhas 401 e seguintes, os livros de registro de entrada de estoque, os livros contábeis e os livros de ICMS da Recorrente registram, efetivamente, com data e valor, a entrada das mercadorias compradas que têm relação com o objeto social da empresa. Assim também não há, na visão da perita, qualquer indício de falsidade ou irregularidade da nota fiscal de compra. Então essas evidências consumadas pela perícia judicial são indícios de que a compra de mercadorias para revenda existiu. Por outro lado, a base de cálculo do Imposto de Renda — IRPJ - e da Contribuição Social — CSLL - é o lucro, ajustado nos termos da legislação em vigor. No caso de mercadorias adquiridas para revenda, como é este o caso, as regras contábeis dispostas na Lei 6.404/76 e regulamentadas pelos Conselhos competentes determinam que o custo das mercadorias adquiridas deve incrementar o estoque da Recorrente. A Recorrente deve apurar o respectivo custo de aquisição de acordo com os critérios geralmente aceitos (para fins fiscais, constantes dos artigos 289 do Decreto 3.000/99 — RIR199, arts. 293, 295 e 296 do RIR/99) e registrar as mercadorias por esse custo em seu ativo contábil. No momento em que é feita a venda com a transferência da mercadoria, a Recorrente deve registrar a receita de venda e lançar em resultado o custo de aquisição da mercadoria revendida (artigo 279 do RIR/99. A esse respeito vide também Parecer Normativo CST 73/73). Essas normas, por serem contábeis, aplicam-se ao IRPJ e por reflexo à CSLL, tal que, neste caso, a base de cálculo, tanto do imposto de renda quanto da contribuição social, é apenas o lucro da venda, pela comparação entre o preço de venda e o custo de compra. A base de cálculo dos tributos federais não é o custo da mercadoria. Por outro lado, o custo da mercadoria só é dedutível quando a mercadoria é vendida, devendo, até esse momento, ser mantido no estoque da empresa comercial, sem circular por lucros e perdas e, portanto, sem afetar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Só haveria assim duas hipóteses em que o valor do custo da mercadoria adquirida poderia ser considerado base de cálculo para tributação do IRPJ e CSLL. 3 Processo n° 10680.015794/2004-90 Si-TEM Erro! A origem da referência do foi encontrada. n.° 1804-00.002 Fl. 4 A — Quando, mesmo não vendida a mercadoria, o correspondente custo tiver sido alocado ao resultado contábil como despesa e assim reduzido o lucro real, hipótese portanto não aplicável à empresa que apura tributo pelo lucro presumido. B — Quando a compra da mercadoria não tiver sido escriturada pela contribuinte em seu livro de registro de caixa, diário, razão contábil, livro de registro e controle de estoques, livro de entrada de ICMS, enfim, em sua escrita contábil e fiscal. Nesse caso, também só se poderá considerar omissão de receita se ficar comprovado que, mediante a venda da mercadoria comprada, a correspondente receita não foi oferecida à tributação. I° Conselho de Contribuintes / 3a. Câmara / ACÓRDÃO 103-17.559 em 09.071996 OMISSÃO DE COMPRAS - O fato de ter ocorrido omissão de compra por si só, não autoriza como conseqüência lógica e imediata, haver a pessoa jurídica desviado, do seu giro normal, receitas operacionais, ainda mais quando a focaliza cão não evidenciar que o resultado das vendas dos produtos cujos custos não foram contabilizados deixou de ser oferecido à tributação. Isso porque, se não registrada a compra, haveria forte indicio de que foi feita com recursos que não constavam da contabilidade da empresa e, por isso com recursos que não foram declarados à autoridade, cabendo então presumir a omissão de receita. A omissão da receita ficaria prejudicada se, quando a mercadoria fosse vendida, a contribuinte registrasse e tributasse a correspondente receita, aí incluído tanto o valor da margem comercial como o valor do custo da mercadoria vendida. Dessa equação restrita conclui-se: para que a autoridade fiscal pudesse glosar a dedução do custo da mercadoria comprada no lucro da Recorrente, teria que comprovar que a mercadoria objeto de compra não entrou no registro contábil de entradas da contribuinte, conforme evidências — isolada ou cumulativamente — dos livros descritos no item B, acima. Ocorre que, neste caso, a perícia judicial identificou que foram registradas as entradas de mercadoria na contabilidade da empresa. A contabilidade por sua vez deu margem à apuração do &PI e da CSLL Se a compra foi registrada, usou recursos financeiros também registrados. Isso porque a contabilidade segue partidas dobradas: o que entra no estoque sai do caixa, caixa e estoque registrados na contabilidade Assim, se a base de IRPJ e CSLL da contribuinte estiver coerente com sua contabilidade e se nessa contabilidade estiverem efetivamente registradas as compras, esses fatos devem ser considerados na avaliação deste lançamento para evitar dupla tributação dos mesmos recursos. Diante dos fatos constatados portanto no laudo pericial acostado a este processo, surge a necessidade de confirmar a realidade dos fatos. Para isso, resolvo converter o julgamento em diligência para que o processo seja encaminhado à autoridade fiscal preparadora com vistas a executar, por favor, as seguintes providências. 1 — Intimar a contribuinte especificamente, relacionando as Notas Fiscais em comento, os respectivos números, datas, valores e a quantidade de mercadorias compradas com a correspondente qualificação, para que a contribuinte possa, a respeito dessas notas fiscais e do período de apuração de IRPJ e CSLL, findo em 31/12/1999, comprovar o efetivo registro Processo oG 10680.015794/2004-90 SI-TE04 Erro! A origem da referência não foi encontrada. ri.° 1804-00.002 Fi. 5 contábil das compras realizadas pelas Notas Fiscais, ' nas respectivas datas e pelos correspondentes valores, mediante a apresentação: li, do balancete contábil relacionado ao período findo em 31/12/1999, conforme escriturado e adotado para cálculo do IRPJ e da CSLL, acompanhado 1.1.1 da demonstração adicional do saldo da conta de disponibilidade a crédito da qual foram pagas as notas fiscais em 31/12/1999, conforme Livro de Registro de Caixa ou Razão Contábil; 1.1.2. se o registro a crédito relativo à compra das mercadorias foi feito em outra conta que não disponibilidade, apresentar o lançamento contábil correspondente, a explicação da forma de pagamento e o saldo da conta contábil correspondente em 31/12/1999, pelo Livro Razão e 1.1.3. da demonstração adicional do saldo do estoque a débito do qual foram registradas as compras de mercadorias em 31/12/1999, conforme Livro de Registro de Inventário e Estoque ou Razão Contábil, com o suporte de abertura analítica por nota fiscal, data e valor se necessário para comprovar que nesse saldo estão as mercadorias em discussão neste processo; 1.2. do lançamento correspondente às notas fiscais de compra feito no livro diário ou 1.3. do lançamento correspondente às notas fiscais de compra feito no livro razão da conta de disponibilidade (ou outra conta a crédito da qual foi registrada a compra das mercadorias) e da conta de estoque ou 1.4. do correspondente lançamento a crédito no livro caixa, com data e valor coincidente com a data e valor das Nota Fiscal e com a conciliação do saldo final do caixa no mês com o saldo final constante da contabilidade da contribuinte; A documentação 1.1. e 1.2. ou 1.3. ou 1.4. deve vir acompanhada 1.5. do comprovante de entrada de estoque, que pode ser considerado, 1.5.1. caso a empresa possua registro contábil de inventário de estoque, o registro de inventário demonstrando a entrada das mercadorias no estoque com a conciliação, no final do mês, do estoque do livro de inventário com o estoque conforme contabilidade (ativo do balancete) da empresa; ou 1.5.2. registro de entrada de estoque no livro de apuração do ICMS, no mês correspondente à compra das mercadorias, devidamente conciliado o movimento de entrada do livro de ICMS com o movimento de entrada de estoque da contabilidade da contribuinte (ativo do balancete ou movimento do razão contábil) naquele mês (o movimento de estoque é a entrada menos a saída, pedimos para conciliar a entrada do ICMS com a entrada do estoque, conforme destacada no livro razão ou balancete contábil, sem levar em Conta as saídas). +4fr 5 Processo n° 10680.01579412004-90 S1-TE04 Erro! A origem da referéneht não foi encontrada. n.° 1804-00.002 Fl. 6 As comprovações de 1.1., 1.2., 1.3., 1.4. e 1.5, quando apresentadas, devem individualizar os lançamentos de cada nota fiscal ou então o lançamento global deve ser suportado por conciliação em suporte analítico, considerando a data e valor correspondente das notas fiscais então lançadas. No caso do item 1.5, a quantidade de mercadorias envolvida também deve estar destacada de alguma maneira (registros de estoque ou auxiliares). 1.6. e de outros documentos que a contribuinte desejar apresentar para comprovar a escrituração contábil da compra, dos estoques correspondentes e dos recursos que foram utilizados para a compra das mercadorias evidenciadas neste processo. 2 — Verificar se as compras discutidas neste processo e consumadas pelas Notas Fiscais neste processo identificadas foram registradas no ativo da empresa a débito de estoques e a crédito de disponibilidade (caixa, conta bancaria, etc.). O registro pode ser comprovado pelos documentos 1.2. ou 1.3. ou 1.4, somado ao documento 1.5.1. ou 1.5.2. ou por outros documentos disponíveis à administração ou apresentados pela contribuinte. 3 — Com base nos documentos apresentados pela contribuinte, avaliar o saldo da disponibilidade em 31/12/1999, a cujo crédito foi efetuado o pagamento das notas fiscais, saldo esse constante: do Livro de Registro de Caixa em 31/12/1999 e/ou do Livro Razão em 31/12/1999; e avaliar se esse saldo confere com o saldo do ativo constante do balancete da empresa que foi base para apuração do IRPI e CSLL devidos no correspondente período de apuração. 4 — Avaliar o saldo do estoque de mercadorias, a cujo débito foi registrada a compra das mercadorias pelas notas fiscais indigitadas, constante: do Registro de Inventário e Estoques e/ou do Livro Razão em 31/12/1999; e avaliar se esse saldo confere com o saldo do ativo constante do balancete da empresa que foi base para apuração do IRPJ e CSLL devidos no correspondente período de apuração. 5 - Confrontar o total de receitas e o lucro constante desse balancete com o total de receitas e lucro declarado à autoridade e com base no qual foi apurado o IRPJ e CSLL. Demonstrar a convergência ou a diferença entre essas duas informações contábil e fiscal. 6 — Com base nas verificações dos itens 2 a 5, responder as seguintes perguntas, justificando adequadamente as respostas nos documentos analisados: 6.1. — A compra das mercadorias pelas notas fiscais em discussão neste processo foi devidamente registrada na contabilidade da contribuinte ? Em outras palavras, essas mercadorias incrementaram o estoque contábil da contribuinte e tiveram partida dobrada em conta de ativo (ou passivo) também registrada na contabilidade da empresa? 6.2. — O balancete contábil que foi fechado pela contribuinte já contemplando os registros da compra do estoque foi utilizado pela empresa para calcular o IRPJ e a CSLL devidos no período ? Em outras palavras, as receitas e o lucro evidenciados nesse balancete coincidem com aquelas receitas e lucro que foram oferecidos à tributação do IR!'! e CSLL para o período de apuração 31/12/1999? 6.3. - Se houver diferença, qual é a diferença tributada a maior ou a menor entre o total das receitas ou lucro evidentes no balancete contábil e o total da receita e do lucro constante da declaração feita pela contribuinte para o fisco para pagar IRPJ e CSLL? Processo n° 10680.015794/2004-90 SI-TE04 Erro! A origem da refeancia Mio foi encontrada. n.° 1804-00.902 Fl. 7 7 — Formalizar relatório dos documentos recebidos conforme item 1 e da análise efetuada conforme itens 2 e 5, destacando ao final do relatório as respostas solicitadas no item 6. 8 - Intimar a contribuinte do conteúdo do relatório e solicitar manifestação formal e escrita da contribuinte. 9 — Anexar os documentos obtidos, o relatório de diligência e a resposta da contribuinte a este processo e retomar o processo a este Conselho para julgamento. É C01110 v010. Ale;r1 Ar M'ORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA tir 7
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000374/94-18
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFICIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.529
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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score : 1.0
Numero do processo: 18471.001893/2008-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803-000.066
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi e Meigan Sack Rodrigues. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Selene Ferreira de Moraes.
Nome do relator: MEIGAN SACK RODRIGUES
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Resolvem os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, converter o julgamento em diligência. Vencidos os Conselheiros Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi e Meigan Sack Rodrigues. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Selene Ferreira de Moraes. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e RedatoraDesignada. (Assinado Digitalmente) Meigan Sack Rodrigues Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.001893/200895 Resolução n.º 180300066 S1TE03 Fl. 112 2 Relatório Trata, o presente feito, de auto de infração para cobrança de IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, com multa de 75% e juros de mora. O lançamento se deu em face de omissão de receitas por depósitos bancários não contabilizados em duas instituições bancárias. Devidamente cientificada da autuação a recorrente apresenta suas razões em seara de impugnação, alegando em apertada síntese que se encontra na sistemática do Simples e que procede ao recolhimento dos tributos devidos de maneira unificada mediante um único documento de arrecadação. Nesse caminho, afere a recorrente que não tem conhecimento de qualquer ato de exclusão, o que impossibilita a exigência formulada no presente lançamento. No mérito, a recorrente aprofunda a sua argumentação referindo que a simples movimentação de valores em contas bancárias não reflete qualquer aumento patrimonial. Fundamenta sua posição no artigo 43 do CTN. Ademais, como consequência do descabimento dos tributos, não podem vingar os acréscimos acessórios (multa e juros). A autoridade de primeira instância, ao decidir o feito, entendeu que o lançamento era procedente. Refere que o lançamento foi efetuado com observância dos requisitos do artigo 142 da Lei 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, aos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 06/03/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), ou seja, temse que não ocorreu nenhuma irregularidade, incorreção ou omissão que importe em nulidade do mesmo. Prossegue o julgador afirmando que no mérito a partir de 10 de janeiro de 1997, com a edição da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. Diante de presunção legal, ocorre inversão do ônus da prova, cumprindo à recorrente demonstrar, através de prova inequívoca a identidade de data e valor, a origem dos valores. Deste modo, entende a autoridade ser legítima a autuação quando a pessoa jurídica não escritura ou não comprova a origem dos depósitos bancários, nos termos do art. 42 da Lei no 9.430/1996, visto que a empresa recorrente, no ano calendário de 2004 apresentou Declaração de Inatividade de Pessoa Jurídica. No tocante à alegação de não ter ocorrido Ato Declaratório de Exclusão do Simples, tal como definido em lei, como argumenta a recorrente, o julgador a quo refere que em consulta realizada (fl. 229) não foi recuperado nenhum registro de pagamento de darf Simples (código de receita 6106) referente ao ano calendário de 2004. Assim, o mesmo crê que não pode prevalecer a alegação da empresa de que no ano calendário de 2004 a mesma optou pelo SIMPLES. Prossegue aduzindo que a constatação de omissão de receitas autoriza lançamento de oficio e que nos lançamentos de oficio é devida a exigência de multa de oficio. São, também, devidos juros de mora. No caso presente a multa de oficio de 75% e os juros moratórios (taxa Selic, acumulada mensalmente) foram aplicados de acordo com a legislação Fl. 266DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.001893/200895 Resolução n.º 180300066 S1TE03 Fl. 113 3 vigente, citada no Auto de Infração. Desse modo, salienta o julgador que o lançamento de IRPJ deve ser integralmente mantido por não ter a empresa recorrente apresentado elemento de prova capaz de elidilo e que se aplica ao lançamento reflexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento matriz, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula, considerando procedentes também os de PIS, COFINS e CSLL. Devidamente cientificada da decisão de primeira instância, a recorrente apresenta suas razões em seara de recurso voluntário referindo o já disposto na sua impugnação. É o relatório. Voto vencedor Conselheira RedatoraDesignada Selene Ferreira de Moraes Em que pese o brilhantismo do voto da Relatora, ouso dele discordar porque entendo que há pontos obscuros no processo que precisam ser esclarecidos. A diligência é providência determinada em função do juízo formulado pela autoridade julgadora quanto à sua necessidade para o esclarecimento de pontos obscuros ou que exijam conhecimento especializado, nos termos do artigo 18 do Decreto n° 70.235, de 1972, in verbis: "Art. 18 A autoridade administrativa de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine.” Afirma a recorrente que o auto de infração não merece prosperar porque ela se encontra inscrita no Simples, e não teve qualquer notícia quanto à sua exclusão dessa sistemática. A fiscalização não efetuou a apuração dos tributos devidos com base no regime simplificado instituído pela Lei n° 9.317/1996. No termo de verificação consta que a contribuinte apresentou Declaração PJSI/2005 de inatividade. O art. 8° da Lei n° 9,317/1996 assim dispunha na época dos fatos: “Art. 8º A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da FazendaCGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: Fl. 267DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.001893/200895 Resolução n.º 180300066 S1TE03 Fl. 114 4 I especificação dos impostos, dos quais é contribuinte (IPI, ICMS ou ISS); II ao porte da pessoa jurídica (microempresa ou empresa de pequeno porte). § 1º As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. § 2º A opção exercida de conformidade com este artigo submeterá a pessoa jurídica à sistemática do SIMPLES a partir do primeiro dia do anocalendário subseqüente, sendo definitiva para todo o período. § 3º Excepcionalmente, no anocalendário de 1997, a opção poderá ser efetuada até 31 de março, com efeitos a partir de 1º de janeiro daquele ano. § 4º O prazo para a opção a que se refere o parágrafo anterior poderá ser prorrogado por ato da Secretaria da Receita Federal. § 5º As pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES deverão manter em seus estabelecimentos, em local visível ao público, placa indicativa que esclareça tratarse de microempresa ou empresa de pequeno porte inscrita no SIMPLES. § 6o O indeferimento da opção pelo SIMPLES, mediante despacho decisório de autoridade da Secretaria da Receita Federal, submeterseá ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Incluído pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)” Não consta nos autos nenhum elemento cadastral da empresa que comprove sua opção pelo Simples. Por outro lado, no termo de verificação fiscal não há qualquer menção à opção da empresa pelo regime tributário das microempresas e empresas de pequeno porte, sendo que o imposto de renda foi apurado com base no lucro real. Por não haver clareza quanto à opção efetuada pela contribuinte e a existência de eventual exclusão do sistema, entendo serem necessárias diligências para esclarecimento dos seguintes pontos: • A contribuinte fez opção pelo regime do Simples, nos termos do art. 8° da Lei n° 9.317/1996? • Em caso afirmativo, houve eventual ato declaratório de exclusão do Simples? A contribuinte teve ciência do ato de exclusão? A autoridade administrativa encarregada do procedimento deverá elaborar relatório conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia a recorrente e concederlhe prazo para que se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que o processo deverá retornar a este Conselho. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES Processo nº 18471.001893/200895 Resolução n.º 180300066 S1TE03 Fl. 115 5 Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 269DF CARF MF Impresso em 19/10/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 19/10 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 13/09/2012 por MEIGAN SACK RODRIGUES
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Numero do processo: 11065.001645/2008-97
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração:01/03/1999 a 30/04/2007
PRELIMINAR. DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal.
Tratando-se de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplica-se a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional.
REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62-A.
VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N
973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN.
Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62-A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art. 543-C
do Código de Processo Civil.
No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicado quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional.
CESSÃO DE MÃO DE OBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91.
CONSTATAÇÃO.RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE
A cessão de mão de obra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mão de obra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.763
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência das competências 12/2002 a 04/2003 com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, de modo que a cobrança seja mantida com o recálculo da multa de mora previsto no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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DECADÊNCIA PARCIAL QUINQUENAL. SÚMULA VINCULANTE N 8. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO. ART.150, § 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. O STF, em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Tratandose de contribuição social previdenciária, tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a decadência do art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. REGIMENTO INTERNO DO CARF. ART.62A. VINCULAÇÃO À DECISÃO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. RESP N 973.733/SC. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OBRIGATORIEDADE DE RECOLHIMENTO. INEXISTÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART.173, I , CTN. Considerando a exigência prevista no Regimento Interno do CARF no art.62 A, esse Conselho deve reproduzir as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas em conformidade com o art.543C do Código de Processo Civil. No caso de decadência de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o Fl. 720DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 RESP n 973.733/SC decidiu que o art.150,§ 4º do Código Tributário Nacional só seria aplicado quando fosse constada a ocorrência de recolhimento, caso contrário, seria aplicado o art.173, I, do Código Tributário Nacional. CESSÃO DE MÃODEOBRA. DEFINIÇÃO LEGAL. LEI 8.212/91. CONSTATAÇÃO.RETENÇÃO 11% SOBRE O VALOR BRUTO DA NOTA FISCAL OU FATURA DE SERVIÇOS. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE A cessão de mãodeobra é conceituada segundo a Lei n 8.212/91, e que, uma vez constatada, obriga o contratante de serviços, executados mediante cessão de mãodeobra, a reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de serviços, nos termos do art. 31 da Lei 8.212/91, na redação da Lei n.º 9.711/98, sistemática interpretada como legal e constitucional pelos Tribunais Superiores. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a decadência das competências 12/2002 a 04/2003 com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, de modo que a cobrança seja mantida com o recálculo da multa de mora previsto no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 721DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001645/200897 Acórdão n.º 2403000.763 S2C4T3 Fl. 721 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 695 a 712 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Porto Alegre/RS (fls.651 a 662) que julgou PARCIAL PROCEDENTE o lançamento constante do Auto de Infração de Obrigação Principal n° 37.088.8812 no valor, consolidado em 14/05/2008, de R$ 619.127,83 (seiscentos e dezenove mil e cento e vinte e sete reais e oitenta e três centavos), que, após decisão de 1ª instância, que reconheceu a decadência com base no art.173,I das competências 03/99 a 11/2002, foi reduzido para R$ 446.724,30 (quatrocentos e quarenta e seis mil, setecentos e vinte e quatro reais e trinta centavos). Segundo o relatório fiscal às fls.91 a 95, a cobrança referese às contribuições da empresa sobre notas fiscais, faturas ou recibos de serviços prestados por terceiros mediante cessão de mão de obra consoante a Lei 9.711/98, no período de 03/1999 a 04/2007. Ademais, o relatório atesta que durante o período fiscalizado o sujeito passivo utilizouse da prestação de serviços de transporte de passageiros das empresas SCHMIDTUR TURISMO LTDA (CNPJ 88.885.736/000135) e CS TURISMO LTDA (CNPJ 01.977.862/000131), como também, utilizouse de serviços de atendimento médico prestados pela SOCIEDADE BENEFICENTE NOVA HARTZ (CNPJ 91.995.316/000116). Durante a ação fiscal, foram verificadas duas situações: 1) a ausência de retenção sobre as notas fiscais referentes aos serviços; 2) uma retenção com base reduzida de 30% (trinta por cento) relativa a determinado período. Para a prestadora SCHMIDTUR, não houve retenção nas competências 09/2002 a 08/2003, e houve retenção com base reduzida de 30% nas competências 03/99 a 12/99 e 09/2003 a 04/2007. Já com relação à prestadora CS TURISMO, o período sem retenção ocorreu nas competências 09/2002 a 09/2003. Da documentação analisada, verificouse que não havia nenhum motivo que permitisse a redução da base de cálculo a 30% do valor bruto da nota fiscal para obtenção do valor da retenção no caso de transporte de passageiros. Com relação aos serviços de saúde utilizados pela recorrente, cabe destacar que tal prestação ocorreu através da Sociedade Beneficente Nova Hartz durante o período 03/99 a 04/2007, a qual disponibilizou um médico para ficar prestando serviços (atendimento médico de ambulatório, verificação de pequenos problemas de saúde, fornecimento de atestados, dentre outros) nas dependências da tomadora diariamente na jornada de 4 (quatro) horas. Assim, a fiscalização, ao verificar os documentos contábeis como notas fiscais de serviços e recibos de prestação de serviços, constatou a existência de cessão de mão deobra na prestação da atividade de saúde, motivo pelo qual entendeu ser devida a retenção de Fl. 722DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 11% (onze por cento) sobre o valor dos serviços prestados, criando para a constituição do crédito tributário 5 tipos de levantamento (NF 1, NF 2, NF 3, NF 4 NF 5), os quais encontram se discriminados no relatório fiscal. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 14/05/2008 e apresentou impugnação às fls. 534 a 554 alegando em síntese: Preliminarmente: Que o lançamento foi efetivado em 09/05/2008, tendo como objeto, supostos fatos geradores de contribuições sociais previdenciárias ocorridos no período de março de 1999 a abril de 2007. Destarte, tendo em vista as regras do CTN, aplicase à espécie o prazo decadencial quinquenal, cujo termo inicial da contagem é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN art. 173, I), motivo pelo qual os créditos tributários com fatos geradores ocorridos até dezembro de 2002 encontramse acobertados pela decadência; No Mérito: O valor exorbitante da multa, que chega a possuir caráter confiscatório; A ilegalidade da taxa SELIC; Que a relação jurídica existente entre a impugnante e as empresas arroladas no Relatório do Auto de Infração não está sujeita à incidência das disposições do art. 31 da Lei no 8.212/91, tendo em vista que o referido dispositivo ao dispor sobre a contribuição previdenciária na hipótese de "serviços executados mediante cessão de mãodeobra", impõe a correta compreensão do que seja "cessão de mãodeobra" e "prestação de serviços", bem como só se encontram no campo de incidência os típicos contratos de mãodeobra, que deverão conter regras claras para o exame da relação jurídica concreta a fim de verificar se os trabalhadores estão à disposição da empresa contratante; Que há erro na identificação da base de cálculo na notificação fiscal em debate, uma vez que a base de cálculo confirma o aspecto material da hipótese de incidência tributária, que pode levar à nulidade do lançamento por conta disso temse a inadequação da autuação com aquilo, que abstratamente prevê a norma que lhe serve de fundamento, motivo pelo qual deverá ser revisto, porque assim exige o princípio da legalidade. Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação para que fosse declarada a extinção dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos até dezembro de 2002, vez que atingidos pela decadência. Postulou ainda que fosse determinada a realização de diligência ou perícia na escrituração contábil das empresas prestadores mencionadas no lançamento. No mais, que fosse declarada totalmente improcedente a autuação. Às fls.639, consta despacho da DRJ/Porto AlegreRS determinando o encaminhamento dos autos para a realização de diligência para fins de esclarecer o motivo pelo qual a fiscalização considerou a cessão de mãodeobra. Fl. 723DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001645/200897 Acórdão n.º 2403000.763 S2C4T3 Fl. 722 5 Em respeito a esse despacho, o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Novo Hamburgo destacou a caracterização da cessão de mãode obra, por ter sido constatado principalmente a ocorrência de serviço especializado e específico (serviço de transporte) e deu ciência ao contribuinte em 06/02/2009, conforme A.R às fls.644. Às fls.646 a 648, a recorrente insurgese contra a resposta da diligência e ratifica os argumentos já expostos na impugnação no sentido de descaracterizar a ocorrência da cessão de mãodeobra, requerendo inclusive a realização de nova diligência. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 7° Turma da DRJ/Porto Alegre/RS proferiu acórdão (n°1019. 208) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/1999 a 30/04/2007 Auto de Infração DEBCAD n° 37.088.8812 1. CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. 2. DECADÊNCIA. O direito de constituir o crédito tributário está sujeito aos prazos decadenciais estabelecidos no Código Tributário Nacional. Decadência configurada. 3. JUROS. MULTA. Sobre o valor da retenção de 11% incluído em lançamento por descumprimento de obrigação principal incide juros e multa de mora, ambos de caráter irrelevável. 4. BASE DE CÁLCULO. Não configurada nenhuma das hipóteses previstas na legislação para a utilização de base de cálculo reduzida, ficando a empresa tomadora responsável pelo valor que deixou de reter e recolher. 5. FATO GERADOR. CESSÃO DE MÃODEOBRA. TRANSPORTE DE PASSAGEIROS. A mãodeobra que efetua o transporte dos empregados da contratante, de forma exclusiva, com horários e itinerários, ficando obrigada a aguardar os passageiros para o embarque, encontrase à disposição da tomadora dos serviços. A retenção e o recolhimento efetuado pela empresa tomadora dos serviços do valor destacado nas notas fiscais implica no reconhecimento da incidência da retenção de 11%. 6. FATO GERADOR. CESSÃO DE MÃODEOBRA. SERVIÇOS MÉDICOS E AMBULATORIAIS. A prestação de serviços médicos—e —ambulatoriais —nas—dependências — da contratante, diariamente, em horários fixados em contrato, configurase como cessão de mãodeobra. 7. PROVAS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. Não comprovada qualquer incorreção no lançamento que pudesse ensejar o deferimento do pedido de diligência ou perícia. Não conhecida asolicitação de diligência ou perícia, porquanto em desacordo com os requisitos previstos na legislação. Lançamento Procedente em Parte Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.695 a 712, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação, ressaltando a não ocorrência da cessão de mão de obra nos serviços de transporte e de saúde, bem como os motivos para não se exigir o recolhimento da retenção não efetuada à época própria. Fl. 724DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 É o relatório. Fl. 725DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001645/200897 Acórdão n.º 2403000.763 S2C4T3 Fl. 723 7 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO: O recurso voluntário foi interposto tempestivamente (fls.695 a 712). Acontece que à época da discussão do crédito, exigiase do sujeito passivo que quisesse recorrer ao Contencioso Administrativo Federal o depósito de 30% (trinta por cento) equivalente ao crédito exigido. Desse modo, a recorrente pleiteou inicialmente o afastamento dessa exigência sob o argumento de que a mesma seria inconstitucional. Cabe destacar que não mais se exige a comprovação do depósito recursal como requisito de admissibilidade para a discussão de matéria no âmbito administrativo, tendo sido este o entendimento já firmado pelo Supremo Tribunal Federal ao editar a Súmula Vinculante nº. 21, que passa a vincular a administração pública, nos termos do art.103A da Constituição Federal: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Impendese ainda colacionar o teor do verbete sumular: Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Portanto, conheço a admissibilidade do presente recurso e passo a analisar as questões relevantes para a resolução da lide tributária. PRELIMINAR I – DA DECADÊNCIA QUINQUENAL COM BASE NO ART.150, §4° DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL: Fl. 726DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Não obstante a decisão de 1 instância ter reconhecido a decadência das competências 03/1999 a 11/2002, vale destacar que a aplicação do instituto teve como fundamento jurídico o art.173, I, do CTN. Todavia, entendo que o mais correto para o caso em tela seja a aplicação do art.150, §4° do mesmo diploma, tendo em vista que esse Conselho tem firmado o entendimento de que este dispositivo deve ser aplicado quando for verificado o recolhimento antecipado da exação, em respeito à decisão do Recurso Especial n 973.733/SC (Informativo n 402/STJ). Assim, levando em consideração o acima exposto, e, tendo o presente recurso voluntário como matéria objeto de discussão a decadência, fazse necessária a vinculação deste voto ao preceito do Regimento Interno do CARF enquanto tal regra permanecer vigente, tendo em vista que o julgamento do RESP n 973.733/SC ocorreu nos moldes do art.543C do Código de Processo Civil. No presente caso, foi verificada a ocorrência de recolhimento, por se referirem os Discriminativos de Débitos à diferença apurada, o que se leva a crer, que houve um pagamento parcial, pelo menos. Desta feita, sabendo que a ciência da NFLD deuse em 14/05/2008, e, as datas das competências que não foram reconhecidas como decadentes compreenderem os períodos de 12/2002 a 04/2007, têmse que os valores cobrados na notificação fiscal relativos às competências 12/2002 a 04/2003 estão acobertados pela decadência com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional, haja vista que o fisco só poderia cobrar, com fundamento neste artigo, a partir da competência 05/2003. Passemos à análise do mérito. DO MÉRITO: I – DA CESSÃO DE MÃODEOBRA: A grande celeuma na parte meritória diz respeito à caracterização da cessão de mãodeobra. De um lado, a fiscalização autua a empresa afirmando que foi constatado esse fato gerador que enseja a tributação na forma do art.31 da Lei n 8.212/91, na redação dada pela Lei n 9.711/98. Do outro lado, a empresa defendese amplamente (impugnação, manifestação à diligência e recurso voluntário), sempre rebatendo a afirmação do fisco, tentando descaracterizar a ocorrência de cessão de mãodeobra. Primeiramente, tornase imprescindível trazer mais uma vez à baila os motivos pelos quais a fiscalização autuou a empresa com base na caracterização da cessão de mãodeobra, vejamos: Segundo o relatório fiscal, a empresa recorrente, durante o período fiscalizado (01/1998 a 04/2007) recebeu prestação de serviços das empresas SCHMIDTUR TURISMO LTDA e CS TURISMO LTDA, com as quais contratou o serviço de transporte de seus empregados; e da SOCIEDADE BENEFICENTE NOVA HARTZ, com a qual contratou serviços de atendimento médico. Conforme previsão legal (Lei n 8.212/91), a prestação de serviços executados mediante cessão de mãodeobra, enseja a obrigação, para a contratante/tomadora, de reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço a título de contribuição social previdenciária, in verbis: Fl. 727DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001645/200897 Acórdão n.º 2403000.763 S2C4T3 Fl. 724 9 Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5o do art. 33 desta Lei. Destacouse. Percebese que somente os serviços executados mediante cessão de mãode obra estão sujeitos à incidência da contribuição, mas, o que a legislação considera cessão de mãodeobra, dúvida que também foi levantada pela empresa? Segundo a Lei n 8.212/91, a cessão de mão de obra é, ipsis litteris: Art.31 – (...) (...) §3oPara os fins desta Lei, entendese como cessão de mãode obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividadefim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998).Destacouse. Desse modo, sendo o serviço contínuo, realizado nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiros, executado através de pessoas físicas à disposição desta, ele será considerado cessão de mãodeobra. No caso em tela, a empresa recorrente recebeu serviço de transporte das empresas SCHMIDTUR e CS TURISMO, as quais tinham ônibus à disposição da contratante em horários por ela estabelecidos, bem como expedientes e dias que a prestação deveria ocorrer, caracterizando a subordinação dessas à recorrente. Ademais, utilizouse a recorrente de serviço de saúde contratado com a Sociedade Beneficente Nova Hartz, a qual disponibilizou um médico para ficar prestando serviços (atendimento médico de ambulatório, verificação de pequenos problemas de saúde, fornecimento de atestados, dentre outros) nas dependências da tomadora diariamente na jornada de 4 (quatro) horas. Portanto, ambos os serviços caracterizamse como cessão de mãodeobra, tendo em vista que as regras para a prestação da atividade eram estabelecidas contratualmente em benefício da recorrente, que exigia a disponibilidade desses serviços para seus interesses. Sendo assim, não há como prevalecer o argumento da recorrente que tenta descaracterizar a cessão de mãodeobra, pelos motivos já expostos. Além disso, a recorrente alega que somente alguns contratos típicos podem estar sujeitos à esse tipo de tributação. Todavia, esclareço que ambos os serviços estão Fl. 728DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 enquadrados pela legislação como cessão de mãodeobra (art.219, XIX e XXIV, do Regulamento da Previdência Social), vejamos: Lei n 8.212/91 Art.31 – (...) (...) §4o Enquadramse na situação prevista no parágrafo anterior, além de outros estabelecidos em regulamento, os seguintes serviços: (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). I limpeza, conservação e zeladoria; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). II vigilância e segurança; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). III empreitada de mãodeobra; (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). IV contratação de trabalho temporário na forma da Lei no 6.019, de 3 de janeiro de 1974. (Incluído pela Lei nº 9.711, de 1998). Decreto n 3.048/99 – Regulamento Previdência Social Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitada de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5º do art. 216. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) (...) §2º Enquadramse na situação prevista no caput os seguintes serviços realizados mediante cessão de mãodeobra: I limpeza, conservação e zeladoria; II vigilância e segurança; III construção civil; IV serviços rurais; V digitação e preparação de dados para processamento; VI acabamento, embalagem e acondicionamento de produtos; VII cobrança; VIII coleta e reciclagem de lixo e resíduos; IX copa e hotelaria; X corte e ligação de serviços públicos; XI distribuição; Fl. 729DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001645/200897 Acórdão n.º 2403000.763 S2C4T3 Fl. 725 11 XII treinamento e ensino; XIII entrega de contas e documentos; XIV ligação e leitura de medidores; XV manutenção de instalações, de máquinas e de equipamentos; XVI montagem; XVII operação de máquinas, equipamentos e veículos; XVIII operação de pedágio e de terminais de transporte; XIX operação de transporte de passageiros, inclusive nos casos de concessão ou subconcessão; (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 2003) XX portaria, recepção e ascensorista; XXI recepção, triagem e movimentação de materiais; XXII promoção de vendas e eventos; XXIII secretaria e expediente; XXIV saúde;e XXV telefonia, inclusive telemarketing. Diante de todo o exposto, percebese que para o caso em tela a cessão de mãodeobra ocorreu, motivo pelo qual a cobrança, ressalvadas as competências que estão acobertadas pela decadência, deve permanecer. Importante ainda é frisar que a retenção dos 11% (onze por cento) sobre o valor bruto da nota fiscal e/ou fatura de prestação de serviços é matéria superada em nossos Tribunais Superiores que entendem ser essa tributação um mecanismo eficaz que auxilia e assegura a arrecadação federal, configurandose como substituição tributária, medida de recolhimento autorizada constitucionalmente. Nesse diapasão, a empresa prestadora de serviços realiza, através de seus segurados, o fato gerador da contribuição social previdenciária (prestação de serviço remunerado), motivo pelo qual seria o contribuinte da contribuição patronal. Todavia, é substituída (contribuinte – substituído) por terceiro (substituto – tomador do serviço), tomando este a atitude de reter 11% (onze por cento) ensejando uma posterior compensação ou restituição. Ora, nada melhor do que o tomador, que será responsável pelo pagamento dos serviços, reter esses 11% (onze por cento) a título de contribuição previdenciária, valor esse que poderá ser compensado ou restituído na forma da legislação. Assim, foi que o Superior Tribunal de Justiça ao analisar a legalidade dessa tributação decidiu sabiamente que a retenção dos 11% (onze por cento) nada mais é do que uma sistemática de arrecadação inovadora, in verbis: Fl. 730DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 RECURSO ESPECIAL Nº 1.036.375 SP PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ART. 31, DA LEI Nº 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI Nº 9.711/98. NOVA SISTEMÁTICA DE ARRECADAÇÃO MAIS COMPLEXA, SEM AFETAÇÃO DAS BASES LEGAIS DA ENTIDADE TRIBUTÁRIA MATERIAL DA EXAÇÃO. 1. A retenção de contribuição previdenciária determinada pela Lei 9.711/98 não configura nova exação e sim técnica arrecadatória via substituição tributária, sem que, com isso, resulte aumento da carga tributária. 2. A Lei nº 9.711/98, que alterou o artigo 31 da Lei nº 8.212/91, não criou nova contribuição sobre o faturamento, tampouco alterou a alíquota ou a base de cálculo da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento. 3. A determinação do mencionado artigo configura apenas uma nova sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária, tornando as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela forma de substituição tributária. Nesse sentido, o procedimento a ser adotado não viola qualquer disposição legal. 4. Precedentes: REsp 884.936/RJ, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, PRIMEIRA TURMA, julgado em 07/08/2008, DJe 20/08/2008; AgRg no Ag 906.813/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2007, DJe 23/10/2008; AgRg no Ag 965.911/SP, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/04/2008, DJe 21/05/2008; EDcl no REsp 806.226/RJ, Rel. MIN. CARLOS FERNANDO MATHIAS (JUIZ CONVOCADO DO TRF 1ª REGIÃO), SEGUNDA TURMA, julgado em 04/03/2008, DJe 26/03/2008; AgRg no Ag 795.758/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2007, DJ 09/08/2007. 5. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. No mesmo sentido, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, em decisão definitiva publicada em 05/09/2011, apreciou o Recurso Extraordinário de relatoria da Ministra Ellen Gracie e decidiu pela constitucionalidade da exação (retenção dos 11% a ser feita pelo tomador de serviços), vejamos: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 603.191 / MT EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RETENÇÃO DE 11% ART. 31 DA LEI 8.212/91, COM A REDAÇÃO DA LEI 9.711/98. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Na substituição tributária, sempre teremos duas normas: a) a norma tributária impositiva, que estabelece a relação Fl. 731DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001645/200897 Acórdão n.º 2403000.763 S2C4T3 Fl. 726 13 contributiva entre o contribuinte e o fisco; b) a norma de substituição tributária, que estabelece a relação de colaboração entre outra pessoa e o fisco, atribuindolhe o dever de recolher o tributo em lugar do contribuinte. 2. A validade do regime de substituição tributária depende da atenção a certos limites no que diz respeito a cada uma dessas relações jurídicas. Não se pode admitir que a substituição tributária resulte em transgressão às normas de competência tributária e ao princípio da capacidade contributiva, ofendendo os direitos do contribuinte, porquanto o contribuinte não é substituído no seu dever fundamental de pagar tributos. A par disso, há os limites à própria instituição do dever de colaboração que asseguram o terceiro substituto contra o arbítrio do legislador. A colaboração dele exigida deve guardar respeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, não se lhe podendo impor deveres inviáveis, excessivamente onerosos, desnecessários ou ineficazes. 3. Não há qualquer impedimento a que o legislador se valha de presunções para viabilizar a substituição tributária, desde que não lhes atribua caráter absoluto. 4. A retenção e recolhimento de 11% sobre o valor da nota fiscal é feita por conta do montante devido, não descaracterizando a contribuição sobre a folha de salários na medida em que a antecipação é em seguida compensada pelo contribuinte com os valores por ele apurados como efetivamente devidos forte na base de cálculo real. Ademais, resta assegurada a restituição de eventuais recolhimentos feitos a maior. 5. Inexistência de extrapolação da base econômica do art. 195, I, a, da Constituição, e de violação ao princípio da capacidade contributiva e à vedação do confisco, estampados nos arts. 145, § 1º, e 150, IV, da Constituição. Prejudicados os argumentos relativos à necessidade de lei complementar, esgrimidos com base no art. 195, § 4º, com a remissão que faz ao art. 154, I, da Constituição, porquanto não se trata de nova contribuição. 6. Recurso extraordinário a que se nega provimento. 7. Aos recursos sobrestados, que aguardavam a análise da matéria por este STF, aplicase o art. 543B, § 3º, do CPC. Diante de tudo o que foi exposto, é inegável que a retenção dos 11% (onze por cento) por parte do tomador de serviços é devida nos casos em que a cessão de mãode obra for constatada. Todavia, para a prestadora SCHMIDTUR, não houve retenção nas competências 09/2002 a 08/2003, só tendo havido retenção, ressaltese, com base reduzida de 30% , nas competências 03/99 a 12/99 e 09/2003 a 04/2007. Fl. 732DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Já com relação à prestadora CS TURISMO, não houve retenção durante todo o período em que ocorreu a prestação de serviço de transporte (competências 09/2002 a 09/2003). Com relação à prestadora SOCIEDADE BENEFICENTE NOVA HARTZ, também não houve a retenção durante o período 03/1999 a 04/2007. Assim, o montante presente no Auto de Infração de Obrigação Principal n 37.088.8812, ressalvados os valores acobertados pela decadência, foram devidamente apurados em fiscalização, sendo importante ainda destacar que a própria empresa procedeu, em algumas competências, à retenção, mesmo que sem fundamentos (redução em 30% da base de cálculo), o que comprova a legalidade dessa modalidade de tributação. II – DA APLICAÇÃO DE MULTA MORATÓRIA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: A recorrente alega ainda que a multa moratória é exorbitante e que a taxa SELIC é ilegal. Todavia, conforme entendimento consolidado deste Conselho, e, considerando a cobrança em tela com relação às demais competências que não foram acobertadas pela decadência, há que se destacar que esses débitos serão recolhidos com a incidência de multa e juros na forma da legislação, Lei n 8.212/91: Lei N 8.212/91 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Fl. 733DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001645/200897 Acórdão n.º 2403000.763 S2C4T3 Fl. 727 15 Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seupagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 734DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 A propósito, convém ainda mencionar que o CARF aprovou Súmula nº 04, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é devida e tem amparo legal com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. III – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observar alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei n 11.941/2009. Deste modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei n 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, nas preliminares, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, reconhecendo a decadência das competências 12/2002 a 04/2003 com base no art.150, §4° do Código Tributário Nacional. No mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que a cobrança seja mantida com o recálculo da multa de mora previsto no art.35, caput, da Lei n 8.212/91, com base na redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a legislação mais benéfica ao contribuinte. Fl. 735DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.001645/200897 Acórdão n.º 2403000.763 S2C4T3 Fl. 728 17 É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 736DF CARF MF Emitido em 10/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10530.003596/2007-40
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA DE MORA.
Ao contribuinte cabe o ônus de provar o alegado.
O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.752
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
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ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA CONSTITUCIONAL. MULTA DE MORA. Ao contribuinte cabe o ônus de provar o alegado. O CARF não se pronuncia sobre matéria tributária constitucional, nos termos da Súmula nº 2 do CARF. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 715DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 716DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003596/200740 Acórdão n.º 2403000.752 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Assim relatou a DRJ, verbis: “DO LANÇAMENTO. A presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD n° 37.124.7586), lavrada pela fiscalização em face da empresa DISTRIBUIDORA BARREIRAS DE ALIMENTOS LTDA E OUTROS, referese, de acordo com o Relatório Fiscal às fls. 108/140, às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, referentes à parte patronal, às destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como às contribuições previdenciárias dos próprios segurados empregados. Tais contribuições são incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, durante o mês, aos segurados que trabalharam como empregados para empresa, sem o devido registro tempestivo. Inclui ainda a aferição indireta de salários em todos os meses intermediários em que não foram encontrados recibos de pagamentos, tendo como base as rescisões preparadas pela empresa contendo o período trabalhado, anotações feitas pelo responsável da área de pessoal, fichas de contratação de pessoal, recibos de quitação de verbas rescisórias não escrituradas na contabilidade, contratos de experiências assinados apenas pelos empregados e recibos de pagamentos "por fora". O presente lançamento corresponde ao montante de R$ 197.207,14 (cento e noventa e sete mil, duzentos e sete reais e quatorze centavos), valor consolidado em 09/10/2007, referente ao período de 01/1999 a 12/2006. O procedimento fiscal foi autorizado pelos Mandados de Procedimento Fiscal à fl. 155. Conforme detalhadamente descrito no Relatório Fiscal, constam do presente lançamento os seguintes levantamentos: 1 ACE (Aferição Caracterização Empregado), relativo a 01/1999 a 10/2005; 2 AEN (Aferição Empregados Não Registrados), relativo ao período de 01/1999 a 10/2006; 3 ASS (Aferição Salários Supervisora RH), relativo ao período de 01/2001 a 04/2006; 4 AVE (Aferição Valor Extra Empregado), relativo ao período 01/2005 a 10/2005; Fl. 717DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 5 ESR (Empregados sem Registro), relativo ao período de 01/2001 a 12/2006; 6 SVN (Supervisor Vendas Não Registrado), relativo ao período de 06/2004 a 10/2004; As contribuições apuradas, as alíquotas aplicadas e os créditos considerados, assim como os acréscimos legais aplicados, constam explicitados nos seguintes anexos: Discriminativo Analítico do Débito (DAD), Discriminativo Sintético do Débito (DSD) e Relatório de Lançamentos (RL). DA IMPUGNAÇÃO A autuada apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: PRELIMINAR: DA PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA. Entende a Impugnante que os supostos créditos levantados pela fiscalização, anteriores a outubro de 2002, não podem ser constituídos, uma vez que fulminados pelo instituto jurídico da decadência. As contribuições previdenciárias correspondem à modalidade de lançamento por homologação, não se aplicando o art. 45 da Lei 8.212/91, incidindo o §4°, do art. 150, do CTN. O art. 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional. DO ARBITRAMENTO (AFERIÇÃO INDIRETA). O instituto do arbitramento foi criado para empresas sem nenhum controle contábilfiscal que permitam ao fisco identificar dados para cruzamento e balizamento das operações financeiras do empreendimento. No caso em questão, não há um suporte fáticojurídico contundente que ampare o arbitramento da questão analisada, já que os valores lançados não representam a realidade contábil da empresa, pois são baseados em meras ilações, suposições e indícios que não se enquadram definitivamente provados. Deveriam as autoridades fiscais previdenciárias exaurirem os procedimentos de fiscalização das empresas subcontratadas. A atividade fiscalizatória precisava adentrar no exame da escrita comercial da referida empresa onde, por certo, encontrariam os elementos necessários à prova de sua regularidade fiscal. Ao contrário, optaram pelo método indireto, pelo arbitramento, chamando a Impugnante, fiel cumpridora de suas obrigações fiscais e previdencidrias, a responder solidariamente pelos débitos de terceiros. DOS VALORES COM NATUREZA REMUNERATÓRIA OU QUE NÃO SAO SALÁRIOCONTRIBUIÇÃO. Em primeiro lugar, forçoso analisar que alguns valores pagos a segurados possuem natureza eminentemente indenizatória, posto que não visa à retribuição do trabalho do servidor, mas a cobrir despesas, tais como as com transporte, alimentação e Fl. 718DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003596/200740 Acórdão n.º 2403000.752 S2C4T3 Fl. 3 5 hospedagem dos empregados durante a realização de suas funções, principalmente. As parcelas com essa natureza não integram o salário decontribuição. São aquelas que visam a cobrir despesas de deslocamento, alimentação e hospedagem de professores freqüentadores de cursos de capacitação. A impugnante lista várias parcelas que ela entende não ser salário de contribuição. No presente caso, há uma série de rubricas que consideram como remunerações valores que possuem a nítida natureza indenizatória, como horas extras, décimo terceiro, prêmios, férias, comissões, enfim, uma série de valores que ou possuem tal natureza, ou não podem ser consideradas remunerações, porque desprovidas de habitualidade. As verbas que a Autuante levantou são meras liberalidades. Não houve comprovação nos autos de que foram valores pagos com habitualidade. Quando demonstrou tal habitualidade, a auditora o fez mediante aferição indireta, um arbitramento completamente ilegal, conforme tópico anterior. EMPREGADOS CEREALISTA. Importante frisar que no início da autuação, argumentase que há a formação de um grupo empresarial entre a Impugnante, a suprareferida empresa, e a Nova Colina Administradora de Bens Patrimoniais, detentora das quotas da empresa impugnante. Considerando como um grupo empresarial, a auditora deveria avaliar a possibilidade da prática do rateio de despesas, onde as receitas e despesas são consideradas em conjunto. No presente caso, a prática não configura qualquer prejuízo para o INSS, porque o pagamento efetuado pela Impugnante, cujo fato e valor foi constatado via cópia de cheques, corresponde exatamente a folha de pagamento deste empregado. Assim, o pagamento destes empregados pela Impugnante foi devidamente contabilizado pela Cerealista Castro, que assumiu todos os ônus do recolhimento das contribuições. Querer cobrar da Impugnante é querer receber duas vezes um tributo sobre o mesmo fato gerador, já quitado, restando, portanto, extinto o referido crédito. Assim, demonstrada a verossimilhança do ora alegado com os cheques e folhas em anexo, ora opção não senão a realização de uma revisão fiscal para apuração o alegado e conseqüente improcedência da imputação relativas as rubricas de pagamentos a funcionários de outra empresa, inclusive para averiguação de que os funcionários supostamente sem registro possuem pagamentos em dia por outra empresa. Fl. 719DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 DA REVISÃO FISCAL. Assim, a toda evidência decorrente dos documentos ora anexados, resta equivocado o levantamento fiscal procedido. Em face da nova realidade trazida pelos referidos documentos, que devem ser analisados em respeito a busca da verdade material, é a presente para requerer expressamente uma REVISÃO FISCAL para que seja depurado do suposto débito os valores indevidamente exigidos, com a realização da devida prova pericial. DO PEDIDO. Requer que a Notificação Fiscal ora impugnada seja julgada totalmente improcedente, ou, de qualquer modo, seja determinado por este Órgão nova fiscalização, relativa ao mesmo período. Requer, ainda caso este julgador não entenda pela nulidade do presente levantamento, seja procedida uma REVISÃO FISCAL para o fim de se depurar do suposto débito os valores indevidamente exigidos, ou, em sendo necessária, a produção de PROVA PERICIAL. DILIGÊNCIA. Em cumprimento à diligência solicitada, foi encaminhada correspondência ao solidário Nova Colina Administradora de Bens Patrimoniais Ltda à fl. 565 (verso), regularizando sua ciência do presente débito. DA IMPUGNAÇÃO DA EMPRESA NOVA COLINA ADMINISTRADORA DE BENS PATRIMONIAIS LTDA. Regularizada a sua ciência, conforme assinatura A fl. 565 (verso), a empresa Nova Colina apresentou defesa às fls. 566/599, alegando, em síntese, que: DA ILEGITIMIDADE PASSIVA. O patrimônio da pessoa jurídica não se confunde com o patrimônio dos sócios, devendo aquela responder pelos débitos eventualmente decorrentes do exercício da atividade empresarial. Para que seja exigido dos sócios o adimplemento da obrigação contraída pela empresa é indispensável a prova, a cargo do Fisco, de que os sócios agiram com excesso de poder ou contrários à lei, conforme art. 135 do CTN. É imprescindível que reste comprovada a conduta dolosa na prática de infração ou excesso de poderes autorizadora da responsabilização pessoal, ressaltandose que, o simples inadimplemento não configura essa situação. Não há prova pela fiscalização de que tenha ocorrido qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, que justifique a inclusão da Impugnante, sócia da pessoa jurídica contribuinte ou responsável pelas exações ora cobradas, como sujeito passivo coresponsável por tais débitos. Fl. 720DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003596/200740 Acórdão n.º 2403000.752 S2C4T3 Fl. 4 7 O fato de ser a Impugnante uma pessoa jurídica não dirime o Fisco do ônus de comprovar que o sócio do contribuinte autuado tenha dado razão a qualquer ocorrência dos requisitos previsto pelo citado art. 135, conforme assegura o STJ. Importante considerar, por fim, que a Impugnante somente foi constituída em agosto de 2004, conforme se pode observar dos atos constitutivos anexos. Assim, não poderia ser responsabilizada por atos ocorridos antes desta data, que a luz do art. 135 do CTN, somente poderiam ser praticados por aqueles com poderes de administração e gerência, conforme jurisprudências transcritas. Assim, ao não poder ingressar no pólo passivo da obrigação tributária decorrente dos débitos ora lançados e cobrados, é ilegítima a imputação de responsabilidade à Impugnante pelo presente débito, devendo ser a NFLD anulada ou que seja sanada tal equívoco com o afastamento desta empresa do pólo passivo deste PAF. DA DECADÊNCIA. O art. 45 da Lei 8.212/91 é inconstitucional, conforme Súmula Vinculante n° 08 do Supremo Tribunal Federal. No presente caso, entende a Impugnante que os supostos créditos levantados pela fiscalização, anteriores a outubro de 2002, não podem ser constituídos, uma vez que fulminados pelo instituto jurídico da decadência. DO ARBITRAMENTO (AFERIÇÃO INDIRETA); DOS VALORES COM NATUREZA REMUNERATÓRIA OU QUE NÃO COMPÕEM O SALÁRIOCONTRIBUIÇÃO; EMPREGADOS CEREALISTA; DA REVISÃO FISCAL. A empresa Nova Colina apresenta nesses tópicos as mesmas alegações constantes da impugnação da empresa DIBAL. DO PEDIDO. Requer seja a NFLD declarada nula, ou caso assim não entenda, seja julgada improcedente.” DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos das impugnantes, a 7ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Salvador – BA DRJ/SDR, emitiu o Acórdão n° 1523.212, mantendo procedente em parte o lançamento nos seguintes aspectos: Aplicando a decadência parcial referente ao período compreendido entre 04/1999 a 12/2003; Determinando, de ofício, no que tange à aplicação da multa de mora, aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para o momento do pagamento da referida contribuição, verbis: Fl. 721DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 “Nos casos de falta de declaração e falta de recolhimento, a Medida Provisória n° 449 alterou a regra de imposição das multas de mora por lançamento de oficio, anteriormente prevista no art. 35 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e por falta de declaração, anteriormente prevista no § 5° do art. 32 da mesma Lei, submetendo o lançamento de oficio à capitulação do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que versa sobre a multa de 75%, nos casos de falta de recolhimento, de falta de declaração ou de declaração inexata, e de seu agravamento, quando couber.” DO RECURSO Inconformada, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 675/698, com os seguintes argumentos, verbis: “INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. INTERESSE COMUM NA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. O respeitável acórdão não enfrentou corretamente a defesa apresentada no que toca a formação de grupo de empresas entre Dibal, Nova Colina e Cerealista Castro. Ora, o Direito Empresarial, caracteriza o grupo econômico quando há participação direta ou indireta de capitais iguais ou superiores a do capital social, ou desde que existam sócios comuns, ainda, no caso de participações não inferiores a 20% do capital em que exista presença dominante ou direção única. (...) Homenageando o principio da eventualidade, mesmo entendendo pela formação do grupo econômico, não deve se esquecer esse órgão colegiado que na responsabilidade tributária solidária, a formação do grupo econômico e a existência de um objetivo econômico comum, por si, não é suficiente pira gerar a responsabilidade objetiva à recorrente, porque não coaduna o entendimento majoritário esposado nos nossos tribunais e na nossa legislação tributária. SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA. ART. 146, III, b, da CF e Art. 30, IX, da Lei 8.212/91. Neste cenário, temse tornado comum, como no presente caso, o ente público responsável pela fiscalização, colocar empresas no pólo passivo de lançamentos tributários, na.condição de solidárias, pelo só fato de pertencerem ao mesmo grupo econômico. (...) O artigo 30, IX, da Lei 8.212/91 deve ser interpretado, conjuntamente, com o art. 124 do CTN, em especial, no tocante ao inciso I, o qual há de ser considerado o núcleo fundamental e irradiador das diretrizes essenciais em matéria de responsabilidade tributária, de modo que todos os requisitos devem ser preenchidos, principalmente, o interesse comum no fato gerador da obrigação principal. Fl. 722DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003596/200740 Acórdão n.º 2403000.752 S2C4T3 Fl. 5 9 DO RATEIO DAS DESPESAS Ao revés, pelo, principio da eventualidade, caso não seja esse o entendimento desse nobre conselho de recursos fiscais, e considerando a empresas autuadas como um grupo empresarial, a auditora deveria proceder ao rateio de despesas, no qual as receitas e despesas são consideradas em conjunto. (...) No presente caso, a pratica não configura qualquer prejuízo para o INSS, porque o pagamento efetuado pela Impugnante, cujo fato e valor foi constatado via cópia de cheques, corresponde exatamente a folha de pagamento deste empregado. DA APLICAÇÃO IMEDIATA DA LEGISLAÇÃO MAIS BENIGNA EM RELAÇÃO À MULTA DE MORA.” Além do mesmo argumento acerca da impossibilidade da AFERIÇÃO INDIRETA. É o relatório. Fl. 723DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 705, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DAS RUBRICAS NÃO IMPUGNADAS EM SEDE RECURSAL Entendese que a recorrente aceitou a decisão da DRJ no que se refere às rubricas que não foram objeto de Aferição Indireta, quais sejam: ESR (Empregados Sem Registro) e SVN (Supervisor Vendas Não Registradas); diante da ausência de contestação em sede recursal, nos termos do art. 17 do Decreto n. 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A recorrente entende que não deve haver solidariedade no tocante à contribuição previdenciária objeto da lide. No que se refere a esse pleito, a DRJ aplicou a regra constante no art. 30, IX da Lei n. 8.212/91, decorrente do art. 124, II do CTN, verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: (...) II as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifo nosso) Diante dessa legislação, para aplicação da solidariedade previdenciária, mister se faz definir o que vem a ser “Grupo Econômico”, bem como analisar o caso concreto. A jurisprudência tem se firmado no sentido de que, para haver a formação de grupo econômico, passível de responsabilidade previdenciária, fazse necessária a existência de um comando único e o compartilhamento de funcionários, verbis: Fl. 724DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003596/200740 Acórdão n.º 2403000.752 S2C4T3 Fl. 6 11 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO RECORRIDO. INDEFERIMENTO DE PROVA PERICIAL E TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA. REVISÃO. SÚMULA N. 7 DO STJ. GRUPO ECONÔMICO. COMANDO ÚNICO. EXISTÊNCIA DE FATO. SOLIDARIEDADE. ART. 124, INC. II, DO CTN C/C ART. 30, INC. IX, DA LEI N. 8.212/91. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. AJUDA DE CUSTO. DIÁRIAS. DESCARACTERIZAÇÃO. NATUREZA SALARIAL CONFIGURADA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. SUCUMBÊNCIA RECÍPROCA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. SÚMULA N. 306 DO STJ. (...) 3. O Tribunal de origem declarou que "é fato incontroverso nos autos que as três embargantes compartilham instalações, funcionários e veículos. Além disso, a fiscalização previdenciária relatou diversos negócios entre as empresas como empréstimos sem o pagamento de juros e cessão gratuita de bens, que denotam que elas fazem parte de um mesmo grupo econômico. O sóciogerente da Simóveis, Sr. Écio Sebastião Back tem um procuração que o autoriza a praticar atos de gerência em relação às outras empresas, sendo irmão do sócio gerente delas. Ou seja, no plano fático não há separação entre as empresas, o que comprova a existência de um grupo econômico e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as executadas/embargantes" (grifei). 4. Incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. (...) 8. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1144884/SC, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/12/2010, DJe 03/02/2011) (grifo nosso) Fl. 725DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 12 No caso concreto, através da análise do Relatório Fiscal de fls. 108/140, em especial no tocante à cronologia constante nas fls. 119/122, está caracterizada a formação de um Grupo Econômico. Os pontos de destaque para o convencimento são: (i) o ingresso da empresa Nova Colina Administradora de Bens Patrimoniais LTDA como controladora em 19/10/2004; (i) o atendimento à fiscalização (Federal, Estadual e Municipal), bem como o Recursos Humanos da Cerealista Castro serem encaminhadas para a sede da Distribuidora Barreiras de Alimentos (DIBAL). No tocante a esse ponto, tendo esse julgador se convencido pela existência da formação do Grupo Econômico, diante da existência do “comando único” e “compartilhamento de funcionários”, conforme destacado acima. Não há como afastar a solidariedade da referida contribuição previdenciária prevista no vigente art. 30, IX da Lei n. 8.212/91, nos termos da Súmula n. Súmula nº 02 do CARF, abaixo transcrita: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Pelos citados motivos, no que se refere à responsabilidade solidária, deve o Acórdão da DRJ permanecer inalterado. DO RATEIO DAS DESPESAS A recorrente pleiteia o rateio com as contribuições previdenciárias pagas pela CEREALISTA, caso seja o entendimento da ocorrência de Grupo Econômico. Ocorre que, como bem destacou a DRJ no seu Acórdão: “(...) não há nenhum levantamento referente a empregados da Cerealista Castro Ltda.”. Por outro lado, a recorrente não demonstrou ter pago contribuições previdenciárias passíveis do rateio pretendido. Por esses motivos, não há como prosperar o pleito. DO MÉRITO Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada contra a recorrente, referente às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, referentes à parte patronal, às destinadas ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, bem como às contribuições previdenciárias dos próprios segurados empregados. A fiscalização autuou a recorrente, por arbitramento, por não ter incluído na base de cálculo da contribuição previdenciária as verbas que denominou de ACE (Aferição Caracterização Empregados); AEN (Aferição Empregados Não Registrados); ASS (Aferição Salários Supervisora); AVE (Aferição Valor Extra Empregado). Antes de se analisar o caso concreto, mister se faz analisar o conceito de “Aferição Indireta”. Do ponto de vista doutrinário, seguem as lições do Professor Wladmir Novaes Martinez (Curso de Direito Previdenciário. 4a Ed. – São Paulo: LTr, 2011. P. 756), verbis: Fl. 726DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003596/200740 Acórdão n.º 2403000.752 S2C4T3 Fl. 7 13 861. Apuração usual – Fiscalizando o contribuinte, a Receita Federal do Brasil examina vários documentos trabalhistas (PPP, LTCAT, do ambiente do trabalho) e contábeis (documentos de caixa) para verificar a presença do fato gerador. Entre muitos outros, são considerados a folha de pagamentos, recibos de pagamento, holleriths, cartões de ponto, pagamentos aos contribuintes individuais (autônomos eventuais e empresários), contratos de prestação de serviços ou de cessão de mão de obra, documentos de aquisição de produtos, rendas e receitas, quitações no Poder Judiciário, enfim, uma quantidade significativa de registros escriturais pertinentes aos deveres das obrigações principais e secundárias. E continua: Essa modalidade de detenção do fato gerador, por sua excepcionalidade, reclama cuidados extremos do aplicador da norma. Ela tem pressupostos, mecanismos de levantamento, claríssima descrição do modus operandi fiscal e um relatório discriminativo que não obste o direito constitucional de defesa. Por ser inusitada ab initio, merece justificativa efetiva e deve ser interpretada restritivamente. (grifos nosso) Feita a análise doutrinária acerca da Aferição Indireta, mister se faz avaliar à luz da legislação (art. 33, §§ 3º e 6º da Lei nº 8.212/91), que regulamenta a matéria, vigente há época da fiscalização, verbis: Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (...) § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente Fl. 727DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 14 devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifo nosso) Sobre a Aferição Indireta, assim entende a recorrente, verbis: “O Direito não pode conduzir a situações desarrazoadas ou ilógicas, ao contrário, deve pautarse por coerência, bom senso e sentimento de justiça. Temse, assim, que o arbitramento é critério totalmente excepcional dentro do ordenamento jurídico, que só se legitima ante às estreitas possibilidades elencadas pelo legislador.” Da análise do Relatório Fiscal, no que se referem às rubricas: ACE, AEN, ASS e AVE; verificase que a fiscalização se utilizou da Aferição Indireta de forma coerente, de acordo com a doutrina e legislação pátrias, como atendeu aos preceitos da recorrente, conforme registrado. Em sede de defesa, a recorrente, não comprovou de forma precisa os motivos que inviabilizariam os Arbitramentos Indiretos que ensejaram a autuação. Ressaltando que a ela competia provar o alegado. Por essas razões, no que se referem às rubricas ACE, AEN, ASS e AVE, deve o Auto de Infração ser mantido. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 728DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10530.003596/200740 Acórdão n.º 2403000.752 S2C4T3 Fl. 8 15 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Por falta de amparo legal, não há como prosperar o pleito da recorrente para que seja aplicado o recálculo nesta fase processual, devendo ocorrer, quando do pagamento, conforme já destacado. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 729DF CARF MF Emitido em 16/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10120.005736/2007-46
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1998 a 30/04//2007
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, dependendo de antecipação ou não de pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Recurso Voluntário Provido. em Parte
Numero da decisão: 2403-000.728
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, na preliminar, por unanimidade de
votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência do até a competência de 06/2002,inclusive, com base no artigo 150, § 4º do CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro votou pelas conclusões. No mérito: Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBATO
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DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º ou 173, I, ambos do CTN, dependendo de antecipação ou não de pagamento, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Recurso Voluntário Provido. em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, na preliminar, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial para declarar a decadência do até a competência de 06/2002, inclusive, com base no artigo 150, § 4º do CTN. Votou pelas conclusões o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro votou pelas conclusões. No mérito: Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marthius Sávio Cavalcante Lobato Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10120.005736/200746 Acórdão n.º 240300.728 S2C4T3 Fl. 68 3 Relatório Tratase de crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD n°37.112.4263) contra a empresa acima identificada, referente a acréscimos legais, oriundas de recolhimento a menor, quando do recolhimento de CiPS — Guias da Previdência Social fora do prazo, relativo às competências 09/1999 a 03/2007. O crédito tributário originouse “do fato da empresa acima identificada ter efetuado compensações, no período de 09/2000 a 02/2002, de valores de contribuições recolhidas com base na Lei n° 7.787 de 30 de junho de 1989 que criou em seu artigo 3°, inciso 1, a contribuição previdenciaria sobre a remuneração paga a trabalhadores avulsos, autônomos e administradores. Tais compensações foram iniciadas em 02.102000, portanto, após o término do prazo prescricional. Os recolhimentos efetuados têm por início do prazo prescricional o dia 28/04/1995, data da publicação da Resolução n° 14, de 19/04/1995, através da qual o Senado Federal suspendeu a expressão "avulsos, autônomos e administradores" contida na mencionada Lei, declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; e, por término, o dia 28/04/2000.” (fl.106). A DRJ julgou procedente o lançamento (DEBCAD n° 37.112.4263), mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada com a decisão que julgou procedente o lançamento (DEBCAD n° 37.112.426 3), mantendo o crédito tributário exigido, recorre voluntariamente. Em preliminar, reitera a aplicação da decadência tendo em vista se tratar do prazo de 5 (cinco) anos constante no artigo 150, do CTN. No mérito, reitera a improcedência do crédito lançado pela fiscalização (DEBCAD n°37.112.4263) É o Relatório. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 Voto Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato,Relator DA TEMPESTIVIDADE Recurso tempestivo. Conheço. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. No presente caso presente a decadência. O Lançamento fora realizado em 30 de julho de 2007. O crédito lançado referese às competências de 09/1998 a 04/2007. Aplicandose o disposto no art. 150, § 4º do CTN, temos como decaídos os créditos até 30/06/2002, inclusive. Ante o exposto, dou provimento parcial neste ponto para declarar a decadência dos créditos de 30/06/2002, inclusive. NO MÉRITO. Reitera a recorrente todos os termos de sua defesa. Sem razão, contudo. Conforme os fundamentos lançados pela DRJ não há que se falar em nulidade dos lançados. Desta feita, adoto integralmente os fundamentos da DRJ, que ficam fazendo parte integrante da presente decisão para todos os efeitos, negando provimento ao recurso. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço do recurso e preliminarmente, dou provimento parcial provimento para declarar a decadência dos créditos de 30/06/2002, inclusive. No mérito, nego provimento ao recurso, mantendo integralmente a decisão da DRJ. Marthius Sávio Cavalcante Lobato Fl. 109DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 10120.005736/200746 Acórdão n.º 240300.728 S2C4T3 Fl. 69 5 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 14/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 10/01/2012 por MARTHIUS SAVIO CAVALCANTE LOBA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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