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Numero do processo: 10746.000416/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.070
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em declinar da competência para a 3ª Seção de Julgamento por se tratar de PIS faturamento.
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em declinar da competência para a 3ª Seção de Julgamento por se tratar de PIS faturamento. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa. Impedido de votar o conselheiro Nelso Kichel por haver participado do julgamento em 1ª instância. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o lançamento do PIS referente ao anocalendário 2001, consubstanciado no auto de infração de fls. 113/125, mantendo o crédito tributário exigido. Primeiramente cabe relatar que o presente processo estava apenso ao processo nº 10746.000415/200617 que tratou da suspensão de imunidade do sujeito passivo, nos termos do Ato Declaratório Executivo nº 12, de 13/04/2006, publicado no DOU de 18/04/2006, bem como dos lançamentos de IRPJ, CSLL c IRRF, referentes ao anocalendário 2001. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10746.000416/200661 Resolução n.º 1802000.070 S1TE02 Fl. 2 2 O lançamento de PIS decorreu dos seguintes fatos, conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal, integrante do auto de infração: a) da insuficiência de recolhimento do PIS, vez que o contribuinte recolheu o tributo com base na folha de pagamentos ao invés do faturamento; b) De acordo com a MP 215835/2001, o recolhimento do PIS com base na folha de salários pelas instituições de educação está condicionado ao preenchimento dos requisitos do art. 12 da Lei nº 9.532/97 e o art. 55 da Lei nº 8.212/91. Já o Decreto nº 4.524/2002 e a IN SRF nº 247/2002, art. 9° e 47 acrescentam ainda a necessidade da posse de Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social; c) Às fls. 33/34 e posteriormente na fl. 51, o contribuinte foi intimado a apresentar comprovante de reconhecimento da condição de utilidade pública federal, estadual, municipal ou o comprovante de isenção fornecido pelo INSS, contudo a intimação não foi atendida; d) De acordo com as informações constantes do processo o Recorrente não é imune ao PIS/faturamento, pois não se trata de uma entidade beneficente de assistência social, mas de instituição de ensino superior que recebia por serviços prestados, descumprindo o disposto no art. 195, parágrafo 7°. da Constituição Federal (CF). O ADE nº 12/2006 suspendeu a imunidade da Recorrente. e) Foi utilizado o livro de registro de prestação de serviços para apurar a base de cálculo, tendo sido abatidos os valores declarados/pagos a título de PIS/Folha (fl. 16/32). Cientificado do lançamento em 28/04/2006, conforme AR à fl. 127, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fl. 136/146, em 19/05/2006. Tal impugnação contestou o presente lançamento, bem assim a suspensão de imunidade e os lançamentos de IRPJ, CSLL e IRRF, integrantes dos autos dos autos do processo nº 10746.000415/200617. Relativamente ao lançamento ora discutido, alegou, em síntese, o que segue: a) Preliminar de nulidade O auto de infração foi lavrado antes do prazo estabelecido no art. 32, § 6°, inciso II, da Lei no. 9.430/96, qual seja, da efetivação da suspensão da imunidade; estando nulo de pleno direito; b) Considerando como data da efetivação da suspensão o dia da publicação no Diário Oficial da União, 18/04/2006, gerando seus efeitos a partir do dia 19/04/2006, somente a partir desta data o auto poderia ter sido lavrado. Contudo o lançamento foi elaborado no dia 18/04/2006; c) Considerando como data da efetivação da suspensão o dia da ciência (notificação regular) do ato declaratório, 27/04/2006, (o que seria mais acertado de acordo com regras legais, pois a elaboração do ato é fase preliminar, efetivando apenas com a ciência), somente a partir desta data o auto poderia ter sido lavrado. Contudo o lançamento foi elaborado em 18/04/2006. A DRJ em Brasília julgou procedente o lançamento efetuado, consubstanciando sua decisão na seguinte ementa: “Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2001 Ementa: SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. EFETIVIDADE. MOMENTO DA EFICÁCIA DO AUTO. O auto de infração somente pode ser cientificado ao sujeito passivo quando a suspensão tiver se tornado efetiva, ou seja, houver sido notificada. A ciência concomitante da Fl. 410DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10746.000416/200661 Resolução n.º 1802000.070 S1TE02 Fl. 3 3 decisão de suspensão e do auto de infração não descumpre o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430/96. SUSPENSÃO DA IMUNIDADE. Matéria já foi objeto de julgamento em outro processo. Lançamento Procedente” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 27/04/2007, a Contribuinte apresentou recurso voluntário em 22/05/2007, alegando: A Como preliminares: a.1) Violação à Lei nº 9.430/96, art. 32, § 9º que trata da necessidade de reunião em um único processo a impugnação do Ato Declaratório e as Impugnações aos Autos de Infração; a.2) Usurpação de competência funcional eis que o Ato Declaratório que excluiu a Recorrente do Simples caberia ao Delegado da DEFIC e não ao Chefe da SAORT, como foi feito. a.4) Falta de fundamentação da decisão; a.5) Nulidade do Auto de Infração; B No mérito No mérito a Recorrente manteve todas as alegações feitas anteriormente. Conforme solicitado no Acórdão 0320.157, acostado às fls. 182 a 186, em 05/06/2007 o processo foi apensado ao processo de nº 10746.000415/200617 para manter a interdependência entre os processos. Em 07/01/2008 a DRF de Palmas verificou que nos autos do processo nº 10746.000415/200617 não houve manifestação no julgamento daquele processo ao Recurso Voluntário apresentado pelo Recorrente, através do despacho a seguir transcrito: “Proponho a devolução do presente processo ao 1° CC para manifestação a respeito do Recurso Voluntário, fls. 205 a 221, apresentado no processo 10746.000416/200661, juntado a este por sugestão da DRF/BSA/DF, tendo em vista o acórdão 10323.411, do 1° CC, acostado às fls. 410 a 417, não fazer referência ao Recurso Voluntário apresentado no processo 10746.000416/200661. O processo 10746.000416/200661 encontrase na situação "Suspenso para Julgamento do Recurso Voluntário", portanto, é imprescindível o n° do acórdão para informar o resultado do julgamento no mesmo. Ante o exposto, proponho o retorno do presente processo ao Primeiro Conselho de Contribuintes para pronunciamento.” Ao receber o processo a Presidência da 2ª Câmara da 1ª Seção despachou pedindo a desapensação dos processos por entender que o processo nº 10746.000415/200617 já havia sido julgado, com o seguinte despacho: “Ocorre que o presente processo, que diz respeito ao IRPJ, já foi julgado por este Colegiado por meio do acórdão n° 10323.441, fls. 410/417, sem que se tenha pronunciado sobre o processo apenso, relativo ao PIS, até porque o seu recurso não foi cadastrado neste Conselho. Fl. 411DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10746.000416/200661 Resolução n.º 1802000.070 S1TE02 Fl. 4 4 Assim, peço à Secretaria desta Câmara que providencie a desapensação do processo n° 10746.000416/200661 do presente processo, para que o recurso voluntário impetrado em face do acórdão n° 03 — 20.157, nos autos do processo n° 10746.000416/200661, receba numeração neste Conselho e possa ser distribuído a quaisquer das Câmaras desta Seção. Outrossim, determino que ao processo n° 10746.000416/200661 sejam juntadas cópias do documento de fl. 421 do presente processo, bem como deste despacho.” Este é o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF), que considerou improcedente a manifestação de inconformidade contra o lançamento do PIS referente ao anocalendário 2001. No estado que se encontra o presente processo, voto no sentido de declinar da competência para o julgamento, tendo em vista que não é de competência desta Seção. A partir do momento em que foi desapensado do processo nº 10746.000415/200617, o mesmo passou a ser de competência da 3ª Seção, conforme prescrito na Portaria nº 256/09, Anexo II, art. 4º, inciso I. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 412DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 13/06/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 24/06/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001752/2006-49
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1803-000.045
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dava provimento parcial ao recurso.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes que dava provimento parcial ao recurso. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “DA AUTUAÇÃO Conforme os Termos de Verificação de Infração n° 01 (fls.71/74) e n° 02 (fls.75/84), em fiscalização empreendida junto à instituição financeira supramencionada, o autuante verificou em síntese que: Fl. 208DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 2 2 1. A contribuinte fiscalizada levou a débito da conta "Perdas com Títulos e Créditos" — código 8.1.4.20.001 — a importância de R$1.168.324,45, em 31/03/2004, e também a importância de R$13.000,00 em 08/06/2004. 1.1. A cobrança dos créditos da contribuinte estava a cargo do BANCO UNIBANCO, na condição contratual de mandatário da cobrança. 1.2. Em relação ao valor de R$1.168.324,45, o BANCO UNIBANCO enviou à contribuinte o documento de fls.53/54, em que esclareceu o seguinte: "...alguns créditos por nós cedidos a V.Sas. foram liquidados mediante o recebimento de bens, em decorrência da dação em pagamento, execução de garantia real ou penhora de bens em ação judicial. Dessa forma, este Unibanco (...), na qualidade de mandatário de V. Sas. na cobrança de tais créditos — conforme previsto nos respectivos contratos de cessão de créditos — concedeu quitação aos respectivos devedores sem deles ter recebido os valores devidos em dinheiro. Devido a falha operacional, o Unibanco, ao receber referidos bens, contabilizouos em seus registros pelo valor das dívidas então quitadas, e não pelo valor dos próprios bens. Ademais, ao conceder quitação aos devedores, pagou a V.Sas. o valor integral da dívida. Esses procedimentos implicaram prejuízo injustificado ao Unibanco, uma vez que: a) alguns dos bens recebidos não foram, até a presente data, alienados, não obstante o valor das respectivas dívidas tenham sido integralmente pagos pelo Unibanco a V. Sas.; e b) nos casos de bens recebidos que já foram liquidados, o valor obtido com a alienação foi substancialmente inferior ao valor das respectivas dívidas quitadas e, portanto, inferior ao valor pago pelo Unibanco a V.Sas. Tendo em vista o acima exposto, vimos, por meio desta, solicitarlhes a devolução dos valores pagos indevidamente, no montante de R$1.168.328,45 (..). [conforme planilha de fls.55/57] Com relação aos bens ainda não alienados, conforme descrito no item (a) acima, o Unibanco comprometese a repassar a V. Sas. os valores obtidos com a respectiva alienação, tão logo esta seja realizada." 1.2.1. Por sua vez, a contribuinte faz menção ao valor de R$1.168.324,45 na resposta de fls.50: "Baixa a perda em 31/03/2004, no valor de R$1.168.328,45, referente a uma falha operacional em nosso mandatário de cobrança, cujos detalhes estão descritos na correspondência anexa,em que recebemos R$1.610.121,23 quando deveríamos ter recebido R$441.792,78 e dessa forma indevidamente adicionamos à nossa base tributária o valor de R$1.168.328,45 a maior, e nesta data, ao devolvermos esse montante para o mandatário de cobrança baixamos o valor a perda, corrigindo assim nossa base tributária. Note que não tratamos essa devolução como um estorno de receita para não alterarmos nossa base de PIS/Cofins." Fl. 209DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 3 3 1.3. No que concerne ao valor de R$13.000,00, a contribuinte informou às fls.51: "Baixa a perda em 08/06/2004, no valor de R$13.000,00, referente a uma operação em que o mandatário da cobrança havia vendido anteriormente um bem em garantia no valor de R$13.000,00 e dessa forma registramos tal montante em nossa base tributária, entretanto por questões judiciais esse bem não deveria ter sido vendido resultando na devolução do valor da venda, conforme correspondência anexa [fls.52] e a conseqüente contrapartida baixando de nossa base tributária. Note que não tratamos essa recompra como um estorno de receita para não alterarmos nossa base de PIS/Cofins." 1.4. A contribuinte não informou os fundamentos legais destas condutas específicas. 1.5. O recebimento de crédito em bens é disciplinado pelo parágrafo único, do art.12, da Lei n° 9.430/96. Nesse caso, o crédito é substituído pelos bens recebidos na quitação, pelo mesmo valor do crédito quitado. A norma tem como destinatário o titular do crédito, não sendo relevante o fato de a cobrança se operacionalizar através de instrumento de mandato. 1.5.1. Assim, quando um crédito é recebido em bens, deve o mesmo ser baixado contabilmente, para registro concomitante do bem recebido. A subseqüente alienação do bem recebido não é mais matéria atinente à norma de perdas em créditos. O confronto entre o produto da venda e o valor registrado do bem resultará em ganho ou perda sujeito às regras gerais das receitas e despesas operacionais, ou não operacionais, conforme o caso. 1.5.2. O parágrafo único, do art.12, da Lei n° 9.430/96 determina que o valor a ser escriturado no recebimento de um bem, recebido em razão da quitação de um crédito, é o valor do crédito que está sendo quitado e não o valor pago na aquisição deste crédito, em situação de securitização. 1.5.3. No presente caso, os bens foram recebidos pelo mandatário (BANCO UNIBANCO), e o mandante (contribuinte em epígrafe) não poderia deixar de registrar em seu ativo os bens recebidos pelo valor dos créditos quitados. A mais valia apurada nestas transações é receita operacional decorrente de ganhos sobre os créditos adquiridos pela securitizadora. Portanto as situações fáticas reportadas não são situações autorizadoras de estornos de receita ou apropriação como despesas operacionais. Os créditos foram substituídos pelos bens recebidos. 1.5.4. A devolução ao mandatário das importâncias recebidas, indevidamente, em dinheiro é fato contábil meramente permutativo que deveria ser expresso por um crédito no disponivel e um débito no próprio ativo circulante, ou no ativo permanente em razão da natureza e da destinação dos bens recebidos pela quitação dos créditos. 1.5.5. Os equívocos de direito na conduta da fiscalizada são manifestos e residem na interpretação do contido no art.12, da Lei n° 9.430/96. Fl. 210DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 4 4 1.6. Impõese no caso concreto o valor tributável R$1.181.328,45, com fundamento no §2°, do art.835 c/c o inciso III, do art.845, do RIR/99. 2. A operação de securitização de um crédito por parte de uma instituição financeira a uma companhia securitizadora implica na transferência de todos os direitos inerentes ao crédito negociado — inciso III, do art.2°, da Resolução BACEN 2493/98. Como tal o crédito passa a integrar o patrimônio jurídico da cessionária, pelo seu próprio valor, independentemente do preço da operação de cessão. O valor de face do crédito e demais instrumentos e garantias deste crédito, necessários à sua execução, são atributos do próprio crédito cedido. 2.1. Nas situações previstas nos incisos II a IV do §1°, do art.9°, da Lei n° 9.430/96 — perdas temporárias — o valor parâmetro para fruição dos direitos ali previstos é o valor do crédito e não o valor pelo qual se tenha adquirido este crédito. Ao adquirir um crédito, a securitizadora tornase sucessora de quem tenha cedido este crédito assumindo o pólo ativo da relação credordevedor. As mesmas condições objetivas da situação do crédito que deveriam ser observadas pela cedente passam a ser de obrigatória observância pela cessionária para marcação do crédito. 2.2. Caso o crédito seja pago por dação de um bem em pagamento, este bem deverá ser registrado na escrituração do credor pelo valor do crédito quitado — parágrafo único, do art.12, da Lei n° 9.430/96. Eventual ganho ou perda só se dará na futura alienação do bem recebido, sendo que, neste caso, a dedutibilidade de eventual perda não será mais disciplinada pela Lei n° 9.430/96, e sim pelas regras normativas gerais. Não há exceção para a observância desta ordem legal, que, conseqüentemente, também se aplica à credora securitizadora. 2.3. Se assim não fosse, o alcance e a eficácia das normas da Lei n° 9.430/96 seriam neutralizados pelo contrato de cessão de crédito. 2.4. Entretanto, a contribuinte não registrou os créditos de valor superior a R$5.000,00 em conta redutora, que deveria constar do ativo circulante do balanço patrimonial, bem como não observou as condições objetivas de cada crédito, nos termos dos incisos II a IV, do §1°, do art.9°, da Lei n° 9.430/96. Desse modo, a empresa deduziu perdas econômicas no recebimento de créditos como se fossem perdas efetivas no conceito legal tributário, sem, contudo, possuir amparo legal para tanto. 2.4.1. Ademais, a contribuinte não apresentou provas concretas da ocorrência de perdas efetivas, ou pela declaração judicial de insolvência de devedores, ou pelo transcurso de cinco anos do vencimento do crédito. A conduta ilegal foi repetida nos registros contábeis especificados às fls.83 e 40. Em decorrência das constatações feitas pela fiscalização, em 17/11/2006 foram lavrados os Autos de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica de fls.85/88 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de fls.89/92, com os valores a seguir discriminados: (...) Fl. 211DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 5 5 DA IMPUGNAÇÃO A contribuinte apresentou a impugnação de fls.99/116, protocolizada em 21/12/2006 e acompanhada dos documentos de fis.117/146, alegando em síntese que: 1. A DEINF é incompetente para a prática dos atos de fiscalização de empresas não enquadradas como instituições financeiras, como é o caso da impugnante, logo os autos de infração são nulos, nos termos do art. 59, I, do Decreto n° 70.235/72. 2. Não deve subsistir o argumento da Fiscalização de que os bens móveis (automóveis) recebidos pela impugnante a título de pagamento parcial ou total dos créditos por ela detidos deveriam ter sido lançados em sua contabilidade pelo valor de face dos créditos por ela adquiridos das instituições do mercado financeiro, pois o parágrafo único, do art.12, da Lei n° 9.430/96 menciona "valor de crédito", o qual corresponderá ao valor registrado na contabilidade de seu detentor, e não ao valor de face do título ou contrato, a menos que este tenha sido o valor utilizado pelo detentor do crédito para registro em sua contabilidade. 3. Se, por hipótese, a impugnante adotasse o método de registrar o bem em sua contabilidade pelo valor de face dos créditos financeiros, eventuais perdas precisariam ser reconhecidas nas bases do IRPJ e da CSLL no momento de alienação deste bem, revertendo o efeito da adição da receita nestas bases no momento do recebimento dos bens. 3.1. O efeito tributário da dedução das perdas incorridas pela impugnante na devolução de valores repassados a maior pelos mandatários é idêntico ao efeito tributário da dedução das perdas que incorreria a impugnante na alienação dos bens móveis recebidos dos devedores, caso tivesse ativado esses bens em sua contabilidade. Não há, desse modo, qualquer prejuízo à arrecadação dos tributos sobre as atividades da impugnante. 3.2. A adição de uma receita nas bases do IRPJ e da CSLL (repasse de valores pelos mandatários ou recebimento de bens) será sempre seguida de uma exclusão de perdas no recebimento dos créditos (repasses a maior) ou na alienação dos bens, de forma que a vedação imposta pelos autos de infração à dedutibilidade destas perdas é abusiva e confiscatória. 3.3. A impugnante agiu de forma conservadora, preferindo deduzir as bases presentes de incidência dos tributos sobre o lucro, deixando de retificar os lançamentos passados. 3.4. A impugnante requer seja reconhecida a dedutibilidade das perdas sofridas com a devolução de numerário aos mandatários, sendo que a impugnante não pode arcar com o IRPJ e CSLL sobre valores que não configuram lucro tributável, mas sim valores recebidos indevidamente e a maior de seus mandatários em decorrência das perdas sofridas na alienação dos bens recebidos para quitação das dívidas detidas por ela. Fl. 212DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 6 6 4. A impugnante registra os títulos de crédito adquiridos pelo valor despendido em sua aquisição. Quando o devedor liquida o crédito para com a impugnante, o valor de seu custo de aquisição é subtraído do montante pelo qual ele foi realizado, para a obtenção do lucro tributável pelo IRPJ e pela CSLL. 4.1. Dessa forma, o valor de face dos títulos de crédito não exerce qualquer influência sobre a apuração do resultado auferido na sua realização. 5. O procedimento adotado pela impugnante de contar os prazos previstos no art.9°, da Lei n° 9.430/96, a partir da data de cessão do crédito, e não da data de vencimento assinalada no próprio título, não acarreta qualquer prejuízo aos cofres públicos, ao contrário, faz com que a impugnante postergue o reconhecimento de despesas e, conseqüentemente, antecipe o recolhimento de tributos. 6. A impugnante apresenta os documentos de fls.135/146, com a relação dos créditos objetos dos contratos de cessão, indicando os respectivos valores e prazos de vencimento, que demonstra o cumprimento dos requisitos do art.9°, da Lei n° 9.430/96. 6.1. Os créditos registrados como perda pela impugnante atendiam a todos os requisitos legais para tanto, de forma que é descabida a glosa das despesas decorrentes dessa perda. 7. Qualquer que seja o critério adotado, seja (i) o valor de face dos títulos, tomados como marco inicial dos prazos previstos no art.9°, da Lei n° 9.430/96, ou (ii) o valor pago pela impugnante pelos créditos, tomandose como marco inicial dos referidos prazos as datas dos respectivos contratos de cessão, a impugnante preencheu os requisitos previstos no art.9° para dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos. 8. Se ainda assim restar dúvida acerca da correção do procedimento adotado, a impugnante protesta pela realização de diligência.” A Delegacia de Julgamento considerou o lançamento procedente, com base nos seguintes fundamentos: a) É o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil o agente do fisco competente para exercer a atividade de lançamento de tributos federais, não podendo dela se eximir, a menos que decorrido o prazo decadencial. b) Ao receber o valor de um bem a título de quitação do débito, o registro contábil da operação não poderia ocorrer segundo o livre arbítrio da cessionária, uma vez que deve ser necessariamente haver a contabilização correlata entre o valor do bem e o valor do crédito originário cedido que, repisese, foi recebido na integralidade pela cessionária, inclusive quanto às respectivas garantias de execução. c) Fica claro que a contribuinte efetuou uma interpretação equivocada do parágrafo único, do art.12, da Lei n° 9.430/96, já que o valor do crédito do bem a ser escriturado se refere especificamente ao título recebido em cessão de crédito. Fl. 213DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 7 7 d) As planilhas de fls.135/146 foram desacompanhadas de qualquer prova documental que lhes conferisse sustentação. A contribuinte não trouxe aos autos qualquer outro documento, como contratos, registros bancários ou contábeis, que permitissem embasar os dados tabulados nas planilhas em questão. e) Compulsandose as planilhas de fls.135/146, verificase que só há menção à data de cessão do crédito, sem qualquer informação sobre a data do vencimento do crédito, além do que, no caso das planilhas de fls.135/139 e 144/145, não foi nem ao menos indicado o valor do crédito em discussão. f) Além disso, não há qualquer elemento em todas as planilhas que informe se os créditos possuíam ou não garantia, o que impede a verificação do atendimento das hipóteses relacionadas nos incisos do §1°, do art.9°, da Lei n° 9.430/96. g) Os pedidos de diligência, de acordo com a disciplina do art 16, do Decreto n° 70.235/72, devem vir acompanhados da formulação dos quesitos referentes aos exames de interesse da contribuinte, condição esta que não se encontra presente na peça impugnatória, devendo o pedido ser tido como não formulado. Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, além de reiterar as alegações contidas na impugnação, acrescenta as seguintes considerações: a) Somente em 04 de dezembro de 2008, as sociedades securitizadoras de créditos passaram a constar expressamente na relação dos contribuintes jurisdicionados pela DEINF, conforme se verifica do artigo 1° da Portaria do Secretário da Receita Federal n° 2.143/08. Até tal data, muito embora a Portaria n° 563/98 já tivesse sido revogada pela Portaria n° 10.166/07, as sociedades secutizadoras de créditos foram mantidas sob a fiscalização da DERAT. b) Os autos de infração ora em combate foram lavrados por autoridade incompetente, restando nulos de pleno direito, nos temos do inciso I do artigo 59 do Decreto Federal n° 70.235/72. Infração 1 c) No tocante aos bens móveis (automóveis) recebidos pela Recorrente a título de pagamento parcial ou total dos créditos por ela detidos, importante analisar o parágrafo único do artigo 12 da Lei 9.430/96, o qual prevê que os bens recebidos a título de quitação do débito deverão ser escriturados pelo valor do crédito. Por óbvio, esta norma serve apenas e tãosomente para determinar que o contribuinte, por ocasião do recebimento deste bem escriture pelo mesmo valor que havia escriturado o crédito, ou seja, debite a conta do ativo que identificará este bem a crédito da conta do ativo que registava o crédito, no exato valor deste, enxugando completamente esta conta contábil em favor daquela. d) O valor dos créditos financeiros detidos pela Recorrente registrados em sua contabilidade equivale ao custo de aquisição destes créditos, nos termos da Lei Federal 6.404/76, artigo 183, inciso I ("Lei das Sociedades Anônimas"). e) A Recorrente prefere dar baixa nos créditos financeiros registrados em seu ativo apenas no momento da alienação dos bens móveis recebidos para quitar as dívidas detidas por Fl. 214DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 8 8 ela, ou no momento do recebimento em espécie destas dívidas, ocasião em que será apurado eventual lucro/ganho ou prejuízo/perda na operação, os quais serão devidamente reconhecidos nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, repitase, sem qualquer prejuízo à arrecadação fiscal. f) O efeito tributário da dedução das perdas incorridas pela Recorrente na devolução de valores repassados a maior pelos mandatários é idêntico ao efeito tributário da dedução das perdas que incorreria a Recorrente na alienação dos bens móveis recebidos dos devedores, caso tivesse ativado esses bens em sua contabilidade. g) Exigir da Recorrente que arque com o ônus do IRPJ e da CSLL sobre valores que não configuram lucro tributável, mas sim valores recebidos indevidamente e a maior de seus mandatários em decorrência das perdas sofridas na alienação dos bens recebido para quitação das dívidas detidas por ela, afigurase como verdadeiro atentado à moralidade administrativa e aos preceitos tributários, sobretudo o princípio da legalidade e a vedação ao confisco, motivos pelos quais a decisão ora combatida deve ser reformada, a fim de que se seja reconhecida a dedutibilidade das perdas sofridas com a devolução de numerário aos mandatários. Infração 2 h) Os créditos adquiridos pela Recorrente não estavam protegidos por qualquer garantia. i) Em face da falta de disposição legal específica à atividade de securitização de créditos, a Recorrente adota em sua contabilidade o "princípio do custo como base de valor", segundo o qual o custo de aquisição de um ativo representa a base de valor para o seu registro contábil, conforme determina a rega geral constante do art. 183 da Lei n° 6.404/1976. j) O valor de face dos títulos de crédito não exerce qualquer influência sobre a apuração do resultado auferido na sua realização. k) Não obstante a contabilização dos créditos ser feita pelo custo de aquisição, a Recorrente mantém registro dos valores de face dos títulos de crédito por ela adquiridos. Essa informação é essencial para se determinar a partir de que momento o valor da perda no recebimento de créditos pode ser deduzido da apuração do IRPJ e da CSLL. l) A Recorrente considera como marco inicial para os prazos constantes no artigo 9° da Lei n° 9.430/96 a data dos contratos de cessão de créditos. m) O procedimento adotado pela Recorrente — de contar os prazos previstos no art. 9° da Lei n° 9.430/96 a partir da data de cessão do crédito, e não da data de vencimento assinalada no próprio título — não acarreta qualquer prejuízo aos cofres públicos; ao contrário, faz com que a Recorrente postergue o reconhecimento de despesas, e conseqüentemente antecipe o recolhimento de tributos. Fl. 215DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 9 9 n) A confirmação ou não da existência de garantia não impede o direito ao reconhecimento da dedutibilidade das perdas no recebimento de créditos, sob pena de se verificar enriquecimento sem causa da União. o) Se a data de vencimento de um título de crédito deixa de ser a data original, ou seja, aquela constante do título como prazo de pagamento, e passa a ser a data em que esse título foi adquirido por terceiro, no caso a Recorrente, então a conseqüência lógica é a de que o valor do título também passa a ser aquele que o terceiro despendeu para sua aquisição. p) Admitida essa hipótese, no momento da verificação dos valores de títulos de crédito que poderiam ser tratados como perda e, portanto, deduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL, o valor a ser considerado para fins de enquadramento nas regras previstas pelo artigo 9° da Lei n° 9.430/96 seria aquele pago pela Recorrente, e não o valor de face do título de crédito. q) Nesse cenário, os valores dos títulos de crédito tratados como perda pela Recorrente estariam enquadrados nas regras dispostas no artigo 9°, §1°, II, alínea "a", referentes a créditos com valor inferior a R$ 5.000,00 e, conseqüentemente, poderiam ter sido deduzidos seis meses após sua aquisição pela Recorrente. r) Qualquer que seja o critério adotado pela fiscalização, seja o valor de face dos títulos, tomandose como marco inicial dos prazos previstos no artigo 9° da Lei n° 9.430/96, ou o valor pago pela Recorrente pelos créditos, tomandose como marco inicial dos referidos prazos as datas dos respectivos contratos de cessão, o fato 1 inquestionável é que a Recorrente preencheu os requisitos previstos do artigo 9° para dedutibilidade das perdas no recebimento de tais créditos. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 12/02/2009 (fls. 174). O recurso foi protocolado em 16/03/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. Aduz a recorrente que o lançamento é nulo porque foi lavrado por autoridade incompetente. Antes de adentrar no mérito do processo é necessário enfrentarmos esta questão. Tal alegação não é procedente em face do disposto nos parágrafos 2° e 3° do art. 9° do Decreto n° 70.235/1972: Fl. 216DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 10 10 “Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 2º Os procedimentos de que tratam este artigo e o art. 7º serão válidos, mesmo que formalizados por servidor competente de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer.” Nos termos da Lei n° 10.593/2002, com as alterações da Lei n° 11.457/2007, é competência do AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, em caráter privativo, constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições. No momento da lavratura do auto de infração (24/11/2006), a jurisdição das Delegacias Especiais das Instituições Financeiras estava disciplinada na Portaria n° 563/1998. Como afirmado pela recorrente, as securitizadoras apenas passaram a constar expressamente na relação dos contribuintes jurisdicionados pela DEINF, a partir da edição da Portaria SRF n° 2.143/08. Se é fato que as empresas securitizadoras não estavam listadas na Portaria n° 563/1998, os parágrafos 2° e 3° do art. 9° do Decreto n° 70.235/1972 são cristalinos e suficientes para confirmar a validade dos presentes autos de infração. Eles foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, servidor competente para formalizar a exigência. A distribuição de servidores por todo o território nacional, e a criação de órgãos administrativos com jurisdição delimitada, não afeta a competência legal do auditor para constituir, mediante lançamento, o crédito tributário. Tanto é assim, que no processo administrativo fiscal, é expressamente afirmada a validade do auto de infração lavrado por servidor competente de jurisdição diversa. Além disso, também está prevista hipótese de prorrogação da competência do auditor que primeiro conhecer da infração. A autoridade administrativa da Deinf conheceu primeiro da infração, sendo que a formalização da exigência prorrogou sua competência, nos termos do § 3°, do art. 9°, do Decreto n° 70.235/1972. Por conseguinte, não há reparos a fazer na decisão recorrida, que deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos, rejeitandose a preliminar de nulidade. Passemos a analisar o mérito da infração descrita no Termo de Verificação n° 1. Neste termo a autoridade fiscal glosou os valores abaixo discriminados: Fl. 217DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 11 11 a) R$ 1.168.324,45: quantia devolvida em 31/03/2004 ao Banco Unibanco– cedente dos créditos e mandatário na sua cobrança – relativa ao repasse indevido de valores de títulos quitados. O mandatário pagou à securitizadora os valores integrais das dívidas quitadas. No entanto, em muitos casos os títulos foram quitados em decorrência do recebimento de bens (dação em pagamento, execução de garantia ou penhora em ação judicial), sendo que tais bens recebidos ainda não haviam sido alienados, ou tinham sido alienados por valor inferior ao valor das dívidas quitadas. b) R$ 13.000,00: quantia paga em 08/06/2004 pelo mandante, a título de reembolso da mandatária, que foi compelida, judicialmente a devolver importância auferida na alienação de bem entregue pelo devedor em garantia do crédito. O mandatário já havia repassado ao mandante a mesma importância, e por isso solicitou sua devolução. A recorrente havia apropriado tais valores como receita operacional. Na planilha de fls. 55/57 não há informações sobre a data em que o mandatário efetuou os pagamentos, nem sobre o período em que foram apropriadas as receitas. A fiscalização entendeu que a conduta da recorrente apropriação dos valores como perdas, no ano calendário de 2004 ofendeu ao que dispunha o parágrafo único do art. 12 da Lei n° 9.430/1996, atual parágrafo 1°, na redação dada pela Lei n° 12.431/2010: “Art.12. Deverá ser computado na determinação do lucro real o montante dos créditos deduzidos que tenham sido recuperados, em qualquer época ou a qualquer título, inclusive nos casos de novação da dívida ou do arresto dos bens recebidos em garantia real. Parágrafo único.Os bens recebidos a título de quitação do débito serão escriturados pelo valor do crédito ou avaliados pelo valor definido na decisão judicial que tenha determinado sua incorporação ao patrimônio do credor.” Para a fiscalização, as regras relativas às perdas na realização de créditos não fazem nenhuma distinção em razão das atividades praticadas pelos agentes privados. Nas suas palavras: “8. A norma especial não faz nenhuma distinção em razão das atividades praticadas pelos agentes privados. Todos os contribuintes que se valham do sistema jurídico, PERDAS NOS RECEBIMENTOS DE CRÉDITOS, como na situação presente, estão sujeitos à disciplina como um todo. Portanto, às securitizadoras de créditos financeiros, se aplicam todas as regras inerentes ao sistema quando deste elas façam uso.(nosso grifo) 9. O recebimento de crédito em bens é fato jurídico disciplinado, de forma expressa, pela norma especial em comento — parágrafo único do art. 12. Para a lei tributária, neste caso, o crédito sai do mundo jurídico, sendo substituído pelo bem ou bens recebidos na quitação, pelo mesmo valor do crédito quitado. Por outro lado a norma tem como destinatário o titular do crédito, não sendo relevante o fato de a cobrança se operacionalizar através do instrumento do MANDATO. 10. Assim quando um crédito é recebido em bens deve o mesmo ser baixado contabilmente, para registro, concomitante, do bem recebido. O fato da subseqüente alienação do bem recebido não é mais matéria Fl. 218DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 12 12 atinente à norma especial das perdas em créditos. O confronto entre o produto da venda e o valor registrado do bem, resultará em ganho ou perda sujeito às regras gerais das receitas e das despesas operacionais ou não operacionais conforme o caso. 11. Deve ficar absolutamente claro que a imposição legal constante do Parágrafo Único do art. 12 da Lei no 9.430/96 determina que o valor a ser escriturado no recebimento de um bem, recebido em razão da quitação de um crédito, é o VALOR DO CRÉDITO que está sendo quitado e não o VALOR PAGO NA AQUISIÇÃO DESTE CRÉDITO, em situação de securitização. 12. Nos casos destes autos os bens foram recebidos pelo MANDATÁRIO por ordem e conta do MANDANTE. Este último não poderia deixar de registrar em seu ativo os bens recebidos pelo valor dos créditos quitados. A mais valia apurada nestas transações é receita operacional decorrente de ganhos sobre os créditos adquiridos pela Securitizadora.Portanto as situações fáticas reportadas não são situações autorizadoras de estornos de receita ou apropriação como despesas operacionais. Os créditos foram substituídos pelos bens recebidos. 13. A devolução ao Banco Mandatário das importâncias recebidas, indevidamente, em dinheiro é fato contábil meramente permutativo que deveria ser expresso por um crédito no disponível e um débito no próprio ativo circulante, ou no ativo permanente em razão da natureza e da destinação dos bens recebidos pela quitação dos créditos.” São apontados os seguintes equívocos na conduta da contribuinte: • A recorrente não adotou os procedimentos previstos no art. 12, ou seja, não escriturou os bens recebidos a título de quitação do débito pelo valor do crédito. O valor do bem recebido em razão da quitação de um crédito é o valor do crédito que está sendo quitado, e não o valor pago na aquisição deste crédito. • O mandante não poderia ter deixado de registrar em seu ativo os bens recebidos pelo valor dos créditos quitados. • As devoluções não são situações autorizadoras de estornos de receita ou apropriação como despesas operacionais. O lançamento relativo à devolução dos valores ao banco mandatário é fato contábil meramente permutativo. O pressuposto básico da fiscalização é que a situação descrita nos autos enquadrase no regime jurídico de perdas no recebimento de créditos. Mas, a situação fática corresponde efetivamente a perdas no recebimento de créditos, nos termos dos arts. 9° a 12 da Lei n° 9.430/1996? A perda da cedente do título é equivalente à perda da securitizadora? O recebimento a menor do que o valor de face do título corresponde a perdas tanto na cedente quanto na securitizadora? A cessão de direitos creditórios leva à desconsideração da atividade operacional da recorrente? Para a securitizadora, o recebimento dos títulos de crédito é receita ou perda? Fl. 219DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 13 13 Vejamos o que dispõe o art. 9° da Lei n° 9.430/1996: “Art.9º As perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica poderão ser deduzidas como despesas, para determinação do lucro real, observado o disposto neste artigo. §1º Poderão ser registrados como perda os créditos: I em relação aos quais tenha havido a declaração de insolvência do devedor, em sentença emanada do Poder Judiciário; II sem garantia, de valor: a) até R$ 5.000,00 (cinco mil reais), por operação, vencidos há mais de seis meses, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento; b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; c)superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; III com garantia, vencidos há mais de dois anos, desde queiniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento ou o arresto das garantias; IV contra devedor declarado falido ou pessoa jurídica declarada concordatária, relativamente à parcela que exceder o valor que esta tenha se comprometido a pagar, observado o disposto no §5º. §2º No caso de contrato de crédito em que o não pagamento de uma ou mais parcelas implique o vencimento automático de todas as demais parcelas vincendas, os limites a que se referem as alíneas a e b do inciso II do parágrafo anterior serão considerados em relação ao total dos créditos, por operação, com o mesmo devedor. §3º Para os fins desta Lei, considerase crédito garantido o proveniente de vendas com reserva de domínio, de alienação fiduciária em garantia ou de operações com outras garantias reais. §4º No caso de crédito com empresa em processo falimentar ou de concordata, a dedução da perda será admitida a partir da data da decretação da falência ou da concessão da concordata, desde que a credora tenha adotado os procedimentos judiciais necessários para o recebimento do crédito. §5º A parcela do crédito cujo compromisso de pagar não houver sido honrado pela empresa concordatária poderá, também, ser deduzida como perda, observadas as condições previstas neste artigo. §6º Não será admitida a dedução de perda no recebimento de créditos com pessoa jurídica que seja controladora, controlada, coligada ou interligada, bem como com pessoa física que seja acionista Fl. 220DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 14 14 controlador, sócio, titular ou administrador da pessoa jurídica credora, ou parente até o terceiro grau dessas pessoas físicas.” A norma do art. 9° utiliza a expressão “perdas no recebimento de créditos decorrentes das atividades da pessoa jurídica”. A fiscalização tece suas considerações sem atentar para a peculiaridade da atividade operacional exercida pelas securitizadoras. De acordo com o contrato social anexado aos autos o objeto social da recorrente é o seguinte (fls. 6): “Artigo 3°. A Sociedade tem por objeto social a aquisição de créditos oriundos de operações de empréstimo, de financiamento e de arrendamento mercantil contratados por bancos múltiplos, bancos comerciais, bancos de investimento, sociedades de crédito, financiamento e investimentos, sociedades de crédito imobiliário, sociedades de arrendamento mercantil e companhias hipotecárias. Pareceme evidente que a perda, para a entidade originadora do título de crédito, no caso, a instituição financeira cedente, deve ser averiguada em relação ao valor de face do título, ao passo que para a securitizadora, o que é relevante é o preço pago pelo crédito. A entidade originadora desembolsou recursos equivalentes ao valor de face do título. A securitizadora não. Perdas são recursos consumidos pela pessoa jurídica sem que haja uma contrapartida de receita. Para os bancos, o recebimento a menor do valor de face do título, ou a inadimplêncial total, corresponde a perdas, na medida em que ele desembolsou os valores expressos no título, e apropriou como receita o montante dos juros, em função do decurso de um determinado período de apropriação contábil, usualmente um mês. Já, para a securitizadora, apenas podemos falar em perdas até o limite dos valores dispendidos na aquisição dos títulos. É oportuno transcrevermos trecho do “Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações” sobre o tema: “1 A empresa ABC transfere os direitos creditórios para a SPE no valor nominal de $ 1.050.000 por 970.000 (deságio de 80.000): D Contas a Receber 1.050.000 C Receitas a Apropriar 80.000 C Direitos Creditórios a Pagar 970.000 (...) Os clientes pagam para a SPE os direitos creditórios, no valor de $ 1.050.000: D Disponibilidades 1.050.000 C Contas a Receber 1.050.000 Fl. 221DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 15 15 (...) 5. A SPE apropria as receitas de acordo com a liquidação dos recebíveis: D Receitas a Apropriar 80.000 C Receitas Operacionais 80.000 (FIPECAFI. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. São Paulo: Atlas, 2010. p. 94)“ Ao analisarmos os lançamentos contábeis do exemplo acima, verificamos que, na securitizadora, a receita apenas é realizada e apropriada no momento da liquidação dos recebíveis. Isto, em face da atividade operacional da securitizadora, qual seja, a aquisição de títulos, e não a concessão de empréstimos. Os procedimentos contábeis adotados pela recorrente foram os seguintes: 1 Aquisição dos créditos: D 1.8.2.40 Títulos e Créditos a Receber* C Disponibilidades * Os títulos foram registrados pelo custo de aquisição, nos termos do art. 183, inciso I, da Lei n° 6.406/1976. 2 Recebimento dos créditos D – Disponibilidades C 1.8.2.40 Títulos e Créditos a Receber D Disponibilidades C 7.1.3.10 Lucro c/ Créditos Adquiridos (conta de resultado) A recorrente não seguiu a melhor técnica contábil, pois seus procedimentos não evidenciam o valor de face dos títulos adquiridos, nem a receita a apropriar, que corresponde ao deságio, ou seja, à diferença entre o valor pago na aquisição e o valor de face do título. No entanto, não se pode afirmar que estes procedimentos contábeis levaram a distorções no resultado da empresa. Em princípio, o resultado obtido com os dois procedimentos contábeis é equivalente. Ao voltarmos para a situação concreta do presente processo, retornamos à primeira pergunta: os lançamentos relativos à devolução de valores ao mandatário da cobrança dos títulos podem ser consideradas como “perdas no recebimento de créditos”? Primeiramente, cumpre observar que o caput do art. 12 se refere à situação de recuperação de crédito, cuja perda foi anteriormente deduzida. Ou seja, o contribuinte realiza a receita a partir do exercício de sua atividade, e registra os valores a receber em seu ativo. O devedor não paga, e a perda é deduzida em conformidade com as regras dos arts. 9° a 12 da Lei Fl. 222DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 16 16 9.430/1996. Posteriormente, o montante do crédito deduzido como perda é recuperado, e o lançamento da perda deve ser revertido. No caso concreto, ao que tudo indica, a situação fática não é esta. Segundo o contribuinte, houve devolução de valores pagos pelo cedente indevidamente, que já haviam sido apropriados como receita. O contribuinte afirmou que não tratou as devoluções como estorno de receita para não alterar a base de cálculo do PIS/COFINS (fls. 50/51). Por sua vez, a fiscalização parte do pressuposto de que é o regime jurídico das perdas que deve ser aplicado. Isto porque, não vê nenhuma consequência ou diferença entre a atividade operacional da cedente e da cessionária do crédito. Se na originadora do crédito, o não recebimento dos créditos corresponde a perdas, na cessionária isto também é verdade, independentemente de sua atividade operacional. Para ela a securitizadora, ao adquirir um crédito tornase sucessora de quem tenha cedido este crédito, assumindo o pólo ativo da relação credordevedor. Assim, as mesmas condições objetivas da situação do crédito que deveriam ser observadas pela cedente passam a ser de obrigatória observância pela cessionária. O art. 287 do Código Civil assim dispõe: “Art. 287. Salvo disposição em contrário, na cessão de um crédito abrangemse todos os seus acessórios.” Os acessórios de um título de crédito correspondem aos juros, à cláusula penal e às garantias. Neles não está incluído o regime de perdas dos arts. 9° a 12 da Lei 9.430/1996. As perdas devem ser consideradas em relação à atividade operacional da empresa. No meu entendimento, a devolução dos valores ao mandatário na cobrança pode corresponder a um estorno de receita. Isto na hipótese de entendermos que a receita apenas é realizada no momento do recebimento do crédito em espécie, após a alienação dos bens móveis recebidos como quitação da dívida. No entanto, a fiscalização pode ter razão ao afirmar que “as devoluções não são situações autorizadores de estornos de receita ou apropriação como despesas operacionais”, ou ainda, que “o lançamento relativo à devolução dos valores ao banco mandatário é fato contábil meramente permutativo”. O argumento central da recorrente é que a escrituração contábil prescrita no parágrafo único, do art. 12 da Lei n° 9.430/1996 acarreta simples lançamentos em contas patrimoniais, que não afetarão em nada as contas de resultado. Como para ela, a apropriação da receita apenas ocorre no momento da alienação, é irrelevante a falta de escrituração dos bens recebidos a título de quitação do débito pelo valor do crédito, pois, o lucro/prejuízo obtido dependerá apenas da diferença entre o valor pago na aquisição do título e o montante recebido em espécie. As receitas devem ser reconhecidas em conformidade com o disposto no § 3° do art. 9° da Resolução CFC n° 750/1993: “§ 3º As receitas consideramse realizadas: I – nas transações com terceiros, quando estes efetuarem o pagamento ou assumirem compromisso firme de efetiválo, quer pela investidura Fl. 223DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 17 17 na propriedade de bens anteriormente pertencentes à ENTIDADE, quer pela fruição de serviços por esta prestados; II – quando da extinção, parcial ou total, de um passivo, qualquer que seja o motivo, sem o desaparecimento concomitante de um ativo de valor igual ou maior; III – pela geração natural de novos ativos independentemente da intervenção de terceiros; IV – no recebimento efetivo de doações e subvenções.” Na situação do presente processo, o pagamento foi efetuado em bens (dação em pagamento, execução de garantia ou penhora em ação judicial), ao mandatário da cobrança. Como reconhecer a receita nesta hipótese? Qual lançamento é meramente permutativo, o da devolução dos valores à mandatária da cobrança, ou o do recebimento dos títulos em bens? Se a receita deve ser reconhecida no momento do recebimento do bem móvel, a glosa efetuada pela fiscalização está correta, e o lançamento relativo à devolução dos valores ao banco mandatário seria um fato contábil meramente permutativo. A receita já teria sido realizada no momento em que o bem foi recebido como pagamento do crédito. Por outro lado, se é válida a opção da recorrente de reconhecer a receita apenas no momento em que os bens recebidos como pagamento são alienados, ou no momento em que a mandatária da cobrança repassa os valores recebidos em espécie, a devolução dos valores configuraria claramente um estorno de receita. Para precisarmos o momento da realização da receita, é relevante a análise das cláusulas contratuais relativas ao contrato de mandato celebrado entre a recorrente e o banco mandatário. A recorrente afirma que “por razões de ordem negocial e econômica”, dá baixa nos créditos apenas no momento da alienação dos bens móveis recebidos, quando apura o lucro/prejuízo de cada operação. No entanto, os registros contábeis devem retratar fielmente as operações realizadas pela entidade. Por isso é necessária uma análise mais aprofundada do instrumento de cessão dos créditos. Por fim, se o procedimento da recorrente estiver em conformidade com o pactuado no instrumento de mandato, é necessário sabermos em que período foram apropriadas as receitas. Conforme já salientado, na planilha de fls. 55/57, constam apenas informações sobre a “data de reintegração”. Esta é a data da quitação do crédito pelo recebimento do veículo? Quandos os valores foram apropriados como receita pela recorrente? Os valores relativos ao custo de aquisição já haviam sido deduzidos como perdas operacionais da securitizadora? A recorrente afirma que não pode arcar com o ônus do IRPJ e da CSLL sobre valores recebidos a maior e indevidamente de seus mandatários. Nesse caso, não podemos afirmar de pronto se está correta a afirmação de que o procedimento contábil adotado pela recorrente não acarretou nenhum prejuízo para o Fisco. Fl. 224DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16327.001752/200649 Resolução n.º 180300045 S1TE03 Fl. 18 18 De acordo com a Lei da S/A (Lei 6.404/1976), o lucro líquido do exercício não deve estar influenciado por efeitos que pertençam a exercícios anteriores, ou seja, deverão transitar pelo balanço de resultados somente os valores que competem ao respectivo período. O que procurei demonstrar até o presente momento foi a necessidade de maiores informações para forma convicção a respeito da validade dos procedimentos contábeis adotados pela contribuinte e suas conseqüências fiscais. Por isso, considero necessária a realização de diligência, para as providências e verificações a seguir relacionadas: a) anexar os instrumentos de mandato celebrados entre a cedente e a cessionária dos créditos; b) anexar demonstrativo que explicite a data da cessão dos créditos; o valor de face dos títulos; o valor pago na aquisição dos títulos; o valor das perdas deduzidas pela securitizadora, se houver; a data da quitação dos títulos pelo recebimento dos bens; data e valor da venda dos veículos, se esta foi efetuada; a data do repasse dos valores à securitizadora; o período em que as receitas devolvidas (1.168.324,45 e 13.000,00) foram apropriadas. O demonstrativo deve estar acompanhado da escrituração contábil. A autoridade administrativa encarregada do procedimento deverá elaborar relatório conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários; entregar cópia à recorrente; e concederlhe prazo para que se pronuncie sobre as suas conclusões; após o que o processo deverá retornar a este Conselho. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 225DF CARF MF Emitido em 27/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 27/10/2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 27/10 /2011 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 10280.004969/2001-01
Data da sessão: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Nov 06 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1803-000.031
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência para 3ª Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente temporariamente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo
Maresch.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo 11° 10280.004969/2001-01 Recurso n° 169.162 Resolução n° 1803-00.031 - 3' Turma Especial Sessão de 06 de novembro de 2009 Matéria CSLL - ANO-CALENDÁRIO: 2001 Recorrente IRMÃOS REZENDE LTDA. Recorrida 1' TURMA/DRI-BELEM/PA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência para 3' Seção do CARF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente temporariamente justificadamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. aailliria"na -i."-eart -ERA DE MORAES - Presidente arool,"1""- "Fr.: MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA - Relatora b ADO EM: 0948R 20:0 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Maresch, Benedicto Celso Benício Júnior, Luciano Inocência dos Santos, Marcos Antônio Pires e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. -: Processo n° 10280.004969/2001-01 51-TE03 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.° 1803-00.031 Fl. 2 Relatório Trata o presente de pedido de restituição e compensação (fls.01 e 02) datado de 16/11/2001, pela Recorrente que é pessoa jurídica constituída sob a forma de cota de responsabilidade limitada, no valor original de Cr$ 7.515347,00 referente a recolhimentos efetuados indevidamente em virtude da inconstitucionalidade do imposto sobre o lucro líquido — ILL, no período de abril a setembro do ano-calendário de 1992. Em 26.05.2006, a ora Recorrente foi intimada via postal para ter conhecimento do Despacho Decisório n°. 40/2008, que resolveu reconhecer a homologação da declaração de compensação e indeferir o pedido de restituição, fundamentado nos artigos 156, II, artigo 165 e artigo 168 do Código Tributário Nacional e artigo 74, parágrafos 4° e 5 0, da Lei n°. 9430/96, bem como na IN SRF n°. 96/99. Inconformada com a r. despacho decisório de fls. 10 e 11, a ora Recorrente apresentou, em 23/06/2008, manifestação de inconformidade dispondo das seguintes razões: - alegou, nos fatos, a questão da declaração da inconstitucionalidade trazida pela Resolução do Senado Federal n° 82, de 19/11/1996, e Instrução Normativa n°. 63, de 25/07/97, defendendo que o marco temporal para a contagem do prazo de restituição do ILL, para as sociedades limitadas, é a data de publicação da IN SRF 63/1997. - juntou Jurisprudências sobre a matéria, proferidas pela Quarta e Segunda Câmaras dos Conselhos de Contribuintes Federal; - pediu, por fim, a restituição das importâncias de que tratou o pedido de restituição inicial, com base nos recolhimentos indevidos efetuados no ano-calendário de 1991 a titulo de ILL Diante das razões postas na aludida manifestação de inconformidade, a DRJ — Turma da DRJ/BEL, no acórdão 01-11.878, por unanimidade de votos, entendeu pelo indefeiimento do pedido de restituição do contribuinte, nos termos constantes da ementa abaixo reproduzida: "ASSUNTO: OUTROS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 1991 IMPOSTO SOBRE O LUCRO LIQUIDO — ILL. INCONSTITUCIONALIDADE. PRESCRIÇÃO. O prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente ou a maior, inclusive na hipótese de o pagamento ter sido efetuado com base em lei posteriormente declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, extingue-se após o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos, contado da data da extinção do crédito tributário. Solicitação indeferida. Ou seja, entendeu a DRJ que 2 Processo o° 10280.004969/2001-01 Sl-TE03 Erro! A origem da referência aio foi encontrada. a.° 1803-00.031 Fl. 3 "...considerando que o reclamante protocolizou o seu pedido de restituição/compensação em 16/1112001, conforme carimbo de protocolo aposto na primeira página e na capa do processo, venfica-se , por ter transcrito o prazo decadencial de cinco anos entre a efetivação dos pagamentos (1992) e a formulação do pedido de restituição, não mais são passiveis de ter conhecido o seu direito creditório, conforme previsto no CIN, artigo 165, inciso I, c/c o artigo 168, inciso! Tendo tomado ciência do v. acórdão proferido pela Douta Delegacia Regional de Julgamento em 17 de setembro de 2008, tempestivamente, inconformada com o deslinde dado ao seu pleito compensatório apresentou suas razões recursais em sede de recurso voluntário (fls. 28/31) protocolado em 28 de setembro de 2008, de modo que restou substanciado nas razões idênticas da manifestação. A questão cinge-se no termo a quo para a contagem do prazo de 5 anos para o pleito de restituição de pagamentos de tributos posteriormente declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal, i) se da data do pagamento indevido, ii) se da data da publicação da Resolução do Senado que suspende a eficácia da norma declarada inconstitucional, que, in casu, é a Resolução n°. 82 de 19/11/1996, DOU de 22/11/1996, ou se da data da publicação da Instrução Normativa SRF d. 63 de 24/07/1997, DOU de 25/07/2007. Verifico nos autos que a IN/SRF n°. 63/97 foi publicada em 25/07/1996 e o pedido de restituição pleiteado pela Recorrente foi protocolado em 16/11/2001 (fl. 01) para reaver valores recolhidos a titulo de imposto sobre o lucro líquido — ILL no ano-calendário de 1991. Sobre o assunto manifestou-se a "Câmara Superior de Recursos Fiscais - CSRF / Quarta Turma! ACÓRDÃO CSRF/04-00.205 em 14.03.2006. IRRF-ILL. DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL - A contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição / compensação de tributo pago indevidamente, por declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, iniciase na data do trânsito em julgado da declaração de inconstitucionalidade, em controle concentrado de constitucionalidade, ou a publicação da Resolução do Senado Federal, caso a declaração de inconstitucionalidade tenha-se dado em controle difuso de constitucionalidade, ou, ainda, na data da publicação de ato administrativo que estenda os efeitos da inconstitucionalidade a outros beneficiários". Este é o relatório. Voto Conselheira LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Relatora Nos termos do Anexo II, Titulo 1, Capitulo 1, artigo 3, II do Regimento deste Conselho, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n ° 256/09, por entender que o Imposto sobre o Lucro Liquido na realidade tem a natureza de Imposto Retido na Fonte sobre o Processo n° 10280.004969/2001-01 81-TE03 Erro! A origem do referência nio foi encontrada. n.° 1803-00.031 Fl. 4 Lucro Liquido, declaro-me incompetente para proceder ao julgamento da matéria, declinando competência para a 3 a Seção, para a qual o processo deve ser redistribuído. 1. ard'ileri-- LAlite • ORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA 4
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Numero do processo: 10242.000387/2010-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.116
Decisão: resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DECLINAR da competência para a Terceira Seção de Julgamento do CARF, em razão da matéria (DACON).
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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(assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Marco Antonio Nunes Castilho, Marciel Eder Costa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 42 .0 00 38 7/ 20 10 -9 5 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 10 /12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10242.000387/201095 Resolução nº 1802000.116 S1TE02 Fl. 73 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém – PA (fls. 36/39), que julgou improcedente a Impugnação da Recorrente, mantendo, consequentemente, o lançamento efetuado por parte da Receita Federal do Brasil (“RFB”). A seguir, transcrevo a narração do Acórdão recorrido acerca da sequência dos fatos que acarretaram o sobredito lançamento por parte da RFB e os motivos expostos pela Recorrente para justificar a improcedência do mesmo: “Trata o presente processo de multas expedidas através das Notificações de Lançamento de fls. 08, 10, 12, 14 e 16, decorrentes dos atrasos nas entregas dos Dacon referentes aos meses de janeiro a abril e junho de 2010, no valor de R$ 500,00 cada (valor mínimo). 2. Sendo a data do vencimento da exigência em 20.10.2010, considera se tempestiva a impugnação apresentada em 24.09.2010 (fls.01/07), na qual a interessada, em síntese: a) Reclama de dificuldades criadas pela Receita Federal relativas a questões técnicas e de informação, relatadas em mensagem da Fenacon; b) Entende que uma instrução normativa não pode criar uma obrigação acessória, devendo limitarse a regular aquela definida em lei, respeitando o princípio constitucional da legalidade; c) Aponta caracterizar confisco o valor da multa aplicada; d) Afirma haver constado informação errada no sítio da Receita Federal na internet, quando havia a previsão de prazos para apresentação dos demonstrativos mensal e semestral; e) Requer a revisão do lançamento.” É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. Conforme aviso de recebimento de fls. 4445, a Recorrente tomou ciência da decisão recorrida em 01.11.2011 e, apresentou recurso voluntário em 24.11.2011, portanto, o presente recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Desta forma, dele tomo conhecimento. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 10 /12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10242.000387/201095 Resolução nº 1802000.116 S1TE02 Fl. 74 3 Durante a construção da sua tese de defesa a Recorrente alega que o devido à inoperância do sistema da Receita Federal não foi possível adimplir a entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, referente aos meses de janeiro a abril e junho de 2010 e, que o referido atraso ocasionou a expedição de Notificação de Lançamento de multa. Entretanto, por se tratar de discussão atinente a obrigação acessória relativa à Contribuição para o PIS e à COFINS, em respeito ao disposto no inciso IV do artigo 4º do Anexo II da Portaria (MF) nº 256 de 22/06/2009, devolvo os presentes autos para distribuição à TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 11/12/2012 por GILDA ALEIXO DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 10 /12/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 05/12/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.004507/2001-24
Data da sessão: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Nov 05 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1803-000.027
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar a competência para a 2ª Seção do CARF, nos termos do voto da relatora. Ausente justificada e momentaneamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10855.004507/2001-24 Recurso n° 170.650 Resolução n° 1803-00.027 — 3' Turma Especial Sessão de 05 de novembro de 2009 Matéria DCTF - ANO-CALENDÁRIO: 2001 Recorrente IHARABRAS S/A INDÚSTRIAS QUÍMICAS. Recorrida 5' TURMA/DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Vistos, relatados e discutidos os presente autos. Resolvem os membros do Coleado, por unanimidade de votos, em declinar a competência para a 2' Seção do CARF, nos termos do voto da relatora. Ausente justificada e momentaneamente o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. - ERREIRA DE MORAES — Presidente L ORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA — Relatora it• 'IO EM: 09 AOR 2010 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes Walter Adolfo Marech, Benedicto Celso Benicio Júnior, Luciano Inocêncio dos Santos, Marcos Antônio Pires e Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira. Processo n° 10855.004507/2001-24 S1-TE03 Erro! A origem da referência aio foi encontrada. n.° 1803-00.027 R. 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que julgou parcialmente procedente o lançamento fiscal decorrente de trabalhos de auditoria interna referentes às DCTF's dos I° e 2° trimestres de 1997, visando a cobrança do 1RRF referente aos mesas de julho a dezembro de 1997 no valor total de R$ 50.450,75, assim como da multa de oficio isolada no montante de R$ 67.498,24, e juros de mora na quantia de R$ 631,83, conforme razão às fls. 23 a 27. Ciente da lavratura do auto de infração em 01.12.2001 (fls. 81), em 13.12.2001 a Recorrente apresentou impugnação de fls. 01, juntando documentos de fls. 02 a 80. Dada a clareza do relatório da 5' Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SPO, tomo a liberdade de reproduzir parte do quanto fora ali discorrido no tocante às alegações do Recorrente em sua impugnação e outros fatos ocorridos nos autos: "No tocante à exigência da multa isolada e juros corre/atos aduz que todas as inconsistências venficadas foram motivadas por erro na informação dos períodos de apuração do tributo quando do preenchimento da DCTF. Ao final requereu o arquivamento do auto de infração. A impugnação foi previamente analisada pela Delegacia da Receita Federal -em Sorocaba-SP —que, trabalhando com a- hipótes da existência de fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento, azarou o despacho de fls. 138/139 entendendo pela insubsistência da cobrança das parcelas integrantes do item 4.1 do auto de infração e revisou de oficio o lançamento, na forma do artigo 149 do Código Tributário Nacional (CTN), cancelando parcialmente a exigência." A respeito da decisão que revisou de oficio o lançamento, cumpre consigam- o quanto está discorrido às fls. 138, in verbis: "Observando as cópias de DARF's, juntadas aos autos, de fls. 28 e 31/35, nota-se coincidência entre as datas de vencimento e os períodos de apuração. Observando as cópias de DCTF's por mim juntadas aos autos, de fls. 106 a 117, nota-se discrepância entre a indicação do dia do período de apuração, informada no quadro de pagamentos, e a identificação da semana período de apuração, informada no quadro Débito Apurado e Créditos Vinculados. Entretanto, não foram apresentados comprovantes capazes de esclarecer qual dessas informações é a correta". Em julgamento proferido em 07.03.2008, a 5' Turma da DRJ de Ribeirão Preto/SPO (fls. 165 a 169), julgou parcialmente procedente os lançamentos, conforme ementa abaixo transcrita: Processo n° 10855.004507/2001-24 81-TE03 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n." 1803-00.027 EL 3 "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IEEE Período de apuração: 26/01/1997 a 01/02/1997, 02/02/1997 a 08/02/1997, 09/02/1997 a 15/02/1997, 16/02/1997 a 22/02/1997, 23/02/1997 a 01/03/1997, 16/03/1997 a 22/03/1997 DÉBITO CONFESSADO. AUDITORIA INTERNA NA DCTF. Eventuais equívocos na DCTF de 1997 deveriam ser corrigidos pelos meios previstos na IN/SRF/N° 45, de 1998, a tanto admitido, igualmente, o contencioso administrativo. Na ausência de elementos probantes do alegado erro, ou ineficácia dos documentos apresentados, prevalecem os dados originariamente declarados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 26/01/1997 a 01/02/1997, 02/02/1997 a 08/02/1997, 09/02/1997 a 15/02/1997, 16/02/1997 a 22/02/1997, 23/02/1997 a 01/03/1997, 16/03/1997 a 22/03/1997 APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Tratando-se de ato não definitivamente julgado aplica-se retroativamente a lei nova quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo do lançamento (CT/V, art. 106, II "c"). Lançamento Procedente em Parte". Ciente da decisão de primeira instância em 06.052008 (fl. 176), o Recorrente interpôs recurso voluntário em 04.06.08 (fls. 179 a 181), juntando documentos de fls. 182 a 293, alegando em apertada síntese. 1) Todas as inconsistências foram motivadas pelo erro na informação do período de apuração no preenchimento da DCTF. A apuração e o pagamento dos DARF's estão corretos, ocorrendo erro no preenchimento da DCTF referente à informação de apuração semanal do imposto. Para dar suporte ao alegado, junta memória de cálculo e Livro Diário, vinculando os pagamentos mediante DARF; e 2) Não retificou as DCTF's por força da IN/SRF n°. 255, de 11.12.2002, que no seu artigo 9°, §3°, inciso II, proíbe a retificação da declaração após o inicio do procedimento fiscal. É o relatório. Voto Conselheira L,AVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA, Relatora A matéria tratada no presente processo decorre de lançamento fiscal de trabalhos de auditoria interna referentes às DCTF s dos 1° e 2° trimestres de 1997, visando a cobrança do Processo 10855.004507/2001-24 81-TE03 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.° 1803-00.027 Fl. 4 IRRF referente aos meses de julho a dezembro de 1997 no valor total de R$ 50.450,75, assim como da multa de oficio isolada no montante de R$ 67.498,24, e juros de mora na quantia de R$ 631,83, conforme razão às fls. 23 a 27. Os fatos adicionais estão consignados no Relatório anexo. Nos termos do Capítulo I, do artigo 3°, inciso II, do Anexo II do Regimento do CARF, aprovado pela Portaria do Ministro da Fazenda n °256-02, este processo é competência da r Seção. Nestes termos resolvo que sou incompetente para julgar esta matéria e recomendo a distribuição do processo para a 2 a Seção. --- LArtitRAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA 4
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Numero do processo: 13609.000229/2008-11
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO.DESCUMPRIMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP’S. INFORMAÇÕES DE DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES.
Caso a empresa apresente informações que contenham dados não
relacionados a fatos geradores, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento de obrigação acessória de informar corretamente ao fisco os fatos geradores passíveis de tributação.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.769
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso na forma do art.32-A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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GFIP’S. INFORMAÇÕES DE DADOS NÃO RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. Caso a empresa apresente informações que contenham dados não relacionados a fatos geradores, será lavrado Auto de Infração por esse descumprimento de obrigação acessória de informar corretamente ao fisco os fatos geradores passíveis de tributação. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso na forma do art.32A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari , Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 93DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.76 a 84 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte/MG (fls.65 a 73) que julgou PROCEDENTE EM PARTE o lançamento constante no Auto de Infração n° 37.137.1856, no valor inicial de R$ 37.204,56 (trinta e sete mil, duzentos e quatro reais e cinquenta e seis centavos), tendo sido reduzido para R$ 20.988,10 (vinte mil, novecentos e oitenta e oito reais e dez centavos) após decisão de 1 instância. Conforme Relatório Fiscal às fls.13 , a autuação corresponde à atitude da empresa em ter deixado de incluir nas GFIP’s, das competências 12/2004 a 13/2006, os pagamentos efetuados aos seus segurados. Diante dos fatos analisados, a fiscalização entendeu que a empresa infringiu o disposto no art.32, IV, parágrafo 3 da Lei n 8.212/91 combinado com o art.225, IV, parágrafo 4 do RPS, estando sujeita à aplicação das penalidades previstas no art.32, parágrafo 5, da Lei n 8.212/91 combinado com o art.284, II e art.373 do RPS. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 09/04/2008 e apresentou impugnação às fls. 28 a 38 alegando, em síntese: Inicialmente, que lançamento está configurado de cerceamento de defesa e ofende ao artigo 5°, inciso LV, da Constituição da República; Que há afronta ao ordenamento jurídico porque foram constituídos autos de infração distintos, porém, com objetos comuns e com a mesma data de emissão; Que foram violados os direitos de defesa e outras garantias constitucionais; Não serem os LDC’s – Lançamento de Débito Confessado confissões de dívidas, mas, sim, um lançamento tributário, nos exatos termos do artigo 142 do CTN; Que tem direito a contestar contestar administrativamente a exigência fiscal antes da aplicação da multa; Não poder existir simultaneamente uma Notificação de Lançamento, como as LDC's, e uma confissão de divida, pois, pelo artigo 245 do Decreto n 3.048/99, o crédito é constituído em uma coisa ou em outra; Não ter havido omissão de fatos, dados e documentos, e, se existisse algum comprovante faltante, caberia ao Fiscal advertir à empresa e conferir prazo para regularização. Por fim, impugnou os lançamentos de multas e juros em face da impossibilidade de se aferir valores de forma devidamente individualizada, bem como requereu que fosse declarado nulo o Auto de Infração. Fl. 94DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13609.000229/200811 Acórdão n.º 2403000.769 S2C4T3 Fl. 92 3 Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 6ª Turma da DRJ/Belo Horizonte/MG proferiu acórdão (n° 0223.998) nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2006 GFIP GUIA DE RECOLHIMENTO DO FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO E INFORMAÇÕES À PREVIDÊNCIA SOCIAL. AMPLA DEFESA. PRINCÍPIO GARANTIDO AOS LITIGANTES.RETIFICAÇÃO DA MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA.MOMENTO DO CALCULO. Constitui infração à legislação previdenciária a empresa apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. É no momento em que se instaura o litígio que a parte interessada exerce seu direito à. ampla defesa. A multa aplicada a maior em Auto de Infração de Obrigação Acessória será corrigida na própria decisão com abertura de prazo para recurso ou pagamento. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação para determinação da multa mais benéfica apenas pode ser realizada por ocasião do pagamento. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido em Parte. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 76 a 84, ratificando todos os argumentos expendidos na impugnação, aduzindo o caráter confiscatório da multa. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator DO MÉRITO I – DA INFRAÇÃO COMETIDA Alega a recorrente que não houve em momento algum a omissão de fatos, dados e documentos. Entretanto, sua afirmação é geral e não é acompanhada de provas, considerando os elementos apontados pela auditoria, bem como a defesa não ter exposto os motivos de fato e de direito que poderiam vir a sustentar a sua discordância. A empresa autuada foi submetida à fiscalização federal, na qual foram verificados diversos documentos tais como o contrato social e seus aditivos, folhas de pagamentos de todos os empregados e contribuintes individuais, livro razão e diário, GFIP com comprovantes de entregas e eventuais retificações, dentre outros. Assim, diante dessa análise documental, verificouse que a empresa recorrente deixou de incluir nas GFIP’s, das competências 12/2004 a 13/2006, os fatos geradores referentes às contribuições sociais previdenciárias relacionadas com as folhas de pagamento de empregados. No caso em tela, a auditoria esclareceu que a empresa omitiuse de informar em GFIP o pagamento bem como a remuneração dos seus segurados durante o período de 12/2004 a 13/2006. Assim, a conduta da recorrente viola a previsão do art.32, IV, parágrafos 3º e 5º, da Lei 8.212/91 combinado com o art. 225, IV e § 4º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV – declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Destacouse) Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IVinformar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Fl. 96DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13609.000229/200811 Acórdão n.º 2403000.769 S2C4T3 Fl. 93 5 Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Ressaltese que os parágrafos 3 e 5 do art.32 da Lei n 8.212/91 foram revogados pela Lei n 11.941/2009, mas esses dispositivos não alteraram a obrigação tributária da empresa de declarar/informar à Secretaria da Receita Federal dados cadastrais e elementos relativos aos fatos geradores de contribuição previdenciária. A recorrente apresentou a GFIP com omissão de dados, o que caracteriza a entrega desse documento com dados não correspondentes aos fatos geradores, não tendo sido provado o contrário, haja vista que em suas oportunidades de defesa (impugnação e recurso voluntário), não conseguiu demonstrar que a infração não foi cometida, pois alegou genericamente não ter havido omissão de dados. Desse modo, entendo que a infração ocorreu, motivo pelo qual a recorrente estará sujeita ao pagamento da multa prevista na legislação competente, qual seja o Regulamento da Previdência Social (aprovado pelo Decreto n 3.048/99) e a Lei n 8.212/91, in verbis: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: (...) II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) O Regulamento (Decreto n 3.048/99) cuidou ainda de tratar da atualização do valor cobrado, nos termos do art.373, in verbis: Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são Fl. 97DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social.. No mesmo sentido, a Lei nº 8.212/91 preleciona ainda em seu art. 32, § 5º que a empresa que apresentar os documentos do art.32, IV, com dados que não correspondam aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, pagará multa correspondente a 100% (cem por cento) do valor devido relativo à contribuição não declarada. Então vejamos: Art.32 – (...) (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.941, de 2009. Na presente autuação, a fiscalização aplicou, ao fundamentar a aplicação da multa no §5º do art.32 da Lei n 8.212/91, um valor máximo de multa com base na quantidade de segurados da empresa. Todavia, ambos os dispositivos (§4º e §5º) foram revogados pela Lei n 11.941/2009. Referida lei, ao revogar os dispositivos acima citados, incluiu novo dispositivo na Lei n 8.212/91, o qual estabeleceu que a empresa que deixasse de apresentar o documento do inciso IV do art.32 ou apresentasseo com incorreções/omissões seria intimada a prestar esclarecimentos e pagar multa de acordo com a conduta praticada. Então vejamos: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 98DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13609.000229/200811 Acórdão n.º 2403000.769 S2C4T3 Fl. 94 7 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Pelo exposto, percebese que o critério adotado para aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória foi alterado, podendo assim o valor inicial da multa ser reduzido pela aplicação da nova lei que retroagirá para beneficiar o contribuinte, nos moldes do art.106, II, “c”do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Desse modo, entendo que a infração cometida pela recorrente em apresentar as GFIP’s com dados não relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias, incorre no descumprimento previsto no art.32A, caput, da Lei n 8.212/91 com redação dada pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto, tal norma retroagir, se for mais benéfica ao contribuinte, para ser aplicada ao caso em tela, conforme o art.106, II, “c”, do Código Tributário Nacional. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, de modo que seja mantida a cobrança do Auto de Infração nº 37.137.1856, na forma do art.32A da Lei n 8.212/91 com a redação dada pela Lei n 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte, de acordo com o art.106, II, “c” do Código Tributário Nacional. Fl. 99DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 28/ 10/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001189/94-31
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFICIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.546
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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Numero do processo: 10680.015455/2002-41
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.078
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEÃO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Souza Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Marco Antonio Nunes Castilho, Gilberto Baptista, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel. Relatório. Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (MG), que deferiu em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Em relação às DCOMP’s a DRJ reconheceu o direito de utilização do crédito no valor de R$ 2.004,13, correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2001, homologando parcialmente a compensação declarada pelo contribuinte; e indeferiu as restituições protocolizadas através das demais PER/DCOMP’s. Fl. 2262DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015455/200241 Resolução n.º 1802000.078 S1TE02 Fl. 2 2 A Recorrente é pessoa jurídica de direito privado, cujo principal ramo de atuação é a prestação de serviços de tecnologia de informação a empresas localizadas em todo o território nacional. Sendo assim, por força da legislação (RIR/99, art. 647) está sujeita à retenção da alíquota de 1,5% do valor bruto da nota fiscal da prestação de serviço, a título de Imposto de Renda na Fonte. Assim sendo, no anobase de 2001, apurou saldo negativo de IRPJ no valor original de R$ 882.637,65, conforme declarado na DIPJ. O referido crédito foi utilizado para compensar débitos vincendos de outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mediante várias Declarações de Compensação (DCOMP’s). Ao analisar a origem do crédito compensado, a fiscalização glosou parte do crédito decorrente de IRRF, no montante de R$ 220.591,95, sob o argumento de que a Recorrente não teria apresentado documentação hábil que comprovasse as retenções declaradas na DIPJ do anobase de 2001 e que serviram para apuração do referido saldo negativo de IRPJ. Senão vejamos trechos do Despacho Decisório da DRF/Belo Horizonte (MG) emitido em 01/08/2007, anexado às fls. 428 a 432: “O contribuinte foi intimado às fls. 77 a apresentar todos os comprovantes de Imposto de Renda Retido na Fonte referentes ao ano calendário de 2001. Em atendimento à mesma foram anexados os documentos de fls. 80 a 149; 150 a 360. (...) Na composição deste saldo negativo, parte da estimativa de junho/2001 foi quitada mediante Darf e nas estimativas (maio/01, junho/01 e ajuste) foram feitas deduções de IRRF. (...) Foi efetuado um recolhimento mediante DARF para o PA 06/2001 — IRPJ, no valor de R$ 159.959,04 valor confirmado no sistema sinal06 (fl. 79) estando este valor compondo efetivamente o saldo negativo pleiteado. Para o reconhecimento do IRRF, foram utilizados os comprovantes apresentados pelo contribuinte (fls. 80 a 149), no valor de R$ 500.021,12 confirme disposições do RIR Dec 3000/99 art. 943 §2º. (...) Quanto aos documentos de fls. 150 a 360, os mesmos não foram aceitos, por não se tratarem de documentos hábeis para reconhecimento das deduções efetuadas, nos termos da legislação acima referida. (...) Da análise da documentação constante dos autos e das consultas realizadas aos sistemas da Secretaria da Receita Federal e de tudo mais que do processo consta, apuramos saldo negativo de IRPJ — ano calendário 2001(...) no valor de R$ 662.045,70.” Fl. 2263DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015455/200241 Resolução n.º 1802000.078 S1TE02 Fl. 3 3 Quanto ao saldo negativo de CSLL, apura: “Assim, apuramos um saldo negativo de CSLL, para o ano calendário de 2001 no valor de R$ 112.901,70.” Por fim, a DRF conclui: “• Reconheço o direito parcial de utilização pelo contribuinte do crédito referente ao Saldo Negativo de IRPJ ac 2001, no valor de R$ 662.045,70 (seiscentos e sessenta e dois mil quarenta e cinco reais e setenta centavos) e R$ 112.901,70 (cento e doze mil novecentos e um reais e setenta centavos) referentes ao Saldo Negativo de CSLL ano calendário 2001 (...) • Procedase à homologação das compensações até o limite destes créditos, observandose ainda, a compensação espontânea item III acima, bem como a compensação constante do processo 10680.001476/200361, informado neste despacho. • Em havendo saldo, procedase às restituições de IRPJ e CSLL, ano calendário de 2001 (...) Tendo em vista as considerações acima, a DRF homologou parcialmente as compensações declaradas, apurando uma compensação indevida, em função da insuficiência do crédito, conforme discriminação às fls. 460/461, em cobrança através dos processos 10680.001476/200361 e 10680.015455/200241. Considerou ainda que todo o crédito reconhecido como válido foi totalmente utilizado na extinção de débitos pela compensação, os pedidos de restituição foram indeferidos. O contribuinte foi cientificado da Decisão prolatada pela DRF, bem como da cobrança dos débitos indevidamente compensados em 10/09/2007, conforme AR Aviso de Recebimento (fl. 465). Em resposta, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade em 10/10/2007 (fls. 466 a 474), onde, sucintamente, argumenta: a) O saldo de IRRF declarado pela requerente para o ano de 2001, no valor de R$ 722.678,60, dos quais a DRF desconsiderou a importância de R$ 220.951,95, mencionando que os documentos apresentados não traduzem meio hábil para a comprovação da retenção sofrida. b) Os documentos apresentados à DRF “constituemse em Notas Fiscais de prestação de serviços e memórias de cálculos elaboradas com base nas notas fiscais, através das quais encontrase expressa a informação da realização da retenção do imposto de renda no momento do pagamento das faturas”. Propugna pela consideração dos documentos apresentados mencionando acórdão do Conselho de Contribuintes. c) “Para dar maior suporte probatório à apuração do crédito de IRRF”, apresenta junto com a impugnação as folhas do livro razão analítico do ano de 2001, contendo os registros de IRRF a compensar e as receitas decorrentes da prestação de serviços faturados no período em análise. Fl. 2264DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015455/200241 Resolução n.º 1802000.078 S1TE02 Fl. 4 4 d) “O Despacho Decisório deixou de realizar o efetivo cotejo analítico entre os dados constantes da DIRF do ano de 2001 e os valores cuja retenção foi comprovada através dos comprovantes de retenção anexados aos autos. Na prática, o trabalho fiscal limitouse a verificar o saldo de crédito de IRRF constante da DIRF, para a requerente, deixando de complementar este saldo com a análise dos comprovantes de retenção anexados aos autos”. e) Propugna pela aplicação do “princípio da razoabilidade administrativa”, mencionando texto de José dos Santos Carvalho Filho. Busca em seu amparo, neste mesmo sentido, o art. 2° da Lei n° 9.784, de 1999. A DRJ em Belo Horizonte (MG), deferiu em parte a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, reconhecendo, em relação às DCOMP’s, o direito de utilização do crédito no valor de R$ 2.004,13, correspondente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2001, homologando parcialmente a compensação declarada pelo contribuinte; e indeferiu as restituições protocolizadas através dos PER/DCOMP’s. Assim sendo, a DRJ, consubstanciou sua decisão na seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. IRRF – COMPROVAÇÃO O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos, somente pode ser utilizado como componente do saldo negativo de IRPJ, se o contribuinte comprovar, mediante documentação hábil e idônea, que sofreu a retenção deste imposto. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. Solicitação Deferida em Parte” Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 10/06/2008, a Contribuinte apresentou recurso voluntário (fls. 875 a 1229), em 10/07/2008 sem preliminares, onde reitera as alegações feitas anteriormente e traz mais documentos aos autos. É o relatório. Fl. 2265DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015455/200241 Resolução n.º 1802000.078 S1TE02 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Gustavo Junqueira Carneiro Leão, Relator. O presente recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a DRJ em Belo Horizonte desconsiderou o crédito de IRRF informado na DIPJ do anobase de 2001 no montante de R$ 218.587,18, onde tinhase como provas os razões contábeis apresentados na manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente. No recurso voluntário a Recorrente aduz que por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade foram juntadas as folhas do razão analítico do ano de 2001, em que a Recorrente registrou a movimentação das contas contábeis que registram: a) o IRRF a compensar 1.1.2.01.01 Serviços Prestados por Empresas Ligadas; 1.1.2.01.02 Serviços Prestados por Outras Empresas que registram os valores devidos por clientes; 1.1.2.04.02 Impostos a recuperar IRRF s/ Prestação de Serviços; e b) receitas decorrentes de prestação de serviços faturados 4.1.1.01.01 Receita de Empresas Ligadas; 4.1.1.01.02 Receita de Outras Empresas. Com isso a Contribuinte buscou provar através do cruzamento dos dados constantes nas referidas contas os valores efetivamente faturados e os valores retidos a título de IRRF no período em análise. De acordo com as normas contábeis, tais contas contábeis devem espelhar as informações constantes das notas fiscais, de acordo com o número e valores de cada uma delas. Por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade foi juntada apenas uma parte das notas fiscais que ilustravam o crédito informado na Ficha 43 da DIPJ, motivo pelo qual a DRJ deu parcial provimento ao recurso apresentado. A quantidade de notas fiscais apresentadas no processo para a comprovação do direito da Recorrente ao crédito justifica, em parte, a necessidade da dilatação do prazo constante do Decreto nº 70.235/72. Ademais a jurisprudência do Conselho de Contribuintes, e atualmente do CARF, com acerto, tem afastado o rigor de qualquer vedação que preclua a produção de prova a qualquer tempo, eis que tais normas violam o princípio da ampla defesa, limitando a descoberta da verdade material. Sendo assim, buscando suprir a deficiência naquelas provas e montar a integralidade do seu direito creditório a Recorrente juntou as notas fiscais restantes para que seja assegurado o seu direito à compensação. Fl. 2266DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015455/200241 Resolução n.º 1802000.078 S1TE02 Fl. 6 6 A esse respeito: “(...) PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando são capazes de rechaçar em parte ou integralmente a pretensão fiscal. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO”. (CARF – Ac. 240100135 – 1ª Turma – 4ª Câmara – 2ª Seção). E também: “QUESTÃO PROCESSUAL MOMENTO DE APRESENTAÇÃO DE PROVAS PRECLUSÃO PRINCÍPIOS DA LEGALIDADE E DA VERDADE MATERIAL A apresentação de prova documental, após o decurso do prazo para interposição de impugnação, pode ser admitida excepcionalmente, nos termos do artigo 16, do Decreto nº. 70.235/72, com redação dada pela Lei nº. 9.532/97, a fim de que a decisão proferida se coadune com os princípios da legalidade e da verdade material. Recurso especial não conhecido. (CSRF – 3ª Turma Ac. Nº 40305210 – Processo 10814.008031/9875). Com base nesses documentos, vale a norma prescrita no RIR/94, in verbis, já reproduzida às fls. 844: “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º)” Os valores computados a título de rendimentos de prestação de serviços e o IRRF correspondente devem obrigatoriamente constar dos lançamentos contábeis do período, amparados por documentos que identifiquem inequivocamente a fonte pagadora, o montante dos rendimentos auferidos e o ônus financeiro da retenção. Para isso, um grande volume de notas fiscais e planilhas foi apresentado pela contribuinte por ocasião da apresentação do recurso voluntário. Seguindo a linha já adotada pela DRJ (fls. 844 a 852), entendo que deve ser dado a esses documentos o mesmo tratamento dispensado as notas fiscais inicialmente apresentadas: “DOCUMENTOS APRESENTADOS 19. No intuito de comprovar o ônus financeiro do IRF o contribuinte apresenta na impugnação várias notas fiscais, acompanhadas dos lançamentos efetuados no "livro razão". Acerca destes documentos, cabe esclarecer que, apesar da obrigatoriedade da apresentação dos comprovantes de rendimentos e IRF, a ser fornecida pelas fontes pagadoras, a legislação tributária Fl. 2267DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015455/200241 Resolução n.º 1802000.078 S1TE02 Fl. 7 7 também prevê, no Regulamento do Imposto de Renda (RIR199), Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei n2 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). Nestes termos, cabe verificar os documentos apresentados pelo contribuinte, e o seu conteúdo probante. (...) Todas as notas fiscais apresentadas pelo contribuinte, anexadas às fls. 152 a 360, encontramse listadas no demonstrativo acima, e, resumidamente podem ser agrupadas em 3 categorias: 1 Notas Fiscais emitidas pela "FIAT DO BRASIL S A", portadora do CNPJ n° 33.171.026/000151. Este contribuinte não faz parte da lide deste processo. O litígio neste processo tem ' origem no "Saldo Negativo de IRPJ e CSLL" apurados pela "GLOBAL VALUE SOLUÇÕES LTDA", portadora do CNPJ n° 04.321.601/000157. Por óbvio, na apuração deste saldo negativo, somente pode ser deduzido na apuração do IRPJ devido o IRF decorrente do auferimento das receitas auferidas por este contribuinte. Enfim, todas as notas fiscais emitidas pelo CNPJ 33.171.026/000151, FIAT DO BRASIL S A, apresentadas pelo impugnante no intuito de validar o IRF deduzido na apuração do IRPJ do contribuinte portador do CNPJ 04.321.601/000157, foram desconsideradas. 2 Notas Fiscais emitidas pela "GLOBAL VALUE SOLUÇÕES LTDA", portadora do CNPJ n° 04.321.601/000157, constantes do "livro razão" apresentado pelo contribuinte e anexado ao processo. Estes documentos comprovam o auferimento das receitas, o seu oferecimento à tributação e o ônus do IRF correspondente. Contudo, considerando o demonstrativo elaborado pela DRF/Belo HorizonteMG às fls. 361 a 370, os rendimentos e IRF correspondentes foram informados pelas fontes pagadoras nas DIRF's e já foram computados pela DRF na apuração do saldo negativo de IRPJ já validado. 3 Notas Fiscais emitidas pela "GLOBAL VALUE SOLUÇÕES LTDA", portadora do CNPJ n° 04.321.601/000157, constantes do "livro razão" apresentado pelo contribuinte e anexado ao processo. Estes documentos comprovam o auferimento das receitas, o seu oferecimento à tributação e o ônus do IRF correspondente. Considerando o demonstrativo elaborado pela DRF/Belo HorizonteMG às fls. 361 a 370, e as telas dos sistemas da SRF anexadas às fls. 786 a 800, as fontes pagadoras correspondentes não prestaram a informação devida em DIRF. O IRF indicado nestes documentos não foi computado pela DRF quando da validação do crédito pleiteado. Quanto a estes documentos, ainda que a fonte pagadora não tenha apresentado a DIRF correspondente, os documentos que indicam o Fl. 2268DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA Processo nº 10680.015455/200241 Resolução n.º 1802000.078 S1TE02 Fl. 8 8 valor da prestação de serviços e o IRF deduzido do valor pago pela fonte pagadora, devidamente escriturados no "livro razão" serão considerados como dedutíveis na apuração do IRPJ do período. Condensando estes documentos, por fonte pagadora: (...)” Sendo assim, dadas as circunstâncias do presente caso, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que se possa analisar a documentação protocolada pela Recorrente (Planilhas, Livro Razão e notas fiscais) e proceder com análise semelhante a a que já foi feita para a documentação anteriormente apresentada, com a verificação da comprovação do auferimento de receita, a dedução do IRRF e o confronto com a DIRF da fonte pagadora. (assinado digitalmente) Gustavo Junqueira Carneiro Leão Fl. 2269DF CARF MF Impresso em 09/07/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 03/07/2012 por GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO, Assinado digitalmente em 07/07/2012 por ESTER MARQU ES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10830.001825/2007-15
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.051
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termo do voto do Relator.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termo do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Catilhos e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.001825/200715 Resolução n.º 1802000.051 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls.78/87 contra decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls.72/73) que julgou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o auto de infração de exigência da multa de mora de R$ 11.408,26, atinente ao anocalendário 2004. Quanto aos fatos, consta do auto de infração, lavrado em 06/03/2007 na DRF/Campinas (fls. 34/43), de emissão eletrônica, em sede de revisão interna de DCTF, que a contribuinte, quanto à CSLL (código de receita 2372), período de apuração 31/03/2004, vencimento dia 30/04/2004, efetuou o pagamento, em atraso, em 30/07/2004, do principal de R$ 57.041,33 com juros de mora de R$ 1.973,63 (cópia do DARF – fl.31), deixando, porém, de recolher a multa de mora de 20%, no valor de R$ 11.408,26 (Lei nº 9.430/96, art. 61). Em sua impugnação de 18/04/2007 (fls. 01/07), na primeira instância de julgamento, a contribuinte aduziu em suas razões: a) que recolhera em atraso, espontaneamente (antes do incício de qualquer procedimento de ofício), a CSLL do 1º trimestre/2004, com respesctivos juros de mora, porém sem a multa de mora, por entender que estaria configurada a denúncia espontânea (CTN, art. 138) e cita, ainda, precedentes do Superior Tribunal de Justiça STJ; b) que o prazo de vencimento da CSLL era 30/04/2004 e o pagamento foi efetuado em 30/07/2004, conforme cópia do DARF (fl. 31); c) que o débito e recolhimento foram devidamente informados na DCTF do 2º trimestre/2004, apresentada em 13/08/2004 (fls. 28/33); d) que a DCTF retificadora do 2º trimestre/2004, apresentada em 02/08/2005, em nada alterou a espontaneidade, eis que não houve qualquer alteração ou modificação nessa exação fiscal do 1º trimestre/2004; A DRJ/Campinas, como já dito, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência da multa de mora, cuja ementa desse decisum (fl. 72), transcrevo a seguir: (...) Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendáio: 2004 DCTF. Revisão Interna. Multa e Mora. Denúncia Espontânea. Súmula Nº 360 – Superior Tribunal de Justiça (STJ): “O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Rel. Min. Eliana Calmon, em 27/08/08. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.001825/200715 Resolução n.º 1802000.051 S1TE02 Fl. 3 3 Irresignanda com esse decisum do qual tomou ciência em 01/02/2011 (fl. 76), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 28/02/2011 de fls. 78/87, reiterando as razões já apresentadas na instância a quo, ou seja: que o débito da CSLL do 1º trimestre/2004 foi recolhido a destempo e com respectivos juros de mora, porém sem multa de mora, pois a situação teria configurado denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN; que, diversamente do entendimento da decisão recorrida, é incabível a exigência da multa de mora de 20%, pois o recolhimento do débito do pricipal da CSLL do 1º trimestre/2004 ocorreu espontaneamente em 30/07/2004 (fl. 31) e antes de sua confissão na DCTF do 2º trimestre apresentada em 13/08/2004 (fls. 28/33); que, nessa situação, consoante Súmula 360 do Superior Tributnal de Justiça (STJ), estaria configurada a denúncia espontânea. Por fim, a recorrente pediu provimento ao recurso. . É o relatório. Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.001825/200715 Resolução n.º 1802000.051 S1TE02 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Nelso Kichel O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, o litígio versa acerca da imposição e exigência, via auto de infração, de multa moratória de 20% (vinte por cento) sobre o débito da CSLL (valor principal) do 1º trimestre/2004 (período de apuração 31/03/2004 e vencimento 30/04/2004), que foi pago, espontaneamente, em 30/07/2004 (pagamento a destempo) com respectivos juros de mora, porém sem o recolhimento da multa de mora. A recorrente, nas razões de sua defesa, sustenta a tese de que é incabível a exigência da multa de mora, no caso, pois estaria configurada a denúncia espontânea de trata o art. 138 do CTN, em face da efetivação do pagamento do principal da CSLL com respectivos juros de mora antes do início de qualquer procedimento de ofício (pagamento espontâneo) e antes da inclusão desse débito na DCTF respectiva. Em face das alegações da recorrente e para formação da convicção do julgador, tornase necessário, antes de tudo, sanear o processo, pela falta de peças essencias para resolução ou enfrentamento do mérito do litígio. Não há como formar convicção, com os elementos de prova constantes dos autos, se o pagamento do débito ocorreu antes, ou depois, de sua confissão na DCTF. Senão vejamos: O débito da CSLL do 1º trimestre/2004 deveria ter sido declarado/confessado na DCTF do 1º trimestre/2004, cujo prazo para sua apresentação era 13/05/2004. Se tal débito da CSLL não constou da DCTF do 1º trimestre/2004, a recorrente, então, deveria, ter apresentado a respectiva DCTF retificadora para inclusão/confissão desse débito. Ocorre que, nos presentes autos, não consta cópia da DCTF do 1º trimestre/2004, para fazer esta análise se o débito da CSLL do 1º trimestre/2004 foi, ou não, confessado, antes do pagamento realizado a destempo. Não se sabe sequer se houve a apresentação da DCTF ao fisco pela contribuinte quanto aos períodos de apuração do 1º trimestre/2004. Se isso não bastasse, a recorrente alegou que o débito do principal da CSLL do 1º trimestre/2004 teria sido confessado tãosomente na DCTF do 2º trimestre/2004, apresentada em 13/08/2004; que, além disso, teria ocorrido a apresentação de uma DCTF retificadara em 02/08/2005, em relação à DCTF do 2º trimestre/2004, mas que não teria influência alguma no débito objeto dos autos. De qualquer forma, não se sabe qual foi o objeto da DCTF retificadara do 2º trimestre/2004, apresentada em 02/08/2004. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL Processo nº 10830.001825/200715 Resolução n.º 1802000.051 S1TE02 Fl. 5 5 Ainda, não há cópia nos autos da DIPJ do exercício 2005, anocalendário 2004, quanto aos débitos apurados da CSLL dos 1º e 2º trimestres/2004, para verificar, comparar ou cotejar com as DCTF dos respectivos trimestres desse ano. Nessa situação, como demonstrado, não há como formar convicção quanto ao mérito da lide, propugno, então, pela conversão do julgamento em diligência para remessa, retorno, dos autos do processo à unidade de origem da RFB (DRF/Campinas) para que seja instruído, mediante juntada de: a) cópia completa da DIPJ do anocalendário 2005, anocalendário 2004; b) cópia completa da DCTF do 1º trimestre/2004 e comprovante com data de entrega/recepção; c) cópia completa da DCTF original do 2º trimestre/2004 e comprovante com data de entrega/recepção; d) cópia completa da DCTF retificadora do 2º trimestre/2004 apresentada em 02/08/2005 e comprovante com data de entrega/recepção. A DRF/Campinas, por fim, à luz desses elementos colhidos, deverá elaborar relatório circunstanciado/conclusivo, informando/demonstrando em relação ao débito do principal da CSLL do 1º trimestre/2004 o qual foi pago em 30/07/2004 (fl. 31) a data, precisa, de sua confissão em DCTF pela recorrente. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o Julgamento em Diligência, a fim de que sejam cumpridas as providências requeridas. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/08/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 18/08/2012 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/08/2012 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10283.907533/2009-95
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1803-000.086
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, baixar o processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, relator, e Arthur José André Neto, que não acolhiam a diligência proposta e davam provimento parcial ao recurso voluntário.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, baixar o processo em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Neudson Cavalcante Albuquerque, relator, e Arthur José André Neto, que não acolhiam a diligência proposta e davam provimento parcial ao recurso voluntário. Neudson Cavalcante Albuquerque Walter Adolfo Maresch Relator (documento assinado digitalmente) Presidente (documento assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Redator Designado (documento assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Arthur José André Neto. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.907533/200995 Resolução n.º 1803000.086 S1TE03 Fl. 234 2 Relatório SECULUS DA AMAZÔNIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ/Belém (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil a declaração de compensação de nº 07339.48590.201006.1.7.036850 (fls. 2/6), a qual não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 7: No curso da análise do direito creditório, foram detectadas inconsistências, objeto de termo de intimação, não saneadas pelo sujeito passivo. Dessa forma, de acordo com as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP é insuficiente para comprovar sequer a quitação da contribuição social devida, não há direito creditório a ser reconhecido. Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 63.828,10 Somatório das parcelas de crédito demonstradas no PER/DCOMP: R$ 63.828,10 Contribuição social devida: R$ 708.063,12 Ciente dessa decisão em 20/10 (fl. 11), o interessado apresentou, em 19/11/2009, a manifestação de inconformidade de fls. 12/14, considerada tempestiva pela unidade preparadora (fl. 41). Em sua peça de defesa, alega, em síntese: 1. Os valores de estimativa CSLL apurados encontramse na DIPJ entregue em 26/06/2003, protocolo 2631001728, bem como foram apresentados na DCTF; 2. Os DARFs de pagamento comprovam os valores antecipados; 3. A vinculação do DARF quitado ao débito apresentado não foi condizente com a realidade apurada; A DRJ Belém (PA) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio do Acórdão nº 0123.911, de 21 de dezembro de 2011 (fls. 72/76), ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2002 SALDO NEGATIVO CSLL. PAGAMENTOS. INSUFICIÊNCIA QUITAÇÃO CSLL DEVIDA. INEXISTÊNCIA CRÉDITO. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.907533/200995 Resolução n.º 1803000.086 S1TE03 Fl. 235 3 Estando o direito creditório amparado em estimativas CSLL e sendo estas insuficientes para quitar a contribuição devida, o crédito revela se inexistente. Cientificado dessa decisão em 12/01/2012, por meio de remessa postal (fl. 80), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 87/100), em 13/02/2012, em que afirma, resumidamente, que a decisão recorrida não considerou todos os pagamentos de estimativas realizados, encontrando o valor de R$ 687.977,79, quando o valor correto é R$ 771.891,18. É o relatório. Voto vencido Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou Dcomp, em 20/10/2006, pela qual extinguiu débito de estimativa de CSLL de janeiro de 2003, apontando indébito oriundo de saldo negativo de CSLL referente ao ano 2002 (fl. 3). Conforme demonstrado na referida Dcomp (fls. 4), o saldo negativo teria sido gerado pela existência de uma antecipação de CSLL, quitada por pagamento, no valor de R$ 123.327,39, do qual seria utilizado o valor de R$ 63.828,10 para compor o saldo negativo. Todavia, o valor devido de CSLL no período foi de R$ 708.063,12, o que é bem superior ao valor do pagamento demonstrado na Dcomp. Intimado para esclarecer a inconsistência, o contribuinte não se manifestou, razão pela qual a compensação foi não homologada (fl. 7). Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte afirma que realizou vários pagamentos de estimativa no ano 2002, totalizando o valor de R$ 771.891,22, o que supera o valor devido de CSLL, apurada no final do exercício, em R$ 63.828,10, valor suficiente para quitar o débito apontado na DCOMP. A autoridade julgadora de primeira instância apurou todos os pagamentos de estimativa de CSLL realizados pelo contribuinte no período e chegou à tabela encontrada na fl. 75, em que o total dos pagamentos encontrados (R$ 687.977,79) ficou abaixo do valor devido (R$ 771.891,18), o que levou à confirmação da não homologação da compensação. No recurso voluntário, o contribuinte insiste em que há pagamentos para todo o valor declarado, apresentando a tabela de fls. 98/99 e comprovantes de arrecadação, em anexo à petição. Comparando as referidas tabelas e compulsando os documentos apresentados pelo recorrente, verificase que a decisão de primeira instância não considerou alguns pagamentos que foram realizados em atraso, no ano seguinte ao período de apuração. O contribuinte fez juntar o comprovante de arrecadação desses pagamentos, com exceção do alegado pagamento referente a abril de 2002, no valor de R$ 12.431,22. A tabela seguinte resume a situação que emerge dos autos: Fl. 235DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.907533/200995 Resolução n.º 1803000.086 S1TE03 Fl. 236 4 Período Apuração DCTF DRJ Diferença Comprovação (nº fl.) jan/02 30.365,09 29.134,85 1.230,24 122 fev/02 35.455,77 32.879,15 2.576,62 127 mar/02 51.670,23 47.310,23 4.360,00 134 abr/02 88.051,51 75.620,29 12.431,22 xxx mai/02 61.751,86 58.920,19 2.831,67 150 jun/02 33.455,53 28.417,46 5.038,07 157 jul/02 65.415,95 56.442,13 8.973,82 165 ago/02 57.570,43 53.680,20 3.890,23 172 set/02 59.678,16 48.475,33 11.202,83 175 out/02 89.299,07 83.527,36 5.771,71 179 nov/02 136.223,36 123.327,39 12.895,97 225 dez/02 62.954,22 50.243,21 12.711,01 182 Totais 771.891,18 687.977,79 Assim, devese reconhecer que houve pagamentos de estimativas de CSLL em 2002 no valor de R$ 759.459,96 (771.891,18 12.431,22) e, conseqüentemente, reconhecer o direito creditório do contribuinte no valor de R$ 51.396,84 (759.459,96 708.063,12). Por fim, há notícia no processo de que o mesmo indébito está sendo utilizado em outras compensações, o que demanda a verificação, por parte da unidade de jurisdição do contribuinte, do valor disponível para a utilização neste processo. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, no sentido de reconhecer o direito creditório de R$ 51.396,84 e homologar parcialmente a compensação em análise, até o limite do crédito ainda não utilizado em outras compensações. Neudson Cavalcante Albuquerque (documento assinado digitalmente) Voto vencedor Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Redator Designado Constou do voto vencido (grifei): Comparando as referidas tabelas e compulsando os documentos apresentados pelo recorrente, verificase que a decisão de primeira instância não considerou alguns pagamentos que foram realizados em atraso, no ano seguinte ao período de apuração. O contribuinte fez juntar o comprovante de arrecadação desses pagamentos, com exceção do alegado pagamento referente a abril de 2002, no valor de R$ 12.431,22. [...]: Em sessão, propus a baixa do presente processo em diligência, de modo a verificar a existência, ou não, do alegado pagamento referente a abril de 2002, no valor de R$ 12.431,22, único ainda pendente de comprovação por parte da Recorrente, com fundamento no art. 5º, incisos LV (contraditório e ampla defesa) e LXXVIII (celeridade processual), da Constituição Federal. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.907533/200995 Resolução n.º 1803000.086 S1TE03 Fl. 237 5 Referida proposta foi acolhida pela maioria da Turma, com exceção do relator e do Conselheiro Arthur José André Neto. Designado para redigir o voto vencedor, assim o faço. Deve o órgão de origem consultar os sistemas de controle da Receita Federal do Brasil (RFB), de modo a verificar a existência, ou não do alegado pagamento referente a abril de 2002, no valor de R$ 12.431,22, apontado na planilha de fls. 98 – numeração digital (ND) e na Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) de fls. 136 e 137 (ND), anexando a tela de consulta correspondente. Caso não seja encontrado o referido pagamento na pesquisa efetuada, deve o órgão de origem intimar a Recorrente para apresentar o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) relativo a esse pagamento. Posteriormente, devolvase ao CARF, para deslinde do presente litígio. É como voto. Sérgio Rodrigues Mendes (documento assinado digitalmente) Fl. 237DF CARF MF Impresso em 15/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/04/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2 014 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 08/04/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUER QUE, Assinado digitalmente em 12/05/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH
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