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7548153 #
Numero do processo: 10855.002180/2008-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Obrigações acessórias: multa pot atraso na entrega da Declai ação Anual do Simples Nacional, Ano-calendário: 2.007 EMENTA: A multa por atraso na. entrega da Declaração Anual do Simples Nacional é devida em caso de não ser observada a data de cürega... RECURSO NEGADO
Numero da decisão: 1202-000.333
Decisão: Acordam os membros do colegiada pôr unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário referente à não inclusão do simples.
Nome do relator: Nereida De Miranda Finamore

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'• • • .....,:•.•,•,,,.• • • •....,-.,...::.: ,:,.... MINISTÉRIO DA FAZENDA .. '......• , '....:i1::::::::::::.t......-•-. :;:,..... • •.:,.-:::•:::1:::5•:::::¡::::: :::••.;.;:. CONSELIK) ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS...:::::.:,,,,-,:::....;•• ,•-.i, „:,..;:,::::..-,.-•: :: : ::1:5,.. 41-5,- PR NE f R.A SEÇÃO DF .1I1If..1AMUNTO . Processo ti' 10855..002180/2008-22 Recurso n" 502,353 Voluntário Acórdão n" 1.202-00.333 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 6 de julho de 2010 Matéria Exclusão do SIM PI IS R.ccorren te C PICOU T.E.LEINI . ORMÁTIC.A ME Recorrida Delegacia. da RI , de Ju I t.,,ani.en to em Ribeirão Piei.° . Assunto: Obrigações acessórias: multa pot atraso na entrega da Declai ação Anual do Simples Nacional, Ano-calendário: 2.007 EMENTA: A multa por atraso na. entrega da Declaração Anual do Simples Nacional é devida em caso de não ser observada a data de cürega... RECURSO NEGADO Vistos, relatados e discutidos Os presentes autos, Acordam os membros do colegiada pôr unanimidade de votos, negar . provimento ao recurso voluntár•ics»-eferente à não inclusão do simples. • , -- e sbn 1 .6 so Fi - Presidente.Áli 'Gr7?-/f_..-(--(:../4. 07 i7/ ' z • ' ,. ,,- Nereida de Miranda Finan . re ir rlaz - .Re atoi ? a —.../ FurrADo EM: 0 5 Arj0 201n .Participaram da sessão de julgamento os conselheitos: Nelson 1 Asso Filho (Pr•esidente), Carlos Alberto Donassolo, Valéria C.'abial Géo• .Ver•çoza, Darei Mendes de Carvalho Filho (Suplente Convocado .), 'Nereida de Miranda. 1-, inarnore Horta., Orlando Jose Gonçalves Bueno (Vice Presidente da flutua). - 1 , Relatório Trata-se de recurso interposto pela contribuinte empresa PICOU 114,14.N . 1 . 01Z.MXLICA ME, pelo qual requer seja cancelada muita pela entrega em atraso da Deelat ação Anual do SIMPLES NACIONAI relativa ao ano-calendário de 2007 Nos autos, a requerente apresenta e-maus trocados com a Delegacia da R1.13 na SACA'1, solicitanto ajuda para enviar a DASN, tendo em vista que refez vária.s vezes as declarações, mas mesmo assim todas as vezes que tentava enviar, aparecia mensagem impeditiva de envio: "Rehiliáfi0 tie Importação de dadas pala O cinpl . c.s.a Picoli CNP' 03,862 015/000.1- 57 Existe pendência nli. ., iente ao Rei iodo a icclarad00.9/2007 4 R.cculto Brota do p(=Tiodo de 08/2007 sof,' eu a fieraçao flenfique todoN 0.5 perimira de ovulação posteriores Favor aceS.Sar o PUDAS e fCgIlhITLUV a NinuNãO descrito (ti 14) Alegou que foi informada na Secretaria da RF13 que se tratava de crio do sistema, e no corpo. do e-mail datado de 30 de junho de 2008 (ti 22), a representante da RE,B intorma que até o momento não obteve resposta do motivo do er ro para o envio A. 1 )Ifl ideleye o pedido 4:1 inleres: n;ldn -hltoçqpreseillIrlo,: , --- COnespondente. 1.Z.egularmente intimada da decisão supra mencionada em 2 de julho de 2008 (AR), a Interessada apresentou Recurso 'Voluntário no dia 11 de julho do mesmo ano. Nessa. ocasia.o t.eiterou os argumentos apresentados na Manisfestação Inconlormidade/Impuguação apresentada anteriorinente. É o relatOrio 0021;5'0,1 :1(M-22 I -C21 2 Acõi " 1202-00333 FI 17,6 Voto Conselheira NEREIDA DF MIR.A.ND.A FINAMOR1:. HORTA, Relatora. (_) Recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 1 .1'70..235, de 1972. Assim sendo, dele conheço Tratam os autos de cancelamento da multa por entrega em atraso da Dectaração Anual do Simples Nacional, ano-calendário de 2007 Segundo o artigo 14 da Resolução do CGSN n" 10, de 28 de, junho de 2007, com alterações introduzidas pela Resolução do CGSN n"3.3, de 17 de março de 2008: 'Ari 14 Excepcionalmente, em relação aos . latos geradores das tributos previstos no Simples Nacioml ocorridos duí ante o segundo semestre do ano-calendário de 2007, a deelatação a que se rejere o errou' do ait deverá ser entregue até 30 de junho de 2008 " (gril-os nossos). Ou seja, a interessada tinha, que entregar a D.ASN até a data de 30 de junho de 2008. Apesar de ter demonstrado nos autos que não Conseguiu e, inclusive, pediu ajuda à Secretaria da RF13, corno não enviou ou mesmo entregou cópia da .1).ASN até $0 de junho de, 2008, irão cumpriu o prazo de entrega da obrigação, portanto, é devida a multa. Isto posto, voto pelo NÃO provimento do recurso, mantendo o indact intento do pedido da intelessa.da de inclusão na sistemática do SIM 1)1,1 Sala das Sessões, em 5 de julho de 2010 .t. acida de Miranda. I . inani te .4.0 :a :t

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7533113 #
Numero do processo: 10783.902125/2009-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 ESTIMATIVA. PAGAMENTO A MAIOR. INDÉBITO EXISTENTE NA DATA DO RECOLHIMENTO. INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N. 84. Os valores recolhidos a título de estimativa em montante superior à opção de cálculo exercida pelo contribuinte são considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação, com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do pagamento, conforme inteligência da Sùmula CARF n. 84.
Numero da decisão: 1201-002.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Paulo Cezar Fernandes de Aguiar acompanhou o voto da relatora pelas conclusões. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.902124/2009-61, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente).
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA

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1201­002.603  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  16 de outubro de 2018  Matéria  IRPJ  Recorrente  CISA TRADING S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  ESTIMATIVA.  PAGAMENTO  A  MAIOR.  INDÉBITO  EXISTENTE  NA  DATA DO RECOLHIMENTO.  INTELIGÊNCIA DA SÚMULA CARF N.  84.  Os valores recolhidos a título de estimativa em montante superior à opção de  cálculo  exercida  pelo  contribuinte  são  considerados  indébitos  passíveis  de  restituição ou  compensação,  com a  incidência de  juros SELIC desde o mês  subseqüente ao do pagamento, conforme inteligência da Sùmula CARF n. 84.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. O conselheiro Paulo  Cezar  Fernandes  de Aguiar  acompanhou  o  voto  da  relatora  pelas  conclusões. O  julgamento  deste processo segue a sistemática dos recursos  repetitivos. Portanto, aplica­se o decidido no  julgamento  do  processo  10783.902124/2009­61,  paradigma  ao  qual  o  presente  processo  foi  vinculado.   (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa ­ Presidente e Relatora  Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis  Fabiano  Alves  Penteado,  Carmem  Ferreira  Saraiva  (suplente  convocada  em  substituição  ao  conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello  Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa  (Presidente).       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 21 25 /2 00 9- 14 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10783.902125/2009­14  Acórdão n.º 1201­002.603  S1­C2T1  Fl. 3          2 Relatório  Trata­se de processo sobre PER/DCOMP. A DRF/VIT, através de Despacho  Decisório, não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP.  A referida decisão contém a seguinte fundamentação:  Analisadas  as  informações  prestadas  no  documento  acima  identificado,  foi  constatada  a  improcedência  do  crédito  informado no PER/DCOMP por tratar­se de pagamento a titulo  de  estimativa  mensal  de  pessoa  jurídica  tributada  pelo  lucro  real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na  dedução de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da  Contribuição  Social  sobre  o  Lucro  Liquido  (CSLL)  devida  ao  final do período de apuração ou para compor o saldo negativo  de IRPJ ou CSLL do período.  O  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade.  Nesta  peça,  alega, em síntese, que:  ­ a apresentação de manifestação de inconformidade suspende a exigibilidade  do débito constante do despacho decisório;  ­  efetuou  recolhimento  indevido,  que  utilizou  para  compensar  o  aludido  débito.  Decisão da DRJ  A 1°Turma da DRJ/RJ1 negou provimento à manifestação de inconformidade  e manteve o Despacho Decisório.  Recurso Voluntário  Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário por meio do qual  ratifica seus argumentos de manifestação de inconformidade.   É o relatório.       Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10783.902125/2009­14  Acórdão n.º 1201­002.603  S1­C2T1  Fl. 4          3 Voto             Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica­se o decidido no Acórdão nº  1201­002.602,  de  16/10/2018,  proferido  no  julgamento  do Processo nº  10783.902124/2009­ 61, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201­002.602):  "Admissbilidade  O  Recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos legais, assim, merece ser apreciado.   Mérito  O  Recorrente  pretendeu  extinguir  débito  tributário  informando  um  crédito  referente  a  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  estimativa,  o  que  segundo  o  entendimento  dos  julgadores da DRJ é vedado pelo art. 10 da IN SRF no 600/2005  (vedação que  já  constava  do  art.  10  da  1N  SRF  n°  460/2004),  citado no enquadramento legal do Despacho Decisório.  Devo  discordar da  posição  dos  ilustres  julgadores de  1° instância.   Isso  porque,  entendo  que  os  valores  a  título  de  estimativa recolhidos em montante  superior à opção de cálculo  exercida  pelo  contribuinte  (receita  bruta  ou  balancete),  são  considerados indébitos passíveis de restituição ou compensação,  com a incidência de juros SELIC desde o mês subseqüente ao do  pagamento.  Aliás, essa é a inteligência da Súmula CARF n°84 que  assim dispõe:  Súmula CARF nº 84  Pagamento  indevido  ou  a maior  a  título  de  estimativa  caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo  passível de restituição ou compensação.  Nesse  contexto,  verifica­se  que  a  decisão  recorrida  deve ser reformada, uma vez que foi motivada em entendimento  já  superado. Conforme visto,  restou assentado que  a  indicação  de direito creditório decorrente da estimativa em si, ao contrário  do  que  afirma  o  despacho  decisório,  pode  sim  gerar  indébito  passível de restituição ou compensação.  Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10783.902125/2009­14  Acórdão n.º 1201­002.603  S1­C2T1  Fl. 5          4 Não  obstante,  em  se  tratando  de  compensação,  a  comprovação da liquidez e certeza do crédito constitui ônus da  contribuinte, conforme interpreta­se do 170 do CTN, in verbis:  “Artigo  170  ­  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  ou  vincendos,  do  sujeito  passivo contra a Fazenda Pública.” Grifei.  Assim,  uma  vez  afastado  o  fundamento  que  não  homologou  o  pleito  da  contribuinte,  e  a  até  mesmo  para  não  caracterizar  supressão de  instância,  devem os autos  retornar à  DRF  de  origem  para  análise  e  suficiência  do  montante  do  crédito que foi requerido.  Caso  a  Delegacia  de  origem  constatar  que  houve  pagamento  indevido  ou  a  maior,  seja  como  excedente  mensal  disponível  (estimativa),  seja como excedente anual que engloba  a estimativa (saldo negativo), e este saldo não fora utilizado em  outros pedidos, a compensação deverá ser homologada no limite  do crédito que assim for reconhecido.  Conclusão  Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário  para  no  MÉRITO  DAR­LHE  PARCIAL  PROVIMENTO  para  para  afastar  o  fundamento  da  negativa  da  DCOMP,  determinando o retorno dos autos à DRF de origem para análise  do mérito do direito creditório."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática  prevista  nos  §§  1º,  2º  e  3º  do  art.  47,  do  Anexo  II,  do  RICARF,  voto  por  dar  provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito.  (assinado digitalmente)  Ester Marques Lins de Sousa                              Fl. 186DF CARF MF

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7550721 #
Numero do processo: 10882.905499/2012-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2007 COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-005.903
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2007 COMPENSAÇÃO. NÃO-HOMOLOGAÇÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. A Manifestação de Inconformidade somente será conhecida se apresentada até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que negou a compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO. É preclusa a apreciação de matéria no Recurso Voluntário quando considerada intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.

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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, que não conhecia do recurso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Renato Vieira de Avila (suplente convocado) e Cynthia Elena de Campos. Ausente justificadamente a Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, sendo substituída pelo Conselheiro Renato Vieira de Avila (suplente convocado).

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1543; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T2  Fl. 2          1  1  S3­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10882.905499/2012­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3402­005.903  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  28 de novembro de 2018  Matéria  MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. EFEITOS  Recorrente  MOINHO CANUELAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 31/01/2007  COMPENSAÇÃO.  NÃO­HOMOLOGAÇÃO.  MANIFESTAÇÃO  DE  INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA.  A Manifestação  de  Inconformidade  somente  será  conhecida  se  apresentada  até o trigésimo dia subsequente à data da ciência do Despacho Decisório que  negou a compensação.  MATÉRIA  NÃO  IMPUGNADA.  RECURSO  VOLUNTÁRIO.  APRECIAÇÃO. PRECLUSÃO.  É  preclusa  a  apreciação  de  matéria  no  Recurso  Voluntário  quando  considerada  intempestiva a apresentação da correspondente manifestação de  inconformidade.  Recurso Voluntário Negado.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário. Vencida a Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula,  que não conhecia do recurso.    (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Pedro  Sousa  Bispo,  Renato  Vieira  de  Avila  (suplente     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 54 99 /2 01 2- 61 Fl. 243DF CARF MF     2  convocado)  e  Cynthia  Elena  de  Campos.  Ausente  justificadamente  a  Conselheira  Thais  De  Laurentiis  Galkowicz,  sendo  substituída  pelo  Conselheiro  Renato  Vieira  de  Avila  (suplente  convocado). Relatório  Trata­se de Declaração de Compensação para o aproveitamento de crédito de  COFINS decorrente de pagamento indevido ou a maior. Em razão da aparente inexistência do  crédito,  vez que o DARF não  foi  localizado no  sistema,  foi  transmitido Despacho Decisório  Eletrônico não homologando a compensação declarada.  A  empresa  apresentou Manifestação  de  Inconformidade  intempestiva,  com  prequestionamento de tempestividade.   Através  do  Acórdão  nº  02­061.854,  a  DRJ  não  conheceu  da  defesa  por  intempestiva.  Cientificada  desta  decisão,  a  empresa  apresentou  o Recurso Voluntário  ora  em apreço, tempestivamente, sustentando a existência do direito creditório e a necessidade de  aplicação ao presente processo do princípio da verdade real e material.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.886,  de  28  de  novembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10882.904939/2012­62, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402­005.886):  "Conheço  do  Recurso  Voluntário,  por  tempestivo,  mas  nego­lhe provimento, pelas razões a seguir expostas.  Pela  análise  do  presente  processo,  trazida  no  relatório  acima, depreende­se que o contencioso no presente processo não  foi  regularmente  instaurado,  vez  que  intempestiva  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentada pela  empresa  em  18/12/2012, mais de 30 (trinta) dias após sua regular intimação  do Despacho Decisório Eletrônico, ocorrida em 14/11/2012  (e­ fl. 69).  O art. 74, § 9º da Lei n.º 9.430/96, na redação dada pela  Lei n.º 10.833/2003, prevê defesa própria a ser apresentada pelo  sujeito  passivo  na  hipótese  de  não  homologação  de  pedido  de  compensação:  a  Manifestação  de  Inconformidade.  Esta  defesa  deve  ser  apresentada no  prazo  de  30  (trinta)  dias  contados  da  Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10882.905499/2012­61  Acórdão n.º 3402­005.903  S3­C4T2  Fl. 3          3  ciência do despacho denegatório, previsto no §7º daquele mesmo  dispositivo legal:    "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os  judiciais  com  trânsito  em  julgado,  relativo  a  tributo  ou  contribuição  administrado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal,  passível  de  restituição  ou  de  ressarcimento,  poderá  utilizá­lo  na  compensação  de  débitos  próprios  relativos  a  quaisquer  tributos  e  contribuições  administrados por aquele Órgão.  (...)  §  7o  Não  homologada  a  compensação,  a  autoridade  administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá­ lo  a  efetuar,  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  contado  da  ciência  do  ato  que  não  a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados.(Redação  dada  pela  Lei nº 10.833, de 2003)  §  9o É  facultado  ao  sujeito passivo,  no prazo  referido  no  §  7o,  apresentar  manifestação  de  inconformidade  contra  a  não­homologação  da  compensação.  (Redação  dada pela Lei nº 10.833, de 2003)" (grifei)    No  presente  caso,  a  intempestividade  é  patente,  vez  que,  intimado  em  14/11/2012  (quarta­feira),  o  prazo  fatal  para  a  apresentação  da  Manifestação  de  Inconformidade  encerrou­se  em 14/12/2012 (sexta­feira).  Essa questão  já  foi  analisada em distintas oportunidades  por  este CARF1,  inclusive em processos  semelhantes do mesmo  sujeito  passivo,  nos  Acórdãos  3202­003.041,  3202­003.042,  3202­003.043,  3202­003.044  3802­003.046,  3802­003.047  e  3802­003.048 publicados em 27/08/2014. Naqueles julgados, os  Recursos  Voluntários  apresentados  pela  empresa  não  foram  providos  pelo  Relator  Cláudio  Augusto  Gonçalves  Pereira  em  razão  da mesma mácula  no  procedimento  (intempestividade  da  Manifestação de Inconformidade originária):    "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP   Exercício: 2000  Ementa:  Manifestação  de  Inconformidade  Intempestiva  Efeitos                                                               1 Vide ainda: Processo n.º 15374.902473/2009­19 Data da Sessão 08/12/2015 Relator Frederico Augusto Gomes  de Alencar Acórdão n.º 1402­001.974    Fl. 245DF CARF MF     4  A manifestação de inconformidade apresentada fora do  prazo  legal  não  instaura  a  fase  litigiosa  do  procedimento  nem  comporta  julgamento  de  primeira  instância  quanto  às  alegações  de  mérito,  porque  dela  não se conhece.  Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  do  presente  recurso  e  negar­lhe  provimento, nos termos do relatório e votos que integram o  presente julgado." (grifei)  Ora,  todas  as  questões  passíveis  de  análise  nesta  seara  administrativa seriam pormenorizadas quando do julgamento da  primeira  Manifestação  de  Inconformidade.  Não  tendo  sido  conhecida  esta  defesa  por  patente  intempestividade,  evidente  a  preclusão  do  direito  processual  da  Recorrente,  cujas  razões  trazidas  no  Recurso  Voluntário  não  merecem  análise  e  provimento.  Diante  do  exposto,  voto  por  conhecer  do  Recurso  Voluntário,  por  tempestivo,  mas  por  negar­lhe  provimento  em  razão da preclusão, face a intempestividade da Manifestação de  Inconformidade  apresentada  em  face  do  Despacho  Decisório  Eletrônico."  Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma (houve apresentação intempestiva da  Manifestação  de  Inconformidade),  de  tal  sorte  que  o  entendimento  lá  esposado  pode  ser  perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  conhecer do Recurso Voluntário, por  tempestivo, mas por negar­lhe provimento em razão da  preclusão, face a intempestividade da Manifestação de Inconformidade apresentada em face do  Despacho Decisório Eletrônico.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                                Fl. 246DF CARF MF

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7517262 #
Numero do processo: 10675.720060/2007-48
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta próprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.
Numero da decisão: 9202-007.250
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2003 ITR. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). VALOR MÉDIO COM APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE. Resta próprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do imóvel.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patricia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1306; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T2  Fl. 2          1 1  CSRF­T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  10675.720060/2007­48  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9202­007.250  –  2ª Turma   Sessão de  26 de setembro de 2018  Matéria  ITR ­ VTN ­ SIPT  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  JOSÉ MENDONÇA DE MORAIS    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2003  ITR.  VALOR  DA  TERRA  NUA.  ARBITRAMENTO  COM  BASE  NO  SISTEMA  DE  PREÇOS  DE  TERRAS  (SIPT).  VALOR  MÉDIO  COM  APTIDÃO AGRÍCOLA. POSSIBILIDADE.   Resta próprio o arbitramento do VTN, com base no SIPT, quando observado  o requisito legal de aptidão agrícola para fins de estabelecimento do valor do  imóvel.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar­lhe provimento, vencidas as  conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que  lhe negaram provimento.     (assinado digitalmente)  Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 00 60 /2 00 7- 48 Fl. 191DF CARF MF   2 Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Patricia  da  Silva,  Pedro  Paulo  Pereira  Barbosa,  Ana  Paula  Fernandes,  Mário  Pereira  de  Pinho  Filho  (suplente  convocado),  Ana  Cecília Lustosa da Cruz e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.    Relatório  Trata­se  de  Notificação  de  Lançamento  (fls.  01/04)  relativo  ao  Imposto  Territorial  Rural  –  ITR,  relativo  ao  exercício  de  2003,  do  imóvel  denominado  Fazenda  Pedrões/Colônia,  (NIRF  1.541.646­1),  localizado  no  município  de  São  Gonçalo  do  Abaeté/MG, por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 95.281,16, incluídos  multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora.  O  contribuinte  foi  intimado  para  apresentar  documentação  referente  à  declaração do ITR do exercício de 2003, juntando aos autos documentos de fls. 09/35.  No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das  informações  constantes  da  correspondente  DITR/2003,  a  fiscalização  resolveu  glosar  integralmente  as  áreas  declaradas  como  de  preservação  permanente  e  de  utilização  limitada,  respectivamente,  de  375,8  ha  e  2.254,9  ha,  além  de  alterar  o  Valor  da  Terra  Nua  (VTN)  declarado de R$ 128.906,26 (R$49,00/ha), que entendeu subavaliado, arbitrando o valor de R$  473.526,00 (R$ 180,00/ha), com base no Sistema de Preços de Terras  (SIPT),  instituído pela  RFB,  com  consequentes  aumentos  da  área  tributável/área  aproveitável  e  do  VTN  tributável/alíquota  de  cálculo,  e  disto  resultando  o  imposto  suplementar  de  R$40.713,23,  conforme demonstrativo às fls. 03.  A autuada apresentou impugnação, tendo a Delegacia da Receita Federal de  Julgamento em Brasília/DF julgado o lançamento procedente, mantendo o crédito tributário em  sua totalidade.  Apresentado Recurso Voluntário pela autuada, os autos foram encaminhados  ao CARF para julgamento do mesmo. Em sessão plenária de 18/04/2012, deu­se provimento  parcial ao Recurso Voluntário prolatando­se o Acórdão nº 2201­001.570 (fls. 135/140), com o  seguinte  resultado:  “Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  considerar  um  VTN  de  R$  223.550,00”.  O  Acórdão  encontra­se assim ementado:   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  PROPRIEDADE  TERRRITORIAL RURAL ­ ITR  Exercício: 2003  Ementa:  ÁREA  DE  PRESERVAÇÃO  PERMANENTE.  COMPROVAÇÃO.  O  fisco  pode  exigir  a  comprovação  da  área  de  preservação  permanente cuja exclusão o contribuinte pleiteou na DITR. Não  comprovada a existência efetiva da área mediante laudo técnico,  é devida a glosa do valor declarado.  RESERVA  LEGAL  SERVIDÃO  FLORESTAL.  NECESSIDADE  DE AVERBAÇÃO.   Fl. 192DF CARF MF Processo nº 10675.720060/2007­48  Acórdão n.º 9202­007.250  CSRF­T2  Fl. 3          3 O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz  a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área  de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar  a  área  de  preservação  destinada  à  reserva  legal,  condição  indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base  de cálculo do ITR. O mesmo se aplica à servidão florestal.  Recurso Parcialmente Provido  O  processo  foi  encaminhado  para  ciência  da  Fazenda  Nacional  em  31/10/2012  para  cientificação  em  até  30  dias,  nos  termos  da  Portaria  MF  nº  527/2010.  A  Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 08/11/2012, Recurso Especial (fls. 142/147).  Em  seu  recurso  visa  reformar  o  acórdão  recorrido  no  sentido  de  manter  o  valor  do  VTN  conforme atribuído pela fiscalização.  Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho s/nº, da 2ª  Câmara, de 20/05/2016 (fls. 149/151) considerado o acórdão nº 302­39.396, onde alega:  § Em seu Recurso Especial, a Recorrente inicialmente, transcreve o art. 3º,  caput e parágrafo 1º, da Lei nº 8.847/94:  “Art.  3º A base de  cálculo do  imposto  é o Valor da Terra  Nua  (VTN),  apurado  no  dia  31  de  dezembro  do  exercício  anterior.  §  1º  O  VTN  é  o  valor  do  imóvel,  excluído  o  valor  dos  seguintes  bens  incorporados  ao  imóvel:  I  ­  Construções,  instalações  e  benfeitorias;  II  –  Culturas  permanentes  e  temporárias; III ­ Pastagens cultivadas e melhoradas; IV –  Florestas plantadas”.  § Diz que o Valor da Terra Nua não pode ser  superior ao VTN mínimo,  como  demonstra  o  parágrafo  segundo  do  artigo  acima mencionado,  in  verbis:  “§ 2º O Valor da Terra Nua mínimo  (VTNm) por hectare,  fixado  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  ouvido  o  Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma  Agrária, em conjunto com a Secretaria de Agricultura dos  Estados respectivos, terá como base levantamento de preços  do  hectare  da  terra  nua,  para  os  diversos  tipos  de  terras  existentes no Município”.  § Informa  que  a  IN  nº  16/1995  da  SRF  estabeleceu  o VTNm  para  cada  município  brasileiro,  mas  que  a  Lei  nº  8.847/94  prevê  a  hipótese  de  fixação do VTN abaixo do VTNm nos seguintes termos:  “§ 4º A autoridade administrativa competente poderá rever,  com  base  em  laudo  técnico  emitido  por  entidades  de  reconhecida  capacitação  técnica  ou  profissional  devidamente  habilitado,  o  Valor  da  Terra  Nua  mínimo  (VTNm), que vier a ser questionado pelo contribuinte”.  Fl. 193DF CARF MF   4 § Salienta  que  o  acórdão  recorrido,  pautando­se  nesse  entendimento,  entendeu que, de fato, caberia à Autoridade Administrativa rever o Valor  da  Terra  Nua  mínimo  –  VTNm  –  que  viesse  a  ser  questionado  pelo  contribuinte, mediante  a  apresentação  de  Laudo  Técnico  de Avaliação  do  imóvel,  emitido  por  entidade  de  reconhecida  capacidade  técnica ou  profissional  devidamente  habilitado  (§  4º,  art.  3º,  da  Lei  nº  8.847/94),  elaborado nos moldes da NBR 14.653­3 da ABNT.  § Ressalta  que  a  norma  legal  prevê  que  o  laudo  de  avaliação  deve  estar  acompanhado da  respectiva  anotação de  responsabilidade  técnica  junto  ao CREA da região e subordinado às normas prescritas na NBR 14.653­ 3,  com  a  demonstração  de  forma  inequívoca,  do  valor  fundiário  do  imóvel  à  época  do  fato  gerador  do  ITR,  assim  como  da  existência  de  características  particulares  desfavoráveis,  diferentes  das  características  gerais  da  região.  Acrescenta  que  tais  quesitos  se  mostram  imprescindíveis para que a alteração do VTNm se dê de forma justa e o  mais precisa possível.   § Afirma  que,  da  análise  dos  autos,  sabe­se  que  o  sujeito  passivo  não  apresentou  os  elementos  de  prova  que  pudessem  desconstituir  licitamente  a presunção  de veracidade e  legitimidade da notificação de  lançamento,  realizada  com  base  em  dados  informados  pelo  próprio  contribuinte; e isso porque o dito “laudo de avaliação” não preencheu os  requisitos exigidos pela NBR 14.653­3.  § Acrescenta  que,  diante  da  inaptidão  do  laudo  fornecido  pelo  contribuinte,  o  acórdão,  sem  qualquer  fundamentação  legal,  decidiu  adotar  laudo  mesmo  reconhecendo  que  não  observa  os  parâmetros  técnicos aceitáveis.  § Transcreve  elucidativa  fundamentação  do  voto,  para  demonstrar  o  entendimento do acórdão recorrido, vejamos:  §  “Sobre  o  VTN,  observa­se  que  o  arbitramento  que  a  autoridade  lançadora  diz  ter  feito  com  base  no  SIPT  não  aponta  as  aptidões  agrícolas  consideradas  nesse  arbitramento,  pelo  menos  não  consta  dos  autos  o  extrato  que  permita  fazer  essa  verificação.  Por  outro  lado,  o  Contribuinte  apresenta  laudo  em  que  avalia  o  VTN  da  propriedade  em  R$  223.550,00  e,  embora  o  laudo  não  observe  parâmetros  técnicos  aceitáveis,  deve  ser  acatado,  pois  apresenta  valor  um  pouco  maior  do  que  o  originalmente declarado.”  § Conclui  que  não  resta  dúvida  que  o  acórdão  considerou  o  VTN  fornecido por laudo que não menciona a data a que se refere a avaliação.  § Traz  entendimento  sumulado  pelo  CARF,  Súmula  CARF  nº  23,  da  necessidade  de  o  laudo  técnico  apresentado  cumprir  as  normas  da  ABNT,  bem  como  se  reportar  ao  mesmo  exercício  do  fato  gerador  tributário do ITR:  § Súmula CARF nº 23: Fl. 194DF CARF MF Processo nº 10675.720060/2007­48  Acórdão n.º 9202­007.250  CSRF­T2  Fl. 4          5 § A  autoridade  administrativa  pode  rever  o  Valor  da  Terra  Nua  mínimo  (VTNm)  que  vier  a  ser  questionado  pelo  contribuinte  do  imposto  sobre  a  propriedade  territorial  rural  (ITR)  relativo  aos  exercícios  de  1994  a  1996,  mediante a apresentação de laudo técnico de avaliação do  imóvel,  emitido  por  entidade  de  reconhecida  capacidade  técnica ou por profissional devidamente habilitado, que se  reporte  à  época  do  fato  gerador  e  demonstre,  de  forma  inequívoca,  a  legitimidade  da  alteração  pretendida,  inclusive com a indicação das fontes pesquisadas.” (g.n.)  § Por  fim,  requer  o  provimento  do  presente  recurso  para  reformar  a  decisão a quo no sentido de manter a integridade da autuação.  Cientificado do Acórdão nº 2201­001.570, do Recurso Especial da Fazenda  Nacional  e  do Despacho de Admissibilidade  admitindo  o Resp  da PGFN,  em 20/06/2016,  o  contribuinte interpôs, em 30/06/2026, portanto, tempestivamente, Recurso Especial em relação  à parte do acórdão que lhe foi desfavorável e contrarrazões (fls. 172/173).  Ao  Recurso  Especial  do  Contribuinte  foi  negado  seguimento,  conforme  o  Despacho s/nº, da 2ª Câmara, de 27/10/2016 (fls. 176/177).   Em suas contrarrazões o contribuinte alega que o acórdão nº 2201­001.570,  por  ter  sido  reduzido  o  VTN  para  R$  223.550,00,  conforme  se  apurou  no  Laudo  Técnico  apresentado pelo contribuinte, não tem fundamento legal; e que não assiste razão à PGFN nos  termos da Lei nº 8.171/91, art. 104 e da Lei nº 9.393/96, art. 10, §7º.  É o relatório.  Fl. 195DF CARF MF   6 Voto             Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora  Recurso Especial da Fazenda Nacional  Pressupostos de Admissibilidade  O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende  aos demais pressupostos de admissibilidade, conforme despacho de Admissibilidade, fls. 319.  Não havendo qualquer questionamento acerca do conhecimento e concordando com os termos  do despacho proferido, passo a apreciar o mérito da questão.  Do mérito  De  forma  objetiva  a  delimitação  da  lide,  conforme  consta  do  despacho  de  admissibilidade,  cinge­se no Valor de Terra Nua a  ser utilizado para  fins de  cálculo do  ITR  devido para o exercício de 2003, tendo em vista que a Lei nº 9.393/96, em seu art. 14, previu a  criação de um sistema de preços de  terras a ser  instituído pela Secretaria da Receita Federal,  bem como a Portaria SRF nº 447, de 28/03/2002, regulamentou o Sistema de Preços de Terras,  em seus artigos 1º ao 4º.  Importante  salientar,  que  consta  dos  autos  laudo  técnico  apresentado  pelo  contribuinte,  contudo o mesmo foi descaracterizado, por não atender as normas ABNT NBR  146533,  o  que  impede  a  utilização  do  mesmo  .  Vejamos,  o  que  estabeleceu  o  julgador  de  primeira instância:  Registre­se que a autoridade fiscal não acatou, para comprovar  o  VTN  declarado,  o  "Laudo  Técnico  de  Classificação  e  Avaliação", doc./cópia de fls. 26/32, elaborado pelo engenheiro  agrimensor  Donizete  de  Matos  Pereira  e  acompanhado  de  ART/CREA­MG,  As  fls.  33/34,  por  entender  que  o  mesmo  não  atendia As normas da ABNT (NBR 14653­3).  Por  sua vez,  o  requerente ao  invés de providenciar um "Laudo  de  Avaliação  —Complementar"  ou  mesmo  um  novo  "Laudo  Técnico  de  Avaliação",  em  consonância  com  as  normas  da  ABNT  (NBR  14.653­3),  que  atendesse  As  exigências  da  autoridade fiscal, imitou­se a alegar que toda a Area do imóvel  estaria  preservada  intacta  e  por  conseqüência  o VTNt  e  o GU  não influenciariam no cálculo do imposto, posto que toda a área  deveria ser considerada isenta do ITR.  Não obstante alegação do impugnante, no presente caso, não há  como  restabelecer  o  VTN  declarado  pelo  contribuinte  e  nem  acatar o VTN apresentado no Laudo, pois entendo que o teor do  documento trazido aos autos, observados os dados do SIPT, não  se mostra hábil para a finalidade a que se propõe, pois, além de  não  seguir  as  normas  da  Associação  Brasileira  de  Normas  Técnicas  —  ABNT  (NBR  14653­3),  não  demonstra,  de  forma  clara e inequívoca, o valor fundiário do imóvel A época do fato  gerador do ITR12003 (1 0.01.2003).  Ainda, quanto ao Laudo, emitido em 27.03.2003, no qual consta  avaliação do imóvel a R$ 85,00 por hectare, tem­se que não há  qualquer menção quanto A data a que se refere A avaliação, que  deveria ser reportar a 1°.01.2003.  Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10675.720060/2007­48  Acórdão n.º 9202­007.250  CSRF­T2  Fl. 5          7 Assim,  não  há  como  acatar  a  revisão  pretendida  pelo  contribuinte, pois entendo que o teor do documento  trazido aos  autos, observados os dados do SIPT, não se mostra hábil para a  finalidade a que se propõe, uma vez que, além de não realizar a  avaliação  do  imóvel  a  preços  de  1°.01.2003,  utilizando­se  de  fontes  devidamente  comprovadas,  também  não  demonstra,  de  maneira  inequívoca,  que  o  imóvel  possui  características  desfavoráveis  que  o  diferenciem  consideravelmente  dos  demais  imóveis da regido.  De fato, da análise do Laudo de fls. 26/32 constata­se, quanto ao  nível  de  precisão,  que  sua  avaliação  é  sucinta,  sendo  classificada  como  "Normal",  conforme  NBR  8799,  não  atendendo  aos  requisitos  estabelecidos  na  norma  da  NBR  14.653­3, no que  tange A vistoria, coleta de dados, diagnóstico  de  mercado,  escolha  e  justificativa  dos  métodos  e  critérios  de  avaliação, tratamento dos dados de mercado e cálculo do valor  do  imóvel,  em especial o atendimento da  exigência de o Laudo  possuir  fundamentação  e  grau  de  precisão  II,  conforme,  inclusive,  consta  da  intimação,  As  fls.  05/06  e  respondida  pelo  contribuinte em 06.08.2007, As fls. 07.  Portanto, no presente caso é preciso reconhecer que o Laudo de  Avaliação  juntado  As  fls.  26/31  não  atende  aos  requisitos  essenciais das normas da ABNT (NBR 14653­3)  não  servindo  para  autorizar  a  revisão  do  VTN  arbitrado  pela  autoridade fiscal, com base nos valores apontados no SIPT para  o município  de  São Gonçalo  do  Abaeté — MG,  inclusive  VTN  médio/ha apurado no universo das DITR, como já exposto.  Com fulcro no disposto nos art. 14, § 1o. da Lei nº 9.396, de 19 de dezembro  de 1996, quando combinado com o art. 12 da Lei 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, é de se  aceitar o arbitramento pelo SIPT somente quando efetuado com utilização do VTN médio que  leve em consideração também o fator de aptidão agrícola, expressis verbis:  Lei 9.393/96  Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem  como  de  subavaliação  ou  prestação  de  informações  inexatas,  incorretas  ou  fraudulentas,  a  Secretaria  da  Receita  Federal  procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto,  considerando informações sobre preços de terras, constantes de  sistema a  ser por  ela  instituído, e os dados de área  total,  área  tributável  e  grau  de  utilização  do  imóvel,  apurados  em  procedimentos de fiscalização.  §  1º  As  informações  sobre  preços  de  terra  observarão  os  critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629,  de  25  de  fevereiro  de  1993,  e  considerarão  levantamentos  realizados  pelas  Secretarias  de  Agricultura  das  Unidades  Federadas ou dos Municípios.(g.n.)  Lei 8.629/93  Art.12.Considera­se justa a indenização que reflita o preço atual  de mercado do imóvel em sua totalidade, aí incluídas as terras e  acessões  naturais,  matas  e  florestas  e  as  benfeitorias  Fl. 197DF CARF MF   8 indenizáveis,  observados  os  seguintes  aspectos:(Redação  dada  Medida Provisória nº 2.183­56, de 2001)  I  ­  localização  do  imóvel;(Incluído  dada Medida  Provisória  nº  2.183­56, de 2001)  II  ­  aptidão  agrícola;(Incluído  dada  Medida  Provisória  nº  2.183­56, de 2001)(g.n.)  III­dimensão  do  imóvel;(Incluído  dada  Medida  Provisória  nº  2.183­56, de 2001)  IV  ­  área  ocupada  e  ancianidade  das  posses;(Incluído  dada  Medida Provisória nº 2.183­56, de 2001)  V  ­  funcionalidade,  tempo  de  uso  e  estado  de  conservação  das  benfeitorias.(Incluído  dada  Medida  Provisória  nº  2.183­56,  de  2001) (grifei)  §1oVerificado o preço atual de mercado da totalidade do imóvel,  proceder­se­á à dedução do valor das benfeitorias indenizáveis a  serem  pagas  em  dinheiro,  obtendo­se  o  preço  da  terra  a  ser  indenizado em TDA.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183­ 56, de 2001)  §2oIntegram o preço da terra as florestas naturais, matas nativas  e qualquer outro tipo de vegetação natural, não podendo o preço  apurado superar, em qualquer hipótese, o preço de mercado do  imóvel.(Redação dada Medida Provisória nº 2.183­56, de 2001)  Noto,  porém,  que  no  caso  em  questão,  ao  contrário  do  trazido  no  acórdão  recorrido,  foi devidamente utilizado, para  fins de arbitramento pela autoridade  fiscal, o VTN  médio para o município do imóvel rural, em observância ao requisito legal de consideração de  aptidão agrícola para fins do arbitramento realizado.  Conforme  verifica­se,  no  extrato  de  e­fl.  36,  o  arbitramento  realizado  pela  fiscalização  levou em consideraçãoa aptidão agrícola da  terra nua e, assim,  inexistindo  laudo  viável para comprovação, correto na forma realizada pela autoridade autuante.  Aliás,  esse  foi  o  entendimento  traçado  no  acórdão  da  DRJ,  que  entendo  amolda­se perfeitamente ao caso ora analisado, razão pela qual transcrevo o trecho pertinente,  adotando como razões de decidir:  Do Valor da Terra Nua — VTN ­ Subavaliação  Na  parte  atinente  ao  cálculo  do  Valor  da  Terra  Nua  ­  VTN,  entendeu a autoridade  fiscal que houve subavaliação,  tendo em  vista  os  valores  constantes  do  Sistema  de  Preço  de  Terras  (SIPT),  instituído  pela  então  SRF  em  consonância  ao  art.  14,  caput, da Lei n° 9.393/96, razão pela qual o VTN declarado para  o imóvel na DITR/2003, de R$ 128.906,26 (R$ 49,00/ha),  foi  aumentado para R$ 473.526,00  (R$ 180,00/ha) no  exercício  de  2003,  apurado  com base  no menor  valor  apontado no SIPT  para  a  aptidão  agrícola  "campos"  (R$180,00/ha),  consoante  extrato do SIPT, As fls. 36.  Faz­se  necessário  verificar,  a  principio,  que  não  poderia  a  autoridade  fiscal  deixar  de  arbitrar  novo  Valor  de  Terra Nua,  tendo  em  vista  que  o  VTN  declarado,  por  hectare,  para  o  exercício  de  2003,  está  de  fato  subavaliado,  por  ser  muito  inferior  não  só  a  todos  os  VTN  por  hectare  listados,  qualquer  que  seja  a  aptidão  agrícola  da  terra  [pastagem  /pecuária  (R$750,00/ha),  cultura/lavoura  (R$800,00/ha)  e  matas  Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10675.720060/2007­48  Acórdão n.º 9202­007.250  CSRF­T2  Fl. 6          9 (R$200,00/ha)], inclusive "campos" (R$180,00/ha), mas também  ao VTN médio, por hectare, apurado no universo das DITRs do  exercício de 2003,  referentes aos  imóveis  rurais  localizados no  município  de  São  Gonçalo  do  Abaeté  ­  MG,  que  foi  de  R$  280,33, como se observa da "tela/SIPT", As fls. 36./  Com efeito, não hi dúvidas de que, até prova documental hábil  em  contrário,  o  VTN  declarado  de  R$  49,00  por  hectare  encontra­se, de fato, subavaliado, por ser muito inferior aos VTN  médios,  por  hectare,  listados  no  SIPT,  conforme  dito  anteriormente.  Pois  bem.  Caracterizada  a  s'ubavaliação  do  VTN Declarado  e  não tendo sido apresentado "Laudo Técnico de Avaliação", que  atendesse  As  exigências  da  autoridade  fiscal,  só  restava  A  mesma arbitrar novo valor de terra nua para efeito de cálculo do  ITR desse exercício, em obediência ao disposto no art. 14, da Lei  n° 9393/1996 e art. 52, do Decreto n° 4.382/2002 (RITR), sendo  observado,  nessa  oportunidade,  o  menor  valor  apontado  (campos=  R$180,00/ha)  no  SIPT  dentre  os  diversos  tipos  de  terras (aptidão agrícola), conforme "tela/SIPT", As fls. 36.  Ainda, quanto a subavaliação constatada pela fiscalização, não  pode  passar  despercebido  que  o  VTN  por  hectare  declarado  para o imóvel de R$ 49,00/ha corresponde a apenas 17,5% do  VTN médio por hectare de R$ 280,33/ha apurado no universo  das  declarações  do  ITR12003,  referente  aos  imóveis  rurais  localizados  em  São  Gonçalo  do  Abaeté—  MG,  além,  de  corresponder  a,  também,  apenas  27,2%  do  menor  valor  constante  do  SIPT  (R$180,00/ha),  que  foi  justamente  o  valor  arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT.  Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso da  Fazenda  Nacional,  de  forma  a  que  seja  restabelecido  o  VTN  constante  do  lançamento  (R$  180,00 por hectare),  a partir da validade do  arbitramento  efetuado utilizando­se o SIPT com  aptidão agrícola.  Conclusão  Face  o  exposto,  voto  por  DAR  PROVIMENTO  ao  Recurso  Especial  da  Fazenda NAcional..  É como voto.  (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira                            Fl. 199DF CARF MF

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7522745 #
Numero do processo: 10283.100530/2007-66
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. FUNDAMENTAÇÃO. SEM EFEITOS INFRINGENTES. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. VÍCIOS NO VOTO. ACOLHIMENTO. Devem ser acolhidos os embargos de declaração somente para aclarar vícios contidos no voto, em que ficou faltando elementos harmônicos com o dispositivo, voto e conclusão, e que constou erro material. Assim, os embargos acolhidos devem aclarar o julgado anterior para trazer segurança jurídica ao caso concreto. Embargos Acolhidos.
Numero da decisão: 2301-005.628
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301-02.807, de 16/05/2012, esclarecer que o referido acórdão anulou o lançamento por vício material, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente. (assinado digitalmente) Wesley Rocha - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, João Maurício Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexadre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles). Ausente, justificadamente, o conselheiro Antônio Sávio Nastureles.
Nome do relator: WESLEY ROCHA

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2301­005.628  –  3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de setembro de 2018  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Embargante  FAZENDA NACIONAL   Interessado  SOLTUR – SOLIMÕES TRANSPORTES E TURISMO LTDA.    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2000 a 31/08/2002  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO.  CABIMENTO.  ELEMENTOS  INTERNOS  E  EXTERNOS  DA  DECISÃO.  FUNDAMENTAÇÃO.  SEM  EFEITOS INFRINGENTES.  De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº  343/2015,  cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver  obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos,  ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar­se a Turma. Somente a  contradição,  omissão  ou  obscuridade  interna  é  embargável,  não  alcançando  eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera  irresignação.  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. VÍCIOS NO VOTO.  ACOLHIMENTO.  Devem ser acolhidos os embargos de declaração somente para aclarar vícios  contidos  no  voto,  em  que  ficou  faltando  elementos  harmônicos  com  o  dispositivo, voto e conclusão, e que constou erro material.  Assim,  os  embargos  acolhidos  devem aclarar  o  julgado  anterior  para  trazer  segurança jurídica ao caso concreto.   Embargos Acolhidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  acolher  os  embargos sem efeitos infringentes para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2301­02.807,  de  16/05/2012,  esclarecer  que  o  referido  acórdão  anulou  o  lançamento  por  vício  material,  nos  termos do voto do relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 10 05 30 /2 00 7- 66 Fl. 260DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)  João Bellini Júnior – Presidente.  (assinado digitalmente)  Wesley Rocha ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Bellini  Junior,  João Maurício  Vital, Marcelo  Freitas  de  Souza  Costa,  Juliana Marteli  Fais  Feriato, Wesley  Rocha,  Reginaldo  Paixão  Emos  (suplente  convocado  para  completar  a  representação  fazendária), Alexadre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada  para  substituir  o  conselheiro  Antônio  Sávio  Nastureles).  Ausente,  justificadamente,  o  conselheiro Antônio Sávio Nastureles.  Relatório  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  tempestivamente  pela  Fazenda  Nacional,  contra  Acórdão  de  Recurso  de  Ofício  n.º  230102.807,  de  16  de  maio  de  2012  em  16.04.2013, proferido pelo colegiado da 1ª Turma, da 3ª Câmara, da 2ª Seção, que negou provimento  ao referido recurso de ofício, do qual teve decisão por anular o auto de infração.  A  Fazenda  opôs  embargos  alegando  que  o  Acórdão  embargado  não  teria  se  manifestado de forma clara se a nulidade declarada seria material ou formal.  Assim, é o breve e sucinto relatório.  Voto             Conselheiro Wesley Rocha ­ Relator  Os embargos apresentados são tempestivos, portanto o recebo.   Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF ­ Portaria  mf nº 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe:  "Art.  64.  Contra  as  decisões  proferidas  pelos  colegiados  do  CARF  são  cabíveis  os  seguintes  recursos:  I  ­  Embargos  de  Declaração;  Art.  65.  Cabem  embargos  de  declaração  quando  o  acórdão  contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e  os  seus  fundamentos,  ou  for  omitido  ponto  53  sobre  o  qual  deveria pronunciar­se a turma".  Os  embargos  de  declaração  se  prestam  para  sanar  contradição,  omissão  ou  obscuridade,  e não possui  efeitos modificativos da decisão  recorrida,  salvo  casos  específicos  que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser  considerado  sensível  em  sua  análise,  uma  vez  que  excepcionalmente  pode  contribuir  com  a  modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado.  Fl. 261DF CARF MF Processo nº 10283.100530/2007­66  Acórdão n.º 2301­005.628  S2­C3T1  Fl. 2.443          3 Nesse  sentido,  os  embargos  servem  exatamente  para  trazer  compreensão  e  clarificação  pelo  órgão  julgador  ao  resultado  final  do  julgamento  proferido,  privilegiando  inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e  interessados de forma  clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador.  Segundo a Fazenda, o acórdão não teria se manifestado  quanto  à  declaração  de nulidade ser material ou formal.  Entretanto, apesar do Acórdão conter fundamentação, e requisitos necessários  em sua formalidade, verifico que existe a interpretação sobre a matéria de fato julgada, e não  sobre vício formal, tendo em vista que o acórdão cita o seguinte:  Da  análise  da  r.  decisão  supramencionada,  nota­se  que  o  Órgão  Julgador  a  quo  identificou  patente  vício  de  natureza  insanável  que  macula  o  lançamento  do  crédito  tributário  em  relação às rubricas apontadas.  Isso acontece porque, da  forma  como foi constituído o débito fiscal não é possível determinar a  certeza  e  liquidez  da  matéria  tributável,  o  que  constitui  clara  situação de cerceamento de defesa.  Ao  citar  o  vício  insanável,  de  forma  reflexa,  estava  o  relator mencionando  que  não  haveria  como  remontar  novo  Lançamento  fiscal,  incorrendo  em  vício  material  da  autuação.  Em análise conjunta das decisões, apesar das dúvidas serem internas (sobre a  decisão  em  si),  não  se  estendendo  para  as  demais  peças  do  processo,  é  imperioso  avaliar  a  decisão de primeira instância, já que ela guiou a decisão de segunda instância.  Nesse sentido, A decisão a quo discorreu exatamente sobre a dificuldade de  se remontar novo lançamento, que anulou o auto de infração sob o aspecto da matéria em si, e  não por aspecto formal, senão vejamos:  " (...)  Houvesse a possibilidade de saneamento do erro de apropriação  de  recolhimento,  seria  provável  que  os  novos  DAD  e  RADA  elaborados da Notificação em questão, assim como das NFLD n°  37.089.9288  e  37.089.9296,  apresentassem  mudanças  substanciais nos valores devidos.  Isto  é,  em  certas  competências  os  valores  aumentariam,  em  outras diminuiriam e em outras nada mais restaria devido. Logo,  haveria  intensa  migração  de  valores  entre  os  diversos  levantamentos, dificultando ainda mais o saneamento do feito já  que os sistemas informatizados desta instituição não permitem o  agravamento da exigência no mesmo lançamento".  Portanto, a questão remonta a base de cálculo.  Nota­se que, busca a embargante somente ter entendimento sobre qual vício  (fundamento) baseou o julgado anterior, se foi sobre a matéria ou a forma, e com isso, não há  como atribuir efeitos infringentes aos embargos , uma vez que nem é objeto do próprio pedido,  que na verdade quer  ter uma compreensão ampla da  fundamentação, para aí  sim verificar as  Fl. 262DF CARF MF     4 condições do julgado e interpor, em sendo o caso, o recurso adequado para Colegiado Superior  ou simplesmente acatar decisão.  Portanto, diante da decisão de segunda instância proferida, e guerreada, onde  valeu­se grande parte do embasamento da decisão a quo, o erro é material e não comportaria  mais  remontar  novo  lançamento,  e  sim  retificar  para  seguir  cobrando  o  valor  remanescente  devido.  Assim,  o  efeito  de  aclaramento  deve  atingir  seu  objetivo,  e  que  de  forma  reflexa  não modificou  o  julgado,  porém  interpreta  a  conclusão  tida  para  sanar  a  dúvida  e  omissão no sentido de esclarecer que houve erro material  no  lançamento, e que a cobrança  deve seguir sobre o valor remanescente, uma vez que parte do crédito fiscal permanece sob  exigibilidade.   Conclusão  Nessas circunstâncias, voto por CONHECER e ACOLHER os embargos de  declaração  opostos  pela  Fazenda  Nacional,  e  sem  efeitos  infringentes  esclarecer  que  o  julgamento  proferido  no  Acórdão  de  n.º  230102.807,  de  16  de  maio  de  2012,  anulou  o  lançamento por vício material, e que o presente julgamento passa a  integrá­lo, nos termos do  voto proferido.      (assinado digitalmente)  Wesley Rocha ­ Relator                             Fl. 263DF CARF MF

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7552138 #
Numero do processo: 13896.723093/2016-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2012, 2013 RESPONSABILIDADE DO SÓCIO OU ADMINISTRADOR. ART. 135, INC. III DO CTN. NATUREZA PESSOAL X SOLIDARIEDADE. EXCLUSÃO DA PESSOA JURÍDICA DO POLO PASSIVO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com a jurisprudência do STJ, a atribuição de responsabilidade aos sócios-gerentes, nos termos do art. 135, inc. III, não exclui sujeição passiva da pessoa jurídica. RESPONSABILIDADE DO SÓCIO. DIRETOR. ART. 135, III DO CTN. CARACTERIZAÇÃO. Restando comprovado que o sócio era também diretor da pessoa jurídica autuada, e que tinha participação direta ou indireta em diversas empresas envolvidas nas fraudes apuradas pela fiscalização, caracterizando a infração a lei e/ou contratos, revela-se correta a atribuição da responsabilidade solidária. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS. EXIGÊNCIA CUMULADA COM IRPJ E CSSL APURADOS EM FACE DA GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS CONSIDERADAS INIDÔNEAS. CABIMENTO. O art. 61 da Lei nº 8.981/1995, alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado como responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindo-se que assumiu o ônus pelo referido pagamento. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS. CUMULAÇÃO DAS PENALIDADES. POSSIBILIDADE. A luz do princípio da legalidade e tendo em conta a redação atual da Lei 9.430, art. 44, incisos I e II, não cabem mais questionamentos respeitantes à aplicação concomitante das multas de ofício, pelo lançamento do imposto e da contribuição anuais, e da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE CONFISSÃO EM TERMO DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU ACORDO DE LENIÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 138 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. O instituto da denúncia espontânea, como o próprio nome revela, depende exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão do tributo quanto ao seu pagamento ou depósito, quando este dependa de apuração. Cabe ao contribuinte retificar suas declarações de rendimentos, refazer suas apurações e efetuar o pagamento dos tributos devidos, ou o seu depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido. Verificando-se, tão somente, a confissão dos crimes praticados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal que, posteriormente, ensejaram apurações por parte do Fisco Federal dos tributos devidos em face das irregularidades a ele comunicadas pelos órgão de investigação e da Justiça, sem que o contribuinte tenha se antecipado a qualquer procedimento fiscal e adotado as medidas necessárias para a denúncia espontânea das obrigações tributárias perante o Fisco, esta não se configura. IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS DECORRENTES DE ILÍCITO PENAL. PAGAMENTOS DE VANTAGENS INDEVIDAS. REPARAÇÃO DE DANOS OU RESSARCIMENTOS EM FACE DE ACORDOS DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU DE LENIÊNCIA. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL GLOSADA RELATIVA A FATOS GERADORES OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que as despesas glosadas sejam derivadas de desvios de recursos da empresa autuada para pagamentos de vantagens indevidas a terceiros, a sua indedutibilidade decorre essencialmente do fato de que não se enquadram como despesas efetivamente realizadas que reduziram indevidamente o resultado tributável dos exercícios fiscais sob apuração. Assim, a reparação de danos causados em decorrência dos ilícitos confessados ou a devolução de valores fixados em Termos de Colaboração Premiada ou em Acordos de Leniência, tem natureza completamente distinta das despesas originalmente deduzidas e não podem impactar a apuração de tributos de períodos já encerrados. Os fatos geradores complexivos do IRPJ e CSLL dos períodos em que ocorreram as infrações devem ser escoimados dos valores que afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos, não podendo ser afetados retroativamente por quaisquer fatos, voluntários ou não que tenham sido praticados em momento posterior, visando a purgar total ou parcialmente os ilícitos penais cometidos e a atenuar a imposição de penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. RECURSOS DESVIADOS MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS COM FINALIDADE ILÍCITA DE PAGAMENTO DE VANTAGENS INDEVIDAS. Os pagamentos a diversas empresas por serviços que não foram efetivamente prestados, efetuados como meios preparatórios para o desvio dos recursos que seriam posteriormente empregados nos pagamentos de vantagens indevidas a terceiros (propina), embora identifique sua finalidade não validam sua causa primária. Estes pagamentos não tem causa (no sentido econômico), pois não correspondem a serviços efetivamente prestados. Além disso, os reais beneficiários de tais recursos não são identificados nestas operações, pois estão encobertos por documentos que apontavam outros beneficiários (as emitentes das notas fiscais) dos pagamentos. IRPJ/CSLL. DESPESAS GLOSADAS. PAGAMENTOS DE SUBORNOS OU PROPINAS. VIOLAÇÃO À ORDEM ECONÔMICA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E DA LIVRE CONCORRÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Inadmissível a pretensão da recorrente de equiparar pagamentos com vistas ao cometimento de atos de corrupção à despesas necessárias e decorrentes das atividade normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas. o pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a função social da empresa consagrada no direito brasileiro e ofende os princípios constitucionais voltados para assegurar a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Os atos concernentes ao pagamentos de propinas a agentes públicos e privados, atentam diretamente contra a função social da empresa e à liberdade concorrencial e, por óbvio, é inadmissível que os efeitos econômicos de tais infrações, por mera liberalidade do administrador da companhia, sejam compreendidos como necessários ao desenvolvimento das atividades normais e usuais da empresa. CSLL. BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE DESPESAS. INEXISTÊNCIA DE FATO DA DESPESA. CABIMENTO. A base de cálculo da CSLL tem como ponto de partida o resultado líquido apurado na contabilidade. Assim, as despesas comprovadamente inexistentes não podem compor o resultado líquido do exercício, do qual parte a apuração tanto do IRPJ quanto da CSLL. Os atos ilícitos não podem produzir quaisquer efeitos tributários na apuração do resultado dos exercícios fiscalizados. É remansosa a jurisprudência administrativa no sentido de dar o mesmo efeito à CSLL na glosa de despesas fictícias da base de cálculo do IRPJ . IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Constatado que os pagamentos feitos, em face de contratos firmados com empresas do mesmo grupo familiar, que não apresentam nenhuma estrutura administrativa, técnica ou operacional, estão dissociados de qualquer prova de efetiva prestação dos serviços, resta caracterizada a natureza fictícia das despesas contabilizadas, impondo-se sua glosa.
Numero da decisão: 1302-003.215
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade suscitadas e o pedido de perícia, e, no mérito, a) por unanimidade, em manter a responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados e em manter as exigência do IRPJ e CSLL; e, b) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso quanto à exigência de IRRF e à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL, vencidos os conselheiros Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa e Flávio Machado Vilhena Dias (relator). Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator (assinado digitalmente) Gustavo Guimarães da Fonseca - Redator designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS

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O art. 61 da Lei nº 8.981/1995, alcança todos os pagamentos efetuados a beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada, independente de quem seja o real beneficiário dele (sócios/acionistas ou terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo pagamento efetivamente comprovado como responsável pelo recolhimento do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindo-se que assumiu o ônus pelo referido pagamento. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS. CUMULAÇÃO DAS PENALIDADES. POSSIBILIDADE. A luz do princípio da legalidade e tendo em conta a redação atual da Lei 9.430, art. 44, incisos I e II, não cabem mais questionamentos respeitantes à aplicação concomitante das multas de ofício, pelo lançamento do imposto e da contribuição anuais, e da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE CONFISSÃO EM TERMO DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU ACORDO DE LENIÊNCIA. APLICAÇÃO DO ART. 138 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS. O instituto da denúncia espontânea, como o próprio nome revela, depende exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão do tributo quanto ao seu pagamento ou depósito, quando este dependa de apuração. Cabe ao contribuinte retificar suas declarações de rendimentos, refazer suas apurações e efetuar o pagamento dos tributos devidos, ou o seu depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido. Verificando-se, tão somente, a confissão dos crimes praticados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal que, posteriormente, ensejaram apurações por parte do Fisco Federal dos tributos devidos em face das irregularidades a ele comunicadas pelos órgão de investigação e da Justiça, sem que o contribuinte tenha se antecipado a qualquer procedimento fiscal e adotado as medidas necessárias para a denúncia espontânea das obrigações tributárias perante o Fisco, esta não se configura. IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS DECORRENTES DE ILÍCITO PENAL. PAGAMENTOS DE VANTAGENS INDEVIDAS. REPARAÇÃO DE DANOS OU RESSARCIMENTOS EM FACE DE ACORDOS DE COLABORAÇÃO PREMIADA OU DE LENIÊNCIA. EXCLUSÃO DA BASE TRIBUTÁVEL GLOSADA RELATIVA A FATOS GERADORES OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE. Ainda que as despesas glosadas sejam derivadas de desvios de recursos da empresa autuada para pagamentos de vantagens indevidas a terceiros, a sua indedutibilidade decorre essencialmente do fato de que não se enquadram como despesas efetivamente realizadas que reduziram indevidamente o resultado tributável dos exercícios fiscais sob apuração. Assim, a reparação de danos causados em decorrência dos ilícitos confessados ou a devolução de valores fixados em Termos de Colaboração Premiada ou em Acordos de Leniência, tem natureza completamente distinta das despesas originalmente deduzidas e não podem impactar a apuração de tributos de períodos já encerrados. Os fatos geradores complexivos do IRPJ e CSLL dos períodos em que ocorreram as infrações devem ser escoimados dos valores que afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos, não podendo ser afetados retroativamente por quaisquer fatos, voluntários ou não que tenham sido praticados em momento posterior, visando a purgar total ou parcialmente os ilícitos penais cometidos e a atenuar a imposição de penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial. IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA. RECURSOS DESVIADOS MEDIANTE INTERPOSIÇÃO DE TERCEIROS COM FINALIDADE ILÍCITA DE PAGAMENTO DE VANTAGENS INDEVIDAS. Os pagamentos a diversas empresas por serviços que não foram efetivamente prestados, efetuados como meios preparatórios para o desvio dos recursos que seriam posteriormente empregados nos pagamentos de vantagens indevidas a terceiros (propina), embora identifique sua finalidade não validam sua causa primária. Estes pagamentos não tem causa (no sentido econômico), pois não correspondem a serviços efetivamente prestados. Além disso, os reais beneficiários de tais recursos não são identificados nestas operações, pois estão encobertos por documentos que apontavam outros beneficiários (as emitentes das notas fiscais) dos pagamentos. IRPJ/CSLL. DESPESAS GLOSADAS. PAGAMENTOS DE SUBORNOS OU PROPINAS. VIOLAÇÃO À ORDEM ECONÔMICA E OFENSA AOS PRINCÍPIOS DA FUNÇÃO SOCIAL DA EMPRESA E DA LIVRE CONCORRÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE. Inadmissível a pretensão da recorrente de equiparar pagamentos com vistas ao cometimento de atos de corrupção à despesas necessárias e decorrentes das atividade normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas. o pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a função social da empresa consagrada no direito brasileiro e ofende os princípios constitucionais voltados para assegurar a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Os atos concernentes ao pagamentos de propinas a agentes públicos e privados, atentam diretamente contra a função social da empresa e à liberdade concorrencial e, por óbvio, é inadmissível que os efeitos econômicos de tais infrações, por mera liberalidade do administrador da companhia, sejam compreendidos como necessários ao desenvolvimento das atividades normais e usuais da empresa. CSLL. BASE DE CÁLCULO. GLOSA DE DESPESAS. INEXISTÊNCIA DE FATO DA DESPESA. CABIMENTO. A base de cálculo da CSLL tem como ponto de partida o resultado líquido apurado na contabilidade. Assim, as despesas comprovadamente inexistentes não podem compor o resultado líquido do exercício, do qual parte a apuração tanto do IRPJ quanto da CSLL. Os atos ilícitos não podem produzir quaisquer efeitos tributários na apuração do resultado dos exercícios fiscalizados. É remansosa a jurisprudência administrativa no sentido de dar o mesmo efeito à CSLL na glosa de despesas fictícias da base de cálculo do IRPJ . IRPJ/CSLL. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. MULTA QUALIFICADA. CABIMENTO. Constatado que os pagamentos feitos, em face de contratos firmados com empresas do mesmo grupo familiar, que não apresentam nenhuma estrutura administrativa, técnica ou operacional, estão dissociados de qualquer prova de efetiva prestação dos serviços, resta caracterizada a natureza fictícia das despesas contabilizadas, impondo-se sua glosa.

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1302­003.215  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de novembro de 2018  Matéria  GLOSA DE CUSTOS E DESPESAS  Recorrente  SETEC TECNOLOGIA S/A E OUTROS  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2012, 2013  RESPONSABILIDADE  DO  SÓCIO  OU  ADMINISTRADOR.  ART.  135,  INC.  III  DO  CTN.  NATUREZA  PESSOAL  X  SOLIDARIEDADE.  EXCLUSÃO  DA  PESSOA  JURÍDICA  DO  POLO  PASSIVO.  IMPOSSIBILIDADE.  De acordo com a jurisprudência do STJ, a atribuição de responsabilidade aos  sócios­gerentes, nos termos do art. 135,  inc.  III, não exclui sujeição passiva  da pessoa jurídica.  RESPONSABILIDADE DO  SÓCIO.  DIRETOR.  ART.  135,  III  DO  CTN.  CARACTERIZAÇÃO.  Restando  comprovado  que  o  sócio  era  também  diretor  da  pessoa  jurídica  autuada,  e  que  tinha  participação  direta  ou  indireta  em  diversas  empresas  envolvidas nas fraudes apuradas pela fiscalização, caracterizando a infração a  lei e/ou contratos, revela­se correta a atribuição da responsabilidade solidária.  IRRF.  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA  OU  A  BENEFICIÁRIOS  NÃO  IDENTIFICADOS.  EXIGÊNCIA  CUMULADA  COM  IRPJ  E  CSSL  APURADOS  EM  FACE  DA  GLOSA  DE  CUSTOS  E  DESPESAS  CONSIDERADAS INIDÔNEAS. CABIMENTO.   O  art.  61  da  Lei  nº  8.981/1995,  alcança  todos  os  pagamentos  efetuados  a  beneficiários não identificados ou cuja operação ou causa não é comprovada,  independente  de  quem  seja  o  real  beneficiário  dele  (sócios/acionistas  ou  terceiros, contabilizados ou não), elegendo a pessoa jurídica responsável pelo  pagamento  efetivamente  comprovado  como  responsável  pelo  recolhimento  do imposto de renda devido pelo beneficiário, presumindo­se que assumiu o  ônus pelo referido pagamento.   MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO.  ESTIMATIVAS.  CUMULAÇÃO DAS PENALIDADES. POSSIBILIDADE.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 30 93 /2 01 6- 24 Fl. 7736DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.737          2 A  luz  do  princípio  da  legalidade  e  tendo  em  conta  a  redação  atual  da  Lei  9.430, art. 44, incisos I e II, não cabem mais questionamentos respeitantes à  aplicação concomitante das multas de ofício, pelo  lançamento do  imposto e  da  contribuição  anuais,  e  da  multa  isolada  por  falta  de  recolhimento  de  estimativas mensais.  DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APRESENTAÇÃO DE CONFISSÃO EM TERMO  DE  COLABORAÇÃO  PREMIADA  OU  ACORDO  DE  LENIÊNCIA.  APLICAÇÃO DO ART. 138 DO CTN. AUSÊNCIA DE PREENCHIMENTO DOS  REQUISITOS.   O  instituto  da  denúncia  espontânea,  como  o  próprio  nome  revela,  depende  exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão  do  tributo  quanto  ao  seu  pagamento  ou  depósito,  quando  este  dependa  de  apuração.  Cabe  ao  contribuinte  retificar  suas  declarações  de  rendimentos,  refazer suas apurações e efetuar o pagamento dos tributos devidos, ou o seu  depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido. Verificando­se,  tão somente, a confissão dos crimes praticados ao Ministério Público Federal  e  à  Justiça  Federal  que,  posteriormente,  ensejaram  apurações  por  parte  do  Fisco  Federal  dos  tributos  devidos  em  face  das  irregularidades  a  ele  comunicadas pelos órgão de investigação e da Justiça, sem que o contribuinte  tenha  se  antecipado  a  qualquer  procedimento  fiscal  e  adotado  as  medidas  necessárias para a denúncia  espontânea das obrigações  tributárias perante o  Fisco, esta não se configura.  IRPJ/CSLL.  GLOSA  DE  DESPESAS  DECORRENTES  DE  ILÍCITO  PENAL. PAGAMENTOS DE VANTAGENS INDEVIDAS. REPARAÇÃO  DE  DANOS  OU  RESSARCIMENTOS  EM  FACE  DE  ACORDOS  DE  COLABORAÇÃO  PREMIADA  OU  DE  LENIÊNCIA.  EXCLUSÃO  DA  BASE  TRIBUTÁVEL  GLOSADA  RELATIVA  A  FATOS  GERADORES  OCORRIDOS EM PERÍODOS ANTERIORES. IMPOSSIBILIDADE.  Ainda  que  as  despesas  glosadas  sejam derivadas  de desvios  de  recursos  da  empresa autuada para pagamentos de vantagens  indevidas a  terceiros,  a sua  indedutibilidade  decorre  essencialmente  do  fato  de  que  não  se  enquadram  como  despesas  efetivamente  realizadas  que  reduziram  indevidamente  o  resultado  tributável dos  exercícios  fiscais  sob  apuração. Assim,  a  reparação  de danos causados em decorrência dos ilícitos confessados ou a devolução de  valores  fixados  em  Termos  de  Colaboração  Premiada  ou  em  Acordos  de  Leniência,  tem natureza  completamente  distinta  das  despesas  originalmente  deduzidas  e  não  podem  impactar  a  apuração  de  tributos  de  períodos  já  encerrados. Os  fatos  geradores  complexivos  do  IRPJ  e CSLL  dos  períodos  em  que  ocorreram  as  infrações  devem  ser  escoimados  dos  valores  que  afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos, não podendo  ser  afetados  retroativamente  por  quaisquer  fatos,  voluntários  ou  não  que  tenham  sido  praticados  em  momento  posterior,  visando  a  purgar  total  ou  parcialmente  os  ilícitos  penais  cometidos  e  a  atenuar  a  imposição  de  penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial.  IRRF.  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA.  RECURSOS  DESVIADOS  MEDIANTE  INTERPOSIÇÃO  DE  TERCEIROS  COM  FINALIDADE  ILÍCITA DE PAGAMENTO DE VANTAGENS INDEVIDAS.   Fl. 7737DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.738          3 Os pagamentos a diversas empresas por serviços que não foram efetivamente  prestados,  efetuados  como  meios  preparatórios  para  o  desvio  dos  recursos  que  seriam  posteriormente  empregados  nos  pagamentos  de  vantagens  indevidas  a  terceiros  (propina),  embora  identifique  sua  finalidade  não  validam  sua  causa  primária.  Estes  pagamentos  não  tem  causa  (no  sentido  econômico), pois não correspondem a serviços efetivamente prestados. Além  disso,  os  reais  beneficiários  de  tais  recursos  não  são  identificados  nestas  operações,  pois  estão  encobertos  por  documentos  que  apontavam  outros  beneficiários (as emitentes das notas fiscais) dos pagamentos.  IRPJ/CSLL.  DESPESAS  GLOSADAS.  PAGAMENTOS  DE  SUBORNOS  OU PROPINAS. VIOLAÇÃO À ORDEM ECONÔMICA E OFENSA AOS  PRINCÍPIOS  DA  FUNÇÃO  SOCIAL  DA  EMPRESA  E  DA  LIVRE  CONCORRÊNCIA. INDEDUTIBILIDADE.  Inadmissível  a pretensão da  recorrente de  equiparar pagamentos  com vistas  ao  cometimento  de  atos  de  corrupção  à  despesas  necessárias  e  decorrentes  das atividade normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas. o  pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a função  social  da  empresa  consagrada  no  direito  brasileiro  e  ofende  os  princípios  constitucionais  voltados  para  assegurar  a  ordem  econômica  fundada  na  valorização do trabalho humano e na livre iniciativa. Os atos concernentes ao  pagamentos de propinas a agentes públicos e privados, atentam diretamente  contra a função social da empresa e à liberdade concorrencial e, por óbvio, é  inadmissível  que  os  efeitos  econômicos  de  tais  infrações,  por  mera  liberalidade  do  administrador  da  companhia,  sejam  compreendidos  como  necessários ao desenvolvimento das atividades normais e usuais da empresa.  CSLL.  BASE DE CÁLCULO.  GLOSA DE DESPESAS.  INEXISTÊNCIA  DE FATO DA DESPESA. CABIMENTO.  A base de  cálculo da CSLL  tem como ponto de partida o  resultado  líquido  apurado na contabilidade. Assim, as despesas comprovadamente inexistentes  não podem compor o resultado líquido do exercício, do qual parte a apuração  tanto  do  IRPJ  quanto  da  CSLL.  Os  atos  ilícitos  não  podem  produzir  quaisquer  efeitos  tributários  na  apuração  do  resultado  dos  exercícios  fiscalizados. É remansosa a jurisprudência administrativa no sentido de dar o  mesmo  efeito  à CSLL na glosa  de  despesas  fictícias  da base  de  cálculo  do  IRPJ .  IRPJ/CSLL.  GLOSA  DE  DESPESAS  NÃO  COMPROVADAS.  MULTA  QUALIFICADA. CABIMENTO.  Constatado  que  os  pagamentos  feitos,  em  face  de  contratos  firmados  com  empresas do mesmo grupo  familiar, que não apresentam nenhuma estrutura  administrativa,  técnica  ou  operacional,  estão  dissociados  de  qualquer  prova  de  efetiva prestação dos  serviços,  resta  caracterizada  a natureza  fictícia  das  despesas contabilizadas, impondo­se sua glosa.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 7738DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.739          4 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares de nulidade suscitadas e o pedido de perícia, e, no mérito, a) por unanimidade, em  manter a  responsabilidade solidária dos sujeitos passivos arrolados e em manter as exigência  do  IRPJ  e  CSLL;  e,  b)  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  quanto  à  exigência de IRRF e à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL,  vencidos  os  conselheiros  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa  e  Flávio  Machado  Vilhena  Dias  (relator). Designado para  redigir  o  voto  vencedor  o  conselheiro Gustavo Guimarães  da  Fonseca   (assinado digitalmente)  Luiz Tadeu Matosinho Machado ­ Presidente.  (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator  (assinado digitalmente)  Gustavo Guimarães da Fonseca ­ Redator designado  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  César  Candal  Moreira  Filho,  Marcos  Antônio  Nepomuceno  Feitosa,  Paulo  Henrique  Silva  Figueiredo,  Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado  Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.     Relatório  Trata­se de Autos de  Infração  lavrados  em  face de Setec Tecnologia S/A e  dos coobrigados Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Roberto Ribeiro de Mendonça, através  dos quais foram constituídos créditos tributários de IRPJ, CSLL e IRRF, com a aplicação das  penalidades previstas na legislação.   A acusação fiscal que consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 6.707 e  seguintes foi muito bem resumida no acórdão proferido pela DRJ de Brasília (DF) e, por isso,  pede­se vênia para transcrever o que constou daquela decisão:  Reporto­me  ao  Termo  de  Verificação  Fiscal  (TVF),  fls.  06707/06830,  no  qual  a  fiscalização  detalha  todo  o  procedimento adotado durante os trabalhos de auditoria, que, ao  final, resultou no presente lançamento.   No  referido  Termo,  a  autoridade  fiscal  inicia  seu  relato  demonstrando os dados da contribuinte, o histórico da Operação  Lava  Jato,  demonstrando  os  termos  de  delação  premiada  firmados  pelos  dirigentes  da  contribuinte  no  âmbito  do  Poder  Judiciário.   Fl. 7739DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.740          5 A  seguir,  descreve  suas  ações  na  fiscalização  para  verificar  o  adimplemento  das  obrigações  tributárias  por  parte  da  contribuinte,  citando várias empresas em que não se conseguiu  comprovar  a  efetivação  de  prestação  de  serviços  por  parte  dessas empresas à contribuinte.   Em suas conclusões, a fiscalização demonstra o que verificou na  atividade da autuada:   1.  Custos  e  despesas  não  comprovadas,  relacionados  às  empresas e os respectivos motivos para sua conclusão;   2.  Deduções  indevidas  de  custos  e  despesas  na  apuração  do  Lucro Real e Falta de recolhimento de IRPJ/CSLL sobre base de  cálculo estimada;   3.  IRRF  sobre  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados,  pagamentos sem causa ou operação não comprovada.   Por  fim,  a  fiscalização  relata  as  infrações  apuradas,  a  qualificação  da  multa  de  ofício  e  a  responsabilidade  passiva  solidária dos dirigentes da empresa.  Ao  serem  intimados,  os  ora  Recorrentes  apresentaram  Impugnações  administrativas apartadas, cujas argumentações foram assim descritas no acórdão recorrido:  DA IMPUGNAÇÃO:   A  contribuinte  e  os  responsáveis  solidários  foram  cientificados  dos autos de infração, em 26/10/2016, fls. 06912, e 25/10/2016.  fls. 6913 e 6914, respectivamente.   Todos  os  sujeitos  passivos  apresentaram  impugnações,  em  25/11/2016, fls. 06917, 07053 e 07269.   Faremos  relato  sintético  de  cada  impugnação,  iniciando  pela  contribuinte.   IMPUGNAÇÃO  DA  CONTRIBUINTE  SETEC  TECNOLOGIA  S/A:   A  contribuinte  inicia  sua  impugnação  apresentando  os  fatos  e  afirmando que o lançamento não merece prosperar.   Como  primeira  razão  para  sua  conclusão  a  impugnante  alega  que  há  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  pois  os  responsáveis  solidários,  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça  Neto  e  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça,  figuram  como  sujeito  passivo  com  amparo  no  art.  135,  III,  do  CTN,  o  que  leva  às  suas  responsabilidades  exclusivas  e  não  solidárias,  retirando  a  impugnante do pólo passivo da obrigação.   Prosseguindo, a impugnante alega que não houve comprovação  cabal da ocorrência de dolo, o que impossibilita a aplicação da  multa qualificada.   Fl. 7740DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.741          6 Ponto  interessante  constante  da  defesa  é  que  a  impugnante  alega:   “Não se desconhece que houve pagamentos de vantagens ilícitas  nos episódios investigados naquela operação, mas não se pode a  partir  dessa  constatação  considerar  que,  automaticamente,  também houve  dolo  no  sentido  fiscal,  a  ensejar  a  aplicação da  penalidade majorada.”   O dolo  existente,  quando muito,  ocorreu  por  parte dos  agentes  que “solicitaram as comissões”. Os fatos descritos não  tiveram  como motivação a vontade de se ocultar o fato gerador.   Termina  esse  tópico  alegando  que  não  havendo  dolo  (intenção  de lesar o fisco), ainda que os pagamentos tenham decorrido de  ilícitos  outros  (formação  de  cartel  ou  vantagens  indevidas),  é  certo  que  cabe  ao  fisco  provar  especificamente  o  dolo  em  matéria tributária, de modo que a singela acusação fazendária,  desprovida  da  prova  do  referido  dolo,  não  pode  por  si  só  autorizar a aplicação da multa de ofício agravada prevista no §  1º do art. 44 da Lei 9.430/96.   Aduz  que  há  impossibilidade  de  exigência  do  IRRF  sobre  pagamento  sem  causa  efetuado  por  terceiros  –  erro  na  identificação do sujeito passivo.  Chega  a  essa  conclusão  devido  aos  pagamentos  terem  sido  efetuados por outra pessoa jurídica, em sua visão.   Para a  impugnante,  as  empresas que  efetuaram os pagamentos  são  diversas,  não  havendo  qualquer  pagamento  realizado  pela  SETEC,  o  que  demonstraria  erro  de  identificação  do  sujeito  passivo.   Conclui afirmando que se trata de nítido erro na identificação do  sujeito  passivo,  vez  que  somente  as  empresas  TIPUANA  e  PROJETEC poderiam ser autuadas pela ausência de retenção do  IRRF  sobre  os  pagamentos  mencionados  no  Termo  de  Verificação  da  Ação  Fiscal,  sendo  nulo  o  lançamento,  nos  termos do art. 142 do CTN.   Em  outro  ponto  alega  a  impossibilidade  da  exigência  concomitante do IRRF por pagamento sem causa e IRPJ/CSLL  em razão da glosa de despesas.   Para a impugnante seria incompatível a glosa das despesas e o  lançamento  do  IRRF,  o  que  configura  um  “bis  in  idem”,  procedimento vedado pela legislação nacional.   Refuta  a  cominação  concomitante  da  multa  de  ofício  com  a  multa isolada por falta de recolhimento sobre a base estimada,  pois  alega  que  o  recolhimento  de  estimativa  seria  etapa  preparatória para o ato de recolher o imposto no fim do ano.   Em assim, sendo, pela teoria da absorção a conduta meio deve  ser absorvida pela conduta principal.   Fl. 7741DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.742          7 Adiciona o argumento de que as duas exações têm a mesma base  de cálculo, configurando, novamente, “bis in idem”. Em todas as  alegações citadas a impugnante anexa decisões administrativas,  para justificar seus argumentos.   Alega a impugnante que ela e o responsável solidário Augusto  Ribeiro  de  Mendonça  praticado  denúncia  espontânea,  pois,  celebraram  acordo  de  delação  premiada  com  o  Ministério  Público Federal (MPF), o que justificaria a aplicação do regime  do art. 138 do CTN, eis que aquele comando estimula a denúncia  espontânea  da  infração  com  a  eliminação  da  penalidade  potencialmente aplicável ao caso concreto, ainda que – como no  caso  em  tela  –  o  montante  do  tributo  dependa  de  apuração  posterior (segundo a parte final do “caput” do art. 138 do CTN).   Continuando, para a  impugnante há  inviabilidade de exigência  de impostos sobre os pagamentos devolvidos na operação “Lava  Jato”, pois os pagamentos de vantagens indevidas nas licitações  da  PETROBRÁS  foram  anulados  na  medida  que  houve  o  ressarcimento  aquela  empresa  conforme  documentação  anexa  (Doc 5), o que levaria a necessidade de estorno dos pagamentos  e a conseqüente reversão de toda e qualquer exigência fiscal.   A  devolução  da  renda  retira  a  capacidade  contributiva  da  contribuinte, permitindo a exclusão, da base de cálculo do IR, do  valor efetivamente devolvido.   Insiste  no  ponto,  afirmando  que  se  terceiros  beneficiários  da  renda  poderiam  excluí­la  de  sua  renda  tributável,  a  parcela  porventura  devolvida,  com muito mais  razão  a  fonte  pagadora  também tem este direito à exclusão.  Anexa decisões administrativas que estariam de acordo com sua  interpretação.   Conclui  defendendo  que  a  devolução  do  numerário,  na  esteira  dos acordos de leniência, impõe considerar igualmente revertida  a  possibilidade  de  exigência  de  IRPJ  e  de  CSLL  por  suposta  redução  indevida do  lucro  líquido na apuração do  lucro real –  da  mesma  forma  com  que  a  devolução  opera  um  verdadeiro  estorno do suposto pagamento sem causa para fins de incidência  do IRRF aqui combatido.   Aduz  que  o  IR  sobre  pagamentos  sem  causa  não  pode  ser  exigido com amparo em causa meramente  ilícita, pois a causa  seria ilícita, mas não sem causa, impedindo a aplicação do art.  61 da Lei nº 8.981/95.   Em sua ótica, o IRRF por pagamento sem causa é inexigível se  houver uma causa, mesmo que esta seja ilícita.   Anexa decisões administrativas que estariam de acordo com sua  interpretação.   Afirma que possui direito à dedução das despesas atinentes aos  pagamentos  indevidos  (comissões) a  terceiros  investigados por  Fl. 7742DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.743          8 corrupção  na  operação  “Lava  Jato”,  pois  o  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (RIR),  Decreto  3.000/99,  permite  deduzir  despesa necessária, não importa se ilícita.   Ademais,  é  necessário  deduzir  as  despesas  vinculadas  as  receitas.  As  vantagens  indevidas  se  assemelham  a  comissões  sobre  as  vendas.  Sem  essas  comissões  a  requerente  não  teria  conseguido os contratos com a PETROBRÁS, e nem as receitas  auferidas, motivo suficiente para a dedução pleiteada.   Alega, ainda que há distinção entre as regras de dedutibilidade  de despesas para fins de IRPJ e para fins de CSLL, pois para  fins de CSLL não vale analisar se a despesa é ou não necessária.   Anexa  decisões  administrativas  que,  em  seu  entender,  vão  ao  encontro de sua alegação.   Portanto,  ainda  que  prevaleça,  no  caso  destes  autos,  a  indedutibilidade de gastos ou dispêndios para  fins de  IRPJ – o  que se admite apenas por amor aos debates – mesmo assim não  prevalecerá a  indedutibilidade para  fins de CSLL,  cujas  regras  são específicas e, portanto, não estão adstritas aos critérios do  art. 299 do RIR.   Em  outro  ponto,  a  impugnante  alega  impossibilidade  de  cobrança do IRPJ/CSLL/IRRF sobre os repasses de recursos à  One Comunicação e Is Marketing, pois, em síntese, os valores  pagos a essas empresas são meros repasses.   Esclarecendo,  segundo  a  impugnante,  a  fiscalização  concluiu  que os recursos desviados da Petrobrás foram direcionados pelo  Consórcio INTERPAR a partir de contratos fictícios celebrados  com  a  SETEC,  e  desta  repassados  às  empresas,  para  o  pagamento  da  propina,  configurando­se,  portanto,  em  meros  repasses de recursos advindo do consórcio. não havendo que se  falar em, pagamento sem causa.  Anexa  decisões  administrativas  que,  em  seu  entender,  vão  ao  encontro de sua alegação.   A  fiscalização  não  deveria  ter  considerado  esses  pagamentos  como  despesas,  nem  considerar  os  valores  repassados  pelo  consórcio como receita.   Ponto interessante é que a própria impugnante afirma que “não  obstante  a  contabilização  dos  valores  autuados  tenha  se  dado  de acordo com a roupagem jurídica de prestação de serviços, e  a  despeito  da  desconsideração  daquele  negócio  jurídico,  a  autoridade  fiscal  não  poderia  ter  atribuído  efeitos  tributários  diversos aos fatos atestados em seu relatório circunstanciado, os  quais não são geradores da obrigação de pagar o IRPJ, a CSL e  o IRRF.   A  fiscalização,  por  fim,  deveria  ter  considerado  no  caso  o  princípio  da  consunção,  onde  as  transações  realizadas  pela  SETEC  configuraram  apenas  um  meio  para  a  consecução  do  Fl. 7743DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.744          9 ilícito  praticado  pelo  Consórcio  e  as  respectivas  empresas  no  âmbito  do  pagamento  de  vantagens  indevidas  exigidas  pelos  agentes públicos vinculados à Petrobrás. Assim, inviável a nova  acusação fiscal com fulcro no art. 61 da Lei 8.981/95, sob pena  de dupla incriminação (bis in idem).   Continuando, a  impugnante discorda da conclusão  fiscal  sobre  a  indedutibilidade  das  despesas  decorrentes  do  contrato  firmado com a TRUMP, MIL e LGC envolvendo a prestação de  serviços,  assim  como  defende  a  inviabilidade  de  exigência  de  IRRF por pagamento sem causa, pois, em síntese, a impugnante  alega que a fiscalização critérios completamente subjetivos para  desclassificar  os  contratos,  como,  por  exemplo,  o  fato  de  ter  havido  a  contratação  de  mais  de  uma  consultoria  para  a  realização  de  serviços  similares,  bem  como  o  valor  envolvido  nos  contratos,  imiscuindo­se  no  seu  escopo  para  questionar  os  resultados dos serviços prestados à requerente.   Para  a  impugnante  a  fiscalização  aplicou  indevidamente  a  norma antielisiva insculpida no parágrafo único do art. 116 do  CTN.   Anexa  decisões  administrativas  que,  em  seu  entender,  vão  ao  encontro de sua alegação.   Além  do mais,  no  caso  do  IRRF  não  é  admissível  desprezar  o  contrato firmado para dizer que o pagamento não teve causa e o  dolo não teria sido comprovado, para a qualificação da multa.   Alega,  também,  a  impugnante  que  a  fiscalização  cometeu  equívoco,  ao  decidir  sobre  a  indedutibilidade  das  despesas  decorrentes  do  contrato  firmado  com  a  ENERGEX,  SINERGIA,  YELLOWWOOD,  MSML,  PATACCAS  e  CMX,  assim  como  /inviabilidade  de  exigência  de  ir  na  fonte  por  pagamento  sem  causa  As  acusações  da  fiscalização  são  lacônicas,  fundamentadas  em  relação  de  parentesco  entre  os  dirigentes  da  empresas,  único  fundamento  para  concluir  pela  ausência  de  prestação  de  serviços  pelas  empresas  MSML,  ENERGEX,  YELLOWWOOD,  PATACCAS,  SINERGIA,  todas  pertencentes  ao  grupo  familiar  do  Sr.  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça Neto.   Segundo o art. 142 do CTN o dever de demonstrar a ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  é,  privativamente,  da  autoridade fiscal e a fiscalização não demonstrou razões e fatos  para provar o que alega.  A multa  qualificada,  aplicada  neste  levantamento,  é  totalmente  descabida,  em  face  da  ausência  de  qualquer  das  condutas  ali  tipificadas:  sonegação,  fraude  ou  conluio  no  intuito  (dolo  específico)  de  camuflar  os  fatos  geradores  das  obrigações  tributárias.   Há  equívocos  na  fundamentação  da  exação,  o  que  leva  à  nulidade da exação.   Fl. 7744DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.745          10 Anexa  decisões  administrativas  que,  em  seu  entender,  vão  ao  encontro de sua alegação.   Por  fim,  a  impugnante  defende  a  necessidade  de  produção  de  prova  pericial  para  os  contratos  de  prestação  de  serviços  de  consultoria  celebrados  com  a  TRUMP  Consultoria,  Representações  e  Participações  LTDA,  MIL  Consultoria  e  Assessoria  LTDA.,  LZG  CONSULTING  Consultoria  e  Gestão  Empresarial  LTDA,  apresentando  quesitos  e  indicando  assistente, a  fim de que se conclua pela realização, ou não dos  serviços prestados.   Ressalte­se  que  os  quesitos  apresentados  buscam  identificar  o  escopo dos serviços propostos nos contratos; como foi realizada  a  contabilização  desses  serviços;  se  houve  emissão  de  notas  fiscais.   Por  fim,  solicita,  em  síntese,  acolhimento  e  a  decretação  da  procedência de sua impugnação.   IMPUGNAÇÃO  DO  RESPONSÁVEL  SOLIDÁRIO  ROBERTO RIBEIRO DE MENDONÇA:   O responsável solidário inicia sua impugnação apresentando os  fatos e afirmando que o lançamento não merece prosperar.   Quanto  às  questões  de  mérito,  o  responsável  apresenta  as  mesmas alegações  já apresentadas pela contribuinte, motivo de  não transcrevê­las e decidi­las em conjunto.   Quanto à responsabilidade solidária, este impugnante contesta a  solidariedade  existente,  tanto  por  sua  fundamentação  legal  quanto  sobre  sua  inclusão,  pois  afirma  que  não  há  qualquer  prova  e  motivo  na  acusação  que  lhe  possa  imputar  essa  responsabilidade,  sendo  ela,  caso  exista,  somente  do  outro  responsável indicado, Augusto Ribeiro de Mendonça Neto.   Por  fim,  solicita,  em  síntese,  acolhimento  e  a  decretação  da  procedência de sua impugnação.   IMPUGNAÇÃO  DO  RESPONSÁVEL  SOLIDÁRIO  AUGUSTO RIBEIRO DE MENDONÇA NETO:   O responsável solidário inicia sua impugnação apresentando os  fatos e afirmando que o lançamento não merece prosperar.  Quanto  às  questões  de  mérito,  o  responsável  apresenta  as  mesmas alegações  já apresentadas pela contribuinte, motivo de  não transcrevê­las e decidi­las em conjunto.   Quanto  à  responsabilidade  solidária,  também,  contesta  a  solidariedade  existente,  tanto  por  sua  fundamentação  legal  quanto sobre a inclusão do outro responsável solidário, Roberto  Ribeiro  de  Mendonça,  sendo  a  responsabilidade,  caso  exista,  somente sua.   Fl. 7745DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.746          11 Por  fim,  solicita,  em  síntese,  acolhimento  e  a  decretação  da  procedência de sua impugnação.  Contudo, quando da análise dos argumentos apresentados pelo contribuinte e  pelos coobrigados pelo pagamento do crédito tributário, a Delegacia de Julgamento de Brasília,  nos  termos  consignados  no  acórdão  nº  03­76.851,  de  15/09/2017,  considerou  como  improcedentes as impugnações apresentadas, tendo a decisão recebido a seguinte ementa:   ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Ano­calendário: 2012, 2013   ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO  A  responsabilidade do art. 135, III, do CTN é do tipo solidária, ou  seja,  se  o  representante/diretores  da  contribuinte  for  colocado  no  pólo  passivo,  isto  não  exclui  a  contribuinte  da  responsabilidade dos tributos e multas apurados.   RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  DE  ADMINISTRADORES.  INFRAÇÃO  À  LEI.  PROVA.  COMPROVAÇÃO.   Existindo  prova  de  que  os  administradores  da  contribuinte  pessoa  jurídica  agiram  com  infração  à  lei,  exsurge  a  responsabilidade  tributária  solidária  prevista  no  art.  135,  inciso III, do CTN.   MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.   Cabível a  imposição da multa qualificada de 150%, prevista  no  artigo  44,  parágrafo  1º,  da  Lei  nº  9.430/96,  restando  demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo  enquadra­se, em tese, nas hipóteses tipificadas no art. 71, 72  ou 73 da Lei nº 4.502/64.   MULTA  ISOLADA  E  MULTA  DE  OFÍCIO  PADRÃO.  CONCOMITÂNCIA.   À autoridade administrativa não é dada opção de não aplicar  as leis vigentes. Ademais, as estimativas mensais configuram  obrigações  autônomas,  que  não  se  confundem  com  a  obrigação  tributária  decorrente  do  fato  gerador  anual.  Não  há  coincidência  de  motivação  entre  as  penalidades,  sendo  distintas  tanto  as  suas  causas,  quanto  os  seus  fundamentos  legais.   PERÍCIA. INDEFERIMENTO.   A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de  ofício  ou  a  requerimento  do  impugnante,  a  realização  de  diligências  ou  perícias,  quando  entendê­las  necessárias,  indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis.  No presente caso, a impugnante busca provar, por perícia, fatos  que  já  foram,  por  diversas  e  diversas  vezes,  questionados  pela  Fl. 7746DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.747          12 fiscalização,  com  vários  prazos  concedidos  e  que  poderia  ser  provado na impugnação.   Como nada provou até o momento, prescindível a perícia.   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­  IRPJ   Ano­calendário: 2012, 2013   DESPESAS NÃO COMPROVADAS.   Para se comprovar uma despesa para o IRPJ ou para a CSLL,  de modo a  torná­la dedutível,  não basta  comprovar que  ela  foi  assumida e que houve o desembolso. É requisito essencial para a  sua  dedutibilidade  a  comprovação  da  efetiva  prestação  do  serviço, com documentação hábil e idônea.   LANÇAMENTO DECORRENTE.   Por  se  tratar  de  lançamento  reflexo  realizado  com  base  nos  mesmos  fatos,  a  decisão  prolatada  quanto  ao  lançamento  do  imposto de renda pessoa jurídica constitui prejulgado na decisão  do lançamento decorrente relativo à CSLL.   ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  RETIDO  NA  FONTE  ­  IRRF   Ano­calendário: 2012, 2013   IRRF. PRESSUPOSTOS DO ART. 61 DA LEI N° 8.981/95 PARA  COBRANÇA.   Comprovado  pelo  Fisco  o  pagamento  sem  causa,  sobre  este  incide  a  norma  prevista  no  art.  61,  da  Lei  n°  8.981,  de  1995,  para cobrança do IRRF.   BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DO  IMPOSTO  DE  RENDA  NA  FONTE  SOBRE  PAGAMENTOS  A  BENEFICIÁRIO  NÃO  IDENTIFICADO  OU  QUANDO  REFERIR­SE  A  OPERAÇÃO  OU CAUSA NÃO COMPROVADA.   Se  sujeita  à  incidência  do  imposto  de  renda  exclusivamente  na  fonte, com alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento  efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado,  assim  como  pagamentos  efetuados  ou  recursos  entregues  a  terceiro  ou  sócios,  contabilizados  ou  não,  quando  não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa.  ainda  que  esse  pagamento resultar em redução do lucro líquido da empresa.   Impugnação Improcedente   Crédito Tributário Mantido  Ao  serem  intimados  do  teor  do  acórdão  proferido,  os  Recorrentes  ­  contribuinte e coobrigados ­ apresentaram os competentes Recursos Voluntários, nos quais, em  Fl. 7747DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.748          13 síntese, repisam os argumentos apresentados em sede de impugnação,  requerendo, ao final, a  improcedência do lançamento dos créditos tributários   É o relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias ­ Relator  Trata­se  de  apreciar  os  Recursos  Voluntários  em  face  da  decisão  da  Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF).  Deve­se ressaltar, de pronto, que este colegiado ­ 2ª Turma, 3ª Câmara da 1ª  Seção  ­  já  apreciou  as  mesmos  fundamentos  apresentados  pelos  Recorrentes,  quando  do  julgamento  dos  Recurso  apresentados  nos  autos  de  nº  13896.723534/2015­15  (acórdão  nº  1302­002.788).  Na  decisão  proferida,  de  relatoria  do  ilustre  presidente  desta  Turma  ­  Luiz  Tadeu de Matosinho Machado  ­ os pedidos dos Recorrentes  foram  julgado, na  integralidade,  como  improcedentes  e o Recurso  de Ofício  não  foi  conhecido,  por  estar  abaixo  do  valor  de  alçada para recebimento.  Assim, na medida da possível e  se concordando com o que  restou decidido  naqueles autos, se reproduzirá as bem tecidas  razões de decidir daquele  julgado, em especial  nos pontos em que houve unanimidade no entendimento do colegiado.  Há  de  se  ressaltar,  ainda,  que  os  argumentos  lançados  nos  apelos  se  confundem na maior parte, em que pese, em alguns casos, terem sido apresentados em ordens  diversas  pelos  Recorrentes.  De  toda  sorte,  as  razões  recursais  serão  analisadas  em  conjunto  quando se repetirem.  DA TEMPESTIVIDADE  Como  se  denota  dos  autos,  a  Recorrente,  SETEC  TECNOLOGIA  S/A  foi  intimada  do  teor  do  acórdão  recorrido,  via  intimação  eletrônica,  em  03/10/2017  (fl.  7.556),  apresentando  o  Recurso  Voluntário  ora  analisado  no  dia  03/11/2017  (comprovante  de  fl.  7.561), ou seja, dentro do prazo de 30 dias, nos termos do que determina o artigo 33 do Decreto  nº 70.235/72, tendo em vista o feriado nacional de 02 de Novembro.   Por sua vez, o coobrigado Augusto Ribeiro de Mendonça Neto foi intimado,  via AR, no dia 09/10/2017 (fl. 7.559), apresentando o Recurso Voluntário no dia 01/11/2017  (fl. 7.678). Já o coobrigado Roberto Ribeiro de Mendonça recebeu a intimação também por AR  no dia 06/10/2017 (fl. 7.558), juntando aos autos o RV no dia 01/01/2017 (fl. 7610). Ambos os  Recursos foram apresentados dentro do prazo de 30 dias fixados na legislação.   Assim,  por  cumprir  os  demais  requisitos  de  admissibilidade,  os  Recursos  Voluntários devem ser conhecidos e analisados por este Conselho Administrativo de Recursos  Fiscais.  DO  ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO  DOS  SUJEITOS  PASSIVOS  EM  FACE  DA  IMPUTAÇÃO E RESPONSABILIDADE DOS DIRETORES.   Fl. 7748DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.749          14 DA ALEGAÇÃO DE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO  A Recorrente,  SETEC TECNOLOGIA,  alega  que  há  erro  na  sua  indicação  como sujeito passivo, pois a  responsabilidade atribuída aos  administradores Augusto Ribeiro  de Mendonça Neto e Roberto Ribeiro de Mendonça pelos débitos aqui discutidos, com base no  art. 135 do CTN é de natureza pessoal e exclusiva.   Em  síntese,  o  Recorrente  insurge­se  com  relação  à  imputação  de  sua  responsabilidade, juntamente com a dos sócios Augusto Ribeiro de Mendonça Neto e Roberto  Ribeiro de Mendonça, ao argumento de que a  solidariedade não pode ser presumida e que a  responsabilidade do artigo 135, inciso III do CTN é pessoal do agente que cometeu alguma das  condutas listadas no referido dispositivo. Desta forma, alega que não deveria constar no polo  passivo da obrigação tributária, já que, como mencionado, a responsabilidade daqueles sócios  seria pessoal e exclusiva.   Inicialmente,  deve­se  pontuar  que,  pela  leitura  dos  artigos  do  Código  Tributário  Nacional,  a  sujeição  passiva  (um  dos  critérios  que  compõe  a  Regra  Matriz  de  Incidência Tributária) pode ser divida entre o contribuinte e o responsável. Neste sentido, é a  redação do artigo 121 do CTN:  Art.  121.  Sujeito  passivo  da  obrigação  principal  é  a  pessoa  obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária.  Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz­ se:  I  ­  contribuinte,  quando  tenha  relação  pessoal  e  direta  com  a  situação que constitua o respectivo fato gerador;  II  ­  responsável,  quando,  sem  revestir  a  condição  de  contribuinte,  sua  obrigação  decorra  de  disposição  expressa  de  lei.  No  caso  do  representante  da  sociedade,  dentre  eles  os  administradores,  a  responsabilidade  pessoal  pelo  pagamento  do  crédito  tributário  se  dará  quando  houver  atos  praticados  com  excesso  de  poderes  ou  infração  de  lei,  contrato  social  ou  estatutos.  Esta  é  a  inteligência do artigo 135, inciso III do CTN. Confira­se:   Art.  135.  São  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social ou estatutos:  (...)   III  ­  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas  jurídicas de direito privado.  E  este  julgador  tem  convicção  de  que,  quando  o  dispositivo  legal  fala  em  responsabilidade "pessoal" do agente, uma vez identificadas alguma das condutas elencadas no  citado  dispositivo,  a  responsabilidade  pelo  pagamento  do  tributo  passa  a  ser  apenas  daquele  agente, excluindo­se a responsabilidade da pessoa jurídica contribuinte, que, em última análise,  é lesada pela conduta dolosa de quem a representa.   Fl. 7749DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.750          15 Assim, como bem colocado no Recurso Voluntário apresentado, não estaria  correto em se falar em responsabilidade solidária e, sim, em responsabilidade pessoal, como a  interpretação, não só literal, mas sistemática do ordenamento jurídico impõe.  Contudo,  em que  pese  a  posição  pessoal  deste  conselheiro,  o  entendimento  que  prevalece nas  decisões  do Poder  Judiciário,  ao  contrário  do  que  foi  alegado no Recurso  Voluntário,  é  no  sentido  de  que,  uma  vez  identificadas  condutas  dos  agentes  elencados  no  artigo  135,  III  do  CTN,  é  válida  a  indicação  destes,  juntamente  com  a  pessoa  jurídica  que  representam, no pólo passivo da obrigação tributária. Neste sentido, veja­se decisão proferida  pelo Superior Tribunal de Justiça:  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  VIOLAÇÃO  DO  ART.  535  DO  CPC.  DEFICIÊNCIA  NA  FUNDAMENTAÇÃO.  SÚMULA  284/STF.  EXECUÇÃO  FISCAL.  DISSOLUÇÃO  IRREGULAR.  REDIRECIONAMENTO.  RESPONSABILIDADE  SOLIDÁRIA  X  RESPONSABILIDADE  PESSOAL  DO  SÓCIO­ GERENTE.  EXCLUSÃO  DA  RESPONSABILIDADE  DA  PESSOA  JURÍDICA.  CUMULAÇÃO  SUBJETIVA  DE  PEDIDOS/DEMANDAS.  1. Não se conhece do Recurso Especial em relação à ofensa ao  art. 535 do CPC quando a parte não aponta, de forma clara, o  vício  em  que  teria  incorrido  o  acórdão  impugnado.  Aplicação,  por analogia, da Súmula 284/STF.  2.  A  controvérsia  tem  por  objeto  a  decisão  do  Tribunal  de  origem,  que  determinou  a  exclusão  da  pessoa  jurídica  do  polo  passivo  de  Execução  Fiscal,  em  decorrência  do  redirecionamento  para  o  sócio­gerente,  motivado  pela  constatação  de  dissolução  irregular  do  estabelecimento  empresarial.  3.  Segundo  o  sucinto  acórdão  recorrido,  "a  responsabilidade  prevista no art. 135, III, do CTN, é pessoal, e não solidária nem  subsidiária", de modo que, "com o redirecionamento, a execução  fiscal  volta­se  exclusivamente  contra  o  patrimônio  do  representante  legal  da  pessoa  jurídica,  a  qual  deixa  de  responder pelos créditos tributários".  4. O decisum recorrido  interpretou exclusivamente pelo método  gramatical/literal  a  norma  do  art.  135,  III,  do  CTN,  o  que,  segundo  a  boa  doutrina  especializada  na  hermenêutica,  pode  levar  a  resultados  aberrantes,  como  é  o  caso  em  análise,  insustentável por razões de ordem lógica, ética e jurídica.  5.  É  possível  afirmar,  como  fez  o  ente  público,  que,  após  alguma oscilação, o STJ consolidou o  entendimento de que a  responsabilidade do sócio­gerente, por atos de infração à lei, é  solidária.  Nesse  sentido  o  enunciado  da  Súmula  430/STJ:  "O  inadimplemento  da  obrigação  tributária  pela  sociedade  não  gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio­gerente."   6.  O  afastamento  da  responsabilidade  tributária  decorreu  da  constatação  de  que,  em  revisão  do  antigo  entendimento  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  a  inadimplência  não  deve  ser  Fl. 7750DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.751          16 considerada  ato  ilícito  imputável  ao  representante  da  pessoa  jurídica. No que concerne diretamente à questão versada nestes  autos, porém, subjaz implícita a noção de que a prática de atos  ilícitos implica responsabilidade solidária do sócio­gerente.  7.  Merece  citação  o  posicionamento  adotado  pela  Primeira  Seção do STJ no  julgamento dos Embargos de Divergência  em  Recurso  Especial  174.532/PR,  segundo  os  quais  "Os  diretores  não  respondem  pessoalmente  pelas  obrigações  contraídas  em  nome da  sociedade, mas respondem para com esta  e para  com  terceiros  solidária  e  ilimitadamente  pelo  excesso  de mandato  e  pelos atos praticados com violação do estatuto ou lei".  8. Isto, por si só, já seria suficiente para conduzir ao provimento  da pretensão recursal. Porém, há mais a ser dito.  9.  Ainda  que  se  acolha  o  posicionamento  de  que  a  responsabilidade prevista no art. 135 do CTN ­ por ser descrita  como  pessoal  ­  não  pode  ser  considerada  solidária,  é  improcedente o raciocínio derivado segundo o qual há exclusão  da  responsabilidade  da  pessoa  jurídica  em  caso  de  dissolução  irregular.  10.  Atente­se  para  o  fato  de  que  nada  impede  que  a Execução  Fiscal  seja  promovida  contra  sujeitos  distintos,  por  cumulação  subjetiva em regime de litisconsórcio.  11.  Com  efeito,  são  distintas  as  causas  que  deram  ensejo  à  responsabilidade  tributária e, por consequência, à definição do  polo  passivo  da  demanda:  a)  no  caso  da  pessoa  jurídica,  a  responsabilidade decorre da concretização, no mundo material,  dos elementos integralmente previstos em abstrato na norma que  define  a  hipótese  de  incidência  do  tributo;  b)  em  relação  ao  sócio­gerente,  o  "fato  gerador"  de  sua  responsabilidade,  conforme  acima  demonstrado,  não  é  o  simples  inadimplemento  da obrigação tributária, mas a dissolução irregular (ato ilícito).  12.  Não  há  sentido  em  concluir  que  a  prática,  pelo  sócio­ gerente,  de  ato  ilícito  (dissolução  irregular)  constitui  causa  de  exclusão  da  responsabilidade  tributária  da  pessoa  jurídica,  fundada em circunstância independente.  13. Em primeiro lugar, porque a legislação de Direito Material  (Código  Tributário Nacional  e  legislação  esparsa)  não  contém  previsão legal nesse sentido.  14.  Ademais,  a  prática  de  ato  ilícito  imputável  a  um  terceiro,  posterior  à  ocorrência  do  fato  gerador,  não  afasta  a  inadimplência  (que  é  imputável  à  pessoa  jurídica,  e  não  ao  respectivo sócio­gerente) nem anula ou invalida o surgimento da  obrigação  tributária  e  a  constituição  do  respectivo  crédito,  o  qual, portanto, subsiste normalmente.  15.  A  adoção  do  entendimento  consagrado  no  acórdão  hostilizado  conduziria  a  um  desfecho  surreal:  se  a  dissolução  irregular exclui a responsabilidade tributária da pessoa jurídica,  Fl. 7751DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.752          17 o  feito  deveria  ser  extinto  em  relação  a  ela,  para  prosseguir  exclusivamente  contra o  sujeito para o qual a Execução Fiscal  foi  redirecionada.  Por  consequência,  cessaria  a  causa  da  dissolução  irregular,  uma  vez  que,  com  a  exclusão  de  sua  responsabilidade  tributária,  seria lícita a obtenção de Certidão  Negativa  de  Débitos,  o  que  fatalmente  viabilizaria  a  baixa  definitiva de seus atos constitutivos na Junta Comercial! 16. Dito  de  outro  modo,  o  ordenamento  jurídico  conteria  a  paradoxal  previsão de que um ato ilícito  ­ dissolução  irregular  ­  , ao  fim,  implicaria permissão para a pessoa jurídica (beneficiária direta  da aludida dissolução) proceder ao arquivamento e ao registro  de sua baixa societária, uma vez que não mais subsistiria débito  tributário a ela imputável, em detrimento de terceiros de boa­fé  (Fazenda Pública e demais credores).  17.  Recurso  Especial  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  provido.  (REsp  1455490/PR,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  26/08/2014,  DJe  25/09/2014)  Portanto, para que as discussões não se eternizem em âmbito administrativo,  é salutar o acatamento das decisões proferidas no âmbito do Poder Judiciário, principalmente  daqueles proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça e pelo Supremo Tribunal Federal, mesmo  que haja a convicção do equívoco interpretativo na posição tomada pelo órgão judicante.   Por  isso,  acompanho  o  entendimento  da  turma,  que  mantém  a  responsabilidade da pessoa  jurídica, mesmo tendo sido constatada e comprovada a prática de  condutas dos seus representantes, que levariam à responsabilização pessoal e exclusiva destes  pelo pagamento do crédito tributário.  Ante ao exposto, REJEITA­SE a alegação de erro na identificação do sujeito  passivo,  para  manter  a  sujeição  passiva  da  contribuinte  principal,  ora  recorrente,  tal  como  apontada na autuação.  DA  RESPONSABILIDADE  ATRIBUÍDA  AO  RESPONSÁVEL  SOLIDÁRIO  AUGUSTO  RIBEIRO DE MENDONÇA NETO  Como  constou  no  acórdão  proferido  acórdão  nº  1302­002.788,  de  lavra  do  Conselheiro  Luiz  Tadeu  de  Matosinho  Machado,  o  responsável  solidário  Sr.  Augusto  Mendonça não contesta o vínculo de responsabilidade pelas infrações tributárias apuradas a ele  conferido, mas reclama da responsabilidade atribuída aos demais sujeitos passivo, destacando  que  todas  as  infrações  apuradas  decorrem  dos  fatos  apurados  e  confessados  no  âmbito  da  Operação  Lava  Jato  em que  ele  próprio  deixou  clara  a  sua  responsabilidade  exclusiva  pelos  atos  praticados,  conforme  consta  dos  Termos  de  Colaboração  premiada  que  serviram  de  suporte às conclusões do Termo de Verificação Fiscal.  Sustenta  que  o  sr.  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça  não  tem  qualquer  responsabilidade  nos  atos  praticados  e  que  no  Relatório  Fiscal  "não  se  encontra  uma  só  alegação que comprove ou indique qualquer vínculo com as operações realizada e tidas como  ilícitas".  Fl. 7752DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.753          18 Com relação à empresa Setec Tecnologia,  alega que a  responsabilidade a si  atribuída, com base no art. 135,  inc.  III do CTN, é de natureza pessoal e não solidário o que  impõe a exclusão da pessoa jurídica do polo passivo da demanda.  Desta  feita,  inexistindo  qualquer  questionamento  por  parte  do  responsável  solidário  acima  indicado  quanto  ao  seu  vínculo,  revela­se  despiciendo  analisar  as  suas  alegações  quanto  aos  vínculos  de  responsabilidade  atribuídos  aos  demais  sujeitos  passivos  arrolados, posto que lhe falta legitimidade para postular em seus nomes, o que, aliás, o próprio  recorrente reconhece em sua petição recursal.  DA  RESPONSABILIDADE  ATRIBUÍDA  AO  RESPONSÁVEL  SOLIDÁRIO  ROBERTO  RIBEIRO DE MENDONÇA  O  recorrente  alega  suposta  ilegalidade  na  atribuição  de  vínculo  de  solidariedade com a contribuinte SETEC TECNOLOGIA, na medida em que esta somente se  configuraria se presentes as condições estabelecidas no art. 124 do CTN.  Sustenta que o interesse comum é o interesse jurídico e não meramente fático  para  a  atribuição  de  responsabilidade  solidária  e  que  incumbia  ao  Fisco  fazer  a  prova  desse  interesse.   Aponta que inexiste nos autos qualquer alegação que justifique o vínculo de  solidariedade a si atribuído pela fiscalização e que mesmo diante da farta documentação acerca  dos fatos, motivos e operações investigadas pela Lava Jato, inexiste menção à sua participação  em qualquer  ato praticado, o que  revela  a  inexistência  sequer de  indícios para  caracterizar o  interesse comum nos fatos geradores objeto da autuação.  Com relação à imputação feita com base no art. 135, inc. III do CTN, reitera  que inexiste qualquer prova da suposta prática de atos com excesso de poder, destacando que a  autuação  é  baseada  na  colaboração  premiada  do  Sr. Augusto Ribeiro  de Mendonça Neto  ao  Ministério Público e à Justiça, o qual assume toda a responsabilidade pelos atos confessados.  Alega que o Fisco sequer demonstra que possuiria algum poder de ingerência  na gestão da empresa autuada.  Alega  que  sequer  exerceu  cargo  de  diretoria  na  maior  parte  do  período  autuado, pois fora eleito para o cargo de Diretor Comercial na assembléia de 09/06/2010, mas  em  outra  assembléia  realizada  em  30  de  setembro  do  mesmo  ano  que  alterou  os  estatutos  sociais, apenas o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto foi reeleito. E que esteve ausente de  qualquer cargo diretivo, administrativo ou operacional da empresa desde o ano de 2005. Após  o curto período de 3 meses que exerceu o cargo de diretor comercial só retornou à direção da  empresa no ano de 2016, após o desfecho da Operação Lava Jato.  Conclui, alegando que é nula a imputação de responsabilidade a si atribuída,  requerendo seu afastamento do pólo passivo.  A  imputação  de  responsabilidade  do  recorrente  foi  assim  descrita  no  TVF  (fls. 6.707 e seguintes), verbis:  9. RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA  Fl. 7753DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.754          19 Nos  termos  do  art.  135,  inciso  III,  do  Código  Tributário  Nacional  ­  CTN,  são  pessoalmente  responsáveis  pelos  créditos  correspondentes  a  obrigações  tributárias  resultantes  de  atos  praticados com excesso de poderes ou  infração de  lei,  contrato  social  ou  estatutos,  os  diretores,  gerentes  ou  representantes  de  pessoas jurídicas de direito privado.  Desta  forma,  tendo  em  vista  as  ações  ilícitas  praticadas  pelo  sujeito passivo descritas nos itens 4 e 8 deste termo, constituímos  com base no acima referido dispositivo legal a sujeição passiva  solidária contra os seguintes diretores eleitos do sujeito passivo:  a)  AUGUSTO  RIBEIRO  DE  MENDONÇA  NETO,  CPF  nº  695.037.708­82,  eleito  para  o  cargo  de  Presidente,  conforme  Assembléia Geral Extraordinária  realizada em 25/10/04. Eleito  para o cargo de Diretor Presidente, conforme Assembléia Geral  Extraordinária realizada em 09/06/10.  Reeleito  para  o  cargo  de  Diretor  Presidente,  conforme  Assembléia Geral Extraordinária realizada em 11/11/13;  b) ROBERTO RIBEIRO DE MENDONÇA, CPF nº 034.400.448­ 15, eleito para o cargo de Vice Presidente, conforme Assembléia  Geral Extraordinária realizada em 25/10/04. Eleito para o cargo  de  Diretor  Comercial,  conforme  Assembléia  Geral  Extraordinária realizada em 09/06/10. Reeleito para o cargo de  Diretor  Comercial,  conforme  Assembléia  Geral  Extraordinária  realizada em 11/11/13.   As atas constantes dos autos, trazidas pela fiscalização e pelo recorrente, não  corroboram as alegações lançadas no Recurso Voluntário.  O  que  se  verifica  é  que  o  mesmo  foi  eleito  para  a  diretoria  da  empresa  SETEC,  para  um  mandato  de  3  anos,  na  AGE  de  09/06/2010  e  reconduzido  na  AGE  de  11/11/2013, para novo mandato de 3 anos.  A  alegação  de  que  a  AGE  realizada  em  30/09/2010  teria  excluído  o  recorrente da diretoria não é identificada na ata, cuja ordem do dia se restringiu à: 1. Discussão  e Consolidação do Estatuto Social e 2. Eleição do Diretor Presidente.  Em nenhum momento é registrada a destituição dos diretores eleitos na AGE  anterior (09/06/2010).  Por outro lado a recondução do recorrente ao posto de Diretor Comercial na  AGE de novembro de 2013, desmente a alegação de que estaria afastado da diretoria até o ano  de 2016.  Ainda, o recorrente alega que não existe nos autos a indicação de nenhum ato  por ele praticado enquanto diretor da companhia.  De  fato,  os  documentos  trazidos  nos  autos  e  as  informações  constantes  do  Termo de Verificação Fiscal apontam o Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto como o grande  artífice do esquema criminoso que visava fraudar as licitações da Petrobrás e pagar as propinas  a  diretores  daquela  estatal  e  a  agentes  políticos,  utilizando­se  para  tanto  de  contratos  de  Fl. 7754DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.755          20 serviços  fraudulentos  para  a  geração  dos  recursos  utilizados  para  perpetrar  os  atos  de  corrupção.  Não obstante, Roberto Mendonça, ora  recorrente,  era não  apenas diretor da  empresa SETEC, como tinha participação direta ou indireta em diversas empresas envolvidas  nas mesmas fraudes, como bem destacou o acórdão recorrido (fl. 7.478), in verbis:  Quanto  ao  Sr.  Roberto  Ribeiro  De  Mendonça,  que  alega  inclusive não ter poderes de gerência na SETEC, lembramos que  a SETEC é controlada pela PEM Engenharia LTDA (100%), e o  Sr.  Roberto  Ribeiro  De Mendonça  detinha  na  época  dos  fatos  56,62% de participação na PEN (o restante era do seu irmão Sr.  Augusto Ribeiro de Mendonça Neto).   No mais, no caso sob exame, a Fiscalização da Receita Federal,  muito  embora  de  posse  de  fartos  elementos  produzidos  pela  Polícia  Federal  e  pelo  Ministério  Público  no  âmbito  da  denominada  operação  Lava  Jato,  como  são  exemplos  os  depoimentos, as denúncias e mesmo as chamadas colaborações  premiadas  dos  diversos  atores,  logrou  produzir  o  seu  próprio  conjunto  probatório,  que  indubitavelmente  deu  lastro  para  a  apuração de irregularidades cometidas pela contribuinte SETEC  no âmbito da legislação tributária federal.   Esse  mesmo  escopo  probatório  permite,  indubitavelmente,  concluir  que  os  aludidos  atos  praticados  pela  contribuinte  SETEC,  o  foram  com a  participação  ou  consentimento  de  seus  administradores  (Sr.  Roberto  Ribeiro  De  Mendonça,  e  o  Sr.  Augusto Ribeiro de Mendonça Neto).   Com  efeito,  não  é  crível  que  o  Senhor  Roberto  Ribeiro  De  Mendonça,  não  tivesse  pleno  conhecimento  que  os  supostos  prestadores  de  serviço  eram  empresas  que  não  possuíam  capacidade  técnica,  operacional  ou  expertise  para  a  prestação  dos serviços contratados, mormente algumas eram empresas do  mesmo núcleo familiar.   Afinal, é inadmissível cogitar que os fatos narrados no presente  caso,  que  retrata  pagamentos  de  inúmeras  despesas  a  diversas  pessoas  jurídicas,  envolvendo  valores  muito  significativos,  pudessem passar à margem do conhecimento de seus dirigentes.   Destaca­se  no  Anexo  I  que  a  empresa  PEM  Engenharia  Ltda  (que  o  Sr.  Roberto  Ribeiro  De  Mendonça  detêm  56,62  %),  também  controlava  praticamente  a  totalidade  do  capital  da  Tipuana Participações Ltda e da Projetec Projetos e Tecnologia  Ltda,  empresas  que  realizavam  boa  parte  dos  pagamentos  fraudulentos.   De ressaltar também, no Anexo I, as participações societárias da  família Ribeiro de Mendonça nas empresas SOG Óleo e Gás S.A,  Energex Group Representações e Consultoria Ltda., Yellowwood  Consultoria  Ltda,  Pataccas  Participações  e  Consultoria  Ltda.,  Sinergia  Consultoria  e  Representação  Ltda.  e  MSML  Participações e Consultoria Ltda.   Fl. 7755DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.756          21 Portanto, agiu o Senhor Sr. Roberto Ribeiro De Mendonça com  infração à lei, na medida em que autorizava ou concordava com  a  apropriação,  pela  contribuinte  SETEC,  de  despesas  não  necessárias  para  fins  de  apuração  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL  e/ou  despesas  sabidamente  fictícias,  acobertadas  por  documentos  ideologicamente  falsos.  Com  relação à  infração à  lei,  esta  resta mais  do  que  caracterizada,  não  apenas  do  ponto  de  vista  da  utilização  de  empresas  e  contratos  fictícios  na  prestação  de  serviços,  com  vistas  ao  pagamento  de  propinas,  em  violação  à  lei  penal,  como  pela  utilização  como  despesas  dedutíveis  os  pagamento  efetuados  que,  sabidamente  não  correspondiam  à  despesas  efetivas,  infringindo a legislação tributária.   Ante  ao  exposto,  considera­se  como  correta  a  indicação  do  Sr.  Roberto  Ribeiro de Mendonça como responsável solidário, nos termos do art. 135, inc. III do CTN.  Assim, vota­se no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao seu recurso, neste  ponto.  DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DO IR SOBRE PAGAMENTO SEM CAUSA  EFETUADO  POR  TERCEIROS  –  ERRO  NA  IDENTIFICAÇÃO  DO  SUJEITO  PASSIVO  A  recorrente  alega  que  existe  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  com  relação aos pagamentos que teriam sido efetuados pelas empresas Projetec e Tipuana, em nome  da  recorrente,  tendo  em  vista  a  existência  de  um  contrato  de  administração  de  recursos  financeiros  da  empresa  Setec.  Assim,  sendo  aquelas  as  empresas,  que  realizaram  os  pagamentos, seriam também as responsáveis pelo IRRF sobre os pagamentos considerados sem  causa, conforme excertos do recurso voluntário, in verbis:  30. A recorrente também foi autuada com a cobrança de IRF  sobre pagamentos supostamente sem causa nos anos de 2012  e 2013, com fundamento no art. 61 da Lei n.º 8.981/95, mas  esta cobrança não merece prosperar pelo simples fato de que  os  pagamentos  foram  efetuados  por  pessoas  jurídicas  distintas.   31. O dispositivo supracitado é expresso ao afirmar que serão  tributados  os  pagamentos  efetuados  por  pessoa  jurídica  a  beneficiários  não  identificados  ou  quando  não  for  identificada  a  causa  destes  pagamentos. Evidente,  portanto,  que  o  sujeito  passivo  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  nesta situação é a pessoa jurídica que realiza os pagamentos.   32. Ora,  no  presente  caso  os  pagamentos  supostamente  sem  causa  foram  efetuados  por  pessoa  jurídica  distinta  da  recorrente. Basta uma singela leitura das páginas 72 e 73 do  Termo de Verificação da Ação Fiscal para  constatar que as  empresas  que  efetivamente  fizeram os pagamentos  objeto  da  autuação  foram  a  PROJETEC  e  a  TIPUANA,  não  havendo  qualquer  pagamento  realizado  diretamente  pela  recorrente  (SETEC).  Esta  informação  é  corroborada  pela  própria  Fl. 7756DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.757          22 Fiscalização (itens 4.3.1 e seguintes do Termo de Verificação  da  Ação  Fiscal),  conforme  os  quadros  que  sintetizam  os  detalhes de cada pagamento entendido como sem causa (data,  valor e empresa pagadora).   33.  Não  é  possível  imputar  o  ônus  da  retenção  do  IR  sobre  tais  pagamentos  à  recorrente,  ainda  que  efetuados  por  sua  conta e ordem, pois o legislador optou pela responsabilidade  objetiva  da  pessoa  jurídica  que  efetivamente  credita  os  valores aos beneficiários.   A recorrente cita ementas de jurisprudência deste Conselho e de Soluções de  Consulta que corroborariam sua tese. O Acórdão recorrido analisou as alegações e rejeitou­as,  verbis:  Em  outra  preliminar,  a  impugnante  alega  que  há  erro  na  identificação  do  sujeito  passivo,  pois  há  impossibilidade  de  exigência  do  IRRF  sobre  pagamento  sem  causa  efetuado  por  terceiros.   Esclarecemos  à  impugnante  que,  no  presente  caso,  ela  é  a  verdadeira tomadora dos serviços, é quem operacionaliza todo o  trâmite  visando  à  contratação  de  serviços  de  seu  interesse;  as  notas fiscais de prestação de serviços são emitidas em seu nome;  os  custos  são  por  ela  suportados,  contabilizados  e  levados  a  resultado. Por fim, a SETEC é o sujeito passivo responsável do  art. 121 do CTN.   Nessa  relação  contratual,  os  pagamentos  aos  prestadores  de  serviços são efetuados pelas empresas TIPUANA e PROJETEC.   Trata­se  de  caso  típico  de  pagamento  por  conta  e  ordem  de  terceiros.   A  respeito  da  questão,  providencial  é  a  transcrição  do  artigo  abaixo do CTN:   Art.  123.  Salvo  disposições  de  lei  em  contrário,  as  convenções  particulares,  relativas  à  responsabilidade  pelo  pagamento  de  tributos,  não  podem  ser  opostas  à  Fazenda  Pública,  para  modificar  a  definição  legal  do  sujeito  passivo  das  obrigações  tributárias  correspondentes.   Assim, se a intenção da SETEC era repassar a responsabilidade  para  a  TIPUANA  e  PROJETEC  não  há  como  acatar  tal  pretensão,  pois  os  contratos  de  prestação  de  serviços  de  administração  de  contas  a  pagar  e  contas  a  receber  com  a  TIPUANA  e  a  PROJETEC  não  tem  o  condão  de  modificar  o  substituto  tributário  da  obrigação  tributária  (no  caso  SETEC),  conforme determina o art. 123 do CTN.   Tudo  se  passa  como  se  a  SETEC  pagasse  diretamente  aos  prestadores,  e  assim,  deveria  a  SETEC  como  substituto  tributário recolher o IRRF.   Fl. 7757DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.758          23 Conclui­se  que  o  acordo  feito  entre  a  SETEC  e  as  empresas  TIPUANA e PROJETEC (que possuem a natureza de convenção  particular)  não  pode  afastar  a  incidência  da  tributação  na  SETEC  verdadeira  responsável  pela  retenção  dos  tributos  na  fonte de acordo com o art. 121 do CTN.   Dessa forma, não há erro na identificação do sujeito passivo.  Com efeito, não há como transferir a responsabilidade tributária da recorrente  para  terceiros  com  base  no  contrato  de  administração  de  seus  recursos  financeiros.  Tais  empresas funcionaram como meras responsáveis pelo "Caixa" da empresa recorrente, tendo em  vista que esta estava com suas contas bancárias bloqueadas, conforme  informou à autoridade  fiscal. Portanto, agiam em seu nome para efetuar os pagamentos por ela indicados. Imputar­lhe  a responsabilidade, neste caso, seria o mesmo que considerar o responsável pelo departamento  financeiro pelos pagamentos que realiza em nome da empresa.  Como  bem  aponta  o  acórdão  recorrido,  o  art.  123  do  CTN,  deixa  clara  a  impossibilidade de transferência da responsabilidade de pagamento de tributos a terceiros por  meio de convenções particulares.  A  recorrente  alega,  ainda,  existir  um  procedimento  contraditório  da  fiscalização, pois ao  tempo em que considerou válido o contrato de administração  financeira  para exigir o IRRF sobre os pagamentos realizados pela empresas Projetec e Tipuana, em seu  nome,  teria  desconsiderado  tais  contratos  em  outros  procedimentos  fiscais  realizados  junto  àquelas empresas, verbis:  45.  Como  se  isto  não  bastasse,  a  própria  fiscalização  desclassificou  o  negócio  jurídico  praticado  entre  a  recorrente e as empresas supramencionadas, afirmando que  a  “TIPUANA  e  a  PROJETEC  são  empresas  virtuais,  meras  caixas  de  passagem  de  parte  do  fluxo  de  recursos  de  pagamentos  e  recebimentos  entre  empresas  do  grupo  empresarial  de  Augusto Mendonça  e  dessas  com  terceiros”,  de  modo  que  tais  empresas  não  teriam  mão­de­obra  para  prestar  qualquer  tipo  de  serviço,  e  que  as  transações  efetuadas foram geridas por funcionários da própria SETEC.   46. A desconsideração do contrato também se deu no âmbito  do  procedimento  administrativo  nº  13896.721547/2013­80,  em que  a PROJETEC  fora  autuada por  omissão  de  receitas  decorrentes de  repasses de  empresas  coligadas,  entre  elas a  SETEC, a despeito da celebração de contrato de administração  de  recursos  financeiros  com  a  recorrente.  Naquela  ocasião,  a  fiscalização  asseverou  que  os  contratos  se  resumiam  a  simples  instrumentos  particulares,  sem  reconhecimento  de  firma,  e  que  não  foram registrados no registro de  títulos e documentos, não  surtindo efeitos em relação a terceiros.   47. Como se isto não bastasse, o E. Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  ainda  acrescentou  que,  nos  “termos  desses  contratos, existe a determinação de apuração mensal de  saldos  de  caixa,  relativamente  a  cada  uma  delas,  controle  detalhado,  com a discriminação  individualizada de  todos os pagamentos e  Fl. 7758DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.759          24 recebimentos, e isso em relação a cada contratante, ao qual, fica  implícito,  a  interessada  deveria  prestar  contas.” Desta  feita,  a  validação do negócio jurídico pactuado exigiria a “escrituração  detalhada,  relatórios,  notas  fiscais,  comprovantes  de  depósito  identificado  e/ou  de  transferências,  identificação  dos  débitos  e  correspondentes  contas  das  empresas  coligadas  pagas,  etc.,  o  que  não  ocorreu.”  (acórdão  nº  1402002.143  –  4ª Câmara  /  2ª  Turma  Ordinária,  Sessão  de  5  de  abril  de  2016  –  documento  apresentado com a impugnação).   48.  Ora,  trata­se  de  evidente  contradição  por  parte  da  fiscalização,  que  atribuiu  efeitos  diametralmente  opostos  ao  mesmo  instrumento  jurídico.  Tendo  a  fiscalização  desclassificado  o  negócio  pactuado  entre  as  partes  também  no  presente  relatório  fiscal,  não  se mostra  compatível  a  autuação  da SETEC por pagamentos sem causa efetuados pela TIPUANA  e da PROJETEC.   No  que  concerne  ao  processo  administrativo  nº  13896.721547/2013­80,  a  recorrente cita trechos do acórdão nº 1402­002.143.   Examinando o referido acórdão, verifica­se que, no procedimento junto à  empresa  Projetec,  a  fiscalização  apurou  omissão  de  receitas  com  base  em  depósitos  bancários de origem não comprovada, no ano­calendário 2009. Trata­se, portanto, de fatos  ocorridos em períodos de apuração distintos dos examinados nestes autos, o que por si só  desqualifica a alegação.  Não obstante,  o  que  se  verifica  naquele  acórdão  é  que  o  lançamento  de  omissão de receitas com base em depósitos bancários de origem não comprovada, realizado  pela  fiscalização  decorreu  essencialmente  da  falta  de  comprovação  de  que  os  valores  movimentados estavam vinculados de fato ao contrato de administração financeira, como  fora  alegado  naquele  processo,  e  não  da  desconsideração  de  sua  validade,  conforme  se  extrai dos excertos de voto abaixo transcritos, verbis:   [...]  No curso da ação fiscal, foi constatada a existência de diversos depósitos que  ingressaram  em  contas  de  titularidade  da  interessada,  no  ano­calendário  de  2009  (Demonstrativo  de  fl.131),  para  as  quais  a  interessada,  apesar  de  intimada,  não  apresentou justificativa considerada aceitável pela fiscalização.   [...]  Em sua defesa, a interessada afirma que os depósitos bancários em foco  têm  suporte único em contrato de administração de recursos financeiros celebrado entre  sua  controladora PEM ENGENHARIA LTDA (fls.115/116), bem como  com as empresas SETAL  ENGENHARIA,  CONSTRUÇÕES  E  PERFURAÇÕES  S/A (fls.117/118) sob nova denominação SETEC TECNOLOGIA S/A e TIPUANA  PARTICIPAÇÕES LTDA (fls.119/120), sem efetiva transferência de titularidade.   A interessada diz, ainda, que:   · trata­se de mera terceirização (pelas coligadas) das rotinas de contas a pagar  e  receber,  que  ficam  concentradas  no  corpo  técnico  da  Fl. 7759DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.760          25 PROJETEC, como é comum no mercado, inclusive fora do ambiente  dos grupos  econômicos;   ·  os  recursos  correspondentes  são  oferecidos  à  tributação  pelas  coligadas ou submetidos à retenção na fonte; e   ·  tais  rendimentos  não  se confundem com  receita da atividade propriamente  dita,  que  abrange  somente  rendimentos  das  aplicações  financeiras do numerário por sua iniciativa.    Os  contratos  apresentados  Contratos  de  Administração  de  Recursos  Financeiros (Contas a Receber e Contas a Pagar)  celebrados entre a interessada  e  as  empresas PEM, SETEC e TIPUANA são de igual teor e datados de 01/01/2008.   Destaco, a seguir, alguns tópicos desses contratos:   1. A ... autoriza a PROJETEC a administrar os recebimentos e pagamentos  em  nome  da  sociedade,  assumindo  a  PROJETEC  o  compromisso  de  ressarcir as eventuais sobras em caixa.   2.  Nas  contas  correntes mencionadas  no item  anterior,  se farão inscrever  todos  os  recebimentos e pagamentos ocorridos durante o mês, obedecendo, rigorosamente, a ordem  cronológica  desses  acontecimentos,  com  indicação  precisa  e  detalhada  dos  documentos  emitidos para tanto.   3. A  ...  poderá  solicitar  à PROJETEC eventuais  transferências  de  numerários  com  pelo menos um dia de antecedência da data que pretender dispor dos recursos.   4.  Mensalmente,  no  último  dia  de  cada  mês,  as  partes  deverão  apurar  os  saldos em caixa.   5.  A  PROJETEC  poderá  promover  a  devolução  de  seu  débito  a  qualquer  tempo, desde que dê ciência ao credor num prazo mínimo de 48 horas.    ...   8. Por remuneração dos serviços prestados, a PROJETEC fará jus à  receita  financeira obtida no mercado financeiro com os recursos financeiros por  ela administrados  em decorrência deste contrato.    ... (grifou­se).   Apesar  de tais  contratos  envolverem  empresas  coligadas  certo  é  que,  pelos  termos  desses  contratos,  existe  a  determinação  de  apuração  mensal  de  saldos  de  caixa,  relativamente a cada uma delas, tendo em vista que, ainda que  tal atividade não esteja prevista  no  seu  contrato  social,  a  interessada  estaria  administrando  recebimentos  e  pagamentos  das  referidas  empresas.  Essa  administração  exigiria  controle  detalhado,  com  a  discriminação  individualizada de todos os pagamentos e recebimentos, e isso em relação a  cada  contratante, ao qual, fica implícito, a interessada deveria prestar contas.  Assim, ainda que os contratos apresentados atendessem aos aspectos for mais  relacionados  pelo  autuante  (autenticação  de  assinaturas  e  registro  no  Registro  de  Títulos  e  Documentos), esses contratos não seriam  suficientes para a comprovação de que se trata. Faz­se necessário o respaldo de  diversos meios  de  prova,  tais  como:  escrituração  detalhada,  relatórios,  notas  fiscais,  comprovantes  de  depósito  identificado  e/ou  de  transferências,  identificação  dos  débitos e  correspondentes  contas  das empresas coligadas  pagas, etc., o que não ocorreu.   Fl. 7760DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.761          26 Ao contrário do que argumenta a defesa, não houve  desprezo  dos  contratos.  A conclusão adotada  pela  fiscalização  está  baseada, como  relatado  no Termo  de Verificação  Fiscal, nas disposições do art. 368, parágrafo único,  da Lei n° 5.869/1973 (Código do Processo Civil), invocadas subsidiariamente:   [...]  Restou,  portanto,  nesse  caso,  perfeitamente  caracterizada  a  existência  de  depósitos bancários cuja origem não foi comprovada, mediante documentação hábil  e idônea, coincidente em datas e valores.    Nesse  contexto,  entendo  correto  o  estabelecimento  da  presunção  legal  de  omissão de receitas e a correspondente tributação desses valores depositados.  Esta turma inclusive se manifestou em dois processos de responsabilidade da  Projetec,  excluindo­a,  exatamente  por  reconhecer  o  contrato  de  administração  de  contas  (PAF´s.  nº  10932.000454/2010­01  e  10932.000682/2008­59),  conforme  ementa  abaixo  extraída dos referidos julgados:  IRRF  ­  PAGAMENTOS  SEM  CAUSA  ­  INTELIGÊNCIA  DO  ART.  674  DO  RIR  ­  COMPROVAÇÃO  DA  NATUREZA,  DESTINO  E  TITULARIDADE  DOS  VALORES  POR  DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA  Comprovado  pelo  titular  da  conta  bancária  a  natureza  das  operações,  ainda  que  existente  indícios  de  práticas  evasivas  pelos  destinatários  dos  recursos,  compete  a  autoridade  fiscal  proceder  o  lançamento  contra  estes  últimos  e  não  contra  a  empresa  titular  das  contas,  criada  exclusivamente  para  gerenciar os recursos financeiros dos citados destinatários.  Ante ao exposto REJEITA­SE a alegação dos recorrentes neste ponto.  DA  IMPOSSIBILIDADE  DE  EXIGÊNCIA  CONCOMITANTE  DO  IRRF  POR  PAGAMENTO SEM CAUSA E DO IRPJ/CSLL EM RAZÃO DA GLOSA DE DESPESAS.  A  recorrente  reclama  a  existência  de  bis  in  idem  em  face  da  exigência  concomitante  do  IRRF  por  pagamento  sem  causa  e  do  IRPJ/CSLL  em  razão  da  glosa  de  despesas, pois penalizaria duplamente a pessoa jurídica, verbis:   50.  A  fiscalização  exigiu  o  IRPJ  e  CSL  sobre  as  despesas  glosadas, com amparo em sua indedutibilidade (RIR, art. 249,  I),  mas  ao mesmo  tempo  exigiu  o  IRF  sobre  os  pagamentos  que  lhes  deram  respaldo  (Lei  n°  8.981/95,  art.  61),  considerados sem causa pela fiscalização.   51.  Ora,  a  tributação  de  fonte  com  reajuste  da  base  de  cálculo,  como  prevista  no  art.  61  da  Lei  n.  8.981/95,  é  incompatível com a exigência simultânea de IRPJ e CSL pela  glosa  da  respectiva  despesa.  Não  é  outro  o  entendimento  deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais:   (...)  Fl. 7761DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.762          27 52. No presente caso, tendo o contribuinte optado pela apuração  do IRPJ e da CSL com base no  lucro real, e  tendo deduzido as  despesas  cujas contrapartidas  são os pagamentos  considerados  sem causa, a fiscalização não poderia exigir o IRF com fulcro no  art.  61  da  Lei  n.  8.981/95,  se  já  formalizada  a  glosa  das  respectivas despesas.   53. Trata­se  de  um  “bis  in  idem” que  não  pode  ser  acolhido,  porque penaliza duplamente a pessoa  jurídica:  (a) uma vez, na  condição  de  contribuinte  do  IR  e  da  CSL  (posto  que  a  glosa  conduz a uma exigência daqueles tributos à alíquota conjunta de  34% e, no caso concreto, com a multa majorada de 150%); e (b)  outra  vez,  na  condição  de  fonte  pagadora  (situação  em  que  o  IRF é exigido à alíquota de 35%, com recomposição da base de  cálculo e com a multa igualmente majorada).   Entendo que, neste ponto, assiste razão aos recorrentes. Explica­se.   O  embasamento  legal  para  tributação  do  IRRF,  como  consta  do  TVF,  está  arrimado no artigo 674, do RIR, que reproduz a redação do artigo 61 da Lei nº 8.981/95. Veja­ se o que consta dispositivo:  “Art. 674: Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente  na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento  efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado,  ressalvado  o  disposto  em  normas  especiais  (Lei  nº  8.981,  de  1995, art.61).  § 1º  ­ A  incidência prevista neste artigo aplica­se  também, aos  pagamentos efetuados ou aos  recursos entregues a terceiros ou  sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não  for  comprovada  a  operação  ou  a  sua  causa  (Lei  nº  8.981,  de  1995, art.61, § 1º).   § 2º ­ Considera­se vencido o  imposto no dia do pagamento da  referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art.61, § 2º).  §  3º  ­  O  rendimento  será  considerado  líquido,  cabendo  o  reajustamento  do  respectivo  rendimento  bruto  sobre  o  qual  recairá  o  imposto  (Lei  nº  8.981,  de  1995,  art.61,  §  3º)”.  (destacou­se)  Entretanto, é fácil perceber que a aplicação do artigo 61, da Lei nº 8.981/95  (art. 674 do RIR), está reservada apenas para aqueles casos em que há comprovação por parte  do fisco de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, mas que não enseje na  tributação do IRPJ e da CSLL, como no caso aqui analisado.  E essa interpretação fica mais clara com a edição da Lei nº 9.249/95, uma vez  que, por opção legislativa, o rendimento tributado na pessoa jurídica não será mais tributado na  pessoa física ou em outra pessoa jurídica, que seriam beneficiárias daquele rendimento.  Não se pode olvidar, ainda, que a Lei nº 9.249/95 revogou expressamente o  artigo 44 da Lei nº 8.541/92, que previa a tributação na fonte, à alíquota de 25%, das situações  em que se presumisse a distribuição  aos  sócios da  receita omitida ou da parcela  redutora do  Fl. 7762DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.763          28 lucro líquido pela pessoa jurídica. Assim, o artigo 61, da Lei nº 8.981/95 não pode ser aplicado  às situações que anteriormente eram acobertadas pelo revogado artigo 44, da Lei nº 8.541/92.  Portanto, como mencionado, só se pode admitir a aplicação do artigo 61 para  aquelas  situações  em  que  o  fisco  prove  a  existência  de  um  pagamento  sem  causa  ou  a  beneficiário  não  identificado,  não  se  admitindo,  contudo,  que  aqueles  valores  relativos  ao  pagamento dito  sem causa,  também  tenham  impacto na  apuração do  IRPJ e da CSLL, como  nos casos de glosa de despesas.  Como  mencionando  no  Recurso  Voluntário,  há,  inclusive,  precedente  da  Câmara Superior deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais neste sentido. Confira­se  a ementa do julgado:  IR­FONTE  ­  PAGAMENTO  SEM  CAUSA  ­  ART.  61  DA  LEI  N°8.981,  DE  1995  ­  LUCRO  REAL  ­  REDUÇÃO DE  LUCRO  LIQUIDO  ­  MESMA  BASE  DE  CÁLCULO  ­  INCOMPATIBILIDADE.  A aplicação do art. 61 da Lei n° 8.981, de 1995, está reservada  para aquelas situações em que o Fisco prova a existência de um  pagamento sem causa ou a beneficiário não  identificado, desde  que  a  mesma  hipótese  não  enseje  tributação  por  redução  do  lucro  líquido,  tipicamente caracterizada por omissão de receita  ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do  IRPJ  pelo  lucro  real.  Precedente  da  CSRF.  Acórdão  n°  CSRF/04­01  094.  Jul.  03/11/2008  Rel.  Conselheira  Ivete  Malaquias Pessoa Monteiro.  No  caso  concreto,  por  presunção,  foi  considerado  omissão  de  receita  o  dinheiro  creditado  em  conta  bancária  da empresa no  dia  18/02/97.  Assim,  se  houve  receita  omitida  aumentou­se  o  lucro e exigiu­se IRPJ, CSLL, COFINS, PIS. Todavia, quando o  dinheiro  saiu  do  caixa  da  empresa  para  pagar,  com  juros,  o  valor  que  foi  considerado  receita  omitida,  tal  importância  não  pode  ser  considerada  pagamento  sem  causa,  sob  pena  de  efetivamente  confirmar  que  não  se  tratava  de  receita  omitida,  mas sim empréstimo com obrigação de restituição dos valores.  Recurso especial negado. (Acórdão nº 9202­00.686 ­ Número do  Processo 10730.004442/2002­12 ­ Sessão de 13/04/2010).  Desta feita, o lançamento de ofício deve ser anulado quanto ao IRRF, em face  da evidente impossibilidade de concomitância com a tributação decorrente da glosa de custos e  despesas por parte da fiscalização.  Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO aos Recursos Voluntários  relativamente  à  exigência do  IR/Fonte  sobre pagamentos  considerados  como  sem causa pela  fiscalização, quando  já  houve a  glosa dos despesas  e  a  consequente  tributação do  IRPJ  e da  CSLL destes valores.   DA EXIGÊNCIA CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E DA MULTA  ISOLADA  SOBRE A FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS DA CSLL E IRPJ  Fl. 7763DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.764          29 No  recurso  voluntário,  os  Recorrentes  se  insurgem  contra  a  exigência  da  multa isolada. Alegam que esta não pode ser exigida em concomitância com a multa de ofício  aplicada sobre o imposto devido ao final do exercício.   Depreende­se dos autos o Recorrente sofreu a cobrança de multa de ofício no  percentual de 150% em virtude do suposto não recolhimento do IRPJ e CSLL no final dos anos  calendários  autuados,  concomitantemente  com a  cobrança de multa  isolada no  percentual  de  50% pelo não recolhimento de estimativas mensais a título de tais exações.   O enquadramento legal das penalidades aplicadas – multas de ofício e isolada  – é o artigo 44, I e II da Lei nº. 9.430/96, cujas redações foram alteradas pela Lei nº 11.488/07,  que assim dispõe:   Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  I  ­  de  75%  (setenta  e  cinco  por  cento)  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento,  de  falta  de  declaração  e  nos  de  declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:   a) na forma do art. 8oda Lei no7.713, de 22 de dezembro de 1988,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda  que  não  tenha  sido  apurado  imposto  a  pagar  na  declaração  de  ajuste,  no  caso  de  pessoa  física;   b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.   De  acordo  com  o  dispositivo  acima  transcrito,  mencionadas  penalidades  serão aplicadas em razão das seguintes infrações:    (i)  Será  aplicada  multa  de  ofício  (75%)  sobre  o  valor  do  tributo  não  recolhido, não declarado ou declarado com inexatidão; e   (ii) Será aplicada multa de ofício (50%) exigida isoladamente sobre o valor  do  pagamento  mensal  do  IRPJ  e  da  CSLL  Estimativa  Mensal,  ainda  que  tenha  sido  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa  para  a  contribuição social sobre o lucro líquido, no ano­calendário correspondente.   A denominada multa  isolada tem como finalidade garantir a penalização do  contribuinte pela ausência dos recolhimentos de estimativa mensal, independentemente de, ao  final do ano­calendário, restar constatado que naquele ano nada era devido a título de IRPJ e  CSLL.   Ocorre,  contudo,  que,  tanto  a  multa  de  ofício,  quanto  a  multa  isolada  penalizam uma mesma infração, qual seja o não recolhimento do tributo.   Fl. 7764DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.765          30 É que o regime de recolhimento por estimativa representa mero mecanismo  de adiantamento de valores ao fisco. Ou seja, a antecipação do pagamento mensal estimado de  IRPJ e de CSLL aos cofres públicos não representa a liquidação definitiva desses tributos, que  somente se dará depois de realizado o ajuste ao final do exercício.   Por outro lado, depois de findado o exercício e realizado o ajuste anual, não  há mais razão para se falar em pagamento de estimativas mensais, diante da sua provisoriedade  e em face do caráter definitivo do pagamento realizado a partir do ajuste anual.   Inclusive,  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  –  CARF  já  consolidou  o  entendimento,  por meio  de  sua  súmula  82,  que “após  o  encerramento  do  ano  calendário, é  incabível o  lançamento de ofício de IRPJ e CSLL, para exigir  estimativas não  recolhidas.”   Esse entendimento, a propósito,  foi confirmado pelo Parecer PGFN/CAT nº  88/2014, conforme se verifica:   O IRPJ e a CSLL substituem as estimativas, contudo, é possível  que os valores relativos à estimativa tenham sido compensados e  computados  como  pagamento  no  momento  do  ajuste  anual,  contudo,  essa  compensação  pode  não  ser  homologada,  ocorrendo  a  decisão  após  a  apuração  do  lucro  real.  Assim,  tratar­se­iam de valores referentes a tributo consolidados com o  ajuste anual, não mais de mera estimativa do imposto de renda e  da contribuição sobre o lucro.  Esse entendimento já é aplicado pela Receita Federal do Brasil,  vejamos trecho da Nota Cosit nº 31/2013, a qual serve de lastro  à consulta:  “Portanto,  ao  apurar,  em  31  de  dezembro,  o  valor  total  do  imposto  devido em  todo  o  ano­calendário,  o  sujeito passivo  há  de  pagar  esse  valor,  não  havendo  porque  a  RFB  manter  a  cobrança  de  um  débito  (estimativa)  que  foi  incorporado  por  outro  (imposto  a  pagar).  Isso  é  pacífico.  A  RFB  não  cobra  estimativa não paga no ano­calendário: aplica multa de ofício e  cobra o imposto devido na forma de saldo a pagar.”   A leitura do trecho acima deixa claro que a RFB tem consciência  da  inviabilidade de cobrança das estimativas, pelo menos até a  ocorrência  do  fato  jurídico  que  enseja  a  incidência  do  IRPJ  e  CSLL na modalidade anual.  Ocorre que, após o ajuste, a estimativa é substituída pelo tributo,  portanto,  a  estimativa  extinta  por  meio  de  compensação  foi  incorporada  ao  ajuste,  como  explicado  pela  própria  Receita  Federal do Brasil na Nota Cosit n.º 31/2013:  “21.Ocorre que não se está tratando de estimativa não paga no  ano­calendário,  mas  de  estimativa  extinta  por  meio  da  compensação,  cujo  efeito  legal  é  o  mesmo  do  pagamento,  conforme se depreende da leitura do art. 156,  Incisos  I e  II, do  CTN e do art. 6º da Lei nº 8.212, de 29 de agosto de 1991.  Fl. 7765DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.766          31 21.1.Por sua vez, a Lei n.º 9.430, de 1996, não previa – e não foi  atualizada nesse ponto – a hipótese de que o valor devido fosse  antecipado  por  forma  diversa  do  pagamento,  in  casu,  a  compensação,  cujas  regras  próprias  possibilitam a  contestação  dessa  antecipação  por  meio  da  não­homologação,  que  ocorre,  via de regra, apenas depois de 31 de dezembro, ou seja, depois  de a Declaração de Informações Econômico­Fiscais  (DIPJ) ser  entregue e o imposto pago ou o saldo negativo apurado.  21.2.Ora,  enquanto  não  homologada  a  compensação,  extinto  está  o  débito  declarado  a  título  de  estimativa  e,  portanto,  corretamente  deduzido  do  total  do  imposto  devido  no  ano  e  demonstrado  no  DIPJ.  Essa  extinção,  entretanto,  não  é  definitiva,  mas  se  submete  a  condição  resolutória  de  a  RFB  homologá­la ou não no prazo de cinco anos.  21.3 Assim, ao compor o imposto de renda apurado e devido ao  final  do  ano­calendário,  e  ser  declarado  extinto  por  meio  de  estimativa,  tem­se  que  esse  valor  informado  na  DIPJ  como  compensado  já  não  é  mais  estimativa,  mas  imposto  sobre  a  renda,  crédito  tributário  definitivamente  constituído  por  apuração e confissão do sujeito passivo. Tal caráter de confissão  tanto se encontra assentado na informação do valor estimado e  compensado prestada na DCTF, como na DComp.  O entendimento que podemos extrair do excerto acima é de que  tratamos  de  tributo  em  si,  não  mais  de  estimativas,  cuja  existência se encerra com o ajuste anual, consoante exposto nos  Pareceres  PGFN/CAT  nº  1.658/2011  e  193/2013,  razão  pela  qual  podemos  ter  uma  conclusão  diferente  daqueles  constantes  nos  pareceres  mencionados,  contudo,  sem  modificar­lhes  em  nenhum  ponto,  apenas  por  considerar  que  no  caso  estamos  tratando de tributo propriamente dito (...).  Do  cotejo  do  acima  exposto,  não  há  dúvidas  de  que  as multas  de  ofício  e  isolada tem como finalidade penalizar uma mesma infração, qual seja: o não recolhimento do  IRPJ e da CSLL devidos em determinado exercício, de modo que a sua aplicação concomitante  torna­se inadequada.   A  impossibilidade da aplicação concomitante de multas  isolada e de ofício,  foi confirmado pelo CARF por meio da edição da súmula nº 105. Confira­se:   Súmula CARF nº 105 ­ A multa isolada por falta de recolhimento  de estimativas,  lançada com fundamento no art. 44 § 1º,  inciso  IV  da  Lei  nº  9.430,  de  1996,  não  pode  ser  exigida  ao  mesmo  tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL  apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.  E aqui vale ressaltar que, a despeito da nova redação do artigo 44 da Lei nº  9.430/96, introduzida pela Lei nº 11.488/07, a cobrança concomitante das multas isolada e de  oficio  permanece  inadmissível,  uma  vez  que  essas  multas  continuam  penalizando  o  mesmo  fato, tendo aquela lei alterado apenas a base de cálculo de tais penalidades.   Fl. 7766DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.767          32 Isso porque, mesmo após a edição da Lei nº 11.488/07, em nada foi alterado  o  caráter  provisório  dos  recolhimentos  do  IRPJ  e  CSLL  por  estimativa,  o  que  enseja  na  absorção da multa isolada pela multa de ofício relativa ao não recolhimento do IRPJ e da CSLL  calculados após o ajuste anual, como bem demonstrado pelo Recorrente.   O  Superior  Tribunal  de  Justiça  já  proferiu  entendimento  neste  sentido,  afastando  a  aplicação  concomitante  das  multas  previstas  no  artigo  44  da  Lei  nº  9.430/96.  Confira­se a ementa de dois julgados proferidos:   TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART.  44,  I  E  II,  DA  LEI  9.430/1996  (REDAÇÃO  DADA  PELA  LEI  11.488/2007).  EXIGÊNCIA  CONCOMITANTE.  IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTES.  1.  A  Segunda  Turma  do  STJ  tem  posição  firmada  pela  impossibilidade de aplicação concomitante das multas isolada e  de ofício previstas nos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/1996  (AgRg  no  REsp  1.499.389/PB,  Rel.  Ministro  Mauro  Campbell  Marques,  Segunda Turma, DJe  28/9/2015; REsp  1.496.354/PR,  Rel.  Ministro  Humberto  Martins,  Segunda  Turma,  DJe  24/3/2015).  2.  Agravo  Regimental  não  provido.  (STJ  ­  AgRg  no  REsp  1576289/RS,  Rel.  Ministro  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA, julgado em 19/04/2016, DJe 27/05/2016) (destacou­se)  TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART.  44  DA  LEI  N.  9.430/96  (REDAÇÃO  DADA  PELA  LEI  N.  11.488/07).  EXIGÊNCIA  CONCOMITANTE.  IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE.  1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp  nº  1.496.354/PR,  de  relatoria  do  Ministro  Humberto  Martins,  DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa  do  inciso  II  do  art.  44  da  Lei  nº  9.430/96  somente  poderá  ser  aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso  I do referido dispositivo.  2.  Na  ocasião,  aplicou­se  a  lógica  do  princípio  penal  da  consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor  que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode  exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por  falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e  também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra­ se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo.  3.  Agravo  regimental  não  provido.  (STJ  ­  AgRg  no  REsp  1499389/PB,  Rel.  Ministro  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  17/09/2015,  DJe  28/09/2015)  (destacou­se)  Portanto, não deve prevalecer, no presente caso, a aplicação concomitante das  multas isolada e de ofício, devendo­se excluir a primeira pelas razões acima apontadas.   Fl. 7767DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.768          33 Neste ponto, DÁ­SE PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO, para  decotar da autuação a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais.   DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA DA INFRAÇÃO AO MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL  E APLICAÇÃO DO REGIME DO ART. 138 DO CTN.  Os recorrentes pleiteiam a aplicação ao presente caso do instituto da denúncia  espontânea, uma vez que as  infrações apuradas pelo Fisco foram previamente confessadas ao  Ministério Público Federal por meio do  instituto da declaração premiada, além do acordo de  leniência firmado pela recorrente e homologado pela Justiça Federal. Afirma, verbis:  73.  Com  base  nas  apurações  da  chamada  operação  LAVAJATO,  e  em  vista  do  termo  de  colaboração  premiada  firmado  pelo  Sr.  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça  Neto,  a  fiscalização  averiguou  os  negócios  celebrados  e  a  efetiva  ocorrência  dos  serviços  firmados  com  as  empresas  IS  MARKETING  e  ONE  COMUNICAÇÃO,  concluindo  pela  ausência de comprovação dos serviços pactuados.   74.  Como  bem  reconheceu  a  fiscalização,  em  22.10.2014  –  bem antes da presente autuação e do início da fiscalização –  foi  celebrado  termo  de  colaboração  premiada  entre  o  Ministério  Público  Federal  e  o  Sr.  Augusto  Ribeiro  de  Mendonça  Neto,  assim  como  acordo  de  leniência,  também  firmado pela recorrente, homologado pelo MM. Juízo da 13ª  Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Paraná.   75. À vista de tais considerações, duas circunstâncias devem  ser  consideradas  no  espectro  das  autuações  fiscais:  a  espontaneidade das informações prestadas e a devolução dos  valores pagos a título de “comissões” exigidas pelos agentes  públicos e políticos.   76.  Com  efeito,  e  no  que  interessa  ao  presente  capítulo  da  defesa,  a  recorrente  faz  parte  do  rol  de  colaboradores  de  primeira hora na operação LAVAJATO, contribuindo para a  Justiça  e  sobretudo  para  as  investigações  do  Ministério  Público  Federal,  sendo  certo  que  confiaram  na  palavra  estatal ao firmar os acordos em tela.   77. Confiaram  inclusive no que  tange à apuração  estatal da  responsabilidade  por  eventuais  infrações  de  natureza  tributária, eis que já se sabia de antemão que as informações  prestadas  na  esteira  dos  acordos  de  colaboração  seriam  futuramente  compartilhadas  com  a  fiscalização  da  Receita  Federal do Brasil.   78.  É  fácil  constatar,  portanto,  que  a  recorrente  apresentou  lealmente  todas  as  informações  e  documentos  já  contando  com o repasse de tais  informações à fiscalização fazendária,  de  modo  que  remanesceram  no  aguardo  da  apuração  (que  compete  à  fiscalização  –  art.  142  do  CTN)  dos  tributos  eventualmente  devidos  em  face  das  operações  confessadas  Fl. 7768DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.769          34 perante  a  autoridade  policial.  Tudo  de  conformidade  com  a  parte final do “caput” do art. 138 do CTN.   79. Não  há  espaço  para  dúvidas:  a  postura  da  recorrente  é  tipicamente abarcada no regime do art. 138 do CTN, eis que  aquele comando estimula a denúncia espontânea da infração  com a eliminação da penalidade potencialmente aplicável ao  caso  concreto,  ainda  que  –  como  no  caso  em  tela  –  o  montante do tributo dependa de apuração posterior (segundo  a parte final do “caput” do art. 138 do CTN).   O acórdão recorrido se pronunciou sobre a questão, verbis:  A  requerente  e  o  Sr.  Augusto  Ribeiro  de Mendonça  alegam  que  teriam  praticado a denúncia espontânea do art. 138 do CTN. Contudo, aquele artigo se  presta  quando  a  contribuinte  denuncia  a  infração  do  tributo  acompanhado  do  pagamento do mesmo, e dos juros de mora, a saber:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento  do  tributo  devido  e  dos  juros  de  mora,  ou  do  depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando  o  montante  do  tributo  dependa  de  apuração.  Aqui,  na  realidade,  a  requerente,  esta  contestando  os  tributos  apurados,  ou  seja, nem sequer pagou. Não tendo relação, portanto, com a denúncia espontânea do  art. 138 do CTN.   A propósito, o STJ na súmula 360 determina:   O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  regularmente  declarados, mas pagos a destempo.   Ou seja, mesmo que se entendesse que tivesse havido a confissão dos tributos  aqui  lançados,  que  não  houve.  Eles  nem  sequer  foram  pagos,  por  isso  foram  lançados.   Dessa  forma,  não  há  como  excluir  a  responsabilidade  das  infrações,  e  por  conseqüência as multas de ofício.   Como bem assentado pelo  acórdão  recorrido, não há  como dar  guarida  aos  argumentos dos Recorrentes.   O  instituto  da  denúncia  espontânea,  como  o  próprio  nome  revela,  depende  exclusivamente da ação do sujeito passivo, tanto no que se refere à confissão do tributo quanto  ao seu pagamento ou depósito, quando este dependa de apuração. Cabe ao contribuinte retificar  suas  declarações  de  rendimentos,  refazer  suas  apurações  e  efetuar  o  pagamento  dos  tributos  devidos, ou o seu depósito, caso haja dúvida quanto ao montante total devido.  No  presente  caso,  o  que  se  verifica  é  apenas  a  confissão  dos  crimes  praticados ao Ministério Público Federal e à Justiça Federal, na atuação da recorrente junto à  Petrobrás,  que,  posteriormente,  ensejaram  apurações  por  parte  do  Fisco  Federal  dos  tributos  Fl. 7769DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.770          35 devidos  em  face  das  irregularidades  a  ele  comunicadas  pelos  órgão  de  investigação  e  da  Justiça.  Poderia,  se  assim  quisesse,  o  contribuinte  ter  se  antecipado  a  qualquer  procedimento  fiscal  e  adotado  as  medidas  necessárias  para  a  denúncia  espontânea  das  obrigações tributárias perante o Fisco, retificando suas declarações e pagando ou efetuando o  depósito dos tributos devidos.  Nenhuma  dessas  providências  foi  tomada  pelos  recorrentes,  de  sorte  que  é  inviável a aplicação do instituto previsto no art. 138 do CTN ao presente caso.  Assim, VOTA­SE POR REJEITAR esta alegação.  DA  INVIABILIDADE  DE  EXIGÊNCIA  DE  IMPOSTOS  SOBRE  OS  PAGAMENTO  DEVOLVIDOS NA OPERAÇÃO LAVA JATO  Os  recorrentes  alegam  que  os  pagamentos  de  vantagens  indevidas  nas  licitações,  considerados  indedutíveis  nesta  autuação,  foram  anulados,  na  medida  em  que  os  valores foram ressarcidos à Petrobrás, conforme acordos de leniência, como se ocorresse uma  verdadeira  reversão  ou  estorno,  o  que  alteraria,  também  a  possibilidade  de  exigência  dos  tributos  devidos,  posto  que  a  "identificação  da  capacidade  contributiva  que  originalmente  permitia a formulação de exigências fiscais já não mais persiste".  Aduz que, verbis:  91. A devolução da renda retira do contribuinte a capacidade  contributiva, permitindo a exclusão, da base de cálculo do IR,  do  valor  efetivamente  devolvido,  na  forma  do  Parecer  Normativo COSIT 5/95 – que,  embora  tenha  sido  editado a  propósito do imposto de renda de pessoa física, é inteiramente  aplicável ao caso da pessoa  jurídica. De acordo com aquele  ato  normativo,  “o  rendimento  acumulado,  pago a maior  em  exercícios  ou  meses  anteriores,  deverá  ser  diminuído  do  rendimento  bruto  tributável,  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  na  fonte,  no  mês  de  sua  devolução.”   92. E dúvida não há no sentido de que a exigência de IRF  formulada  nestes  autos  é  tipicamente  uma  exação  junto  à  fonte  pagadora,  que  assume  o  ônus  do  imposto.  Não  tem  cabimento  manter  essa  exigência,  sobretudo  porque  onera  unicamente a fonte pagadora (que assume o ônus do imposto  com  a  recomposição  da  respectiva  base  de  cálculo),  e  especialmente porque é a  fonte pagadora,  no  caso  concreto,  quem comparece à  autoridade para devolver os pagamentos  de vantagens indevidas auferidas pelos terceiros.   93. Ora,  se  os  terceiros  (beneficiários  finais  das  vantagens  indevidas) poderiam, à toda evidência, excluir de sua renda  tributável  a parcela porventura  devolvida na  forma do PN­ COSIT  5/95,  com muito  mais  razão  a  fonte  pagadora  tem  Fl. 7770DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.771          36 direito à exclusão, da base tributável, desse montante que é  por ela mesma devolvido.   94. Vale dizer, se o IR de fonte por pagamento sem causa lhe  é exigido  com recomposição da base de  cálculo, para que a  fonte suporte sozinha o ônus do imposto, é  justo então que a  fonte  também  se  beneficie  da  redução  do  tributo  assim  exigido, na hipótese de devolução da renda submetida a essa  exação.   (...)  96. No mais, a devolução do numerário, na esteira dos acordos  de  leniência,  impõe  considerar  igualmente  revertida  a  possibilidade  de  exigência  de  IRPJ  e  de  CSL  por  suposta  redução  indevida do  lucro  líquido na apuração do  lucro real –  da  mesma  forma  com  que  a  devolução  opera  um  verdadeiro  estorno do suposto pagamento sem causa para fins de incidência  do IRF aqui combatido.   O acórdão recorrido traz o seguinte pronunciamento sobre a alegação, verbis:  Na verdade, o que importa, nesta esfera, é a ocorrência do fato  gerador, que ocorreu, pois houve a hipótese de incidência, que é  a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica.   Se  houve,  ou  não,  devolução  integral  e  idêntica  dos  valores  escriturados  contabilmente  pela  impugnante,  referentes  a  serviços  que  nunca  lhe  foram  prestados,  pois  os  valores  eram  pagos para quitação de vantagens indevidas (propina), esse é um  fato  que  tem  a  ver  com  outras  esferas,  como  penal  e  administrativa.  Não há como dar guarida aos argumentos dos Recorrentes. É que embora as  despesas glosadas sejam derivadas de desvios de recursos da empresa autuada para pagamentos  de  vantagens  indevidas  a  terceiros,  a  sua  indedutibilidade  decorre  essencialmente do  fato  de  que não se enquadram como despesas efetivamente realizadas, que reduziram indevidamente o  resultado tributável dos exercícios fiscais sob apuração.  Os  fatos geradores  complexivos do  IRPJ  e CSLL daqueles períodos devem  ser escoimados dos valores que afetaram indevidamente a base de cálculo dos tributos devidos,  não podendo ser afetados retroativamente por quaisquer fatos, voluntários ou não que tenham  sido praticados em momento posterior, visando a purgar total ou parcialmente os ilícitos penais  cometidos e a atenuar a imposição de penalidades, seja na esfera administrativa ou judicial.  Assim,  a  reparação  de  danos  causados  em  decorrência  dos  ilícitos  confessados  ou  a devolução de valores  fixados  em Termos de Colaboração Premiada ou  em  Acordos  de  Leniência,  tem  natureza  completamente  distinta  das  despesas  originalmente  deduzidas e, se fosse o caso, poderiam afetar o resultado dos exercícios em que foram firmados  tais  acordos,  sendo  que  os  efeitos  fiscais  teriam  que  ser  melhor  examinados  nas  hipóteses  concretas, mas jamais poderiam impactar a apuração de tributos de períodos já encerrados.  Ante ao exposto, REJEITA­SE esta alegação.  Fl. 7771DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.772          37 O IR SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA NÃO PODE SER EXIGIDO COM AMPARO  EM CAUSA MERAMENTE ILÍCITA.   Os  recorrentes  alegam que o  art.  61 da Lei n.º  8.981/95  "não contempla a  incidência do imposto na fonte em face de pagamentos com causa ilícita – pois o fundamento  da exigência reside apenas na ausência de causa (“pagamentos sem causa”)".   Defendem que "o art. 299 do RIR não exige que a despesa esteja amparada  somente  em  atos  lícitos  para  que  seja  dedutível  da  base  de  cálculo  do  IRPJ  e  da  CSL.  A  exigência  é  de  que a  despesa  seja  necessária. Da mesma  forma,  o  IRF  por  pagamento  sem  causa é  inexigível  se houver uma causa, embora  ilícita, que conceda suporte ao desembolso  efetuado no caso concreto".   O acórdão recorrido rejeitou as alegações, verbis:  [...]  A impugnante afirma que a causa seria ilícita, não sem causa, assim, o art. 61  da Lei nº 8.981/95 não contemplaria tal exação.  Na  realidade,  o  referido  artigo  prevê  a  falta  de  causa,  e  de  fato  não  houve  causa, pois, não houve os serviços.   No mais, tem­se o princípio do “Pecunia non Olet” previsto no artigo 118 do  Código Tributário Nacional. Artigo trata da interpretação quanto a definição legal do  fato gerador, a saber:   Art.  118.  A  definição  legal  do  fato  gerador  é  interpretada  abstraindo­se:  I  ­  da  validade  jurídica dos atos  efetivamente praticados pelos  contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza  do seu objeto ou dos seus efeitos;   II ­ dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.   Segundo esta norma geral, interessa apenas os efeitos econômicos produzidos  pelos  atos,  e  não  sua  validade,  licitude  ou  moralidade.  Por  isso,  na  interpretação  acerca da incidência (ou não) de norma jurídica tributária, deve­se abstrair aspectos  atinentes  à  validade  jurídica  dos  atos  efetivamente  praticados  pelos  contribuintes,  responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos,  bem como dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos.   Portanto, não tem razão os recorrentes.  Os recorrentes contestam a argumentação, aduzindo, verbis:  [...]  100. O v. acórdão recorrido  insistiu na suposta ausência da  efetiva prestação de serviços a respaldar a falta de causa nos  pagamentos  e  a  incidência  do  art.  61  da  Lei  n.º  8.981/95,  suscitando  ainda  o  princípio  da  “Pecúnia  Non  Olet”  para  rejeitar  os  argumentos  da  recorrente.  Afirma  o  v.  aresto  vergastado  que  interessam  apenas  os  efeitos  econômicos  Fl. 7772DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.773          38 produzidos  pelos  atos,  e  não  sua  validade,  licitude  ou  moralidade.   101. O  referido mandamento  só  vem  a  referendar  a  tese  de  que  a  exigência  do  IRF não pode  se  dar  exclusivamente  em  função da ilicitude da causa dos pagamentos, e que com base  nesta  premissa  se  possa  glosar  as  respectivas  despesas  (e  sobre  elas  exigir  o  IRPJ  e  a  CSL),  considerando­as  desnecessárias à manutenção da atividade da empresa, afinal  o fisco não desclassifica a renda obtida a partir de atividades  ilícitas,  tampouco  deixa  de  exigir  o  respectivo  imposto  de  renda.   102. Isto significa dizer que o IRF somente poderá ser exigido  se os pagamentos forem efetivamente sem causa, assim como  as  despesas  somente  poderão  ser  glosadas  se  forem  desnecessárias,  pouco  importando  a  validade,  licitude  ou  moralidade destes atos. Ora, a r. decisão possui entendimento  idêntico àquele exposto na impugnação, de modo que deveria  ter cancelado a exigência do IRF.   103. O fato de não ter havido prestação de serviços por parte  IS MARKETING E ONE COMUNICAÇÃO, por exemplo, não  é  o mesmo  que  dizer  que  não  houve  causa  nos  pagamentos,  simplesmente  que  as  causas  foram  diversas  daquelas  que  foram declaradas, como se verá no tópico abaixo. Assim, o v.  acórdão partiu de premissa equivocada, devendo ser auferido  o pagamento em função de sua verdadeira causa, exposta no  acordo de colaboração premiada, ainda que ilícita, mas sob o  ponto  de  vista  da  sua  contrapartida  para  a  recorrente,  ou  seja, a celebração de contratos com a Petrobrás pela SOG, e  consequentemente, da sua contratação por parte desta última  empresa.   Entende­se, todavia, que os Recorrentes tentam desfocar o objeto da autuação  do IRRF, apontando para o fato de que existiria sim uma causa para os pagamentos efetuados,  embora ilícita, qual seja: o de pagamento de vantagens indevidas a terceiros.  Ocorre que, em verdade, do que se infere das confissões trazidas aos autos e  das apurações empreendidas pelo Fisco, tais pagamentos a diversas empresas por serviços que  não  foram efetivamente prestados eram efetuados como atos preparatórios para o desvio dos  recursos  que  seriam  posteriormente  empregados  nos  pagamentos  de  vantagens  indevidas  a  terceiros.  Ora,  é  evidente  que  estes  pagamentos  não  tinha  causa  (no  sentido  econômico),  pois não  correspondiam a  serviços  efetivamente prestados. Além disso,  os  reais  beneficiários de tais recursos não eram identificados nestas operações, pois estavam encobertos  por  documentos  que  apontavam  outros  beneficiários  (as  emitentes  das  notas  fiscais)  dos  pagamentos.  Ante ao exposto, VOTA­SE POR REJEITAR ESSA ALEGAÇÃO.  Fl. 7773DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.774          39 DO  DIREITO  À  DEDUÇÃO  DAS  DESPESAS  ATINENTES  AOS  PAGAMENTOS  INDEVIDOS  (COMISSÕES)  A  TERCEIROS  INVESTIGADOS  POR  CORRUPÇÃO  NA  OPERAÇÃO "LAVA JATO".  Neste ponto, alegam os recorrentes que os valores pagos a  terceiros a  título  de  vantagens  indevidas  (propinas)  tem  a  natureza  de  despesas  dedutíveis,  tais  como  as  comissões pagas sobre vendas a terceiros, não importando a sua origem ilícita, posto que eram  necessárias à participação em licitações e à obtenção de contratos junto à Petrobrás.  Inadmissível  a pretensão da  recorrente de  equiparar pagamentos  com vistas  ao  cometimento  de  atos  de  corrupção  à  despesas  necessárias  e  decorrentes  das  atividade  normais e usuais da empresa, como comissões sobre vendas.  Ora, o pagamento de subornos a agentes públicos ou privados atenta contra a  função social da empresa consagrada no direito brasileiro, seja no art. 170 da CF/88, seja na lei  que rege as sociedades anônimas (Lei nº 6.404/1976).  A Constituição Federal estabelece no seu art. 170 os princípios voltados para  assegurar a ordem econômica fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa,  tem  por  fim  assegurar  a  todos  existência  digna,  conforme  os  ditames  da  justiça  social,  destacando­se  especialmente  os  princípios  da  função  social  da  propriedade  e  da  livre  concorrência.  A função social da propriedade é o princípio do qual deriva a função social  do contrato,  a natureza  social da posse,  a exigência de boa  fé aos negócios  jurídicos  e,  sem  dúvida, constitui­se também na matriz da função social da empresa.   A lei das S/A consagra o respeito por parte dos sócios e dirigentes à função  social da empresa, como se extrai dos art. 116, §único e 154, verbis:  Art. 116. Entende­se por acionista controlador a pessoa, natural  ou  jurídica,  ou  o  grupo  de  pessoas  vinculadas  por  acordo  de  voto, ou sob controle comum, que:  a)  é  titular  de  direitos  de  sócio  que  lhe  assegurem,  de  modo  permanente,  a  maioria  dos  votos  nas  deliberações  da  assembléia­geral  e  o  poder  de  eleger  a  maioria  dos  administradores da companhia; e  b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e  orientar o funcionamento dos órgãos da companhia.  Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com  o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua  função  social,  e  tem  deveres  e  responsabilidades  para  com os  demais  acionistas  da  empresa,  os  que  nela  trabalham  e  para  com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve  lealmente respeitar e atender.  [...]  Art. 154. O administrador deve exercer as atribuições que a lei  e o estatuto lhe conferem para lograr os fins e no interesse da  Fl. 7774DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.775          40 companhia,  satisfeitas  as  exigências  do  bem  público  e  da  função social da empresa.  §  1º  O  administrador  eleito  por  grupo  ou  classe  de  acionistas  tem, para com a companhia, os mesmos deveres que os demais,  não  podendo,  ainda  que  para  defesa  do  interesse  dos  que  o  elegeram, faltar a esses deveres.  § 2° É vedado ao administrador:  a) praticar ato de liberalidade à custa da companhia;  b) sem prévia autorização da assembléia­geral ou do conselho  de  administração,  tomar  por  empréstimo  recursos  ou  bens  da  companhia, ou usar, em proveito próprio, de sociedade em que  tenha  interesse,  ou  de  terceiros,  os  seus  bens,  serviços  ou  crédito;  c)  receber  de  terceiros,  sem  autorização  estatutária  ou  da  assembléia­geral,  qualquer  modalidade  de  vantagem  pessoal,  direta ou indireta, em razão do exercício de seu cargo.  §  3º  As  importâncias  recebidas  com  infração  ao  disposto  na  alínea c do § 2º pertencerão à companhia.  §  4º  O  conselho  de  administração  ou  a  diretoria  podem  autorizar a prática de atos gratuitos razoáveis em benefício dos  empregados  ou  da  comunidade  de  que  participe  a  empresa,  tendo em vista suas responsabilidades sociais.  Sem  dúvida  que  os  atos  praticados  pelos  recorrentes,  concernentes  ao  pagamentos  de  propinas  a  agentes  públicos  e  privados,  atentam diretamente  contra  a  função  social  da  empresa  e  à  liberdade  concorrencial  e,  por  óbvio,  é  inadmissível  que  os  efeitos  econômicos  de  tais  infrações,  por  mera  liberalidade  do  administrador  da  companhia,  sejam  compreendidos  como  necessários  ao  desenvolvimento  das  atividades  normais  e  usuais  da  empresa.  Infelizmente,  parece  que,  não  obstante  tenham  assinado  Termos  de  Colaboração  Premiada  e  Acordos  de  Leniência,  os  recorrentes  não  tem  o  menor  grau  de  consciência  do  prejuízo  social  causado  pelos  atos  de  corrupção  praticados,  e  ainda  buscam  extrair  benefícios  fiscais  das  condutas  ilícitas,  que  tanto  prejuízo  causaram  à  sociedade  brasileira.  Porém, sua pretensão não  tem guarida no nosso direito, seja ele penal, civil  ou tributário, que repudia que a má fé e a conduta antiética sejam premiadas de qualquer forma.  Pelo exposto, VOTA­SE no sentido de REJEITAR A ALEGAÇÃO.  DA  DISTINÇÃO  ENTRE  AS  REGRAS  DE  DEDUTIBILIDADE  DE  DESPESAS  PARA  FINS DE IRPJ E CSLL  Os recorrentes defendem a dedutibilidade das despesas glosadas para fins de  apuração  da  CSLL,  na  medida  em  que  esta  teria  base  legal  própria,  que  não  prevê  a  indedutibilidade das despesas em face dos critérios de necessidade, usualidade e normalidade.   Fl. 7775DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.776          41 Citam a Lei nº 7.689/1988 que define a base de cálculo da CSLL a partir do  lucro líquido do exercício, acrescidos das adições e exclusões nelas previstas, e o art. 13 da Lei  nº 9.249/1995, que também traz um rol de despesas indedutíveis na base de cálculo do IRPJ e  CSLL, que não abrigam às despesas objeto de glosa neste feito.  Afirmam  que:  "Desde  que  as  despesas  tenham  sido  escrituradas  e  sejam  comprovadas por qualquer forma admitida pelo direito, e não estando enquadradas no art. 13  da Lei n.º 9.249/95, as despesas são perfeitamente dedutíveis para fins de CSL".   O acórdão recorrido rejeitou as alegações, nestes termos:  A requerente suscita as diferenças entre o IRPJ e a CSLL quanto  as  deduções  de  despesas,  contudo,  no  caso  destes  autos,  está  claro que não houve os serviços, e assim, não houve as despesas,  dessa forma, a discussão cai no vazio, não tendo sentido algum  esta  linha  de  argumentação,  pois,  somente  se  pode  deduzir  ou  não despesas que foram reais, ou seja, advindas de fatos reais, e  no caso dos autos estas despesas foram criadas (artificiais).   Outrossim,  não  há  reparos  a  fazer  na  infração  por  estes  argumentos.  Entendo  que  tem  razão  o  acórdão  recorrido  ao  tratar  tais  despesas  como  inexistentes de  fato,  pois  comprovadamente não existiram, de modo que não poderiam, nem  deveriam  compor  o  resultado  líquido  do  exercício,  do  qual  parte  a  apuração  tanto  do  IRPJ  quanto da CSLL.  A jurisprudência deste tribunal administrativo é remansosa no sentido de dar  o mesmo efeito à CSLL da glosa de despesas fictícias da base de cálculo do IRPJ .  Aplica­se  aqui  o  mesmo  raciocínio  expendido  no  tópico  anterior,  não  podendo  tais  atos  ilícitos  produzir quaisquer efeitos  tributários na  apuração do  resultado dos  exercícios fiscalizados.  Ante ao exposto, VOTA­SE POR REJEITAR esta alegação.  DA  DEDUTIBILIDADE  DAS  DESPESAS  DECORRENTES  DO  CONTRATO  FIRMADO COM AS EMPRESAS ONE COMUNICAÇÃO E IS MARKETING  Os  recorrentes contestam a glosa da despesas que decorreriam do contrato  firmado  com  a  ONE  COMUNICAÇÃO  e  a  IS  MARKETING  envolvendo  suposta  prestação  de  serviços,  bem  como  a  exigência  de  Imposto  de Renda  por  pagamento  sem  causa.  A  recorrente  Setec  busca  justificar  o  erro  da  fiscalização  ao  glosar  os  pagamentos às referidas empresas, nos seguintes termos:  122. Neste caso, os pagamentos realizados pela SETEC à IS  MARKETING  e  à  ONE  COMUNICAÇÃO  não  passaram  de  meros  repasses  de  recursos  advindos  do  Consórcio,  não  havendo  que  se  falar  em  pagamento  sem  causa  (Lei  n.º  8.981/95, art. 61), conforme a jurisprudência do CARF.   Fl. 7776DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.777          42 (...)  123. Tendo desclassificado os serviços prestados pela SETEC  ao Consórcio INTERPAR e SOG e admitido o fluxo de caixa  com  o  objetivo  de  repassar  valores  aos  agentes  políticos  e  suas  empresas,  a  fiscalização  deveria  necessariamente  desconsiderar  a  respectiva  receita  auferida  pela  SETEC,  correspondente  ao  ingresso  do  numerário  a  ser  repassado,  agindo  de  forma  condizente  com  a  premissa  adotada,  passando  a  classificá­la  como mero  repasse de  valores  com  destino à ONE COMUNICAÇÃO E IS MARKETING.   124.  De  fato,  não  se  tratam  de  despesas,  e  por  isso  não  convém  discutir  a  respeito  da  sua  dedutibilidade,  vez  que  estes valores não trafegaram, efetivamente, pelo resultado da  empresa.  Em  última  análise,  parte  dos  valores  advindos  do  Consórcio  INTERPAR equivaleram à um débito na  conta do  ativo  “Banco/Caixa”  e  um  crédito  na  conta  do  passivo  “Valores  a  Repassar”  (ou  qualquer  outra  similar),  e  à  operação  inversa  quando  do  seu  repasse  à  ONE  COMUNICAÇÃO E IS MARKETING.   125.  Todavia,  não  há  cabimento  legal  para  a  exigência  do  IRPJ e CSL sobre o numerário repassado. Se por um lado não  se  tratavam  de  despesas  (e  assim  não  há  que  se  falar  em  dedutibilidade), de outro, o ingresso dos valores advindos do  Consórcio  INTERPAR  para  fins  de  repasse  também  não  corresponderam  à  receita  da  SETEC,  e  assim  deveriam  ser  excluídos do lucro real   É  no  mínimo  contraditória  a  afirmação  da  Recorrente  Setec.  Em  um  primeiro  momento,  contesta  a  glosa  feita  pela  fiscalização,  de  despesa  que  o  próprio  contribuinte escriturou em sua contabilidade e depois deduziu da base de cálculo do IRPJ e  da CSSL, como se aquele despesa fosse útil e necessária ao negócio. Logo após, afirma que  "de  fato,  não  se  tratam  de  despesas,  e  por  isso  não  convém  discutir  a  respeito  da  sua  dedutibilidade,  vez  que  estes  valores  não  trafegaram,  efetivamente,  pelo  resultado  da  empresa".  É preciso o acórdão recorrido quando afirma, neste ponto, o seguinte:  Ora,  foi  a  impugnante  que  escriturou,  classificou  esses  pagamentos  como  serviços  que  nunca  existiram como despesas  operacionais.   Por  sua  vez,  a  fiscalização  ao  verificar  o  equívoco  nesse  procedimento  corretamente  glosou  essas  despesas  e  corrigiu  a  base de cálculo.   É de se destacar que a  fiscalização concluiu que esses serviços  nunca  existiram,  impedindo  sua  classificação  como  despesas  operacional, por que a impugnante e os prestadores de serviços  não  conseguiram  produzir  prova  alguma  sobre  a  existência  da  prestação do serviço, apesar das várias e várias chances dadas.  Fl. 7777DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.778          43 Não  há  reparos  a  se  fazer  na  decisão  recorrida,  até  mesmo  porque  a  Recorrente  não  trouxe  aos  autos  qualquer  prova  no  sentido  de  que  os  serviços  foram  efetivamente prestados.   Pelo exposto, REJEITA­SE também este ponto dos Recursos Voluntários.   DEDUTIBILIDADE  DAS  DESPESAS  HAVIDAS  NOS  CONTRATOS  FIRMADOS  COM  AS  EMPRESAS  TRUMP  CONSULTORIA,  REPRESENTAÇÕES  E  PARTICIPAÇÕES  LTDA.,  MIL  CONSULTORIA  E  ASSESSORIA  LTDA.  E  LGC  CONSULTING CONSULTORIA E GESTÃO EMPRESARIAL LTDA.   Como se depreende do TVF, o agente fiscal concluiu pela impossibilidade de  prestação  dos  serviços  supostamente  contratados  pela  Recorrente  Setec  junto  às  empresas  Trump Consultoria, Representações e Participações Ltda., Mil Consultoria e Assessoria Ltda. e  LGC Consulting Consultoria e Gestão Empresarial Ltda.   O que se verifica daquele Termo de Verificação Fiscal é que o contribuinte,  ante  a  dúvida  quanto  a  efetiva  prestação  dos  serviços  pelas  empresas  em  referência,  foi  intimado em diversas oportunidades para comprovar esses, mas não o fez.   Por  outro  lado,  a  fiscalização  demonstrou  que,  além  de  não  ter  tido  a  comprovação  efetiva  da  prestação  de  serviços,  os  valores  gastos  com  estes  eram  completamente  desproporcionais  às  receitas  operacionais  declaradas  pela  empresa.  Veja  a  conclusão a que chegou o agente autuante:  4.1.13.  Despesas  da  Setec  com  Trump  Assessoria,  MIL  Consultoria e LGC Consulting   Como  relatamos  nos  subitens  3.1.10  a  3.1.12  e  4.1.10  a  4.1.12  deste  termo,  constata­se  que  a  Setec  contratou  os  serviços  de  consultoria  da  Trump  Assessoria,  MIL  Consultoria  e  LGC  Consulting  num  curto  intervalo  de  tempo  entre  eles.  Os  respectivos  contratos  foram  datados  de  22/07/13,  01/08/13  e  08/10/13, ou seja, num intervalo de cerca de dois meses e meio.  O  custo  dos  serviços  contratados  com  essas  empresas  foi  o  seguinte: a) Trump Assessoria:  R$ 1.400.000,00; b) MIL Consultoria: R$ 1.110.974,29 e c) LGC  Consulting:  R$  1.220.710,00,  totalizando  R$  3.731.684,29,  os  quais  foram  desembolsados  entre  os  meses  de  outubro  e  novembro  de  2013,  sendo  R$  1.228.163,29  em  outubro,  R$  2.138.166,00 em novembro e R$ 365.355,00 em dezembro.  Elaboramos a planilha abaixo, com suporte nos dados contábeis  da  Setec,  demonstrando  os  resultados  mensais  da  empresa  no  ano­calendário de 2013 e detalhando as despesas com serviços  de consultoria de determinados fornecedores nesse período:  (...)  Observa­se que em 2013 o total de receitas brutas da Setec foi de  cerca  de  R$  9,9  milhões,  sendo  que  no  período  de  Maio  a  Dezembro  daquele  ano  a  receita mensal  foi  de R$ 740.000,00.  Fl. 7778DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.779          44 Essa receita referia­se ao suposto licenciamento da marca Setal  para  a  SOG  ­  Óleo  e  Gás  S.A.,  empresa  de  propriedade  de  familiares de Augusto Mendonça.  Em 2013 apenas com as supostas “consultorias” prestadas pelas  empresas  de  Augusto  Mendonça  e  seus  familiares,  MSML,  Sinergia, Energex, Yellowwood e Pataccas, a Setec dispendeu o  mesmo  valor  das  receitas  brutas  declaradas,  ou  seja,  R$  9,9  milhões.  Com  as  “consultorias”  contratadas  junto  à  IS Marketing, MIL  Consultoria,  Trump  Assessoria  e  LGC  Consulting,  dispendeu  outros R$ 5,3 milhões. Entre as despesas  com consultorias das  empresas do grupo familiar de seus controladores e com as das  empresas  ora  nominadas,  a  Setec  incorreu  em  dispêndios  no  valor  de  R$  15,3  milhões,  ou  seja,  cerca  de  155%  (cento  e  cinquenta e cinco por cento) do valor das receitas brutas do ano  de 2013.  Para  a  fiscalização  é  desprovido  de  qualquer  sentido  lógico,  diante da escassez de receitas operacionais, a contratação pela  Setec  de  consultorias  com  objetivos  genéricos  e  custos  incompatíveis  com  a  suposta  realidade  econômico­financeira  da  empresa.  Esse  contexto,  aliado  às  demais  evidências  já  apontadas  em cada caso  em particular,  corrobora  a  conclusão  de  que  tais  serviços  eram  fictícios  e  nunca  foram  prestados  à  Setec.(destacou­se)  Em seus Recursos Voluntários os Recorrentes alegam a impossibilidade de a  fiscalização  desconsiderar  o  negócio  jurídico,  sem  que  haja  qualquer  imputação  de  dolo  ou  fraude  nas  demonstrações  contábeis.  Por  outro  lado,  arrimam  a  sua  defesa  na  suposta  presunção de veracidade da escrita contábil, nos termos definidos pelo artigo 923 do RIR/99.   Contudo,  entende­se  que  caberia  aos  Recorrentes,  tendo  em  vista  a  dúvida  quanto à efetiva prestação dos serviços levantada pela fiscalização, comprovar que estes foram  efetivamente  prestados. Mas  não  houve  prova  neste  sentido.  Como muito  bem  colocado  no  acórdão  recorrido,  apesar  de  ter  lhe  sido  dada  a  oportunidade  de  produção  de  provas,  o  contribuinte não o fez. Veja­se o que constou daquela decisão, que adota­se aqui como razão  de decidir:  Continuando, a impugnante discorda da conclusão fiscal sobre a  indedutibilidade  das  despesas  decorrentes  do  contrato  firmado  com a TRUMP, MIL e LGC envolvendo a prestação de serviços,  assim  como  defende  a  inviabilidade  de  exigência  de  IRRF  por  pagamento sem causa, pois, em síntese, a impugnante alega que  a  fiscalização  critérios  completamente  subjetivos  para  desclassificar  os  contratos,  utilizando  indevidamente  de  norma  antielisiva insculpida no parágrafo único, do art. 116 do CTN.   Esclarecemos  a  impugnante  que  o  que  houve,  de  fato,  foi  uma  glosa, glosa esta baseada na absoluta falta de provas da efetiva  prestação  dos  serviços,  configurada  pela  fiscalização  após  várias  e várias oportunidades para que a  impugnante provasse  que as despesas foram reais, contudo, nada foi provado.   Fl. 7779DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.780          45 A  propósito,  os  custos  e  as  despesas  operacionais  efetuadas  pelas pessoas jurídicas podem ser dedutíveis ou indedutíveis na  apuração do lucro real.   O  artigo  290  do RIR/1999  determina  que  o  custo  de  produção  dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente,  o custo de aquisição de matérias primas e quaisquer outros bens  e serviços aplicados ou consumidos na produção.   Já  o  artigo  299  do  RIR/1999  fixa  as  condições  para  que  as  despesas  operacionais  sejam  dedutíveis  na  determinação  do  lucro  real,  isto  é,  “são  operacionais  as  despesas  não  computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à  manutenção  da  respectiva  fonte  produtora”,  entendendo­se  como necessárias as pagas ou incorridas para a realização das  transações ou operações exigidas pela atividade da empresa.   Nesse contexto, o Parecer Normativo CST nº 32/1981 definiu o  conceito  de  despesa  necessária  dizendo  que  o  “gasto  é  necessário quando essencial a qualquer transação ou operação  exigida pela operação das atividades,  principais ou acessórias,  que  estejam  vinculadas  com  as  fontes  produtoras  de  rendimentos”. Portanto, não restando provado que as despesas  ocorreram, estas devem ser glosadas.  Neste ponto, portanto, também REJEITA­SE as alegações dos Recorrentes.   DEDUTIBILIDADE  DAS  DESPESAS  HAVIDAS  NOS  CONTRATOS  FIRMADOS  COM A ENERGEX, SINERGIA, YELLOWWOOD, MSML E PATACCAS.   Os  recorrentes  questionam  a  glosa  de  despesas  pelo  Fisco,  relacionadas  à  notas  fiscais  emitidas pelas empresas Energex, Sinergia, Yellowwood, Msml e Pataccas,  pertencentes ao grupo familiar do Sr. Augusto Ribeiro de Mendonça Neto.    Sustentam os recorrentes, verbis:  155. As acusações fiscais são lacônicas, neste passo, pois não  há razões de ordem lógica para desclassificar os documentos  apresentados  pelo  contribuinte  com  amparo  unicamente  na  relação de parentesco entre os titulares das empresas. O fato  de haver prestação de serviços entre empresas pertencentes a  parentes não é, por si só, fundamento para a desconsideração  do  negócio  jurídico,  sobretudo  quando  a  receita  decorrente  desses  serviços  foi  integralmente  tributada  na  empresa  beneficiária.  Custa  acreditar  que  tivesse  havido  o  cometimento  de  ilícito  fiscal  com  o  propósito  de  pagar  impostos,  já  que  sob esta  ótica  nenhum benefício decorreria  desse procedimento.   156.  O  v.  acórdão  justifica  a  autuação  pelo  singelo  fato  de  não  haver  empregados  contratados  por  parte  das  empresas  prestadoras de serviço, mas como tais serviços consistiam em  atividades  de  consultoria,  os  quais  são  passíveis  de  serem  exercidas  pelos próprios  sócios das  empresas,  é  certo  que a  Fl. 7780DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.781          46 premissa  erigida  pela  d.  autoridade  julgadora  resta  desnaturada.   157.  Conforme  preleciona  o  art.  142  do  CTN,  o  dever  de  demonstrar  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  é,  privativamente,  da  autoridade  fiscal.  Ausente  qualquer materialidade do ilícito praticado, deve prevalecer a  validade  dos  negócios  com  respaldo  nas  notas  fiscais  de  serviço emitidas e a comprovação dos pagamentos líquidos já  descontados  os  tributos  incidentes  na  fonte  (PIS,  COFINS,  IRF  e  CSL),  bem  como  o  pagamento  do  imposto  sobre  serviços (ISS).   Refutam,  também,  a  aplicação  da  multa  qualificada,  ante  a  falta  de  comprovação de dolo na conduta descrita no auto de infração.  A decisão de primeiro grau, assim se pronunciou sobre as alegações, verbis:  O  sujeito  passivo  foi  reiteradamente  intimado  a  comprovar  a  efetiva  prestação  de  serviços  que  lhe  teriam  sido  prestados  no  período  sob  fiscalização  por  diversas  empresas,  incluindo­se  a  Energex, Yellowwood, Pataccas, Sinergia, MSML assim como a  fornecer documentação identificando os técnicos que realizaram  os trabalhos. Todavia, nada apresentou a esse respeito.   Em  consulta  ao  sistema  GFIP,  a  fiscalização  constatou  que  a  Energex,  Pataccas,  Sinergia,  MSML  não  informaram  a  existência  de  nenhum  vínculo  empregatício  no  período  de  Janeiro de 2010 a Dezembro de 2013.   Em  consulta  ao  sistema  GFIP  a  fiscalização  constatou  que  a  Yellowwood  não  informou  a  existência  de  nenhum  vínculo  empregatício desde a data em que emitiu a primeira nota fiscal  de prestação de serviços para a SETEC, isto é, do mês de Agosto  de 2011 até Dezembro de 2013.  No  que  tange  ao  mérito  das  glosas,  mais  uma  vez  se  constata  a  ausência  de  qualquer comprovação por parte dos recorrentes quanto à efetiva prestação dos serviços, conforme  destacado no TVF.  Na  descrição  feita  pela  autoridade  fiscal,  com  relação às  despesas  escrituradas  para  as  empresas  acima  referidas,  constata­se  em  comum  que,  além  de  não  serem  apresentadas  quaisquer  provas  da  prestação  dos  serviços  supostamente  contratados,  nenhuma  das  empresas  apresentava  estrutura  técnica,  administrativa  ou  operacional  para  a  prestação  de  serviços  e  eram  todas controladas por pessoas da família Ribeiro de Mendonça que controla a empresa Setec, ora  Recorrente.  Assim,  entende­se  como  correta  a  glosa  das  despesas  acima  apontadas,  e,  por  isso, VOTA­SE por NEGAR PROVIMENTO AOS RECURSOS VOLUNTÁRIOS também neste  ponto.  DA MULTA QUALIFICADA  Fl. 7781DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.782          47 No  que  tange  à  aplicação  da  multa  qualificada,  não  há  reparos  a  se  fazer  na  decisão  proferida  pela  douta DRJ  de Brasília. Assim,  se  adota  na  presente  decisão  as  razões  de  decidir daquele acórdão, como autoriza do § 3, do artigo 57 do RICARF:  Quanto à qualificação da multa, em vários pontos a impugnante  alega que não houve comprovação cabal da ocorrência de dolo,  o que impossibilita a aplicação da multa qualificada.   Ponto  interessante  constante  da  defesa  é  que  a  impugnante  alega: “Não se desconhece que houve pagamentos de vantagens  ilícitas nos episódios investigados naquela operação, mas não se  pode  a  partir  dessa  constatação  considerar  que,  automaticamente, também houve dolo no sentido fiscal, a ensejar  a aplicação da penalidade majorada.”   A qualificação da multa de ofício foi realizada nos termos do art.  44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14, da  Lei nº 11.488/07, uma vez que constada a ocorrência dos casos  previstos  nos  art.  71,  72,  e  73  da  Lei  nº  4.502,  de  30  de  novembro de 1964.   O parágrafo 1º, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, dispõe da seguinte  forma:  1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste  artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da  Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de  outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.   Por  sua  vez,  o  art.  72  e  da  Lei  nº  4.502/64,  tem  a  seguinte  redação:   Art  .  71.  Sonegação é  toda ação ou omissão dolosa  tendente a  impedir ou retardar,  total ou parcialmente, o conhecimento por  parte da autoridade fazendária:   I  ­  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;   II ­ das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar  a  obrigação  tributária  principal  ou  o  crédito  tributário  correspondente.   Art  .  72.  Fraude  é  toda  ação  ou  omissão  dolosa  tendente  a  impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o  montante do imposto devido e evitar ou diferir o seu pagamento.   Art  . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas  naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos  arts. 71 e 72.   Nos presentes autos, o sujeito passivo procurou modificar as  características  essenciais  dos  fatos  geradores,  ao  tratar  os  custos  e  despesas  contabilizados  e  os  pagamentos  efetuados  Fl. 7782DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.783          48 como  legítimos  e necessários,  com causa e  em  retribuição a  operações comprovadas.   Todavia, como demonstrado, as operações que originaram os  pagamentos  não  foram  comprovadas  e  os  documentos  de  suporte  apresentados  eram  ideologicamente  falsos.  Os  contratos  se  referiam  a  serviços  fictícios,  fato  em  grande  parte já reconhecido pelo responsável Augusto Mendonça em  sua delação premiada, firmada perante o Poder Judiciário.   O sujeito passivo contabilizou as despesas e custos associados  a esses pagamentos como dedutíveis na apuração do  IRPJ e  da CSLL a pagar, reduzindo dolosamente o montante devido  desses tributos.   A  jurisprudência  administrativa  já  se  manifestou  sobre  o  tema, a saber:   MULTA QUALIFICADA – EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE  –  DESPESAS  FICTÍCIAS  –  MAJORAÇÃO  DE  DESPESAS  EXISTENTES  –  CONLUIO  COM  O  CONTADOR  –  PROCEDÊNCIA  –  É  justificável  a  exigência  da  multa  qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.430, de 1996,  quando o  contribuinte  tenha procedido  com  evidente  intuito  de  fraude,  nos  casos  definidos  nos  artigos  71,  72  e  73  da  Lei  nº  4.502/64. Comprovado que o contribuinte, reiteradamente, criou  despesas fictícias ou majorou despesas existentes, tudo aliado ao  conluio  com  o  contador  responsável  pelo  preenchimento  da  declaração,  é  de  se  manter  a  qualificação  da  multa  de  ofício.  Recurso  voluntário  provido  parcialmente.  1º  Conselho  de  Contribuintes  /  6a.  Câmara  /  ACÓRDÃO  106­17.132  em  10.10.2008. Publicado no DOU em: 18.12.2008.  Dessa  forma,  com  a  dedução  de  despesas  sabidamente  inexistentes  torna­se  evidente  o  caráter  doloso  do  sujeito  passivo.   Ainda  em  relação  ao  caráter  doloso,  conforme  já  relatado  a  presente  fiscalização  também  é  um  desdobramento  do  enorme  esforço que está sendo desenvolvido pelo MPF, Polícia Federal,  Receita  Federal  e  outros  órgãos  federais  no  âmbito  da  denominada Operação Lava Jato.   A  SETEC,  administrado  por  Augusto  Mendonça,  seu  principal  executivo  de  fato,  agindo  de  forma  consciente,  deliberada,  organizada,  meticulosa  e  reiterada  pagou  propinas,  ou  eufemisticamente,  “vantagens  indevidas”,  a  agentes  públicos  para assegurar sua participação em licitações promovidas pela  Petrobrás e, desse modo, contribuiu para fraudá­las.   Parte  dessas  ações  fraudulentas  e  criminosas  foi  reconhecida  por  Augusto Mendonça  nos  Termos  de Colaboração  Premiada  firmados perante o MPF e nos Acordos de Leniência celebrados  com o MPF e o CADE, subscritos por Augusto Mendonça, por ex  Fl. 7783DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.784          49 e  atuais  executivos  de  algumas  das  empresas  de  seu  grupo  empresarial e pelas próprias empresas.   As denúncias oferecidas pelo MPF à Justiça Federal do Paraná  contra Augusto Mendonça e outros,  pela prática dos  crimes de  corrupção,  lavagem  de  capitais  e  quadrilha,  são  objeto  dos  processos  penais  nº  5012331­04.2015.4.04.7000  e  5019501­ 27.2015.4.04.7000.   As  denúncias  foram  aceitas  pelo  juízo  competente  e  nas  manifestações  de  defesa  apresentadas  por  Augusto  Mendonça  em ambos os processos o mesmo confirmou todas as acusações,  tornando­se réu confesso dos ilícitos que lhe foram atribuídos.   Destaca­se  que  a  SETEC  é  empresa  do  grupo  empresarial  de  Augusto Mendonça e gerida pelo próprio empresário. A SETEC  é  controlada  integral  da  PEM  Engenharia,  uma  das  empresas  em que Augusto Mendonça mantém participação societária.   O Consórcio  Interpar  celebrou  contratos  fictícios  de  prestação  de  serviços  e  locação  de  equipamentos  com  a  SETEC  para  possibilitar o escoamento dos recursos destinados ao pagamento  das propinas. A SETEC de posse desses recursos celebrou outros  contratos  fictícios  de  prestação  de  serviços  e  locação  de  equipamentos  com  diversas  outras  empresas  de  fachada,  de  forma  que  os  valores  fossem  redistribuídos  aos  diversos  beneficiários.   Destaca­se, também, que todas essas empresas que receberam os  pagamentos  realizados  pela  SETEC,  exceto  uma,  pertencem  a  Augusto  Mendonça,  sócio  quotista  da  Pem  Engenharia,  controladora da SETEC, ou a familiares de Augusto Mendonça e  Roberto  Ribeiro  de  Mendonça,  o  outro  sócio  da  PEM  Engenharia.  É  o  caso  dos  pagamentos  efetuados  à  Energex,  Yellowwood, Pataccas, etc.   Os  fatos  relatados  comprovam  cabalmente  que  as  ações  da  SETEC foram intencionais e deliberadas, fruto de planejamento,  organização  e  execução  metódica  com  a  finalidade  de  drenar  recursos  da  SETEC  para  transferi­los  às  empresas  de  propriedade de Augusto Mendonça e de seus familiares.  As  condutas  descritas  se  enquadram  perfeitamente  nas  definições legais de sonegação,  fraude e conluio como dispõem  os artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64.   O  sujeito  passivo  agiu  de  forma  a  impedir  que  a  autoridade  fazendária tivesse conhecimento dos fatos geradores dos tributos  apurados,  caracterizando  a  sonegação,  ao  intencionalmente  contabilizar  como  custos  e  despesas  dedutíveis  valores  sabidamente  correspondentes  a  serviços  que  não  foram  prestados e ao pagamento de vantagens ilícitas e sem causa.   Por  tudo  isso, mais de que provada a conduta dolosa, e assim,  justificada a multa qualificada.  Fl. 7784DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.785          50 DO PEDIDO DE PERÍCIA  Ao final do seu recurso, os Recorrentes insistem na necessidade de realização  de  prova  pericial,  para  comprovar  a  prestação  dos  serviços  relativos  aos  "contratos  de  prestação de serviços de consultoria celebrados com a TRUMP Consultoria, Representações e  Participações LTDA, MIL Consultoria e Assessoria LTDA., LGC CONSULTING Consultoria e  Gestão Empresarial LTDA."   Assim, além de renovarem o pedido e reproduzirem os quesitos indicados nas  Impugnações Administrativas, alegam que a decisão de piso, ao indeferi a produção da prova  pericial, foi contraditória, " pois  justifica a negativa com base em suposta ausência de prova  documental  sobre  a  efetiva  prestação  dos  serviços,  indicando  que  a  elaboração  de  prova  pericial está condicionada à apresentação anterior de outras provas, em clara afronta ao art.  18 do Decreto n.º 70.235/72".   Não assiste razão aos Recorrentes.   Como  muito  bem  assentado  na  decisão  proferida  pela  DRJ,  caberia  ao  contribuinte,  ao  ser  instado  pela  fiscalização  (ou  até  mesmo  em  sede  de  Impugnação),  comprovar que os serviços foram, de fato, prestados.   Entretanto,  os  Recorrentes  não  trouxeram  aos  autos  qualquer  elemento  (documentos, em especial), que pudesse comprovar que aqueles serviços foram prestados. Se  ativeram a argumentações genéricas e sem qualquer lastro comprobatório.  É  sabido  que  o  processo  administrativo  tributário  é  regido  por  diversos  princípios,  dentre  eles  o  da Verdade Material.  Desta  feita,  o  julgador  deve  sempre  buscar  a  verdade e, portanto, além das provas acostadas aos autos, pode buscar outros elementos para a  formatação  do  seu  entendimento.  É  permitido  ao  julgador  administrativo,  inclusive,  ao  contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e  provado  pelas  partes,  devendo  sempre  buscar  todos  os  elementos  capazes  de  influir  em  seu  convencimento.  Contudo, uma perícia só se justifica quando há controvérsia que demande um  exame técnico especializado, o que não é o caso dos autos. O que os Recorrentes pretendem  com  a  realização  de  uma  perícia  é  tentar  comprovar  o  que  deveria  ser  comprovado  com  documentos. E,  se estes  tivessem sido apresentados, havendo necessidade de confirmação de  alguma  questão  técnica,  aí  sim  se  justificaria  a  produção  da  prova  requerida,  o  que  não  é  o  caso.   Assim, rejeita­se o pedido de realização de prova pericial.   CONCLUSÃO  Por todo o exposto, voto no sentido de AFASTAR AS PRELIMINARES de  nulidade por erro indicação do sujeito passivo, de nulidade da decisão de primeiro grau, e, no  mérito, de DAR PROVIMENTO PARCIAL aos recursos voluntários interpostos, para cancelar  a  exigência  de  IRRF  sobre  os  pagamentos  efetuados  referentes  às  glosas  de  despesas,  cujos  pagamentos  foram  considerados  sem  causa,  além  de  afastar  a  aplicação  da multa  de  isolada  pelo não recolhimento das estimativas, exigida de forma concomitante com a multa de ofício.  Fl. 7785DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.786          51 (assinado digitalmente)  Flávio Machado Vilhena Dias   Voto Vencedor  Conselheiro Gustavo Guimarães da Fonseca ­ Redator designado  Não obstante as judiciosas ponderações do D. Relator, ouso discordar, apenas  de  dois  pontos  abordados  por  seu  voto, mormente quanto  a  exigência  do  IRFonte,  realizado  como  decorrência  da  aplicação  dos  preceitos  do  art.  61  da  Lei  8.981/95,  e  quanto  a  multa  isolada,  imposta  por  falta  de  recolhimento  das  estimativas  mensais,  cobrada  conjuntamente  com a multa de ofício.  E, sobre tais temas, passo a expor as minhas razões de decidir.  I ­ O IRFonte exigido a partir da identificação de pagamentos realizados  à terceiros, sem demonstração de sua causa.  De  imediato, me distancio da premissa  adotada  pelo D. Relator,  segundo o  qual a simples exigência do IRPJ e da CSLL, por conta das glosas realizadas, afastaria, de per  si, a aplicação dos preceitos do art. 61 da Lei 8.981.   De fato, a concomitância em questão (apontada pelo recorrente como bis  in  idem) não é razão, se tomada isoladamente, para afastar a exigência do IRFonte, até por uma  lógica sistêmica... se, em uma ação fiscal, constata­se a dedução, pelo contribuinte, de despesas  pela  contratação  de  serviços  ou  pela  aquisição  de mercadorias  em  que  a  operação  não  resta  demonstrada (isto é, sem a prova da efetiva prestação de serviços ou aquisição de mercadorias),  a  própria  causa  do  pagamento  informado  desaparece...  isto  é,  os  motivos  pelos  quais  o  contribuinte  entregou  a  terceiro  determinado  valor  se  tornam  obscuros  o  que,  a  teor  dos  preceitos da norma  legal citada alhures,  tipifica de forma hialina um de seus núcleos  típicos:  pagamento sem causa demonstrada.  As ressalvas que tenho em casos em que se observa a exigência do IRPJ e da  CSLL, por glosa de despesas, e, ao mesmo tempo, se cobra o IRFonte com espeque no art. 61,  ora analisado, cingem às situações que este último tributo é lançado de forma automática, como  consequência  de  registros  contábeis  que  dão  conta  da  realização,  v.g.,  de  créditos  na  conta  caixa das empresas.  Ora, vejam bem, o creditamento nesta conta contábil, como contrapartida das  contas de ativo (estoques) e/ou passivos (obrigações perante terceiros), é consequência lógica  do registro de despesas pretensamente (in)dedutíveis, e não um prova, concreta e objetiva da  ocorrência de um pagamento (lembrem­se que o próprio art. 923 do antigo RIR ­ art. 967 do  diploma atualmente em vigor ­ atribui à escrita contábil força probandi se e quando lastreada  em documentos idôneos).  Em  outras  palavras,  somente  me  oponho  à  cobrança  do  IRFonte,  cumuladamente  com  o  IRPJ  e  a CSLL,  exigidos  em decorrência  da  glosa de  despesas,  se,  e  quando, não comprovado, nos autos, o efetivo pagamento incorrido pelo contribuinte (ou seja,  quando a exigência do IRFonte seja mera decorrência automática, v.g., do registro de créditos  Fl. 7786DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.787          52 em conta­caixa). Outra interpretação, resultaria em assunção de presunção quanto a ocorrência  do fato­típico em caso em que a lei não preconiza o uso desta mesma presunção...   Se,  outrossim,  for  demonstrado  por  meio  de  extratos  bancários,  cópias  de  cheques ou de comprovantes de transferência o pagamento das despesas (efetivo dispêndio de  numerário  e  não mero  registro  contábil),  e  não  for  comprovado,  pelo  contribuinte,  a  efetiva  prestação  dos  serviços,  ou  aquisição  de mercadorias,  como  já  alertei,  entendo  ser  cabível  a  exigência do IRFonte.  E  este,  diga­se,  é  exatamente  o  caso  dos  autos,  já  que  os  pagamentos  que  deram  causa  à  cobrança  do  IRRF  se  encontram  efetiva  e  concretamente  comprovados  (inclusive pelo próprio contribuinte) neste feito.   Por estas razões entendi correta a exigência.  II ­ Da multa isolada por falta de pagamento de estimativas e a cobrança,  cumulativa, de multa de ofício.  Até  recentemente, me  filiava  ao  entendimento  esposado  pelo D.  Relator  e,  por  isso,  vinha  decidindo  pela  impossibilidade  da  cobrança  concomitante  das  multas  preconizadas pelos incisos I e II do art. 44 da Lei 9.430/96, aplicando, mesmo após a edição da  Lei 11.488/2007, os preceitos da Súmula 105 deste CARF.   Verdade seja dita, minha análise da tese, no passado, se pautava muito mais  por um senso de justiça (numa acepção eminentemente político­moral), especialmente porque,  na maioria dos casos que me foram postos para decidir, a falta de recolhimento das estimativas  não se dava por opção dos contribuinte, mas, isto sim, como consequência de glosas intentadas  pela fiscalização. Lembrando que a multa isolada tinha por fim a apenação da conduta negativa  do  contribuinte,  tendente  ao  descumprimento  de  uma  obrigação  acessória  (a  antecipação  do  tributo não se conforma com a obrigação principal),  considerava  injusta  tal  imposição e, por  isso mesmo, abarcava, também, a teoria da encampação (ou consunção).  Todavia, e notadamente a partir da modificação  realizada pela já citada Lei  11.488/2007,  é  inegável  que  a  norma  jurídica  passou  a  contemplar  explicitamente  a  possibilidade  de  imposição  cumulada  das  duas  penalidades  (algo  que  não  se  verificava  na  redação original da Lei 9.430). E isto, vejam bem, tornou­se ainda mais claro particularmente  para  este  julgador  quando  instado  a  analisar  a  alegação  de  alguns  autuados  quanto  a  impossibilidade de exigência da multa  isolada após o encerramento do ano­calendário... Peço  vênia para transcrever, abaixo, a redação atual do art. 44, inciso II, da Lei 9.430:  Art. 44. Nos  casos de  lançamento de ofício,  serão aplicadas as  seguintes multas:  (...)  II ­ de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o  valor do pagamento mensal:   b)  na  forma  do  art.  2o  desta  Lei,  que  deixar  de  ser  efetuado,  ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo  negativa  para  a  contribuição  social  sobre  o  lucro  líquido,  no  ano­calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica.  Fl. 7787DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.788          53 Notem que o artigo não se utiliza da partícula alternativa "ou" para qualificar  as  penalidades  ali  descritas,  nem  tampouco vincula  a multa  isolada  à multa  de  ofício,  como  fazia o § 4º da Lei 9.430 em sua redação originária. E, mais que isso, afirma  textualmente a  exigência  da  penalidade  isolada,  mesmo  se  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa, do que se extrai duas conclusões:  a) a apuração de prejuízo ou base de cálculo negativa somente se faz ao fim  do  exercício,  sendo  ilógico  pretender  a  inaplicabilidade  da  multa  isolada  após  o  seu  encerramento (até porque, tornaria materialmente impossível a exigência desta penalidade);  b)  ao  asseverar  que,  mesmo  se  verificando  prejuízo  ou  base  de  cálculo  negativa, isto é, mesmo que não verificado tributo a pagar (que se apura apenas com o decurso  do exercício), a multa será devida... por óbvio, se não houver prejuízo, e, portanto, verificar­se  obrigação de se pagar a exação, com mais razão, a penalidade isolada deverá ser aplicada.  A  letra  da  lei  (seu  sentido  semântico­sintático)  não  da  azo  à  processos  hermenêuticos  que  lhe  restrinjam  a  aplicação...  a  interpretação  gramatical  só  pode  ser  ultrapassada  se  a  linguagem  empregada  for  imprecisa  ou  resultar  numa  conclusão  absurda  (contrários ao próprio sistema), desafiando, pois, o uso de outros instrumentos interpretativos,  como, alias, pontua Humberto Ávila:  Em segundo lugar, a classificação dos argumentos não pode ser  inflexível,  porque,  antes  da  interpretação,  também não  se  sabe  qual dos argumentos será mais seguro ou mesmo qual deles será  pertinente à decisão de interpretação. Em alguns casos, serão os  elementos  linguísticos  e  sistemáticos  que  irão  decidir  qual  das  alternativas interpretativas deverá ser escolhida; em outros, pela  vagueza  desses  elementos,  só  os  argumentos  históricos  é  que  poderão  resolver  a  questão  interpretativa.  E  assim  sucessivamente.  É  dizer:  a  pertinência  dos  argumentos  dpende  do próprio problema posto à prova. 1  Se,  contudo,  a  interpretação  gramatical  (que,  para  alguns,  como  Dennis  Patterson,  2  não  se  trata,  objetivamente,  de  interpretação)  apresenta  um  resultado  factível,  qualquer outra construção hermenêutica será tida e havida como sofística ou falaciosa (pois a  premissa ­ sentido semântico das palavras ­ não se conformará com as conclusões).   Em  linhas  gerais,  a  Lei  9.430,  tal  como  posta  atualmente,  não  dá  mais  margens para elocubrações  sobre o  seu  correto  sentido. E, notem, não estou dizendo que ela  não mereça críticas! Não abandonei o sentimento visceral que guiou minhas decisões até aqui e  continuo a considerar "injusta" a imposição de duas penalidades que, não raro, decorrem de um  mesmo  grupo  de  eventos  conectados,  sem  que  se  observe  a  efetiva  intenção  do  agente  em  descumprir,  por  exemplo,  a obrigação acessória. E, mais que  isso,  entendo que a  cominação  das penalidades em  testilha, de  forma cumulada,  fere o princípio da proporcionalidade e,  ato  contínuo, a garantia constitucional do não­confisco (art. 150, IV, da CRF88).   Como  é  sabido,  entretanto,  a  validade  da  norma  legal,  a  luz  do  texto  constitucional. não encontra, nesta seara, o foro próprio para seu questionamento.                                                              1  ÁVILA,  Humberto.  Argumentação  Jurídica  e  a  Imunidade  do  Luvro  Eletrônico  in  Revista  da  Faculdade  de  Direito da UFRGS, vol. 19, março/2001, p. 170.  2 PATTERSON, Dennis. Meaning, Mind anda Law. Ashgate: Law Series, Tom D. Campbell, 2008, pp. 50 e ss.  Fl. 7788DF CARF MF Processo nº 13896.723093/2016­24  Acórdão n.º 1302­003.215  S1­C3T2  Fl. 7.789          54 Até  que  haja  um  definitivo  e  concreto  posicionamento  da  Jurisprudência  Judicial  sobre o  tema, o  fato é que a Lei 9.430 permanece  incólume e plenamente aplicável.  Nesta  esteira,  se  até  o  advento  da  Lei  11.488/07  não  havia  uma  previsão  específica  que  autorizasse  a  cumulação  destas  penalidades,  com a  redação  atual  do  art.  44,  I  e  II,  não  vejo  como refugir à literalidade do texto legal, sendo cabível, pois, com todas as críticas morais e de  validade constitucional cabíveis, a exigência cumulada das penalidades..   Apenas  para  finalizar,  venia  concessa, mas  teoria  da  consunção,  natural  do  direito penal, não encontra guarida no direito tributário (posição que, agora, assumo). Ambas  disciplinas primam pela legalidade estrita e, diferentemente da esfera criminal, cuja legislação  prevê, expressamente, a aplicação desta teoria ao concurso de crimes, o sistema fiscal tributário  não contem semelhante disposição.  "Pau que dá em Chico, dá  em Francisco"! Se entendo e  defendo  a  legalidade  estrita  para  afastar  exigências  que  rompam  com  a  ordem  legal  (em  decorrência  de  uma  qualificação  econômica  dos  fatos,  v.g,),  não  posso  dela me  afastar  para  validar teses construídas à margem do sistema legal, tão só para favorecer o contribuinte.  III ­ Conclusões.  A luz do exposto, e divergindo do D. Relator somente quanto aos dois pontos  acima manifestados, voto por negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Gustavo Guimarães da Fonseca                     Fl. 7789DF CARF MF

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Numero do processo: 11020.905346/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010 DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO SUFICIENTE E ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE. Não é passível de nulidade o despacho decisório que esteja devidamente motivado e fundamentado, possibilitando o pleno exercício do direito de defesa do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. ARTIGOS 16 E 17 DO DECRETO Nº 70.235/1972. Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de parte do crédito para quitação de outro débito, é ônus do Contribuinte apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de seu direito creditório, aplicando-se o artigo 373, inciso I do Código de Processo Civil. MULTA E JUROS DE MORA. Débitos indevidamente compensados por meio de Declaração de Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora. Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996. INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. SELIC. MULTAS EM LANÇAMENTO DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3402-005.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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3402­005.776  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  24 de outubro de 2018  Matéria  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. PIS  Recorrente  KEKO ACESSORIOS S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Ano­calendário: 2010  DESPACHO  DECISÓRIO.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO  DIREITO  DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  Não  é  passível  de  nulidade  o  despacho  decisório  que  esteja  devidamente  motivado  e  fundamentado,  possibilitando  o  pleno  exercício  do  direito  de  defesa do contribuinte.  ÔNUS DA PROVA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO  DE  CRÉDITO.  LIQUIDEZ  E  CERTEZA.  ARTIGOS  16  E  17  DO  DECRETO Nº 70.235/1972.  Nos processos em que as declarações de compensação não são homologadas  por constar perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil a utilização de  parte  do  crédito  para  quitação  de  outro  débito,  é  ônus  do  Contribuinte  apresentar e produzir todas as provas necessárias para demonstrar a liquidez e  certeza de seu direito creditório, aplicando­se o artigo 373, inciso I do Código  de Processo Civil.  MULTA E JUROS DE MORA.  Débitos  indevidamente  compensados  por  meio  de  Declaração  de  Compensação não homologada sofrem incidência de multa e juros de mora.  Artigo 61 da Lei nº 9.430/1996.  INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. SÚMULA CARF Nº 2.  O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária.  JUROS  DE  MORA.  SELIC.  MULTAS  EM  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 53 46 /2 01 5- 79 Fl. 174DF CARF MF Processo nº 11020.905346/2015­79  Acórdão n.º 3402­005.776  S3­C4T2  Fl. 0          2 Incidem juros moratórios, calculados à  taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC, sobre o valor correspondente à multa de  ofício.  Recurso Voluntário Negado.  Direito Creditório Não Reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao Recurso Voluntário.        (assinado digitalmente)    Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente e Relator     Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Waldir  Navarro  Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena  de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e  Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis  Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  contra  decisão  proferida  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte/MG,  que  julgou  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  Recorrente,  rejeitando  as  preliminares da defesa e não homologando as compensações apresentadas por não reconhecer o  direito creditório postulado.  O Despacho Decisório considerou que o crédito informado no PER/DCOMP  foi parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível  inferior  ao  crédito  pretendido,  insuficiente  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PER/DCOMP.  Em manifestação de  inconformidade alegou preliminarmente a Contribuinte  que é legítima detentora de créditos apresentados para compensação originados de pagamentos  realizados  de  maneira  indevida  ou  a  maior  e  o  despacho  decisório,  que  não  reconheceu  o  direito creditório e deixou de homologar a compensação deve ser declarado nulo em razão de:   i)Ausência  de  fundamentação,  resultando  em  desvio  de  finalidade  na  busca  pela  verdade  material,  uma  vez  que  não  foi  diligenciado  para  aferição  do  crédito  pleiteado e não intimou a Contribuinte a prestar informações;   Fl. 175DF CARF MF Processo nº 11020.905346/2015­79  Acórdão n.º 3402­005.776  S3­C4T2  Fl. 0          3 ii) É dever da Autoridade fiscal, por aplicação do artigo 7º do Decreto nº 70.235/72,  instruir o procedimento  fiscal, como a  solicitação de  informações ao Contribuinte,  apreensão  de  documentos  fiscais,  diligências  até  a  sede  da  Empresa,  entre  outros  expedientes;   iii) Não foi respeitado o contraditório, o devido processo legal e a ampla defesa.    No mérito, alegou a Contribuinte que:   iv)  Deve  ser  possibilitada  posterior  juntada  de  documentos  que  comprovem  as  alegações  trazidas  em  manifestação  de  inconformidade,  em  respeito  ao  princípio  administrativo  da  verdade  material,  possibilitando  a  comprovação  do  direito  creditório;   v) É ilegal e inconstitucional a multa aplicada sobre o montante do tributo devido,  devendo ser aplicados os princípios constitucionais do não confisco, razoabilidade e  proporcionalidade;   vi) O  percentual  de multa  aplicado  para  o  caso  de  descumprimento  de  obrigação  principal,  mesmo  que  expressamente  previsto  na  legislação  pertinente,  deveria  sempre  guardar  proporção com o  valor  da  prestação  tributária  exigida,  bem como  adequar­se  e/ou  assemelhar­se  aos  novos  critérios  de  aplicação  de  multas  estabelecidos para as relações contratuais que envolvem questões de direito privado.    O Acórdão nº 02­073.166 manteve o despacho decisório.  Regularmente  cientificada  desta  decisão,  a  Recorrente  interpôs  tempestivamente o Recurso Voluntário ora em apreço, onde repisa os argumentos expostos em  sua manifestação de inconformidade.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Waldir Navarro Bezerra  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3402­005.753,  de  24  de  outubro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  11020.900612/2016­58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcrevem­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  os  entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402­005.753):  "Pressupostos legais de admissibilidade  O Recurso Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido.  Fl. 176DF CARF MF Processo nº 11020.905346/2015­79  Acórdão n.º 3402­005.776  S3­C4T2  Fl. 0          4   Preliminar  A  Recorrente  alega  preliminarmente  que  o  despacho  decisório é nulo por não ser fundamentado e ferir os princípios  constitucionais da ampla defesa, contraditório e devido processo  legal, resultando em desvio de finalidade.  Sem razão.  Está  correta  a  decisão  recorrida  ao  concluir  pela  aplicação do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Com a detida análise dos autos é possível  constatar que  tanto o PERD/COMP, quanto a Manifestação de Inconformidade  e  o  Recurso  Voluntário,  não  estão  instruídos  com  documentos  passíveis de corroborar com as alegações da defesa.   Ao  invés  de  comprovar  a  certeza  e  liquidez  ou,  ainda,  proceder à retificação da DCTF, demonstrando a suficiência do  direito creditório para contrapor ao despacho decisório que não  homologou a compensação, a Recorrente cingiu­se em alegar a  ausência  das  razões  da  não  homologação,  invocando  os  Princípios  Constitucionais  do  Contraditório,  Ampla  Defesa  e  Devido Processo Legal, atribuindo o ônus da prova à Autoridade  Fazendária.  Ao  contrário  do  que  alega  a  Recorrente,  aplica­se  o  artigo 373,  inciso I do Código de Processo Civil, que atribui o  ônus  da  prova  ao  autor  quanto  ao  fato  constitutivo  de  seu  direito.  Neste sentido, a 4ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da 3ª  Seção  deste  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  proferiu o Acórdão nº 3401­003.907, acatando por unanimidade  o voto do Conselheiro Relator Augusto Fiel Jorge D'Oliveira ao  negar provimento ao Recurso Voluntário interposto no Processo  Administrativo Fiscal  nº  13832.000095/9970,  conforme Ementa  abaixo transcrita:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/01/1991 a 30/06/1992   ÔNUS  DA  PROVA.  PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  ARTIGO  170  DO  CTN.   Em  processos  que  decorrem  do  indeferimento  de  pedido  de restituição/compensação, o ônus da prova recai sobre o  contribuinte,  que  deverá  apresentar  e  produzir  todas  as  provas necessárias para demonstrar a liquidez e certeza de  seu direito de crédito (artigo 170, do CTN).   Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.   Fl. 177DF CARF MF Processo nº 11020.905346/2015­79  Acórdão n.º 3402­005.776  S3­C4T2  Fl. 0          5 Acordam os membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos, negar provimento ao Recurso Voluntário interposto.     Transcreve­se abaixo parte do fundamento que embasou o  respeitável voto do julgado acima citado:    Em  se  tratando de  pedido  de  restituição  combinado  com  pedido de compensação, é ônus do contribuinte provar que  possui o direito de crédito e no montante por ele alegado,  o que  implica a guarda da documentação necessária para  tanto não pelo prazo de 5 (cinco)  anos da  realização dos  pagamentos, como pretende ver reconhecido o Recorrente,  mas  até  o  encerramento  da  discussão  administrativa  ou  judicial  em  que  pretende  ver  aquele  direito  de  crédito  reconhecido. Nesse sentido, vejam os dispositivos legais a  seguir:   CTN:  "Art.  195.  Para  os  efeitos  da  legislação  tributária,  não  têm  aplicação  quaisquer  disposições  legais  excludentes  ou  limitativas  do  direito  de  examinar  mercadorias,  livros,  arquivos,  documentos,  papéis  e  efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais  ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos.   Parágrafo  único.  Os  livros  obrigatórios  de  escrituração  comercial  e  fiscal  e  os  comprovantes  dos  lançamentos  neles  efetuados  serão  conservados  até  que  ocorra  a  prescrição  dos  créditos  tributários  decorrentes  das  operações a que se refiram". (grifos nossos)   Lei  nº  10.406,  de  2002  (Código  Civil):  "Art.  1.194.  O  empresário  e  a  sociedade  empresária  são  obrigados  a  conservar  em  boa  guarda  toda  a  escrituração,  correspondência  e  mais  papéis  concernentes  à  sua  atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência  no tocante aos atos neles consignados" . (grifos nossos)   Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99): "Art. 264. A pessoa  jurídica  é  obrigada  a  conservar  em  ordem,  enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos  e  papéis  relativos  a  sua  atividade,  ou  que  se  refiram  a  atos  ou  operações  que  modifiquem  ou  possam vir a modificar sua situação patrimonial (Decreto­ Lei nº 486, de 1969, art. 4º).         (...)   Art.923.A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  natureza,  ou  assim  definidos  em  Fl. 178DF CARF MF Processo nº 11020.905346/2015­79  Acórdão n.º 3402­005.776  S3­C4T2  Fl. 0          6 preceitos  legais.  (DecretoLei  nº1.598,  de  1977,  art.  9º,  §1º)". (grifos nossos)   Neste  caso,  não  se  aplicam  as  hipóteses  de  nulidade  previstas pelo artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, uma vez que  tanto  o  despacho  decisório,  quanto  o  acórdão  recorrido  estão  motivados pela ausência de crédito suficiente para compensação  com os débitos declarados. E não há que se falar em preterição  do direito de defesa da Contribuinte.  Portanto, afasto as preliminares invocadas no recurso em  análise.    Mérito  Princípio da Verdade Material   A  Recorrente  invoca  o  Princípio  da  Verdade  Material  para  alegar  que  deveria  o  Agente  Fiscal  apurar  os  fatos  independentemente  de  suposições  ou  indícios,  possibilitando  à  manifestante a posterior juntada de documentos para comprovar  o direito creditório.  Com  efeito,  a  busca  pela  verdade  material  deve  prevalecer,  possibilitando  ao  Contribuinte  apresentar  todos  os  meios de provas necessários para comprovação de seu direito.   No entanto, é da Contribuinte o ônus da prova passível de  contrapor  a  constatação  de  utilização  dos  créditos  declarados  para compensação, o que não ocorreu no presente caso, pois a  Recorrente  não  apresentou  qualquer  documento  passível  de  comprovar o direito alegado,  tampouco procedeu à Retificação  da  DCTF  no  prazo  concedido  para  manifestação  de  inconformidade.  O  Artigo  37  da  Lei  nº  9.430/1996  prevê  que  "Os  comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos  que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros,  serão conservados até que se opere a decadência do direito de a  Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses  exercícios".  Reitera­se a aplicação do artigo 373,  inciso I do Código  de Processo Civil, que atribui o ônus da prova ao autor quanto  ao  fato  constitutivo  de  seu  direito,  bem  como  a  incidência  do  artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72.  Neste  sentido,  cita­se  o  Acórdão  nº  3302­005.292,  proferido  pela  3ª  Câmara  da  2ª  Turma Ordinária  da  3ª  Seção  deste Tribuna Administrativo:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005  Fl. 179DF CARF MF Processo nº 11020.905346/2015­79  Acórdão n.º 3402­005.776  S3­C4T2  Fl. 0          7 DA  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  PIS/PASEP.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  AUSÊNCIA  DE  PROVA.  INDEFERIMENTO.  O direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de  créditos da Contribuição para o PIS/Pasep será indeferido  se  o  contribuinte  não  apresentar  os  documentos  necessários  a  análise  e  confirmação  do  valor  do  crédito  pleiteado/compensado.  Para  esse  fim,  o  postulante  deve  apresentar  à  fiscalização,  quando  solicitado,  os  arquivos  digitais e os documentos fiscais e contábeis necessários à  comprovação dos créditos apropriados.  ASSUNTO:  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA  O  PIS/PASEP  E  COFINS.  DEDUÇÃO,  RESSARCIMENTO  OU  COMPENSAÇÃO.  ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.  O  aproveitamento  de  crédito  decorrente  do  regime  não  cumulativo  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  Cofins,  seja  sob  a  forma  de  dedução,  compensação  ou  ressarcimento,  não  ensejará  atualização  monetária  ou  incidência de juros moratórios.  COMPENSAÇÃO  DECLARADA.  ANÁLISE  ANTES  DE  COMPLETADO  O  PRAZO  DE  CINCO  ANOS.  HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IMPOSSIBILIDADE.  Não  há  homologação  tácita  da  compensação  declarada  quando  o  contribuinte  é  cientificado  do  despacho  decisório  não  homologatório  da  compensação  antes  de  completado  o  prazo  de  cinco  anos,  contado  da  data  da  apresentação  da  correspondente  declaração  de  compensação.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL   Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004  PEDIDO  DE  PERÍCIA/DILIGÊNCIA..  IMPRESCINDIBILIDADE  DA  NOVA  PROVA.  INDEFERIMENTO.  Se  nos  autos  há  todos  os  elementos  probatórios  necessários  e  suficientes  à  formação  da  convicção  do  julgador  quanto  às  questões  de  fato  objeto  da  lide,  indefere­se,  por  prescindível,  o  pedido  de  diligência  e  perícia formulado.  PEDIDO  DE  PERÍCIA  E  DILIGÊNCIA.  INDEFERIMENTO  PELA  AUTORIDADE  JULGADORA.  MOTIVAÇÃO  SUFICIENTE  E  Fl. 180DF CARF MF Processo nº 11020.905346/2015­79  Acórdão n.º 3402­005.776  S3­C4T2  Fl. 0          8 ADEQUADA.  INEXISTÊNCIA  DE  CERCEAMENTO  AO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO  A QUO. IMPOSSIBILIDADE.  1.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  a  produção da prova pericial somente se justifica nos casos  a  análise  da  prova  exige  conhecimento  técnico  especializado. Por não atender  tal  condição, a  apreciação  de documentos contábeis e fiscais prescinde de realização  de perícia técnica.  2. O indeferimento de pedido de diligência ou perícia não  configura  vício  de  nulidade  da  decisão  de  primeira  instância, por cerceamento ao direito de defesa, nos casos  em  que  a  autoridade  julgadora,  fundamentadamente,  demonstra  que  a  produção  da  prova  pericial  e  realização  da  diligência  eram  desnecessárias  e  prescindíveis  para  o  deslinde da controvérsia.  DIREITO  CREDITÓRIO.  PROVA  IMPRESCINDÍVEL  À  COMPROVAÇÃO.  NÃO  APRESENTAÇÃO  NA  FASE PROCEDIMENTAL DE FORMA DELIBERADA  E  INTENCIONAL.  PRINCÍPIO DO NEMO AUDITUR  PROPRIAM  TURPITUDINEM  ALLEGANS.  REABERTURA  DA  INSTRUÇÃO  PROBATÓRIA  NA  FASE RECURSAL. NÃO CABIMENTO.  Se  no  curso  do  procedimento  fiscal,  após  ser  intimada  e  reintimada  a  recorrente,  de  forma  deliberada  e  como  estratégia  de  defesa,  omite­se  de  apresentar  os  arquivos  digitais  e  a  documentação  contábil  e  fiscal  necessária  à  apuração  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  da  Cofins  pleiteado,  a  reabertura  da  instrução  probatória  na  fase  recursal, inequivocamente, implicaria clara  afronta  ao  princípio  jurídico  de  que  ninguém  pode  se  beneficiar  de  sua  própria  torpeza  (ou  nemo  auditur  propriam turpitudinem allegans).  DESPACHO  DECISÓRIO  PROFERIDO  POR  AUTORIDADE  COMPETENTE.  CERCEAMENTO  DE  DIREITO  DE  DEFESA  INEXISTENTE.  NULIDADE.  IMPOSSIBILIDAE.  Não é passível de nulidade o despacho decisório proferido  por  autoridade  competente  da  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  (RFB)  e  que  contenha  todos  os  fundamentos  fáticos  e  jurídicos  suficientes  para  o  pleno  exercício do direito de defesa do contribuinte.  PEDIDO  DE  RESSARCIMENTO.  ÔNUS  DA  PROVA  DO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  em  que  formalizado pedido de ressarcimento de direito creditório,  o ônus da prova recai sobre o contribuinte autor pedido.  Fl. 181DF CARF MF Processo nº 11020.905346/2015­79  Acórdão n.º 3402­005.776  S3­C4T2  Fl. 0          9 Recurso Voluntário Negado.    Da  alegação  de  Inaplicabilidade  da  multa  em  face  do  Princípio  Constitucional  do  Não  Confisco  e  dos  Princípios  Administrativos da Razoabilidade e da Proporcionalidade.  A  Recorrente  questiona  a  multa  aplicada,  alegando  tratar­se  de  penalidade  confiscatória,  ilegal  e  inconstitucional.  Alega que:  O  valor  lançado  a  título  de  multa,  flagrantemente  ilegal  como  a  seguir  demonstrar­se­á,  é  manifestamente  excessivo,  ferindo,  desta  maneira  o  princípio  constitucional  do  não  confisco  e  dos  princípios  administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade.  Neste  contexto,  é princípio básico que  a pena, no  caso  a  multa aplicada em face de infrações, não pode ultrapassar  os  estritos  limites da  lei  – ou  ainda, do direito  como um  todo ­ valendo para o caso específico do direito tributário,  a  definição  legal  do  tributo  como  insuscetível  de  servir  como instrumento de penalização do contribuinte.          (...)  De  outra  banda,  importa  consignar  que  as  obrigações  acessórias,  entre  elas  a multa,  podem  ter  duas  naturezas,  sendo  uma  tributária  e,  neste  caso,  converter­se  em  principal,  e  a  outra  de  natureza  punitiva,  que,  ipso  jure,  converte­se também em principal.  No  primeiro  caso,  o  que  era  princípio  na  legislação  esparsa,  converte­se  em  mandamento  constitucional  e  legal  impeditivo  da  bitributação  com  a  mesma  base  de  cálculo,  vedando  o  bis  in  idem  a  partir  do  mesmo  fato  gerador, expresso no art. 150, I da CF/88, antes focado.  Ora ainda que tolerado durante a vigência da Constituição  anterior e ainda que contrário ao princípio da tributação, o  Código  Tributário  Nacional,  como  antes  dito,  mandava  converter  a  obrigação  acessória,  qualquer  que  fosse  sua  natureza,  administrativa  ou  punitiva,  em  obrigação  principal.  Contudo,  a  tolerância  tinha  origem  na  idéia  de  que  a  obrigação principal  ­  art. 113, 3º, do CTN ­  surge com a  ocorrência do fato gerador, e tinha por objeto não apenas o  pagamento  do  tributo,  mas  também  a  penalidade  pecuniária.          (...)  Assim,  a  multa  em  questão  é  totalmente  inexigível,  uma  vez que fere explicitamente os princípios legais e constitucionais  Fl. 182DF CARF MF Processo nº 11020.905346/2015­79  Acórdão n.º 3402­005.776  S3­C4T2  Fl. 0          10 acima  referidos,  devendo  ser  reformado  o  acórdão  recorrido  também neste ponto.  Ocorre que o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996 é taxativo ao  estabelecer a fixação de juros de mora e multa:  Art. 61. Os  débitos  para  com  a  União,  decorrentes  de  tributos  e  contribuições  administrados  pela  Secretaria  da  Receita Federal,  cujos  fatos  geradores  ocorrerem  a  partir  de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos  na  legislação  específica,  serão  acrescidos  de  multa  de  mora,  calculada  à  taxa  de  trinta  e  três  centésimos  por  cento, por dia de atraso.   § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir  do  primeiro  dia  subseqüente  ao  do  vencimento  do  prazo  previsto  para  o  pagamento  do  tributo  ou  da  contribuição  até o dia em que ocorrer o seu pagamento.  § 2º O percentual de multa a  ser aplicado fica  limitado a  vinte por cento.  § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão  juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do  art.  5º,  a  partir  do  primeiro  dia  do  mês  subseqüente  ao  vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e  de um por cento no mês de pagamento.     A  multa  aplicada  atende  ao  limite  de  20%  (vinte  por  cento) estabelecido pelo § 2º acima transcrito.  Portanto,  não  há  que  se  alegar  caráter  confiscatório,  tampouco ausência de razoabilidade e proporcionalidade.  Por outro lado, incide a Súmula CARF nº 2, uma vez que  este  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais  não  é  competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de  lei tributária.    Taxa Selic  A  Recorrente  questiona  a  aplicação  da  Taxa  Selic  na  correção  do  crédito  tributário,  argumentando  pela  ilegalidade  do cálculo de juros moratórios sobre débitos tributários.  Não  assiste  razão  à  Recorrente,  considerando  a  incidência da Súmula CARF 108, que assim dispõe:  Súmula CARF nº 108  Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC, sobre  o valor correspondente à multa de ofício.  Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11020.905346/2015­79  Acórdão n.º 3402­005.776  S3­C4T2  Fl. 0          11 Portanto, deve ser mantida a decisão recorrida.    Dispositivo  Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário, rejeito as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  NEGO  PROVIMENTO  para manter na íntegra o acórdão recorrido. "    Importa  registrar  que  nos  autos  ora  em  apreço,  a  situação  fática  e  jurídica  encontra correspondência com a verificada no paradigma, de  tal  sorte que o entendimento  lá  esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado.  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por  rejeitar  as  preliminares  suscitadas  e,  no  mérito,  negar  provimento  para  manter  na  íntegra  o  acórdão recorrido.   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra                                Fl. 184DF CARF MF

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Numero do processo: 19726.002284/2008-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2402-000.714
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e/ou para que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) informe(m) o status atual da Execução Fiscal nº 2006.51.01.501126-4, trazendo aos autos cópia da petição inicial e de todas decisões proferidas na referida demanda judicial. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Gregório Rechmann Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Paulo Sérgio da Silva, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.
Nome do relator: GREGORIO RECHMANN JUNIOR

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1316; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 1.017          1 1.016  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19726.002284/2008­87  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2402­000.714  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  5 de dezembro de 2018  Assunto  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CONSTRUÇÃO CIVIL.  Recorrente  INEPAR S/A INDÚSTRIA E CONSTRUÇÕES  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o  julgamento em diligência para que a Unidade de Origem da Secretaria da Receita Federal do  Brasil (RFB) e/ou para que a Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional (PGFN) informe(m) o  status atual da Execução Fiscal nº 2006.51.01.501126­4,  trazendo aos autos cópia da petição  inicial e de todas decisões proferidas na referida demanda judicial.      (assinado digitalmente)  Denny Medeiros da Silveira – Presidente em exercício.      (assinado digitalmente)  Gregório Rechmann Junior ­ Relator.    Participaram da sessão de  julgamento os conselheiros Denny Medeiros da Silveira,  Mauricio Nogueira Righetti,  João Victor Ribeiro Aldinucci,  Paulo Sérgio  da Silva,  Jamed Abdul  Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior.         RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 97 26 .0 02 28 4/ 20 08 -8 7 Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 19726.002284/2008­87  Resolução nº  2402­000.714  S2­C4T2  Fl. 1.018            2 RELATÓRIO    Trata­se  o  presente  caso  de  Notificação  Fiscal  referente  às  contribuições  previdenciárias relativas à parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do  grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, além  das contribuições dos segurados.    A  apuração  das  contribuições  foi  realizada  com  fulcro  no  instituto  da  responsabilidade  solidária,  em  virtude  da  execução  de  obra  de  construção  civil,  pela  empresa  Lemag Industrial Ltda .,`CNPJ 00.464.51410001­06, conforme relatório fiscal.    A  contratante  não  comprovou  o  recolhimento  das  contribuições  incidentes  sobre  a  remuneração  dos  segurados  incluída  em  nota  fiscal  e/ou  fatura  correspondente  aos  serviços  executados, motivo  pelo  qual  houve  lançamento  das  contribuições,  conforme  informa  o  referido  relatório fiscal.    Cientificadas,  a  contribuinte  e  a  responsável  solidária  apresentaram  as  respectivas  impugnações.    A  Delegacia  da  Receita  Previdenciária  julgou  procedente  a  exigência  fiscal,  nos  termos da Decisão Notificação nº 17.401.4/0769/2004 (fls. 725).    Cientificadas,  apenas  a  contribuinte  apresentou  recurso  ao  antigo  Conselho  de  Recursos da Previdência Social (fs. 746), reiterando os termos da impugnação apresentada.    O recurso voluntário foi considerado deserto (fls. 831).    O  contribuinte  ajuizou  Mandado  de  Segurança  requerendo  a  autorização  para  interposição do susodito recurso administrativo, cuja liminar restou indeferida (fls. 841).    Assim foi que o débito objeto do presente processo  foi  inscrito em dívida ativa da  União, tendo sido ajuizada a respectiva Execução Fiscal nº 2006.51.01.501126­4, conforme extrato  de fls. 865.    É o relatório.    Fl. 1018DF CARF MF Processo nº 19726.002284/2008­87  Resolução nº  2402­000.714  S2­C4T2  Fl. 1.019            3 VOTO    Conselheiro Gregório Rechmann Junior ­ Relator    Conforme  descrito  no  relatório  supra,  o  recurso  voluntário  do  contribuinte  foi  considerado  deserto,  pelo  que  o  débito  objeto  do  presente  PAF  foi  inscrito  em  dívida  ativa  da  União, com o ajuizamento da respectiva execução fiscal nº 2006.51.01.501126­4.    Nos autos da referida EF, acolhendo a EXCEÇÃO DE PRÉ­EXECUTIVIDADE para  julgar EXTINTA A EXECUÇÃO FISCAL, declarando extintos pela decadência os créditos inscritos  sob  os  números  35683113­2,  356831825,  356831833,  356832040,  356832090  e  356832112,  na  Dívida Ativa do INSS:        Referida sentença  foi objeto de Apelação  interposto pela União,  tendo o TRF dado  parcial provimento ao  apelo para afastar o  reconhecimento da decadência apenas em relação ao  crédito  tributário  correspondente  à  obrigação  cujo  gerador  ocorreu  em  dezembro  de  1998,  constante da certidão de dívida ativa nº 35683204­0:        Assim,  em  face  do  quanto  pontuado  linhas  acima  e  tendo  em  vista  que  o  débito  objeto do presente processo se refere a uma única competência, é possível que o mesmo já esteja  definitivamente extinto – ou não – em face do curso das ações judiciais já mencionadas.    Neste  contexto,  o  envio  dos  autos  para  a  Unidade  de  Origem  e/ou  para  a  Procuradoria  Geral  da  Fazenda  Nacional  é  medida  que  se  impõe  para  que  esta(s)  preste(m)  informações atualizadas acerca das ações judiciais destacadas.    Fl. 1019DF CARF MF Processo nº 19726.002284/2008­87  Resolução nº  2402­000.714  S2­C4T2  Fl. 1.020            4 Conclusão    Neste  espeque,  em  homenagem  aos  princípios  da  verdade material  e  da  economia  processual, voto pela conversão do presente em julgamento para a Unidade de Origem e ou para a  Procuradoria Geral  da  Fazenda Nacional  para  que  esta(s)  informe(m)  o  status  atual  da Execução  Fiscal nº 2006.51.01.501126­4, trazendo aos autos cópia de todas decisões proferidas nas referidas  demandas judiciais.    É como voto.      (assinado digitalmente)  Gregório Rechmann Junior.   Fl. 1020DF CARF MF

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7504518 #
Numero do processo: 10880.990408/2009-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 14/08/2001 COFINS. INCIDÊNCIA SOBRE SOCIEDADES UNIPROFISSIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE DE INCONSTITUCIONALIDADE DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02. Em conformidade com a Súmula CARF n. 02 é vedado a este colegiado analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor. REMISSÃO DE DÉBITOS Dentre as competências atribuídas ao julgador de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento não se inclui a concessão de remissão de débitos.
Numero da decisão: 3302-005.953
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.903059/2011-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Walker Araujo, Vinicius Guimaraes (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE

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3302­005.953  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de setembro de 2018  Matéria  COFINS  Recorrente  CENTRO DE PREVENÇÃO DE ODONTOLOGIA LTDA ­ EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 14/08/2001  COFINS.  INCIDÊNCIA  SOBRE  SOCIEDADES  UNIPROFISSIONAIS.  IMPOSSIBILIDADE  DE  ANÁLISE  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DO TRIBUTO POR FORÇA DA SÚMULA CARF N. 02.   Em  conformidade  com  a  Súmula  CARF  n.  02  é  vedado  a  este  colegiado  analisar a constitucionalidade de norma tributária em vigor.  REMISSÃO DE DÉBITOS  Dentre  as  competências  atribuídas  ao  julgador  de  Delegacia  da  Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  não  se  inclui  a  concessão  de  remissão  de  débitos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário.  Portanto,  aplica­se  o  decidido  no  julgamento  do  processo  10880.903059/2011­16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.   (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède ­ Presidente e Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Paulo  Guilherme  Déroulède  (Presidente),  Orlando  Rutigliani  Berri  (Suplente  Convocado),  Walker  Araujo,  Vinicius Guimaraes  (Suplente Convocado),  Jose Renato Pereira de Deus,  Jorge Lima Abud,  Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 04 08 /2 00 9- 07 Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10880.990408/2009­07  Acórdão n.º 3302­005.953  S3­C3T2  Fl. 3          2     Relatório  A  recorrente  acima  qualificada  apresentou  Declaração  de  Compensação  pleiteando a compensação de débitos referentes a impostos e contribuições administrados pela  RFB com créditos decorrentes de pagamento supostamente indevido ou a maior.  Por meio de Despacho Decisório Eletrônico, a compensação pleiteada não foi  homologada ante a ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública, uma  vez  que  o  pagamento  indicado  foi  encontrado,  encontrando­se,  todavia,  totalmente  alocado  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos débitos informados no PER/DCOMP.  Cientificado  da  decisão  o  contribuinte  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade.  Sinteticamente,  sustenta  a  inconstitucionalidade  da  COFINS  recolhida  em  razão  de  no  período  estar  em  vigor  a  Súmula  STJ  n.  276  e  entender  que  a  exigência  da  contribuição  sobre  sociedades  uniprofissionais  seria  indevida  até  17  de  setembro  de  2008,  quando admite que tributo finalmente teve sua constitucionalidade declarada pelo STF, quando  do julgamento da ADI 4071.  Sobreveio  então  o  julgamento  da  DRJ,  que  julgou  improcedente  a  manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 16­30.752.  Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, por meio  do qual  suscitou os  argumentos  já  submetidos à DRJ, enfatizando a  inconstitucionalidade da  exação bem como a existência de remissão promovida pela lei 11.941/2009.  É o relatório.    Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10880.990408/2009­07  Acórdão n.º 3302­005.953  S3­C3T2  Fl. 4          3     Voto             Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator.  O  julgamento  deste  processo  segue  a  sistemática  dos  recursos  repetitivos,  regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo  II do RICARF, aprovado pela Portaria MF  343,  de  09  de  junho  de  2015.  Portanto,  ao  presente  litígio  aplica­se  o  decidido  no Acórdão  3302­005.932,  de  26  de  setembro  de  2018,  proferido  no  julgamento  do  processo  10880.903059/2011­16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.  Transcreve­se,  como  solução  deste  litígio,  nos  termos  regimentais,  o  entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302­005.932):  "O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste­se  dos demais requisitos legais, razão pela qual o admito.  Não  tendo  sido  arguidas  preliminares,  é  de  se  passar  à  análise  do  mérito.  O  cerne  da  controvérsia  é  deveras  interessante,  não  é  de  competência  deste colegiado, mas sim do Poder Judiciário, contudo merece ser mencionada  para a devida contextualização da matéria em discussão:  Trata­se  da  à  possibilidade  ou  não  de  uma  lei  formalmente  complementar,  contudo  materialmente  ordinária,  ser  revogada  por  uma  lei  ordinária.  Da solução desta polêmica decorre a tributação, ou não, das sociedades  uniprofissionais,  isentadas  da COFINS  pela Lei Complementar  n.  70/91, mas  que a referida isenção foi revogada pela Lei Ordinária n. 9.430/96.  Na  tentativa  de  pacificar  a matéria,  no  dia  14.05.2003  o  STJ  editou  a  Súmula n. 276 que dispunha que "As sociedades civis de prestação de serviços  profissionais são isentas de COFINS, irrelevante o regime tributário adotado".  Contudo,  no  julgamento  do  RE  377.457/PR  e  RE  381.964/MG  o  STF  admitiu  a  constitucionalidade  da  revogação  da  Lei  Complementar  (materialmente  ordinária)  pela  Lei Ordinária  e  a  Súmula  STJ  276,  o  que  na  prática  chancelou  a  tributação  das  sociedades  uniprofissionais  pela COFINS  desde a entrada em vigor da Lei Ordinária n. 9.430/96.  Em  que  pese  o  fato  da  enorme  insegurança  jurídica  promovida  pela  alteração jurisprudencial, por força da SÚMULA CARF N. 02 a este Colegiado  é vedado apreciar eventual inconstitucionalidade de norma jurídica em vigor.  Em  relação  à  exigência  da  COFINS  sobre  as  sociedades  uniprofissionais, este Colegiado possui entendimento consolidado no sentido de  que deve ser reconhecida a isenção para sociedade civil prestadora de serviços  profissionais  em  período  anterior  à  publicação  da  Lei  9.430/96,  sendo  irrelevante o regime tributário que esta adote para fins do Imposto de Renda,  conforme  prevê  a  Súmula  276  do  STJ,  como  se  aduz  do  Acórdão  n.  9303­ Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10880.990408/2009­07  Acórdão n.º 3302­005.953  S3­C3T2  Fl. 5          4 002.036 proferido no Recurso Especial n. 15374.002049/00­63, de relatoria da  Ilma. Conselheira Nanci Gama, julgado em 10 de julho de 2012.  Contudo,  os  valores  tratados  nos  presentes  autos  dizem  respeito  a  período  posterior,  no  qual  encontra­se  em  vigor  legislação  que  determina  a  tributação  das  sociedades  uniprofissionais  pela  COFINS,  cuja  constitucionalidade foi reconhecida pelo Pretório Excelso.  Neste sentido vale destacar que a declaração da constitucionalidade da  revogação pelo STF, por  ter natureza declaratória,  possui efeitos  ex  tunc,  ou  seja, retroagido à data da entrada em vigor da norma revogante.  Estando a atividade  da Recorrente na  região de  incidência  de norma  fiscal impositiva, não há de se reformar a decisão atacada, que nega direito ao  crédito tributário pretendido pela Recorrente.   Em relação ao argumento da existência de remissão promovida pela lei  11.941/2009, também é certo que a concessão ou o reconhecimento da remissão  não é matéria de competência da Delegacia de Julgamento da Receita Federal  do Brasil, razão pela qual deve ser mantida a r. decisão atacada.  Pelos  motivos  já  expostos  é  de  se  negar  provimento  ao  Recurso  Voluntário."  Aplicando­se  a  decisão  do  paradigma  ao  presente  processo,  em  razão  da  sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo  II do RICARF, o Colegiado decidiu  negar provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  Paulo Guilherme Déroulède                                  Fl. 74DF CARF MF

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Numero do processo: 10830.005329/2007-22
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.967
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL

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2001­000.967  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  11 de dezembro de 2018  Matéria  IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS  Recorrente  ANGELA MARIA VASSOLER SILVA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2005  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  COMPROVAÇÃO.  DEDUTIBILIDADE.  São  dedutíveis  na  declaração  de  ajuste  anual,  a  título  de  despesas  com  médicos  e  planos  de  saúde,  os  pagamentos  comprovados  mediante  documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência  do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR).  A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte  está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano­calendário da  obrigação tributária.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Fernanda Melo Leal ­ Relatora.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Fernanda Melo  Leal,  Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.   Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 53 29 /2 00 7- 22 Fl. 249DF CARF MF     2   Contra  a  contribuinte  acima  identificado  foi  emitida  Notificação  de  Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2005, ano­calendário de  2004,  por  meio  do  qual  foram  glosadas  despesas  médicas  por  falta  de  comprovação  de  dependente legal.    A  interessada  foi  cientificada  da  notificação  e  apresentou  impugnação,  alegando, em síntese, que a Sra. Nair Vassoler Silva é  incapaz por declaração  judicial,  tendo  como curadora a notificada, sendo esta sua única filha; que pode ser dependente para efeitos de  imposto de renda pessoa absolutamente  incapaz da qual o contribuinte  seja  tutor ou curador.  Pelo exposto, demonstrada a  improcedência  total do Lançamento,  requer que seja  acolhida a  impugnação.      A  DRJ  São  Paulo,  na  análise  da  peça  impugnatória,  manifestou  seu  entendimento no sentido de que com relação as despesas médicas com suposta dependente, de  fato  a  sua  mãe  absolutamente  incapaz  pode  ser  sua  dependente  para  efeitos  de  imposto  de  renda,  e  realmente  não  há  impedimento  legal.  Todavia,  a  genitora  da  notificada  no  constou  como dependente na Declaração de Ajuste por esta entregue como se verifica As fls. 21, donde  conclui­se que a mesma era apenas sua dependente de fato e no de direito para fins tributários.    Em  sede  de  Recurso  Voluntário,  repisa  os  argumentos  e  traz  a  tona  os  principios da razoabilidade e proporcionalidade para sustentar seu pleito eis que tem todas as  evidências  de  que  sua  genitora,  absolutamente  incapaz,  era  sua  dependente  para  todos  os  efeitos. Apenas cometeu o equivoco, a Recorrente, de não a declarar como sua dependente na  DIRPF.    É o relatório.  Voto             Conselheira Fernanda Melo Leal ­ Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  Mérito ­ Glosa de despesas médicas  Nos  termos  do  artigo  8°,  inciso  II,  alínea  "a",  da  Lei  9.250/1995,  com  a  redação  vigente  ao  tempo  dos  fatos  ora  analisados,  são  dedutíveis  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  pessoa  física  as  despesas  a  título  de  despesas  médicas,  psicológicas  e  dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados.  Lei 9.250/1995:  Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:  I ­ de todos os rendimentos percebidos durante o ano­calendário,  exceto  os  isentos,  os  não­tributáveis,  os  tributáveis  exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;  II ­ das deduções relativas:  Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10830.005329/2007­22  Acórdão n.º 2001­000.967  S2­C0T1  Fl. 3          3 a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias.  (...)  § 2º ­ O disposto na alínea ‘a’ do inciso II:  (...)  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  feitos  pelo  contribuinte,  relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III ­  limita­se a pagamentos especificados e comprovados, com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem  recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação  do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.”  A Recorrente apresentou os documentos necessários a comprovar as despesas  médicas incorridas por ela com relação a sua genitora, absolutamente incapaz, conforme consta  claramente nos autos do processo.  A decisão de primeira instancia sustentou que a Recorrente não teria o direito  de  deduzir  tais  despesas  eis  que  sua  genitora  não  seria  sua  dependente  legal  para  fins  de  imposto de renda, eis que não declarada como tal da DIRPF da Recorrente.   Ou  seja,  simplesmente  a  autoridade  fiscal  entende  que  a  documentação  apresentada  e  todas  as  provas  fáticas  e  substanciais  não  foram  suficientes  para  comprovar  a  fática situação de dependente da genitora da Recorrente.   Por outro lado, a contribuinte apresenta boa fé e razoabilidade para apresentar  todos  os  documentos  ao  seu  alcance  para  comprovar  a  efetividade  das  despesas  médicas  incorridas. Desde a impugnação que junta detalhamentos dos serviços médicos pelos quais sua  genitora  passou  bem  como  toda  a  comprovação  de  seu  estado  de  incapaz.  Traz  em  sede  de  Recurso  Voluntário  argumentos  extremamente  válidos  e  coerentes  como  a  aplicação  dos  princípios constitucionais da razoabilidade e proporcionalidade.  Neste  diapasão,  merece  trazer  à  baila  o  princípio  pela  busca  da  verdade  material.  Sabemos  que  o  processo  administrativo  sempre  busca  a  descoberta  da  verdade  material  relativa  aos  fatos  tributários.  Tal  princípio  decorre  do  princípio  da  legalidade  e,  também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que,  hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos.   De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e  lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados.  Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos,  oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através  das provas, busca­se a realidade dos fatos, desprezando­se as presunções tributárias ou outros  procedimentos  que  atentem  apenas  à  verdade  formal  dos  fatos.  Neste  sentido,  deve  a  Fl. 251DF CARF MF     4 administração  promover  de  oficio  as  investigações  necessárias  à  elucidação  da  verdade  material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa.   A  verdade  material  é  fundamentada  no  interesse  público,  logo,  precisa  respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e  análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo  porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa.   A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade  material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material  apresentará  a  versão  legítima  dos  fatos,  independente  da  impressão  que  as  partes  tenham  daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias  e  prerrogativas  constitucionais  possíveis  do  contribuinte  no  Brasil,  sempre  observando  os  termos especificados pela lei tributária.   A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do  Poder  Judiciário,  portanto,  quando  nos  depararmos  com  um  Processo  Administrativo  Tributário, não se deve deixar de analisá­lo sob a égide do princípio da verdade material e da  informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade  material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir  o um julgamento justo, desprovido de parcialidades.  Soma­se  ao  mencionado  princípio  também  o  festejado  princípio  constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso  LXXVIII  da Constituição Federal,  o  qual  determina que  os  processos  devem desenvolver­se  em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda.   Ratifico,  ademais,  a necessidade de  fundamento pela  autoridade  fiscal,  dos  fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos  atos administrativos, encontra­se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999,  como  talvez  de  maneira  mais  importante  em  disposições  gerais  em  respeito  ao  Estado  Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle  jurisdicional.   Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando­ se no quanto exposto pelo Contribuinte, ou seja, de que a despesa incorreu de fato e que sua  genitora  absolutamente  incapaz  (sua  dependente  de  fato)  foi  o  beneficiária  dos  serviços,  os  quais  foram devidamente detalhados, entendo que deve ser dado provimento ao  recurso para  acatar as despesas médicas glosadas .    CONCLUSÃO:  Diante  tudo  o  quanto  exposto,  voto  no  sentido  de, CONHECER  e DAR  PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas glosadas.    (assinado digitalmente)  Fernanda Melo Leal.               Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10830.005329/2007­22  Acórdão n.º 2001­000.967  S2­C0T1  Fl. 4          5                   Fl. 253DF CARF MF

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