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Numero do processo: 16832.000146/2010-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO.
Mantém-se o lançamento decorrente de omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores informados na Declaração Anual Simplificada e os valores dos depósitos/créditos em instituição financeira após a exclusão dos valores referentes as transferências intercontas de mesma titularidade.
Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão.
Numero da decisão: 1301-001.671
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Mantémse o lançamento decorrente de omissão de receita apurada mediante o confronto entre os valores informados na Declaração Anual Simplificada e os valores dos depósitos/créditos em instituição financeira após a exclusão dos valores referentes as transferências intercontas de mesma titularidade. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do SIMPLES, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras do SIMPLES no período de apuração a que corresponder a omissão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 01 46 /2 01 0- 82 Fl. 327DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junor e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16832.000146/201082 Acórdão n.º 1301001.671 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório Tratam os presentes autos de exigências do imposto de renda de pessoa jurídica tributada no regime do SIMPLES, (R$ 54.396,08, fls. 181; do PIS, R$ 39.822,24, fls. 211; da CSLL, R$ 54.396,08, fls. 222; da COFINS, R$ 160.048,89, fls. 233 e do INSS, R$ 462.994,79, fls .244), relativamente ao ano calendário de 2006, acrescidas de penalidade de ofício, 75%, e encargos moratórios. 2.Fundamentaram as exigências as diferenças entre depósitos/créditos bancários, para os quais, intimado o contribuinte não lhes comprovou as origens, e a receita bruta declarada no ano calendário, conforme demonstrativo de fls. 180. 2.1.Por via de conseqüência foram exigidas insuficiências tributárias para as alterações da receita bruta mensal advindas da receita presumidamente omitida. 3.Cientificado das exações em 02/03/10, fls 182, o sujeito passivo acostou aos autos a impugnação de fls. 258, protocolada em 26/03/10, através da qual alega, em síntese; 3.1 da preliminar da nulidade das autuações por ferirem princípios jurídicos como o da "capacidade econômica de contribuir", "do não confisco", do "repúdio ao enriquecimento sem causa do Erário" e da "verdade material" que não foram levados em conta quando da lavratura dos autos de infração 3.2 No mérito: 3.2.1 na conformidade do Art. 14, inciso II, da Lei n.° 9.317, de 05/12/1996, a Autuada deveria ter sido excluída do SIMPLES "de oficio", já que, quando intimada, não forneceu informações sobre movimentação financeira. Sua exclusão tornouse obrigatória a partir de janeiro de 2006, haja visto o disposto no inciso V, do Art. 15 e no Art. 16 da ref. Lei n.° 9.317, de 05/12/1996; Lei esta que é citada como enquadramento legal em todos os A.I.”; 3.2.1.1 assim, “a incorreta mudança de critério jurídico do lançamento confrontase com o disposto no Art. 146 do CTN”; 3.2.2 “a incorreta determinação da matéria tributável decorre do descumprimento do Art. 142 do CTN”; 3.2.3 os lançamentos de INSS/PIS/COFINS valeramse de base imponivel "por vinculação", sem a devida capitulação de eventual procedência legal. A DRJ/RIO DE JANEIRO I decidiu a matéria representada neste ato pelo Acórdão 1242.223, de 11/11/2011 (fls. 294), julgando procedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 329DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. Transferências de mesma titularidade e créditos por financiamento não constituem base imponível da exação prescrita no art. 42 da Lei n◦ 9.430/96. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado É o relatório. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16832.000146/201082 Acórdão n.º 1301001.671 S1C3T1 Fl. 13 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do recurso de ofício. Tratase no presente processo das exações relativas a IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e INSS, no valor consolidado de R$ 1.633.957,41, sob a acusação de omissão de receitas, por presunção legal relativa, apurada com base em depósitos bancários para os quais o contribuinte, intimado por diversas vezes, não logrou comprovar a origem. Na impugnação apreciada em primeira instância as alegações preliminares de nulidades se relacionam aos princípios da capacidade contributiva e do não confisco e, no mérito os fundamentos se resumem a: 3.2 No mérito: 3.2.1 “na conformidade do art. 14, inciso II, da Lei n.° 9.317, de 05/12/1996, a Autuada deveria ter sido excluída do SIMPLES "de oficio", já que, quando intimada, não forneceu informações sobre movimentação financeira. Sua exclusão tornouse obrigatória a partir de janeiro de 2006, haja visto o disposto no inciso V, do Art. 15 e no Art. 16 da ref. Lei n.° 9.317, de 05/12/1996; Lei esta que é citada como enquadramento legal em todos os A.I.”; 3.2.1.1 assim, “a incorreta mudança de critério jurídico do lançamento confrontase com o disposto no art. 146 do CTN”; 3.2.2 “a incorreta determinação da matéria tributável decorre do descumprimento do art. 142 do CTN” Aduz, mais: Como poderá ser facilmente constatado, os arquivos magnéticos da Secretaria da Receita Federal do Brasil registram que a Impugnante optou pelo Lucro Presumido como forma de tributação nos anoscalendário de 2007 e seguintes. ... Assim sendo, a adoção do Lucro Presumido, como determinação da matéria tributária do Imposto sobre a Renda e da CSLL, tornouse conduta vinculada e obrigatória para o digníssimo Auditor Fiscal autuante: porque a opção tributária da Autuada identificaa como contribuinte vinculada ao "Lucro Presumido"; por ser a forma prescrita no RIR, e consagrada pela Jurisprudência, para valorar a matéria tributável, nestas circunstâncias em que foram apuradas pelo Fisco, e circunscrevêla aos limites da verdade material; Fl. 331DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 por tratarse de prática reiteradamente observada pelos AFRFB quando, no exercício da fiscalização, se deparam com situações como a em exame; e finalmente, por ser a forma opcional correta de compatibilizarse a exigência tributária com a capacidade contributiva da Autuada. Mesmo porque, os lançamentos em questão tentam impor mudança no critério jurídico da tributação pelo Lucro Presumido, a que, com a inevitável exclusão de oficio, está submetida a Impugnante, mediante a introdução de um outro enquadramento legal, com a • invocação das leis que regem o SIMPLES NACIONAL. Não o fazendo, o digno Sr. Auditor Fiscal autuante, data venha, descumpriu os arts. 142 e 146 do CTN que impõe seja promovida a correta determinação da matéria tributável, sob forma vinculada e obrigatória. Como se observa a Recorrente em momento algum entra no mérito dos depósitos bancários não comprovados, mas apenas e tão somente em incorreta determinação da matéria tributável pelo fato de não ter sido excluída do SIMPLES nos termos do inciso V, do art. 15 e art. 16 da Lei n.° 9.317, de 1996. Aqui, com relação aos princípios da capacidade contributiva e do não confisco convém salientar que é cediço no âmbito do julgamento administrativo, que o julgador não possui competência para deixar de aplicar lei sob o fundamento de sua inconstitucionalidade e/ou ilegalidade, conforme entendimento objeto de súmula específica editada pelo CARF, com o seguinte teor: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Em que pese, no presente processo, a acusação fiscal ser restrita a omissão de receitas constatada pela diferença entre a receita declarada e a movimentação financeira da contribuinte, importa esclarecer que a contribuinte, de fato, não poderia permanecer no SIMPLES a partir do ano calendário subseqüente (2007) àquele em que for ultrapassado o limite determinada de sua receita bruta (2006), nos termos expresso pelo art. 15, inc. IV, da Lei 9.317/96 e alterações posteriores. Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: IV a partir do ano calendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9º; Dessa forma, considerando que o limite foi ultrapassado no ano calendário de 2006, a exclusão surtirá efeito a partir 01/01/2007, ano em que o próprio contribuinte optou para o regime de tributação no sistema Presumido. Estando correto o procedimento fiscal que manteve a empresa no SIMPLES no ano calendário de 2006. Por sua vez, não se sustenta a alegação de que deveria ter sido excluída ainda no ano de 2006 por embaraço à fiscalização (inc. II do art. 14 da Lei nº 9.317/96 e art. 15, V), haja visto que no presente caso a auditoria fiscal foi desenvolvida a partir dos extratos bancários e Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, inexistindo notícia de lavratura de Termo de Embaraço à Fiscalização (a recorrente justifica a não entrega dos documentos por motivo de furto). Fl. 332DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16832.000146/201082 Acórdão n.º 1301001.671 S1C3T1 Fl. 14 7 Expresso as breves considerações acima, pois, no presente processo, estamos tratando de Recurso de Ofício fundamentado no descumprimento pela autoridade fiscal ao artigo 42 da Lei n◦ 9.430/96, fundamento das exações, o qual expressamente determina (§ 3◦, I): § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Confirma a autoridade julgadora a quo, que no caso, foram tomados, como receitas presumidamente omitidas, todos os valores das contas correntes n◦ 1317, (fls. 155/163); 2313, (fls. 175), 2321, (fls. 176) e 1.320P, (fls. 177). Ocorre que tais valores, em sua absoluta maioria, correspondem a transferências de mesma titularidade, conforme anotados nos próprios extratos bancários e demonstrativo (palavras do julgador a quo). Extraise, ainda, da análise em primeira instancia: “Ora, do simples exame dos fundamentos materiais das exações, fls. 155/179, ressalta a evidência do descumprimento do dispositivo antes transcrito.” Aduz que, da análise do total dos créditos/depósitos tido como receitas presumidamente omitidas (R$ 5.563.302,79) resta, tão somente, como valores que não correspondem a transferências entre contas de mesma titularidade a quantia de R$ 344.467,91. E, mesmo assim, conclui o acórdão recorrido, “se observadas as disponibilidade mês a mês apenas em três momentos, os créditos/depósitos ultrapassaram a receita bruta: abril, R$ 43.114,67; agosto, R$ 12.816,48 e novembro, R$ 65.794,91. Ora, as disponibilidades de caixa no final dos meses imediatamente antecedentes justificam, com vantagens, tais diferenças. Dado, pois, o expresso descumprimento de dispositivo legal pertinente à matéria, antes reproduzido, fundamento da insustentável base de cálculo das exações, como demonstrado, dou provimento à impugnação. Desta decisão tomada pelo colegiado que me precede devo divergir em parte. Como visto, o texto legal estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Com isso, basta à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram na conta corrente do contribuinte para que haja a presunção de omissão de receitas tributáveis. Assim, a Lei n° 9.430, de 1996, art. 42, estabelece a presunção de que ocorreu o fato gerador, sempre que o contribuinte não conseguir comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária. Desse modo, havendo indícios de depósitos bancários não comprovados, cabe a autoridade fazendária intimar o sujeito passivo para que demonstre sua origem, sob pena de caracterização de omissão de receitas com o lançamento dos créditos tributários. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 A contribuinte foi regularmente intimada por diversas vezes para (i) apresentação dos extratos de suas contas correntes; (ii) prestar esclarecimentos ou apresentar documentos à fiscalização relativos à matéria tributada e, no caso, além de não apresentar os extratos bancários simplesmente respondeu em todas as oportunidades que os mesmos foram furtados, apresentando o Registro de Ocorrência Aditado relativo a furto de carro. Particularmente no que se refere aos depósitos/créditos bancários, a autoridade fiscal obteve os extratos junto ao Banco Bradesco, elaborou demonstrativo encaminhandoo à recorrente com intimações específicas para viabilizar o exercício do seu direito de defesa; deixando claro que para ilidir o lançamento deveria ser comprovada a origem de todos os depósitos/créditos bancários relacionados no demonstrativo. Repito, comprovada pelo Fisco a existência de depósitos bancários (fato conhecido), caberia à empresa produzir a prova de que esses depósitos não constituem receitas, ou já foram oferecidas à tributação, de modo a infirmar a presunção legal (fato probando). É a lei que reconhece esse vínculo e elege os fatos indiciários, os quais, devidamente provados pelo Fisco, permitem a presunção da ocorrência de omissão de receitas. A mesma lei reconhece que pode haver algumas situações em que o fato indiciário não esteja associado à omissão de receitas. Mas, nesses casos, o ônus da prova recai sobre o contribuinte. No caso em concreto, de posse dos demonstrativos elaborados com base nos extratos bancários obtidos junto a instituição financeira e, na ausência de comprovação por parte da empresa titular dos depósitos (empresa autuada), a autoridade fiscal apurou a base tributável da infração, confrontando a soma dos depósitos/créditos relacionados nos extratos bancários e demonstrativo de fls.155/179 no valor de R$ 11.676.166,81 excluindo a receita declarada na Declaração Simplificada, ano calendário de 2006, no valor de R$ 6.112.864,02, apurandose como receita presumidamente omitida o valor de R$ 5.563.302,79. No entanto, ao meu ver, faltou, também, excluir os valores referentes as transferências intercontas da mesma pessoa jurídica identificadas nos extratos bancários. Assim, meu voto é no sentido de DAR provimento parcial ao recurso de ofício para que se promova a exclusão da base tributável dos valores referentes as transferências intercontas de titularidade da recorrente e, identificadas nos extratos bancários; mantendo, assim, como base tributável o saldo remanescente dos depósitos não comprovados. assinado digitalmente Paulo Jakson da Silva Lucas – Relator Fl. 334DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 10/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 16327.915394/2009-04
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM DCOMP ANTERIOR. DIREITO INEXISTENTE.
As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em DCOMP integram a essência do encontro de contas entre sujeito passivo e Fazenda Pública e definem os limites da compensação.
Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3802-003.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Proferiu sustentação oral, pelo recorrente, Dr. William Rodrigues Alves, OAB/SP nº 314.908.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM DCOMP ANTERIOR. DIREITO INEXISTENTE. As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em DCOMP integram a essência do encontro de contas entre sujeito passivo e Fazenda Pública e definem os limites da compensação. Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Waldir Navarro AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 91 53 94 /2 00 9- 04 Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Bezerra, Bruno Mauricio Macedo Curi e Adriene Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Proferiu sustentação oral, pelo recorrente, Dr. William Rodrigues Alves, OAB/SP nº 314.908. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 14a Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 1893/1906), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pelo recorrente, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 2006 DCOMP. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO A MAIOR. APROVEITAMENTO EM DCOMP ANTERIOR. DIREITO INEXISTENTE. As informações sobre o direito de crédito e os débitos compensados assinaladas em Declaração de Compensação integram a essência do encontro de contas entre contribuinte e Fazenda Pública e definem os limites da compensação, não podendo ser alterados em sede de manifestação de inconformidade. Não se homologa compensação de débito com direito de crédito já inteiramente comprometido em DCOMP anterior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever a matéria litigiosa, adoto relatório que embasou o acórdão recorrido, que passo a transcrever: A contribuinte apresentou Declaração de Compensação (nº 06866.40546.240608.1.3.044353) pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. Por meio de despacho decisório, a unidade local não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito. Segundo a decisão, cruzamento de informações mantidas pela Administração Fiscal acusara que o pagamento indicado como efetuado a maior estava integralmente alocado a débito confessado em DCTF, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915394/200904 Acórdão n.º 3802003.655 S3TE02 Fl. 1.983 3 retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Referida manifestação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal em Campinas. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Os autos subiram à segunda instância administrativa. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado contra a decisão da DRJ Campinas, para que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido aquele colegiado que a apresentação da DCTF retificadora alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Encaminhados os autos à origem, a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório no qual informa que: A DCOMP nº 06866.40546.240608.1.3.044353, objeto deste processo, referese exclusivamente ao DARF de nº 2351211881, período de apuração 08/02/2006, código de receita 5869, no valor original de R$ 80.007.650,71, data de arrecadação 22/02/2006. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF, totalizando débitos de R$ 630.731,79] O despacho relata que a contribuinte foi intimada a apresentar documentos relativos ao alegado direito de crédito. Informa ainda a autoridade fiscal que a documentação apresentada comprovaria a cobrança indevida de CPMF dos clientes listados em tabela presente no despacho decisório, assim como dos correspondentes estornos, em um total de R$ 160.406,15. A seguir, conclui o despacho decisório: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 160.406,15 [...], mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 630.731,79 [...] Na PER/DCOMP nº 17203.72666.220206.1.3.047130, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 06866.40546.240608.1.3.044353 objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 79.377,96, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 06866.40546.240608.1.3.044353. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade argumentando que: a) o crédito em questão referese à CPMF recolhida a maior no valor de R$ 438.463,61 que tem origem em retenções indevidas Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 sobre movimentações financeiras de diversos clientes, sendo o montante utilizado em diversas declarações de compensação; b) atendendo a intimação fiscal, foram apresentados apenas os documentos relativos à formação do direito de crédito aproveitado na DCOMP examinada e não o conjunto probatório de todo o crédito apurado no pagamento; daí porque os valores comprovados não seriam suficientes para a homologação de todas as compensações; c) ademais, em que pese o equívoco no preenchimento do PER/DCOMP relativo ao DARF [...] percebese pela documentação juntada aos autos que o recolhimento indevido foi comprovado em sua totalidade; o erro formal não pode ser fundamento para a não homologação da compensação tendo em vista que efetivamente houve recolhimento indevido; d) resta demonstrado que o Manifestante possui o crédito pleiteado e que este assumiu o ônus financeiro do pagamento da CPMF quando efetuou o estorno aos clientes, sendo o detentor do crédito, nos termos do artigo 166 do CTN; portanto, em observância ao princípio da verdade material, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, pois demonstram o recolhimento a maior e o erro no preenchimento da DCTF. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 22/01/2014 (ciência eletrônica, fl. 1913). Inconformada, a mesma apresentou, em 06/02/2014, o recurso voluntário de fls. 1915/1920, onde, além dos argumentos já aduzidos na primeira instância, ressalta que: a) verificase que a não homologação da compensação do crédito de CPMF, período de apuração de fevereiro de 2006, no valor original de R$ 438.163,62, ocorreu por conta de um erro do Recorrente, qual seja, a entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. Todavia, essa DCTF já foi retificada e contempla o crédito controvertido, conforme documentos acostados aos autos; b) o crédito pleiteado decorre de valores recolhidos indevidamente a título de CPMF que, inicialmente, estava alocado ao DARF de R$ 71.114.349,09, porém a Autoridade Fiscal acabou por atrelar indevidamente ao presente feito, diversos PER/DCOMPs cujo crédito é discutido em outros processos, o que tornou o crédito pleiteado insuficiente para homologar o DCOMP sob análise; c) o crédito em discussão nesses autos, referese à uma parte da CPMF recolhida a maior no valor total de R$ 630.731,79, objeto de outros pedidos de compensação, conforme detalhamento constante deste recurso; d) o crédito total de CPMF recolhido foi devidamente demonstrado na DCTF do mês de fevereiro de 2006, tem origem do pagamento da CPMF apurada naquele período, no valor de R$ 79.377.237,11, com um DARF no valor de R$ 80.007.650,71, conforme documentos anexados; e) o crédito tem origem em valores recolhidos indevidamente de diversos clientes, que, por motivos diversos, não se sujeitavam à incidência do tributo. Para tanto, elabora um quadro demonstrativo das operações que ensejaram os recolhimentos indevidos; Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915394/200904 Acórdão n.º 3802003.655 S3TE02 Fl. 1.984 5 f) para comprovar o recolhimento indevido e a assunção do ônus tributário, junta aos autos, documentos contábeis e fiscais, incluindo a contabilização das compensações, demonstrando que o ônus não recaiu sobre os seus clientes; g) a parcela de crédito excedente é discutida em outros processos que, vale o registro, não possuem relação direta com a presente demanda e a cobrança,na hipótese de não homologação definitiva do crédito, ocorreu ou ocorrerá no processo próprio. Daí porque, os valores aqui comprovados não seriam suficientes para a homologação de todas as compensações. h) de todo o exposto, restou comprovada a existência do indébito tributário que originou a compensação em tela e em observância ao princípio da verdade material sobre a formal, as provas trazidas aos autos devem ser acolhidas, requer que seja dado provimento ao seu recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra A ciência (eletrônica) da decisão recorrida se deu em 22/01/2014. Por sua vez, o recurso voluntário foi apresentado em 06/02/2014, tempestivamente, portanto. No mais, o recurso preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Extraise dos autos que o Recorrente apresentou Declaração de Compensação nº 06866.40546.240608.1.3.044353, pretendendo a extinção de débito próprio com direito de crédito decorrente de suposto pagamento a maior de CPMF. A DRF de origem não homologou a compensação declarada por inexistência de crédito, não havendo, portanto, saldo disponível para suportar a compensação declarada na referida DCOMP. Inconformada, a interessada interpôs manifestação de inconformidade reiterando o direito ao crédito e mencionando a retificação da DCTF à qual o pagamento fora alocado na íntegra. Entendeu a DRJ que a contribuinte não teria comprovado a liquidez e certeza do crédito aproveitado. Então, os autos subiram à segunda instância administrativa. Consta dos autos que foi transmitida pela internet DCTF retificadora em data anterior à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Analisando todo o acima exposto, o CARF deu provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, decidindo no sentido de que a compensação fosse novamente apreciada, havendo entendido que a apresentação da DCTF retificadora, alterando o valor do débito ao qual fora vinculado o pagamento indicado como feito a maior, desconstituiria a causa original da não homologação, impondose o novo exame do feito. Em cumprimento ao Acórdão nº 330201.717 (fls. 148/152), a unidade de jurisdição emitiu novo despacho decisório, onde relata que: Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 A DCOMP nº 06866.40546.240608.1.3.044353, objeto deste processo, referese exclusivamente ao DARF de nº 2351211881, período de apuração 08/02/2006, código de receita 5869, no valor original de R$ 80.007.650,71, data de arrecadação 22/02/2006. Com base neste mesmo DARF o interessado apresentou ainda as seguintes Declarações de Compensação: [seguese tabela com as compensações que teriam se utilizado do mesmo DARF, totalizando débitos de R$ 630.731,79] Na sequência, conclui o despacho decisório: O interessado comprovou um crédito de pagamento indevido ou a maior no valor de R$ 160.406,15 [...], mas transmitiu, utilizando este crédito, declarações de compensação em um valor original total de R$ 630.731,79 [...]Na PER/DCOMP nº 17203.72666.220206.1.3.047130, com informação do crédito relativo a PER/DCOMP nº 06866.40546.240608.1.3.044353 objeto deste processo, foi informado um crédito de R$ 79.377,96, totalmente utilizado na própria PER/DCOMP. Não restando crédito disponível, propomos a não homologação da PER/DCOMP nº 06866.40546.240608.1.3.044353 (g.n). Nesse contexto, assim se posicionou a decisão a quo, a respeito da compensação tratada na DCOMP nº 06866.40546.240608.1.3.044353: (...) Como relatado, os autos retornam a esta Delegacia de Julgamento por força de acórdão prolatado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais que determinou novo exame da compensação declarada pela contribuinte. Entendeu aquele colegiado que a apresentação de DCTF retificadora teria alterado a situação jurídica na qual se baseara o despacho decisório de não homologação, devendose reexaminar a existência do direito creditório. Em novo despacho decisório, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP (g.n). O Recorrente, em seu recurso, alega que a não homologação da compensação do crédito de CPMF, período de apuração de fevereiro de 2006, no valor original de R$ 438.163,62, ocorreu por conta de um erro do Recorrente, qual seja, a entrega de DCTF original sem a contemplação do valor do crédito. Todavia, essa DCTF já foi retificada e contempla o crédito controvertido, conforme documentos acostados aos autos; Que o crédito pleiteado decorre de valores recolhidos indevidamente a título de CPMF que, inicialmente, estava alocado ao DARF de R$ 71.114.349,09, porém a Autoridade Fiscal acabou por atrelar indevidamente ao presente feito, diversos PER/DCOMPs cujo crédito é discutido em outros processos, o que tornou o crédito pleiteado insuficiente para homologar o DCOMP sob análise. Tal crédito em discussão, referese à uma parte da CPMF recolhida a maior no valor total de R$ 630.731,79, objeto de outros pedidos de compensação, conforme detalhamento constante deste recurso; Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915394/200904 Acórdão n.º 3802003.655 S3TE02 Fl. 1.985 7 Aduz que os autos retornaram a DEINF, que concluiu pela existência parcial do crédito. Todavia, a compensação aqui discutida mantevese não homologada, inobstante todos os esclarecimentos e comprovações realizadas em diversas oportunidades. Por fim, alega que se não bastasse isso, ao efetuar análise da documentação comprobatória limitada a um único pedido de compensação, atrelouo a todos os DECOMPs transmitidos com o mesmo DARF, muito embora cada pedido de compensação possuísse discussão autônoma e com a documentação comprobatória pertinente acostadas aos processos correspondentes; e que a parcela excedente do crédito é discutida em outros PAF que não possuem relação direta com a presente demanda. Ressaltese que no recurso apresentado pelo Recorrente na época, bem como no Acórdão proferido pelo CARF, restringiase ao erro no preenchimento da DCTF e da retificadora, conforme se observa na ementa do Acórdão: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/02/2006, 15/02/2006 CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. No entanto, agora na presente discussão, observase que a não homologação da compensação teve como conseqüência quando o Recorrente transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e verificado que as características do direito de crédito compensado estariam definidas em outra Declaração de Compensação. Ou seja, apresentou uma declaração de compensação cujo crédito informado inexiste na base de dados da Receita Federal, não podendo agora, em sede de contencioso, modificar o âmbito de seu pedido, como corretamente asseverou a instância recorrida. Atinente a este fato, vejase trecho da Acórdão recorrido: (...) Com efeito, na DCOMP sob exame (fl. 23), a contribuinte assinala que o direito de crédito compensado fora informado em outra declaração de compensação, a de nº17203.72666.220206.1.3.047130. Confirase: (...) Essa última DCOMP traz, portanto, as características que definem a natureza e a dimensão do direito de crédito aproveitado na declaração de compensação ora em análise. Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 A citada DCOMP que contém as características do pagamento indevido indica o montante do direito de crédito: R$ 79.377,96. Esse valor, como se vê, foi integralmente vinculado à compensação do débito informado naquela mesma declaração. Confirase (fl. 1.752): (...) Ou seja, o direito de crédito cujo aproveitamento foi formalizado na DCOMP objeto do presente exame está inteiramente comprometido na compensação de outra dívida, não restando saldo disponível para outra compensação (g.n). É sabido que o documento intitulado Declaração de Compensação (DCOMP) se presta, assim, a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. De fato, o pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação, posto que tal procedimento desnatura o próprio objeto do processo. Eventual manifestação da instância julgadora sobre a legitimidade de crédito tributário não admitido junto à autoridade responsável pelo exame de pedidos dessa natureza representaria verdadeira usurpação da competência da referida autoridade, o que também não se pode admitir. Como é sabido, pois essa matéria foi regrada por diversos atos da RFB ao normatizar o art. 74, da Lei nº 9.430/96, que tanto a alteração de qualquer uma das características do débito compensado como do pagamento afirmado como feito a maior (data de vencimento, data de recolhimento, valor, CNPJ, período de apuração, data do fato gerador, código de receita de tributo, etc), só podem ser efetivadas mediante a transmissão da correspondente DCOMP retificadora, respeitadas as condições estabelecidas pela legislação, entre elas a inexistência de despacho decisório que decida sobre a DCOMP original (art. 56 a 59 da IN SRF 600/2005 e 76 a 79, da IN RFB nº 900/2008). Para melhor esclarecer o acima descrito, destacase trecho do acórdão recorrido: (...) É esse quadro que dá sustentação ao novo despacho decisório emitido pela unidade local. A nova análise do direito de crédito encomendada pela decisão do CARF resultou na verificação da existência de pagamento a maior cuja compensação não fora formalizada pela contribuinte na DCOMP que veiculou o direito de crédito limitandoo à cifra de R$ 7.406,41, inteiramente consumida na própria DCOMP n° 18652.39612.120406.1.7.043183. Com efeito, como é cediço, a compensação que, nos termos do art. 170 do CTN, pressupõe liquidez e certeza dos créditos, é levada a efeito por meio de declaração capaz de extinguir o débito tributário sob condição da sua ulterior homologação, nos termos dos parágrafos 1º e 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme a redação que lhes foi Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 16327.915394/200904 Acórdão n.º 3802003.655 S3TE02 Fl. 1.986 9 fornecida pela Lei nº 10.637, de 2002. Portanto, cabe ao Fisco analisar se cabe ou não homologar uma compensação declarada. Noutro giro, os parágrafos sétimo a nono do mesmo art. 74 da mesma Lei nº 9.430, de 1996, incluídos pela Lei nº 10.833, de 20033, indicam as consequências da não homologação da DCOMP, bem assim o objeto do litígio instaurado em razão da apresentação de manifestação de inconformidade. Focado nesses parâmetros, entendo que o pleito do sujeito passivo não merece acolhida, pois não cabe a este Colegiado ir além da análise do ato de não homologação da Declaração de Compensação e tal ato, como decidido pelo acórdão recorrido, não merece reparo. Observase vários julgados desta Corte que no caso do preenchimento dos dados do PER/DCOMP, cuja finalidade é a comunicação à administração tributária de um crédito e de um débito, os quais se extinguirão mutuamente, o erro na discriminação de qualquer um dos dois é claramente substancial, não podendo ser considerado simples erro material. Neste sentido, quanto ao princípio da verdade material em detrimento do formalismo que deve nortear o processo administrativo fiscal, alegado pelo Recorrente, temos em conta que a DCOMP faz parte de maneira inseparável à compensação. A pesquisa da verdade material se dá em relação às informações assinaladas na DCOMP. Não se trata de investigar minuciosamente da existência ou não do pagamento a maior no montante mencionado pela contribuinte. No caso da compensação, as informações sobre o débito e o crédito inscritas na DCOMP, como dito, fazem parte da essência da compensação. Por fim, temos em conta ainda que como se sabe, tratandose a CMPF de tributo pago por terceiros, cabendo ao interessado, na condição de contribuinte de fato, tão somente a obrigação por seu recolhimento, o direito à sua restituição/compensação se subsume, a teor do disciplinado pelo art. 166 do CTN. É fato que o Recorrente juntou cópia de demonstrativo dos extratos das contas correntes que receberam os créditos e dos valores estornados dos clientes, visando corroborar as suas alegações de que suportou o ônus de pagamento da CPMF indevidamente retida. Conclusão Portanto, a unidade de origem reconheceu a existência de pagamento a maior pleiteado. Porém, não haveria como homologar a presente declaração de compensação já que o direito de crédito estaria integralmente comprometido na absorção de débito declarado em outra DCOMP, como demonstrado neste relatório. Sendo essas as considerações que reputo suficientes e necessárias à resolução da lide, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a decisão recorrida. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 10 Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 29/09/20 14 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10935.906376/2012-84
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/06/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.674
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 20/06/2008 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de COFINS que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/06/2008 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 76 /2 01 2- 84 Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.824, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 30412.47426.130209.1.2.047349, rastreamento nº 041907090, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 27.414,79, uma vez que o pagamento de COFINS (Código 5856), do período de 31/05/2008, efetuado em 20/06/2008, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906376/201284 Acórdão n.º 3802002.674 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/06/2008 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906376/201284 Acórdão n.º 3802002.674 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906376/201284 Acórdão n.º 3802002.674 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906376/201284 Acórdão n.º 3802002.674 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 70DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 11065.903075/2008-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/01/2002 a 30/06/2004
NORMAS PROCESSUAIS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. INEXATIDÃO MATERIAL. LAPSO MANIFESTO. OCORRÊNCIA.
Devem ser acolhidos os embargos de declaração quando demonstrada inexatidão material em decorrência de lapso manifesto.
Embargos de Declaração acolhidos.
Numero da decisão: 3202-001.370
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração apresentados pela PFN. Ausente o conselheiro Gilberto de Castro Moreira Jr.
Luís Eduardo Garrossino Barbieri Presidente substituto e Relator
Presentes na sessão: Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves, Tatiana Midori Migiyama e Paulo Roberto Stocco Portes.
Nome do relator: Irene Souza da Trindade Torres
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score : 1.0
Numero do processo: 10860.001264/2009-51
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2801-003.822
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, por intempestivo, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se apurou, na declaração de ajuste anual do contribuinte, saldo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 12 64 /2 00 9- 51 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10860.001264/200951 Acórdão n.º 2801003.822 S2TE01 Fl. 93 2 de imposto a restituir no valor de R$ 421,29 (Demonstrativo do Valor a Restituir à fl. 17 deste processo digital). Informa a Autoridade lançadora, na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 15), que confrontando o valor dos rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 33.896,84, recebidos da fonte pagadora São Paulo Previdência. Cientificado do lançamento o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 3/9, que foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 64/69, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 ISENÇÃO. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Para o contribuinte portador de moléstia grave ter direito à isenção são necessárias duas condições concomitantes, uma é que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, reforma ou pensão, inclusive a sua complementação, e a outra é que seja portador de uma das doenças previstas no texto legal, devidamente reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Sendo literal a interpretação da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção, é requisito essencial que conste no laudo pericial a denominação da doença segundo a terminologia empregada pelo legislador. Cientificado da decisão de primeira instância em 09/02/2012 (fl. 72), o Interessado interpôs, em 29/03/2012, o recurso de fl. 74/75. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Recebeu a intimação para apresentar recurso ao CARF, sendo que em primeiro plano a intimação demonstra o processo 10860.001252/200926, em segundo o processo 10860.001263/200914 e em terceiro o processo 10860.001264/200951. Acontece, porém, que a intimação induziu o patrono da Recorrente em erro, pois as intimações são realizadas, normalmente, individualmente, ou seja, cada processo tem sua intimação. O recurso único apresentado no processo de número 10860.001252/200926 deveria ter sido estendido aos demais processo, porém, por falha na digitação, não constou os números 10860.001263/200914 e 10860.001264/200951. Ao final, requer seja juntada a este processo cópia do recurso voluntário apresentado tempestivamente no processo 10860.001252/200926, por se tratar da mesma matéria, cujas decisões e razões dos recursos são idênticas. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10860.001264/200951 Acórdão n.º 2801003.822 S2TE01 Fl. 94 3 Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Aprecio, de início, a (in) tempestividade do recurso. O Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, assim dispõe: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. (...) Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 2° Considerase feita a intimação: (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. No caso concreto, a ciência ao contribuinte, do Acórdão da 7ª Turma de Julgamento da DRJ/SP2, se deu em 09/02/2012 (quintafeira), conforme Aviso de Recebimento – AR acostado aos autos em fl. 72, o que significa dizer que o prazo recursal iniciouse em 10/02/2012 (sextafeira), findandose em 12/03/2012 (segundafeira). Em 29/03/2012 (quintafeira) foi protocolado o recurso de fls. 74/75, ou seja, após transcorrido o prazo de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de primeira instância. Caracterizada, portanto, a intempestividade do recurso apresentado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10860.001264/200951 Acórdão n.º 2801003.822 S2TE01 Fl. 95 4 Face ao exposto, voto por não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 95DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10715.000559/2010-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-002.457
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Mara Cristina Sifuentes, que negavam provimento. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
(Assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES Redator Designado
EDITADO EM: 29/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos as conselheiras Maria da Conceição Arnaldo Jacó (relatora) e Mara Cristina Sifuentes, que negavam provimento. Designado o conselheiro Alexandre Gomes para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. (Assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES – Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 05 59 /2 01 0- 17 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 2 EDITADO EM: 29/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Mara Cristina Sifuentes, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes, Fabiola Cassiano Keramidas e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão 0725.369 2 Turma da DRJ/FNS, de 29 de julho de 2011, que, por unanimidade de votos, decidiu por julgar procedente em parte a impugnação contra Auto de Infração de multas aduaneiras, mantendo o crédito tributário exigido no valor de R$ 75.000,00. Por bem descrever os fatos, transcrevese o relatório do acórdão ora recorrido até a fase da impugnação: “Tratam os autos da exigência, no valor de R$ 85.000,00, consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 10, referente à. multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veiculo ou carga transportada, ou sobre operações que executar, prevista no artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em abril de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "A U7'0 DE INFRA 0 0 n° 0717700/00/00027/10", descumprindo, por conseguinte, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/1994, alterado pelo artigo 1° da IN/SRF 510/2005, uma vez que o inciso II do artigo 39 da citada IN/SRF 28/1994 considera intempestivo o registro dos dados de embarque efetuado pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 15 a 24, acompanhada dos documentos de fls. 25 a 36, para aduzir que (i) a multa aplicada não corresponde à infração supostamente praticada, o que torna nulo o auto de infração por cerceamento do direito de defesa da impugnante; (ii) a penalidade aplicação contraria aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, uma vez que seu valor não leva em consideração a quantidade de registros informados fora de tempo, além de ser muito superior ao valor da multa por embaraço à fiscalização, que além de considerar o valor aduaneiro da mercadoria, somente é aplicável quando constatado o dolo especifico; (iii) o diminuto lapso temporal verificado não trouxe qualquer prejuízo ao fisco; (iv) o artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/1966 não se aplica ao caso sob exame porque foram inseridas Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302002.457 S3C3T2 Fl. 11 3 informações referentes às mercadorias no Siscomex, conforme determina a Receita Federal. Do exposto, requer a nulidade do auto de infração e, por conseguinte, a desconstituição do crédito lançado. Novamente, em 18.02.2011, a autuada comparece aos autos, às fls. 38 a 44, para, em síntese, dar noticia de que ‘a Secretaria da Receita Federal do Brasil expediu, em 13.12.2010, a Instrução Normativa n°1096 que, em seu art. 1°, alterou a redação do art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94, para determinar que o transportador deverá registrar no Siscomex os dados de embarque de mercadorias no prazo de 07 dias, contados da data de respectivo embarque’, e que ‘0 Código Tributário Nacional dispõe, em seu art. 106, II, que a lei nova que deixe de definir determinada conduta como infração aplicase imediatamente aos atos não definitivamente julgados’. Dessa forma, "não há dúvida quanto à aplicação retroativa da Instrução Normativa n° 1.096/2010, eis que a Secretaria da Receita Federal do Brasil deixou de definir como infração a inserção de dados no Siscomex realizada anteriormente ao prazo de 07 dias data de embarque". Do exposto, ‘requer seja declarada a nulidade absoluta do presente auto de infração, ou, alternativamente, caso assim não entenda, (..) requer sejam excluídos da presente cobrança as multas referentes aos embarques tempestivamente informados’. Observese, por fim, que ao presente processo foi juntado, por anexação, o processo 10715.001300/201174. É o relatório.” O Acórdão 0725.369 – 2ª Turma da DRJ/FNS, de 29 de julho de 2011, decidiu a controvérsia administrativa nos termos da seguinte ementa: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2006 a 30/04/2006 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA DA LEI TRIBUTARIA. A lei tributária, em sentido amplo, que comina penalidade aplicase a ato ou fato pretérito não definitivamente julgado quando for mais benéfica ao sujeito passivo. PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03, a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 4 Decretolei 37/66, com redação do artigo 61 da citada MP, posteriormente convertida na Lei 10.833/03. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte”. A contribuinte tomou ciência do Acórdão nº 0725.369 2 Turma da DRJ/FNS, por meio da Intimação nº 142/2011, em 29/09/2011, conforme Aviso de Recebimento de efl. 71. Assim, devidamente cientificada, inconformada, recorre a contribuinte, em 28/10/2011, insistindo na mesma linha de argumentação esboçada na impugnação, e acrescentando novas alegações, segundo os seguintes itens de defesa: I DOS FATOS E DA R. DECISÃO RECORRIDA; II DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO ATINENTE À MATÉRIA EM DEBATE E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS; III DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE PROVAS DA INFRAÇÃO IMPUTADA À RECORRENTE; IV DO EMBARQUE TEMPESTIVO, SEGUNDO A IN SRF 1.096/10, MAS NÃO EXCLUÍDO DA AUTUAÇÃO PELO V. ACÓRDÃO RECORRIDO; V DA NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA MULTA APLICADA AO VÔO AF/442 DO DIA 20/04/2006; VI DA AUSÊNCIA DE PROVA DA INTEMPESTIVIDADE DO REGISTRO EFETUADO PELA RECORRENTE; VII PROVA IMPERFEITA DA INFRAÇÃO COMETIDA EM RAZÃO DE INDISPONIBILIDADES DO S1SCOMEX; VIII RECONHECIMENTO POR PARTE DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL ACERCA DAS IMPOSSIBILIDADES DE ACESSO AO SISCOMEX CARGA IN RFB N° 835/2008; IX INEXISTÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, DESONERAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES E VIOLAÇÃO À FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO; X VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE; Fl. 172DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302002.457 S3C3T2 Fl. 12 5 XI DO PEDIDO Em razão de todo o exposto, a Recorrente requer que seja dado provimento ao presente Recurso Voluntário, a fim de que seja reformado o v. acórdão n° 0725.369, julgandose totalmente improcedente o lançamento efetuado por meio do auto de infração juntado aos autos do processo administrativo n° 10715.000559/201017. Na forma regimental, o presente processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Vencido Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razões que justificam o seu conhecimento. A lide, neste processo, restringese unicamente à multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória, prevista na legislação aduaneira, em face de registros intempestivos no SISCOMEX. No entender do Fisco, a contribuinte não fez o registro dos dados de embarque dos despachos de exportação que realizou, no Sistema de Comércio Exterior — SISCOMEX, dentro do prazo legal de 2 (dois) dias, para a prática do ato, contado da data da realização do embarque, consoante o prazo fixado no art. 37 da IN SRF nº 28/1994, com a redação dada pelo art. 1º da IN SRF nº 510/2005. Por conta disso, foi aplicada a multa prevista no art. 107, IV, “e”, do Decretolei nº 37/1966, na redação que lhe deu o art. 77 da Lei nº 10.833/2003. PRECLUSÃO DE ALEGAÇÕES EFETUADAS APENAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Como é sabido, o recurso voluntário dirigido ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF deve ser interposto pelo sujeito passivo, no prazo de 30 dias, contra decisão das DRJ que não tenha acatado, parcial ou total, a impugnação ou que não tenha acolhido, total ou parcial, a manifestação de inconformidade (artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972 e artigos 1º e 7º do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). O recurso voluntário, desta forma, visa devolver ao tribunal administrativo o conhecimento de questões suscitadas e já discutidas no Processo Administrativo Fiscal. Portanto, é inadmissível a inovação em grau recursal, abordando tese não aventada por ocasião da impugnação e/ou manifestação de inconformidade, inovando na linha de defesa, na medida em que afronta o duplo grau de jurisdição e os princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Ou seja, não pode a contribuinte inovar na linha de defesa, suscitando em grau recursal questões que não foram objeto de litígio, haja vista que, in verbis: Fl. 173DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 6 “Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.º 9.532/1997). É que, de acordo com o previsto no inciso III do art. 16 do Decreto n º 70.235, a impugnação deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Assim, todas as alegações devem ser concentradas na impugnação, que é a primeira oportunidade que o sujeito passivo possui para se manifestar nos autos do processo administrativo. Da farta jurisprudência deste Conselho, colhese: "ITR/92 PRECLUSÃO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA 1 O contribuinte não pode inovar seu pedido na instancia ad quem. 2 Não pode a segunda instância conhecer e decidir matéria que não foi posta ao conhecimento da instância inferior. sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição e, com ele, o devido processo legal. Neste sentido, quanto ao prazo de vencimento do lançamento, rejeito e encargos moratórios, deve a autoridade julgadora monocrática sobre eles manifestarse, para então, se for o caso, retornarem os autos a este Colegiado. Recurso não conhecido" (2° Conselho, I a Câmara, RV n° 104.321, Processo n° 13847.000106/9268, Rel. Jorge Freire). "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. A impugnação apresentada pelo sujeito passivo, entre outros requisitos, mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamenta (art. 16, Decreto n° 70.235/72), os quais serão julgados em Primeira Instancia Administrativa (arts. 27 e 28. Decreto n° 70.235/72). Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, ao Conselho de Contribuintes competente (art. 33, mesmo Diploma legal). O sujeito passivo não pode inovar em relação aos motivos de fato e de direito constantes da defesa recursal, tendo em vista os princípios da legalidade e do duplo grau de jurisdição. Argumentos não apresentados quando da impugnação são preclusos. RECURSO NEGADO." (3° Conselho, 2° Câmara, RV n° 130.573, Processo n° 10930.004537/20035Z Rel. Elizabeth Emílio de Moraes Chieregatto, J. 11/11/2005). “RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO NOS ARGUMENTOS DA DEFESA. PRECLUSÃO. É defeso ao contribuinte trazer, no recurso voluntário, argumentos que não foram apresentados na impugnação, por ocorrência de preclusão, haja vista tratarse de matéria nova não submetida ao litígio. (2ª Seção AC 2201002.180 2ª Câmara/ 1ª Turma Ordinária, de 20 de junho de 2013, Processo nº 10970.720193/201166, Rel. Walter Reinaldo Falcão Lima) “NORMAS PROCESSUAIS PRECLUSÃO MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Estão preclusos os argumentos inaugurados na fase recursal, os quais não foram suscitados na peça impugnatória, ou tampouco abordados na decisão recorrida, Fl. 174DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302002.457 S3C3T2 Fl. 13 7 impedindo, portanto, o seu conhecimento e exame em instância superior”.( Acórdão 19500027 (Sessão de 20/10/2008)) Neste sentido, cabe esclarecer que o relator do Acórdão 0725.369 – 2ª Turma da DRJ/FNS efetua a seguinte ressalva no início do seu voto: “De inicio, impende ressaltar ser incontroverso que a autuada efetuou os registros das cargas no Siscomex em prazo superior a dois dias, fato que ensejou a lavratura do auto de infração”. Tal ressalva deuse em função de que a contribuinte não suscitou em sua impugnação nenhuma alegação visando descaracterizar a intempestividade de registros apontada pela fiscalização e, também, em nenhum momento de sua impugnação questionou as provas dos autos. Desta forma, verificase estarem preclusas as alegações abaixo mencionadas que visam descaracterizar a intempestividade dos registros, as quais foram efetuadas unicamente no recurso voluntário, não tendo sido submetidas, portanto, à apreciação da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa: 1) a alegação efetuada em seu recurso voluntário sob o título “VI DA AUSÊNCIA DE PROVA DA INTEMPESTIVIDADE DO REGISTRO EFETUADO PELA RECORRENTE”, na qual aduz inexistência de prova de que o registro efetuado pela Recorrente tenha se dado a destempo, haja vista que, em suas palavras, “Da análise da relação de embarques disposta no auto de infração, verificase que a mesma está informando, na realidade, a data de averbação, pela Receita, do embarque da carga, mas não a dos registros de dados efetuados pela Recorrente”, ... “Ou seja, a data mencionada na planilha Siscomex, que constitui a única prova da infração que está sendo imputada à Recorrente, não corresponde à data real de inserção dos dados de embarque das mercadorias por ela transportadas. É imprescindível ressaltar que tal falha jamais poderia ser imputada à Recorrente, eis que esta não possui qualquer gerência sobre as funções realizadas pelo Siscomex”. 2) a alegação contida no item “III DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA AUSÊNCIA DE PROVAS DA INFRAÇÃO IMPUTADA À RECORRENTE”, na qual argúi que “tal planilha não possui valor probatório algum para fins de apuração da infração imputada à Recorrente” e que “Não tendo a fiscalização juntado os extratos de tela do Siscomex que comprovam efetivamente a infração cometida por parte da Recorrente, restam apenas alegações, carecedoras de comprovação. Assim, não havendo provas nos autos de que a Recorrente descumpriu qualquer prazo para a inserção de dados no sistema Siscomex, não há sequer a possibilidade desta se defender da aplicação da multa, restando inviabilizada a aplicação de qualquer punição à mesma pela inserção intempestiva de dados no SISCOMEX.(grifos do original). Encontrase, também preclusa, por igual motivo, a alegação aduzida no item “V ‐ DA NÃO OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR DA MULTA APLICADA AO VÔO AF/442 DO DIA 20/04/2006”, na qual visa caracterizar referido vôo como como vôo de importação, aduzindo que, dessa forma, não se encontra o mesmo sujeito ao cumprimento da obrigação acessória contida no artigo 37 da IN SRF 28/94, que disciplina o despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 8 Sob esta questão, inclusive, a contribuinte, em sua impugnação, mais precisamente no item “IV (a) Inexistência de embaraço à fiscalização, desoneração às exportações e violação à finalidade do ato administrativo”, informa exatamente em sentido oposto que “Todos os vôos de que trata o auto de infração ora impugnado são vôos de exportação. 0 regime tributário brasileiro desonera ampla e irrestritamente a exportação. Mesmo as receitas derivadas das exportações são imunes de contribuições sociais por determinação constitucional. Neste sentido, as obrigações acessórias relativas ao despacho de exportação existem para fins de controle de conferência e estatístico.” (grifei). Portanto, não havia litígio, posto que se trata de questão expressamente acolhida pela contribuinte em sua impugnação. Como se vê, é inadmissível inovar na postulação recursal para incluir novas alegações diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da impugnação do lançamento na instância a quo, salvo questões de ordem pública, se o julgador de 1ª instância administrativa não apreciou determinada matéria, posto que não foi a ela submetida, não compete ao Conselho apreciála, simplesmente porque haveria de ferir o princípio do duplo grau de jurisdição. Assim, deixase de apreciar as alegações recursais acima mencionadas. Passase à análise das alegações suscitadas na impugnação e apreciadas pela autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, sobre as quais ainda se insurge a contribuinte, sem, contudo, seguir integralmente a ordem posta no recurso voluntário, em face de se levar em conta o momento oportuno de apreciação de referidas alegações dentro do contexto do voto. DA ALEGAÇÃO DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS No item “II DA EVOLUÇÃO DA LEGISLAÇÃO ATINENTE À MATÉRIA EM DEBATE E DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO PELA INCORRETA TIPIFICAÇÃO DOS FATOS”, a recorrente destaca a evolução da legislação atinente à questão sob litígio, concluindo pela incorreção da tipificação dos fatos para suscitar a nulidade do auto de infração, alegando cerceamento do direito de defesa, cujos termos se transcreve a seguir, por ser oportuno: A recorrente tece a seguinte evolução da legislação: “0 DecretoLei n° 37, de 18 de novembro de 1966, previa originariamente em seu art. 107, I, a aplicação de multa, no valor de Cr$ 200.000 (duzentos mil cruzeiros) a quem, por qualquer meio, realizasse o embaraço à ação fiscalizadora. Ultrapassados três anos da publicação do DecretoLei n° 37/66, foi editado o DecretoLei n° 751, de 1969, apenas atualizando o valor original da multa por embaraço à fiscalização, conforme transcrito abaixo: ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: I de NCr$ 500,00 (quinhentos cruzeiros novos), a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do fisco ou embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora’; Neste contexto, em 1994, quando vigente a redação acima transcrita do art. 107, I, do DecretoLei n° 37/66, foi editada e publicada a Instrução Normativa n° 28, de 27 de abril de 1994, que, pela primeira vez, criou uma obrigação ao transportador Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302002.457 S3C3T2 Fl. 14 9 aéreo de informar no Siscomex os dados pertinentes às mercadorias por ele embarcadas ao exterior. Em sua redação original, a Instrução Normativa n° 28/94 determinava que o transportador deveria informar os dados de mercadoria imediatamente após o embarque ao exterior e que o descumprimento de tal obrigação constituiria embaraço à fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator à multa prevista no art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Assim, a penalidade, em seu conjunto, se consubstanciava da seguinte forma: "Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinente, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (...) Art. 44. 0 descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decreto Lei n° 37/66 com a redação do art. 5o do DecretoLei n° 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis." Após 09 anos de vigência da Instrução Normativa n° 28/94, foi publicada a Medida Provisória n° 135, de 31 de outubro de 2003, que deu nova redação ao art. 107 do DecretoLei n° 37/66, incluindo novos incisos e criando novas penalidades relacionadas às infrações aduaneiras, conforme transcrito a seguir: ‘Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado a intimação em procedimento fiscal; e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte aéreo internacional, inclusive à prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta ou ao agente de carga (...)’”. E, com base nessa evolução efetua a sua conclusão no seguinte sentido: “Notese que a redação do art. 44 da Instrução Normativa n° 28/94 não foi modificada com a edição da Medida Provisória n° 135/03, que alterou a redação do art. 107 do DecretoLei n° 37/66. Ou seja, ainda nos dias de hoje, o descumprimento da obrigação contida no art. 37 da Instrução Normativa n° 28/94 permanece Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 10 gerando a multa por embaraço à fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, IV, "c", do DecretoLei n° 37/66, por força do disposto no art. 44 da referida Instrução Normativa que se encontra em vigor. Porém, ainda que demonstrada cabalmente acima a evolução da legislação pertinente à matéria, o auto de infração que originou a presente cobrança foi lavrado descrevendo os fatos e tipificando, erroneamente, a conduta na forma a seguir reproduzida: (...); Diante de tal análise, concluise que o enquadramento do auto de infração trata de infração relacionada à falta de informação sobre carga transportada em veículo, prevista na alínea "e" daquele inciso, e não ao embaraço à fiscalização aduaneira, prevista na alínea "c". É imprescindível lembrar que o art. 44 da Instrução Normativa n° 28/94 determina expressamente que o descumprimento da obrigação prevista no art. 37 constitui embaraço à fiscalização aduaneira.” Pois bem, da análise da evolução da legislação acima transcrita é de se concluir, diferentemente da conclusão da recorrente, pela correção do enquadramento legal atribuído pela fiscalização à infração apurada, qual seja, o art. 107. IV, alínea "e", do Decreto Lei n° 37/66 com a redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03, no que se refere à seguinte infração: “deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte aéreo internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga.” (grifei). Tal conclusão depreendese em função de que a nova redação dada pelo art. 77 da Lei n° 10.833/03 ao art. 107. IV, do DecretoLei n° 37/66 trouxe, em sua alínea “e” tipificação específica de infração atinente ao fato descrito nos autos. O fato de a Instrução Normativa RFB n° 1.096, de 13/12/2010, que alterou a IN SRF n° 28/1994, continuar fazendo em seu art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como embaraço, demonstra desconformidade desta quanto a esta tipificação, mas isto de forma alguma significa que a redação da instrução normativa deva prevalecer sobre a redação legal. Foi exatamente neste sentido que concluiu o Acórdão nº 320200.341 – 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no Processo 10715.003346/200911, o qual foi colacionado pela ora recorrente, in verbis: “A Instrução Normativa SRF nº 28, de 27/4/1994, estabeleceu em seus arts.37, caput, e 44 que, verbis: “Art. 37. Imediatamente após realizado o embarque da mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos. (destaquei) Art. 44. O descumprimento, pelo transportador, do disposto nos arts. 37, 41 e § 3o do art. 42 desta Instrução Normativa constitui embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, sujeitando o infrator ao pagamento da multa prevista no art. 107 do Decretolei no 37/66 com a Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302002.457 S3C3T2 Fl. 15 11 redação do art. 5o do Decretolei no 751, de 10 de agosto de 1969, sem prejuízo de sanções de caráter administrativo cabíveis.” O art. 107 do Decretolei nº 37/1966, na redação do art. 5º do Decretolei nº 751/1969, citado na transcrição acima, assim dispunha originalmente, tendo sido alterado apenas no tocante à atualização do valor da multa (última atualização constante do art. 646, I, do Decreto nº 4.543/2002 – Regulamento Aduaneiro): “Art. 107 Aplicamse, ainda, as seguintes multas: I de 103,56 (cento e três reais e cinquenta e seis centavos) a quem, por qualquer meio ou forma, desacatar agente do Fisco, embaraçar, dificultar ou impedir sua ação fiscalizadora; (...)” (destaquei) O caput do art. 37 antes transcrito foi alterado pelo art. 1º da IN SRF nº 510, de 14/2/2005, que lhe deu a seguinte redação, verbis: "Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque.” (destaquei) No caso ora sob exame, o Fisco aplicou à empresa transportadora a multa específica prevista no art. 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37, de 1966, com a nova redação que lhe foi dada pelo art. 61 da Medida Provisória nº 135, de 30/10/2003 (DOU de 31/10/2003), que veio a ser convertido no art. 77 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que estabeleceu, verbis: “Art. 77. Os arts. 1º, 17, 36, 37, 50, 104, 107 e 169 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passam a vigorar com as seguintes alterações: "Art. 37. O transportador deve prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, bem como sobre a chegada de veículo procedente do exterior ou a ele destinado. (...) "Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 12 de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso porta a porta, ou ao agente de carga; e (...)” Feitas essas transcrições, impõese ressaltar que na vigência da IN SRF nº 28/1994 a inobservância da obrigação estabelecida no seu art. 37 era entendida pela SRF como caracterizadora de embaraço à atividade de fiscalização aduaneira, conforme disposto em seu art. 44. No entanto, a partir da superveniência da Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, foi estabelecida para o transportador a obrigação de “prestar à Secretaria da Receita Federal, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas”, como se verifica da redação retrotranscrita, emprestada ao art. 37 do Decretolei nº 37/1966 pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003. Destarte, com a entrada em vigor dessa nova norma legal, o descumprimento da obrigação de prestar à SRF, na forma e no prazo por ela estabelecidos, as informações sobre as cargas transportadas, passou a ser cominada com a multa de R$ 5.000,00 prevista no inciso IV, ‘e’, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966, e não mais aquela prevista por embaraço, que veio a ser tipificada no inciso IV, ‘c’.”(grifos do original). Cabe aqui ressalvar, nos mesmos termos contidos na decisão recorrida, que mesmo na hipótese de o enquadramento legal ter sido erroneamente indicado, o que não é o caso, conforme acima demonstrado, é pacifica a jurisprudência administrativa no sentido de que a existência de erro dessa natureza não tem a capacidade de inquinálo de nulidade, pois não prejudica a defesa da autuada, sendo suficiente a descrição correta do fato que motivou sua lavratura. Tanto é assim, que a contribuinte apresentou vasta impugnação demonstrando pleno entendimento da infração que lhe foi imputada, não tendo havido cerceamento do direito de defesa. Portanto, em vista do acima explicitado, não há que se falar improcedência do fundamento legal da autuação, rejeitandose, pois, a preliminar de nulidade. Assim esclarecido, ressaltase que não há que se falar em embaraço à fiscalização, sendo descabidas as alegações atinentes à questão de embaraço à fiscalização aduzidas no item “IX INEXISTÊNCIA DE EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO, DESONERAÇÃO ÀS EXPORTAÇÕES E VIOLAÇÃO À FINALIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO”, haja vista que a infração devidamente aplicada nos autos foi a prevista no inciso IV, ‘e’, do art. 107 do Decretolei nº 37/1966 que tem natureza objetiva, independendo, portanto, da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato praticado e uma vez consumada a infração, aplicável é a penalidade prevista em lei pelo descumprimento da obrigação acessória, em face à prestação intempestiva da informação sobre carga transportada. DAS ALEGAÇÕES QUANTO À PROVA IMPERFEITA DA INFRAÇÃO COMETIDA EM RAZÃO DE INDISPONIBILIDADES DO SISCOMEX E AO Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302002.457 S3C3T2 Fl. 16 13 RECONHECIMENTO POR PARTE DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL ACERCA DAS IMPOSSIBILIDADES DE ACESSO AO SISCOMEX CARGA IN RFB N° 835/2008 Referente à alegação aduzida na impugnação de que o atraso no registro das informações era decorrente de questões operacionais (i.e. falhas do SISCOMEX) e documentais e não de desídia da empresa, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa assim pronunciouse: “Quanto à impossibilidade de efetuar no prazo estipulado o registro de embarque por conta de falhas ocorridas no Siscomex, é dizer que referida assertiva é inócua na medida em que a autuada não demonstra a ocorrência de tal circunstância, ao contrário, procura transferir o ônus do alegado para o julgador administrativo, o que não é razoável, posto que em sede de julgamento não há como o julgador se pautar apenas em alegações desprovidas de elementos que a sustente, notadamente quando se tratar de matéria de fato. Ainda mais que as evidências conduzem para a conclusão de que a empresa autuada registrou intempestivamente os dados de embarque em apreço.” Assim é que, novamente, em fase de recurso, a contribuinte reforça seus argumentos de que o SISCOMEX não funciona de forma ininterrupta e que são constantes as falhas e erros do sistema, ressaltando que se faz necessário criar um mecanismo que assegure às companhias aéreas que estas somente serão multadas quando a não inclusão dos dados no sistema depender de ato exclusivamente seu. Visando comprovar o alegado, a recorrente traz aos autos notícias obtidas no site da ANVISA que atestavam algumas das inúmeras indisponibilidades do sistema, bem como junta à efl 165 a do presente processo administrativo alguns correios eletrônicos enviados pela Infraero às empresas aéreas, comunicando a indisponibilidade do sistema aduaneiro, neste caso, em razão de manutenção elétrica realizada no centro de dados da Regional São Paulo do SERPRO e, em item específico de seu recurso, transcreve trecho da Instrução Normativa RFB n° 835, de 28 de março de 2008, que dispõe acerca das regras de contingência na utilização do Siscomex Carga, afirmando que a indisponibilidade do SISCOMEX é reconhecida pela SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL, que, nos casos listados na referida norma, afasta a imposição de qualquer penalidade pela inserção intempestiva de dados no sistema. De fato, é inconteste que o Sistema de Comércio Exterior SISCOMEX é sistema que apresentou falhas no início de sua implantação e que há a possibilidade de ocorrências de indisponibilidades e/ou instabilidades do sistema. Como também é inconteste que a Instrução Normativa RFB n° 835, de 28 de março de 2008 estabelece no §2º do seu art. 7º que “Para fins de baixa dos bloqueios por informação prestada após o prazo, nos termos do inciso III do caput, sem imposição de penalidades, a autoridade aduaneira levará em conta o período de paralisação do sistema.” E é lógico e razoável entender que se o referido sistema eletrônico de de Comércio Exterior SISCOMEX apresenta falhas, não pode a contribuinte ser prejudicada. E, exatamente por razão, a referida instrução normativa determina que a autoridade aduaneira levará em conta o período de paralisação do sistema. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 14 As diversas notícias da Anvisa, bem como as mensagens de correios eletrônicos enviados pela Infraero às empresas aéreas, as quais foram trazidas pela recorrente, demonstram que os órgãos intervenientes comunicam aos interessados as interrupções e ou instabilidades do sistema. Portanto, para afastar a referida multa cabe à contribuinte demonstrar que no período abrangido pela fiscalização houve a ocorrência dessas indisponibilidade e/ou instabilidades do SISCOMEX, de modo a comprovar as suas alegações de que o atraso nos registros decorreu dessa falhas e não de sua vontade ou por desídia. Entretanto, as notícias da Anvisa, bem como o correio eletrônico da Infraero trazidos pela recorrente referemse à períodos outros que não o abrangido pela presente autuação. Assim, meras alegações, desprovidas de provas que as ampare, não tem o condão de afastar o lançamento, devendose manter, quanto a esta questão, a decisão proferida no Acórdão ora recorrido. DA ALEGAÇÃO DE EMBARQUE TEMPESTIVO, SEGUNDO A IN SRF 1.096/10, MAS NÃO EXCLUÍDO DA AUTUAÇÃO PELO V. ACÓRDÃO RECORRIDO Os fatos discutidos nesses autos ocorreram em Abril de 2006. Nessa época, a IN SRF n° 28/1994 estabelecia em seu art. 37 que o registro das exportações no SISCOMEX deveria ocorrer no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque, consoante a redação dada pela, a IN SRF n° 510/2005. Contudo, em 2010, a IN SRF nº 1096 aumentou esse prazo para sete dias. Vejamos: “Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque”. (Grifos nossos) Por tal motivo, a autoridade julgadora de 1ª instância administrativa, aplicando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, II, “c” do CTN, entendeu que o novo prazo de sete dias, por ser maior e, consequentemente, beneficiar a autuada, deveria ser aplicado aos autos, tendo, então, excluído do lançamento os registros atinentes aos embarques efetuados no Vôo AF/443, ocorridos em 14.04.2006, 18.04.2006, 28.04.2006 e 29.04.2006, por concluir que o registro dos dados de embarque das mercadorias transportadas nesse vôo e dias terseia ocorrido dentro do novo prazo de sete dias, estatuído pela IN RFB 1.096/2010, uma vez que efetuados em 19.04.2006, 24.04.2006, 03.05.2006 e 04.05.2006, respectivamente. Manteve, contudo, a multa para os demais embarques, por entender que os registros se deram em prazo superior aos sete dias estipulados na nova instrução. A contribuinte, entretanto, lembrando os princípios básicos de contagem de prazo da legislação brasileira estabelecidos no Código Civil e no Código Tributário, segundo os quais os prazos são contínuos, mas só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal, argúi tempestividade do registro efetuado em relação ao vôo AF 443 do dia 07/04/2006, posto que teria, segundo seu entendimento, até a data de 17/04/2006 para inserir no sistema Siscomex as informações relativas ao embarque, e afirma ter realizado o registro de dados no dia 15/04/2006, ou seja, dois dias antes do término do prazo. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302002.457 S3C3T2 Fl. 17 15 Vejamos. 0 despacho aduaneiro de mercadorias destinadas à exportação é regulado pela Instrução Normativa SRF n° 28/94. 0 artigo 37 cria uma obrigação acessória para os transportadores, já acima transcrito, que é alegadamente descumprida pela contribuinte, ora recorrente, motivo pelo o qual foi penalizada. A multa aplicada no presente caso para cada veiculo identificado pelo respectivo vôo, que transportou as cargas amparadas pelas Declarações de Exportação DES, consoante consta na planilha em anexo, baseouse na regra prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/66, com nova redação do art. 77, da Lei nº 10.833/2003, a qual foi instituída para punir violações ao controle aduaneiro das exportações, tendo, assim, natureza administrativa. Pelo fato da penalidade em foco não se revestir de natureza tributária, há quem entenda não se poder aplicar o art. 210 da Lei 5.172, de 1966 CTN . Contudo, inexistindo regra específica na legislação aduaneira para a contagem de prazo das multas de natureza administrativa, é de se entender que se deve aplicar, por analogia, a regra contida no art. 210 do CTN, que é similar à regra contida Lei nº 10.406/2002 (Código Civil). O Código Tributário Nacional, nas Disposições finais e transitórias, assim estabelece em seu art. 210: “Art. 210. Os prazos fixados nesta Lei ou na legislação tributária serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato”. Entretanto, tal regra não modifica a decisão ora recorrida, consoante os fundamentos postos a seguir. A regra contida no caput do artigo 210 do CTN (Os prazos...serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento.) traduz a forma de contagem de todos os prazos estipulados na legislação tributária, a qual se aplica ao presente caso, por analogia. Porém, como foi devidamente ressaltado no acórdão recorrido, devese observar as singularidades de cada caso, para concluir se o prazo estipulado pode ou não subsumirse na disposição contida no parágrafo único do referido artigo, que se trata de regra excepcional, destinada apenas a estabelecer uma exceção à disposição encartada na cabeça do artigo e, como exceção, a regra do parágrafo único só se aplica para os casos em que o prazo seja de natureza processual ou se refira a ato cuja realização esteja a depender da intervenção da repartição pública, conforme estabelecido: “Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal na repartição em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.”(g.n.) Fl. 183DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 16 Em regra geral, o despacho aduaneiro é processado no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), após o interessado providenciar a sua habilitação para utilizar o Siscomex . Sabese que o SISCOMEX é um sistema informatizado utilizado pelo governo do Brasil para o controle do comércio exterior, que interliga exportadores, importadores, despachantes aduaneiros, comissários, transportadores e outras entidades à Secretaria de Comércio Exterior SECEX, ao Banco Central e à Secretaria da Receita Federal do Brasil –RFB, o qual permite, por um fluxo único, processar o registro de operações de importação e exportação, acompanhar e controlar as referidas operações. Por ser um sistema on line, fica o mesmo disponibilizado aos usuários todo o tempo, salvo quando de ocorrências de indisponibilidades, que são comunicadas pelos gestores e ou anuentes. Por intermédio do Siscomex, as operações de exportação e importação são registradas e, em seguida, podem ser analisadas em tempo real pelos órgãos gestores do sistema, que são a Secretaria da Receita Federal (SRF), a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e o Banco Central do Brasil (Bacen). Para processar suas operações de exportação e importação, o interessado pode ter acesso ao Siscomex, diretamente, a partir de seu próprio estabelecimento, no caso das empresas, desde que disponham dos necessários equipamentos e condições de acesso, utilizar despachantes aduaneiros credenciados no Siscomex ou, ainda, utilizar a rede de computadores colocada à disposição dos usuários pela SRF. Portanto, a obrigação de prestar informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, por não depender da participação da autoridade aduaneira para que o responsável pelo seu cumprimento a satisfaça no prazo regulamentar, e por não ser praticada na repartição pública, deve, o prazo legalmente estipulado, ser contado da data do embarque, conforme dispõe o artigo 37 da IN SRF 28/1994, ainda mais que os responsáveis por tais obrigações são previamente habilitados pela Receita Federal para acessarem referido sistema informatizado de forma ininterrupta. Inclusive, pela análise dos autos (efls. 11 e 12), relativamente ao vôo AF 443 do dia 07/04/2006 (uma sextafeira), ora contestado, verificase que o registro de referido embarque foi realizado no SISCOMEX em 15/04/2006(num sábado). Portanto, é inconsistente a arguição da recorrente quando afirma que “Acrescentamos à incontroversa argumentação da contagem do prazo, a impossibilidade prática de se realizar a averbação em dias não úteis. A Recorrente, da mesma forma que a Receita Federal, realiza suas operações 7 (sete) dias por semana.” Não há como acatar a exegese veiculada na Solução de Consulta 215, de 16.08.2004, exarada pela DISIT da 9ª SRRF, a qual foi abordada no recurso voluntário, em especial, quanto à forma de contagem do prazo, eis que além de desprovida de caráter vinculante, não resultou de consulta formulada pela Recorrente. Assim, como o embarque deuse em 07/04/2006, numa sextafeira (dies a quo, excluído da contagem), devese iniciar a contagem de prazo no dia 08/04/2006, vencendo se o prazo de sete dias em 14/04/2006 (numa sextafeira, dia útil). Realizado o registro de dados no dia 15/04/2006 (num sábado), depreendese ser este intempestivo, devendose, portanto, manter a aplicação da penalidade prevista para o descumprimento da obrigação acessória em questão. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302002.457 S3C3T2 Fl. 18 17 X VIOLAÇÃO À PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE Os princípios (da finalidade, da proporcionalidade, da razoabilidade, dentre outros) são, em regra, dirigidos ao legislador, e não ao aplicador da lei. Este, diante da norma existente no mundo jurídico, deverá aplicála obrigatoriamente por força do art. 116, inciso III, da Lei 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Portaria MF nº 256, de 22/06/2009). Ademais, o julgador administrativo não pode valorar norma sob o argumento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 62 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. Tal questão é, inclusive, objeto da Súmula nº 2 do CARF. Portanto, neste item, nada há de ser alterado quanto às ponderações feitas pela i. Decisão recorrida, que se pronunciou nos seguintes termos: “Quanto às alegações de que a penalidade aplicada viola aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, é mister consignar que os julgadores das instâncias administrativas não têm competência para apreciar arguições dessa natureza. Porém, cabe acentuar que no Direito Administrativo brasileiro o principio da legalidade assume significado especial, pois ora traduzse numa expressão de direito, ora revelase elemento de garantia e segurança jurídicas, sendo que o denominado principio da autonomia da vontade não encontra acolhimento neste campo do Direito, na medida que os bens tutelados interessam a toda coletividade, cujo regramento da atuação dos agentes e órgãos públicos funciona como elemento garantidor daqueles que subsidiam e se servem da prestação dos serviços públicos. Razão pela qual o agente público não age em nome próprio, mas sim em nome do Estado, e sempre em cumprimento das finalidades legalmente estabelecidas para respectiva conduta. Nesse contexto, o principio da finalidade é aquele que imprime à autoridade administrativa o dever de praticar o ato administrativo com vistas à realização da finalidade perseguida pela lei. Nesse sentido, o agente público deve estrita obediência à lei (principio da legalidade) e tem como dever a satisfação dos interesses públicos (principio da finalidade). Por conseguinte, o agente público não pode utilizar meios ou instrumentos que fiquem aquém ou se coloquem além do que seja estritamente necessário para o fiel cumprimento da lei. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 18 Portanto, pelo fato de a matéria examinada se encontrar plenamente disciplinada por atos legais regularmente inseridos no ordenamento jurídico, as instâncias administrativas, por caráter vinculado de atuação, são incompetentes para apreciar questões que se referem à ilegalidade e/ou inconstitucionalidade das respectivas normas legais, uma vez que tal competência é atribuída privativamente ao Poder Judiciário (art. 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal). A tratar do assunto, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF/MF manifestouse no sentido de que ‘não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária’ (Súmula CARF no 2, publicada no DOU em 22.12.2009, p. 71, Seção I). Quanto à alegada boafé ou ausência de prejuízo ao Erário por conta da conduta da autuada, é suficiente reprisar que em matéria tributária a responsabilidade não tem a mesma natureza da responsabilidade penal, não havendo falar em modalidade culposa ou dolosa, conforme dispõe o parágrafo 2° do artigo 94 do Decretolei 37/1966 e o artigo 136 do CTN.” DA CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, e uma vez demonstrada a legitimidade do lançamento formalizado contra o sujeito passivo, voto para conhecer em parte do recurso voluntário, para indeferir a preliminar de nulidade e no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Voto Vencedor Conselheiro ALEXANDRE GOMES Conforme se depreende do relatório produzido pela eminente conselheira relatora, o presente processo trata de multa administrativa lavrada em função de a Recorrente ter prestado, dentro do prazo de dois dias, as informações a que está obrigada sobre os embarques internacionais efetuados junto ao Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Em que pese existirem diversos argumentos de defesa relacionados a improcedência da aplicação da multa regulamentar, verifico a existência de questão preliminar que pode, inclusive, ser reconhecida de oficio pelo julgador administrativo, qual seja, a ocorrência da denuncia espontânea no caso sob análise. Inicialmente, cumpre destacar o que determina o Código Tributário Nacional sobre o tema: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito Fl. 186DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Processo nº 10715.000559/201017 Acórdão n.º 3302002.457 S3C3T2 Fl. 19 19 da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. O Decreto nº 37/66 também tratou do assunto: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) A partir da interpretação dos dispositivos legais acima expostos, por muito tempo, a doutrina e a jurisprudência administrativa travaram verdadeira batalha a respeito do alcance do instituto da denuncia espontânea, e em especial desta em relação as multas de natureza administrativas. Parte da doutrina e da jurisprudência aliouse ao entendimento de que o disposto no art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37/66 contemplavam especialmente as multas de natureza tributaria, não alcançando, por consequência, as de natureza administrativas como por exemplo, as multas regulamentares relacionadas ao direito aduaneiro. Contudo, a partir da redação estabelecida na Lei nº 12.350/2010, o § 2º do art. 102 passou ter a seguinte orientação: § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. No presente caso, como bem destacado no relatório que acompanha o presente acórdão, a multa foi aplicada tão somente por conta da declaração de embarque fora do prazo regulamentar estipulado, ou seja, pela denuncia espontânea da infração por parte da Recorrente. Muito embora os atos praticados sejam anteriores a evolução legislativa supra citada, tratando de atos pendentes de julgamento aplicável do que determina o art. 106 do CTN, nos termos do a seguir exposto: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 187DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO 20 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No âmbito deste órgão colegiado, cito o seguinte julgado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/04/2004 a 29/12/2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA ISOLADA. DENUNCIA ESPONTÂNEA. Por força de dispositivo legal, a denúncia espontânea passou a beneficiar a multa administrativa aduaneira aplicada isoladamente por descumprimento de obrigação acessória denunciada antes de quaisquer procedimentos de fiscalização. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão 3301001.691 – 3a Câmara / 1a Turma Ordinária. Relator: Jose Adão Vitorino de Morais. Data Julgamento: 30/01/2013) Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar a multa regulamentar aplicada. É como voto. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Redator Designado. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 28/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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Numero do processo: 16327.000588/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Oct 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO.
Entende-se por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício.
Numero da decisão: 1301-001.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. Entende-se por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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P. MORGAN S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. APLICAÇÃO. Entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 05 88 /2 00 7- 33 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Tratase de autuação eletrônica em 12/03/2007, decorrente de auditoria interna em DCTF, de acordo com as IN/SRF 45/98 e 77/98, que constatou pagamento de IRPJ, código 2319, do ano calendário de 2004, após o vencimento, desacompanhado da respectiva multa de mora. no valor de RS 2.729.573,34. Inconformada. a contribuinte apresentou a impugnação acompanhada de documentos alegando em síntese que o art. 138 do CTN dispõe que a responsabilidade do sujeito passivo é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do deposito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. 1.1. No caso em tela, em 02/04/2004, por meio de petição dirigida à DEINF/SP a impugnante denunciouse espontaneamente apresentando comprovantes de recolhimentos efetuados em 31/03/2004, no valor R$ 26.948.866,85. Em 13/05/2004. a impugnante constituiu o débito em DCTF, entregando a referida declaração. 1.2. A conduta da impugnante de recolher o valor integral e à vista das diferenças recolhidas a menor, antes do inicio de qualquer fiscalização relacionada àquelas infrações, teve o condão de afastar a incidência da multa moratória. 1.3. Logo, são ilegítimos os valores cobrados da impugnante a titulo de multa de mora em razão da denúncia espontânea da infração. 2. A impugnante protesta por todos os meios de prova em direito admitidos. A autoridade julgadorade primeira instância (DRJ/SÃO PAULO) decidiu a matéria por meio do Acórdão 1625.415, de 26/05/2010, julgando improcedente a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTo SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA/IRPJ Anocalendário: 2004 FALTA DE RECOLHIMENTO DA MULTA DE MORA.. DESCABIMENTO DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A denúncia espontânea não afasta o recolhimento da multa de mora, que em caso de recolhimento de tributo ou contribuição a destempo, exceto quando lançada multa de oficio. é sempre devida. ASSUNTO: PROCESS0 ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação precluindo o direito de a impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.000588/200733 Acórdão n.º 1301001.366 S1C3T1 Fl. 12 3 demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no do art. 16 do Decreto 70.235/72. É o relatório. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo (fls. 132) e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal repete as fundamentações iniciais (impugnação), assim, concluindo: “Logo, não resta qualquer dúvida de que a exigência da multa moratória, nos casos de denúncia espontânea, contraria manifestamente os preceitos contidos no artigo 138 do Código Tributário Nacional, razão pela qual a Requerente deixou de efetuar o seu recolhimento. Ante o exposto, requerse seja considerado o recolhimento do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ e da Contribuição Social sobre o Lucro CSLL ora efetuados, conforme anteriormente demonstrado, para que produzam os devidos efeitos legais.” Do relatório acima verificase que a lide que se impõe gira em torno do alcance da denúncia espontânea, que está disciplinada no art. 138 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966): Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Assim, entendese por denúncia espontânea aquela que é feita antes de a autoridade administrativa tomar conhecimento da infração ou antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com a infração denunciada. Se o contribuinte, espontaneamente e antes do início de qualquer procedimento fiscal relacionado com a infração, denuncia o ilícito cometido, efetuando, se for o caso, concomitantemente, o pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ficará excluído da responsabilidade pela infração à legislação tributária. Ou seja, não poderá ser dele exigida a multa de mora ou de ofício. O objetivo do art. 138 do CTN é o de estimular o contribuinte infrator a regularizar a sua situação, denunciando fatos desconhecidos por parte do Fisco, sendo certo que sua conduta – denúncia espontânea – tem por conseqüência o recolhimento de tributo devido acompanhado dos juros de mora, cujo recolhimento não fora efetuado dentro do prazo legal e que não fosse sua iniciativa, talvez nunca viesse a lhe ser exigido de ofício. Por outro lado, não configura denúncia espontânea a situação em que o contribuinte apresenta declarações que constituem o crédito tributário, tais como DCTF, Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16327.000588/200733 Acórdão n.º 1301001.366 S1C3T1 Fl. 13 5 DIRPF, Dcomp, etc. e em momento posterior quita o débito, mediante pagamento ou compensação. No presente caso, formalizouse o auto de infração eletrônico em 12/03/2007, por recolhimento dos tributos relativos a estimativa do mês de janeiro de 2004 em atraso e sem a multa de mora. Recolhimento este efetuado espontaneamente em 31/03/2004 da quantia principal acompanhada dos juros de mora. O contribuinte denunciouse à Delegacia de origem em 02/04/2004 e apresentou a DCTF correspondente em 13/05/2004, portanto, após o recolhimento. Configurase, portanto, a denúncia espontânea, sendo indevida a exigência da multa de mora. Nestes termos, voto por DAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 06/ 01/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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Numero do processo: 11516.004065/2007-15
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
CRÉDITO PRESUMIDO.AGROINDÚSTRIA. LEI Nº 10.925/04.
O crédito presumido de que trata o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03 em função da natureza do produto a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtê-lo.
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADOR EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE
Há que se reconhecer DACON retificadora, ainda que apresentada a destempo, sobretudo quando a própria DRJ reconhece o crédito a que faz jus a Recorrente.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3403-003.143
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente o Dr. Richard Espíndola Silva, OAB/SC 21.733.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rogério Sawaya Batista - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator).
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 CRÉDITO PRESUMIDO.AGROINDÚSTRIA. LEI Nº 10.925/04. O crédito presumido de que trata o artigo 8º, da Lei nº 10.925/2004 corresponderá a 60% ou a 35% daquele a que se refere o art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/03 em função da natureza do “produto” a que a agroindústria dá saída e não da origem do insumo que aplica para obtêlo. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. APRESENTAÇÃO DE DACON RETIFICADOR EM SEDE DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Há que se reconhecer DACON retificadora, ainda que apresentada a destempo, sobretudo quando a própria DRJ reconhece o crédito a que faz jus a Recorrente. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário. Sustentou pela Recorrente o Dr. Richard Espíndola Silva, OAB/SC 21.733. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 40 65 /2 00 7- 15 Fl. 404DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 2 (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan, Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista (relator). Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de créditos de PIS e da COFINS, bem assim de créditos decorrentes da nãocumulatividade de tais Contribuições. A DRJ manifestou se no sentido do reconhecimento parcial do direito creditório postulado. Não foram deferidos, inicialmente, os créditos destacados como insumos na criação de aves pelo sistema de integração, no tocante a parcela de aves que cabe ao produtor integrado. Além dessa glosa foram alterados os valores do crédito presumido decorrente de atividades agroindustriais. As aquisições de farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para abate pintos de um dia foram objeto de creditamento pela requerente ao percentual de 0,99%, todavia tais insumos ensejam na aplicação do percentual de 0,5775%, razão pela qual foram glosados os valores que excedem ao permitido. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, em que discorre sobre a nãocumulatividade e defende que teria direito ao crédito integral das aquisições de farelo de soja e não apenas do crédito presumido. O farelo de soja, adquirido pela contribuinte, proveniente de cooperativas pessoas jurídicas, e por isso submetido a tributação de PIS e das COFINS. Para tanto, o direito creditório da recorrente, tem fundamento nos artigos 3 da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003 que estabelecem a nãocumulatividade do PIS e da COFINS, a recorrente faz jus ao crédito na integralidade da aquisição, por se tratar de insumo utilizado na sua produção, merecendo reforma a decisão. Alega a contribuinte que no que se refere a glosa sobre aquisição de milho em grãos, a autoridade fiscalizadora, desprezou, na apuração do crédito presumido, posto que não estavam abrangidos pela suspensão do PIS e da COFINS. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004065/200715 Acórdão n.º 3403003.143 S3C4T3 Fl. 14 3 A requerente adquiriu, farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para a bate e pinto de um dia, salienta que o Fisco aplicou, para apuração do crédito presumido o percentual de 35% da alíquota de 1,65% para PIS e de 7,60% para a COFINS quando deveria ter considerado o percentual de 60%. A requerente fala em credito presumido, referente a lei 10.225/2004 e Lei 10.925/2004, determina a alíquota é em função do produto comercializado e não pelo insumo por este adquirido ou pelos produtos ou meio necessários a obtenção do produto final. Sendo assim, alega ser detentora do crédito presumido no percentual de 60%, pois é pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal para alimentação humana, classificada no capitulo 02 e 16 da TIPI. Alega que o entendimento fazendário esta equivocado no que se refere aos créditos glosados referentes a insumos na criação de aves pelo sistema de integração. Disserta sobre contratos de parceria rural, estabelecido pelo Estatuto da Terra, colecionando entendimento exarado pela RFB no parecer Normativo CST 68/1976. Os insumos para criação de aves no sistema de parceria, seriam unicamente da Requerente sem que os produtores rurais prestem qualquer contraprestação. Desta maneira poderia ser objeto de credito de PIS e COFNS, devendo ser considerados todos os dispêndios de bens e serviços relacionados ao processo fabril. Decidiu a DRJ que o sistema de parceria rural para frango de corte é empregado no setor avícola tradicionalmente. A requerente assume obrigação de fornecer ao produtor os insumos da produção, quais sejam pintos de um dia, rações, medicamentos e demais insumos que se fizerem necessários. Enquanto isso, o produtor oferece instalações físicas adequadas, água potável e energia elétrica suficiente e mão de obra necessária. Em contrato estabelecem que o produtor receberá percentual dos quilos dos frangos, produzidos, em conformidade com a tabela anexada aos autos, e converte em valores monetários a parte correspondente ao produtor, sendo assim não cabe ao produtor negociar a produção com outra empresa que não a recorrente. Isto posto, decidiu a DRJ, que a autoridade fiscal equivocouse, pois a produção pertence totalmente a requerente, portanto, todos os insumos utilizados na produção destes frangos são passiveis de creditamento. Por outro lado, os pagamentos efetuados pela requerente aos seus parceiros correspondem a remuneração paga a pessoa física, não concedendo credito da nãocumulatividade. Do Crédito Presumido estabelecido no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004 O farelo de soja adquirido pela Recorrente seria produto industrializado por cooperativas pessoas jurídicas e por estas submetido a tributação do PIS e da COFINS. Logo, o direito creditório da Recorrente encontraria fundamento de validade no artigo. 3 ° da Lei n° 10.637/2002 e da Lei no 10.833/2003, que estabelecem propriamente a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Dessa forma, decidiu a DRJ, Fl. 406DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 4 que a Recorrente teria direito a crédito sobre a integralidade das aquisições de farelo de soja, eis que é insumo utilizado na produção de bens (frangos congelados) destinados a venda, merecendo reforma a decisão recorrida. Na glosa a que se refere a aquisição de milho em grão, pela requerente, a autoridade administrativa desprezou a apuração do crédito presumido do 1º trimestre/2006 não estavam abrangidos pela suspensão do PIS e da COFINS. Em relação às aquisições de farelo de soja, milho em grãos, frangos vivos para abate e pintos de um dia, a interessada salienta que o Fisco aplicou na apuração do crédito presumido o percentual de 35% da alíquota de 1,65% para o PIS (art. 2° da Lei n°10.637/2002) e 7,60% para a COFINS (art. 2 ° da Lei n° 10.833/2003), quando deveria ter considerado o percentual de 60%, afrontando ao dispositivo supra transcrito. A requerente fala em crédito presumido, referente a Lei 10.225/2004 e Lei 10.925/2004, que determinam a alíquota é em função do produto comercializado e não pelo insumo por este adquirido ou pelos produtos meio necessários a obtenção do produto final. Sendo assim, alega ser detentora do crédito presumido no percentual de 60%, pois é pessoa jurídica produtora de mercadoria de origem animal para alimentação humana, classificação no capitulo 02 e 16 da TIPI. O caput do artigo 8 da Lei 10.925/2004, estabelece a possibilidade de desconto de créditos presumidos em aquisição de alguns produtos agrícolas, vendidos por pessoa física, destinado a produção de alimentos para consumo humano. A instituição do crédito presumido estava alicerçada no fato de que como pessoas físicas não são contribuintes de PIS/PASEP suas vendas não dariam possibilidade do desconto de um crédito normal. Os adquirentes dariam preferência da aquisição, das pessoas jurídicas, que alem do produto propiciariam descontos do crédito não cumulativo. Com a publicação da Lei 10.684 de 30 de Maio de 2003, inseriu na Lei 10.637/2002 os incisos X e XI no artigo 3º dessa lei, com isso o credito presumido passou a ser apurado a uma alíquota de 1,155% do valor da aquisição dos bens e serviços utilizados como insumo de produção ou fabricação de bens ou destinados a venda para alimentação humana ou animal. Em 2003 com a publicação da Lei 10.833, concedeu o mesmo tratamento á matéria na legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS. A alíquota aplicável para apuração do credito presumido da COFINS era de 6,08% Com a publicação da Lei 10.925/2004, revogouse as normas anteriores, e estabeleceuse novas regras para o crédito presumido. Para usufruir de descontar o crédito presumido que estabelece o artigo 8 da Lei 10.925/2004, devese atender algumas condições de forma concomitante: Vejamos: 1 pessoa jurídica tributada pelo imposto de renda com base no lucro real, e submetido a incidência da não cumulatividade da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS; 2 que produzam mercadorias de origem vegetal ou animal, classificados nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capitulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, Fl. 407DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004065/200715 Acórdão n.º 3403003.143 S3C4T3 Fl. 15 5 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08,0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99,1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal; 3 que esses bens ou insumos sejam utilizados como insumos na produção ou fabricação dos produtos acima mencionados, Em relação a aquisição de insumos, para que se tenha direito ao crédito presumido elas devem ser efetuadas junto a:pessoa física (ou insumos recebidos de cooperados pessoa física) 1 cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazena e comercializar do produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01 do NCM; 2 pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura e 3 pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. O percentual a ser aplicado para apuração dos créditos presumidos, o § 3º do artigo 8º da Lei 10.925/2004 estabelece qual alíquota aplicável sobre o valor da aquisição sendo 60% para produtos animais e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais e de 35% para os demais produtos. Relativamente ao percentual deve ser observada a natureza do insumo e não a atividade da contribuinte. No tocante as alegações da contribuinte quanto a aplicação do percentual para apuração de créditos presumidos, mostrase desarrazoada a alegação da recorrente, onde a alíquota seria baseada em função do produto comercializado pelo detentor do direito creditório e não pelo insumo por este adquirido ou pelos produtos ou meio necessários a obtenção do produto final. A aplicação do montante de 60% de alíquota do crédito presumido, se dá apenas quando se tratarem de aquisições de produtos de origem animal, as misturas e preparações de gorduras ou de óleos animais. Portanto, correta a aplicação do percentual de 35% para o cálculo do crédito presumido. No que se refere ao regime jurídico suspensivo da Contribuição ao PIS e a COFINS salientase que os fornecedores não são só pessoas físicas, incluiuse pessoas jurídicas que, em decorrência do artigo 9º da Lei 10. 925/2004, tiveram direito a suspensão do Fl. 408DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 6 pagamento da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS quando da venda dos produtos agropecuários pelas pessoas jurídicas citadas no artigo 8º, § 1. É atribuído a Secretaria da Receita Federal, conforme artigo 9, § 2º da Lei 11.051/2004, a determinação dos termos e condições sob os quais seriam aplicadas a suspensão da exigibilidade das contribuições. Esses termos e condições foram estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal pela IN SRF nº 636/2006, após sendo substituída pela IN SRF 660/2006, sendo esta a suspensão da exigibilidade das contribuições entraria em vigor a partir do dia 04 de abril de 2006. No que concebe as aquisições de cooperativas, estando estas sujeitas a tributação, cabe desconto de créditos integrais em relação as aquisições de produtos agroindustriais, (alíquotas de 1,65% e 7.6%). A aquisição da contribuinte de farelo de soja e milho em grãos, realizadas no 1º Trimestre de 2006, junto a pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária, em tese, concedem direito a créditos como insumos do processo produtivo, por serem anteriores. Porém, a Recorrente incluiu estes créditos em seu demonstrativo de apuração das contribuições (Dacon) originais como sendo créditos presumidos de atividade agroindustriais. Sendo assim, o requerimento da interessada, a que seja reconhecido o direito ao crédito destas aquisições como bens utilizados como insumos no processo produtivo, não pode ser atendido pelo órgão Julgador. Tal fato decorre de ser condição para creditamento que o contribuinte informe no DACON, todos os valores para apuração das contribuições devidas, sendo que este demonstrativo precisa ser apresentado antes da analise do pedido de ressarcimento por parte da autoridade administrativa competente. O Dacon foi instituído pela IN SRF 387/2004, estipulando a obrigatoriedade da entrega para pessoas jurídicas de direito privado e que lhes são equiparadas a Legislação do IR, submetidas à apuração da Contribuição para PIS/PASEP e da COFINS nos regimes cumulativos e não –cumulativos, estabelecidos no artigo 3º. A IN SRF 460/2004, exige que a informação no DACON, seja feita pela contribuinte, em todas as operações que influenciem a apuração dos valores devidos das contribuições, como condição para o creditamento. Após ciência do Despacho Decisório, a interessada, apresentou DACON retificadora alterando os créditos informados no demonstrativo original. Essa alteração no DACON, não surte efeito sobre a decisão prolatada, pois a contribuinte traz para o presente âmbito questões que não foram analisadas, pois não se instaurou qualquer litígio. De acordo com a portaria MF 125, as Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento compete apreciar manifestações de inconformidade do sujeito passivo contra as autoridades competentes acerca de pedidos de compensação e ressarcimento de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004065/200715 Acórdão n.º 3403003.143 S3C4T3 Fl. 16 7 Considerando a prova trazida pela contribuinte, o Dacon ratificador, não foi apreciado pela DRF em Florianópolis, pois tratase de inovação cuja analise não pode ser efetuada nesta instancia de julgamento. Assim, em sendo exigência da legislação de regência do tributo que a utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apuradas na sistemática da não cumulatividade, seja estabelecida pelo contribuinte por meio do Dacon, e não tendo a interessada informado estas aquisições como bens utilizados como insumos no processo produtivo, este órgão julgador mantém a glosa proposta pela DRF/Florianópolis, não procedendo com a alteração de natureza do crédito solicitada. Assim, a DRJ reconheceu em parte o direito creditório pleiteado. Os créditos referentes aos insumos utilizados na parceria rural avícola foram restabelecidos, sendo mantida a glosa em relação ao crédito presumido de atividades agroindustriais. Inconformada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em que requer a manifestação do CARF sobre o conceito de insumo, posto que o Acórdão recorrido teria incorrido em equívoco e reitera os seus argumentos. Defende a nulidade do procedimento fiscal, pois a glosa de créditos legítimos, sem motivação, teria cerceado o direito de defesa do contribuinte. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Rogério Sawaya Batista, O Acórdão recorrido não ingressa no conceito de insumo, reconhecendo o direito da Recorrente no sistema de parceria agrícola. Em verdade, a discussão dos presentes autos restringese ao percentual de crédito presumido aplicado, posto que a Recorrente defende que o percentual seria de 60% e não 35%, sob o argumento de que o percentual não se refere ao produto, mas sim à sua atividade de venda de produtos animais. E, ainda, constitui objeto do presente processo o crédito nãocumulativo da Recorrente, devidamente reconhecido na decisão da DRJ, mas não aplicável porque tais valores não constariam de sua DACON quando de seu pedido. De acordo com a própria DRJ, a DACON foi retificada após o despacho decisório, não tendo sido objeto de verificação pela DRF de origem e, portanto, tal alteração não poderia ser aceita para fins de seguimento do crédito da Recorrente. Relativamente à aplicação do percentual de 60% ou 35%, Essa questão já foi enfrentada e decidida por unanimidade de votos por este colegiado ao proferir o Acórdão 3403 002.139, relatado pelo Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, in verbis: Fl. 410DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 8 “(...) O último tema a requerer enfrentamento diz com o crédito presumido outorgado pelo artigo 8º da Lei no. 10.925/04 às empresas do segmento em que atua a ora recorrente, a agroindústria. Eis o dispositivo, tal como vigente à época dos fatos: Art. 8º. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05,0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 21.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nos. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (...) §2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o §1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no §4º do art. 3º das Leis nos. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. §3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a: I – 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nos. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16 e nos códigos 15.01 a 15.06, 15.16.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e II – 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis no. 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. A controvérsia posta nos autos é exclusivamente de direito e reside toda ela na compreensão do § 3º acima transcrito. Calculado sobre o valor dos insumos adquiridos pela agroindústria, o crédito presumido corresponderá, de acordo com o preceito, a 60% ou a 35% daquele concedido pelo artigo 3º das Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03, a depender do produto. Enquanto os produtos de origem animal listados no inciso I rendem à agroindústria crédito presumido de 0,99% e 4.56%, respectivamente para PIS e para COFINS, os demais, inclusive Fl. 411DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004065/200715 Acórdão n.º 3403003.143 S3C4T3 Fl. 17 9 os de origem vegetal, proporcionam créditos menores, cujas alíquotas equivalem a 0,5775% e 2,66%. Fiandose na literalidade do texto, a recorrente interpreta a menção ao “produto” como uma referência à mercadoria a que o agroindustrial dá saída. Sob sua perspectiva, independentemente da natureza do insumo adquirido, se a agroindústria promove a venda de produtos de origem animal, seu crédito presumido é determinado pelas alíquotas de 0,99% e 4,56%. Como a recorrente produz carnes avícolas e suínas, seu procedimento consistiu em apurar o crédito presumido segundo estes percentuais. Já a DRF encarregada da auditoria atribui outro sentido ao dispositivo. De acordo com a sua leitura, o valor do crédito presumido varia não em função do bem produzido pela agroindústria, mas em razão da natureza do insumo adquirido. Insumos de origem animal– pouco importa a espécie de produto em que empregados – forneceriam o crédito presumido do inciso I, ao passo que insumos vegetais garantiriam o crédito presumido de menor valor, previsto no inciso II. Como a maior parte dos insumos que a recorrente emprega é de origem vegetal (rações), a glosa consistiu na redução do valor do crédito ao menor percentual previsto pelo art. 3º. Para subsidiar suas conclusões, a fiscalização invocou o artigo 8º, da IN SRF no. 660/06, cujo texto claramente diferencia o montante do crédito presumido em função da natureza do insumo adquirido e não do produto que com ele se obtém. Veja se: “Art. 8º. Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7o, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS será apurado com base no seu custo de aquisição. §1º O crédito de que trata o caput será calculado mediante a aplicação, sobre o valor de aquisição dos insumos, dos percentuais de: I – 0,99% (noventa e nove centésimos por cento) e 4,56% (quatro inteiros e cinqüenta e seis centésimos por cento), respectivamente, no caso: dos insumos de origem animal classificados nos capítulos 2 a 4 e 16 e nos códigos 15.01 a 15.06 e 15.16.10 da NCM; das misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18 da NCM; II – 0,5775% (cinco mil setecentos e setenta e cinco décimos de milésimos por cento) e 2,66% (dois inteiros e sessenta e seis centésimos por cento), respectivamente no caso dos demais insumos.” Fl. 412DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 10 Originalmente, o crédito presumido da agroindústria no regime não cumulativo de apuração do PIS e da COFINS foi previsto nas próprias Leis no. 10.637/02 e 10.833/03, nos §§10 e 5º de seus respectivos artigos 3ºs. Como se trata de um segmento cujos insumos provêm em larga escala de fornecedores pessoas físicas – que, por não serem contribuintes das exações, não proporcionariam crédito à agroindústria aquirente – a solução encontrada pelo legislador para minimizar a cumulatividade da cadeia foi a outorga do crédito presumido. Pretendiase, na ocasião, compensar o industrial pelo PIS e pela COFINS incidentes sobre os insumos da produção agrícola – fertilizantes, defensivos, sementes etc. – e acumulados no preço dos produtos agrícolas e pecuários. Como esse foi o propósito por trás da instituição do crédito presumido –neutralizar a incidência do PIS e da COFINS acumulada no preço dos gêneros agrícolas – não faria sentido que o valor do benefício variasse em função do produto em cuja fabricação a indústria o empregasse. Aliás, seria até anti isonômico se fosse assim. Daí porque as Leis nos. 10.637/02 e 10.833/03 o concediam em alíquota única. Se os adquirisse de pessoas físicas, a agroindústria apropriaria sempre o mesmo percentual, independentemente da espécie de produto em que fossem aplicados. A estipulação de mais de um percentual para apuração do crédito presumido foi obra da Lei no. 10.925/04 que, simultaneamente, também reduziu a zero a alíquota do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita de venda dos principais insumos da atividade agrícola. Entraram na lista de produtos favorecidos com esta última medida adubos e fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes e mudas destinadas ao plantio, corretivo de solo de origem mineral, inoculantes agrícolas etc. (artigo 1º). Ora, se os insumos aplicados na agricultura e na pecuária já não são gravados pelo PIS e pela COFINS e, portanto, se o preço praticado pelo produtor rural pessoa física já não contém o encargo tributário, qual a justificativa para a manutenção do crédito presumido à agroindústria? Se o benefício perseguia compensar o setor pelo acúmulo de PIS e de COFINS no preço dos gêneros agrícolas, como explicálo depois de reduzida a zero a alíquota dos insumos aplicados à produção? A verdade é que, com o advento da Lei no. 10.925/04, o crédito presumido da agroindústria passou a servir a uma finalidade diversa da que presidiu a sua instituição. Como já não era preciso compensar incidências em etapas anteriores da cadeia, o legislador veiculou verdadeiro incentivo fiscal através do crédito presumido. Nesse sentido, vejase trecho da Exposição de Motivos da MP no. 183, cuja conversão originou a Lei no. 10.925/04: “4. Desse acordo, que traz grandes novidades para o setor, decorreu a introdução dos dispositivos acima mencionados, que, se convertidos em Lei, teriam os seguintes efeitos: Fl. 413DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004065/200715 Acórdão n.º 3403003.143 S3C4T3 Fl. 18 11 a) redução a zero das alíquotas incidentes sobre fertilizantes e defensivos agropecuários, suas matériasprimas, bem assim sementes para semeadura; b) em contrapartida, extinção do crédito presumido, atribuído à agroindústria e aos cerealistas, relativamente às aquisições feitas de pessoas físicas. 5. Cumpre esclarecer que o mencionado crédito presumido foi instituído com a única finalidade de anular a acumulação do PIS e da COFINS nos preços dos produtos dos agricultores e pecuaristas pessoas físicas, dado que estes não são contribuintes dessas contribuições, evitandose, assim, que dita acumulação repercutisse nas fases subseqüentes da cadeia de produção e comercialização de alimentos. 6. Com a redução a zero dos mencionados insumos, por decorrência lógica, haveria de se extinguir o crédito presumido, por afastada sua fundamentação econômica, pois, do contrário, estarseia perante um benefício fiscal, o que contraria a Lei de Responsabilidade Fiscal.” Como se vê, o crédito presumido em análise assumiu, com o advento da Lei no. 10.925/04, ares de um verdadeiro incentivo e, como medida de política extrafiscal, passou a não haver impedimento a que o legislador favorecesse os diversos setores da agroindústria com benefícios de montante distinto. Nada impedia, pois, que o valor do crédito presumido variasse não mais em função do insumo (origem vegetal ou animal) e, sim, em função do produto (origem vegetal ou animal). Enquanto o crédito presumido servia ao propósito de eliminar a cumulatividade do PIS e da COFINS na cadeia agrícola, a lei de regência o concedia em percentual único, não importando em qual gênero alimentício o insumo fosse empregado. Depois, a partir do instante em que o instituto revestiu caráter de incentivo, a lei passou a outorgálo em diferentes montantes, conforme, o texto mesmo diz, o “produto” tenha esta ou aquela natureza. Pareceme, pois, fundado o argumento de que a IN SRF no. 660/06 modifica, de fato, os critérios com base nos quais o artigo 8º, da Lei no. 10.925/04 define o montante do crédito presumido. Daí porque, dou provimento ao recurso voluntário nesta parte, a fim de reconhecer à recorrente o direito de apropriálo nos valores em que originalmente o fez. (...)” Tendo em vista que o caso concreto em tudo se assemelha à situação fática sopesada por este colegiado por ocasião da prolação do Acórdão 3403002.139, adoto os fundamentos acima para reformar o acórdão de primeira instância, nesta parte, revertendo a glosa efetuada pela fiscalização, uma vez que o crédito presumido ao qual faz jus a recorrente deve ser calculado na forma do art. 8º, § 3º, inciso I da Lei nº 10.925/2004, ou seja, com o percentual de 60% a ser aplicado sobre o valor do crédito apurado com base no art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Fl. 414DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA 12 Relativamente a ausência de informação do crédito na DACON, conforme decidido pela DRJ, julgo relevante observar que a DRJ decidiu o seguinte: “Assim sendo, as aquisições da contribuinte de farelo de soja e milho em grãos, efetuadas no primeiro trimestre de 2006 junto a pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária, em tese, concedem direito a créditos como insumos do processo produtivo.” (fls. 372) Mas em razão do disposto no §2º, do artigo 21 da Instrução Normativa nº 460/2004, que dispõe que os créditos somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF após a entrega pela pessoa jurídica da DACON do trimestrecalendário de apuração, a DRJ negou o crédito quanto a esse ponto. No presente caso, a Recorrente, quando da apresentação de sua manifestação de inconformidade, juntou a DACON retificadora, que se refere a um título devidamente reconhecido pela DRJ, que apenas não lhe foi outorgado por um aspecto formal. Segundo a DRJ, a DRF de origem não teria analisado a DACON, o que impediria o seu reconhecimento na Manifestação de Inconformidade. Entendo que há excesso de formalismo por parte da DRJ, pois, especificamente, a própria DRJ reconhece o crédito, e a Recorrente, na fase em que lhe é facultado a juntada de documentos, acostou a DACON retificadora. Nessa linha de raciocínio, a DACON, em meu pensar, se presta a informar a Receita Federal o montante de crédito apurado pela Recorrente, mas não configura condição imprescindível ao reconhecimento do crédito no presente caso, eis que o crédito constou no pedido de ressarcimento e foi amplamente debatido nos autos. Faço referência ao Acórdão nº 3302002.224, relatado pelo Conselheiro Alexandre Gomes, da 2ª Turma Ordinária (3ª Câmara – 3ª Seção), em que restou decidido que o pedido de repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou DACON, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2007 REPETIÇÃO DE INDÉBITO. RETIFICAÇÃO DE DCTF E DACON. PROVA DO INDÉBITO. O direito à repetição de indébito não está condicionado à prévia retificação de DCTF ou da DACON, que contenham erro material. A DCTF (retificadora ou original) e a DACON não fazem prova de liquid ez e certeza do crédito a restituir. Na apuração da liquidez e certeza do crédito pleiteado, devese apreciar as provas trazidas pelo contribuinte e solicitar outras sempre que necessário. Recurso Voluntário Provido em Parte. Assim, diante do reconhecimento, pela DRJ, de que a Recorrente teria direito ao crédito, da verificação dos próprios créditos e, ainda, da própria DACON retificada pela Recorrente, que simplesmente sumariza em termos de valor o crédito reconhecido pela DRJ, constante nos autos, não vejo como negálo. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 11516.004065/200715 Acórdão n.º 3403003.143 S3C4T3 Fl. 19 13 Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Voluntário, para reconhecer a aplicação do percentual de 60%, bem como reconhecer os créditos decorrentes da aquisição de farelo de soja e milho em grãos, realizadas no 1º Trimestre de 2006, junto a pessoa jurídica que exerce atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. É como voto. (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista Fl. 416DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA
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Numero do processo: 10935.906367/2012-93
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/11/2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE.
Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito.
Numero da decisão: 3802-002.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Bruno Maurício Macedo Curi - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
O conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 20/11/2007 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DESCABIMENTO. Diante das regras vigentes, não é cabível pedido de restituição de PIS/PASEP que tenha por base a alegação de recolhimento a maior por inclusão do ICMS na base de cálculo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/11/2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. NECESSIDADE DE DEMONSTRAÇÃO DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO PLEITEADO PELO CONTRIBUINTE. Por mais relevantes que sejam as razões de direito aduzidas pelo contribuinte, no rito da repetição do indébito é fundamental a comprovação da materialidade do crédito alegado. Diferentemente do lançamento tributário em que o ônus da prova compete ao Fisco, é dever do contribuinte comprovar que possui a materialidade do crédito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 63 67 /2 01 2- 93 Fl. 61DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim Presidente. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi, Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. O conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório O contribuinte JUMBO ALIMENTOS LTDA. interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0642.815, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pelo sujeito passivo em sede de manifestação de inconformidade, rejeitandoa. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: “Trata o processo de Despacho Decisório emitido pela DRF Cascavel/PR, em 03/01/2013, que indeferiu o pedido de restituição formulado por meio do Per/Dcomp nº 00969.06506.110209.1.2.041892, rastreamento nº 041907086, devido à inexistência de crédito pleiteado de R$ 2.009,57, uma vez que o pagamento de PIS/PASEP (Código 6912), do período de 31/10/2007, efetuado em 20/11/2007, estaria totalmente utilizado na extinção, por pagamento, de débito da contribuinte do mesmo fato gerador. Cientificada da decisão em 18/01/2013, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, a inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Diz que o conceito de faturamento trazido pela Lei nº 9.718, de 1998, não pode ser elastecido a ponto de abarcar o conceito de “ingresso”, por isso, o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições, por se tratar de mero ingresso de recursos, os quais devem ser repassados ao fisco estadual, e que o Supremo Tribunal Federal – STF tem entendido que o valor do ICMS não pode compor a base de cálculo do PIS e da Cofins. Dessa forma, solicita que os créditos sejam restituídos, acrescidos de juros de mora, desde seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. É o relatório.” Indeferida a manifestação de inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a improcedência do direito creditório na forma da ementa que segue: Fl. 62DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906367/201293 Acórdão n.º 3802002.665 S3TE02 Fl. 122 3 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/11/2007 COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ de Curitiba, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS A Recorrente alega que possui direito de crédito amparada no fato de que incluiu, quando de sua apuração do PIS e da COFINS, o ICMS em sua base de cálculo; e que tal inclusão seria indevida, de modo que merece ser proporcionalmente restituída do montante decorrente desse procedimento. De início vale destacar que, ao invés de questionar a constitucionalidade da regra (o que levaria ao não conhecimento do presente Recurso), o contribuinte cerra sua discussão na extensão do conceito de faturamento – o que, na esteira da decisão proferida pelo Fl. 63DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 STF no RE 346084, no qual se afastou a tributação sobre a receita bruta e se limitou ao faturamento, assim entendido como as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e prestações de serviços. Desse modo, o recurso é passível de conhecimento. Além disso, por mais que esteja sujeita ao regime não cumulativo do PIS e da COFINS, por entender que o conceito de faturamento deve ser apenas um (pois, independente do regime de tributação, temse em verdade dois únicos tributos, PIS e COFINS), comungo com o pressuposto de que o conceito de faturamento adotado com relação à lei 9.718 deve ser o mesmo válido também para os regimes das leis 10.637/2002 e 10.833/2003. A Recorrente fundamenta seu pleito defendendo que o ICMS não seria receita própria do sujeito passivo, o que implicaria na seguinte situação: Para tanto, espelhase em doutrina e em julgados que entendem que o ICMS não se enquadra no conceito de faturamento, por não representar vantagem do sujeito passivo, mas apenas receitas de terceiros. A DRJ, todavia, não acolheu o entendimento da Recorrente, pelo singelo fato de que as normas vigentes – às quais o julgador administrativo está adstrito – impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Assim dispôs a decisão recorrida: “Pela manifestação de inconformidade apresentada, vêse, de pronto, que a pretensão da contribuinte implica negar efeito a disposição expressa de lei. Nesse contexto, cumpre registrar que não há na legislação de regência revisão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998: (...)” Entendo que a DRJ está correta em suas considerações, apesar de uma pequena impropriedade ao se referir à lei 9.718/98 – pois o direito creditório decorre de PIS e COFINS recolhidos pela sistemática não cumulativa. As normas de direito vigentes, às quais o CARF está vinculado, impõem a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Nesse sentido, vejase o que dispõem as leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que em matéria de ICMS autorizam a dedução somente no caso de exportação: Lei 10.637/2002 “Art. 1o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906367/201293 Acórdão n.º 3802002.665 S3TE02 Fl. 123 5 § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Lei 10.833/2003 “Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: VI decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996.” Logo, do ponto de vista normativo a Recorrente já não merece acolhida em seu pleito, ao menos no âmbito administrativo. E nem se diga que o conceito simples de faturamento, indicado no parágrafo 2o do artigo 1o das leis 10.637/2002 e10.833/2003, permitiria inferir que o ICMS incidente sobre as operações do próprio sujeito passivo, seria incompatível com a base de cálculo. Trata se de afastamento legal da base de cálculo, apenas para o caso excepcional do ICMS da exportação. E mesmo isso possui uma razão de ser, qual seja a desoneração das exportações. De todo modo, mesmo que se abstraia da letra fria das normas vigentes, ou se entenda que a dicção do inciso VI do § 3o do art. 1o das leis de regência da sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS, entendo que não é cabível a exclusão do ICMS da base de cálculo dessas contribuições. E isso pela própria essência do ICMS. Desde que o STF entendeu, no RE 212209, que o ICMS compõe a própria base de cálculo, não restam dúvidas de que esse imposto integra o valor da operação. E não há, com a devida vênia a todos os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais trazidos pela Recorrente, condições de se decompor o valor da operação entre itens que integrariam sua receita, e outros (em especial, o ICMS) que implicariam receitas de terceiros. É o que se verifica, inclusive, do julgado do RE em tela, no qual o Ministro Marco Aurélio, relator, confrontou o Min. Nelson Jobim, redator para o Acórdão. Abaixo segue o questionamento e a resposta: Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 Esse raciocínio foi acompanhado pelo STJ, o qual, nos Edcl no REsp no 1.413.129SP, firmou tal entendimento, conforme se verifica do aresto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO RECEBIDOS COMO AGRAVO REGIMENTAL. FUNGIBILIDADE. RECURSO ESPECIAL PROVIDO. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. CONTRADIÇÃO E AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. MATÉRIA EXCLUSIVAMENTE CONSTITUCIONAL. AFASTAMENTO. "Não procede ainda a afirmação de que a matéria de fundo é exclusivamente constitucional, pois o STJ conhece reiteradamente da questão e possui firme orientação de que a parcela relativa ao ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins (Súmulas 68 e 94/STJ). Precedentes atuais: AgRg no REsp 1.106.638/RO, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 15/5/2013; REsp 1.336.985/MS, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013; AgRg no REsp 1.122.519/SC, Rel. Ministro Ari Pargendler, Primeira Turma, DJe 11/12/2012" (AgRg no Ag 1301160/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 12/6/2013). A propósito, valhome do Acórdão proferido no RESP 8.541, o qual serviu como paradigma para as Súmulas 68 (que consagra a inclusão do antigo ICM na base de cálculo do PIS) e também 94 (que consagra a inclusão do ICMS na base de cálculo do antigo Finsocial) do STJ. Nele o Min. Ilmar Galvão, Relator, aponta as seguintes razões: Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906367/201293 Acórdão n.º 3802002.665 S3TE02 Fl. 124 7 Apesar de se referir ao antigo ICM, a discussão travada (assim como o raciocínio espelhado) remanesce atual, pelo que me valho dessas razões de decidir. Sem embargo, o fato de o ICMS ser tributo de repercussão jurídica não me parece promover diferenças relevantes para o deslinde da causa. A não cumulatividade é, ao fundo, uma sistemática de tributação, destinada a atender a um propósito particular de política econômica, com o fito de evitar a verticalização da cadeia produtiva. Assim leciona Alcides Jorge Costa em O ICM na Constituição e na Lei Complementar (Ed. Resenha Tributária, São Paulo, 1978). Entender que o ICMS, por ser de repercussão jurídica, não significa receita própria, implica conseqüências tão graves no âmbito daquele tributo, que é mesmo incogitável admitir isso para o PIS e a COFINS. Apenas à guisa de ilustração, trago outro exemplo, além da inclusão do ICMS na própria base de cálculo (que teria que ser revista, pois perderia sua Fl. 67DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 8 razão de ser), que a inadimplência teria reflexos diametralmente opostos no ICMS se ele fosse considerado receita de terceiros. Esses reflexos, que podem ser suscitados como marginais ao PIS e à COFINS, em verdade guardam íntima relação com essas contribuições. Basta ver que, se o contribuinte considera que o ICMS é receita de terceiros, teria que observar todos os reflexos contábeis decorrentes disso – inclusive lançando a parcela de ICMS do seu preço em conta contábil própria, de receita de terceiros. De um modo ou de outro, seja do ponto de vista legal, de finalidade das normas, ou mesmo contábil, as próprias raízes do ICMS impedem que ele seja considerado receita de terceiros. E isso, em sede de PIS e COFINS, não pode ser considerado distinto, sob pena de instabilidade e insegurança jurídica absoluta. Os conceitos devem ser trabalhados de maneira uniforme. Por isso mesmo, no que toca os fundamentos do seu pedido de restituição, nego provimento ao Recurso Voluntário. Da ausência de comprovação da materialidade do crédito Ultrapassada a questão acima, o exame da materialidade do crédito do sujeito passivo também não resiste a uma análise mais acurada. Apesar de o despacho decisório afirmar que o crédito argüido pelo sujeito passivo foi integralmente utilizado para pagamento de outros débitos, a Recorrente não demonstrou, por meio de documentos hábeis, que o montante pleiteado referese ao ICMS incluído de modo (a seu ver) indevido na base de cálculo do PIS e da COFINS. Isso se verificou na manifestação de inconformidade e também no presente Recurso Voluntário. Ora, o processo administrativo tributário em si é regido pelo princípio da verdade material, que busca, mais do que qualquer formalismo, a essência do que é levado a revisão administrativa. Assim é que, no que tange ao pedido de restituição, é de responsabilidade do sujeito passivo demonstrar, mediante a apresentação de provas hábeis e idôneas, a composição e a existência do crédito pleiteado junto à Fazenda Nacional, para que sejam aferidas (i) sua legitimidade e (ii) a materialidade do seu crédito, para os fins do art. 165 do CTN. Neste espeque, a Recorrente, mesmo instada a tanto pela DRJ, não acostou aos autos documentação suficiente para comprovação de que efetivamente o crédito pleiteado se refere à inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Reiterese aqui, que no rito do processo de análise de pedidos de restituição, o sujeito passivo deve demonstrar a materialidade de seu crédito. Vale repisar que, diferentemente do processo de revisão do lançamento tributário, em que o ônus da prova compete ao fisco (demonstrando cabalmente as razões pelas quais o tributo deve ser exigido), no pedido de compensação o contribuinte deve demonstrar as razões pelas quais ele deve ser restituído no montante pleiteado. Assim sendo, não há nos autos fundamentos que legitimem a restituição pleiteada pela Recorrente, de modo que deve ser negado provimento ao presente Recurso Voluntário, não se reconhecendo o crédito requerido. Fl. 68DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10935.906367/201293 Acórdão n.º 3802002.665 S3TE02 Fl. 125 9 Conclusão Ante todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Bruno Maurício Macedo Curi Fl. 69DF CARF MF Impresso em 16/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/10/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/1 0/2014 por BRUNO MAURICIO MACEDO CURI, Assinado digitalmente em 14/10/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 10540.000330/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IRPF. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICA-SE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62-A, DO ANEXO II, DO RICARF.
O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial rege-se pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando-se inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 - SC (2007/0176994-0), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos).
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL.
Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendo-se que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2102-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
Assinado digiltamente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 10/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL ORDINÁRIO REGIDO PELO ART. 150, § 4º, DO CTN, DESDE QUE HAJA PAGAMENTO ANTECIPADO. NA AUSÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO, APLICASE A REGRA DECADENCIAL DO ART. 173, I, DO CTN. ENTENDIMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. REPRODUÇÃO NOS JULGAMENTOS DO CARF, CONFORME ART. 62A, DO ANEXO II, DO RICARF. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 03 30 /2 00 9- 98 Fl. 333DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 334 2 decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). Reprodução da ementa do leading case Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, relator o Ministro Luiz Fux, que teve o acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos). TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO DECADENCIAL. Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendose que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digiltamente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 10/09/2014 Fl. 334DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 335 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 291 a 318, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 282 a 285, que julgou procedente em parte o lançamento de IRPF de fls. 04 a 19 dos autos, lavrado em 03/03/2009, relativo aos anoscalendário 2004, 2005 e 2006, com ciência do RECORRENTE em 06/03/2009 (fl. 230). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 1.027.005,85, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 112,50%, aplicada com base no art. 44, I, §2º, da Lei nº 9.430/96. De acordo com a descrição dos fatos às fls. 11 a 13, o lançamento teve origem na seguinte infração: “001 – DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Relatório Fiscal em anexo. Fato Gerador 31/01/2004 29/02/2004 31/03/2004 30/04/2004 31/05/2004 30/06/2004 31/07/2004 31/08/2004 30/09/2004 30/11/2004 31/12/2004 31/01/2005 28/02/2005 31/03/2005 30/04/2005 31/05/2005 30/06/2005 Valor Tributável ou Imposto R$ 3.424,84 R$ 47.500,00 R$ 28.950,00 R$ 16.175,27 R$ 18.924,00 R$ 34.200,00 R$ 7.170,00 R$ 10.000,00 R$ 19.731,30 R$ 77.817,46 R$ 56.967,50 R$ 82.689,25 R$ 87.701,50 R$ 46.675,50 R$ 107.920,50 R$ 116.618,07 R$ 114.999,81 Multa(%) 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 Fl. 335DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 336 4 31/07/2005 31/08/2005 30/09/2005 31/10/2005 30/11/2005 31/12/2005 31/01/2006 28/02/2006 31/03/2006 30/04/2006 31/05/2006 30/06/2006 31/07/2006 31/08/2006 30/09/2006 31/10/2006 30/11/2006 31/12/2006 R$ 8.676,10 R$ 1.446,10 R$ 25.376,10 R$ 40.376,40 R$ 18.785,40 R$ 66.937,20 R$ 4.516,10 R$ 54.900,95 R$ 18.103,97 R$ 36.946,32 R$ 27.475,00 R$ 28.670,00 R$ 32.472,05 R$ 56.857,85 R$ 76.076,35 R$ 37.940,35 R$ 65.611,35 R$ 46.385,00 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 112,50 Enquadramento legal: Art. 849 do RIR/99; Art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei nº 10.451/2002; Art. 1º da Lei nº 11.119/05; Art. 1º da Lei nº 11.311/06.” De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 14 a 17, a fiscalização teve início com a ciência via postal do Termo de início de Ação Fiscal em 27/12/2007 quando foram solicitados ao contribuinte: (i) Extratos bancários de todas as contas correntes de sua titularidade, referentes ao período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006; e (ii) Documentos hábeis que comprovem os rendimentos isentos da atividade rural e demais rendimentos isentos e nãotributáveis declarados nas DIRPFs 2005, 2006 e 2007 (anoscalendário 2004, 2005 e 2006, respectivamente). Foram apresentados os documentos que comprovam a atividade rural e documentos referentes a rendimentos isentos e nãotributáveis. No entanto, os extratos não foram apresentados porque, segundo o contribuinte, as instituições financeiras não os forneceram; o que levou a fiscalização a solicitálos via Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, nos termos do artigo 6° da Lei Complementar n° 105/2001. De posse dos extratos bancários do RECORRENTE, a fiscalização observou irregularidades na declaração do contribuinte, na medida em que o mesmo declarou ter recebido rendimentos isentos e nãotributáveis, alegando tratarse de distribuição de dividendos de empresas em que ele é sócio, com os seguintes valores: 2004: R$410,000,00; Fl. 336DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 337 5 2005: R$ 516,952,46; 2006: R$ 56.000,00, Contudo, não foi possível à fiscalização identificar nos extratos bancários os depósitos referentes a estes pagamentos. O RECORRENTE alegou também que no anocalendário de 2005 a sociedade Soares e Botelho Ltda, na qual ele figurava como sócio, recebeu bens e direitos do ativo desta pessoa jurídica, entregues a ele a título de devolução de sua participação no capital social. Da venda destes bens do ativo pelo valor contábil auferiu receitas que foram declaradas como rendimentos isentos e não tributáveis. Todavia, a fiscalização constatou que o RECORRENTE ainda figura como sócio na base de dados CNPJ da Receita Federal. Neste sentido, a autoridade fiscal intimou novamente o RECORRENTE para: 1. Comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a efetiva transmissão dos recursos declarados como rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes de distribuição de lucros; 2. Identificar nos extratos bancários os depósitos referentes aos valores declarados como rendimentos isentos e não tributáveis decorrentes de distribuição de lucros; 3. Apresentar os contratos sociais e alterações posteriores e cópias dos assentamentos contábeis que registram a devolução de sua participação no capital social da empresa Soares e Botelho Ltda. Contudo, não houve manifestação por parte do RECORRENTE. Ademais, o RECORRENTE foi intimado a comprovar a origem e tributação dos depósitos bancários listados na planilha de fls. 215 a 223. No entanto, não houve manifestação do contribuinte. Diante deste fato, a fiscalização apurou os montantes de depósitos bancários mês a mês, excluiu destes montantes as receitas de atividade rural declaradas e os demais rendimentos tributáveis declarados, conforme planilha de fl. 17 (replicada abaixo), procedendo ao lançamento de ofício do Imposto de Renda de Pessoa Física sobre o montante apurado. Os rendimentos isentos e nãotributáveis não foram excluídos pelo fato de o contribuinte não ter fornecido os documentos comprobatórios solicitados pela fiscalização. Ademais, a autoridade fiscal aplicou a multa de ofício agravada em 50%, com base no art. 44, I, §2º, da Lei nº 9.430/96, pelo fato de o RECORRENTE não ter atendido às intimações para prestar esclarecimentos. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 338 6 Assim, considerou como rendimentos omitidos os valores das diferenças não justificadas e autuou a RECORRENTE, de acordo com o art. 849 do RIR/99. DA IMPUGNAÇÃO Em 06/04/2009, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente via Correios, sua impugnação de fls. 236 a 263, através de procurador habilitado à fl. 264, por meio da qual expôs, em síntese, a seguinte matéria de defesa: I. Estariam decadentes os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram antes da ciência do RECORRENTE (que aconteceu em 06/06/2004), nos termos do art. 150, § 4º, do CTN, pois o IRPF é devido mensalmente; Fl. 338DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 339 7 II. Depósitos bancários, por si só, não autorizam o lançamento efetuado, já que não constituem fato gerador do imposto de renda, haja vista não caracterizar disponibilidade de renda e proventos, não podendo, por consequência, caracterizar sinais exteriores de riqueza; III. Cabe a autoridade administrativa a prova da efetiva renda do recorrente com estes depósitos e qual o rendimento que o mesmo proporcionou; IV. A movimentação financeira não traz nem uma presunção relativa, porque não se deposita somente renda. Entender diferente é aceitar que para se obter rendimento não é necessário qualquer investimento, custeio ou despesas de qualquer natureza. Uma pessoa pode movimentar R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais) e ter rendimento de apenas R$ 12.000,00 (doze mil reais); V. Que todos os rendimentos auferidos nos anos em tela, tributários e isentos, estariam informados em sua declaração de ajuste anual e justificam a movimentação financeira no período; VI. Em relação ao anocalendário 2004, afirmou que os depósitos considerados como de origem não justificada (R$ 320.860,37) estariam totalmente acobertados pelo valor de R$ 410.000,00 que recebeu a título de distribuição de lucros da empresa Casa Silva Calçados LTDA., conforme declarado em DIRPF e constatado através do informe de rendimentos de fl. 267. Assim, a fiscalização não poderia tratar tais depósitos como de origem não justificada. VII. Quanto ao anocalendário 2005, afirmou que o caso se assemelha ao ano de 2004, pois recebeu e declarou, a título de distribuição de lucros, o importe de R$ 516.952,46, sendo R$ 100.000,00 da Casa Silva Calçados LTDA. e R$ 416.952,46 da Soares e Botelho LTDA., conforme se verifica em sua declaração e informes de rendimentos (fls. 61 e 62). Ademais, outra origem de recurso foi a venda de um terreno pela quantia de R$ 61.664,58, conforme informado em sua declaração de imposto de renda (fl. 34), tendo sido inclusive apurado ganho de capital. Tais valores, adicionados ao valor já aceito pela fiscalização (que foi de R$ 26.000,00) justificaria a movimentação em sua conta corrente no ano calendário 2005, que foi de R$ 718.201,93; VIII. Os valores recebidos de lucros das empresas nos anos 2004 e 2005 foram retirados a cada mês do ano, pegando no financeiro da empresa cheques de terceiros recebidos pela mesma, como antecipação de distribuição de lucros, fazendo o acerto contábil no final do exercício, o que faz até hoje, utilizando esses valores para os pagamentos da sua vida particular. Esses valores foram depositados em sua conta, mensalmente, justificando os valores depositados; IX. Em relação ao anocalendário 2006, afirmou que recebeu da empresa Criativa Calçados Ltda., CNPJ n° 07.791.433/000151, o valor de R$ Fl. 339DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 340 8 14.000,00 (quatorze mil reais) a titulo de distribuição de lucro, conforme comprova informe de fl. 270, além dos rendimentos tributáveis de R$ 27.050,00, já aceitos pela fiscalização. X. Contudo, além dos valores tribudos e isentos, o impugnante recebeu e declarou, a titulo de empréstimo, da empresa Criativa Calçados LTDA, o importe de R$ 471.731,54, conforme se verifica em sua declaração (fl. 39), balanço da empresa (fl. 271) e contrato de mútuo (fls. 272/273); XI. Durante todo o ano de 2006, o impugnante retirou na empresa Criativa Calçados Ltda. o valor de R$ 485.731,54, como se fosse antecipação de lucro. Ocorre que quando foi fazer o acerto contábil, a empresa tinha a distribuir de lucro de R$ 14.000,00 (quatorze mil reais), os quais foram distribuídos. O restante do valor retirado, de R$ 471.731,54, foi considerado então como empréstimo ao impugnante, sendo assim lançado na contabilidade da empresa, sendo assinado um contrato de mútuo; XII. Nesse sentido, alegou que a soma de tais valores que não foram aceitos pela fiscalização (R$ 485.731,54) justificaria os depósitos considerados como de origem não comprovada em sua conta corrente no ano calendário 2006, que foi de R$ 485.955,29; XIII. Assim, afirmou que os esclarecimentos prestados acerca da origem dos depósitos bancários, fundamentado com documentos (informe de rendimentos, contratos, demonstrativos contábeis, etc.), não podem ser liminarmente descartados, exceto por indício veemente de sua falsidade ou inexatidão (Decreto Lei n° 5.844, de 1943, art. 79, § 1º; RIR/99, art. 845, § 1º), o que não existe no caso. Neste sentido, deveria ser cancelado o lançamento em questão; XIV. Sobre a multa majorada aplicada, entendeu que a mesma era totalmente abusiva, porque os esclarecimentos foram todos prestados, contudo não foram acatados, o que são coisas bem diferentes, tanto é que a fiscalização refuta as alegações do impugnante. Ademais, mesmo que não fossem prestados os esclarecimentos sobre os depósitos, a penalidade é a presunção de omissão de receitas, descabendo essa majoração da multa. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 282 a 285 dos autos, julgou procedente em parte o lançamento, apenas para reduzir a multa de ofício para o percentual de 75%, conforme acórdão com a seguinte ementa: Fl. 340DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 341 9 “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presumemse rendimentos omitidos os depósitos bancários cuja origem não tenha sido comprovada com documentação hábil e idônea. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. MULTA AGRAVADA INAPLICÁVEL. A falta de apresentação de provas da origem de depósitos bancários não justifica o agravamento da multa para 112,5%. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora esclareceu o seguinte: I. É tempestivo o lançamento notificado em 06/03/2009, pois, no caso dos rendimentos obtidos em 2004, ainda que se admita que o lançamento de ofício pudesse ser efetuado antes da entrega da declaração, a contagem do prazo decadencial se inicia no ano seguinte, ou seja em janeiro de 2005, concluindose em dezembro de 2009; II. De acordo com o artigo 42 da Lei 9.430, de 1996, caracterizam omissão de receita ou de rendimentos os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; III. Entende que o RECORRENTE não comprova qualquer correlação entre os depósitos e os lucros declarados. Alega que foram distribuídos por meio de cheques de terceiros faturados pelas pessoas jurídicas, e diretamente depositados em sua conta pessoal. Também isto não foi comprovado, nem comprova que estes valores tenham sido regularmente registrados, declarados e tributados na pessoa jurídica, mesmo porque os lucros isentos que informa em sua declaração não correspondem aos dados declarados pelas empresas, como se pode verificar pelos extratos de fls. 276/281; IV. Não há a previsão de agravamento da multa pela falta de apresentação de provas das origens de depósitos bancários, nem mesmo pela falta de apresentação de qualquer outro documento que não aqueles especificados nos incisos II e III do art. 959 do Decreto nº 3.000/99, que não se aplicam ao caso. Se a presunção de rendimentos omitidos é a Fl. 341DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 342 10 consequência da falta de provas, a sua aplicação afasta a necessidade destas mesmas provas, não se justificando o agravamento da multa por não haver sido comprovada a origem dos depósitos. Portanto, concluiu que a multa de 112,5% deve ser reduzida para 75%. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 10/01/2012, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 288, postou nos Correios o seu recurso voluntário de fls. 291 a 318 em 09/02/2012 (fl. 290). Em suas razões de recurso, o RECORRENTE reiterou as afirmações de sua impugnação, e alegou ainda o seguinte: I. O julgador de primeira instância diz que não teria sido provada a existência dos lucros recebidos, o que não é verdade, tendo em vista juntada de informe de rendimentos da empresa. Para reforçar essa prova, juntou aos autos os balanços patrimoniais das empresas Casa Silva Calçados Ltda. e Soares botelho Ltda., demonstrando a existência do Lucro distribuído, assim como folhas dos livros fiscais em que foram contabilizadas essas distribuições (fls. 319 a 331); II. Para aceitar os rendimentos tributáveis como origem dos depósitos na conta do recorrente, tanto rural como prólabore, a fiscalização não se preocupou em exigir coincidência de datas e valores. Simplesmente pegou o valor declarado na totalidade e diminuiu dos depósitos encontrados. Esse mesmo procedimento deve ser tomado com relação aos lucros que recebeu e declarou, devendo seus valores serem aceitos para justificar a sua movimentação bancária, sob pena de se aceitar um procedimento com dois pesos e duas medidas. Por todo o exposto, requereu fosse cancelado o lançamento. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 342DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 343 11 O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Preliminar: decadência O RECORRENTE alega em seu recurso que os créditos tributários que tiveram origem em fatos geradores ocorridos nos meses de janeiro e maio de 2004 foram atingidos pela decadência, nos termos do art. 150, §4º, do CTN, haja vista a ciência do lançamento ter ocorrido somente em 06/03/2009. Contudo, não merece prosperar a alegação do RECORRENTE. No que diz respeito à decadência dos tributos lançados por homologação, o Superior Tribunal de Justiça – STJ julgou o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/0176994 0), em 12 de agosto de 2009, com acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC e da Resolução STJ 08/2008 (regime dos recursos repetitivos), da relatoria do Ministro Luiz Fux, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL .ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 343DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 344 12 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” O RECORRENTE, no caso, apresentou sua declaração de rendimentos referente ao anocalendário 2004 e havia pago imposto no respectivo anocalendário. Sendo assim, aplicase ao caso a regra do art. 150, § 4º, do CTN, devendo a contagem do prazo decadencial se iniciar na data de ocorrência do fato gerador. O CARF possui o entendimento firme de que o fato gerador do imposto sobre a renda sujeito ao ajuste anual se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário, conforme excertos abaixo: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 NULIDADE DO LANÇAMENTO. Não padece de nulidade o Auto de Infração que seja lavrado por autoridade competente, com observância ao art. 142, do CTN, e arts. 10 e 59, do Decreto nº 70.235/72, contendo a descrição dos fatos e enquadramentos Fl. 344DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 345 13 legais, permitindo ao contribuinte o pleno exercício do direito de defesa, mormente quanto se constata que o mesmo conhece a matéria fática e legal e exerceu, dentro de uma lógica razoável e nos prazos devidos, o seu direito de defesa. PRESCRIÇÃO. ART. 174 DO CTN. TERMO INICIAL. DATA DA CONSTITUIÇÃO DEFINITIVA DO CRÉDITO. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em 5 (cinco) anos, contados da data de sua constituição definitiva. Tornase definitivo o lançamento quando o contribuinte, notificado, deixa de impugnar, intimado da decisão, deixa de recorrer, ou é intimado da decisão final não mais sujeita a recurso. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I). Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, I, do CTN Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4º), esclarecendo se que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. DIRPF. DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. RIR/1999. Conforme comanda o Regulamento do Imposto de Renda/1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), todas as deduções estão sujeitas a comprovação, a juízo da autoridade administrativa. Regularmente intimado, compete ao contribuinte trazer a documentação hábil e idônea, específica para cada caso, na forma da legislação aplicável, a fim de comprovar que faz jus às deduções pleiteadas. (arts. 73, 77, 78 e 80) MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. AUMENTO EM CASO DE NÃO ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO Presentes os pressupostos de exigência, cobrase multa de ofício pelo percentual legalmente determinado. (Art. 44, da Lei 9.430/1996). Os percentuais de multa serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos. MULTA AGRAVADA DE 150%. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO DOLO. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO POR PRESUNÇÃO É a espécie de multa que tem por conteúdo a agravação da penalidade. É aplicada quando a Administração demonstra, por elementos seguros de prova, no Auto de Infração, a existência da intenção do sujeito infrator de Fl. 345DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 346 14 atuar com dolo, fraudar ou simular situação perante o Fisco. A autuação com base em presunção de dolo não autoriza o Fisco ao agravamento da multa proporcional, ao percentual de 150%. O ônus, neste caso, quanto à situação fática que consubstancie o agravamento da multa, é da Administração Fiscal. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. APLICAÇÃO. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Súmula CARF nº 4) Recurso Voluntário Provido em Parte. (processo nº 10980.725701/201183,1ª Turma Especial da 2ª Seção do CARF, julgado em 18/02/2014) No presente caso, deve ser considerada como data do fato gerador o dia 31/12/2004, uma vez que o lançamento mais remoto referese ao anocalendário 2004. Tendo em vista que o RECORRENTE tomou ciência do presente auto de infração em 06/03/2009 (fl. 230), resta nítido que não ocorreu a decadência do crédito tributário, uma vez que a constituição do mesmo poderia ser realizada até o dia 31/12/2009. Assim, entendo que o crédito tributário relativo ao anocalendário 2004 não foi atingido pela decadência. Ultrapassadas as razões preliminares, passo a analisar o mérito da questão. Presunção de omissão de receitas (art. 42 da Lei nº 9.430/96) Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” A presunção de omissão de receita estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/96 autoriza o lançamento, quando a autoridade fiscal verificar a ocorrência do fato previsto, não sendo necessária a comprovação do consumo dos valores. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: “SÚMULA CARF Nº 26 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 347 15 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Portanto, ao contrário do que defende o RECORRENTE, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. A única forma de elidir a tributação é a comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos depositados nas contas correntes, mediante documentação hábil e idônea. Neste sentido, o RECORRENTE dividiu sua defesa em relação a cada ano calendário objeto do lançamento, conforme detalhado adiante. Anocalendário 2004: O RECORRENTE afirma ter recebido R$ 410.000,00 a título de distribuição de lucros da empresa Casa Silva Calçados LTDA., conforme declarado em DIRPF e constatado através do informe de rendimentos de fl. 267. Neste sentido, afirma que tal valor justifica totalmente os depósitos considerados como de origem não comprovada, que foi no valor de R$ 320.860,37 no anocalendário em questão. Contudo, o RECORRENTE deixou de comprovar a efetividade do recebimento dos valores. Neste sentido, a DIRPF de fl. 267 e parte do livro razão da empresa (fl. 320) não são provas cabais de que o RECORRENTE recebeu R$ 410.000,00 a título de distribuição de lucros, sobretudo porque a fiscalização consultou as declarações de IRPJ da empresa Casa Silva Calçados LTDA. e verificou que, no banco de dados da Receita Federal, consta a informação de que o RECORRENTE não recebeu rendimentos isentos, tendo apenas recebido R$ 24.000,00 de rendimentos tributáveis (fl. 276). Anocalendário 2005: Quanto ao fato de o contribuinte alegar que recebeu, em 2005, o importe de R$ 516.952,46 de rendimentos isentos, sendo R$ 100.000,00 a título de distribuição de lucros da Casa Silva Calçados LTDA. e R$ 416.952,46 da Soares e Botelho LTDA. (este último decorrente da venda de estoque pelo valor contábil, em razão de sua retirada da sociedade), também entendo que tal alegação não deve prosperar por falta de provas. Assim, como em relação ao anocalendário 2004, a DIRPF de fl. 61 e parte do livro razão da empresa (fl. 324) não são provas cabais de que o RECORRENTE recebeu R$ 100.000,00 a título de distribuição de lucros. Não há qualquer documentação que comprove a vendas pelo valor contábil, muito menos a retirada do contribuinte da Soares e Botelho LTDA. Muito pelo contrário. A autoridade lançadora constatou que o RECORRENTE ainda era sócio da empresa quando da lavratura do auto de infração, conforme exposto no Relatório Fiscal (fl. 15). Ademais, no demonstrativo fiscal da Soares e Botelho LTDA., extraído do banco de dados da Receita Federal, consta a informação de que a empresa não teve qualquer receita no anocalendário 2005 (fls. 279/280). Fl. 347DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 348 16 No que diz respeito ao rendimento auferido com a venda de imóvel por R$ 61.664,58, que o contribuinte alega ter declarado no demonstrativo da apuração do ganho de capital no anocalendário 2005 (fl. 34), também carece de provas tal operação. É inviável se embasar nas informações prestadas em DIRPF para se socorrer às acusações do presente lançamento, quando o que está sob julgamento e análise são, justamente, as informações prestadas pelo RECORRENTE em sua DIRPF. Portanto, a declaração não serve como meio de prova. Caberia ao mesmo acostar aos autos outros documentos comprobatórios da operação, como contrato de compra e venda, recibo de pagamento, averbação e registro da operação em cartório, etc. Nada disso foi acostado aos autos. Outrossim, o importe de R$ 516.952,46, somado à quantia de R$ 61.664,58 e ao valor já aceito pela fiscalização (que foi de R$ 26.000,00), perfaz o resultado de R$ 604.617,04, o que não justifica a totalidade dos depósitos na conta bancária do RECORRENTE no anocalendário 2005, que foi de R$ 718.201,93. Anocalendário 2006: Em relação ao ano 2006, assim como nos anos anteriores, não há provas concretas de que o RECORRENTE recebeu R$ 14.000,00 de distribuição de lucros da empresa Criativa Calçados LTDA., devendo ser desconsiderada a DIRPF de fl. 270, sobretudo porque a fiscalização consultou as declarações de IRPJ da referida empresa e verificou que, no banco de dados da Receita Federal, consta a informação de que o RECORRENTE não recebeu rendimentos isentos nem rendimentos tributáveis da mesma no anocalendário 2006 (fl. 281). O RECORRENTE se defende afirmando que recebeu, a titulo de empréstimo da empresa Criativa Calçados LTDA., o importe de R$ 471.731,54, conforme se verifica em sua declaração (fl. 39), balanço da empresa (fl. 271) e contrato de mútuo (fls. 272/273). Alegou que a origem de tal mútuo devese ao fato de que, durante todo o ano de 2006, o contribuinte retirou na empresa Criativa Calçados Ltda. o valor de R$ 485.731,54, como se fosse antecipação de lucro (operação que fazia costumeiramente em relação às outras duas empresas nos anoscalendário 2004 e 2005). Ocorre que quando foi fazer o acerto contábil, a Criativa Calçados Ltda. teve de lucros a distribuir no ano apenas o valor de R$ 14.000,00, sendo o restante do valor retirado (de R$ 471.731,54) considerado então como empréstimo e, assim, lançado na contabilidade da empresa, conforme contrato de mútuo. Ocorre que o mútuo deve ser desconsiderado, pois não há indícios de que se tratou de verdadeiro empréstimo. Não há comprovação de pagamento de IOF decorrente da operação. Ademais, se fosse um mútuo real, o contribuinte poderia demonstrar a quitação do mesmo nos anos subsequentes, tendo em vista que o empréstimo ocorreu em 2006, o contribuinte foi autuado em 2009 (três anos depois). Ou seja, poderia o RECORRENTE juntar aos autos documentos que comprovariam o pagamento do mútuo e dos encargos, o que não ocorreu. Ademais, de acordo com o art. 48, § 3º, da Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de Dezembro de 1997, a parcela dos rendimentos pagos a sócio da pessoa jurídica a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, ficará sujeita ao imposto de renda, verbis: Fl. 348DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 349 17 Art. 48. Não estão sujeitos ao imposto de renda os lucros e dividendos pagos ou creditados a sócios, acionistas ou titular de empresa individual. (...) § 3º A parcela dos rendimentos pagos ou creditados a sócio ou acionista ou ao titular da pessoa jurídica submetida ao regime de tributação com base no lucro real, presumido ou arbitrado, a título de lucros ou dividendos distribuídos, ainda que por conta de períodobase não encerrado, que exceder ao valor apurado com base na escrituração, será imputada aos lucros acumulados ou reservas de lucros de exercícios anteriores, ficando sujeita a incidência do imposto de renda calculado segundo o disposto na legislação específica, com acréscimos legais. Neste sentido, desconsiderase o suposto mútuo realizado entre o RECORRENTE e a empresa Criativa Calçados Ltda., razão porque devese tributar o valor de R$ 471.731,54. Considerações Gerais Em relação a todos os anoscalendários já observados, o contribuinte deve ter em mente que a escrita fiscal, publicada ou não publicada, deve estar em conformidade com as informações declaradas ao Fisco federal. No caso dos autos, aparenta que o contribuinte elaborou os documentos contábeis e fiscais apenas para tentar comprovar suas alegações, haja vista serem documentos elaborados pela própria empresa, não publicados, não auditados e nem registrados em órgão competente. Assim, os informes de rendimentos e registros contábeis apresentados pelo RECORRENTE não servem como prova do efetivo recebimento de lucros/dividendos (rendimentos isentos), sobretudo quando não há a comprovação de que tais rendimentos foram tributados na pessoa jurídica. Deveria o RECORRENTE ter apresentado a prova efetiva do recebimento dos valores, como transferência da conta da empresa, cheques da própria empresa etc. A alegação de que depositava em sua conta cheques que terceiros forneciam às empresas não socorre as suas alegações. É que não há prova de que tais cheques foram, efetivamente, ordens de pagamento para as sociedades e que foram, posteriormente, endossados ao contribuinte. Não há cópia de sequer um cheque demonstrando que o mesmo era, inicialmente, nominal à empresa. Desse modo, aparenta que o contribuinte ajustou a escrita contábil e fiscal das empresas para bater com as informações prestadas em DIRPF. Ademais, como sócio administrador das empresas, o RECORRENTE tinha totais condições de fornecer todas as documentações necessárias para comprovar suas alegações. Mas não o fez. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 350 18 Quando o contribuinte é autuado para comprovar a origem de depósitos bancários não justificados, o mesmo deve demonstrar suas alegações por meio de documentos hábeis e idôneos. Não basta alegar que os recursos em conta são oriundos de cheques de terceiros fornecidos como ordens de pagamento às empresas das quais é sócio. Deveria ser provada tal alegação. Contudo, o RECORRENTE não apresentou nenhum documento que comprovasse a origem dos recursos, conforme constatado no Relatório Fiscal (fls. 14 a 17). Durante a fase litigiosa, também não forneceu documentação hábil, pois as DIRFs e os documentos contábeis fornecidos não gozam de idoneidade, conforme já exposto. O art. 15 do Decreto nº 70.235/72 determina que a defesa do contribuinte deve estar acompanhada de toda a documentação em que se fundamentar: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. O art. 16, § 4º, do mesmo Decreto, prevê que a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: “a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Como o caso do RECORRENTE não se encaixa em nenhuma das hipóteses acima indicadas, deveria ter comprovado a origem dos recursos depositados na suas contas bancárias durante a ação fiscal, ou quando da apresentação de sua impugnação/recurso, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 1998 PERÍCIA OU DILIGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE REJEIÇÃO A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Por seu turno, a diligência objetiva trazer luzes sobre algum ponto obscuro apreendido nos autos. Não comprovada a necessidade da diligência ou perícia para Fl. 350DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 351 19 subsidiar a solução da controvérsia, devese rejeitar a pretensão do recorrente. IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADE ECONÔMICA DESENVOLVIDA POR FIRMA INDIVIDUAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ALEGADO REJEIÇÃO DA COMPROVAÇÃO Não basta simplesmente alegar que os depósitos bancários de origem não comprovada são provenientes da atividade rural ou de atividade econômica desenvolvida por firma individual. Ausente a prova do alegado, cujo ônus era do recorrente, hígida a presunção de omissão de rendimento estribada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CRÉDITOS BANCÁRIOS EXCLUÍDOS PELA FISCALIZAÇÃO MATÉRIA ESTRANHA AO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE LITÍGIO Excluídos determinados créditos bancários pela autoridade autuante, não remanesce qualquer controvérsia a ser solucionada no rito do contencioso administrativo fiscal. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10540.000330/200998 Acórdão n.º 2102003.038 S2‐C1T2 Fl. 352 20 Recurso voluntário provido em parte. (recurso voluntário nº 159994; 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 102 do Código Tributário Nacional – CTN: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Assim, considero insubsistentes as alegações do RECORRENTE, devendo o lançamento ser mantido. Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo o julgamento da DRJ de origem. Assinado digiltamente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 352DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 10/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 23/10/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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