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Numero do processo: 15983.000181/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1302-000.308
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade, Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório FUNDAÇÃO LUSÍADA, já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 0536.811, de 02/02/2012, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 59 83 .0 00 18 1/ 20 09 -7 1 Fl. 520DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000181/200971 Resolução nº 1302000.308 S1C3T2 Fl. 521 2 Tratase do Auto de Infração relativo à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido–CSLL, lavrado em 10/03/2009, exigindo, no anocalendário 2004, crédito tributário no total de R$ 5.063.543,35, aí incluídos o principal acrescido de multa de ofício (75%) e juros de mora calculados até 27/02/2009, em razão da constatação de insuficiência de recolhimento ou de declaração da contribuição social devida, apurada pelo confronto dos dados escriturados com os declarados e os recolhimentos efetuados, conforme especificado no Termo de Verificação e de Constatação, abaixo transcrito: A ação fiscal foi iniciada através do Mandado de Procedimento Fiscal –Fiscalização MPFF nº 2008006330, com a lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, em 16/06/2008, com ciência em 17/06/2008, solicitando os livros fiscais e contábeis, o Contrato de Constituição Social e suas alterações, os arquivos dos sistemas de processamento de dados trabalhistas, contábeis e fiscais, os Balanços Patrimoniais e Balancetes, as cópias dos processos instaurados contra a Secretaria da Receita Federal do Brasil – SRFB e demais documentos do período de 1998 a 2007. Por intermédio de termo, datado de 14/01/2009, com ciência em 16/01/2009, a Instituição foi intimada a apresentar as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica dos Anos Calendário de 2004 a 2007, com a apuração do Lucro de Exploração e as receitas segregadas sobre a atividade que recaia a isenção, em decorrência da emissão do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santos, em 03/03/2008, e pela adesão ao Prouni, nos termos da IN SRF nº 456, de 05/10/2004, bem como informar as Bases de Cálculo das Contribuições: CSLL, COFINS e PIS dos períodos de 2004 a 2007. A Instituição através de correspondências datadas de 04/07/2008, 18/07/2008, 22/07/2008, 05/12/2008, 27/01/2009 e 04/02/2009, solicitou a dilação de prazo, apresentando informações e a cópia de documentos, sendo: Processos judiciais: Impugnação do Ato Cancelatório n° 01/2008; Atestado da Delegacia da Receita Federal em Santos, de 31/05/1996; Certidão e informação do Ministério Público do Estado de São Paulo; Termo de Verificação Fiscal — DRF SANTOS, de 13/09/2007; Laudo Pericial de 25/03/2004; Balancetes e Balanços de 2004 a 2007; Resumos das Folhas de Pagamentos de 2004 e os arquivos em meios magnéticos com os registros da Contabilidade e Folha de Pagamento (Manad). DAS DECLARAÇÕES DE RENDIMENTOS E APURAÇÃO FISCAL A Ação fiscal registrada na Operação 30307 – CSLL LR/ LP/LA Insuficiência de Declaração e Recolhimento é decorrente do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 01/2008, de 03/03/2008, por infração aos incisos I, IV e V, do artigo 55 da Lei 8.212/1991. Existindo ainda, o Inquérito Civil Portaria n° 211, de 17/04/2008, da Procuradoria da República no Município de Santos — Ministério Público Federal e a Resolução n° 109, de 09/06/2005, do Conselho Nacional de Assistência Social, procedendo ao cancelamento do CEAS da Fundação Lusíada. A Instituição apresentou o OficioCircular n° 37/2004/SEGAB, de 24/11/2004, do Sr. SecretárioExecutivo do Ministério da Educação, Fl. 521DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000181/200971 Resolução nº 1302000.308 S1C3T2 Fl. 522 3 informando do deferimento da Proposta de Adesão Programa Universidade para Todos —PROUNI e o Relatório Geral dos bolsistas referente aos períodos de 2005 a 2008. A Fundação Lusíada entregou as Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ dos Anos Calendários de 2004 a 2007, pelo regime de tributação de IMUNIDADE DO IRPJ, com apuração anual e desobrigada da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL. Devido à existência do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais n° 01/2008, por infração ao artigo 55 da Lei 8.212/1991, procedeuse o levantamento da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL, referente ao período de 2004, em virtude do deferimento da Proposta do Prouni para os períodos subseqüentes. A apuração do crédito tributário da CSLL tem como base o lucro liquido declarado pela Instituição, registrado como Superávit do Exercício no Balanço Patrimonial e Demonstrações Contábeis do Ano Calendário de 2004, sem adições ou exclusões, conforme os registros às folhas 173/178 do Livro Diário Geral n° 262 e também, na Ficha 48 da Declaração de Pessoa Jurídica — DIPJ do referido período. [...]A infração foi enquadrada nos seguintes dispositivos legais: Art. 2° da Lei 7.689/88; Art. 55, incisos I, IV e V da Lei 8.212/91; Art. 2° da Lei 9.249/95; Art. 1° da Lei 9.316/96; Art. 28 da Lei 9.430/96; Art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99; Art. 37 da Lei 10.637/02. A interessada foi cientificada do auto de infração em 24/03/2009. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por intermédio de seus representantes legais, protocolizou, em 16/04/2009, impugnação de fls. 320/340, acompanhada de documentos de fls. 341/411. Inicialmente, protesta pela tempestividade da defesa. Na sequência, faz um breve resumo dos fatos, esclarecendo ser entidade sem fins lucrativos, de caráter beneficente de assistência social e portadora dos títulos de utilidade pública federal e estadual, que possui como objeto social a prestação de serviços educacionais. Diz que a autuação foi lavrada em face de decisão quanto ao cancelamento de isenção, perda de reconhecimento como entidade beneficente de assistência social, em razão de pretensa inexistência de imunidade da Impugnante quanto à contribuição social sobre o lucro líquido CSLL. Adentrando no mérito, entende cabível o afastamento da exigência, sob pena de patrocinaremse graves lesões a direitos fundamentais da Impugnante, sobejamente respaldados pelo ordenamento, doutrina e jurisprudência pátrios. Alega que a conclusão fiscal não tem respaldo jurídico ante os institutos do direito adquirido e do ato jurídico perfeito, bem como da imunidade constitucional. Diz cumprir todas as determinações legais para a concessão da imunidade, fazendo um histórico da legislação pertinente. Apresenta evolução histórica da legislação que trata da isenção das contribuições sociais. Destaca que “o conceito de entidade beneficente de assistência social abrange a categoria educação, onde, entidades sem educacionais fins lucrativos, podem ser igualmente entidades beneficentes de assistência social (como a ora Impugnante) Fl. 522DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000181/200971 Resolução nº 1302000.308 S1C3T2 Fl. 523 4 revestindose sua finalidade prestar serviços que o Estado é falho”. Daí, sua capacidade contributiva é in labore, restando claro a proteção de entidades como a Impugnante. Alega que se for acolhida a autuação será penalizada duplamente em razão de sua contribuição através de serviços assistenciais e educacionais e, ainda, pecuniariamente, traduzindose em locupletamento por parte do Estado. Diz que a assistência social será prestada a quem dela necessitar, independentemente de contribuição à seguridade social, conforme art. 203 da Constituição Federal, dispositivo a cujo rol de objetivos foram acrescidos os serviços de saúde e de educação, pelo Supremo Tribunal (STF), na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.028/DF, entendendo o Tribunal que as entidades de assistência educacional também podem ter direito à isenção de que trata o § 7º do artigo 195 da Constituição Federal. Lembra que a Carta Magna concedeu a imunidade tributária às entidades de assistência social sem fins lucrativos (art. 150, IV, “d”), o que foi regulamentado pelo artigo 14 do Código Tributário Nacional (CTN). Conclui, diante dos preceitos acima, ser possível dizer que “uma entidade beneficente de assistência social é aquela que se dedica a uma das atividades descritas no artigo 203 da Constituição Federal e na ADIN 2.028/DF, que não tenha fins lucrativos e que preencha os elementos do art. 14 do Código Tributário e do art. 55 da Lei 8212/91”. Defende que as entidades imunes não devem prestar os serviços assistenciais em caráter exclusivo, podendo ser parcialmente beneméritas. Fala que a entidade pode prestar serviços gratuitos às pessoas carentes e ser remunerada pelas pessoas que possuem condições para tanto. E destaca não ser necessário que a gratuidade envolva grandes percentuais, justificandose pelo fato de que, para prover a necessidade de uns poucos, é necessário contar com os recursos de muitos, fato o qual não desnatura a entidade beneficente de assistência social, muito menos para os fins do art. 195, § 7º, da CF/88, matéria também tratada na ADIN 2.028/DF, onde se pronunciou “entidade beneficente de assistência social não é apenas instituição filantrópica”. Conclui, a teor do § 7º do art. 195, que instituição beneficente de assistência social é gênero, do qual entidade filantrópica é espécie. A seu ver, a questão foi pacificada com a publicação da Medida Provisória nº 213, convertida na Lei nº 11.096, de 2005, que instituiu o Programa Universidade Para Todos (PROUNI), na qual se definiu entidades beneficentes de assistência social, dizendo que “aquela celeuma da razoabilidade na concessão de bolsas (quantidade e percentual de cada bolsa) foi superada em razão da aplicação análoga deste dispositivo”. Informa que é portadora de CEBAS vigente, concedido pelo CNAS por meio da Resolução nº 07/2008, publicada em 31/01/2008, referente ao Processo nº 71.010.003702/200678. A respeito do período de 12/2004 (pois entre 2005 e 2008 houve adesão ao PROUNI), objeto do lançamento, sob a ótica de que a Impugnante teve o certificado relativo ao triênio de 01/01/2001 até 31/12/2003 indeferido, argumenta que interpôs recursos contra o indeferimento do CEBAS ao Sr. Ministro da Previdência Social, protocolados sob os números 44.00.001614/200505 e 44.00.1615/200541 e 44.00.1616/200596, os quais impedem o cancelamento da isenção, nos termos do Fl. 523DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000181/200971 Resolução nº 1302000.308 S1C3T2 Fl. 524 5 Parecer CJ nº 2.272/2000. Em decorrência, sustenta que é insubsistente o ato cancelatório que serviu de fundamento da autuação. Diz que os Pareceres aprovados adquirem caráter normativo para a Administração Federal, conforme § 2º do art. 22 do Decreto 92.889/86 e art. 42 da LC 73/93. E que, quando são aprovados por ato subseqüente de autoridade superior, vinculam tanto a Administração Pública quanto os particulares, consoante doutrina. No que tange à força vinculante, em relação ao INSS, dos pareceres exarados pela Consultoria Jurídica do Ministério da Previdência Social, a Portaria MPS nº 520, de 2004, é taxativa acerca da vinculação do órgão à tese jurídica que fixarem. Conclui ser insubsistente o ato cancelatório que fundamentou a autuação, pois inexistente período fiscalizado que não esteja coberto pela imunidade, apesar de ainda não haver pronunciamento final quanto ao cancelamento do certificado, dado inexistir apreciação do recurso interposto. Destaca que os processos de n° 44006.004918/200007 e 71010.002808/200310, encontramse deferidos, não havendo justo motivo para a autuação. Reitera que ingressou com recurso ao antigo Conselho de Contribuintes contra o ato cancelatório emitido. Em suas palavras: “VI—Do RECURSO VOLUNTÁRIO QUANTO AO ATO CANCELATÓRIO, DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO E DEVIDO PROCESSO LEGAL Sem prejuízo do acima exposto, temos no presente caso a flagrante violação ao Principio do Devido Processo Legal e Duplo Grau de Jurisdição. A Carta Magna assegura, aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, no art. 5º, LV, o contraditório e a ampla defesa, como os meios e recursos a ela inerentes. Destarte, ao contrário do que sustenta o auto de infração, inexiste qualquer supedâneo contrário à imunidade exercida pelo Impugnante, vale dizer qualquer restrição que importe em limitação do direito, pois, o reconhecimento da imunidade (que é exercida e não declarada), a simples execução dos requisitos ressalvados em lei tornam eficazes e válidos perante a administração pública os atos inerentes. Conseqüentemente são oponíveis a todos, e possui presunção iuris tantum. Sendo assim, como acima registrado, a imunidade exercida pelo Impugnante revelase plenamente hábil a operar efeitos até sua eventual revogação nos moldes dos ditames legais previstos na IN n° 3/2005, hipótese em que a necessária aplicação de critérios de conveniência e oportunidade restringe a ingerência sobre sua validade e efeitos à seara executiva/administrativa. Por sua vez, o ato cancelatório que permitiria a fiscalização e constituição de débitos, conforme previsto nos art. 305 e seguintes da supracitada IN nº 3 de 2005, assegurado pelo próprio principio da legalidade, igualmente reconhecido na Carta Magna, foi objeto de Recurso Voluntário nº 003909/2008, conforme artigo 206, IV do Decreto n° 3048/99, que estabelece o Regulamento da Previdência Social, implicando em efeito suspensivo, importando em suspensão do crédito tributário nos moldes do art. 151. III: Fl. 524DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000181/200971 Resolução nº 1302000.308 S1C3T2 Fl. 525 6 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Importante destacar que como o Recurso Voluntário interposto contra o ato cancelatório esta sujeito ao efeito suspensivo, não havendo desta forma motivo, conveniência e oportunidade para a administração pública lavrar o presente auto de infração, subtraindo os direitos constitucionalmente garantidos ao duplo grau de jurisdição e devido processo legal.” Traz à baila o Parecer 559A/96 da Consultoria Jurídica do MPAS, que entende dotado de efeito vinculante, o qual reconhece a constitucionalidade da Portaria MPAS nº 3.015, de 15 de fevereiro de 1996, que garante o devido processo legal na análise do cancelamento de isenção de contribuições previdenciárias. Ainda, defende que o ato cancelatório não pode retroagir e que a entidade readquire automaticamente o direito à isenção cancelada assim que volte a cumprir os requisitos legais. Além disso, argumenta que “o cumprimento de tais requisitos são meramente declaratórios, retroagindo seus efeitos a data da criação da entidade”. Anexa documentação em comprovação do cumprimento cumulativo dos requisitos previstos no artigo 55 da Lei n° 8.212/91. Também, diz ter ficado constatado na fiscalização procedida pela própria Receita Federal do Brasil, iniciada em 2006 e encerrada em 18/09/2007, que a impugnante cumpre os requisitos ensejadores da imunidade tributária. Encerra com o seguinte pedido: “VII — Do PEDIDO Apenas ad argumentandum, com a devida vênia, reiterase que somente o espírito beligerante ou a ânsia por arrecadação poderiam justificar a emissão do ato ora recorrido que pretende desqualificar a natureza beneficente da entidade recorrida, desrespeitando frontalmente o Principio da Razoabilidade, previsto no artigo 2° da Lei nº 9784/99. A Impugnante, Fundação Lusíada, mantém seu compromisso social inequívoco com a sociedade da região onde atua, ampliando ano a ano suas atividades assistenciais, sempre em beneficio do interesse público e da coletividade. Protesta ainda a recorrida pela juntada de provas admitidas em direito, em especial, documentais, nos moldes do que preconiza o artigo 36 a Lei n 9784/99. Diante do exposto, requer a Impugnante o acolhimento da presente Impugnação para que seja anulado o Auto de Infração em questão em razão dos motivos expostos, atinente à clara inexistência de irregularidades incorridas no período fiscalizado, bem como seja afastada a exigência da respectiva multa e demais valores acessórios.”(grifos e negritos do original) A 4ª Turma da DRJ em Campinas/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0536.811, de 02/02/2012 (fls. 425/440), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: Fl. 525DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000181/200971 Resolução nº 1302000.308 S1C3T2 Fl. 526 7 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 Provas. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal a prova documental deve ser apresentada no momento da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, a menos que demonstrado, justificadamente, o preenchimento de um dos requisitos constantes do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, o que não se logrou atender neste caso. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL Anocalendário: 2004 Entidade Beneficente de Assistência Social. Cancelamento de Isenção. Lançamento Decorrente. Válido o lançamento tendente a constituir o crédito tributário devido, decorrente do cancelamento da isenção das contribuições sociais, mormente quando não apresentadas razões de defesa quanto à base de cálculo utilizada. As questões a respeito da condição de entidade isenta não podem ser decididas em processo administrativo no qual se discute a procedência do lançamento do crédito tributário, após a emissão do ato cancelatório. Multa de Lançamento de Ofício. A multa de lançamento de ofício decorre de expressa determinação legal, e é devida nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata, não cumprindo à administração afastála sem lei que assim regulamente, nos termos do art. 97, inciso VI, do CTN. Juros de Mora. O crédito tributário não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. No tocante à taxa Selic, a utilização desta como juros de mora está fundamentada por expressa determinação legal. Inconstitucionalidade. Instâncias Administrativas. Competência. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Ciente da decisão de primeira instância em 06/05/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 474, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 04/06/2013 conforme carimbo de recepção à folha 476. Fl. 526DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000181/200971 Resolução nº 1302000.308 S1C3T2 Fl. 527 8 No recurso interposto (fls. 476/493), após historiar o ocorrido, por sua ótica, a interessada repisa, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação. Em acréscimo, traz a lume o art. 39 da Medida Provisória nº 446/2008. Entende que a referida MP, apesar de rejeitada pela Câmara dos Deputados, teria sido objeto de “recurso, com efeito suspensivo, que manteve em vigor os efeitos da aludida MP 446/08”. Faz, ainda, referência às Resoluções nº 3, 7 e 11 do CNAS, sobre esse assunto. Conclui com o pedido de conhecimento e provimento de seu recurso e anulação do acórdão recorrido. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O recurso é tempestivo e dele conheço. Do exame dos autos, constato que o processo não se encontra em condições de julgamento, pelos motivos que passo a expor. De plano, observo que os argumentos recursais não se dirigem contra a decisão recorrida, muito menos contra o lançamento objeto do presente processo, feito para constituição de créditos tributários da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL. A exemplo do que já havia sucedido na fase impugnatória, todos os argumentos são contrários ao cancelamento da isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212/1991 (entre as quais se inclui a CSLL), levado a efeito mediante o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 01/2008, cuja cópia se encontra à fl. 16. Não há quaisquer argumentos contrários à base de cálculo, alíquota aplicável, montante do tributo lançado, pelo que, desde a primeira instância, tais aspectos se mostraram incontroversos. Por relevante, reproduzo abaixo o teor do referido Ato Cancelatório: DECLARAÇÃO DE CANCELAMENTO Art.1º DECLARO CANCELADA, com base no disposto no § 8º, artigo 206, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 6 de maio de 1999, a isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, concedida à entidade FUNDAÇÃO LUSIADA, acima identificada, pelos motivos a seguir: I) a partir de 01/01/1993, por infração aos incisos IV e V, do artigo 55 da Lei nº 8.212, de 1991, Decisão Notificação nº 21.433.4/0068/2007; II) a partir de 01/12/1993, por infração ao inciso I do artigo 55 da Lei 8212, de 1991, Decisão Notificação 21.4314/0069/2007. Art. 2º Conforme previsto no artigo 206 do Regulamento da Previdência Social, cabe destacar: I) da decisão que cancelou a isenção a partir de 01/01/1993, por infração aos incisos IV e V, da Lei 8.212/91, declarada no item 1 do artigo 1º, fica ressalvado o direito de interpor recurso voluntário ao 2º Conselho de Contribuintes, no prazo de 30 dias contados da ciência desta decisão, de acordo com o disposto no Inciso IV do Fl. 527DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000181/200971 Resolução nº 1302000.308 S1C3T2 Fl. 528 9 parágrafo 8º do artigo 206 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99; II) é definitiva a decisão que cancelou a isenção declarada no item II do artigo 1º, a partir de 01/12/1993, por infração ao inciso I do artigo 55 da Lei nº 8.212, à qual não cabe recurso por força do disposto no parágrafo 9º do artigo 206 do Decreto nº 3.048/99. Santos, 03 de Março de 2008. Como se vê, há diferentes fundamentos para o cancelamento da isenção, dos quais decorrem também diferentes efeitos, tais como datas de início do cancelamento e possibilidades de recursos. Eis os mencionados incisos do art. 55 da Lei nº 8.212/1991, vigentes por ocasião da edição do Ato Cancelatório: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente:(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal;(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) [...] IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título;(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades.(Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97).(Revogado pela Lei nº 12.101, de 2009) Também por ocasião da edição do Ato Cancelatório, o rito era aquele estabelecido pelo art. 206 do Decreto nº 3.048/1999, do qual transcrevo as partes relevantes para a presente discussão. Art. 206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos:(Revogado pelo Decreto nº 7.237, de 20 de julho de 2010) I seja reconhecida como de utilidade pública federal; [...] V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, apresentando, anualmente, relatório circunstanciado de suas atividades ao Instituto Nacional do Seguro Social; e VI não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores, benfeitores, ou equivalentes, remuneração, vantagens ou benefícios, por qualquer forma ou título, em razão das competências, funções ou atividades que lhes são atribuídas pelo respectivo estatuto social. Fl. 528DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000181/200971 Resolução nº 1302000.308 S1C3T2 Fl. 529 10 [...] § 8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: I se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; II a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; e IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) §9º Não cabe recurso ao Conselho de Recursos da Previdência Social da decisão que cancelar a isenção com fundamento nos incisos I, II e III do caput. [...] Posteriormente à edição do Ato Cancelatório, o art. 55 da Lei nº 8.212/1991 foi revogado pela Lei nº 12.101/2009, e o art. 206 do Decreto nº 3.048/1999 foi revogado pelo Decreto nº 7.237/2010. A nova lei e o novo decreto passaram a dispor de modo diferente sobre o rito processual aplicável, não descuidando, no entanto, de disciplinar os processos de cancelamento de isenção ainda não definitivamente julgados, confirase: Decreto nº 7.237/2010 Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Lei nº 12.101/2009 Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. Fl. 529DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15983.000181/200971 Resolução nº 1302000.308 S1C3T2 Fl. 530 11 § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. Tal é a situação sob análise. O processo em que se discute o cancelamento de isenção, iniciado sob a égide do art. 55 da Lei nº 8.212/1991 e do art. 206 do Decreto nº 3.048/1999, e ainda em curso no Ministério da Fazenda quando tais diplomas foram revogados não é o presente processo, mas sim o de nº 35569.003489/200624, identificado mediante pesquisas nos sistemas COMPROT e eprocesso1. É lá que se discute a correção, ou não, do cancelamento da isenção, tanto em seus aspectos materiais quanto formais, proporcionando ao contribuinte o amplo exercício do contraditório e do direito de defesa. E aquele processo ainda não foi definitivamente julgado no âmbito administrativo. Diante do exposto, tenho por certo que a matéria discutida naquele processo (nº 35569.003489/200624) constitui prejudicial à decisão que se há de proferir neste (nº 15983.000181/200971), pelo que voto por converter o julgamento em diligência, para que: a) Os autos sejam encaminhados à Unidade Preparadora, para que lá aguardem a decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 35569.003489/200624; b) A Unidade Preparadora faça acostar aos presentes autos cópia da decisão definitiva na instância administrativa do processo nº 35569.003489/200624; Concluída a diligência, deve ser dada ciência à recorrente do relatório, concedendolhe prazo para se manifestar nos autos, caso o deseje. A seguir, o processo deve retornar ao CARF para prosseguimento do feito. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha 1 O processo administrativo fiscal nº 35569.003489/200624 se encontra, na data deste julgamento, na 2ª SJ / 4ª CAM / SECAM do CARF, atividade “distribuir/sortear” Fl. 530DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.0221.14059.MMU6. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por WALDIR VEIGA ROCHA em 09/05/2014 14:31:00. Documento autenticado digitalmente por WALDIR VEIGA ROCHA em 09/05/2014. Documento assinado digitalmente por: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR em 16/05/2014 e WALDIR VEIGA ROCHA em 09/05/2014. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/02/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.0221.14059.MMU6 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 0155FFDCA5EA2B68B3B354563A9147B344E30925 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15983.000181/2009-71. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 16327.001270/2006-99
Data da sessão: Thu Aug 05 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1401-000.042
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, sobrestar o feito para aguardar o julgamento do processo n° 16327.000268/2007-83.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ACORDAM os membros da 4" Câmara / 1" Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, sobrestar o feito para aguardar o julgamento do processo n° 16327.000268/2007-83 (assinado digitahnente) Viviane Vidal Wagner - Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator Participaram da sessão os Conselheiros Viviane Vidal Wagner (Presidente), Alexandre Antonio Alkinim Teixeira (relator), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Mauricio Pereira Faro e Karein Jureidini Dias. RELATÓRIO Conforme se extrai do bem elaborado relatório elaborado perante a DRI e São Paulo, que adoto por questões de economia processual: Trata o presente processo das Declarações de Compensação de fls 1/52, li: I!ç ,11 D7 : 10 , 201 1) por VIVIANE V1DAL WAGNER. ALExANDRE ANTGNio -11:1.1NE (..uk-;n1iç.:ado c.11g11a1mr,-:nte 2H•109J-20 poi' ALEXANDRE ANTON10 A1.1;miN.1 TE E mUido W-/10:121.110 plo iiitOr iaFaz<mda g) Requer o reconhecimento do saldo negativo acumulado de R$ 100,689 663,41 e o apensamento dos presentes autos ao processo n° 1 6327 000268/07-83 para que sejam julgados . em conjunto, já que versam sobre a mesma questão, sendo, por isso, dependentes. 4. Ao analisar os dados extraídos d apagamento proferido no processo n° 16327 000268/07-83 (Acórdão DRESPOI n° 16-15.486, de 14/11/2007—cópia às fls. 78/91) e os cálculos efetuados pela 1:oi- VIVIANE \MAL WAGNER . 2:1 1 ()I ,20 10 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIA;,3sinadc.) dlcdili •Jáv:Jato em 0710[2010 1:(-.1- VIVIANE VBAL WAGNER . 2,5 1 () ,20 10 por F\1 Atitenlicé.10o pOf At.±:XANDRE ANTONfC) ALKMINA TELXE E i njtkin owle,2ti da Fazenda 2 11 274 SI-C4T1 Fl 274 DF CAIU Processo n" 16327.00 I 270)2006-99 Resolução n 140001-00042 Em 02107/2007 fbi exarado o despacho de fls 53/56, em que a autoridade administrativa reconheceu o direito creditório até o limite de R$ 92.589.1 04,10 e homologou as DCOMP's até este limite, confim-me o seguinte cálculo: Inserir tabela 3 Cientificada do despacho decisório, a empresa apresentou !nanifestação de inconformidade, protocolizado em 16/08/2007 (11s 59/62), alegando em síntese o seguinte a) A controvérsia a respeito do valor do saldo negativo acumulado a que tem direito a Manifestante, reside no valor do crédito de 1RF sobre JCP efetivamente utilizado na compensação dos débitos apurados no ano calendário de 2005. b) O despacho decisório considerou que o total do crédito a que tem direito a Manifestante, no montante de R$ 109 956 034,36 corresponde ao valor efetivamente utilizado em 2005, o que não é verdade, pois, desse total, .foram utilizados apenas R$ 101.855.475,05, restando o saldo de R$ 8,100.559,31. c) Nem todo o crédito foi utilizado pela Manifestante, como alegado no despacho decisório, pois a própria autoridade administrativa apurou saldo não compensado (R$ 4.018 163,17), ainda que em valor inferior ao efetivamente existente. Ora, se há saldo, é porque o valor do crédito não foi integralmente utilizado. d) Restou demonstrado no processo administrativo n° 16327000268/07-83 que os efetivos débitos das competências de .janeiro e março de 2005 correspondem a R$ 2.300,192,15 e R$ 57.680.553,83, respectivamente (doc. de fls, 74). Ao se recalcular o demonstrativo cio fisco com base nesses novos valores, será encontrado o valor efetivamente compensado pelo contribuinte em 2005 (R$ 101 855475,05), assim corno o saldo não utilizado no ano calendário (R$ 8.100 559,31). e) O valor de R$ 92,589 104,10 está equivocado, pois o saldo negativo acumulado a ser efetivamente reconhecido deve montar a R$ /00689.663,41 (R$ 206.258 440,38 - R$101. 855.475,05 - R$ 3.713.301,92) f) Equivoca-se o despacho decisório ao não admitir a correção cio saldo negativo antes da compensação do IRF sobre JCP, cujo vencimento ocorreu em 04/01/06, no valor de R$39.890 832,61, nos temos do art. 52, ,sr 1°, inciso IV da IN/SRF n° 600/05, e do Ato Declaratório SRE n°3/2000, -)75 SI-C4T1 Fl 275 DF ( •.,ARI' M.E Processo n" 16327 001270/2006-99 Resolução n " 140001-00042 autoridade administrativa que proferiu o despacho decisório, a julgadora então designada para relatar o processo, propôs ao senhor Presidente da 80 Turma da DRESPOI, o encaminhamento do processo à DIORT/DEINF/SPO para que fossem efetuados os seguintes procedimentos (lis. 107/109). a) Esclarecer os motivos pelos quais no demonstrativo de fls. 54, o montante de R$109,956,034,36 jbi considerado como compensado, sendo que no demonstrativo de fls. 74, constou um saldo não utilizado de RS 4.018.163,17. b) Esclarecer os motivos pelos quais na coluna "IRRF: " do demonstrativo de .fis. 53 constou o valor de RS 101.815,109,93 de retenção, efetuada pela fonte pagadora Banco Itati S/A CNPJ n" 60.701,190/0001-04, ao passo que no demonstrativo elaborado a partir das DIRFs, o montante apurado foi de R$ 101.788.507,46. ç) Explicitar os motivos pelos quais não .foi aplicada a taxa de Juros equivalente a 1% sobre o saldo negativo de 2005, compensado em janeiro de 2006 4 1 O Senhor Presidente da 8 Turma concordou coma proposta e o processo seguiu em diligência em 21/11/2007. .5. Ao manifestar-se sobre as questae.s apresentadas no despacho de/is a autoridade fiscal, no despacho de fls. 191/194, explicita a respeito do saneamento dos processos 16327.000268/2007-83, 16327.000276/2007-20, 16327.000271/2007-05, 16327 001270/2006- 99 e do PER/DCOMP 23627 248861304.06.1.3.06-3788 que deverá ser efetuado pela DIORT/DEINE/SP. Sobre os esclarecimentos solicitados por meio do despacho de fls. 107/109, aquela autoridade se pronunciou conforme trechos a seguir transcritos: .5.1. Quanto aos "motivos pelos quais, no demonstrativo de fls. 54, o montante de R$109,956.034,36 foi considerado como compensado, sendo que no demonstrativo de 74, constou um saldo não utilizado de R$ 4.018.163,17", respondeu.. Resposta O demonstrativo de/is, 54 remete à cópia do demonstrativo de P. 75, que é parte integrante do Despacho Decisório exarado no processo 16327000268/2007-83, com cópia às fls 285/288. No demonstrativo de lis. 7.5 verifica-se que o valor de RS 109 956.034,36 corresponde exatamente à totalidade dos créditos de 1RRF com código 5706 informados pelo interessado nos PER/DCOMP tratados no processo 16327.000268/2007- 83, de acordo com o Quadro 1 deste Despacho, localizado no final deste item 3 O saldo de crédito não utilizado de RS 4.018.163,17 corresponde ao excesso de crédito Mfbrmado para a compensação dos débitos dos PERIDCOMP relativas ao mês de dezembro de 200.5: j'idodirlitairp orito cio i)70 ,20 It./ poi- \i'llUirE VIDAL. WAGNER. 21:1 , 01:L. 2010 por ALE.-XANDRIE ANTONIO ALV,Nilt M TI: I X Airtri'intinado drri 20A0,20 lei por ALEXANDRE ANION to ALLiMErvl TEIXE Emitido riiim IJI00,21110 polo MiniFAidrindo Fazenda Dl CAIU MI: Processo e '6327.001270/2006-99 Resolução n."140001-00042 H 276 S1-C4TI Fl. 276 P.,0:200S 177 De 041P – De.;:dmilrv, 1.3,084.e:7,84 2-2056.61S,f1j)11205.1,3Z-0593 1 14(7•49.4187.111.7120.5.1.3.06-29 f 3.817,478,3121252 ,J6347.20i 2011.3.05-?'504 Art 39. "A compensação de que trata o ar! (66 da Lei 11" 8 383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 dacLfg ri0 9.069 de 29 de junN. '&95, somente poderá ser 0/20 0 por VIVIA - V A AGNER , ic por A Ar,, I jojelI.}7.10/20 O ymi.:InE"-\7[1:1AL T E I A ti teill (I o 2II,TIII/.2II/•10 por ALEXAI11)F0:.'. AN 01110 Ernitidc, c. rn pnlo Fazelvia 4 r" fls. J Orig.QuIVRet )301401 _Originai 1-11/1M OriQiwl J5.11 .o.) Orighmi I.VNieJ 1 Saldo 639,062,72 2. 395. 595, 2.395 .? 11_70 315.17[4 018,16311 Portanto, de acordo com os elementos constantes no processo 1632 7 000268/2007-83 (após o saneamento do mesmo, tratado no item 1 deste Despacho), o crédito de R$ 4.018.163,17 não .foi utilizado e encontra-se disponível. No Despacho Decisório proferido no processo 16327.000268/2007-83, às fls 184, o texto " homologar o crédito do contribuinte decorrente de IRR,F sobre juras de capital próprio, no montante de RS 109 956034,36 .. "deve ser entendido e ter os efbitos legais de "Reconhecer o Direito Creditado do contribuinte decorrente de IRRF sobre juros de capital próprio, no montante de RS 109,9,56.03436". Ainda de acordo com o demonstrativo de lis 7.5, o direito creditório reconhecido de R$109 956,034,36 não fbi integralmente utilizado para efetuar as compensaçães tratadas no processo 16327.000268/2007-83, restando o saldo não utilizado de RS 4.018 163,17.(...) 5 2 Em relação aos "motivos pelos quais na coluna "IRRF" do demonstrativo de .fls. 53 constou o valor de R$ 101.815.109,93 de retenção, efetuada pela fonte pagadora Banco 'toá S/A CN.PJ 60 701.190/0001-04, ao passo que no demonstrativo elaborado a partir das DIRF's, o montante apurado foi de R$101.788.507,46", assim se pronunciou: Resposta: De acordo com o relatório emitido pelo sistema NET DIRF às lis. 172 o valor correto que deve ser considerado é o de RS 101.788 507,46 A diferença entre os dois valores afetou o resultado do cálculo do Direito Creditório reconhecido no processo em análise, que deve ser alterado de RS 92 .589.104,10 às fls 55 para RS 92„562 501,68, de acordo com o demonstrativo de lis 181, 5 3, No que se refere aos "motivos pelos quais não Ibi aplicada a taxa de juros equivalente a I% sobre o saldo negativo de 2005, compensado em janeiro de 2006", apontou; Resposta: O Direito Creclitório relativo ao Saldo Negativo de IRAI apurado em 31/12/2005 deve ser valorado em 1% (Um por cento) para fins de compensação de débitos vencidos durante o mês . de janeiro de 2006, nos termos cio disposto na Lei n° 9 250/1995: LEI n c 9,250, de 26 de dezembro de 1995: F1 'ri? SI-C4T1 Fl 277 Dl CARI' N.11.' Processo n" 16327 001270/2006-99 Resolução n "140001-00042 efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em periodos subseqüentes. § 1' (VETADO) §2" (VETADO) ,sç 3° (VETADO) § 4° A partir de 1' de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa eferencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC para títulos .fèderais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao Ma em que estiver sendo efetuada", Verifica-se então a ocorrência de erro de fato no Despacho Decisório de fls. .5.5 pela não valoração do crédito informado, relativo ao Saldo Negativo de IRRF apurado em 31/12/2005, utilizado para compensar. débitos vencidos durante o mês de janeiro de 2005.. Ante as diligências realizadas a DRJ de São Paulo, após percuciente análise da legislação acerca da matéria, fixou que "o IRRF incidente sobre juros de capital próprio recebidos não poderá ser objeto de restituição; e uma vez não utilizado durante o período de apuração em que houve a retenção, será deduzido do 1RP,1 devido pela pessoa jurídica ao final do período ou, se for o caso, comporá o saldo negativo do IRPJ do período" (fls. 222). Assim, aplicada essa lógica ao caso concreto, entendeu a DR.1 que "se o credito no valor de R$ 4.018,163,17 não pode ser objeto de restituição, nem tão pouco foi utilizado, durante o período de apuração em que houve a retenção, na compensação de IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a titulo de remuneração de capital próprio, é conseqüência lógica que tal cifra, no caso, componha o saldo negativo do IRRI ano-calendário em que a retenção foi efetuada" (fls. 222). Diante disso, a decisão recorrida conclui que: Deste modo, utilizando o mesmo critério de apuração do SN de IRA. 1 utilizado pela autoridade administrativa que proferiu o despacho decisório e considerando (1) que o valor correto de IRRF retido pela Fonte Pagadora CNRI n° 60 701.190/0001-04 é de R$101.788 507,46 (e não 101..81.5.109,93) e (2) que o IRRF retido sobre ,1CP recebido pela interessada, no valor de R$ 4,018,163,17 (que compunha o crédito apontado no processo 163.27 000.268/2007-83), não Ibi utilizado, o valor do saldo negativo passível de utilização para fins das compensações a que se referem as DCOMPs objeto do pi esente processo é de R$96..580 664,80, conforme demonstrado no esquema a seguir (valores em Reais — R$).- .206 258.440,38 Somatório do IRRF sobre Juros s/ Cap Próprio (Cod 07 .10,? c,"Yi ji.7,90 kAlf.feMig* MR.,ÇjnY: ALExANDRE ArfroNEo m digilám,:-,ntu: 21. W:CUi 10 por ALEXANDP.E ANTONIO ALMAIM 'FEI)(E Emifide c• rn (X.1.,'102010 rx00 MiniFério da 1".7n.;:çwvia 5 a) b) H 278 81-C41.1 Fi 278 DF CARI . NI I Nocesso e 16327.001270/2006-99 Resfflução n "140003-00042 (-) 101 815,109,93 IRRE s/ JcP (Cod 5706) infoi mado na DIPI retido pelo CNPJ 60.701. 190/0001-04 - Bco Itazi (4-) 101.788,507,46 IRRF s/ JCP (Cad 5706) informado na RIU CNRI 60.701.190/0001-04 - Banco Heir (=) 206.231.837,91 Somatório do IRRF sIJCP conforme infirmação lis 53,54 e (-) 109 956.034,36 Dir Creditório URRE s/ JCP1 reconhec no Proc 16327 000268/2007-83 (+) 4 018,163,17 Direito Creditado apontado mas não utilizado no Processo 16327,00026812007-83 (=) 100.293 986,72 Saldo de Direito Creditó, io não utilizado no Processo 16327,000268/2007-63 (-) 3 713 301,92 IRRE DEZEMBRO (=) 96580 664,80 Saldo Negativo do IRPI refèrente ao ano calendário de 2005 Com relação à aplicação dos juros de 1%, a URI deu a questão por resolvida, posto que o Demonstrativo Analítico de Compensação de tis, 202 já aponta o percentual e I% sobre o crédito. Diante do exposto, a DRI, em sede de manifestação de inconformidade, homologou "as compensações em litígio até o limite do saldo negativo de IRRI disponível de RS 3.991,560,70 (= R$ 4.018.163,17 - R$ 26 602,47). Em suma, para fins das compensações pretendidas no presente processo, o valor total do saldo negativo utilizado deverá perfazer R$ 96,580.664,80, e não R$ 92,589.104,10, como constou do Despacho Decisório de fls. 53 a 56" (fls. 223), Inconformada com o êxito parcial de seu pleito, a Contribuinte aviou o recurso voluntário de fis.. 233/236, em que aduz o seguinte: que aditou a manifestação de inconformidade inicialmente apresentada, "apenas para esclarecer e demonstrar o real valor das compensações efetuadas em 2005 e seus reflexos no saldo negativo de 1RPJ, ora discutido no presente processo", não tendo referido aditamento sido objeto de apreciação perante a DRJ; que no processo n° 16327.000268/07-83 foi reconhecido direito de crédito no montante de R$ 109.956.034,37, sendo que o Recorrente compensou apenas R$100,822.852,57, restando um saldo não utilizado de R$ 9„159.784,24 para composição do saldo negativo; e não de R$ 3.991.560,70, conforme reconhecido na decisão recorrida; c) que a diferença de R$ 5.168.223,53 reporta-se às seguintes parcelas: A;.•,;Arint:lo dwiIalrnot:; oro Y7101201 r) por VIVIANE VIDAL WAGNER , 2W09, 20 10 por ALEXANDRE ANTONIO ALNMI I-v1 'FEIXE Aukmhr:ado digiraInwntr: o pdr AI. EXANDRE ANTONio A1 ,4<mim TE1;;E Emitido oro 08:'111'20 10 ) ,.-.)1c, Virnilrin çJ Fw.enda 66 a) b) Vi "r79 SI-C4T1 19 279 DF C. . AR1 mi,: Processo n" 16327.001270/2006-99 Resolução ri " 140001-00042 a R$ 4,108998,56 refere-se à compensação indevida pelo atraso na transmissão da PER/DCOMP e conseqüente cobrança de juros de mora, discutida no processo ri° 16327.000268/07-8.3; b. R$ 1.032.622,48 refere-se a compensação indevida, objeto de retificação, também discutida no processo n° 16327 000268/07-83; c, o valor de R$ 26,602,47 foi efetuado o pagamento desse débito discutido nos autos do processo IV 163.27.000268/07-83. Tal pagamento não foi reconhecido pelo julgador no presente processo, quando liberou apenas o valor de R$ 3.991..560,70 (= R$ 4 018.163,17 - R$ 26.602,47) para compor o crédito de saldo negativo de 1RP.1, dos R$ 9.159384,24 pleiteados.. Diante do exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso para reconhecer a integralidade do direito de crédito postulado, com a homologação das compensações a ele vinculadas. A Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou contra-razões ao recurso voluntário, aduzindo, em síntese, o seguinte: que ocorreu preclusão consumativa com a apresentação da manifestação de inconformidade às fls. 59/105, pelo que não há falar-se na apreciação do adiamento proposto pela Recorrente; que o suposto crédito existente no processo if 16327.000268/07-83 foi indeferido, pelo que não há reconhecer-se, neste feito, de crédito julgado inexistente alhures; VOTO Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, relator No presente recurso de ofício discute-se o seguinte: O despacho decisório de fls. . 54/56, a contribuinte utilizou-se de créditos no montante total de R$ 101,689.658,00, para fins das compensações pretendidas neste processo. Por outro lado, a autoridade administrativa que proferiu o processo decisório consignou que o valor máximo a compensar seria de R$ 92.589 104,10, ry VIVIANEVILIAL WAGNEr'. 20i09/2{) 40 pw ALEXANDRE Auromo ALKMI M Acacilkeado /O, 1 O pi)r- ALEXANDRE /M.,ITONiCi Emit¡do mn 061 ce0i da 7 11 280 S1-C41-1 F1 280 1)1 CARI Processo ri" 16327.001270/2006-99 RCS011iÇãO n."140001-00042 reconhecendo o direito creditório neste valor. O saldo negativo de RH apontado na Ficha 12 8 da Declaração 1RPJ Exercício de 2006, Ano- calendário de 2005, foi de R$ 101.748 739,81 (fl. 162), confbrme também registrado pela autoridade administrativa que proferiu o despacho decisório (fl, 53) 8.2 Entretanto, confbrme também apontado pela autoridade administrativa que proferiu o despacho decisório ora contestado, o saldo negativo é decorrente de IRRF retido sobre Juros s/ Capital Próprio (JCP), deste modo, há de se considerar que a compensação dentro do exercício (ano calendário 200.5) prevalece sobre a compensação de exercícios seguintes. Neste diapasão, a autoridade apurou o valor do crédito tributário a ser reconhecido, no valor de R$ 5. 589.104,10, conforme tabela à 11 54 que apurou o saldo a compensar, a partir das Fichas 50 e 12B da DIPJ/2006 (AC 2005) 8 3 A contribuinte, por sua vez, pretende utilizar o direito creditório decorrente de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2005 no valor de R$ 701,689 658,00, para fins de compensação dos débitos derreados nas DCOMPs relacionadas no Despacho Decisório ci 11 55. 9 Com relação ao IRRF retido sobre Juros S/ Capital Próprio recebido por pessodjuridica optante pelo Lucro Real, reza o artigo 32 da IN SM .,. n° 600, de 28/12/2005- Ari 32, A pessoa jurídica optante pelo lucro real no trimestre ou ano calendário emll que lhe fbram pagos ou creditados juros sobre o capital próprio com retenção de imposto de renda poderá, durante o trimestre ou ano-calendário da retenção, utilizar referido crédito de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) na compensação do IRRF incidente sobre o pagamento ou crédito de juros, a título de remuneração de capital próprio, a seu titular, sócios ou acionistas. § 1" compensação de que trata o copra será efetuada pela pessoa jurídica na forma prevista no §I'do art. 26. § 2" O crédito de 1RRF a que se refere o rant que não Ibr utilizado, durante o período de apuração em que houve a retenção, na compensação de débitos' de 1RRF incidente sobre o pagamento ou crédito de/uros sobre o capital próprio, será deduzido do 1RPJ devido pela pessoa . jurídica ao final do período ou, se for o caso, comporá o saldo negativo do 1RPJ do trimestre ou ano-calendário em que a retenção fbi efetuada. § 3" Não é passível de restituição o crédito de .1RRF mencionado no canta (gr jfb acrescentado) 9 1. Por sua vez o § 1° do artigo 26 da IN SRF e 600/2003, refere-se à compensação, como se depreende do texto da norma, a seguir ti anscr ito P,:=3sinadel • 11 . ;€1alnimitu t.,.!m M Aulenlicatiu Emitido cm 08/10/2o polo Art. 26. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrados pela SRF, passível de restituição ou de '10l20 10 por V1V1ANE VIDAL WAGNER, 2:1009 1 2010 por ALEXANDRE ANTomo ALKM1 2111,'00/21:110 por AI EXANDRE AN . oNno AL 00001 1 E IXE 1 linEa;!rio da Fazenda DE (ARI . MI" Processo n" 16327 001270/2006-99 Resolução n." 1400G1-00042 st-cm Fl 281 ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela SRE I" A compensação de que tratei o caput será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação à SRF da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante a apresentação à SRF do fbrmulário Declaração de Compensação constante do Anexo IV, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório (grifb cicr'escentado) De fato, se o montante de R$ 4,018.163,17, não fora utilizado e encontra-se disponível, deve o mesmo integrar a apuração do saldo negativo do ano-calendário a que está vinculado, Assim, deduzido o montante de R$ 26.602,47 (discutido no processo n" 16327,000268/20207-83), haverá de ser reconhecido o crédito no montante de R$ 3,991.560,70 para compensação neste processo, No que toca ao recurso voluntário, verifica-se que, caso seja provido favor do Contribuinte o litígio que corre no processo n° 16327,000268/2007-83, o seu reflexo no presente processo será imediato. Isso porque, reconhecido o saldo de crédito negativo pretendido naquele feito, imediatamente o seu reflexo se fará sentir neste processo, não havendo como se julgar os processo deforma isolada e separada, sob pena de reconhecer, na via administrativa, um crédito tributário definitivo mas que, na verdade, está pendente de solução em outro feito. Por outro lado, verifico que referido processo está pendente de recurso especial no âmbito deste CARF. Pelo exposto, voto no sentido de baixar o processo em diligência, para que o mesmo fique sobrestado ate o julgamento definitivo, na via administrativa, do processo ri° 16327.000268/07-83, Proponho, ainda, seja oficiado o Douto Relator de referido processo no âmbito do CARF para que informe estes autos acerca do resultado do julgamento do Recurso Especial interposto pela Recorrente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira :1?'/I0:2010 pur VIVIANE VIDAL IA'AGNER. 2a'W2I.I I() rwr ALEXANDRE ANTONIO TEIXE Atk:MiiCaTki Elli 24.VOPPE I() por ALEXANDRE ANTONIC .} E.roio IEWE Errdido era paIa MInistria da Faze:nda O 4.; 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA è. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE. JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 16327001270200699 Interessado : BANCO ITAÚ HOLD1NG FINANCEIRA S/A TERMO DE JUNTADA 1" Seção/4" Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1401-00042, às ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo, Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em para cientificar o interessado e demais providências cabíveis, Brasília, Chefe da Secretaria
score : 1.0
Numero do processo: 10166.001633/2003-57
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 01 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.074
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10166.001633/200357 Resolução n.º 140200.074 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Inicialmente, a parte requereu, em 14/02/2003 (fl. 01); 26/03/2003 e 13/05/2003 (fl. 413), a homologação da compensação de crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 2001, com débitos de tributos diversos no montante de R$ 7.302.127,49, conforme documentos de fls. 01 a 08, 413 a 416, 589 a 593 e tabela 01 das fls. 702 e 703. Apesar do requerimento em que se processou o pedido de compensação registrar saldo negativo no valor de R$ 8.812.354,68, a DIPJ da época, antes da retificação, informava saldo negativo R$ 13.344.273,60 (fl. 37). Em 21/01/2008, a parte foi intimada do despacho decisório que apreciou o pedido de compensação (fl. 745). O demonstrativo analítico das compensações constam das fls. 705 a 735. A relação aqui referida registra que o crédito para compensar os débitos em questão é oriundo do saldo negativo do IRPJ de 2001, sendo que um dos débitos compensados referese a 26/07/2000 (fl. 721). Há nos autos o pedido de restituição de fls. 09, no valor de R$ 3.555.514,83, referente à sobra do alegado crédito de saldo negativo de IRPJ, relativo ao anocalendário de 2001. Em relação a este documento não identifiquei data de protocolo. À semelhança do pedido referido no parágrafo anterior, também existe o requerimento de fl. 587, este protocolizado em 20/03/2000, em que a parte interessada requer a restituição do valor de R$ 2.238.980,04, que igualmente seria “sobra do saldo negativo do IRPJ”, apontado no segundo parágrafo deste relatório. Ainda, por meio dos documentos de fls. 156 e seguintes, mediante entrega de 12 (doze) PER/DCOMP, em datas que se seguiram a 04/07/2003, a recorrente solicitou compensações de débitos. Nestes requerimentos indicou o saldo negativo do IRPJ de R$ 13.344.273,60, constante da DIPJ. Pela lógica da recorrente, em face dos pedidos acima, temse os seguintes cálculos: Valores compensados Valores pedidos de restituição Soma 7.302.127,49 3.555.514,83 2.238.980,04 13.096.622,36 Saldo Negativo DIPJ 13.344.273,60 13.344.273,60 Saldo negativo remanescente 247.651,24 Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10166.001633/200357 Resolução n.º 140200.074 S1C4T2 Fl. 3 3 Os pedidos de restituição foram indeferidos pelo despacho de fls. 735 e seguintes e as compensações homologadas parcialmente. Ao presente processo foram anexados os processos n° 14033.000580/200747 (fl. 155); n° 14033.000581/200791 (fl. 154); n° 10166.005486/200394 (fl. 412); 10166.003537/200343 (fl. 586). Em relação a este ponto, para efeitos de relatório, transcrevo a seguinte passagem do despacho decisório (fl. 737): “...5. Foram juntados por anexação ao presente processo, os processos ris 10166.005486/200394 (fl.412), 14033.000580/200747 (fl.154) e 14033.000581/200791 (fl.154), uma vez que os referidos processos contêm formulários/PER/DCOMP cujo crédito alegado para a compensação dos débitos encontrase em análise neste processo. Os débitos destes processos (fls. 260 a 265, 191 a 197 e 239 a 242), relacionados nas Tabelas 01 e 02 anexas às fls. 702 a 704, foram transferidos no Profisc para este processo, conforme relatório anexo às fls. 656 a 686. 6. Foi juntado por anexação ao presente processo, o processo n° 10166.003537/2003 43 (fl.586), uma vez que o referido processo contém formulários cujo crédito alegado para a compensação dos débitos encontrase em análise neste processo. Os débitos deste processo foram cadastrados no Profisc, conforme relatório anexo às fls. 656 a 686.” Por meio do despacho decisório de fls. 736/743, notificado à contribuinte em 21 de janeiro de 2008, a autoridade administrativa homologou parcialmente as compensações, visto que reduziu o saldo negativo do IRPJ de R$ 13.344.273,60, para R$ 5.420.850,43, conforme fundamentos que seguem: “... 19. Na ficha 12A — Cálculo do IR sobre o lucro real, da DIPJ/2002, anocalendário 2001 (fl.689), a contribuinte declara como saldo negativo de IRPJ o valor de R$ 13.344.273,60. Na composição deste saldo negativo, temos que o imposto sobre o lucro real, antes das deduções, é de R$ 4.743.350,23; o programa de alimentação do trabalhador é de R$ 114.416,41; Imposto de Renda Retido na Fonte é de R$ 244.476,73; Imposto de Renda Retido na Fonte por órgão público é de R$ 13.074.558,47 e o imposto de renda mensal pago por estimativa apresenta o valor de R$ 4.654.172,22. Passaremos a seguir à análise em separado de cada item que compõe o saldo negativo em questão. 20. IMPOSTO SOBRE O LUCRO REAL: o valor de R$ 4.743.350,23, apresentado na ficha 12 A (fl. 689), ....... ... será acatada a informação prestada na DIPJ/2002. 21. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR: o valor é de R$ 114.416,41 e ...... será acatada a informação prestada na DIPJ/2002. 22. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE: o valor total de IRRF, R$ 244.476,73, declarado na DIPJ/2002, ..... valor total do Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, constante na Dirf (fl. 523), é de R$ 258.250,22, que é mais que suficiente para justificar o valor declarado na DIPJ/2002...” Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10166.001633/200357 Resolução n.º 140200.074 S1C4T2 Fl. 4 4 23. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE POR ÓRGÃO PÚBLICO: do valor total de IRRF por órgão público de R$ 22.336.032,63 (sic), declarado na DIPJ/2002, somente foi confirmado, por meio das Dirf transmitidas à RFB e comprovante apresentado pela contribuinte, tendo como beneficiário a DATAPREV, o valor de R$ 14.412.609,46, que não é suficiente para justificar o valor declarado na DIPJ/2002, conforme a Tabela 04. Dessa forma, a diferença (R$ 7.923.423,17) entre o valor declarado pela contribuinte na DIPJ/2002 (R$ 22.336.032,63) e o valor de IRRF por órgão público confirmado na DIRF (R$ 14.412.609,46) será glosada. 25. IRPJ MENSAL PAGO POR ESTIMATIVA: O valor do imposto efetivamente pago por estimativa corresponde ao somatório dos valores mensais relativo à Linha 11/09 — IRRF por órgão público (R$ 9.261.474,16) com o pagamento de IRPJ referente ao mês de Junho (R$ 181.069,71) indicado em DCTF (fl.539) como pago mediante DARF, o que foi confirmado mediante pesquisa ao sistema Sinal 01 à fl. 540. As retenções indicadas nessas linhas serão totalmente confirmadas em virtude dos valores não confirmados terem sidos glosados no parágrafo anterior. Logo, o valor declarado na linha 16 da Ficha 12A IRPJ Mensal Pago por Estimativa no montante de R$ 4.654.172,22 (fl.689) está confirmado... 26. Em resumo, do crédito de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano calendário de 2001, somente foi confirmado o montante de R$ 5.420.850,43, conforme Tabela 06....” (R$ 13.344.273,60 R$ 7.923.423,17 = R$ 5.420.850,43). Cientificada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade de fls. 755/762, cujos argumentos estão assim sintetizados no acórdão recorrido: “ a DIPJ retificadora foi recepcionada em 23/10/2007, não tendo sido gerado qualquer tipo de informação sobre a rejeição da mesma; em consulta a base de dados da Receita Federal efetuada em 22/01/2008, com a utilização de Certificação Digital, foi gerado arquivo correspondente à última declaração entregue aceita para o exercício de 2002. O arquivo fornecido corresponde a DIPJ retificadora mencionada acima; no item 1 do despacho decisório relativo ao processo 10166.0177885/200252 pertinente ao Pedido de Compensação de Saldo Negativo de CSLL apurada no ano calendário 2001 o AFRB considerou a DIPJ/2002 retificadora para análise do processo em tela, demonstrando falta de uniformidade quanto à análise dos dois processos; no item 12 o AFRFB menciona que dos comprovantes de retenções de IRRF por Órgão Público apresentados, somente o da fonte pagadora INSS não foi confirmado em DIRF. Para confirmar a veracidade do comprovante do INSS, foi expedida a intimação n° 748/2007, que ratificou o comprovante apresentado e informando também que foi transmitida DIRF para esta retenção e que após consulta ao sistema Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10166.001633/200357 Resolução n.º 140200.074 S1C4T2 Fl. 5 5 SIEF/DIRF não constatou a referida declaração. Sendo o comprovante aceito; no item 13 o AFRFB menciona ter recebido cópias de documentos contábeis comprobatórios das divergências encontradas entre os valores declarados na DIPJ e os apresentados pelas fontes pagadoras da DIRF, não tendo acatado as justificativas apresentadas na CE/DEGC/NO 024/2007; na CE informa que os valores dos informes de rendimentos estão divergentes dos apurados por ela, porque os pagamentos realizados por essas instituições no último dia útil do mês são compensados em quarenta e oito horas, momento em que efetua o registro dos valores recebidos em sua contabilidade, baixando as contas a receber de clientes, tendo como contra partida a conta bancos pelo valor líquido recebido e as contas de IRRetidos (IRPJ, CSLL, COFINS e PASEP), conforme artigo 64 da Lei n.° 9.430/96; que pode comprovar a veracidade do imposto retido com base nos dados extraídos de sua contabilidade... anexa planilhas discriminando as retenções referentes ao ano calendário de 2001, por fatura, com identificação da fonte pagadora... nos cruzamentos entre informações contidas na DIRF (transmitida pela fonte pagadora) e as suas DIPJ, as diferenças encontradas são sempre atribuídas a esta, com conseqüente glosa do imposto compensado. No entanto, o no Acórdão n. 10419.446/2003 (DOU de 27112003), decidiu que se comprovado por documentação hábil a retenção do IRFonte, como antecipação, e identificadas às fontes pagadoras, incabível sua glosa por falta de comprovação de recolhimento, de exclusiva responsabilidade daquelas, cabendo à administração tributária promover a respectiva cobrança; apura o IRPJ com base no Lucro Real Anual com recolhimento mensal, apurado com base nos balancetes mensais de suspensão ou redução de pagamento e efetua o registro contábil de suas operações conforme determina a lei, portanto, as receitas de serviços prestados a órgãos públicos foram incluídas na apuração do lucro contábil e real, com isso, o imposta retido desses rendimentos poderá ser compensado a título de antecipação com o saldo do imposto a pagar; resta claro que o valor anual que deveria ter sido informado na DIPJ/2002 era de R$ 8.286.186,82 (R$ 17.547.660,98 R$ 9.261.474,16), e não R$ 13.074.558,47; no item 25, o AFRFB afirma que o imposto efetivamente pago por estimativa (R$ 9.442.543,87) corresponde ao somatório dos valores mensais relativo à Linha 11/09 IRRF por Órgão Público (R$ 9.261.474,16) com o pagamento de IRPJ referente ao mês de junho (R$ 181.069,71) tendo demonstrado a composição na Tabela 05. Logo, fica comprovado ser procedente a retificação da DIPJ/2002; no item 26 o AFRFB menciona ter confirmado somente o montante de R$ 5.420.850,43, demonstrado na tabela 06. Entretanto, conforme demonstrado nas tabelas abaixo fica comprovado que o valor Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10166.001633/200357 Resolução n.º 140200.074 S1C4T2 Fl. 6 6 consignado na Linha 18 da DIPJ/2002 Imposto de Renda a restituir no valor de R$ 13.344.273,60, está correto.” A DRJ, no acórdão de fls. 807/815, manteve negou provimento ao recurso, sendo que a decisão recorrida está alicerçada nos seguintes fundamentos: “Não resta dúvida que a escrituração mantida com observância às normas legais faz prova a favor do contribuinte, dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis; contudo, no caso concreto, embora tenha sido intimada, a manifestante não comprovou mediante os comprovantes de retenção na fonte o valor glosado pela autoridade fiscal revisora das Dcomp, a título de imposto retido por órgãos públicos, computado no imposto a restituir ou a compensar informado na DIPJ/2002. Em se tratando de IRRF computado no saldo negativo do IRPJ, o artigo 943 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, cuja matriz legal é o artigo 55, § 2°, da Lei n° 7.450, de 1985... Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55). (destaque não original). Como se nota no dispositivo acima, a contribuinte somente poderia compensar o imposto retido na fonte sobre rendimentos ou ganho de capital na sua declaração se possuísse o comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora. Essa é uma exigência prevista na lei, devendo a autoridade fiscal apenas cumprir o que a lei determina, sob pena de responsabilidade funcional (CTN, art. 141). No caso de rendimentos recebidos de órgãos públicos, efetivamente, o modelo aprovado consta do Anexo V, da Instrução Normativa n° 480, de 15/12/2004, que no seu artigo 31, estabelece o seguinte: 31. O órgão ou a entidade que efetuar a retenção deverá fornecer à pessoa jurídica beneficiária do pagamento, comprovante anual de retenção, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, podendo ser disponibilizado em meio eletrônico, conforme modelo constante do Anexo V, informando, relativamente a cada mês em que houver sido efetuado o pagamento, os códigos de retenção, os valores pagos e os valores retidos. § 1° Como firma alternativa de comprovação da retenção, poderá o órgão ou entidade fornecer ao beneficiário do pagamento cópia cio Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10166.001633/200357 Resolução n.º 140200.074 S1C4T2 Fl. 7 7 Dali; desde que este contenha a base de cálculo correspondente ao .fornecimento dos bens ou da prestação dos serviços. § 2° Anualmente, até o último dia útil de fevereiro do ano subseqüente, os órgãos ou as entidades que efetuarem a retenção de que trata esta Instrução Normativa deverão apresentar, à unidade local da SM', Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte nela discriminando, mensalmente, o somatório dos valores . pagos e o total retido, por contribuinte e por código de recolhimento... A contribuinte ainda informou que retificou sua DIPJ/2002 para sanar este equívoco (fls. 295 a 336). Porém, a autoridade fiscal não aceitou a DIPJ/2002 retificadora por essa ter sido apresentada após 5 (cinco) anos da data do encerramento do período de apuração (31/12/2001) e considerou e somente as informações prestadas na DIPP2002 original. Como dito em linhas pretéritas não cabe esta Turma de Julgamento, manifestase sobre os argumentos contra a não aceitação da declaração retificadora, por falta de previsão legal... Após examinar a questão, a autoridade fiscal revisora glosou parte do crédito (R$ 7.923.423,17) compensado por falta de comprovação do total dos valores do IRFonte retido por órgãos públicos deduzidos do imposto devido apurado na DIPJ/2002, mediante os comprovantes de rendimentos pagos ou creditados e de retenção do IRFonte fornecidos pelas fontes pagadoras, e, em conseqüência, reduziu o saldo negativo (R$ 13.344.273,60) utilizado nos PER/DCOMP para R$ 5.420.850,43 e homologou as compensações realizadas até o limite do crédito reconhecido... Como bem pontuou a autoridade fiscal no despacho decisório, o fato da demora da compensação bancária por si só não é justificativa dessa divergência entre DIPJ e DIRF , tendo em vista as disposições legais. Ademais, tendo a pessoa jurídica optado apurar o imposto com base no lucro real anual deverá observar o princípio contábil da competência que determina que as receitas e as despesas devem ser incluídas na apuração do resultado do período em que ocorrem, sempre simultaneamente quando se correlacionarem, independente de recebimento ou pagamento (Lei n. 6.404, de 1976, art. 9). Quanto ao argumento de que a autoridade fiscal no despacho decisório relativo à compensação de saldo negativo de CSLL teria aceitado a declaração retificadora não procede, pois, em momento algum a autoridade competente afirma ter aceito a declaração retificadora...” Cientificada, a requerente, tempestivamente, interpôs recurso de fls. 817 e seguintes, alegando, em síntese: a) que os valores constantes nos informes de rendimentos estão divergentes dos apurados pela recorrente, tendo em vista que os pagamentos realizados no último dia útil do mês são compensados em quarenta e oito horas, momento em que se efetua o registro dos valores recebidos em sua contabilidade; b) que por estar no regime de apuração dos impostos na modalidade do lucro real anual, com recolhimento mensal em bases estimadas ou com base nos balancetes mensais e efetuar o registro contábil de suas Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10166.001633/200357 Resolução n.º 140200.074 S1C4T2 Fl. 8 8 operações conforme determina a lei, pode comprovar a veracidade dos impostos retidos e compensados com base nos dados extraídos de sua contabilidade; c) que quando do recebimento efetivo das faturas o valor de cada retenção é calculado mediante a aplicação da alíquota atribuída para cada tributo constante da coluna 02, 03, 04 e 05 da tabela anexa a IN SRF n.° 480/2004, alterada pela de n.° 539/2005, coincidindo o somatório desses valores com os efetivamente retidos; d) que para efeito de controle interno dos impostos retidos que são tratados como antecipação, a contabilidade elabora planilha identificando as fontes pagadoras, número do documento contábil, número da página do Diário, data do registro, número da fatura etc, com fechamento mensal e resumo anual, que são conciliados com as respectivas contas contábeis e as "sobras" de IRPJ e CSLL também são conciliadas com os valores informados na DIPJ; e) que efetua controle por fatura e órgão pagador de todas as retenções por conta contábil e extra contabilmente, conciliando estes valores com o valor líquido registrado na conta Bancos. Acrescenta se, ainda, o fato de que embora seja uma exigência prevista em Lei, a recorrente pode e o fez por outro meio, que foi de comprovar tais retenções usando informações de sua escrituração, que também está previsto em Lei (Artigo 923 do RIR); f) que o INSS apresentou novo comprovante ratificando as informações prestadas anteriormente, entretanto a autoridade fiscal revisora não confirmou tais informações com a DIRF, por não possuíla em sua base de dados, cuja preservação dos mesmos é de sua inteira responsabilidade; g) que no regime de arrecadação na fonte, o fato gerador pode traduzirse pelo pagamento, ou o crédito dos rendimentos e que o Parecer Normativo CST n° 07, de 1986, esclarece com bastante propriedade o momento da ocorrência de tal fato gerador; h) que no despacho decisório relativo à compensação do saldo negativo de CSLL os valores relacionados são os constantes na DIPJ retificadora o que comprova a falta de uniformidade de análise entre os processos, pois a DIPJ retificadora encontrase nas folhas 872 a 881 do Processo n° 10166.017895/200252.” Posteriormente, a recorrente apresentou a petição de fl. 908, requerendo a suspensão dos débitos, com fundamento no artigo 151, inciso III, do Código Tributário Nacional, enquanto não julgado o mérito do processo em exame. Em 02/06/2009, a parte foi cientificada de que a DRJ efetuou a suspensão da cobrança dos débitos declarados em DCTF, até a decisão final do feito, com exceção do débito no valor de R$ 8.209,54. É o relatório. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10166.001633/200357 Resolução n.º 140200.074 S1C4T2 Fl. 9 9 Voto Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto nº. 70.235 de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Inicialmente, em face da diferença de valores que serão verificados no decorrer deste voto, registro que a DIPJ de fls. 25 e seguintes, tempestivamente apresentada, relativa ao anocalendário de 2001, aponta saldo negativo do IRPJ no valor de R$ 13.344.273,60, assim composto: Ficha 11A BASE DE CALCULO IMPOSTO DE RENDA (fl. 36) 19.172.836,96 Ficha 12A CALCULO DO IMPOSTO DE RENDA (fl. 37) 01. À alíquota de 15% 2.860.410,14 03. Adicional 1.882.940,09 DEDUÇÕES 05.() Programa do Trabalhador 114.416,41 13.() Imposto de Renda Retido na Fonte 244.476,73 14.() Imposto Renda Retido na Fonte por Órgão Público 13.074.558,47 16.() Imposto de Renda Pago por estimativa 4.654.172,22 18.() Imposto de Renda a Pagar13.344.273,60 Segundo extrato de “consulta declarações IRPJ” de fl. 687, em 25/09/2007 e 23/10/2007 (fl. 295), a recorrente retificou a DIPJ de 2001, entregue em 27/06/2002, retificações estas que foram regularmente processadas, registrando na última delas, à fl. 307, os seguintes dados: Ficha 11A BASE DE CALCULO IMPOSTO DE RENDA (fl. 306)19.172.836,96 Ficha 12A CALCULO DO IMPOSTO DE RENDA (fl. 307) 01. À alíquota de 15% 2.860.410,14 03. Adicional 1.882.940,09 DEDUÇÕES 05.() Programa do Trabalhador 114.416,41 13.() Imposto de Renda Retido na Fonte 244.476,73 14.() Imposto Renda Retido Fonte por Órgão Público 8.286.186,82 16.() Imposto de Renda Pago por estimativa 9.442.543,87 18.() Imposto de Renda a Pagar13.344.273,60 Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10166.001633/200357 Resolução n.º 140200.074 S1C4T2 Fl. 10 10 Pelo que se verifica do confronto da DIPJ, original e retificadora, na segunda, a parte recorrente diminuiu o IRRF por órgão público de R$ 13.074.558,47 para R$ 8.286.186,82 e aumentou as estimativas de R$ 4.654.172,22 para R$ 9.442.543,87, o que fez com que o saldo negativo permanecesse o mesmo. No item 23 do despacho decisório de fls. 736 e seguintes, a autoridade fiscal destaca que a parte recorrente informou IRRF por órgão público no valor de R$ 22.336.032,63. Este valor seria composto dos seguintes itens: Imposto de Renda Retido na Fonte por Órgão Público 13.074.558,47 Imposto de Renda Pago por estimativa 9.261.474,161 Total 22.336.032,63 o valor de R$ 9.261.474,16 é composto dos seguintes recolhimentos: Tabela 05 MÊS IRRF por Órgão Público IRPJ a pagar Fls. jan R$ 402.187,62 R$ 0,00 690 fev R$ 392.414,85 R$ 0,00 691 mar R$ 2.029.039,56 R$ 0,00 692 abr R$ 1.405.858,68 R$ 0,00 693 mai R$ 2.582.646,69 R$ 0,00 694 jun R$ 1.916.220,38 R$ 181.069,71 695 jul R$ 504.645,08 R$ 0,00 596 ago R$ 28.461,30 R$ 0,00 697 set R$ 0,00 R$ 0,00 698 out R$ 0,00 R$ 0,00 699 nov R$ 0,00 R$ 0,00 700 dez R$ 0,00 R$ 0,00 701 Total R$ 9.261.474,16 181.069,71 Total Geral R$ 9.442.543,87 A tabela acima transcrita, elaborada pela autoridade fiscal, à fl. 742, comprova que a contribuinte, entre valores correspondentes a estimativas e retenções por órgãos públicos antecipou do imposto devido no montante de R$ 9.442.474,16. Ao meu sentir, o processo permite julgamento no estado em que se encontra. No entanto, em face ao entendimento dos demais membros do colegiado, a partir de proposta feita pelo ilustre Conselheiro Antônio Praga, voto no sentido de acolher o entendimento do colegiado para converter o julgamento em diligência com base nos fundamentos expostos nos parágrafos seguintes, apontados pelo ilustre Conselheiro Antônio Praga. O cerne da divergência neste processo é o montante dos valores efetivamente retido na fonte pelos órgãos públicos para o qual a DATAPREV prestou serviços em 2001. Consoante demonstrativo de fls. 826 a 844, juntado pelo contribuinte em seu recurso voluntário, no qual consta cada um dos lançamentos contábeis das receitas de prestação de serviços a órgão publico e respectivo valor de retenção na fonte, cuja totalização final é R$ 17.547.660,98 (fl. 844). Todavia, a DRF somente considerou o valor de R$ 14.412.609,46 (fl. 841), extraído das DIRF apresentada a RFB. 1 Estes R$ 9.261.474,16, corresponde ao IRRF informado na DIPJ, menos o valor de R$ 181.069,71, recolhido por DARF. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA Processo nº 10166.001633/200357 Resolução n.º 140200.074 S1C4T2 Fl. 11 11 A contribuinte alega que o erro poderia ter ocorrido em razão de prazos de creditamento bancário, todavia isso poderia dar diferença apenas em dezembro e não no ano todo. Partindo do princípio que o contribuinte ofereceu a tributação todo o montante da receita contabilizada, bem como deve possuir comprovantes contábeis dos valores líquidos pagos por seus clientes, eventual erro cometido no preenchimento da DIRF por essas fontes pagadores foge à sua governabilidade. Portanto, se a contabilidade da contribuinte estiver correta e em consonância com a DIPJ, o IRFonte deve ser considerado, ainda que a fonte pagadora tenha deixado de recolher o imposto retido e, por conseqüência, informado a menor na DIRF. Assim cumpre converter o processo em diligência para que a autoridade fiscal proceda auditoria na contabilidade da DATAPREV, visando verificar o valor do IR efetivamente retido pelas fontes pagadores, bem como reconstituir o Saldo Negativo do IRPJ, considerando o IRPJ apurado e Declarado na DIPJ original, todas as retenções de IRFonte (efetivamente realizadas e comprovadas pelo contribuinte, independentemente das declarações e recolhimentos das fontes pagadoras), eventuais recolhimentos de IR por estimativa, efetivamente realizados pelo contribuinte, e eventual saldo negativo acumulado de períodos anteriores pendentes de aproveitamento. ISSO POSTO, seguindo entendimento do colegiado, voto no sentido converter o julgamento em diligência para que a autoridade fiscal proceda auditoria na contabilidade da DATAPREV, visando verificar o valor Imposto de Renda, efetivamente retido pelas fontes pagadores, e reconstituir o Saldo Negativo do IRPJ considerando o IRPJ apurado e Declarado na DIPJ original, todas as retenções de IRFonte (efetivamente realizadas e comprovadas pelo contribuinte, independentemente das declarações e recolhimentos das fontes pagadoras), eventuais recolhimentos de Imposto de Renda por estimativa, efetivamente realizados pelo contribuinte, e eventual saldo negativo acumulado de períodos anteriores pendentes de aproveitamento. Ao final dos trabalhos, o Auditor Fiscal responsável pela diligência deverá elaborar relatório consubstanciado e cientificar a contribuinte para, caso deseje, manifestese nos autos no prazo de 30 (trinta) dias. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10240.002881/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 16 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.109
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do presente processo, nos termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discute questão idêntica àquela que está
sendo apreciada pelo STF no RE 601.314RG/SP (sob a sistemática do art. 543-B do CPC). Encaminhe-se o p.p. à Secretaria da 4ª Câmara, nos termos do §3º. do art. 2º e art. 3º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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score : 1.0
Numero do processo: 13888.002408/2007-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2007
PREVIDENCIÁRIO. SUSPENÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. AÇÃO JUDICIAL DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO SEM TRÂNSITO EM JULGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA.
Êxito em primeira instancia judicial para compensar valores, sem liminar que o defina e sem trânsito em julgado não acarreta suspensão da exigibilidade do crédito tributário.
O artigo 106, II, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna.
Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no artigo 35 da Lei 8.212, há que se submeter ao preceituado sob o novo comando expresso na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.707
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar
provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto que votaram pelo não conhecimento da matéria atinente a compensação nos termos da sumula 01 do CARF,e o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, que votou pelo não conhecimento da matéria atinente a compensação nos termos da sumula 01 do CARF e também na questão da multa de
mora.
Nome do relator: IVACIR JÚLIO DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 31/03/2007 PREVIDENCIÁRIO. SUSPENÇÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. AÇÃO JUDICIAL DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO SEM TRÂNSITO EM JULGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. Êxito em primeira instancia judicial para compensar valores, sem liminar que o defina e sem trânsito em julgado não acarreta suspensão da exigibilidade do crédito tributário. O artigo 106, II, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no artigo 35 da Lei 8.212, há que se submeter ao preceituado sob o novo comando expresso na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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SUSPENÇÃO DA EXIGILIBILDADE DO CRÉDITO. AÇÃO JUDICIAL DE COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO SEM TRÂNSITO EM JULGADO. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE MAIS BENIGNA. MULTA MAIS BENÉFICA. Êxito em primeira instancia judicial para compensar valores, sem liminar que o defina e sem trânsito em julgado não acarreta suspensão da exigibilidade do crédito tributário. O artigo 106, II, “c” , do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Autuação lavrada por ofensa à legislação vigente capitulada no artigo 35 da Lei 8.212, há que se submeter ao preceituado sob o novo comando expresso na redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto que votaram pelo não conhecimento da matéria atinente a compensação nos termos da sumula 01 do CARF,e o Conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, que votou pelo não conhecimento da matéria atinente a compensação nos termos da sumula 01 do CARF e também na questão da multa de mora. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 279DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 2403000.707 S2C4T3 Fl. 237 3 Relatório De acordo com o Relatório Fiscal, às fls. 42/45, tratase Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, constituída contra a empresa em epígrafe, abrangendo o período de 06/2005 a 03/2007 em ação fiscal com a finalidade especifica de cobrança manual de divergências apuradas pelo batimento das informações prestadas em GFIP com os valores das contribuições recolhidas em Guias da Previdência Social GPS das mesmas competências. DA IMPUGNAÇÃO Às fls. 74/83, o contribuinte apresentou impugnação alegando : Que a empresa, em setembro de 1995, ingressou com Ação Ordinária perante a 1ª Vara da Justiça Federal em Piracicaba ( processo n°. 95.11053078) objetivando o direito à compensação dos valores pagos indevidamente à título de contribuição previdenciária sobre o prólabore incidente nas remunerações de seus administradores ou empresários e prestadores de serviços avulsos ou autônomos, tendo em vista o artigo 195, inciso I, da Constituição Federal e a inconstitucionalidade do artigo 3°, inciso I, da Lei n°. 7.787/89 e artigo 22, inciso I, da Lei n°. 8.212/91, com outras contribuições previdenciárias vincendas. Que a Justiça Federal julgou parcialmente procedente a referida ação permitindo que se fizesse a compensação a com tributos vencidos e vincendos arrecadados pelo mesmo órgão. Que ao declarar a diferença dos valores compensados em GFIP, o fez de maneira equivocada, incorrendo em erro totalmente passível de correção. Que o auditor fiscal ao lançar os valores apurados desconsiderou a compensação realizada pela impugnante, lançando o seu valor total, o que se comprova pela análise dos documentos contábeis da empresa e a descrição feita pela fiscalização na NFLD, devendo, portanto, ser cancelada. Que a empresa agiu de maneira equívoca, pois apenas registrou a compensação realizada em sua documentação contábil, não declarando os referidos valores em GFIP. Que a Notificação de Lançamento NFLD deva ficar suspensa enquanto perdurar a decisão judicial reconhecendo seu direito em compensar os valores pagos indevidamente à título de contribuição previdenciária e pelo fato de que a empresa apenas incorreu em erro ao preencher suas declarações com Os valores remanescentes da compensação realizada, tal equívoco passível de correção de oficio pela autoridade fiscal, sendo plenamente comprovado pela documentação anexa. Anexou aos autos, procuração, NFLD e seus relatórios, planilha de compensação do INSS, cópia do razão analítico do ano 2004, fls. 152/160, e cópia da ação de conhecimento (processo n°. 95.11053078). Fl. 280DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar aos argumentos da impugnante, às fls.229, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Brasília DF DRJ/BSA, em 30/10/2007, emitiu o Acórdão n ° 0322.891, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 185/197 e reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” . É o Relatório. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 2403000.707 S2C4T3 Fl. 238 5 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 235, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DO MÉRITO Na decisão de primeira instância o Relator informe que em consulta ao site do TRF 3ª Região, verificouse a existência do Processo n° 95.11053078 em tramitação no Gabinete do Desembargador Federal Dr. Nelton dos Santos da 2a Turma, desde 30 de agosto de 2006, para apreciação da apelação do INSS sem noticia de julgamento na segunda instância. Efetuada nova consulta apurouse que o processo recebera nova numeração : 11.05307831999.403.6109 restando, HOJE, ainda sem julgamento em 2ª instância. Nas circunstâncias narradas a Notificação foi corretamente lavrada uma vez que não que não ocorreu o trânsito em julgado. Não se trata de levantar e sobrestar o lançamento. À rigor, a empresa não tendo obtido liminar ou tutela antecipada não poderia proceder às compensações que fizera posto que o simples êxito em primeira instância não lhe assegura tal procedimento. O correto é a empresa continuar cumprindo com suas obrigações principais e acessórias, descumpridas no processo em tela, até o trânsito em julgado da ação em curso e , caso prospere suas alegações no Judiciário, na oportunidade proceda às compensações eventualmente vencidas e vincendas. E empresa alega que o lançamento deva ser suspenso enquanto não ocorrer o trânsito em julgado, entretanto não observou a mesma condição para efetuar as compensações que fizera. Na instância administrativa, enquanto tramitar o presente processo a suspensão solicitada já se observa. Entretanto, esgotado o trânsito administrativo, sem êxito, se instaurará a fase de execução, seguramente. Isto posto, salvo o comentário supra previsto no inciso III, não sendo caso de liminar, o pedido de suspensão do lançamento não tem guarida na forma do artigo 151 do Código Tributário nacional : Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Assim, em razão dos argumentos supra, não assiste razão à Recorrente. DA MULTA DE MORA De acordo com o Relatório denominado ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA de fls. 33, a empresa foi autuada com fundamento na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 35,I, II e III (com a redação pela Lei n. 9.876, de 26.11.99), então, assim foi definido o cálculo do valor da multa moratória. Entretanto o artigo supra foi alterado pela Lei 11.941/2009, estabelecendo que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação conforme definiu o legislador serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. “Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (Redação dada pela Lei 11.491, 2009)”(grifos do relator) Lei 9.430/96: “ Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” MULTA MAIS BENÉFICA Fl. 283DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13888.002408/200712 Acórdão n.º 2403000.707 S2C4T3 Fl. 239 7 O artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna. Assim, Impõese, portanto, o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 para determinação e prevalência da multa mais benéfica. “ Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” CONCLUSÃO Desse modo, por tudo que foi exposto, voto por conhecer do recurso para no , MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL determinando o recálculo da multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a multa mais benéfica para o contribuinte. Ivacir Júlio de Souza Fl. 284DF CARF MF Impresso em 05/03/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA, Assinado digitalmente em 12/01/2012 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 14033.000223/2005-17
Data da sessão: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 27 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1802-000.003
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia para que se verifique a totalidade de recolhimentos, a titulo de estimativa, referentes ao ano-calendário de 2002, apurando-se, por decorrência, o valor do
saldo de CSLL a pagar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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Recorrida 4a TURMA DRJ/ BRASÍLIA/DF Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia para que se verifique a totalidade de recolhimentos, a titulo de estimativa, referentes ao ano-calendário de 2002, apurando-se, por decorrência, o valor do saldo de CSLL a pagar, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Cheryl Ester Marques Lins de Sousa, Adriana Gomes Rego e Rogério Garcia Peres. Processo ni° 14031000223/2005-17 S1-C2T1 Resolução n.° 1802-00-003 Fl. 2 Relatório Com a finalidade de privilegiar o princípio da celeridade processual adotamos o relatório proferido pela 4' Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília — DF: "Cuidam os autos de Pedido de Ressarcimento ou Restituição — Declaração de Compensação — PER/DCOMP de crédito resultante de pagamento a maior de CSLL — Estimativa Mensal, mês de dezembro/2002, no valor de R$ 1.985.475,84, com débitos próprios de CSLL-Estimativa, dos meses de janeiro e ,fevereiro/2003. Irresignado com o "decisum" denegatório da instância "a quo", o interessado oferece manifestação de inconformidade, às folhas 17/33, alegando, em resumo, que: Há equívoco do Despacho Decisório quanto à matéria fática: a empresa não pretendeu antecipar os efeitos da anualidade da CSLL, apenas compensou os valores pagos mensalmente que ultrapassaram as importâncias devidas a título de CSLL calculada sobre base de cálculo estimada, que é diferente de compensar o valor pago a título de CSLL calculado sobre base de cálculo estimada, a cada mês, com outros débitos da mesma contribuição, referentes a meses posteriores; No IRRI e na CSLL, devidos mensalmente e calculados sobre base de cálculo estimada, ambos sujeitos a lançamento por homologação, o crédito tributário nasce a cada mês, e é extinto com o pagamento mensal efetivado por antecipação. Portanto, é a partir do momento do pagamento antecipado a maior que nasce o direito à restituição e/ou compensação (CTN 114, 150, 165 e 168; Lei Complementar 118/2005, art. 3"; Lei 9.430/96, arts. 1" e 29; O direito à compensação está regido pelo art. 74 da Lei 9.4.30/1996, sendo amplo, bastando para seu exercício apenas a existência do crédito do contribuinte contra a Fazenda. O parágrafo 3", do referido artigo, não restringe a compensação imediata dos valores pagos além do devido a título de antecipação, referente a tributos e contribuições sujeitos a lançamento por homologação, tais como o IRPJ e a CSLL, antes do final do exercício; A IN SRF 460/2004, art. 10, é inaplicável, porque contraria o art. 74 da 9.430/96 e restringe o direito à compensação dos valores pagos, mensalmente, a maior, de IRPJ e CSLL, pois somente permite compensá-los ao final do exercício. Referido artigo introduz critério novo de interpretação da legislação o qual só pode se aplicar a fatos :eradores novos e a compensações ocorridas após a sua vigência (CTN 146)../4" Processo n° 14033,000223/2005-17 SI-C2T1 Resolução n,' 1802-00-003 Fl. 3 A IN SRF 210, de 30/09/2002, não continha a restrição do art. 10 da IN SRF 460, de 19/10/2004, portanto, as compensações efetuadas antes de 29/10/2004, o foram com observância estrita da legislação vigente; O Acórdão do Conselho de Contribuintes trazido à colação está ultrapassado pelo advento da LC 118/2005, além disso trata sobre decadência do direito do contribuinte à compensação, enquanto o caso dos autos versa a respeito do exercício do direito à compensação." Ao analisar a defesa do Recorrente, 4" Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília — DF, por unanimidade, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente. Inconformada com a decisão referida acima, o Recorrente, interpôs recurso voluntário (fls. 79 a 149), sustentando, em síntese, que: i) atendeu a exigência contida no art.10 da Instrução Normativa SRF 460/2004; ii) não há necessidade de retificação da PER/DCOMP para a compensação efetivada; iii) a exigência fiscal é descabida, pois a Recorrente já recolheu a totalidade da CSLL, relativa ao ano-base 2003, nada mais sendo devido ao Fisco e iv) a prevalência do princípio da verdade material supera eventual erro material no preenchimento da DIPJ e da PER/DCOMP. É o relatório 3 Rogéi gio G rêia Peres/.2. Brasília (m), ev, 27de 'maio de 2009. Processo o' 1403100022.3/2005-17 SI-C2T1 Resolução ri,' 1802-00-003 Fl 4 Voto Conselheiro ROGÉRIO GARCIA PERES, Relator O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Não há argüição de qualquer preliminar. No mérito, analisando os autos verifico que conforme DIPJ de folha 110 o valor devido a título de estimativa de CSLL referente ao período de apuração de dezembro de 2002 é de R$ 2.113.655,31, sendo que o recolhimento a esse título de é de R$ 4.099.131,15. Em primeira análise a Recorrente recolheu indevidamente o montante de R$ 1.985.475,84 o qual foi compensado no Per/Dcomp objeto desse processo administrativo. A autoridade fiscal no despacho decisório alega que o correto seria compensar recolhimentos a maior de CSLL na forma de saldo negativo e somente com débitos de exercícios seguintes. Desta forma, para a solução da questão, é necessário que se comprove a existência de crédito tributário. Logo, torna-se necessária a comprovação da totalidade dos recolhimentos efetuados a título de estimativa, referentes ao ano-calendário 2002, bem como a existência de Saldo suficiente à compensação objeto do presente processo. Ante o exposto, converto o julgamento em diligência para que se verifique a totalidade de recolhimentos, a título de estimativa, referentes ao ano-calendário de 2002, apurando-se, por decorrência, o valor do saldo de CSLL a pagar. 4
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Numero do processo: 10845.001441/2003-00
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803-000.068
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar os autos até o julgamento do processo nº 10845.003073/200245.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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(assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Selene Ferreira de Moraes. Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “Em 12/05/2003, a contribunte protocolizou, junto à SRF, DCOMP (fls.01/02), objetivando o aproveitamento de saldo negativa` de IRPJ, referente ao anocalendário de 2002, no valor de R$ 400.230,68, para compensação de débitos diversos. Fl. 1079DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10845.001441/200300 Resolução n.º 180300068 S1TE03 Fl. 2 2 Em 11/07/2008, a SEORT/DRF/STS exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls.234/240) HOMOLOGANDO EM PARTE as compensações declaradas em DCOMP no valor de R$ 102.665,05. Dessa forma, o litígio restringese ao seguinte valor original em Reais (R$): (...) A homologação parcial das compensações deuse em razão da glosa de estimativas mensais por falta de liquidez e certeza do crédito utilizado nas deduções efetuadas na DIPJ. O referido crédito provém de saldo negativo apurado no processo de n° 10845.003073/200245, cuja decisão definitiva encontrase em discussão na esfera superior (Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais). A contribuinte teve ciência do Despacho Decisório em 18/08/2008 (fl. 284) e dela recorreu a esta DRJ em 11/09/2008 (fls. 285/310). As alegações da impugnante são resumidas a seguir. • Considera regular as compensações efetuadas nas estimativas mensais no processo de n° 10845.003073/200245, cujo crédito apurado foi deduzido do IR a pagar deste processo; • Faz considerações a respeito da abrangência do termo "evento' cujo significado deve ser interpretado da forma mais abrangente possível em concordância com a jurisprudência e a doutrina dominante; • A autoridade fiscal incorreu em ilegalidade ao restringir a abrangência da palavra "evento' quando a sua definição encontrase expresso literalmente na legislação de regência; • A restrição da abrangência do significado da palavra "evento' prejudica a contribuinte ao reduzir as deduções da base de cálculo do PIS e da COFINS; • Requer provimento da presente manifestação de inconformidade com a suspensão dos créditos tributários exigidos neste processo.” A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação, em decisão assim ementada: “COMPENSAÇÃO EM DCOMP. Não comprovada a existência de direito creditório vedase ao contribuinte efetuar as compensações em DCOMP. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO IRPJ. Constitui crédito a compensar ou restituir o saldo negativo de imposto de renda apurado em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenha sido compensado ou restituído. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 1080DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10845.001441/200300 Resolução n.º 180300068 S1TE03 Fl. 3 3 O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: a) O indeferimento da compensação que originou a presente lide, como fartamente comprovado nos autos, está vinculada ao indeferimento de crédito da recorrente declarado e compensado no processo administrativo n° 10845.003.073/200245, o qual se encontra em fase recursal junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, conforme comprovam as informações fornecidas pelo sítio eletrônico da segunda instância administrativa (Doc. n.° 04). b) Considerando que a decisão sobre a existência ou não dos créditos da COFINS e da Contribuição ao PIS reclamados no processo administrativo acima indicado, é questão que precede a análise do mérito da compensação efetuada nesses autos, é forçoso admitir que a apreciação do presente recurso voluntário na manifestação de inconformidade em Declaração de Compensação deve aguardar o julgamento definitivo daquele processo. c) Nestas condições, considerando que a disputa instaurada no processo administrativo n.° 10845.003073/200245 é questão prejudicial ao julgamento do presente recurso, requer se o sobrestamento do .presente recurso voluntário até o julgamento definitivo do supra mencionada processo administrativo n.° 10845.003.073/200245. d) Parte das estimativas mensais que geraram o saldo negativo apurado no processo n° 10845.003073/200245 foi extinta não com o pagamento dos tributos, mas sim com a compensação de recolhimentos indevidos da COFINS e da contribuição ao PIS nos períodos de apuração de dezembro de 2001 a Março de 2002. e) Tais recolhimentos indevidos de COFINS e Contribuição ao PIS fundamentamse na falta de aproveitamento pela recorrente, no período acima indicado, do benefício de dedução da base de cálculo criada pela MP n.° 2.15835, de 24 de agosto de 2001. É o relatório. Voto A contribuinte foi cientificada por via postal, tendo recebido a intimação em 06/04/2009 (AR de fls. 404). O recurso foi protocolado em 06/05/2009, logo, é tempestivo e deve ser conhecido. A recorrente tem razão ao afirmar que a disputa instaurada no processo administrativo n.° 10845.003073/200245 é questão prejudicial ao julgamento do presente recurso. Fl. 1081DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10845.001441/200300 Resolução n.º 180300068 S1TE03 Fl. 4 4 Não é possível apreciar o mérito do presente processo antes da decisão a ser proferida no recurso interposto no processo administrativo n.° 10845.003073/200245, que ainda aguarda julgamento: Pelo exposto, voto pelo sobrestamento dos autos até o julgamento do processo nº 10845.003073/200245. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 1082DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001004/2008-74
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/2007
GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o salário de contribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo
com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976.
MULTA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO
DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 2403-000.687
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência até 01/2003, com base no artigo 150, §4°, do CTN. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o
valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 32-A
caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os
conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto na tributação do PAT (Programa de Alimentação ao Trabalhador)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/05/2007 GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o salário de contribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. MULTA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
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ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR Integra o saláriodecontribuição a parcela "in natura" recebida em desacordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976. MULTA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, Nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência até 01/2003, com base no artigo 150, §4°, do CTN. No mérito: Por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, com prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencidos os conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto na tributação do PAT (Programa de Alimentação ao Trabalhador) Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Jonathas Ribeiro da Silva e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.001004/200874 Acórdão n.º 240300.687 S2C4T3 Fl. 1.032 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador, acórdão 1520.7336ª Turma, que julgou procedente em parte o lançamento. Em primeira instância, decidiuse pela decadência até a competência 11/202, com base na regra prevista no art. 173, inciso I, do CTN. Tratase de Auto de Infração (AI) DEBCAD n° 37.157.7047, CFL 68, por descumprimento de obrigação acessória, recebido pelo contribuinte em 10/03/2008, em razão de haver infringido o dispositivo previsto no artigo 32, inciso IV, §§ 3° e 5°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 40, do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 6 de maio de 1999. Conforme Relatório Fiscal da Infração e anexos, às fls. 01/910, foi constatado pela fiscalização que a empresa apresentou Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, nas competências 05/99 a 05/07. Os fatos geradores não informados são os seguintes: • Verbas rescisórias de empregados, anexo I, fls. 21/29; • Parte da remuneração do segurado empregado Valdoilson Alves de Oliveira, nos períodos de 05/00 a 12/00, 02/01 a 11/01, 01/02 a 01/03, 03/03 a 07/03 e 12/03, anexo I; • Folhas de pagamento dos contribuintes individuais apresentadas à fiscalização, Anexo II, fls. 30/32; • Alimentação in natura fornecida aos empregados sem que houvesse a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), Anexo IV, fls. 47/50. Apesar de intimada a apresentar documentos que comprovassem a regular inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), a construtora apresentou comprovante somente a partir de 07/12/2007. Com isto, o fornecimento de alimentação constituise salário in natura dos empregados, integrando os seus saláriosdecontribuição. Foram lançados os valores pagos na aquisição, e deduzidos destes os montantes descontados dos empregados a igual título. Em razão da impossibilidade de individualização das parcelas de alimentação in natura recebidas por cada empregado, as contribuições que deveriam ter sido descontadas destes foram calculadas mediante a aplicação da alíquota mínima de 8% (oito por cento) sem limite e sem compensação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Fl. 3DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 • Retiradas de prólabore in natura feitas pelo sócioadministrador José Francisco da Cunha e pelo sóciocotista Genivaldo Tavares da Cunha, Anexo III, fls. 33/46, que englobam: o Valores referentes a plano de saúde pago pela empresa em prol dos sócios e seus familiares. Não sendo extensivo tal benefício aos empregados da empresa, os valores despendidos a este título integram os saláriosdecontribuição. Os valores foram extraídos das faturas pagas a Bradesco Saúde S/A; o Valores referentes ao custo da moradia dos sócios. Os sócios residem em apartamentos pertencentes à Construtora Cunha Ltda. A XXI alteração do Contrato Social dispunha que o sócio administrador José Francisco da Cunha reside no apartamento 1001 do Edifício Mansão José Cunha e que o sóciocotista Genivaldo Tavares da Cunha tem como domicílio o apto. 1201 do Edifício Mansão Alfredo Tavares, sendo fixado 05/03 como competência inicial de moradia. Ambos os imóveis estão no estoque da construtora, conforme planilhas fornecidas pela empresa. Não tendo sido verificado, nos livros contábeis, qualquer lançamento atinente a aluguéis, e considerandose o disposto no art. 33, §§ 30 e 6°, da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, fezse necessário o arbitramento do valor desta retirada prólabore indireta. Na falta de outros elementos, estimouse, como custo de locação, o correspondente a 1% (um por cento) do valor de mercado do imóvel, utilizandose, como tal, o valor de venda lançado em planilha fornecida pela empresa; o Valores referentes às despesas com as taxas de condomínio dos apartamentos 1001 do edifício Mansão Jose Cunha e 1201 do edifício Mansão Alfredo Tavares, obtidos dos lançamentos contábeis na conta de despesas 3.2.1.01.0033 — condomínio; o Valores referentes às despesas com consumo de energia elétrica do apartamento 1001 do edifício Mansão Jose Cunha, obtidos dos lançamentos contábeis nas contas de despesas 3.2.1.01.0011 — água luz e telefone, e n° 3.2.1.01.0061 — luz; Entendeu a fiscalização que os fatos acima reportados configuram, em tese, crime, foi feita Representação Fiscal para Fins Penais. A ciência do presente lançamento ocorreu em 10/03/2008. Consta do RF que houve um lançamento anterior, do qual o contribuinte tomou ciência em 25/02/2008, anulado por vício formal visto que teve que ser cancelado porque estava vinculado à matrícula antiga do auditorfiscal que realizou a fiscalização. A matrícula antiga era n° 1180337, enquanto que a nova é n° 2180337. Inconformada com a decisão de primeira instância, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Decadência. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.001004/200874 Acórdão n.º 240300.687 S2C4T3 Fl. 1.033 5 • Não incidência da contribuição previdenciária para a alimentação servida in natura. • Multa É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. DECADÊNCIA Em primeira instância, decidiuse pela decadência até a competência 11/2002, com base na regra do artigo 173, inciso I, do CTN, nos termos abaixo apresentados: 24. No caso de lançamento decorrente de descumprimento de obrigação acessória, apenas se pode falar em lançamento de oficio, pois apurado no momento em que a fiscalização constata a infração. Nesse caso, aplicase o prazo decadencial previsto no art. 173, inciso I, supra transcrito, inclusive porque não há como se antecipar o pagamento da multa. No caso, a competência 11/02 tem como termo a quo da contagem do prazo decadencial 01/01/2003 e o termo ad quem é 31/12/2007. Como o AI foi cientificado em 10/03/2008, encontrase fulminada pela decadência a multa referente ao descumprimento das obrigações acessórias no período de 05/99 a 11/02, no valor de R$ 148.399,75 (cento e quarenta e oito mil, trezentos e noventa e nove reais, setenta e cinco centavos), que ora é excluída do lançamento. No julgamento da obrigação principal, em primeira instância, decidiuse pela decadência até a competência 11/202 e 13/2002 devido ao transcurso do prazo superior a 5 (cinco) anos contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado até a data da ciência (artigo 173, I). Decidiuse também, devido à existência de recolhimento parcial, pela decadência do crédito consignado nas competências 12/02 e 01/03, em face da ciência do débito em 25/02/2008, e nos termos do art. 150, §4°, do CTN. O julgamento da obrigação principal em segunda instância manteve a decadência até 01/2003. Entendo que esta obrigação acessória, por declarar e assim constituir o crédito tributário deve ter, para fim da decadência, o mesmo tratamento da obrigação principal, isto é, decadência até 01/2003, com base no artigo 150, §4°, do CTN e pela existência de recolhimentos parciais. SALÁRIO IN NATURA Fl. 6DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.001004/200874 Acórdão n.º 240300.687 S2C4T3 Fl. 1.034 7 Inicialmente farei registro que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela PORTARIA Nº 256/209 do Ministério da Fazenda, estabelece que o CARF tem por finalidade julgar recursos de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CAPÍTULO I DA NATUREZA E FINALIDADE Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifei) Quanto ao auxílioalimentação oferecido aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Fl. 7DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento está correto. MULTA No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 8DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10510.001004/200874 Acórdão n.º 240300.687 S2C4T3 Fl. 1.035 9 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Voto no sentido de conhecer do recurso, nas preliminares, reconhecer a decadência até 01/2003, com base no artigo 150, §4°, do CTN e no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para que se recalcule o valor da multa, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 32A da lei 8.212/91, na redação dada pela lei 11.941/2009. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 9DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Fl. 10DF CARF MF Emitido em 21/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 1/09/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000715/2004-95
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.056
Decisão: resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13502.000715/200495 Resolução n.º 1802000.056 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – BA (DRJ/SDR), que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo de auto de infração lavrado com base nos dispositivos legais mencionados à fl. 07, mediante o qual é exigido da contribuinte em epígrafe o crédito tributário de R$ 7.499,59 (sete mil, quatrocentos e noventa e nove reais e cinqüenta e nove centavos), referente à multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF dos 1o , 2o , 3o e 4o trimestres do ano calendário de 2002, apresentadas em 06/07/2004. Regularmente cientificada a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 03/04, requerendo, em síntese, a revisão do auto de infração em questão, a fim de que lhe seja concedida à isenção da multa aplicada, sob a alegação de que sua empresa encontravase enquadrada no Simples desde jan/1997, sendo que o envio das DCTF, após o prazo fixado na legislação, ocorreu porque não foi notificada de que não estava mais no Simples, uma vez que inserida no referido sistema, estaria desobrigada da apresentação de DCTF.”. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Salvador – BA (DRJ/SDR), por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da ora Recorrente através do Acórdão n° 08.530 de 14 de novembro de 2005, sob o argumento de que a Recorrente não estava enquadrada no SIMPLES. Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário reiterando os termos da Impugnação, qual seja, a inaplicabilidade da obrigação acessória de entrega de DCTF por empresa enquadrada no SIMPLES, nos termos do art. 3˚, inciso I, da Instrução Normativa SRF no 126, de 30 de outubro de 1998, in verbis: “Art. 3º Estão dispensadas da apresentação da DCTF, ressalvado o disposto no parágrafo único deste artigo: I as microempresas e empresas de pequeno porte enquadradas no regime do Sistema Integrado de Pagamento e Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES;” Tal argumento não foi acolhido pela DRJ/SDR sob o entendimento de que no período objeto de autuação a Recorrente não estava enquadrada no SIMPLES. Isto porque, Fl. 222DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 13502.000715/200495 Resolução n.º 1802000.056 S1TE02 Fl. 3 3 com base nas informações constantes nos sistemas da Secretaria da Receita Federal, o enquadramento somente teria ocorrido em 01 de janeiro de 2004. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho. Conforme relatado, tratase de analisar aplicação de multa por não entrega de obrigação acessória por empresa supostamente enquadrada no SIMPLES. A DRJ fundamentou sua decisão ao fato que no período objeto de autuação a Recorrente não estava enquadrada no SIMPLES, pois, com base nas informações constantes nos sistemas da Secretaria da Receita Federal, o enquadramento somente teria ocorrido em 01 de janeiro de 2004 Ocorre, entretanto, que a Recorrente, em sede de Recurso Voluntário, apresentou provas (fl. 139 DOC. 08: TERMO DE OPÇÃO) a demonstrar sua opção pelo SIMPLES, já em 26 de março de 1997. Destaquese que referido documento está em conformidade com o preceituado no art. 8˚, da Lei no 9.317 de 05 de dezembro de 1996, vigente a época, abaixo transcrito: “Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto:” Assim, tendo em vista que a DRJ informou que a opção pelo SIMPLES ocorreu somente em 2004 e, considerando os documentos apresentados pela Recorrente às fls. 139 e ss, a demonstrar a opção pelo SIMPLES em 1997 e, tendo sido os impostos relacionados às suas atividades recolhidos e declarados de acordo com tal sistemática desde esse período, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, encaminhandose os presentes autos à DRF de origem para confirmar os argumentos contrapostos e, portanto, esclarecer se a Recorrente foi efetivamente tributada pelo SIMPLES no ano de 2001. Após, formule parecer conclusivo sobre referido questionamento, dando ciência ao contribuinte sobre o resultado da diligência para manifestarse, se desejar, retornandose os autos para esse Conselheiro. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10768.024069/99-88
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1803-000.064
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: SELENE FERREIRA DE MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Viviani Aparecida Bacchmi, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Selene Ferreira de Moraes. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.024069/9988 Resolução n.º 1803000064 S1TE03 Fl. 2 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: “O presente processo teve início com o pedido de compensação de fls. 01, apresentado em 14/10/1999, no qual a interessada pretende compensar débitos de Cofins (código 2172) e PIS/Faturamento (código 8109), no total de R$ 12.262,71, com créditos no mesmo valor que entende ter de imposto de renda retido na fonte IRRF incidente sobre rendimentos de serviços prestados (cód. 1708). Posteriormente, ao longo do processo e antes de proferida qualquer decisão, apresentou outros pedidos de compensação (PC), a saber: (...) Além dos 117 PCs acima relacionados, a interessada apresentou outros 21 PCs vinculados ao crédito pleiteado no presente processo, mediante os seguintes processos (no total de 20), de cujos PCs foram juntadas cópias às folhas indicadas: (...) Ainda de acordo com o relatório do sistema de acompanhamento de processos de fls. 1298, constam os seguintes processos vinculados ao presente: 15374.004905/200177 e 10768.009763/0053. Por fim, segundo despacho de fls. 1296, de 23/12/2004, o PC de fls. 1299, datado de 24/05/2000, foi retirado do processo 10768.006070/0091 por não fazer parte deste último, e sim do presente; o referido PC foi juntado após proferido o primeiro despacho decisório. No despacho decisório fls. 1293, o Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária Derat/RJ indeferiu o pedido de compensação com base no Parecer Conclusivo n° 77/2004 de fls. 1291/1292. De acordo com o referido Parecer, foram analisados os pedidos de compensação de fls. 01, 111, 116, 120 a 141, 143 a 166, 168 a 172, 175 a 207, 211 a 220, 224 a 230, 264, 296, 330 a 332, 366, 402, 403, 439, 476, 481, 485, 526 a 529, 533, 534, 547, 551, 598, 603, 606, 650, 695, 696 e 741 (obs: as folhas do processo sofreram alteração após renumeradas). Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade de fls.1301/1302, expondo suas razões e pedindo novo exame da matéria. O Parecer Conclusivo n° 177/2004 de fls. 1291/1292 fez referência apenas aos pedidos de compensação que relaciona, e deixou de se pronunciar quanto aos pedidos de fls. 797, 798 e todos aqueles apresentados nos processos apensos ao presente e ora relacionados nos demonstrativos anteriores. Igualmente não foram apreciados os Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.024069/9988 Resolução n.º 1803000064 S1TE03 Fl. 3 3 processos 15374.004905/200177 e 10768.009763/0053, com PCs vinculados ao presente. Além desses, há o PC de fls. 1299, apresentado em 24/05/2000 e retirado do processo 10768.006070/0091 por não fazer parte deste último, e sim do presente, e a este foi este juntado em 23/12/2004, conforme despacho de fls. 1296, de 23/12/2004, após o proferimento do despacho decisório em 04/10/2004 (fls. 1293) e, desse modo, também não foi analisado. Assim, o fato de não terem sido apreciados diversos pedidos de compensação apresentados antes de proferida a decisão do Delegado da Derat/RJ acarretou cerceamento do direito de defesa da interessada e, conseqüentemente, a anulação do despacho decisório, na forma do art. 59, II, do PAF, conforme Acórdão DRJ/RJOI n° 8.049, de 14/07/2005 (fls.1312/1316). Em 16/12/2005 (AR fls. 1319), a interessada tomou ciência do acórdão da DRJ/RJOI e, em 16/02/2006, apresentou memorial de fls. 1362/1364 à Derat/RJ, antes que esta proferisse nova decisão quanto aos pedidos de compensação apresentados. Aduziu a interessada que: diante da declaração de nulidade da decisão da Derat/RJ, teria ocorrido a homologação tácita dos pedidos de compensação protocolados no prazo de cinco anos, nos termos do art. 74, §§4° e 5 o da Lei n° 9.430/1996; não há previsão legal para apresentação de documentos específicos junto ao pedido de compensação, e que apresentou o balanço de julho/1999, o requerimento solicitando autorização para compensar saldos da conta do IRF e outros documentos relativos a cadastro e contrato social; não foi solicitada a prestar quaisquer esclarecimentos ou ajuntar outros documentos; não registrou o IRF no item 13 da ficha 13 e 13A porque não havia IR a pagar, mas isso não altera a realidade de a interessada ter sofrido retenções de IRF, o que pode ser demonstrado por outros elementos a serem requisitados ou examinados na contabilidade da interessada; no processo 10768.009763/0053, foi reconhecido, pela Delegacia de Fiscalização da do Rio de Janeiro, o direito creditório da interessada à compensação do IR apurado com saldo de IRF (fls. 1399/1401). A interessada também juntou documentação de fls. 1365/1567. Em 22/03/2006 (fls. 1336), a interessada foi cientificada do novo despacho decisório da Derat/RJ de fls. 1331, que, com base no Parecer Conclusivo n° 41/2006 (fls. 1329/1331), não homologou as compensações efetivadas nos pedidos de fls. 01, 112, 117,121, 123 a 129, 131 a 133, 135, 136, 138 a 142, 144, 145, 147 a 150, 153, 153, 155 a 157, 159 a 163, 167, 169 a 173, 176 a 199, 202 a 210, 214, 216, 218, 220, 222, 223, 226 a 230, 232, 266, 298, 332 a 334, 368, 406, 407, 443, 480, 485, 489, 530 a 533, 537, 538, 551, 555, 604, 609, 612, 656, 701, 702, 747, 797, 798, 801, 803, 805, 807, 809, 811, 813, 815, 817, Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.024069/9988 Resolução n.º 1803000064 S1TE03 Fl. 4 4 819, 820, 822, 824, 826, 828, 830, 832, 834, 836, 838, 840 e da Dcomp de fls. 1325/1328, apresentada em 13/06/2003. De acordo com o referido Parecer, a interessada apenas anexou cópia da DIPJ/1999, anocalendário 1998 (fls. 23/85) e se limitou a indicar, nos pedidos de compensação, "utilizada a conta de IRRF compensável com saldo de R$...", e que seria referente ao código 1708 (remuneração por serviços prestados a pessoa jurídica). Diz ainda a Derat ainda que a interessada não informou nenhum valor de IRF no item 13 das fichas 13 e 13A da DIPJ. Às fls. 1569, consta despacho da Derat/RJ, datado de 03/04/2006, confirmando o teor do despacho decisório de fls. 1331, após análise do memorial e da documentação juntados pela interessada às fls. 1362/1567. Cientificada da decisão da Derat/RJ de fls 1331 em 22/03/2003 (fls. 1336) e do despacho de fls. 1569 em 14/04/2006, a interessada apresentou, em 19/04/2006, manifestação de inconformidade de fls. 1572/1577, nas quais alegou que: o memorial de fls. 1362/1364 e a documentação que o instruiu (fls. 1365/1567) foram apresentados à Derat/RJ em 16/02/2006, mas não foram juntados ao processo antes de proferido o despacho decisório de fls. 1331, em 21/03/2006 (ciência em 14/04/2006); a nova decisão da Derat/RJ (fls. 1331) não homologou as compensações, reiterando a fundamentação de falta de informação do IRF na DIPJ. Após juntada do memorial e documentação aos autos, foi confirmado o teor da decisão da Derat/RJ mediante despacho de fls. 1569; o parecer conclusivo especificou os pedidos de compensação mas não mencionou os processos n° 15374.004905/200177 e 10768.009763/00 53, que foram mencionados no Acórdão da DRJ/RJOI, o que se configuraria manutenção da nulidade, seja pela não apreciação desses processos, seja porque, no último deles, há despacho conclusivo declarando a existência de crédito compensável; se os processos são vinculados, não há como negar o reconhecimento anterior do crédito; no processo 10768.009763/0053 teriam sido examinados os mesmos documentos anexados ao memorial apresentado, o que deveria ser suficiente para a confirmação do saldo de IRF compensável; o livro Razão e o balanço, revestidos da forma legal, são documentos que acarretam presunção de veracidade em seu conteúdo e os lançamentos neles contidos não podem ser desprezados, como foi feito; o saldo do IRRF apresentado nos pedidos de compensação foi constituído por diversas retenções realizadas nos anos anteriores e que teriam sido declaradas no grupo 21 outras contas do balanço e arroladas no anexo 3 das DIPJ anteriores aos anos calendário de 1998 e 1999; o processo administrativo sujeitase aos princípios processuais comuns, dentre os quais os que determinam o exame de todas as questões de fato e de direito trazidas pelas partes: a decisão deve ser Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.024069/9988 Resolução n.º 1803000064 S1TE03 Fl. 5 5 motivada e conter os fundamentos pelos quais foram acolhidos e repelidos os argumentos das partes. Porém, o parecer conclusivo de fls. 1329/1331 não se referiu ao fundamento da homologação ficta; ao fato de haver o prévio conhecimento do crédito; aos documentos trazidos. O despacho decisório teria sido proferido com desprezo aos elementos apresentados (no memorial), o que acarreta sua nulidade; não foram também examinados os processos vinculados, principalmente o que declara a existência do crédito; essa vinculação seria manifestada pela própria administração quando da intimação n° 735/2004 (fls. 1294), ao identificar o processo como "10768.013073/200132 e mais 22 apensos". Isso significa que o ato decisório deveria indicar as ocorrências e os efeitos de cada qual; foi feito pedido de diligência, à feição de perícia, no item 13 do memorial e o direito à realização da prova é princípio constitucional. Se a autoridade administrativa, ao examinar o pedido de compensação, entende serem insuficientes os esclarecimentos prestados, não poderia indeferir o pleito sem abrir oportunidade para a defesa, sob pena de decidir sobre fundamento surpresa, o que invalida o processo; se a autoridade entende ser necessária uma demonstração não exigida pela lei, como é o caso do pedido de compensação, que não vem acompanhado de provas, deve intimar o contribuinte para trazer as provas ou promover diligência; no presente processo, apesar de ter sido alegada a falta de elementos comprobatórios, nada foi feito para esclarecer a questão e a decisão foi surpresa, porque nela se aventou a falta de elementos nunca solicitados, motivo pelo qual foi apresentado o arrazoado, na tentativa de suprir o processo no que poderia ser considerado prova suficiente para a autoridade que nada requisitou; não há como fugir da nulidade da decisão, seja porque, novamente, não foram examinados nem mencionados determinados pedidos de compensação, seja porque não foram examinados fundamentos nem expostas as razões pelas quais aqueles não foram acolhidos, ou ainda porque teria sido proferida sem o exame de todo material do processos, entre teses jurídicas e documentos; se superadas essas preliminares, não haveria como fugir do transcurso do prazo de cinco anos, que implementa a homologação; a prova documental já realizada seria esclarecedora da efetividade de regularidade das retenções de IRF e o fato de tal meio de prova não ter sido descredenciado, deve ser considerado, sob pena de nulidade da decisão, e o crédito reconhecido; e ressalta que a decisão apenas insiste na ausência de registro do crédito na ficha 13 da declaração, o que se trata de fundamento exclusivamente de forma, tendo em vista que a decisão não nega a existência do crédito de IRF. Se indeferido o pedido, esse crédito será recuperado mais adiante pela interessada, e a negativa seria apenas uma protelação de uma situação inevitável. Por fim, requer o provimento da manifestação de inconformidade e que seja declarada a homologação da compensação alcançada pelo prazo de cinco anos, para se anular novamente a decisão de primeiro grau Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.024069/9988 Resolução n.º 1803000064 S1TE03 Fl. 6 6 pelas preliminares arguidas; adentrandose no mérito, sejam definitivamente homologadas as compensações. Ainda às fls. 1598/1599, a interessada se insurge contra a cobrança dos débitos do presente processo por ter apresentado a manifestação de inconformidade. Além disso, acusa algumas incorreções nos débitos exigidos, como detalha em seu pedido. Em 23/08/2006, com base no Parecer Conclusivo Aditivo n° 130/06 (fls. 1623/1624) foi proferido pela Derat/RJ o Despacho Decisório Aditivo n° 130/06 (fls. 1624), em que não foi homologada a compensação efetivada por meio da Dcomp de fls. 1299, no valor de R$ 350,48. De acordo com o referido Parecer, quando da elaboração do Parecer Conclusivo n° 41/2006 e respectivo Despacho Decisório de fls. 1329/1331, cientificados em 22/03/2206, foi constatado que não havia sido apreciada a Dcomp de fls. 1299. Por esse motivo, considerando os princípios da oficialidade e legalidade contidos no caput do art. 37 da Constituição Federal e na Lei n° 9.748/1999, e da autorização que tem a Administração Pública de rever seus atos para melhor alcançar a consecução do interesse público, a Derat/RJ elaborou o presente Parecer Conclusivo e Despacho Decisório n° 130/06, aditivos ao Parecer Conclusivo e Despacho Decisório de n° 41/2006. No mérito, a Derat concluiu que a interessada não teria comprovado a certeza e a liquidez do crédito pleiteado na Dcomp de fls. 1229, como já explicitado no Parecer Conclusivo e Despacho Decisório anterior (fls. 1329/1331), pelo que indeferiu o pedido. Cientificada do Parecer e do Despacho aditivos n° 130/06 em 18/09/2006 (fls.1627), a interessada apresentou, em 13/10/2006, na pessoa de seu representante legal (fls.1632) manifestação de inconformidade de fls. 1628/1632, na qual apresenta as razões a seguir: preliminar de nulidade, tendo em vista que pende de julgamento a manifestação de inconformidade formulada em 19/04/2006; ao proferir novo julgamento para apreciar Dcomp esquecida, a Derat teria deixado de analisar dois processos administrativos, como relatado nos itens 4 a 4.2 da manifestação de inconformidade de 19/04/2006; ocorreu a homologação ficta quanto à Dcomp de fls. 1299; o procedimento da Derat não encontra respaldo no art. 37 da Constituição Federal, ainda que nele se ampare, tendo em vista que o processo administrativo segue regras precisas e nelas não se encontra a inovação ora efetivada; o crédito da Dcomp de fls. 1299 não teria sido objeto do Parecer Conclusivo n° 41/06; o Despacho Decisório ora atacado se fez acompanhar de lista dos processos de compensação na qual se encontram relacionados aqueles dois não contemplados no Despacho Decisório e Parecer Conclusivo Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.024069/9988 Resolução n.º 1803000064 S1TE03 Fl. 7 7 anteriores, de fls. 1329/1331; se a intenção da autoridade era de consertar o vício anterior, esta não logrou êxito; e há fatos novos que contrariam a negativa de homologação das Dcomp relacionadas nesse processo. As compensações foram negadas até aqui porque a interessada não teria informado a origem do crédito nem os valores no item 13 das Fichas 13 e 13A da DIPJ. De nada valeu o fundamento de a interessada não ter sido solicitada a prestar outras informações; porém, recentemente a interessada recebeu inúmeras intimações para retificar Per/Decomps, que não teriam sido homologadas por não ter sido apurado saldo negativo da DIPJ. Então, as referidas notificações dão orientações no sentido de que sejam retificadas as DIPJ ou apresentadas Dcomps retificadoras, em que constem corretamente o período de apuração do saldo negativo; se essas questões podem ser resolvidas mediante retificações, não haveria motivo para se manter os despachos não homologatórios, sob pena de se admitir tratamentos diferenciados para o mesmo caso; nessa situação é que cabe aplicar os princípios contidos no art. 37 da Constituição, por ser inconcebível o uso de dois pesos e duas medidas para o mesmo fato, ou seja, se a administração se norteia pela instrução ampla e pelo respeito ao direito de defesa, conforme consta dos processos de Perd/Comp, deve fazêlo nos outros casos; assim, devese concluir pela revisão total dos despachos decisórios e confirmar as compensações efetuadas; com relação ao inovador despacho decisório, repete as razões de sua manifestação de inconformidade de 19/04/2006 e reitera o pedido.” A Delegacia de Julgamento julgou parcialmente procedente a manifestação, em decisão assim ementada (fls. 1698/1718): “IRRF. DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. DESCABIMENTO Descabe homologar compensação quando o contribuinte não comprova a origem do crédito alegado. A escrituração dos saldos do IRF corrigido somente pode ser considerada se acompanhada dos comprovantes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras que deram respaldo aos valores escriturados. A falta de tais elementos acarretam o não reconhecimento do crédito. Ademais, eventuais créditos cujo recolhimento se deu cinco anos antes de protocolizado o pedido incorreram em decadência. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Considerase homologada a declaração de compensação pendente de apreciação pela autoridade administrativa há mais de cinco anos de sua apresentação.” Contra a decisão, interpôs a contribuinte o presente Recurso Voluntário, em que, tece as seguintes considerações: Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.024069/9988 Resolução n.º 1803000064 S1TE03 Fl. 8 8 a) Para o efeito do prazo decadencial de 5 anos, deve ser considerado que o feito administrativo padeceu de nulidades, declaradas administrativamente, retornando, assim à fase inicial. Como a nulidade apaga os efeitos dos atos praticados, que se perdem, o transcurso dos 5 anos fica inapelável. b) O acórdão recorrido afronta princípios constitucionais e que também regem o processo administrativo, nos seguintes pontos: a) cerceamento de defesa, derivado da não realização de diligência requerida pela ora recorrente e de dever da autoridade administrativa; b) desprezo pelas provas produzidas pela requerente; c) desconsideração de constatações da própria Secretaria da Receita Federal. c) O crédito foi constatado e reconhecido pela Receita Federal no processo n° 10768.009763/0053 (que é conexo a este processo), manifestandose, a fiscalização, pelo direito à compensação (idem); anexou cópias do livro razão constando as retenções em tela; lembrou que as retenções foram declaradas nas DIPJ, Grupo 21 Outras Contas e nos balanços dos exercícios de 1999 a 2003. É o relatório. Voto Conselheira Selene Ferreira de Moraes O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. No pedido de compensação foi indicado o seguinte crédito: 1708 – IRRF pelas pessoas pagadoras. Em alguns pedidos consta a seguinte informação adicional: NB – utilizada a conta de IRRF compensável. Na DIPJ/1999, não foi declarada a retenção na fonte, nem saldo negativo apurado em 31/12/1998. No entanto, constam valores de IRRF a compensar no Balanço encerrado em 31/07/1999, e no balancete relativo ao primeiro semestre de 1999, e (fls. 96 e 125 – numeração digital). Fls. 96 Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.024069/9988 Resolução n.º 1803000064 S1TE03 Fl. 9 9 Fls. 125 Depreendese da análise do balancete de fls. 87/93, que a recorrente presta serviços para a Petrobrás, o Banco Central, a Prefeitura Municipal de Ipatinga, dentre outros. Não há nos autos informações sobre os valores retidos constantes em DIRF. A recorrente menciona o despacho exarado no processo nº 10768.009763/0053, o qual foi apensado ao presente processo. Neste despacho, a fiscalização reconheceu saldo da conta IR Retido na Fonte, no montante de 38.168,07 UFIR, e utilizou tal saldo para compensar o IRPJ apurado em lançamento suplementar. Após a compensação restou saldo de IRRF a compensar no valor de 17.612,81 UFIR, em 31/12/1992 (fls. 68 do processo nº 10768.009763/0053). O saldo constante da conta de IRRF compensável também foi utilizado para compensar o débito objeto do lançamento do processo nº 10768.009763/0053 (fls. 67 do processo nº 10768.009763/0053). Por isso, este último foi apensado ao presente processo. A autoridade administrativa afirmou que a contribuinte não informou a origem do crédito, e indeferiu o pedido pelo simples fato de não constarem valores nos itens 13, da Ficha 13 e 13A, das declarações relativas aos anos calendários de 1998 e 1999. (fls. 1335 – numeração digital). Ou seja, não terem sido indicados os valores correspondentes ao IRRF sobre as receitas que integraram a base de cálculo do imposto de renda devido. O imposto de renda retido na fonte constitui antecipação do imposto devido, não podendo ser compensado diretamente com outros tributos. Só após o encerramento do período de apuração, e na hipótese de vir a ser apurado saldo negativo de IRPJ, é que nascerá para o contribuinte um crédito, passível de utilização para fins de restituição ou compensação com outros débitos. Se por um lado é certo, que é o saldo negativo de IRPJ, apurado em 31 de dezembro de cada ano, o direito creditório a ser compensado, por outro, não é possível simplesmente desconsiderar a escrituração do contribuinte, sem ao menos verificarse quais os valores retidos constantes em DIRF. O equívoco por parte da contribuinte ao indicar como direito creditório o imposto retido na fonte não tem o condão de fazer perecer eventual crédito existente contra a Fazenda. Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.024069/9988 Resolução n.º 1803000064 S1TE03 Fl. 10 10 Nessa toada, os pedidos de restituição/compensação, com base em valores de imposto de renda retido na fonte, devem ser analisados como saldos negativos de IRPJ. Por conseguinte, a recorrente deverá apresentar à autoridade administrativa a composição dos saldos negativos utilizados para compensar os débitos objeto do presente processo. Com relação ao prazo decadencial, deve ser observado o acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática art. 543B do Código de Processo Civil: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 10768.024069/9988 Resolução n.º 1803000064 S1TE03 Fl. 11 11 ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.”(RE 566.621/RS, DJe195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011) Nos termos da decisão do STF, o prazo de cinco anos após o pagamento indevido apenas aplicase às ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005, ou seja, às compensações efetuadas após esta data. Diante destas considerações, entendo serem necessárias as seguintes diligências: • Intimação da recorrente a fim de que ela apresente à autoridade administrativa a composição dos saldos negativos utilizados para compensar os débitos objeto do presente processo. • Juntada aos autos das informações constantes em DIRF acerca do imposto retido na fonte relativo aos anos de 1995 a 1999. • Análise da composição e da liquidez e certeza dos saldos negativos dos anos de 1995 a 1999. A autoridade administrativa encarregada do procedimento deverá elaborar relatório conclusivo, ressalvadas a prestação de informações adicionais e a juntada de outros documentos que entender necessários, entregar cópia a recorrente e concederlhe prazo para que se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que o processo deverá retornar a este Conselho. Conclusão Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência nos termos acima propostos. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Fl. 1884DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/08/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 17/08 /2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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