Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,087)
- Segunda Turma Ordinária d (18,060)
- Primeira Turma Ordinária (16,521)
- Primeira Turma Ordinária (16,450)
- Primeira Turma Ordinária (16,356)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,296)
- Segunda Turma Ordinária d (16,086)
- Segunda Turma Ordinária d (14,557)
- Primeira Turma Ordinária (13,115)
- Primeira Turma Ordinária (12,614)
- Segunda Turma Ordinária d (12,545)
- Primeira Turma Ordinária (11,521)
- Quarta Câmara (11,514)
- Quarta Câmara (85,954)
- Terceira Câmara (68,506)
- Segunda Câmara (57,351)
- Primeira Câmara (21,646)
- 3ª SEÇÃO (16,296)
- 2ª SEÇÃO (11,359)
- 1ª SEÇÃO (6,892)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (128,647)
- Segunda Seção de Julgamen (116,088)
- Primeira Seção de Julgame (77,944)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,143)
- Terceiro Conselho de Cont (25,980)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,432)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,612)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,273)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,201)
- HELCIO LAFETA REIS (3,911)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,937)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,875)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,769)
- WILDERSON BOTTO (2,683)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,961)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,477)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,673)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2026 (16,303)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2026 (20,526)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10725.000213/2003-71
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL.
A retificação da declaração de ajuste anual somente pode ser aceita se efetivada sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício, a teor da disciplina legal consolidada no art. 832 do RIR/1999.
Numero da decisão: 2802-000.600
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, sem prejuízo de a Receita Federal do Brasil aproveitar os pagamentos efetuados pelo contribuinte, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Sat Nov 05 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201012
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IRPF. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. A retificação da declaração de ajuste anual somente pode ser aceita se efetivada sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício, a teor da disciplina legal consolidada no art. 832 do RIR/1999.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10725.000213/2003-71
conteudo_id_s : 6692361
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-000.600
nome_arquivo_s : Decisao_10725000213200371.pdf
nome_relator_s : SIDNEY FERRO BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 10725000213200371_6692361.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, sem prejuízo de a Receita Federal do Brasil aproveitar os pagamentos efetuados pelo contribuinte, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 01 00:00:00 UTC 2010
id : 9562536
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:44:10 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810751459328
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1564; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.000213/200371 Recurso nº 169.887 Voluntário Acórdão nº 280200.600 – 2ª Turma Especial Sessão de 01 de dezembro de 2010 Matéria IRPF Recorrente OSAIR MOREIRA MARTINS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001 IRPF. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO APÓS O INÍCIO DA AÇÃO FISCAL. A retificação da declaração de ajuste anual somente pode ser aceita se efetivada sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício, a teor da disciplina legal consolidada no art. 832 do RIR/1999. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, sem prejuízo de a Receita Federal do Brasil aproveitar os pagamentos efetuados pelo contribuinte, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Francisco Assis de Oliveira Júnior Presidente da 2ª. Câmara da 2ª. Seção do CARF – Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, Anexo II, art. 18, XX (assinado digitalmente) SIDNEY FERRO BARROS Relator. EDITADO EM: 30/06/2011 Fl. 21DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1019.15436.DTQH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Ana Paula Locoselli Erichsen, Lúcia Reiko Sakae, Carlos Nogueira Nicácio (Vice Presidente, no exercício da Presidência) e Sidney Ferro Barros. Declarouse impedida a Presidente Valéria Pestana Marques, nos termos do inciso IV, art. 42, do Regimento Interno do CARF (PMF 256/2009). Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 19/27, em face de revisão de ofício em sua declaração IRPF do anobase 2000, exercício 2001, que resultou na alteração de valores lançados a título de “rendimentos tributáveis” e “Imposto de Renda Retido na Fonte” em face da omissão de rendimentos recebidos de AGROMON S/A AGRICULTURA E PECUÁRIA. O imposto suplementar exigido foi de R$ 4.684,47, mais consectários legais de estilo (multa de ofício e juros de mora) Exigiuse, ainda, por meio do lançamento de ofício em tela, multa por apresentação extemporânea da mencionada declaração IRPF. Em sua impugnação (fls. 01/02), o interessado, após afirmar que entregou uma declaração retificadora em 18/09/2002 “uma vez que recebera novo Comprovante Anual de Rendimentos de seu empregador, com valores tributáveis de R$ 51.420,57, que veio a gerar imposto de renda devido de R$ 4.684,47, o qual foi parcelado em 6 vezes e pago rigorosamente em dia”, requereu a nulidade do Auto de Infração, visto que “não houve má fé nem prejuízo para o Erário, apenas um erro de informação por parte da empresa empregadora”. A DRF/CGZ/RJ, considerando haver transcorrido o prazo regulamentar e não tendo o contribuinte impugnado o lançamento nem recolhido o crédito tributário correspondente, emitiu o Termo de Revelia de fls. 36 e, conforme Parecer Conclusivo nº 120/05 (fls. 43), apreciou as razões apresentadas pelo interessado em sua peça contestatória de fls. 01/02, indeferindoa. Irresignado, o contribuinte recorreu às fls. 53/54 ao Delegado daquela Delegacia da Receita Federal, reprisando os argumentos antes apresentados e acrescentando que a autoridade fiscal não levou em consideração os valores pagos através dos DARFs de fls. 13/15, aduzindo que se o Fisco tivesse que penalizar alguém, seria a empresa empregadora. Despacho de fls. 77 reconheceu que a impugnação de fls. 01 foi recepcionada na DRF em 28/02/2003 e, à época, foi equivocadamente considerada intempestiva, de acordo com o Termo de Revelia de fl. 26, uma vez que ao constatar a existência do AR (fl. 73) com data de 12/02/2003, a protocolização se deu a tempo. A decisão recorrida (fls. 86/94), contudo, salientou que a declaração retificadora do contribuinte enviada em 18/09/2002 foi cancelada (Extrato SRF de fl. 66), por ter sido apresentada após o início da ação fiscal. Por isso, declarou procedente o lançamento, concluindo ainda que, embora possa ter havido o fato narrado (entrega de novo comprovante de rendimentos pela fonte Fl. 22DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1019.15436.DTQH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.000213/200371 Acórdão n.º 280200.600 S2TE02 Fl. 2 3 pagadora), a responsabilidade pelas informações constantes de sua declaração IRPF é do declarante. Salientou, ainda, a decisão, que, quanto à multa por apresentação fora de prazo da declaração, mantevese silente o interessado. Às fls. 93/94 se vê o recurso voluntário por meio do qual o contribuinte traz as seguintes alegações, em síntese: a) Em preliminar, que, de posse do novo comprovante de rendimentos para atender o Termo de Intimação, protocolou em 28/08/2002 o solicitado [sic] e, como ainda não havia sido processado o lançamento de ofício (art. 832RIR/99), não viu outra alternativa senão a emissão da declaração retificadora, apresentada em 18/09/2002; b) Ainda no que chamou de preliminar, que o Auto de Infração de fls. 19/27 tem a data impressa no formulário de 12/09/2002, porém o contribuinte só recebeu, via correio, tempos depois, pois não se sabe quando foi postado tal documento, uma vez que não se tem a declaração de recebimento nem AR com a assinatura do contribuinte. Mas, ponderou que tempo de emissão de um Auto de Infração e de recebimento pelo contribuinte nunca é inferior a dez dias (cita o fato de o Acórdão recorrido, de 05/07/2007, haver chegado às mãos do interessado em 15/05/2008). E que, quando o Auto de Infração chegou a seu conhecimento, ele já tinha processado [sic] a declaração retificadora; c) Que, agora “no mérito”, somente em 02/2003, a Receita informou que a declaração retificadora não foi aceita, depois que o contribuinte já havia pago todo o imposto complementar apurado naquela declaração. E que o valor deste imposto pago foi o mesmo apurado pela Receita Federal, o que significa que não houve prejuízo para o Erário, razão pela qual pede o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Voto Conselheiro Sidney Ferro Barros O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Por isso, dele conheço. Esta é a disciplina contida no art. 832 do RIR/1999 (incorporando regra legal estatuída no Decretolei nº 1.967/1982, art. 21; e no Decretolei nº 1.968/1982, art. 6º): Fl. 23DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1019.15436.DTQH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 “Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de ofício (Decretolei nº 1.967, de1982, art. 21, e Decretolei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6º). Parágrafo único. A retificação prevista neste artigo será feita por processo sumário, mediante a apresentação de nova declaração de rendimentos, mantidos os mesmos prazos de vencimento do imposto.” [grifouse] A cronologia dos fatos é decisiva para o deslinde da questão posta: declaração original apresentada em 27/09/2001 (a destempo, por isso multa em relação à qual não há lide, posto que não impugnada) – fl. 05, com rendimento informado de R$ 22.103,33; comprovante de rendimentos original (fl. 08) com data de 14/02/2001, com rendimento bruto de R$ 26.133,33; Termo de Intimação Malha de fl. 41 (início da fiscalização) com data de ciência (AR de fl. 42) 27/08/2002; Declaração retificadora (fl. 09) apresentada em 18/09/2002, esta com rendimento bruto de R$ 51.420,57; novo comprovante de rendimentos (fl. 12) no valor de R$ 51.420,57, este com data de 09/09/2002. Ora, de pronto se verifica que a declaração retificadora não poderia, mesmo, ser aceita, uma vez que apresentada (em 18/09/2002) após o início da ação fiscal (27/08/2002). Assim, revelase correto o lançamento de ofício. Quanto ao suposto erro cometido pela fonte pagadora, que pode ter induzido o contribuinte a informar valor a menor em sua declaração, não me convenço de que tenha, de fato, ocorrido: a uma, porque o Recorrente informou em sua declaração valor diferente (menor) do que aquele que consta do suposto primeiro comprovante; a duas, porque o segundo comprovante também tem data de emissão posterior ao início da ação fiscal. Assim e por isso, deixo de perquirir sobre a tese do erro escusável in casu. Não obstante, a Delegacia de origem deverá levar em conta, na execução do crédito tributário, os pagamentos feitos por meio dos seis DARFs que se vêem à fls. 13 e seguintes, que somam (por seu valor principal) R$ 4.684,44, contra uma exigência de ofício de R$ 4.684,47 (diferença de arredondamento das quotas). Por todo o exposto, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sidney Ferro Barros Relator Fl. 24DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1019.15436.DTQH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10725.000213/200371 Acórdão n.º 280200.600 S2TE02 Fl. 3 5 Fl. 25DF CARF MF Excluído Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP09.1019.15436.DTQH. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR em 30/06/2011 17:14:11. Documento autenticado digitalmente por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR em 30/06/2011. Documento assinado digitalmente por: SIDNEY FERRO BARROS em 26/07/2011 e FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR em 30/06/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 09/10/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP09.1019.15436.DTQH Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: B1875F58653B9CF67105B4B52E7D0E1A5629A2CB Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10725.000213/2003-71. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10845.012247/92-28
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Jun 13 00:00:00 UTC 1994
Numero da decisão: 303-00.589
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência ao Labana-Santos, através da repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: SANDRA MARIA FARONI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 15 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 199406
turma_s : Terceira Câmara
numero_processo_s : 10845.012247/92-28
conteudo_id_s : 6683120
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 303-00.589
nome_arquivo_s : Decisao_108450122479228.pdf
nome_relator_s : SANDRA MARIA FARONI
nome_arquivo_pdf_s : 108450122479228_6683120.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência ao Labana-Santos, através da repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Mon Jun 13 00:00:00 UTC 1994
id : 9541901
ano_sessao_s : 1994
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:52 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810754605056
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: 30300589_108450122479228_199406; xmp:CreatorTool: Smart Touch 1.7; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dcterms:created: 2017-06-01T17:28:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: 30300589_108450122479228_199406; pdf:docinfo:creator_tool: Smart Touch 1.7; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:encrypted: false; dc:title: 30300589_108450122479228_199406; Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: ; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:subject: ; meta:creation-date: 2017-06-01T17:28:46Z; created: 2017-06-01T17:28:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2017-06-01T17:28:46Z; pdf:charsPerPage: 901; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; pdf:docinfo:custom:Build: FyTek's PDF Meld Commercial Version 7.2.1 as of August 6, 2006 20:23:50; meta:keyword: ; producer: Eastman Kodak Company; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Eastman Kodak Company; pdf:docinfo:created: 2017-06-01T17:28:46Z | Conteúdo => .,. . -,. •MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO TERCEIRO CaNSE LHO DE CONTR Ieu IN T E S TERCEIRA CAMARA 19l PROCESSO N9 10845.012247/92-28 Recurso ncz, : 13 de junho 4Sessão de de 1.99_ 116.326 •ACORDA0 N! _ Recorrente: ADIBOARD S.A. .' Recor-rid DRF - SANTOS - SP R E S O L U C A O N. 303-589 VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência ao Labana-Santos, através da repartição de origem, na forma do relatório e voto que passam a in- tegrar o presente julgado. \ Presidente 13 de junho de 1994.Brasília-DF, e ===s v\ ) , Qe- SANDR MARIA FARONI - Relatora .' VISTO EM -'23 MAR 1995 "oI" or da Faz. Nacional Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: DIONE MARIA ANDRADE DA FONSECA, CRISTOVAM COLOMBO SOARES DAN- TAS, ROMEU BUENO DE CAMARGO, FRANCISCO RITTA BERNARDINO, SERGIO SIL- VEIRA MELO 'e RAIMUNDO FELINTO DE LIMA (Suplente). Ausente a Cons. MALVINA CORUJO DE AZEVEDO LOPES. •• • • MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - TERCEIRA CAMARA RECURSO N. 116.326 -- RESOLUÇAO N. 303-589 RECORRENTE: ADIBOARD S.A. RECORRIDA DRF - SANTOS - SP RELATORA SANDRA MARIA FARONI R E L A T O R I O A empresa em epígrafe desembaraQou, através da D.I. n. 38.265/92, o produto PREPARAÇAO CATALISADORA RC 2204 M.V. ADHESI- VE, classificando-o no código TAB/SH 3506.91.9900. Retirada amos- tra para exame, foram formulados, pelo auditor fiscal, os seguin- tes quesitos: "1) IdentificaQão da mercadoria para fins tarifários; 2) Trata-se de adesivo à base de borracha ou de plás- tico?" Com base na análise feita, emitiu o LABANA o laudo n. 4512, tendo respondido aos quesitos formulados da seguinte forma: "1 - Trata-se de preparaQão à base de Composto Orgâni- cos contendo Grupamentos Aromáticos, Amônio e Es- ter, e Sílica; 2 - Apesar da mercadoria apresentar características de adesivo, não dispomos de informaQões técnicas es- pecíficas da marca comercial RC 2204 M-V Adhesive que confirmem o declarado no Pedido de Exame, para responder a esse quesito satisfatoriamente". Com base no laudo do LABANA, em ato de revisão da D.I. o produto foi reclassificado para o código 3823.90.9999, sendo exigidos a diferen9a de impostos e multas do art. 4., inc. I, da Lei 8.218/91 e art. 364, inc. 11, do RIPI/82. Defendeu-se a empresa apresentando informaQões técnicas do produto, elaboradas por seus engenheiros e, tendo em vista a tecnicidade da matéria, protestou pela juntada a posteriori de laudo técnico a ser expedido pelo Instituto Nacional de Tecnolo- gia ou outro órgão congênere para contrapor o laudo oficial. Aduz que o que corrobora ainda mais o entendimento de ser correta a classifica9ão do produto na posiQão 3506.91.9900 é que esta clas- sifica9ão não foi contestada pela aduana americana. Além disso, o Laudo de Análise n. 4.512, em que se baseou o Sr. Auditor Fiscal para lavrar o Auto de Infra9ão contra a Impugnante, não esclarece de modo claro e preciso se o produto em questão se trata de ade- sivo à base de borracha ou plástico simplesmente porque o técnico ao elaborar seu Laudo não tinha em mãos informaQões técnicas do produto. A vista das alegaQões de defesa da autuada e, princi- palmente pela questão levantada sobre o Laudo de Análise do LABA- NA, o AFTN autuante houve por bem solicitar ao LABANA que se ma- I" • Rec. 116.326 Res. 303-589 3 nifestasse a respeito. Em atendimento, o LABANA emitiu a Informação Técnica n. 82/93 na qual informa que "apesar da descrição da marca comercial "Preparação Catalizadora RC 2204 H-V Adhesive", a mercadoria ana- lisada não se trata de uma preparação catalisadora e nem de Ade- sivo" . Retifica as respostas anteriormente dadas aos quesitos formulados para: "1. Trata-se de Verniz à base de Compostos Orgânicos contendo Grupamentos Aromáticos e Amônio, e Sílica em 75,9% de Solventes Orgânicos Voláteis. 2. A mercadoria analisada, quando aplicada em placa à temperatura de 105 C, apresenta as caracaterísti- cas de Verniz. Embora apresente, também, caracte- rísticas de Adesivo, segundo informações técnicas específicas, será utilizada como revestimento ("coating") especial aplicado por meio de máquina de cortina e curado a 160 C, formando película de lrnm de espessura sobre laminado de fibra de vidro e epoxi. Este revestimento (curado, endurecido) ser- virá de ancoragem para depósito de cobre na forma- ção de trilhos de circuitos impressos" . E complementa com a seguinte informação: "A mercadoria de marca comercial ADESIVO RC-2204MV, se- gundo literatura técnica específica (fls. 19 e 20), é composta por resinas: epoxi vinílica, fenólica e acrílica; e elastômeros: polietileno clorossulfonado e copolímero de butadieno. Devido à complexidade, até que novas informações técni- cas, com metodologia analítica para separação de cada uma das re- sinas e elastâmeros, nos sejam fornecidas, mantemos a conclusão do Laudo de Análise retrocitado, ou seja, a mercadoria analisada trata-se de Verniz à base de Compostos Orgânicos contendo Grupa- mentos Aromáticos e Amônio, e Sílica em 75,9% de Solventes Orgâ- nicos Voláteis". A autoridade singular julgou procedente a ação fiscal. O parecer que a integra considera que, mesmo com as retificações ao laudo feitas pela Informação Técnica, a classificação do pro- duto permanece na posição 3823, e entende serem inconsistentes as alegações de defesa interpostas. A decisão foi assinada em 21.09.93, mas só providencia- do seu encaminhamento para ciência ao interessado em 20.10.93, tendo a ciência se concretizado em 29.10.93. Em 01.10.93 (antes, portanto, de cientificada da deci- são), a empresa entregou na repartição parecer técnico emitido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo o qual, contudo, não foi objeto de apreciação pela autoridade sin- gular. • • • • Rec. 116.326 Res. 303-589 4 Recorrendo a este Colegiado, postula a recorrente pela nulidade da decisão por afrontar todos os princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, notadamente o de ampla defesa, por não ter considerado o parecer técnico do 1PT. E o relatório. ~ ,, 5 Rec. 116.326 Res. 303-589 v O T O A reclassifica9ão da mercadoria, em torno da qual gira o presente litígio, fundamenta-se nos pronunciamentos do LABANA. Porém, nos dois momentos em que falou no processo, o LABANA não foi categórico nem preciso. No Laudo n. 4.512 (fI. 5) declara: "Apesar da mercadoria apresentar características de Adesivo, não dispomos de informa9ões técnicas específicas da marca comercial RC 2204 M-V Adhesive que confirmem o declarado no Pedido de Exa- me, para respondermos a esse quesito satisfatoriamente". E na In- forma9ão Técnica n. 82/93 declara que "devido à complexidade, até que novas informa9ões técnicas, com metodologia analítica para separação de cada uma das resinas e elastômeros, nos sejam forne- cidas, mantemos a conclusão do Laudo de Análise ..." Ora, a Administra9ão tem o dever de perseguir a verdade material. Seu compromisso com a legalidade objetiva e com a ver- dade material que devem prevalecer na atividade de lan9amento im- põe que ela deva utilizar-se de todas as provas e elementos tra- zidos aos autos e que possam influenciar a decisão. Especialmente no presente caso, em que o lançamento se fundamenta em pronuncia- mentos não conclusivos do órgão técnico oficial que, inclusive, reconhece a complexidade da matéria e admite a alteração das con- clusões se lhe forem fornecidas novas informações técnicas. Voto, pois, pela conversão do julgamento em diligência por intermédio da repartição de origem para que o LABANA se pro- nuncie a respeito do parecer emitido pelo IPT. Sala das Sessões, em 13 de junho de 1994. • 19l "-------5~ ~. De SANDRA MARIA FARONI - Relatora 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
score : 1.0
Numero do processo: 10670.720066/2007-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO.
Quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos que serão recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão.
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento é efetuado em observância ao artigo 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado.
ITR. EXCLUSÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL.
Cabe ao contribuinte atestar a existência da referida área de reserva legal mediante a averbação na matrícula do imóvel que informe expressamente a área gravada. Em se tratando de área de posse é necessário que tenha sido firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, Termo de Ajustamento de Conduta, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação.
Numero da decisão: 2201-009.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos formalizados pelo contribuinte em face do Acórdão 2201-006.084, de 05 de fevereiro de 2020, para, sem efeitos infringentes, sanar o vício apontado nos termos do voto da Relatora.
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
Débora Fófano dos Santos Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: Débora Fófano dos Santos
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 15 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202209
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos que serão recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento é efetuado em observância ao artigo 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado. ITR. EXCLUSÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. Cabe ao contribuinte atestar a existência da referida área de reserva legal mediante a averbação na matrícula do imóvel que informe expressamente a área gravada. Em se tratando de área de posse é necessário que tenha sido firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, Termo de Ajustamento de Conduta, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10670.720066/2007-65
anomes_publicacao_s : 202210
conteudo_id_s : 6680415
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 10 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2201-009.643
nome_arquivo_s : Decisao_10670720066200765.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Débora Fófano dos Santos
nome_arquivo_pdf_s : 10670720066200765_6680415.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos formalizados pelo contribuinte em face do Acórdão 2201-006.084, de 05 de fevereiro de 2020, para, sem efeitos infringentes, sanar o vício apontado nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
dt_sessao_tdt : Thu Sep 15 00:00:00 UTC 2022
id : 9537120
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:48 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810792353792
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-09-27T20:01:37Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-09-27T20:01:37Z; Last-Modified: 2022-09-27T20:01:37Z; dcterms:modified: 2022-09-27T20:01:37Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-09-27T20:01:37Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-09-27T20:01:37Z; meta:save-date: 2022-09-27T20:01:37Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-09-27T20:01:37Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-09-27T20:01:37Z; created: 2022-09-27T20:01:37Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2022-09-27T20:01:37Z; pdf:charsPerPage: 1984; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-09-27T20:01:37Z | Conteúdo => S2-C 2T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10670.720066/2007-65 Recurso Embargos Acórdão nº 2201-009.643 – 2ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de setembro de 2022 Embargante CINDUMEL AGRO PECUARIA DE IGUAPE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Quando o acórdão contiver inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, é cabível a oposição de embargos que serão recebidos para correção, mediante a prolação de um novo acórdão. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se caracteriza o cerceamento do direito de defesa quando o lançamento é efetuado em observância ao artigo 142 do CTN, demonstrando a contento todos os fundamentos de fato e de direito em que se sustenta o lançamento efetuado. ITR. EXCLUSÃO. ÁREA DE RESERVA LEGAL. Cabe ao contribuinte atestar a existência da referida área de reserva legal mediante a averbação na matrícula do imóvel que informe expressamente a área gravada. Em se tratando de área de posse é necessário que tenha sido firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, Termo de Ajustamento de Conduta, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os embargos formalizados pelo contribuinte em face do Acórdão 2201-006.084, de 05 de fevereiro de 2020, para, sem efeitos infringentes, sanar o vício apontado nos termos do voto da Relatora. Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente Débora Fófano dos Santos – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 66 /2 00 7- 65 Fl. 236DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Débora Fófano dos Santos, Douglas Kakazu Kushiyama, Francisco Nogueira Guarita, Fernando Gomes Favacho, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Trata-se de embargos de declaração opostos pelo contribuinte (fls. 223/227), em face do Acórdão nº 2201-006.084, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, em sessão de julgamento de 05/02/2020 (fls. 203/214), com fundamento no artigo 65, § 1º, inciso II do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015. A ementa e a decisão no acórdão embargado restaram registradas nos seguintes termos (fl. 203): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2004 DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O procedimento fiscal foi instaurado em conformidade com normas vigentes, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o contraditório, por meio da entrega tempestiva de sua impugnação, momento oportuno para rebater as acusações e apresentar os documentos de provas respectivos, não há que se falar em cerceamento de direito de defesa. DAS ÁREAS DE UTILIZAÇÃO LIMITADA / RESERVA LEGAL. SÚMULA CARF Nº 122. Para a área de reserva legal deve haver a averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel, nos termos do que dispõe a súmula Carf nº 122, o que não ocorreu no caso. DITR. RETIFICAÇÃO DE DECLARAÇÃO. A retificação de declaração não é possível de ser feita no curso do contencioso fiscal. Apenas quando decorrente de mero erro de preenchimento e aponta para uma retificação de ofício do lançamento. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10670.720061/2007-32, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Preliminarmente, para melhor compreensão do litigio oportuna a reprodução do seguinte excerto do despacho de admissibilidade dos embargos (fls. 231/234): (...) O contribuinte foi cientificado da decisão em 31/03/2020 - terça-feira, conforme Termo de Ciência por Abertura de Mensagem de fl. 220, apresentando, tempestivamente, em 06/04/2020 - segunda-feira, os Embargos de Declaração de fls. 223 a 227, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, no qual alega a existência das seguintes omissões no Acórdão: a) quanto à nulidade do lançamento por cerceamento de defesa; e b) quanto à área de Reserva Legal. Fl. 237DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 É o relatório. Admissibilidade dos Embargos de Declaração Os Embargos de Declaração estão previstos no art. 65, do Anexo II do Regimento Interno do CARF – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e alterações posteriores: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. Do dispositivo transcrito observa-se que os embargos de declaração são cabíveis apenas nas hipóteses em que ocorra na decisão atacada as seguintes hipóteses: a) omissão no enfrentamento de ponto que a turma deveria se pronunciar; b) obscuridade, que se caracteriza pela impossibilidade de se compreender o raciocínio desenvolvido para fundamentar a decisão e/ou o que efetivamente restou decidido pelo órgão de julgamento; e c) contradição entre a decisão e os seus fundamentos. Feitas essas considerações, passamos à necessária apreciação. a) Omissão quanto à nulidade do lançamento por cerceamento de defesa A embargante alega que o acórdão resta omisso uma vez que não se manifestou acerca da nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa do contribuinte, pelo fato “de que, quando cientificada da Notificação de Lançamento, a Embargante não recebeu os demonstrativos de apuração do Valor de Terra Nua – VTN mencionados no Anexo denominado ‘Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal’”. Sustenta que o “Acórdão ora embargado limitou-se a afirmar que o procedimento fiscal obedeceu ao contraditório, sem se pronunciar expressamente quanto à nulidade acima exposta”. Da leitura do inteiro teor do acórdão, verifica-se que assiste razão à Embargante. O voto condutor do acórdão rejeitou a preliminar de nulidade da autuação com base nos seguintes fundamentos: Nulidade do Auto De acordo com esta preliminar de nulidade, a autuação deveria ser declarada nula pelo cerceamento do direito de defesa devido à desconsideração de documentos apresentados, seja antes da lavratura do auto, quanto em sede de impugnação, que não teriam sido analisadas quando da prolação da decisão recorrida. São considerados nulos, no processo administrativo fiscal, os atos expedidos por pessoa incompetente ou com a falta de atenção ao direito de defesa, conforme preceitua o artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972: "Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a Fl. 238DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) " Ou seja, para que uma decisão ou mesmo para que o auto de infração seja declarado nulo, deve ter sido proferido por pessoa incompetente ou mesmo violar a ampla defesa do contribuinte. Deste modo, rejeito esta preliminar. São considerados nulos, no processo administrativo fiscal, os atos expedidos por pessoa incompetente ou com a falta de atenção ao direito de defesa, conforme preceitua o artigo 59 do Decreto nº 70.235 de 1972 Todavia, da leitura do excerto acima, verifica-se que a premissa utilizada no voto mostra-se equivocada, pois o recorrente sustentou que não lhe foram entregues todos os documentos anexos da Notificação Fiscal, e não que determinados documentos não teriam sido analisados pela decisão da DRJ. Portanto, fica verificada a omissão alegada. b) Omissão quanto à área de Reserva Legal A embargante sustenta que o acórdão restou omisso, pois deixou de analisar o argumento quanto à falta de averbação da área de Reserva Legal na matrícula do imóvel em função de que não possui a propriedade da área, mas somente a posse do imóvel: De outra parte, no que tange à tese da Embargante de que deve ser excluído o valor não tributável da área relativa à reserva legal, o V. Acórdão afirmou que não seria admissível tal alegação, pois não há a averbação da Área de Reserva Legal na matrícula do imóvel. Entretanto, deixou de se analisar a alegação da Embargante de que a falta de registro da Reserva Legal na matrícula do imóvel não é impedimento para que fosse feita a dedução, uma vez que, conforme comprovam as escrituras anexadas ao laudo apresentado, a Embargante possui apenas a posse do imóvel e não sua propriedade. Por sua vez o acórdão deixa claro a necessidade de apresentação de Ato Declaratório Ambienta, para os exercícios posteriores a 2000, podendo ser suprida sua falta pela averbação da respectiva área de reserva legal na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador (consoante Súmula CARF nº 122), concluindo: Por outro lado, verificamos que não há a averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel anterior à ocorrência do fato gerador, de modo que não pode ser reconhecida. Todavia, vê-se que o acórdão não mencionou a situação específica dos autos e salientada na peça recursal (especialmente às fls. 186/187): A falta de registro da Reserva Legal na matrícula do imóvel no caso não é impedimento no caso para que fosse feita a dedução, uma vez que, conforme comprovam as escrituras anexadas ao laudo apresentado, a Recorrente possui apenas a posse do imóvel e não sua propriedade. Assim, fica evidenciada a omissão apontada. Conclusão Pelo exposto, com fundamento no art. 65, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15 e alterações posteriores, acolho os Embargos de Declaração do Contribuinte para que sejam sanadas as omissões apontadas nos itens (a) quanto à nulidade do lançamento por cerceamento de defesa; e (b) quanto à área de Reserva Legal. O presente processo deve aguardar a indicação em pauta do processo paradigma 10670.720061/2007-32, para julgamento em conjunto, em conformidade com o art. 47, caput e parágrafos, do Anexo II do RICARF, c/c parágrafo único do art. 4º da Portaria CARF 145/2018. Fl. 239DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 Posta assim a questão, depreende-se que os embargos de declaração foram acolhidos para o saneamento das omissões quanto à: (a) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa e (b) área de reserva legal. O presente recurso compôs lote sorteado para esta relatora. É o relatório. Voto Conselheira Débora Fófano dos Santos, Relatora. Da Razão dos Embargos Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF, nos termos do artigo 64 do Regimento Interno do CARF - (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343 de 9 de junho de 2015, são cabíveis os seguintes recursos: Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I - Embargos de Declaração; II - Recurso Especial; e III - Agravo. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Parágrafo único. Das decisões do CARF não cabe pedido de reconsideração. No que diz respeito aos embargos de declaração o artigo 65 do referido RICARF, assim dispõe: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão: I - por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II - pelo contribuinte, responsável ou preposto; III - pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV - pelos Delegados de Julgamento, nos casos de nulidade de suas decisões; ou V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão. §2º O presidente da Turma poderá designar o relator ou redator do voto vencedor objeto dos embargos para se pronunciar sobre a admissibilidade dos embargos de declaração. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e os rejeitará, em caráter definitivo, nos casos em que não for apontada, objetivamente, omissão, contradição ou obscuridade. § 3º O Presidente não conhecerá os embargos intempestivos e rejeitará, em caráter definitivo, os embargos em que as alegações de omissão, contradição ou obscuridade sejam manifestamente improcedentes ou não estiverem objetivamente apontadas. (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) § 4º Do despacho que não conhecer ou rejeitar os embargos de declaração será dada ciência ao embargante. Fl. 240DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 § 5º Somente os embargos de declaração opostos tempestivamente interrompem o prazo para a interposição de recurso especial. § 6º As disposições previstas neste artigo aplicam-se, no que couber, às decisões em forma de resolução. § 7º Não poderão ser incluídos em pauta de julgamento embargos de declaração para os quais não haja despacho de admissibilidade. § 8º Admite-se sustentação oral nos termos do art. 58 aos julgamentos de embargos. Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. No caso em análise, ficou evidenciada a omissão em relação aos seguintes pontos: (a) nulidade do lançamento por cerceamento de defesa tendo em vista a alegação do contribuinte de não ter recebido os demonstrativos de apuração do Valor da Terra Nua e (b) não foi analisado o argumento quanto à falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel em função do contribuinte não possuir a propriedade do imóvel, mas somente a posse do mesmo. Do Cerceamento do Direto de Defesa O Embargante suscita que houve omissão no acórdão embargado por não ter sido expressamente analisada a alegação de cerceamento de defesa em razão de não ter recebido os demonstrativos de apuração do Valor de Terra Nua – VTN mencionados no Anexo denominado “Descrição dos fatos e Enquadramento Legal”. Preliminarmente, oportuna a reprodução do seguinte excerto da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” da notificação de lançamento objeto dos presentes autos (fls. 03/04): (...) SUBAVALIAÇÃO DO VALOR DA TERRA NUA DO IMÓVEL O contribuinte, na DITR 2004 (f1.14/16), declarou valor de Terra Nua - VTN de R$ 94.094,70 (Fazenda São Paulo) e R$ 68.573,05 (Fazenda Barreiro). O laudo de avaliação do imóvel (fl. 33) informa o valor total de mercado do imóvel já unificado, não sendo especifico em relação ao VTN. Para chegarmos ao VTN correto, elaboramos Demonstrativo (fl. 06) com dados obtidos do laudo de avaliação e das DITR s dos dois imóveis. Portanto, para o exercício 2004, o VTN correto é de R$ 2.010.616,83, conforme demonstrativo anexo (fl. 06). (...) Do “Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido” se extrai o quadro “Cálculo do Valor da terra Nua” (fl. 05): No referido Demonstrativo do VTN constam as seguintes informações (fl. 07): Fl. 241DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 No Memorial de Cálculo (fl. 45), anexo ao laudo de avaliação apresentado pelo contribuinte (fls. 34/46), foram indicados os seguintes valores de mercado do imóvel: Finalmente, merece ser reproduzido o seguinte excerto da decisão de primeira instância (fls. 167/168): (...) Tendo a interessada apresentado o laudo de avaliação de fls. 33/64, elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Mauricio Elias Jorge, com ART devidamente anotada no CREA, doc./cópia de fls. 96/98, a autoridade fiscal decidiu pela emissão da Notificação de Lançamento n° 06108/00026/2007 (às fls. 01/05), procedendo-se a unificação das áreas totais, no caso, contíguas, correspondentes aos NIRF 2.404.438-5 (Fazenda São Paulo, com 5.544,0 ha) e NIRF 2.404.437-7 (Fazenda Barreiro, 2.233,0 ha), e alterando o VTN declarado de R$ 94.095,03 para R$ 2.010.616,83, partindo do VTI (Valor Total do Imóvel) apontado nesse laudo técnico apresentado. Registre-se que o trabalho de revisão então realizado pela fiscalização é eminentemente documental e a falta de comprovação, em qualquer situação, de dados cadastrais Fl. 242DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 informados na correspondente declaração (DIAC/DIAT), incluindo a subavaliação do VTN, autoriza o lançamento de oficio, regularmente formalizado através da referida Notificação de Lançamento, nos termos do art. 14 da Lei n° 9.393/1996 e artigos 51 e 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR), combinado com o disposto no art. 149, inciso V, da Lei n° 5.172/66 - CTN, observada, no que diz respeito aos documentos de prova exigidos, a Norma de Execução Cofis n° 003/2006, de 29/05/2006. Também é preciso ressaltar que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 142 (caput) e seu parágrafo único, do CTN. Assim, tendo sido constado que se tratava de imóveis com áreas contiguas e que VTN, calculado a partir do VTI do laudo, era maior do que o declarado, não poderia a autoridade fiscal deixar de realizar o lançamento de oficio, materializado na presente notificação de lançamento. Além disso, a autoridade fiscal descreveu de forma detalhada, isto é, minuciosa, os motivos que a levaram a emissão da Notificação de Lançamento n° 06108/00026/2007 (às fls. 01/05) e não há como negar que as alterações então efetuadas foram devidamente caracterizadas (às fls. 02/03), indicando com clareza os fatos geradores do ITR/2004 e perfeitamente compreendidas pela interessada, tanto é verdade que a mesma contestou a referida notificação de lançamento de forma a não deixar dúvidas quanto ao perfeito conhecimento dos fatos. E ainda, o Demonstrativo de fls. 04 ajuda na perfeita compreensão dos fatos, pois são indicadas as alterações efetuadas pela autoridade fiscal para efeito de apuração do imposto suplementar lançado através da presente notificação de lançamento. No caso, a Notificação de Lançamento em si atendeu aos requisitos legais estabelecidos no art. 11, do Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, aí incluído o seu inciso III (a disposição legal infringida), pois identificou as irregularidades apuradas e motivou, de conformidade com a legislação, cada alteração efetuada em consonância, portanto, com os princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório. Por outro lado, cabe ao autuado, em caso de discordância, contraditar a exigência materializada por meio da Notificação de Lançamento, o que foi feito no presente caso, tendo a interessada refutado, de forma igualmente clara e minuciosa, as imputações que lhe foram feitas, como se observa do teor de sua impugnação, em que a autuada expôs os motivos de fato e de direito de suas alegações e os pontos de discordância, não apenas suscitando preliminar, mas discutindo o mérito da lide relativamente a matéria envolvida, nos termos do inciso III, do art. 16, do Decreto 70.235/72, não restando dúvidas de que compreendeu perfeitamente do que se tratava a exigência. Ademais, além de o imposto suplementar apurado pela autoridade fiscal estar devidamente demonstrado às fls. 04, frise-se, novamente, que o VTN foi arbitrado com base no Laudo Técnico de Avaliação apresentado pela própria Contribuinte, cujos valores, para os exercícios de 2003, 2004 e 2005, constam devidamente demonstrados às fls. 06, bem como, às fls. 07, o demonstrativo de apuração, para esses três exercícios, do Grau de Utilização do imóvel unificado. Portanto, o argumento de que o lançamento está desacompanhado dos demonstrativos de apuração do Valor de Terra Nua - VTN não procede. Mesmo que esses demonstrativos não tenham acompanhado a correspondente Notificação de Lançamento, esse fato não implica em cerceamento ao direito de defesa, até porque tais demonstrativos constam dos autos (às fls. 06/08), pressupondo-se de conhecimento da requerente, que podia e continua podendo, inclusive, solicitar cópias dos mesmos. (...) Depreende-se das reproduções imediatamente acima, que o alegado não recebimento do “demonstrativo de apuração do Valor de Terra Nua – VTN” não tem o condão de promover a nulidade do lançamento por cerceamento de defesa, quando as informações constantes na notificação de lançamento e demais demonstrativos dela integrantes (“descrição Fl. 243DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 dos fatos e enquadramento legal” e “demonstrativo de apuração do imposto devido”) demonstram de forma inequívoca que o VTN foi arbitrado com base no “laudo de avaliação” apresentado pelo próprio contribuinte. Ademais, como foi pontuado na decisão recorrida, o contribuinte poderia ter solicitado cópias dos referidos demonstrativos. Desse modo, uma vez que não restou caracterizado o apontado prejuízo sofrido, não há que se falar em cerceamento de defesa. Falta de Registro da Área de Reserva Legal Nas declarações do ITR do exercício de 2004 da Fazenda São Paulo (fls. 15/17) e da Fazenda Barreiro (fls. 18/20) não há qualquer informação da existência de “área de reserva legal”. Com a impugnação ao lançamento o contribuinte pretendeu a exclusão do lançamento da área de reserva legal, correspondente a no mínimo 20% da área total do imóvel. Alegou que a falta de registro da reserva legal na matrícula do imóvel não seria impeditivo para a dedução, uma vez que possui apenas a posse do imóvel e não a sua propriedade. Em suma, pretende o contribuinte a retificação das declarações anteriormente entregues para que seja excluída da tributação área de reserva legal não declarada e que sequer foi objeto do lançamento. Sobre o tema, a decisão de primeira instância assim se manifestou (fls. 169/173): (...) Das Áreas de Utilização Limitada/Reserva Legal Quanto à alegação de que deveria o fisco ter excluído da área tributável, a área correspondente aos 20% legalmente previsto para reserva legal (não declarada), cabe esclarecer que para que essas áreas sejam aceitas para fins de exclusão de tributação, exigi-se (sic) a comprovação do cumprimento tempestivo de duas exigências legais, previstas na legislação de regência da matéria. A primeira consiste na averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da Matricula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis ou, no caso de posse, da existência de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado perante o órgão ambiental, em data anterior ao fato gerador do imposto e a outra seria a informação de tais áreas, no requerimento do ADA - Ato Declaratório Ambiental, protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado. No presente caso, confirma-se o não-cumprimento das duas exigências acima especificadas. A primeira exigência - averbação da área de reserva legal à margem da matricula do imóvel no registro de imóveis competente -, de caráter especifico, encontra-se prevista, originariamente, na Lei n° 4.771/1965 (Código Florestal), com a redação dada pela Lei n° 7.803/1989, e foi mantida nas alterações posteriores. Desta forma, ao se reportar a essa lei ambiental, a Lei nº 9.393/1.996, aplicada ao exercício em questão, está condicionando, implicitamente, a não tributação das áreas de reserva legal ao cumprimento dessa exigência - averbação à margem da matricula do imóvel. Tanto é verdade que a necessidade de averbação da área de reserva legal foi expressamente inserida no art. 10, § 4°, inciso I, da IN/SRF n° 43/1997, com redação do art. 1°, inciso II, da IN/SRF n° 67/ 1997, além de ter sido a mesma ratificada nas Instruções Normativas aplicadas ao ITR de exercícios posteriores. Por seu turno, no que diz respeito ao prazo para o cumprimento da obrigação ora tratada, deve ser levado em consideração que o lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador da obrigação, conforme prescrito no art. 144 do CTN, enquanto o art. 1°, caput, da Lei n°. 9.393/ 1996, estabelece como marco temporal do fato gerador do ITR o dia 1° de janeiro de cada ano. Fl. 244DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 Ou seja, em se admitindo a hipótese de o contribuinte poder apresentar a DITR, por seguidos exercícios, suprimindo áreas da tributação, com a alternativa de providenciar o cumprimento da exigência de averbação em cartório a qualquer tempo, nenhum efeito resultaria da medida de incentivo à conservação do meio ambiente, pois o proprietário da terra usaria o beneficio da isenção fiscal e o Poder Público não teria qualquer garantia, o que não ocorre quando da existência da averbação tempestiva da área no registro de imóveis. Assim, as áreas de utilização limitada/reserva legal somente serão excluídas de tributação, se cumprida, também, a exigência de sua averbação à margem da matricula do imóvel, até a data de ocorrência do fato gerador do ITR do correspondente exercício. Inclusive, esse prazo consta expressamente indicado no parágrafo 1° do art. 12 do Decreto n° 4.382, de 19 de setembro de 2002 (Regulamento do ITR), que consolidou toda a legislação do ITR, da seguinte forma: “Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindo-se apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4. 771 , de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador Desta forma, para fazer jus à não tributação das áreas de utilização limitada/reserva legal, em se tratando do exercício de 2004, a exigência de averbação da referida área deveria ter sido cumprida até a data de ocorrência do fato gerador do correspondente exercício, qual seja, 01.01.2004. Cabe ressaltar que no caso de posse, a averbação é substituída pelo Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente de acordo com o disposto na Lei nº 4.771/65, art. 16, §10°, com redação dada pela MP n° 2.166-67, de 2001, a seguir transcrito: "§ 10 Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural”. Sobre o assunto, pode-se consultar o Manual de Perguntas e Respostas referente ao Exercício 2004, na Questão 080, que orienta: 080 - Com relação ao imóvel rural mantido a título de posse, como deve proceder o possuidor para constituir a área de reserva legal? "Na posse, a reserva legal é assegurada pelo Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de titulo executivo, e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação. A averbação da reserva legal da pequena propriedade ou posse rural familiar é gratuita, devendo o Poder Público prestar apoio técnico e jurídico, quando necessário.” A exigência de firmar o Termo de Ajustamento de Conduta junto ao órgão competente, para a área de reserva legal, deve ter sido cumprida até a data de ocorrência do fato gerador do correspondente exercício, qual seja, 01.01.2004, pois, se a averbação para os casos em que o contribuinte for proprietário do imóvel deve se reportar à data do fato gerador, não faria sentido que no caso de posse, o compromisso firmado diante do órgão ambiental se desse a qualquer tempo. Fl. 245DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 Ressalta-se que, em cada exercício, a realidade circunstancial é diferente e, assim, o lançamento do imposto, de acordo com o Código Tributário Nacional - CTN, deve-se adequar à realidade da época em que se está tributando, conforme se depreende do já citado artigo 144 desse diploma legal. Assim, além de não ter sido comprovada tal exigência para a área pretendida como de reserva legal (correspondente a 20% da área total do imóvel), cabe ressaltar que confirma-se, também, o não-cumprimento da segunda exigência, citada anteriormente, aplicada tanto às áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural ou Imprestável para a atividade produtiva/Interesse Ecológico) quanto às áreas de preservação permanente, de que as áreas ambientais do imóvel, para fins de exclusão do ITR, sejam devidamente reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental - ADA. Para justificar a exclusão dessas áreas ambientais do ITR, a partir do exercício de 1997, se faz necessário que as mesmas sejam reconhecidas como de interesse ambiental, por intermédio de Ato Declaratório Ambiental - ADA, emitido pelo IBAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a inclusão de tais áreas no requerimento do ADA, protocolado tempestivamente junto ao referido órgão ambiental. Nesse sentido, cabe observar, primeiramente, o disposto no art. 10, § 4°, da IN/SRF n° 043/1997, com redação dada pelo art. 1° da IN/SRF n° 67/1997, que estabelece que essas áreas serão reconhecidas mediante Ato Declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, ficando estipulado no inciso II, desse mesmo parágrafo, que o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA/órgão conveniado. Note-se que o artigo 17 da IN/SRF n° 73/2000 e da IN/SRF nº 60/2001, e o parágrafo 3° do art. 9° da IN/SRF n° 256/2002 (aplicada ao ITR/2003 e subseqüentes), apenas ratificaram tal obrigação, não dispondo de modo diferente ao tratar dessa matéria. Ainda, cabe ressaltar que a obrigatoriedade de utilização do ADA foi ratificada por meio de dispositivo contido em lei, qual seja, o art. 17-O da Lei 6.938/81, em especial o caput e parágrafo 1°, cuja atual redação foi dada pelo art. 1° da Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, a seguir transcritos: Art. 17-0. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental - ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n" 10.165, de 2000) § 1º-A. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído pela Lei nº 10.165, de 2000). § 1º - A utilização da ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (sublinhou-se) Portanto, resta demonstrado que a obrigatoriedade da exigência do Ato Declaratório Ambiental - ADA, depois de prevista em atos normativos da RFB, encontra-se prevista em dispositivo contido em lei, qual seja, o art. 17-O da Lei 6.938/1981 e em especial o caput e parágrafo 1°, cuja atual redação foi dada pelo art. 1° da Lei 10.165/2000. Com a adoção de tal procedimento evitam-se distorções, garantindo estar a exclusão do crédito tributário em consonância com a realidade material do imóvel, além de contribuir para maior obediência às normas ambientais em vigor. Em se tratado do exercício de 2004 e considerado, especificamente, o art. 10, § 4°, inciso II, da IN SRF n° 043/97, com redação dada pelo art. 1° da IN/SRF n° 67/97, bem como o parágrafo 3° do art. 9° da IN/SRF n° 256/2002, o prazo para a protocolização, junto ao IBAMA/órgão conveniado, do requerimento solicitando o competente Ato Declaratório Ambiental expirou em 31 de março de 2005, ou seja, seis meses após o Fl. 246DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 termo final para a entrega da DITR/2004 (30 de setembro de 2004, de acordo com a IN SRF nº 435, de 27/07/2004). No presente caso, a requerente não comprovou nos autos a protocolização, mesmo que intempestiva, do requerimento ADA, junto ao IBAMA/órgão conveniado. Em síntese, a solicitação tempestiva do ADA constituiu-se um ônus para o contribuinte. Assim, caso não desejasse a incidência do ITR sobre as áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, o proprietário do imóvel deveria ter providenciado, dentro do prazo legal, o requerimento do ADA. Por fim, há que se observar que as obrigações ora tratadas (ADA e averbação da reserva legal) constam, em evidência, do Manual de Preenchimento da DITR 2004. Desta forma, considerando-se que não foram cumpridas as exigências tratadas anteriormente, não há que se excluir a área correspondente aos 20% legalmente previsto para reserva legal da incidência do ITR/2004. (...) Como visto do excerto acima reproduzido, para fins de exclusão da tributação da área de reserva legal deve haver a comprovação do cumprimento tempestivo de duas exigências legais: (a) a averbação tempestiva da área de utilização limitada/reserva legal à margem da matrícula do imóvel junto ao Cartório de Registro de Imóveis ou, no caso de posse, da existência de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado perante o órgão ambiental, em data anterior ao fato gerador do imposto e (b) a informação de tais áreas, no requerimento do ADA - Ato Declaratório Ambiental, protocolado tempestivamente junto ao IBAMA/órgão conveniado. Não obstante a legislação exija a sua formalização, vale ressaltar que a exigência do ADA para reconhecimento de isenção para áreas de preservação permanente, de reserva legal e sujeitas ao regime de servidão ambiental, para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 12.651 de 2012, foi tema de manifestação da Procuradoria da Fazenda Nacional, em que restou dispensada a apresentação de contestação, oferecimento de contrarrazões, interposição de recursos, bem como recomendada a desistência dos já interpostos, nos termos do artigo 2º, V, VII e §§ 3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016, conforme se vê abaixo: 1.25 - ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR, AgRg no REsp 753469/SP e REsp nº 587.429/AL. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensa-se a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente, de reserva legal e sujeitas ao regime de servidão ambiental, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensa-se também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. OBSERVAÇÃO 1: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, deve-se continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. Fl. 247DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal). OBSERVAÇÃO 3: Antes do exercício de 2000, dispensa-se a exigência do ADA para fins de concessão de isenção de ITR para as seguintes áreas: Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN, Áreas de Declarado Interesse Ecológico – AIE, Áreas de Servidão Ambiental – ASA, Áreas Alagadas para fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas e Floresta Nativa, com fulcro na Súmula nº 41 do CARF. Em síntese, apenas no que diz respeito às áreas de preservação permanente, de reserva legal e sujeitas ao regime de servidão ambiental, há uma orientação da PGFN, em favor do contribuinte, que dispensa a discussão acerca a apresentação do ADA para os fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 12.651 de 2012. Com relação às áreas de reserva legal, o CARF já se manifestou uniforme e reiteradamente tendo, inclusive, emitido a Súmula CARF nº 122, de observância obrigatória, nos termos do artigo 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343 de 09/06/2015, cujo conteúdo segue reproduzido abaixo: Súmula CARF nº 122 A averbação da Área de Reserva Legal (ARL) na matrícula do imóvel em data anterior ao fato gerador supre a eventual falta de apresentação do Ato declaratório Ambiental (ADA). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Depreende-se do exposto ser possível a exclusão das áreas de reserva legal, ainda que não tenha sido expedido o ADA, desde que tal circunstância esteja averbada na matrícula do imóvel. Ocorre que não é este o caso em comento, conforme ressaltado pela própria Embargante, não houve qualquer averbação na matrícula do imóvel da existência de área de reserva legal, isto porque, no seu entender, a falta de registro não seria impedimento para a dedução da área porque possui apenas a posse do imóvel e não sua propriedade. Contudo, diferentemente do aduzido pela Embargante e como já foi muito bem fundamentado pela decisão de primeira instância, para atestar a real existência da área de reserva legal, é imprescindível a sua averbação na matrícula do imóvel, conforme disposição contida no artigo 16, § 8º (vigente à época dos fatos) e o artigo 12, § 1º do Decreto nº 4.382 de 2002 (Regulamento do ITR) e, no caso de posse, a averbação é substituída pelo Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente de acordo com o disposto no artigo 16, § 10 da Lei nº 4.771 de 1965 (Código Florestal), com redação dada pela MP n° 2.166-67 de 2001, a seguir reproduzido: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.166-67, de 2001) (Regulamento) (...) § 10 Na posse, a reserva legal é assegurada por Termo de Ajustamento de Conduta, firmado pelo possuidor com o órgão ambiental estadual ou federal competente, com força de título executivo e contendo, no mínimo, a localização da reserva legal, as suas características ecológicas básicas e a proibição de supressão de sua vegetação, Fl. 248DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2166-67.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/MPV/2166-67.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Decreto/D5975.htm Fl. 14 do Acórdão n.º 2201-009.643 - 2ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10670.720066/2007-65 aplicando-se, no que couber, as mesmas disposições previstas neste Código para a propriedade rural. Em virtude dessas considerações, não pode ser acatada a pretensão do contribuinte, não merecendo reparo a decisão do juízo a quo neste ponto. Conclusão Por todo o exposto e por tudo mais que consta dos autos, vota-se no sentido de conhecer e acolher os embargos formalizados em face do Acórdão nº 2201-006.084 de 05/02/2020, para, sem efeitos infringentes, sanar as omissões apontadas. Débora Fófano dos Santos Fl. 249DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13710.002931/2003-39
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2007
Ementa: IRF – RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear restituição de imposto retido na fonte sobre verbas recebidas como incentivo à adesão a Plano de Demissão Voluntária - PDV extingue-se no prazo de cinco anos, contados de 07/01/1999, primeiro dia após a publicação da IN SRF 165/98 no DOU.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/04-00.599
Decisão: ACORDAM os Membros da 4º Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Ana Maria Ribeiro dos Reis e Maria Helena Cotta Cardozo que deram provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
dt_index_tdt : Sat Oct 29 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 200706
ementa_s : IRF – RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear restituição de imposto retido na fonte sobre verbas recebidas como incentivo à adesão a Plano de Demissão Voluntária - PDV extingue-se no prazo de cinco anos, contados de 07/01/1999, primeiro dia após a publicação da IN SRF 165/98 no DOU. Recurso especial negado.
dt_publicacao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2007
numero_processo_s : 13710.002931/2003-39
anomes_publicacao_s : 200706
conteudo_id_s : 4424599
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : CSRF/04-00.599
nome_arquivo_s : 40400599_144519_13710002931200339_005.PDF
ano_publicacao_s : 2007
nome_relator_s : ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO
nome_arquivo_pdf_s : 13710002931200339_4424599.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os Membros da 4º Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Ana Maria Ribeiro dos Reis e Maria Helena Cotta Cardozo que deram provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2007
id : 4712168
ano_sessao_s : 2007
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:36 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810796548096
conteudo_txt : Metadados => date: 2009-07-17T12:57:27Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-07-17T12:57:27Z; Last-Modified: 2009-07-17T12:57:27Z; dcterms:modified: 2009-07-17T12:57:27Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-07-17T12:57:27Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-07-17T12:57:27Z; meta:save-date: 2009-07-17T12:57:27Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-07-17T12:57:27Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-07-17T12:57:27Z; created: 2009-07-17T12:57:27Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2009-07-17T12:57:27Z; pdf:charsPerPage: 1379; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-07-17T12:57:27Z | Conteúdo => ... . • MINISTÉRIO DA FAZENDA 7:"414 CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS QUARTA TURMA - Processo n°. :13710.002931/2003-39 Recurso n°. :104-144519 Matéria : IRPF Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : WILSON DUTRA Recorrida :40 CÂMARA DO PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sessão de :20 de junho de 2007 Acórdão n°. : CSRF/04-00.599 IRF – RESTITUIÇÃO – TERMO INICIAL – PROGRAMA DE DESLIGAMENTO VOLUNTÁRIO - RESTITUIÇÃO. O direito de pleitear restituição de imposto retido na fonte sobre verbas recebidas como incentivo à adesão a Plano de Demissão Voluntária - PDV extingue-se no prazo de cinco anos, contados de 07/01/1999, primeiro dia após a publicação da IN SRF 165/98 no DOU. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso especial interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da 46 Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidas as Conselheiras Ana Maria Ribeiro dos Reis e Maria Helena Cotta Cardozo que deram provimento ao recurso. az— MANOEL ANTONIO GADELHA DIAS PRESIDENTE ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO RELATOR FORMALIZADO EM: 2 1 SET 2007 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: LEILA MARIA SCHERRER LEITÃO, REMIS ALMEIDA ESTOL, GONÇALO BONET ALLAGE e PAULO JACINTO DO NASCIMENTO. Processo n°. : 13710.002931/2003-39 Acórdão n°. CSRF/04-00.599 Recurso n°. :104-144519 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessado : WILSON DUTRA RELATÓRIO Em face do Acórdão n° 104-21.336, proferido pela Egrégia Quarta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional, através de seu representante, apresentou o Recurso Especial de fls. 60/66, devidamente admitido pelo ilustre Presidente daquela Câmara, pretendendo a reforma da decisão, com fundamento no art. 32, I, do Regimento dos Conselhos de Contribuintes e nas razões seguintes. O contribuinte apresentou, em 08.10.2003, pedido de restituição do IRF retido indevidamente sobre verbas indenizatórias recebidas no ano-calendário de 1983, em decorrência de adesão a Programa de Desligamento Voluntário — PDV. A Quarta Câmara deste Primeiro Conselho de Contribuintes, por meio da decisão recorrida, de fls. 50/58, proveu o Recurso do Contribuinte, entendendo que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial do direito à restituição do IRF pago sobre verbas de PDV seria a data da publicação da IN SRF n° 165/98, que reconheceu o direito à restituição em tela. Afastada a decadência, a Quarta Câmara, ainda, determinou à autoridade administrativa de origem o enfrentamento do mérito. A Recorrente, em suas razões, afirmou que a decisão recorrida, ao determinar a contagem do prazo decadencial a partir da publicação da IN SRF n° 165/98, contrariou os arts. 168, I, e 165, I, do CTN, que determinam a contagem do prazo decadencial a partir da extinção do crédito tributário. Ressaltou que a SRF editou o Ato Declaratório SRF 96/99, determinando que o prazo para restituição de indébito relativo a tributo declarado inconstitucional pelo STF é de cinco anos, contados da extinção do crédito tributário, o que se plicaria, inclusive, à restituição do IRF retido sobre verbas de PDV. 2 Processo n°. : 13710.002931/2003-39 Acórdão n°. : CSRF/04-00.599 Por fim, afirmou que a Lei Complementar n° 118/05, que buscou afastar dúvidas sobre a interpretação do art. 168 do CTN, consagrou o entendimento de que o prazo prescricional se inicia por ocasião do nascimento do direito à pretensão, que surge com o pagamento indevido. Os efeitos da referida norma, de caráter interpretativo, retroagiriam e atingiriam o presente caso, em face do art. 106, I, do CTN. O contribuinte, devidamente intimado em 19.06.2006, conforme faz prova o AR de fls. 69v, apresentou, tempestivamente, as contra-razões de fls. 70/75, em 30.06.2006. Em suas razões, inicialmente, o contribuinte defendeu a irretroatividade da Lei Complementar n° 118/2005, fundamentando-se em decisão proferida pelo Ministro do Supremo Tribunal de Justiça Castro Meira, no julgamento do RE n° 327043. Por fim, o contribuinte ratificou o entendimento de que, no presente caso, o prazo decadencial somente tem início na data da publicação da IN SRF n° 165/98, que reconheceu como indevido o recolhimento do IRF sobre as verbas de PVD. aiEm síntese, é o relatório. 3 f- , Processo n°. :13710.002931/2003-39 Acórdão n°. : CSRF/04-00.599 VOTO Conselheiro ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO, Relator O Recurso preenche os requisitos de admissibilidade, razão de seu conhecimento. Com relação à decadência alegada pela recorrente, entendo que o marco inicial do prazo decadencial para o Contribuinte pleitear a restituição do IRF retido sobre as verbas de PDV, reconhecidas, posteriormente ao seu pagamento, como isentas, por ato administrativo, não é a data do seu pagamento, porque, até o reconhecimento da isenção, o tributo ainda não era indevido, à luz da legislação até então aplicável. Somente a partir da edição de ato administrativo, reconhecendo a isenção das respectivas verbas, é que o valor pago transmuda-se em indevido, gerando o direito a que se reporta o art. 165 do CTN. Este direito, entendo, não surge com o pagamento do tributo, mas com a nova norma aplicável e respectivo reconhecimento do indébito. A contagem cio prazo decadencial, a partir de referido reconhecimento do indébito, ressalte-se, não implica em violação aos art. 165 e 168 do CTN, uma vez que o crédito do Contribuinte não surgiu com o pagamento do tributo, realizado em conformidade com a ordem jurídica então vigente, mas no posterior reconhecimento da isenção, por ato administrativo. Observe-se que o art. 165 do CTN, em seu inciso I, reporta-se ao pagamento indevido em face da legislação tributária aplicável. Aplicável, entende-se, à época do pagamento. Se, somente após o pagamento, os respectivos rendimentos foram considerados como isentos por ato administrativo, não se verificou, à época do pagamento, a hipótese de contagem do prazo decadencial prevista nos art. 65, I, e 168, I, ambos do CTN. kR" 4 . . . Processo n°. : 13710.002931/2003-39 Acórdão n°. : CSRF/04-00.599 Da mesma maneira, assim, por entender que não houve violação aos arts. 165 e 168 do CTN, não vislumbro qualquer violação à Lei Complementar n° 118/2005, que visa a pacificar o marco inicial para a restituição de indébito sujeita ao disposto no art. 168, I, do CTN e não contraria as razões acima expostas. Sendo assim, entendo que o direito do Contribuinte de pleitear a restituição de IRF sobre as verbas recebidas por adesão a Plano de Demissão Voluntária - PDV extingue-se rio prazo de cinco anos, contados de 07/01/1999, primeiro dia após a publicação da IN SRF n° 165/98 no DOU, a partir de quando o Contribuinte poderia ter exercido seu direito a requerer a restituição. Isto posto, considerando que o Contribuinte apresentou seu pedido de restituição em 08.10.2003, dentro, portanto, do prazo de 5 anos contados da publicação da IN SRF n° 165/98, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo ilustre representante da Procuradoria da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 20 de junho de 2007. gi AL is NDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO. 5 Page 1 _0069400.PDF Page 1 _0069600.PDF Page 1 _0069800.PDF Page 1 _0070000.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 11080.908571/2009-12
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/08/1997 a 30/08/1997
DECISÃO NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não recorrida a matéria que não for expressamente
contestada pelo interessado.
Numero da decisão: 3803-001.374
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 05 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201103
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1997 a 30/08/1997 DECISÃO NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não recorrida a matéria que não for expressamente contestada pelo interessado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11080.908571/2009-12
conteudo_id_s : 6692976
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-001.374
nome_arquivo_s : Decisao_11080908571200912.pdf
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11080908571200912_6692976.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
id : 9564232
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:44:12 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810798645248
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 139 1 138 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.908571/200912 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803001.374 – 3ª Turma Especial Sessão de 02 de março de 2011 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SINALIZADORA RODOVIÁRIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/1997 a 30/08/1997 DECISÃO NÃO CONTESTADA. Considerarseá não recorrida a matéria que não for expressamente contestada pelo interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1024.223, de 4 de março de 2010, da DRJPorto Alegre/RS, fls. 23 a 24, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 150DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 A nãohomologação da compensação declarada fundamentase na falta de comprovação do pagamento indicado na declaração de compensação. Na manifestação de inconformidade apresentada a interessada: a) defende que não seria devido qualquer valor a título de contribuição para o PIS desde a edição da Medida Provisória n° 1212/1995 até a promulgação da Lei n° 9.715/1998; b) fundamenta este entendimento na suspensão da eficácia da expressão "aplicandose aos fatos geradores ocorridos a partir de 10 de outubro de 1995", constante do artigo 17 da dita medida provisória, pelo Supremo Tribunal Federal, na Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 14170; c) afirma que a referida suspensão aplicase a todas as reedições sucessivas da MP n° 1212/1995, sendo válida a cobrança da contribuição apenas a partir da promulgação da Lei n° 9.715/1998; d) sustenta que estaria configurada, em decorrência dessa decisão judicial, uma vacatio legis no período compreendido entre a Resolução do Senado n° 49/1995 e a promulgação da Lei n° 9.715/1998. No seu ponto de vista, nenhum valor seria devido a título de contribuição para o PIS no período de outubro de 1995 até a promulgação da Lei n° 9.715/1998. Em seu julgamento DRJ/Porto Alegre levou em conta a falta de comprovação do pagamento indicado para declarar a impossibilidade de homologar a compensação declarada por violação ao art. 170 do Código Tributário Nacional. Apenas a título de esclarecimentos, fez considerações sobre a tese de vacância legal durante a vigência da medida provisória n° 1212, de 1995 e suas reedições, até sua conversão na Lei 9.715, de 1998. Serviuse do julgado no RE 232.896/PA e a Instrução Normativa n° 06, de 19 de janeiro de 2000, para sustentar a sua eficácia a partir de 90 dias da edição, tendo vigência no período compreendido entre 1° de outubro de 1995 e 29 de fevereiro de 1996 o disposto na Lei Complementar n° 7, de 1970, e n° 8, de 1970. Por fim, surpreendeuse com o pagamento indicado na DComp, que teria ocorrido há mais de 5 anos após o vencimento do tributo sem a incidência de qualquer acréscimo moratório, e com um percentual de correção (taxa selic) bastante elevado para uma compensação que teria ocorrido poucos meses após o alegado recolhimento indevido. Cientificada da decisão em 05 de maio de 2010, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 35 a 44, em 21 de maio de 2010, em que não se contrapõe à decisão recorrida, mas busca alcançar por meio do recurso outro fim, nos termos como registra a seguir o seu pedido: “antes de adentrar (mos) aos fatos do presente recurso fazse necessário deixar claro que a empresa não busca a reforma da decisão que manteve a decisão de não homologação dos créditos tributários, exarada pela Delegacia da Receita.”. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa Fl. 151DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11080.908571/200912 Acórdão n.º 3803001.374 S3TE03 Fl. 140 3 O recurso é tempestivo, porém não atende a todas as condições de admissibilidade. À guisa de esclarecimento Registro que a nobre relatora da decisão de primeira instância não compreendeu o preenchimento da DComp, ao enxergar o pagamento a maior indicado pela contribuinte efetuado quase oito (8) anos após o vencimento sem o acréscimos da multa de mora e dos juros Selic, e excesso de juros sobre o débito para uma compensação que teria ocorrido poucos meses após o alegado recolhimento indevido, dados extraídos do despacho decisório de fl. 12. A elucidação desses dados deve ser feita no contexto da reivindicação da contribuinte. Como segue: O pagamento que a contribuinte efetuou sob a égide da LC nº 07/70 foi tido, posteriormente, pela então declarante como indevido, decorrente do seu entendimento de ter ocorrido a vacatio legis atrás referida. A transmissão da DComp eletrônica não se faria se fosse registrado pagamento com mais de cinco (5) anos. Daí, a falsa informação prestada pela declarante de que o pagamento teria se dado na própria data da DComp, 31 de outubro de 2005, para burlar o aplicativo PerdComp. Quanto aos juros excessivos, não foram indicados pela contribuinte, como pensou a nobre relatora, mas calculados pelo aplicativo do Sistema de Controle de CompensaçãoSCC, tendo em vista a cobrança do débito não homologado. Tratase da sua incidência sobre o débito vencido em outubro de 2005, que a contribuinte pretendeu quitar com base em toda a falácia que trouxe aos autos, para pagamento até 30 de abril de 2009, mês de emissão do despacho decisório eletrônico. Portanto tais juros são representativos do acúmulo de mais de quarenta meses de incidência da Selic. Da impertinência do pedido no recurso No requerimento de fl. 25, dirigido ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, a empresa informa que aderiu ao parcelamento instituído pela Lei n.°11.941/2009, que se deu em 21 de setembro de 2009. A Agência da Receita Federal em Guaíba, órgão jurisdicionante da contribuinte, atendendo o recomendado pelo SEORT/DRF/Porto Alegre intimou a requerente do resultado do seu pleito de desistência de interpor recurso voluntário, para confirmar a adesão no dito parcelamento, nos termos abaixo: Informar, que referente a Desistência do direito a interpor Recurso Voluntário, protocolada em 19/03/2010, não há de se considerar, tendo como base a Portaria Conjunta PGFN/RFB n o 13, de 19 de novembro de 2009, Art. 29 que determina: "Os prazos para desistência de impugnação ou recurso administrativos ou de ação judicial de que batam o caput do art 13e o § 40 do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFI3 No 6, de 2009, ficam prorrogados para 28 de fevereiro de 2010." Fl. 152DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 Informar, ainda, que é facultado à interessada, no mesmo prazo de 30 dias da intimação, o direito de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. [grifos do original] A recorrente expressamente declara que não contesta a decisão de primeira instância, que não homologou as compensações, e o que almeja – completa: e sim pretende ver CONSOLIDADA SUA ADESÃO AO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI 11.941/09, inobstante não ter havido protocolo de petição de desistência dos recursos administrativos dentro do prazo estipulado pela Portaria Conjunta n°. 13/2009, pelas razões de fato e de direito que passa a expor. Na linha do que enuncia o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, “A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.”, o recurso voluntário permite a continuidade do litígio na esfera de julgamento de segundo grau, vale dizer, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim deixa claro o art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, litteris: Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. No mesmo diapasão do art. 17, que estabelece: que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997), matéria que não houver sido expressamente contestada na decisão de piso, será considerada não recorrida. Não é escopo deste processo decidir acerca da inclusão ou não de débitos em programa de parcelamento. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 02 de março de 2011 Belchior Melo de Sousa Fl. 153DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11080.908571/200912 Acórdão n.º 3803001.374 S3TE03 Fl. 141 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11080.908571/200912 Interessada: SINALIZADORA RODOVIÁRIA LTDA Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803001.374, de 02 de março de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 02 de março de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 154DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 09/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 08/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 13976.000517/2004-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. MATERIAL DE EMBALAGEM.
TRANSPORTE DA MERCADORIA.
Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliado no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico
de exportação, que não puderem ser deduzidos, poderão ser objeto de ressarcimento. O material de embalagem destinado apenas ao
acondicionamento para transporte dos produtos acabados gera direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição para o PIS não-cumulativo.
Numero da decisão: 3803-000.982
Decisão: Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso por
maioria de votos, vencido o relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
Nome do relator: HÉLCIO LAFETÁ REIS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 15 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201012
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS NÃO-CUMULATIVO. CRÉDITOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. TRANSPORTE DA MERCADORIA. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliado no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação, que não puderem ser deduzidos, poderão ser objeto de ressarcimento. O material de embalagem destinado apenas ao acondicionamento para transporte dos produtos acabados gera direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição para o PIS não-cumulativo.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 13976.000517/2004-55
conteudo_id_s : 6683373
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 14 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-000.982
nome_arquivo_s : Decisao_13976000517200455.pdf
nome_relator_s : HÉLCIO LAFETÁ REIS
nome_arquivo_pdf_s : 13976000517200455_6683373.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso por maioria de votos, vencido o relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
id : 9541919
ano_sessao_s : 2010
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:53 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810824859648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 2.76 1 11..7766 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13976.000517/200455 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803000.982 – 3ª Turma Especial Sessão de 08 de dezembro de 2010 Matéria PIS RESSARCIMENTO Recorrente FRANCINE MÓVEIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 PIS NÃOCUMULATIVO. CRÉDITOS. MATERIAL DE EMBALAGEM. TRANSPORTE DA MERCADORIA. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliado no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação, que não puderem ser deduzidos, poderão ser objeto de ressarcimento. O material de embalagem destinado apenas ao acondicionamento para transporte dos produtos acabados gera direito a crédito na sistemática de apuração da contribuição para o PIS não cumulativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em dar provimento ao recurso por maioria de votos, vencido o relator. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Alexandre kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Fl. 177DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/06/2011 por HELCIO LAFETA REIS, 09/06/201 1 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Carlos Henrique Martins de Lima, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Em 17 de novembro de 2004, o contribuinte protocolizou junto à Receita Federal Pedido de Ressarcimento de Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep, nos termos do § 1º do art. 5º da Lei nº 10.637/2002, relativo ao terceiro trimestre de 2004 (fls. 1 a 13), em relação ao qual se solicitou a compensação com débitos consolidados no Refis (fl. 15). Após análise da documentação apresentada pelo contribuinte em resposta à intimação datada de 23 de março de 2006 (fls. 16 a 108), a Seção de Orientação e Análise Tributária (Saort) da DRF Joinville/SC deferiu parcialmente o direito creditório pleiteado, tendo sido (i) computadas receitas financeiras e nãooperacionais não incluídas pelo contribuinte, (ii) expurgados os créditos relativos a embalagens para transporte e (iii) desconsideradas as despesas referentes a multas, parcelamentos e tributos não incorporados ao valor de energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica (fls. 109 a 132). Não se conformando com o teor do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 144 a 148) e requereu o reconhecimento do direito creditório relativo ao material de embalagem utilizado no processo de industrialização que, segundo ele, seriam embalagens feitas sob medida e com acabamento que valorizariam o produto comercializado, não se tratando, portanto, de meras embalagens de transporte, uma vez que os requisitos exigidos pelo Decreto nº 4.544/2002, em seu art. 6º, § 1º, não se configurariam no presente caso. A DRJ Curitiba/PR indeferiu a solicitação (fls. 150 a 157), considerando que, nos termos da legislação tributária de regência, o conceito de insumo, para fins de creditamento na sistemática da contribuição para o PIS nãocumulativo, abrangeria apenas a embalagem que valoriza e agrega valor comercial ao produto, ou seja, aquela que impacte na decisão de compra do produto. Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho (fls. 160 a 168) e requer o reconhecimento do direito creditório referente ao material de embalagem, repisando os mesmos argumentos e trazendo aos autos imagens que, segundo ele, demonstrariam o caráter de insumo das embalagens utilizadas em conformidade com os requisitos exigidos pela legislação e com às exigências do mercado internacional dos produtos que industrializa. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, preenche as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/06/2011 por HELCIO LAFETA REIS, 09/06/201 1 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 13976.000517/200455 Acórdão n.º 3803000.982 S3TE03 Fl. 3.76 3 De início, registrese que, não obstante o despacho decisório de origem ter abarcado outras matérias relativas ao Pedido de Ressarcimento, a presente controvérsia se restringe ao direito de crédito na apuração da contribuição para o PIS nãocumulativo dos valores relativos às embalagens utilizadas pelo Recorrente na comercialização de móveis de sua fabricação destinados à exportação. A Lei nº 10.637/2002 previu em seu art. 3º, inciso II, as hipóteses de creditamento de valores relativos a insumos utilizados no processo produtivo na sistemática de apuração do PIS nãocumulativo Tal dispositivo foi regulamentado pela Instrução Normativa SRF nº 247/2002, com redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, que delimitou o conceito de insumos no sentido de abarcar as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens consumidos e utilizados de forma direta no processo de industrialização. A definição da amplitude do conceito de material de embalagem para fins de caracterização do processo de industrialização encontrase prevista no Regulamento do IPI (Decreto nº 4.544/2002, art. 4º, inciso IV, e art. 6º) que exclui do referido conceito as embalagens destinadas apenas ao transporte das mercadorias, assim entendido o acondicionamento feito em caixas, caixotes, engradados, etc., sem acabamento e rotulagem de função promocional e sem objetivo de valorização do produto, e que tenha capacidade acima de vinte quilos ou superior àquela em que o produto é comumente vendido no varejo. É possível constatar dos dispositivos de regência que a embalagem de transporte se diferencia daquela de apresentação por se prestar tãosomente ao acondicionamento da mercadoria no trajeto entre a fábrica e o domicílio do adquirente, não sendo incorporada ao produto final, mas sendo utilizada apenas no referido percurso, após o qual é apartada da mercadoria adquirida. A partir das verificações in loco procedidas pela autoridade fiscal, constatou se que o material de embalagem consistia em caixas de papelão e material de contenção desprovidos de “rótulos dispensáveis” ou indicações promocionais que valorizassem o produto acabado (fl. 119), informações essas que se confirmam nas imagens trazidas pelo Recorrente, que evidenciam que os elementos utilizados na embalagem dos móveis destinamse apenas à movimentação entre a origem e o destino das mercadorias, não se incorporando ao bem, nem a ele aditando valor ou utilidade adicional (fls. 166 a 168). Com base nesses elementos probatórios, é possível inferir que: a) o material de embalagem destinase apenas ao acondicionamento para transporte, subsumindose, portanto, na previsão do art. 6º, I, do RIPI; b) o acondicionamento se dá por meio de caixas de papelão e material de contenção (semelhante a engradados), conforme se exige o inciso I do § 1º do mesmo art. 6º do RIPI; c) conforme imagens trazidas pelo Recorrente, constatase que o material de embalagem acondiciona peças em capacidade superior àquela em que o produto é comumente vendido no varejo (art. 6º, § 1º, II, do RIPI). Fl. 179DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/06/2011 por HELCIO LAFETA REIS, 09/06/201 1 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, tendo em vista que a legislação tributária que rege a matéria não autoriza o creditamento, para fins de apuração da contribuição para o PIS nãocumulativo, dos valores relativos a material de embalagem destinado apenas ao transporte da mercadoria. É como voto. Hélcio Lafetá Reis Relator Voto Vencedor O que se controverte neste processo diz respeito ao direito de crédito no regime da nãocumulatividade na apuração da Contribuição para o PIS, dos valores relativos às embalagens utilizadas pela Recorrente na comercialização de móveis de sua fabricação destinados à exportação. A previsão do direito ao crédito está contida no caput do art. 3º da Lei nº 10.637/20021, os seus contornos no texto dos incisos I a X e as vedações e delimitações ao 1 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III (VETADO) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 21/11/2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V do caput, incorridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. Fl. 180DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/06/2011 por HELCIO LAFETA REIS, 09/06/201 1 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 13976.000517/200455 Acórdão n.º 3803000.982 S3TE03 Fl. 4.76 5 creditamento nos parágrafos segundo e terceiro. Com efeito, o dispositivo foi regulamentado pela 247/2002, com redação dada pela Instrução Normativa SRF nº 358/2003, que delimitou o conceito de insumos no sentido de abarcar apenas as matériasprimas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens consumidos e utilizados de forma direta no processo de industrialização, segundo o conceito da legislação do IPI, contorno este que não estava desenhado na sua matriz legal. Ao contrário, as permissões de creditamento constantes dos incisos I a X, do art. 3º, da citada lei, listando fatores que estejam ou não vinculados ao estabelecimento fabril ou ao processo produtivo, conformam claramente a idéia de que o conceito de insumos vinculados à expressão “bens e serviços” do inciso II, utilizados na “produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, não está adstrita a que tais estejam necessariamente agregados aos bens finais ou se desgastem no contato com a sua produção. Há de se ver, pela amplitude dos fatores admitidos como créditos, que, de idêntico modo, é lato o conceito de produção, de molde a abranger a embalagem como etapa final do processo produtivo, insumo indispensável à manutenção da integridade do produto fabricado e a ser exportado, em seu transporte. Ao fazer menção a “bens” utilizados na produção, as disposições dos parágrafos 2º e 3º, da supradita lei que fixam as vedações e estabelecem a exclusividade de sua aplicação, não vinculam o seu conceito ao estabelecido pela legislação do IPI. Este o entendimento já adotado por inúmeros julgados nas Câmaras desta Seção e já reiteradamente firmado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme o consignado no processo nº 11065.101271/200647 , negando provimento ao Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional: CRÉDITO DE PIS/COFINS NÃO CUMULATIVOS A Turma decidiu,”em vários processo, por unanimidade, negar provimento a recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional, mantendose o entendimento do acórdão recorrido de que o conceito de insumo para efeito de crédito de PIS/COFINS é distinto daquele contido no IPI. No caso, créditos presumidos calculados sobre combustíveis utilizados em frota própria e serviços de remoção de resíduos industriais, utilizados na industrialização de produtos exportados. Difícil não se entender como amplo o conceito de produção e fabricação, e, consequentemente, o de insumo, na medida em que os arts. 21 e 22 da IN SRF nº 460/2004, abaixo reproduzidos com a redação original (atual art. 27 da IN SRF nº 900/2008), autorizam o § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/06/2011 por HELCIO LAFETA REIS, 09/06/201 1 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 6 ressarcimento dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, sem estabelecerlhes qualquer moldura restritiva: "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cotins referentes a custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica domiciliado no exterior, com pagamento em moeda conversível, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim especifico de exportação, que não puderem ser deduzidos na forma do inciso Ido § 1° do art. 5° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso Ido § 1° do art 6° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão ser utilizados na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos aos tributos e contribuições administrados pela SRF. Art. 22. Poderão ser objeto de ressarcimento os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o art. 21 que, ao final de um trimestre do ano civil, remanescerem na escrita contábil da pessoa jurídica após efetuadas as deduções e compensações cabíveis." E há de considerar a superveniência desta à IN SRF nº 247/2002. Logo, são válidos os créditos dos valores correspondentes às embalagens que acondicionam os móveis. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, 08 de dezembro de 2010 Belchior Melo de Sousa Fl. 182DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/06/2011 por HELCIO LAFETA REIS, 09/06/201 1 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 13976.000517/200455 Acórdão n.º 3803000.982 S3TE03 Fl. 5.76 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara Processo nº: 13976.000517/200455 Interessada: FRANCINE MÓVEIS LTDA. TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 4º do art. 63 e no § 3º do art. 81 do Anexo II, c/c inciso VII do art. 11 do Anexo I, todos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, fica um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, intimado a tomar ciência do Acórdão no 3803000.982, de 08 de dezembro de 2010, da 3a Turma Especial da 3a Seção. Brasília DF, em 08 de dezembro de 2010. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com ciência ( ) Com embargos de declaração ( ) Com recurso especial Em ____/____/______ Fl. 183DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/06/2011 por HELCIO LAFETA REIS, 09/06/201 1 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 8 Fl. 184DF CARF MF Emitido em 22/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/06/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 10/06/2011 por ALEXANDRE KERN, 10/06/2011 por HELCIO LAFETA REIS, 09/06/201 1 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.004654/2008-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 02/01/2003 a 15/07/2008
DOCUMENTOS JUNTADOS EM FASE RECURSAL
A documentação juntada apenas com o recurso voluntário deve se restringir às hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto-Lei nº 70.235/72.
OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA.
É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pela mão de obra utilizada na execução de obra de construção civil, obtida através de aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, em razão da não comprovação do montante dos salários pagos pela sua execução. Na aferição indireta, para a apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico (CUB), divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON).
DECADÊNCIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL.
Inexistindo comprovação do recolhimento antecipado sobre os fatos geradores e fundamentação legal lançada de ofício, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 173, I do CTN.
Para fins de contagem do prazo decadencial o que se leva em consideração para lançamentos de contribuições previdências decorrentes de execução de obra mediante cálculo da mão-de-obra empregada, é a informação de regularidade da obra, utilizado por sua vez por meio do ARO, ou de documento hábil e idôneo previsto na legislação.
AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA.
Todos os fundamentos legais do crédito tributário foram devidamente informados ao sujeito passivo, inexistindo cerceamento ao seu direito de defesa.
EQUÍVOCO NA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. REAJUSTE. INOCORRÊNCIA.
Tendo em vista a totalidade das informações constantes do conjunto probatório, não houve equívoco na composição da base de cálculo.
AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E DO MÉTODO UTILIZADO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
O método utilizado para a aferição da base de cálculo, os valores e o montante devido foram corretamente informados ao sujeito passivo.
MULTA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/2009. SÚMULA CARF Nº 108
No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN).
Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício.
JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
Numero da decisão: 2301-009.929
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Maurício Dalri Timm do Valle - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon (suplente convocado(a)), Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Flavia Lilian Selmer Dias, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon.
Nome do relator: Maurício Dalri Timm do VAlle
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 05 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202210
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 02/01/2003 a 15/07/2008 DOCUMENTOS JUNTADOS EM FASE RECURSAL A documentação juntada apenas com o recurso voluntário deve se restringir às hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto-Lei nº 70.235/72. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pela mão de obra utilizada na execução de obra de construção civil, obtida através de aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, em razão da não comprovação do montante dos salários pagos pela sua execução. Na aferição indireta, para a apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico (CUB), divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON). DECADÊNCIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Inexistindo comprovação do recolhimento antecipado sobre os fatos geradores e fundamentação legal lançada de ofício, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 173, I do CTN. Para fins de contagem do prazo decadencial o que se leva em consideração para lançamentos de contribuições previdências decorrentes de execução de obra mediante cálculo da mão-de-obra empregada, é a informação de regularidade da obra, utilizado por sua vez por meio do ARO, ou de documento hábil e idôneo previsto na legislação. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Todos os fundamentos legais do crédito tributário foram devidamente informados ao sujeito passivo, inexistindo cerceamento ao seu direito de defesa. EQUÍVOCO NA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. REAJUSTE. INOCORRÊNCIA. Tendo em vista a totalidade das informações constantes do conjunto probatório, não houve equívoco na composição da base de cálculo. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E DO MÉTODO UTILIZADO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O método utilizado para a aferição da base de cálculo, os valores e o montante devido foram corretamente informados ao sujeito passivo. MULTA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/2009. SÚMULA CARF Nº 108 No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN). Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2022
numero_processo_s : 10865.004654/2008-51
anomes_publicacao_s : 202211
conteudo_id_s : 6695685
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2301-009.929
nome_arquivo_s : Decisao_10865004654200851.PDF
ano_publicacao_s : 2022
nome_relator_s : Maurício Dalri Timm do VAlle
nome_arquivo_pdf_s : 10865004654200851_6695685.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon (suplente convocado(a)), Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Flavia Lilian Selmer Dias, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2022
id : 9570400
ano_sessao_s : 2022
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:44:19 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810831151104
conteudo_txt : Metadados => date: 2022-10-31T17:15:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2022-10-31T17:15:48Z; Last-Modified: 2022-10-31T17:15:48Z; dcterms:modified: 2022-10-31T17:15:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2022-10-31T17:15:48Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2022-10-31T17:15:48Z; meta:save-date: 2022-10-31T17:15:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2022-10-31T17:15:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2022-10-31T17:15:48Z; created: 2022-10-31T17:15:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; Creation-Date: 2022-10-31T17:15:48Z; pdf:charsPerPage: 2286; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2022-10-31T17:15:48Z | Conteúdo => S2-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10865.004654/2008-51 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-009.929 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 04 de outubro de 2022 Recorrente BAUMER S.A. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 02/01/2003 a 15/07/2008 DOCUMENTOS JUNTADOS EM FASE RECURSAL A documentação juntada apenas com o recurso voluntário deve se restringir às hipóteses do art. 16, § 4º, do Decreto-Lei nº 70.235/72. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. É devida a contribuição previdenciária sobre a remuneração paga pela mão de obra utilizada na execução de obra de construção civil, obtida através de aferição indireta, com base na área construída e no padrão da obra, em razão da não comprovação do montante dos salários pagos pela sua execução. Na aferição indireta, para a apuração do valor da mão de obra empregada na execução de obra de construção civil, em se tratando de edificação, serão utilizadas as tabelas do Custo Unitário Básico (CUB), divulgadas mensalmente na Internet ou na imprensa de circulação regular, pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON). DECADÊNCIA. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. Inexistindo comprovação do recolhimento antecipado sobre os fatos geradores e fundamentação legal lançada de ofício, a decadência deve ser aplicada a luz do art. 173, I do CTN. Para fins de contagem do prazo decadencial o que se leva em consideração para lançamentos de contribuições previdências decorrentes de execução de obra mediante cálculo da mão-de-obra empregada, é a informação de regularidade da obra, utilizado por sua vez por meio do ARO, ou de documento hábil e idôneo previsto na legislação. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. INOCORRÊNCIA. Todos os fundamentos legais do crédito tributário foram devidamente informados ao sujeito passivo, inexistindo cerceamento ao seu direito de defesa. EQUÍVOCO NA COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. NULIDADE. REAJUSTE. INOCORRÊNCIA. Tendo em vista a totalidade das informações constantes do conjunto probatório, não houve equívoco na composição da base de cálculo. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 46 54 /2 00 8- 51 Fl. 672DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO E DO MÉTODO UTILIZADO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O método utilizado para a aferição da base de cálculo, os valores e o montante devido foram corretamente informados ao sujeito passivo. MULTA. PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 14/2009. SÚMULA CARF Nº 108 No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN)”. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso, não conhecendo da matéria preclusa, e em negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon (suplente convocado(a)), Fernanda Melo Leal, Mauricio Dalri Timm do Valle, Joao Mauricio Vital (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente(s) o conselheiro(a) Flavia Lilian Selmer Dias, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Mon. Relatório Fl. 673DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 Trata-se de recurso voluntário (fls. 590-641) em que o recorrente sustenta, em síntese: a) Descabe a aplicação do prazo decadencial de 10 anos previsto pelo art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista a Súmula Vinculante nº 8 do STF. Igualmente, não pode ser aplicado o prazo prescrito no caput do art. 482 da Instrução Normativa nº 03/2005, devendo ser observado o art. 150, § 4º, do CTN - ainda que não haja o prévio recolhimento da exação, pois esse fato não tem o condão de alterar a forma de extinção do crédito tributário lançado por homologação, o que impede a aplicação do art. 173, I, do CTN. b) Parte dos créditos ora cobrados já foram atingidos pela decadência, uma vez que parte das obras referentes à área de 4.756,01 m 2 foi realizada em período decadencial. Apresenta-se com a impugnação os documentos necessários a comprovação da realização de obra referente a 3.859,14 m 2 durante o referido período, nos termos do art. 482 da Instrução Normativa nº 03/2005 (discriminados às fls. 598 e 599); c) A decisão recorrida deixou de se manifestar expressamente acerca do Formulário de Informações Anuais - IAN da recorrente, referente ao ano de 2001, e obtido junto à CVM. Apesar da reprodução do argumento genérico do Auditor Fiscal no sentido de que tal elemento não seria apto a comprovar a realização da obra dentro do período decadencial, tem-se a análise aprofundada da prova revelaria que as informações apresentas comprovam o quanto afirmado pela recorrente. Isso porque tal documento demonstra que, já no início do ano de 2022, a empresa já possuía uma área construída de 12.000,00 m 2 , confirmando que a área de 9.618,94 m 2 foi construída em período decadencial. O formulário atende às exigências do art. 482, § 6º, da Instrução Normativa 03/2005, uma vez que foi expedido por órgão oficial, com data contemporânea da decadência alegada, constando a área do imóvel da recorrente; d) A DRJ apreciou o caso apenas sob o enfoque dos §§ 2º e 3º do art. 482 da Instrução Normativa nº 03/2005, deixando de analisa-lo sob a perspectiva do § 4º do mesmo diploma, o que veio em prejuízo do correto julgamento do feito; e) O auto de vistoria do corpo de bombeiros, expedido em 07/2002, comprova que nessa data a Recorrente já possuía área construída de 9.757,99 m 2 . O documento se amolda perfeitamente à exigência do art. 482, § 4º, IV, da Instrução Normativa nº 03/2005, além de ser elaborado por órgão público; f) O relatório de constatação de evidências sobre a idade das construções, assinado pelo engenheiro José Otávio Salvador, com respectiva anotação de responsabilidade técnica - que teve por base a planta aerofotogramétrica datada de 12/2001 -, também comprova as alegações da recorrente quanto a decadência. A análise efetuada pelo mencionado profissional seguiu as Fl. 674DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 normas técnicas de interpretação de fotos aéreas, sendo mais do que suficientes para o exame pretendido e chegando a um resultado conclusivo. Igualmente, as fotografias examinadas estão dentro das exigências técnicas. Para esclarecer a questão, a recorrente apresenta estudo realizado por profissionais ligados à Universidade Federal de Santa Maria/RS - o qual demonstra que as fotografias aéreas podem ser utilizadas para o fim pretendido ainda que tenham eixo oblíquo, bem como que seria inexigível uma fotografia absolutamente vertical (uma vez que isso é praticamente impossível). A comparação entre as fotografias constantes do mencionado estudo e aquelas do relatório do engenheiro José Otávio Salvador permite verificar a aptidão dessas últimas para comprovar as alegações da contribuinte. Os documentos em questão comprovam que, dos prédios existentes no parque fabril da recorrente, no mínimo, 9.618,94 m 2 já estavam construídos há mais de cinco anos contados de 04 de agosto de 2008 - restando preenchido o art. 483, § 4º, V, da Instrução Normativa nº 03/2005; g) Tem-se como termo inicial do prazo decadencial a data 06/2002, constante do auto de vistoria do corpo de bombeiros, tendo em vista ser esta a última data que consta nos documentos apresentados pela impugnante. Assim, aplicando-se a regra do art. 150, § 4º, do CTN, a constituição do crédito referente à área de 9.618,94 m 2 poderia ter ocorrido até 06/2007. Mesmo se adotado o entendimento expressado pela Receita Federal do Brasil nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.09.010434-1 no sentido de que “as contribuições passaram a ser exigíveis a contar de 02/02/2003”, o Fisco teria até 02/2008 para constituir o crédito, o que apenas ocorreu em 30/12/2008; h) Em que pesem os argumentos da decisão recorrida quanto a emissão de novo ARO, do qual teria sido notificada a recorrente em 18/11/2008, ainda persistem as inconsistências entre este e o Relatório Fiscal no que diz respeito à área tributável. Isso porque o novo ARO apontou área de 4.563,35 m 2 , enquanto o relatório fiscal utilizou a medida de 4.759,01 m 2 para aferir a base de cálculo. Tais divergências tiveram reflexos nos valores cobrados e geraram nulidade do lançamento, por ofensa ao art. 142 do CTN. Caso não se entenda pela nulidade, cabe ao menos a adoção do valor constante do ARO para a redução da base de cálculo utilizada, em respeito aos art. 112, I e II, do CTN; i) Apesar dos argumentos da DRJ, nota-se que o arbitramento realizado pelo Auditor Fiscal com base na Instrução Normativa nº 03/2005 extrapolou os limites da Lei nº 8.212/91. Isso porque os valores utilizados para calcular as contribuições previdenciárias foram estabelecidos exclusivamente nessa IN, tornando ilegal a apuração do crédito; j) A fiscalização não apontou qual seria a base de cálculo que se adequa aos fatos efetivamente ocorridos, em ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e ao art. 142 do CTN. Trata-se de nulidade material que ensejou cerceamento do direito de defesa da impugnante; Fl. 675DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 k) O lançamento está baseado em presunção por parte do Fisco, o que diverge do dever da fiscalização de buscar a verdade material por todos os meios que lhe são facultados em Lei, ainda mais considerando que os casos de dúvida devem ser interpretados em favor do contribuinte. A presunção utilizada não atende aos requisitos mínimos de segurança, quais sejam: i) Demonstração de causalidade entre o indício e o fato presumido; e ii) demonstração de existência de gravidade, precisão e concordância - probabilidade e intensidade que não gere dúvida ou contradição lógica; l) Quanto a multa aplicada, ao contrário do que mencionou a decisão recorrida, a contribuinte não defendeu a tese da simples aplicação da norma mais benigna, mas sim que não foi aplicada a norma que estava em vigor no momento da lavratura do Auto de Infração, concluindo que deveria ser afastada a penalidade. O dispositivo utilizado para fundamentar a multa já estava revogado pela Medida Provisória nº 449/2008. Trata-se, portanto, de erro na capitulação legal por parte da fiscalização; e m) Descabe a aplicação da Taxa Selic para o cálculo de juros de mora, bem como a incidência de juros sobre o valor da multa. Ao final, formula pedidos nos seguintes termos (fls. 640 e 641): 189. Diante do exposto, requer a Recorrente seja dado integral provimento ao presente Recurso Voluntário, julgando-se nula a autuação, ou, caso assim não seja entendido, julgando-se improcedente o Auto de Infração, com o consequente arquivamento dos autos, nos termos acima pleiteados. 190. Caso assim não se entenda, requer seja integralmente excluída a multa de ofício, em face da revogação do artigo 35, da Lei n° 8.212/91 pela Medida Provisória n° 449/2008, vigente à época e convertida na Lei n° 11.941/ 09, bem como sejam afastados os juros de mora calculados com base na taxa SELIC, assim como a aplicação dos juros sobre a multa, por ser manifestamente inconstitucional e ilegal sua exigência. 191. Requer, por fim, a produção de todas as provas em direito admitidas, além da posterior juntada de documentos. O recurso veio acompanhado dos seguintes documentos: i) Documentos pessoais (fl. 645); e ii) Fotogrametria e fotointerpretação (fls. 647-669). A presente questão diz respeito ao Auto de Infração – AI/DEBCAD nº 37.215.593-6 (fls. 2-102) que constitui crédito tributário de Contribuições Previdenciárias dos segurados, apuradas por aferição indireta na construção civil, em face de Baumer S.A. (CNPJ nº 61.374.161/0001-30), referente a fatos geradores ocorridos no período de apuração de 02/01/2003 a 15/07/2008. A autuação alcançou o montante de R$ 50.166,81 (cinquenta mil cento e sessenta e seis reais e oitenta e um centavos). A notificação do contribuinte aconteceu em 30/12/2008 (fl. 2). Na descrição dos fatos que deram origem ao lançamento, menciona o Relatório Fiscal (fls. 12-17): I - DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS Fl. 676DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 [...] 1.4 A empresa protocolou A DISO - Declaração e Informação Sobre Obra de Construção Civil em 07/10/2008, requerendo decadência das contribuições previdenciárias relativa à área construída de 9.618,94 m 2 e apuração por aferição indireta com base na área construída e no padrão da obra, da remuneração da mão de obra empregada na execução da obra de construção civil para área remanescente de 896,87 m2, conforme disposto no disposto no art. 478 da Instrução normativa MPS/SRP n° 03/2005. 1.5 Considerando os documentos apresentados para comprovação da execução da obra em período decadencial foi reconhecido área construída em período decadencial 5.759,80 m2 conforme Certidão da Prefeitura de Mogi Mirim de 17/09/2.008, não sendo reconhecida à execução em área decadencial para a área construída de 3.859,14, tendo em vista a empresa à não comprovação através 'dos documentos discriminados no art. 482 da Instrução normativa MPS/SRP n° 03/2005, sendo então emitido o ARO - Aviso de Regularização de Obras n° 211519, de 18/11/2.008 para uma área de Acréscimo de 4.756,01 m 2 , com enquadramento de acordo com projeto de regularização de obra industrial aprovado junto a Prefeitura Municipal em 15/07/2.008. [...] II - DO LANÇAMENTO 2. Refere-se este debito 'as contribuições Segurado apurada por Aferição Indireta na Declaração e Informação sobre Obra de Construção Civil - DISO/ ARO - Aviso de Regularização de Obras n° 211519, de 18/11/2.008. III - DOS ELEMENTOS EXAMINADOS 3. Serviram de base para a lavratura deste Auto de Infração:- Declaração e Informação sobre Obra f- DISO 10/2008 ; Aviso para Regularização de Obra - ARO n° 211519 de 18/11/2008, Projetos para Regularização de Obra Industrial aprovado junto à Prefeitura Municipal de Mogi Mirim e respectivo Habite-se com uma área total de 10.515,81 m2, Certidão expedida pela prefeitura Municipal de' Mogi Mirim de 17|12/2.008, Habite-se datado de 15/07/20.008. IV - DA AFERIÇÃO 4.1 Na falta de prova regular e formalizada o montante dos salários pagos pela execução da obra de construção civil foi obtido mediante cálculo da mão de obra empregada proporcional à área construída e ao padrão de execução da obra de acordo com critérios estabelecidos pelo RFB - Secretaria da Receita Federal do Brasil definidos nos artigos 430 a 455 da Instrução Normativa SRP n°. 03, de 14 de julho de 2005, cuja memória de cálculo encontra-se discriminada na Declaração e Informação sobre Obra - DISO e no Aviso para Regularização de Obra - ARO n° 211519 de 18/11/2.008. 4.2 A fiscalização apresenta como critério de aferição para apuração do valor da mão- de-obra empregada na execução de obra de construção civil as Tabelas do CUB - Custo Unitário Básico, divulgadas mensalmente na internet ou na imprensa pelos sindicatos da Indústria da Construção Civil (SINDUSCON), da respectiva localidade ou da respectiva unidade da Federação onde. esteja localizada a obra. V - DA APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES 5.1 O valor originário do débito apurado no montante de R$ 38.589,85 (trinta e oito mil, quinhentos e oitenta e nove reais e oitenta e cinco centavos), corresponde à: - Contribuição do empregado: A alíquota da contribuição social do segurado empregado foi calculada em conformidade com Art. 452 da Instrução Normativa MPS/SRP n°. Fl. 677DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 03/2.005, sendo aplicadas sobre a remuneração arbitrada alíquota mínima de oito por cento para a contribuição dos segurados empregados, sem limite. [...] VIII - DAS CONSIDERAÇÕES FINAIS [...] 8.2 Tendo em vista que o contribuinte solicitou, através do processo de mandado de segurança n° 2008.61.09.010434-1, impetrado na 13 Vara Federal de Piracicaba, a concessão de liminar a fim de que fosse determinado a Autoridade Coatora a imediata expedição de Certidão Negativa de Débito para obra de construção civil, nos termos dos artigos 476 e 477 da instrução Normativa MPS/ SRP n° 03/2.005 e considerando que o art. 307 do Regulamento da previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06/05/1.999, determina que a propositura, pelo contribuinte, “de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renuncia ao direito de recorrer na esfera administrativa" o presente Auto de Infração aguardará a decisão judicial e transito em julgado da ação , uma vez que no processo judicial, discute-se também, a decadência de parte da obra não considerada decadente pela Auditoria Fiscal da Receita federal do Brasil. Constam do processo, ainda, os seguintes documentos: i) Termo de início de ação fiscal e demais intimações (fls. 18-21); ii) Procuração (fl. 22-24, 32-34); iii) Documentos pessoais (fl. 25, 35-37); iv) Anexo XI - Declaração e informação sobre obra de construção civil - DISO (fls. 26-28); v) Aviso de regularização de obras - ARO (fls. 29-31); vi) Comprovante de inscrição e situação cadastral da contribuinte no CNPJ (fl. 38); vii) Atos constitutivos e alterações contratuais da contribuinte (fls. 39-45); viii) Cadastro geral - Dados da obra (fls. 46 e 47); ix) Anotação de responsabilidade técnica (fl. 48); x) Comprovante de pagamento (fl. 49); xi) Projeto arquitetônico e planilha de áreas (fls. 50, 51, 54 e 55); xii) Certidão quanto aos dados da obra (fl. 52); xiii) Protocolo do Departamento de Planejamento e Desenvolvimento Urbano - Habite-se (fl. 53); xiv) Petições da contribuinte direcionadas à fiscalização, relatórios e evidências sobre a idade das construções do seu parque fabril (fls. 56-69, 82, 83, 95-99); xv) Cópias de matérias publicada na imprensa (fls. 70-79); xvi) Autos de vistoria do corpo de bombeiros (fls. 80 e 81); xvii) Recibo de entrega de declaração e de notificação de lançamento e imposto de renda de pessoa jurídica (fl. 84-86); xviii) Atas de reuniões da contribuinte e outros documentos societários (fls. 87-94); xix) Referentes aos IAN apresentados pela empresa (fls. 100-102). O contribuinte apresentou impugnação em 29/01/2009 (fls. 104-145) alegando que: a) Descabe a aplicação do art. 307 do Decreto nº 3.048/99, uma vez que o Mandado de Segurança impetrado pela contribuinte não tem relação com o mérito da decadência parcial dos créditos ora cobrados, mas tão somente com a expedição de certidão negativa de débitos (ou positiva com efeitos de negativa); b) Descabe a aplicação do prazo decadencial de 10 anos previsto pelo art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista a Súmula Vinculante nº 8 do STF. Igualmente, não pode ser aplicado o prazo prescrito no caput do art. 482 da Instrução Normativa nº 03/2005, devendo ser observado o art. 150, § 4º, do CTN - ainda que não haja o prévio recolhimento da exação, pois esse Fl. 678DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 fato não tem o condão de alterar a forma de extinção do crédito tributário lançado por homologação, o que impede a aplicação do art. 173, I, do CTN. c) Parte dos créditos ora cobrados já foram atingidos pela decadência, uma vez que parte das obras referentes à área de 4.756,01 m 2 foi realizada em período decadencial. Apresenta-se com a impugnação os documentos necessários a comprovação da realização de obra referente a 3.859,14 m 2 durante o referido período, nos termos do art. 482 da Instrução Normativa nº 03/2005 (discriminados e analisados às fl. 116-120); d) Tem-se como termo inicial do prazo decadencial a data 06/2002, constante do auto de vistoria do corpo de bombeiros, tendo em vista ser esta a última data que consta nos documentos apresentados pela impugnante. Assim, aplicando-se a regra do art. 150, § 4º, do CTN, a constituição do crédito referente à área de 9.618,94 m 2 poderia ter ocorrido até 06/2007. Mesmo se adotado o entendimento expressado pela Receita Federal do Brasil nos autos do Mandado de Segurança nº 2008.61.09.010434-1 no sentido de que “as contribuições passaram a ser exigíveis a contar de 02/02/2003”, o Fisco teria até 02/2008 para constituir o crédito, o que apenas ocorreu em 30/12/2008; e) Há divergência em relação à área tributável entre o Aviso de Regularização de Obra - ARO, do qual consta 4.515,35 m 2 , e o Relatório Fiscal, que aponta 4.759,01 m 2 , o que trouxe reflexos para o valor a ser cobrado. Tal divergência quanto ao dado utilizado para a aferição indireta da base de cálculo leva à nulidade do lançamento, uma vez que não atendeu corretamente às exigências do art. 142 do CTN. Caso não se entenda pela nulidade, cabe ao menos a adoção do valor constante do ARO para a redução da base de cálculo utilizada, em respeito aos art. 112, I e II, do CTN; f) Embora a Lei nº 8.212/91 prescreva a possibilidade de aferição indireta da base de cálculo das contribuições cobradas, em consonância com o art. 148 do CTN, o método prescrito pela Instrução Normativa nº 03/2005 e utilizado no caso extrapola os limites determinados em Lei - isso porque os valores utilizados para calcular as contribuições previdenciárias foram estabelecidos exclusivamente nessa IN -, tornando ilegal a apuração do crédito; g) A fiscalização não apontou qual seria a base de cálculo que se adequa aos fatos efetivamente ocorridos, em ofensa ao art. 10 do Decreto nº 70.235/72 e ao art. 142 do CTN. Trata-se de nulidade material que ensejou cerceamento do direito de defesa da impugnante; h) O lançamento está baseado em presunção por parte do Fisco, o que diverge do dever da fiscalização de buscar a verdade material por todos os meios que lhe são facultados em Lei, ainda mais considerando que os casos de dúvida devem ser interpretados em favor do contribuinte. A presunção Fl. 679DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 utilizada não atende aos requisitos mínimos de segurança, quais sejam: i) Demonstração de causalidade entre o indício e o fato presumido; e ii) demonstração de existência de gravidade, precisão e concordância - probabilidade e intensidade que não gere dúvida ou contradição lógica; i) O Auto de infração foi lavrado após a entrada em vigor da Medida Provisória 449/2008. Entretanto multa de ofício foi indevidamente aplicada de acordo com a redação antiga do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Havendo incorreção na capitulação legal, deve ser cancelado o lançamento; j) Descabe a aplicação da Taxa Selic para o cálculo de juros de mora, bem como a incidência de juros sobre o valor da multa. Ao final, formulou pedidos nos seguintes termos (fl. 145): 185. Diante do exposto, requer a Impugnante seja dado integral provimento à presente Impugnação, julgando-se nula a autuação, ou, caso assim não seja entendido, julgando- se improcedente o Auto de Infração, com o consequente arquivamento dos autos, nos termos acima pleiteados. 186. Caso assim não se entenda, requer seja integralmente excluída a multa de ofício, em face da revogação do artigo o 35 da Lei n 8.212/91 pela Medida Provisória n° 449/2008, bem como sejam afastados os juros de mora calculados com base na taxa SELIC, assim como a aplicação dos juros sobre a multa, por ser manifestamente inconstitucional e ilegal sua exigência. 187. Requer, por fim, a produção de todas as provas em direito admitidas, além da posterior juntada de documentos. A impugnação veio acompanhada dos seguintes documentos: i) Atos constitutivos, alterações contratuais e atas de assembleias/reuniões da contribuinte (fls. 146-152, 300 e 301); ii) Procuração (fls. 153 e 154); iii) Documentos pessoais (fl. 155); iv) Cópias de documentos dos presentes autos (fls. 156-171); v) Relativos ao Mandado de Segurança nº 2008.61.09.010434-1 (fls. 172-247, 328-466, 479 e 549-569); vi) Anexo XI - Declaração e informação sobre obra de construção civil - DISO (fls. 248-250 e 467-469); vii) Petições da contribuinte direcionadas à fiscalização, relatórios e evidências sobre a idade das construções do seu parque fabril (fls. 251-253, 259-279, 295, 296, 302-306 e 505-534); xiii) Certidão da prefeitura municipal de Mogi Mirim e protocolo habite-se (fls. 254 e 255); ix) Cadastro geral - dados da obra (fls. 256 e 257); x) Anotação de responsabilidade técnica e boleto (fl. 258 e 481- 483); xi) Publicações de matérias pela imprensa (fls. 280-285 e 526-529); xii) Auto de vistoria do corpo de bombeiros (fl. 286 e 480); xiii) Projeto arquitetônico (fls. 287-290); xiv) Aviso de regularização de obras - ARO (fls. 291-293, 470-475 e 538-540); xv) Guias da Previdência Social - GPS (fl. 294); xvi) Relativos ao IRPJ (fls. 297-299); xvii) Matrículas de registro de imóveis (fls. 307-310); xiii) Capturas de tela de consultas ao sistema DATAPREV e ao sistema da Receita Federal do Brasil (fls. 311-326, 477 e 478); xix) Documento de Arrecadação de Receitas Federais - DARF (fl. 327); xx) Certidão negativa de débitos relativos a contribuições previdenciárias e as de terceiros (fl. 476 e 548); xxi) Memoriais de atividades e descritivo (fls. 484-504); xxii) Captura de tela de consultas de informações disponibilizadas pela CVM - IAN (fls. 535-537); e xxiii) Documentos internos da Receita Federal do Brasil e Memorando nº 775/DRF Limeira/SECAT/2008 (fl. 543-547). Fl. 680DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I/RJ (DRJ), por meio do Acórdão nº 12-34.161 de 09 de novembro de 2010 (fls. 571-583), negou provimento à impugnação, mantendo a exigência fiscal integralmente, conforme o entendimento resumido na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 02/OI/2003 a 15/07/2008 OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL DE RESPONSABILIDADE DE PESSOA JURÍDICA. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário, a teor do disposto no § 4'Ç do artigo 33, da Lei nº 8.212/1991. DECADÊNCIA. ÓNUS DA PROVA. Compete ao sujeito passivo a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência. PRODUÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. O momento para a produção de provas, no processa administrativo, é juntamente com a impugnação. JUROS SELIC. São devidos os juros sobre as contribuições arrecadadas em atraso, no percentual estabelecido pela legislação de regência. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparando-se a legislação vigente à época da infração com os termos da Lei n" 11.941/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Maurício Dalri Timm do Valle, Relator. Conhecimento A intimação do Acórdão se deu em 15 de dezembro de 2010 (fl. 586), e o protocolo do recurso voluntário ocorreu em 14 de janeiro de 2011 (fls. 590-641). A contagem do prazo deve ser realizada nos termos do art. 5º do Decreto n. 70.235, de 6 de março de 1972. O recurso, portanto, é tempestivo, e dele conheço parcialmente. Deixo de conhecer da alegação quanto à suposta ilegalidade do método de aferição previsto pela Instrução Normativa nº 03/2005 e utilizado pela fiscalização para a composição da base de cálculo. Isso porque o órgão julgador administrativo não tem competência para se pronunciar acerca de eventuais excessos, contradições ou incompatibilidades entre a Lei e normas de caráter infra legal em matéria tributária. Tais considerações estão reservadas ao Poder Judiciário. Fl. 681DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 Mérito Das matérias devolvidas 1. Dos documentos apresentados apenas em fase recursal O recorrente apresentou alguns documentos com seu recurso voluntário, consistentes em pesquisa elaborada por profissionais vinculados à Universidade Federal de Santa Maria/RS. A juntada de documentos pelo sujeito passivo no processo administrativo fiscal deve estar concentrada no momento de sua impugnação, de acordo com o art. 16 , III, do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; O § 4º do mesmo dispositivo prevê as condições específicas em que os documentos e provas poderão ser apresentados excepcionalmente em fase recursal: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Os documentos poderão ser admitidos e analisados caso se encaixem em uma dessas hipóteses. Verifica-se que não há provas e nem alegações no sentido de que era impossível a apresentação desses elementos com a impugnação em razão de força maior. Também, não se pode afirmar que os documentos se referem a fatos ou direitos supervenientes. De outro lado, é possível verificar pela fundamentação do recurso que a pesquisa em questão foi juntada com o objetivo de contrapor as afirmações do Delegado da Receita Federal de Limeira em resposta ao pedido de informações do Juízo da 1ª Vara da Justiça Federal de Piracicaba, no âmbito do Mandado de Segurança nº 2008.61.09.010434-1, datada de 27 de novembro de 2008 (fls. 434-466). Os argumentos do Delegado foram utilizados pela DRJ às fls. 578-580 para formar sua convicção no sentido de que as fotografias utilizadas no laudo e respectiva anotação de responsabilidade técnica não atendiam os padrões necessários ao fim pretendido. Verifica-se que os documentos relativos ao citado Mandado de Segurança foram juntados aos autos pela própria recorrente, bem como que os argumentos do Delegado da Receita Federal de Limeira já eram de seu conhecimento à época do protocolo da impugnação Fl. 682DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 administrativa. Assim, não se pode dizer que os documentos juntados com o recurso destinam-se a “contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos”. Por esse motivo, não devem ser admitidos e analisados os documentos referentes à citada pesquisa. 2. Da decadência Entende a contribuinte que deve ser reconhecida a decadência de parte dos créditos tributários, referentes a uma área de 3.859,14 m 2 que teria sido construída dentro de período decadencial, de forma que caberia o lançamento por aferição indireta das contribuições previdenciárias relativas apenas à área remanescente de 896,87 m 2 . Assevera que a regra aplicável para a contagem do prazo de decadência no caso em tela é aquela prevista pelo art. 150, § 4º, do CTN. Isso porque é esse o dispositivo que rege o período decadencial dos tributos lançados por homologação, ainda que não exista qualquer pagamento antecipado por parte do sujeito passivo - já que este fato não tem o condão de alterar o modo de lançamento do tributo. De fato, o citado dispositivo é aquele que rege o prazo decadencial a ser observado nos casos de tributos lançados por homologação (tais como as contribuições previdenciárias ora cobradas), determinando que período quinquenal inicia-se com a ocorrência do fato gerador. Não se manifestando o Fisco no sentido de homologar ou revisar o lançamento, restaria decaído o direito de constituir o crédito tributário. Entretanto, é necessário atentar para o quanto já fixado pelo Superior Tribunal de Justiça no âmbito do REsp nº 973.733/SC, julgado na sistemática dos recursos repetitivos, de observância obrigatória pelo CARF. Tal decisão fixou interpretação no sentido de que, não havendo pagamento antecipado nos casos de tributos lançados por homologação, o prazo a ser observado é aquele previsto pelo art. 173, I, do CTN. A tese então firmada, dando origem à Sumula nº 555 do STJ, foi a seguinte: O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. (grifos nossos) Por esse motivo, não há como acolher os argumentos da recorrente nesse ponto. Outro ponto se refere à comprovação da execução e conclusão das obras de construção civil dentro do período decadencial. A questão estava regulamentada à época pelo art. 482 da Instrução Normativa MPS/SRP nº 03/2005 da seguinte forma: Art. 482. [...] § 1º Cabe ao interessado a comprovação da realização de parte da obra ou da sua total conclusão em período abrangido pela decadência. § 2º. Servirá para comprovar o início da obra em período decadencial um dos seguintes documentos, contanto que tenha vinculação inequívoca à obra e seja contemporâneo do Fl. 683DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 fato a comprovar, considerando-se como data do início da obra o mês de emissão do documento mais antigo: I - comprovante de recolhimento de contribuições sociais na matrícula CEI da obra; II - notas fiscais de prestação de serviços; III - recibos de pagamento a trabalhadores; IV - comprovante de ligação de água ou de luz; V - notas fiscais de compra de material, nas quais conste o endereço da obra como local de entrega; VI - ordem de serviço ou autorização para o início da obra, quando contratada com órgão público; VII - alvará de concessão de licença para construção. § 3º A comprovação do término da obra em período decadencial dar-se-á com a apresentação de um ou mais dos seguintes documentos: I - habite-se, Certidão de Conclusão de Obra - CCO; II - um dos respectivos comprovantes de pagamento de Imposto Predial e Territorial Urbano - IPTU, em que conste a área da edificação; III - certidão de lançamento tributário contendo o histórico do respectivo IPTU; IV - auto de regularização, auto de conclusão, auto de conservação ou certidão expedida pela prefeitura municipal que se reporte ao cadastro imobiliário da época ou registro equivalente, desde que conste o respectivo número no cadastro, lançados em período abrangido pela decadência, em que conste a área construída, passível de verificação pela SRP; V - termo de recebimento de obra, no caso de contratação com órgão público, lavrado em período decadencial; VI - escritura de compra e venda do imóvel, em que conste a sua área, lavrada em período decadencial. VI - escritura de compra e venda do imóvel, em que conste a sua área, lavrada em período decadencial; VII - contrato de locação com reconhecimento de firma em cartório em data compreendida no período decadencial, onde conste a descrição do imóvel e a área construída. § 4º A comprovação de que trata o § 3º deste artigo dar-se-á também com a apresentação de, no mínimo, três dos seguintes documentos: I - correspondência bancária para o endereço da edificação, emitida em período decadencial; II - contas de telefone ou de luz, de unidades situadas no último pavimento, emitidas em período decadencial; III - declaração de Imposto sobre a Renda comprovadamente entregue em época própria à Secretaria da Receita Federal, relativa ao exercício pertinente a período decadencial, na qual conste a discriminação do imóvel, com endereço e área; Fl. 684DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 IV - vistoria do corpo de bombeiros, na qual conste a área do imóvel, expedida em período decadencial; V - planta aerofotogramétrica do período abrangido pela decadência, acompanhada de laudo técnico constando a área do imóvel e a respectiva ART no CREA. § 5º As cópias dos documentos que comprovam a decadência deverão ser anexadas à DISO. § 6º A falta dos documentos relacionados nos §§ 3º e 4º, poderá ser suprida pela apresentação de documento expedido por órgão oficial ou documento particular registrado em cartório, desde que seja contemporâneo à decadência alegada e nele conste a área do imóvel. Tem-se, portanto, que cabe a análise pormenorizada dos documentos apresentados pela contribuinte para contrapor as conclusões da fiscalização, bem como aqueles que embasaram o lançamento. 2.1. Dos autos de vistoria do corpo de bombeiros Conforme consta da decisão recorrida, os documentos em epígrafe já foram reconhecidos como elementos aptos a comprovar que a obra foi realizada em período decadencial, uma vez que, nas palavras do Delegado da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP: “[...] constam como área total e área aprovada 9.757,99 m 2 [...] possuem o mesmo endereço e o mesmo proprietário consignados no projeto de construção e no habite-se expedido pela Prefeitura Municipal”. Na ausência de recurso de ofício questionando esse ponto, adoto o posicionamento da decisão recorrida. Ressalta-se, porém, que são ainda necessários mais dois documentos semelhantes, nos termos do art. 482, § 4º, da Instrução Normativa nº 03/2005, acima transcrito. 2.2. Da declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica A recorrente apresentou recibos de entrega de declarações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica conforme destacado e identificado no relatório acima. Entretanto, analisando as alegações do recurso voluntário, verifica-se que tais elementos não são elencados como aptos a comprovar a realização da obra de construção civil dentro do período decadencial. É o que se extrai, por exemplo, do seguinte parágrafo (fls. 607 e 608): 58. Realmente, a Recorrente apresentou três documentos que são exigidos no referido dispositivo legal, quais sejam: 1) Auto de vistoria do corpo de bombeiro datado de 14/06/2002, no qual restou consignado que a área total da empresa é de 9.757,99, nos termos do § 4°, inciso IV, da Instrução Normativa n° 03/2005; 2) Relatório de constatação de evidências sobre a idade das construções assinado pelo engenheiro pelo Engenheiro José Otávio Salvador e a respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica - ART, registrada no Conselho Regional de Engenharia Arquitetura e Agronomia - CREA, bem como a planta aerofotogramétrica datada de dezembro de 2001, nos termos do § 4°, inciso V, da Instrução Normativa n° 03/2005; 3) o formulário de Informações Anuais - IAN do ano de 2001, extraído do banco de dados da Comissão de Valores Mobiliários - CVM, órgão oficial do Governo Federal, através do no site - www.cvm.gov.br - no qual resta consignado que a Recorrente, no início do ano de 2002, Fl. 685DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 já possuía uma área construída de 12.000 (doze mil) metros quadrados, nos termos do § 6°, da Instrução Normativa n° 03/2005, sendo de rigor o reconhecimento da decadência das contribuições previdenciárias no caso concreto. Dessa forma, ausentes justificativas que apontem em sentido contrário, adoto quanto a esses documentos as razões expostas na manifestação do Delegado da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP, já referidas pela decisão recorrida: O Recibo de entrega de Declaração e Notificação de Lançamento de Imposto de Renda da empresa Baumer Ortopedia Ltda., CNPJ/MF nº 48.169.288/0001-59, dos exercícios de 1989 e 1990 não vem acompanhado de discriminação de imóvel, com endereço e área. Aliás, a hipótese não é possível para Declaração de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica, para a qual não há anexo que permita a declaração de bens e direitos, como ocorre com a Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física. A Declaração de Imposto de renda da pessoa jurídica, entretanto, remete à escrituração contábil. Esta, se portadora de todas as formalidades intrínsecas e extrínsecas e nos históricos dos lançamentos contábeis dos bens imóveis constantes do ativo imobilizado da empresa, descrever o imóvel com endereço completo e área, e tiver sido escriturada e registrada contemporaneamente, em período abrangido pela decadência, poderá ser considerada documento probante da data da construção do imóvel. Entretanto, não foi apresentada escrituração contábil e o recibo de entrega da declaração e Notificação de Lançamento de Imposto de Renda comprova a entrega da declaração do imposto pela empresa Baumer Ortopedia Ltda., CNPJ/MF n" 48.169.288/0001-59, e não pela empresa BAUMER S/A, inscrita no CNPJ /MF sob n" 61.374.161/0001-30, e o endereço constante do carimbo padronizado de CGC constante no referido documento informa como endereço da empresa Avenida Prefeito Antônio Tavares Leite, 381 e não Avenida Prefeito Antônio Tavares Leite, n" 181, como consta no projeto aprovado e habite-se objeto dessa manifestação. Não há, portanto, como considerar-se esse um segundo documento de comprovação de construção em período decadencial. 2.3. Formulário de informações anuais - IAN do ano de 2001 Alega a recorrente que o documento em questão atende aos requisitos do art. 482, § 6º, da Instrução Normativa nº 03/2005 e, por isso, deve também ser considerado um dos documentos aptos a comprovar a realização das obras durante o período decadencial, nos termos do § 4º do mesmo artigo. Assevera que se trata de documento expedido pela Comissão de Valores Imobiliários - CVM (órgão oficial do Governo Federal), com data contemporânea à época da decadência alegada, do qual consta a área do imóvel da recorrente. Tal elemento comprovaria, inclusive, que a recorrente já possuía uma área construída de 12.000,00 m 2 , muito superior ao total de 9.618,94 m 2 que se alega ter sido construído durante o período decadencial. Pois bem. De fato, a CVM se trata de órgão oficial ligado ao Governo Federal. Portanto, para atender ao que prescreve o citado § 6º, é necessário que o documento seja contemporâneo à decadência alegada, bem como identifique a área do imóvel. Cabe mencionar que, realmente, a decisão recorrida deixou de se manifestar expressamente sobre esse documento, limitando-se a referenciar as razões apresentadas pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP no âmbito do Mandado de Segurança nº Fl. 686DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 2008.61.09.010434-1 - as quais apenas indicam genericamente que “os demais documentos apresentados pela impetrante para comprovar a decadência da área a regularizar do imóvel não estão previstos como comprobatórios para esse fim” e que “não foram apresentados documentos que possam suprir as exigências do citado § 6º”. Observa-se, ainda, que o IAN/2001 da recorrente não consta da lista dos documentos analisados pelo referido delegado (fls. 457 e 458) na oportunidade em que se debruçou sobre as alegações de decadência das contribuições ora cobradas. Verifica-se à fl. 535 a captura de tela referente à consulta no sistema informatizado da CVM quanto aos Formulários de Informações Anuais apresentados pela recorrente entre os anos de 2001 a 2004. Às fls. 536 e 537 constam capturas de tela da consulta específica ao IAN de 31/12/2001, destacando o “Grupo 13 - Propriedades Relevantes”, no qual indica-se os seguintes dados do imóvel localizado na Av. Pref. Ant. Tavares Leite, 181, em Mogi Mirim/SP: Área total de 192.230,00 m 2 e área construída de 12.000,00 m 2 . Informações semelhantes podem ser constatadas às fls. 100-102. Em que pese tais dados constarem de sítio eletrônico de órgão do Governo Federal, é importante lembrar que se tratam de informações a ele transmitidas por parte da própria contribuinte. Nesse sentido, não são fornecidas maiores informações acerca de como seria possível verificar a autenticidade das informações, motivo pelo qual deixo de considerar que tal documento esteja apto a comprovar a conclusão das obras dentro de período decadencial nos termos do § 6º do art. 482 da Instrução Normativa nº 03/2005. 2.4. Do relatório de constatação de evidências sobre a idade das construções com anotação de responsabilidade técnica (ART) e publicações em revistas contemporâneas ao período abrangido pela decadência. Entente a recorrente que o Laudo técnico apresentado, acompanhado pela necessária anotação de responsabilidade técnica - ART e por publicações de matérias da imprensa contemporâneas aos fatos também se qualificariam como meios de prova da conclusão das obras durante período decadencial, nos termos do art. 482, § 4º, V, da Instrução Normativa nº 03/2005. A DRJ, por sua vez, entendeu que tais documentos não seriam suficientes para os fins pretendidos em razão dos argumentos já aduzidos pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP, quais sejam (fls. 579-580): Quanto ao Relatório de Constatação de Evidencias sobre a Idade das Construções assinado pelo Engenheiro Civil José Otávio Salvador, com registro no CREA sob n” 060.146.929-1 (com respectiva ART nº 922212200808l9311, datada de 19/12/2008) e fotografia da vista área da Baumer, na qual não consta a data de obtenção, e as publicações em revistas contemporâneas ao período abrangido pela decadência, que contém fotografias aéreas do parque industrial da Baumer, as explicações abaixo, por si só, levarão à conclusão se os documentos devem ou não serem aproveitados para comprovar decadência na obra. As instruções sobre construção civil determinam que deva ser apresentada planta aerofotogramétrica do período abrangido pela decadência, acompanhada de laudo técnico constando a área do imóvel e a respectiva ART no CREA. Fl. 687DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 A Aerofotogrametria refere-se às operações fotogramétricas realizadas com fotografias da superfície terrestre obtidas por uma câmera precisão com o eixo ótico do sistema de lentes mais próximo da vertical montada um aeronave preparada. E utilizada na Cartografia, Planejamento e Desenvolvimento Urbano, Engenharias Civil, Agronômicas e Florestal. Como se pode verificar, as fotos acostadas ao processo foram reproduzidas de revistas destinadas à exposição e venda dos produtos fabricados pela Baumer. São fotografias do parque fabril da lmpetrada, que, profissionalmente, expunha aos adquirentes seus produtos e suas magnificas instalações industriais. Para a finalidade para a qual as fotos foram tiradas, não havia a preocupação em que estas fotos fossem realizadas na vertical, ou que, através delas, pudessem ser extraídas áreas de construção que comprovassem que as instalações foram construídas em período decadencial. Aliás, existe até uma certa profundidade nas fotos, com alguns prédios destacando-se à frente e outros ao fundo, em menor tamanho, não contemplando a visibilidade conferida aos primeiros. As plantas aerofotogramétricas são planas, com todos os prédios vistos exatamente na vertical, e a distância focal da câmera é fator determinante para a altura de vôo e muitas vezes, o uso final das imagens. Dependendo da altura e distância focal é determinada a escala da planta aerofotogramétrica, o que permitirá o cálculo da área construída com grande precisão. E por esse motivo que muitas Prefeituras Municipais lançam o Imposto Predial com base nesses tipos de plantas. Como se pode verificar, as fotografias aéreas apresentadas não podem ser tecnicamente consideradas plantas aerofotogramétricas. Não obstante, mesmo que viessem a serem consideradas como mais um elemento entre os três exigidos pelo § 4" do artigo 482, haja vista estarem acompanhadas do Laudo Técnico e respectiva Anotação de Responsabilidade Técnica - ARTI ainda assim, não se tem o número mínimo de documentos exigidos pelas normas vigentes para comprovar cabalmente a edificação em período decadente. Foi por esses motivos que o Auditor Fiscal responsável pela emissão do Aviso de Regularização de Obra - ARO não considerou as fotos aéreas comerciais como planta aerofotogramétrica. Em seu relatório, assim se manifestou: “Dos documentos comprobatório disposto no parágrafo 4º foi considerado apenas o Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros, quanto o Relatório de Constatação de Evidência com analise dos telhados com base em fotos e publicações sendo tais documentos não previstas como prova de término da obra em período decadencial, restando assim apenas um documento pelos três dos dispostos no parágrafo 4º da IN 03/2005”. Em resposta a esses argumentos, apontou a contribuinte que as fotografias utilizadas para a confecção do laudo respeitam as normas técnicas que visam garantir a confiabilidade das informações. Ainda, reitera que os métodos de interpretação das imagens utilizados pelo Engenheiro responsável são mais do que suficientes para alcançar com precisão a idade e a dimensão da área construída do imóvel em questão. Pois bem. A questão controvertida relaciona-se à aptidão das imagens constantes do laudo para chegar às conclusões apontadas pelo engenheiro responsável, especialmente em relação às dimensões das áreas construídas e do período em que foram edificadas, tendo por base a data de registro das fotografias aéreas. Fl. 688DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 O “Relatório de Constatação de Evidências sobre a Idade das Construções” (fls. 505-525) indica que os materiais utilizados para o exame técnico pelo engenheiro responsável foram: i) Plantas aprovadas pela Prefeitura Municipal de Mogi Mirim; e ii) Publicações da área da indústria de equipamentos hospitalares e ortopédicos. Mencionam-se como “outras evidências”: i) Os autos de vistoria do corpo de bombeiros; e ii) Fotografias aéreas produzidas pela empresa Base Serviços de Fotografias Aéreas e Imagens LTDA - EPP. Nota-se pela análise das fls. 514-525 que as imagens utilizadas para a formulação do laudo foram aquelas retiradas de publicações na imprensa, as quais visavam apresentar a empresa recorrente, seus produtos e suas instalações a possíveis interessados em seus produtos ou serviços. Tais peças publicitárias constam das fls. 526-534, além de outros trechos dos autos já identificados no relatório. Como bem delimitado pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Limeira/SP, por mais que essas imagens apresentem as instalações da empresa por fotografias aéreas, não se pode dizer que se tratam propriamente das plantas aerofotogramétricas exigidas pelo art. 482, § 4º, V, da Instrução Normativa nº 03/2005. Isso porque: a) A captação das imagens tinha propósitos publicitários, os quais não se confundem com a intenção de aferir com precisão as dimensões dos estabelecimentos; b) Não há evidências quanto as especificações dos equipamentos utilizados na captação das imagens (qual o tipo de máquina fotográfica utilizada, por exemplo), e nem mesmo de qual altura foram tiradas as fotografias. Isso é importante porque, como bem mencionou o Delegado, as plantas aerofotogramétricas são elaboradas com equipamentos e métodos específicos; e c) Boa parte das constatações estão baseadas no documento nomeado “fotografia 3”, a qual foi publicada na revista “Guia de Fornecedores” em julho de 2003 e, alegadamente, foi captada em setembro de 2002. Porém, conforme se verifica às fls. 533 e 534, não há indicações da data em que a imagem foi captada. Em que pesem as justificativas da recorrente, no sentido de que as fotografias em questão e as técnicas utilizadas pelo engenheiro responsável pelo laudo seriam suficientes a constatar as dimensões e a idade das construções no imóvel, é necessário apontar que os documentos não se amoldam com perfeição às exigências da norma acima citada. Sendo assim, e considerando que ao julgador administrativo cabe a fiel aplicação da legislação tributária (sem conferir-lhe interpretação extensiva), entendo que os documentos em questão não se prestam a comprovar a conclusão das obras em período decadencial. 2.6. Conclusões sobre a decadência Tendo em vista os subitens acima, tem-se que os documentos apresentados não são suficientes para comprovar a conclusão das obras durante o período decadencial, devendo ser mantidas as conclusões da fiscalização e da decisão recorrida, especialmente considerando o quanto informado no projeto arquitetônico com planilha de áreas a regularizar (fls. 50 e 51), Fl. 689DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 certidão emitida pela Prefeitura Municipal de Mogi Mirim (fl. 52) e o habite-se de protocolo nº 8526/08 (fl. 53), bem como a prescrição do art. 482, § 3º, I e III, da Instrução Normativa nº 03/2005. 3. Da ausência de suporte legal para o arbitramento realizado Entende a recorrente que o lançamento pela técnica da aferição indireta careceu de fundamentação legal no caso em tela. Contudo, verifica-se pelos documentos do Auto de Infração, especialmente o Relatório Fiscal e o anexo de Fundamentos Legais do Débito, que houve sim a indicação dos dispositivos legais e infra legais que dão suporte ao lançamento. A questão já foi enfrentada pela decisão recorrida, cujos apontamentos adoto como razões de decidir nesse ponto: 20. Assim dispõe a IN MPS/SRP n° 03, de 14/07/2005, vigente à época da lavratura, em relação à regularização de obra de construção civil: Art. 472. A obra ou o serviço de construção civil, de responsabilidade de pessoa jurídica, deverá ser auditada com base na escrituração contábil, observado o disposto nos arts. 419 e 421, e na documentação relativa à obra ou ao serviço. Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão-de-obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3”, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: (...) II - quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no §4° do art. 60; (...) §1° Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: (...) II - pelo cálculo do valor da mão-de-obra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construído; (...) Art. 478. Quando a empresa não apresentar escrituração contábil no momento da regularização, a CND será liberada mediante o recolhimento integral das contribuições sociais, apuradas por aferição nos termos dos arts. 427, 428, 600, 601, 604 e 605, ou nos termos do Capítulo IV deste Título, conforme o caso, desde que solicitada pelo responsável pela regularização da obra, observado o disposto no art. 475. 21. De acordo com a auditoria Fiscal, a empresa protocolou a DISO requerendo a decadência de parte das contribuições previdenciárias e apuração por aferição indireta das contribuições devidas da área remanescente. Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução da obra de construção civil foi apurado com base no art. 33, § 4°, da Lei n° 8.212/1991, abaixo transcrito: Fl. 690DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 “Art. 33 (...) § 4º Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável a ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Le nº 11.941, de 2009)”. 22. Com efeito, 0 relatório fiscal motiva o arbitramento realizado, com base no art. 33, § 4°, da Lei 8.212/ 1991, face à não apresentação da escrituração contábil. O auditor aferiu corretamente a base imponível e lançou as contribuições que reputou devidas, fornecendo todo o embasamento legal e normativo para o lançamento, apto a possibilitar o exercício do direito de defesa pelo contribuinte, não havendo, pois, qualquer nulidade a ser declarada. Cabe lembrar, novamente, que não cabe ao julgador administrativo negar vigência à legislação tributária, nem emitir manifestação sobre sua eventual incompatibilidade com normas constitucionais ou outros dispositivos legais. Nesse sentido, deixo de acolher os argumentos da recorrente nesse ponto. 4. Do erro na aferição da base de cálculo Assevera a recorrente que houve erro na aferição da base de cálculo, o que levaria à nulidade do lançamento. Isso porque haveria divergência entre as áreas apontadas no Aviso de Regularização de Obra - ARO e aquela utilizada para aferir a base de cálculo do tributo devido por meio de aferição indireta, mesmo havendo a substituição do ARO. O lançamento foi realizado com base em uma área de acréscimo de 4.756,01 m 2 , enquanto a recorrente aponta que o novo ARO aponta um total de apenas 4.563,35. Analisando o documento em questão (fl. 29 e 30), verifica-se o seguinte: Tem-se que o valor indicado pelo Relatório Fiscal foi obtido a partir da soma dos valores da coluna “Área de Acréscimo” inscritos na linha “Total” como 385,32 (Red. 50%) e 4.370,69, totalizando 4.756,01 m 2 . No quadro “Dados de Enquadramento”, são identificados como “Áreas de Enquadramento” os valores de 750,87 e 3.812,48, cuja soma totaliza 4.563,35 m 2 . Fl. 691DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 No quadro de título “Aferição da Remuneração da Mão de Obra Total”, são apresentadas as seguintes informações: Ao somar os dois valores constantes da coluna “Area Faixa” (“Acréscimo - Sal. Lojas” e “Acréscimo - Galpão”), tem-se o total de 4.563,35 m 2 . Esse também é o quanto especificado no “Quadro de Áreas e remunerações” como “Área Total Projeto”: Em que pesem as citadas informações convergirem para a tese de que a área total construída fora do período decadencial era de 4.563,35 m 2 , e não de 4.756,01 m 2 , é importante interpretar o conjunto probatório como um todo para verificar se houve ou não equívoco na composição da base de cálculo. Se somadas as áreas que, na interpretação da recorrente, são indicadas pelo ARO como decaídas e não decaídas (5.596,59 m 2 e 4.563,35 m 2 , respectivamente - excluindo da operação os valores de 5.433,38 m 2 , 326,42 m 2 , 4.370,69 m 2 e 385,32 m 2 , também constantes do quadro “Dados Informados”), tem-se o total de 10.159,94 m 2 . No entanto, essa área total é incompatível com os valores informados pela própria contribuinte na DISO (fls. 26-28), quais sejam, 1.596,31 m 2 , 8.022,63 m 2 , 896,87 m 2 , cuja soma totaliza 10.515,81 m 2 . Importante lembrar que foi a partir das medidas desse documento que a recorrente sustentou a decadência de uma área de 9.618,24 m 2 . O total de 10.515,81 m 2 também é o que consta da certidão emitida pela Prefeitura Municipal de Mogi Mirim de fl. 56 e do quadro de áreas de fl. 51. Isso posto, note-se que a soma das áreas de 5.433,38 m 2 , 326,42 m 2 , 4.370,69 m 2 e 385,32 m 2 , informadas com o ARO, é igual a 10.515,81 m 2 . Com isso, ao subtrair desse total os valores referentes às áreas já decaídas (5.433,48 m 2 e 326,42 m 2 ), chega-se à área reputada pela fiscalização como construída fora do período decadencial (4.756,01 m 2 ). Nesse sentido, tendo em vista que o Relatório Fiscal deixa claro que o lançamento não se baseou unicamente no ARO, mas sim no conjunto das informações constantes dos Fl. 692DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 diversos documentos colhidos pela fiscalização, tem-se que não houve equívoco por parte da fiscalização no que diz respeito a composição da base de cálculo. Por esse motivo, deixo de acolher os argumentos da recorrente nesse ponto. 5. Da ausência de indicação precisa da base de cálculo e do método utilizado Entende a recorrente que a fiscalização deixou de apontar qual seria a verdadeira base de cálculo a ser utilizada para alcançar o montante devido, bem como o método e a memória de cálculo que formou a base de cálculo, resultando em cerceamento de seu direito de defesa. Aqui é necessário retomar o quanto fixado no item 3 acima, no sentido de que a aferição indireta efetuada no caso em tela se deu nos exatos termos das normas legais e infra legais aplicáveis à espécie, sendo que os fundamentos legais foram devidamente informados ao sujeito passivo. De outro lado, o Relatório Fiscal menciona os dados utilizados e o método utilizado conforme consta de fls. 12-17, além dos anexos de fls. 5-9. Entende-se, portanto, que a base de cálculo foi obtida mediante a operação prevista no art. 473, § 1º, II, da Instrução Normativa nº 03/2005: Art. 473. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mão-de-obra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3”, 4° e 6° do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: [...] §1° Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: [...] II - pelo cálculo do valor da mão-de-obra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de responsabilidade da empresa e proporcional à área construído; Por esse motivo, deixo de acolher as alegações da recorrente nesse ponto. 6. Do lançamento baseado em presunções pessoais Entende a contribuinte que o lançamento foi baseado em presunções pessoais por parte do Auditor Fiscal, que deveria ter realizado mais diligências no sentido de encontrar a verdadeira data de conclusão das obras de construção civil, bem como as suas dimensões e as remunerações dos trabalhadores então empregados. Em primeiro lugar, é necessário apontar que a questão que o art. 482, § 1º, da Instrução Normativa nº 03/2005 impõe ao próprio contribuinte o ônus de comprovar as datas de início e término das obras de construção civil. De outro lado, note-se que não houve “presunção pessoal” por parte do auditor fiscal, mas sim a aferição indireta da base de cálculo, com esteio nos dispositivos legais e no Fl. 693DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 método já descritos acima - e isso se deu tão somente porque o próprio contribuinte deixou de apresentar documentos que relacionassem com precisão a remuneração da mão-de-obra da empreitada. Nesse sentido, deixo de acolher as alegações da recorrente nesse ponto. 7. Da multa aplicada e dos juros sobre ela incidentes Assevera a recorrente que a multa foi aplicada com base no art. 35, I a III, da Lei nº 8.212/91, o qual já havia sido revogado pela Medida Provisório 449/2008 (posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009), o que configura equívoco na capitulação legal fornecida pelo auditor fiscal e, consequentemente, caberia o cancelamento do débito nesse ponto. Pois bem, é necessário apontar que eventuais nulidades do lançamento, inclusive as que estejam relacionadas às multas, estão previstas pelo art. 59 do Decreto-Lei nº 70.235/72 nos seguintes termos: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. O lançamento em questão não se encaixa em nenhuma das referidas hipóteses, tendo em vista que o direito de defesa da recorrente foi efetivamente resguardado, com a declinação de todos os fundamentos legais do débito - inclusive daqueles referentes a multa, aplicáveis à espécie no entendimento do auditor fiscal. A questão da aplicabilidade de um ou de outro dispositivo, tendo em vista os efeitos da vigência das alterações legislativas acima referidas, é questão que se concentra na possibilidade de retroatividade da norma que resultar na situação mais benéfica ao contribuinte. Com isso, entendo que deve ser observada a lógica da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04 de dezembro de 2009, art. 2º “No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional (CTN)”. Sobre a incidência de juros sobre a multa, importante verificar o quanto fixado pela Súmula CARF nº 108: Súmula CARF nº 108: Fl. 694DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 2301-009.929 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.004654/2008-51 Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Sendo assim, descabem os argumentos da contribuinte. 8. Dos juros calculados pela Taxa Selic Entende a recorrente que não cabe a aplicação de juros calculados através da Taxa Selic. No entanto, deve ser aplicada ao caso a Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Por essas razões, deixo de acolher os seus argumentos. Conclusão. Diante do exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso e, no mérito, negar- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maurício Dalri Timm do Valle Fl. 695DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10768.720292/2007-67
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL
SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS
CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO.
O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação.
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.404
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 05 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201104
ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10768.720292/2007-67
conteudo_id_s : 6693456
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-001.404
nome_arquivo_s : Decisao_10768720292200767.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 10768720292200767_6693456.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2011
id : 9564264
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:44:12 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810852122624
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1676; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 224 1 223 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10768.720292/200767 Recurso nº 2 Voluntário Acórdão nº 380301.404 – 3ª Turma Especial Sessão de 6 de abril de 2011 Matéria DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente TELEMAR NORTE LESTE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INDÉBITOS. DÉBITOS CONFESSADOS. ERRO. COMPROVAÇÃO. O deferimento de pedido de restituição de pagamento indevido de débito declarado em DCTF depende da prova do erro na confissão, passível de ser produzida, mesmo no curso do contencioso administrativo fiscal, até o momento processual da reclamação. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis e Andréa Medrado Darzé. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório TELEMAR NORTE LESTE S.A formulou o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 06249.68785.180304.1.3.04 9207, transmitida eletronicamente em 18/03/2004, anexa às fls. 3 a 7, de crédito proveniente do pagamento de COFINS, período de apuração de fev/03, sob a alegação de que este pagamento teria sido efetuado a maior ou indevido, com débito de PIS, período de apuração dez/03, e com débito de Cofins, período de apuração nov/03, no valor total de R$ 128.467,92. A autoridade administrativa com jurisdição sobre o declarante indeferiu o pleito de restituição e não homologou a compensação, Despacho Decisório na fl. 77. O Parecer nº 226/2008, no qual o Despacho Decisório se apoiou, dá conta de que (a) os extratos às folhas 54 a 56 mostram a existência de três DARF recolhidos para quitação do débito de COFINS, período de apuração fevereiro/2003: o DARF informado como origem do crédito em questão, no valor principal de R$ 1.799.990,04, e mais dois outros DARF, com valores principais de R$ 14.904.098,51 e R$ 10,00; (b) os extratos de DCTF às folhas 57 a 64 revelam que os dois primeiros DARF acima citados foram desvinculados do débito em questão pela DCTF retificadora apresentada em 04/04/2005, que reduziu o referido débito de R$ 44.456.114,08 para R$ 28.061.891,15 (folhas 61 e 62), valor este mantido na DCTF ativa (folha 64), e que (c) e que o contribuinte não apresentou a documentação hábil e idônea solicitada para comprovar as deduções de "cancelamento de 4ª conta", "receitas diferidas no mês", "descontos concedidos" e "PIS retido órgão público", fazendo com que a base de cálculo da COFINS para fevereiro/2003 para efeito fiscal seja de R$ 1.509.626.734,91. Sobreveio reclamação. A Manifestação de Inconformidade, fls. 120/127, foi julgada improcedente.O Acórdão 1327.671 4ª Turma da DRJ/RJ2, de 23 de dezembro de 2009, fls. 176/180, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28102/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão de primeira instância. O arrazoado de fls. 184/220, após protesto de tempestividade e síntese dos fatos relacionados à lide, explica que o crédito utilizado para realizar a compensação advém de recolhimento maior efetuado para a competência de fevereiro de 2003, verificado após a apuração de deduções da base de cálculo da COFINS, que ensejaram a apresentação de DCTF retificadora e a consequente redução no imposto a pagar. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.720292/200767 Acórdão n.º 380301.404 S3TE03 Fl. 225 3 Esclarece que a DCTF original incluiu indevidamente os valores de "cancelamento de 4ª conta", "receitas diferidas no mês", "descontos concedidos" e "PIS retido órgão público" na base de cálculo da contribuição para o período em questão. Quanto aos valores atinentes ao "cancelamento de 4ª conta", aduz referirem se a supostas receitas ponderadas pela Fiscalização que, contudo, não podem ser caracterizados como tal, por tratarse de valores cujas cobranças dos usuários foram devidamente invalidadas, em face da inexistência da correspondente prestação de serviço, conforme permissão da Anatel, consubstanciada no § 2º do art. 51 do anexo à Resolução nº 477 da ANATEL, de 7 de agosto de 20071. Em relação à inclusão das receitas diferidas de órgãos públicos na respectiva base de cálculo, assinala que tais valores são decorrentes da prestação de serviços de telecomunicações a órgãos públicos ou sociedades de economia mista, oferecidos à tributação pelo regime de caixa, nos termos do art. 7º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, e que tal peculiaridade foi desconsiderada pela Fiscalização, que as tributou segundo o regime de competência. Entende assim que esses valores não poderiam compor a base de cálculo da COFINS para o período de apuração em questão. Salienta que as retenções dos valores de PIS foram evidenciadas por meio dos demonstrativos acostados às fls. 24, 25, 29/43 destes autos, que constituem documentos oficiais da Recorrente, elaborado com base nas informações de seus Livros Contábeis e Fiscais, devendo ser levados em consideração para o julgamento do caso, no máximo, ensejando diligência nos referidos livros para se confirmar os dados lançados nos demonstrativos em questão, mas jamais resultando no indeferimento da compensação. Nada obstante, a Fiscalização entendeuos imprestáveis para demonstrar as deduções em questão da base de cálculo da COFINS e, consequentemente, por desconsiderar tais deduções, que poderiam ser facilmente comprovadas por meio de diligência estabelecimento da Empresa, em que fossem verificados seus livros fiscais relativos ao período de fevereiro de 2003, em apreço ao princípio da verdade material. No que tange às deduções concernentes a "descontos concedidos", esclarece que tais valores tampouco podem integrar a base de cálculo da COFINS, haja vista dizerem respeito a descontos promocionais concedidos em épocas comemorativas aos clientes da Recorrente para fidelização dos mesmos. Conclui que a Receita Federal do Brasil, com base, exclusivamente na análise das DCTF's, não encontrou o crédito utilizado, mas que, conforme exposto, o fato é que a Recorrente, em sua DCTF, registrou valor maior do que o realmente devido a titulo de COFINS em fevereiro de 2003 e que o crédito existe, de maneira que o erro no preenchimento 1 Art. 51. Havendo situação de inadimplência, a prestadora pode tomar as seguintes providências: I transcorridos 15 (quinze) dias do vencimento da conta de serviços: suspender parcialmente o provimento do serviço, com bloqueio das chamadas originadas e das chamadas terminadas que importem em débito para o Usuário; II transcorridos 30 (trinta) dias desde a suspensão parcial: suspender totalmente o provimento do serviço, inabilitandoo a originar e receber chamadas; (...) §2° Quando da suspensão total do provimento do serviço é vedada a cobrança de assinatura ou qualquer outro valor referente à prestação de serviço. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 4 dos documentos fiscais não possui o condão de afastar o direito à compensação, a impor a integral reforma do v. acórdão recorrido. Diz que a verdade material deve prevalecer sobre a formal e que acaso tivesse diligenciado efetivamente junto ao estabelecimento da Empresa, a fim de verificar as informações lançadas em seus livros contábeis, teria esclarecido as imprecisões apontadas e constatado as deduções que ocasionaram a redução da base de cálculo da COFINS. Cita e transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ e doutrina de Hely Lopes Meirelles, Alberto Xavier, Ippo Watanabe e Luiz Pigatti Júnior. Conclui, requerendo recebimento do recurso com efeito suspensivo, sustandose quaisquer atos tendentes ao prosseguimento da cobrança administrativa ou judicial dos débitos debatidos no presente Processo Administrativo até ulterior decisão definitiva em contrário, nos termos do artigo 151, III do Código Tributário Nacional, bem como à inscrição de seu nome no CADIN ou outro órgão de proteção ao crédito. Postula seja dado provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendose o seu direito creditório na integralidade, devidamente atualizado, bem como a insubsistência da decisão recorrida e a extinção dos débitos de PIS e COFINS apurados em novembro e dezembro de 2003 e consubstanciados na declaração de compensação não homologada, a teor do artigo 156, II do CTN. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão nº 1327.671 4ª Turma da DRJ/RJ2, de 23 de dezembro de 2009. Compulsando os autos, constato, às fls. 51 e 52, que o contribuinte, ora recorrente, apresentou DCTF original em 12/05/2003, informando o débito de COFINS, período de apuração fevereiro/2003, no valor de R$ 44.515.310,18, retificandoo em 20/10/2006, apresentando o valor de R$ 28.061.891,15, divergente do valor constante da DIPJ, fls. 16, R$ 44.456.114,08. Em face dessas inconsistências, foi intimado a prestar esclarecimentos (fl. 22). Em resposta ao solicitado, o contribuinte, em 01/10/2008, apresentou os demonstrativos solicitados (fls. 23 a 25). Reintimado a, com base em documentação hábil e idônea, comprovar, na composição dos valores dos débitos do PIS da COFINS, (i) o montante de R$ 3.151.608,50, relativo a “cancelamento de 4ª conta”, no mês de fevereiro de 2003; (ii) os montantes de R$ 4.016.860,50 e R$ 53.684.887,20, relativos a “receitas diferidas no mês”, dos meses de fevereiro e novembro de 2003; (iii) os montantes de R$ 10.869.926,41 e R$ 13.079.301,77 relativos a “descontos concedidos” no mês de fevereiro e novembro de 2003, e; (iv) o montante de R$ 87.136,81 relativo a “PIS retido órgão público” no mês de novembro de 2003, a Equipe Fiscal 33 do Grupo Especial de Fiscalização criado pela Portaria SRRF n° 498 junto à DEFIS/RJ deu conta de que nenhuma documentação hábil e idônea foi apresentada e que o interessado limitouse a apresentar meros demonstrativos intitulados "PIS RETENÇÃO DE ÓRGÃOS PÚBLICOS", "Composição do Diferimento de órgãos Públicos de fev/2003" e uma relação de códigos tarifários e que, quanto ao item (i) das intimações (Cancelamento de 4ª a Conta) nada foi apresentado ou esclarecido. Diante da falta de comprovação das deduções, a Fiscalização considerou que a base de cálculo da COFINS para o mês de fevereiro de 2003 é de R$ 1.509.626.734,91, Fl. 4DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.720292/200767 Acórdão n.º 380301.404 S3TE03 Fl. 226 5 deixando de computar os redutores nos montantes de R$ 3.151.608,50, R$ 4.016.860,52 e R$ 10.869.926,41 e concluiu que a Cofins devida no PA era de R$ 44.997.265,95, conforme abaixo demonstrado. Computados todos os pagamentos e compensações efetuadas para o a extinção do débito, emergiu saldo a pagar no valor de R$ 1.231.286,25, nada havendo a restituir. Em sede de recurso voluntário, o interessado retoma o argumento de que a documentação acostada aos autos é suficiente para a comprovação do direito creditório, invocando o princípio da verdade material. Ora, em se tratando de uma relação processual probatória, os procedimentos de restituição/compensação exigem do sujeito passivo a comprovação do direito que entende possuir. Não existe, propriamente, a obrigação de provar, senão com o risco de que, em não se cumprindo o ônus probatório, não se venha a alcançar sucesso em sua pretensão. Inversamente do que ocorre nos casos em que se trata de lançamento de ofício, nos processos envolvendo restituição/compensação o ônus da prova do direito é do sujeito passivo, já que lhe cabe a iniciativa e o interesse em ver reconhecido seu direito ao crédito. A jurisprudência administrativa emanada do Conselho de Contribuintes é firme nesse sentido, conforme exemplificam as ementas dos seguintes Acórdãos: VALORES A REPETIR. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO. Pedido de Restituição deve ser acompanhado da demonstração dos' valores pagos a maior ou indevidamente e da comprovação respectiva, de modo a permitir a regular apuração do quantum a repetir sem a qual os créditos não podem ser reconhecidos, ainda que o direito se apresente plausível. (Acórdão n° 203 11.106, de 30/06/2006 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) PIS. FATURAMENTO. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO/ COMPENSAÇÃO. ELEMENTO DE PROVA. O Fl. 5DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN 6 pedido de restituição ou compensação deverá vir acompanhado da prova ou elementos suficientes para possibilitar a apuração do valor recolhido a maior, sob pena da inviabilização da determinação da liquidez e da certeza do valor a repetir. (Acórdão n° 20310.937, de 23/05/2006, da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes) Assim, a natureza da relação processual própria dos processos de restituição/compensação atribui ao sujeito passivo o ônus de provar a liquidez e certeza do crédito que pleiteia, não cabendo à autoridade administrativa suprir o encargo que é da pleiteante. Quanto ao poder probante dos documentos apresentados pelo interessado, às fls. 23 a 25 e 28 a 50, como enfatizou a Autoridade Administrativa competente para apreciar o pleito, tratase de meros demonstrativos que não têm o condão de comprovar a efetividade do demonstrado, principalmente para efeitos fiscais, e não a documentação hábil e idônea solicitada. De se destacar também que, quanto à dedução intitulada Cancelamento de 4ª Conta, nada foi apresentado ou esclarecido. Neste contexto, a falta de comprovação dos créditos que a contribuinte alega possuir, além de enfraquecer a defesa, é razão suficiente para que a compensação não seja homologada, pois a simples menção do valor creditório, sem a devida comprovação, inviabiliza o reconhecimento do direito creditório. Mesmo na fase contenciosa do procedimento administrativo fiscal, que ora se desenrola, o requerente, enquanto manifestante, poderia produzir a prova necessária para a demonstração de seu direito, em face da aplicação analógica do § 4º do art. 16 do PAF, autorizada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de 2008. O interessado, contudo, não se dignou a fazêlo, talvez esperando que a autoridade fiscal suplementasse a sua vontade e o intimasse a tanto. Omitiuse em trazer ao processo qualquer prova conclusiva a propósito das bases de cálculo da Cofins para o período em que alega o direito creditório. Ao contrário, em vez de tentar comprovar a regularidade das deduções procedidas na base de cálculo Cofins em fevereiro de 2003, o recorrente preferiu tergiversar, afirmando ser defeso ao Fisco discutir a base de cálculo de tributo relativo a período decaído. Em fim, inexiste nos autos qualquer prova conclusiva da base de cálculo da Cofins para o período em que alega o direito creditório, não se podendo operar, portanto, a liquidez e certeza de seus eventuais créditos. Conclusão Com essas considerações e com os fundamentos da decisão recorrida que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 6 de abril de 2011 Alexandre Kern Fl. 6DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10768.720292/200767 Acórdão n.º 380301.404 S3TE03 Fl. 227 7 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10768.720292/200767 Interessada: TELEMAR NORTE LESTE S/A Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.404, de 6 de abril de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 6 de abril de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 7DF CARF MF Emitido em 08/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 09/04/2011 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11080.908543/2009-97
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000
DECISÃO NÃO CONTESTADA.
Considerar-se-á não recorrida a matéria que não for expressamente
contestada pelo interessado.
Numero da decisão: 3803-001.364
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Nov 05 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201103
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 DECISÃO NÃO CONTESTADA. Considerar-se-á não recorrida a matéria que não for expressamente contestada pelo interessado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 11080.908543/2009-97
conteudo_id_s : 6691774
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Oct 31 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-001.364
nome_arquivo_s : Decisao_11080908543200997.pdf
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 11080908543200997_6691774.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2011
id : 9562528
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:44:10 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810855268352
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1427; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 136 1 135 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.908543/200997 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803001.364 – 3ª Turma Especial Sessão de 02 de março de 2011 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente SINALIZADORA RODOVIÁRIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2000 a 30/04/2000 DECISÃO NÃO CONTESTADA. Considerarseá não recorrida a matéria que não for expressamente contestada pelo interessado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1024.213, de 4 de março de 2010, da DRJPorto Alegre/RS, fls. 22 a 23, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 A nãohomologação da compensação declarada fundamentase na falta de comprovação do pagamento indicado na declaração de compensação. Na manifestação de inconformidade apresentada a interessada “contesta o Despacho alegando que, ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, constatou a existência de valores pagos a maior a título das contribuições. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável da contribuição com base no disposto no art. 3º, §2º, inciso III, da Lei n° 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Transcreve decisões judiciais favoráveis ao seu pleito. Não traz ao processo qualquer comprovação da existência do DARF indicado na DCOMP.”, nos termos do relatório do acórdão recorrido. Em seu julgamento, a DRJ/Porto Alegre, considerou inexistente o direito creditório, seja pela falta de comprovação do recolhimento indicado, seja pela impossibilidade de conferir eficácia ao dispositivo legal que, não tendo o atributo da autoexecutoriedade, foi revogado pela Medida Provisória n° 1.99118, de 2000. Cientificada da decisão em 05 de maio de 2010, irresignada, a interessada apresentou o recurso voluntário de fls. 32 a 41, em 21 de maio de 2010, em que não se contrapõe à decisão recorrida, mas busca alcançar por meio do recurso outro fim, nos termos como registra a seguir o seu pedido: “antes de adentrar (mos) aos fatos do presente recurso fazse necessário deixar claro que a empresa não busca a reforma da decisão que manteve a decisão de não homologação dos créditos tributários, exarada pela Delegacia da Receita.”. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Belchior Melo de Sousa O recurso é tempestivo, porém não atende a todas as condições de admissibilidade. À guisa de esclarecimento Registro que a nobre relatora da decisão de primeira instância não compreendeu o preenchimento da DComp, ao enxergar o pagamento a maior indicado pela contribuinte efetuado quase oito (8) anos após o vencimento sem o acréscimos da multa de mora e dos juros Selic, e excesso de juros sobre o débito para uma compensação que teria ocorrido poucos meses após o alegado recolhimento indevido, dados extraídos do despacho decisório de fl. 12. A elucidação desses dados deve ser feita no contexto da reivindicação da contribuinte. Como segue: O pagamento que a contribuinte efetuou sob a égide da LC nº 07/70 foi tido, posteriormente, pela então declarante como indevido, decorrente do seu entendimento de ter ocorrido a vacatio legis atrás referida. A transmissão da DComp eletrônica não se faria se fosse registrado pagamento com mais de cinco (5) anos. Daí, a falsa informação prestada pela Fl. 147DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11080.908543/200997 Acórdão n.º 3803001.364 S3TE03 Fl. 137 3 declarante de que o pagamento teria se dado na própria data da DComp, 31 de outubro de 2005, para burlar o aplicativo PerdComp. Quanto aos juros excessivos, não foram indicados pela contribuinte, como pensou a nobre relatora, mas calculados pelo aplicativo do Sistema de Controle de CompensaçãoSCC, tendo em vista a cobrança do débito não homologado. Tratase da sua incidência sobre o débito vencido em outubro de 2005, que a contribuinte pretendeu quitar com base em toda a falácia que trouxe aos autos, para pagamento até 30 de abril de 2009, mês de emissão do despacho decisório eletrônico. Portanto tais juros são representativos do acúmulo de mais de quarenta meses de incidência da Selic. Da impertinência do pedido no recurso No requerimento de fl. 24, dirigido ao Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, a empresa informa que aderiu ao parcelamento instituído pela Lei n.°11.941/2009, que se deu em 21 de setembro de 2009. A Agência da Receita Federal em Guaíba, órgão jurisdicionante da contribuinte, atendendo o recomendado pelo SEORT/DRF/Porto Alegre intimou a requerente do resultado do seu pleito de desistência de interpor recurso voluntário, para confirmar a adesão no dito parcelamento, nos termos abaixo: Informar, que referente a Desistência do direito a interpor Recurso Voluntário, protocolada em 19/03/2010, não há de se considerar, tendo como base a Portaria Conjunta PGFN/RFB n o 13, de 19 de novembro de 2009, Art. 29 que determina: "Os prazos para desistência de impugnação ou recurso administrativos ou de ação judicial de que batam o caput do art 13e o § 40 do art. 32 da Portaria Conjunta PGFN/RFI3 No 6, de 2009, ficam prorrogados para 28 de fevereiro de 2010." Informar, ainda, que é facultado à interessada, no mesmo prazo de 30 dias da intimação, o direito de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. [grifos do original] A recorrente expressamente declara que não contesta a decisão de primeira instância, que não homologou as compensações, e o que almeja – completa: e sim pretende ver CONSOLIDADA SUA ADESÃO AO PARCELAMENTO INSTITUÍDO PELA LEI 11.941/09, inobstante não ter havido protocolo de petição de desistência dos recursos administrativos dentro do prazo estipulado pela Portaria Conjunta n°. 13/2009, pelas razões de fato e de direito que passa a expor. Na linha do que enuncia o art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, “A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.”, o recurso voluntário permite a continuidade do litígio na esfera de julgamento de segundo grau, vale dizer, no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Assim deixa claro o art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, litteris: Fl. 148DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 Art. 56. Das decisões administrativas cabe recurso, em face de razões de legalidade e de mérito. No mesmo diapasão do art. 17, que estabelece: que “considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.” (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997), matéria que não houver sido expressamente contestada na decisão de piso, será considerada não recorrida. Não é escopo deste processo decidir acerca da inclusão ou não de débitos em programa de parcelamento. Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso. Sala das sessões, 02 de março de 2.011 Belchior Melo de Sousa Fl. 149DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 11080.908543/200997 Acórdão n.º 3803001.364 S3TE03 Fl. 138 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 11080.908543/200997 Interessada: SINALIZADORA RODOVIÁRIA LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803001.364, de 02 de março de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 02 de março de 2011. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 150DF CARF MF Emitido em 15/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Assinado digitalmente em 08/03/2011 por ALEXANDRE KERN, 07/03/2011 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10940.900465/2006-08
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 14/09/1999
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 3803-001.234
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Oct 29 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201102
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10940.900465/2006-08
anomes_publicacao_s : 201102
conteudo_id_s : 4673621
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3803-001.234
nome_arquivo_s : 380301234_10940900465200608_201102.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 10940900465200608_4673621.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Mon Feb 28 00:00:00 UTC 2011
id : 4815959
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Nov 05 09:43:40 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1748648810856316928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1850; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 52 1 51 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.900465/200608 Recurso nº 5 Voluntário Acórdão nº 380301.234 – 3ª Turma Especial Sessão de 28 de fevereiro de 2011 Matéria PERDCOMP ELETRONICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente STAROI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 14/09/1999 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator Participaram ainda do presente julgamento os Conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, Daniel Maurício Fedato, Carlos Henrique Martins de Lima e Rangel Perrucci Fiorin. Relatório Staroi Distribuidora de Alimentos Ltda. transmitiu, em 6/27/2003, o Pedido Eletrônico de Ressarcimento/Declaração de Compensação PER/DCOMP nº 17396.89656.270603.1.3.046733, visando à compensação do débito próprio com direito creditório oriundo do pagamento a maior efetuado em 14/09/1999. A DRF/Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório 770246398, de 16/06/2008 (fl. 21), indeferiu o pleito de restituição porque o DARF aventado não foi localizado nos sistemas da Administração Tributária. Via de consequência, não homologou a compensação declarada. Sobreveio Manifestação de Inconformidade , fls. 1 a 11, por meio da qual alega: Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN 2 a) que os débitos opostos na compensação declarada já estão sendo analisados na representação nº 74/2003, consubstanciada no procedimento administrativo fiscal nº 16408.000831/200632, e que a lavratura deste novo procedimento implicará um segundo lançamento dos mesmos valores, razão pela qual caberá tãosomente a esta autoridade declarar a sua nulidade; b) a inconstitucionalidade, ilegalidade e invalidade da legislação vigente, ao instituir a incidência das contribuições PIS e Cofins sobre os valores recebidos e repassados ao Governo Estadual a título de ICMS, extrapolando a competência constitucional outorgada, tanto nos limites do conceito de aquisição de receita, como no de faturamento, e; c) seu direito à restituição dos valores de PIS e Cofins que recolheu, mensalmente, desde o início de suas operações mercantis; relativamente à incidência dessas contribuições sobre o ICMS devido, e ao seu aproveitamento em compensação de débitos próprios; A DRJ/CTA1ª Turma julgou a reclamação improcedente. O Acórdão nº 06 26.293, de 22 de abril de 2010, fls. 30 a 33, teve ementa vazada nos seguintes termos: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 1999 NULIDADE. Além de não se enquadrar nas causas enumeradas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, é incabível falar em nulidade do lançamento quando não houve transgressão alguma ao devido processo legal. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 1999 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO SOB CONDIÇÃO RESOLUTÓRIA DE SUA ULTERIOR HOMOLOGAÇÃO. A compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação. PIS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICM. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para excluir da base de cálculo do PIS o valor do ICMS, o qual está incluso no preço da mercadoria, que, por sua vez, compõe a receita bruta de vendas. INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência legal à autoridade julgadora de instância administrativa para se manifestar acerca da constitucionalidade ou legalidade de normas legais regularmente editadas segundo o Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10940.900465/200608 Acórdão n.º 380301.234 S3TE03 Fl. 53 3 processo legislativo estabelecido, tarefa essa reservada constitucionalmente ao Poder Judiciário. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO NO PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado no PER/DCOMP, é de se considerar nãohomologada a compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/CTA. O arrazoado de fls. 37 a 43, depois de dispensarse do depósito prévio ou do arrolamento de bens e de protestar pela sua tempestividade, argui, em sede de preliminar, a nulidade formal do procedimento, porque os valores discutidos no presente processo já são objeto de cobrança em outro, o que redundará em cobrança dúplice. Esclarece, na continuação a gênese do indébito que busca repetir e aproveitar: o pagamento a maior a título de contribuição, na parcela da base de cálculo relativa aos valores recebidos e repassados ao erário estadual a título de ICMS. Discorre sobre a inconstitucionalidade da incidência do PIS e da Cofins sobre essa parcela. Cita e transcreve doutrina e jurisprudência. Conclui, requerendo o provimento de seu recurso, reformando a decisão recorrida, para o efeito de se acolher a compensação declarada com os créditos decorrentes da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Voto Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 37 a 43 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJCTA1ª Turma nº 0626.293, de 22 de abril de 2010. Preliminar de nulidade Rejeito a preliminar. Não há o menor risco de que se efetue cobrança em dobro do(s) débito(s) confessado(s) na DCOMP ora sub judice, visto que de cobrança não se trata no presente procedimento. Ademais, como exaustivamente demonstrado na decisão recorrida, não houve qualquer infração ao art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março 1972 – PAF: o Despacho Decisório nº 770246398 foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil em pleno exercício de suas atribuições, razão pela qual não há se falar em incompetência da autoridade fiscal. Tampouco ocorreu cerceamento do direito de defesa: o requerente (fl. 19) foi intimado a retificar os dados informados na Ficha DARF do PER/DCOMP e lhe facultada a apresentação de reclamação e de recurso voluntário, respectivamente, contra a nãohomologação da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN 4 compensação declarada e contra a decisão que julgou improcedente a sua Manifestação de Inconformidade . Mérito – reconhecimento de indébito decorrente da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições sociais O recorrente pede que sejam considerados os créditos apurados com base no recolhimento indevido, efetuado seja com base no regime da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, seja no regime da nãocumulatividade. Pergunto: que créditos? Que apuração? Penso ser até intuitivo, não basta a existência "em tese" de uma declaração de inconstitucionalidade de lei instituidora de um tributo para que surja um direito de crédito. Há de se verificar, primeiramente, se o pagamento reputado posteriormente como indevido em razão da declaração de inconstitucionalidade da lei realmente existiu. O Despacho Decisório nº 770246398 dá conta de que o pagamento referido no PERDcomp não foi localizado. Contra essa constatação, o recorrente nada – absolutamente nada – opõe. Silencia solenemente. Ainda que existisse o referido DARF, haveria de comprovar o pagamento a maior, demonstrando cabalmente a base de cálculo correta, em síntese, quanto foi pago a maior. Ora, se o próprio fisco precisa instaurar um procedimento administrativo para que se reconheça a existência do fato gerador, por que poderia o particular ter um "crédito" em face do fisco apenas em razão de hipotéticos pagamentos? Essa é a pretensão do recorrente: restituirse de um indébito apenas em face de uma tese, sem ao menos comprovar que recolheu algo ao fisco. Nada a reparar na decisão recorrida, cujos fundamentos, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passam a fazer parte integrante desse voto. Conclusão Com essas considerações, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 28 de fevereiro de 2011 Alexandre Kern Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10940.900465/200608 Acórdão n.º 380301.234 S3TE03 Fl. 54 5 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 10940900465200608 Interessada: STAROI DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 380301.234, de 28 de fevereiro de 2011, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 28 de fevereiro de 2011. [assinado digitalmente] _____________________________ Alexandre Kern Presidente da 3a Turma Especial da 3a Seção Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN Assinado digitalmente em 06/03/2011 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
