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Numero do processo: 12181.000026/2009-01
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO.
São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, esclarecendo o efetivo dispêndio correlato.
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. SUMULA CARF 180.
Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais.
Numero da decisão: 2002-009.068
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias inconstitucionalidade e ilegalidade e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário
Assinado Digitalmente
Marcelo de Souza Sateles - Presidente
Assinado Digitalmente
Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. São dedutíveis os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, desde que devidamente comprovados. A dedução das despesas médicas é condicionada a que os pagamentos sejam devidamente comprovados com documentação idônea que indique o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ de quem os recebeu, ou ainda com documentação correlata pertinente, esclarecendo o efetivo dispêndio correlato. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA. IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO EFETIVO PAGAMENTO. SUMULA CARF 180. Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo das matérias inconstitucionalidade e ilegalidade e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário Assinado Digitalmente Fl. 201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.068 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12181.000026/2009-01 2 Marcelo de Souza Sateles - Presidente Assinado Digitalmente Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 183 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 169 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação Parcial do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 83 e ss.), lavrada pela constatação de Compensação indevida de Carnê Leão, Dedução Indevida de Dependente, Dedução Indevida de Despesas Médicas, Dedução Indevida de Previdência Privada e FAPI, e de Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Adota-se o Relatório da DRJ, abaixo transcrito, por esclarecer os fatos ocorridos Em procedimento de revisão efetuada na DIRPF/2005, ano-calendário 2004, em nome do contribuinte acima qualificado, foi alterado o resultado de imposto a pagar no valor de R$ 11.309,44 para crédito tributário apurado no valor de R$ 33.268,12 (fls. 83/90). O lançamento foi decorrente de compensação indevida de carnê-leão, no valor de R$ 480,10; dedução indevida de dependente, no valor de R$ 1.272,00; dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 31.974,86; dedução indevida de Previdência Privada e FAPI, no valor de R$ 10.335,60; e omissão de rendimentos pagos à dependente pelo Bradesco Vida e Previdência S.A., CNPJ 51.990.695/0001-37, no valor de R$ 7.350,00, e pelo Itaú Vida e Previdência S.A., CNPJ 53.031.217/0001-25, no valor de R$ 1.981,59. Cientificado do lançamento em 26/11/2008, conforme fls. 81/82, o interessado apresentou impugnação de fls. 04/06, em 23/12/2008, na qual alega que não recebeu o Termo de Intimação e, diante desse fato, vem apresentar documentação comprobatória, referente aos rendimentos, livro-caixa e despesas médicas, e solicita a manutenção da exclusão da dependente declarada Maria da Conceição Generoso Carlos, CPF 327.408.596-00, e a exclusão de seus rendimentos. Fl. 202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.068 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12181.000026/2009-01 3 Posteriormente, em 26/12/2008, apresentou aditamento à impugnação com o Informe de Rendimentos Financeiros para comprovar a contribuição à Previdência Privada (fls. 69/70). ..., o processo foi encaminhado para a autoridade lançadora que efetuou a revisão do lançamento, conforme Termo Circunstanciado DRF/VAR/SAFIS de fls. 97/100, concluindo pelo restabelecimento total da dedução de Previdência Privada e do Carnê-Leão e restabelecimento parcial da dedução de despesas médicas, mantendo a glosa do valor de R$ 16.290,10. Foi atendida também a solicitação do contribuinte em relação à manutenção da glosa de dependente e exclusão de rendimentos recebidos por dependente. Assim, conforme Despacho Decisório de fl. 147, foi deferida a proposta de manutenção parcial de despesas médicas e manutenção integral de despesa com dependente, resultando em imposto suplementar no valor de R$ 4.829,58. O contribuinte foi cientificado do Despacho Decisório proferido pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Varginha, em 05/07/2013 (AR de fl. 148), e apresentou a manifestação de fls. 150/161, na qual alega, em síntese: 1) A ciência do Despacho Decisório ocorreu, via postal, na data de 05/07/2013 (sexta-feira), tendo iniciado o prazo no dia 08/07/2013 (segunda-feira) e encerrado no dia 06/08/2013, de tal sorte que a presente impugnação é tempestiva. 2) Depreende-se da Fundamentação e Demonstrativo do Cálculo dos Valores Apurados do Termo Circunstanciado (fls. 98/100) que do valor total a princípio glosado deveria ter sido mantida a importância de R$ 14.450,00 e não os R$ 16.290,10, ou seja, os iniciais R$ 27.877,10, valor constante no Termo de Intimação Fiscal (fl. 101), deduzidos os valores acatados no importe de R$ 13.427,10. Portanto, o valor apurado de imposto suplementar no Termo Circunstanciado encontra-se majorado. 3) Sem fundamentação lógico-jurídica e sem a observância do princípio da razoabilidade, o AFRFB manteve a glosa de parte dos respectivos recibos e não manteve de outros. Desde o início restou robustamente demonstrado que os dispêndios foram em decorrência de tratamentos efetivamente realizados e que as despesas estão compreendidas e comportam sua capacidade financeira, sem qualquer prejuízo em sua evolução patrimonial ou que demonstrem quaisquer irregularidades. 4) Dos extratos colacionados aos autos é fácil depreender não só a disponibilidade de recursos financeiros para suportar tais despesas, como as proximidades dos saques, a exemplo do saque realizado em 17/11/2004 (fl. 107), no valor de R$ 12.206,71, importância suficiente para o pagamento das despesas médicas do mês de novembro, que remontam a importância de R$ 1.750,00. Fl. 203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.068 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12181.000026/2009-01 4 5) Quando intimado, demonstrou através dos extratos que no interregno de 30 (trinta) dias anteriores e posteriores teve cheques compensados ou saques em suas contas correntes em valores superiores aos despendidos com as referidas despesas médicas. 6) Ademais, como o próprio AFRFB anunciou, foram adotadas as medidas junto às declarações de renda dos recebedores (Clínica JPJC Ltda., Janety Mendes Martins, Patrícia Oliveira Massote e Anna Cristina da Costa Azevedo), que também comprovam o efetivo pagamento dos referidos serviços médicos. 7) Depreende-se da análise sistêmica e teleológica do artigo 73 do RIR que a autoridade fiscal pode e deve perquirir sobre a comprovação e justificativa das deduções, no entanto, no caso dos autos não estão presentes o exagero contido no parágrafo primeiro, haja vista que as deduções efetivamente lançadas estão comportadas na efetiva capacidade financeira do contribuinte. 8) Ademais os Doutos Conselheiros do CARF têm se posicionado no sentido de que verificada a efetiva prestação dos serviços ao declarante ou seus dependentes, só é admissível a rejeição na falta de identificação do pagador ou não identificação dos prestadores e os serviços prestados, ou quando não são considerados dedutíveis pela legislação. Assim, há que se comprovar a inidoneidade dos documentos entre vias do emissor e do tomador dos serviços, sem o que não se pode admitir a manutenção da glosa. O Acórdão guerreado foi prolatado com a seguinte ementa: Assunto: Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF Ano calendário 2004 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS São dedutíveis a título de despesas médicas apenas os pagamentos comprovadamente efetuados pelo contribuinte para tratamento próprio ou de seus dependentes. Mantém-se a glosa de despesas médicas não tendo o contribuinte logrado comprovar a efetividade dos pagamentos realizados. Cientificado da decisão de primeira instância em 26/03/2014 (AR e-fls. 181), o sujeito passivo interpôs, em 25/04/2014 (protocolo de e-fls. 183), Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, repisando seus argumentos impugnatórios. É o relatório. Fl. 204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.068 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12181.000026/2009-01 5 VOTO Conselheiro(a) Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço parcialmente, como se verá a seguir. O litígio remanescente recai sobre glosa de dedução indevida de despesas médicas no valor de R$16.290,10. Destaque-se que os argumentos preliminares e meritórios se confundem na peça recursal e, dessa forma, serão analisados em conjunto. Inicie-se apontando que, em relação à Jurisprudência trazida aos autos, é de se observar o disposto no artigo 506 da Lei 13.105/2015, o novo Código de Processo Civil, o qual estabelece que “a sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros". Não sendo parte nos litígios objetos dos Acórdãos, o interessado não pode usufruir dos efeitos das sentenças ali prolatadas, posto que os efeitos são "interpartes” e não "erga omnes”. E mais, tais Decisões não são normas complementares como as tratadas o art. 100 do CTN, motivo pelo qual não vinculam as decisões das Instâncias Julgadoras Administrativas. Complemente-se destacando que arguições de ofensa a princípios de ilegalidade e inconstitucionalidade da legislação tributária não são conhecidas pelas Autoridades Administrativas de qualquer instância, pois elas não têm competência para examinar a legitimidade de normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo acha-se reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da validade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo deste Poder. Destaque- se aqui a Súmula CARF nº 2, bastante elucidativa sobre tal questão: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em relação ao suposto erro na base de cálculo, devidamente abordado pela decisão de piso, e tendo em vista que a parte recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 114, § 12, inciso I, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21/12/2023, reproduz-se no presente voto excertos da decisão de 1ª instância adotados como razões pertinentes de decidir, neste quesito: ... Argumenta o contribuinte que o valor apurado de imposto suplementar no Termo Circunstanciado encontra-se majorado, considerando que do valor total de despesas médicas a princípio glosado de R$ 27.877,10, valor constante no Termo de Intimação Fiscal (fl. 101), deduzidos os valores acatados no importe de R$ 13.427,10, deveria ter sido mantida a importância de R$ 14.450,00 e não os R$ Fl. 205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.068 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12181.000026/2009-01 6 16.290,10. Alega que a Fiscalização manteve a glosa de parte dos recibos e não manteve de outros, sem fundamentação, e que apresentava disponibilidade de recursos financeiros para suportar tais despesas. Alega ainda que as proximidades dos saques, a exemplo do saque realizado em 17/11/2004 (fl. 107), no valor de R$ 12.206,71, era suficiente para o pagamento das despesas médicas do mês de novembro, que remontam a importância de R$ 1.750,00, e que não estão presentes o exagero contido no parágrafo primeiro do art. 73 do RIR/1999. Primeiramente, cabe esclarecer que o valor glosado a título de despesas médicas, conforme Notificação de Lançamento de fls. 83/90, foi de R$ 31.974,86, valor constante na Declaração de Ajuste Anual de fls. 74/79 e não comprovado após regularmente intimado, e não a soma dos valores constantes no Termo de Intimação Fiscal de fl. 101. O Termo de Intimação Fiscal foi emitido, com base nos artigos 73, 835 e 928 do Decreto nº 3.000/1999, para que o contribuinte apresentasse comprovação dos dispêndios com as despesas médicas relacionadas no Quadro 7. PAGAMENTOS E DOAÇÕES EFETUADAS de sua Declaração de Ajuste Anual/2005, excluindo-se a despesa com a Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil, despesa já comprovada conforme documento de fl. 66. Assim, comprovadas as despesas médicas no valor de R$ 15.684,76, conforme análise minuciosa realizada pela Seção de Fiscalização da DRF em Varginha e detalhadamente explicitado no Termo Circunstanciado de fls. 97/100, foi mantida a glosa no valor de R$ 16.290,10, resultando no valor de Imposto Suplementar de R$ 4.829,58. Dessa forma, estão corretos os valores glosados de despesas médicas e corretos os impostos apurados na Notificação de Lançamento de fls. 83/90 e no Termo Circunstanciado com o Despacho Decisório de fls. 97/100 e 147. ... Quanto à dedução despesas médicas, são dedutíveis da base de cálculo do IRPF os pagamentos efetuados pelos contribuintes a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"), desde que devidamente comprovados. No que tange à comprovação, a dedução a título de despesas médicas é condicionada ainda ao atendimento de algumas formalidades legais: os pagamentos devem ser especificados e comprovados com documentos originais que indiquem nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu (art. 8º, § 2º, inc. III, da Lei 9.250, de 1995). Esta norma, no entanto, não dá aos recibos valor probante absoluto, ainda que atendidas todas as formalidades legais. A apresentação de recibos de pagamento com nome e CPF do emitente têm potencialidade probatória relativa, não impedindo a autoridade fiscal de coletar Fl. 206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.068 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12181.000026/2009-01 7 outros elementos de prova com o objetivo de formar convencimento a respeito da existência da despesa e da prestação do serviço. No caso das deduções do Imposto de Renda Pessoa Física, o ônus da prova é do contribuinte, que é quem se beneficia da redução da base de cálculo do imposto, e, não o fazendo, deve este assumir as consequências legais, resultando no não cabimento das deduções, por falta de comprovação e justificação. O ônus de provar implica trazer elementos que não deixem nenhuma dúvida quanto a determinado fato questionado Nesse sentido, o artigo 73, caput e § 1º do RIR/1999, autoriza a fiscalização a exigir provas complementares se existirem dúvidas quanto à existência efetiva das deduções declaradas. Ou seja, com isso o legislador deslocou para o contribuinte o ônus probatório, uma vez que ele pode ser instado a comprovar ou justificar suas deduções. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. (Decreto-lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º. (Grifei). Nos presentes autos, verifica-se que foi solicitada a comprovação efetiva dos dispêndios realizados, conforme Termo de Intimação Fiscal exercício 2005 (e-fl. 101). A ausência de comprovação do efetivo pagamento ora caracteriza-se como ponto fulcral motivador do lançamento, mas o interessado não se desincumbiu de tal obrigação ao longo de toda a lide. Embora até procure suprir a efetiva comprovação dos pagamentos através de simples apresentação de recibos e de declarações dos profissionais envolvidos, tais peças não são documentos suficientes e hábeis para tal intento. Alega o interessado que teria pagado os profissionais através da utilização de dinheiro em espécie, mas embora não haja nenhum impeditivo legal para que se proceda dessa forma, se revela de difícil comprovação, principalmente perante o Fisco que a exige fundada em documentos, os quais não foram apresentados pelo interessado. Para a comprovação da efetividade dos pagamentos sugere-se: cópias de cheques fornecidas pela instituição bancária, comprovantes de depósitos na conta do prestador dos serviços, comprovantes de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovantes de transmissão de ordens de pagamentos, e, no caso de pagamentos efetuados em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão, podendo também o interessado apresentar outros que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais Impende, neste momento, a citação da Sumula deste Egrégio Conselho, de número 180, de cristalino enunciado para esclarecimento final da questão: Súmula CARF nº 180 Fl. 207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.068 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 12181.000026/2009-01 8 Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. Mantém-se assim integralmente a glosa a título de despesas médicas no valor de R$16.290,10. Verifica-se, portanto, que apreciados e afastados todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, não há motivo para retificação da Decisão a quo devidamente proferida. Conclusão Isso posto, voto em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo das matérias inconstitucionalidade e ilegalidade e, da parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 208DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 15504.018246/2010-14
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Dec 20 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA.
Cabível a aplicação do artigo 114, §12, inciso I, do RICARF - faculdade do relator de adotar os mesmos fundamentos da decisão recorrida quando este registrar que as partes não inovaram em suas razões de defesa.
CESSÃO DE DIREITOS. IMPOSTO DE RENDA. COMPENSAÇÃO.
O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativos ao precatório no momento em que for quitado pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Não obstante, por não constituir ônus do cessionário nem do cedente, o imposto sobre a renda retido na fonte não integra a base de cálculo do ganho de capital e não é passível de compensação ou dedução.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE.
O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade
Numero da decisão: 2001-007.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilsom de Moraes Filho - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Carolina da Silva Barbosa (substituto[a] integral), Lilian Claudia de Souza, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilderson Botto, Wilsom de Moraes Filho, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente).
Nome do relator: WILSOM DE MORAES FILHO
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REPRODUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. AUSÊNCIA DE NOVAS RAZÕES DE DEFESA. Cabível a aplicação do artigo 114, §12, inciso I, do RICARF - faculdade do relator de adotar os mesmos fundamentos da decisão recorrida quando este registrar que as partes não inovaram em suas razões de defesa. CESSÃO DE DIREITOS. IMPOSTO DE RENDA. COMPENSAÇÃO. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativos ao precatório no momento em que for quitado pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Não obstante, por não constituir ônus do cessionário nem do cedente, o imposto sobre a renda retido na fonte não integra a base de cálculo do ganho de capital e não é passível de compensação ou dedução. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O processo administrativo não é via própria para a discussão da constitucionalidade das leis ou legalidade das normas. Enquanto vigentes, os dispositivos legais devem ser cumpridos, principalmente em se tratando da administração pública, cuja atividade está atrelada ao princípio da estrita legalidade ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fl. 168DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.570 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.018246/2010-14 2 Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilsom de Moraes Filho - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ana Carolina da Silva Barbosa (substituto[a] integral), Lilian Claudia de Souza, Raimundo Cassio Goncalves Lima, Wilderson Botto, Wilsom de Moraes Filho, Honorio Albuquerque de Brito (Presidente). RELATÓRIO A seguir transcreve-se o relatório do acórdão nº 02-43.137 - 9ª Turma da DRJ/BHE (fls. 134 e segs.). Contra o contribuinte acima identificado foi lavrada a notificação de lançamento de fls. 90 a 93, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2006, ano-calendário 2005, reduzindo o imposto a restituir apurado na Declaração de Ajuste Anual no valor de R$109.235,07 para R$6.741,36. A autuação resultou da omissão de rendimentos recebidos da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, no importe de R$398.910,61. Cientificado do lançamento em 6/8/2010 (fl. 79), o contribuinte apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento (SRL) e teve seu pedido indeferido. Ao tomar ciência da rejeição da SRL em 30/9/2010, apresentou a impugnação de fls. 2 a 7, em 25/10/10, contestando o lançamento. Diz que possuía um crédito junto ao Município de Belo Horizonte decorrente do precatório n° 201/2004, originário do processo judicial n° 0024.93.087.634-7 e que decidiu ceder seus direitos creditórios a terceiros, assim procedendo ao longo do ano de 2005. Esclarece que recebeu um Parecer atualizado da Comissão de Precatórios da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte (doc. fls.13/14), no qual seu crédito inicial era de R$398.910,61, o Imposto de Renda devido de R$109.235,07 e o valor líquido era de R$289.675,54. Afirma que o referido Parecer descreve cada uma das cessões realizadas e, em 9/2005, indica ainda haver um saldo credor de R$6.908,03. Alega que se baseou no Parecer mencionado para entregar sua DIRPF/2006, tendo informado um rendimento tributável de R$398.910,61 e um IRRF de R$109.235,07. Ocorre que não tendo o Município entregue a DIRF correspondente, sua declaração foi retida em malha fiscal em razão do IRRF compensado. Informa que do procedimento de malha fiscal resultou a lavratura de um auto de infração (cópia anexa), em virtude de ganho de capital obtido com a cessão de direitos e que, convencido da legitimidade da exigência, parcelou o débito (docs. anexos) e passou a concentrar esforços na restituição do Imposto de Renda indevidamente retido na fonte pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. Fl. 169DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.570 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.018246/2010-14 3 Diz que levou o problema ao conhecimento da Gerência de Precatórios da PBH e que ela, confirmando a retenção, concordou apenas em informar a DIRF com um suposto rendimento de R$398.910,61 e IRRF de R$109.235,07. Salienta que, após esses ajustes e a tributação sofrida a título de ganho de capital decorrente das cessões de crédito, retificou sua DIRPF/2006, objetivando a restituição do IRRF de R$109.235,07. Não conseguiu transmitir a declaração retificadora, devido a lavratura do AI/Ganho de Capital. Inconformado, protocolizou Pedido de Restituição na DRF/Belo Horizonte. Posteriormente, em 19/7/2010, conseguiu enviar a Retificadora e informou esse fato nos autos do Pedido de Restituição, não havendo, até a data de protocolo desta impugnação, nenhuma manifestação por parte da DRF. Destaca que, como ele não informou o valor de R$398.910,61 no campo Rendimentos Tributáveis da Retificadora e o Fisco já dispunha da DIRF enviada pela Prefeitura de Belo Horizonte, a notificação ora impugnada foi lavrada. Requer, considerando: (i) que efetivamente suportou o ônus do imposto; (ii) que a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte enviou DIRF à Receita; (iii) que não recebeu os R$ 398.910,61 declarados em DIRF, mas, tão somente, os valores tributados no AI a título de ganho de capital; (iv) que, em casos similares, as diversas DRJs do país vêm reconhecendo o direito do contribuinte à restituição do imposto3; e (v) que não pode ser compelido a pagar imposto duas vezes sobre a mesma verba (15% pelo ganho de capital + 27,5% sobre um rendimento de R$398.910,61 que nunca existiu), que a impugnação seja acolhida e a autuação cancelada. Requer ainda o deferimento, de uma vez por todas, da restituição apurada na DIRPF retificadora, acrescida de correção pela taxa SELIC. Aos autos desta Notificação foram apensados aqueles relativos ao pedido de restituição do imposto retido na fonte, formulado pelo contribuinte à DRF/Belo Horizonte que, conforme Despacho de fl. ..., considerou ter ocorrido a perda de objeto do pedido de restituição, tendo em vista a recepção da Declaração Retificadora e a lavratura da presente Notificação. Foi proferido Acórdão nº 02-43.137 - 9ª Turma da DRJ/BHE, (fls. 134 e segs.), onde a impugnação foi julgada procedente em parte por unanimidade de votos. A seguir transcrevo as ementas da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRECATÓRIO. VENDA. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Comprovado nos autos que os rendimentos considerados omitidos referem-se a precatório alienado a terceiros e já tributado na modalidade de ganho de capital, cancela- se o lançamento. Em virtude da cessão de crédito líquido e certo representado por precatório contra a Fazenda Pública, o imposto sobre a renda retido na fonte não constitui ônus do cedente, não lhe sendo passível de compensação ou de restituição. Impugnação Procedente em Parte Outros Valores Controlados Fl. 170DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.570 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.018246/2010-14 4 Cientificado da decisão de primeira instância em 02/04/2013, o sujeito passivo interpôs, em 29/04/2013, Recurso Voluntário, fls. 157 e segs, sustentando, em apertada síntese que a decisão deve ser reformada, pois conforme consta no parecer da comissão de precatórios da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, quem suportou o ônus do imposto foi o recorrente; a retenção do imposto de R$ 109.235,07 na fonte ocorreu em 03/2005, ou seja, antes das sucessivas cessões do precatório; verifique-se, também, que os direitos creditórios “vendidos” foram “honorários advocatícios líquidos “ do IRRF, os cessionários compensaram os créditos recebidos sem nenhuma retenção; somente o recorrente suportou o ônus do imposto e por isso ele faz jus a restituição; que não pode o recorrente ser compelido a pagar duplo imposto de renda sobre a mesma verba (15% do ganho de capital + 27,5 % sobre um rendimento de R$ 398.910,61). É o relatório. VOTO Conselheiro Wilsom de Moraes Filho, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto dele conheço. O recorrente defende que como suportou o ônus do imposto retido pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, no valor de R$109.235,07, e também sofreu a tributação sobre o ganho de capital objeto do AI, faz jus à restituição do imposto apurado na Declaração Retificadora anulada pela presente Notificação. Constam nos autos do processo documentos que comprovam que lavrado contra o contribuinte o Auto de Infração acostado às fls. 27/41, na data de 19/04/2010, que lhe exigiu imposto sobre ganho de capital decorrente da cessão dos créditos existentes contra a fazenda pública do município de Belo Horizonte, retratados pelo precatório nº 201/2004. Os ganhos de capital apurados foram de R$31.656,53 em 30/04/2005, R$60.832,57 em 31/05/2005 e R$39.000,00 em 30/09/2005. Consta ainda a existência de um Parecer da Comissão de Precatórios (fls. 13/14 dos autos) emitido em 07/10/2005 para o contribuinte, na condição de credor do precatório nº 201, de valor bruto de R$398.910,61, com retenção de Imposto de Renda (27,5%) no importe de R$109.235,07 e valor líquido de R$289.675,54. Nos sistemas da Receita Federal, há o registro de Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF para o contribuinte, entregue pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, CNPJ 18.715.383/0001-40, na data de 7/5/2010 (1º envio), informando rendimentos pagos no mês de março de 2005, no montante de R$398.910,61, com retenção de imposto no valor de R$109.235,07. Fl. 171DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.570 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.018246/2010-14 5 Permaneceu em lide a discussão se o IRRF no valor de R$ 109.235,07, é passível de restituição/compensação pelo contribuinte. Considerando a minha concordância com os fundamentos do Colegiado a quo; utilizo como razões de decidir as do voto condutor do acórdão de primeira instância( artigo 114, §12, inciso I, do RICARF), a seguir transcritas: Com relação ao IRRF sobre o pagamento do precatório, o Parecer Cosit nº 26, de 29 de junho de 2000, ao tratar da cessão de direitos sobre precatório, assim dispôs sobre cada um dos envolvidos na operação: 16. Quanto à pessoa do cedente, os ganhos de capital obtidos com a cessão de direitos, representados no caso pelos precatórios decorrentes de ações judiciais, estão sujeitos ao imposto de renda. 16.1. O valor de alienação será o valor recebido do cessionário, e o custo de aquisição será igual a zero, já que não há valor pago pelo precatório e nem há a possibilidade de aplicação das modalidades de atribuição de custo de aquisição de que tratam os incisos I a V do art. 16 da Lei nº 7.713, de 1988 (Lei nº 7.713, art. 16, § 4º). 16.2. O ganho de capital será apurado no mês em que for auferido, e tributado em separado, à alíquota de 15% (quinze por cento), não integrando a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o valor do imposto pago não poderá ser deduzido do devido na declaração (Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). 16.3. O demonstrativo de apuração do ganho de capital deverá ser juntado à declaração do cedente, e o valor do ganho de capital, menos o imposto pago, será informado na declaração, no campo de rendimentos sujeitos à tributação exclusiva. 17. Quanto à pessoa do cessionário, este sub-roga-se no crédito do cedente, que para aquele transfere todos os direitos, inclusive os acessórios do crédito (Código Civil - Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916, arts. 986, 987, 1065 e 1066). 17.1. No momento da homologação da compensação do precatório com débitos de natureza tributária do cessionário, este apurará igualmente o ganho de capital decorrente desta operação, considerando como valor de alienação o valor líquido passível de compensação, isto é, após excluídas as deduções previstas em lei e o custo de aquisição será o montante pago ao cedente quando da cessão de direitos. [...] 18. Quanto à fonte pagadora (Fazenda Pública), o crédito líquido e certo, decorrente de ações judiciais, instrumentalizado por meio de precatório, mantém por toda a sua trajetória a natureza jurídica do fato que lhe deu origem, independendo, assim, de ele vir a ser transferido a outrem. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em que for quitado pela Fazenda Pública. 18.1. Em função da natureza jurídica do crédito cedido, ocorrerá a incidência de imposto de renda retido na fonte, quando cabível, no momento do pagamento do precatório, Fl. 172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.570 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.018246/2010-14 6 considerado como tal a homologação da compensação do precatório com débitos do cessionário para com a Fazenda Pública.(grifos nossos) Percebe-se pelo exposto no item 17 e subitem 17.1 que o cessionário subroga-se no crédito do cedente, que para aquele transfere todos os direitos, inclusive os acessórios do crédito, observando-se que o IRRF será diminuído do valor do precatório, mas para efeito de apuração do ganho de capital dos terceiros compradores do precatório, quando da homologação da compensação dos créditos do precatório com os débitos de natureza tributária desses cessionários. Isto porque, como esclarece o item 17.1 do Parecer, o valor de alienação, no caso da apuração do ganho de capital do cessionário, quando da homologação da compensação do precatório com os débitos de natureza tributária do cessionário, será o valor líquido passível de compensação, isto é, após excluídas as deduções previstas em lei e o custo de aquisição será o montante pago ao cedente quando da cessão de direitos. Ainda com relação ao IRRF, o item 18 do Parecer deixa claro que a manutenção da natureza jurídica do fato que deu origem ao crédito do precatório diz respeito à fonte pagadora, e não ao contribuinte, para efeito de se proceder a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis do precatório, o que já não guarda relação com o contribuinte cedente, que já alienou o direito do crédito, ainda que com deságio. Na situação, oportuno lembrar que a teor do art. 123 do Código Tributário Nacional- CTN, as convenções particulares não podem ser opostas à Fazenda Pública no que se refere à responsabilidade tributária. Os particulares podem pactuar o que desejarem desde que não deixem de pagar os tributos decorrentes dos créditos contra a Fazenda Pública, que não perdem a sua natureza jurídica mesmo se transferidos a terceiros. Por isso ocorre a incidência de Imposto de Renda na fonte no momento do pagamento dos créditos decorrentes de decisão judicial, ainda que seu direito tenha sido objeto de cessão. Ainda, e em complemento ao até aqui discorrido, encontra-se na resposta à pergunta “Qual é o tratamento tributário na cessão de direito de precatório?” de nº 551 do Perguntas e Respostas da Receita Federal do Brasil Exercício 2012, a seguinte explicação: 551 — Qual é o tratamento tributário na cessão de direito de precatório? O crédito líquido e certo, decorrente de ações judiciais, instrumentalizado por meio de precatório, mantém por toda a sua trajetória a natureza jurídica do fato que lhe deu origem, independendo, assim, de ele vir a ser transferido a outrem. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativo ao precatório no momento em for quitado pela União, pelos estados, pelo Distrito Federal ou pelos municípios. Em função da natureza jurídica do crédito cedido, ocorrerá a incidência de imposto sobre a renda retido na fonte, quando cabível, no momento do pagamento do precatório, considerado como tal quando ocorrer a homologação da compensação do precatório com débitos de natureza tributária do cessionário para com a União, os estados, o Distrito Federal ou os municípios. Fl. 173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2001-007.570 – 2ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 15504.018246/2010-14 7 Em virtude da transação efetuada, o imposto sobre a renda retido na fonte não constitui ônus do cessionário nem do cedente, não integrando a base de cálculo do ganho de capital e não sendo passível de compensação ou dedução. Frise-se, à vista do último parágrafo da resposta reproduzida, a tributação na fonte em geral aproveitável na Declaração de Ajuste Anual, não o é quando incide particularmente sobre crédito cedido, porque não constitui ônus para o cessionário, nem para o cedente. Assim, a despeito da existência de DIRF enviada pela Prefeitura de Belo Horizonte, com informação de rendimentos auferidos pelo contribuinte, concluo que a omissão lançada não se caracterizou, uma vez que os respectivos rendimentos, já tributados na modalidade de ganho de capital, não podem mais fazer parte da base de cálculo do IR para ajuste na Declaração Anual. De igual modo, por não ter o contribuinte suportado o ônus do imposto retido, razão não lhe assiste ao pretender a restituição deste imposto. O acordo de cessão de direitos não pode afastar a tributação na fonte dos rendimentos tributáveis relativos ao precatório no momento em que for quitado pela União, pelos Estados, pelo Distrito Federal ou pelos Municípios. Não obstante, por não constituir ônus do cessionário nem do cedente, o imposto sobre a renda retido na fonte não integra a base de cálculo do ganho de capital e não é passível de compensação ou dedução. Quanto à alegação: de incidência da alíquota de 15 % e da alíquota de 27,5% sobre um rendimento de R$ 398.910,61 que nunca existiu, o que implica uma teralógica e ilegal alíquota de 42,5%, se trata de uma alegação de ilegalidade/constitucionalidade e é vedado ao CARF declarar a inconstitucionalidade e ilegalidade de norma vigente e eficaz, conforme o art. 26-A do Decreto 70.235,72 e da súmula CARF nº 2, abaixo transcritos: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto ao acórdão nº 2102-01.250 não pode ser aplicado nesse caso por falta de previsão na legislação tributária. CONCLUSÃO Por todo o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Wilsom de Moraes Filho Fl. 174DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.007919/2006-13
Data da sessão: Thu Sep 24 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 2001
NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não
se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto n° 70.235/72).
Recurso não conhecido, face à intempestividade
Numero da decisão: 2202-000.268
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO
CONHECER do recurso, por intempestivo.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2001 NORMAS PROCESSUAIS. INTEMPESTIVIDADE. Por intempestivo, não se conhece do Recurso Voluntário interposto após o prazo de trinta dias, a contar da ciência da decisão de primeira instância (art. 33 do Decreto n° 70.235/72). Recurso não conhecido, face à intempestividade
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Numero do processo: 10820.001701/2006-60
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Ementa:
VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA EXPORTAÇÃO. Para o produtor/exportador, são receitas financeiras, os valores referentes a variação cambial decorrente das vendas de seus produtos ao exterior, produtos estes que foram transacionados pela comercial exportadora. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF.
A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
MULTA DE OFÍCIO.PERCENTUAL. LEGALIDADE.
O percentual de multa de lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua discussão subjetiva em âmbito administrativo.
TAXA SELIC.
Cobram-se juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), por expressa previsão legal.
SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Fl. 563 DF CARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02.
Numero da decisão: 3402-001.687
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em vista da opção pela via judiciária. E, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos conselheiros FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, João Carlos Cassuli Junior e Francisco
Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que davam provimento integral para reconhecer a isenção dos valores por força da Lei nº 10.637/2002. O conselheiro FERNANDO LUIZ DA
GAMA LOBO D'EÇA apresentará declaração de voto
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ementa: VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA EXPORTAÇÃO. Para o produtor/exportador, são receitas financeiras, os valores referentes a variação cambial decorrente das vendas de seus produtos ao exterior, produtos estes que foram transacionados pela comercial exportadora. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracteriza-se pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. MULTA DE OFÍCIO.PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa de lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua discussão subjetiva em âmbito administrativo. TAXA SELIC. Cobram-se juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), por expressa previsão legal. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Fl. 563 DF CARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02.
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RECEITA EXPORTAÇÃO. Para o produtor/exportador, são receitas financeiras, os valores referentes a variação cambial decorrente das vendas de seus produtos ao exterior, produtos estes que foram transacionados pela comercial exportadora. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA Nº 1 do CARF. A matéria já suscitada perante o Poder Judiciário não pode ser apreciada na via administrativa. A concomitância caracterizase pela irrefutável identidade entre o pedido e a causa de pedir dos processos administrativos e judiciais. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. MULTA DE OFÍCIO.PERCENTUAL. LEGALIDADE. O percentual de multa de lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua discussão subjetiva em âmbito administrativo. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), por expressa previsão legal. SÚMULAS CARF. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA Nº 02 DO CARF. Fl. 563DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 296 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Súmula CARF nº 02. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria referente à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em vista da opção pela via judiciária. E, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos conselheiros FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, João Carlos Cassuli Junior e Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva que davam provimento integral para reconhecer a isenção dos valores por força da Lei nº 10.637/2002. O conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA apresentará declaração de voto GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO – Relator/Presidente em exercício. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros João Carlos Cassuli Junior, Silvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D Eca, Francisco Mauricio Rabelo de Albuquerque Silva e Mônica Monteiro Garcia de los Rios (Suplente). Relatório Para elucidar os fatos ocorridos até a interposição do Recurso Voluntário, transcrevo o relatório da DRJ, in verbis: Em decorrência de ação fiscal de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, foram lavrados os autos de infração do PIS (FATURAMENTO) (fls. 104/107) e da COFINS (fls. 110/113), pelos quais se formaliza o lançamento de exigência no valor total de R$ 760.326,12 (fl. 02), acréscimos legais, inclusos. A autuação ocorreu devido à apuração de diferenças entre os valores escriturados e os valores declarados/pagos, ocasionando a falta de recolhimento das contribuições indicadas, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 105 e 111 e termo de constatação fiscal de fls. 101/103. No precitado termo de constatação fiscal (fls. 101/103), parte integrante do auto de infração, o autor do feito relata que a contribuinte adotou o procedimento de considerar os valores de reajustes cambiais de suas vendas ao mercado externo como parte integrante do valor dos produtos vendidos, tendo emitido Fl. 564DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 297 3 notas fiscais de saídas como se fossem "notas complementares" de vendas para comercial exportadora, subtraindo, assim, a receita correspondente da base de cálculo do PIS e COFINS, dos respectivos períodos de apuração, com base nos seguintes argumentos:. a) as notas fiscais de saídas têm como natureza da operação "reajuste de preço açúcar. Tais notas fiscais não foram emitidas nas datas de saídas do açúcar do estabelecimento industrial, mas sim em momento posterior; b) a contribuinte esclareceu que emitiu as referidas notas fiscais para registrar a variação de preço ocorrida na bolsa de mercadorias internacional, conforme cláusulas constantes de contratos de compra e venda de açúcar firmados com as empresas COINBRA e GLENCORE (comerciais exportadoras). Apresentou cópia de diversos contratos firmados com as referidas empresas; c) os valores correspondentes às mencionadas notas fiscais foram contabilizados como receita operacional, venda de produto no mercado externo, na conta "71221001Açúcar"; d) porque não está correto o procedimento adotado pela contribuinte ao considerar tais valores como receitas de exportação, emitir notas fiscais com natureza de reajuste de preços e contabilizar os respectivos valores como receita operacional, venda de produto no mercado externo? Em diversos dos contratos apresentados pela contribuinte consta a seguinte cláusula: Moeda Estrangeira. As partes declaram e concordam que, em virtude de o produto ter seu preço fixado em bolsa de mercadorias internacional e ser destinado ao mercado externo e a compra e venda ora contratada ser equiparada exportação, nos termos do Decretolei n° 1.248/72, as partes se valem da variação cambial para o fim de fixar e ajustar os valores previstos neste contrato, conforme permitido pelo artigo 2°, inciso I, do Decretolei 857/69. e) na verdade, estamos diante da existência de variações monetárias ativas, em função da taxa de câmbio, que devem ser consideradas receitas financeiras, e não de exportação. A seguir apresenta quadro demonstrativo das notas fiscais e respectivos valores (fl. 103). Cientificada dos autos de infração em 29/09/2006 (fl. 116), a postulante, em 27/10/2006 (fl. 136), por seus procuradores, Ademar Ferreira Mota e Gilson RR Criolézio, conforme instrumento de fl. 173, apresentou impugnação ao feito fiscal, na qual alegou, em resumo, o seguinte: I. a assertiva de que os reajustes de preço são, na realidade, variação monetária ativa, não encontra respaldo fático, pois Fl. 565DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 298 4 toda a operação efetuada pela empresa encontrase amparada pela legislação pertinente, não cometendo qualquer infração o contribuinte que se encontra prejudicado com a interpretação do fisco. Tratase de venda para entrega futura e as notas fiscais que acompanham o açúcar são de remessa para entrega futura e vinculada a um preço estimado. Após o término da operação, fechase um preço melhor ou completase o preço fixado na nota de venda, razão pela qual a natureza da operação é "reajuste de preço"; II. a emissão da nota de reajuste de preço encontra supedâneo na legislação; III. a lei instituidora do benefício estabelece claramente que serão utilizadas a legislação do Imposto de Renda para definir o conceito de receita operacional bruta e a legislação do IPI para a definição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; que o fiscal realizou uma interpretação distorcida da parte final do art. 3° da Lei n° 9.363, de 1996; IV. o procedimento adotado pela empresa encontra supedâneo legislativo no Regulamento do ICMS do Estado de São Paulo; V. se receitas financeiras fossem não poderia haver a incidência das contribuições sociais em discussão, pois o Decreto ° 5.442, de 2005, que revogou o Decreto n° 5.164, de 2004, consolidou no sistema jurídico que a alíquota seria igual a zero, quando a pessoa jurídica auferir receitas financeiras; VI. argumentou que a multa de oficio de 75% tem caráter de confisco; VII. incabível a cobrança de juros remuneratórios, como a taxa Selic, por ilegal e inconstitucional, devendo ser aplicada a norma que rege a matéria, o CTN; VIII. requereu a realização de perícia técnica por perito contábil qualificado, com fundamento no art. 18 c/c o 28 do Decreto n° 70.235/72. Ao final requer o efeito suspensivo previsto no art. 151 do CTN, o provimento do pedido, e, na pior das hipóteses, minorado com a exclusão da multa confiscatória e da Selic. Anexo à sua impugnação apresentou cópias dos documentos de fls. 137/475. A Quarta Turma da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto julgou improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão nº 1426742, cuja ementa abaixo reproduzo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. Fl. 566DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 299 5 Para efeito de determinação da isenção da contribuição sobre receitas de vendas para o mercado externo realizadas através de comercial exportadora, o marco legal determina que o seu valor é o constante do documento fiscal apto à recepção no recinto alfandegado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001 COFINS. DECORRÊNCIA. Estando o lançamento da Cofins baseado nos mesmos elementos fáticos, devem ser estendidas ao auto de infração da Cofins as mesmas conclusões adotadas para o PIS. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, as quais não se podem, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Legal a aplicação da taxa do Selic para fixação dos juros moratórios para recolhimento do crédito tributário em atraso. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Data do fato gerador: 30/04/2001, 31/05/2001, 30/06/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 30/09/2001 PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário no qual argumenta, em síntese, que: Firmou dois contratos de exportação com a Glencore Exportadora, nos quais, constava o direito de recompra das Fl. 567DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 300 6 posições fixadas na Bolsa de valores, conforme Cláusula 8, dos Contratos nº 0100.1350.0100.0037 e nº 0100.1350.0100.0057, ocasião em que a vendedora informou haver interesse em deixar os preços provisórios para fins de recompra das posições, o que fora aceito pela compradora. Vale salientar que tais operações de recompra de posição são corriqueiras nas negociações comerciais de comodities, assim como o rolamento de telas, ou seja, a fixação do preço e feita parte na tela de março e parte na tela de julho, havendo consenso entre as partes, nada há de errado com o procedimento, inclusive porque já existe clausula contratual especificando o assunto. Notese que a explicação fornecida pela exportadora afirma claramente que houve um acordo entre as partes sobre a possibilidade de recompra das posições, sendo que os pagamentos e os preços fixados nas notas fiscais seriam provisórios, ocorre que o preço fixado na ordem de recompra não fora atingido, momento em que a compradora recomendou o fechamento da operação com a emissão de nota fiscal para complementar o preço do açúcar comercializado. Para fins de exemplificação, necessário que se tome por base uma quantidade de produto e as condições comerciais, ou seja, estando a Recorrente vendendo 10.000 toneladas de açúcar, a serem retiradas em março e abril de 2001, cujo preço deve ser fixado também na tela de maio de 2001, a qual deve ser fechada no último dia útil de abril de 2001, note que as retiradas vão estar sendo feitas durante o período em que a vendedora possui direito à fixação do preço, razão pela qual as partes emitem nota de venda com preço estimado, realizando o reajustamento do preço após o fechamento das operações na bolsa de valores. (...) Em apertada síntese é o que ocorreu com a Recorrente, não havendo nada que indique ser variação cambial, tratase de preço mesmo, ou seja, o vendedor não possui dólares para fixar preço, possui sim seu produto o açúcar, sendo que a variação noticiada é do preço do açúcar e no do dólar. A verdade que a Recorrente possui açúcar e não dólares. Nessa mesma linha, aproveitando o exemplo acima, podemos mencionar que, após o fechamento do preço na bolsa de valores a compradora efetua o pagamento no terceiro dia posterior à remessa dos produtos, lapso temporal em que pode haver alterações no preço do dólar ocorrendo, aí sim, variação cambial, a qual obviamente é enquadrada com receita financeira, no havendo necessidade de emissão de Nota Fiscal para amparar a mencionada variação ativa, entretanto, veja que existem dois momentos distintos, o período pactuado entre as partes para a fixação de preço e o tempo entre a fixação do preço e o efetivo pagamento, sendo possível se falar em receita financeira somente no último caso, eis que no primeiro os Fl. 568DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 301 7 reajustes são pertinentes a preços conforme exaustivamente exposto supra. (...) Sem considerar o aspecto contratual, inexiste em todo o mundo jurídico alguma norma que proíba a emissão de nota fiscal de complemento de preço. Nos contratos firmados com a Empresa GLENCORE, com finais de números 037 e 057, já colhido pela fiscalização, mas também com cópia anexa, pactuouse a possibilidade de recompra de posição, conforme cláusula 8, sendo que as faturas foram sendo feitas provisoriamente, SENDO ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIA A NOTA FISCAL DE COMPLEMENTO DE PREÇO, A QUE O AÇÚCAR DEVERIA SER ENVIADO COM PREÇO ESTIMADO. Outro aspecto a ser ressaltado referese ao contrato da Empresa Coimbra, o qual também fora entregue à fiscalização e anexamos extrato do mesmo a presente, no qual se encontra prevista uma possibilidade de adiantamento de até 90% do produto a ser entregue e caso o preço não esteja fixado será estimado em 60% do preço de mercado, RAZÃO PELA QUAL, MAIS UMA VEZ, SE TORNA ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIA A NOTA DE COMPLEMENTO DO PREÇO QUANDO DOS FECHAMENTOS FINAIS, NADA HAVENDO DE VARIAÇÃO CAMBIAL NISSO. Nesse prumo, resta exaustivamente esclarecida a absoluta necessidade da nota fiscal de complemento de preço, bem como restou comprovado, com clareza indiscutível, que a nota fiscal de complemento não contempla variação cambial e sim formação do preço final da mercadoria no mercado, motivo pelo qual se requer e espera seja corrigido o equívoco por este sensato órgão julgador. (...) Ante o exposto supra, mostrase inteiramente inviável o entendimento da fiscalização no sentido de considerar as notas de complemento de preço como variação cambial, tanto que, pela relevância dos valores, poderíamos supor que é mais rentável explorar a variação cambial indicada do que produzir e vender o açúcar no mercado externo. (...) Ainda que, absurdamente, sejam afastados todos os demais argumentos aventados pela Recorrente, o presente auto de infração deve ser lançado com suspensão, uma vez que esta possui Decisão Liminar em sede de antecipação da tutela e Sentença Procedente, na qual a Segunda Vara da Justiça Federal de Araçatuba, por meio do processo 1999.61.07.0009748, determinou que a Fazenda se abstenha de cobrar PIS/COFINS sobre receitas diferentes do conceito de faturamento, tal como adotado pela lei 07/70 e 70/91, conforme documentos inclusos. Fl. 569DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 302 8 Na mencionada decisão judicial ficou consignado pelo Magistrado o direito da Recorrente se abster ao pagamento das contribuições com base nas leis 9715/98 e 9.718/98, permanecendo no regime da LC 07/70 e 70/91, a qual somente permite a incidência das contribuições sobre a receita da venda de produtos, excluídas as demais receitas e receitas financeiras, as alíquotas de 0,65% para a PIS e 2% para a COFINS, tudo conforme documentos inclusos. (...) Mostrase inteiramente confiscatória a multa de oficio aplicada, haja vista que praticamente dobra o crédito da Fazenda Federal, em situação que, como se pode notar, sem privilegiar a boa fé do contribuinte, que vendeu seus produtos e pactuou com o comprador o reajuste de preço, o qual fora desconsiderado pela fiscalização. Assim, a multa confiscatória viola o principio da capacidade contributiva, haja vista investir contra o patrimônio do contribuinte, violando assim princípios comezinhos de Direito Tributário e da Constituição Federal, razão pela qual deve ser afastada a multa de oficio imputada pela fiscalização. (...) a natureza jurídica do Selic é de juros remuneratórios, conforme exaustivamente demonstrado, assim sendo incompatível com a natureza prevista no Código Tributário Nacional que é de mora, razão pela qual deve ser afastada. (...) Ademais sua aplicação para fins tributários carece de expressa previsão legal, eis que existem leis que fazem referencia à aplicação da taxa Selic, no entanto, não tem uma que trace seus contornos para fins tributários, para que seja atendido o principio da legalidade. (...) Portanto, a taxa de juros de mora é sempre retrospectiva, para indenizar pelo atraso no pagamento vencido da exação e não para remunerar o credor, como se este fosse um investidor, razão pela qual se mostra incompatível com a aplicação para fins tributários, eis que tem sentido inteiramente inverso. (...) Pelas razões elencadas supra, cumprenos chegar à ilação de que é ilegal e inconstitucional a taxa de juros aplicada às exações ora em discussão, razão pela qual deve ser afastada, aplicandose a norma que rege a matéria, qual seja, o Código Tributário Nacional. Requer perícia contábil para avaliar as emissões de notas fiscais, a formação do preço e a contabilização, pois entende que a Autoridade Fiscal não tem conhecimento suficiente para analisar as operações contábeis de exportação. Fl. 570DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 303 9 Termina sua petição recursal, requerendo que seja recebido seu recurso com efeito suspensivo, para que ao final seja dado provimento para desconstituir o auto de infração, com base nos fundamentos de fato e de direito elencados no decorrer da presente, em especial por se tratar de reajuste de preço de produto e não receita financeira, como quer fazer entender a fiscalização, ou ainda, se receitas financeiras forem, que seja aplicada a inconstitucionalidade contida na lei nº 9.718/98, para que no sejam exigidos PIS/COFINS sobre outras receitas não decorrentes do conceito de faturamento e, na pior das hipóteses, caso sejam afastados todos os argumentos, requer seja minorado o crédito tributário com a exclusão das multas confiscatórias, além da impertinência da Taxa Selic. É o Relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. A impugnação foi apresentada com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dela tomo conhecimento e passo a apreciar. Pedido de Perícia O recorrente requer uma perícia contábil para avaliar as emissões de notas fiscais, a formação do preço e a contabilização, pois entende que a Autoridade Fiscal não tem conhecimento suficiente para analisar as operações contábeis de exportação. Nego a perícia solicitada por entender que o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência técnica e legal para o exame da contabilidade do sujeito passivo e por entender que nos autos contêm todos os elementos de prova suficientes para formação de minha convicção. Saliento que a Súmula CARF nº 08 já pacificou esta matéria no sentido de que o Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Valores referentes às Variações Cambiais. Receita de Exportação. O recorrente colima demonstrar que as variações cambiais ativas integram as receitas de exportação, sendo, portanto, isentas das contribuições para o PIS e para a Cofins. Alega que foram emitidas notas fiscais com valores reduzidos apenas para o acompanhamento e transporte da mercadoria e que posteriormente foram emitidas as notas fiscais complementares aos valores originais para compatibilizar o preço de venda com a cotação internacional do produto, tudo, conforme afirma, previsto em contrato entre as partes. Gostaria de ressaltar que essa matéria foi discutida na sessão anterior e proferi meu voto de forma diferente que estou votando nestes autos. Acontece que analisando melhor a questão e mantendo o critério que tenho utilizado nos votos que envolvem operações com comercial exportadora, sintome obrigado a rever minha posição. Fl. 571DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 304 10 Para melhor entendimento da lide, reproduzo parte do recurso voluntário que descreve a operação do recorrente: (...), a nota inicial é emitida com natureza de operação de "VENDA PARA ENTREGA FUTURA" englobando geralmente o volume total de açúcar comercializado naquele respectivo lote, tendo em vista que toda nota fiscal emitida deve possuir um preço, este é estimado somente para fins de emissão do documento, em geral na ordem de setenta por cento do preço do produto na data da emissão, sendo que, posteriormente emitem se tantas notas quantas forem necessárias para o transporte do açúcar até o porto, com natureza de operação "REMESSA ENTREGA FUTURA AÇÚCAR" a qual acompanha o açúcar ate o porto, contendo em seu campo de observações o número da nota de venda mencionada acima, conforme se pode ver nos documentos com esta natureza anexos ao presente. Após o término da operação, ou operações, existe a possibilidade de se fechar um preço melhor ou haver o complemento da diferença do preço fixado na nota de venda, razão pela qual se emite uma nota fiscal com natureza de operação "REAJUSTE DE PREÇO" que são as notas mencionadas pela fiscalização como receitas financeiras (...) Portanto, a pedra angular do litígio posta nos autos cingese a definir se o valor da nota fiscal complementar, aquela que corresponde à diferença entre o valor da mercadoria na data em que foi entregue a comercial exportadora e o valor da data da efetiva exportação, pela comercial exportadora. A meu sentir é se suma importância conhecermos o que vem a ser uma “empresa comercial exportadora”. As micros e pequenas empresas brasileiras nos últimos anos vêm obtendo um aumento em suas exportações que, mesmo sendo em termos absolutos ainda pequeno, já demonstra uma maior vontade por parte de seus empresários a aumentar suas vendas com o mercado externo. Muito se deve às atitudes tomadas pelo governo com a criação de meios que facilitam e desburocratizam os processos necessários para tal feito. Não se pode olvidar que essas empresas possuem certa dificuldade em atuar no mercado internacional, muitas vezes por não possuírem estrutura logística, departamento capacitado ou até mesmo pela dificuldade ao acesso dos programas de incentivo à exportação do governo e de iniciativas privadas, podendo, portanto contar com o trabalho realizado pelas trading companies e comerciais exportadoras. Como isso funciona? Ao receber um pedido de exportação de mercadorias de sua produção, por muitas vezes a empresa fabricante não está preparada ou não tem condições de exportálo, por qualquer motivo. A empresa produtora poderá optar por não efetuar exportações diretamente, utilizando uma terceira empresa para processar suas vendas ao exterior. A modalidade de exportação através de uma terceira empresa se chama “Exportação Indireta”, ou “Exportação via Interveniente”, e tem um tratamento especial, que vamos aqui tratar. Fl. 572DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 305 11 A empresa produtora efetua, então, a venda no mercado interno, com o fim específico de exportação, a uma empresa comercial, que se encarregará de exportála, atuando como interveniente na operação. Portanto, a operação de exportação indireta consiste na venda de produtos destinados à exportação, os quais saem do estabelecimento industrial ou comercial para empresas comerciais exportadoras, trading companies ou qualquer outra empresa habilitada a operar com o comércio exterior. A exportação indireta via empresas comerciais exportadoras, têm tratamento tributário diferenciado e as vendas realizadas para elas têm caráter de exportação direta. Dessa forma, o produtor/exportador conta com isenção de impostos e deixa de ter qualquer responsabilidade sobre a continuidade da operação. Além desse benefício, cito as seguintes vantagens: a) Gasto reduzido na comercialização do produto; b) Eliminação da pesquisa de mercado; c) Eliminação dos procedimentos burocráticos e seus custos, já que a documentação se resume à Nota Fiscal; d) Redução de riscos comerciais e de movimentação da mercadoria no exterior; e) Redução do custo financeiro decorrente das vendas a prazo, já que, via de regra, as comerciais exportadoras compram à vista; e f) Dedicação exclusiva à produção. Até pouco tempo, a empresa comercial exportadora e a trading companies se confundiam. Com o passar dos tempos, a União Federal permitiu que outras empresas tenham características típicas de comercial exportadora, proporcionando um registro equivalente no momento em que seja realizada a primeira exportação ao exterior. Neste momento, as figuras de comercial exportadora e trading se dissociaram. Uma trading company deve ser constituída com base no DecretoLei nº 1.248/72, devendo obrigatoriamente ser S/A, ter capital social mínimo equivalente a 703.380 UFIR e obter registro especial para operar como trading na SECEX/MICT e SRF/MF. Por sua vez, uma empresa comercial exportadora tem sua constituição regida pela mesma legislação utilizada na abertura de qualquer empresa comercial ou industrial para operar no mercado interno, sem nenhuma exigência quanto a sua natureza, capital social ou registro especial. As empresas comerciais exportadoras e as trading companies atuam como intermediárias na representação e comercialização de produtos entre Brasil e outros países. Têm como objetivo social a comercialização, podendo comprar produtos fabricados por terceiros para revender no mercado interno ou destinálos à exportação, assim como importar mercadorias e efetuar sua comercialização no mercado doméstico, ou seja, atividades tipicamente de uma empresa comercial. Essas empresas proporcionam um grande fomento na Fl. 573DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 306 12 área de comércio exterior, tanto no que se diz respeito aos trâmites legais de exportação, quanto no estudo de mercados, viabilidade econômica e a inserção de produtos de interesse para os mais variados mercados. Com essa pequena noção sobre “empresa comercial exportadora”, me atrevo a enfrentar o caso em epígrafe. A meu ver existem duas operações realizadas nos autos que não se confundem e não se colidem, a saber: 1 a venda de produtos a comercial exportadora – exportação indireta e 2 a comercialização feita pela comercial exportadora – podendo ser uma exportação ou uma venda para o mercado interno. A recorrente participa da primeira operação que foi a venda de seu produto a uma comercial exportadora. Essa operação está isenta das contribuições para o PIS e para a Cofins. Surge o direto ao creditamento do crédito presumido do IPI. Essas são as conseqüências da operação feita entre a recorrente e a comercial exportadora. A segunda operação diz respeito apenas à comercial exportadora, pois como vimos esta pode comercializar os produtos adquiridos no mercado interno ou no externo. Se forem comercializados no mercado interno, ou não comercializados no prazo de 180 dias, cabe a comercial exportadora o recolhimentos dos tributos referentes às operações efetuadas com o recorrente. Ressalto que para a recorrente a operação teve fim quando da entrega de seus produtos para embarque de exportação ou em recinto alfandegado, por conta e ordem da comercial exportadora. A consequência disto é que se houver desvio no destino da mercadoria, ou seja, venda no mercado interno, o recorrente não perderá seu direito ao crédito presumido, tampouco, deverá arcar com os tributos não recolhidos na operação de venda à comercial exportadora. Partindo dessa premissa, a partir de 01/02/1999, as operações efetuadas pelo recorrente com a comercial exportadora estavam isentas de pagamento das contribuições para o PIS e para a Cofins. Até esse ponto não há discordância. A desavença surge quando a comercial exportadora faz a efetiva exportação dos produtos com preços superiores aos preços que constam nas notas fiscais. Pelos autos, essa diferença é paga à recorrente que, pela sua tese, deve ser computada como receita de exportação, ficando isenta das exações. A teoria defendida pelo recorrente não encontra amparo legal, pois o momento que define que seus produtos foram comercializados com fim específico de exportação é no ingresso deles em recinto algandegado. Neste momento, caracterizase a exportação indireta, surge a isenção e o direito ao crédito presumido do IPI. Para o recorrente não importa mais o destino de seus produtos, pois seus direitos já estão consagrados. Destarte, se ocorrer um pagamento complementar referente à operação posterior a venda à comercial exportadora, esse valor não pode se agregar ao valor da Fl. 574DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 307 13 exportação, em vista dela ter ocorrido e se completado de forma indireta na entrada dos produtos em recinto alfandegado. Então, como classificar os valores recebidos pela recorrente quando a comercial exportadora efetuou a exportação. Entendo que esses valores se subsumem ao art. 9º da Lei nº 9.718/98. “Art. 9º As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso”. Na linha do raciocínio desenvolvido, para o produtor/exportador, os valores referentes à variação cambial decorrente das vendas de seus produtos ao exterior, produtos estes que foram transacionados pela comercial exportadora, são receitas financeiras. Contudo, não podemos esquecer que os fatos geradores ocorreram sob a égide da Lei nº 9.718/98. Sabemos que a aplicação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que alterou a base de cálculo das exações, foi afastado por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal. Não obstante a este fato, os autos nos revelam que o recorrente tem ação própria acerca do assunto, circunstância que afasta a possibilidade de análise desta matéria por esse Colegiado. Nestes casos, quando o sujeito passivo opta pela via judicial para a discussão de matéria tributária implica na renúncia ao poder de recorrer nesta instância, nos termos do parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830/80 e do § 2º, art. 1º do Decretolei nº 1.737, de 1979. Sabemos que o objetivo de determinar a renúncia administrativa nestes casos é para respeitar o modelo da jurisdição una, que rege o ordenamento jurídico pátrio. Processos paralelos, com objeto e finalidade idênticos, podem resultar em efeitos redundantes ou antagônicos. Em qualquer das hipóteses, prevalecerá a decisão judicial, motivo pelo qual a concomitância de processos ofende o princípio da economia processual. Em face disso, a opção do contribuinte pela via judicial encerra o processo administrativo fiscal em definitivo, em qualquer das fases em que ele se encontre. Ratificando este entendimento, foi aprovado o enunciado de Súmula CARF nº 01, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Registrese que a coisa julgada a ser proferida no âmbito do Poder Judiciário jamais poderia ser alterada no processo administrativo, pois tal procedimento feriria a Fl. 575DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 308 14 Constituição Federal, que adota, como já mencionado, o modelo de jurisdição una, onde são soberanas as decisões judiciais. Assim sendo, não conheço desta matéria por ter sido levada à análise do Poder Judiciário. Multa de Ofício Reclama o recorrente que o percentual da multa aplicado tem natureza confiscatória. Quanto ao caráter confiscatório da multa de ofício, cabe ressaltar que o percentual de 75% está previsto na legislação vigente à época dos fatos, não se podendo reduzi lo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. O contribuinte prestou declaração inexata à SRF, o que redundou na apuração de tributos e contribuições em montantes inferiores aos efetivamente devidos, estando, portanto, adequadamente tipificada a infração cuja ocorrência impõe também a aplicação da multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, in verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; Esclareçase também, que a multa encontra embasamento legal, por conta do caráter vinculado da atividade fiscal, não podendo ser excluída administrativamente se a situação fática verificada enquadrase na hipótese prevista pela norma. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei. Qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, como a contraposição a princípios constitucionais – sob o argumento de suposta ofensa à capacidade contributiva ou por ocorrência de confisco – somente pode ser reconhecido pela via competente, no caso o Poder Judiciário. Desse modo e não cabendo à autoridade administrativa de julgamento acatar a alegação de que o percentual de multa é confiscatório, não podendo reduzilo e nem alterálo sem que haja expressa previsão legal, é de se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, sobre os valores de PIS e de Cofins não declarados/recolhidos. Juros de Mora. Reclama a recorrente que a natureza jurídica da taxa Selic é de juros remuneratórios, sendo incompatível com a natureza prevista no Código Tributário Nacional que é de mora, razão pela qual deve ser afastada. Fl. 576DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 309 15 No que concerne à exigência de juros de mora com base na taxa Selic, há que se observar o que dispõe o CTN, a respeito: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso , os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. A exigência de juros de mora em percentual equivalente à taxa Selic, encontra respaldo nos arts. 13 da Lei n.º 9.065, de 1995, e art. 61, § 3º, da Lei n.º 9.430, de 1996, in verbis: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do artigo 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Já o art. 5º, § 3º da Lei n.º 9.430, de 1996, referido pelo art. 61, § 3º, dessa mesma lei, tem a seguinte redação, in verbis: Art. 5º ... omissis .... (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Fl. 577DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 310 16 Dessa forma, a despeito das considerações expendidas em sentido contrário, uma vez que a legislação utilizada como base legal para a exigência dos juros de mora, em conformidade com o § 1º do art. 161 do CTN, dispôs de forma diversa, elegendo a taxa referencial Selic para títulos federais para o cálculo dos juros moratórios decorrentes da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação fiscal, não pode ser acolhida a tese de ilegalidade, tampouco podem ser consideradas especulações quanto à sua natureza e forma de apuração. Consoante noção cediça, os Órgãos judicantes do Poder Executivo não têm competência para apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Compete a esses órgãos tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. Com efeito, a apreciação de assuntos desse tipo achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos da inconstitucionalidade e/ou invalidade das normas jurídicas deve ser submetida ao crivo desse Poder. O Órgão Administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza. Os mecanismos de controle da constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal, passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa. Noutro giro, não se pode olvidar que esta matéria já foi pacificada no âmbito do CARF, com a aprovação do enunciado de súmula CARF nº 02, publicada no DOU de 22/12/2009, in verbis: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Forte nestes argumentos, voto no sentido de não conhecer da matéria referente à inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em vista da sua discussão no Poder Judiciário, e na parte conhecida, negar provimento ao recurso. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de março de 2012.20 março de 2012 Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 578DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 311 17 Declaração de Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA. Embora acompanhando o ínclito relator na preliminar de concomitância em relação à matéria já submetida ao Poder Judiciário, no mérito ouso dissentir mantendo coerência com entendimento já externado em recente julgamento deste colegiado por ele mencionado, eis que ao contrário do que entende a r. decisão recorrida, verificase que ao interpretar a mesma legislação por ela invocada, a Jurisprudência do E. STJ, já repeliu a pretendida distinção entre receita financeira e receita de exportação, proclamando que “a isenção do PIS e da COFINS das receitas decorrentes da exportação de mercadorias, estabelecida no art. 14 da Lei 10.637/2002, abrange a variação cambial positiva desses valores, como se pode ver das seguintes e elucidativas ementas: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. COFINS. RECEITA DECORRENTE DA EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS PARA O EXTERIOR. ISENÇÃO. LEI N. 10.637/02 E MP N. 2.158 35/01. ALCANCE. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. ART. 9º DA LEI N. 9.718/98. OFENSA À CLÁUSULA DE RESERVA DE PLENÁRIO. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO A DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL. ATRIBUIÇÃO DO STF. 1. A jurisprudência desta Corte Superior está consolidada no sentido de que a isenção da contribuição ao PIS e da Cofins sobre as receitas decorrentes de operações realizadas na venda de produtos para o exterior também alcança a variação cambial positiva desses valores. 2. Esse entendimento não ofende a cláusula de reserva de plenário, pois não existiu declaração de inconstitucionalidade de lei a ensejar a aplicação do art. 97 da Constituição da República, nem mesmo de forma velada, mas mera interpretação de regra jurídica. 3. Esta Corte não se presta à análise de afronta a dispositivo constitucional, nem mesmo para fins de prequestionamento, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 4. Agravo regimental não provido.” (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp 969.194/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, em sessão de 16/12/2010, publ. in DJU de 10/02/2011) “TRIBUTÁRIO. PIS. COFINS. RECEITAS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. NORMAS DE ISENÇÃO E IMUNIDADE. INCIDÊNCIA. Fl. 579DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 312 18 1. No contrato de câmbio, com variação cambial positiva, não pode haver tributação na forma do art. 9º da Lei 9.718/98. 2. A regra de imunidade prevista no art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal estimula a exportação e deve ser interpretada extensivamente. 3. A Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, em um caso análogo, decidiu que: "Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambiais positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada extensivamente." (REsp 1.059.041/RS, 2ª Turma, Rel. Min. Castro Meira, DJe de 4.9.2008). 4. Recurso especial desprovido. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no REsp 1064722/SC, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, em sessão de 16/04/2009, publ. in DJU de 06/05/2009) “RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXPORTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. NÃOINCIDÊNCIA. REGRAS DE ISENÇÃO E DE IMUNIDADE. 1. A isenção da contribuição ao PIS e da Cofins incidente sobre as receitas decorrentes de operações realizadas na venda de produtos para o exterior, prevista no artigo 14 da Lei nº 10.637/2002, também alcança a variação cambial positiva destes valores. 2. O contrato de câmbio realizado entre a empresa exportadora e instituição financeira reconhecida pelo Banco Central do Brasil, do qual podem decorrer variações cambiais positivas ou negativas, não constitui negócio dissociado da operação de venda ou prestação de serviços ao exterior, mas mecanismo indispensável à sua efetivação, pelo que não pode ser tributado na forma do disposto no art. 9º da Lei nº 9.718/98. 3. Ainda que se possa conferir interpretação restritiva à regra de isenção prevista no art. 14 da Lei nº 10.637/2002, deve ser afastada a incidência de PIS e Cofins sobre as receitas decorrentes de variações cambias positivas em face da regra de imunidade do art. 149, § 2º, I, da CF/88, estimuladora da atividade de exportação, norma que deve ser interpretada extensivamente. 4. Precedentes da Segunda Turma. 5. Recurso especial não provido. (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 1059041/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA,em sessão de 07/08/2008, publ. in DJU de 04/09/2008) Fl. 580DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10820001701/200660 Acórdão n.º 3402001687 S3C4T2 Fl. 313 19 “TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. EXPORTAÇÃO. RECEITAS FINANCEIRAS DECORRENTES DAS VARIAÇÕES CAMBIAIS POSITIVAS. ISENÇÃO. 1. A isenção do PIS e da COFINS das receitas decorrentes da exportação de mercadorias, estabelecida no art. 14 da Lei 10.637/2002, abrange a variação cambial positiva desses valores. Precedentes da Segunda Turma do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no AgRg no REsp 981.757/SC, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, em sessão de 18/12/2008, publ. in DJU de 24/03/2009) Isto posto, acompanho o ínclito relator pelo não conhecimento da matéria concomitantemente submetida ao Poder Judiciário, e no mérito dava provimento ao recurso para julgar improcedente o lançamento para reconhecer que a isenção do PIS e da COFINS das receitas decorrentes da exportação de mercadorias, estabelecida no art. 14 da Lei 10.637/2002, abrange a variação cambial positiva desses valores, tal como proclamado pelo E. STJ. É como voto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 581DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 19 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP19.0220.10073.611S. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA em 29/03/2012 16:33:22. Documento autenticado digitalmente por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA em 29/03/2012. Documento assinado digitalmente por: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO em 29/03/2012 e FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA em 29/03/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 19/02/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP19.0220.10073.611S Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2267A4B4A3DD6A82B080C4970B19BBF5385071AB Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10820.001701/2006-60. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10675.903025/2009-24
Data da sessão: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002
BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO.
Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado.
Numero da decisão: 3402-001.720
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna, OAB 87198/MG.
Nome do relator: SÍLVIA DE BRITO OLIVEIRA
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Recorrente BANCO TRIÂNGULO S/A Recorrida DRJ em JUIZ DE FORAMG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2001 a 30/11/2002 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. FATURAMENTO. Reconhecida a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS, essa contribuição deve incidir sobre o faturamento, entendido este como a receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, nos termos da decisão judicial transitada em julgado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gustavo Lanna, OAB 87198/MG. Nayra Bastos Manatta Presidente Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Gilson Macedo Rosenburg Filho, João Carlos Cassuli Junior, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Nayra Bastos Manatta (Presidente). Fl. 184DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 2 Relatório A pessoa jurídica qualificada neste processo transmitiu, em 29 de novembro de 2006, Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP) para declarar a compensação de débito com crédito da contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) decorrente de pagamento em valor maior que o devido no período de apuração de novembro de 2001. A compensação não foi homologada em virtude de o pagamento indicado como origem do crédito ter sido integralmente utilizado para quitação de débito da contribuinte. Foi apresentada manifestação de inconformidade e a Delegacia da Receita Federal do Brasil de UberlândiaMG procedeu à revisão de ofício do despacho decisório para novo exame do direito creditório, tendo em vista tratarse de crédito reclamado nos autos do Mandado de Segurança (MS) n° 2000.38.03.000.7782, por meio do qual se pretendeu garantir o direito ao recolhimento do PIS, a partir de 1° de janeiro de 2001, à alíquota de 0,65% sobre o faturamento, afastandose a incidência do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998. No novo despacho decisório, a autoridade fiscal concluiu que, após a realização dos cálculos dos créditos decorrentes do supracitado MS, não havia crédito disponível e não homologou a compensação declarada. Contra essa decisão, foi protocolizada manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Juiz de ForaMG (DRJ/JFA), que, por sua vez indeferiu a manifestação, com o entendimento de que, à vista da decisão judicial transitada em julgado nos autos do MS impetrado pela contribuinte, a base de cálculo da contribuição pra o PIS alcançaria as receitas das “chamadas operações bancárias ("spreads", prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, empréstimos, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização, arrendamento mercantil, etc..)”, que constituiriam a essência do exercício das atividades empresariais das instituições financeiras. Não se conformando com a decisão do colegiado de piso, a contribuinte interpôs recurso voluntário para alegar, em síntese, que: I – a decisão transitada em julgado proveu integralmente o seu Recurso Extraordinário (RE) e foi proferida com base no art. 557, § 1°A, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC), ou seja, nos estritos termos dos julgados pacificadores da matéria, que circunscrevem as receitas oriundas das atividades empresariais, para incidência do PIS, à receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; II – com o reconhecimento da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1°, da Lei n° 9.718, de 1998, foi assegurada a restituição/compensação dos valores recolhidos a mais que o devido; III – a decisão proferida pelo STF não só declarou a inconstitucionalidade do precitado dispositivo legal como também determinou o conceito de faturamento para incidência do PIS; e Fl. 185DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 3402001.720 S3C4T2 Fl. 2 3 IV – para se delimitar o conceito de faturamento consignado na decisão monocrática proferida pelo Ministro Cezar Peluso, é necessário buscar esse conceito na jurisprudência do STF e não na posição pessoal do Ministro. Ao final, a contribuinte solicitou o provimento do seu recurso ou o sobrestamento do processo, tendo em vista a repercussão geral reconhecida no RE n° 609.096. É o relatório. Voto Conselheira Sílvia de Brito Oliveira, Relatora O recurso é tempestivo e seu julgamento está inserto na esfera de competência da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), devendo ser conhecido. Preliminarmente, cumpre registrar que o RE n° 609.096 cuida da exigibilidade da contribuição para o PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e, em 04 de março de 2011, teve repercussão geral reconhecida pelo STF. Foram sobrestados os processos judiciais que cuidam dessa matéria, conforme despacho decisório do Ministro Ricardo Lewandowski, em 10 de junho de 2011, no RE 609096; contudo, no caso em exame, a ora recorrente possui ação própria já transitada em julgado, que trata da sua base de cálculo para incidência da contribuição para o PIS e da Cofins. Portanto, não cogita aqui o sobrestamento do presente julgamento. Notese que o deslinde do litígio instaurado neste processo requer tão somente a interpretação da decisão transitada em julgado proferida nos autos do MS n° 2000.38.03.000.7782, cujo teor transcrevese: 1. Tratase de recurso extraordinário interposto contra acórdão que declarou a constitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, relativo ao alargamento da base de cálculo do PIS. 2. Consistente o recurso. A tese do acórdão recorrido está em aberta divergência com a orientação da Corte, cujo Plenário, em data recente, consolidou, com nosso voto vencedor declarado, o entendimento de inconstitucionalidade apenas do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que ampliou o conceito de receita bruta, violando assim a noção de faturamento pressuposta na redação original do art. 195, I, b, da Constituição da República, e cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais (cf. RE nº 346.084PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO; RE nº 357.950RS, RE nº 358.273RS e RE nº 390.840MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, todos julgados em 09.11.2005. Ver Informativo STF nº 408, p. 1) Fl. 186DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 4 3. Diante do exposto, e com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, conheço do recurso e doulhe provimento, para, concedendo a ordem, excluir, da base de incidência do PIS, receita estranha ao faturamento do recorrente, entendido esse nos termos já suso enunciados. Custas ex lege. Publiquese. Ora, de acordo com a decisão judicial em questão, a recorrente, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 2000 e regidos pela Lei n° 9.718, de 1998, a contribuição para o PIS deve incidir apenas sobre o faturamento “cujo significado é o estrito de receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais”. Em face disso, pareceme idene de dúvida que os valores do PIS recolhidos sobre base de cálculo que não configura receita bruta de venda de mercadoria ou de prestação de serviços tornaramse indevidos em face da decisão judicial transitada em julgado em favor da recorrente e, ademais, considerando que essa decisão foi proferida com fundamento no art. 557, § 1ºA, do CPC, entendo que sua interpretação deve ser consoante com a interpretação dada para os casos submetidos a este colegiado e apreciados à luz da inconstitucionalidade do art. 3°, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada pelo plenário do STF, em sede de controle difuso, com reconhecimento de repercussão geral. Destarte, por comungar o entendimento expendido pelo Conselheiro Robson José Bayerl, designado para redigir o voto vencedor do Acórdão n° 340300.581, proferido na sessão de 30 de setembro de 2010, no julgamento do recurso voluntário n° 256.916, interposto nos autos do processo n° 16327.000980/200511, transcrevo trecho desse voto vencedor a seguir: (...) Destarte, é irretorquível o reconhecimento da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo excelso pretório, contudo, tal manifestação se limitou àquele dispositivo que, justamente, veiculava o pretenso conceito de “receita bruta”, ordinariamente conhecido como “alargamento” da base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins. Não se pode olvidar, entretanto, que os arts. 2º e 3º, caput, da referida Lei nº 9.718/98 permaneceram incólumes, de tal sorte que há, sim, definição da base de cálculo da exação, in casu, o faturamento correspondente à receita bruta da pessoa jurídica, senão veja se: Art.2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art.3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Portanto, o conceito a ser buscado no ordenamento jurídico tributário é o de “receita bruta” da pessoa jurídica, porquanto aquele predicado pelo indigitado art. 3º, § 1º não é mais válido, não me parecendo razoável buscarse, como pretende o voto vencido, com a devida vênia, uma base de cálculo extraordinária para a contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 3402001.720 S3C4T2 Fl. 3 5 Reitero, a base de cálculo já existe e, como já dito, equivale ao faturamento, assim entendido como a receita bruta apurada pelo contribuinte. Dentro do microssistema das contribuições sociais sobre faturamento (PIS e Cofins), convergem, ainda que por via oblíqua1, as definições constantes do art. 72, V do ADCT (regulada pela Lei nº 9701/98) e Lei nº 9.715/98, que reeviam à legislação do IRPJ para aclarar o sentido da expressão “receita bruta”, cujo art. 279 do RIR/99 (Decreto nº 3.000/99), assim dispõe: “Art.279. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia (Lei nº 4.506, de 1964, art. 44, e DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 12). Parágrafo único. Na receita bruta não se incluem os impostos não cumulativos cobrados, destacadamente, do comprador ou contratante, dos quais o vendedor dos bens ou o prestador dos serviços seja mero depositário.” De outro ângulo, a Lei nº 9.718/98, além de reconfigurar a Cofins, teve por desiderato unificar o regime de apuração de ambas as contribuições, o que se revela pela leitura de seu art. 1º e de seu contexto geral. Nesta trilha, sendo ela inegavelmente sucessora da LC 70/91, no que concerne à Cofins, não é descabida o empréstimo de seu conceito de faturamento, bastante assemelhado à literalidade daquele adrede reproduzido, sendo na essência idêntico, ex vi do art. 2º, caput: “Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza.” Tenho que esta definição é a mais consentânea com a sistematização pretendida pelos sucessivos diplomas que trataram do tema em data mais recente, até o advento da não cumulatividade, nomeadamente, Lei Complementar nº 70/91, Medida Provisória nº 1.212/95 (convertida na Lei nº 9.715/98) e art. 72, V do ADCTF. Cuidase, na espécie, de integração da legislação tributária, em face do lacunoso conceito de receita bruta na regra matriz de incidência do PIS/Pasep, aplicandose à hipótese as previsões do art. 108 do Código Tributário Nacional. Acentuo que a integração, ora feita, a partir da legislação do Imposto de Renda e da Contribuição para Financiamento da 1 Digo por via oblíqua ao passo que o art. 72, V do ADCT informa que a base de cálculo será a receita bruta operacional, como definida pela legislação do imposto de renda, ao passo que a Lei nº 9.715/98 (arts. 2º c/c 3º) indica como base de cálculo o faturamento mensal, assim entendida a receita bruta, tal como prevê a legislação do imposto de renda. Ou seja, ainda que por caminhos diversos, a conclusão é a mesma. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA 6 Seguridade Social – COFINS alcança tãosomente a acepção do termo “receita bruta”, para estabelecimento do que venha a ser “faturamento”, e não a própria definição da base de cálculo da exação, o que seria vedado pelo § 1º do mesmo dispositivo. Pertinente, a este respeito, o escólio de Luciano Amaro2, quando examina o instituto da integração da legislação tributária: “Prevê o art. 108, após a analogia, o emprego dos princípios gerais de direito tributário (item II), antes de mencionar os de direito público (item III). Costumase falar, também, ao invocaremse os princípios para suprir lacunas da lei , em analogia juris, a par da analogia legis. Nesta, buscase uma norma para suprir a lacuna; naquela, a solução para a lacuna achase através do processo lógico de conformação do regramento do caso concreto com o conjunto do direito vigente, o que supõe que se invoquem os princípios integrantes desse sistema, e não uma norma; a utilização de certa norma posta no sistema traduziria analogia legis. O caminho é parecido com o da interpretação sistemática; nesta, temse uma norma, cuja interpretação se busca em harmonia com o sistema jurídico em que ela se insere; na analogia juris, procurase construir norma para o caso concreto que se harmonize com o sistema jurídico em que a disciplina desse caso deve ser inserida.” Em síntese, consigno meu entendimento que, eleito o faturamento como base de cálculo da contribuição para o PIS e sendo este equivalente à receita bruta, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, não atingidos pela decisão do STF, à luz de uma interpretação sistemática e da integração da legislação pertinente ao tema, devese entender como a receita das vendas de bens e serviços de qualquer natureza, ainda que fornecidos de forma conjunta, como aduz a sobredita legislação. Diante do exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, lembrando que o provimento parcial é devido à necessidade de a unidade preparadora destes autos aferir os cálculos para apuração do valor do indébito tributário decorrente da incidência do PIS apenas sobre a receita bruta de vendas de mercadoria e/ou de prestação de serviços. É como voto. Sala das Sessões, em 24 de abril de 2012 Sílvia de Brito Oliveira 2 DIREITO TRIBUTÁRIO BRASILEIRO, 5ª edição revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2000. pág. 203. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA Processo nº 10675.903025/200924 Acórdão n.º 3402001.720 S3C4T2 Fl. 4 7 Fl. 190DF CARF MF Impresso em 27/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/07/ 2012 por SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NAYRA BASTOS MANATTA
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Numero do processo: 11065.003838/2004-59
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Apr 08 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PIS. NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS. FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não cabe à autoridade fiscal, em pedido de ressarcimento do PIS recolhido sob o regime não-cumulativo, subtrair parcela relativa à transferência de créditos de ICMS, sob o fundamento de que esses valores integram o faturamento e compõem a base de cálculo da Contribuição devida. Nessa hipótese, seria imprescindível o lançamento de ofício.
Recurso provido.
Numero da decisão: 204-03.141
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO
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NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. , &asma af . Cap-"erECE O ORIGINAL TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS DE ICMS. of OZ? FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. NECESSIDADE --e DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não cabe à autoridade itiesiaats fiscal, em pedido de ressarcimento do PIS recolhido sob o Aia: • I o 11 regime não-cumulativo, subtrair parcela relativa à transferência de créditos de ICMS, sob o fundamento de que esses valores integram o faturarnento e compõem a base de cálculo da Contribuição devida. Nessa hipótese, seria imprescindível o lançamento de oficio. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: SCHMDT IRMÃOS CALÇADOS LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 08 de abril de 2008. (( g Yrkte 141.4140 enrique Pinheiro Torres Presidente • R drigo Bemardes de Carvalho Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nayra Bastos Manatta, Ali Zraik Júnior, Silvia de Brito Oliveira e Leonardo Siade Manzan. Ausente a Conselheira Renata Auxiliadora Maracheti (Suplente). 1 — h - SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIEV4INTES 1 41-Ministério da Fazenda CONFERE COM o ORIGINAL CC-MF Segundo Conselho de Contribuin . 02 Fl Processo n° : 11065.003838/2004-59 . . ..man,' Recurso n° : 135.006 \to s Acórdão n° : 204-03.141 Recorrente : SCHMLDT ~OS CALÇADOS LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de ressarcimento de crédito advindo de recolhimento do PIS não cumulativo. A DRF de origem reconheceu parcialmente o direito creditério tendo glosado a parcela relativa a créditos de ICMS transferidos de terceiros por considerar que tais valores representam receitas e portanto deveriam ter sido oferecidos à tributação. A 2' Turma de Julgamento da DRJ em Porto Alegre — RS mediante a prolação do Acórdão DRUPOA N° 7920, de 30 de março de 2006 manteve a glosa sob fundamento de que: "há incidência de Pis e Cofias na cessão de créditos de ICMS, dada a existência de uma alienação de direitos classificados no ativo circulante" (Ementa, fl. 72). Irresignada com a decisão retro, a recorrente lançou mão do presente recurso voluntário de fls. 77/103, oportunidade em que alega: 1. ser indevida a forma como se deu a glosa do crédito tributário, ou seja, incidentalmente ao exame de pedido de ressarcimento, sem a formalização do lançamento; 2. inviabilidade da tributação sem prova de que a contribuinte teria recebido qualquer valor em contrapartida à transferência de seus créditos de ICMS; 3. ad argumentandum, alega que mesmo que houvesse resultado, essa operação não configuraria receita tributável; e 4. por fim, alega que a tributação restringiria a regra de imunidade consagrada no art. 149, §2°, inc. I e art. 155, §2°, inc. X, alínea "a" da Constituição Federal. É o relatório. mh ify 2 4F • SEGUNDO CCUSELHO DE CONTRIBUMTES 2° CC-MF Yr., Ministério da Fazenda CONFERE O ORiGINAL Segundo Conselho de Contribuin N. hf-t: • Processo n° : 11065.003838/2004-59 Mar., ,u; NC,V4IS Recurso n° : 135.006 Mát Acórdão n° : 204-03.141 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO 2 O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, devendo ser apreciado. Cinge-se o objeto do recurso na glosa efetuada pela fiscalização em pedido de ressarcimento de PIS não cumulativo por considerar que a transferência de saldo credor de ICMS 1 para terceiros representa receita que deve ser tributada pelo PIS e pela Cofins não cumulativos. Merece atenção a preliminar levantada pela recorrente no sentido da impertinência da glosa dos supostos créditos neste processo. Realmente nesta hipótese a administração se excedeu ao pretender reconvir sem que houvesse tal previsão nas regras do PAF. E mais, o fez mediante procedimento semelhante a uma compensação de oficio, com créditos que jamais foram constituídos ou confessados pela contribuinte. Some-se que a glosa não se deveu porque foram encontradas irregularidades na apuração do crédito tributário, ao contrário, no entender da fiscalização o valor da contribuição devida foi apurado a menor em decorrência da falta de inclusão na base de cálculo do PIS do valor relativo às "transferências de créditos de ICMS". Com efeito, não poderia a administração "compensar" créditos de oficio, sem o lançamento tributário, sob pena de violação frontal ao art. 142 do CTN e art. 44 da Lei n.° 9.430/96. Neste sentido, decidiu a Terceira Câmara deste Conselho em preliminar levantada pela Ilustre Conselheira Silvia de Brito Oliveira, que hoje enriquece os debates nesta, confira: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO-CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO DOS DÉBITOS. DIFERENÇA A EMIR. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A sistemática de ressarcimento da COFLVS e do PIS não-cumulativos não permite que, em pedidos de ressarcimento, valores como o de transferências de créditos de ICMS, computados pela fiscalização no faturamento, base de cálculo dos débitos, sejam subtraídas do montante a ressarcir. .Em tal hipótese, para a exigência das Contribuições carece seja efetuado lançamento de oficio. Isto posto, dou provimento ao recurso. Sala de Sessões, em 08 de abril de 2008. RO IGO BERNARDE E CARVALHO it • 3 Page 1 _0016800.PDF Page 1 _0016900.PDF Page 1
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Numero do processo: 13884.004325/2002-85
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: PIS. BASE DE CÁLCULO. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. Integra a base de cálculo do PIS a receita proveniente de vendas efetuadas para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IN. É incabível a exigência de PIS sobre valores recebidos como ressarcimento de crédito presumido do IPI.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 204-03.155
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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'rp1,-Trg• Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13884.00432512002-85 Recurso n° : 131.419 Acórdão n° : 204-03.155 Recorrente : CEBFtACE CRISTAL PLANO LTDA. Recorrida : DRJ em Campinas - SP PIS. BASE DE CÁLCULO. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. Integra a base de cálculo do PIS a receita proveniente de vendas efetuadas para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus. RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO DO IN. É incabível a exigência de PIS sobre valores recebidos como ressarcimento de crédito presumido do IPI. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CEBRACE CRISTAL PLANO LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nayra Bastos Manatta e Henrique Pinheiro Torres. Sala das Sessões, em 09 de abril de 2008. /eL4110 ..(r) 4'5Henrique Pinheiro Torres Preside te 14 n1:k 1 1 a., • ri; Oliveira I e atora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rodrigo Bemardes de Carvalho, Ali Zraid Júnior e Leonardo Siade Manzan. Ausente a Conselheira Renata Auxiliadora Marcheti (Suplente). 1 - — 2° CC-MF Ministério da Fazenda Fl. i,1";;;7'..'lf Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13884.004325/2002-85 Recurso n° : 131.419 Acórdão n° : 204-03.155 Recorrente : CEBRACE CRISTAL PLANO LTDA. RELATÓRIO Contra a pessoa jurídica qualificada neste processo foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) relativa aos fatos geradores ocorridos no período entre 1° de fevereiro de 1999 e 31 de março de 2002, por ter a fiscalização apurado diferença entre os valores dessa contribuição declarados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) pela contribuinte e os valores escriturados. O procedimento fiscal foi descrito no campo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" do auto de infração e foram anexadas, às fls. 62 a 89, planilhas demonstrativas das apurações da base de cálculo e do tributo elaboradas pela fiscalização. Inconformada com a exigência tributária, a contribuinte apresentou impugnação à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (DRJ/CPS), que julgou parcialmente procedente o lançamento, para excluir da base de cálculo, no período de apuração de setembro de 1999, a receita relativa a reembolso de prejuízo causado por fornecedor, visto que tal reembolso somente se teria concretizado em novembro de 2001. Contra essa decisão, a contribuinte interpôs o recurso das fls. 331 a 344, para contestar a inclusão, na base de cálculo do PIS, das receitas decorrentes de vendas para adquirentes estabelecidos na Zona Franca de Manaus (ZFM) e de valores relativos a ressarcimento de crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados opo, alegando, em apertada síntese, que: I — os incentivos fiscais da ZFM estão constitucionalmente protegidos até 2.013, inclusive o incentivo de que trata o art. 4° do Decreto-Lei n°288, de 28 de fevereiro de 1967, que equipara à exportação a venda para consumo ou industrialização na ZFM; II — na ausência de expressa previsão legal para isenção das receitas de vendas para a ZFM, deve-se entender que tais receitas estão alcançadas pela isenção concedida às receitas de exportação, pois todo beneficio fiscal instituído para incentivar a exportação de produtos nacionais deve ser automaticamente aplicado às vendas de mercadorias para a ZFM; III — as disposições da Medida Provisória (MP) n° 2.037-24, de 2000, que pretendiam excluir da isenção as receitas de vendas para a ZFM, foram suspensas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), conforme medida cautelar concedida na Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) n° 2.348-9; e IV — os valores recebidos a título de ressarcimento de crédito presumido do IPI constituem mera recuperação de custo tributário relativo à incidência do PIS e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em cadeias anteriores de insumos utilizados na fabricação de produtos exportados. ‘'4 .411. 2 iftt.b; CC-MF ..tzpír , Ministério da Fazenda ?i43". Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13884.004325/2002-85 Recurso n° : 131.419 Acórdão n° : 204-03.155 Ao final, solicitou a recorrente o provimento integral do seu recurso para tomar insubsistente o lançamento. É o relatório. dreth 3 CC-MF •-et&v,.. Ministério da Fazenda„.. Fl. .:P$7.1:;;W Segundo Conselho de Contribuintes an'tttk.t.:* Processo n° : 13884.004325/2002-85 Recurso n° : 131.419 Acórdão n° : 204-03.155 VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA SILVIA DE BRITO OLIVEIRA O recurso é tempestivo, por isso deve ser conhecido. De início, esclareça-se que, à vista do auto de infração conjugado com a peça recursal, o litígio ficou adstrito aos períodos de apuração de junho, agosto, setembro, outubro, novembro e dezembro de 2001 e do primeiro trimestre de 2002, em virtude das vendas efetuadas a adquirentes localizados na ZFM, e aos períodos de janeiro, maio e agosto de 2001, cuja matéria de divergência é o ressarcimento de crédito presumido do IPI. Sobre a receita de vendas para a ZFM, primeiro, cabe considerar que os dispositivos da MP n° 2.037-25, de 2000, cujas reedições terminaram na MP n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, objeto de medida cautelar concedida pelo STF tratam exclusivamente de vendas relacionadas nos inc. IV, VI, VIII e IX do art. 14 da Ultima MP aqui citada e, intimada a se pronunciar, no curso do procedimento fiscal, a recorrente informou as vendas efetuadas para a ZFM não se enquadravam em nenhum desses incisos. Ademais, conforme pesquisa no sítio do STF para acompanhamento processual, verifica-se que a ADI n° 2348-9 foi baixada ao arquivo daquele Tribunal, em virtude de se ter transcorrido o prazo regulamentar da publicação no Diário da Justiça de 15 de fevereiro de 2005 da decisão monocrática proferida em 2 de fevereiro de 2005, sem interposição de nenhum recurso. Por meio da referida decisão monocrática, decidiu-se que, uma vez que a MP impugnada mediante referida ADI sofrera reedições sucessivas e não houvera nenhum aditamento à inicial, declarou-se prejudicado o pedido por perda do objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. Quanto ao mérito da inclusão das receitas em questão na base de cálculo do PIS, não vislumbro abrigo na ordem jurídica para agasalhar a pretensão contrária da recorrente, pois o dispositivo legal invocado no recurso, editado em fevereiro de 1967, traz em si expressão cuja literalidade fornece os exatos contornos temporais para o alcance dos efeitos fiscais a que se refere, estando assim redigido o art. 40 do Decreto-Lei n°288, de 1967: Au. 40 A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro ;erá efeitos vizot equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (Grifou-se) Observa-se, portanto, que o próprio dispositivo legal tratou de restringir seus efeitos fiscais à legislação vigente à data de sua publicação, evitando-se, dessa forma, a produção de efeitos em relação a tributos que forem instituídos posteriormente, como é o caso do PIS, que ./#9 4"11 22 CC-MF ••••-•.-'4,, Ministério da Fazendat. Fl. 1.2. st Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13884.004325/2002-85 Recurso n° : 131.419 Acórdão n° : 204-03.155 somente foi introduzido no ordenamento jurídico pela Lei Complementar n° 7, de 7 de setembro de 1970. Destarte, não havendo na legislação de regência da contribuição em tela referência expressa à isenção ou exclusão da base de cálculo das receitas decorrentes de vendas para consumo ou industrialização na ZFM, não há fundamento legal para, equiparando tais vendas à exportação, conceder-lhes beneficios fiscais constantes de legislação superveniente à vigência do Decreto-Lei n°288, de 1967. Relativamente à inclusão de valores concernentes a ressarcimento de crédito presumido do TI, tratando-se de fatos geradores anteriores a dezembro de 2002, entendo que a matéria insere-se no contexto das reiteradas decisões do STF sobre a inconstitucionalidade do art. 30, § 1°, da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, de que é exemplo o julgamento do Recurso Extraordinário n° 390.840-MG, tendo o Acórdão correspondente transitado em julgado em 5 de setembro de 2006. Em face disso, está-se diante de hipótese prevista no art. 49, parágrafo único, inc. I, do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25 de junho de 2007, que prescreve: Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de oficio, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: 1 - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; C.) Em debates realizados no âmbito deste Segundo Conselho de Contribuintes, suscitou-se que o Decreto n°2.346, de 10 de outubro de 1997, constituiria óbice à aplicação ao exercício da faculdade regimental acima transcrita. Contudo, não comungo esse entendimento. Ao contrário, entendo que, ao dispor sobre os procedimentos a serem observados pela Administração Pública Federal em virtude de decisões judiciais, o referido decreto expressamente impôs aos órgãos julgadores da administração fazendária o dever de afastar o dispositivo declarado inconstitucional. É o que se depreende do seu art. 4°, parágrafo único, cujo teor transcreve-se: Art. 4° Ficam o Secretário da Receita Federal e o Procurador-Geral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no ámbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: 1- não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; H - não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; i k ,SanNtof 5 r CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes Fl. Processo n° : 13884.004325/2002-85 Recurso n° : 131.419 Acórdão n° : 204-03.155 /il - sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV- sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal Note-se que o transcrito art. 4° cuidou de atribuir competência a dirigentes da administração fazendária para determinar, no âmbito de suas atribuições, que não se prossigam com exigências tributárias fundamentadas em dispositivos declarados inconstitucionais e, em seu parágrafo único, tratou das exigências já constituídas e na fase litigiosa do processo administrativo de determinação e exigência do crédito tributário para deferir aos julgadores administrativos a competência para, na apreciação da lide, afastar os referidos dispositivo. Saliente-se que esse entendimento já foi adotado em julgados dos Conselhos de Contribuintes, conforme trechos de ementas a seguir: COFINS E PIS - RECEITA FINANCEIRAS — INAPLICABILIDADE DA LEI 9.718/98 — SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL — RE 380840 — MG Conforme decisão transitada em julgado no RE 390840-MG, o Supremo Tribunal Federal considerou inconstitucional o ,f 1 0, do artigo 3°, da Lei 9.718. A extensão dos efeitos dessa decisão definitiva beneficia a ambas as partes, estancando custos desnecessários. Por conseqüência, não compõem a base da contribuição em apreços as receitas financeiras. (Acórdão n° 101-95764, sessão de 21/09/2006, recurso n° 140.629, relator Mário Junqueira Franco Junior) PIS/PASEP. VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no 1° do art. 3 0 da Lei n° 9.718198 por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. (Acórdão n° 202-17424, sessão de 17/10/2006, recurso n° 126123 relatora Maria Cristina Roza da Costa) PIS. VARIAÇÃO CAMBIAL. RECEITA FINANCEIRA. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cotins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no 1° do art. 3° da Lei n° 9.718198, por sentença proferida pelo plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado em 29/09/2006. (Acórdão n° 202-17485, sessão de 08/11/2006, recurso n° 134423, relatora Maria Cristina Roza da Costa) Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para cancelar a exigência relativa aos períodos de apuração de janeiro, maio e agosto de 2001, cuja base imponível apurada pela fiscalização foi constituída por valores recebidos como .4t P 4‘. . • • 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. ';..i*$ Segundo Conselho de Contribuintes Processo n° : 13884.004325/2002-85 Recurso n° : 131.419 Acórdão n° : 204-03.155 ressarcimento de crédito presumido do IPI, não se tratando, pois, de receita de venda de mercadoria, de serviço ou de mercadoria e serviço. Sala das ; -ssões, em 09 de abril de 2008. iirat I • n A-10 /111Ore)S a.: • Rej, TO OLI • • • 7
score : 1.0
Numero do processo: 10183.723347/2012-29
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DEDUÇÕES. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Todas as deduções pretendidas da base de cálculo devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea.
REGIMENTO INTERNO DO CARF - PORTARIA MF Nº 1.634, DE 21/12/2023 - APLICAÇÃO DO ART. 114, § 12, INCISO I
Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada.
Numero da decisão: 2002-009.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos argumentos atinentes a inconstitucionalidade e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
Marcelo de Souza Sateles - Presidente
Assinado Digitalmente
Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente).
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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FALTA DE COMPROVAÇÃO. Todas as deduções pretendidas da base de cálculo devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. REGIMENTO INTERNO DO CARF - PORTARIA MF Nº 1.634, DE 21/12/2023 - APLICAÇÃO DO ART. 114, § 12, INCISO I Quando o Contribuinte não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida, esta pode ser transcrita e ratificada. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo dos argumentos atinentes a inconstitucionalidade e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Marcelo de Souza Sateles - Presidente Assinado Digitalmente Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Henrique Perlatto Moura, Joao Mauricio Vital, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Fl. 173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.059 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.723347/2012-29 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 82 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 63 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 06 e ss.), lavrada pela constatação de Dedução Indevida com Dependentes, Dedução Indevida com Despesas de Instrução, e de Dedução Indevida de Despesas Médicas. Adota-se o Relatório da DRJ, abaixo transcrito, por esclarecer os fatos ocorridos : O interessado impugna lançamento do ano-calendário 2009, onde foram glosadas deduções de dependentes (R$ 1.730,40), despesas de instrução (R$ 2.000,00) e despesas médicas (R$ 6.391,92), resultando em imposto suplementar de R$ 2.406,52. Argumenta, em síntese, que o lançamento é nulo por inexistir intimação válida. No mérito, argumenta que tem direito a deduzir o plano de saúde “em relação à cônjuge varoa e em relação a sua filha Thaiz Helena Leão Carranza, essa desempregada até hoje e aquela portadora de necessidades especiais”. Muito embora não houvesse tal obrigação, o ex-cônjuge optara neste sentido, em substituição à pensão alimentícia. Cabe assim considerar estas despesas como pensão alimentícia. Tem direito a deduzir a sua filha Laura como dependente, considerando a sua incapacidade para o trabalho, e que a mesma não foi declarada como dependente pelo ex-cônjuge. Tem direito a deduzir as despesas próprias de instrução (R$ 2.000,00), pois foram realizadas para ampliar os seus conhecimentos. A multa de ofício é exagerada e confiscatória, e por isso inconstitucional. Ilegal a aplicação da taxa SELIC, por se tratar de índice estabelecido por mero ato administrativo. Ilegal a incidência de juros sobre a multa de ofício. O Acórdão guerreado foi prolatado com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendario: 2009 DEDUÇÕES. COMPROVAÇÃO. As deduções devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão de primeira instância em 22/03/2017 (AR e-fl. 72), o sujeito passivo interpôs, em 26/04/2017 (protocolo de e-fl. 82), Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, repisando seus argumentos impugnatórios. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.059 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.723347/2012-29 3 VOTO Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre glosa das deduções de dependentes (R$ 1.730,40), despesas de instrução (R$ 2.000,00) e despesas médicas (R$ 6.391,92). Os argumentos preliminares e meritórios cingem-se na peça recursal e serão analisados em conjunto. Tendo em vista que a parte recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 114, § 12, inciso I, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21/12/2023, reproduz-se no presente voto excertos da decisão de 1ª instância adotados como razões pertinentes de decidir: ... O lançamento foi devidamente notificado ao contribuinte e cumpre todas as exigências formais e materiais, permitindo o pleno exercício do direito de defesa. Improcedente a arguição de nulidade por ausência de intimação. O contribuinte pretende deduzir como dependente a sua filha Laura, maior de 24 anos, alegando que está incapacitada para o trabalho. Além de não comprovar este fato, verifica-se pelo acordo de separação judicial (fls. 31) que a mesma ficou sob a guarda do ex-cônjuge. No caso de pais separados, somente aquele que permaneceu com a guarda dos filhos pode deduzi-los como dependentes, como dispõe o art. 77, § 4º, do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda): § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). As despesas do plano Unimed desta filha já foram acatadas no lançamento, em virtude do que fora estipulado no acordo de separação, que atribuíra ao cônjuge varão este encargo, mesmo depois da maior idade da sua filha Laura, portadora de necessidades especiais. Correta, portanto, a glosa da dependente. O contribuinte pretende deduzir o plano Unimed de sua filha Thais e da ex- esposa, as quais, porém, não foram declaradas como dependentes. De acordo com o art. 80 §1º II, do Decreto nº 3.000/1999, somente são dedutíveis as despesas para tratamento do próprio contribuinte e dos dependentes deduzidos na declaração, ou então quando estabelecida esta obrigação em acordo ou sentença judicial. No acordo de separação homologado judicialmente (fls. 31) não Fl. 175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.059 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.723347/2012-29 4 ficou estabelecida pensão para a ex-esposa, nem a obrigação do cônjuge varão de pagar o seu plano de saúde. A pensão seria paga às filhas menores, Laura, portadora de necessidades especiais, e a Thais. Alternativamente, seria pago o plano de saúde das mesmas. Após a maior idade, somente Laura continuaria a ter o seu plano de saúde pago pelo pai. A pensão alimentícia somente é dedutível no imposto de renda quando paga por força de sentença, acordo homologado judicialmente ou escritura pública. A pensão alimentícia se destinava originalmente à filhas menores. Como a filha Thais (nascida em 1982) já havia atingido a maior idade em 2009, a pensão ou as despesas médicas pagas nestas condições não são dedutíveis do imposto de renda, pois não mais decorrem do ato jurídico original, considerando que as condições da sua vigência não mais prevaleciam. Seria assim necessário que o impugnante comprovasse que a obrigação fora formalmente estendida para além das condições originalmente pactuadas. Para tanto não bastaria que continuasse a pagar as despesas. Como tinha a faculdade de ingressar com ação de exoneração de alimentos, a continuação dos pagamentos assume o caráter de gratuidade. Este entendimento se confirma pela Solução de Consulta DISIT/SRRF07 nº 27, de 04 de Abril de 2011: ... O contribuinte pretende deduzir despesas com curso preparatório para defensor público, paga à ESUD Escola Superior de Direito de Mato Grosso, para as quais inexiste previsão legal de dedutibilidade. Como dispõe o art. 81 §3º do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda, RIR), somente são dedutíveis as seguintes despesas de instrução: Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. Ademais apresenta comprovante de apenas R$ 975,00 (fls. 40), quando havia declarado R$ 2.000,00 a este título. O documento também não identifica o aluno, mas apenas o responsável pelo pagamento. O contribuinte se declara engenheiro civil. A multa e juros foram corretamente aplicados de acordo com os dispositivos legais mencionados na notificação. Ineficazes na esfera administrativa os argumentos que contestam a validade das normas legais vigentes, por ser prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário submeter a juízo tal matéria. ... Complemente-se apontando quanto à multa de ofício, insculpida no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, citado na notificação de lançamento, que tal penalidade foi corretamente aplicada, pela constatação da Fl. 176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.059 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10183.723347/2012-29 5 ocorrência de uma das infrações contempladas no referido dispositivo legal, tornando perfeitamente cabível a aplicação da multa de 75% sobre o imposto apurado na peça fiscal. No que tange aos protestos do impugnante pela exigência dos juros moratórios, dispõem as Súmulas CARF nº 4: Súmula CARF nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.” Destaque-se aqui também a Súmula CARF nº 2, bastante elucidativa e que implica no não conhecimento da matéria inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Verifica-se, portanto, que apreciados e afastados todos os argumentos apresentados pelo contribuinte, não há motivo para retificação da Decisão a quo devidamente proferida. Conclusão Isso posto, voto em conhecer parcialmente do recurso voluntário, não conhecendo dos argumentos atinentes a inconstitucionalidade e, na parte conhecida, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 177DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10315.000096/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 04 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/12/2009
PAF. RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO.
Com a apresentação da impugnação pelo contribuinte é que instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal, momento no qual o contribuinte deve aduzir todas suas razões de defesa, conforme dispõe os artigos 14 e 16, do Decreto nº 70.235/1972.
Havendo inovações nas matérias apresentadas em sede recursal mas não alegadas em sede de primeira instância, pela defesa, não há que se admitir o Recurso Voluntário apresentado, sob pena de supressão de instância, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública.Não configurada hipótese que autorize a apresentação de novos fundamentos na fase recursal, deve ser reconhecida a preclusão consumativa, com o não conhecimento do respectivo Recurso, no que diz às matérias com inovação recursal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AJUIZAMENTO DE AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. CONCOMITÂNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).
Numero da decisão: 2101-002.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, não conhecer do recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Wesley Rocha – Relator
Assinado Digitalmente
Antônio Sávio Nastureles – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Cléber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, João Mauricio Vital (suplente convocado), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Ana Carolina da Silva Barbosa, Antônio Sávio Nastureles (Presidente).
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO. Com a apresentação da impugnação pelo contribuinte é que instaurada a fase litigiosa do procedimento fiscal, momento no qual o contribuinte deve aduzir todas suas razões de defesa, conforme dispõe os artigos 14 e 16, do Decreto nº 70.235/1972. Havendo inovações nas matérias apresentadas em sede recursal mas não alegadas em sede de primeira instância, pela defesa, não há que se admitir o Recurso Voluntário apresentado, sob pena de supressão de instância, salvo nas hipóteses de fato superveniente ou questões de ordem pública. Não configurada hipótese que autorize a apresentação de novos fundamentos na fase recursal, deve ser reconhecida a preclusão consumativa, com o não conhecimento do respectivo Recurso, no que diz às matérias com inovação recursal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AJUIZAMENTO DE AÇÃO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.894 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.000096/2011-87 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dos votos, não conhecer do recurso voluntário. Assinado Digitalmente Wesley Rocha – Relator Assinado Digitalmente Antônio Sávio Nastureles – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Cléber Ferreira Nunes Leite, Wesley Rocha, João Mauricio Vital (suplente convocado), Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Ana Carolina da Silva Barbosa, Antônio Sávio Nastureles (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto MUNICÍPIO DE MILAGRES-CE, contra o Acórdão de Julgamento que decidiu pela improcedência da impugnação e manteve as disposições do crédito tributário lançado. Auto de Infração refere-se a contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP incidentes sobre remunerações pagas, devidas, ou creditadas a segurados empregados (servidores contratados, efetivos, comissionados e agentes políticos), correspondente às partes da empresa e às relativas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, com aplicação da alíquota de 1%, para as competências até 05/2007, e de 2%, no período de 06/2007 a 06/2009, bem como de contribuintes individuais, correspondentes às partes da empresa, dos segurados (alíquota de 11%, respeitado o limite máximo do salário de contribuição), e às destinadas ao sistema SEST/SENAT (alíquota de 2,5%, incidente sobre 20% da remuneração auferida por frentistas. As remunerações aqui envolvidas são valores de 1/3 de férias, férias e abono de professores, as quais estão sendo discutidas judicialmente. Em seu Recurso Voluntário o recorrente apresenta as seguintes alegações: Fl. 383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.894 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.000096/2011-87 3 i) Preliminar de cerceamento do direito de defesa, por falta de fundamentação do relatório fiscal; ii) No mérito aduz que a retenção é indevida, tendo em vista que os valores enquadram-se na categoria de autônomos e avulsos, sendo declarados inconstitucionais tais exigências, conforme decisão transitada em julgada pelo STF n.º RE 177.296; iii) Inconstitucionalidade de aplicação taxa Selic; Pede a improcedência da autuação. Diante dos fatos narrados, é o breve relatório. VOTO Conselheiro Wesley Rocha, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, e é de competência desta Turma. Assim, passo a analisar as razões recursais. DA DELIMITAÇÃO DO LITÍGIO Conforme se verifica das alegações recursais (e-fls. 173/178), em consonância com a impugnação apresentada nas e-fls. 146/147, verifica-se clara inovação recursal, em razão de matérias não tratadas em sede de primeira instância. A citada impugnação apenas apresenta informações sobre possíveis pedidos de parcelamento, não tendo sido impugnados o mérito da autuação, enquanto as alegações recursais destacam a falta de fundamentação do relatório fiscal, com impedimento do exercício da ampla defesa e contraditório, bem como tece considerações para relevação da multa aplicada. Com isso, essas razões recursais não podem ser conhecidas, tendo em vista a supressão de instância no que diz respeito às matérias devolvidas ao Tribunal, e que não foram objeto de apreciação pelo julgador de primeira instância. O art. 17 do Decreto nº 70.235/72 determina que será considerada “não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”. Do cotejo analítico das razões deduzidas em primeira e em segunda instância, parece evidente a inovação recursal, não merecendo, por esta razão, ser o pleito da recorrente apreciado por este Conselho, uma vez que também não se trata de fato novo ou matéria de ordem pública. Portanto, essas matérias recursais não podem ser objeto de conhecimento pelo Tribunal. DA ALEGAÇÃO DE SOBRESTAMENTO Fl. 384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-002.894 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10315.000096/2011-87 4 O recorrente pede a suspensão do processo tendo em vista o ajuizamento do Mandado de Segurança n° 000055533.2010.4.05.8102, que tramita pela da 16° Vara da Justiça Federal, Subseção Juazeiro do Norte/CE. A respectiva matéria já foi objeto de análise pela decisão de piso. Verifica-se que de fato houve renúncia quanto fato gerador da presente autuação, que se encontra se encontra sub judice, e ao que se tem notícia dos autos, salvo melhor juízo, o processo está pendente de trânsito em julgado, em razão dos recursos interpostos. A matéria remonta discutir sobre inexistência de relação jurídica, que por certo não pode estar em julgamento administrativo, tendo em vista a ação judicial manejada pelo contribuinte, que por sua vez afeta a Súmula CARF 01, assim transcrita: Súmula CARF nº 1: “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Com isso, o procedimento fiscal para apurar o crédito tributário devido deve ser realizado para fins de evitar a decadência. Portanto, independente da ação judicial iniciada pelo contribuinte, a iniciativa do fisco é de evitar possíveis perdas de créditos públicos, já que se a ação judicial terminar desfavorável á contribuinte, poderá ocorrer a perda do prazo para buscar o débito tributário devido. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão da inovação recursal, afetado assim pela preclusão processual, e também não o conhecer pela concomitância. (Documento Assinado Digitalmente) WESLEY ROCHA Relator Fl. 385DF CARF MF Original http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10920.908607/2010-91
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2007
DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE
DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE À ESCRITA CONTÁBIL.
A escrituração regular faz prova a favor do contribuinte desde que
amparada por sua documentação de suporte.
PROVA DE RETENÇÕES. DARF ACOMPANHADO DO COMPROVANTE DE
RECOLHIMENTO
A apresentação das guias DARF acompanhadas dos respectivos
comprovantes de recolhimento atesta ter o contribuinte sofrido as
retenções correspondentes.
Numero da decisão: 1201-006.783
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer retenções adicionais na formação do direito creditório, homologando as compensações até o limite do crédito disponível. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.780, de 15 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 10920.900474/2011-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE À ESCRITA CONTÁBIL. A escrituração regular faz prova a favor do contribuinte desde que amparada por sua documentação de suporte. PROVA DE RETENÇÕES. DARF ACOMPANHADO DO COMPROVANTE DE RECOLHIMENTO A apresentação das guias DARF acompanhadas dos respectivos comprovantes de recolhimento atesta ter o contribuinte sofrido as retenções correspondentes.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-12-17T18:35:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-12-17T18:35:24Z; Last-Modified: 2024-12-17T18:35:24Z; dcterms:modified: 2024-12-17T18:35:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-12-17T18:35:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-12-17T18:35:24Z; meta:save-date: 2024-12-17T18:35:24Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-12-17T18:35:24Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-12-17T18:35:24Z; created: 2024-12-17T18:35:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2024-12-17T18:35:24Z; pdf:charsPerPage: 2245; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-12-17T18:35:24Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 10920.908607/2010-91 ACÓRDÃO 1201-006.783 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 15 de maio de 2024 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE SEGURIDADE SERVICOS DE SEGURANCA LTDA INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2007 DIREITO CREDITÓRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO DE SUPORTE À ESCRITA CONTÁBIL. A escrituração regular faz prova a favor do contribuinte desde que amparada por sua documentação de suporte. PROVA DE RETENÇÕES. DARF ACOMPANHADO DO COMPROVANTE DE RECOLHIMENTO A apresentação das guias DARF acompanhadas dos respectivos comprovantes de recolhimento atesta ter o contribuinte sofrido as retenções correspondentes. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer retenções adicionais na formação do direito creditório, homologando as compensações até o limite do crédito disponível. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201- 006.780, de 15 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 10920.900474/2011-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Gustavo de Oliveira Machado (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Alexandre Evaristo Pinto, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Gustavo de Oliveira Machado. Fl. 1510DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12530.W3KC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12530.W3KC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.783 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.908607/2010-91 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou Procedente em Parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que acolhera em parte o Pedido de Compensação apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao possível crédito de saldo negativo de CSLL do ano de 2007, no valor de R$ 75.723,17. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: EMENTA VEDADA. É vedada a redação de ementa nos acórdãos resultantes de julgamento de processos administrativos fiscais decorrentes de despachos decisórios emitidos por processamento eletrônico (art. 2º, inciso II, da Portaria RFB nº 2.724, de 27 de setembro de 2017). Cientificado, o contribuinte interpôs seu Recurso Voluntário no qual basicamente reiterou os argumentos postos em sua Manifestação de Inconformidade, esclarecendo ser comum em seu ramo de atuação que as retenções sofridas superem o valor dos tributos efetivamente devidos e que não pode ser penalizada pelo descumprimento das obrigações acessórias por seus tomadores de serviços. A Resolução CARF nº 1401-000.926 vislumbrou a necessidade de conversão do julgamento em diligência. Em razão disso, determinou a remessa dos autos à autoridade de origem para que esta, em síntese: a. Intimasse o contribuinte a apresentar documentos complementares, como Livro Diário acompanhado de seus Termos de Abertura e Encerramento, devidamente autenticados pela Junta Comercial, bem como extratos bancários demonstrando o recebimento dos montantes líquidos e notas fiscais das operações em questão, além de outros que se entenderem necessários; b. Providenciasse a origem a juntada aos autos da DIPJ do contribuinte relativa ao ano-calendário em questão, a fim de verificar-se a compatibilidade das retenções informadas com as receitas oferecidas à tributação pelo contribuinte (Súmula CARF nº 80); e Fl. 1511DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12530.W3KC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12530.W3KC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.783 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.908607/2010-91 3 c. Elaborasse relatório conclusivo sobre a liquidez e certeza do direito creditório considerando o Livro Razão apresentado, bem como os comprovantes de recolhimento e comprovantes de rendimentos anexados ao Recurso Voluntário e, ao final, concedesse prazo de 30 dias para manifestação do contribuinte, nos termos do art. 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. Em resposta, o contribuinte acostou aos autos o Livro Diário em PDF com recibo de entrega da ECD pelo sistema SPED, alegando que não conseguiu obter a cópia do arquivo enviado pelo sistema SPED em virtude de alterações do sistema SPED ao longo dos vários anos que se passaram. A autoridade de origem acostou aos autos a DIPJ do ano-calendário em questão e exarou o Relatório, no qual asseverou que o contribuinte não apresentou os extratos bancários e as notas fiscais solicitados, razão pela qual não foi possível fazer a verificação solicitada pela Resolução CARF relativamente às retenções não confirmadas pelo Despacho Decisório e também quanto ao oferecimento à tributação na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos rendimentos correspondentes às retenções não confirmadas. É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: MÉRITO Infelizmente, o Contribuinte, muito embora tenha envidado esforços para promover a evolução probatória ao longo de todo o processo até a interposição do Recurso Voluntário, deixou de se atentar para elemento fundamental na comprovação do direito creditório, qual seja, a apresentação das notas fiscais e dos extratos bancários indicando que recebera apenas o montante líquido de suas fontes pagadoras e comprovando assim ter sofrido as retenções que pretendeu fazer compor seu direito creditório. Os livros Diário e Razão, muito embora tragam elementos de convicção fortes sobre as retenções sofridas, não bastam a sua comprovação, pois, nos termos do art. artigo 923 do RIR/991, vigente à época, que nada mais faz do que repetir as 1 "Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º)." Fl. 1512DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12530.W3KC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12530.W3KC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.783 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.908607/2010-91 4 disposições do art. 9º parágrafo 1º do Decreto-Lei nº 1.598/77, a escrituração regular faz prova a favor do contribuinte desde que amparada pelos documentos que lhes dão suporte, que no caso seriam as notas fiscais e extratos bancários. Entretanto, o Contribuinte trouxe aos autos com seu Recurso Voluntário documentos adicionais que merecem análise pormenorizada neste momento. Quais sejam: 1) Comprovante de rendimentos emitido pela tomadora COMPANHIA ULTRAGAZ S/A, CNPJ 61.602.199/0001-12 indicando o pagamento de R$ 6.016,86 e a retenção de R$ 279,78 sob o código 5952. O comprovante de rendimentos de fls. 185, nos termos da legislação vigente, basta à comprovação do direito creditório (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). 2) Comprovante de rendimentos emitido pela tomadora Ass Micro Peq Emp Vale Itapocu, CNPJ 83.785.030/0001-88 indicando o pagamento de R$ 14.137,00 e a retenção de 657,37 sob o código 5952. O comprovante de rendimentos de fls. 186, nos termos da legislação vigente, basta à comprovação do direito creditório (Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 55). 3) 12 DARFs e acompanhados de 12 comprovantes de recolhimento, pagos pelo tomador CONDOMINIO VILLAGGIO Dl CAPRI, CNPJ 03.964.345/0001-53 indicando o recolhimento sob o código de arrecadação 5952 informando no campo de observações a nota fiscal correspondente e indicando como prestador a Recorrente. A documentação de fls. 187 a 198 comprova a retenção relativa às competências mensais de janeiro a dezembro de 2008 e merece integrar o direito creditório na proporção da CSLL, considerando que dos 4,65% da alíquota de retenção feita sob o código 5952, 1 ponto percentual corresponde à CSLL. Verifica-se do detalhamento da análise do direito creditório (fl. 57), que as retenções efetuadas por esta fonte pagadora não foram admitidas na composição do direito creditório, tendo sido glosado o montante de R$ 1.091,06. E somando as retenções comprovadas chegamos a esta exata quantia, conforme cálculos abaixo demonstrados: Fl. 1513DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12530.W3KC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12530.W3KC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.783 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10920.908607/2010-91 5 Considerando-se existir comprovação da ocorrência das retenções e que a DIPJ do Contribuinte informa ter ele auferido no ano-calendário receita da prestação de serviços no montante de R$ 26.664.058,35, suficiente para fazer frente às retenções totais pleiteadas (R$ 221.451,17) acima comprovadas, reconheço retenções adicionais de R$ 1.091,09, Pelo exposto, dou provimento parcial ao Recurso Voluntário já admitido nos termos da Resolução, para reconhecer retenções adicionais na formação do direito creditório, no montante de R$ 1.091,09, homologando as compensações até o limite do crédito disponível. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer retenções adicionais na formação do direito creditório, homologando as compensações até o limite do crédito disponível. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Retenção total 4,65% CSLL 1% jan/08 397,94R$ 85,58R$ fev/08 397,94R$ 85,58R$ mar/08 427,77R$ 91,99R$ abr/08 427,77R$ 91,99R$ mai/08 427,77R$ 91,99R$ jun/08 427,77R$ 91,99R$ jul/08 427,77R$ 91,99R$ ago/08 427,77R$ 91,99R$ set/08 427,77R$ 91,99R$ out/08 427,77R$ 91,99R$ nov/08 427,77R$ 91,99R$ dez/08 427,77R$ 91,99R$ Total: 5.073,58R$ 1.091,09R$ Fl. 1514DF CARF MF Original Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12530.W3KC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 5 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP18.1224.12530.W3KC. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Ministério da Fazenda PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 17/12/2024 15:35:07 por Neudson Cavalcante Albuquerque. Documento assinado digitalmente em 17/12/2024 15:35:07 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 18/12/2024. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: EP18.1224.12530.W3KC 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 224572DB1DDAD29D27854B5097B5EC93FE7D320CF4D0FF34B59F130548D13243 página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10920.908607/2010-91. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo. Acórdão Relatório Voto Mérito
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