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Numero do processo: 14041.001382/2007-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2006
AUTO DE INFRAÇÃO. CONTABILIDADE QUE NÃO DISCRIMINA PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS.
MULTA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. De acordo com o art. 32, II, da Lei
8.212/91, o contribuinte deve contabilizar de forma discriminada todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que está sujeito. Em não observando o comando legal impositivo, deve ser mantida a multa aplicada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.153
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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CONTABILIDADE QUE NÃO DISCRIMINA PAGAMENTOS EFETUADOS A PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. MULTA. APLICAÇÃO. LEGALIDADE. De acordo com o art. 32, II, da Lei 8.212/91, o contribuinte deve contabilizar de forma discriminada todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias a que está sujeito. Em não observando o comando legal impositivo, deve ser mantida a multa aplicada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Igor Araújo Soares Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Igor Araujo Soares e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 53DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ASSOCIAÇÃO DE FORMAÇÃO DE TRABALHADORES EM INFORMÁTICA EFTI, irresignada com o acórdão de fls.35/40, por meio do qual fora mantido o Auto de Infração n. 37.142.8580, lavrado para a cobrança de multa por ter a recorrente deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade pagamentos efetuados a pessoas físicas e pessoas jurídicas, sem a devida segregação dos mesmos. O relatório fiscal assim apontou os dados lançados indevidamente (fls.15/16): No exame da escrituração contábil do contribuinte, constante dos arquivos digitais apresentados, de acordo com o previsto no MANAD — Manual de arquivos digitais, aprovado pela Portaria MPS/SRP n° 58/2005, artigos 61 e 62 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14 de julho de 2005 e artigo 80 da Lei 10.66612003, relativo aoperíodo de 0112002 a 1212006, foi constatado que a entidade não segrega corretamente pagamentos a pessoa física e pessoa jurídica na sua contabilidade. Na análise da contas contábeis, em destaque abaixo, o sujeito passivo lançou vários pagamentos a pessoas físicas (contribuinte individuais), mas não considerou fato gerador das contribuições previdenciá rias, haja vista não constar em GFIP: a) Serviços Prestados — PF ( código 3112010024); b) Serviços de Terceiros ( código 3112010014); c) Despesas Gerais e Administrativas ( código 3112010026); d) Ajuda de Custo (3112010017). “Destacase que na contabilidade da entidade não existe uma conta específica que identifique os pagamentos a pessoa física (CI), nas competências 0112002 a 1212006, pois os títulos das contas, em geral, são genéricos. Identificouse, por exemplo, pagamentos a pessoa física e pagamentos a pessoa jurídica na conta contábil "Despesas Gerais e Administrativas ". A análise da contabilidade do contribuinte, dessa forma, representou um obstáculo ao trabalho de auditoria fiscal, uma vez que foi necessário ampliar pesquisas em diversas contas contábeis, além da análise da documentação (Recibos e Notas Fiscais). A conta Serviços Prestados — PF ( código 3112010024) que a primeira vista denota pagamento a pessoa física (com incidência de contribuições previdenciárias), verificou por meio de documento, entretanto, que a conta também serve para registrar pagamentos a pessoa jurídica, sem incidência de contribuições previdenciárias. Ademais, tais fatos caracterizam, assim, o não lançamento em títulos próprios da contabilidade, de forma discriminada, de todos os fatos geradores, descumprindo obrigação acessória e ensejando a lavratura do presente Auto de Infração. Fl. 54DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.001382/200700 Acórdão n.º 2402002.153 S2C4T2 Fl. 51 3 A ciência do contribuinte acerca do lançamento foi efetivada em 17/10/2008 (fls. 01). Em seu recurso defende que o Auto de Infração não é claro na sua fundamentação, deixando subentendido alguns aspectos, o que por si só causa sua nulidade, além de ser um óbice para o exercício do amplo direito de defesa pela Contribuinte. O Auto de Infração, por exigência legal, deve ser direto e preciso sobre qual o fato infracional autuado e isso não está claro na autuação. Ademais, sustenta que de forma finalística, a escrituração atinge sua meta, pois demonstra todos os valores vertidos e serviços, sendo que erros de escrituração sempre ocorrem, mas não devem ser tidos por motivos escusos por parte da autuada. Sustenta que erros contábeis não podem gerar um motivo para arrecadação fiscal. Aduz que o acórdão recorrido sequer levou em conta a atividade de filantropia e sem fins lucrativos da recorrente, o que poderia, "ad argumentandum tantum", se não relevasse a multa, aplicála na gradação mínima, prevista no art. 283, do Decreto n° 3.048/99. Finaliza defendendo ser necessária a consideração de sua boafé, de modo que a multa aplicada seja relevada ou minimizada. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso, merece ser conhecido. Sem preliminares. MÉRITO A infração imputada a recorrente restou configurada em razão de não ter registrado de forma clara e precisa as rubricas integrantes dos salários de contribuição, pois a fiscalização identificou que a sua contabilidade não possuía uma conta específica que identificasse os pagamentos efetuados a pessoas físicas (contribuintes individuais) e a apessoa jurídicas, pois os títulos das contas são genéricos. Neste ínterim, o auditor autuante apontou em seu relatório que a recorrente fazia o registro de pagamentos a pessoa fisica e jurídica numa mesma conta contábil, no caso, na Conta Despesas Gerais e Administrativas. E por assim agir, restou entendido que a recorrente não observou o determinado pelo artigo 32, II, da Lei n.° 8.212/91, a seguir: "Art. 32. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas ás contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; Diante que ante de tais fatos, a recorrente pretende demonstrar a necessidade de anulação do lançamento sob o argumento de que meros equívocos na contabilidade, não podem ensejar a cobrança de contribuições previdenciárias, ou mesmo em determinar a aplicação de multa objeto do presente Auto de Infração. Em que pesem os esforços empreendidos pela recorrente em seu recurso, referidos argumentos, apesar de bem alinhavados, não podem nos levar a conclusão por ela pretendida. Fato é que a escrituração da recorrente realmente não segregava os pagamentos efetuados a pessoas físicas e jurídicas, totalizandoos numa única conta contábil, relativa a despesas gerais e administrativas, situação que, por si só, já demonstra a inobservância do art. 32, II, supra mencionado, que exige de forma clara e expressa que a contabilidade seja elaborada de forma específica e discriminada, quanto ao apontamento dos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias a que estava sujeita a recorrente. O equívoco comprovado pela fiscalização, dessa forma, caracteriza infração a legislação previdenciária, de modo que não resta outra conclusão possível, senão pela aplicação Fl. 56DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 14041.001382/200700 Acórdão n.º 2402002.153 S2C4T2 Fl. 52 5 da multa capitulada para o caso e que foi devidamente justificada no relatório fiscal da infração. De outra banda, cumpre apontar que o v.a cordão de primeira instância, decidiu acertadamente ao manter a exigência fiscal combatida. Ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 57DF CARF MF Emitido em 28/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10865.901197/2010-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 26 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Dec 17 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
PER/DCOMP. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
É ônus do contribuinte comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. A prova documental deve ser apresentada pelo sujeito passivo juntamente com a peça recursal interposta.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Operam-se os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas.
Numero da decisão: 3401-009.875
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.873, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10865.901198/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
Nome do relator: Gustavo Garcia Dias dos Santos
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 PER/DCOMP. DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. A prova documental deve ser apresentada pelo sujeito passivo juntamente com a peça recursal interposta. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Operam-se os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.873, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10865.901198/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente).
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DIREITO DE CRÉDITO. COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. É ônus do contribuinte comprovar documentalmente o direito creditório informado em declaração de compensação. A prova documental deve ser apresentada pelo sujeito passivo juntamente com a peça recursal interposta. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Operam-se os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pela Recorrente, ou em relação à prova documental que não tenha sido apresentada, salvo exceções legalmente previstas. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-009.873, de 26 de outubro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10865.901198/2010-12, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luis Felipe de Barros Reche, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Mauricio Pompeo da Silva, Carolina Machado Freire Martins, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco e Ronaldo Souza Dias (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 11 97 /2 01 0- 60 Fl. 181DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-009.875 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.901197/2010-60 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. A empresa em epígrafe apresentou o PER n° 33833.16289.100407.1.1.01-4484, requerendo ressarcimento de créditos de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) do 1º trimestre de 2007, no montante de R$ 348.653,43. Da análise do pleito resultou o Despacho Decisório, que indeferiu integralmente o direito creditório pleiteado, deixando de homologar as compensações vinculadas. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, no qual o contribuinte alega, em síntese, que: (...) III - DO DIREITO Sabe-se que o IPI é um imposto plurifásico, não-cumulativo, compensando-se o que for devido em cada operação com o saldo anterior, nos termos do artigo 153, §3°, II, da Constituição Federal de 1988: (...) Destarte, dentre as características descritas de cada uma nessa sistemática, conclui-se que o princípio da não-cumulatividade é norma constitucional de eficácia plena, isto é, não pode ser limitada por nenhuma norma infra-constitucional ou ato administrativo. (...) No presente caso, as mercadorias entraram no estoque da Manifestante, sendo recolhido o IPI devido. No momento da saída, as mercadorias foram tributadas à alíquota zero. Por isso, a Manifestante tem os créditos correspondentes às operações anteriores e não se sujeita aos débitos por ocasião de sua operação de saída, havendo um saldo credor. Nesses casos em que o saldo credor do imposto se repete, pela falta de oportunidade de compensar com as saídas, aumentando em cada período de apuração, o contribuinte passa a ter o direito de ressarcimento desse montante junto ao Erário. (...) Nesse momento pareceu mais conveniente a Manifestante à compensação. III.1 - O PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Fl. 182DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-009.875 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.901197/2010-60 Inicialmente, a compensação nada mais é do que o encontro de contas entre um direito de crédito e um respectivo débito, que se abatem mutuamente na medida de seus valores. A compensação pode ser integral ou parcial. No caso do crédito ser maior que o débito, a compensação gera como resultado a extinção do débito. (...) Assim, é legítima e possível a compensação procedida pela Manifestante. IV- PEDIDO Em face do exposto, a Manifestante requer: a) o devido recebimento, processamento e conhecimento da presente Manifestação de Inconformidade; b) em atenção a toda argumentação exposta, que seja dado provimento a presente Manifestação de Inconformidade, declarando-se a insubsistência do Lançamento, e, conseqüentemente, extinto o presente processo fiscal, uma vez demonstrada a total inexigibilidade do crédito tributário então consignado. A DRJ decidiu julgar improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão ementado da seguinte maneira: IPI. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. DOCUMENTOS FISCAIS. ÔNUS DA PROVA. Ao buscar o reconhecimento de créditos do IPI, incumbe ao requerente a demonstração de que o valor pleiteado goze de liquidez e certeza, devendo produzir as provas necessárias do respectivo fato constitutivo. É fundamental a análise das notas fiscais de aquisição de insumos para quantificar o saldo credor. O contribuinte, tendo tomado ciência do acórdão da DRJ, apresentou recurso voluntário contendo os seguintes elementos de defesa, em síntese: A DCOMP apresenta de forma detalhada o crédito existente e o débito a ser compensado. Sendo assim, o PER possui todas e quaisquer informações necessárias para apuração da veracidade dos fatos, capaz de conferir a certeza e liquidez aos valores pleiteados. Quando a autoridade fiscal solicitou os diversos documentos, conforme Informação Fiscal, estes foram apresentados e levados ao processo, inclusive com petição para esclarecer alguns fatos ocorridos com a Recorrente. A Recorrente passou por diversas situações que, por motivo de força maior, trouxeram-lhe vários problemas, sendo eles devidamente relatados e comprovados nessa petição e demais documentos acostados nos autos. Fl. 183DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-009.875 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.901197/2010-60 O artigo 16, parágrafo 4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/1972, determina que, no caso de impossibilidade de apresentação oportuna das documentações requeridas, não haverá preclusão do direto quando restar provado motivo de força maior que o impossibilite de fazê-lo naquele momento. De acordo com o artigo 37 da Lei nº 9.784/1999, é de se converter o presente em diligência ou de dar provimento ao recurso da empresa. Ao fim, requer seja provido o presente a fim de que, alternativa e sucessivamente, seja convertido em diligência ou reformar integralmente a decisão recorrida. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual é conhecido. Sustenta a Recorrente que a DCOMP apresenta de forma detalhada o crédito existente e o débito a ser compensado, de forma que o PER/DCOMP apresentado possui todas e quaisquer informações necessárias para apuração da veracidade dos fatos, capaz de conferir a certeza e liquidez aos valores pleiteados. Nesse contexto, faz alusão ao artigo 37 da Lei nº 9.784/1999, abaixo colacionado, para sustentar que deve ter o direito creditório reconhecido ou, ao menos, a presente demanda convertida em diligência para que sejam examinados os documentos já existentes aos autos: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Não lhe assiste razão nesse ponto. Ainda que o Per/Dcomp contenha diversas informações extraídas a partir do Livro Registro de Apuração do IPI, das notas fiscais de entrada, além de toda a apuração promovida pela empresa para chegar ao crédito pleiteado, ainda é competente o auditor fiscal para realizar diligências, requerer a apresentação dos livros contábeis e fiscais, dos originais das notas fiscais, bem como de quaisquer outros documentos considerados essenciais para comprovação do direito creditório, nos termos do art. 65 da IN RFB nº 900/2008, verbis: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito Fl. 184DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-009.875 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.901197/2010-60 passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Ademais, inaplicável ao caso o invocado artigo 37 da Lei nº 9.784/1999, porquanto as informações constantes no PER/DCOMP consistam em mera reprodução de dados constantes em livros fiscais e contábeis ou em notas fiscais, documentos esses que efetivamente registram fatos e dados juridicamente relevantes para a relação jurídico- tributária e, assim, se demonstram hábeis a atrair a aplicação da norma invocada. Por essa razão, nego provimento ao recurso nesse ponto. A Recorrente alega que, por motivo de força maior, teria deixado de apresentar os documentos requeridos pelo auditor fiscal, conforme esclarecimentos de fls. 98/99, razão pela qual deveria à situação se aplicar o disposto no artigo 16, parágrafo 4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/1972, que excetua a preclusão processual à hipótese. No aludido documento, apresentado em 02/05/2011, esclarece que: “(i) em janeiro de 2010 a Requerente havia recebido a visita do AFRFB Sr. Pablo, ocasião em que lhe foi requisitada a entrega de documentação referente à declaração de IPI, alíquotas, arquivos magnéticos etc; (ii) a Requerente havia passado por problemas com a gestora contratada (que chegou a, indevidamente, fechar as portas da empresa) tendo inclusive entrado com ação para reaver a Sociedade; (iii) que também enfrentou problema com a lacração do prédio em decorrência de pedido judicial movido por credores; (iv) após todo esse penoso caminho e com a retomada das atividades empresarias, teve conhecimento do não cumprimento da determinação fiscal estampada no MPF epigrafado e (v) que diligenciou à Agencia Fiscal, sendo orientada a peticionar para justificar a ausência de cumprimento da requisição fiscal e para requerer que o processo voltasse ao posto, vez que o auto de infração já havia sido lavrado.” Às fls. 471/472, há outra petição direcionada à DRF Limeira/SP, datada de 17/02/2010, mas sem carimbo de recebimento pela unidade, na qual consta a informação de que, por problemas funcionais com o sistema de processamento de dados, os arquivos digitais de janeiro a maio de 2006 se encontravam indisponíveis para apresentação, mas que o Livro de Entradas de Notas Fiscais, Livro de Saídas de Notas Fiscais e o Livro da Apuração do IPI foram impressos e estavam ao dispor da Fiscalização. Devido a problemas funcionais ocorridos com o Sistema de Processamento de Dados utilizados no exercício de 2005, os quais geravam todos os arquivos de Entradas, Saídas, Livros de Apuração do IPI, a empresa mudou seu Sistema de Processamento de Dados em Janeiro de 2006, o qual passou a ser o "Contmatic". No período de Janeiro a Maio de 2006 foi utilizado o Sistema Contmatic, o qual não atendeu as necessidades desejadas e necessárias, motivo pelo qual, à partir de Junho de 2006 passou a usar o Sistema Folhamatic para a geração de todos os seus arquivos digitais. Toda a movimentação do período de Janeiro a Maio de 2006, encontra-se impressa e à disposição dos senhores, os Livro de Entradas de Notas Fiscais, Livro de Saídas de Notas Fiscais, Livro da Apuração do IPI. Deixaremos de apresentar o arquivo digital do referido período, devido aos problemas relatados acima. Ressaltamos uma vez mais que toda a documentação impressa necessária para a fiscalização encontra-se à disposição dos senhores. Fl. 185DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-009.875 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.901197/2010-60 De antemão, observo que a situação retratada, mesmo que se tome em conta os conceitos mais alargados de força maior concebidos pela doutrina, embora represente um obstáculo operacional para a empresa que, na prática, pode acarretar a impossibilidade de apresentação dos demandados arquivos digitais, não é capaz de induzir a exceção aos efeitos preclusivos da falta de apresentação de provas, conforme autorizado artigo 16, parágrafo 4º, alínea “a”, do Decreto nº 70.235/1972. Ademais, ainda que, em proveito da verdade material, adote-se uma perspectiva de formalismo moderado do processo, é de se registrar que a Recorrente teve mais de oito anos até a prolação da decisão de piso para fazer juntar aos autos os documentos capazes de provar o vindicado crédito. E mesmo em sede de voluntário não o fez. Os documentos acostados aos autos (fls. 473 e ss) referem-se ao ano de 2006, não tendo pertinência para o crédito em tela. Nesse sentido, não deve prosperar a alegação de que são os documentos efetivamente requeridos pelo auditor fiscal, haja vista que a Informação Fiscal de fls. 543/544 faz alusão às intimações então expedidas para o exame do direito creditório de 2006 tão somente para relatar a sucessão de fatos que redundaram na conclusão de que a empresa tinha encerrado ou, quando menos, suspendido suas atividades, inclusive o atendimento a intimações fiscais, fato não contestado pela ora Recorrente. Veja-se (grifei): 1.1 Após ciência, pelo sujeito passivo, quanto ao início do procedimento de fiscalização, o servidor que esta informação subscreve permaneceu de férias, e, finda esta, em licença de saúde. Retomando os trabalhos em 09/03/2010, o AFRFB diligenciou junto ao sujeito passivo para fins de coleta das informações e documentos solicitados. Chegando no local onde se situa o sujeito passivo, verificou-se que a empresa não mais lá funciona. Indagados funcionários da empresa situada contiguamente ao estabelecimento do sujeito passivo, restou informado à fiscalização que a empresa, no final de janeiro e começo de fevereiro, concedeu férias coletivas a seus funcionários e encerrou suas atividades, promovendo demissão coletiva, não restando qualquer pessoa capaz de responder pelo sujeito passivo. Ainda, foi informado à fiscalização que movimentos de empregados têm ocorrido à frente do estabelecimento do sujeito passivo, mas que não encontram qualquer pessoa que possa atendê- los. Destarte, à fiscalização não foram apresentadas as informações solicitadas, tampouco os documentos exigidos, sequer havendo contato e informação sobre o paradeiro dos responsáveis pelo sujeito passivo, razão pela qual, frustra-se a realização do procedimento fiscal. É regra basilar do direito o preceito de que quem alega tem que provar, incumbindo, pois, à Recorrente a instrução do processo com documentos hábeis e idôneos que comprovam o direito pugnado. Nesse sentido o art. 333, inciso I, do CPC/1973: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; (...) O novo CPC consagrou o dever de cooperação, estabelecendo que todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva (art. 6º, Lei nº 13.105/2015). Não é admissível, contudo, que o sujeito passivo transfira, sob o manto do dever de diligência da autoridade fiscal, o seu próprio ônus de comprovação da verdade material. Dessa maneira, mesmo se tendo em consideração o princípio da busca da verdade material, não vejo o pedido de diligências como plausível na hipótese, por desnecessidade, já que não pretende dirimir qualquer dúvida a respeito da situação Fl. 186DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-009.875 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.901197/2010-60 analisada ou ao menos integrar as informações que dão suporte ao julgamento, servindo apenas para que a Recorrente possa complementar e suprir as deficiências de sua defesa. Por todo o acima exposto, nego provimento ao recurso. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11444.000732/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 31/12/2003 a 30/04/2007
GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do art. 225 do Decreto
3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, as informações constantes em GFIP constituem-se em confissão de dívida previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.200
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, as informações constantes em GFIP constituemse em confissão de dívida previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Viera Gomes Presidente. Lourenço Ferreira do Prado Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira Prado, Walter Murilo Mello Andrade e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por MARIA JOSE ROSSATO ROLIM MARILIAME, em face de acórdão que manteve a integralidade da NFLD 37.106.2098 para a cobrança de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e contribuintes individuais (administrador e contador) não recolhidas aos cofres públicos em época própria, incidentes sobre sua remuneração. Consta do relatório fiscal que os valores lançados foram informados em GFIP´s enviadas pelo contribuinte à Previdência em comparação com as GPS apresentadas. O procedimento fiscal na empresa foi iniciado em decorrência do processo 2007.61.11.0016411 da 3° Vara Federal de Marilia/SP, com o cumprimento de mandado de Declaração, Apreensão e Lacrarão e a conseqüente emissão de Termo de Apreensão, Guarda e Devolução de Documentos – AGD. O lançamento compreende o período de 13/2003 a 04/2007, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/10/2007. Intimado do julgamento em primeira instância (fls. 49/52) o contribuinte interpôs o competente recurso voluntário de fls. 58/59, através do qual sustenta: 1. que a ação fiscal que originou a presente NFLD, também originou inúmeras outras, mas que até o presente momento, em razão dos argumentos mencionados nos recursos interpostos pela empresa, estão ainda sob análise, em virtude de se tratar de uma ação peculiar; 2. que até o presente momento, os documentos fiscalizados não foram liberados pelo agente fiscalizador, o que não lhe permitiu elaborar sua defesa; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000732/200781 Acórdão n.º 2402002.200 S2C4T2 Fl. 71 3 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares passo ao mérito. MÉRITO O recurso interposto em duas laudas carece de fundamentação. Da forma como concluiu o julgamento de primeira instância, de fato, a exigência é incontroversa, haja vista não ter sido expressamente impugnados os fundamentos do lançamento pelo contribuinte. Não obstante, as contribuições lançadas foram declaradas em GFIP, o que se constitui em confissão de dívida nos termos do art. 225 do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social. De outra banda, a recorrente apenas transcreveu seus argumentos de impugnação, os quais foram devidamente afastados pelo julgamento levado a efeito em primeira instância, de modo que, peço licença ao Il. Relator da DRJ para adotar como minhas, as razões de decidir expostas no julgado, que a seguir transcrevo: A impugnante questiona o procedimento adotado pela fiscalização no que se refere A. apreensão de documentos e a lavratura da notificação sem a subseqüente devolução dos elementos apreendidos com vistas a possibilitar à empresa a análise do levantamento em questão para expressar de forma correta seus argumentos. No entanto, devese levar em conta que as contribuições objeto da presente NFLD foram devidamente declaradas em GFIP. Dessa forma, o argumento formulado pela impugnante não tem o condão de elidir o lançamento fiscal realizado, pois, embora não se encontre nos autos a comprovação da devolução dos documentos apreendidos, os mesmos não representam elementos indispensáveis ao exercício do direito de defesa por parte do sujeito passivo. Em se tratando de contribuições declaradas em GFIP e não sendo as mesmas objeto da apreensão havida, poderia a empresa utilizar as informações constantes em tais GFIP para analisar os lançamentos efetuados pela fiscalização. De fato, a GFIP conta com os valores individualizados das remunerações pagas pela empresa e seus respectivos Fl. 72DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 beneficiários, de modo que a empresa tendo em suas mãos referidos documentos, dispunha de todos os elementos necessários à análise e eventuais impugnações dos valores lançados pela fiscalização. Na mesma ação fiscal foram lavrados inúmeras outras NFLD e autos de infração, sendo que muitos deles, em atenção ao argumento formulado pelo sujeito passivo, retornaram à DRF de origem justamente para esclarecimentos acerca da devolução dos documentos apreendidos, tendo em vista a relação existente entre tais documentos e os respectivos lançamentos fiscais efetuados. Porém, este procedimento não é cabível no presente caso que se refere exclusivamente a contribuições declaradas em GFIP, conforme explanado anteriormente. Oportuno ressaltar que a o ordenamento jurídico vigente, ao ocuparse do tema "nulidades", disciplina o assunto nos seguintes termos: Decreto n° 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1° A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2° Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3° Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir ato ou suprir lhe a falta. (Incluído pela Lei n°8.748, de 1993) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Portaria RFB 10.875, de 16/08/2007 (DOU 24/08/2007): "Art. 27. Seib nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. §12 A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11444.000732/200781 Acórdão n.º 2402002.200 S2C4T2 Fl. 72 5 sç 22 Na declaração de nulidade, a autoridade especificará os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. sç 32 Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 28. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 27 não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio." Assim, a falta de comprovação da devolução dos documentos apreendidos não corresponde a qualquer das hipóteses previstas no artigo 59 do Decreto n° 70.235/72 ou artigo 27 da Portaria RFB 10.875/2007, nem resulta em prejuízo ao sujeito passivo ou influi na solução do litígio (nos termos do artigo 60 do Decreto n° 70.235/72 e artigo 28 da Portaria RFB 10.875/2007), motivo pelo qual, afastase o pleito formulado pelo sujeito passivo quanto a este particular. Quanto ao não reconhecimento dos fatos e valores lançados devido à falta substancial de provas documentais, não há como acolher tal irresignação, pois, os lançamentos efetuados pela fiscalização foram extraídos das GFIP elaboradas pela própria empresa, a quem caberia impugnar, de forma especifica, qualquer valor que entendesse incorreto. A impugnante, apesar de ter em mãos os elementos necessários à elaboração da impugnação especifica dos itens objeto de sua discordância, portouse de forma diversa, apresentando irresignação genericamente formulada, o que resulta na aplicação das disposições contidas no artigo 17 do Decreto n° 70.235/72 e artigo 8 °. da Portaria 10.875/2007, pelas quais considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta forma, afastase a impugnação genérica relativa ao não reconhecimento dos fatos e valores objetos da NFLD sob análise. Isto posto, voto pela PROCEDÊNCIA da presente NFLD Ante todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado Fl. 74DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Fl. 75DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/12/2011 por IRDA MORAIS, Assinado digitalmente em 11/01/2012 por LOUR ENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/01/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000109/2009-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2004
GFIP. DEIXAR DE INFORMAR MENSALMENTE.
Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de informar mensalmente ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Legislação.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória.
SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIZAÇÃO. PESSOA JURÍDICA.
Sujeito Passivo da obrigação principal é a pessoa que, vista da lei, tem o
dever legal de efetuar o pagamento da obrigação tributária.
LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
INOCORRÊNCIA.
Não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto de infração.
DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS.
Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.215
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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NÃO DECLARAR INFORMAÇÕES E DADOS Recorrente ALICERCE REFORMAS E PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS EM GERAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2004 GFIP. DEIXAR DE INFORMAR MENSALMENTE. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar a empresa de informar mensalmente ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, conforme previsto na Legislação. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização do fato gerador da multa aplicada pelo descumprimento de obrigação acessória. SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIZAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. Sujeito Passivo da obrigação principal é a pessoa que, vista da lei, tem o dever legal de efetuar o pagamento da obrigação tributária. LOCAL DA LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à jurisdição e competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto de infração. DOLO OU CULPA. ASPECTOS SUBJETIVOS. NÃO ANALISADOS. Fl. 86DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Walter Murilo Melo de Andrade. Ausente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000109/200944 Acórdão n.º 240202.215 S2C4T2 Fl. 81 3 Relatório Tratase de auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV, §§ 3º e 9º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997 e redação da Medida Provisória (MP) no 449/2008, convertida na Lei no 11.941/2009, c/c o art. 225, inciso IV, §§ 2º, 3º e 4º, do Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS), que consiste em deixar a empresa de informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07), a empresa deixou de apresentar – nas competências 02/2004 a 04/2004 – ao Fisco as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s), em que deveriam constar os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. Não constam outras autuações lavradas contra a empresa em ações fiscais anteriores, bem como não ocorreram circunstâncias agravantes previstas no art. 290 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto no 3.048/1999. O Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fl. 08) informa que foi aplicada a multa no valor de R$500,00 (quinhentos reais), fundamentada no art. 32A, “caput”, inciso I e parágrafos 1o a 3o, da Lei n° 8.212/1991, incluídos pela Medida Provisória (MP) no 449/2008, convertida na Lei no 11.941/2009, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei no 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN). O cálculo da multa encontrase detalhado nesse Relatório e na capa do Auto de Infração de fls. 01. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 03/03/2009 (fl. 01). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 21/36) – acompanhada de anexos de fls. 37/44 –, alegando, em síntese, que: 1. o auto de infração foi lavrado sem estar consubstanciado em provas incontroversas de que a impugnante tenha realmente cometido as infrações elencadas pelo Fisco, somente em observância a uma presunção e alegações; 2. o auto de infração não demonstra entendimento certo, detalhado e explícito do Fisco a demonstrar de onde provém seu intento e a forma pela qual chegou a valor tão expressivo, onde não consta o demonstrativo anexo de onde originaram os números, sendo impossível chegar a uma conclusão lógica; 3. é legitimo a responder a demanda a pessoa física de Paulo Sérgio Cardoso, sendo totalmente infundada a intimação da impugnante na Fl. 88DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 pessoa deste como seu sócio, sem que tenha sido declarado como responsável solidário. A impugnante como pessoa jurídica não pratica nenhum ato a ensejar sua legitimidade para figurar no pólo passivo da demanda, vez que todos os atos que “pratica” são de inteira responsabilidade de seu responsável. Nesse passo, figurase como correto a lavratura da autuação na pessoa física do sócio, o Sr. Paulo Sérgio Cardoso. Apresenta como fundamento a embasar a sua assertiva os artigos 121 e 134, VII, ambos do CTN; 4. deve ser declarada a nulidade da autuação, posto que a lavratura desta se deu em local diverso do domicílio da autuada, restando infringido o artigo 10 do Decreto n.° 70.235/72, sendo que não cabe ao Fisco inovar ou alterar a Lei, mas tão somente cumprila; 5. em nenhum momento o Fisco determinou o ilícito cometido pela empresa, vez que a prova que se utiliza para imputar a ela (aferição indireta) foi consubstanciada na falta de apresentação de alguns documento, ou seja, são provas frágeis; 6. requer que o valor arbitrado seja minorado e recalculado por expert, ao passo que excessivo, por não haver a prática de qualquer irregularidade e ser medida de justiça. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo II/SP – por meio do Acórdão no 1732.818 da 8a Turma da DRJ/SPOII (fls. 47/56) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que ele foi lavrado com pleno embasamento legal e observância às normas vigentes, não tendo a Defendente apresentado elementos ou fatos que pudessem ilidir a sua lavratura. A Notificada apresentou recurso voluntário (fls. 60/71), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Santos/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento (fls. 78/79). É o relatório. Fl. 89DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000109/200944 Acórdão n.º 240202.215 S2C4T2 Fl. 82 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O recurso é tempestivo (fls. 59/60) e não há óbice ao seu conhecimento. O presente lançamento fiscal decorre do fato de que a Recorrente não informou mensalmente ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. DAS PRELIMINARES: A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas quanto ao lançamento, o qual, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador, que é o descumprimento de obrigação tributária acessória, conforme ficou nitidamente demonstrado no Relatório Fiscal da Infração (fls. 06/07). Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, eis que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/18) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da multa aplicada; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei n° 8.212/1991: Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado Fl. 90DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Além disso – no Termo de Início da Ação FiscalTIAF (fls. 09/13), no Termo de Intimação FiscalTIF (fls. 14/15) e no Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF (fls. 16/17) –, todos assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador da obrigação tributária acessória e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 06/08. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da multa aplicada, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/18) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. A Recorrente argumentas que seria ilegal o presente auto de infração pelo fato deste ter sido lavrado fora do seu estabelecimento comercial. Tal argumentação não será acatada, eis que não enseja nulidade do lançamento a lavratura do Auto de Infração fora do estabelecimento do contribuinte. O local da verificação da falta está vinculado à circunscrição administrativa e à competência da autoridade, sendo irrelevante o local físico da lavratura do auto. O certo é que a verificação ocorre em qualquer local onde o Fisco realize seu trabalho, como por exemplo, dentro da repartição. Isso está em consonância com a jurisprudência administrativa deste Conselho no sentido de serem válidos os lançamentos, mesmo quando o Auto de Infração (ou Notificação) é lavrado fora do estabelecimento do sujeito passivo, conforme Enunciado no 6 de Súmula do CARF (Portaria MF no 383, DOU de 14/07/2010). Fl. 91DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000109/200944 Acórdão n.º 240202.215 S2C4T2 Fl. 83 7 Súmula CARF no 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Ainda em sede de preliminar, a Recorrente alega que haveria ilegitimidade de parte, pois ela não pode figurar no polo passivo da demanda, tendo o presente Auto de Infração indicação errônea quanto a parte que deva figurar como sujeito passivo, não sendo medida de direito a mantença da Recorrente, pessoa jurídica que é, como responsável pelo valor cobrado. Cumpre esclarecer que a responsabilidade tributária é decorrente do art. 121 do CTN. Este artigo define a sujeição passiva referente à obrigação tributária de forma dual: (i) contribuinte, consiste naquele que praticou a ação descrita como núcleo do fato gerador, a quem pode ser imputada a autoria do fato imponível, que é o caso do presente processo; e (ii) responsável, consiste em um sucessor ou um terceiro vinculado ao fato gerador, respondendo solidária, subsidiária ou substitutivamente pela cobrança do tributo. Lei no 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa em lei. Verificase que as contribuições sociais lançadas no presente processo decorrem da relação pessoal e direta da Recorrente com a situação concreta do fato gerador, que é a contratação de segurados para execução de atividades de seu objeto contratual: prestação de serviços auxiliares da construção; manutenção; conservação e limpeza de prédios. Dentro desse contexto, é bom esclarecer que não há imputação de responsabilidade solidária ao Sr. Paulo Sérgio Cardoso, pois este encontrase apenas arrolado no Relatório de Representantes Legais (REPLEG) e de Vínculos (fls. 04/05). Os valores apurados neste processo foram lançados unicamente contra a pessoa jurídica: Alicerce Reformas e Prestação de Serviços em Geral Ltda (Recorrente). Com isso, correta a intimação efetuada na pessoa jurídica por intermédio de seu representante. O representante legal do autuado não integra o polo passivo deste auto de infração. Na verdade, os anexos "REPLEG" e "VÍNCULOS" servem apenas como subsídios Fazenda Nacional para o caso de haver, futuramente, a constatação de motivos que tornem necessário (e juridicamente possível) o redirecionamento de eventual execução judicial do crédito previdenciário. Diante disso, rejeito as preliminares ora examinadas, e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: Fl. 92DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Quanto à alegação de que inexiste a infração imputada pela auditoria fiscal, uma vez que a Recorrente teria cumprido a legislação de regência. Tal alegação é infundada, eis que o Fisco cumpriu a legislação de regência, ensejando o lançamento de ofício em decorrência da Recorrente ter incorrido no descumprimento de obrigação tributária acessória. Verificase que a Recorrente não informou mensalmente ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. Com isso, a Recorrente incorreu na infração prevista no art. 32, inciso IV, §§ 3º e 9º, da Lei nº 8.212/1991, acrescentado pela Lei nº 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV, §§ 2º, 3º e 4º, do Decreto nº 3.048/1999 (Regulamento da Previdência Social RPS), transcritos abaixo: Lei no 8.212/1991 Art. 32 A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (...) § 3° O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) § 4o A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Decreto no 3.048/1999 Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os Fl. 93DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000109/200944 Acórdão n.º 240202.215 S2C4T2 Fl. 84 9 fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 2° A entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social deverá ser efetuada na rede bancária, conforme estabelecido pelo Ministério da Previdência e Assistência Social, até o dia sete do mês seguinte àquele a que se referirem as informações. (Redação dada pelo Decreto n° 3.265, de 1999) § 3o A Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social é exigida relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1999. § 4o O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Nos termos do arcabouço jurídicoprevidenciário acima delineado, percebe se, então, que a Recorrente estava obrigada a apresentar ao Fisco, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo. Esclarecemos ainda que a multa aplicada, decorrente do descumprimento de obrigação acessória, foi calculada na forma do novel art. 32A da Lei no 8.212/1991. Lei nº 8.212/1991: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o. Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da Fl. 94DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o. Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o. A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). No caso em tela, tratase de infração que agora se enquadra no art. 32A, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. Com isso, a quantificação da multa aplicada com base nos novos critérios previstos no art. 32A da Lei no 8.212/1991, com redação dada pela Lei 11.941/2009, embora não contemporânea aos fatos geradores, mostrase correta, por se vislumbrar mais benéfica ao contribuinte. Isso está em consonância com o previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional (CTN), transcrito abaixo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II. tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, o procedimento utilizado pela auditoria fiscal para a aplicação da multa foi devidamente consubstanciado na legislação vigente à época da lavratura do auto de infração. Ademais, não verificamos a existência de qualquer fato novo que possa ensejar a revisão do lançamento em questão nas alegações registradas na peça recursal da Recorrente. É importante salientar que a infração ora analisada não depende da ocorrência de dolo ou culpa do contribuinte, ao contrário do que entende a Recorrente. Não cogitou o legislador sobre o elemento volitivo que a originou. A obrigação da empresa é informar mensalmente ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), os dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse do mesmo, não cabendo ao fisco analisar os motivos da não apresentação dos mesmos. Vale mencionar que o art. 136 do CTN, ao eleger como regra a responsabilidade objetiva, isenta a autoridade fiscal de buscar as provas da intenção do infrator, conforme transcrito abaixo: Fl. 95DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15983.000109/200944 Acórdão n.º 240202.215 S2C4T2 Fl. 85 11 Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (g.n.) Logo, não procede a alegação da Recorrente de “(...) que a recorrida em todo momento tenta caracterizar a culpa da recorrente ao que tange imputar responsabilidade a ele concernente por descumprimento de Obrigação Acessória previdenciária, especificamente ao que tange ter deixado de declarar dados relacionados a fatos geradores, bases de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária nas competências de fevereiro, março e abril de 2004 (...)”, eis que ela deixou de enviar ao Fisco as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP’s), para as competências 02/2004 a 04/2004. Ainda dentro do aspecto meritório, a Recorrente alega que a multa aplicada, ante a sua desproporcionalidade e não razoabilidade, é confiscatória e inconstitucional. Informamos que tal alegação não compete a este foro a discussão sobre a matéria, dado que a Administração Pública é compelida a aplicar a penalidade nos moldes fixados na legislação de regência, o que foi observado no caso ora analisado, não se configurando, assim, o alegado excesso de exação, porque o Fisco agiu no estrito cumprimento do dever legal. Ademais, frisese que a análise da alegação retromencionada seria incabível na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade, ou ilegalidade, vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei n° 8.212/1991 e demais disposições da legislação vigente aplicadas ao lançamento fiscal ora analisado. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, ou seja declarada suspensa pelo Senado Federal nos termos art. 52, X, da Constituição Federal, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2, Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/10/2010, transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa apecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Fl. 96DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa aplicada em decorrência do descumprimento de obrigação acessória, conforme prevê o art. 32A da Lei n° 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 97DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/11/2011 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 01/11/20 11 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 11474.000153/2007-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/03/2006
SIMULAÇÃO. FRACIONAMENTO DE EMPRESA EM INTERPOSTAS EMPRESAS INCRITAS NO SIMPLES. CARACTERIZAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO EM FACE DO DEVEDOR PRINCIPAL. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE.
AUSÊNCIA. NULIDADE INOCORRÊNCIA.
O reconhecimento de simulação tendente a furtar-se o
contribuinte do pagamento de contribuições previdenciárias, quando efetuado com a desconsideração da personalidade jurídica de empresa legalmente inscrita no SIMPLES, com o reenquadramento de seus funcionários na empresa que fora fracionada, não necessita da prévia expedição do Ato Declaratório Executivo de exclusão do regime simplificado de recolhimento de impostos e contribuições, uma vez que o lançamento não foi efetuado contra as empresas optantes pelo SIMPLES, mas contra a empresa fracionada não optante pelo referido sistema simplificado de tributação
GRUPO ECONÔMICO. CONTROLE COMUM DAS EMPRESAS EXERCIDO POR UM ÚNICO SÓCIO. Para fins de caracterização da formação do grupo econômico, incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c
art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das
contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos
trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente.
NFLD. LANÇAMENTO DECORRENTE DAS INFORMAÇÕES
PRESTADAS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do art.
225, §1º do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social RPS, as informações declaradas em GFIP configuram-se como confissão de dívida, de modo que para elidir o lançamento o contribuinte deverá demonstrar mediante prova documental idônea eventual equívoco nas informações prestadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.150
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Nereu Miguel Ribeiro Domingues; no mérito, por unanimidade votos, em dar provimento parcial para aproveitamentos dos pagamentos realizados na sistemática do SIMPLES. Apresentará voto
vencedor a Conselheira Ana Maria Bandeira.
Matéria: IPI- ação fsical - auditoria de produção
Nome do relator: IGOR ARAUJO SOARES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/03/2006 SIMULAÇÃO. FRACIONAMENTO DE EMPRESA EM INTERPOSTAS EMPRESAS INCRITAS NO SIMPLES. CARACTERIZAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO EM FACE DO DEVEDOR PRINCIPAL. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE. AUSÊNCIA. NULIDADE INOCORRÊNCIA. O reconhecimento de simulação tendente a furtar-se o contribuinte do pagamento de contribuições previdenciárias, quando efetuado com a desconsideração da personalidade jurídica de empresa legalmente inscrita no SIMPLES, com o reenquadramento de seus funcionários na empresa que fora fracionada, não necessita da prévia expedição do Ato Declaratório Executivo de exclusão do regime simplificado de recolhimento de impostos e contribuições, uma vez que o lançamento não foi efetuado contra as empresas optantes pelo SIMPLES, mas contra a empresa fracionada não optante pelo referido sistema simplificado de tributação GRUPO ECONÔMICO. CONTROLE COMUM DAS EMPRESAS EXERCIDO POR UM ÚNICO SÓCIO. Para fins de caracterização da formação do grupo econômico, incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. NFLD. LANÇAMENTO DECORRENTE DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do art. 225, §1º do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social RPS, as informações declaradas em GFIP configuram-se como confissão de dívida, de modo que para elidir o lançamento o contribuinte deverá demonstrar mediante prova documental idônea eventual equívoco nas informações prestadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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FRACIONAMENTO DE EMPRESA EM INTERPOSTAS EMPRESAS INCRITAS NO SIMPLES. CARACTERIZAÇÃO DE RELAÇÃO DE EMPREGO EM FACE DO DEVEDOR PRINCIPAL. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO ADE. AUSÊNCIA. NULIDADE INOCORRÊNCIA. O reconhecimento de simulação tendente a furtarse o contribuinte do pagamento de contribuições previdenciárias, quando efetuado com a desconsideração da personalidade jurídica de empresa legalmente inscrita no SIMPLES, com o reenquadramento de seus funcionários na empresa que fora fracionada, não necessita da prévia expedição do Ato Declaratório Executivo de exclusão do regime simplificado de recolhimento de impostos e contribuições, uma vez que o lançamento não foi efetuado contra as empresas optantes pelo SIMPLES, mas contra a empresa fracionada não optante pelo referido sistema simplificado de tributação GRUPO ECONÔMICO. CONTROLE COMUM DAS EMPRESAS EXERCIDO POR UM ÚNICO SÓCIO. Para fins de caracterização da formação do grupo econômico, incide a regra do art. 124, inc. II, do CTN c/c art. 30, inc. IX, da Lei n. 8.212/91, nos casos em que configurada, no plano fático, a existência de grupo econômico entre empresas formalmente distintas mas que atuam sob comando único e compartilhando funcionários, justificando a responsabilidade solidária das recorrentes pelo pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. NFLD. LANÇAMENTO DECORRENTE DAS INFORMAÇÕES PRESTADAS EM GFIP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Nos termos do art. 225, §1º do Decreto 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social RPS, as informações declaradas em GFIP configuramse como confissão de dívida, de modo que para elidir o lançamento o contribuinte Fl. 1480DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 deverá demonstrar mediante prova documental idônea eventual equívoco nas informações prestadas. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade, vencidos os conselheiros Igor Araújo Soares e Nereu Miguel Ribeiro Domingues; no mérito, por unanimidade votos, em dar provimento parcial para aproveitamentos dos pagamentos realizados na sistemática do SIMPLES. Apresentará voto vencedor a Conselheira Ana Maria Bandeira. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Igor Araújo Soares – Relator. Ana Maria Bandeira – Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Igor Araújo Soares e Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Fl. 1481DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000153/200781 Acórdão n.º 2402002.150 S2C4T2 Fl. 1.163 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por NOVAPLAST LTDA e OUTROS, irresignados com o acórdão de primeira instância, por meio do qual fora mantida a integralidade da NFLD n. 35.635.0452, lavrada para a cobrança de contribuições sociais lançadas sobre as rubricas as seguir: a) as contribuições a cargo da empresa destinadas à Previdência Social e a Terceiros incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais da Novaplast Ltda; b) as contribuições a cargo da empresa destinadas à Previdência Social e a Terceiros incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados e contribuintes individuais da empresa Duplastic Plásticos Ltda., considerados por esta Fiscalização como segurados empregados da Novaplast Ltda; c) as contribuições incidentes sobre os valores pagos a Unimed de Blumenau — Cooperativa de Trabalho Médico pelas empresas Novaplast e Duplastic. O lançamento compreende as competências de 11/2003 a 03/2006, com a ciência do contribuinte acerca do lançamento efetivada em 17/12/2006 (fls. 297) Constou do relatório fiscal (fls. 61/84) que a fiscalização, diante de vários elementos verificados quando da ação fiscal, entendeu ter havido simulação por parte da Pedrini Plásticos (NOVAPLAST LTDA), ora recorrente, a qual objetivando reduzir a carga tributária a que estava submetida e tendo em vista a impossibilidade de optar pelo Simples, seja por apresentar faturamento anual superior ao limite, seja por outro fato impeditivo, foi sendo desmembrada e utilizouse do expediente de contratar funcionários através de outra empresa, a Duplastic, a qual é optante do Simples, sob o revestimento de serem empresas distintas e independentes. Assim concluise no procedimento fiscal que Apesar de as empresas envolvidas (Novaplast e Duplasfic) possuírem um CNPJ próprio e estarem formalmente constituídas como sociedades distintas, estas se caracterizam, na verdade, como uma única empresa e não como empresas autônomas, formando um grupo econômico, haja vista a evidente subordinação financeira, hierárquica, econômica e técnica da Duplastic em relação à Novaplast. Também foram incluídas no grupo econômico as empresas: Duplastic Plásticos Ltda, Dublack Indústria e Comércio de Malhas Ltda., Têxtil Ligasul Ltda. EPP, Waga Têxtil Ltda. EPP, Fibra Brasil Têxtil Ltda. EPP, Facitex Indústria e Comércio de Confecções Ltda, Novitex Indústria Têxtil Ltda. ME, Iriana Têxtil Ltda, por ter considerado a fiscalização que o Sr° Wanderlei Pedrini, administrador do grupo, detém o controle de todas. Devidamente intimadas, as empresas incluídas no grupo econômico apresentam recurso, por meio dos quais sustentam, em síntese: NOVAPLAST LTDA Fl. 1482DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 É equivocada tese segundo a qual a Recorrente e a empresa Duplastic Plásticos Ltda., compõem um grupo econômico, porquanto as empresas constituem negócios próprios e totalmente individualizados e o histórico de ambas contêm dados que não permitem a identificação de negócio único separado apenas pelo formalismo legal. Os próprios dados e informações elencados no Relatório Fiscal evidenciam a personalização diferenciada das empresas e conseqüentemente, a inexistência de um grupo econômico para fins de tributação; que a Novaplast consiste numa sociedade empresarial voltada à "fabricação de artefatos de material plástico para usos industriais", ao passo em que a Duplastic atua na "fabricação de embalagem de plástico"; que o fato de uma empresa ter seu faturamento reduzido e, por conseguinte, o número de colaboradores restringido não pode ser fundamento para a realização de um lançamento fiscal, mesmo que confrontados com o processo evolutivo de outra empresa, tais dados não servem à exigência tributária. que os documentos anexados a esta Defesa demonstram, ao contrário do aduzido no Relatório Fiscal mencionado, que Novaplast e Duplastic são efetivamente empresas distintas, com objeto social diferenciado, atuação separada, funcionários próprios, inclusive com crachás distintos (vide cópias anexas) ao contrário do afirmado no relatório da notificação. DUPLASTIC PLÁSTICOS LTDA os mesmos argumentos de defesa da empresa NOVAPLAST LTDA; DUBLACK INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MALHAS LTDA A ora recorrente atua no ramo de: "indústria e comércio de artefatos têxteis, importação e exportação, representações comerciais, facção no ramo têxtil, estamparia no ramo têxtil, e dedicarse a toda e qualquer atividade conexa e correlata ao objeto social mediante alteração contratual, e a participação em outras empresas.", de forma que resta demonstrado que o seu objeto social não detém qualquer relação com o das empresas NOVAPLAST E DUPLASTIC PLÁTICOS LTDA. que o agente fiscal partiu de mera presunção, uma vez que a empresa Novaplast e a empresa Dublack possuem o mesmo quadro societário; as empresas tidas por solidárias tiveram início de suas atividades em datas distintas e atuam, como já dito, em lugares distintos com mão de obra específica; TÊXTIL LIGA SUL LTDA A empresa atua no mercado deste o exercício de 1998. Alugou o imóvel anexo à empresa Dublack, sendo que para esta também presta serviços de facção e que a relação entre as empresas termina neste ponto; Não existe subordinação entre as empresas em questão, sendo certo que a empresa Têxtil Ligasul tem total autonomia, sendo administrada pelas sócias Maikeh Lindmann e Ehane Weiller Maister. Fl. 1483DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000153/200781 Acórdão n.º 2402002.150 S2C4T2 Fl. 1.164 5 Juntouse a defesa declarações prestadas por 9 (nove) funcionários da empresa, que atestam para quem prestam serviços e a quem são subordinados. Às "entrevistas efetuadas" pelo agente fiscal, não se pode dar peso de informações verdadeiras, na medida em que os funcionários foram induzidos em erro, eis que de fato, o imóvel onde se encontra localizada a empresa é de propriedade do sr. Wanderlei Pedrini, bem como a empresa Dublack, cuja sede é anexa a sede da empresa Têxtil Ligasul foram apresentadas notas fiscais dos outros clientes da Têxtil Ligasul, o que comprova que esta tem total autonomia podendo prestar serviços a quem melhor lhe aprouver, não estando subordinada a empresa Dublack. que as sócias Ehane e Idaikeli, que já prestaram serviços, na qualidade funcionárias na empresa do Sr. Wanderlei Pedrini, foram inclusive agraciadas por esta em razão dos vários anos de dedicação, seja na qualidade de funcionárias, ou agora como parceiros comerciais entre suas empresas. FIBRA BRASIL TÊXTIL LTDA que não tem qualquer relação para com a recorrente, empresa que atua no ramo têxtil Aliás, a empresa Novaplast está localizada na cidade de Pomerode, enquanto que a recorrente está localizada na cidade de Dr. Pedrinho. O que existe entre as partes citadas, aliás, especificamente entre a empresa Dublack e a recorrente, é uma parceria comercial. que a recorrente é empresa que assim como a empresa Dublack atua no ramo têxtil. recorrente tratase em empresa faccionista, ou seja, presta serviços de industrialização para outras empresas, dentre elas a empresa Dublack O Agente Fiscal, procurou em seu relatório distorcer a relação mantida entre as empresas, fazendo crer que existira o alegado grupo econômico. além de industrialização de produtos para empresa Dublack, assim também procede para outras empresas, o que evidencia que possui sim, total autonomia para contratar e gerir seus negócios, sem poder haver a alegação de grupo económico. As declarações firmadas pelos funcionários da empresa, atestando para qual empresa prestam serviços, e a quem estão subordinados, assim como os demais documentos anexados a defesa, não foram sequer objeto de manifestação por parte da autoridade fiscal. NOVITEX INDÚSTRIA TÊXTIL LTDA Conforme pode ser observado do contrato social da recorrente, a atividade desta é de "prestação de Serviço na Confecção de Artigos do Vestuário (Facção), Confecção de Artigos do Vestuário, Comércio Varejista e Atacadista de Artigos do Vestuário, seus Acessório e Complementos e Artigos para Presente. A recorrente teve o inicio de suas atividades em 1999, (itlrl1 en quanto que a empresa Novaplast já atua no mercado deste o exercício de 1972. Fl. 1484DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 As empresas atuam em locais diversos e tem mão de obra igualmente diversa; O que existe entre a empresa Novitex e a empresa Dublack é uma parceria negociai, eis que a recorrente, conforme atesta seu contrato social é empresa que se dedica a função de facção, já que a Dublack é a maior cliente da recorrente. por facção entendese a empresa que industrializa produtos para uma outra empresa mediante contratação. Juntouse ainda declaração prestada pelo Município de Rio dos Cedros, que atesta a localização da empresa, sua data de abertura e os sócios desta. O próprio agente fiscal anexou aos autos da notificação Fiscal de lançamento de Débito n° 35.635.040, entrevistas onde se verifica que os empregados encontramse de fato trabalhando na empresa recorrente, bem corno respondem aos sócios da empresa sr. Gilson e Úrsula, como aliás não poderia deixar de ser. pelo fato de a Dublack ser sem dúvidas a maior cliente da Novitex, é normal que certos padrões quanto a documentações utilizadas entre as partes siga um determinado formato. Tal fato não constituí de forma alguma subordinação ou formações grupo econômico. a empresa Dublack vem se utilizado, para realização de seu objeto social, de firmas terceirizadas. Este fato já vem acontecendo há tempos, e tratase de uma tendência mundial. Os sócios da empresa Novitex, de fato foram anteriormente funcionários da empresa Dublack. Estes sócios verificando a possibilidade iniciar um negócio próprio, iniciaram a atividade de facção, e por já terem mantido relações com a empresa Dublack, estando plenamente familiarizados com o sistema de ,1, produção desta empresa bem como quanto ao nível de qualidade dos produtos exigidos pela empresa Dublack, logo iniciaram uma parceria, a qual tem sido lucrativa para ambas as partes. FACITEX LTDA a empresa desenvolvida por estas empresas é a atividade de indústria de plásticos, enquanto que a recorrente atua no ramo têxtil. A requerente nunca manteve qualquer espécie de relação com as empresas Nova.plast e Duplastic. que o parque fabril da requerente encontrase locahzado na cidade de Benedito Novo, tendo iniciado suas funções em 1' de janeiro de 1995. Juntouse também declaração do Banco do Brasil, atestando a existência de conta própria em nome da Facitex. A empresa tem sua própria contabilidade, seus próprios funcionários e é administrada por Mário Schmit os funcionários das empresas atestaram tal fato por meio das declarações anexas, onde estes esclarecem onde e como prestam seus serviços, bem como a quem são subordinados. Fl. 1485DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000153/200781 Acórdão n.º 2402002.150 S2C4T2 Fl. 1.165 7 As entrevistas anexadas aos autos da notificação de if 36.635.0401, não expressam a realidade, na medida em que os funcionários, apenas 3 dentro do universo de funcionários da empresa foram questionados. Por outro lado foram induzidos em erro. O relacionamento de ambas as empresa é extremamente próximo, eis que constantemente caminhões da Dublack vem fazer entregas das matérias primas para industrialização, bem com proceder a retirada de mercadoria já industrializadas. O sr. Mário, sócio gerente da empresa, atua há anos mercado da indústria têxtil, tendo inclusive por muitos anos prestados serviços diretamente á Dublack. os serviços prestados pela Facitex não se tratam de serviços exclusivos conforme atestam cópias das notas fiscais anexas juntadas a primeira defesa, que comprovam a existência de prestação de serviços para outras empresas. Os métodos utilizados na empresa são padronizados, inclusiva aqueles relativos à comunicação entre a prestadora e tomadora de serviços. Tal fato tem por objetivo facilitar a realização dos serviços através da padronização. que é totalmente desvirtuada a alegação de que a formação de grupo econômico entre as partes estaria caracterizada pelo fato de os empregados da Facitex participarem de eventos promovidos pela Dublack, corno num caso específico citado pela agente fiscal, a participação no torneio de futebol suíço, para o qual os funcionários da Facitex e seus familiares foram convidados. A empresa Dublack sempre procurou manter um excelente relacionamento com as empresas que lhe prestam serviços, e uma das formas para integrar as empresas e funcionários é a realização destas atividades. IRIANA TEXTIL LTDA repete de forma resumida os argumentos da FACITEX LTDA WAGA TÊXTIL LTDA repete os argumentos da FACITEX LTDA, Enviados os autos a este Eg. Conselho, na assentada de abril/2011, foi determinada a conversão do julgamento em diligência para apuração do seguinte: Ante todo o exposto, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os autos sejam encaminhados à DRJ de origem para que a fiscalização informa, de forma precisa se (i) contra a empresa DUPLASTIC LTDA foi impetrado o competente processo administrativo para fins de sua exclusão do Regime de Tributação do SIMPLES e a fase e localização em que se encontra referido processo, bem como para que informe também já em face de referida empresa já fora expedido o Ato Declaratório de Exclusão do Simples, citando a sua data e juntado aos autos do presente processo o teor do mesmo. Fl. 1486DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Pois, bem, agora retornam os autos, com o resultado da diligência requerida no sentido de que não consta nos sistemas informatizados da Receita Federal qualquer indicação de que tenha havido a impetração de processo administrativo em face da empresa DUPLASTIC para fins de sua exclusão do regime do SIMPLES, sendo que tal fato apenas fora levado a efeito em desfavor das empresas TÊXTIL LIGA SUL, FACITEX, WAGA TÊXTIL, FIBRA BRASIL TÊXTIL, NOVITEX E IRIANA. É o que bastava relatar. Fl. 1487DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000153/200781 Acórdão n.º 2402002.150 S2C4T2 Fl. 1.166 9 Voto Vencido Conselheiro Igor Araújo Soares, Relator CONHECIMENTO Tempestivos os recursos, deles conheço. PRELIMINARMENTE Com efeito, no caso sub examine, em síntese, entendeu a fiscalização que houve fracionamento simulado de empresas, onde estabelecimentos outros, favorecidos e enquadrados no regime de tributação do SIMPLES eram utilizados pela NOVAPLAST com finalidade de ilegalmente furtarse ao pagamento de contribuições sociais devidas, na medida em que, de fato, os empregados das empresas inscritas no regime de recolhimento unificado, em verdade foram considerados como empregados da recorrente. Conforme se depreende do relatório fiscal, a empresa inscrita no SIMPLES e utilizada como forma de redução da carga tributária foi a empresa DUPLASTIC LTDA. A mesma foi constituída com observância das normas legais e trâmites exigidos pela legislação de regência, estando sujeitas ao regime de tributação do SIMPLES, recolhendo, assim, os tributos de forma unificada, conforme amplamente demonstrado no Relatório Fiscal. Conforme já havia manifestado entendimento sobre o assunto, tenho que o lançamento de contribuições previdenciárias através da desconsideração da personalidade jurídica e forma de tributação da pessoa jurídica optante pelo SIMPLES, somente pode ser levada a efeito, após a prévia emissão e lavratura do Ato Declaratório de Exclusão de referida pessoa jurídica do SIMPLES, pela autoridade competente para tal ato. Sobre o assunto confirase o teor do voto do Em. Conselheiro Rycardo Henrique M. de Oliveira, nos autos do processo 35338.0003241200533, cuja fundamentação analisou a fundo a questão, de modo que peço vênias para adotála como fundamentos de decidir a preliminar suscitada. Confirase: PRELIMINAR NULIDADE LANÇAMENTO — NECESSIDADE ATO DECLARATÓRIO SRF PARA EXCLUSÃO DAS EMPRESAS DO SIMPLES Ainda em sede de preliminar, assevera a recorrente que a Lei n° 9317/96, e posteriores alterações, que disciplina o regime de tributação do SIMPLES, inclusive as formas e procedimentos de exclusão, c/e a legislação previdenciária, especialmente artigo 282 da IN INSS IV 100/2003, estabelecem que a empresa somente será excluída mediante Ato Declaratório, após o devido exercício da ampla defesa e do contraditório da contribuinte, em observância ao processo tributário administrativo competente, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Fl. 1488DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Em outra via, a ilustre autoridade lançadora e, bem assim, o julgador recorrido, entenderam que o presente lançamento não depende de ato de exclusão do SIMPLES das empresas desconsideradas, tendo em vista que aludido procedimento se deu objetivando a exigência de contribuições previdenciárias, não surtindo qualquer efeito na constituição da pessoa jurídica propriamente dita. Não obstante as substanciosas razões de fato e de direito ofertadas pela fiscalização e autoridade julgadora de primeira instância em defesa da manutenção da exigência fiscal em comento, os argumentos da contribuinte merecem prosperar, como demonstraremos ao longo desse arrazoado, A rigor, nosso entendimento anterior convergia com a pretensão fiscal, No entanto, após melhor estudo a respeito do tema, especialmente com arrimo na jurisprudência deste Colegiado e legislação especifica, firmamos novo posicionamento no sentido da exigibilidade da emissão de Ato Declaratório de exclusão do SIMPLES como condição Sille qua 11077 ao lançamento a partir da desconsideração da personalidade jurídica de empresas enquadradas naquele regime de tributação, senão vejamos. Primeiramente, não vislumbramos a possibilidade de se desconsiderar a personalidade jurídica de uma empresa, tão somente para fins de exigência de contribuições previdenciárias, mantendoa na condição de optante do SIMPLES, em relação a outras obrigações tributárias e/ou comerciais. Com efeito, o SIMPLES se apresenta corno um regime de tributação diferenciado, destinado às empresas que se enquadram nos requisitos legais estabelecidos pela Lei n° 9.317/1996 e posteriores alterações, de maneira que aquelas pessoas jurídicas deverão recolher os tributos devidos de forma unificada, com base no respectivo faturamento. Afora, a contribuição previdenciária relativa à parte do empregado, as outras exigências patronais, ora lançadas, deverão ser recolhidas juntamente com os demais tributos, unificadamente, Assim, uma vez desenquadrada do SIMPLES, a empresa passará a promover os recolhimentos dos tributos devidos, no forma das demais pessoas jurídicas não optantes por aquele regime de tributação. Na esteira desse raciocínio, não há como desconsiderar o enquadramento da empresa no SIMPLES, para fins previdenciários, mantendoa como optante daquele regime de tributação em relação as demais obrigações tributárias e comerciais, mesmo porque as contribuições previdenciárias ora exigidas devem ser pagas juntamente com os demais tributos devidos, com base no faturamento da empresa. Prevalecendo o entendimento da fiscalização, o que se admite apenas por amor ao debate, indagase: 1) A partir do lançamento fiscal, qual o procedimento que a empresa deverá adotar ao recolher os seus tributos? 2) Deverá recolher as contribuições previdenciárias ora lançadas com base na folha de pagamento e os demais tributos a partir do faturamento mensal? Fl. 1489DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000153/200781 Acórdão n.º 2402002.150 S2C4T2 Fl. 1.167 11 3) Continuará a recolher todos os tributos com base no faturamento mensal, ou nenhum deles nesta indumentária? Observase que pretender excluir a empresa optante do SIMPLES, tão somente para efeito das contribuições previdenciárias, em verdade é um evidente atropelo às normas legais específicas que regulamentam aquele regime de tributação. Dessa forma, ou a empresa encontrase perfeitamente enquadrada no SIMPLES, devendo contribuir na forma da legislação de regência, ou não observa os requisitos para tanto, impondo a sua exclusão daquele regime de tributação, devendo surtir efeitos relativamente a todos tributos devidos e não somente para as contribuições previdenciárias, como pretende a fiscalização nestes autos. No caso sub examine, em síntese, entenderam os ilustres fiscais que houve fracionamento simulado de empresas, onde estabelecimentos "filiais" eram tratados como prestadores de serviços, com o intuito de obtenção de tratamento favorecido pela inscrição no SIMPLES. Considerando a ocorrência de simulação na constituição do quadro societário das pessoas jurídicas "prestadoras de serviços", bem como uma administração unificada de todas as empresas pelos sócios da notificada, os auditores fiscais efetuaram o lançamento de contribuições sociais relativas a parte da empresa e as destinadas ao SAT e Terceiros, Ocorre que, as empresas BNN Sistemas de Informática Ltda., BSN Serviços de Informática Ltda., TOP Auxiliar Serviços de Informática Ltda. foram constituídas em observância das normas legais e trâmites exigidos pela legislação de regência, estando sujeitas ao regime de tributação do SIMPLES, recolhendo, assim, os tributos de forma unificada, conforme amplamente demonstrado no Relatório Fiscal. Tal fato é de extrema importância, tendo em vista que a forma unificada de pagamento de tributos do SIMPLES engloba as contribuições a cargo da empresa (artigo 22 da Lei 8212/91 e LC 84/96), conforme se verifica do artigo 3°, § 1', alínea "f", da Lei n° 9.317/96, in verbis: "Art. 3" A pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa e de empresa de pequeno porte, na . forma do art.2o ", poderá optar pela inscrição no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES_ 1" A inscrição no SIMPLES implica pagamento mensal unificado dos seguintes impostos e contribuições,' f) Contribuições para a Seguridade Social, a cargo da pessoa jurídica, de que tratam a Lei Complementar 'IQ 84, de 18 de janeiro de 1996, os arts 22 e 22A da Lei 8,212, de 24 de julho de 1991 e o (In. 25 da Lei n a 8,870, de 15 de abril de 1994," Fl. 1490DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Ora, se aquelas pessoas jurídicas estavam recolhendo pelo SIMPLES, as contribuições a cargo da empresa discriminadas no artigo 22 da Lei n° 8.212/91, e se o objeto da presente NFLD são tais contribuições, excluindose a parte dos empregados, não pode prosperar tal lançamento sob pena de se cobrar duas vezes os mesmos tributos. Ressaltese, que o fato ensejador do presente lançamento foi desconsideração da personalidade jurídica de referidas empresas, desenquadrandoas do SIMPLES, com o fito de se exigir as contribuições previdenciárias em epígrafe. Entrementes, as pessoas jurídicas desconsideradas estão inscritas no SIMPLES, e recolhem sobre a receita bruta da empresa e não sobre a folha de pagamento nos termos do artigo 5' da Lei n° 9317/96, in verbis: "Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais" Impende destacar que a autoridade fiscal, ao promover o lançamento das contribuições desconsiderando a personalidade jurídica das empresas retrornencionadas e, por conseguinte, afastando o sistema de pagamento unificado do SIMPLES, malferiu o disposto no artigo 15, § 3', da Lei n° 9,317/1996, o qual estabelece que somente a Secretaria da Receita Federal tem competência para excluir, de oficio, pessoas jurídicas daquele regime de tributação, in verbis: "Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: § 3C A exclusão de oficio darseá mediante ato declarai ório da autoridade .fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo." A própria Instrução Normativa INSS/DC n" 100, de 18 de dezembro de 2003, vigente à época, reconhece em seu artigo 277 que a exclusão de oficio só será efetuada pela Secretaria da Receita Federal, como segue: "Art. 277.. A exclusão do SIMPLES darseá por opção da pessoa jurídica, mediante comunicação à Secretaria da Receita Federal (SRF), ou de ofício pela SRF.." Aliás, com mais especificidade, a IN 100/2003, ao tratar da matéria nos artigos subseqüentes, prescreve quais os efeitos da exclusão da empresa do SIMPLES, para fins previdenciárias, senão vejamos: Art. 278. A exclusão do SIMPLES surtirá efeito em relação às obrigações previdenciárias: I a partir do anocalendário subseqüente ao da exclusão, quando se der por opção da pessoa jurídica; Fl. 1491DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000153/200781 Acórdão n.º 2402002.150 S2C4T2 Fl. 1.168 13 II para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos lua XVII do art.. 9" da Lei n° 9317, de 1996, que tenham optado pelo SIMPLES até 27 de julho de 2001, a partir: a) do mês seguinte àquele em que se proceder a exclusão, quando efetuada em 2001; b) de 1" de janeiro de 2002, quando a situação excludente tiver ocorrido até 31 de dezembro de 2001 e a exclusão for efetuada após esta data. III para as pessoas jurídicas enquadradas nas hipóteses dos incisos III a XVII do art. 9{) Lei ni) 9.317, de 1996, que tenham optado pelo SIMPLES após 27 de julho de 2001, a partir do mês subseqüente àquele em que incorrida a situação excludente; IV a partir do início de atividade da pessoa jurídica, se o valor acumulado da receita bruta no anocalendário de início de atividade/ar superior ao estipulado para a opção; V a partir do anocalendário subseqüente àquele em que foi ultrapassado o valor limite da receita bruta no anocalendário, estipulado para opção, nas hipóteses dos incisos I e II do art„ 9" da Lei n" 9.317, de 1996; VI a partir de 1" de janeiro de 2001, para as pessoas jurídicas inscritas no SIMPLES até 12 de março de 2000, na hipótese de que trata o inciso XVII do art. 9" da Lei n° 9.317, de 1996, Art, 279. A pessoa jurídica excluída do SIMPLES sujeitarseá, a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral." (grifamos) Extraise precisamente das normas legais encimadas que as empresas optantes pelo SIMPLES somente serão excluídas desse regime de tributação após Ato Declaratório da então Secretaria da Receita Federal (artigo 15, § 3 0, da Lei n° 9.317/1996, c/e artigo 277 da IN n" 100), passando a surtir efeitos, para fins previdenciários, "a partir da data em que se processarem os efeitos da exclusão às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral". As determinações contidas nos dispositivos legais supra não implicam dizer que a então Secretaria da Receita Previdenciária não poderia fiscalizar as empresas optantes pelo SIMPLES. Ao contrário? Incumbia, igualmente, ao INSS fiscalizar empresas inscritas no SIMPLES. No entanto, caso constatasse alguma irregularidade nos requisitos do regime de tributação, somente lhe competia representar à Secretaria da Receita Federal e não desconsiderar de oficio a inscrição, ainda que por via transversa Fl. 1492DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 (desconsideração da personalidade jurídica), como se verifica do artigo 15, § 4°, da Lei n° 9.317/96, que assim prescreve: "§ 4' Os órgãos de fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social ou de qualquer entidade conveniente deverão representar à Secretaria da Receita Federal se, no exercício de suas atividades fiscalizadoras, constatarem hipótese de exclusão obrigatória do SIMPLES, em conformidade com o disposto no inciso II do art 13" sentido: Por seu turno, a Instrução Normativa INSS/DC n° 100 dispõe no mesmo sentido: "Art. 282. Constatada a ocorrência de qualquer hipótese de vedação ou de exclusão obrigatória do SIMPLES, prevista na Lei 9317 de 1996, será emitida a Representação Administrativa (RA), conforme previsto no art. 633, que será encaminhada à Secretaria da Receita Federal (SRF) circunscricionante da empresa," Sendo assim, não há como desconsiderar as contribuições recolhidas de forma unificada pelo SIMPLES, antes da exclusão ser declarada pela Secretaria da Receita Federal. A própria IN INSS/DC ri° 100, em seu artigo 278, vincula os efeitos em relação as obrigações previdenciárias à declaração de exclusão do SIMPLES, como demonstrado acima. Verificase, que os procedimentos para exclusão das empresas optantes pelo SIMPLES encontramse previstos em Lei especifica (9317), bem como em Instruções Normativas, as quais vinculam as autoridades fiscais. Vêse, pois, que a própria autoridade fazendária arquitetou os procedimentos a serem adotados por ocasião da exclusão das pessoas jurídicas daquele regime de tributação e, bem assim, os seus efeitos, não podendo a fiscalização atropelálos com o fito de se exigir tributos, sob pena de nulidade do feito, como se vislumbra no caso vertente, [...] Por tais razões, verificase a nulidade do procedimento adotado na presente NFLD, pois houve o lançamento de contribuições sociais englobadas pelo pagamento unificado do SIMPLES, antes mesmo da declaração de exclusão das empresas inscritas pelo órgão competente, no caso a Secretaria da Receita Federal, Conforme apontado no resultado da diligência efetuada, nem mesmo existe em face da empresa DUPLASTIC o Ato Declaratório Executivo lavrado pela autoridade competente. Por fim, cumpre apontar que o próprio resultado da diligência confirma aquilo o que esposado voto adotado como razões de decidir, no sentido de que para regularizar a situação, basta que os fundamentos utilizados na caracterização da simulação sejam utilizados pelo fiscal competente para emitir em face da empresa DUPLASTIC o competente ADE. Em razão do exposto, voto no sentido de acolher de ofício a preliminar e declarar a nulidade do lançamento efetuado. Fl. 1493DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000153/200781 Acórdão n.º 2402002.150 S2C4T2 Fl. 1.169 15 MÉRITO Antes mesmo de adentrar a análise dos recursos, alguns esclarecimentos merecem ser realizados. Conforme já fora relatado, no presente processo foram três os fatos geradores das contribuições objeto de cobrança: (i) foram lançadas as contribuições destinadas a terceiros incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais incluídos na folha de pagamentos da empresa NOVAPLAST, (ii) quanto a segurados da empresa DUPLASTIC, empresa incluída no SIMPLES, que a fiscalização entendeu ter sido constituída para fins de simulação e que vinha sendo utilizada pela NOVAPLAST como meio de furtarse ao pagamento de contribuições previdenciárias e (iii) contribuições incidentes sobre pagamentos efetuados a cooperativas, tanto pela NOVAPLAST, quanto pela DUPLASTIC. Logo, há de se esclarecer que assim foram apontados no relatório fiscal os motivos pelos quais a fiscalização achou por bem caracterizar o grupo econômico, em razão da verificação do controle estar sendo efetivado por um único sócio, para fins de que fosse efetuado o lançamento das contribuições sociais tidas por devidas: Além das sociedades acima citadas, também se revestem na condição de responsável pelo crédito tributário, por serem integrantes do mesmo grupo econômico, a Dublack Indústria e Comércio de Malhas Ltda., Têxtil Ligasul Ltda. EPP, Waga Têxtil Ltda. EPP, Fibra Brasil Têxtil Ltda. EPP, Facitex Indústria e Comércio de Confecções Ltda., Novitex Indústria Têxtil Ltda. ME e lhana Têxtil Ltda., conforme se. demonstra abaixo. Essas empresas são geridas pela mesma pessoa: o Sr° Wanderlei Pedrini, que detém o controle de todas, embora não admitido formalmente, o qual tem o poder de dispor gratuitamente de empregados e do patrimônio de uma empresa em beneficio de outra [...] Também foi constatado que todas as sociedades elencadas são administradas pela mesma pessoa: Sr. Wanderlei Pedrini. Este fato é confirmado pela sua assinatura 411 em quase todos os documentos das empresas, inclusive cheques, pelos memorandos expedidos e pela semelhança dos procedimentos administrativos adotados por ambas. Os documentos que comprovam o que se aqui expõe são arrolados no Anexo IV deste Relatório. [...] Verificouse, por intermédio da análise dos contratos sociais, que a Dublack e a Novaplast apresentam sócios em comum. Atualmente, constam como sócios da Duplastic, Ligasul, Waga, Fibra Brasil, Facitex, Novitex e lhana empregados de fato da Dublack, porém o verdadeiro sócio é o Sr. Wanderlei Pedrini. Fl. 1494DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 Essas constatações foram feitas em procedimento fiscal especifico em cada uma dessas empresas. Em complemento, também foi demonstrado um histórico da evolução do quadro societário das empresas, demonstrandose que seus sócios eram empregados de uma das empresas controladas pelo sócio da NOVAPLAST. Logo, da análise dos recursos interpostos cumprenos verificar se foram trazidos aos autos elementos de fato e direito que tenham o condão de afastar os argumentos expostos pela fiscalização no relatório fiscal apoiados na farta documentação que ensejou referidas conclusões. Oportuno pontuarmos que auditoria fiscal abrangeu todas as empresas do grupo econômico liderado pelo dirigente da Novaplast, o Sr. Wanderlei Pedrini, que, como já citado, veio a ser considerado diretor da empresa Dublack e Duplastic e sócio de fato das demais empresas citados. Da uma análise dos recursos impetrados, verificase que a sua redação é praticamente a mesma e os pontos de insurgência possuem identidades na argumentação, de modo que, entendo que a análise de todos resumese em não existir qualquer relação entre as empresas citadas; que o fato do Sr. Pedrini figurar como sócio da Novaplast e também da Dublack, por si só, não é suficiente para configurar um grupo econômico; que trabalham em ramos diferentes, possuem endereços diversos e empregados próprios; concluindo que se tratam de empresas autônomas. Dos recursos fica claro, também que todas as empresas de fato são ligadas entre si e consideraramse reciprocamente como melhores e principais fornecedoras de produtos, de prestadoras de serviços, sendo que em casos prestam serviços exclusivamente uma para as outras, o que a seu ver justifica a identidade de procedimentos adotados, festas em comum dos funcionários, dentre outros pontos de menor relevância. Ao contrário do que pretenderam demonstrar, da narrativa das defesas apresentadas depreendese, à exclusão da questão de unicidade do controle, que será analisada a frente, que os argumentos ao invés de afastarem as ponderações da fiscalização, parecem fortalecêlas, na medida em que fica confirmado que as empresas, apesar de em alguns casos estarem em municípios diversos, possuem proximidade mais do que simplesmente comercial e que de fato possuem como sócios em comum. Sobre o assunto assim ponderou o v. acórdão recorrido fls. 980; Os argumentos das impugnantes sobre a não existência de um grupo econômico, de fato, formado entre a impugnante/notificada e as empresas solidárias, não merecem prosperar, pois não desmontam, por qualquer meio de prova, os fundamentos trazidos aos autos pela auditoria fiscal. No caso em comento, temos a considerar que é o conjunto de fatos • trazidos pela fiscalização que reflete a verdadeira realidade do funcionamento das empresas e o interrelacionamento entre estas, enquadrando devidamente as empresas no conceito de grupo econômico, e não a mera formalidade dos atos constitutivos ou empresariais, conforme retratam as impugnantes. As irnpugnantes apresentam documentos formais, tais como contratos, certidões, registros, notas fiscais, dentre outros. Fl. 1495DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000153/200781 Acórdão n.º 2402002.150 S2C4T2 Fl. 1.170 17 Todavia, tais documentos apenas refletem os fatos tais como se apresentam na superfície. Por seu turno, a fiscalização vai além, trazendo à tona inúmeros fatos e documentos que demonstram como as empresas realmente interagem, através de seus diretores e funcionários, funcionando como várias células coesas formando a unidade que restou caracterizada como um verdadeiro grupo econômico, de fato, sob a coordenação do Sr. Pedrini, sócio da Dublack e da Novaplast. Com efeito, a fiscalização verificou que o quadro societário das empresas. solidárias eram constituídos por exempregados da empresa Dublack, sendo geridas pela pessoa do Sr. Pedrini, conforme já relatado, sócio formal das empresas Novaplast e Dublack. 411 Este fato é confirmado pela assinatura em quase todos os documentos das empresas, inclusive cheques, memorandos, bem como pela semelhança dos procedimentos administrativos adotados por todas as empresas. A fiscalização constatou, ainda, que os diretores e empregados das empresas solidárias, bem como todo o funcionamento das empresas, submetiamse ao controle e à direção da Dublack. Quanto aos demais procedimentos, contábeis, financeiros, fiscais e formais das solidárias, conforme demonstrado nos autos, tornouse evidente a interrelação existente entre todas as empresas. Não se discute os aspectos formais das empresas, que possuem localizações distintas, com algumas exceções; tampouco se discute a veracidade dos diversos documentos formais tais como certidões de prefeitura, contratos sociais, dentre outros. O que se buscou, na auditoria fiscal, foi demonstrar a interação entre as empresas no sentido de enquadrálas como componentes de um grupo econômico, situação que, de fato, restou caracterizada. Diante de tais argumentos, os quais de fato possuem comprovação documental juntada aos autos pela fiscalização, realmente fica comprovado que o controle de todas as empresas era comum e realizado pelo Sr. Wanderlei Pedrini Dessa forma, em que pesem os argumentos da recorrente, para que esteja configurada a existência de um grupo econômico, a questão que se considera relevante, no caso da mais moderna jurisprudência, para fins tributários, não é a simples e mera existência de um sócio em comum, mas sim a existência de pessoa comum a todas que sobre elas e que possua poder central de decisão estratégica, mesmo que não participe rotineiramente das decisões usuais para o exercício do objeto social das empresas envolvidas. No caso dos autos, a figura do controlador em comum, o Sr. Wanderlei Pedrini não se resume, especificadamente a decisões estratégicas do grupo, mas ao contrário, conforme restou demonstrado, por diversas vezes questões rotineiras e usuais são decididas e assinadas pelo mesmo, como o caso de contratações ou dispensas de funcionários, assintura de cheques, ou mesmo do pagamento de tributos, em empresas que sequer o mesmo é sócio. Ou seja, além de possuir o comando centralizado e rotineiro/localizado de todas as pessoas jurídicas indicadas no relatório fiscal, restou comprovado que todas as empresas exercem uma parcela de atividade que vai resultar num interresse comum das empresas principais, pois são Fl. 1496DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 empresas terceirizadas e que participam de etapas da produção dos objeto social das empresas NOVAPLAST, DUPLASTIC E DUBLACK. Ou seja, no plano fático, as empresas são formalmente distintas mas atuam sob comando único e compartilhando funcionários e locais de trabalho, estando, a meu ver, justificada a ação do fisco em configurar a existência do grupo econômico., com supedâneo no art. 30, IX da Lei 8.212/91, a seguir: “Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Desta feita, cumprenos apontar que a NOVAPLAST, seja em sua impugnação ou recurso apresentado, apenas impugnou diretamente o lançamento sob o argumento de que alguns valores que haviam sido recolhidos a título de saláriomaternidade foram desconsiderados pela fiscalização, devendo, portanto, ser revisto o lançamento, além de que os fatos geradores foram obtidos das próprias declarações prestadas pela mesma em GFIP, situação que configura o reconhecimento da dívida. Logo, o lançamento efetuado arrimase na legislação que rege a atuação da fiscalização e verificase que as alegações de recurso voluntário não atacam os demais pontos da atuação, senão o fato de que não houve formação do grupo econômico, tendo deixado de impugnar expressamente as demais rubricas lançadas e constantes do relatório fiscal. Por tais motivos, mercê ser mantido o lançamento. Não obstante, em razão do pagamento unificado preconizado pela legislação do SIMPLES incluir recolhimentos a título de contribuições previdenciárias da cota patronal, tais recolhimentos caso efetivamente existam e tenham sido realizados na empresa DUPLASTIC, deverão ser considerados para abatimento dos valores objeto do presente lançamento. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PARCIAL PROVIMENTO aos recursos apenas para que os pagamentos efetuados pela empresa DUPLASTIC na sistemática do SIMPLES, a título de contribuições previdenciárias patronais, sejam aproveitados no presente lançamento. É como voto. Igor Araújo Soares Fl. 1497DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000153/200781 Acórdão n.º 2402002.150 S2C4T2 Fl. 1.171 19 Voto Vencedor Ouso divergir do Conselheiro Relator quanto ao seu entendimento a respeito da nulidade em razão da inexistência de ADE – Ato Declaratório de Exclusão do SIMPLES/ SIMPLES NACIONAL da empresa Duplastic Plásticos Ltda. Inicialmente cumpre destacar que a situação da presente autuação não se confunde com o lançamento de contribuições patronais contra empresas optantes pelo SIMPLES que, por alguma razão, foram consideradas inaptas a aderirem ao referido programa. De fato, nestes casos, considerando a Secretaria da Receita Federal do Brasil que a empresa não cumpriu algum dos requisitos para participar do SIMPLES, deve proceder à emissão do Ato Declaratório de Exclusão, o qual pode ser objeto de contestação por parte do contribuinte. É certo também que se o contribuinte entende por contestar a exclusão do sistema proposta pelo órgão tem o direito de recorrer da decisão e o ato de exclusão pode vir a ser apreciado no âmbito deste Conselho, no caso, pela Primeira Seção do CARF. No entanto, não é a situação que se vislumbra nos autos. A auditoria fiscal observou que a empresa Novaplast Ltda utilizouse do subterfúgio de manter a quase totalidade de seus empregados, para empresa beneficiária do SIMPLES (DUPLASTIC), embora a prestação dos serviços continuasse sendo efetuada para empresa NOVAPLAST. Com base em vários fatos apresentados no Relatório Fiscal, a auditoria fiscal entendeu que houve uma simulação em que os empregados eram formalmente registrados na empresa DUPLASTIC, mas prestavam serviços para a NOVAPLAST. Em vista dos fatos, a auditoria fiscal entendeu por desconsiderar o vínculo formal dos empregados com as empresas DUPLASTIC, para que estes fossem de fato considerados como empregados da empresa NOVAPLAST, esta não optante do SIMPLES. Além disso, a auditoria fiscal caracterizou a existência de grupo econômico de fato entre as empresas Novaplast Ltda, Duplastic Plásticos Ltda, Dublack Indústria e Comércio de Malhas Ltda., Têxtil Ligasul Ltda. EPP, Waga Têxtil Ltda. EPP, Fibra Brasil Têxtil Ltda. EPP, Facitex Indústria e Comércio de Confecções Ltda, Novitex Indústria Têxtil Ltda. ME, Iriana Têxtil Ltda. Nesse sentido, como o lançamento se deu contra a empresa Novaplast Ltda, não optante pelo SIMPLES, não se vislumbra a necessidade de que o lançamento seja precedido da exclusão da empresa Duplastic Plásticos Ltda do referido sistema de tributação. Asseverese que o trabalho da auditoria fiscal não teve por escopo analisar se haveria ou não o cumprimento dos requisitos para a permanência da empresa DUPLASTIC No SIMPLES, até porque nada impede que as mesmas permaneçam incluídas no sistema. Fl. 1498DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 O que não é possível é a utilização da empresa DUPLASTIC como empresa interposta, ou seja, mantendo vínculos formais de emprego com empregados, de fato vinculados à empresa NOVAPLAST. Cumpre ressaltar que a matéria objeto da presente autuação já foi julgada no âmbito desta 4ª Câmara anteriormente nos processos abaixo, cujo colegiado não entendeu ser necessária a prévia exclusão das empresas interpostas do SIMPLES como condição para a realização do lançamento. Processo 13963.000850/200756 – Recurso 154545 – Confecções Roscel Ltda – Acórdão nº 2401.00056 – Provimento Parcial apenas para reconhecer decadência A recorrente também alega que a fiscalização previdenciária seria incompetente para fiscalizar empresas optantes pelo SIMPLES, cuja competência pertenceria a então Secretaria da Receita Federal. Aduz que ao desconsiderar a opção pelo SIMPLES efetuada pela empresa Roscel Indústria do Vestuário Ltda, os auditores fiscais da Previdência Social invadiram campo no qual não lhes compete atuar. Cumpre esclarecer que a auditoria fiscal não efetuou a exclusão da empresa Roscel Indústria do Vestuário Ltda do SIMPLES, apenas considerou que a verdadeira relação trabalhista dos empregados ocorre com a empresa Confecções Roscel Ltda e esta não está contemplada com o regime de tributação diferenciada do SIMPLES. Processo 35349.001603/200676 – Recurso: 144788 – Lunender S/A – Acórdão nº 20600.279 – Negado Provimento ao Recurso A notificada sustenta que o Sr. AFPS, ao entender que as empresas de facção não poderiam aderir ao SIMPLES, deveria ter agido de acordo com os arts. 9, 12 a 17, da Lei n°9.317/96 e que, por não possuir competência para excluir as empresas do SIMPLES, o AFPS "optou" ilegalmente por exigir o recolhimento das contribuições patronais em questão. De fato, a Previdência Social não detém a competência para excluir empresa do SIMPLES, mas possui a competência para representar junto à Receita Federal caso fosse constatada algumas das hipóteses de exclusão do referido art. 9°. Contudo, tal procedimento não foi necessário face à constatação, pela auditoria, de que as pessoas envolvidas na prestação de serviço são, em verdade, empregadas da recorrente. Como já exaustivamente exposto acima, não houve a "opção", como entendeu equivocadamente a notificada, já que a atividade administrativa é plenamente vinculada e na Administração Pública não há liberdade nem vontade pessoal. Processo 13971.001971/200716 – Recurso: 255403 – Helli Brasil Indústria do Vestuário Ltda – Acórdão nº 2402001.462 – Negado Provimento ao Recurso A presente discussão temo como ponto central a caracterização de vínculo empregatício entre os funcionários das empresas Niágara Têxtil Ltda. EPP, All Basic Confecções Ltda. ME e Fl. 1499DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11474.000153/200781 Acórdão n.º 2402002.150 S2C4T2 Fl. 1.172 21 Alfremar Confecções Ltda. EPP (optantes do SIMPLES) e a Recorrente, tendo em vista as práticas realizadas com a finalidade de dissimular a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. (...) Pelas razões expostas, manifestome por afastar a preliminar de nulidade apresentada. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 1500DF CARF MF Emitido em 27/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/12/2011 por IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 14/12/2011 p or IGOR ARAUJO SOARES, Assinado digitalmente em 20/12/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalm ente em 27/12/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.905206/2008-51
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3403-000.333
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Antonio Carlos Atulim – Presidente Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Raquel Motta Brandão Minatel e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Cuidase, na espécie, de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação, relativo ao PER/DCOMP 12499.88265.090604.1.3.049891, em virtude de direito de crédito integralmente alocado a outro débito de titularidade do contribuinte. Em manifestação de inconformidade o contribuinte esclareceu que o indébito decorreu de indevida tributação de comissões sobre vendas diretas do fabricante/montadora à base de cálculo da Cofins, eis que a alíquota respectiva fora reduzida a zero (art. 2º, § 2º da Lei nº 10.485/02). Foram juntadas cópias do DARF, DCTF, DIPJ e livro razão contábil. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10980.905206/200851 Resolução n.º 340300.333 S3C4T3 Fl. 2 2 A DRJ Curitiba/PR julgou o recurso improcedente ao argumento que a DCTF e DIPJ respectivas foram retificadas somente após a ciência do despacho decisório, para ajustaremse às alegações deduzidas, além de inexistir prova nos autos que corroborasse os argumentos apresentados. Em recurso voluntário o contribuinte asseverou a questão fática; sustentou a inobservância dos princípios da legalidade, informalismo moderado, proporcionalidade, razoabilidade e verdade material; requereu a realização de diligência fiscal; justificou as retificações realizadas e, para reafirmar o seu direito, acostou planilhas de apuração do tributo, cópias do razão contábil e balancete analítico. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso protocolado é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Examinando a situação em debate, observei que o fundamento inicial da não homologação da compensação realizada se lastreou em uma suposta utilização do direito creditório para “quitação” de outros tributos, de forma tal que não haveria saldo disponível para a compensação realizada. Notei, também, que a Administração Tributária em momento algum contestou diretamente a existência do crédito vindicado. A meu sentir os princípios da oficialidade, do informalismo moderado e, principalmente, da verdade material impõem bem mais do processo administrativo fiscal que simples exames fundados em verificações automáticas de sistema, a partir de declarações prestadas pelo contribuinte, sem qualquer participação das autoridades administrativas, que sequer assinam o despacho decisório, porquanto validado por meio de chancela eletrônica. Não se deseja, aqui, ser refratário à modernidade ou às inovações tecnológicas, porém, no caso vertente não houve um único procedimento fiscal tendente a investigar a ocorrência, fundandose o indeferimento combatido eminentemente em questões de natureza formal, sem qualquer averiguação de ordem material. Esta turma julgadora tem reiteradamente decidido que nestas situações, desde que a peça recursal se faça acompanhar de início razoável de prova, como no caso vertente, que o julgamento deve ser convertido em diligência para análise da procedência do direito invocado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: a) Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10980.905206/200851 Resolução n.º 340300.333 S3C4T3 Fl. 3 3 b) Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, d) Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Robson José Bayerl Fl. 99DF CARF MF Impresso em 06/07/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 05/07/2012 p or ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 04/07/2012 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 13011.000104/2005-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 27 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1101-000.019
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, ALEXANDRE ANDRADE LIMA DA FONTE FILHO - Vice-Presidente no exercicio da Presidência, dth (21 EY)ELI PEREIRA BESSA - Relatora EDITADO EM: 11/02/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice-Presidente), Carlos Eduardo de Almeida Gum eiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva, Marcos Vinícius Barros Ottoni (suplente convdcado) e Plinio Rodrigues Lima (suplente convocado). Ausente, por afastamento legal, o Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (Presidente). Relatório CREDI IMPERIAL DESENVOLVIMENTO MERCANTIL LTDA EPP, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federai de Julgamento de Juiz de Fora/MG, que por unanimidade de votos, INDEFERIU manifestação de inconformidade interposta contra indeferimento de inclusão retroativa no SIMPLES Federal Em 09103/2005 a interessada apresentou pedido de inclusão no SIMPLES Federal assim motivado: 1. Em fever eira de 2004. fbi cobrado pela AGM . débito relativo a IRPJ e CSLL relativo ao 4° periodo de 1.999. Encaminhamos oficio aquela repartição informando que houve erro de fato no preenchimento da DIPJ/99, informando o valor correto da receita daquele ti imestre e os valores dos impostos devidos e que fossem efetuadas as devidas cor regões junto a Secretaria da Receita Federal; 2. Quando do pedido de enquadramento no Simples, enz janeiro passado, a opção pelo Simples foi vedada tendo como motivo: empresa com pendências junto a PGFN 3 Deslocamo-nos ate.? a PGFN em Varginha, onde encontravam-se pendentes, den: daquelas já descritas no item I, acima, outras duas colnanças, indevidas, as quais também foram objeto de Pedido de Revisão de Débitos Inscrito em Divida .Ativa da União, poise tratar de erro de fato no preenchimento da DIPJ conforme já exposto acima. 4. Cabe tes.saltar que a solicitação da correção, feita em março/2004 ainda não foi efetuada e o motivo alegado pelo atendente daquela autarquia foi de clue é por falta física (de funcionários:). 5. Assim sendo, solicitamos seja a empresa em tela enquadrada de oficio no Simples, uma vez que a mesma preenche TODOS os requisitos dispostos no ordenamento jurídico e normativo para seu enquadramento e não pode ser penalizada por problemas interims da PCFN Analisando a situação da contribuinte, a autoridade administrativa da DRE/Varginha identificou outras duas inscrições em Divida Ativa da União, datadas de 09/12/2003, as quais se mantinham na situação "ativa". Por esta razão, o pedido da contribuinte foi indeferido. A interessada manifestou sua inconformidade alegado, segundo relato contido na decisão recorrida, que: I) Depois do indeferimento de seu pedido, procurou a PGFN e verificou que não procedei -ant à analise do seu pedido de revisão de 08/03/2004 e ainda constataram outras duas pendências; 2) Não Odra conhecimento dessas novas pendências que provinham de erro no preenchimento de DCTF, tuna vez que deixou de informar dedução de 1/3 da Cofins de débito de CSLL Preencheu Pedido de Revisão por ser também essa cobrança totalmente indevida, 3) 0 inciso XV do artigo 9° é no mínimo discrepante, uma vez que enquanto não houver apt ceia cão do pedido de revisão de suposta divida ativa, não poderá optar pelo Simples 2 Plocesso n" 13011 000104/2005-50 SI-CIT 1 Acórcliio n." 1101-00,019 F1 2 A Turma Julgadora rejeitou estas alegações argumentando que: Resta estampado que, no presente caso, em conformidade com a legislação supra, a empresa não poderia exercer sua opção pelo SIMPLES para o ano-calendário de 2004, por incidir em expressa vedação à opção, qual sejd inscrição em Divida Ativa da Unido, cuja exigibi Made não se encont, a suspensa 0 reclamante alega que as inscrições SOO indevidas, protocolou pedido de revisão dos débitos inscritos, em 27/01/200.5, para algumas inscrições e novamente cipós ciência do despacho deli. 3.2 para outros débitos Ocorre que, enquanto persistirent as inscrições sem suspensão de exigibilidade, também persiste a vedação legal à opção pelo Simples e não cabe a essa autoridade administrativa decidir; nesse processo, sobre a validade ou não das aludidas inscrições A lei é clara e não há discrepfincia em seu texto. Parece que houve inércia cla empresa que somente após o indeferimento de seu pedido procurou sanar suas pendências, quando essay pendências teriam que estar resolvidas antes do exercício da opção pelo Simples, como definido em lei. Por outro lado, o pedido de revisão do crédito tributário inscrito em Divida Ativa não é hipótese de suspensão da exigibilidade União. Cientificada da decisão de primeira instância cm 15/09/2008 (fl. 47), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 26/09/2008 (ifs. 48/53), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade/impugnação. Relata que foi excluida do SIMPLES com efeitos retroativos a 31/12/2001, mas promoveu sua regularização fiscal perante a Secretaria da Estadual. Seguiu-se, então, cobrança de tributos pela PGFN em fevereiro/2004, contra a qual apresentou pedido de revisão de débitos em 08/03/2004, cuja apreciação não havia se verificado até janeiro/2005, quando cio pedido de nova inclusão no SIMPLES, resultando na inadmissibilidade deste. Em consulta junto ri PGFN, a contribuinte teria constatado outras 2 (duas) novas pendencias, que também resultariam de erro de fato, e para as quais foram apresentados os correspondentes pedidos de revisão. Alem disso, questionando atendente daquela repartição em 27/01/2005, soube que a não revisão do pedido anterior decorreria da falta de RECURSOS FiS1COS para tal procedimento. Reproduz texto doutrinário acerca desta situação verificada em outros casos concretos, e destaca que a demora na revisão destes débitos impede a sua opção pela tributação na sistemática do SIMPLES. Acrescenta que postetiormente ao Despacho Fundamentado n° 245/2005, de 16 de maio de 2.005 os débitos em questão, relativos as cobranças indevidas permaneceram no banco de dados da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. E, especificamente, aduz: Segue anexo ao RECURSO, cópia de pedido de parcelamento junto a Procurador ia da Fazenda, onde pode ser verificado que ainda encontra-se pendente debito inscrito em divida ativa, relativo ao IRPI (inscrito sob n° 60.2 03 009681-72). A inscrição n° 60.6.03 030749-70 referente a Contribuição Social si Lucro Liquido relativo a mesma base de aikido foi BAIXADA pela Receita Receita Fede aie o 1RPJ ainda continua con; a inscrição ativa. Pergunta-se- Se os dois tributos, cobrados indevidamente, os quais pertencem a mesma base de cálculo por que somente o tributo denominado Contribuição Social ,foi baixado e o IRPJ não? O g13 pedido foi requerido ern 08 de março de 2.004 e (pond° foi efetivada a baixa? Os comprovantes referente ao err() de fato no pr eenchimento da DCTF do segundo e quarto trimestres, protocolados em 28/01/2005, referente as inset ições n's 60,6,04.016269-69 e 60 6 04 006893-20, confbrme Pedido de Revisão de Débilos. Inscritos em Divida Ativa da União, protocolados em 28/05/2005, quando foram baixados os referidos tributos? Ora, Doutos Julgadores, como esta empresa poderia reenquadrar como optante do SIMPLES se tais inscrições de débito junto a Procuradoria da Fazenda ainda se encontravam ativas? É de conhecimento goal que a partir do pedido de parcelamento de débito inscrito em divida ativa implica em confissão irretratável da divida e tal procedimento não poderia ser feito em virtude do total deseabimento da cobrança em tela. Pede, assim, o deferimento de seu pedido, detem minado -se, pot conseqiiência, o reenquaclramento junto ao Simples, retroativo a 01/01/2004. É o ielatólio. 4 Processo rin 13011.000104/2005-50 SI -Cli1 Acôrd5o n.° 1101 -00.019 Fl 3 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A inclusão pretendida pela recorrente, e analisada em 19/01/2005 (IL 02), não foi inicialmente admitida em razão da existência de débitos inscritos em Divida Ativa da União sob n's 60.6.04.016269-69 e 60.6.04.006893-20. 0 indeferimento do pedido de inclusão retroativa, apresentado em 09/03/2005, fundamentou-se não só no fato de tais inscrições pennanecerern ativas, como também na existência de duas outras inscrições, datadas de 09/12/2003, sob ifs 60.2.03.009681-72 e 60.6.03.0.30749-70. Relativamente as duas primeiras inscrições, consta prova nos autos de que foi pleiteada sua revisão em 28/01/2005, em razão de erro de fato: tratar-se-iam de débitos de CSLL apurados no 2' e no 4' trimestres de 1999, relativamente aos quais a contribuinte teria informado o valor total do débito apurado, antes da dedução de 1/3 da COFINS efetivamente recolhida. (fls. 04/09). Quanta as duas outras inscrições datadas de 09/12/2003, a contribuinte demonstra que em 08/03/2004 pleiteou também sua revisão por erro dc fato: tratar-se-iam de débitos de IRPJ e CSLL declarados no 40 trimestre de 1998, apurados indevidamente a partir da receita acumulada dos 3' e 40 trimestre de 1998 (fl. 10). O extrato de ti. 26/31 confirma que cm 10/05/2005 tais inscrições permaneciam na situação ATIVA NÃO AJUIZÁVEL EM RAZÁO DO VALOR, fundamentando o indeferimento da inclusão da contribuinte, o qual lhe foi cientificado em 18/05/2005. Assim, equivocou-se a autoridade julgadora quando afirmou que o pedido de revisão das inscrições em Divida Ativa da Unido datadas de 09/12/200.3 teria sido protocolado depois do despacho decisório de fl 32. 0 carimbo aposto a este documento data de 08/03/2004. Quanto ao efeito de tais pedidos de revisão, de fato, não se constituem em hipótese de suspensão de exigibilidade, na medida em que, nos termos do art. 151 do CTN, somente têm este condão ar reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo, e inexiste process° administrativo fixado em lei para discussão de débitos confessados em declaração. Não se pode olvidar', porém, que o acúmulo destes pedidos de revisão, pendentes de análise, ensejou a edição da seguinte disposição na Lei if 11.051/2004: Art. 13. Fica a administração fazendária federal, durante o prazo de I (um) ano, contado da publicação (testa Lei, autorizada a atribuir os mesmos eft.itos previstos no art. 205 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional, It certidão quanto a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal — SRF e á divida ativa da Unido de que conste a existência de débitos em relação aos quais o interessado tenha apt esentado, ao órgão competente, pedido de revisãofrindado em alegação de pagamento integral anterior. a inscrição peiTdente da apreciação há mais de 30 (trinta) dias 5 § I" Para fins de obtenção da certidão a qua se refere o caput deste artigo, o requel imento deveiá ser instruido coin: 1 - cópia do pedido de revisão de débitos inscritos em divida ativa da União instruido com os documentos de arrecada cão da Receita Federal — DARF que comp, oven, o pagamento alegado, 11 - deck), ação firmada pelo devedor de que o pedido de le-visa° e os documentos relativos aos pagamentos referem-se aos créditos de que tratará a certidão § 2" A concessão da certidão a que se refere o copal deste artigo ado implica o deferimento do pedido de revisão . formulado 3" Serci suspenso, até o pronunciamento formal do órgão competente, o registro Ito Cadastro Informativo de Créditos Não-Ouitados do Setor Público Federal - Cadin, de que trata a Lei a" 10522, de 19 de julho de 2002, quando o devedor comprovar, nos' termos do § 1" deste artigo, a situação descrita no caput deste artigo. § 4"A eel tidãafornecida nos termos do capta deste artigo perderá sua validade com publicação, no Diário Oficial da União, do respectivo cancelamento. 5" (VETADO) § 6" A falsidade na declaração de que trata o inciso II do § I" deste m tigo implicará multa correspondente a 50% (cinqiienta por cento) do pagamento alegado, não passível de redução, sem preadzo de outras penalidades administrativas on criminais. § 7" if Procurado, ia-Geral da Fazenda Nacional - PGFN e a Secretaria da Receita Federal - SRF expedirão os was necessários ao fiel cumprimento das disposições deste ai figo. A matéria foi tratada na Portaria Conjunta PG'FN/SRF n 9 1, publicada em 21/03/2005 — momento no qual já se encontravam pendentes de análise os pedidos apresentados em 08/03/2004 e 28/01/2005 —, admitindo, naquelas circunstâncias, a emissão de Certidão com efeitos equivalentes aos daquela prevista no art. 205 do CTN. Aqui, embora a alegação apresentada pela contribuinte não se limite ao pagamento integral do débito, mas também ao erro na declaração de seu valor, de forma a eduzi-lo ao valor efetivamente pago, não é possível decidir o cabimento, ou não, da sua opção pelo SIMPLES Federal, em 2005, sem se esclarecer o que foi decidido em relação aos alegados elms . Se assim fosse, estar-se-ia negando-lhe um direito definitivamente, no âmbito administrativo, sob a incerteza da efetiva existência de créditos tributários que se encontravam inscritos em Divida Ativa da União, e sob o risco de o crio vir a ser, ou até já ter sido admitido, corn o efeito ex tuna próprio da desconstituição das relações jurídicas nas quais se constata inexistir objeto. Por tais motivos, o presente voto é no sentido de CONVERTER 0 JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que se informe a decisão proferida em face dos pedidos de revisão apresentados pela contribuinte contra as inscrições em Divida Ativa ria União de n" 60:6.04.016269-69, 60.6.04,006893-20, 60.2.03.009681-72 e 60,6.03.030749-70. A contribuinte deverá ser cientiticada destas informações, com a reabertura do prazo de 30 (trinta) dias para cornplementação de suas razões de defesa, antes da devolução dos autos para apreciação deste órgão julgador'. EDELI PEREIRA BESSA — Relatora 6
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Numero do processo: 10980.941222/2009-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Nov 18 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE.
O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação.
RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17.
Numero da decisão: 1401-005.935
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: Itamar Artur Magalhães Alves Ruga
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2004 PER/DCOMP. MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
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MODIFICAÇÃO DO OBJETO DO PLEITO. INADMISSIBILIDADE. O pedido de compensação delimita a amplitude de exame do direito creditório alegado pelo sujeito passivo quanto ao preenchimento dos requisitos de liquidez e de certeza necessários à extinção de créditos tributários. Instaurado o contencioso, não se admite que o contribuinte altere o pedido mediante a modificação do direito creditório aduzido na declaração de compensação. RECURSO VOLUNTÁRIO. REPRODUÇÃO DAS RAZÕES JÁ APRESENTADAS ANTERIORMENTE. APLICAÇÃO DO ART. 57, § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Não havendo novas razões apresentadas em segunda instância, é possível adotar o fundamento da decisão recorrida, a teor do que dispõe o art. 57, § 3º do RICARF, com redação da Portaria MF nº 329/17. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as arguições de nulidade e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 94 12 22 /2 00 9- 98 Fl. 96DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/CTA (Acórdão 06-37.351, fls. 74 e ss.) que julgou improcedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório (fls. 02 e ss.), que não homologou a compensação declarada. A recorrente indicou na DCOMP no. 36591.84793.291204.1.3.04 o crédito de R$ 1.049,22 de IRRF (código 6800) para compensar um débito de R$ 1.178,38. Em sua defesa inicial, informa a recorrente que tentou retificar a DCTF para “gerar” o crédito em comento (e- fl. 08). Aduz que “a verdade material não pode ser mitigada em face de mero erro formal no preenchimento de DCTF, já que a existência do crédito pleiteado resta amplamente demonstrada”. Em análise da manifestação de inconformidade apresentada, expôs a Autoridade Julgadora que: Verifica-se que na DCTF retificadora entregue em 28/04/2009 (ND 1000.000.2009.1740501018, às fls. 69-71) – que se encontrava ativa por ocasião da emissão de Despacho Decisório de fl. 02 e não foi posteriormente substituída – a interessada confessou um débito de R$ 31.780.668,42 de IRRF-Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento-Renda Fixa da 5ª semana de dezembro/2004, cujo valor informou ter sido quitado mediante quatro DARF’s, sendo que do de R$ 32.661.381,59 foi utilizada a parcela de R$ 31.761.743,53 (pagamento indevido ou a maior de R$ 899.638,06). [...] Em sua manifestação de inconformidade, a interessada alegou que no recolhimento de R$ 32.661.381,59 de IRRF (código de receita 6800) efetuado em 04/02/2008 foi incluído o imposto retido indevidamente de entidades assistenciais sem fins lucrativos, por ausência de cadastramento da sua condição de imune (art. 150, IV, “c”, e 195, § 7º, da Constituição Federal e art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997) no sistema de controle da recorrente. Como prova de seu direito juntou aos autos cópia de planilha totalmente ilegível à fl. 40 e extrato do dia 30/01/2004 das aplicações em fundos de investimentos efetuadas pela Associação Brasileira de Educadores LASS (fl. 41) e do Instituto Nossa Senhora do Carmo (fl. 42), mas tais documentos são insuficientes para comprovar que a retenção teria sido indevida, muito menos que seria no valor de R$ 1.049,22 de IRRF. Na sequência seguem os principais atos processuais com mais detalhes. Fl. 97DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 Do Despacho Decisório (e-fls. 02 e ss.) Segue imagem do Despacho Decisório com as informações pertinentes: Fl. 98DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 Das Informações Complementares da Análise de Crédito (efl. 03) Da Decisão de 1ª Instância (e-fls. 74 e ss.) Transcrevo relatório da decisão de piso que resume os fatos até aquele momento: Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP nº 36591.84793.291204.1.3.04-1600 (fls. 25-32), relativa à compensação do débito de R$ 1.178,38 de IRRF-Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento-Renda Fixa (código de receita 6800) da 4ª semana de dezembro/2004, com utilização do direito creditório de R$ 1.049,22 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 31/01/2004, de IRRF com código de receita 6800 do período de apuração 31/01/2004 (R$ 32.661.381,59). 2. A DRF/Curitiba, por meio do Despacho Decisório proferido em 10/12/2009 (fl. 02), não homologou a compensação declarada em face da inexistência do direito creditório, haja vista a parcela de R$ 31.732.101,99 do recolhimento efetuado em 31/01/2004 ter sido alocada ao débito de IRRF com código de receita 6800 do período de apuração 31/01/2004 e o montante de R$ 929.279,60 ter sido utilizado nas compensações declaradas nos PER/DCOMPs nºs 17396.12143.240304.1.3.04-2722, 17084.00847.240304.1.3.04-9710, 29614.65013.070404.1.3.04-3802, 35715.76661.020804.1.7.04-1891, 26758.19559.040104.1.3.04-5546 e 26959.01753.071204.1.3.04-8630. 3. Regularmente cientificada desse Despacho Decisório por via postal, em 22/12/2009 (fl. 05), a reclamante, por intermédio de seu representante legal (mandato às fls. 14-17), apresentou, em 21/01/2010, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 06-12, cujo teor é sintetizado a seguir: Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 a) argúi que o recolhimento de R$ 32.661.381,59 representa parte do débito de IRRF-6800 do período de apuração 31/01/2004; b) que após recalcular o tributo devido, constatou que o valor a ser utilizado no mencionado recolhimento corresponderia a R$ 31.731.052,77; que, por equívoco, a DCTF respectiva acabou não sendo à época retificada e o Programa Receitanet não aceita mais a transmissão de outra retificadora; c) que o recálculo do tributo se deve ao fato de haver retido indevidamente o imposto de entidades assistenciais sem fins lucrativos, por ausência de cadastramento da sua condição de imune (art. 150, IV, “c”, e 195, § 7º, da Constituição Federal e art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997) no sistema de controle da recorrente; d) que, identificado o equivoco, estornou os valores indevidamente exigidos, conforme comprovam os extratos analíticos dos clientes (fls. 40-42), nos quais consta zerada a informação de tributo retido; e) que meros erros materiais no preenchimento da DCTF original não podem culminar na negativa do direito creditório; que a verdade é que a finalidade da norma que prevê a compensação foi atingida, não se podendo colocar a forma do ato em plano superior à realidade da situação, em face da observância de diversos princípios norteadores do processo administrativo; f) requer a reforma do despacho decisório recorrido, homologando-se integralmente a compensação declarada. 4. É o relatório. Do Recurso Voluntário (fls. 82 e ss.) Irresignada, a empresa interpõe Recurso Voluntário, explica os fatos e expõe suas razões conforme principais trechos transcritos abaixo: 3. Com efeito, muito embora a Recorrente tenha demonstrado a origem do seu crédito bem como justificado a impossibilidade de retificar a DCTF de 01/2004 para in formar o crédito de IRRF pleiteado, os Eminentes Julgadores de primeira instância acabam por rejeitar a compensação, sob a premissa de que a divergência entre os valores informados em PER/DCOMP e DCTF deveria ter sido corrigida antes de proferido o despacho-decisório, o que impediria a sua homologação, pela suposta falta de oportuna comprovação do pagamento indevido. Data venia, v. acórdão recorrido olvida-se de que, apesar do equívoco na informação originalmente prestada em sua declaração de obrigações fiscais, a Contribuinte efetivamente realizou pagamento a maior ou indevido de IRRF na 5ª Semana de 01/2004, razão pela merece ser revisto por esse Eg. Colegiado. De fato, embora o preenchimento da DCTF-Original não tenha sido absolutamente perfeito quanto às informações relacionadas ao crédito, é certo, por outro lado, que a finalidade da norma que prevê a compensação foi atingida, não se podendo colocar a forma do ato em plano superior à realidade da situação, em face da observância de diversos princípios norteadores do processo administrativo (v.g. legalidade, informalismo/formalismo moderado, proporcionalidade, razoabilidade e verdade material). Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 E, mediante os esclarecimentos e documentos trazidos com a manifestação de inconformidade, a origem do crédito restou detalhadamente demonstrada, com a devida comprovação da existência do direito creditório pleiteado. Consoante já esclarecido pela Recorrente, identificado o equívoco no cálculo do IRRF, a Recorrente tentou retificar a DCTF para gerar o crédito em comento, contudo, o Programa Receitanet não aceitou a sua transmissão por entender que o prazo para tanto já havia expirado, conforme informação abaixo: [...] Portanto, a retificação da DCTF, que confirmaria, de modo cabal a higidez dos créditos decorrentes do pagamento de IRRF-6800 da 5a Semana de 01/2004, não foi levada a efeito apenas por uma impossibilidade do sistema, o que, de qualquer modo, não possui o condão de afastar a realidade dos fatos: a existência de pagamento a maior ou indevido. Ora, diante disso, constatando a inconsistência entre o crédito indicado na declaração de compensação e na DCTF, a autoridade administrativa, em observância aos princípios acima indicados deveria determinar a realização de diligência fiscal apta a verificar o quantum debeatur, e não partir para o extremo de rejeitá-la. Ainda mais em situação como a presente, em que a divergência inicialmente havida em PER/DCOMP e DCTF restou superada com as informações prestadas pela Contribuinte. A própria legislação de regência da matéria assegura à autoridade administrativa o poder/dever de condicionar o reconhecimento do crédito à apresentação de outros elementos ou à realização de diligência fiscal, tudo a fim de garantir a adequada análise (verdade material) do direito invocado pelos contribuintes. Nesse sentido, o art. 76 da Instrução Normativa RFB n° 1.300/12 dispõe: [...] Como se vê, mesmo após os elementos de prova produzidos pela contribuinte, persistindo dúvida quanto à informação do direito creditório ou inexatidão das informações prestadas, a autoridade julgadora deveria ter diligenciado no sentido de verificar, mediante exame da escrituração contábil e fiscal, o efetivo crédito a que faz jus a Recorrente. Nem se alegue, como faz a decisão recorrida, que constatada a divergência entre o crédito declarado (PER/DCOMP x DCTF) deve ser não homologada a compensação. Ora, se o rigor formal devesse imperar no âmbito dos processos de restituição ou compensação, não haveria razão de ser para a previsão de diligência fiscal trazida pelas IN/RFB nos 900/08 e 1.300/12 (arts. 65 e 76, respectivamente). É sabido que, dada a complexidade do Sistema Tributário Nacional, e as infindáveis obrigações acessórias impostas aos contribuintes, não raramente os pedidos de restituição/compensação carecem de detida verificação por parte da Receita Federal, como forma de propiciar a devida demonstração do direito creditório invocado pela parte. Tanto é assim, que diversos casos acabam sendo adequadamente solucionados somente após determinação de diligencias fiscais, a exemplo das hipóteses tratadas nos julgados do Conselho de Contribuintes abaixo citados: [...] In casu, tendo a Recorrente comprovado a existência do direito creditório, pelos esclarecimentos e documentos que acompanharam a manifestação de inconformidade, a adequada apreciação da compensação era medida que se impunha. Contudo, ao invés de diligenciar nesse sentido, averiguando a real composição do IRRF da 5a Semana de Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 01/2004, a autoridade administrativa acabou optando pela solução mais simplista e rigorosa, a não homologação do pedido. Ora, havendo dúvidas pelo julgador de origem no tocante à consistência do crédito requerido, impunha-se o dever do mesmo aprofundar a análise das informações prestadas, diligenciando na busca de outros dados. Como não o fez, é evidente que o acórdão recorrido deve ser anulado por esse Eg. Conselho, ao efeito de seja determinada a reapreciação do PER/DCOMP pela autoridade competente, com a realização das diligências fiscais pertinentes, garantindo, desse modo, a prevalência da verdade material sobre 'o rigorismo formal. Alternativamente, acaso V. Sas. entendam por bem em não anular a decisão de primeira instância administrativa, por economia processual, de qualquer modo, o presente feito deve ser baixado em diligência, como forma de propiciar os elementos necessário à verificação da verdade material no caso concreto. Ou seja, ainda que não se anule o acórdão recorrido, a diligência fiscal é medida que se impõe para a correta solução da controvérsia, o que deverá ser determinado por esse Conselho. 4. E, ainda que assim não fosse (ad argumentandum tantum), o fato do crédito indicado no PER/DCOMP não ter sido adequadamente informado na DCTF original, não induz ao indeferimento automático da compensação, como equivocadamente pretende o r. decisum recorrido. Ao contrário do que restou decidido, o simples erro (material) na indicação precisa do crédito aproveitado pela Recorrente não pode prejudicar 'a compensação efetivamente realizada, devendo prevalecer a verdade dos fatos sobre os requisitos formais. Com efeito, após todas as informações já prestadas pela Recorrente desde a sua manifestação de inconformidade, corroboradas pelos documentos acostados aos autos, a existência do crédito pleiteado é indiscutível, impondo-se a homologação da compensação discutida no presente processo. Consoante já destacado, a Recorrente informou na PER/DCOMP que o crédito seria oriundo de pagamento em DARF no valor de R$ 32.661.381,59, referente ao có- digo de receita 6800, vencimento 04/02/2004. Tal recolhimento, na realidade, representava parte do IRRF-6800 do período de apuração de 11/2008, o qual, originalmente, era composto pelo DARF acima cado e por outros pagamentos. No entanto, após recalcular o tributo devido, a Recorrente constatou que o valor a ser utilizado do mencionado recolhimento corresponderia a R$ 31.731.052,77. [...] De fato, in casu, o recálculo do tributo (IRRF) se deve ao fato de que a Recorrente acabou retendo indevidamente valores devidos por alguns de seus clientes, estornando tais pagamentos quando identificou o equívoco. As retenções indevidas dizem respeito à entidades assistenciais que não possuem fins lucrativos e que sofreram a cobrança da exação por ausência de cadastramento da sua condição de imunes no sistema de controle da Recorrente. Diz-se que a retenção foi indevida, pois as entidades beneficentes e de assistência social, apesar de realizarem operações em suas contas corrente, são imunes à exigência de IRRF, consoante o disposto nos arts. 150, VI, "c" e 195, § 7°, ambos da Constituição Federal, bem como no art. 15, da Lei n° 9.532/97, este último transcrito abaixo: [...] Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 Identificado o equívoco, a Recorrente estornou os valores indevidamente exigidos dos seus clientes, o que é comprovado pelos informes de rendimentos anexos à manifestação de inconformidade (doc. 05). De fato, os extratos analíticos dos clientes juntados ao processo, nos quais consta zerada a informação de tributo retido, comprovam os estornos dos valores indevidamente exigidos. [...] Na verdade, a Recorrente não deixou de propiciar à autoridade administrativa as informações necessárias ao conhecimento da existência de diversas obrigações tributárias suas, quando enviou eletronicamente o PER/DCOMP (o que demonstra a relevância do comportamento do contribuinte), de modo que a eventual imperfeição relacionada à forma de entrega da declaração não pode contaminar o próprio direito. A propósito, a jurisprudência desse Eg. Conselho vem, de forma pacífica e reiterada, reconhecendo que deve prevalecer a verdade material sobre a formal, bem como dado aplicabilidade, em casos como o presente, ao princípio do formalismo moderado. [...] Portanto, é certo que o simples fato de a Recorrente ter se equivocado no preenchimento da DCTF (o que foi devidamente justificado, corrigido e demonstrado no processo) não pode tornar sem efeito a compensação pretendida, tendo em vista que, na verdade, os procedimentos compensatórios foram efetivamente implementados, nos termos do art. 74 da Lei n° 9.430/96. 6. Destarte, oportuno destacar que o acolhimento da pretensão da Contribuinte não visa reduzir valores por si devidos, mas, sim, fazer prevalecer a verdade material, evitando que lhe sejam impostas cobranças indevidas, calcadas em meros erros de preenchimento de declarações. [...] Desse modo, uma vez que a não homologação da compensação se fundamenta em questões meramente formais, sem levar em conta a realidade fática que circunscreve o presente processo administrativo, a reforma do v. acórdão recorrido é medida que se impõe. 7. PELO EXPOSTO e com os suprimentos de Vossas Senhorias, a Recorrente espera seja provido o presente recurso, anulando-se o v. acórdão recorrido, a fim de que seja procedida à diligência fiscal necessária à solução da controvérsia. Subsidiariamente, acaso não anulada a decisão recorrida, com a baixa do feito em diligência ou não, a mesma deverá ser reformada por esse Eg. Conselho, ao efeito de que reste reconhecido o direito creditório da Recorrente, homologando a compensação declarada, nos termos da fundamentação antes deduzida É o relatório. Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 Voto Conselheiro Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto dele conheço. Verifica-se que, em essência, não há novos argumentos apresentados no Recurso interposto. A recorrente limitou-se a repetir as argumentações apresentadas em sua defesa exordial. Desse modo, utilizando-se a faculdade prevista no §3º do art. 57 do Regimento Interno do CARF, reproduzo as razões então expostas pelo voto condutor da Decisão de piso, o qual enfrentou adequadamente as alegações apresentadas pela interessada, cujas razões expostas adoto como minhas no presente voto Do Voto Condutor do Acórdão 06-37.351- 1ª Turma da DRJ/CTA (e-fls. 74 e ss.) 5. A interessada apresenta reclamação contra o Despacho Decisório proferido pela DRF/Curitiba, em 10/12/2009 (fl. 02), rastreamento nº 854492764, que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP nº 36591.84793.291204.1.3.04-1600 (fls. 28-32) em face da inexistência do direito creditório de R$ 1.049,22 oriundo do pagamento indevido ou a maior, em 04/02/2004, de R$ 32.661.381,59 de IRRF com código de receita 6800 do período de apuração 31/01/2004. 6. Considerando que a compensação declarada pelo sujeito passivo, na qual constam informações relativas aos créditos utilizados e aos débitos a serem compensados, extingue o crédito tributário sob condição resolutória de sua ulterior homologação, conforme disposto no art. 74, §§ 1º e 2º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, para homologação da compensação declarada nos autos é imprescindível a confirmação do direito creditório informado. 7. Verifica-se que na DCTF retificadora entregue em 28/04/2009 (ND 1000.000.2009.1740501018, às fls. 69-71) – que se encontrava ativa por ocasião da emissão de Despacho Decisório de fl. 02 e não foi posteriormente substituída – a interessada confessou um débito de R$ 31.780.668,42 de IRRF-Aplicações Financeiras em Fundos de Investimento-Renda Fixa da 5ª semana de dezembro/2004, cujo valor informou ter sido quitado mediante quatro DARF’s, sendo que de R$ 32.661.381,59 foi utilizada a parcela de R$ 31.761.743,53 (pagamento indevido ou a maior de R$ 899.638,06). 8. O Seort da DRF/Curitiba considerou ainda o DARF de R$ 29.641,54 de IRRF com código de receita 6800 recolhido em 04/02/2004 (fls. 72-73) – não relacionado nos créditos vinculados da retificadora apresentada em 28/04/2009 – e apurou um direito creditório total de R$ 929.279,60, cujo valor foi integralmente utilizado nas compensações declaradas nos PER/DCOMPs nºs 17396.12143.240304.1.3.04-2722, 17084.00847.240304.1.3.04-9710, 29614.65013.070404.1.3.04-3802, 35715.76661.020804.1.7.04-1891, 26758.19559.040104.1.3.04-5546 e 26959.01753.071204.1.3.04-8630, de modo que não remanesceu saldo algum para homologação da compensação declarada nos autos. 9. Em sua manifestação de inconformidade, a interessada alegou que no recolhimento de R$ 32.661.381,59 de IRRF (código de receita 6800) efetuado em 04/02/2008 foi incluído o imposto retido indevidamente de entidades assistenciais sem fins lucrativos, Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 por ausência de cadastramento da sua condição de imune (art. 150, IV, “c”, e 195, § 7º, da Constituição Federal e art. 15 da Lei nº 9.532, de 1997) no sistema de controle da recorrente. 10. Como prova de seu direito juntou aos autos cópia de planilha totalmente ilegível à fl. 40 e extrato do dia 30/01/2004 das aplicações em fundos de investimentos efetuadas pela Associação Brasileira de Educadores LASS (fl. 41) e do Instituto Nossa Senhora do Carmo (fl. 42), mas tais documentos são insuficientes para comprovar que a retenção teria sido indevida, muito menos que seria no valor de R$ 1.049,22 de IRRF. 11. Dessa forma, não há como se reconhecer o direito creditório pleiteado pela reclamante. Conclusão 12. Isto posto, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade. 13. É o meu voto. 14. DRJ-Curitiba/PR, em 21 de junho de 2012. Assinado digitalmente NEY KAZUO KUSAKARIBA Do pedido de diligência Não há vícios na decisão recorrida de modo a implicar em sua anulação. O crédito que se aponta em uma Declaração de Compensação deve ser líquido e certo. Não pode haver dúvidas para que se proceda a ulterior homologação da compensação. O onus probandi é do contribuinte. A compensação opera-se mediante o instituto da homologação posterior (tácita ou expressa). Ou seja, não havendo manifestação por parte da Fazenda Pública, resta extinto o débito confessado por meio da declaração, porquanto homologado tacitamente. Essa sistemática viabiliza a aplicação do instituto da compensação em milhares de casos, favorecendo milhares de contribuintes. No entanto, qualquer dúvida quanto à certeza e liquidez do crédito contra a Fazenda, a sua comprovação deve ser feita “imediatamente” pelo contribuinte. Trata-se de rito sumário, devido às suas particularidades, sob pena de sepultar sua aplicação, caso assim não o seja. Assim, entendo não ser cabível paralisar a Máquina Pública para diligenciar em situações como essa, porquanto acarretaria o colapso do sistema eletrônico de compensações, considerando o universo “gigantesco” de usuários que se atrapalham com seus recolhimentos e respectivas declarações. Com efeito, na sistemática de extinção “por ulterior homologação”, cabe ao sujeito passivo realizar a apuração, identificar seus créditos e débitos, e apresentar suas declarações, sempre amparadas por documentos — os quais devem ser apresentados de plano —, quando seu pleito for indeferido pela Fazenda. Repiso o já exposto, o ônus do fato constitutivo do seu direito é do usuário. Não deve a Fazenda Pública diligenciar em seu lugar. Desse modo, a regra é que a prova da certeza e liquidez do crédito deve ser apresentada com a defesa exordial. Em situação excepcional admite-se a juntada de novas provas (art. 16, § 4º do Decreto 70.235/72). Assim, o momento processual adequado para comprovação do crédito é com a apresentação da manifestação de inconformidade, situação em que a Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 interessada deveria ter apresentado os assentos contábeis demonstrando a exata apuração do tributo no respectivo período de apuração. Da Suspensão de Exigibilidade Requer também a recorrente: Outrossim, requer-se permaneça com a exigibilidade suspensa o crédito tributário objeto do processo de cobrança n° 10980.941751/2009-91, até o final julgamento do presente recurso, nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional. Em relação ao pedido de suspensão da exigibilidade dos débitos constantes da Declaração de Compensação em questão, conforme o disposto nos §§ 9º e 11º do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, aplica-se à manifestação de inconformidade e ao recurso voluntário o disposto no inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN, ou seja, sua apresentação suspende a exigibilidade do crédito tributário, até que ocorra o julgamento. Assim, a exigibilidade do processo de cobrança permanece suspensa enquanto houver recurso pendente de apreciação. Considerações Finais Como exposto, a recorrente não demonstrou a certeza e liquidez necessária acerca do recolhimento a maior do IRRF. Em sua defesa inicial, informa a recorrente que tentou retificar a DCTF para “gerar” o crédito em comento (e-fl. 08). No entanto, a simples retificação da DCTF, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório que denegou o direito creditório pleiteado. Reitere-se que, para a adequada aplicação da sistemática da compensação, é necessária a comprovação “de plano” da certeza e liquidez do direito creditório pleiteado Ainda, cumpre acrescentar que, para a desconsideração da confissão de dívida por erro de fato, o equívoco deve ser devidamente comprovado, sendo do sujeito passivo (assim como ocorre em relação à comprovação do indébito) o encargo probante da circunstância, (cf. art. 15 c/c art. 373, I, do CPC/15). E isto deve ser feito por intermédio de documentos robustos, especialmente dos assentamentos contábeis/fiscais do contribuinte, não sendo suficiente, por si só, como prova, a mera apresentação de DCTF retificadora, mormente quando se trata de retificação para demonstrar direito creditório pleiteado em declaração de compensação. Não há como reconhecer, neste caso, o crédito de pagamento a maior apontado pela interessada. Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-005.935 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10980.941222/2009-98 Conclusão Desta forma, voto por afastar as arguições de nulidade e no mérito NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Relator Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 19515.003890/2007-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 21 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Nov 18 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
AUTO DE INFRAÇÃO. IRRF. PAGAMENTO A RESIDENTE NO EXTERIOR. FATO GERADOR.
Não se materializa a hipótese de incidência do imposto de renda na fonte prevista no artigo 685 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), com o mero vencimento da obrigação pactuada no contrato que gerou o direito à percepção do rendimento pelo beneficiário no exterior. Neste caso, não se verifica a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda para os beneficiários.
Numero da decisão: 1401-006.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Claudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: Luiz Augusto de Souza Gonçalves
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IRRF. PAGAMENTO A RESIDENTE NO EXTERIOR. FATO GERADOR. Não se materializa a hipótese de incidência do imposto de renda na fonte prevista no artigo 685 do Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99 (Decreto nº 3000, de 26 de março de 1999), com o mero vencimento da obrigação pactuada no contrato que gerou o direito à percepção do rendimento pelo beneficiário no exterior. Neste caso, não se verifica a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda para os beneficiários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Claudio de Andrade Camerano e Daniel Ribeiro Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 38 90 /2 00 7- 14 Fl. 693DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-006.003 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003890/2007-14 Relatório Trata o presente processo de auto de infração relativo ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF) relativo a fatos geradores ocorridos nos anos-calendário de 2006, composto de principal, multa de oficio de 75% e de juros de mora vinculados, calculados até 30/11/2007, acrescido de Juros Isolados e Multa Isolada decorrente da falta de pagamento de acréscimos legais vinculados a recolhimentos de IRRF incidente sobre determinadas operações de remessas de rendimentos ao exterior ocorridos no curso dos anos calendários de 2004, 2005 e 2006. Segundo a Autoridade Fiscal, teria sido verificada a insuficiência de retenção e recolhimento do Imposto de Renda relativos aos pagamentos de diversos contratos de trabalho de artistas residentes no exterior, bem assim de recolhimentos de IRRF em datas posteriores aos vencimentos, com insuficiência de acréscimos legais, que deveriam ter sido apurados nas datas das remessas, considerando o IR vencido, desde o efetivo pagamento dos valores devidos aos artistas. Abaixo um quadro resumo dos valores apurados e exigidos da Recorrente: Irresignada com a exigência, a Recorrente apresentou a impugnação de e-fls. 468/480, através do qual aponta as seguintes alegações (conforme o Relatório da decisão recorrida, v. e-fls. 546/548): 1) Começa esclarecendo que a entidade é empresa que trabalha no ramo de produção de shows musicais, trazendo diversos grupos musicais estrangeiros para realização de apresentações no Brasil; 2) Acentua que por exigência do Ministério do Trabalho e Emprego - MTE - é celebrado contrato submetido à aprovação daquele órgão, cuja chancela é condição para que os estrangeiros possam trabalhar no Brasil; 3) Dessa forma, por exigência legal, a entidade firma os referidos contratos, e, quando aprovados, serve de base para a remessa dos cachês contratados, via instituição bancária e mediante registro no Banco Central do Brasil, assim, os cachês devidos são pagos ao agente empresarial que contrata os grupos internacionais pautados em previsão contratual. Ressalta, porém, que, em determinadas oportunidades, o pagamento dos valores devidos a titulo de cachê são efetuados posteriormente à data prevista no próprio contrato para o referido pagamento; Fl. 694DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-006.003 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003890/2007-14 4) Nesse cenário, antecipa seu inconformismo quanto às inferências que pautaram o lançamento, reclamando que, contrariamente ao que determina a legislação de regência, a AFRFB promoveu a lavratura do lançamento calcada em suposto atraso no recolhimento do IRRF, considerando indevidamente como fato gerador da obrigação tributária a data de pagamento prevista no contrato celebrado entre o grupo musical e a empresa, incluindo-se multa e juros dele decorrentes, merecendo ser cancelado; 5) Finalizada essas observações iniciais, inaugura suas arguições realçando que as partes signatárias dos contratos firmados entre a entidade e os diversos grupos musicais fixaram, de comum acordo entre elas, cada um dos itens que constam dos contratos, tais como as datas, horários, cidades e locais das apresentações artísticas, os valores, datas e formas de pagamento dos cachês artísticos, bem como as condições de repactuação ou renegociação de seus termos, entre outras previsões de obrigações de parte a parte, tudo, em conformidade com o princípio da liberdade de contratação; 6) Protesta que a ocorrência de todos os eventos contratuais transcorreram sem qualquer relação com o Fisco Federal ou com qualquer reflexo de natureza fiscal, pois nenhuma dessas atitudes configura-se em fato gerador da obrigaçao tributária; 7) No tocante à repactuação das datas para pagamento dos cachês para o exterior, circunstância que motivou a lavratura do auto de infração, assevera que as partes contratantes, ou seja, a impugnante e cada um dos grupos musicais contratados, escolheram de comum acordo as datas para pagamento dos cachês em conformidade com a conveniência notada no momento da sua formalização, assim, nada impedia que as mesmas repactuassem seus termos de outro modo, sem qualquer reflexo tributário; 8) Nesse sentido, afirma que a própria Agente Fiscal verificou que todos os pagamentos de cachês correlatos aos grupos musicais contratados foram pagos à empresa que efetua as contratações internacionais, a WATERBROTHERS, localizada nos Estados Unidos da América; 9) Ressalta que a WATERBROTHERS é a agente empresarial de shows que disponibiliza as atrações musicais para a entidade, bem como estabelece a previsão de data dos espetáculos, razão porque todos os dispêndios são destinados em benefício do próprio agente, atendendo, inclusive, os termos dos contratos celebrados. Noutro momento, é a própria WATERBROTHERS quem paga os artistas contratados, em consonância com as disponibilidades de caixa e de acordo com a conveniência de todas as partes; 10) Desse modo, assegura que não há porque se cogitar em inadimplência do contrato, mas, sim, uma repactuação entre as partes, decorrente de excelente relacionamento comercial, o que permite o envio de valores na medida das possibilidades de caixa da Impugnante e da efetiva necessidade de caixa dos grupos musicais; 11) Assinala que a repactuação de data ocorre, muitas vezes, em virtude do sucesso ou insucesso do evento, haja vista que se determinado evento acaba ficando com uma bilheteria aquém das expectativas, deixando a entidade descapitalizada, o agente internacional aposta no sucesso do próximo show, aguardando o recebimento do que lhe é devido. Noutras ocasiões, em face da WATERBROTHERS contratar os grupos musicais para apresentações em vários países do mundo, inclusive no Brasil, através de outras empresas contratantes, o agente efetua os pagamentos às Bandas, paulatinamente, de acordo com as verbas que recebe de inúmeros outros eventos Fl. 695DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-006.003 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003890/2007-14 contratados, de modo que consegue favorecer os contratantes que passam por restrições financeiras momentâneas, sem prejuízo de qualquer uma das partes, consoante se evidencia pela transcrição de comunicação de mensagem encaminhada pelo representante legal da WATERBROTHERS; 12) Assim, reclama que o pagamento, realizado pelo agente empresarial das bandas no exterior, seja em que forma e momento (anterior ou posterior) não caracteriza fato gerador de obrigação tributária no Brasil, mas, somente por ocasião da momento da remessa do pagamento ao exterior; 13) Sob esse aspecto, dando ênfase aos termos dos arts. 685 e 865 do RIR/99, entende que resta expresso pela redação dos referidos dispositivos que o fato gerador da obrigação tributária é o momento do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa de valores ao exterior, sujeitando a aplicação da alíquota de 25% (vinte e cinco por cento) nas hipóteses de pagamento de prestações de serviços, cujo vencimento do imposto é a data da ocorrência da remessa de valores ao exterior; 14) Enfatiza que, na verdade, por imposição legal, é o próprio banco quem retém o valor correspondente ao imposto e o recolhe aos cofres públicos, uma vez que os próprios contratos de câmbio firmados com a instituição bancária já especificam a previsão da retenção do IRRF e seu recolhimento; 15) Assim, depreende que a entidade agiu na mais estrita legalidade, recolhendo o imposto correspondente por meio da instituição financeira que intermediou a remessa ao exterior dos cachês artísticos para a conta do agente empresarial no exterior, conseqüentemente, recolhimento o IRRF incidente sobre a operação no próprio dia da remessa da divisa; 16) Acentua, inclusive, que a própria agente fiscal trouxe esse mesmo entendimento no Termo de Verificação (fl. 2), segundo o qual qualifica que o fato gerador do tributo ocorre na data do pagamento ou remessa ao exterior; 17) Enfim, renova suas impressões que asseguram a existência de patente equívoco nas inferências que pautaram o lançamento, uma vez que a autoridade fiscal considerou "vencido" o imposto na data de pagamento prevista no contrato firmado com cada uma das bandas estrangeiras, datas essas que foram repactuadas e prorrogadas. Aliás, destaca que tal circunstância não têm qualquer implicação tributária, mas, tão somente, repercussões entre as partes signatárias do contrato, as quais livremente estipularam as condições de prorrogação da remessa da importância relacionada aos contratos; 18) Sustenta que relativamente às remessas ainda não efetuadas, o fato gerador ocorrerá somente no momento da remessa, e o imposto será recolhido na mesma oportunidade, exatamente como reza o RIR/99, logo, defronte o fato de que as remessas ao exterior serão realizadas pela impugnante, igualmente o tributo devido será arcado no momento da sua concretização, através de retenção na fonte praticada pelo próprio banco; 19) Dessa forma, manifesta-se contrário às conclusões fundadas pela autoridade fiscal, bem como o conteúdo do quadro-demonstrativo que serviu de base para identificação da integralidade das operações de câmbio realizadas no período fiscalizado e caracterização da ocorrência de infrações passíveis de autuação, posto que a entidade cumpriu a totalidade das obrigações tributárias nas datas e valores corretos; Fl. 696DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-006.003 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003890/2007-14 20) Finalmente, protesta, ainda, o direito de produção de toda e qualquer prova que venha a ser necessária ou útil ao deslinde da questão posta na peça impugnatória, seja a realização de exames na contabilidade da sociedade, juntada de novos documentos, expedição de ofícios às instituições bancárias que realizaram as remessas de cachês ao exterior através dos contratos de câmbio sob foco, bem como quaisquer outros em direito admitidos; A impugnação foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – DRJ/SP1. A DRJ/SP1 prolatou o acórdão nº 16-25.700 – 7ª Turma em 16 de junho de 2010, v. e-fls. 542/558, cuja ementa reproduzo abaixo: Fl. 697DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-006.003 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003890/2007-14 O lançamento foi julgado parcialmente procedente pela DRJ/SP1, que afastou, tão somente, a exigência relativa à multa isolada incidente sobre o IRRF retido/pago fora do prazo. Os demais valores, abaixo elencados, foram mantidos em sua integralidade: Ainda não satisfeita com a decisão retro, a Contribuinte apresentou o recurso voluntário de e-fls. 566/578, através do qual se insurge contra a decisão recorrida adotando os mesmos fundamentos elencados por ocasião da apresentação da impugnação. Afinal, vieram os autos para a apreciação deste Conselheiro. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e sua matéria se enquadra na competência deste Colegiado, razão pela qual o mesmo deve ser conhecido. Como vimos no Relatório, a pendenga se limita, fundamentalmente, à determinação do fato gerador do Imposto de Renda Retido na Fonte - IRRF incidente sobre os pagamentos realizados a beneficiários no exterior e decorrente de serviços prestados por estes à Recorrente, no território nacional. No caso, os serviços prestados referem-se a apresentações artísticas (shows musicais) realizados no Brasil no período compreendido entre os anos de 2004 e 2006. Fl. 698DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-006.003 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003890/2007-14 Em apertada síntese, a Autoridade Fiscal considerou como fato gerador da incidência do IRRF as datas de vencimento para o pagamento dos serviços, estipulados em cada um dos contratos firmados com as bandas/grupos/artistas. No período fiscalizado, foram identificados casos de pagamentos realizados após os respectivos vencimentos estipulados nos contratos, além de valores pagos em montantes inferiores àqueles inicialmente avençados. A Recorrente se defendeu da acusação fiscal alegando que a data do fato gerador do IRRF deveria ser deslocada para o momento da remessa ao exterior dos valores pactuados, conforme o disposto nos arts. 685 e 865 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99. Quanto aos pagamentos realizados após os prazos fixados em contrato, alega ter havido repactuação entre as partes, com a intervenção, inclusive, da agenciadora no exterior, a empresa WATERBROTHERS INC. A decisão recorrida fundamentou suas conclusões, basicamente, nos seguintes pontos: 1) O fato gerador do Imposto de Renda é a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica da renda e de proventos de qualquer natureza decorrentes do acréscimo patrimonial, conforme o disposto no art. 43 do CTN, e não, simplesmente, a remessa das divisas ou a disponibilidade financeira: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I - de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II - de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1 o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (...) 2) O art. 685, do RIR/99, estabelece que o imposto será retido por ocasião do pagamento, crédito, entrega, emprego ou remessa dos rendimentos, o que primeiro vier a ocorrer. Neste ponto, discorre sobre o conceito do termo “crédito”, concluindo que o mesmo está atrelado à aquisição da disponibilidade jurídica da renda. Ao mesmo tempo, inferiu que, no caso concreto, a disponibilidade jurídica dos rendimentos estaria configurada após o termo da data limite pactuada entre a Recorrente e os representantes legais no Brasil dos grupos musicais internacionais para os quais demandariam a remessa das importâncias previstas nos respectivos contratos; 3) Portanto, o “crédito”, teria ocorrido em data anterior às remessas internacionais efetuadas, razão pela qual, o Auto de Infração não padeceria de nenhuma mácula, tendo sido acertadamente lavrado pela Autoridade Fiscal; 4) Socorreu-se dos Pareceres Normativos CST nº 140, de 25/11/1973 e nº 121, de 31/08/1973. Creio que assiste razão à Recorrente. A hipótese de incidência exige que as importâncias devidas, a título de remuneração por serviços prestados por grupos artísticos internacionais, sejam pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas aos respectivos beneficiários no exterior por fonte situada Fl. 699DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp104.htm Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-006.003 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003890/2007-14 internamente no país. São termos que denotam, claramente, o intuito do legislador em disponibilizar, ao beneficiário dos rendimentos, sem nenhum óbice ou condição, com o claro intuito de quitação, os valores decorrentes da prestação dos serviços contratados. Entretanto, muito se tem discutido no decorrer dos anos a respeito do conceito de crédito dentro do escopo da norma posta em relevo. Alguns entendem que tal conceito é alargado, abrangendo inclusive o lançamento contábil a crédito de conta de passivo que venha a refletir a assunção da dívida decorrente da prestação do serviço. No caso em apreço, tal conceito foi alargado ainda mais, abrangendo o momento em que encerrado o termo fixado contratualmente para o pagamento do serviço prestado. Com a devida vênia, não consigo enxergar desse modo, com essa mesma amplitude que, tanto a Autoridade Fiscal quanto a Autoridade Julgadora, emprestaram ao caso concreto. A chave para resolvermos a questão está no conceito de disponibilidade jurídica da renda, isso porque quanto à disponibilidade econômica (ou disponibilidade financeira) não existem maiores problemas para o seu entendimento e/ou verificação. Hugo de Brito Machado, em sua obra Curso de Direito Tributário, 19ª ed., págs. 264/265, assim dispôs sobre a disponibilidade: "não se configura pelo fato de ter o adquirente da renda ação para a sua cobrança. Não basta ser credor da renda se esta não está disponível, e a disponibilidade pressupõe ausência de obstáculos jurídicos a serem removidos. O proprietário de prédios alugados aufere renda desde o momento em que se consuma cada período, geralmente mensal, de vigência do contrato de locação. Entretanto, se o inquilino não paga, nem oferece ao locador o crédito da quantia correspondente, este não será devedor do imposto de renda, embora tenha mais do que ação, porque tem execução contra o inquilino, posto ser o contrato de locação um título executivo." Não restam dúvidas de que, prestado o serviço e vencido o prazo para o seu pagamento, os contratados pela Recorrente passaram a ter o direito à percepção do rendimento pactuado no contrato. Entretanto, para que esse direito pudesse configurar disponibilidade jurídica, seria necessário que o crédito daí resultante fosse incondicional, isto é, que o recebimento do respectivo numerário viesse a depender exclusivamente do beneficiário. Vejam o acórdão CSRF/01-0820 cuja ementa reproduzo abaixo: IRPF - DISPONIBILIDADE JURÍDICA DE RENDIMENTO CREDITADO. O crédito de rendimento só configura disponibilidade jurídica se incondicional, isto é, se o recebimento do respectivo numerário depender exclusivamente do beneficiário, o que não ocorre na hipótese de rendimento creditado por rescisão de contrato de trabalho, pendente de homologação por Sindicato, que se consumou no ano subsequente, quando então se tornou disponível para efeito de tributação. No mesmo sentido, vejam os ensinamentos da melhor doutrina: “... expressão aquisição de disponibilidade jurídica de renda. Não basta, apenas, que seja adquirido o direito de auferir o rendimento (ou a sua titularidade). É necessário que a aquisição desse direito assuma a forma de faculdade de adquirir disponibilidade econômica, mediante a tomada de iniciativa ou a prática de ato, que estejam no âmbito do arbítrio do interessado, a qualquer momento; em outras palavras, a disponibilidade jurídica não ocorre com o aperfeiçoamento do direito à percepção do rendimento, sendo, mais do que isso, Fl. 700DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-006.003 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003890/2007-14 configurada somente quando o seu recebimento em moeda ou quase-moeda dependa somente do contribuinte.” (GILBERTO ULHÔA CANTO, apud OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Fundamentos do Imposto de Renda. Quarter Latin, 2008, p. 296) “A disponibilidade econômica ocorre com o recebimento da renda, a sua incorporação ao patrimônio, a possibilidade de utilizar, gozar ou dispor dela. Por sua vez, a disponibilidade jurídica dá-se com a aquisição de um direito não sujeito a condição suspensiva, ou seja, o acréscimo ao patrimônio ainda não está economicamente disponível, mas já existe um título para o seu recebimento, como, por exemplo, os direitos de crédito (cheque, nota promissória, etc.).” (CARDOSO, Oscar Valente. A controversa incidência do imposto de renda sobre juros de mora decorrentes de condenação judicial. RDDT 153, jun/08, p. 55) Assim, em resumo, entende-se que a disponibilidade jurídica corresponde à colocação da renda ou provento à disposição do titular, sem qualquer condição ou amarra, como ocorre com o crédito em conta bancária ou com a emissão de um cheque ou outra ordem de pagamento similar, bastando ao beneficiário providenciar o saque dos respectivos valores. Portanto, no entender deste Relator, é descabida a exigência do IRRF considerando-se como momento de ocorrência do fato gerador o vencimento dos débitos contratualmente pactuados. Mesmo vencidos, os valores devidos não estavam disponíveis ao credor, carecendo da execução do próprio contrato. Pode-se concluir que, se o credor era obrigado a acionar a Recorrente, então, na verdade, o mesmo não tinha a disponibilidade dos respectivos valores. O próprio Parecer Normativo CST nº 121, de 31/08/1973, adotado pela decisão recorrida para fundamentar o respectivo voto, segue nesta direção, senão vejamos: “Claro está que o regulamento aí se refere aos créditos incondicionais, não sujeitos a termo, e, portanto, inteiramente à disposição do beneficiário, e não os condicionados ou com vencimento previamente ajustado, porque estes não estão, ainda, juridicamente, à disposição do contribuinte.” (grifei) Ademais, em se tratando de imposto de renda retido na fonte, como a própria designação do tributo sugere, além de tudo o que foi dito até agora, para que haja a retenção pela fonte pagadora deve haver disponibilidade do numerário ao credor. Com muita propriedade, o acórdão CARF nº 102-48.271, da Relatoria do Ilustre Conselheiro José Raimundo Tosta Santos, assim se manifestou no ponto: O imposto de renda na modalidade fonte, via de regra, também se orienta pelo critério da disponibilidade econômica ou efetivo recebimento do rendimento. O imposto é devido quando haja a percepção efetiva, traduzida pelos fatos jurídicos concretamente verificados, do que são exemplos as formas pelos quais o devedor da renda, ou fonte pagadora, coloca o objeto da obrigação na livre disposição do beneficiário, seja pelo crédito, pagamento, emprego, entrega ou remessa. Aliás, a própria idéia de "retenção" na fonte está a indicar que esta (a fonte), ao pagar, promoverá a subtração da parcela a ser entregue em seguida ao Fisco. Ou seja, parcela do objeto do pagamento é desviada por força da lei em prol do Poder Público." (grifei) Fl. 701DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-006.003 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003890/2007-14 Devemos nos lembrar que estamos tratando do Imposto de Renda Retido na Fonte, ou seja, incidente sobre a renda a ser auferida pelo beneficiário no exterior, decorrente dos serviços prestados por este, e retido (descontado) no ato da disponibilização dos rendimentos ao seu titular. Ora, para que haja o desconto (ou a retenção), é condição sine qua non que haja o pagamento, crédito, emprego, entrega ou a remessa do numerário, razão pela qual tem razão a Recorrente quando defende que o fato gerador, no caso em apreço, se aperfeiçoou com o fechamento do contrato de câmbio (remessa ao exterior). A favor do seu entendimento, vejam a jurisprudência deste Conselho: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF Ano-calendário: 1998 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - CRÉDITO CONTÁBIL DE JUROS - BENEFICIÁRIOS DOMICILIADOS NO EXTERIOR - AUSÊNCIA DE REMESSA EFETIVA DOS NUMERÁRIOS. Não se materializa a hipótese de incidência do imposto de renda na fonte prevista no artigo 777 do RIR/94 (Decreto-lei n° 1.041/94), quando não restar comprovada a efetiva remessa dos numerários para o exterior, mas tão-somente o crédito contábil, pelo regime de competência, dos juros contratados. Neste caso, não se verifica a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda para a empresa sediada no exterior. Recurso provido. (Acórdão nº 3301-00.098, de 01/06/2009, 1ª TO, 3ª Câmara, 3ª Seção) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — IRRF Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 IMPOSTO DE RENDA NA FONTE - CRÉDITO CONTÁBIL DE JUROS - BENEFICIÁRIOS DOMICILIADOS NO EXTERIOR - AUSÊNCIA DE REMESSA EFETIVA DOS NUMERÁRIOS. Não se materializa a hipótese de incidência do imposto de renda na fonte prevista no artigo 702 do RIR/99 (artigo 100 do Decreto-lei n° 5.844/43), quando não restar comprovada a efetiva remessa dos numerários para o exterior, mas tão-somente o crédito contábil, pelo regime de competência, dos juros contratados. Neste caso, não se verifica a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda para a empresa sediada no exterior. Recurso de oficio negado. (Acórdão nº 106-16910, de 28/05/2008, Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes) Por todo o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 702DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13609.721514/2017-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 05 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Nov 19 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2013
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.
COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. CASO EM QUE REQUER ESCLARECIMENTOS DE FORMA INDIVIDUALIZADA.
No presente caso, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Necessitaria de uma correlação individualizada entre depósitos e documentos apresentados objetivando a demonstração de que os valores depositados em sua conta, ou parte deles, eram decorrentes das transações comerciais da pessoa jurídica. A comprovação foi possível apenas de uma pequena parte dos depósitos.
MULTA QUALIFICADA. EXCLUSÃO.
Para a qualificação da multa há necessidade de comprovação da evidência da intenção dolosa exigida na lei para a penalidade aplicada, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser, minuciosamente, justificada e comprovada nos autos. Não restaram tipificadas as condutas descritas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, com o fito de justificar a qualificação da multa.
Numero da decisão: 2401-009.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por determinação do art. 19-E da Lei n° 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei n° 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 40.647,00 e excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a para 75%. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rodrigo Lopes Araújo, Gustavo Faber de Azevedo e Miriam Denise Xavier (Presidente) que davam provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão apenas para excluir a qualificação da multa de ofício.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente
(documento assinado digitalmente)
Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: Andrea Viana Arrais Egypto
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DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. CASO EM QUE REQUER ESCLARECIMENTOS DE FORMA INDIVIDUALIZADA. No presente caso, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Necessitaria de uma correlação individualizada entre depósitos e documentos apresentados objetivando a demonstração de que os valores depositados em sua conta, ou parte deles, eram decorrentes das transações comerciais da pessoa jurídica. A comprovação foi possível apenas de uma pequena parte dos depósitos. MULTA QUALIFICADA. EXCLUSÃO. Para a qualificação da multa há necessidade de comprovação da evidência da intenção dolosa exigida na lei para a penalidade aplicada, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. Assim, o lançamento da multa qualificada de 150% deve ser, minuciosamente, justificada e comprovada nos autos. Não restaram tipificadas as condutas descritas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, com o fito de justificar a qualificação da multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por determinação do art. 19-E da Lei n° 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei n° 13.988/2020, em face do empate no julgamento, dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 40.647,00 e excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a para 75%. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 72 15 14 /2 01 7- 51 Fl. 3655DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.966 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721514/2017-51 Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Rodrigo Lopes Araújo, Gustavo Faber de Azevedo e Miriam Denise Xavier (Presidente) que davam provimento parcial ao recurso voluntário em menor extensão apenas para excluir a qualificação da multa de ofício. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rodrigo Lopes Araújo, Andréa Viana Arrais Egypto, Gustavo Faber de Azevedo, Rayd Santana Ferreira, Wilderson Botto (suplente convocado) e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face da decisão da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília - DF (DRJ/BSB) que, por unanimidade de votos, julgou PROCEDENTE EM PARTE a Impugnação apresentada, conforme ementa do Acórdão nº 03-79.347 (fls. 2152/2177): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2013 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. Caracterizam-se como omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O presente processo trata do Auto de Infração - Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 1658/1665), lavrada em 18/10/2017, referente ao Exercício 2013, que apurou um Crédito Tributário no valor total de R$ 21.901.446,46, sendo R$ 7.286.152,72 de Imposto, código 2904, R$ 10.929.229,08 de Multa Proporcional, passível de redução, e R$ 3.686.064,66 de Juros de Mora, calculados até 10/2017. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 1661) foi apurada a infração de Omissão de Rendimentos Caracterizados Por Depósitos Bancários De Origem Não Comprovada conforme demonstrativo integrante do lançamento fiscal (fls. 1.695/1.714). De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 1669/1694), temos que: 1. O contribuinte deixou de entregar à fiscalização a integralidade dos extratos das contas bancárias, razão pela qual foi emitida a Requisição de Fl. 3656DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.966 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721514/2017-51 Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) para as instituição bancária (fls. 111/115 e 116/117). 2. Os depósitos bancários sem identificação da origem foram feitos nas contas mantidas no Banco Santander S/A (c/c 01.082340-5 e 01.077705- 0), sendo a última em conjunto com Paulo Roberto Avelar Silva, pai da contribuinte; 3. A autoridade fiscal também intimou o pai da contribuinte para esclarecer a origem dos créditos na conta bancária na qual ele figura co-titular; 4. Ao final dos trabalhos a omissão de rendimentos apurada na conta nº 01.077705-0 foi dividida no percentual de 50% para cada co-titular; 5. Sobre o crédito tributário lançado incidiu a multa de ofício qualificada no percentual de 150%, em razão da contribuinte de maneira deliberada, antes e durante o procedimento fiscal, ter omitido as contas bancárias nas quais movimentou expressivos valores no ano-calendário de 2012, com oferecimento de um percentual ínfimo à tributação do imposto de renda na declaração de ajuste anual; 6. Com base na existência de interesse comum, foi atribuída a responsabilidade solidária pelo crédito tributário ao genitor da contribuinte, Paulo Roberto Avelar Silva, e à empresa Distribuidora de Alimentos Siro Ltda.; 7. Foi apurado pela fiscalização que as contas bancárias eram utilizadas no interesse da pessoa jurídica Distribuidora de Alimentos Siro Ltda. para evitar custos financeiros e saldar os compromissos com credores; 8. A fiscalização também apurou que o pai da contribuinte foi um dos fundadores da empresa e, mesmo desligando-se do quadro societário no mês de março/2010, continuou a exercer forte influência sobre as atividades empresariais, sendo que, a partir de maio/2014, houve outorga de procuração a ele para a movimentação bancária em contas da pessoa jurídica. O Contribuinte tomou ciência do Auto de Infração, via Correio, em 22/11/2017 e o corresponsável, Paulo Roberto Avelar Silva, em 24/11/2017 (fls. 1725/1727). Apenas o contribuinte principal, em 19/12/2017, interpôs, tempestivamente, sua Impugnação de fls. 1734/1747, cujos argumentos estão sumariados no relatório do Acórdão recorrido. O Processo foi encaminhado à DRJ/BSB para julgamento, onde, através do Acórdão nº 03-79.347, em 28/03/2018 a 3ª Turma julgou no sentido de considerar PROCEDENTE EM PARTE a Impugnação apresentada, excluindo de tributação o valor de R$ 2.115.626,02, bem como mantendo a infração restante apurada, resultando em saldo de imposto a pagar de R$ 6.704.355,57, mais multa de ofício de 150% e juros de mora. O Contribuinte tomou ciência do Acórdão da DRJ/BSB, via Correio, em 07/05/2018 (fl. 2183) e, inconformado com a decisão prolatada, em 25/05/2018, tempestivamente, apresentou seu RECURSO VOLUNTÁRIO de fls. 2189/2205, onde, em síntese, alega que: Fl. 3657DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.966 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721514/2017-51 1. As origens dos recursos em conta devem ser comprovadas mensalmente, e não individualmente como sustenta a decisão de primeira instância; 2. Os recursos movimentados nas contas bancárias pertencem efetivamente à empresa Distribuidora de Alimentos Siro Ltda., em razão de um planejamento administrativo financeiro; 3. Os valores creditados em conta bancária têm origem em operações de vendas mercantis da Distribuidora de Alimentos Siro Ltda., cujos recursos depois eram devolvidos mediante cheques, tendo como beneficiária a empresa atacadista; 4. Apesar da exclusão pela decisão recorrida dos valores atinentes a aplicações financeiras, na base de cálculo do lançamento fiscal ainda permanece o cômputo dos cheques devolvidos; 5. A pretensa exigência contra o pai da recorrente, Paulo Roberto Avelar Silva, e a empresa Distribuidora de Alimentos Siro Ltda., na condição de responsáveis tributários, deve ser desconsiderada, pois os depósitos bancários não têm como beneficiária a pessoa física da recorrente. O Processo foi encaminhado ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF para julgamento, onde, através da Resolução nº 2401-000.750 (fls. 2212/2216), em 12/09/2019 a 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento resolveu, por unanimidade, converter o julgamento em diligência para determinar que a fiscalização da RFB proceda à intimação da pessoa jurídica Distribuidora de Alimentos Siro Ltda. a fim de: (i) Verificar se os créditos bancários listados no lançamento, em dinheiro e/ou cheques, excluídos os resgates de aplicações financeiras (fundos), estão respaldados por uma ou mais notas fiscais de vendas mercantis e escrituração das operações na contabilidade da pessoa jurídica. A análise deverá ser feita de forma individualizada, depósito a depósito, mediante a correlação de datas e valores; (ii) Com base no resultado do item (i), elaborar uma planilha, depósito a depósito, contendo somente aqueles valores creditados nas contas bancárias do Banco Santander S/A. (c/c 01.082340-5 e 01.077705-0) com origem em receita operacional da pessoa jurídica; (iii)Com base no resultado do item (ii), confeccionar planilha, com discriminação mês a mês, contendo o comparativo entre os valores creditados nas contas bancárias provenientes das operações mercantis da pessoa jurídica e o montante dos cheques emitidos, em devolução, a favor da pessoa jurídica Distribuidora de Alimentos Siro Ltda.; (iv) Esclarecer se a pessoa jurídica Distribuidora de Alimentos Siro Ltda., optante pelo lucro real no ano-calendário de 2012, ofereceu à tributação os valores creditados nas contas bancárias do Banco Santander S/A (c/c 01.082340-5 e 01.077705-0) como receita da sua atividade empresarial. No caso de parcial, discriminar os valores comprovadamente oferecidos à tributação, utilizando-se do formato do item (ii). Em resposta à diligência determinada pelo CARF, em 06/11/2020, a Delegacia da RFB emitiu o Relatório Circunstanciado de fls. 3595/3601. Fl. 3658DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-009.966 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721514/2017-51 O contribuinte tomou ciência do Relatório Circunstanciado, via postal, em 11/11/2020 (fls. 3603) e, em 02/12/2020, apresentou sua Manifestação de fls. 3606/3620. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Viana Arrais Egypto, Relatora. Juízo de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado dentro do prazo legal e atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada Cabe inicialmente esclarecer que as questões atinentes à inconstitucionalidade de lei tributária não são oponíveis na esfera do contencioso administrativo, conforme se destaca do enunciado da Súmula nº 2, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pois bem. A despeito da matéria, o legislador federal estabeleceu a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, caracterizada em virtude da existência de depósitos bancários em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprove a sua origem, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, senão vejamos o que determina a Lei nº 9.430/96: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter-se-ão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I - os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II - no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano-calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). Fl. 3659DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-009.966 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721514/2017-51 § 4º Tratando-se de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem à terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Com efeito, referida regra presume a existência de rendimento tributável, invertendo-se, por conseguinte, o ônus da prova para que o contribuinte comprove a origem dos valores depositados a fim de que seja refutada a presunção legalmente estabelecida. Trata-se, portanto, de presunção relativa que admite prova em contrário, cabendo ao sujeito passivo trazer os elementos probatórios inequívocos que permita a identificação da origem dos recursos, a fim de ilidir a presunção de que se trata de renda omitida. Da origem dos valores depositados A Recorrente afirma que dos valores que transitaram pela sua conta pessoal, tão logo os cheques fossem compensados, os respectivos valores retornavam para a real proprietária dos valores que era a Distribuidora Siro Ltda., vez que os cheques depositados em sua conta eram originários de vendas realizadas pela empresa, via recebimento de cheques pré-datados. A empresa não negou tal fato e foi incluída como responsável solidária pelo crédito tributário constituído. Com efeito, durante o procedimento fiscalizatório, a empresa Distribuidora de Alimentos Siro esclareceu que são recebidos cheques pré-datados com prazo médio de 20 (vinte) dias e que os cheques recebidos são depositados nos prazos concedidos na conta de Juliana Abreu Silva e Paulo Roberto Avelar Silva, transferindo-se para a conta da empresa os valores em dinheiro (fl. 1682 do Relatório Fiscal). Desde a impugnação apresentada, a contribuinte juntou aos autos a DIPJ 2013 (período 01/01/2012 a 31/12/2012), além dos Livros fiscais (por amostragem), com o registro da receita do período e o balanço da empresa. Anexou ainda planilhas explicativas relativas às duas contas correntes fiscalizadas, respaldadas pelos extratos bancários (fls. 1752 e seguintes). Diante de tais fatos, por ocasião da Resolução n.º 2401-000.750, o Conselheiro Relator asseverou que na impugnação apresentada, a contribuinte desenvolveu uma explicação mais detalhada a respeito da procedência e natureza da sua movimentação bancária, acompanhando planilha e cópias de alguns documentos, no entanto, os elementos carreados aos autos pela recorrente não estão acobertados por dados de notas fiscais e escrituração contábil da pessoa jurídica. Dessa forma, por entender existirem indícios fortes da plausibilidade de que os valores creditados em conta bancária, considerados pela fiscalização como de origem não comprovada, podem, ao menos em parte, estar vinculados a terceiro, evidenciando a movimentação de recursos da Distribuidora de Alimentos Siro Ltda., resolveu converter o julgamento em diligência para determinar que a fiscalização da RFB procedesse à intimação da Fl. 3660DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-009.966 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721514/2017-51 pessoa jurídica, a fim de verificar os seguintes dados, com a necessidade de elaboração, ao final, de um relatório circunstanciado sobre os trabalhos: (i) os créditos bancários listados pela autoridade lançadora, em dinheiro e/ou cheques, excluídos os resgates de aplicações financeiras (fundos), conforme fls. 1.695/1.714, estão respaldados por uma ou mais notas fiscais de vendas mercantis e escrituração das operações na contabilidade da pessoa jurídica? A análise deverá ser feita de forma individualizada, depósito a depósito, mediante a correlação de datas e valores; (ii) com base no resultado do item (i), deverá ser elaborada uma planilha, depósito a depósito, contendo somente aqueles valores creditados nas contas bancárias do Banco Santander S/A (c/c 01.082340-5 e 01.077705-0) com origem em receita operacional da pessoa jurídica; (iii) com base no resultado do item (ii), confeccionar planilha, com discriminação mês a mês, contendo o comparativo entre os valores creditados nas contas bancárias provenientes das operações mercantis da pessoa jurídica e o montante dos cheques emitidos, em devolução, a favor da pessoa jurídica Distribuidora de Alimentos Siro Ltda.; e (iv) finalmente, esclarecer se a pessoa jurídica Distribuidora de Alimentos Siro Ltda., optante pelo lucro real no ano-calendário de 2012, ofereceu à tributação os valores creditados nas contas bancárias do Banco Santander S/A (c/c 01.082340-5 e 01.077705- 0) como receita da sua atividade empresarial? No caso de parcial, discriminar os valores comprovadamente oferecidos à tributação, utilizando-se do formato do item (ii). Em Relatório Circunstanciado (fls. 3622/3628) a fiscalização esclareceu que para levantar as informações necessárias ao cumprimento da Diligência, foi enviado Termo de Intimação Fiscal à Distribuidora de Alimentos Siro, exigindo a apresentação da Nota Fiscal ou o conjunto de Notas que respaldem todos os depósitos listados, e a escrituração contábil de todas as operações realizadas, de forma individualizada, mediante correlação de datas e valores de cada operação/depósito. Foram listados os depósitos a comprovar a origem, por meio das Notas Fiscais e dos Lançamentos Contábeis. Foram realizadas várias intimações aos sócios, à empresa, contadora, porém, sem êxito no que foi requerido no Termo de Intimação Fiscal. Tentou-se ainda conseguir os documentos no domicílio fiscal da pessoa jurídica, porém a fiscalização encontrou o local fechado, e pelas declarações colhidas de pessoas que trabalham em comércios vizinhos à empresa, sugerem que o estabelecimento não está em funcionamento atualmente. Sem as informações necessárias, a fiscalização utilizou as Notas Fiscais eletrônicas emitidas pela empresa e a Escrituração Contábil Digital - ECD transmitida, referentes ao ano de 2012, e comparou com os depósitos, excluídos os resgates de aplicações financeiras (fundos). Verifica-se que durante o ano de 2012 foram emitidas pela empresa Distribuidora de Alimentos Siro milhares de Notas Fiscais. Conforme constatado pela fiscalização, a lista de Notas Fiscais emitidas em 2012 consta das páginas 2.489 a 3.553 e totaliza um montante de 35.089 documentos. Os registros contábeis também foram adunados aos autos pela fiscalização. Para cumprir a diligência a autoridade fiscal, inicialmente, pesquisou depósitos em valores iguais aos das Notas Fiscais e dos Lançamentos Contábeis. Para comparar as Notas Fiscais com os depósitos, foi dada uma margem de 40 dias a partir da data de emissão do documento fiscal, levando em consideração o argumento da pessoa jurídica de que as transações eram realizadas num prazo médio de 20 dias. Das 35.089 notas, apenas 32, ou seja, aproximadamente 0,09% do total, coincidiram em datas e valores com os depósitos e estão Fl. 3661DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-009.966 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721514/2017-51 listadas na tabela de fl. 3626. Quanto aos Lançamentos Contábeis, constatou que não há possibilidade de vinculá-los aos depósitos. A fiscalização esclareceu o seguinte: A comparação dos valores consolidados por dia também não guarda semelhança entre si. Em nenhum dos dias do ano os montantes dos Depósitos, das Notas Fiscais e dos Lançamentos Contábeis são iguais. A tabela com os valores diários encontra-se entre as páginas 3.615 e 3.621. Sem identificar relação entre os depósitos, as notas fiscais e os lançamentos contábeis, impossível falar em análise de eventuais devoluções de valores à empresa. De todo o modo, de posse de uma lista de comprovantes de operações a débito nas contas bancárias, buscou-se alguma vinculação. Foram encaminhadas à instituição financeira 180 (cento e oitenta) operações a débito nas contas. Os valores foram colhidos por amostragem e como resultado foi apresentado pelo banco histórico detalhado de 2 (duas) transferências e cópias de 171 (cento e setenta e um) cheques. Das operações demonstradas, 166 (cento e sessenta e seis) transações foram realizadas com a Distribuidora de Alimentos Siro LTDA. Consolidando os valores por dia, em nenhum deles há conexão entre os depósitos realizados e as Notas Fiscais emitidas com os cheques/transferências em favor da Siro. A fiscalização traz ainda a tabela de fls. 3627/3628 para, ao final, concluir que: “encerra-se desse modo, a presente Diligência, sem atendimento das exigências por parte da empresa DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS SIRO LTDA. Com as informações disponíveis à fiscalização, afirma-se que não há como vincular os Depósitos às Notas Fiscais e aos Lançamentos Contábeis.” Após a intimação da diligência, a Recorrente esclareceu que a identificação diária se torna impossível tendo em vista que os valores depositados correspondem aos cheques pré- datados e, normalmente, cada operação correspondia a um prazo de 20 (vinte) dias. Os valores dos depósitos têm pouca diferença dos valores das notas fiscais emitidas no período de 2012. A diferença de Notas fiscais emitidas decorre de operações do ano anterior. Já, a diferença entre os valores dos lançamentos contábeis com as notas fiscais consideradas, são decorrentes das vendas a varejo, acobertadas por cupom fiscal, e devidamente oferecidas à tributação pela empresa. Aduz que o estabelecimento bancário informou a emissão de 171 (cento e setenta e um) cheques e 2 (duas) transferências, todos destinados à pessoa jurídica. Destarte, conforme se percebe dos documentos adunados aos autos, a natureza da movimentação bancária da Recorrente tem relação com a empresa Distribuidora de Alimentos Siro Ltda. Essa foi justamente a razão do processo ter sido baixado em diligência para averiguação e aprofundamento da análise. Dessa forma, a partir das informações disponíveis na Receita Federal do Brasil, vez que não houve colaboração por parte dos sujeitos passivos durante a diligência, a fiscalização tentou buscar uma correlação entre os dados disponíveis, buscando a verificação do que, dentro dos depósitos realizados, estava efetivamente vinculado a terceiro. Mesmo dando uma margem de 40 dias a partir da data de emissão do documento fiscal, tendo em vista a informação da pessoa jurídica de que eram realizadas transações em um prazo médio de 20 dias, não se conseguiu chegar a uma vinculação dos depósitos com as Notas Fiscais e contabilidade com relação a maior parte dos valores depositados na conta da contribuinte. Das 35.089 notas, apenas 32 coincidiram em datas e valores com os depósitos e estão listadas na tabela de fl. 3626, abaixo retratada: Fl. 3662DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-009.966 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721514/2017-51 A diligência esclareceu que sem identificar relação entre os depósitos, as notas fiscais e os lançamentos contábeis, impossível falar em análise de eventuais devoluções de valores à empresa. Afirmou ainda que, consolidando os valores por dia, em nenhum deles há conexão entre os depósitos realizados e as Notas Fiscais emitidas com os cheques/transferências em favor da Siro. Em face das constatações apresentadas no Relatório Circunstanciado, embora a contribuinte tenha trazido as suas razões e demonstrado que a soma da consolidação diária dos depósitos e das Notas Fiscais indica pouca diferença entre os respectivos valores, não dá para afirmar com precisão, com relação a maioria dos depósitos, qual montante depositado corresponde a valores objeto de operações comerciais da pessoa jurídica Distribuidora de Alimentos Siro. Com efeito, no tocante a maioria dos valores, em que as notas fiscais apresentadas não coincidiram em datas e valores com os depósitos, a contribuinte não procurou demonstrar, diante de todo o conjunto probatório adunado aos autos, uma correspondência razoável entre valor do depósito e documentos fiscal e contábil, conforme premissa de negociações com espaço de 20 (vinte) dias asseverado pela empresa. Não houve esforço probatório nesse sentido não obstante as afirmativas da Recorrente durante o curso processual. No presente caso, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Necessitaria, conforme Fl. 3663DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-009.966 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721514/2017-51 ressaltado, de uma correlação individualizada entre depósitos e documentos apresentados, objetivando a demonstração de que os valores depositados em sua conta, ou parte deles, eram decorrentes das transações comerciais da pessoa jurídica. Nesse passo, o argumento genérico não é capaz de comprovar essa vinculação. Dessa forma, apenas o montante de R$ 81.294,00, contido na tabela de fl. 3626 do Relatório Circunstanciado deve ser excluído da base de cálculo, tendo em vista a comprovação de sua origem em transações comerciais da pessoa jurídica, conforme conjunto probatório adunado aos autos. Multa qualificada A Recorrente se insurge contra a qualificação da multa e afirma não existir qualquer ato doloso, ou fraudulento de sua parte. Segundo a fiscalização, a contribuinte foi omissa ao declarar como rendimentos tributáveis apenas o montante de R$ 139.447,60, ao passo que o movimento em suas contas bancárias foi de valores superiores a R$ 32.000.000,00. O Auto de Infração formalizou a exigência tributária com a aplicação da multa no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), sob a justificativa de tipificação do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que assim dispõe: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Vê-se que, para enquadrar determinado ilícito fiscal nos dispositivos da mencionada lei, há necessidade de que esteja caracterizado o dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de agir, elemento essencial dos tipos penais de que trata a Lei nº 4.502, de 1964. Assim, deve ficar demonstrada que a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos. Se exige do contribuinte a prática de uma conduta adicional qualificada, além daquele que justificou a presunção legal. Entretanto, as circunstâncias em que ocorreram a movimentação na conta bancária da Recorrente indicam a existência de relação com uma terceira pessoa. O fato de a Recorrente não ter conseguido produzir prova, de forma individualizada, capaz de excluir a totalidade dos valores depositados da exigência fiscal não significa, de forma automática, a caracterização das circunstâncias qualificadoras da multa, até porque não se presume a ocorrência do dolo necessário à qualificação da penalidade. Destarte, não houve comprovação, por parte da autoridade fiscal, da intenção pré- determinada do contribuinte, tipificadas nos artigos 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502/64, com o fito de justificar a qualificação da multa. Dessa forma, uma vez que a hipótese de dolo/fraude não restou configurada, entendo pelo afastamento da aplicação da multa de ofício qualificada, reduzindo-a ao patamar básico de 75%. Fl. 3664DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-009.966 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.721514/2017-51 Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do Recurso Voluntário e DOU-LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento o montante de 50% dos depósitos R$ 81.294,00; excluir a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a para 75% (setenta e cinco por cento). (documento assinado digitalmente) Andréa Viana Arrais Egypto Fl. 3665DF CARF MF Documento nato-digital
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