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Numero do processo: 11000.746344/2022-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2018, 2019 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando observados, nos lançamentos formalizados, os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como o disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. LIMITES. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Na forma do disposto no artigo 9º, da Lei nº 9.249/1995, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido no período os juros pagos ou creditados individualizadamente a sócios, a título de remuneração do capital próprio calculados sobre contas do Patrimônio Líquido, calculado de acordo com as normas contábeis vigentes, limitados à variação pro rata dia da TJLP e desde que haja lucros, computados antes da dedução dos mesmos, ou lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. CSLL. MESMAS NORMAS DE APURAÇÃO E DE PAGAMENTO DO IRPJ. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (Lei 8.981/95 art. 57, com redação dada pela Lei 9.065/95; e Lei 9.430/96 art. 28, com redação dada pela Lei 12.715/2012)
Numero da decisão: 1101-001.669
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente).
Nome do relator: JEFERSON TEODOROVICZ

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INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade quando observados, nos lançamentos formalizados, os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como o disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. LIMITES. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Na forma do disposto no artigo 9º, da Lei nº 9.249/1995, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido no período os juros pagos ou creditados individualizadamente a sócios, a título de remuneração do capital próprio calculados sobre contas do Patrimônio Líquido, calculado de acordo com as normas contábeis vigentes, limitados à variação pro rata dia da TJLP e desde que haja lucros, computados antes da dedução dos mesmos, ou lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. CSLL. MESMAS NORMAS DE APURAÇÃO E DE PAGAMENTO DO IRPJ. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (Lei 8.981/95 art. 57, com redação dada pela Lei 9.065/95; e Lei 9.430/96 art. 28, com redação dada pela Lei 12.715/2012) ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 685DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz – Relator Assinado Digitalmente Efigênio de Freitas Júnior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Jeferson Teodorovicz, Edmilson Borges Gomes, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Efigênio de Freitas Júnior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário – efls. 571/619 – contra acórdão da DRJ (efls. 547/563) que julgou improcedente impugnação administrativa (efls. 269/303) apresentada pela recorrente sobre autos de infração de IRPJ e CSLL (efls.222/241) referentes aos anos calendários de 2018 e 2019, que resultaram, segundo a fiscalização (efls. 242/259), na constatação de excesso dos valores deduzidos da base de cálculo do Lucro Real do IRPJ e da CSLL, à título de juros sobre capital próprio – JCP. Abaixo, os valores consolidados até 15/12/2022: Fl. 686DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 3 Conforme descreve o Termo de Verificação Fiscal (Relatório - efls. 242/259), mencionado no relatório do acórdão recorrido: 3.1. De acordo com ECF (Registro M300 – Demonstração do Lucro Real – Linha 166.03) o contribuinte excluiu os valores de R$ 314.230.000,00 em 2018 e R$ 329.874.459,04 em 2019 referentes a Juros sobre Capital Próprio - JCP: 3.2. Conforme as atas de deliberação e planilhas demonstrativas apresentadas pela contribuinte, a empresa apurou juros sobre capital próprio durante todo ano de 2018, sobre a base de cálculo de R$ 4.674.296.474,30, composta pelos valores abaixo, 3.3. Tais valores foram apurados com base nos saldos de 31/12/2017 constantes em balancete juntado pela fiscalizada, anexo ao e-processo, fls 149/160 e 164/167. 3.4. Em 2019, o contribuinte utilizou como base de cálculo composta pelos seguintes valores e sobre tal valor aplicou a TJLP para determinação dos juros sobre capital próprio: Fl. 687DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 4 3.5. Conforme Escrituração Contábil Digital – ECD relativa ao ano de 2018, a primeira referente ao primeiro trimestre e a segunda parte relativa aos demais trimestres, as contas de patrimônio líquido apresentavam a seguinte estrutura e saldos iniciais e finais: 3.6. As contas abaixo estavam em grupos separados na estrutura do 1º trimestre de 2018, sendo realocadas no grupo Prejuízos Acumulados – 233 como se verifica na estrutura de contas dos 2º, 3º e 4º trimestres de 2018. Fl. 688DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 5 3.7. As contas abaixo faziam parte do grupo LUCRO(PREJUÍZO) ACUMULADO - 20302000000 no 1º trimestre de 2018 e foram realocadas no grupo Outras Reservas – 232, como se verifica na estrutura de contas dos 2º, 3º e 4º trimestres de 2018. 3.8. A conta abaixo fazia parte do grupo LUCRO (PREJUIZO) ACUMULADO - 20302000000 no primeiro trimestre de 2018 e foi realocada no grupo AJUSTES CUMULATIVOS DE CONVERSÃO (CTA) – 234, como se verifica na estrutura de contas dos 2º, 3º e 4º Trimestres de 2018. 3.9. A base de cálculo para apuração dos juros sobre capital próprio foi determinada mediante aplicação da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP diária sobre o saldo diário das contas listadas abaixo (fls. 248/259): Fl. 689DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 6 3.10. Assim, com base nos saldos contábeis diários, a fiscalização apurou os seguintes valores de base de cálculo diária para determinação do JCP: 3.11. Ao totalizar os valores diários, encontrou os seguintes montantes anuais de juros sobre capital próprio: 3.12. Ao passo que, foram lançados de ofício, os seguintes valores, conforme demonstrativo abaixo: 3.13. Dessa forma, constatado que os valores de juros sobre capital próprio, deduzidos da base de cálculo do IRPJ e CSLL, excederam em R$ 16.064.663,55 (2018) e R$ 52.909.013,95 (2019) do valor permitido pela legislação, conforme artigos 902 e 908, do RIR/2018, foram lançados de ofício o crédito tributário de R$ Fl. 690DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 7 33.557.639,75 relativo ao IRPJ e R$ 12.080.750,27 à CSLL, conforme os autos de infração de fls. 222/259. Da Impugnação: 4. Cientificada pessoalmente dos autos de infração aos 21/12/2022 (fls. 264), a empresa apresentou impugnação aos 19/01/2023, fls. 269/303, onde traz os seguintes argumentos e requerimentos que seguem sintetizados: 4.1. Preliminarmente, aduz que os Autos de Infração padecem de nulidade, uma vez que em nenhum momento as Autoridades Fiscais indicaram, de forma clara e precisa, as razões pelas quais alegam que teria deduzido despesas a maior de JCP, tendo se limitado tão somente a efetuar cálculo próprio e glosar a diferença. 4.2. Nesse sentido, que não lhe fora dada oportunidade de esclarecer os fatos e a metodologia de cálculo do JCP. 4.3. Que a falta de descrição por parte das Autoridades Fiscais dos motivos de fato e de Direito que supostamente justificariam a lavratura dos Autos de Infração em referência, bem como a ausência de oportunidade de manifestação específica por ela durante a fiscalização, acabou por cercear o seu direito de defesa, violando por decorrência os princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, incisos LIV e LV, da Constituição Federal), o que torna o Auto de Infração nulo por vício material insanável, nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72). 4.4. Após, relata que é subsidiária brasileira de grupo econômico do Chile, tendo como objeto social principal a fabricação e comercialização de celulose, e que, no desenvolvimento de sua atividade, como exporta quase toda a sua produção, suas operações de venda de mercadorias realizadas estão majoritariamente denominadas em moeda estrangeira (Dólares). Consequentemente, os seus resultados são significativamente afetados pela variação nas taxas de câmbio. 4.5. Ao passo que, pela relevância da moeda estrangeira nas operações, a sociedade está obrigada a elaborar as suas demonstrações financeiras na sua moeda funcional (Dólares), convertendo os saldos para a moeda de apresentação (Reais) para fins de divulgação aos usuários das demonstrações financeiras localizadas no Brasil. 4.6. Nesse contexto, no uso da competência outorgada pela Lei das S.A., art. 177, caput e § 5º , foram elaboradas as Resoluções CFC – NBC TG 02 (R2) e a Instrução CVM 640/10, que incorporaram a redação do Pronunciamento Contábil nº 2 do CPC – Efeitos das mudanças nas taxas de câmbio e conversão de demonstrações contábeis, onde em seu item 9, consta que “Moeda funcional é a moeda do ambiente econômico principal no qual a entidade opera”. 4.7. E, ainda de acordo com o item 17 do mesmo pronunciamento contábil, após a definição da moeda funcional da entidade, toda a sua escrituração contábil- societária e as suas demonstrações financeiras são realizadas conforme a sua moeda funcional, de forma que todos os seus registros contábeis, ativos, passivos, receitas, despesas, ganhos, perdas e rendimentos são refletidos de acordo com essa moeda, dólar no seu caso. 4.8. Aduz, ainda, que nos termos do art. 3º da Lei 11.638/07, as normas previstas pela Lei das S.A. sobre escrituração e elaboração de demonstrações financeiras Fl. 691DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 8 também são aplicáveis a sociedades de grande porte, ainda que, não sejam constituídas sob a forma de sociedades anônimas, como é o seu caso. 4.9. Assim, para todas as finalidades possíveis (divulgação ao mercado, análise dos stakeholders, métricas financeiras, análise por credores, etc.), a única contabilidade da sociedade é denominada em moeda funcional, conforme exigido expressamente pela regulamentação aplicável. 4.10. De outro modo, cita que a Lei 12.973/14 não exige a apresentação de demonstrações financeiras em moeda nacional, nem tampouco uma apuração específica do patrimônio líquido. Esta Lei requer tão somente que o contribuinte mantenha registros paralelos em moeda nacional para o recolhimento dos seus tributos, e não pode ser utilizada para limitar o valor de JCP que pode ser pago, calculado com base em suas demonstrações financeiras (elaboradas em moeda funcional) e de acordo com a legislação societária e contábil aplicável. 4.11. Após, explica que em cumprimento da métrica de cálculo prevista pela Lei 9.249/95, que aplicou a TJLP, pro rata die, sobre as suas contas patrimoniais, mensuradas na sua escrituração contábil-societária e avaliadas em suas demonstrações financeiras auditadas (elaboradas em moeda funcional - Dólar). 4.12. Há, ainda, que não existe na legislação tributária nenhum conceito de “patrimônio líquido” que possa ser utilizado para um cálculo alternativo do JCP: “patrimônio líquido” é um conceito definido pela legislação societária e contábil – e possui uma única definição, a qual não pode ser distorcida pela Fiscalização. Não existe nenhuma norma tributária que defina um conceito específico de patrimônio líquido, de modo que – ao se referir a “patrimônio líquido” – a Lei 9.249/95 fez referência a um conceito que foi definido pelas normas societárias e contábeis aplicáveis. 4.13. Ademais, considerando que a Lei 9.249/95 faz referência a conceito contábil, a apuração de JCP deve considerar a definição de patrimônio líquido contida na legislação societária e contábil, de modo que esse cálculo deve se basear nas demonstrações financeiras auditadas e na escrituração contábil-societária (preparada em moeda funcional). 4.14. No entanto, a Fiscalização equivocadamente utilizou como suporte o valor do saldo inicial das suas contas patrimoniais indicadas em moeda nacional (Reais) na sua ECD relativa ao período de julho de 2018, sem considerar o valor real das suas demonstrações financeiras (em moeda funcional). 4.15. No caso, porém, a ECD apresentada pelos contribuintes que adotam moeda funcional possui campo para a inclusão do valor do saldo inicial das contas analíticas dos contribuintes em Reais (de acordo com os registros em moeda nacional), efetuadas para fins tributários, conforme as determinações do art. 62 da Lei 12.973/14; e, ao mesmo tempo, que possui campo específico para que a indicação da escrituração contábil dos contribuintes (efetuadas em moeda funcional e divulgada na moeda de apresentação Reais). 4.16. A título de exemplo, traz o registro de sua conta de lucros/prejuízos acumulados na sua ECD de julho de 2018 – conta analítica utilizada pela Fiscalização para a determinação de sua base do montante de JCP que poderia ter sido distribuído no 3º trimestre de 2018. No caso, a ECD apresenta valores distintos (a) o valor dos registros efetuados para fins tributários em moeda nacional (Reais): conta devedora de R$ 653.154.213,94; e (b) o valor das Fl. 692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 9 demonstrações financeiras em moeda funcional, convertida para a moeda de apresentação Reais: conta devedora de R$ 487.764.913,78. 4.17. Dessa forma, ao buscar em sua ECD as informações acerca dos saldos das suas contas patrimoniais para efetuar o cálculo do valor de JCP que poderia ser pago por esta entidade, as Autoridades Fiscais somente se utilizaram do valor do saldo inicial dessas contas indicado em Reais (Valor dos Registros em Moeda Nacional), sem considerar o valor das demonstrações financeiras (saldo em moeda funcional convertida para Reais). 4.18. Por essas razões, considerando que, ao tratar do cálculo do valor limite que pode ser pago a título de JCP e deduzido da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos contribuintes, o legislador tributário se emprestou de conceitos societários e contábeis já definidos, o intérprete da legislação está obrigado a se utilizar do mesmo sentido e significado utilizado na legislação societária. 4.19. E, no caso, como adota o Dólar como sua moeda funcional, conforme autorizado pelas normas contábeis aplicáveis, e a escrituração contábil-societária e as demonstrações financeiras da entidade são efetuadas com base nessa moeda, é certo que os valores das contas patrimoniais que devem ser utilizados para o cálculo dos pagamentos de JCP são aqueles que constam da sua contabilidade. 4.20. Nesses termos, comprovada a exatidão dos procedimentos adotados e a total improcedência dos Autos de Infração, bem como o equívoco cometido pelas Autoridades Fiscais ao interpretar os fatos e o Direito a eles aplicável neste caso, pleiteia pelo acolhimento integral da presente impugnação e o imediato cancelamento dos Autos de Infração (principal, multas e juros), com o consequente arquivamento do processo administrativo. 4.21. Protesta ainda pela juntada posterior de documentos, nos termos do artigo 16, §4.º, alínea “a” do Decreto 70.235/72. 5. É o relatório. Nada obstante, o acórdão recorrido, conforme ementa abaixo, julgou a impugnação improcedente: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2018, 2019 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 10 Não há que se falar em nulidade quando observados, nos lançamentos formalizados, os requisitos contidos no art. 142 do CTN bem como o disciplinamento do Processo Administrativo Fiscal (PAF). Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2018, 2019 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. LIMITES. CONDIÇÕES DE DEDUTIBILIDADE. Na forma do disposto no artigo 9º, da Lei nº 9.249/1995, a pessoa jurídica poderá deduzir do IRPJ devido no período os juros pagos ou creditados individualizadamente a sócios, a título de remuneração do capital próprio calculados sobre contas do Patrimônio Líquido, calculado de acordo com as normas contábeis vigentes, limitados à variação pro rata dia da TJLP e desde que haja lucros, computados antes da dedução dos mesmos, ou lucros acumulados e reservas de lucros, em montante igual ou superior ao valor de duas vezes os juros a serem pagos ou creditados. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2018, 2019 CSLL. MESMAS NORMAS DE APURAÇÃO E DE PAGAMENTO DO IRPJ. Aplicam-se à Contribuição Social sobre o Lucro as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas (Lei 8.981/95 art. 57, com redação dada pela Lei 9.065/95; e Lei 9.430/96 art. 28, com redação dada pela Lei 12.715/2012) Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignado, e devidamente cientificado, em 30/08/2023, o contribuinte apresentou recurso voluntário, em 28/09/2023, às efls.571/619, onde, em síntese, sustenta (em suas conclusões): VIII. A CONCLUSÃO E O PEDIDO 152. Ante todo o exposto neste Recurso Voluntário, apenas uma única conclusão se revela cabível: o cálculo dos JCP deve ser efetuado com base no patrimônio líquido contábil da entidade, mensurado conforme a sua escrituração contábil- societária e as suas demonstrações financeiras auditadas, as quais somente são elaboradas em moeda funcional (Dólar). 153. Portanto, considerando todo o exposto acima, Recorrente tem por comprovado que: (i) Comentários Preliminares – A Moeda Funcional da Recorrente: (a) a Recorrente é subsidiária brasileira de grupo econômico do Chile, tendo como objeto social principal a fabricação e comercialização de celulose; (b) nesse contexto, grande parcela dos resultados da Recorrente advém das receitas auferidas com a exportação dos seus produtos; (c) considerando que a moeda do principal ambiente econômico no qual a Recorrente opera, bem como a moeda que mais influencia o preço de venda dos seus produtos, é o Dólar, esta entidade adota o dólar como sua moeda funcional; Fl. 694DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 11 e (d) assim, toda a sua escrituração contábil-societária e as suas demonstrações financeiras são realizadas conforme a sua moeda funcional, de forma que todos os seus registros contábeis, ativos, passivos, receitas, despesas, ganhos, perdas e rendimentos são refletidos de acordo com essa moeda funcional; (ii) Nulidade - Violação ao Princípio do Contraditório e da Ampla Defesa - Ausência de Fundamentação: em sede preliminar, os Autos de Infração padecem de nulidade, uma vez que em nenhum momento as Autoridades Fiscais indicaram, de forma clara e precisa, as razões pelas quais alegam que a Recorrente teria deduzido despesas a maior de JCP, tendo se limitado tão somente a efetuar cálculo próprio e glosar a diferença. Ainda, a Autoridade Fiscal nunca deu a oportunidade para que a Recorrente esclarecesse os fatos e a metodologia de cálculo do JCP. A falta de descrição por parte das Autoridades Fiscais dos motivos de fato e de Direito que supostamente justificariam a lavratura dos Autos de Infração em referência, bem como a ausência de oportunidade de manifestação específica da Recorrente durante a fiscalização cerceia o direito de defesa da Recorrente, constituindo violação aos princípios constitucionais do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa (artigo 5º, incisos LIV e LV, da Constituição Federal), o que torna o Auto de Infração nulo por vício material insanável, nos termos do artigo 59, II do Decreto 70.235/72). Essa nulidade apenas é reforçada pelo fato de que o Acórdão Recorrido não se manifestou especificamente sobre os argumentos trazidos pela Recorrente em sua Impugnação; (iii) A Lei 9.249/95 faz referência a um conceito contábil: a) nos termos do art. 9º da Lei 9.249/95, os JCP que podem ser pagos pela entidade deve ser calculado mediante a aplicação da TJLP sobre as contas do patrimônio líquido desta sociedade. Assim, a norma faz referência ao “patrimônio líquido” para fins de apuração do montante que pode ser pago a título de JCP; e b) o patrimônio líquido é um instituto que é definido pela Lei das S.A. e pelas normas contábeis, que estabelecem que “patrimônio líquido é a participação residual nos ativos da entidade após a dedução de todos os seus passivos” (CPC 00). (iv) As normas societárias e contábeis determinam que a Recorrente deve elaborar suas demonstrações financeiras em moeda funcional (convertida para Reais para fins de apresentação): a) a Recorrente é sociedade que tem como atividade principal a industrialização e exportação de produtos florestas (em especial, a celulose); b) por ser sociedade de grande porte, a escrituração da Recorrente deve observar os padrões internacionais de contabilidade, internalizados no ordenamento jurídico pela Lei das S.A., pelos Pronunciamentos do CPC e pelas Resoluções da CVM e do CFC; c) nos termos do item 17 do CPC 02, na elaboração de suas demonstrações financeiras, as entidades com operações no exterior estão obrigadas a definir qual é a sua moeda funcional (isto é, a moeda predominante no ambiente econômico principal onde a entidade opera); d) após a análise das regras e dos parâmetros previstos pelas normas aplicáveis, a Recorrente definiu o Dólar como sua moeda funcional (conforme validado pelos seus auditores), tendo em vista que essa é a moeda que mais influencia as suas atividades e o preço dos seus produtos; e) como consequência, todos os registros Fl. 695DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 12 contábeis e a escrituração contábil societária da Recorrente é efetuada conforme a sua moeda funcional (Dólar); e f) considerando a necessidade dos seus usuários, a Recorrente divulga as suas demonstrações financeiras em Reais (moeda de apresentação), após a conversão dos saldos dos seus registros contábeis em moeda funcional (Dólar) para a moeda de apresentação (Real). (v) A Recorrente possui apenas uma demonstração financeira, elaborada em moeda funcional: a Recorrente somente possui uma demonstração financeira, elaborada em moeda funcional (Dólar) (conforme exigido pela regulamentação contábil), que é anualmente examinada e validada pelos seus auditores externos (KPMG). Ainda que a Recorrente divulgue as suas demonstrações financeiras em Real (moeda de apresentação), os seus saldos decorrem de mera conversão cambial das demonstrações financeiras preparadas em moeda funcional. Não existe nenhuma demonstração financeira da Recorrente preparada em outra moeda ou com outros critérios; (vi) A higidez dos procedimentos adotados pela Recorrente: a Recorrente adotou todos os procedimentos contábeis exigidos pelas normas aplicáveis: a) em primeiro lugar, ao examinar o ambiente econômico primário em que opera e a moeda que mais influencia as suas atividades, a Recorrente adotou o Dólar como a sua moeda funcional, nos termos do CPC 02; b) por esse motivo, a Recorrente prepara e mantém a sua escrituração contábil societária e as suas demonstrações financeiras conforme a sua moeda funcional (Dólar), refletindo todas as suas operações, os seus ativos, passivos, ganhos, perdas e rendimentos tendo como parâmetro essa moeda; c) a Recorrente mantém evidências claras e precisas acerca da adoção de moeda funcional para a elaboração de sua escrituração contábil-societária e das suas demonstrações financeiras; d) considerando a necessidade de apresentação de suas demonstrações financeiras no Brasil, a Recorrente adota o Real como moeda de apresentação – e, para esse fim, converte os seus registros contábeis em moeda funcional (Dólar) para moeda nacional (Real); e) as demonstrações financeiras da Recorrente (e.1) são publicadas em sua moeda de apresentação (Real), após a conversão dos saldos contábeis registrados em moeda funcional (Dólar); e (e.2) são devidamente auditadas por empresa independente e especializada; f) as ECDs apresentadas pela Recorrente efetivamente indicam o valor de todas as suas contas analíticas em moeda funcional (após a sua conversão para moeda de apresentação), de acordo com a sua escrituração contábil-societária e as suas demonstrações financeiras; e g) em cumprimento da métrica de cálculo prevista pela Lei 9.249/95, a Recorrente aplicou a TJLP pro rata dia sobre as suas contas patrimoniais, mensuradas na sua escrituração contábil-societária e avaliadas em suas demonstrações financeiras auditadas (elaboradas em moeda funcional - Dólar). (vii) A demonstração financeira foi auditada pelos auditores: a Recorrente apresenta as suas demonstrações financeiras em Reais (após a conversão dos saldos do balanço em moeda funcional Dólar para a moeda de apresentação Real) Fl. 696DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 13 e, anualmente, os seus auditores externos concluem que essas demonstrações financeiras estão “de acordo com as práticas contábeis adotadas no Brasil” (fls. 429/481 e fls. 483/539); (viii) As demonstrações financeiras e os saldos das contas contábeis em moeda funcional foram informados na ECD: (a) as ECDs apresentadas pela Recorrente possuem campo específico onde o saldo de suas contas contábeis em moeda funcional (após a sua conversão para Reais) é incluído; e (b) as próprias demonstrações financeiras auditadas elaboradas pela Recorrente em moeda funcional (Dólar) foram incluídas em campo específico de sua ECD, de forma clara e transparente; (ix) Não existe na legislação tributária nenhum conceito de “patrimônio líquido” que possa ser utilizado para um cálculo alternativo do JCP: conforme reconhecido pelo próprio Acórdão Recorrido, “patrimônio líquido” é um conceito definido pela legislação societária e contábil - e possui uma única definição, a qual não pode ser distorcida pela Fiscalização. Não existe nenhuma norma tributária que defina um conceito específico de patrimônio líquido, de modo que – ao se referir a “patrimônio líquido” – a Lei 9.249/95 fez referência a um conceito que foi definido pelas normas societárias e contábeis aplicáveis (i.e. Lei das S.A. e CPC 00); (x) As contradições do Acórdão Recorrido: o próprio Acórdão Recorrido reconhece que: (a) as entidades que adotam moeda funcional distinta da moeda nacional (tal como a Recorrente) podem apresentar as suas demonstrações financeiras de acordo com a sua moeda funcional; (b) o reconhecimento das despesas dedutíveis da base de cálculo do IRPJ e da CSL exige a investigação e aplicação dos conceitos e princípios contábeis; e (c) ao estabelecer o valor limite que pode ser pago a título de JCP (e deduzido) pelos contribuintes, o legislador tributário se emprestou de conceitos societários e contábeis já definidos, de maneira que o intérprete dessas normas está obrigado a se utilizar do mesmo significado atribuído pela legislação societária a esses conceitos no momento de análise acerca da legitimidade do cálculo efetuado pelo contribuinte; (xi) A Lei 12.973/14 não exige a apresentação de demonstrações financeiras em moeda nacional, nem uma apuração específica do patrimônio líquido em moeda nacional: em seu art. 62, a Lei 12.973/14 apenas prevê que os contribuintes devem, para fins tributários, manter registros com o reconhecimento e a avaliação dos seus ativos, passivos, receitas, custos, despesas, ganhos, perdas e rendimentos com base na moeda nacional (Real). Em nenhum momento a Lei 12.973/13 estabelece que os contribuintes devem manter demonstrações financeiras em moeda nacional (sem considerar os efeitos da conversão dos seus saldos contábeis em moeda funcional), muito menos possuir uma apuração paralela e específica do seu patrimônio líquido em moeda nacional. Da mesma forma, trata-se de dispositivo genérico que não tem o condão de vedar a utilização dos saldos contábeis das contas patrimoniais da Recorrente de acordo com a sua moeda funcional para fins de cálculo do valor limite dos seus pagamentos de JCP; Fl. 697DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 14 (xii) O escopo da apuração da apuração em moeda nacional: a) a obrigatoriedade de os contribuintes reconhecerem e mensurarem os seus ativos, passivos, receitas, custos, despesas, ganhos, perdas e rendimentos em moeda nacional se dá exclusivamente para fins de apuração dos tributos que deverão ser recolhidos pela entidade e cumprimento de suas obrigações tributárias; b) esses registros paralelos para fins fiscais não têm como escopo o cálculo do valor de JCP que poderá ser pago pelas entidades aos seus acionistas, cuja métrica de cálculo faz referência a institutos da legislação societária, definidos na Lei das S.A. e no CPC 00; e c) dessa forma, em nenhum momento esses registros paralelos para fins fiscais poderiam ser utilizados para limitar o valor de JCP a ser pago pela Recorrente, calculado com base nas demonstrações financeiras auditadas dessa entidade (elaboradas em moeda funcional) e de acordo com as regras societárias e contábeis aplicáveis; e d) logo, a despeito do que foi alegado pelo Acórdão Recorrido, o artigo 9º da Lei 9.249/95 determina que o valor dos pagamentos de JCP devem ser calculados com base no patrimônio líquido definido pelo regramento contábil/societário cabendo a utilização das contas patrimoniais da Recorrente constantes de sua escrituração contábil-societária e de suas demonstrações financeiras. (xiii) Ainda que seja possível extrair um valor equiparado a “patrimônio líquido” a partir dos registros em moeda nacional, trata-se de mera ficção: ainda que a escrituração contábil-fiscal da entidade tenha a indicação de um valor de patrimônio líquido em moeda nacional, este não é o valor que deve ser considerado no cálculo de JCP, eis que: a) esses registros em moeda nacional têm escopo limitado (que não abrange a apuração de JCP): o cumprimento das obrigações tributárias da entidade; b) dessa forma, eventual valor de patrimônio líquido que possa ser extraído dos registros mantidos pela Recorrente em moeda nacional corresponde tão somente a valor ficto (para fins de cumprimento de obrigações tributárias), que não reflete o efetivo valor do patrimônio líquido da entidade, apurado em moeda funcional; c) como visto, o patrimônio líquido é um instituto que tem conceito definido pela legislação societária e contábil, o qual não pode ser modificado pela Fiscalização; e d) nesses termos, o cálculo de JCP deve considerar o saldo das contas patrimoniais apontados nas demonstrações financeiras auditadas da Recorrente (elaboradas em moeda funcional e convertidas para moeda de apresentação), em linha com a sua escrituração contábil-societária. (xiv) A inexistência de qualquer previsão de ajuste por parte da legislação tributária: a) a Lei 9.249/95 foi editada em 1995 e, desde a sua promulgação, prevê que o valor-limite dos pagamentos de JCP deve ser calculado com base em suas contas patrimoniais, fazendo referência ao conceito contábil de “patrimônio líquido”, definido pelas normas societárias e contábeis aplicáveis; b) ao se referir a “patrimônio líquido”, a Lei 9.249/95 incorporou o conceito contábil societária desse instituto, definido pela Lei das S.A. e pelo CPC 00; Fl. 698DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 15 c) caso essa não fosse a intenção do legislador, a Lei 12.973/14 (editada em momento posterior à Lei 9.249/95) poderia ter alterado o art. 9º da Lei 9.249/95 para deixar claro que, para os fins de cálculo de JCP, deveriam ser considerados os valores das contas patrimoniais indicados em seus registros paralelos efetuados para fins tributários (em moeda nacional); e d) entretanto, a Lei 12.973/14 não realizou qualquer distinção quanto à necessidade de utilização dos valores dessas contas patrimoniais apontados nos registros tributários (ao invés dos saldos constantes de sua escrituração contábil- societária e suas demonstrações financeiras, preparadas conforme a sua moeda funcional). (xv) A legislação tributária já estabeleceu expressamente que o patrimônio líquido para fins de apuração do JCP deve ser o patrimônio líquido contábil: mesmo durante a vigência do RTT, quando a legislação estabelecia a obrigatoriedade de manutenção de uma escrituração específica para fins tributários, a legislação deixou claro que o cálculo de JCP deveria ser feito com base no patrimônio líquido contábil, nos termos do art. 73 da Lei 12.973/14. 154. Nesses termos, a Recorrente tem por comprovada a exatidão dos procedimentos adotados por esta entidade e a total improcedência dos Autos de Infração, bem como o equívoco cometido pela Fiscalização e pelo Acórdão Recorrido ao interpretar os fatos e o Direito a eles aplicável neste caso. 155. Sendo assim, a Recorrente pleiteia o ACOLHIMENTO INTEGRAL DO PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO, com o consequente cancelamento dos Autos de Infração e arquivamento deste processo administrativo. 156. A Recorrente protesta ainda pela juntada posterior de documentos que possam se fazer necessários, nos termos do artigo 16, § 4.º, alínea “a” do Decreto 70.235/72, bem como do princípio da verdade material que orienta o processo administrativo fiscal. 157. A Recorrente informa que tem interesse em realizar sustentação oral perante este E. CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. Após, os autos foram encaminhados ao CARF, para apreciação e julgamento. É o Relatório. VOTO Conselheiro Jeferson Teodorovicz, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. O recorrente alega preliminarmente a nulidade do auto de infração, pois a Fiscalização deveria ter esclarecido, de forma explícita, clara e congruente, os motivos pelos quais entende que o cálculo do valor limite de JCP que poderia ter sido pago e deduzido pela Recorrente nesses períodos estaria incorreto e deveria ser desconsiderado. Fl. 699DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 16 Acresce que as Autoridades Fiscais se limitaram a tão somente juntar cálculo próprio acerca do suposto valor máximo que supostamente poderia ter sido pago e deduzido pela Recorrente a título de JCP, glosando a diferença entre a sua apuração e os cálculos da Recorrente. Além disso, durante o procedimento de fiscalização, a Recorrente não foi intimada para se manifestar sobre os cálculos efetuados pelas Autoridades Fiscais ou acerca da suposta impossibilidade de apuração do valor limite para pagamento de JCP com base nos valores das contas patrimoniais da Recorrente constantes de sua escrituração contábil-societária e suas demonstrações financeiras (elaboradas de acordo com sua moeda funcional). Assim, segundo sustenta a Recorrente, esse tema não foi abordado na fiscalização e nem no TVF. Com o devido acatamento ao posicionamento defendido pela Recorrente, entendo que não merece prosperar a alegação de nulidade no caso concreto. Compulsando o termo de verificação fiscal, verifica-se que a fiscalização recompôs o cálculo dos JCPs dedutíveis a partir das premissas jurídicas que entendeu aplicáveis, indicando a glosa da diferença. Não há que se falar também em ofensa à ampla defesa e ao contraditório, pois diferentemente das hipóteses de arbitramento, a legislação de regência não exige a intimação dos contribuintes para esclarecer cálculos durante a fiscalização, fase pré-contenciosa. Isso porque o art. 59 do Decreto n. 70.235/72 dispõe que: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Contudo, o processo administrativo propriamente dito somente se inicia com a apresentação da Impugnação, nos termos do art. 14 do mesmo Decreto: A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. E mais, o art. 15 indica expressamente que a impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Assim, iniciado o processo administrativo, o contribuinte tem a possibilidade de apresentar sua impugnação e todos os documentos que entenda necessário para o convencimento dos julgadores administrativos. Além disso, caso os documentos sejam considerados suficientes, a consequência é o cancelamento do auto de infração. Embora o ideal seja a ampla colaboração entre o fisco e o contribuinte durante a fase inquisitória, buscando a melhor solução para as questões fiscais, a ampla defesa somente se manifesta com o início do processo, ou seja, com a apresentação da impugnação. Fl. 700DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 17 Por tais motivos, afasto a referida preliminar. Análise do mérito. No mérito, a controvérsia diz respeito aos critérios que devem ser aplicados para cálculo do JCP em empresas que adotam a moeda funcional para apresentação de sua documentação contábil. Nesse ponto, a Recorrente bem resume a controvérsia em sua petição: 92. Isso porque (A) enquanto a Recorrente calculou o montante de JCP que poderia ser pago por esta entidade nos períodos de 2018 e 2019 com base no valor de suas contas patrimoniais registrado em sua escrituração contábil- societária e demons-trações financeiras (elaboradas em moeda funcional, de acordo com as normas contábeis e societárias aplicáveis); (B) a Fiscalização efetuou cálculo próprio com base em registros em simples registros em moeda nacional, elaborados para fins de cumprimento de suas obrigações tributárias. O acórdão recorrido manteve a autuação, sob fundamento de que, para fins tributários, deve prevalecer a informação reconhecida e mensurada com base na moeda nacional, como disposto no art. 62 da Lei n. 12.973/2014: 28. Somente com a publicação da Lei n° 12.973/2014, a moeda funcional passou a ter tratamento tributário próprio, conforme pode ser observado abaixo: Art. 62. O contribuinte do imposto sobre a renda deverá, para fins tributários, reconhecer e mensurar os seus ativos, passivos, receitas, custos, despesas, ganhos, perdas e rendimentos com base na moeda nacional. § 1º. Na hipótese de o contribuinte adotar, para fins societários, moeda diferente da moeda nacional no reconhecimento e na mensuração de que trata o caput, a diferença entre os resultados apurados com base naquela moeda e na moeda nacional deverá ser adicionada ou excluída na determinação do lucro real. § 2º. Os demais ajustes de adição, exclusão ou compensação prescritos ou autorizados pela legislação tributária para apuração da base de Direito Tributário Societário cálculo do imposto deverão ser realizados com base nos valores reconhecidos e mensurados nos termos do caput. § 3º. O disposto neste artigo aplica-se também à apuração do imposto sobre a renda com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. § 4º. A Secretaria da Receita Federal do Brasil definirá controles específicos no caso da ocorrência da hipótese prevista no § 1º. (grifos nossos) Fl. 701DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 18 29. O exame do caput do artigo 62 da Lei 12.973 indica, claramente, que este traz uma lista taxativa, aplicável a “ativos, passivos, receitas, custos, despesas, ganhos, perdas e rendimentos”, elencando, assim, todos os itens que possuem uma relação direta com o cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (“IRPJ”) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (“CSLL”), para fins tributários. 30. O disposto nos artigos 286 a 288 da Instrução Normativa nº 1.700/2017, por sua vez, repetem os artigos 155 a 157 da Instrução Normativa nº 1.515/2014, e dispõem exatamente nos mesmos termos do artigo 62 da Lei 12.973/2014, conforme se lê abaixo: Art. 286. A pessoa jurídica deverá, para fins tributários, reconhecer e mensurar os seus ativos, passivos, receitas, custos, despesas, ganhos, perdas e rendimentos com base na moeda nacional. Art. 287. A pessoa jurídica que no período de apuração adotar, para fins societários, moeda funcional diferente da moeda nacional deverá elaborar, para fins tributários, escrituração contábil com base na moeda nacional, observado o disposto no art. 286. § 1º. A escrituração contábil de que trata o caput deverá conter todos os fatos contábeis do período de apuração, devendo ser elaborada em forma contábil e com a utilização do plano de contas da escrituração comercial. § 2º. Os lançamentos realizados na escrituração contábil de que trata o caput deverá, nos casos em que couber, manter correspondência com aqueles efetuados na escrituração comercial, inclusive no que se refere aos históricos. § 3º. A escrituração contábil de que trata o caput será transmitida ao Sped. § 4º. Na hipótese a que se refere o caput, o lucro líquido do exercício de que trata o § 1º do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, para efeito da determinação do lucro real e do resultado ajustado, deverá ser obtido com base na escrituração contábil de que trata o caput e deverá ser apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404, de 1976, ressalvado o disposto no art. 286 desta Instrução Normativa. § 5º Os ajustes de adição, exclusão ou compensação, prescritos ou autorizados pela legislação tributária para a determinação do lucro real e do resultado ajustado deverão ser realizados com base nos valores reconhecidos e mensurados na moeda nacional, nos termos do art. 286, constantes na escrituração contábil de que trata o caput. Art. 288. Salvo disposição em contrário a apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins tomará como base os valores registrados na escrituração de que trata o art. 287. (grifos nossos) Fl. 702DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 19 31. Verifica-se, portanto, que a RFB permite a adoção de moeda funcional diferente da nacional para fins societários, porém, do ponto de vista tributário, os ajustes de adição, exclusão ou compensação, prescritos ou autorizados pela legislação tributária para a determinação do lucro real e do resultado ajustado, deverão ser realizados com base nos valores reconhecidos e mensurados na moeda nacional, nos termos do art. 286, constantes na escrituração contábil de que trata o caput. 32. Assim, na prática, admite-se que a entidade possa adotar dois controles contábeis para fins de demonstrações financeiras, um na moeda nacional efetivado na escrituração da contabilidade, respeitando às determinações dispostas na legislação comercial e tributária e, outro na moeda funcional atentando-se às orientações do CPC n° 02, eis que, a entidade compartilha suas informações com os usuários internos e externos. 33. Destarte, ao buscar em sua ECD as informações acerca dos saldos das suas contas patrimoniais, para efetuar o cálculo do valor de JCP que poderia ser pago à contribuinte, e excluídos da apuração do lucro real, corretamente, a Autoridade Fiscal utilizou, o valor do saldo inicial dessas contas indicado em Reais (Valor dos Registros em Moeda Nacional), nos termos taxativos constantes do § 8º, artigo 9º da Lei 9.249/1995. A recorrente defende ainda que, ao prever que o cálculo dos pagamentos e despesas dedutíveis de JCP deverá ser realizado com base no valor das contas patrimoniais da Recorrente – sem prever nenhum ajuste específico com relação ao valor dessas contas indicado na escrituração contábil-societária e nas demonstrações financeiras da Recorrente – a Lei 9.249/95: a) incorpora os conceitos contábeis e societários de “patrimônio líquido” à legislação tributária; e b) confirma que a apuração desses pagamentos deverá se basear nos valores das contas patrimoniais registrados na escrituração contábil- societária e nas demonstrações financeiras da entidade. Acresce que, caso essa não fosse a intenção do legislador, a Lei 12.973/14, a qual foi editada em momento posterior à Lei 9.249/95 com o objetivo principal de adequar as normas tributárias às novas normas contábeis (dentre elas, o CPC 02), poderia ter alterado o art. 9º da Lei 9.249/95 para deixar claro que, para os fins de cálculo de JCP, deveriam ser considerados os valores das contas patrimoniais indicados em seus registros paralelos efetuados para fins tributários (em moeda nacional). Defende ainda que o artigo 62 da Lei 12.973/14 e os artigos 286 e 287 da IN 1.700/17 não tem o condão de vedar que o cálculo do valor limite dos pagamentos de JCP pela Recorrente seja realizado com base no valor de suas contas patrimoniais constantes de sua escrituração contábil-societária e demonstrações financeiras (elaboradas de acordo com sua moeda funcional). Alega também que, em nenhum momento, a Lei 12.973/13 prevê que: (i) os contribuintes devem manter demonstrações financeiras em moeda nacional (sem considerar os efeitos da conversão dos seus saldos contábeis em moeda funcional), muito menos possuir uma Fl. 703DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 20 apuração paralela e específica do seu patrimônio líquido em moeda nacional; ou (ii) o reconhecimento e a mensuração dos ativos, passivos, receitas, custos, despesas, ganhos, perdas e rendimentos, que servirão de suporte para a realização dos ajustes de adição, exclusão ou compensação previstos pela legislação tributária, não devem corresponder ao seu valor em moeda nacional após a conversão dos saldos contábeis em moeda funcional. Além disso, segundo a Recorrente, o artigo 62 da Lei 12.973/14 e os artigos 286 e 287 da IN 1.700/17 correspondem a dispositivos genéricos que: (i) não versam especificamente sobre o tratamento tributário que deve ser conferido a institutos contábeis/societários cujos conceitos são emprestados da legislação contábil-societária pelo legislador tributário; e (ii) não determinam que o cálculo do montante que pode ser pago pela Recorrente a título de JCP deve ser realizado com base nos registros em moeda nacional de suas contas patrimoniais, que são preparados somente para fins de cumprimento de suas obrigações acessórias tributárias e apresentam valores distintos dos valores do patrimônio líquido dos contribuintes apontados em sua escrituração contábil-societária e nas suas demonstrações financeiras auditas, elaboradas em moeda funcional conforme exigido pelas normas contábeis e societárias vigentes. Portanto, da análise dos argumentos suscitados pela defesa, pode-se dizer que a questão de fundo diz respeito em saber se o art. 9 da Lei 9.249/95 deve ou não ser interpretado a partir do que dispõe o art. 62 da Lei n. 12.973/2014. Art. 62. O contribuinte do imposto sobre a renda deverá, para fins tributários, reconhecer e mensurar os seus ativos, passivos, receitas, custos, despesas, ganhos, perdas e rendimentos com base na moeda nacional. (Vigência) § 1º Na hipótese de o contribuinte adotar, para fins societários, moeda diferente da moeda nacional no reconhecimento e na mensuração de que trata o caput , a diferença entre os resultados apurados com base naquela moeda e na moeda nacional deverá ser adicionada ou excluída na determinação do lucro real. § 2º Os demais ajustes de adição, exclusão ou compensação prescritos ou autorizados pela legislação tributária para apuração da base de cálculo do imposto deverão ser realizados com base nos valores reconhecidos e mensurados nos termos do caput . § 3º O disposto neste artigo aplica-se também à apuração do imposto sobre a renda com base no lucro presumido ou arbitrado, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. § 4º A Secretaria da Receita Federal do Brasil definirá controles específicos no caso da ocorrência da hipótese prevista no § 1º . Fl. 704DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12973.htm#art119 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 21 De pronto, verifica-se que o dispositivo se volta para a integralidade da tributação sobre a renda, bem como à CSL, ao PIS e ao COFINS. Pondera-se ainda se tratar de norma posterior, portanto, alterando a legislação anterior. Isso para dizer que, em minha leitura, o art. 9 da Lei n. 9.249/95 deve ser interpretado de acordo com o disposto no referido artigo 62. Assim, a regra geral é apuração para fins tributários em moeda nacional, admitindo- se a apuração para fins societários em moeda funcional. Ademais, o § 4 acima é explicito ao dispor que “A Secretaria da Receita Federal do Brasil definirá controles específicos no caso da ocorrência da hipótese prevista no § 1º”. Ao tratar da matéria a IN 1700 estabeleceu em seu art. 287 que a pessoa jurídica que no período de apuração adotar, para fins societários, moeda funcional diferente da moeda nacional deverá elaborar, para fins tributários, escrituração contábil com base na moeda nacional, observado o disposto no art.286: Art. 286. A pessoa jurídica deverá, para fins tributários, reconhecer e mensurar os seus ativos, passivos, receitas, custos, despesas, ganhos, perdas e rendimentos com base na moeda nacional. Art. 287. A pessoa jurídica que no período de apuração adotar, para fins societários, moeda funcional diferente da moeda nacional deverá elaborar, para fins tributários, escrituração contábil com base na moeda nacional, observado o disposto no art. 286. § 1º. A escrituração contábil de que trata o caput deverá conter todos os fatos contábeis do período de apuração, devendo ser elaborada em forma contábil e com a utilização do plano de contas da escrituração comercial. § 2º. Os lançamentos realizados na escrituração contábil de que trata o caput deverá, nos casos em que couber, manter correspondência com aqueles efetuados na escrituração comercial, inclusive no que se refere aos históricos. § 3º. A escrituração contábil de que trata o caput será transmitida ao Sped. § 4º. Na hipótese a que se refere o caput, o lucro líquido do exercício de que trata o § 1º do art. 6º do Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, para efeito da determinação do lucro real e do resultado ajustado, deverá ser obtido com base na escrituração contábil de que trata o caput e deverá ser apurado com observância das disposições da Lei nº 6.404, de 1976, ressalvado o disposto no art. 286 desta Instrução Normativa. § 5º Os ajustes de adição, exclusão ou compensação, prescritos ou autorizados pela legislação tributária para a determinação do lucro real e do resultado ajustado deverão ser realizados com base nos valores reconhecidos e mensurados na moeda nacional, nos termos do art. 286, constantes na escrituração contábil de que trata o caput. Fl. 705DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 22 Art. 288. Salvo disposição em contrário a apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins tomará como base os valores registrados na escrituração de que trata o art. 287. Não divergiu desse entendimento o acórdão recorrido: 31. Verifica-se, portanto, que a RFB permite a adoção de moeda funcional diferente da nacional para fins societários, porém, do ponto de vista tributário, os ajustes de adição, exclusão ou compensação, prescritos ou autorizados pela legislação tributária para a determinação do lucro real e do resultado ajustado, deverão ser realizados com base nos valores reconhecidos e mensurados na moeda nacional, nos termos do art. 286, constantes na escrituração contábil de que trata o caput. 32. Assim, na prática, admite-se que a entidade possa adotar dois controles contábeis para fins de demonstrações financeiras, um na moeda nacional efetivado na escrituração da contabilidade, respeitando às determinações dispostas na legislação comercial e tributária e, outro na moeda funcional atentando-se às orientações do CPC n° 02, eis que, a entidade compartilha suas informações com os usuários internos e externos. 33. Destarte, ao buscar em sua ECD as informações acerca dos saldos das suas contas patrimoniais, para efetuar o cálculo do valor de JCP que poderia ser pago à contribuinte, e excluídos da apuração do lucro real, corretamente, a Autoridade Fiscal utilizou, o valor do saldo inicial dessas contas indicado em Reais (Valor dos Registros em Moeda Nacional), nos termos taxativos constantes do § 8º, artigo 9º da Lei 9.249/1995. Assim, diante do previsto em lei, bem como na legislação de regência, correta a decisão recorrida, devendo ser mantida. A mesma conclusão deve ser aplicável à CSL, haja vista que o art. 62 supra estendeu sua aplicação a referida contribuição. Por fim, quanto ao pedido de juntada posterior de documentos, conquanto se admita a juntada posterior de documentos mesmo em etapa recursal, à luz do formalismo moderado e da verdade material, essa juntada de documentos na etapa recursal deve ser efetiva e apta a corroborar com o deslinde do caso. Conclusão Ante todo o exposto, conheço do recurso voluntário para afastar a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. É como voto. Assinado Digitalmente Jeferson Teodorovicz Fl. 706DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.669 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.746344/2022-07 23 Fl. 707DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10998204 #
Numero do processo: 17198.720014/2019-02
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA COM OMISSÃO NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Havendo a preterição do direito de defesa do contribuinte, nulo o acórdão recorrido, conforme expressa determinação do artigo 59, do Decreto n.° 70.235/1972.
Numero da decisão: 3101-004.057
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade do acórdão da DRJ e determinar que seja proferido novo acórdão, se atendo aos motivos determinantes utilizados pelo despacho decisório para indeferir o pedido do sujeito passivo. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.054, de 16 de julho de 2025, prolatado no julgamento do processo 17198.720006/2019-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente).
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO

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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Havendo a preterição do direito de defesa do contribuinte, nulo o acórdão recorrido, conforme expressa determinação do artigo 59, do Decreto n.° 70.235/1972. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade do acórdão da DRJ e determinar que seja proferido novo acórdão, se atendo aos motivos determinantes utilizados pelo despacho decisório para indeferir o pedido do sujeito passivo. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3101-004.054, de 16 de julho de 2025, prolatado no julgamento do processo 17198.720006/2019-58, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Renan Gomes Rego, Laura Baptista Borges, Ramon Silva Cunha, Luciana Ferreira Braga, Sabrina Coutinho Barbosa e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). RELATÓRIO Fl. 1115DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.057 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17198.720014/2019-02 2 O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente aos créditos presumidos na aquisição de leite in natura da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins, referente ao, no valor de R$ 1.958.015,92. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Inexiste cerceamento ao direito de defesa quando a motivação e os fundamentos legais das glosas realizadas estão presentes no relatório fiscal e as operações glosadas discriminadas em planilhas demonstrativas. PEDIDO DE PERÍCIA OU DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Ao julgador não é facultado valer-se de diligências ou perícias para, por vias indiretas, suprir o ônus probatório das partes, cabendo-lhe indeferir as requeridas pelo contribuinte quando sejam prescindíveis ao julgamento das matérias controversas. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INVIABILIDADE DE DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Os órgãos de julgamento administrativo estão obrigados a cumprir as disposições da legislação tributária vigente, sendo incompetentes para apreciar arguições de inconstitucionalidade de lei. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de Apuração: 01/04/2014 a 30/06/2014 RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Deve ser aplicada a taxa SELIC aos créditos da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social - Cofins deferidos e ainda não ressarcidos ou não compensados, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido. NOTA FISCAL. CONTABILIDADE. PROVA. Fl. 1116DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.057 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17198.720014/2019-02 3 É a nota fiscal o documento fiscal hábil e capaz de provar qualquer operação de aquisição da empresa, sendo indispensável sua apresentação para fins de aproveitamento de créditos da não cumulatividade decorrentes dessas operações. A contabilidade da empresa faz prova das operações comerciais da empresa somente nos casos em que, além de observadas as disposições legais, os fatos registrados estejam comprovados por documentos fiscais hábeis e idôneos. CRÉDITO EXTEMPORÂNEO Quando o §1° do art. 3° das Leis nº. 10.637/2002 e nº 10.833/2003 determina que os créditos da não cumulatividade sejam apurados sobre o valor dos bens e serviços adquiridos no mês ou sobre o valor das despesas incorridas no mês, confina o cálculo de créditos aos respectivos períodos de apuração, para que tanto a existência quanto a natureza do crédito possam ser devidamente aferidas dentro do período específico de geração. CRÉDITO. PRESUMIDO. SUSPENSÃO. Quando as pessoas jurídicas que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas no capítulo 4 da NCM comercializam o leite in natura a granel para a indústria de transformação, a operação se dá com suspensão das contribuições. Nos termos do § 4º, II do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, fica vedado o aproveitamento pelo adquirente do crédito presumido vinculado às operações com suspensão das contribuições.” Inconformada com o resultado do julgamento, a Recorrente interpôs seu Recurso Voluntário, descrevendo um breve memorial do seu processo produtivo, as razões de reforma do acórdão da DRJ, alegando a insubsistência das glosas do despacho decisório, o direito a crédito extemporâneo, sua defesa quanto ao critério de rateio, a necessidade de diligência e o direito à atualização monetária (Selic) dos créditos das contribuições. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade, razão pela qual merece ser conhecido. DA NULIDADE DO ACÓRDÃO DA DRJ. DO CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. MANIFESTAÇÃO DE OFÍCIO. Fl. 1117DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.057 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17198.720014/2019-02 4 Sustenta a Recorrente o seu direito ao crédito presumido do leite in natura e que se aproveitou dos créditos de operações com fornecedores que preenchiam os requisitos legais, nos termos da IN SRF n.° 660/2006. O Despacho Decisório efetuou glosas ao seguinte argumento: “O fundamento para a apuração do crédito presumido é encontrado no art. 8º da Lei nº 10.925/04 (com a redação em vigor à época de apuração do crédito) regulamentado – à época – pela Instrução Normativa SRF nº 660/06. (...) Até então, só era possível a utilização dos créditos presumidos para o desconto dos débitos das próprias contribuições. O art. 9º-A da Lei 10.925/04, incluído pela Lei nº 13.137/15, e regulamentado pela Instrução Normativa RFB nº 1.590/15, inovou ao permitir a compensação e o ressarcimento dos créditos presumidos acumulados, apurados conforme o art. 8º da Lei 10.925/04, em relação ao “leite in natura” utilizados na elaboração de outros tipos de leite: “Art. 9°-A. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8º apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário a partir da referida data, para: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) I – compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) II – ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) § 1º O pedido de compensação ou de ressarcimento do saldo de créditos de que trata o caput acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º somente poderá ser efetuado: (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) […] V - relativamente aos créditos apurados no período compreendido entre 1º de janeiro de 2014 e o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º , a partir de 1º de janeiro de 2019.; (Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) O referido ato de que trata o § 8º do art. acima é o Decreto nº 8.533/2015, publicado em 1º de outubro de 2015. O interessado protocolou o pedido de ressarcimento de acordo, portanto, com o determinado pela legislação. Do batimento entre a planilha apresentada pelo contribuinte e as NF’s obtidas via SPED, verificou-se que o contribuinte apropriou-se de créditos presumidos relativos a aquisições de empresas que não preenchem os requisitos previstos na legislação. Conforme já exposto, o crédito presumido aplica-se unicamente às aquisições feitas de pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, de cooperativa de Fl. 1118DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.057 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17198.720014/2019-02 5 produção agropecuária, e de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, entendendo-se por atividade agropecuária, de acordo com o art. 3º, §1º da Instrução Normativa SRF nº 660/06, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais. Desta forma glosou-se os valores das aquisições feitas junto às pessoas que não preenchem os requisitos legais. Constamos a glosa como “fornecedor” dentro da planilha de glosa.” (grifos do original) Às fls. 767, em arquivo não paginável, consta a planilha de glosas para o referido trimestre, do qual pude observar no filtro “fornecedor”, a glosa com operações para os fornecedores LATICINIOS TIROL LTDA., LATICINIOS CARAMBEI LTDA. – EPP e OMEGA AGRONEGOCIO LTDA. – ME. Por outro lado, ao avaliar a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, a DRJ consignou o seguinte quanto ao tema: “A interessa contesta as glosas alegando que seus fornecedores - cita: laticínios TIROL LTDA, CNPJ/MF nº 83.011.247/0015-36; LATICÍNIOS CARAMBEI LTDA. CNPJ/MF nº 07.724.186/0001- 70; LATICÍNIOS NITUANO S/A CNPJ/MF nº 04.780.751/0001-29 e ÔMEGA AGRONEGÓCIOS LTDA. – ME CNPJ/MF nº 17.411.029/0001-69 – alegando que as atividades dessas empresas em verdade se enquadram na condição de atividade agropecuária nos termos do art. 3º, §1º da IN SRF nº 660/2006. (...) Todavia, à luz da legislação de regência, não cabe razão à interessada. De se ver. De início, quanto à empresa ÔMEGA AGRONEGÓCIOS LTDA, em que pesem os argumento de defesa, há que se ressaltar que consta da planilha de glosa (coluna Tp_Pessoa) como sendo associada da interessada, o que, como já visto no item 4 deste voto, afasta de pronto o direito ao crédito pretendido, independentemente de a empresa exercer atividade agropecuária ou industrial. Seguindo, a teor da legislação de regência, primeiramente, é de se ressaltar que as aquisições do leite in natura, utilizado como insumo na produção de mercadorias para a alimentação humana, não ensejam a apuração de créditos básicos vinculados ao mercado interno não tributado, haja vista que referida aquisição se dá com a suspensão das contribuições e o inciso II do art. 2º das Leis nº Fl. 1119DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.057 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17198.720014/2019-02 6 10.637/2002 e nº 10.833/2003, vedam a apuração de créditos básicos quando da aquisição de bens não sujeitos ao pagamento das contribuições. Todavia, visando à garantia da manutenção do princípio da não cumulatividade, conferem o direito ao cálculo do crédito presumido, introduzido pelo art. 8º da Lei nº 10.925/2004, possibilitando que a indústria de produtos para a alimentação humana, sujeitas à incidência não cumulativa das contribuições, deduzam créditos sobre aquisições que não ensejariam o direito creditório nas alíquotas básicas. As agroindústrias que produzem as mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal relacionadas no caput do art. 8º contam com a previsão de desconto de crédito presumido calculado sobre os insumos adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física, sendo que a possibilidade de crédito se estende às aquisições efetuadas de pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, bem como de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, nos termos dos arts. 8º e 9º da mesma lei. (...) Portanto, quando as pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal classificadas no capítulo 4 da NCM (que é o caso dos fornecedores da interessada), comercializam o leite in natura a granel para a indústria de transformação (que é o caso da interessada), a operação se dá com suspensão das contribuições. Nessa medida, nos termos do § 4º, II do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, fica vedado o aproveitamento pelo adquirente do crédito presumido vinculado às operações com suspensão das contribuições. Ante o exposto, há que se manter a glosa.” (meus grifos) O acórdão da DRJ conclui, assim, que o leite in natura adquirido do fornecedor OMEGA AGRONEGOCIO LTDA. – ME não dá direito ao crédito presumido porque é associada da cooperativa, o que por si só impede o benefício, e que, além disso, quando fornecedores de produtos de origem animal, como o leite in natura, vendem esse produto a granel para indústria de transformação, a operação ocorre com suspensão do PIS/COFINS, sendo vedado, pelo §4°, II do artigo 8° da Lei n.° 10.925/2004, o aproveitamento de crédito presumido nessas situações. Ainda, com relação ao fornecedor OMEGA AGRONEGOCIO LTDA. – ME, as alegadas razões de decidir quanto ao item 4 do voto, não constam no acórdão. Ora, com relação às glosas com o filtro “fornecedor”, tem-se que o Despacho Decisório decidiu categoricamente que os fornecedores não cumpriam os requisitos cumulativos da legislação, conforme abaixo se transcreve novamente: “Conforme já exposto, o crédito presumido aplica-se unicamente às aquisições feitas de pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, de cooperativa de produção agropecuária, e de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, entendendo-se por atividade agropecuária, de acordo com o art. 3º, §1º da Instrução Normativa SRF nº 660/06, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais. Fl. 1120DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.057 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17198.720014/2019-02 7 Desta forma glosou-se os valores das aquisições feitas junto às pessoas que não preenchem os requisitos legais. Constamos a glosa como “fornecedor” dentro da planilha de glosa.” (grifos do original) Entendo, neste sentido, que é defeso ao julgador administrativo inovar no fundamento da glosa do crédito, sendo certo que as razões para manutenção da glosa das rubricas filtradas na planilha como “fornecedor” devem se limitar à motivação acima colocada. Na Manifestação de Inconformidade da Recorrente, protocolizada às fls. 822/857, é possível verificar que a Recorrente trouxe aos autos os comprovantes de inscrição (cartões CNPJ) dos seus fornecedores, reafirmando que são sociedades que exercem a atividade agropecuária. É de se notar que, quanto a essas alegações de defesa, a DRJ apenas se limitou a dizer que a Recorrente “contesta as glosas (...) alegando que as atividades dessas empresas em verdade se enquadram na condição de atividade agropecuária nos termos do art. 3º, §1º da IN SRF nº 660/2006”, no entanto, não analisa suas alegações e os cartões CNPJ apresentados na defesa, que em julgado similar de minha relatoria, nesta estimada 1ª Turma, da 1ª Câmara, da 3ª Seção do CARF (acórdão n.° 3101-003.921), já foi considerado como meio de prova para fins de verificar a atividade de fornecedores, com o consequente reconhecimento de crédito presumido das contribuições. Neste sentido, vale a leitura de trecho do acórdão n.° 3401-012.430, julgado em 26/09/2023, de relatoria do i. Conselheiro Renan Gomes Rego. Confira-se: “É cediço que ao julgador é facultado fundamentar suas decisões conforme entender suficiente, não sendo necessário manifestar-se à minúcia acerca de cada um dos argumentos esgrimidos pela parte. No entanto, toda a matéria questionada pelo sujeito passivo deve ser objeto de decisão. Isso porque o artigo 31 do Decreto n° 70.235/1972 protege o contribuinte de decisões que não analisam as suas razões da defesa, evitando possível cerceamento do direito de defesa: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir-se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. E sem delongas, já destaco que a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância alegada pelo Recorrente deve ser acatada, logo, anulo a decisão de primeira instância. (...) Com isso, como as razões da defesa não foram apreciadas pela primeira instância, caracteriza-se, assim, nítido cerceamento ao direito de defesa, por supressão de instância, razão pela qual deve ser declarado nulo o Acórdão de Manifestação de Inconformidade n° 101- 010.695, de 29 de junho de 2021, proferido pela 4ª Turma Fl. 1121DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3101-004.057 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17198.720014/2019-02 8 da DRJ01, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por ofensa ao artigo 31 e ao inciso II do artigo 59 do Decreto n° 70.235/72: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Assim é que, configurada a preterição do direito de defesa no caso concreto, expressamente arguida no recurso em comento, entendo que este colegiado deve declarar a nulidade da decisão recorrida, no que dispõe o art. 61 do mesmo Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Com efeito, a jurisprudência deste CARF é farta em decisões pela declaração da nulidade da decisão recorrida quando caracterizado, no caso concreto, o cerceamento do direito de defesa, preservando a competência originária da instância de piso para apreciação da reclamação interposta contra o ato decisório do Fisco, sob pena de supressão de instância.” (grifos do original) Julgo, portanto, nulo o acórdão da DRJ que, em nova análise, deve se ater ao motivo da glosa exarado por meio do Despacho Decisório, bem como avaliar as alegações de fato, de direito e provas apresentadas na defesa. Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e declarar de ofício a nulidade do acórdão da DRJ, ante o cerceamento ao direito de defesa da Recorrente. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso para declarar a nulidade do acórdão da DRJ e determinar que seja proferido novo acórdão, se atendo aos motivos determinantes utilizados pelo despacho decisório para indeferir o pedido do sujeito passivo. Assinado Digitalmente Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Redator Fl. 1122DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10880.988075/2017-58
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. TEMA 69 DA REPERCUSSÃO GERAL. PARECER SEI 7.698/2021/ME. Em conformidade com o Parecer SEI 7.698/2021/ME, os Auditores-Fiscais da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil devem observar o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 574.706/PR (Tema 69 da Repercussão Geral), no qual restou definido que o ICMS destacado na nota fiscal não compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, para os períodos de apuração posteriores a 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até essa data.
Numero da decisão: 3001-003.403
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em julgar acatada a preliminar suscitada pelo recorrente. Vencidos os conselheiros Larissa Cassia Favaro Boldrin, Daniel Moreno Castillo e Fabio Kirzner Ejchel, que rejeitavam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha e Wilson Antonio de Souza Correa negavam provimento ao recurso por entender que, no caso, não cabia a exceção da modulação de efeitos do RE 574.706/PR (Tema 69). Os demais conselheiros entenderam que o processo se enquadrava na referida exceção, mas que o recorrente não conseguiu comprovar o seu direito creditório por meio de documentação hábil e idônea. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.310, de 19 de fevereiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.987968/2017-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Fabio Kirzner Ejchel (substituto integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antonio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (presidente).
Nome do relator: FRANCISCA ELIZABETH BARRETO

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EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. TEMA 69 DA REPERCUSSÃO GERAL. PARECER SEI 7.698/2021/ME. Em conformidade com o Parecer SEI 7.698/2021/ME, os Auditores-Fiscais da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil devem observar o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 574.706/PR (Tema 69 da Repercussão Geral), no qual restou definido que o ICMS destacado na nota fiscal não compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, para os períodos de apuração posteriores a 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até essa data. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em julgar acatada a preliminar suscitada pelo recorrente. Vencidos os conselheiros Larissa Cassia Favaro Boldrin, Daniel Moreno Castillo e Fabio Kirzner Ejchel, que rejeitavam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha e Wilson Antonio de Souza Correa negavam provimento ao recurso por entender que, no caso, não cabia a exceção da modulação de efeitos do RE 574.706/PR (Tema 69). Os demais conselheiros entenderam que o processo se enquadrava na referida exceção, mas que o recorrente não conseguiu comprovar o seu direito creditório por meio de documentação hábil e idônea. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.310, de 19 de fevereiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.987968/2017-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 406DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.403 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988075/2017-58 2 Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Fabio Kirzner Ejchel (substituto integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antonio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que tratou de PER/DCOMP apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, decorrente de pagamento indevido e/ou a maior. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando, em síntese: Preliminarmente: 1. Do dever de observância à decisão definitiva pelo STF sobre a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS no conceito de faturamento e na base de cálculo do PIS e da Cofins – tema n° 69; Mérito: 1. O valor do ICMS destacado nas notas fiscais de circulação de mercadoria não pode ser considerado receita ou faturamento da recorrente para fins de incidência destas contribuições, então, o imposto estadual não deve ser incluído no cômputo das respectivas bases de cálculo. Logo, deve-se reconhecer o crédito da recorrente e deferir o pedido de restituição em questão, adequando-o ao entendimento exarado pelo E. STF; 2. Além da legitimidade do crédito ser notória, vez que o E. STF reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, a documentação acostada comprova que a recorrente recolheu a maior a quantia pleiteada, sendo por isso que também solicitou em sua defesa inicial, a realização de diligência e/ou perícia, se necessário, para dirimir eventuais dúvidas quanto ao montante requerido e para atestar sua legalidade; Fl. 407DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.403 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988075/2017-58 3 3. Da verdade Material e da Vedação ao enriquecimento ilícito do Estado; 4. Do sobrestamento do processo administrativo e da aplicação subsidiária do código de processo civil. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à preliminar, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: O presente voto divergente visa esclarecer os motivos pelos quais discorda-se parcialmente das razões de decidir da Relatora. No que diz respeito à questão preliminar, entendo que esta já restou atendida, uma vez que o processo foi sobrestado até a decisão final e modulação de efeitos do RE 574.706/PR (tema 69). Quanto à tempestividade, aos requisitos de admissibilidade e ao mérito, transcreve- se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide gira em torno da análise de Pedido de Restituição Eletrônico (PER/DCOMP n° 09164.67243.130906.1.2.04-3124), relativo a pagamento indevido e/ou a maior de Cofins (código 2172), do período de apuração 31/08/01, no valor de R$ 39.337,15, originado do DARF de valor total R$ 177.326,90, recolhido em 14/09/01. A Recorrente sustenta que o Pedido de Restituição requerendo a restituição de créditos tributários de PIS/COFINS decorrente da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS, conforme razões do recurso voluntário destacadas a seguir: Preliminar: 1) Do dever de observância à decisão definitiva pelo pleno do Supremo Tribunal Federal (“STF”) e da jurisprudência administrativa; Fl. 408DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.403 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988075/2017-58 4 Mérito: 2) Da origem do crédito: da base de cálculo do PIS/COFINS e da correta exclusão do ICMS; 3) Da verdade material e da vedação ao enriquecimento ilícito do estado; 4) Do sobrestamento do processo administrativo e da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. A Recorrente apresentou Memoriais às fls. 397 prestando esclarecimentos do processo paradigma (item 355), bem como para os demais processos que serão julgados sob a modalidade de recursos repetitivos, sendo eles (itens 355 a 484): Passo a análise a seguir: (...) Mérito Da origem do crédito: da base de cálculo do PIS/COFINS e da correta exclusão do ICMS Incialmente, esclareça-se que o Despacho Decisório não homologou a compensação declarada pela Recorrente pelo fato de o pagamento informado como gênese do crédito pleiteado encontrar-se integralmente alocado a débito da própria Contribuinte. Somente em Manifestação de Inconformidade a Recorrente deu conhecimento sobre o fundamento que seria a origem do valor do indébito, a saber, valores de ICMS incluídos, segundo a Requerente, indevidamente na base de cálculo da contribuição. Não trouxe, todavia, quaisquer documentos contábeis e fiscais para comprovação da alegada inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição em questão. Portanto, quanto a essa questão, entendo que devem ser feitas duas análises no presente julgado: i) uma relacionada à possibilidade de excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição (direito) e outra ii) relacionada à comprovação do crédito alegado (comprovação do direito). i) ICMS na base de cálculo da Cofins - Não Cumulativa Em síntese, a Recorrente afirma que o ICMS pertence ao Estado, não integrando o faturamento e nem representa receita, pois esta somente ocorre quando o ingresso torna-se parte integrante do patrimônio da Contribuinte e quando este ingresso tenha origem no exercício da atividade da empresa. Este assunto já foi pacificado no Supremo Tribunal Federal, ao exarar o Acórdão no RE nº 574.706-PR, em sede de repercussão geral, com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO Fl. 409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.403 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988075/2017-58 5 ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator (a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017) Ressalte-se que, contra tal decisão, até recentemente, pendia apreciação de Embargos de Declaração com o objetivo de esclarecimento de vários pontos, inclusive pleito de efeitos infringentes e modulação dos efeitos. No entanto, em julgamento datado de 13/05/2021, a questão foi definitivamente resolvida mediante a seguinte decisão: Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). Dessa forma, o STF modulou os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento. Ademais, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Parecer SEI nº 7698/2021/ME, com a seguinte conclusão: 16. Ante o exposto, nos termos expostos na ata de julgamento já publicada, conclui-se que cabe à Administração Tributária, consoante autorizado pelo art. 19, Fl. 410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.403 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988075/2017-58 6 VI c/c 19-A, III, e § 1º, da Lei nº 10.522/2002, observar, em relação a todos os seus procedimentos que: a) conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral, "O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS"; b) os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e c) o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais. Quanto à aplicação dessa decisão judicial em sede de processo administrativo, dispõe o art. 62, § 2º, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, como o pedido formulado nos presentes autos se deu em 17/07/2009, dentro do marco temporal estabelecido pelo STF para modulação dos efeitos do julgado, deve-se aplicar ao presente processo administrativo o entendimento do STF fixado no julgamento do RE nº 574.076/PR. Diante do exposto e nos termos acima, o direito alegado é favorável à Recorrente. ii) Comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado A Recorrente, em seus dois recursos apresentados na presente lide, limitou-se a argumentar a impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, o que justificaria seu pedido, sem, no entanto, apresentar em qualquer deles documentação comprobatória do crédito pleiteado. Ou seja, não foi comprovado o direito creditório pleiteado. A mencionada comprovação não se restringe a alegações. Demanda apresentação de documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos, e demais esclarecimentos quanto à redução da base de cálculo do tributo em causa. Em casos como o presente, sempre ressalto que, em havendo alegação de redução do valor do tributo devido para fins de liberar saldo de pagamento para Fl. 411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.403 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988075/2017-58 7 restituição/compensação, faz-se necessário, ainda, apresentação dos seguintes elementos: i) esclarecimentos quanto às operações que proporcionaram a redução da base de cálculo do tributo do período em comento, amparados por demonstrativos das duas bases de cálculo (tanto da que serviu para a apuração inicial, declarada em DCTF, quanto para a base reduzida); ii) documentos contábeis em que as pertinentes operações se encontram registradas; iii) documentos fiscais aptos a comprovar esses registros; e iv) demais esclarecimentos e documentos pertinentes, tudo devidamente conciliado. Sabe-se que o ônus de comprovação do direito creditório pleiteado em Pedido de Restituição / Declaração de Compensação pertence à Recorrente, sendo essa comprovação feita, não apenas com meras alegações ou retificação de declarações, mas primordialmente com documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos a tal intento. Isso porque o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/2015. Também, com base no art. 170 do CTN, para fazer jus à compensação pleiteada, a Contribuinte deve comprovar a liquidez e certeza do crédito à RFB, sob pena de restar indeferido o seu pedido. Por tais razões, tendo em conta que a Recorrente não trouxe demonstrativos e documentos contábeis e fiscais que comprovassem que o crédito pleiteado, que teria como origem o ICMS computado na base de cálculo da Cofins, deve ser improvido o recurso da Contribuinte. Da verdade material e da vedação ao enriquecimento ilícito do estado Ademais, não há o que falar em figura do enriquecimento sem causa do Estado quando ele coloca à disposição do administrado o direito de exercer a repetição de eventual indébito, na forma e tempo próprios prescritos em lei, concedendo direito ao contraditório e ampla defesa, exatamente como no caso concreto. Do sobrestamento do processo administrativo e da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil A Recorrente informa que a matéria relativa à discussão travada no presente processo está submetida ao E. Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral expressamente reconhecida, tendo como leading case o RE nº 574.706-PR, o que tornaria necessário adotar o sobrestamento julgamento da lide, nos termos do art. 62-A, § 1º e 2º, do RICARF/2009. Aprecio. A previsão regimental mencionada pela Recorrente não foi reproduzida no Regimento atual do CARF, Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Regimento Interno do CARF (RICARF). Fl. 412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.403 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988075/2017-58 8 Portanto, não há no RICARF vigente dispositivo que imponha/determine o sobrestamento dos presentes autos, na situação aventada pela Recorrente. Dessa forma, também neste ponto nega-se provimento ao Recurso Voluntário, já que inexiste fundamento para sobrestamento do presente feito. É como voto. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de julgar acatada a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Fl. 413DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 17227.720527/2021-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP). BASE DE CÁLCULO. CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. LUCROS ACUMULADOS. Para efeito de base de cálculo do JCP das sociedades limitadas, a conta de lucros acumulados deve ser tida como de mesma natureza da conta de prejuízos acumulados. A alteração no § 8º, do art. 9ª, da Lei nº 9.249/95 trazida pela Lei nº 12.973/2014 não teve o condão de impactar a forma de cálculo do valor de JCP a ser pago e, por consequência, deduzido. Tal circunstância fica corroborada com a recente alteração do dispositivo em comento trazida pela Lei nº 14.789/2023, a qual se dá caráter interpretativo.
Numero da decisão: 1202-001.666
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 29 de julho de 2025. Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Maurício Novaes Ferreira, André Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, José André Wanderley Dantas de Oliveira, Liaba Carine Fernandes de Queiróz e Leonardo de Andrade Couto (Presidente e Relator)
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO

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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2015 JUROS SOBRE CAPITAL PRÓPRIO (JCP). BASE DE CÁLCULO. CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. LUCROS ACUMULADOS. Para efeito de base de cálculo do JCP das sociedades limitadas, a conta de lucros acumulados deve ser tida como de mesma natureza da conta de prejuízos acumulados. A alteração no § 8º, do art. 9ª, da Lei nº 9.249/95 trazida pela Lei nº 12.973/2014 não teve o condão de impactar a forma de cálculo do valor de JCP a ser pago e, por consequência, deduzido. Tal circunstância fica corroborada com a recente alteração do dispositivo em comento trazida pela Lei nº 14.789/2023, a qual se dá caráter interpretativo. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Sala de Sessões, em 29 de julho de 2025. Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Maurício Novaes Ferreira, André Luis Ulrich Pinto, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, José André Wanderley Dantas de Oliveira, Liaba Carine Fernandes de Queiróz e Leonardo de Andrade Couto (Presidente e Relator) Fl. 478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.666 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720527/2021-35 2 RELATÓRIO Trata o presente de Autos de Infração para cobrança do IRPJ e da CSLL referentes aos anos- calendário de 2017 e 2018 no montante de R$ 32.923.932,61 e R$ 11.852.515,71; respectivamente, aí incluídos multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora. Foi também constituído crédito tributário referente à multa pela ausência de recolhimento de valores devidos a título de estimativa do IRPJ (R$ 6.877.922,81) e CSLL (R$ 2.476.052,21). De acordo com o Relatório Fiscal (RF) a fiscalizada deduziu despesas com juros sobre capital próprio (JCP) em montante superior ao permitido eis que considerou na base de cálculo para apuração, além do capital social, o valor dos lucros acumulados, em desconformidade com o § 8º, do art. 9º da Lei nº 9.249/95, com a redação dada pela Lei nº 12.973/2014. O dispositivo em questão estabelece que as contas do patrimônio líquido a serem consideradas na apuração são o capital social, reservas de capital, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados. Não há menção a lucros acumulados que devem ser usados apenas como um dos elementos no cálculo do limite máximo permitido para a dedução (art. 9º, § 1º, da Lei nº 9.249/95. Refeita a apuração, foram obtidos os valores de JCP dedutíveis no montante de R$ 43.568.940,23 em 2017 e R$ 41.107.677,29; em 2018. Tendo sido deduzidos R$ 80.000.000,00; em 2017 e R$ 59.700.000,00; em 2018, teria havido um excesso de R$ 36.431.059,77 (R$ 80.000.000,00 – R$ 43.568. 949,23) em 2017 e R$ 18.592.322,71 (R$ 59.700.000,00 – R$ 41.107.677,29) em 2018. Devidamente cientificada, a fiscalizada apresentou impugnação registrando ser uma sociedade limitada e como tal não sujeita integralmente às normas contábeis previstas nas leis societárias. Lembra que até 2007 o art. 178, § 2º, inciso III, da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A) previa que o PL seria composto pelas contas de capital social, reservas de capital, reservas de reavaliação, reserva de lucros e lucros ou prejuízos acumulados. A partir da Lei nº 11.638/2007, a redação foi alterada em relação a esse último item e no PL passou a constar apenas o resultado negativo (prejuízos acumulados). Aduziu que, apresentando lucro no final do exercício, a conta deveria ser zerada mediante destinação do valor a capitalização, distribuição ou reserva de lucros. Sustenta que essa alteração tinha como objetivo impedir a retenção indevida dos lucros por acionistas controladores de uma S/A em detrimento dos minoritários. Defende que foi esse o motivo pelo qual a Lei nº 12.973/2014 ajustou o texto do § 8º, do art. 9º da Lei nº 9.249/95 de forma a refletir a norma societária mas, salienta, sem intenção Fl. 479DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.666 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720527/2021-35 3 de alterar a apuração do JCP. Com base na doutrina contábil, afirma que a modificação trazida pela Lei nº 11.638/07 atinge exclusivamente as sociedades por ações. Para as sociedades limitadas, a conta de lucros acumulados representaria, de fato, a conta de lucros ou prejuízos acumulados. A seguir, tece arrazoado para demonstrar que a conta de lucros acumulados teria a mesma natureza da conta de reserva de lucros e não caberia o tratamento diferenciado estabelecido pela Fiscalização. Em caráter subsidiário reclama que a inclusão da conta de lucros acumulados no cálculo do JCP já teria sido chancelada em lançamentos anteriores e a modificação no critério jurídico ora efetuada pelo Fisco implicaria na impossibilidade de cobrança da multa e dos juros de mora. Por fim, argui a impossibilidade de cobrança da multa isolada pela concomitância com a multa de ofício e a inaplicabilidade de juros de mora sobre as multas. A Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 03 prolatou o Acórdão 103- 008.470 pelo qual negou provimento integralmente à impugnação em decisão consubstanciada na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2018 JUROS SOBRE O CAPITAL PRÓPRIO. FORMA DE CÁLCULO. CONTAS DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO. Para efeito de apuração do lucro real, a pessoa jurídica pode deduzir os juros sobre o capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP. Tal cálculo levará em consideração, exclusivamente, as seguintes contas do patrimônio líquido: capital social, reservas de capital, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2017 a 31/12/2018 ALTERAÇÃO DE CRITÉRIO JURÍDICO. INCORRÊNCIA. Apenas ocorre mudança de critério jurídico quando a autoridade administrativa, tendo adotado uma entre várias alternativas expressamente admitidas pela lei, na feitura do lançamento, pretende depois alterar esse mesmo lançamento mediante a escolha de outra das alternativas admitidas e que enseja a Fl. 480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.666 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720527/2021-35 4 determinação de um crédito tributário mais gravoso, hipótese diversa da ocorrida nos autos. EXCLUSÃO DE PENALIDADE E DA COBRANÇA DOS JUROS DE MORA. ART. 100 DO CTN. A exclusão de penalidades e de juros moratórios, prevista no parágrafo único, do art. 100, do Código Tributário Nacional, pressupõe a observância das normas complementares discriminados nos incisos I a IV do referido dispositivo. ESTIMATIVAS MENSAIS. IRPJ E CSLL. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. POSSIBILIDADE A multa isolada pode ser cumulada com multa de ofício, eis que não há coincidência de base de cálculo, pois esta incide sobre a parcela do IRPJ ou CSLL, apurados ao final do período, que deixou de ser paga ou declarada, e aquela incide sobre a estimativa mensal que deixou de ser recolhida. Ademais, não possui aplicação a Súmula CARF nº 105 às penalidades isoladas exigidas sobre fatos ocorridos após alterações promovidas pela Medida Provisória nº 351, de 2007, convertida na Lei nº 11.489, de 15/07/2007, nº art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. DECISÕES JUDICIAIS As decisões judiciais, mesmo que reiteradas, não podem ser estendidas genericamente a outros casos, aplicando-se e vinculando somente as partes envolvidas naqueles litígios. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. RAZOABILIDADE. PROPORCIONALIDADE. NÃO CONFISCO Não é possível, no âmbito do processo administrativo fiscal, a exclusão de multas, aplicadas dentro dos ditames legais, sob o pretexto de estarem em discordância com princípios constitucionais, cujo esfera adequada para discussão encontra-se no Poder Judiciário. JUROS SOBRE MULTA. CABIMENTO. ART. 161 DO CTN. ART. 61 DA LEI Nº 9.430/1996. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Devidamente cientificada, a autuada interpôs recurso voluntário ao CARF, ratificando em essência as razões expedidas na peça impugnatória. É o Relatório Fl. 481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.666 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720527/2021-35 5 VOTO Conselheiro Leonardo de Andrade Couto – Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por signatários devidamente legitimados e preenche as condições de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Para efeito de delimitação da lide, a principal questão a ser analisada cinge-se à definição das contas do Patrimônio Líquido (PL) que devem servir de base para apuração dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) a serem pagos aos acionistas. Ainda que o Relatório fiscal (RF) tenha feito menção aos limites de dedução, a suposta irregularidade ocorreu pelo que seria o uso indevido do saldo de Lucros Acumulados na composição da base de cálculo dos valores pagos e, portanto, deduzidos. No que interessa ao caso, o § 8º, do art. 9º, da Lei nº 9.249/95 previa em sua redação original (destaque acrescido): Art. 9º A pessoa jurídica poderá deduzir, para efeitos da apuração do lucro real, os juros pagos ou creditados individualizadamente a titular, sócios ou acionistas, a título de remuneração do capital próprio, calculados sobre as contas do patrimônio líquido e limitados à variação, pro rata dia, da Taxa de Juros de Longo Prazo - TJLP. (...) § 8º Para os fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, não será considerado o valor de reserva de reavaliação de bens ou direitos da pessoa jurídica, exceto se esta for adicionada na determinação da base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido. Vê-se que a única restrição quanto às contas do PL a serem utilizadas na apuração do JCP envolvia a reserva de reavaliação. A redação do parágrafo foi alterada pela Lei nº 12.973/2014 nos seguintes termos (destaques acrescidos): § 8º Para fins de cálculo da remuneração prevista neste artigo, serão consideradas exclusivamente as seguintes contas do patrimônio líquido: I - capital social; II - reservas de capital; III - reservas de lucros; IV - ações em tesouraria; e V - prejuízos acumulados Com base nesse texto, a autoridade lançadora refez a apuração do JCP calculado pela recorrente no ano-calendário de 2015, de forma a excluir da base de apuração o saldo de lucros acumulados pois, segundo o Fisco, o texto é taxativo em permitir apenas o cômputo do saldo de prejuízos acumulados. Fl. 482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.666 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720527/2021-35 6 Recentemente, a Lei nº 14.789/2023, trouxe nova redação ao dispositivo (destaques acrescidos): § 8º ......................................................................................... I - capital social integralizado; II - reservas de capital de que tratam o § 2º do art. 13 e o parágrafo único do art. 14 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; III - reservas de lucros, exceto a reserva de incentivo fiscal de que trata o art. 195- A da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976; .................................................................................................. V - lucros ou prejuízos acumulados. Essa última alteração é superveniente a todas as etapas processuais até aqui ocorridas. Tendo em vista que o texto legal estabelece – ou retoma- a mesma natureza entre as contas de lucros e prejuízos acumulados, sendo essa circunstância a principal razão de defesa apresentada pela recorrente, é razoável que se faça uma avaliação do caráter interpretativo dessa norma. A primeira questão a ser dirimida é a razão pela qual a alteração do § 8º, da Lei nº 9.249/95 trazida com a Lei nº 12.973/2014 faz apenas menção a prejuízos e não a lucros acumulados. No âmbito tributário, eis que se trata de norma dessa natureza, não vislumbro qualquer razão para o sectarismo perpetrado. Sendo assim, parece-me que assiste razão à defesa ao relacionar essa alteração com as modificações em dispositivos da Lei nº 6.404/76 (Lei das S/A). Na redação original dessa Lei, o art. 178, § 2º, inciso III estabelecia (destaque acrescido): Art. 178. No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. (...) d) patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, reservas de reavaliação, reservas de lucros e lucros ou prejuízos acumulados. A partir da Lei nº 11.638/2007, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, redação foi alterada nos seguintes termos (destaque acrescido): “Art. 178.......................................................... (...) d) patrimônio líquido, dividido em capital social, reservas de capital, ajustes de avaliação patrimonial, reservas de lucros, ações em tesouraria e prejuízos acumulados. Fl. 483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.666 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720527/2021-35 7 Não vejo outra razão para a alteração do § 8º, do art. 9º, da Lei nº 9.249/ 95 além de simplesmente adequar o texto à nova definição trazida pela alteração na Lei das S/A. Entretanto considerando que a comparação envolve uma lei tributária ante uma norma societária, importa avaliar as razões da modificação nessa última, antes de levar seus efeitos in totum àquela. Sob esse prisma, mostra-se coerente o argumento de que a alteração em comento teve como escopo impedir a retenção indevida e injustificada de lucros por acionistas controladores de uma S/A em detrimento dos acionistas minoritários, o que poderia ocorrer caso um resultado positivo dessa conta ao final do exercício não fosse distribuído ou transferido para reserva de lucros. As razões societárias não devem necessariamente ter impacto tributário até porque, como bem ressaltado na peça recursal, a alteração não teria razão de ser quanto às sociedades limitadas, caso da recorrente. A transcrição doutrinária e a Orientação do CFC trazidas no recurso bem esclarece a questão: “A partir da vigência da Lei nº 11.638/07 foi extinta a possibilidade de manutenção e apresentação de saldos a título de Lucros Acumulados no Balanço Patrimonial, mas apenas para o caso das sociedades por ações, o que não significa que a referida conta deverá ser eliminada dos planos de contas dessas entidades. (...) Nas demais sociedades, poderá aparecer também com saldo positivo e terá seu nome completo de Lucros ou Prejuízos Acumulados ou simplesmente Lucros Acumulados, como pode ser observado na OCPC 02 – Esclarecimentos sobre as Demonstrações Contábeis de 2008, em seus itens 115 e 116. Na mesma linha: “Lucros Acumulados 115. A obrigação de essa conta não conter saldo positivo aplica-se unicamente às sociedades por ações, e não às demais, e para os balanços do exercício social terminado a partir de 31 de dezembro de 2008. Assim, saldos nessa conta precisam ser totalmente destinados por proposta da administração da companhia no pressuposto de sua aprovação pela assembleia geral ordinária.” Daí porque, em sentido oposto ao entendimento da autoridade lançadora, entendo que alteração no § 8º, do art. 9º, da Lei nº 9.249/ 95 trazida pela Lei nº 12.973/2014 teve o intuito de, pela adequação do texto à norma societária, deixar claro que a base de cálculo do JCP não seria impactada pelo novo texto legal. A Exposição de Motivos referente à MP que precedeu a essa nova lei é clara e objetiva (destaque acrescido): “21. O art. 8º altera a redação dos arts. 9º, 13, 15, 20 e 21 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. 21.1. Tendo em vista que as novas regras contábeis trouxeram grandes modificações na composição do patrimônio líquido, a alteração do § 8º do art. 9º visa manter a mesma base de cálculo utilizada na apuração dos juros sobre o Fl. 484DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-001.666 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 17227.720527/2021-35 8 capital próprio existente até 2007, definindo as contas que poderão ser consideradas no seu cálculo. O § 11 visa esclarecer que as disposições relativas à dedução do valor pago a título de remuneração do capital próprio aplica-se à CSLL.” De todo o exposto, firmei convencimento de que a novíssima redação do § 8º, do art. 9º, da Lei nº 9.249/95, trazida pela Lei nº 14.789/2023, tem caráter eminentemente interpretativo de forma a deixar claro a inexistência de alteração na base de cálculo do JCP. Sob essa ótica, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Leonardo de Andrade Couto Fl. 485DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10120.904629/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Jul 25 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Uma vez demonstrada a inocorrência da omissão apontada pelo Embargante, os embargos de declaração devem ser rejeitados, dada a inexistência de vício a ser saneado no acórdão embargado.
Numero da decisão: 3201-012.428
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.419, de 25 de julho de 2025, prolatado no julgamento do processo 10120.904626/2015-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis

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OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Uma vez demonstrada a inocorrência da omissão apontada pelo Embargante, os embargos de declaração devem ser rejeitados, dada a inexistência de vício a ser saneado no acórdão embargado. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos de declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.419, de 25 de julho de 2025, prolatado no julgamento do processo 10120.904626/2015-79, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Fl. 618DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.428 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.904629/2015-11 2 Trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte acima identificado em face de acórdão do Recurso Voluntário, datado em 27/07/2023, ementado nos seguintes termos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2013 NÃO CUMULATIVIDADE. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. RATEIO PROPORCIONAL. A previsão de apuração da contribuição não cumulativa pelo método de rateio proporcional se aplica somente às hipóteses em que o contribuinte se submete a ambos os regimes de apuração - cumulativo e não cumulativo -, não se prestando à apuração de créditos em razão da destinação das vendas, apuração essa que também não sofre impacto das exclusões da base de cálculo previstas em lei devidamente computadas pela Fiscalização. CRÉDITO. FRETE. TRANSPORTE DE INSUMOS SUBMETIDOS À TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. POSSIBILIDADE. Tratando-se de aquisições de insumos a ser aplicados na produção ou na prestação de serviços, os dispêndios com os fretes correspondentes, devidamente tributados e prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, observados os demais requisitos da lei, ensejam o direito ao desconto de créditos, encontrando- se o seu ressarcimento autorizado apenas nos casos em que tais créditos se refiram a saídas desoneradas (exportação ou venda no mercado interno não tributada). CRÉDITO. REVENDA. AQUISIÇÃO DE SERVIÇOS. IMPOSSIBILIDADE. Na aquisição de bens destinados à revenda, o direito ao crédito se restringe ao valor da mercadoria, inclusive do frete na hipótese de este compor o custo de aquisição, não alcançando os dispêndios com frete contratado junto a terceiros, uma vez que a possibilidade de desconto de crédito na aquisição de serviços utilizados como insumos se restringe àqueles utilizados no processo produtivo ou na prestação de serviços. CRÉDITO. MORA OU OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Havendo mora ou oposição ilegítima por parte do Fisco no reconhecimento do direito ao desconto de crédito da contribuição não cumulativa, aplica-se a correção monetária, com base na taxa Selic, a partir do 361º dia contado a partir da data da formulação do pedido de ressarcimento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ACÓRDÃO RECORRIDO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA SEGUNDA INSTÂNCIA. DECISÃO DEFINITIVA. Tem-se por definitiva a decisão de primeira instância relativa a matérias não contestadas em sede de recurso voluntário. Fl. 619DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.428 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.904629/2015-11 3 Alegou o Embargante a ocorrência dos seguintes vícios no acórdão embargado: (i) “omissão quanto à receita bruta total no cálculo do rateio de créditos” e (ii) “desconsideração das exclusões da base de cálculo no cálculo do percentual correspondente a receitas “não tributadas”, sendo dado seguimento pelo Presidente da turma apenas ao primeiro. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. No Recurso Voluntário, o contribuinte requereu a reforma da decisão da DRJ, na parte em que se julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, com o deferimento integral do crédito pleiteado, bem como a atualização do crédito, pela taxa Selic, desde o 361º dia a partir do protocolo de sua Manifestação de Inconformidade até o efetivo ressarcimento, reafirmando os argumentos de defesa que restaram não acolhidos, exceto aqueles relativos à omissão do despacho decisório quanto ao pedido de ressarcimento do crédito presumido previsto no art. 56-B da Lei nº 12.350/2010, item esse não mais questionado pelo interessado. O dispositivo da decisão embargada encontra-se assim redigido: Acordam os membros do colegiado em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário nos seguintes termos: (I) por maioria de votos, para reverter as glosas de créditos relativos aos serviços de frete no transporte de insumos submetidos à tributação monofásica, desde que tais serviços tenham sido tributados pelas contribuições, prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País e se referirem a saídas desoneradas (exportação ou venda no mercado interno não tributada), vencidos os conselheiros Ricardo Sierra Fernandes e Ana Paula Pedrosa Giglio, que negavam provimento; e (II) por unanimidade de votos, para reconhecer o direito à correção monetária desses mesmos créditos, com base na taxa Selic, a partir do 361º da formulação do pedido. Os conselheiros Márcio Robson Costa, Tatiana Josecovicz Belisário e Mateus Soares de Oliveira foram vencidos ao dar provimento em maior extensão, alcançando também os dispêndios com fretes em aquisições para revenda de mercadoria sujeita à monofasia, observados os requisitos da lei. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Conforme acima relatado, trata-se de Embargos de Declaração em que o Embargante aduziu a ocorrência dos seguintes vícios no acórdão embargado: (i) “omissão quanto à receita bruta total no cálculo do rateio de créditos” e (ii) “desconsideração das exclusões da base de cálculo no cálculo do percentual Fl. 620DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.428 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.904629/2015-11 4 correspondente a receitas “não tributadas”, sendo dado seguimento pelo Presidente da turma apenas ao primeiro. Alega o Embargante o seguinte: Método de Determinação dos Créditos – Recálculo da Relação Percentual entre as Receitas Tributadas, Não Tributadas, e Exportação: A fiscalização glosou créditos da embargante sob a justificativa de que constatou que a mesma adotou o critério de ratear os valores totais dos créditos apurados de acordo com as receitas tributadas no mercado interno, receitas não tributadas no mercado interno e receitas de exportação, nos termos do art. 3º, § 8º, inciso II, das Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2003. Em contrapartida, para fins de recálculo, a fiscalização segregou as receitas da recorrente em cinco tipos e, para cada uma delas, rateou os créditos que bem entendeu, não aplicando, portanto, o rateio a todos os créditos apurados ao valor total das receitas auferidas, ocasionando na glosa parcial do crédito. Apesar de o Colegiado se pronunciar acerca do critério de cálculo realizado pela autoridade fiscal e, neste ponto, concordar com o procedimento realizado, em nada se manifestou quanto a consideração da receita bruta total para fins do cálculo dos créditos apurados. Neste aspecto, a lei é clara no sentido de que a relação percentual, para fins do rateio proporcional dos créditos apurados, deve ser calculada a partir da receita bruta total auferida, e não apenas por parte dela como procedeu a fiscalização. A respeito disso, o próprio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF já determinou que a receita oriunda de operações monofásicas evidentemente compõe a base de cálculo para fins de creditamento na forma do rateio proporcional. Confira-se o julgado do Egrégio Conselho: O regime de tributação monofásica ou concentrada de recolhimento do PIS e da COFINS tem por premissa unificar em uma só alíquota o valor das contribuições que o legislador admite, por presunção, que seria uma média da arrecadação da cadeia plurifásica, com atribuição de alíquota-zero para as etapas seguintes. Vê-se que aplicada a incidência monofásica, não se elimina a continuidade da cadeia plurifásica, razão porque, em obediência ao princípio da não cumulatividade, as receitas decorrentes das vendas tributadas à alíquota zero na sistemática não-cumulativa, deve compor a base de cálculo para fins de creditamento na forma do rateio proporcional. Entendo, portanto, que a legislação de regência não limitou a natureza da receita obtida no regime não cumulativo para fins de apropriação de créditos relativos aos custos, despesas e encargos comuns. A lei fala que no rateio proporcional aplica-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. A receita derivada da comercialização do óleo diesel e gasolina, sujeita à incidência monofásica, no regime não cumulativo do PIS e da COFINS, gera a Fl. 621DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.428 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.904629/2015-11 5 incidência à alíquota zero. Existe incidência, só não há pagamento porque o fator multiplicador é zero, derivado da escolha pelo regime monofásico como técnica de arrecadação. Logo, faz parte da base de cálculo do rateio proporcional acima referenciado, em obediência ao princípio da não cumulatividade. (Acórdão nº 3402-007.927 de 14/12/2020 – 3ª Seção de Julgamento/ 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária – Processo Administrativo nº 10650.900493/2012-21) Assim, a decisão embargada restou omissa neste ponto, pois não se deteve à análise do julgado acima colacionado, não elencando argumentos para afastar o direito da embargante quanto a consideração da receita bruta total auferida para o cálculo de rateio dos créditos. Deste modo, o acórdão embargado deve ser revisto neste ponto, para que a omissão, na qual incorreu a turma julgadora, seja sanada. (destaques nossos) Referida matéria foi analisada no voto condutor do acórdão embargado nos seguintes termos: I. Rateio entre receitas tributadas, não tributadas e exportação. O Recorrente contesta o método adotado pela Fiscalização no cálculo dos percentuais de rateio, em que se considerou que somente fazem parte do rateio proporcional os custos, despesas e encargos comuns aos diferentes tipos de receitas auferidas (tributada, não tributada no mercado interno e exportação), aduzindo que tal procedimento não tem respaldo legal, pois, no seu entendimento, “os §§ 7º, 8º e 9º, do art. 3º, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 preveem que a evidenciação dos créditos vinculados à parcela da receita submetida à incidência não cumulativa e àquelas submetidas ao regime cumulativo da Contribuição ao PIS/Pasep e da Cofins deve se dar, a critério da pessoa jurídica, com base no método da apropriação direta ou do rateio proporcional”. Os referidos §§ 7º, 8º e 9º do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 assim dispõem: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não- cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. Fl. 622DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.428 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.904629/2015-11 6 § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o ano-calendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. Constata-se dos dispositivos supra que o método de rateio proporcional ali tratado se refere à apuração dos créditos da contribuição não cumulativa na hipótese de sujeição da pessoa jurídica à incidência em ambos os regimes de apuração, a saber: cumulativo e não cumulativo. Tal método não se destina, em regra, à apuração de percentual a ser aplicado sobre a totalidade dos créditos a descontar, obtendo-se, a partir daí, os créditos proporcionais relativos às receitas decorrentes de vendas tributadas no mercado interno, vendas no mercado interno não tributadas e vendas para o mercado externo, pois que a regra acima se refere à separação dos cálculos da contribuição de acordo com cada um dos dois regimes de apuração, cumulativo e não cumulativo, a que a pessoa jurídica se submete. Nesse sentido, para se segregarem os dispêndios entre os sistemas cumulativo e não cumulativo, o contribuinte poderá utilizar a apropriação direta ou o rateio proporcional, apurando-se dessa forma os custos, despesas e encargos passíveis de creditamento (não cumulatividade) ou não (cumulatividade). Essa constatação encontra-se patente no Registro 0110 do Guia Prático EFD- Contribuições, reproduzido pelo Recorrente em sua peça recursal, em que consta que referido “registro tem por objetivo definir o regime de incidência a que se submete a pessoa jurídica (não-cumulativo, cumulativo ou ambos os regimes) no período da escrituração”, não se tratando, portanto, de método de rateio de créditos, mas de discriminação das receitas e despesas vinculadas à cumulatividade e à não cumulatividade. Encontrando-se a apuração da contribuição adstrita ao regime da não cumulatividade, como afirma o próprio Recorrente, os créditos serão apurados a partir de cada aquisição de insumos ou de produtos destinados à revenda, apartando-se, logicamente, os casos em que a lei não permite a apropriação de créditos, mas tudo isso caso a caso, nos termos dos incisos I e II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I - bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e b) nos §§ 1º e 1 o -A do art. 2º desta Lei; II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; Fl. 623DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.428 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.904629/2015-11 7 Nota-se dos dispositivos supra que a lei restringe o desconto de créditos a determinadas situações, excluindo-se desse direito, por exemplo, as mercadorias adquiridas para revenda submetidas à substituição tributária (inciso III do § 3º do art. 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003) e à tributação monofásica (§§ 1º e 1º-A do art. 2º das mesmas leis). Por outro lado, na apuração dos créditos passíveis de ressarcimento, adstritos àqueles vinculados a saídas não tributadas (exportação ou mercado interno não tributado), há que se observarem os dispositivos legais que versam sobre essa matéria, muito bem destacados pela Fiscalização no relatório fiscal, verbis: Lei nº 10.833/2003 (...) Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I - exportação de mercadorias para o exterior; II - prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; III - vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I - dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplica-se somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. § 4º O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1º não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. (...) Art. 15. Aplica-se à contribuição para o PIS/PASEP não-cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) III - nos §§ 3º e 4º do art. 6º desta Lei; (destaques nossos) Fl. 624DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.428 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.904629/2015-11 8 [...] Lei nº 11.116/2005 (...) Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano- calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestre-calendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei. [...] Lei nº 11.033/2004 (...) Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. (g.n.) Considerando-se os dispositivos supra, constata-se que somente dão direito a ressarcimento de crédito as aquisições de produtos aplicados em produtos finais cujas saídas são não tributadas (imunidade na exportação, suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência); logo, para se identificarem tais aquisições, torna- se necessário discriminar as saídas tributadas das não tributadas, como fez a Fiscalização na tabela 03 do relatório fiscal. A partir da proporcionalidade apurada entre as receitas tributadas, as não tributadas no mercado interno e as não tributadas na exportação, a Fiscalização calculou os percentuais de créditos passíveis de ressarcimento (tabela 04), excluindo-se as mercadorias tributadas adquiridas para revenda (saídas também tributadas), as mercadorias submetidas ao regime monofásico e à substituição tributária (não tributadas), os bens do ativo permanente vendidos e as devoluções de vendas, chegando-se aos créditos básicos a descontar (tabela 05). Destaque-se que a referência feita, no § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, aos §§ 8º e 9º do art. 3º da mesma lei serve tão somente para destacar que apenas os créditos decorrentes de dispêndios vinculados à sistemática da não cumulatividade poderão ser objeto de pedido de ressarcimento, o que exclui os gastos aplicados na produção ou na revenda submetida à sistemática cumulativa. Fl. 625DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.428 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.904629/2015-11 9 O julgador de piso muito bem concluiu acerca dessas questões, conforme se verifica do excerto a seguir transcrito: No caso, tendo a auditoria fiscal identificado custos, encargos e despesas que por sua natureza estão diretamente relacionados a receitas específicas (exportação, mercado interno tributado, mercado interno isento, mercado interno alíquota zero e mercado interno suspensão), não se tratando, portanto, dos custos comuns referidos no comando legal acima transcrito, agiu corretamente ao alocar os correspondentes créditos nãocumulativos ao tipo de receita a que estão vinculados. Dessa forma, mantém-se o procedimento da Fiscalização tratado neste item do voto. (destaques nossos) Nota-se do excerto supra que nenhuma omissão ocorreu no acórdão embargado, pois que ali restou consignado de forma expressa que o método do rateio proporcional destina-se tão somente à operação de discriminação das receitas submetidas à não cumulatividade em relação àquelas sujeitas à sistemática cumulativa de apuração das contribuições sociais, quando se faz uso dos valores referentes à receita bruta sujeita à incidência não-cumulativa e à receita bruta total, justamente para se diferenciarem as receitas que se submeterão a um regime das do outro. Muito provavelmente o questionamento do Embargante se deve à previsão contida no § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, em que se define que o ali exposto se aplica “somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º”. Contudo, tal dispositivo foi também enfrentado no acórdão embargado, tendo sido registrado, conforme o trecho acima transcrito, que “a referência feita, no § 3º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, aos §§ 8º e 9º do art. 3º da mesma lei serve tão somente para destacar que apenas os créditos decorrentes de dispêndios vinculados à sistemática da não cumulatividade poderão ser objeto de pedido de ressarcimento, o que exclui os gastos aplicados na produção ou na revenda submetida à sistemática cumulativa”. A decisão embargada, portanto, não se deteve aos argumentos relativos à receita bruta total justamente porque não se trata de apuração das contribuições em ambos os regimes, o cumulativo e o não cumulativo, mas de apuração de créditos passíveis de ressarcimento ou não, tendo-se em conta a destinação das mercadorias vendidas. Dessa forma, nenhuma omissão ocorreu quanto à matéria apontada pelo Embargante, razão pela qual os embargos devem ser rejeitados. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 626DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.428 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10120.904629/2015-11 10 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os embargos de declaração. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 627DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10845.724742/2013-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. DECISÃO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, quando, no curso do contencioso administrativo, resta evidente que o sujeito passivo compreendeu plenamente as razões para a negativa de sua pretensão e trouxe argumentos e documentos buscando comprovar suas alegações. Compulsando as peças recursais, desde a impugnação, observa-se que há completa argumentação contra os motivos de não reconhecimento do crédito pretendido, assim como apresentação de documentação para a demonstração de sua certeza e liquidez. Eventual vício de motivação de despacho decisório só poderia implicar sua nulidade se, no caso concreto, tivesse sido evidenciado efetivo cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. A própria autoridade fiscal traz em seu art. 176, § 1º, inciso VIII, da IN RFB 2121/22 que consideram-se insumos os serviços de transporte de insumos e de produtos em elaboração realizados em ou entre estabelecimentos da pessoa jurídica, estando tal matéria pacificada no âmbito da fiscalização, além de tal entendimento convergir com esposado pelo STJ, em sede de repetitivo, quando da apreciação do REsp. 1221170, Nota SEI 63/18 e Parecer Normativo Cosit 5/18, por ser item essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo. SERVIÇOS ADUANEIROS DE CARGA E DESCARGA, TRANSBORDO E FRETE INTERNO. ESSENCIALIDADE DEMONSTRADA. CRÉDITO RECONHECIDO. Adotando o critério da extração, na operação de importação de importação de bens (matéria prima/insumos), inegável a essencialidade dos serviços aduaneiros executados em solo nacional, que viabilizará a execução da etapa produtiva da empresa. Crédito restabelecido. CREDITAMENTO. BENS E SERVIÇOS NÃO ONERADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. INSUMOS. CRÉDITO BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS EM MANUTENÇÃO, REPAROS, PARTES E PEÇAS POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito das contribuições não cumulativas a aquisição de bens e serviços aplicados em manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, por representarem insumos da produção. INSUMOS. SERVIÇOS DE LUBRIFICAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito a contratação de serviço de lubrificação e manutenção de sistema de refrigeração de máquinas e equipamentos, por representarem insumos da produção. MINERAÇÃO. EXTRAÇÃO/BENEFICIAMENTO. GASTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com a contratação de serviços diversos vinculados à extração e ao beneficiamento de minerais se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e geram créditos das contribuições para o PIS e Cofins. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. PÁ CARREGADEIRA. LOCAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. CARGA. DESCARGA. DESESTIVA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pás carregadeiras, inclusive locação, para movimentação interna de insumos (matérias-primas), produtos acabados e resíduos matérias-primas, bem como com movimentação portuária para carga, descarga e desestiva de insumos (matérias-primas) importados enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e, portanto, dão direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e Cofins. ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos de PIS/COFINS apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Concede-se o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, é imprescindível a contratação de serviço de sondagem, devendo, portanto, ser reconhecido como insumo e concedido o direito ao crédito à Contribuinte. PIS. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRATAMENTO DE EFLUENTES. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam às despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam às despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. FRETE DE PRODUTO SEMIACABADO ENTRE UNIDADES DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O frete de produto semiacabado entre unidades da pessoa jurídica, por ser essencial ao processo produtivo, se inclui no conceito de insumo para fins de creditamento da Cofins não-cumulativa. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL. ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os serviços de manutenção predial não se enquadram no conceito de insumos, tendo em vista que posteriormente são incorporados ao ativo imobilizado, havendo o aproveitamento dos créditos por meio da depreciação. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços essenciais ou relevantes ao processo produtivo. Gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com os serviços de limpeza e o recolhimento e transporte de rejeitos.
Numero da decisão: 3301-014.449
Decisão: Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa às alegações de crédito sobre combustíveis e lubrificantes e em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito sobre os fretes na compra de insumos nacionais e importados, sobre os serviços de manutenção em equipamentos industriais e as respectivas partes e peças, sobre os serviços de refrigeração e lubrificação, sobre os serviços de mineração/beneficiamento de minério, sobre a armazenagem e descarga de insumos, sobre serviços de movimentação interna de insumos e locação das máquinas e equipamentos para movimentação interna, sobre serviços de sondagem e tratamento de efluentes, sobre materiais sobressalentes utilizados na manutenção, sobre fretes na movimentação interna de insumos e produtos semiacabados, sobre os pagamentos efetuados no âmbito do Contrato com Pinturas Ypiranga Ltda, MGM Engenharia e Operações Industriais Ltda, Terragama do Brasil Empreendimentos e Construções Ltda, Petrobras, Tópico Coberturas Alternativas Ltda, Ideal Guindastes e Equipamentos Ltda e sobre os encargos de depreciação sobre a ativação no imobilizado relativo aos pagamentos à Fast Engenharia e Montagens AS. Assinado Digitalmente Bruno Minoru Takii – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Aniello Miranda Aufiero Junior, Bruno Minoru Takii, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: BRUNO MINORU TAKII

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2009 a 30/09/2009 DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. DECISÃO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, quando, no curso do contencioso administrativo, resta evidente que o sujeito passivo compreendeu plenamente as razões para a negativa de sua pretensão e trouxe argumentos e documentos buscando comprovar suas alegações. Compulsando as peças recursais, desde a impugnação, observa-se que há completa argumentação contra os motivos de não reconhecimento do crédito pretendido, assim como apresentação de documentação para a demonstração de sua certeza e liquidez. Eventual vício de motivação de despacho decisório só poderia implicar sua nulidade se, no caso concreto, tivesse sido evidenciado efetivo cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. A própria autoridade fiscal traz em seu art. 176, § 1º, inciso VIII, da IN RFB 2121/22 que consideram-se insumos os serviços de transporte de insumos e de produtos em elaboração realizados em ou entre estabelecimentos da pessoa jurídica, estando tal matéria pacificada no âmbito da fiscalização, além de tal entendimento convergir com esposado pelo STJ, em sede de repetitivo, quando da apreciação do REsp. 1221170, Nota SEI 63/18 e Parecer Normativo Cosit 5/18, por ser item essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo. SERVIÇOS ADUANEIROS DE CARGA E DESCARGA, TRANSBORDO E FRETE INTERNO. ESSENCIALIDADE DEMONSTRADA. CRÉDITO RECONHECIDO. Adotando o critério da extração, na operação de importação de importação de bens (matéria prima/insumos), inegável a essencialidade dos serviços aduaneiros executados em solo nacional, que viabilizará a execução da etapa produtiva da empresa. Crédito restabelecido. CREDITAMENTO. BENS E SERVIÇOS NÃO ONERADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. INSUMOS. CRÉDITO BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS EM MANUTENÇÃO, REPAROS, PARTES E PEÇAS POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito das contribuições não cumulativas a aquisição de bens e serviços aplicados em manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, por representarem insumos da produção. INSUMOS. SERVIÇOS DE LUBRIFICAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito a contratação de serviço de lubrificação e manutenção de sistema de refrigeração de máquinas e equipamentos, por representarem insumos da produção. MINERAÇÃO. EXTRAÇÃO/BENEFICIAMENTO. GASTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com a contratação de serviços diversos vinculados à extração e ao beneficiamento de minerais se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e geram créditos das contribuições para o PIS e Cofins. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. PÁ CARREGADEIRA. LOCAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. CARGA. DESCARGA. DESESTIVA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pás carregadeiras, inclusive locação, para movimentação interna de insumos (matérias-primas), produtos acabados e resíduos matérias-primas, bem como com movimentação portuária para carga, descarga e desestiva de insumos (matérias-primas) importados enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e, portanto, dão direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e Cofins. ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos de PIS/COFINS apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Concede-se o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, é imprescindível a contratação de serviço de sondagem, devendo, portanto, ser reconhecido como insumo e concedido o direito ao crédito à Contribuinte. PIS. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRATAMENTO DE EFLUENTES. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam às despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam às despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. FRETE DE PRODUTO SEMIACABADO ENTRE UNIDADES DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O frete de produto semiacabado entre unidades da pessoa jurídica, por ser essencial ao processo produtivo, se inclui no conceito de insumo para fins de creditamento da Cofins não-cumulativa. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL. ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os serviços de manutenção predial não se enquadram no conceito de insumos, tendo em vista que posteriormente são incorporados ao ativo imobilizado, havendo o aproveitamento dos créditos por meio da depreciação. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços essenciais ou relevantes ao processo produtivo. Gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com os serviços de limpeza e o recolhimento e transporte de rejeitos.

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INDEFERIMENTO. Não se justifica a diligência para apurar informações quando os documentos e fatos constantes do processo são suficientes para convencimento do julgador. DECISÃO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, quando, no curso do contencioso administrativo, resta evidente que o sujeito passivo compreendeu plenamente as razões para a negativa de sua pretensão e trouxe argumentos e documentos buscando comprovar suas alegações. Compulsando as peças recursais, desde a impugnação, observa-se que há completa argumentação contra os motivos de não reconhecimento do crédito pretendido, assim como apresentação de documentação para a demonstração de sua certeza e liquidez. Eventual vício de motivação de despacho decisório só poderia implicar sua nulidade se, no caso concreto, tivesse sido evidenciado efetivo cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. A própria autoridade fiscal traz em seu art. 176, § 1º, inciso VIII, da IN RFB 2121/22 que consideram-se insumos os serviços de transporte de insumos e de produtos em elaboração realizados em ou entre estabelecimentos da pessoa jurídica, estando tal matéria pacificada no âmbito da fiscalização, além de tal entendimento convergir com esposado pelo STJ, em sede de repetitivo, quando da apreciação do REsp. 1221170, Nota SEI 63/18 e Fl. 500DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 2 Parecer Normativo Cosit 5/18, por ser item essencial e pertinente à atividade do sujeito passivo. SERVIÇOS ADUANEIROS DE CARGA E DESCARGA, TRANSBORDO E FRETE INTERNO. ESSENCIALIDADE DEMONSTRADA. CRÉDITO RECONHECIDO. Adotando o critério da extração, na operação de importação de importação de bens (matéria prima/insumos), inegável a essencialidade dos serviços aduaneiros executados em solo nacional, que viabilizará a execução da etapa produtiva da empresa. Crédito restabelecido. CREDITAMENTO. BENS E SERVIÇOS NÃO ONERADOS. IMPOSSIBILIDADE. Não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. INSUMOS. CRÉDITO BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS EM MANUTENÇÃO, REPAROS, PARTES E PEÇAS POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito das contribuições não cumulativas a aquisição de bens e serviços aplicados em manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo, por representarem insumos da produção. INSUMOS. SERVIÇOS DE LUBRIFICAÇÃO E MANUTENÇÃO DE SISTEMA DE REFRIGERAÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. POSSIBILIDADE. Gera direito a crédito a contratação de serviço de lubrificação e manutenção de sistema de refrigeração de máquinas e equipamentos, por representarem insumos da produção. MINERAÇÃO. EXTRAÇÃO/BENEFICIAMENTO. GASTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com a contratação de serviços diversos vinculados à extração e ao beneficiamento de minerais se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e geram créditos das contribuições para o PIS e Cofins. MOVIMENTAÇÃO INTERNA. PÁ CARREGADEIRA. LOCAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. CARGA. DESCARGA. DESESTIVA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Fl. 501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 3 Os custos/despesas incorridos com pás carregadeiras, inclusive locação, para movimentação interna de insumos (matérias-primas), produtos acabados e resíduos matérias-primas, bem como com movimentação portuária para carga, descarga e desestiva de insumos (matérias-primas) importados enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e, portanto, dão direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e Cofins. ALUGUEL DE MAQUINAS, EQUIPAMENTOS E VEÍCULOS. DESCONTO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Se o disposto no art. 3º, IV, da Lei 10.833/2003, não restringiu o desconto de créditos de PIS/COFINS apenas às despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos ao processo produtivo da empresa, não cabe ao intérprete restringir a utilização de créditos somente aos alugueis de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo. Concede-se o crédito na locação de veículos utilizados na movimentação de bens relacionados à atividades produtivas da pessoa jurídica. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, é imprescindível a contratação de serviço de sondagem, devendo, portanto, ser reconhecido como insumo e concedido o direito ao crédito à Contribuinte. PIS. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRATAMENTO DE EFLUENTES. É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam às despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados Fl. 502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 4 diretamente na produção de bens destinados à venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam às despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. FRETE DE PRODUTO SEMIACABADO ENTRE UNIDADES DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O frete de produto semiacabado entre unidades da pessoa jurídica, por ser essencial ao processo produtivo, se inclui no conceito de insumo para fins de creditamento da Cofins não-cumulativa. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL. ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os serviços de manutenção predial não se enquadram no conceito de insumos, tendo em vista que posteriormente são incorporados ao ativo imobilizado, havendo o aproveitamento dos créditos por meio da depreciação. PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços essenciais ou relevantes ao processo produtivo. Gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com os serviços de limpeza e o recolhimento e transporte de rejeitos. ACÓRDÃO Fl. 503DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 5 Vistos, discutidos e relatados os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e no mérito, por unanimidade de votos, em não conhecer da matéria relativa às alegações de crédito sobre combustíveis e lubrificantes e em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito sobre os fretes na compra de insumos nacionais e importados, sobre os serviços de manutenção em equipamentos industriais e as respectivas partes e peças, sobre os serviços de refrigeração e lubrificação, sobre os serviços de mineração/beneficiamento de minério, sobre a armazenagem e descarga de insumos, sobre serviços de movimentação interna de insumos e locação das máquinas e equipamentos para movimentação interna, sobre serviços de sondagem e tratamento de efluentes, sobre materiais sobressalentes utilizados na manutenção, sobre fretes na movimentação interna de insumos e produtos semiacabados, sobre os pagamentos efetuados no âmbito do Contrato com Pinturas Ypiranga Ltda, MGM Engenharia e Operações Industriais Ltda, Terragama do Brasil Empreendimentos e Construções Ltda, Petrobras, Tópico Coberturas Alternativas Ltda, Ideal Guindastes e Equipamentos Ltda e sobre os encargos de depreciação sobre a ativação no imobilizado relativo aos pagamentos à Fast Engenharia e Montagens AS. Assinado Digitalmente Bruno Minoru Takii – Relator Assinado Digitalmente Paulo Guilherme Deroulede – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Aniello Miranda Aufiero Junior, Bruno Minoru Takii, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Rachel Freixo Chaves, Keli Campos de Lima, Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). RELATÓRIO Trata-se o presente caso de pedidos de ressarcimento e de compensação de créditos de PIS/Pasep não cumulativo referentes ao 3ºT/2009, nos termos do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004. Fl. 504DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 6 Por bem descrever os fatos, transcreve-se parte do relatório da DRJ, assim expresso: Trata-se de Pedido de Ressarcimento Eletrônico e de Declarações de Compensação Eletrônicas, relativos a crédito de Pis/Pasep não cumulativo decorrente de operações no Mercado Interno, do 3º trimestre de 2009, conforme abaixo: (...) Uma vez que os processos acima relacionados foram objeto de uma mesma ação fiscal e se fundamentam nas mesmas razões de fato e de direito, foi emitido um único Despacho Decisório (Despacho Decisório DRF/STS nº 117, de 17/12/2014), no qual o direito creditório foi parcialmente reconhecido e as compensações foram homologadas até o limite do crédito concedido, nos seguintes termos: Fundamentação Os pedidos formulados têm por fundamento legal os artigos 3° das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003, que estabelecem que as pessoas jurídicas, que apuram seu lucro pelo real, podem constituir créditos do Pis/Pasep e da Cofins. relativos a insumos e outros itens, destinados à produção de seus bens ou serviços, com vistas à não cumulatividade da contribuição. A obtenção de créditos, passíveis de ressarcimento e ou compensação com outros tributos administrados pela RFB, está amparada no artigo 17 da Lei n° 11.033/2004, cujo excerto encontra-se abaixo transcrito. [...] Contudo, a despeito da autorização legal acima, ao conferir os créditos reclamados, parte deles foi glosada, por considerar a autoridade fiscal que sua obtenção se deu ao arrepio da legislação vigente, conforme detalhado no Termo de Verificação anexo. Entre as irregularidades apontadas, constam a apropriação dc créditos decorrentes de saídas isentas das contribuições, expressamente vedada pelo artigo 3º . parágrafo 2º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003: [...] Da mesma forma, foram glosados créditos relativos a fretes de mercadorias, armazenagem, locação de equipamentos, bem como outros oriundos da compra de produtos, os quais não são considerados insumos, de acordo com as normas legais. Importante salientar que, devido ao ajuste de ofício realizado para conformar os créditos com a legislação, estes foram reduzidos e, sendo assim, as contribuições devidas mensalmente, inicialmente extintas pelos créditos apurados pela contribuinte, resultaram em insuficiência de recolhimento. De forma a suprir tal irregularidade de pagamento, as diferenças foram deduzidas dos créditos reconhecidos. Desta feita, a tabela abaixo relaciona os valores passíveis de ressarcimento e de compensação, após a restauração de ofício que alocou parte dos créditos Fl. 505DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 7 reconhecidos na extinção das diferenças relativas aos recolhimentos a menor das contribuições devidas mensalmente. Isto posto, com base no acima exposto e com fundamento no artigo 170 da Lei n° 5.172/66-Código Tributário Nacional, nas Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 e alterações posteriores, e na legislação comentada, proponho o reconhecimento parcial dos créditos do Pis/Pasep e da Cofins, apurados nos 3º e 4º trimestres de 2009, conforme tabela acima, obtidos em razão de sua não cumulatividade e oriundo da venda de produtos isentos no mercado interno. Em decorrência, em virtude dos ajustes de ofício, proponho que os pedidos de ressarcimento sejam deferidos conforme acima indicado, homologando-se as compensações vinculadas até esses limites. Foi elaborada Informação Fiscal, na qual foi apontado o resultado apurado para o período em questão, mediante transcrição do Demonstrativo nº 11 anexo ao Termo de Verificação Fiscal (TVF) - (Pis e Cofins - 3º e 4º trim/2009). Referido TVF foi colacionado nos autos do processo nº 10845.724757/2013-37, cujos fundamentos são abaixo parcialmente transcritos: (...)... O presente Termo se refere a PIS E COFINS do 3º e 4º º trimestre de 2.009 e se relaciona aos seguintes processos e PER/DCOMP: ... Em resumo, os Termos de Inicio e de Intimações Fiscais, solicitam ao contribuinte, entre outros: - Demonstrativos das Notas Fiscais dos registros efetuados na DACON – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais; - Base legal das origens dos registros dos créditos; - Arquivos digitais de Notas Fiscais; - Cópias de notas fiscais e contratos, bem como esclarecimentos a respeito de determinados itens da nota fiscal e/ou da composição do crédito. ... DA APURAÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO PARA PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL – PIS E DA CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS DAS RECEITAS – 3º e 4º TRIMESTRE/2009 As bases de cálculo da COFINS e PIS apuradas sobre as receitas, são as vendas de mercadorias/produtos no mercado interno e externo e demais receitas, referente ao 3º e 4º trimestre/2009. Constam do demonstrativo apresentado pelo contribuinte valores divergentes dos constantes da DACON, sendo aqueles de acordo com os balancetes de verificação. Os cálculos dos percentuais para rateio foram efetuados corretamente, a partir dos dados dos demonstrativos apresentados, baseados nos balancetes de verificação mensal. CRÉDITO DAS CONTRIBUIÇÕES A empresa apresentou os demonstrativos dos Créditos das Contribuições do PIS e da COFINS do período de abril a dezembro/2009, em meio magnético. Fl. 506DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 8 Conforme correspondência datada de 05/02/2014, em atendimento a intimação fiscal, o contribuinte informa que os créditos tiveram como base legal os incisos I, II, III, IV, V e VI da Lei nº 10.833 de 29/12/2013. No demonstrativo em meio magnético (CD) apresentado pelo contribuinte constam as seguintes rubricas, como CRÉDITOS A DESCONTAR Banco de dados – planilhas - Arrendamento de Equipamentos de Informática; - Débito direto – Partes e Peças; - Débito direto – Serviços de armazenagem; - Débito direto – Serviços de Terceiros Locação; - Débito direto – Serviços de Terceiros; - Entrada estoque - MP/Insumos; - Entrada estoque - Partes e Peças; - Estornos – Partes e Peças; - Notas fiscais manuais – Energia Elétrica; - Notas fiscais manuais – Insumos; - Créditos – Importação; - Créditos – Depreciação – Para Programada; - Frete CIF; - Fretes sobre Importações; - Fretes sobre transferências entre centros. Nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais, constam como Base de cálculo dos créditos a descontar os seguintes itens: - Bens utilizados como insumos; - Serviços utilizados como insumos; - Despesas de energia elétrica; - Despesas de alugueis de máquinas e equipamentos locados de pessoa jurídica; - Despesas de armazém e fretes na operação de venda; - Despesas de contraprestação de arrendamento mercantil; - Encargos de depreciação do ativo imobilizado; - Devolução de vendas. O demonstrativo detalhado por item da nota fiscal apresentado pelo contribuinte consolidando as bases dos créditos das rubricas acima citadas, coincidem com os valores registrados no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - DACON, referente ao período de julho a dezembro/2009. ... A empresa foi intimada a demonstrar os créditos das contribuições de forma individualizada e, também a comprovar os registros efetuados nos demonstrativos. A empresa apresentou os demonstrativos, cópias de notas fiscais selecionadas por amostragem e alguns contratos de prestação de serviço, para a comprovação dos valores lançados como créditos nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições Sociais. As planilhas apresentadas pela empresa registram os valores dos documentos e das notas fiscais de aquisição de mercadorias/produtos e as de prestações de serviços. Os créditos têm como base as rubricas acima mencionadas e nas referidas aquisições os seus registros foram efetuados por item da nota fiscal, de forma individualizada, cujos totais foram especificados nos Demonstrativos e na DACON. A alíquota adotada pela empresa é de 1,65% para a apuração da Contribuição do PIS e 7,6% da COFINS, tanto sobre as receitas, como também, para os créditos a Fl. 507DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 9 descontar nas entradas de mercadorias/produtos e demais despesas lançadas no período de julho a dezembro/2009. DO CRÉDITO DO PROCESSO O crédito registrado no processo de PER/DCOMP relativo ao COFINS – Não Cumulativo, são decorrentes das aquisições efetuadas no Mercado Interno, nos termos do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcrito: ... DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DAS CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS O contribuinte apresentou os Demonstrativos – DACON, referente aos meses de julho/2009 em 04/09/2009 e 30/09/2009, agosto/2009 em 06/10/2009, setembro/2009 em 09/11/2009, outubro/2009 em 07/12/2009, novembro/2009 em 07/01/2010 e dezembro/2009 em 29/01/2010. Posteriormente em 20/12/2013, entregou DACON – RETIFICADORES, que resultaram em aumento das bases de cálculo dos créditos a descontar. Na apuração de créditos da Contribuição para o PIS e da COFINS do período de julho/2009 a dezembro/2009, os demonstrativos registram como base os itens (linhas) das Fichas 06A, 06B, 16A e 16B, referentes aquisições no Mercado Interno e de Importações, bem como os créditos a descontar com a alíquota de 1,65% e 7,6%, respectivamente. Os créditos registrados mensalmente estão vinculados às Receitas: Tributada no Mercado Interno, Não Tributada no Mercado Interno e de Exportação, existindo ainda, os créditos calculados relativos a aquisições de Importação (Ficha 06B e 16B). Ainda, com relação aos Demonstrativos – DACON, o contribuinte registra como Demonstração de Cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS (Ficha 07A/17A) as Receitas de Vendas de Bens e Serviços e as Demais Receitas tributadas a alíquota de 1,65% e 7,6%, e também as Receitas tributadas a Alíquota Zero e as sem incidência da Contribuição – Exportação. Ressalta-se a que os valores constantes do DACON relativo a receitas não tributadas, não coincidem com os valores constantes de balancetes e demonstrativos apresentados, sendo considerado em nossos trabalhos os valores do demonstrativo. DA APURAÇÃO DOS CRÉDITOS DA COFINS A empresa ULTRAFÉRTIL S.A. foi intimada a comprovar os créditos registrados no PER/DCOMP e no DACON, tendo apresentado em atendimento o Demonstrativo de composição das bases de cálculo dos créditos, notas fiscais de entrada, notas fiscais de prestação de serviço e comprovantes de custos e de despesas, selecionados por amostragem. Da análise das notas fiscais de entrada e dos demais documentos que deram origem aos créditos da Contribuição para o PIS e da COFINS, constatamos a existência de irregularidades na apropriação decorrentes: créditos das aquisições de mercadorias com redução da alíquota zero das contribuições; créditos tomados equivocadamente; créditos relativos a material e mercadoria para uso e consumo; créditos sobre frete relativo a compras (aquisições), transferências Fl. 508DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 10 entre unidades e movimentação interna; créditos nos registros de provisões e despesas de serviços prestados. Tal fato, originou a glosa dos créditos especificados nos demonstrativos adiante mencionados. Ressaltamos, a existência do Acórdão 05-31.721 – 3ª Turma da DRJ/Campinas, de 17/12/2010, decorrente do processo 15987.000225/2007-61, contra a interessada, tendo como origens as referidas glosas, contendo parte dos registros, a seguir transcritos. Acórdão 05-31.721 – 3ª Turma da DRJ/CAMPINAS, de 17/12/2010. Interessada: Ultrafértil S/A – CNPJ nº 02.476.026/0001-36. Processo nº: 15987.000225/2007-61 CRÉDITOS APURADOS NO MERCADO INTERNO De início, verifica-se pela legislação que a regra básica para o aproveitamento de créditos não cumulativos, das contribuições sociais, apuradas no mercado interno, é a do desconto da própria contribuição. A Lei nº 10.833/2003, no seu artigo 3º, assim prevê: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...)Nesta sistemática, os valores embutidos no preço dos produtos ou insumos adquiridos pela pessoa jurídica podem ser descontados dos valores a pagar quando da venda. Assim, a lógica da não cumulatividade pressupõe que o débito da contribuição gerado com a venda é sempre maior do que o crédito obtido da aquisição anterior, permitindo ao contribuinte descontar a contribuição embutida no preço por ele suportado na aquisição. Por outro lado, as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não-incidência da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse é o entendimento do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, aqui transcrita: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero)ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Estes créditos acumulados, decorrentes de vendas não tributadas pela contribuição, poderão ser utilizados em compensação, como prevê a Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a Fl. 509DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 11 legislação específica aplicável à matéria; ou II - pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Tal permissivo legal indica a mesma lógica não cumulativa da contribuição social: o contribuinte que é onerado pela COFINS na aquisição, e, não o é na venda, tem a opção de descontar ou de compensar os créditos das operações de aquisição depois de acumulados ao final de cada trimestre. Entretanto, tal permissivo legal é específico e não opera por si só. Vale dizer, na formação do crédito do mercado interno, previsto no artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, e cuja manutenção está prevista no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, não basta que o contribuinte tenha apenas efetuado venda exonerada da contribuição. Precisa também que na aquisição de bens ou serviços, ao crédito relacionado, sejam sujeitos ao pagamento da contribuição, pois, caso contrário, não gera direito creditório algum, conforme o disposto na Lei nº 10.865/2004, que alterou a redação do parágrafo 2º do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003: (...)§ 2º Não dará direito a crédito o valor: (...)II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Retomando-se à abordada lógica da não cumulatividade, se na aquisição não há custo suportado com a contribuição, não há motivo para que o contribuinte se credite na saída, também exonerada. Do exposto acima, conclui-se que o direito à utilização em compensação, do saldo credor apurado em decorrência da venda de produtos no mercado interno sujeitos à alíquota zero da COFINS, está condicionado à que as aquisições dos bens ou serviços a eles relacionados tenham se sujeitado ao pagamento da contribuição. Caso contrário, não há o que se falar em direito ao crédito. Ademais, consignou que para adequar a manutenção dos créditos decorrentes das vendas de produtos sujeitos à alíquota zero à sua possibilidade de aproveitamento, foi editado o art. 16 da Lei n° 11.116/2005, que determinou que o crédito excedente após a dedução do valor das próprias contribuições a recolher poderá ser utilizado na compensação de débitos próprios de demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Como visto mais acima, o citado artigo da Lei nº 11.033/2004 não dá margem a erro na identificação de quais créditos poderão ser utilizados em compensação: aqueles acumulados em virtude do disposto no artigo 17, e não, do excedente dos créditos apurados pela contribuinte, aí no meio, os créditos previstos no artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. FRETE NA COMPRA DE BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS De pronto, analisando o disposto na Lei nº 10.833/2003, verifica-se que não há previsão legal para apurar créditos de frete nas operações de compra, mas tão somente quando das Fl. 510DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 12 operações de venda. Assim também dispõe a Solução de Divergência Disit nº 12, de 08 de abril de 2008: Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins com incidência não-cumulativa, exceto se se tratar de pessoa jurídica cujo objeto societário seja transporte. FRETES SOBRE IMPORTAÇÃO DE MATÉRIA PRIMA Afirma a manifestante que “uma vez desembarcados os produtos químicos importados por meio do Terminal Marítimo em Santos, estes são imediatamente transferidos por meio de dutos especiais até o Complexo Industrial de Piaçaguera ("CPG"), localizado em Cubatão/SP, onde é armazenado em tanques próprios. Também assevera a interessada que “não há outra maneira possível da mercadoria importada por via marítima ser recebida no estabelecimento industrial de Cubatão que não por meio do prévio desembarque no terminal portuário.” Conclui a contribuinte que “o valor do frete representa custo na aquisição dos insumos, ou seja, custo da produção, razão pela qual deve ser autorizado o creditamento sobre tais operações”. Ao contrário do entendimento esposado acima, os gastos com frete após o despacho aduaneiro não dão direito ao crédito da COFINS, pois tais gastos não fizeram parte do valor aduaneiro do bem importado. Neste sentido esclarece a Solução de Consulta nº 85 da 6ª Região Fiscal: as despesas com o transporte e a armazenagem no Brasil de produtos importados, após o despacho aduaneiro, não dão direito aos créditos da Cofins e também do PIS para as empresas que estão na sistemática da não-cumulatividade. AQUISIÇÕES NÃO ONERADAS PELA CONTRIBUIÇÃO Em outra vertente, a interessada argumenta que parte das glosas efetuadas pela Fiscalização refere-se à aquisição de insumos sujeitos à alíquota zero da COFINS, utilizando-se a premissa de que os insumos adquiridos com alíquota zero foram integralmente empregados na formulação de produtos vendidos também à alíquota zero. Entretanto, a Lei 10.833/2002, alterada pela Lei nº 10.865/2004, prevê expressamente que aquisições não sujeitas ao pagamento da contribuição não dão direito ao crédito. In verbis: Art. 3º (...) § 2º (...) Não dará direito a crédito o valor: (...)II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Fl. 511DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 13 Como já exposto mais acima, a lei diz em quais hipóteses o contribuinte poderá se creditar da contribuição, não tendo, a sistemática da não cumulatividade regramento semelhante à outros tributos. Desta feita, na lógica não cumulativa, também já abordada, as aquisições que não suportaram o ônus da contribuição não geram direito creditório para o contribuinte, a não ser na hipótese legal de isenção, o que não é o caso. Assim, diferentemente do alegado sobre a glosa do crédito de insumos sujeitos à alíquota zero, não se trata aqui de que estas aquisições tenham sido totalmente empregadas na formulação de produtos vendidos também à alíquota zero. A limitação ao crédito ocorre antes que o contribuinte faça a venda dos produtos a ele relacionados, pois a Lei impede que operações que não suportaram a contribuição possibilitem sua manutenção e/ou aproveitamento. Embora tal sistemática seja considerada pela interessada como injusta, pois “para a comercialização de determinado bem, necessita adquirir insumos não tributados, ao passo que o elo anterior da cadeia beneficiase da desoneração tributada”, trata-se tão somente da aplicação da legislação. Por conclusão, não tem razão a interessada quanto ao crédito aqui reclamado. Se preliminarmente a manifestante tinha em parte razão na argumentação, aqui não demonstrou possuir tais créditos, em função da sistemática de apuração não cumulativa. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS E PARTES E PEÇAS A manifestante argumenta que as aquisições de serviços de manutenção em equipamentos industriais, assim como das respectivas partes e peças empregadas para tal fim estariam dentro dos limites e/ou condições para apropriação dos créditos da não cumulatividade, uma vez que estariam compreendidos no conceito de insumo. Continuou sua argumentação, afirmando que os créditos a que tem direito compreenderiam todos os bens e serviços utilizados na produção. Além de citar o artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, citou também as Instruções Normativas 247/2002 e 404/2004 que regulamentaram o conceito de insumo. Abaixo, transcrevemos o artigo 66 da IN SRF nº 247/2002: Artigo 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não-cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos (...)§ 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende-se como insumos: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)I - utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; (Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003)b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (Incluído Fl. 512DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 14 pela IN SRF 358, de 09/09/2003)Como exposto na norma, entende-se como insumos utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. Conforme disposto na Solução de Divergência Cosit n° 35, de 2008, as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Do exposto, conclui-se que as despesas com as partes e peças de reposição, que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos, geram crédito da contribuição social, mas não se confundem com os serviços de manutenção periódica tomados pela contribuinte, como “serviços de manutenção de equipamentos móveis, refrigeração e lubrificação”, que “visem atingir a máxima eficiência de produção, através da melhoria contínua dos equipamentos”. Aqui, segue-se o mesmo raciocínio de que os serviços de manutenção nos equipamentos de caldeiraria necessária ao atendimento de norma imposta pelo Ministério do Trabalho, que também não se confundem com o conceito de insumo previsto na norma. Por conclusão, ao contrário do argumento da interessada, de que seria inconteste a natureza de que se revestem os serviços de manutenção por ela tomados, uma vez que a inexistência de tais serviços inviabiliza determinada etapa da produção industrial, tais serviços não geram créditos da não cumulatividade, por falta de previsão legal. MATERIAIS E SOBRESSALENTES PARA MANUTENÇÃO Ademais, a manifestante procurou desenvolver o mesmo raciocínio para os Materiais e Sobressalentes para Manutenção. No entanto, mesmo que possa gerar crédito da não cumulatividade, não foi demonstrado na presente manifestação de inconformidade, tornando impossível sua identificação para julgamento. É de se esperar que, quando a contribuinte alegue possuir direito em relação a glosa de crédito, que o faça especificando, demonstrando, separando as operações específicas a que teria o direito, devendo demonstrar e separar do valor total das notas fiscais glosadas pela Fiscalização, o valor do crédito em Fl. 513DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 15 relação a este item, e assim por diante, de forma que, o julgador possa identificar a liquidez e certeza dos valores por ela reclamados. GASTOS COM ARMAZENAGEM E MOVIMENTAÇÃO INTERNA Dando continuidade, a Requerente passa a rebater as glosas efetuadas pela Fiscalização das despesas denominadas gastos com armazenagem interna e externa. Argumenta a interessada que a Fiscalização alegou que apenas é autorizado o crédito sobre frete nas operações de venda quando o ônus do transporte é suportado pelo vendedor. Como os gastos da Manifestante com armazenagem externa ou interna não eram vinculados às operações de venda, foram objeto de glosa. Disse a interessada que as glosas por ela reclamadas relacionam-se com operação de movimentação e aquisição de insumos. Deu como exemplo, os serviços prestados por uma empresa multimodal, que corresponde à armazenagem e movimentação de insumos realizados dentro do estabelecimento industrial da Requerente. Insistiu a contribuinte que devido à complexidade de seu processo produtivo, é imprescindível o transporte interno dos insumos entre os diversos setores do seu parque industrial, assim como a adequada armazenagem até o momento de utilização. Citou outro exemplo, que consiste na recepção, conferência, depósito, manuseio, guarda, expedição e controle de estoque de insumos. Em outro serviço, citou o objeto do contrato da prestação: “movimentação e manuseio de granéis sólidos, movimentação e manuseio de matérias primas, descarga de enxofre, transferência de rocha, alimentação do poço de fusão de enxofre, e movimentação do pátio ferroviário, dragagem manuseio e transporte interno de resíduos das lagoas, bem como a locação de máquinas e equipamentos necessários para a execução dos serviços”. Apesar da extensa argumentação e dos esclarecimentos da contribuinte, o gasto com o serviço de armazenagem e movimentação interna ou externa, não se amolda aos serviços de transporte que dão direito ao crédito, como a glosa feita pela Fiscalização. A Solução de Divergência nº 26, de 2008, assim dispõe: (...)Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Cofins apurada de forma não- cumulativa. Portanto, correta a glosa de crédito efetuada pela Fiscalização quanto serviço de armazenagem e movimentação interna ou externa. Fl. 514DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 16 DEMONSTRATIVOS ( Nºs. 1 a 11 )Após a análise dos valores registrados nos Demonstrativos de Apuração das Contribuições e nos documentos apresentados pela empresa, efetuamos as consolidações das bases de cálculo e das glosas dos créditos, as quais foram especificadas nos seguintes demonstrativos: DEMONSTRATIVO Nº 1 DEMONSTRATIVO Nº 1-A – registra a base dos créditos das aquisições do mercado interno, lançados mensalmente pela empresa no DACON, por item (linhas), com os totais vinculados às receitas: Tributada no Mercado Interno, Não Tributada no Mercado Interno e de Exportação. DEMONSTRATIVO Nº 1-B – registra a base dos créditos das aquisições nas importações, do mercado interno, lançados mensalmente pela empresa no DACON, por item (linhas), com os totais vinculados às receitas: Tributada no Mercado Interno, Não Tributada no Mercado Interno e de Exportação. DEMONSTRATIVO Nº 1-C – consolida os registros da base dos créditos das aquisições no mercado Interno e nas importações, lançados mensalmente pela empresa no DACON (Demonstrativos 1A e 1B), por item, referente a Contribuição para o PIS e da COFINS do período de julho a dezembro/2009. DEMONSTRATIVO Nº 2 DEMONSTRATIVO Nº 2-A – consolida os créditos apurados e descontados da Contribuição para o PIS e da COFINS nas aquisições do mercado interno e nas importações, lançados mensalmente pela empresa no DACON e vinculados: Tributada no Mercado Interno, Não Tributada no Mercado Interno e de Exportação. DEMONSTRATIVO Nº 2-B – consolida os créditos apurados, os descontados e os saldos a compensar referente ao PIS e COFINS do período de julho a dezembro/2009. DEMONSTRATIVO Nº 3 DEMONSTRATIVO Nº 3 – consolida as receitas lançadas mensalmente pela empresa no DACON correspondente a Venda de Bens e Serviços, Demais Receitas, Tributada a Alíquota Zero e Sem Incidência das Contribuições – Exportação, referente ao período de julho a dezembro/2009. Ressaltamos que para os valores relativos a Receitas Tributadas com alíquota zero (fertilizantes e venda de produtos químicos), foram considerados os valores constantes dos demonstrativos apresentados. DEMONSTRATIVO Nº 4 DEMONSTRATIVO Nº 4 – registra as glosas de créditos de PIS E COFINS que tiveram origem nas aquisições de mercadorias/produtos classificado nos Capítulos 25 e 38.08 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, cuja alíquota da COFINS é reduzida a zero, nos termos dos incisos II e IV, do artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, e que não tem direito a crédito das contribuições, conforme os artigos 37 e 46 da Lei nº 10.865/2004. O demonstrativo tem como base o valor do item das notas fiscais e documentos, em ordem de lançamento, com totais mensais, cuja base das contribuições são os créditos registrados pela empresa nas aquisições de Bens Fl. 515DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 17 Utilizados como Insumos, linha 2 das fichas 06A/16A do DACON, referente ao período de julho a dezembro/2009. DEMONSTRATIVO Nº 5 DEMONSTRATIVO Nº 5 – registra as glosas de créditos de PIS E COFINS que tiveram origem em equivoco do contribuinte, reconhecido pelo mesmo na correspondência datada de 05/06/2014. O demonstrativo tem como base o valor do item das notas fiscais e documentos, em ordem de lançamento, com totais mensais, cuja base das contribuições são os créditos registrados pela empresa nas aquisições de Bens Utilizados como Insumos, linha 2 das fichas 06A/16A do DACON e despesas de contraprestações de arrendamento mercantil, linha 7 da ficha 06A/16 A do DACON, referente ao período de julho a dezembro/2009. DEMONSTRATIVO Nº 6 DEMONSTRATIVO Nº 6.1 – registra as glosas de créditos de PIS E COFINS de aquisições de serviços de transporte, compras de mercadorias e de materiais para uso e consumo, que tem como referência o valor do item das notas fiscais e documentos, em ordem de lançamento, com o total mensal, cujos créditos foram registrados e informados pela empresa como base das contribuições no DACON nas fichas 06A/16A, linha 2 – Bens utilizados como insumos, referente ao período de julho a dezembro/2.009. Em relação aos fretes o Ato Declaratório interpretativo SRF nº 2, de 17/02/2005, dispõe sobre a apuração de créditos da Contribuição para o PIS e da COFINS relativos aos fretes nas operações de vendas, não fazendo referência aos decorrentes de entradas/aquisições e das movimentações internas de matérias primas. DEMONSTRATIVO Nº 6.2 – consolida mensalmente as glosas de créditos de aquisições de serviço transporte (CFOP 1352/2352), compra de mercadoria para uso ou consumo (CFOP 1407/2407) e compra de material para uso ou consumo (CFOP 1556/2556), que tem como referência o valor do item das notas fiscais e documentos, por CFOP– Código Fiscal de Operações e Prestações de Serviços, com totais mensais referente ao período de abril a junho/2009 (sic), não comprovados pela empresa como sendo insumos, ou serviços base de insumos, nos termos do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. DEMONSTRATIVO Nº 7 DEMONSTRATIVO Nº 7.1 – registra as glosas de créditos de PIS E COFINS de aquisições de partes e peças, despesas de movimentação interna, armazenagem externa, serviços de terceiros e de suas provisões, que tem como referência o valor do item das notas fiscais e documentos, em ordem de lançamento, com total trimestral, cujos créditos foram registrados e informados pela empresa como base das contribuições no DACON, nas fichas 06A/16A, linha 02 – Bens utilizados como insumos, linha 03 – Serviços utilizados como insumos, 06 – Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos e 07 – Despesas de Armazenagem de Mercadoria, referente ao período de julho a dezembro/2009. Os créditos tiveram suas bases de cálculo registradas nas contas: Fl. 516DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 18 DEMONSTRATIVO Nº 7.2 – consolida as glosas de créditos de PIS e COFINS de aquisições de partes e peças, despesas de movimentação interna, armazenagem externa, serviços de terceiros e de suas provisões, que tem como referência o valor do item das notas fiscais e documentos, mensalmente, com total trimestral, referente ao período de abril a junho/2009 (sic), não comprovado pela empresa como sendo insumos, ou serviço base de insumos e de despesas, portanto não se enquadra nos direitos de créditos especificados nos termos do artigo 3º da Lei nº10.637/2002 e artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. DEMONSTRATIVO Nº 7.3 – registra as glosas de créditos de PIS e COFINS de serviços de terceiros (movimentação interna, manutenção de equipamentos industriais, locação de programas e produtos de informática), que tem como referência o valor do item das notas fiscais e documentos, em ordem de lançamento, com total trimestral, cujos créditos foram registrados e informados pela empresa como base das contribuições no DACON, nas fichas 06A/16A, linha 03 – Serviços utilizados como insumos, referente ao período de julho a dezembro/2009. Os créditos tiveram suas bases de cálculo registradas nas contas: DEMONSTRATIVO Nº 7.4 – consolida as glosas de créditos de PIS e COFINS de serviços de terceiros, que tem como referência o valor do item das notas fiscais e documentos, mensalmente, com total trimestral, referente ao período de julho a dezembro, não comprovado pela empresa como sendo insumos, ou serviço base de insumos e de despesas, portanto não se enquadra nos direitos de créditos especificados nos termos do artigo 3º da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º da Lei nº 10.833/2003. Em atendimento intimação fiscal a empresa apresentou cópia de alguns contratos de prestação de serviços, através das correspondências datadas de 10/10/2014, destacando alguns, os seguintes objetos contratuais: CONTRATADA: ALMEIDA JUNIOR EMPREITEIRA DE OBRAS LTDA – CNPJ 01.911.689/0001-79 (CONTRATO UF-3813/08 DE 01/05/2009)1.1 Este Contrato tem por objeto a prestação pela CONTRATADA à CONTRATANTE, sem exclusividade, a preços unitários, de serviços especializados de manutenção em estruturas de madeira e telhados dos Complexos Industriais de Piaçaguera, Cubatão e Terminal Marítimo da Fosfertil, conforme endereços abaixo: ... CONTRATADA: ENGEMAN ENGENHARIA DE MANUTENÇÃO JAGUARIUNA LTDA (CONTRATO Nº 4600034298 DE 08/10/2009)1.1 Este Contrato tem por objeto a prestação pela CONTRATADA à CONTRATANTE, sem exclusividade, a preço global, de serviços especializados de Tratamento Termovácuo de Óleo Isolante com correção de vazamentos e ensaios dos Transformadores TF-7720, 7721 e 7746, instalados na subestação principal 88KV no Complexo de Piaçaguera (CPG), sito à Av. Engº Plínio de Queiroz, s/nº - Jardim São Marcos, município de Cubatão, estado de São Paulo. CONTRATADA: FAST ENGENHARIA E MONTAGENS SA - CNPJ 19.443.985/0001-58 (CONTRATO UFF-3779/08 DE 15/12/2008)1.1 Este Contrato tem por objeto a Fl. 517DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 19 prestação pela CONTRATADA às CONTRATANTES, sem exclusividade, a preços unitários, de serviços especializados de planejamento, fornecimento, manuseio, montagem, manutenção e desmontagem de andaimes para as grandes parada de manutenção nas seguintes unidades de negócio das Contratantes: ... CONTRATADA: IRMÃOS PASSAÚRA E CIA LTDA – CNPJ 80.337.306/0001-77 (CONTRATO CAR3958/09 DE 06/04/2009)1.1 Este contrato tem por objeto a prestação Contratada à Contratante, sem exclusividade, a preço global, os serviços de manutenção em equipamentos de processo petroquímico (torres, vasos de pressão e poermutadores de calor) do Grupo 2 e Grupo 3, conforme Memorial Descritivos – Anexo II deste instrumento, durante a Parada Programada do Complexo de Araucária da Contratante, localizado à Rua Dr. Eli Volpato, nº 999, Tindiguera, Município de Araucária, Estado do Paraná. CONTRATADA: MANSERV – MONTAGEM E MANUTENÇÃO LTDA – CNPJ 54.183.587/0002-21 (CONTRATO UFF-3908/08 DE 10/12/2008)1.1 Este contrato tem por objeto a prestação pela CONTRATADA à CONTRATANTE, sem exclusividade, a preços mensais, dos seguintes serviços especializados de manutenção industrial durante as Paradas Programadas: • Manutenção Subconjuntos • Operação e Manutenção de equipamentos Móveis • Lubrificação • Disponibilização de Acesso (Andaimes e Plataformas Elevatórias)• Manutenção de Válvulas de Controle e Alívio • Manutenção em Instrumentos Primários de Indicação • Manutenção em Instrumentos de Análise Industrial • Manutenção e Conservação Iluminação e Alimentação elétrica • Gestão da Ferramentaria Central • Revestimento em poliuretano, borracha e antiabrasivo • Manutenção em Trilhos do Pátio de Homogeneização • Manutenção de Linhas do Pátio Ferroviário • Manutenção das Instalações Industriais – UPM • Serviços em Oficina – UPM • Planejamento, Programação e Controle – UPM CONTRATADA: MANSERV – MONTAGEM E MANUTENÇÃO LTDA – CNPJ 54.183.587/0002-21 (CONTRATO UF-3396/07 DE 01/09/2007)1.1 Este contrato tem por objeto a prestação pela CONTRATADA à CONTRATANTE, sem exclusividade, a preços mensais, dos seguintes serviços especializados de manutenção industrial durante as Paradas Programadas: • Manutenção Subconjuntos • Operação e Manutenção de equipamentos Móveis • Lubrificação • Manutenção Preditiva • Disponibilização de Acesso (Andaimes e Plataformas Elevatórias)• Manutenção de Válvulas de Controle e Alívio • Manutenção em Instrumentos Primários de Indicação • Manutenção em Instrumentos de Análise Industrial • Manutenção e Conservação de Instalações e Edificações • Manutenção e Conservação de Equipamentos de Refrigeração • Manutenção e Conservação Iluminação e Alimentação elétrica • Gestão da Ferramentaria Central CONTRATADA: METAL AR ENGENHARIA LTDA – CNPJ 61.059.978/0007-09 (CONTRATO CMC3723/08 DE 30/05/2008)1.1 Este Contrato tem por objeto a prestação pela CONTRATADA à CONTRATANTE, sem exclusividade, sob a modalidade a preços unitários, de serviços de perfuração de Fl. 518DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 20 bancadas, com diâmetro de 3 ½ “ (três e meia polegadas), para desmonte com explosivo em bancadas de 5 a 12 metros de altura, em atendimento ao Complexo Mineroquimiço de Catalão – CMC da Contratante, situado à Fazenda Chapadão s/nº - Zona Rural no município de Catalão – GO. CONTRATADA: MGM ENGENHARIA E OPERAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA –CNPJ 71.261.762/0001-70 (CONTRATO CMC3530/07 DE 30/06/2008)1.1 Este Contrato tem por objeto a prestação pela Contratada à Contratante, sem exclusividade, sob modalidade a preços unitários, dos serviços de carregamento de rocha fosfática, manobra de vagões, expedição de SSP, limpezas em geral e outros serviços de operação industrial do Terminal do Terminal RodoFerroviário do Complexo de Mineração de Catalão – CMC, sito à Rua L II s/n – Rodovia BR-050, km 284,5 Zona Suburbana, no município de Catalão - GO. CONTRATADA: PETRÓLEO BRASILEIRO S.A – PETROBRAS – CNPJ 33.000.167/0001- 01 (CONTRATO 315.4.052.96-6 DE 13/12/1996)1.1 O presente contrato tem por objeto a operação, por parte da ULTRAFÉRTIL, do conduto (amoniaduto) de propriedade da PETROBRAS, para transporte de amônia anidra a partir dos tanques da ULTRAFÉRTIL, situados em Piaçaguera, Cubatão SP para sua outra fábrica, também situada em Cubatão, SP, o qual utiliza em parte, a faixa de terreno do Oleoduto São Sebastião – Cubatão, e faixa de terreno da Rede Ferroviária Federal S. A . CONTRATADA: PINTURAS YPIRANGA LTDA – CNPJ 61.495.636/0019-75 (CONTRATO UFF-3611/07 DE 01/06/2008 E CONTRATO UFF-3611/07)1.1Este Contrato tem por objeto a prestação pela CONTRATADA à CONTRATANTE, sem exclusividade, a preços mensais, de serviços especializados de pintura industrial, isolamento térmico, manutenção de refratários, aplicação de polímeros e jateamento de superfícies nas seguintes unidades de negócios da Contratante: ... CONTRATADA: SRJ GEOLOGIA E SERVIÇOS LTDA – CNPJ 02.582.917/0001-77 (CONTRATO UFF3738/08 DE 30/06/2009)1.1Este Contrato tem por objeto a prestação pela CONTRATADA à CONTRATANTE, sem exclusividade, a preços unitários, dos serviços especializados de amostragem de geologia e industrial, preparação de amostras, execução de planta piloto e topografia a serem realizados no Complexo Mineroquimico de Catalão – CMC e na Filial de Patrocinio – FPT das Contratantes, conforme previsto no Anexo II deste Contrato – Escopo dos Serviços. CONTRATADA: TERRAGAMA DO BRASIL EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA – CNPJ 02.582.917/0001-77 (CONTRATO UFF3738/08 DE 30/06/2009 E CPG- 3180/06 DE 29/12/2006) - A partir de 27/11/2009 – TGB LOGISTICA INDUSTRIAL LTDA 1.1 Este Contrato tem por objeto a prestação pela CONTRATADA à CONTRATANTE, a preços unitários, dos serviços de remoção e expedição de gesso, em como das limpezas listadas abaixo, para o atendimento ao Complexo Industrial de Piaçaguera- CPG, Av. Engeº Plínio de Queiroz, s/nº - Jardim São Marcos – Cubatão – SP: Fl. 519DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 21 - Limpeza e remoção de areia no Rio Mogi. - Limpeza e remoção das barragens e vias de acesso da Serra do Mar. - Limpeza e remoção do CQ13. - Limpeza e remoção das lagoas de efluentes. - Limpeza e remoção das bacias de tratamento com CAL. - Limpeza e remoção das caixas separadoras de água (BURACO DO NOGUEIRA) – próximas aos depósitos. - Limpeza e remoção nas alas que circundam os depósitos. - Limpeza e remoção das ruas (desde a rua da Parceria até aos acessos nas áreas das lagoas e depósitos). CONTRATADA: TERRAGAMA DO BRASIL EMPREENDIMENTOS E CONSTRUÇÕES LTDA – CNPJ 00.059.822/0001-48 (CONTRATO UF3137/06 DE 29/12/2006) - A partir de 27/11/2009 – TGB LOGISTICA INDUSTRIAL LTDA 1.1 Este Contrato tem por objeto a prestação pela CONTRATADA à CONTRATANTE, a preços unitários, dos serviços de movimentação interna de produtos, rechego de produtos a bordo dos navios, apoio às atividades operacionais, operações ferroviárias e manutenção da via permanente das linhas e dos pátios ferroviários para atendimento ao Complexo Industrial da Cubatão – CCB, Complexo Industrial de Piaçaguera – CPG e Terminal Marítimos da Fosfertil – TUF, em Cubatão –SP, sitos à Av. Bernardo Geisel Filho, s/n – Raiz da Serra – Cubatão –SP, Av. Engº Plínio de Queiroz, s/nº - Jardim São Marcos – Cubatão –SP e Rodovia SP 55 – Km 65,8 – Estrada Cubatão-Guarujá – Santos – SP, respectivamente. CONTRATADA: TÓPICO COBERTURAS ALTERNATIVAS LTDA – CNPJ 04.355.410/0001-06 (CONTRATO UFF-3639/08 DE 30/08/2008)1.1 Este contrato tem por objeto a locação pela Contratada às Contratantes de armazéns estruturados com eclusa de acesso, fabricado em lona sintética, autoextinguível, antimofos, anti-fungos e com bloqueador de raios UV, para atender as seguintes Unidades da Fosfertil / Ultrafértil: ... DEMONSTRATIVO Nº 8 DEMONSTRATIVOS Nºs, 8.1 e 8.2 – registra as glosas de créditos de PIS e COFINS que tiveram sua base de cálculo, os fretes sobre importação e sobre transferências entre unidades da empresa (intercompany). Os fretes sobre importação refere-se a valores dos fretes entre Santos (TUF) e Cubatão. Os fretes “intercompany” refere-se em sua quase totalidade, fretes ferroviário, do trajeto entre unidades da mesma empresa, CATALÃO (GO) e CUBATÃO (SP). As bases de cálculo foram registradas e informadas no DACON, nas fichas 06A/16A, na linha 03 – Serviços utilizados como insumos (fretes sobre importações) e 07 – Despesas de Armazenagem de Mercadoria e Frete na Operação de Venda (fretes sobre transferências). Fl. 520DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 22 Em relação aos fretes o Ato Declaratório interpretativo SRF nº 2, de 17/02/2005, dispõe sobre a apuração de créditos da Contribuição para o PIS e da COFINS relativos aos fretes nas operações de vendas, não fazendo referência aos decorrentes de entradas/aquisições e das movimentações internas de matérias primas. DEMONSTRATIVO Nº 9 DEMONSTRATIVO Nº 9 – consolida as glosas de créditos da Contribuição para o PIS e da COFINS, detalhadas nos demonstrativos de nºs 4 a 8, referente ao período de julho a dezembro/2009. DEMONSTRATIVO Nº 10 DEMONSTRATIVO Nº 10 – consolida os créditos apurados, os descontados e os saldos especificados no DACON, referente a Contribuição para o PIS e a COFINS do período de julho a dezembro/2009. DEMONSTRATIVO Nº 11 DEMONSTRATIVO Nº 11 – consolida a base de cálculo dos créditos da DACON, base de cálculo glosada, créditos apurados, créditos descontados e valores passíveis de ressarcimento e/ou insuficiência de recolhimento, referente a Contribuição para o PIS e COFINS, referente ao período de julho a dezembro/2009. Registramos: 1) que os termos, correspondências, documentos e os demonstrativos foram juntados ao processo nº 10845.724757/2013-37; 2) algumas notas fiscais digitalizadas não são legíveis em sua totalidade, considerado a qualidade da cópia entregue ou do via (carbonada) da nota fiscal original. ... A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório supra, por via postal, em 09/01/2015. Em 28/01/2015, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos. Faz um breve resumo dos fatos, dizendo que o crédito apurado é resultado da manutenção do crédito que lhe é assegurada pelo art. 17 da Lei nº 11.033/04, mesmo em se tratando de operações de saídas exoneradas; e que a transmissão dos PER/DCOMP se fundamenta no art. 16 da Lei nº 11.196/05. No que concerne ao despacho decisório, contrapõe-se ao seu resultado, diante da cabal e inequívoca comprovação da legitimidade dos créditos e da sua irrefutável vinculação ao processo produtivo da requerente. Voltando-se ao TVF, esclarece que durante o procedimento fiscalizatório teria atendido as intimações fornecendo todos os demonstrativos dos créditos utilizados, notas fiscais e contratos de prestação de serviços, conforme reconhecido pela fiscalização. Frisa que a própria fiscalização atesta que os valores pleiteados batem com aqueles declarados nos DACON. Não obstante, diz que a fiscalização opinou pela glosa parcial em relação aos seguintes itens: (1) frete na compra de insumos; (2) fretes na importação de matéria prima; (3) aquisições não oneradas pela Cofins; (4) serviço de Fl. 521DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 23 manutenção de equipamentos e partes e peças; (5) materiais e sobressalentes manutenção; (6) gastos armazenagem e movimentação interna. Julga fazer jus ao total do crédito pleiteado, não devendo prosperar o despacho combatido, uma vez que todos os valores estão diretamente vinculados ao seu processo produtivo. Adentrando na questão do direito, inicia pelos equívocos cometidos pela fiscalização para justificar seu pedido de prova pericial. Informa que é uma das maiores produtoras de fertilizantes e nutrição animal do mundo, dividindo suas operações entre diversos Estados da Federação, sendo formada por 12 (doze) unidades produtivas, dentre as quais destaca o Complexo de Mineração de Tapira - maior operação de mineração de rocha fosfática da América Latina; bem como o Complexo Minero-químico de Cajati, maior produtor de fosfato bicálcico do Brasil. Registra que os processos de produção são bastante complexos, conforme demonstra pela juntada exemplificativa dos processos produtivos dos Complexos Industriais de Piaçaguera e Cubatão e do Complexo Minero-químico de Catalão (doc. 04), envolvendo várias etapas até o produto final, constituindo-se, em linhas gerais, das fases de mineração, beneficiamento e, principalmente, industrialização. Destaca que os insumos, serviços e bens cujos créditos foram glosados são partes necessárias e indispensáveis do seu processo produtivo. Observa que, após a extração de sua matéria prima, sua utilização nos processos de beneficiamento e industrialização, a produção necessita ser escoada. Entende que as glosas de créditos se devem ao fato de que ou se desconhece o processo produtivo da requerente ou se desconsidera a nítida vinculação à produção dos bens e serviços, razão pela qual requer prova pericial para identificação dos bens e serviços que servem de insumos às suas atividades. Informa que disponibilizou à fiscalização a oportunidade de visitar os seus sítios de produção e escoamento, às suas expensas, tendo por objetivo esclarecer seu intrincado processo e espancar quaisquer dúvidas sobre o tema, não tendo recebido qualquer resposta nesse sentido. Diz que uma análise meramente documental não espelha integralmente as nuanças específicas das atividades desenvolvidas. Indica seu perito e apresenta os quesitos abaixo, protestando pela eventual apresentação de quesitos suplementares: a) Os bens de uso e consumo e serviços de frete na aquisição no mercado interno de insumos e na importação, frete entre estabelecimentos da empresa, os dispêndios com a manutenção periódica de seu ativo, serviço de água e esgotamento, as despesas com o beneficiamento da sua produção, movimentação interna de insumos bens e mercadorias, custos com Fl. 522DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 24 armazenagem, e demais itens glosados pelo DD. Fiscal são necessários para a consecução das atividades da Requerente? b) Referidos bens/serviços integram o processo produtivo da Requerente? Ainda, aponta vício de motivação do TVF que embasou o Despacho Decisório e ausência de motivação nas glosas, devendo o Despacho Decisório ser anulado. Alega que boa parte das glosas foi motivada no Acórdão nº 05-31.721 - 3ª Turma da DRJ/CAMPINAS, em processo da própria contribuinte. Aponta que apesar do citado Acórdão desenvolver todo um raciocínio (equivocado) para conclusão pela impossibilidade de creditamento nas situações nas quais não houve recolhimento na etapa anterior, a fiscalização, em patente equívoco, consignou no TVF -com suposta base no entendimento esposado nesse precedente - que o saldo credor apurado com base no art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03 e art. 15 da Lei nº 10.865/04 não seria passível de compensação, mas tão somente "aqueles acumulados em virtude do disposto no art. 17" da Lei nº 11.033/04, em total dissonância com o Acórdão tomado com paradigma e com o art. 16 da Lei nº 11.116/05. Nesse contexto, conclui ser patente o vício de motivação e a ofensa ao art. 39, IV, do Decreto nº 70.235/72, devendo ser anulado o despacho decisório. Colaciona doutrina acerca do ato administrativo e acrescenta que em diversos trechos da decisão não há fundamentação expressa para a glosa. Acusa a existência de alegações esparsas, genéricas e inconclusivas para sustentar a glosa na mera alegação de que nem todos os bens/serviços são passíveis de creditamento. Diz que a alegação contraditória e vazia de fundamento, além de ser viciada pela ausência de motivação, cerceia o direito de defesa da contribuinte, que sequer consegue vislumbrar, de forma clara, o real motivo da glosa. Conclui pela anulação do Despacho Decisório, seja pela dissonância da conclusão para o fundamento utilizado para a glosa, seja pela ausência de motivação para com boa parte das glosas perpetradas; ou caso não se entenda pela anulação de toda a decisão, ao menos julga deverão ser afastadas, de plano, as glosas que não foram devidamente motivadas, as quais alega serem ilegítimas quanto ao seu mérito, caso ultrapassadas as preliminares suscitadas, conforme passa a discorrer. Abordando a legitimidade do crédito apurado, destaca que utiliza minérios obtidos de rochas fosfáticas, extraídos de jazidas da própria requerente, como matéria prima para produção de adubos e fertilizantes (vide processo produtivo - doc. 04), justificando diversas despesas com bens e serviços, desde a extração até efetiva utilização na fabricação do produto final. Acusa que a grande maioria das glosas de créditos diz respeito à descaracterização da condição de insumos, no que tange aos bens e serviços envolvidos no processo produtivo, sobretudo relacionados à extração e emprego de minério na fabricação do produto final. Fl. 523DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 25 Afirma que a decisão consigna que os bens e serviços atinentes à obtenção de matéria prima necessária à elaboração do produto final não poderiam compor a base de cálculo do crédito apurado, pois não diriam com seu processo produtivo. E acusa que tal posicionamento está em dissonância com a lei, doutrina e jurisprudência, merecendo reforma da decisão. Aponta o conceito de insumo prevalecente nos tribunais administrativos e judiciais, entendendo que "outra interpretação não pode ser admitida além daquela que permita uma tomada de crédito mais ampla; buscar conceito de insumo que consagre seus limites como aqueles bens necessários às atividades desenvolvidas pelos contribuintes dentro dos espectros de suas atuações". Acrescenta que determinada atividade - como a desenvolvida pela Requerente - pode ser exercida em etapas, mas que fazem parte integrante de um único processo, de modo que o conceito de insumo deve atentar para o pressuposto de fato que envolve as contribuições em questão e para a dimensão funcional de seu processo produtivo. Nesse contexto, acusa que ao pretender dissociar etapas do processo produtivo da Requerente a decisão distorceu o conceito de insumo. Alega que, no caso concreto, os bens identificados pela fiscalização são de fundamental relevo para suas atividades, estão intrinsecamente relacionados ao seu processo produtivo e dele fazem parte indissociável (bens e serviços utilizados como insumos na mineração, beneficiamento, armazenagem, descarga, movimentação interna, manutenção de equipamentos da produção de fertilizantes e adubos). Prega, de acordo com a jurisprudência do CARF, que o conceito de insumo consiste nos bens e serviços que, a despeito de não serem consumidos durante o processo produtivo, estão a ele intrinsecamente relacionados, sendo próprio e específico para o Pis e a Cofins, divergindo daquele do IPI e ICMS. E que, sob o ponto de vista do Poder Judiciário, alberga não só os bens e serviços empregados na etapa da qual resulta o produto final, como outras, desde que necessárias ao funcionamento da cadeia produtiva. Diz-se convencida de que, se com algum tributo o conceito de insumo deveria se assemelhar, este seria o imposto sobre a renda, notadamente o conceito de custos e despesas operacionais para os fins e efeitos do imposto sobre a renda, previstos nos arts. 290 e 299 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/99). E conclui: Em apertada síntese temos: (i) se utilizado o conceito de despesas constantes da legislação do imposto sobre a renda, a Requerente faria jus aos créditos uma vez que todos os bens e serviços se constituem em despesas operacionais; (ii)adotando-se o conceito próprio esposado em diversas decisões do CARF, igualmente a Requerente faria jus aos citados créditos, uma vez que são parte Fl. 524DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 26 integrante e indissociável de seu processo produtivo, (iii) ainda que se adotasse o conceito de insumos constantes da legislação do IPI, a Requerente faria jus aos créditos uma vez que todos os bens e serviços estão relacionados intrinsecamente ao seu processo produtivo. Cita doutrina e jurisprudência a corroborar sua tese. Na sequência, passa a contestar as glosas referentes aos seguintes bens e serviços, justificando o crédito com as despesas em conformidade com a legislação atinente (art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03 e art. 15 da Lei nº 10.865/04), alegando, basicamente, que são partes indissociáveis do seu processo produtivo: 1. FRETE NA COMPRA DE INSUMOS Aponta que a glosa foi feita com suposta base na Solução de Divergência DISIT nº 12/08, no sentido de que somente seriam passíveis de crédito os fretes relativos às operações de venda, inexistindo base legal para o crédito relativo à operações de compra. Entende que o crédito sobre o frete contratado para transporte de seus insumos decorre do art. 3º, II, da Lei nº 10.833/03, o qual dispõe, expressamente, pela possibilidade de crédito em relação aos bens e serviços adquiridos como insumos utilizados na produção. Acusa que, da simples leitura da Solução de Divergência DISIT nº 12/08 (utilizada como único fundamento para a glosa), depreende-se a sua inaplicabilidade às operações, conforme designadas pela própria fiscalização: "frete na compra de bens utilizados como insumos". Atenta que, de modo diverso, a Solução de Divergência se refere aos "insumos utilizados na atividade de transporte" e não ao transporte de insumos (situação objeto da equivocada glosa). E que, mesmo se por hipótese a Solução de Divergência mencionasse o frete de insumos, nenhuma das quatro hipóteses listadas se enquadraria à tal situação, pois se referem à: (i) transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; (ii) destes (estabelecimentos industriais) para os centros de distribuição; (iii) de um centro de distribuição para outro; ou (iv) do estabelecimento vendedor para o comprador. Ressalta que o não enquadramento das situações objeto de creditamento por parte da Requerente na única motivação utilizada pelo Fisco para a glosa também implica ofensa ao art. 39, IV, do Decreto nº 70.235/72, devendo por mais esse motivo se estornada, com a homologação do crédito. Menciona jurisprudência do CARF que convalida o creditamento relativo ao frete na entrada de insumos, mesmo em situações nas quais este é efetuado pela própria contribuinte que tem por objeto atividade de transporte. Salienta a classificação dos insumos objeto de creditamento no conceito de custos de estoque, com base nos itens 9 e 10 do CPC 16, aprovado pela Deliberação CVM 575/09. Fl. 525DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 27 2. FRETES NA IMPORTAÇÃO DE MATÉRIA PRIMA Aponta que a glosa foi feita com suposta base na Solução de Consulta SRRF/6ª RF nº 85, no sentido de que os gastos com frete após o despacho aduaneiro não dão direito ao crédito, pois não fizeram parte do valor aduaneiro do bem importado. Esclarece que, durante a auditoria, informou que uma vez desembarcados os produtos químicos importados por meio do Porto de Santos (amônia, principalmente) estes são imediatamente transferidos por meio de dutos especiais até o Complexo Industrial de Piaçaguera ("CPG"), onde são armazenados em tanques próprios, inexistindo outra maneira possível de a mercadoria importada por via marítima ser recebida no estabelecimento que não por meio do prévio desembarque no Porto, sendo o valor do frete um dos componentes do custo na aquisição destes produtos químicos que lhe servem de insumos à sua produção, ou seja, custo da sua produção, razão pela qual o crédito é legítimo. Acrescenta que aqui se aplica, igualmente, a argumentação esposada no item antecedente, ante a similaridade de ambas as situações, que divergem apenas pela origem do insumo objeto de aquisição (nacional ou estrangeira). 3. AQUISIÇÕES NÃO ONERADAS PELA COFINS Acusa que, aqui, a decisão foi genérica, no sentido de que a lei não autoriza o seu aproveitamento. Aponta que a glosa de valores expressivos se deu sob o argumento de que teriam sido originados de aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições (alíquota zero), conforme disposto no art. 1º da Lei nº 10.925/04 (produtos classificados nos capítulos 25 e 38.08 da TIPI e suas respectivas matérias primas). E que, segundo a fiscalização, o creditamento em questão (relativo aos produtos com classificação nos capítulos 25 e 38.08 da TIPI) encontraria óbice no art. 3º, §2º, II, da Lei nº 10.637/02 e art. 3º, §2º, II, da Lei nº 10.833/03. Contrapõe-se dizendo que apenas dois dos itens constantes do demonstrativo objeto de glosa se enquadram nos capítulos em questão (mica e areia), não estando listado o stabrex. No mais, alega que a glosa é descabida, porquanto eivada de ilegalidade, à medida que desconfigura a técnica da não cumulatividade aplicada ao Pis e a Cofins apurados sob a égide das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. Em suas palavras: Com efeito, a impossibilidade de creditamento referente a aquisições desoneradas do pagamento das contribuições em tela equivale a mero diferimento do tributo para etapa subsequente da cadeia produtiva, esvaziandose de sentido o emprego da técnica da não-cumulatividade em patente desvio de finalidade do modelo fiscal adotado nas Leis em comento. (destaques do original)Cita doutrina e jurisprudência a corroborar sua tese. 4. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS E PARTES E PEÇAS Explica que desde a fiscalização esclareceu que suas aquisições de serviços de manutenção Fl. 526DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 28 em equipamentos industriais e as respectivas partes e peças utilizadas, bem como os serviços de refrigeração e lubrificação seriam aptos à apropriação dos créditos, pois compreendidos no conceito de insumo, com base no art. 3º da Lei nº 10.833/03 e nas IN SRF nº 247/02 e nº 404/04. Menciona que os serviços se adequam perfeitamente ao disposto no art. 66 da IN SRF nº 247/02. Acrescenta que além da glosa de créditos com partes e peças utilizadas na manutenção de seus equipamentos, foram glosados também créditos de serviços essenciais utilizados para a viabilização de seu processo produtivo, como é o caso de serviços de mineração/beneficiamento de minério, armazenagem/descarga, movimentação interna etc. Reitera que extrai da mina as matérias primas necessárias para o desenvolvimento de seus produtos finais (fertilizantes e nutrição animal) e explica que durante todo o curso da extração mineral é necessária a realização de serviços tais como sondagens, perfurações, amostragens, bem como o próprio beneficiamento e armazenamento do minério, os quais demandam a utilização de equipamentos que se desgastam com o tempo, além de partes e peças de reposição justamente pelo desgaste ocasionado pela produção, o qual se pretende minimizar pela refrigeração de parte do ativo, bem como pela lubrificação, sem o que não há como colocar as máquinas em operação. Conclui inexistir dúvidas que tais serviços são essenciais e imprescindíveis para sua atividade produtora. Acusa que o argumento fiscal de parada programada configura apenas subterfúgio à pretensão arrecadatória. Traz jurisprudência a corroborar sua tese, segundo a qual dão direito a crédito os gastos incorridos com as peças e os custos de manutenção de máquinas utilizadas na produção dos bens e serviços por ela vendidos. Da mesma forma, entende que também dá direito a crédito os custos de aluguel de máquinas e arrendamento mercantil, pois sem eles se torna impossível o desenvolvimento de sua própria atividade de industrialização. Destaca que situação análoga à presente foi analisada pelo CARF em relação a indústria de couro (Ac. 3101-01.109), permitindo a tomada de créditos referentes aos serviços de estufagem de contêineres, embalagens para transporte (como pallets) e ainda em relação aos veículos transportadores. Destaca, também, outra decisão do CARF, Ac. 3803-003.389, no qual se permitiu a uma empresa de carvão mineral a apropriação de créditos referentes aos: (i) custos de recuperação ambiental inerentes ao compromisso assumido (TAC); e (ii) custos dos serviços de retificação de motores de vida útil inferior a 1 (um) ano. E afirma, com base nesse entendimento, em relação aos gastos incorridos pela Requerente no que se refere às exigências impostas pela administração pública, inexistir dúvidas se tratar de insumos, sendo, portanto, suscetível de gerar créditos. Dentre tais imposições cita o tratamento de efluentes e a sondagem Fl. 527DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 29 (imposta pelo Ministério da Agricultura), esta última utilizada periodicamente para orientar a lavra da rocha, matéria prima da contribuinte. Cita mais jurisprudência a corroborar sua tese. Conclui que, quando há exigência do poder público com relação ao desenvolvimento de algum serviço relacionado com a atividade produtiva da empresa, tais serviços devem ser entendidos como insumos, sendo este o caso da Requerente. 5. MATERIAIS E SOBRESSALENTES UTILIZADOS NA MANUTENÇÃO Ressalta que, muito embora tivesse a própria fiscalização planilhado todos os serviços objeto de glosa com a indicação de quais deles se refeririam aos materiais e sobressalentes utilizados na manutenção, optou por acatar o parcial entendimento consignado no TVF, no sentido de que caberia à Requerente o destacamento dos valores cujo creditamento entende legítimo. Alega que, apesar do subterfúgio utilizado para negativa do crédito, providenciou a planilha contendo apenas os valores relativos a tais materiais e sobressalentes, classificados na conta contábil respectiva 4201008 (doc. 05), motivo pelo qual não mais remanesce o motivo indicado para a glosa do crédito, devendo ser homologado. 6. GASTOS COM ARMAZENAGEM, MOVIMENTAÇÃO INTERNA, BENEFICIAMENTO, COMBUSTÍVEIS, LUBRIFICANTES E SERVIÇOS DE TERCEIROS Voltando-se aos gastos com armazenagem e movimentação interna, diz que, no entender da fiscalização, o crédito sobre frete é autorizado somente nas operações de venda, quando o ônus do transporte seja suportado pelo vendedor. E como os gastos da Requerente não seriam vinculados às operações de venda, foram glosados. Afirma que todas as glosas se relacionam às movimentações de insumos adquiridos pela Requerente, contratadas em virtude da complexidade de seu processo produtivo - transporte interno dos insumos entre os diversos setores do seu parque industrial, assim como a adequada armazenagem até o momento de utilização. Entende que tais serviços se revelam verdadeiros insumos, comportando gerar créditos. Cita jurisprudência. Contrapõe-se ao argumento fiscal de que se trataria de serviço de movimentação interna. Em suas palavras: Quando essa movimentação se dá internamente, ou seja, dentro das instalações fabris, de modo a deslocar os produtos em fase de finalização dentre as suas diversas etapas produtivas também estamos diante de um insumo imprescindível à produção da Requerente. Como já dito, o processo de produção da Requerente é extremamente intrincado, de modo que há uma sequência de fases que antecedem a finalização do seu produto final. Fl. 528DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 30 Em outras palavras, o início da produção e a sua finalização, por exemplo, dos fertilizantes não ocorrem no mesmo local. É necessário o transporte do produto "semi-acabado" dentre os diversos setores fabris. E é por meio de empilhadeiras, movidas a combustíveis, que este procedimento ocorre. Portanto, torna-se indissociável da cadeia produtiva da Requerente a movimentação dos insumos durante o processo produtivo, sem o quê, não há dúvidas, a atividade da Requerente resta nitidamente prejudicada. (destaques do original)Reitera que o conceito de insumo não deve ser considerado restritivo, mas sim abranger todos os insumos relacionados às atividades desenvolvidas pela Requerente. Menciona, mais uma vez, que informou durante a fiscalização ser o seu processo produtivo bastante complexo (doc. 04), podendo-se dizer que, em traços gerais, subdivide-se entre as fases de mineração e beneficiamento. A fase de mineração é composta pela escavação da mina para extração do minério, bem como a sua carga e transporte para a área de beneficiamento. Dentre as diversas atividades executadas nesta fase, as quais, destaque-se, são realizadas por empresas terceirizadas, verifica-se: decapeamento; retirada de estéril (rejeito) e minério, bem como o seu carregamento; construção e manutenção dos acessos às minas; conformação dos depósitos de estéreis na área das minas; detonação (afrouxamento) das rochas duras; perfuração da mina; desmonte por explosivo; atualização topográfica da mina; perfuração dos poços; sondagem, dentre outros. Vale ressaltar que todo o serviço de mineração está adstrito ao processo que ocorre na mina, local onde é extraído tanto o minério como o estéril. Desse modo, conclui-se que as empresas que prestam este serviço são responsáveis pela etapa basilar do processo produtivo que, após cumpridas todas as etapas de beneficiamento, culminará nos produtos finais comercializados pela Requerente (fertilizantes e nutrientes animais). Já o beneficiamento é composto pelas fases de britagem, homogeneização, peneiramento, moagem, classificação, deslamagem, flotação, dentre outros complexos processos químicos que ocasionarão nos produtos finais comercializados pela Requerente. Deve-se pontuar que, diferentemente do que ocorre com a etapa de mineração, o beneficiamento é atividade feita pela própria empresa e, como adrede demonstrado, consiste em uma sequência de processos químicos e mecânicos que terão como propósito o produto final a ser comercializado. A despeito destes serviços também terem sido objeto de glosas - as quais também não poderão prevalecer, conforme demonstrado -, o seu detalhamento se fez necessário para que pudesse restar demonstrada a complexidade do processo produtivo da Requerente, o qual é composto por diversas etapas, as quais são Fl. 529DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 31 indissociáveis. É dizer, sem elas não é possível se chegar ao produto final comercializado pela Requerente. Assim, não há que se falar em fases anteriores ou posteriores à produção de fertilizantes e nutrição animal, vez que todas estas etapas estão associadas à mesma cadeia produtiva. Pelo exposto, observa-se que o processo produtivo da Requerente, além de complexo, não deve ser considerado encerrado mesmo após o beneficiamento, para os fins de creditamento a título de PIS e COFINS. Isto porque, se a Requerente não aplicar os minérios (matéria prima) obtidos em seu processo produtivo, que precisam ser movimentados pelo seu parque industrial, de nada eles servirão. Em outras palavras, a matéria prima, extraída das minas, deve ser aplicada em seu processo produtivo para que possa cumprir com a sua real finalidade, qual seja: incorporar os produtos finais comercializados pela Requerente ao seu produto final. A extração de minério não se cinge somente às atividades realizadas dentro das minas. Para que a Requerente possa exercer as atividades para as quais é mundialmente conhecida, necessita retirar o minério das citadas minas e, para tanto, é imprescindível o uso também do óleo combustível e do óleo lubrificante no seu maquinário. Ressalta-se que tais insumos são utilizados nos equipamentos necessários para a realização da extração mineral, bem como nas demais partes e peças integrantes do seu maquinário, as quais são utilizados à consecução das atividades da Requerente. Impende ainda destacar que em todos os processos produtivos da Requerente o óleo combustível e lubrificante é insumo necessário. (destaques acrescidos)Reitera seu conceito de insumo e observa que combustíveis e lubrificantes estão assim expressamente previstos no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03. No que concerne aos serviços de movimentação interna (frete), entende que também configuram direito ao crédito, como demonstrado. Mais uma vez alega que a cadeia produtiva da Requerente é complexa e se desenvolve em diversas etapas, realizadas em diversos setores da sua fábrica e nas minas, tornando necessário o deslocamento da mercadoria, tanto a matéria prima como os próprios produtos comercializados, entre os diversos setores e estabelecimentos, bem como da mina ao centro de produção, para concluir o processo produtivo. Volta-se aos contratos mencionados no TVF para dizer que, além dos serviços de movimentação interna, foram glosados ainda alguns serviços de terceiros, cujo objeto era a prestação de serviços inerentes à sua produção, sem os quais seu processo produtivo restaria totalmente prejudicado. Detalha o objeto dos contratos, conforme descrito no TVF, concluindo tratar de serviços diretamente relacionados com a atividade produtiva, não podendo dar Fl. 530DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 32 causa a glosa justamente pela sua pertinência, o que comprova a qualidade de insumos dos mesmos. 7. FRETE IMPORTAÇÃO E FRETE CIF Alega que também os gastos incorridos com fretes decorrentes da importação de matéria prima, bem como gastos com frete, armazenagem e seguro são igualmente insumos, suscetíveis de gerar crédito. E, como exposto antes, diz que sua produção somente é desenvolvida se presente as suas respectivas matérias primas, algumas extraídas pela própria empresa das minas, sendo outras, todavia, importadas. Explica que as matérias primas importadas referem-se ao enxofre e a amônia, sem as quais impossível se torna a produção dos produtos comercializados: fertilizantes e nutrição animal. E que é necessário o deslocamento dessas matérias primas importadas do seu país de origem até uma das unidades de produção da Requerente, denominado "frete importação". Alega que sem arcar com o ônus de tais despesas não poderia iniciar sua produção, concluindo que os gastos atinentes com o frete decorrente da importação de amônia e enxofre estão estritamente relacionados com a própria produção, não podendo dela ser dissociado, assim como os gastos com armazenagem e seguro. Nesse contexto, afirma ser patente a natureza de insumo dos gastos com o frete na importação, sendo legítimo seu direito ao crédito. Ao final, requer o reconhecimento do direito creditório e a homologação das compensações, conforme se segue: Em suma, as razões da Requerente devem prevalecer pois: a) a Fiscalização não verificou seu processo produtivo in loco. Destarte, faz-se necessária a realização de prova pericial nos termos dos artigos 16, IV e 18 do Decreto 70.235/72 e do artigo 36 do Decreto 7574/2011 para espancar qualquer dúvida que possa subsistir produtivo (sic) da Requerente e seu cabal direito aos crédito pleiteados; b) a declaração da nulidade do auto de infração (sic), ante a dissonância dos fundamentos utilizados para decisão e suas conclusões; c) no mérito, a declaração de que a Requerente faz jus aos créditos de insumos, frete, serviços e bens do ativo objeto de glosa pois são parte indissociáveis de seu processo produtivo. Diante de todo o exposto, é a presente para requerer: (i) a produção de prova pericial, observados os requisitos constantes dos artigos 16, IV e 18 do Decreto 70.235/72 e 36 do Decreto 7.574/2011, sendo que a sua imperiosa produção foi devidamente fundamentada no âmbito da presente manifestação de inconformidade; (ii) a procedência da presente manifestação de inconformidade para reformar a parte do despacho decisório ora recorrido que foi desfavorável à Requerente, para que seja reconhecido o valor integral dos créditos pleiteados, Fl. 531DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 33 afastando-se a cobrança imputada pelo despacho em questão. Outrossim, requer seja homologada a totalidade das compensações realizadas pela Requerente. Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive ajuntada de novos documentos. Em sessão de 26/03/2019, a DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, tendo apresentado a seguinte ementa (Acórdão nº 14-91.075): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 PROVA. PERÍCIA. Indefere-se a perícia em se tratando de prova a ser apresentada no momento da manifestação de inconformidade, não logrando a contribuinte demonstrar ter cumprido as condições para apresentação da prova em outro momento processual (art. 16, III, e §§ 4º e 5º, do Decreto nº 70.235/72); bem como quando se encontram presentes nos autos elementos suficientes para formar a convicção do julgador. PER/DCOMP. ÔNUS PROBATÓRIO. Na restituição e compensação, bem como no ressarcimento, é do contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. NEGATIVA GERAL. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal não se admite a negativa geral, pois a defesa deve conter os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF Nº 247/02 E Nº 404/04. LEGALIDADE. MATÉRIA JULGADA NO ÂMBITO DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Declarada pelo Superior Tribunal de Justiça - STJ, em sede de recurso repetitivo, a ilegalidade das IN SRF nº 247/02 e nº 404/04, adotam-se as balizas constantes do correspondente julgado (REsp nº 1.221.170/PR), da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, de 26/09/2018, e do Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05, de 17/12/2018, no que concerne ao conceito de insumo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITO. INSUMO. CONCEITO. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve Fl. 532DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 34 ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. A modalidade de creditamento pela aquisição de insumos é a regra geral aplicável às atividades de produção de bens e de prestação de serviços no âmbito da não cumulatividade das contribuições, sem prejuízo das demais modalidades de creditamento estabelecidas pela legislação, que naturalmente afastam a aplicação da regra geral nas hipóteses por elas alcançadas. NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. INSUMO. SERVIÇO DE MANUTENÇÃO DE ATIVOS. PARTES E PEÇAS. MATERIAIS E SOBRESSALENTES UTILIZADOS NA MANUTENÇÃO. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. São considerados insumos geradores de créditos das contribuições os bens e serviços adquiridos e utilizados na manutenção de bens do ativo imobilizado da pessoa jurídica responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço; bem como os combustíveis e lubrificantes consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos responsáveis por qualquer etapa do processo de produção de bens ou de prestação de serviços, inclusive pela produção de insumos do insumo efetivamente utilizado na produção do bem ou serviço finais disponibilizados pela pessoa jurídica (insumo do insumo). NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. INSUMO. SERVIÇOS DE TERCEIROS. São considerados insumos os serviços utilizados em qualquer etapa do processo de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviço. Nem mesmo em relação aos itens impostos à pessoa jurídica pela legislação se afasta a exigência de que sejam utilizados no processo de produção de bens ou de prestação de serviços para que possam ser considerados insumos. Não são considerados insumos os dispêndios da pessoa jurídica com pesquisa e prospecção de minas, jazidas, poços etc, de recursos minerais ou energéticos que não chegam efetivamente a produzir bens destinados à venda ou insumos para a produção de tais bens. NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. VINCULAÇÃO AO CRÉDITO DO BEM ADQUIRIDO. Não existe previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição. Esse é permitido apenas quando o bem adquirido for passível de creditamento, e na mesma proporção em que se der esse creditamento, já que o frete compõe o custo de aquisição devidamente comprovado, integra o valor de aquisição dos insumos e deve seguir o regime de crédito desses. Fl. 533DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 35 NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. FRETE INTERNO NA IMPORTAÇÃO DE MERCADORIAS. NÃO CABIMENTO. No regime de apuração não cumulativa não é admitido o desconto de créditos em relação ao pagamento de frete interno referente ao transporte de mercadoria importada do ponto de fronteira, porto ou aeroporto alfandegado até o estabelecimento da pessoa jurídica no território nacional, porque não incluído no valor aduaneiro. NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. ARMAZENAGEM NA IMPORTAÇÃO DE INSUMO. Somente confere direito ao crédito a despesa com armazenagem se contratada com pessoa jurídica domiciliada no país, desde que se refira a operação de venda e o ônus seja suportado pelo vendedor. NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES NÃO ONERADAS. NÃO CABIMENTO. É vedado o direito ao crédito quando da aquisição de bens e serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. NÃO CUMULATIVIDADE. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. CONTRAPRESTAÇÃO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL. As contraprestações de arrendamento mercantil contratado com pessoa jurídica não optante pelo Simples Nacional, domiciliada no País, admitem créditos da não cumulatividade, desde que o bem objeto do arrendamento seja utilizado nas atividades da pessoa jurídica contratante. É vedado o crédito aludido caso o bem objeto do arrendamento já tenha integrado o patrimônio da pessoa jurídica. Manifestação de Inconformidade Improcedente Em 19/06/2019, a Recorrente apresentou o seu Recurso Voluntário, tendo trazido as seguintes razões recursais, conforme tópicos de sua peça: (a) Preliminar: necessidade de prova pericial/diligência; (b) Preliminar: vício de motivação do Termo de Verificação Fiscal; (c) Mérito: frete na compra de insumos/matéria prima; (d) Mérito: fretes na importação de matéria prima; (e) Mérito: aquisições não oneradas pelas contribuições ao PIS/COFINS; (f) Mérito: serviço de manutenção de equipamentos e partes e peças; (g) Mérito: materiais sobressalentes; (h) Mérito: fretes de importação e fretes CIF. Fl. 534DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 36 É o relatório. VOTO O presente recurso é tempestivo e este colegiado é competente para apreciar este feito, nos termos do art. 65, Anexo Único, da Portaria MF nº 1.364/2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. Para facilitar a análise dos pontos recorridos, adoto como título dos tópicos deste voto os mesmos utilizados no Recurso Voluntário. I – Preliminares I.1 - Necessidade de prova pericial/diligência Conforme trazido no relatório, toda interpretação procedida pela Fiscalização se deu à luz de conceitos antigos e já superados pela pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça – STJ quando do julgamento dos Temas nº 779 e 780, relativos ao conceito de insumo para fins de desconto de créditos de PIS/COFINS. Como as próprias normas administrativas da RFB traziam a conceituação e o delineamento do que se deveria entender por insumo, na maior parte das vezes, o Auditor Fiscal conduzia a fiscalização de forma tal a comprovar a inadequação do caso concreto à definição disposta em Instrução Normativa, o que, muitas das vezes, era insuficiente para se chegar a qualquer conclusão se os critérios fossem os que, posteriormente, foram fixados pelo Tribunal Superior. Por esse motivo, não é incomum que, em casos mais complexos e que demandem a análise de múltiplas rubricas, a Turma Julgadora determine a conversão do julgamento em diligência, para que o Auditor Fiscal responsável complemente o conjunto probatório à luz da nova e vinculante posição jurisprudencial. Contudo, é também relevante pontuar que a conversão do julgamento em diligência se trata de uma faculdade da qual dispõem o Julgador, que somente a exercerá se, diante do conjunto probatório existente, ainda tiver dúvidas para a formação de seu convencimento (cf. art. 29 do Dec. nº 70.235/1972). No caso sub judice, porém, o conjunto probatório carreado aos autos é suficiente para se concluir se, à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância, as rubricas que foram objeto de glosa poderiam ser classificadas como insumos, razão pela qual, diante desse contexto, indefiro o pedido de diligência. Fl. 535DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 37 I.2. Vício de motivação do Termo de Verificação Fiscal Alega a Recorrente que o Termo de Verificação Fiscal, utilizado para fundamentar as glosas realizadas, possui alegações “esparsas, genéricas e inconclusivas”, além de dissonâncias em relação ao Acórdão nº 05-31.721 da 3ª Turma da DRJ/Campinas, trazido nesse mesmo TVF para justificar a não homologação do pedido. De início, sem se proceder agora à correção ou não das alegações da Recorrente quanto ao mérito, o que se verifica é que, primeiro, a fundamentação legal para a realização das glosas é bem definida (não caracterização das rubricas como insumos, nos termos do art. 3º, inc. II, das Leis n 10.637/2002 e 10.833/2003) e, depois, que a Recorrente demonstrou ter total ciência da extensão e peculiaridades da acusação fiscal, uma vez que a defesa apresenta contrapostos a todos os argumentos trazidos pelo Fisco. Ainda, é importante salientar que, de acordo com a jurisprudência prevalente neste E. CARF, para que um Despacho Decisório/Auto de Infração/Acórdão possa ser declarado nulo com base em vício na motivação, é indispensável que o equívoco cometido seja grave de forma tal que impossibilite a apresentação de uma linha de defesa para as acusações realizadas, tal como seria o caso de apresentação de fatos não relacionados à atividade da empresa, ou a autuação fundamentada em dispositivo (com desenvolvimento de tese, inclusive) não aplicável ao caso, ou em qualquer outro vício de natureza gravíssima, previsto no artigo 10 do Decreto nº 70.235/1972: DECISÃO ADMINISTRATIVA. AUSÊNCIA DE CERCEAMENTO DE DEFESA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, quando, no curso do contencioso administrativo, resta evidente que o sujeito passivo compreendeu plenamente as razões para a negativa de sua pretensão e trouxe argumentos e documentos buscando comprovar suas alegações. Compulsando as peças recursais, desde a impugnação, observa-se que há completa argumentação contra os motivos de não reconhecimento do crédito pretendido, assim como apresentação de documentação para a demonstração de sua certeza e liquidez. Eventual vício de motivação de despacho decisório só poderia implicar sua nulidade se, no caso concreto, tivesse sido evidenciado efetivo cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo. (CARF. 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS. PAF nº 11080.900066/2014- 89. Acórdão nº 9303-016.572. Rel.: Tatiana Josefovicz Belisario. Pub.: 08/05/2025) Por não ter identificado vícios com esse nível de gravidade, voto por rejeitar essa preliminar. II – Mérito Fl. 536DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 38 II.1 – Conceito de insumo Quanto à questão do conceito de insumo para fins de apuração de créditos de não- cumulatividade das contribuições ao PIS/Pasep e COFINS, antes mesmo da posição vinculante trazida pelo STJ no REsp nº 1.221.170, havia já o entendimento neste E. CARF de que o critério utilizado não poderia ser aquele adotado pela legislação do IPI – onde só de admite o creditamento sobre matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados diretamente na produção –, pois extremamente restritivo e inadequado às previsões legais específicas dessas contribuições, tampouco se poderia utilizar os critérios de dedutibilidade previstos na legislação do IRPJ, uma vez que o texto legal das contribuições não prevê abertura e liberdade semelhante àquela disposta no artigo 47 da Lei nº 4.506/1964 (ex. Acórdão nº 3202- 001.022, julgado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção na sessão de 27/11/2013). Em sede de recurso repetitivo (Temas nº 779 e 780), o STJ julgou o REsp nº 1.221.170 na sessão de 22/02/2018, buscando cravar o ponto entre os extremos da restritividade imposta na legislação do IPI – tese essa até então adotada pela RFB por meio das INs RFB nº 247/2002 e 404/2004 – e, do outro lado, e a maior permissividade prevista nas normas atinentes ao IRPJ. E sob a relatoria do Ministro Napoleão Nunes, foram fixadas as teses de que (a) as INs da RFB eram ilegais, e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. Para o Tribunal Superior, a essencialidade se refere ao item do qual o produto ou serviço dependa de forma fundamental, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade ou suficiência. Já o critério de relevância diz respeito à necessidade de integração do item ao processo produtivo como um todo, e não exatamente na produção ou na execução do serviço, seja por peculiaridades na cadeia produtiva ou em razão de imposição legal. Quanto a esse critério, destaca-se no voto que o seu alcance é mais abrangente que o da pertinência, esse sim, demandante de uma ligação direta do insumo à produção ou à execução de serviços: (...) Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual - EPI), distanciando-se, Fl. 537DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 39 nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência. Consoante se verifica no voto do Ministro Cambell Marques, por se ter optado pela adoção de critérios subjetivos, haveria a necessidade de análise casuística de cada rubrica, adotando-se, para isso, o chamado “teste de subtração” onde, por meio de um exercício mental, subtrai-se do cenário o custo/despesa “candidato” ao desconto de créditos de PIS/COFINS. Desta forma, caso a subtração do item obste a atividade da empresa ou implique em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes, tem-se que o custo/despesa deve ser tido como insumo. Por outro lado, sendo negativa a resposta, obsta-se o direito ao creditamento. É o que se verifica no trecho abaixo: (...) 4. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Assim caracterizadas a essencialidade, a relevância, a pertinência e a possibilidade de emprego indireto através de um objetivo “teste de subtração”, que é a própria objetivação da tese aplicável do repetitivo, a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. No âmbito da Administração Tributária, houve a publicação da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF nos termos do art. 19 da Lei nº 10.522/2002 e, pela Receita Federal, o Parecer Normativo Cosit nº 05/2018, vinculando a Administração Tributária à comentada decisão do STJ. Feitas essas considerações teóricas sobre o que se deve entender por insumo, passemos, agora, a analisar as específicas despesas glosadas da Recorrente, que é empresa que exerce atividade de mineração (rocha fosfática), cujos produtos são utilizados como insumo de sua atividade industrial, consistente na fabricação de fertilizantes químicos e suplementos para animais (fosfato bicálcico). II.1.1. - Frete na compra de insumos/matéria prima Fl. 538DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 40 Para a manutenção da glosa de créditos apurados sobre fretes incorridos no transporte de insumos, a Instância a quo entendeu que “tais dispêndios devem ser apropriados ao custo de aquisição dos bens, e a possibilidade de creditamento, quando cabível, deve ser aferida em relação aos correspondentes bens adquiridos”, apontando, para isso, a Solução de Divergência Cosit nº 07/2016, a Solução de Divergência Cosit nº 12/2017 e o Parecer Normativo Cosit nº 05/2018. Todavia, a tese de relação de inerência ou dependência entre o regime de tributação do insumo e o frete incorrido em seu transporte foi superada na jurisprudência deste E. CARF, em caráter vinculante, por meio da edição da Súmula nº 188, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 188 É permitido o aproveitamento de créditos sobre as despesas com serviços de fretes na aquisição de insumos não onerados pela Contribuição para o PIS/Pasep e pela Cofins não cumulativas, desde que tais serviços, registrados de forma autônoma em relação aos insumos adquiridos, tenham sido efetivamente tributados pelas referidas contribuições. A lógica existente por detrás dessa corrente jurisprudencial é bastante simples, e tem como ponto de partida o próprio regime de não-cumulatividade do PIS/COFINS. Observe-se que, caso prevalecesse a tese fazendária, onde a apuração de créditos sobre frete (e sobre qualquer outro custo relacionado ao insumo) só devesse ser autorizada se o “elemento centralizador” fosse tributado, então os tributos pagos na contratação desses “elementos acessórios” se tornariam custo da operação sempre que a saída do “elemento centralizador” não fosse passível de tributação, qualquer fosse o motivo. Possivelmente, essa tese já superada foi fruto de importação de conceitos contábeis e, sobretudo, do brocardo jurídico fundamento do Direito Civil, onde “accessorium sequitur principale”. Todavia, conforme fixado pelo artigo 109 do CTN, a definição dos efeitos tributários ocorre por meio da lei tributária, e não com base nos princípios gerais de direito privado, os quais devem ser utilizados apenas para a pesquisa de definição, de conteúdo e do alcance de seus institutos conceitos e formas: Art. 109. Os princípios gerais de direito privado utilizam-se para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários. Fl. 539DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 41 Destarte, para se verificar se existe a possibilidade de apropriação de créditos de PIS/COFINS sobre gastos incorridos com o frete, deve-se recorrer diretamente ao artigo 3º, inc. II, das Leis nº 10.867/2002 e 10.833/2003, conjuntamente com a definição de insumo e limitações trazidas pela jurisprudência do STJ, pois, em última análise, esse dispêndio não deixa de ser um tipo de insumo, não perdendo essa natureza pelo simples fato de estar, dentro do processo produtivo, vinculado a outro insumo. Retornando-se à jurisprudência deste E. CARF, encontramos decisão da Câmara Superior, de relatoria do Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto: PIS E COFINS. NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM TRANSPORTE DE INSUMOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO DA MATÉRIA-PRIMA SUJEITA À ALÍQUOTA ZERO. DIREITO A CRÉDITO NO FRETE. POSSIBILIDADE. O artigo 3º, inciso II das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 garante o direito ao crédito correspondente aos insumos, mas excetua expressamente nos casos da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição (inciso II, § 2º, art. 3º). Tal exceção, contudo, não invalida o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador dos insumos sujeitos à alíquota zero, que compõe o custo de aquisição do produto (art. 289, §1º do RIR/99), por ausência de vedação legal. Sendo os regimes de incidência distintos, do insumo (alíquota zero) e do frete (tributável), permanece o direito ao crédito referente ao frete pago pelo comprador do insumo para produção. (Acórdão 9303-013.887) (CARF. 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS. PAF nº 10783.900009/2012- 58. Acórdão nº 9303-014.781. Rel.: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto. Pub.: 22/05/2024) Portanto, pelas razões acima apresentadas, voto por dar provimento a este ponto recursal. II.1.2 - Fretes na importação de matéria prima De acordo com os esclarecimentos prestados pela Recorrente, “uma vez desembarcados os produtos químicos importados por meio do Porto de Santos (amônia, principalmente), estes são imediatamente transferidos por meio de dutos especiais até o Complexo Industrial de Piaçaguera ("CPG"), onde são armazenados em tanques próprios, inexistindo outra maneira possível de a mercadoria importada por via marítima ser recebida no estabelecimento para integração no processo produtivo que não por meio do prévio desembarque no porto”. Para negar direito ao crédito, a DRJ se valeu de argumentação semelhante àquela apresentada para o frete de insumo nacional, ou seja, vinculou o destino do frete à tributação do insumo importado, tendo evocado, para isso, a Solução de Consulta Cosit nº 121/2017. Fl. 540DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 42 Entretanto, conforme já esclarecido e devidamente fundamentado em tópico anterior, o frete para o transporte de insumo (seja ele nacional ou importado) não depende do regime de tributação desse, mas, diferentemente, de sua essencialidade ou relevância de per si para a atividade econômica da empresa. Observe-se que, procedendo-se ao “Teste de Subtração”, a eliminação do frete utilizado na movimentação das mercadorias importadas impede que esses insumos cheguem à unidade produtiva, o que inviabiliza, por conseguinte, a fabricação dos produtos da Recorrente, restando comprovado, portanto, a essencialidade desse frete e, desta forma, a sua natureza jurídica de “insumo” para fins de creditamento de PIS/COFINS. Na jurisprudência deste E. CARF, podem ser encontradas decisões em sentido semelhante a respeito desse assunto, tal com a relatada pela Conselheira Sabrina Coutinho Barbosa: SERVIÇOS ADUANEIROS DE CARGA E DESCARGA, TRANSBORDO E FRETE INTERNO. ESSENCIALIDADE DEMONSTRADA. CRÉDITO RECONHECIDO. Adotando o critério da extração, na operação de importação de importação de bens (matéria prima/insumos), inegável a essencialidade dos serviços aduaneiros executados em solo nacional, que viabilizará a execução da etapa produtiva da empresa. Crédito restabelecido. (CARF. Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção. PAF nº 19679.721603/2018-31. Acórdão nº 3301-013.635. Rel.: Sabrina Coutinho Barbosa. Pub.: 05/12/2023) Desta forma, voto por dar provimento a esta matéria recursal. II.1.3. - Aquisições não oneradas pelas contribuições ao PIS/COFINS A Recorrente alega que a restrição à apropriação de créditos sobre mercadorias adquiridas à alíquota zero “equivale a mero diferimento do tributo para etapa subsequente da cadeia produtiva, esvaziando-se de sentido o emprego da técnica da não-cumulatividade em patente desvio de finalidade do modelo fiscal adotado” pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Embora exista certa lógica na alegação de que a vedação ao desconto de créditos sobre insumos não onerados pelas contribuições ao PIS/COFINS representaria, de forma indireta, a anulação do benefício na etapa posterior em que a saída é tributada, fato é que a legislação em vigor é expressa e categórica na vedação ao creditamento nessa hipótese, conforme previsto no art. 3º, par. 2º, inc. II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003: Fl. 541DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 43 Art. 3º (...) § 2º Não dará direito a crédito o valor: II - da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. Observe-se que, para autorizar o desconto de créditos nesse cenário, este Julgador, primeiro, teria que afastar lei em vigor com base em princípios constitucionais, o que é vedado por força da Súmula CARF nº 02; depois, precisaria descumprir com o quanto disposto no art. 111, inc. II, do CTN, pois seria necessário fazer interpretação extensiva, presumido crédito sem qualquer lei autorizativa nesse sentido. E após criteriosa análise por todos os ângulos possíveis, conclui-se que não assiste razão à Recorrente em relação a essa matéria recursal. II.4. Serviço de manutenção de equipamentos e partes e peças De início, relata a Recorrente que a Fiscalização teria procedido às glosas de créditos vinculados a gastos com “serviços de manutenção periódica tomados pela contribuinte, como serviços de manutenção de equipamentos móveis, refrigeração e lubrificação, que visem atingir a máxima eficiência de produção, através da melhoria contínua dos equipamentos”, pois não haveria previsão legal para a adoção desse procedimento, valendo-se, para chegar a essa conclusão, de normas da RFB anteriores à pacificação jurisprudencial promovida pelo STJ. Por sua vez, pelo fato de a DRJ ter se valido do novo conceito de insumo e, após a análise de provas, ter concluído pela inadequação dos gastos aos critérios de essencialidade ou relevância, aduz a Recorrente que teria havido mudança de critério jurídico, resultando, por sua vez, em violação ao artigo 146 do CTN. A Administração Tributária, à época da ocorrência do fato gerador, possuía o entendimento de que os gastos em questão não poderiam ser classificados como insumos; esse mesmo entendimento, ainda que sob prisma um pouco diferente, foi mantido pela DRJ, ou seja, também se concluiu que, dentro de sua interpretação acerca do artigo 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, os gastos que foram objeto de glosa não poderiam ser classificados como insumos. Observe-se que as circunstâncias existentes não modificaram o resultado/conclusão a que chegou a Administração Tributária, antes ou depois da alteração jurisprudencial trazida pelo STJ, não ensejando, desta forma, qualquer necessidade de refazimento do lançamento tributário e, sendo esse o cenário, não houve prejuízo aos valores realmente protegidos pelo artigo 146 do Fl. 542DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 44 CTN, tal como a segurança jurídica, a legalidade tributária e a boa-fé do contribuinte, razão pela qual essa alegação não procede. Agora, no que diz respeito à adequação dos gastos com aquisições de partes e peças, despesas de movimentação interna, armazenagem interna/externa, serviços de terceiros e de suas provisões, além de outras relacionadas, entendo que se equivocou a Instância a quo ao manter as glosas em sua integralidade, isto porque, diferentemente do que apontou a DRJ, os esclarecimentos prestados pela Recorrente, conjuntamente com notas fiscais, planilhas elaboradas pela Fiscalização e contratos, permitem concluir que parte substancial das despesas possui suporte para o creditamento como insumo, ou dentro de outro permissivo legal para o desconto de créditos, conforme previsto nas hipóteses trazidas pelo artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. De forma específica, na peça recursal da Recorrente, foram questionadas as seguintes glosas compreendidas nas seguintes categorias: (a) Serviços de manutenção em equipamentos industriais e as respectivas partes e peças Ao analisar os documentos juntados aos autos, bem como o “Demonstrativo 7.1” elaborado pela Fiscalização, é possível identificar que os gastos em questão aparentam estar relacionados ao processo produtivo de uma empresa com integração vertical, que controla a produção deste a matéria prima até o seu beneficiamento para venda ao consumidor final. Por esse motivo, é possível identificar “serviços de manutenção em equipamentos industriais e as respectivas partes e peças” relacionados tanto à atividade de mineração quanto à fabricação de fertilizantes químicos e suplementos para animais. No exemplo abaixo, vê-se a nota de prestação de serviços emitida pela “ManServ”, onde a empresa foi contratada para a “manutenção industrial eletromecânica, caldeiraria, válvulas de controle e alívio, refrigeração, máquinas móveis, lubrificação, predial, andaimes, iluminação e telefonia, instrumentação analítica e manutenção preditiva, serviços de manutenção de parada de fosfatos”, ou seja, para a prestação de serviços que se adequam perfeitamente ao objeto da Recorrente: Fl. 543DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 45 Em outro exemplo, há a contratação de serviço da “Fast Engenharia” para a “montagem e desmontagem de estruturas tubulares”, o que aparenta estar relacionado à atividade industrial exercida pela Recorrente: Fl. 544DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 46 Já no caso de peças, pode-se aqui trazer a nota fiscal emitida pela “SEB Manutenção Industrial”, onde é vendido à Recorrente um “trocador de calor E-762”, peça que, possivelmente, foi empregada em uma máquina da linha de produção da empresa: Portanto, para os gastos que estejam identificados como “serviços de manutenção em equipamentos industriais e as respectivas partes e peças”, voto pela reversão das glosas. (b) Serviços de refrigeração e lubrificação De acordo com a explicação dada pela Recorrente, a empresa contratou prestadores de serviço para a manutenção dos sistemas de refrigeração e lubrificação das máquinas e equipamentos utilizados em seu setor produtivo da mineração. Essa alegação feita pela Recorrente é condizente com o teor das notas fiscais emitidas pela empresa “ManServ”, já trazida no item anterior, razão pela qual tais serviços, quando assim identificados, devem ser tidos como essenciais à atividade econômica da empresa, ensejando o direito ao creditamento como insumos. (c) Serviços de mineração/beneficiamento de minério De acordo com esclarecimentos prestados pela Recorrente, os serviços de mineração consistem no “decapeamento; retirada de estéril (rejeito) e minério, bem como o seu carregamento; construção e manutenção dos acessos às minas; conformação dos depósitos de Fl. 545DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 47 estéreis na área das minas; detonação (afrouxamento) das rochas duras; perfuração da mina; desmonte por explosivo; atualização topográfica da mina; perfuração dos poços; sondagem, dentre outros”. Já os serviços de beneficiamento de minérios “é composto pelas fases de britagem, homogeneização, peneiramento, moagem, classificação, deslamagem, flotação, dentre outros complexos processos químicos que ocasionarão nos produtos finais comercializados pela Recorrente”. Em ambos os casos, verifica-se que eventuais serviços contratados para a execução dessas atividades estão diretamente vinculados à execução do objeto social da empresa, isto é, a atividade econômica da mineração, sendo impensável, portanto, a sua supressão, razão pela qual os gastos que possuam essa natureza devem ser considerados como insumos e, assim, autorizados ao desconto de créditos de PIS/COFINS. Na jurisprudência deste E. CARF, pode-se citar o Acórdão nº 3301-010.185, onde se considerou como insumo todos os gastos incorridos com a contratação de serviços diretamente relacionados à atividade de mineração: MINERAÇÃO. PROCESSAMENTO/INDUSTRIALIZAÇÃO. GASTOS. CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE Os custos/despesas incorridos com: lavra; transporte de material; sistema de contenção; desenvolvimento-perfuração; bombeamento; ventilação secundária; serviços auxiliares; compressores; manutenção da mina; geologia; mecânica de rochas; britagem; moagem; lixiviação; CIP (adsorção); eluição/ eletrodeposição; fusão; e, laboratório, são essenciais ao desenvolvimento da atividade econômica de pesquisa, extração e processamento/industrialização de minério (ouro); assim, se enquadram na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e geram créditos das contribuições para o PIS e Cofins. (CARF. Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção. PAF nº 10665.721544/2012-91. Acórdão nº 3301-010.185. Rel.: Jose Adao Vitorino de Morais. Pub.: 02/07/2021) (d) Armazenagem/descarga Dentre as glosas efetuadas, informa a Recorrente que estão gastos com a armazenagem interna/externa de minérios e com serviços relacionados a essa atividade, tal como a carga e descarga desse insumo da atividade industrial. Analisando-se as notas fiscais, pode-se aqui citar a emitida pela “Cesari Empresa Multimodal de Movimentação de Materiais Ltda.”, onde o serviço contratado envolve a movimentação de cargas e a sua armazenagem: Fl. 546DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 48 A meu ver, os serviços de carga e descarga de insumos estão intimamente ligados à atividade-fim da empresa, sendo que a sua supressão impossível sem que, como resultado, tenha- se a paralisação de todo o processo produtivo. Logo, por se tratar de insumo, deve-se admitir o creditamento. (e) Serviços de movimentação interna Relativamente à movimentação interna, explica a Recorrente que se trata de serviços para o deslocamento de “mercadoria dentre os diversos setores da fábrica em questão para que se possa concluir o referido processo produtivo”. Cabe aqui rememorar que a contribuinte tem como atividades econômicas a mineração e a produção de fertilizantes químicos e suplementos para animais, sendo normal, portanto, a movimentação de alto volume de matérias primas e produtos dentro de seus estabelecimentos, com a finalidade de armazenagem ou de deslocamento de cargas entre as diversas etapas dessa empresa de produção verticalizada. Dentre os documentos constantes dos autos, há o contrato firmado com a MGM, cujo objeto consiste na prestação de serviços de “carregamento de rocha fosfática, manobra de vagões, expedição de SSP”, ou seja, movimentação vinculada à atividade de mineração, conforme é possível verificar no trecho a seguir transcrito: Fl. 547DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 49 Já em contrato celebrado com a empresa “Itaete Movimentação Logística”, verifica- se a contratação de serviços para o ensacamento e movimentação de ureia, ou seja, de insumo da produção industrial: Dentro do contexto de movimentação de cargas dentro do processo industrial, pode-se mencionar a nota fiscal emitida pela empresa “Terragama do Brasil”, onde há a contratação de horas de trabalho de “pás carregadeiras CAT 930” (tratores de concha), possivelmente utilizados na movimentação de insumos secos: Fl. 548DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 50 Na jurisprudência deste E. CARF, há decisões que também se filiaram à corrente de que os gastos com serviços de movimentação interna de cargas devem ser considerados como insumos, podendo-se apontar como exemplo o Acórdão nº 3301-010.216, também referente a atividades exercidas por uma empresa fabricante de fertilizantes: MOVIMENTAÇÃO INTERNA. PÁ CARREGADEIRA. LOCAÇÃO. MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. CARGA. DESCARGA. DESESTIVA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com pás carregadeiras, inclusive locação, para movimentação interna de insumos (matérias-primas), produtos acabados e resíduos matérias-primas, bem como com movimentação portuária para carga, descarga e desestiva de insumos (matérias-primas) importados enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e, portanto, dão direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e Cofins. (CARF. Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção. Fl. 549DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 51 Diante desse cenário, entendo ser impossível a supressão do serviço ou da locação dessas máquinas sem que, com isso, a operação da Recorrente reste inviabilizada, razão pela qual concluo que há essencialidade, ensejando direito ao creditamento de PIS/COFINS. (f) Movimentação interna de insumos e locação de máquinas e equipamentos Dentro dessa mesma linha, a Fiscalização procedeu à glosa de créditos vinculados aos gastos com a movimentação interna de insumos e locação de máquinas e equipamentos, negando a natureza jurídica de insumos. Ao analisar a documentação existente nos autos, é possível identificar que as máquinas e equipamentos alugados são utilizados na movimentação dentro da planta fabril da contribuinte, dentro da mesma lógica e atividade tratada no tópico anterior. Dentre os comprovantes de locação de máquinas e equipamentos utilizados nessa atividade, estão as notas emitidas pela “Ademir da Veiga Máquinas”: Fl. 550DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 52 Sendo assim, vê-se que há fundamentos legais para a manutenção dos créditos vinculados aos gastos com locação de máquinas e equipamentos pela Recorrente. (g) Serviços de sondagem e tratamento de efluentes Aduz a Recorrente que se vale da sondagem para orientar a lavra da rocha, e que esse serviço deve ser realizado de forma periódica, garantindo um padrão mínimo de qualidade, sob pena de autuação. Apesar de indicar que o serviço de sondagem seria relevante à sua atividade devido à existência de imposição legal, a Recorrente deixou de apontar a norma jurídica em que se escora a sua alegação. Ao proceder à pesquisa legislativa, este Julgador identificou que, de acordo com o art. 14, caput e §1º do Decreto-lei nº 227/1967 (Código de Mineração), a atividade de pesquisa mineral é necessária à definição, avaliação e determinação da exequibilidade do aproveitamento econômico de jazidas minerais, compreendendo-se na “pesquisa mineral”, dentre outros serviços, a execução de sondagens no corpo mineral: Art. 14 Entende-se por pesquisa mineral a execução dos trabalhos necessários à definição da jazida, sua avaliação e a determinação da exeqüibilidade do seu aproveitamento econômico. § 1º A pesquisa mineral compreende, entre outros, os seguintes trabalhos de campo e de laboratório: levantamentos geológicos pormenorizados da área a pesquisar, em escala conveniente, estudos dos afloramentos e suas correlações, levantamentos geofísicos e geoquímicos; aberturas de escavações visitáveis e execução de sondagens no corpo mineral; amostragens sistemáticas; análises físicas e químicas das amostras e dos testemunhos de sondagens; e ensaios de beneficiamento dos minérios ou das substâncias minerais úteis, para obtenção de concentrados de acordo com as especificações do mercado ou aproveitamento industrial. E ainda que não houvesse norma jurídica nesse sentido, não me parece crível que a exploração de uma jazida mineral se dê às cegas, isto é, sem a realização de qualquer estudo científico que possa indicar a viabilidade econômica da atividade a ser desenvolvida no local investigado, podendo-se concluir, portanto, que os serviços de sondagem não só são relevantes à atividade por imposição legal, como, também, são essenciais para a execução de atividade de mineração. Fl. 551DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 53 Na jurisprudência deste E. CARF, cito aqui o Acórdão nº 9303-006.100, da Câmara Superior, onde se entendeu que a contratação de serviço de sondagem é imprescindível à atividade de mineração, autorizando, assim, o creditamento de PIS/COFINS: ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. INSUMOS. SERVIÇOS UTILIZADOS NA LAVRA DO MINÉRIO. Pela peculiaridade da atividade econômica que exerce, são imprescindíveis à lavra do caulim os serviços relativos à terraplanagem, sondagem, levantamento topográfico e serviço de bombeamento de PIG no mineroduto, devendo, portanto, ser reconhecidos como insumos e concedido o direito ao crédito à Contribuinte. (CARF. 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS. PAF nº 10280.003593/2006- 14. Acórdão nº 9303-006.100. Rel.: Vanessa Marini Cecconello. Pub.: 02/02/2018) Já no que diz respeito ao tratamento de efluentes, toda e qualquer atividade econômica que possua potencial poluidor – no caso, atividade minerária e industrial - deve adotar as providências necessárias para a mitigação de danos ambientais. No caso de efluentes líquidos, por exemplo, a norma regulamentadora é a Resolução CONAMA nº 430/2011, a qual estabelece, em seu artigo 3º, que os efluentes de qualquer fonte poluidora “somente poderão ser lançados diretamente nos corpos receptores após o devido tratamento e desde que obedeçam às condições, padrões e exigências” dispostos na Resolução e em outras normas ambientais aplicáveis: Art. 3º Os efluentes de qualquer fonte poluidora somente poderão ser lançados diretamente nos corpos receptores após o devido tratamento e desde que obedeçam às condições, padrões e exigências dispostos nesta Resolução e em outras normas aplicáveis. Desta forma, por imposição legal, é inconcebível que efluentes industriais sejam descartados sem o seu devido tratamento, o que leva à conclusão, dentro da seara tributária, que a contratação de serviços dessa natureza é relevante para a atividade econômica, devendo ser considerados como insumos para fins de creditamento de PIS/COFINS. Para corroborar com esse entendimento, trago aqui o Acórdão nº 9303-010.477, da Câmara Superior, relativo ao serviço de tratamento de efluentes: PIS. CRÉDITOS. DESPESAS COM TRATAMENTO DE EFLUENTES. Fl. 552DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 54 É legítima a tomada de crédito da contribuição não-cumulativa em relação ao custo de bens e serviços aplicados no tratamento de efluentes, por integrar o custo de produção do produto destinado à venda. (CARF. 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS. PAF nº 13951.000346/2004- 42. Acórdão nº 9303-010.477. Rel.: Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Pub.: 30/07/2020) Dentro do tópico do Recurso Voluntário intitulado “Serviços de Manutenção de Equipamentos e Peças”, não há outros gastos que tenham sido mencionados senão aqueles acima tratados. Desta forma, sobre eventuais despesas que tenham sido glosadas, mas que não tenham sido tratadas nesse ou nos demais tópicos apresentados no Recurso Voluntário, tem-se a configuração de preclusão administrativa. II.5. Materiais sobressalentes utilizados na manutenção Em sua peça recursal, a Recorrente diz que a Fiscalização procedeu à glosa dos créditos intitulados “materiais sobressalentes utilizados na manutenção” porque a empresa teria deixado de proceder à individualização/segregação dos gastos com essa natureza. A seguir, transcrevo o trecho do TVF de onde se extrai essa conclusão: Ademais, a manifestante procurou desenvolver o mesmo raciocínio para os Materiais e Sobressalentes para Manutenção. No entanto, mesmo que possa gerar crédito da não cumulatividade, não foi demonstrado na presente manifestação de inconformidade, tornando impossível sua identificação para julgamento. É de se esperar que, quando a contribuinte alegue possuir direito em relação a glosa de crédito, que o faça especificando, demonstrando, separando as operações específicas a que teria o direito, devendo demonstrar e separar do valor total das notas fiscais glosadas pela Fiscalização, o valor do crédito em relação a este item, e assim por diante, de forma que, o julgador possa identificar a liquidez e certeza dos valores por ela reclamados. Para conseguir dar prosseguimento à análise dessa conclusão fiscal, este Julgador buscou o significado técnico do termo “material sobressalente”, tendo identificado que se trata de componentes diversos, mantidos em estoque para a substituição de partes de máquinas e equipamentos que apresentem falhas, desgastes ou danos, conforme definição apresentada pelo Eng. Emerson José Ferreira in “Definição de Sobressalentes de Manutenção a Partir de Análise de Fl. 553DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 55 Modos de Falhas e seus Efeitos” (monografia de especialização em engenharia da confiabilidade da Universidade Tecnológica Federal do Paraná), em citação de obra de Branco Filho: Branco Filho (2004), em seu dicionário de termos de manutenção, definiu o termo sobressalente como sendo uma peça, componente ou conjunto que está susceptível a substituição e que deverá estar disponível em um almoxarifado para uso imediato, quando necessário. (p. 01) Agora, ao se verificar o documento 05 da manifestação, pode-se identificar que os gastos lançados são referentes a peças/componentes que, por dedução lógica, só podem ser de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo da Recorrente: Vale aqui salientar que, no contrato firmado com a “MGM Engenharia e Operações Industriais Ltda.”, o objeto contratado compreende “os serviços de carregamento de rocha fosfática, manobra de vagões, expedição de SSP, limpezas em geral e outros serviços de operação industrial do Terminal Rodo-Ferroviário do Complexo de Mineração de Catalão/GO - CMC, a preço unitário”. Assim, procedendo-se ao “Teste de Subtração”, a eliminação dessas peças impediria que as máquinas avariadas fossem consertadas, bloqueando, por conseguinte, o fluxo do processo produtivo da Recorrente, razão pela qual os gastos como “materiais sobressalentes” devem ser tidos como insumos, gerando, portanto, direito à apuração de créditos de PIS/COFINS. Na jurisprudência deste E. CARF, esse assunto é normalmente tratado como “crédito sobre partes e peças de reposição”, havendo posicionamento favorável ao contribuinte, conforme é possível verificar no Acórdão nº 3002-001.522: REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE REPOSIÇÃO. SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. DIREITO DE CRÉDITO. As despesas com aquisição de partes e peças de reposição usadas em máquinas e equipamentos utilizados diretamente na prestação de serviços e na produção ou Fl. 554DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 56 fabricação de bens destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, quando não representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas, geram direito a créditos a serem descontados das contribuições sob regime não cumulativo. As mesmas disposições se aplicam às despesas efetuadas com serviços de manutenção dos aludidos equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda, quando prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. (CARF. Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção. PAF nº 11516.003491/2009-01. Acórdão nº 3002-001.522. Rel.: Mariel Orsi Gameiro. Pub.: 12/01/2021) Eventualmente, poder-se-ia questionar a possibilidade de manutenção da glosa nos casos de peças de reposição que representassem acréscimo de vida útil superior a 1 ano ao bem em que foram aplicadas, pois, nesse caso, o creditamento deveria se dar pelos encargos de depreciação do ativo imobilizado. Contudo, a apresentação desse critério jurídico para a realização da glosa deveria ter sido feita no momento do lançamento de ofício, não sendo possível a sua adoção no presente momento, sob pena de violação ao quanto disposto no artigo 146 do CTN, que impede a alteração do critério jurídico a posteriori para a manutenção do trabalho fiscal. Desta forma, diante das questões técnicas envolvidas e provas existentes, entendo aqui ser caso de reversão de glosa. II. 6. Gastos com armazenagem, movimentação interna, beneficiamento, combustíveis, lubrificantes e serviços de terceiros No tópico do Recurso Voluntário intitulado “Gastos com armazenagem, movimentação interna, beneficiamento, combustíveis, lubrificantes e serviços de terceiros”, a Recorrente retoma a maior parte dos questionamentos já tratados no tópico “Serviço de manutenção de equipamentos e partes e peças”, restando analisar apenas as rubricas de (a) combustíveis e óleos lubrificantes, (b) fretes para transporte de mercadorias a serem armazenadas e (c) alguns serviços específicos prestados por terceiros. (a) Combustíveis e óleos lubrificantes Na decisão da DRJ, os Julgadores fizeram a pressuposição de que, como alguns dos serviços essenciais ou relevantes contratados pela Recorrente possuíam cláusula de inclusão de combustíveis e lubrificantes no preço exigido, então todo combustível e lubrificante adquirido pela empresa era empregado em áreas não essenciais e que, por esse motivo, despesas com essa natureza não gerariam créditos à Recorrente: Fl. 555DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 57 Da mesma forma, despesas com combustíveis e lubrificantes somente podem ser considerados insumos do processo produtivo quando consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens ou de prestação de serviços, permanecendo válida a vedação à apuração de crédito em relação a combustíveis consumidos em máquinas, equipamentos ou veículos utilizados nas demais áreas de atividade da pessoa jurídica (administrativa, contábil, jurídica, etc), bem como utilizados posteriormente à finalização da produção do bem destinado à venda ou à prestação de serviço, tal como dispõe o Parecer Normativo Cosit/RFB nº 05/2018: (...) Nessa vedação à apuração de crédito se inserem os gastos com as empilhadeiras, cuja atividade não reste plenamente vinculada ao processo de produção dos bens destinados à venda. Voltando ao serviço de movimentação decorrente do contrato apresentado com a MGM, também com relação aos combustíveis e lubrificantes se estendem as mesmas conclusões acerca dos serviços de manutenção e partes e peças a ele vinculados. Acrescente-se que o preço unitário combinado compreendeu todas as despesas da contratada, que foram descritas de modo exemplificativo e não exaustivo (cláusula 3.0), o que, a princípio, não justificaria o ônus extra da contratante do gasto com combustíveis (cláusula 5.0), na hipótese de os serviços terem sido efetuados com fornecimento de equipamentos pela contratada e não apenas com o fornecimento de mão de obra. Ainda com relação aos combustíveis (e também ao frete), o PN COSIT/RFB nº 5/2018 expressamente assinalou que não podem ser considerados insumos os gastos com transporte de produtos acabados de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, aí inserindo os combustíveis utilizados em frota própria de veículos. Nessa vedação à apuração de crédito se inserem os gastos com as empilhadeiras, cuja atividade não reste plenamente vinculada ao processo de produção dos bens destinados à venda. Voltando ao serviço de movimentação decorrente do contrato apresentado com a MGM, também com relação aos combustíveis e lubrificantes se estendem as mesmas conclusões acerca dos serviços de manutenção e partes e peças a ele vinculados. Acrescente-se que o preço unitário combinado compreendeu todas as despesas da contratada, que foram descritas de modo exemplificativo e não exaustivo (cláusula 3.0), o que, a princípio, não justificaria o ônus extra da contratante do gasto com combustíveis (cláusula 5.0), na hipótese de os serviços terem sido efetuados com fornecimento de equipamentos pela contratada e não apenas com o fornecimento de mão de obra. Ainda com relação aos combustíveis (e também ao frete), o PN COSIT/RFB nº 5/2018 expressamente assinalou que não podem ser considerados insumos os Fl. 556DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 58 gastos com transporte de produtos acabados de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, aí inserindo os combustíveis utilizados em frota própria de veículos. Embora exista plausibilidade quanto à questão de direito, o que se pode identificar que a matéria em questão foi tratada pela DRJ e nos recursos apresentados pela contribuinte, porém, não foi um objeto abordado no Termo de Verificação Fiscal. Desta forma, voto pelo não conhecimento da matéria. (b) Fretes para transporte de mercadorias a serem armazenadas Relativamente a essa rubrica, a glosa foi procedida pela Fiscalização porque as movimentações realizadas envolviam, também, produtos acabados. Em sua defesa, a Recorrente alega que “todas as glosas perpetradas se relacionam às movimentações de insumos adquiridos pela Recorrente, contratadas em virtude da complexidade de seu processo produtivo - transporte interno dos insumos entre os diversos setores do seu parque industrial, assim como a adequada armazenagem até o momento de utilização”. Quanto a esse ponto, conforme já trazido em tópico anterior, os gastos com fretes para o transporte de insumos e, também, de produto semiacabados entre estabelecimentos do mesmo contribuinte autorizam o creditamento de PIS/COFINS, pois essenciais ao processo produtivo da empresa, podendo-se citar aqui e novamente, jurisprudência nesse sentido deste E> CARF: CRÉDITO. CONCEITO DE INSUMO. FRETE DE PRODUTO SEMIACABADO ENTRE UNIDADES DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. O frete de produto semiacabado entre unidades da pessoa jurídica, por ser essencial ao processo produtivo, se inclui no conceito de insumo para fins de creditamento da Cofins não-cumulativa. (CARF. Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção. PAF nº 11686.000295/2008-34. Acórdão nº 3201-009.341. Rel.: Matheus Voigt da Silva. Pub.: 06/12/2021) CRÉDITO. FRETES DE INSUMOS, PRODUTOS EM ELABORAÇÃO OU SEMIACABADOS. ESTABELECIMENTOS DA MESMA EMPRESA. POSSIBILIDADE. Os fretes de insumos, produtos em elaboração ou semiacabados entre estabelecimentos da mesma empresa, diante do processo produtivo explicitado, mostra-se como item essencial e pertinente à produção, devendo ser reconhecido como insumo. Fl. 557DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 59 (CARF. Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção. PAF nº 15504.721393/2016-61. Acórdão nº 3201-009.633. Rel.: Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Pub.: 25/01/2022) Ao se analisar os contratos juntados pela Recorrente no curso do processo fiscalizatório, não é possível confirmar a hipótese trazida pela DRJ, isto é, de que os fretes contratados seriam destinados à movimentação de produtos acabados entre estabelecimentos de mesma titularidade e, pelo contrário, parece-me mesmo que se trata de movimentação de insumos e mercadorias semiacabadas dentro do intrincado processo industrial da Recorrente, conforme é possível verificar nos contratos firmados com a “MGM Engenharia e Operações Industriais Ltda.” e “Terragrama do Brasil”: Fl. 558DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 60 Desta forma, entendo que as glosas sobre fretes entre estabelecimentos de mesma titularidade, destinados ao transporte de insumos (da mineradora ou da fábrica) ou de produtos semiacabados, devem ser afastadas. Sobre a natureza de insumos, traz-se aqui os exemplos apontados pela própria Fiscalização em seu TVF: Citou outro exemplo, que consiste na recepção, conferência, depósito, manuseio, guarda, expedição e controle de estoque de insumos. Em outro serviço, citou o objeto do contrato da prestação: “movimentação e manuseio de granéis sólidos, movimentação e manuseio de matérias primas, descarga de enxofre, transferência de rocha, alimentação do poço de fusão de enxofre, e movimentação do pátio ferroviário, dragagem manuseio e transporte interno de resíduos das lagoas, bem como a locação de máquinas e equipamentos necessários para a execução dos serviços”. Já eventuais créditos vinculados a fretes incorridos no transporte de produto industrial acabado entre estabelecimentos de mesma titularidade devem ter suas glosas mantidas, com fundamento na Súmula CARF nº 217: Súmula CARF nº 217 Fl. 559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 61 Os gastos com fretes relativos ao transporte de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa não geram créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins não cumulativas. (c) Alguns serviços específicos prestados por terceiros Por se tratar de serviços mais abrangentes, continuados e de maior valor, a Fiscalização procedeu à análise específica dos contratos firmados com as empresas “Pinturas Ypiranga Ltda.”, “MGM Engenharia e Operações Industriais Ltda.”, “Fast Engenharia e Montagens Ltda.”, “Terragrama do Brasil Empreendimentos e Construções Ltda.”, “Terragrama Construções Ltda.”, “Petróleo Brasileiro S/A – Petrobras”, “Tópico Coberturas Alternativas Ltda.” e “Ideal Guindastes Ltda.”. No contrato firmado com a “Pinturas Ypiranga Ltda.”, o objeto contratado é “pintura industrial, isolamento térmico, manutenção de refratários, aplicação de polímeros e jateamento de superfície nas unidades da contratante (CCB, CPG, TUF, CAR, CMC1, CMC2, CMT, CIU), a preços mensais na modalidade global”, ou seja, a empresa era contratada para a manutenção completa de maquinário pesado e que trabalhava em altas temperaturas. Para fundamentar a manutenção da glosa, a DRJ utilizou como argumento a existência de cobrança por preço global, onde esse valor abarcava tanto serviços essenciais como os supérfluos, tendo apontado como sendo pertencente a essa categoria a “pintura industrial”. Mesmo sem buscar uma norma técnica específica, parece-me absolutamente incorreta a conclusão de que a pintura de máquinas e equipamentos se preste apenas ao embelezamento, pois, para além dessa função, há a de proteger o metal da oxidação ou do ataque de produtos químicos que possam promover a sua corrosão, sendo, portanto, absolutamente essencial dar pintura industrial às máquinas e equipamentos. Para se transpor esse problema ao dia a dia do cidadão comum, basta aqui pensar em um automóvel sem pintura: o aço oxidará rapidamente em contato com o ar e, ainda, poderá sofrer corrosão elevada quando exposto à maresia, chuva ácida, e a tantos outros elementos que, naturalmente, entrarão em contato com a superfície metálica. No contrato firmado com a “MGM Engenharia e Operações Industriais Ltda.”, o objeto contratado compreende “os serviços de carregamento de rocha fosfática, manobra de vagões, expedição de SSP, limpezas em geral e outros serviços de operação industrial do Terminal Rodo-Ferroviário do Complexo de Mineração de Catalão/GO - CMC, a preço unitário”. Quanto à contratação desse serviço, e apesar dos apontamentos feitos pela DRJ sobre cláusulas de obrigações mútuas e de fornecimento de equipamentos por parte da contratada, entendo que esses detalhes não alteram a natureza jurídica desses gastos, pois foram incorridos para o transporte de materiais diversos da atividade minerária que, em última análise, são todos insumos da atividade industrial. Observe-se que o cenário seria sensivelmente diferente Fl. 560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 62 se a empresa Recorrente fosse empresa estritamente mineradora, onde poderia haver discussão se a movimentação de determinada mercadoria se trataria de algum tipo de frete de produto acabado entre estabelecimentos de mesma titularidade. E não sendo o caso, entendo se tratar de insumo. No contrato firmado com a “Fast Engenharia e Montagens SA", o objeto contratado são “serviços especializados de planejamento, fornecimento, manuseio, montagem, manutenção e desmontagem de andaimes para as grandes paradas de manutenção nas unidades da contratante (CCB; CPG; TUF; CAR; CIU), a preços unitários”, ou seja, a empresa contratada organizava e fazia a montagem de andaimes, utilizados em obras de manutenção das instalações industriais. Para fundamentar a manutenção da glosa, a DRJ utilizou como argumento a afirmação de que o serviço contratado deveria ser ativado, razão pela não poderia gerar créditos como insumo. Com razão a DRJ. De fato, os serviços e materiais utilizados na manutenção de parque fabril devem ser ativados, razão pela qual o creditamento não pode ocorrer de forma direta, mas por encargo de depreciação, conforme previsto no art. 3º, §1º, inc. III, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Ou seja, não significa que a empresa não possa apurar créditos sobre serviços de manutenção predial, mas apenas que o fluxo de reconhecimento deve ser fracionado, conforme taxa de depreciação aplicável ao ativo que foi reformado. Na jurisprudência deste E. CARF, pode-se aqui citar o Acórdão nº 9303-016.320, da Câmara Superior: SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DO PARQUE FABRIL. ATIVO IMOBILIZADO. IMPOSSIBILIDADE DE CRÉDITO. Os serviços de manutenção predial não se enquadram no conceito de insumos, tendo em vista que posteriormente são incorporados ao ativo imobilizado, havendo o aproveitamento dos créditos por meio da depreciação. (CARF. 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS. PAF nº 11065.722563/2013- 47. Acórdão nº 9303-016.320. Rel.: Vinicius Guimarães. Pub.: 17/032/2025) No contrato firmado com a “Terragama do Brasil Empreendimentos e Construções Ltda.”, o objeto contratado são “serviços no CPG de remoção e expedição de gesso, bem como de limpeza e remoção de areia no Rio Mogi, limpeza e remoção das barragens e vias de acesso da Serra do Mar, limpeza e remoção do CQ13, limpeza e remoção das lagoas de efluentes, limpeza e remoção das bacias de tratamento com cal, limpeza e remoção das caixas separadoras de água (Buraco do Nogueira) próximas aos depósitos, limpeza e remoção nas alas que circundam os depósitos, limpeza e remoção das ruas (desde a rua da Parceria até os acessos nas áreas das Fl. 561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 63 lagoas e depósitos), a preços unitários”, ou seja, o serviço consistia na limpeza e auxílio na recomposição de áreas degradadas pela atividade minerária. Para fundamentar a manutenção da glosa, a DRJ adotou como fundamento a tese de que as despesas como limpezas diversas não são essenciais ou relevantes à atividade da empresa, razão pela qual não gerariam créditos como insumos. Contudo, não me parece crível que se possa desenvolver a atividade de mineração sem a limpeza e tratamento de rejeitos. Aliás, tragédias pela má gestão de rejeitos da atividade de mineração há aos montes pelo mundo, podendo-se citar, aqui no Brasil, o rompimento da barragem de Mariana. Na jurisprudência deste E. CARF, há precedentes da indústria de mineração onde se admitiu a tomada de créditos sobre gastos com serviços de limpeza e tratamento de rejeitos: PIS/COFINS NÃO-CUMULATIVO. ATIVIDADE DE MINERAÇÃO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. INSUMOS. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à Cofins refere-se aos produtos e serviços necessários ao processo produtivo. Geram direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS e da Cofins apuradas de forma não-cumulativa na atividade exercida pela recorrente os gastos incorridos com (i) serviços prestados no mineroduto; (ii) aluguel de veículos, de máquinas e equipamentos; (iii) locação de dragas, reboque, serviço de rebocador e portuários; (iv) serviços de limpeza, recolhimento e transporte de rejeitos; (v) serviços de topografia, operações de efluentes, serviços de drenagens, análises físicas e químicas; (vi) usinas manutenção e conservação; (vii) obras de construção civil e (viii) combustíveis. Aos créditos concedidos em relação (i) aos serviços prestados no mineroduto e (ii) a obras civis e outros serviços sobre máquinas e equipamentos devem ser respeitadas as regras de depreciação, conforme inc. III, do § 1° do art. 3° das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. (CARF. Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção. PAF nº 10680.901869/2012-67. Acórdão nº 3201-003.325. Rel.: Winderley Morais Pereira. Pub.: 02/04/2018) No contrato firmado com a “Terragama do Brasil Empreendimentos e Construções Ltda.”, o objeto contratado são “serviços de movimentação interna de produtos, rechego de produtos a bordo dos navios, apoio às atividades operacionais, operações ferroviárias e manutenção da via permanente das linhas e dos pátios ferroviários para atendimento ao CCB, CPG e TUF, a preços unitários”. Para fundamentar a manutenção da glosa, a DRJ adotou como linha argumentativa a de que os gastos relativos às operações ferroviárias não são essenciais ou relevantes à atividade Fl. 562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 64 da empresa, o que me parece totalmente descabido, isto porque, para o recebimento de insumos e produtos semiacabados, os estabelecimentos industriais fabricantes de fertilizantes e suplementos animais dependem desse modal de transporte que, caso fosse eliminado, obstaria o prosseguimento do fluxo industrial. Outros argumentos para a manutenção da glosa dizem respeito à movimentação interna de cargas, às peças e partes para a manutenção de máquinas e equipamentos, ou à locação dessas máquinas e equipamentos, questões essas já enfrentadas por este voto. No contrato firmado com a “Petrobras”, o objeto contratado são “a operação do conduto (amoniaduto) de propriedade da Petrobras, para transporte de amônia anidra a partir dos tanques da Ultrafértil, situados em Piaçaguera - Cubatão/SP, para sua outra fábrica, também situada em Cubatão/SP, o qual utiliza, em parte, a faixa de terreno do Oleoduto São Sebastião – Cubatão e faixa de terreno da Rede Ferroviária Federal S.A”, ou seja, trata-se de contratação de frete, a ser executado por meio de dutos, para o transporte de insumos. Para a manutenção da glosa, a DRJ adotou a tese de que apenas os gastos com fretes de venda podem gerar créditos de PIS/COFINS. Contudo, essa tese foi superada no CARF, admitindo-se atualmente o desconto de créditos com fretes incorridos no transporte de insumos, inclusive quando não tributados (Súmula CARF nº 188). No contrato firmado com a “Tópico Coberturas Alternativas Ltda.”, o objeto contratado são “a locação de armazéns estruturados com eclusa de acesso, fabricado em lona sintética, auto-extinguível, antimofos, anti-fungos e com bloqueador de raios UV, para atender as Unidades CIU, CMT, UPM, CMC, CCB, CPG, TUF, CAR, a preço unitário estabelecido no Anexo I”, ou seja, trata-se de gastos com a locação de estruturas provisórias, destinadas à armazenagem de insumos ou produtos semiacabados. A DRJ, para sustentar a glosa, envereda-se para o artigo 3º, inc. IV, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, que autoriza o creditamento dos gastos incorridos com a locação de prédios, máquinas e equipamentos, concluindo que os armazéns provisórios não poderiam ser enquadrar em nenhuma das categorias, razão pela qual não haveria amparo legal para o creditamento. A meu ver, poder-se-ia até se discutir se o armazém provisório seria um tipo de equipamento, pois poderia ser entendido como um tipo de ferramenta, cujo objetivo é o de proteção do que nele for colocado. Contudo, também seria possível visualizar o caso sob outro prisma, isto porque a empresa contratada não só fornecia o armazém provisório, como também todo o serviço necessário para a sua montagem e desmontagem, podendo-se dizer, então, que se trataria de um tipo de serviço de solução logística, destinado a resolver problemas com a armazenagem in loco (isto é, dentro do estabelecimento da empresa contratante) de mercadorias sensíveis. Fl. 563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 65 Aliás, qual diferença substancial (exceto em relação à finalidade) haveria em relação a um serviço de montagem de desmontagem de andaimes para outro, de montagem e desmontagem de armazéns provisórios? A meu ver, nenhuma que pudesse alterar o direcionamento do dispositivo legal aplicável para o artigo 3º, inc. IV, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. E sendo um serviço indispensável à manutenção da atividade principal da Recorrente, vê-se que há o enquadramento do caso no artigo 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Já no contrato firmado com a “Ideal Guindastes e Equipamentos Ltda.”, o objeto contratado são “serviços especializados de transporte, movimentação de cargas durante as paradas programadas de manutenção (conforme anexo III, parte integrante deste contrato), a serem realizados nas unidades CPG, CCB e TUF, a preço unitário.”, ou seja, trata-se serviços de movimentação interna de cargas, com o fim de liberar espaços do estabelecimento da empresa para a realização de reformas. Para a manutenção da glosa, todavia, a DRJ interpretou a finalidade do serviço de uma forma diferente, vinculando-o a uma atividade de manutenção do estabelecimento, o que, conforme já exposto acima, atrairia a incidência do art. 3º, §1º, inc. III, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Contudo, para que essa conclusão estivesse correta, seria necessário que houvesse previsão legal para a ativação desse tipo de gasto, o que não me parece adequado, pois os gastos em questão não estão relacionados ao prédio em que a reforma foi executada. Sendo assim, adoto aqui o mesmo entendimento já apresentado para a movimentação interna de cargas, autorizando o creditamento como insumo. II. 7. Fretes de importação e fretes CIF Quanto aos gastos com “fretes de importação” e “fretes CIF de insumos”, não há aqui maiores considerações a fazer, pois, conforme fundamentação já apresentada anteriormente, todos os fretes incorridos para o transporte de insumos devem ser tidos como insumos, gerando, assim, direito aos créditos de PIS/COFINS na forma do art. 3º, inc. II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. III. Conclusão Diante do exposto, voto por não conhecer da matéria relativa às alegações de crédito sobre combustíveis e lubrificantes e em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o crédito sobre os fretes na compra de insumos nacionais e importados, sobre os serviços de manutenção em equipamentos industriais e as respectivas partes e peças, sobre os Fl. 564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.449 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10845.724742/2013-79 66 serviços de refrigeração e lubrificação, sobre os serviços de mineração/beneficiamento de minério, sobre a armazenagem e descarga de insumos, sobre serviços de movimentação interna de insumos e locação das máquinas e equipamentos para movimentação interna, sobre serviços de sondagem e tratamento de efluentes, sobre materiais sobressalentes utilizados na manutenção, sobre fretes na movimentação interna de insumos e produtos semiacabados, sobre os pagamentos efetuados no âmbito do Contrato com Pinturas Ypiranga Ltda, MGM Engenharia e Operações Industriais Ltda, Terragama do Brasil Empreendimentos e Construções Ltda, Petrobras, Tópico Coberturas Alternativas Ltda, Ideal Guindastes e Equipamentos Ltda e sobre os encargos de depreciação sobre a ativação no imobilizado relativo aos pagamentos à Fast Engenharia e Montagens AS. Assinado Digitalmente Bruno Minoru Takii Fl. 565DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10997276 #
Numero do processo: 10073.900980/2017-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO Dado o erro material ou lapso manifesto apontado pela embargante, torna-se necessária a correção do acórdão embargado.
Numero da decisão: 3201-012.479
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração,sem efeitos infringentes,para corrigir parte da ementa do acórdão embargado, de modo a refletir, com exatidão, o conteúdo e os limites da decisão proferida pelo colegiado, nos seguintes termos: REDAÇÃO ATUAL: CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, movimentação essa ocorrida no contexto de operações de venda, observados os demais requisitos da lei, dentre os quais tratarse de serviço tributado pela contribuição e prestado por pessoa jurídica domiciliada no País. NOVA REDAÇÃO: CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Geram direito a crédito os dispêndios com transporte de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica, observados os requisitos da lei, dentre os quais terem sido tais serviços tributados e prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. Também deverá ser excluído do voto condutor do acórdão embargado o seguinte trecho:Os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, seja na venda ou na compra, também podem gerar crédito, desde que devidamente identificados e relacionados à produção ou à atividade econômica da empresa enunca relacionado às áreas administrativas ou comerciais. (g.n.). Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.478, de 25 de julho de 2025, prolatado no julgamento do processo 10073.900982/2017-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco, Flavia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

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CONTRADIÇÃO. ERRO MATERIAL. CORREÇÃO Dado o erro material ou lapso manifesto apontado pela embargante, torna-se necessária a correção do acórdão embargado. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para corrigir parte da ementa do acórdão embargado, de modo a refletir, com exatidão, o conteúdo e os limites da decisão proferida pelo colegiado, nos seguintes termos: REDAÇÃO ATUAL: CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, movimentação essa ocorrida no contexto de operações de venda, observados os demais requisitos da lei, dentre os quais tratarse de serviço tributado pela contribuição e prestado por pessoa jurídica domiciliada no País. NOVA REDAÇÃO: CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Geram direito a crédito os dispêndios com transporte de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica, observados os requisitos da lei, dentre os quais terem sido tais serviços tributados e prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. Também deverá ser excluído do voto condutor do acórdão embargado o seguinte trecho: Os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, seja na venda ou na compra, também podem gerar crédito, desde que devidamente identificados e relacionados à produção ou à atividade econômica da empresa e nunca relacionado às áreas administrativas ou comerciais. (g.n.). Fl. 892DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.479 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10073.900980/2017-07 2 Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3201-012.478, de 25 de julho de 2025, prolatado no julgamento do processo 10073.900982/2017-98, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Barbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco, Flavia Sales Campos Vale, Marcelo Enk de Aguiar, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Helcio Lafeta Reis (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se da análise de embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional em face de acórdão, por meio do qual esta Turma assim se manifestou: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para reverter as glosas de crédito relativas a dispêndios com fretes nas aquisições de insumos, devidamente comprovadas, e no transporte de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica, observados os requisitos da lei, dentre os quais terem sido tais serviços tributados e prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País, vencidos os conselheiros Ricardo Sierra Fernandes, Ricardo Rocha de Holanda Coutinho e Ana Paula Pedrosa Giglio, que negavam provimento integral ao recurso. Inicialmente, o conselheiro Ricardo Sierra Fernandes propôs a realização de diligência, sendo acompanhado pelo conselheiro Ricardo Rocha de Holanda Coutinho, proposta essa rejeitada pelos demais conselheiros. A decisão teve as seguintes ementas: (...) REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO JURÍDICO. PRECEDENTE JUDICIAL. RECURSO REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo jurídico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da Fl. 893DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.479 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10073.900980/2017-07 3 legislação do imposto de renda. O REsp 1.221.170 / STJ, em sede de recurso repetitivo, confirmou a posição intermediária criada na jurisprudência deste Conselho e, em razão do disposto no Art. 62 do seu regimento interno, tem aplicação obrigatória. O dispêndio deve ser essencial e relevante à atividade econômica da empresa. CRÉDITO. FRETES PAGOS NAS AQUISIÇÕES DE INSUMO NÃO TRIBUTADO OU SUJEITO A SUSPENSÃO. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os dispêndios com fretes nas aquisições de insumo não tributado ou sujeito a suspensão, mas desde que tais fretes tenham sido tributados pela contribuição e prestados por pessoa jurídica domiciliada no País que não seja a fornecedora do produto, observados os demais requisitos da lei. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, movimentação essa ocorrida no contexto de operações de venda, observados os demais requisitos da lei, dentre os quais tratar-se de serviço tributado pela contribuição e prestado por pessoa jurídica domiciliada no País. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. Conforme definido no julgamento do Recurso Especial nº 1.767.945/PR, que fixou a tese STJ n.º 1003, a taxa Selic deve ser aplicada na correção monetária dos créditos de Pis e Cofins não-cumulativos, após escoado o prazo de 360 do pedido administrativo. Cientificada da decisão, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs embargos de declaração, sob o argumento de que há contradição entre a parte dispositiva do aresto e a ementa do julgado, conforme trecho abaixo: Observe-se que da leitura da ementa do julgado consta também o tema relativo ao “frete na transferência de produtos acabados”, sendo que na parte dispositiva não há qualquer menção a este assunto, sendo tratado apenas do “frete na aquisição e transferência de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica “ O Presidente da Turma, dentro de suas funções regimentais, admitiu os Embargos, reconhecendo a competência do recorrente e a tempestividade da interposição do Recurso. Ademais, entendeu que deveriam tais embargos ser analisados, nos seguintes termos: Assim, verifica-se o seguinte: I) com relação à alegação de que, “da leitura da ementa do julgado consta também o tema relativo a “frete na transferência de produtos acabados”, sendo que na parte dispositiva não há qualquer menção a este assunto, sendo tratado apenas do “frete na aquisição e transferência de insumos entre estabelecimentos Fl. 894DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.479 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10073.900980/2017-07 4 da pessoa jurídica”, constata-se que procede a alegação da Embargante, pois a menção a “fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa no contexto de operações de vendas” somente pode ser interpretada como relativa a frete na transferência de produtos acabados; II) com relação à contradição entre a ementa do acórdão e a parte dispositiva, verifica-se que ela também ocorreu, uma vez que, na ementa, encontra-se o texto “fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, movimentação essa ocorrida no contexto de operações de venda, observados os demais requisitos da lei, dentre os quais tratar-se de serviço tributado pela contribuição e prestado por pessoa jurídica domiciliada no País”, enquanto que, na parte dispositiva, tem-se o texto “para reverter as glosas de crédito relativas a dispêndios com fretes nas aquisições de insumos, devidamente comprovadas, e no transporte de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica, observados os requisitos da lei, dentre os quais terem sido tais serviços tributados e prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País”. Verifica-se que, no dispositivo, não consta a expressão “movimentação essa ocorrida no contexto de operações de venda”, tornando contraditória a interpretação do julgado. CONCLUSÃO Diante do exposto, com base nas razões acima e com fundamento no art. 116 do Anexo do novo RICARF, DOU SEGUIMENTO aos presentes Embargos, para que o colegiado aprecie o(s) vício(s) apontado(s) no acórdão embargado. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: I. Tempestividade e admissibilidade Tendo em vista que as análises quanto a tempestividade e a admissibilidade já foram feitas pela Presidência da Turma, não há de se refazer tal análise. II. Contradição Fl. 895DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.479 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10073.900980/2017-07 5 Dispõe o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, acerca dos Embargos de Declaração: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. §1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao presidente da Turma, no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão. A decisão embargada em sua dispositiva faz expressa menção aos créditos com fretes nas aquisições dos insumos, devidamente comprovadas, além do transporte de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica, observados os requisitos da lei, nos seguintes termos: Diante do exposto, vota-se para que seja DADO PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para: - reverter as glosas de crédito relativas a dispêndios com fretes nas aquisições de insumos, devidamente comprovadas, e no transporte de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica, observados os requisitos da lei, dentre os quais terem sido tais serviços tributados e prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. (grifei) A ementa objeto do embargo é a seguinte: CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, movimentação essa ocorrida no contexto de operações de venda, observados os demais requisitos da lei, dentre os quais tratar-se de serviço tributado pela contribuição e prestado por pessoa jurídica domiciliada no País. Verifica-se então evidente inconsistência entre a ementa e a parte dispositiva do acórdão. A decisão expressamente reconhece o direito ao crédito de fretes relacionados a insumos, tanto nas aquisições quanto no transporte entre estabelecimentos da pessoa jurídica, desde que observados os requisitos legais, como a tributação do serviço e a prestação por pessoa jurídica domiciliada no País. No entanto, a ementa apresenta redação divergente, ao fazer referência ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, vinculando-o ainda ao contexto de operações de venda, o que, embora tenha cito citado no decorrer do voto, não foi objeto de deliberação pelo Colegiado. Fl. 896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.479 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10073.900980/2017-07 6 Diante do exposto, voto pelo acolhimento das alegações da embargante, a fim de que a ementa seja devidamente corrigida para refletir, com exatidão, o conteúdo e os limites da decisão proferida pelo colegiado, nos seguintes termos: REDAÇÃO ATUAL NOVA REDAÇÃO CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, movimentação essa ocorrida no contexto de operações de venda, observados os demais requisitos da lei, dentre os quais tratar-se de serviço tributado pela contribuição e prestado por pessoa jurídica domiciliada no País. CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Geram direito a crédito os dispêndios com transporte de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica, observados os requisitos da lei, dentre os quais terem sido tais serviços tributados e prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. Também deverá ser excluído do voto condutor do acórdão embargado o seguinte trecho: [...] Os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, seja na venda ou na compra, também podem gerar crédito, desde que devidamente identificados e relacionados à produção ou à atividade econômica da empresa e nunca relacionado às áreas administrativas ou comerciais. (g.n.) [...] Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui Fl. 897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.479 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10073.900980/2017-07 7 adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, para corrigir parte da ementa do acórdão embargado, de modo a refletir, com exatidão, o conteúdo e os limites da decisão proferida pelo colegiado, nos seguintes termos: REDAÇÃO ATUAL: CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. Geram direito a crédito os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, movimentação essa ocorrida no contexto de operações de venda, observados os demais requisitos da lei, dentre os quais tratarse de serviço tributado pela contribuição e prestado por pessoa jurídica domiciliada no País. NOVA REDAÇÃO: CRÉDITO. FRETES NA TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DA EMPRESA. POSSIBILIDADE Geram direito a crédito os dispêndios com transporte de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica, observados os requisitos da lei, dentre os quais terem sido tais serviços tributados e prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no País. Também deverá ser excluído do voto condutor do acórdão embargado o seguinte trecho: Os dispêndios com fretes na transferência de mercadorias entre estabelecimentos da empresa, seja na venda ou na compra, também podem gerar crédito, desde que devidamente identificados e relacionados à produção ou à atividade econômica da empresa e nunca relacionado às áreas administrativas ou comerciais. (g.n.). Assinado Digitalmente Hélcio Lafetá Reis – Presidente Redator Fl. 898DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10997482 #
Numero do processo: 10880.988041/2017-63
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. TEMA 69 DA REPERCUSSÃO GERAL. PARECER SEI 7.698/2021/ME. Em conformidade com o Parecer SEI 7.698/2021/ME, os Auditores-Fiscais da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil devem observar o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 574.706/PR (Tema 69 da Repercussão Geral), no qual restou definido que o ICMS destacado na nota fiscal não compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, para os períodos de apuração posteriores a 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até essa data.
Numero da decisão: 3001-003.370
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em julgar acatada a preliminar suscitada pelo recorrente. Vencidos os conselheiros Larissa Cassia Favaro Boldrin, Daniel Moreno Castillo e Fabio Kirzner Ejchel, que rejeitavam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha e Wilson Antonio de Souza Correa negavam provimento ao recurso por entender que, no caso, não cabia a exceção da modulação de efeitos do RE 574.706/PR (Tema 69). Os demais conselheiros entenderam que o processo se enquadrava na referida exceção, mas que o recorrente não conseguiu comprovar o seu direito creditório por meio de documentação hábil e idônea. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.310, de 19 de fevereiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.987968/2017-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Fabio Kirzner Ejchel (substituto integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antonio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (presidente).
Nome do relator: FRANCISCA ELIZABETH BARRETO

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EXCLUSÃO DO ICMS. DECISÃO DO STF. TEMA 69 DA REPERCUSSÃO GERAL. PARECER SEI 7.698/2021/ME. Em conformidade com o Parecer SEI 7.698/2021/ME, os Auditores-Fiscais da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil devem observar o entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do julgamento do RE 574.706/PR (Tema 69 da Repercussão Geral), no qual restou definido que o ICMS destacado na nota fiscal não compõe a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, para os períodos de apuração posteriores a 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até essa data. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em julgar acatada a preliminar suscitada pelo recorrente. Vencidos os conselheiros Larissa Cassia Favaro Boldrin, Daniel Moreno Castillo e Fabio Kirzner Ejchel, que rejeitavam a preliminar. No mérito, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Os Conselheiros Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha e Wilson Antonio de Souza Correa negavam provimento ao recurso por entender que, no caso, não cabia a exceção da modulação de efeitos do RE 574.706/PR (Tema 69). Os demais conselheiros entenderam que o processo se enquadrava na referida exceção, mas que o recorrente não conseguiu comprovar o seu direito creditório por meio de documentação hábil e idônea. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3001-003.310, de 19 de fevereiro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10880.987968/2017-86, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 393DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.370 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988041/2017-63 2 Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Moreno Castillo, Fabio Kirzner Ejchel (substituto integral), Larissa Cassia Favaro Boldrin, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Wilson Antonio de Souza Correa, Francisca Elizabeth Barreto (presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que tratou de PER/DCOMP apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente ao crédito de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, decorrente de pagamento indevido e/ou a maior. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, alegando, em síntese: Preliminarmente: 1. Do dever de observância à decisão definitiva pelo STF sobre a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS no conceito de faturamento e na base de cálculo do PIS e da Cofins – tema n° 69; Mérito: 1. O valor do ICMS destacado nas notas fiscais de circulação de mercadoria não pode ser considerado receita ou faturamento da recorrente para fins de incidência destas contribuições, então, o imposto estadual não deve ser incluído no cômputo das respectivas bases de cálculo. Logo, deve-se reconhecer o crédito da recorrente e deferir o pedido de restituição em questão, adequando-o ao entendimento exarado pelo E. STF; 2. Além da legitimidade do crédito ser notória, vez que o E. STF reconheceu a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/COFINS, a documentação acostada comprova que a recorrente recolheu a maior a quantia pleiteada, sendo por isso que também solicitou em sua defesa inicial, a realização de diligência e/ou perícia, se necessário, para dirimir eventuais dúvidas quanto ao montante requerido e para atestar sua legalidade; Fl. 394DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.370 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988041/2017-63 3 3. Da verdade Material e da Vedação ao enriquecimento ilícito do Estado; 4. Do sobrestamento do processo administrativo e da aplicação subsidiária do código de processo civil. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir. Deixa-se de transcrever a parte vencida do voto do relator, que pode ser consultada no acórdão paradigma e deverá ser considerada, para todos os fins regimentais, inclusive de pré-questionamento, como parte integrante desta decisão, transcrevendo-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Quanto à preliminar, transcreve-se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: O presente voto divergente visa esclarecer os motivos pelos quais discorda-se parcialmente das razões de decidir da Relatora. No que diz respeito à questão preliminar, entendo que esta já restou atendida, uma vez que o processo foi sobrestado até a decisão final e modulação de efeitos do RE 574.706/PR (tema 69). Quanto à tempestividade, aos requisitos de admissibilidade e ao mérito, transcreve- se o entendimento majoritário da turma, expresso no voto do relator do acórdão paradigma: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que deve ser conhecido. A controvérsia que delimita o conteúdo da lide gira em torno da análise de Pedido de Restituição Eletrônico (PER/DCOMP n° 09164.67243.130906.1.2.04-3124), relativo a pagamento indevido e/ou a maior de Cofins (código 2172), do período de apuração 31/08/01, no valor de R$ 39.337,15, originado do DARF de valor total R$ 177.326,90, recolhido em 14/09/01. A Recorrente sustenta que o Pedido de Restituição requerendo a restituição de créditos tributários de PIS/COFINS decorrente da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS, conforme razões do recurso voluntário destacadas a seguir: Preliminar: 1) Do dever de observância à decisão definitiva pelo pleno do Supremo Tribunal Federal (“STF”) e da jurisprudência administrativa; Fl. 395DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.370 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988041/2017-63 4 Mérito: 2) Da origem do crédito: da base de cálculo do PIS/COFINS e da correta exclusão do ICMS; 3) Da verdade material e da vedação ao enriquecimento ilícito do estado; 4) Do sobrestamento do processo administrativo e da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil. A Recorrente apresentou Memoriais às fls. 397 prestando esclarecimentos do processo paradigma (item 355), bem como para os demais processos que serão julgados sob a modalidade de recursos repetitivos, sendo eles (itens 355 a 484): Passo a análise a seguir: (...) Mérito Da origem do crédito: da base de cálculo do PIS/COFINS e da correta exclusão do ICMS Incialmente, esclareça-se que o Despacho Decisório não homologou a compensação declarada pela Recorrente pelo fato de o pagamento informado como gênese do crédito pleiteado encontrar-se integralmente alocado a débito da própria Contribuinte. Somente em Manifestação de Inconformidade a Recorrente deu conhecimento sobre o fundamento que seria a origem do valor do indébito, a saber, valores de ICMS incluídos, segundo a Requerente, indevidamente na base de cálculo da contribuição. Não trouxe, todavia, quaisquer documentos contábeis e fiscais para comprovação da alegada inclusão indevida do ICMS na base de cálculo da contribuição em questão. Portanto, quanto a essa questão, entendo que devem ser feitas duas análises no presente julgado: i) uma relacionada à possibilidade de excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição (direito) e outra ii) relacionada à comprovação do crédito alegado (comprovação do direito). i) ICMS na base de cálculo da Cofins - Não Cumulativa Em síntese, a Recorrente afirma que o ICMS pertence ao Estado, não integrando o faturamento e nem representa receita, pois esta somente ocorre quando o ingresso torna-se parte integrante do patrimônio da Contribuinte e quando este ingresso tenha origem no exercício da atividade da empresa. Este assunto já foi pacificado no Supremo Tribunal Federal, ao exarar o Acórdão no RE nº 574.706-PR, em sede de repercussão geral, com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO Fl. 396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.370 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988041/2017-63 5 ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomando-se cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adota-se o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerando-se o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindo-se o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator (a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29-09-2017 PUBLIC 02-10-2017) Ressalte-se que, contra tal decisão, até recentemente, pendia apreciação de Embargos de Declaração com o objetivo de esclarecimento de vários pontos, inclusive pleito de efeitos infringentes e modulação dos efeitos. No entanto, em julgamento datado de 13/05/2021, a questão foi definitivamente resolvida mediante a seguinte decisão: Decisão: O Tribunal, por maioria, acolheu, em parte, os embargos de declaração, para modular os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15.3.2017 - data em que julgado o RE nº 574.706 e fixada a tese com repercussão geral "O ICMS não compõe a base de cálculo para fins de incidência do PIS e da COFINS" -, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento, vencidos os Ministros Edson Fachin, Rosa Weber e Marco Aurélio. Por maioria, rejeitou os embargos quanto à alegação de omissão, obscuridade ou contradição e, no ponto relativo ao ICMS excluído da base de cálculo das contribuições PIS-COFINS, prevaleceu o entendimento de que se trata do ICMS destacado, vencidos os Ministros Nunes Marques, Roberto Barroso e Gilmar Mendes. Tudo nos termos do voto da Relatora. Presidência do Ministro Luiz Fux. Plenário, 13.05.2021 (Sessão realizada por videoconferência - Resolução 672/2020/STF). Dessa forma, o STF modulou os efeitos do julgado cuja produção haverá de se dar após 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até a data da sessão em que proferido o julgamento. Ademais, a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) editou o Parecer SEI nº 7698/2021/ME, com a seguinte conclusão: 16. Ante o exposto, nos termos expostos na ata de julgamento já publicada, conclui-se que cabe à Administração Tributária, consoante autorizado pelo art. 19, Fl. 397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.370 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988041/2017-63 6 VI c/c 19-A, III, e § 1º, da Lei nº 10.522/2002, observar, em relação a todos os seus procedimentos que: a) conforme decidido pelo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Tema 69 da Repercussão Geral, "O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS"; b) os efeitos da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS devem se dar após 15.03.2017, ressalvadas as ações judiciais e administrativas protocoladas até (inclusive) 15.03.2017 e c) o ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS é o destacado nas notas fiscais. Quanto à aplicação dessa decisão judicial em sede de processo administrativo, dispõe o art. 62, § 2º, da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Regimento Interno do CARF (RICARF), o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Portanto, como o pedido formulado nos presentes autos se deu em 17/07/2009, dentro do marco temporal estabelecido pelo STF para modulação dos efeitos do julgado, deve-se aplicar ao presente processo administrativo o entendimento do STF fixado no julgamento do RE nº 574.076/PR. Diante do exposto e nos termos acima, o direito alegado é favorável à Recorrente. ii) Comprovação da liquidez e certeza do crédito pleiteado A Recorrente, em seus dois recursos apresentados na presente lide, limitou-se a argumentar a impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins, o que justificaria seu pedido, sem, no entanto, apresentar em qualquer deles documentação comprobatória do crédito pleiteado. Ou seja, não foi comprovado o direito creditório pleiteado. A mencionada comprovação não se restringe a alegações. Demanda apresentação de documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos, e demais esclarecimentos quanto à redução da base de cálculo do tributo em causa. Em casos como o presente, sempre ressalto que, em havendo alegação de redução do valor do tributo devido para fins de liberar saldo de pagamento para Fl. 398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.370 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988041/2017-63 7 restituição/compensação, faz-se necessário, ainda, apresentação dos seguintes elementos: i) esclarecimentos quanto às operações que proporcionaram a redução da base de cálculo do tributo do período em comento, amparados por demonstrativos das duas bases de cálculo (tanto da que serviu para a apuração inicial, declarada em DCTF, quanto para a base reduzida); ii) documentos contábeis em que as pertinentes operações se encontram registradas; iii) documentos fiscais aptos a comprovar esses registros; e iv) demais esclarecimentos e documentos pertinentes, tudo devidamente conciliado. Sabe-se que o ônus de comprovação do direito creditório pleiteado em Pedido de Restituição / Declaração de Compensação pertence à Recorrente, sendo essa comprovação feita, não apenas com meras alegações ou retificação de declarações, mas primordialmente com documentos contábeis e fiscais, hábeis e idôneos a tal intento. Isso porque o ônus da prova recai sobre quem alega o fato ou o direito, nos termos do art. 373 do CPC/2015. Também, com base no art. 170 do CTN, para fazer jus à compensação pleiteada, a Contribuinte deve comprovar a liquidez e certeza do crédito à RFB, sob pena de restar indeferido o seu pedido. Por tais razões, tendo em conta que a Recorrente não trouxe demonstrativos e documentos contábeis e fiscais que comprovassem que o crédito pleiteado, que teria como origem o ICMS computado na base de cálculo da Cofins, deve ser improvido o recurso da Contribuinte. Da verdade material e da vedação ao enriquecimento ilícito do estado Ademais, não há o que falar em figura do enriquecimento sem causa do Estado quando ele coloca à disposição do administrado o direito de exercer a repetição de eventual indébito, na forma e tempo próprios prescritos em lei, concedendo direito ao contraditório e ampla defesa, exatamente como no caso concreto. Do sobrestamento do processo administrativo e da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil A Recorrente informa que a matéria relativa à discussão travada no presente processo está submetida ao E. Supremo Tribunal Federal, com repercussão geral expressamente reconhecida, tendo como leading case o RE nº 574.706-PR, o que tornaria necessário adotar o sobrestamento julgamento da lide, nos termos do art. 62-A, § 1º e 2º, do RICARF/2009. Aprecio. A previsão regimental mencionada pela Recorrente não foi reproduzida no Regimento atual do CARF, Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, Regimento Interno do CARF (RICARF). Fl. 399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3001-003.370 – 3ª SEÇÃO/1ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10880.988041/2017-63 8 Portanto, não há no RICARF vigente dispositivo que imponha/determine o sobrestamento dos presentes autos, na situação aventada pela Recorrente. Dessa forma, também neste ponto nega-se provimento ao Recurso Voluntário, já que inexiste fundamento para sobrestamento do presente feito. É como voto. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de julgar acatada a preliminar suscitada pelo recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Regis Xavier Holanda – Presidente Redator Fl. 400DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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10993973 #
Numero do processo: 10880.919920/2017-45
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. APRESENTAÇÃO DEPOIS DO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Da interpretação da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, evidencia-se que não há óbice para apreciação, pela autoridade julgadora de segunda instância, de provas trazidas depois da interposição do recurso voluntário, mas que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, mormente se o contexto anormal de pandemia está indicado como fator de dificuldade para localização dos documentos apresentados às vésperas do julgamento do recurso voluntário.
Numero da decisão: 9101-007.359
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à reforma do acórdão recorrido, e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa - Relatora Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício).
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

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Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 DIREITO CREDITÓRIO. PROVAS. APRESENTAÇÃO DEPOIS DO RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Da interpretação da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, evidencia-se que não há óbice para apreciação, pela autoridade julgadora de segunda instância, de provas trazidas depois da interposição do recurso voluntário, mas que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, mormente se o contexto anormal de pandemia está indicado como fator de dificuldade para localização dos documentos apresentados às vésperas do julgamento do recurso voluntário. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à reforma do acórdão recorrido, e, no mérito, negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa - Relatora Assinado Digitalmente Fernando Brasil de Oliveira Pinto – Presidente em exercício Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Maria Carolina Maldonado Mendonça Kraljevic, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Heldo Jorge dos Santos Pereira Júnior, Jandir José Dalle Lucca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício). RELATÓRIO Trata-se de recurso especial interposto pela Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional ("PGFN") em face da decisão proferida no Acórdão nº 1402-006.138, na sessão de 19 de outubro de 2022, nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações até o limite do direito reconhecido. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1402-006.133, de 19 de outubro de 2022, prolatado no julgamento do processo 10880.919921/2017-90, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. A decisão recorrida está assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 29/06/2010 DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada de provas hábeis, da composição e existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa, na forma do que dispõe o artigo 170 do CTN. Desincumbindo-se a recorrente, mediante provas robustas, do ônus de comprovar o direito creditório, cabe o provimento do recurso voluntário. O litígio decorreu da não homologação de compensação declarada com pagamento a maior de IRRF sobre remessas ao exterior, decorrentes de prestação de serviços de telecomunicação em âmbito internacional, cujo DARF estava integralmente alocado ao débito correspondente. A autoridade julgadora de 1ª instância declarou improcedente a manifestação de inconformidade (e-fl. 101/113). O Colegiado a quo, por sua vez, reconheceu o direito creditório e homologou a compensação até este limite, em face da prova documental apresentada às vésperas do julgamento previsto na primeira inclusão dos autos em pauta (e-fls. 219/237). Os autos do processo foram remetidos à PGFN em 25/01/2023 (e-fl. 238) e em 17/02/2023 retornaram ao CARF veiculando o recurso especial de e-fls. 239/246 no qual a Fazenda aponta divergência reconhecida no despacho de exame de admissibilidade de e-fls. 254/259, do qual se extrai: Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 3 Vê-se que os paradigmas apresentados, Acórdãos nºs 3403-002.213 e 9101- 002.890, constam do sítio do CARF, e que eles não foram reformados na matéria que poderia aproveitar à recorrente. Além disso, esses paradigmas servem para demonstrar a alegada divergência jurisprudencial em relação ao acórdão recorrido, no que toca à questão da preclusão temporal para a apresentação de prova. Para o acórdão recorrido, é possível a juntada de outros documentos e provas até o instante em que os autos forem pautados para julgamento, ou seja, mesmo após a impugnação/ manifestação de inconformidade original, a decisão de 1ª Instância e o trâmite procedimental até o CARF. No entendimento da referida decisão, se o contribuinte entregar quaisquer documentos que entenda válidos como prova, eles serão apreciados pelo Colegiado. E foi nesse passo que o acórdão recorrido interrompeu um julgamento já em curso para retirar o processo de pauta e tomar conhecimento de documentos apresentados na véspera da sessão, menos de 24 horas antes do julgamento: [...] O primeiro paradigma, Acórdão nº 3403-002.213, por outro lado, não admitiu conhecer de documento que havia sido apresentado junto com o recurso voluntário (e não depois dele), porque esse documento (Balancete para comprovar a inexistência de débito confessado em DCTF) “já estava disponível (e podia ser apresentado) desde a manifestação de inconformidade”. O segundo paradigma, Acórdão nº 9101-002.890, também adota entendimento bem mais restritivo que o recorrido em relação à matéria em pauta, defendendo que “ressalvados os casos expressos no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, não se pode admitir a prova trazida após a impugnação”. Essa decisão também considerou como preclusas provas que foram apresentadas pela pessoa jurídica somente por ocasião da sessão de julgamento no CARF, por serem inéditas e se encontrarem de posse da interessada desde o curso do procedimento fiscal. Nessa análise, que é restrita ao exame de admissibilidade do recurso especial, a percepção é de que a linha de interpretação adotada pelos paradigmas, se aplicada ao caso destes autos, também levaria ao entendimento pela preclusão da prova, como ocorreu naqueles outros casos. Desse modo, há que ser DADO SEGUIMENTO ao recurso especial da PGFN. A PGFN afirma o dissídio jurisprudencial nos seguintes termos: O acórdão recorrido deu provimento ao recurso voluntário com base em documentos que já estavam disponíveis (e podiam ser apresentados) desde a impugnação, mas que somente foram juntados na fase recursal. Vejamos: Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 4 Ocorre que, surpreendentemente, na VÉSPERA da data do julgamento, precisamente no dia 16/11/2021, às 14:46:56 hs. (cf. fls. 178), a defesa da recorrente juntou petição e documentos com os quais procurou comprovar o que alegava desde o início da refrega (procedimento que já deveria ter feito e assumido antes) e trouxe os contratos de câmbio pertinentes às operações internacionais e que deram origem à repetição de indébito que tem buscado, em face do imposto incidente sobre tais remessas. (Destacou- se) Por outro lado, o Acórdão paradigma nº 3403-002.213 sustenta que não se encontra no universo contemplado pelo art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, o documento que poderia ser disponibilizado desde a impugnação, e não foi. Vejamos: O documento apresentado, contudo, encontra-se fora do universo contemplado pelo art. 16, § 4º do Decreto no 70.235/1972, pois já estava disponível (e podia ser apresentado) desde a manifestação de inconformidade. O referido parágrafo do art. 16 do Decreto no 70.235/1972 dispõe sobre o momento de apresentação da prova documental. A análise do documento (repita-se, já disponível quando da manifestação de inconformidade) apresentado em sede de recurso voluntário implicaria supressão de instância. (Destaque nosso) A análise dos paradigmas indica que a instrução processual é concentrada na fase da impugnação, considerando-se precluso o direito de juntar documentos quando o sujeito passivo não requerer em primeira instância e nem apresentar uma das justificativas legais para tanto. Repita-se, o caso dos autos não pode ser amparado pelo art. 16 do Decreto nº 70.235/72, pois os documentos existiam desde a impugnação, mas somente foram juntados na fase recursal. Ao contrário do julgamento recorrido, os paradigmas defendem que não se pode conhecer provas/argumentos que não foram apreciadas pela autoridade de primeira instância, sob pena de ocorrer uma supressão de instância. Dessa forma, demonstrada a divergência jurisprudencial, encontram-se presentes os requisitos de admissibilidade do presente recurso especial. (destaques do original) No mérito, invoca o disposto nos §§ 4º e 5º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e argumenta: É oportuno esclarecer que os documentos apresentados não se encontram no universo contemplado pelo art. 16, § 4º do Decreto no 70.235/1972, porque já estavam disponíveis (e podiam ser apresentados) desde a impugnação. Quanto ao princípio da verdade real, é certo que deve ser obedecido no PAF, mas caminha ao lado do devido processo legal, o qual incluiu o devido julgamento da causa por todas as instâncias administrativas. Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 5 A apresentação de documentos (disponíveis desde a impugnação) pelo sujeito passivo somente em sede recursal, sem amparo na legislação processual administrativa, implica em supressão de instância. O princípio da verdade real não pode ser invocado como socorro para admitir que o processo sofra inversão na ordem lógica de seus atos, o que tolhe a competência das autoridades administrativas de julgamento. Não há nenhum princípio que seja absoluto, e o princípio da verdade real não pode aniquilar os demais princípios processuais. A sua aplicação foi devidamente regulada pela lei, e deve ser observada, sob pena de esse princípio aniquilar outro, o do devido processo legal. Sobre o assunto, segue a jurisprudência: [...] A determinação legal de vedação de juntada de novos documentos tem por fito a preservação das instâncias de julgamento, na medida em que a juntada posterior de documentos implica na supressão de sua análise pelo órgão de julgamento inferior. Se acaso for acatada a juntada posterior de documentos, o processo deve ser remetido à instância inferior para apreciação, de modo que seja preservada sua atribuição e autoridade. Desse modo, deve ser reformada a decisão recorrida nessa parte, vez que proferida com base em documentação juntada a destempo e de modo injustificado. (destaques do original) Pede, assim, que o recurso especial seja conhecido e provido para que esta e. Turma: I) reforme o acórdão recorrido, ou caso assim não entenda; II) anule o acórdão recorrido e envie os autos à DRJ para novo julgamento, preservando-se o devido processo legal. Cientificada em 21/02/2024 (e-fl. 263), a Contribuinte apresentou contrarrazões em 05/03/2024 (e-fls. 3265/280) nas quais expõe, inicialmente, que: 7. Frisa-se que são 64 casos idênticos1, os quais a Recorrida juntou, desde a primeira instância administrativa, os comprovantes dos pagamentos do tributo a maior, bem como contratos de câmbio por amostragem. Nos casos relativos aos contratos juntados, as Manifestações de Inconformidade foram julgadas procedentes2, o restante foi negado sob justificativa de “falta de documentação” pela ausência dos respectivos contratos específicos, conforme exposto pelo v. acórdão recorrido. 1 Sendo que 44 casos foram recentemente julgados pela 1ª Turma da 3ª Câmara da 1ª Seção nos exatos termos proferidos pelo v. acórdão recorrido, conforme ata da sessão de 21.9.2023, e o restante foi julgado pela 2ª Turma 4ª Câmara da 1ª Seção, este especificamente objeto do Recurso Especial da PGFN ora contrarrazoado. 2 Como é o caso dos processos: 10880.919915/2017-32, 10880.919922/2017-34, 10880.919926/2017-12. Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 6 8. Tendo em vista a relevância da documentação específica relativa a cada PER/DCOMP para comprovação do direito, a Recorrida trouxe em cada processo o contrato de câmbio correspondente, inclusive com petição específica com o intuito de facilitar a demonstração dos valores de IRRF recolhidos em cada um dos casos. 9. A despeito de tal juntada complementar não ter ocorrido no momento inicial da impugnação pois, naquele momento não havia qualquer acórdão sinalizando que todos os contratos de câmbio das remessas deveriam ser juntados, o fato é que os contratos individuais foram juntados, de modo a demonstrar a verdade material de cada operação individualmente (tal questão inclusive poderia ter sido objeto de diligência, mas não o foi por livre decisão e prerrogativa do julgador). Assim explicitamente reconheceu a Turma a quo que, à unanimidade, deu integral provimento ao Recurso Voluntário, mediante provas robustas, para reconhecer o direito creditório pleiteado e homologar as compensações: [...] (destaques do original) Questiona o conhecimento do recurso especial observando que a PGFN não atendeu ao art. 67, §5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 – RICARF/2015, vez que simplesmente reproduziu as ementas, sem qualquer demonstração das razões que ensejariam conclusões distintas para casos supostamente semelhantes. Para além disso, aponta as seguintes dessemelhanças fática nos paradigmas indicados: (i) 1º Paradigma: Acórdão 3403-002.213 (Processo 15374.901175/2008-21) 17. Este primeiro paradigma trata de não homologação de declarações retificadas as quais o contribuinte encaminhou as DCOMPs ao órgão julgador sem quaisquer documentos contábeis, de modo que somente em momento posterior apresentou balancete: No julgamento de primeira instância, em 31/01/2011 (fls. 86 a 89), acorda- se pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob o argumento de que não são juntados aos autos documentos que comprovam o valor da Cofins alegada como efetivamente devida (mas tão somente as DIPJ e a DCTF retificadora, sem os registros contábeis que lhes dão suporte), e de que cabe à recorrente o ônus da comprovação de seu direito creditório. 18. Ou seja, desde o julgamento em primeira instância foi reconhecido que não havia elementos probatórios que pudessem amparar a liquidez do crédito (fl. 130), portanto, negado o direito à compensação. Ora, significa dizer que neste caso paradigma coube ao colegiado realizar, em primeiro lugar, a valoração da prova, a fim de verificar se o balancete faltante seria relevante ou não (já que se estaria diante de cenário probatório extremamente deficiente). Em um segundo momento, seria necessário verificar se tal documento comprova a existência do crédito ou não. Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 7 19. Tal situação em nada se compara com o presente caso. Como visto, o v. acórdão recorrido reconheceu que a documentação acostada aos autos se remetia à ocorrência da remessa ao exterior, todavia, “diante da não apresentação [específica] do contrato de câmbio relativo ao DARF indicado no PER/DCOMP nº 25674.99807.171114.1.3.04-4864, não foi possível validar o crédito utilizado na compensação declarada”. 20. Não há que se falar em valoração da prova, tampouco em cenário probatório deficiente, já que a própria ementa do v. acórdão recorrido aduz que “Desincumbindo-se a recorrente, mediante provas robustas, do ônus de comprovar o direito creditório, cabe o provimento do recurso voluntário”. 21. Os contratos de câmbio apresentados pela Recorrida sequer constituem prova essencial do indébito no caso concreto. Servem apenas para se ratificar a natureza das remessas ao exterior para pagamento por serviços internacionais de interconexão de rede/roaming. Cabe ressaltar, todavia, que esses fatos eram até mesmo incontroversos nos autos. Afinal, o que motivou a repetição do indébito foi justamente a posição da própria RFB sobre a tributação desse tipo específico de remessa. 22. Assim sendo, o primeiro paradigma alcançou tal conclusão desfavorável ao contribuinte por uma razão principal: “a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4º do Decreto no 70.235/1972”. (fl. 131). No presente caso, a Recorrida já havia protestado pela juntada posterior de documentos, ciente dos fundamentos sobre os contratos de câmbios suscitados pela DRJ, conforme verificado pelo v. acórdão recorrido. Desse modo, (i) não houve inovação probatória, (ii) desde o início os autos estiveram carreados por elementos de prova (ainda que menos específicos) e (iii) não ocorreu supressão de instância, já que a DRJ se debruçou sobre o cenário de fatos e provas. Assim reconhece o v. acórdão recorrido: Mais a mais, a recorrente pôde juntar extensas peças recursais em que explanou, relatou, aduziu e requereu aquilo que entendeu ser seu direito, sem nenhum óbice ou obstáculo, demonstrando amplo conhecimento dos fatos e podendo sobre eles falar de modo pleno (fl. 247). 23. Portanto, essa análise detalhada do paradigma trazido deixa evidente sua incompatibilidade com o caso aqui tratado, já que retrata tema diverso e sequer prequestionado (inovação recursal, valoração de prova, deficiência probatória, supressão de instância) ao discutido nos autos desse processo administrativo. (ii) 2º Paradigma: Acórdão 9101-002.890 (16327.720667/2012-21) 24. No que tange ao segundo paradigma suscitado pelo Recurso Especial da PGFN, trata-se de discussão de amortização de ágio, no qual a contribuinte fora instada a apresentar “esclarecimento sobre a origem do ágio deduzido, (...) demonstrativo com todos os eventos societários decorrentes, anexando os atos societários comprobatórios - tais como atas de assembléias ordinárias e extraordinárias, Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 8 protocolos de justificação de incorporação, cisão, transferência de ações” (fl. 1.740). 25. Apenas por essa análise preliminar já seria suficiente concluir que o v. acórdão paradigma não guarda qualquer semelhança fática com o presente caso, seja pela natureza da prova juntada, seja pelo mérito em discussão ou qualquer outro fator. 26. O v. acórdão paradigma desta E. 1ª Turma da CSRF coloca em xeque a própria ocorrência da organização societária para fins de amortização do ágio, sua dedutibilidade e o seu método de estrutura via empresa veículo. Para tanto, questiona-se laudos complexos de auditorias (sob argumento de supressão de instância), dentre diversos outros elementos completamente dissociados do presente caso. 27. Por outro lado, o v. acórdão recorrido reconhece a existência das remessas e explicita que o método de tributação (15% IRRF, 10% CIDA) é incontroverso. Nesse contexto, admite prova posterior dos contratos específicos de câmbio nos termos da fundamentação da decisão da instância anterior, sem que qualquer etapa seja suprimida. 28. Sendo assim, igualmente inadmissível o segundo paradigma, a Recorrente não cumpriu com o requisito da divergência. (destaques do original) Invoca julgados deste Colegiado contrários ao conhecimento de recurso especial em tais circunstâncias, e também aponta ausência de demonstração da legislação violada, porque a mera citação das leis e artigos supostamente violados não são suficientes para que se possa considerar cumprido o que determina o §1º do artigo 67 do RICARF. Ademais, o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72 estaria, ainda assim, em consonância com o racional dos paradigmas trazidos, na medida em que o v. acórdão recorrido justificadamente reconhece a unicidade do presente caso. Cita outro precedente desta Turma neste sentido e adiciona: 36. O ponto da ofensa ao artigo 16, §4º do Decreto nº 70.235/72 não foi objeto de prequestionamento, já que se entendeu perfeitamente possível a admissão da prova em questão. 37. O fato é que o v. acórdão valorou não apenas esses contratos, mas todo o acervo probatório existente, que poderia, inclusive, ser complementado por meio de uma diligência para esclarecimento de questões surgidas no curso do processo administrativo tributário. 38. O que houve, portanto, foi a simples valoração de provas por parte do v. acórdão, e não qualquer debate específico acerca da possibilidade ou não de admissão da prova à luz do dispositivo tido por violado para que se suscite a divergência jurisprudencial pretendida. (destaques do original) Assim é que o conhecimento do recurso especial também exigiria, uma vez deliberada pela Câmara do CARF a necessidade, conveniência e a admissibilidade da prova, que se revisasse aspectos fáticos e probatórios considerados no julgamento para se autorizar a prova. Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 9 No mérito, consigna que: 45. Beira as raias do absurdo, com todo respeito, trazer a essa C. Câmara Superior a tentativa de manter uma exigência fiscal sabidamente indevida, com base em uma argumentação totalmente formalista, quando o v. acórdão aponta que existem provas robustas de um pagamento indevido. 46. O v. acórdão afasta qualquer dúvida que porventura ainda exista sobre a natureza da prova realizada sobre as remessas feitas, o caráter indevido do IRRF pago, detalhadamente exposto no processo, resguardadas as especificidades do respectivo PER/DCOMP e seus contratos de câmbio correspondentes. 47. Nesse sentido, o v. acórdão é, no mérito, uma concretização do princípio da verdade material, o qual conduz o desfecho da presente lide com base em fatos incontroversos e comprovados mediante documentação robusta, que esteve presente neste caso desde a primeira oportunidade de a TIM S.A. expor seu pleito de homologação da Declaração de Compensação. Nesse sentido, o direito da contribuinte se resguarda inclusive pela jurisprudência desta E. 1ª Turma da CSRF, que reconhece a legalidade da juntada posterior de provas “sobretudo quando estes elementos possuem evidente pertinência e correlação com a matéria controversa, revelando-se potencial elemento de formação de convencimento e do juízo a ser aplicado”: [...] 48. Assim, são irretocáveis os termos do v. acórdão recorrido que, diante da necessidade de produção de prova específica, face à recusa dos contratos de câmbio por amostragem perante a DRJ, oportunizou ao contribuinte a juntada dos respectivos documentos em todos os mais de 60 processos administrativos. 49. Aliás, caso assim não fosse, é prerrogativa do julgador acolher eventual pedido de conversão em diligência ou retorno à origem, mas reconheceu o v. acórdão recorrido que, no presente caso, os próprios julgadores sucederam à análise do rol documentado juntado, sem que houvesse supressão de instância: [...] 50. Portanto, o entendimento exposto pela União Federal a respeito da supressão de instância e deficiência comprobatória é uma clara distorção tanto da realidade dos autos, quanto da disposição legal suscitada. 51. Caso revertido o julgamento, apenas com base em argumentos formais, a União Federal dará início a uma persecução de um crédito tributário sabida e reconhecidamente indevido, o que não faz qualquer sentido do ponto de vista jurídico ou mesmo da moralidade ou da eficiência processual. 52. Por todas as razões acima, resta demonstrado o acerto do E. CARF ao ter reconhecido o direito creditório pleiteado, mediante homologação das compensações de IRRF decorrente de operações de prestação de serviços de telecomunicação em âmbito internacional, devendo incorrer em absoluta Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 10 improcedência o Recurso Especial apresentado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. (destaques do original) Requer, por tais razões, que seja negado conhecimento ao recurso especial ou, então, que lhe seja negado provimento, uma vez demonstrada a improcedência dos argumentos da União Federal para postular a reforma do Acórdão Recorrido. VOTO Conselheira Edeli Pereira Bessa, Relatora. Recurso especial da PGFN - Admissibilidade O primeiro paradigma indicado pela PGFN – Acórdão nº 3403-002.213 -, admitido para caracterização do dissídio jurisprudencial, já foi apreciado por este Colegiado nos seguintes precedentes mais recentes:  Acórdão nº 9101-005.126: por maioria de votos3, foi conhecido o recurso fazendário, vencido o relator Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli que vislumbrou no paradigma, como motivo complementar para não apreciação das provas trazidas em recurso voluntário, sua insuficiência para demonstração do fato probando, prevalecendo o entendimento expresso em voto vencedor desta Conselheira, de que a divergência restava evidenciada pela premissa do paradigma de que não devem ser apreciados documentos que, trazidos em recurso voluntário, já estavam disponíveis para apresentação em manifestação de inconformidade;  Acórdão nº 9101-005.474: por unanimidade de votos4, foi conhecido o recurso fazendário refutando-se a arguição, em contrarrazões, de que a prova apresentada no paradigma teria sido insuficiente para demonstração do fato probando, mas sob a ótica de que no recorrido foram analisados documentos semelhantes aos apresentados no paradigma, lá não apreciados porque trazidos em recurso voluntário, embora já disponíveis para apresentação em manifestação de inconformidade;  Acórdão nº 9101-006.136: por maioria de votos5, foi conhecido o recurso fazendário, sendo que esta Conselheira declarou voto reafirmando as premissas do precedente nº 9101-005.474; 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Suplente Convocado), Luis Henrique Marotti Toselli, Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente), divergindo o conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli. 4 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Caio Cesar Nader Quintella e Andréa Duek Simantob (Presidente em exercício). 5 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Andrea Duek Simantob, Luis Henrique Marotti Toselli, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Alexandre Evaristo Pinto, Luiz Tadeu Fl. 292DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 11  Acórdão nº 9101-006.181: por maioria de votos6, foi conhecido o recurso fazendário nos termos expostos pelo relator Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, que alinhou os casos comparados em face da complementação, em recurso voluntário de documentação considerada insuficiente pela decisão de 1ª instância, vencida a divergência que observava a distinção com o recorrido que tratou de encargo probatório em face de lançamento, e não de compensação, como no paradigma; e  Acórdão nº 9101-006.351: por unanimidade de votos 7 , foi negado conhecimento ao recurso fazendário, mas sob a ótica do relator, Conselheiro Luis Henrique Marotti Toselli, que não vislumbrou prequestionamento acerca da impossibilidade de apresentação de prova em sede recursal, fundamento do qual esta Conselheira divergiu por identificou prequestionamento em sede de embargos rejeitados, concordando com o não conhecimento diante da impossibilidade de se afirmar que a decisão recorrida estaria pautada em novos documentos trazidos em recurso voluntário. Nestes autos foi admitido, ainda, o paradigma nº 9101-002.890, também citado no precedente nº 9101-006.136, mas lá rejeitado em exame de admissibilidade porque a prova tardia admitida - estudo elaborado por Hirashima & Associados, bem como o Projeto Triatlo – seria inédita, ao passo que o acórdão lá recorrido admitira prova disponível nos sistemas RFB. A Contribuinte contesta o conhecimento do recurso fazendário por falta de demonstração analítica da divergência, bem como da legislação interpretada de forma divergente, para além da dessemelhança entre os casos comparados e da impossibilidade de revisão de matéria fático-probatória. Com respeito aos dois primeiros aspectos formais, tem-se por atendida a demanda regimental de demonstração analítica da divergência mediante apontamentos a partir da ementa dos paradigmas, porque o conteúdo destas refere as circunstâncias fáticas analisadas e a fundamentação jurídica para se compreender inadmissível a prova trazida depois da impugnação, para além de, em relação a ambos paradigmas, haver transcrição, também, de excertos dos votos condutores dos julgados nos pontos em que adentrou-se à questão aqui controvertida. Quanto à demonstração da legislação interpretada de forma divergente, a PGFN contesta a abordagem do recorrido em face da juntada tardia dos documentos que a Contribuinte Matosinho Machado, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), e divergiram os conselheiros Lívia De Carli Germano, Gustavo Guimarães da Fonseca e Carlos Henrique de Oliveira. 6 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), e divergiram os conselheiros Lívia De Carli Germano e Gustavo Guimarães da Fonseca. 7 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Luis Henrique Marotti Toselli, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Alexandre Evaristo Pinto, Gustavo Guimarães da Fonseca e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente em exercício), e votaram pelas conclusões os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Fl. 293DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 12 alegava desde o início da refrega (procedimento que já deveria ter feito e assumido antes), confrontando esta conduta com a interpretação destacada do primeiro paradigma, que levou à rejeição de documentos que já estavam disponíveis (e podiam ser apresentados) desde a impugnação, em face do que dispõe o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. Assim, ainda que o recorrido não veicule interpretação expressa acerca desta disposição legal, a aceitação de documentos semelhantes aos que foram rejeitados nos paradigmas já se prestaria a caracterizar o prequestionamento implícito que, desde a Portaria MF nº 39/2016, foi incorporado ao regramento regimental, deixando de ser exigida no art. 67, §1º do Anexo II do RICARF/2015 a demonstração, de forma objetiva, da legislação que está sendo interpretada de forma divergente, para se demandar, apenas, a demonstração da legislação tributária interpretada de forma divergente Necessário, assim, adentrar ao conteúdo dos casos comparados para avaliar se há alguma dessemelhança relevante nas premissas de decisão a ensejar, em eventual conhecimento do recurso especial, o revolvimento fático-probatório destes autos. O voto condutor do acórdão recorrido – em reprodução do voto condutor do paradigma de lote de repetitivos nº 1402-006.133 - principia rejeitando a arguição de nulidade por cerceamento de defesa, demonstrando que a decisão de 1ª instância justificou a negativa de possibilidade de produção de novas provas na interpretação que exprimiu acerca do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, e adicionou que esta questão estaria superada, de qualquer forma, pelo entendimento daquele Colegiado quanto a ser possível a juntada de outros documentos e provas até o instante em que os autos forem pautados para julgamento do recurso voluntário. Na sequência, anota que fora elaborado voto pelo improvimento do recurso voluntário, dado que nada fizera Contribuinte diante da insuficiência probatória apontada na decisão de 1ª instância. Contudo, surpreendido com a documentação juntada na véspera do julgamento, o Colegiado concordou com as vistas solicitadas para apreciação dos documentos juntados, adotando linha de pensamento em comunhão com a lição assumida por Demetrius Nichele Macei, professor universitário e ex-conselheiro da Câmara Superior do CARF, para quem, “na esfera administrativa (...), a segunda instância é tão atuante quanto a primeira, no que se refere à busca da verdade, admitindo provas e até em alguns casos a intervenção de terceiros na fase recursal para auxiliar na elucidação dos fatos”. Releva esclarecer que no paradigma de lote de repetitivos nº 1402-006.133 está registrada a apresentação, além de petições, de contratos de câmbio demonstrando as remessas para o exterior, planilha demonstrativa dos valores remetidos ao exterior e tributos incidentes e copia do auto de infração lavrado em seu desfavor para exigência de CIDE sobre as mesmas remessas. O voto condutor do recorrido – em reprodução do voto condutor do paradigma de lote de repetitivos nº 1402-006.133 – destaca ser incontroverso nos autos que: i) o tratamento tributário, no caso, era de incidência de 15% de IRRF e 10% de CIDE; ii) em parte das DCOMP que veicularam estes indébitos compensados a Contribuinte deixara de apresentar os documentos relativos às remessas vinculadas aos DARFs. Está transcrito o reconhecimento desta falta em seu recurso voluntário, mediante alegação de que a Contribuinte juntara os contratos por Fl. 294DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 13 amostragem, e que estaria envidando esforços para localizá-los, por tratar-se de documentação arquivada em formato físico, datada dos anos 2009/2010, e os funcionários da Recorrente estão trabalhando em regime de home office em razão da pandemia da COVID-19. Os pagamentos indevidos datam de 2009 e 2010, as DCOMP foram apresentadas em 2014, os despachos de não homologação foram editados entre 2015 e 2017, e as decisões de DRJ, bem como os recursos voluntários, datam de 2020, ao passo que a juntada dos documentos em debate se deu ao final de 2021. Frise-se que a alegação de dificuldade de obtenção dos documentos em formato físico, em razão da pandemia da COVID-19, foi apenas relatada, e não invocada como razão para admissibilidade dos documentos tardiamente apresentados. O paradigma nº 3403-002.213 também tem em conta não homologação de compensação de indébito decorrente de pagamento indevido ou a maior, e o despacho decisório apontou que o pagamento estava integralmente alocado a débito declarado. Em manifestação de inconformidade, o sujeito passivo indicou que o débito correto seria aquele informado em DIPJ e disse já ter enviado DCTF retificadora. A decisão de 1ª instância demandou a juntada de documentos que provassem efetivamente a Cofins devida, e em recurso voluntário o sujeito passivo apresentou balancete que o outro Colegiado do CARF, embora registrando que em tais casos o julgamento de primeira instância constituirá, em regra, a primeira análise humana do processo, disse que a análise deste documento (repita-se, já disponível quando da manifestação de inconformidade) apresentado em sede de recurso voluntário implicaria supressão de instância. Observando que na manifestação de inconformidade devem ser juntados, no mínimo, documentos que suscitem dúvida quanto à existência ou liquidez do crédito, o outro Colegiado do CARF afirmou a impossibilidade de inovação probatória, fora das hipóteses de que trata o art. 16, § 4º do Decreto no 70.235/1972. Embora acrescentando, ao final, que no caso concreto, ainda que considerado o documento apresentado fora do comando permissivo do Decreto nº 70.235/1972, distante estaria a segurança do julgador para atestar a existência e a liquidez do crédito, releva notar que nenhuma análise do conteúdo do documento foi expressa para justificar esta insuficiência, a evidenciar que a juntada tardia de documento que o sujeito passivo já dispunha por ocasião da apresentação da manifestação de inconformidade foi o fundamento determinante para a negativa de sua apreciação. Constata-se, assim, similitude com o recorrido, no qual a Contribuinte juntou provas por amostragem na manifestação de inconformidade e somente juntou documentos, que desde antes possuía, por ocasião do julgamento do recurso voluntário. É válido inferir, dos contextos expostos, que o Colegiado que editou o paradigma não examinaria os documentos trazidos nestes autos, mormente sob a ótica de que a segunda instância é tão atuante quanto a primeira, no que se refere à busca da verdade, admitindo provas e até em alguns casos a intervenção de terceiros na fase recursal para auxiliar na elucidação dos fatos. Fl. 295DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 14 Quanto ao paradigma nº 9101-002.890, teve-se em conta lançamento de glosa de amortização de ágio cuja fundamentação em rentabilidade futura não fora demonstrada com documento contemporâneo à operação. O acórdão lá recorrido admitiu como prova do fundamento parecer trazido em sustentação oral, e a PGFN arguiu divergência jurisprudencial com base no mesmo primeiro paradigma aqui admitido. Este Colegiado, em antiga composição, por voto de qualidade conheceu do recurso especial e, no mérito, também por voto de qualidade, deu provimento quanto à preclusão, com retorno dos autos ao colegiado de origem para anular a decisão recorrida, a fim de outra seja proferida, considerando preclusa a prova apresentada por ocasião da sustentação oral. Vale a transcrição do enfrentamento acerca da alegada falta de similitude fática entre os acórdãos comparados no paradigma: Por último, quanto à suposta falta de identidade das situações fáticas comparadas, vale lembrar que o tema apontado como divergente não se refere, aqui, à compensação ou a dedutibilidade de ágio, mas à possibilidade de apresentação posterior de provas que já estariam de posse do sujeito passivo por oportunidade da impugnação, de forma que pouco importa, para tal análise, se a hipótese tratada diz respeito a um lançamento de ofício ou a uma compensação, porque, para ambos, a regra processual é a mesma, como dispõe o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, ao dar à manifestação de inconformidade, o mesmo tratamento dado às impugnações. A verificação se a hipótese se enquadra ou não no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, passa a ser uma análise de mérito. O fato é que enquanto o paradigma fez um juízo que, se o documento já estava disponível ao contribuinte ao tempo da impugnação, o contribuinte não poderia apresentar a posteriori, para o recorrido, essa análise não ocorreu. Não foi feita essa avaliação. A leitura que esses colegiados têm a respeito do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 é flagrantemente diversa. Ocorre que, apesar de firmada a similitude com o primeiro paradigma aqui analisado, a decisão deste segundo paradigma não se prendeu à premissa de que a prova tardia já estava disponível ao contribuinte ao tempo da impugnação, e firmou a interpretação da legislação tributária confrontando a premissa do acórdão lá recorrido, de que a prova tardia seria admissível porque destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, discordando que na decisão de 1ª instância houvesse acréscimo de razões adicionais acerca da exigência daquela prova, presente nos mesmos termos desde o lançamento. Observou, ainda, que em recurso voluntário não foi noticiada a existência da prova apresentada apenas por ocasião da sustentação oral. Assim, considerando o contexto antes exposto acerca do acórdão aqui recorrido, nota-se que com respeito ao segundo paradigma os casos se assemelham, apenas, quanto à existência de uma primeira proposta de voto desfavorável ao sujeito passivo, e à sua reformulação Fl. 296DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 15 em face do acolhimento de documento apresentado depois de pautado o processo para julgamento. O voto condutor do paradigma traz como premissa de decisão não ser verdade que a DRJ em São Paulo/SPI inovou na fundamentação para manutenção do lançamento, apresentando fatos novos e/ou novas razões. Daí porque é elemento determinante para a dessemelhança do segundo paradigma com o recorrido o fato de o litígio no primeiro exsurgir de lançamento e o segundo a partir de despacho decisório eletrônico de não homologação de compensação. Distintamente do primeiro paradigma aqui admitido, no qual o litígio foi decidido sob a premissa de que em tais circunstâncias o julgamento de primeira instância constituirá, em regra, a primeira análise humana do processo, o segundo paradigma teve em conta conduta de apresentação tardia de prova exigida desde o procedimento fiscal, sem qualquer inovação acerca dos seus contornos na decisão de 1ª instância, e foi sob este pressuposto que se entendeu desatendido o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. Por tais razões, o paradigma nº 9101-002.890 não se presta a caracterizar o dissídio jurisprudencial aqui suscitado. Destaque-se, ainda, que ao final da demonstração da divergência jurisprudencial, a PGFN observa que os paradigmas defendem que não se pode conhecer provas/argumentos que não foram apreciadas pela autoridade de primeira instância, sob pena de ocorrer uma supressão de instância. Contudo, esta menção existente, de fato, no paradigma nº 3403-002.213 não se presta a constituir matéria subsidiária que imponha a apreciação do pedido subsidiário da PGFN no sentido de que se anule o acórdão recorrido e envie os autos à DRJ para novo julgamento, preservando-se o devido processo legal, porque este tema não foi prequestionado no acórdão recorrido. O paradigma em questão não cogitou do retorno à DRJ pleiteado subsidiariamente pela PGFN e não houve oposição de embargos de declaração ao acórdão recorrido para suprir a inexistência, no seu voto condutor, de qualquer expressão do Colegiado a quo acerca da desnecessidade de retorno dos autos para apreciação dos documentos trazidos por ocasião do julgamento do recurso voluntário. Eventualmente poder-se-ia inferir que a apreciação dos documentos em segunda instância já implicaria o entendimento de que o retorno para apreciação em 1ª instância não é uma obrigação legal. Contudo, a omissão a este respeito evidencia, apenas, que o Colegiado a quo não entendeu ser necessário justificar seu proceder, razão pela qual imperiosa era a oposição de embargos de declaração para suscitar interpretação da legislação tributária acerca do tema, ou até mesmo a revisão do julgado diante da constatação de ponto sobre o qual a Turma deveria se pronunciar. Com esta ressalva, portanto, o recurso especial da PGFN deve ser CONHECIDO PARCIALMENTE, apenas com respeito à pretensão de reforma do recorrido por apreciação de provas juntadas depois da impugnação, e isto com base no paradigma nº 3403-002.213. Fl. 297DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 16 Recurso especial da PGFN - Mérito No voto condutor do Acórdão nº 9101-005.190, acolhido por maioria8, esta Conselheira consolidou alguns debates estabelecidos neste Colegiado acerca do tema: Este Colegiado, embora por vezes com base em diferentes fundamentos, tem acompanhado o entendimento do ex-Conselheiro André Mendes de Moura, alinhado ao acórdão recorrido, como é exemplo o voto condutor do Acórdão nº 9101-003.927: [...] Nesse contexto, o Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, trata do assunto: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (...) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Grifei) Observa-se que, no exercício que lhe compete, a norma processual estabelece prazos para a apresentação das peças processuais pelas partes. Estabelece a necessária ordem ao processo, e permite a devida estabilidade para o julgamento da lide. 8 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Viviane Vidal Wagner, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Luis Henrique Marotti Toselli, Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício), e divergiram no mérito os conselheiros Luis Henrique Marotti Toselli e Caio Cesar Nader Quintella que votaram por dar provimento parcial, votando pelas conclusões a conselheira Viviane Vidal Wagner. Fl. 298DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 17 Apesar de o texto mencionar apenas "impugnação", entendo que a interpretação mais adequada não impede a apresentação das provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão da matéria em litígio, ou seja, podem ser apresentadas desde que não disponham sobre nenhuma inovação. Foi precisamente o que ocorreu no caso concreto. Por ocasião da manifestação de inconformidade, a Contribuinte apresentou o DARF de R$1.958,55, visando comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ocorre que a decisão da DRJ votou no sentido de que apenas a apresentação do comprovante de recolhimento não seria suficiente, e que teria que ter sido disponibilizada documentação complementar, para demonstrar que os valores pagos no DARF teriam sido oferecidos à tributação, e mencionou como exemplos o informe de rendimentos e livros contábeis. Nesse contexto, ao interpor o recurso voluntário, providenciou a Contribuinte a apresentação de documentação complementar: além da cópia do DARF, foram disponibilizadas a cópia dos livros Diário e Razão no qual consta lançamento dos rendimentos e a cópia do informe de rendimentos da fonte pagadora. Por isso, a turma ordinária do CARF deu provimento ao recurso voluntário. Enfim, vale registrar que a apresentação das provas, ainda que em outra fase processual, segue o mesmo rito previsto pelo art. 16 do PAF, que estabelece com clareza prazo para sua apresentação (30 dias da ciência da parte) e discorre sobre a preclusão processual ocorrida em face do descumprimento temporal. E, no caso em tela, os documentos foram acostados por ocasião da interposição do recurso voluntário. Portanto, entendo não haver óbice para se considerar as provas acostadas pela Contribuinte no caso em tela, apresentadas no prazo legal de trinta dias da ciência da decisão recorrida e de natureza complementar, não inovando na discussão trazida aos autos, o que ocorreu no caso concreto. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da PGFN. A legislação processual, portanto, traz regramento específico para o tema, e a interpretação invocada a partir do paradigma nº 03-04.371 pode ensejar a negativa de sua vigência, na medida em que reconhece a faculdade das partes de produção de provas a qualquer tempo no processo administrativo, e até mesmo com o recurso à Câmara Superior. No presente caso, o recurso voluntário foi interposto em 18/11/2008 (e-fl. 655) e a apresentação das provas não apreciadas se deu em 27/04/2016 (e-fls. 778/943). E, neste contexto, o voto condutor do acórdão recorrido, admitindo a eventual aplicação, apenas, da ressalva contida no art. 16, §4º, alínea “c” do Decreto nº 70.235/72, na hipótese de as provas se prestarem a ”dialogar” com a decisão de 1ª instância, nega-lhes apreciação porque: a) apresentadas muito tempo depois vencido o prazo recursal e sem qualquer justificativa para a sua intempestividade; e b) a peça visa ainda aditar as razões recursais distintas de questões de ordem pública. Fl. 299DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 18 Quanto a este último ponto, importa recordar outra manifestação recente deste Colegiado, admitindo a inovação de argumentos em recurso voluntário na forma assim exposta no voto vencedor lavrado por esta Conselheira no Acórdão nº 9101-004.5999 A Contribuinte manifestou sua inconformidade em 13/04/2010, defendendo a necessidade de prévia intimação para apresentação dos documentos faltantes ou para correção de eventual inconsistência na apuração, observando que, apesar de não intimada a tanto, apresentara a DIPJ, juntando naquele momento DIPJ retificadora entregue em 09/04/2010 (e-fls. 135/165). A autoridade julgadora de 1ª instância observou que as retenções na fonte não foram admitidas porque os rendimentos não foram oferecidos à tributação, e afirmou desnecessária a prévia intimação do sujeito passivo quando a autoridade fiscal entende suficientes as provas dos autos para formar sua convicção. Assim, declarou a improcedência da manifestação de inconformidade porque correto o procedimento adotado, descabendo a anulação do despacho decisório para nova apreciação do pedido de restituição, até porque a Contribuinte se limitou a apresentar a DIPJ retificadora, desacompanhada de qualquer explicação acerca das razões de mérito postas pela autoridade fiscal. Em recurso voluntário, a Contribuinte esclareceu que as receitas auferidas no período eram inferiores às despesas pré-operacionais e, assim, registrou-as em Ativo Diferido. Por tais razões, pediu a reforma do despacho de indeferimento do Pedido de Restituição. O Colegiado a quo invocou o art. 17 do Decreto nº 70.235/72 para afirmar não impugnada a matéria, e também observou que a Contribuinte não trouxe documentos que lastreassem suas alegações no recurso voluntário, documentos estes que deveriam ter sido juntados desde a impugnação, na forma do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. Neste contexto importa observar, inicialmente, que o Colegiado a quo aplicou impropriamente o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, que assim dispõe: Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Referido dispositivo deve ser interpretado em conformidade com o art. 145 do Código Tributário Nacional - CTN, que estabelece as hipóteses de alteração de lançamento e, implicitamente, delimita a competência das autoridades administrativas em face dos diferentes contextos nos quais ela pode ser exercida: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I - impugnação do sujeito passivo; II - recurso de ofício; 9 Participaram do julgamento os Conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia de Carli Germano, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Andrea Duek Simantob (Presidente em Exercício), e divergiram na matéria os Conselheiros Andréa Duek Simantob (relatora), André Mendes de Moura e Viviane Vidal Wagner. Fl. 300DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 19 III - iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. Nestes termos, se a matéria não foi objeto de impugnação, a autoridade julgadora de 1ª instância não tem competência para avaliar o crédito tributário a ela vinculado e, eventualmente, alterá-lo, ainda que em favor do sujeito passivo. Matéria, assim, guarda correspondência com os motivos para exigência de parcela autônoma do crédito tributário, passível de ser destacada e destinada à cobrança, por não usufruir da suspensão da exigibilidade conferida pela interposição do recurso administrativo, na forma do art. 151, inciso III do CTN. Daí a impropriedade em se cogitar de matéria não impugnada quando o sujeito passivo, tendo controvertido o crédito tributário lançado – ou, no caso, o direito creditório não reconhecido – acrescenta, em seu recurso voluntário, argumentos antes não deduzidos em impugnação/manifestação de inconformidade. É certo que o art. 16, inciso III do Decreto nº 70.235/72 determina que a impugnação mencione os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Todavia, os parágrafos seguintes do referido dispositivo apenas limitam a produção posterior de provas, nos seguintes termos: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Infere-se, daí, que, em relação à matéria impugnada, o sujeito passivo pode deduzir em recurso voluntário argumentos antes não veiculados em impugnação. Apenas não lhe é permitido iniciar a discussão acerca de matéria que não foi objeto de impugnação. E, quanto às provas que sustentam aquela argumentação, admite-se a juntada de novos elementos ao recurso voluntário caso destinados a contrapor fatos ou razões trazidos por ocasião da decisão de 1ª instância, ou se enquadrados nas demais ressalvas do art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. Fl. 301DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 20 Mas o presente caso ainda apresenta um especificidade. Como antes relatado, a Contribuinte aponta, apenas em recurso voluntário, que se encontrava em fase pré-operacional e, assim, suas receitas teriam sido confrontadas com as despesas pré-operacionais registradas no Ativo Diferido. Mas, embora não deduzindo argumentação neste sentido em impugnação, a DIPJ retificadora apresentada naquela ocasião distinguia-se da original justamente por agora trazer as Fichas 36A e 37A, nas quais está reproduzido o Balanço Patrimonial e evidenciada a evolução positiva do Ativo Diferido entre 2007 e 2008, com aumento do saldo de “Despesas Pré-Operacionais ou Pré-Industriais” de R$ 4.802.015,32, em 2007, para R$ 31.793.384,20, em 2008. Para além disso, a Contribuinte consignou em recurso voluntário que: 4. Dessa forma nos formulários da D1PJ-2009 Calendário 2008 protocolo 18.10.33.26.71-81 enviados em 21 de setembro de 2009, foram assim preenchidos; consequentemente, o rendimento não foi aposto na linha 22 Ficha 06-A bem como o custo financeiro de igual período também não foi aposto na Ficha 06-A linha 40. 5. Após o recebimento do despacho decisório n° 16306.000305/2009-63, pelo qual a autoridade administrativa entendeu que, por não estarem classificados os rendimentos no computo do Lucro Real, não era procedente o pedido de restituição, a Recorrente, embora sem incorrer na modificação da Base de cálculo fiscal, promoveu a retificação daquela DIPJ sendo reenviada no dia 09 de abril de 2010 conforme protocolo de entrega 14.78.21.54.16-60 (anexo 1) dando assim cumprimento ao solicitado pela autoridade administrativa, ou seja, passamos a refletir na Ficha 06-A, os custos das despesas financeiras do período de competência do respectivo calendário, bem como todo o rendimento do período. (anexo 2). Em suma, em recurso voluntário a Contribuinte trouxe novas razões de direito, cujo prova documental produzira em manifestação de inconformidade, e que assim deixou de ser apreciada porque dissociada de qualquer argumentação neste sentido. Neste contexto, afastada a preclusão com fundamento no art. 17 do Decreto nº 70.235/72, e não se verificando as demais vedações presentes no art. 16 do Decreto nº 70.235/72, vez que a prova documental foi juntada com a manifestação de inconformidade, restam desconstituídas as justificativas do Colegiado a quo para não apreciar as alegações trazidas pela Contribuinte em recurso voluntário. A irregularidade cometida pela Contribuinte, ao deixar de situar a argumentação no mesmo momento da juntada da prova, apenas lhe suprime o direito de ver sua defesa também apreciada pela autoridade julgadora de 1ª instância. Esclareça-se que a Contribuinte pede em seu recurso especial que lhe seja reconhecido, em definitivo, o seu direito creditório, com base na prova já carreada aos autos, por meio da qual se identifica que, na fase pré-operacional, suportou retenções na fonte, em aplicações financeiras devidamente declaradas e que compõem saldo negativo plenamente restituível. Contudo, a solução do dissídio jurisprudencial posto resulta, apenas, na afirmação de que o Colegiado a quo deveria ter apreciado o argumento deduzido em recurso voluntário, especialmente Fl. 302DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 21 porque vinculado a prova documental juntada à manifestação de inconformidade, não competindo a esta Turma da CSRF decidir sobre o direito creditório em litígio. Assim, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso especial, e determinar o retorno dos autos ao Colegiado de Origem para apreciação da argumentação que foi declarada preclusa no acórdão recorrido. Assim, o Decreto nº 70.235/72 não veda a inovação de razões, em recurso voluntário, acerca de matéria impugnada, mormente quando se admite, nesta fase recursal, a contraposição de fatos ou razões trazidas aos autos na decisão de 1ª instância. Quanto à apresentação de provas depois de vencido o prazo recursal, esta Conselheira recentemente relativizou esta objeção, diante de circunstâncias específicas, nos termos do seguinte voto declarado no Acórdão nº 9101- 004.56310, proferido na sessão de 3 de dezembro de 2019: Acompanhei a I. Relatora em sua conclusão de dar provimento ao recurso especial e determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para apreciação dos documentos apresentados depois do recurso voluntário em razão das circunstâncias específicas, presentes nestes autos, a seguir relatadas. O litígio em questão tem origem em Declarações de Compensação – DCOMP transmitidas pela Contribuinte a partir de 13/01/2006, tendo por objeto saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário 2005. Em 10/06/2010 a autoridade fiscal iniciou o procedimento de conferência de referido direito creditório, intimando o sujeito passivo a apresentar elementos de sua escrituração contábil com vistas a confirmar o oferecimento, à tributação, as receitas vinculadas às retenções na fonte deduzidas na apuração do saldo negativo. (e-fls. 11/13). A Contribuinte apresentou documentos solicitados, mas de forma incompleta, o que ensejou a intimação de 13/07/2010, exigindo a sua complementação (e-fls. 210/212). A Contribuinte, depois de requerer prorrogação de prazo, apresentou outros documentos, mas seguiu-se nova intimação, em 13/10/2010, para reposta em 5 (cinco) dias úteis, exigindo esclarecimentos acerca de receitas financeiras, bem como de outros itens redutores do lucro tributável, nos seguintes termos (e- fls. 406/408): CONTA CONTÁBIL 33200000 — Juros de Aplicação Financeira: 1. Em relação aos valores escriturados na Conta Contábil "33200000 — Juros de Aplicação Financeira" relativa ao ano-calendário de 2005, apresentar planilhas individualizadas por fonte pagadora e por mês (uma planilha para cada fonte pagadora constante da referida conta 33200000 ) contendo no mínimo: Nome e CNPJ da fonte pagadora dos rendimentos, mês em que o rendimento foi auferido e valor do rendimento mensal reconhecido; 10 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Andrea Duek Simantob, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Divergiram na matéria os conselheiros André Mendes de Moura, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo e votaram pelas conclusões da Conselheira Cristiane Silva Costa (relatora) os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Demetrius Nichele Macei, Lívia De Carli Germano, Andrea Duek Simantob, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada). Fl. 303DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 22 VARIAÇÕES CAMBIAIS ATIVAS E PASSIVAS: 2. Apresentar quadro demonstrativo das Variações Cambiais Ativas e Passivas elaborado conforme modelo que segue em anexo ', individualizado por operação sujeita às variações cambiais (um quadro demonstrativo para cada direito/obrigação sujeito às variações cambiais), onde estejam detalhadas as variações incorridas e as variações liquidadas desde a data de aquisição do direito/obrigação em moeda estrangeira até 31/12/2005; 3. Apresentar cópias autenticadas dos documentos que comprovem a aquisição de cada direito/obrigação citado no item 2 acima sujeito às variações cambiais, nos quais se possa verificar a respectiva data de aquisição e valor original da aquisição em moeda estrangeira; 4. Apresentar cópias autenticadas dos documentos que comprovem as liquidações das operações sujeitas a variações cambiais ocorridas no ano- calendário de 2005 cujos valores foram declarados nas Linhas 09 e 32 das Ficha 09A (Linhas "Variações Cambiais Ativas — Operações Liquidadas" e "Variações Cambiais Passivas — Operações Liquidadas" da Ficha "Demonstração do Lucro Real") da respectiva Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ apresentada em 13/12/2007; 5. Apresentar documentos que comprovem que os valores das variações cambiais passivas deduzidas do lucro real relativo ao ano-calendário de 2005 através da Linha 32 da Ficha 09A da mesma DIPJ (Linha "Variações Cambiais Passivas – Operações Liquidadas" da Ficha "Demonstração do Lucro Real") foram devidamente adicionados ao lucro real de ano(s) anterior(es), acompanhados das respectivas Demonstrações do Lucro Real onde constem tais adições; Linha "OUTRAS DESPESAS FINANCEIRAS": 6. Apresentar demonstrativo detalhando a composição do montante de A R$939.262.393,22 declarado na Linha 36 da Ficha 06A (Linha "Outras Despesas Financeiras" da Ficha "Demonstração do Resultado") da DIPJ relativa ao ano-calendário de 2005 (apresentada em 1311212007), contendo no mínimo a descrição de cada despesa, mês em que incorrida e seu respectivo valor; 7. Apresentar documentos que comprovem a incorrência das despesas citadas no item 6 acima compatíveis em data e valor com as informações declaradas na Linha 36 da Ficha 06A (Linha "Outras Despesas Financeiras" da Ficha "Demonstração do Resultado") da DIPJ relativa ao ano-calendário de 2005; Linha "OUTRAS EXCLUSÕES": 8. Apresentar demonstrativo detalhando a composição do montante de R$246.697.059,26 declarado na Linha 39 da Ficha 09A (Linha "Outras Exclusões" da Ficha "Demonstração do Lucro Real") da DIPJ relativa ao ano- calendário de 2005 (apresentada em 13/12/2007), contendo no mínimo a descrição e valor de cada exclusão, o mês de ocorrência e o dispositivo legal em que a mesma se fundamentou; Fl. 304DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 23 9. Apresentar documentos suficientes que justifiquem e comprovem as exclusões do lucro real procedidas através da citada Linha 39 da Ficha 09A (Linha "Outras Exclusões" da Ficha "Demonstração do Lucro Real") da DIPJ relativa ao ano-calendário de 2005; 10. DEMAIS ESCLARECIMENTOS QUE ENTENDER NECESSÁRIOS À ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO ENVOLVIDO E DAS PLANILHAS E DOCUMENTOS APRESENTADOS. Em 21/10/2010 a autoridade fiscal concedeu prorrogação de no máximo mais 20 (vinte) dias a serem contados a partir de 25/10/2010 (e-fl. 514/515) e em 23/11/2010 a Contribuinte apresentou a resposta fls. 516/2133. Em 09/12/2010 a autoridade fiscal lavrou o Despacho Decisório no qual apontou a insuficiência das provas apresentadas, em especial no que se refere à demonstração das variações cambiais segundo o regime de caixa previsto no art. 30 da Medida Provisória nº 2.158-35 e à apresentação de documentos em língua estrangeira, além da indicação de documentos concernentes a perdas nas operações de swap como representativos de variações cambiais, e outras deficiências em relação a despesas financeiras e exclusões. Ao final, recompôs o IRPJ devido no ano-calendário 2005 com a adição das parcelas consideradas intimadas e não comprovadas (“Variações Cambiais Passivas das Operações Liquidadas”, “Outras Exclusões” e “Outras Despesas Financeiras”), e também glosou retenções na fonte não comprovadas, do que resultou o não reconhecimento da totalidade do direito creditório e a não homologação das compensações declaradas (e-fls. 2189/2218). Em manifestação de inconformidade, a Contribuinte requereu perícia, apresentando quesitos e indicando perito, mas em 28/04/2011 a autoridade julgadora de 1ª instância indeferiu o pedido de diligência por entender que caberia ao sujeito passivo a comprovação documental dos valores questionados e, embora admitido parte dos documentos apresentados, não apurou saldo negativo e manteve o não reconhecimento do direito creditório. O recurso voluntário é interposto em 07/06/2011 e, novamente, afirmou a necessidade de produção de prova pericial, formulando quesitos e indicando perito. Em 09/12/2015 a Contribuinte juntou informações resultantes da perícia realizada nos itens questionados pela autoridade fiscal, acompanhadas de Parecer Técnico datado de 15/04/2015, acompanhado de 24 (vinte e quatro) anexos, integrados ao arquivo não paginável de e-fl. 2841. O recurso voluntário, porém, foi apreciado em 14/02/2017 sem o exame desses documentos. Nota-se, de todo o exposto, que iniciado o procedimento fiscal de verificação do direito creditório cerca de 4 (quatro) anos depois da apresentação da primeira DCOMP, a autoridade fiscal somente passou a exigir demonstração de despesas e exclusões em 13/10/2010 para na sequência, em menos de 2 (dois) meses, decidir pelo não reconhecimento do direito creditório. Indeferindo o pedido de perícia, a autoridade julgadora decidiu o litígio em 4 (quatro) meses e, em consequência, a Contribuinte interpôs o recurso voluntário em 6 (seis) meses do despacho decisório, novamente protestando por perícia. Ao final, cerca de 4 (quatro) anos depois, apresenta o resultado do trabalho pericial realizado enquanto o recurso voluntário aguardava julgamento. Fl. 305DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 24 De outro lado, o exame da resposta apresentada pela Contribuinte durante o procedimento fiscal (e-fls. 516/2133), bem como o resultado da perícia contratada (arquivo não paginável de e-fl. 2841), deixam patente a complexidade dos fatos cuja prova é exigida nestes autos. Ainda que se trate de informações de base da contabilidade, acerca das quais poder-se-ia invocar o dever do sujeito passivo mantê-los em ordem e boa guarda para apresentação imediata às autoridades fiscais, os registros em questão decorrem de liquidação financeira, cuja comprovação se dá por meio do exame dos termos dos contratos firmados e das oscilações da moeda ou do mercado financeiro, a exigir significativo empenho para correlação dos fatos com os registros contábeis e, para além disso, com as adições e exclusões para determinação do lucro real. Logo, não se vislumbra desídia do sujeito passivo em não ter produzido a prova por ocasião da manifestação de inconformidade ou do recurso voluntário, mormente tendo em conta que foi requerida perícia para verificação destas informações junto à sua escrituração. É certo que o sujeito passivo somente apresentou as provas 4 (quatro) anos depois da interposição do recurso voluntário. Contudo, fato é que elas foram apresentadas 2 (dois) anos antes do julgamento do recurso. Em tais circunstâncias é razoável supor que, diante da demora do julgamento do recurso, o sujeito passivo reputou mais seguro contratar a perícia requerida no recurso voluntário, correndo o risco de seu resultado não ser produzido a tempo de o recurso voluntário ser julgado. Porém, logrou juntar os elementos muito antes disso, antes mesmo de o processo estar distribuído para o Conselheiro Relator do acórdão recorrido – vez que o prazo para inclusão dos processos sorteados em pauta é de 180 (cento e oitenta) dias –, inexistindo razão, assim, para se negar a esta prova o mesmo efeito que teria a sua juntada alguns meses depois da interposição do recurso voluntário. Assim, embora interprete com mais rigor o art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72, entendo que a complexidade da prova exigida do sujeito passivo e o rápido trâmite do processo administrativo até a interposição do recurso voluntário, associado aos pedidos de perícia reiterados em manifestação de inconformidade e em recurso voluntário, impõem que seja DADO PROVIMENTO ao recurso especial para apreciação das provas juntadas cerca de 2 (dois) anos do julgamento do recurso voluntário. Nestes termos, ainda que ausente justificativa expressa para a apresentação tardia da prova, é possível concluir, a partir de suas características, que sua admissibilidade não está vedada na legislação processual administrativa. Fixadas estas premissas, passa-se ao caso concreto. As provas apresentadas em 27/04/2016 foram assim relatadas no acórdão recorrido: 1) Quanto à glosa de despesa com Previdência Social, junta documentação de que teria cumprido o disposto no art. 2º da Resolução nº 30/1996; 2) No tocante à glosa de despesas com cartão, aduziu que (....) conforme ata de assembléia geral extraordinária do dia 14.07.1997 (doc. 11), restou consignado que em 26 de junho daquele ano, em decorrência de leilão público realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, o Banco Itaú S.A. adquiriu Fl. 306DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 25 99,97% do capital social do Banco Banerj S.A., ocasião em lhe foi transferido o controle acionário daquela empresa e de suas controladas. O procedimento fiscal foi realizado entre 24/10/2000 e 11/04/2001, em face de Banerj Corretora de Seguros e Administração de Bens S/A, integrante de grupo cujo controle acionário fora adquirido pelo Banco Itaú S/A em 26/06/1997 e era titulado, em 31/12/1997, por Itau Rent Administração e Participações S/A. A autoridade fiscal exigiu a comprovação de despesas contabilizadas no ano- calendário 1997, subsistindo o litígio em face das glosas nos valores de R$ 137.513,29 (DESP C/ PREV SOCIAL), R$ 70.443,21 (DESP C/ CARTÃO – OUTRAS) e de R$ 153.199,09 (DESP BANCÁRIAS – CARTÃO NAC). Para estes itens, a autoridade lançadora informa que a Contribuinte foi intimada em 20/02/2001, e reintimada em 15/03/2001, a comprovar a necessidade e normalidade das despesas lançadas em sua contabilidade, mas nada apresentou. Documentos foram apresentados em impugnação (09/05/2001), seguindo-se solicitação de diligência pela autoridade julgadora de 1ª instância em 18/05/2005 (e-fl. 496) e objeções postas pela autoridade fiscal em 15/08/2006 (e-fls. 515/518), que a Contribuinte contraditou às e-fls. 523/525 apenas para suscitar a desistência parcial manifestada em 29/11/2002, do que decorreu nova solicitação de diligência pela autoridade julgadora de 1ª instância em 11/09/2007 para delimitação do litígio subsistente (e-fls. 589/591). Somente em 31/07/2008 a impugnação foi julgada, sendo mantidas as glosas antes referidas com base na insuficiência probatória constatada e cientificada à Contribuinte desde a diligência inicial, em 15/08/2006. Este é o contexto no qual a Contribuinte interpõe recurso voluntário em 13/11/2008, questionando as justificativas expressas para manutenção das glosas, e deixando de apresentar qualquer prova documental, as quais somente são juntadas aos autos em 27/04/2016, momento no qual pretendeu confrontar omissões indicadas desde a diligência inicial que lhe foi cientificada em 15/08/2006. E assim o faz juntando documentos contemporâneos ao período fiscalizado, para justificar as contabilizações feitas ao longo do ano-calendário 1997. Resta patente, assim, que nada justifica a tardia apresentação das provas. A Contribuinte delas já dispunha desde antes do procedimento fiscal, deixou de entrega-las à autoridade fiscal , ignorou as objeções postas em diligência fiscal, e também não considerou importante busca-las quando tais objeções foram reiteradas na decisão de 1ª instância. Somente 10 (dez) anos depois do questionamento original pretendeu trazê-las aos autos para que, no exame do recurso voluntário ainda pendente de julgamento, fosse avaliada se elas teriam algum relevo para reversão dos questionamentos que lhe foram dirigidos há cerca de 15 (quinze) anos, durante o procedimento fiscal. Se no Acórdão nº 9101-004.563 foi possível relativizar as exigências da legislação processual em razão da complexidade da prova apresentada e da proximidade das Fl. 307DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 26 datas de questionamento fiscal e juntada dos esclarecimentos aos autos, no presente caso, situado no extremo oposto quando tomadas tais referências, impõe-se reconhecer a correção do acórdão recorrido, e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Contribuinte. (destaques do original) Nestes termos, concebe-se que o entendimento do Colegiado a quo no sentido de ser possível a juntada de outros documentos e provas até o instante em que os autos forem pautados para julgamento, ou seja, mesmo após a impugnação/manifestação de inconformidade original, a decisão de 1ª Instância e o trâmite procedimental até o CARF, sem qualquer condicionante, poderia ensejar negativa de vigência ao art. 16, §4º do Decreto nº 70.235/72. A juntada de provas depois da impugnação é admissível na hipótese de elas se prestarem a “dialogar” com a decisão de 1ª instância, como permitido no art. 16, §4º, alínea “c” do Decreto nº 70.235/72, e sua apresentação depois da interposição do recurso voluntário seria possível conforme as características da prova e as dificuldades para sua apresentação. Em ambos os aspectos mostra-se relevante a origem do litígio, mormente porque em sede de lançamento tributário a demanda da prova tardiamente apresentada pode ocorrer já no curso do procedimento fiscal. Aqui, por estar em debate a apresentação tardia de documentos a legitimar direito creditório informado em DCOMP objeto de análise eletrônica, o voto declarado com os fundamentos prevalentes11 do Acórdão nº 9101-006.136 melhor circunstancia as premissas para decisão acerca da preclusão arguida pela PGFN: À semelhança do referido precedente, no qual a documentação apresentada em recurso voluntário contemplava livros da escrituração do sujeito passivo, certamente já existentes à época da impugnação, no presente caso a Contribuinte juntou elementos de sua escrituração contemporâneos à apuração do saldo negativo, mas correlacionados a circunstâncias que foram, apenas, alegadas e parcialmente demonstradas em manifestação de inconformidade. Contudo, para se avaliar a adequação de sua conduta ao art. 16, §4º, alínea “c” do Decreto nº 70.235/72 não basta, apenas, ter em conta as obrigações acessórias impostas aos sujeitos passivos optantes pela apuração do lucro real anual, em face das quais é evidente que os elementos da escrituração trazidos em recurso voluntário já deveriam estar sob guarda do sujeito passivo desde a apuração inicial do saldo negativo de IRPJ, aqui referente ao ano-calendário de 2004. É imperioso, também, atentar para o contexto processual estabelecido a partir da análise do direito creditório apontado em DCOMP, da qual resultou a não- 11 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia de Carli Germano, Andrea Duek Simantob, Luis Henrique Marotti Toselli, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Alexandre Evaristo Pinto, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Carlos Henrique de Oliveira (Presidente), e votaram pelas conclusões do relator conselheiro Alexandre Evaristo Pinto os conselheiros Edeli Pereira Bessa, Lívia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Andréa Duek Simantob e Carlos Henrique de Oliveira, e, por fundamentos distintos, os conselheiros Gustavo Guimarães da Fonseca e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 308DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 27 homologação das compensações por confirmação parcial das retenções deduzidas na apuração do saldo negativo. Frente a esta objeção, a postura inicial do sujeito passivo foi apresentar a prova de tais retenções, e é no exame desta prova que se aponta a necessidade de confirmação de outras provas das retenções e do oferecimento à tributação dos correspondentes rendimentos. É certo tratar-se, no caso, de prova documental que o sujeito passivo já dispunha quando manifestou sua inconformidade contra a não-homologação das compensações declaradas, e esta circunstância se prestou como argumento válido para dispensar a autoridade julgadora de 1ª instância de demandar diligência e permitir ao sujeito passivo complementar as provas dos fatos alegados. Todavia, é também certo que o sujeito passivo não fora antes intimado a apresentar tais provas, cuja importância somente surge quando acolhido o documento por ela juntado à manifestação de inconformidade para provar a existência das retenções. Em tal contexto, resta evidente a apresentação de prova, em recurso voluntário, para contraposição de fatos ou razões trazidas aos autos depois da impugnação, e não prospera a objeção da PGFN à apreciação destes elementos apenas porque o sujeito passivo deles já dispunha no momento em que manifestou sua inconformidade contra a não-homologação das compensações. Por fim, no que diz respeito à alegação de supressão de instância, cabe observar que nada na legislação processual tributária impede o CARF de analisar provas assim trazidas em recurso voluntário. Como visto, o art. 16, §4º, alínea “c” permite que as provas sejam apresentadas depois da impugnação quando se destinem a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sem estipular que os autos sejam restituídos à autoridade julgadora de 1ª instância, caso esta já tenha apreciado a impugnação. Em verdade, quando o legislador tratou, especificamente, da juntada de provas depois da impugnação, expressamente admitiu sua apreciação unicamente em segunda instância administrativa, consoante art. 16, §6º do Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Estes os fundamentos, portanto, para acompanhar o I. Relator em suas conclusões e NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. Fl. 309DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 28 Restaria, assim, avaliar a admissibilidade da prova apresentada depois de o processo ter sido pautado para julgamento de recurso voluntário. No Acórdão nº 9101-005.766, este Colegiado, à unanimidade de votos12, concordou com o entendimento assim expresso pelo Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto: De fato, analisando o teor da Impugnação e do Recurso Voluntário apresentados pelo Contribuinte, embora seja citado o pretenso erro na determinação do lucro da exploração quando da descrição dos fatos, não há qualquer pedido a esse respeito. Veja-se: [...] - Recurso Voluntário: Absolutamente da mesma forma e com a mesma estrutura veiculado em impugnação, o contribuinte limitou-se a citar que haveria um erro de cálculo no lucro da exploração (fls. 621 e 624-627), sem elaborar qualquer pedido a esse respeito (item V do recurso – fls. 671-674). Frisa-se ainda que nessas peças processuais, o Contribuinte limitou-se a juntar um demonstrativo de qual seria, a seu sentir, o lucro da exploração correto13. Somente na petição de fls. 719-723 ajuntados aos autos em 06/06/2016 (fl. 718) é que o Contribuinte anexou, além dos documentos de fls. 742-746 (cópia de DARF, lançamentos contábeis e ficha da DIPJ retificadora) e, em especial, a planilha anexada como “arquivo não paginável) à fl. 747 discriminando, em diversas pastas, como teria chegado ao cálculo do lucro da exploração e da quantificação de que 51,75% dos produtos possuiriam laudo que daria direito à redução do IRPJ. Ocorre que, conforme informações retiradas do sítio do CARF, os presentes autos foram distribuídos ao relator da decisão recorrida em 29/04/2015, indicado para pauta em 29/03/2016, retirado de pauta em abril e reincluído para pauta em maio para julgamento na sessão do dia 08/06/2016. Ora, conforme já esclarecido, o contribuinte recorreu a este Colegiado porque entende que a petição juntada aos autos no dia 06/06/2016 (fls. 718 a 723), às 17 horas e 14 minutos, fosse analisado pelo relator que havia indicado o processo para pauta em março (três meses antes). 12 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente em exercício). 13 Nos presentes autos, discute-se somente se a turma ordinária deveria analisar petição protocolada após a interposição do recurso voluntário. É importante ressaltar que o contribuinte não requereu em seu recurso voluntário a declaração de nulidade da decisão de primeira instância por eventual omissão. De igual forma, seu apelo não alega que houve omissão no acórdão recorrido em razão de pedido formulado no recurso voluntário, mas sim em peça anexada aos autos após a interposição daquele recurso. A discussão quanto aos efeitos de não haver pedido expresso quanto ao cálculo do lucro da exploração tanto em impugnação quanto no recurso voluntário, mesmo que a matéria tivesse sido abordada em outro ponto dos recursos, não foi suscitada pelo contribuinte em seu Recurso Especial e, portanto, a matéria não está submetida a este colegiado. Fl. 310DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 29 [...] Nesse cenário, entendo que, no caso concreto, não se possa flexibilizar o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 , pois não se poderia exigir do relator que analisasse documentos e, principalmente, demonstrativos que demandariam esforço por parte do relator , dois dias antes da sessão de julgamento, ou ainda, sob outro enfoque, no final do dia anterior ao início da respectiva reunião de julgamento.14 Em caso semelhante (Acórdão nº 9101-002.890 15 ), de relatoria da ilustre Conselheira Adriana Gomes Rêgo, este Colegiado deu provimento ao recurso da Fazenda Nacional para anular a decisão da turma ordinária e determinar o retorno dos autos àquele colegiado para que fosse proferida nova decisão considerando preclusa a prova apresentada por ocasião da sustentação oral (e memoriais). No presente caso, não se trata de anulação da decisão recorrida, antes pelo contrário, há de se confirmá-la ante à inviabilidade jurídica da análise dos documentos e informações anexadas aos autos às vésperas da sessão de julgamento. (destaques do original) O caso em referência, à semelhança do analisado no paradigma nº 9101-002.890, como expresso ao norte, no capítulo do conhecimento, dizia respeito a lançamento e à prova de fato que poderia afetar a apuração do crédito tributário originalmente lançado. Neste último precedente, para além da inércia do sujeito passivo até a véspera do julgamento do recurso voluntário, a prova apresentada foi precariamente constituída. Aqui, como detalhado na análise do conhecimento, houve várias DCOMP não- homologadas sob a mesma motivação, e acerca delas a Contribuinte apresentou por amostragem os contratos de câmbio que provariam o cálculo do IRRF à alíquota de 25%. Diante da demanda, no julgamento de 1ª instância, de apresentação de todos os contratos, a Contribuinte indicou, em recurso voluntário, tratar-se de documentação arquivada em formato físico, datada dos anos 2009/2010, e os funcionários da Recorrente estão trabalhando em regime de home office em razão da pandemia da COVID-19. Assim é que as provas deixam de ser apresentadas nos recursos voluntários que datam de 2020 e chegam aos autos às vésperas do julgamento do recurso voluntário, no final de 2021. Razoável, assim, conceber presente a hipótese do art. 16, §4º, alínea “a” do Decreto nº 70.235/72 - impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior –em razão do contexto anormal vivenciado no interstício de tempo mencionado entre a apresentação do recurso voluntário e a juntada tardia da prova documental. 14 Conforme consta no sítio do CARF, as turmas ordinárias realizaram a reunião de julgamento do mês de junho de 2016 entre os dias 07 e 09. 15 Julgado na sessão de 07/06/2017. Participaram do julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Marcos Aurélio Pereira Valadão. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. Fl. 311DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 9101-007.359 – CSRF/1ª TURMA PROCESSO 10880.919920/2017-45 30 Neste contexto, tem-se que o acórdão recorrido não merece reforma em sua conclusão, porque configuradas as hipóteses do art. 16, §4º, alíneas “a” e “c” para admissibilidade das provas juntadas às vésperas do julgamento do recurso voluntário. Estas as razões, portanto, para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da PGFN. Conclusão O presente voto, assim, é por CONHECER PARCIALMENTE do recurso especial da PGFN e NEGAR-LHE PROVIMENTO. Assinado Digitalmente Edeli Pereira Bessa Fl. 312DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto

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Numero do processo: 10875.003877/2001-14
Data da sessão: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/1996 a 30/06/1997, 01/08/1998 a 31/10/1998 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO. PEDIDO GENÉRICO E IMPRECISO DE PERÍCIA CONTÁBIL. Descabido o pedido de perícia que não se faz acompanhar de motivação precisa, bem como que se mostra totalmente dispensável em face da documentação e informações constantes dos autos. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS. Comprovada a existência de recolhimentos da contribuição exigida no auto de infração, é de se cancelar os respectivos lançamentos. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EM AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AUTO-COMPENSAÇÃO NA FORMA DO ART. 66 DA LEI Nº 8.383/91, C/C ART. 14 DA IN SRF 21/97. Válido é o procedimento do contribuinte que, de posse de decisão judicial transitada em julgado autorizando a repetir indébito de Finsocial bem como autorizando a renúncia à sua execução, realiza, por sua conta e risco, a compensação de débitos da Cofins, nos termos do artigo 66 da Lei nº 8.383, de 1991 e da IN SRF 21, de 1997, art. 14. COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITOS. No silêncio ou na falta de especificação por parte da sentença judicial que autorizou a restituição de pagamentos a maior do Finsocial, é de se utilizar as regras adotadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/CORAT Nº 8, de 27/06/97, para a composição do crédito a ser aproveitado em procedimento de compensação. TAXA SELIC. SÚMULA Nº 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - Selic para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O pedido de cancelamento da multa de ofício ou de sua redução, por supostamente ter caráter confiscatório, não pode ser conhecido no âmbito administrativo, tendo em vista que o exame da constitucionalidade da norma transborda a competência dos Conselhos de Contribuintes. Ademais, existem dispositivos legais vigentes que permitem a exigência da multa de ofício a 75%. Recurso provido em parte
Numero da decisão: 203-12.527
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO

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PEDIDO GENÉRICO E IMPRECISO DE PERÍCIA CONTÁBIL. Descabido o pedido de perícia que não se faz acompanhar de motivação precisa, bem como que se mostra totalmente dispensável em face da documentação e informações constantes dos autos. COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. ~Do ccaseri TR almareCOMPROVAÇÃO DE RECOLHIMENTOS. COMER: C.C:',1 O ORIGINAL - Comprovada a existência de recolhimentos da o / o g contribuição exigida no auto de infração, é de se cancelar os respectivos lançamentos. Manias Cursino do 04velra COFINS. AUTO DE INFRAÇÃO. --L4at. blaPe sisso COMPENSAÇÃO. CRÉDITO EM AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. AUTO- COMPENSAÇÃO NA FORMA DO ART. 66 DA LEI N° 8.383/91, C/C ART. 14 DA IN SRF 21/97. Válido é o procedimento do contribuinte que, de posse de decisão judicial transitada em julgado autorizando a repetir indébito de Finsocial bem como autorizando a renúncia à sua execução, realiza, por sua conta e risco, a compensação de débitos da Cofins, nos termos do artigo 66 da Lei n° 8.383, de 1991 e da IN SRF 21, de 1997, art. 14. COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DE CRÉDITOS. • W-SEGUNCO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.' 10875.003877/2001 -14 BrasSok CPI / 002 / 0 2 CCO2/CO3 Acórdão n, 203-12.527 -0e- Fls. 466 Molde Cucam de (Aveiro fylztl Bope 91650 No silêncio ou na falta de especificação por parte da sentença judicial que autorizou a restituição de pagamentos a maior do Finsocial, é de se utilizar as regras adotadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso a Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/CORAT N° 8, de 27/06/97, para a composição do crédito a ser aproveitado em procedimento de compensação. TAXA SELIC. SÚMULA N° 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. MULTA DE OFICIO. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O pedido de cancelamento da multa de oficio ou de sua redução, por supostamente ter caráter confiscatório, não pode ser conhecido no âmbito administrativo, tendo em vista que o exame da constitucionalidade da norma transborda a competência dos Conselhos de Contribuintes. Ademais, existem dispositivos legais vigentes que permitem a exigência da multa de oficio a 75%. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. ANTceZE - NETOFiresidONtIo, E - COROIA&C:\INfSrSI GUERZ7I ILHO . 4F-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES . CONFERE COM O ORIGINAL BISSK 1 _... 02 4 1 Op? 1 O • IC:2146C°73 Processo n.° 10875.00387712001-14 Acórdão n.° 203-12.527 at - msnkle C. re..,no de OI.ve.ra iit 91650. . Participaram, ainda, do presente Julgam it-Mtt;;;Sonsei . - -- :. uel Carlos Dantas de Assis, Eric Moraes de Castro e Silva, Silvia de Brito Oliveira, Mauro Wasilewski (Suplente), Luciano Pontes de Maya Gomes e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. ..tiet•SEGUNDO CONSELHO OE CONTRIBUINTES • CONFERE CCM O ORION/XL Processo n.° 10875.003877/2001.14 crazg::.. 024 ogCO02/CO3Acórdão n.° 203-12.527 Fls. 468 ft- Llsrikle Gemia 'te Oliveira hist b.ar,o 91650 Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado no dia 26/11/2001 para a exigência da Cofins dos fatos geradores ocorridos em 31/01/1996 a 30/06/1997,e 31/08/1998 a 31/10/1998, por conta do não reconhecimento, por parte do fisco, de compensações efetuadas pela empresa mediante o aproveitamento de crédito originado de Finsocial recolhido a maior, direito este obtido por meio de ação judicial própria, inclusive de repetição de indébito, com trânsito em julgado. O valor do auto de infração monta a R$ 759.309,50, nele incluídos juros de mora e multa de oficio de 75%. Esclareça-se que os valores das contribuições devidas informados pela empresa em sua DIPJ divergem dos valores constantes das DCTF, ou seja, nestas consta o valor líquido, já deduzido da compensação efetuada, de maneira que o respectivo Saldo a Pagar é zero. - Em resumo, insurgiu-se a autuada em sua impugnação contra os lançamentos dos períodos de janeiro a outubro de 1996, em face da ocorrência da decadência de cinco anos, e no geral, pugnou pela inépcia do auto de infração em face da falta de clareza quanto às razões de sua lavratura e dos direitos invocados. Mais especificamente, insurgiu-se contra o alargamento da base de cálculo da contribuição, sob o argumento de que o parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718, de 1998, é inconstitucional. Questionou também o percentual da multa de oficio e a aplicação de juros de mora pela taxa Selic. Pede, ao final de suas argumentações, perícia contábil "para que a mesma não venha a sofrer cerceamento de um direito de defesa...". Acórdão da DRJ, 2.132, de 12/09/2002, proferido pela 5' Turma da DRJ em Campinas/SP, afastou a prejudicial de decadência suscitada e, sob o argumento de as compensações não foram informadas nas DCTF entregues, bem como, de que a empresa não trouxe aos autos quaisquer comprovantes das compensações efetuadas, manteve integralmente o lançamento. No Recurso Voluntário a empresa esclarece que efetuou as compensações com base no artigo 66 da Lei n° 8.383, de 1991, haja vista que dispunha de decisão judicial com trânsito em julgado que lhe reconhecera o direito a restituir as importâncias pagas a maior a título de Finsocial. Cita o artigo 14 da IN SRF 21, de 1997, que lhe autorizava a proceder à compensação independentemente de requerimento à autoridade administrativa, e que a mesma se encontra devidamente contabilizada no seu Livro Razão, cujas cópias anexa ao processo. Não mais se insurge quanto à inconstitucionalidade do parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98. Na primeira vez que colocado o processo em julgamento, esta Terceira Câmara, por meio da Resolução n° 203-00.442, Sessão de 2/12/2003, da relatoria da Conselheira Maria Cristina Roza da Costa, solicitou a realização de diligência para que ficasse comprovado que a empresa não exercera o direito de restituir os valores recolhidos a maior a título de Finsocial em outra seara ou mesmo feito a sua cessão a terceiros, bem como sobre as circunstâncias da compensação. Informação Fiscal de 10/09/2004 (fls. 351/356) diz que, à vista das informações e comprovantes de recolhimento apresentados pela recorrente, os débitos constantes do auto de infração relativos aos períodos de apuração de janeiro a abril de 1996 devem ser cancelados, e os períodos de apuração de maio a dezembro de 1996 devem ser revistos, para baixo, na forma MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Casmn. 091_1 nR Processo n.° 10875.003877/2001-14 CCO2/CO3 Acórdão n.° 203-12.527 Fls. 469 Alarilde Ostrio de Oliveira Mal Siar* 91650 do quadro que elaborou à fl. 354. Por outro lado, para fins de quantificação do montante do crédito (Finsocial recolhido a maior), o fisco desconsiderou os recolhimentos relativos aos períodos de apuração de janeiro a março de 1992, pois, segundo ele, a recorrente não apresentou os DARF correspondentes, tampouco a comprovação de sua contabilização, o que inviabiliza a sua conferência junto aos sistemas de controles de recolhimentos da Secretaria da Receita Federal. Explicitou ainda a forma e índices de atualização monetária utilizados para apuração do crédito a ser aproveitado nas compensações. Assim, em resumo, a referida Informação Fiscal apresenta um quadro em que, considerados os pagamentos efetuados, atualizados os créditos e feitas as compensações, restaram definitivamente canceladas as exigências contidas no Auto de Infração relativas ao período de maio a outubro de 1996 (as de janeiro a abril já o haviam sido em face da comprovação dos recolhimentos). Restaram, portanto, as exigências contidas no Auto de Infração relativas aos períodos de apuração de novembro de 1996 a junho de 1997 e de agosto a outubro de 1998. Manifestando-se sobre a referida Informação Fiscal (fls. 357/368), a empresa reitera a ocorrência da decadência dos lançamentos relativos aos períodos de apuração de maio a outubro de 1996, e se insurge contra os índices de correção aplicados pelo fisco, pugnando pela aplicação do IPC (janeiro e fevereiro de 1989 e outubro a dezembro de 1989; março de 1990 a janeiro de 1991); o 1NPC (a partir de fevereiro até dezembro de 1991); e a Taxa Selic a partir de janeiro de 1996 para a atualização do saldo credor, o que provocaria a extinção por completo dos valores que lhe estão sendo exigidos. Pela terceira vez levado a julgamento o presente processo, esta Terceira Câmara, na Sessão de 13/09/2005, por meio da Resolução n° 203-00.647 (fls. 376/379), solicitou nova diligência, desta feita, para que fossem trazidas aos autos as comprovações de que a empresa tivesse desistido do processo de restituição na via judicial (já fora objeto da primeira Resolução), de que realizara mesmo os recolhimentos do Finsocial relativos aos períodos de apuração de janeiro a março de "2002" (sic), e que fosse verificado se os cálculos de atualização dos créditos utilizados pelo fisco seguiram os índices constantes da sentença judicial, e que, em caso contrário, fossem refeitas as imputações. Despacho da DRF em Guarulhos/SP (fl. 421) informa que a sentença não especifica os índices de correção monetária, motivo pelo qual foram utilizados os da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/CORAT N° 8, de 27/06/97, de modo que nada há que ser retificado na planilha anteriormente elaborada pelo fisco à fl. 356. Novamente levado a julgamento o presente processo, esta Terceira Câmara, na Sessão de 1° de março de 2007, por meio da Resolução n° 203-00.796 (fls. 428/434), determinou nova diligência, a terceira, repetindo a solicitação já contida na Resolução que se lhe antecedeu, qual seja, de que fosse comprovada a homologação, pelo Poder Judiciário, da renúncia à execução da ação judicial na qual a recorrente pleiteara a restituição do Finsocial, bem como que fosse dada nova oportunidade à empresa para que juntasse os comprovantes dos recolhimentos do Finsocial dos períodos de apuração de janeiro a março de 1992 e não de janeiro a março de 2002 como constara da Resolução anterior. O documento de fl. 460, extraído do Processo n° 92.0053651-4, dá conta da seguinte decisão da Magistrada, proferida em 6/06/2007, verbis: "Vistos, etc. ..IF•SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL •-2Processo 10875.003877/2001-14 Q j flt CCOVCO3 Acórdão n.• 203-12.527 Fls. 470 MaNde Cursino de Oliveira Mal Siai* 91650 Tendo em vista a renúncia formulada pelo credor às fls. 173/174, julgo extinta a execução, nos termos do disposto nos artigos 794, inciso HL e 795, ambos do Código de Processo Civil. Decorrido prazo para eventuais impugnações, e nada mais sendo requerido, arquivem-se os autos, observadas as formalidades legais" O segundo item da terceira diligência (comprovantes de recolhimento do Finsocial dos períodos de apuração de janeiro a março de 1992), entretanto, não foi atendido e, segundo informações da própria interessada, prestadas no documento datado de 20/06/2007 (fl. 452/453) não poderá sê-lo, haja vista "..a dificuldade em encontrá-las no arquivo morto, por tratar-se de mais de 15 (quinze) anos de recolhimento". É o Relatório. Processo n.° 10875.003877/2001-14 "E"goo coNnw, CCO2/CO3 Ao5rdão n.° 203-12.527 CONFERienC" CONTRe - 4 O OFuGINAL NTEs • Fls. 471 / O g mance cure Voto Mat. Siape Agre" Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator O recurso é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade, merecendo ser conhecido. Após tantas idas e vindas, o único ponto que restou incontroverso é o que trata do cancelamento da exigência da Cofins para os períodos de apuração de janeiro a abril de 1996, visto que a empresa logrou comprovar que efetuara os recolhimentos faltantes e que haviam sido objeto do auto de infração. Assim, de plano e a teor da proposição elaborada pelo próprio fisco no documento de fl. 354 (retorno da primeira diligência), deixo consignado que devem ser excluídos da exigência a Cofins dos períodos de apuração de janeiro a abril de 1996. De resto, todas as matérias suscitadas pela recorrente em sede de impugnação e recurso (decadência dos períodos anteriores a novembro de 1996, inépcia do auto de infração, pedido de perícia contábil, multa de oficio a 2% e ilegalidade da utilização da Taxa Selic), bem como outra, suscitada, em sede de apreciação do resultado de diligências, qual seja, relativa aos índices de atualização utilizados para quantificação do crédito do Finsocial, estão pendentes de nossa apreciação. Afasto a prejudicial de nulidade do auto de infração por suposta inépcia, vez que nele presentes todos os requisitos legais para a sua lavratura, tendo permitido todas as condições para que a autuada apresentasse sua defesa. Quanto ao pedido de perícia, por elaborado de forma genérica e imprecisa e por ser absolutamente prescindível para o deslinde do caso que ora se discute, também voto no sentido de rejeitá-lo. Quanto à decadência suscitada pela recorrente para os lançamentos relativos aos períodos de apuração de maio a outubro de 1996 (o auto fora lavrado em 26/11/2001), entendo que o prazo para a constituição do crédito tributário relativo à Cofins é de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador. Antes, porém, se mostra pertinente deixar consignado que a análise desse tema se faz necessário, não obstante o fisco tenha se pronunciado pelo cancelamento dos débitos desse período, haja vista que tal extinção acabou por consumir parte do crédito reconhecido em favor da autuada. Ou seja, na visão do contribuinte essa parte do crédito poderia ser aproveitada para quitar outros débitos. Sendo a Cofins um tributo sujeito ao lançamento por homologação, em que o sujeito passivo obriga-se a antecipar o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem início na data de ocorrência do fato gerador, à luz do art. 150, § 40, do Código Tributário Nacional (CTN). Segundo este parágrafo o prazo é de cinco anos, "Se a lei não fixar prazo à homologação..." No caso da Cofins, entretanto, o art. 45, I, da Lei n° 8.212/91 pôs fim à condição ao definir, fixar o prazo de dez anos, em vez da norma geral de cinco anos estipulada no CIN. Observe-se que a norma inserta no inciso I do art. 45 da Lei n° 8.212/91 corresponde à do art. 173, I, do crN, com a diferença de que a Lei Complementar estabelece regra geral, a atingir todos os tributos para os quais lei específica não determine prazo especial, MF.SEGUNDO CONSELHO DE CONTRISUINTES CONtèRE CCM O CRIGINAL Processo n.• 10875.0038772001-14 ars-U:4 _ai/ o2 / f? CCO2/CO3 Acórdão n..° 203-12.527 Fls. 472 Matilde Curse° rça• e °avalia Mat. Stape 91650 enquanto que a Lei n° 8.212191 é própria das contribuições para a Seguridade Social. Assim, tanto o art. 173, I, do CIN, quanto o art. 45, I, da Lei n°8.212/91, devem ser lidos em conjunto com o art. 150, § 4°, do CTN, de forma a se extrair da interpretação sistemática a norma aplicável aos lançamentos por homologação, segundo a qual o termo inicial do prazo decadencial é o dia de ocorrência do fato gerador, em vez do primeiro dia do ano seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A despeito de posições divergentes, entendo que o art. 146, III, "b", da Constituição Federal, ao estatuir que cabe à lei complementar estabelecer normas gerais sobre decadência, não veda que prazos decadenciais específicos sejam determinados em lei ordinária. Apenas no caso de normas gerais é que a Constituição exige lei complementar. Destarte, enquanto o CTN, na qualidade de lei complementar, estabelece a norma geral de decadência em cinco anos, outras leis podem estipular prazo distinto, desde que tratando especificamente de um tributo ou de uma dada espécie tributária. É o que faz a Lei n° 8.212/91, ao dispor sobre as contribuições para a seguridade social. Ressalte-se a dicção do art. 146, III, "b", da Constituição, segundo o qual "Cabe à lei complementar estabelecer normas gerais de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributário?'. Este dispositivo constitucional não se refere, especificamente, aos prazos decadencial e prescricional. Inclusive, o prazo de decadência e prescrição geral de cinco anos até poderia não constar do CTN. Neste sentido as palavras de Roque Antonio Carraza, in Curso de Direito Constitucional Tributário, São Paulo, Malheiros, 21' edição, 2005, p. 871 a 873: "De fato, também a alínea 'b' do inciso III do art. 146 da CF não se sobrepõe ao sistema constitucional tributário. Pelo contrário, com ele deve se coadunar, inclusive obedecendo aos princípios federativos, de autonomia municipal e da autonomia distrital, O que estamos querendo dizer é que a lei complementar, ao regular a prescrição e a decadência tributária, deverá limitar-se a apontar diretrizes e regras gerais. Não poderá, por um lado, abolir os institutos em tela (que foram expressamente mencionados na Carta Suprema) nem, por outro, descer a detalhes, atropelando a autonomia das pessoas tributantes. O legislador complementar não recebeu um 'cheque em branco' para disciplinar a decadência e a prescrição tributárias. Melhor esclarecendo, a lei complementar poderá determinar (..) que a decadência e a prescrição são causas extintivas de obrigações tributárias. (.) estabelecer dies a quo destes fenômenos jurídicos, não de modo a contrariar o sistema jurídico, mas a prestigiá-lo. (.) elencar as causas impeditivos, suspensivas e interruptivas da prescrição tributária. (.) Todos esses exemplos enquadram-se, perfeitamente, no campo das normas gerais em matéria de legislação tributária. Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada 'economia interna', vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas. (.) Eis, porque pensamos, a fixação dos prazos prescricionais e decadenciais depende de lei da própria da própria entidade tributante. Não de lei complementar. (..) Falando de modo mais exato, entendemos que os prazos de decadência e de prescrição das 'contribuições previdenciárias', são, agora, de 10 (dez) anos, a teor, respectivamente, dos arts. 45 e 46 da Lei n" 8.212/91, que, • •1F.SEGUN3O cousano CE CONTRIBUINTES CONtén CCM O ORIGINAL Processo n.• 10875.003877/2001-14 "' 3 -G24 002 O moven Acórdão n.• 203-12327 Fls. 473 Margeie Cura de 0IIvolra Mal Sapa 91E50 segundo procuramos demonstrar, passam pelo teste da constitucionalidade." Nesta linha também o pronunciamento de Wagner Batera, in As Contribuições Sociais no Sistema Tributário Brasileiro, obra coletiva coordenada por Hugo de Brito Machado, São Paulo, Dialética/ICET, 2003, p. 602/604, quando, comentando acerca da função da lei complementar, afirma, verbis: É certo, que, com a promulgação da Constituição de 1988, o assunto ganhou valor normativo, notadamente pelo que respeita ao disposto na alínea c do inciso Hl, do transcrito art. 146, quando cogita da disciplina concernente aos temas da prescrição e da decadência. Alias, importa considerar que o tema, embora explicitado pela atual Constituição, não é novo quanto a esse ponto especifico. Quando cuidou das normas gerais, a Constituição de 1946, dispondo acerca dos temas do direito financeiro e de previdência social admitia (art. 5°, XV, h, combinado com o art. 69 que a legislação estadual supletiva e a complementar também poderiam cuidar desses mesmos assuntos. Convalescem, também agora, no ordenamento normativo brasileiro, as competências do legislador complementar — que editará as normas gerais — com as do legislador ordinário — que elaborará as normas especificas — para disporem, dentro dos diplomas legais que lhes cabe elaborar, sobre os temas da prescrição e da decadência em matéria tributária, A norma geral, disse o grande Pontes de Miranda: "é uma lei sobre leis de tributação". Deve, segundo o meu entendimento, a lei complementar prevista no art. 146, III, da Superlei, limitar-se a regular o método pelo qual será contado o prazo de prescrição; dispor sobre a interrupção da prescrição e fixar, por igual, regras a respeito do reinicio do curso da prescrição. Todavia, será a lei de tributação o lugar de definição do prazo de prescrição aplicável a cada tributo. (-) A norma de regência do tema, nos dias atuais, é a Lei de Organização e Custeio da Seguridade Social, promulgada aos 24 de julho de 1991. (destaques meus). Assim, tendo o auto de infração sido lavrado no dia 26/11/2001, os períodos objetos do lançamento relativos aos períodos de apuração de maio a outubro de 1996 estão dentro do período de dez de que dispõe a administração tributária para alcançá-los. Compensações De outra parte, não merece reparo o procedimento da recorrente que, de posse de decisão judicial transitada em julgado que lhe reconheceu o direito à restituição de Finsocial recolhido a maior, procedeu à compensação de débitos da Cofins nos termos do art. 66 da Lei n° 8.383/91 e do artigo 14 da 114 SRF 21, de 1997, visto que este era o sistema vigente à época :F-SEGUNO0 CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFERE COM O ORIGINAL Processo n.• 10875.003877/2001-14 eme"..-021..) / ng CCO2/CO3 Acórdão n.• 203-12.527 As. 474 Manldede Oliveira Mal S4alpie°91850 em que os fatos ocorreram. No caso, inclusive, restou comprovado que a recorrente obteve decisão favorável do Poder Judiciário quanto ao arquivamento de sua ação de execução do crédito de Finsocial recolhido, o que inviabilize a possibilidade de seu aproveitamento em duplicidade. Ressalte-se, entretanto, que a compensação deverá levar em conta a exclusão do montante do crédito do Finsocial, os valores do Finsocial relativos aos períodos de apuração de janeiro a março de 1992, visto que, embora reiteradamente solicitados à recorrente os comprovantes de sua realização, não logrou a mesma fazê-lo. À propósito, no mais recente demonstrativo de crédito que a recorrente apresentou, em 7/10/2004, no documento de fl. 369, não mais constam quaisquer valores a esse titulo, ou seja, a própria empresa os retirou da pretensão inicialmente formulada. Quanto aos índices de atualização do saldo credor a ser utilizado nas compensações, voto pela forma adotada pela DRF, qual seja, os índices da Norma de Execução Conjunta SRF/COSIT/CORAT n° 8, de 27/06/97, haja vista que a sentença judicial não os especifica. Selie Em reunião plenária realizada no dia 18 de setembro último, este Segundo conselho editou várias súmulas, dentre elas a Súmula n° 3, publicada no DOU de 26/09/2007: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia — Selic para títulos federais. Assim, deve ser mantida a incidência da taxa Selic sobre o montante dos débitos constantes do auto de infração. Efeitos confiseatórios da multa de ofício de 75% No ordenamento jurídico nacional, o controle da constitucionalidade das leis, aplicável à legislação infralegal, sem prejuízo, no caso desta, de sua revogação pela autoridade que a expediu, é exercido a priori pelos Poderes Legislativo e Executivo, e, a posteriori, pelo Poder Judiciário. O controle pelo Poder Legislativo é exercido através da Comissão de Constituição e Justiça, que emite parecer acerca da constitucionalidade do projeto de lei, durante o curso do processo legislativo, e visa impedir o ingresso no mundo jurídico de normas contrárias à ordem constitucional. Já o controle do Poder Executivo é exercido pelo Presidente da República, que pode vetar, no todo ou em parte, qualquer projeto de lei revestido, no seu entender, de inconstitucionalidade, conforme o art. 66, § 1 0, da CF. Encerrado o processo legislativo, o que era um projeto transforma-se em lei, que tem força coercitiva e presunção de constitucionalidade, pois se pressupõe que os princípios constitucionais estão nela contemplados pelo controle a priori da constitucionalidade das leis. O. is • 1700 CONSELHO DE CONTRIBUINTES Processo n.• 10875.0038772001-14 CONFERE COM O ORIGINAL --.7 ,4a._221- I 0,-2. o 9 CCOVCO3 Acórdão n.• 203-12.527 Fls. 475 M. Carli Oliveira Mal Siape 91650 Assim, enquanto não for declarada mconstitucion a1 pelo Supremo Tribunal Federal, que cuida do controle a posteriori, a lei não pode deixar de ser aplicada se estiver em vigor. A partir desse momento, portanto, o controle da constitucionalidade é exercido apenas pelo Poder Judiciário, que não participa do controle a priori das leis e que o fará, exclusivamente, através de procedimentos fixados no ordenamento jurídico nacional. Desta forma, para o Judiciário a presunção de constitucionalidade da lei é relativa, devendo, se acionado, apreciá-la, dentro de ritos privativos, e declará-la, ou não, inconstitucional, sendo que no caso do controle concentrado, tem efeitos erga omites, e, no controle difuso, tem eficácia inter partes. Portanto, para os Poderes Legislativo e Executivo, a presunção de constitucionalidade da lei é absoluta, pois, se a aprovaram é porque julgaram inexistir qualquer vicio em seu teor. Podem, entretanto, posteriormente à sua promulgação, interpor, com fulcro no art. 103, da CF, ação direta de inconstitucionalidade, perante o STF, que irá, então, decidir a questão. Assim sendo, enquanto os dispositivos que regulam a imposição multa de oficio, quais sejam, o artigo 10 da Lei Complementar n° 70/91 e o art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/1996, não forem alterados ou revogados pelo Presidente da República ou declarados inconstitucionais pelo Poder Judiciário, devem ser aplicados pelas autoridades administrativas, tanto lançadoras como julgadoras. Conclusão Pelo exposto, dou provimento parcial ao recurso para que sejam cancelados os lançamentos relativos aos períodos de apuração de janeiro a abril de 1996 e autorizada a compensação do crédito do Finsocial reconhecido judicialmente, atualizado monetariamente de acordo com os índices da Norma de Execução acima mencionada, de sorte a que também restem totalmente quitadas as contribuições dos períodos de apuração de maio de 1996 a outubro de 1996; parcialmente quitada a contribuição do período de apuração de novembro de 1996, e mantenho integralmente os valores das exigências da contribuição dos períodos de apuração dos meses de dezembro de 1996, de janeiro a junho de 1997 e de agosto a outubro de 1998, tudo de acordo com o quadro elaborado pelo fisco à fl. 356. Sala das Sessões, 419 de outubro de 2007 dkNO\r/ ODASSI GUERZON ILHO Page 1 _0014900.PDF Page 1 _0015000.PDF Page 1 _0015100.PDF Page 1 _0015200.PDF Page 1 _0015300.PDF Page 1 _0015400.PDF Page 1 _0015500.PDF Page 1 _0015600.PDF Page 1 _0015700.PDF Page 1 _0015800.PDF Page 1

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