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Numero do processo: 13502.001204/2009-03
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
MULTA. RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento - a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento.
CONSTITUCIONALIDADE.
A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, devendo obedecer, inclusive, à Súmula nº 2 deste conselho.
JUROS SELIC. LEGALIDADE
É lícita, segundo a Súmula nº 4 do RICARF, a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Fisco Federal.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-002.838
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Marcelo Magalhães Peixoto - Relator
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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RECÁLCULO. MP 449/08. LEI 11.941/09. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Antes do advento da Lei 11.941/09, não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento a mora. No que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação do princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, devendo obedecer, inclusive, à Súmula nº 2 deste conselho. JUROS SELIC. LEGALIDADE É lícita, segundo a Súmula nº 4 do RICARF, a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Fisco Federal. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 2. 00 12 04 /2 00 9- 03 Fl. 1062DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ( art. 61, da Lei nº 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas. Fl. 1063DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13502.001204/200903 Acórdão n.º 2403002.838 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do Acórdão nº 1524.751 – 7ª Turma da DRJ/SDR, fls. 715/729, que julgou totalmente improcedente a impugnação apresentada, mantendo em parte o crédito tributário consubstanciado no DEBCAD 37.250.0960 (EMPREGADO), referente ao período de 01/2006 a 12/2008, no valor de R$ 3.510.919,63 (três milhões quinhentos e dez mil novecentos e dezenove reais e sessenta e três centavos). A presente autuação almeja o recolhimento de crédito tributário incidente sobre as remunerações pagas ou creditadas pela municipalidade, lançadas por aferição indireta, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada a qualquer títulos, aos segurados empregados, definidos no art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei 8.212/91, de 1991, c/c alínea “a”, do inciso I, do art. 9º do Decreto n. 3.048/99, não declarados em GFIP. As diferenças encontradas à maior que não foram declaradas em GFIP foram extraídas a partir do batimento entre esse documento fiscal e a folha de pagamento do município, assim como o valor de custo de pessoal encaminhado ao Tribunal de Contas dos Municípios – TCM. Os fatos foram expostos no Relatório Fiscal, fls. 76/88, in verbis: 3. DAS IRREGULARIDADES IDENTIFICADAS NA AÇÃO FISCAL 3.1. DA NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES 3.1.1. Nas datas aprazadas, conforme item 2, o ente público não prestou nenhuma das informações solicitadas no TIF2 (prestar esclarecimentos, através de planilha comparativa mês a mês, sobre as divergências existentes entre os valores das despesas de pessoal constantes das folhas e os oriundos do Tribunal de Contas dos Municípios). 3.2 DA NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS 3.3.1. A entidade não apresentou, até a presente data, arquivos digitais solicitados no TIPF (resumo geral da folha de pagamento do mês 10/2006, extratos da conta de pessoal e a tabela de eventos da folha de pagamento dos segurados). 3.3 DA NÃO APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS 3.3.1. A entidade não apresentou, até a presente data, arquivos digitais solicitados no TIPF (Resumo Geral das Folhas de Pagamento mensais de todos os segurados, dos meses 06 e 10/2006, em meio digital). 3.4. DA OMISSÃO DE FATOS GERADORES NA GFIP Fl. 1064DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 3.4.1. O contribuinte não incluiu todas as remunerações dos segurados a seu serviço nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações Previdência (GFIP), transmitidas antes do início da ação fiscal. Foram omitidos do documento citado valores pagos a segurados (vide relatório de lançamentos – RL). 3.5. DOS AUTOS DE INFRAÇÃO LAVRADOS 3.5.1. Em função das irregularidades e inconsistências citadas, que caracterizaram infração a normas da Seguridade Social, foram lavrados os Autos de Infração enumerados no item 8. ... 5. DISCRIMINAÇÃO DOS LEVANTAMENTOS QUE COMPÕEM O PRESENTE LANÇAMENTO: Os levantamentos foram elaborados, separadamente, mediante identificação dos diversos fatos geradores de contribuição previdenciária, detectados ao longo da ação fiscal, com vistas a possibilitar um melhor entendimento quanto à forma de apuração das contribuições devitas. 5.1 FL = DIRFERENTE ENTRE FOLHA E GFIP MULTA ANTERIOR 5.1.1. Remunerações apgas pela entidade aos segurados empregados, apuradas em folha de pagamento e não declaradas em GFIP. ... 5.2 FL2 = DIFERENÇA ENTRE FOLHA E GFIP MULTA ATUAL 5.2.1. Este levantamento é idêntico ao levantamento FL, dele diferenciandose apenas pela aplicação da multa conforme legislação atual. Portanto, tratase de remunerações pagas pela entidade aos segurados, apuradas em folhas de pagamento (mesmos critérios usados no levantamento FL) e não declaradas em GFIP. 5.4 TC = DIFERENÇA ENTRE DESPESAS DE PESSOAL E FOLHA MULTA ANTERIOR 5.4.1. Remunerações pagas pela entidade aos segurados empregados, apuradas por aferição indireta com base nos dados do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (TCM) e não declaradas em GFIP. ... 5.5. TC2 = DIFERENÇA ENTRE DESPESAS DE PESSOAL E FOLHA MULTA ATUAL 5;5;1; Este levantamento é idêntico ao levantamento TC, dele diferenciandose apenas pela aplicação da multa conforme legislação atual. Portanto, tratase de remunerações pagas pela entidade aos segurados empregados, apuradas por aferição indireta (mesmos critérios usados no levantamento TC), com Fl. 1065DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13502.001204/200903 Acórdão n.º 2403002.838 S2C4T3 Fl. 4 5 base nos dados do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (TCM) e não declaradas em GFIP. 5.6 TCM = DIFERENÇA ENTRE DESPESAS DE PESSOAL E GFIP MULTA ANTERIOR 10/2006 5.6.1. Remunerações pagas pela entidade aos segurados empregados apuradas por aferição indireta com base nos dados do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (TCM) e não declaradas em GFIP. 5.7. GF1 – REMUNERAÇÃO DECLARADA NA GFIP 5.7.1. Utilizado para o lançamento das base de cálculo (remuneração de empregados) declaradas na GFIP; este levantamento não participa da apuração dos débitos e é criado somente para demonstrar a apropriação das guias de recolhimento e demais créditos. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a empresa contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio do instrumento de fls. 136/148. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos do então impugnante, a 7ª Turma da Delegacia da Receita do Brasil de Julgamento em Salvador, prolatou o acórdão 1524.851, de fls. 715/729, a qual julgou improcedente a impugnação ofertada, mantendo em parte o crédito tributário, conforme ementa a seguir transcrita. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O Relatório Fiscal e os demais anexos que compõem a presente Notificação contêm os elementos necessários à identificação dos fatos geradores do crédito lançado e da legislação pertinente, bem como esclarecem os cálculos efetuados pela fiscalização, possibilitando ao sujeito passivo o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS. A entidade deve arrecadar as contribuições dos segurados a seu serviço, mediante desconto na remuneração, e recolher os valores aos cofres públicos, conforme prevê o art. 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212, de 1991. OBRIGAÇÃO. PRINCIPAL. ACESSÓRIA. Em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. Fl. 1066DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 113, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. PARCELAMENTOS. APROPRIAÇÃO. RDA. RADA. Os parcelamentos contidos nos documentos apresentados pelo contribuinte à fiscalização, constantes no Relatório de Documentos Apresentados (RDA), são apropriados pela fiscalização, conforme Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados (RADA). ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. MULTA MENOS SEVERA. MOMENTO DA COMPARAÇÃO. A lei aplicase a fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A comparação das multas para verificação a aplicação da mais benéfica somente poderá operacionalizarse quando o pagamento do crédito for postulado pelo contribuinte ou quando do ajuizamento de execução fiscal, conforme Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. JUROS SELIC. LEGALIDADE. É lícita a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (SELIC) para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo Fisco Federal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A autoridade administrativa não possui competência para apreciar a legalidade ou inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do poder público, cabendo tal prerrogativa exclusivamente ao Poder Judiciário. EXAME DA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS E ESCLARECIMENTOS. IRREGULARIDADES. AFERIÇÃO INDIRETA. Se no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento a fiscalização não constatar elementos suficientes para identificar a regular contabilização da remuneração dos segurados a serviço da entidade, as contribuições devidas serão apuradas por aferição indireta, lançandose a importância que reputar devida, cabendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Fl. 1067DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13502.001204/200903 Acórdão n.º 2403002.838 S2C4T3 Fl. 5 7 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessárias à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de perícia e diligência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada, o recorrente, MUNICÍPIOS DE ENTRE RIOS – PREFEITURA MUNICIPAL, interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário contestou a autuação fiscal em epígrafe por meio de instrumento de fls. 735/748, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: 1 – A impossibilidade de aplicação de multa ao município de Entre Rios e ausência de permissivo legal; 2 – Cerceamento de defesa; 3 – A insubsistência da cobrança e a nulidade da aferição indireta; É o relatório. Fl. 1068DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 757, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA AFERIÇÃO INDIRETA Conforme Relatório Fiscal, a recorrente não teria apresentado documentos, informações e arquivos digitais, de forma que parte do crédito foi constituída através de aferição indireta, como o levantamento TC. A aferição indireta se deu em razão de as remunerações pagas pela entidade aos segurados que foram identificadas nos dados encaminhados ao Tribunal de Contas dos Municípios do Estado da Bahia (item 5.4. do REFISC). Afirma que o ente público apresentou as folhas de pagamento mas não apresentou os extratos da conta de pessoal com as informações dos empregados que prestaram serviço em 2006, 2007 e 2008, e não foi possível identificar a integridade e regularidade da contabilização da empresa. Destaca que o contribuinte foi intimado a prestar os esclarecimentos e os extratos da conta de pessoal, não os tendo apresentado, sequer 10/2006. Foi intimado a esclarecer as discrepâncias entre folha e dados do TCM, os quais não foram prestados, dessa forma, resta caracterizada a hipótese do art. 33, parágrafo 3º da Lei 8.212/91. RETIFICAÇÕES DA GFIP E DO SUPOSTO PARCELAMENTO Afirma a recorrente que diversas retificações não foram utilizadas no presente levantamento fiscal, e junta cópias dos protocolos de entrega e de comprovantes de declaração. Ocorre que tal alegação não tem correlação com o presente lançamento, uma vez que este argumento trata da omissão de fatos geradores em GFIP que constitui obrigação tributária acessória, e o presente débito se refere à obrigação principal, decorrente do lançamento de contribuição previdenciária patronal e RAT. Assim, nenhum reparo merece o levantamento fiscal realizado pela autoridade lançadora, pois, a impugnante não logrou demonstrar em sua defesa que o salário de contribuição apurado no presente crédito foi efetivamente declarado e recolhido. Alega também a recorrente que efetuou parcelamento referente ao período apurado. Contudo, não faz prova de sua alegação, não tendo anexado aos autos nenhum documento pertinente, nem mesmo indicando especificamente qual crédito a seu favor não foi apropriado. Ademais, os créditos a favor do contribuinte contidos nos documentos apresentados à fiscalização, constantes do Relatório de Documentos Apresentados – RDA, foram lançados como documento CRED e apropriados pela fiscalização. Fl. 1069DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13502.001204/200903 Acórdão n.º 2403002.838 S2C4T3 Fl. 6 9 DA INCONSTITUCIONALIDADE No que se refere à alegada inconstitucionalidade, é unânime o entendimento dos Conselhos que falece competência aos órgãos julgadores administrativos adentrarem no mérito da constitucionalidade de lei válida, vigente e dotada de eficácia. Neste sentido é a súmula nº 02 deste Conselho: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, a despeito das argumentações de defesa acerca das citadas exigências, cumpre esclarecer que a instância administrativa carece de competência para discutir a suposta ilegalidade/inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, cabendolhe tão somente a sua aplicação, nos termos da Lei de Execuções Fiscais e do Regimento Interno do CARF. DA SELIC No que se refere à taxa SELIC a matéria também encontrase sumulada por este conselho, e, portanto de reprodução e observação obrigatórios por este Conselho. Transcrevese abaixo a Súmula nº 4 do CARF que trata da matéria: Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Dessa forma, não merece provimento o alegado. DO MÉRITO No tocante à diferença entre Folha de Pagamento e GFIP, o contribuinte não apresenta contraprova nem contra argumento eficaz do que foi argüido pela Autoridade Fiscal, resumindose à afirmar que haveriam retificações não consideradas pelo fiscal, assim como supostos parcelamentos, o que, como já se viu, não prospera. Portanto, entendo que deve ser mantido o auto de infração quanto aos lançamentos de contribuições apurados em folha de pagamento, tanto com relação à contribuição previdenciária quanto ao diferencial do RAT informado. DO RECÁLCULO DA MULTA No que se referem às multas de mora e de ofício aplicadas, mister se faz tecer alguns comentários. A MP nº 449, convertida na Lei nº 11.941/09, que deu nova redação aos arts. 32 e 35 e incluiu os arts. 32A e 35A na Lei nº 8.212/91, trouxe mudanças em relação à multa aplicada no caso de contribuição previdenciária. Assim dispunha o art. 35 da Lei nº 8.212/91 antes da MP nº 449, in verbis: Fl. 1070DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 10 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (sem destaques no original) Verificase, portanto, que antes da MP nº 449 não havia multa de ofício. Havia apenas multa de mora em duas modalidades: a uma decorrente do pagamento em atraso, desde que de forma espontânea a duas decorrente da notificação fiscal de lançamento, conforme previsto nos incisos I e II, respectivamente, do art. 35 da Lei nº 8.212/91, então vigente. Nesse sentido dispõe a hodierna doutrina (Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais / Elias Sampaio Freire, Marcelo Magalhães Peixoto (coordenadores). – Julio César Vieira Gomes (autor) – São Paulo: MP Ed., 2012. Pág. 94), in verbis: “De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo, portanto, necessária a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, ainda assim a multa era de mora. (...) Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora.” (com destaque no original) Fl. 1071DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 13502.001204/200903 Acórdão n.º 2403002.838 S2C4T3 Fl. 7 11 Com o advento da MP nº 449, que passou a vigorar a partir 04/12/2008, data da sua publicação, e posteriormente convertida na Lei nº 11.941/09, foi dada nova redação ao art. 35 e incluído o art. 35A na Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). (sem destaques no original) Nesse momento surgiu a multa de ofício em relação à contribuição previdenciária, até então inexistente, conforme destacado alhures. Logo, tendo em vista que o lançamento se reporta à data da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 144 do CTN, temse que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, data da MP nº 449, aplicase apenas a multa de mora. Já em relação aos fatos geradores ocorridos após 12/2008, aplicase apenas a multa de ofício. Contudo, no que diz respeito à multa de mora aplicada até 12/2008, com base no artigo 35 da Lei nº 8.212/91, tendo em vista que o artigo 106 do CTN positiva o princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei nº 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%, em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91, para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. CONCLUSÃO Do exposto, conheço o Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto. Fl. 1072DF CARF MF Impresso em 11/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 31/12 /2014 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
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Numero do processo: 12893.000069/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
DEDUÇÃO DO IRRF. RECEITAS DECLARADAS E COMPUTADAS NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. COMPROVAÇÃO.
Deve ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser coinpensado, o IRRF incidente sobre receitas computadas na determinação de lucro real.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
Defere-se o pedido de restituição que corresponda à parcela comprovada do direito creditório.
Numero da decisão: 1302-001.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Eduardo Andrade que votaram para conversão do julgamento em diligência.or unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Pollastri Gomes da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Leonardo Mendonça Marques e Alberto Pinto Souza Junior
Nome do relator: GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA
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RECEITAS DECLARADAS E COMPUTADAS NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. COMPROVAÇÃO. Deve ser deduzido do imposto devido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser coinpensado, o IRRF incidente sobre receitas computadas na determinação de lucro real. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. Deferese o pedido de restituição que corresponda à parcela comprovada do direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto e Eduardo Andrade que votaram para conversão do julgamento em diligência.or unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Veiga Rocha, Gilberto Baptista, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Eduardo de Andrade, Leonardo Mendonça Marques e Alberto Pinto Souza Junior AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 3. 00 00 69 /2 00 9- 51 Fl. 686DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Fl. 687DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12893.000069/200951 Acórdão n.º 1302001.581 S1C3T2 Fl. 574 3 Relatório O presente processo trata do Pedido de Restituição de fls. 1/5, transmitido em 22/12/2006 e indeferido pelo Despacho Decisório de fls. 253/263, onde pretendeu a Interessada reaver o saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004, no valor original de R$ 7.793.990,72. O pedido foi indeferido com base nos seguintes fundamentos: conforme Ficha 12A da DIPJ 2005 (fl. 34), o saldo negativo de IRPJ originouse de retenções na fonte (R$ 7.567.556,32) e de antecipações por estimativa (R$ 226.434,40), todavia, a possibilidade de dedução das retenções está condicionada à inclusão da receita correspondente na base de cálculo do imposto. apesar de ter comprovado a obtenção de rendimentos das aplicações relativas as contas contábeis 3.2.04.03.0002 (juros ativos sobre CDB) e 3.2.04.07.0012 (ganho day trade), a Interessada não ofereceu tais rendimentos à tributação, nos valores totais de R$ 1.531.981,21 (fl. 97) e R$ 37.700,00 (fl. 103), respectivamente, conforme comprovado pelo demonstrativo da fl. 120, na qual descreve de forma individualizada, cada conta de receita de aplicações financeiras, com o seu respectivo número, exceção das mencionadas contas 3.2.04.03.0002 e 3.2.04.07.0012. que de acordo com o referido demonstrativo da fl. 120, o valor total contabilizado, coincide com o valor oferecido à tributação e informado na DIPJ 2005 (R$ 40.804.130,78), fl. 17, neste valor não se incluem os juros ativos sobre CDB nem os ganho day trade. que foi comprovada a retenção na fonte de R$ 7.567.556,32, bem como o pagamento de R$ 226.434,40 por meio de compensação. Todavia, a falta de oferecimento integral das receitas financeiras impossibilita o reconhecimento do direito creditório pleiteado. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A Interessada tomou ciência do Despacho Decisório em 13/11/2009 e, apresentou Manifestação de Inconformidade, em 10/12/2009, alegando, em síntese, que: o demonstrativo que contém a descrição individualizada de cada conta de aplicação financeira (elaborado em atendimento ao item 2 da intimação fiscal) é o de fls. 87/91, e não o da fl. 120, como considerou a fiscalização. o demonstrativo da fl. 120 foi elaborado em atendimento ao item 3 de intimação fiscal e informa as receitas que compõem o item "Outras Receitas Financeiras", conforme declarado na DIPJ 2005 (ficha 6A, linha 24). que tal demonstrativo somente teve o objetivo de informar que rendimentos foram declarados na ficha e linha da DIPJ 2005, deixando de informar, logicamente, os rendimentos de aplicações financeiras declarados em outras linhas. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 4 os rendimentos contabilizados na conta 3.2.04.03. 02 (R$ 1.531.981,21) e na conta 3.2.04.07.0012 (R$ 37.700,00) compuseram o resultado informado na ficha 6A, linha 21, conforme Anexo 2 e planilha da fl. 273. ainda que se admita que houve erro na indicação dos rendimentos na DIPJ (se considerado que os rendimentos de R$ 1.531.981,21 e R$ 37.700,00 deveriam ser indicados, respectivamente, nas linhas 24 e 22, em vez de na linha 21), tais rendimentos foram oferecidos à tributação e não ensejam cobrança, tampouco glosa. Devem as autoridades administrativas, proceder à retificação ou reconhecer de oficio o equivoco, em obediência a estrita legalidade e da verdade material. os rendimentos em tela foram escriturados, constam dos informes de rendimentos das fontes pagadoras e compõem os valores constantes da DIPJ. que por meio do Anexo 2, dos razões contábeis e cópia da Ficha 6A da DIPJ 2002, reforça a demonstração de que os rendimentos contabilizados nas contas contábeis 3.2.04.03.0002 e 3.2.04.07.0012 foram oferecidos à tributação na linha 21 da referida ficha. que assim não se pode alegar que não foi comprovado que as restituições pretendidas se referem integralmente aos rendimentos de aplicações financeiras efetivamente contabilizados e declarados na DIPJ 2005. primeiro porque o próprio AFRFB atesta em seu relatório que foi comprovado o valor retido na fonte informado na linha 13 da Ficha 12A (R$ 7.567.556,32); e segundo porque os demonstrativos de fls. 82, 87/91 e 239, comparados com os da fl. 120 e com o Anexo 2, esclarecem de forma simples (i) a vinculação entre cada retenção de IRF e seu respectivo rendimento e (ii) a efetiva contabilização e declaração na Ficha 6A da DIPJ 2005 (linhas 21 e 24) de cada receita oriunda de rendimento de aplicação financeira que sofreu a retenção de IRF. outro fato a destacar é que a Interessada apurou prejuízo fiscal de R$ 1.727.368,07 (Lalur Anexo 3) e como este valor é maior que a suposta receita não oferecida à tributação (R$ 1.569.681,21), ainda assim haveria prejuízo fiscal e a totalidade do IRF seria restituído ao Interessado. que na remota hipótese de não ser reconhecido o direito creditório in totum, o Interessado requer que seja reconhecida a parte incontroversa do crédito indevidamente glosado. protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligência e a juntada de documentos. A 9ª Turma da DRJ/RJ1, através do acórdão nº 1238.031, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, para aceitar o valor de R$ 587.707,32 referente ao saldo negativo, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2004 DEDUÇÃO DO IRRF SOBRE RECEITAS NÃO COMPUTADAS NA DETERMINAÇÃO DO LUCRO REAL. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12893.000069/200951 Acórdão n.º 1302001.581 S1C3T2 Fl. 575 5 Apenas o IRRF incidente sobre receitas computadas na determinação de lucro real pode ser deduzido do imposto demido para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser coinpensado. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO PARCIALMENTE COMPROVADO. Deferese o pedido de restituição que corresponda à parcela comprovada do direito creditório. Cientificado da decisão em 26/11/2011, apresentou recurso voluntário, em 29/12/2011, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação e reiterando o seguinte: que a decisão recorrida contraria a legislação pátria em vigor e está em desacordo com o entendimento majoritário da jurisprudência. que apresentou a correspondência de fls. 85 e 86, na qual anexou os documentos solicitados como segue: Doc. 1 – Procuração; Doc. 2 Demonstrativo das contas de ativo onde foram contabilizados os valores de IRRF declarados na DIPJ 2005, ano calendário 2004, bem como cópias autenticadas dos respectivos razões contábeis; (fls. 82 a 86); Doc. 3 Demonstrativo das contas de resultado onde foram contabilizados os rendimentos das aplicações financeiras auferidos que serviram de base de cálculo do IRRF no anocalendário 2004, bem como cópias autenticadas dos respectivos razões contábeis; (fls. 87 a 119); Doc. 4 Demonstrativo das receitas que compõem a linha 24 Outras receitas financeiras informadas na ficha 06A da DIPJ 2005, e cópias dos respectivos razões contábeis; (fls. 120 a 179); Doe. 5 Demonstrativo e comprovação da forma de quitação das estimativas mensais de IRPJ informada na ficha 12A, linha 17 no ano calendário 2004; (fls. 180 a 207); Doc. 6 Cópia autenticada do LALUR e da demonstração de resultado do exercício referente ao anocalendário 2004; (fls. 208 a 238); Doc. 7 Demonstrativo e cópias autenticadas dos informes de rendimentos emitidos em que a empresa figure como beneficiária; (fls. 239 e 251). que o fiscal, equivocadamente, indeferiu a restituição, com base no argumento de que ela não teria sido oferecido à tributação parte dos rendimentos das aplicações financeiras contabilizadas na conta contábil 3.2.04.03.0002 (juros ativos sobre CDB), os quais não teriam sido incluídos tal valor na linha 24 da Ficha 6A – Outras Receitas Financeiras (demonstrativo de fls. 120). que não se discute aqui a comprovação do valor total do imposto de renda retido na fonte, de R$ 7.793.990,72, que foi expressamente atestada pela fiscalização, ao afirmar: "Da análise conjunta desses demonstrativos, dos informes de rendimentos e das pesquisas extraídas do sistema informatizado DIRF (Declaração do Imposto Retido na Fonte) fls. 38 a 59, fica comprovado Fl. 690DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 6 o valor retido na fonte informado na linha 13 da ficha 12A da DIPJ/2005 (R$ 7.567.556,32). Cabe lembrar que, além do valor da dedução do IRRF (R$ 7.567.556,32), a interessada informou também, a título de dedução,o valor pago por estimativa, no valor de R$ 226.434,40 ... Conformea pesquisa extraída do sistema informatizado, a compensação do referido débito de estimativa foi efetivada (fl. 252) No entanto, pelos motivos já explicados, a falta de oferecimento integral das receitas financeiras impossibilita o reconhecimento do direito creditório pleiteado" como se vê, a controvérsia limitavase apenas à comprovação de que os rendimentos auferidos pela recorrente em aplicações em CDB foram devidamente oferecidos por ela à tributação, não tendo sido questionado, em momento algum, os valores do imposto retido na fonte, que compuseram o saldo negativo do IRPJ, cuja restituição ora se pleiteia. que no acórdão ora atacado, a 9ª Turma da DRJ/RJ1 reconheceu que os rendimentos de R$ 1.531.981,21 (juros ativos sobre CDB contabilizados na conta 3.2.04.03.0002) e de R$ 37.700,00 (ganho day trade contabilizado na conta 3.2.04.07.0012), fls. 97 e 103, de fato foram oferecidos à tributação na medida em que compuseram o resultado informado na ficha 06A, linha 21 "Ganhos Aufer. Mercado Renda Variável, exceto Day Trade", conforme se pode verificar no próprio acórdão (fl. 324, correspondente a fl. 327 do processo digitalizado). que não obstante, aquela Turma inovou os fundamentos da glosa fiscal, adotados pela fiscalização (suposta ausência do oferecimento à tributação dos rendimentos de R$ 1.531.981,21 contabilizados na conta contábil 3.2.04.03.0002 e de R$ 37.700,00 contabilizados na conta contábil 3.2.04.07.0012), para mantêla, parcialmente, sob o argumento de que outros rendimentos, cujos oferecimentos à tributação na DlPJ/2005 até então era incontroversa, não teriam sido tributados. que preliminarmente esclarece que a mudança de fundamento jurídico já é motivo suficiente para justificar a reforma da decisão, mas, além disso, todos os rendimentos decorrentes das aplicações financeiras realizadas pela recorrente, sem qualquer exceção, foram devidamente oferecidos à tributação em 2004. que a fiscalização havia glosado o pedido de restituição exclusivamente sob a alegação de que "No presente caso, a interessada demonstrou, mediante o livro Razão (fls. 96 a 98, 103 a 109 e 121 a 179) e demonstrativos acostados aos autos (fls. 87 a 91, 99 a 102 e 110 a 120), os valores de rendimento bruto das aplicações financeiras que originaram as retenções de imposto de renda; no entanto, apesar de ter comprovado, mediante a apresentação do livro Razão (fls. 96 a 97 e 103) e dos demonstrativos de fls. 89 e 90, a obtenção de rendimento das aplicações relativas às contas contábeis 3.2.04.03.0002 (juros ativos sobre CDB) e 3.2.04.07.0012 (ganho day trade), a interessada não ofereceu tais rendimentos à tributação, nos valores totais, respectivamente, de R$ 1.531.981.21 (fl. 97) e R$ 37.700,00 (fl. 103)." (grifos da recorrente). Vejase que a DRJ/RJ1 reconhece que este é o único fundamento da glosa efetuada pelo Sr. AFRFB, conforme se verifica pela análise do trecho a seguir reproduzido (pág. 2 do acórdão fl. 321). que ao invés de ateremse a essa questão e, diante da demonstração e comprovação do oferecimento à tributação dos "juros ativos sobre CDB", no valor de R$ R$ 1.531.981,21 , e do "ganho day trade", no valor de R$ 37.700,00, reformarem integralmente o Fl. 691DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12893.000069/200951 Acórdão n.º 1302001.581 S1C3T2 Fl. 576 7 despacho decisório, a DRJ optou por manter parcialmente a glosa do direito creditório, com base na alegação de que os rendimentos de outras aplicações financeiras e, inclusive, dos juros sobre o capital próprio, que sofreram a retenção do imposto na fonte, não haviam sido oferecidos à tributação (fls. 324 e 325). que ainda que a decisão recorrida não seja reconhecida como nula, o mérito deve ser decidido em favor da recorrente. que anexou cópia autenticada de todos os razões contábeis das contas ali relacionadas (fls. 92 a119), onde foi destacado, sem exceção, cada rendimento contabilizado a crédito (receita) na contabilidade. que apresentou ainda cópia autenticada do LALUR (fls. 208 a 237) e da demonstração de resultado do exercício referente ao anocalendário 2004 (fl. 238 e doe. 02 deste). que se tais documentos forem analisados juntamente com as fichas 6A Demonstração do resultado e 9A Demonstração do Lucro Real, ambas da DIPJ/2005 (fls.18 e 19), verificarseá que todos os valores contabilizados nas contas de resultado foram devidamente considerados na base de cálculo do IRPJ e, oferecidos à tributação. que com base ema conclusão equivocada, além de ignorar o trabalho do AFRFB que havia concluído que somente os rendimentos contabilizados nas contas 3.2.04.03.0002 (R$ 1.531.981,21) e 3.2.04.03.0002 (R$37.700,00) não haviam sido oferecidos à tributação, a DRJ ignorou também o fato que os rendimentos contabilizados nas outras contas contábeis não incluídas em linhas 21 e 24, obviamente, estão declarados em outras linhas da DIPJ, muito embora a recorrente tivesse provado que todo o seu resultado está devidamente contabilizado e tributado na DIPJ e LALUR. que a DRJ/RJ1, em sua decisão, não reconheceu nem o oferecimento à tributação dos rendimentos oriundos dos Juros sobre o Capital Próprio (fls.91 e 104) devidamente informados na linha 23 da ficha 6A da DIPJ/2005 (fl. 17), cuja linha é exclusiva para se declarar esse tipo de rendimento. que, além dos rendimentos declarados nas linhas 21 e 24 da ficha 6A da DIPJ, a recorrente declarou os rendimentos contabilizados nas contas contábeis 3.2.03.09.0012 (R$ 30.830.330,42), 3.2.04.07.0016 (R$ 1.235.625,82) e 3.2.04.09.0008 (R$ 942.720,18), que constam do demonstrativo de fls. 87/91, respectivamente nas linhas 32, 23 e 20 de sua DIPJ/2005. que embora o razão contábil da conta 3.2.03.09.0012 (Var. Monet. Passiva s/ Empréstimos) já tenha sido apresentado nos autos, anexa novamente o razão contábil visando facilitar a análise deste Conselho. que detalha a contabilização dos rendimentos de aplicações financeiras que compõem o saldo declarado na linha 32 da DIPJ/2005: Data do Lançamento Contabil Conta 3.2.03.09.0012 Rendimentos indicados Informe de Rendimento Rendimentos Indicados Razão 19/02/2004 153.371,60 153.549,60 27/02/2004 36.640,34 36.640,34 10/03/2004 4.787.003,11 4.787.003,11 Fl. 692DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 8 10/03/2004 18.535.724,64 18.537.148,64 11/03/2004 4.321.295,70 4.321.295,70 25/05/2004 228.072,36 230.421,95 13/08/2004 69.817,99 69.817,99 01/11/2004 77.798,11 77.798,11 01/11/2004 89.764,26 89.764,26 09/11/2004 2.530.842,32 2.530.842,32 Total 30.830.330,42 30.834.282,01 que além da "tabela 1", mas com base nela, a DRJ/RJ1 elaborou a " tabela 2" (fls. 324 e 325) para quantificar o valor do direito creditório a ser reconhecido. que nos itens 18 e 19 do acórdão, conforme demonstra na sua "tabela 2", a DRJ/RJ1 compara os rendimentos das aplicações financeiras constantes dos Informes de Rendimentos e DIRF com os saldos das contas contábeis, cometendo assim o equivoco de afirmar que apenas os rendimentos de R$ 1.842.238,50 estão contidos nos R$ 38.181.385,95. que como já registrado que a DRJ/RJ1 não se atentou às outras linhas da DIPJ/2005 que também contêm o oferecimento de rendimentos em questão à tributação (no caso, linhas 32, 23 e 20 da DIPJ. que na conta contábil 3.2.03.09.0012 Var. Monet. Passiva s/ Empréstimos, conforme se verifica no demonstrativo de fls. 87/91, a qual foi declarada juntamente com outras contas na linha 32 Variações Cambiais Passivas da ficha 6A da DIPJ/2005, a recorrente contabilizou os rendimentos de R$ 30.830.330,42 decorrentes de resultados positivos apurados nas operações de Swap, devido à sua natureza de dívida, reduzindoa e, portanto, oferecendo à tributação tal rendimento. que para facilitar os trabalhos do AFRFB, a recorrente destacou cada rendimento que gerou o seu direito creditório pleiteado nos razões contábeis anexos ao demonstrativo de fls. 87/91. que assim, é totalmente descabida a utilização da "tabela 2" para se quantificar ou se concluir qual valor de rendimento foi oferecido à tributação. que para que não restem quaisquer dúvidas de que todos os valores de rendimentos, além de contabilizados, foram oferecidos à tributação, a recorrente reproduz abaixo a "tabela 1" elaborada pela DRJ/RJ1 acrescentando nela a indicação da correspondente linha da ficha 6A da DIPJ/2005 em que cada rendimento foi oferecido à tributação, bem como apresenta os demonstrativos contendo as contas contábeis que compuseram os saldos declarados nas linhas 20, 2 1 , 23, 24 e 32 da DIPJ, com a indicação das colunas de "Débito" e "Crédito" de cada conta contábil envolvida e com os detalhes das contabilizações. que, embora o exposto, se se quisesse aproveitar a "tabela 2" elaborada pela DRJ/RJ1, a partir da sua "tabela 1", ela teria que ser ajustada para de fato comparar os rendimentos constantes dos Informes de Rendimentos e do demonstrativo de fls. 87/91 com os rendimentos contabilizados e oferecidos à tributação nas linhas 20, 2 1 , 23, 24 e 32 da ficha 6A da DIPJ/2005. que mesmo que se admita que houve erro da Recorrente na indicação dos rendimentos em tela na DIPJ (uma vez que recorrente de fato indicou os rendimentos nas Fl. 693DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12893.000069/200951 Acórdão n.º 1302001.581 S1C3T2 Fl. 577 9 linhas 20, 2 1 , 23, 24 e 32, ao invés de somente utilizar a linha 24), isto em nada prejudicou o fisco, porque tais rendimentos foram oferecidos à tributação, ao contrário do que consignado no acórdão. que nesse particular, a fiscalização tinha o dever de reconhecer a existência de eventual erro cometido pela recorrente em sua DIPJ e, de conseguinte, reconhecer a integralidade do direito creditório. que não é à toa que a Instrução Normativa n. 672, de 30.8.2006, versa sobre o chamado ReDarf, prevê, em seu artigo 10, a retificação de ofício dos documentos de arrecadação "quando constatado evidente erro de preenchimento do documento", providência essa que, aliás, pode ser adotada a qualquer tempo pela fiscalização, a teor do parágrafo único do artigo 13 da mesma Instrução Normativa. que todas as informações destes demonstrativos podem ser checadas nos documentos que os instruem, daí porque não pode prevalecer o indeferimento do direito creditório uma vez que é indubitável o oferecimento dos rendimentos em questão à tributação. É o relatório. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Voto Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e reune os demais requisitos de admissibilidade, razão porque, dele conheço. Para bem limitar a matéria posta sob análise no caso, ressaltase que a Recorrente pleiteou a restituição de R$ 7.793.990,72, correspondentes a IRRF e estimativa quitada incidente sobre rendimentos de R$ 38.181.8385,95 e a DRJ deu parcial provimento entendendo que parte destes rendimentos não foram computados na determinação do lucro real e por isto deferiu apenas a restituição de R$ 587.707,32. A C. Turma reconheceu somente os rendimentos de R$ 1.842.238,50 contabilizados nas contas 3.2.04.03.0002, 3.2.04.03.0012, 3.2.04.04.0003 e 3.2.04.09.0008 como oferecidos à tributação. O que levou o acórdão recorrido a indeferir parte do crédito postulado é a suposta comprovação do oferecimento à tributação de apenas R$ 1.842.238,50, do total de R$ 38.181.385,95, correspondentes a rendimentos de aplicações financeiras e juros sobre o capital próprio. Entendo que a DRJ inovou o fundamento, já que a controvérsia até então limitavase apenas à comprovação de que os rendimentos auferidos pela recorrente em aplicações em CDB e day trade foram devidamente oferecidos por ela à tributação, não tendo sido questionado, em momento algum, os valores do imposto retido na fonte e da estimativa, que compuseram o saldo negativo do IRPJ. Porém, mesmo assim não fora, entendo que restou comprovada a exatidão dos lançamentos feitos na DIPJ e, conseqüentemente, do legítimo direito ao crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ, tal como pleiteado pela recorrente. Consta do acórdão o seguite: "13. Por meio da intimação de fl.63, item 2, afiscalização solicitou a apresentação: do razão contábil da conta de resultado na qual foram contabilizados os rendimentos de aplicações financeiras que serviram de base de cálculo do IRRF no anocalendário de 2004". Consta ainda: “14. Na manifestação de Inconformidade (fl. 272) consta que, em resposta à aludida solicitação, foi elaborado o demonstrativo de fls. 87/91, que contém 14 planilhas, sendo a última uma totalização das 13 primeiras.”18. Os rendimentos declarados naquelas linhas somam R$ 59.168.804,06 (18.249.581,87 + 115.091,41 + 40.548.411,29 + 255.719,49), fl. 17. Entretanto, conforme demonstrado na tabela 2, daqueles R$ 59.168.804,06, apenas R$ 1.842.238,50 estão contidos nos R$ 38.181.385,95, cuja tributação resultou no IRRF de R$ 7.567.556,35.” Porém junto com o demonstrativo de fls. 87/91 a recorrente anexou cópia autenticada de todos os razões contábeis das contas ali relacionadas (fls. 92 a119), destacando, sem exceção, cada rendimento contabilizado a crédito (receita) na contabilidade. Apresentou ainda cópia autenticada do LALUR (fls. 208 a 237) e da demonstração de resultado do exercício referente ao anocalendário 2004 (fl. 238 e doc. 02). Fl. 695DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12893.000069/200951 Acórdão n.º 1302001.581 S1C3T2 Fl. 578 11 Analisando estes documentos junto com as fichas 6A Demonstração do resultado e 9A Demonstração do Lucro Real, ambas da DIPJ/2005 (fls.18 e 19), verificase que todos os valores contabilizados nas contas de resultado foram devidamente considerados na base de cálculo do IRPJ e, portanto, oferecidos à tributação. Anocalendário de 2004: Demonstração do Resultado do Exercício (fl. 238 e doc. 02) Em milhares de Reais Prejuízo antes do imposto de renda e contribuição social 48.011 (a) Imposto de renda e contribuição social 20.556 (b) Prejuízo líquido do exercício 27.455 (c) DIPJ/2005 (anocalendário 2004) (fl. 18/19) Em Reais Ficha 6A Demonstração do Resultado 51. Lucro líquido antes da CSLL Ativ. em geral 48.893.557,83 51. Lucro líquido antes da CSLL Ativ. rural (882.782,99) 48.010.774,84 (a) 52. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 5.440.213,41 (b) 53. Lucro líquido antes do IRPJ Ativ. em geral 43.453.344,42 (d) 53. Lucro líquido antes do IRPJ Ativ. rural (882.782,99) (e) 42.570.561,43 (f) 54. Provisão para o Imposto de Renda 15.115.832,53 (b) 55. Lucro Líquido Período Apuração 27.454.728,90 (c) Ficha 9A Demonstração do Lucro Real 01. Lucro líquido antes do IRPJ Ativ. em geral 43.453.344,42 (d) 01. Lucro liquido antes do IRPJ Ativ. rural (882.782,99) (e) 42.570.561,43 (f) LALUR Livro de Apuração do Lucro Real (fl. 220) Em Reais Prejuízo líquido antes do IRPJ Ativ. em geral 43.453.344,42 (d) Prejuízo líquido antes do IRPJ Ativ. rural (882.782,99) (e) 42.570.561,43 (f) Embora a DRJ/RJ1 reconheça que a recorrente pleiteia a restituição de R$ 7.567.556,35 de imposto retido e de R$ 226.434,40 de estimativa quitada, que totalizam os R$ 7.793.990,72 correspondentes ao saldo negativo do IRPJ, comete o equívoco de afirmar que todos os rendimentos que formam os R$ 38.181.385,95 estariam declarados nas linhas 21 e 24 da DIPJ/2005. Com base nesta conclusão equivocada, ignorou o trabalho da fiscalização que havia concluído que somente os rendimentos contabilizados nas contas 3.2.04.03.0002 (R$ 1.531.981,21) e 3.2.04.03.0002 (R$37.700,00) não haviam sido oferecidos à tributação e também não atentou ao fato que os rendimentos contabilizados nas outras contas contábeis não incluídas em linhas 21 e 24, foram declarados em outras linhas da DIPJ, muito embora a recorrente tivesse provado que todo o seu resultado está devidamente contabilizado e tributado na DIPJ e LALUR. A DRJ não reconheceu nem o oferecimento à tributação dos rendimentos oriundos dos Juros sobre o Capital Próprio (fls.91 e 104) devidamente informados na linha 23 da ficha 6A da DIPJ/2005 (fl. 17), nem os rendimentos declarados nas linhas 21 e 24 da ficha 6A da DIPJ. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 12 Porém restou claro que a recorrente declarou os rendimentos contabilizados nas contas contábeis 3.2.03.09.0012 (R$ 30.830.330,42), 3.2.04.07.0016 (R$ 1.235.625,82) e 3.2.04.09.0008 (R$ 942.720,18), que constam do demonstrativo de fls. 87/91, respectivamente nas linhas 32, 23 e 20 de sua DIPJ/2005. Linha 32 da Ficha 06 A da DIPJ 2005 Descrição da Conta Nº da Conta Débito Crédito Saldo VMP Passiva s/fin. VMP Passiva s/export. VMP Passiva s/Cont. Cambio VMP Passiva s/import. VMP Passiva s/impostos. VMP s/Saldo Cred Frutas VMP s/Débitos VMP Passiva s/emprestimos VMP Passiva interciais 3.2.03.08.0006 3.2.03.08.0008 3.2.03.09.0002 3.2.03.09.0003 3.2.03.09.0008 3.2.03.09.0010 3.2.03.09.0011 3.2.03.09.0012 3.2.03.10.0003 (86.091,39) (3.158.167,50) (35.820.215,99) (4.929,00) (1.357,46) (30.857.057,28) (450.755,55) (174.686.100,20) (60.337.910,13) 5.239.653,01 63.499.213,62 32.255.662,08 273.942,34 186.689.487,20 115.271.516,31 (88.091,39) 2.081.485,51 27.678.997,53 (4.929,00) (1.367,46) 1.398.604,82 (176.813,21) 12.001.387,00 54.933.606,18 Sub Total 97.824.889,98 Valor VCA transferido p/ linha 20 (doc.06) (206.114.861,96) Valor VMP transferido p/linha 36 (doc. 03 A) 22.979.910,89 Total contabil (85.310.061,09) Total declarado linha 32 (85.310.061,09) Diferença 0,00 Nota 1: Vide razões contábeis das contas: 3.2.03.08.0006 Var. Monet. Passiva s/ financ. 3.2.03.08.0008 Var. Monet. Passiva s/ export. 3.2.03.09.0002 Var. Monet. Passiva s/ Contrato Câmbio 3.2.03.09.0003 Var. Monet. Passiva s/ Importações 3.2.03.09.0008 Var. Monet. Passiva s/ Impostos 3.2.03.09.0010 Var. Monet. Passiva s/ Cred. Frutas 3.2.03.09.0011 Var. Monet. Passiva s/ Débitos 3.2.03.09.0012 Var. Monet. Passiva s/ Empréstimos (vide também às fls. 92 a 95 dos autos • fls. 93 a 96 do proc. digitalizado) 3.2.03.10.0003 Var. Monet. Passiva Intercias (fls. 364/386) A recorrente juntou o razão contábil da conta 3.2.03.09.0012 (Var. Monet. Passiva s/ Empréstimos) que detalha a contabilização dos rendimentos de aplicações financeiras que compõem o saldo declarado na linha 32 da DIPJ/2005: Data do Lançamento Contabil Conta 3.2.03.09.0012 Rendimentos indicados Informe de Rendimento Rendimentos Indicados Razão 19/02/2004 153.371,60 153.549,60 27/02/2004 36.640,34 36.640,34 10/03/2004 4.787.003,11 4.787.003,11 10/03/2004 18.535.724,64 18.537.148,64 11/03/2004 4.321.295,70 4.321.295,70 25/05/2004 228.072,36 230.421,95 13/08/2004 69.817,99 69.817,99 01/11/2004 77.798,11 77.798,11 01/11/2004 89.764,26 89.764,26 09/11/2004 2.530.842,32 2.530.842,32 Total 30.830.330,42 30.834.282,01 Linha 23 da Ficha 06 A da DIPJ/2005 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12893.000069/200951 Acórdão n.º 1302001.581 S1C3T2 Fl. 579 13 Conta Nº da Conta Débito Crédito Saldo Juros Ativos S/Capital Próprio 3.2.04.7.0016 1.235.625,82 1.235.625,82 Total contábil Total Declarado Linha 23 Diferença 1.235.625,82 1.235.625,82 1.235.625,82 O quadro abaixo, que integra o demonstrativo da linha 23 acostado ao recurso, evidencia o efetivo oferecimento à tributação dos rendimentos, como segue: Nota 2: Detalhes da contabilização dos rendimentos de juros sobre o capital próprio que forma o total declarado na linha 23 da ficha 6A da DIPJ72005: Data Lançamento Contabil Conta 3.2.04.07.0016 Rendimentos Informes Rendimentos Razão 31/12/2004 1.235.625,82 1.235.625,82 Total 1.235.625,82 1.235.625,82 Linha 20 da Ficha 06 A da DIPJ/2005 Conta Nº Conta Débito Crédito Saldo Var.Mon.Ativa s/Trava 3.2.04.09.0008 (8.093.414,67) 1.490.527,09 (6.602.887,58) Subtotal Valor VMA transferido Linha 32 (doc03) Total Contábil Total declarado Linha 20 Diferença (8.093.414,67) 1.490.527,09 (6.602.887,58) 206.114.861,96 199.511.974,38 199.511.974,38 O quadro abaixo, que integra o demonstrativo da linha 20 acostado ao recurso, evidencia o efetivo oferecimento à tributação dos rendimentos, como segue: Nota 2: Detalhes da contabilização dos rendimentos de aplicações financeiras que compõem o saldo declarado na linha 20 da ficha 6A da DIPJ/2005 Data do Lançamento Contabil Conta 3.2.04.09.0008 Rendimentos Informe Rendimentos Razão 30/09/2003 (303.600,00) 31/10/2003 (403.766,05) 30/11/2003 560.854,22 31/12/2003 (362.811,81) Total 2003 DIPJ anterior (509.323,64) 31/01/2004 312.066,37 29/02/2004 (163.831,04) 31/03/2004 (31.481,58) 30/04/2004 218.891,48 31/05/2004 1.119.769,15 30/06/2004 1.207.385,93 (3.370,56) Total 2004 1.207.385,93 1.452.043,82 Total dos rendimentos contab. e Declarados 942.720,18 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 14 (12) Vide receita de R$ 264.665,72 contabilizada na conta 3.2.04.04.0003 e declarada na linha 24 da Ficha 6A (doc .07) Com base na "tabela 1",a DRJ/RJ1 elaborou a " tabela 2" (fls. 324 e 325) para quantificar o valor do direito creditório a ser reconhecido, como segue Conta Rendimento IRRF Rendimento Informado tanto na DIPJ2005 ficha 06A quanto nos demonstrativos fls 273 e 120 Linha 21 (273) Linha 24(120) Total 1+2 IRRF dedutível 3.2.03.09.0012 30.830.330,42 6.166.066,06 0,00 0,00 0,00 0,00 3.2.04.03.0002 3.853.507,82 770.701,55 1.531.981,21 0,00 1.531.981,21 306.396,24 3.2.04.03.0008 1.018.012,56 203.602,46 0,00 0,00 0,00 0,00 3.2.04.07.0012 36.523,40 365,23 37.700,00 0,00 37.700,00 365,23 3.2.04.07.0016 1.235.625,82 185.343,87 0,00 0,00 0,00 0,00 3.2.04.09.0008 3.2.04.04.0003 1.207.385,93 241.477,18 0,00 272.557,29 272.557,29 54.511,46 Total 38.181.385,95 7.567.556,35 1.569.861,21 272.557,29 1.842.238,50 361.272,92 Tabela 2 Retenções na fonte sobre parcelas computadas na determinação do lucro real. E nos itens 18 e 19 do acórdão, conforme demonstra na sua "tabela 2", a DRJ/RJ1 compara os rendimentos das aplicações financeiras constantes dos Informes de Rendimentos e DIRF com os saldos das contas contábeis, cometendo assim o equivoco de afirmar que apenas os rendimentos de R$ 1.842.238,50 estão contidos nos R$ 38.181.385,95. A comparação dos rendimentos constantes dos Informes e dos créditos (receita) com os saldos contábeis para justificar se um rendimento foi ou não oferecido a tributação não se revela suficiente, pois as contas contábeis, sejam de receitas ou de despesas, são compostas por Débito, Crédito e Saldo, e não somente Saldo. A conta contábil 3.2.03.09.0012 Var. Monet. Passiva s/ Empréstimos, conforme se verifica no demonstrativo de fls. 87/91, a qual foi declarada juntamente com outras contas na linha 32 Variações Cambiais Passivas da ficha 6A na DIPJ/2005, vêse que a recorrente contabilizou os rendimentos de R$ 30.830.330,42 decorrentes de resultados positivos apurados nas operações de Swap, devido à sua natureza de dívida, reduzindoa e, portanto, oferecendo à tributação tal rendimento. A recorrente destacou cada rendimento que gerou o seu direito creditório pleiteado nos razões contábeis anexos ao demonstrativo de fls. 87/91, assim, é totalmente descabida a utilização da "tabela 2" para se quantificar ou se concluir qual valor de rendimento foi oferecido à tributação. Para dirimir quaisquer dúvida remanescente de que todos os valores de rendimentos, além de contabilizados, foram oferecidos à tributação, a recorrente reproduziu a "tabela 1" elaborada pela DRJ/RJ1 acrescentando nela a indicação da correspondente linha da ficha 6A da DIPJ/2005 em que cada rendimento foi oferecido à tributação, bem como apresentou os demonstrativos contendo as contas contábeis que compuseram os saldos declarados nas linhas 20, 2 1 , 23, 24 e 32 da DIPJ, com a indicação das colunas de "Débito" e "Crédito" de cada conta contábil envolvida e com os detalhes das contabilizações (does. 03 a 07). Tabela fls 87/91 Conta Rendimento IRRF FLS. DIPJ2005 Ficha 06 A 1 3.2.04.09.0008 1.207.385,93 241.477,18 87,39 Linha 20 Fl. 699DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 12893.000069/200951 Acórdão n.º 1302001.581 S1C3T2 Fl. 580 15 3.2.04.04.0003 Linha 24 2 3.2.03.09.0012 2.530.842,32 506.168,46 87,40 Linha 32 3 3.2.03.09.0012 4.321.295,70 864.259,14 88,41 Linha 32 4 3.2.03.09.0012 4.876.767,37 975.353,47 88,42 Linha 32 5 3.2.03.09.0012 36.640,34 7.328,07 88,48 Linha 32 6 3.2.03.09.0012 18.917.168,59 3.783.433,71 88,51 Linha 32 7 3.2.04.07.0012 36.523,40 365,23 89,52 Linha 21 8 3.2.04.03.0008 0,06 0,01 89,54 Linha 21 9 3.2.04.03.0008 1.018.012,50 203.602,45 89,56 Linha 21 10 3.2.04.03.0002 3.596.526,51 719.305,29 90,57 Linha 21 11 3.2.03.09.0012 147.616,10 29.523,21 90,58 Linha 32 12 3.2.04.03.0002 256.981,31 51.396,26 90,59 Linha 21 13 3.2.04.07.0016 1.235.625,82 185.343,87 91,49 Linha 23 Total 38.181.385,95 7.567.556,35 Tabela I Rendimentos informados no demonstrativo de fls. 87/91 e respectivos IRRF. (1) Conta contábil em que foram lançados os rendimentos. que, embora o exposto, se se quisesse aproveitar a "tabela 2" elaborada pela DRJ/RJ1, a partir da sua "tabela 1", ela teria que ser ajustada para de fato comparar os rendimentos constantes dos Informes de Rendimentos e do demonstrativo de fls. 87/91 com os rendimentos contabilizados e oferecidos à tributação nas linhas 20, 2 1 , 23, 24 e 32 da ficha 6A da DIPJ/2005, de modo que a "tabela 2" passe a demonstrar o seguinte Conta Rendimento IRRF total Rendimentos Contabilizados e Inf. DIPJ 2005 Ficha 06A Linha 20 Linha 21 Linha 23 Linha 24 Linha 32 Total 3.2.03.09.0012 30.830.330,42 6.166.066,06 30.834.282,01 30.834.282,01 3.2.04.03.0002 3.853.507,42 770.701,55 3.853.507,80 3.853.507,80 3.2.04.03.0008 1.018.012,56 203.602,46 1.020.955,70 1.020.955,72 3.2.04.07.0012 36.523,40 365,23 37.700,00 37.700,00 3.2.04.07.0016 1.235.625,82 185.343,87 1.235.625,82 1.235.625,82 3.2.04.09.0008 3.2.04.04.0003 1.207.385,93 241.477,18 942.720,18 264.665,72 1.207.385,90 Total 38.181.385,95 7.567.556,35 942.720,18 4.912.163,50 1.235.625,82 264.665,72 30.834.282,01 38.189.457,23 Receita contabilizada a maior de RS 8.071,28 Tabela 2 Retenções na fonte sobre parcelas computadas na determinação do lucra real Como se vê, todos os valores de rendimentos de R$ 38.181.385,95 além de contabilizados foram devidamente oferecidos à tributação, fazendo jus a recorrente ao reconhecimento de todo o seu direito creditório de R$ 7.567.556,35 de imposto de renda retido, além dos R$ 226.434,40 de estimativa quitados já reconhecidos. Resta assim comprovada a exatidão dos valores informados na DIPJ e a inexistência da não tributação de receitas que serviu de fundamento para não homologar o direito creditório (saldo negativo de IRPJ) pleiteado pela recorrente. Mesmo que se admita que houve erro da Recorrente na indicação dos rendimentos em tela na DIPJ (uma vez que recorrente de fato indicou os rendimentos nas linhas 20, 2 1 , 23, 24 e 32, ao invés de somente utilizar a linha 24), isto em nada prejudicou o fisco, porque tais rendimentos foram oferecidos à tributação, ao contrário do que consignado no acórdão. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR 16 A fiscalização tinha o dever de reconhecer a existência de eventual erro cometido pela recorrente em sua DIPJ e, de conseguinte, reconhecer a integralidade do direito creditório, não é à toa que a Instrução Normativa n. 672, de 30.8.2006, versa sobre o chamado ReDarf, prevê, a retificação de ofício dos documentos de arrecadação "quando constatado evidente erro de preenchimento do documento", providência essa que, aliás, pode ser adotada a qualquer tempo pela fiscalização, a teor do parágrafo único do artigo 13 da mesma Instrução Normativa. É irrefutável assim a prova de que os rendimentos em tela foram escriturados, constam do informe de rendimentos da fonte pagadora e compõem os valores constantes da DIPJ, e por isso é certo que não há outra conclusão, senão a de que deve ser aceito o direito creditório. Diante do exposto, voto para dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Guilherme Pollastri Gomes da Silva Relator Fl. 701DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por GUILHERME POLLASTRI GOMES DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por ALBER TO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10480.901048/2012-87
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/12/2000
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ.
Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade.
PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA.
A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.703
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado:
I - Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância;
II - Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
FLÁVIO DE CASTRO PONTES Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. MOTIVAÇÃO DA DECISÃO DA DRJ. Não existe cerceamento do direito de defesa quando o órgão julgador aprecia de forma fundamentada as razões da manifestação de inconformidade. PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. MATÉRIA IDÊNTICA. RENÚNCIA À ESFERA ADMINISTRATIVA. A propositura de ação judicial, com o mesmo objeto do processo administrativo fiscal implica na renúncia à instância administrativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I Por unanimidade votos, negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II Pelo voto de qualidade, não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Cássio Schappo e Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo que não reconheciam a concomitância e negavam provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FLÁVIO DE CASTRO PONTES – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 90 10 48 /2 01 2- 87 Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901048/201287 Acórdão n.º 3801004.703 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo e Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901048/201287 Acórdão n.º 3801004.703 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Por meio de PER/Dcomp (Pedido de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação) a requerente postula a compensação de débitos de diversos tributos com crédito referente a valor que teria sido recolhido indevidamente a título da contribuição Cofins (cód. 2172). A Delegacia da Receita Federal do Brasil no Recife (PE), conforme Despacho Decisório Eletrônico, não reconheceu o direto creditório e não homologou as compensações efetuadas. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Aduziu, em resumo, que ocorreu apenas uma falha de procedimento da empresa em não retificar as DCTFs onde constavam as informações dos débitos cuja compensação era solicitada. Tal erro de procedimento não anula a existência dos créditos, vez que estes decorrem da existência de decisão judicial favorável à OABPE, da qual a empresa é sindicalizada, garantindo a isenção de Cofins para as empresas exclusivamente prestadoras de serviços relativos a profissões legalmente regulamentadas. A fim de comprovar a veracidade das suas alegações, anexou cópia da ação judicial impetrada pela OABPE que garantiu o direito de isenção de Cofins da empresa, assim como a certidão de trânsito em julgado relativa a mesma ação. A DRJ no Recife (PE) não conheceu da manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita abaixo: AÇÃO JUDICIAL. PROPOSITURA. CONCOMITÂNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do procedimento fiscal, com o mesmo objeto do processo administrativo. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Após comentar a decisão da DRJ, sustenta a incoerência entre a decisão da DRF/Recife e a DRJ/Recife. Argumenta que referidas decisões são totalmente diferentes. A decisão da DRF/Recife que considerou não homologadas as compensações baseouse no fato de que os DARFS aos quais estavam vinculados os créditos estarem totalmente utilizados, razão pela qual, em nosso argumento de defesa, apresentamos as informações obtidas no CAC/Recife de que houve apenas um problema de não retificação das respectivas DCTFS da empresa. Pontua que a decisão da DRJ/Recife procedeu em uma inovação completa do conteúdo do indeferimento inicial das compensações. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901048/201287 Acórdão n.º 3801004.703 S3TE01 Fl. 5 4 Insiste que toda a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Concluiu este tópico afirmando que por estes fatos merece reparo a decisão proferida pela Turma da DRJ/Recife, por ter cerceado o direito de defesa da empresa, ao inovar juridicamente os argumentos sem prévia comunicação de prazo para alegações da empresa sobre os novos fatos e informações apresentadas ao processo e que seriam objeto de análise, ofendendo frontalmente o art. 5º, Constituição Federal de 1988, quanto ao direito de defesa da empresa. Quanto ao direito creditório, discorda do entendimento da decisão da DRJ/Recife de que não seria possível à empresa a utilização dos créditos para compensação em razão de existir liminar em sede de Reclamação suspendendo os efeitos da decisão que garantia aos filiados à OAB/PE o direito de isenção de Cofins. Argumenta que a decisão judicial em Mandado de Segurança que concedeu o benefício da isenção da empresa da Cofins já havia sido encerrada e reconhecido o direito. Apenas em sede de ação rescisória foi reanalisada a questão, na qual o TRF da 5a. Região decidiu por conceder parcial provimento à rescisória a fim de conceder efeitos exnunc à decisão, ou seja, a rescisão da decisão que concedia o benefício da isenção da Cofins somente surtiria efeitos para frente, não abrangendo os fatos pretéritos. Esclarece que apenas contra esta decisão do TRF foi que concedeuse a liminar do Ministro Joaquim Barbosa do STF, suspendendo a modulação dos efeitos da decisão da rescisória. Aduz que liminar, como o próprio nome diz, é decisão precária e não anulou, como quer fazer crer a decisão da DRJ/Recife, os efeitos do decidido na ação rescisória. Seus efeitos estão apenas suspensos, aguardando um pronunciamento do órgão colegiado do STF quanto à manutenção ou não da liminar. Por fim requer que seja processado regularmente o presente Recurso Voluntário, e, ao final, julgado integralmente procedente para, reformando as decisões proferidas pela DRF/Recife e DRJ/Recife reconhecer o direito de crédito da empresa relativo aos pagamentos indevidos, realizados a título da Cofins e, conseqüentemente, homologar a compensação realizada na PERDCOMP relacionada a este processo que utilizaram tais créditos. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901048/201287 Acórdão n.º 3801004.703 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento.. De início, examinase a tese de irregularidade na decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife. A interessada sustenta cerceamento no direito de defesa em relação à decisão da DRJ/Recife, uma vez que esta inovou no conteúdo do indeferimento inicial das compensações, pois a decisão proferida pela DRJ/Recife prendese à análise da ação judicial, quando a decisão primeira, proferida pela DRF/Recife, ocorreu apenas em razão da falha procedimental da empresa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, o julgado “a quo” motivou a decisão em relação a argumentação da recorrente em relação ao fato de que seu direito creditório era decorrente da ação judicial impetrada pela OABPE. Ora, foi a recorrente que trouxe ao litígio essa tese, de sorte que a decisão de primeira intância não inovou juridicamente no julgamento. Destarte, o órgão julgador administrativo estava obrigado a apreciar essa tese da interessada de maneira motivada e fundamentada. Assim, não há reparos a serem feitos na decisão a quo. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial a eficácia das decisões judiciais apresentadas pela própria interessada. Assim, o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta as razões da não homologação das compensações, de sorte que não ficou caracterizado qualquer prejuízo à recorrente. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901048/201287 Acórdão n.º 3801004.703 S3TE01 Fl. 7 6 Por tais razões não há que se falar em qualquer irregularidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. O litígio tem como principal controvérsia eventual direito creditório em razão de ação judicial. Transcrevo de uma decisão da DRJ o histórico das ações judiciais em debate: 10.1. A OABPE impetrou ação de mandado de segurança coletivo em nome dos seus Escritórios de Advocacia associados, autuada em 31/05/2001, sob o nº 2001.83.00.0145250, objetivando, principalmente, em síntese, a isenção do recolhimento da Cofins prevista no inciso II do art. 6º da Lei Complementar (LC) nº 70, de 30 de dezembro de 1991, e a compensação dos valores pagos indevidamente. A segurança foi denegada pelo juízo de primeiro grau, com fundamento em que não havia obstáculo para a revogação da isenção concedida pela LC nº 70, de 1991, pela Lei (Ordinária) nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo em vista que a isenção não é matéria reservada à lei complementar. O magistrado considerou, então, prejudicada a análise do pleito de compensação. 10.2. À apelação da OABPE junto ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5ª Região) – que obteve o nº AMS 80.558PE – foi pela Quarta Turma concedido provimento, por unanimidade, nos termos do voto do relator, que esposou entendimento diametralmente oposto ao do juiz singular, dando pela impossibilidade da revogação da referida isenção com fundamento no princípio da hierarquia das leis. 10.3. De tal decisão, foi interposto pela Fazenda Nacional Recurso Especial (REsp), que foi inadmitido. Irresignada, a Fazenda Nacional manejou agravo de instrumento, ao qual foi negado provimento. Assim, a decisão transitou em julgado em 09/09/2004, restando reconhecido o direito à isenção postulada. 10.4. Posteriormente, a OABPE atravessou petição alegando que a edição da Lei nº 10.833, de 30 de dezembro de 2003, em seu art. 30, poderia obstruir o cumprimento da decisão judicial que reconheceu a isenção da Cofins para as sociedades civis dedicadas ao exercício da advocacia, mediante a retenção na fonte da referida contribuição. Requereu, na ocasião, fosse oficiada a Receita Federal para que se abstivesse de exigir o pagamento da Cofins sobre as receitas auferidas pela prestação de serviços de advocacia, bem como de exigir a retenção na fonte de tal contribuição pelas pessoas jurídicas tomadoras dos referidos serviços. O pleito foi deferido monocraticamente e, ao depois, atacado por agravo regimental aviado pela Fazenda Nacional, o qual foi provido com base nos fatos de não ter sido debatida, nos autos, a Lei nº 10.833, de 2003, e de que não seria admissível, naquele momento processual, inovar a actio, transmudandoa. 10.5. Contra essa decisão, recorreu a OABPE, mediante o REsp nº 739.784 (nº 2005/00540062), cujo provimento foi negado por Fl. 84DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901048/201287 Acórdão n.º 3801004.703 S3TE01 Fl. 8 7 unanimidade pela Segunda Turma do STJ em sessão de 19/11/2009, tendose, em resumo, concluído que a superveniência da Lei nº 10.833, de 2003, não pode ser alcançada pelos efeitos da coisa julgada que concedera a segurança pleiteada, de modo a ampliar o objeto da lide. Registrese que, no decorrer do voto, o ministro relator, Mauro Campbell Marques, após afirmar, a título ilustrativo, que a tese adotada pela instância de origem para reconhecer a isenção postulada pela recorrente não mais subsistia em razão de o STF, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 377.457 3/PR, relator o Ministro Gilmar Mendes, ter proclamado que a revogação da isenção da Cofins concedida pela LC nº 70, de 1991, pelo art. 56 da lei nº 9.430, de 1996, foi plenamente válida e eficaz, porquanto o referido diploma, não obstante formalmente complementar, ostenta, materialmente, caráter de lei ordinária , esclareceu que Primeira Seção do STJ, ao julgar a Ação Rescisória (AR) nº 3.761/PR, na sessão de 12/11/2008, deliberara pelo cancelamento da Súmula nº 276, que enunciava a isenção da Cofins perante as ditas sociedades, independentemente do regime tributário adotado. 10.6. Da decisão do STJ referida no subitem 10.3, a ProcuradoriaRegional da Fazenda Nacional na 5ª Região propôs Ação Rescisória (AR) nº 5.471PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) junto ao TRF5ª Região, que foi parcialmente procedente, por lhe terem sido dados efeitos ex nunc. No acórdão exarado, aquele tribunal regional afirmou que o acórdão rescindendo fora proferido antes da manifestação do STF sobre ser a matéria constitucional ou não. 10.7. Contra os efeitos exnunc da decisão do TRF5ª Região – que, em tese, daria aos escritórios de advocacia filiados à OAB PE o direito de não pagarem a Cofins no período abrangido pela ação coletiva até a publicação da decisão na ação rescisória –, a Fazenda Nacional protocolou Reclamação (Rcl) nº 6.917 junto ao STF, tendo o Ministro Joaquim Barbosa deferido, em 10/12/2008, liminar para suspender o acórdão da ação rescisória na parte em que conferiu efeitos meramente prospectivos ao acórdão que julgou procedente a ação rescisória. Encontrase o processo aguardando apreciação desse Colegiado. 10.8. Embargos de declaração opostos pelas partes – OABPE e Fazenda Nacional – contra a decisão proferida pelo TRF5ª Região no bojo da Ação Rescisória nº 5471/PE (processo nº 2006.05.00.0442426/03) foram julgados, não tendo, no entanto, ocorrido nenhuma alteração no resultado do julgamento originário por essa corte. Do exame das ações judiciais, constatase que a matéria está sub judice, uma vez que este processo administrativo tem o mesmo objeto da ação judicial em referência, homologação de compensação em face de pedido de restituição decorrente da legalidade da revogação da isenção do pagamento da Cofins, por parte das sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, pela Lei nº 9.430, de 27/12/1996, que, em seu art. 56, revogou a veiculada pelo art. 6º, inciso II, da Lei Complementar nº 70, de 30/12/1991. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901048/201287 Acórdão n.º 3801004.703 S3TE01 Fl. 9 8 Como se nota, o direito creditório está dependendo do desfecho da Reclamação no Supremo Tribunal Federal. Destarte, incide no caso vertente o parágrafo único do art. 38, da Lei nº. 6.830/80, que dispõe: Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto.(grifouse) O excelso Supremo Tribunal Federal já manifestou acerca da constitucionalidade desse dispositivo, conforme decidido no recurso extraordinário nº 233.582: EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL TRIBUTÁRIO. RECURSO ADMINISTRATIVO DESTINADO À DISCUSSÃO DA VALIDADE DE DÍVIDA ATIVA DA FAZENDA PÚBLICA. PREJUDICIALIDADE EM RAZÃO DO AJUIZAMENTO DE AÇÃO QUE TAMBÉM TENHA POR OBJETIVO DISCUTIR A VALIDADE DO MESMO CRÉDITO. ART. 38, PAR. ÚN., DA LEI 6.830/1980.(...). É constitucional o art. 38, par. ún., da Lei 6.830/1980 (Lei da Execução Fiscal LEF), que dispõe que "a propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo [ações destinadas à discussão judicial da validade de crédito inscrito em dívida ativa] importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto". Recurso extraordinário conhecido, mas ao qual se nega provimento.(STF, RE 233582, DJe088 de 1605 2008).(grifouse) Em relação ao conteúdo desse dispositivo legal, Leandro Paulsen, René Bergmann e Ingrid Schroder explicam: O parágrafo em questão tem como pressuposto o princípio da jurisdição una, ou seja, que o ato administrativo pode ser controlado pelo Judiciário e que apenas a decisão deste é que se torna definitiva, com o trânsito em julgado, prevalecendo sobre eventual decisão administrativa que tenha sido tomada ou pudesse vir a ser tomada. Considerando que o contribuinte tem direito a se defender na esfera administrativa mas que a esfera judicial prevalece sobre a administrativa, não faz sentido a sobreposição dos processos administrativo e judicial. A opção pela discussão judicial, antes do exaurimento da esfera administrativa, demonstra que o contribuinte desta abdicou, levando o seu caso diretamente ao Poder ao qual cabe dar a última palavra quanto à interpretação e à aplicação do Direito, o Judiciário. Entretanto, tal pressupõe a identidade de objeto Fl. 86DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901048/201287 Acórdão n.º 3801004.703 S3TE01 Fl. 10 9 nas discussões administrativa e judicial". (Leandro Paulsen, René Bergmann Ávila e Ingrid Schroder Sliwka. Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal à luz da doutrina e da jurisprudência. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 447 e 448). De fato, se o sujeito passivo recorre ao Poder Judiciário, por uma questão de lógica, ele está desistindo tacitamente da esfera administrativa, visto que a decisão do Poder Judiciário é soberana. Eventuais decisões antagônicas, nas esferas administrativa e judicial, teriam uma única solução, qual seja, prevaleceria a da esfera judicial, em razão do princípio constitucional da jurisdição única, art. 5º, XXXV, da Constituição Federal. Destarte, não faz sentido a continuação da discussão no âmbito administrativo, pois o mérito da questão será decidido pelo Poder Judiciário com efeito de coisa julgada. Corroborando esta teoria, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do recurso especial nº 840.556, assim se pronunciou: TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA.AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA DE RECORRER NA ESFERA ADMINISTRATIVA. IDENTIDADE DO OBJETO. ART. 38, PARÁGRAFO ÚNICO DA LEI Nº 6.830/80. 1. Incide o parágrafo único do art. 38, da Lei nº 6.830/80, quando a demanda administrativa versar sobre objeto menor ou idêntico ao da ação judicial. 2.(...) 3. In casu, os mandados de segurança preventivos, impetrados com a finalidade de recolher o imposto a menor, e evitar que o fisco efetue o lançamento a maior, comporta o objeto da ação anulatória do lançamento na via administrativa, guardando relação de excludência.4. Destarte, há nítido reflexo entre o objeto do mandamus – tutelar o direito da contribuinte de recolher o tributo a menor (pedido imediato) e evitar que o fisco efetue o lançamento sem o devido desconto (pedido mediato) com aquele apresentado na esfera administrativa, qual seja, anular o lançamento efetuado a maior(pedido imediato) e reconhecer o direito da contribuinte em recolher o tributo a menor (pedido mediato).5. Originárias de uma mesma relação jurídica de direito material, despicienda a defesa na via administrativa quando seu objeto subjugase ao versado na via judicial, face a preponderância do mérito pronunciado na instância jurisdicional. (...) (STJ, REsp 840556/AM, DJ 20/11/2006) (grifouse) Assim sendo, a existência de uma ação judicial, por parte da requerente, com o mesmo objeto desse processo administrativo fiscal importa na renúncia à esfera administrativa. Em relação a essa discussão, aplicase a Súmula nº 01 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) que uniformizou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois Fl. 87DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901048/201287 Acórdão n.º 3801004.703 S3TE01 Fl. 11 10 do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.(grifouse) Além disso, os Conselheiros têm o dever de observar as súmulas, nos termos do art. 72 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009. Em caso análogo da mesma recorrente, esta tese também foi acolhida, em outro julgado do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: TRIBUTÁRIO. OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA AO DIREITO DE RECORRER. CONFIGURAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca matéria veiculada em processo administrativo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto, não competindo ao CARF se manifestar acerca do alcance, efeitos e forma de cumprimento de decisões judiciais cuja execução não lhe caiba. DESPACHO DECISÓRIO. MOTIVAÇÃO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOVAÇÃO. INOCORRÊNCIA. Não configura inovação de motivação do despacho decisório a fundamentação da decisão que, acolhendo ou rechaçando a pretensão deduzida em manifestação de inconformidade, examina elementos novos introduzidos na lide administrativa pelo próprio recorrente e que, até então, eram desconhecidos da Administração Tributária (CARF. 3ª Seção, 4ª Câmara, 1ª Turma Ordinária, Acórdão 3401002.634, de 29/05/2014, rel. Robson José Bayerl, Processo nº 10480.905883/200818) Em remate, não se toma conhecimento das alegações decorrentes do direito creditório, isenção ou não da Cofins, visto que a recorrente submeteu à apreciação do Poder Judiciário esta matéria. Ante ao exposto voto no sentido de: I – negar provimento ao recurso voluntário em relação aos questionamentos sobre a decisão de primeira instância; II não conhecer da matéria submetida ao Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 88DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10480.901048/201287 Acórdão n.º 3801004.703 S3TE01 Fl. 12 11 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/12/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 18186.000144/2007-85
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 09 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2001
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo.
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Por tratar o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário e por a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, aplica-se o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN.
GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação.
PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.877
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: Por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e dar provimento à preliminar de decadência parcial do crédito tributário até 11/2001, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN, A conselheira Daniele Souto Rodrigues votou pelas conclusões quanto á nulidade. No mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32-A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e prevalência do valor mais benéfico para a recorrente.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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INOCORRÊNCIA. A declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO DE FATOS GERADORES EM GFIP. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Por tratar o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário e por a fiscalização apontar que não foram informados parte dos fatos geradores, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. GFIP. ERROS NOS DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. MULTA GFIP. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 00 01 44 /2 00 7- 85 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 A multa deverá ser recalculada, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 32A da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: Por unanimidade de votos, em negar provimento à preliminar de nulidade e dar provimento à preliminar de decadência parcial do crédito tributário até 11/2001, com base na regra do art. 150, § 4º do CTN, A conselheira Daniele Souto Rodrigues votou pelas conclusões quanto á nulidade. No mérito: Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e prevalência do valor mais benéfico para a recorrente. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000144/200785 Acórdão n.º 2403002.877 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra DecisãoNotificação nº 21.404.4/0654/2006 da Secretaria da Receita Previdenciária que julgou a autuação procedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: DA NOTIFICAÇÃO Trata o presente de crédito previdenciário lançado pelo Auditor Fiscal da Previdência Social AFPS, matricula n°. 1.368.065, tendo em vista a constatação que a empresa elaborou e apresentou GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação a Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, sendo autuada por infração a Lei n° 8.212/91, artigo 32, inciso lV e parágrafo 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528/97 combinado com o artigo 225, IV, parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social no valor de R$ 1.144.952,32 (um milhão, cento e quarenta e quatro mil e novecentos e cinqüenta e dois reais e trinta e dois centavos). 2. Sujeitará o infrator a pena administrativa correspondente a multa de cem por cento do valor devido relativo a contribuição não declarada, limitada a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no artigo 92 da Lei n° 8.212/91 e caput do artigo 283 do RPS Regulamento da Previdência Social, atualizado pela Portaria MPS/GM n° 822 de 11/05/2005. 3. Através da comparação entre as informações contidas nas Folhas de Pagamento e GFIP, foram identificados os casos em que a empresa declarou na GFIP remuneração inferior ao apurado através das Folhas de Pagamento, os quais se encontram relacionados no Anexo C Relatório de Remunerações Omitidas/informadas a Menor na GFIP. 4. Através dos anexos encontramse os detalhamentos do cálculo da multa: 4.1 Anexo A Quadro de Apuração do Valor da Multa; 4.2 Anexo B Quadro de Apuraçao do Valor da Contribuiçao sobre a Remuneraçao não informada na GFIP; 4.3 Anexo C Relação de Remunerações Omitidas / informadas a Menor na GFIP; Fl. 226DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 4.4 Anexo D Relação de PróLabore não Informado na GFIP. 5. O detalhamento das situações que motivaram o Auto de Infração está disponibilizado em meio magnético, no arquivo AI CFL 68DETALHADO.xls que se encontra no CD anexo a este auto, código de identificação número 3017076965, autenticado pelo Sistema Gerador de Código SGC da SRP. DA IMPUGNAÇÃO 6. Tendo sido cientificado do Auto de Infração Al em 16/12/2005, a teor da capa de fls 01, o Contribuinte, dentro do prazo regulamentar, conforme despacho de fls. 49, contestou o lançamento de crédito através do instrumento de fls. 27/41, com juntada dos seguintes documentos, por cópias autenticadas e simples: 6.1. Procuração de fl. 42; 6.2 43° Alteração de Contrato Social, fls. 43/48, 7. As multas referentes ao período de 1999 devem ser consideradas inexigíveis em virtude das mesmas ter sido atingidas pela decadência. 8. A penalidade administrativa não está tipificada no ilícito previsto no artigo 32, parágrafo 5° da Lei n° 8.212/91 a conduta realizada pela lmpugnante, não podendo ser multada ou responsabilizada indevidamente, pois o enquadramento legal utilizado pela autoridade administrativa, não corresponde ao ato verificado. Do Pedido 9. Requer que seja declarado nulo o auto de infração por não estar devidamente tipificado o fato com o enquadramento legal, bem como por não respeitar as determinações do artigo 9° do Decreto n° 70.235/72 com nova redação dada pela Lei n° 8.748. 10. Requer que seja afastada a abusiva cobrança dos valores lançados referentes ao ano 1999, por estarem devidamente homologados e extintos pela decadência. 11. Requer provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos, em especial prova pericial contábil e juntada de documentos, conforme o inciso LV do artigo 5° da atual Carta Política. Da Diligência Fiscal 12. Os autos foram em diligência para esclarecimentos/procedimentos da fiscalização, em virtude dos artigos 616 e 617 e seus incisos respectivos da INSTRUÇAO NORMATIVA SRP n° 03, DE 14 DE JULHO DE 2005, quando o AFPS Auditor Fiscal da Previdência Social deparar, no exercicio de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, EM TESE, de crime de ação penal pública que não dependa de representação do ofendido ou de requisição do Ministro da Justiça ou contravenção penal, Fl. 227DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000144/200785 Acórdão n.º 2403002.877 S2C4T3 Fl. 4 5 deverá formalizar Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP). 13. Foi feita alteração no relatório fiscal sendo acrescentado o parágrafo dando ciência à empresa de formalização de RFFP por ter a empresa omitido fatos geradores na GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informação a Previdência Social. Comunicação do Resultado Diligência com Reabertura de Prazo 14. Considerando que é assegurado o pleno direito de defesa ao contribuinte foi feita a comunicação do resultado da Diligência Fiscal a empresa e foi concedido prazo de 15 dias para a sua manifestação. 15. A ciência da diligência ocorreu em 21/08/2006. A empresa entrou com nova defesa em 05/09/2006 fazendo alegações nos seguintes termos: 15.1 A empresa não cometeu nenhum crime contra a ordem tributária; 15.2 A penalidade administrativa tem a intenção de punir quem age com dolo em fraudar ou sonegar informações para a fiscalização e não foi o que ocorreu, em ração de que a folha de salários estava com os dados precisos; 15.3 Não está tipificada no ilicito previsto no artigo 32, parágrafo 5°, da Lei n° 8.212/91 a conduta realizada pela impugnante; 15.4 Seja afastada a abusiva cobrança dos valores referentes ao ano 1999 e 2000, por já estarem devidamente homologados e extintos pela decadência; 15.5 Requer que “não seja desconsiderada a formalização de representação fiscais para fins penais, em razão de que não ocorreu crime contra ordem tributária". Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · A decisão ora guerreada restou nula, pois não apreciou todos os argumentos de defesa alegados pela Recorrente em sua impugnação, · A Recorrente alegou que não comete ilícito algum e a capitulação legal da infração cometida estava errada, pois não tinha como ser penalizada nos termos do artigo 32, IV e § 5° da Lei n° 8.212/91, que não havia prova do ilícito, conforme determina 0 artigo 9° do Decreto n° 70.23 5/72 c/c o artigo 304 do Decreto n° 3.048/99. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 · Nulidade. MPF. · Falta fundamentação para a presente autuação · A Recorrente apresentou sua folha de salários com dados precisos que correspondem aos fatos geradores, sendo assim não teve a intenção ou dolo de omitir remunerações para sonegar os valores das contribuições sociais devidas. · O inciso IV do artigo 32 da Lei n° 8.212/91 que dá fundamentação legal para obrigar os contribuintes a entregarem mensalmente as GFIP's somente é citado nos parágrafos 1° a 4° do mesmo artigo e a penalidade específica referente a GFIP está apenas no parágrafo 4°. · Falta de prova do ilícito. · Ora, conforme se pode observar no Auto de Infração ora guerreada, não compõem o AI as alegadas GFIP's como prova de que os valores existentes nelas são inferiores a folha de salários, apenas constam os anexos A e B no presente auto dispondo quais foram a diferença dos valores omitidos na GFIP dos salários constantes na folha de salários. · Decadência. Em complemento ao Recurso voluntário, com base na Lei 11.941/09, e no artigo 106, alínea c, do Código Tributário Nacional, a recorrente requer o recálculo da multa É o relatório. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000144/200785 Acórdão n.º 2403002.877 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Esta autuação, segundo o fisco foi motivada pela omissão de fatos geradores em GFIP constatadas a partir de comparação entre as folhas de pagamento e as GFIP. Relatório Fiscal Através da comparação entre as informações contidas nas Folhas de Pagamento e GFIP, foram identificados os casos em que a empresa declarou na GFIP remuneração inferior ao apurado através das Folhas de Pagamento, os quais se encontram relacionados no Anexo C Relatório de Remunerações Omitidas/ Informadas a Menor na GFIP. PRELIMINARES NULIDADES A recorrente pleiteia a nulidade por um conjunto de motivos, falta de apreciação de todos argumentos da impugnação, vícios no MPF, falta de clareza e fundamentação legal. Não concordo com a recorrente. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A jurisprudência está consolidada no entendimento de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não restou comprovado neste processo. REsp 1440298 / RS RECURSO ESPECIAL2014/00502676 Data do Julgamento 07/10/2014 Ementa PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OFENSA A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE DE ANÁLISE, NA VIA ESPECIAL, POR ESTA CORTE. INDEFERIMENTO DE PROVA. LIVRE CONVENCIMENTO MOTIVADO DO MAGISTRADO. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. PIS. COFINS. DESONERAÇÃO. AUSÊNCIA DE INDICAÇÃO DE DISPOSITIVO LEGAL VIOLADO. SÚMULA 284/STF. LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE ANÁLISE, EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA, NO CASO. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO, POR SUJEITO INTEGRANTE DA CADEIA ECONÔMICA, QUE NÃO ESTÁ SUBMETIDO AO PAGAMENTO NÃOCUMULATIVO DO PIS E DA COFINS, NOS TERMOS DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. PRECEDENTES. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. APLICAÇÃO NÃO RESTRITA AO REPORTO. PRECEDENTES. INCOMPATIBILIDADE ENTRE A APURAÇÃO DE CRÉDITO E A TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. PRECEDENTES DO STJ. ... III. O STJ consolidou o entendimento no sentido de que a declaração de nulidade de atos processuais depende da demonstração do efetivo prejuízo, o que não ocorreu, na hipótese, em observância ao princípio pas de nullité sans grief. Precedentes: STJ, AgRg no REsp 1.294.465/RS, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 26/08/2014; AgRg no REsp 1.434.880/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe de 06/08/2014; EREsp 1.121.718/SP, Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, CORTE ESPECIAL, DJe de 01/08/2012. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000144/200785 Acórdão n.º 2403002.877 S2C4T3 Fl. 6 9 ... Conforme se verifica na impugnação a recorrente entendeu perfeitamente a que se refere a autuação. 10. No caso em tela, a autoridade administrativa reconheceu que os valores declarados em GFIP estavam menores que os correspondentes aos fatos geradores através das folhas de salários da própria Impugnante, conforme prescrito no relatório fiscal da aplicação da multa do Auto de Infração ora guerreado. Não percebo falta de clareza. O Relatório Fiscal em conjunto com as planilhas apresentadas permitem o pleno entendimento da motivação e da quantificação do lançamento. Quanto à questão da análise de todos argumentos, também está pacificado que é desnecessária a manifestação expressa sobre todos os argumentos apresentados pelos litigantes quando se adota fundamentação suficiente para dirimir a controvérsia. AgRg no AREsp 577560 / RN AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL2014/02292434 Relator(a) Ministro HUMBERTO MARTINS (1130) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 06/11/2014 Data da Publicação/Fonte DJe 17/11/2014 Ementa PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTÊNCIA. DEVIDO ENFRENTAMENTO DAS QUESTÕES RECURSAIS. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. REQUISITOS DO ART. 14 DO CTN. SÚMULA 7/STJ. 1. Não há a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do acórdão recorrido. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 2. Na verdade, a questão não foi decidida conforme objetivava a embargante, uma vez que foi aplicado entendimento diverso. É sabido que o juiz não fica obrigado a manifestarse sobre todas as alegações das partes, nem a aterse aos fundamentos indicados por elas ou a responder, um a um, a todos os seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão, o que de fato ocorreu. Para a questão do MPF, o CARF tem decidido que a eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. AutoridadeCâmara Superior de Recursos Fiscais. 2ª Turma TítuloAcórdão nº 40202898 do Processo 10855004133200228 Data28/01/2008 EmentaAssunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 28/02/1999 a 30/06/2002NULIDADES. AUSÊNCIA DE MPF. A eventual irregularidade na emissão do MPF não induz a nulidade do ato jurídico praticado pelo auditor fiscal, pois o MPF é mero instrumento de controle da atividade fiscal e não um limitador da competência do agente público. Recurso especial provido Entendo que a fundamentação legal foi corretamente apresentada à folha 1 da autuação. DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Apresentar a empresa o documento a que se refere a Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, inciso lv e paragrafo 3., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97, com dados nao correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuicoes previdenciárias, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, Iv e paragrafo 5., tambem acrescentado pela Lei n 9.528, de 10.12.97, combinado, com o art. 225, IV e paragrafo 4., do Regulamento da Previdencia Social RPS aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. DISPOSITIVO LEGAL DA MULTA APLICADA Lei n. 8.212, de 24.07.E 1, art. 32, paragrafo 5., acrescentados pela Lei n. 9.528, de 10.12.97 e Regulamento da Previdencia Social ~ RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, art. 284, inciso Ii (com a redacao dada pelo Decreto n. 4.729, de 09.06.03) e art. 373. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000144/200785 Acórdão n.º 2403002.877 S2C4T3 Fl. 7 11 DISPOSITIVOS LEGAIS DA GRADAÇÃO DA MULTA APLICADA Art. 292, inciso I, do RPS. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Trata o lançamento de não cumprimento de obrigação acessória constituidora de crédito tributário. Existe registro de fatos geradores declarados em GFIP (parcialmente). O Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal aponta que foram examinadas guias de recolhimento. Entendo que devese aplicar o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN. O período do lançamento é de 01/99 a 12/2001. A ciência do lançamento ocorreu em 16/12/2006. Entendo decadentes as competências até 11/2001, inclusive. MÉRITO. CÁLCULO DA MULTA Fl. 235DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000144/200785 Acórdão n.º 2403002.877 S2C4T3 Fl. 8 13 Recálculo da multa com base no art. 32A, II, Lei 8.212/1991, a partir da alteração da Lei 11.941/2009. No que tange ao cálculo da multa, é necessário tecer algumas considerações, face à edição da recente Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. A citada Lei 11.941/2009 alterou a sistemática de cálculo de multa por infrações relacionadas à GFIP. Para tanto, a Lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art.32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 236DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Art.106 A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: (...) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. No caso da presente autuação, a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 e do art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212/1991, o qual previa que pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no art. 32, § 4º, da Lei nº 8.212/1991. Para efeitos da apuração da situação mais favorável, há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte, conforme o art. 106, II, c, CTN: (a) a norma anterior, com a multa prevista no art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32, § 5º, Lei nº 8.212/1991 ou (b) a norma atual, nos termos do art. 32, inciso IV, Lei nº 8.212/1991 c/c o art. 32A, Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009. Nesse sentido, entendo que na execução do julgado, a autoridade fiscal deverá verificar, com base nas alterações trazidas, a situação mais benéfica ao contribuinte. CONCLUSÃO Nas preliminares, voto por negar provimento à preliminar de nulidade e dar provimento à preliminar de decadência parcial do crédito tributário, isto é, até 11/2001, com base na regra do artigo 150, § 4º do CTN. No mérito, voto pelo provimento parcial determinando o recálculo da multa de acordo com o disciplinado no art. 32A da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 e prevalência do valor mais benéfico para a recorrente. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 237DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 18186.000144/200785 Acórdão n.º 2403002.877 S2C4T3 Fl. 9 15 Fl. 238DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10209.000348/2004-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 04/06/1999
MULTA DE MORA EM SUBSTITUIÇÃO À MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA MERAMENTE OPINATIVA DOS ÓRGÃOS JULGADORES SOBRE O TEMA.
As instâncias julgadoras administrativas não têm competência para efetuar qualquer tipo de lançamento, o que pode fazer é decotá-lo para o adequar aos limites da legalidade. Entretanto, se é verdade que os órgãos julgadores não podem lançar, também é verdade que eles não podem excluir penalidades que não foram lançadas, pois, é da lógica das coisas que não se pode excluir o que ainda não existe.
Tanto a manifestação do julgador de primeira instância, em relação à incidência da multa de mora na execução do acórdão, quanto a do órgão de segunda, no tocante à exclusão dessa penalidade, têm natureza, apenas, opinativa, não criando, modificando ou extinguindo direitos.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida de votar.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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PETROBRAS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 04/06/1999 MULTA DE MORA EM SUBSTITUIÇÃO À MULTA DE OFÍCIO. NATUREZA MERAMENTE OPINATIVA DOS ÓRGÃOS JULGADORES SOBRE O TEMA. As instâncias julgadoras administrativas não têm competência para efetuar qualquer tipo de lançamento, o que pode fazer é decotálo para o adequar aos limites da legalidade. Entretanto, se é verdade que os órgãos julgadores não podem lançar, também é verdade que eles não podem excluir penalidades que não foram lançadas, pois, é da lógica das coisas que não se pode excluir o que ainda não existe. Tanto a manifestação do julgador de primeira instância, em relação à incidência da multa de mora na execução do acórdão, quanto a do órgão de segunda, no tocante à exclusão dessa penalidade, têm natureza, apenas, opinativa, não criando, modificando ou extinguindo direitos. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida de votar. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 03 48 /2 00 4- 56 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000348/200456 Acórdão n.º 9303003.108 CSRFT3 Fl. 744 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Antonio Carlos Atulim, Fabiola Cassiano Keramidas e Otacílio Dantas Cartaxo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido: Trata o presente processo de exigência do Imposto de Importação acrescido dc juros de mora e da multa de oficio. no percentual de 75%. bem Como da multa prevista no art.106, inciso V. do Decretolei nº 37/1966. perfazendo, na data da autuação. um credito tributário no valor total de RS 767.620,49. objeto do Auto de Infração fls. 0215. 2. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração e do Relatório de Auditoria (fls. 1015), a empresa em epígrafe promoveu a importação de mercadoria. submetida a despacho aduaneiro com base na Declaração de Importação DI nº 99/0447327. registrada em 04/06/1999 (f1s. 1619), utilizando a redução da alíquota do Imposto de Importação , prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 27 (ACT 27). Firmado entre Brasil e Venezuela, executado pelo Decreto 1.381/1995 e 1.400/1995. A fiscalização apresenta os seguintes argumentos, em síntese: 2.1 para fruição da redução tarifária exigese o certificado de origem. conforme art.434 do Regulamento Aduaneiro. aprovado pelo Decreto IV 91.030/1985; 2.2 o regime de origem estabelecido para o ACE 27 e o previsto na Resolução n" 78. anexa ao Decreto nº 98.874/1990. e no Acordo 91, apenso ao Decreto nº 98.836/1990. este último alterado pela Resolução n° 232, executada pelo Decreto nº 2.865/1998, todos firmados no âmbito da ALAD1: 2.3 o certificado de origem apresentado pelo importador não obedece ao art. 2º do Acordo 91, no que diz respeito a sua emissão, a qual é anterior á emissão da fatura comercial que instruiu o despacho aduaneiro, quando deveria ser na mesma data ou dentro dos sessenta dias seguintes à emissão dessa fatura; 2.4 o contribuinte efetuou a importação de mercadorias da Venezuela. com transporte direto para o Brasil; 2.5 não há uma correspondência entre o certificado de origem e a fatura comercial nº PIFSB649/99. emitida pela empresa Petrobrás International Finance Company (PIFC0), situada nas Ilhas Cayman, pais que não é membro da ALAD1; Fl. 744DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000348/200456 Acórdão n.º 9303003.108 CSRFT3 Fl. 745 3 2.6 o certificado de origem não faz menção à fatura comercial que instrui o despacho, mas faz referencia à fatura nº 618550, emitida pela empresa PDVSA Petróleo e Gas; 2.7 o certificado de origem indica ainda que o pais exportador é a Venezuela, porem, na DI consta como exportadora a empresa PFICO, de onde se conclui que o pais de aquisição e as Ilhas Cayman; 2.8 na comercialização, houve a intervenção de um terceiro pais que não é membro) da ALADI; 2.9 o próprio contribuinte afirmou que adquire a mercadoria da Venezuela. revende para sua subsidiária nas Ilhas Cayman (PIFC0) e. posteriormente. a recompra. Fato que caracteriza a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador; 2.10 a Resolução nº 232 da ALAD1 passou a permitir que a mercadoria possa ser faturada por um operador de terceiro pais, desde que atendidos os requisitos por ela exigidos: 2.11 não se aplica ao caso a Resolução nº 232 da ALAD1, uma vez que não houve intervenção de um operador nos termos previstos na citada Resolução. mas a participação de um terceiro pais na qualidade de exportador; 2.12 mesmo que a PIFC0 se enquadrasse como operadora, deveria constar no certificado de origem a observação de que a mercadoria seria faturada por terceiro pais, indicando nome, denominação ou razão social e domicilio ou, se no momento de expedição do certificado não se conhecesse o numero da fatura emitida pelo operador. o importador deveria ter apresentado uma declaração .juramentada que justificasse o fato; 2.13 o art. 129 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n" 91.030/1985, dispõe: "interpretarseá literalmente a legislação aduaneira que dispuser sobre outorga de isenção ou redução do Imposto de Importação ;, 2.14 a fatura comercial nº PIFS13649/99, emitida pela P1FC0 não contem os elementos essenciais previstos no art. 425. alíneas "a", "h", "i" e "m" do Regulamento Aduaneiro. 3. Conclui a Fiscalização que tanto a fatura comercial como o certificado de origem não atendem as normas estatuídas na legislação pertinente, não se constituindo em documentos hábeis para assegurar a pretendida redução tarifária. Aduz ainda que a operação comercial envolvendo um terceiro pais não membro da ALADI não se caracteriza como intervenção de operador, nos termos previstos na legislação. Por conseguinte, a fiscalização não reconheceu a redução pleiteada, exigindo a diferença de imposto que deixou de ser recolhida, com juros e multa de oficio, conforme enquadramento legal citado à fl. 04. Foi cobrada ainda a multa prevista no art. 106. inciso V. do Decretolei 37/1966, em razão de a Fatura não conter os requisitos previstos no Regulamento. Fl. 745DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000348/200456 Acórdão n.º 9303003.108 CSRFT3 Fl. 746 4 4. Cientificado do lançamento em 02/06/2004, conforme f1. 02, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de f1s. 3748. em 02/07/2004, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: 4.1 através de empresa integrante de seu grupo econômico (PIFC0), sediada nas Ilhas Cayman. adquiriu óleo diesel, produzido na Venezuela. da empresa PDVSA; 4.2 o envolvimento das três empresas gerou a emissão de duas faturas comerciais.Uma expedida pela PDVSA, de n° 6185500, e outra pela PIFC0, de nº PIFSI3649/99, sendo que esta última faz referência expressa à fatura originária emitida na Venezuela; 4.3 a triangulação comercial é prática internacional comum, adotada por razões de alongamento de prazo para pagamento e ampliação das fontes de recursos, não elidindo a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI; 4.4 não se pode afirmar que na importação não há intervenção de um operador de terceiro pais. nos termos da Resolução n° 232, pois esta não define a figura do operador. bem como não informa como deve ser a operação, trazendo conteúdo meramente instrumental: 4.5 inverídica a afirmação do fiscal de que a Resolução 232 veio permitir a participação de um operador de terceiro pais. pois esta já era permitida pela ALADI; 4.6 a Coana. órgão da SRF responsável por orientar e controlar as atividades aduaneiras, bem como aplicar a legislação e baixar atos normativos, expediu a Nota Coana/Colad/Diteg n° 60, de 19/08/1997, que conclui pela regularidade da triangulação comercial, inclusive quando envolver preferência tarifária, considerando prática frequente na ALADI, inexistindo exigência expressa de apresentação de duas faturas. não havendo riscos para a declaração de origem, mesmo antes da Resolução 232; 4.7 esse entendimento esta de acordo com a Resolução 78/87 e o Acordo 91/89 e com o próprio objetivo da ALADI. ou seja, de implantar um mercado comum latinoamericano, caracterizado pela adoção de preferências tarifárias; 4. a impugnante utilizouse de sua subsidiária sediada nas Ilhas Cayman, na qualidade de operadora comercial e não exportadora; 4.9 a PFICO sequer teve a posse da mercadoria ou lucrou com a sua revenda, sendo a mercadoria transportada diretamente da Venezuela para o Brasil: 4.10 o fato de na Declaração de Importação constar como exportadora a empresa PFICO e haver sido apresentada apenas a fatura por ela emitida, por ocasião do despacho, decorre de Fl. 746DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000348/200456 Acórdão n.º 9303003.108 CSRFT3 Fl. 747 5 não existir previsão de procedimento especifico. por parte da Receita Federal, a ser seguido nos casos de triangulação comercial; 4.11 a assertiva do fiscal de que o certificado não obedece ao art. 3 0 da Resolução nº 232 carece de fundamentação legal; 4.12 a fatura comercial traz informações condizentes COM aquelas contidas no certificado de origem, fazendo referência a este próprio documento, em consonância com o art.1º do Acordo 91: 4.13 o alegado descumprimento dos requisitos previstos no art. 425 do Regulamento Aduaneiro está vinculado à questão da falta de previsão de procedimento especifico para os casos de triangulação comercial, pois na ausência de norma especifica, o importador apresentou somente uma fatura, mas diligenciou para que no corpo desse documento fossem anotados os números do certificado de origem e da fatura originaria: 4.14 o art. 425 impõe regras voltadas para o exportador e. no caso, a PIFC0 atuou na qualidade de simples operadora: 4.15 o Imposto de Importação é instrumento regulador do comercio exterior, possuindo função extrafiscal e não arrecadatoria, sendo por isso permitido ao Poder Executivo alterar sua alíquota ou base de cálculo; 4.16 é inaplicável a multa de 75%, por força do ADN COSIT n° 13/2002; 4.17 não há que se falar que o fato gerador e anterior ao citado ato normativo, pois sendo norma interpretativa, aplicase a fato pretérito, nos termos do art. 106. I. do Código Tributário Nacional; 4.18 inaplicável a taxa Selic, uma vez que. conforme dispõe o art. 161, § 1", do Código Tributário Nacional e o art. 146 da Constituição Federal, a taxa de juros diferente de 1% somente pode ser estabelecida por lei complementar, o que não é o caso da citada taxa que foi estabelecida por lei ordinária, resultando na ilegalidade de sua cobrança: 4.19 a definição da taxa Selic e sua metodologia de cálculo foram definidas por Resoluções do Banco Central, com o objetivo de remunerar o capital investido em títulos públicos e não para remunerar a mora: 4.20 ao aplicar a taxa Selic o Fisco esta agindo como agente financeiro. equiparando a relação tributária a uma operação de financiamento, o que carece de sustentação legal; 4.21 há decisões nesse sentido do Superior Tribunal de Justiça. 5. Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios de prova em direito admitidos. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000348/200456 Acórdão n.º 9303003.108 CSRFT3 Fl. 748 6 A Delegacia de Julgamento proferiu decisão, nos termos da ementa transcrita adiante: "Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 04/06/1999 Ementa: PREFERÊNCIA TARIFÁRIA NO ÂMBITO DA ALADI. DIVERGÊNCIA ENTRE CERTIFICADO DE ORIGEM E FATURA COMERCIAL. INTERMEDIAÇÃO DE PAÍS NÃO SIGNATÁRIO DO ACORDO INTERNACIONAL. É incabível a aplicação de preferência tarifária em caso de divergência entre Certificado de Origem e fatura comercial bem como quando o produto importado é comercializado por terceiro país, não signatário do Acordo Internacional, sem que tenham sido atendidos os requisitos previstos na legislação de regência. MULTA DE 0FÍCIO. INEXIGIBILIDADE. Incabível a aplicação da multa prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em caso de solicitação indevida, feita no despacho de importação, de reconhecimento de preferência percentual negociada em acordo internacional, quando o produto estiver corretamente descrito, com todos os elementos necessários à sua identificação e ao enquadramento tarifário pleiteado, e não ficar caracterizado intuito doloso ou máfé por parte do declarante. Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 04/06/1999 Ementa: FATURA COMERCIAL. A apresentação da fatura comercial em desacordo com as exigências regulamentares sujeita o importador à multa prevista na legislação. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 04/06/1999 Ementa: JUROS DE MORA. TAXA SELIC. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. Falece competência a autoridade administrativa para apreciar argüição de ilegalidade e inconstitucionalidade de normas legais. Lançamento Procedente em Parte Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme petição de fl. 107 a 113 (...). Julgando o feito, o Colegiado recorrido deu provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 04/06/1999 Fl. 748DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000348/200456 Acórdão n.º 9303003.108 CSRFT3 Fl. 749 7 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ILEGALIDADES. Não se encontra abrangida pela competência da autoridade tributária administrativa a apreciação de conflitos entre normas legais no tocante à hierarquia constitucional, uma vez que neste juizo os dispositivos legais se presumem revestidos do caráter de validade e eficácia, não cabendo, pois, na hipótese negarlhes execução. ACORDOS DA ALADI. TRÂNSITO POR TERCEIRO PAIS, NÃO SIGNATÁRIO DA ALADI, SEM QUE SEJA JUSTIFICADO POR MOTIVOS GEOGRÁFICOS OU REQUERIMENTOS DE TRANSPORTE. O transito de mercadoria por terceiro pais, sem que esteja devidamente justificado por motivos geográficos ou por necessidade de requerimento de transporte, é motivo determinante da perda do beneficio da ALADI (Artigo Quarto, "b , i, da Resolução 78 da Aladi). RECURSO DESPROVIDO Contra esse acórdão, o sujeito passivo interpôs embargos de declaração onde requer o acolhimento dos embargos para: a) esclarecer a contradição e obscuridade nos fundamentos da decisão; b) suprir omissão expondo as razões pelas quais a ausência de fatura da Petrobrds descaracterizaria a operação de triangulação comercial; e c) suprir omissão quanto ao pronunciamento da legalidade ou ilegalidade da multa substitutiva de 20% aplicada pela DRJ. O Colegiado a quo acolheu parcialmente os declaratórios, em acórdão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 04/06/1999 NORMAS PROCESSUAIS PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ILEGALIDADES. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos têm como finalidade a correção de falhas existentes nos acórdãos, quando for demonstrada contradição entre argumentos e conclusão ou entre as partes dispositivas e as decisões ou ementas, ou ainda obscuridade nas conclusões do acórdão. Os eventuais erros de interpretação dos fatos ou de aplicação da legislação correspondente (erro de direito), bem como a existência de decisões contrárias à constante do acórdão, não se incluem como matéria a ser albergada por embargos de declaração. CONSTATAÇÃO DE INOVAÇÃO NA DECISÃO RECORRIDA. OMISSÃO NO ACÓRDÃO. 0 estabelecimento de multa de mora em decisão de primeira instância, em substituição à multa de oficio, configura inovação e só pode ter eficácia se for regularmente formalizada em Auto de Infração, seguindo o rito previsto na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Embargos conhecidos e acolhidos em parte, a fim de suprir omissão no Acórdão n 30133.945, que se retifica para que seja Fl. 749DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000348/200456 Acórdão n.º 9303003.108 CSRFT3 Fl. 750 8 dado provimento parcial ao recurso voluntário para excluir a multa de mora. Embargos Acolhidos em Parte. Irresignada, a PGFN apresentou recurso especial de divergência onde se insurgiu contra a exclusão da multa de mora substitutiva da multa de ofício. O apelo fazendário foi por mim admitido, nos termos do despacho de fls. 604 a 606. Contrarrazões vieram às fls. 692 a 698. A seu turno, o sujeito passivo apresentou, também, recurso especial, onde requer o provimento integral do recurso para se declarar o auto de infração nulo ou insubsistente, ou, ainda que seja cancelado por sua manifesta improcedência. Esse recurso foi por mim inadmitido, nos termos do despacho de fls. 711 a 714, e pelo Presidente da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sede de reexame de admissibilidade, conforme despacho de fl. 715. É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso apresentado pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. A questão trazida a debate gira em torno da multa de mora em substituição à multa de ofício, que a decisão de primeira instância entendeu cabível e a de segunda, não. No tocante à questão da substituição da multa de ofício pela de mora, entendo que as instâncias julgadoras administrativas não têm competência para efetuar qualquer tipo de lançamento. O que pode fazer é decotálo para o adequar aos limites da legalidade. Assim, por exemplo, se a exigência continha multa qualificada, e, da análise dos autos verificouse que a qualificadora não estava presente, o órgão julgador deve excluir a exasperação da multa e mantêla no percentual básico. Todavia, se entender que a multa de ofício não é cabível, deve, simplesmente, escoimála, sem substituíla por outra. Isso porque, a competência para lançar, na Receita Federal do Brasil, é exclusiva de Auditores Fiscais em exercício na atividade de Fiscalização, quando se tratar de auto de infração ou, no caso de notificação de lançamento, do chefe da repartição fiscal da jurisdição do sujeito passivo. Em nenhuma hipótese, é dada competência à autoridade julgadora para constituir crédito tributário. No caso sob exame, o órgão julgador de primeira instância excluiu a multa de ofício e não lançou a de mora em substituição à lançada pela fiscalização. Na realidade, o que aquele órgão julgador fez foi esclarecer quais consectários legais deveriam incidir na execução do julgado administrativo. Tal esclarecimento nem de longe pode ser considerado como Fl. 750DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10209.000348/200456 Acórdão n.º 9303003.108 CSRFT3 Fl. 751 9 lançamento de multa de mora. Tem, apenas e tão somente, natureza opinativa, nada mais, nada menos. De outro lado, se é verdade que os órgãos julgadores não podem lançar, também é verdade que eles não podem excluir penalidades que não foram lançadas, pois, é da lógica das coisas que não se pode excluir o que ainda não existe. Na realidade, tanto a manifestação do julgador de primeira instância, em relação à incidência da multa de mora na execução do acórdão, quanto a do órgão de segunda, no tocante à exclusão dessa penalidade, têm natureza, apenas, opinativa. Isso porque, as regras inerentes à execução dos acórdãos devem ser discutidas no seu devido tempo, não sendo producente anteciparse o debate. Essa discussão, na verdade, é mera especulação, e como tal, não merece prosperar. Na execução da decisão definitiva deste contencioso, o órgão preparador da Receita Federal do Brasil deve aplica as normas vigentes relativas aos consectários legais, assim o é, desde sempre, e com perdão do trocadilho, e sempre será. Assim, devem ser afastadas as manifestações dos julgadores de primeira e de segunda instância acerca da incidência ou não da multa de mora sobre o crédito tributário remanescente destes autos, quando da execução do acórdão que puser fim a esta lide, deixando a cargo do órgão preparador da Receia Federal do Brasil a incumbência de exigir os consectários legais cabíveis, quando da execução do acórdão supracitado. Ante o exposto, nego provimento ao recurso especial apresentado pela Fazenda Nacional. Henrique Pinheiro Torres Fl. 751DF CARF MF Impresso em 22/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 18/12/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 19515.000831/2007-94
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
GLOSA DE DESPESAS. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA.
São dedutíveis as despesas incorridas quando comprovadas com provas documentais s demonstrada sua necessidade, usualidade e normalidade.
CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO.
Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
Numero da decisão: 1402-001.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 GLOSA DE DESPESAS. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA. São dedutíveis as despesas incorridas quando comprovadas com provas documentais s demonstrada sua necessidade, usualidade e normalidade. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplica-se ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1853; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 4.374 1 4.373 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000831/200794 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.826 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2014 Matéria IRPJ Recorrente BORLAND LATIN AMERICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 GLOSA DE DESPESAS. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS. PROVA. São dedutíveis as despesas incorridas quando comprovadas com provas documentais s demonstrada sua necessidade, usualidade e normalidade. CSLL. DECORRÊNCIA. LANÇAMENTO REFLEXO. Versando sobre as mesmas ocorrências fáticas, aplicase ao lançamento reflexo alusivo à CSLL o que restar decidido no lançamento do IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar presente julgado. Ausente o Conselheiro Carlos Pelá. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 08 31 /2 00 7- 94 Fl. 4374DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000831/200794 Acórdão n.º 1402001.826 S1C4T2 Fl. 4.375 2 Relatório Borland Latin America Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ São Paulo 01/SP, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Tratase de impugnação de fls. 387/409, apresentada contra os autos de infração de IRPJ e CSLL, totalizando R$ 1.387.872,97, aí incluídos juros de mora e multa de ofício de 75%, em razão de glosa de custos ou despesas não comprovadas e por inobservância de regime de escrituração com a conseqüente antecipação de custos ou despesas. Cientificado, em 05/04/2007, por via postal, conforme AR de 380, o contribuinte apresentou, em 04/05/2007, a presente impugnação parcial, acompanhada dos documentos de fls. 410/1.799. Informou, inicialmente, ter pago parcela da exigência fiscal, correspondente aos itens do auto de infração: antecipação de custos ou despesas, remanescendo o litígio sobre a glosa de despesas referentes à contratação de serviços relacionados à área de tecnologia e informática, cuja efetiva prestação, normalidade e necessidade foram questionadas pela fiscalização. Contra as despesas consideradas desnecessárias apresentou as alegações abaixo resumidas. a empresa teria como atividade a prestação de serviços na área de informática, telecomunicações e comunicação de dados, bem como o licenciamento e comercialização de produtos de informática em geral; o principal motivo para a glosa de despesas em questão teria sido a falta de comprovação da efetividade dos serviços contratados, ou seja, quase que exclusivamente motivada pela ausência de contrato escrito entre a Impugnante e as empresas por ela contratadas para a prestação de serviço; a dedutibilidade de despesas operacionais não estaria condicionada necessariamente à existência de um contrato escrito, seria facultada ao contribuinte a apresentação de outros documentos para a mesma finalidade e a injustificada desconsideração desses demais elementos de prova apresentados pela Impugnante macula de nulidade insanável o lançamento fiscal; a busca da legalidade da tributação implicaria na busca de todos os elementos possíveis e necessários, da mais fiel realidade dos fatos, ou seja da busca da verdade material à exaustão. a inexistência de contratos escritos entre a impugnante e os prestadores de serviços não seria motivo suficiente para que se concluísse pela glosa das despesas decorrentes dos serviços prestados. validade dos contratos verbais firmados entre os prestadores de serviços e a impugnante cuja existência é exteriorizada através de outros documentos – Fl. 4375DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000831/200794 Acórdão n.º 1402001.826 S1C4T2 Fl. 4.376 3 deveria resultar no reconhecimento da dedutibilidade das despesas decorrentes desses mesmos serviços. a impugnante teria firmado com a PRODESP o ACORDO de (fls.) 435/464 que disciplinaria a contratação de produtos e serviços da impugnante e uma vez firmado este acordo geral os órgãos da Administração Pública teriam dado início à contratação de serviços mediante a emissão de Ordens de Serviço (doc. 4, fls. 466, ordens de serviços relativas aos serviços prestados no anocalendário de 2002), as quais discriminariam os serviços e os produtos que estariam sendo contratados, o número de horas estimadas para a conclusão do trabalho solicitado, o número de profissionais que teriam participado de um determinado trabalho, o valor da hora trabalhada e o correspondente custo estimado; com estes documentos acostados aos autos (Acordo entre a impugnante e a PRODESP, Ordens de Serviço, Relatórios e Notas Fiscais Fatura emitidas contra referida companhia) teria sido demonstrado. que a impugnante durante o anocalendário de 2002, efetivamente teria prestado serviços de treinamento, suporte e assessoria em informática à PRODESP; em seu modelo organizacional seriam mantidos em seus quadros de empregados, pessoas em cargo de gerência capazes de coordenar os trabalhos solicitados pelos clientes, o que resultaria na necessidade de contratação de mão de obra especializada de consultores e programadores, serviço este que lhe era prestado pelas pessoas jurídicas arroladas na autuação fiscal ora combatida, cujos pagamentos foram considerados como despesas indedutíveis; sem a contratação dessas pessoas jurídicas, a impugnante, somente com seus gerentes, jamais poderia atender o quanto lhe seria solicitado em tais Ordens de Serviço; a efetiva tomada dos serviços prestados por essas pessoas jurídicas pela impugnante estaria comprovada pelas Notas Fiscais emitidas por cada uma delas, as quais indicariam de maneira clara a natureza do serviço prestado, o período e o valor cobrado. Os autos foram baixados em diligência, para a delegacia de origem, em 07/01/2011 (doc. de fls. 1830/1832), em razão de não constarem nos autos elementos que permitissem firmarse convicção a respeito da idoneidade dos documentos acostados pelo impugnante, bem assim da sua capacidade para afastar ainda que parcialmente a autuação. A fiscalização após ter procedido à diligência elaborou o relatório conclusivo de fls. 4.253/4.260, mantendo o entendimento esposado no Termo de Verificação Fiscal, no tocante à glosa de despesas em comento. Cientificado, do feito, o contribuinte apresentou, em 11/11/2011, a manifestação de inconformidade de fls. 4.253/4.260, reiterando as alegações antes apresentadas, aduzindo em síntese que a ausência de contrato escrito entre a impugnante e as empresas por ela contratadas não teria o condão de validar o entendimento do fisco, e que os documentos apresentados com a impugnação seriam hábeis e idôneos para a comprovação do serviço prestado à PRODESP, bem assim da prestação de serviços de terceiros essenciais à atividade da empresa. Os autos retornaram a esta delegacia para o prosseguimento do julgamento.” Fl. 4376DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000831/200794 Acórdão n.º 1402001.826 S1C4T2 Fl. 4.377 4 A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 1635.795 (fls. 4.2764.280) de 24/01/2012, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2002 GLOSA DE DESPESAS. CONTRATAÇÃO DE SERVIÇOS. CONTRATO VERBAL. PROVA. O contrato verbal deve ter sua existência provada como qualquer outro. Não é bastante para tanto apenas a afirmação do impugnante de sua existência. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. O decidido em relação ao IRPJ estende para a CSLL, dada a sua intima relação de causa e efeito.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 06/12/2012 (A.R. de fl. 4.300) a interessada interpôs recurso voluntário em 02/01/2013 (fls. 4.3014.334) onde repisa os argumentos apresentados em sua impugnação, acrescentando preliminar de nulidade da decisão recorrida por ofensa ao princípio da verdade material. É o relatório. Fl. 4377DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000831/200794 Acórdão n.º 1402001.826 S1C4T2 Fl. 4.378 5 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme exposto a autuação se deu por glosa de despesas incorridas pela Recorrente no anocalendário de 2002 efetuadas em contrapartida aos serviços, segundo a defesa, essenciais ao regular exercício das suas atividades. A glosa se deu por entender a fiscalização que a efetiva prestação destes serviços não teria sido devidamente comprovada por documentação hábil e idônea, mormente pela ausência de contrato formal com os prestadores do serviço. Quanto ao assunto, a DRJ assim se pronunciou: No que tange à argumentação de não existência de contrato requerido, para contratação de serviços por ser ele verbal, há que se pontuar que ao fazer tal assertiva, o impugnante atrai para si o fato de provála. Não há que se reprovar a atitude da autoridade lançadora partindose da premissa de que na contratação entre duas pessoas jurídicas/física, ao contrário do que se quer fazer crer o impugnante, a praxe comercial é de formalização de contrato por escrito, até para proteção das partes no tocante à obrigações trabalhistas, empresariais, cíveis e fiscais. Ademais como bem pontuou a fiscalização os serviços que teriam sido prestados e ensejaram a glosa de despesas precisam, consoante determinação da legislação do imposto de renda de regência, em que se funda a autuação, estar acompanhados obrigatoriamente de todas as documentações que lastrearam seus registros contábeis, tais como: contratos de prestação de serviços, bem como aditivos se houver estipulando prazos de vigência inicial e final, valor a ser pago, nota fiscal, relatórios e planilhas dos serviços executados, evidenciando quantidade de horas e pessoas envolvidas e outros controles internos que possam elucidar a veracidade dos serviços realmente concretizados. A jurisprudência administrativa, conforme reproduzida no Termo de Verificação Fiscal, está consolidada no entendimento de que nota fiscal com descrição genérica dos serviços como, por exemplo, "assessoria comercial" sem especificação de quais serviços teriam sido prestados e sem qualquer documento que comprove a prestação dos serviços à empresa, não se prestam a acobertar a dedutibilidade da despesa. Sendo assim, correto o entendimento da fiscalização de que Notas Fiscais com descrição dos serviços, indicando somente Prestação de Serviços com Tecnologia, Consultoria em Delphi ou somente Consultoria, Desenvolvimento de Sistemas e/ou Consultoria, Desenvolvimento WEB, Desenvolvimento de Programas, Prestação de Serviços em Informática e/ou Prestação de Serviços Técnicos em Informática, Serviços de Consultoria, Serviços de Apoio Técnico, Desenvolvimento de Software e/ou Prestação de Serviços de Banco de Dados, Prestação de Serviços de Fl. 4378DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000831/200794 Acórdão n.º 1402001.826 S1C4T2 Fl. 4.379 6 Marketing, Serviços de Consultoria Em Previdência Privada, Serviços Prestados no Mês e Nota Fiscal sem nenhum histórico, não são suficientes para a comprovação da prestação dos serviços. Devese salientar ainda que, de fato, em conformidade com o entendimento do Egrégio Conselho de Contribuintes, para se comprovar uma despesa, de modo a tornála dedutível, face à legislação do imposto de renda, não basta somente comprovar que ela foi assumida e que houve o desembolso, e o recolhimento do IRRF. É indispensável, principalmente, comprovar que o dispêndio efetuado corresponde à contrapartida de algo recebido e por isso mesmo, torna o pagamento devido. O impugnante, portanto, poderia ter se utilizado de sua impugnação, momento preclusivo para apresentação de provas (art. 7º, III e §1º, Portaria RFB 10.875/2007 e art. 16, III e §4º, Decreto 70.235/1972), bem assim por ocasião da diligência, para demonstrar sua afirmação. Nessa oportunidade, apresentou os documentos já apreciados pela fiscalização e argumentos que, ainda que pertinentes, não são hábeis para ilidir o lançamento se desacompanhados de fundamentos probantes sólidos, dado que remetem à hipótese incomum no meio comercial. Sendo assim, correto o entendimento da fiscalização no tocante a referida glosa de despesas com contratação de serviços de terceiros. Por fim, no tocante à tributação reflexa o decidido em relação ao IRPJ se estende para a CSLL, dada a sua intima relação de causa e efeito. Diante do exposto, voto no sentido de considerar PROCEDENTE o lançamento, conforme consignado nos respectivos autos de infração. Entendo de forma diversa da decisão recorrida. O Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3000/99 RIR/99) prevê, em seu artigo 299, quais são as despesas operacionais e necessárias que podem ser deduzidas na apuração do lucro líquido. Vejase: "Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º são necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, §2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem." Conforme se depreende do dispositivo acima transcrito, as despesas necessárias para as atividades da pessoa jurídica são consideradas operacionais e devem ser deduzidas na apuração do lucro líquido. A meu ver, não há dúvidas quanto ao caráter de necessidade das despesas glosadas para o regular desenvolvimento das atividades da Recorrente. Isso porque os serviços Fl. 4379DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000831/200794 Acórdão n.º 1402001.826 S1C4T2 Fl. 4.380 7 prestados por terceiros se referem a treinamentos de programas de computador, consultoria sobre informática, suporte técnico de programas de computador, entre outros, todos intrinsecamente relacionados com as atividades da Recorrente decorrentes do Acordo global firmado com a PRODESP (fls. 435/463). O fundamento indicado nos autos pela decisão recorrida para manutenção da glosa das despesas encontrase em alegada falta de comprovação dos serviços contratados pela Recorrente, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, tendo em vista a existência tãosomente de contrato verbal entre a Recorrente e os prestadores de serviços. Nessa esteira, passo a tecer algumas considerações sobre a forma de contratação dos serviços prestados por terceiros para atenderem às solicitações da PRODESP para a Recorrente: no ano calendário de 2002 a Recorrente foi contratada pela PRODESP para, entre outros serviços, promover a prestação dos serviços de treinamento, suporte técnico e de apoio técnico especializado (Conforme cláusula 1.1 do Acordo geral firmado entre PRODESP e a Recorrente (fls. 435)). os serviços prestados pela Autuada para a PRODESP, em decorrência do Acordo geral firmado (fls. 435/463), eram realizados da seguinte maneira: a PRODESP acionava os serviços da Recorrente através de ordens de serviço e a Recorrente deveria disponibilizar as pessoas responsáveis para prestar os serviços solicitados, que se referiam a consultorias na área de informática, programação de sistemas, treinamentos, entre outros. a Autuada adota, desde o início de suas atividades, um modelo organizacional no qual são mantidos em seus quadros de empregados essencialmente pessoas em cargo de gerência capazes de coordenar trabalhos solicitados por seus clientes. dessa forma, há a necessidade de contratação de mãodeobra especializada de consultores e programadores. assim, quando acionada pela PRODESP — seu único cliente à época — a Recorrente contratava a mãodeobra especializada para a execução do serviço solicitado em cada ordem, oportunidade em que os terceiros contratados emitiam as respectivas Notas Fiscais com o preço do serviço prestado para pagamento pela Recorrente. De fato, tomandose como exemplo a Ordem de ServiçoTreinamento nº 004/2002 (fls. 466), constatase que a PRODESP contratou a Recorrente para ministrar curso sobre o desenvolvimento de aplicações em "Delphi6", com carga horária de 40 horas. Para a prestação desse serviço foram contratados profissionais especializados, conforme se observa da Nota Fiscal juntada às fls. 2.643 dos autos. O andamento dos serviços contratados através das respectivas ordens era controlado mediante a emissão periódica de Relatórios pela Autuada (fls. 467/500) encaminhados ao cliente (PRODESP), os quais informam o número da correspondente ordem de serviço, o projeto atendido, o número de horas incorridas em determinado período, o valor unitário das horas e o valor total a ser faturado. Esses relatórios eram emitidos e assinados pela Fl. 4380DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 19515.000831/200794 Acórdão n.º 1402001.826 S1C4T2 Fl. 4.381 8 Autuada, os quais, após a devida aprovação pelo representante da PRODESP responsável pela respectiva ordem, resultavam na emissão da respectiva Nota Fiscal Fatura (fls. 501/596). Noutro exemplo, o relatório emitido pela Recorrente em 17 de outubro de 2002 (fls. 488), relativo ao processo 824.137 e à ordem de serviço nº 007/2002. O valor da Nota Fiscal Fatura nº 002099 emitida pela Recorrente (fls. 570) corresponde exatamente àquele indicado no Relatório mencionado acima (fls. 488), qual seja, R$ 50.625,00. Assim, é possível concluir que há uma intrínseca ligação entre a Recorrente, a PRODESP e os terceiros prestadores de serviços, tendo em vista que os terceiros foram contratados pela Recorrente tãosomente para atenderem às solicitações da PRODESP para a Recorrente, nos termos previstos no Acordo geral. Com efeito, entendo que todos os documentos que comportam o Acordo Geral firmado entre a Recorrente e a PRODESP, assim como a comprovação dos serviços prestados no anocalendário de 2002 estão anexados aos autos, a saber: o Acordo entre a Recorrente e a PRODESP (fls. 435/463); a ordem de serviço (fls. 466); os relatórios (fls. 467/500) e Notas Fiscais Fatura emitidas contra a PRODESP (fls. 501/596). Mais ainda, a Recorrente anexa as tabelas de fls. 4.317/4.324 onde resume as provas contidas nos autos, relacionando o nome do prestador de serviço tomado pela Autuada, o número da Nota Fiscal, o extrato bancário onde consta o débito relacionado ao pagamento, o recibo de pagamento e, por fim, o DARF correspondente. Entendo, por conseguinte, que a Recorrente demonstrou a necessidade, usualidade e normalidade das despesas incorridas, pelo que dou provimento ao recurso. Com respeito à preliminar de nulidade suscitada, a teor do §3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72, deixo de me pronunciar, uma vez que, no mérito, entendo assistir razão à Recorrente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 4381DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 05/02/2015 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 10/02/2015 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10280.722265/2009-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte), óleo combustível BPF, e serviços de transporte de rejeitos industriais.
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3403-003.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e de óleo combustível BPF, e em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte), óleo combustível BPF, e serviços de transporte de rejeitos industriais. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e de óleo combustível BPF, e em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso analisado, ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte), óleo combustível BPF, e serviços de transporte de rejeitos industriais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 22 65 /2 00 9- 63 Fl. 737DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e de óleo combustível BPF, e em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor André Teixeira Lima, OAB/PA no 9.664. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Fenelon Moscoso de Almeida, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento/Restituição PER de no 09097.78939.170107.1.1.080399 (fls. 11 a 15)1, com transmissão em 13/11/2006, referente a créditos de Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa exportação/4o trimestre de 2006, em saldo de R$ 6.998.711,20 (com base no § 1o do art. 5o da Lei no 10.637/2002), sendo o montante utilizado em compensações (DCOMP de fls. 5 a 10, e 16 a 49, nos valores de R$ 1.456.993,152, R$ 246.696,38, R$ 4.000.000,00, R$ 2.106.743,43, R$ 163.827,40, R$ 109.339,44, R$ 306.150,34, R$ 1.055,65 e R$ 69.273,46). Iniciada a ação fiscal tendente a verificar o direito creditório demandado, em 03/09/2010 (fls. 54/55), a empresa é intimada a apresentar documentos e esclarecimentos, culminando a análise fiscal no relatório de fls. 449 a 453, no qual são relacionadas as glosas de créditos efetuadas pelo fisco (detalhadas em planilhas anexas ao relatório): (a) combustíveis e carvão energético utilizados como energia térmica no aquecimento de caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a Lei no 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007 (os combustíveis/carvão energético utilizados na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos antes de 15/06/2007 por não agirem diretamente no processo produtivo; (b) produtos/bens que não são aplicados diretamente no processo produtivo; (c) produtos/bens considerados como ativo imobilizado; (d) produtos/bens que não contêm descrição detalhada ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo; (e) fretes referentes aos produtos/bens glosados; (f) serviços considerados pela fiscalização como não utilizados na produção dos bens; e (g) bens do ativo imobilizado que não se enquadram como máquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda e edificações. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). 2 Na folha inicial da DCOMP referente a este valor (fl. 5), consta a seguinte mensagem manuscrita: "transf. p/o processo 10280.722549/201174". Fl. 738DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722265/200963 Acórdão n.º 3403003.520 S3C4T3 Fl. 738 3 Com base no relatório da fiscalização é emitido o Despacho Decisório de fl. 455 (em 21/11/2011), deferindose crédito no montante de R$ 3.433.595,15, e o Auto de Infração de fl. 447 (com ciência à empresa em 15/12/2011), no valor glosado, de R$ 3.565.116,05. Em relação às compensações (homologadas parcialmente), o despacho decisório figura à fl. 459/460, com os esclarecimentos de fl. 458. A empresa apresenta sua manifestação de inconformidade em 12/01/2012 (fls. 471 a 508), sustentando que: (a) o Parecer SEORT que ampara o despacho decisório é nulo por não identificar com clareza e precisão qual o número do processo e do despacho decisório; (b) na não cumulatividade (que não foi restrita pelo texto constitucional), geram créditos os custos, despesas e encargos relativos à receita de exportação, e consideramse insumos, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, todos os gastos gerais da pessoa jurídica necessários para a produção dos bens ou prestação de serviços; (c) não foi feita qualquer visita na empresa, dificultando a análise da efetiva aplicação dos bens no processo produtivo; (d) os custos com transporte de rejeitos são geradores de créditos, pois inerentes às atividades produtivas da empresa, assim como os custos de transporte dos insumos considerados glosados; (e) constituem insumos o óleo BPF (destinado à queima em fornos adequados para calcinação de hidrato e geração de vapor nas caldeiras), o ácido sulfúrico (para limpeza dos trocadores de calor por onde passa o licor rico em alumina, na neutralização de efluentes cáusticos), inclusive glosado em duplicidade, e o inibidor de corrosão (que forma uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento); (f) há previsão expressa para desconto de créditos em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, ainda que não enquadrados como insumos (incisos VI e VII da Lei no 10.637/2002), embora no caso concreto tais bens sejam efetivamente utilizados na produção de alumina, e o aproveitamento possa ser feito em bases diferenciadas (1/12) para os equipamentos descritos no RECAP e depreciação acelerada para aquisições de bens de capital por empresas estabelecidas em microrregiões menos favorecidas nas áreas de atuação da SUDAM e da SUDENE, cabendo ainda destacar que o fisco considerou indevidamente (sem justificativa) como edificações algumas máquinas e equipamentos; e (g) não houve violação ao REIDI, que reduziu para 24 meses o prazo mínimo para utilização dos créditos decorrentes da aquisição de edificações. Demanda, por fim, produção de prova pericial, via auditagem suplementar. Em 11/01/2012 apresenta a empresa impugnação à autuação (fls. 538 a 573), basicamente sob as mesmas razões utilizadas para desconstituir as glosas. Em 10/04/2012 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 613 a 633), no qual se decide unanimemente pela improcedência da manifestação de inconformidade e da impugnação (e pela improcedência da demanda por perícia), sob os argumentos de que: (a) o conceito de insumos para as contribuições deriva do inciso II do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 e da IN SRF no 404/2004 (bens com ação direta sobre o produto em fabricação); (b) somente os serviços prestados por pessoa jurídica contribuinte geram créditos, desde que utilizados diretamente na linha de produção da empresa; (c) em relação a ativo imobilizado, as glosas estão todas especificamente motivadas (DT05 glosados em virtude da data de aquisição/emissão nota fiscal ser anterior à previsão legal, que só reconheceu o beneficio para bens adquiridos a partir de 2006; EDIF06 glosados por serem considerados como edificações do ano de 2006; EDIF07 glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2007; N glosados por não serem considerados como bens do ativo imobilizado e/ou não serem empregados no processo produtivo do adquirente; NCD glosados por não estarem relacionados no Decreto no 5.789/2006, mencionados no Decreto no 5.988/2006; e NREB glosados por serem vendas equiparadas a exportações, não gerando Fl. 739DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 4 direito a crédito), não havendo cerceamento de defesa; (d) o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado; (e) as glosas em relação ao ativo imobilizado não alcançam a totalidade dos valores pleiteados, havendo a autoridade fiscal primeiramente identificado cada uma das glosas efetuadas para, na sequência, refazer o cálculo das parcelas que deveriam ser levadas à base de cálculo do direito creditório, consideradas as depreciações adotadas pelo sujeito passivo; e (f) as glosas em relação a “bens considerados como edificações” estão com a perfeita e individualizada identificação do bem ou serviço glosado (v.g., bens e serviços explicitamente destinados ao setor administrativo ou caracterizados como obras civis, passando por gaveteiros, armários, poltronas, colchões, leitos, serviços de paisagismo e de fornecimento de refeições). Cientificada do acórdão da DRJ em 16/04/2012 (AR de fl. 635), a empresa apresenta Recurso Voluntário em 15/05/2012 (fls. 637 a 688), basicamente reiterando as considerações expostas na manifestação de inconformidade, e acrescentando que: (a) não há disposição normativa que restrinja o aproveitamento dos encargos de depreciação/amortização a partir da utilização do bem; (b) a Lei no 11.488/2007 não vedou nem autorizou o aproveitamento de créditos em relação ao óleo BPF (ou outro óleo combustível), que já era autorizado pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003; e (c) são relevantes as decisões administrativas/judiciais trazidas aos autos. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como relatado de início, a ação fiscal buscou verificar o direito creditório demandado neste processo e em outros (referentes a “PIS não cumulativo” e a “COFINS não cumulativa”, de 2005 a 2007). O presente processo se refere exclusivamente à Contribuição para o PIS/PASEP relativa ao 4o trimestre de 2006. Cabe destacar que um processo congênere (de no 10280.722271/200911, referente à COFINS relativa 4o trimestre de 2006) foi apreciado pela Segunda Turma da Terceira Câmara desta Terceira Seção recentemente, resolvendose pela baixa em diligência para que fossem tomadas as seguintes providências: “a) informe se, ao efetuar a glosa dos créditos decorrentes da depreciação incentivada (art. 31 lei 11.196 1/ 48 e 1/12), foram considerados os créditos decorrentes da depreciação normal da Lei 10.833/03; a.1) em caso negativo, elaborar planilha demonstrando o valor dos créditos a que faria jus a Recorrente, considerandose a Lei 10.833/03, em relação aos bens do ativo imobilizado que entende passíveis de creditamento; b) intime a Recorrente para que esta apresente: Fl. 740DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722265/200963 Acórdão n.º 3403003.520 S3C4T3 Fl. 739 5 b.1) informações sobre a utilização do produto “inibidor de corrosão”, declarando onde ele é utilizado e qual função desempenha no processo produtivo; b.2) descritivo detalhado dos bens (art. 3º VI1 da Lei 10.833) glosados pela fiscalização, informando suas principais características e seu emprego nas atividades da empresa e no processo produtivo; c.3) (sic) em relação a diversos serviços de manutenção glosados, quais entende se enquadrarem no conceito estabelecido na lei de “benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa”(art. 3º VII);”(Resolução no 3302000.398, Rel. Cons. Walber José da Silva vencido, maioria, designado Rel. Alexandre Gomes, sessão de 27.fev.2014) Contudo, como se exporá a seguir, diverso é o nosso posicionamento, claramente perceptível a partir das considerações sobre o ônus probatório nos processos referentes a PER/DCOMP, como o presente. Não se pode em sede recursal oportunizar à defesa a apresentação de elementos probatórios que lhe foram demandados desde o início do procedimento fiscal. Sobre o ativo imobilizado, entendemos já estar presente nos autos (ao menos no presente processo) a resposta ao questionamento efetuado no congênere. Acrescentese que vários dos processos referentes a outros trimestres (basicamente com as mesmas glosas) foram recentemente apreciados por esta Terceira Turma. Destaquese o processo referente ao mesmo tributo, do mesmo contribuinte, sob as mesmas razões, em relação a DCOMP relacionada nos presentes autos (a DCOMP de fls. 5 a 10, no valor de R$ 1.456.993,15): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2006 a 31/10/2006 PIS NÃOCUMULATIVO. HIPÓTESES DE CRÉDITO. ART. 3º, II, DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. CONCEITO DE INSUMO. APLICAÇÃO E PERTINÊNCIA COM AS CARACTERÍSTICAS DA ATIVIDADE PRODUTIVA. DEMONSTRAÇÃO. O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte. A falta desta demonstração impede o reconhecimento do direito de crédito. INDÚSTRIA DE ALUMINA. BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMO NA PRODUÇÃO. Em relação à atividade industrial de produção de alumina, deve ser reconhecido o direito de crédito pela aquisição de óleo combustível BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão, bem como de transporte de remoção de rejeitos e resíduos, por se tratarem de bens e serviços aplicados na produção. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 6 MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS E OUTROS BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E EDIFICAÇÕES. ART. 3º, VI e VII, e § 1º, III, DA LEI 10.833/2003. Nada obstante se esteja tratando de situações previstas pela Lei como hipóteses de creditamento, tratase de hipóteses em que a Lei não permite o creditamento pelo valor da aquisição, mas na proporção dos encargos de depreciação e amortização. ATIVO IMOBILIZADO. FALTA DE IMPUGNAÇÃO CONCRETA DOS BENS ENVOLVIDOS. DEPRECIAÇÃO ACELERADA PREVISTA NA LEI 11.196/2005. ATENDIMENTO DOS REQUISITOS. NÃO COMPROVAÇÃO. Para a fruição da depreciação acelerada prevista na Lei nº 11.196/2005 é necessário demonstrar o atendimento de seus requisitos.”(Acórdão no 3403002.765, Rel. Cons. Ivan Allegretti, unânime, sessão de 25.fev.2014) (grifo nosso) (No mesmo sentido o Acórdão no 3403002.764, Rel. Cons. Ivan Allegretti, unânime, sessão de 25.fev.2014, que tratava da COFINS do 4o trimestre de 2005) Os assuntos em discussão são basicamente os mesmos já analisados pela turma no mencionado acórdão: (a) aspectos constitucionais da não cumulatividade; (b) delimitação do conceito de insumo para as contribuições; (c) glosas de bens considerados como insumos (óleo BPF, ácido sulfúrico e inibidor de corrosão); (d) glosas de serviços considerados como insumos (transporte de rejeitos); e (e) glosas em relação a edificações e bens do ativo imobilizado, inclusive no que se refere a bases diferenciadas (1/12). Preliminarmente a tais questões, no entanto, cabe efetuar considerações sobre o ônus probatório nos processos referentes a compensação, como o presente. 1. Considerações iniciais O ônus probatório em processos de compensação é do postulante ao crédito, tendo este o dever de apresentar todos os elementos necessários à prova de seu direito. Assim vem reiteradamente decidindo esta turma de forma unânime: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de Fl. 742DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722265/200963 Acórdão n.º 3403003.520 S3C4T3 Fl. 740 7 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Não há dúvidas, assim, sobre ser o ônus probatório da recorrente, no caso em análise. E o fisco não se furtou a assegurar à recorrente a possibilidade de exercer tal prova, durante o procedimento de fiscalização. Incumbe à empresa a apresentação de prova de vínculo dos bens e serviços ao seu processo produtivo, sendo a visita às instalações da empresa medida que se faz necessária somente no caso de haver dúvidas em relação ao conteúdo probatório apresentado. Da mesma forma, a diligência se presta a esclarecer dúvida do julgador, e não à complementação probatória. Feitos estes esclarecimentos, indeferese, por desnecessária, a realização de perícia no caso concreto. Aproveitase ainda este tópico preliminar para aclarar que as decisões administrativas e judiciais prestamse a auxiliar na formação de convicção de julgador administrativo, mas apenas em alguns casos excepcionais (v.g., as proferidas nas sistemáticas citadas no art. 62A do Regimento Interno deste CARF) efetivamente exercem efeito vinculante no julgamento por este colegiado. Assim, indubitavelmente se toma em conta a jurisprudência apresentada na presente análise, ainda que dela se discorde eventualmente. 2. Do caráter constitucional da não cumulatividade Impendese destacar a impossibilidade de análise por parte deste CARF de eventual tese que sustente ser a nãocumulatividade expressa na Constituição Federal brasileira (art. 195, § 12) inatingível (ou não sujeita a restrições) pela legislação infraconstitucional, devendo eventual modulação ser feita tãosomente no próprio texto constitucional, o que culminaria no reconhecimento de inconstitucionalidade nas limitações estabelecidas essencialmente pelas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003. O tema já é inclusive sumulado no âmbito deste tribunal: “Súmula CARF no 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta, assim, a análise da abrangência do conceito de insumos na legislação referente à contribuição, e a verificação da compatibilidade das glosas a tal conceito. 3. Da delimitação do conceito de insumos para as contribuições O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e no 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 8 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado a partir da legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final, como vem reiteradamente decidindo esta Terceira Turma: “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...).” (Acórdão no 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime – em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403002.469 a 477; no 3403 001.893 a 896; no 3403001.935; no 3403002.318 e 319; e no 3403.002.783 e 784) Isto posto, cabe analisar a adequação ao conceito de insumo das rubricas questionadas no presente contencioso, já destacando que não se identifica com a legislação do IPI nem com a do IR. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722265/200963 Acórdão n.º 3403003.520 S3C4T3 Fl. 741 9 As glosas discutidas ocorreram basicamente em três grupos: bens utilizados como insumo, serviços utilizados como insumo e bens do ativo imobilizado. 3.1. Bens utilizados como insumo Em relação a bens utilizados como insumos, as glosas efetuadas foram (fl. 450): “10.1 Combustíveis e Carvão Energético utilizados como energia térmica no aquecimento de caldeiras, equipamentos e fornos, considerando que a lei 11.488/2007 só admitiu créditos a partir de 15/06/2007. A utilização de combustíveis/carvão energético utilizados na queima de caldeiras não podem ser considerados como insumos antes de 15/06/2007 por não agir diretamente no processo produtivo; 10.2 Glosas efetuadas em produtos/bens por não serem aplicados diretamente no processo produtivo; 10.3 Glosas efetuadas nos produtos/bens por serem considerados como ativo imobilizado; 10.4 Glosas efetuadas em produtos/bens por não conterem descrição detalhada do bem ou informação sobre sua aplicação no processo produtivo; 10.5 Glosa dos fretes referentes aos produtos/bens glosados.” Na planilha 10 (fls. 332 a 339) são detalhadas as glosas de bens, que abrangem: ácido sulfúrico (para limpeza ácida dos trocadores de calor e neutralização de efluentes líquidos), óleo combustível BPF (para geração de vapor das caldeiras para o processo de calcinação do hidrato), antiespumante (para limpeza ácida e tratamento de efluente); inibidor de corrosão (para tratamento de água potável e resfriamento de água) e carvão energético (utilizado como combustível para a geração de vapor nas caldeiras a carvão). São ainda glosados os fretes relativos ao transporte de ácido sulfúrico. A empresa alega em sua defesa que consideramse insumos, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, todos os gastos gerais da pessoa jurídica necessários para a produção dos bens ou prestação de serviços. Sobre o tema, remetemos ao entendimento já exarado neste voto a respeito da delimitação do conceito de insumos para as contribuições, reiterando que o insumo gerador de créditos deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. E, nesse contexto, cabe destacar que esta Turma já analisou, em cinco ocasiões, os itens sobre os quais se defende especificamente a empresa, concluindo unanimemente que o ácido sulfúrico e o óleo BPF são enquadrados no conceito de insumos adotado pelo colegiado. Transcrevase excerto do julgamento mais recente: “O Recorrente explicou que o óleo BPF é utilizado como combustível, sendo aplicado no funcionamento de fornos em que ocorre a calcinação de hidrato e para a geração de vapor nas Fl. 745DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 10 caldeiras, e assim, participando diretamente do processo de produção de alumina. O Ácido Sulfúrico, conforme explica o Recorrente, é empregado na limpeza dos caloríficos por onde circula o licor enriquecido de alumina, dependendo deste procedimento a manutenção do sistema de trocas térmicas e a estabilidade dos reagentes. Quanto aos Inibidores de Corrosão, são destinados a formar uma película protetora que inibe o desgaste das tubulações de água de resfriamento, que por sua vez é essencial para evitar o superaquecimento do maquinário. Entendo que o contribuinte demonstrou de maneira satisfatória, por meio de sua explicação, a participação destes três bens no processo produtivo. A atuação destes três bens configura o conceito de insumo para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, pois atuam e colaboram no processo produtivo da indústria de alumina, devendose reconhecer o crédito pela sua aquisição. Também assiste razão ao Recorrente quando sustenta que a aquisição do óleo BPF não pode ser confundida com a hipótese de aquisição de energia térmica, prevista no inciso IX do art. 3º das Lei nºs 10.637/2002, introduzido pela Lei nº 11.488/2007, com efeitos apenas a partir de 15/06/2007. Com efeito, o referido inciso IX coloca ao lado da energia elétrica a energia térmica, assegurando o direito de crédito para as duas modalidades de energia, o que não se confunde, contudo, com a operação de aquisição de combustível. A aquisição de combustível gera direito de crédito por força do art. 3º, II, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, bastando que seja aplicado no contexto da atividade produtiva, independente de ser utilizado como fonte de calor ou de geração de energia elétrica. Assim, a aquisição de óleo combustível não está fundada no inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, não se lhe aplicando a referida restrição temporal. Quanto às demais aquisições de bens, no entanto, tendo em vista que não houve a demonstração pelo contribuinte de sua participação no processo produtivo –precluindo a oportunidade de fazêlo, eis que não fez tal demonstração nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário , deve ser mantida a glosa realizada pela Fiscalização..” (voto unanimemente acolhido no Acórdão no 3403002.764, Rel. Cons. Ivan Allegretti, sessão de 25.fev.2014) (grifo nosso) Vejase, contudo, que em relação ao inibidor de corrosão, a glosa é fundamentada no fato de a aplicação ser em água potável, e não em água destinada ao processo produtivo. Na manifestação de inconformidade a empresa até alega (fl. 477) que o inibidor de corrosão é utilizado para “formar uma película protetora contra corrosão nas tubulações de água de resfriamento”. Mas sequer esta informação é renovada em sede de recurso voluntário, restando carente de questionamento específico tal item. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722265/200963 Acórdão n.º 3403003.520 S3C4T3 Fl. 742 11 Assim, mantenho o entendimento externado pela turma nos referidos julgamentos, reconhecendo o direito ao crédito em relação às aquisições de ácido sulfúrico (assim como o frete relativo a seu transporte) e óleo combustível BPF. Não havendo questionamento específico, mantémse a glosa em relação aos demais itens (inclusive o inibidor de corrosão). 3.2. Serviços utilizados como insumo Em relação a serviços utilizados como insumo, as glosas são as seguintes (fl. 214): “CRÉDITOS DECORRENTES DE SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS (Ficha 06A/03): Pela análise dos arquivos magnéticos recebidos, referente a aquisição de serviços, constatamos a existência de Serviços, considerados pela fiscalização, como não utilizados na produção dos bens, conforme detalhamento das glosas relacionadas nas planilhas 08 e 09, anexas.” Na planilha 8 (fls. 267 a 190) são detalhadas as glosas de serviços, que abrangem: manutenção de elevadores, montagem e desmontagem de andaimes, manutenção de instalações elétricas, entre outros, não questionados especificamente pela defesa, restrita aos serviços de transporte de rejeitos industriais. E no único serviço especificamente questionado assiste razão à recorrente, conforme também já assentado unanimemente por esta turma recentemente. Transcrevase excerto do julgamento que resultou no Acórdão no 3403002.764, no qual passamos a acolher a possibilidade de crédito em relação à remoção de resíduos, reformando posicionamento anterior, adotado nos Acórdãos no 3403001.954, 955 e 956: “Deve ser reconhecido o direito de crédito em relação ao pagamento pela prestação de serviço de remoção de rejeitos industriais, visto que tal atividade deve ser considerada como inserida no contexto da produção, tal como sustenta o Recorrente (fl. 464/465). Entendo que assiste razão ao Recorrente, pois os serviços de transporte dos resíduos industriais configuram atos que viabilizam e integram a atividade produtiva. Não apenas o transporte de matériaprima destinada ao processo produtivo, mas também o transporte dos resíduos decorrentes da produção configura ato que viabiliza e integra o processo produtivo. Este tema foi enfrentado logo nos primeiros julgados deste Conselho a respeito do regime nãocumulativo, concluindose que “Quanto aos dispêndios realizados com o serviço de remoção de resíduos industriais, não há nenhuma dúvida de que este serviço é parte do processo de industrialização dos bens exportados e está vinculado à receita de exportação. Pela Fl. 747DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 12 natureza da atividade da recorrente, sem este serviço não há produção. Sendo um serviço diretamente vinculado ao processo produtivo, entendo que a recorrente tem direito ao crédito da Cofins incidente sobre a compra desse serviço e, como tal, tem direito ao ressarcimento desse crédito em face da exportação dos produtos (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002)” (trecho do voto proferido no Acórdão 20181.139, Recurso 148.457, Processo 11065.101271/200647, Rel. Cons. Walber José da Silva, j. 02.06.2008). Entendo, pois, que deve ser reconhecido o direito de crédito em relação aos serviços de remoção de resíduos em questão. Quanto às demais aquisições de serviços, no entanto, tendo em vista que não houve a demonstração pelo contribuinte de sua participação no processo produtivo –precluindo a oportunidade de fazêlo, eis que não fez tal demonstração nem na manifestação de inconformidade, nem no recurso voluntário, deve ser mantida a glosa realizada pela Fiscalização.” (voto unanimemente acolhido no Acórdão no 3403002.764, Rel. Cons. Ivan Allegretti, sessão de 25.fev.2014) (grifo nosso) Assim, novamente mantenho o entendimento externado pela turma no referido julgamento, reconhecendo o direito ao crédito em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais, mantendose a glosa em relação aos serviços não especificamente questionados pela defesa. 3.3. Bens do ativo imobilizado Em relação ao ativo imobilizado, as motivações para as glosas (efetuadas em relação a bens com depreciação de 1/48 e de 1/12 foram, respectivamente (fls. 298/299): 13.1 Por aproveitamento do crédito no prazo de 4 (quatro anos) correspondendo a 1/48 (quarenta e oito avos) do valor de aquisição do bem (Lei no 10.833/2003, art 3o , § 14, introduzido pela Lei no 10.865, art. 21 e Instrução Normativa SRF no 457/2004, art. 1, inciso I do § 2o e art. 2o, § 2o, e inciso II do caput). Através (sic) dos arquivos magnéticos referentes a aquisições para o Ativo Imobilizado de maio/2004 a dezembro/2005, constatamos a existência de bens que não se enquadram como maquinas e equipamentos utilizados na produção de bens destinados a venda. Efetuamos a glosa dos bens separandoos em duas categorias: 1) Máquinas, equipamentos e outros bens não utilizados na produção dos produtos destinados à venda. 2) Máquinas, equipamentos e outros bens considerados como Edificações, conforme detalhado nas planilhas 01 a 07B, em anexo. (...) Em relação à construção da Expansão II, o contribuinte informou que a mesma (sic) só entrou em operação a partir de janeiro de 2006 e a Expansão III somente em 2008. (...) 13.2 Por aproveitamento do crédito no prazo de 12 (doze) meses, contados da data de aquisição, sendo calculado, mediante a aplicação da alíquota de 7,6% sobre o valor correspondente a Fl. 748DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722265/200963 Acórdão n.º 3403003.520 S3C4T3 Fl. 743 13 l/12 (um doze avos) do custo de aquisição do bem. O benefício é aplicável às máquinas, aos aparelhos, aos instrumentos e aos equipamentos, novos, relacionados em regulamento e incorporados ao ativo imobilizado adquiridos entre 2006 e 2013, por pessoas jurídicas que tenham projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários para o desenvolvimento regional em microregiões menos desenvolvidas localizadas em áreas de atuação das extintas Sudene e Sudam.(Lei 11.196/2005, art 31, e Decreto no 5.988/2006). Após analise dos arquivos contendo listagem dos bens com aproveitamento de crédito no prazo de 12 (doze) meses, constatamos diversas irregularidades na utilização dos referidos créditos, Elaboramos a Planilha 07D onde constam todas as glosas efetuadas e as planilhas 07E, 07F e 07G resumindo os valores glosados. Abaixo segue codificação adotada para as glosas efetuadas na planilha 07D: DT05 Glosados em virtude da data de aquisição(emissão nota fiscal) ser anterior a previsão legal que só reconheceu o benefício para bens adquiridos a partir de 2006 EDIF06 Glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2006. EDIF07 Glosados por serem considerados como Edificações do ano de 2007. N Glosados por não serem considerados como bens do ativo imobilizado e/ou não empregados no processo produtivo do adquirente. NCD Glosados por não estarem relacionados no Decreto 5.789/2006 mencionado no Decreto no 5.988/2006. NREB Glosados por serem vendas equiparadas a exportações, não gerando direito a crédito.” (grifo nosso) O primeiro grupo de glosas (depreciação de 1/48 Lei no 10.833/2003, art. 3o, § 14) é detalhado nas planilhas 01 a 07B (fls. 91 a 199). De fato, compulsando as planilhas percebese que os objetos das glosas são bens destinados a atividades administrativas (v.g., mesa de reunião, gaveteiro, armário, colchão, leitos e poltronas) ou tratamse de obras civis, não atendendo aos pressupostos da matriz legal (serem máquinas e equipamentos e destinarem se ao processo produtivo). No segundo grupo de glosas (depreciação de 1/12 Lei no 11.196/2005, art. 31), a fiscalização expõe que ocorreram diversas irregularidades, detalhadas nas planilhas de fls. 202 a 266, dividindoas em seis grupos: aquisição anterior à vigência da base legal; edificações de período posterior (2006 e 2007); ausência de qualificação como bens do ativo imobilizado ou empregados no processo produtivo; falta de previsão no decreto regulamentador; e vendas equiparadas a exportações. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 14 E a recorrente, em ambos os casos, apresenta defesa genérica, não apontando objetivamente elementos que levariam a comprovar a adequação ao comando legal, ou sequer suscitar dúvida quanto ao registrado pelo fisco. São reproduzidos diversos dispositivos normativos e decisões, mas a defesa não consegue vinculálos de forma eficaz à situação concreta narrada nos autos. Como destacou o julgador de piso, “não foi a autoridade fiscal, mas sim a contribuinte que não se desincumbiu do ônus mínimo de demonstrar razões de fato e de direito que pudessem corroborar suas afirmações”. E a regra de que o encargo referente à depreciação somente é computável no resultado do exercício a partir da época em que o bem começa a ser utilizado encontra expressa guarida no art. 305, § 2o do RIR (por sua vez derivado de disposição legal art. 57, § 8o da Lei no 4.506//1964): “[A] quota de depreciação é dedutível a partir da época em que o bem é instalado, posto em serviço ou em condições de produzir”. Também em relação a tal tema já se manifestou esta Turma em três ocasiões (processos referentes a COFINS, da mesma empresa, com idêntica descrição dos fatos), chegando às mesmas conclusões que aqui externamos: “DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 3º, § 14 DA LEI Nº 10.833/04 Quanto à glosa dos créditos tomados sobre o valor de aquisição de bens para o ativo imobilizado, como opção à regra geral da tomada de crédito sobre a depreciação desses bens (art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04), o exame das planilhas 1 a 7B revela que essas glosas foram motivadas pela fiscalização em dois fatos: a) os bens não se enquadram como máquinas e equipamentos ou não são aplicados diretamente na produção dos bens destinados à venda; e b) os bens, embora pertençam ao imobilizado, são edificações não abrangidas pelo benefício legal. (...) Os bens relacionados nessa planilha não se enquadram na hipótese legal do art. 3º, VI, da Lei nº 10.833/03, ou seja, não constituem “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços”. O requisito legal que rende ensejo ao crédito é que as máquinas, os equipamentos ou os “outros bens” sejam passíveis de ativação e que sua destinação seja a locação a terceiros ou o emprego na produção, o que não é o caso dos produtos glosados pela fiscalização na planilha 1. Por seu turno, os valores dos produtos relacionados nas planilha 2 e 5 foram glosados porque os bens ali descritos constituem edificações. Os bens descritos constituem partes de edificações, como estruturas metálicas, ou bens destinados à construção civil, como elevadores, mãodeobra, “diversos materiais para construção civil”, e etc. A opção prevista no art. 3º, § 14 da Lei nº 10.833/04 só alcança os bens especificados no art. 3º, VI, da lei, que não inclui obras de construção civil e nem suas partes. Quanto à planilha 4, os bens relacionados constituem basicamente móveis como por exemplo: gaveteiros, colchões, Fl. 750DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722265/200963 Acórdão n.º 3403003.520 S3C4T3 Fl. 744 15 painel divisor, armários, balcão de atendimento, mesa de reunião, mapoteca e cabideiro, (...). É óbvio que tais produtos não possuem aptidão para gerarem créditos, pois nem sequer são utilizados na produção da alumina. Portanto, ficam mantidas as glosas efetuadas pela fiscalização. DA GLOSA DOS CRÉDITOS TOMADOS COM BASE NO ART. 31 DA LEI Nº 11.196/2005. (...) O que a fiscalização fez foi glosar bens que não se enquadram na previsão contida no art. 31 da Lei nº 11.196/2005. Os requisitos estabelecidos nesse dispositivo legal são os seguintes: a) a pessoa jurídica deve ter projeto aprovado para instalação, ampliação, modernização ou diversificação enquadrado em setores da economia considerados prioritários; b) localização nas áreas das extintas Sudene e Sudam; c) o crédito é gerado pela aquisição, a partir do ano de 2006, de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, relacionados em regulamento, destinados à incorporação ao seu ativo imobilizado; d) o desconto do crédito deve ser feito no prazo de 12 meses, contados da aquisição do bem; e e) o crédito é resultante da aplicação da alíquota de 7,6% sobre 1/12 do custo de aquisição do bem. O exame da planilha 7D revela que a fiscalização somente questionou o item “c” acima relacionado, pois os códigos das glosas foram os seguintes: DT05 – indica que o bem foi glosado em virtude da data de aquisição ser anterior à publicação da Lei nº 11.196/2005; EDIF06 E EDIF07 – indica que se tratam de edificações dos anos de 2006 e 2007, que não são contempladas pelo benefício; Nindica que os bens não são considerados bens do imobilizado ou não são empregados no processo produtivo do adquirente; NCDindica que os bens não estão relacionados no regulamento; NREBindica que o bem não possui aptidão para gerar crédito por ter sido adquirido em operação equiparada a exportação (que é desonerada das contribuições). A recorrente mais uma vez não se desincumbiu do ônus estabelecido no art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, pois não contestou especificamente e nem trouxe documentação hábil a elidir nenhum dos motivos invocados para a glosa. Sendo assim, devem ser mantidos os cálculos elaborados pela fiscalização. A defesa invocou as soluções de consulta proferidas pela 8ª Região Fiscal, nas quais o órgão entendeu que materiais utilizados na manutenção dos bens de produção da empresa são passíveis de gerarem créditos das contribuições. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN 16 Esse direito em momento algum foi contestado pela fiscalização ou pelo Acórdão de primeira instância. A questão é a mesma já constatada linhas acima, qual seja: o contribuinte não apresentou contestação específica elencando quais itens foram destinados à manutenção do ativo imobilizado, não demonstrou se os bens aplicados eram ou não passíveis de ativação obrigatória e também não demonstrou onde e como foram aplicados. Ao contrário do alegado pela defesa, o art. 6º, §§ 1º e 3º da Lei nº 10.833/03, não autoriza o crédito em relação a qualquer gasto vinculado à obtenção da receita de exportação, pois o § 1º remete o cálculo do crédito ao disposto no art. 3º. Portanto, os eventos que dão direito ao crédito são os mesmos, independentemente de a venda da produção ocorrer no mercado interno ou externo.” (Acórdão no 3403001.954, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânime em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013) (grifo nosso) (No mesmo sentido os Acórdãos no 3403001.955 e 956, Rel. Cons. Antonio Carlos Atulim, unânimes em relação ao tema, sessão de 20.mar.2013, que tratavam, respectivamente, da COFINS do terceiro e do primeiro trimestres de 2007) Mantémse, assim, novamente o entendimento já firmado na turma, restando hígidas neste tópico as glosas efetuadas pelo fisco. 4. Considerações finais Cabe destacar derradeiramente que o presente processo inclui ainda um Auto de Infração (fl. 290). A autuação, no montante de R$ 2.750.093,60 (não há indicação de multas ou juros) só é mencionada na referida folha, e foi expressamente lavrada “em obediência ao disposto no art. 9o, § 4o do Decreto no 70.235/72”. Tal dispositivo, com a redação dada pela Lei no 11.941/2009, dispõe: “Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (...) § 4o O disposto no caput deste artigo aplicase também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário”. Matematicamente, percebese que o valor da autuação (R$ 2.750.093,60) corresponde exatamente ao crédito pleiteado no PER de fls. 5 a 8 (R$ 4.368.795,33) subtraído do valor homologado das compensações pelo despacho de fl. 297 (R$ 1.618.701,73). Ou seja, equivale ao valor glosado de créditos. E se a empresa não detém os créditos, a providência a ser adotada pelo fisco é a não efetivação do ressarcimento ou da restituição. Caso já tenham os créditos sido utilizados em compensação declarada, mas não homologada, ainda assim não haveria que se falar em Fl. 752DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10280.722265/200963 Acórdão n.º 3403003.520 S3C4T3 Fl. 745 17 lançamento, mas na providência referida no art. 74, §§ 6o a 9o da Lei no 9.430/1996 (encaminhamento para inscrição em dívida ativa). Assim, entendese que, pelo próprio fundamento adotado (art. 9o, § 4o do Decreto no 70.235/72), não se está efetivamente exigindo crédito tributário, mas tão somente registrando o valor glosado. Não trata, portanto, o presente processo de exigência de crédito tributário, mas de análise de PER (no montante de R$ 4.368.795,33) e de DCOMP (valores de R$ 444.735,60, R$ 451.462,73, R$ 2.700.00,00 e R$ 500.00,00), com parcial deferimento na unidade local, como exposto. Entendimento diverso levaria ou a duplicidade de exigência ou a exigência via lançamento de crédito confessado. Tendo em vista a existência de DCOMP referida neste processo e transferida para o processo de no 10280.722549/201174 (cf. anotação manuscrita à fl. 5), e que tal processo foi apreciado por esta Turma, resultando no Acórdão no 3403002.765, alertese a unidade local para que se evite duplicidade na execução administrativa dos julgamentos. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao crédito em relação a aquisições de ácido sulfúrico (assim como ao frete relativo a seu transporte) e de óleo combustível BPF, e em relação a serviços de transporte de rejeitos industriais. Rosaldo Trevisan Fl. 753DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 02/02/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000747/2007-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2006
LANÇAMENTO IMPROCEDENTE. GRUPO ECONÔMICO. PERDA DE OBJETO. RECURSO NÃO CONHECIDO.
Declarada a improcedência da autuação fiscal não subsiste a discussão sobre a formação de grupo econômico para a atribuição de responsabilidade sobre um crédito considerado inexistente.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2402-004.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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GRUPO ECONÔMICO. PERDA DE OBJETO. RECURSO NÃO CONHECIDO. Declarada a improcedência da autuação fiscal não subsiste a discussão sobre a formação de grupo econômico para a atribuição de responsabilidade sobre um crédito considerado inexistente. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 07 47 /2 00 7- 88 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a autuação fiscal pela impossibilidade de constituição de crédito da contribuição previdenciária patronal sem que antes seja procedida sua exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. Tratase de créditos sobre segurados não inscritos e contribuintes individuais. A inconformidade das recorrentes é quanto a caracterização do grupo econômico para fins de atribuição de responsabilidade pelo crédito constituído. Segue transcrição da decisão recorrida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/07/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS PATRONAIS APURADAS A PARTIR DE FOLHAS DE PAGAMENTO, CUJOS VALORES NÃO FORAM DECLARADOS EM GFIP. Constatada a existência de um "grupo econômico de fato" impõese a responsabilização tributária por solidariedade, nos termos do inciso IX do art. 30 da Lei n°. 8.212, de 24/07/1991, cujo dispositivo está em consonância com os incisos I e II do art. 124 do CTN. Não obstante a falta de apresentação dos livros contábeis e respectivos documentos fiscais, foram documentalmente identificadas operações que evidenciam a prática de atos típicos de "grupos econômicos", inclusive com a caracterização de "confusão patrimonial", assim como foi identificada, também, a existência de "controlador" do "grupo econômico'. Entretanto, por não terem sido contatadas ou evidenciadas efetivas relações entre uma das empresas consideradas integrantes do "grupo econômico' e as demais, decidese pela sua exclusão do "grupo', mantidas todas as demais. Tratase, outrossim, de contribuinte optante do regime denominado "SIMPLES", instituído originariamente pela Lei n° 9.317/1996 (revogada pela Lei Complementar n° 123, de 14/12/2006), não sendo possível, para efeito de cobrança de contribuições previdenciárias patronais, a exclusão sumária do contribuinte desse regime em auditoriafiscal, em face das disposições da Lei n° 9.317/1996 (art. 15, §3º e 4º e art. 17 da Lei 9.317/1996) e, a partir de 01/07/2007, Lei Complementar n° 123/2006 (art. 29, § 31 e 51 e arts. 33 e 39). Lançamento Improcedente ... O contribuinte é optante do "SIMPLES” conforme se constata por consulta feita aos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Fl. 270DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 17546.000747/200788 Acórdão n.º 2402004.345 S2C4T2 Fl. 270 3 Efetivamente, na ocasião em que foi realizado o lançamento fiscal, era prerrogativa da, então denominada, Secretaria da Receita Federal, a exclusão de contribuintes do sistema denominado "SIMPLES", instituído originariamente pela Lei n° 9.317/1996 (revogada pela Lei Complementar no 123, de 14/12/2006, que instituiu o "Simples Nacional"), não sendo possível, para efeito de cobrança de contribuições previdenciárias patronais, a exclusão sumária do contribuinte desse regime em auditoriafiscal, em face das disposições da Lei n° 9.317/1996 (art. 15, § 3° e 4 1 e art. 17 da Lei 9.317/1996) e, a partir de 01/07/2007, Lei Complementar no 123/2006 (art. 29, § 31 e 51 e arts. 33 e 39). Assim, com efeito, não poderia sumariamente, de ofício, a Auditorafiscal (na ocasião do lançamento vinculada à Secretaria da Receita Previdenciária) promover tal exclusão. Caberialhe, na oportunidade, tão somente a elaboração de Representação Administrativa dirigida à Secretaria da Receita Federal, que instauraria o devido processo administrativofiscal e a cobrança das contribuições patronais, objeto da NFLD em análise, somente seria possível após o trânsito em julgado do processo, se eventualmente concluísse que houvesse motivos legais para a exclusão e, ainda assim, dependeria dos efeitos da exclusão (retroativa ou não). Contra a decisão, os recorrentes interpuseram recursos voluntários para que seja reformada a decisão recorrida na parte que manteve a caracterização do grupo econômico. Explica que as empresas não possuem relações entre si que justificassem a atribuição de responsabilidade solidária sobre créditos de natureza previdenciária. É o Relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator De fato, a decisão recorrida entendeu que a fiscalização não poderia promover a exclusão do SIMPLES/SIMPLES NACIONAL e, no mesmo ato, constituir o crédito tributário. Caberialhe somente a elaboração de Representação Administrativa dirigida à Secretaria da Receita Federal para fins de ato declaratório executivo da exclusão, o que instauraria um processo próprio. A cobrança das contribuições patronais somente seria possível após decisão definitiva. Assim, reconheceuse a improcedência do lançamento, do que resulta a inexistência do crédito tributário. Ressaltandose que a decisão se tornou definitiva pela dispensa de remessa oficial a este CARF. No entanto, ainda que tenha reconhecido a inexistência do crédito tributário, a decisão recorrida decidiu, fundamentadamente, sobre a existência de responsabilidade solidária por formação de grupo econômico. Acontece que a discussão sobre a responsabilidade do crédito somente procede quando se reconhece a procedência do crédito; do contrário, inexistindo crédito, sucumbe o objeto processual. Entendo que a parte da decisão recorrida que aprecia e decide sobre a responsabilidade solidária por formação de grupo econômico não possui qualquer efeito sobre esse presente processo, uma vez que houve perda de objeto acerca da discussão sobre o pólo passivo. Em razão do exposto, voto pelo não conhecimento do recurso. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 272DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/ 2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19647.007683/2007-33
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 30/06/2005
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Havendo recolhimentos aplica-se a regra do § 4º do artigo 150 do CTN.
Período decadente de 01/2000 a 07/2001.
MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO.
Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
Nova Lei limitou a multa de mora a 20%.
A multa de mora aplicada deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2403-002.823
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 07/2001, inclusive, nos termos do art.150, § 4º do CTN. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 07/2001, inclusive, nos termos do art.150, § 4º do CTN. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
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O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Havendo recolhimentos aplicase a regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Período decadente de 01/2000 a 07/2001. MULTA DE MORA. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENÉFICA. ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO. Conforme determinação do Código Tributário Nacional (CTN) a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Nova Lei limitou a multa de mora a 20%. A multa de mora aplicada deve ser recalculada, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 00 76 83 /2 00 7- 33 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, em preliminar: por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer a decadência das competências até 07/2001, inclusive, nos termos do art.150, § 4º do CTN. No mérito: por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao art. 35 da Lei 8.212/91, prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto, Ivacir Julio de Souza e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.007683/200733 Acórdão n.º 2403002.823 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife, Acórdão 1120.201 da 6ª Turma, que julgou o lançamento procedente, com a seguinte ementa: NFLD. COMPENSAÇÃO. CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. IMPOSSIBILIDADE. O órgão de julgamento do contencioso administrativo fiscal não tem atribuição para julgar o mérito de pedidos de compensação de valores indevidamente recolhidos. Lançamento Procedente O lançamento referese a valores declarados em GFIP e não recolhidos (divergência GFIP X GPS X Folha). O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, DEBCAD n.° 37.009.6282, por meio da qual exigese o crédito tributário, consolidado em 31/07/2006, no valor de R$ 19.445,61 (dezenove mil e quatrocentos e quarenta e cinco reais e sessenta e um centavos), ai incluídos principal e acréscimos legais. 0 crédito tributário em questão, reportase ao período de 01/2000 a 06/2005, estando nele consignadas as contribuições sociais dos segurados e as contribuições patronais. Na confecção do lançamento fiscal foram utilizados dois itens de apuração, denominados levantamentos, quais sejam: "LEVANTAMENTO GFIP 515" e "DAL —D1PERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS". De acordo com o relatório fiscal, o primeiro dos levantamentos contemplou os fatos geradores que decorreram de remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, sendo que os valores envolvidos foram apurados mediante verificação das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP e dos dados constantes no Cadastro Nacional de Informações Sociais — CNIS. Continuando o auditor notificante Fl. 584DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 esclarece que no levantamento "DAL — DIFERENÇAS DE ACRÉSCIMOS LEGAIS" abrigou as diferenças de juros e multa decorrentes de pagamentos de contribuições 'efetuados em atraso, sem o correto cálculo dos acréscimos legais. 0 agente do fisco afirma que para obtenção das remunerações referentes ao décimo terceiro salário foram analisados resumos de folhas de pagamento. Acrescenta também que os saláriosde contribuição, as aliquotas utilizadas, os valores apurados e as guias recolhidas estão especificados no relatório Discriminativo Analítico de Débito — DAD. Nos termos do relatório fiscal, os valores depositados em juízo, referentes contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incapacidade decorrente dos riscos ambientais de trabalho — RAT (antigo SAT) foram considerados como créditos da empresa no procedimento de apuração das contribuições devidas. Por fim, o auditor fiscal faz menção ao discriminativo onde consta a fundamentação legal que embasou o lançamento e à relação dos coresponsáveis pela NFLD, citando, ainda, cada um dos anexos que integram a notificação fiscal. A IMPUGNAÇÃO Cientificado pessoalmente do lançamento através do seu representante legal em 03/08/2006, fl. 01, o sujeito passivo apresentou em 14/08/2006, impugnação, fl. 180/183, na qual alega em síntese que: a) em relação ao período fiscalizado, apresentou GFIP retificadoras, informando as compensações realizadas e corrigindo outras informações, fato que a fiscalização tomou conhecimento; b) o levantamento realizado pelo fisco não merece reparos, posto que decorrente de equívocos cometidos na contabilidade da empresa, falhas estas que não decorreram de má fé, mas de inexperiência do servidor com atribuição de fazer as declarações e efetuar os recolhimentos à Previdência Social; c) esclareceu ao auditor fiscal que a empresa é detentora de créditos decorrentes de decisões judiciais, que lhe asseguram o direito de compensar os valores pagos indevidamente a titulo de contribuição previdenciária incidente sobre remunerações pagas a administradores, autônomos e trabalhadores avulsos; d) as citadas decisões são provenientes dos mandados de segurança n.'s 96125473 e 98109528 (expõe a situação de cada das ações); e) o auditor fiscal afirmou que não poderia proceder ao encontro de contas entre o valor lançado na NFLD e os créditos judiciais alegados pela contribuinte, posto que o objeto da ação fiscal era apenas apurar as contribuições pela comparação entre os valores declarados em GF1P e os recolhimentos efetuados; Fl. 585DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.007683/200733 Acórdão n.º 2403002.823 S2C4T3 Fl. 4 5 f) entende que, não havendo dúvida quantos aos seus créditos judiciais, o agente do fisco, deveria ter apropriado tais valores na apuração da quantia devida; g) resta demonstrado que o credito tributário consubstanciado na NFLD sob enfoque, poderia ser objeto de compensação com os . Créditos que a impugnante detém; Por fim, pede o acatamento da defesa, para que se determine que seja realizado o encontro de contas entre as quantias recolhidas indevidamente, estas garantidas por decisões judiciais, e os valores presentes na NFLD em destaque. A DILIGÊNCIA O processo foi baixado em diligência, fl. 237, para que o auditor notificante confirmasse a afirmação da impugnante de que havia efetuado retificações em GFIP para incluir compensações e corrigir outros dados e se as mencionadas retificações haviam sido consideradas na ação fiscal. Em sua resposta, fl. 244, o auditor fiscal assevera que foram levadas em conta na apuração do presente crédito tributário todas as retificações de GFIP apresentadas pelo contribuinte. Diz também que verificou não ter havido qualquer alteração da situação após o encerramento da ação fiscal. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Em relação ao período fiscalizado, a Recorrente esclarece que apresentou GFIP's retificadoras para todo ele, informando as compensações efetivamente realizadas e corrigindo outras informações que foram prestadas de forma equivocada, conforme já é de conhecimento da fiscalização. Contudo o Auditor Fiscal não levou em consideração a documentação apresentada, ensejando por parte da ora Recorrente, a interposição de impugnação. · Na Impugnação a Recorrente não questionou o crédito tributário contido na NFLD, mas apenas requereu que fosse feito o encontro de contas dos valores pagos indevidamente com os valores cobrados pela autuação fiscal, tendo em vista as decisões judiciais proferidas nos mandados de segurança nas. 96125473 e 98109528. · Em vista das decisões judiciais proferidas em seu favor, entende a Recorrente que bem andaria, quer seja o Auditor Fiscal, quer seja a DRJ em Recife, se ao invés de efetuar e ratificar o lançamento fiscal, fosse feito o levantamento do crédito e bem assim o encontro de Fl. 586DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 contas com os débitos que deram azo a cobrança ora combatida, e não simplesmente declarar o lançamento procedente, sob o argumento de que não caberia ao Auditor Fiscal e ao órgão julgador fazer o encontro de contas, porquanto tal atribuição é da DRFB em Recife, a qual tem competência para apreciar requerimentos de compensação de contribuições indevidamente recolhidas É o relatório. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.007683/200733 Acórdão n.º 2403002.823 S2C4T3 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA Está pacificada a questão da decadência qüinqüenal, conforme o CTN. Para casos com recolhimento antecipado, ainda que parcial, aplicase a regra do artigo 150, § 4°, do CTN, conforme súmula CARF 99. Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. O processo registra a existência de recolhimentos apropriados para a NFLD em questão. O período do lançamento é de 01/2000 a 06/2005. A ciência do lançamento ocorreu em 03/08/2006. Entendo decadentes as competências até 07/2001, inclusive. RETIFICAÇÕES DAS DECLARAÇÕES – GFIP Fl. 588DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 A recorrente reapresenta o que havia dito na impugnação, isto é, afirma que apresentou GFIP's retificadoras para todo o período, informando as compensações efetivamente realizadas e corrigindo outras informações que foram prestadas de forma equivocada, e afirmando que o Auditor Fiscal não levou em consideração a documentação apresentada. Frente a falta de contestação do apresentado no julgamento de primeira instância, reapresento dados dali extraídos, sem dar razão à recorrente: Relatório A DILIGÊNCIA O processo foi baixado em diligência, fl. 237, para que o auditor notificante confirmasse a afirmação da impugnante de que havia efetuado retificações em GFIP para incluir compensações e corrigir outros dados e se as mencionadas retificações haviam sido consideradas na ação fiscal. Em sua resposta, fl. 244, o auditor fiscal assevera que foram levadas em conta na apuração do presente crédito tributário todas as retificações de GFIP apresentadas pelo contribuinte. Diz também que verificou não ter havido qualquer alteração da situação após o encerramento da ação fiscal. Voto É importante que se diga que a impugnante afirma que, relativamente ao período do débito, foram apresentadas GFIP retificadoras para que fossem registradas as compensações efetuadas e corrigidos outros dados. Tal afirmação foi corroborada pelo auditor notificante, quando na resposta à solicitação de diligência fiscal asseverou que as informações constantes nas GFIP de retificação foram consideradas na apuração do presente crédito. Percebese, assim, que o agente do fisco não glosou os valores de compensação declarados pela contribuinte, pelo contrário, deduziuos do montante devido, conforme justificou em seu pronunciamento. Vêse, então, que o inconformismo da empresa notificada diz respeito ao não aproveitamento de possível saldo remanescente após a compensação dos valores já declarados. CRÉDITOS EM FAVOR DA RECORRENTE Fl. 589DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 19647.007683/200733 Acórdão n.º 2403002.823 S2C4T3 Fl. 6 9 A recorrente informa que não questionou o crédito tributário contido na NFLD, mas apenas requereu que fosse feito o encontro de contas dos valores pagos indevidamente com os valores cobrados pela autuação fiscal, tendo em vista as decisões judiciais proferidas nos mandados de segurança nas. 96125473 e 98109528. Ao fim, requereu que fosse efetuado o encontro de contas dos valores pagos indevidamente a titulo de contribuição previdenciária incidente sobre prólabore dos administradores, autônomos e avulsos com o valor contido na NFLD n°.37.009.6282. Não concordo com a recorrente. A ação fiscal teve como foco verificar divergências entre o contido nas GFIP, folhas de pagamento e recolhimentos efetuados. A questão de possíveis créditos outros da recorrente (visto que as compensações declaradas em GFIP foram consideradas) estão fora deste processo e o caminho para compensálos é efetuar as compensações conforme as determinações legais. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 61 da Lei 9.430/96, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 590DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por, nas preliminares, reconhecer a decadência das competências até 07/2001, inclusive, nos termos do § 4º doa rtigo 150 do CTN. No mérito, voto pelo provimento parcial do recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 591DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 6/12/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10660.900388/2006-24
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 10/06/1999
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.597
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 10/06/1999 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado.
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FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. IMPROCEDÊNCIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. Cabe ao interessado provar os fatos que tenha alegado. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 03 88 /2 00 6- 24 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900388/200624 Acórdão n.º 3801004.597 S3TE01 Fl. 12 2 (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. Fl. 330DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900388/200624 Acórdão n.º 3801004.597 S3TE01 Fl. 13 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto nos autos do processo contra o acórdão julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Juiz de Fora (DRJ/JFA), na sessão de julgamento de 27 de fevereiro de 2014, em que indeferiu as preliminares e julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório nº rastreamento 41976784 emitido eletronicamente em 03/01/13, referente ao PER/DCOMP nº 30649.18212.170408.1.3.040461. “Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição (Per) que visou à restituição de crédito de Cofins (código de arrecadação 2172) oriundo de pagamento indevido/a maior. Referido Per foi indeferido à razão de que, dadas as características do Darf ali discriminado, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição postulada. Na manifestação de inconformidade foi defendido em síntese que: a Medida Provisória nº 2.15835/ 2001 determinou que a partir de 1º/02/1999, as fundações de direito privado estão isentas da Cofins sobre as receitas provenientes de suas atividades próprias; “Por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, surgindo, incontinenti, o direito de ser restituída dos valores que recolheu aos cofres públicos à título de COFINS”; “providenciou o requerimento através do PER/DCOMP número15693.47903.150703.1.2.047803) sendo surpreendida com o indeferimento do Pedido de Restituição”; “os rendimentos indevidamente tributados não se referem a ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável ou à receitas estranhas às suas atividades próprias”; Ao final, requer: alternativamente “lhe seja reconhecido e autorizado o direito de compensar o seu crédito com outros débitos de competência da Receita Federal do Brasil”; “produção de prova técnica pericial, com a finalidade de demonstrar que se trata de tributo calculado e recolhido tendo em conta as receitas provenientes de suas atividades próprias” Fl. 331DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900388/200624 Acórdão n.º 3801004.597 S3TE01 Fl. 14 4 Em razão de Resolução dessa 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, o julgamento foi convertido em diligência, em síntese, no sentido de que fossem determinadas quais as receitas isentas da contribuinte, nos termos do § 2º do art. 47 da IN/SRF nº 247/2002. Na Informação Processual da DRFVAR/SAORT/GEDOC, em resumo, foram contextualizados os procedimentos fiscais visando ao cumprimento daquela Resolução, dentre os quais: a solicitação de esclarecimento endereçada à contribuinte a apresentar documentos/informações, bem como a insuficiência dos documentos apresentados em decorrência. Aberta a oportunidade para tanto, em face daquela Informação Processual, a contribuinte apresentou suas razões adicionais de defesa. É o relatório.” A DRJ de Juiz de Fora (DRJ/JFA) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte. Colaciono a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/06/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO PAGAMENTO INDEVIDO/A MAIOR. INOCORRÊNCIA. INDEFERIMENTO. Não comprovado documentalmente o direito creditório postulado, malgrado as oportunidades conferidas à contribuinte para esse mister, há que se manter o indeferimento operado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com improcedência de sua manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário, enfatizando que deve ser reformada a decisão de primeira instância, sendo injusto o indeferimento da restituição por não haver juntado as notas fiscais que embasaram o lançamento. É o sucinto relatório. Fl. 332DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900388/200624 Acórdão n.º 3801004.597 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminares de Nulidade O recorrente afirma que a decisão não respeitou os princípios basilares do processo administrativo, assim como carece de fundamentação aviltando o direito a ampla defesa e contraditório, sendo, portanto, nulo. Preliminarmente cabe serem afastadas as alegações de nulidade. A recorrente invoca genericamente que o auto de infração é nulo por desatender os princípios basilares do processo administrativo fiscal, dentre eles: o da verdade material, da legalidade, da moralidade, da publicidade e da eficiência. Apesar de discorrer longamente sobre a ausência de fundamentação do ato administrativo e o seu desvio de finalidade, por ausência do dever administrativo de instruir, tenho consagrado que compete ao requerente de crédito líquido e certo que traga os elementos essenciais para a prova de sua certeza e liquidez. Não considero assim, que no presente caso, que o princípio da verdade material entre em contradição com o princípio da iniciativa da prova. Por fim, cabe afastar a alegação de inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional de vedação de confisco. Cabe esclarecer que a multa aplicada possui natureza moratória e não punitiva. De outro lado, determina a Súmula n. 02 a vedação à apreciação por este órgão julgador das matérias constitucionais em conflito. Sendo assim, deixo de apreciar esta matéria por expressa proibição no CARF. Razões de Mérito Analisandose os autos, verificase que o processo se iniciou com uma PER/DCOMP transmitida pela contribuinte, no qual informou ela ter realizado pagamento indevido ou a maior de COFINS. A RFB constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido. O contribuinte foi intimado, via solicitação de Esclarecimento, a fornecer nova documentação em que contasse descritivamente: 1 – Planilhas e/ou demonstrativos de apuração das receitas próprias (isentas da COFINS com base no artigo 14, inciso X, c/c o artigo 13, inciso VIII da Medida Provisória nº 2.15835/ 2001) e das demais receitas, referentes aos períodos de apuração dos supostos créditos objetos das Manifestações de Inconformidades, constantes dos processos acima citados. Fl. 333DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900388/200624 Acórdão n.º 3801004.597 S3TE01 Fl. 16 6 2 – Cópias dos Livros Contábeis / Fiscais onde constem os lançamentos das receitas mencionadas no item “1”, acompanhados dos documentos que embasaram os lançamentos e que comprovem a natureza das referidas receitas; 3 – Maiores esclarecimentos, que entenderem necessários, para subsidiar as análises e os julgamentos. Em resposta ao solicitado, o contribuinte limitouse a colacionar os mesmos documentos e informa que não possui mais as notas fiscais pertinentes ao fato gerador objeto do pedido de restituição, por entender ser desobrigado de manter esta documentação tão logo tenha decorrido 5 anos. Em divergência do alegado a Nota Cosit nº 338/2007 estabelece que a obrigatoriedade da guarda de documentos fazse necessária até o término da decisão, conforme abaixo, parcialmente transcrito: “A Nota COSIT nº 338, de 2 de outubro de 2007, ratifica a SCI COSIT nº 11 de, 24 de julho de 2006 (...) 2.10 Quanto ao prazo estabelecido que o contribuinte tem obrigação de guardar os documentos relativos a DIRPF apresentada, não se pode olvidar a necessidade do exame dos saldos de Imposto a Restituir apurados pelo contribuinte mesmo após o prazo decadencial para o lançamento, considerando que toda restituição envolve saída de valores dos Cofres Públicos e deve, portanto, ser respaldada em procedimentos capazes de verificar a procedência ou não da respectiva restituição, e, portanto, a restituição pleiteada mediante a DIRPF deve ser pautada nos mesmos procedimentos a que estão sujeitos os demais pedidos de restituição, no sentido de que o interessado deve manter todos os documentos relativos à restituição solicitada enquanto o pedido não tiver sido analisado e decidido.”. Deste modo, carece de direito creditório o contribuinte, não havendo, pois, apresentando a documentação idônea, completa e capaz de comprovar o direito creditório alegado, devendo ser ressaltado que a delegacia de julgamento propiciou ao contribuinte oportunidade para fazêlo e o recorrente se limitou a apresentar os mesmos documentos outrora colacionados no processo. Assim, com base nestas constatações, no fato de a legislação tributária dispor que a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário (art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984) e que a compensação de débitos tributários somente pode ser efetuada mediante existência de créditos líquidos e certos do interessado perante a Fazenda Pública (art. 170 do CTN), e de a lei que trata do processo administrativo tributário federal estabelecer que a prova documental deve ser apresentada na impugnação (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972), a DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade. Fl. 334DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900388/200624 Acórdão n.º 3801004.597 S3TE01 Fl. 17 7 Apesar de a decisão de primeira instância ter sido fundamentada de modo a dar a conhecer à contribuinte as razões de fato e de direito que levaram ao indeferimento de sua manifestação de inconformidade, no recurso voluntário afirmase apenas que são infundadas as alegações da RFB de que não resta crédito disponível para compensação e que o DARF informado no PER/DCOMP seria suficiente para comprovar a existência do crédito. A recorrente nada diz sobre ter retificado a DCTF, tampouco sobre eventual erro na DCTF considerada pela DRF na verificação da existência de crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Logo, não foi contestada a utilização do crédito para compensação de crédito confessado em DCTF. Diante dos fatos, passível de conclusão de que a recorrente concorda, haja vista não ter apresentado em suas razões recursais impugnação específica, quanto à necessidade de comprovação documental por meio de apresentação da escrituração contábil e fiscal na data final para apresentação da manifestação de inconformidade. Portanto, restarseá, tão somente, verificar se é procedente a alegação de que o DARF citado no PER/DCOMP é suficiente para comprovar a existência do crédito. Contudo, o despacho decisório é claro ao atestar que o pagamento informado como indevido ou a maior foi integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte e que não sobrou crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Conforme afirmou a Auditora Relatora do acórdão recorrido, a conclusão emitida pela autoridade fiscal da DRF de origem baseouse em dados constantes dos sistemas informatizados da RFB, alimentados por informações prestadas pelos próprios contribuintes por meio de declarações fiscais próprias. Assim, temse que, no caso, o pagamento informado como indevido ou a maior estava totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF como devido. Por consequência, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. A contribuinte não comprovou possível erro na DCTF original que permitisse considerar que o valor pago por meio do DARF informado foi indevido ou a maior. Não tendo ficado provado o fato constitutivo do direito de crédito alegado, então, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, devese considerar correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada. Compartilho do entendimento de que o fato do contribuinte ter retificado a DCTF após a ciência do despacho decisório, por si só, não é motivo suficiente para provocar o não reconhecimento do seu crédito. Logo, entendo como indispensável à apresentação de provas suficientes a justificar o erro de cálculo inicialmente cometido, nos termos do § 1º do artigo 147 do CTN: “Art. 147”. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. §1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento.”. Fl. 335DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900388/200624 Acórdão n.º 3801004.597 S3TE01 Fl. 18 8 Ocorre que a contribuinte não logrou êxito ao apresentar provas contábeis e fiscais suficientes para a comprovação do crédito, carreando aos autos tão somente cópia do DARF e cópia do PER/DCOMP, pelo que, tornase impossível reconhecer o crédito pretendido sem os elementos de prova indispensáveis. Logo, deixou transcorrer a contribuinte a sua oportunidade de produzir provas que sustentassem as suas alegações, ônus que lhe competia, não sendo os documentos juntados em anexo ao recurso voluntário suficientes para provar o direito alegado. Assim, temos que no processo administrativo fiscal, tal qual no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, in casu, da contribuinte. Neste sentido, prevê a Lei n° 9.784/99 em seu art. 36: “Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.” Em igual sentido, temos o art. 333 do CPC: “Art. 333 O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. II – ao réu, quanto à existência de fato impeditiva, modificativa ou extintiva do direito do autor.” Observo que a turma tem admitido a DCTF retificadora mesmo quando posterior à ciência do despacho decisório, porém, somente quando acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis, o que não ocorreu no caso dos autos por silente o contribuinte. Assim, conforme a jurisprudência deste Egrégio Conselho, somente se admite a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, apresentada após a ciência do Despacho Decisório, quando a contribuinte apresentar a documentação adequada e suficiente para provar que houve pagamento indevido ou maior. Quanto ao argumento do contribuinte de que por se tratar de isenção, a contribuinte passou a ser exonerada da obrigação de efetuar o pagamento do tributo, entendo que esse fato não afasta o seu dever de cumprimento de obrigações acessórias. Determina o art. 14, inc. III do CTN que as entidades protegidas pela imunidade e mais ainda aquelas abrangidas pela isenção possuem o dever de: “III manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”. Este dever implica não somente a escrituração e guarda dos livros, mas também dos documentos correspondentes que confirmem as informações contábeis registradas. Deste modo, deixando o contribuinte de trazer aos autos elemento que possa comprovar a sua pretensão, concluo por não ter sido comprovado o direito creditório pretendido, ainda que invocado o princípio da verdade material. Assim, entendo inaplicável ao presente caso o princípio da verdade material, pois ciente a contribuinte de seu dever de trazer aos autos documentação hábil para comprovar seu direito, optou por assim não o fazer. Fl. 336DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10660.900388/200624 Acórdão n.º 3801004.597 S3TE01 Fl. 19 9 Desta forma, em especial pela não comprovação da existência de direito de crédito líquido e certo, entendo que deve ser negado provimento ao presente recurso voluntário, mantendose a decisão que não reconheceu o direito de credito pleiteado e não homologou a compensação a ele vinculada. Em face do exposto, encaminho o voto para NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira – Relator. Fl. 337DF CARF MF Impresso em 04/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 03/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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