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Numero do processo: 10783.904393/2013-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Tue Oct 14 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Acolhem-se os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para esclarecimento do alcance da decisão. Embargos Acolhidos, com Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 3201-012.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao desconto de crédito presumido em relação aos produtos considerados adquiridos de pessoas físicas em decorrência da desconsideração das aquisições fictícias junto a fornecedores pessoas jurídicas de fachada, créditos esses que não poderão ser objeto de ressarcimento, mas apenas de desconto na escrita fiscal, salvo autorização legal em sentido contrário, e desde que tais créditos já não tenham sido considerados na auditoria fiscal.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator
Assinado Digitalmente
Helcio Lafeta Reis – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO PINHEIRO LUCAS RISTOW
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OBSCURIDADE. Acolhem-se os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para esclarecimento do alcance da decisão. Embargos Acolhidos, com Efeitos Infringentes. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao desconto de crédito presumido em relação aos produtos considerados adquiridos de pessoas físicas em decorrência da desconsideração das aquisições fictícias junto a fornecedores pessoas jurídicas de fachada, créditos esses que não poderão ser objeto de ressarcimento, mas apenas de desconto na escrita fiscal, salvo autorização legal em sentido contrário, e desde que tais créditos já não tenham sido considerados na auditoria fiscal. Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow – Relator Assinado Digitalmente Helcio Lafeta Reis – Presidente Fl. 5035DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.620 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10783.904393/2013-49 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Enk de Aguiar, Flavia Sales Campos Vale, Renato Camara Ferro Ribeiro de Gusmao (substituto), Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Fabiana Francisco, Helcio Lafeta Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte com a finalidade de sanar possível omissão e inexatidão material de acórdão proferido por essa turma na sessão no dia 21 de março de 2023, que foi publicado com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. OPERAÇÃO SIMULADA. COMPROVAÇÃO DE MÁ-FÉ. OPERAÇÕES TEMPO DE COLHEITA E BROCA Crédito requerido sobre operação simulada, de pessoas jurídicas de fachada, criadas com o fim exclusivo de legitimar a tomada de créditos integrais de PIS e COFINS, caracterizando, assim, a má-fé e tornando legítima a glosa dos créditos quando na verdade as aquisições eram feitas de pessoas físicas (produtores rurais). Impossibilidade. Diante da comprovada simulação não cabe o direito ao crédito integral. CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS DE COOPERATIVA. Pessoa jurídica, submetida ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep, tem direito a créditos presumido relativos às aquisições de produtos junto à cooperativas de produção agropecuária, nos termos do artigo 8º da Lei 10.925/2004. Nos Embargos propostos alega que deveria constar no acórdão o direito ao crédito presumido sobre as aquisições de café das pessoas físicas que foram simuladas como pessoas jurídicas. Os Embargos foram admitidos pelo presidente da presente turma conforme se extraí do despacho de admissibilidade de embargos: “Diferentemente do alegado pela embargante, o acórdão da DRJ afirmou que a fiscalização concedera o crédito presumido. Se isso tiver efetivamente ocorrido, então não haveria interesse de recorrer por parte da ora embargante, quando da interposição de manifestação de inconformidade. Contudo, não é o que alega a embargante. Destarte, está presente a omissão, não quanto à apreciação do direito ao crédito presumido que já foi reconhecido, mas sim se este crédito compõe, efetivamente, o litígio, pois a embargante fez o pedido em recurso voluntário e o colegiado, Fl. 5036DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.620 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10783.904393/2013-49 3 apesar de reconhecer o crédito, não analisou se tal crédito já havia ou não sido considerado pela fiscalização.” É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Relator O presente Embargos de Declaração foi admitido somente quanto a omissão em relação se o crédito presumido aceito em sede de Recursos Voluntários já tinha sido aceito ou não pela fiscalização. Para resolver tal situação necessário verificar que as Fls. 739 e 740 a fiscalização juntou ao processo Demonstrativo de apuração de PIS no qual deixa claro o valor de “Crédito acumulado passível de ressarcimento “ e “Crédito presumido acum passível de ressarcimento” no qual traz o valor de crédito presumido que foi aceito pela fiscalização em sua análise, como é possível verificar. Todavia na página final do Parecer SEFIS/DRF/VIT nº 16/2016 o fiscal apresenta a seguinte planilha: O valor informado como deferido no Parecer consta somente o valor do crédito, não considerando o valor do crédito presumido passível de ressarcimento gerando dúvida do quanto já foi acatado pela fiscalização na primeira análise do pedido de ressarcimento. Diante do exposto voto por acolher dos Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para reconhecer o direito ao desconto de crédito presumido em relação aos produtos considerados adquiridos de pessoas físicas em decorrência da desconsideração das aquisições fictícias junto a fornecedores pessoas jurídicas de fachada, créditos esses que não poderão ser objeto de ressarcimento, mas apenas de desconto na escrita fiscal, salvo autorização legal em sentido contrário, e desde que tais créditos já não tenham sido considerados na auditoria fiscal. Fl. 5037DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.620 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10783.904393/2013-49 4 Assinado Digitalmente Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow Fl. 5038DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 14751.720182/2018-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014
LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA.
A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, uma vez detectada a ocorrência de erro praticado pelo sujeito passivo no índice de reajuste aplicado sobre a alíquota RAT, o chamado Fator Acidentário Previdenciário (FAP) de que trata o art. 10, da Lei n° 10.666, de 2003, cabe à autoridade tributária proceder ao lançamento, com os devidos acréscimos legais, conforme previsão normativa.
GILRAT AUTOENQUADRAMENTO. FAP CRITÉRIOS DE DESEMPENHO.
O contribuinte deve informar mensalmente, por meio da GFIP, a sua atividade econômica preponderante e a respectiva alíquota de Gilrat correspondente ao grau de risco de sua atividade.
O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de atividade preponderante e grau de risco leve, médio e grave, assim como, os critérios de desempenho da empresa para efeito de aferição do FAP, não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, preconizado no art. 5º, inc. II, e da legalidade tributária, art. 150, I, ambos da Constituição da República.
Havendo discordância quanto ao FAP atribuído pelo Ministério da Previdência Social, caberia ao sujeito contestar tal índice perante o órgão competente daquele Ministério, não cabendo tal discussão no âmbito do processo administrativo fiscal e, tampouco, à fiscalização adotar outro percentual, por expressa previsão normativa de rito próprio para propositura de eventual revisão.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS.
As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judiciais, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquelas objeto da decisão.
Numero da decisão: 2101-003.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Mário Hermes Soares Campos – Relator e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Cleber Ferreira Nunes Leite, Silvio Lúcio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: MARIO HERMES SOARES CAMPOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, uma vez detectada a ocorrência de erro praticado pelo sujeito passivo no índice de reajuste aplicado sobre a alíquota RAT, o chamado Fator Acidentário Previdenciário (FAP) de que trata o art. 10, da Lei n° 10.666, de 2003, cabe à autoridade tributária proceder ao lançamento, com os devidos acréscimos legais, conforme previsão normativa. GILRAT AUTOENQUADRAMENTO. FAP CRITÉRIOS DE DESEMPENHO. O contribuinte deve informar mensalmente, por meio da GFIP, a sua atividade econômica preponderante e a respectiva alíquota de Gilrat correspondente ao grau de risco de sua atividade. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de atividade preponderante e grau de risco leve, médio e grave, assim como, os critérios de desempenho da empresa para efeito de aferição do FAP, não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, preconizado no art. 5º, inc. II, e da legalidade tributária, art. 150, I, ambos da Constituição da República. Havendo discordância quanto ao FAP atribuído pelo Ministério da Previdência Social, caberia ao sujeito contestar tal índice perante o órgão competente daquele Ministério, não cabendo tal discussão no âmbito do processo administrativo fiscal e, tampouco, à fiscalização adotar outro percentual, por expressa previsão normativa de rito próprio para propositura de eventual revisão. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judiciais, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquelas objeto da decisão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Cleber Ferreira Nunes Leite, Silvio Lúcio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-10-10T22:09:08Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-10-10T22:09:08Z; Last-Modified: 2025-10-10T22:09:08Z; dcterms:modified: 2025-10-10T22:09:08Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-10-10T22:09:08Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-10-10T22:09:08Z; meta:save-date: 2025-10-10T22:09:08Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-10-10T22:09:08Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-10-10T22:09:08Z; created: 2025-10-10T22:09:08Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2025-10-10T22:09:08Z; pdf:charsPerPage: 1918; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-10-10T22:09:08Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 14751.720182/2018-98 ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 12 de setembro de 2025 RECURSO VOLUNTÁRIO RECORRENTE VOTORANTIM CIMENTOS N/NE S/A INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, uma vez detectada a ocorrência de erro praticado pelo sujeito passivo no índice de reajuste aplicado sobre a alíquota RAT, o chamado Fator Acidentário Previdenciário (FAP) de que trata o art. 10, da Lei n° 10.666, de 2003, cabe à autoridade tributária proceder ao lançamento, com os devidos acréscimos legais, conforme previsão normativa. GILRAT AUTOENQUADRAMENTO. FAP CRITÉRIOS DE DESEMPENHO. O contribuinte deve informar mensalmente, por meio da GFIP, a sua atividade econômica preponderante e a respectiva alíquota de Gilrat correspondente ao grau de risco de sua atividade. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", assim como, os critérios de desempenho da empresa para efeito de aferição do FAP, não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, preconizado no art. 5º, inc. II, e da legalidade tributária, art. 150, I, ambos da Constituição da República. Havendo discordância quanto ao FAP atribuído pelo Ministério da Previdência Social, caberia ao sujeito contestar tal índice perante o órgão competente daquele Ministério, não cabendo tal discussão no âmbito do processo administrativo fiscal e, tampouco, à fiscalização adotar outro percentual, por expressa previsão normativa de rito próprio para propositura de eventual revisão. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. Fl. 221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 2 As decisões administrativas e judiciais, mesmo proferidas pelo CARF ou pelos tribunais judiciais, que não tenham efeitos vinculantes, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se estendem a outras ocorrências, senão aquelas objeto da decisão. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Mário Hermes Soares Campos – Relator e Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Heitor de Souza Lima Junior, Roberto Junqueira de Alvarenga Neto, Cleber Ferreira Nunes Leite, Silvio Lúcio de Oliveira Junior, Ana Carolina da Silva Barbosa, Mario Hermes Soares Campos (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 108-043.905, da 14ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 08 – DRJ/08 (e.fls. 112/136), que julgou improcedente a impugnação ao lançamento de Contribuição Social Previdenciária destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (Gilrat), incidente sobre a remuneração paga a segurados empregados da autuada, no período de janeiro a dezembro de 2014. Consoante o “Relatório Fiscal”, elaborado pela autoridade fiscal lançadora, parte integrante do Auto de Infração (e.fls. 31/33) a autuação decorre da apuração de divergência de Gilrat sobre bases declaradas da folha de salários de empregados. No Relatório são prestadas as seguintes principais informações relativamente às irregularidades apuradas: 2. DAS CONSIDERAÇÕES INICIAIS 2.1. O presente procedimento fiscal utilizou os dados disponíveis nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, especificamente as declarações prestadas pelo contribuinte através das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, cujos dados foram extraídos do sistema GFIPWEB, com o objetivo de verificar a regularidade das declarações relativas à contribuição patronal destinada ao custeio dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais de trabalho (GILRAT). Fl. 222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 3 2.2. A alíquota GILRAT a ser aplicada decorre do enquadramento da empresa na Classificação Nacional de Atividades Econômicas – CNAE Fiscal. Tal alíquota encontra-se prevista no ANEXO V do Regulamento da Previdência Social – RPS, Decreto nº 3.048/99. A fiscalização adotou a alíquota GILRAT correspondente ao CNAE declarado pelo próprio contribuinte em suas GFIP como atividade preponderante, portanto, não foi avaliado o auto enquadramento do CNAE Fiscal efetuado pelo contribuinte. (...) 2.5. O FAP divulgado pelo Ministério da Previdência Social, para todos os estabelecimentos do contribuinte, referente ao ano de 2014, foi de 1,0000. (...) 3. DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO 3.1. As GFIP válidas, elaboradas e apresentadas pelo contribuinte, cujos dados foram extraídos dos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, consideradas pela fiscalização no presente procedimento, encontram-se identificadas na planilha constante do ANEXO I deste Relatório. Na análise das referidas GFIP a fiscalização constatou que em diversas competências de diversos estabelecimentos o contribuinte elaborou e apresentou a GFIP informando incorretamente o campo correspondente ao Fator Acidentário de Prevenção – FAP e/ou a Alíquota GILRAT. 3.2. Assim sendo, a fiscalização realizou o confronto da alíquota RAT Ajustado constante das GFIP apresentadas pelo contribuinte (resultado da multiplicação da alíquota GILRAT pelo FAP DECLARADOS), com a alíquota RAT Ajustado efetivamente devida pela empresa, calculada pela fiscalização e demonstrada no ANEXO I deste Relatório (multiplicação da alíquota GILRAT pelo FAP CORRETOS), e constatou que o contribuinte declarou a menor a alíquota para cálculo das contribuições destinadas ao custeio dos benefícios decorrentes dos riscos ambientais de trabalho, RAT Ajustado, nas competências e estabelecimentos demonstrados no referido anexo. 3.3. Para apuração do crédito previdenciário, as diferenças de alíquotas constatadas da forma acima descrita foram consideradas sobre a base de cálculo já declarada pelo contribuinte nas GFIP consideradas pela fiscalização (remuneração de segurados empregados), conforme demonstramos na planilha constante do ANEXO II do presente Relatório. 3.4. Pelo exposto, constatada a falta de declaração de contribuições previdenciárias incidentes sobre remunerações de segurados empregados, as contribuições devidas, apuradas conforme demonstrado no ANEXO I e ANEXO II do presente Relatório, foram lançados de ofício nesse procedimento fiscal, agrupadas no Auto de Infração CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DO EMPREGADOR. Fl. 223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 4 (...) (destaques do original) Inconformada com o lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de e.fls. 77/104, onde principia advogando a necessidade de revisão de ofício da autuação, argumentando que o lançamento deveria se restringir à unidade correspondente ao número de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) relacionado a acidente de trabalho em que ocorrido óbito, ensejador da majoração de seu Fator Acidentário Previdenciário (FAP) para o percentual de 1%. Na sequência, é suscitada a declaração de nulidade do lançamento fiscal, por suposta utilização equivocada do acidente de trabalho para lavratura da autuação, argumentando que: “...o Acidente de Trabalho utilizado como referência para o Auto de Infração não tem relação com a atividade da empresa, o que não configuraria exposição a riscos de acidente de trabalho.” Nesse ponto, em tópico intitulado “Do Direito”, passa a autuada a discorrer sobre referido acidente de trabalho e, em continuidade, discorre sobre a lei do FAP, sua metodologia, que adjetiva como restritiva e alega a ilegalidade da Resolução CNPS 1.309/2009. Também suscitada a necessidade de restrição de aplicação do percentual majorado do FAP apenas à unidade específica em que se encontrava lotado o trabalhador que veio a óbito, devendo tal fator ser calculado por unidade/estabelecimento. Finalmente, mais uma vez suscitada a nulidade do lançamento, desta feita sob argumento de: “... impossibilidade de autuação com base em presunções – uma obrigação acessória não pode constituir uma obrigação principal.” Os principais argumentos de defesa, constantes da impugnação, encontram-se devidamente sumariados no Relatório da decisão ora recorrida. Submetida a julgamento junto à DRJ/08, a impugnação foi considerada tempestiva e de acordo com os demais requisitos de admissibilidade, sendo julgada improcedente e mantido integralmente o crédito tributário lançado. O acórdão exarado (e.fls. 112/136) apresenta a seguinte ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 ARGUIÇÃO DE NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do lançamento, quando o Auto de Infração (AI) é emitido por autoridade competente e regularmente cientificado ao sujeito passivo, sendo-lhe concedido prazo para sua manifestação, e quando o AI e seus anexos, o Relatório Fiscal, bem como os demais elementos constantes dos autos, oferecem as condições necessárias para que ele conheça o procedimento fiscal e apresente a sua defesa ao lançamento, estando discriminados, nestes, a situação fática constatada e os dispositivos legais que amparam a autuação. LANÇAMENTO. SUBSUNÇÃO DOS FATOS À HIPÓTESE NORMATIVA. Constatado que os fatos descritos se amoldam à norma que prevê a tributação, deve o Fisco proceder ao lançamento, eis que esta é atividade vinculada e Fl. 224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 5 obrigatória, nos termos do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar ato normativo, sob fundamento de ilegalidade. Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2014 a 31/12/2014 CONTRIBUIÇÃO DAS EMPRESAS PARA FINANCIAMENTO DOS BENEFÍCIOS EM RAZÃO DA INCAPACIDADE LABORATIVA DECORRENTE DOS RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. PROGRESSIVIDADE DA ALÍQUOTA EM FUNÇÃO DO FATOR ACIDENTÁRIO DE PREVENÇÃO. A contribuição da empresa, para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre as remunerações dos segurados empregados e trabalhadores avulsos, varia de 1% a 3%, de acordo com o risco de acidentes do trabalho de sua atividade preponderante, podendo ser majorada ou reduzida em função da aplicação do Fator Acidentário de Prevenção (FAP), nos termos das Leis nº 8.212/1991 e 10.666/2003, com a regulamentação dos Decretos nº 3.048/1999, 6.042/2007 e 6.957/2009. No caso de discordância quanto ao FAP atribuído pelo Ministério da Previdência Social, a empresa poderia contestá-lo perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente da decisão proferida pela DRJ/JFA, a autuada interpôs o recurso voluntário de e.fls. 146/169, onde principia novamente discorrendo sobre o artigo 10 da Lei nº 10.666, de 2003, sua metodologia, que aponta como restritiva e advoga a ilegalidade da Resolução CNPS nº 1.309/2009. Assevera que a regulamentação de referida lei, por meio de resolução, não poderia inovar na pretensão legislativa, de conceder o desconto ou impor a majoração dos percentuais do Gilrat, que não fosse pelos indicadores sinalizados na lei ordinária, a partir dos índices de frequência, gravidade e custo. Discorre sobre os parâmetros estabelecidos pela Resolução CNPS nº 1.316/2010, que seriam utilizados para a apuração dos três indicadores e suas fórmulas, para cálculo dos índices de frequência, gravidade e custos ditados pela Lei nº 10.666/2003. Sustenta que a Resolução nº 1.316/09, teria trazido uma inovação, estabelecendo que o desconto previsto na Lei seria bloqueado caso se registrasse alguma morte por acidente ou doença do trabalho e afirma que: “...essa restrição foi uma inovação trazida por uma Resolução que deveria apenas regulamentar a Lei (sem ter o poder de criar qualquer óbice ou condições restritivas ao desconto Fl. 225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 6 prometido pelo legislador).” Conclui tal tópico, citando doutrina e firmando o entendimento de que, ao criar um impedimento para o desconto a referida Resolução incorreria em flagrante ilegalidade, devendo assim, ser garantido seu: “... direito ao desconto consubstanciado na alíquota 0,5969 então calculada. O bloqueio ao desconto se revela ilegal, prevista na Resolução 1.316/2019.” Em tópico intitulado “2 - Do acidente de trajeto - Impossibilidade de gestão pela empresa - Procedimento revisto pela própria Previdência Ilegalidade reconhecida pelo judiciário”, aduz a recorrente que o bloqueio ao desconto máximo do Gilrat se deu porque no período de apuração do FAP 2014, houve o falecimento de um empregado da contribuinte, por acidente de trajeto que, pela Lei 8.213/91, seria equiparado a acidente típico de trabalho. Sustenta que, nos termos da NR-9, riscos ambientais do trabalho seriam aqueles decorrentes dos agentes físicos, químicos ou biológicos existentes nos ambientes de trabalho. Portanto, ainda segundo a recorrente: “O fato do acidente de trajeto ser equiparado aos acidentes típicos não permite que possam ser eles computados no cálculo do FAP, pois a Lei 10.666/2003 (ordinária, tanto quanto a Lei 8.213/91), estabelece que a alíquota será calculada considerando SOMENTE os acidentes decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (decorrentes dos agentes físicos, químicos e biológicos presentes nos ambientes de trabalho), o que conceitualmente exclui os acidentes de trajeto.” Complementa que a exclusão definitiva dos acidentes de trajeto foi confirmada em 29/04/2017, por meio da Resolução CNP 1.329/2017, quando os acidentes deixaram de ser computados no cálculo da alíquota FAP e argumenta que: A Previdência reconheceu, ainda que tardiamente, o equívoco de se computar os acidentes de trajeto no cálculo do FAP, fazendo agora prevalecer a Lei, que era clara ao definir que somente os acidentes decorrentes dos riscos ambientais do trabalho poderiam ser considerados no cálculo da alíquota. Repita-se: acidente de trajeto NÃO decorre dos riscos físicos, ambientais ou biológicos. Logo, não são decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. E mais: não são gerenciáveis! Ora, temos que a Previdência alterou a metodologia do FAP, passando a excluir os acidentes de trajeto, fazendo-o em obediência à Lei do FAP que assim estabelecia desde o início. (...) Se a Lei 10.666/2003 definia que esses acidentes não deveriam ser computados, temos que a nova Resolução 1.329/2017 está correta e com ela condizente, enquanto as Resoluções anteriores eram ilegais e extrapolavam a Lei ordinária! Não é possível que as duas Resoluções sejam antagônicas entre si e pertinentes em relação à mesma Lei 10.666/2003, já que elas não podem avançar sobre a Lei Ordinária.., e não houve qualquer alteração naquela Lei. O que tivemos foi, enfim, um reconhecimento de que a metodologia estava ilegal: as CATs de trajeto NÃO PODERIAM estar incluídas no cálculo do FAP, pelas razões Fl. 226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 7 e fundamentos já expostos nessa peça, o que revela que a Resolução atual (Resolução 1.329/2017) corrigiu o equívoco das Resoluções anteriores. E se uma CAT de trajeto não pode ser incluída no cálculo do FAP, não pode ser utilizada para impedir o desconto prometido pela Lei do FAP, sobretudo se, como neste caso, sequer houve benefício previdenciário concedido em decorrência desse acidente de trajeto. Também pelo exposto, vem a empresa contribuinte refutar o auto de infração, pela ilegalidade da inclusão do bloqueio em decorrência de uma CAT de trajeto. Caso vencida nos argumentos acima, defende ainda a recorrente, a necessidade de imposição da restrição da alíquota do Gilrat somente à unidade específica onde se encontrava lotado o trabalhador que veio a óbito. Alega que a alíquota SAT e FAP devem ser aplicados por estabelecimento e, no caso em tela, aquele trabalhador falecido estava vinculado à unidade da empresa identificada pelo CNPJ 10.656.452/0080-83, situada à Rod. PE 60, s/n, Zona Industrial 3- B, no município de Ipojuca/PE. Assim, ainda que pertinente o referido bloqueio da redução do Gilrat, deveria se restringir à referida unidade, não podendo avançar sobre a base de cálculo de todas as unidades da empresa, como apurado no auto de infração. A partir desse ponto, a contribuinte apresenta longo histórico da forma de apuração das alíquotas básicas de 1%, 2% e 3%, do SAT/Gilrat, citando a legislação, orientações oriundas da Receita Federal e jurisprudência, e destacando a mudança de entendimento da Administração Tributária, quanto à apuração do grau de risco, e respectivas alíquotas, de forma individualizada por estabelecimento, e não mais considerando a atividade preponderante da empresa como um todo, em observância à Súmula 351 do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Acrescenta que, também com relação ao FAP deveria ser aplicado de formao individualmente por cada estabelecimento da empresa e não pela sua totalidade como procedido no presente lançamento, conforme decidido pelo STJ no REsp 1.408.227/SC. Complementa que: “A própria União, inclusive, considerando o entendimento jurisprudencial que se firmou sobre o tema, ajustou sua metodologia de cálculo, passando a divulgar o Extrato FAP por estabelecimento em 2015 (vigência em 2016), conforme orientações publicadas, inclusive, na Portaria Interministerial MPS/MF n. 432 (DOU de 30/09/2015)(...)” Conclui que, como o FAP adotado no lançamento foi calculado considerando-se os dados da empresa como um todo, ou seja, matriz e filiais, estaria ferindo a finalidade proposta e, por consequência, se revelaria: “... inadequado em relação aos procedimentos da própria Receita Federal, sendo oportuno desde já refutar que o cálculo individualizado não seria possível, uma vez que o referido Auto nos trouxe os cálculos individualizados, por unidade, sendo visível a base de cálculo daquela unidade /0080-83.” Ao final, a recorrente apresenta tópico intitulado “4 - Das recentes decisões judiciais sobre o bloqueio ao desconto”, onde, reproduzindo parte de julgados, afirma que o poder judiciário federal vem declarando a ilegalidade e impertinência dos bloqueios do FAP, tanto para redução da alíquota, quanto para sua elevação, requerendo a reforma da decisão recorrida, com total desconstituição do crédito tributário ou, subsidiariamente, pela cobrança relativa somente à Fl. 227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 8 unidade de final “/0080-83”, em que operava o trabalhador que veio a óbito em acidente de trajeto. É o relatório. VOTO Conselheiro Mário Hermes Soares Campos, Relator A recorrente foi intimada da decisão de primeira instância em 17/07/2024, conforme o “Termo de Ciência por Abertura de Mensagem DTE - Intimação”, de e.fl. 142; tendo sido o recurso protocolizado em 30/07/2024, acorde atesta o “Termo de Solicitação de Juntada” de e.fl. 144, considera-se tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Conforme relatado, o presente lançamento compreende apenas a parcela do RAT/Gilrat relativa à majoração decorrente do Fator Acidentário de Prevenção – FAP atribuído à empresa para o exercício de 2014. Alega inicialmente a Recorrente, que a majoração do FAP teria ofendido dispositivos legais. Antes da análise propriamente do recurso, cumpre esclarecer que as decisões administrativas e judiciais que a recorrente aponta em sua defesa são desprovidas da natureza de normas complementares e não vinculam decisões deste Conselho, sendo opostas somente às partes e de acordo com as características específicas e contextuais dos casos julgados e procedimentos de onde se originaram, não produzindo efeitos em outras lides, ainda que de natureza similar à hipótese julgada. Cabe também pontuar, que os procedimentos que levaram à definição do índice do FAP aplicável à empresa, bem como o lançamento ora discutido, estão definidos em atos normativos de observância obrigatória pela autoridade administrativa, sob pena de responsabilidade funcional, segundo prevê o art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional – CTN (Lei 5.172, de 25 de outubro de 1966). Oportuno destacar o comando dos artigos 202-A e 202-B do Regulamento da Previdência Social (Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999), vigentes à época dos fatos, que tratam especificamente da apuração do RAT: Art. 202-A. As alíquotas constantes nos incisos I a III do art. 202 serão reduzidas em até cinquenta por cento ou aumentadas em até cem por cento, em razão do desempenho da empresa em relação à sua respectiva atividade, aferido pelo Fator Acidentário de Prevenção - FAP. (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). § 1º O FAP consiste num multiplicador variável num intervalo contínuo de cinco décimos (0,5000) a dois inteiros (2,0000), aplicado com quatro casas decimais, considerado o critério de arredondamento na quarta casa decimal, a ser aplicado à respectiva alíquota. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) Fl. 228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 9 § 2º Para fins da redução ou majoração a que se refere o caput, proceder-se-á à discriminação do desempenho da empresa, dentro da respectiva atividade econômica, a partir da criação de um índice composto pelos índices de gravidade, de frequência e de custo que pondera os respectivos percentis com pesos de cinquenta por cento, de trinta cinco por cento e de quinze por cento, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 3º (Revogado pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 4º Os índices de frequência, gravidade e custo serão calculados segundo metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social, levando-se em conta: (Incluído pelo Decreto nº 6.042, de 2007). I - para o índice de frequência, os registros de acidentes e doenças do trabalho informados ao INSS por meio de Comunicação de Acidente do Trabalho - CAT e de benefícios acidentários estabelecidos por nexos técnicos pela perícia médica do INSS, ainda que sem CAT a eles vinculados; (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) II - para o índice de gravidade, todos os casos de auxílio-doença, auxílio-acidente, aposentadoria por invalidez e pensão por morte, todos de natureza acidentária, aos quais são atribuídos pesos diferentes em razão da gravidade da ocorrência, como segue: (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) a) pensão por morte: peso de cinquenta por cento; (Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) b) aposentadoria por invalidez: peso de trinta por cento; e (Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) c) auxílio-doença e auxílio-acidente: peso de dez por cento para cada um; e (Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) III - para o índice de custo, os valores dos benefícios de natureza acidentária pagos ou devidos pela Previdência Social, apurados da seguinte forma: (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) a) nos casos de auxílio-doença, com base no tempo de afastamento do trabalhador, em meses e fração de mês; e (Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) b) nos casos de morte ou de invalidez, parcial ou total, mediante projeção da expectativa de sobrevida do segurado, na data de início do benefício, a partir da tábua de mortalidade construída pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE para toda a população brasileira, considerando-se a média nacional única para ambos os sexos. (Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) § 5º O Ministério da Previdência Social publicará anualmente, sempre no mesmo mês, no Diário Oficial da União, os róis dos percentis de frequência, gravidade e custo por Subclasse da Classificação Nacional de Atividades Econômicas - CNAE e divulgará na rede mundial de computadores o FAP de cada empresa, com as Fl. 229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 10 respectivas ordens de frequência, gravidade, custo e demais elementos que possibilitem a esta verificar o respectivo desempenho dentro da sua CNAE- Subclasse. (Redação dada pelo Decreto nº 6.957, de 2009) (...) § 10. A metodologia aprovada pelo Conselho Nacional de Previdência Social indicará a sistemática de cálculo e a forma de aplicação de índices e critérios acessórios à composição do índice composto do FAP. (Incluído pelo Decreto nº 6.957, de 2009) Art. 202-B. O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. (Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) § 1º A contestação de que trata o caput deverá versar, exclusivamente, sobre razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o cálculo do FAP. (Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) § 2º Da decisão proferida pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional, caberá recurso, no prazo de trinta dias da intimação da decisão, para a Secretaria de Políticas de Previdência Social, que examinará a matéria em caráter terminativo. (Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) § 3º O processo administrativo de que trata este artigo tem efeito suspensivo. (Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) Conforme se verifica, o art. 202-A, trata especificamente do Fator Acidentário de Prevenção, apresentando suas características e forma de aferição, sendo ainda atribuída ao Conselho Nacional de Previdência Social competência para aprovação da metodologia para seu cálculo, indicando a sistemática de cálculo e a forma de aplicação de índices e critérios acessórios à composição do índice composto do FAP. Temos ainda, o comando do art. 202-B, vigente à época dos fatos, que institui a possibilidade de as empresas contestarem administrativamente o FAP a elas atribuído, perante órgão específico do Ministério da Previdência Social. Preceitua o art. 98 do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (aprovado pela Portaria MF nº 1364, de 21 de dezembro de 2023), que é vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. O que se verifica, é que a recorrente, em última análise, questiona os termos do decreto regulamentador do FAP, entretanto, este órgão julgador não possui competência para afastar a aplicação de dispositivos normativos vigentes, sob argumento de ilegalidade, ressalvadas as exceções previstas no Regimento e não caracterizadas no presente caso. Noutro giro, caberia à interessada, a teor do acima reproduzido art. 202-B do RPS, caso discordasse do FAP a ela atribuído, apresentar a devida contestação administrativa junto ao Fl. 230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 11 órgão competente para sua apreciação, providência da qual não se desincumbiu. Assim procedendo, a contribuinte submeteria, ao órgão do MPS responsável pela apreciação de tal contestação, as razões e argumentos que entendesse pertinentes, com vistas ao deferimento de outro percentual de aplicação do FAP, não cabendo assim tal discussão no âmbito do Processo Administrativo Fiscal (PAF), por expressa previsão normativa de rito próprio para propositura de eventual revisão de tal índice. Considerando que os atos normativos regulamentadores do FAP se encontram todos calcados em autorização legal e regulamentar, não cabe a esta relatoria a apreciação da suposta ilegalidade de tais atos. Ademais, presentes na peça recursal ora sob análise parte dos argumentos de defesa já explicitados por ocasião do oferecimento da impugnação, entendo que tais argumentos foram de forma detalhada e exaustivamente analisados e refutados no acórdão proferido pela 14ª Turma de Julgamento da DRJ08. Concordando com os termos e fundamentos do Acórdão nº 1108-043.905, ora objeto de recurso, e não tendo a recorrente apresentado novas razões, que pudessem alterar o entendimento deste julgador, invoco o disposto no § 12 do art. 114 do Anexo II do RICARF, para adotar a decisão da DRJ como minhas razões de decidir. Passo assim, a reproduzir os excertos da decisão de piso que albergo como minhas próprias razões de decidir: VOTO (...) Das alegações de nulidade e improcedência da autuação: 8. Não merece prosperar, aqui, a argumentação da impugnante no sentido de que seria nulo/improcedente o lançamento efetuado pela fiscalização, por meio do AI que integra o presente processo administrativo. (...) 8.3. É de se registrar, em seguida, que o lançamento em tela foi realizado por autoridade competente, e que não há que se falar, no caso, em cerceamento de defesa, tendo sido o AI e seus anexos integrantes regularmente cientificados ao sujeito passivo, sendo-lhe concedido prazo para sua manifestação – oferecimento de contestação e provas, conforme se pode verificar na folha de rosto do AI e no anexo “Orientações ao Sujeito Passivo”, e estando devidamente indicados os fundamentos de fato e de direito que autorizam o lançamento, tendo sido observados todos os princípios que regem o processo administrativo fiscal, entre os quais se encontram o da legalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. (...) 8.5. Ressalte-se que o lançamento realizado, pela fiscalização, por meio do AI que integra este processo, possui os elementos essenciais para se reputar válido, estando revestido das formalidades legais. Fl. 231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 12 8.6. Cumpre enfatizar que o ato administrativo consubstanciado no Auto de Infração que integra o presente processo possui motivo legal, estando os seus fundamentos legais discriminados no anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, bem como motivo de fato, tendo havido, pela fiscalização, a verificação concreta da situação fática para a qual a lei previu o cabimento do ato, e estando as bases de cálculo, as contribuições e as multas discriminadas no “ANEXO I – Demonstrativo de apuração das diferenças na alíquota RAT Ajustado” e no “ANEXO II – Demonstrativo de apuração da contribuição GILRAT devida sobre as bases declaradas de segurados empregados” do Relatório Fiscal, e no anexo “Demonstrativo de Apuração”. 8.7. Tais documentos, que foram entregues ao sujeito passivo, ao indicarem as contribuições exigidas por estabelecimento e competência, com a especificação dos documentos em que tiveram origem, os valores das multas, bem como os dispositivos legais aplicados, pela fiscalização, no lançamento em tela, propiciaram o pleno exercício do direito do contraditório e da ampla defesa constitucionalmente assegurado aos litigantes em processo administrativo. 8.8. É de se salientar, também, que não assiste razão à empresa quando afirma, em sua impugnação, que a análise dos fatos teria sido feita de forma equivocada e que existiria vício material no lançamento fiscal, tendo em vista a incorreta subsunção do fato à norma. 8.9. Note-se que o lançamento foi aqui realizado em observância ao artigo 37 da Lei nº 8.212/1991, abaixo transcrito, com respeito ao princípio da legalidade, tendo em vista a constatação da ocorrência do fato gerador de contribuição previdenciária e do descumprimento de obrigação acessória, no caso concreto, e o disposto na legislação que prevê a tributação, à qual a autoridade administrativa se encontra vinculada. (...) 8.10. Cabe observar, no caso, que a cobrança da contribuição a cargo da empresa para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre o total das remunerações dos segurados empregados e trabalhadores avulsos que lhe prestaram serviços, se deu com amparo na legislação inserida no anexo “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” do AI - artigo 22, inciso II da Lei nº 8.212/1991, artigo 10 da Lei nº 10.666/2003, artigo 202 do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, e artigo 202-A deste mesmo Regulamento, acrescentado pelo Decreto nº 6.042/2007, com redação do Decreto nº 6.957/2009, a seguir transcritos. (...) 8.12. É de se consignar, então, que, como explicitado no Relatório Fiscal, de fls. 31 a 34, “constatada a falta de declaração de contribuições previdenciárias incidentes Fl. 232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 13 sobre remunerações de segurados empregados, as contribuições devidas, apuradas conforme demonstrado no ANEXO I e ANEXO II do presente Relatório, foram lançados de ofício nesse procedimento fiscal, agrupadas no Auto de Infração CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA E DO EMPREGADOR”. 8.13. Cabe registrar, aqui, ainda, ante a argumentação da defendente, que, nos anexos do Relatório Fiscal, houve a indicação, pela fiscalização, por estabelecimento e competência: da remuneração total dos segurados empregados, do código CNAE-Fiscal, da alíquota GILRAT e do FAP declarados pela empresa em GFIP; II) da alíquota GILRAT e do FAP corretos, sendo a primeira correspondente ao CNAE declarado pelo próprio contribuinte em suas GFIP’s como atividade preponderante, e o segundo equivalente ao índice divulgado pelo Ministério da Previdência Social, para todos os estabelecimentos do contribuinte, relativo ao ano de 2014; e, III) da diferença de RAT ajustado e das contribuições lançadas. 8.14. Cumpre informar, também, no caso, que, conforme exposto no Relatório Fiscal, de fls. 31 a 34, e seus anexos, o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) divulgado pelo Ministério da Previdência Social, para todos os estabelecimentos do contribuinte, referente ao ano de 2014, foi de 1,0000. 8.15. É de se mencionar que o contribuinte, em sua impugnação, demonstra inconformismo quanto à referida alíquota do FAP, no entanto, tem-se que não merece reparo, aqui, o procedimento da fiscalização, que considerou o FAP 1,0000 como sendo aquele que deveria ter sido adotado por ele, para fins de apuração das contribuições previdenciárias correspondentes à parte do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. 8.16. Cabe consignar que, conforme relatado pela impugnante, e evidenciado pelos documentos anexados por ela em sua defesa, houve o bloqueio da bonificação do FAP, em 2014, por morte, em acidente de trabalho, do tipo trajeto (CAT 2011.147.709-3/01, emitida pelo estabelecimento com CNPJ 10.656.452/0080-83), com base na Resolução CNPS nº 1.316/2010, que sustenta ser ilegal, segundo a qual ocorreria a “Geração do Fator Acidentário de Prevenção - FAP por Empresa” e “Caso a empresa apresente casos de morte ou invalidez permanente, decorrentes de acidentes ou doenças do trabalho, seu valor FAP não pode ser inferior a um”. 8.17. É de se observar, no caso, também, que, como mencionado pela própria empresa, em sua impugnação, a Lei nº 8.213/1991, em seu art. 21, equiparou ao acidente de trabalho: “... o acidente sofrido pelo segurado ainda que fora do local e horário de trabalho... no percurso da residência para o local de trabalho ou deste para aquela, qualquer que seja o meio de locomoção...”. Fl. 233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 14 8.18. Cumpre salientar que a atividade da autoridade administrativa se encontra vinculada aos dispositivos normativos que tratam da matéria, vigentes à época dos fatos geradores, não podendo, aqui, afastar sua aplicação, nos termos do artigo 116, inciso III da Lei nº 8.112/1990, a seguir transcrito. 8.19. É de se registrar, também, que questões relativas à ilegalidade de dispositivos normativos não são passíveis de apreciação por esta instância administrativa. 8.20. Note-se que o ato normativo, cuja ilegalidade não tenha sido declarada, surtirá efeitos enquanto vigente, devendo ser observado pela autoridade administrativa. 8.21. Cumpre enfatizar, aqui, ademais: I) que o FAP da empresa é divulgado na rede mundial de computadores pelo governo federal; II) que ela não trouxe aos autos, em sua defesa, qualquer elemento hábil e suficiente a comprovar que a fiscalização teria considerado, no caso, o FAP incorreto; e, III) que, quando a empresa discordava do FAP que lhe era atribuído, podia contestá-lo perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial, conforme dispõe o artigo 202-B do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, incluído pelo Decreto nº 7.126, de 03/03/2010, a seguir reproduzido, não sendo este, portanto, o fórum adequado para a apreciação de contestação quanto ao referido índice. RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999: Art.202-B. O FAP atribuído às empresas pelo Ministério da Previdência Social poderá ser contestado perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial. (Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) § 1º A contestação de que trata o caput deverá versar, exclusivamente, sobre razões relativas a divergências quanto aos elementos previdenciários que compõem o cálculo do FAP. (Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) § 2º Da decisão proferida pelo Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional, caberá recurso, no prazo de trinta dias da intimação da decisão, para a Secretaria de Políticas de Previdência Social, que examinará a matéria em caráter terminativo. (Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) § 3º O processo administrativo de que trata este artigo tem efeito suspensivo. (Incluído pelo Decreto nº 7.126, de 2010) (grifos nossos) 8.22. Com relação à Resolução CNPS nº 1.329/2017, citada pela defendente, que, segundo ela, teria determinado que "os acidentes de trajeto não mais serão Fl. 234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 15 computados no cálculo da alíquota FAP", tem-se que não é aplicável ao caso em tela, considerando: a) que a autuação em tela se refere às competências 01/2014 a 13/2014; b) que, nos termos do art. 144 do Código Tributário Nacional (CTN), o lançamento “reporta-se à data da ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada”; e, c) que, de acordo com o art. 2º da referida resolução, ela entrou em vigor na data de sua publicação e “produzirá efeitos a partir do cálculo do Fator Acidentário de Prevenção – FAP 2017”, com vigência em 2018”. 8.23. Cabe consignar, também, que não há que se falar, aqui, em equívoco da fiscalização na realização dos cálculos do Auto de Infração e em revisão do lançamento, de forma a restringir o bloqueio da bonificação do FAP e aplicar a sua majoração apenas ao CNPJ relacionado ao acidente de trabalho, tendo em vista, no caso, a legislação vigente à época dos fatos geradores, à qual a autoridade administrativa se encontra vinculada, e que, como explicitado no Relatório Fiscal, de fls. 31 a 34, o Fator Acidentário de Prevenção (FAP) divulgado pelo Ministério da Previdência Social, para todos os estabelecimentos do contribuinte, referente ao ano de 2014, foi de 1,0000. 8.24. E, isto posto, tem-se que deve ser mantido o lançamento efetuado pela fiscalização, por meio do AI que integra este processo administrativo. (...) Adiciono que, no Relatório Fiscal, a autoridade lançadora esclarece que as diferenças de alíquota do RAT ajustado encontram-se discriminadas no “ANEXO I - Demonstrativo de apuração das diferenças na alíquota RAT Ajustado”. Referido anexo encontra-se acostado aos autos (e.fls. 35/50), sendo que em suas colunas intituladas “CNPJ/CEI do Estabelecimento” e “Alíquota GILRAT (A)”, é de fácil constatação que as alíquotas do SAT/Gilrat utilizadas, para efeito de cálculo das diferenças objeto do presente lançamento, tiveram como referência cada estabelecimento da pessoa jurídica tomado isoladamente, haja vista, as múltiplas alíquotas apontadas na respectiva coluna. Portanto, as alíquotas do SAT/Gilrat utilizadas no lançamento teve por base o coeficiente e respectivo risco de acidente de trabalho declarados pela autuada, definidos isoladamente por estabelecimento. Por outro lado, para efeito de lançamento da diferença de contribuição apurada, a fiscalização se utilizou do Fator Acidentário de Prevenção 1,000, único divulgado pelo Ministério da Previdência Social para todos os estabelecimentos da autuada para o ano de 2014, sendo este um dos inconformismos da recorrente. Entretanto, conforme já explicitado no início deste Voto, e em trecho acima reproduzido da decisão recorrida, caberia à interessada, caso discordasse do FAP a ela atribuído, apresentar a devida contestação administrativa junto ao órgão competente para sua apreciação conforme disposto no art. 202-B do RPS (vigente à época do enquadramento). Providência da qual não se desincumbiu, não cabendo tal discussão no âmbito deste processo administrativo Fl. 235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 16 fiscal e, tampouco, à fiscalização adotar outro percentual, por expressa previsão normativa de rito próprio para propositura de eventual revisão de tal índice. Nesse sentido, oportuno repisar o seguinte trecho da decisão de piso: 8.21. Cumpre enfatizar, aqui, ademais: I) que o FAP da empresa é divulgado na rede mundial de computadores pelo governo federal; II) que ela não trouxe aos autos, em sua defesa, qualquer elemento hábil e suficiente a comprovar que a fiscalização teria considerado, no caso, o FAP incorreto; e, III) que, quando a empresa discordava do FAP que lhe era atribuído, podia contestá-lo perante o Departamento de Políticas de Saúde e Segurança Ocupacional da Secretaria de Políticas de Previdência Social do Ministério da Previdência Social, no prazo de trinta dias da sua divulgação oficial, conforme dispõe o artigo 202-B do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, incluído pelo Decreto nº 7.126, de 03/03/2010, a seguir reproduzido, não sendo este, portanto, o fórum adequado para a apreciação de contestação quanto ao referido índice Portanto, a autoridade lançadora nada mais fez do que, no estrito cumprimento da norma legal vinculante, proceder ao lançamento utilizando-se do FAP de 1,0000, divulgado pelo MPS para todos os estabelecimentos da pessoa jurídica. Em que pese os argumentos de defesa da recorrente, não poderia a fiscalização adotar coeficientes do FAP distintos por unidade da empresa, posto que este foi definido pelo Ministério para todos os estabelecimentos. Deve ainda ser repisado, que à época dos fatos, a norma era clara quanto ao cômputo dos acidentes de percurso para efeito de apuração do fator acidentário, não obstante o fato de que, qualquer inconformismo, seja quanto ao critério adotado, seja quanto à abrangência, deveria ter sido proposto junto ao órgão competente daquele Ministério. Posto que em sua peça recursal, a contribuinte reitera os argumentos de defesa apresentados por ocasião da impugnação, tendo sido a matéria adequada e suficientemente abordada na decisão recorrida, por concordar com tais fundamentos, também os adoto como razões de decidir, juntamente com os demais fundamentos apresentados. Nesses termos, sendo a atividade administrativa do lançamento vinculada e obrigatória, uma vez detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, cabe à autoridade tributária proceder ao lançamento, com os devidos acréscimos legais, conforme previsão normativa. Correto assim o procedimento fiscal adotado, uma vez que inexistente qualquer circunstância que permita o afastamento do lançamento, devendo ser mantida a presente autuação. Conclusão Baseado em todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. Assinado Digitalmente Fl. 236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2101-003.339 – 2ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 14751.720182/2018-98 17 Mário Hermes Soares Campos Fl. 237DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.907047/2014-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRRF. COMPROVAÇÃO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO.
Para fins de reconhecimento de direito creditório decorrente de IRRF e sua consequente compensação com débitos de IRPJ, é imprescindível a comprovação documental idônea do valor retido, sua vinculação à tributação efetiva na apuração do lucro real e a compatibilidade com as declarações fiscais apresentadas, o que não ocorreu no caso concreto.
Numero da decisão: 1102-001.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Cristiane Pires McNaughton – Relatora
Assinado Digitalmente
Fernando Beltcher da Silva – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Gustavo de Oliveira Machado (substituto[a] integral), Fernando Beltcher da Silva (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Gabriel Campelo de Carvalho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Gustavo de Oliveira Machado.
Nome do relator: CRISTIANE PIRES MCNAUGHTON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRRF. COMPROVAÇÃO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Para fins de reconhecimento de direito creditório decorrente de IRRF e sua consequente compensação com débitos de IRPJ, é imprescindível a comprovação documental idônea do valor retido, sua vinculação à tributação efetiva na apuração do lucro real e a compatibilidade com as declarações fiscais apresentadas, o que não ocorreu no caso concreto.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton – Relatora Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Gustavo de Oliveira Machado (substituto[a] integral), Fernando Beltcher da Silva (Presidente). Ausente(s) o conselheiro(a) Gabriel Campelo de Carvalho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Gustavo de Oliveira Machado.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IRRF. COMPROVAÇÃO. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. Para fins de reconhecimento de direito creditório decorrente de IRRF e sua consequente compensação com débitos de IRPJ, é imprescindível a comprovação documental idônea do valor retido, sua vinculação à tributação efetiva na apuração do lucro real e a compatibilidade com as declarações fiscais apresentadas, o que não ocorreu no caso concreto. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton – Relatora Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Lizandro Rodrigues de Sousa, Cristiane Pires Mcnaughton, Roney Sandro Freire Correa, Gustavo Schneider Fossati, Gustavo de Oliveira Machado (substituto[a] integral), Fernando Beltcher da Silva (Presidente). Ausente(s) o Fl. 326DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.740 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.907047/2014-03 2 conselheiro(a) Gabriel Campelo de Carvalho, substituído(a) pelo(a) conselheiro(a) Gustavo de Oliveira Machado. RELATÓRIO Trata-se, o presente processo, na origem, de declarações de compensação de saldo negativo de IRPJ apresentados pela Recorrente, com a utilização de crédito relativo ao exercício de 2005 (06/10/2004 a 31/12/2004), no valor de R$ 365.748,69. O Despacho Decisório, sob o número de rastreamento 079306571 (fls. 140), homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP n. 15013.71269.090210.1.7.02-5370 e não homologou a compensação declarada na PER/DCOMP n. 08391.54640.161209.1.3.02-7933, pois o montante comprovado das parcelas de composição do crédito foi insuficiente para respaldar integralmente o valor do saldo negativo alegado pela Recorrente: Dessa forma, os débitos indevidamente compensados foram enviados para cobrança: Cientificada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 03/10) na qual impugnou os fundamentos da decisão administrativa, sustentando que as divergências apontadas são improcedentes. Ao analisar a defesa apresentada pela Recorrente, a 12ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 07 – DRJ07, proferiu o acórdão n. 107-002.331 (fls. 147- 151), no qual por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, conforme os seguintes termos extraídos do voto: A interessada não apresentou o comprovante de retenção e junta NF nº 02 e 04 (fls. 110 e 111). A Nota Fiscal além de não ser o documento hábil, é documento de sua própria emissão e não permite confirmar a retenção, uma vez que esta ocorre no momento do pagamento e não no momento da emissão de nota, conforme legislação abaixo transcrita: Fl. 327DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.740 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.907047/2014-03 3 (...) Cabe ressaltar que a compensação do imposto sobre a renda retido da pessoa jurídica deverá ser feita de acordo com o comprovante de rendimentos, mensal ou trimestral e somente pode ser efetuada a partir da retenção que somente ocorre no pagamento. O contribuinte não apresenta extrato comprovando o depósito do valor líquido, a escrituração dos valores e o comprovante do depósito, nem nenhum outro elemento para comprovar o recebimento dos valores. Assim sendo, no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto sobre a renda retido na fonte referente a rendimentos já computados na apuração do lucro real de períodos de apuração anteriores, em observância ao regime de competência, somente poderá ser deduzido do imposto devido no encerramento do período de apuração em que tiver ocorrido a retenção. Contrariamente ao que afirma o contribuinte, o correto é a apresentação da DIRF no regime de caixa e a dedução somente poderá ser feita a partir da retenção que ocorre no pagamento pela prestação de serviço. (...) Pelo exposto, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. Irresignada com a decisão, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 163/182), no qual aduz, em síntese: (a) Que é pessoa jurídica de direito privado dedicada à exploração de concessão de serviços públicos essenciais de limpeza urbana, notadamente coleta, transporte e destinação final de resíduos sólidos na Cidade de São Paulo, sendo sua remuneração paga pela Prefeitura, que procede à retenção na fonte do Imposto de Renda. Essa é a origem do saldo negativo utilizado na compensação. (b) Em primeira instância, desconsiderando tais fatos, o órgão julgador entendeu que a Recorrente não faria jus ao saldo negativo suficiente à compensação informada na PER/DCOMP. (c) A decisão apontou que as retenções que geraram o saldo negativo não foram integralmente reconhecidas, motivo pelo qual o crédito informado não poderia ser aceito. (d) Do montante de R$ 365.748,69 a título de retenções na fonte, apenas R$ 29.783,32 teriam sido confirmados, não restando qualquer montante de saldo negativo a compensar. Na PER/DCOMP – demonstrativo de crédito, o saldo negativo a compensar corresponde exatamente ao montante das retenções. A Fl. 328DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.740 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.907047/2014-03 4 análise do crédito ainda apontou R$ 335.965,37 como parcela não confirmada de retenções supostamente não comprovadas. (e) A Recorrente alega que o saldo devedor não existe, pois as informações fornecidas, na DIPJ e nos PER/DCOMPS, estão devidamente amparadas nas notas fiscais emitidas à Prefeitura de São Paulo, fonte pagadora. (f) As duas notas fiscais emitidas em 2004 somam R$ 33.356.537,60, exatamente o montante informado na DIPJ e utilizado para compor o saldo negativo que foi compensado. As retenções relativas a essas duas notas perfazem R$ 335.965,37. (g) À época da entrega da DCOMP, a DIRF da Prefeitura não refletia as retenções relativas a essas notas, o que levou a Receita Federal a concluir, equivocadamente, pela inexistência das retenções. (h) A DIRF, obviamente, que cumpria à fonte retentora apresentar, é declaração a que a Recorrente de modo algum teria acesso. O órgão julgador, porém, certamente, a ele poderia recorrer para sanar eventual dúvida sobre as retenções, privilegiando a verdade material e a boa-fé da Recorrente. (i) Alega que o v. acórdão recorrido contraria a jurisprudência pacífica do CARF, ao desconsiderar o conjunto probatório apresentado pela Recorrente — em especial a comprovação dos pagamentos líquidos efetuados pela Prefeitura de São Paulo — sob o argumento de que apenas o informe de rendimentos seria documento hábil para demonstrar a retenção. (j) Quanto à DIRF, sustenta que o sistema da Prefeitura de São Paulo passou a disponibilizar tais informações apenas posteriormente, razão pela qual não havia acesso às DIRFs de 2004 e 2005 à época da apresentação da DCOMP e da Manifestação de Inconformidade. Assim, a Recorrente não poderia tê-las juntado, motivo pelo qual instruiu sua defesa com toda a documentação então disponível. Destaca, ainda, que a autoridade fiscal poderia, a qualquer tempo, consultar as DIRFs e certificar as retenções, caso entendesse necessário. (k) Invoca a Súmula CARF nº 143. (l) Afirma que, em desacordo com a jurisprudência pacífica do CARF, a decisão deixou de considerar que a diferença entre as declarações da Recorrente e o informe da Prefeitura decorre apenas da adoção de regimes contábeis distintos (competência x caixa), o que não justifica a glosa dos créditos. (m) Destaca que acostou aos autos provas de pagamentos líquidos efetuados pela Prefeitura, confirmando de forma inequívoca que as retenções foram realizadas. É o relatório. Fl. 329DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.740 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.907047/2014-03 5 VOTO Conselheira Cristiane Pires McNaughton, Relatora. 1 ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. 2 MÉRITO A Recorrente esclarece que é pessoa jurídica privado, dedicada à exploração de concessão dos serviços públicos essenciais de limpeza urbana, especificamente, coleta, transporte e destinação final de Resíduos Sólidos Urbanos na e para a Cidade de São Paulo. A remuneração pelos serviços prestados é, assim, paga pela Prefeitura de São Paulo que, por seu turno, retém na fonte o Imposto Sobre a Renda. Esta é a origem do saldo negativo compensado pela Recorrente. Com efeito, do montante de R$ 365.748,69 a título de retenções na fonte, apenas R$ 29.783,32 foram confirmados pelo despacho decisório. A DRJ manteve o não reconhecimento do direito creditório pleiteado uma vez que a contribuinte não apresentou o comprovante de retenção. A instância de piso reforçou, ainda, que no caso de pessoa jurídica tributada com base no lucro real, o imposto sobre a renda retido na fonte referente a rendimentos já computados na apuração do lucro real de períodos de apuração anteriores, em observância ao regime de competência, somente poderá ser deduzido do imposto devido no encerramento do período de apuração em que tiver ocorrido a retenção. Afirmou, ainda, que, contrariamente ao quanto defendido pelo contribuinte, o correto é a apresentação da DIRF no regime de caixa e a dedução somente poderá ser feita a partir da retenção que ocorre no pagamento pela prestação de serviço. A Recorrente, em sua defesa, aduz que as informações por ela fornecidas, na DIPJ e nos PER/DCOMPS, estão devidamente amparadas nas notas fiscais emitidas à Prefeitura de São Paulo, fonte pagadora. Ressalta que as duas notas fiscais emitidas em 2004 somam R$ 33.356.537,60, exatamente o montante informado na DIPJ e utilizado para compor o saldo negativo que foi compensado. As retenções relativas a essas duas notas perfazem R$ 335.965,37, qual seja, o valor não confirmado. De fato, conforme a Súmula n. 143 do CARF a prova do imposto de renda retido na fonte não se faz exclusivamente por meio do comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, contudo, é preciso, um acervo provatório robusto para comprovar a liquidez e certeza do crédito pleiteado. Fl. 330DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.740 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.907047/2014-03 6 Nesses termos o contribuinte deveria ter juntado extrato comprovando o depósito do valor líquido, a escrituração dos valores e o comprovante do depósito, ou outro elemento para comprovar o recebimento dos valores, quando somente apresentou as notas fiscais que isoladamente consideradas não comprovam o quanto alegado pois embora haja o destaque não comprova a retenção efetiva do imposto. 3 DISPOSITIVO Pelo exposto, voto no sentido de considerar negar provimento ao Recurso Voluntário para não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. Assinado Digitalmente Cristiane Pires McNaughton Fl. 331DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 Admissibilidade 2 Mérito 3 dispositivo
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Numero do processo: 10660.720222/2016-06
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL-FISCALIZAÇÃO (MPF-F). PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. VALIDADE.
No Termo de Início de Ação Fiscal consta a numeração do correspondente MPF-F e o seu código de acesso à internet, permitindo que o sujeito passivo, sempre que necessitar, providencie o acesso a tal instrumento e, portanto, fica, automaticamente cientificado de sua regular emissão, assim como de suas eventuais alterações, como prorrogações de prazo, inclusão ou exclusão de autoridade fiscal.
Não comprovada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2011
EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO.
Por força do inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamenta o art. 6º da LC nº 105, de 2001, a prática de atos que caracterizam embaraço à fiscalização (não fornecimento de informações sobre movimentação financeira), devidamente conceituados no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o exame de extratos e demais documentos bancários dos contribuintes.
SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR.
Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui violação ao dever de sigilo a transferência de dados bancários das instituições financeiras para a administração tributária, conforme autorizado pela legislação e referendado pela Suprema Corte Nacional.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA.
Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA.
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei.
LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDA DE VEÍCULOS USADOS. COEFICIENTE APLICÁVEL SOBRE AS RECEITA BRUTA.
Como a autoridade fiscal entendeu que não havia comprovação das consignações dos veículos revendidos, cuja receita bruta fora omitida e fora objeto do arbitramento do lucro, não se deve aplicar dispositivo que confere uma faculdade ao contribuinte de equiparação da revenda típica à consignação, sobretudo, porque desconsidera a própria sistemática de aplicação da regra.
Tal opção conferida ao sujeito passivo decorre de uma equiparação da consignação à prestação de serviços, a exemplo da intermediação, de modo que se busca tributar o lucro da atividade num coeficiente de presunção típico da prestação de serviços. Por isso, além do coeficiente de presunção do lucro ser maior do que aquele aplicável às revendas, tem-se uma mitigação da base de cálculo, de modo que a base de cálculo sujeita ao IRPJ é o resultado da subtração do valor da consignação ao valor de venda do veículo (a comissão).
Não se pode presumir o percentual de presunção de lucro facultativo à atividade de consignação, que não estava configurada, pois, como entendido no próprio TVF, não houve comprovação da consignação, nem para a dedução do custo de aquisição dos veículos e nem para a aplicação do coeficiente de 32%. As provas que a contribuinte produziu foram desconsideradas corretamente, já que não tinham o substrato formal adequado para comprovar os custos de aquisição dos veículos, logo, não se pode inadmitir as provas da consignação, mas, ainda assim, entender que tal atividade ocorrera, sob pena de criar uma teratológica interpretação jurídica que desconsidera o objetivo principal do lançamento: tributar adequadamente os lucros da contribuinte.
Deve-se, portanto, acolher a tese de defesa, a fim de que seja recalculado o IRPJ lançado, considerando o coeficiente de presunção de lucro de 8%, majorado em 20% já que arbitrado o lucro.
LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. COEFICIENTE APLICÁVEL SOBRE A RECEITA BRUTA.
No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado.
PROCEDIMENTO REFLEXO. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se de tributação reflexa, a decisão prolatada no lançamento principal (IRPJ) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula, inexistindo razão de fato e direito para decidir diversamente.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI.
Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE HIPÓTESE DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. HIPÓTESE CONFIGURADA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/1996.
Configurada a conduta qualificada correspondente a sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.506/1964, é aplicável a multa qualificada às condutas antijurídicas praticadas pelos sujeitos passivos. Em razão da alteração no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, promovida pela Lei nº 14.689/2023, deve ser aplicado o instituto da retroatividade benigna prevista no artigo 106 do CTN, para limitar o seu percentual ao novo patamar previsto na legislação.
Numero da decisão: 1302-007.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o lançamento de IRPJ no montante de R$ 1.029.791,28, e reduzir a multa qualificada ao patamar de 100%; (ii) em relação às razões recursais do responsável solidário, por maioria de votos, em manter a responsabilidade solidária atribuída ao Sr. Celso Pereira, nos termos do relatório e voto do Relator, vencida a Conselheira Natália Uchôa Brandão, que votou por afastá-la.
Assinado Digitalmente
Henrique Nimer Chamas – Relator
Assinado Digitalmente
Sergio Magalhães Lima – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natalia Uchoa Brandao, Sergio Magalhaes Lima (Presidente).
Nome do relator: HENRIQUE NIMER CHAMAS
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Por força do inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamenta o art. 6º da LC nº 105, de 2001, a prática de atos que caracterizam embaraço à fiscalização (não fornecimento de informações sobre movimentação financeira), devidamente conceituados no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o exame de extratos e demais documentos bancários dos contribuintes. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não constitui violação ao dever de sigilo a transferência de dados bancários das instituições financeiras para a administração tributária, conforme autorizado pela legislação e referendado pela Suprema Corte Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDA DE VEÍCULOS USADOS. COEFICIENTE APLICÁVEL SOBRE AS RECEITA BRUTA. Como a autoridade fiscal entendeu que não havia comprovação das consignações dos veículos revendidos, cuja receita bruta fora omitida e fora objeto do arbitramento do lucro, não se deve aplicar dispositivo que confere uma faculdade ao contribuinte de equiparação da revenda típica à consignação, sobretudo, porque desconsidera a própria sistemática de aplicação da regra. Tal opção conferida ao sujeito passivo decorre de uma equiparação da consignação à prestação de serviços, a exemplo da intermediação, de modo que se busca tributar o lucro da atividade num coeficiente de presunção típico da prestação de serviços. Por isso, além do coeficiente de presunção do lucro ser maior do que aquele aplicável às revendas, tem-se uma mitigação da base de cálculo, de modo que a base de cálculo sujeita ao IRPJ é o resultado da subtração do valor da consignação ao valor de venda do veículo (a comissão). Não se pode presumir o percentual de presunção de lucro facultativo à atividade de consignação, que não estava configurada, pois, como entendido no próprio TVF, não houve comprovação da consignação, nem para a dedução do custo de aquisição dos veículos e nem para a aplicação do coeficiente de 32%. As provas que a contribuinte produziu foram desconsideradas corretamente, já que não tinham o substrato formal adequado para comprovar os custos de aquisição dos veículos, logo, não se pode inadmitir as provas da consignação, mas, ainda assim, entender que tal atividade ocorrera, sob pena de criar uma teratológica interpretação jurídica que desconsidera o objetivo principal do lançamento: tributar adequadamente os lucros da contribuinte. Deve-se, portanto, acolher a tese de defesa, a fim de que seja recalculado o IRPJ lançado, considerando o coeficiente de presunção de lucro de 8%, majorado em 20% já que arbitrado o lucro. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. COEFICIENTE APLICÁVEL SOBRE A RECEITA BRUTA. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. PROCEDIMENTO REFLEXO. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, a decisão prolatada no lançamento principal (IRPJ) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula, inexistindo razão de fato e direito para decidir diversamente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE HIPÓTESE DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. HIPÓTESE CONFIGURADA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/1996. Configurada a conduta qualificada correspondente a sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.506/1964, é aplicável a multa qualificada às condutas antijurídicas praticadas pelos sujeitos passivos. Em razão da alteração no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, promovida pela Lei nº 14.689/2023, deve ser aplicado o instituto da retroatividade benigna prevista no artigo 106 do CTN, para limitar o seu percentual ao novo patamar previsto na legislação.
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PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. VALIDADE. No Termo de Início de Ação Fiscal consta a numeração do correspondente MPF-F e o seu código de acesso à internet, permitindo que o sujeito passivo, sempre que necessitar, providencie o acesso a tal instrumento e, portanto, fica, automaticamente cientificado de sua regular emissão, assim como de suas eventuais alterações, como prorrogações de prazo, inclusão ou exclusão de autoridade fiscal. Não comprovada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2011 EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Por força do inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamenta o art. 6º da LC nº 105, de 2001, a prática de atos que caracterizam embaraço à fiscalização (não fornecimento de informações sobre movimentação financeira), devidamente conceituados no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o exame de extratos e demais documentos bancários dos contribuintes. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais Fl. 2464DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 2 tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não constitui violação ao dever de sigilo a transferência de dados bancários das instituições financeiras para a administração tributária, conforme autorizado pela legislação e referendado pela Suprema Corte Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDA DE VEÍCULOS USADOS. COEFICIENTE APLICÁVEL SOBRE AS RECEITA BRUTA. Como a autoridade fiscal entendeu que não havia comprovação das consignações dos veículos revendidos, cuja receita bruta fora omitida e fora objeto do arbitramento do lucro, não se deve aplicar dispositivo que confere uma faculdade ao contribuinte de equiparação da revenda típica à consignação, sobretudo, porque desconsidera a própria sistemática de aplicação da regra. Tal opção conferida ao sujeito passivo decorre de uma equiparação da consignação à prestação de serviços, a exemplo da intermediação, de modo que se busca tributar o lucro da atividade num coeficiente de presunção típico da prestação de serviços. Por isso, além do coeficiente de presunção do lucro ser maior do que aquele aplicável às revendas, tem-se uma mitigação da base de cálculo, de modo que a base de cálculo sujeita ao IRPJ é o resultado da subtração do valor da consignação ao valor de venda do veículo (a comissão). Fl. 2465DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 3 Não se pode presumir o percentual de presunção de lucro facultativo à atividade de consignação, que não estava configurada, pois, como entendido no próprio TVF, não houve comprovação da consignação, nem para a dedução do custo de aquisição dos veículos e nem para a aplicação do coeficiente de 32%. As provas que a contribuinte produziu foram desconsideradas corretamente, já que não tinham o substrato formal adequado para comprovar os custos de aquisição dos veículos, logo, não se pode inadmitir as provas da consignação, mas, ainda assim, entender que tal atividade ocorrera, sob pena de criar uma teratológica interpretação jurídica que desconsidera o objetivo principal do lançamento: tributar adequadamente os lucros da contribuinte. Deve-se, portanto, acolher a tese de defesa, a fim de que seja recalculado o IRPJ lançado, considerando o coeficiente de presunção de lucro de 8%, majorado em 20% já que arbitrado o lucro. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. COEFICIENTE APLICÁVEL SOBRE A RECEITA BRUTA. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. PROCEDIMENTO REFLEXO. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se de tributação reflexa, a decisão prolatada no lançamento principal (IRPJ) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula, inexistindo razão de fato e direito para decidir diversamente. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Fl. 2466DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 4 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CONSTATAÇÃO DE HIPÓTESE DE SONEGAÇÃO, FRAUDE OU CONLUIO. HIPÓTESE CONFIGURADA. RETROATIVIDADE BENIGNA DO ARTIGO 44 DA LEI Nº 9.430/1996. Configurada a conduta qualificada correspondente a sonegação, fraude ou conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.506/1964, é aplicável a multa qualificada às condutas antijurídicas praticadas pelos sujeitos passivos. Em razão da alteração no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, promovida pela Lei nº 14.689/2023, deve ser aplicado o instituto da retroatividade benigna prevista no artigo 106 do CTN, para limitar o seu percentual ao novo patamar previsto na legislação. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exonerar o lançamento de IRPJ no montante de R$ 1.029.791,28, e reduzir a multa qualificada ao patamar de 100%; (ii) em relação às razões recursais do responsável solidário, por maioria de votos, em manter a responsabilidade solidária atribuída ao Sr. Celso Pereira, nos termos do relatório e voto do Relator, vencida a Conselheira Natália Uchôa Brandão, que votou por afastá-la. Assinado Digitalmente Henrique Nimer Chamas – Relator Assinado Digitalmente Sergio Magalhães Lima – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Izaguirre da Silva, Henrique Nimer Chamas, Alberto Pinto Souza Junior, Miriam Costa Faccin, Natalia Uchoa Brandao, Sergio Magalhaes Lima (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recursos Voluntários oposto em face de acórdão da DRJ, que julgou procedente em parte as impugnações dos sujeitos passivos. Fl. 2467DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 5 Em face dos sujeitos passivos foram lavrados os autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins (fls. 2 a 63), referente ao ano-calendário de 2011, onde se constatou a necessidade do arbitramento do lucro em face de omissão de receitas por presunção legal (depósitos de origem não comprovada) e de receitas com revenda de mercadorias e prestação de serviços em geral, acrescidos de multa qualificada de 150%. Foi imputada responsabilidade solidária ao Sr. Celso Pereira, com fundamento no artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional (“CTN”, fls. 265 a 268). Destaco os seguintes trechos do Termo de Verificação Fiscal (“TVF”) (fls.64 a 104) que dizem respeito ao lançamento: I - Síntese dos Trabalhos Resumidamente os procedimentos fiscais são relativos ao ano-calendário de 2011 e teve como ponto de partida a identificação de uma extensa movimentação bancária em torno de R$ 30.637.248,65, com créditos não comprovados no total de R$ 14.354.657,03. No mesmo período, informou na Declaração de Informações Econômico-Fiscais de Pessoa Jurídica – DIPJ, tendo apuração pelo LUCRO PRESUMIDO, e declarado e pago apenas R$ 991,31 de IRPJ. Esses valores e demais tributos constam na Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, os quais foram pagos, conforme demonstrativo abaixo. [...] De acordo com os atos constitutivos registrados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais, item V, Cláusula 2º, de sua alteração contratual, o objeto da empresa é INTERMEDIAÇÃO, COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS NOVOS E USADOS. Nas respostas apresentadas, basicamente e de forma genérica, afirma que todos os créditos bancários “se referem principalmente às operações de consignação e de compra e venda de veículos usados, ocorridas no transcorrer do ano-calendário 2011, com enquadramento no artigo 5º da Lei 9.716/98, IN-SRF nº 152/98, Lei 10.637/2002, art. 8º e IN 247/2002, art. 10º”. Esclareceu e demonstrou por amostragem que tem como objeto a compra e venda de veículos em consignação. Ao esclarecer os créditos individualizados, em todos eles apenas justifica que foram originados de venda em consignação, conforme resposta nas planilhas e anexos. Para deixar claro que todas as suas vendas foram em consignação, demonstrou uma pequena apuração desse lucro. Ainda para corroborar que os veículos entravam nos estabelecimentos da fiscalizada em consignação, demonstra que as entradas de veículos se deram na forma “entrada em consignação”. No caso de vendas em consignação, especificamente as saídas, devemos deixar claro que a interessada comprovou com documentos fiscais uma pequena parte das vendas em consignação, apresentando a nota fiscal de entrada em consignação, quando da entrada do veículo no estabelecimento e a correspondente de venda em consignação, quando da venda e saída do veículo do Fl. 2468DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 6 estabelecimento, tornando possível a apuração do lucro na operação. Neste caso, os créditos correspondentes dessas vendas em consignação foram “comprovados”, os quais foram passíveis de apuração do lucro, foram excluídos desta auditoria. Contudo, grande parte dos créditos constantes dos extratos bancários não foram comprovados com documentos hábeis e idôneos. Informou nas planilhas e anexos como sendo de “VENDA EM CONSIGNAÇÃO DE VEÍCULOS USADOS”. Insuficiente para comprovação. Posteriormente, anexou dados de clientes que denomina ficha de venda, elaboradas de última hora, mas que na realidade a origem de cada crédito não foi comprovada. O confronto não foi possível identificação individualizada de cada crédito com valor e remetente do recurso mencionado em cada ficha. Nesta parte é relevante observar que a fiscalizada, para justificar as vendas em consignação, apresentou pares de notas fiscais, sendo uma de entrada em consignação e, na venda, em vez de emitir nota fiscal de venda em consignação, na realidade, emitia outra de devolução em consignação (retornando o veículo ao proprietário anterior). Com esse artifício omitiu do fisco a receita de venda em consignação. Na venda, quando o veículo saia do estabelecimento emitia uma nota fiscal de devolução em consignação, no mesmo valor da nota fiscal de entrada. O correto seria emitir uma nota fiscal de venda em consignação ou até mesmo de venda. Por meio das fichas e esclarecimentos a contribuinte tenta demonstrar que de fato foram vendas em consignação, porém não comprova os créditos bancários individualmente, e sobretudo não emitiu a nota de venda em consignação. [...] A receita conhecida e comprovada com documentos fiscais de venda em consignação será levada para o arbitramento à alíquota de 32%, mais 20% desta, que soma 38,4%, sendo esta a alíquota de enquadramento de prestação de serviços ou de vendas em consignação de acordo com a forma demonstrada e apurada pela fiscalizada, incluída nesta uma pequena parte já informada na DIPJ (porém apurada com coeficiente indevido, de 8%). Da mesma forma, não restando outra alternativa, deve-se incluir na apuração da receita omitida, oriunda de créditos de origem não comprovada, a alíquota de 32% para 38,4% no caso do arbitramento. [...] III.1 – Das Vendas de Veículos em Consignação Comprovadas e Respectivos Créditos Comprovados Nos atos constitutivos registrados na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais consta no item V, Cláusula 2º, de sua alteração contratual, que a mesma tem por objeto a INTERMEDIAÇÃO, COMPRA E VENDA DE VEÍCULOS NOVOS E USADOS. Fl. 2469DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 7 Também em resposta datada de 24/02/2015 referente a termo de intimação a fiscalizada descreve e demonstra atuar com compra, venda e intermediação de carros usados. Ainda na mesma resposta, com o intuito de esclarecer e comprovar os créditos bancários, a empresa apresentou planilhas, os anexos I, II, III, VI e VIII e complementos com a indicação de que os créditos em suas contas bancárias são originados de venda em consignação. Nos termos do artigo 5º da Lei nº 9.716, de 1998, as pessoas jurídicas, que tenham como objeto social declarado em seus atos constitutivos a compra e venda de veículos automotores, poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados, porém os veículos usados serão objeto de Nota Fiscal de Entrada e, quando da venda, de Nota Fiscal de Saída, sujeitando-se ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. Conclui-se que a apuração deve ser comprovada em cada operação de venda com nota fiscal de venda e de entrada para ficar demonstrado e consignado a apuração do lucro. Por meio das notas fiscais de venda em consignação e a correspondente de entrada em consignação (pares de notas fiscais), foi elaborado uma planilha discriminando as notas fiscais de saída, os valores de vendas em consignação e o respectivo valor da nota fiscal de entrada para apuração do lucro, em cada operação. Dos arquivos eletrônicos de notas fiscais extraímos o SINTEGRA de todos os registros das notas fiscais de venda, com o CFOP 5114, 5115, 6114 e 6115 – vendas de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros remetida anteriormente em consignação mercantil. A empresa também identificou as correspondentes entradas dos veículos e suas notas fiscais as quais foram registradas e extraídas das cópias das notas fiscais, CFOP 1917 ou 2917. Estes códigos correspondem a entrada de mercadoria recebida em consignação mercantil ou industrial. Informou ainda a placa dos veículos vendidos em consignação. Logo, foi possível apurar o lucro de cada operação, conforme respectivos pares de notas fiscais (entrada e saída), conforme planilha demonstrativa do lucro de cada operação em anexo. Do próprio SINTEGRA baixamos os registros fiscais e identificamos as notas fiscais relativas às saídas e às vendas em consignação e seus pares das entradas em consignação. Com isso foi possível apurar o lucro em cada operação e a identificação dos veículos (placa, chassi, etc.). Em relação à comprovação dos respectivos créditos das vendas em consignação, a interessada, em resposta aos esclarecimentos dos créditos, apresenta cópias das notas fiscais de venda em consignação e das respectivas notas fiscais de entrada Fl. 2470DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 8 em consignação. Em seguida, depois da interferência e indicação dos créditos, por parte da empresa, efetuamos a vinculação da data da nota fiscal de venda com a data do crédito e respectivos valores da nota e do crédito, onde ficou demonstrado que o crédito recebido foi da nota fiscal de venda em consignação. Nesta parte, com todas as notas fiscais de venda em consignação, apresentadas e demonstradas com os respectivos recebimentos, os créditos foram considerados e “comprovados”, conforme demonstrado na coluna da planilha dos créditos trabalhados. Ressaltamos que extraímos todas as placas dos veículos junto ao campo da nota (histórico do produto), em todas as notas fiscais de venda em consignação para identificar ainda os casos em que a empresa identificou somente a placa do veículo. Consideramos as justificativas dos créditos identificados e “comprovados” na coluna da planilha dos créditos trabalhados. (...) V.1 – Dos Créditos Não Comprovados e Lançados Parte dos créditos mencionados nas planilhas entregues pela interessada, a qual teve o intuito de comprovar com documentos hábeis e idôneo a origem dos créditos bancários, foi indicada na coluna de justificativa e comprovação que são de “venda em consignação de veículo usado”, conforme se verifica nos próprios anexos I, II, III, VI e VIII. Na realidade apenas indicação de “VENDA EM CONSIGNAÇÃO DE VEÍCULO USADO” na coluna justificativa, nada comprova porque não possui nenhuma nota fiscal de venda, muito menos de venda em consignação, recibo, contrato ou documento equivalente para comprovar a origem de cada crédito. Logo, no caso, os respectivos créditos foram indicados com destaque na coluna de comprovação “não comprovado” na planilha dos créditos trabalhados. Ainda em uma outra parte dos créditos, foi mencionado na coluna justificativa, além de “VENDA EM CONSIGNAÇÃO DE VEÍCULO USADO”, o nº da nota fiscal de devolução em consignação e apresentou cópia dos respectivos pares (de entrada em consignação e de devolução em consignação). Também neste ponto em nada ficou comprovada a origem de cada crédito. Logo, esses créditos também foram considerados como “não comprovado” na planilha dos créditos trabalhados. Ao juntar os pares das notas de entrada e de saída (devolução em consignação), a empresa devolveu o veículo encaminhado anteriormente, pois com esse artifício tinha na realidade o objetivo de dificultar o conhecimento do fisco das vendas e receitas omitidas, conforme exposto anteriormente. Na oportunidade anexamos os pares de notas fiscais de entrada “consignação” e de saída “devolução de consignação”, apresentados pela fiscalizada e ainda discriminamos essas informações nas planilhas extraídas do arquivo eletrônico de notas fiscais, os quais foram confrontados com as cópias apresentadas pela empresa. Com esses pares não há como apurar o lucro da operação sem a nota Fl. 2471DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 9 fiscal de venda, pois os créditos estão sem a comprovação com o documento da origem. Em outra parte dos créditos há somente a placa do veículo sem nenhuma indicação de nota fiscal de venda em consignação ou documento equivalente. Nestes casos também não há comprovação dos créditos correspondentes, os quais estão em destaque como “não comprovados” na planilha dos créditos trabalhados. O fato que dificultou esta auditoria é que no livro caixa apresentado não foi escriturado nada de movimentação financeira. A empresa não apresentou nenhum esclarecimento ou documento referente a R$ 14.000.000,00 e não refez o livro caixa mesmo sendo intimada reiteradas vezes. Conforme exposto, na tentativa de comprovar os créditos a empresa apresentou uma relação de nomes com dados de clientes, datas, placas e nº de chassi de veículos, entre outros dados, alegando que são fichas de vendas de veículos. Na realidade as fichas, isoladamente, elaboradas de última hora, sem a correspondente nota fiscal de venda em consignação, recibo, contrato ou documento correspondente ao crédito, não comprovam a origem dos valores depositados em suas contas correntes. Já os créditos que a empresa vinculou e demonstrou com nota de venda em consignação, CFOP 5114, 5115, 6114 e 6115, com a placa do veículo, data do crédito em consonância com a data da nota de venda, e também com o correspondente valor, foram todos excluídos desta auditoria. Estes créditos estão indicados na planilha com a rubrica “comprovado”. [...] V.3 – Das Intimações e Da Base legal do Lançamento dos Créditos Não Comprovados A fiscalizada foi inquirida por meio do Termo de Intimação Fiscal datado de 31/10/2014 e do Termo de Intimação e Constatação Fiscal datado de 04/02/2015, para comprovar a origem dos créditos bancários, discriminados individualizadamente, conforme anexos I a VIII e seus complementos. Conforme já mencionado acima, grande parte dos créditos bancários a empresa não logrou êxito na comprovação da sua origem. Logo, a apuração do lucro nas transações comerciais ficaram prejudicadas, situação em que se utiliza da presunção legal prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/96. A Lei nº 9.430/96 que embasa o lançamento, com as alterações introduzidas pelo art. 4º da Lei nº9.481, de 13 de agosto de 1997, e pelo art. 58 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, assim dispõe sobre os depósitos bancários: [...] VI – Das Fichas Elaboradas e Apresentadas para Demonstrar as Vendas em Consignação e Comprovar os Créditos Bancários Fl. 2472DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 10 Conforme já referido, as fichas apresentadas, informando dados como nomes de clientes, datas, placas e nº de chassi de veículos, entre outros dados, em que a interessada alega que são fichas de vendas de veículos, fica clara a tentativa da mesma de demonstrar que as vendas foram em consignação. Entretanto essas fichas, isoladamente, elaboradas de última hora, sem a correspondente nota fiscal de venda em consignação ou até mesmo de venda, recibo, contrato ou documento correspondente ao crédito, não comprova a origem dos valores depositados em suas contas correntes. Essas fichas com informações sem respaldo em notas de vendas ou documentos de clientes não nos permite nem mesmo elementos para lastrear uma diligência e circularização junto aos supostos clientes. Além disso os valores indicados nas mesmas não nos permite nem a apuração do lucro de venda em consignação, sem nota fiscal de venda, sem escrituração contábil e sem apuração individualizada do lucro (de cada operação de compra e venda). Na realidade, com essas fichas a empresa somente demonstra que, de fato, a atividade desenvolvida pela mesma era de venda em consignação de veículos, somente. VII - Do Arbitramento do Lucro com Base nas Receitas Conhecidas das Vendas de Veículos em Consignação nos Períodos e da Base Legal [...] No presente trabalho, a empresa comprovou parte das vendas em consignação, entretanto grande parte dos créditos bancários não trouxe nenhum documento fiscal para que fosse possível apurar os lucros das operações de vendas em consignação. Isto posto e tendo em vista que a empresa não possui livro caixa com a escrituração da movimentação financeira e bancária, a tributação se dará pelo regime do lucro arbitrado. A base de cálculo do lucro arbitrado é a receita bruta, quando conhecida, determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 do RIR/99, e seus parágrafos, acrescidos de 20% (vinte por cento), Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I. (...) Cabe destacar que, tanto na intermediação de negócios ou nas operações de consignação, ou em ambos os casos, as receitas sujeitam-se ao coeficiente de 32% para a determinação da base de cálculo do lucro presumido, uma vez que o art. 518, III, “b”, do Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, RIR/99, prevê esse percentual para a prestação de serviços em geral, incluindo a intermediação de negócios. (...) Fl. 2473DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 11 Portanto, a forma de apuração em consignação prevista no art. 5º da Lei nº 9.716, de 1998, nos termos dos arts. 518 e 519 do RIR/1999, o percentual para a apuração do IRPJ lucro presumido é de 32% e 38,4% (32% majorado em 20%, conforme art. 532 do RIR/99) no caso do lucro arbitrado. VIII – Da tributação da Receita Omitida Nos termos do artigo 24 da Lei nº 9.249/1995, a partir de 1º de janeiro de 1996, verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período a que corresponder a omissão; no caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. O valor da receita omitida será também considerado na determinação da base de cálculo para lançamento da Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, COFINS e PIS/PASEP. (...) Frisamos ainda que quando houver impossibilidade de identificação da atividade que originou a receita omitida dos depósitos bancários de origem não comprovada, deve-se aplicar o percentual mais elevado, que, no caso, foi 38,4%, (32%, mais 20%) para a atividade de operações em consignação, nos termos do art. 532 e 537, parágrafo único do RIR de 1999 que assim dispõe: (...) Nos demonstrativos abaixo, discriminamos resumidamente os valores das receitas e IRPJ, CSLL apurados na forma arbitrada, deduzidos os valores já informados em DCTF e pagos. (...) Da mesma forma, no demonstrativo abaixo mostramos resumidamente os valores mensais das receitas de COFINS e PIS a lançar sobre as receitas apuradas, já deduzidos dos valores informados em DCTF e pagos. (...) X – Do Lançamento da Multa Qualificada e de sua Base Legal A prática adotada pela fiscalizada, em proceder em grande parte, emissão de nota fiscal de entrada em consignação e, posteriormente, emitir nota fiscal de devoluções em consignação, é uma tentativa clara e evidente não só de omitir e impossibilitar o conhecimento do fisco da identificação dos registros das receitas de vendas como também em deixar de registrar as receitas na escrituração, omitindo-as de forma continuada em todos os períodos desta ação fiscal. Tal prática foi constatada nas emissões de notas fiscais de saídas de veículos nos CFOP 5917 ou 5918 – “devolução de consignação” de retorno ao proprietário do Fl. 2474DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 12 veículo então ingressado na empresa “em consignação”. De veículos ingressados na empresa, CFOP 1917 ou 2917 - entrada de mercadoria recebida em consignação mercantil ou industrial, quando, na realidade, na respectiva venda e saída deveria ter emitido a correspondente nota fiscal de venda em consignação e dos CFOP 5114, 5115, 6114 e 6115, ou até mesmo, simplesmente, uma nota fiscal de venda. Em anexo as fichas apresentadas pela empresa que certificam as negociações realizadas. (...) Se não bastasse, na escrituração do livro caixa, omitiu não só grande parte das operações de vendas ou vendas em consignação, como também toda movimentação financeira e bancária e sem comprovação dos créditos respaldados com documentação hábil e idônea. Como resultado dessas práticas a contribuinte omitiu receitas tributáveis em montantes muito superiores às receitas informadas na DIPJ, deixando de recolher IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre as receitas omitidas e deixando de escriturar a totalidade da movimentação bancária no Livro Caixa. Tal procedimento repetiu-se em todos os períodos de apuração do ano-calendário de 2011, quando informou em sua DIPJ receitas em valores bem inferiores aos realmente auferidos. (...) Logo, os fatos descritos pelas práticas adotadas pela interessada de proceder a venda em consignação, usando de artifício para omitir vendas e consequentemente receitas do fisco, como também movimentar em todos os períodos do ano de 2011 valores expressivos de movimentação bancária, sem nenhuma escrituração em seu “livro caixa”. Informou valores bem pequenos de receita em todos os trimestres fiscalizados, com objetivo de não pagar os tributos devidos. Com isso, fica evidente o intuito da fraude, fato esse definido em lei como suficiente para autorizar a qualificação da multa de ofício ao percentual de 150%. Diante desses fatos, formamos plena convicção de que está comprovada, em tese, a subsunção às hipóteses previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, do artigo 1º da Lei n° 8.137/1990 acima referidas. XI - Da Responsabilidade Solidária do Sócio Administrador, CELSO PEREIRA, CPF 752.281.908-30, e Do Enquadramento Legal Conforme já descrito no tópico da multa qualificada e ainda reportando mais uma vez que a prática adotada pela fiscalizada, em proceder em grande parte emissão de nota fiscal de entrada em consignação e, posteriormente, emitir nota fiscal de devoluções em consignação é uma tentativa clara e evidente não só de esconder e impossibilitar o fisco de identificar os registros das receitas de vendas como também de deixar de escriturar as vendas no livro caixa, omitindo essas de forma continuada em todos os períodos objetos da ação fiscal. Tal prática foi constatada nas emissões de notas fiscais de saídas de veículos nos CFOP 5917 e 5918 – “devolução de consignação” de retorno ao proprietário do Fl. 2475DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 13 veículo ingressado na empresa “em consignação”. Também de veículos ingressados na empresa, CFOP 1917 e 2917, que é a entrada de mercadoria recebida em consignação mercantil ou industrial, quando na realidade a respectiva venda e saída da mercadoria deveria ter sido emitido a correspondente nota fiscal de venda em consignação, CFOP 5114, 5115, 6114 e 6115, ou até mesmo uma nota fiscal de venda. A empresa de acordo com o contrato social atua num ramo de atividade que possui um regime favorecido de tributação, conforme sua própria opção, em conformidade com o art. 5º da Lei nº 9.516/1998. Isso que permite que a apuração e o pagamento dos tributos sejam efetuados sobre a diferença entre o preço de venda e o preço de compra dos veículos que revende, mas para isto deveria cumprir os requisitos para a devida apuração das operações. Se não bastasse, na escrituração do livro caixa foi omitido não só grande parte das operações de vendas (vendas em consignação) como também toda a movimentação financeira e bancária. Ainda, os créditos movimentados em conta bancária não foram comprovados por meio de documentação hábil e idônea em todos os meses do ano-calendário 2011. Como resultado dessas práticas, a fiscalizada omitiu receitas tributáveis em montantes muito superiores às receitas informadas na DIPJ, deixando de recolher IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre as receitas omitidas. A forma de conduzir os negócios adotados pelo sócio majoritário e administrador da empresa Celso Automóveis Ltda foi com o objetivo de recolher pequenos valores de tributos em todos os períodos fiscalizados. Isto caracteriza sonegação fiscal e é atuação com excesso de poderes, infração a lei e infração ao contrato social, porque foram atitudes ou condutas graves e não toleradas em qualquer das normas que prescrevem os limites de atuação dos administradores. E mais, os fatos e as ações descritas, além de infringirem a legislação comercial e tributária, caracterizaram a intenção deliberada adotada pelo administrador da empresa, pois restou demonstrada a subsunção ao inciso III, art. 135 do CTN. Logo será lavrado o Termo de Responsabilidade Solidária em nome de CELSO PEREIRA, que na qualidade de sócio majoritário, gerente e administrador, nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN), e tendo em vista a prática reiterada de infração à lei, conforme art. 1º, I, e art. 2º, II, da Lei nº 8.137, de 1990. (...) Impugnaram os autos de infração a contribuinte e o responsável solidário (fls. 2.027 a 2.074; e 2.113 a 2.159). Colaciono o relato do acórdão recorrido sumarizando as matérias de defesa: DAS IMPUGNAÇÕES (...) Fl. 2476DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 14 - DO DIREITO: Incompetência da Autoridade Fiscal para Efetuar o Lançamento; - que o MPF original alcançava o IRPJ e permitia a sua execução até 16/10/2014, pelos auditores fiscais Roberval Bomfim e Daniel Losso, sendo que o auto de infração foi efetuado em 02/2016 (IRPJ, CSLL, PIS, COFINS), por outro auditor (Roberto Bomfim), portanto, viciado; a substituição do MPF pelo TDPF (Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal) se deu com base na Portaria RFB 1.687/2014, entretanto, o MPF já tinha seu prazo de validade expirado; (...) - TDPF – ALTERAÇÃO PARA INCLUSÃO DE TRIBUTOS – NULIDADE; - o TDPF foi fruto de alteração em 08 de fevereiro de 2016 para inclusão dos tributos CSLL, PIS e COFINS; ocorre que, além de o TDPF já ter nascido morto, a notificação de sua alteração para inclusão do PIS e COFINS se deu concomitantemente com a lavratura do auto de infração destes tributos em 23/02/2016, ou seja, sem qualquer intimação prévia do contribuinte e possibilidade para esclarecimento dos fatos objeto do lançamento; quanto à CSLL sequer houve a notificação de inclusão; DA DESTRUIÇÃO ILEGAL DE PROVAS - no curso da ação fiscal, a Impugnante recebeu em 19/02/2016 Termo de Destruição de Documentos; neste termo constata-se que a autoridade não observou o procedimento legal para destruição de provas do processo, pois executou a destruição dos extratos bancários em 15/02/2016 e somente postou a intimação para dar ciência ao contribuinte em 17/02/2016; - desta forma, a Impugnante foi tolhida de seu direito fundamental de acompanhar o ato e certificar que os documentos destruídos continham exatamente o conteúdo dos documentos digitais juntados ao processo e que lastreiam o auto de infração; - além disso, a destruição do documento não poderia ter sido realizada já que deveriam ter sido entregues ao contribuinte, conforme reza a Portaria SRF 180/2001 e Portaria RFB 2.047/2014, que transcreve em parte; - assim, os documentos somente poderia ter sido destruídos na hipótese de impossibilidade de entrega ao contribuinte; - como os documentos destruídos, extratos bancários, são a base do lançamento fiscal e a impugnante ficou impossibilitada de analisá-los para certificar se os documentos físicos recebidos pela autoridade fiscal das instituições bancárias coincidem com os valores e bases utilizadas para o lançamento fiscal, o procedimento fiscal é nulo e deve ser cancelado em sua totalidade, pois o princípio do contraditório, ampla defesa e devido processo legal foram prejudicados; - DA VIOLAÇÃO À LEI COMPLEMENTAR 105/2001 E DECRETO 3.174/2001 DA AUSÊNCIA DE RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO Fl. 2477DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 15 - que a Fiscalização teve como motivação e como alvo a movimentação financeira do Impugnante constante do banco de dados repassados pelas instituições financeiras à RFB; - transcreve o art.6º da LC 105/2001 e arts 1º ao 5º do Decreto 3.724/2001, texto legal que dispôs sobre o art.6º da LC 105/2001, para concluir que não houver relatórios circunstanciado e/ou nem as hipóteses necessárias para a devida emissão da RMF; - por tais razões e restando evidente que os documentos em que se fundamentaram os lançamentos ora impugnados configuram-se PROVAS ILÍCITAS, obtidas inclusive com a preterição do direito ao CONTRADITÓRIO e a AMPLA DEFESA, requer seja declarada a nulidade do Auto de Infração; - DO SIGILO BANCÁRIO - que a movimentação financeira da Impugnante foi obtida com base nas informações prestadas pelas instituições financeiras diretamente à Receita Federal, sendo que o STF já decidiu que a quebra do sigilo bancário somente pode ser feita com autorização judicial; - DA PRETERIÇÃO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO difícil interpretação; - que como a atividade da Impugnante é a compra e venda de veículos usados, não poderia ele ter usado como base de cálculo de uma comissão por intermediação de venda de veículo consignado o próprio valor do veículo que passou pela conta corrente da Impugnante e foi repassado ao vendedor de fato; que, por fim, se a acusação não é exata e incontestável, frágil é o lançamento, por isso não há como sustentá-lo, devendo o lançamento ser declarado nulo; - DO MÉRITO - inicialmente transcreve as autuações e fundamentações do IRPJ e das contribuições sociais, ora lançadas nos Autos de Infração; - destaca e descreve as autuações relativas ao IRPJ: (i) omissão de receitas por presunção legal (art.42 da Lei 9.430/96), (ii) Receita da atividade (Revenda de Mercadorias) e (iii) Receita da atividade (Receita na Prestação de Serviços) para concluir que “...os lançamentos são evidentemente falhos, já que não apontam expressamente como teria ocorrido a apuração das bases de cálculo nas três hipóteses supra mencionadas, tampouco os respectivos dispositivos legais que lhes teriam embasado.” - que o Fisco admitiu e reconheceu que suas operações seguiam o disposto no art.5º da Lei nº 9.716/98 – equiparação de operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, à operações de consignação – tanto que na apuração da base de cálculo teria considerado a diferença entre o valor de alienação e o custo de aquisição; Fl. 2478DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 16 - ou seja, para todas as operações em que o Fisco identificou as respectivas notas fiscais de entrada e de respectiva venda, foi realizada a apuração do IRPJ considerando-se as regras das operações de consignação, em que o arbitramento do lucro foi feito com a utilização do coeficiente de 38,4% incidente sobre a diferença entre os valores de compras e os valores de venda dos veículos identificados em tais documentos; - tais operações foram tributadas por meio dos lançamentos indicados nos itens 2 e 3 do Auto de infração do IRPJ, intitulados “Receitas da Atividade – Infração: receita bruta na revenda de mercadorias” e “Receitas da Atividade – Infração: receita bruta na prestação de serviços em geral.”; - contudo, não obstante o vasto conjunto probatório apresentado pela Impugnante durante o procedimento de fiscalização, o qual teria o condão de confirmar que a maioria dos valores creditados em suas contas corresponderia a receitas oriundas de operações de consignação e de compra e venda de veículos usados, bem como comprovar os respectivos custos de aquisição, a Autoridade Fiscal não aceitou tais provas e efetuou o lançamento indicado no item 1 do Auto de Infração, intitulado Omissão de Receita por Presunção Legal – Infração: Depósitos Bancários de Origem não Comprovada; - nas operações em que a autoridade fiscal não identificou os respectivos pares de notas fiscais, não foi considerada a diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos, mas sim a totalidade dos créditos sobre os quais incidiu o coeficiente de 38,4% na apuração da base de cálculo do IRPJ arbitrado; - nos próprios extratos bancários obtidos pela autoridade fiscal junto às instituições financeiras, constata-se que tais créditos não poderiam ter outra origem senão a revenda de veículos usados; - o próprio histórico dos créditos bancários objeto do lançamento, fazem prova acerca da operação de venda de veículos, já que identificam a placa do veículo negociado; tal identificação foi gerada no momento do crédito e lastreiam as fichas de venda apresentadas pela impugnante, que, portanto, não poderiam ter sido desconsideradas pelo auditor; - a margem de lucro com que trabalham as empresas que atuam com o comércio de veículos usados é muito pequena; presumir que créditos que giraram em torno de R$ 15.000,00 a R$ 40.000,00 correspondam à própria receita bruta oriunda de prestação de serviço da Impugnante e sobre a totalidade destes fazer incidir o coeficiente de 38,4%, sem considerar o custo de aquisição dos veículos revendidos, constitui verdadeiro confisco; - que a autoridade fiscal, em total arrepio da norma (Lei 9.716/98), no item III.2, atestou que em todas as notas fiscais especificadas nesse item o custo considerado foi zero. Um absurdo!; - da forma como foi lavrado o lançamento correspondente ao item 1 do Auto de Infração, denominado “Omissão de Receita por Presunção Legal – Infração: Fl. 2479DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 17 Depósitos Bancários de Origem não Comprovada”, foram utilizadas as duas regras de apuração do lucro para este tipo de atividade; - tratando-se de operação comercial, os coeficientes de presunção de lucro arbitrado são de 9,6% para o IRPJ e de 12% para a CSLL e não de 38,4% como considerou a autoridade fiscal (neste sentido transcreve excertos de julgado do CARF, Acórdão 1402001.877); - DO NÃO CABIMENTO DA MULTA QUALIFICADA - ressalta que atendeu adequada e tempestivamente a todas as intimações durante o procedimento de fiscalização, justificando todas as suas respostas; transcreve ementas de julgados do extinto Conselho de Contribuintes (atual CARF) que entende serem semelhantes ao seu caso para concluir que em momento algum incorreu nas hipóteses dos artigos 71,72 e 73 da Lei 4.502/64; adiante em tópico próprio alega que a multa lançada fere dispositivos constitucionais (item PROIBIÇÃO DA APLICAÇÃO DA MULTA COM EFEITO DE CONFISCO), além de trazer excertos de decisões judiciais que condenam certos percentuais de multa; - DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO ADMINISTRADOR, CELSO PEREIRA, CPF 752.281.908-30, E DO ENQUADRAMENTO LEGAL - que, em que pesem as considerações feitas pelo auditor fiscal no item XI – Da Responsabilidade Solidária, do Termo Fiscal (que transcreve), não houve qualquer dolo por parte de tal representante, sendo que todas as operações foram realizadas sob o manto da legalidade, sem subterfúgios de qualquer natureza; portanto, não havendo que se falar na aplicação do art.135, III, do CTN; ademais, a responsabilidade deste artigo é subsidiária e não solidária, conforme se pronunciou o STJ, e transcreve excertos da decisão judicial; - existe, pois, um benefício de ordem que assegura ao responsável que, tão somente ante a impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, esta lhe poderá ser exigida, subsidiariamente; - em conclusão, como não há nos autos, e como contra fatos não há argumentos, provas das supostas ilegalidades praticadas, não há como subsistirem a responsabilidade do sócio (a qual, aliás, sequer seria solidária), tampouco a Representação Fiscal para Fins Penais; A DRJ julgou pela improcedência das impugnações (fls. 2.263 a 2.304), em acórdão assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL-FISCALIZAÇÃO (MPF-F). PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA. VALIDADE. Fl. 2480DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 18 No Termo de Início de Ação Fiscal consta a numeração do correspondente MPF-F e o seu código de acesso à internet, permitindo que o sujeito passivo, sempre que necessitar, providencie o acesso a tal instrumento e, portanto, fica, automaticamente cientificado de sua regular emissão, assim como de suas eventuais alterações, como prorrogações de prazo, inclusão ou exclusão de autoridade fiscal. Não comprovada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2011 EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Por força do inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, que regulamenta o art. 6º da LC nº 105, de 2001, a prática de atos que caracterizam embaraço à fiscalização (não fornecimento de informações sobre movimentação financeira), devidamente conceituados no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o exame de extratos e demais documentos bancários dos contribuintes. SIGILO BANCÁRIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. SOLICITAÇÃO REGULAR. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda, não constitui quebra do sigilo bancário, haja vista prestar-se apenas a possível constituição de crédito tributário e eventual apuração de ilícito penal, havendo, na verdade, mera transferência da responsabilidade do sigilo, antes assegurado pela instituição financeira e agora mantido pelas autoridades administrativas. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Não constitui violação ao dever de sigilo a transferência de dados bancários das instituições financeiras para a administração tributária, conforme autorizado pela legislação e referendado pela Suprema Corte Nacional. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGENS. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITA. Caracterizam como omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. DISTRIBUIÇÃO DO ÔNUS DA PROVA. As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão- somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. Fl. 2481DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 19 LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. VENDA DE VEÍCULOS USADOS. COEFICIENTE APLICÁVEL SOBRE AS RECEITA BRUTA. Para determinação do lucro arbitrado, em operações de revenda de veículos automotores usados ou recebidos para venda em consignação, aplica-se o coeficiente de 38,4% sobre a receita bruta conhecida. LUCRO ARBITRADO. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. COEFICIENTE APLICÁVEL SOBRE A RECEITA BRUTA. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. PROCEDIMENTO REFLEXO. DECORRÊNCIA. CSLL. PIS. COFINS Tratando-se de tributação reflexa, a decisão prolatada no lançamento principal (IRPJ) é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula, inexistindo razão de fato e direito para decidir diversamente. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2011 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. INFRAÇÃO DE LEI. Os diretores, gerentes ou representantes da pessoa jurídica respondem pessoalmente, de forma solidária com a Contribuinte, pelos créditos tributários correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. LEGITIMIDADE. Constatado que na conduta da fiscalizada existem quaisquer das condições previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, cabível a duplicação do percentual da multa de que trata o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 (com a nova redação do artigo dada pela Medida Provisória nº 351, de 22/01/2007, convertida na Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007). MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. DUPLICAÇÃO DO PERCENTUAL DA MULTA DE OFÍCIO. ILEGITIMIDADE. Considerando que a motivação apresentada para a qualificação da multa de ofício somente guarda relação com os fatos que ensejaram o lançamento dos tributos apurados a partir da receita considerada omitida, não se pode estender a qualificação para a multa que acompanha os tributos apurados a partir da receita declarada. Impugnação Procedente em Parte Fl. 2482DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 20 Crédito Tributário Mantido em Parte Em suma, manteve-se a responsabilidade do Sr. Celso Pereira e, no mérito, o voto vencedor consignou que a partir da receita considerada omitida, aplicam-se os percentuais de 38,4% e 32% para o IRPJ e a CSLL, respectivamente. Quanto à multa qualificada, entendeu-se que deveria incidir somente sobre a receita considerada omitida, porquanto a fundamentação do auto de infração se relaciona somente a este fato; afastou-se, portanto, a multa qualificada sobre os tributos apurados a partir da receita declarada, reduzindo-a ao patamar ordinário de 75%, cujo montante exonerado foi de R$ 23.161,71. A contribuinte, intimada em 13 de setembro de 2016, apresentou, em 13 de outubro de 2016, apresentou Recurso Voluntário (fls. 2.326 a 2.385), reprisando as matérias objeto da impugnação e aduzindo pelo acerto do voto vencido, determinando a errônea aplicação do percentual de presunção previsto no artigo 5º da Lei nº 9.716/1998 no lucro arbitrado. O responsável solidário, intimado em 28 de setembro de 2016, em 31 de outubro de 2016, apresentou Recurso Voluntário (fls. 2.389 a 2.458), reprisando as alegações de sua impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Henrique Nimer Chamas, Relator. Admissibilidade Os Recursos Voluntários apresentados são tempestivos e preenchem os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, deles conheço. Delimitação da controvérsia As matérias em julgamento dizem respeito às seguintes insurgências: (i) nulidades arguidas: a. incompetência da autoridade fiscal para efetuar o lançamento; b. alteração do TDPF para inclusão de tributos; c. destruição ilegal de provas; d. violação à Lei Complementar nº 105/2001 e ao Decreto nº 3.174/2001 pela ausência de relatório circunstanciado para requisição de RMF; e. violação ao sigilo bancário; e f. preterição ao direito à ampla defesa e ao contraditório. (ii) defesa de mérito: Fl. 2483DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 21 a. vício de fundamentação do auto de infração, por erro no “enquadramento legal” (matéria esta que é preliminar); b. aplicação de percentual de presunção errado nos lançamentos cuja base de cálculo foi arbitrada, em razão de ter sido aplicada erroneamente a previsão do artigo 5º da Lei nº 9.716/1998. (iii) impossibilidade de aplicação da multa qualificada; e (iv) impossibilidade de responsabilização do sócio da contribuinte autuada. Saliento que não foi questionado o arbitramento do lucro. Assim, serão analisadas as preliminares arguidas, além do vínculo da responsabilização solidária do auto de infração sob escrutínio. Considerações Iniciais Nos termos da Portaria MF nº 1.634/2023 (“RICARF”), o artigo 114, §12º, inciso I, admite que a fundamentação da decisão seja feita mediante a declaração de concordância com os fundamentos da decisão recorrida. Outrossim, de maneira geral, os Recursos Voluntários apenas reiteram os termos da impugnação e não há qualquer fundamento da decisão recorrida que foi contraditado pela manifestação que se ora julga. PRELIMINARES Os sujeitos passivos arguem uma série de preliminares, sendo elas: incompetência da autoridade fiscal para efetuar o lançamento; alteração do TDPF para inclusão de tributos; destruição ilegal de provas; violação à Lei Complementar nº 105/2001 e ao Decreto nº 3.174/2001 pela ausência de relatório circunstanciado para requisição de RMF; violação ao sigilo bancário; preterição ao direito à ampla defesa e ao contraditório; e vício de fundamentação do auto de infração, por erro no “enquadramento legal”. Todas foram enfrentadas a contento na decisão recorrida, motivo pelo qual declaro minha concordância e colaciono seu enfrentamento abaixo, como fundamento das minhas razões de decidir: Do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF O Mandado de Procedimento Fiscal – Fiscalização (MPF-F) emitido para a empresa (visualizável no site da RFB por meio do código de acesso nº 17823233), ora impugnante, data de 19 de fevereiro de 2014, cujo prazo inicial para execução era até 18 de junho de 2014, onde ali consta que foi prorrogado até 16/10/2014. A impugnante e o Sr. Celso Pereira mencionam e transcrevem artigos de portarias extintas, inclusive da Portaria RFB 3.014/2011 (mas esta vigente à época do início Fl. 2484DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 22 da Fiscalização, que deu-se em 21/02/2014, conforme Termo de Início de Ação Fiscal) que trata dos procedimentos da atividade de fiscalização junto aos contribuintes, atualmente regida pela Portaria RFB 1.687, de 18/09/2014, a ser observada, portanto. Depreende-se das colocações da impugnante, que o MPF-F teria sido extinto em 16/10/2014, portanto de nada valeria o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF), então criado pela nova (atual) Portaria. Ocorre que antes desta data, a Portaria RFB 3.014/2011 já havia sido extinta, necessitando-se, portanto, da emissão de um Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal. Assim foi feito. Pelo Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Fiscalização, consta que o procedimento fiscal foi alterado em 19/11/2014 com a inclusão do auditor fiscal Renato Silva Bomfim e exclusão de Daniel Losso e também ocorreu alteração em 08/02/2016 para a inclusão das contribuições CSLL, PIS e COFINS. Ainda, consta neste Termo o Demonstrativo de Prorrogações que prorroga sucessivamente o período fiscalizado, desde 13/02/2015 até 03/06/2016. Para a prorrogação do prazo de validade, agora do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Fiscalização, basta apenas a informação da prorrogação da fiscalização por intermédio de registro eletrônico, disponível na internet, por meio do já citado código de acesso. Então, nos termos da vigente Portaria RFB 1.687, de 18/09/2014, a ser observada, portanto, tem-se: (...) Portanto, certo da inexistência das irregularidades apontadas pelos recorrentes quanto aos aspectos formais do procedimento de fiscalização, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento nos termos em que aventada. Do alegado cerceamento de direito de defesa por força de destruição de documentos. Conforme Termo de Destruição de Extratos Bancários e Doc Financeiros, acostado às fls.1.474, foi comunicado à Interessada que se procederia à destruição de extratos bancários e demais documentos recebidos via RMF, na data de 15/02/2016. A Contribuinte alega que somente recebeu tal comunicado em data posterior, o que me parece que sim, inclusive a data da postagem é posterior à data da destruição, entretanto, tal fato não pode dar azo à nulidade alegada pela Interessada. Já dito que os documentos, então destruídos/inutilizados, referem-se à extratos bancários e demais documentos bancários recebidos das instituições financeiras Fl. 2485DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 23 em atendimento às RMF. Ocorre que estes documentos encontram-se no presente processo em meio magnético, fato mencionado no próprio Termo de Destruição. Ainda, mesmo que não houvesse comunicação e mesmo que não tivesse sido (os documentos) oferecidos inicialmente à Interessada, nem assim restaria configurado qualquer ato que prejudicasse a defesa da Interessada. Tratam-se de documentos que a Contribuinte tem de dispor em seu acervo de provas documentais de sua escrituração contábil e que pode obtê-los a qualquer tempo junto aos bancos onde detém conta corrente. Ainda, os extratos bancários estão anexados em meio magnético e não consta que a Interessada tenha suscitado qualquer dúvidas quanto ao históricos neles consignados, nem na faze de investigação fiscal e nem agora em sede de impugnação. Convicto de que a questão alegada em nada interferiu de maneira prejudicial à defesa da Interessada, rejeito a sua preliminar de cerceamento de direito de defesa. Da questão das RMF e do Sigilo Bancário Em 21/02/2014, a Contribuinte foi intimada a apresentar os extratos bancários referentes ao ano de 2011 e reintimada em 20/03/2014 e, passados mais de 45 dias sem a sua apresentação, não restou alternativa a não ser solicitar via Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira - RMF, conforme consta no Termo de Verificação Fiscal: Em 09/04/2014, mais de 45 (quarenta e cinco dias) já teriam se passado sem a apresentação dos extratos bancários. Procedemos então à solicitação dos mesmos via Requisição de Informações Sobre Movimentação Financeira junto às instituições financeiras nas quais a empresa mantinha contas bancárias, em conformidade com a Lei complementar nº 106, de 10 de janeiro de 2001, regulamentada pelo Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. As instituições financeiras atenderam as solicitações apresentado os extratos bancários, em meio magnético, conforme respostas em anexo ao presente trabalho. A Lei Complementar nº 105/2001 permite que o Fisco examine informações referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso. O exame em informações de terceiros, no caso, as instituições financeiras, revelou-se indispensável, por ter ocorrido a hipótese elencada no art.3º da Decreto 3.724/2001, inciso VII, qual seja o art.33 da Lei 9.430/96, que assim dispõe: (...) Fl. 2486DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 24 Por conseqüência, um contribuinte cuja conduta materialize o embaraço à fiscalização previsto no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser incluído em regime especial de fiscalização, sem que suas informações bancárias sejam requisitadas. Da mesma forma, poderá ter suas informações bancárias requisitadas sem que seja incluído em regime especial de fiscalização. Também poderão as duas providências ser adotada, como nenhuma delas. Tudo a depender das ocorrências verificadas no caso concreto. Que fique claro, portanto, que o pressuposto para que o Fisco possa requisitar a informação bancária é a conduta do contribuinte, ao praticar um ou mais dentre os atos previstos como hipóteses no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996. O fato concreto é que a conduta da impugnante caracteriza embaraço à fiscalização, na forma como prevista no inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996. Assim sendo, por força da norma veiculada pelo art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, é legítimo o ato pelo qual o Fisco requisitou e obteve suas informações bancárias. A empresa, ora Impugnante, foi intimada e reintimada a apresentar seus extratos bancários, e como não os apresentou, não restava, então, alternativa a não ser a solicitação às instituições financeiras, como corretamente procedeu a autoridade fiscal, nos termos da legislação vigente. Reitere-se, portanto, que não há, na legislação vigente, qualquer dispositivo capaz de macular o feito da autoridade lançadora. Note-se que o autuante procedeu conforme determinação do Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou a Lei Complementar nº 105/2001: (...) Primeiramente, há que se considerar que o art.1º,§ 3º,III da Lei Complementar nº 105/2001, dispõe que não se considera violação ao sigilo bancário o fornecimento de informações à SRF (...) A requisição das informações bancária do contribuinte junto às instituições financeiras, foi efetuadas por meio de RMF. Tal procedimento está autorizado pelo artigo 6º, da Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001, regulamentado pelo Decreto nº 3.724, de 10/01/2001. O artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001, estabelece: (...) SIGILO BANCÁRIO. A defesa alega quebra de sigilo, aduzindo que o acesso à movimentação financeira da Impugnante somente poderia ocorrer mediante ordem judicial. Destaque-se que o acesso, pelas autoridades administrativas, às informações bancárias dos contribuintes tem fundamento na própria Constituição Federal, art. Fl. 2487DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 25 145, parágrafo 1º, assim como já estava previsto no CTN, art. 197, e, posteriormente, veio a ser tratado na Lei nº 8.021, de 1990: (...) No presente contexto, já vigorava a Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001, que regulou, com mais detalhes, a solicitação de informações às instituições financeiras, assim determinando: (...) Atos contínuos, a Lei nº 10.174, de 09/01/2001 e o Decreto nº 3.724/2001, apenas regraram com mais precisão a obtenção de dados, compondo o cenário jurídico no qual a autoridade fiscal está autorizada, nos casos previstos, a requisitar informações bancárias dos contribuintes fiscalizados. Imprópria, assim, a tentativa de vincular esta atividade tão-só ao Poder Judiciário, sob o argumento de violação de direitos da impugnante. Os atos legais e regulamentares mencionados disciplinaram as hipóteses específicas nas quais o acesso é permitido e, ao circunscrever-se a este âmbito, a prova obtida é plenamente válida e, sobre ela, a contribuinte foi regularmente intimada a se manifestar e a esclarecer a origem dos valores questionados, tanto na fase procedimental como na litigiosa, quando da concessão de prazo regulamentar para impugnação após a ciência da formalização da exigência. Importa também acrescentar que não há previsão expressa na Constituição quanto à inviolabilidade do sigilo bancário, advindo tal tese da interpretação doutrinária e jurisprudencial dada à matéria, com posicionamentos contrários à Fazenda pública colacionados pelo contribuinte em sua peça impugnatória, doravante resquícios de entendimento ultrapassado. Muito oportunamente, neste ponto cabe discorrer sobre a palavra final dada sobre o tema pelo Supremo Tribunal Federal em recente análise conjunta de cinco processos que questionavam os dispositivos da Lei Complementar 105/2001 que permitiam a Administração Tributária Federal obter os dados bancários diretamente das instituições financeiras sem autorização judicial. Trata-se das Ações Diretas de Inconstitucionalidade – ADI, nºs 2390, 2859, 2386 e 2397, as três últimas apensadas a primeira, além do Recurso Extraordinário (RE) nº 601314. Em Sessão plenária ocorrida no STF em 24 de fevereiro de 2016, por maioria de votos (9 a 2), prevaleceu o entendimento de que o disposto na norma não resulta em quebra de sigilo bancário, mas tão somente em transferência de sigilo da órbita bancária para a fiscal, ambas protegidas contra o acesso de terceiros. A transferência de informações é feita dos bancos para o Fisco, que tem o dever de preservar o sigilo dos dados, não havendo portanto ofensa à Constituição Federal. Diante de tudo o exposto, ratificada a legalidade e constitucionalidade dos dispositivos concernentes à matéria, não assiste razão ao contribuinte. Fl. 2488DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 26 Desnecessário tecer quaisquer considerações adicionais, motivo pelo qual rejeito as preliminares relacionadas à incompetência da autoridade fiscal para efetuar o lançamento; alteração do TDPF para inclusão de tributos; destruição ilegal de provas; violação à Lei Complementar nº 105/2001 e ao Decreto nº 3.174/2001 pela ausência de relatório circunstanciado para requisição de RMF; violação ao sigilo bancário; e preterição ao direito à ampla defesa e ao contraditório. Quanto ao suposto vício de fundamentação do auto de infração por erro no “enquadramento legal”, entendo que não assiste razão à contribuinte recorrente, porquanto o TVF foi devidamente fundamentado e foi demonstrado o nexo de causalidade das infrações identificadas e a sua subsunção legal, sendo possível identificar as razões pelas quais o lançamento fora efetuado. A saber, são três infrações distintas e, adicionalmente, foi necessário arbitrar o lucro da contribuinte para se chegar à base de cálculo tributável; tudo isso foi relatado no TVF e não houve prejuízo à defesa dos interessados. É por essa razão que o “enquadramento legal” do auto de infração pode ter ocasionado dúvidas às recorrentes, porém, sabe-se que não está dissociado dos demais documentos que fundamentam o lançamento e o minuciam. Não há nulidade a ser reconhecida, nos termos dos artigos 10, 59 e 60 do Decreto- lei nº 70.235/1972, motivo pelo qual rejeito todas as preliminares arguidas pelos sujeitos passivos. MÉRITO Quanto ao mérito, ressalta-se que não houve impugnação ao arbitramento do lucro nos lançamentos de ofício, porquanto os recorrentes apenas se fiaram a discutir o percentual de presunção do lucro presumido previsto no artigo 5º da Lei nº 9.716/1998, aplicado pela autoridade fiscal. A contribuinte contesta a conclusão da autoridade fiscal, assim dispondo: Ocorre, contudo, que não obstante o vasto conjunto probatório apresentado pela Recorrente durante o procedimento de fiscalização, o qual teria o condão de confirmar que a quase totalidade valores creditados em suas contas corresponderia a receitas oriundas de operações de consignação e de compra e venda de veículos usados, bem como comprovar os respectivos custos de aquisição, a Autoridade Fiscal não aceitou tais provas e efetuou o lançamento indicado no item 1 do Auto de Infração, intitulado Omissão de Receita por Presunção Legal - Infração: Depósitos Bancários de Origem não Comprovada. Nas operações em que a Autoridade Fiscal não identificou os respectivos pares de notas fiscais, não foi considerada a diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos, mas sim a totalidade dos créditos sobre os quais incidiu o coeficiente de 38,4% na apuração da base de cálculo do IRPJ arbitrado. Fl. 2489DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 27 Importante observar que apesar de não terem sido aceitas as provas apresentadas pela então fiscalizada, trata-se de documentos absolutamente hábeis à comprovação das operações de compra e venda de veículos usados realizadas pela Recorrente no ano-calendário de 2011. Nos próprios extratos bancários obtidos pela Autoridade Fiscal junto às instituições financeiras, constata-se que tais créditos não poderiam ter outra origem senão a revenda de veículos usados, pelos próprios valores ali consignados, que jamais poderiam ser considerados como comissão de intermediação ou diferença entre compra e venda de veículos, os créditos correspondem exata e precisamente a valores de veículos usados. Conforme planilhas já fornecidas durante o procedimento de fiscalização, a Recorrente comprovou a origem da quase totalidade dos créditos, relacionando- os a veículos devidamente identificados em fichas de venda obtidas de seus sistemas. Quanto a tais fichas, importante observar que, ao contrário do que considerou a Autoridade Fiscal, não foram elaboradas de última hora, já que contém informações que já constavam no sistema operacional da Recorrente e tão somente foram impressas/emitidas por ocasião do atendimento ao Fisco Federal. Tais documentos trazem a identificação precisa dos veículos envolvidos nas operações, seus respectivos valores e condições do negócio. Diversamente do que ponderou o Auditor às fls. 17 do TVF, essas fichas poderiam ter servido sim uma diligências e circularização junto aos supostos clientes, já que contém todos os dados dos compradores (nome, CPF, endereço, telefone, e-mail, etc, portanto provas robustas. Aliás, conforme documentos já acostados aos autos, obtidos no sítio da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (http://veiculos.fipe.org.br/), os valores indicados em tais fichas refletem o valor de mercado dos veículos à época das operações. Ademais, o próprio histórico dos créditos bancários objeto dos lançamentos fazem prova acerca da operação de venda de veículos, já que identificam a placa do veículo negociado. Tal identificação foi gerada no momento do crédito e lastreiam as fichas de venda apresentadas pela Recorrente, que, portanto, não poderiam ter sido desconsideradas pelo Auditor. Observe-se, ainda, que muitos dos créditos são oriundos de Financeiras, diretamente relacionados à atividade da Recorrente de compra e venda de veículos usados. A margem de lucro com que trabalham as empresas que atuam com o comércio de veículos usados é muito pequena. Presumir que créditos que giraram em torno de R$ 15.000,00 a R$ 40.000,00 (por exemplo) correspondam à própria receita bruta oriunda de prestação de serviço da Recorrente e sobre a totalidade destes Fl. 2490DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 28 fazer incidir o coeficiente de 38,4% (32% + 20%), sem considerar o custo de aquisição dos veículos revendidos, constitui verdadeiro confisco e ofensa ao princípio da isonomia tributária! Valores tão expressivos não poderiam corresponder de forma alguma à comissão da venda ou consignação de veículos, já que, conforme as provas já apresentadas, bem como consoante os anexos documentos, eles coincidem com o valor de dos próprios bens envolvidos nas operações!!! Nesse sentido, cumpre observar que a Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998 possibilita aos contribuintes optantes pelo lucro presumido, escolher uma dentre duas situações possíveis: ser tributado pela regra geral, correspondendo a base de cálculo do IRPJ e da CSLL a 8% e a 12%, respectivamente, da receita bruta ou, pela regra diferenciada, de equiparação às operações de consignação, correspondendo a base de cálculo a 32% sobre a diferença entre os valores de venda e de compra. Assim, considerando toda a documentação e os demonstrativos apresentados pela Recorrente à fiscalização, teria sido perfeitamente possível se apurar a referida diferença entre os valores de venda e de compra, para, então, se aplicar o coeficiente de 32% para apuração da base de cálculo do IRPJ. O que não é possível é desconsiderar o custo de aquisição dos veículos e aplicar o referido coeficiente diretamente sobre todos os créditos efetuados nas contas bancárias da Recorrente, em relação aos quais a fiscalização não identificou os respectivos documentos fiscais. Em direito tributário os fatos sobrepõe-se a forma! Observe-se, aliás, que a Autoridade Fiscal, em total arrepio da norma, no item III.2, atestou que em todas as notas especificadas nesse item o custo considerado foi zero. Um absurdo! (...) Repita-se: a autorização prevista pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998 é a de que nas operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados, seja apurada a diferença entre os valores de venda e de compra dos veículos usados, e sobre esta diferença seria aplicado o percentual de trinta e dois por cento para a apuração da base de cálculo presumida. Portanto, a presunção realizada pela Autoridade Fiscal no Auto de Infração ora impugnado (que não levou em consideração tal diferença), acabou por violar frontalmente os próprios dispositivos legais que supostamente lhe serviram de fundamento. (...) Tratando-se de operação comercial, os coeficientes de presunção de lucro arbitrado são de 9,6% para o IRPJ e de 12% para a CSLL e não de 38,4% como considerou a Autoridade Fiscal. Fl. 2491DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 29 A decisão recorrida, no voto vencedor, assim considerou: No Voto apresentado pelo Relator, a conclusão foi no sentido de que, para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ e da CSLL incidentes sobre a receita apurada com base na presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 (item 001 do Auto de Infração), seriam aplicáveis os percentuais de 9,6% para o IRPJ, e 12% para a CSLL. Com a devida vênia, com esse entendimento não se pode concordar. Considerando que a Contribuinte desempenha atividades de revenda de veículos (item 002 do Auto de Infração – percentuais de 9,6% e 12%) e também de intermediação de negócios (item 003 do Auto de Infração – percentuais de 38,4% e 32%), entendo, assim como fez a Autoridade Fiscal, que se trata de um típico caso de aplicação do (...) Nesse sentido, considero que devem ser mantidos os valores lançados pela Autoridade Fiscal a título de IRPJ e CSLL, apurados a partir da receita considerada omitida (item 001 do Auto de Infração), utilizando-se os percentuais de 38,4% e 32% para o IRPJ e a CSLL, respectivamente. O voto vencido, por outro lado, entendeu: Entendo assitir razão neste aspecto a Impugnante. A autoridade fiscal reconhece que a atividade econômica da Interessada, quando aplicável, seguiu de acordo com o procedimento considerado pelo art.5º da Lei nº 9.716. O fato de constar do objeto social da Interessada, também, a intermedição de negócios, não seria suficiente para a autoridade fiscal dele se valer para se considerar o coeficiente de 32%, com base no art.518, inc.III, ‘a’, do RIR/99 e tampouco se valer do disposto no art.537, parágrafo único, uma vez que (i) não há qualquer indício de exercício desta outra atividade e (ii) não se pode afirmar que os créditos bancários não devidamente explicados foram, todos, oriundos de prestação de serviços. Conforme Termo de Verificação Fiscal: Em relação à comprovação dos respectivos créditos das vendas em consignação, a interessada, em resposta aos esclarecimentos dos créditos, apresenta cópias das notas fiscais de venda em consignação e das respectivas notas fiscais de entrada em consignação. Em seguida, depois da interferência e indicação dos créditos, por parte da empresa, efetuamos a vinculação da data da nota fiscal de venda com a data do crédito e respectivos valores da nota e do crédito, onde ficou demonstrado que o crédito recebido foi da nota fiscal de venda em consignação. Nesta parte, com todas as notas fiscais de venda em consignação, apresentadas e demonstradas com os respectivos recebimentos, os créditos foram Fl. 2492DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 30 considerados e “comprovados”, conforme demonstrado na coluna da planilha dos créditos trabalhados. Ressaltamos que extraímos todas as placas dos veículos junto ao campo da nota (histórico do produto), em todas as notas fiscais de venda em consignação para identificar ainda os casos em que a empresa identificou somente a placa do veículo. Consideramos as justificativas dos créditos identificados e “comprovados” na coluna da planilha dos créditos trabalhados. Pela Planilha 5 Dos Créditos Comprovados (fls.332 a 337) e Planilha 6 Dos Créditos Justificados e Trabalhados (fls.338 a 397) vê-se que centenas de créditos (algo em torno de R$ 14.354.637,00) foram associados a vendas consignadas, de forma que, em não havendo a constatação do exercício de outra atividade econômica que não essa, de se reconhecer que suas operações comerciais desenvolviam-se conforme sua opção pelo art.5º da Lei nº 9.716/98. Não nos olvidemos que estamos lidando com uma tributação por presunção legal e aceitar que os créditos bancários não devidamente explicados quanto a sua origem seriam, todos, oriundos de prestação de serviços, seria acrescentar mais uma presunção à situação, algo inconcebível. Assim, para aqueles créditos bancários onde não se pode associá-los à vendas consignadas, de se considerar que são representativos de operação normal, de revenda, sujeita ao percentual de 8%. (art.518 do RIR/99). Diante deste cenário, sabe-se que o artigo 5º da Lei nº 9.716/1998 expressamente possibilitou às revendedoras de automóveis usados equiparar a sua tributação àquela adotada nas operações de consignação e, assim, alterou as regras dos tributos federais incidentes sobre a atividade, as quais foram regulamentadas por atos normativos. Veja o excerto legal: Art. 5º As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. No que tange ao IRPJ apurado pelo regime do lucro presumido, a Instrução Normativa RFB nº 1.700/2017, a exemplo do que hoje vigente, disciplina a atividade de revenda de automóveis usados no artigo 242, expondo que: (i) será considerada receita bruta a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado tiver sido alienado e o seu custo de aquisição; (ii) o custo de aquisição será aquele ajustado entre as partes; e (iii) na determinação da base de cálculo do lucro presumido e do resultado presumido, será aplicado o percentual de 32% sobre a receita bruta, ao passo que no caso do lucro arbitrado e do resultado arbitrado com receita bruta conhecida, o percentual será de 38,4%. Art. 242. As pessoas jurídicas que tenham como objeto social, declarado em seus atos constitutivos, a compra e venda de veículos automotores poderão equiparar, Fl. 2493DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 31 para efeitos tributários, como operação de consignação, as operações de venda de veículos usados, adquiridos para revenda, bem assim dos recebidos como parte do preço da venda de veículos novos ou usados. § 1º Os veículos usados, referidos neste artigo, serão objeto de nota fiscal de entrada e, quando da venda, de nota fiscal de saída, sujeitando-se ao respectivo regime fiscal aplicável às operações de consignação. § 2º Considera-se receita bruta, para efeitos do disposto neste artigo, a diferença entre o valor pelo qual o veículo usado tiver sido alienado, constante da nota fiscal de venda, e o seu custo de aquisição, constante da nota fiscal de entrada. § 3º O custo de aquisição de veículo usado, nas operações de que trata este artigo, é o preço ajustado entre as partes. § 4º Na determinação das bases de cálculo estimadas, do lucro presumido, do lucro arbitrado, do resultado presumido e do resultado arbitrado, aplicar-se-á o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta definida no § 2º. § 4º Na determinação das bases de cálculo estimadas, do lucro presumido, do lucro arbitrado, do resultado presumido e do resultado arbitrado, serão aplicados os percentuais de 32% (trinta e dois por cento) ou 38,4% (trinta e oito inteiros e quatro décimos por cento), conforme o caso, sobre a receita bruta definida no § 2º. (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1881, de 03 de abril de 2019) § 5º A pessoa jurídica deverá manter em boa guarda, à disposição da RFB, o demonstrativo de apuração da base de cálculo a que se refere o § 2º. § 6º As disposições deste artigo aplicam-se exclusivamente para efeitos fiscais. Portanto, quando optante pelo regime de apuração do IRPJ pelo lucro presumido, ao invés de aplicar o percentual de 8% sobre o valor total da venda – típico das operações comerciais –, poderá o sujeito passivo adotar o coeficiente de presunção do lucro da operação de revenda de automóvel usado de 32% – que é próprio das prestações de serviço –, mas sobre a receita bruta mitigada, resultado do valor da venda do automóvel usado deduzido o seu custo de aquisição. Nota-se que a instrução normativa cumpriu a contento a prescrição legal de equiparação do imposto de renda sobre os dois tipos de negócio – serviço e comércio –, pois foram igualados os percentuais (32%) e aproximados os valores sobre os quais tais percentuais devem incidir – a receita bruta mitigada corresponde à comissão auferida pelo revendedor. Isso significa que, juridicamente, nas operações equiparadas à consignação mercantil, tal como ocorrera no caso em tela, o coeficiente da presunção de lucro é, de fato, 32%. Inclusive, o tema é objeto da Súmula CARF nº 85, a qual vincula este julgador, veja: Súmula CARF nº 85 Aprovada pela 1ª Turma da CSRF em 10/12/2012 Fl. 2494DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 32 Na revenda de veículos automotores usados, de que trata o art. 5o da Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998, aplica-se o coeficiente de determinação do lucro presumido de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita bruta, correspondente à diferença entre o valor de aquisição e o de revenda desses veículos. Acórdãos Precedentes: Acórdão nº 1803-01.159, de 17/1/2012 Acórdão nº 1202-00.607, de 18/10/2011 Acórdão nº 9101-00.193, de 16/6/2009 Acórdão nº 9101-00.017, de 09/3/2009 Acórdão nº 107-09.463, de 13/8/2008 Tal situação, ressalta-se, é uma opção do sujeito passivo, pois este poderia apurar os tributos conforme a sistemática geral do lucro presumido. O lançamento em questão foi realizado com base no lucro arbitrado, considerando: (i) as vendas de veículos em consignação comprovadas; (ii) vendas de veículos em consignação sem comprovação dos custos; e (iii) vendas em consignação com notas fiscais de devolução em consignação. Nas operações em que não foi comprovada a consignação da revenda de veículos, aplicou-se o percentual majorado de presunção de lucro de 38,4% (32%, com o adicional de 20%), como se consignação fosse, entendendo a autoridade fiscal que seria aplicável o artigo 24, §1º, da Lei nº 9.249/1995. Discordo do lançamento e dou razão às alegações da contribuinte. Como a autoridade fiscal entendeu que não havia comprovação das consignações dos veículos revendidos, cuja receita bruta fora omitida e fora objeto do arbitramento do lucro, não se deve aplicar dispositivo que confere uma faculdade ao contribuinte de equiparação da revenda típica à consignação, sobretudo, porque desconsidera a própria sistemática de aplicação da regra. Como dito, tal opção conferida ao sujeito passivo decorre de uma equiparação da consignação à prestação de serviços, a exemplo da intermediação, de modo que se busca tributar o lucro da atividade num coeficiente de presunção típico da prestação de serviços. Por isso, além do coeficiente de presunção do lucro ser maior do que aquele aplicável às revendas, tem-se uma mitigação da base de cálculo, de modo que a base de cálculo sujeita ao IRPJ é o resultado da subtração do valor da consignação ao valor de venda do veículo (a comissão). A autoridade fiscal aplicou a norma à revelia de sua inteligência e dos pressupostos legais que a fundamentam. Não se pode presumir o percentual de presunção de lucro facultativo à atividade de consignação, que não estava configurada, pois, como entendido no próprio TVF, não houve comprovação da consignação, nem para a dedução do custo de aquisição dos veículos e nem para a aplicação do coeficiente de 32%. As “provas” que a contribuinte apresentou foram desconsideradas corretamente, já que não tinham o substrato formal adequado para comprovar os custos de aquisição dos veículos, logo, não se poderia inadmitir as provas da consignação, mas, ainda assim, entender que tal atividade ocorrera, sob pena de criar uma teratológica interpretação Fl. 2495DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 33 jurídica que desconsidera o objetivo principal do lançamento: tributar os lucros da contribuinte adequadamente e conforme a lei. Deve-se, portanto, acolher a tese de defesa, a fim de que seja recalculado o IRPJ lançado, considerando o coeficiente de presunção de lucro de 8%, majorado em 20% já que arbitrado o lucro. Isto posto, aproveito a planilha apresentada no voto vencido do acórdão recorrido (fl. 2.296 a 2.297) e dou provimento ao Recurso Voluntário neste ponto, para exonerar o lançamento de IRPJ no montante de R$ 1.029.791,28. Multa Qualificada Os sujeitos passivos questionam a qualificação da multa imputada, que após a decisão recorrida, se restringiu à primeira infração: omissão de receita por presunção legal (depósitos bancários de origem não comprovada), porquanto foi afastada a qualificação da multa sobre os montantes lançados com base no arbitramento do lucro. Assim entendeu o TVF, ao imputar a penalidade mais gravosa: A prática adotada pela fiscalizada, em proceder em grande parte, emissão de nota fiscal de entrada em consignação e, posteriormente, emitir nota fiscal de devoluções em consignação, é uma tentativa clara e evidente não só de omitir e impossibilitar o conhecimento do fisco da identificação dos registros das receitas de vendas como também em deixar de registrar as receitas na escrituração, omitindo-as de forma continuada em todos os períodos desta ação fiscal. Tal prática foi constatada nas emissões de notas fiscais de saídas de veículos nos CFOP 5917 ou 5918 – “devolução de consignação” de retorno ao proprietário do veículo então ingressado na empresa “em consignação”. De veículos ingressados na empresa, CFOP 1917 ou 2917 - entrada de mercadoria recebida em consignação mercantil ou industrial, quando, na realidade, na respectiva venda e saída deveria ter emitido a correspondente nota fiscal de venda em consignação e dos CFOP 5114, 5115, 6114 e 6115, ou até mesmo, simplesmente, uma nota fiscal de venda. Em anexo as fichas apresentadas pela empresa que certificam as negociações realizadas. A empresa de acordo com o contrato social atua num ramo de atividade que possui um regime tributação favorecida, pois essa foi sua opção, em conformidade com o art. 5º da Lei nº 9.516/1998, que permite que a apuração e o pagamento dos tributos sejam efetuados sobre a diferença entre o preço de venda e o preço de compra dos veículos que revende, mas para isto deveria cumprir os requisitos para a devida apuração. Se não bastasse, na escrituração do livro caixa, omitiu não só grande parte das operações de vendas ou vendas em consignação, como também toda Fl. 2496DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 34 movimentação financeira e bancária e sem comprovação dos créditos respaldados com documentação hábil e idônea. Como resultado dessas práticas a contribuinte omitiu receitas tributáveis em montantes muito superiores às receitas informadas na DIPJ, deixando de recolher IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre as receitas omitidas e deixando de escriturar a totalidade da movimentação bancária no Livro Caixa. Tal procedimento repetiu-se em todos os períodos de apuração do ano-calendário de 2011, quando informou em sua DIPJ receitas em valores bem inferiores aos realmente auferidos. (...) Sabemos que a jurisprudência administrativa é pacífica nesse sentido dizendo que a pura omissão de receitas não é motivo de qualificação da multa de ofício. Porém, na ação fiscal em questão, não é uma simples omissão de receitas, além das omissões de forma continuada em todos os períodos fiscalizados usava de artifício para esconder e impossibilitar o fisco da identificação das operações de vendas, emitindo nota fiscal de devolução em consignação, quando deveria ter emitido em cada operação a nota fiscal de venda em consignação ou simplesmente de venda. Também omitiu as receitas na escrituração, bem como de toda movimentação financeira, e não informou os valores devidos na DIPJ ou DCTF, ficando evidente que a contribuinte agiu de fato com a intenção clara de oculta, impossibilitar ou de dificultar o conhecimento do fisco com relação às operações realizadas pela empresa. Logo, os fatos descritos pelas práticas adotadas pela interessada de proceder a venda em consignação, usando de artifício para omitir vendas e consequentemente receitas do fisco, como também movimentar em todos os períodos do ano de 2011 valores expressivos de movimentação bancária, sem nenhuma escrituração em seu “livro caixa”. Informou valores bem pequenos de receita em todos os trimestres fiscalizados, com objetivo de não pagar os tributos devidos. Com isso, fica evidente o intuito da fraude, fato esse definido em lei como suficiente para autorizar a qualificação da multa de ofício ao percentual de 150%. Diante desses fatos, formamos plena convicção de que está comprovada, em tese, a subsunção às hipóteses previstas nos arts. 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, do artigo 1º da Lei n° 8.137/1990 acima referidas. O artigo 44 da Lei 9.430/1996 e suas várias alterações, condicionava a aplicação da multa de 150% aos casos de sonegação, fraude ou conluio definidos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964, isto é, nas hipóteses de conduta qualificada. A Lei nº 14.689/2023 modificou este cenário e instituiu a multa majorada com duas espécies de qualificação de acordo com a conduta praticada: (i) conduta qualificada (sonegação, fraude ou conluio), multa de 100%; (ii) conduta qualificada com reincidência do sujeito passivo no prazo de dois anos, multa de 150%. Eis o teor da alteração legislativa Fl. 2497DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 35 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será majorado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, e passará a ser de:(...) VI – 100% (cem por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício; VII – 150% (cento e cinquenta por cento) sobre a totalidade ou a diferença de imposto ou de contribuição objeto do lançamento de ofício, nos casos em que verificada a reincidência do sujeito passivo. § 1º-A. Verifica-se a reincidência prevista no inciso VII do § 1º deste artigo quando, no prazo de 2 (dois) anos, contado do ato de lançamento em que tiver sido imputada a ação ou omissão tipificada nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, ficar comprovado que o sujeito passivo incorreu novamente em qualquer uma dessas ações ou omissões. § 1º-C. A qualificação da multa prevista no § 1º deste artigo não se aplica quando: I – não restar configurada, individualizada e comprovada a conduta dolosa a que se referem os arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964; II – houver sentença penal de absolvição com apreciação de mérito em processo do qual decorra imputação criminal do sujeito passivo; e (...) A modificação supramencionada atrai a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea ‘c’, do CTN, porquanto a lei nova se aplica a ato ou fato pretérito, no caso de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente à época da prática da infração. É o instituto comumente conhecido como retroatividade benigna, veja: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: (...) II - tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim sendo, o percentual de 150% da referida multa somente se aplicaria no caso de reincidência, ou seja, quando ficar comprovado que o sujeito passivo, no prazo de 2 (dois) anos, Fl. 2498DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 36 contado do lançamento anterior, incorreu novamente em conduta qualificada por sonegação, fraude ou conluio. Verifica-se, pois, que a lei instituiu uma nova hipótese para imputação da multa de 150%, a reincidência qualificada, a qual não poderia retroagir, nos termos do artigo 104 do CTN. Ainda assim, para que se aplique então a multa qualificada, mas não decorrente de reincidência, é necessário se comprovar as condutas de sonegação, fraude e conluio, tal como dispostas nos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/1964: Art. 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. A interpretação do texto legal é o suficiente para se identificar os elementos caracterizadores de cada uma das condutas tipificadas: (i) na sonegação, se exige a conduta dolosa visando impedir ou retardar o conhecimento pela autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal ou das condições pessoais de contribuinte que possam afetar o crédito tributário – a ocultação do fato gerador já ocorrido; (ii) a fraude é a conduta dolosa que visa impedir ou retardar a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, podendo, ainda, excluir ou modificar suas características essenciais, com a finalidade de reduzir o tributo devido ou diferir o seu pagamento – se altera características essenciais ao fato gerador, a fim de obter vantagem econômica; e (iii) conluio é o ajuste doloso entre as pessoas para a prática da sonegação ou da fraude. A aplicação da multa qualificada é medida de caráter excepcional, devendo-se comprovar as condutas dolosas descritas nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. Para se subsumir uma conduta à norma que prescreve a qualificação da multa não basta imputar ao contribuinte um mero “querer praticar” o ato objeto da infração, pelo contrário, deve-se aferir o elemento subjetivo da conduta, isto é, comprovar que o contribuinte tinha a plena consciência do que estava fazendo e que ante às condições circunstanciais, a conduta é ilícita. Exige-se, nos três casos, a constatação do dolo como elemento subjetivo da hipótese tipificada. Isso significa que é indispensável à vontade consciente de se praticar a conduta de sonegação, fraude ou conluio. Fl. 2499DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 37 Salienta-se que a conduta tipificada já era necessária para a aplicação da multa qualificada, antes da alteração da Lei nº 14.689/2023, mas a exigência foi positivada, conforme §1º-C, do artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, com sua nova redação. Na decisão recorrida, a multa qualificada foi mantida na íntegra no voto vencido, sendo que no voto vencedor se restringiu à primeira infração arrolada no auto de infração. A fundamentação foi a seguinte: No caso sob análise a autoridade autuante procurou motivar a aplicação da multa de ofício qualificada, não apenas por força do elevado montante de movimentação financeira não escriturado no Livro Caixa, como também apontou uma outra situação, ao meu sentir o suficiente para a qualificação da multa de ofício e que não foi sequer objeto de debate por parte da Impugnante. Tratou-se da afirmação fiscal (não comentada pela Impugnante) de que a Interessada, em grande parte das vendas, ao emitir notas fiscais de vendas (oriundas de consignação), promovia uma devolução (da mesma venda) de mesmo valor, anulando assim a operação evitando o pagamento dos tributos/contribuições sobre o ganho (lucro). A relação destas vendas e das correspondentes devoluções de vendas, podemos verificar no trabalho elaborado pela autoridade autuante e acostado às fls.405 a 423, intitulado Modelo Apuração Anual Por CFOP – Planilha 10 Dos Pares de Notas Fiscais de Entrada e Devolução Ano-calendário 2011. Mantida, assim, a qualificação da multa de ofício. De fato, ao analisar a conduta praticada pela contribuinte, entendo que dolosamente agiu para omitir o fato gerador do IRPJ, tal como descrito no TVF, pois deliberadamente omitira ao conhecimento do Fisco suas operações, emitindo nota fiscal de entrada em consignação e, após, realizando a devolução da consignação também por meio de emissão de nota fiscal. Além disso, deixou de registrar as receitas na sua escrituração contábil, de forma continuada, em todos os períodos fiscalizados. A qualificação da multa foi devidamente motivada e está clara sua subsunção às hipóteses previstas no artigo 71 e 72 da Lei nº 4.502/1964, razão pela qual mantenho-a. Entretanto, em razão da retroatividade benigna, conforme discorrido alhures, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, reduzindo-a ao patamar de 100%. Argumentos constitucionais que refutam o lançamento Adicionalmente as recorrentes alegam que as autuações contrariam os princípios constitucionais do não-confisco, da capacidade contributiva, da razoabilidade e da proporcionalidade. Fl. 2500DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 38 Como sabido, no âmbito do CARF vigora a Súmula CARF nº 2, de aplicação impositiva aos julgadores administrativos, vedando a análise de constitucionalidade da lei tributária pelo órgão: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A súmula encontra fundamento no artigo 26-A do Decreto-lei nº 70.235/1972, que veda expressamente aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade: Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009) Portanto, o julgador administrativo, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, deve se limitar a aplicá-la, sem emitir juízo de valor acerca de sua constitucionalidade ou de outros aspectos de sua validade – matéria reservada à jurisdição judicial. Isto posto, rejeito a arguição principiológico-constitucional que contesta o lançamento de ofício por supostamente configurar efeito de confisco. Responsabilidade Solidária do Sr. Celso Pereira A matéria sob litígio no Recurso Voluntário diz respeito à responsabilidade solidária do Sr. Celso Pereira, imputada sob a regência do artigo 135, inciso III, do CTN. Os artigos 134 e 135 do CTN tratam da responsabilidade de terceiros em relação à obrigação tributária dos contribuintes. Em regra, são dois os eventos que podem ensejar a responsabilização com base nos dois artigos. Com relação ao artigo 134, verifica-se que geralmente existe uma sucessão entre o contribuinte e o responsável, por exemplo, os pais pelos tributos devidos pelos seus filhos menores, ou os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Já no artigo 135, exige-se a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, geralmente, para se responsabilizar as pessoas físicas que atuam em nome de uma pessoa jurídica. Seguem os excertos legais: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I - os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II - os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; Fl. 2501DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 39 III - os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV - o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V - o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI - os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por ele, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII - os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I - as pessoas referidas no artigo anterior; II - os mandatários, prepostos e empregados; III - os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A leitura detida dos incisos II e III, do artigo 135, do CTN, torna possível concluir que a responsabilização de mandatários, prepostos ou empregados, no caso do inciso II e dos diretores, gestores ou representantes das pessoas jurídicas, prevista no inciso III, é necessário demonstrar a prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. Reitero, a hipótese do diploma tributário é cristalina e mostra ser imprescindível a demonstração dos atos pelos quais se evidenciou a conduta infracional, sob pena de se responsabilizar ilegalmente terceiros que não praticaram efetivamente nenhum ato contrário ao ordenamento jurídico, mas, por álea empresarial, viram-se numa situação de inadimplência fiscal. Não se trata de responsabilização por mero inadimplemento e nem da responsabilização imediata dos administradores da empresa inadimplente frente ao fisco, somente por assumirem essa função. Feitas essas considerações, passo a analisar as argumentações e a responsabilidade imputada nos autos de infração. O TVF assim justificou a imputação da hipótese legal de responsabilização do sujeito passivo: Como resultado dessas práticas, a fiscalizada omitiu receitas tributáveis em montantes muito superiores às receitas informadas na DIPJ, deixando de recolher IRPJ, CSLL, PIS e Cofins sobre as receitas omitidas. A forma de conduzir os negócios adotados pelo sócio majoritário e administrador da empresa Celso Automóveis Ltda foi com o objetivo de recolher pequenos Fl. 2502DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 40 valores de tributos em todos os períodos fiscalizados. Isto caracteriza sonegação fiscal e é atuação com excesso de poderes, infração a lei e infração ao contrato social, porque foram atitudes ou condutas graves e não toleradas em qualquer das normas que prescrevem os limites de atuação dos administradores. E mais, os fatos e as ações descritas, além de infringirem a legislação comercial e tributária, caracterizaram a intenção deliberada adotada pelo administrador da empresa, pois restou demonstrada a subsunção ao inciso III, art. 135 do CTN. Logo será lavrado o Termo de Responsabilidade Solidária em nome de CELSO PEREIRA, que na qualidade de sócio majoritário, gerente e administrador, nos termos do art. 135, III, do Código Tributário Nacional (CTN), e tendo em vista a prática reiterada de infração à lei, conforme art. 1º, I, e art. 2º, II, da Lei nº 8.137, de 1990. (...) No caso presente não resta dúvida de que contribuinte é a empresa Celso Automóveis ME, por ser ela quem tem relação pessoal e direta com a situação que constitua o fato gerador do IRPJ, CSLL, COFINS e PIS. Responsável e o administrador da Celso Automóveis - ME, pois sem revestir-se da condição de contribuinte sua obrigação decorre de disposição expressa em lei (o próprio CTN). (...) Na verdade, no caso presente, de forma direta ou indireta, o responsabilizado foi cientificado, se interou e participou dos procedimentos fiscais desde o termo de início de ação fiscal da própria fiscalizada, com a ciência do mesmo e conforme indicação pelo próprio de procurador, advogado para contato e posteriormente outro advogado para responder ao termo de diligencia endereçado ao próprio Celso Pereira na questão do arrolamento dos bens e direitos de sua responsabilidade. Durante os procedimentos mesmo com encaminhamento dos termos ao procurador nomeado pelo sócio e gerente administrador, uma via de todos os termos, foram, sempre, também encaminhadas para a empresa para ciência do sócio e responsável pela mesma. Diante de todo o exposto no presente tópico, será arrolado como responsável solidário o sócio administrador Celso Pereira pelo Auto de Infração ora lavrado na empresa Celso Automóveis - ME. A decisão recorrida consignou: O impugnante solidário era, DE FATO E DE DIREITO, administrador da Autuada, de forma que pactuaram, o sentido de impedir o conhecimento por parte da Fazenda Pública Federal de suas receitas tributáveis, conforme já se mostrou no Voto, quando da análise da impugnação, portanto, praticou atos com infração da lei, de Fl. 2503DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 41 forma dolosa. A conduta deliberada para fins exclusivos de redução de tributos o arrasta, inexoravelmente, para a condição de responsável solidário. (...) Como evidenciado no exame de mérito do lançamento de IRPJ, com multa de ofício qualificada (150%), a habitualidade e reiteração no cometimento das infrações tributárias revelam, inescapavelmente, o evidente intuito do administrador em lesar a Fazenda Nacional. A pessoa jurídica (fiscalizada) omitiu artificialmente seu verdadeiro resultado tributável, revelando que seu administrador, Celso Pereira, deliberadamente, contribuiu com tal omissão, proporcionando, assim, o não aparecimento dos tributos devidos a recolher. A infração à lei se mostra plenamente demonstrada, visto que a fiscalização caracterizou cabalmente a ofensa à legislação tributária, por meio de atos cometidos que, em tese, configuram ilícitos penais. Desta feita, sendo este senhor quem administrava os negócios da empresa fiscalizada e que foram praticados atos que se reputam contrários à lei tributária e comercial, já analisados neste Voto, justifica-se a sua inclusão no pólo passivo ao lado da autuada, como Responsável Solidário, conforme consta no Termo de Sujeição Passiva Solidária, acostado após o Termo de Verificação de Infração. O Sr. Celso Pereira em sua impugnação quanto à atribuição de responsabilidade, limita-se a trazer excerto de decisão judicial, a qual teria entendimento de que a responsabilidade prevista no inciso III do art.135 do CTN seria subsidiária e não solidária. De se dizer apenas que decisão judicial favorece (ou não) apenas as partes envolvidas no competente processo perante ao Poder Judiciário, que não é o caso do recorrente. Portanto, contrariamente ao alegado pelo impugnante solidário, comprovado nos autos que os atos foram praticados com excesso de poderes ou infração a lei ou ao contrato, de forma ilícita, dolosa, para que se possa configurar a responsabilidade solidária, de se manter o sócio administrador no pólo passivo como sujeito passivo solidário. No caso concreto, as práticas relacionadas à omissão de receitas, qual seja a engenharia contábil realizada pelo contribuinte, sob o poder de gestão de seu sócio responsável, indica para a configuração de infração à lei, porquanto deliberadamente foram praticados atos a fim de omitir a ocorrência dos fatos geradores objeto dos autos de infração. Emitir nota fiscal de entrada em consignação e posteriormente emitir nota fiscal de devolução em consignação, não escriturar os valores recebidos pela revenda dos veículos, omitindo as receitas de forma continuada e cotejando com a DIPJ e DCTF do período, onde eram Fl. 2504DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1302-007.522 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720222/2016-06 42 recolhidos pequenos valores ao Fisco federal, observa-se que houve interesse em reduzir a base tributável, o que justificou os lançamentos de ofício acrescido da multa qualificada. Nesse cenário, não há como se afastar que os atos praticados infringem a lei, já que não é razoável interpretar que o sócio majoritário, que detinha 99% das quotas da sociedade, e administrador da empresa, não detinha conhecimento das operações e, mais, que ante à movimentação bancária de R$ 30.637.248,65 geraria os valores a serem pagos no montante de R$ 4.946,21, a título de todos os tributos federais (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins). Entendo que o dolo está configurado. Assim, correta a responsabilização do Sr. Celso Pereira, motivo pelo qual nego provimento ao Recurso Voluntário. Conclusão Ante ao exposto, conheço dos Recursos Voluntários, rejeito as preliminares arguidas e, no mérito, dou parcial provimento às pretensões recursais, para exonerar o lançamento de IRPJ no montante de R$ 1.029.791,28 e reduzir a multa qualificada ao patamar de 100%. Assinado Digitalmente Henrique Nimer Chamas Fl. 2505DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10930.721591/2019-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Sun Oct 12 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/2018 a 31/12/2018
PROGRAMA MAIS LEITE SAUDÁVEL. LEITE IN NATURA E SEUS DERIVADOS. CRÉDITO PRESUMIDO.
A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, poderá descontar créditos presumidos das contribuições sociais em relação à aquisição de leite in natura utilizado como insumo, na produção de produtos destinados à alimentação humana ou animal classificados nos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul citados no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, a partir da habilitação no programa Mais Leite Saudável.
AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. CRÉDITO PRESUMIDO. REVENDA.
A aquisição de leite in natura de cooperados para comercialização com terceiros não gera direito ao desconto de créditos das contribuições sociais pelas sociedades cooperativas, por falta de previsão legal.
Numero da decisão: 3202-002.886
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-002.881, de 17 de setembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10930.721575/2019-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO LORENZON YUNAN GASSIBE
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LEITE IN NATURA E SEUS DERIVADOS. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, poderá descontar créditos presumidos das contribuições sociais em relação à aquisição de leite in natura utilizado como insumo, na produção de produtos destinados à alimentação humana ou animal classificados nos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul citados no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, a partir da habilitação no programa Mais Leite Saudável. AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. CRÉDITO PRESUMIDO. REVENDA. A aquisição de leite in natura de cooperados para comercialização com terceiros não gera direito ao desconto de créditos das contribuições sociais pelas sociedades cooperativas, por falta de previsão legal. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3202-002.881, de 17 de setembro de 2025, prolatado no julgamento do processo 10930.721575/2019-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 1932DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 87, §§ 1º, 2º e 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente/procedente em parte Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que denegara/acolhera em parte o Pedido de Ressarcimento apresentado pelo Contribuinte. O pedido é referente a suposto crédito de PIS- PASEP/COFINS. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: - PROGRAMA MAIS LEITE SAUDÁVEL. LEITE IN NATURA E SEUS DERIVADOS. CRÉDITO PRESUMIDO. A pessoa jurídica, inclusive cooperativa, poderá descontar créditos presumidos das contribuições sociais em relação à aquisição de leite in natura utilizado como insumo, na produção de produtos destinados à alimentação humana ou animal classificados nos códigos da Nomenclatura Comum do Mercosul citados no caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, a partir da habilitação no programa Mais Leite Saudável. - AQUISIÇÃO DE LEITE IN NATURA. CRÉDITO PRESUMIDO. REVENDA. A aquisição de leite in natura de cooperados para comercialização com terceiros não gera direito ao desconto de créditos das contribuições sociais pelas sociedades cooperativas, por falta de previsão legal. Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário ao CARF, pugna pela homologação integral do crédito vindicado, para tanto, requer a conversão do julgamento em diligência para que possa comprovar que as aquisições de leite in natura não se tratavam de bens para revenda. É o relatório. VOTO Fl. 1933DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 3 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso é tempestivo, bem como, atende aos demais pressupostos para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Ante a existência de arguição de preliminares, passo a analisá-las. DAS PRELIMINARES Da diligência fiscal Na consecução regular de suas atividades, a Recorrente atua no ramo de fabricação de produtos lácteos com preparação, beneficiamento, industrialização, distribuição e comércio de leite e derivados, e por tal razão, apura crédito presumido de PIS e COFINS, com amparo no art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Em sua defesa técnica, informa a Recorrente que sua principal e essencial matéria-prima é o leite cru, proveniente de propriedades rurais, que chega às fábricas da Recorrente em caminhões tanque, a temperaturas de 7ºC a 9ºC (e-fls. 1980). Finalizada esta etapa, o leite é encaminhado para silos de armazenagem, selados hermeticamente para evitar contaminação, estando à disposição da unidade fabril para ser utilizado como matéria-prima nos demais produtos da Recorrente, quais sejam: Iogurte, Achocolatado 200ml, Creme de leite 200g, Creme de leite a granel de uso industrial, Soro de leite em pó/Leite em pó Integral para ração animal, leite pré-industrializado, leite em pó, leite em pó, leite concentrado, Leite pasteurizado, Leite UHT, Manteiga e Bebida láctea fermentada. Em sede de Despacho Decisório, houve a glosa de créditos presumidos apurados sobre aquisições registradas nos CFOPs 1102 e 1118- operação de venda por conta e ordem, dado que, segundo o entendimento da fiscalização, tais aquisições não seriam utilizados na produção de leite, mas foram adquiridos para revenda. Em sua defesa, a Recorrente defende que se tratam de aquisições de matéria- prima utilizadas como insumos e não bens adquiridos para revenda. Neste ponto, explica a Recorrente que há “triangulação” da operação, pois o leite in natura é adquirido de produtos rurais “Cativa Cooperativa”, que, por sua vez, o revende à Recorrente, por conta e ordem, ocorre que, “fisicamente”, o leite in natura é remetido diretamente do produtor à Recorrente. Ao adquirir o Leite in natura nessas operações, a Recorrente o submete ao processo de “transvase” no posto localizado em sua filial, e posteriormente o remete à fábrica localizada no Município de Londrina/PR, onde é finalizada a produção para utilizar o leite envasado como insumo na fabricação dos produtos finais comercializados pela Recorrente, conforme demonstra abaixo: Fl. 1934DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 4 Por entender que trata-se de operação de venda por conta e ordem realizada pela “Cativa Cooperativa”, a contribuinte as registrou no CFOP 1102 e 1118, uma vez que decorrem de operações de venda por conta e ordem realizadas pela “Cativa”. Defende a Recorrente que juntou aos autos em sede de Manifestação de Inconformidade, planilha que contém informações extraídas da sua EFD, referente ao período análise, em que se demonstrou a inexistência de operações de revenda de bens. Todavia, o material comprobatório foi desqualificado pelo v. acórdão recorrido pela ausência de documentos adicionais que referendassem o alegado. Nesse ponto, alega a Recorrente que na planilha EFD juntada aos autos, é possível identificar que na aba “Saídas” constam todas as operações dessa natureza, ao passo que na aba “Leite” apenas constam as operações praticadas com leite in natura. Adicionalmente a isso, na coluna “AI” da aba “Saídas”, constam operações com natureza de “Venda de mercadoria adquirida ou recebida de terceiros”, mas todas elas são referentes a produtos derivados do leite in natura e/ou outros itens. Ou seja, apesar de haver registros de aquisições de bens para revenda, tais operações não envolvem o próprio leite in natura, como apontado pela Autoridade Fiscal e ratificado pelo v. acórdão. Ademais, na coluna “AI” da aba “Leite”, é possível confirmar que todas as operações têm a natureza de “Venda de produção do estabelecimento”. Ou seja, todas as operações que envolvem saídas de leite in natura, referem-se ao leite que foi produzido pela Recorrente, e nenhuma delas envolve revenda, para tanto, pugna pela conversão do julgamento em diligência para que lhe seja oportunizado a apresentação de documentos e/ou esclarecimentos complementares. Fl. 1935DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 5 Compulsando-se os autos, entendo que a questão é meramente probatória. Pois, tratando-se de pedido de ressarcimento no âmbito do Programa Leite Mais Saudável, instituído pelo Decreto nº 8.533 de 30 de setembro de 2015, como se sabe, é exigida a prévia habilitação perante o Poder executivo, sendo verificados a regularidade fiscal da empresa e a realização de investimento em projeto aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para a realização de investimentos destinados a auxiliar produtores rurais de leite no desenvolvimento da qualidade e da produtividade de sua atividade. Todavia, não se sabe quando a condição da habilitação por parte da Recorrente, em termos, a Recorrente estava previamente habilitada no Programa Leite Mais Saudável? Se sim, desde quando? Pois no que pese a motivação para manutenção das glosas de créditos presumidos apurados antes do dia 28/02/18, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus que lhe cabia- comprovar a prévia habilitação no Programa Leite Mais Saudável a partir dessa data. Por sua vez, a Recorrente apresenta argumentos genéricos contestando o período de apuração das contribuições, sem sequer esclarecer ou demonstrar a efetiva data da habilitação da Recorrente no programa. Cabe acentuar, ainda que o ônus da prova, a atribuição do encargo de provar o direito àquele que o alega está positivado no art. 373 do Código de Processo Civil. Sendo assim, considerando a causa estar madura para o julgamento, entendo a diligência ser prescindível. Do histórico da legislação do crédito presumido sobre o leite in natura Consabido que para a promoção do desenvolvimento econômico e estímulo ao mercado interno, incentivos fiscais são criados pelo legislador a exemplo da outorga do crédito presumido veiculada por meio da Lei nº 10.925/2004. A referida legislação não só aponta em seu artigo 1º diversos produtos com alíquota do PIS e da COFINS reduzidas a zero nas operações de importações e sobre a receita bruta de venda no mercado interno como dispõe, ainda, a hipótese de apuração de crédito presumido nas aquisições de produtos de origem animal ou vegetal destinado à alimentação humana ou animal, veja: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, Fl. 1936DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 6 crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física.(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004)(Vigência)(Vide Lei nº 12.058, de 2009)(Vide Lei nº 12.350, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 545, de 2011)(Vide Lei nº 12.599, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 582, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013(Vide Lei nº 12.839, de 2013)(Vide Lei nº 12.865, de 2013) § 1º O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições efetuadas de: I - cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);(Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) II - pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III - pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Portanto, estavam autorizadas à pessoa jurídica e cooperativa adquirente do produto in natura ou cru a calcular crédito presumido sobre os insumos adquiridos de: i- pessoa física ou de cooperado pessoa física; ii- de cerealista que exerça cumulativamente atividade de beneficiamento; de pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e, iii- de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária; a ser deduzido da contribuição ao PIS e COFINS devidas em cada período de apuração, aplicadas as alíquotas previstas no § 3º (transcrevo texto vigente em 2014): § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a:(Vide Medida Provisória nº 582, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013)(Vide Lei nº 12.839, de 2013) I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e10.833, de 29 de dezembro de 2003,para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2 a 4, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18; e (Vide Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II - 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus Fl. 1937DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 7 derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos. (Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) O dispositivo ainda previu vedação expressa em relação ao ressarcimento e compensação: § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I - do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II - de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Do que vimos até aqui, os principais pontos/critérios atinentes ao crédito presumido são: 1)Aquisição de produto in natura ou cru para produção de mercadorias de origem animal ou vegetal destinado à alimentação humana ou animal; 2)Aplicação das alíquotas de 60% daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, para os produtos de origem animal; 50% para a soja e seus derivados; e, 35% para os demais produtos; 3)Dedução do crédito presumido nas contribuições ao PIS e a Cofins devidas em cada período de apuração; 4)Impossibilidade do cerealista que exerça cumulativamente atividade de beneficiamento; da pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e, da pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária: (a) Apurar crédito presumido nos moldes do caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; e, (b) Apurar crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas e cooperativas adquirentes do produto in natura ou cru. No caso da Cooperativa, sociedade da ora contribuinte, existiam, ainda, outras peculiaridades, que tratadas na Lei nº 11.051/2004, in verbis: Art. 9º O direito ao crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004,calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, recebidos de cooperado, fica limitado para as operações de mercado interno, em cada período de apuração, ao valor da Contribuição para o Fl. 1938DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 8 PIS/Pasep e da Cofins devidas em relação à receita bruta decorrente da venda de bens e de produtos deles derivados, após efetuadas as exclusões previstas no art. 15 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001.(Vigência)(Vide Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) Parágrafo único. O disposto neste artigo aplica-se também ao crédito presumido de que trata o art. 15 da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004. Consequentemente, além dos pressupostos supra listados, ao receber de cooperado o produto in natura ou cru, o crédito presumido apurado pela Cooperativa, em cada período de apuração, estava limitado ao valor devido de PIS e COFINS à receita bruta inerente às operações incorridas no mercado interno dos derivados e após as deduções previstas no art. 15 da MP nº 2.158-35/2001 . O cenário foi alterado pela Lei nº 13.137/2015 que trouxe significativas mudanças na modalidade de aproveitamento do crédito presumido, uma vez que com a inclusão do artigo 9-A na Lei nº 10.925/2004, passou a autorizar o ressarcimento e a compensação do crédito presumido apurado nos termos do caput do art. 8º desta norma, confira-se: Art. 9º-A. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos de que trata o art. 8º apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite, acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º deste artigo ou acumulado ao final de cada trimestre do ano-calendário a partir da referida data, para:(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação aplicável à matéria; ou(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) II - ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) § 1º O pedido de compensação ou de ressarcimento do saldo de créditos de que trata o caput acumulado até o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º somente poderá ser efetuado:(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) I - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2010, a partir da data de publicação do ato de que trata o § 8º ;(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) II - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2011, a partir de 1º de janeiro de 2016;(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) III - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2012, a partir de 1º de janeiro de 2017;(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) IV - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2013, a partir de 1º de janeiro de 2018;(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) Fl. 1939DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 9 V - relativamente aos créditos apurados no período compreendido entre 1º de janeiro de 2014 e o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º , a partir de 1º de janeiro de 2019.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) § 2º O disposto no caput em relação ao saldo de créditos presumidos apurados na forma do inciso IV do § 3º do art. 8º e acumulado ao final de cada trimestre do ano- calendário a partir da data de publicação do ato de que trata o § 8º deste artigo somente se aplica à pessoa jurídica regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) (...) § 8º Ato do Poder Executivo regulamentará o disposto neste artigo, estabelecendo, entre outros:(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) Outra importante modificação deu-se na alíquota aplicável. Reproduz-se: § 3º O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1º deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de alíquota correspondente a:(Vide Medida Provisória nº 582, de 2012)(Vide Medida Provisória nº 609, de 2013)(Vide Lei nº 12.839, de 2013) I - 60% (sessenta por cento) daquela prevista no art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os produtos de origem animal classificados nos Capítulos 2, 3, 4, exceto leite in natura, 16, e nos códigos 15.01 a 15.06, 1516.10, e as misturas ou preparações de gorduras ou de óleos animais dos códigos 15.17 e 15.18;(Redação dada pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) II - 50% (cinqüenta por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para a soja e seus derivados classificados nos Capítulos 12, 15 e 23, todos da TIPI; e(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)(Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) III - 35% (trinta e cinco por cento) daquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, para os demais produtos.(Incluído pela Lei nº 11.488, de 2007) IV - 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003,para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, perante o Poder Executivo na forma do art. 9º -A;(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência) V - 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002,e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003,para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada perante o Poder Executivo na forma do art. 9º-A.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015) (Vigência) Fl. 1940DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 10 E mais, a vedação anteriormente colocada pelo caput do artigo 9º da Lei nº 11.051/2004 nas aquisições de produtos in natura ou cru junto a cooperado foi extinta em relação a adquirente Cooperativa, com a inclusão do § 2º pela Lei nº 13.137/2015 , traz-se a cabo: § 2º O disposto neste artigo não se aplica no caso de recebimento, por cooperativa, de leite in natura de cooperado.(Incluído pela Lei nº 13.137, de 2015)(Vigência)Em adendo, destaca-se que o citado dispositivo teve validade apenas a partir de 01/02/2016, em observância ao inciso VI do art. 26 da Lei que indica a data de vigência: Art. 26. Esta Lei entra em vigor: I - em relação ao art. 1º, no primeiro dia do quarto mês subsequente ao da publicação da Medida Provisória nº 668, de 30 de janeiro de 2015,observado o disposto nos incisos II e VI; II - em relação ao art. 1º, no que altera os §§ 5º e 10e insere o § 9º-A no art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, na data de sua publicação; III - em relação ao art. 2ºe aos incisos I a IV do art. 27, na data da publicação da Medida Provisória nº 668, de 30 de janeiro de 2015; IV - em relação ao inciso V do art. 27, a partir da data de entrada em vigor da regulamentação de que trata o inciso III do § 2º do art. 95 da Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015; V - em relação aos arts. 18,19,20, observado o disposto no inciso VI deste artigo,22,23e ao inciso VI do art. 27, na data de sua publicação, produzindo efeitos a partir de 1º de maio de 2015; VI - em relação aos arts. 1º, no que altera o§ 19 do art. 8º da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, 4º, 5º, 20, no que altera o art. 24 da Lei nº 13.097, de 19 de janeiro de 2015, e 21 e ao inciso VII do art. 27, no primeiro dia do quarto mês subsequente ao de sua publicação; e VII - em relação aos demais dispositivos, na data de sua publicação. Logo, as inovações produziram efeitos na data de publicação da Lei nº 13.137/2015, ocorrida em 19/06/2015. Desde então, a nova regra para apuração do crédito presumido passou-se a ser, em suma: 1)Aquisição de produto in natura ou cru para produção de mercadorias de origem animal ou vegetal destinado à alimentação humana ou animal por pessoal jurídica ou cooperativa; 2)Aplicação das alíquotas sobre aquela prevista no art. 2º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, de: a. 60% para os produtos de origem animal e misturas ou preparações de gordura ou óleo vegetal; b.50% para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica ou cooperativa habilitada; Fl. 1941DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 11 c.35% para os demais produtos; d.20% para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica ou cooperativa não habilitada; 3)Dedução do crédito presumido nas contribuições ao PIS e a Cofins devidas em cada período de apuração, ressarcimento ou compensação do saldo acumulado, até a introdução do § 8º do art. 9-A; 4)Mantida a impossibilidade do cerealista que exerça cumulativamente atividade de beneficiamento; da pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e, da pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária, a. Apurar crédito presumido nos moldes do caput do art. 8º da Lei nº 10.925/2004; e, b.Apurar crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas e cooperativas adquirentes do produto in natura ou cru. 5)Eleito o ressarcimento ou a compensação, faz-se necessário observar o prazo de transmissão do pedido ao período correspondente de apuração do crédito presumido, sendo eles: a.ano-calendário de 2010, a partir da data de publicação do ato de que trata o § 8º; b.ano-calendário de 2011, a partir de 1º de janeiro de 2016; c.ano-calendário de 2012, a partir de 1º de janeiro de 2017; d.ano-calendário de 2013, a partir de 1º de janeiro de 2018; e.período compreendido entre 1º de janeiro de 2014 e o dia anterior à publicação do ato de que trata o § 8º , a partir de 1º de janeiro de 2019; 6)Atender critérios definidos pelo Executivo (§ 8º do art. 9-A). O Poder Executivo regulamentou o art. 9-A por intermédio do Decreto nº 8.533 de 30 de setembro de 2015 (alterado apenas em 2023 pelo Decreto nº 11.732), ao instituir o Programa Mais Leite Saudável, sendo beneficiária a empresa habilitada na seguinte forma: Art.17. A pessoa jurídica poderá requerer ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento habilitação provisória no Programa Mais Leite Saudável. Parágrafo único. O requerimento de habilitação de que trata o caput poderá ser apresentado em qualquer unidade do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Art.18. São requisitos para a habilitação provisória da pessoa jurídica no Programa Mais Leite Saudável: Fl. 1942DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 12 I- apresentação do projeto de investimentos de que trata o inciso I do caput do art.7º; e II- comprovação da regularidade fiscal da pessoa jurídica em relação aos tributos administrados pela RFB. Art. 19. A habilitação provisória da pessoa jurídica no Programa Mais Leite Saudável ocorrerá automaticamente com a apresentação do requerimento ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Art. 20. Verificada qualquer irregularidade relativa aos requisitos de que trata o art.18, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento notificará a pessoa jurídica interessada para adequação no prazo de trinta dias, sob pena de indeferimento do projeto ou do requerimento de habilitação provisória. O referido Decreto ainda reproduziu trecho do art. 9-A de modo a confirmar a viabilidade de ressarcimento ou compensação de crédito presumido acumulado pelo adquirente pessoa jurídica ou cooperativa, independentemente de habilitação no Programa criado Decreto nº 8.533/2015. Colaciona-se: Art.33. A pessoa jurídica poderá utilizar o saldo de créditos presumidos apurados na forma prevista no art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite e de seus derivados classificados nos códigos da NCM mencionados no caput do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, acumulado até o dia anterior à publicação deste Decreto para: I - compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, observada a legislação aplicável à matéria; ou II - ressarcimento em dinheiro, observada a legislação aplicável à matéria. § 1º A declaração de compensação ou o pedido de ressarcimento do saldo de créditos de que trata o caput somente poderá ser efetuado: I - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2010, a partir da data de publicação deste Decreto; II - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2011, a partir de 1º de janeiro de 2016; III - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2012, a partir de 1º de janeiro de 2017; IV - relativamente aos créditos apurados no ano-calendário de 2013, a partir de 1º de janeiro de 2018; e V - relativamente aos créditos apurados no período compreendido entre 1º de janeiro de 2014 e o dia anterior à data de publicação deste Decreto, a partir de 1º de janeiro de 2019. § 2ºA aplicação do disposto neste artigo independe de habilitação da pessoa jurídica no Programa Mais Leite Saudável. Em conclusão, peço venia para fazer um recorte do novo diploma legal e ilustrá-lo em relação ao leite in natura: Fl. 1943DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 13 ART. 9-A DA LEI 13.137/2015 (publicação em 19/06/2015) Saldo de crédito presumido acumulado até o Decreto nº 8.533/2015 (30/09/2015) Saldo de crédito presumido acumulado a partir do Decreto nº 8.533/2015 (30/09/2015) PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO DEDUÇÃO NA ESCRITA FISCAL PEDIDO DE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO *Ressalva para *Ressalva para a Cooperativa que obrigada ao limite imposto pelo caput do artigo 9º da Lei nº 11.051/2004 até 01/02/2016. Corroborando com os fatos, trago a cabo a Solução de Consulta Cosit nº 321 de 2018, cuja ementa reproduz-se: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP a) válido todo o valor apurado até 30/09/2015; b) nas aquisições de leite in natura por pessoa jurídica ou cooperativa*; c) alíquota de 60%; d) pode estar habilitada ou não no Programa Mais Leite Saudável; e) obedecidos os prazos de transmissão dos pedidos: - ano-calendário de 2010, a partir de 01/10/2015; - ano-calendário de 2011, a partir de 1º de janeiro de 2016; - ano-calendário de 2012, a partir de 1º de janeiro de 2017; - ano-calendário de 2013, a partir de 1º de janeiro de 2018; - período compreendido entre 1º de janeiro de 2014 e 30/05/2014, a partir de 1º de janeiro de 2019; a) apurado no trimestre do ano-calendário; b) nas aquisições de leite in natura por pessoa jurídica ou cooperativa (observar ressalva abaixo); c) alíquota de 20%; d) dispensa de habilitação; ou, nos casos de descumprimento das condições do Programa Mais Leite Saudável. a) apurado no trimestre do ano- calendário; b) nas aquisições de leite in natura por pessoa jurídica ou cooperativa (observar ressalva abaixo); c) alíquota de 50%; d) habilitação no Programa Mais Leite Saudável. Fl. 1944DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 14 EMENTA: LEITE IN NATURA E SEUS DERIVADOS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. APROPRIAÇÃO. UTILIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. É permitida a apuração dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep estabelecidos pelo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, em relação à aquisição de leite in natura utilizado como insumo na produção dos produtos destinados à alimentação humana ou animal relacionados no caput do mesmo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, desde que atendidas as condições previstas na legislação. Até 30 de setembro de 2015, os créditos presumidos em questão eram calculados com a alíquota de 60% (sessenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei no 10.637, de 2002, para os produtos de origem animal classificados no Capítulo 4 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), conforme previsto na antiga redação do art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004.A partir de 1ºde outubro de 2015, os créditos presumidos em questão são calculados com a alíquota de 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2ºda Lei no 10.637, de 2002, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, no Programa Mais Leite Saudável; ou 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei no 10.637, de 2002, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada no Programa Mais Leite Saudável. Os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep de que tratam os incisos IV e V do art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, (dispositivos legais aplicáveis a partir de 1ºde outubro de 2015) não aproveitados em determinado mês podem ser mantidos para utilização como desconto dos valores devidos dessa contribuição nos meses subsequentes. Todavia, apenas os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep previstos no inciso IV do § 3ºdo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, (dispositivo legal aplicável a partir de 1ºde outubro de 2015), que se referem a pessoas jurídicas habilitadas no Programa Mais Leite Saudável, podem ser ressarcidos em dinheiro ou compensados com outros tributos administrados pela RFB, observadas as regras da legislação específica. A apuração dos créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep previstos no § 3ºdo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, está sujeita ao prazo prescricional previsto no art. 1ºdo Decreto nº20.910, de 06 de janeiro de 1932, cujo termo inicial é o primeiro dia do mês subsequente ao de sua apuração, ou, no caso de apropriação extemporânea, o primeiro dia do mês subsequente àquele em que poderia ter havido a apuração. O saldo de créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep apurados na forma do § 3ºdo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite e de seus derivados classificados nos códigos da NCM mencionados no caput do art. 8ºda referida Lei, existente em 30.09.2015, pode ser ressarcido em dinheiro ou compensado com outros tributos administrados pela RFB, conforme previsto no cronograma estabelecido pelo art. 9º-A, § 1º, da mesma Lei nº10.925, de 2004, sem que haja necessidade de habilitação da pessoa jurídica no Programa Mais Leite Saudável. Fl. 1945DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 15 Os créditos presumidos da Contribuição para o PIS/Pasep estabelecidos pelo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, não estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº364, DE 11 DE AGOSTO DE 2017. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº10.925, de 2004, art. 1º, XII, art. 8ºe art. 9º-A; Lei nº10.637, de 2002, arts. 1ºe 2º; Decreto nº20.910/1931, art. 1º; IN RFB nº1.590/2015; arts. 4ºa 8º; IN SRF nº660/2006, arts. 5ºe 10; IN RFB nº1.717/2017, arts. 48 e 53. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS EMENTA: LEITE IN NATURA E SEUS DERIVADOS. CRÉDITOS PRESUMIDOS. APROPRIAÇÃO. UTILIZAÇÃO. TRIBUTAÇÃO. É permitida a apuração dos créditos presumidos da Cofins estabelecidos pelo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, em relação à aquisição de leite in natura utilizado como insumo na produção dos produtos destinados à alimentação humana ou animal relacionados no caput do mesmo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, desde que atendidas as condições previstas na legislação. Até 30 de setembro de 2015, os créditos presumidos em questão eram calculados com a alíquota de 60% (sessenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei no 10.833/2002, para os produtos de origem animal classificados no Capítulo 4 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), conforme previsto na antiga redação do art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004.A partir de 1ºde outubro de 2015, os créditos presumidos em questão são calculados com a alíquota de 50% (cinquenta por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei no 10.833, de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, regularmente habilitada, provisória ou definitivamente, no Programa Mais Leite Saudável; ou 20% (vinte por cento) daquela prevista no caput do art. 2º da Lei no 10.833, de 2003, para o leite in natura, adquirido por pessoa jurídica, inclusive cooperativa, não habilitada no Programa Mais Leite Saudável. Os créditos presumidos da Cofins de que tratam os incisos IV e V do art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, (dispositivos legais aplicáveis a partir de 1ºde outubro de 2015) não aproveitados em determinado mês podem ser mantidos para utilização como desconto dos valores devidos dessa contribuição nos meses subsequentes. Todavia, apenas os créditos presumidos previstos no inciso IV do § 3ºdo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, (dispositivo legal aplicável a partir de 1ºde outubro de 2015), que se referem a pessoas jurídicas habilitadas no Programa Mais Leite Saudável, podem ser ressarcidos em dinheiro ou compensados com outros tributos administrados pela RFB, observadas as regras da legislação específica. A apuração dos créditos presumidos da Cofins previstos § 3ºdo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, está sujeita ao prazo prescricional previsto no art. 1ºdo Decreto nº20.910, de 06 de janeiro de 1932, cujo termo inicial é o primeiro dia do mês subsequente ao de sua apuração, ou, no caso de apropriação extemporânea, o primeiro dia do mês subsequente àquele em que poderia ter havido a apuração. Fl. 1946DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 16 O saldo de créditos presumidos da Cofins apurados na forma do § 3ºdo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, em relação a custos, despesas e encargos vinculados à produção e à comercialização de leite e de seus derivados classificados nos códigos da NCM mencionados no caput do art. 8ºda referida Lei, existente em 30 de setembro de 2015, pode ser ressarcido em dinheiro ou compensado com outros tributos administrados pela RFB, conforme previsto no cronograma estabelecido pelo art. 9º-A, § 1º, da mesma Lei nº10.925, de 2004, sem que haja necessidade de habilitação da pessoa jurídica no Programa Mais Leite Saudável. Os créditos presumidos da Cofins estabelecidos pelo art. 8ºda Lei nº10.925, de 2004, não estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº364, DE 11 DE AGOSTO DE 2017.SOLUÇÃO DE CONSULTA PARCIALMENTE VINCULADA À SOLUÇÂO DE CONSULTA COSIT Nº 355, DE 13 DE JULHO DE 2017 DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº10.925, de 2004, art. 1º, XII, art. 8ºe art. 9º-A; Lei nº10.637, de 2002, arts. 1ºe 2º; Decreto nº20.910/1931, art. 1º; IN RFB nº1.590/2015; arts. 4ºa 8º; IN SRF nº660/2006, arts. 5ºe 10; IN RFB nº1.717/2017, arts. 48 e 53. ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: CONSULTA. INEFICÁCIA PARCIAL. É ineficaz, não produzindo efeitos, a parte da consulta que versar sobre fato definido ou declarado em disposição literal de lei e/ou disciplinado em ato normativo publicado na imprensa oficial antes de sua apresentação. DISPOSITIVOS LEGAIS: IN RFB nº1.396, de 2013, art. 18, incisos VII e IX. Feita a digressão legal e demonstrado que o crédito presumido de PIS e COFINS está sujeito a prazos e normas próprias, avanço para o caso concreto. Aplicação da norma ao caso concreto. Elemento probatório Conforme relatado, trata de Recurso Voluntário contra o indeferimento de Pedido de Ressarcimento (PER). Esclarece o Despacho Decisório que o PER foi apresentado em 15/05/2018. De acordo com as EFD do trimestre, este montante refere-se apenas aos créditos básicos vinculados a receitas de produtos Não Tributados (NT). O Despacho Decisório reconheceu parcialmente o direito creditório requerido, com base no art. 8º da Lei nº 10.925/2004 e no Decreto nº 8.533/2015, a Fiscalização esclareceu que o ressarcimento só é devido na aquisição de insumos, não havendo a possibilidade de crédito na aquisição de leite in natura para comercialização, por isso, houve a glosa de créditos presumidos ressarcíveis apurados sobre aquisições registradas nos CFOPs 1102 e 1118, uma vez que tais Fl. 1947DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 17 insumos supostamente não seriam utilizados na produção de leite, mas adquiridos para revenda. Ainda esclareceu a fiscalização que, a partir de outubro de 2015, é condição para o ressarcimento do crédito presumido a habilitação regular no programa Leite Mais Saudável. Compulsando-se os autos, entendo que a questão é meramente probatória. Pois, tratando-se de pedido de ressarcimento no âmbito do Programa Leite Mais Saudável, instituído pelo Decreto nº 8.533 de 30 de setembro de 2015, como se sabe, é exigida a prévia habilitação perante o Poder executivo, sendo verificados a regularidade fiscal da empresa e a realização de investimento em projeto aprovado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para a realização de investimentos destinados a auxiliar produtores rurais de leite no desenvolvimento da qualidade e da produtividade de sua atividade. Todavia, não se sabe quando a condição da habilitação por parte da Recorrente, em termos, a Recorrente estava previamente habilitada no Programa Leite Mais Saudável? Se sim, desde quando? Pois no que pese a motivação para manutenção das glosas de créditos presumidos apurados antes do dia 28/02/18, a recorrente não conseguiu se desincumbir do ônus que lhe cabia- comprovar a prévia habilitação no Programa Leite Mais Saudável a partir dessa data. Por sua vez, a Recorrente apresenta argumentos genéricos contestando o período de apuração das contribuições, sem sequer esclarecer ou demonstrar a efetiva data da habilitação da Recorrente no programa. Cabe acentuar, ainda que o ônus da prova, a atribuição do encargo de provar o direito àquele que o alega está positivado no art. 373 do Código de Processo Civil, e portanto, no caso, é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretendeu reaver da Administração. Ao pleitear à Autoridade Tributária o crédito passível de ressarcimento que entende dispor, a contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. “Lei nº 13.105, de 2015 : Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.” No caso, a recorrente deveria provar a que adquiriu leite in natura, de pessoa física, ou recebeu de cooperado pessoa física e que produziu mercadoria com o Fl. 1948DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-002.886 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10930.721591/2019-23 18 uso do insumo. Os insumos devem ter sido adquiridos no mesmo período de apuração. A aquisição também poderia ter sido efetuada de cerealista, pessoa jurídica que transporte, resfrie e venda a granel o leite in natura, ou pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa e produção agropecuária. E pelo §4º do art. 8º a pessoa jurídica (que transporte, resfrie e venda a granel o leite in natura, ou pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa e produção agropecuária), que vende o leite in natura não poderá aproveitar o crédito presumido discutido, e muito menos crédito de vendas efetuadas com suspensão. A recorrente afirma que adquiriu o leite in natura e as notas fiscais foram transmitidas à RFB na declaração EFD-Contribuições. Também seria necessária a comprovação, por parte da recorrente, de que o leite in natura foi utilizado na produção das mercadorias, ou seja, deveria ser deduzido todo o leite in natura que foi vendido sem passar por procedimentos de industrialização. Como expresso na Lei nº 13.17/2015, regulamentada pelo Decreto nº nº 8.533, de 30 de setembro de 2015, é necessário que a empresa comprove a habilitação no programa Mais Leite Saudável. Entretanto, a empresa não apresentou juntamente com o pedido de restituição, ou em momento posterior, qualquer documento ou informação que comprove estar habilitada no programa Mais Leite Saudável. Concluo, por questão probatória, que o presente recurso não merece reforma, e por isso, voto por negar-lhe provimento. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Redator Fl. 1949DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10932.720188/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 11 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES. TEMA 225 DO STF.
O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal;
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Caracterizam-se omissão de rendimento, sujeitos à tributação pelo imposto de renda, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2301-011.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Carlos Eduardo Ávila Cabral – Relator
Assinado Digitalmente
Diogo Cristian Denny – Presidente
Participaram da reunião os conselheiros Carlos Eduardo Ávila Cabral, Diogenes de Sousa Ferreira, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 SIGILO BANCÁRIO. POSSIBILIDADE DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES. TEMA 225 DO STF. O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se omissão de rendimento, sujeitos à tributação pelo imposto de renda, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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POSSIBILIDADE DE REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES. TEMA 225 DO STF. O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se omissão de rendimento, sujeitos à tributação pelo imposto de renda, os valores creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Ávila Cabral – Relator Fl. 255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.724 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10932.720188/2011-18 2 Assinado Digitalmente Diogo Cristian Denny – Presidente Participaram da reunião os conselheiros Carlos Eduardo Ávila Cabral, Diogenes de Sousa Ferreira, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: O interessado impugna lançamento do ano-calendário 2007, onde foram tributados rendimentos omitidos, caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, e rendimentos omitidos do trabalho sem vínculo empregatício, resultando em imposto de R$ 142.632,20. De acordo com o relatório fiscal, o contribuinte, no termo de início da fiscalização, fora intimado a apresentar, dentre outros documentos, os extratos de suas contas bancárias. Como a exigência não foi atendida, foi feita uma re-intimação, que, porém, foi devolvida pelos Correios após inúmeras tentativas frustradas de localizar o contribuinte em sua residência. Os extratos foram então obtidos por requisição dirigida à instituição financeira. Posteriormente o contribuinte, cientificado pessoalmente, apresentou vários dos documentos exigidos no termo de início da fiscalização, inclusive os extratos bancários. Os depósitos foram relacionados e lhe foram encaminhados para que comprovasse a sua origem. As justificativas e provas apresentadas comprovaram parcialmente a origem dos depósitos. Dentre outros, comprovou a origem de depósitos provenientes do exterior, recebidos em processo judicial em que figurara como advogado em ação movida por José Severino Silva Felinto, com o que restou comprovada a omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício. Não foi aceita como prova hábil da origem de depósitos a declaração da Benimelek Factoring Comercial Ltda. de que recursos da empresa teriam transitado pela conta do contribuinte. Os depósitos de origem não comprovada foram considerados rendimentos omitidos, por força do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996. Os argumentos do impugnante são, em síntese, os seguintes: 1. Foi ilegal a quebra do sigilo bancário. A única justificativa da administração para adotar esta medida foi o fato de não ter sido possível encontrá-lo em sua residência; o que era natural, pois estava de férias. Fl. 256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.724 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10932.720188/2011-18 3 2. É ilegal a quebra do sigilo bancário sem autorização judicial. Sobre a matéria já houve decisão definitiva de mérito prolatada pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral anulando lançamento efetuado com quebra do sigilo bancário sem autorização da Justiça(Recursos Extraordinários 389.808). 3. Foi indevidamente desconsiderada a declaração da Benimelek Factoring Comercial Ltda. de que recursos da empresa transitaram por sua conta bancária, sob a justificativa de que não havia correspondência precisa entre os depósitos e os saques. Não foi comprovada qualquer inidoneidade nº documento. 4. Depósitos bancários não são fato gerador do imposto de renda. Cabe ao Fisco comprovar o seu nexo com a aquisição de renda, a variação patrimonial a descoberto ou sinais de riqueza. A matéria já foi sumulada pelo TFR, que julgou ilegal o arbitramento de rendimentos omitidos com base em depósitos bancários. 5. Foram incluídos como depósitos de origem não comprovada resgates de aplicações, conforme documentos que apresenta. A DRJ, ao apreciar a impugnação ofertada pelo sujeito passivo, decidiu por julgar improcedente e manter integralmente o crédito tributário. Eis a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. Presumem-se rendimentos omitidos os depósitos de origem não comprovada. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de primeira instância em 17/02/2016, o sujeito passivo interpôs, em 18/03/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando as mesmas alegações da impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL, Relator ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINAR – SIGILO BANCÁRIO Fl. 257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.724 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10932.720188/2011-18 4 Sustenta em sede de preliminar que o lançamento seria nulo uma vez que pautado em dados bancários fornecidos sem prévia autorização judicial. Quanto ao tema o STF fixou a seguinte tese (Tema 225): I - O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal; II - A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, § 1º, do CTN. Assim, não há que se falar em quebra de sigilo bancário e, consequentemente, em nulidade do lançamento realizado com base em tais informações. MÉRITO Verificado que os argumentos apresentados no recurso voluntário são, em essência, iguais aos argumentos aduzidos na impugnação, bem como que a decisão recorrida não merece reparo, com fundamento no art. 114, § 12, inciso I do RICARF, declaro minha concordância com os fundamentos da decisão recorrida, especialmente os pontos que a seguir destaco. De acordo com o artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, consideram-se rendimentos omitidos os créditos em contas bancárias, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. O ônus da prova em contrário é do responsável pela conta bancária. Os depósitos não são equiparados a fato gerador do imposto, mas sim presumidos renda tributável omitida se não for comprovada a sua origem. Não se trata, portanto, do procedimento anterior, de arbitramento, a que se refere a súmula 182 do TFR, mas sim de presunção legal estabelecida em norma posterior, aqui em comento. O § 3º do artigo 42 da Lei nº 9.430/1996 requer que os depósitos sejam analisados individualizadamente. Os elementos que individualizam um depósito são o seu valor e a sua data. Logo, a prova da origem dos depósitos deve ser individualizada, através de documentação que permita identificar a origem do crédito pela coincidência de data e valor. Não pode ser considerada prova hábil da origem dos depósitos a mera declaração da Benimelek Factoring Comercial Ltda. de que recursos da empresa teriam transitaram pela conta bancária do autuado. Seria necessário comprovar individualizadamente, com documentação hábil e idônea, que os recursos depositados pertencem de fato à empresa e que lhe foram devidamente devolvidos, o que não ocorreu. De acordo com o art. 368 do Código de Processo Civil, as declarações particulares não são provas dos fatos declarados: Fl. 258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.724 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10932.720188/2011-18 5 Art. 368. As declarações constantes do documento particular, escrito e assinado, ou somente assinado, presumem-se verdadeiras em relação ao signatário. Parágrafo único. Quando, todavia, contiver declaração de ciência, relativa a determinado fato, o documento particular prova a declaração, mas não o fato declarado, competindo ao interessado em sua veracidade o ônus de provar o fato. (O destaque não está no original). CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitar a preliminar e, no mérito, nego-lhe provimento. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL Fl. 259DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 11000.723822/2021-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2016, 2017, 2018
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS. Tratando-se de tributos submetidos a lançamento por homologação, e caso haja valores recolhidos, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 anos, contado da ocorrência do fato gerador específico de cada tributo.
BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. RECEITAS DA PESSOA JURÍDICA
As bonificações recebidas por desempenho ou perfomance constituem receita tributável da beneficiária, impondo-se a obrigação do seu reconhecimento na apuração dos tributos e contribuições devidos.
Numero da decisão: 1202-002.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e a arguição de decadência. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa (relator), que votou por dar-lhe provimento. Designado o Conselheiro Maurício Novaes Ferreira para redigir o voto vencedor.
Assinado Digitalmente
Fellipe Honório Rodrigues da Costa – Relator
Assinado Digitalmente
Maurício Novaes Ferreira – Redator designado
Assinado Digitalmente
Leonardo de Andrade Couto – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mauricio Novaes Ferreira, Andre Luis Ulrich Pinto, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: FELLIPE HONORIO RODRIGUES DA COSTA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS. Tratando-se de tributos submetidos a lançamento por homologação, e caso haja valores recolhidos, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 anos, contado da ocorrência do fato gerador específico de cada tributo. BONIFICAÇÕES RECEBIDAS. RECEITAS DA PESSOA JURÍDICA As bonificações recebidas por desempenho ou perfomance constituem receita tributável da beneficiária, impondo-se a obrigação do seu reconhecimento na apuração dos tributos e contribuições devidos. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e a arguição de decadência. No mérito, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa (relator), que votou por dar-lhe provimento. Designado o Conselheiro Maurício Novaes Ferreira para redigir o voto vencedor. Assinado Digitalmente Fellipe Honório Rodrigues da Costa – Relator Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira – Redator designado Fl. 836DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 2 Assinado Digitalmente Leonardo de Andrade Couto – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Mauricio Novaes Ferreira, Andre Luis Ulrich Pinto, Jose Andre Wanderley Dantas de Oliveira, Fellipe Honorio Rodrigues da Costa, Liana Carine Fernandes de Queiroz, Leonardo de Andrade Couto (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário contra Acórdão 105-008.001 - 1ª TURMA DA DRJ05, data da sessão 25 de agosto de 2022, que julgou improcedente a impugnação da contribuinte. Por bem descrever os fatos e por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, nos termos abaixo: 1. Da Autuação Trata o presente processo dos Autos de Infração (fls. 02 a 99), lavrados contra o Sujeito Passivo acima identificado, para a exigência de crédito tributário no montante de R$ 1.070.537,64 (um milhão, setenta mil, quinhentos e trinta e sete reais e sessenta e quatro centavos), assim distribuído: Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ..........................................R$ 290.676,63; Juros de Mora (calculados até 07/2021) ............................................R$ 48.308,65; Multa Proporcional (passível de redução) ........................................R$ 218.007,44; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL..............................R$ 105.834,16; Juros de Mora (calculados até 07/2021) .............................................R$ 17.694,20; Multa Proporcional (passível de redução) ...........................................R$ 79.375,58; Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS....R$ 131.567,39; Juros de Mora (calculados até 07/2021) .............................................R$ 24.737,78; Multa Proporcional (passível de redução) ...........................................R$ 98.675,43; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS....................R$ 28.722,93; Juros de Mora (calculados até 07/2021) ................................................R$ 5.395,34; Multa Proporcional (passível de redução) ............................................R$ 21.542,11. Fl. 837DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 3 De acordo com o Auto de Infração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (fls. 02 a 45) e o “Relatório Fiscal” (fls. 100 a 139), o crédito tributário ali lançado foi constituído pelo Regime do Lucro Real Trimestral. Segundo o citado relatório, foi apurada a seguinte infração: “OMISSÃO DE RECEITAS – BONIFICAÇÕES RECEBIDAS”. Abaixo, são citados os fatos e os elementos utilizados na constituição do lançamento tributário: a) Procedimento de Fiscalização: a.1) intimada para apresentar informações e documentos referentes aos contratos de bonificação celebrados com as suas filiais, “a Fiscalizada apresentou cópias dos Contratos de Bonificação relacionados no TIF, acompanhados dos respectivos Contratos de Promessa de Compra e Venda Mercantil, Contratos de Posto Revendedor e um contrato de cessão de direitos e obrigações, celebrados com a Ipiranga Produtos de Petróleo S/A (CNPJ n° 33.337.122/0001-24), Petrobrás Distribuidora S/A (CNPJ n° 34.274.233/0001-02) e Raízen Combustíveis S/A (CNPJ n° 33.453.598/0001-23)”, este último referente ao Processo Administrativo nº 11000.724763.2021-07. a.2) “no que diz respeito ao questionamento sobre a forma como os valores recebidos referentes as ‘Bonificações por Desempenho/Performance foram’ oferecidos à tributação, assim informou a Fiscalizada”, a Intimada “esclarece que os valores das bonificações decorrentes do Contratos de Bonificação (...) foram registrados nas Contas Contábeis ‘720 – Ipiranga Produtos de Petróleo S/A’ e '542 – Petrobrás Distribuidora S/A’” e que “não ofereceu à tributação o valor principal das parcelas recebidas fruto dos Contratos de Bonificação, tendo tributado, todavia, a título de receitas financeiras, os valores das correções monetárias recebidas com base nos índices de correção previstos nestes mesmos Contratos”. Em complemento, “apresentou também, tabelas com os valores e datas dos recebimentos das bonificações”. b) Diligência/Petrobrás Distribuidora S/A: intimada a apresentar informações e documentos referentes aos contratos de bonificação celebrados com as filiais da Fiscalizada, “a Petrobrás apresentou o Contrato de Promessa de Compra e Venda Mercantil – CPCVM n° GRPBA1-0007/2012 e o Contrato de Bonificação por Desempenho vinculado de n° GRPBA1-0008/2012, bem como os comprovantes de pagamentos dos valores (comprovantes de transferência bancário) e uma planilha com datas e valores pagos”. c) Diligência/Ipiranga Produtos de Petróleo S/A: c.1) intimada a apresentar informações e documentos referentes aos contratos de bonificação celebrados com as filiais da Fiscalizada, “a Ipiranga apresentou dois ‘Contratos de Antecipação de Bonificação’, celebrados em 28/07/2011 e em 24/02/2014, respectivamente. Também foram apresentados comprovantes de Fl. 838DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 4 transferência bancária, cópias de cheques nominais à JMF e uma planilha com datas e valores pagos”; c.2) em complemento, “a Ipiranga apresentou dois contratos de ‘Cessão de Marcas, Fornecimento de Produtos e Outros Pactos com Revendedor‘, celebrados com Fiscalizada em 28/07/2011 e 24/02/2014, vinculando-os aos Contratos de Antecipação de Bonificação, celebrados com a Fiscalizada nas mesmas datas. Apresentou também tabela com a vinculação dos pagamentos das bonificações”, além de “memórias de cálculo em planilha, com a demonstração do atingimento das metas previstas nos contratos celebrados em 28/07/2011 e 24/02/2014, informando que para o contrato celebrado em 24/02/2014 foi aplicada a cláusula 2.1.2 do contrato de fornecimento, que estende o prazo”. d) Contratos de Bonificação por Desempenho Celebrado entre Fiscalizada e a Ipiranga Produtos de Petróleo S/A: d.1) Contrato de Antecipação de Bonificação, celebrado em 28/07/2011: “esse contrato previa uma bonificação de R$ 349.000,00 e a vigência de 48 meses, iniciando em 05/03/2011. Junto este Contrato, celebrado na mesma data de 28/07/2011 há o ‘Contrato de Cessão de Uso de Marca, Fornecimento de Produtos e Outros Pactos’. Tendo em vista que esse contrato teve seu vencimento, bem como a amortização total dos valores adiantados registrada pela Ipiranga em data anterior ao período englobado neste Procedimento Fiscal, esse contrato não será considerado como de interesse fiscal nesta Fiscalização”. d.2) Contrato de Bonificação Antecipada, celebrado em 24/02/2014: d.2.1) “esse contrato previa uma bonificação de R$ 2.500.000,00 e o prazo do contrato de 5 anos. Também foi estabelecida a quantidade total de combustíveis a ser adquirida pelo Revendedor de 60.000.000 de litros de combustíveis líquidos”; d.2.2) “no contrato foram previstas as hipóteses de devolução dos valores das bonificações recebidas antecipadamente, em termos gerais, caso houvesse violação da aquisição com exclusividade, não aquisição das quantidades totais de combustíveis previstas no campo 16 do contrato, inadimplência com a Ipiranga ou praticar qualquer infração aos contratos assinados com a Ipiranga e/ou com suas empresas ligadas ou controladas”; d.2.3) “junto a este Contrato de antecipação, celebrado na mesma data de 24/02/2014, há o Contrato de Cessão de Uso de Marca, Fornecimento de Produtos e outros Pactos. Esse contrato também tem a vigência de 5 anos e no campo 14 são estipuladas as quantidades mínimas de combustíveis a serem adquiridas, de 60.000.000 de litros de combustíveis líquidos, sendo 9.000.000 no 1° ano, 11.400.000 no 2° ano e 39.600.000 a partir do 3° ano, além de 92.880 litros de lubrificantes”; Fl. 839DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 5 d.2.4) “há ainda, em termos gerais, a previsão de compras de combustíveis, óleos lubrificantes e graxas exclusivamente da Ipiranga, bem como a identificação visual e da marca Ipiranga, além da cessão de uso de equipamentos”; d.2.5) “em resposta à intimação para esclarecer a forma de apuração do atingimento das metas pela Fiscalizada, a Ipiranga apresentou uma planilha com o controle mensal dos volumes de aquisição de combustíveis pela Fiscalizada”; d.2.6) “em sua Escrituração Contábil, a Ipiranga registrou amortizações mensais de valores referentes às bonificações antecipadas pagas para a Fiscalizada através desse contrato. As amortizações foram feitas por parcela paga, conforme os pagamentos constantes da ‘Tabela de Pagamentos antecipados de Bonificações’”; d.2.7) “no que diz respeito aos registros contábeis do recebimento antecipado das bonificações pela Fiscalizada, verificamos o seguinte: I - a Fiscalizada registrou em suas ECD's os valores antecipados recebidos nas datas constantes da ‘Tabela de Pagamentos Antecipados de Bonificações’; II - os registros foram feitos a débito da conta contábil do ativo n° 610, ‘Banco Bradesco S/A (1458-3) Filial 2 – PSG’, em contrapartida a crédito na conta contábil do passivo n° 720, ‘Ipiranga Produtos de Petróleo S/A’, com o histórico ‘TED - TRASNF ELET DISPON REMET IPIRANGA PRODUTOS DE’, a exceção do lançamento no valor de R$ 200.000,00 feito em 29/04/2016, referente a duas parcelas recebidas nesse dia, cujo histórico foi ‘DEPOS ENTRE AGS CHEQUE PRÓPRIO FAVORECIDO’”; d.2.8) “as bonificações recebidas antecipadamente foram registradas em contas de ativo e passivo. Não houve o registro dos valores em contas de receita, de resultado”; d.2.9) “poderia a Fiscalizada ter apropriado e reconhecido em contas de receita/resultado os valores recebidos antecipadamente, proporcionalmente ao longo do prazo de vigência do contrato, o que também não foi feito”. e) Contrato de Bonificação por Desempenho Celebrado entre Fiscalizada e a Petrobrás Distribuidora S/A: e.1) “o contrato foi celebrado em 08/03/2012, entre a Petrobrás e a Fiscalizada, identificado como Contrato de Bonificação por Desempenho GRPBA1- 0008/2012. A seguir segue o que foi pactuado no contrato GRPBA1- 0008/2012: I - no campo III foi prevista a bonificação no valor de R$ 980.000,00; II - no campo IV, constou o prazo de vigência, no total de 84 meses de 01/01/2012 a 01/12/2018; III - no campo V, constou a forma de liberação da bonificação, da seguinte forma: ‘A bonificação será liberada em 14 parcelas a cada semestre, no valor de R$ 70.000,00, desde que cumpridos os respectivos volumes’”; e.2) “a Petrobrás apresentou tabela, com valores e datas dos pagamentos das bonificações, bem como os respectivos comprovantes de pagamento (comprovantes de transferência bancária)”; Fl. 840DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 6 e.3) “o CPCVM n° GRPBA1-0007/2012 é vinculado ao Contrato de Bonificação por desempenho, trazendo as mesmas quantidades mensais e semestrais de produtos a serem adquiridos pelo Revendedor, mesmo prazo de vigência e prevendo, da mesma forma a apuração a cada semestre”; e.4) “no que diz respeito ao registro contábil dos valores recebidos das bonificações, a Fiscalizada, em resposta à intimação, informou ‘que não ofereceu à tributação o valor principal das parcelas recebidas fruto dos Contratos de Bonificação, tendo tributado, todavia, a título de receitas financeiras, os valores das correções monetárias recebidas com base nos índices de correção previstos nestes mesmos Contratos’”; e.5) “verificando as ECD's da Fiscalizada, constatamos que os lançamentos contábeis foram feitos a débito da conta contábil do ativo n° 8 ‘Banco Bradesco S/A (47497-5) Filial 1 - Cabula’ (valor total recebido), em contrapartida a crédito da conta contábil do passivo n° 542 ‘Petrobrás Distribuidora S/A’ (valor da parcela) e também a crédito da conta contábil de receita n° 433 ‘Juros Ativos outros’ (valor da correção prevista em contrato da parcela recebida), conforme a tabela abaixo. O histórico dos lançamentos foi ‘VALOR REF. EMPRÉSTIMO MÚTUO’”; e.6) “a conta contábil n° 8 ‘Banco Bradesco S/A (47497-5) Filial 1 - Cabula’ é uma conta do Ativo e a conta contábil n° 542 ‘Petrobrás Distribuidora S/A’ é uma conta de Passivo, sendo que o valor das bonificações foi erroneamente registrado como empréstimo/mútuo”; e.7) “da forma como foram realizados os lançamentos, apenas a parte das correções monetárias das parcelas foram oferecidas à tributação, pois apenas esses valores foram registrados em conta de receita/resultado”. f) Data de Reconhecimento das Receitas Auferidas: f.1) Contrato de Bonificação por Desempenho Celebrado entre Fiscalizada e Petrobrás Distribuidora S/A: f.1.1) “o contrato foi celebrado em 08/03/2012, entre a Petrobrás e a Fiscalizada, identificado como Contrato de Bonificação por Desempenho GRPBA1- 0008/2012. No campo IV do contrato foi prevista a vigência do contrato, de 84 meses, de 01/01/2012 a 01/12/2018”; f.1.2) “a cláusula 3 do contrato prevê a apuração dos volumes adquiridos, para fins de pagamento da bonificação, conforme o volume e a periodicidade descritos no campo V. Ainda na cláusula 3, o contrato previa o pagamento das parcelas em até 30 dias da data da apuração dos volumes adquiridos”; f.1.3) “no item 3.1 da Cláusula 3 do Contrato, foi previsto que a Fiscalizada poderia receber mais de uma parcela de bonificação num mesmo período de apuração e que uma parcela não liberada em uma apuração poderia ser liberada Fl. 841DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 7 nas seguintes, desde que cumpridos os respectivos volumes previstos no campo V do contrato”; f.1.4) “o CPCVM n° GRPBA1-0007/2012 é vinculado ao Contrato de Bonificação por desempenho, trazendo as mesmas quantidades mensais e semestrais de produtos a serem adquiridos pelo Revendedor, mesmo prazo de vigência e prevendo, da mesma forma a apuração a cada semestre. Ou seja, para ter direito ao recebimento das bonificações por desempenho, pagas em parcelas, a Fiscalizada deveria adquirir volumes de produtos previstos no campo V, apurados semestralmente”; f.1.5) “tendo em vista que a apuração dos volumes adquiridos para fins de pagamento das bonificações foi realizada por períodos e, após essa apuração, realizados os pagamentos das bonificações e, ainda, que as parcelas recebidas no período englobado por este Procedimento Fiscal (parcelas 12, 13 e 14), foram recebidas de forma antecipada, havendo previsão contratual para o caso de cumprimento das metas de aquisição antecipadamente, reconhecemos como implementado o fato gerador das receitas das bonificações e as reconhecemos como receitas auferidas pela Fiscalizada na data do efetivo recebimento dos valores”. f.2) Contrato de Bonificação Antecipada Celebrado entre Fiscalizada e a Ipiranga Produtos de Petróleo S/A: f.2.1) “em virtude desse contrato, a Fiscalizada recebeu de forma antecipada valores referentes a bonificações por desempenho”; f.2.2) “a Solução de Consulta COSIT n° 110, de 26/03/2019 tratou do assunto ‘bonificações por desempenho recebidas de forma antecipada’, dizendo que essas bonificações devem ser tributadas pelo regime de competência, ou seja, serem apropriadas no transcurso do período contratual”; f.2.3) “os lançamentos contábeis da Ipiranga estão de acordo com a Solução de Consulta COSIT n° 110. A Ipiranga realizou amortizações proporcionais mensais das parcelas das bonificações pagas de forma antecipada, tendo apresentado uma planilha com a apuração mensal dos volumes de produtos adquiridos pela Fiscalizada”; f.2.4) “dessa forma, os valores das receitas auferidas pela Fiscalizada das bonificações antecipadas recebidas por si em virtude do Contrato de Antecipação de Bonificação celebrado em 24/02/2014 serão reconhecidas pelo regime de competência e apropriadas no transcurso do período do contrato, tomando por base as amortizações mensais das parcelas pagas feitas pela Ipiranga”. g) Infração Apurada. Omissão de Receitas Referentes às Bonificações por Desempenho Recebidas: g.1) “a Fiscalizada não registrou os valores recebidos referentes às bonificações por desempenho recebidas por si em contas de receita de sua escrituração Fl. 842DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 8 contábil, tendo, por conseguinte, excluído esses valores das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS do período verificado. Apenas uma pequena parte, referente às atualizações/correções dos valores de um dos contratos de bonificação foi registrada em contas de receita/resultado”; g.2) “a Fiscalizada não fez o reconhecimento, a apropriação das receitas das bonificações recebidas de forma antecipada no transcorrer do período contratual, conforme a Solução de Consulta COSIT n° 110. Assim, a Fiscalizada omitiu a maior parte das receitas auferidas por si referentes aos valores das bonificações por desempenho”; g.3) “dessa forma, efetuamos o lançamento dos valores do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS devidos, após a inclusão dos valores recebidos dos bônus por desempenho nas bases de cálculo do imposto e das contribuições federais”; g.4) “as receitas referentes ao Contrato de Bonificação Antecipada celebrado entre a Fiscalizada e a Ipiranga, em 24/02/2014, foram reconhecidas ao longo do transcorrer do contrato, tomando por base as amortizações mensais das parcelas adiantadas realizada pela Ipiranga”; g.5) “os valores das receitas auferidas pela Fiscalizada referente ao Contrato de Bonificação por Desempenho celebrado entre a Fiscalizada e a Petrobrás n° GRPBA1- 0008/2012 foram reconhecidas nas datas do efetivo recebimento dos valores das bonificações”; g.6) “no lançamento foram considerados os valores das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL informados pela Fiscalizada nas ECF’s referentes aos anos-calendário de 2016, 2017 e 2018. Também foram considerados e aproveitados os saldos de prejuízos operacionais (IRPJ) e de base de cálculo negativa da CSLL, constantes dos E-LALUR e E-LAC'S das ECF's”; g.7) “anteriormente ao início deste Procedimento Fiscal, a Fiscalizada apresentou EFD’s Contribuições retificadoras, o que causou descompasso entre os valores mensais do PIS e COFINS apurados por si e os valores declarados em DCTF”; g.8) “para assegurar a correção do lançamento, consideramos os débitos e os créditos das contribuições PIS e COFINS constantes das EFD-Contribuições apresentadas pela Fiscalizada antes do início deste Procedimento Fiscal em 14/10/2020, ainda que retificadoras, remontamos os valores devidos por período (mês) com a inclusão dos valores apurados neste procedimento e, por fim, descontamos os valores declarados em DCTF”. h) Multa Aplicada: “foi aplicada às infrações de que trata este Relatório Fiscal a multa de 75% prevista no inciso I do artigo n° 957 do Decreto n° 3.000/99 (inciso I do art 44 da Lei n° 9.430/1996), vigente à época das infrações”. Em razão dos apontados fatos, também foram lavrados os Autos de Infração relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 46 a 79), este com base na “FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL DEVIDA SOBRE RECEITAS OMITIDAS”, Fl. 843DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 9 à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS (fls. 80 a 88) e à Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS (fls. 89 a 97); com relação à COFINS e ao PIS, os lançamentos foram realizados pelo regime de “INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA PADRÃO”, sendo ali apontada a “INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO”. Os enquadramentos legais encontram-se discriminados nos respectivos Autos de Infração. 2. Da Impugnação Ciente em 08/07/2021 (fl. 709), em 09/08/2021, por intermédio de instrumento de defesa (fls. 714 a 739), a Impugnante, através de seu representante legal, alegou que: a) Ocorrência da Decadência. Perda do Direito do Fisco de Realizar o Lançamento em relação a Fatos Geradores Ocorridos em 2012 e 2014: a.1) “a Impugnante adquiriu a ‘disponibilidade jurídica’ relativa aos valores objeto dos mencionados dos Contratos de Bonificações por Antecipação e por Desempenho no momento da sua celebração, indiscutivelmente ocorridos em 08/03/2012 e em 24/02/2014, conforme reconhecido pelo próprio Relatório Fiscal elaborado pelo Autuante”; a.2) “no momento em que os Autos de Infração ingressaram no mundo jurídico (08/07/2021, data da efetiva notificação do contribuinte), já havia ocorrido a perda do direito do Fisco de cobrar os créditos tributários em relação aos fatos geradores ocorridos em 2012 e 2014 (datas da celebração dos contratos), pois evidentemente ultrapassado o lapso temporal quinquenal entre a ocorrência dos fatos geradores do tributos cobrados e sua constituição através do lançamento de ofício ora impugnado, restando, tais créditos, claramente fulminados pela decadência, nos termos dos artigos art. 150 e 173, I, ambos do CTN”; a.3) “no caso concreto, não há dúvidas que os tributos analisados se sujeitam às regras do lançamento ‘ficto', por homologação, realizado pelo contribuinte. Diz-se ‘ficto' pois, como se sabe, o lançamento tributário é ato privativo da autoridade administrativa (ex vi do art. 142 CTN), desse modo, à luz da técnica jurídica, não se pode admitir que as prévias atividades de apuração e pagamento, realizadas pelo contribuinte sem a participação da autoridade administrativa, se prestem à perfectibilizar o lançamento tributário”; a.4) “o prévio pagamento parcial dos saldos devedores trimestrais do IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), realizados pela Impugnante relativamente às competências em discussão não pode ser confundido com o ato de lançamento e constituição do crédito tributário”; a.5) “desse modo, como a autoridade administrativa autuante só formalizou o lançamento de ofício em 08/07/2021 (data da efetiva notificação do contribuinte), é óbvio que decaído já estava o seu direito de alcançar todos fatos Fl. 844DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 10 ocorridos antes de 08/07/2016. Não há como se afastar dessa realidade, sob pena de se cometer flagrante ilegalidade”; a.6) “de toda sorte, ainda que eventualmente não sejam consideradas as datas das celebrações dos referidos Contratos para efeito de demarcação do termo a quo para contagem do prazo decadencial (ocorridas em 08/03/2012 e em 24/02/2014), importa salientar que, no que se refere ao Contrato de Antecipação de Bonificação, celebrado, em 24/02/2014, com a distribuidora de combustíveis Ipiranga Produtos de Petróleo S/A, o próprio Autuante reconhece que os pagamentos recebidos pela Impugnante ocorreram até o dia 20/05/2016, nos termos da ‘Tabela de Pagamentos antecipados de Bonificações' constante do Relatório Fiscal”; a.7) “como se pode depreender, não obstante a data da celebração do contrato (aquisição da disponibilidade jurídica) e as datas dos efetivos recebimentos dos pagamentos realizados pela distribuidora Ipiranga (aquisição da disponibilidade econômica), a Autoridade Fiscal, por meio de uma interpretação equivocada do artigo 117, II, do CTN, deslocou indevidamente a data da ocorrência dos pretensos fatos geradores das obrigações tributárias, decorrentes do referido Contrato de Bonificações Antecipadas, para o momento dos lançamentos contábeis realizados pela distribuidora Ipiranga, alegadamente com supedáneo na Solução de Consulta COSIT n° 110, de 26/03/2019”; a.8) “com isto, a Fiscalização desprezou completamente as regras estabelecidas pelo supramencionado art. 43 do CTN, que consagra ‘a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza’ como fato gerador do Imposto de Renda, para considerar as meras amortizações mensais realizadas pelo Ipiranga ‘no transcurso do contrato’ como sendo os fatos jurídicos tributários a serem considerados para efeito de lançamento dos créditos tributários em discussão”; a.9) “como se pode depreender, tratando-se os Contratos de Bonificação Antecipada celebrados pela Impugnante e a distribuidora Ipiranga de negócio jurídico sujeito à condição resolutória, como destacado pela própria Autoridade Fiscal em seu Relatório Fiscal, considera-se ocorrido o fato gerador nele consubstanciado desde ‘o momento da prática do ato ou da celebração do negócio’, sendo irrelevante a implementação ou não da condição estabelecida para fins tributários”; a.10) “deste modo, ao contrário da conclusão alcançada pelo Fiscal, todos os efeitos jurídicos decorrentes do Contrato de Bonificação Antecipada, e, com eles, os fatos geradores das obrigações tributárias, devem ser considerados ocorridos, para efeito de demarcação do termo a quo para contagem do prazo decadencial, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio, ou seja, deste 24/02/2014, data da celebração do referido Contrato (aquisição da disponibilidade jurídica), ou, no pior cenário, nas datas dos efetivos recebimentos Fl. 845DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 11 dos pagamentos realizados pela distribuidora Ipiranga, em virtude da indiscutível aquisição da disponibilidade econômica dos pretensos rendimentos”; a.11) “destarte, não restam dúvidas de que deve ser reconhecida a decadência do direito do fisco de realizar o lançamento por homologação no prazo de 5 anos, a contar da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias, seja considerando as datas das celebrações dos Contratos de Bonificação Antecipada ou por Desempenho (ocorridas em 08/03/2012 e em 24/02/2014), seja ainda considerando as datas dos pagamentos recebidos pela Impugnante, nos termos da ‘Tabela de Pagamentos Antecipados de Bonificações’ constante do Relatório Fiscal, na forma do §4° do art. 150 do CTN, devendo ser excluídos do lançamento fiscal os valores referentes aos fatos geradores anteriores a 08/07/2016, pois estes foram alcançados pela decadência”. b) Vantagens Econômicas Proporcionadas por Contratos de Bonificação. Natureza Jurídica de Redução de Custo de Aquisição para o Comprador. Ajustes Posteriores Não Podem Transformar Custo em Receita: b.1) “as vantagens econômicas recebidas pela Impugnante em decorrência dos Contratos de Bonificações por Antecipação e por Desempenho celebrados com as distribuidoras de combustíveis Ipiranga Produtos de Petróleo S/A e Petrobrás Distribuidora S/A têm natureza jurídica de ‘redução do custo de aquisição', não podendo ser qualificadas como ‘receita', para efeito de incidência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Senão vejamos”; b.2) “a cobrança fiscal tem origem nos valores recebidos pela Impugnante em decorrência dos Contratos de Bonificações por Antecipação e por Desempenho celebrados com as distribuidoras de combustíveis Ipiranga Produtos de Petróleo S/A e Petrobrás Distribuidora S/A, considerados pela Autoridade Fiscal como sendo ‘receitas’ não oferecidas à tributação”; b.3) “as bonificações podem ser traduzidas como a prática comercial em que o fornecedor, por política de vendas ou outra razão econômica, concede vantagem ao seu cliente, geralmente condicionada ao volume de itens adquiridos, ou mesmo pelo tratamento de exclusividade, sempre com o claro propósito de induzir a conduta positiva do comprador”; b.4) “não é por outra razão que os Contratos de Bonificação estão sempre relacionados e vinculados a um respectivo Contrato de Compra e Venda, decorrentes de pacto firmado na relação comercial existente entre o fornecedor e o revendedor, pelo que sobreleva trazer à tona algumas classificações desta modalidade de contrato, categoria na qual se inserem os Contratos de Compra e Venda Mercantil de Combustíveis firmados entre a distribuidoras de combustíveis Ipiranga, Petrobrás e a Impugnante”; b.5) “vale dizer, a causa jurídica do Contrato de Bonificação emerge claramente dos negócios pactuados com os fornecedores, atuando no dimensionamento da pretendida ‘vantagem econômica' para ambas as partes, ou seja, interfere Fl. 846DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 12 diretamente no ajuste de ‘preço' da mercadoria adquirida, que, ao final, dá definitividade no valor da contraprestação pactuada para a operação de compra”; b.6) “no caso dos Contratos de Bonificação considerados nestes autos não é diferente, como restou reconhecido pelo próprio Autuante ao longo do Relatório Fiscal ao apontar que teria constatado a existência de supostas ‘receitas’ de bonificações pagas pelas distribuidoras de combustíveis à Impugnante pelo compromisso de adquirir produtos do respectivo fornecedor com exclusividade e em determinados volumes mínimos”; b.7) “por sua vez, é cediço que, no recebimento de mercadorias adquiridas para a revenda, deve a pessoa jurídica registrar a compra pelo seu ‘custo de aquisição', conhecido naquele momento, que deve corresponder ao ‘preço' efetivamente ajustado com o vendedor, acrescido dos demais gastos suportados até a entrada no estabelecimento da adquirente”; b.8) “tal assertiva está ainda sustentada nas diretrizes ditadas pela ciência contábil, de onde se extrai que as ‘bonificações’ devem ser tratadas como parcelas redutoras na determinação do ‘custo de aquisição’ das mercadorias, e não como ‘receitas’”; b.9) “de acordo com o Pronunciamento Técnico CPC n° 16, aprovado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis em 08/05/2009, o custo de aquisição dos estoques compreende: ‘o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição’”; b.10) “em atendimento à regra contábil destacada, se o registro do ‘custo’ da operação de compra está majorado frente ao pacto negocial firmado com o fornecedor, porque não foi considerada a ‘bonificação’ na modalidade de ‘desconto’ financeiro que reduz o valor da obrigação ou contribui para liquidá-la, haveria a necessidade de ajustes para redução do valor do custo inicialmente registrado”; b.11) “no entanto, não poderia a correlata conta ‘redutora de custo’ ser tomada indevidamente como conta de ‘receita’, como se pode depreender do Pronunciamento Técnico – CPC n° 30 (aprovado pela Deliberação CVM n° 597/2009), por meio do qual o Comitê de Pronunciamentos Contábeis esclarece sobre o adequado tratamento contábil para o reconhecimento de ‘receita’ auferida pelas pessoas jurídicas: ‘A receita deve ser mensurada pelo valor justo da contraprestação recebida ou a receber. O montante da receita proveniente de uma transação é geralmente acordado entre a entidade e o comprador ou usuário do ativo e é mensurado pelo valor justo da contraprestação recebida, deduzida de quaisquer descontos comerciais e/ou bonificações concedidos pela entidade ao comprador’”; Fl. 847DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 13 b.12) “as vantagens econômicas proporcionadas pelas ‘bonificações’ vinculadas aos Contratos de Compra e Venda Mercantil de Combustíveis celebrados com a Ipiranga e a Petrobrás, por interferirem na finalização do ‘preço’ do negócio pactuado, têm natureza jurídica de ‘redução do custo de aquisição’ na perspectiva da Impugnante (adquirente das mercadorias), não podendo, portanto, serem qualificadas como ‘receita’ da beneficiária da vantagem, como indevidamente realizou a Autoridade Fiscal na hipótese em discussão”; b.13) “as bonificações concedidas aos compradores serão sempre descontos condicionais ou incondicionais, não tendo natureza de faturamento ou receita, mas sim de redutor de custo das mercadorias vendidas, conforme demonstrado nas linhas precedentes”; b.14) “considerando o entendimento firmado pela jurisprudência administrativa e judicial a respeito do tema em discussão, alinhado com as diretrizes ditadas pela ciência contábil, verifica-se que as ‘bonificações’ como gênero, abrangendo também os chamados ‘descontos financeiros’ vinculados às compras, não podem ser catalogadas com o rótulo de ‘receita’, mesmo quando equivocadamente registradas na escrituração contábil para neutralizar encargo anterior registrado a maior, por faltar-lhes os predicados jurídicos inerentes ao conceito de ‘receita’ enquanto base de cálculo do IRPJ, da CSLL do PIS e da COFINS”; b.15) “finalmente, a Impugnante não poderia deixar de esclarecer que, nos seus Contratos de Compra e Venda de Combustíveis celebrados com as distribuidoras de combustíveis Ipiranga Produtos de Petróleo S/A e Petrobrás Distribuidora S/A, envolvendo fidelidade de compra, com a contrapartida das ‘vantagens comerciais’ obtidas através de bonificações (antecipadas e por desempenho/postecipadas), o valor do combustível praticado com a Impugnante é superior (mais caro) do que o valor do combustível comumente praticado no mercado (vendido pelas mesmas distribuidoras) com postos de ‘bandeira branca’ (sem fidelidade)”; b.16) “significa dizer que, no caso dos autos, as bonificações recebidas pela Impugnante, diferente do que entende o Fisco Federal, não representam aumento de seu patrimônio (ganho auferido pela Impugnante), na medida em que a redução do custo de aquisição dos combustíveis (pretensa diminuição do passivo) sequer é efetiva, na medida em que, no decorrer do contrato de compra venda formalizado com as distribuidoras, com a consequente aquisição do combustível em valores maiores (mais caro) do que o comumente praticado no mercado, é evidente que a margem de lucro da Impugnante, efetivo resultado da operação, restará claramente comprometida”; b.17) “logo, por mais este fundamento demonstra-se que as bonificações não se caracterizam auferimento de receita pela Impugnante, na medida em que, ao fim e ao cabo, além de não se enquadrarem no conceito ‘receita’, não representaram acrescimento do patrimônio da Impugnante”. c) Não Incidência dos Juros Moratórios Sobre a Multa de Ofício: Fl. 848DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 14 c.1) “deve ser afastada a incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, uma vez que, no âmbito dos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a legislação atualmente em vigor não autoriza a exigência de juros sobre multa”; c.2) “neste sentido, ressalte-se que o §3° do art. 61 da Lei n° 9.430/96 determina que: ‘sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento’”; c.3) “à evidência, a expressão ‘Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora...’, que inaugura o dispositivo supra transcrito, diz respeito somente ao valor do principal relativo à obrigação tributária não paga no vencimento”. Por fim, faz os seus pedidos nos seguintes termos, “pelo exposto, requer a Impugnante que os Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS sejam julgados improcedentes, tendo em vista que”: a) “ocorreu a perda do direito do Fisco de cobrar os créditos tributários em relação aos fatos geradores ocorridos em datas anteriores a 08/07/2016, pois evidentemente ultrapassado o lapso temporal quinquenal entre a ocorrência dos fatos geradores dos tributos cobrados e sua constituição através do lançamento de ofício ora impugnado, restando, tais créditos, claramente fulminados pela decadência, seja na forma do art. 150, §4°, ou do art. 173, I, do CTN”; b) “sucessivamente, sejam julgados improcedentes os Autos de Infração, uma vez que as vantagens econômicas proporcionadas pelas Bonificações Antecipadas e por Desempenho, vinculadas aos Contratos de Compra e Venda Mercantil de Combustíveis celebrados com as distribuidoras de combustíveis Ipiranga Produtos de Petróleo S/A e Petrobrás Distribuidora S/A, têm natureza jurídica de ‘redução do custo de aquisição’ das mercadorias correspondentes, não podendo ser qualificadas como ‘receita’ da Impugnante, beneficiária da vantagem, para efeito de incidência dos referidos tributos cobrados”; c) “em qualquer hipótese, pugna ainda seja afastada a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício, na forma da jurisprudência do CARF”. A 1ª TURMA DA DRJ05 julgou improcedente a impugnação, ratificando a decisão da Delegacia de jurisdição da contribuinte, nos termos da ementa a seguir transcrita: (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2016, 2017, 2018 Fl. 849DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 15 OMISSÃO DE RECEITAS. BONIFICAÇÕES POR DESEMPENHO E/OU PERFORMANCE RECEBIDAS POR ANTECIPAÇÃO OU POSTERIORMENTE AO CUMPRIMENTO DAS METAS PRÉ-ESTABELECIDAS. TRIBUTAÇÃO. REGIME DE COMPETÊNCIA. O IRPJ apurado pela sistemática do Lucro Real incide sobre as bonificações recebidas a título de desempenho e/ou performance, por antecipação ou posteriormente ao cumprimento das metas pré-estabelecidas, devendo a receita ser reconhecida pelo regime de competência. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 108. Incidem juros moratórios, calculados à Taxa Referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Ano-calendário: 2016, 2017, 2018 IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do IRPJ, mutatis mutandis, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à CSLL, PIS e COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2016, 2017, 2018 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTOS. Tratando-se de tributos submetidos a lançamento por homologação, e caso haja valores recolhidos, o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário se extingue no prazo de 5 anos, contado da ocorrência do fato gerador específico de cada tributo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou Recurso Voluntário requerendo seu provimento basicamente nos mesmos termos da impugnação É o relatório. VOTO VENCIDO Fellipe Honório Rodrigues da Costa – Conselheiro Relator ADMISSIBILIDADE Fl. 850DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 16 Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende os outros requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. DA ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA E DE NULIDADE PARCIAL DO LANÇAMENTO FISCAL A contribuinte, antes de desenvolver irresignação quanto ao mérito da exigência, alegou decadência e nulidade parcial do lançamento fiscal. No que diz respeito a decadência, a recorrente em sede de Recurso Voluntário praticamente repete os termos aventados na impugnação de que o início do prazo decadencial deveria ocorrer quando da assinatura dos contratos de bonificações por antecipação e por desempenho (fato jurídico) ocorridos em 08/03/2012 e em 24/02/2014 celebrados entre a ora Recorrente e as distribuidoras de combustíveis IPIRANGA PRODUTOS DE PETRÓLEO S/A (item 4.1.2 do Relatório Fiscal) e PETROBRÁS DISTRIBUIDORA S/A (item 4.2 do Relatório Fiscal), e como o lançamento teria sido lavrado em 08/07/2021, seria impossível alcançar fatos jurídicos anteriores a 08/07/2016, ou seja: - “adquiriu a ‘disponibilidade jurídica’ relativa aos valores objeto dos mencionados dos Contratos de Bonificações por Antecipação e por Desempenho no momento da sua celebração, indiscutivelmente ocorridos em 08/03/2012 e em 24/02/2014, conforme reconhecido pelo próprio Relatório Fiscal elaborado pelo Autuante”; - “no momento em que os Autos de Infração ingressaram no mundo jurídico (08/07/2021, data da efetiva notificação do contribuinte), já havia ocorrido a perda do direito do Fisco de cobrar os créditos tributários em relação aos fatos geradores ocorridos em 2012 e 2014 (datas da celebração dos contratos), pois evidentemente ultrapassado o lapso temporal quinquenal entre a ocorrência dos fatos geradores do tributos cobrados e sua constituição através do lançamento de ofício ora impugnado, restando, tais créditos, claramente fulminados pela decadência, nos termos dos artigos art. 150 e 173, I, ambos do CTN”; - “no caso concreto, não há dúvidas que os tributos analisados se sujeitam às regras do lançamento ‘ficto', por homologação, realizado pelo contribuinte. Diz-se ‘ficto' pois, como se sabe, o lançamento tributário é ato privativo da autoridade administrativa (ex vi do art. 142 CTN), desse modo, à luz da técnica jurídica, não se pode admitir que as prévias atividades de apuração e pagamento, realizadas pelo contribuinte sem a participação da autoridade administrativa, se prestem à perfectibilizar o lançamento tributário”; Fl. 851DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 17 - “o prévio pagamento parcial dos saldos devedores trimestrais do IRPJ e seus reflexos (CSLL, PIS e COFINS), realizados pela Impugnante relativamente às competências em discussão não pode ser confundido com o ato de lançamento e constituição do crédito tributário”; - “desse modo, como a autoridade administrativa autuante só formalizou o lançamento de ofício em 08/07/2021 (data da efetiva notificação do contribuinte), é óbvio que decaído já estava o seu direito de alcançar todos fatos ocorridos antes de 08/07/2016. Não há como se afastar dessa realidade, sob pena de se cometer flagrante ilegalidade”; - “de toda sorte, ainda que eventualmente não sejam consideradas as datas das celebrações dos referidos Contratos para efeito de demarcação do termo a quo para contagem do prazo decadencial (ocorridas em 08/03/2012 e em 24/02/2014), importa salientar que, no que se refere ao Contrato de Antecipação de Bonificação, celebrado, em 24/02/2014, com a distribuidora de combustíveis Ipiranga Produtos de Petróleo S/A, o próprio Autuante reconhece que os pagamentos recebidos pela Impugnante ocorreram até o dia 20/05/2016, nos termos da ‘Tabela de Pagamentos antecipados de Bonificações' constante do Relatório Fiscal”; - “como se pode depreender, não obstante a data da celebração do contrato (aquisição da disponibilidade jurídica) e as datas dos efetivos recebimentos dos pagamentos realizados pela distribuidora Ipiranga (aquisição da disponibilidade econômica), a Autoridade Fiscal, por meio de uma interpretação equivocada do artigo 117, II, do CTN, deslocou indevidamente a data da ocorrência dos pretensos fatos geradores das obrigações tributárias, decorrentes do referido Contrato de Bonificações Antecipadas, para o momento dos lançamentos contábeis realizados pela distribuidora Ipiranga, alegadamente com supedáneo na Solução de Consulta COSIT n° 110, de 26/03/2019”; - “com isto, a Fiscalização desprezou completamente as regras estabelecidas pelo supramencionado art. 43 do CTN, que consagra ‘a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza’ como fato gerador do Imposto de Renda, para considerar as meras amortizações mensais realizadas pelo Ipiranga ‘no transcurso do contrato’ como sendo os fatos jurídicos tributários a serem considerados para efeito de lançamento dos créditos tributários em discussão”; - “como se pode depreender, tratando-se os Contratos de Bonificação Antecipada celebrados pela Impugnante e a distribuidora Ipiranga de negócio jurídico sujeito à condição resolutória, como destacado pela própria Autoridade Fiscal em seu Relatório Fiscal, considera-se ocorrido o fato gerador nele consubstanciado desde ‘o momento da prática do ato ou da celebração do negócio’, sendo irrelevante a implementação ou não da condição estabelecida para fins tributários”; - “deste modo, ao contrário da conclusão alcançada pelo Fiscal, todos os efeitos jurídicos decorrentes do Contrato de Bonificação Antecipada, e, com eles, os fatos Fl. 852DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 18 geradores das obrigações tributárias, devem ser considerados ocorridos, para efeito de demarcação do termo a quo para contagem do prazo decadencial, desde o momento da prática do ato ou da celebração do negócio, ou seja, deste 24/02/2014, data da celebração do referido Contrato (aquisição da disponibilidade jurídica), ou, no pior cenário, nas datas dos efetivos recebimentos dos pagamentos realizados pela distribuidora Ipiranga, em virtude da indiscutível aquisição da disponibilidade econômica dos pretensos rendimentos”; - “destarte, não restam dúvidas de que deve ser reconhecida a decadência do direito do fisco de realizar o lançamento por homologação no prazo de 5 anos, a contar da ocorrência dos fatos geradores das obrigações tributárias, seja considerando as datas das celebrações dos Contratos de Bonificação Antecipada ou por Desempenho (ocorridas em 08/03/2012 e em 24/02/2014), seja ainda considerando as datas dos pagamentos recebidos pela Impugnante, nos termos da ‘Tabela de Pagamentos Antecipados de Bonificações’ constante do Relatório Fiscal, na forma do §4° do art. 150 do CTN, devendo ser excluídos do lançamento fiscal os valores referentes aos fatos geradores anteriores a 08/07/2016, pois estes foram alcançados pela decadência”. A DRJ, por sua vez, rechaçou os fundamentos da impugnação sustentando em suma que em relação ao (...)“contrato de bonificação antecipada”, por revestir-se de um caráter condicional e resolutório, somente ocorrerá o fato gerador no momento em que as metas forem efetivamente cumpridas, ou seja, quando houver o efetivo reconhecimento, e respectivas amortizações das parcelas adiantadas, pela outra parte contratante, e não quando do recebimento dos valores, haja vista que, o descumprimento das metas irá acarretar no dever de restituir os valores antecipadamente recebidos. De outro giro, os “contratos de bonificação por desempenho”, por representarem um recebimento de valores posterior ao cumprimento de uma meta pré- estabelecida, possui um caráter de definitividade, não dependente de fatores posteriores a ensejar eventuais restituições, ocorrendo o fato gerador quando do efetivo cumprimento das metas. Ou seja, em ambas as hipóteses, os fatos geradores não estão relacionados com a data da celebração dos respectivos “contratos de bonificação”, mas com a consecução e/ou o reconhecimento posterior das metas pré-estabelecidas.” E ainda: Já no que tange à alegação de decadência dos valores cujos fatos geradores tenham ocorrido até 08/07/2016, verifica-se que também é infundada. Com efeito, analisando as tabelas que constam do Relatório Fiscal (fls. 135 a 139), conclui-se que o período inicial do lançamento tributário é a competência de “Julho/2016”, cujo fato gerador, nos casos em que há recolhimento do tributo, ocorre para PIS e COFINS em “31/07” (apuração mensal), e para IRPJ e CSLL em “30/09” (apuração trimestral). Por todo o exposto, não há que se falar na ocorrência de decadência”. Fl. 853DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 19 O contribuinte complementa em sede de Recurso Voluntário que a decisão de primeira instância estaria equivocada reforçando que a data de início da contagem do prazo decadencial seria a subscrição dos contratos firmados, além disso defende que o (...) “ordenamento jurídico pátrio não considera como fato gerador do tributo “a consecução e/ou o reconhecimento posterior das metas pré-estabelecidas”, e sim a disponibilidade jurídica da renda, que, no caso em tela ocorreu com a celebração dos contratos de bonificação, ou, no pior cenário, nas datas dos efetivos recebimentos dos pagamentos realizados pela distribuidora IPIRANGA, em virtude da aquisição da disponibilidade econômica dos pretensos rendimentos. (e-fls. 07 do Recurso Voluntário). No entanto, entendo que não assiste razão ao contribuinte, no caso concreto entendo que a hipótese tributária relativa ao contrato de bonificação que é atrelado ao contrato de compra e venda de combustível depende do atingimento das respectivas metas previamente estabelecidas sob pena de não ocorrer o motivo que determina seu pagamento, porquanto, sem meta batida, no caso das antecipações de bonificação haveria a necessidade de restituição do valor, e, em caso de meta pré-estabelecidas, na ocasião do não alcance do objetivo firmado, não haveria qualquer bonificação. Por essa razão, entendo que a subscrição dos contratos por si só não é hipótese capaz de iniciar a contagem do prazo decadencial, noutro giro, o pagamento antecipado também não indicaria o termo de início da contagem do referido prazo em função da possibilidade do não atingimento da meta e a necessidade de restituição do valor, logo, o prazo do início da contagem ocorre quando houver se consubstanciado a condição contratual previamente estabelecida para o ensejo do bônus. Assim, a contrário sensu, seria incorreto na visão deste relator, atribuir a obrigação tributária frente a contrato de bonificação por estabelecimento de metas que não foram atingidas, tendo em vista que não haveria bônus disponível passível de mensurar acréscimo patrimonial, portanto, não se vislumbraria a possibilidade de lançamentos dos tributos aqui discutidos pelo esvaziamento dos motivos que determinam o fato gerador, qual seja o efetivo pagamento do bônus. Sendo assim, pelo que dos autos consta, toda autuação fiscal respeitou o prazo decadencial nos termos defendidos pelo contribuinte, uma vez que aplicando o artigo 150, parágrafo 4º do CTN, conclui-se que de acordo com a ‘Tabela de Pagamentos Antecipados de Bonificações’ constante do Relatório Fiscal (fls. 135 a 139), não há cobranças referentes aos fatos geradores anteriores a 08/07/2016, já que o lançamento foi 09/07/2021, razão pela qual se repete a conclusão de que “o período inicial do lançamento tributário é a competência de “Julho/2016”, cujo fato gerador, nos casos em que há recolhimento do tributo, ocorre para PIS e COFINS em “31/07” (apuração mensal), e para IRPJ e CSLL em “30/09” (apuração trimestral). Por todo o exposto, não há que se falar na ocorrência de decadência”. Portanto rejeito a prejudicial de mérito de decadência suscitada pelo recorrente. O contribuinte no mesmo tópico que defendeu a decadência, também suscitou a nulidade absoluta de parte do lançamento fiscal na medida em que a Autoridade Fiscal teria Fl. 854DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 20 adotado como base de cálculo para cobrança do IRPJ, CSLL, PIS e da COFINS valores que não guardam qualquer correção com a materialidade destes tributos, nos seguintes termos: 67. Conforme registrou expressamente em seu Relatório Fiscal, para realizar a apuração de parte do tributo supostamente devido pela Recorrente, o Fisco baseou-se, exclusivamente, na contabilização realizada pela distribuidora IPIRANGA. 68. Vejamos o quanto narrado pelo Autuante: “Dessa forma, os valores das receitas auferidas pela fiscalizada das bonificações antecipadas recebidas por si em virtude do Contrato de Antecipação de Bonificação celebrado em 24/02/2014 serão reconhecidas pelo regime de competência e apropriadas no transcurso do período do contrato, tomando por base as amortizações mensais das parcelas pagas feitas pela Ipiranga, conforme as tabelas abaixo.” (negritamos) 69. Neste ponto, constata-se que, mais uma vez, a Fiscalização e, consequentemente a Turma Julgadora, desprezaram as regras estabelecidas pelo supramencionado art. 43 do Código Tributário Nacional, que consagra “a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza” como fato gerador do Imposto de Renda, para considerar as meras amortizações mensais realizadas unilateralmente pela IPIRANGA “no transcurso do contrato” como sendo os fatos jurídicos tributários a serem considerados para efeito de lançamento dos créditos tributários em discussão. 70. Se mantido o entendimento acima, estaria se admitindo que uma das partes decidisse, de forma unilateral, qual o fato gerador do tributo e, consequentemente sua base de cálculo, com base nos seus meros registros contábeis, o que evidentemente afronta a materialidade dos tributos, especialmente ao quanto estabelecido pelo art. 43 do CTN. 71. Não foi este, porém, o procedimento observado nos autos, o que evidencia a ilegalidade incorrida e consequente NULIDADE PARCIAL dos lançamentos fiscais, por insegurança da base de cálculo dos tributos em discussão, com relação ao Contrato de Bonificação Antecipada celebrado com a distribuidora IPIRANGA. Após análise dos argumentos supramencionados, não há que se falar em nulidade do auto de infração em função do lançamento ter considerado a necessidade de reconhecer os valores das receitas auferidas a título de bonificação pelo regime de competência levando em consideração as amortizações mensais das parcelas pagas feita pela Ipiranga. Dessa forma, os valores das receitas auferidas pela fiscalizada relativo as bonificações antecipadas recebidas em virtude do Contrato de Antecipação celebrado em 24/02/2014 foram reconhecidas pelo regime de competência e apropriadas no transcurso do Fl. 855DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 21 período do contrato pela autoridade fiscal, tomando por base as amortizações mensais das parcelas pagas feitas pela Ipiranga no sentido de identificar a justa medida da receita supostamente omitida e proceder o lançamento de ofício apenas daquilo que o recorrente eventualmente deve, matéria esta que será enfrentada no mérito da demanda, porém inapropriada a título de reconhecimento da nulidade pretendida. Ademais, não se identifica qualquer hipótese de nulidade inserta no artigo 59 do Decreto 70235/72, porquanto o auto foi lavrado por autoridade competente e garantido o direito do contraditório e da ampla defesa do contribuinte e não foi identificado qualquer prejuízo que minimamente ensejasse cerceamento ao seu direito de defesa. Nesses termos, rejeito a preliminar de nulidade. MÉRITO DA OMISSÃO DE RECEITA – BONIFICAÇÕES RECEBIDAS No que diz respeito ao mérito, a presente demanda se refere a Autos de Infração (fls. 02 a 99), lavrados contra o Sujeito Passivo acima identificado, para a exigência de crédito tributário no montante de R$ 1.070.537,64 (um milhão, setenta mil, quinhentos e trinta e sete reais e sessenta e quatro centavos), sendo IRPJ no valor de R$ 290.676,63; CSLL no valor de R$ 105.834,16; da COFINS no valor de R$ 131.567,39; e do PIS/PASEP no valor de R$ 28.722,93, juntamente com a multa de ofício de 75% e respectivos acréscimos legais. Os contornos da controvérsia em relação a acusação de omissão de receita em razão de bonificações recebidas pela recorrente decorrem de contratos firmados entre a Petrobrás Distribuidora S/A e à Ipiranga Produtos de Petróleo S/A, em que se verificou que a recorrente registrou os valores recebidos a título de “bonificações antecipadas” e “bonificações por desempenho” apenas em contas do “ativo” e “passivo”, não tendo transitado pelas contas de “receita” e/ou “resultado”, quando o correto seria a apropriação nestas contas de forma proporcional, ao longo da vigência dos respectivos contratos. Nesses termos, conforme análise dos autos, tanto na impugnação, como no Recurso Voluntário, o contribuinte escora suas razões de defesa principalmente no argumento de que os bônus recebidos em decorrência dos referidos contratos se afiguram como “redutores dos custos de aquisição”, e, portanto, não poderiam ser qualificadas como ‘receita', para efeito de incidência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, nos seguintes termos: I - “as vantagens econômicas recebidas pela Impugnante em decorrência dos Contratos de Bonificações por Antecipação e por Desempenho (...) têm natureza jurídica de ‘redução do custo de aquisição', não podendo ser qualificadas como ‘receita', para efeito de incidência do IRPJ, CSLL, PIS e COFINS”; Fl. 856DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 22 II - as ‘bonificações’ devem ser tratadas como parcelas redutoras na determinação do ‘custo de aquisição’ das mercadorias, e não como ‘receitas’”, tendo natureza de descontos condicionais ou incondicionais; III - “as bonificações recebidas pela Impugnante, diferente do que entende o Fisco Federal, não representam aumento de seu patrimônio (ganho auferido pela Impugnante), na medida em que a redução do custo de aquisição dos combustíveis (pretensa diminuição do passivo) sequer é efetiva, na medida em que, no decorrer do contrato de compra venda formalizado com as distribuidoras, com a consequente aquisição do combustível em valores maiores (mais caro) do que o comumente praticado no mercado, é evidente que a margem de lucro da Impugnante, efetivo resultado da operação, restará claramente comprometida”. O Acórdão recorrido, após fazer a distinção entre bonificação de mercadorias e bonificação de desempenho, explica que em relação a primeira a Solução de Consulta COSIT nº 202, de 14 de dezembro de 2021, define que “as bonificações recebidas na forma de mercadorias em documento fiscal próprio, ou seja, adquiridas sem vinculação a uma operação de venda não se caracterizam como descontos incondicionais, mas enquadram-se no conceito de doação (mera liberalidade), nos termos do artigo 538 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil/2002), e configuram receitas auferidas pela pessoa jurídica adquirente”. No que diz respeito a bonificação por desempenho, o decisium a quo arremata que as bonificações (...) “recebidas antecipadamente ou posteriormente ao cumprimento das metas pré-estabelecidas contratualmente, também compõem o resultado operacional do sujeito passivo. Neste sentido, citam-se os itens relacionados à matéria constantes da Solução de Consulta COSIT nº 110, de 26 de março de 2019: 4. A bonificação monetária por performance recebida após o cumprimento de metas pré-estabelecidas decorre do desempenho das atividades empresariais da pessoa jurídica bonificada. Consequentemente, seu valor integra a receita operacional e a receita bruta desse beneficiário, conforme se depreende do exame dos arts. 11 e 12 do Decreto-Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977: Art 11. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica. §1º A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deve discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais. §2º Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica. Fl. 857DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 23 §3º As ações ou quotas bonificadas, recebidas sem custo pela pessoa jurídica, não importarão modificação no valor, pelo qual a participação societária estiver registrada no ativo nem serão computadas na determinação do lucro real. Receita de Vendas e Serviços Art. 12. A receita bruta compreende : (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) II - o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) IV - as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (...) 5. Como a antecipação do recebimento dessa bonificação não tem o condão de alterar sua natureza jurídica, o valor da bonificação monetária por performance recebido antes do cumprimento de metas pré-estabelecidas também integra a receita operacional e a receita bruta da pessoa jurídica bonificada. 6. A diferença entre essas duas situações é que, enquanto o recebimento posterior ao cumprimento das metas pré-estabelecidas tem caráter definitivo, o recebimento anterior tem caráter condicional, vinculado ao cumprimento das referidas metas. (...) 12. Sendo assim, o IRPJ apurado no regime do Lucro Real pela pessoa jurídica bonificada incide sobre as bonificações monetárias por performance recebidas antes do cumprimento de metas pré-estabelecidas. 13. Essa mesma conclusão também se aplica à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, em decorrência do previsto no art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988. 14. Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, no regime de apuração não cumulativa, é a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua denominação ou classificação contábil, admitidas apenas as exclusões expressamente previstas no § 3º do artigo 1º de cada uma dessas leis. 15. Assim, a legislação de regência estabelece detalhadamente quais receitas podem ser excluídas das bases de cálculo das referidas contribuições, e, assim sendo, todas as receitas que não se encontram expressamente excluídas pela legislação devem sofrer tributação. Fl. 858DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 24 16. Dessa forma, a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins apuradas de forma não cumulativa pela pessoa jurídica bonificada incidem sobre as bonificações monetárias por performance recebidas antes do cumprimento de metas pré- estabelecidas por se tratarem de receitas auferidas pela pessoa jurídica consulente. (...) 18. O regime de competência aplicado ao caso em análise implica o reconhecimento da receita durante o transcurso do prazo de 5 anos pactuado no contrato. 19. O mesmo regime de competência também se aplica à apuração da CSLL, por força do art. 57 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. 20. Já a apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sempre segue o regime adotado na apuração do IRPJ e da CSLL apurados pelo Lucro Real, como se depreende do art. 20 da Medida Provisória nº 2.158-35, de 24 de agosto de 2001. 21. Com base no exposto, conclui-se que a bonificação monetária por performance recebida antecipadamente: a) encontra-se sujeita à incidência do IRPJ e da CSLL apurados pelo Lucro Real, bem como à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apuradas de forma não cumulativa; b) deve ser reconhecida pelo regime de competência. Desta forma, em razão da adequação do caso concreto às conclusões exaradas pela Solução de Consulta COSIT nº 110/2019, no sentido de que as bonificações por desempenho recebidas antecipadamente ou após o cumprimento das metas pré-estabelecidas integram a receita operacional e a receita bruta do beneficiário, irreparável o lançamento tributário efetuado. Assim, segundo a Solução de Consulta Cosit n° 110/2019 as bonificações recebidas devem ser tributadas pelo regime de competência à medida da realização das metas preestabelecidas no contrato, seja no regime de tributação trimestral ou por estimativa mensal. Nesse contexto, partindo da premissa de que todos os contratos firmados entre a recorrente e a Petrobrás Distribuidora S/A e à Ipiranga Produtos de Petróleo S/A ensejaram bonificações seja por antecipação, seja por cumprimento de metas previamente estabelecidos, é de analisar a controvérsia, mas antes, cabe mencionar os contratos nos termos do relatório acima transcrito, são eles: a) Procedimento de Fiscalização: (...)d) Contratos de Bonificação por Desempenho Celebrado entre Fiscalizada e a Ipiranga Produtos de Petróleo S/A: Fl. 859DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 25 d.1) Contrato de Antecipação de Bonificação, celebrado em 28/07/2011: “esse contrato previa uma bonificação de R$ 349.000,00 e a vigência de 48 meses, iniciando em 05/03/2011. Junto este Contrato, celebrado na mesma data de 28/07/2011 há o ‘Contrato de Cessão de Uso de Marca, Fornecimento de Produtos e Outros Pactos’. Tendo em vista que esse contrato teve seu vencimento, bem como a amortização total dos valores adiantados registrada pela Ipiranga em data anterior ao período englobado neste Procedimento Fiscal, esse contrato não será considerado como de interesse fiscal nesta Fiscalização”. d.2) Contrato de Bonificação Antecipada, celebrado em 24/02/2014: d.2.1) “esse contrato previa uma bonificação de R$ 2.500.000,00 e o prazo do contrato de 5 anos. Também foi estabelecida a quantidade total de combustíveis a ser adquirida pelo Revendedor de 60.000.000 de litros de combustíveis líquidos”; (...)d.2.3) “junto a este Contrato de antecipação, celebrado na mesma data de 24/02/2014, há o Contrato de Cessão de Uso de Marca, Fornecimento de Produtos e outros Pactos. Esse contrato também tem a vigência de 5 anos e no campo 14 são estipuladas as quantidades mínimas de combustíveis a serem adquiridas, de 60.000.000 de litros de combustíveis líquidos, sendo 9.000.000 no 1° ano, 11.400.000 no 2° ano e 39.600.000 a partir do 3° ano, além de 92.880 litros de lubrificantes”; (...)d.2.5) “em resposta à intimação para esclarecer a forma de apuração do atingimento das metas pela Fiscalizada, a Ipiranga apresentou uma planilha com o controle mensal dos volumes de aquisição de combustíveis pela Fiscalizada”; d.2.6) “em sua Escrituração Contábil, a Ipiranga registrou amortizações mensais de valores referentes às bonificações antecipadas pagas para a Fiscalizada através desse contrato. As amortizações foram feitas por parcela paga, conforme os pagamentos constantes da ‘Tabela de Pagamentos antecipados de Bonificações’”; (...)d.2.8) “as bonificações recebidas antecipadamente foram registradas em contas de ativo e passivo. Não houve o registro dos valores em contas de receita, de resultado”; d.2.9) “poderia a Fiscalizada ter apropriado e reconhecido em contas de receita/resultado os valores recebidos antecipadamente, proporcionalmente ao longo do prazo de vigência do contrato, o que também não foi feito”. e) Contrato de Bonificação por Desempenho Celebrado entre Fiscalizada e a Petrobrás Distribuidora S/A: e.1) “o contrato foi celebrado em 08/03/2012, entre a Petrobrás e a Fiscalizada, identificado como Contrato de Bonificação por Desempenho GRPBA1- 0008/2012. A seguir segue o que foi pactuado no contrato GRPBA1- 0008/2012: I - no campo III foi prevista a bonificação no valor de R$ 980.000,00; Fl. 860DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 26 II - no campo IV, constou o prazo de vigência, no total de 84 meses de 01/01/2012 a 01/12/2018; III - no campo V, constou a forma de liberação da bonificação, da seguinte forma: ‘A bonificação será liberada em 14 parcelas a cada semestre, no valor de R$ 70.000,00, desde que cumpridos os respectivos volumes’”; e.2) “a Petrobrás apresentou tabela, com valores e datas dos pagamentos das bonificações, bem como os respectivos comprovantes de pagamento (comprovantes de transferência bancária)”; (...) e.5) “verificando as ECD's da Fiscalizada, constatamos que os lançamentos contábeis foram feitos a débito da conta contábil do ativo n° 8 ‘Banco Bradesco S/A (47497-5) Filial 1 - Cabula’ (valor total recebido), em contrapartida a crédito da conta contábil do passivo n° 542 ‘Petrobrás Distribuidora S/A’ (valor da parcela) e também a crédito da conta contábil de receita n° 433 ‘Juros Ativos outros’ (valor da correção prevista em contrato da parcela recebida), conforme a tabela abaixo. O histórico dos lançamentos foi ‘VALOR REF. EMPRÉSTIMO MÚTUO’”; e.6) “a conta contábil n° 8 ‘Banco Bradesco S/A (47497-5) Filial 1 - Cabula’ é uma conta do Ativo e a conta contábil n° 542 ‘Petrobrás Distribuidora S/A’ é uma conta de Passivo, sendo que o valor das bonificações foi erroneamente registrado como empréstimo/mútuo”; e.7) “da forma como foram realizados os lançamentos, apenas a parte das correções monetárias das parcelas foram oferecidas à tributação, pois apenas esses valores foram registrados em conta de receita/resultado”. f.1) Contrato de Bonificação por Desempenho Celebrado entre Fiscalizada e Petrobrás Distribuidora S/A: f.1.1) “o contrato foi celebrado em 08/03/2012, entre a Petrobrás e a Fiscalizada, identificado como Contrato de Bonificação por Desempenho GRPBA1- 0008/2012. No campo IV do contrato foi prevista a vigência do contrato, de 84 meses, de 01/01/2012 a 01/12/2018”; f.1.2) “a cláusula 3 do contrato prevê a apuração dos volumes adquiridos, para fins de pagamento da bonificação, conforme o volume e a periodicidade descritos no campo V. Ainda na cláusula 3, o contrato previa o pagamento das parcelas em até 30 dias da data da apuração dos volumes adquiridos”; f.1.3) “no item 3.1 da Cláusula 3 do Contrato, foi previsto que a Fiscalizada poderia receber mais de uma parcela de bonificação num mesmo período de apuração e que uma parcela não liberada em uma apuração poderia ser liberada nas seguintes, desde que cumpridos os respectivos volumes previstos no campo V do contrato”; Fl. 861DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 27 f.1.4) “o CPCVM n° GRPBA1-0007/2012 é vinculado ao Contrato de Bonificação por desempenho, trazendo as mesmas quantidades mensais e semestrais de produtos a serem adquiridos pelo Revendedor, mesmo prazo de vigência e prevendo, da mesma forma a apuração a cada semestre. Ou seja, para ter direito ao recebimento das bonificações por desempenho, pagas em parcelas, a Fiscalizada deveria adquirir volumes de produtos previstos no campo V, apurados semestralmente”; f.1.5) “tendo em vista que a apuração dos volumes adquiridos para fins de pagamento das bonificações foi realizada por períodos e, após essa apuração, realizados os pagamentos das bonificações e, ainda, que as parcelas recebidas no período englobado por este Procedimento Fiscal (parcelas 12, 13 e 14), foram recebidas de forma antecipada, havendo previsão contratual para o caso de cumprimento das metas de aquisição antecipadamente, reconhecemos como implementado o fato gerador das receitas das bonificações e as reconhecemos como receitas auferidas pela Fiscalizada na data do efetivo recebimento dos valores”. f.2) Contrato de Bonificação Antecipada Celebrado entre Fiscalizada e a Ipiranga Produtos de Petróleo S/A: f.2.1) “em virtude desse contrato, a Fiscalizada recebeu de forma antecipada valores referentes a bonificações por desempenho”; f.2.2) “a Solução de Consulta COSIT n° 110, de 26/03/2019 tratou do assunto ‘bonificações por desempenho recebidas de forma antecipada’, dizendo que essas bonificações devem ser tributadas pelo regime de competência, ou seja, serem apropriadas no transcurso do período contratual”; f.2.3) “os lançamentos contábeis da Ipiranga estão de acordo com a Solução de Consulta COSIT n° 110. A Ipiranga realizou amortizações proporcionais mensais das parcelas das bonificações pagas de forma antecipada, tendo apresentado uma planilha com a apuração mensal dos volumes de produtos adquiridos pela Fiscalizada”; f.2.4) “dessa forma, os valores das receitas auferidas pela Fiscalizada das bonificações antecipadas recebidas por si em virtude do Contrato de Antecipação de Bonificação celebrado em 24/02/2014 serão reconhecidas pelo regime de competência e apropriadas no transcurso do período do contrato, tomando por base as amortizações mensais das parcelas pagas feitas pela Ipiranga”. Portanto, partindo da premissa de que as bonificações decorrentes dos contratos acima mencionados foram efetivamente recebidas pelo contribuinte, cabe a esta Turma de Julgamento enfrentar a controvérsia cujo contorno se dá em face da Infração Apurada de Omissão de Receitas Referentes às Bonificações por Desempenho Recebidas, tendo em vista que a Fl. 862DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 28 recorrente não registrou os valores recebidos referentes às bonificações por desempenho recebidas em contas de receita de sua escrituração contábil, tendo, por conseguinte, excluído esses valores das bases de cálculo do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS do período verificado. Noutra senda, acaso acolhida a tese da recorrente de que as bonificações recebidas em acordos comerciais não acarretam um acréscimo de patrimônio, mas sim uma redução no custo de aquisição das mercadorias, e, por essa razão, essas bonificações não poderiam ser consideradas como parte da receita tributável, daí o lançamento deve ser cancelado e, portanto, afastados os efeitos do Auto de Infração lavrado. Passo a decidir. Assim, entendo que assiste razão ao contribuinte, as operações em questão não se enquadram no conceito de receita como sendo o ingresso financeiro que se integra de forma definitiva ao patrimônio da pessoa jurídica e decorre de suas atividades empresariais. A bonificação nada mais é que a concessão que o vendedor (distribuidor) faz ao comprador (revendedor) em contrapartida a vantagem econômica decorrente de eventual fidelização e exclusividade no sentido de estimular a revenda e prestigiar o revendedor exclusivo que terá maior competitividade na oferta com menor preço diante da redução do custo originada pela bonificação oferecida. Como a bonificação não constitui receita para o vendedor, o valor correspondente a tais mercadorias não integra a base de cálculo do IRPJ, CSLL e contribuição ao PIS e da COFINS. Nesse caso, como o recebimento de bonificações não está atrelado diretamente a atividade de venda ao consumidor final, não haveria incidência da tributação aqui discutida sobre tais parcelas, especialmente porque o recebimento das bonificações diz respeito a relação jurídica entre a distribuidora atacadista e a contribuinte revendedora dentro de um contexto vinculado ao contrato de compra e venda de combustíveis. Logo tais valores sequer decorrem da atividade precípua da revenda do combustível no varejo capaz de gerar efetivamente as receitas que se busca tributar, ou seja, a relação existente entre a revendedora de combustível ao consumidor final, o que reforça o conceito de que as bonificações ensejam a redução do custo de aquisição em relação ao atingimento de metas, portanto, não seriam receitas. A fundamentação jurídica pertinente ao caso em apreço se encontra preconizada nos artigos 289 e 301 do RIR/2018, bem como no Pronunciamento Técnico CPC nº 16, 30 e 47, aprovado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis em 08/05/2009, nos seguintes termos: RIR/2018 Art. 289. Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica ( Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 11, caput ). Fl. 863DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art11 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 29 Parágrafo único. A escrituração do contribuinte, cujas atividades compreendam a venda de bens ou serviços, deverá discriminar o lucro bruto, as despesas operacionais e os demais resultados operacionais ( Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 11, § 1º) . Art. 301. O custo das mercadorias revendidas e das matérias-primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o livro de inventário, no fim do período de apuração ( Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 14 ). Pronunciamento Técnico CPC nº 16 “o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição”. Pronunciamento Técnico CPC nº 30 “Mensuração da Receita 9. A receita deve ser mensurada pelo valor justo da contraprestação recebida ou a receber. 10. O montante da receita proveniente de uma transação é geralmente acordado entre a entidade e o comprador ou usuário do ativo e é mensurado pelo valor justo da contraprestação recebida, deduzida de quaisquer descontos comerciais e/ou bonificações concedidos pela entidade ao comprador.” Pronunciamento Técnico CPC nº 47 52. A variabilidade relativa à contraprestação prometida ao cliente pode ser declarada expressamente no contrato. Além dos termos do contrato, a contraprestação prometida é variável se existir qualquer das seguintes circunstâncias: (a) o cliente possui uma expectativa válida decorrente das práticas usuais de negócios da entidade, das políticas publicadas ou de declarações específicas de que a entidade deva aceitar um valor de contraprestação que seja inferior ao preço declarado no contrato. Isto é, espera-se que a entidade ofereça uma concessão de preço. Dependendo da jurisdição, do setor ou do cliente, essa oferta pode ser referida como desconto, abatimento, restituição ou crédito; (b) outros fatos e circunstâncias indicam que a intenção da entidade, ao celebrar o contrato com o cliente, é oferecer uma concessão de preço ao cliente. Fl. 864DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art11 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del1598.htm#art14 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 30 Nessa mesma linha a Instrução Normativa SRF Nº 51 DE 03/11/1978 também chegou a classificar as bonificações como Descontos Incondicionais, porém alinhando a necessidade de identificar a exata medida do valor nas notas fiscais emitidas, nos seguintes termos: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta de vendas e serviços, diminuída: (...)b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente; e 4.2. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. No que diz respeito a necessidade da Nota Fiscal emitida segregando o desconto incondicional, o Superior Tribunal de Justiça decidiu, nos autos do AREsp 556050, que o preenchimento incorreto ou lacunoso das notas não obsta o reconhecimento dos referidos descontos. Sendo assim, ao que parece, a autoridade fiscal pressupõe que como a bonificação é contabilizada como uma “outra receita”, implicando acréscimo patrimonial da pessoa jurídica, sustenta que o recebimento de bonificação se configuraria como receita para fins de incidência dos tributos cobrados. Em termos técnicos, o simples incremento patrimonial seria suficiente para a realização da hipótese de incidência, tendo em vista que o fato gerador advém da receita. Por outro lado, compreender o recebimento de bonificações como auferimento de receita contrapõe as normas internacionais de contabilidade segundo as quais orientam que as bonificações recebidas devem ser reconhecidas como uma redução do custo dos produtos vendidos (conta redutora). Por essa razão, na visão deste relator as bonificações e descontos comerciais não podem ser reconhecidos como receita. Vale destacar, conforme mencionado no Recurso Voluntário, a Câmara Superior enfrentou a matéria inserta no Acórdão nº 9303-013.338, e na ocasião por determinação do art. 19-E da Lei nº 10.522/2002, acrescido pelo art. 28 da Lei nº 13.988/2020, em face do empate no julgamento, deu-se provimento em relação a considerar as “bonificações e descontos” como parte redutora do custo que influencia o preço ao invés de entende-las como receita, para tanto, passa- se a transcrever excerto do voto vencedor em relação ao tema: (...)Das Bonificações Fl. 865DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 31 Quanto à esse ponto, entendo que as bonificações, por ser modalidade de desconto, tal como definiu o próprio STJ, como dito alhures, devem ser registradas como redutores de custos. Nas operações com produtos bonificados, o fornecedor entrega ao adquirente uma quantidade de produto maior do que a quantidade contratada, sem acréscimo do preço total. A bonificação, de per si, tem a mesma natureza de um desconto concedido, pois o vendedor, apesar de não reduzir o preço, aumenta a quantidade de produtos. O que, por conseguinte, resulta na diminuição do valor unitário do bem – ou seja, redução de custo. Vê-se que a própria Administração Tributária, por meio de sua Coordenação do Sistema de Tributação, emitiu entendimento sobre as “bonificações” - Parecer CST/SIPR nº 1.386/1982 – transcrito parte: “Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda [...]”. A diminuição do custo não confere constituição de receita, vez que os bens bonificados não implicam também em valor maior de créditos no regime não cumulativo. Assim, as mercadorias recebidas como bonificações não integram a base de cálculo de PIS e de Cofins. E, conforme já transcrito, é de se considerar o disposto na Súmula nº 57 do STJ que teve como motivação o decidido, sob o rito de recurso repetitivo, em REsp 1.111.156-SP - de relatoria do Ministro Humberto Martins. No feito, restou decidido à sistemática dos recursos repetitivos – que a bonificação é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de conceder uma redução do valor da venda. Dessa forma, o provador das mercadorias é beneficiado com a redução do preço médio de cada produto, mas sem que isso implique redução do preço do negócio. Destaca-se esse apontamento o escrito sobre descontos e bonificações contemplado no recente livro “PIS e Cofins na Teoria e na Prática – uma abordagem completa dos regimes cumulativo e não cumulativo”, coordenado pelos nobre Professores Marcelo Magalhães Peixoto e Adoplho Bergamini lançado pela MP Editora. Continuando, cumpre também relevar os dizeres do ilustre tributarista Dr. José Antonio Minatel (in “Conteúdo do Conceito de Receita”, Editora MP, págs. 227/228) – o que, peço vênia, para transcrever parte: “[...] Comecemos com a análise da prática comercial em que o fornecedor, por política de vendas ou qualquer outra razão econômica, concede vantagem ao seu cliente, geralmente condicionada ao volume de itens adquiridos com o objetivo de induzir a conduta do comprador, vantagem batizada como bonificação em mercadorias, Fl. 866DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 32 linguagem que se tem revelado unívoca para traduzir um quantitativo adicional de mercadorias com o qual é brindado o comprador, além da quantidade de produtos efetivamente negociados numa determinada operação, despachados em conjunto, sem onerar a venda e compra, a título de bonificação. Para o vendedor, que faz a entrega dos produtos ditos bonificados, parece não existir dúvida quanto à receita auferida na operação dever corresponder ao valor efetivamente recebido pela totalidade das mercadorias entregues ao comprador (vendidas + bonificadas), cuja aferição individual do preço de venda poderá ser obtida mediante divisão do valor total, pelos valores equivalentes de cada item transacionado. Quem entrega mercadoria em bonificação não está auferindo qualquer receita adicional, nem está fazendo doação, tampouco caracteriza perda pelo não recebimento do valor teórico correspondente. Se para o vendedor há consenso de que a mercadoria entregue em bonificação não altera seu regime de reconhecimento de receita, podendo significar, quando muito, a prática do denominado desconto incondicional, ou seja, já concedido no momento da emissão do documento fiscal e não vinculado a qualquer evento superveniente à operação, a mesma sintonia não se observa no tratamento a ser atribuído pelo adquirente dos produtos. No outro pólo da relação comercial, é muito comum a adoção de procedimentos não condizentes com a natureza jurídica do negócio realizado, mediante registro da operação que, na maioria dos casos, implica em precipitada majoração de base de cálculo de tributos. Nesse sentido, não é incomum encontrar registro das mercadorias recebidas em bonificação apontando a conta de receita como contrapartida para a escrituração das mercadorias que, nessa condição, adentram o estoque da empresa, sistemática que conduz à indevida apuração de “receita” no momento da entrada das mercadorias. Esse procedimento não condiz com a realidade, nem com os preceitos norteadores da elaboração das demonstrações financeiras, além de distorcer a apuração do resultado da entidade empresarial. Não há receita no momento da aquisição de mercadorias bonificadas, pois anda não há atividade inerente à sua obtenção, tampouco ingresso financeiro; pelo contrário, no recebimento de mercadorias é pertinente a aferição de conteúdo de outra realidade: a mensuração dos custos dos bens adquiridos, levando em consideração os desembolsos já efetuados e outros líquidos e certos já compromissados. Tampouco é possível sustentar a legitimidade do impróprio procedimento (registro como receita) ao argumento de que a operação viabilizadora do recebimento de mercadorias em bonificação teria natureza equivalente à de uma doação. Se não bastassem outros argumentos de igual relevância, é de ser lembrado que “considera-se doação o contrato em que uma pessoa, por liberalidade, transfere do seu patrimônio bens ou vantagens para o de outra, hipótese incompatível com a prática negocial que carrega consigo a indução da compra na figura da bonificação, entabulada num único contrato em que a oferta condicionada de produtos tem como objetivo implementar o contrato de compra e venda, e não o da doação. Mais ainda, e para não alongar no exame de outras particularidades distintas, ainda que de doações se tratasse, também esta não reúne os atributos essenciais para ser qualificada como receita, como será oportunamente demonstrado. O reconhecimento da receita em relação à mercadoria recebida em bonificação dar-se- á quando do exercício de atividade empresarial que implemente sua alienação, em posterior operação de venda e compra, oportunidade em que serão efetuados registros pertinentes em função dos objetivos de apuração das diferentes realidades: com obediência aos preceitos da ciência contábil indicativa do regime de competência Fl. 867DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 33 para apuração do resultado da entidade que, como já vimos, interessa para dimensionamento da base de cálculo de outros tributos (IRPJ e CSLL), não das contribuições incidentes sobre a receita (COFINS e PIS), para as quais só tem relevância o efetivo ingresso proveniente da comercialização das mercadorias bonificadas. [...]” E, por fim, refletir o entendimento exarado pelo antigo 2º Conselho de Contribuintes, esposado abaixo (Grifos Meus): “BONIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. NÃO INCIDÊNCIA. Não se subsume ao conceito de faturamento, nem no conceito de receita, a obtenção de descontos mediante a bonificação de mercadorias, eis que tais vantagens não se originam da venda de mercadorias nem da prestação de serviços, mas estão ligadas essencialmente a operações que ensejam custos e não receitas”. (2º Conselho de Contribuintes, 3ª Câmara, RV nº 223.405, Rel Cons. José Henrique Longo, j 18.05.05) Evidente, portanto, e, síntese, trazer que: O desconto incondicional é aquele concedido independente de qualquer condição futura, ou seja, não é necessário que o adquirente pratique ato subsequente ao de compra para a fruição do benefício; A bonificação é uma modalidade de desconto que consiste na entrega de uma maior quantidade de produto vendido em vez de conceder uma redução do valor da venda; Os descontos incondicionais, assim como as bonificações, não possuem natureza de receita – e, por conseguinte, não devem ser tributados pelo PIS e Cofins – devendo ser, ambos, registrados como redutores de custo. Em vista de todo o exposto, com a máxima vênia ao relator, votamos por dar provimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo nessa parte – para considerar os descontos como incondicionais e as bonificações como modalidades de desconto e, por conseguinte, afastá-los da tributação pelo PIS e Cofins, eis que não conferem a natureza de receita, mas sim como redutores de custo. (Processo nº 10480.722794/2015-59 Recurso Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303-013.338 – CSRF / 3ª Turma Sessão de 20 de setembro de 2022 Recorrente BOMPRECO SUPERMERCADOS DO NORDESTE LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL) Por todo o exposto, entendo por dar provimento ao Recurso Voluntário e, por considerar que as bonificações antecipadas e de desempenho não são receitas, porquanto não acarretam um acréscimo de patrimônio, mas sim uma redução no custo de aquisição das mercadorias, e, por essa razão, essas bonificações não poderiam ser consideradas como parte da Fl. 868DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 34 receita tributável, o lançamento deve ser cancelado e, portanto, afastados os efeitos do Auto de Infração lavrado. Dado ao provimento do Recurso, resta prejudicada a análise sobre a alegação da não incidência dos juros moratórios sobre a multa de ofício, ressaltando, apesar disso, que a matéria é objeto da Súmula CARF 108. CONCLUSÃO Pelo exposto, conheço do Recurso Voluntário, rejeito a prejudicial de decadência e preliminar de nulidade, e, no mérito, dou-lhe provimento para cancelar o auto de infração. (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa VOTO VENCEDOR Conselheiro Maurício Novaes Ferreira, redator designado Inobstante a fundamentação exposta no voto condutor do julgado, o Colegiado, após os debates e por maioria de votos, houve por bem negar provimento ao recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e dos coobrigados sócios administradores da mesma, cabendo-me a tarefa de apresentar as razões que embasaram a decisão. Em brevíssima síntese, a controvérsia em relação a acusação de omissão de receita em razão de bonificações recebidas pela recorrente decorrem de contratos firmados entre ela e a Petrobrás Distribuidora S/A e à Ipiranga Produtos de Petróleo S/A, em que se verificou que a recorrente registrou os valores recebidos a título de “bonificações antecipadas” e “bonificações por desempenho” apenas em contas do “ativo” e “passivo”, não tendo transitado pelas contas de “receita” e/ou “resultado”, quando o correto seria a apropriação nestas contas de forma proporcional, ao longo da vigência dos respectivos contratos.. O voto vencido fundamentou sua decisão pelo provimento do recurso voluntário ao considerar que a bonificação não constitui receita, esta considerada como ingresso definitivo no patrimônio de quem a recebe. Afirmou que a bonificação é uma concessão que o distribuidor faz ao vendedor, visando sua fidelização e melhor condição de competitividade. Fl. 869DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 35 Sustentou que o recebimento de bonificações não está atrelado diretamente à atividade de venda do produto ao consumidor final, já que seu recebimento diz respeito à relação jurídica entre a distribuidora atacadista e a contribuinte revendedora. Concluiu que as bonificações não decorrem da atividade de revenda do combustível no varejo, esta sim geradora de receitas, decorrente da relação existente entre a revendedora de combustível e o consumidor final. Em função destes argumentos, arrematou o voto vencido que as bonificações ensejariam a redução do custo de aquisição em relação ao atingimento de metas, e, portanto, não seriam receitas. Fundamentou sua conclusão com base na previsão contida nos artigos 289 e 301 do RIR/2018, bem como nos Pronunciamentos Técnicos CPC nºs 16, 30 e 47. Afirmou que a Instrução Normativa SRF Nº 51 DE 03/11/1978 considerou que as bonificações equivalem a descontos incondicionais e, como tais, não constituem receita tributável. Sustentou que a necessidade de notas fiscais discriminando os descontos incondicionais teria sido afastada pelo Superior Tribunal de Justiça, que decidira que o preenchimento incorreto ou lacunoso daqueles documentos não obstaria o reconhecimento dos referidos descontos. Arrematou que considerar o recebimento de bonificações como auferimento de receita contrapõe as normas internacionais de contabilidade, que orientariam considerá-las como redução do custo dos produtos vendidos. Como reforço de argumento, apresentou no Acórdão nº 9303-013.338 que concluiu no mesmo sentido, ou seja, que as “bonificações e descontos” são redutores do custo e não receita tributável. Com todas as vênias, o voto vencido não apreciou adequadamente os fatos apurados pela autoridade fiscal, bem como valeu-se de fundamentação inadequada ao caso em análise. É incontroverso nos autos que a Recorrente auferiu vantagem pecuniária denominada no contrato de posto revendedor como “bonificação”. Tem razão o voto vencido quando considera que as bonificações não decorrerem diretamente de vendas efetuadas ao consumidor final. Ocorre, contudo, que a incidência dos impostos e contribuições exigidos nos lançamentos ora em julgamento não se dá, exclusivamente, sobre a receita de vendas. Como bem fundamentou a autoridade fiscal, desde o Decreto-Lei nº 1.598/1977, o lucro operacional compreendia o resultado das atividades, principais ou acessórias, da pessoa jurídica: Fl. 870DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 36 Art 11 - Será classificado como lucro operacional o resultado das atividades, principais ou acessórias, que constituam objeto da pessoa jurídica. Mais, a mesma norma estatui que a receita bruta é mais do que a mera receita de vendas ou de prestação de serviços: Art. 12. A receita bruta compreende: (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) I - o produto da venda de bens nas operações de conta própria; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) II - o preço da prestação de serviços em geral; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) III - o resultado auferido nas operações de conta alheia; e (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) IV - as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica não compreendidas nos incisos I a III. (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência). É induvidoso que as bonificações recebidas (em dinheiro, no caso dos autos) decorrem da atividade da empresa e constituem um ganho decorrente do alcance de metas estabelecidas pelos fornecedores. Deste modo, ao contrário do afirmado no voto vencido, nada há que sustente a tese esgrimida pela defesa que trata-se de parcela redutora do custo. Note-se, de passagem, que a Contribuinte sequer demonstrou que o valor recebido foi efetivamente contabilizado como redutor de custo no período sob exame, o que faz crer que a argumentação é meramente retórica, à mingua de outros argumentos capazes de macular a exigência dos autos. Ademais, a IN nº 51/78, que regulamentou o Decreto-Lei nº 1.598/1977, não faz qualquer menção à bonificação ou sua equiparação ao desconto incondicional. O voto vencido assim abordou a questão (destaques acrescidos): Nessa mesma linha a Instrução Normativa SRF Nº 51 DE 03/11/1978 também chegou a classificar as bonificações como Descontos Incondicionais, porém alinhando a necessidade de identificar a exata medida do valor nas notas fiscais emitidas, nos seguintes termos: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta de vendas e serviços, diminuída: (...) b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente; e 4.2. Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. Fl. 871DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 37 A vinculação entre descontos incondicionais e bonificações não existe no texto do ato normativo. A conclusão do voto vencido correlacionando os dois institutos não encontra amparo na norma jurídica apontada. Ademais, a mera leitura dos enunciados acima é mais do que suficiente para se concluir que nada há no caso em análise que contemple os requisitos acima transcritos para a caracterização de eventual desconto incondicional. Nem se fale que a decisão proferida no Agravo em Recurso Especial 556050 RS ampara a pretensão da Recorrente. Veja-se o seguinte excerto da decisão (com destaques ora acrescidos): Relativamente ao requisito de constar o desconto concedido expressamente na nota fiscal, tenho que a questão restou superada quando do julgamento da apelação anterior, na qual se anulou a sentença para possibilitar a apresentação de outras provas para demonstrar a concessão dos descontos incondicionais, tais como duplicatas, boletos bancários, etc., nas quais se pudesse aferir os valores efetivamente cobrado nas operações de compra e venda. Com efeito, o preenchimento incorreto ou lacunoso das notas fiscais não obsta o reconhecimento dos descontos em questão, bastando a comprovação de que estão vinculados a uma operação onerosa. Nesse sentido leciona Roque Antônio Carraza (CARRAZA, Roque Antônio. ICMS. 8ª. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p.110) em caso análogo: Podem, portanto, as empresas recuperar os créditos de ICMS correspondentes ao valor das mercadorias bonificadas ainda que a vantagem dada aos adquirentes tenha sido documentada em notas fiscais em separado. A leitura da passagem transcrita é suficiente para concluir que, na ausência da nota fiscal discriminando o desconto incondicional concedido, o fato deve ser provado por outros meios suficientes para demonstrar sua ocorrência. No caso dos autos, nada disso foi juntado ao processo. Os julgados nºs 3402-010.764, de 26/07/2023 e 3201-011.279, de 26/10/2023, ambos unânimes, corroboram a conclusão a que chegou o Colegiado. As decisões restaram assim ementadas (destaques acrescidos): Acórdão 3402-010.764 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/04/2010 a 31/12/2010 BONIFICAÇÃO POR DESEMPENHO DE VENDAS. CONCEITUAÇÃO DE RECEITAS TRIBUTÁVEIS PARA INCIDÊNCIA DA COFINS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. Bonificações pagas em cumprimento a condições suspensivas relacionadas a desempenho de vendas compõem a base de cálculo da COFINS, por terem a Fl. 872DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1202-002.097 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11000.723822/2021-11 38 natureza de receitas brutas na prestação de serviços, entre concessionárias e fabricantes de veículos, independente da forma de cálculo e dos valores que originaram estas bonificações. [...] Acórdão 3201-011.279 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2011 a 31/12/2011 COFINS. DESCONTOS CONDICIONAIS RECEBIDOS. REDUÇÃO DO PASSIVO SEM CONTRAPARTIDA NO ATIVO. REGIME NÃO CUMULATIVO. A base de cálculo da Cofins inclui os descontos condicionais recebidos de fornecedores ainda que não informados nas notas fiscais, por implicarem em redução do passivo, sem contrapartida no ativo. COFINS. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES. DESCONTOS COMERCIAIS CONDICIONADOS. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Os descontos obtidos pelo contribuinte junto aos fornecedores integram a base de cálculo da Cofins não cumulativa; os valores recebidos dos fornecedores, independentemente do tipo de condição, compõem o conceito de receita na sistemática não-cumulativa das contribuições. Por estes fundamentos, decidiu o Colegiado por negar provimento ao mérito do recurso voluntário, por considerar que as bonificações recebidas são receitas tributáveis, nos termos da autuação fiscal. Assinado Digitalmente Maurício Novaes Ferreira Fl. 873DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Vencido Voto Vencedor
score : 1.0
Numero do processo: 10380.722935/2009-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITA CONTABILIZADA E NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PROVA.
A receita devidamente contabilizada e não oferecida à tributação constitui omissão de receita passível de lançamento de ofício. O erro no preenchimento da obrigação acessória deve ser devidamente comprovado com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 1101-001.855
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Sala de Sessões, em 14 de outubro de 2025.
Assinado Digitalmente
Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho – Relator
Assinado Digitalmente
Efigenio de Freitas Junior – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Edmilson Borges Gomes, Jeferson Teodorovicz, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Efigenio de Freitas Junior (Presidente)
Nome do relator: DILJESSE DE MOURA PESSOA DE VASCONCELOS FILHO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 14 de outubro de 2025. Assinado Digitalmente Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho – Relator Assinado Digitalmente Efigenio de Freitas Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Edmilson Borges Gomes, Jeferson Teodorovicz, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Efigenio de Freitas Junior (Presidente)
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RECEITA CONTABILIZADA E NÃO OFERECIDA À TRIBUTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE ERRO NO PREENCHIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE PROVA. A receita devidamente contabilizada e não oferecida à tributação constitui omissão de receita passível de lançamento de ofício. O erro no preenchimento da obrigação acessória deve ser devidamente comprovado com documentação hábil e idônea. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar, e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Sala de Sessões, em 14 de outubro de 2025. Assinado Digitalmente Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho – Relator Assinado Digitalmente Efigenio de Freitas Junior – Presidente Fl. 199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.855 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722935/2009-13 2 Participaram da sessão de julgamento os julgadores Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Edmilson Borges Gomes, Jeferson Teodorovicz, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira, Efigenio de Freitas Junior (Presidente) RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário (e-fls. 184-192) interposto contra acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE (e-fls. 171-176) que julgou improcedente impugnação (e-fls. 141-160) apresentada contra autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (e-fls. 2-28) em que se apontam as seguintes infrações: IRPJ: 001 – OMISSÃO DE RECEITAS Omissão de receitas caracterizada pelo recebimento de mercadorias bonificadas de acordo com valores constante em seus balancetes de verificação (cópias em anexo) nos meses de Janeiro a Abril de 2005 002 – FALTA DE RECOLHIMENTO/DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA APURAÇÃO INCORRETA DO SALDO A PAGAR DO IMPOSTO DECORRENTE DO NÃO RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) apurado a menor na Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ/2006, referente ao ano calendário de 2005. Durante a ação fiscal verificamos que o contribuinte não efetuou corretamente a apuração do imposto de renda a pagar (Ficha 12ª – Linha 19 – Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real). O contribuinte informou na Linha 17 (Imposto de Renda mensal pago por estimativa), da ficha 12ª (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real), o valor de R$505.897,20, e na Ficha 11/Linha 12 (cálculo do Imposto de Renda mensal por Estimativa – IRPJ a pagar), foram informados os valores de R$78.004,54 em Janeiro, R$51.288,50 em Fevereiro, R$50.498,69 em Março, R$46.633,98 em Abril, R$219.790,82 em Maio, R$25.170,21 em Junho, R$34.600,47 em Julho. Ocorre que para estas Estimativas informadas não foram efetuados os recolhimentos correspondentes. Do acima exposto, resultado que o valor do saldo do Imposto de Renda a pagar referente ao ano calendário de 2005 é de R$238.149,46, já deduzido o valor de R$2.561,01 pago a título de Estimativa valor informado no sistema SINAL. Conforme demonstrado no quadro abaixo: 003 – MULTAS IOSLADAS FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ SOBRE BASE DE CÁLCULO ESTIMADA PIS: Fl. 200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.855 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722935/2009-13 3 001 – PIS – INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA – APURAÇÃO REFLEXA FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS – INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA Omissão de Receitas caracterizada pelo recebimento de mercadorias bonificadas de acordo com valores constante em seus balancetes de verificação (cópias em anexo) nos meses de Janeiro a Abril de 2005. COFINS: 001 – COFINS – INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA – APURAÇÃO REFLEXA FALTA DE RECOLHIMENTO DO PIS – INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA Omissão de Receitas caracterizada pelo recebimento de mercadorias bonificadas de acordo com valores constante em seus balancetes de verificação (cópias em anexo) nos meses de Janeiro a Abril de 2005. CSLL: 001 – CSLL – OMISSÃO DE RECEITA CSLL SOBRE RECEITAS OMITIDAS Omissão de Receitas caracterizada pelo recebimento de mercadorias bonificadas de acordo com valores constante em seus balancetes de verificação (cópias em anexo) nos meses de Janeiro a Abril de 2005. Em sua impugnação, o sujeito passivo suscitou a nulidade do procedimento fiscal, em virtude da não observância do prazo máximo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). No mérito, defendeu a improcedência do auto de infração. A DRJ proferiu acórdão julgando improcedente a impugnação, assim ementado: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRAZO. PRORROGAÇÃO. CIÊNCIA FORMAL. SUJEITO PASSIVO. NÃO NECESSIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal é a ordem específica dirigida ao Auditor-Fiscal para que, no uso de suas atribuições privativas, instaure o procedimento fiscal de Fiscalização, relativo aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos da legislação aplicável, a ciência do Mandado de Procedimento Fiscal pelo sujeito passivo dar-se-á no sítio da Secretaria da Receita Federal do Brasil na Internet, com a utilização de código de acesso consignado no termo que formalizar o início do procedimento fiscal, sendo permitido ao sujeito passivo, sempre que desejar, acessar referido documento para tomar conhecimento de eventuais alterações, inclusive quanto à sua prorrogação. Portanto, é despicienda sua ciência formal, uma vez que referidas alterações se dão por meio de registro eletrônico, cuja informação estará disponível na rede mundial de computadores. Fl. 201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.855 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722935/2009-13 4 Ainda que não mencionados, o Mandado de Procedimento Fiscal inclui os tributos e a contribuições que decorrerem dos mesmos elementos de prova dos tributos nele expressamente indicados. CSLL, PIS/PASEP E COFINS. SIMILITUDE DOS MOTIVOS DE AUTUAÇÃO E DE RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO. Aplicam-se à CSLL PIS/PASEP e COFINS os mesmos argumentos expendidos no voto relativo ao IRPJ, em face da similitude dos motivos de autuação e das razões de impugnação. Irresignada, a Recorrente interpõe recurso voluntário em que suscita: a) a necessidade de perícia; (b) a indevida desconsideração do erro na DIPJ em confronto com as DCTFs; (c) de que “mero erro de infração na transmissão da DIPJ, corrigido por ocasião das DCTFs, circunstância que não pode ensejar a aplicação de multa isolada, por não ter ocorrido irregularidades na conduta do contribuinte”; (d) multa regulamentar desproporcional, desarrazoada e confiscatória. É o relatório. VOTO Conselheiro Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Inicialmente, formula a Recorrente preliminar de nulidade do acórdão recorrido em face da negativa do pedido de perícia, afirmando que “a negativa da referida prova, portanto, implica em evidente cerceamento do direito de defesa da Recorrente e caminha para a NULIDADE do julgamento”. Ocorre, todavia, que não é possível localizar na peça de impugnação ao auto de infração qualquer pedido específico de realização de perícia, mas tão somente o inconformismo genérico quanto à autuação, assim como o pedido, igualmente genérico, de consideração da verdade material e produção de provas “por todos os meios de prova admitidos em direito”. Para além da ausência de pedido específico de perícia, o fato é que o mero indeferimento da perícia, quando considerada prescindível pelo julgador, não implica em nulidade por cerceamento de defesa, a teor da Súmula 163 deste CARF (“O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis”). Portanto, nesse ponto, não há que se falar em nulidade do acórdão recorrido. Com relação ao mérito da autuação, afirma a Recorrente tão somente que “o simples erro no preenchimento de DIPJ não configura elemento suficiente para a exigência do Fl. 202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.855 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722935/2009-13 5 tributo apurado de forma indevida”, e que a fiscalização não teria se desincumbido do “dever da autoridade fiscal em instruir o auto de infração com todos os elementos que comprovem a existência de um ilícito”. Não assiste razão à Recorrente. Conforme relatado, o auto de infração tem por objeto principal, em realidade, a infração de omissão de receitas, caracterizada, nos dizeres da fiscalização, “pelo recebimento de mercadorias bonificadas de acordo com valores constante em seus balancetes de verificação nos meses de Janeiro a Abril de 2005”. Constatou a fiscalização que as receitas em questão não foram oferecidas à tributação, embora estivessem reconhecidas contabilmente (e-fls. 51-68) e fossem oriundas de notas fiscais efetivamente emitidas (e-fls. 69-73). Quanto a este ponto, que constitui efetivamente o cerne da autuação, a Recorrente não teceu uma só consideração. Em outras palavras, não se nega nem se impugna a efetiva omissão de receitas. As demais infrações apuradas decorrem diretamente dessa constatação de omissão de receitas que, repita-se, não foi questionada pela Recorrente: incluída a receita omitida na apuração do IRPJ/CSLL mensal, apurou-se estimativa a pagar que não havia sido recolhida e que foi, então, objeto de lançamento, com as penalidades cabíveis. Caberia à Recorrente, uma vez afirmando tratar-se de erro da DIPJ, produzir alguma prova nesse sentido, o que não foi feito. É, pois, irretocável a decisão da DRJ, cuja fundamentação peço vênia para transcrever: No mérito, a interessada argumenta que não apurou lucro em suas operações nos períodos abrangidos pelos lançamentos, como consta das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTFs, e que ocorreu erro no preenchimento da DIPJ – Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica, o que foi percebido apenas durante o procedimento fiscal. Observa-se, conforme ficha 01 da DIPJ, fls. 110, que a interessada apurou seu resultado pelo lucro real anual. Nessas circunstâncias, a legislação determina que a pessoa jurídica deve apurar recolhimentos de imposto e contribuição social por estimativa, de sorte que mesmo na ocorrência de prejuízo na apuração anual, podem ser devidos imposto e contribuição social mensalmente. A Auditoria-Fiscal demonstrou documentalmente a ocorrência de omissão de receitas, notas fiscais de fls. 69 a 74, balancetes de fls. 51 a 64, do que decorreu a exigência dos tributos e contribuições, inclusive por estimativa mensal e aplicação de multa isolada. Fl. 203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1101-001.855 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10380.722935/2009-13 6 Esse ponto, que é o núcleo da autuação fiscal, não foi contestado substancialmente pela interessada, quer em seu fundamentos legais, quer em seus fáticos, exceto em pormenor que se tratará em parágrafo posterior, limitando-se, com essa ressalva, a tratar de garantias processuais, presunções e cerceamento ao direito de defesa, sem estabelecer coerentemente a pertinência do argumentado com a lide em exame. A interessada argumenta que houve erro no preenchimento da DIPJ, mas nenhum elemento de prova foi juntado nesse sentido com a impugnação, o que lhe competiria, conforme art. 16, inc. III, do Decreto 70.235, de 1972: No que tange às penalidades e alegação de desproporcionalidade, cumpre tão somente apontar ser inviável o conhecimento da matéria no âmbito deste Conselho, a teor da Súmula 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Diante do exposto, afasto a preliminar suscitada e nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Assinado Digitalmente Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho Fl. 204DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10980.726270/2018-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013
NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. EXCLUSÃO SIMPLES NACIONAL. INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA.
A exclusão de ofício do Simples Nacional, realizada por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, é válida quando o agente subscritor atua no exercício regular de sua competência funcional, nos termos da legislação de regência, especialmente o art. 33 da Lei Complementar nº 123/2006 e o art. 75 da Resolução CGSN nº 94/2011. Portarias internas que eventualmente restrinjam competências no âmbito da organização administrativa da Receita Federal não possuem o condão de infirmar a competência legal originária atribuída a Auditores-Fiscais da RFB para a prática de atos de exclusão do Simples Nacional.
Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2013
EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA. INTERMEDIAÇÃO DE SERVIÇOS. OPERAÇÕES EM CONTA ALHEIA. AUSÊNCIA DE PROVAS.
É legítima a exclusão de ofício do Simples Nacional quando constatado que os valores creditados nas contas bancárias da empresa, não declarados como receita, não possuem lastro probatório mínimo quanto à alegada natureza de repasses a terceiros no âmbito de intermediação de serviços.
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por força do princípio da presunção de constitucionalidade das leis e da cláusula de reserva de jurisdição prevista no art. 97 da Constituição Federal, não detém competência para declarar a inconstitucionalidade de norma tributária federal, nos termos da Súmula CARF nº 2.
SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA. AUSÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO.
O art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que autoriza o lançamento de ofício com base em depósitos bancários de origem não comprovada, estabelece presunção relativa (juris tantum), admitindo prova em sentido contrário por parte do contribuinte. Não tendo a Contribuinte comprovado a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, subsiste a presunção de receita omitida, legitimando a exclusão do Simples Nacional e o lançamento de ofício correspondente.
SIMPLES NACIONAL. EXCESSO AO LIMITE DE RECEITA BRUTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRÁTICA REITERADA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
A exclusão do Simples Nacional é medida cabível diante da constatação de múltiplas infrações à Lei Complementar nº 123/2006, notadamente a omissão de receitas, o descumprimento do limite de receita bruta anual, a ausência de escrituração contábil exigida e o não atendimento às intimações da fiscalização.
CONDUTA DOLOSA QUALIFICADA. USO DE ARTIFÍCIO ARDIL OU MEIO FRAUDULENTO. AUSÊNCIA. INAPLICABILIDADE DO §2º DO ART. 29 DA LC Nº 123/2006.
Para que se aplique a sanção excepcional de vedação à nova opção pelo regime pelo prazo de 10 anos, nos termos do §2º do art. 29 da referida norma, é imprescindível a demonstração inequívoca de conduta dolosa qualificada pelo uso de artifício, ardil ou meio fraudulento apto a induzir ou manter a fiscalização em erro, o que não restou comprovado nos autos. A simples omissão de receitas ou inconsistências contábeis, desacompanhadas de elementos que evidenciem o emprego deliberado de mecanismos fraudulentos, não autorizam a aplicação da penalidade agravada. Deve, portanto, prevalecer a penalidade ordinária prevista no §1º do art. 29 da LC nº 123/2006, consistente na vedação de nova opção pelo Simples Nacional pelo prazo de 3 (três) anos-calendário subsequentes à exclusão.
Numero da decisão: 1301-007.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o impedimento à opção pelo Simples Nacional pelo prazo de dez anos, nos termos do voto da Relatora.
Assinado Digitalmente
Eduarda Lacerda Kanieski – Relatora
Assinado Digitalmente
Rafael Taranto Malheiros – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto integral), José Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski e Rafael Taranto Malheiros (Presidente).
Nome do relator: EDUARDA LACERDA KANIESKI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013 NULIDADE. ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. EXCLUSÃO SIMPLES NACIONAL. INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA. A exclusão de ofício do Simples Nacional, realizada por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, é válida quando o agente subscritor atua no exercício regular de sua competência funcional, nos termos da legislação de regência, especialmente o art. 33 da Lei Complementar nº 123/2006 e o art. 75 da Resolução CGSN nº 94/2011. Portarias internas que eventualmente restrinjam competências no âmbito da organização administrativa da Receita Federal não possuem o condão de infirmar a competência legal originária atribuída a Auditores-Fiscais da RFB para a prática de atos de exclusão do Simples Nacional. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA. INTERMEDIAÇÃO DE SERVIÇOS. OPERAÇÕES EM CONTA ALHEIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. É legítima a exclusão de ofício do Simples Nacional quando constatado que os valores creditados nas contas bancárias da empresa, não declarados como receita, não possuem lastro probatório mínimo quanto à alegada natureza de repasses a terceiros no âmbito de intermediação de serviços. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por força do princípio da presunção de constitucionalidade das leis e da cláusula de reserva de jurisdição prevista no art. 97 da Constituição Federal, não detém competência para declarar a inconstitucionalidade de norma tributária federal, nos termos da Súmula CARF nº 2. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA. AUSÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que autoriza o lançamento de ofício com base em depósitos bancários de origem não comprovada, estabelece presunção relativa (juris tantum), admitindo prova em sentido contrário por parte do contribuinte. Não tendo a Contribuinte comprovado a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, subsiste a presunção de receita omitida, legitimando a exclusão do Simples Nacional e o lançamento de ofício correspondente. SIMPLES NACIONAL. EXCESSO AO LIMITE DE RECEITA BRUTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRÁTICA REITERADA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A exclusão do Simples Nacional é medida cabível diante da constatação de múltiplas infrações à Lei Complementar nº 123/2006, notadamente a omissão de receitas, o descumprimento do limite de receita bruta anual, a ausência de escrituração contábil exigida e o não atendimento às intimações da fiscalização. CONDUTA DOLOSA QUALIFICADA. USO DE ARTIFÍCIO ARDIL OU MEIO FRAUDULENTO. AUSÊNCIA. INAPLICABILIDADE DO §2º DO ART. 29 DA LC Nº 123/2006. Para que se aplique a sanção excepcional de vedação à nova opção pelo regime pelo prazo de 10 anos, nos termos do §2º do art. 29 da referida norma, é imprescindível a demonstração inequívoca de conduta dolosa qualificada pelo uso de artifício, ardil ou meio fraudulento apto a induzir ou manter a fiscalização em erro, o que não restou comprovado nos autos. A simples omissão de receitas ou inconsistências contábeis, desacompanhadas de elementos que evidenciem o emprego deliberado de mecanismos fraudulentos, não autorizam a aplicação da penalidade agravada. Deve, portanto, prevalecer a penalidade ordinária prevista no §1º do art. 29 da LC nº 123/2006, consistente na vedação de nova opção pelo Simples Nacional pelo prazo de 3 (três) anos-calendário subsequentes à exclusão.
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ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO. EXCLUSÃO SIMPLES NACIONAL. INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL. INEXISTÊNCIA. A exclusão de ofício do Simples Nacional, realizada por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, é válida quando o agente subscritor atua no exercício regular de sua competência funcional, nos termos da legislação de regência, especialmente o art. 33 da Lei Complementar nº 123/2006 e o art. 75 da Resolução CGSN nº 94/2011. Portarias internas que eventualmente restrinjam competências no âmbito da organização administrativa da Receita Federal não possuem o condão de infirmar a competência legal originária atribuída a Auditores-Fiscais da RFB para a prática de atos de exclusão do Simples Nacional. Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2013 EXCLUSÃO DE OFÍCIO. RECEITA BRUTA. INTERMEDIAÇÃO DE SERVIÇOS. OPERAÇÕES EM CONTA ALHEIA. AUSÊNCIA DE PROVAS. É legítima a exclusão de ofício do Simples Nacional quando constatado que os valores creditados nas contas bancárias da empresa, não declarados como receita, não possuem lastro probatório mínimo quanto à alegada natureza de repasses a terceiros no âmbito de intermediação de serviços. ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996. AUSÊNCIA DE COMPETÊNCIA DO CARF. SÚMULA CARF Nº 2. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, por força do princípio da presunção de constitucionalidade das leis e da cláusula de reserva de jurisdição prevista no art. 97 da Constituição Federal, não Fl. 559DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 2 detém competência para declarar a inconstitucionalidade de norma tributária federal, nos termos da Súmula CARF nº 2. SIMPLES NACIONAL. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO RELATIVA. AUSÊNCIA DE PROVA EM CONTRÁRIO. O art. 42 da Lei nº 9.430/1996, que autoriza o lançamento de ofício com base em depósitos bancários de origem não comprovada, estabelece presunção relativa (juris tantum), admitindo prova em sentido contrário por parte do contribuinte. Não tendo a Contribuinte comprovado a origem dos valores creditados em suas contas bancárias, subsiste a presunção de receita omitida, legitimando a exclusão do Simples Nacional e o lançamento de ofício correspondente. SIMPLES NACIONAL. EXCESSO AO LIMITE DE RECEITA BRUTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. PRÁTICA REITERADA. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A exclusão do Simples Nacional é medida cabível diante da constatação de múltiplas infrações à Lei Complementar nº 123/2006, notadamente a omissão de receitas, o descumprimento do limite de receita bruta anual, a ausência de escrituração contábil exigida e o não atendimento às intimações da fiscalização. CONDUTA DOLOSA QUALIFICADA. USO DE ARTIFÍCIO ARDIL OU MEIO FRAUDULENTO. AUSÊNCIA. INAPLICABILIDADE DO §2º DO ART. 29 DA LC Nº 123/2006. Para que se aplique a sanção excepcional de vedação à nova opção pelo regime pelo prazo de 10 anos, nos termos do §2º do art. 29 da referida norma, é imprescindível a demonstração inequívoca de conduta dolosa qualificada pelo uso de artifício, ardil ou meio fraudulento apto a induzir ou manter a fiscalização em erro, o que não restou comprovado nos autos. A simples omissão de receitas ou inconsistências contábeis, desacompanhadas de elementos que evidenciem o emprego deliberado de mecanismos fraudulentos, não autorizam a aplicação da penalidade agravada. Deve, portanto, prevalecer a penalidade ordinária prevista no §1º do art. 29 da LC nº 123/2006, consistente na vedação de nova opção pelo Simples Nacional pelo prazo de 3 (três) anos-calendário subsequentes à exclusão. ACÓRDÃO Fl. 560DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso para cancelar o impedimento à opção pelo Simples Nacional pelo prazo de dez anos, nos termos do voto da Relatora. Assinado Digitalmente Eduarda Lacerda Kanieski – Relatora Assinado Digitalmente Rafael Taranto Malheiros – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Iágaro Jung Martins, Luis Angelo Carneiro Baptista (substituto integral), José Eduardo Dornelas Souza, Eduardo Monteiro Cardoso, Eduarda Lacerda Kanieski e Rafael Taranto Malheiros (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de recurso voluntário interposto por MPREVE – ADMINISTRAÇÃO E ENCAMINHAMENTOS EM GERAL LTDA, em face do Acórdão nº 15-47.359, proferido pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador/BA (DRJ/SDR), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade oposta em face do Ato Declaratório Executivo DRFB/CTA nº 079, de 30/10/2018, o qual determinou a exclusão da Recorrente do regime do Simples Nacional, com efeitos retroativos a 01/2013, vedando nova opção até 12/2023. A exclusão decorreu de procedimento fiscal conduzido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, instaurado por meio de Termo de Início de Procedimento Fiscal, cientificado à contribuinte em 29/06/2018, no qual foram requisitados livros contábeis, documentos fiscais, extratos bancários e outros elementos necessários à análise da regularidade tributária. O procedimento resultou na lavratura do Despacho Decisório que, após ampla análise dos documentos apresentados e das informações obtidas em sistemas da RFB, consignou os seguintes fundamentos como determinantes a exclusão: Fl. 561DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 4 1. Formação de grupo econômico e extrapolação do limite global Constatou-se a existência de sócios comuns (Mirian Ribeiro da Fonseca, Jair Aparecido Georgetti e Eduardo Souza Rodrigues) entre a Recorrente e outras empresas, notadamente MEDPREV – ADMINISTRAÇÃO E ENCAMINHAMENTO LTDA. Verificou-se também identidade do contador responsável pelas três pessoas jurídicas, além de compartilhamento de fornecedores (como OI Móvel S.A. e Delta Equipamentos Eletrônicos) e mesmo pagamento de obrigações entre as empresas, sem tratamento contábil que evidenciasse empréstimos ou mútuos. A fiscalização apurou a consolidação de receitas do grupo que, já em maio de 2013, ultrapassou o limite global de R$ 3.600.000,00, acrescido do adicional de 20%, estabelecido nos termos do art. 3º, §4º, III a V, da LC nº 123/2006, implicando vedação expressa à permanência no regime simplificado. 2. Omissão de receitas detectada em análise bancária A partir do exame de extratos das contas mantidas nos bancos Bradesco, Itaú e na cooperativa Uniprime, a fiscalização identificou expressivas entradas de recursos que não foram apropriadas como receita operacional, figurando apenas como “depósitos bancários à vista” em contas patrimoniais. Após ajustes que descontaram valores justificadamente indicados como devoluções ou adiantamentos pela Recorrente (e-fls. 465;468) apurou-se, ainda assim, omissão significativa de receitas. Tal conduta foi considerada incompatível com o conceito de receita bruta do §1º do art. 3º da LC nº 123/2006, que inclui o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria e o resultado das operações em conta alheia. 3. Inexistência de livros fiscais obrigatórios A Recorrente não apresentou o Livro Caixa relativo ao ano-calendário de 2015, tampouco livros Diário e Razão, infringindo o disposto nos arts. 26, §2º e 29, VIII da LC nº 123/2006 c/c arts. 3º, I e §3º da Resolução CGSN nº 10/2007 e art. 61, §3º da Resolução CGSN nº 94/2011. Fl. 562DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 5 A omissão foi apontada como causa autônoma de exclusão do regime, nos termos do art. 29, II da LC nº 123/2006. 4. Configuração de prática reiterada e emprego de artifício Diante da omissão de receitas entre janeiro e dezembro de 2013, e do cenário que evidenciou a utilização do grupo para, na visão da fiscalização, pulverizar operações e mascarar o volume real de receitas, a autoridade fiscal enquadrou o caso nos incisos II e V do art. 29 da LC nº 123/2006. Reconheceu-se, ademais, o emprego de meio ardiloso que induziu e manteve a fiscalização em erro, elevando o prazo impeditivo para nova opção pelo Simples Nacional para 10 anos, à luz do §2º do mesmo dispositivo legal. Ao final, a fiscalização emitiu o Ato Declaratório Executivo DRFB/CTA nº 079, formalizando a exclusão da Recorrente do Simples Nacional a partir de 01/2013, em razão das irregularidades constatadas, com efeitos impeditivos até 12/2023, e determinando o lançamento dos tributos segundo as regras ordinárias aplicáveis às demais pessoas jurídicas, nos termos do art. 32, §2º, da LC nº 123/2006. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, na qual alegou, em síntese: Nulidade do ato administrativo, sob o argumento de que o auditor fiscal subscritor do Ato Declaratório não detinha competência para praticar o ato, a qual teria sido restringida por portaria específica do Delegado da Receita Federal em Curitiba; Ausência de grupo econômico, por inexistência de controle centralizado ou confusão patrimonial entre as empresas; Inexistência de omissão de receitas, sustentando que os valores creditados nas contas bancárias correspondiam a repasses a terceiros, próprios de sua atividade de intermediação administrativa; Impossibilidade de exclusão retroativa do regime, por violação à segurança jurídica e à razoabilidade. Fl. 563DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 6 A DRJ/SDR, por meio do Acórdão nº 15-47.359, rejeitou todas as alegações, nos termos da ementa a seguir colacionada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013 ALEGAÇÕES SEM PROVA. INEFICÁCIA. A manifestação de inconformidade deve ser instruída com as provas documentais em que se fundamentar, e com elementos hábeis e necessários à confirmação das alegações contidas no seu arrazoado. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DE REGIMES TRIBUTÁRIOS ESPECIAIS. AUTORIDADE COMPETENTE. NULIDADE INEXISTENTE. São considerados nulos somente atos e termos lavrados por pessoa incompetente e despachos ou decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa competente para proceder à exclusão de ofício de regimes tributários especiais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROCEDIMENTOS. PRINCÍPIO DO FORMALISMO MODERADO. O princípio do formalismo moderado não significa a ausência de ritos ou formas, mas prevê a adoção de ritos e formas simples, suficientes para propiciar um grau de certeza e segurança a respeito dos atos praticados. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2013 SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO ESPONTÂNEA INEXISTENTE. LUCRO PRESUMIDO. OPÇÃO ESPONTÃNEA INVÁLIDA. Uma vez optante pelo Simples Nacional, a ME ou EPP somente sairá do referido regime por opção, mediante comunicação efetuada no Portal do Simples Nacional, em “Simples-Serviços”, menu “Exclusão”. Inválida a opção espontânea pelo Lucro Presumido por empresa sob o regime do Simples Nacional. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. OPÇÃO E EXCLUSÃO ESPONTÂNEA. ASPECTOS FORMAIS. INOBSERVÂNCIA. ATOS DÚBIOS. A opção e a exclusão espontânea dos regimes de tributação, nas hipóteses em que admitida, devem obedecer a forma preconizada na legislação tributária, sob pena de não gerarem os efeitos que lhes são próprios. Os atos dúbios do Contribuinte não podem servir de esteira para subverter o formalismo mínimo necessário estabelecido pela legislação tributária, e criar uma situação em que, se autuado, pretenda combater o crédito constituído, se por descumprimento de regras do Lucro Presumido, alegando ser optante do Simples Nacional, e se por Fl. 564DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 7 descumprimento de regras do Simples Nacional, alegando ser optante do Lucro Presumido. SIMPLES NACIONAL. HIPÓTESE IMPEDITIVA. SÓCIO PARTÍCIPE DE OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA ACUMULADA. LIMITE. Não poderá se beneficiar do regime tributário simplificado de recolhimento de tributos a pessoa jurídica que possua sócio partícipe em outra empresa beneficiária ou não do mesmo regime, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite estabelecido em lei. SIMPLES NACIONAL. SÓCIO PARTÍCIPE DE OUTRA EMPRESA. RECEITA BRUTA ACUMULADA. LIMITE. GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. DISPENSA. A hipótese de vedação à permanência no regime favorecido do Simples Nacional em função do limite da receita bruta global acumulada por empresas com sócio(s) em comum, independe da caracterização de grupo econômico. RECEITA BRUTA. CONCEITO. Considera-se receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, excluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. A exclusão de ofício do Simples Nacional dar-se-á quando for verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória, for ultrapassado o limite legal da receita bruta acumulada, for oferecido embaraço à fiscalização, caracterizado pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade que estiverem intimadas a apresentar, tiver sido constatada prática reiterada de infração ao disposto na Lei Complementar nº 123/2006, produzindo efeitos a partir do próprio mês em que incorridas. SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO DE OFÍCIO. EFEITOS ESTENDIDOS. Constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento unificado dos tributos abrangidos pelo Simples Nacional, a exclusão de ofício impedirá nova opção pelo regime diferenciado e favorecido pelo prazo de 10 (dez) anos. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2013 NORMAS COMPLEMENTARES. JURISPRUDÊNCIA JUDICIAL E ADMINISTRATIVA. OPINIÕES DOUTRINÁRIAS. EFEITOS. As decisões administrativas e judiciais sem lei que lhes atribua eficácia vinculante, somente se aplicam às partes envolvidas no litígio a que se referem. Opiniões doutrinárias e decisões administrativas e judiciais, conquanto de inestimável valor Fl. 565DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 8 como fonte de consulta para ilustrar ou reforçar a argumentação, não constituem normas complementares do Direito Tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Regularmente cientificada em 16/08/2019 (e-fls. 541), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (e-fls. 544/554), no qual, além de reproduzir as teses suscitadas em primeira instância, sustenta a inconstitucionalidade do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, dispositivo que fundamentaria presunções utilizadas pela fiscalização, por violar os princípios constitucionais da legalidade, segurança jurídica e razoabilidade. É o relatório. VOTO Conselheira Eduarda Lacerda Kanieski, Relatora 1 EXAME DE ADMISSIBILIDADE Cientificada do v. Acórdão em 16/08/2019 (e-fls. 541), a Recorrente apresentou o Recurso Voluntário em 03/09/2019 (e-fls. 542), cumprindo, portanto, o prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Outrossim, verifico que o Recurso Voluntário foi subscrito e apresentado pela própria pessoa jurídica interessada, hipótese plenamente admitida no processo administrativo fiscal. Presentes os pressupostos de admissibilidade extrínsecos e intrínsecos, quais sejam, tempestividade, regularidade formal, legitimidade, interesse recursal e competência deste Colegiado para apreciação da matéria, conheço do Recurso Voluntário. Fl. 566DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 9 2 DAS PRELIMINARES 2.1 DA ALEGADA NULIDADE POR INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE FISCAL SUBSCRITORA DO ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL A Recorrente sustenta, em preliminar, a nulidade do Ato Declaratório Executivo DRFB/CTA nº 079/2018, por alegada incompetência da autoridade subscritora, ao fundamento de que o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela emissão do ato não detinha atribuição para praticá-lo. Argumenta que o Delegado da Receita Federal em Curitiba, mediante Portaria DRF/CTA nº 42/2012, teria restringido tal competência, atribuindo-a exclusivamente ao Chefe da Equipe do Simples Nacional. Aduz, ainda, que não haveria nos autos ato administrativo superveniente que tenha restabelecido a competência do auditor subscritor para lavrar o referido ato. Entretanto, razão não assiste à Recorrente. Consoante se extrai do próprio Despacho Decisório que lastreou o Ato Declaratório de Exclusão, o procedimento fiscal foi regularmente conduzido no âmbito do Serviço de Fiscalização da DRF em Curitiba, tendo sido instaurado mediante Termo de Início de Procedimento Fiscal, regularmente cientificado, e culminado na lavratura do despacho por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, integrante do quadro daquela unidade, no exercício pleno de sua competência funcional. A legislação federal aplicável — notadamente o art. 33 da Lei Complementar nº 123/2006, que institui o Simples Nacional, e o art. 75 da Resolução CGSN nº 94/2011 (vigente à época) — confere à Receita Federal do Brasil, por seus Auditores-Fiscais, a atribuição para praticar atos de exclusão de ofício do Simples Nacional: LEI COMPLEMENTAR Nº 123/2006 Art. 33. As Microempresas e Empresas de Pequeno Porte serão excluídas de ofício do Simples Nacional pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, pelos Estados, pelo Distrito Federal e pelos Municípios, no âmbito de suas respectivas competências. RESOLUÇÃO CGSN Nº 94/2011 Art. 75. A competência para excluir de ofício a ME ou EPP do Simples Nacional é: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, § 5º; art. 33) Fl. 567DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 10 I - da RFB; II - das Secretarias de Fazenda, de Tributação ou de Finanças do Estado ou do Distrito Federal, segundo a localização do estabelecimento; e III - dos Municípios, tratando-se de prestação de serviços incluídos na sua competência tributária. Nesse contexto, eventual portaria interna de delegação ou restrição organizacional, expedida pelo Delegado da DRF/Curitiba, não tem o condão de infirmar a competência funcional originária conferida por lei complementar aos Auditores-Fiscais da Receita Federal do Brasil, notadamente porque se trata de norma interna de organização administrativa, cujo descumprimento — se fosse o caso — caracterizaria mera irregularidade administrativa interna, incapaz de macular a validade do ato praticado perante o contribuinte, à luz do princípio da presunção de legitimidade e autoexecutoriedade dos atos administrativos. Portanto, ausente qualquer vício de competência que pudesse macular de nulidade o Ato Declaratório Executivo em exame, deve ser afastada a preliminar arguida pela Recorrente. 3 DO MÉRITO 3.1 DA FORMA DE APURAÇÃO DA RECEITA BRUTA E DA ALEGADA AUSÊNCIA DE OMISSÃO Sustenta a Recorrente que não houve omissão de receitas, pois a totalidade da movimentação bancária registrada decorreu do repasse a terceiros no âmbito de sua atividade de intermediação administrativa de serviços de saúde, apresentando o seguinte organograma para fins de ilustração da operação: Fl. 568DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 11 Afirma que sua receita bruta corresponderia apenas ao percentual (em torno de 20%) retido sobre o valor pago pelos usuários, enquanto os montantes repassados aos prestadores não deveriam compor a base de cálculo para fins do Simples Nacional, invocando o disposto no §1º do art. 3º da LC nº 123/2006, na redação vigente à época: LEI COMPLEMENTAR nº 123/2006: Art. 3º (...) § 1º Considera-se receita bruta, para fins do disposto no caput deste artigo, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Todavia, não lhe assiste razão. Consoante delineado no Despacho Decisório e corroborado pelos documentos fiscais e contábeis coligidos aos autos, a empresa operava de modo que recebia integralmente os valores pagos pelos usuários dos serviços médicos, lançando tais ingressos bancários em contas Fl. 569DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 12 patrimoniais (“depósitos bancários à vista”), sem refletir tais entradas na conta de receitas operacionais, muito embora o §1º do art. 3º da LC nº 123/2006 seja claro ao incluir, na receita bruta, o resultado das operações em conta alheia. No caso concreto, não restou comprovada a alegação de que se trata de típica operação em conta alheia, através de documentos fiscais, contratos, recibos, tampouco demonstra os créditos efetuados em sua conta bancária que foram repassados aos profissionais, clínicas de saúde, limitando-se a alegar que repassava valores a terceiros sem distinguir juridicamente a titularidade dos recursos. Assim, não há o mínimo esforço probatório de modo a fundamentar o afastamento do conceito amplo de receita bruta delineado no art. 3º, §1º da Lei Complementar nº 123/2006, na forma realizada pela fiscalização. Nesse sentido, concordo com a Autoridade Julgadora de primeira instância, nos seguintes termos: “(...) 54. À sua Impugnação o Contribuinte não junta elementos probatórios para sustentar a natureza da receita que alega auferir, tais como: contratos, documentos fiscais, recibos; não identifica as fontes pagadoras dos seus rendimentos; não demonstra a operação a que se referem os créditos efetuados em suas contas bancárias pelos diversos cartões, p. ex.: Visa, Cielo, Redecard. 55. Não há, portanto, neste processo nº 10980.726270/2018-49, de exclusão do Simples Nacional, qualquer prova das alegações da IMPUGNANTE, e no processo apensado nº 10980.726997/2018-26, de lançamento dos tributos devidos, há tão somente documentos que comprovam que efetuou pagamentos por serviços que tomou a terceiros. 56. Nada consta nos autos, com relação às receitas auferidas, que possam estar relacionados ao que alega na IMPUGNAÇÃO de que “retinha o “seu percentual pelo serviço de administração/depósito de valores e depois, repassava o montante devido a quem de direito”. 57. Aliás, sequer demonstra ou comprova o percentual ou o valor que alega constituir sua receita. 58. Limita-se, portanto, a apresentar razões superficiais, e mantém sua defesa na dialética, fundado apenas em raciocínios lógicos, porém desprovidos de elementos de efetiva comprovação além de contrários às informações constantes nos documentos apresentados.” (grifamos) Fl. 570DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 13 Por tais razões, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. 3.2 DA ALEGADA INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/1996 E DA SÚMULA CARF Nº 2 Inicialmente, cumpre registrar que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, na qualidade de órgão administrativo integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, não possui competência para declarar a inconstitucionalidade de lei tributária federal, por força do princípio da presunção de constitucionalidade das normas editadas pelo Poder Legislativo, além do que tal atribuição é reservada ao Poder Judiciário, conforme preceitua o art. 97 da Constituição Federal. Esse entendimento encontra-se sumulado no âmbito deste Conselho, por meio da Súmula CARF nº 2, aprovada pelo Pleno em 2006, que assim dispõe: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Dessa forma, não cabe ao CARF afastar a aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 sob o fundamento de sua suposta inconstitucionalidade, devendo o controle difuso de constitucionalidade ser exercido exclusivamente pelo Poder Judiciário. No mais, cumpre destacar que a presunção estabelecida pelo referido dispositivo legal possui caráter relativo (juris tantum), admitindo expressamente a comprovação pelo contribuinte da origem dos recursos depositados, o que afasta a alegação de violação ao núcleo essencial do princípio da legalidade ou da capacidade contributiva. No presente caso, a Recorrente foi regularmente intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias e apresentou justificativas parciais, as quais foram apreciadas pela fiscalização, que promoveu ajustes e exclusões. Persistiram, entretanto, valores significativos cuja origem não restou comprovada, legitimando a exclusão do Simples Nacional , e o consequente lançamento de ofício. Portanto, nego provimento ao recurso voluntário neste ponto. Fl. 571DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 14 3.3 DAS DEMAIS ALEGAÇÕES De forma sucinta e genérica, a Recorrente procura infirmar, em seu recurso voluntário, todas as conclusões da autoridade fiscal, apresentando as seguintes objeções: “(...) De acordo com a autoridade fiscal, a autuação da contribuinte decorreu dos seguintes motivos, que encontram-se devidamente impugnados na sequência: (a) Movimentação financeira não contabilizada e não declarada como receita operacional de dezembro/2013 a dezembro/2015, considerada prática reiterada de infração (art. 29, inciso V e VIII, LC 123/2006): Não procede haja vista que toda a movimentação financeira da contribuinte foi devidamente escriturada, inclusive com a indicação dos valores pertencentes à terceiros, os quais foram devidamente escriturados nos documentos contábeis da empresa. (b) Falta da comunicação da exclusão obrigatória do Simples Nacional em razão do limite ultrapassado da receita bruta acumulada em setembro/2014 (art. 29, inciso I, LC 123/2006); A escrituração contábil da empresa reflete integralmente as suas receitas, de modo não foi ultrapassado o limite legal para permanência no Simples Nacional. (c) Embaraço à fiscalização pelo não fornecimento de informações sobre a movimentação financeira, negócio ou atividade de abril a novembro de 2013 (art. 29, inciso II, LC 123/2006); Em momento algum a Contribuinte ofereceu resistência à fiscalização, visto que todas as intimações para apresentação de documentos e/ou informações foram atendidas, não sendo possível a punição da Contribuinte pelo fato de a autoridade fiscal não concordar com os esclarecimentos prestados. (d) Pagamento de despesas e custos em valor superior à receita auferida em 2014 e 2015 (art. 29, inciso IX, LC 123/2006). Tal situação não reflete a escrituração fiscal da empresa, pois como já demonstrado nos autos, todos os valores computados como receita pela autoridade fiscal, em verdade refletem valores pertencentes a terceiros e devidamente escriturados desta forma. (e) Presença de sócio com participação (no capital e como administrador) em outra pessoa jurídica, observado o limite ultrapassado da receita acumulada global em setembro de 2014. Como já demonstrado em momento algum a limitação de receita bruta para permanência no Simples Nacional foi extrapolado.” Todavia, tais argumentos não resistem ao exame do conjunto probatório dos autos. Do que se extrai das alegações, a Recorrente limitou-se a formular alegações meramente retóricas, desprovidas de qualquer documentação ou prova concreta apta a infirmar Fl. 572DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 15 as conclusões da fiscalização. Não apresentou contratos, documentos fiscais que configurassem típica operação em conta alheia, registros contábeis específicos que demonstrassem segregação patrimonial ou mesmo demonstrativos consolidados que pudessem afastar a receita bruta apurada para fins da LC nº 123/2006. À luz dos elementos constantes nos autos, e em complemento ao disposto neste voto, adoto os fundamentos utilizados na decisão de primeira instância como razões de decidir, nos termos abaixo: “(...) 60. Outro fundamento da exclusão diz respeito ao descumprimento de obrigações acessórias. O Contribuinte teria deixado de apresentar a escrituração contábil ref. AC 2015, exigida nos termos do art. 26, §2º da LC 123/2006. 61. Sobre a falta de apresentação da escrituração contábil, a IMPUGNANTE afirma que “realizou a entrega dos Livros: Diário de 2013; Razão de 2015, bem como, o protocolo de registro dos livros Diários de 2014 e 2015, sanando eventual irregularidade.”. 62. Junto à Impugnação junta tela de consulta da opção pelo Simples Nacional extraída do site. 63. Nos autos constam: 4: 1. Primeiramente, a empresa requer a juntada aos autos dos seguintes documentos: Contrato Social e respectivas Alterações; cópia dos documentos de identificação da sócia Mirian Ribeiro da Fonseca e do contador responsável; instrumento de procuração; comprovante de endereço da sócia Mirian Ribeiro da Fonseca e do contador responsável e dos extratos bancários do período de 01/2013 a 12/2015. 2. Em relação ao item n° 5 da intimação, informa que a empresa não possui o contrato de locação do imóvel. 3. Por fim, informa que em relação aos itens 6, 7 necessitará da concessão de prazo de 30 (trinta) dias para a juntada, eis que não conseguiu encontrar o contador responsável na época e teve que contratar outro profissional para finalizar a contabilidade que estava inacabada, por conta de erros no recolhimento de exações a maior no ano de 2013/2014. Fl. 573DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 16 4. Em relação aos itens 9 e 10 da intimação, informa que no período de apuração, a empresa funcionava recebendo os valores atinentes a consultas médicas e outros procedimentos na área de saúde e repassando aos seus parceiros o respectivo percentual; atualmente encontra-se sem movimento. Não possui nenhuma relação comercial com a pessoa jurídica de Instituto de Incentivo a Medicina Preventiva — CNPJ n° 07.368.144/0001-44. Resposta a Intimação, em 26/10/2018, fls. 465 a 467: – Livro Diário - AC 2013 – fls. 465 a 467; – Bradesco 20260_6.xls, Tabela 2 – Bradesco 4577_2.xls; Tabela 3 – Itaú 32859_8.xls e Tabela 4 – UNIPRIME.xls, fl. 468. 64. O Livro Razão juntado às fls. 123 a 135 dos autos, contém apenas Balanço Patrimonial, Balancete, Demonstração do Resultado do Exercício e Plano de Contas 65. Compulsando os autos, encontra-se: Termo de Intimação 01, fl. 456, Termo de Intimação 02, fl. 461, Termo de Intimação 03, fl. 481; neles, a Autoridade Fiscal intima o Contribuinte a apresentar a escrituração. Nas respostas às Intimações, o Contribuinte requer prazo para apresentar as escriturações solicitadas, fls. 103/104, e apresenta recibo de entrega de ECD - Livro Diário do AC 2013, fls. 465/466; não consta o atendimento relativo ao AC 2015. Porquanto, não foram apresentados, satisfatoriamente, os documentos a que se refere a defesa. 66. Outrossim, o entendimento da Impugnante de que a não apresentação da escrituração contábil é “mero” descumprimento de obrigação acessória, não procede. Veja-se as disposições da Lei Complementar nº 123/2016: Art. 26. As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam obrigadas a: [...] § 2o As demais microempresas e as empresas de pequeno porte, além do disposto nos incisos I e II do caput deste artigo, deverão, ainda, manter o livro-caixa em que será escriturada sua movimentação financeira e bancária. Fl. 574DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 17 Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: [...] VIII - houver falta de escrituração do livro-caixa ou não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária; 67. Eis mais um motivo claro de exclusão do Simples Nacional o descumprimento da referida obrigação acessória. 68. Porém, os efeitos do ADE 79/2018, em tela, retroagem a 01/01/2013 e o Despacho Decisório, nesse item, se refere ao AC 2015. 69. Não há, pois, como pautar a exclusão em 01/01/2013 na falta de escrituração do livro- caixa do ano-calendário de 2015, não subsistindo este fundamento na sustentação do Ato Declaratório em tela. 70. Adicionalmente, de acordo com o art. 3º, inciso II, §§9º e 9ºA, da Lei nº 123/2006, o limite ultrapassado da receita bruta acumulada, quando superior a 20%, submete a empresa à exclusão a partir do mês subsequente ao excesso: Art. 3º Para os efeitos desta Lei Complementar, consideram-se microempresas ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade simples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no Registro Civil de Pessoas Jurídicas, conforme o caso, desde que:[...] II - no caso da empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior a R$ 3.600.000,00 (três milhões e seiscentos mil reais). [...] § 9º A empresa de pequeno porte que, no ano-calendário, exceder o limite de receita bruta anual previsto no inciso II do caput deste artigo fica excluída, no mês subsequente à ocorrência do excesso, do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12, para todos os efeitos legais, ressalvado o disposto nos §§ 9º-A, 10 e 12. § 9º-A. Os efeitos da exclusão prevista no § 9º dar-se-ão no ano-calendário subsequente se o excesso verificado em relação à receita bruta não for superior a 20% (vinte por cento) do limite referido no inciso II do caput. 71. Nessa toada, apenas considerada a receita da IMPUGNANTE, em maio/2013 o valor auferido foi de R$ 5.224.676,88; consequentemente, é hialino que a IMPUGNANTE, Fl. 575DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 18 isoladamente considerada, ultrapassou em mais de 20% o limite para permanência no regime do Simples Nacional em maio/2013, implicando sua exclusão a partir de junho/2013: 72. Abre-se um parêntese para tratar da existência, ou não, de um grupo econômico entre a Impugnante, a MEDPREV e o Instituto. No caso, as razões da Fiscalização e do Contribuinte relacionadas a esta questão não têm pertinência ao caso, porquanto é a presença de sócios em comum na MEDPREV e na MPREVE que implica verificar o limite global de permanência no regime simplificado somando as receitas das duas empresas. 73. As circunstâncias que impuseram a exclusão da IMPUGNANTE do regime favorecido do Simples Nacional são objetivas: titulares/sócios com participação superior a 10% de outra empresa, ainda que não optante, e a receita bruta global superior ao limite de que trata o inciso II do caput do art. 3º da LC nº 123/2006 (R$ 3.600.000,00).” Embora esta relatoria concorde expressamente com os fundamentos trazidos pela DRJ acima reproduzidos, penso que a manutenção do impedimento a opção pelo regime pelos próximos 10 anos, na forma do § 2º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 é medida desproporcional, eis que os fatos colhidos dos autos não atendem aos pressupostos para a sua aplicação. O dispositivo legal mencionado prescreve: Art. 29. A exclusão de ofício das empresas optantes pelo Simples Nacional dar-se-á quando: (...) § 1º Nas hipóteses previstas nos incisos II a XII do caput deste artigo, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que incorridas, impedindo a opção pelo regime diferenciado e favorecido desta Lei Complementar pelos próximos 3 (três) anos-calendário seguintes. § 2º O prazo de que trata o § 1o deste artigo será elevado para 10 (dez) anos caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo apurável segundo o regime especial previsto nesta Lei Complementar. Fl. 576DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 19 [...] § 9º Considera-se prática reiterada, para fins do disposto nos incisos V, XI e XII do caput: [...] II - a segunda ocorrência de idênticas infrações, caso seja constatada a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. O dispositivo estabelece penalidade severa, de natureza excepcional, cuja aplicação demanda comprovação dos pressupostos legais: i) existência de conduta dolosa do contribuinte, ii) emprego de meios fraudulentos e iii) indução ou manutenção da fiscalização em erro, com o fim específico de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo. Nos termos do Acórdão nº 1201-004.700, esse dispositivo deve ser interpretado restritivamente, exigindo-se comprovação inequívoca de uma conduta qualificada do sujeito passivo. Confira-se: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Data do fato gerador: 01/07/2007 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. EFEITOS. OMISSÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NA ESCRITA CONTÁBIL. MEIO FRAUDULENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Nos termos do §1º do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006, regra geral, caso o contribuinte seja excluído do Simples Nacional em razão das hipóteses previstas nos respectivos incisos II a XII fica impedido de optar pelo regime simplificado pelo prazo de três anos. Entretanto, se dentre essas mesmas hipóteses, ficar constatada “a utilização de artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento que induza ou mantenha a fiscalização em erro, com o fim de suprimir ou reduzir o pagamento de tributo”, o impedimento é de dez anos. Omissão de movimentação financeira da escrituração contábil não se caracteriza como artifício fraudulento com vistas a induzir a fiscalização em erro, mas sim hipótese de presunção de omissão de receita sujeita a lançamento de ofício nos termos da legislação de regência. Para fins de caracterização de artifício fraudulento exige-se uma conduta qualificada por evidente intuito de fraude do sujeito passivo, tais como, documentos inidôneos, informações falsas, interposição de pessoas, declarações falsas, dentre outras hipóteses. (...) VOTO (...) 17. Como se vê, a conduta qualificada pela fiscalização como “artifícios fraudulentos, de induzir a fiscalização em erro com o fim de reduzir tributos” resume-se a omitir na escrituração contábil movimentação financeira de algumas instituições financeiras. 18. A meu ver, a omissão de movimentação financeira da escrituração contábil não se caracteriza como artifício fraudulento com vistas a induzir a fiscalização em erro, mas sim possível hipótese de presunção de omissão de receita sujeita a lançamento de ofício nos termos da legislação de regência. Para fins de caracterização de artifício fraudulento Fl. 577DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 20 exige-se uma conduta qualificada por evidente intuito de fraude do sujeito passivo, tais como, documentos inidôneos, informações falsas, interposição de pessoas, declarações falsas, dentre outras hipóteses. 19. Nesses termos afasto o impedimento à opção pelo regime simplificado pelo prazo de dez anos previsto no §2º do art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 2006. 20. Por conseguinte, deve prevalecer a exclusão do Simples Federal com efeito retroativo a 01/01/2007 e, do Simples Nacional, com efeito retroativo a 01/07/2010 (...).” (Acórdão nº 1201-004.700, Rel. Cons. Efigênio de Freitas Júnior, Sessão de Julgamento 10/02/2018) No presente caso, a conduta qualificada pela Fiscalização como artifícios ardil ou qualquer outro meio fraudulento para fundamentar o impedimento previsto no § 2º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006 foi a seguinte: “(...) E para finalizar, S.M.J, constatamos que desde de janeiro de 2013, a empresa cometeu prática reiteirada de atitude ARDILOSA de declarar em diversos meses receitas de prestação de serviços bem inferior do real recebimento depositado em conta-corrente, conforme podemos observar no item 3.2 Irregularidade nº 2 referente ao Indício nº 2 – Movimentação Financeira não Escriturada como Receita Operacional, deste despacho. A empresa ao se justificar que realizava sua retirada percentual do valor total pago e o restante era pago os seus fornecedores de serviços médicos, cometeu erro em declarar parte de suas receitas. Além disso, foram constatadas receitas de fundo de publicidade cujos os pagamentos foram depositados na cooperativa de Crédito Uniprime, c/c 817481, que em nada tem a ver com repasses a prestadores de serviços e que também não foram levados a tributação (ver depositos no Uniprime – que por si só já são bem superiores aos valores declarados em PGDAS). Conforme informado anteriormente, o §1º do art. 3º da Lei Complementar é bem claro quanto a definição de receita bruta de prestação de serviços. Assim como ter omitido receitas nos meses de janeiro de 2013 a dezembro de 2013, se submete, agora, na hipótese de exclusão prevista no art. 29, inciso V da LC 123/2006, considerando a definição de prática reiterada prevista no inciso II, § 9º do art. 29, EMPREGO DE MEIO FRAUDULENTO QUE INDUZIU E MANTEVE A FISCALIZAÇÃO EM ERRO COM O FIM DE REDUZIR O PAGAMENTO DE TRIBUTO, uma vez que se não fosse realizada auditoria na empresa para constatação de supostas irregularidades, ficaria como verdadeiras as informações prestadas ao Fisco através da declarações entregues pelo SIMPLES Nacional e homologadas tacitamente depois de 5 anos. (grifamos) Tal como no caso do Acórdão nº 1201-004.700, a Autoridade Fiscal entendeu que a omissão de receitas se enquadraria como emprego de meio fraudulento apto a atrair a incidência do §2º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006, com o que não se pode concordar. A expressão legal “artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento” alude a mecanismos Fl. 578DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 21 intencionalmente estruturados para iludir o Fisco, como emissão de notas fiscais frias ou simuladas; uso de interpostas pessoas (laranjas); manipulação dolosa da escrituração contábil; duplicidade de cadastros; dissimulação de fatos com aparência de legalidade. Ou seja, trata-se de atos efetivamente voltados à ocultação da realidade com intuito doloso. No caso concreto, não restou comprovada nos autos a prática de conduta fraudulenta com dolo específico de induzir a fiscalização em erro. Embora tenham sido constatadas omissões de receita, inconsistências contábeis, não se demonstrou o emprego de instrumentos ardilosos aptos a ocultar a ocorrência do fato gerador. O simples fato de as empresas do grupo compartilharem sócios, e apresentarem pagamentos cruzados, não caracteriza por si só o uso de ardil, máxime porque a própria legislação (art. 3º, §4º, III, da LC nº 123/2006) impõe vedação à permanência no regime simplificado quando a receita global for ultrapassada — independentemente de prova de fraude ou simulação. Ademais, é importante destacar que, conforme se depreende da manifestação de inconformidade e do recurso voluntário, a Recorrente procurou justificar a origem dos valores recebidos e a ausência de dolo, ainda que suas alegações não tenham sido acompanhadas de documentos comprobatórios suficientes. Essa postura, embora frágil do ponto de vista probatório, não revela clara intenção de enganar a fiscalização mediante fraude estruturada. O ônus de comprovar a hipótese de incidência do § 2º do art. 29 da LC nº 123/2006 recai sobre a Administração Tributária, não sendo possível aplicá-lo com base em presunções amplas ou analogias. Por outro lado, a sanção administrativa de exclusão do Simples Nacional com impedimento por 10 anos deve observar estritamente os princípios da legalidade e da proporcionalidade, sob pena de configurar excesso punitivo. Diante do exposto, afasta-se a aplicação do § 2º do art. 29 da LC nº 123/2006, reformando-se o Ato Declaratório Executivo apenas no ponto em que impôs à Recorrente a vedação de nova opção pelo Simples Nacional pelo prazo de 10 (dez) anos, devendo prevalecer o prazo de 3 (três) anos, nos termos do § 1º do mesmo artigo. | CONCLUSÃO Fl. 579DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1301-007.889 – 1ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10980.726270/2018-49 22 Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para cancelar o impedimento à opção pelo Simples Nacional pelo prazo de dez anos, mantendo-se o impedimento pelo prazo de três anos, nos termos do § 1º do art. 29 da Lei Complementar nº 123/2006. Assinado Digitalmente Eduarda Lacerda Kanieski Fl. 580DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto 1 EXAME DE ADMISSIBILIDADE 2 DAS PRELIMINARES 2.1 Da Alegada Nulidade Por Incompetência Da Autoridade Fiscal Subscritora do Ato Declaratório De Exclusão Do Simples Nacional 3 DO MÉRITO 3.1 Da Forma De Apuração Da Receita Bruta E Da Alegada Ausência De Omissão 3.2 Da Alegada Inconstitucionalidade Do Art. 42 Da Lei Nº 9.430/1996 E Da Súmula Carf Nº 2 3.3 Das Demais Alegações
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720395/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2025
Data da publicação: Mon Nov 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.
São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF as despesas médicas previstas na legislação, realizadas em favor do contribuinte e/ou seus dependentes declarados na Declaração de Ajuste Anual – DAA, devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. Havendo dúvidas sobre a documentação apresentada, compete ao sujeito passivo realizar a comprovação do efetivo pagamento.
REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, e não tendo o sujeito passivo, real detentor da documentação pertinente, apresentado a prova no momento oportuno, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência.
Numero da decisão: 2301-011.820
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Carlos Eduardo Ávila Cabral – Relator
Assinado Digitalmente
Diogo Cristian Denny – Presidente
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Eduardo Ávila Cabral, Diogenes de Sousa Ferreira, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: CARLOS EDUARDO AVILA CABRAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF as despesas médicas previstas na legislação, realizadas em favor do contribuinte e/ou seus dependentes declarados na Declaração de Ajuste Anual – DAA, devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. Havendo dúvidas sobre a documentação apresentada, compete ao sujeito passivo realizar a comprovação do efetivo pagamento. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, e não tendo o sujeito passivo, real detentor da documentação pertinente, apresentado a prova no momento oportuno, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência.
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DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis da base de cálculo do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF as despesas médicas previstas na legislação, realizadas em favor do contribuinte e/ou seus dependentes declarados na Declaração de Ajuste Anual – DAA, devidamente comprovadas por documentação hábil e idônea. Havendo dúvidas sobre a documentação apresentada, compete ao sujeito passivo realizar a comprovação do efetivo pagamento. REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, e não tendo o sujeito passivo, real detentor da documentação pertinente, apresentado a prova no momento oportuno, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Carlos Eduardo Ávila Cabral – Relator Assinado Digitalmente Fl. 129DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.820 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720395/2012-31 2 Diogo Cristian Denny – Presidente Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Eduardo Ávila Cabral, Diogenes de Sousa Ferreira, Flavia Lilian Selmer Dias, Marcelle Rezende Cota, Monica Renata Mello Ferreira Stoll, Diogo Cristian Denny (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo trechos do relatório da decisão ora recorrida: Contra o contribuinte acima qualificado, foi lavrada, em 09/01/2012, a Notificação de Lançamento de fls. 28/34, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2010 (ano-calendário 2009), por intermédio da qual lhe é exigido crédito tributário nº montante de R$ 17.859,80. Conforme Demonstrativo da Infração às fls. 29/31, foram glosados: R$ 6.311,56 deduzidos como Previdência Privada e FAPI, pagos à CAIXA DE PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR DO BANCO DA AMAZÔNIA, CNPJ: 04.789.749/0001-10, por falta de comprovação Paralelamente foram glosados R$ 26.836,4, declarados como despesas médicas, pagas a HOSPITAL SÃO JOAQUIM BENEFICÊNCIA PORTUGUESA, CNPJ: 61.599.908/0001-58, no valor de R$ 20.000,00 e PLANO DE SAÚDE CASF – BASA, CNPJ: 04.204.285/0001-33, na quantia de R$ 6.836,34. A DRJ, ao apreciar a impugnação ofertada pelo sujeito passivo, decidiu por julgar parcialmente. Eis a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 2009 CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há que se cogitar de cancelamento do lançamento efetuado por autoridade competente, com a observância dos requisitos exigidos na legislação em regência, se verificada a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária. GLOSA. PREVIDÊNCIA PRIVADA/FAPI. Mantém-se a glosa da dedução declarada à Aposentadoria Programada Individual (FAPI), uma vez que o contribuinte não apresenta provas para ilidi-la. GLOSA. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, Fl. 130DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.820 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720395/2012-31 3 terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). Aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas nº País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza Foram restabelecidas as deduções cujos pagamentos foram comprovados, sendo os beneficiários, o contribuinte e sua dependente. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. PEDIDO DE PERÍCIA. Considera-se não formulado o pedido de perícia que deixar de atender aos requisitos previstos na legislação. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Na decisão consta a conclusão abaixo: - Fica mantida integralmente a glosa da despesa médica de R$ 20.000,00 declarado para HOSPITAL SÃO JOAQUIM BENEFICÊNCIA PORTUGUESA, CNPJ: 61.599.908/0001-58, por falta de comprovação - Restabelece-se, parcialmente a despesa médica do Plano de Saúde – CASF – BASA CNPJ: 04.204.285/0001-33, considerando-se como valor total pago, o montante de R$ 10.679,26, sendo que desse valor, R$ 6.311,56 já foram considerados nº lançamento, o que implica no restabelecimento parcial da dedução de R$ 4.367,60. Mantém-se a glosa de R$ 2.468,64. Total da glosa mantida para despesas médicas: R$ 22.468,64. Cientificado da decisão de primeira instância o sujeito passivo interpôs, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que deve o feito ser convertido em diligência para intimação da Caixa de Assistência aos Funcionários do Banco da Amazônia para que apresente os recibos médicos em seu poder, com fundamento no princípio da verdade material. Apresenta nova petição informando o endereço da Caixa de Assistência aos Funcionários do Banco da Amazônia para fins de intimação. É o relatório. Fl. 131DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2301-011.820 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19515.720395/2012-31 4 VOTO Conselheiro CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL, Relator ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Portanto, dele tomo conhecimento. Considerando o teor da decisão recorrida e os argumentos apresentados no recurso, a lide restringe-se a um pedido de diligência no sentido de intimar a Caixa de Assistência aos Funcionários do Banco da Amazônia para que apresente os recibos médicos em seu poder Considerando que os autos cuidam de lançamento decorrente de glosa de despesas médicas e que, pela natureza dos serviços prestados, é o contribuinte quem deveria deter a documentação comprobatória das despesas médicas declaradas, tanto isso é verdade que parte da documentação foi apresentada com a impugnação, a diligência requestada não se mostra pertinente. Suficiente ver que o art. 16, combinado com o art. 17, ambos do Decreto nº 70.235/72, definem o momento de apresentação da prova, que compete ao contribuinte fazer prova das suas alegações e que não o fazendo no momento oportuno há a preclusão. Assim, entendo que a diligência pleiteada não deve ser acolhida. Registre-se que quanto à matéria de fundo, despesas médicas glosadas, o recorrente não faz qualquer alegação direta que confronte a decisão recorrida, a exemplo de afirmar que a despesa esta comprovada ou que a documentação anteriormente é válida. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento. Assinado Digitalmente CARLOS EDUARDO ÁVILA CABRAL Fl. 132DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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