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Numero do processo: 18220.720094/2021-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2016
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.683
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2016 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.683 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720094/2021-41 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve parte do auto de infração. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.683 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720094/2021-41 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.683 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720094/2021-41 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.683 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720094/2021-41 5 Fl. 247DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
score : 1.0
Numero do processo: 13646.000104/2003-21
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. DECOMP. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM BASE EM CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL. Para que o contribuinte possa se compensar de créditos tributários adquiridos mediante cessão de crédito tributário de terceiros, resultante de decisão judicial transitada em julgado, deve provar os exatos contornos da cessão dos créditos, sua homologação pelo juiz da causa, a liquidez dos valores resultantes daquela decisão e o atendimento ao preceito do § 2º, do art. 37 da IN SRF 210/2002.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-01.086
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Ruy Vicente de Paulo.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO
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Ministério da Fazenda Fl.vp .t.t..: It Segundo Conselho de Contribuintes Ibuintos : t i);M??.f..?t,.> ~to 0. C°..rafnibono..._ - IhAF,segundo---cair: 22a_ Processo n* : 13646.000104/2003-21 defi I dl, -• Recurso ne : 125.793 Acórdão n2 : 204-01.086 , Recorrente : CERÂMICA ZEMA LTDA. Recorrida : DRJ em Juiz de Fora — MG. NORMAS PROCESSUAIS. DECOMP. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM BASE EM CRÉDITOS " ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL. Para que o MotNN. FOERAEFCAZOMENDOA ( -)R12; CC \ contribuinte possa se compensar de créditos tributários BRASLIA ... 1+, _QL.] NA -----a-11(6.---- _ adquiridos mediante cessão de crédito tributário de terceiros, resultante de decisão judicial transitada em julgado, deve provar os exatos contornos da cessão dos créditos, sua \ homologação pelo juiz da causa, a liquidez dos valores __________ resultantes daquela decisão e o atendimento ao preceito do § 2°, do art. 37 da IN SRF 210/2002. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por CERÂMICA ZEMA LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Recorrente o Dr. Ruy Vicente de Paulo. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. x-s. if_4,.., enrrquhinheiro .Tacs 7,' Presidente odrigo Bemardes d arvalho Relator - Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. 1 CC-MF -;/, Ministério da Fazenda '12 Fl. irfr:; Segundo Conselho de Contribuintes MIN. DA FAZENDA - 2 9 CC CONFERE COM O 0RIGNAL Processo n2 : 13646.000104/2003-21 ERASLIA Recurso n2 : 125.793 Acórdão n2 : 204-01.086 v ." 6 Recorrente : CERÂMICA ZEMA LTDA. RELATÓRIO Com vistas a uma apresentação abrangente e sistemática deste feito sirvo-me do relatório contido na decisão recorrida: Às jls. 01/02 consta Declaração de Compensação (DCOMP) de débitos de COFINS e de PIS com créditos decorrentes de decisão judicial, particularmente créditos-prêmio de IPI oriundos de "Contrato de Cessão de Créditos Tributários", de natureza particular, defendidos por ela como cessionário e titular deles. No Despacho Decisório de fls. 09/11 proferido pela DRF/UBB/MG não foi reconhecido o direito creditório pleiteado e, via de conseqüência, não foi homologada a compensação efetuada, ao argumento de que não restou comprovada a titularidade da contribuinte em relação aos créditos objeto daquela DCOMP. Às fls. 13/22, manifestação de inconformidade, que pode ser assim traduzido, em síntese: - a recorrente possui um crédito adquirido mediante o referido contrato, proveniente de sentença prolatada na Ação Ordinária n° 89.013622-4, transitada em julgado em 04/06/96, que determinou, além do ressarcimento de crédito-prêmio do IPI de que trata o Decreto-lei n° 491/69, o direito à dedução do IN sobre as operações de mercado interno, bem como, no caso de excedente, à compensação dos créditos- prêmio do IPI com outros tributos federais; - está infundada e sem embasamento legal a alegação contida naquele decisório de que a contribuinte teria sido intimada a apresentar cópia autenticada da decisão que deferiu a substituição processual. Nesse sentido, fazendo alusão ao despacho da Procuradoria da Fazenda Nacional/RS acostado aos autos, é advogado que a própria União manifestou-se pela não oposição àquela cessão; - embora no despacho decisório seja admitida a existência do crédito tributário judicial e a validade da cessão de direitos a transferi-lo para a posse da inconformada, a oposição ali contida seria no sentido da obrigatoriedade da assunção do pólo ativo da ação geradora dos referidos créditos, em substituição processual ao cedente. Partindo da premissa de que houve a cessão daqueles créditos, baseia-se a defendente em posicionamentos jurisprudenciais e doutrinários para concluir pelo seu direito líquido e certo de efetuar a compensação em comento. É o relatório. A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz em Fora - MG que manteve o indeferimento do pedido, fê-lo por meio do Acórdão DRJ/JFA n° 5387, de 09 de dezembro de 2003: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendário: 2002 Ementa: DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO — Além da não comprovação da titularidade do direito creditório declarado em favor de terceiros em decisão judicial transitada em julgado, o que de pronto enseja o não reconhecimento daqueledireito, não há que se homologar a compensação pleiteada em DCOMP, vez que o seu objeto — créditos relativos ao extinto "crédito-prêmio" instituído pelo artigo 1°, do Decreto-lei NI/ 2 e 1 29 CC-MF Ministério da Fazenda RIM. DA FAZENDA - 29 CO Segundo Conselho de Contribuintes 7-Cçr Jr. r--‘ • CONFERE COM O ORIGINAL Processo n* : 13646.000104/2003-21 BRASILIA Recurso : 125.793 Acórdão : 204-01.086 vis n° 491/1969 - não se enquadra na hipótese de compensação prevista na legislação tributdria. Solicitação Indeferida Irresignada com a decisão retro, a contribuinte lançou mão do presente recurso voluntário, oportunidade em que reiterou os argumentos expendidos por ocasião de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. ir doi) 21 CC-MFMinistério da Fazenda rs- Fl. tr,"...at Segundo Conselho de Contribuintes MIN. 04 FA7.EMOA - 29 CC -;r1:471> CONFERE COM O ORIGINAL, Processo ri2 : 13646.000104/2003-21 8RASILIA L4J fi r_j426 Recurso n' : 125.793 Acórdão n't : 204-01.086 VOTO CONSELHEIRO-RELATOR RODRIGO BERNARDES DE CARVALHO O recurso é tempestivo e revestido das demais formalidades legais, pelo que dele tomo conhecimento. Inicialmente, vale mencionar que a hipótese dos autos já foi analisada por esta Câmara, no Recurso Voluntário n° 126.031. Nesta oportunidade, peço máxima vênia para adotar e transcrever o voto do Ilustre Conselheiro-Relator Jorge Freire, que foi acompanhado à unanimidade e vazado nos seguintes termos: Emerge do relatado que a recorrente alega ser possuidora de direito ao crédito-prêmio em função de decisão judicial transitada em julgado, tendo em vista contrato de cessão de direito firmado entre si e a cessionário, a qual foi beneficiada com a referida decisão judiciaL No que pertine à alegação de que houve reformatio in pejus pela r. decisão por não ter se atido à matéria impugnada, desarrazoado o argumento. Primeiro, porque não houve decisão mais gravoso ao administrado, eis que o despacho decisório do órgão local foi mantido pela decisão ora objurgado, ou seja, não houve a alegado reformatio in pejus. Segundo, porque o ordenamento jurídico não a protbe, como nos ensina o mestre Hely Lopes Meirelles na sua obra Direito Administrativo Brasileiro (Malheiros, 22a. ed p. 852): Em qualquer modalidade de recurso a autoridade ou o tribunal administrativo tem ampla liberdade de revisão do ato recorrido, podendo modificá-lo ou invalidá-lo por motivo de legalidade, conveniência, oportunidade ou, mesmo, por razões de ordem técnica que comprometam a eficiência do serviço público ou a utilidade do negócio em exame, sendo admissivel até a reformatio in pejus, em discordância com o pedido da recorrente. Em outro giro, quando se assevera que os recursos administrativos têm efeito devolutivo, como é o caso do rito do Decreto n° 70.235/72, o que se está a dizer, o que tenho por cediço para quem opera o Direito, é que é devolvido à instância ad quem a matéria impugnada em sua totalidade. Desta forma, o que foi devolvido à DR.!, mormente tratando-se de processo administrativo que tem por escopo o controle da legalidade do ato administrativo ou o pleito do administrado, é o cabimento ou não de seu pedido de compensação de créditos tributários de terceiros adquiridos mediante cessão de crédito. Sobre o ponto nos ensina Barbosa Moreira, ao tratar dos efeitos da interposição recursal : No que concerne à profundidade (CPC, art. 515, ffV e 2°), o efeito devolutivo da apelação compreende todas as questões relacionadas com os fundamentos do pedido e da defesa. (sublinhei) E o que a DRJ fez, sem ferir qualquer direito do administrado, foi manter a decisão que denegou sua demanda sob mesmo fundamento, porém acrescendo outro, ao fazer menção a IN SRF 21012002. Ao recorrer desta decisão, a defendente teve oportunidade de se opor a tal motivação, dessa forma não lhe causando qualquer prejuízo. O que se devolve é o exame do pedido, e não as razões de decidir. Por tal, há de ser repelida a preliminar de nulidade da r. decisão. Contudo, se há uma decisão judicial em concreto que determina o aproveitamento do crédito-prémio do II'!, na forma do Decreto-Lei n° 491/69, para deduzir do valor do _mo 4 • 2* CC-MFMinistério da Fazenda MIN. DA FAZENDA - 29 CC 'ia- • ----- % Fl.trj"....;‘r Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE CO O ORIGINAL BRASILIA..19 ..°IT, co. Processo ri* : 13646.000104/2003-21 Recurso n9 : 125.793 .. vir I Acórdão n* : 204-01.086 IPI incidente no mercado interno e, havendo excedente, a compensação com outros tributos federais esta decisão, uma vez transitada em julgado, impõe seu cumprimento ao órgão administrativo, pouco importando se há ato administrativo emanado de superior hierárquico. Mas, para tanto, o direito da requerente há de restar exaustivamente comprovado. E a meu juízo, aqui esbarra a questão, pois dos elementos constantes dos autos e da própria discussão nele travada, não foram suficientes para que eu formasse minha convicção no sentido de que existe o direito da recorrente. A princípio, a recorrente quis fazer crer à Administração que haveria transferência da titularidade do crédito em questão para si, quando o despacho decisório do titular do processo judicial deu-se após a ciência da despacho denegatório do órgão local, quando já havia feito a compensação. E lendo a peça judicial (fl. 198) que presumivelmente teria permitido a troca no pólo ativo da relação processual, sem saber seu exato contexto, nota-se que a suposta cedente, a empresa Bolsas Crislli lida, foi excluída do pólo ativo "incluindo todas as cessionárias noticiadas nas fis. 74300431", o que me leva a crer que houve cessão de crédito não só a recorrente. Só por isso, o pedido torna-se ilíquido. E, por seu turno, pelos próprios termos do despacho mencionado, constata-se que o processo judicial referido revestiu-se de "grande tumulto..., especialmente em razão do grande número de exeqüentes e as sucessivas cessões de créditos", conforme palavras do juiz da causa. Demais disso, com base no referido despacho, datado de 30 de outubro de 2003, conclui-se que o processo encontra-se em fase de execução. E se está em fase de execução, deveria o contribuinte atender aos termos do § 2° do artigo 37 da IN SRF 21012002, que estabelece como requisito extrínseco à execução administrativa de decisão judicial que o "requerente comprove a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios." Nada obstante, os termos do acórdão do 7RFI com cópia às fls. 189/191, de 08.08.2002, embora inter alias, restou consignado o seguinte: Assim, de posse de título judicial, caberia aos apelantes buscar a compensação de seus créditos perante à Secretaria da Receita Federal Somente em caso de negativa do Fisco, seria lícito aos contribuintes recorrer ao Judiciário, por meio de ação mandamental De qualquer modo, a repetição dos valores em espécie, como requerem os apelantes, dependeria de ajuizamento de ação autônoma, passando obrigatoriamente pela via cognitiva. Em síntese, para mim não há nenhuma certeza da existência do crédito, e, tampouco, dos temos da cessão dos créditos e nem se a requerente, que já efetivou a compensação, desistiu da execução judicial, caso existente. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. • Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. occ.A.0{-2-4—c- R RIGO BERNAIL DE CARVALHO 4' 5 Page 1 _0073000.PDF Page 1 _0073100.PDF Page 1 _0073200.PDF Page 1 _0073300.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.735060/2017-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 104DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.591 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735060/2017-77 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve parte do auto de infração. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 105DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.591 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735060/2017-77 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 106DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.591 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735060/2017-77 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 107DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.591 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735060/2017-77 5 Fl. 108DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
score : 1.0
Numero do processo: 13646.000020/2003-98
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Feb 21 00:00:00 UTC 2006
Ementa: DECOMP. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM BASE EM CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO JUDICIAL. Para que o contribuinte possa se compensar de créditos tributários adquiridos mediante cessão de crédito tributário de terceiros, resultante de decisão judicial transitada em julgado, deve provar os exatos contornos da cessão dos créditos, sua homologação pelo juiz da causa e a liquidez dos valores resultantes daquela decisão.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-01.053
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Ruy Vicente de Paulo.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JORGE FREIRE
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Recorrida : DRJ em Juiz de Fora – MG. DECOMP. COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM -- BASE EM CRÉDITOS ORIUNDOS DE DECISÃO - 2" DA F 1: JUDICIAL. Para que o contribuinte possa se compensar deiv n. :2 : . ro.", CC .–.--. 1 créditos tributários adquiridos mediante cessão de crédito CONFEREkiM O RIG:NAl 1 tributário de terceiros, resultante de decisão judicial transitada BRASILIA °LM i • 40_ em julgado, deve provar os exatos contornos da cessão dos ----~- "e• is •_a.a. créditos, sua homologação pelo juiz da causa e a liquidez dos -- VISTO valores resultantes daquela decisão. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por ZEMA . EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS E CONSTRUÇÃO LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Fez sustentação oral pela Recorrente, o Dr. Ruy Vicente de Paulo. Sala das Sessões, em 21 de fevereiro de 2006. f on. r2,-..t. e•-•-% ••••••P ""r"...:, enrique Pinheiro Torres 1/44C\Presi Jorge eire Relator - ' Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Flávio de Sá Munhoz, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. 1 4 tent DA FAZENOA - c: CC-MFMinistério da Fazenda • t- Segundo Conselho de Contribuintes CONFERE )1CiPil O riG n Nfr H.1 BRASIL/A À...1 • 04, Processo n2 : 13646.000020/2003-98 i9 Recurso n2 : 126.058 VISTO Acórdão n2 : 204-01.053 Recorrente : ZEMA ASSISTÊNCIA TÉCNICA LTDA. RELATÓRIO Trata-se de pedido de homologação de compensação de débitos de PIS e Cofias (fls. 01 e 09) com crédito oriundo de crédito-prêmio relativo ao período de 10/1984 a 09/1989 (fl. 02). A peticionante -alega ter adquirido, mediante contrato de cessão de créditos da empresa Crislli Calçados e Bolsas Ltda. os créditos a que teve direito o cedente com base em decisão judicial na Ação Ordinária n° 89.0013622-4 com trâmite na P. Vara da Justiça Federal em Porto Alegre - RS, que teve reconhecido, em decisão judicial transitada em julgado, seu direito ao aproveitamento do crédito-prêmio do IPL na forma do Decreto-Lei n° 491/69, para deduzir do valor do IPI incidente no mercado interno e, havendo excedente, a compensação com outros tributos federais. O órgão local não homologou as compensações (fls. 10/12) ao fundamento de que não restara comprovada a substituição processual, decisão esta que foi mantida pela DRJ em Juiz de Fora — MG sob mesmo fundamento e, adicionalmente, por entender que "o crédito relativo ao extinto crédito-prêmio" não se enquadra na hipótese de compensação prevista na legislação tributária, conforme art. 42 do IN SRF 210/2002. A r. decisão faz menção às peças processuais que se encontram no Processo n° 13.646.000304/2002-01 (fl. 29 destes autos), que interessam ao caso vertente. A empresa, irresignada com a r. decisão, recorre a este Colegiado, onde, em síntese, argúi que a decisão a quo é nula, eis ter incorrido em reformatio in pejus por ter decidido acerca de matéria não devolvida a seu conhecimento, vez que a impugnação referia-se ao único fundamento do despacho decisório do órgão local, qual seja, a questão da substituição processual. Assim, a DRJ, ao motivar seu julgado na impossibilidade de haver compensação com valores decorrente de crédito-prêmio, teria ferido o brocardo troam devolutum quantum apelatum, como também o devido processo legal. No mérito, tece considerações sobre a possibilidade e legalidade da cessão de créditos tributários, e aduz que em 30/10/2003 houve despacho do juízo da P. Vara Federal da Circunscrição de Porto Alegre deferindo a substituição processual, o que atenderia a exigência anterior. Demais disso, alega que a IN SRF 210/2002 não se aplicaria, uma vez que "o início da cessão de crédito deu-se antes de sua •edição", e que a mesma não tem o condão de afastar o determinado em sentença com trânsito em julgado que preconizou "o direito de compensação de créditos", pelo que, entende, deve ser deferida a compensação. É o relatório. H 2 MIN.. DA FAZENDA - 2° CC 2° CC-MFMinistério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes n. BRASiltod---1 Processo ri' : 13646.000020/2003-98 Recurso n2 : 126.058 VISTO Acórdão : 204-01.053 VOTO CONSELHEIRO-RELATOR JORGE FREIRE Emerge do relatado que a recorrente alega ser possuidora de direito ao crédito- prêmio em função de decisão judicial transitada em julgado, tendo em vista contrato de cessão de direito firmado entre si e a cessionária, a qual foi a parte beneficiada com a referida decisão judicial. No que pertine à alegação de que houve reformado in pejus pelos temos da r. decisão por não ter se atido à matéria impugnada, desarrazoado o argumento. Primeiro, porque não houve decisão mais gravosa ao administrado, eis que o despacho decisório do órgão local foi mantido pela decisão ora objurgada, ou seja, não houve a alegada reformado in pejus. Segundo, porque o ordenamento jurídico não a proíbe, como nos ensina o mestre Hely Lopes Meirelles na sua obra Direito Administrativo Brasileiro (Malheiros, 22'. ed, p. 852): Em qualquer modalidade de recurso a autoridade ou o tribunal administrativo tem ampla liberdade de revisão do ato recorrido, podendo modificá-lo ou invalidá-lo por motivo de legalidade, conveniência, oportunidade ou, mesmo, por razões de ordem técnica que comprometam a eficiência do serviço público ou a utilidade do negócio em exame, sendo admissivel até a refonnatio in pejus, em discordância com o pedido da recorrente. Em outro giro, quando se assevera que os recursos administrativos têm efeito devolutivo, como é o caso do rito do Decreto n° 70.235/72, o que se está a dizer, o que tenho por cediço para quem opera o Direito, é que é devolvido à instância ad quem a matéria impugnada em sua totalidade. Desta forma, o que foi devolvido à DRJ, mormente tratando-se de processo administrativo que tem por escopo o controle da legalidade do ato administrativo ou o pleito do administrado, é o cabimento ou não de seu pedido de compensação de créditos tributários de terceiros adquiridos mediante cessão de crédito. Sobre o ponto nos ensina Barbosa Moreira, ao tratar dos efeitos da interposição recursal : No que concerne à profundidade (CPC, art. 515, §§ I° e 2°), o efeito devolutivo da apelação compreende todas as questões relacionadas com os fundamentos do pedido e da defesa (sublinhei) E o que a DRJ fez, sem ferir qualquer direito do administrado, .foi manter a decisão que denegou sua demanda sob mesmo fundamento, porém acrescendo outro, ao fazer menção a IN SRF 210/2002. Ao recorrer desta decisão, a defendente teve oportunidade de se opor a tal motivação, dessa forma não lhe causando qualquer prejuízo. O que se devolve é o exame do pedido, e não as razões de decidir. Por tal, há de ser repelida a preliminar de nulidade da r. decisão. Contudo, se há uma decisão judicial em concreto que determina o aproveitamento do crédito-prêmio do IPI, na forma do Decreto-Lei n° 491/69, para deduzir do valor do IPI incidente no mercado interno e, havendo excedente, a compensação com outros tributos federais, esta decisão, uma vez transitada em julgado, impõe seu cumprimento ao ' gão administrativo, pouco importando se há ato administrativo emanado de superior hierárqui . 3 • .,42;11:40, 22 CC-MFMinistério da Fazenda 1:4 F,:" fp,:!•1;.14 - cc Segundo Conselho de Contribuintes coNFER:: tj O ?TIO% n. ERASILIA 5—aí Processo ri* : 13646.000020/2003-98 Recurso n* : 126.058 TO Acórdão n* : 204-01.053 Mas, para tanto, o direito da requerente há de restar exaustivamente comprovado. E, a meu juízo, aqui esbarra a questão, pois dos elementos constantes dos autos e da própria discussão nele travada, não foram suficientes para que eu formasse minha convicção no sentido de que existe o direito da recorrente. E lendo a peça judicial (fls.95197) que presumivelmente teria permitido a troca no pólo ativo da relação processual, sem saber seu exato contexto, nota-sé que a suposta cedente, a empresa Bolsas Crislli Ltda., foi excluída do pólo ativo "incluindo todas as cessionárias noticiadas nas fls. 7430/7431", o que me leva a crer que houve cessão de crédito não só a recorrente. Só por isso, o pedido torna-se ilíquido. E, por seu turno, pelos próprios termos do despacho mencionado, constata-se que o processo judicial referido revestiu-se de "grande tumulto..., especialmente em razão do grande número de exeqüentes e as sucessivas cessões de créditos", conforme palavras do juiz da causa. Em síntese, para mim não há nenhuma certeza da existência do crédito, e, tampouco, dos termos da cessão dos créditos e nem se a requerente, que já efetivou a compensação, desistiu da execução judicial, caso existente. CONCLUSÃO Forte em todo exposto, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO. É como voto. Sala das Sessões, 21 de fevereiro de 2006. JORGE FREIRE 4 Page 1 _0054500.PDF Page 1 _0054600.PDF Page 1 _0054700.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 18220.722308/2021-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2021
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.702
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2021 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
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RECORRIDA FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2021 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.702 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.722308/2021-13 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve parte do auto de infração. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.702 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.722308/2021-13 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.702 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.722308/2021-13 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.702 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.722308/2021-13 5 Fl. 199DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
score : 1.0
Numero do processo: 11128.720125/2011-09
Data da sessão: Wed Jun 21 00:00:00 UTC 2023
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 17/01/2008
CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. EXIGÊNCIA DE DIFERENÇA DE TRIBUTOS.
Classificação Fiscal consubstanciada em laudo pela fiscalização. Constatado recolhimento a menor dos tributos aduaneiros no registro da Declaração de Importação, em função do emprego de classificação fiscal incorreta, não condizente com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), cabe o lançamento de ofício para exigir as diferenças de tributos não recolhidas, bem como dos acréscimos legais.
MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplica-se a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria.
Numero da decisão: 3003-002.392
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: RICARDO PIZA DI GIOVANNI
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/01/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. EXIGÊNCIA DE DIFERENÇA DE TRIBUTOS. Classificação Fiscal consubstanciada em laudo pela fiscalização. Constatado recolhimento a menor dos tributos aduaneiros no registro da Declaração de Importação, em função do emprego de classificação fiscal incorreta, não condizente com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), cabe o lançamento de ofício para exigir as diferenças de tributos não recolhidas, bem como dos acréscimos legais. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplica-se a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 17/01/2008 CLASSIFICAÇÃO FISCAL INCORRETA. EXIGÊNCIA DE DIFERENÇA DE TRIBUTOS. Classificação Fiscal consubstanciada em laudo pela fiscalização. Constatado recolhimento a menor dos tributos aduaneiros no registro da Declaração de Importação, em função do emprego de classificação fiscal incorreta, não condizente com a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), cabe o lançamento de ofício para exigir as diferenças de tributos não recolhidas, bem como dos acréscimos legais. MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO DA MERCADORIA. Aplica-se a multa de 1% sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada de maneira incorreta na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Piza Di Giovanni - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcos Antonio Borges; Lara Franco Moura Eduardo e Ricardo Piza Di Giovanni. Relatório Fl. 153DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0724.16177.PRYG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0724.16177.PRYG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.392 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.720125/2011-09 Trata-se de autos de infração lavrado para a exigência de diferenças de Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PIS-Importação, COFINS- Importação, respectivas multas proporcionais e juros de mora, além de multa regulamentar por erro de classificação fiscal, apurados na operação de importação realizada pela empresa SABIC INNOVATIVE PLASTICS SOUTH AMERICA – INDÚSTRIA E COMÉRICO DE PLÁSTIVOS LTDA através da Declaração de Importação (DI) nº 08/0088335-1, registrada em 17/01/2008, o que resultou numa autuação no valor de R$ 47.389,56. Apontou a fiscalização que referida DI foi parametrizada para o canal vermelho, sendo assim submetida aos procedimentos de conferência documental e física e que solicitou a elaboração de laudo técnico para a mercadoria importada, cujo nome comercial é FYROFLEX® RDP, tendo o laudo concluído que o produto importado, diferentemente do que teria declarado pela importadora, trata-se de um plastificante composto para borracha ou plástico, formado pela mistura de ésteres de difenil fosfato de resorcinol, na forma líquida e que, nesse sentido, o produto classifica-se no código (NCM) 3812.20.00, tributado pelas alíquotas de 14% e 10%, respectivamente, para o II e para o IPI, e não no código (NCM) 2919.90.90, declarado pela importadora, tributado pelas alíquotas de 2% e 0% e por fim declarou que a DI foi desembaraçada em 08/02/2008, com base no artigo 48, § 4º, da Instrução Normativa (IN) nº 680/2006. A Impugnação alegou que as importações foram regularmente efetuadas, e que apesar do Laudo de Análises 1695/2008-1, utilizado pela fiscalização na fundamentação de suas exigências, concluir que o produto Fyrolflex® RDP é uma mistura de ésteres de difenil fosfato de resorsinol, apontando que se trata de um plastificante composto para borracha ou plástico; de fato, segundo o entendimento da Impugnante, a mercadoria não pode ser enquadrada na posição 3812.20.00, uma vez que, em sua interpretação, o capítulo 38 refere-se a produtos diversos das indústrias químicas, que não tem a sua constituição química definida, sendo que o Fyrolflex® RDP teria sua composição química definida, bem como o seu número CAS (57583-54-7), destacando que o produto não é proveniente de mistura, mas de reações poliméricas. A Impugnação foi julgada improcedente pela DRJ, mantendo o crédito tributário exigido. Em se de Recurso Voluntário a Recorrente alega os mesmos argumentos da Impugnação, com alguns argumentos acrescidos. Informa a Recorrente que o produto de nome comercial FYROFLEX® RDP é um éster de fosfato oligômero, cujo nome é Resoicinol bis (difenil fosfato) e com número CAS 57583-54-7 o qual está publicado no banco de dado do Chemical Abstracts Service, uma divisão da Chemical American Society e que se trata de um aditivo antichamas, utilizado em termoplásticos de engenharia que tenha por objetivo propriedade de retardância a chamas. Argumentou a Recorrente que o próprio fabricante do material, nos termos da Ficha de Segurança do próprio material anexado no processo, descreve que o produto químico majoritário em sua composição é o tetrafenilmfenileno (bisfofato) e que referido material corresponde a 95-99% da composição do FYROFLEX® RDP, que inclui também outros subprodutos e impurezas formadas durante o seu processo de fabricação e que não há produtos químicos adicionais misturados ou adicionados ao FYROFLEX® RDP e que seria, portanto, um produto com constituição química definida, ao contrário do que concluiu o laudo laboratorial, afirmando que esse material não se enquadra na NCM3812.20.00 porque não se trata de um Fl. 154DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0724.16177.PRYG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0724.16177.PRYG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.392 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.720125/2011-09 plastificante e sim se enquadra na NCM 2919.9090 por se tratar de um éster derivado de ácido fosfórico, de constituição química definida. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Piza Di Giovanni, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias, portanto dele toma-se conhecimento. Argumentou a Recorrente que o próprio fabricante do material, nos termos da Ficha de Segurança do material anexado no processo, descreve o produto químico majoritário em sua composição é o tetrafenilmfenileno (bisfofato) e que referido material corresponde a 95- 99% da composição do FYROFLEX® RDP, que inclui também outros subprodutos e impurezas formadas durante o seu processo de fabricação e que não há produtos químicos adicionais misturados ou adicionados ao FYROFLEX® RDP e que seria, portanto, um produto com constituição química definida, ao contrário do que concluiu o laudo laboratorial, afirmando, em síntese, que esse material não se enquadra na NCM3812.20.00 porque não se trata de um plastificante e sim se enquadra na NCM 2919.9090 por se tratar de um éster derivado de ácido fosfórico, de constituição química definida. A fiscalização entendeu que o produto deve ser classificado pelo código (NCM) 3812.20.00, tendo solicitado a realização de exame laboratorial e apresentou diversos quesitos, pedido esse que foi registrado pelo nº 212/08 (fl. 51). Em atendimento, coube ao Laboratório de Análises Falcão Bauer, em 28/07/2008, emitir o Laudo nº 1695/2008-1 (fl. 52). Referido Laudo afirmou que o produto importado, cujo nome comercial é FYROFLEX RDP, trata-se de uma mistura de ésteres de difenil fosfato de resorcinol. Diante das respostas apresentadas pelo Laudo nº 1695/2008-1, foram confirmadas as conclusões firmadas pela fiscalização sobre o produto importado (fls. 12 e 13). Nesse sentido, em face das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) nº 1 e nº 6, da Regra Geral Complementar (RGC) nº 1, reproduzidas à fl. 09, o produto FYROFLEX® RDP classifica-se no código (NCM) 3812.20.00, e não no código (NCM) 2919.90.90, sendo prova e confirmação dessa classificação o Laudo anexado pela fiscalização o qual afasta também qualquer possiblidade do produto ser entendido como “Ésteres Fosfóricos e seus sais, incluídos os lactofosfatos; seus derivados halogenados, sulfonados, nitrados ou nitrosados”, o que poderia determinar a sua classificação fiscal na posição (NCN) 2919, considerando que o produto, em verdade, trata-se de uma mistura de ésteres de difenil fosfato de resorcinol. Correta, portanto, a autoridade fiscalizadora. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Fl. 155DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0724.16177.PRYG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0724.16177.PRYG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.392 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 11128.720125/2011-09 Ricardo Piza Di Giovanni Fl. 156DF CARF MF Original Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0724.16177.PRYG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Documento de 4 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP17.0724.16177.PRYG. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Ministério da Fazenda PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. A página de autenticação não faz parte dos documentos do processo, possuindo assim uma numeração independente. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado ao processo em 14/07/2023 17:24:00 por Marcos Antonio Borges. Documento assinado digitalmente em 14/07/2023 17:24:00 por MARCOS ANTONIO BORGES e Documento assinado digitalmente em 11/07/2023 21:02:46 por RICARDO PIZA DI GIOVANNI. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 17/07/2024. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: EP17.0724.16177.PRYG 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: 7C838464EC3605B4BCD74711D7829BE7D1EDBECD49875A39EE98AA412FBD673E página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11128.720125/2011-09. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo. Page 1 Page 2 Page 3 Page 4
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Numero do processo: 18220.720513/2020-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 19/02/2015
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.685
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/02/2015 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 86DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.685 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720513/2020-63 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 87DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.685 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720513/2020-63 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Le i nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 201 6)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Sena do Federal; ou Fl. 88DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.685 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720513/2020-63 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103 - A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato i l ícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 89DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.685 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18220.720513/2020-63 5 Fl. 90DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
score : 1.0
Numero do processo: 11080.735051/2017-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 13 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2017
MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL.
É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
Numero da decisão: 1201-006.590
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2017 MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária.
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COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. TEMA 736. REPERCUSSÃO GERAL. É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária, por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-006.344, de 13 de maio de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.728884/2018-71, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Rycardo Henrique Magalhaes de Oliveira (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Fl. 396DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.590 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735051/2017-86 2 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Na origem, trata-se de Auto de Infração que veiculou a cobrança de Multa Isolada decorrente da não homologação de declarações de compensação transmitidas pelo contribuinte. O Acórdão Recorrido manteve o auto de infração alegando que o lançamento seria mera decorrência da não homologação das compensações, razão pela qual deveria seguir a mesma sorte. Em Recurso Voluntário, o Contribuinte defende: 1. Nulidade do lançamento pois somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva do processo de crédito; 2. Insubsistência do lançamento por inconstitucionalidade decorrente da violação ao direito de petição; 3. Retroação benigna da Lei nº 13.137/15, a qual revogou o § 15 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, que previa a aplicação da multa de 50% em caso de indeferimento do pedido de restituição; 4. Impossibilidade de concomitância da multa de mora com a multa isolada; 5. Necessidade de sobrestamento do feito até o julgamento em definitivo do RE nº 796.939/RS (Tema STF nº 736). É a síntese do necessário. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Inicialmente, reconheço a competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do Regimento Interno do CARF, e verifico que o recurso é tempestivo. No mais, o recurso preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Fl. 397DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.590 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735051/2017-86 3 Preliminar de nulidade O Recorrente suscita como preliminar a nulidade do lançamento, alegando que somente poderia ter ocorrido após decisão definitiva no processo de crédito nº 10880-911.566/2018-91. Alega que o lançamento em questão é regido pelo art. 116, II do CTN, pois o fato gerador da multa isolada seria situação jurídica que, como tal, só poderia ser reputada ocorrida após a constituição definitiva do crédito tributário. Penso, entretanto, que o fato gerador da multa isolada decorrente da não homologação de compensação é situação de fato, regida pelo inciso I do art. 116 do CTN. Desde a transmissão da declaração de compensação reputada indevida, produzem-se os efeitos a ela inerentes, notadamente a extinção do crédito tributário, embora sob condição resolutória de ulterior homologação, justificando-se a imposição da multa isolada desde então, muito embora sua exigibilidade seja suspensa caso interposta Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório proferido no Processo de Crédito (§18, art. 74, Lei nº 9.430/96). Não vislumbro portanto qualquer nulidade. Mérito No mérito, a alegação de inconstitucionalidade passa a ter novos efeitos perante o CARF diante do julgamento definitivo da contenda pelo STF no tema de repercussão geral nº 736 e da e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, que produz efeitos vinculantes aos membros deste colegiado, nos termos do inciso I, do §1º, do art. 62, RICARF anterior, correspondente ao art. 98, II, “b” do atual RICARF, que agora exige o já verificado trânsito em julgado da matéria. Vejamos a redação anterior: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016)” E a redação atual: “Art. 98. Fica vedado aos membros das Turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou decreto que: I - já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou em controle difuso, com execução suspensa por Resolução do Senado Federal; ou Fl. 398DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.590 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735051/2017-86 4 II - fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103- A da Constituição Federal; b) Decisão transitada em julgado do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, proferida na sistemática da repercussão geral ou dos recursos repetitivos, na forma disciplinada pela Administração Tributária;” (grifo nosso) O Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 796939, com repercussão geral (Tema 736) e da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4905, decidiu pela inconstitucionalidade do parágrafo 17 do artigo 74 da Lei 9.430/1996 que prevê a incidência de multa isolada no caso de não homologação de pedido de compensação tributária pela Receita Federal. No voto pelo desprovimento do recurso da União, o ministro Edson Fachin, relator, observou que a simples não homologação de compensação tributária não é ato ilícito capaz de gerar sanção tributária, razão pela qual a aplicação automática da sanção, sem considerações sobre a intenção do contribuinte, tacharia de ilícito o próprio exercício do direito de petição constitucionalmente assegurado. A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É inconstitucional a multa isolada prevista em lei para incidir diante da mera negativa de homologação de compensação tributária por não consistir em ato ilícito com aptidão para propiciar automática penalidade pecuniária”. Portanto, tendo o STF decidido pela inconstitucionalidade da multa isolada, ora em discussão, torna-se inafastável o entendimento da Suprema Corte, devendo- se afastar integralmente a penalidade aplicada. Restam assim prejudicados os demais argumentos apresentados pelo Recorrente. Pelo exposto, conheço o Recurso Voluntário para, no mérito, dar-lhe provimento integral. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator Fl. 399DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-006.590 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.735051/2017-86 5 Fl. 400DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade Preliminar de nulidade Mérito
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Numero do processo: 13748.001534/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2024
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
DEDUÇÕES DESPESAS MÉDICAS, DEPENDENTES, INSTRUÇÃO E INCENTIVO. FALTA DE COMPROVAÇÃO
Todas as deduções a serem efetuadas pelo contribuinte em sua DAA necessitam de comprovação hábil e idônea de sua efetividade e dispêndio.
Numero da decisão: 2302-003.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Johnny Wilson Araujo Cavalcanti - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente).
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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FALTA DE COMPROVAÇÃO Todas as deduções a serem efetuadas pelo contribuinte em sua DAA necessitam de comprovação hábil e idônea de sua efetividade e dispêndio. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Johnny Wilson Araujo Cavalcanti - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas de Souza Costa - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Freitas de Souza Costa, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Angelica Carolina Oliveira Duarte Toledo, Johnny Wilson Araujo Cavalcanti (Presidente). RELATÓRIO Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Fl. 172DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.800 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13748.001534/2008-27 2 Contra o contribuinte em epígrafe foi emitida a notificação de lançamento do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2007, ano- calendário 2005, por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB da DRF/Nova Iguaçu. Foi apurado Imposto Suplementar no valor de R$28.613,36, acrescido de multa de ofício e juros de mora. O referido lançamento teve origem na constatação das seguintes infrações: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica – omissão de rendimentos sujeitos a tabela progressiva recebido da fonte pagadora Caixa Econômica Federal, no valor de R$4.304,67. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF sobre os rendimentos omitidos, no valor de R$129,14. Dedução Indevida de Incentivo - dedução indevida de incentivo no valor de R$78,69. Motivo da glosa: Falta de atendimento à intimação. Dedução Indevida de Dependente – glosa do valor de R$6.065,28, indevidamente deduzido com dependente(s). Motivo da glosa: Falta de atendimento à intimação. Dedução Indevida de Despesas Médicas - glosa do valor de R$91.263,18, indevidamente deduzido a título de despesas médicas, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para a dedução. Motivo da glosa: Falta de atendimento à intimação. Dedução Indevida de Contribuição à Previdência Privada e FAPI – glosa do valor de R$679,69, indevidamente deduzido a título de Contribuição à Previdência Privada e FAPI. Motivo da glosa: Falta de atendimento à intimação. Dedução Indevida de Despesa com Instrução – glosa do valor de R$4.747,68, indevidamente deduzido a título de despesa com instrução. Motivo da glosa: Falta de atendimento à intimação. A base legal do lançamento encontra-se nos autos. o contribuinte teve ciência do lançamento em 14/08/2008, conforme documento de fl. 90 e, em 26/08/2008, apresentou impugnação, em petição de fl. 02, acompanhada dos documentos de fls. 03/67. A DRF/Nova Iguaçu analisou a impugnação apresentada e emitiu o Despacho Decisório de fls. 97/99, nos quais se decidiu pela procedência em parte da exigência, para restabelecer as despesas médicas de R$2.413,18 e a dedução com três dependentes (R$4.548,96) e cancelar a glosa de Contribuição à Previdência Privada, que resultou na apuração de Imposto Suplementar de R$26.511,88. Posteriormente, o contribuinte teve ciência do Termo Circunstanciado e apresentou nova manifestação (fl. 101). O resumo das alegações trazidas contra o lançamento de ofício são as seguintes: - que não recebeu a intimação mencionada na Notificação de Lançamento; Fl. 173DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.800 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13748.001534/2008-27 3 - que apresenta todos os documentos necessários à elucidação dos fatos apresentados, tais como Comprovantes de Rendimentos, Certidões de Casamento e de Nascimento, comprovantes de despesas médicas, de instrução e Previdência Privada; - que foi legal a dedução de incentivo, pois o valor de R$78,69 foi doado à Associação Pestalozzi de Petrópolis Utilidade Pública Federal, registro no CNAS processo nº 44006.001285/97-91, de 29/09/1997; - que apresenta novo recibo do Dr. Mauro Luiz Viera Fróes (R$150,00), com as determinações do Auditor-Fiscal; - que, em relação ao Dr. Jorge Machado de Araújo (R$88.700,00), retornou ao endereço do consultório, mas o profissional não atende mais no local, logo, entende que não pode ser prejudicado pela falta de endereço nos recibos, pois, à época da emissão, a Receita Federal não cobrava tal informação; - que os recibos do Dr. Jorge estão todos carimbados e assinados por ele, além de indicarem o paciente no qual foi feito o procedimento; - que, dessa forma, entende que os referidos recibos não podem ser desconsiderados simplesmente pelo fato de não conterem o endereço do profissional; - que, no tocante às despesas com instrução (R$4.747,68), consta nos canhotos de pagamento o seu nome e seus dados bancários; - que, em relação ao filho maior de 21 anos, foi entregue, quando da primeira intimação, comprovantes originais que o mesmo cursava a SUESC; - que não declarou os rendimentos no valor de R$4.304,67, pois achou que não precisava fazê-lo em virtude de já ter sido descontado o Imposto de Renda; - que, certo de ter esclarecido as dúvidas, solicita o deferimento da impugnação. É o relatório. Cientificado da decisão de primeira instância em 29/11/2017, o sujeito passivo interpôs, em 30/11/2017, Recurso Voluntário, alegando a improcedência parcial da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que todas as deduções estão comprovadas nos autos. É o relatório. VOTO Conselheiro Marcelo Freitas De Souza Costa - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço Fl. 174DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.800 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13748.001534/2008-27 4 O litígio recai sobre a dedução de dependente, com instrução, despesas médicas e dedução de incentivo. Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 114, § 12 do Regimento Interno do CARF (RICARF), reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: A impugnação atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, sendo tempestiva, motivo pelo qual dela se toma conhecimento, para examinar as razões trazidas pelo sujeito passivo. Trata-se de lançamento de ofício relativo à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica e glosas diversas. O motivo das glosas foi a falta de comprovação das deduções em virtude do não atendimento à intimação. Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação a infração apurada de omissão de rendimentos no valor de R$4.304,67. Tal infração será considerada matéria não impugnada nos termos do art. 17 do Decreto 70.235, de 1972, restando preclusos novos questionamentos a respeito. Foi emitido o Despacho Decisório nº 017/03/2017/SEFIS/DRF-NIU (fls. 97/99), para manter parcialmente a exigência. Foi cancelada a glosa de Contribuição à Previdência Privada e foram restabelecidas as despesas médicas de R$2.413,18 (GEAP) e a dedução com três dependentes (R$4.548,96). O resultado apurado foi de Imposto Suplementar de R$26.511,88. Foram mantidas as infrações de omissão de rendimentos (R$4.304,67) e de dedução indevida de incentivo (R$65,52), por falta de previsão legal para dedutibilidade do valor. Foram mantidas, ainda, a glosa do dependente Jorge Luiz Filho (R$1.516,32), pois o mesmo contava com mais de 21 anos e não foi comprovado que cursava instituição de ensino de terceiro grau no ano de 2005, e a glosa de despesas com instrução (R$4.747,68), por falta de provas que o contribuinte foi o responsável pelo pagamento das despesas feitas a esse título. Por fim, em relação às despesas médicas, não foram aceitos os recibos emitidos por Mauro Luiz Viera Fróes (R$150,00) e por Jorge Machado de Araújo (R$88.700,00), vez que não atendem aos requisitos legais. O primeiro deles por falta de endereço do emitente, identificação do beneficiário do tratamento e do responsável pelo pagamento e o segundo, por falta de endereço do emitente, identificação do beneficiário do tratamento e comprovação do efetivo pagamento. Ao ser intimado do Despacho Decisório, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, no qual se insurgiu contra as infrações mantidas. Logo, está em discussão no presente processo as seguintes matérias: Fl. 175DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.800 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13748.001534/2008-27 5 · Dedução Indevida de Incentivo – R$78,69. · Dedução Indevida de Dependente – R$1.516,32. · Dedução Indevida de Despesas Médicas – R$88.850,00. · Dedução Indevida de Despesa com Instrução – R$4.747,68 Passa-se, então, à análise das infrações e dos argumentos de defesa, conforme a seguir. Dedução Indevida de Incentivo – R$78,69. A partir de 1º de janeiro de 1996, com a vigência da Lei nº 9.250, de 1995, somente são dedutíveis do imposto, as contribuições feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacionais dos Direitos da Criança e do Adolescente, as contribuições em favor de projetos culturais, aprovados na forma da regulamentação do PRONAC, e os investimentos feitos a título de incentivo às atividades audiovisuais, não sendo mais possível deduzir na declaração de rendimentos o valor das contribuições e doações feitas a instituições filantrópicas, entre outras. Os valores passíveis de deduções estão sujeitos à comprovação do seu pagamento por meio de documentos emitidos pelos Conselhos Controladores dos Fundos beneficiados pelas doações, como normatiza a Instrução Normativa SRF nº 258, de 17 de dezembro de 2002, in verbis: Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente Benefício fiscal Art. 2º As pessoas físicas podem, atendido o limite global estabelecido no art. 28, deduzir do imposto de renda devido na Declaração de Ajuste Anual as doações feitas no ano-calendário anterior aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente municipais, estaduais ou nacional. Parágrafo único. As importâncias deduzidas a título de doações sujeitam-se à comprovação, por meio de documentos emitidos pelas entidades beneficiadas. Comprovante Art. 3º Os Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, controladores dos fundos beneficiados pelas doações, devem emitir comprovante em favor do doador, que especifique o nome e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do doador, a data e o valor efetivamente recebido em dinheiro. (grifo nosso) § 1º O comprovante deve: I - ter número de ordem, o nome, o número de inscrição no Cadastro das Pessoas Jurídicas (CNPJ) e o endereço do emitente; II - ser firmado por pessoa competente para dar a quitação da operação. Fl. 176DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.800 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13748.001534/2008-27 6 (...) As doações porventura efetuadas somente serão dedutíveis se feitas diretamente aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais ou Nacional dos Diretos da Criança e do Adolescente e/ou Incentivo a Cultura e/ou Atividades Audiovisuais. Não obstante documentação de fls. 14/21, verifica-se não constar dos autos qualquer documento hábil a comprovar que as doações foram efetuadas na forma prevista na legislação regente, motivo pelo qual a infração será mantida. Dedução Indevida de Dependente – R$1.516,32. De acordo com o previsto no RIR/1999, abaixo transcrito, podem ser considerados dependentes os filhos entre 22 e 24 anos que estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau. Dependentes Art.77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). §1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nosarts. 4º, §3º, e5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): (...) III - a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; (...) §2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, §1º). (...) Foi mantida a glosa do dependente Jorge Luiz Assumpção da Cruz Filho (R$1.516,32), pois o mesmo contava com 23 anos no ano de 2006 e não foi comprovado que cursava instituição de ensino superior. Apesar de o contribuinte alegar que apresentou, à época da primeira intimação, os documentos comprobatórios que o filho Jorge cursava a instituição denominada SUESC no ano de 2006, os mesmos não constam nos autos. Registre- se que tais documentos não se encontram dentre os apresentados com a Impugnação nem com a Manifestação de Inconformidade. Assim, por falta de provas que o filho Jorge cursava instituição de ensino superior ou escola técnica de segundo grau no ano de 2006, fica mantida a glosa do dependente. Fl. 177DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.800 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13748.001534/2008-27 7 Dedução Indevida de Despesas Médicas – R$88.850,00. Antes de se passar à análise dos argumentos de defesa, veja-se o disposto no Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, acerca das deduções de despesas médicas permitidas na Declaração de Imposto de Renda: Despesas Médicas Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a”). § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): I - aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II - restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III - limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica – CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; (..........) (Sublinhado) Como se depreende da legislação transcrita acima, a dedução das despesas médicas na Declaração de Imposto de Renda está sujeita à comprovação a critério da Autoridade Lançadora. A comprovação compreende, basicamente, o pagamento do serviço médico, a ser feito pelas formas indicadas no inciso III do § 1º do art. 80 do RIR/1999 e o beneficiário ser o contribuinte, seus dependentes ou alimentando, em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Para tanto, é necessário que o recibo ou nota fiscal, a depender se o documento foi emitido por pessoa física ou jurídica, contenha o nome completo, o CPF ou CNPJ e o endereço do prestador dos serviços, a pessoa beneficiária e a discriminação do tipo de serviço. A segunda via do recibo emitido por Mauro Luiz Vieira Fróes (fl. 121), no valor de R$150,00, contém todos os requisitos contidos na legislação e atende às exigências formuladas no Despacho Decisório. Assim, será restabelecida a despesa médica de R$150,00. Fl. 178DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.800 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13748.001534/2008-27 8 Os recibos de fls. 122/141 , no montante de R$88.000,00, se referem ao Cirurgião Dentista Jorge Machado de Araújo, que teria prestado serviços ao contribuinte e seus três filhos no valor declarado de R$88.700,00. A glosa se deveu à falta de comprovação das despesas, em virtude de o contribuinte não ter atendido à intimação. A DRF/NIU manteve a glosa sob a alegação que os recibos não continham o endereço do emitente e a identificação do beneficiário do tratamento, bem como por falta de comprovação do efetivo pagamento. O contribuinte informa que os recibos identificam o beneficiário dos tratamentos, mas que não logrou êxito em obter o endereço do emitente dos documentos. Em relação à comprovação do pagamento, não fez qualquer menção e nem trouxe elementos de prova. Assiste razão ao impugnante no tocante à identificação do beneficiário dos tratamentos, contudo, no tocante ao endereço, a legislação tributária já exigia que, no exercício fiscalizado, o recibo indicasse o endereço do prestador dos serviços, conforme se observa do inciso III, do §1º do art. 80 do RIR/1999 transcrito acima. Além da falta do endereço do emitente Jorge Machado, não houve a comprovação do efetivo pagamento das despesas, de acordo com o Despacho Decisório de fls. 97/99. Comumente é aceito, para comprovar o pagamento das despesas médicas, o recibo firmado pelo profissional da área médica, quando o serviço for prestado por pessoa física, ou a Nota Fiscal, se pessoa jurídica. Todavia, mesmo que o sujeito passivo tenha apresentado os recibos, é licito à Autoridade Fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de provas adicionais, caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou do respectivo pagamento. No caso ora em exame, apesar de o Despacho Decisório mencionar que a manutenção da glosa se deveu à falta de comprovação do efetivo pagamento, que corresponde ao primeiro requisito legal para a aceitação das deduções de despesas médicas, o sujeito passivo nada alegou ou trouxe sobre o assunto e deixou de comprovar, assim, a efetiva prestação dos serviços médicos, que dependia da prova do pagamento ao profissional emitente dos recibos. Logo, diante da falta de indicação do endereço do emitente e da comprovação do efetivo pagamento das despesas, fica claro que a glosa de despesas médicas no valor de R$88.700,00 foi correta e atendeu à legislação de regência, devendo ser mantida. Dedução Indevida de Despesa com Instrução – R$4.747,68 Veja-se, abaixo, o disposto no RIR/1999, acerca das deduções de despesas com instrução permitidas na Declaração de Imposto de Renda: Fl. 179DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.800 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13748.001534/2008-27 9 Despesas com Educação Art. 81. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação pré-escolar, de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, até o limite anual individual de um mil e setecentos reais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). §1º O limite previsto neste artigo corresponderá ao valor de um mil e setecentos reais, multiplicado pelo número de pessoas com quem foram efetivamente realizadas as despesas, vedada a transferência do excesso individual para outra pessoa (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b"). §2º Não serão dedutíveis as despesas com educação de menor pobre que o contribuinte apenas eduque (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, inciso IV). §3º As despesas de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou de acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo, observados os limites previstos neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §3º). §4º Poderão ser deduzidos como despesa com educação os pagamentos efetuados a creches (Medida Provisória nº 1.749-37, de 1999, art. 7º). Consoante disposição legal acima transcrita, poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados com dependentes junto a estabelecimentos de ensino relativamente à educação infantil (creche e educação pré-escolar), de 1º, 2º e 3º graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes. Em relação às despesas com instrução do dependente André Luiz César da Cruz, a contribuinte juntou boletos de pagamento das mensalidades às fls. 110/120. Contudo, somente o boleto de fl. 110, no valor de R$150,00 contém quitação de pagamento feito pela própria instituição de ensino. Os demais boletos de fls. 111/120 estão com as informações relativas aos pagamentos ilegíveis, impossibilitando a comprovação dos valores neles indicados e, conseqüentemente, o restabelecimento da despesa. Não foram juntados aos autos, nem com a Impugnação nem com a Manifestação de Inconformidade, comprovantes de despesas com a instrução de Ana Beatriz César da Cruz. Registre-se que o recibo de fls. 50 e 142, emitido pela Associação Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus se refere ao ano-calendário de 2005 e não ao ano- calendário fiscalizado. Assim, serão restabelecidas as despesas com instrução do dependente André Luiz, no valor de R$150,00, que corresponde ao montante comprovado com documentação hábil e idônea. Fl. 180DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.800 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13748.001534/2008-27 10 Cálculo Despesas restabelecidas: · Despesa com instrução: R$150,00 · Despesas médicas: R$150,00. Resultado Em resumo, voto pela PROCEDÊNCIA EM PARTE da impugnação, para restabelecer as despesas com instrução de R$150,00 e as despesas médicas de R$150,00, o que resulta em saldo de imposto a pagar de R$26.429,35, a ser acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora, de acordo com a legislação vigente. Registre-se que a infração de omissão de rendimentos corresponde à matéria não litigiosa. Assinado Digitalmente MARCELA BRASIL DE ARAÚJO NOGUEIRA Auditora-Fiscal da Receita Federal do Brasil Relatora Embora tenha alegado em seu recurso que todos os valores glosados e não excluídos pela decisão de piso estejam devidamente comprovados, não juntou aos autos documentos hábeis para dar sustentação às suas alegações. Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, Negar Provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo Freitas De Souza Costa 2007 31.729,14 102.000,00 133.729,14 2.932,37 679,69 Dependentes (nº) 3 4.548,96 150,00 2.563,18 - - 10.874,20 122.854,94 27.791,37 27.791,37 1.014,60 - - 1.014,60 26.776,77 347,42 26.429,35 Livro Caixa Total das Deduções Base de Cálculo Total de Rendimentos Tributáveis Contribuição Previdenciária Oficial Pensão Alimentícia Judicial Carnê-Leão Exercício Rend. Tributáveis Recebidos de PJ - Tit. Rend. Tributáveis Recebidos de PF Despesas com Instrução Despesas Médicas Contr. à Previdência Privada/FAPI Imposto Calculado Dedução Incentivo Imposto Devido Imposto de Renda Retido na Fonte Imposto a Pagar Declarado Saldo do Imposto a Pagar Imposto Complementar Total do Imposto Recolhido Imposto a Pagar Fl. 181DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2302-003.800 – 2ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 13748.001534/2008-27 11 Fl. 182DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10314.010502/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Período de apuração: 03/10/2003 a 06/04/2004
CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO.
A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto.
“CARD GAMES” (FIGURINHAS). IMUNIDADE. LIVROS. EQUIPARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. CLASSIFICAÇÃO FISCAL.
Os denominados “card games” (figurinhas) não se equiparam a livros para o fim de gozar da imunidade a estes conferida pelo art. 150, VI, “d” da CF/88, razão pela qual devem ser classificados no Capítulo 95.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM/TEC), tendo em conta a sua destinação precípua “cartas para jogar”.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.398
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não se conhecer do recurso no tocante às matérias submetidas ao Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ROBSON JOSÉ BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 03/10/2003 a 06/04/2004 CONCORRÊNCIA DE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL COM O MESMO OBJETO. CONCOMITÂNCIA. CONFIGURAÇÃO. A propositura pelo contribuinte de ação judicial onde se alterca a mesma matéria veiculada em processo administrativo, a qualquer tempo, antes ou após a inauguração da fase litigiosa administrativa, conforme o caso, importa em renúncia ao direito de recorrer ou desistência do recurso interposto. “CARD GAMES” (FIGURINHAS). IMUNIDADE. LIVROS. EQUIPARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Os denominados “card games” (figurinhas) não se equiparam a livros para o fim de gozar da imunidade a estes conferida pelo art. 150, VI, “d” da CF/88, razão pela qual devem ser classificados no Capítulo 95.04 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM/TEC), tendo em conta a sua destinação precípua “cartas para jogar”. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não se conhecer do recurso no tocante às matérias submetidas ao Poder Judiciário e, na parte conhecida, negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. Júlio César Alves Ramos – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 01 05 02 /2 00 8- 24Fl. 760DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Robson José Bayerl – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Jean Cleuter Simões Mendonça, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Angela Sartori e Fernando Marques Cleto Duarte. Relatório Cuidam estes autos de lançamento de Imposto de Importação – II e Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, vinculado à importação, decorrente de reclassificação fiscal de mercadoria importada, em procedimento de revisão aduaneira. Por refletir à exaustão a situação enfocada neste processo, adoto e reproduzo parte do relatório da decisão de primeira instância: “Relata a Fiscalização que a autuada, no ano de 2003, importou, através das Declarações de Importação (fls. 10/11 e fls. 13/14) cartões ilustrados classificando os no subitem residual (4901.99.00 – “Outros”) da Posição NCM 4901 destinada aos livros, brochuras e impressos semelhantes; em ato de revisão aduaneira verificouse que a correta classificação fiscal de tais mercadorias se dá na posição NCM 9504 (Artigos para jogos de salão), conforme as REGRAS GERAIS PARA INTERPRETAÇÃO DO SISTEMA HARMONIZADO, (...); os cartões, objeto da presente autuação, são cartões impressos de papel, constituídos por ilustrações, instruções de jogo (Rules Text) e textos ilustrativos que em alguns casos são baseados em determinadas obras literárias; tratase de produto conhecido como Collectible Card Game (CCG) ou Trading Card Game (TCG), sendo que o próprio nome do produto já evidencia sua finalidade de jogo (Card Game) e, em sítios na internet dos fabricantes e do próprio contribuinte, percebese a existência de vários campeonatos regionais e internacionais promovidos pelos mesmos, o que contribui com a demonstração de que os cartões ora analisados possuem função principal de jogo; (...); segundo instruções das NESH relativas à Posição NCM 4901 "Livros, brochuras e impressos semelhantes, mesmo em folhas" (classificação utilizada equivocadamente pelo contribuinte em epígrafe) classificamse ali: "... de um modo geral, todas as obras de livraria e outros artigos destinados à leitura, impressos, ilustrados ou não, exceto os artigos destinados a publicidade ou que estejam incluídos em outras posições mais específicas deste Capítulo e, principalmente, nas posições 49.02 a 49.04.". Levando em consideração que tais cartões não são destinados à leitura pois se prestam ao jogo e foram concebidos para tal e verificando a Nota 1, alinea "c" do Capitulo 49, que exclui do mesmo, "as cartas de jogar e outros artigos do Capítulo 95.", identificase neste contexto a impossibilidade da classificação fiscal dos cartões em pauta na Posição NCM 4901. Vale ressaltar que tais cartões têm tamanho e forma de cartas e claramente não são susceptíveis de formar um livro; este entendimento não se altera com a edição da Lei n° 10.753/2003, que deu maior amplitude ao termo livro, em seus artigos 2º e 3º , a qual trata da Política Nacional do Livro, já que a equiparação é realizada para efeitos da citada lei, sem prejuízo da classificação para os efeitos fiscais e, principalmente, tendo em conta que essa normatização dá tratamento de livro aos equiparados, mas sempre com função de livro e não para as produções com finalidade de jogo; (...). Fl. 761DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10314.010502/200824 Acórdão n.º 3401002.398 S3C4T1 Fl. 11 3 Regularmente intimada, em 22/09/2008 (fl. 374), a autuada apresentou a impugnação de fls. 377/421, em 17/10/2008, (...); EM PRELIMINAR, requer a nulidade do auto de infração, (1) por atentar ao princípio da boa fé e da lealdade dos atos administrativos porque a impugnante é importadora das mercadorias objeto do auto de infração há mais de oito anos, e nesse decorrer teve as suas mercadorias conferidas, fiscalizadas e desembaraçadas pela fiscalização, em inúmeros recintos alfandegados, portos e aeroportos, seja pelo canal verde, amarelo ou vermelho; até o ano de 2006, quando da lavratura do primeiro auto de infração pela IRF/SP foram desembaraçadas, e, portanto, conferidas pela fiscalização cerca de 240 DI’s, sendo cerca de 60 desembaraçadas no canal vermelho com conferência documental e física das mercadorias; (...) Administração adotou novo entendimento e a fiscalização da ALF/Viracopos autuou a impugnante, motivada pelo mesmo mérito “divergência de classificação fiscal” para os mesmos “Impressos Ilustrado Interativos”, para o código NCM/TEC 9504.40.00, para dizer que para que haja a sustentação de nova classificação fiscal se faz necessário a existência de laudo pericial; ressalta que segundo jurisprudência administrativa, existindo classificações fiscais distintas para o mesmo produto, existindo dúvida, deve ser aceita a classificação fiscal declinada pelo importador; e, no caso em pauta, a Administração, além de onerar o contribuinte a partir do novo entendimento sem qualquer notícia prévia ou direito de resposta, penalizou a impugnante relativamente a todas as importações realizadas na Alf/Viracopos; (2) princípio da segurança jurídica, porque após sete anos de importações contínuas e sucessivas, sob a mesma classificação fiscal e da situação de imunidade constitucional para tais bens – dentro da normalidade das coisas, esperava a impugnante mesmo tratamento, contudo tal não ocorreu, e a autuação se deu com absoluta ausência de motivação ou justificativa, sem laudo ou documento demonstrativo da mudança de classificação, contrariando o art. 100 do CTN que estabelece normas para garantir a segurança do processo tributário; cita doutrina de Aliomar Baleeiro segundo a qual “a mudança de critério das repartições e autoridades na interpretação da legislação tributária não pode prejudicar, sobretudo punir o contribuinte pelos fatos e atos anteriores à nova orientação” e jurisprudência do Conselho de Contribuintes, para concluir que, tendo declarado corretamente a mercadoria, não ocorreu erro de fato a ensejar o lançamento; (3) falta de motivação do ato administrativo, porque a autoridade fiscal apenas declarou no Auto de Infração que “A posição tarifária adotada pelo importador é indevida, pois que, a mercadoria sob análise é corretamente classificada na posição 9504.40.00”; o dever de motivação do ato administrativo consta expressamente no art. 50 da Lei n° 9.784/99 e inexistem no processo esclarecimento da mudança de atitude da Administração, que de hora para outra, decidiu alterar a classificação da mercadoria; traz a conhecimento decisões de consultas e soluções sobre a matéria em discussão (SRRF8ªRF Solução de Consulta nº 43, de 06/08/2001; Decisão SRRF/DISIT (8ªRF) nº 139 – DOU 03/10/97; SRRF 8ªRF Solução de Consulta nº 197, de 13/5/1998; 1ªRegião Fiscal Solução de Consulta nº 83, de 13/11/2001; Decisão SRRF/DISIT(9ªRF) nº 9 e 97 a 019 DOU 12/09/97; decisões divergentes: Decisão SRRF (9ªRF) 155, de 25/5/2004; Solução de Consulta da 10ªRF – nº 17, de 20/01/2004; Solução de Consulta da 6ª RF – nº 28, de 24/11/2004), para mostrar que o assunto não é pacífico e argumentar que, não havendo fato novo que possa modificar tal classificação, não é legítima a lavratura do auto de infração para proceder à descaracterização da classificação fiscal utilizada, aceita pela fiscalização por mais de 5 anos a fio; e que a mudança de critério jurídico fere um dos sustentáculos do Estado de Direito, que é o princípio da segurança jurídica; (4) cerceamento do direito de defesa, porque na medida em que a impugnante, durante longos e seguidos anos procedeu à importação das referidas mercadorias alicerçada no idêntico entendimento da Receita Federal de que suas mercadorias Fl. 762DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 gozavam de imunidade constitucional, a modificação de tal entendimento ensejaria, no mínimo, o direito à impugnante de manifestarse quanto ao novo entendimento da Administração, que somente poderia vigorar a partir dele, sem que essa mudança se convertesse imediatamente em ato punitivo. (...). O cerceamento do direito de defesa, reside, portanto no fato de a falta de motivação e da segurança jurídica e da disparidade de entendimento existente dentro da própria casa; destaca a descrição da mercadoria, referindose à informação da fiscalização de que ela não foi corretamente descrita, enfatizando que as mercadorias importadas encontramse descritas nas DI’s, como “IMPRESSOS ILUSTRADOS”, complementada sempre pela identificação da estória a que pertencem, na forma como consta nos documentos que instruam as DI’s (doc. 3) e a posição da NCM/TEC mencionada na DI é 4901.99.00, cujo texto é do seguinte teor: “49.01 – ‘conjunto de cartões ilustrados e impressos (estampas colecionáveis) (figurinhas para álbuns colecionáveis) com textos de obras literárias, apresentado em pequenas caixas ou envelopes com código ISBN. Acompanhadas de textos/livros, sendo utilizados para leitura, desenvolvimento e compreensão de histórias, classificados no código NCM 4901.99.00, destinado ao público adulto e juvenil.4901.99.00 – Outros”, e indaga onde se encontra, no texto descrita das DI’s a declaração inexata da mercadoria; a descrição da fiscalização invalida a descrição da impugnante (diz que se trata de cartas de jogar, tendo como função principal o jogo popularmente chamado de “RPG (role playing game) em cartas; .a fiscalização não provou que a mercadoria importada tem utilização única como cartas de jogar, porque estas também são perfeitamente identificadas como cartões ilustradas com personagens de livros contendo textos, que podem ser instruções para o jogo e ou pequenos trechos baseados/reproduzidos de obras literária, geralmente estórias de aventuras; sustenta seu entendimento na Lei nº 10.753 que instituiu a política nacional do livro, destacando o preceito contido no art. 2º, inciso II (...) e ART.Ç 4º (...), bem como a manifestação da ministra Ellen Gracie “...o fato de figuras, fotos ou gravuras de uma determinada publicação serem vendidas separadamente em envelopes lacrados não descaracteriza a benesse consagrada no art. 150, inciso VI “d” da Constituição Federal”; essas condições estão alcançadas nas mercadorias “impressos ilustrados”, sejam na condição de cartas, cartões, ou outra, e estão amparadas no inciso IX do art. 5º da Constituição Federal, porque na essência destinamse ao estímulo da cultura através da leitura, portanto, alcançados pela imunidade constitucional. – o texto descrito na DI espelha a verdade material, descrevendo corretamente a mercadoria importada, não implicando em declaração inexata: NO MÉRITO, discorre sobre as Regras Gerais Para Interpretação do Sistema Harmonizado, (...) para refutar a classificação adotada pelo Fisco para as mercadorias importadas na posição 9504.90.00 (...) e defender a posição 4901.99.00, adotada pela impugnante, onde o texto do capítulo 49 prescreve “livros, jornais, gravuras e outros produtos das indústrias gráficas; textos manuscritos ou datilografados, planos e plantas”, encontrandose no referido capítulo a “Nota 4” do teor “4 também se inclui na posição 49.01: a) as coletâneas de gravuras, de reprodução de obras de arte, de desenhos, etc...que paginadas e suscetíveis de formar um livro, quando acompanhados de um texto referente a essas obras ou a seus autores;” e as Notas Explicativas do capítulo 49 no primeiro parágrafo das “considerações gerais”, esclarecem que “Ressalvadas as raras exceções adiante mencionadas, este capítulo compreende a totalidade dos artefatos cuja razão de ser, é determinada pela matéria impressa ou ilustrada que contenham”, ou seja, a classificação é determinada pela aplicação da RGI/SH nº 3 b (Regra 3 b), caracterizada pelo critério da funcionalidade (a função principal comanda a classificação) e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado da posição 4901 incluem nesta posição “3) as coleções de gravuras, de reproduções de obras de arte, de desenhos, etc..., constituídas por folhas soltas dispostas sobre a mesma capa, desde que formem obras completas e paginadas e que as gravuras sejam acompanhadas de texto explicativo (biográficos, por exemplo), mesmo sumário, referente a essas obras ou aos seus autores. 4) as coleções de ilustrações, Fl. 763DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10314.010502/200824 Acórdão n.º 3401002.398 S3C4T1 Fl. 12 5 mesmo em folhas soltas, desde que constituam o complemento de um livro brochado, cartonado ou encadernado, no qual se encontra o texto a eles relativo”; lembra que a “exceção” apresentada no capítulo 49 diz literalmente respeito às cartas de jogar os baralhos (jogos de cartas) de todos os tipos (para bridge, tarô, lexicon, etc.) e os ‘cards’ não estão incluídos nesta função específica de baralhos para jogar, conforme descreve a regra de exceção que deve ser entendida ‘literalmente’ e não por ‘analogia’; com o argumento de que o tipo do art.636, I e §§ 3º, 4º e 5º do Decreto nº 4.543/02. não ocorreu inaplicável a multa imposta; pelo mesmo motivo, rejeita as multas de crédito tributário, os juros de mora do II e do IPI; além disso, a teor do art. 112 do CTN, em caso de dúvida quanto a aplicação das multas à situação fática, aplicase o princípio do in dúbio pro contribuinte(...)” A DRJ São Paulo I/SP manteve o lançamento entendendo legítimo o procedimento de revisão aduaneira e correta a nova classificação fiscal atribuída ao produto importado. Em recurso voluntário o contribuinte esclareceu, preliminarmente que propôs ações ordinárias para discutir a imunidade de determinados impressos ilustrados (“Título Magic”, “Pokemon” e “Yugioh”), indicando o estágio atual dos processos, inclusive com juntada de cópias das decisões judiciais. No mérito, discorreu sobre a legislação infraconstitucional que trata da imunidade, especificamente, a Lei nº 10.753/03 (Lei do Livro), para concluir que os “card games”, também conhecidos como “figurinhas”, que importa, são classificáveis como livros e, como tal, gozam de imunidade, fazendo remissão ao quanto julgado nas ações judiciais patrocinadas; sustentou que, segundo a NESH, a classificação correta do produto é a posição 4901.99; asseverou que há violação ao princípio da isonomia, uma vez que aos produtos nacionais é reconhecida a imunidade; que não cabe à RFB interpretar a norma imunizante, cuja competência é exclusiva do Poder Judiciário; e, que o escopo da imunidade é promover de forma democrática o pensamento e a cultura. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. A questão posta a exame, segundo a própria decisão recorrida, é idêntica àquela albergada no processo 10314.002969/200639, do mesmo contribuinte, cujo julgamento neste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ocorreu na sessão de 27/02/2013, na 3ª Turma Ordinária, 4ª Câmara, 3ª Seção de Julgamento, por intermédio do acórdão 3403 01.1921, da lavra do eminente Conselheiro Ivan Alegretti, da qual o ora relator teve oportunidade de participar, tendo adotado integralmente, naquela assentada, as razões expendidas pelo voto condutor do aresto, motivo pelo qual peço vênia para reproduzilo integralmente: Fl. 764DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 “Antes de adentrar no mérito da discussão, é necessário apreciar a informação de que o contribuinte propôs ações judiciais para discutir a imunidade destes mesmos produtos. I) As ações judiciais e a renúncia da via administrativa. O contribuinte informou em seu recurso que (1) em relação aos “IMPRESSOS ILUSTRADOS TÍTULO MAGIC” propôs a ação judicial nº 001151446.2009.403.6100 (2009.61.00.0115142), que (2) em relação aos “IMPRESSOS ILUSTRADOS – POKEMON” propôs a ação judicial nº 0009368 32.2009.403.6100 e que (3) em relação aos “IMPRESSOS ILUSTRADOS – YUGIOH” propôs a ação declaratória nº 002711410.2009.403.6100. Cumpre verificar, portanto, se as referidas discussões judiciais implicam em renúncia da discussão na presente via administrativa. Isto porque, conforme entendimento consolidado na Súmula CARF nº 1, “Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial”. Em relação à primeira ação judicial (1), verificase da sentença juntada às fls. (...) que o contribuinte “Pede que a ação seja julgada procedente para declarar a inexistência de relação jurídico tributária quanto à importação da mercadoria Cards Magic, com garantia de imunidade constitucional, nos termos do artigo 150, inciso VI, alínea "d" da Constituição Federal” (...), ficando claro que os fundamentos apresentados em Juízo pelo contribuinte são os mesmos da presente discussão administrativa. De maneira idêntica, em relação à segunda ação (2), a sentença juntada às fls. (...) revela que foi proposta “objetivando provimento jurisdicional que declare a inexistência de relação jurídicotributária entre as partes, no tocante à importação da mercadoria "Cards Pokemon", garantindolhe a imunidade constitucional prevista no artigo 150, inciso VI, "d", da Constituição Federal”, apresentando os mesmos fundamentos contidos no presente recurso voluntário. Por fim, em relação à terceira ação (3), a sentença juntada às fls. (...) esclarece que a “parte autora requer a declaração de inexistência de relação jurídico tributária no tocante a importação da mercadoria "cards" YUGIOH em razão da imunidade tributária”, revelando que também os mesmos fundamentos foram submetidos àquela ação judicial. Verificase da Relação de Importações (fls. ...) que, (...) além destes três tipos de mercadorias, o lançamento alcança outras mercadorias, que não foram objeto das três ações judiciais acima referidas. Fl. 765DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10314.010502/200824 Acórdão n.º 3401002.398 S3C4T1 Fl. 13 7 Assim, o recurso deve ser conhecido e apreciado apenas em relação às mercadorias e Declarações de Importação que não foram objeto de ação judicial. Quanto às mercadorias que foram objeto das ações judiciais, o recurso não pode ser conhecido, pois a matéria deixou de ser tema de discussão administrativa. Tal matéria receberá a sorte que for decidida pelo Poder Judiciário, cabendo à Autoridade Administrativa da Delegacia de origem interpretar e aplicar ao caso o entendimento que venha a ser firmado pelo Judiciário na decisão final transitada em julgado. II) A imunidade do art. 150, VI, “d” da Constituição e a classificação fiscal. A análise de mérito, como visto no capítulo anterior, alcança apenas as mercadorias que, tendo sido objeto de lançamento neste processo administrativo, não foram objeto de ação judicial por parte do contribuinte. O contribuinte alega que estas mercadorias, que foram importadas com a descrição de “impressos ilustrados”, consistem em “cards games”, mas que seriam “também conhecidos como figurinhas” (fl. ...). Com isso pretende que seja aplicado ao seu caso o mesmo entendimento que o Supremo Tribunal Federal (STF) firmou em relação aos álbuns de figurinhas. O primeiro julgamento do STF a respeito de álbum de figurinhas recebeu a seguinte ementa: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. ART. 150, VI, "D" DA CF/88. "ÁLBUM DE FIGURINHAS". ADMISSIBILIDADE. 1. A imunidade tributária sobre livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão tem por escopo evitar embaraços ao exercício da liberdade de expressão intelectual, artística, científica e de comunicação, bem como facilitar o acesso da população à cultura, à informação e à educação. 2. O Constituinte, ao instituir esta benesse, não fez ressalvas quanto ao valor artístico ou didático, à relevância das informações divulgadas ou à qualidade cultural de uma publicação. 3. Não cabe ao aplicador da norma constitucional em tela afastar este benefício fiscal instituído para proteger direito tão importante ao exercício da democracia, por força de um juízo subjetivo acerca da qualidade cultural ou do valor pedagógico de uma publicação destinada ao público infantojuvenil. 4. Recurso extraordinário conhecido e provido. Fl. 766DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 (RE 221239, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Segunda Turma, julgado em 25/05/2004, DJ 06082004 PP00061 EMENT VOL 0215803 PP00597 RTJ VOL0019301 PP00406) Conforme se verifica do inteiro teor deste acórdão, o caso tratava de “livros ilustrados com cromos de complementação”, tendo entendido o STF que “o fato de figuras, fotos ou gravuras de uma determinada publicação serem vendidas separadamente em envelopes lacrados não descaracteriza a benesse consagrada no art. 150, VI, d da Constituição” (p. 599 do acórdão). O mesmo entendimento foi reiterado pelo STF em dois julgamentos posteriores, nos seguintes termos: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. ICMS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA: C.F., art. 150, VI, d. I. Papel destinado à fabricação de álbuns a serem completados por cromos adesivos considerados tecnicamente ilustrações para crianças: admissibilidade da imunidade tributária do art. 150, VI, d, C.F. II. Precedentes do STF: RE 221.239/SP, Ministra Ellen Gracie, "DJ" de 06.8.2004. III. R.E. improvido. Agravo não provido. (RE 339124 AgR, Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO, Segunda Turma, julgado em 19/04/2005, DJ 20052005 PP00026 EMENT VOL0219204 PP00579 RTJ VOL0019403 PP 01048) EMENTA: Álbum de figurinha. Imunidade tributária. art. 150, VI, "d", da Constituição Federal. Precedentes da Suprema Corte. 1. Os álbuns de figurinhas e os respectivos cromos adesivos estão alcançados pela imunidade tributária prevista no artigo 150, VI, "d", da Constituição Federal. 2. Recurso extraordinário desprovido. (RE 179893, Relator(a): Min. MENEZES DIREITO, Primeira Turma, julgado em 15/04/2008, DJe097 DIVULG 29052008 PUBLIC 30052008 EMENT VOL0232102 PP00256 RTJ VOL0020601 PP00392 LEXSTF v. 30, n. 359, 2008, p. 205 209) Em ambos os casos tratavase, mais uma vez, a exemplo do caso líder, de álbuns a serem preenchidos por cromos adesivos. No presente caso, no entanto, não se está diante de álbuns ou de figurinhas que completarão um álbum. Os documentos existentes nestes autos não demonstram a existência de qualquer livro ou álbum em relação aos qual os referidos cartões, ou “card games”, sirvam de complemento ou se destinem a ser fixados ou integrados. Ou seja, os cartões não se apresentam como acessórios de um determinado álbum ou livro, de maneira que não existe um Fl. 767DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10314.010502/200824 Acórdão n.º 3401002.398 S3C4T1 Fl. 14 9 suporte físico que configure o objeto central e próprio da norma imunizante. Não houve prova de que tais cartões seriam figurinhas destinadas a compor um determinado álbum, mesmo porque não parece que seja assim, visto que não se tratam de cromos adesivos. Como também não houve prova de que as mercadorias consistiriam em um conjunto de livro agregado de cartões, ou seja, de que os cartões seriam um artigo complementar de um livro. Nem que os referidos cartões configurariam folhas que, agregadas e encadernadas, resultariam em um livro. Pelo que consta destes autos, os cartões em questão são um fim em si mesmos, são o objeto principal, não sendo vendidos agregados a nenhum livro. Ou seja, os cartões realizam a sua funcionalidade por si mesmos. Assim, se não existe um livro ao qual os cartões estejam agregados como complemento, não há que se cogitar que possam ser alcançados pela aplicação da imunidade destinada aos livros. Não se ignora que o mesmo STF apreciou caso envolvendo exatamente esta mesma contribuinte, no qual restou decidido o seguinte: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. 1. Imunidade do art. 150, inc. VI, alínea d, da Constituição da República. Álbum de figurinhas. Precedentes. 2. Extensão da imunidade aos respectivos “cards”: ausência de prequestionamento da matéria constitucional. Súmulas n. 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal. 3. Discussão quanto à classificação das figuras: Súmula n. 279 deste Supremo Tribunal. 4. Agravo regimental ao qual se nega provimento. (RE 656203 AgR, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Segunda Turma, julgado em 25/09/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe 210 DIVULG 24102012 PUBLIC 25102012 RDDT n. 208, 2013, p. 187189) O que se verifica, concretamente, é que o STF limitouse a manter o mesmo entendimento do Tribunal de origem, baseado na descrição fática que foi apresentada pelo acórdão do Tribunal de origem, de que naquele caso se estaria tratando de álbuns de figurinhas. Fl. 768DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 O voto da Ministra Relatora, no referido julgado, explica que, em relação “a alegação da União de que “as cartas que sequer são adesivas”, teriam finalidade autônoma e que essa peculiaridade afastaria a imunidade do art. 150, inc. VI, alínea d, da Constituição não foi objeto de debate e decisão prévios no Tribunal de origem. Incidem na espécie as Súmulas n. 282 e 356 do Supremo Tribunal Federal” (fl. 5 do acórdão) e que “divergir das instâncias originárias ordinárias quanto à classificação das “figurinhas colecionáveis com ilustrações da literatura Magic” demandaria o reexame de provas. Incide nesse ponto a Súmula n. 279 do Supremo Tribunal Federal” (fl. 6 do acórdão). Ou seja, porque tais pontos não foram discutidos no Tribunal de origem, o STF não adentrou na sua análise. Não parece possível saber qual teria sido o entendimento do STF se pudesse enfrentar a peculiaridade do presente caso concreto, na parte em que não se encotnra em discussão judicial, ou seja, de se tratar de cartões que não são parte integrante de um livro nem se destinam a ser fixados em um álbum. Não são aplicáveis ao caso nem o art. 2º, parágrafo único, da Lei nº 10.753/03 (Lei do Livro) nem a Nota Explicativa C4 da posição 4901. A Lei nº 10.753/03 equipara a livro os “materiais avulsos relacionados com o livro, impressos em papel ou material similar”, mas os cartões em questão, como visto, não são materiais integrantes de nenhum livro. Do mesmo modo, a Nota Explicativa da posição 4901, item C4, referese “As coleções de estampas ilustradas, mesmo em folhas soltas, desde que estas coleções constituam o complemento de um livro brochado, cartonado ou encadernado”, mas, outra vez, temse que os cartões não constituem o complemento de nenhum livro. Os cartões, aqui analisados, exercem por si mesmos a sua funcionalidade, servindo de instrumento para a execução de uma dinâmica de interação entre os participantes de um jogojogo. Por tais razões, entendo que não procede a alegação do recorrente de que os cartões referidos no presente processo estariam abrigados pela imunidade destinada aos livros ou possam ser enquadrados no Capítulo 49.01, motivo pelo qual se deve manter o enquadramento dentro do Capítulo 95.04.” Pelo exposto, não conheço do recurso voluntário quanto às matérias submetidas ao Poder judiciário e, na parte conhecida, negolhe provimento. Robson José Bayerl Fl. 769DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 10314.010502/200824 Acórdão n.º 3401002.398 S3C4T1 Fl. 15 11 Fl. 770DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08477.0IB9. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ROBSON JOSE BAYERL em 01/10/2013 10:39:44. Documento autenticado digitalmente por ROBSON JOSE BAYERL em 01/10/2013. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 11/10/2013 e ROBSON JOSE BAYERL em 01/10/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/02/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0220.08477.0IB9 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 90F3236B6FCEB22D4ECA70B8B4081FE9CFA40B71 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10314.010502/2008-24. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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