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Numero do processo: 13830.000851/2001-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.247
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após s formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após s formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Rafael Pandolfo. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. Relatório Fl. 605DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13830.000851/200111 Resolução n.º 220200247 S2C2T2 Fl. 2 2 Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 5ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOII de FlorianópolisSC que manteve parte a exigência do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por omissão de rendimentos provenientes de valores creditados em conta de depósito ou de investimento no exercício de 1999. A decisão recorrida manteve parte da autuação sob os seguintes fundamentos: 1) Inexistência de nulidade; 2) Provas lícitas; 3) A prestação pelas instituições financeiras das informações requisitadas, sem constituir quebra do sigilo bancário; 4) O contribuinte, intimado, não comprovou a origem dos depósitos bancários. Nas razões de recurso voluntário sustenta: 1) Nulidade do lançamento em por cerceamento de defesa; 2) Vedação da utilização da CPMF para a constituição do crédito tributário, vez que os depósitos bancários não constituem fato gerador de Imposto de Renda, não provam omissão de rendimentos; 3) Quebra de sigilo bancário; 4) Os documentos juntados (planilhas, fichas, declarações e tela da CIRETRAN (fls. 220/323 e 452/512), comprovam a origem dos depósitos e o trabalho falho e incompleto do fisco; 5) Inobservância da interpretação mais favorável ao contribuinte; 6) Necessárias novas diligências e perícias. . E o relatório. Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Cuidase de Recurso Voluntário da decisão que manteve o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF sobre omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada mediante a Requisitou da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte juntos às instituições financeiras (fls. ....). O C. Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314/SP, reconheceu a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário, pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 563). Brasília, 4 de agosto de 2011. Min. RICARDO LEWANDOWSKI – Relator” Fl. 606DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13830.000851/200111 Resolução n.º 220200247 S2C2T2 Fl. 3 3 O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62 –A que devem ser sobrestados os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. O C. STF, pelo Tribunal Pleno, no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem prévia autorização judicial, mas há Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes pendente de decisão. Fora o RE 389.808PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314 SP, conforme vemos nas decisões abaixo: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, j. 09/02/2011, DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI Fl. 607DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13830.000851/200111 Resolução n.º 220200247 S2C2T2 Fl. 4 4 COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min. MARCO AURÉLIO, j. 04/10/2011, DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01.CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626 Fl. 608DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13830.000851/200111 Resolução n.º 220200247 S2C2T2 Fl. 5 5 AgRAgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473 ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. LUIZ FUX, j.,01/08/2011, DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal – discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. CELSO DE MELLO, j., 21/05/2010, DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Em face do exposto, parece não existir dúvida sobre a existência da Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Assim, por se cuidar de Recurso Voluntário sobre lançamento realizado com extratos bancários obtidos mediante a Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte, sem autorização judicial, é necessário sobrestar o julgamento destes autos, na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, até a decisão do Recurso Extraordinário nº 601.314SP. Ante o exposto, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos, na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314SP, do C. STF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 609DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 25/07/2012 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 12466.001688/2009-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 12/11/2004 a 07/12/2006
MULTA. ENTREGA A CONSUMO DE BEM ESTRANGEIRO SEM PROVA DE SUA REGULAR IMPORTAÇÃO.
É incabível a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 83 da Lei n. 4.502, de 1966, por entrega a consumo de mercadoria estrangeira quando o que macula a regularidade da sua importação é definido legalmente de forma mais específica como Dano ao Erário.
Numero da decisão: 3401-002.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO DE OFICIO.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente.
RELATOR ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Relator.
EDITADO EM: 20/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI.
Nome do relator: ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 12/11/2004 a 07/12/2006 MULTA. ENTREGA A CONSUMO DE BEM ESTRANGEIRO SEM PROVA DE SUA REGULAR IMPORTAÇÃO. É incabível a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 83 da Lei n. 4.502, de 1966, por entrega a consumo de mercadoria estrangeira quando o que macula a regularidade da sua importação é definido legalmente de forma mais específica como Dano ao Erário.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO DE OFICIO. JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente. RELATOR ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA - Relator. EDITADO EM: 20/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 12/11/2004 a 07/12/2006 MULTA. ENTREGA A CONSUMO DE BEM ESTRANGEIRO SEM PROVA DE SUA REGULAR IMPORTAÇÃO. É incabível a aplicação da multa prevista no inciso I do artigo 83 da Lei n. 4.502, de 1966, por entrega a consumo de mercadoria estrangeira quando o que macula a regularidade da sua importação é definido legalmente de forma mais específica como Dano ao Erário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, POR UNANIMIDADE NEGOU PROVIMENTO AO RECURSO DE OFICIO. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente. RELATOR ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA Relator. EDITADO EM: 20/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: JULIO CESAR ALVES RAMOS (PRESIDENTE), ROBSON JOSE BAYERL, FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE, JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA, ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, ANGELA SARTORI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 16 88 /2 00 9- 01 Fl. 1639DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 Relatório Trata o presente processo da autuação fiscal (Auto de Infração às fls. 01 a 10) contra a empresa em epígrafe, constituindo o crédito tributário no valor total de R$ 6.187.328,53 (seis milhões, cento e oitenta e sete mil, trezentos e vinte e oito reais e cinqüenta e três centavos), referente à multa aplicada com base no inciso I do art. 83 da Lei n.º 4.502, de 1964, com redação dada pelo art. 1º do DecretoLei n.º 400, de 1968, combinado com o inciso V do art. 81 da Lei n.º 10.833, de 2003, pela constatação da prática da entrega a consumo de produtos de procedência estrangeira, que foram importados de forma fraudulenta. Preliminarmente sublinho que o lançamento tributário relativo à falta de recolhimento de tributos e contribuições sociais, ocorrida em razão de fraude cometida nas importações relacionadas neste Auto de Infração e em relevo, não constitui o objeto do presente processo, mas sim do PAF n.° 12466001317/200911. Há elementos de prova que são comuns a este e àquele processo administrativo. Neste processo compõe o conjunto dos elementos de prova as notas fiscais indicadas no auto de infração e nos relatos fiscais, com os quais a autoridade autuante procurou demonstrar que a empresa autuada entregou a consumo as mercadorias cuja importação foi apontada como fraudulenta naquele procedimento administrativo, situação fática essa que, no entender da fiscalização, enseja a aplicação da multa prevista na forma do inciso II do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, na redação dada pelo DecretoLei n.° 400, de 1968.: O texto do auto de Infração deste processo define nos seguintes termos o seu objeto: “DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA, CNPJ 02.536.048/000144 sediada no município da Serra/ES, doravante também identificada como DARCK e TEC IMPORTS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 03.095.465/000161, também sediada no mesmo município, doravante também identificada como TEC IMPORTS, estão envolvidas nos procedimentos adotados na importação das mercadorias, acobertadas pelas DI's relacionadas na primeira e segunda folha da descrição de fatos do Auto de Infração 0727600/00493/09, formalizado conforme o Processo Administrativo Fiscal 12466.001317/200911 (fls. 14 e 15). As mercadorias acobertadas pelos processos relacionados, conforme o Auto de Infração citado, foram nacionalizadas de forma fraudulenta, apresentando diversas irregularidades, motivando diversas autuações que somaram R$ 10.724.389,46. Cópia fiel, desse processo, segue juntada às folhas 11 a 1501.” “A ação fiscal desenvolvida na empresa DARCK, que apurou as irregularidades nessas importações, foi levada a efeito com respaldo dos Artigos 15 e 570, do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 4.543/2002, e teve como escopo a verificação da regularidade na aquisição de mercadorias importadas, cujos processos foram registrados por diversas importadoras inclusive a própria DARCK, em parte como sendo por conta e risco próprio e em parte na sistemática de por conta e ordem de terceiros, envolvendo diversas distribuidoras de fachada.” (...) RESUMO Fl. 1640DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 12466.001688/200901 Acórdão n.º 3401002.686 S3C4T1 Fl. 1.640 3 “De tudo o que se verificou ao longo deste relatório, não resta a menor dúvida de que as mercadorias, objeto desta fiscalização, foram importadas de forma irregular e fraudulenta. A documentação apresentada e as declarações prestadas pelo importador não representam a realidade das operações comerciais. Também esta claro que as mercadorias foram todas importadas em nome da TEC IMPORTS e comercializadas pela importadora DARCK, como demonstram as Notas Fiscais retidas em seu estabelecimento, conforme termos próprios. Ficam, portanto, as operações perfeitamente enquadradas no que dispõe o Artigo 631 do Regulamento Aduaneiro.” (...) Segundo relata o Acórdão n.º 0721.518, de 15/10/2010: “.... as provas caracterizadoras da infração cominada pela presente penalidade são constituídas pela cópia integral do processo administrativo fiscal n.º 12466.001317/200911, onde foram identificadas as importações realizadas fraudulentamente (fls. 11 a 1501), e pelas cópias de notas fiscais que comprovam a entrada das mercadorias importadas no estabelecimento da pessoa jurídica autuada (fls 1502 a 1549). Relativamente ao procedimento que constituiu o objeto do PAF n.º 12466.001317/200911, a fiscalização descreveu, em síntese, as seguintes irregularidades: a) as empresas DARCK TECHNOLOGIES DO BRASIL LTDA e TEC IMPORTS IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA realizaram, entre 17/09/2004 e 10/10/2006, as importações relacionadas às fls. 14/15, tidas como simuladas, com o objetivo de nacionalizar mercadorias com valores subfaturados, além da prática de utilização de documentos ideológico e/ou materialmente falsos e declarações ideologicamente falsas; b) as importações acobertadas pelas mencionadas DI foram registradas pela TEC IMPORTS como realizadas por conta e risco próprio, sendo as mercadorias destinadas à empresa DARCK que, no entanto, foi identificada como real compradora das mercadorias no exterior, real importadora e como real adquirente no mercado nacional, pois foi quem assumiu financeiramente todos os custos; c) nesse quadro, a empresa TEC IMPORTS revestiuse da qualidade de importadora servindo de escudo e blindagem para a real importadora, a empresa DARCK; d) os fornecedores e a DARCK (real importadora) foram os que acertaram as condições dos contratos de compra e venda, definindo mercadorias, preços efetivos, formas de pagamento, etc., que representa a operação real, aquela que os intervenientes colimaram ocultar; e) os valores de transação declarados nas DI analisadas são muito inferiores aos valores efetivamente praticados ou arbitrados, havendo a empresa fiscalizada incorrido na prática de subfaturamento. Fl. 1641DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 A este quadro, aduz, em resumo, a autoridade autuante não restar a menor dúvida de que as mercadorias sob apreço foram importadas de forma irregular e fraudulenta, restando claro que tais mercadorias foram importadas em nome da empresa TEC IMPORTS e comercializadas pela importadora DARCK, conforme demonstram as notas fiscais de entrada que foram retidas no estabelecimento desta empresa. Em sua impugnação, o sujeito passivo, apresentou os documentos de fls. 1572 a 1600 e as seguintes alegações (fls. 1550 a 1571) , em síntese: · Houve desrespeito à legislação aplicável ao trazer para o auto de infração relatos e afirmações da ocorrência de crime de falsidade e descaminho, com base em documentos extraídos de procedimentos conduzidos nas esferas policial e judicial (por estar o auto de infração em questão lastreado no processo penal, ele é improcedente pois a Sexta Turma do Superior Tribunal de Justiça, nos autos do HC n.º 113.145PR e por unanimidade de votos, concedeu a ordem para trancar a ação penal, decisão esta que deve ser respeitada na esfera administrativa, pois transitou em julgado em 23/03/2009); · não pode ser responsabilizado pela infração descrita no presente processo, pois todos os tributos incidentes nas operações que praticou, abrangendo os que incidiram na venda a varejo das mercadorias adquiridas foram recolhidos, e que, ademais, pagou pela aquisição no mercado interno das mercadorias importadas, condição não considerada pela autoridade lançadora; · Não cabem a ela as acusações da autuação uma vez as empresas que lhe venderam as mercadorias estavam habilitadas no RADAR para efetivar suas atividades na qualidade de trading company; · As condutas apontadas na autuação não lhe dizem respeito e não há documentos que as provem, mas apenas suposições; · não assumiu financeiramente os custos incorridos nas operações de importação, e não é da atividade da empresa desincumbirse de operações de logística atinentes ao comércio internacional e que o aspecto mais importante das operações realizadas pelas trading é a necessidade de recursos financeiros e fluxo de caixa para fazer frente aos tributos no momento da nacionalização das mercadorias importadas; · Nega que tenha ocorrido a prática de sonegação, fraude, conluio, falsificação de documentos, prestação de informações falsas e de benefícios obtidos com as ilegalidades praticadas, eis que jamais buscou o encerramento de suas atividades e ofereceu ao Fisco toda a documentação requerida, havendo, inclusive, incabível apreensão sem devolução de todos os documentos solicitados; · Nega ser empresa de grande porte, seu faturamento é limitado, não movimenta grande soma de recursos financeiros, além do que não é detentora de informações de natureza fiscal e procedimental relacionadas às demais empresas citadas no relatório da autuação; · afirma não poder ser equiparada à empresa industrial para efeito de exigir o IPI, pois jamais desenvolveu atividade industrial ou a ela equiparada, nem é importador, pelo que entende não poder ser Fl. 1642DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 12466.001688/200901 Acórdão n.º 3401002.686 S3C4T1 Fl. 1.641 5 responsabilizado pela exigência do IPI, nos moldes estabelecidos na autuação; A Respeitável 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis (SC) decidiu, por unanimidade, considerar procedente a impugnação, exonerando o crédito tributário exigido e proferindo o Acórdão n. 0723.363, em 04 de março de 2011, com a seguinte Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 12/11/2004 a 07/12/2006 MULTA REGULAMENTAR DO IPI. É incabível a aplicação da multa regulamentar do IPI por entrega a consumo de mercadoria estrangeira importada de forma irregular ou fraudulentamente, quando a fraude ou a irregularidade que macula a importação é definida legalmente de forma mais específica como dano ao Erário, porquanto, nesses casos, a não localização da mercadoria sujeita a perdimento em face da entrega a consumo é penalizada expressamente na forma de outra disposição legal. Esse processo vem ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais por força de Recurso Necessário, ou de Ofício, nos termos estabelecidos pelo 34 do Decreto n. º 70.235, de 6 de março de 1972, com as alterações introduzidas pela Lei n.º 9.532, de 10 dezembro de 1997, e art. 1º da Portaria MF n.º 03, de 03 de janeiro de 2008. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Eloy Eros da Silva Nogueira Recorro ao texto da autuação que especifica o núcleo central das infrações a partir de onde se desdobrou o lançamento da penalidade em discussão neste processo administrativo: “Conforme comprovado ao longo deste relatório, o importador e o adquirente, acima identificados, praticaram diversas irregularidades nas operações de importação tratadas, todas com vistas a reduzir os tributos devidos, simulando situação distinta da realidade com a finalidade de, permitir a atuação no comércio exterior de pessoa jurídica não habilitada para tanto e descaracterizar a incidência do IPI na saída dos produtos importados. Assim, tanto a TEC Fl. 1643DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 6 IMPORTS como a DARCK praticaram simulação fraudulenta, ocultação do real comprador, subfaturamento dos preços declarados, sonegação de tributos, falsificação de documentos e prestação de informações falsas, dentre outros.” “Como restou demonstrado de sobejo, neste relatório, a pessoa jurídica importadora TEC IMPORTS, não participou das transações comerciais que originaram as importações das mercadorias. Participou, entretanto, de simulação de importação por conta própria, em acordo simulatório com o real adquirente das mercadorias. Assim, sua atividade dizia respeito ao despacho aduaneiro das mercadorias importadas, ou seja, é de se dizer que atuava por conta e ordem do real adquirente das mercadorias de procedência estrangeira. Provas disso são os fatos constantes nos documentos acostados e identificados na explanação de cada infração.” (fls. 139140) Entendo que razão assiste aos Eminentes Julgadores da 2ª Turma da 1ª Instância sediada em Florianópolis em sua análise. Compulsando os autos, verifico que a fiscalização descreve a ocorrência de ocultação do real adquirente de bens importados – mediante fraude ou simulação – e a ocorrência de falsificação de documentos necessários ao desembaraço aduaneiro, e que essas ocorrências são infrações que se caracterizam como dano ao Erário, consoante previsão do inciso V do art. 23 do DecretoLei n.º 1.455, de 1976, incluído pela Lei n.º 10.637, de 2002, c/c o inciso VI do art. 105 do DecretoLei n.º 37, de 1966. DL 37, de 1966 Art.105 Aplicase a pena de perda da mercadoria: (...) VI estrangeira ou nacional, na importação ou na exportação, se qualquer documento necessário ao seu embarque ou desembaraço tiver sido falsificado ou adulterado; ......................................................................................................... ... DL 1.455, de 1976 Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Para a infração descrita no inciso VI do art. 105 do DL 37, de 1966, e para a infração descrita no inciso V do art. 23 do DL 1.455, de 1976, prevêse a pena de perda da mercadoria. Para a hipótese de ser impossível a apreensão do bem ou mercadoria sujeito a perdimento, a Lei determina que se aplique a multa estabelecida no § 3ºdo art. 23 do Decreto Lei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Fl. 1644DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 12466.001688/200901 Acórdão n.º 3401002.686 S3C4T1 Fl. 1.642 7 Decreto Lei n. 1.455, de 1976: § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (...) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (grifos nossos). Lei n. 10.833, de 2003: Art. 73. Verificada a impossibilidade de apreensão da mercadoria sujeita a pena de perdimento, em razão de sua não localização ou consumo, extinguirseá o processo administrativo instaurado para apuração da infração capitulada como dano ao Erário. § 1º Na hipótese prevista no caput, será instaurado processo administrativo para aplicação da multa prevista no § 3ºdo art. 23 do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976, com a redação dada pelo art. 59 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. § 2º A multa a que se refere o § 1º será exigida mediante lançamento de ofício, que será processado e julgado nos termos da legislação que rege a determinação e exigência dos demais créditos tributários da União. (grifos nossos). A identificação e definição da infração, conforme demonstrada e constituída pela ação fiscal, é a que conduz à pena prevista nos dispositivos legais acima indicados, e não à pena prevista no inciso I do artigo 83 da Lei n. 4.502, de 1964. Esta é menos específica que aquela, pois esta fala em entrega a consumo de bens procedentes do exterior de forma clandestina e importação irregular ou fraudulenta, enquanto que aquela designa a ocorrência de dano ao Erário através de ocultação do real adquirente e falsificação de documentos necessários ao desembaraço. Ora, esta pena não pode ser aplicada quando existir outra tipificação mais específica. Portanto, o Auto de Infração não pode ser considerado procedente, pois ele propõe a aplicação de pena não congruente com as infrações constatadas. Voto por se negar provimento ao Recurso de Ofício e manter a Decisão da 2ª Turma de Julgamento ao caso. Fl. 1645DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 8 Relator Eloy Eros da Silva Nogueira Fl. 1646DF CARF MF Impresso em 12/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 20/ 08/2014 por ELOY EROS DA SILVA NOGUEIRA, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 11020.000827/2003-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados antes de 09/06/2005, o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente inicia-se decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação.
Numero da decisão: 1101-000.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto, foi DADO PARCIAL PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que negava provimento ao recurso.
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente para efeito de formalização de acórdão.
JOSÉ RICARDO DA SILVA - Relator
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados antes de 09/06/2005, o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente inicia-se decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T1 Fl. 6 1 5 S1C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.000827/200352 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1101000.769 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de julho de 2012 Matéria Restituição Recorrente Lojas Colombo S/A Comércio de Utilidades Domésticas. Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados antes de 09/06/2005, o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de voto, foi DADO PARCIAL PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, divergindo o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro que negava provimento ao recurso. VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para efeito de formalização de acórdão. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 08 27 /2 00 3- 52Fl. 180DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 2 JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga Relatório Por bem relatar os fatos, transcrevo excertos do relatório da decisão recorrida (Acórdão nº 1010.841 – 5ª Turma da DRJ/POA – fls. 155/157): Trata, o presente processo, de pleito dirigido ao Delegado da Receita Federal em Caxias do Sul, visando à restituição de créditos decorrentes de recolhimentos indevido de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins recolhidos entre 07/07/1994 e 31/01/1995. A razão do recolhimento – vide justificativa de fls. 96/107, planilhas de fls. 109/113 e darfs de fls. 115/119 — reside em erro na atualização da UFIR no período de julho de 1994 a dezembro de 1994. A repartição de origem, através do Parecer de fls. 124/126, indeferiu o pedido em razão da decadência do direito ao crédito em virtude do transcurso de mais de cinco anos entre a data do recolhimento e o encaminhamento do pleito à Secretaria da Receita Federal. (negritei) (...) A decisão recorrida está assim ementada: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1993, 1994, 1995, 1996, 1997, 1998 Ementa: RESTITUIÇÃO — DECADÊNCIA — O direito de pleitear a restituição previsto no artigo 168 do Código Tributário Nacional extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados do pagamento, consoante dispõem o Ato Declaratório SRF n° 96, de 26 de novembro de 1999 e o inciso I do artigo 900 do RIR/99. Solicitação Indeferida Fl. 181DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000827/200352 Acórdão n.º 1101000.769 S1C1T1 Fl. 7 3 Cientificada dessa decisão em 03 de janeiro de 2007 (AR de fls. 151), a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho no dia 23 do mesmo mês (fls. 152/170), argumentando, em síntese, que: o prazo para a restituição do indébito fiscal é de cinco anos a partir da sua homologação, consoante art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional – CTN, tendo a Fazenda Pública um prazo decadencial de cinco anos a partir do fato gerador para efetuar eventual lançamento de ofício, se a lei não fixar prazo para a homologação, e se não se tratar de comprovada ocorrência de fraude. Não o fazendo, a partir da homologação tácita tem início o prazo qüinqüenal para a formalização do pedido de restituição do valor pago indevidamente ou a maior que o devido, fazendo citação de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ mediante transcrição da ementa a seguir: "Ementa: (...) Não tendo ocorrido a homologação expressa, o direito de pleitear a restituição só ocorrerá após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, contados daquela data em que se deu a homologação tácita, isto é em 1996, quanto aos fatos impositivos mais remotos..." (RESP 44,221 — PR, Relator Ministro Antônio de Pádua Ribeiro, 2° Turma, Decisão: 45 1994, RSTJ, 59/4053 DJ de 23 51994, p. 12595". formouse no STJ o entendimento de que nas ações em que versem sobre tributos lançados por homologação (art. 150 do CTN), o prazo para restituição é de 10 (dez) anos, ou seja, 05 (cinco) anos decadenciais para a Fazenda efetuar a homologação do lançamento (6 4°), mais 05 (cinco) anos contados a partir da homologação expressa ou tácita das informações declaradas pelocontribuinte, prazo prescricional, portanto, do direito do contribuinte para reaver tributo pago a maior e/ou indevidamente (art. 168, I, do CTN). que o entendimento emanado da decisão recorrida em relação da Lei Complementar nº 118/2005 não merece prosperar, porquanto recente decisão proferida pela Primeira Seção do C. Superior Tribunal de Justiça, por ocasião do julgamento dos Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 327.043/DF, manifestando o entendimento de que a aplicação do referido artigo 3° da LC 118/05 quanto ao prazo de cinco anos para a restituição de valores recolhidos indevidamente somente será válida para questões que derem entrada no Judiciário quando a lei complementar estiver em vigor, ou seja, a partir de 10 de junho, conforme ementa do voto do Ministro Relator João Otávio de Noronha a seguir transcrita: (...). É o relatório. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 4 Voto Conselheiro José Ricardo da Silva, Relator. O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Tratase de pedido de restituição de indébitos fiscais recolhidos a título de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, no período de 07/07/1994 a 31/01/1995, em face de equívoco cometido na atualização da UFIR no período de julho a dezembro de 1994. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Caxias do Sul – RS, através do Parecer de fls. 124/126, indeferiu preliminarmente o pedido, considerando que o mesmo estaria alcançado pela decadência pelo transcurso de mais de cinco anos entre a data do pagamento do indébito e a formalização do pedido de restituição junto à repartição da RFB, entendimento que foi corroborado pelo órgão de julgamento a quo, sem que, em ambas as oportunidades, o pedido tenha sido analisado quanto ao seu mérito. A questão submetida à nossa análise versa, pois, sobre a prescrição qüinqüenal do pedido de restituição de indébitos fiscais, a qual foi admitida pela decisão recorrida. A propósito, até a sessão de 04/08/2011, do Supremo Tribunal Federal – STF, essa matéria encontravase submetida ao regime de repercussão geral, tendo sido negado provimento ao RE nº 566.621/RS, interposto pela Fazenda Nacional, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, a qual declarou a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 118, de 09/02//2005, em relação ao art. 4º, segunda parte, considerando válida a aplicação do prazo de 5 (cinco) anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 09/06/2005, cuja decisão está assim ementada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts . 150, §4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos Fl. 183DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO Processo nº 11020.000827/200352 Acórdão n.º 1101000.769 S1C1T1 Fl. 8 5 contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/05, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para os pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 31/03/2003, estando assim submetido ao prazo de 10 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar nº 118/2005. Como os alegados pagamentos indevidos foram efetuados no período de 07/07/1994 a 31/01/1995 não há que se falar em prescrição dos créditos. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO 6 Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF – RICARF/2009, determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal STF, com aplicação do rito estabelecido no art. 543B do Código de Processo Civil CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Afastada a prescrição, verifico que desde o primeiro despacho exarado neste processo não houve a análise do alegado crédito decorrente de pagamentos a maior ou indevidos, motivo pelo qual deve o presente processo retornar a Delegacia da Receita Federal em Caxias do Sul RS para que a autoridade preparadora analise a real existência dos créditos pleiteados, bem como seu valor e, por conseqüência, a existência de eventual saldo a restituir em favor do contribuinte. Por essas razões, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para considerar o pedido de restituição não alcançado pela prescrição, devendo os autos retornar à repartição preparadora para análise quanto a real existência dos alegados indébitos tributários. É como voto. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Ressalto que não estou vinculada a conteúdo dessa decisão. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VA LADAO
score : 1.0
Numero do processo: 13897.000363/2003-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DCTF. IRRETROATIVIDADE NORMATIVA.
Informado o crédito presumido de IPI em DCTF, quando ainda não havia exigência do DCP, a compensação deve ser homologada, salvo se não houver a comprovação dos créditos declarados.
Numero da decisão: 3201-001.553
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a exigência da DCP, devendo os autos retornarem à autoridade preparadora para que seja homologada a compensação do crédito presumido de IPI no limite dos valores comprovados pelo contribuinte.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
JOEL MIYAZAKI - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
DANIEL MARIZ GUDIÑO - Relator.
EDITADO EM: 14/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Amauri Amora Câmara Júnior e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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DCTF. IRRETROATIVIDADE NORMATIVA. Informado o crédito presumido de IPI em DCTF, quando ainda não havia exigência do DCP, a compensação deve ser homologada, salvo se não houver a comprovação dos créditos declarados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar a exigência da DCP, devendo os autos retornarem à autoridade preparadora para que seja homologada a compensação do crédito presumido de IPI no limite dos valores comprovados pelo contribuinte. (ASSINADO DIGITALMENTE) JOEL MIYAZAKI Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) DANIEL MARIZ GUDIÑO Relator. EDITADO EM: 14/08/2014 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 7. 00 03 63 /2 00 3- 09 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko Araújo dos Santos, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Amauri Amora Câmara Júnior e Daniel Mariz Gudiño. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até o julgamento de 1ª instância administrativa, segue abaixo a transcrição do relatório da decisão recorrida seguida da sua ementa: Tratase de manifestação de inconformidade apresentada pela requerente ante Despacho Decisório de autoridade da Delegacia da Receita Federal em Osasco (fl. 62), que deferiu parcialmente o pedido de ressarcimento de IPI e homologou as compensações até o limite do crédito reconhecido. A contribuinte apresentou declaração de compensação de fl. 01, no valor de R$ 800.000,00, amparada em pedido de ressarcimento de IPI para o 4º trimestre de 2002 (fl. 02), no valor total de R$ 864.523,51, sendo R$ 651.383,50 de saldo credor da escrita fiscal e R$ 213.140,01 de crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96 e a Portaria MF nº 38/97. Consta que, do total requerido de R$ 864.523,51, foi utilizado na dedução de IPI devido o valor de R$ 51.813,27, restando um pedido de ressarcimento de R$ 812.710,24. Com base na informação fiscal de fls. 54/55 e no Parecer SEORT de fls. 56/61, o pedido foi deferido parcialmente no montante de R$ 523.664,90, tendo sido reconhecido o direito ao saldo credor na escrita de R$ 523.664,90, e indeferido totalmente o crédito presumido, em virtude dos seguintes motivos: 1. Exclusão do valor de R$ 10.027,01 do saldo credor ressarcível, relativo a créditos de IPI em operações sob o código CFOP 1.99, que não correspondem a entradas de insumos e não são passíveis de ressarcimento; 2. Reconstituição do saldo credor da escrita conforme planilha de fl. 63, obtendose o saldo de R$ 523.664,90; 3. Glosa total do crédito presumido em razão da não entrega do DCP (Declaração de Crédito Presumido) para o período. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 66/72, alegando, em resumo, o seguinte: 1. A necessidade de apresentação da DCP é exigência contida no inciso I, do parágrafo 4º do artigo 14 da IN SRF nº 210/2002, que foi incluído através da IN SRF nº 323/2003 em 24/03/2003; Fl. 259DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13897.000363/200309 Acórdão n.º 3201001.538 S3C2T1 Fl. 238 3 2. A declaração de compensação foi entregue pela recorrente antes da exigência do DCP; 3. Os atos administrativos devem respeitar o princípio da irretroatividade. Por fim, requer a reforma da Decisão, com o reconhecimento de um crédito adicional de R$ 213.140,01, além do crédito de R$ 523.664,90 já homologado. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme se depreende da ementa do Acórdão nº 1435.784, de 26/10/2011, in verbis: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DCTF. DCP. O crédito presumido de IPI somente poderá ter seu ressarcimento requerido à SRF após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado o referido crédito, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados até o terceiro trimestre calendário de 2002 e do Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP), na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O recurso voluntário foi interposto tempestivamente, reiterando os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, inclusive com a indicação de jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que alegadamente vincularia os membros deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos do art. 62A do Anexo II do seu Regimento Interno. Também insurgiuse a Recorrente quanto à fundamentação da instância a quo de que os créditos não teriam sido comprovados em DCTF. O processo foi digitalizado e posteriormente distribuído para este Conselheiro na forma regimental. É o relatório. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño O recursos voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual deve ser conhecido. Como já relatado, a discussão travada em sede recursal cingese à glosa integral do crédito presumido de IPI por falta de apresentação do DCP, uma vez que a Instrução Normativa SRF nº 323, de 2003, teria passado a exigir esse documento como condição para o aproveitamento dos créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002. Em suas razões recursais, a Recorrente alega que a referida norma não poderia ser aplicada retroativamente dado que a sua declaração de compensação fora processada antes da sua edição. Sendo mais específico, a declaração fora processada em 11/02/2003, ao passo que a instrução normativa foi editada em 24/04/2003. Ao tempo em que a declaração de compensação foi processada vigia o art. 14, § 4º, da Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002, em sua redação original, a saber: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 1º Os créditos do IPI que, ao final de um período de apuração, remanescerem da dedução de que trata o caput poderão ser mantidos na escrita fiscal do estabelecimento, para posterior dedução de débitos do IPI relativos a períodos subseqüentes de apuração, ou serem transferidos a outro estabelecimento da pessoa jurídica, somente para dedução de débitos do IPI, caso se refiram a: I – créditos presumidos do IPI, como ressarcimento das contribuições para o Programa de Integração Social e para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep) e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), previstos na Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e na Lei no 10.276, de 10 de setembro de 2001; [...] § 4º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem assim serem utilizados na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de apuração. No caso concreto, a Recorrente demonstrou que o crédito presumido de IPI foi informado na DCTF do quarto trimestrecalendário de 2002 (fls. 231/233). Fl. 261DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 13897.000363/200309 Acórdão n.º 3201001.538 S3C2T1 Fl. 239 5 Diante do exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para afastar a exigência do DCP, devendo os autos retornarem à autoridade preparadora para que seja homologada a compensação do crédito presumido de IPI até o limite dos valores comprovados pela Recorrente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 18/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por DANIEL MARIZ GUDINO
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Numero do processo: 19515.002430/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA À REGRA PROCEDIMENTAL.
Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e procedimental para a constituição do crédito tributário.
APLICAÇÃO DAS REGRAS PREVISTAS NA LEI 12.101/2009 E NO DECRETO 7.237/2010. POSSIBILIDADE. REGRAS PROCEDIMENTAIS.
A nova Lei 12.101/2009, apesar de revogar o art. 55 da Lei 8.212/1991, estabeleceu que o auto de infração relatará os fatos que demonstram o não atendimento dos requisitos para o gozo da imunidade.
LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. OCORRÊNCIA.
É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos determinados na legislação tributária, consignados na Lei 12.101/2009 e no Decreto 7.327/2010.
A motivação por remissão (per relationem ou aliunde), que consiste em se reportar às razões fáticas consignadas na fundamentação de outro documento do Fisco, poderá ser utilizada, desde que não haja previsão expressa na legislação tributária exigindo o relato dos fatos dentro do período do lançamento e no próprio auto de infração. Em outras palavras, os fatos evidenciados pelo Fisco deverão constar no próprio auto de infração relativo ao período do lançamento, sob pena de configuração da nulidade formal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.213
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular o lançamento por vício formal, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que entenderam se tratar de vício material.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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PATRONAL e SAT/GILRAT Recorrente SOCIEDADE BENEFICENTE ISRAELITA BRASILEIRA HOSPITAL ALBERT EINSTEIN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 LANÇAMENTO PREVENTIVO DA DECADÊNCIA. POSSIBILIDADE. NÃO OBSERVÂNCIA À REGRA PROCEDIMENTAL. Poderá ser realizado o lançamento das diferenças de contribuições previdenciárias destinado a prevenir a decadência, mesmo que haja discussão judicial ou administrativa da matéria, desde que seja observada à regra processual e procedimental para a constituição do crédito tributário. APLICAÇÃO DAS REGRAS PREVISTAS NA LEI 12.101/2009 E NO DECRETO 7.237/2010. POSSIBILIDADE. REGRAS PROCEDIMENTAIS. A nova Lei 12.101/2009, apesar de revogar o art. 55 da Lei 8.212/1991, estabeleceu que o auto de infração relatará os fatos que demonstram o não atendimento dos requisitos para o gozo da imunidade. LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DOS REQUISITOS DA AUTUAÇÃO. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. OCORRÊNCIA. É nulo o lançamento efetuado se não há a demonstração de todos os requisitos determinados na legislação tributária, consignados na Lei 12.101/2009 e no Decreto 7.327/2010. A motivação por remissão (per relationem ou aliunde), que consiste em se reportar às razões fáticas consignadas na fundamentação de outro documento do Fisco, poderá ser utilizada, desde que não haja previsão expressa na legislação tributária exigindo o relato dos fatos dentro do período do lançamento e no próprio auto de infração. Em outras palavras, os fatos evidenciados pelo Fisco deverão constar no próprio auto de infração relativo ao período do lançamento, sob pena de configuração da nulidade formal. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 24 30 /2 01 0- 74 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em anular o lançamento por vício formal, vencidos os conselheiros Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que entenderam se tratar de vício material. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002430/201074 Acórdão n.º 2402004.213 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e o adicional do RAT para financiamento da aposentadoria especial após 2 anos, previsto no art. 57, §§ 6° e 7°, da Lei 8.213/1991. O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 01/2007 a 12/2007. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 14/16) informa que os valores da base de cálculo (remuneração paga aos empregados e contribuintes individuais) foram declaradas nas GFIP’s. Entretanto, a entidade informou nas GFIP’s o código FPAS 639, próprio para as entidades isentas, motivo pelo qual, embora as remunerações tenham sido declaradas em GFIP, as contribuições referentes à quota patronal não o foram. Informa ainda que a entidade teve a isenção das contribuições previdenciárias cancelada mediante o Ato Cancelatório de Isenção n° 05/2006, de 07/12/2006, por não atender aos requisitos previstos nos incisos III (redação original), IV e V do artigo 55 da Lei 8.212/1991. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 12/08/2010 (fls. 01 e 79), por meio de correspondência postal enviada com Aviso de Recebimento (AR). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 24/57), alegando, em síntese, que: 1. os seus diretores devem ser excluídos da “Relação de Vínculos” do presente processo administrativo, já que as únicas hipóteses legais em que pessoas distintas do contribuinte poderiam ser solidariamente responsabilizadas pelo cumprimento de obrigações tributárias, estão previstas nos arts. 134 e 135 do CTN, sendo que tais hipóteses não ocorreram no presente caso; 2. o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias n° 05/2006 não pode ser executado enquanto pendente o julgamento do recurso interposto junto ao Conselho Administrativo de Recurso Fiscais, razão pela qual a sua isenção encontrase às inteiras; 3. a partir da edição da MP 446/2008, teve o seu pedido de renovação do CEBAS deferido, nos termos dos arts. 37 e 39, de modo que, como tinha o certificado válido até 31/12/2009 e protocolou o pedido de renovação tempestivamente, temse que o seu certificado continua válido, reconhecendoa com entidade imune às contribuições ora reclamadas; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 4. sendo a imunidade do art. 195, §7°, da CF, uma limitação ao poder de tributar, não pode 0 legislador ordinário criar outros requisitos para o seu gozo que não os do art. 14 do CTN, em face do disposto no art. 146, VI, “c”, da CF; 5. se pode entender como entidade beneficente de assistência social aquela que atende a pelo menos um dos requisitos estampados no art. 203, da Constituição Federal, que dispõe que a assistência social abrange a proteção e o amparo à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice, especialmente quando esta assistência visa favorecer os mais fracos; 6. a assistência social pode ser prestada pelo Estado e, complementarmente, por entidades privadas sem fins lucrativos, como no caso em questão, na medida em que realiza os programas de ação previstos nos artigos 203, 205 e 206, da Constituição Federal, sem prejuízo de fomentar a ciência e a tecnologia, na esteira do art. 218, do mesmo diploma legal; 7. o conceito de “sem fins lucrativos” não se confunde com o de gratuidade e o próprio art. 14, do CTN, não veda a possibilidade de uma instituição assistência sem fins lucrativos apresentar sobras financeiras, apenas proibindo que tais sobras sejam distribuídas; 8. o art. 14, do CTN, determina que as instituições de assistência social, para continuarem imunes, não devem ter fins lucrativos, devem aplicar seus recursos no país e realizar escrituração de livros próprios, bastando o cumprimento destes três requisitos para o exercício do direito à imunidade prevista no § 7° do art. 195 da CF. É hialina clareza que a Impugnante preenche todos os preceitos constitucionais e legais atinentes à imunidade tributária prevista no§ 7° do art. 195 da CF, razão pela qual não há motivo plausível para a exigência de recolhimento de contribuições sociais; 9. o próprio setor de Arrecadação da Diretoria da Receita Previdenciária, após um longo procedimento de análise documental, emitiu Ato Declaratório de reconhecimento de isenção da entidade, devendo ser salientado, que os documentos e as exigências para o exercício do direito à isenção vêm sendo demonstrados anualmente. O Certificado de Entidade de Assistência Social vem sendo renovado a cada três anos, dentro das exigências previdenciárias, o que comprova que é merecedora do benefício; 10. a multa foi imposta, de forma escalonada, com fundamento nos incisos I, II e II do art. 35 da Lei 8.212/91, que foram revogados pela Lei 11.941/09, que inseriu novo enunciado (art. 35A) dispondo que, nos lançamentos de oficio, a multa a ser aplicada corresponde a 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença da contribuição não recolhida. No entanto, referida multa, pelo seu montante, tem natureza confiscatória e é desprovida de razoabilidade, razão pela qual, na hipótese de se manter a penalidade, esta deverá ser reduzida a patamares nãoconfiscatórios, compatíveis com a infração imputada. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002430/201074 Acórdão n.º 2402004.213 S2C4T2 Fl. 4 5 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo I/SP – por meio do Acórdão 1628.349 da 14a Turma da DRJ/SPOI (fls. 83/94) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que a empresa deixou de fazer jus à isenção das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados e contribuintes individuais, e não promoveu o recolhimento delas. A Notificada apresentou recurso (fls. 98/122), manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados na notificação e no mais efetua repetição das alegações de defesa. A Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em São Paulo/SP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. I DA CONSTATAÇÃO DO VÍCIO O Fisco afirma que – em decorrência do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais (ACI) no 05/2006, expedido em 07/12/2006, (processo original 44023.000100/200647, processo 44023.000017/200759) – a Recorrente deverá recolher as contribuições sociais previdenciárias (parcela patronal), bem como as contribuições destinadas a outras Entidades/Terceiros, incidentes sobre a remuneração dos segurados declarada em folhas de pagamento Para materializar o fato gerador e o descumprimento dos requisitos para o gozo da imunidade, o Fisco registrou no Relatório Fiscal (fls. 14/16) os seguintes fatos: “[...] 2 Tratase de contribuinte diferenciado que se dedica à atividade econômica de atendimento hospitalar, tendo por missão promover o desenvolvimento da atividade social nos campos da assistência médicohospitalar, do ensino e da pesquisa, em nível de excelência, observados os direitos humanos à luz dos valores universais, conforme clausula segunda do seu Estatuto Social e que teve a isenção das contribuições patronais cancelada mediante o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Previdenciárias n°. 05/2006 de 07/12/2006, por não atender as determinações contidas nos incisos III (redação original), IV e V do artigo 55 da Lei n° 8.212/91, combinados com o artigo 206, incisos IV (redação original), V e VI do Regulamento da Previdência Social RPS (aprovado pelo Decreto n°. 3048/99) e respectivas alterações posteriores. 3 A empresa protocolou recurso contra o Ato Cancelatório acima mencionado, que se encontra atualmente pendente de julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. 4 Mesmo com as isenções canceladas e com o recurso pendente de julgamento, a entidade se considerou isenta das contribuições e declarou nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, das competências de 01 a 12 e 13° salário de 2007, o código do FPAS Fundo de Previdência e Assistência Social, que identifica a categoria econômica do Contribuinte, sob n°. 639, indicado para Entidade Filantrópica (Lei n°. 3.577/59 e DecretoLei n°. 1.572/77) e Entidade Beneficente de Assistência Social, com isenção, e, portanto o sistema deixou de calcular as contribuições previdenciárias de sua responsabilidade, constante dos incisos I, II e III do art. 22 da Lei 8212/91, o que constitui infração à Lei 8.212/91, art. 32, Fl. 182DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002430/201074 Acórdão n.º 2402004.213 S2C4T2 Fl. 5 7 inciso IV, parágrafo 9°, com a redação dada pela Lei n° 11.941/2009. [...]” (Relatório Fiscal, fls. 14/16) A partir do fato de que a Recorrente, embora estivesse com o recurso do Ato Cancelatório pendente de julgamento, teve a imunidade/isenção das contribuições patronais cancelada, o Fisco entende que a entidade não poderia declarar nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP), competências 01/2007 a 13/2007, o código do FPAS n° 639, indicado para Entidade Filantrópica. Com isso, mesmo existindo discussão administrativa da matéria, o Fisco realizou o lançamento fiscal destinado a prevenir a decadência da contribuição previdenciária patronal. Extraise ainda do Relatório Fiscal que – a partir dos elementos fáticos consubstanciados no Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais (ACI) no 05/2006, expedido em 07/12/2006 – o Fisco apontou que a Recorrente não atendia os requisitos dos incisos III (redação original), IV e V do artigo 55 da Lei 8.212/1991 para o gozo da imunidade, registrando, assim, uma motivação por remissão (per relationem ou aliunde1), que consiste em se reportar às razões fáticas consignadas na fundamentação de outro documento do Fisco, no caso em tela o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais (ACI) no 05/2006. Ocorre, contudo, que na época do lançamento fiscal, lavrado em 05/08/2010 (fl. 02), o Fisco não observou às regras processuais e procedimentais estabelecidas pela nova Lei 12.101, publicada em 30/11/2009, e regulamentada pelo Decreto 7.327 de 20/07/2010. Essa nova Lei revogou totalmente a matéria concernente aos requisitos, previstos no art. 55 da Lei 8.212/1991, para o gozo da imunidade condicionada da contribuição previdenciária patronal, bem como estabeleceu novas regras processuais e procedimentais para a lavratura do auto de infração. Sobrevindo, então, a Lei 12.101/2009, que estabeleceu novas regras para o gozo da imunidade condicionada prevista no art. 195, § 7° da Constituição Federal e foi regulamentada pelo Decreto 7.327 de 20/07/2010, importa estar atento o Fisco verificar se no novo estatuto de direito, para o gozo da imunidade, não constou alguma regra que possa ter cunho instrumental (procedimental e processual) e que seja diversa da que anteriormente vigorava no bojo do art. 55 da Lei 8.212/1991, esta regulamentada pelo Decreto 3.048/1999. Na vigência do art. 55 da Lei 8.212/1991 e no caso em que a entidade gozava de imunidade preestabelecida pelo cumprimento dos requisitos da lei2, observase que o Fisco, antes da lavratura do auto de infração para a constituição do crédito tributário da contribuição patronal, teria que realizar um Ato Cancelatório da imunidade (§ 4o do art. 55 da Lei 8.212/19913), motivando as razões fáticas do descumprimento dos requisitos previstos nos incisos I a V desse mesmo artigo4. Aqui, para a lavratura do auto de infração, o requisito 1 Motivação aliunde = motivação em outro lugar. É a motivação exteriorizada em outro lugar, em outro documento. 2 Ressaltase que, antes do Ato Cancelatório de Imunidade (ACI) n. 05/2006, havia reconhecimento formal de isenção/imunidade a favor da Recorrente. 3 Art. 55. (...) § 4o O Instituto Nacional do Seguro Social INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo. 4 O art. 55 da Lei 8.212/1991, antes da Lei 12.101/2009, estabelecia os seguintes requisitos: Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: I seja reconhecida como de utilidade pública federal e estadual ou do Distrito Federal ou municipal; Fl. 183DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 procedimental era configurado por um atocondição5 de cancelamento da imunidade, sendo que tal ato era autônomo em relação ao lançamento da contribuição previdenciária patronal e decorria exclusivamente de regra expressa na lei, no caso em tela § 4o do art. 55 da Lei 8.212/1991. Por sua vez, na vigência da Lei 12.101/2009 e do Decreto 7.327/2010, não é necessário que o Fisco realize o Ato Cancelatório da imunidade (atocondição) para proceder o lançamento fiscal da contribuição patronal, devendo apenas relatar, no mesmo processo de constituição do auto de infração, os fatos que demonstram, dentro do período correspondente, o não atendimento de tais requisitos para o gozo da imunidade (art. 32 da Lei 12.101/20096). Posteriormente, essa Lei 12.101/2009 foi regulamentada pelo Decreto 7.327/2010, que trouxe em seu bojo a norma do art. 457, determinado que os processos para cancelamento de imunidade/isenção não definitivamente julgados deveriam ser encaminhados ao Fisco para a verificação do cumprimento dos requisitos da imunidade na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei 12.101/2009, aplicandose a legislação vigente à época do fato gerador. Logo, essa norma do art. 45 do Decreto 7.327/2010 trouxe regras, de observância pelo Fisco, tanto de caráter instrumental (processual e procedimental) como de caráter material. Aliás, sem embargo da autonomia científica do estudo do direito processual, a moderna doutrina do processo não se cansa de ressaltar seu caráter instrumental, o que o coloca em irrecusável simbiose junto ao direito material. Daí o registro lembrado pelo doutrinador LEONARDO JOSÉ CARNEIRO DA CUNHA no seguinte sentido: “direito processual sofre ingentes influxos do direito material, com a estruturação de procedimentos adequados ao tipo do direito material, adaptando a correlata tutela jurisdicional. Não é estranho, inclusive, haver normas processuais em diplomas de direito material e, de outro lado, normais materiais em diplomas processuais (chamadas pela doutrina de normas heterotópicas” 8. Nesse caminhar, percebese, então, que a regra do art. 32 da Lei 12.101/2009 – que prevê o relato dos fatos que demonstram, dentro do período correspondente, o não II seja portadora do Certificado e do Registro de Entidade de Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de Assistência Social, renovado a cada três anos; III promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência; IV não percebam seus diretores, conselheiros, sócios, instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam vantagens ou benefícios a qualquer título; V aplique integralmente o eventual resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS competente, relatório circunstanciado de suas atividades. 5 Atocondição é todo aquele que se antepõe a outro para permitir a sua realização. Assim, ele destinase a remover obstáculo à prática de certa atividade pelo Fisco, para a qual se exige a satisfação prévia de determinado requisitos. Ensinamentos capitaneados pelo saudoso Hely Lopes Meirelles (obra Direito administrativo brasileiro. 34 Edição. São Paulo: Malheiros, 2008). 6 Lei 12.101/2009: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1o Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2o O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. 7 Decreto 7.327/2010. Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. 8 CUNHA, Leonardo José Carneiro da. Algumas regras do Novo Código Civil e sua repercussão no Processo Prescrição, Decadência etc. Revista Dialética de Direito Processual, v. 5, p. 69, agosto 2003. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002430/201074 Acórdão n.º 2402004.213 S2C4T2 Fl. 6 9 atendimento dos requisitos para o gozo da imunidade –, analisada de forma isolada, é uma norma eminentemente de caráter procedimental. Já a regra do art. 45 do Decreto 7.327/2010 – que prevê o retorno dos processos de cancelamento de imunidade/isenção, não definitivamente julgados, à unidade de origem, para a verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei 12.101/2009, aplicandose a legislação vigente à época do fato gerador –, tem de forma preponderante natureza processual. Assim, ambas as regras têm aplicação imediata aos processos em curso (art. 1.211 do CPC9). Segundo a norma do art. 1.211 do CPC, a lei que disciplina o ato processual é aquela em vigor no momento em que ele é praticado, ou seja, a publicação e a entrada em vigor de nova lei só atingem os atos ainda por serem praticados, isso é consignado pelo STJ de “Teoria dos Atos Processuais Isolados10” (Resp 1404796/SP). Nesse mesmo sentido, o STJ afirmou, em sede de Recurso Ordinário em Mandado de Segurança (RMS) 37898 PR 2012/00938790, publicado em 13/03/2013, que a norma de natureza procedimental tem aplicação imediata aos processos em curso, transcrevo partes do Voto: “[...] Ementa: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA. COMPENSAÇÃO DE DÉBITOS TRIBUTÁRIOS COM CRÉDITO DE PRECATÓRIO VENCIDO E NÃO PAGO. SUPERVENIÊNCIA DA EC 62 /09. REVOGAÇÃO DO ART. 78 DO ADCT. DECRETO 6.335 /10, QUE INSTITUIU O NOVO REGIMENO ESTADO DO PARANÁ. VIOLAÇÃO AO DIREITO ADQUIRIDO. INEXISTÊNCIA.ART. 78, § 2º, DO ADCT. SUSPENSÃO PELO STF DA EFICÁCIA DO ART. 2º DAEC 30/2000, QUE INTRODUZIU O REFERIDO DISPOSITIVO (ADI´S 2.356MC E2.362MC). 1. Discutese no caso a possibilidade de compensação de débitos fiscais com créditos de precatórios cedidos por terceiros, em virtude da edição da EC 62/2009, que estabeleceu novo regime para pagamento de precatórios vencidos. (...) 3. No caso, o Estado do Paraná editou o Decreto Estadual 6.335/10, que instituiu o novo regime para pagamento de precatórios previsto pela EC 62 /09 em âmbito estadual. 4. "A nova sistemática implementada pela EC 62/09 aplicase imediatamente aos processos em curso, pois se trata 9 Código de Processo Civil (CPC): Art. 1.211. Este Código regerá o processo civil em todo o território brasileiro. Ao entrar em vigor, suas disposições aplicarseão desde logo aos processos pendentes. 10 PROCESSUAL CIVIL. EXECUÇÃO FISCAL. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C DO CPC. CONSELHO DE FISCALIZAÇÃO PROFISSIONAL. ART. 8º DA LEI 12.514/2011. INAPLICABILIDADE ÀS AÇÕES EM TRÂMITE. NORMA PROCESSUAL. ART. 1.211 DO CPC. "TEORIA DOS ATOS PROCESSUAIS ISOLADOS". PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. 4. Ocorre que, por mais que a lei processual seja aplicada imediatamente aos processos pendentes, devese ter conhecimento que o processo é constituído por inúmeros atos. Tal entendimento nos leva à chamada "Teoria dos Atos Processuais Isolados", em que cada ato deve ser considerado separadamente dos demais para o fim de se determinar qual a lei que o rege, recaindo sobre ele a preclusão consumativa, ou seja, a lei que rege o ato processual é aquela em vigor no momento em que ele é praticado. Seria a aplicação do Princípio tempus regit actum. Com base neste princípio, temos que a lei processual atinge o processo no estágio em que ele se encontra, onde a incidência da lei nova não gera prejuízo algum às parte, respeitandose a eficácia do ato processual já praticado. Dessa forma, a publicação e entrada em vigor de nova lei só atingem os atos ainda por praticar, no caso, os processos futuros, não sendo possível falar em retroatividade da nova norma, visto que os atos anteriores de processos em curso não serão atingidos. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 de norma de natureza procedimental, não existindo direito adquirido à manutenção de regime jurídico" (RMS 36920/SP, Rel. Ministro Castro Meira,Segunda Turma, DJe 28/03/2012). 5. Por fim, cumpre registrar que o STF deu provimento às medidas cautelares nas ADI´s 2.356MC e 2.362MC para suspender a eficácia do art. 2º da EC 30 /2000, que introduziu o art. 78 no ADCT da Constituição Federal, razão pela qual os seus dispositivos (que asseguram aos precatórios ali previstos o poder liberatório do pagamento de tributos) já não mais podem ser invocados perante o Judiciário. Sobre o tema: AgRg no RMS 36.179/PR , Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 07/12/2011. 6. Recurso ordinário a que se nega provimento. [...]” (STJ RMS 37898 PR 2012/00938790, data de publicação: 13/03/2013) No caso dos autos, as regras do art. 32 da Lei 12.101/2009 (vigência em 30/11/2009) e do art. 45 do Decreto 7.327/2010 (vigência em 20/07/2010) impõem restrições para o momento em que o lançamento fiscal é efetuado, devendo o Fisco observálas no momento de lavratura do auto de infração (05/08/2010, fl. 02), já que elas exigiam o relato dos fatos que demonstrassem, dentro do período do lançamento fiscal, o não atendimento dos requisitos para o gozo da imunidade no mesmo processo de constituição do auto de infração, fato este não observado pelo Fisco. Fato é que o Fisco remeteu para o Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais (ACI) no 05/2006, expedido em 07/12/2006, os fatos que demonstravam o não atendimento dos requisitos previstos nos incisos III, IV e V do art. 55 da Lei 8.212/1991 para o gozo da imunidade, fazendo uma motivação “per relationem” ou “aliunde” (em outro lugar), e não relatou no próprio processo de constituição do auto de infração tais fatos. Com isso, houve o descumprimento das regras instrumentais (procedimental e processual) previstas no art. 32 da Lei 12.101/2009 e no art. 45 do Decreto 7.327/2010, que exigiam o relato no próprio processo de constituição do auto de infração, e buscavam viabilizar a materialização dos fatos dentro do período do lançamento fiscal. Isso ocasionou um vício formal, eis que o Fisco não materializou tais fatos, dentro do período do lançamento fiscal, no mesmo processo de constituição do auto de infração, e, por consectário lógico, não há como ter acesso à defesa e, contraditar a infração imputada à Recorrente, sem que todos os requisitos estejam presentes no procedimento de auditoria fiscal realizado pelo Fisco, seja no Relatório Fiscal ou Relatório Complementar, seja em outros documentos inseridos nos autos. Para os doutrinadores Carvalho Filho e Hely Lopes, a motivação “per relationem” ou “aliunde” é aquela realizada com base em laudos, pareceres ou relatórios anteriormente emitidos, no caso dos autos a emissão do Ato Cancelatório da imunidade, como forma de cumprimento da motivação e tem fundamento no art. 50, §1o, da Lei 9.784/199911. Entretanto, com o advento da Lei 12.101/2009, não há espaço jurídico para se permitir o uso dessa técnica, já que, no momento da lavratura deste auto de infração, existiam regras instrumentais expressas em sentido contrário (art. 32 da Lei 12.101/2009 e art. 45 do Decreto 7.327/2010). Registrase, ainda, que o STJ tem entendimento de que a inobservância do rito procedimental ocasiona a nulidade do processo, sendo dispensável a demonstração do 11 Lei 9.784/1999. Art. 50. (...). § 1o. A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão integrante do ato. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.002430/201074 Acórdão n.º 2402004.213 S2C4T2 Fl. 7 11 prejuízo (STJ – Habeas Corpus HC 66118/SP 2006/01978104, data de publicação: 16/06/2008). Diante dos relatos delineados anteriormente, está claro que faltam requisitos para a validade da presente autuação, requisitos estes que são necessários para o exercício da ampla defesa e do contraditório da Recorrente, pois o Fisco, ao realizar o lançamento fiscal, não observou à regra procedimental expressa em lei (art. 32 da Lei 12.101/2010) nem observou a regra processual do art. 45 do Decreto 7.327/2010, sendo que esta última regra também deveria ter sido observado pela DRJ. Logo, restou prejudicado o direito de defesa da Recorrente, pois foi lhe imputada autuação sem a descrição clara e precisa da motivação jurídica. Ademais, como regras jurídicas que são (art. 45 do Decreto 7.327/2010 e art. 32 da Lei 12.101/2010), configuradas como normas instrumentais sobre o processo e para o procedimento de auditoria fiscal (ordem legal expressa em que se aponta quando ou de que maneira deve o ato se produzir), devem ser primariamente observadas, até mesmo, inclusive, pela superabilidade que ostentam frente ao restante do ordenamento. Aqui, compactuamos da tese de Humberto Ávila, cujo trecho passamos a expor: “[...] 2.4.9.3 Superabilidade das regras: 2.4.9.3.1: Justificativa da obediência a regras. Podese sustentar que as regras devem ser obedecidas apenas por serem regras. Tratase da antiga idéia de Montaigne segundo a qual as leis devem ser obedecidas não porque são justas, mas porque são leis. Nesse aspecto, a justificativa da obediência às regras centrase na idéia de autoridade. Esta justificativa cria, obviamente, uma resistência muito grande às regras, ainda mais quando se sabe que sua aplicação provoca, em situações específicas, um resultado injusto. Podese, no entanto, sustentar que as regras devem ser obedecidas não apenas por serem regras, mas, sim, porque sua obediência é, enquanto tal, positiva, por vários motivos. Em primeiro lugar, como as regras tem a função de prédecidir o meio de exercício do poder, elas afastam a incerteza que surgiria caso não tivesse sido feita esta escolha (...) Em segundo lugar, além de afastar a controvérsia e a incerteza, a opção pelas regras tem a finalidade de eliminar ou reduzir a arbitrariedade que pode potencialmente surgir no caso de aplicação direta de valores morais (...) Em terceiro lugar, a opção pelas regras tema finalidade de evitar problemas de coordenação, deliberação e conhecimento (...). Essas considerações demonstram, em suma, que as regras não devem ser obedecidas somente por serem regras e serem editadas por uma autoridade. Elas devem ser obedecidas, de um lado, porque sua obediência é moralmente boa e, de outro, porque produz efeitos relativos a valores prestigiados pelo próprio ordenamento jurídico, como segurança, paz e igualdade. Ao contrário do que a atual exaltação dos princípios poderia fazer pensar, as regras não são normas de segunda categoria. Bem ao contrário, elas desempenham uma função importantíssima de solução previsível, eficiente e geralmente equânime de solução de conflitos sociais”. [...]” (g.n.) (Professor Humberto Ávila, obra Teoria dos Princípios, da definição à aplicação dos Fl. 187DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 princípios jurídicos; Ed. Malheiros, 7ª Ed. São Paulo, 2007. P 112/114) II DA NATUREZA DO VÍCIO Sobre o vício praticado entendo ser o mesmo de natureza formal, pois o Fisco delineou uma motivação instrumental (procedimental e processual) equivocada do contexto legal, ensejando um lançamento que, conquanto identifique a infração imputada, não atende de forma adequada a determinação da sua exigência nos termos da legislação tributário previdenciária. De mais a mais, com a declaração de nulidade por vício formal, a situação de fato e de direito que permeia o fato gerador da contribuição previdenciária patronal não se modificará, permanecendo intangível – tanto nos registros contábeis da Recorrente como na legislação aplicável à época de sua ocorrência – os elementos (ou aspectos) que compõem tal fato gerador. Logo, não há que se falar em vício material, já que o vício apontado anteriormente não atinge os elementos substanciais desse fato gerador; em outras palavras o vício evidenciado nos autos não atinge os elementos enumerados no art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (g.n.) Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso e DARLHE PROVIMENTO, para reconhecer a nulidade do presente lançamento por vício formal, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 27/08/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 29/08/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10480.731757/2011-16
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
NÃO PRONUNCIAMENTO SOBRE QUESTÕES POSTAS NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
O julgamento de assunto em segunda instância de julgamento administrativo, sem que a autoridade de primeiro grau tenha se pronunciado a respeito, importa em preterição do direito de defesa, capaz de ocasionar a nulidade do acórdão recorrido.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2802-003.097
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, ANULAR a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos ao Órgão Julgador de primeira instância, para que, em novo julgamento, examine integralmente a matéria nos termos expostos pelo contribuinte na impugnação. O Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 NÃO PRONUNCIAMENTO SOBRE QUESTÕES POSTAS NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O julgamento de assunto em segunda instância de julgamento administrativo, sem que a autoridade de primeiro grau tenha se pronunciado a respeito, importa em preterição do direito de defesa, capaz de ocasionar a nulidade do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Provido em Parte
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O julgamento de assunto em segunda instância de julgamento administrativo, sem que a autoridade de primeiro grau tenha se pronunciado a respeito, importa em preterição do direito de defesa, capaz de ocasionar a nulidade do acórdão recorrido. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, ANULAR a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos ao Órgão Julgador de primeira instância, para que, em novo julgamento, examine integralmente a matéria nos termos expostos pelo contribuinte na impugnação. O Conselheiro Ronnie Soares Anderson acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 73 17 57 /2 01 1- 16 Fl. 66DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson e Carlos André Ribas de Mello. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 27 a 32, formalizada para exigência de crédito tributário relativo ao imposto de renda pessoa física, em virtude da glosa de dedução indevida de dependentes e de despesas com instrução, por falta de comprovação da relação de dependência, relativamente ao anocalendário de 2009, exercício financeiros de 2010. Em sua impugnação, fls. 2/3, instruída com os documentos de fls. 4 a 15, a interessada menciona “ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE”. Às fls. 17, a contribuinte apresentou petição, instruída com os documentos de fls. 18 a 24, na qual informa ser portadora de moléstia grave por cardiopatia grave desde 20/10/2009, conforme declaração prestada pelo serviço médico do Ministério da Saúde em Pernambuco, assinada por três peritos, apresentada com a impugnação. Informa também que, em consulta ao plantão fiscal, verificou a necessidade de se juntar o comprovante de rendimentos pagos, referente ao ano de 2009, para fins de incluir a parcela de R$18.649,67 (correspondente aos proventos de aposentadoria paga aos maiores de 65) aos rendimentos tributáveis declarados no valor de R$65.395,28 e também para servir de base para a redução proporcional dos rendimentos isentos em face da cardiopatia grave diagnosticada em 29/10/2009. A DRJ em Recife/PE, fls. 35 a 39, considerou improcedente a impugnação, reputando não impugnada a matéria relativa à glosa da dedução de dependentes e de despesas com instrução e, fundamentandose no art. 39, § 5º, inciso III do RIR/99, concluiu: Da apreciação das alegações da contribuinte e do laudo médico emitido pela Junta Médica do Recursos Humanos Perícia Médica do Ministério da Saúde fls. 05, reconheceu ser a contribuinte portadora de cardiopatia grave com diagnóstico em 29/10/2009. Assim sendo, somente os proventos de aposentadoria ou pensão recebidos a partir de 1º de outubro de 2010, estão isentos do imposto de renda. Cientificada em 13/08/2012, fls. 42, a interessada interpôs recurso voluntário em 29/08/2102, alegando, em síntese, que se enquadra nos requisitos de isenção do imposto de renda previstos no manual do imposto de renda e da Instrução Normativa nº 600, de 2005. Informa que em solicitação com os fatos descritos expôs a necessidade de revisão da sua declaração de ajuste anual tendo em vista que constatara erro no preenchimento nas rubricas que relaciona. Informa também que já pagou a importância de R$8.927,95 referente ao imposto devido no exercício anterior (2009), em consequência de erros cometidos pela mesma pessoa que contratara para elaborar sua declaração de rendimentos; não teve intenção de sonegar imposto de renda. Solicita a revisão da cobrança do valor de R$9.911,09 realizada através da intimação 762/2012, recebida em 08 de agosto de 2012, por comprovar que houve lançamentos indevidos nos rendimentos tributáveis. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10480.731757/201116 Acórdão n.º 2802003.097 S2TE02 Fl. 67 3 É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Preliminarmente, observese que, do exame do conteúdo da impugnação apresentada constatase que o contribuinte pleiteou que fosse adicionada a parcela de R$18.649,67 (correspondente aos proventos de aposentadoria paga aos maiores de 65) aos rendimentos tributáveis declarados no valor de R$65.395,28, para que servisse de base para a redução proporcional dos rendimentos isentos em face da cardiopatia grave diagnosticada em 29/10/2009. A decisão recorrida, contudo, não se pronunciou a respeito de tal pleito. Sequer foi mencionado no relatório do acórdão proferido em primeira instância a petição e os documentos que instruíram a petição juntada aos autos às fls. 17 a 24. O julgamento de assunto nessa segunda esfera de julgamento administrativo, sem que a autoridade de primeiro grau tenha se pronunciado a respeito, importaria em supressão de instância, o que enseja a declaração de nulidade do Acórdão nº 1137.714 1ª Turma da DRJ/REC, consoante disposição expressa no art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235, de 1972. Em face do exposto, voto por ANULAR a decisão recorrida e determinar o retorno dos autos ao Órgão Julgador de primeira instância, para que, em novo julgamento, examine integralmente a matéria nos termos expostos pelo contribuinte na impugnação. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 68DF CARF MF Impresso em 30/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/09/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10825.000668/2005-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Sendo o contribuinte o titular da conta bancária que ensejou o lançamento, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo.
No lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a simples alegação de que os recursos depositados nas contas bancárias da contribuinte pertenceriam a uma terceira pessoa, quer seja pessoa jurídica ou física, sem a efetiva comprovação desse fato, não desqualifica o titular da conta como sujeito passivo, no caso de lançamento com base no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Sendo o contribuinte o titular da conta bancária que ensejou o lançamento, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo. No lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a simples alegação de que os recursos depositados nas contas bancárias da contribuinte pertenceriam a uma terceira pessoa, quer seja pessoa jurídica ou física, sem a efetiva comprovação desse fato, não desqualifica o titular da conta como sujeito passivo, no caso de lançamento com base no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Recurso Negado
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. INOCORRÊNCIA. Sendo o contribuinte o titular da conta bancária que ensejou o lançamento, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo. No lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a simples alegação de que os recursos depositados nas contas bancárias da contribuinte pertenceriam a uma terceira pessoa, quer seja pessoa jurídica ou física, sem a efetiva comprovação desse fato, não desqualifica o titular da conta como sujeito passivo, no caso de lançamento com base no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430/1996. Por disposição legal, caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em conta bancária mantida junto à instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos relativos a essas operações, de forma individualizada. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 06 68 /2 00 5- 20 Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Auto de Infração contra a contribuinte acima qualificada, relativo aos exercícios 2003, 2004, que exige crédito tributário no valor de R$ 773.927,91, acrescida multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 31/03/2005. Conforme se depreende da “Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais” à fl. 06, a autoridade fiscal em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela contribuinte, apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. O contribuinte, regularmente intimado a apresentar justificativa sobre a origem de depósitos especificados, omitiuse quanto aos depósitos listados às fls. 14/24. Cientificada da exigência tributária em 12/04/2005 (fl. 04) e, inconformada com o lançamento lavrado pelo Fisco, a autuada apresentou impugnação em 11/05/2005 (fls. 370/386), acompanhada dos documentos de fls. 387 e seguintes, alegando em síntese o que segue: a) Não escapa ao mais desavisado observador a confissão expressa da utilização das contas bancárias auditadas, para a movimentação financeira da empresa COLLECTOR IND. E COM. DE PRODUTOS HOSPITALARES LTDA, CNPJ 02.710.676/000102, da qual a Impugnante era sócia cotista. Este esclarecimento estaria a deslocar o pólo passivo da obrigação tributária, devendo o Fisco diligenciar a respeito; b) a Impugnante foi intimada a comprovar apenas a origem dos depósitos apurados em contas correntes bancárias, e não a origem de todos os créditos lançados nas referidas contas. Desta forma, não poderia o Fisco arrolar para a tributação valores lançados nas contas correntes a títulos outros, tais como "DOC", "CEI", "TED", "TBI", "AG. TEF", "CEI TEF", "TRANSFERÊNCIA", etc. c) o art. 38, §§ 1° e 7°, da Lei n. 4.595/64, previa a possibilidade de quebra do sigilo bancário apenas por decisão judicial, o que não foi observado pela Fiscalização; d) Somente lei complementar pode definir fato gerador de tributos; e) Os extratos bancários, por si só, não autorizam a presunção de omissão de receita, não servindo assim de meio idôneo para a apuração de crédito tributário. As movimentações bancárias não são suficientes para comprovar o ingresso de riqueza, podendo, em última análise, apenas representar presunção simples ou indícios. f) O procedimento violenta o princípio da capacidade contributiva e do não confisco; Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10825.000668/200520 Acórdão n.º 2102002.993 S2C1T2 Fl. 469 3 g) A legislação não obriga as pessoas físicas a manter escrituração de receitas e despesas capazes de identificar a origem dos depósitos bancários; 3.1. Protesta, ainda na impugnação: “Os extratos bancários contém identificação de transferências efetuadas de contas do progenitor Luiz Antonio Damico Cairo e do irmão Renan Santana Cairo, da pessoa jurídica COLLECTOR e, também, das empresas de fomento mercantil BAURUFAC DE FOMENTO FINANCEIRO e CENTRO INVEST DE FOMENTO MERCANTIL LTDA. Fácil constatar que as contas bancárias serviram exclusivamente aos interesses da empresa COLLECTOR,diretamente ou através do progenitor e irmão da peticionaria. Com isso, encontrase perfeitamente identificada a origem das importâncias movimentadas, impossibilitando a aplicação da presunção de que trata o artigo 42, da Lei n° 9.430/96. Demonstra, também, descaso na análise individualizada dos créditos, requisito indispensável à legitimidade da tributação, conforme disposto no parágrafo 2°, do dispositivo supramencionado. As planilhas anexas, totalizadas mês a mês, elaboradas a partir dos lançamentos efetuados nas contas bancárias retratam as origens dos recursos nelas ingressados, cabendo observar que a menção da empresa CENTRO FOMENTO MERCANTIL e BAURUFAC DE FOMENTO FINANCEIRO devese a desconto de duplicatas e/ou cheques de titularidade de pessoa jurídica COLLECTOR da qual a peticionaria foi sócia. E, uma vez justificada a origem dos recursos, descabe a tributação com base no referido artigo 42, da Lei n° 9.430/96. Conhecida a motivação dos créditos, deveriam ser expurgados pela própria fiscalização e atribuídos à pessoa jurídica, que também seria o sujeito passivo de eventual autuação deles decorrentes. Em assim sendo, em relação aos mesmos, não fosse a latente nulidade da exação, resta configurado erro na identificação do sujeito passivo. Por todas essas circunstâncias, se o auto não fosse nulo em conseqüência dos vícios apontados, o trabalho apresentado pela fiscalização contém imprecisões na apuração da matéria tributável. É totalmente improcedente pelas imperfeições e incertezas em que se fundamenta. Mesmo se fosse legítima a tributação de depósitos bancários, e não fosse reconhecida a nulidade das autuações ora combatidas, é imperioso reconhecer que o rendimento tido por omitido a cada mês, deve ser computado como disponibilidade no mês seguinte, pois a fiscalização não logrou provar o consumo dessa pretensa renda.” Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 A Turma de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme excertos do voto transcritos abaixo: “[...] o legislador estabeleceu, uma presunção legal de omissão de rendimentos. Não logrando o titular comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, temse caracterizado o montante do fato gerador, ou seja, os recursos depositados traduzem rendimentos do contribuinte. O fato gerador foi constatado com base no art. 43, II, do CTN, que prescreve que o imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no conceito de renda. Há a inversão do ônus da prova, característica das presunções legais relativas — o contribuinte é quem deve demonstrar que o numerário creditado não é renda ou provento tributável. Alertese que não cabe à autoridade administrativa afastar a eficácia de lei. 11. O objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo. Os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. 12. É perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei. O depósito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. 13. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea, a sua origem, fato descrito no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, correta é a autuação. A justificativa para cada depósito deve ser acompanhada de provas a cargo do contribuinte. As alegações apresentadas na Impugnação (as contas bancárias serviram exclusivamente aos interesses da empresa COLLECTOR, diretamente ou através do progenitor e irmão da peticionaria) carecem de elementos probatórios. Qualquer alegação efetuada para justificar cada depósito deve ser comprovada documentalmente e individualizadamente, conforme prescreve a art. 42 da Lei 9.430/96. E tal comprovação não ocorreu. [...] Pelo exposto. voto por considerar procedente o lançamento contestado.” A contribuinte foi cientificada do Acórdão n° 0111.889 da 2ª Turma da DRJ/BEL em 20/10/2008. Sobreveio Recurso Voluntário, datado de 07/11/2008 (fls. 419/437), acompanhado dos documentos de fls. 429 e seguintes. Em suma, a Recorrente arguiu que: Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10825.000668/200520 Acórdão n.º 2102002.993 S2C1T2 Fl. 470 5 “[...] 1 Da Decisão e Razões Recursais 1.1 Do Erro na Identificação do Sujeito Passivo A preliminar de nulidade suscitada na peça vestibular, caracterizada por erro na identificação do sujeito passivo, não foi apreciada pela Turma Julgadora. Como se verifica, o aspecto nuclear daquela arguição é efetiva titularidade da movimentação bancária, cujos créditos foram tomados como pretensos rendimentos. Como já esclarecido na impugnação, desde o inicio do procedimento fiscal o Recorrente informou que era apenas o titular de direito das contas bancárias mantida junto aos Bancos Itaú e Bradesco. A movimentação dos recursos era efetuada por seu progenitor Luiz Antonio Damico Cairo CPF n°. 335.838.40801, no interesse da pessoa jurídica Collector Ind. e Com. de Produtos Hospitalares Ltda CNPJ n°. 02.710.676/0001 02. A titularidade de fato da movimentação bancária desenvolvida nas referidas instituições financeiras sempre foi da pessoa jurídica Collector, cuja fiscalização, concluída em 12/04/2005 processo n°. 10825. 000667/200585 — ensejou o envolvimento da ora Recorrente, e o conseqüente exame das contas bancárias mantidas em seu nome. A vinculação dos créditos nelas efetuados com aquela pessoa jurídica não demanda Maiores investigações. Os extratos constantes do presente processo noticiam muitas transferências por ela efetuadas para a conta mantida em nome da Recorrente, constituindo os próprios extratos bancários, comprovantes hábeis e idôneos da titularidade de fato da movimentação ocorrida. Igualmente, observase do histórico de muitos lançamentos, créditos originados de transferências bancárias promovidas por seu progenitor, sócio majoritário da Collector, Luiz Antonio Damico Cairo, CPF n°. 335.838.40801, e do irmão Renan Santana Cairo, CPF n°. 332.794.83808, para as mesmas contas da Recorrente, no interesse das operações sociais daquela pessoa jurídica mencionada, cuja fiscalização desencadeou reflexos em toda a família. Além do envolvimento do sócio e seus familiares nas operações sociais da Collector, sua administração buscou, também, socorro junto às empresas de fomento mercantil "CENTRO INVEST.FOMENTO MERCANTIL" e "BAURUFAC", que reiteradamente figuram dos extratos como autoras de transferências bancárias decorrentes do desconto de duplicatas. [...] Como já salientado, a fiscalização da pessoa jurídica também repercutiu em toda a família do sócio majoritário Luiz Antonio Damico Cairo, cuja pessoa física foi autuada conforme processo Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 n°. 10825.000670/200507, e também seu filho Renan Santana Cairo, irmão da Recorrente processo n°. 10825.000669/2005 74. O envolvimento das contas particulares de todas essas pessoas físicas nas operações da empresa tornouse evidente à ação fiscal, motivando a extensão dos trabalhos. Evidentemente, essas circunstâncias não podem ser olvidadas na solução do contencioso. Embora a Turma Julgadora tenha se esquivado de analisálas, constituem elementos de provas veementes, reveladores da efetiva titularidade da movimentação bancária objeto do lançamento, no caso, inegavelmente, a Collector Ind. e Com. de Produtos Hospitalares Ltda, e seu sócio majoritário Luiz Antonio Damico Cairo. [...] Pelos históricos assinalados nos extratos, não restam dúvidas que os recursos ingressados nas contas bancárias auditadas não são de titularidade do Recorrente, mas sim de interesse da pessoa jurídica Collector e de seu sócio majoritário. Inegavelmente, a autuação incidiu em erro na eleição do sujeito passivo, pois as indigitadas contas não traduzem operações de interesse do Recorrente. [...] 2 Do Mérito 2.1. A tributação dos depósitos bancários [...] Verificase, pois, que a tributação do valor dos depósitos bancários como omissão de receitas já se vicia desde a sua fonte, posto que a sua determinação como fato gerador do imposto de renda somente seria cabível por meio de lei complementar. Depósitos ou créditos bancários, isoladamente considerados, não constituem rendimentos, pois faltam lhes elementos capazes de exteriorizar a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos. Portanto, não constituem fatos geradores do imposto de renda. 2.2 A Análise da Tributação O Termo de Início de Fiscalização formaliza intimação para comprovação da origem dos recursos depositados em contas correntes bancarias, mediante documentação hábil e idônea, isto apesar do contribuinte não estar obrigado a escriturar as operações que pratica e guardar comprovantes da movimentação bancária e sua origem. O Auto de Infração, por sua vez, constitui o credito tributário a título de "Omissão de Rendimentos Caracterizada Por Depósitos Bancários Com Origem Não Comprovada", insistindo na falta de comprovação da origem dos recursos utilizados nos depósitos efetuados em contas correntes bancárias. Considerando os estritos termos, da Intimação inicial e do Auto de Infração, e o rigor da tributação, não se pode tolerar, por parte do Fisco, qualquer deslize na identificação precisa e induvidosa dos elementos ensejadores da autuação. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10825.000668/200520 Acórdão n.º 2102002.993 S2C1T2 Fl. 471 7 [...] Assim agindo, não pode a fiscalização fazer incidir tributo sobre outros créditos que não sejam depósitos, tais como: transferência entre contas ou agências. [...] Transmudar o fato gerador de mensal para anual na tributação de depósitos bancários, constitui violência ao princípio da legalidade. Nosso ordenamento jurídico consagra a prevalência da legislação específica sobre a genérica, e o § 4°, do art. 42, é específico, de observância obrigatória, mesmo quando um ato de hierarquia inferior pretende subordinálo à legislação inovada. [...] Resta, também, equivocado o Auto de Infração ora guerreado, porque fixa, expressamente, mês a mês, a data de ocorrência de fatos geradores. E, se este somente se aperfeiçoa em 31 de dezembro, a data lançada no instrumento acusatório, está errada, tornandoo nulo de pleno direito por não satisfazer pressuposto indispensável à sua totalidade. Se o Imposto de Renda das Pessoas Físicas passou a ser devido mensalmente, na medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos, e os depósitos bancários titulados de rendimento omitidos devem ser considerados auferidos e tributados no mês do crédito pela instituição financeira, impossível dissociar a ocorrência do fato gerador da data desse evento. [...] Como já esclarecido, foram autuados na mesma época a empresa Collector, seu sócio majoritário Luiz Antonio Damico Cairo, Renan Santana Cairo e a Recorrente, cujos processos já foram citados nesta peça. [...] Fundamentado nas razões expostas, o Recorrente postula a nulidade do lançamento, tendo em vista o desatendimento a seus princípios norteadores e a legislação aplicável à espécie. Todavia, a nulidade poderá deixar de ser pronunciada uma vez reconhecida a improcedência do mesmo. É o relatório. Passo a decidir Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratamse os presentes autos acerca de omissão de rendimentos caracterizada através de depósitos bancários de origem não comprovada. Inicialmente alega a recorrente que “a preliminar de nulidade suscitada na peça vestibular, caracterizada por erro na identificação do sujeito passivo, não foi apreciada pela Turma Julgadora.” Sustenta que era apenas a titular de direito das contas bancárias mantidas junto ao Banco Itaú e Bradesco, e que a movimentação era efetuada por seu progenitor Luiz Antonio Damico Cairo, CPF nº 335.838.40801, no interesse da pessoa jurídica Collector Ind. e Com. de Produtos Hospitalares Ltda, CNPJ nº 02.710.676/000102, e neste tocante, afirma que os extratos bancários constantes do processo noticiam muitas transferências da pessoa jurídica para a conta mantida em nome da contribuinte. Dá analise dos autos, verificase que a contribuinte não logrou comprovar que os valores creditados nas suas contas bancárias mantidas junto ao Banco Itaú, CC. 07109 6, Ag. 1657 e Banco Bradesco CC. 9962, Ag. 32999, são oriundos da atividade financeira da empresa COLLECTOR. Com efeito, vislumbrase que a contribuinte limitouse a acostar os extratos bancários dos bancos supracitados (fls. 45/140) e a apresentar uma planilha (fls. 447/449), que denominou de “CRÉDITOS DE TITULARIDADE DA EMPRESA COLLECTOR” onde aponta os titulares das movimentações bancárias e os respectivos valores movimentados, contudo, deixa de acostar qualquer outro documento adicional, hábil à comprovar que os valores creditados nas contas tiveram origem na movimentação financeira da empresa COLLECTOR. Assim, não tendo a recorrente comprovado a origem dos créditos efetuados em suas contas bancárias, não há nada que levese a inferir que tais valores são produto da atividade de cunho empresarial que porventura tenha exercido, visto que retirouse da sociedade em 08/06/2004, conforme cópia do Instrumento Particular de Alteração Contratual de Sociedade Limitada, constante em fl. 34. Inclusive, sendo a contribuinte a titular da conta bancária que ensejou o lançamento, não há que se falar em erro na identificação do sujeito passivo, isso porque, no lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a simples alegação de que os recursos depositados nas contas bancárias da contribuinte pertenceriam a uma terceira pessoa, quer seja pessoa jurídica ou física, sem a efetiva comprovação desse fato, não desqualifica o titular da conta como sujeito passivo, no caso de lançamento com base no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996. No mérito, a omissão de rendimentos em face dos depósitos bancários em contas da contribuinte, cuja origem não foi comprovada, respaldase no art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, que dispõe:“caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimada para comprovar a origem dos depósitos, conforme consta na Fl. 475DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10825.000668/200520 Acórdão n.º 2102002.993 S2C1T2 Fl. 472 9 intimação e seus anexos, em fl. 351 e seguintes, a contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. Portanto, verificada a ocorrência da hipótese descrita em lei, qual seja, de que o contribuinte recebeu depósitos e eximiuse de comprovar, depósito por depósito, mediante documentação hábil e idônea a sua origem, correta é a autuação. A justificativa para cada depósito deve ser acompanhada de provas a cargo do contribuinte. As alegações apresentadas na impugnação e no presente recurso de que as contas bancárias serviram exclusivamente aos interesses da empresa COLLECTOR, diretamente ou através do progenitor e irmão da peticionaria, carecem de elementos probatórios. Qualquer alegação efetuada para justificar cada depósito deve ser comprovada documentalmente e individualizadamente, o que não ocorreu. Quanto a alegação da recorrente que “tendo a fiscalização intimado a comprovar apenas a origem dos depósitos, não pode arrolar para tributação valores lançados nas contas correntes a títulos outros, tais como "DOC", "CEI", "TED", "TBI", "AG. TEF”, "CEI, TEF", "TRANSFERÊNCIA", etc.” Neste tocante, cabe esclarecer que a expressão ‘depósitos bancários’ se reporta a seu sentido lato sensu, ou seja, engloba todos os valores creditados em conta bancária do contribuinte, incluindo as movimentações de DOC, CEI, TED, TBI, CEI, etc. Dos valores creditados, excluise tão somente as transferências bancárias entre contas do mesmo titular. Ademais, o art. 42 da Lei nº 9.430/1996, estabelece que caracterizamse também omissão de receita ou rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, e no seu §3º, inciso I, determina a exclusão dos valores relativos à transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica. In verbis: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; Nesse sentido, cabe transcrever ainda, excertos da decisão a quo, a qual bem fundamentou acerca da questão dos depósitos bancários e sua abrangência: “(...) não importa se foi um depósito em dinheiro vivo, uma transferência, um DOC... O que importa, para que se comprove a origem, é que tenha havido um crédito, um acréscimo no saldo da conta bancária. Dispensase a prova da origem no caso em que os créditos são decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica (§ 3°, I, do art. 42). Fl. 476DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 Ou seja, quando houver a transferência de conta de qualquer outro titular não estará dispensada a prova da origem.” Quanto a alegação de que “a fiscalização da pessoa jurídica também repercutiu em toda a família do sócio majoritário Luiz Antonio Damico Cairo, cuja pessoa física foi autuada conforme processo n°. 10825.000670/200507, e também seu filho Renan Santana Cairo, irmão da Recorrente processo n°. 10825.000669/200574”, em nada prejudica o mérito deste litígio, tendo em vista que a recorrente foi autuada tão somente pelos valores creditados nas contas bancárias de sua titularidade, não havendo relação com contas dos demais sócios da empresa COLLECTOR. Por ser assim, quando houver transferência de conta de qualquer outro titular não estará dispensada a prova da origem. Inclusive, em consulta aos processos supramencionados pela recorrente, constatei que o de nº 10825.000669/200574, houve recurso voluntário fundado nos mesmos argumentos do presente feito, sendo àquele não conhecido, em decorrência de intempestividade. Por todos estes motivos, deve ser mantido o presente lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 477DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 14/07/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13811.003469/2009-44
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Mara Eugenia Buonanno Caramico, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o Relatório da decisão de 1ª instância administrativa (fls. 67/69 deste processo digital), reproduzido a seguir: DA AUTUAÇÃO O processo referese a Notificação de Lançamento, fl. 05, ao(s) ano(s) calendário de 2005, por meio do qual foi exigido o valor de R$ 27.495,09, relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física Suplementar, Multa e Juros. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 11 .0 03 46 9/ 20 09 -4 4 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13811.003469/200944 Resolução nº 2801000.301 S2TE01 Fl. 111 2 A notificação em foco decorreu da Dedução Indevida com Dependentes, Dedução Indevida de Despesas Médicas, Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. DA INFORMAÇÃO FISCAL O procedimento fiscal que resultou na constituição do crédito tributário, acima referido, encontrase relatado às fl(s). 06/10, a(s) qual(is) expõe(m), em síntese: • Dedução Indevida com Dependentes. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 1.404,00 deduzido indevidamente a título de Dependentes, por falta de comprovação. • Dedução Indevida de Despesas Médicas Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida Intimação, foi glosado o valor de R$ 1.200,00 deduzido indevidamente a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação. • Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Regularmente intimado, o contribuinte não atendeu a Intimação até a presente data. Em decorrência do não atendimento da referida intimação, foi glosado o valor de R$ 36.546,48 deduzido indevidamente a título de pensão alimentícia judicial, por falta de comprovação. • Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica Em decorrência do contribuinte regularmente intimado, não ter atendido a Intimação até a presente data, procedeuse ao lançamento de oficio, conforme a seguir descrito. Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados, com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte — Dirf, para o titular e/ou dependentes, constatouse omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 12.000,00 conforme relacionado abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 0,00. DA IMPUGNAÇÃO A Notificação de Lançamento foi lavrado em 23/04/2006, às 09:00 horas, fl. 05. A ciência pelo(a) contribuinte ocorreu em 28/08/2009. O(a) contribuinte ingressou com a impugnação (fls. 01/04) em 28/09/2009, alegando, em síntese: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13811.003469/200944 Resolução nº 2801000.301 S2TE01 Fl. 112 3 • Não recebeu a notificação, por isso solicita anulação do procedimento. • Tem quatro filhos e paga pensão judicial a alguns deles, fato que comprova através de documentação. • Comprova suas despesas médicas. • Não houve omissão de receita e sim apenas uma falta de declaração da receita, uma vez que a receita já foi tributada pela fonte pagadora. • No item dependente a instituição de ensino ainda não entregou os documentos solicitados. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte por intermédio do acórdão de fls. 66/77, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se ao contribuinte é concedido direito e oportunidade de apresentar defesa e documentos e provas relacionados ao pleito nela contido. DEDUÇÃO DE DEPENDENTE É considera válida a dedução de dependente devidamente comprovado. PENSÃO ALIMENTÍCIA. PROVAS. Para fazer jus às deduções relativas às importâncias pagas a título de pensão alimentícia, deve haver comprovação do direito às referidas deduções com os documentos exigidos pela legislação do Imposto de Renda Pessoa Física. Na falta de comprovação do direito às deduções informadas na declaração de ajuste, é de se manter o lançamento nos exatos termos em que efetuado. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Não comprovados os pagamentos efetuados a titulo de despesas médicas é de manterse a glosa para essas deduções pleiteadas na declaração de ajuste anual. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Todos os rendimentos recebidos pelo contribuinte devem ser constar na Declaração de Ajuste Anual. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/06/2013 (fl. 81 deste processo digital), o Interessado interpôs, em 24/07/2013, o recurso de fls. 88/102. Na peça recursal aduz, em síntese, que: PRELIMINARMENTE Fl. 112DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13811.003469/200944 Resolução nº 2801000.301 S2TE01 Fl. 113 4 Inexistência da intimação do lançamento de ofício e ofensa ao princípio da ampla defesa e contraditório A decisão recorrida entendeu que o Recorrente foi devidamente intimado em 18/06/2009, conforme demonstrados às fls. 44 dos autos. Ocorre que o documento de fls. 44 não se refere ao sistema da RFB comprovando intimação nenhuma, mas sim uma procuração ad judicia outorgada pelo Recorrente a um advogado para efetivar sua separação judicial. A atitude perpetrada pelos agentes fiscais não obedeceu ao art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999 – RIR/1999. O lançamento de ofício precisa observar o art. 844 do RIR/1999. Não existe nos autos nada que comprove que a intimação do Recorrente foi efetuada nos termos do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Deve ser declarada a nulidade do lançamento por falha na notificação do Recorrente. MÉRITO Dedução de pensão alimentícia Se na própria ação de investigação de paternidade ficou convencionado o pagamento de pensão alimentícia, a falta de decisão judicial exonerando o pagamento torna a dedução da pensão perfeitamente legal, nos termos da Súmula nº 358 do STJ, mesmo a filha possuindo 23 anos no anocalendário do lançamento. O STJ vem entendendo que a obrigação alimentar homologada judicialmente somente poderá ser extinta através de ação judicial própria (ação de exoneração de pagamento de pensão alimentícia). No que tange à comprovação do pagamento extraise dos autos, mais precisamente às fls. 25, que referido documento tem valor probante, pois foi devidamente assinado com reconhecimento de firma da assinatura da genitora da Sra. Vanessa Florentino dos Santos. Às fls. 34 dos autos a Sra. Valdice Rocha Pinto declarou que recebeu a importância de R$ 10.636,56. Em que pese o fato de a decisão judicial fixar descontos de 18% de rendimentos líquidos, o fato é que existiu o pagamento declarado por quem deveria receber, não devendo ser glosada a dedução. Com relação à dedução da filha Patrícia de Paula deve ser aplicada a Súmula 358 do STJ (necessidade de ordem judicial de exoneração). Dedução de despesas médicas Nos termos da legislação, a comprovação de despesas médicas deve ser feita com documento onde conste nome, endereço e CPF/CNPJ do prestador dos serviços, devendo Fl. 113DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13811.003469/200944 Resolução nº 2801000.301 S2TE01 Fl. 114 5 ser glosada a diferença do que foi deduzido (R$ 1.200,00) pelo valor efetivamente pago (R$ 994,20). Omissão de rendimentos O Recorrente foi funcionário da empresa Cooperativa dos Trabalhadores Autônomos em Transportes de São Paulo. O que ocorreu foi omissão de obrigação acessória, e não omissão de receita, uma vez que esta já havia sido deduzida pelo empregador. PEDIDOS Aguarda o Recorrente seja recebido e provido o presente recurso. Requer, também, que a sua intimação seja feita no endereço Rua Penedo de Castro nº 256, Jardim Cliper, São Paulo, SP; e que a intimação de seu patrono seja feita no endereço Av. Adolfo Pinheiro nº 1.000, Conj. 74, 7º andar, São Paulo, SP. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Observo, inicialmente, que a circunstância fática que serviu de fundamento para todas as infrações apontadas na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” foi a regular intimação do contribuinte, que não a atendeu, o que deu causa às glosas de despesas médicas, pensão alimentícia judicial e à infração de omissão de rendimentos. O Recorrente pleiteia a nulidade do lançamento sob o argumento de que não foi intimado na forma estabelecida pela legislação tributária (intimação da Malha Fiscal para prestar esclarecimentos), mas que a decisão recorrida entendeu que houve a intimação em 18/06/2009, mas ainda que não houvesse, inexistiria prejuízo, consoante exposto na fundamentação da decisão recorrida (fl. 69), nos seguintes termos: Todavia, comprovase pelos sistemas da RFB que o contribuinte foi intimado em 18/06/2009 para prestar os devidos esclarecimentos, fl.44. Ademais, mesmo que não houvesse tomado conhecimento, não haveria prejuízo, visto que somente se instaura o contraditório após a apresentação da impugnação, quando passam a ser aplicáveis os princípios da ampla defesa e do contraditório. Permitome discordar dos ilustres julgadores da instância de piso. É que o motivo é a circunstância de fato ou direito que autoriza a realização do ato administrativo, vale dizer, do ato de lançamento. O agente fiscal, ao efetuar o lançamento, fica na obrigação de justificar a existência do motivo. Assim o fazendo (motivação = exposição dos motivos), vinculase aos motivos aduzidos, sujeitandose à obrigação de demonstrar a sua efetiva ocorrência. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 13811.003469/200944 Resolução nº 2801000.301 S2TE01 Fl. 115 6 Em outras palavras: se o fato que originou o lançamento foi a regular intimação do contribuinte, que não a atendeu, o Termo de Intimação Fiscal e o comprovante de sua ciência devem integrar o respectivo processo, sem o que o ato será inválido. Pois bem. Não constam dos autos o Termo de Intimação Fiscal TIF que supostamente intimou o contribuinte a comprovar as despesas deduzidas e a justificar a omissão de rendimentos, tampouco o comprovante de ciência do TIF. Da mesma forma, não foi juntada aos autos a declaração de ajuste anual do Recorrente. Nesse cenário de ausência de documentos imprescindíveis ao deslinde da controvérsia, sou pela conversão do presente julgamento em diligência a fim de que a DRF de origem junte aos autos o Termo que intimou o Interessado a comprovar as despesas deduzidas e a justificar a omissão de rendimentos, acompanhado da prova de ciência do contribuinte, bem como a cópia da declaração de ajuste anual relativa ao anocalendário de 2005, exercício 2006. Após as providências mencionadas, o contribuinte deve ser intimado para, caso queira, apresentar novas alegações circunscritas ao fato objeto da presente Resolução. De seguida, os autos deverão retornar a este Conselho para a conclusão do julgamento. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 115DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/08/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10865.900350/2009-06
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.
No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 03 50 /2 00 9- 06 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900350/200906 Acórdão n.º 3801004.040 S3TE01 Fl. 8 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 4ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de Declaração de Compensação (DCOMP) eletrônica, transmitida, por meio da qual a contribuinte solicita a compensação de débito com crédito decorrente de valor que teria sido indevidamente recolhido a título de contribuição para O Programa de Integração Social (PIS). Na apreciação do pleito, manifestouse a D elegacia da Receita Federal do Brasil em LimeiraSP pela homologação da compensação declarada, mediante Despacho decisório, fazendo o com base na contestação da inexistência do crédito informado, uma vez que o Darf, descriminado na Dcomp, não foi localizado no sistema. Inconformada com a nãohomologação da compensação, contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual alega que o Darf não foi localizado porque, à época, o programa gerador da Dcomp não possibilitava informar a real data da arrecadação. Esclarece que a data da arrecadação é a data do vencimento informada, a qual poderá ser consultada nos sistemas da Receita Federal, confirmando o crédito pretendido. Informa que junta aos autos a cópia do Darf informado na Dcomp, para análise. A contribuinte passa, então, a apresentar os fundamentos legais e tecer considerações sobre o prazo para pleitear restituição. Defende a interessada que tratandose de contribuição sujeita a lançamento por homologação, o prazo decadencial só começa a fluir após decorridos 5 (cinco) anos da data do fato gerador, somados mais 5(cinco) anos se a homologação se der de forma não expressa. Assim, argumenta, dispõe de 10ª nos para pleitear a restituição, sem prejuízo dos acréscimos e demais cominações. A DRJ de Florianópolis (SC) decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900350/200906 Acórdão n.º 3801004.040 S3TE01 Fl. 9 3 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADÊNCIAL O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo decadencial de cinco anos, contados da data do pagamento indevido. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Não tendo sido localizado o Darf com as características indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratificase o despacho decisório que não homologou a compensação. Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Contudo, a contribuinte vem aos autos, consoante requerimento, juntando ainda documentos comprobatórios de capacidade postulatória, requerer o cancelamento do processo. É o sucinto relatório. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900350/200906 Acórdão n.º 3801004.040 S3TE01 Fl. 10 4 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela Recorrente. Como relatado, a Recorrente apresentou requerimento de cancelamento do pedido de compensação. Foi encaminhado a este relator o presente processo com o seguinte Despacho de Encaminhamento: DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO Considerando que o contribuinte apresentou requerimento de desistência da compensação, que o mesmo apresentou Recurso Voluntário referente ao crédito objeto de Restituição e que não houve o cumprimento da Intimação para comprovação da representatividade do signatário do Recurso Voluntário, encaminho o processo ao CARF/MF/DF para julgamento O pedido foi formulado pelo sócioadministrador da empresa, consoante pode ser verificado no art. 8º do contrato social da empresa. Deste modo, entendo que o requerimento de cancelamento do pedido formulado pela contribuinte configurase claramente como desistência do pedido a qual ele se funda. Logo, compreendo que ocorreu desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário ora em julgamento. Assim, entendo que no caso de desistência manifestada através de petição nos autos do processo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, in verbis: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.900350/200906 Acórdão n.º 3801004.040 S3TE01 Fl. 11 5 §2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Desse modo, estão configurados todos os requisitos do não conhecimento do Recurso, quais sejam: apresentação de pedido expresso por escrito, sob a forma de petição, em qualquer tempo por representante legítimo do contribuinte. Logo, operamse de imediato e irrevogavelmente todos os efeitos do pedido de desistência: renúncia à pretensão do direito e não conhecimento do recurso. Ante ao exposto, em observância ao disposto no art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/7/2009, voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 19515.004544/2003-20
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/12/1999, 30/06/2000
DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO.
Constatadas divergências entre a escrituração e os valores declarados/pagos, é cabível o lançamento de ofício para a constituição do respectivo crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-000.317
Decisão: Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Eduardo Martins Neiva Monteiro
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Recorrente MARIA HELENA JORGE SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/12/1999, 30/06/2000 DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO, Constatadas divergências entre a escrituração e os valores declarados/pagos, é cabível o lançamento de oficio para a constituição do respectivo crédito tributário.. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos Acordam os membros do colegiada, por unanimidade de votos, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner — Presidente (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Karem Jureidini Dias.. 1 EDUARDC) FEIRO 2 , 1/09.2010 rur. di,jituLmeni 2 m i D 2010 [J ur ÉDUARDO HF.7[VA I 1.,-ji,:C3 Eimnido 2:1:.1W20 Minis n ério da Fazenda DE . CARIL Relatório Trata-se de auto de inflação de CSLL, relativo aos fatos geradores 12/1999 e 06/2000, no valor total originário de R$ 2.685,59, sobre o qual incidem multa de oficio e juros de mora.. De acordo com Termo de Verificação e Constatação (fis.15/16), a contribuinte declarou em DCTE valores inferiores aos apurados pela fiscalização com base no livro Registro de Saídas. Na impugnação (fis.26134) suscitou-se a nulidade e a insubsistência do lançamento com base nos seguintes argumentos: - o crédito tributário de IRPJ (e reflexos) teria sido arbitrado com base em extrato bancário; - a base de cálculo fora alterada pelo agente fiscal ao utilizar valores constantes de extratos bancários; - o fato gerador e a base de cálculo apenas poderiam ser estabelecidos por lei complementar, conforme dispõe a Constituição Federal; - a quebra de sigilo bancário sem ordem judicial feriria cláusula pétrea constitucional; - os depósitos judiciais per si não representariam operações tributáveis; - o simples fluxo de entradas e saídas de dinheiro não caracterizaria disponibilidade econômica ou jurídica, nem acréscimo patrimonial; - a Súmula 182 do TER ("é ilegítimo o lançamento do Imposto de Renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários") é seguida pelo TRE 2 Região e extinto Primeiro Conselho de Contribuintes; - o IRPJ e a CSLL incidiriam sobre o lucro, entendido como o resultado proveniente das receitas diminuídas das despesas e custos. A DR1--SPOI considerou procedente o lançamento, conforme Acórdão ri° 16- 13.592 (fis.71/74) que recebeu a seguinte ementa: "LUCRO PRESUMIDO. DIVERGÊNCIA DE VALORES ENTRE ocrp- E ESCRITURAÇÃO FISCAL Verificada divergência entre os valores informados em DCTF e os da escrituração, cabível o lançamento de oficio das diferenças de tributos não pagas IMPUGNAÇÃO COM ARGUMENTOS SEM NEXO CAUSAL COM A il/L4TÉRIA OBJETO DO AUTO DE INFRAÇÃO. Considera-se não refirtada, no mérito, a inatéria tributável objeto da autuação fiscal se os argumentos expendidos na impugnação dizem respeito a matéria estranha ao Auto de Infração de que se trata Entretanto, admite-se como impugnado o lançamento se existir, como preliminar, argüição de nulidade do Auto de Inflação No Recurso Voluntário interposto tempestivamente o contribuinte alega, em síntese (fis.89/97): erfi ri por E DLIAID() NI,ARTINS NEivA pE:ir VT\ILANE •IDAL WAGNER pc.,u 1\4A1-,',TINS 1 ,11: i 17: Ernjtd.c ) eru 1 n p.7.10 Miii j St71 JflFaZ(:11(j;:l 2 1)1 . ( N11 Processo n" 19515 004544/2003-20 Acórdão n " 1401-00,317 s1-041-I Fl 105 - não recebera a intimação durante o procedimento fiscal, pois já se encontrava com suas atividades paralisadas, o que levou a fiscalização a se valer da modalidade por edital; - apenas soube da intimação quando o seu contador constatara a existência de procedimento administrativo em curso, tendo entregue à fiscalização extratos bancários do ano-calendário 1998; livros Registro de Entradas e Saídas dos anos-calendário 1998 a 2002; e notas fiscais de entradas e saídas relativas ao ano-calendário 1998; - o desconhecimento da localização dos livros Diário e Razão impossibilitaria a reconstituição da contabilidade do ano calendário 1998; - o auto de infração teria sido lavrado em decorrência da movimentação bancária; - faltaria motivação ao auto de infração, vez que inexistiriam divergências entre as DCTF e a escrita fiscal; - a fundamentação legal da autuação e a correta e fiel descrição dos fatos deixaram de ser expostos pela fiscalização; - não teria sido informado sobre os períodos e valores relacionados às divergências detectadas; - a decisão de primeira instância seria nula, pois lhe faltaria fundamentação e motivação, além de ter deixado de analisar "...alguns tópicos cia defesa, em especial aqueles referentes aos vícios /banais constantes do Auto de Infração". É o que importa relatar, Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. De acordo com o Termo de Constatação Fiscal resta claro que a autuação decorreu do fato de o sujeito passivo ter deixado de declarar (em DCTF) e de recolher determinados valores a título de CSLL, conforme QUADRO RESUMO — DEMONSTRATIVO DE SITUAÇÃO FISCAL APURADA (f1.16).. Nesse Termo, contrariamente ao que se alega, os fatos foram devidamente expostos, bem como a fundamentação legal do lançamento. A autoridade fazendária simplesmente levou em consideração os valores escriturados e os comparou com o quantiam declarado/pago, não havendo se falar em autuação decorrente de movimentação bancária_ Aquele Quadro elaborado pela fiscalização demonstra, por fato gerador, tal procedimento, razão pela qual não se sustentam as alegações de defesa atinentes à ausência de motivação decorrente do suposto desconhecimento dos valores e períodos objeto da autuação. O recorrente ainda suscitou impropriedade do procedimento fiscal pelo fato de as intimações terem sido realizadas por edital. Mesmo que tal afirmativa seja verdadeira, a participação do profissional contador no decorrer da ação fiscal, que, como afirma a própria recorrente, entregou à fiscalização livros fiscais; bem como as oportunidades, na impugnação e no recurso voluntário, de carrear aos autos a documentação que entendesse necessária para afastar as conclusões fiscais, demonstram que em momento algum o contribuinte teve cerceado o seu direito ao contraditório e à ampla defesa.. 03.1):1¡2!;) I I) pui IJUARDC.) I',10I'jTE:IF.ILD 2 1:010 VIVIANE VIDAL \IVAGI1EP I3:3:C.II:2I)10 por ED IJAPI.)0 [KIS I'lF.P1A MOI-.1-1"DRO Enlitido 24:i.)!»2I..) 10 {v-.;lo cta DF (A RI NIT. L'Ut21',41C-- Afasta-se também a alegação de nulidade da decisão de primeira instância por falta de fundamentação e motivação. O respectivo acórdão bem cuidou das questões postas, especificamente quando alertou para o fato de que as razões expostas na impugnação não guardavam relação com objeto do auto de infração, pois "...reflitam arbitramento do lucro e matéria alusiva a tributação de depósitos bancários, matéria essa objeto do processo administrativo n" 19515.004542/2003-31", No que concerne ao argumento de que em tal julgamento as alegações veiculadas na impugnação, relacionadas à suposta existência de vícios formais no lançamento, deixaram de set analisadas, cabe dizer que ali não foram veiculadas. A propósito, a URI entendeu pela inexistência de qualquer vício, sendo esclarecedora a seguinte passagem do correspondente voto condutor, da qual também me valho como razão de decidir: "(...) Quanto a outros aspectos, de não preenchimento dos requisitas ou correta averiguação dos fátos, resta evidente que o Auto de Infração foi elaborado com os requisitos indispensáveis à sua constituição, com a descrição dos fatos apurados pelo fisco e sua correspondente subsunção à norma jurídica tributária veiculada no enquadramento legal Aliás, o Decreto n" 70235, de 06 de março de 1972, ai t 9", já com a nova redação dada pela Lei n°8.748, de 9 de dezembro de 1993, requer que o auto de infração seja instruído com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação cio ilícito, cientificando o sujeito passivo desses atos e documentos Entendo que a referida determinação fui respeitada na elaboração do presente auto de infração, haja vista que as irregularidades apuradas são provenientes de diferenças de CSLL apuradas pelo confronto da DCTF com a escrituração da contribuinte, cujos demonstrativos encontram-se anexos aos autos, no relatório fiscal, Constam, ainda, os demonstrativos da penalidade aplicada e dos furos de mora, o montante do tributo devido, a identificação do sujeito passivo, o termo de intimação para o seu cumprimento ou oferecimento de impugnação, conforme exigido por lei, a identificação da autoridade .fiscal, incluindo sua matricula . funcional. Portanto, o auto de infração contém as condições necessárias para produzir o efeito que lhe compete, qual seja, formalizar o crédito tributário, individualizando-o e dando-lhe a condição de exigibilidade, confbrme determina o Código Tributário Nacional (CTN), art 142. Portanto, demonstrado que o Auto de Infração encontra-se regularmente constituído, rejeita-se a preliminar argüida "(destaquei) Por fim, sendo os fatos geradores objetos da autuação relativos ao 4° trimestre de 1999 e 2° trimestre de 2000, irrelevante a não localização dos livros Diário e Razão relativos ao ano-calendário 1998. \fIrI d101:1111?;-;Ilt'.:' ! :11 n .) 31.1 920 . 1 Í) r j E:IF EI1UARDO mARTuls NEIVA u.lorfitir•;(-.) 2d,L ogt2o-lopt2. VIVIANE Auk„Í i tjc .:ado •0 rx.}r EDUARDO MARTH'iS HENA MON'I EIRO E indido edd l 2-VOW2U da Fazendn 4 1)/ .. A RJ' Mi' Processo W 19515 004544/2003-20 s 1-C4T 1 Acórfflo n ." 1401-00317 19 106 Pelo exposto, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro dir.n1a1Tr.;liti.; pf)r r),IARTIHS 11,:r1.1)1'1'1'1E11C.1, 2 , 1»3W2010 por 1.11\11ANE V11/AL Aulr:fflicad-;) di1i',1)1}nr)ri1e C51 , 1..):_ii0!),"22 10 pOt FIM ,ÁP.DO MART11 . .11:'.-1 1 , !EIVA 1 1:-...11)10 Erriltfr.lo 21:01:11:11::0 1 0 pIi IiI da F:EzeryirA MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO — QUARTA CÂMARA Processo n° : 19515.004544/2003-20 Interessado : MARIA HELENA JORGE SILVA TERMO DE JUNTADA I" Seção/4" Câmara Declaro que juntei aos autos o Acórdão/Resolução n° 1401-00.317, assinado digitalmente, às fls. ( ), por mim numeradas e rubricadas, e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal em para ciência do interessado e demais providências, Brasília, Chefe da Secretaria
score : 1.0
